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Numero do processo: 10480.908647/2012-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos que não possuam os atributos da liquidez e certeza.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL.
A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-002.269
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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DCOMP. Recorrente MAUES LOBATO COMERCIO E REPRESENTACOES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos que não possuam os atributos da liquidez e certeza. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 86 47 /2 01 2- 21 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908647/201221 Acórdão n.º 3201002.269 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório MAUES LOBATO COMERCIO E REPRESENTACOES LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. A DRF/Recife emitiu o Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade a contribuinte alegou que os créditos em questão seriam "relativos a pagamentos a maior ou indevidos de PIS ou COFINS", originados "da retificação dos DACON da empresa, após a realização de auditoria interna", onde teria sido constatado que diversos créditos, oriundos das contribuições PIS e COFINS não cumulativas, não teriam sido contabilizados. Afirmou que realizou a retificação de suas DACON para, posteriormente, apresentar as respectivas PER/DComp. Assim, sustenta que os créditos oriundos dos alegados indébitos estariam plenamente demonstrados nos DACON retificadores entregues eletronicamente à SRF, o que dispensaria a juntada desta demonstração ao processo, conforme determinaria o Art. 37 da Lei 9.784/99. Ao final, alegou que o erro de não ter retificado tempestivamente suas DCTF´s não implica na inexistência de seus créditos. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 03059.541, cuja ementa segue transcrita, na parte essencial: APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 70DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908647/201221 Acórdão n.º 3201002.269 S3C2T1 Fl. 4 3 Direito Creditório Não Reconhecido Em seu recurso voluntário a contribuinte traz, em resumo, os seguintes argumentos: a) reitera que a origem de seu direito creditório estaria demonstrada no DACON, e que os valores que originaram os pagamentos a maior e retenções já estariam na base de dados da SRF. Neste ponto, aduz que não lhe foi dada oportunidade de conversão do julgamento em diligência, nem teria sido intimada a juntar novas provas, o que teria prejudicado seu direito ao contraditório e à ampla defesa. Por tudo isto, alega, preliminarmente, que teria havido cerceamento de seu direito de defesa, solicitando a anulação da decisão da DRJ; b) reclama que bastaria uma simples comparação dos DACON com os valores recolhidos pela empresa para verificar a procedência do direito pleiteado, alegando que o parágrafo único do Art. 26 do Decreto 7.574/2011 determina que a prova da inveracidade dos fatos registrados caberia à autoridade fiscal. Desta forma, estaria se impondo um ônus injustificado ao contribuinte; c) reclama, ainda, que não teria havido uma recusa fundamentada acerca do pedido de produção de prova posterior, conforme determinaria o Art. 39, par. único, da Lei 9.784/99, que regula o processo administrativo. Portanto, a decisão recorrida deveria ser anulada, conforme determinaria o Art. 53 do mesmo diploma legal. Neste sentido, sustenta que as diretrizes da verdade material devem ser observadas pelos agentes da administração e transcreve ementas de julgados que ilustram seus argumentos; d) solicita, ao final, a anulação da decisão recorrida por violações aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade, informalidade e verdade material. Pede, ainda, que após a anulação da decisão da DRJ seja reconhecido seu direito creditório com a conseqüente homologação das compensações declaradas, ou seja o julgamento convertido em diligência. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.265, de 24/08/2016, proferido no julgamento do processo 10480.908649/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.265): Fl. 71DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908647/201221 Acórdão n.º 3201002.269 S3C2T1 Fl. 5 4 "Observados os pressupostos recursais, a petição de fls. 43 a 52 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/Brasília/4ª Turma, nº 0359.543, de 27 de fevereiro de 2014. O recorrente invoca, preliminarmente, o princípio processual da verdade material. O que deve ficar assente é que o referido princípio destinase à busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento ou por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito, onde se objetiva a restituição de um alegado crédito, seja proposto sem a devida e minuciosa demonstração e comprovação da efetiva existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento, se oportunize tais demonstração e comprovação. Com essa introdução, entendo que deve ser afastada a insinuação recursal, implícita no brado pelo princípio da verdade material, de que esta instância de julgamento estaria obrigada a acolher todos e quaisquer documentos que por ventura acompanhem o recurso, primeiro porque existe um evidente limite temporal para a apresentação de provas no rito instituído pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF que no presente caso é o momento processual da apresentação da manifestação de inconformidade, segundo porque o ônus probatório aqui é do contribuinte, quando este pleiteia um ressarcimento ou uma restituição de indébito, tem a obrigação de comprovar inequivocamente o seu alegado direito creditório no momento que contesta o despacho decisório e instaura o contencioso. No caso, a decisão recorrida não acolheu a alegação de erro na apuração da contribuição social, nem a simples retificação do DACON para efeito de alterar valores originalmente declarados, porque o declarante, em sede de manifestação de inconformidade, não se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia e não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar a motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou mesmo para eventualmente comprovar a alegada inclusão indevida de valores na base de cálculo das contribuições, que poderiam levar à reduções de valores dos débitos confessados em DCTF. Novamente, agora já em sede de recurso voluntário, o interessado não aportou aos autos qualquer documentação probatória, limitandose a bradar contra alegadas violações à princípios constitucionais e também a afirmar que todas as informações já constariam na base de dados da SRF, Fl. 72DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908647/201221 Acórdão n.º 3201002.269 S3C2T1 Fl. 6 5 que portanto não haveria necessidade da juntada de quaisquer outros documentos e ainda, que caso tais informações se revelassem insuficientes, deveria ter sido solicitada a realização de diligência. Conforme bem apontou a decisão da DRJ, a declaração do contribuinte em DCTF constituise em confissão de dívida, o que confere liquidez e certeza à obrigação tributária. No atual momento processual, para se comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na Declaração de Compensação seria imprescindível uma cabal demonstração na escrituração contábilfiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, da alegada diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. As alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, uma vez que a juntada das provas aos autos dever ser praticada no tempo certo, sob pena de preclusão, isto porque o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. Conforme o § 4º do art. 16 do PAF, só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: relativas a direito superveniente, demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Compete ainda ao julgador administrativo conhecer de ofício de matérias de ordem pública, a exemplo da decadência; ou por expressa autorização legal. Finalmente, o § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 73DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908647/201221 Acórdão n.º 3201002.269 S3C2T1 Fl. 7 6 (...) Contudo, no caso desses autos, o recorrente sequer se preocupou em trazer oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36. Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC). Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) no caso concreto deveria ter sido efetuada mediante apresentação oportuna de documentos contábeis e/ou fiscais capazes de efetivamente demonstrar que o valor da contribuição do período de apuração de interesse não teria atingido o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado na DCTF retificadora (que no presente caso sequer efeitos surte quanto à redução deste débito) e no DACON retificador, de caráter meramente informativo. Como o contribuinte sequer procurou juntar aos autos qualquer tipo de documentação na intenção de demonstrar que efetivamente seria titular do alegado direito creditório, eventuais créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública ficam sem a devida comprovação de sua certeza e liquidez, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Restam, portanto, descabidas as demais alegações quanto às supostas violações à ampla defesa, bem como aos demais princípios constitucionais da razoabilidade, proporcionalidade e informalidade. Sobre a jurisprudência trazida à colação pelo recorrente, devese contrapor que se tratam de decisões isoladas, que não se enquadram ao caso em exame e nem vinculam o presente julgamento, podendo cada instância decidir livremente, de acordo com suas convicções. Além disso, tratamse de precedentes que não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a administração tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do CTN. Alertandose para a estrita vinculação das autoridades administrativas ao texto da lei, no desempenho de suas atribuições, sob pena de responsabilidade, motivo pelo qual tais decisões não podem ser aplicadas fora do âmbito dos processos em que foram proferidas. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908647/201221 Acórdão n.º 3201002.269 S3C2T1 Fl. 8 7 Com essas considerações, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. Winderley Morais Pereira Fl. 75DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Numero do processo: 16561.720041/2014-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1302-000.442
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, para sobrestar o julgamento deste até o julgamento final dos PAs. 16561.000125/2007-07 e 19515.722489/2012-44, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
ROGÉRIO APARECIDO GIL - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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Compensação Recorrente ABRIL COMUNICAÇÕES S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, para sobrestar o julgamento deste até o julgamento final dos PAs. 16561.000125/200707 e 19515.722489/201244, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. (documento assinado digitalmente) ROGÉRIO APARECIDO GIL Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório O Procedimento Fiscal iniciado em 19/12/2013 constatou inconsistências no sistema SAPLI (Sistema de Acompanhamento de Prejuízos Fiscais e Base de Cálculo Negativa da CSLL) – Ano Calendário 2010, com suposta compensação indevida de prejuízos fiscais de IRPJ e CSLL, respectivamente, nos valores de R$15.064.458,59 e R$74.494.459,31, relativas à empresa incorporada “Editora Abril S/A”, CNPJ: 02.183.757/000193. O Auto de Infração (MPF n. 0818500.2013.00337), às fls. 420/428, verificou que o sujeito passivo compensou prejuízos operacionais em montante superior ao saldo desse RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 65 61 .7 20 04 1/ 20 14 -1 2 Fl. 1187DF CARF MF Processo nº 16561.720041/201412 Resolução nº 1302000.442 S1C3T2 Fl. 3 2 prejuízo, com fatos geradores ocorridos entre 01/01/2010 e 31/12/2010, apurado valor de R$15.064.458,59 e multa de 75%. Em 24/05/2014, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 439/482), expondo razões que em síntese tratavamse, preliminarmente, da economia processual para julgamento em conjunto com o Processo Administrativo nº 1656.720042/2014 59, oriundo do mesmo procedimento fiscalizatório, em razão de a presente autuação se referir a mesmos fatos e mesmo período em um único processo. Sustentou a necessidade de suspensão da exigibilidade do lançamento que originou o presente (processos administrativos nº 16561.000125/200707 e nº 19515.722489/201244) ante a ausência de decisão definitiva quanto aos “ajustes” de prejuízo fiscal e bases de cálculo negativa; e questionou a decadência no sentido de que não poderia a fiscalização ter procedido à glosa dos valores de prejuízo fiscal contabilizados pela impugnante no ano de 2003, indevidamente apontados pelo relatório fiscal como tendo ocorrido em 2004, sem procedimento administrativo de lançamento e após o decurso do prazo decadencial de cinco anos. Pontuou a ausência de motivação que deu causa ao cerceamento do direito de defesa, e o erro de motivação ante a inexistência de adição de base negativa no LALUR no anocalendário 2004. No mérito, a Manifestação de Inconformidade alegou erro de motivação sob informação equivocada utilizada como fundamento do lançamento no processo administrativo nº 19515.001392/200494, com relação a decisão final favorável à Impugnante e do ajuste de ofício no ano calendário 1999, reforçou a ausência de decisão final definitiva no processo administrativo nº 16562.000125/200707, o que impossibilitaria alteração de ofício do prejuízo fiscal/base negativa lançados no período, além de erro no montante apresentado. Pugnou pelo cancelamento do Auto de Infração neste ultimo processo administrativo mencionado por trata se de tema já decidido pelo STF. Relata a recomposição de base negativa acumulada no ano calendário 2003 e a adesão ao PAES. Questionou a multa, os juros e sua aplicabilidade sobre a multa de ofício. E, ao final, requereu imediato cancelamento do auto de infração ora combatido e o afastamento definitivo do crédito tributário constituído e das penalidades cominadas. Não obstante as alegações da recorrente, o Acórdão nº 0953.832, lavrado pela 2ª Turma da DRJ em Juiz de Fora, de 20 de agosto de 2014, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação mantendo o crédito tributário exigido, no seguinte sentido: DA TEMPESTIVIDADE DA PRESENTE IMPUGNAÇÃO A impugnação é tempestiva, estando reunidos todos os demais requisitos para a sua admissibilidade, devendo ser conhecida. DA ECONOMIA PROCESSUAL – JULGAMENTO EM CONJUNTO A hipótese não se enquadra na determinação contida no artigo 1º, inciso I, “a”, da Portaria RFB nº 666/08, visto que a exigência de CSLL ora contestada não é decorrente do IRPJ exigido naqueles autos. Sendo distintas as matérias tributáveis, devem ser julgados em conjunto os processos em comento, porém, em autos independentes. DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO LANÇAMENTO QUE ORIGINOU O PRESENTE (PROCESSOS ADMINISTRATIVOS NºS 19515.722.489/201244 E Nº 19515.722490/201279) – AUSÊNCIA DE DECISÃO DEFINITIVA QUANTO AOS “AJUSTES” DE PREJUÍZO FISCAL E BASES DE CÁLCULO NEGATIVA. Fl. 1188DF CARF MF Processo nº 16561.720041/201412 Resolução nº 1302000.442 S1C3T2 Fl. 4 3 O lançamento aqui em análise não é decorrente daquele realizado em 2012, através do processo administrativo nº 19515.722490/201279. A contribuinte utilizou base de cálculo negativa acumulada para compensar a CSLL devida de períodos posteriores, mesmo depois de alterações realizadas de ofício, ou seja: sabedora da inexistência de saldo suficiente, em função das alterações procedidas pelo Fisco, a contribuinte persistiu em utilizar a base negativa antes de alterada, sem proceder os ajustes no LALUR e realizando ainda acréscimos sem qualquer lastro em suas declarações. A utilização pela contribuinte de forma forçada e equivocada de base negativa levou ao lançamento em 2012. Em 2014, a contribuinte foi lançada por continuar a utilizar base negativa que não mais existia. A utilização indevida de base negativa em períodos de apuração distintos não gera lançamentos decorrentes. Fica configurada, de forma cristalina, que não há decorrência nos lançamentos em questão, quando se verifica que o cancelamento parcial do lançamento efetivado em 2012, ainda em primeira instância administrativa, não alterou o lançamento em análise no presente processo. A impugnação apresentada referente a determinado processo administrativo suspende a exigibilidade do crédito tributário em discussão naquele processo. Por falta de previsão legal, a discussão em processo administrativo referente a determinado período de apuração não gera suspensão da exigibilidade de crédito tributário discutido em processo administrativo distinto que trata de outro período de apuração, mostrandose escorreita a aplicação tanto da multa de ofício como dos juros de mora sobre contribuição apurada. Se houver posterior alteração da base de negativa, em função do recurso apresentado ao CARF no processo administrativo nº 19515.722490/201279, e esta influenciar o crédito tributário aqui em discussão, a contribuinte será exonerada, se for o caso, no todo ou em parte da contribuição assim como dos juros e da multa correspondentes. DA DECADÊNCIA – INDEVIDO AJUSTE DE PREJUÍZOS/BASES NEGATIVAS NOS ANOS DE 2001 A 2004. A impugnante sustenta a tese de que a Fiscalização não poderia ter buscado fatos já atingidos pela decadência para neles basear o lançamento tributário. E isso teria acontecido por ter a Fiscalização alterado valores de bases negativas de CSLL remanescentes de 2001 a 2004. Como o lançamento tributário foi efetuado em 29/04/2014, este só poderia ter alcançado os fatos ocorridos até 5 anos antes, ou seja, a partir de 29/04/2009, por força do que dispõe o artigo 150, parágrafo 4º do CTN. À contribuinte incumbe a prova das bases negativas utilizadas em compensação nos períodos fiscalizados, e a autoridade tem o direito de deles discordar enquanto não transcorrido o prazo previsto na legislação para exigência do crédito tributário correspondente, cinco anos do fato gerador que contempla sua utilização. A contagem do prazo decadencial referente à utilização de base negativa de CSLL não é influenciada pelas alterações produzidas de ofício controladas no SAPLI, pelo pagamento de crédito tributário onde houve aproveitamento de base negativa então existente ou por ajustes feitos no LALUR que não foram questionados no prazo de cinco anos. Repisese que a contagem do prazo decadencial referente à utilização de base negativa da CSLL tem início com a ocorrência do fato gerador que contempla sua utilização. Fl. 1189DF CARF MF Processo nº 16561.720041/201412 Resolução nº 1302000.442 S1C3T2 Fl. 5 4 Assim, o prazo decadencial para verificação da base negativa utilizada na apuração da CSLL do anocalendário 2010, iniciase em 31/12/2010 e se encerra em 31/12/2015. A Súmula CARF nº 10, abaixo transcrita, trata de situação análoga, definindo a contagem do prazo decadencial para o lucro inflacionário diferido somente a partir de sua realização. No mesmo sentido, o prejuízo fiscal acumulado de períodos anteriores só tem a contagem do prazo decadencial iniciada quando de sua efetiva utilização. Só para esclarecer, a necessidade de lançamento de ofício para redução de prejuízo fiscal (art. 9º do Decreto 70.235/72) tinha por mote tãosomente permitir o controle das alterações produzidas pelo Fisco em sistema próprio (SAPLI), evitando a necessidade de a Fiscalização examinar toda a escrituração e documentação da contribuinte sempre que utilizado prejuízo fiscal ou base negativa. A Lei 11.941/09 não alterou esse entendimento. Estabeleceu apenas, de forma genérica, a formalização de auto de infração sem exigência de crédito tributário, quando constatada infração à legislação tributária, da qual não resulte exigência de crédito tributário, ou seja: deu maior amplitude ao dispositivo anterior. Portanto, não assiste razão à contribuinte, no tocante ao prazo decadencial. DA AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO – CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – NULIDADE – AJUSTE DE OFÍCIO RELATIVO AO ANO CALENDÁRIO 2002. Essa matéria já foi amplamente discutida no processo administrativo nº 19525.722490/201279, não cabendo novamente sua análise no presente processo. Formalizado processo administrativo, referente a auto de infração motivado pela inexistência da base negativa de períodos anteriores utilizada pela contribuinte, não cabe apreciação de matéria já impugnada em processo referente a lançamento de período anterior trazida novamente à baila pela defesa. Consta daquele processo, no item da Fundamentação AJUSTE DA BASE NEGATIVA DO ANOCALENDÁRIO 2002 que “Com efeito, a diferença encontrada no confronto da base negativa apurada na DIPJ 2003 e a base negativa mantida pela DRJ nos autos do 16561.000125/200707 é de R$ 36.159.944,61”. Assim, não haveria porque constar informação no lançamento em questão da diferença abordada. ERRO DE MOTIVAÇÃO – NULIDADE – INEXISTÊNCIA DE ADIÇÃO DE BASE NEGATIVA NO LALUR NO ANOCALENDÁRIO 2004. Essa matéria já foi amplamente discutida no processo administrativo nº 19515.722490/201279, no tópico da Fundamentação RECOMPOSIÇÃO DE BASES NEGATIVAS NO LALUR, de onde extraímos os excertos a seguir, não cabendo novamente sua análise no presente processo. DO MÉRITO ERRO DE MOTIVAÇÃO – INFORMAÇÃO EQUIVOCADA UTILIZADA COMO FUNDAMENTO DO LANÇAMENTO – PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 19515.001392/200494 – AJUSTE DE OFÍCIO NO ANO CALENDÁRIO 1999 – DECISÃO FINAL FAVORÁVEL À IMPUGNANTE. Ocorre que, ainda na fundamentação do referido acórdão, no tópico “CONCLUSÃO”, está demonstrado que, acolhida a pretensão correspondente aos ajustes determinados no processo fiscal 19515.001392/200494, os quais restaram integralmente afastados por conta de decisão proferida pelo Conselho de Contribuintes (Ac. 10196.155), e revista a matéria tributável apurada no lançamento, foi mantida CSLL à alíquota 9% no Fl. 1190DF CARF MF Processo nº 16561.720041/201412 Resolução nº 1302000.442 S1C3T2 Fl. 6 5 montante de R$ 602.282,57 sobre o qual incidem juros de mora e multa de ofício, ou seja: toda a base negativa de períodos anteriores foi absorvida na apuração da CSLL do anocalendário 2009, restando ainda contribuição devida. Assim, o lançamento aqui em discussão, que versa sobre aproveitamento indevido de base negativa no anocalendário 2010, permanece incólume com a alteração acima detalhada, uma vez que continuou sem existir base negativa disponível para aproveitamento no anocalendário 2010. Esse fato é importante inclusive para caracterizar que os lançamentos realizados em 2012, referentes ao anocalendário 2009, e em 2014, relativos ao anocalendário 2010, não são reflexos ou decorrentes, como argumentado pela defesa. ANOCALENDÁRIO 2002 – PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 16561.000125/200707 – AUSÊNCIA DE DECISÃO FINAL DEFINITIVA – IMPOSSIBILIDADE DE ALTERAÇÃO DE OFÍCIO DO PREJUÍZO FISCAL/BASE NEGATIVA LANÇADOS NO PERÍODO, ALÉM DE ERRO NO MONTANTE APRESENTADO. Apurada infração caracterizada por omissão de receita em fiscalização relativa ao IRPJ, por reflexo, caberá o lançamento referente à CSLL, ao PIS e a Cofins, porque o fato gerador desses tributos fica automaticamente alterado pelo faturamento (omissão de receita). A mesma infração apurada no IRPJ pode gerar autuação no IPI, desde que caracterizada a saída do produto do estabelecimento (fato gerador do IPI). Esse motivo (fato gerador distinto) é suficiente para que a autuação do IPI não seja reflexiva daquela do IRPJ, existindo somente conexão entre elas. No caso especificado pela defendente, temse autuações realizadas em ações fiscais distintas, uma realizada em 2007 e outra em 2014, correspondentes a infrações díspares, formalizadas corretamente em processos separados, até pelo tempo transcorrido entre essas ações, portanto não podem ser consideradas reflexas nos termos da Portaria RFB 666/2008. Quanto ao pleito de sobrestamento não é possível de ser atendido por absoluta falta de previsão legal. O Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal PAF, não autoriza a pretendida suspensão do trâmite processual. A impugnação apresentada referente a determinado processo administrativo suspende a exigibilidade do crédito tributário em discussão naquele processo. Por falta de previsão legal, a discussão em processo administrativo referente a determinado período de apuração não gera suspensão da exigibilidade de crédito tributário discutido em processo administrativo distinto que trata de outro período de apuração e motivado por outra infração, mostrandose escorreita a aplicação tanto da multa de ofício como dos juros de mora sobre contribuição apurada. Se houver posterior alteração da base de negativa, em função da decisão final do processo administrativo nº 16561.000125/200707, e esta influenciar o crédito tributário aqui em discussão, a contribuinte será exonerada, se for o caso, no todo ou em parte da contribuição assim como dos juros e da multa correspondentes. ANOCALENDÁRIO 2002 – DO NECESSÁRIO CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO CONSUBSTANCIADO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 16561.000125/200707 – TEMA JÁ DECIDIDO PELO STF. Fl. 1191DF CARF MF Processo nº 16561.720041/201412 Resolução nº 1302000.442 S1C3T2 Fl. 7 6 O cancelamento do auto de infração consubstanciado no processo administrativo nº 16561.000125/200707 só pode ser abordado em impugnação ou recurso atinente àquele processo ou ainda, se for o caso, reconhecido de ofício pela autoridade julgadora que o analisa. RECOMPOSIÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL ACUMULADO – ANOCALENDÁRIO 2003 (INDEVIDAMENTE APONTADO EM RELAÇÃO AO ANO DE 2004) – ADESÃO AO PAES. Essa matéria já foi amplamente discutida no processo administrativo nº 19515.722490/201279, não cabendo novamente sua análise no presente processo. Resta claro que a matéria foi (DRJ) e ainda está (CARF) sendo discutida no processo administrativo nº 19515.722490/201279, portanto se a motivação foi feita pela DRJ, cabe ao CARF examinar e se pronunciar sobre o tema. Assim, julgado em primeira instância o processo administrativo nº 19515.722490/201279, foi considerado procedente em parte o lançamento nele existente, sem que produzisse alteração no lançamento constante deste processo. Isso porque, as alterações produzidas naquele não afetaram a base de cálculo deste, ou seja: como registrado no Termo de Verificação Fiscal, item 2.1 acima reproduzido, para o AC 2010, não haveria mais nada a ser compensado, e, após julgamento em 1ª instância administrativa daquele processo, continuou não havendo saldo de base negativa a compensar. Desse modo, a motivação para o presente lançamento está correta, não cabendo se reportar à matéria que tem que ser discutida em outro processo. Quanto à decadência, a abordagem realizada no item II.4 deste voto é suficiente para esclarecer a matéria, bastando reforçar que a contagem do prazo decadencial referente à utilização de base negativa da CSLL tem início com a ocorrência do fato gerador que contempla sua utilização. Assim, o prazo decadencial para verificação da base negativa utilizada na apuração da CSLL do anocalendário 2010, iniciase em 31/12/2010 e se encerra em 31/12/2015. DA MULTA Quanto à exclusão da supracitada multa sobre a parcela decorrente do processo fiscal 19515.722490/201279, pleiteada pela impugnante com base no artigo 63 da Lei nº 9.430/96 (que, com a redação dada pela MP nº 2.15835/2001, dispõe que “Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício”), há que se destacar a impossibilidade de se atender à impugnante. Isso porque o artigo 63 da Lei nº 9.430/96 não prevê a exclusão da multa para o caso em tela (mas apenas para os casos em que tenha havido a concessão de “medida liminar em mandado de segurança” ou de “medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial” incisos IV e V do artigo 151 do CTN) e, nos termos do artigo 111, inciso I, do CTN, “Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: suspensão ou exclusão do crédito tributário”. DOS JUROS E SUA INAPLICABILIDADE SOBRE A MULTA DE OFÍCIO, CASO VENHA A SER MANTIDO O LANÇAMENTO. Fl. 1192DF CARF MF Processo nº 16561.720041/201412 Resolução nº 1302000.442 S1C3T2 Fl. 8 7 Com relação à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, embora não esteja consignada no lançamento, há previsão legal para sua cobrança. Isso porque a penalidade pecuniária compõe o crédito tributário. PROTESTO POR PRODUÇÃO DE PROVAS Há que se registrar, no que tange à produção de prova documental, que esta deve ser realizada na fase de impugnação. Com efeito, a aceitação posterior de documentos só pode ocorrer se verificada uma das hipóteses previstas no art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972, o que, até o presente momento, não ocorreu ou, ao menos, não restou comprovado no caso em exame. Registrese que não encontra embasamento legal, na esfera administrativa, a produção de prova testemunhal, pelo que fica aqui negado o seu pedido. O Contribuinte tomou conhecimento do teor do julgamento, na data 14/10/2014 15:03h, pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC) através da opção Consulta Comunicados/Intimações (fls. 1046). Já às fls. 1047, o Termo de Ciência por decurso de prazo deuse em 28/10/2014. Desta forma, em 13.11.2014, a contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 1049/1093), cujas razões sinteticamente são: II. PRELIMINARMENTE II.1 DA TEMPESTIVIDADE DO PRESENTE RECURSO VOLUNTÁRIO Tendo em vista que a Recorrente foi notificada da lavratura do Auto de Infração em 14/10/2014, o início do prazo para apresentação do Recurso Voluntário se deu em 15/10/2014, de acordo com o que dispõe o artigo 66 da Lei nº 9.784/99 e o art. 5º do Decreto nº 70.235/72. Assim sendo, o prazo de 30 dias, por findar no final de semana, implica no prazo fatal para apresentação do presente Recurso Voluntário no dia 13/11/2014, sendo, pois, tempestivo o presente recurso. II.2 – DA DECADÊNCIA – INDEVIDO AJUSTE DE PREJUÍZO ACUMULADO NOS ANOS DE 2001 A 2004 – QUADRO FISCAL DE CONCILIAÇÃO LALUR X SAPLI – PA 19515.003041/200507 – E INDEVIDO AJUSTE DE PREJUÍZO FISCAL NO ANOCALENDÁRIO DE 2003, NO VALOR DE R417.616.992,47. Verificase, inicialmente, que a autoridade fiscal remete ao quadro elaborado pela fiscalização do anocalendário de 2009, limitandose a adicionar que o processo nº 19525.003041/200507 encontrase arquivado, com decisão da DRJ que manteve a alteração das bases negativas de 2001, 2003 e 2004. De acordo com o entendimento da autoridade fiscal, nos anos de 2001 a 2004, os valores de das bases negativas acumuladas da Recorrente deveriam ter sido ajustados em decorrência da utilização de parte das bases negativas acumuladas então existente para redução da base de cálculo da CSLL devida, promovida nos autos do Processo Administrativo n° 19515.003041/200507. Da análise do Auto de Infração de CSLL que é objeto do Processo Administrativo n° 19515.003041/200507 (vide Doe. 09 da Impugnação) constatase que no lançamento relativo aos anos de 2001 a 2004, a autoridade fiscal reduziu o Lucro Real tributável, no lançamento com valores de bases negativas acumuladas que a Recorrente possuía naqueles períodos. Ao optar por pagar o auto de infração e não discutir o lançamento efetuado no ano de 2005, referente a parte das bases negativas acumuladas até 2004, temse a decadência, contada a partir do ano de 2005, do direito da autoridade fiscal de questionar a Fl. 1193DF CARF MF Processo nº 16561.720041/201412 Resolução nº 1302000.442 S1C3T2 Fl. 9 8 adequação ou não dos ajustes feitos pela Recorrente em seu LALUR e no saldo acumulado remanescente declarado. Isto porque, conforme se depreende da análise dos documentos do Processo Administrativo nº 19515.003041/200507, a ciência do lançamento foi dada em 01.11.2005, e a concordância e pagamento do crédito tributário ocorreu em 30.11.2005 (dentro do prazo então concedido pela autoridade fiscal para pagamento do auto de infração, com as reduções cabíveis). Desta data (30.11.2005) o Fisco teria, portanto, cinco anos para fazer a verificação dos controles da Recorrente – em especial seu LALUR – para constatar se os saldos de bases negativas estavam adequadamente ajustados/contabilizados, e/ou realizar quaisquer questionamentos ou alterações de ofício que entendesse devidas. Assim, a autoridade fiscal somente poderia questionar a realização ou não dos ajustes, e/ou quaisquer outros procedimentos em relação ao lançamento em questão, até 30.11.2010, sob pena de decair em seu direito de fazêlo. Este é o prazo que a legislação tributária confere à Fazenda para promover as verificações relativas ao adequado lançamento do crédito tributário, mormente porque, em existindo parcial pagamento, de se contar o prazo em referência de acordo com o artigo 150, parágrafo 4º do Código Tributário Nacional. Mesmo que não reconhecida a decadência relativa ao ajuste da correção de ofício efetuada no SAPLI, por meio do Processo Administrativo nº 19515.003041/200507, é de rigor que se reconheça ao menos a decadência para a glosa das bases negativas no realizado no anocalendário de 2003, porquanto as bases negativas apresentadas no LALUR não foi alterado de ofício no SAPLI, tampouco foi efetivada qualquer lançamento sendo ausente controle de processo administrativo, conforme se depreende do próprio quadro de conciliação LALUR x SAPLI, apresentado pela d. fiscalização no auto de infração. Fato é que a recomposição das bases negativas ocorreu no anocalendário de 2003 e desde então nunca foi contestada, senão apenas por meio dos lançamentos ocorridos em 2012 e 2013, relativos aos anoscalendário de 2009 e 2010. II.3 – AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO – CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – NULIDADE – AJUSTE DE OFÍCIO RELATIVO AO ANO CALENDÁRIO 2002. Sobre este ponto, o acórdão limitase a mencionar que a matéria já foi discutida no processo administrativo n° 19515.722490/201279, "não cabendo novamente sua análise no presente processo". Ao se negar a apreciar a alegação da Recorrente, torna ainda mais patente o cerceamento de direito de defesa, especialmente porque a própria DRJ entendeu que não há decorrência entre os lançamentos. Ora, se assim é, deveria o acórdão recorrido ter analisado as alegações, especialmente porque, conforme seu próprio entendimento, não se trata de processos decorrentes. Neste passo, reiterase que o ajuste relativo ao anocalendário de 2002 não possui motivação clara no lançamento, o que culmina em sua nulidade. Vejamos. Em relação ao anocalendário de 2002, consta no Termo de Verificação Fiscal, e em especial no quadro demonstrativo nele apresentado (supra transcrito) e na planilha que acompanha o lançamento que o valor questionado se fundamenta em: "Base negativa declarada, alterada de ofício pela DR] Processo 16561.000125/200707". Fl. 1194DF CARF MF Processo nº 16561.720041/201412 Resolução nº 1302000.442 S1C3T2 Fl. 10 9 Ocorre que, na decisão proferida pela DRJ no referido processo administrativo, o valor de base negativa que foi objeto de "glosa/não reconhecimento" é de R$ 31.660.515,43 (vide Doe. 11 da Impugnação), enquanto o valor da glosa/ não reconhecimento das bases negativas, nestes autos, é de R$ 36.159.944,61. Da leitura do Termo de Verificação Fiscal e da análise do quadro demonstrativo, que traz os fundamentos das glosas/não reconhecimento das bases negativas, bem como da planilha de Conciliação das informações (LALUR x SAPLI), constatase que não há registro ou informação a respeito da diferença dos valores. Portanto, não resta dúvida, da análise dos autos, que neste ponto tanto o lançamento quanto o acórdão recorrido carecem de motivação. Verificase que nos autos do processo administrativo n° 19515.722490/201279, a DRJ reconheceu o erro do agente fiscal, porém entendeu que "esse equívoco, contudo, não configura erro na motivação hábil a prejudicar o exercício da defesa da autuada.". Tal fato não foi nem ao menos avaliado pelo acórdão recorrido nos presentes autos. Por isso, a Recorrente reitera que qualquer erro de motivação prejudica não apenas a defesa do contribuinte, mas ofende princípios do processo administrativo e, em especial, ofende a legislação vigente que exige motivação explícita, clara e congruente, sendo sua observância obrigatória por todos os agentes fiscais, em todos os lançamentos que realizarem! II.4 – ERRO DE MOTIVAÇÃO – NULIDADE – INEXISTÊNCIA DE ADIÇÃO DE BASES NEGATIVAS NO ANOCALENDÁRIO 2004. Outra irregularidade cometida pelo agente fiscal na elaboração do lançamento sob análise também se refere a erro na motivação, em relação ao valor adicionado no quadro de conciliação LALUR x SAPLI, no anocalendário de 2004. De acordo com o quadro demonstrativo constante do Termo de Verificação Fiscal e na planilha de Conciliação anexa ao auto de infração, o agente fiscal questiona a recomposição de base de cálculo efetuada pela Recorrente, sob o seguinte argumento: "Adição unilateral consta nota que seria recomposição base negativa.". Nada mais consta no Termo de Verificação Fiscal a respeito deste valor, nem qualquer outro esclarecimento quanto à razão do lançamento, tampouco qualquer questionamento objetivo quanto ao valor em questão. Portanto, além de rasa a motivação do lançamento, a mesma está equivocada. E, conforme esclarecido no item acima, a legislação estabelece de modo cristalino que a motivação do lançamento deve ser explícita, clara e congruente de modo a permitir não só o adequado entendimento das razões que levaram a autoridade fiscal a autuar o contribuinte, como também não dificultar sua defesa. Vejase, ainda, a DRJ no processo administrativo nº 19515.722490/201279 reconheceu o erro do agente fiscal, porém entendeu que este erro “em nada prejudicou a defesa da impugnante (...) mostrandose descabida qualquer alegação de nulidade fundada no lapso apontado pela defesa.” Ora, a própria decisão constata o erro na motivação e, só por isso, no entender da Recorrente, já deveria aplicar o princípio da estrita legalidade e cancelar o lançamento. E o mesmo caminho deveria ser seguido pelo acórdão recorrido no presente processo, o qual nem mesmo pretendeu afastar as alegações da Recorrente. Fl. 1195DF CARF MF Processo nº 16561.720041/201412 Resolução nº 1302000.442 S1C3T2 Fl. 11 10 DESTA FEITA, DE SE RECONHECER A NULIDADE DO LANÇAMENTO TAMBÉM EM RELAÇÃO A ESTE PONTO, SEJA PORQUE A MOTIVAÇÃO EM TELA É SUPERFICIAL, INSUFICIENTE E EQUIVOCADA, O QUE IMPLICA EM EVIDENTE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA DA RECORRENTE, E EM OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA MOTIVAÇÃO E DA ESTRITA LEGALIDADE, SEJA PORQUE NÃO EXISTE QUALQUER ADIÇÃO NO ANO CALENDÁRIO DE 2004, MUITO MENOS NO VALOR APRESENTADO. A DRJ, no processo administrativo n° 19515.722490/201279, confirma que tais valores se tratam da adição efetuada em 2003, mas afirma que a autoridade fiscal errou na indicação do período da recomposição das bases negativas porque a Recorrente teria induzido a fiscalização a erro, na medida em que anotou em seu LALUR que tal recomposição se referia a recomposição de bases negativas do ano de 1994. ORA, O ERRO DA AUTORIDADE FISCAL NÃO SE JUSTIFICA. A INDICAÇÃO EFETUADA PELA RECORRENTE EM SEU LALUR, EXATAMENTE NO ANO ADICIONADO, CORRESPONDE À NECESSÁRIA JUSTIFICATIVA DA RECOMPOSIÇÃO. CASO NÃO A TIVESSE INDICADO, A AUTORIDADE CERTAMENTE QUESTIONARIA A FALTA DE INDICAÇÃO DA ORIGEM DA RECOMPOSIÇÃO. NÃO PODE O FISCO, OU A DRJ, JUSTIFICAR SEU ERRO EM PROCEDIMENTO CORRETO ADOTADO PELA RECORRENTE! Incabível a alegação de que o Fisco não teria de apresentar qualquer motivação para o não reconhecimento das bases negativas, conforme apontou a DRJ no lançamento do anocalendário de 2009, reproduzido no acórdão recorrido. Portanto, seja por ofensa aos princípios da motivação e da estrita legalidade, seja por ofensa ao direito de ampla defesa da Recorrente, claro está que o lançamento deve ser cancelado nesta parte, pois não respeitou as disposições contidas na Lei nº 9.784/99 na Constituição Federal e no Decreto nº 70.235/72. Isto é claro, se por absurdo não acolhida a insubsistência da glosa por ausência de lançamento prévio e específico, relativo a tal montante e período, como determinado na legislação de regência e exaustivamente tratado no item II.2 deste Recurso. III – DO MÉRITO III.1 – ERRO DE MOTIVAÇÃO – INFORMAÇÃO EQUIVOCADA UTILIZADA COMO FUNDAMENTO DO LANÇAMENTO – PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 19515.001392/200494 – AJUSTE DE OFÍCIO NO ANOCALENDÁRIO 1999 – DECISÃO FINAL FAVORÁVEL À RECORRENTE Da leitura do Termo de Verificação Fiscal constatase que a glosa (ou não admissão) de bases negativas declaradas pela Recorrente em seu LALUR, relativamente ao ano de 1999 (o ajuste positivo de ofício efetuado no ano de 2000 é apenas o reflexo do saldo "carregado" de 1999), foi fundamentada pelo agente fiscal no fato de que a Recorrente teria obtido decisão desfavorável nos autos do Processo Administrativo n° 19515.001392/200494. No entanto, esta informação não procede, pois nos autos do referido processo a decisão final e definitiva foi favorável à Recorrente. Esse elemento foi reconhecido nos autos do lançamento do anocalendário de 2009. Mesmo após constatado o equívoco pela DRJ, os equívocos se repetiram no presente lançamento. Reiterase, assim, que a motivação do lançamento encontrase viciada. O acórdão recorrido nos presentes autos reconheceu mais uma vez que houve equívoco da fiscalização neste ponto, mencionando o trecho em que a DRJ afirma o erro fiscal nos autos do processo administrativo n° 19515.722490/201279. Fl. 1196DF CARF MF Processo nº 16561.720041/201412 Resolução nº 1302000.442 S1C3T2 Fl. 12 11 No entanto, afirma que a correção e a recomposição já teria sido absorvido na apuração da CSLL do anocalendário de 2009 e, portanto, não impactaria na CSLL relativa ao anocalendário de 2010. Ocorre que, como ainda não há decisão definitiva no tocante às demais alegações e, portanto, no tocante a outras recomposições de bases negativas, não há que se falar que o equívoco fiscal não tem efeitos nos presentes autos! Ao contrário do que afirmar o acórdão recorrido, tratase de mais um elemento que demonstra que os lançamentos estão intrinsecamente relacionados, não podendo se concluir pela inexistência de impacto até que se decida definitivamente sobre os demais ajustes efetuados. Como reconhecidamente a decisão no âmbito do Processo Administrativo n° 19515.001392/200494 foi favorável a ora Recorrente, ao contrário do que consta no TVF, logo, o fundamento indicado pela autoridade fiscal para promover a glosa lançado pela Recorrente em seu LALUR no ano de 1999, bem como para inadmitir a compensação realizada em 2000, não procede. Afinal, embora em decisão proferida pela DRJ a Recorrente tenha sido vencida, a decisão final nos autos do Processo Administrativo n° 19515.001392/200494, inclusive proferida antes do lançamento ora impugnado, reconheceu que aquele lançamento não procedia, determinando seu cancelamento integral, decisão esta que transitou em julgado não havendo, assim, nenhum ajuste de ofício que pudesse ser realizado pela autoridade tributária. Portanto, o procedimento adotado pelo agente fiscal nos autos sob análise (repetindo equívoco do lançamento do anocalendário de 2009), relativamente à glosa das bases negativas declarados pela Recorrente em seu LALUR, no ano de 1999, no valor de R$ 32.224.591,95, bem como a inadmissão da compensação efetuada em 2000, não possui fundamento válido. Os efeitos desse equívoco no presente lançamento apenas podem ser averiguados depois de findo o julgamento nos autos do lançamento de 2009, caso contrário, não há como se concluir pela inexistência de efeitos no anocalendário de 2010, como pretende o acórdão recorrido. III.2 – ANOCALENDÁRIO 2002 – PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 16561.000125/20077 – AUSÊNCIA DE DECISÃO FINAL DEFINITIVA – IMPOSSIBILIDADE DE ALTERAÇÃO DE OFÍCIO DAS BASES NEGATIVAS LANÇADO NO PERÍODO, ALÉM DE ERRO NO MONTANTE APRESENTADO. Em relação ao anocalendário de 2002, além da ausência de motivação de parte do valor ajustado de ofício pela fiscalização (acima tratado), e glosado pela autoridade fazendária, está em discussão o valor de R$ 31.660.515,43, tratado no Processo Administrativo n° 16561.000125/200707 e não o valor de R$ 36.549.944,61, equivocadamente indicado pela fiscalização. Sobre este aspecto, o acórdão recorrido entendeu que como se trata de glosa originária do processo administrativo n° 19515.722490/201279, então deve ser naquele processo discutido. Ora, se assim é, deverseia, portanto, aguardar decisão definitiva daquele processo, para fins de apuração do crédito tributário no presente processo. Do contrário, não é possível a manutenção da glosa e do lançamento com base em apuração que não é definitiva! Se o acórdão recorrido está acolhendo a glosa efetuada no processo administrativo n° 19515.722490/201279, deveria então aguardar decisão definitiva naquele processo, sob Fl. 1197DF CARF MF Processo nº 16561.720041/201412 Resolução nº 1302000.442 S1C3T2 Fl. 13 12 pena de lesão ao direito do direito de defesa e de prejuízo ao devido processo legal. Se, ao contrário, entende o acórdão que não precisa aguardar decisão definitiva, então deveria ter analisado as razões do Recorrente de forma independente, o que não o fez, também ferindo o direito de defesa da Recorrente. Esclarece, ainda, que não haveria previsão legal para o sobrestamento do presente processo. No entanto, o necessário sobrestamento decorre da própria ausência de constituição definitiva do crédito tributário de 2009, do qual decorre o presente, inclusive porque há suspensão da exigibilidade do crédito tributário de 2009. Enquanto o processo originário discute a existência do crédito tributário de 2009 não th jr decisão definitiva e enquanto houver suspensão de exigibilidade, não pode as bases negativas utilizadas pela fiscalização, na apuração de tributo, que sequer é líquido e certo, serem glosadas para o fim de já impactar em outra exigência fiscal. Se uma exigência está sob discussão administrativa, com exigibilidade suspensa, no mínimo a outra também está suspensa, por conta e em decorrência daquele. De outra parte, se entende o acórdão recorrido que os processos administrativos são independentes, então deveria ter analisado as demais razões da Recorrente e não simplesmente fazer referência ao julgamento (não definitivo) do anocalendário de 2009. Por essa razão, deve ser reformado o acórdão recorrido, de modo a cancelar o lançamento também nesta parte. Na hipótese de ser acolhida apenas parcialmente (ou de, absurdamente, não ser acolhida) a preliminar de nulidade do lançamento em relação a este período, ou ao menos em relação ao montante que não corresponde à glosa efetuada no citado processo administrativo, de se analisar o argumento de mérito que leva, também, à impossibilidade de manutenção do lançamento, relativo ao montante de bases negativas ajustadas em relação ao processo acima indicado. REITERASE, TAL ALEGAÇÃO NÃO FOI APRECIADA PELO ACÓRDÃO RECORRIDO! Segundo motivação contida no Termo de Verificação Fiscal, que faz referência ao lançamento do ano de 2009, foi promovida a glosa de parte das bases negativas lançadas pela Recorrente em seu LALUR, relativamente ao ano de 2002, porque o valor em questão foi utilizado para redução da base de cálculo do lançamento objeto do Processo Administrativo n° 16561.000125/200707 (no montante de R$ 31.660.515,43). O agente fiscal entendeu que, embora o processo administrativo ainda esteja em andamento e, portanto, ainda não tenha decisão definitiva constituindo o crédito tributário nele discutido já seria possível proceder à alteração de ofício nos controles de bases negativas em discussão naqueles autos. Ainda segundo o agente fiscal autuante o ajuste, ora imposto à Recorrente, seria uma mera obrigação acessória, cujo cumprimento não estaria suspenso por força da interposição do recurso administrativo, nos termos do artigo 151, inciso III e parágrafo único do Código Tributário Nacional, que determinam a suspensão da exigibilidade do crédito em discussão administrativa, mas não dispensam o cumprimento das obrigações acessórias relacionadas ao tributo em discussão. O entendimento e as conclusões manifestadas pela fiscalização, contudo, não possuem suporte legal e, por isso, não podem prosperar. Vejamos. As bases negativas de CSLL não têm relação com obrigação acessória, mas faz parte da base de incidência da CSLL, ou seja, é forma de apuração da própria obrigação Fl. 1198DF CARF MF Processo nº 16561.720041/201412 Resolução nº 1302000.442 S1C3T2 Fl. 14 13 principal. Alterar o valor das bases negativas contabilizado no LALUR não é, portanto, uma mera obrigação acessória, mas sim a própria obrigação principal! Esta, contudo, por força dos recursos administrativos (seja em relação ao lançamento, seja em relação à decisão da DRJ) está com sua exigibilidade suspensa, conforme o artigo 151, inciso III do Código Tributário Nacional. LOGO, O VALOR DECLARADO EM 2002 PELA RECORRENTE EM SEU LALUR, NO MONTANTE R$ 31.660.515,433, ORA QUESTIONADO PELA FISCALIZAÇÃO, NÃO PODE SER GLOSADO, POIS NÃO SE TRATA DE MERA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA, MAS SIM DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL, AINDA NÃO CONSTITUÍDA DEFINITIVAMENTE E SOB DISCUSSÃO EM PROCESSO ADMINISTRATIVO, O QUE LHE GARANTE A SUSPENSÃO DE SUA EXIGIBILIDADE. O Processo Administrativo nº 16561.000125/200707 tem por objeto auto de infração que constituiu crédito tributário de IRPJ e CSLL relativo a lucros supostamente auferidos no exterior, pela Recorrente. Na elaboração daquele lançamento, o Fisco utilizou bases negativas acumuladas da Recorrente para reduzir a base de cálculo da CSLL que estava sendo constituído por meio do auto de infração. E justamente o valor das bases negativas utilizadas pelo agente fiscal, na elaboração do auto de infração objeto do Processo Administrativo n° 16561.000125/200707, que está sendo glosado/ não admitido pela fiscalização, nos autos do processo relativo ao anocalendário de 2009 e refletido no anocalendário de 2010(no montante de R$ 31.660.515,43). No entanto, considerando que ainda não existe decisão definitiva nos autos do mencionado processo administrativo, é evidente que não se pode ajustar o valor das bases negativas da Recorrente, geradas no ano de 2002, pois sequer há certeza quanto à existência do crédito tributário em questão, que inclusive encontrase suspenso por determinação legal! Assim como o próprio lançamento pode ser efetuado posteriormente à utilização das bases negativas, como tão comumente ocorre nos casos das compensações deve o mesmo tratamento ser aplicado! Vale dizer, se ainda não há julgamento definitivo no processo que trata do crédito tributário, há ainda a forte possibilidade de que ele não venha a ser mantido e que, portanto, as bases negativas foi "utilizadas" para redução da base daquele lançamento, jamais venha a ser de fato, e em definitivo, absorvido. Enquanto o processo que discute a existência do crédito tributário não tiver decisão definitiva, ao menos no âmbito administrativo, e enquanto houver suspensão de exigibilidade do crédito como há, e a própria autoridade fiscal reconhece (por força do artigo 151, inciso III do Código Tributário Nacional) , não podem as bases negativas que utilizadas pela fiscalização, na apuração de tributo que sequer é líquido e certo (e está suspenso ainda na fase administrativa!), ser glosado para o fim de já impactar em outra exigência fiscal. Se uma exigência está sob discussão administrativa, com exigibilidade suspensa, no mínimo a outra também está suspensa decorrência. Vejase que prosseguimento do presente processo, sem observância do processo relativo ao lançamento do anocalendário de 2009 e do Processo Administrativo n° 16561.000125/200707, pode afetar irreversivelmente a Recorrente, especialmente na hipótese de vir a obter uma decisão favorável, como reconhecidamente já aconteceu nos autos do Processo Administrativo n° 19515.001392/200494, que também foi objeto de glosa nestes autos, e já cancelada pela própria DRJ. E, se não houvesse decisão, cobrar seia os valores duas vezes, indevidamente? É o que se pretende fazer com a glosa relativa ao Processo Administrativo n° 16561.000125/200707, ainda pendente de julgamento administrativo! Fl. 1199DF CARF MF Processo nº 16561.720041/201412 Resolução nº 1302000.442 S1C3T2 Fl. 15 14 Nesta hipótese, as bases negativas cujas glosas a autoridade fiscal realizou nestes autos, poderá ser revertido em favor da Recorrente. No entanto, os juros e multa que estão sendo cobrados no presente processo, em virtude da glosa, impactando o valor de CSLL devida pela Recorrente no ano de 2009 e no ano de 2010, não serão devolvidos. Os encargos cobrados sobre o valor do tributo objeto do lançamento (juros e multa), eventualmente consolidados em decisão final nestes autos, possivelmente anterior à decisão definitiva a ser proferida nos autos do Processo Administrativo n° 16561.000125/200707 não poderão ser compensados (por falta de previsão normativa). Assim, a Recorrente se encontrará em situação de irreversibilidade do pagamento de juros e multa que não eram devidos, e que não podem ser restituídos. O prejuízo irreversível é, portanto, evidente. Por esta razão, também, resta evidente que não pode ser exigida a redução da base negativa declarada pela Recorrente em 2002, com base em sua utilização no auto de infração objeto do Processo Administrativo n° 16561.000125/200707, pois o crédito tributário objeto daqueles autos encontrase suspenso! A SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE É EFEITO GARANTIDO PELA LEI JUSTAMENTE PARA EVITAR QUE OS REFLEXOS ANTECIPADOS DO LANÇAMENTO QUE AINDA NÃO FOI DEFINITIVAMENTE CONSTITUÍDO NÃO PREJUDIQUEM AS PARTES EM LITÍGIO ADMINISTRATIVO. Tanto assim que, para evitar consequências ilegais há previsão específica na Portaria RFB nº 666/08, para que a autuação reflexa de outra com aquela seja julgada ou, se não for possível, como sempre procede o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, deve, no mínimo, esse processo ser sobrestado, até que decisão final seja proferida nos processos administrativos que lhe serviram de fundamento, em especial o Processo Administrativo nº16561.000125/200707 (tratado no presente tópico), além dos processos administrativos n°s. 19515.722489/201244 e n° 19515.722490/201279 (anocalendário de 2009, no qual foram imputados os primeiros efeitos da glosa de prejuízo fiscal e bases negativas), todos aguardando julgamento. De mais a mais, importa verificar que, se o montante está sob litígio no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e, nessa medida, encontrase suspenso por força de Lei, o lançamento que lhe é nesta parte decorrente somente poderia ter sido feito para prevenir a decadência, não havendo, portanto, que se lançar qualquer multa e deve, nesta parte, aguardar o julgamento daqueles autos a que se refere. No tocante a este ponto, a impossibilidade de imputação de penalidade relativamente a tal ajuste, e respectivo reflexo, no anocalendário em questão, tem previsão no artigo 63 da Lei n° 9.430/964, assim como a necessidade de se aguardar o deslinde daquele feito é consequência lógica da necessidade de comprovação do fundamento do lançamento que ainda permanece em discussão nos autos do Processo Administrativo n° 16561.000125/200707. DIANTE DO EXPOSTO SE CONSTATA QUE IGNORAR OS EFEITOS DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO, EM ESPECIAL NO PROCESSO QUE ENCONTRASE AINDA EM TRÂMITE NA FASE ADMINISTRATIVA, PROVOCARÁ PREJUÍZO IRREVERSÍVEL À RECORRENTE, QUE É JUSTAMENTE O QUE A LEI TEM POR FINALIDADE EVITAR! LOGO, INADMISSÍVEL MANTER O ENTENDIMENTO DA AUTORIDADE FISCAL, INCLUSIVE EM RELAÇÃO À IMPUTAÇÃO DE PENALIDADE, SOB PENA DE OFENSA À LEI E À RAZOABILIDADE, QUE DEVEM SER OBSERVADAS NECESSARIAMENTE PELA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. Fl. 1200DF CARF MF Processo nº 16561.720041/201412 Resolução nº 1302000.442 S1C3T2 Fl. 16 15 A autoridade fiscal afirma que a Recorrente deveria ter promovido o ajuste das bases negativas declaradas em 2002 em seu LALUR porque este ajuste se configuraria uma obrigação acessória ao pagamento da CSLL que está suspensa por força da existência de recurso administrativo pendente de decisão, nos autos do Processo Administrativo n° 16561.000125/200707. No entanto, o ajuste exigido pela fiscalização não se configura em uma obrigação acessória, mas parte da própria obrigação principal que se encontra suspensa. Ocorre que, as bases negativas não têm relação com obrigação acessória, mas faz parte da base de incidência da CSLL, ou seja, é forma de apuração da própria obrigação principal. Alterar o valor das bases negativas contabilizadas no LALUR não é, portanto, uma mera obrigação acessória, mas sim a própria obrigação principal! Esta, contudo, por força dos recursos administrativos (seja em relação ao lançamento, seja em relação à decisão da DRJ) está com sua exigibilidade suspensa, conforme o artigo 151, inciso III do Código Tributário Nacional. Exigir que seja feita qualquer movimentação nas bases negativas em questão e, pior, imputar multa em relação aos atos reflexos, é exigir que se cristalize a obrigação principal que ainda está em discussão e encontrase suspensa. O ajuste pretendido pela autoridade fiscal no presente processo não se configura, portanto, mera obrigação acessória, mas a obrigação principal em si, na medida em que, a realização do ajuste parte da premissa de que o crédito tributário é devido. O reflexo, portanto, ensejaria, no máximo, o lançamento sem imputação de multa, bem como este julgamento depende daquele. Salta aos olhos, no presente caso, que o agente fiscal confundiu o que significaria o ajuste no LALUR, por ele exigido da Recorrente. Embora ajustes no LALUR tenham, a princípio, roupagem de meras obrigações acessórias, no presente caso não se trata de obrigação desta natureza, na medida em que estarseia, ao procederse referido ajuste, reconhecendo a existência do crédito tributário cristalizando a apuração de sua base de cálculo o que, configura, então, cumprimento da própria obrigação principal, atualmente suspensa. LOGO, O VALOR DAS BASES NEGATIVAS DECLARADAS EM 2002 PELA RECORRENTE EM SEU LALUR, NO MONTANTE R$ 31.660.515,435, ORA QUESTIONADO PELA FISCALIZAÇÃO, NÃO PODE SER GLOSADO, POIS NÃO SE TRATA DE MERA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA, MAS SIM DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL, AINDA NÃO CONSTITUÍDA DEFINITIVAMENTE E SOB DISCUSSÃO EM PROCESSO ADMINISTRATIVO, O QUE LHE GARANTE A SUSPENSÃO DE SUA EXIGIBILIDADE. O VALOR EM QUESTÃO DEVE, PORTANTO, SER IMEDIATA E INTEGRALMENTE EXPURGADO DO LANÇAMENTO. III.3 – ANOCALENDÁRIO 2002 – DO NECESSÁRIO CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO CONSUBSTANCIADO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 16561.000125/200707 – TEMA JÁ DECIDIDO PELO STF Além de estar com sua exigibilidade suspensa, em razão de aguardar julgamento do Recurso Voluntário, o que impediria o lançamento de glosa de bases negativas dos anoscalendário de 2009 e 2010, fato é que o auto de infração consubstanciado no processo administrativo n° 16561.000125/200707 deverá necessariamente ser cancelado, em decorrência do quanto decidido pelo STF na ADI 2.588, cujo resultado é definitivo e vinculante a todos os contribuintes e à Administração Tributária. Assim, o resultado do julgamento da ADI 2.588 é definitivo e vinculante a todos os contribuintes e à Administração Tributária, conforme determinou a Emenda Fl. 1201DF CARF MF Processo nº 16561.720041/201412 Resolução nº 1302000.442 S1C3T2 Fl. 17 16 Constitucional nº 45, promulgada em 30 de dezembro de 2004, que, no que diz respeito à ação direta de inconstitucionalidade, consagra que "as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, nas ações diretas de inconstitucionalidade e nas ações declaratórias de constitucionalidade produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante, relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e á administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal" (art. 102, § 2°, CF). Deste modo, se se trata de norma declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal com efeitos ex tunc e, assim, retirada do ordenamento jurídico, não há motivos para subsistência da autuação lavrada, devendo ser aplicado o julgamento proferido nos autos da Ação Direta de Inconstitucionalidade n° 2.588, resultando, assim, no cancelamento integral da mencionada autuação. Uma vez que a presente autuação é posterior ao julgamento do Supremo Tribunal Federal, bem como que está diretamente relacionada ao lançamento fulcrado em norma declarada inconstitucional pelo STF, deveria a fiscalização ter considerado o mencionado julgamento para fins da análise do prejuízo fiscal e bases negativas da Recorrente. Ora, como exigir que a Recorrente efetue ajustes no Lalur, a partir de um lançamento fundamentado em norma declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal? In casu, especialmente em relação aos reflexos do processo administrativo n° 16561.000125/200707, é a fiscalização quem deveria ter observado a decisão definitiva do STF para fins do presente lançamento, sob pena de inobservância de decisão judicial vinculante. Assim, tendo em vista que, após a decisão do Supremo Tribunal Federal na ADIn n° 2.588, não subsiste o lançamento no processo administrativo n° 16561.000125/200707, razão pela qual haverá a confirmação do prejuízo fiscal e bases negativas informada pela Recorrente para os anoscalendário de 2009 e 2010, como já se demonstrou. III.4 – RECOMPOSIÇÃO DE BASES NEGATIVAS ACUMULADAS – ANO CALEBDÁRIO 2003 (INDEVIDAMENTE APONTADO EM RELAÇÃO AO ANO DE 2004) – ADESÃO AO PAES No que se refere ao valor de R$ 49.592.639,13, que embora indicado pela autoridade fiscal como recomposição de bases negativas realizada unilateralmente em 2004, foi, na realidade (se é que disso que se trata!), realizada em 2003, também não merece prosperar a glosa/desconsideração do valor, efetuada nestes autos. A uma porque há erro na motivação do lançamento, vez que, como já demonstrado, não houve qualquer adição ou recomposição de bases negativas no ano de 2004, sendo reconhecido n o erro cometido pela fiscalização, em afronta ao princípio a legalidade. A duas e, principalmente, porque, em se tratando de recomposição efetuada no ano de 2003 e, inexistindo qualquer procedimento administrativo mormente de lançamento para retificar as bases negativas contabilizadas pela Recorrente, não há possibilidade mais de contestálo, em razão do decurso do prazo decadencial. Neste ponto, o acórdão recorrido novamente faz referência ao processo administrativo n° 19515.722490/201279. Aduziu também que caberia ao CARF se pronunciar sobre o tema naquele processo. Ocorre que, a despeito de reconhecer que a matéria ainda está pendente de julgamento, todos os efeitos da glosa ora questionada está provocando efeitos no presente lançamento, o que, mais uma vez, não é objeto de análise no presente processo. Pelo princípio da eventualidade, a ora Recorrente reitera os motivos de mérito apresentados em face do lançamento de 2009 (em sede de Impugnação e Recurso Voluntário), sem deixar de destacar para a nulidade quanto à motivação do lançamento. Fl. 1202DF CARF MF Processo nº 16561.720041/201412 Resolução nº 1302000.442 S1C3T2 Fl. 18 17 A Recorrente ajuizou medida judicial em 1995 visando garantir o direito ao aproveitamento integral das bases negativas até o ano de 1994, sem as restrições impostas pela Lei n° 8.981/956 (Ação Declaratória n° 95.00480859 Doe. 21 da Impugnação). Referida norma estabeleceu, dentre outras disposições, que a partir de 01.01.1995, na apuração do Lucro Real a base negativa só poderia reduzir a base de cálculo da CSLL em até 30% de seu valor. Em relação às bases negativas acumuladas nos anos anteriores (até 1994), o saldo poderia ser aproveitado pelo contribuinte nos anos subsequentes, desde que respeitada a mesma regra/limite de 30% da medida judicial a Recorrente continuou aproveitando bases negativas até o curso então acumuladas sem o limite dos 30%, contra o qual se insurgiu. Entretanto, em 2004, a Recorrente optou pela desistência da medida judicial e adesão ao PAES Parcelamento Especial estabelecidos pela Lei n° 10.684/03 (Does. 22 e 23 da Impugnação), visando a inclusão no PAES de, dentre outros, débitos que haviam sido quitados/parcialmente quitados com a parcela de das bases negativas fiscais acumuladas que a Recorrente não poderia ter aproveitado conforme as disposições da Lei n° 8.981/95 qual seja, os 70% que não poderia aproveitar, diante da limitação de 30% imposta pela referida norma. Ora, se a Recorrente aderiu ao PAES justamente para quitar, via pagamento, o tributo cujo valor devido havia sido É reduzido por meio de aproveitamento de das bases negativas acumuladas, o aproveitamento indevido representado pelo percentual de 70% foi justamente o débito tributário confessado e incluído no PAES. Uma vez que o débito tributário é confessado e incluído no PAES, tais das bases negativas, obviamente, porquanto cancelada sua utilização com efeitos ex nunc retorna à Recorrente. Inclusive, a Recorrente tem o poderdever de declarar tal valor justamente quando da adesão e confirmação no PAES, para não prescrever seu direito de contabilização para posterior utilização das bases negativas. Uma vez comprovado que o montante adicionado o foi exatamente no montante que correspondeu à utilização indevida apontada ela fiscalização pela constituição do crédito tributário, e demonstrado que referido valor foi incluído no PAES pela Recorrente, de rigor a aceitação de sua recomposição. Inadmitir a recomposição das bases negativas implicaria em tributar em duplicidade a Recorrente, via (i) redução do saldo que foi utilizado no passado para redução da base de cálculo do imposto; e (ii) via constituição do débito do CSLL (correspondente à redução de base anterior), para pagamento no âmbito do PAES. Logo, no momento em que houve a constituição definitiva e irretratável do IRPJ em questão no PAES (de acordo com as regras do parcelamento), as bases negativas que no passado haviam sido (erroneamente) utilizadas deveria ser imediatamente restituídas à Recorrente. Afinal, tais bases negativas deixaram de ser utilizadas para redução da base de cálculo do tributo ora parcelado e, portanto, pôde ser recuperado pela Recorrente. Esta recuperação, por sua vez, se dá através da recomposição do valor da base negativa (anteriormente utilizada), em seu LALUR ou seja, exatamente como procedeu a Recorrente. A recomposição em questão não ofende nenhuma norma do sistema tributário, mas constituise como verdadeiro poderdever da Recorrente, razão pela qual não pode ser contestada pelo agente fiscal. Aliás, não foi realmente indicada nenhuma norma, no lançamento, que tivesse sido desrespeitada. O agente fiscal sequer motivou o lançamento, só indicou que o valor em questão era derivado de recomposição das bases negativas, mas não esclareceu sequer porque não concordou com ela. Fl. 1203DF CARF MF Processo nº 16561.720041/201412 Resolução nº 1302000.442 S1C3T2 Fl. 19 18 No presente caso a recomposição do das bases negativas se deu com vistas a evitar a dupla incidência de tributo que, por sua vez, é vedada pela legislação tributária. A Recorrente agiu dentro da total legalidade e não podem ser contestados os procedimentos por ela adotados em relação a este ponto do lançamento! Neste sentido, de se reiterar que a comprovação da natureza do da base negativa adicionada no ano de 2003 aproveitamento indevido no passado conforme se verifica da Ação Declaratória anexada aos autos e do LALUR do período, além a planilha de inclusão de débitos no PAES. Diante do exposto, de se concluir que o procedimento adotado pela Recorrente para recomposição das bases negativas em questão está de acordo com as normas vigentes e possui fundamento. Deriva da constituição do valor de tributo que havia sido reduzido por meio de utilização das bases negativas que ultrapassavam o limite de 30% imposto pela legislação e que, portanto, uma vez declarado para pagamento no âmbito do PAES justifica a recuperação daquele valor que deixou de estar comprometido com a apuração da CSLL incluído no parcelamento. III.4.1 – DO DIREITO AO APROVEITAMENTO DE BASE NEGATIVA DE CSLL DE INCORPORADAS – VEDAÇÕES EM 29/06/1999 – INCORPORAÇÃO EM 30/01/1999 Quanto ao ajuste em questão, o acórdão da DRJ faz mais uma vez mera referência ao processo administrativo n° 19515.722490/201279, dizendo que a matéria já fora discutida naqueles autos, a despeito de não haver qualquer decisão transitada naquele processo. Para que não seja violado seu direito de defesa, a Recorrente contesta os fundamentos apresentados naquele processo, que nem mesmo foram reproduzidos no acórdão recorrido. Da decisão proferida pela DRJ no processo administrativo n° 19515.722490/201279, foi trazido aos autos motivação para o lançamento que, contudo, não existia no Termo de Verificação Fiscal ou no Auto de Infração do anocalendário de 2009, tampouco no lançamento deste processo. Naqueles autos, a DRJ alegou, em síntese, que os valores que foram adicionados no LALUR da Recorrente, como recomposição derivada da adesão da empresa ao PAES, e que não poderiam ter sido adicionados porque gerados em empresas incorporadas pela Recorrente. Segundo a DRJ, a Recorrente, como sucessora, não poderia aproveitar as base negativas acumuladas por empresa sucedida. Reiterase que o argumento é contestado já que o acórdão recorrido nos presentes autos meramente fez referência ao acórdão do lançamento de 2009 para manter o auto de infração de 2010. Vejase. De fato o valor recomposto no anocalendário de 2003 foi gerado em empresas que foram incorporadas pela Recorrente Da análise da documentação anexa (Does. 04 a 10 Atos Societários), verificase que foram promovidas diversas reorganizações societárias no grupo econômico do qual a Recorrente faz parte, ao longo dos anos. A empresa originalmente autuada no lançamento de 2009 a EDITORA ABRIL S/A (CNPJ 02.183.757/000193), foi a nova denominação social conferida à antiga LISTEL S/A (mesmo CNPJ 02.183.757/000193), em razão da alteração de denominação social pela qual passou esta última em janeiro de 1999. Fl. 1204DF CARF MF Processo nº 16561.720041/201412 Resolução nº 1302000.442 S1C3T2 Fl. 20 19 A EDITORA ABRIL S/A, ainda com sua antiga denominação social LISTEL S/A (CNPJ 02.183.757/000193) incorporou, em 30/01/1999, a parte cindida da empresa ABRIL S/A (CNPJ 44.597.052/000162 Vide Doe. 04). A ABRIL S/ A., por sua vez, nos anos anteriores à cisão (com posterior incorporação da parte cindida pela LISTEL/EDITORA ABRIL S/A CNPJ 44.597.052/000162), incorporou diversas empresas, quais sejam: (i)em 19.08.1996 incorporou a empresa ABRILCAP (CNPJ em 19.08.1996 incorporou a empresa ABRILCAP (CNPJ 00.156.494/000106), que deixou de existir (vide Doc. 05); (ii)em 30.07.1997, incorporou a empresa IRMÃOS REIS (CNPJ 57.143.034/000152), que também deixou de existir (vide Doc. 06); (iii)em 29.08.1997, incorporou a empresa ABRILPAR (CNPJ 01.348.791/000108), que deixou de existir (vide Doc. 08); (iv)em 30/06/1998 incorporou a ABRILPAR (CNPJ 02.192.666.00114 vide Doe. 09), que, por sua vez, havia incorporado a EDITORA AZUL S/A (CNPJ 55.901.979/0001 60), em 29/06/1998 (vide Doc. 10). As operações podem ser assim sintetizadas: Quadro de Operações de Reorganização Societária Incorporações Origem de Bases Negativas 1996 1997 1998 1999 Abril S/A (44.597.052/000162) incorpora AbrilCap (00.156.494/000106) Doc. 06 Abril S/A (44.597.052/000162) incorpora Irmãos Reis (57.143.034/000152) Doe. 07 e a AbrilPar (01.348.791/000108) Doc. 08 AbrilPar (02.192.666.00114) incorpora Editora Azul (55.901.979/000160) Doe. 10 e, em seguida, Abril S/A (44.597.052/000162) incorpora AbrilPar Doc. 09 Em 30/01/1999, Abril S/A (44.597.052/000162) sofre uma cisão e a parcela cindida é incorporada por Editora Abril S/A (02.183.757/000193) Doe. 05, que é a nova denominação social da antiga Listei S/A (02.183.757/000193) Doc. 04 Todas as operações foram devidamente comprovadas nos autos do processo administrativo nº19515.722490/201279 e nos presentes autos a ora Recorrente traz novamente a documentação. De se notar, ainda, que a empresa que efetuou a recomposição da base negativa, no anocalendário de 2003, foi a EDITORA ABRIL S/A (CNPJ N° 02.183.757/000162), que é a mesma que sofreu a autuação fiscal objeto deste processo. Posteriormente, no ano de 2012, a autuada foi incorporada pela Recorrente ABRIL COMUNICAÇÕES S/A; De todo modo, o que importa ressaltar é que a EDITORA ABRIL S/A poderia aproveitar as bases negativas das empresas incorporadas. Isto porque a vedação ao aproveitamento de bases negativas de CSLL de incorporadas só entrou em vigor em 29/06/1999, por meio do artigo 20 da Medida Provisória n° 1.8586. Fl. 1205DF CARF MF Processo nº 16561.720041/201412 Resolução nº 1302000.442 S1C3T2 Fl. 21 20 Constatase, portanto, que em relação à base negativa de CSLL, a vedação ao aproveitamento de bases negativas de empresas incorporadas (inclusive em razão de cisão), somente passou a ser aplicável a partir de 29/06/1999. No entanto, a incorporação da parte cindida da ABRIL S/A, pela EDITORA ABRIL S/A, se deu ANTES da entrada em vigor da proibição de aproveitamento de base negativa de incorporadas, pois ocorreu em 30/01/1999. Assim, no momento em que ocorreu a incorporação em tela, a EDITORA ABRIL S/A possuía direito à contabilização da base negativa de CSLL anteriormente detida pela empresa incorporada (ABRIL S/A esta, por sua vez, também tinha direito a "carregar" as bases negativas das empresas que incorporou antes de ser cindida e, em seguida, incorporada pela EDITORA ABRIL S/ A). Logo, a alegação da DRJ de que a EDITORA ABRIL S/ A não poderia contabilizar a base negativa de CSLL de empresa por ela incorporada não procede, pois, à época dos fatos (janeiro/1999), tal vedação não era aplicável. Não bastasse a inexistência de vedação à contabilização da base negativa em questão, nos autos do Processo Administrativo n° 19515.722490/201279 questionouse o fato de que a ação judicial que foi apresentada por empresas incorporadas (EDITORA AZUL S/A e ABRIL S/A), e não pela autuada (EDITORA ABRIL S/A), não poderia gerar "reflexos na compensação de seus prejuízos (sic), muito menos na pretensa recomposição do saldo acumulado em 2003". Do acórdão recorrido verificase que a D. Delegacia, naqueles autos, não compreendeu adequadamente os fatos noticiados, que deram origem à recomposição do saldo de base negativa de CSLL, em 2003, assim como não compreendeu quais débitos foram incluídos no PAES. Assim, sendo, cumpre esclarecêlos. Conforme apontado acima, a parcela cindida da ABRIL S/A que foi incorporada pela EDITORA ABRIL S/A (sucedida pela ora Recorrente), possuía um valor de base negativa de CSLL que, de acordo com a legislação vigente no momento das incorporações realizadas podia ser "carregado" pelas incorporadora neste caso, a EDITORA ABRIL S/A. Parcela desta base negativa que pode ser incorporada pela EDITORA ABRIL S/A, foi gerada pela própria ABRIL S/A, e outra parcela foi absorvida por esta empresa em razão de incorporações realizadas em anos anteriores (1996, 1997 e 1998), conforme acima noticiado (e demonstrado na documentação ora apresentada). Portanto, quanto ao direito de aproveitamento da base negativa em questão, não há discussão, na medida em que até 30/01/1999, quando aconteceu a última operação de incorporação sob análise (EDITORA ABRIL S/ A incorporando parcela cindida da ABRIL S/A), a legislação permitia que as bases negativas fossem "carregadas" ao longo dos anos, nas incorporações realizadas (1996 a 1999). Além da questão da origem destas bases negativas e do direito de "carregalas" , importa salientar que as empresas ABRIL S/A e EDITORA AZUL S/A possuíam medida judicial visando afastar a aplicação da trava de 30% no aproveitamento da base negativa, imposta pela Lei n° 8.981/958, com vigência a partir de 01.01.1995 (Ação Declaratória n° 95.00480859 já anexada aos autos). Ação judicial de mesmo conteúdo havia sido ajuizada, também, pela empresa ABRILCAP (Mandado de Segurança n° 95.00321149 Doe. 11) Fl. 1206DF CARF MF Processo nº 16561.720041/201412 Resolução nº 1302000.442 S1C3T2 Fl. 22 21 Em relação à base negativa acumulada nos anos anteriores (até 1994), o saldo poderia ser aproveitado pelo contribuinte nos anos subsequentes, desde que respeitada a mesma regra/limite de 30%, o que também foi questionado na medida judicial visando o aproveitamento de 100% da base até então gerada (1994). Assim, em virtude da existência da ação judicial em comento, as empresas autoras ABRIL S/A e EDITORA AZUL S/A aproveitaram suas bases negativas de CSLL, sem a limitação dos 30%. Posteriormente, no ano de 2003, quando tais empresas já haviam sido incorporadas pela EDITORA ABRIL S/A, com o advento do Parcelamento Especial PAES a sucessora optou por desistir da medida judicial, e incluir os débitos de CSLL que haviam sido "quitados" com os 70% de base negativa sob discussão, no parcelamento. A recomposição deste valor encontrase declarada não apenas em seu LALUR, como também em sua D1PJ/04 Anocalendário 2003 (Doc. 12), na linha relativa ao total da base negativa existente em 31/12/2003 (esta linha comporta diversos outros valores, conforme esclarece a planilha demonstrativa elaborada pela Recorrente Doc. 13 e seus Anexos). O efeito imediato da confissão (irretratável) e inclusão dos débitos no PAES foi o seguinte: a base negativa que havia sido utilizada anteriormente, para reduzir a base da CSLL devida pelas empresas ABRIL S/A e EDITORA AZUL S/A, poderia ser recomposta, na medida em que, com a inclusão dos débitos da CSLL no PAES tais bases tiveram sua utilização revertida. De fato, como afirma a DRJ, não foram incluídos no PAES débitos da Editora Abril S/ A (sucessora), mas sim das próprias empresas ABRIL S/A e EDITORA AZUL S/A, pois estas é que utilizaram, no passado, 100% de suas respectivas bases negativas, para redução da base de cálculo da CSLL. Ademais, todos os valores de base de cálculo de CSLL da ABRIL S/Ae EDITORA AZUL S/A, que foram reduzidos com os 70% de base negativa sob discussão na medida judicial, foram objeto de lançamento por parte da autoridade fiscal, para prevenção da decadência. Assim, cada um dos 05 (cinco) débitos que foram incluídos no PAES, das referidas empresas, possuem seus respectivos processo administrativos, que foram incluídos na Declaração PAES da EDITORA ABRIL S/A (sucessora e optante do parcelamento), conforme se depreende do quadro abaixo, bem como dos extratos do COMPROT (Doc. 14/18) e da Declaração PAES (anexada à impugnação e novamente trazida aos autos Doc. 19) Tal fato se constata da análise da Declaração PAES e do Extrato do PAES que foram anexados à impugnação. No entanto, para melhor identificação dos débitos das empresas ABRIL S/A e EDITORA AZUL S/A, que foram incluídos no PAES, apresentamos novamente estes documentos. Os processos administrativos a que se referem os débitos em questão encontramse enumerados na Página 09 da Declaração PAES. Em relação ao Extrato PAES, a Recorrente anexa presente apenas as páginas do Extrato que se referem à ABRIL S/A e à EDITORA AZUL S/A pois os débitos incluídos no parcelamento, ora sob análise, foram gerados por tais empresas, conforme já esclarecido acima. A Recorrente incluiu, também, uma numeração de páginas sequencial, para facilitar a identificação das informações relacionadas aos débitos Extrato PAES (Doe. 20) os débitos em questão encontramse relacionados nas páginas 01 e 07 da parte do Extrato PAES que se encontra anexo. Fl. 1207DF CARF MF Processo nº 16561.720041/201412 Resolução nº 1302000.442 S1C3T2 Fl. 23 22 A Recorrente apresenta, ainda, o seguinte quadro demonstrativo, para facilitar a identificação dos débitos de CSLL gerados pela ABRIL S/Ae EDITORA AZUL S/A e incluídos por sua sucessora (EDITORA ABRIL S/A) no PAES, relacionados à contribuição cuja base foi reduzida com os 70% então sub judice. Da documentação acostada, bem como dos esclarecimentos acima apresentados,, é de fácil constatação os seguintes fatos: os débitos incluídos no PAES referemse àqueles gerados pelas empresas do Grupo Abril que possuíam medida judicial para afastar a aplicação da trava de 30% quais sejam, a ABRIL S/A e a EDITORA AZUL S/ A. Estas empresas utilizaram mais base negativa do que a Lei lhes autorizava, razão pela qual, com a adesão ao PAES, por sua sucessora (EDITORA ABRIL S/A) os respectivos débitos de CSLL (correspondente à parcela de base de cálculo que havia sido reduzida com 70% de base negativa, não autorizada), foram incluídos no parcelamento. Com a inclusão de tais débitos no PAES surgiu o direito de recomposição destes valores de base negativa, cuja utilização foi revertida com a confissão da dívida a ela correspondente (CSLL sobre os 70% de base reduzida). Assim, de fato, não se trata de débitos da EDITORA ABRIL S/A. Afinal, não foi esta a empresa que utilizou 100% de suas bases negativas para redução da CSLL devida, mas sim as empresas que possuíam ação judicial que lhes autorizava ABRIL S/A e a EDITORA AZUL S/A. No entanto, em razão da sucessão ocorrida, apenas a EDITORA ABRIL S/ A, poderia fazer a inclusão de tais débitos no PAES, assim como, apenas ela poderia recompor a base negativa em questão. Logo, é evidente que os argumentos da DRJ no processo administrativo n° 19515.722490/201279, no sentido de que não haveria qualquer relação com a inclusão de débitos do PAES, com a recomposição da base negativa realizada em 2003 pela Recorrente, não procedem. PORTANTO, O LANÇAMENTO NÃO MERECE PROSPERAR TAMBÉM NESTE PONTO, SEJA PELAS RAZÕES PRELIMINARES ACIMA APONTADAS (MORMENTE QUANTO À DECADÊNCIA DO DIREITO DE GLOSA DE BASES NEGATIVAS, SEM O CORRESPONDENTE LANÇAMENTO DE OFÍCIO), SEJA PORQUE A DRJ NÃO PODERIA INOVAR O LANÇAMENTO, APRESENTANDO LHE NOVA FUNDAMENTAÇÃO, SEJA PORQUE MESMO AS NOVAS FUNDAMENTAÇÕES TRAZIDAS PELA DRJ NOS AUTOS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO N° 19515.722490/201279 NÃO PROCEDEM, NA MEDIDA EM QUE O DIREITO AO "CARREGAMENTO" DAS BASES NEGATIVAS NÃO ERA VEDADO PELA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DA INCORPORAÇÃO EFETUADA PELA EDITORA ABRIL S/A (30/01/1999). III.5 – DA MULTA Pelas razões apresentadas ao longo desta exposição, descabe o lançamento de ofício efetuado contra a Recorrente, referente à CSLL, inexistindo fundamento para a imposição de qualquer multa de ofício, uma vez que a aludida penalidade pecuniária constitui acessório da exação principal. Demonstrativo dos Débitos Consolidados no PAES CSLL Abril S/A e Editora Azul S/A Empresa geradora do débito Processo Relacionado Decl. PAES (Pág) Cod. Rec. Período Apuração Extrato PAES (Pág) Principal (R$) Multa Reduzida (R$) Juros ate 07/2003 (R$) Valor Consolidado (R$) Ed. Azul 13808.003801/ 0066 09 2973 dez/95 07 156.746,71 58.780,01 235.872,44 451.399,16 sV 13808.002151/ 0087 09 2973 dez/95 02 1.643.804,72 164.380,47 2.473.597,34 4.281.782,53 Abril S/A 13808.002152/ 0040 09 2973 dez/95 02 314.063,25 0,00 472.602,37 786.665,62 Ed. Azul 13808.003801/ 0066 09 2973 dez/97 07 222.927,71 83.597,89 279.545,76 586.071,36 Abril S/A 13808.006363/ 200102 09 2973 dez/96 02 2.597.814,82 974.189,56 3.328.320,34 6.900.315,72 Fl. 1208DF CARF MF Processo nº 16561.720041/201412 Resolução nº 1302000.442 S1C3T2 Fl. 24 23 A multa, em si mesma, segue a sorte do tributo principal que, uma vez inexigível, acarreta inexigibilidade daquela. Como se não bastasse, uma vez que o presente lançamento depende do resultado dos processos administrativos n°s. 19515.722489/201244 e n° 19515.722490/201279 (ajustes e glosa para o anocalendário de 2009), o presente lançamento configurase, no máximo, como lançamento efetuado para prevenção da decadência, razão pela qual impossível a manutenção da imposição de penalidade por força do disposto no artigo 63 da Lei n° 9.430/96. III.6 – DOS JUROS E SUA INAPLICABILIDADE SOBRE A MULTA DE OFÍCIO, CASO VENHA A SER MANTIDO O LANÇAMENTO. Por fim, é de se ressaltar que, na absurda hipótese de vir a ser mantida a autuação, será indevida a imposição de juros de mora sobre a multa de ofício lançada, e não paga no vencimento, por ausência de previsão legal. Com efeito, dispõe o §1º do artigo 161 do Código Tributário Nacional que o crédito tributário eventualmente existente, não integralmente pago no vencimento, será acrescido de juros de mora. No caso da multa decorrente de lançamento de ofício, a incidência dos juros, se devidos, deveria ocorrer a partir do trigésimo dia após a ciência do lançamento, quando restaria configurada a mora. Todavia, ao referirse ao "crédito tributário" o diploma legal não se refere à multa de ofício, mas apenas ao principal cobrado. Isso porque, se assim não fosse, não haveria necessidade do mesmo dispositivo ressalvar, logo em seguida, que a aplicação dos juros não causa prejuízo à imposição das penalidades cabíveis. Ademais, no presente caso, os juros moratórios cuja aplicação foi autorizada pelo lançamento limitamse àqueles aplicados sobre o tributo. E o que determinam os artigos 6º, §2º e 28 da Lei nº 9.430/96, únicos dispositivos legais constantes da capitulação legal do lançamento que tratam da aplicação dos juros de mora. E, ainda que assim não fosse, tendo sido aplicada a Taxa SELIC, depreendese da leitura do artigo 61 da Lei n° 9.430/96 que estabeleceu sua aplicação como juros moratórios que a referida taxa se aplica apenas sobre os tributos não pagos no vencimento. Logo, não há sequer como pretender aplicar a norma constante do artigo 161, §1° do Código Tributário Nacional, para que incidam juros de 1% sobre a multa de ofLio lançada, pois ao aplicar a Taxa SELIC ao lançamento o agente fiscal optou por esta sistemática de aplicação de juros de mora, a qual além de estabelecer um percentual diferenciado para apuração desses juros (distinto do citado artigo do Código Tributário Nacional) estabeleceu, expressamente, a incidência apenas sobre os tributos. Logo, independentemente do enfoque atribuído ao litígio, os juros moratórios não podem ser aplicadas sobre a multa de ofício lançada, caso mantido o lançamento, seja por falta de previsão legal, seja porque o enquadramento legal apontado no auto de infração não autoriza a imposição de juros sobre a multa de ofício, mas apenas sobre os tributos não pagos no prazo legal. IV – DAS PROVAS Outrossim, a Recorrente apresentou uma série de documentos, comprobatório do direito alegado, em sede de Impugnação. Solicitou, ainda, que eventuais provas que pudessem ser produzidas, e cuja apresentação viesse a ser necessária, em razão especialmente do entendimento da DRJ a respeito dos fatos e direito em discussão, fossem aceitas no curso do processo. Fl. 1209DF CARF MF Processo nº 16561.720041/201412 Resolução nº 1302000.442 S1C3T2 Fl. 25 24 A DRJ, contudo, manifestouse pela impossibilidade de produção de provas após a fase impugnatória. Tal entendimento, contudo, ofende flagrantemente o princípio da verdade material. De se destacar, também, que o próprio Decreto n° 70.235/72 permite a apresentação de provas após a fase impugnatória, se tais provas se referirem, especialmente, a fatos ou razões trazidas aos autos posteriormente. Logo, no caso da necessidade de comprovação de questões que foram trazidas aos autos apenas por força, por exemplo, da decisão da DRJ ou do próprio Conselho (no caso do cabimento de eventuais recursos cabíveis), não há que se questionar quanto ao direito de o contribuinte trazer novos documentos ao processo, os quais deverão ser necessariamente considerados pela Turma Julgadora. Assim, reiterase o pedido para produção de todas as provas em Direito admitidas, especialmente a posterior juntada de documentos, caso seja necessário, inclusive em razão dos andamentos dos processos administrativos que ensejaram o presente lançamento serão atualizados e o conhecimento. V – DO PEDIDO Assim, requer a Recorrente seja dado integral provimento ao presente Recurso Voluntário, com a reforma integral do v. Acórdão recorrido, determinandose, por conseguinte, O IMEDIATO E INTEGRAL CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO ORA COMBATIDO, SEJA EM RAZÃO DAS PRELIMINARES OU DO MÉRITO, COM O AFASTAMENTO DEFINITIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONSTITUÍDO E DAS PENALIDADES NELE COMINADAS. É o relatório Voto Conselheiro ROGÉRIO APARECIDO GIL Na forma acima, verifico que o recorrente está regularmente representado (fl. 1085) e que o recurso voluntário foi interposto em 15/11/2014 (fl. 1028/1082). Assim, preenchidos os requisitos de admissibilidade quanto à representação processual e a tempestividade, conheço do recurso voluntário. Verificase no procedimento fiscal iniciado, em 19/12/2013, o referido registro de constatação de inconsistências no sistema SAPLI (Sistema de Acompanhamento de Prejuízos Fiscais e Base de Cálculo Negativa da CSLL) Ano Calendário 2010, com compensação indevida de prejuízos fiscais de IRPJ e CSLL, respectivamente, nos valores de R$15.064.458,59 e R$74.494.459,31, relativas à empresa incorporada “Editora Abril S/A”, CNPJ: 02.183.757/000193. De outro lado, o Auto de Infração (MPF n. 0818500.2013.00337), às fls. 420/428, indicou que o sujeito passivo teria compensado prejuízos operacionais em montante superior ao saldo desse prejuízo, com fatos geradores ocorridos entre 01/01/2010 e 31/12/2010, apurado valor de R$15.064.458,59 e multa de 75%. Todavia, a recorrente demonstrou em Manifestação de Inconformidade (fls. 439/482), preliminares quanto à economia processual para julgamento em conjunto com o Processo Administrativo nº 1656.720042/201459, oriundo do mesmo procedimento fiscalizatório, em razão de a presente autuação se referir a mesmos fatos e mesmo período em um único processo. Fl. 1210DF CARF MF Processo nº 16561.720041/201412 Resolução nº 1302000.442 S1C3T2 Fl. 26 25 Ainda assim, sustentou a necessidade de suspensão da exigibilidade do lançamento que originou o presente (processos administrativos nº 16561.000125/200707 e nº 19515.722489/201244) ante a ausência de decisão definitiva quanto aos “ajustes” de prejuízo fiscal e bases de cálculo negativa; e questionou a decadência no sentido de que não poderia a fiscalização ter procedido à glosa dos valores de prejuízo fiscal contabilizados pela impugnante no ano de 2003, indevidamente apontados pelo relatório fiscal como tendo ocorrido em 2004, sem procedimento administrativo de lançamento e após o decurso do prazo decadencial de cinco anos. Pontuou a ausência de motivação que deu causa ao cerceamento do direito de defesa, e o erro de motivação ante a inexistência de adição de base negativa no LALUR no anocalendário 2004. Analisadas as informações, documentos e fundamentos apresentados pela recorrente, verificase que razão lhe assiste, quanto à suspensão deste feito. Assim, diante de todo o exposto, voto no sentido de CONVERTER o julgamento em diligência, para sobrestar o julgamento deste até o julgamento final dos Processos Administrativos nº 16561.000125/200707 e 19515.722489/201244. Encaminhese à unidade de origem para controle e acompanhamento até o julgamento final dos processos acima referidos, após o que, deverão ser juntadas aos presentes autos as decisões definitivas neles proferidas e devolvido a este CARF para prosseguimento do julgamento. ROGÉRIO APARECIDO GIL Relator Fl. 1211DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13054.720607/2015-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
ISENÇÃO. CONDIÇÃO DE PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO.
Reconhece-se a condição de portador de moléstia grave nos termos da legislação, mediante a apresentação de laudo médico oficial que assim o comprove.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.480
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, conhecer do recurso e, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencido o Conselheiro Túlio Teotônio de Melo Pereira (Relator), que negava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ronnie Soares Anderson.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo Presidente
(assinado digitalmente)
Túlio Teotônio de Melo Pereira - Relator
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA
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CONDIÇÃO DE PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. Reconhecese a condição de portador de moléstia grave nos termos da legislação, mediante a apresentação de laudo médico oficial que assim o comprove. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 4. 72 06 07 /2 01 5- 11 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/09/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIR A, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, conhecer do recurso e, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencido o Conselheiro Túlio Teotônio de Melo Pereira (Relator), que negava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ronnie Soares Anderson. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo – Presidente (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira Relator (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/09/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIR A, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13054.720607/201511 Acórdão n.º 2402005.480 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Inicialmente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (fls. 60/65), por bem retratar os fatos ocorridos até então: Tratase o presente processo de notificação de lançamento relativa ao anocalendário 2011, para cobrança de crédito tributário no montante de R$ 4.857,85. De acordo com a descrição dos fatos de fl.19 foi apurado que os rendimentos foram indevidamente considerados como isentos por moléstia grave das seguintes fontes pagadoras:INSS (R$ 28.465,76) e Fundação CEEE de Seguridade Social ELETROCEEE no valor de R$ 90.045,84. O contribuinte em 06 de julho de 2015 apresenta impugnação ao lançamento alegando ser portador de moléstia grave e que os valores recebidos são isentos.Apresenta os documentos de fls. 6 a 16. Em 17 de setembro de 2015, o processo foi baixado em diligência para que o interessado apresentasse um laudo médico oficial de acordo com o estabelecido na Solução de Consulta Interna n°11 (fl. 36). Em resposta , o contribuinte apresentou a petição de fl. 41 e os documentos de fls. 42 a 57. A impugnação foi julgada improcedente pelo acórdão no 1279.859 18a Turma da DRJ/RJO (fls. 61/66), fundamentado nos seguintes termos: (...) Os laudos apresentados além de não conter a matrícula do médico na unidade de saúde do serviço médico oficial, não contém o CNPJ da unidade. Cabe ressaltar que o Termo de Adesão anexado em sua cláusula 4a menciona que os serviços prestados são de caráter gratuito, não havendo vínculo trabalhista. Além disso, o próprio termo menciona que as atividades estipuladas na cláusula 2° para serem ressarcidas há que ser apresentada a nota fiscal da prestação do serviço. A Solução de Consulta é bem clara ao exigir "V o nome completo, a assinatura, o n° de inscrição no Conselho Regional de Medicina (CRM), o n° de registro no órgão público e a qualificação do(s) profissional(is) do serviço médico oficial responsável(is) pela emissão do laudo pericial." Fl. 84DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/09/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIR A, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Ressaltese ainda que o Termo anexado menciona que o médico voluntário exercerá sua função no Centro de Especialidades Médicas durante as segundasfeiras das 11 as 12h. O laudo foi assinado em 16 de abril de 2015, quintafeira, dia diverso do mencionado no Termo. Ademais os laudos apresentados não contém a unidade Centro de Especialidades Medicas. Portanto, é necessário que o os laudos apresentados contenham a matrícula funcional do médico na unidade de saúde de serviço médico oficial Dessa forma, concluise que os documentos apresentados são inábeis para a comprovação do estado clínico do paciente, e, em conseqüência, para formar a convicção do seu destinatário, no caso, a Receita Federal do Brasil, de que o contribuinte é portador de moléstia grave no ano em questão. Não há como interpretar de modo diferente o presente assunto. É que a isenção deve ser tida como regra de direito excepcional, sendo vedado ao intérprete a utilização de interpretação extensiva ou de integração analógica, em se tratando de favorecimento tributário. Por conseguinte, diante das exposições supra, o contribuinte não logrou comprovar que os rendimentos recebidos são isentos com base no inciso XIV do artigo 6°, da Lei n° 7.713/1988 com a redação dada pelo artigo 47 da Lei n° 8.541/1992 e alterações introduzidas pelo artigo 30 e §§ da Lei n° 9.250/1995. Diante do exposto voto pela improcedência da impugnação. Cientificado da decisão em 28/03/2016 (f. 67), o sujeito passivo apresentou recurso voluntário (f. 69), em 26/04/2016, aduzindo, em síntese, as seguintes razões: 1. a 18a Turma/DRJ argumenta que do laudo pericial não constam a matrícula do médico na unidade de saúde nem o CNPJ da unidade. Tal argumento tornase infundado visto que o MD Alexandre Rubio Roso tem seu registro como cirurgião geral CREMERS matrícula 18.278; 2. o laudo pericial timbrado pela Prefeitura Muncipal de São Leopoldo, descreve todos os CIDs, início das enfermidades e com prazo indeterminado de tratamento. Requer anulação do acórdão da DRJ. Juntou documentos (fls. 70/77). E o relatório. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/09/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIR A, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13054.720607/201511 Acórdão n.º 2402005.480 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Vencido Conselheiro Túlio Teotônio de Melo Pereira Relator O recurso, apresentado no trintídio assinalado pelo art. 33 do Decreto no 70.235/72, é tempestivo. Presentes os demais requisitos, deve ser conhecido. Isenção decorrente de doença grave Temse em pauta recurso voluntário no qual o Interessado pretende que seja reconhecido seu direito à isenção do imposto de renda pessoa física, alegando que é portador de doença grave e que os valores recebidos são provenientes de aposentadoria e complementação. Para o gozo da isenção pleiteada, a Lei no 7.713/1988 estabelece os seguintes requisitos: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente sem serviços, e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerosemúltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 8.541, de 1992) (Vide Lei 9.250, de 1995) (...) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. (Incluído pela Lei nº 8.541, de 1992) (grifouse) Dos dispositivos transcritos, verificase que são dois os requisitos para o exercício do direito à isenção pleiteada: Fl. 86DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/09/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIR A, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 a) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão; b) que o contribuinte seja portador de uma das doenças enumeradas no inciso XIV, do art. 6o, da Lei no 7.713/1988. A isenção em questão também se aplica à complementação de aposentadoria, reforma ou pensão (§ 6° do art. 39 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento de Imposto sobre a Renda RIR/1999). Ademais, partir do anocalendário 1996, a Lei no 9.250/1995 qualificou a comprovação do segundo requisito nos seguintes termos: Art. 30 A partir de 1° de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (grifouse) Com a impugnação, o contribuinte trouxe, além de outros documentos, cópia de comprovante de rendimentos pagos e retenção de imposto de renda na fonte (f. 7), ano calendário 2011, emitido pela Fundação CEEE de Seguridade Social ELETROCEEE, informando que os rendimentos correspondem a complementação de aposentadoria. Apresentou, também, carta de concessão de benefício (fls. 10/11) e comprovante de rendimentos pagos e retenção de imposto de renda na fonte (f. 9), emitido pelo INSS, registrando que a natureza do rendimento é de aposentadoria por tempo de contribuição. Restou, assim, comprovado que os rendimentos pagos por essas duas fontes correspondem a aposentadoria e complementação. Para comprovar a enfermidade, o sujeito passivo juntou laudo pericial (f. 12) e laudo médico (f. 14), ambos emitidos pelo mesmo profissional, com diagnóstico de cardiopatia isquêmica (CID I25.5), desde 06/2003, e concomitantemente, quadro de polimiosite (CID M32.2). Com o recurso, o contribuinte traz novo laudo (f. 71), assinado pelo mesmo médico, e com idêntico diagnóstico, desta feita acrescentando, no cabeçalho, a identificação do centro médico com o respectivo CNPJ. No entanto, referidas doenças não constam expressamente da relação do inciso XIV, do art. 6o, da Lei no 9.713/1988. Nestes termos, não restando comprovado que o contribuinte é portador de doença grave, prevista no artigo 6°, inciso XIV, da Lei n° 7.713/1988, é impossível reconhecer o seu direito à isenção do imposto de renda, pelo que não se pode dar provimento ao recurso voluntário. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira Fl. 87DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/09/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIR A, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13054.720607/201511 Acórdão n.º 2402005.480 S2C4T2 Fl. 5 7 Voto Vencedor Conselheiro Ronnie Soares Anderson – Redator Designado Não obstante as razões aduzidas pelo D. Relator, divirjo do seu entendimento no tocante ao valor probatório dos laudos periciais carreados pelo contribuinte. Primeiramente, há que se mencionar que vários dos requisitos constantes na Solução de Consulta Interna Cosit nº 11/2012, referida pela DRJ/RJO, não encontram guarida, ao menos em sua completude, na legislação especializada, conforme pode ser aferido compulsandose os termos da Resolução do Conselho Federal de Medicina nº 1.851/2008, que trata do tema e está disponível na internet. Ademais, este Colegiado não está adstrito aos ditames das Soluções de Consulta emanadas pela administração fazendária para a formação das suas ponderações nos litígios que examina, em que pese a inquestionável qualidade de tais orientações. Nessa esteira, a mera falta do número de matrícula funcional do médico junto à unidade de saúde oficial, no caso o Centro Médico Capilé, da Prefeitura de São Leopoldo/RS, não se configura suficiente para obstar a validade das informações constantes nos laudos acostados ao processo às fls. 11, 13 e 69. Da leitura conjunta desses documentos, depreendese que o contribuinte é portador, desde 26/06/2003, de cardiopatia isquêmica severa/grave, conforme atestado pelo clínico cirúrgico Alexandre Rubio Roso, Cremers nº 18.278, ao que tudo indica vinculado àquela unidade de saúde. Anotese que o predicado "severa/grave", constante do laudo, referese à cardiopatia isquêmica da qual padece o notificado, do que se conclui estar tal enfermidade abrangida no rol das moléstias graves ensejadoras do benefício isentivo previsto no inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713/88. Ante o exposto, voto no sentido de conhecer e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/09/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIR A, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Numero do processo: 11962.000198/2004-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3401-000.958
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por maioria de votos, os Conselheiros afastaram a preliminar de cerceamento de defesa, na reunião de agosto de 2016, vencidos o relator e o Conselheiro Rodolfo Tsuboi.
RESOLVEM os membros do colegiado, por maioria, na reunião de setembro de 2016, converter o julgamento em diligência, vencidos os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Fenelon Moscoso de Almeida e Cléber Magalhães. Designado para redigir o voto vencedor em relação à preliminar relativa a cerceamento de defesa o Conselheiro Rosaldo Trevisan. Declarou-se impedido de participar do julgamento o Conselheiro Robson José Bayerl. Esteve presente ao julgamento o Dr. Afonso Celso Mattos Lourenço, OAB RJ n.º 27.406.
Rosaldo Trevisan - Presidente e redator designado.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente Substituto), Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice Presidente), Cléber Magalhães.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Por maioria de votos, os Conselheiros afastaram a preliminar de cerceamento de defesa, na reunião de agosto de 2016, vencidos o relator e o Conselheiro Rodolfo Tsuboi. RESOLVEM os membros do colegiado, por maioria, na reunião de setembro de 2016, converter o julgamento em diligência, vencidos os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Fenelon Moscoso de Almeida e Cléber Magalhães. Designado para redigir o voto vencedor em relação à preliminar relativa a cerceamento de defesa o Conselheiro Rosaldo Trevisan. Declarouse impedido de participar do julgamento o Conselheiro Robson José Bayerl. Esteve presente ao julgamento o Dr. Afonso Celso Mattos Lourenço, OAB RJ n.º 27.406. Rosaldo Trevisan Presidente e redator designado. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente Substituto), Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice Presidente), Cléber Magalhães. Relatório Trata o presente de pedidos de ressarcimento para os períodos de apuração em epígrafe por meio dos quais pede créditos de COFINS (período de apuração de 01/02/2004 a 30/06/2004) em regime de não cumulatividade, aos quais estão vinculados Declarações de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 19 62 .0 00 19 8/ 20 04 -1 0 Fl. 1777DF CARF MF Processo nº 11962.000198/200410 Resolução nº 3401000.958 S3C4T1 Fl. 3 2 Compensação para aproveitar esses créditos para compensar com débitos de diversos tributos federais. Em 2010 a autoridade tributária da jurisdição acolheu o teor de Informação obtida a partir de fiscalização realizada junto à contribuinte e concluiu por glosar parte dos créditos pleiteados e homologar as Declarações de Compensação até o valor do crédito reconhecido. Reproduzo a seguir o resumo dos fundamentos dessa decisão, conforme elaborado pelo relator da instância a quo, pela sua objetividade e suficiência: 1. Realcafé foi objeto de procedimento de auditoria amparado pelo Mandado de Procedimento Fiscal n° 2010.2413, que teve como escopo a verificação de pretensos créditos, oriundos da aquisição de café utilizados como insumos, deduzidos contabilmente pela Realcafé com os valores devidos das contribuições nãocumulativas para o PIS/Cofins, bem como utilizálos na compensação de tributos/contribuições mediante pedido de ressarcimento/compensação por meio de processo administrativo ou PER/Dcomp; 2. A auditoria fiscal examinou a escrituração contábil com enfoque na conta representativa de fornecedores e restou comprovado à saciedade que a Realcafé apropriouse de créditos integrais fictos decorrentes da compra de café; 3. Realcafé lançou mão de um ardil disseminado por todo o Estado do espírito Santo, que consiste na interposição fraudulenta de pseudoatacadistas "empresas de fachada" para dissimular vendas de café de pessoa física (produtor/maquinista) para empresas exportadoras e torrefadoras, gerando dessa forma, ilicitamente, créditos integrais de PIS/Cofins (9,25% sobre o valor da nota) na sistemática da nãocumulatividade, que, de outra forma, segundo a legislação vigente, não seriam cabíveis; 4. Os créditos integrais, apropriados indevidamente nos livros contábeis da Realcafé, foram glosados e reconhecido o direito ao crédito presumido sobre tais operações, na forma da legislação aplicável, sendo que, após a recomposição dos saldos, as diferenças do PIS e da Cofins devidos foram lançados de ofício, além da multa isolada a ser aplicada sobre as compensações indevidas, nãohomologadas, vinculadas a pedidos de ressarcimento de créditos do PIS e da Cofins que não foram reconhecidos na sua integralidade; 5. Importante frisar que a fiscalização decorre das investigações originadas na operação fiscal "Tempo de Colheita", deflagrada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória/ES, em outubro de 2007, que resultou na comunicação dos fatos apurados ao Ministério Público Federal em agosto de 2009; 6. Em 01/06/2010, deflagrouse a "Operação Broca", fruto de parceria entre o Ministério Público Federal, Polícia Federal e Receita Federal, na qual foram cumpridos mandados de busca e apreensão em 74 locais, sendo a Realcafé um dos alvos; a "Operação" teve repercussão nos meios de comunicação; 7. As provas e documentos produzidos durante os trabalhos fiscais que constam do processo administrativo de auto de infração n° 15586.000956/201025, bem como a Informação Fiscal e Despacho Decisório acima mencionados, serão cientificados simultaneamente à Realcafé, por se tratarem do mesmo objeto, qual seja: análise, glosa e recomposição dos créditos a descontar; Fl. 1778DF CARF MF Processo nº 11962.000198/200410 Resolução nº 3401000.958 S3C4T1 Fl. 4 3 8. A fiscalização limitou o valor do "Pedido de Ressarcimento" ao valor do saldo do crédito a descontar referente à parcela do "Mercado Externo" (passível de ressarcimento); 9. Em síntese, revendo os detalhamentos de apuração do crédito vindicado, a contabilidade e os documentos fiscais disponibilizados pelo contribuinte, bem como cotejando com os elementos e documentos acostados aos autos do processo administrativo (de auto de infração) n° 15586.000956/201025, não foi possível reconhecer integralmente o direito creditório pleiteado pelo contribuinte, bem como homologar integralmente as compensações requerida. A contribuinte contesta a decisão administrativa, argüindo as razões por entende ela não deve prevalecer, que no resumo elaborado pelo relator de 1ª instância, que reproduzo pela sua qualidade, seriam: 1. tendo em vista a obediência ao sigilo fiscal, o acervo de dados colhidos pela fiscalização se encontra indisponível a terceiros, razão pela qual a ausência de indicação das empresas consideradas como "laranjas", com as quais o impugnante realizou operações de compra e venda de café, viola os princípios constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, elencados no artigo 5o, incisos LIV e LV, da Constituição Federal de 1988 (CF/88); 2. nestes termos, vêse que a afirmação da fiscalização de que as notas fiscais emitidas em nome de empresas consideradas "de fachada" ou "laranjas", sem que tenham sido fornecidos os dados das mesmas para fins de verificação e elaboração de resposta, fere fatalmente os princípios do contraditório e da ampla defesa, em flagrante cerceamento do direito de defesa do impugnante, o que, na forma do artigo 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/72, inquina a decisão administrativa de nulidade; 3. no mérito, merece atenção, inicialmente, e de forma exemplificativa, o fato de que o impugnante já adquiria o café das empresas ACÁDIA Comércio e Exportação Ltda. e Cafeeira São José Ltda., consideradas pela fiscalização como criadas apenas para "gerar" créditos de PIS e Cofins, muito antes da edição das normas que instituíram o regime da nãocumulatividade para tais contribuições, o que se comprova através das notas fiscais em anexo (DOC. 02, fls. 154/183), o que afasta ainda mais a plausibilidade da tese aventada pelo agente fiscalizador para fins de sustentar a arbitrária glosa efetivada; 4. é imperioso ainda consignar que os fatos apurados na intitulada operação "Tempo de Colheita" não podem atingir operações de compra realizadas com legitimidade de apuração de créditos de PIS/Cofins, pois, em verdade, correspondem tãosomente ao esforço da fiscalização para desqualificar as operações de compras efetuadas pelo impugnante, uma vez que este jamais contribuiu para a concretização dos atos praticados pelos representantes das empresas fornecedoras; 5. não se pode atribuir pseudocomportamentos ao impugnante em face da exclusiva ineficácia da fiscalização, traduzida na falta de efetividade de sua atuação em evitar as supostas práticas lesivas das empresas; 6. importante frisar que houve uma efetiva preocupação do impugnante em buscar informações a respeito da regularidade fiscal das empresas fornecedoras, Fl. 1779DF CARF MF Processo nº 11962.000198/200410 Resolução nº 3401000.958 S3C4T1 Fl. 5 4 as quais, na ocasião de cada compra, apresentavamse devidamente ativas perante o Fisco; 7. não é possível concluir que o impugnante tinha conhecimento das práticas ilícitas adotadas pelas empresas fornecedoras, razão pela qual, por óbvio, que os valores de Cofins nãocumulativo foram apropriados na forma do artigo 3o, das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003; 8. não obstante a fiscalização mencione a deflagração da denominada "Operação Broca", fruto da parceria entre o Ministério Público Federal, Polícia Federal e Receita Federal, a glosa em razão da suposta existência de fraude na obtenção dos créditos do PIS e da Cofins não poderá subsistir, uma vez que cabe somente aos órgãos de jurisdição, devidamente estabelecidos na Constituição Federal, reconhecer se houve ou não a tipificação de que as operações de compra e venda perpetradas pelo impugnante seriam consideradas fraudulentas; 9. nesse sentido, não é cabível a extensão ao presente processo administrativo dos efeitos de quaisquer dos atos praticados no âmbito criminal relativamente à "Operação Broca", pelas razões a seguir aduzidas; 10. primeiramente, porque nenhum dos diretores ou componentes do quadro societário do impugnante foram denunciados pelo Ministério Público Federal nos autos da ação criminal decorrente da "Operação Broca" processo n° 2008.50.05.0005383 , conforme certidão que integra o Doe. 03 (fls. 184/187); 11. assim, todos os elementos trazidos pela fiscalização caem por terra, já que nem o Ministério Público Federal, autoridade competente para promover a ação criminal em questão, vislumbrou a tipificação penal que a fiscalização entende existir; 12. ademais, os próprios inquéritos policiais instaurados, tanto em razão da operação "Tempo de Colheita", quanto da denominada "Operação Broca", não podem ser utilizados como prova da suposta realização de atos fraudulentos, já que trata o inquérito policial de procedimento inquisitivo, no qual não há contraditório ou ampla defesa, correspondendo, na realidade, à mera peça informativa no âmbito da qual se produzem atos de investigação, que têm por objetivo único a formação do convencimento do responsável da acusação de que há justa causa para o ajuizamento de ação penal; 13. portanto, trechos extraídos de inquéritos policiais, ou mesmo a existência de referidos procedimentos, não representam prova de suposta obtenção fraudulenta de créditos, pois, ainda que o impugnante viesse a ser alcançado pela denúncia, o que apenas se cogita e não é o caso, ainda assim o princípio da inocência implica em que o réu, em nenhum momento do iter persecutório, poderá sofrer restrições fundadas exclusivamente na eventual possibilidade de condenação; 14. nesse contexto, somente após a formação da coisa julgada é possível considerar existente a situação fática declarada na sentença penal condenatória, e, destarte, elidido o estado de inocência; 15. ainda que houvesse sentença penal condenatória decorrente dos fatos apurados nos autos da ação criminal decorrente da "Operação Broca" (processo n° 2008.50.05.0005383), ainda assim não se poderia cogitar de extensão ao presente caso de eficácia natural da sentença, uma vez que o terceiro (in casu, o Fl. 1780DF CARF MF Processo nº 11962.000198/200410 Resolução nº 3401000.958 S3C4T1 Fl. 6 5 impugnante), mesmo que titular de relação jurídica conexa, não fica vinculado ao conteúdo de provimento alheio, exarado em processo do qual não participou, sob pena de verdadeira inve inversão do ônus da prova sem qualquer previsão legal; 16. é inaceitável, considerado o que dispõe o parágrafo único, do artigo 82, da Lei n° 9.430/96 (reproduzido no artigo 217 do Decreto n° 3.000/99 RIR), que sejam impostas ao impugnante glosas de seus créditos de PIS e Cofins não cumulativos, advindos de operações nas quais houve a entrega das mercadorias e o pagamento do preço acordado, em virtude de eventuais decisões, absurdamente, com efeitos ex tunc; 17. a análise do caso concreto demonstra que há a comprovação e o reconhecimento por parte da própria fiscalização de que a empresa impugnante promoveu o pagamento do valor acordado para a aquisição das mercadorias e recebeu o produto em um dos seus estabelecimentos, tanto que através do "Termo de Encerramento da Ação Fiscal n° 08241/2010", constante do Auto de Infração que deu origem ao processo administrativo fiscal n° 15586.000956/201025, houve toda a recomposição dos créditos de PIS, para que estes fossem apurados sob a sistemática do crédito presumido; 18. a boafé do impugnante é ainda demonstrada pelo fato de que este teve o zelo de fazer consultas ao SINTEGRA e ao próprio banco de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, através de seu sítio na internet, com o objetivo de comprovar a regularidade jurídica das empresas com as quais realizou operações de compra e venda; 19. logo, ainda que as empresas fornecedoras estivessem inativas no momento da realização das operações de fornecimento de mercadorias no período, o que não é verdade, mesmo assim o impugnante não poderia jamais ser prejudicado por fatos que não causou, na medida em que adotou todas as medidas de cautela que exige a legislação de regência; 20. portanto, concluise que a verificação de idoneidade incumbe ao Fisco, e não ao contribuinte, razão pela qual este não pode ter seu crédito indeferido se, à época da comercialização, os fornecedores encontravamse em situação regular perante os controles da própria Secretaria da Receita Federal do Brasil; 21. com o intuito de demonstrar de forma definitiva a sua absoluta boafé, o impugnante, ao verificar irregularidades com a empresa WG Azevedo Brasil Coffee, cessou a operação de compra e venda de café em grão que vinha sendo realizada enquanto a fornecedora não comprovasse a aptidão de seu cadastro e o recolhimento do PIS e da Cofins, tendo sido proposta pela referida fornecedora (Brasil Coffee), em razão disto, ação de cobrança n° 024.100027903 (cf. DOC. 04, fls. 188/214). 22. Ao final, o impugnante requereu a declaração de nulidade do Despacho Decisório, proferido com base na Informação Fiscal SEFIS/DRF/VIT/ES n° 19/2010, por cerceamento ao seu direito de defesa, e, no mérito, que fosse reconhecida a idoneidade dos créditos apurados no ano de 2005 de PIS não cumulativo, tornandose insubsistente a cobrança do crédito tributário decorrente das glosas de tais créditos, sendo procedido, inclusive, ao ressarcimento de eventuais diferenças positivas favoráveis ao contribuinte, tendo se protestado, ainda, pela juntada posterior de quaisquer documentos que se fizerem necessários para demonstrar o direito ao crédito postulado. Fl. 1781DF CARF MF Processo nº 11962.000198/200410 Resolução nº 3401000.958 S3C4T1 Fl. 7 6 Os Julgadores de 1º piso, após apreciarem a contestação da contribuinte, as informações prestadas pelas autoridades fiscais, as decisões proferidas e demais documentos que instruem o processo, concluíram por não acolher as alegações da contribuinte e pela manutenção da decisão administrativa. Os julgadores de 1º piso orientaram que este processo deveria permanecer apensado ao processo n. 15586.000956/201025, que trata do auto de infração que possui relação com a motivação do despacho decisório proferido neste processo, para prosseguimento em conjunto. A contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual trouxe seus argumentos, em resumo: · Nulidade por cerceamento do direito de defesa: "Antes mesmo de adentrar as razões de mérito, a Recorrente entende como primordial apontar as falhas/omissões constantes da decisão ora recorrida, tendo em vista que tais vícios maculam o julgado administrativo tornandoo nulo e sem efeitos. Isto porque, conforme a própria autoridade julgadora de primeira^instância administrativa bem fez questão de frisar, a decisão ora recorrida é toda fundamentada no Acórdão n° 33.347/2011, o qual se vincula a um auto de infração lavrado em face da Recorrente (processo administrativo n° 15586.000956/201025), cuja íntegra somente foi fornecida à contribuinte em 10.05.2001, ou seja, 03 (três) dias antes do término do prazo para a apresentação do presente recurso voluntário. Significa, dizer, então, que antes mesmo da sua ciência quanto ao resultado do julgamento da peça de defesa apresentada naqueles autos, a Recorrente não apenas tomou conhecimento, através da decisão ora recorrida, de que o lançamento fiscal ali consubstanciado fora objeto de manutenção através do Acórdão n° 33.347/2011, como também se vê surpreendida com a utilização integral dos fundamentos daquele julgado como base para a não homologação de seu direito creditório, em que pese não ter sido ainda cientificada do mesmo. Ora, tal procedimento adotado pela autoridade julgadora de primeira instância se demonstra alheio aos princípios que norteiam o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa, verdadeiras garantias constitucionais, pois o fato da mesma ter um acesso privilegiado a tais informações, não legitima a sua utilização contribuinte que efetivamente faz parte do pólo passivo daquela autuação fiscal, no caso a ora Recorrente." Cita jurisprudencia em favor da sua tese de que houve falha na motivação e fundamentação dos atos: "PRELIMINAR DE NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA INEXATIDÃO MATERIAL A decisão proferida pelo órgão julgador de primeira instância, deverá contemplar, além de relatório resumido do processo, a motivação e a fundamentação, para dar ou negar provimento aos itens discutidos, demonstrando com perfeição, as conclusões e resultados obtidas. PUBLICADO NO DOU N° 54 DE 20/03/06, FLS. 37 A 41." (Acórdão 10708148, Sessão de 06/07/2005) grifos nossos "NORMAS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MOTIVAÇÃO E FUNDAMENTAÇÃO DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRINCÍPIOS DO DEVIDO PROCESSO LEGAL E AMPLA DEFESA. NULIDADE. É nula a decisão de primeira instância que, em detrimento ao disposto no artigo 50 da Lei n° 9.784/99, c/c artigo 31 do Decreto n° 70.235/72 e, bem assim, aos princípios do devido processo legal e da ampla defesa, é Fl. 1782DF CARF MF Processo nº 11962.000198/200410 Resolução nº 3401000.958 S3C4T1 Fl. 8 7 proferida sem a devida motivação e fundamentação legal clara e precisa, requisitos essenciais à sua validade. Processo Anulado." (ACÓRDÃO 206 01162, Sessão de 07/08/2008) grifos nossos · Ademais, se faz necessário destacar que das 30 (trinta) empresas relacionadas originariamente pela decisão recorrida às fls. 10/11, posteriormente apenas 10 (dez) foram citadas como vinculadas à Recorrente em operações consideradas como realizadas em caráter discutível, em que pese a glosa dos créditos ter sido integral, como bem se verifica através do Quadro Demonstrativo abaixo, no qual a ora Recorrente indica tais empresas e as fls. nas quais seus nomes constam da decisão recorrida, vejase: EMPRESA ATACADISTA/FORNECEDORA CITADA AS FLS: 1 Colúmbia Comércio de Café Ltda. 14/16/17/18/19/20/21 2 Acádia Comércio e Exportação Ltda. 14/15/16/17/19/20/21 3 Do Grão Comércio e Exportação e Importação Ltda. 14/15/16/17/19/20/21 4 L & L Comércio Exportação de Café Ltda. 14/16/17/19/20/21/22 5 J C BINS Cafeeira Colatina 14/16 6 V Munaldi ME 14/16 7 WR da Silva WD Café 17/20/21/23 8 R Araújo Cafecol 20 9 Nova Brasília Comércio Café Ltda 20 10 Ypiranga Comércio Café Ltda. 17/18 · "Isto é, quanto às outras 20 (vinte) empresas indicadas como fornecedoras da Recorrente, não conseguiu a autoridade prolatora da decisão recorrida efetuar qualquer imputação delituosa. Desta forma, demonstrase como ao menos incorreta a glosa dos créditos relativos às aguisições de mercadorias destas 20 (vinte) en presas não especificadas na decisão recorrida." · não se deu a preclusão processual declarada pelos julgadores de 1º piso, pois não é verdade que a contribuinte não contestou as formas de cálculo e a sistemática do crédito presumido da visão da autoridade lançadora, pois ela contestou o critério utilizado pela fiscalização para a glosa de seus créditos, o que abrange as formas de cálculo e o crédito presumido. · a autoridade julgadora a quo seguiu a diretriz traçada em outro procedimento de investigação (Operação Broca) e deixou de apreciar elementos de prova e esclarecimentos trazidos pela contribuintes nestes autos. A operação broca não indiciou a contribuinte e não abrangeu suas operações. Não há relação de causalidade entre as operações "Tempo de Colheita" e "Broca" para com as operações realizadas pela contribuinte. · Os fatos apurados na operação "Tempo de Colheita" e na "Broca" não podem atingir as compras realizadas com legitimidade de apuração de créditos das contribuições sociais. Até por que essas operações foram inquéritos policiais, Fl. 1783DF CARF MF Processo nº 11962.000198/200410 Resolução nº 3401000.958 S3C4T1 Fl. 9 8 meras peças informativas, que não geraram decisões judiciais contra a contribuinte e seus sócios e administradores. · As compras e vendas da commodity café em grão são, em sua quase totalidade, mediadas por corretores, onde as negociações se apóiam em amostras e se discutem preços, tipos e condições de entrega. · Mas a contribuinte buscava informações sobre a regularidade fiscal das fornecedoras, as quais, na ocasião de cada compra, apresentavamse ativas perante o Fisco. · Não há como se concluir que a recorrente tinha conhecimento das práticas ilícitas adotadas pelas suas fornecedoras; · ocorreu a decadência (§ 4º do art. 150 do CTN) com relação aos fatos geradores ocorridos antes de maio de 2005, uma vez que a contribuinte tomou ciência da decisão fiscal em 04/10/2010. · é impossível a aplicação concomitante de 2 penalidades, no caso a contribuinte pugna pela exclusão da multa isolada; · a necessidade de afastar a multa isolada (art. 18 da Lei n. 10.833/2003) por que: (a) não comprovação de fraude ou sonegação por parte da contribuinte; (b) não tipificação do fato imputado pela autoridade lançadora na hipótese de falsidade da declaração prevista na redação atual desse artigo 18 (a contribuinte alega que a falsidade da declaração foi afastada pela autoridade fiscal quando aceitou as declarações prestadas pela contribuinte para reconhecer o direito creditório presumido); (c) a boa fé da contribuinte e a falta de provas para justificar a majoração da multa para a alíquota de 150%; · "a recorrente na qualidade de adquirente de boa fé era exclusivamente a destinatária das mercadorias, não sendo provada em nenhuma oportunidade a sua participação na prática de introdução de pseudo pessoas jurídicas na cadeia de comercialização". · Aplicase à contribuinte o disposto no art. 82 da Lei n. 9.430/1996, segundo à qual as empresas que comprovam a efetivação do pagamento do preço e o recebimento das mercadorias não poderão ter seus créditos glosados. Que adotou as medidas de cautela em suas negociações. Defendeu a validade e legitimidade de suas notas fiscais e comprovantes de pagamento na aquisição do café cru. Cita jurisprudências e decisões judiciais e administrativas. · A tese da autoridade fiscal não pode prosperar; por exemplo, para demonstrar essa afirmativa, a contribuinte aponta que adquiria café das empresas Acadia e Cafeeira São José muito antes da edição das normas que instituíram o regime de não cumulatividade do PIS e da COFINS; ou seja, não teria cabimento a 'tese' da autoridade fiscal que elas foram criadas para apenas "gerar" créditos. Outro exemplo seria a iniciativa da contribuinte em cessar a compra junto à fornecedora WG Azevedo enquanto ela não comprovar a aptidão de seu cadastro e dos recolhimentos do PIS e da COFINS. · A autoridade de lançamento relaciona 30 empresas fornecedoras "de fachada", mas cita apenas 8 delas como tendo caráter discutível, mas para as outras 22 empresas não há qualquer menção por parte da decisão recorrida; Fl. 1784DF CARF MF Processo nº 11962.000198/200410 Resolução nº 3401000.958 S3C4T1 Fl. 10 9 Este processo chegou ao CARF e foi submetido a sessão regular, quando foi convertido o julgamento em diligência com a seguinte motivação e demanda: VOTO O Recurso Voluntário preenche os requisitos de admissibilidade razão pela qual dele conheço. Desde logo constato que o mérito da controvérsia gira em torno da desconsideração das Notas Fiscais de aquisições feitas a empresas comerciais atacadistas elencadas na r. decisão recorrida que geraram o crédito ressarciendo glosado. A legislação de regência (art. 82 da Lei n° 9430/96) fixa critérios objetivos para aferição da inidoneidade de documentos fiscais para fins de desconsideração dos atos e negócios jurídicos que lhes são subjacentes, dentre os quais se contam a efetivação do pagamento do preço respectivo e do recebimento dos bens pelo adquirente, cuja constatação reputo imprescindível para dirimir a controvérsia sobre possibilidade (ou não) de desconsideração das Notas Fiscais e sobre a existência e legitimidade (ou não) do crédito ressarciendo. Isto posto voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que: a) a ora Recorrente seja intimada no prazo de 10 dias a fornecer e fazer juntar aos autos dos comprovantes de pagamentos do preço das mercadorias retratadas nas Notas Fiscais de aquisições feitas às comerciais atacadistas elencadas na r. decisão recorrida, bem como dos comprovantes de efetiva entrada das mercadorias em seu estabelecimento, devidamente instruídos com planilha resumo; b) que a d. Fiscalização informe conclusivamente (com xerocópias) quais as data de publicação no DOU e a fundamentação dos atos que declararam a inaptidão do CNPJ das comerciais atacadistas elencadas na r. decisão recorrida, cujas Notas Fiscais de aquisição supostamente geradoras dos créditos ressarciendos foram glosadas; c) seja a Recorrente intimada das informações fiscais para manifestação no prazo de 10 dias, retornando os autos a julgamento. Em resposta à solicitação feita na Resolução, a autoridade fiscal preliminarmente retomou as origens da autuação, que seriam: 1. a glosa dos créditos se deu pela interposição fraudulenta de empresas de fachada empresas laranjas utilizadas como intermediárias fictícias na compra de café de pessoas físicas (produtores/ maquinistas) e não pela falta de comprovação da efetiva entrega da mercadoria e ao seu pagamento; 2. que a interposição de pessoas, como instrumento que permitiria a criação de créditos a serem compensados, era de pleno conhecimento da ora recorrente, empresa adquirente final do produto (REALCAFÉ), que, por conseguinte, sabia que as notas fiscais dessas empresas laranjas eram ideologicamente falsas, como se encontra farta e definitivamente comprovado nos autos; 3. Modus operandi: interposição fraudulenta de empresas de fachada empresas laranjas utilizadas como intermediárias fictícias na compra de café de pessoas físicas (produtores/ maquinistas). Fl. 1785DF CARF MF Processo nº 11962.000198/200410 Resolução nº 3401000.958 S3C4T1 Fl. 11 10 4. Que, em seu entendimento, a declaração de inaptidão é irrelevante ao caso, pois a inidoneidade dos documentos era do conhecimento da contribuinte; 5. Acrescentou que o artigo 82 da Lei n. 9.430, de 1996 alcança apenas o comprador de boa fé, que não é o caso da contribuinte autuada por que, nos autos, há provas que afastam a boa fé; 6. Em seguida passa a repisar a demonstração de que a contribuinte tinha conhecimento de que o café era adquirido de pessoa física em operação mediada por pseudo atacadistas (empresas de fachada), e que esse modo de funcionamento visava a lhe proporcionar vantagem de criar créditos de PIS e de COFINS. 7. Concorrentemente demonstra que as provas abrangem declarações de corretores, documentos de negociação apresentados pelos interessados, cópia de emails, documentos em papel, notas fiscais, comprovantes de pagamentos, programação e controle de pagamentos, etc. Cientificada dessa Informação Fiscal, a contribuinte apresenta sua manifestação por meio da qual argüi: · A autoridade fiscal não atendeu à diligência demandada pelo CARF; que ela “utilizouse do expediente com o único e exclusivo intuito de pretensamente afastar a boa fé da Recorrente, furtandose em apurar os fatos objetivamente solicitados”; que ela inovou em suas razões; “através da indicação de documentos internos da Recorrente (mídias, e mail’s e demais arquivos magnéticos), de todo esparsos e imprecisos, se analisados fora do contexto da rotina operacional da empresa, almeja tornar definitivas suas acusações”; que as aventadas provas trazidas pela fiscalização no bojo da INFORMAÇÃO FISCAL (email’s e demais documentos extraídos da rotina operacional interna da Recorrente), se referem às aquisições de pessoas jurídicas que sequer tratam das operações relativas ao período examinado nos presentes autos · Que a autoridade fiscal pretendeu desqualificar as operações feitas pela contribuinte e que esse procedimento seria o de desconsideração dos negócios jurídicos, mas faltou a ele base legal e a comprovação de que a contribuinte praticou atos ilícitos ou abuso do direito. Ele violou o princípio da tipicidade cerrada. Deve, portanto, ser · A autoridade fiscal impôs uma glosa genérica, deixou de indicar cada uma das pessoas físicas (produtores rurais) que seriam as verdadeiras fornecedoras, mediadas pelas supostas empresas de fachada. Que esses fatos prejudicaram o direito de defesa. · Se tivesse sido efetuada a quebra do sigilo fiscal/bancário das empresas fornecedoras das quais a Recorrente adquiriu o café, na medida em que os pagamentos (não questionados como de fato ocorridos) foram realizados por CHEQUE/DOC/TED, por evidente que a fiscalização poderia individualizar a destinação dos valores para cada uma das compras, elemento concreto que poderia amparar a imputação fiscal, ao contrário dos dados subjetivos (testemunhais e meramente indiciários) constantes deste processo. Fl. 1786DF CARF MF Processo nº 11962.000198/200410 Resolução nº 3401000.958 S3C4T1 Fl. 12 11 ... · Se tivesse sido efetuada a quebra do sigilo fiscal/bancário das empresas fornecedoras das quais a Recorrente adquiriu o café, consideradas como “de fachada", teria a autoridade fazendária, ao menos, realizado o devido trabalho fiscal, com a INDIVIDUALIZAÇÃO DAS ILICITUDES. e não com a GLOSA GERAL das compras referentes a cada trimestre, como arbitrariamente ocorreu nestes autos. · Que a autoridade fiscal não aprofundou a fiscalização (por exemplo: quebrando o sigilo bancário dos fornecedores, o que comprovaria a efetivação dos pagamentos feitos pela contribuinte), o que prejudicou a ampla defesa e o contraditório: · Se tivesse sido efetuada a quebra do sigilo fiscal/bancário das empresas fornecedoras das quais a Recorrente adquiriu o café, na medida em que os pagamentos (não questionados como de fato ocorridos) foram realizados por CHEQUE/DOC/TED, por evidente que a fiscalização poderia individualizar a destinação dos valores para cada uma das compras, elemento concreto que poderia amparar a imputação fiscal, ao contrário dos dados subjetivos (testemunhais e meramente indiciários) constantes deste processo. · Afirma a contribuinte que “apresenta os competentes comprovantes de pagamentos do preço das mercadorias retratadas nas Notas Fiscais de aquisições feitas às comerciais atacadistas elencadas na r. decisão recorrida, bem como, também, apresenta os comprovantes de efetiva entrada das mercadorias em seu estabelecimento, devidamente instruídos com planilha resumo (DOCUMENTOS EM ANEXO), elementos de prova estes que corroboram sua qualidade de adquirente de boa fé, sendo a mesma exclusivamente a destinatária das mercadorias. Invoca, mais uma vez, o disposto no art. 82 da Lei n. 9430/1996.” A REALCAFÉ SOLÚVEL DO BRASIL S/A, no início de 2016, trouxe expediente ao processo por meio do qual alega fatos novos e relevantes a serem apreciados quando do julgamento do processo administrativo, subdivididos nos seguintes temas: a) Da possibilidade do creditamento integral do PIS e da COFINS nas aquisições de cooperativas; b) Da revogação da multa isolada aplicada em face dos pedidos de ressarcimento (multa sobre pedido de ressarcimento indeferido ou indevido §§ 15 e 16 do artigo 74 da Lei n. 9.430/1996), através do artigo 4º da MP n.º 668/2015; e c) Da aplicação das regras contidas na Lei N° 12.995/2014, sobre o direito creditório incontroverso (crédito presumido). Sobre este último item (c), a contribuinte argumenta, in verbis: · Por fim, importante esclarecer que, após instaurada a discussão destes autos, sobreveio a instituição de direito constitutivo em que os contribuintes passaram a ter o direito de utilizar créditos presumidos. para compensar tributos administrados pela SRFB, ou mesmo ser ressarcido em dinheiro, com o advento da Lei n.º 12.995, de 20 de junho de 2014, especificamente seu artigo 23, in verbis: "Art. 23. A Lei n.º 12.599, de 23 de março de 2012, passa a :vigorar acrescida do seguinte art. 7°A: Fl. 1787DF CARF MF Processo nº 11962.000198/200410 Resolução nº 3401000.958 S3C4T1 Fl. 13 12 Art. 7°A. O saldo do crédito presumido de que trata o art. 8° da Lei n.º 10.925, de 23 de julho de 2004, apurado até 1° de janeiro de 2012 em relação à aquisição de café in natura poderá ser utilizado pela pessoa jurídica para: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria, inclusive quanto a prazos extintivos; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria, inclusive quanto a prazos extintivos. (grifos nossos) [....] · Neste sentido, restou constituído o direito da Recorrente quanto ao aproveitamento do crédito presumido já reconhecido pela fiscalização no presente processo administrativo, estando garantido o seu direito ao aproveitamento do crédito mediante compensação de tributos administrados pela SRFB ou ao ressarcimento em dinheiro. · Destacase que o referido art. 7°A não estabelece qualquer limitação quanto aos créditos presumidos passíveis de aproveitamento mediante compensação com outros tributos ou ressarcimento em dinheiro: Pelo contrário, o referido dispositivo legal é claro ao afirmar se tratar do "saldo do crédito presumido de que trata o art. 8.º da Lei no 10.925. de 23 de julho de 2004. apurado até 10 de janeiro de 2012"; ou seja, refere se ao saldo de crédito presumido existente em 01.01.2012, o que abrange o período apreciado pelos despachos decisórios proferidos nos processos administrativos ora em exame autos. · Assim, com o advento da Lei n.º 12.995/2014, a Recorrente pede e espera que a referida norma venha a ser considerada por ocasião do julgamento dos seus recursos voluntários, caso essa Colenda Turma decida manter a glosa dos créditos integrais do PIS e da COFINS por ela apropriados (o que cogita apenas para fins de argumentação), lhe sendo assegurado o direito de utilizar o crédito presumido apurado pela DRF/ES, em sua integridade, através de compensação com outros tributos e/ou ressarcimento no âmbito dos processos ora examinados. · Neste particular, destaquese que esta Terceira Seção, quando do julgamento dos processos n.ºs 15586.720246/201368; 15578.000273/200933; 15578.000139/2010 76; 15578.000143/201034; e 15586.720228/201114, realizado em 27.01.2015, da contribuinte UNICAFÉ COMPANHIA DE COMÉRCIO EXTERIOR, também reconheceu a aplicação das regras contidas na Lei N° 12.995/2014, sobre o direito creditório incontroverso (crédito presumido). É o relatório. VOTO VENCIDO Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Requisitos: Tempestividade e demais requisitos de admissibilidade manifestamente reconhecidos por este Colegiado na sessão em que proferiu a Resolução acima citada. Fl. 1788DF CARF MF Processo nº 11962.000198/200410 Resolução nº 3401000.958 S3C4T1 Fl. 14 13 Primeira preliminar: cerceamento de direito de defesa por inexatidão do ato administrativo A recorrente alega que foi prejudicada em seu direito de defesa e que há insuficiência de motivação e fundamentação no Despacho Decisório. Explica que esse ato se apóia na informação fiscal, decisão e documentos constantes do processo 15586.000956/2010 25 auto de infração), mas que dele só tomou conhecimento quando faltavam 3 dias para o limite para recorrer do Despacho Decisório neste. Fui ao Despacho Decisório citado e percorri este processo e sou obrigado a chegar à conclusão de que esse despacho se reporta a provas que não constam deste processo. Entendo que os atos decisórios devem ser acompanhados, ou apontar, no próprio processo, os elementos sobre o qual constrói sua justificativa e fundamentação. Os Julgadores de 1º piso afastaram essa preliminar por entenderem que a contribuinte havia sido cientificada simultaneamente (em 04/10/2010) deste processo e daquele (15586.000956/201025). Pareceme que a simultaneidade entre processos é uma ocorrência externa ao processo. Data vênia dos ilustres Julgadores, a meu ver, no caso, faltou a esta decisão estar acompanhada do que demonstraria o que traz como justificativa para o indeferimento. Creio se tratar de inexatidão e falha na motivação, o que traz prejuízo à defesa. Por isso, propus a este Colegiado fosse acolhida a preliminar para declarar a nulidade da decisão de indeferimento do Despacho Decisório. Mas tendo esse Colegiado por maioria não acolher esta preliminar, devo prosseguir na apresentação de meus outros argumentos analíticos. O Voto Vencedor dessa matéria se encontra ao final do voto deste relator. Meu próximo ponto trata de uma outra preliminar, mas já lhes antecipo que, em função de seu teor, proporei a conversão do julgamento em diligência, pelas razões que irei expor. PROPOSTA DE DILIGÊNCIA: Preliminar do decurso do prazo máximo de cinco anos para se glosar créditos ou para exigir débitos: Proposta de diligência para retirar dos cálculos neste processo as glosas aproveitadas de 2003 com reflexo sobre 2004 e 2005, por estarem além dos cinco anos e não fazerem parte dos períodos de apuração dos pedidos objeto do processo administrativo: Nessas próximas linhas exponho minha compreensão aos Senhores Conselheiros sobre esta matéria. Fl. 1789DF CARF MF Processo nº 11962.000198/200410 Resolução nº 3401000.958 S3C4T1 Fl. 15 14 Pelo que posso apreender e concluir, em minha leitura da Súmula STF 8 e do Parecer PGFN CAT 1650/2013 (registro PGFN 2780/2013), e Súmula CARF 72, entendo que há o limite de cinco anos a contar da data do fato gerador ou do primeiro dia do exercício seguinte (no caso de fraude) para a Fazenda Nacional agir para compor exigência fiscal. Esse Parecer PGFN conclui: Em conclusão, ratificamos o Parecer PRFN 3ª Região DICAJ n. 10, de 2013, no sentido de que os tributos declarados com dolo, fraude ou simulação, caso não constituídos, devem ser lançados de ofício pela administração e que, nesses casos, o prazo de decadência deve ser contado nos termos do artigo 173, I, do CTN, em virtude mesmo do que dispõe a parte final do § 4º do art. 150 do CTN, com termo inicial de contagem coincidindo com o exercício seguinte ao da ocorrência dos fatos tributáveis. Este Parecer faz remissão a Parecer PGFN CAT n. 968/2011, para esclarecer que está no artigo 90 da MP 2.15835/2001 a base em Lei para a necessidade de lançamento. Eles também apreciam o prazo prescricional, e combatem a ideia de que haveria uma suspensão desses prazos aguardando que a administração analise, audite ou decida sobre petições da contribuinte, ou informações por ela prestadas. Esse parecer deixa claro que os prazos de cinco anos não são ordinariamente prorrogáveis. Ele expõe a respeito: É dizer, o prazo legal de cinco anos para a constituição do crédito tributário existe para que a administração pratique todos os atos necessários à constituição do crédito. nesse prazo, a Administração deve auditar as informações declaradas, apurando, inclusive, eventual fraude ou simulação. Atrelar o início da contagem desse prazo à iniciativa da Administração resultaria no desprezo ao limite temporal legalmente imposto por norma tributária (ver RE 560.626/RS). Neste processo a autoridade fiscal havia indeferido o pedido de reconhecimento de direito creditório e não homologou as compensações em setembro de 2010. No caso deste processo, a meu ver, a base originária da decisão de não homologação reside na apuração feita pela autoridade fiscal no procedimento próprio objeto do PAF n. 15586.000956/201025. A administração tributária decidiu não homologar valores devidos que estavam submetidos à tratamento por declaração de compensação. Na realidade, a autoridade fiscal retroagiu a 2003 para recompor os valores das operações econômicas da contribuinte de modo a conseguir chegar a recalcular os devido e os direitos a crédito da contribuição social em questão, nos anos de 2004 a 2009. Esta descrição do procedimento adotado é confirmada pela autoridade fiscal nas informações que prestou em resposta à diligência requerida anteriormente. Ela também esclarece que "refez a escrita fiscal da contribuinte desde 2003..". A autoridade fiscal, em setembro de 2010, retornou ao ano de 2003, e trouxe aos anos de 2004 os efeitos de sua apuração de débitos em 2003. Já haviam se passados seis anos desde o período de apuração dos fatos geradores. Isso significa, a meu ver, desrespeito ao prazo fatal de cinco anos para a administração rever e compor exigência tributária. Este é o sentido do que dispõe o Parecer PGFN CAT 1650/2013. Fl. 1790DF CARF MF Processo nº 11962.000198/200410 Resolução nº 3401000.958 S3C4T1 Fl. 16 15 O procedimento da administração para recompor as bases da contribuição social implica, não só em negar direito a crédito, mas também em exigir tributo. Este processo trata de pedido que se refere aos fatos geradores ocorridos entre janeiro de 2004 e dezembro de 2004. Caso o Colegiado adote a razão da contribuinte, de que não teria havido dolo, fraude ou simulação, como se trata de tributo de lançamento por homologação, o prazo fatal de cinco anos seria a do § 4º do artigo 150 do CTN. Como a decisão da administração tributária foi em agosto de 2010, teríamos que aceitar que a apuração do direito creditório dos fatos geradores ocorridos entre 01/2004 e 12/2004 não poderiam computar valores devidos anteriores a 01/2004, pois estariam alcançados pelo decurso do prazo de cinco anos aqui discutido. E isso seria efetivo também na hipótese de que teria havido fraude, pois o prazo de cinco anos para alcançar fatos geradores anteriores a janeiro de 2004 já teria se passado em agosto de 2010. Por isso, proponho seja reconhecido por este Colegiado que a administração não pode retroagir a períodos de apuração anteriores aos objeto do pedido de reconhecimento de direito creditório combinado com pedido/declaração de compensação, para apurar valores devidos e efetuar glosas, e que esses períodos estejam além do prazo de cinco anos determinado pela lei como fatal para a ação da administração tributária (Parecer PGFN CAT n. 1650/2013). Por isso, proponho que este julgamento seja convertido em diligência para retornar à unidade de jurisdição local para excluir os valores provenientes de glosas do ano de 2003 e recalcular o direito creditório deste processo, desde que esse cálculo não signifique agravamento ou prejuízo do que já foi reconhecido no Despacho Decisório aqui em discussão. A unidade deverá apresentar Informação instruída com demonstração comparativa, e dar ciência à contribuinte, com prazo (30 dias) para se manifestar, antes de retornar ao CARF. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Voto Vencedor Conselheiro Rosaldo Trevisan, redator designado Manifestei, nas sessões de julgamento de agosto e setembro de 2016, divergência tanto em relação ao posicionamento externado pelo relator no que se refere à preliminar de cerceamento do direito de defesa quanto no que tange à necessidade de nova diligência. No entanto, nesse segundo item decidiu o colegiado, majoritariamente, ser necessária a conversão do julgamento em diligência, pelo que o presente voto vencedor tratará somente da questão relativa à preliminar de nulidade, afastada pela maioria do colegiado. Houvesse o colegiado acatado a preliminar de nulidade, sequer seria necessária a discussão da conversão em diligência. A recorrente argumenta, em sua peça recursal (fl. 404, na numeração eletrônica), que a decisão da DRJ seria nula pelos seguintes motivos: Fl. 1791DF CARF MF Processo nº 11962.000198/200410 Resolução nº 3401000.958 S3C4T1 Fl. 17 16 Está, então, a recorrente, a afirmar que a ciência ao resultado do julgamento do processo administrativo no 15586.000956/201025, obstaculizou sua defesa no presente processo. Tal afirmação, no entanto, demanda apara. No presente processo, a ciência ao despacho decisório, e à informação fiscal que o ampara, deuse em 04/10/2010, conforme se percebe, à fl. 197 da numeração eletrônica: Na citada Informação Fiscal no 41/2010 (fl. 173 da numeração eletrônica), a fiscalização menciona que: Para checar a procedência da menção, tornase necessário, em nome da verdade material, verificar os autos do processo administrativo no 15586.000956/201025. Em consulta ao sistema "eprocessos", com tal propósito, percebi que a ciência à autuação lavrada no processo administrativo no 15586.000956/201025, e a seus anexos, efetivamente ocorreu simultaneamente (em 04/10/2010), como mencionado na Informação Fiscal: Fl. 1792DF CARF MF Processo nº 11962.000198/200410 Resolução nº 3401000.958 S3C4T1 Fl. 18 17 A empresa apresentou defesa tanto em relação à autuação (em 29/10/2010), no processo administrativo no 15586.000956/201025, quanto em relação ao indeferimento do direito de crédito (também em 29/10/2010), no presente processo. Não procede, assim, a afirmação de que não tinha a empresa ciência das condutas que lhe eram imputadas, ou dos detalhamentos existentes em processo de autuação do qual, efetivamente, tinha ciência. E o fato de haver menção de um julgamento de piso ao outro não traz obstáculo à defesa, amplamente assegurada desde o início da fase contenciosa, em ambos os processos. Também não obstaculiza a defesa o fato de terem sido apartados os processos de indeferimento do direito de crédito e de lavratura de auto de infração, se a empresa tem ciência do conteúdo de ambos. Tanto fisco quanto empresa são inequivocamente cientes do teor de ambos os processos. E o julgador, desejando verificar o conteúdo de processo do mesmo sujeito passivo, mencionado naquele que está a julgar, poderia verificar seu conteúdo no sistema "eprocessos", como aqui se fez, ou simplesmente pedir a juntada dos autos, ou mesmo a reunião dos processos, por conexão. Entendese particularmente lamentável, e avesso à celeridade (princípio que chegou a ser positivado no corpo constitucional, e plasmado na missão deste tribunal administrativo), que processos que tenham "certidões de nascimento" em uma mesma operação de fiscalização acabem por seguir a turmas julgadoras distintas, em datas distintas, como os 23 processos administrativos mencionados na Informação Fiscal que instrui o processo administrativo no 15586.000956/201025. Mas tal situação somente ocasionaria cerceamento do direito de defesa se, de fato, a empresa sequer tivesse acesso à imputação que lhe é feita, à fundamentação adotada ou a seus detalhamentos, o que não ocorre nos presentes autos, nos quais a empresa tinha inequívoca ciência detalhada da motivação e da fundamentação do indeferimento de seu direito de crédito. Não se vislumbra, então, no caso, vestígios de cerceamento de defesa que poderiam ensejar a nulidade do despacho decisório ou mesmo da decisão de piso. Pelo exposto, propus ao colegiado, no que houve acolhida majoritária, afastar a preliminar de cerceamento do direito de defesa. Conselheiro Rosaldo Trevisan redator designado. Fl. 1793DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.020599/2007-24
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/08/2001 a 31/05/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. PEDIDO DE
PARCELAMENTO. RENÚNCIA.
No caso de pedido de parcelamento nos moldes da Lei no. 11.941, de 2009, configura-se a desistência e a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, devendo-se declarar a definitividade do crédito tributário em litígio, na forma em que lançado.
Numero da decisão: 9202-005.053
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento, para declarar a definitividade do lançamento, em face do pedido de parcelamento por parte do sujeito passivo.
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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RECURSO. PEDIDO DE PARCELAMENTO. RENÚNCIA. No caso de pedido de parcelamento nos moldes da Lei no. 11.941, de 2009, configura-se a desistência e a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, devendo-se declarar a definitividade do crédito tributário em litígio, na forma em que lançado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento, para declarar a definitividade do lançamento, em face do pedido de parcelamento por parte do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). A C Ó R D Ã O G E R A D O N O P G D -C A R F PR O C E SS O 1 06 80 .0 20 59 9/ 20 07 -2 4 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Especial do Procurador Especial do Procurador 2ª Turma 2ª Turma zembro de 2016 zembro de 2016 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS - DESISTÊNCIA CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS - DESISTÊNCIA FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL INDÚSTRIA FARMACÊUTICA VITALFARMA LTDA INDÚSTRIA FARMACÊUTICA VITALFARMA LTDA AA Fl. 149DF CARF MF 2 Relatório Trata-se de Recurso Especial, de e-fls. 126/133, interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão nº 2403-001.392, julgado na sessão do dia 19 de junho de 2012, pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção, o qual deu parcial provimento ao Recurso Voluntário. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2001 a 31/05/2006 PREVIDENCIÁRIO. RECÁLCULO DA MULTA COM OBSERVÂNCIA DO ART. 32-A DA LEI N. 8.212/91. APLICAÇÃO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. Constitui infração, punível na forma da Lei, a apresentação de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), preenchidas com informações inexatas, incompletas ou omissas. Aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN, para aplicar a multa do art. 32-A da Lei n. 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte Na origem, trata o presente processo de Auto de Infração, de e-fls. 02 (DEBCAD nº 35.845.699-1), em razão da Contribuinte ter deixado de informar na GFIP os valores relativos ao pró-labore dos dois administradores e aos serviços prestados por pessoa física (autônomos). De acordo com a fiscalização o relatório fiscal de e-fls. 10, o lançamento apresenta como fundamento a multa por apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em relação à base de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, equivale a 100% do valor devido relativo à contribuição não declarada, respeitado o limite. Diante de tal lançamento, a Contribuinte apresentou impugnação de e-fls. 24/26, alegando a insubsistência do Auto de Infração e o arquivamento do feito. A 6ª Turma da DRJ de Juiz de Fora/MG, conforme acórdão nº 09-20.430, de e-fls. 63/70, julgou procedente em parte o lançamento, para alterar o valor da multa em razão da exclusão das competências 08/2000 a 07/2001 atingidas pela decadência. Intimado de tal decisão, houve a interposição de Recurso Voluntário, e-fls. 79/86, que foi julgado pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção, na sessão do dia 19 de junho de 2012, sendo dado parcial provimento ao recurso, para determinar o recálculo da multa, de acordo com o determinado no art. 32-A, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10680.020599/2007-24 Acórdão n.º 9202-005.053 CSRF-T2 Fl. 151 3 Após a decisão que deu parcial provimento ao Recurso Voluntário, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de e-fls. 126/133, requerendo a reforma do acórdão recorrido, no ponto que determinou a aplicação do art. 32-A, da Lei 8.212/91, em detrimento do art. 35-A, do mesmo diploma legal, requerendo que seja verificado, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35-A da MP 449/2008. Acórdão nº 2401-00.127, utilizado como paradigma, apresenta a seguinte ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, 4º, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, trata-se de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória decorrente de Notificação Fiscal, onde fora reconhecida a decadência do artigo 150, 4º, do CTN, impondo seja levada a efeito a mesma decisão nestes autos em face da relação de causa e efeito que os vincula. Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - DESCUMPRIMENTO - INFRAÇÃO Consiste em descumprimento de obrigação acessória, a empresa apresentar a GFIP - Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE MAIS FAVORÁVEL - PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA - APLICAÇÃO Na superveniência de legislação que se revele mais favorável ao contribuinte no caso da aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, aplica-se o princípio da retroatividade benigna da lei aos casos não definitivamente julgados, conforme estabelece o CTN. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. (Acórdão referente ao processo nº 35415.001129/2006-41) Conforme despacho de e-fls. 136/137, o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional foi admitido, sendo o processo encaminhado à origem para intimação do Contribuinte. Fl. 151DF CARF MF 4 O Contribuinte intimado, conforme AR de e-fls. 141, não apresentou contrarrazões. De acordo com despacho de e-fls. 145/146 o Contribuinte aderiu ao parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva - Relatora O Recurso Especial interposto pela PGFN é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade, assim dele conheço. Conforme despacho de e-fls. 145/146, houve a adesão do Contribuinte no parcelamento da Lei nº 11.941/2009, o que importa em desistência ao processo de acordo com o art. 26 da Portaria MF nº 341/2011 e com o art. 13, §3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 2/2011. Consoante disposto no art. 78, §3º do RICARF – Portaria MF nº 343/2015 – está caracterizada a desistência do sujeito passivo da presente discussão: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para declarar a definitividade dos débitos lançados. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10680.020599/2007-24 Acórdão n.º 9202-005.053 CSRF-T2 Fl. 152 5 Fl. 153DF CARF MF
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Numero do processo: 19740.000132/2008-61
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 21/09/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.062
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 21/09/2007 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1714; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 19740.000132/200861 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202005.062 – 2ª Turma Sessão de 12 de dezembro de 2016 Matéria OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA RETROATIVIDADE BENIGNA , NATUREZA DA MULTA NOS LANÇAMENTOS PREVIDENCIÁRIOS ANTERIORES A MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI 11.941/2009 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado GENERALI BRASIL SEGUROS S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 21/09/2007 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 01 32 /2 00 8- 61 Fl. 924DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de auto de infração, DEBCAD: 37.119.8593, lavrado contra o contribuinte identificado acima, em decorrência do descumprimento da obrigação acessória de Fundamento Legal 68 (apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias) no período de 01/2002 a 07/2002. Conforme informações contidas no relatório fiscal, fls. 16 e seguintes, a interessada deixou de informar nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social — GFIP de 01/2002 a 07/2002 a totalidade das remunerações pagas a contribuintes individuais, o que constituiu infração ao artigo 32, inciso IV e § 5° da Lei 8.212/1991. A multa aplicada, foi apurada conforme previsto no artigo 32, § 5°, da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 9.528/1997, combinado com os artigos 284, inciso II (com redação dada pelo Decreto 4.729/2003), e 373, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999, atualizada pela Portaria MPS n° 142/2007. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgado pelo não conhecimento do recurso, face a intempestividade, fls. 370. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 07/10/2014, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 230200.696 (fls. 398), cujo resultado: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado." O acórdão encontrase assim ementado: A s s u n t o : O b r ig a ç õ e s A c e s s ó r ia s Período de apuração: 01/01/2002 a 31/07/2002 TEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO DA IMPUGNAÇÃO. A petição apresentada fora do prazo não caracteriza a impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário e não comporta Fl. 925DF CARF MF Processo nº 19740.000132/200861 Acórdão n.º 9202005.062 CSRFT2 Fl. 3 3 julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade como preliminar. AUTODEINFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5®, da Lei r f 8.212/91. CnRCUNSTÃNCIA ATENUANTE A correção da falta até o termo final da impugnação configura a ocorrência de circunstância atenuante da penalidade aplicada. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PJIOVISÓRIA N “ 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n ° 449 de 2008, que beneficiam 0 infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n ® 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. O processo foi encaminhado, para ciência da Fazenda Nacional, em 22/10/2012, para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 22/10/2012, o Recurso Especial. Em seu recurso visa seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 32A, da Lei ny 8.212/91, em detrimento do art. 35A, do mesmo diploma legal, para que seja esposada a tese de que a autoridade preparadora deve verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da MP n<J 449/2008. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho fls. 1342 a 1345. Cientificado do Acórdão nº 230200.696, do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial, o contribuinte não apresentou contrarrazões conforme despacho fls. 923. É o relatório. Fl. 926DF CARF MF 4 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Embora, não concorde com os termos do acórdão recorrido, que apreciou a retroatividade benigna, mesmo tendo sido intempestiva a impugnação, esse ato deveria ter sido objeto de embargos, o que não ocorreu. Dessa forma, compete a este colegiado apenas apreciar o recurso admitido, o que faremos a seguir. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Quanto ao questionamento sobre a multa aplicada, a qual deseja o recorrente ver reformado o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 32A, da Lei ny 8.212/91, entendo que razão assiste ao recorrente. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI Fl. 927DF CARF MF Processo nº 19740.000132/200861 Acórdão n.º 9202005.062 CSRFT2 Fl. 4 5 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 928DF CARF MF 6 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, Fl. 929DF CARF MF Processo nº 19740.000132/200861 Acórdão n.º 9202005.062 CSRFT2 Fl. 5 7 “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: Fl. 930DF CARF MF 8 ∙ Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou ∙ Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Fl. 931DF CARF MF Processo nº 19740.000132/200861 Acórdão n.º 9202005.062 CSRFT2 Fl. 6 9 Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº Fl. 932DF CARF MF 10 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 933DF CARF MF
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Numero do processo: 15374.000577/2009-97
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Nov 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30%.
A base de cálculo negativa de CSLL poderá ser compensada com as bases de cálculo posteriormente apuradas, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do lucro líquido ajustado (base positiva). Não há previsão legal que permita a compensação de base negativa acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
ORDEM PÚBLICA. MULTA ISOLADA.
Multa isolada não é matéria de ordem pública.
Numero da decisão: 9101-002.450
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte somente na parte da trava de 30%, vencido o conselheiro Demetrius Nichele Macei (suplente convocado), que o conheceu integralmente e, no mérito da parte conhecida, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Demetrius Nichele Macei, que lhe deram provimento. Solicitou apresentar declaração de voto o conselheiro Demetrius Nichele Macei.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), André Mendes de Moura, Adriana Gomes Rego, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Demetrius Nichele Macei, Luis Flavio Neto, Cristiane Silva Costa.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Limite legal. Recorrente MUNDIAL S/A PRODUTOS DE CONSUMO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30%. A base de cálculo negativa de CSLL poderá ser compensada com as bases de cálculo posteriormente apuradas, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do lucro líquido ajustado (base positiva). Não há previsão legal que permita a compensação de base negativa acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 ORDEM PÚBLICA. MULTA ISOLADA. Multa isolada não é matéria de ordem pública. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte somente na parte da trava de 30%, vencido o conselheiro Demetrius Nichele Macei (suplente convocado), que o conheceu integralmente e, no mérito da parte conhecida, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Demetrius Nichele Macei, que lhe deram provimento. Solicitou apresentar declaração de voto o conselheiro Demetrius Nichele Macei. (documento assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente em exercício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 05 77 /2 00 9- 97 Fl. 329DF CARF MF Processo nº 15374.000577/200997 Acórdão n.º 9101002.450 CSRFT1 Fl. 330 2 (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), André Mendes de Moura, Adriana Gomes Rego, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Demetrius Nichele Macei, Luis Flavio Neto, Cristiane Silva Costa. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte MUNDIAL S/A PRODUTOS DE CONSUMO em 19/10/2012, com fundamento no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009 (RICARF/2009), em que se alega a existência de divergência jurisprudencial acerca de matéria relacionada à lide. A recorrente insurgese contra o Acórdão nº 110100.715, por meio do qual os membros da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF decidiram, por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício e, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. A decisão recorrida determinou a manutenção dos créditos tributários constituídos pela Fiscalização. A autuação se fundamentou no entendimento de que a empresa ZIVI S/A CUTELARIA, incorporada pela contribuinte ÉBERLE S/A em 29/12/2003 (a incorporadora passou então a se denominar MUNDIAL S/A PRODUTOS DE CONSUMO), não respeitou o limite legal de 30% ao compensar a totalidade da sua base de cálculo positiva de CSLL, apurada nos balanços especiais de incorporação levantados em dezembro de 2003, com saldos negativos de exercícios anteriores. Entendeu a Fiscalização que o procedimento adotado pela empresa sucedida estava em desacordo com os arts. 58 da Lei nº 8.981/1995 e 16 da Lei nº 9.065/1995. Assim foi lavrado auto de infração relativo à CSLL apurada em 2003, mediante a aplicação do limite legal de 30% de redução da base de cálculo do tributo. A autuação fora mantida em sede de julgamento administrativo de primeira instância e, posteriormente, também pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara, em julgamento que culminou na prolação do acórdão contra o qual ora se insurge a recorrente. Registrese que o auto de infração foi inicialmente tratado no processo administrativo nº 11080.004025/200579, posteriormente reconstituído nos presentes autos, sob o nº 15374.000577/200997. O acórdão recorrido foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2003 TRAVA DE 30%. DECLARAÇÃO DE ENCERRAMENTO DE PESSOA JURÍDICA INCORPORADA. Fl. 330DF CARF MF Processo nº 15374.000577/200997 Acórdão n.º 9101002.450 CSRFT1 Fl. 331 3 Está sujeita à "trava" de 30% a compensação de bases de cálculo negativas na declaração de encerramento de pessoa jurídica incorporada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE MAIS BENÉFICA. RETROATIVIDADE. REDUÇÃO. Pela aplicação de norma superveniente que comina penalidade menos severa, reduzse a multa de oficio isolada de 75% para 50%. Em razão do não provimento do recurso de ofício, relativo à redução da multa isolada de 75% para 50%, os autos foram encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) em 22/05/2012 para fins de intimação acerca da decisão. Devidamente intimada, a PGFN devolveu o processo ao CARF em 01/06/2012 sem a interposição de recurso. Regularmente intimada acerca do acórdão em 04/10/2012, a contribuinte interpôs, em 19/10/2012, recurso especial tempestivo insurgindose contra o acórdão que apreciou seu recurso voluntário, sob a alegação de que ele teria dado à lei tributária interpretação diversa da que tem sido adotada em outros processos julgados no âmbito do CARF. O recurso especial apresentado pela contribuinte contesta a interpretação dada pelo acórdão recorrido à questão da aplicabilidade da trava legal de 30% à compensação de bases de cálculo negativas de CSLL no exercício de encerramento das atividades de empresa, em razão de sua incorporação. Em atendimento aos requisitos de admissibilidade do recurso especial, então previstos nos arts. 67 e seguintes do Anexo II do RICARF/2009 (requisitos que basicamente foram mantidos nos arts. 67 e seguintes do Anexo II da versão atualmente vigente do Regimento, aprovada pela MF nº 343, de 09/06/2015 RICARF/2015), a recorrente apontou acórdãos administrativos que teriam dado ao tema combatido interpretação diversa daquela esposada pelo acórdão recorrido. A contribuinte afirma que o acórdão guerreado, ao negar à pessoa jurídica incorporada a compensação, no balanço de encerramento, de todo o saldo negativo acumulado de bases de cálculo de CSLL, sem a observância da limitação de 30% prevista na legislação, teria divergido frontalmente do Acórdão nº 110300.619, proferido pela 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, e do Acórdão nº 120100.165, prolatado pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da mesma Seção. Além de defender a existência de divergência jurisprudencial entre os acórdãos recorrido e paradigmas em relação à matéria indicada, a recorrente apresenta ainda alegações que deveriam, sob seu ponto de vista, provocar a reforma da decisão recorrida. Em suma, argumentase que: A interpretação dada pelo acórdão recorrido ao art. 16 da Lei nº 9.065/1995, no sentido de que não existe previsão legal de exceção à obrigatoriedade de aplicação da trava de 30%, baseiase meramente no texto legal. É ponto pacífico na doutrina e na jurisprudência, Fl. 331DF CARF MF Processo nº 15374.000577/200997 Acórdão n.º 9101002.450 CSRFT1 Fl. 332 4 inclusive administrativa, que a interpretação literal não permite a compreensão exata da norma jurídica; O objetivo legal da criação da trava de 30% nunca foi de impedir a compensação dos prejuízos fiscais e das bases negativas da CSLL, mas sim de evitar a quebra no fluxo de arrecadação dos tributos. Assim, não se aplica a "trava" de compensação aos casos de pessoa jurídica incorporada; O saldo de prejuízo fiscal e o saldo de base negativa da CSLL integram a universalidade patrimonial da pessoa jurídica extinta, sendo direito desta o aproveitamento do máximo possível destes saldos quando do encerramento da sua atividade empresarial; A restrição da compensação ao percentual de 30% dos resultados positivos apurados no ano de encerramento das atividades significa fazer incidir a tributação sobre bases de cálculo negativas, contrariando, desta forma, elementares regras e princípios de tributação e desaguando em verdadeiro locupletamento ilícito do Fisco; O instituto da trava de 30% não é um benefício fiscal mas sim um elemento quantitativo da apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL; Entre 2001 e 2007, o Conselho de Contribuintes, atual CARF, proferiu várias decisões afastando a limitação de 30% em caso de extinção de empresa por incorporação. A observância, pelos contribuintes, de práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas, nos termos do art. 100, inciso III, do Código Tributário Nacional (CTN), deve afastar qualquer imposição de penalidade. Assim, não pode ser apenada a contribuinte pela prática de ato que era, à época, pacificamente admitido pela jurisprudência administrativa; A Lei nº 11.488/2007 revogou a base legal utilizada no auto de infração para o lançamento da multa isolada de 75% (reduzida para 50% em sede de julgamento de primeira instância). Assim, por se tratar de multa com caráter de penalidade, devese afastar a cobrança da multa em razão da retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II, alínea "a", do CTN. Sendo tal matéria de ordem pública, não há necessidade de prequestionamento. A contribuinte encerra seu recurso especial com o pedido de que este seja conhecido e provido para reformar o acórdão contestado. A irresignação da recorrente foi submetida a juízo de admissibilidade, a fim de se verificar o atendimento dos requisitos regimentalmente exigidos dos recursos especiais. As conclusões foram expostas em despacho de 17/04/2015. Considerouse, mediante o cotejo entre as decisões, devidamente comprovado o dissenso proclamado pela recorrente: enquanto o acórdão recorrido defende que não há qualquer exceção para a trava dos 30%, que deve ser obedecida por todas as pessoas jurídicas, inclusive no ano de sua extinção por incorporação, os acórdãos apontados como paradigmas entendem, em sentido inverso, que tal limite não se aplica às empresas incorporadas, podendo o valor total ser compensado. Diante da caracterização da existência de divergência jurisprudencial e do cumprimento dos demais requisitos regimentais aplicáveis à espécie recursal, o Presidente da Fl. 332DF CARF MF Processo nº 15374.000577/200997 Acórdão n.º 9101002.450 CSRFT1 Fl. 333 5 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento deu seguimento ao recurso especial apresentado pela contribuinte. Em 08/05/2015, os autos foram eletronicamente remetidos à PGFN para fins de ciência da interposição de recurso especial pela contribuinte, assim como de sua admissão, nos termos do art. 70 do Anexo II do RICARF/2015. Em resposta, foram apresentadas, em 18/05/2015, contrarrazões às alegações da recorrente. Assim podem ser resumidos os argumentos perfilados pela Fazenda Nacional: Da análise do art. 15 da Lei nº 9.065/1995, verificase que não há exceção quanto à limitação da compensação de prejuízos fiscais e, assim sendo, por absoluta falta de previsão legal, não é permitida a compensação de prejuízos fiscais acima do limite máximo de 30% do lucro real, mesmo se tratando do anocalendário de extinção da pessoa jurídica; A aferição do acréscimo patrimonial, fato jurídicotributário que enseja a incidência do imposto de renda, é feita ao término de cada período de apuração. Se de tal apuração advém prejuízo fiscal, não há que se falar em tributação pelo imposto de renda; Iniciado novo ciclo de apuração, seria de se esperar que prejuízos fiscais verificados em exercícios anteriores não tivessem influência alguma em seus resultados. Todavia, o legislador permitiu, a título de liberalidade, tal influência, impondo um limite à compensação do prejuízo de períodos anteriores em até 30% do lucro líquido apurado; O permissivo legal de tal compensação tratase efetivamente de liberalidade do legislador. Nada impediria a supressão total da referida possibilidade de compensação, já que o fato jurídico tributário, "acréscimo patrimonial", expressado pela existência do lucro real, é observado dentro de um período de apuração, não existindo razão, a priori, para consideraremse resultados negativos apurados em períodosbase anteriores; A compensação de prejuízos não pode ser considerada um direito subjetivo da empresa, mas sim um benefício fiscal que tem como objetivo permitir que ela não arque sozinha com todo o ocasional déficit que venha a ter. Assim, a observância da trava de 30% para a compensação não limita direitos dos contribuintes, mas apenas regula a forma como a compensação permitida pela lei será exercida; A tese jurídica que tenta estabelecer exceção à regra de compensação de 30%, sem a existência de previsão legal, está, na prática, limitando a plenitude da norma e entendendoa parcialmente inconstitucional, embora sem redução de texto. Na jurisprudência mais recente do CARF (e da própria CSRF), prevalece o entendimento de que o evento da incorporação não tem o condão de descaracterizar a trava dos 30% de aproveitamento dos prejuízos fiscais; Por conta de tudo que expôs, a PGFN pede, ao final, que o recurso especial da contribuinte tenha seu provimento seja negado, mantendose o acórdão recorrido por seus próprios e jurídicos fundamento. Os autos seguiram então para a CSRF para o julgamento do recurso especial. Fl. 333DF CARF MF Processo nº 15374.000577/200997 Acórdão n.º 9101002.450 CSRFT1 Fl. 334 6 É o relatório. Fl. 334DF CARF MF Processo nº 15374.000577/200997 Acórdão n.º 9101002.450 CSRFT1 Fl. 335 7 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Não tendo sido apresentadas, pela PGFN, por ocasião da exposição de suas contrarrazões, alegações preliminares de não conhecimento da peça recursal apresentada pela contribuinte MUNDIAL S/A PRODUTOS DE CONSUMO, e em se tratando de tema que conhecidamente já se sabe que é possível haver divergência (tendo inclusive este colegiado julgado uma diversidade muito grande deles), adoto as razões expostas no despacho que examinou a admissibilidade do recurso especial, para dele CONHECER, passando à análise de seu mérito. A controvérsia existente no presente processo diz respeito à autuação de CSLL relativamente ao anocalendário de 2003, por inobservância da chamada trava de 30% na compensação das bases de cálculo negativas de CSLL. O auto de infração foi lavrado em face do sujeito passivo MUNDIAL S/A PRODUTOS DE CONSUMO devido ao fato de ele ter incorporado, em 29/12/2003, a pessoa jurídica ZIVI S/A CUTELARIA. De acordo com a peça fiscal, a documentação fornecida pela contribuinte, concernente ao anocalendário de 2003, demonstra que a ZIVI S/A CUTELARIA não observou o limite de 30% do resultado do período de apuração ajustado para fins de compensação das bases de cálculo negativas de CSLL acumuladas nos períodos anteriores. Segundo a Fiscalização, a ZIVI S/A CUTELARIA, ao apurar a CSLL devida em relação ao anocalendário de 2003, realizou a compensação acima do limite legal (30%), pois, apesar de a base de cálculo desse período ter sido de R$57.468.819,49, ela compensou o montante correspondente a R$57.468.819,49, havendo, dessa forma, o excesso de compensação no valor de R$40.228.173,64. O lançamento referente ao excesso de compensação de resultados negativos anteriores foi integralmente mantido pela decisão de primeira instância administrativa (a parcela exonerada, naquela oportunidade, decorreu somente da redução do percentual aplicado a título de multa isolada por não recolhimento das estimativas mensais de CSLL de 75% para 50%). A decisão de segunda instância administrativa (ora recorrida), também validou o lançamento mantido na primeira instância, negando provimento ao recurso voluntário da contribuinte. O recurso especial da contribuinte objetiva cancelar o lançamento referente à CSLL. De acordo com o acórdão recorrido, a empresa incorporada tem que observar a "trava" de 30%, prevista nos arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065/1995 ao efetuar a compensação do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa de CSLL, acumulados em períodos anteriores, Fl. 335DF CARF MF Processo nº 15374.000577/200997 Acórdão n.º 9101002.450 CSRFT1 Fl. 336 8 com os resultados positivos apurados até a data de sua extinção. Trazem os mencionados dispositivos legais: Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do ano calendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anoscalendário subseqüentes, observado o limite máximo de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios da base de cálculo negativa utilizada para a compensação. (grifouse) A matéria em pauta ainda é objeto de controvérsias no CARF, mas eu me filio à interpretação que já há algum tempo vem prevalecendo na Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), no sentido de que a compensação de prejuízos fiscais e de bases negativas deve observar o limite legal de 30% do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação, mesmo no caso de encerramento das atividades da pessoa jurídica, seja por incorporação, ou por qualquer outro evento. Como razões de decidir, adoto inicialmente o brilhante voto do Conselheiro Marcelo Cuba Netto no Acórdão nº 1201000.888, de 09/10/2013, que fez um perspicaz estudo do tema: "Feitas essas considerações iniciais, passemos a examinar os fundamentos da tese proposta pela interessada. Afirma a recorrente que o significado de uma norma jurídica não é aquele que advém diretamente da literalidade do texto normativo, devendo, ao contrário, ser extraído mediante o emprego dos métodos de interpretação aceitos tanto pela doutrina quanto pela jurisprudência, em especial o histórico, o sistemático e o teleológico. Nesse sentido, explica que a nova sistemática de compensação de prejuízos fiscais introduzida pela Lei nº 9.065/95 há que ser compreendida mediante comparação com o sistema vigente até então. Diz que, na sistemática anterior (Lei nº 8.541/92), era possível a compensação integral Fl. 336DF CARF MF Processo nº 15374.000577/200997 Acórdão n.º 9101002.450 CSRFT1 Fl. 337 9 de prejuízos, porém com limitação temporal de quatro períodosbase. Alega que a nova sistemática extinguiu o limite temporal, mas manteve o direito à compensação integral, observado o limite de 30% em cada períodobase futuro. Conclui, assim, que no período em que ocorrer incorporação, fusão ou cisão, ainda que parcial, da pessoa jurídica, não sendo mais possível a compensação dos prejuízos em períodosbase futuros, a única solução jurídica possível, consentânea com o preceito contido na Lei nº 9.065/95 de que o sujeito passivo não perde o direito à compensação, é que o limite de 30% não se aplica. Pois bem, relativamente a essa argumentação é preciso, inicialmente, concordar com a recorrente quando afirma que o significado da norma jurídica deve ser compreendido mediante o emprego dos métodos de hermenêutica jurídica. No entanto, a interpretação histórica empreendida pela recorrente parte de uma premissa equivocada, qual seja, a de que tanto na sistemática de compensação vigente antes do advento da Lei nº 9.065/95, quanto na atual, o sujeito passivo tem direito à compensação integral de prejuízos fiscais. Vejamos. Na sistemática anterior o sujeito passivo tinha o direito à compensação de prejuízos, desde que observado o limite temporal de quatro anos. Exemplifiquemos com duas situações distintas: a) o sujeito passivo apura no ano “X” prejuízo fiscal de R$ 1.000,00. Nos quatro anos subsequentes apura lucro líquido ajustado, respectivamente, nos valores de R$ 200,00, R$ 300,00, R$ 400,00 e R$ 400,00; b) o sujeito passivo apura no ano “X” prejuízo fiscal de R$ 1.000,00. Nos quatro anos subsequentes apura lucro líquido ajustado, respectivamente, nos valores de R$ 100,00, R$ 200,00, R$ 200,00 e R$ 300,00; Na hipótese descrita na situação “a” o sujeito passivo poderá compensar integralmente o prejuízo. Já na hipótese descrita na situação “b” o sujeito passivo não poderá, e, ainda que se diga que isso se deva à imposição do limite temporal, o fato iniludível é que restará uma parcela que não mais será passível de compensação. Em outras palavras, na situação “b” não haverá compensação integral do prejuízo apurado no ano “X”. Portanto, resta claro que a previsão, por lei, de um limite temporal é incompatível com a premissa afirmada pela recorrente de existência de um direito do sujeito passivo em compensar integralmente seus prejuízos fiscais. O que existia na sistemática anterior era algo distinto, qual seja, um direito do sujeito passivo em compensar até integralmente seus prejuízos fiscais, a depender do caso concreto, como ilustrado nas situações “a” e “b” retro. E dizer que a compensação poderá ser realizada até integralmente é algo distinto de dizer que poderá ser realizada integralmente. É que ao estabelecer que a compensação poderá ser realizada até integralmente a Fl. 337DF CARF MF Processo nº 15374.000577/200997 Acórdão n.º 9101002.450 CSRFT1 Fl. 338 10 lei, desde logo, admite que poderá haver hipóteses em que a compensação não se dará integralmente, conforme visto na situação “b”. Seguindo a trilha da interpretação histórica proposta pela interessada, é de se dizer que a nova sistemática introduzida pela Lei nº 9.065/95, na linha da sistemática anterior, manteve o direito do sujeito passivo em compensar até integralmente seus prejuízos fiscais. Afastado o limite temporal de quatro anos, e introduzido o limite máximo de redução do lucro líquido ajustado em 30%, o direito à compensação (até integral) passou a poder ser exercido ao longo da existência da pessoa jurídica. A própria exposição de motivos à Medida Provisória nº 998/95, posteriormente convertida na Lei nº 9.065/95, e apontada pela interessada para sustentar a sua tese, expressamente prevê que o sujeito passivo poderá compensar até integralmente seus prejuízos fiscais. Confira sua redação: "Arts. 15 e 16 do Projeto: decorrem de Emenda do Relator, para restabelecer o direito à compensação de prejuízos, embora com as limitações impostas pela Mediada Provisória n. 812/94 (Lei n. 8981/95). Ocorre hoje vacatio legis em relação à matéria. A limitação de 30% garante uma parcela expressiva da arrecadação, sem retirar do contribuinte o direito de compensar, até integralmente, num mesmo ano, se essa compensação não ultrapassar o valor do resultado positivo." (Grifamos) Assim, a compensação poderá se dar até integralmente, seja em um mesmo ano, seja em diversos anos ao longo da existência da pessoa jurídica, desde que observado, em cada um desses anos, o limite máximo de redução do lucro líquido ajustado em 30%. Se no ano da extinção da pessoa jurídica, ou da sua cisão parcial, o valor dos prejuízos acumulados for superior a 30% do lucro líquido ajustado, ainda assim o limite deverá ser observado. É que tal como na situação “b” referente à sistemática antiga, também na sistemática atual poderá haver casos, como o retratado nos presentes autos, em que o sujeito passivo não poderá compensar integralmente seus prejuízos acumulados, haja vista a imposição do limite de 30%. E não há nada de ilegal nisso, pois a lei não garante o direito à compensação integral. Na sequência de sua peça recursal a interessada enfatiza o emprego da interpretação sistemática. Argumenta que, ao contrário do que disse a fiscalização, o caso dos autos não é de lacuna no ordenamento jurídico (inexistência de norma), e sim de uma norma jurídica existente, porém implícita. Diz, primeiramente, que o exame conjunto do aludido art. 15 da Lei nº 9.065/95 com o abaixo transcrito art. 33 do Decretolei nº 2.341/87 conduziria à conclusão da existência de uma norma implícita cujo conteúdo seria a inaplicabilidade do limite de 30% quando da extinção da pessoa jurídica ou de sua cisão parcial. Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida. Fl. 338DF CARF MF Processo nº 15374.000577/200997 Acórdão n.º 9101002.450 CSRFT1 Fl. 339 11 Parágrafo único. No caso de cisão parcial, a pessoa jurídica cindida poderá compensar os seus próprios prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente do patrimônio líquido. Também aqui não me parece estar correta a interpretação proposta pela defesa. Vejamos. O art. 15 da Lei nº 9.065/95 veda a compensação de prejuízos em montante que reduza em mais do que 30% o lucro líquido ajustado do período. Não há menção, nesta norma, aos eventos de extinção da pessoa jurídica ou sua cisão parcial. Por sua vez, o art. 33 do Decretolei nº 2.341/87 veda que a sucessora compense prejuízos da sucedida, e, em caso de cisão parcial, limita a compensação, pela própria pessoa jurídica, ao valor de seu prejuízo proporcional à parcela do patrimônio não objeto da cisão. A incidência isolada de cada uma dessas duas normas à hipótese de extinção de pessoa jurídica que possua prejuízos fiscais acumulados em montante superior a 30% do lucro líquido ajustado conduzirá às seguintes conclusões: a) art. 15 da Lei nº 9.065/95 impossibilidade de compensação, pela pessoa jurídica extinta, do valor do prejuízo fiscal acumulado não compensado por força do limite de 30%; b) art. 33 do Decretolei nº 2.341/87 impossibilidade de compensação, pela sucessora, do valor do prejuízo fiscal acumulado não compensado pela sucedida. Já a interpretação conjunta dessas duas normas sobre a mesma situação hipotética acima descrita conduziria, de acordo com a recorrente, à conclusão da existência de uma norma implícita cujo conteúdo afastaria a aplicação do limite de 30% à pessoa jurídica extinta. Ocorre que o simples fato de o prejuízo não compensado pela sucedida também não ser passível de compensação pela sucessora não conduz, necessariamente, à conclusão de que o limite de 30% deva ser afastado na hipótese aventada. Dito de outro modo, se as premissas (o art. 15 da Lei nº 9.065/95 e o art. 33 do Decretolei nº 2.341/87) do silogismo lógicodedutivo proposto pela recorrente não conduzem necessariamente à conclusão de que o limite de 30% deva ser afastado no caso de extinção da pessoa jurídica, então a recorrente deve reconhecer que não logrou êxito em demonstrar a existência da aludida norma implícita. (...) Prossegue a recorrente em sua defesa afirmando, com fundamento nas lições de Karl Larenz, que a já citada norma implícita também pode ser deduzida a partir do silêncio eloquente da lei. No Capítulo V.2 de sua famosa obra (Metodologia da Ciência do Direito, 3a. ed., pg. 524 e ss.), o prestigiado filósofo do direito citado pela recorrente discorre sobre o conceito e espécies de lacunas. Nesse sentido, explica que nem todo silêncio da lei deve ser tido como uma lacuna, conforme trecho a seguir transcrito: Fl. 339DF CARF MF Processo nº 15374.000577/200997 Acórdão n.º 9101002.450 CSRFT1 Fl. 340 12 "Poderia pensarse que existe uma lacuna só quando e sempre que a lei (...) não contenha regra alguma para uma determinada configuração no caso, quando, portanto, “se mantém em silêncio”. Mas existe também um “silêncio eloquente” da lei." Assim é que, pelas lições de Larenz, nem todo silêncio da lei deve ser compreendido como uma lacuna a ser preenchida pelo aplicador do direito. Casos há em que, embora o legislador haja silenciado sobre determinado assunto, não significa que haja ali uma lacuna, daí porque não pode o aplicador pretender regulála por meio de analogia, princípios gerais do direito ou qualquer outro método de integração do direito. É o que o autor chama de silêncio eloquente. Pois bem, a idéia de lacuna corresponde à antítese da idéia de existência de norma, seja explicita seja implícita. Em outras palavras, se há norma regulando o caso, ainda que implícita, então não haverá ali uma lacuna. Inversamente, se há lacuna, não há norma regulando o caso, ainda que implícita. A questão do silêncio eloquente da lei, segundo leciona Larenz, está afeto ao campo das lacunas, e não ao campo da existência de normas, sejam estas explícitas ou implícitas. Portanto, ao procurar conectar o problema das normas implícitas à questão do silêncio eloquente da lei a recorrente mistura alhos e bugalhos. Na sequência, a interessada faz uso do princípio da eventualidade alegando que, se for entendido haver lacuna, e não norma implícita, deve ela ser preenchida segundo o espírito da lei. Argumenta que, como o espírito do art. 15 da Lei nº 9.065/95 não foi vedar a compensação integral, qualquer integração só poderá ser produzida no sentido de assegurar a compensação sem a observância do limite de 30%, nas situações em que em virtude de outra norma (art. 33 do Decretolei nº 2.341/87) a limitação nessas situações frustraria qualquer possibilidade de compensação futura do excedente. Novamente a recorrente traz à balha a questão da compensação integral do prejuízo. Sua argumentação, agora, é que há uma lacuna na Lei nº 9.065/95, a qual deixou de excepcionar o limite de 30% previsto no art. 15 às hipóteses de extinção ou cisão parcial da pessoa jurídica. No entanto, conforme Larenz, nem todo silêncio da lei pode ser tido como uma lacuna. Nesse sentido, o simples fato de a Lei nº 9.065/95 não excepcionar a incidência de seu art. 15 a casos como o dos presentes autos, não nos autoriza concluir que exista uma lacuna naquela lei. Mas, então, quando é que poderseá dizer que existe uma lacuna na lei? A resposta pode ser encontrada também em Larenz (sobre o assunto vide, também, Aleksander Peczenik, in On Law and Reason, pg. 24 e ss.). Haverá uma lacuna na lei quando, com base nos valores albergados pelo sistema jurídico, for possível afirmar que a norma deveria existir. E se o legislador não produziu uma norma que, em razão dos valores presentes no ordenamento jurídico, deveria existir, então o próprio direito autoriza ao aplicador promover a integração da lacuna, por meio de analogia, princípios gerais do direito, equidade, etc. Fl. 340DF CARF MF Processo nº 15374.000577/200997 Acórdão n.º 9101002.450 CSRFT1 Fl. 341 13 Já vimos anteriormente que não existe norma jurídica, sequer implícita, estabelecendo o direito do sujeito passivo em compensar integralmente seus prejuízos fiscais. Investiguemos agora se essa propalada compensação integral, apesar de não ser um direito formalmente estabelecido, constituise em um valor resguardado pelo ordenamento jurídico. Se a resposta for positiva, então, conforme afirmado pela recorrente, há que se reconhecer a existência de uma lacuna na Lei nº 9.065/95 ao não excepcionar a incidência de seu art. 15 aos casos de extinção ou cisão parcial. A defesa não aponta qual a norma ou conjunto de normas do ordenamento que albergaria esse suposto valor. Certamente não está ele contido no art. 33 do Decretolei nº 2.341/87, pois, como dito outrora, o simples fato de o prejuízo não compensado pela sucedida também não ser passível de compensação pela sucessora não conduz, necessariamente, à conclusão de que o limite de 30% deva ser afastado nas hipóteses de extinção ou cisão parcial. Talvez a única norma do ordenamento jurídico em que seria possível vislumbrar a existência do afirmado valor (compensação integral de prejuízos) é a contida no art. 153, III, da Constituição da República, o qual estabelece competir à União instituir imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. Ocorre que o próprio STF, ao examinar por diversas vezes a questão, já afirmou e reafirmou que a limitação de 30% à compensação de prejuízos não ofende o conceito constitucional de renda, daí porque é de se concluir não ser possível dele se inferir a existência do alegado valor concernente à compensação integral de prejuízos." Entendo completamente aplicáveis à discussão desenvolvida nos presentes autos as considerações expostas no voto reproduzido. A tese defendida pela recorrente, no sentido de que a melhor interpretação, retirada do ordenamento atinente ao IRPJ e à CSLL, seria pelo afastamento da trava de 30% no ano de encerramento das atividades da pessoa jurídica, é devidamente refutada. Demonstrase que a interpretação conjunta dos arts. 15 da Lei nº 9.065/1995 e do art. 33 do DecretoLei nº 2.341/1987 (reproduzido no art. 514 do RIR/1999) não conduz necessariamente à conclusão de que o limite de 30% deva ser afastado. O voto ainda aborda a questão do pretenso direito adquirido das pessoas jurídicas à compensação integral dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas de CSLL acumulados ao longo dos exercícios anteriores. A este respeito, concluise que inexiste tal direito adquirido no sistema atualmente adotado para as compensações (limitação quantitativa em cada exercício, sem limite temporal), assim como não existia na regra anterior (limitação temporal de quatro anos para a compensação, sem limite quantitativo para cada exercício). O Acórdão CSRF nº 910100.401, de 02/10/2009, mencionado nas contrarrazões apresentadas pela PGFN, também discute se existe ou não direito adquirido dos contribuintes à compensação de resultados negativos anteriores. Fl. 341DF CARF MF Processo nº 15374.000577/200997 Acórdão n.º 9101002.450 CSRFT1 Fl. 342 14 Tal decisão representou uma mudança de posicionamento da CSRF a respeito do tema, motivada, entre outras razões, por decisões do próprio Poder Judiciário: "Voto Conselheira IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO (...) Os Tribunais Superiores já definiram que na compensação de prejuízos não se trata de direito adquirido, mas sim de uma expectativa de direito, como demonstram decisões do Superior Tribunal de Justiça, como exemplo o Recurso Especial nº. 307.389 RS, que ao enfrentar semelhante questão pronunciase da forma seguinte: (...) Também o STF se pronunciou acerca do tema, em 25/03/2009, no RE 344.9940 do Paraná, cujo Relator inicial, o Ministro Marco Aurélio restou vencido. Redige o voto vencedor o Ministro Eros Grau, acórdão assim ementado: EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS LIMITAÇÕES ARTIGOS 42 E 58 DA LEI Nº 8.981/95. CONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO DISPOSTO NOS ARTIGOS 150, INCISO III, ALÍNEAS "A" E 'B", E 5°, XXXVI, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. O direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de beneficio fiscal em favor do contribuinte. Instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado. Ausência de direito adquirido. A Lei n. 8.981/95 não incide sobre fatos geradores ocorridos antes do início de sua vigência. Prejuízos ocorridos em exercícios anteriores não afetam fato gerador nenhum. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Neste recurso pretendia o autor que a trava não incidisse sobre os saldos de prejuízos ocorridos até dezembro de 1994, sob argumento de que se estava diante de um direito adquirido à compensação de todo prejuízo e a nova lei não poderia restringir tal direito. Aliás, quanto à interpretação teleológica pretendida no paradigma trazido à colação, no que toca aos prejuízos fiscais, o Supremo Tribunal Federal decidiu, em sua composição Plenária, que a compensação de prejuízos fiscais tem natureza de beneficio fiscal e pode, como instrumento de política tributária, ser revisto pelo legislador sem implicar, sequer, no direito adquirido. Destaque é de ser dado ao voto da Ministra Ellen Gracie, que bem traduz a lógica do que aqui defendemos e neutraliza os argumentos da Recorrente nos seguintes termos: (...) 5. (...) Fl. 342DF CARF MF Processo nº 15374.000577/200997 Acórdão n.º 9101002.450 CSRFT1 Fl. 343 15 Entendo, com vênia ao eminente Relator, que os impetrantes tiveram modificada pela Lei 8981/95 mera expectativa de direito donde o não cabimento da impetração. 6. Isto porque, o conceito de lucro é aquele que a lei define, não necessariamente, o que corresponde às perspectivas societárias ou econômicas. Ora, o Regulamento do Imposto de Renda RIR, que antes autorizava o desconto de 100% dos prejuízos fiscais, para efeito de apuração do lucro real, foi alterado pela Lei 8981/95, que limitou tais compensações a 30% do lucro real apurado no exercício correspondente. 7. A rigor, as empresas deficitárias não têm "crédito" oponível à Fazenda Pública. Lucro e prejuízo são contingências do mundo dos negócios. Inexiste direito liquido e certo à "socialização" dos prejuízos, como a garantir a sobrevivência de empresas ineficientes. E apenas por benesse da política fiscal atenta a valores mais amplos como o da estimulação da economia e o da necessidade da criação e manutenção de empregos que se estabelecem mecanismos como o que ora examinamos, mediante o qual é autorizado o abatimento dos prejuízos verificados, mais além do exercício social em que constatados. Como todo favor fiscal, ele se restringe às condições fixadas em lei. É a lei vigorante para o exercício fiscal que definirá se o beneficio será calculado sobre 10, 20 ou 30%, ou mesmo sobre a totalidade do lucro líquido. Mas, até que encerrado o exercício fiscal, ao longo do qual se forma e se conforma o fato gerador do Imposto de Renda, o contribuinte tem mera expectativa de direito quanto à manutenção dos patamares fixados pela legislação que regia os exercícios anteriores. Não se cuida, como parece claro, de qualquer alteração de base de cálculo do tributo, para que se invoque a exigibilidade de lei complementar. Menos ainda, de empréstimo compulsório. Não há, por isso, quebra dos princípios da irretroatividade (CR, art. 150, III, a e b ) ou do direito adquirido (CF, art 5°, XXXVI). (...) 8. Por tais razões, peço licença para seguir a linha da divergência inaugurada pelo Ministro Eros Grau. Em sendo a compensação de prejuízos fiscais espécie de incentivo fiscal outorgado por lei e não um patrimônio do contribuinte a ser socializado, não se pode ampliar o sentido da lei nem ampliar o seu significado, eis que as normas que cuidam de benefícios fiscais devem ser interpretadas de forma restritiva nos termos do artigo 111 do Código Tributário Nacional. (...) Dessa forma, em homenagem ao comando legal do art. 111 do CTN, que impõe restrição de interpretação das normas que concedem benefícios fiscais, como é o caso, descabe o elastério interpretativo pretendido pela Recorrente." Fl. 343DF CARF MF Processo nº 15374.000577/200997 Acórdão n.º 9101002.450 CSRFT1 Fl. 344 16 Em que pese o RE nº 344.9940 efetivamente não tratar de hipótese idêntica à discutida nos presentes autos (ou no processo em que foi prolatado o Acórdão CSRF nº 9101 00.401), a mencionada decisão judicial joga luz sobre aspectos extremamente úteis à discussão acerca da aplicabilidade da trava de 30% na compensação realizada por empresas prestes a serem incorporadas. De início, estabelecese que a possibilidade de compensação de resultados negativos passados é um benefício fiscal, concedido pelo Estado, mediante lei perfeitamente constitucional, como instrumento de política tributária e econômica. Assim sendo, leis que limitem a possibilidade de compensação (até totalmente) são igualmente constitucionais. Por fim, entendeu a Suprema Corte que a compensação de eventuais prejuízos fiscais já acumulados revestese da condição de mera expectativa de direito, inexistindo direito adquirido à sua utilização tributária posterior. Trazendose tais conclusões para a discussão travada nos presentes autos, podese construir o entendimento de que não é inquestionável, como defende a recorrente, a premissa de que existe um direito sagrado à compensação integral dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL já registrados. Somente tomandose por intocável tal premissa é que se pode defender que a única solução possível para a situação em que uma pessoa jurídica terá suas atividades encerradas, por conta de sua incorporação, é pela dispensa da limitação da compensação a 30% do resultado positivo apurado. Após a prolação do Acórdão nº 910100.401, a CSRF proferiu uma série de outras decisões em que prevaleceu a tese de que a trava de 30% na compensação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, prevista nos arts. 42 e 58 da Lei nº 8.981/1995 e arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065/1995, é obrigatória mesmo no caso de encerramento das atividades da pessoa jurídica. Uma destas decisões é o Acórdão CSRF nº 9101001.337, de 26/04/2012, que faz uma pertinente observação acerca da evolução da legislação que trata da compensação de prejuízos fiscais, ao mesmo tempo em que aborda os aspectos materiais e temporais para a incidência do IRPJ (aplicáveis também, obviamente, à CSLL). Com isso, visouse a afastar o argumento de que a negativa da compensação integral de prejuízos fiscais representaria tributação de outra grandeza que não a renda: "Voto Vencedor Conselheiro Alberto Pinto S. Jr.. Com a devida vênia do ilustre Relator, ouso discordar do seu tão elaborado voto, por enxergar, nele, um caráter muito mais propositivo do que analítico do Direito posto. Sustenta o ilustre relator que: “o direito à compensação existe sempre, até porque, se negado, estarseá a tributar um não acréscimo patrimonial, uma não renda, mas sim o patrimônio do contribuinte que já suportou tal tributação”. Ora, se isso fosse realmente verdade, a legislação do IRPJ que vigorou até a entrada em vigor da Lei 154/47 teria ofendido o conceito de renda e chegaríamos à absurda conclusão de que, até essa data, tributouse, no Fl. 344DF CARF MF Processo nº 15374.000577/200997 Acórdão n.º 9101002.450 CSRFT1 Fl. 345 17 Brasil, outra base que não a renda. Da mesma forma, mesmo após a autorização da compensação de prejuízos fiscais (Lei 154/47), também não se estaria tributando a renda, pois sempre foi imposto um limite temporal para que se compensasse o prejuízo fiscal, de tal sorte que, em não havendo lucros suficientes em tal período, caducava o direito a compensar o saldo de prejuízo fiscal remanescente. Pelo entendimento esposado pelo ilustre Relator, a perda definitiva do saldo de prejuízos fiscais, nesses casos, também contaminaria os lucros reais posteriores, já que não mais estariam a refletir “renda”. Não é razoável imaginar que toda a legislação do IRPJ que vigorou até a entrada em vigor da Lei 9.065/95 (ou do art. 42 da Lei 8.981/95) tenha ofendido o conceito de renda, nem também é possível sustentar que a Lei 9065/95 tenha instituído um novo conceito de renda. Notese que o art. 43 do CTN trata do aspecto material do imposto de renda, seja de pessoa jurídica ou física, e não há que se dizer que a legislação do IRPF ofende o conceito de renda ali previsto, pelo fato, por exemplo, de não permitir que a pessoa física que tenha mais despesas médicas do que rendimento em um ano leve o seu descréscimo patrimonial para ser compensado no ano seguinte. Na verdade, o CTN não tratou do aspecto temporal do IRPJ, deixando para o legislador ordinário fazêlo. Ora, se o legislador ordinário define como período de apuração um ano ou três meses, é nesse período que deve ser verificado o acréscimo patrimonial e não ao longo da vida da empresa como quer o Relator. Sobre isso, vale trazer à colação trecho colhido do voto do Min. Garcia Vieira no Recurso Especial nº 188.855GO, in verbis: “Há que compreenderse que o art. 42 da Lei 8.981/1995 e o art. 15 da Lei 9.065/1995 não efetuaram qualquer alteração no fato gerador ou na base de cálculo do imposto de renda. O fato gerador, no seu aspecto temporal, como se explicará adiante, abrange o período mensal. Forçoso concluir que a base de cálculo é a renda (lucro) obtida neste período. Assim, a cada período corresponde um fato gerador e uma base de cálculo próprios e independentes. Se houve renda (lucro), tributase. Se não, nada se opera no plano da obrigação tributária. Daí que a empresa tendo prejuízo não vem a possuir qualquer "crédito" contra a Fazenda Nacional. Os prejuízos remanescentes de outros períodos, que dizem respeito a outros fatos geradores e respectivas bases de cálculo, não são elementos inerentes da base de cálculo do imposto de renda do período em apuração, constituindo, ao contrário, benesse tributária visando minorar a má atuação da empresa em anos anteriores..” Data máxima venia, confundese o Relator quando cita o art. 189 da Lei 6.404/76, para sustentar que “o lucro societário somente é verificado após a compensação dos prejuízos dos exercícios anteriores”. Primeiramente, por força do disposto nos arts. 6 e 67, XI, do DL 1598/77, o lucro real parte do lucro líquido do exercício, ou seja, antes de qualquer destinação, inclusive daquela prevista no art. 189 em tela (absorver prejuízos acumulados). Em segundo, os arts. 6 e 67, XI, do DL 1598/77 já demonstram, à saciedade, que o acréscimo patrimonial que se busca tributar é de determinado período lucro líquido do exercício. Fl. 345DF CARF MF Processo nº 15374.000577/200997 Acórdão n.º 9101002.450 CSRFT1 Fl. 346 18 Sustenta também o Relator que “a compensação de prejuízos fiscais não deve ser entendida como um beneficio fiscal” e traz jurisprudência do STJ nesse sentido. Todavia, a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é em sentido contrário, ou seja, que “somente por benesse da política fiscal que se estabelecem mecanismos como o ora analisado, por meio dos quais se autoriza o abatimento de prejuízos verificados, mais além do exercício social em que constatados”, conforme dicção da Min. Ellen Gracie ao julgar o RE 344994. Evidencia ainda o caráter de mera liberalidade do legislador ordinário, quando se verifica que, para o IRPF, decidiuse que apenas os resultados da atividade rural podem ser compensados com prejuízos de períodos anteriores. Ou seja, o benefício de poder compensar prejuízos fiscais foi concedido apenas a uma parte do universo de contribuinte de IRPF. Duas verdades óbvias se deduz de tal entendimento: primeiro, renda é o acréscimo patrimonial dentro do período de apuração definido em lei; segundo, a compensação de prejuízo poderia ser totalmente desautorizada pelo legislador ordinário, pois não haveria ofensa ao conceito de renda (art. 43 do CTN). (...) Vale ainda ressaltar que, quando o legislador ordinário quis, ele expressamente afastou a trava de 30%. Refirome ao art. 95 da Lei 8.981/95. Assim, nem mesmo o Poder Judiciário poderia chegar tão longe a ponto de criar, por jurisprudência, uma nova exceção à regra da trava de 30%, sob pena de se estar legislando positivamente." O voto vencedor redigido pelo Conselheiro Alberto Pinto S. Jr. faz um interessante apanhado das normas concernentes ao imposto de renda, tanto de pessoas jurídicas quanto de físicas, que não permitem(iam) o aproveitamento tributário de resultados negativos anteriores e nem por isso desnaturaram o conceito constitucional de renda. Para corroborar sua tese, traz trecho de julgado do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que declara expressamente que tais resultados negativos anteriores não são elementos inerentes da base de cálculo do imposto de renda. Seu aproveitamento tributário seria, isso sim, benesse tributária instituída pelo Estado para "minorar a má atuação da empresa em anos anteriores". Após diferenciar o tratamento dado ao tema pelas Ciências Contábeis daquele que interessa à seara tributária ("renda é o acréscimo patrimonial dentro do período de apuração definido em lei"), o Redator faz observação relevante para o deslinde da controvérsia aqui examinada: existem exceções, legalmente previstas, à submissão da compensação ao limite de 30% do resultado positivo do período de apuração. E, entre elas, não está a pretendida pela contribuinte. Em outras palavras: quando o legislador quis estabelecer exceções à regra geral, o fez expressamente. A controvérsia também é abordada no voto vencedor do Acórdão CSRF nº 9101001.760, de 16/10/2013, que trata com profundidade de vários aspectos relevantes para a discussão proposta: "Voto Vencedor Mérito Marcos Aurélio Pereira Valadão Redator Designado Fl. 346DF CARF MF Processo nº 15374.000577/200997 Acórdão n.º 9101002.450 CSRFT1 Fl. 347 19 (...) Sopesando os argumentos da Fazenda e do Contribuinte, a I. Relatora inicialmente traça um histórico da legislação que rege a matéria da compensação de prejuízos. Peço vênia para reproduzir entre aspas trechos do voto da I. Relatora, porque desta forma se torna mais clara a contraposição de argumentos. A I. Relatora parte da constatação de que "nunca subsistiram limitações temporais e quantitativas concomitantemente" e conclui que isto se deve à razão de ser a compensação de prejuízos um direito do contribuinte, "inerente aos princípios que regem a apuração do IRPJ/CSLL e à lógica contábil que determina os efeitos intertemporais dos atos das pessoas jurídicas, a qual atribui os critérios de apuração do lucro líquido, ponto de partida para a apuração do IRPJ e da CSLL". Primeiramente, embora nunca tenham subsistido limitações temporais e quantitativas concomitantemente, até 1945, no Direito brasileiro, não existia possibilidade de compensação de prejuízos, ou seja, a limitação era total, assim os prejuízos de um período de apuração não eram transportados para o período seguinte, que eram considerados estanques. Ora, isto era muito pior para o contribuinte, pois não havia limites porque simplesmente não era possível compensar o prejuízo, e a norma não foi considerada inconstitucional. No que diz respeito ao segundo argumento, embora a lógica contábil seja usada para o cálculo da base tributável do IRPJ e da CSLL, a base de cálculo do imposto está sob o império da lei que pode, inclusive, ser diferente, ou mesmo contrária à lógica contábil, que é lastreada em princípios geralmente aceitos, resoluções e pronunciamentos de instituições de Direito Privado, etc... Ocorre que em matéria de direito público, sempre prevalece a lei. Assim, em que pesem argumentos que possam ser procedentes dentro da lógica contábil na qual todo prejuízo deve ser confrontado com os resultados dos períodos seguintes (e imediatamente), esta não é a lógica legal. Na verdade, a lógica da lei tem a ver com dois aspectos essenciais ao caso, a periodização e o fato gerador do imposto de renda. A periodização é importante pois há que se confrontar situações em tempos diferentes para que se identifique se a empresa tem ou não prejuízo, se a empresa tem ou não lucro. Esta lógica contábil existe para se informar ao dono do "equity" acionista ou sócio, como está evoluindo seu patrimônio, o que só tem lógica se forem confrontados períodos distintos. E daí se faz a escolha temporal, que pode ser cinquenta anos, dez anos, um ano, seis meses, três meses, um mês, etc, aquilo que a lógica contábil entender conveniente em termos de mercado, pois como foi dito informar ao dono do capital a situação do seu patrimônio é a função da contabilidade. No caso brasileiro, este prazo está na própria lei comercial (art. 175 da Lei. 6.404/1977, prevê o exercício social de um ano, e em seu Par. Único permite períodos distintos). Daí que em função da continuidade, ou princípio da continuidade, os prejuízos têm que ser levados em conta, pois o acionista ou sócio não olha o seu investimento por períodos equivalentes ao exercício social, mas por todo o período do investimento que planejou, embora tenha que “tomar o pulso” de tempos em tempos (e.g., balanços mensais, semestrais ou anuais, com os prejuízos passando para o período seguinte). Assim, um acionista que tem em perspectiva ações de uma empresa por um determinado período, olha o quanto o investimento vale no início e no final do período; assim, vinculado a uma lógica contábil, todos os ganhos e todas as perdas do período devem ser computados Fl. 347DF CARF MF Processo nº 15374.000577/200997 Acórdão n.º 9101002.450 CSRFT1 Fl. 348 20 continuamente, é o princípio da continuidade operando, o que lhe dá o resultado final ao longo do período. Vejase que a função da contabilidade, ou pelo menos uma das funções principais, é informar ao dono do capital a situação do seu investimento. Na verdade, está se assumindo o princípio da continuidade e seus efeitos nos lucros, mais no seu sentido econômico, porque no seu sentido contábil mais exato o princípio da continuidade não trata disto, mas sim na forma com que os ativos são avaliados, a depender da continuidade da empresa. Diz a resolução CFC 750/1993 (com redação dada pela Resolução CFC nº. 1.282/10), quando trata dos princípios da contabilidade: “Art. 5º O Princípio da Continuidade pressupõe que a Entidade continuará em operação no futuro e, portanto, a mensuração e a apresentação dos componentes do patrimônio levam em conta esta circunstância.” Ou seja, este princípio diz respeito à precificação dos componentes do patrimônio, nada indicando que decorre dele a imposição principiológica do aproveitamento de prejuízos de um período em relação a outro. Mas, ad argumentandum tantum e seguindo a lógica econômica da compensação de prejuízos como decorrência da continuação da empresa, que se presume indefinidamente, os prejuízos e lucros se compensariam contínua e indefinidamente. Mas esta não é a lógica da legislação tributária. Para efeitos tributários, a periodização tem como função firmar o aspecto temporal para efeito de se verificar se entre o momento inicial e momento final houve variação patrimonial positiva (atualmente a lei prevê este lapso em três meses, e opcionalmente de um ano, para o lucro real). Vejase que o fato de a legislação tributária permitir que se transponha o prejuízo de um período para o período seguinte é uma decisão de política tributária. Digase de passagem, uma política correta, mas que obedece aos princípios legais e não aos princípios contábeis. Assim, o aproveitamento de prejuízos é uma decisão de política tributária (em linha com a política econômica), mas não entendo que seja um benefício fiscal, pois não se enquadra neste conceito, mesmo porque é geral. Neste aspecto específico concordo com a posição da I. Relatora. Benefício fiscal ocorre quando a lei tributária concede o aproveitamento integral (sem a trava dos 30%) para algumas atividades, isto porque difere da regra geral da sujeição à limitação dos 30 %. Ou seja, o aproveitamento de prejuízos não pode ser considerado um benefício fiscal, mas tão somente nas situações que se dirijam a atividades específicas em que se permite um tratamento mais benéfico, com o aproveitamento integral (enquanto os outros contribuintes têm a “trava”). Posto de outra forma, decorre de decisão em sede política tributária e econômica que a legislação tributária permita a dedução de prejuízos, mas isto por uma lógica econômica de formação de capital, e não simplesmente por uma lógica contábil. A lógica econômica é que a dedução de prejuízo na verdade implica em um alongamento do período de apuração, permitindo que a empresa se recupere de períodos sem lucro (como é típico do início das atividades, em face de perspectivas futuras). Em suma, a dedutibilidade do prejuízo, embora impacte a base de cálculo do imposto de renda, é matéria legal, não se contrapondo a princípios constitucionais que informam a matéria tributária, como entende a I. Relatora. A lei pode tanto impedir totalmente o aproveitamento do prejuízo, como, de fato, fazia por volta de 68 anos atrás para pessoas jurídicas em geral e assim o faz até hoje, tanto para pessoas físicas quanto para pessoas Fl. 348DF CARF MF Processo nº 15374.000577/200997 Acórdão n.º 9101002.450 CSRFT1 Fl. 349 21 jurídicas optantes pelo lucro presumido ou pelo Simples. Por outro lado, a lei pode permitir o aproveitamento integral, como faz para algumas atividades, como pode impor limites temporais (como fazia até pouco tempo) ou quantitativos (como o faz atualmente), sem que possa ser considerada violadora de qualquer princípio ou regra constitucional. (...) (...) Outro argumento expedido pela I. Relatora, muito semelhante ao primeiro, diz respeito à obediência da norma tributária aos princípios e normas contábeis, no que se refere à apuração da base do IRPJ e da CSLL. Ocorre que, neste caso, o tratamento dado pela legislação tributária diverge da norma comercial, mas é consentâneo com a própria Lei n. 6.404/1977, a lei comercial e contábil, que prevê em seu art. 177, §7º (redação atual dada pela Lei nº 11.941/ 2009) que tratamento tributário diferente pode ser dado pela legislação tributária, conforme seu art.177, in verbis: (...) Ou seja, a própria lei que dispõe sobre o tratamento tributário da apuração contábil ressalva que a aplicação das normas tributárias com critérios diferentes deve ser observada. Assim, não há contradição entre norma tributária e norma contábil, mesmo porque o tratamento dado à apuração do lucro real direciona justamente à apuração do lucro com base na legislação comercial sucedido pelos ajustes previstos da norma tributária (adições e exclusões), conforme preconiza o art. 6º do Decretolei nº 1.598/1977, e também o art. 17 da Lei nº 11.941/2009 (Lei que tratou das novas normas contábeis) e tributação, introduzindo o denominado regime tributário de transição RTT). Ou seja, a vedação de aproveitamento de prejuízos persiste mesmo no caso de encerramento da empresa, à míngua de previsão legal tributária. Não se pode impor normas e princípios contábeis para alterar a legislação tributária, criando uma situação excepcional onde a norma tributária não prevê exceção. (...) Outra linha argumentativa da I. Relatora se fia na história legislativa do dispositivo que implementou a trava dos 30% (MP n. 998/1995). Todos os argumentos normogenéticos são pertinentes e admissíveis, e é justamente o que se debate aqui, mas a lei não criou exceções. O que a exposição de motivos (EM) noticia é justamente que o aproveitamento não é limitado no tempo, mas não cogita e nem especifica o que ocorreria caso a empresa encerrasse as atividades, assim como não o faz a lei. Tratase de interpretação da exposição de motivos, pois ela, a EM, literalmente não diz que não há trava no enceramento das atividades. Por outro lado, a história legislativa de determinado dispositivo não permite um embargo interpretativo com efeitos legislativos infringentes, mas tão somente teleológicos. (...) Nesta linha de argumentos, durante os debates da sessão foi também foi suscitada a tese de que o prejuízo teria a mesma natureza de patrimônio, isto seria um "ativo". Disto decorreria que haveria tributação sobre o patrimônio (prejuízo), se não fosse permitida sua dedutibilidade. Ocorre que prejuízo (perda), no meu entender não é ativo. A legislação tributária, norma Fl. 349DF CARF MF Processo nº 15374.000577/200997 Acórdão n.º 9101002.450 CSRFT1 Fl. 350 22 de sopreposição, consentânea com a economia e as bases econômicas da atividade empresarial, concede o aproveitamento dos prejuízos dentro da lógica da continuidade empresarial, mas daí a entender que prejuízo acumulado pode representar patrimônio, é o mesmo que dizer que tanto faz lucro ou prejuízo, o que contrasta com a própria lógica econômica. A empresa distribui lucro ou ativa lucro, não distribui prejuízo, nem ativa prejuízo. Ninguém persegue o prejuízo, a atividade empresarial persegue o lucro. Norma que permite transmutar perda em lucro com base na rationale de que a perda tem valor patrimonial é uma contradição em si mesma. Contudo, é verdade que dada a perspectiva (expectativa) de que o prejuízo fiscal em um dado exercício diminua o tributo devido em um exercicio posterior, no futuro, há a possibilidade se ativar esta expectativa de direito, a título de ativo fiscal diferido (conforme, e.g., Resolução CFC n. 1189/09). Tratase de perspectiva de impacto patrimonial positivo, como é qualquer redução de custo, ainda que tributário. Assim, o prejuízo fiscal, que difere do prejuízo contábil (podendo haver caso de lucro contábil com prejuízo fiscal, o que não é infrequente) pode ser considerado uma espécie de expectativa de direito com perspectivas de consequências patrimoniais positivas. Contudo, é um argumento puramente contábil e se aplica, na perspectiva puramente contábil. Ou seja, isto tudo é uma questão contábil e que, neste aspecto, nada tem a ver com a limitação legal de aproveitamento de prejuízo fiscal, que só comporta exceções legais. O fato dos prejuízos fiscais acumulados constarem da parte B do Lalur e de reduzirem tributo a pagar no futuro, não lhes dá o condão de patrimônio. (...) Quanto ao argumento relacionado à jurisprudência judicial, o único ponto relevante é que entendo que a decisão do STF de que a trava é constitucional impacta o presente processo ainda que indiretamente. Uma coisa o STF reconhece de pronto, qual seja: o tema é matéria de lei e esta lei não é inconstitucional. Embora o STF não tenha discutido a questão da trava na extinção da empresa especificamente, a decisão é um indicativo claro de que a vedação total no encerramento da empresa é também matéria de lei infensa à questionamento constitucional. De outro lado, se não for assim entendido estaríamos a discutir a inconstitucionalidade de lei, o que regimentalmente não podemos fazer, ou então, haveria uma omissão legal, o que não há. O que corrobora a conclusão de que para se aceitar o afastamento da trava na hipótese em debate teria que haver previsão expressa da lei tributária, o que também não há. (...) Assim, o entendimento que adoto é também consentâneo com a direção que está seguindo a jurisprudência contemporânea do CARF, embora reconheça que haja divergências, as quais respeito, embora divirja. Desta forma, entendo não deve ser admitida exceção não prevista em lei tributária, quando a lei tributária fixa limites para o aproveitamento de prejuízos, devendo ser negada o aproveitamento integral dos prejuízos no enceramento das atividades da empresa, que está limitado a 30%, na forma da legislação tributária." O I. Redator expõe brilhantemente, com notável grau de detalhamento, as razões que prevaleceram naquele julgamento a respeito de vários aspectos relevantes para o Fl. 350DF CARF MF Processo nº 15374.000577/200997 Acórdão n.º 9101002.450 CSRFT1 Fl. 351 23 debate acerca do afastamento da trava de 30% no caso de empresa incorporada: inexistência de direito adquirido à compensação de prejuízos fiscais já registrados; independência da lei tributária em relação às normas contábeis; constitucionalidade das restrições legais à possibilidade de compensação pelos contribuintes. Além disso, aborda também outra discussão suscitada nos presentes autos. A recorrente afirma que o saldo do prejuízo fiscal e o saldo da base de cálculo negativa das CSLL integrariam "a universalidade patrimonial da pessoa jurídica extinta". Com muita propriedade, o voto transcrito há pouco admite que tal tese pode ser dotada de algum sentido se analisada sob o ponto de vista puramente contábil. Mas não se pode admitir a tentativa de se atribuir ao prejuízo fiscal acumulado a natureza de patrimônio. Tal configuração afrontaria à própria lógica econômica das empresas, uma vez que, de certa forma, estarseia pretendendo transmutar a perda em lucro. Considero que os argumentos erigidos pela recorrente foram satisfatoriamente refutados pelas decisões administrativas acima referidas, cujas razões de decidir transcritas adoto como minhas. Acrescento ainda, a título de ilustração, que esta CSRF, em seus julgamentos mais recentes, tem se mantido fiel ao entendimento aqui adotado, pela impossibilidade de dispensa do limite legal, para a compensação, de 30% do lucro real (ou da base de cálculo positiva de CSLL), mesmo no encerramento das atividades da pessoa jurídica. Neste sentido os Acórdãos nº 9101002.153, nº 9101002.191, nº 9101002.192, nº 9101002.207, nº 9101 002.208, nº 9101002.209, nº 9101002.210, nº 9101002.211 e nº 9101002.225. A meu ver, o principal aspecto da polêmica em pauta reside no equivocado entendimento de que necessariamente deve haver uma completa comunicação entre os períodos de apuração do IRPJ e da CSLL. É precisamente esse entendimento que dá azo à idéia de que todo o prejuízo ao longo da história da empresa deve ser confrontado com todo o lucro auferido ao longo do tempo. Entretanto, a tributação do IRPJ e da CSLL não se dá dessa forma. Com efeito, o que se tributa é a renda/lucro (acréscimo patrimonial) auferida em um determinado período de apuração, e não a renda/lucro resultante de toda a existência da empresa. No julgamento do já referido RE nº 344994, o STF, apesar de não ter examinado a questão do limite de 30% para compensação de prejuízo fiscal em caso de extinção de empresa, deixou bem claro que a lei aplicável em relação à compensação de prejuízo fiscal é a lei vigente na data do encerramento do exercício fiscal. Tal pronunciamento veio no sentido preciso de afirmar a independência entre os exercícios, o que também ficou bem evidenciado pelas situações apontadas nas decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais transcritas neste voto (em especial, a evolução histórica do instituto e o paralelo com a tributação da renda das pessoas físicas). Fl. 351DF CARF MF Processo nº 15374.000577/200997 Acórdão n.º 9101002.450 CSRFT1 Fl. 352 24 Nesse mesmo passo, vale ainda observar que não há doutrinadores defendendo a possibilidade de compensação de prejuízos futuros com lucros anteriores, dando margem a repetição de indébitos. Caso isso fosse possível, pagamentos realizados no passado poderiam vir a ser considerados indevidos em razão de prejuízos futuros. Contudo, tal hipótese é prontamente repelida pelo senso comum da prática tributária, e a ilustração permite visualizar claramente que os exercícios devem mesmo ser independentes. De todo o exposto, podese concluir que a continuidade da empresa não implica em um direito adquirido à compensação de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL, independentemente do aspecto temporal para a incidência do imposto/contribuição; que o referido limite de 30% não desnatura a materialidade do imposto/contribuição (renda/lucro em determinado período de apuração); e que a compensação de prejuízos fiscais e de bases negativas deve observar o limite legal de 30% do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação, mesmo no caso de encerramento das atividades da pessoa jurídica, seja por cisão/incorporação, ou por qualquer outro evento. Nesse passo, correta a autuação fiscal referente à CSLL, objeto dos presentes autos. Por fim, deve ser analisada a alegação da recorrente concernente à aplicação da multa isolada pelo não recolhimento das estimativas mensais de CSLL, ao longo do ano de 2003. Rememorando, a multa foi aplicada pela Fiscalização, em percentual de 75%. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Porto Alegre/RS reduziu tal percentual para 50%, em razão de norma superveniente que passou a cominar penalidade menos severa. Por fim, a Turma a quo negou provimento ao recurso de ofício, mantendo em 50% o percentual aplicável a título de multa isolada. Em seu recurso especial, a contribuinte alega que, com o advento da Lei nº 11.488/2007, teria sido revogado o dispositivo legal que amparou o lançamento da multa isolada pela Fiscalização. Assim, em razão da retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II, alínea "a", do CTN, a cobrança da multa isolada deveria ser cancelada. Como não tinha contestado tal cobrança em momento processual anterior, a recorrente afirma que se trata de matéria de ordem pública, que dispensaria prequestionamento para fins de apreciação pela CSRF. A respeito de tais alegações, discordo da contribuinte em relação à tese de que a aplicação de multa isolada seria assunto de ordem pública. Assim, não tendo sido contestada tal cobrança no momento processual adequado, incabível à contribuinte querer fazê lo agora, por ocasião do julgamento de seu recurso especial. Considero, portanto, preclusa a discussão acerca da matéria, mantendose a multa isolada lançada no percentual determinado pela DRJ em Porto Alegre/RS e confirmado pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara. Desse modo, voto no sentido de: CONHECER do recurso especial interposto pela contribuinte; NEGAR provimento ao recurso especial, mantendose o lançamento tributário relativo à CSLL do anocalendário de 2003; NÃO CONHECER da discussão sobre multa isolada. Fl. 352DF CARF MF Processo nº 15374.000577/200997 Acórdão n.º 9101002.450 CSRFT1 Fl. 353 25 É como voto. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo – Relator Fl. 353DF CARF MF Processo nº 15374.000577/200997 Acórdão n.º 9101002.450 CSRFT1 Fl. 354 26 Declaração de Voto Embora o conselheiro Demetrius Nichele Macei tenha solicitado apresentar declaração de voto, não o fez no prazo regimental de 15 (quinze) dias, estabelecido pelo §6º do art. 63 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, verbis: § 6º As declarações de voto somente integrarão o acórdão ou resolução quando formalizadas no prazo de 15 (quinze) dias do julgamento. Fl. 354DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.001336/2005-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.705
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM- Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausências justificadas de Charles Mayer de Castro Souza e Ana Clarissa Masuko dos Santos.
RELATÓRIO
O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS.
Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir:
O estabelecimento acima qualificado foi autuado pela fiscalização do IPI, pela falta de lançamento desse imposto, nas saídas de produtos por ele fabricados, sem emissão de notas fiscais, ou com emissão de notas fiscais "calçadas", conforme Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal (TVEAF), das fls. 353 a 386 (vol. 2), a seguir resumido.
A fiscalização apurou que o estabelecimento fabrica artigos equipamentos para ginástica, em especial, esteiras e bicicletas ergométricas, produtos classificados no código 9506.91.00 da Tabela de Incidência do IPI, aprovada pelo Decreto n° 2.092, de 10 de dezembro de 1996 (TIPI, de 1996), e da Tabela de Incidência do IPI, aprovada pelo Decreto n2 3.777, de 23 de março de 2001 (TIPI, de 2001), sujeitos à alíquota de 20%.
O estabelecimento em questão era optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), mas foi excluído, de ofício, do referido sistema, com efeitos a partir de le de janeiro de 2000, por meio do Ato Declaratório Executivo (ADE) nc 20, de 11 de abril de 2005, do Delegado da Receita Federal em Florianópolis/SC, reproduzido na fl. 220 (vol. 2), por ter sido enquadrado nas infrações descritas nos incisos IV e V do art. 14 da Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996 (respectivamente: constituição de pessoa jurídica, por interpostas pessoas, que não sejam os verdadeiros sócios; e prática reiterada de infração à legislação tributária), infrações que foram verificadas, no caso concreto, conforme relatado adiante, em especial, no item 1.7.
No tocante às saídas sem emissão de notas fiscais, a fiscalização apurou a irregularidade, com base na constatação de depósitos, sem origem comprovada, em contas-correntes bancárias do estabelecimento fiscalizado, nos exercícios de 2001 a 2003, valores que foram considerados provenientes de vendas não registradas. No caso, a movimentação financeira do estabelecimento se deu no Banco do Brasil S/A e no Unibanco -União de Bancos Brasileiros S/A, conforme extratos reproduzidos nos Anexos IV, V-a e V-b deste processo, extratos obtidos em resposta às competentes Requisições de Movimentação Financeira (RMFs). Com respeito a essa infração, as bases de cálculo do IPI foram levantadas a partir dos créditos em conta-corrente, verificados nos extratos bancários, tendo sido considerada, em especial, a conciliação bancária, entre as contas-correntes do estabelecimento. Além disso, dos créditos em contas-correntes, foram excluídos os valores referentes às notas fiscais "calçadas", emitidas pelo estabelecimento, infração que foi tratada à parte, conforme será relatado na seqüência.
Quanto à falta de lançamento do IPI, pela emissão de notas fiscais "calçadas", a irregularidade foi apurada, com base na circularização dos clientes do estabelecimento fiscalizado, segundo cópias dessas notas, nos Anexos III-a e III-b deste processo. Nas fls. 2 a 13 do Anexo III-a, foram relacionadas duzentas e setenta e três notas fiscais de saída, com a irregularidade em questão, tendo sido mencionados os seguintes dados, das notas fiscais: número; valor exibido na via existente no talonário do estabelecimento fiscalizado; valor constante da via em poder do cliente, sendo este último superior ao valor exibido na via do estabelecimento emitente, o que caracteriza a prática delituosa de emissão de nota fiscal "calçada", que objetiva o lançamento, a menor, do IPI devido. Parte das notas fiscais "calçadas" também apresentavam a irregularidade de terem sido emitidas em nome de estabelecimentos que a fiscalização apurou jamais terem adquirido produtos do emitente das notas, conforr"". comprovado pelas declarações das fls. 238 a 243 do Anexo II.
Ainda quanto à infração em comento, os Auditores-Fiscais ressacam que não lograram êxito, na obtenção de todas as notas fiscais, em poder de terceiros, emitidas pelo estabelecimento fiscalizado, em razão da ausência de informações sobre os efetivos clientes da empresa.
A par disso, também afirmam os autuantes que as operações comerciais espelhadas nos documentos fiscais coletados expressam montante muito aquém do apurado nos extratos bancários do estabelecimento Corpore Fitness Comercial Ltda.
Na seqüência, cumpre relatar que o estabelecimento foi intimado, pelo termo da fl. 221 (vol. 2), a escriturar o livro Registro de Apuração do IPI, relativo aos períodos de apuração de 2001, 2002 e 2003, em especial, para apuração dos eventuais créditos do IPI a que fizesse jus, tendo respondido, segundo consta na fl. 316 (vol. 2), que se reservava o direito de apresentar a documentação respectiva, nas instâncias posteriores da Secretaria da Receita Federal (SRF).
O lançamento de ofício, em que culminou a ação fiscal, não considerou as Declarações de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJs) retificadoras, relativas a 2001, 2002 e 2003, apresentadas pelo interessado, em 26 de outubro de 2004, reproduzidas, respectivamente, nas fls. 41, 42 e 43 (vol. 1), por terem sido entregues já no curso da fiscalização e, portanto, quando já estava excluída a espontaneidade do estabelecimento.
1.7 Além do que já foi referido, também foi constatado que o Sr. André Luís Galle Dal Pra, inscrito no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) sob na 004.188.06926, embora não figure como sócio do estabelecimento fiscalizado, é o responsável pela sua gerência, ou seja, é quem, de fato, administra a sociedade, mas utilizando interpostas pessoas, para a prática dos atos comerciais e financeiros da pessoa jurídica, interpostas pessoas que outorgaram procurações, com plenos poderes, ao referido Sr. André, conforme documentação que integra o Anexo I deste processo, bem como explicações que seguem.
Cabe relatar que as atividades do estabelecimento fiscalizado iniciaram em 12 de julho de 1999, encerrando-se em 2004, ano em que foram transferidas, do município de São José/SC, para o município de Biguaçú/SC, sob a denominação Corman Industrial Ltda., inscrito no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), sob o ne 06.167.202/0001-09, localizado na Rua Gumercindo Pereira, 128-B, Rio Biguaçu, no citado município.
No período examinado, figuram, como sócias, no contrato social do estabelecimento Corpore Fitness Comercial Ltda., e respectivas alterações, nas fls. 16 a 27 (vol. 1), Carmem de Fátima Rosa, CPF ne 650.868.809-04, e Maria Lúcia Bueno, CPF nB 579.074.049-91, com respeito às quais a fiscalização apurou serem pessoas humildes (faxineira do Sr. André Luís Galle Dal Pra e lavadeira, respectivamente), residentes em habitações extremamente modestas, conforme fotografias, nas fls. 191 e 192 do Anexo I.
O estabelecimento Corman Industrial Ltda. foi constituído em 2 de fevereiro de 2004, pelos sócios Domingos Francisco de Sousa, CPF na 043.834.77658, residente em Curitiba/PR, e Mary Guerini, CPF na 785.417.519-53, residente em São José/SC, segundo consta nas fls. 102 e 103 (vol. 1), sócios que a fiscalização apurou também serem pessc is humildes (pedreiro e faxineira do Sr. André Luís Galle Dal Pra, respectivamente). Por ocasião da análise dos documentos apreendidos, no mês de dezembro de 2004, no e; "ritório do contador do estabelecimento fiscalizado, os Auditores-Fiscais enco» ram um contrato social de BDA Empresarial Ltda., não levado a registro na Junta Comercial do Estado de Santa Catarina, assinado pelo já citado Sr. Domingos Francisco de Sousa e pelo Sr. André Luis Galle Dal Pra.
Em tópico específico do TVEAF [item 4, fls 378 e 379 (vol. 2)], os Auditores-Fiscais concluem que a responsabilidade tributária e penal, pelos ilícitos apurados, devem ser imputadas ao Sr. André Luis Galle Dal Pra e também à Sr5 Patrícia de Castro Scuro, CPF n2 005.713.339-58, pessoa que a fiscalização apurou também ter poderes para movimentar as contas bancárias, como será explicado, adiante.
Além da declaração prestada pelo Sr. André Luis Galle dal Pra [fl. 137 (vol. 1)], na repartição fiscal, com a presença de dois advogados, segundo a qual seria ele o responsável pelas empresas "Corpore" e "Corman", os documentos bancários comprovam sua responsabilidade, nos atos de gestão dessas empresas. Nos cartões de autógrafos, nas procurações e nas fichas cadastrais das duas empresas, figuram como responsáveis o Sr. André Luis Galle Dal Pra e a Srª Patrícia Castro Scuro (fls. 89/91 e 97/103 do Anexo I).
Em 18 de fevereiro de 2005, diligenciando na empresa "Corman", a fiscalização encontrou estoque de esteiras no seu interior, conforme fotos das fls. 186 a 190 do Anexo I, além de máquinas e equipamentos utilizados no processo de fabricação. No local, os Auditores-Fiscais foram atendidos pelo Sr. Eli Feldman, Registro Geral ne 8/R 962.989, responsável pela assistência técnica das esteiras e bicicletas, o qual declarou ter sido contratado, no mês de julho de 2004, pela Sr9 Patrícia de Castro Scuro e pelo Sr. André Luis Galle Dal Pra. Por ocasião da diligência na empresa "Corman", foram apreendidos diversos documentos, dentre os quais destacam-se ordens de serviço para conserto de máquinas "Corpore" e correspondências para o Sr. André, em nome de "Corpore/Corman", além de emails, o que levou a fiscalização a concluir que as empresas "Corpore" e "Corman" eram, na realidade, a mesma empresa, conforme documentos das fls. 3 a 111 do Anexo 2 deste processo. Outro fato relevante, que reforçou a convicção dos Auditores-Fiscais, de identidade das empresas, é o de que diversos documentos fiscais tinham como destinatária a empresa "Corpore", e o endereço de entrega era o da empresa "Corman", segundo consta nas fls. 106 a 110 do Anexo 2.
1.7.7 No tocante à aquisição de mercadorias, pelo estabelecimento fiscalizado, procedeu-se à circularização dos seus fornecedores, identificados no livro Registro de Entradas, constatando-se que diversos documentos fiscais deixaram de ser registrados, caracterizando omissão de compras, motivo pelo qual foi declarada, pela fiscalização, a imprestabilidade do referido livro e da correspondente escrituração. A título exemplificativo dessa ocorrência, são relacionadas no TVEAF, na fl. 374 (vol. 2), diversas notas fiscais de entrada, emitidas pelo fornecedor Kohlbach Motores Ltda., CNPJ na 00.249.247/0001-46 (Anexo II - fls. 126 a 135).
Relatam, ainda, os autuantes que, dentre as notas fiscais de entrada apreendidas, por ocasião da diligência no escritório do contador do interessado, em 6 de dezembro de 2004, há várias que têm como destinatários dos produtos os estabelecimentos Sportcia Comercial Ltda., CNPJ na 03.433.129/0001-03, com sede em Florianópolis/SC, e Corpore Fitness Comércio Ltda., CNPJ n° 05.958.910/0001-03, com sede em Goiânia/GO, ambos inativos aos cadastros da SRF, e também vinculados ao Sr. André Luis Galle Dal Pra. Os autuantes observam que a empresa Sportcia não foi localizada no endereço cadastrado na SRF, que seria mais uma comprovação de que o contribuinte utiliza empresas de fachada, para realização de compras, de forma a ludibriar a fiscalização. As notas fiscais de aquisição, reproduzidas nas fls. 106 a 110 do Anexo II, embora emitidas em nome do estabelecimento fiscalizado, exibem o endereço do estabelecimento Corman Industrial Ltda., CNPJ nQ 06.167.202/0001-09.
Da análise dos documentos apreendidos em poder do Contador do estabelecimento Corpore Fitness Comercial Ltda., os Auditores-Fiscais verificaram a escrituração, no livro Registro de Entradas, de notas fiscais de entrada destinadas à empresa Corpore Com. Prod. Terapêuticos Ltda., CNPJ na 02.860.749/0001-34, embora o endereço de entrega fosse o do estabelecimento fiscalizado (Anexo II, fls. 113 a 123). O estabelecimento Corpore Com. Prod. Terapêuticos Ltda. apresentou DIPJ na condição de inativo, nos anos-calendário de 1998 e 2001 e se encontra com registro de empresa "omissa não localizada", perante a SRF.
2.À vista das irregularidades acima, foi lavrado o Auto de Infração, das fls. 389 a 400 (vol. 3), e anexos, para formalizar a exigência do IPI, no valor de R$ 1.393.615,74,acrescido dos juros de mora e da multa majorada de 150% desse imposto, por infração qualificada, perfazendo, na data da autuação, a importância de R$ 4.138.644,42, com ciência do autuado em 29 de junho de 2005, segundo consta no Aviso de Recebimento (AR), reproduzido na fl. 436 (vol. 3).
As infrações foram enquadradas nos seguintes dispositivos:
a)nos casos de saídas de produtos, sem nota fiscal: arts. 23, II e III, 24,II,32,11, 109, 110,1, "b",e II, V, 114, 117, 118,11, 182 e parágrafo único, 183, IV, e 185, III,do Decreto na 2.637, de 25 de junho de 1998, Regulamento do IPI (RIPI), de 1998; arts. 24, II e III,25, II, 34, II, 122, 123,1, "b", e II, "c", 127, 130, 131, II, 199 e parágrafo único, 200, IV,202, III, do Decreto n° 4.544, de 27 de dezembro de 2002 (RIPI, de 2002); e b)nos casos de saídas de produtos, com nota fiscal "calçada": arts. 23, IIe III, 32, II, 109, 110,1, "b", e II, "c", 114, 117, 118,1 e II e §§ Ia a 42, 119, 120, 122, 182 eparágrafo único, 183, IV, e 185, III, do RIPI, de 1998; arts. 24, II e III, 34, II, 122, 123,1, "b",e II, "c", 127, 130, 131,1 e II e §§ Ia a 4a, 132, 133, 135, 199 e parágrafo único, 200, IV, 202,III, do RIPI, de 2002.
4.Esse enquadramento sujeitou o interessado à multa de ofício de 150%,por infração qualificada, de acordo com o art. 80, II, da Lei na 4.502, de 30 de novembro de1964, com a redação dada pelo art. 45 da Lei ne 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e a juros demora, previstos no art. 61, § 3a, da Lei ne 9.430, de 1996.
Segundo consta na capa do vol. 1 deste processo, foi elaborada representação fiscal para fins penais, objeto do Processo nQ 11516.001271/2005-10, o qual está apensado ao Processo n2 11516.000779/2005-92, relativo aos lançamentos de ofício do Imposto de renda/Pessoa Jurídica (IRPJ), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição para o PIS/Pasep, gerados pela mesma ação fiscal, os quais foram impugnados, pelo sujeito passivo, mas foram mantidos, na íntegra, pelo Acórdão DRJ/FNS na 6.842, de 31 de outubro de 2005, da Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, reproduzido nas fls. 652 a 664 (vol. 4).
O contribuinte impugnou tempestivamente a exigência, por seu procurador, com mandato na fl. 475 (vol. 3), em 25 de julho de 2005, por meio do arrazoado das fls. 437 a 470 (vol. 3), instruído com os documentos das fls. 471 a 483 (vol. 3) e das fls. 486 a 649 (vol. 4), bem como por seis volumes de anexos à impugnação, assim identificados: Anexos da Impugnação, vols. 1 a 6. A extensa defesa, que alega amiúde jurisprudência e doutrina, vem adiante sintetizada.
O impugnante principia, dizendo que se dedica à industrialização e à comercialização de máquinas e equipamentos de uso terapêutico e de fisioterapia, e que era optante pelo Simples, sendo que vinha operando no limite estipulado na legislação do referido sistema. Entretanto, informa que, em 26 de outubro de 2004, apresentou DIPJs, para retificar os dados antes informados, referentes aos anos-calendários de 2001 a 2003. Pelas mencionadas declarações, confessou, espontaneamente, a majoração nas bases de cálculo dos tributos devidos no citado período, sendo que a fiscalização, que sofreu, iniciou em 10 de dezembro de 2004, com a entrega do Termo de Início de Ação Fiscal.
Diz a defesa que a fiscalização concluiu, indevidamente, que o estabelecimento Corman Industrial Ltda., seria sucessor, de fato, do estabelecimento Corpore Fitness Comercial Ltda., e que ambos seriam geridos por André Luís Galle Dal Prá e Patrícia de Castro Scuro, pessoas físicas que teriam agido mediante a interposição de pessoas, para fins de enquadramento no Simples.
À vista das conclusões da fiscalização, relatadas no item precedente, o impugnante foi excluído do Simples, pelo Ato Declaratório Executivo ne 20, do qual teve ciência em 2 de maio de 2005, com efeito retroativo a 1° de janeiro de 2000, retroatividade que a defesa não aceita, por considerá-la ilegal, circunstância que seria suficiente para o cancelamento do auto de infração, na óptica do impugnante. Argumenta que a exclusão do Simples gera efeitos tão-somente a partir da ciência do respectivo ato declaratório, o que ocorreu em 2 de maio de 2005, sem efeito retroativo, sob pena de afronta ao ato jurídico perfeito e ao direito adquirido.
A par disso, a defesa postula a improcedência do Auto de Infração, arguindo a ilegalidade no arbitramento da base de cálculo do IPI, com base em extratos bancários. Diz o impugnante que não discute a desconsideração da contabilidade do estabelecimento, mas se insurge, quanto aos erros cometidos no lançamento de ofício, baseado apenas em extratos bancários, desacompanhados de quaisquer outros elementos, supondo a fiscalização que os créditos em conta-corrente provinham exclusivamente de saídas de produtos, sem emissão de notas fiscais, com o que não concorda.
6.5 Sob outra perspectiva, o impugnante sustenta o descabimento da autuação, pelo princípio da legalidade, argumentando que os produtos por ele fabricados não têm classificação própria na TIPI.
6.6 Alternativamente, caso o julgador entenda ser possível classificar os produtos fabricados pelo impugnante na TIPI, o enquadramento deve ocorrer no código 9019.10.00, relativo a aparelhos de mecanoterapia, aparelhos de massagem e aparelhos de psicotécnica, com a aplicação da alíquota de 8%, em detrimento da alíquota de 20%, utilizada pela fiscalização. O objeto social do estabelecimento, a propósito, prossegue a defesa, é o comércio varejista de produtos terapêuticos e de fisioterapia. Com respeito ao produto, de sua fabricação, "H-100 - Esteira elétrica Corpore", o impugnante juntou parecer, por ele encomendado, no sentido de que a classificação fiscal deve ser no código 9006.91.00 da TIPI.
Caso as teses da defesa não logrem êxito, o impugnante solicita a compensação dos créditos do IPI, relativos às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, empregados no processo produtivo, no período de 2001 a 2003, conforme planilha da fl. 473 (vol. 3) e Anexos da Impugnação, vols. 1 a 6.
Além da 'compensação referida no item precedente, a defesa requer a dedução, do valor do IPI lançado de ofício, dos valores pagos pelo impugnante, na sistemática do Simples, no período de 2001 a 2003, conforme comprovantes de recolhimento que acompanham a defesa, nas fls. 633 a 645 (vol. 4).
O impugnante ainda se insurge contra a multa de ofício, em razão de seu caráter confiscatório, pretendendo o seu cancelamento, ou, no mínimo, que seja reduzida, para o percentual de 75%, previsto no inciso I do art. 44 da Lei ns 9.430, de 1996, em razão da apresentação das DIPJs, antes do início do procedimento fiscal.
Por último, a defesa se opõe à incidência dos juros Selic e encerra pedindo o acolhimento das suas razões.
É o relatório.
O pleito foi deferido em parte, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/POA no 7.578, de 09/02/2006, (e-fls. 709 e ss) proferida pelos membros da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, cuja ementa dispõe, verbis:
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados -IPI
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2003
Ementa:DENÚNCIA ESPONTÂNEA.INEXISTÊNCIA.
A simples entrega, no curso de ação fiscal, de declarações retificadoras, desacompanhada do correspondente pagamento do tributo devido e respectivos acréscimos legais, não caracteriza denúncia espontânea.
EXCLUSÃO DO SIMPLES.
A exclusão do Simples surte efeitos a partir da constituição irregular da pessoa jurídica, mesmo que o ato declaratório executivo seja emitido em data posterior.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RECEITAS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. PRESUNÇÃO DE VENDAS NÃO REGISTRADAS.
Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais a pessoa jurídica titular, regularmente intimada, não tenha comprovado, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, os quais são considerados provenientes de vendas não registradas, sujeitos à incidência do IPI.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DOS PRODUTOS.
Artigos e equipamentos para ginástica, em especial, esteiras e bicicletas ergométricas, classificam-se no código 9506.91.00 das TIPIs, de 1996 e de 2001, relativo a artigos e equipamentos para cultura física, ginástica ou atletismo, sujeitos à alíquota de 20%.
INFRAÇÃO QUALIFICADA.MULTA MAJORADA DE 150%.
A saída de produtos tributados, sem emissão de nota fiscal ou com emissão de nota fiscal calçada, caracteriza sonegação e constitui infração qualificada, punível com multa majorada de 150%.
ALEGAÇÃO DE CRÉDITOS NA IMPUGNAÇÃO.
São considerados escriturados os créditos a que o contribuinte comprovadamente tiver direito e que forem alegados na impugnação.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE.
A autoridade administrativa não é competente para examinar alegações de inconstitucionalidade da multa majorada de 150% e dos juros Selic, cominados na legislação ordinária.
Lançamento Procedente em Parte
O julgamento foi no sentido de não se tomar conhecimento das preliminares de inconstitucionalidade da multa de 150% e dos juros de mora; e no mérito, foi considerado procedente em parte o lançamento formalizado no Auto de Infração, para, conforme Tabela 4, anexa ao voto, cancelar a exigência do IPI, no valor de R$ 107.999,25, e respectivos juros de mora e multa de 150%, restando mantida a exigência do referido imposto, no valor de R$ 1.285.616,53, acrescido de juros de mora e da multa de 150%.
Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória.
Solicita:
a) o cancelamento do auto de infração, face à ilegal retroatividade dos efeitos do ato declaratório de exclusão da recorrente do SIMPLES;
b) o cancelamento do auto de infração, tendo em vista a ilegalidade no arbitramento da base de cálculo do imposto, efetuado com base em extratos bancários da autuada;
c) o cancelamento do auto de infração, com fundamento no principio da legalidade, em razão de que os produtos fabricados pela autuada não têm classificação junto à TIPI;
d) caso não seja atendido o pedido anterior, sejam os produtos produzidos pela autuada classificados na sub-posição 9019.10.00 - Aparelhos de mecanoterapia; aparelhos de massagem; aparelhos de psicotécnica, com a aplicação da alíquota correspondente;
e) seja reduzida a multa de oficio, em razão de seu caráter confiscatório;
f) caso não atendido o pedido anterior, seja reduzida a multa de oficio aplicada à autuada para o percentual de 75% previsto no inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/96, em razão da apresentação das DlPJs da autuada antes do início do procedimento fiscal; e g) que seja afastada a aplicação da taxa de juros Selic sobre o crédito tributário
Foi convertido o julgamento em diligência, através (da primeira) Resolução de n° 204-00-329, de 05/12/2006, às e-fls. 837-846 para juntar aos autos a cópia da decisão administrativa final proferida no Processo Administrativo n° 1l5l 6.000779/2005-92, tendo em vista que este processo é decorrente da autuação do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ, e que seria necessário analisar os fundamentos do voto do relator que levaram ao desfecho do processo principal, o que foi realizado.
Posteriormente, o processo foi também, convertido em diligência, através da Resolução de n° 204-00.501, de 20/11/2007 (e-fl. 872 e ss), tendo em vista que parte remanescente da autuação depende do resultado relativo à classificação fiscal, declinou-se competência em favor do 3° Conselho de Contribuintes (à época) para que decidisse acerca da classificação fiscal da controvertida mercadoria.
O processo digitalizado foi redistribuído e encaminhado a esta Conselheira, de forma regimental.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM- Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausências justificadas de Charles Mayer de Castro Souza e Ana Clarissa Masuko dos Santos. RELATÓRIO O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: O estabelecimento acima qualificado foi autuado pela fiscalização do IPI, pela falta de lançamento desse imposto, nas saídas de produtos por ele fabricados, sem emissão de notas fiscais, ou com emissão de notas fiscais "calçadas", conforme Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal (TVEAF), das fls. 353 a 386 (vol. 2), a seguir resumido. A fiscalização apurou que o estabelecimento fabrica artigos equipamentos para ginástica, em especial, esteiras e bicicletas ergométricas, produtos classificados no código 9506.91.00 da Tabela de Incidência do IPI, aprovada pelo Decreto n° 2.092, de 10 de dezembro de 1996 (TIPI, de 1996), e da Tabela de Incidência do IPI, aprovada pelo Decreto n2 3.777, de 23 de março de 2001 (TIPI, de 2001), sujeitos à alíquota de 20%. O estabelecimento em questão era optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), mas foi excluído, de ofício, do referido sistema, com efeitos a partir de le de janeiro de 2000, por meio do Ato Declaratório Executivo (ADE) nc 20, de 11 de abril de 2005, do Delegado da Receita Federal em Florianópolis/SC, reproduzido na fl. 220 (vol. 2), por ter sido enquadrado nas infrações descritas nos incisos IV e V do art. 14 da Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996 (respectivamente: constituição de pessoa jurídica, por interpostas pessoas, que não sejam os verdadeiros sócios; e prática reiterada de infração à legislação tributária), infrações que foram verificadas, no caso concreto, conforme relatado adiante, em especial, no item 1.7. No tocante às saídas sem emissão de notas fiscais, a fiscalização apurou a irregularidade, com base na constatação de depósitos, sem origem comprovada, em contas-correntes bancárias do estabelecimento fiscalizado, nos exercícios de 2001 a 2003, valores que foram considerados provenientes de vendas não registradas. No caso, a movimentação financeira do estabelecimento se deu no Banco do Brasil S/A e no Unibanco -União de Bancos Brasileiros S/A, conforme extratos reproduzidos nos Anexos IV, V-a e V-b deste processo, extratos obtidos em resposta às competentes Requisições de Movimentação Financeira (RMFs). Com respeito a essa infração, as bases de cálculo do IPI foram levantadas a partir dos créditos em conta-corrente, verificados nos extratos bancários, tendo sido considerada, em especial, a conciliação bancária, entre as contas-correntes do estabelecimento. Além disso, dos créditos em contas-correntes, foram excluídos os valores referentes às notas fiscais "calçadas", emitidas pelo estabelecimento, infração que foi tratada à parte, conforme será relatado na seqüência. Quanto à falta de lançamento do IPI, pela emissão de notas fiscais "calçadas", a irregularidade foi apurada, com base na circularização dos clientes do estabelecimento fiscalizado, segundo cópias dessas notas, nos Anexos III-a e III-b deste processo. Nas fls. 2 a 13 do Anexo III-a, foram relacionadas duzentas e setenta e três notas fiscais de saída, com a irregularidade em questão, tendo sido mencionados os seguintes dados, das notas fiscais: número; valor exibido na via existente no talonário do estabelecimento fiscalizado; valor constante da via em poder do cliente, sendo este último superior ao valor exibido na via do estabelecimento emitente, o que caracteriza a prática delituosa de emissão de nota fiscal "calçada", que objetiva o lançamento, a menor, do IPI devido. Parte das notas fiscais "calçadas" também apresentavam a irregularidade de terem sido emitidas em nome de estabelecimentos que a fiscalização apurou jamais terem adquirido produtos do emitente das notas, conforr"". comprovado pelas declarações das fls. 238 a 243 do Anexo II. Ainda quanto à infração em comento, os Auditores-Fiscais ressacam que não lograram êxito, na obtenção de todas as notas fiscais, em poder de terceiros, emitidas pelo estabelecimento fiscalizado, em razão da ausência de informações sobre os efetivos clientes da empresa. A par disso, também afirmam os autuantes que as operações comerciais espelhadas nos documentos fiscais coletados expressam montante muito aquém do apurado nos extratos bancários do estabelecimento Corpore Fitness Comercial Ltda. Na seqüência, cumpre relatar que o estabelecimento foi intimado, pelo termo da fl. 221 (vol. 2), a escriturar o livro Registro de Apuração do IPI, relativo aos períodos de apuração de 2001, 2002 e 2003, em especial, para apuração dos eventuais créditos do IPI a que fizesse jus, tendo respondido, segundo consta na fl. 316 (vol. 2), que se reservava o direito de apresentar a documentação respectiva, nas instâncias posteriores da Secretaria da Receita Federal (SRF). O lançamento de ofício, em que culminou a ação fiscal, não considerou as Declarações de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJs) retificadoras, relativas a 2001, 2002 e 2003, apresentadas pelo interessado, em 26 de outubro de 2004, reproduzidas, respectivamente, nas fls. 41, 42 e 43 (vol. 1), por terem sido entregues já no curso da fiscalização e, portanto, quando já estava excluída a espontaneidade do estabelecimento. 1.7 Além do que já foi referido, também foi constatado que o Sr. André Luís Galle Dal Pra, inscrito no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) sob na 004.188.06926, embora não figure como sócio do estabelecimento fiscalizado, é o responsável pela sua gerência, ou seja, é quem, de fato, administra a sociedade, mas utilizando interpostas pessoas, para a prática dos atos comerciais e financeiros da pessoa jurídica, interpostas pessoas que outorgaram procurações, com plenos poderes, ao referido Sr. André, conforme documentação que integra o Anexo I deste processo, bem como explicações que seguem. Cabe relatar que as atividades do estabelecimento fiscalizado iniciaram em 12 de julho de 1999, encerrando-se em 2004, ano em que foram transferidas, do município de São José/SC, para o município de Biguaçú/SC, sob a denominação Corman Industrial Ltda., inscrito no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), sob o ne 06.167.202/0001-09, localizado na Rua Gumercindo Pereira, 128-B, Rio Biguaçu, no citado município. No período examinado, figuram, como sócias, no contrato social do estabelecimento Corpore Fitness Comercial Ltda., e respectivas alterações, nas fls. 16 a 27 (vol. 1), Carmem de Fátima Rosa, CPF ne 650.868.809-04, e Maria Lúcia Bueno, CPF nB 579.074.049-91, com respeito às quais a fiscalização apurou serem pessoas humildes (faxineira do Sr. André Luís Galle Dal Pra e lavadeira, respectivamente), residentes em habitações extremamente modestas, conforme fotografias, nas fls. 191 e 192 do Anexo I. O estabelecimento Corman Industrial Ltda. foi constituído em 2 de fevereiro de 2004, pelos sócios Domingos Francisco de Sousa, CPF na 043.834.77658, residente em Curitiba/PR, e Mary Guerini, CPF na 785.417.519-53, residente em São José/SC, segundo consta nas fls. 102 e 103 (vol. 1), sócios que a fiscalização apurou também serem pessc is humildes (pedreiro e faxineira do Sr. André Luís Galle Dal Pra, respectivamente). Por ocasião da análise dos documentos apreendidos, no mês de dezembro de 2004, no e; "ritório do contador do estabelecimento fiscalizado, os Auditores-Fiscais enco» ram um contrato social de BDA Empresarial Ltda., não levado a registro na Junta Comercial do Estado de Santa Catarina, assinado pelo já citado Sr. Domingos Francisco de Sousa e pelo Sr. André Luis Galle Dal Pra. Em tópico específico do TVEAF [item 4, fls 378 e 379 (vol. 2)], os Auditores-Fiscais concluem que a responsabilidade tributária e penal, pelos ilícitos apurados, devem ser imputadas ao Sr. André Luis Galle Dal Pra e também à Sr5 Patrícia de Castro Scuro, CPF n2 005.713.339-58, pessoa que a fiscalização apurou também ter poderes para movimentar as contas bancárias, como será explicado, adiante. Além da declaração prestada pelo Sr. André Luis Galle dal Pra [fl. 137 (vol. 1)], na repartição fiscal, com a presença de dois advogados, segundo a qual seria ele o responsável pelas empresas "Corpore" e "Corman", os documentos bancários comprovam sua responsabilidade, nos atos de gestão dessas empresas. Nos cartões de autógrafos, nas procurações e nas fichas cadastrais das duas empresas, figuram como responsáveis o Sr. André Luis Galle Dal Pra e a Srª Patrícia Castro Scuro (fls. 89/91 e 97/103 do Anexo I). Em 18 de fevereiro de 2005, diligenciando na empresa "Corman", a fiscalização encontrou estoque de esteiras no seu interior, conforme fotos das fls. 186 a 190 do Anexo I, além de máquinas e equipamentos utilizados no processo de fabricação. No local, os Auditores-Fiscais foram atendidos pelo Sr. Eli Feldman, Registro Geral ne 8/R 962.989, responsável pela assistência técnica das esteiras e bicicletas, o qual declarou ter sido contratado, no mês de julho de 2004, pela Sr9 Patrícia de Castro Scuro e pelo Sr. André Luis Galle Dal Pra. Por ocasião da diligência na empresa "Corman", foram apreendidos diversos documentos, dentre os quais destacam-se ordens de serviço para conserto de máquinas "Corpore" e correspondências para o Sr. André, em nome de "Corpore/Corman", além de emails, o que levou a fiscalização a concluir que as empresas "Corpore" e "Corman" eram, na realidade, a mesma empresa, conforme documentos das fls. 3 a 111 do Anexo 2 deste processo. Outro fato relevante, que reforçou a convicção dos Auditores-Fiscais, de identidade das empresas, é o de que diversos documentos fiscais tinham como destinatária a empresa "Corpore", e o endereço de entrega era o da empresa "Corman", segundo consta nas fls. 106 a 110 do Anexo 2. 1.7.7 No tocante à aquisição de mercadorias, pelo estabelecimento fiscalizado, procedeu-se à circularização dos seus fornecedores, identificados no livro Registro de Entradas, constatando-se que diversos documentos fiscais deixaram de ser registrados, caracterizando omissão de compras, motivo pelo qual foi declarada, pela fiscalização, a imprestabilidade do referido livro e da correspondente escrituração. A título exemplificativo dessa ocorrência, são relacionadas no TVEAF, na fl. 374 (vol. 2), diversas notas fiscais de entrada, emitidas pelo fornecedor Kohlbach Motores Ltda., CNPJ na 00.249.247/0001-46 (Anexo II - fls. 126 a 135). Relatam, ainda, os autuantes que, dentre as notas fiscais de entrada apreendidas, por ocasião da diligência no escritório do contador do interessado, em 6 de dezembro de 2004, há várias que têm como destinatários dos produtos os estabelecimentos Sportcia Comercial Ltda., CNPJ na 03.433.129/0001-03, com sede em Florianópolis/SC, e Corpore Fitness Comércio Ltda., CNPJ n° 05.958.910/0001-03, com sede em Goiânia/GO, ambos inativos aos cadastros da SRF, e também vinculados ao Sr. André Luis Galle Dal Pra. Os autuantes observam que a empresa Sportcia não foi localizada no endereço cadastrado na SRF, que seria mais uma comprovação de que o contribuinte utiliza empresas de fachada, para realização de compras, de forma a ludibriar a fiscalização. As notas fiscais de aquisição, reproduzidas nas fls. 106 a 110 do Anexo II, embora emitidas em nome do estabelecimento fiscalizado, exibem o endereço do estabelecimento Corman Industrial Ltda., CNPJ nQ 06.167.202/0001-09. Da análise dos documentos apreendidos em poder do Contador do estabelecimento Corpore Fitness Comercial Ltda., os Auditores-Fiscais verificaram a escrituração, no livro Registro de Entradas, de notas fiscais de entrada destinadas à empresa Corpore Com. Prod. Terapêuticos Ltda., CNPJ na 02.860.749/0001-34, embora o endereço de entrega fosse o do estabelecimento fiscalizado (Anexo II, fls. 113 a 123). O estabelecimento Corpore Com. Prod. Terapêuticos Ltda. apresentou DIPJ na condição de inativo, nos anos-calendário de 1998 e 2001 e se encontra com registro de empresa "omissa não localizada", perante a SRF. 2.À vista das irregularidades acima, foi lavrado o Auto de Infração, das fls. 389 a 400 (vol. 3), e anexos, para formalizar a exigência do IPI, no valor de R$ 1.393.615,74,acrescido dos juros de mora e da multa majorada de 150% desse imposto, por infração qualificada, perfazendo, na data da autuação, a importância de R$ 4.138.644,42, com ciência do autuado em 29 de junho de 2005, segundo consta no Aviso de Recebimento (AR), reproduzido na fl. 436 (vol. 3). As infrações foram enquadradas nos seguintes dispositivos: a)nos casos de saídas de produtos, sem nota fiscal: arts. 23, II e III, 24,II,32,11, 109, 110,1, "b",e II, V, 114, 117, 118,11, 182 e parágrafo único, 183, IV, e 185, III,do Decreto na 2.637, de 25 de junho de 1998, Regulamento do IPI (RIPI), de 1998; arts. 24, II e III,25, II, 34, II, 122, 123,1, "b", e II, "c", 127, 130, 131, II, 199 e parágrafo único, 200, IV,202, III, do Decreto n° 4.544, de 27 de dezembro de 2002 (RIPI, de 2002); e b)nos casos de saídas de produtos, com nota fiscal "calçada": arts. 23, IIe III, 32, II, 109, 110,1, "b", e II, "c", 114, 117, 118,1 e II e §§ Ia a 42, 119, 120, 122, 182 eparágrafo único, 183, IV, e 185, III, do RIPI, de 1998; arts. 24, II e III, 34, II, 122, 123,1, "b",e II, "c", 127, 130, 131,1 e II e §§ Ia a 4a, 132, 133, 135, 199 e parágrafo único, 200, IV, 202,III, do RIPI, de 2002. 4.Esse enquadramento sujeitou o interessado à multa de ofício de 150%,por infração qualificada, de acordo com o art. 80, II, da Lei na 4.502, de 30 de novembro de1964, com a redação dada pelo art. 45 da Lei ne 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e a juros demora, previstos no art. 61, § 3a, da Lei ne 9.430, de 1996. Segundo consta na capa do vol. 1 deste processo, foi elaborada representação fiscal para fins penais, objeto do Processo nQ 11516.001271/2005-10, o qual está apensado ao Processo n2 11516.000779/2005-92, relativo aos lançamentos de ofício do Imposto de renda/Pessoa Jurídica (IRPJ), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição para o PIS/Pasep, gerados pela mesma ação fiscal, os quais foram impugnados, pelo sujeito passivo, mas foram mantidos, na íntegra, pelo Acórdão DRJ/FNS na 6.842, de 31 de outubro de 2005, da Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, reproduzido nas fls. 652 a 664 (vol. 4). O contribuinte impugnou tempestivamente a exigência, por seu procurador, com mandato na fl. 475 (vol. 3), em 25 de julho de 2005, por meio do arrazoado das fls. 437 a 470 (vol. 3), instruído com os documentos das fls. 471 a 483 (vol. 3) e das fls. 486 a 649 (vol. 4), bem como por seis volumes de anexos à impugnação, assim identificados: Anexos da Impugnação, vols. 1 a 6. A extensa defesa, que alega amiúde jurisprudência e doutrina, vem adiante sintetizada. O impugnante principia, dizendo que se dedica à industrialização e à comercialização de máquinas e equipamentos de uso terapêutico e de fisioterapia, e que era optante pelo Simples, sendo que vinha operando no limite estipulado na legislação do referido sistema. Entretanto, informa que, em 26 de outubro de 2004, apresentou DIPJs, para retificar os dados antes informados, referentes aos anos-calendários de 2001 a 2003. Pelas mencionadas declarações, confessou, espontaneamente, a majoração nas bases de cálculo dos tributos devidos no citado período, sendo que a fiscalização, que sofreu, iniciou em 10 de dezembro de 2004, com a entrega do Termo de Início de Ação Fiscal. Diz a defesa que a fiscalização concluiu, indevidamente, que o estabelecimento Corman Industrial Ltda., seria sucessor, de fato, do estabelecimento Corpore Fitness Comercial Ltda., e que ambos seriam geridos por André Luís Galle Dal Prá e Patrícia de Castro Scuro, pessoas físicas que teriam agido mediante a interposição de pessoas, para fins de enquadramento no Simples. À vista das conclusões da fiscalização, relatadas no item precedente, o impugnante foi excluído do Simples, pelo Ato Declaratório Executivo ne 20, do qual teve ciência em 2 de maio de 2005, com efeito retroativo a 1° de janeiro de 2000, retroatividade que a defesa não aceita, por considerá-la ilegal, circunstância que seria suficiente para o cancelamento do auto de infração, na óptica do impugnante. Argumenta que a exclusão do Simples gera efeitos tão-somente a partir da ciência do respectivo ato declaratório, o que ocorreu em 2 de maio de 2005, sem efeito retroativo, sob pena de afronta ao ato jurídico perfeito e ao direito adquirido. A par disso, a defesa postula a improcedência do Auto de Infração, arguindo a ilegalidade no arbitramento da base de cálculo do IPI, com base em extratos bancários. Diz o impugnante que não discute a desconsideração da contabilidade do estabelecimento, mas se insurge, quanto aos erros cometidos no lançamento de ofício, baseado apenas em extratos bancários, desacompanhados de quaisquer outros elementos, supondo a fiscalização que os créditos em conta-corrente provinham exclusivamente de saídas de produtos, sem emissão de notas fiscais, com o que não concorda. 6.5 Sob outra perspectiva, o impugnante sustenta o descabimento da autuação, pelo princípio da legalidade, argumentando que os produtos por ele fabricados não têm classificação própria na TIPI. 6.6 Alternativamente, caso o julgador entenda ser possível classificar os produtos fabricados pelo impugnante na TIPI, o enquadramento deve ocorrer no código 9019.10.00, relativo a aparelhos de mecanoterapia, aparelhos de massagem e aparelhos de psicotécnica, com a aplicação da alíquota de 8%, em detrimento da alíquota de 20%, utilizada pela fiscalização. O objeto social do estabelecimento, a propósito, prossegue a defesa, é o comércio varejista de produtos terapêuticos e de fisioterapia. Com respeito ao produto, de sua fabricação, "H-100 - Esteira elétrica Corpore", o impugnante juntou parecer, por ele encomendado, no sentido de que a classificação fiscal deve ser no código 9006.91.00 da TIPI. Caso as teses da defesa não logrem êxito, o impugnante solicita a compensação dos créditos do IPI, relativos às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, empregados no processo produtivo, no período de 2001 a 2003, conforme planilha da fl. 473 (vol. 3) e Anexos da Impugnação, vols. 1 a 6. Além da 'compensação referida no item precedente, a defesa requer a dedução, do valor do IPI lançado de ofício, dos valores pagos pelo impugnante, na sistemática do Simples, no período de 2001 a 2003, conforme comprovantes de recolhimento que acompanham a defesa, nas fls. 633 a 645 (vol. 4). O impugnante ainda se insurge contra a multa de ofício, em razão de seu caráter confiscatório, pretendendo o seu cancelamento, ou, no mínimo, que seja reduzida, para o percentual de 75%, previsto no inciso I do art. 44 da Lei ns 9.430, de 1996, em razão da apresentação das DIPJs, antes do início do procedimento fiscal. Por último, a defesa se opõe à incidência dos juros Selic e encerra pedindo o acolhimento das suas razões. É o relatório. O pleito foi deferido em parte, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/POA no 7.578, de 09/02/2006, (e-fls. 709 e ss) proferida pelos membros da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados -IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2003 Ementa:DENÚNCIA ESPONTÂNEA.INEXISTÊNCIA. A simples entrega, no curso de ação fiscal, de declarações retificadoras, desacompanhada do correspondente pagamento do tributo devido e respectivos acréscimos legais, não caracteriza denúncia espontânea. EXCLUSÃO DO SIMPLES. A exclusão do Simples surte efeitos a partir da constituição irregular da pessoa jurídica, mesmo que o ato declaratório executivo seja emitido em data posterior. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RECEITAS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. PRESUNÇÃO DE VENDAS NÃO REGISTRADAS. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais a pessoa jurídica titular, regularmente intimada, não tenha comprovado, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, os quais são considerados provenientes de vendas não registradas, sujeitos à incidência do IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DOS PRODUTOS. Artigos e equipamentos para ginástica, em especial, esteiras e bicicletas ergométricas, classificam-se no código 9506.91.00 das TIPIs, de 1996 e de 2001, relativo a artigos e equipamentos para cultura física, ginástica ou atletismo, sujeitos à alíquota de 20%. INFRAÇÃO QUALIFICADA.MULTA MAJORADA DE 150%. A saída de produtos tributados, sem emissão de nota fiscal ou com emissão de nota fiscal calçada, caracteriza sonegação e constitui infração qualificada, punível com multa majorada de 150%. ALEGAÇÃO DE CRÉDITOS NA IMPUGNAÇÃO. São considerados escriturados os créditos a que o contribuinte comprovadamente tiver direito e que forem alegados na impugnação. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa não é competente para examinar alegações de inconstitucionalidade da multa majorada de 150% e dos juros Selic, cominados na legislação ordinária. Lançamento Procedente em Parte O julgamento foi no sentido de não se tomar conhecimento das preliminares de inconstitucionalidade da multa de 150% e dos juros de mora; e no mérito, foi considerado procedente em parte o lançamento formalizado no Auto de Infração, para, conforme Tabela 4, anexa ao voto, cancelar a exigência do IPI, no valor de R$ 107.999,25, e respectivos juros de mora e multa de 150%, restando mantida a exigência do referido imposto, no valor de R$ 1.285.616,53, acrescido de juros de mora e da multa de 150%. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Solicita: a) o cancelamento do auto de infração, face à ilegal retroatividade dos efeitos do ato declaratório de exclusão da recorrente do SIMPLES; b) o cancelamento do auto de infração, tendo em vista a ilegalidade no arbitramento da base de cálculo do imposto, efetuado com base em extratos bancários da autuada; c) o cancelamento do auto de infração, com fundamento no principio da legalidade, em razão de que os produtos fabricados pela autuada não têm classificação junto à TIPI; d) caso não seja atendido o pedido anterior, sejam os produtos produzidos pela autuada classificados na sub-posição 9019.10.00 - Aparelhos de mecanoterapia; aparelhos de massagem; aparelhos de psicotécnica, com a aplicação da alíquota correspondente; e) seja reduzida a multa de oficio, em razão de seu caráter confiscatório; f) caso não atendido o pedido anterior, seja reduzida a multa de oficio aplicada à autuada para o percentual de 75% previsto no inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/96, em razão da apresentação das DlPJs da autuada antes do início do procedimento fiscal; e g) que seja afastada a aplicação da taxa de juros Selic sobre o crédito tributário Foi convertido o julgamento em diligência, através (da primeira) Resolução de n° 204-00-329, de 05/12/2006, às e-fls. 837-846 para juntar aos autos a cópia da decisão administrativa final proferida no Processo Administrativo n° 1l5l 6.000779/2005-92, tendo em vista que este processo é decorrente da autuação do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ, e que seria necessário analisar os fundamentos do voto do relator que levaram ao desfecho do processo principal, o que foi realizado. Posteriormente, o processo foi também, convertido em diligência, através da Resolução de n° 204-00.501, de 20/11/2007 (e-fl. 872 e ss), tendo em vista que parte remanescente da autuação depende do resultado relativo à classificação fiscal, declinou-se competência em favor do 3° Conselho de Contribuintes (à época) para que decidisse acerca da classificação fiscal da controvertida mercadoria. O processo digitalizado foi redistribuído e encaminhado a esta Conselheira, de forma regimental.
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ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausências justificadas de Charles Mayer de Castro Souza e Ana Clarissa Masuko dos Santos. RELATÓRIO O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .0 01 33 6/ 20 05 -1 9 Fl. 4147DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA Processo nº 11516.001336/200519 Resolução nº 3201000.705 S3C2T1 Fl. 4.148 2 O estabelecimento acima qualificado foi autuado pela fiscalização do IPI, pela falta de lançamento desse imposto, nas saídas de produtos por ele fabricados, sem emissão de notas fiscais, ou com emissão de notas fiscais "calçadas", conforme Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal (TVEAF), das fls. 353 a 386 (vol. 2), a seguir resumido. A fiscalização apurou que o estabelecimento fabrica artigos equipamentos para ginástica, em especial, esteiras e bicicletas ergométricas, produtos classificados no código 9506.91.00 da Tabela de Incidência do IPI, aprovada pelo Decreto n° 2.092, de 10 de dezembro de 1996 (TIPI, de 1996), e da Tabela de Incidência do IPI, aprovada pelo Decreto n2 3.777, de 23 de março de 2001 (TIPI, de 2001), sujeitos à alíquota de 20%. O estabelecimento em questão era optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), mas foi excluído, de ofício, do referido sistema, com efeitos a partir de le de janeiro de 2000, por meio do Ato Declaratório Executivo (ADE) nc 20, de 11 de abril de 2005, do Delegado da Receita Federal em Florianópolis/SC, reproduzido na fl. 220 (vol. 2), por ter sido enquadrado nas infrações descritas nos incisos IV e V do art. 14 da Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996 (respectivamente: constituição de pessoa jurídica, por interpostas pessoas, que não sejam os verdadeiros sócios; e prática reiterada de infração à legislação tributária), infrações que foram verificadas, no caso concreto, conforme relatado adiante, em especial, no item 1.7. No tocante às saídas sem emissão de notas fiscais, a fiscalização apurou a irregularidade, com base na constatação de depósitos, sem origem comprovada, em contascorrentes bancárias do estabelecimento fiscalizado, nos exercícios de 2001 a 2003, valores que foram considerados provenientes de vendas não registradas. No caso, a movimentação financeira do estabelecimento se deu no Banco do Brasil S/A e no Unibanco União de Bancos Brasileiros S/A, conforme extratos reproduzidos nos Anexos IV, Va e Vb deste processo, extratos obtidos em resposta às competentes Requisições de Movimentação Financeira (RMFs). Com respeito a essa infração, as bases de cálculo do IPI foram levantadas a partir dos créditos em contacorrente, verificados nos extratos bancários, tendo sido considerada, em especial, a conciliação bancária, entre as contascorrentes do estabelecimento. Além disso, dos créditos em contascorrentes, foram excluídos os valores referentes às notas fiscais "calçadas", emitidas pelo estabelecimento, infração que foi tratada à parte, conforme será relatado na seqüência. Quanto à falta de lançamento do IPI, pela emissão de notas fiscais "calçadas", a irregularidade foi apurada, com base na circularização dos clientes do estabelecimento fiscalizado, segundo cópias dessas notas, nos Anexos IIIa e IIIb deste processo. Nas fls. 2 a 13 do Anexo IIIa, foram relacionadas duzentas e setenta e três notas fiscais de saída, com a irregularidade em questão, tendo sido mencionados os seguintes dados, das notas fiscais: número; valor exibido na via existente no talonário do Fl. 4148DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA Processo nº 11516.001336/200519 Resolução nº 3201000.705 S3C2T1 Fl. 4.149 3 estabelecimento fiscalizado; valor constante da via em poder do cliente, sendo este último superior ao valor exibido na via do estabelecimento emitente, o que caracteriza a prática delituosa de emissão de nota fiscal "calçada", que objetiva o lançamento, a menor, do IPI devido. Parte das notas fiscais "calçadas" também apresentavam a irregularidade de terem sido emitidas em nome de estabelecimentos que a fiscalização apurou jamais terem adquirido produtos do emitente das notas, conforr"". comprovado pelas declarações das fls. 238 a 243 do Anexo II. Ainda quanto à infração em comento, os AuditoresFiscais ressacam que não lograram êxito, na obtenção de todas as notas fiscais, em poder de terceiros, emitidas pelo estabelecimento fiscalizado, em razão da ausência de informações sobre os efetivos clientes da empresa. A par disso, também afirmam os autuantes que as operações comerciais espelhadas nos documentos fiscais coletados expressam montante muito aquém do apurado nos extratos bancários do estabelecimento Corpore Fitness Comercial Ltda. Na seqüência, cumpre relatar que o estabelecimento foi intimado, pelo termo da fl. 221 (vol. 2), a escriturar o livro Registro de Apuração do IPI, relativo aos períodos de apuração de 2001, 2002 e 2003, em especial, para apuração dos eventuais créditos do IPI a que fizesse jus, tendo respondido, segundo consta na fl. 316 (vol. 2), que se reservava o direito de apresentar a documentação respectiva, nas instâncias posteriores da Secretaria da Receita Federal (SRF). O lançamento de ofício, em que culminou a ação fiscal, não considerou as Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJs) retificadoras, relativas a 2001, 2002 e 2003, apresentadas pelo interessado, em 26 de outubro de 2004, reproduzidas, respectivamente, nas fls. 41, 42 e 43 (vol. 1), por terem sido entregues já no curso da fiscalização e, portanto, quando já estava excluída a espontaneidade do estabelecimento. 1.7 Além do que já foi referido, também foi constatado que o Sr. André Luís Galle Dal Pra, inscrito no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) sob na 004.188.06926, embora não figure como sócio do estabelecimento fiscalizado, é o responsável pela sua gerência, ou seja, é quem, de fato, administra a sociedade, mas utilizando interpostas pessoas, para a prática dos atos comerciais e financeiros da pessoa jurídica, interpostas pessoas que outorgaram procurações, com plenos poderes, ao referido Sr. André, conforme documentação que integra o Anexo I deste processo, bem como explicações que seguem. Cabe relatar que as atividades do estabelecimento fiscalizado iniciaram em 12 de julho de 1999, encerrandose em 2004, ano em que foram transferidas, do município de São José/SC, para o município de Biguaçú/SC, sob a denominação Corman Industrial Ltda., inscrito no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), sob o ne 06.167.202/000109, localizado na Rua Gumercindo Pereira, 128B, Rio Biguaçu, no citado município. Fl. 4149DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA Processo nº 11516.001336/200519 Resolução nº 3201000.705 S3C2T1 Fl. 4.150 4 No período examinado, figuram, como sócias, no contrato social do estabelecimento Corpore Fitness Comercial Ltda., e respectivas alterações, nas fls. 16 a 27 (vol. 1), Carmem de Fátima Rosa, CPF ne 650.868.80904, e Maria Lúcia Bueno, CPF nB 579.074.04991, com respeito às quais a fiscalização apurou serem pessoas humildes (faxineira do Sr. André Luís Galle Dal Pra e lavadeira, respectivamente), residentes em habitações extremamente modestas, conforme fotografias, nas fls. 191 e 192 do Anexo I. O estabelecimento Corman Industrial Ltda. foi constituído em 2 de fevereiro de 2004, pelos sócios Domingos Francisco de Sousa, CPF na 043.834.77658, residente em Curitiba/PR, e Mary Guerini, CPF na 785.417.51953, residente em São José/SC, segundo consta nas fls. 102 e 103 (vol. 1), sócios que a fiscalização apurou também serem pessc is humildes (pedreiro e faxineira do Sr. André Luís Galle Dal Pra, respectivamente). Por ocasião da análise dos documentos apreendidos, no mês de dezembro de 2004, no e; "ritório do contador do estabelecimento fiscalizado, os AuditoresFiscais enco» ram um contrato social de BDA Empresarial Ltda., não levado a registro na Junta Comercial do Estado de Santa Catarina, assinado pelo já citado Sr. Domingos Francisco de Sousa e pelo Sr. André Luis Galle Dal Pra. Em tópico específico do TVEAF [item 4, fls 378 e 379 (vol. 2)], os Auditores Fiscais concluem que a responsabilidade tributária e penal, pelos ilícitos apurados, devem ser imputadas ao Sr. André Luis Galle Dal Pra e também à Sr5 Patrícia de Castro Scuro, CPF n2 005.713.33958, pessoa que a fiscalização apurou também ter poderes para movimentar as contas bancárias, como será explicado, adiante. Além da declaração prestada pelo Sr. André Luis Galle dal Pra [fl. 137 (vol. 1)], na repartição fiscal, com a presença de dois advogados, segundo a qual seria ele o responsável pelas empresas "Corpore" e "Corman", os documentos bancários comprovam sua responsabilidade, nos atos de gestão dessas empresas. Nos cartões de autógrafos, nas procurações e nas fichas cadastrais das duas empresas, figuram como responsáveis o Sr. André Luis Galle Dal Pra e a Srª Patrícia Castro Scuro (fls. 89/91 e 97/103 do Anexo I). Em 18 de fevereiro de 2005, diligenciando na empresa "Corman", a fiscalização encontrou estoque de esteiras no seu interior, conforme fotos das fls. 186 a 190 do Anexo I, além de máquinas e equipamentos utilizados no processo de fabricação. No local, os AuditoresFiscais foram atendidos pelo Sr. Eli Feldman, Registro Geral ne 8/R 962.989, responsável pela assistência técnica das esteiras e bicicletas, o qual declarou ter sido contratado, no mês de julho de 2004, pela Sr9 Patrícia de Castro Scuro e pelo Sr. André Luis Galle Dal Pra. Por ocasião da diligência na empresa "Corman", foram apreendidos diversos documentos, dentre os quais destacamse ordens de serviço para conserto de máquinas "Corpore" e correspondências para o Sr. André, em nome de "Corpore/Corman", além de emails, o que levou a fiscalização a concluir que as empresas "Corpore" e "Corman" eram, na realidade, a mesma empresa, conforme documentos das fls. 3 a 111 do Anexo 2 deste processo. Outro fato relevante, que reforçou a Fl. 4150DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA Processo nº 11516.001336/200519 Resolução nº 3201000.705 S3C2T1 Fl. 4.151 5 convicção dos AuditoresFiscais, de identidade das empresas, é o de que diversos documentos fiscais tinham como destinatária a empresa "Corpore", e o endereço de entrega era o da empresa "Corman", segundo consta nas fls. 106 a 110 do Anexo 2. 1.7.7 No tocante à aquisição de mercadorias, pelo estabelecimento fiscalizado, procedeuse à circularização dos seus fornecedores, identificados no livro Registro de Entradas, constatandose que diversos documentos fiscais deixaram de ser registrados, caracterizando omissão de compras, motivo pelo qual foi declarada, pela fiscalização, a imprestabilidade do referido livro e da correspondente escrituração. A título exemplificativo dessa ocorrência, são relacionadas no TVEAF, na fl. 374 (vol. 2), diversas notas fiscais de entrada, emitidas pelo fornecedor Kohlbach Motores Ltda., CNPJ na 00.249.247/000146 (Anexo II fls. 126 a 135). Relatam, ainda, os autuantes que, dentre as notas fiscais de entrada apreendidas, por ocasião da diligência no escritório do contador do interessado, em 6 de dezembro de 2004, há várias que têm como destinatários dos produtos os estabelecimentos Sportcia Comercial Ltda., CNPJ na 03.433.129/000103, com sede em Florianópolis/SC, e Corpore Fitness Comércio Ltda., CNPJ n° 05.958.910/000103, com sede em Goiânia/GO, ambos inativos aos cadastros da SRF, e também vinculados ao Sr. André Luis Galle Dal Pra. Os autuantes observam que a empresa Sportcia não foi localizada no endereço cadastrado na SRF, que seria mais uma comprovação de que o contribuinte utiliza empresas de fachada, para realização de compras, de forma a ludibriar a fiscalização. As notas fiscais de aquisição, reproduzidas nas fls. 106 a 110 do Anexo II, embora emitidas em nome do estabelecimento fiscalizado, exibem o endereço do estabelecimento Corman Industrial Ltda., CNPJ nQ 06.167.202/000109. Da análise dos documentos apreendidos em poder do Contador do estabelecimento Corpore Fitness Comercial Ltda., os AuditoresFiscais verificaram a escrituração, no livro Registro de Entradas, de notas fiscais de entrada destinadas à empresa Corpore Com. Prod. Terapêuticos Ltda., CNPJ na 02.860.749/000134, embora o endereço de entrega fosse o do estabelecimento fiscalizado (Anexo II, fls. 113 a 123). O estabelecimento Corpore Com. Prod. Terapêuticos Ltda. apresentou DIPJ na condição de inativo, nos anoscalendário de 1998 e 2001 e se encontra com registro de empresa "omissa não localizada", perante a SRF. 2.À vista das irregularidades acima, foi lavrado o Auto de Infração, das fls. 389 a 400 (vol. 3), e anexos, para formalizar a exigência do IPI, no valor de R$ 1.393.615,74,acrescido dos juros de mora e da multa majorada de 150% desse imposto, por infração qualificada, perfazendo, na data da autuação, a importância de R$ 4.138.644,42, com ciência do autuado em 29 de junho de 2005, segundo consta no Aviso de Recebimento (AR), reproduzido na fl. 436 (vol. 3). As infrações foram enquadradas nos seguintes dispositivos: Fl. 4151DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA Processo nº 11516.001336/200519 Resolução nº 3201000.705 S3C2T1 Fl. 4.152 6 a)nos casos de saídas de produtos, sem nota fiscal: arts. 23, II e III, 24,II,32,11, 109, 110,1, "b",e II, V, 114, 117, 118,11, 182 e parágrafo único, 183, IV, e 185, III,do Decreto na 2.637, de 25 de junho de 1998, Regulamento do IPI (RIPI), de 1998; arts. 24, II e III,25, II, 34, II, 122, 123,1, "b", e II, "c", 127, 130, 131, II, 199 e parágrafo único, 200, IV,202, III, do Decreto n° 4.544, de 27 de dezembro de 2002 (RIPI, de 2002); e b)nos casos de saídas de produtos, com nota fiscal "calçada": arts. 23, IIe III, 32, II, 109, 110,1, "b", e II, "c", 114, 117, 118,1 e II e §§ Ia a 42, 119, 120, 122, 182 eparágrafo único, 183, IV, e 185, III, do RIPI, de 1998; arts. 24, II e III, 34, II, 122, 123,1, "b",e II, "c", 127, 130, 131,1 e II e §§ Ia a 4a, 132, 133, 135, 199 e parágrafo único, 200, IV, 202,III, do RIPI, de 2002. 4.Esse enquadramento sujeitou o interessado à multa de ofício de 150%,por infração qualificada, de acordo com o art. 80, II, da Lei na 4.502, de 30 de novembro de1964, com a redação dada pelo art. 45 da Lei ne 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e a juros demora, previstos no art. 61, § 3a, da Lei ne 9.430, de 1996. Segundo consta na capa do vol. 1 deste processo, foi elaborada representação fiscal para fins penais, objeto do Processo nQ 11516.001271/200510, o qual está apensado ao Processo n2 11516.000779/200592, relativo aos lançamentos de ofício do Imposto de renda/Pessoa Jurídica (IRPJ), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição para o PIS/Pasep, gerados pela mesma ação fiscal, os quais foram impugnados, pelo sujeito passivo, mas foram mantidos, na íntegra, pelo Acórdão DRJ/FNS na 6.842, de 31 de outubro de 2005, da Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, reproduzido nas fls. 652 a 664 (vol. 4). O contribuinte impugnou tempestivamente a exigência, por seu procurador, com mandato na fl. 475 (vol. 3), em 25 de julho de 2005, por meio do arrazoado das fls. 437 a 470 (vol. 3), instruído com os documentos das fls. 471 a 483 (vol. 3) e das fls. 486 a 649 (vol. 4), bem como por seis volumes de anexos à impugnação, assim identificados: Anexos da Impugnação, vols. 1 a 6. A extensa defesa, que alega amiúde jurisprudência e doutrina, vem adiante sintetizada. O impugnante principia, dizendo que se dedica à industrialização e à comercialização de máquinas e equipamentos de uso terapêutico e de fisioterapia, e que era optante pelo Simples, sendo que vinha operando no limite estipulado na legislação do referido sistema. Entretanto, informa que, em 26 de outubro de 2004, apresentou DIPJs, para retificar os dados antes informados, referentes aos anoscalendários de 2001 a 2003. Pelas mencionadas declarações, confessou, espontaneamente, a majoração nas bases de cálculo dos tributos devidos no citado período, sendo que a Fl. 4152DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA Processo nº 11516.001336/200519 Resolução nº 3201000.705 S3C2T1 Fl. 4.153 7 fiscalização, que sofreu, iniciou em 10 de dezembro de 2004, com a entrega do Termo de Início de Ação Fiscal. Diz a defesa que a fiscalização concluiu, indevidamente, que o estabelecimento Corman Industrial Ltda., seria sucessor, de fato, do estabelecimento Corpore Fitness Comercial Ltda., e que ambos seriam geridos por André Luís Galle Dal Prá e Patrícia de Castro Scuro, pessoas físicas que teriam agido mediante a interposição de pessoas, para fins de enquadramento no Simples. À vista das conclusões da fiscalização, relatadas no item precedente, o impugnante foi excluído do Simples, pelo Ato Declaratório Executivo ne 20, do qual teve ciência em 2 de maio de 2005, com efeito retroativo a 1° de janeiro de 2000, retroatividade que a defesa não aceita, por considerála ilegal, circunstância que seria suficiente para o cancelamento do auto de infração, na óptica do impugnante. Argumenta que a exclusão do Simples gera efeitos tãosomente a partir da ciência do respectivo ato declaratório, o que ocorreu em 2 de maio de 2005, sem efeito retroativo, sob pena de afronta ao ato jurídico perfeito e ao direito adquirido. A par disso, a defesa postula a improcedência do Auto de Infração, arguindo a ilegalidade no arbitramento da base de cálculo do IPI, com base em extratos bancários. Diz o impugnante que não discute a desconsideração da contabilidade do estabelecimento, mas se insurge, quanto aos erros cometidos no lançamento de ofício, baseado apenas em extratos bancários, desacompanhados de quaisquer outros elementos, supondo a fiscalização que os créditos em contacorrente provinham exclusivamente de saídas de produtos, sem emissão de notas fiscais, com o que não concorda. 6.5 Sob outra perspectiva, o impugnante sustenta o descabimento da autuação, pelo princípio da legalidade, argumentando que os produtos por ele fabricados não têm classificação própria na TIPI. 6.6 Alternativamente, caso o julgador entenda ser possível classificar os produtos fabricados pelo impugnante na TIPI, o enquadramento deve ocorrer no código 9019.10.00, relativo a aparelhos de mecanoterapia, aparelhos de massagem e aparelhos de psicotécnica, com a aplicação da alíquota de 8%, em detrimento da alíquota de 20%, utilizada pela fiscalização. O objeto social do estabelecimento, a propósito, prossegue a defesa, é o comércio varejista de produtos terapêuticos e de fisioterapia. Com respeito ao produto, de sua fabricação, "H100 Esteira elétrica Corpore", o impugnante juntou parecer, por ele encomendado, no sentido de que a classificação fiscal deve ser no código 9006.91.00 da TIPI. Caso as teses da defesa não logrem êxito, o impugnante solicita a compensação dos créditos do IPI, relativos às aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, empregados no processo produtivo, no período de 2001 a 2003, conforme planilha da fl. 473 (vol. 3) e Anexos da Impugnação, vols. 1 a 6. Fl. 4153DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA Processo nº 11516.001336/200519 Resolução nº 3201000.705 S3C2T1 Fl. 4.154 8 Além da 'compensação referida no item precedente, a defesa requer a dedução, do valor do IPI lançado de ofício, dos valores pagos pelo impugnante, na sistemática do Simples, no período de 2001 a 2003, conforme comprovantes de recolhimento que acompanham a defesa, nas fls. 633 a 645 (vol. 4). O impugnante ainda se insurge contra a multa de ofício, em razão de seu caráter confiscatório, pretendendo o seu cancelamento, ou, no mínimo, que seja reduzida, para o percentual de 75%, previsto no inciso I do art. 44 da Lei ns 9.430, de 1996, em razão da apresentação das DIPJs, antes do início do procedimento fiscal. Por último, a defesa se opõe à incidência dos juros Selic e encerra pedindo o acolhimento das suas razões. É o relatório. O pleito foi deferido em parte, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/POA no 7.578, de 09/02/2006, (efls. 709 e ss) proferida pelos membros da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2003 Ementa:DENÚNCIA ESPONTÂNEA.INEXISTÊNCIA. A simples entrega, no curso de ação fiscal, de declarações retificadoras, desacompanhada do correspondente pagamento do tributo devido e respectivos acréscimos legais, não caracteriza denúncia espontânea. EXCLUSÃO DO SIMPLES. A exclusão do Simples surte efeitos a partir da constituição irregular da pessoa jurídica, mesmo que o ato declaratório executivo seja emitido em data posterior. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RECEITAS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. PRESUNÇÃO DE VENDAS NÃO REGISTRADAS. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais a pessoa jurídica titular, regularmente intimada, não tenha comprovado, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, os quais são considerados provenientes de vendas não registradas, sujeitos à incidência do IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DOS PRODUTOS. Artigos e equipamentos para ginástica, em especial, esteiras e bicicletas ergométricas, classificamse no código 9506.91.00 das TIPIs, de 1996 e de 2001, relativo a artigos e equipamentos para cultura física, ginástica ou atletismo, sujeitos à alíquota de 20%. INFRAÇÃO QUALIFICADA.MULTA MAJORADA DE 150%. Fl. 4154DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA Processo nº 11516.001336/200519 Resolução nº 3201000.705 S3C2T1 Fl. 4.155 9 A saída de produtos tributados, sem emissão de nota fiscal ou com emissão de nota fiscal calçada, caracteriza sonegação e constitui infração qualificada, punível com multa majorada de 150%. ALEGAÇÃO DE CRÉDITOS NA IMPUGNAÇÃO. São considerados escriturados os créditos a que o contribuinte comprovadamente tiver direito e que forem alegados na impugnação. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa não é competente para examinar alegações de inconstitucionalidade da multa majorada de 150% e dos juros Selic, cominados na legislação ordinária. Lançamento Procedente em Parte O julgamento foi no sentido de não se tomar conhecimento das preliminares de inconstitucionalidade da multa de 150% e dos juros de mora; e no mérito, foi considerado procedente em parte o lançamento formalizado no Auto de Infração, para, conforme Tabela 4, anexa ao voto, cancelar a exigência do IPI, no valor de R$ 107.999,25, e respectivos juros de mora e multa de 150%, restando mantida a exigência do referido imposto, no valor de R$ 1.285.616,53, acrescido de juros de mora e da multa de 150%. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Solicita: a) o cancelamento do auto de infração, face à ilegal retroatividade dos efeitos do ato declaratório de exclusão da recorrente do SIMPLES; b) o cancelamento do auto de infração, tendo em vista a ilegalidade no arbitramento da base de cálculo do imposto, efetuado com base em extratos bancários da autuada; c) o cancelamento do auto de infração, com fundamento no principio da legalidade, em razão de que os produtos fabricados pela autuada não têm classificação junto à TIPI; d) caso não seja atendido o pedido anterior, sejam os produtos produzidos pela autuada classificados na subposição 9019.10.00 Aparelhos de mecanoterapia; aparelhos de massagem; aparelhos de psicotécnica, com a aplicação da alíquota correspondente; e) seja reduzida a multa de oficio, em razão de seu caráter confiscatório; f) caso não atendido o pedido anterior, seja reduzida a multa de oficio aplicada à autuada para o percentual de 75% previsto no inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/96, em razão da apresentação das DlPJs da autuada antes do início do procedimento fiscal; e g) que seja afastada a aplicação da taxa de juros Selic sobre o crédito tributário Fl. 4155DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA Processo nº 11516.001336/200519 Resolução nº 3201000.705 S3C2T1 Fl. 4.156 10 Foi convertido o julgamento em diligência, através (da primeira) Resolução de n° 20400329, de 05/12/2006, às efls. 837846 para juntar aos autos a cópia da decisão administrativa final proferida no Processo Administrativo n° 1l5l 6.000779/200592, tendo em vista que este processo é decorrente da autuação do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, e que seria necessário analisar os fundamentos do voto do relator que levaram ao desfecho do processo principal, o que foi realizado. Posteriormente, o processo foi também, convertido em diligência, através da Resolução de n° 20400.501, de 20/11/2007 (efl. 872 e ss), tendo em vista que parte remanescente da autuação depende do resultado relativo à classificação fiscal, declinouse competência em favor do 3° Conselho de Contribuintes (à época) para que decidisse acerca da classificação fiscal da controvertida mercadoria. O processo digitalizado foi redistribuído e encaminhado a esta Conselheira, de forma regimental. VOTO Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Versa o presente de auto de infração lavrado para cobrança de IPI, pela falta de lançamento desse imposto, nas saídas de produtos por ele fabricados, sem emissão de notas fiscais, ou com emissão de notas fiscais “calçadas", conforme Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal (TVEAF), conforme relatado. Transcrevo parte do relatório, onde se observa que: A fiscalização apurou que o estabelecimento fabrica artigos equipamentos para ginástica, em especial, esteiras e bicicletas ergométricas, produtos classificados no código 9506.91.00 da Tabela de Incidência do IPI, aprovada pelo Decreto n° 2.092, de 10 de dezembro de 1996 (TIPI, de 1996), e da Tabela de Incidência do IPI, aprovada pelo Decreto n2 3.777, de 23 de março de 2001 (TIPI, de 2001), sujeitos à alíquota de 20%. O estabelecimento em questão era optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), mas foi excluído, de ofício, do referido sistema, com efeitos a partir de le de janeiro de 2000, por meio do Ato Declaratório Executivo (ADE) nc 20, de 11 de abril de 2005, do Delegado da Receita Federal em Florianópolis/SC, reproduzido na fl. 220 (vol. 2), por ter sido enquadrado nas infrações descritas nos incisos IV e V do art. 14 da Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996 (respectivamente: constituição de pessoa jurídica, por interpostas pessoas, que não sejam os verdadeiros sócios; e prática reiterada de infração à legislação tributária), infrações que foram verificadas, no caso concreto, conforme relatado adiante, em especial, no item 1.7. No tocante às saídas sem emissão de notas fiscais, a fiscalização apurou a irregularidade, com base na constatação de depósitos, sem origem comprovada, em contascorrentes bancárias do estabelecimento fiscalizado, Fl. 4156DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA Processo nº 11516.001336/200519 Resolução nº 3201000.705 S3C2T1 Fl. 4.157 11 nos exercícios de 2001 a 2003, valores que foram considerados provenientes de vendas não registradas. No caso, a movimentação financeira do estabelecimento se deu no Banco do Brasil S/A e no Unibanco União de Bancos Brasileiros S/A, conforme extratos reproduzidos nos Anexos IV, Va e Vb deste processo, extratos obtidos em resposta às competentes Requisições de Movimentação Financeira (RMFs). Com respeito a essa infração, as bases de cálculo do IPI foram levantadas a partir dos créditos em contacorrente, verificados nos extratos bancários, tendo sido considerada, em especial, a conciliação bancária, entre as contascorrentes do estabelecimento. Além disso, dos créditos em contascorrentes, foram excluídos os valores referentes às notas fiscais "calçadas", emitidas pelo estabelecimento, infração que foi tratada à parte, conforme será relatado na seqüência. Então, duas matérias tratadas nos autos, pelo menos, não são de competência da 3 ª Seção, tais como a exclusão do Simples e conta dos depósitos bancários, tendo em vista receitas sem comprovação de origem, enfim, presunção de vendas não registradas. Consta da descrição dos fatos, que foi apurada falta de lançamento do IPI caracterizada pela saída do estabelecimento de produtos sem emissão de nota fiscal, por meio de receita de origem não comprovada, daí, lavrado o auto de infração. Então, este auto de infração de IPI teve origem na mesma ação fiscal que deu ensejo ao lançamento para exigência do Imposto de Renda/Pessoa Jurídica (IRPJ) e seus reflexos (CSSL, Cofins e PIS), objeto do processo administrativo n° 11516.000779/200592 (anexada cópia da decisão, conforme pleito de uma Resolução) no qual foram apuradas supostas infrações como a utilização de notas fiscais calçadas. Vide ementa do referido processo, acórdão de n° 10515965, de 20/09/2006, de relatoria de Wilson Fernandes Guimarães: SIMPLES EXCLUSÃO DE OFÍCIO Consoante as disposições contidas nos artigos 14 e 15 da Lei nº 9.317, de 1996, a exclusão do SIMPLES darseá de ofício quando, entre outras situações, se constatar que a constituição da pessoa jurídica se deu por interpostas pessoas que não os verdadeiros sócios ou na ocorrência de prática reiterada de infração à legislação tributária, e, nestes casos, a exclusão surtirá efeito a partir do mês da ocorrência dos fatos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS A luz das disposições contidas no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, a simples constatação de depósitos ou créditos em contas correntes bancárias, para as quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprove as correspondentes origens, gera a presunção de que tais valores decorreram de receitas omitidas. Tratandose, assim, de presunção legal, o ônus probante passa a ser do sujeito passivo. Cabe a ele, portanto, apresentar documentos hábeis e idôneos capazes de elidir a pretensão da autoridade fiscal. COMPENSAÇÃO DARF/SIMPLES Para fins de determinação dos valores a serem lançados de ofício, a autoridade fiscal deve, antes, promover a subtração dos eventuais pagamentos efetuados Fl. 4157DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA Processo nº 11516.001336/200519 Resolução nº 3201000.705 S3C2T1 Fl. 4.158 12 pelo contribuinte no Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. ILEGALIDADE OU INCONSTITUCIONALIDADE À autoridade administrativa cumpre, no exercício da atividade de lançamento, o fiel cumprimento da lei. Exorbita à competência das autoridades julgadoras a apreciação acerca de suposta inconstitucionalidade ou ilegalidade de ato integrante do ordenamento jurídico vigente a época da ocorrência dos fatos. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES A exclusão da responsabilidade pelas infrações porventura cometidas pelo sujeito passivo só pode ser excluída se acompanhada do pagamento do tributo devido, sendo que, não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo relacionado com a infração. Recurso provido parcialmente. ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para admitir a compensação das parcelas dos valores pagos a título de SIMPLES relativos aos tributos e contribuições objeto do lançamento, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Portanto, o processo em discussão decorre da autuação do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, pois, a exigência do IPI resulta da mesma infração que deu origem ao processo do IRPJ, tendo em vista omissão de receita. A teor do relatado, os fatos que ensejaram o lançamento tiveram origem em procedimento de fiscalização do IRPJ, sendo o auto de infração, controlado no presente processo, decorrente daquela fiscalização. Conforme se verifica do seu campo “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, o lançamento constitui crédito tributário decorrente do IPI, no entanto, duas matérias tratadas nos autos, pelo menos, não são de competência da 3 ª Seção, tais como a exclusão do simples e conta dos depósitos bancários, tendo em vista receitas sem comprovação de origem, enfim, presunção de vendas não registradas. Bem como, erro adotado na classificação fiscal e na alíquota de mercadoria, o que teria ocasionado suposta falta de recolhimento do IPI. Como se verifica, classificação fiscal da mercadoria é de competência da 3ª Seção. A atual redação conferida pela Portaria MF nº 152, de 2016, ao art. 2º, inciso IV, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 343, de 9 de junho de 2015, atribuiu à Primeira Seção a competência o julgamento dos litígios envolvendo o IPI quando reflexo do IRPJ. Já o art. 4º, inciso III, estabeleceu que, não sendo este o caso – ou seja, quando as infrações forem autônomas –, cabe à Terceira Seção julgálos: Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: Fl. 4158DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA Processo nº 11516.001336/200519 Resolução nº 3201000.705 S3C2T1 Fl. 4.159 13 I Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova em um mesmo Processo Administrativo Fiscal; IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições 24 das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do DistritoFederal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (Simples Nacional); (...) Art. 4º À 3ª (terceira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação referente a: I Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, inclusive quando incidentes na importação de bens e serviços; II Contribuição para o Fundo de Investimento Social (FINSOCIAL); III Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI); (...) XII classificação tarifária de mercadorias; Temos, portanto, no presente lançamento, infrações a serem julgadas por duas Seções do CARF. Ocorre que, antes da modificação acima referida, o reconhecimento da competência da Primeira Seção de Julgamento – que, a propósito, não se afigurava obrigatório (a norma, como se verá, traz o verbo no futuro do presente) –, para julgar os processos que versavam sobre infração à legislação do IPI quando reflexa do IRPJ se dava unicamente pela aplicação do art. 6º, inciso II, do Anexo II do RICARF/2015, que trata dos processos Fl. 4159DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA Processo nº 11516.001336/200519 Resolução nº 3201000.705 S3C2T1 Fl. 4.160 14 denominados “vinculados” – no caso, quando dois ou mais processos foram formalizados num mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. Depois de modificado pela Portaria MF nº nº 152, de 2016, não há mais dúvida: na redação atual do RICARF/2015, a competência material para julgar o IPI reflexo é da Primeira Seção de Julgamento, bem como o Simples. Porém, como já antecipamos, o auto de infração em exame formalizou, além da infração à legislação do IPI, mero reflexo do IRPJ, também crédito tributário decorrente de exclusão no simples e sobre classificação fiscal da mercadoria, esta última cuja competência para o julgamento é desta 3ª Seção. Nesse contexto, entendemos que o presente julgamento deva ser convertido em diligência, a fim de que a unidade preparadora formalize um novo processo administrativo, para o qual deverá ser transferido o crédito tributário decorrente do suposto erro de classificação fiscal da mercadoria, o que teria ocasionado suposta falta de recolhimento do IPI, devendo permanecer nos autos as demais infrações à legislação do IPI e o crédito delas consequente. Ao término do procedimento, ambos os processos administrativos devem ser devolvidos a esta turma para prosseguimento no julgamento (um dos processos será declinada a competência para a 1 ª Seção e o outro (novo processo) será julgado nesta 3ª Seção). (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 4160DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA
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Numero do processo: 15374.000572/00-37
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1996, 1997
AGÊNCIA DE VIAGENS E TURISMO. RECEITA BRUTA.
A receita auferida por agência de turismo por meio de intermediação de negócios relativos a atividade turística, prestados por conta e em nome de terceiros, será o correspondente à comissão ou ao adicional percebido em razão da intermediação de serviços turísticos. Caso o serviço seja prestado pela própria agência de turismo ou em seu nome, sua receita bruta incluirá a totalidade dos valores auferidos de seus clientes. Os valores recebidos dos consumidores e repassados efetivamente aos fornecedores dos serviços prestados não configuram receita bruta da agência de turismo.
Numero da decisão: 9101-002.359
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, e no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Adriana Gomes Rego. Absteve-se de votar o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, por não ter assistido a leitura do relatório (em virtude de ausência momentânea), conforme art. 59 do RICARF. Presidiu o julgamento o conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente em exercício.
(documento assinado digitalmente)
RAFAEL VIDAL DE ARAUJO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ADRIANA GOMES REGO, RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA (Suplente convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO (Presidente em exercício), LUIS FLAVIO NETO, RONALDO APELBAUM (Suplente convocado), ANDRE MENDES DE MOURA, NATHALIA CORREIA POMPEU.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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RECEITA BRUTA. A receita auferida por agência de turismo por meio de intermediação de negócios relativos a atividade turística, prestados por conta e em nome de terceiros, será o correspondente à comissão ou ao adicional percebido em razão da intermediação de serviços turísticos. Caso o serviço seja prestado pela própria agência de turismo ou em seu nome, sua receita bruta incluirá a totalidade dos valores auferidos de seus clientes. Os valores recebidos dos consumidores e repassados efetivamente aos fornecedores dos serviços prestados não configuram receita bruta da agência de turismo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, e no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencida a conselheira Adriana Gomes Rego. Abstevese de votar o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, por não ter assistido a leitura do relatório (em virtude de ausência momentânea), conforme art. 59 do RICARF. Presidiu o julgamento o conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente em exercício. (documento assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 05 72 /0 0- 37 Fl. 1820DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/08/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ADRIANA GOMES REGO, RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA (Suplente convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO (Presidente em exercício), LUIS FLAVIO NETO, RONALDO APELBAUM (Suplente convocado), ANDRE MENDES DE MOURA, NATHALIA CORREIA POMPEU. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL em 04/11/2013 (efl.1770) contra o Acórdão nº 1201000.113, de 18/06/2009, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2a Câmara da 1a Seção do CARF, o qual, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário conforme voto vencedor (efl.1764). O Acórdão recorrido que versou sobre o conceito de receita bruta da atividade de agência de turismo está assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1996,1997 Ementa: AGÊNCIAS DE VIAGENS. RECEITA BRUTA. A intermediação na venda de passagens aéreas, passeios, viagens e excursões, bem como a intermediação remunerada na reserva de acomodações em meios de hospedagem, são operações da agência de turismo em conta alheia. Os valores recebidos dos consumidores e imediatamente repassados aos respectivos fornecedores não caracterizam receita, mas tão somente ingresso de recursos em sua contabilidade. A receita da agência, nesse particular, corresponde ao preço da agência, vulgo comissão ou corretagem, cujo valor é significativamente inferior ao montante das despesas contratadas perante terceiros em nome de seus clientes. Entenderse em sentido contrário implicaria intuitivamente inviabilizar a atividade de agência de turismo, muitas das quais vinculadas ao próprio SIMPLES, pois é sabido que a comissão em referência seria no mais das vezes bastante inferior à carga tributária incidente sobre o valor integral da operação realizada com o cliente e hotéis, restaurantes, outras agências. Recurso voluntário provido A Recorrente discorda do entendimento consignado no voto vencedor condutor do acórdão recorrido porque considera que os serviços prestados pela agência de viagens não se resumem a mera intermediação ou subcontratação, como decidiuse no acórdão recorrido, de um lado, porque a empresa emite notas fiscais que abrangem o preço de todo o serviço prestado, nele incluído tanto o valor do serviço prestado por empresa por ela contratada (meio de hospedagem, por exemplo), quanto a própria comissão devida à agência, de outro, porque a empresa contrata diretamente as prestadoras de serviços, sem qualquer intervenção do seu cliente. Desse modo, a receita bruta decorrente da operação abarcaria todo o valor das notas fiscais emitidas pela recorrente para seus clientes. Como paradigmas para sustentar a divergência: indicou os Acórdãos n° 9303 01.821 da Câmara Superior de Recursos Fiscais e n° 3102001.292 da 1a Câmara/2a Turma Ordinária da 3a Seção. Fl. 1821DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/08/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 15374.000572/0037 Acórdão n.º 9101002.359 CSRFT1 Fl. 3 3 De acordo com o Exame de Admissibilidade (efl.1784) somente o acórdão n° 930301.821 da CSRF comprova a divergência alegada pela Recorrente, sendo que o outro não é hábil para demonstrar divergência. O acórdão n° 930301.8210, paradigma de divergência, está assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1996 a 30/09/2000 PIS/FATURAMENTO. PERÍODOS DE APURAÇÃO DE 03/1996 A 09/2000. AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE. BASE DE CALCULO. VALORES REPASSADOS A TERCEIROS. TRIBUTAÇÃO. As agências de propaganda e publicidade não podem excluir da base de cálculo do PIS, apurada a partir da soma dos valores totais das faturas/notas fiscais de serviços por elas emitidas, os valores pagos aos veículos de divulgação, que não são meros repasses financeiros, mas sim custos ou despesas. NOTA FISCAL/FATURA. PREÇO DOS SERVIÇOS PRESTADOS. A nota fiscal/fatura representa o valor dos serviços prestados pelo emitente ao seu destinatário, no valor da importância total nela consignada. Recurso negado. A questão suscitada pela Recorrente relativa ao Acórdão n° 930301.821 diz respeito ao conceito de receita bruta da atividade de agências prestadoras de serviço de mesmo tipo (agência de viagens e agência de publicidade). No acórdão recorrido, excluiuse do conceito de receita bruta parte dos valores cobrados diretamente dos clientes da agência em nota fiscal por ela emitida, enquanto que nesse paradigma, considerouse que a importância total consignada em nota fiscal/fatura representaria o valor dos serviços prestados pelo emitente ao seu destinatário. Finalmente a Recorrente requer seja dado provimento ao recurso especial. Cientificada do Recurso Especial, interposto pela PFN, a empresa BRASIL PLUS VIAGENS E TURISMO LTDA não apresentou Contrarrazões. É o relatório. Fl. 1822DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/08/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O 4 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. O Recurso Especial, interposto pelo procurador da Fazenda Nacional, é tempestivo e reúne todos os pressupostos de admissibilidade. Dele conheço. O acórdão proferido em sede de primeira instância restou assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1996,1997 Ementa: AGÊNCIAS DE VIAGENS E TURISMO. RECEITA BRUTA Os valores relativos à prestação de serviços por parte de empresas aéreas, hotéis, empresas de aluguel de veículos e prestação de serviços afins integram a receita bruta auferida pelas agências de turismo quando tais valores compuserem o valor contratado e faturado, ou seja, o preço do serviço pago pelo cliente. Não é admissível por falta de previsão legal, a exclusão da base de cálculo os valores transferidos a outras pessoas jurídicas a qualquer título. A questão trazida em sede de Recurso Especial diz respeito ao conceito de receita bruta da atividade de agência de turismo. Conforme relatado, o entendimento prevalecente do acórdão recorrido, em síntese, é que a intermediação de vendas e serviços pela agência de turismo configura operação em conta alheia, de modo que os valores recebidos a esse titulo não configuram receita, mas somente ingresso contábil de recursos. Tal conclusão extraise do voto vencedor condutor do acórdão recorrido, (e fl.1764) ipsis litteris: Peço vênia para divergir do entendimento do ilustre Conselheiro Relator sobre o conceito de receitas nas atividades desenvolvidas pela Contribuinte, a qual, de forma incontroversa, presta serviços a consumidores pessoas físicas e jurídicas de agência de turismo. A intermediação na venda de passagens aéreas, passeios, viagens e excursões, bem como a intermediação remunerada na reserva de acomodações em meios de hospedagem, são operações da agência de turismo em conta alheia. Por conta de tal fato, os valores recebidos dos consumidores e imediatamente repassados aos respectivos fornecedores não caracterizam receita, mas tãosomente ingresso de recursos em sua contabilidade. A receita da agência, nesse particular, corresponde ao preço da agência, vulgo comissão ou corretagem, cujo valor é significativamente inferior ao montante das despesas contratadas perante terceiros em nome de seus Fl. 1823DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/08/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 15374.000572/0037 Acórdão n.º 9101002.359 CSRFT1 Fl. 4 5 clientes. Entenderse em sentido contrário implicaria intuitivamente inviabilizar a atividade de agência de turismo, muitas das quais vinculadas ao próprio SIMPLES, pois é sabido que a comissão em referência seria no mais das vezes bastante inferior à carga tributária incidente sobre o valor integral da operação realizada com o cliente e hotéis, restaurantes, outras agências, etc. Apenas se estivesse presente a prova inequívoca de que a Contribuinte vendia diretamente, por incontroversa subcontratação, operação de viagens e excursões, hipótese inocorrente no caso e excepcional para o setor, é que a base de cálculo dos tributos lançados poderia incluir o que o ilustre Conselheiro Relator atribui o conceito de "custos da atividade". Por tais fundamentos, voto no sentido de dar provimento ao recurso da Contribuinte. (GRIFEI) A Recorrente, discordando do entendimento acima, afirma que em consonância com o acórdão paradigma n° 930301.8210, os valores repassados por agência a terceiros configuram receita bruta, considerandose que a importância total consignada em nota fiscal/fatura representa o valor dos serviços prestados pelo emitente ao seu destinatário. Indubitavelmente, quando a remuneração da agência decorre da mera intermediação, a comissão recebida dos fornecedores dos serviços por ela vendidos, ou seja, o valor recebido compreende a receita bruta a ser tributada. A questão exsurge sobre a receita das agências de turismo, quando recebem o preço integral dos serviços que vendem, o qual abrange a remuneração delas, agências, e o valor a pagar aos fornecedores desses serviços. Para esclarecer a matéria trazse à lume a Lei nº 11.771, de 18/09/2008, conhecida como Lei Geral do Turismo, que por sua vez conceituou o preço do serviço de intermediação das agências de turismo entre fornecedores e consumidores, é dizer, o valor a ser utilizado, para fim de cálculo da receita bruta, nos termos que seguem: Art.27. Compreendese por agência de turismo a pessoa jurídica que exerce a atividade econômica de intermediação remunerada entre fornecedores e consumidores de serviços turísticos ou os fornece diretamente. §1o São considerados serviços de operação de viagens, excursões e passeios turísticos, a organização, contratação e execução de programas, roteiros, itinerários, bem como recepção, transferência e a assistência ao turista. §2o O preço do serviço de intermediação é a comissão recebida dos fornecedores ou o valor que agregar ao preço de custo desses fornecedores, facultandose à agência de turismo cobrar taxa de serviço do consumidor pelos serviços prestados. Fl. 1824DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/08/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O 6 §3oAs atividades de intermediação de agências de turismo compreendem a oferta, a reserva e a venda a consumidores de um ou mais dos seguintes serviços turísticos fornecidos por terceiros: I passagens; IIacomodações e outros serviços em meios de hospedagem; e IIIprogramas educacionais e de aprimoramento profissional. §4o As atividades complementares das agências de turismo compreendem a intermediação ou execução dos seguintes serviços: Iobtenção de passaportes, vistos ou qualquer outro documento necessário à realização de viagens; IItransporte turístico; IIIdesembaraço de bagagens em viagens e excursões; IVlocação de veículos; Vobtenção ou venda de ingressos para espetáculos públicos, artísticos, esportivos, culturais e outras manifestações públicas; VIrepresentação de empresas transportadoras, de meios de hospedagem e de outras fornecedoras de serviços turísticos; VIIapoio a feiras, exposições de negócios, congressos, convenções e congêneres; VIIIvenda ou intermediação remunerada de seguros vinculados a viagens, passeios e excursões e de cartões de assistência ao viajante; IXvenda de livros, revistas e outros artigos destinados a viajantes; e Xacolhimento turístico, consistente na organização de visitas a museus, monumentos históricos e outros locais de interesse turístico. §5o A intermediação prevista no § 2odeste artigo não impede a oferta, reserva e venda direta ao público pelos fornecedores dos serviços nele elencados. §6o(VETADO) §7o As agências de turismo que operam diretamente com frota própria deverão atender aos requisitos específicos exigidos para o transporte de superfície. ......................................................................................................... (GRIFEI) Depreendese do § 2º do art.27, acima transcrito, que restam explicitadas como espécies de preço de serviço das agências de turismo, além da comissão, o valor por elas Fl. 1825DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/08/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 15374.000572/0037 Acórdão n.º 9101002.359 CSRFT1 Fl. 5 7 agregado ao preço de custo dos serviços intermediados e a taxa de serviço cobrada do consumidor destes serviços. Com efeito, quando as agências de turismo recebem o preço integral dos serviços que vendem, o qual abrange a remuneração delas, agências, e o valor a pagar aos fornecedores desses serviços, temse como receita bruta somente os valores decorrentes dessa atividade de intermediação (comissão, valor agregado ao preço de custo dos serviços e taxa de serviço cobrada do consumidor). De outro modo, no caso em que a agência de turismo fornece diretamente os serviços turísticos ao consumidor diretamente ou sob contratação, não mera intermediação temse como receita bruta, o preço integral de venda permitida apenas a dedução das vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos. A COORDENAÇÃOGERAL DE TRIBUTAÇÃO, mediante a SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA Nº 3, DE 30 DE ABRIL DE 2012, com base no artigo 27 da Lei nº 11.771, de 17 de setembro de 2008, acima transcrito, assim esclareceu a matéria: ASSUNTO: Simples Nacional EMENTA: Para fim de cálculo da receita bruta de que trata o § 1º do art. 3º da Lei Complementar nº 123, de 2006, a receita auferida por agência de turismo por meio de intermediação de negócios relativos a atividade turística, prestados por conta e em nome de terceiros, será o correspondente à comissão ou ao adicional percebido em razão da intermediação de serviços turísticos Caso o serviço seja prestado pela própria agência de turismo ou em seu nome, sua receita bruta incluirá a totalidade dos valores auferidos de seus clientes. Em qualquer das hipóteses, permitida apenas a dedução das vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, art. 3º, § 1º, e Lei nº 11.771, de 17 de setembro de 2008, art. 27 (GRIFEI) No entendimento expresso na Solução de Divergência proferida pela própria Receita Federal, os valores recebidos dos consumidores e repassados efetivamente aos fornecedores não configuram receita bruta da agência de turismo, tal como decidido no acórdão recorrido. Consta no voto condutor do acórdão recorrido que: Apenas se estivesse presente a prova inequívoca de que a Contribuinte vendia diretamente, por incontroversa subcontratação, operação de viagens e excursões, hipótese inocorrente no caso e excepcional para o setor, é que a base de cálculo dos tributos lançados poderia incluir o que o ilustre Conselheiro Relator atribui o conceito de "custos da atividade". Fl. 1826DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/08/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O 8 Este é também o entendimento da Solução de Consulta: Caso o serviço seja prestado pela própria agência de turismo ou em seu nome, sua receita bruta incluirá a totalidade dos valores auferidos de seus clientes. Em qualquer das hipóteses, permitida apenas a dedução das vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos. Nessa senda é a decisão recorrida, que não merece reparo, a cujos fundamentos também adoto como razão de decidir. Por todo o exposto, NEGO provimento ao Recurso Especial do procurador da Fazenda Nacional. Esse é o meu voto. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator Fl. 1827DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/08/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O
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Numero do processo: 19515.003990/2007-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Dec 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/01/2004
ÔNUS DA PROVA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AUTO DE INFRAÇÃO. DEFESA. FATOS IMPEDITIVOS, MODIFICATIVOS OU EXTINTIVOS.
Cabe à defesa a prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos da pretensão fazendária.
MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. CARF.
A argumentação sobre o caráter confiscatório da multa aplicada no lançamento tributário não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-003.697
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso quanto à questão da confiscatoriedade da multa e, na parte conhecida, negar provimento.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AUTO DE INFRAÇÃO. DEFESA. FATOS IMPEDITIVOS, MODIFICATIVOS OU EXTINTIVOS. Cabe à defesa a prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos da pretensão fazendária. MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. CARF. A argumentação sobre o caráter confiscatório da multa aplicada no lançamento tributário não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso quanto à questão da confiscatoriedade da multa e, na parte conhecida, negar provimento. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 39 90 /2 00 7- 41 Fl. 157DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de São Paulo/SP que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte sobre a cobrança de Contribuição ao PIS e de COFINS não cumulativas, consubstanciada nos autos de infração em questão (fls 21 e seguintes), relativos ao período de janeiro de 2004, incluídos principal, juros de mora e multa no percentual de 75%. Por bem consolidar os fatos que deram ensejo ao lançamento tributário em questão, bem como os argumentos trazidos pelo contribuinte em sede de impugnação, com riqueza de detalhes, colaciono os trechos mais importantes do relatório do Acórdão da DRJ: 2. Consta que, em 14/2/2007, foi lavrado Termo de Inicio de Fiscalização (fls. 6 e 7). E, posteriormente, foram lavrados dois termos de verificação fiscal. Eilos: 2.1. 0 Termo de Verificação As fls. 11 e 12 informa que a [...] contribuinte [...] entregou as DIPJs dos anos calendários de 2004 e 2005 sob ação fiscal, em atendimento ao Termo de Inicio de Fiscalização; bem como que, do cotejo das informações [...] constantes das DIPJs com as DCTFs entregues, [...] [constatou se] que ocorreu insuficiência de declaração/recolhimento no mês de janeiro de 2004 conforme demonstrado abaixo: 2.1.2. É relatado à fl. 11 que foi realizado o [...] lançamento de oficio do alor declarado a menor em DCTF que não foi pago. 2.2. 0 Termo de Verificação As fls. 22 e 23 informa que a [...] contribuinte [...] entregou as DIPJs dos anos calendários de 2004 e 2005 sob ação fiscal, em atendimento ao Termo de Inicio de Fiscalização; bem como que, do cotejo das informações [...] constantes das DIPJs com as DCTFs entregues, [...] [constatou se] que ocorreu insuficiência de declaração/recolhimento no mês de janeiro de 2004 conforme demonstrado abaixo: Fl. 158DF CARF MF Processo nº 19515.003990/200741 Acórdão n.º 3402003.697 S3C4T2 Fl. 112 3 2.2.1. A fl. 22, relatase, igualmente, que foi realizado o [...] lança de oficio do valor declarado a menor em DCTF que não foi pago. 3. Irresignado com os lançamentos de que teve ciência em 14/12/2007 (fl. 32), foi apresentado, em 14/1/2008 (fl. 34), pela contribuinte (doravante denominada impugnante), impugnação que consta As fls. 34 a 49, acompanhada dos documentos As fls. 50 a 87, por meio da qual, em cerrada síntese, assim se manifesta, ipsis verbis: 3.1. Consta A fl. 35 que historia a impugnante, consoante segue: “A impugnante foi autuada em razão de supostas insuficiências no recolhimento da contribuição ao PIS e da COFINS, relativamente ao mês de janeiro de 2004. Todavia, a autuação fiscal é improcedente, haja vista que afronta dispositivos constitucionais, atinentes aos limites da imposição fiscal, seja quanto ao crédito principal, seja quanto As penalidades indevidamente impostas à impugnante[...].” 3.2. Consta As fls. 35 a 38 que se insurge a impugnante contra os autos de infração, requerendo sua nulidade por vicio formal e por conta de alegado cerceamento do direito de defesa, nestes termos: “[...] [os autos de infração deixam] de consignar, de forma clara e precisa, os dispositivos da legislação relativa ao PIS e à COFINS supostamente infringidos (aqueles que dizem respeito a obrigações tributária hipoteticamente não cumprida, no caso, ao não pagamento do tributo, limitandose a citar os dispositivos das leis que dariam suporte à acusação fiscal. Nesse sentido, o[s] auto[s] de infração não merece[m] prosperar dada a ausência de qualquer fundamentação explicita que dê suporta à supostas irregularidades apontadas na apuração de imposto ou na forma de sua liquidação, violando o direito constitucional à ampla defesa e ao contraditório da impugnante. [...] no caso em apresso a evidente ofensa ao principio constitucional da ampla defesa e do contraditório, haja vista a impossibilidade de se determinar com segurança a infração supostamente cometida pela Impugnante, de modo a ensejar a anulação do presente Auto de Infração [...]. 3.3. As fls. 38 a 46 há afirmação da impugnante relativamente a que o que consta nos termos de verificação fiscal (fls. 11 e 22) não basta para [...] fazer prova da suposta infração cometida pela Autuada, aduzindo as seguintes afirmações: “[...] não constou, da documentação enviada a impugnante — e, assim, da base fática/documental colhida — a documentação relativa à composição da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, relativamente ao mês autuado. Por essa razão, o Auto de Infração Lavrado traz consigo inegável presunção quanto à infração cometida pela autuada, sendo de rigor que se reconheça sua total improcedência tendo em vista que sua lavratura foi embasada por presunções que passam ao largo de traduzir a realidade [...] a infração capitulada no auto de infração impugnado foi constituída com base em meras Fl. 159DF CARF MF 4 presunções, expediente não admitido no ordenamento jurídico vigente, e que enseja a anulação da respectiva imposição.” 3.4. Consta As fls. 46 a 48 alegações da impugnante acerca de ser a multa de oficio indevida, de natureza confiscatória, nestes termos: “Ainda que legitima a aplicação de uma multa pela infração cometida (e a impugnante acredita que infração alguma tenha sido perpetrada in casu, não tendo o auto de infração elementos mínimos aptos a comprovar a acusação que pratica), dúvidas não na de que ela é um verdadeiro confisco, pois totalmente desarrazoada e desproporcional ao suposto ato infrator. Merece assim, ser afastada, ou pelo menos reduzida, de maneira razoável e equitativa a "infração" cometida e ao "prejuízo" sofrido.” 3.5. Por fim, consta as fls. 48 e 49 que requer a impugnante o que segue: “(I) seja conhecida e acolhida a presente impugnação, em todos os aspectos abordados, para o fim de vir o auto de infração lavrado a ser ANULADO [...]; (ii) na remota hipótese de ser mantida a imposição no que tange ao crédito tributário ora exigido, que seja afastada, ou pelo menos reduzida, a multa aplicada [...].” 4. 0 presente processo foi encaminhado a esta Delegacia, nos termos do despacho exarado A fl. 89. Em julgamento datado de 19 de novembro de 2009, a DRJ São Paulo 1/SP negou provimento à impugnação da Contribuinte (Acórdão 1623.561), nos termos da ementa a seguir colacionada: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Exercício: 2004 Ementa: COFINS. DIPJ. DCTF. COTEJO DE INFORMAÇÕES. PROCEDIMENTO DE AUDITORIA INTERNA A apuração, pela Fazenda Nacional, de diferença entre o valor que consta na DIPJ e aquele declarado em DCTF, não autoriza a imediata inscrição em Divida Ativa da Unido; deve ser lavrado auto de infração para fins de exigência do crédito tributário, acompanhado da respectiva e inafastável multa de oficio. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Exercício: 2004 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS. DIPJ. DCTF. COTEJO DE INFORMAÇÕES. PROCEDIMENTO DE AUDITORIA INTERNA Ao apurar a Fazenda Nacional diferença entre o valor que consta na DIPJ e aquele declarado em DCTF não autoriza a imediata inscrição em Divida Ativa da Unido; deve ser lavrado auto de infração para fins de exigência do crédito tributário, acompanhado da respectiva e inafastável multa de oficio. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2004 Ementa: CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA Fl. 160DF CARF MF Processo nº 19515.003990/200741 Acórdão n.º 3402003.697 S3C4T2 Fl. 113 5 Não há cerceamento do direito constitucional do contraditório e ampla defesa, ao demonstrar o contribuinte, em sua impugnação, perfeita compreensão dos termos do auto de infração. Não há que se falar em violação do disposto no inciso LV do art. 5° da Constituição Federal de 1988. AUTO DE INFRAÇÃO. PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL TRIBUTÁRIO DO NA() CONFISCO. OBSERVÂNCIA Não procede a alegação de inobservância, por parte da autoridade do principio constitucional tributário do não confisco. Ocorre que a vedação ao confisco emanada da Constituição Federal de 1988 é dirigida ao legislador ordinário, cabendo apenas à autoridade fiscal aplicar a lei nos moldes da legislação que o instituiu. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. DESCABIMENTO Cumpridos os requisitos dispostos no art. 10 do Decreto n.° 70.235/72, ademais, não havendo ocorrência do previsto no art. 59 do mesmo diploma legal, não há que se falar em cancelamento ou anulação de auto de infração. MULTA DE OFICIO. APLICAÇÃO. LEGALIDADE Aplicável a multa de oficio no lançamento de crédito tributário por motivo de falta de pagamento e respectivo percentual determinado expressamente em lei. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado quanto ao resultado do julgamento pela DRJ, a Contribuinte recorreu a este Conselho (fls. 117 a 127), repisando os argumentos apresentados em sua impugnação. Já em 25 de janeiro de 2012, mediante a Resolução n. 3402000.361, a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara dessa 3ª Seção, entendendo que faltavam elementos essenciais à verificação dos fatos discutidos no processo, especialmente sobre a alegação de provas sobre a discrepância de valores entre a DCTF e a DIPJ, determinou: Intime o contribuinte a apresentar cópias de seu Livro Registro de Saídas do mês objeto do lançamento tributário, com os respectivos termos de abertura e encerramento, devidamente registrado no registro peculiar, assim como cópia do Livro Diário (e razão, se for o caso), juntamente com o Balancete referente ao período de apuração, e outros documentos que entender pertinente para verificação das bases de cálculo das contribuições em questão; Proceda a verificação dos documentos fiscais e livros empresariais do contribuinte, a fim de verificar se os valores por ele lançados na DIPJ respectiva, tem correspondência com tais documentos, verificando os débitos passiveis de compor as bases de cálculos do PIS e COFINS do período em referência, assim como considerando os créditos a que o mesmo tiver eventualmente direito; Fl. 161DF CARF MF 6 Ao final, elaborar Relatório de Diligência, manifestandose de forma conclusiva sobre os resultados da diligência, especificamente se os valores informados pelo contribuinte em sua na DIPJ coincidem com os documentos fiscais e empresariais, e, quanto a existência ou não da insuficiência de recolhimento das contribuições ao PIS e COFINS; Conceder, ao final, vista a Recorrente, com prazo de 30 (trinta) dias para se pronunciar, querendo, sobre o resultado da diligência, sendo que, após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento Em fls 147 a autoridade fiscal de origem apresenta termo de conclusão da diligência solicitada, no qual informa: Em atendimento à solicitação de diligência e manifestação constante às fls. 129 a 131, temos a informar o seguinte: 1. O contribuinte foi intimado no Termo de Início de Diligência, cuja ciência se deu por via postal com AR em 05/11/2013, a apresentar cópia do Livro Diário, contendo o Termo de Abertura e de Encerramento, cópia do Livro Razão das contas de Receitas, cópia do Livro Registro de Saídas e planilha contendo a memória de cálculo das contribuições para PIS e COFINS, todos referentes ao mês de janeiro/2004. 2. Nenhum dos documentos solicitados ou qualquer outro ou mesmo alguma manifestação foram apresentados pelo contribuinte em atendimento à intimação. 3. Sendo assim, em virtude da total inércia do próprio contribuinte, entendo que o lançamento de ofício efetuado pela fiscalização deva ser mantido, uma vez que nenhum documento ou livro que pudesse comprovar a suposta incorreção dos valores lançados, alegada pelo sujeito passivo, foi apresentado. 4. Era o que tínhamos a informar. 5. Encaminhese, em retorno, ao CARF. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário já foram anteriormente analisados e acatados por este Conselho, de modo que passo à apreciação do caso. 1. NULIDADE DO LANÇAMENTO POR VÍCIO FORMAL, CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E INDEVIDA UTILIZAÇÃO DE PRESUNÇÃO Como relatado acima, a Recorrente clama pela nulidade do lançamento por ausência de fundamentação. Todavia, entendo que não lhe assiste razão Fl. 162DF CARF MF Processo nº 19515.003990/200741 Acórdão n.º 3402003.697 S3C4T2 Fl. 114 7 Analisando o Termo de Verificação, verifico que a fiscalização baseouse nos documentos fiscais apresentados pela própria Contribuinte, deixando claro o entendimento do porquê considerou ocorrido o fato gerador da Contribuição ao PIS e da COFINS, sem o respectivo pagamento. Vejamos (fls 14): 1 Assim, entendo que os fundamentos da Fiscalização, apesar de sucintos, são claros e objetivos, bem como os fatos que ensejaram a autuação estão corretamente descritos. Não existem, portanto, as alegadas ofensas artigo 9º do Decreto 70.235/72, tampouco o artigo 142 do CTN, razão pela qual tampouco caracterizouse ofensa ao direito da ampla defesa e do contraditório do contribuinte, a ensejar a nulidade do lançamento tributário (artigo 59, inciso II do Decreto 70.235/72) Também foi alegado pela Recorrente que a Fiscalização baseouse em simples presunção ao efetuar o lançamento tributário com base na diferença verificada entre a DCTF e a DIPJ, sem analisar sua a documentação contábil, livros, etc. Foi inclusive esse fato que deu ensejo à conversão do julgamento em diligência quando da primeira análise desse processo pelo CARF. Contudo, compulsando os autos, é possível perceber que a Contribuinte fora intimada para apresentar tais documentos durante o procedimento de fiscalização (fls 8). Em sua impugnação ao lançamento tributário nada foi trazido em termos documentais, como lhe era de direito para provar seu ponto (artigo 16 do Decreto 70.235/72). Nem mesmo em seu recurso voluntário tal inércia foi quebrada. Finalmente, intimado do Termo de Diligência 1 A mesma fundamentação foi trazida com relação à Contribuição ao PIS. Fl. 163DF CARF MF 8 requerido por este Conselho, justamente oportunizando a apresentação de cópia do Livro Diário, contendo o Termo de Abertura e de Encerramento, cópia do Livro Razão das contas de Receitas, cópia do Livro Registro de Saídas e planilha contendo a memória de cálculo das contribuições para PIS e COFINS, todos referentes ao mês de janeiro/2004, mais uma vez a Recorrente silenciouse. Cumpre salientar que o presente processo é originário de auto de infração, e não de pedido de reconhecimento de crédito para compensação pelo contribuinte. Tal fato é importante para o deslinde da controvérsia, à medida que é justamente a iniciativa do processo administrativo que determina o ônus da prova (artigo 373 da Lei n. 13.105/2015, o “Novo Código de Processo Civil”). 2 Com efeito, este Colegiado, no Acórdão 3402002.881, adotou este parâmetro para a solução de casos. Peço vênia para destacar as palavras do Conselheiro relator Antonio Carlos Atulim, plenamente aplicáveis ao sub judice: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. Pois bem. No presente caso, como já deixou consignado o Relator originário deste processo, “com efeito, a prova da insuficiência de recolhimento do tributo pode ser deflagrada pela análise da DIPJ e seu cruzamento com as informações da DCTF’s. Ambos os documentos foram confeccionados e enviados pelo próprio contribuinte ao Fisco. Firmase uma presunção em prol das informações enviadas pelo contribuinte, mas que devem elas ser confirmadas pela avaliação do que de sua escrita comercial constar. É dizer: a autuação baseouse nas declarações acima, apresentadas pelo próprio sujeito passivo – o que afasta a alegação de 'falta de prova' a cargo do Fisco, sem que houvesse confirmação através da verificação da sua escrita empresarial e fiscal.” De fato, a falta de coerência entre as declarações da Contribuinte são suficientes para motivar o lançamento tributário. Nesse sentido já se manifestou este Conselho em outras oportunidades. 3 Assim, autoridade fiscal 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. 3 Ementa(s) Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. A ausência de numeração não ocasiona a nulidade do lançamento e não influi na defesa do auto de infração. A alegação de ausência dos documentos fundamentadores do lançamento não procede porque a DCTF mencionada pela fiscalização, assim com a DIPJ e os documentos contábeis foram anexados aos autos. DCTF. NEGATIVA DE AUTORIA. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 19515.003990/200741 Acórdão n.º 3402003.697 S3C4T2 Fl. 115 9 desincumbiuse do ônus da prova que possuiu ao lavrar o auto de infração contra o Contribuinte (artigo 373 do Novo Código de Processo Civil). De outro lado, não foi perpetrado pela Recorrente o mínimo esforço probatório. Tanto em sua impugnação como em seu recurso voluntário a Recorrente resume suas alegações ao pedido de decretação de nulidade. Cabia à Recorrente, contudo, provar seu direito, conforme determina o artigo 373, inciso II do NCPC: demonstrar fato impeditivo, extintivo ou modificativo de seu direito. Assim, afasto as preliminares de nulidade apresentadas pela Recorrente. 2. MULTA CONFISCATÓRIA A Recorrente brada ainda pela decretação do caráter confiscatório da multa que lhe foi aplicada, com base no artigo 150 inciso IV, além do princípio da proporcionalidade e da razoabilidade, todos estampados na Constituição Federal. Entretanto, a argumentação da Recorrente não escapa de uma necessidade de aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ademais, no âmbito do processo administrativo fiscal é expressamente vedado afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade, por força do artigo 59 do Decreto no 7.574/2011. Portanto, não conheço da alegação de que a multa seria confiscatória e, portanto, inconstitucional. As declarações apresentadas à Receita Federal do Brasil têm presunção de legitimidade, até prova em contrário, a ser formada mediante apresentação de documentos hábeis e idôneos. Especificamente, para a apresentação de retificação é necessário que se inclua informações que são do conhecimento exclusive do contribuinte, razão pela qual a presunção só se afasta se comprovada a ocorrência de algum fato de exceção. ALTERAÇÃO DE DECLARAÇÃO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A alteração reiterada das DCTF’s para incluir informação falsa, zerando a tributação devida e alterando o regime tributário não se trata de mera omissão, mas de informação falsa com intuito de postergar/impedir a fiscalização. Recurso Voluntário Negado. (Processo 10932.720113/201129, Acórdão 3302002.403) Fl. 165DF CARF MF 10 3. DISPOSTIVO Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER da questão da confiscatoriedade da multa e no mais, NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntário. Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 166DF CARF MF
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