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Numero do processo: 10932.000216/2009-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 15/01/2004 a 30/11/2004
DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. COMPROVANTE DE PAGAMENTO. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL A PARTIR DO FATO GERADOR DO TRIBUTO. PRECEDENTE DO STJ EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL JULGADO SOB O RITO DE RECURSO REPETITIVO.
Em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação o termo inicial para a contagem do prazo decadencial dependerá da existência ou não de comprovante do pagamento, ainda que parcial, do tributo. Precedente do STJ julgado sob o rito de recurso repetitivo, (REsp n. 973.733), o que vincula este órgão julgador, nos termos do art. 62, § 1º, inciso II, alínea "b" do RICARF, já com a redação que lhe foi dada pela Portaria n. 152, de 03 de maio de 2016.
Numero da decisão: 3402-003.509
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Sustentou pela recorrente a Dra. Valéria Zotelli, OAB/SP nº 117.183.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 15/01/2004 a 30/11/2004 DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. COMPROVANTE DE PAGAMENTO. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL A PARTIR DO FATO GERADOR DO TRIBUTO. PRECEDENTE DO STJ EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL JULGADO SOB O RITO DE RECURSO REPETITIVO. Em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação o termo inicial para a contagem do prazo decadencial dependerá da existência ou não de comprovante do pagamento, ainda que parcial, do tributo. Precedente do STJ julgado sob o rito de recurso repetitivo, (REsp n. 973.733), o que vincula este órgão julgador, nos termos do art. 62, § 1º, inciso II, alínea "b" do RICARF, já com a redação que lhe foi dada pela Portaria n. 152, de 03 de maio de 2016.
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Recorrida UNIÃO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 15/01/2004 a 30/11/2004 DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. COMPROVANTE DE PAGAMENTO. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL A PARTIR DO FATO GERADOR DO TRIBUTO. PRECEDENTE DO STJ EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL JULGADO SOB O RITO DE RECURSO REPETITIVO. Em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação o termo inicial para a contagem do prazo decadencial dependerá da existência ou não de comprovante do pagamento, ainda que parcial, do tributo. Precedente do STJ julgado sob o rito de recurso repetitivo, (REsp n. 973.733), o que vincula este órgão julgador, nos termos do art. 62, § 1º, inciso II, alínea "b" do RICARF, já com a redação que lhe foi dada pela Portaria n. 152, de 03 de maio de 2016. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Sustentou pela recorrente a Dra. Valéria Zotelli, OAB/SP nº 117.183. Antonio Carlos Atulim Presidente. Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 02 16 /2 00 9- 54 Fl. 507DF CARF MF 2 Relatório 1. Por bem retratar os fatos aqui analisados, me valho do Relatório desenvolvido pela DRJ de Ribeirão Preto (acórdão n. 1432.547 fls. 387/389), o qual adoto como meu nos termos abaixo: Contra o contribuinte em epígrafe foram lavrados os Autos de Infração de fls. 171/184 (no montante de R$ 9.380.400,94 relativo ao período de. 15/01/2004 a 30/09/2004) e 188/195 (no montante de R$ 1.859.580,59 relativo ao período de 31/10/2004 a 30/11/2004), por recolhimento a menor do IPI, pela utilização de créditos indevidos. Segundo o Termo de Verificação e Constatação Fiscal de fls. 167/170, o contribuinte ingressou com a Ação Declaratória de Rito Ordinário com Pedido de Tutela Antecipada n° 1999.61.140072004 na Ia Vara da Justiça Federal de São Bernardo do Campo, sendo que as decisões prolatadas até a lavratura do presente Auto de Infração, autorizaram o estabelecimento a escriturar como créditos os valores do presumido IPI que incidiria sobre aquisições de insumos não onerados por este imposto, ocorridas entre janeiro de 1995 a julho de 1999, com incidência de correção monetária e da taxa SELIC, a partir de 01/06/96. Considerando que ainda não havia sentença transitada em julgado, foi constituído efetuado o lançamento de ofício, relativo aos débitos que existiriam sem a utilização dos créditos considerados indevidos pela.União, nos termos do artigo 63 da Lei n° 9.430/96, ou seja, sem a aplicação da multa de ofício e com a exigibilidade suspensa. Tempestivamente, foi apresentada a impugnação de fls. 204/211 basicamente alegando que, pelo disposto no artigo 150, parágrafo 4o e conforme doutrina e julgados que cita, teria ocorrido a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários do IPI relativos aos fatos geradores ocorridos antes da primeira quinzena de julho de 2004, os quais deveriam ser exonerados do lançamento em lide. Enfatiza, ainda, a defesa, que não se poderia aplicar a contagem decadencial prevista no artigo 173 do CTN, na medida que, durante o período em questão sempre apurou saldo devedor do IPI, ou seja, sempre houve pagamento antecipado, sendo que a própria fiscalização constatou que os débitos compensados não foram declarados em DCTF, devido ao efeito de redução dos créditos judicialmente concedidos. Encerrou requerendo que seja conhecida e julgada procedente a impugnação. Após a apresentação da.citada impugnação, conforme consta no sítio do TRF 3 a Região, a autuada peticionou a desistência da ação: Fl. 508DF CARF MF Processo nº 10932.000216/200954 Acórdão n.º 3402003.509 S3C4T2 Fl. 3 3 Petição 231858 DESISTÊNCIA PERTECH DO BRASIL LTDA 23.1L2009 (Entrada) A qual foi homologada em 22/01/2010: 22.01.2010 DECISÃO HOMOLOGATÓRIA DE DESISTÊNCIA Em 07/12/2009 protocolou na DRF em São Bernardo do Campo a desistência parcial da presente impugnação, no que tange ao lançamento do IPI compreendido "entre os períodos da 2 a quinzena de julho de 2004 até novembro de 2004, permanecendo em discussão a decadência alegada para os períodos compreendidos de janeiro até a primeira quinzena de julho de 2004. (grifos nosso). 2. Uma vez processada, a impugnação do contribuinte foi julgada improcedente nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 15/01/2004 a 08/10/2004, 31/10/2004 a 30/11/2004 DECADÊNCIA. Descumpridas as condições caracterizadoras do lançamento por homologação, o prazo de decadência para o lançamento de ofício deve ser contado pela regra do art. 173,1 do CTN. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. 3. Inconformada com a sobredita decisão, o contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 394/402, oportunidade que mais uma vez alegou a ocorrência da decadência, oportunidade em que convocou em seu favor precedente do Superior Tribunal de justiça e deste Tribunal Administrativo. 4. Uma vez pautado para julgamento, o presente caso, então sob a relatoria da Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro foi, por unanimidade, convertido em diligência (Resolução n. 3402000.733 fls. 458461) para se atestar, de forma definitiva, se para o período que remanesceu em discussão (compreendido entre janeiro de 2004 e a primeira quinzena de julho do citado ano) houve ou não pagamento do tributo em análise (IPI), para então se identificar a correspondente regra de contagem do prazo decadencial (art. 150, §4° ou art. 173, inciso I, ambos do CTN). 5. Em compasso com tal resolução, a unidade preparadora intimou o contribuinte (fl. 464) para apresentar comprovante do recolhimento de IPI para o período em testilha. Em resposta (fls. 469/502), o contribuinte apresentou os comprovantes de arrecadação para todo o período comento. 6. É o relatório. Fl. 509DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 7. O recurso sub judice preenche os pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual passo ao seu conhecimento. I. Da decadência do crédito remanescente 08. Conforme já mencionado no relatório, o contribuinte apresentou desistência parcial da impugnação originalmente apresentada (fls. 379/380), razão pela qual o recurso voluntário interposto se limita a discutir a eventual decadência apenas da parte remanescente exigência fiscal em tela, mais precisamente dos valores compreendidos entre janeiro de 2004 e a primeira quinzena junho daquele ano. Não obstante, insta destacar que o recorrente foi notificado do presente auto de infração em 25 de junho de 2009 (fls. 203). 09. Feitas tais considerações, resta claro que o presente caso não demanda maiores digressões. Tratandose da exigência de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial será interferido de acordo com a existência ou não de pagamento parcial do tributo para o período autuado, conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso especial julgado sob o rito de recurso repetitivo, in verbis: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos Fl. 510DF CARF MF Processo nº 10932.000216/200954 Acórdão n.º 3402003.509 S3C4T2 Fl. 4 5 ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ; REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (grifos nosso). 10. Por seu turno, referido precedente do STJ deve ser seguido por este Tribunal Administrativo, nos termos do que prevê o art. 62, § 1º, inciso II, alínea "b" do RICARF, já com a redação que lhe foi dada pela Portaria n. 152, de 03 de maio de 2016. 11 Assim, levando em consideração que o Recorrente comprovou o pagamento parcial dos tributos em análise, inclusive em relação aos créditos que haviam sido mantidos pela DRJ, conforme atestou resultado de diligência de fls. 469/502, a contagem do prazo decadencial no presente caso deve se dar nos termos do art. 150, § 4º do CTN. 12. Logo, levando em consideração que o período em cobro compreende o período entre janeiro de 2004 e a primeira quinzena de junho daquele ano, deveria o presente lançamento ter sido realizado para o mês mais recente até 16/06/2009. Ocorre que a notificação da Recorrente acerca do presente lançamento só seu deu em 25/06/2009, ou seja, já Fl. 511DF CARF MF 6 quando decaído a totalidade do crédito tributário que permaneceu em debate, o que implica a sua extinção, nos termos do art. 156, inciso V do CTN. Dispositivo 13. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário, de modo a afastar o crédito tributário que permaneceu em debate. 14. É como voto. Diego Diniz Ribeiro Relator Fl. 512DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10073.901504/2008-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Nov 03 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1302-000.445
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
ROGÉRIO APARECIDO GIL - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Marcelo Calheiros Soriano, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente. (documento assinado digitalmente) ROGÉRIO APARECIDO GIL - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Marcelo Calheiros Soriano, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix.
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Compensação Recorrente HOTEL DO FRADE S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. (documento assinado digitalmente) ROGÉRIO APARECIDO GIL Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Marcelo Calheiros Soriano, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix. Relatório O contribuinte ingressou com pedido de restituição/compensação, PER/DCOMP nº 03707.62944.130204.1.3.042965, em 13/02/2004, diante de pagamento indevido ou a maior de CSLL, data de arrecadação 31/08/1999, no valor de R$2.948,50 (Multa Código 3252), com data de apuração de 31/01/1998. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 00 73 .9 01 50 4/ 20 08 -1 2 Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10073.901504/200812 Resolução nº 1302000.445 S1C3T2 Fl. 3 2 Ocorre que, em Despacho Decisório nº 791175140 (fl. 22), a DRF de Volta Redonda entendeu pela inexistência do crédito informado, uma vez que o DARF não foi localizado no sistema da RFB. Logo, deixou de homologar a compensação declarada. Não se conformando com o referido Despacho Decisório, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 11/21), em 03.11.2008, alegando em síntese que: A Receita Federal não teria como identificar o DARF relacionado como crédito, uma vez que o motivo para o “não preenchimento correto do PER/DCOMP” por parte da impugnante devese a incapacidade do próprio programa em reconhecer a multa como crédito por recolhimento espontâneo; O envio de um PER/DCOMP retificador não resolveria, já que não há campo previsto para o preenchimento desta informação, no pedido, ou no código da multa do recolhimento espontâneo. Os códigos de multa só aparecem nos Comprovantes de Arrecadação emitidos pela própria RFB; Quanto ao crédito original informado na PER/DCOMP no valor de R$2.948,50, tratase de Recolhimento espontâneo, ou seja, multa recolhida sem o procedimento de cobrança por parte da RBF; Solicita que sejam consideradas as alterações descritas acima, no campo de informação de valores o reconhecimento do crédito utilizado para a compensação, a própria compensação, uma vez que não há como declarar o código constante no Comprovante de Arrecadação, e a aceitação do crédito referente a Recolhimento Espontâneo; Embasa o direito pleiteado no art. 138 do CTN, e enfatiza que a espontaneidade deste recolhimento é a sua característica mais importante, dede que seja feito livremente, sem nenhuma ação coercitiva da autoridade tributária, pois a lei brasileira concede aos infratores a oportunidade para se redimirem; Não houve, por parte da SRF qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com a infração em foco, e sim, a verificação, pela impugnante, de que não havia sido recolhido o imposto na data correta e, assim, como sujeito passivo da obrigação, o recolher de fato. O entendimento é de que com a Denúncia Espontânea ou Recolhimento Espontâneo há a exclusão de possibilidade da cobrança de Multa Moratória; Observa a prescrição do direito do contribuinte de reclamar ou compensar este crédito, e, respaldase no art. 150, §1º do CTN, entendendo que a homologação descrita neste artigo é considerada como tácita (quando a RFB não homologa o tributo), e a partir daí, e só daí, passa a contar o prazo de mais 5 (cinco) anos para que o contribuinte processe a restituição ou a compensação, caso o tributo tenha sido recolhido indevidamente; À vista do exposto, solicita como forma de dirimir este impasse, a aceitação da impugnação e consequentemente o acolhimento da mesma, afim de que tenha êxito na identificação do crédito apurado e da sua aceitação efetuada. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10073.901504/200812 Resolução nº 1302000.445 S1C3T2 Fl. 4 3 Não obstante as alegações do recorrente, o Acórdão nº 1229.692, lavrado pela 1ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro I, de 8 de abril de 2010, negou provimento à Manifestação de Inconformidade, por unanimidade de votos. Transcrevese: Tempestiva a manifestação de inconformidade (fl. 27), dela conheço. Primeiramente, observo que a jurisprudência (quer administrativa, quer judicial) não tem força vinculante. O interessado pretendeu compensar valor pago a título de multa de mora, invocando o art. 138 do CTN. Não se pode confundir pagamento atrasado com denúncia espontânea. O art. 138 do CTN, que trata da denúncia espontânea, não eliminou a figura da multa de mora, a que o Código também faz referência (art. 134, parágrafo único). A iniciativa do sujeito passivo, promovida com a observância do art. 138, tem a virtude de evitar a aplicação de penas de natureza punitiva, porém não afasta os juros de mora e a chamada multa de mora, de índole indenizatória e destituída do caráter de punição. A multa de mora não é afastada em razão de recolhimento espontâneo e, por conseguinte, seu pagamento não representa indébito. O Despacho Decisório recorrido deve, então, ser mantido, por não ter restado configurada a existência de crédito. É o meu voto. Intimada do acórdão, em 22/10/2010 (AR de fls. 37), o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, cujas razões são (não há data de postagem, nem mesmo data do recebimento do recurso pela DRJ): No entendimento da Interessada, no caso da denúncia espontânea da infração, acompanhada da prova do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, a responsabilidade é excluída. Notese que no caso de denúncia espontânea não é devida multa, apenas juros de mora de conformidade com o artigo 138 do CTN. A legislação tributária sempre exigiu o acréscimo de multa de mora, além de juros e correção, sobre o valor dos tributos e contribuições recolhidos fora do prazo legal, ainda de que forma espontânea e antes do início de qualquer procedimento administrativo. Neste caso, e conforme o CTN, haveria a inaplicabilidade da multa tributária quando o infrator da legislação procura espontaneamente o fisco para regularizar sua situação. Entende também a contestante que é preciso não só a denúncia espontânea, como também o pagamento do tributo, e a esse respeito. Entende a impugnante que a jurisprudência constitui ela própria um fator do processo de desenvolvimento geral. A tentativa de aplicação do Direito através de Súmulas contaminaria a jurisprudência com o caráter estático das leis. Se assim fosse, não haveria a necessidade de impugnação, e existiria dificuldade para aplicação do Princípio do Contraditório e da Ampla Defesa. O tributo em questão foi recolhido voluntariamente com multa e juros , não havendo qualquer cobrança por parte da Receita Federal e, destarte, entende a recorrente que o Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10073.901504/200812 Resolução nº 1302000.445 S1C3T2 Fl. 5 4 artigo 134 não se aplica como justificativa para o não reconhecimento do direito a compensar, conforme observação que foi adicionada ao embasamento da decisão da Primeira Turma da DRF/RJ1. Constitui o art. 138, do Código Tributário Nacional, a inserção do instituto da denúncia espontânea, forma de exclusão da responsabilidade do sujeito passivo por infração ao contido na norma tributária como obrigações, que podem ser principais ou acessórias. Nas formas de lançamento por homologação ou declararão que dependem inicialmente da conduta voluntária do sujeito passivo, sem retirar o poder da autoridade administrativa tributária de verificação posterior, quanto ao procedimento adotado pelo contribuinte, se está correto nos deveres formais e principais, se aplica o instituto da denúncia espontânea. A finalidade do legislador do Código Tributário Nacional no art. 138, como forma de exclusão da responsabilidade por infração é a de premiar o contribuinte que desiste da conduta infracional. O recolhimento espontâneo explicita que o recolhimento será do tributo devido e dos juros de mora. O art 138 não faz distinção, nem menção sobre as multas, versa apenas que, sobre o pagamento incidem juros e correção monetária, desse modo, a exclusão é extensiva a todas as multas. A multa de mora é punitiva de acordo com a maioria da doutrina e do unânime entendimento do Superior Tribunal de Justiça, devendo ser excluída do pagamento em que estiver dentro do que preceitua o art 138. Esta multa está configurada na legislação dos entes tributantes, como acréscimos legais, juntamente com a SELIC (juros e a correção monetária) e dificilmente faz a exceção ao pagamento espontâneo, que não pode ser constituído de qualquer penalidade por ocasião da denúncia. Desta forma, após a narrativa e exposições acima, a conclusão é de que com a Denúncia Espontânea ou Recolhimento Espontâneo há a exclusão de possibilidade da cobrança de Multa Moratória. Às fls. 124/127 temse a Resolução nº 1801000155, proferida pela 1ª Turma Especial do CARF, em 02 de outubro de 2012, por meio da qual resolveram os membros, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligência, nos seguintes termos: O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. Alega o contribuinte em seu recurso o seguinte: “O motivo da presente impugnação é o de analisar e contrapor o voto declarado no relatório da Primeira Turma da DRF/RJ1. em 08/04/2010, sentenciado contra a compensação que consta no processo em epígrafe cujo assunto é Denúncia Espontânea. No entendimento da Interessada, no caso da denúncia espontânea da infração, acompanhada da prova do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, a responsabilidade é excluída.” Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10073.901504/200812 Resolução nº 1302000.445 S1C3T2 Fl. 6 5 Em relação ao mérito há uma questão fundamental ao deslinde da questão, que é a comprovação da alegada denúncia espontânea. Entendeu o STJ que nos casos em que o contribuinte recolhe o tributo, em atraso, mas antes de qualquer procedimento de ofício ou mesmo de apresentar/retificar a DCTF, a Corte Superior entende que pode se beneficiar do instituto da denúncia espontânea com o fim de eximirse da exigência da multa moratória Diante da decisão sobre denúncia espontânea do STJ, que é de repercussão geral, se faz necessário para a comprovação da mesma que se junte a DCTF com o respectivo comprovante de sua entrega para o deslinde da questão. Em face do exposto, voto por baixar o processo em diligência para que se junte a DCTF, com a data de entrega, a fim de se comprovar a pertinência ou não do pagamento da multa e aproveitamento do crédito. À vista da Intimação ARF/ANR nº 10/2014 (fl. 130) para a apresentação da DCTF referente ao primeiro trimestre de 1998 e o respectivo recibo de entrega, a recorrente apresentou o referido recibo de entrega (fl. 132) e requereu (fl. 133) prazo de 15 dias para apresentação da DCTF. Justificou o pedido de prazo, em razão de mudança de profissional responsável pela área contábil e fiscal da empresa. Não obstante, os autos retornaram ao CARF sem a juntada da DCTF e sem informações da DRF, a respeito. É o relatório. Voto Conselheiro ROGÉRIO APARECIDO GIL Na forma acima, a recorrente interpôs recurso voluntário tempestivamente e está regularmente representada. Assim, presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso. Verificase que a diligência não concluída. A recorrente requereu prazo para apresentação da DCTF referente ao primeiros trimestre de 1998, porém não apresentou. Além da ausência da DCTF, a DRF não se manifestou sobre a Resolução nº 1801000.155 da 1ª Turma Especial. A juntada da DCTF e a análise pela DRF com o objetivo de verificar se realmente foram preenchidos os requisitos para a denúncia espontânea (art. 138, CTN), apresentase como condição para o desfecho desse caso, sem os quais não é possível verificar se assiste razão à recorrente. Dessa forma, voto no sentido de, novamente, converter o julgamento em diligência para determinar à DRF de origem que promova a juntada da DCTF da recorrente e forneça as seguintes informações: (a) apresentou DCTF com os valores dos débitos tributários condizentes com os períodos de recolhimentos dos DARF e posteriormente retificou os valores para maior; informar sobre as datas de entrega das DCTF, se for o caso; (b) se não sofreu ação/procedimento fiscal; (c) se os valores pleiteados a título de multa moratória foram efetivamente recolhidos aos cofres públicos e condizem com aqueles pleiteados na tabela anexa ao Formulário de fl. 01. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10073.901504/200812 Resolução nº 1302000.445 S1C3T2 Fl. 7 6 ROGÉRIO APARECIDO GIL Relator Fl. 146DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.927097/2009-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Nov 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002
ENTIDADE DE EDUCAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS. MENSALIDADES DE ALUNOS. ISENÇÃO. ATIVIDADE PRÓPRIA. ABRANGÊNCIA DO TERMO. POSSIBILIDADE DE SERVIÇOS CONTRAPRESTACIONAIS.
A entidade de educação sem fins lucrativos faz jus à isenção da Cofins sobre a receita relativa a sua atividade própria (aquela compatível com o seu objeto social), ainda que tenha origem em contraprestação direta dos beneficiários dos serviços prestados.
Recurso Especial do Contribuinte provido.
Numero da decisão: 9303-004.366
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram do Julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Possas (Presidente em exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ISENÇÃO. Recorrente SOCIEDADE PARANAENSE DE ENSINO E INFORMÁTICA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 ENTIDADE DE EDUCAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS. MENSALIDADES DE ALUNOS. ISENÇÃO. ATIVIDADE PRÓPRIA. ABRANGÊNCIA DO TERMO. POSSIBILIDADE DE SERVIÇOS CONTRAPRESTACIONAIS. A entidade de educação sem fins lucrativos faz jus à isenção da Cofins sobre a receita relativa a sua atividade própria (aquela compatível com o seu objeto social), ainda que tenha origem em contraprestação direta dos beneficiários dos serviços prestados. Recurso Especial do Contribuinte provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso especial do Contribuinte e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 70 97 /2 00 9- 11 Fl. 173DF CARF MF 2 Participaram do Julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Possas (Presidente em exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3803004.382, de 25/07/2013, proferido pela 3ª Turma Especial da 3ª Seção deste CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS. RECEITAS DAS ATIVIDADES PRÓPRIAS. ISENÇÃO. São isentas da Cofins somente as receitas decorrentes das atividades próprias das instituições de educação sem fins lucrativos, não abarcando as receitas obtidas na prestação de serviços com caráter contraprestacional. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente suscitou divergência em relação ao entendimento de que as receitas obtidas na prestação de serviços com caráter contraprestacional não são receitas decorrentes das atividades próprias da instituição. Visando comprovar as divergências, apresentou, como paradigmas, os Acórdãos nº 3801001.005 e 310201.333, cujas cópias de inteiro teor foram juntadas aos autos. O exame de admissibilidade do Recurso Especial encontrase às fls. 163/164. As contrarrazões apresentadas pela Fazenda Nacional, às fls. 166/171. É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A questão é simples e não comporta maiores digressões. Restringese a saber se a isenção da Cofins para as entidades de educação sem fins lucrativos compreende ou não as receitas obtidas na prestação de serviços com caráter contraprestacional (no caso em exame, as mensalidades escolares). Conforme demonstrado no exame de sua admissibilidade, o recurso especial trouxe entendimentos divergentes adotados por Turmas diversas deste Conselho Administrativo. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10980.927097/200911 Acórdão n.º 9303004.366 CSRFT3 Fl. 174 3 Conhecido, o recurso também deve ser provido. É que, como é do conhecimento de todos, a matéria já foi pacificada pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ, por meio de decisão submetida à sistemática dos recursos repetitivos, assim ementada: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. COFINS. CONCEITO DE RECEITAS RELATIVAS ÀS ATIVIDADES PRÓPRIAS DAS ENTIDADES SEM FINS LUCRATIVOS PARA FINS DE GOZO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ART. 14, X, DA MP N. 2.15835/2001. ILEGALIDADE DO ART. 47, II E § 2º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N. 247/2002. SOCIEDADE CIVIL EDUCACIONAL OU DE CARÁTER CULTURAL E CIENTÍFICO. MENSALIDADES DE ALUNOS. 1. A questão central dos autos se refere ao exame da isenção da COFINS, contida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), relativa às entidades sem fins lucrativos, a fim de verificar se abrange as mensalidades pagas pelos alunos de instituição de ensino como contraprestação desses serviços educacionais. O presente recurso representativo da controvérsia não discute quaisquer outras receitas que não as mensalidades, não havendo que se falar em receitas decorrentes de aplicações financeiras ou decorrentes de mercadorias e serviços outros (vg. estacionamentos pagos, lanchonetes, aluguel ou taxa cobrada pela utilização de salões, auditórios, quadras, campos esportivos, dependências e instalações, venda de ingressos para eventos promovidos pela entidade, receitas de formaturas, excursões, etc.) prestados por essas entidades que não sejam exclusivamente os de educação. 2. O parágrafo § 2º do art. 47 da IN 247/2002 da Secretaria da Receita Federal ofende o inciso X do art. 14 da MP n° 2.158 35/01 ao excluir do conceito de "receitas relativas às atividades próprias das entidades", as contraprestações pelos serviços próprios de educação, que são as mensalidades escolares recebidas de alunos. 3. Isto porque a entidade de ensino tem por finalidade precípua a prestação de serviços educacionais. Tratase da sua razão de existir, do núcleo de suas atividades, do próprio serviço para o qual foi instituída, na expressão dos artigos 12 e 15 da Lei n.º 9.532/97. Nessa toada, não há como compreender que as receitas auferidas nessa condição (mensalidades dos alunos) não sejam aquelas decorrentes de "atividades próprias da entidade", conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.158 35/2001). Sendo assim, é flagrante a ilicitude do art. 47, §2º, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão. Fl. 175DF CARF MF 4 4. Precedentes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF: Processo n. 19515.002921/200639, Acórdão n. 203 12738, 3ª TURMA / CSRF / CARF / MF / DF, Rel. Cons. Rodrigo Cardozo Miranda, publicado em 11/03/2008; Processo n. 10580.009928/200461, Acórdão n. 3401002.233, 1ªTO / 4ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF, Rel. Cons. Emanuel Carlos Dantas de Assis, publicado em 16/08/2013; Processo n. 10680.003343/200591, Acórdão n. 3201001.457, 1ªTO / 2ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF, Rel. Cons. Mércia Helena Trajano Damorim, Rel. designado Cons. Daniel Mariz Gudiño, publicado em 04/02/2014; Processo n. 13839.001046/200558, Acórdão n. 3202000.904, 2ªTO / 2ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF. Rel. Cons. Thiago Moura de Albuquerque Alves, publicado em 18/11/2013; Processo n. 10183.003953/200414 acórdãos 930301.486 e 9303001.869, 3ª TURMA / CSRF, Rel. Cons. Nanci Gama, julgado em 30.05.2011; Processo n. 15504.019042/201009, Acórdão 3403002.280, 3ªTO / 4ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF, Rel. Cons. Ivan Allegretti, publicado em 01/08/2013; Processo: 10384.003726/200775, Acórdão 3302001.935, 2ªTO / 3ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF, Rel. Cons. Fabiola Cassiano Keramidas, publicado em 04/03/2013; Processo: 15504.019042/201009, Acórdão 3403 002.280, 3ªTO / 4ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF, Rel. Cons. Ivan Allegretti, julgado em 25.06.2013; Acórdão 9303 001.869, Processo: 19515.002662/200484, 3ª TURMA / CSRF / CARF / MF, Rel. Cons. Julio Cesar Alves Ramos, Sessão de 07/03/2012. 5. Precedentes em sentido contrário: AgRg no REsp 476246/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Humberto Martins, DJ 12/11/2007, p. 199; AgRg no REsp 1145172/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Humberto Martins, DJe 29/10/2009; Processo: 15504.011242/201013, Acórdão 3401002.021, 1ªTO / 4ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF, Rel. Cons. Odassi Guerzoin Filho, publicado em 28/11/2012; Súmula n. 107 do CARF: "A receita da atividade própria, objeto de isenção da COFINS prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP n. 2.15835, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei n. 9.532, da 1997". 6. Tese julgada para efeito do art. 543C, do CPC: as receitas auferidas a título de mensalidades dos alunos de instituições de ensino sem fins lucrativos são decorrentes de "atividades próprias da entidade", conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), sendo flagrante a ilicitude do art. 47, §2º, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão. 7. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1353111/RS, rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, DJe 18/12/2015). Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10980.927097/200911 Acórdão n.º 9303004.366 CSRFT3 Fl. 175 5 Registrese que as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça proferidas na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil), são de observância obrigatória no julgamento dos recursos administrativos pelo CARF, por imposição do art. 62 do Regimento Interno deste Colegiado (Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 – RICARF). Ademais, e em razão desta decisão judicial e de decisões administrativas antes proferidas, este Colegiado Administrativo, o CARF editou a Súmula nº 107, segundo a qual "A receita da atividade própria, objeto da isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP nº 2.15835, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997". Ante o exposto, conheço do recurso especial interposto pela contribuinte e, no mérito, doulhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 177DF CARF MF
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Numero do processo: 13520.000307/2009-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1999 a 31/08/1999
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - GFIP - VALORES DECLARADOS SOB ALEGAÇÃO DE ERRO - INEXISTÊNCIA DE EXPOSIÇÃO DE AGENTE NOCIVO FUNDADA EM PARECER ANTERIOR A FISCALIZAÇÃO - IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO
Embora seja a GFIP termo de confissão de dívida em relação aos valores declarados e não recolhidos, deve o auditor indicar no relatório fiscal se as informações ali contidas correspondem a realidade encontrada na empresa. A incorreção das informações, enseja autuação específica e não certeza do fato gerador do tributo, quando o contribuinte antes do procedimento fiscal, apresenta laudo de inexistência de exposição a agentes nocivos.
Embora verifique-se que a autoridade fiscal solicitou os documentos pertinentes a identificação dos riscos (conforme TIAD), quais sejam: CAT, PPRA, LTCAT, PCMSO E PPP, mas sem fazer qualquer observação no relatório fiscal sob a existência dos mesmos, a correlação das informações ali constantes com as informadas em GFIP, ou mesmo a recusa em apresentá-los, deve ser acatada a argumentação do recorrente se o mesmo apresenta laudo constatando a inexistência do fato gerador do tributo ora lançado.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-003.916
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo que negava provimento.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Relatora e Presidente em Exercício
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Relator
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A incorreção das informações, enseja autuação específica e não certeza do fato gerador do tributo, quando o contribuinte antes do procedimento fiscal, apresenta laudo de inexistência de exposição a agentes nocivos. Embora verifiquese que a autoridade fiscal solicitou os documentos pertinentes a identificação dos riscos (conforme TIAD), quais sejam: CAT, PPRA, LTCAT, PCMSO E PPP, mas sem fazer qualquer observação no relatório fiscal sob a existência dos mesmos, a correlação das informações ali constantes com as informadas em GFIP, ou mesmo a recusa em apresentá los, deve ser acatada a argumentação do recorrente se o mesmo apresenta laudo constatando a inexistência do fato gerador do tributo ora lançado. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 52 0. 00 03 07 /2 00 9- 20 Fl. 196DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo que negava provimento. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora e Presidente em Exercício Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 13520.000307/200920 Acórdão n.º 2401003.916 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de retorno de DILIGÊNCIA comandada pela 2 Câmara de Julgamento do CRPS, em 18/09/2006 (fls. 169 a 172), onde Órgão Julgador solicitou a conversão do julgamento em diligência para que seja elaborado e juntado aos autos parecer técnico elaborado por Médico Perito da Previdência Social, em que se conclua se os segurados empregados da autuada se encontravam ou não efetivamente expostos a agentes nocivos garantidores da aposentadoria especial aos 25 anos de serviço, devendo, para tanto, serem analisadas as demonstrações ambientais da empresa, entre outros documentos, e realizada inspeção no local de trabalho, emitindose parecer conclusivo. Todavia, a DRFB encaminhou despacho onde faz as seguintes considerações: "Tendose em vista as profundas alterações legislativas e administrativas decorridas entre a data da solicitação da diligência e a data presente, dentre as quais destacamos a criação da Receita Federal do Brasil e a alteração do Órgão Julgador Administrativo de segunda instância, atribuição atualmente conferida ao Conselho Superior de Recursos Fiscais, bem como e principalmente o fato de que os Médicos Peritos pertencem agora a Órgão distinto da Receita Federal, no caso o INSS, sugiro o encaminhamento do presente processo ao Conselho Superior de Recursos Fiscais para que este reafirme a necessidade da diligência e, sendo o caso, determine os termos de sua realização." Assim, para que possamos retomar o julgamento, passo a relatar os fatos constantes dos autos: A presente NFLD, lavrado sob o n. 35.521.5802, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa à título de contribuição adicional para financiamento da aposentadoria especial relativa à exposição a agentes nocivos (RAT – 25 anos), considerando a exposição dos empregados a agentes nocivos, conforme informado em GFIP. O período do presente levantamento abrange as competências 04/1999 a 08/1999, fls. 06 e 07. Os valores foram declarados na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social GFIP, mas não foram recolhidos em sua totalidade. Ainda destacou o auditor em seu relatório: O Contribuinte declarou conforme as relações discriminadas das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social r GFIPs, de 06/99 a 1602, a existência de trabalhadores classificados no código n i 4 do campo de ocorrências (demonstrado nas relações reprografadas em anexo, a título de amostragem, referentes a9s meses 01/02 e 03/02). Tal circunstância corresponde a afirmação de que o trabalhador está exposto ao agente nocivo, sujeito a condições especiais que prejudicam à saúde ou a integridade física, justificando a aposentadoria especial, neste caso, aos 25 anos de serviço ou proporcional conforme o tempo de serviço çle cada trabalhador. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 Contudo, conforme asi relações dos resumos dos encargos sociais, só ficou comprovado o recolhimento dos 3% referentes ao Seguro de Acidente de Trabalho —SAT (grau. de risco 3% considerado grave), não havendo, portanto, o recolhimento da contribuição adicional para custeio da aposentadoria especial, referente aos trabalhadores da empresa lotados nos setores de acabamento e supervisão de acabamento, para o período a 06/99 a 13/02. Vale observar que a configuração do fato gerador decorre da inquestionável declaração do próprio contribuinte, haja vista que a empresa está com a sua produção totalmente parada Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 21/10/2003, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 07/11/2003. Não conformada com a notificação o recorrente apresentou impugnação, fls. 46 a 48, onde manifestouse: No mérito a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito merece ser anulada, pois os funcionários que exerciam suas funções nos setores de acabamento e supervisão de acabamento não estavam expostos a riscos capazes de ensejar aposentadoria especial. A documentação acostada aos autosReferido documento, arquivado na sede da empresa, sempre serviu de base para orientar o grau de risco a que cada trabalhador estava submetido e consequentemente as alíquotas da contribuição adicional ao Seguro Acidente do Trabalho. Dessa forma, não é devido o adicional referente a es trabalhadores, o que torna inconsistente o lançamento efetuado. Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência integral do lançamento, conforme fls. 127 a 135. EMENTA. NFLD. CONTRIBUIÇÃO DE ADICIONAL PARA APOSENTADORIA ESPECIAL — AUSÊNCIA DE AR. PROCEDÊNCIA. 1. É obrigação da empresa efetuar o recolhimento do adicional sobre a remuneração dos segurados que trabalhem em atividade insalubre e que ocasione aposentadoria especial. 2. A ausência de acostamento do AR de intimação aos autos não é caso de nulidade, quando a notificada exerce seu direito de defesa, inteligência do art. 33, § 2°, da Portaria n.° 520 de 19 de maio de 2004. 3. Procedência do lançamento. LANÇAMENTO PROCEDENTE Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 153 a 158. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega o seguinte: Fl. 199DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 13520.000307/200920 Acórdão n.º 2401003.916 S2C4T1 Fl. 4 5 · No mérito a decisão deve ser anulada, pois os funcionários que exerciam as funções nos setores de acabamento e supervisão de acabamento não estavam expostos a riscos capazes de ensejar aposentadoria especial; · As alegações podem ser comprovadas por meio dos laudos anexados, que demonstram o grau de exposição do empregados; · A decisão recorrida manteve a exigência fiscal com base exclusivamente nas informações constantes na GFIP. NA prática o que ocorreu foi erro na declaração GFIP e o recorrente não notou a falha até a autuação; · Para que ocorra a incidência do tributo é necessário que ocorra no mundo fático a hipótese prevista abstratamente na norma tributária; · Assim, impõese seja julgada procedente o presente recurso, com o reconhecimento da nulidade da NFLD, em razão dos argumentos acima expostos que demonstram a inexistência de obrigação jurídica tributária. · Apresenta jurisprudência acerca do enquadramento das atividades deve corresponder ao grau de risco da atividade desenvolvida em cada estabelecimento. É o relatório. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl 164. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO Primeiramente, manifesto meu entendimento de que os valores declarados em GFIP constituem confissão de dívida, razão pela qual, correto o lançamento consubtanciado nos valores lançados em campo próprio da GFIP, onde destacou o recorrente que existiam empregados submetidos a agentes nocivos capazes de ensejar a aposentadoria especial, e por conseguinte sujeita a empresa a contribuição adicional. Os valores objeto da presente notificação foram lançados com base na GFIP, declaração realizada pela própria empresa. Conforme dispõe o art. 225, § 1º do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, abaixo transcrito, os dados informados em GFIP constituem termo de confissão de dívida quando não recolhidos os valores nela declarados. Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; (...) § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. Primeiramente, convém trazer os fatos narrados pelo auditor para o lançamento da alíquota adicional ora questionada. Senão vejamos: O Contribuinte declarou conforme as relações discriminadas das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social r GFIPs, de 06/99 a 1602, a existência de trabalhadores classificados no código n i 4 do campo de ocorrências (demonstrado nas relações reprografadas em anexo, a título de amostragem, referentes aos meses 01/02 e 03/02). Tal circunstância corresponde a I afirmação de que o trabalhador está exposto ao agente nocivo, Fl. 201DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 13520.000307/200920 Acórdão n.º 2401003.916 S2C4T1 Fl. 5 7 sujeito a condições especiais que prejudicam à saúde ou a integridade física, justificando a aposentadoria especial, neste caso, aos 25 anos de serviço ou proporcional conforme o tempo de serviço çle cada trabalhador. Contudo, conforme as relações dos resumos dos encargos sociais, só ficou comprovado o recolhimento dos 3% referentes ao Seguro de Acidente de Trabalho —SAT (grau. de risco 3% considerado grave), não havendo, portanto, o recolhimento da contribuição adicional para custeio da aposentadoria especial, referente aos trabalhadores da empresa lotados nos setores de acabamento e supervisão de acabamento, para o período a 0/99 a 13/02. Vale observar que a configuração do fato gerador decorre da inquestionável declaração do própriO contribuinte, haja vista que a empresa está com a sua produção totalmente parada. \ 3 Serviram de base para a apuração do débito, as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social — GFIPs e as relações dos resumos dos encargos sociais, no período de 09199 a 02/00. Ou seja, fundamenta a autoridade fiscal o lançamento no fato do recorrente ter informado em GFIP exposição de seus empregados a agentes nocivos, não tendo promovido a retificação das informações, o que é fator determinante na fundamentação do lançamento. Quanto a este ponto, assim, como trazido no voto original (anulado pela CSRF), entendo que as informações descritas em GFIP constituem sim, confissão de dívida, razão pela qual fazse necessário caso, constatada qualquer equivoco por parte do recorrente, a retificação da mesma, para que se possa acatar sua argumentação quanto a improcedência do lançamento. Entendo que, embora seja a GFIP obrigação acessória, podendo ser confrontadas as informações ali constantes com outros documentos apresentados pelo contribuinte durante o procedimento fiscal, a retificação da mesma, fazendo constar a informação verdadeira, é indispensável para que o banco de dados da previdência social, seja alimentado com informações fidedignas quanto a real prestação de serviços. Ao contrário do que afirma o recorrente, de que “não faz qualquer sentido a retificação da GFIP, já que tomou conhecimento do erro após a lavratura da presente NFLD”, entendo imprescindível a referida retificação, já que é essa informação perante a previdência que determinará a concessão da aposentadoria especial de 25 anos aos empregados informados com a categoria 4. Assim, deve o INSS (previdência) ter conhecimento do erro cometido, e que aquelas informações devem ser ajustadas nos seus bancos de dados já que os empregados não fazem jus ao benefício. Contudo, em julgamento idêntico da mesma empresa, cujo encaminhamento inicial havia sido no sentido acima descrito, houve reforma da decisão pelo colegiado da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em relação ao processo 35013.004408/200347, considerando que a mera informação em GFIP não seria argumento válido para que se determine a procedência do feito. Considerando a pertinência dos pontos trazidos pelo ilustre relator do processo no âmbito da Câmara Superior de recursos Fiscais, passo novamente a análise do Fl. 202DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 8 mérito da contenda, considerando os fatos trazidos nos autos e a decisão tomada por aquele colegiado. Assim, abstraindome das informações prestadas pelo recorrente em sua GFIP, vislumbro uma falha por parte da autoridade na constituição do lançamento, que ensejaram dúvidas também no primeiro julgamento no ambito do CRPS, razão pela qual naquela oportunidade foi baixado o processo em diligência. Ao observarmos o termo de intimação para apresentação de documentos TIAD, fls. 15, verificase que a autoridade fiscal, solicitou os documentos pertinentes a identificação dos riscos, quais sejam: CAT, PPRA, LTCAT, PCMSO E PPP, mas sem fazer qualquer observação no relatório fiscal sob a existência dos mesmos, a correlação das informações ali constantes com as informadas em GFIP, ou mesmo a recusa em apresentálos, o que ensejaria a autuação específica. Por outro lado, em sua defesa apresentou o recorrente parecer técnico, datado de 2001, ou seja, anterior a realização do presente lançamento, onde indica o perito a inexistência de agente nocivo ruído. Assim, caberia a autoridade fiscal, ao menos mencionar em seu relatório, se teve ou não acesso aos laudos e se houve o confronto dos mesmos com as informações em GFIP, posto que se constatado durante o procedimento a inexistência dos agentes nocivos (conforme indicado no parecer técnico, que digase é anterior ao lançamento), deveria promover o auditor a autuação específica das GFIP, por informações incorretas, mas não o lançamento da obrigação principal. Isto posto, considerando a falta da autoridade fiscal na caracterização do fato gerador, e o parecer contido nos autos anterior ao lançamento de inexistência do agente indicado em GFIP, entendo deva ser dado provimento ao recurso, com fundamento nos termos acima descritos. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO DO RECURSO para DARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10907.002558/2008-35
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Nov 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 01/01/2000
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA.
Quando se trate de lançamento de crédito tributário, consoante disposto nos arts. 113 e 139 do CTN, imperiosa a observância de Lei Complementar, nos termos do art. 146, III daquele código. Posição estampada na Súmula Vinculante nº 08 do STF.
Numero da decisão: 9303-004.329
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente em exercício
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
EDITADO EM: 08/10/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Valcir Gassen, Júlio César Alves Ramos e Luiz Augusto do Couto Chagas e as Conselheiras Érika Costa Camargos Autran, Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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DECADÊNCIA. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CNC COMERCIAL DE ACESSÓRIOS AUTOMOTIVOS ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 01/01/2000 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. Quando se trate de lançamento de crédito tributário, consoante disposto nos arts. 113 e 139 do CTN, imperiosa a observância de Lei Complementar, nos termos do art. 146, III daquele código. Posição estampada na Súmula Vinculante nº 08 do STF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente em exercício JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. EDITADO EM: 08/10/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Valcir Gassen, Júlio César Alves Ramos e Luiz AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 25 58 /2 00 8- 35 Fl. 6732DF CARF MF 2 Augusto do Couto Chagas e as Conselheiras Érika Costa Camargos Autran, Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Controverte a Fazenda Nacional a decadência para lançamento de penalidade administrativa, mais precisamente o termo inicial do prazo de cinco anos. No caso presente, exigese a multa pecuniária decorrente da conversão da pena de perdimento de mercadorias importadas com ocultação dolosa do real importador, disciplinada no art. 23, V, e seu § 1º, do Decretolei n° 1.455/1976. A decisão recorrida negou provimento a recurso de ofício que exonerou o lançamento relativo a duas Declarações de Importação por entender aplicável a disposição do art. 139 do Declei 37/66, com a redação que lhe deu o decretolei 2.472/88, reproduzida no art. 669 do Regulamento Aduaneiro baixado pelo Decreto 4.543/2002. Segundo tais dispositivos, o prazo, ainda que de cinco anos, se inicia na ocorrência da infração, no caso, no registro da DI. Defende a Procuradoria da Fazenda Nacional o entendimento, sufragado em dois acórdãos paradigmas, de que sempre devem prevalecer, no que tange a decadência, as disposições do CTN, até por força da Súmula Vinculante nº 08 do STF. Admitido o recurso, não sobrevieram contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS O recurso foi bem admitido, uma vez que o paradigma examina a mesma matéria e conclui de forma absolutamente antagônica ao que decidiu a Câmara recorrida. Dele conheço. A matéria submetida a este colegiado não é simples, o que é demonstrado pela existência de posições antagônicas bem fundamentadas. Seu enfrentamento, a meu sentir, passa pela aceitação de alguns pressupostos. O primeiro deles consiste na constatação de que o dispositivo legal adotado na decisão recorrida consta do decreto regulamentar aduaneiro editado após até mesmo a edição da Súmula Vinculante nº 08 do STF1. Isso, a meu sentir, implica reconhecer que o Poder Executivo entendeo aplicável ainda assim. O segundo pressuposto é o de vinculação dos julgadores integrantes do CARF às disposições desses atos regulamentares. Assim comanda o art. 62 do RICARF atual2, 1 Refirome ao decreto 6.759, de 2009, ao passo que a Súmula é de 2008. 2 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 6733DF CARF MF Processo nº 10907.002558/200835 Acórdão n.º 9303004.329 CSRFT3 Fl. 3 3 em linha com todos os anteriores. Embora aí se faça menção às Súmulas Vinculantes, entendo que ele esteja a autorizar o afastamento do ato que tenha sido objeto da súmula se este fundamentar o crédito tributário sob julgamento. Para melhor esclarecer, ele autoriza que seja desconsiderado ato legal ou normativo editado antes de Súmula Vinculante que o venha a considerar inconstitucional. Não é este o caso: o Regulamento aduaneiro foi editado depois da Súmula. A conjunção dessas premissas, pareceme, nos obriga a concluir que a disposição legal está mesmo, ao menos no entender do Poder Executivo, em consonância com a Constituição, ainda que, saibamos todos, exija ela a disciplina da Lei Complementar para o trato da figura da decadência em matéria tributária3 . E para tanto não vejo outra possibilidade que não a da ênfase na expressão acima. Explicome. Por trás da tese que reconhece a decadência sem observância das disposições do CTN está o entendimento de que há penalidades que não decorrem do descumprimento de obrigações tributárias acessórias, estas que estariam àquele subsumidas. Com efeito, para os defensores dessa corrente, cabendo ao Direito Aduaneiro, precipuamente, a regulação do comércio exterior, nele haveria normas que não ostentariam a natureza tributária. Elas consistem naquelas disposições que apenas tenham por objeto tal regulação, sem qualquer vinculação aos tributos exigíveis nas operações de comércio exterior. A melhor exposição do tema, que conheço, é a do eminente especialista e ex membro desta Casa, dr. Rodrigo Mineiro Fernandes4, que peço vênia para transcrever: (...) 2. DIREITO ADUANEIRO E DIREITO TRIBUTÁRIO: DISTINÇÕES BÁSICAS § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 3 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; 4 FERNANDES, Rodrigo Mineiro. A denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. In: Revista Direito Aduaneiro, Marítimo e Portuário vol.5, n.25. São Paulo: IOB, 2015, p.925. Fl. 6734DF CARF MF 4 Inicialmente, importanos diferenciar o regime jurídico aduaneiro do regime jurídico tributário. Podemos considerar o Direito Aduaneiro como um conjunto de normas que regulam o tráfego internacional de mercadorias, segundo a definição do professor argentino Ricardo Basaldúa (2011, p.503), ou na definição de Rosaldo Trevisan (2008, p.40 41), como um conjunto de proposições jurídiconormativas que disciplinam as relações entre a Aduana e os intervenientes nas operações de comércio exterior. Seu caráter é multidisciplinar e intervencionista, tendo como objeto de estudo o Comércio Internacional e suas relações derivadas. Para denominarmos uma matéria como aduaneira é indispensável encontrar seus pressupostos básicos: (i) existência de um território aduaneiro; (ii) existência de uma mercadoria, dentro de um conceito amplo (de tudo aquilo suscetível de ser importado ou exportado); e (iii) sua introdução ou saída, denominada de importação e exportação. Segundo Ricardo Xavier Basaldúa (2007, p.41), a função essencial da Aduana, cuja ausência a descaracterizaria, é o controle que deve exercer sobre as mercadorias objeto do tráfego internacional, ou seja, sobre as importações ou exportações. Tratase do princípio da universalidade do controle aduaneiro, sem o qual não existiria função aduaneira, corolário da soberania do território. Podemos considerar o Controle Aduaneiro como o bem jurídico tutelado pelo Direito Aduaneiro, representando o poder soberano do Estado e seu poder de polícia. Seu objetivo é a proteção da sociedade, por meio do combate à importação de mercadorias de importação restrita ou proibidas, como instrumento de combate ao tráfico de drogas, de armas e lavagem de dinheiro, e ainda, como proteção à sociedade no que diz respeito à saúde pública e proteção do meio ambiente, além da proteção à economia nacional. Reflete também outra característica do Direito Aduaneiro: a formalidade requerida nos atos praticados junto à administração aduaneira, não como mera obrigação acessória e burocrática, mas como medida de controle e segurança dos atos aduaneiros praticados. O controle aduaneiro atua como um instrumento de defesa dos interesses da sociedade e da economia nacional, independentemente da simples arrecadação tributária. A tributação aduaneira é considerada como a outra clássica função aduaneira e foi, durante muito tempo, a mais relevante, mediante a arrecadação e fiscalização dos tributos incidentes sobre as operações de comércio exterior. Ricardo Basaldúa (1988, p.206) não a considera como uma função essencial do Direito Aduaneiro, sendo perfeitamente possível a existência de Aduana sem a imposição tributária. As medidas tarifárias incidentes nas operações de importação e exportação representam a atuação estatal regulatória por indução, seja mediante a criação de incentivos fiscais com aplicação de regimes aduaneiros especiais, ou mediante a Fl. 6735DF CARF MF Processo nº 10907.002558/200835 Acórdão n.º 9303004.329 CSRFT3 Fl. 4 5 majoração da alíquota incidente sobre impostos de importação sobre determinados produtos. O Direito Aduaneiro é integrado por uma pluralidade de normas que podem ser classificadas, de acordo com o objetivo proposto, como tributárias, penais, administrativas, comerciais, processuais e constitucionais. De forma resumida, considerando as funções principais da Aduana, a regulação do tráfego internacional de mercadorias pode ser classificada de diferentes maneiras: (i) quando a regulação se dá por meio do controle aduaneiro, estaremos no campo do Direito Aduaneiro Administrativo; (ii) quando a regulação ocorre por meio da aplicação de restrições, também estaremos no campo do Direito Aduaneiro Econômico; (iii) quando a regulação ocorre por meio da tributação, estaremos no campo do Direito Aduaneiro Tributário, ou do Direito Tributário Aduaneiro, dependendo da perspectiva adotada. (...) A ela aderi por não encontrar outra forma de realizar a necessária e já mencionada compatibilização. A conclusão disso tudo é que, penso, devamos examinar em cada caso o direito tutelado pela norma infringida de modo a identificar a sua natureza e sua consequente disciplina. Em outras palavras, para cada penalidade administrativa na área aduaneira há de se perquirir se está ela ou não afeta ao CTN. O presente caso diz respeito à pena de perdimento prevista no art. 23, V, e seu § 1º, do Decretolei n° 1.455/1976, decorrente da ocultação dolosa do real importador. O tipo infracional em discussão apenas requer a ocorrência da fraude ou da simulação, que pode, inclusive, ser presumido nas condições estabelecidas no dispositivo5. O perdimento, quando impossível por não mais se encontrarem as mercadorias, convertese em mula pecuniária no valor daquelas. Claro está, a meu sentir, que a infração imputada ao sujeito passivo não se limita a descumprimento de obrigação acessória exclusivamente aduaneira, isto é, que nenhuma vinculação guarde com a obrigação tributária principal relativa aos impostos devidos pela importação. De fato, deixase de cumprir a obrigação de informar corretamente o responsável pela importação, com o objetivo de sonegar os tributos devidos nesta ou na seguinte operação. Não vejo, por isso, como atribuirlhe natureza nãotributária. O que ela busca coibir é precisamente uma conduta que pode levar ao recolhimento a menor de tributos, e no mais das vezes, esse é precisamente o objetivo. É claro que se pode ponderar que para coibila 5 Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: . (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Fl. 6736DF CARF MF 6 talvez bastasse a exigência desses tributos sonegados com uma penalidade a eles proporcional. Assim, porém, não entendeu o legislador. Nessa linha, entendo que a obrigação acessória malferida tem, sim, natureza tributária e, como tal, se submete ao regramento do CTN, especialmente os seus arts. 113 e 139. Logo, na linha do que dispôs o e. STF na Súmula Vinculante nº 08, o prazo decadencial a ela afeto é aquele disposto no art.173, I do codex, iniciandose no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que a autoridade administrativa poderia proceder ao seu lançamento, nada havendo decaído no presente caso. Voto, pois, pelo integral provimento do recurso da Fazenda Nacional. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 6737DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.903596/2012-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 05/01/2006
PIS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazê-lo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas.
PIS - IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO.
Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.566
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(Assinado com certificado digital)
Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do Fato Gerador: 05/01/2006 PIS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazê-lo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. PIS - IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1823; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.903596/201204 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402003.566 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de dezembro de 2016 Matéria PIS PEDIDO DE RESTITUIÇÃO Recorrente WYNY DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO DE COUROS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 05/01/2006 PIS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. PIS IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 35 96 /2 01 2- 04 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10930.903596/201204 Acórdão n.º 3402003.566 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata os presentes autos de Pedido de Restituição (PER), por meio do qual a Recorrente solicita a restituição do crédito decorrente do pagamento de PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. No Despacho Decisório, a autoridade competente da DRF em Londrina/PR, indeferiu o pleito da interessada, uma vez que o DARF informado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, "não restando crédito disponível para restituição". Inconformada com a decisão proferida, a empresa apresentou manifestação de inconformidade na qual esclarece tratarse de pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi. Consigna que a Lei nº 10.865/2004 instituiu as contribuições do PIS e da COFINS sobre a importação de bens e serviços, mas não foi clara em relação à incidência sobre as quantias remetidas ao exterior a representantes comerciais a título de comissões sobre vendas, o que fez com que a Recorrente optasse por recolher as contribuições sobre essas operações. Entretanto, a Receita Federal do Brasil, em resposta a diversas consultas (cita duas), passou a vazar o entendimento de que as comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior, não estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS Importação. Isso porque, anota a Recorrente, essas operações não configuram hipótese de serviços prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Assim, uma vez ter efetuado o pagamento de tributo indevido, tem o direito à restituição na forma prevista no art. 165 do Código Tributário Nacional CTN, devidamente corrigido pela taxa SELIC, conforme prescreve a Lei nº 9.250, de 1995, "ainda que informado o débito em DCTF". Sobreveio, então, o Acórdão nº 06045.938, da DRJ em Curitiba (PR), negando provimento à Manifestação de Inconformidade. Irresignada com a referida decisão, foi interposto o presente recurso voluntário, cujas razões, em suma, são as seguintes: (i) diferente do que entendeu a autoridade julgadora, a empresa recorrente comprovou ser pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi; (ii) que demonstrou que a Lei n° 10.865, de 2004, que instituiu as contribuições ao PIS/Pasep e COFINS sobre a importação de bens e serviços, não foi clara ao determinar a incidência sobre as quantias pagas, ou remetidas ao exterior, a representantes comerciais domiciliados no exterior a título de comissões sobre vendas; Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10930.903596/201204 Acórdão n.º 3402003.566 S3C4T2 Fl. 4 3 (iii) para não sofrer sanções, optou por recolher as contribuições sobre as quantias remetidas ao exterior (para representantes domiciliados no exterior) incidentes sobre comissões sobre vendas, conforme (DARF's) apresentados; (iv) ocorre que, posteriormente, a própria RFB, através de inúmeras respostas a Soluções de Consultas, passou a definir que as "comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior não estão sujeitas à incidência da COFINS/PISImportação", por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Reproduz algumas dessas Solução de Consulta. (v) que o processo administrativo sempre deve buscar a verdade real ou material relativa aos fatos tributários, em decorrência da estrita legalidade tributária, que devem nortear todos os atos da administração fiscal. Com isto, não basta simplesmente argumentar que "prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido", para negar a existência do direito creditório; (vi) frisa que os erros contidos em declaração podem e devem ser retificados de ofício, por força da estrita legalidade tributária e nos moldes do art. 147, § 2º do CTN. (vii) que seja reconhecido que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis em valores devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95; (viii) requer que seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova ou esclarecimento de dúvidas relativas aos fatos trazidos neste processo. À vista do exposto, espera e requer seja julgado integralmente procedente o presente recurso, a fim de que seja reconhecido o direito creditório e assegurada a restituição das quantias recolhidas indevidamente. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.529, de 13 de dezembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10930.903656/201281, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.529): Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10930.903596/201204 Acórdão n.º 3402003.566 S3C4T2 Fl. 5 4 Emerge do relatado, que o objeto do pedido de ressarcimento tem como fundamento o indébito de PIS/Pasep sobre comissão de venda paga a representantes comerciais residentes/domiciliados no exterior. No referido Despacho Decisório restou consignado que, "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição". Consta dos autos que o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. Ou seja, ao que tudo indica, o contribuinte não retificou a DCTF no que pertine ao pleito em questão, por isso a conclusão do despacho decisório vestibular que o valor sob pedido de ressarcimento foi "integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte". Por outro lado, a Recorrente tenta demonstrar em seu recurso, que não há incidência de contribuições para o PIS Importação sobre remessas realizadas para o exterior para pagamento de comissões à agentes no exterior a título de comissões ali realizadas, por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique, e que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis e em montantes devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95. Tudo com base na Lei nº 10.865, de 2004 e Soluções de Consultas emitidas pela RFB que cita. Contudo, se de um lado a decisão recorrida tenha asseverado que "(...) como se vê uma das hipóteses de ocorrência do fato gerador das contribuições ao PIS e a COFINS, sobre importação de serviços, é a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação pelo serviço prestado", como alega a peticionante, por outro giro, deixou patente que o ônus da prova quanto ao indébito seria da ora Recorrente, nos seguintes termos: "(...) Mas, para a verificação se os valores remetidos ao exterior atendem às condições estabelecidas em lei para a incidência das contribuições sobre a importação de serviços ou, não se caracterizando o fato gerador da obrigação tributária, há, de fato, o indébito reclamado pela interessada, é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. Ocorre que, no presente caso, prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido. Nesse sentido, é bom lembrar que não se permite, depois de iniciado qualquer procedimento fiscal, que seja retificada declaração quando vise a reduzir ou a excluir tributo, a não ser mediante a comprovação do erro em que se funde. É o que Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10930.903596/201204 Acórdão n.º 3402003.566 S3C4T2 Fl. 6 5 determina o art. 147, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966. E, como visto, o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. (sublinhei) E conclui a decisão a quo: "(...) Assim, instaurado o contencioso administrativo, as alegações quanto ao suposto crédito decorrente de recolhimento indevido ou a maior, como no caso em análise, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da contribuinte. Dessa forma, uma vez que a conclusão emitida pela autoridade administrativa teve como pressuposto as informações prestadas pela própria interessada em declarações fiscais válidas a produzir efeitos na data da emissão do Despacho Decisório e não havendo prova hábil que contrarie as informações prestadas espontaneamente, demonstrando o pagamento indevido do tributo, é de se manter o indeferimento da restituição pleiteada". Portanto, a lide se resume na questão de atendimento de condições estabelecidas em lei e provas documentais trazidos aos autos, pois para o deslinde do litígio é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, mormente quando o pedido versa sobre suposto pagamento indevido. No caso em análise, por se tratar de pedido de restituição, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da recorrente. Documentação essa, frisese, de posse da recorrente por determinação legal, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. É de conhecimento que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo legislador nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do novo Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para o Fisco quando realiza o lançamento tributário e para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10930.903596/201204 Acórdão n.º 3402003.566 S3C4T2 Fl. 7 6 E, no presente caso, é fato que prova alguma foi trazida aos autos pela Recorrente que comprovem que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora ela tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, quer na impugnação, quer agora na fase recursal. Demais disso, o fundamento da decisão recorrida foi justamente este, qual seja, a falta de prova. Mas, contrariando os ditames do ônus da distribuição da prova para provar fato constitutivo de seu direito, insiste que "seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova". Ora, se toda a documentação para provar o direito que alega está em seu poder, deveria ter a Recorrente produzido tal prova quando da manifestação de inconformidade, ou mesmo em sede de recurso voluntário, o que não ocorreu. Diante desse quadro, entendo que a decisão da DRJ é merecedora de ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Conclusão Assim, concluo que por falta de prova hábil acostadas nos autos, ônus seu de produzir, deve ser negado seu pleito. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.720254/2009-64
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RECONHECIMENTO DE OFÍCIO DE VÍCIO MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE.
Não cabe o reconhecimento de nulidade, por eventual vício material, quando a matéria não tiver sido devidamente admitida, como objeto do recurso especial.
IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA.
Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora. Precedentes do STF e do STJ.
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se o regime de competência.
Numero da decisão: 9202-004.026
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela relatora, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes (relatora), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes (relatora), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Apresentarão declaração de voto os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra. Fizeram sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Isaak Broder OAB/BA 17521 e a representante da Fazenda Nacional, Dra. Patrícia de Amorim Gomes Macedo
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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IMPOSSIBILIDADE. Não cabe o reconhecimento de nulidade, por eventual vício material, quando a matéria não tiver sido devidamente admitida, como objeto do recurso especial. IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora. Precedentes do STF e do STJ. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se o regime de competência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela relatora, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes (relatora), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes (relatora), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Fl. 267DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, As sinado digitalmente em 11/08/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 0 9/08/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 10580.720254/2009-64 Acórdão n.º 9202-004.026 CSRF-T2 Fl. 25 2 Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Apresentarão declaração de voto os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra. Fizeram sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Isaak Broder OAB/BA 17521 e a representante da Fazenda Nacional, Dra. Patrícia de Amorim Gomes Macedo (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes - Relatora (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Redator Designado (Assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri – Declaração de Voto (Assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra – Declaração de Voto Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de Análise de Divergência motivado pelo Contribuinte, em face de Acórdão proferido em julgamento de recurso voluntário. Trata-se de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física dos exercícios 2005, 2006 e 2007, anos-calendário 2004, 2005, e 2006, em razão de a autoridade fiscal ter Fl. 268DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, As sinado digitalmente em 11/08/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 0 9/08/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 10580.720254/2009-64 Acórdão n.º 9202-004.026 CSRF-T2 Fl. 26 3 classificado como rendimentos tributáveis, valores declarados como isentos ou não tributáveis tal como informado pela Fonte Pagadora Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. Referidos rendimentos correspondem a diferença entre a transformação de Cruzeiros Reais para Unidade Real de Valor – URV, reconhecidas e pagas em 36 meses, de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Estadual nº 8.730/2003 do Estado da Bahia. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, consequentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Foi interposta impugnação foi indeferida em sede de julgamento de primeira instância. O Contribuinte interpôs Recurso, ao qual foi dado parcial provimento ao recurso para tão somente excluir a multa de ofício. O Contribuinte apresentou Recurso Especial ao qual foi dado parcial seguimento, para reapreciação apenas da matéria questão da natureza indenizatória, ou não. Em reexame, o exame de admissibilidade foi confirmado pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Apresentadas contrarrazões pela Fazenda Nacional, vieram os autos conclusos. Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes, Relatora. O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser admitido. Suscito preliminarmente a nulidade absoluta do auto de infração em comento, pois este exige do contribuinte imposto de renda apurado conforme sistemática declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal - Tema 368 - Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente, “o que impacta diretamente na natureza do lançamento tributário. Estamos diante de vício que maculou o lançamento em sua essência, na própria aplicação da regra matriz, o que afasta qualquer possibilidade de recálculo do tributo” – conforme entendimento já defendido pela conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, ao qual me filio. Desse modo, é nulo o auto de infração por erro material. Não sendo este o entendimento da maioria do colegiado passo a análise do mérito. Trata-se de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física dos exercícios 2005, 2006 e 2007, anos-calendário 2004, 2005, e 2006, em razão de a autoridade fiscal ter classificado como rendimentos tributáveis, valores declarados como isentos ou não tributáveis Fl. 269DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, As sinado digitalmente em 11/08/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 0 9/08/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 10580.720254/2009-64 Acórdão n.º 9202-004.026 CSRF-T2 Fl. 27 4 tal, correspondentes a diferença entre a transformação de Cruzeiros Reais para Unidade Real de Valor – URV, reconhecidas e pagas em 36 meses, de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Estadual nº 8.730/2003 do Estado da Bahia. Na decisão recorrida, deu-se parcial provimento ao recurso voluntário, excluindo tão somente a multa de ofício. O Recurso Especial, apresentado pelo Contribuinte, trouxe para análise a divergência jurisprudencial no tocante aos seguintes pontos: 1) violação à Súmula n° 2 do CARF e ao art. 62 de seu Regimento Interno, em face do afastamento de legislação tributária fundada em incompatibilidade com artigo da Constituição Federal; 2) imprestabilidade da base de cálculo na forma em que se encontra – lançamento que desconsiderou possíveis deduções e apresentou erro na sua construção; 3) “URV” – parcelas de natureza indenizatória; e 4) não incidência de IR sobre os juros moratórios/compensatórios. Para melhor compreender a questão, faz-se necessária uma análise dos fatos que levaram a discordância entre o contribuinte e o fisco. A problemática reside no fato de que duas leis complementares, de n. 20/2003 e de n.8.730/2003, ambas do Estado da Bahia, as quais prevêem, respectivamente, em seus artigos 2° e 4° o pagamento de determinadas verbas nelas especificadas a Magistrados, Promotores e Procuradores de Justiça, prevêem também, explicitamente, em seus artigos 3° e 5° serem de natureza indenizatória as parcelas" de que tratam os artigos 2°e 4°. Diante destas previsões, os pagamentos foram realizados pelos órgãos pertinentes do Estado da Bahia, nos períodos de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, sem que fosse efetuada a retenção de imposto sobre a renda na fonte. A alegação do contribuinte reside no fato de que o recolhimento não ocorreu por força da natureza indenizatória conferida a tais verbas pela Lei estadual do Estado da Bahia. O argumento da Fazenda Nacional consiste em afirmar que à previsão das leis estaduais que qualificam as parcelas como de natureza indenizatória, seria apenas de âmbito estadual, não afetando a aplicabilidade da legislação do imposto sobre a renda. O contribuinte ainda alega que agiu de boa-fé, conduzindo-se não apenas pelas normas citadas, mas também de acordo com um conjunto de atos do poder administrativo estadual, por exemplo, os informes oficiais recebidos do Ministério Público, bem como por entenderem que falece competência à Receita Federal do Brasil para exigir e cobrar eventual imposto sobre a renda nesta hipótese, pois, se devido fosse ele o seria na modalidade de imposto retido na fonte cuja titularidade constitucional pertence ao Estado da Bahia. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, As sinado digitalmente em 11/08/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 0 9/08/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 10580.720254/2009-64 Acórdão n.º 9202-004.026 CSRF-T2 Fl. 28 5 No tocante a estas questões, competência para legislar sobre imposto de renda retido na fonte e a competência para declarar a natureza jurídica de determinada verba, algumas pontuações precisam ser analisadas levando em conta assertivas trazidas pela Constituição Federal de 1988, conforme alguns ensinamentos de Marco Aurélio Greco, são elas:. a) o artigo 153, § 2°, I que determina estar o imposto sobre a renda informado pelos critérios de generalidade e universalidade (deve alcançar todos os rendimentos de todos os contribuintes); b) o artigo 150,II que - depois de afirmar a isonomia tributária - explicita estar vedada qualquer distinção em razão da ocupação profissional ou da função exercida pelo contribuinte, independente da denominação jurídica dos rendimentos; c) o artigo 151, II que veda à União tributar a remuneração e os proventos dos agentes públicos de Estados, Distrito Federal e Municípios “ em níveis superiores aos que fixar ... para seus agentes"; e d) o artigo 95, III (e demais no mesmo sentido) que garante a irredutibilidade dos subsídios dos juízes,' ressalvado entre outros o disposto no artigo 153,III (imposto sobre a renda) e no artigo 153,§ 2°,I (generalidade e universalidade). Isto significa que - tal como os demais contribuintes - magistrados, promotores, procuradores etc, têm seus rendimentos sujeitos a imposto sobre a renda, na mesma dimensão e segundo os mesmos critérios genericamente aplicáveis. Esta exposição preliminar, nas palavras do professor Marco Aurélio Grecco, leva a evolução do debate, para realçar três aspectos relevantes por ele citados. Primeiro é o de que a cobrança pela União de imposto sobre a renda em relação a rendimentos auferidos por agentes públicos de outras entidades políticas atinge o suporte subjetivo (ou pessoal) de funcionamento da Administração Pública de Estados e Municípios. Em razão disso"pode interferir com os seus negócios internos, instaurando um desequilíbrio de poderes entre as várias entidades, na medida em que a oneração por uma pode dificultar ou impedir o adequado funcionamento da outra. Esta é, aliás, uma das razões que fundamentam a atribuição constitucional a Estados e Municípios do imposto sobre a renda incidente na fonte em relação a rendimentos pagos por eles (CF/88 art. 157,I e art. 158,I). Ou seja, apesar de estarmos diante de uma incidência tributária legitimamente atribuída à União (artigo 153, IV), subjaz ao presente tema a questão do convívio federativo solidário que só admite a imposição do imposto sobre a renda desde que isto se dê nos estritos limites e segundo os pertinentes parâmetros a que submetido esse imposto no contexto da remuneração auferida pelos agentes públicos. Segundo é o de que passou a ser admitida essa tributação, desde que isto ocorra de acordo com os critérios de generalidade e universalidade, vale dizer, desde que a exigência feita aos agentes seja a mesma a que estão submetidos todos aqueles que auferem rendimentos da mesma natureza (isonomia ab externo à Administração Pública). Terceiro é o de que a tributação a que uns estiverem submetidos não seja diferente daquela a que submetidos todos os que se encontrem em situação equivalente no âmbito público, sem distinção da função por eles exercida (CF/88, artigo 150, Il) e, Fl. 271DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, As sinado digitalmente em 11/08/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 0 9/08/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 10580.720254/2009-64 Acórdão n.º 9202-004.026 CSRF-T2 Fl. 29 6 especialmente, que a União não pretenda tributar os agentes estaduais e municipais de forma diferente da que o faz para seus agentes, pois isto seria hipótese clara de discriminação odiosa violadora da isonomia ab interno à Administração Pública. Isto significa, por exemplo, que o imposto federal sobre a renda não pode alcançar rendimentos auferidos por agentes estaduais que exerçam função judicante, diferentemente do que ocorrer em relação a rendimentos da mesma natureza auferidos por aqueles que exerçam as mesmas funções no âmbito federal. E mais: que os critérios utilizados para qualificar juridicamente certas verbas não sejam diferentes quando se tratar de agente federal ou estadual, pois esta é, também, uma forma de discriminação. Tratando-se de isonomia tributária, cumpre desde logo deixar claro que viola a isonomia não apenas cobrar de uns e não de outros (pessoas ou rendimentos), mas também reconhecer inexistir incidência em relação a uns e não reconhecê-la em relação a outros. Desonerar uns e não fazê-lo em relação - a outros é tão discriminatório quanto aumentar a exigência apenas de uns. Por fim, conclui-se que a tributação pelo imposto sobre a renda que desatenda ou extrapole estes parâmetros - mais do que mera hipótese de ilegalidade ou inconstitucionalidade da cobrança - traz em si a mácula de ser uma conduta que agride o Pacto Federativo e faz com que uma entidade (a União) pretenda invocar poderes de que não revestida, comprometendo a própria autonomia das entidades federativas, pois atingir os meios humanos que um Estado ou Município necessita para desempenhar suas funções é atingir o próprio Estado ou Município. IMPOSTO SOBRE A RENDA E INDENIZAÇÕES Pois bem, como dito a problemática consiste na questão da natureza atribuída a verba recebida pelo contribuinte, e para melhor deslinde da questão mister se faz analisar o enquadramento das indenizações perante a legislação do imposto sobre a renda. A interpretação da Fazenda Nacional é a de que na medida em que a legislação federal, prevê expressamente a isenção ou não-tributação de certas verbas indenizatórias ( como as contempladas nos incisos IV e V do artigo 6° da Lei federal n. 7.713/88 ), então só estariam excluídas da incidência estas verbas; e por consequência, todas as demais verbas de caráter indenizatório não expressamente contempladas estariam sujeitas à tributação pelo imposto sobre a renda. Para os doutrinadores esta afirmação é incompatível com os dispositivos constitucionais e também as disposições do Código Tributário Nacional. Para Aliomar Baleeiro, " a renda se destaca da fonte sem empobrecê-la", e Marco Aurélio Greco complementa: "indenizar é tornar" sem dano" aquele patrimônio; não é acrescê-lo, é recompô-lo ao que era antes do evento. Portanto, nestes casos, a indenização não é produto do capital e/ou do trabalho, nem acréscimo patrimonial, razão pela. qual está fora do âmbito de incidência do imposto sobre a renda". Fl. 272DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, As sinado digitalmente em 11/08/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 0 9/08/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 10580.720254/2009-64 Acórdão n.º 9202-004.026 CSRF-T2 Fl. 30 7 Isto significa que o fato de não haver na legislação federal regra expressa prevendo a não incidência de determinada indenização (com o perfil acima) não implica na sua tributação. Ao contrário, não há necessidade de regra neste sentido, pela singela razão de esta indenização não estar alcançada pela norma constitucional (art. 153, Ill). Por definição, está fora do âmbito material de incidência; logo, não precisa haver previsão neste sentido e as que existirem terão caráter explicitador, por vezes, resultantes de dúvidas surgidas quanto à natureza jurídica de determinada verba. O jurista citado ainda ensina que, "indenização que implique recomposição de patrimônio passado economicamente identificável (ou seja, sem haver acréscimo patrimonial), não configura hipótese de incidência do imposto sobre a renda. A verba paga é evento do mundo dos fatos que pode receber mais de uma qualificação jurídica a depender das circunstâncias que a cercam". A questão primordial a ser debatida aqui é saber a quem cabe afirmar a natureza jurídica de determinada verba para fins de enquadramento na legislação do imposto sobre a renda. Três situações podem ser identificadas: a) partes privadas (contratualmente ou por outro instrumento) qualificam determinada verba como de caráter indenizatório; b) o Poder Judiciário, no bojo da prestação jurisdicional, qualifica a verba como indenizatória; e c) a Lei qualifica a verba como indenizatória. Na medida em que a natureza jurídica é que determina a incidência ou não do imposto sobre a renda, importante compreender em quais hipóteses o Fisco Federal pode recusar a qualificação oriunda de qualquer das situações acima e afirmar a natureza não indenizatória da verba, de modo a deflagrar a incidência das regras do imposto. A terceira hipótese é a que nos importa no caso em tela, uma vez que o contribuinte em questão teve a natureza de sua verba declarada como indenizatória por meio de Lei Estadual. É de se destacar o fato de a qualificação indenizatória dada a verba - foi editada pelo legislador através de uma lei específica. Toda lei goza de presunção de constitucionalidade. Caso se tratasse de uma lei federal, o Fisco,também federal, não teria competência para afastar sua aplicabilidade, pois não lhe é dado substituir-se ao legislador, nem tem competência para declarar a inconstitucionalidade de uma norma. Tratando-se de lei estadual abre-se o debate, pois a qualificação jurídica por ela veiculada tem o efeito de atribuir ao fato subjacente uma qualidade que - por decorrência e em função do caráter de Direito de superposição de que se reveste o Direito Tributário - repercute na aplicação da lei tributária federal, ao afastá-Ia no caso de indenizações (que não impliquem acréscimo patrimonial). Daí a pergunta, que responde toda a problemática aqui veiculada,: pode a lei estadual interferir com a interpretação e aplicação da lei tributária federal? Embora pareça questão de fácil resolução, e a resposta pareça ser a simples alegação realizada pelo Fisco, de Fl. 273DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, As sinado digitalmente em 11/08/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 0 9/08/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 10580.720254/2009-64 Acórdão n.º 9202-004.026 CSRF-T2 Fl. 31 8 que não cabe a Lei estadual interferir nas hipóteses de incidência|(fato gerador) de tributo federal, penso que a questão envolve outros institutos jurídicos e concepções tributárias. Para alguns juristas, nos quais novamente cito Marco Aurélio Greco, a pergunta envolve um falso problema. Pois a questão efetiva não é esta, obviamente os Estados não têm competência para legislar sobre imposto sobre a renda. A questão legítima aqui discutida é, se o Fisco Federal pode afastar a qualificação jurídica de determinada verba que tenha sido atribuída por lei estadual válida no ordenamento jurídico. E aqui neste ponto, sem dúvida a resposta é não, por força da presunção de constitucionalidade de que se reveste toda lei. Portanto, enquanto subsistir o preceito normativo, o Fisco federal não possui competência para afastar a qualificação jurídica ali contida. Para afastá-la é preciso, previamente, buscar a declaração da sua inconstitucionalidade, o que não pode ser realizado pelo Poder Executivo, sem a chancela do Poder Judiciário. Ainda que a alegação do fisco fosse de que o preceito nela contido é manifestamente inconstitucional. por dispor sobre matéria que não cabe ao Estado regular ou se seu conteúdo contiver disciplina inequivocamente conflitante com o ordenamento, a ponto de configurar aquilo que a jurisprudência denomina de "ato teratológico", não é o que ocorre no caso em tela, pois a disposição sobre a verba submetida ao regime estatutário é de plena competência do ente estadual. Assim, não há que se falar que a Lei Complementar n. 20/2003 ou a Lei n. 8.730/2003, possua qualificação jurídica teratológica que possa afastar de plano sua aplicabilidade. Assim, além da presunção de constitucionalidade de que se revestem as leis em referência, elas dispõem sobre matéria que compete aos Estados regular, por dizer respeito ao funcionamento das respectivas Instituições. Portanto, não é estranho que seja a lei a reconhecer a natureza jurídica de determinada verba, à luz do contexto do respectivo regime estatutário, conforme previsão expressa do § 11 do artigo 37, CF, que é explícito ao prever que: “Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (...) XI - a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicando-se como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o subsídio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável este limite aos membros do Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos; (...) Fl. 274DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, As sinado digitalmente em 11/08/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 0 9/08/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 10580.720254/2009-64 Acórdão n.º 9202-004.026 CSRF-T2 Fl. 32 9 § 11. Não serão computadas, para efeito dos limites remuneratórios de que trata o inciso XI do caput deste artigo, as parcelas de caráter indenizatório previstas em lei." (grifo nosso) Ou seja, podem existir pagamentos a agentes públicos que tenham caráter indenizatório, desde que as respectivas parcelas estejam previstas em lei. Ora, se tais parcelas podem existir, a própria lei também pode afirmar esse caráter, "especialmente" em relação a verba submetida ao regime estatutário. Ad argumentandum tantum, ainda há que se salientar que, sendo da competência dos Estados definir a natureza de tais verbas, ainda é também de sua competência a responsabilidade pela retenção do imposto na fonte e consequentemente é de sua titularidade o direito de cobrá-la. Contudo até o presente momento não vemos no Estado da Bahia nenhuma menção neste sentido. Assevera, Marco Aurélio Grecco, que a CF/88, a titularidade não é sobre o resultado material da atividade de reter, mas é sobre todo aquele imposto que - de acordo com a legislação pertinente - deva ser submetido ao regime de retenção na fonte. Esta titularidade é atribuída em caráter exclusivo ao Estado o que afasta qualquer interesse ou pretensão por parte da União. Vale dizer, se determinada verba, pela sua natureza, deve submeter-se à retenção, o simples fato de esta ser a respectiva qualificação, afasta por si só a titularidade da União. Ou seja, a União não tem titularidade sobre a parcela do imposto sobre a renda na fonte que incidir (juridicamente) na fonte. A circunstância de haver ou não no plano fático a retenção não modifica esta qualificação jurídica da titularidade sobre esse montante, posto que a qualificação advém diretamente da CF/88 e a eventual inação do Estado em reter não configura transferência de titularidade à União; nem doação a seu favor de verba que pertence ao Estado, Daí a conclusão de que, em relação ao imposto incidente na fonte, a relação jurídica que se instaura é entre o contribuinte e Estado, diretamente, sem qualquer mediação da União. A União editou a lei que dispõe sobre o tratamento tributário das diversas verbas que o contribuinte pode auferir. Mas, em relação àquelas que, por sua natureza, devam se submeter à retenção na fonte, o respectivo imposto pertence integral e exclusivamente ao Estado. PRINCIPIO DA LEGALIDADE Por fim o julgamento do caso em tela implica na aplicação de princípio basilar do Direito Administrativo, qual seja o respeito a legalidade. Assim, enquanto a Administração Pública só pode fazer o que está previsto em lei, ao Administrado, no caso em tela Contribuinte, é possível fazer tudo aquilo que não é proibido. Ainda, para Hely Lopes Meirelles: Fl. 275DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, As sinado digitalmente em 11/08/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 0 9/08/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 10580.720254/2009-64 Acórdão n.º 9202-004.026 CSRF-T2 Fl. 33 10 Na Administração Pública não há liberdade nem vontade pessoal. Enquanto na administração particular é lícito fazer tudo que a lei não proíbe, na Administração Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza” (MIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 30. Ed. São Paulo: Malheiros, 2005). A Legalidade é intrínseca a idéia de Estado de Direito, pensamento este que faz que ele próprio se submeta ao direito, fruto de sua criação, portanto esse é o motivo desse princípio ser tão importante, um dos pilares do ordenamento. É na legalidade que cada indivíduo encontra o fundamento das suas prerrogativas, assim como a fonte de seus deveres. A administração não tem fins próprios, mas busca na lei, assim como, em regra não tem liberdade, escrava que é do ordenamento. O Princípio da Legalidade é uma das maiores garantias para os gestores frente o Poder Público. Ele representa total subordinação do Poder Público à previsão legal, visto que, os agentes da Administração Pública devem atuar sempre conforme a lei. Assim, o administrador público não pode, mediante mero ato administrativo, conceder direitos, estabelecer obrigações ou impor proibições aos cidadãos. A criação de um novo tributo, por exemplo, dependerá de lei. Do mesmo modo, a limitação de direitos não poderá ser feita por via de interpretação mais gravosa que aquela propriamente estabelecida na norma. Na fiscalização, o Princípio da Legalidade possui atividade totalmente vinculada, ou seja, a falta de liberdade para a autoridade administrativa. A lei define as condições da atuação dos Agentes Administrativos, determinando as tarefas e impondo condições excludentes de escolhas pessoais ou subjetivas. Por fim, esse princípio é vital para o bom andamento da Administração Pública, sendo que ele coíbe a possibilidade do gestor público agir por conta própria, tendo sua eficácia através da execução jurídica dos atos de improbidade, evitando a falta de vinculação à norma e, principalmente, a corrupção no sistema. Essa preocupação se faz constante para que seja atingido o objetivo maior para o país, o interesse público, através da ordem e da justiça. No caso em tela, entendo que não houve por parte do Estado da Bahia uma intromissão quanto ao tributo federal de competência da União - imposto de renda pessoa física. Mas que houve sim, uma natureza indenizatória dada a verbas oriundas do regime estatutário daquele Estado, as quais são de competência exclusiva do mesmo, responsável por gerir e organizar seu Regime Próprio de Trabalho e Previdência. A existência destas leis legitimou o agir do contribuinte, que exerceu direito que lhe foi conferido por lei. Lei esta emitida por Ente participante da Administração Pública, face ao pacto federativo constitucionalmente imposto. Desse modo, por melhor que seja a construção jurídica utilizada pela Receita Federal, afastar a legalidade ou a constitucionalidade de norma válida no ordenamento jurídico prescinde de um conjunto de medidas dispostas na Constituição Federal, as quais não contemplam a possibilidade do Fisco, ou até mesmo do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, negar validade ou aplicabilidade. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, As sinado digitalmente em 11/08/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 0 9/08/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 10580.720254/2009-64 Acórdão n.º 9202-004.026 CSRF-T2 Fl. 34 11 Observo que o controle de constitucionalidade pode ser realizado de modo preventivo (antes de a lei entrar em vigor) pelo Poder Legislativo ou de modo repressivo (a lei já está em vigência e deve ser expulsa do ordenamento), em regra, no Brasil, é jurisdicional, logo pelo Poder Judiciário na modalidade concentrado ou difuso. Assim resume Zeno Veloso: (...) O controle jurisdicional da constitucionalidade, no Brasil, utiliza o método concentrado, sendo o controle abstrato, em tese, através de ação direta, a ser julgada pelo Supremo Tribunal Federa, tendo por objeto leis e atos normativos federais e estaduais, em confronto com a Constituição Federal, que nos Estados-membros, compete aos Tribunais de Justiça, tendo por objeto leis e atos normativos estaduais e municipais, em face da Constituição estadual. Servimo-nos, também, do controle difuso, concreto, incidenter tantum, exercido por qualquer órgão, singular ou coletivo, do Poder Judiciário.(VELOSO, Zeno. p. 35) Assim, resta evidente que no caso em apreço, ainda que fosse caso de não aplicar a natureza jurídica dada a verba por lei, esta seria de exclusiva competência do Poder Judiciário, pois por uma questão de competência constitucional, legal e regimental, este Tribunal Administrativo não pode afastar a constitucionalidade de Lei. Ressalte-se aqui, a clara diferenciação entre o poder dever dos julgadores no âmbito judicial e administrativo. Enquanto o juiz é dotado de equidade, o conselheiro do Tribunal Administrativo é dotado de obediência ao princípio da legalidade. Neste sentido, inclusive, o tema restou sumulado pelo CARF: “Súmula CARF 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Contudo, compreendo que a melhor solução da questão não prescinde de Juízos de constitucionalidade, vez que conforme explanado acima, a natureza das verbas percebidas pelo contribuinte foram legitimamente declaradas indenizatórias por força de lei estadual, sendo que conforme previsão constitucional é da competência do Ente Federado responsável pelo Regime estatutário fazê-lo, não usurpando assim competência da União para declarar as hipóteses de incidência do imposto de renda pessoa física, a quem coube determinar que o imposto era devido sobre verbas remuneratórias, excluindo as indenizatórias, sem no entanto, ser responsável por determinar quais verbas são de uma natureza ou de outra. Ad argumentandum tantum, no tocante a imprestabilidade da base de calculo do imposto e a não incidência de IR sobre os juros moratórios/compensatórios, estes restam prejudicados pelo exposto anteriormente, uma vez que o tributo não é devido. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial do contribuinte para afastar a incidência do imposto de renda sobre as parcelas pagas a Agentes Públicos Estaduais a Título de Diferença de URV, as quais tem natureza claramente indenizatória, conforme previsto em Lei específica do Estado da Bahia. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, As sinado digitalmente em 11/08/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 0 9/08/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 10580.720254/2009-64 Acórdão n.º 9202-004.026 CSRF-T2 Fl. 35 12 É como voto. (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes - Relatora Fl. 278DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, As sinado digitalmente em 11/08/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 0 9/08/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 10580.720254/2009-64 Acórdão n.º 9202-004.026 CSRF-T2 Fl. 36 13 Voto Vencedor Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Redator Designado. Em que pesem os bem articulados argumentos da Ilma. Sra. Conselheira Relatora, peço vênia para divergir de seu entendimento. Em primeiro lugar, não conheço da preliminar de nulidade do lançamento, por vício material, suscitada de ofício pela Sra. Conselheira relatora. Com efeito, esta matéria não tendo sido admitida em sede de recurso especial, não está em discussão e, portanto, dela não conheço. Além disso, apenas para fins de esclarecimento, registre-se que não vejo qualquer nulidade no lançamento da forma que ele foi realizado. Com efeito, o lançamento foi realizado com base em dispositivo vigente, cuja interpretação não havia sido considerada - à época - inconstitucional. Portanto, não há que se falar em nulidade. Entrando, agora, no mérito propriamente dito, entendo que a verba recebida tem caráter remuneratório e, assim, deve ser tributada. Questão dessa natureza já foi trazida, em 03/03/2015, à 2ª Turma desta Câmara Superior, no acórdão 9202-003.585. Naquela ocasião, acompanhei o voto do relator Alexandre Naoki Nishioka, entendendo tratar-se de verba de natureza remuneratória, e por isso peço vênia para adotar aqui os mesmos argumentos como razão de decidir, assim transcrevendo-os: (...) Conforme dispõe o art. 2º da referida Lei, tais valores são relativos a “diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor – URV”. Da leitura do artigo, denota-se que o pagamento de tais valores deveu-se à necessidade de manutenção do valor real do salário, de forma a corrigir erros anteriores no cálculo da conversão da moeda nacional. A lei estadual acima citada não buscou, por meio do pagamento das diferenças, a recomposição de um prejuízo, ou dano material, sofrido pelo contribuinte, mas a compensação em razão da ausência de oportuna correção no valor nominal do salário, verificada quando da alteração da moeda. Portanto, tais valores integram a remuneração percebida pelo contribuinte, constituindo parte integrante de seus vencimentos. Está-se diante, pois, de acréscimo patrimonial tributável pelo Imposto de Renda, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional, entendimento que fora inclusive salientado pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA). Buscando reforçar o argumento, requereu o contribuinte a aplicação da Resolução n.º 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pelo contribuinte, ao contrário do que decidiu o acórdão recorrido. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, As sinado digitalmente em 11/08/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 0 9/08/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 10580.720254/2009-64 Acórdão n.º 9202-004.026 CSRF-T2 Fl. 37 14 Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2º e parágrafos da Lei n.º 10.474/2002, considerando-o como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1º trouxe a forma de cálculo deste abono: “I - apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)”. A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre o abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.º 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, tem-se que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Conclui-se, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pelo Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, As sinado digitalmente em 11/08/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 0 9/08/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 10580.720254/2009-64 Acórdão n.º 9202-004.026 CSRF-T2 Fl. 38 15 Assim, com base na argumentação exposta, sendo verbas remuneratórias as diferenças de URV recebidas, sobre elas incide imposto de renda da pessoa física. Todavia, cumpre verificar o quantum devido. Entendo que o tributo devido deva ser calculado de acordo com as tabelas vigentes à época em que seriam devidas as diferenças recebidas. Sobre o tema, cabe referir a discussão travada no processo 11040.001165/2005-91, com voto vencedor da lavra do conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, cujos fundamentos, abaixo reproduzidos, acompanho. Verifico, a propósito, que a matéria em questão foi tratada recentemente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543-B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Reportando-me ao julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastando-se assim o regime de caixa. Todavia, inicialmente, de se ressaltar que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei nº 7.713, de 1988, note-se, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de e-fl. 12, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repita-se, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entende-se, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a Fl. 281DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, As sinado digitalmente em 11/08/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 0 9/08/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 10580.720254/2009-64 Acórdão n.º 9202-004.026 CSRF-T2 Fl. 39 16 ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento do relator, entendo que, a esta altura, ao se esposar o posicionamento de exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, note-se, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manter-se a tributação na forma do referido art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento anti-isonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do RE do contribuinte na matéria admitida, por dar-lhe provimento em parte, para determinar o cálculo do crédito tributário devido, considerando o regime de competência. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Redator Designado. Declaração de Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Natureza Indenizatória da Verba: Conforme relatório, discute-se nos autos a incidência do Imposto de Renda sobre os valores recebidos pelo Recorrente a título de diferenças decorrentes de erro na conversão da moeda Cruzeiro Real para URV - Unidade Real de Valor. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, As sinado digitalmente em 11/08/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 0 9/08/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 10580.720254/2009-64 Acórdão n.º 9202-004.026 CSRF-T2 Fl. 40 17 Em pese entendimentos contrários, meu entendimento é no sentido de que tais verbas possuem natureza indenizatória não se podendo afastar a aplicação da Resolução STF nº 245/2002 apenas pelo fato de que tal resolução trata dos valores recebidos por profissionais da União. Ora, interpretando-se sistematicamente as normas pertinentes, percebemos que o problema central da discussão - natureza jurídica das verbas decorrentes de diferenças de URV - também é tratado pela citada resolução. O jurista Marco Aurélio Greco ao se manifestar sobre a questão emitiu parecer didático, demonstrando que apesar de as normas federais regularem a forma de pagamento de "abono variável", esse é composto por valores de URV e como tal, adotando-se a posição do STF, devem ser classificados como verbas indenizatórias. O professor ainda traçou um histórico demonstrando que toda a legislação do Estado da Bahia teve com pano de fundo o tratamento dado ao pagamento efetuado na esfera federal. Merece transcrição parte do parecer, haja vista a clareza na exposição dos fatos (grifos nossos): Em 2002, foi editada a Lei federal n. 10.474 cujo artigo 1° fixa o subsídio de Ministro do Supremo Tribunal Federal e cujo artigo 2° estabelece que o "abono variável" concedido pela Lei n. 9.655/98" passa a corresponder à diferença entre a remuneração mensal percebida pelo Magistrado, vigente à data daquela lei e a decorrente desta lei" (caput), "descontados todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados a qualquer título" (§ 1°). Ou seja, a diferença entre o que cada Magistrado recebia em 1998 e o que foi fixado pela Lei n. 10.474/2002. Aqui está o ponto! Fixou-se o subsídio do Ministro do S.T.F. e a diferença entre este e a remuneração individualmente percebida, no lapso temporal previsto na lei, seria pago a título de abono variável. Meses após esta Lei, é editada pelo Supremo Tribunal Federal a Resolução n. 245/2002 cujo artigo 1°é explícito ao prever: "Artigo 1o - É de natureza indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da lei 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal." Diante da clareza dessa previsão, encerra-se a discussão quanto à natureza jurídica do abono variável: tem natureza indenizatória. Portanto; não está sujeito à incidência do imposto sobre a renda e o que foi retido deveria ser devolvido ao magistrado. (É o que estabelece a respeito o art. 3°, II da REs. N. 245/2002). A questão que remanesceu em aberto era no sentido de saber se o montante desse abono variável englobava ou não a "diferença de URV". Para os agentes públicos que já estavam recebendo essa diferença, por força de decisão judicial ou administrativa, Fl. 283DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, As sinado digitalmente em 11/08/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 0 9/08/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 10580.720254/2009-64 Acórdão n.º 9202-004.026 CSRF-T2 Fl. 41 18 obviamente que o abono não a englobava, pois era expressamente excluída de sua base de cálculo (§ 1° do art 2° da Lei n. 10.474/2002 e inciso I, do art. 2° da Resolução n. 245/2002 do S.T. F) Para os demais, a resposta a esta pergunta é simples: se a "diferença de URV" foi considerada quando da fixação do subsídio do Ministro do S.T.F. (art. 1° da Lei n. 10.474/2002), então, ela (dif. URV) está abrangida pelo valor do abono, pois este corresponde à diferença entre o subsídio e a remuneração individual. Em números: se o subsídio foi fixado em R$ 100,00 computando- se a diferença de URV de R$ 10,00 e a remuneração individual era de R$ 70,00 então o abono (de R$ 30,00) englobava a diferença de URV, pois esta estava dentro dos R$100,00 que serviram de patamar para cálculo do abono. Mas, como saber se o subsídio fixado pela Lei n. 10.474/2002 levava em conta a" diferença de URV"? A resposta não está no texto da lei, mas na estrutura da remuneração de Ministro do S.T.F -então vigente. À época da Mensagem enviada pelo Presidente do Supremo Tribunal Federal com o projeto que se transformou na Lei n, 10.474/2002 vigorava a Resolução STF n. 195/2000 cujo artigo 1° previa: "Artigo 1° - A remuneração do Ministro do Supremo Tribunal Federal será integrada das parcelas: R$ 454,53 (Lei 8.880/94) + R$ 1.008,83 (DL n. 2.371/87) + R$ 9.536,74 (Lei 8.448/92), num total de R$ 11.000,00." Ora, a "parcela da Lei n. 8.880/94" é exatamente a "diferença de URV"!! Portanto, ao se fixar na Lei n. 10.474/2002 o subsídio do Ministro que serviu de parâmetro para cálculo do abono variável, englobou-se a "diferença de URV" extinguindo, com isto, eventuais pretensões neste sentido que ainda subsistissem. Aliás, isto foi expressamente apontado na Mensagem que encaminhou o projeto de lei que se transformou na Lei n. 10.474/2002: "A remuneração total da magistratura da União remanescerá composta unicamente de três parcelas (vencimento básico, gratificação e adicional de tempo de serviço). Não haverá possibilidade de incidir sobre esses valores quaisquer outros percentuais, tal como hoje está a correr, por exemplo, com os 11,98% relacionados com a conversão da URV." Pode-se concluir que, na fixação do subsídio e, portanto, na dimensão do abono variável, foi levada em conta a diferença de URV. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, As sinado digitalmente em 11/08/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 0 9/08/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 10580.720254/2009-64 Acórdão n.º 9202-004.026 CSRF-T2 Fl. 42 19 Daí duas consequências: 1 - quem recebeu o abono variável da Lei n. 10.474/2002 e não havia ganho por decisão administrativa ou judicial a diferença de URV estava a recebê-Ia naquele momento embutida no abono. 2 - Ao dizer que o abono da Lei n. 10.474/2002 tinha natureza jurídica indenizatória não sujeita a imposto sobre a renda, o Supremo Tribunal Federal estava a dizer que a "diferença de URV" até então não recebida e que veio a ser embutida no abono tem natureza indenizatória. A natureza indenizatória do abono variável da Lei n. 10.474/2002 e a intributabilidade dessa verba pelo imposto sobre a renda veio a ser reconhecida pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, no Parecer n. 529/2003 e estendida também ao abono previsto pela Lei federal n. 10.477/2002 aplicável aos Procuradores da República pelo Parecer PGFN n. 923/2003 (ambos referidos na Nota COSITn. 177/2008). No âmbito dos agentes públicos estaduais, a PGFN entendeu que a natureza da verba era remuneratória (e, portanto, tributada pelo I.R.), salvo no caso do Rio de Janeiro, pois havia lei estadual determinando a aplicação aos Procuradores do Estado do abono previsto na Lei n. 10.477/2002. Em suma, como reconhecido pela própria PGFN os abonos variáveis previstos nas Leis n. 10.474/2002 e n. 10.477/2002 não são alcançados pela norma de incidência do imposto sobre a renda. E acrescenta: A Lei Complementar n. 20/2003 e a Lei n. 8.730/2003 do Estado da Bahia prevêem expressamente que os pagamentos nelas previstos dizem respeito às diferenças pela conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor - URV. Note-se que estas Leis: 1) São de setembro de 2003, portanto, depois da Lei federal n. 10.474/2002 que instituiu o abono que englobava a diferença de URV e da Resolução n. 245/2002 do Supremo Tribunal Federal que afirmou o caráter indenizatório desse abono; 2) Aplicam-se aos que não haviam até então recebido a "diferença de URV" os quais, se estivessem no âmbito federal ou no Estado do Rio de Janeiro, a estariam recebendo embutida no abono e como verba de natureza indenizatória. O quadro aqui exposto mostra que os dispositivos das referidas leis do Estado da Bahia, ao preverem que as 36 parcelas em que foi dividido o pagamento da diferença de URV tinham natureza indenizatória, não veiculam preceitos despropositados à vista do contexto jurídico da época. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, As sinado digitalmente em 11/08/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 0 9/08/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 10580.720254/2009-64 Acórdão n.º 9202-004.026 CSRF-T2 Fl. 43 20 Mais ainda, se em relação a idênticas funções exercidas no âmbito federal e do Estado do Rio de Janeiro admitiu-se o caráter indenizatório por existir lei expressa determinando o pagamento de verba que englobe a URV, cumpre ser assegurado o mesmo tratamento ao Estado da Bahia, sob pena de violação ao artigo 150, II da CF/88. (GRECO, Marco Aurélio. Imposto Sobre a Renda: Valores Pagos a Agente Públicos Estaduais a Título de Diferença de URV. Falta de Fundamento Jurídico Para a União Cobrar o Imposto. Revista Eletrônica de Direito do Estado (REDE), Salvador, Instituto Brasileiro de Direito Público, nº. 30, abril/maio/junho de 2012. Disponível na Internet: <http://www.direitodoestado.com/revista/REDE-30-ABRIL-2012- MARCO-AURELIO-GRECO.pdf>. Acesso em: 06 de junho de 2016) Portanto, se o entendimento adotado pelo STF, e também pela Procuradoria da Fazenda Nacional em seus pareceres, é no sentido de o abono variável recebido pelos magistrados federais e Ministério Público Federal ser verba indenizatória, e se tal abono também é composto por verba paga em razão da conversão da moeda da época em URV, forçoso concluir que essa mesma verba quando prevista pela lei baiana deve receber o mesmo tratamento. Entendimento diverso violaria o princípio constitucional da isonomia e a segurança jurídica. Para o professor Roque Antônio Carrazza para garantir a segurança jurídica na relação Fisco/contribuinte é mister que "a lei que descreve a ação-tipo tributária valha para todos igualmente, isto é, seja aplicada a seus destinatários (quer pelo Judiciário, quer pela Administração Fazendária) de acordo com o princípio da igualdade (art. 5º, I da CF)." Destaco ainda que afastar o caráter indenizatório das verbas, sob o argumento de que essas serviram para repor a atualização monetária dos salários do período considerado, é reforçar a tese de que os valores ora discutidos não podem ser tributados pelo imposto de renda. Isso porque é passível na doutrina e na jurisprudência dos tribunais que a correção monetária não representa acréscimo patrimonial, é na verdade mecanismo de recomposição da efetiva desvalorização da moeda, seu objetivo é preservar o poder aquisitivo original em relação à inflação, inflação essa que motivou toda a sistemática de aplicação da própria URV. O Ministro Marco Aurélio, relator do Recurso Extraordinário nº 565.089, onde se discute (em sede de Repercussão Geral) a indenização por falta de revisão anual em vencimentos dos servidores públicos de São Paulo, externa em seu voto o seguinte entendimento: O Supremo já assentou que “a correção monetária não se constitui em um plus, não é uma penalidade, mas mera reposição do valor real da moeda corroída pela inflação” – Agravo Regimental na Ação Cível Originária nº 404, da relatoria do Ministro Maurício Corrêa. Nos termos do art. 43 do CTN não se discute que o fato gerador do Imposto de Renda é a disponibilidade econômica ou jurídica de renda (produto do capital, do trabalho ou de ambos) ou proventos de qualquer natureza, entretanto o conceito de renda é limitado e não abrange valores que não representem acréscimo ao patrimônio do contribuinte, como é o caso dos autos. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, As sinado digitalmente em 11/08/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 0 9/08/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 10580.720254/2009-64 Acórdão n.º 9202-004.026 CSRF-T2 Fl. 44 21 Portanto, sob todos os prismas analisados, não vejo como possível afastar a natureza indenizatória das verbas recebidas pelo Recorrente à titulo de "diferenças de URV", seja pela aplicação da Resolução nº 245 do STF, seja pelo fato de tal medida ter sido adotada no intuito de recompor seu patrimônio pela perda experimentada pela quando da conversação das moedas. Apuração do Imposto - Regime de competência: Mesmo que superada a tese de que os valores recebidos não possuem natureza indenizatória, ainda assim o lançamento não pode prosperar haja vista ter ocorrido erro na realização da apuração do imposto. Inicialmente, apesar de toda a discussão, não tenho dúvidas de que o mérito dessa questão já foi decidido tanto pelo Superior Tribunal de Justiça quanto pelo Supremo Tribunal Federal, respectivamente sob os ritos do Recurso Repetitivo e da Repercussão Geral. Estamos falando do RESP 1.118.429/RS e do RE 614.406/RS, que receberam as seguintes ementas: RESP 1.118.429/RS TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543-C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. RE 614.406/RS IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Certa dúvida poderia ser suscitada em relação a aplicação do julgado do STJ pois a tese firmada traz o seguinte texto: O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios previdenciários atrasados pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado, não sendo legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Assim, pelo fato de constar no texto da ementa e também da tese firmada referência ao fato de se ter discutido o pagamento de benefícios previdenciários há quem defenda sua inaplicabilidade ao caso concreto. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, As sinado digitalmente em 11/08/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 0 9/08/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 10580.720254/2009-64 Acórdão n.º 9202-004.026 CSRF-T2 Fl. 45 22 Entretanto, nenhuma dúvida subsiste em relação ao julgado do Supremo Tribunal Federal, afinal o tema fixado para a Repercussão Geral foi delimitado da seguinte forma: Tema 368 - Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente. Percebe-se que não foi feita qualquer ressalva quanto a origem dos rendimentos discutidos. Tal fato fica ainda mais cristalino quando nos debruçamos sobre a fundamentação utilizada pelo Ministro Marco Aurélio que levou em consideração o princípio da isonomia e o da capacidade contributiva. Em voto vista, a Ministra Carmem Lúcia citando a exposição de motivos da Medida Provisória nº 497/2010 (convertida na Lei n. 12.350/2010 que deu origem ao art. 12-A da Lei 9.713/88) resume bem a questão: “52. Trata-se da tributação de pessoa física que não recebeu o rendimento à época própria, recebendo em atraso o pagamento relativo a vários períodos. Nos termos do art. 12 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, esses rendimentos seriam tributados no mês do recebimento mediante a aplicação da tabela mensal, o que muitas vezes resulta em um imposto de renda muito superior àquele que seria devido caso o rendimento fosse pago no tempo devido” Assim, resta indiscutível a aplicação do art. 62, §2º, do Regimento Interno do CARF, segundo o qual as decisões definitivas de mérito do STF e do STJ, na sistemática dos artigos 543-B e 543-C do CPC, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos. Diante do entendimento dos nossos tribunais, vejamos a situação do lançamento: exige-se do contribuinte imposto de renda apurado conforme sistemática declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, o que impacta diretamente na natureza do lançamento tributário. Estamos diante de vício que maculou o lançamento em sua essência, na própria aplicação da regra matriz, o que afasta qualquer possibilidade de recalculo do tributo ou da incidência do disposto no art. 173, inciso II do CTN. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso do contribuinte. (Assinado digitalmente) Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri DECLARAÇÃO DE VOTO Conselheiro Gerson Macedo Guerra No presente caso, o contribuinte enquadrou no campo de rendimentos isentos e não tributáveis de suas declarações de ajuste anual, exercícios 2005, 2006 e 2007, valores recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, por entendê-las isentas de imposto de renda à luz do disposto na Lei Estadual nº 8.730/2003, que assim dispõe Art. 4º - As diferenças decorrentes do erro na conversão da remuneração de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor - URV, objeto das Ações Fl. 288DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, As sinado digitalmente em 11/08/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 0 9/08/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 10580.720254/2009-64 Acórdão n.º 9202-004.026 CSRF-T2 Fl. 46 23 Ordinárias nº 613 e 614, julgadas procedentes pelo Supremo Tribunal Federal, serão apuradas, mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de julho de 2001, e o montante correspondente a cada Magistrado será dividido em 36 parcelas iguais, para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 5º - São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 4º desta Lei. O STF, ao se posicionar sobre o abono variável pago aos magistrados da União, nos termos do artigo 2º, da Lei 10.474/2002, que compreendia as diferenças de URV, dentre outras verbas, manifestou-se pela sua natureza indenizatória, conforme artigo 1º da Resolução 245/2002, que assim dispõe: Art. 1º É de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal. Conforme conclusões do STF nas decisões que ensejaram o nascimento da Resolução em questão, a regra de incidência tributária é excetuada quando a concessão do abono for "feita para reparação da supressão ou perda de direito, característica que lhe emprestaria o caráter de indenização", que foi, exatamente, o que ocorreu com o abono variável e provisório previsto pelo art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 27 de junho de 2002. Registre-se ainda que somente com o advento da Lei nº 10.477, de 2002, os membros do Ministério Público da União passaram a fazer jus ao abono variável criado pela Lei nº 9.655/1998. Na ocasião, a PGFN se pronunciou por meio dos Pareceres 529/2003 e 923/2003, concluindo que, tal qual o abono pago aos membros da magistratura da União, o abono concedido aos membros do Ministério Público da União possui natureza indenizatória, conforme Resolução 245/2002, do STF. Importante destacar que o Parecer emitido pela PGFN foi aprovado pelo Sr. Ministro da Fazenda que chancelou a exclusão da incidência do imposto de renda as verbas referentes às diferenças de URV, pagas aos servidores federias em questão. Nesse contexto, considerando que o pagamento da diferença de URV tem o objetivo de reparação ou supressão de perda de direito, e esta característica lhe confere a natureza de verba indenizatória para os membros da magistratura e Ministério Público da União, outra não pode ser sua natureza quando paga aos membros de Tribunal de Justiça Estadual. Observe-se que aqui não se está aplicando analogia para afastar o tributo devido, mas apenas dando a mesma interpretação jurídica a normas que só não são idênticas por provirem de fontes diversas União e Estado da Bahia e terem destinatários diferentes. Porém os efeitos do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 e da Lei estadual nº 8.730/2003 são idênticos, no caso das diferenças da URV, beneficiando destinatários diversos, não podendo o imposto de renda incidir sobre diferenças de uma, sendo afastado de outra. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, As sinado digitalmente em 11/08/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 0 9/08/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Processo nº 10580.720254/2009-64 Acórdão n.º 9202-004.026 CSRF-T2 Fl. 47 24 Diante de todo o aqui exposto, entendo que deve ser cancelado o crédito tributário exigido no Auto de Infração. (Assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 290DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, As sinado digitalmente em 11/08/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 0 9/08/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS B ARRETO Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10855.002775/2001-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Oct 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000, 2001
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VIOLAÇÃO NÃO PROVADA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE EM SEDE RECURSAL (ART. 17 DO DECRETO N.º 70.235/72).
Nos termos do art. 17 do Decreto n.º 70.235/72 (PAF), consideram-se não impugnadas as questões não contestadas expressamente pelo impugnante.
GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO.
Na apuração do ganho de capital, o custo de aquisição da participação societária deve ser tomado como aquele que consta da declaração de rendimentos, quando ausentes outros elementos de prova que demonstrem que o valor declarado não guarda sintonia com a realidade contemporaneamente existente.
IMPOSTO DE RENDA SOBRE GANHO DE CAPITAL. VALORES DECLARADOS E NÃO PAGOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NÃO CABIMENTO.
O valor apurado e informado pelo sujeito passivo a título de imposto de renda a pagar, constante na declaração de ajuste anual das pessoas físicas, inclusive o incidente sobre ganho de capital na alienação de bens e direitos de qualquer natureza, apurado e informado no Demonstrativo da Apuração dos Ganhos de Capital anexo à declaração, quando não quitado no prazo estabelecido na legislação, deve ser objeto de cobrança amigável, com os acréscimos moratórios devidos, e, caso não seja pago, deve ser encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União, sendo incabível se falar em lançamento de ofício do referido valor (Solução de Consulta Interna COSIT nº 22, de 24/08/2004).
Numero da decisão: 2202-003.592
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar a exigência fiscal relativa à infração 002 - Falta de recolhimento do imposto sobre ganhos de capital.
Fez sustentação oral, pelo Contribuinte, o advogado Gabriel Alves Boccorini, OAB/SP nº 315.287.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Martin da Silva Gesto, Rosemary Figueiroa Augusto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado).
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2290; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 267 1 266 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10855.002775/200110 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.592 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de setembro de 2016 Matéria IRPF omisão de rendimentos Recorrente ANTONIO VIAL (ESPÓLIO) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000, 2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VIOLAÇÃO NÃO PROVADA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE EM SEDE RECURSAL (ART. 17 DO DECRETO N.º 70.235/72). Nos termos do art. 17 do Decreto n.º 70.235/72 (PAF), consideramse não impugnadas as questões não contestadas expressamente pelo impugnante. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. Na apuração do ganho de capital, o custo de aquisição da participação societária deve ser tomado como aquele que consta da declaração de rendimentos, quando ausentes outros elementos de prova que demonstrem que o valor declarado não guarda sintonia com a realidade contemporaneamente existente. IMPOSTO DE RENDA SOBRE GANHO DE CAPITAL. VALORES DECLARADOS E NÃO PAGOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NÃO CABIMENTO. O valor apurado e informado pelo sujeito passivo a título de “imposto de renda a pagar”, constante na declaração de ajuste anual das pessoas físicas, inclusive o incidente sobre ganho de capital na alienação de bens e direitos de qualquer natureza, apurado e informado no Demonstrativo da Apuração dos Ganhos de Capital anexo à declaração, quando não quitado no prazo estabelecido na legislação, deve ser objeto de cobrança amigável, com os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 27 75 /2 00 1- 10 Fl. 267DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10855.002775/200110 Acórdão n.º 2202003.592 S2C2T2 Fl. 268 2 acréscimos moratórios devidos, e, caso não seja pago, deve ser encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União, sendo incabível se falar em lançamento de ofício do referido valor (Solução de Consulta Interna COSIT nº 22, de 24/08/2004). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar a exigência fiscal relativa à infração 002 Falta de recolhimento do imposto sobre ganhos de capital. Fez sustentação oral, pelo Contribuinte, o advogado Gabriel Alves Boccorini, OAB/SP nº 315.287. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Martin da Silva Gesto, Rosemary Figueiroa Augusto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado). Relatório Adoto em parte o relatório do acórdão da decisão de primeira instância, que relatou os fatos ocorridos até aquela decisão. O contribuinte acima identificado insurgese contra auto de infração que exige crédito tributário no montante de R$ 139.822,83, sendo R$ 68.464,86 de imposto; R$ 51.348,61 de multa de ofício; e R$ 20.009,36 de juros de mora calculados até 31/07/2001, fls. 03. O auto de infração apurou omissão de ganhos de capital na alienação de ações/quotas não negociadas em bolsa no ano calendário 1999, conforme descrito em fls. 04/05; e falta de recolhimento do imposto sobre ganhos de capital nos anos calendário 1999 e 2000. A ciência ao fiscalizado ocorreu em 12/09/2001, conforme art. 23, §2°, inciso II do Decreto 70.235/72 e conteúdo de fls. 86. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10855.002775/200110 Acórdão n.º 2202003.592 S2C2T2 Fl. 269 3 A impugnação, fls. 91/106, assinada pelo representante do interessado qualificado em fls. 107, foi apresentada em 27/09/2001 com os argumentos que passamos a relatar em síntese e na ordem que aparecem na peça de defesa. Inicia com preliminares de cerceamento de defesa por ter ocorrido violação ao princípio da devido processo legal. Tal violação teria ocorrido, uma vez que o fisco não aguardou o término da discussão sobre a retificação da declaração de 1992/1991 que está sendo feita em outro processo de número 10855.001843/9958, iniciado em 08/06/1999. Naquele processo, o fisco já apresentou uma primeira resposta ao pedido, alegando que já teria transcorrido o prazo de cinco anos no qual a retificação poderia ser admitida. Apesar disso, aquele processo ainda não teve seu desfecho, pois aguarda resposta de recurso já interposto. Enquanto não houver um resultado para tal recurso não pode o fisco fazer lançamento em considerar a retificação pleiteada. Mostrase surpreendido com a fundamentação da fiscalização a respeito da negativa da retificação. Entende que não poderia haver mudança na fundamentação sobre assunto ainda não decidido definitivamente em outro processo. Depois de fazer uma síntese do auto de infração, passa a apresentar argumentos de mérito. Com relação ao item 001 do auto de infração, entende que não houve ganho de capital, pois retificou o valor de sua participação no capital do Hospital Modelo. Segue apresentando diversos argumentos em defesa da possibilidade de retificar o valor do custo de aquisição da participação societária na empresa Hospital Modelo. No tocante ao item 002 da autuação, discorda apenas da aplicação da multa de ofício. Justifica que houve apenas um pagamento com atraso do imposto devido em ambos os casos venda de terreno e quotas da Lavanderia Sorocaba , pleiteando a aplicação da multa de mora e informando que o pagamento do imposto e da multa de mora já foi feito em 27/07/2001. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP) julgou improcedente a impugnação, cuja decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1999, 2000 RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE DE REDISCUTIR O MÉRITO DE OUTRO PROCESSO ADMINISTRATIVO TRANSITADO EM JULGADO. Os argumentos do impugnante relativos à retificação da declaração de rendimentos do anocalendário 1991 não podem Fl. 269DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10855.002775/200110 Acórdão n.º 2202003.592 S2C2T2 Fl. 270 4 ser conhecidos, pois foram objeto de outro processo administrativo já transitado em julgado. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. Na apuração do ganho de capital, o custo de aquisição da participação societária deve ser tomado como aquele que consta da declaração de rendimentos, na ausência de outros elementos de prova que demonstrem que o valor declarado não guarda sintonia com a realidade contemporaneamente existente. ESPONTANEIDADE. INEXISTÊNCIA. NECESSIDADE DE INFORMAR INFRAÇÃO E PAGAR A DIFERENÇA DE TRIBUTO ACRESCIDA DE MULTA DE MORA ANTES DE INICIADO O PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Conforme o parágrafo único do art. 138 do CTN, não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. PREVISÃO LEGAL. A multa de ofício é prevista em disposição legal específica e tem como suporte fático a revisão de lançamento, pela autoridade administrativa competente, que implique imposto ou diferença de imposto a pagar. Cientificado dessa decisão em 25/02/2010, por via postal (A.R. de fl. 133), o Contribuinte, por meio de seu representante legal, apresentou o Recurso Voluntário de fls. 138/164, em 29/03/2010 (segundafeira), no qual apresenta os seguintes argumentos, em resumo: quanto ao ganho de capital relativo ao imóvel localizado no Guarujá/SP e às quotas da Lavanderia Sorocaba S/C Ltda., foi desnecessário o lançamento de ofício, uma vez que ambas as operações que geraram os ganhos de capital foram devidamente declaradas anteriormente a qualquer ato de fiscalização; o Auto de Infração é nulo, pois não respeitou o devido processo legal referente ao pedido de retificação da declaração de 1992, que teria óbvias implicações sobre a matéria tributada na infração 001 Omissão de ganho de capital na alienação das quotas do Hospital Modelo de Sorocaba; ainda que exista decisão definitiva sobre o pedido de retificação, como afirma a decisão recorrida, esta deuse depois da lavratura do Auto de Infração, o que corrobora a sua nulidade; aplicandose o benefício legal de correção do valor de aquisição na DIRPF 1992, o valor apurado das quotas supera o valor de venda, inexistindo ganho de capital; o que transitou em julgado foi a impossibilidade da retificação em 1999 da DIRPF 1992, porém persiste o direito do contribuinte à aplicação dos reflexos daquele benefício na DIRPF 1999, ou mesmo no momento da apuração do imposto devido na venda do bem; Fl. 270DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10855.002775/200110 Acórdão n.º 2202003.592 S2C2T2 Fl. 271 5 independentemente da possibilidade ou não de retificação da DIRPF de 1992 ou da alteração do custo de aquisição das participações societárias do Hospital Modelo de Sorocaba, não é devido qualquer imposto na alienação de ações, uma vez que se encontra beneficiado pela isenção trazida pelo artigo 4º, "d", do DecretoLei nº 1.510/76, que garantia a isenção do imposto de renda à pessoa física que alienasse participações societárias, após decorridos 5 (cinco) anos de sua aquisição/subscrição; embora a isenção tenha sido revogada pela Lei nº 7.713/88, tal revogação não se aplica àqueles contribuintes que completaram 5 (cinco) anos na titularidade de participações societárias antes da revogação da norma, ou até 31.12.1988, sendo esse o caso do Recorrente; ainda que se admita o lançamento do imposto de renda sobre o ganho de capital, é absurda a exigência de multa de 75%, pois o pedido de retificação não havia sido apreciado por ocasião da autuação. Ao final, requer o Recorrente que seja cancelado o Auto de Infração e anulado o crédito tributário. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Trata o presente processo de lançamento de ofício em virtude de apuração de omissão de ganhos de capital na alienação de quotas do Hospital Modelo de Sorocaba no ano calendário 1999, bem como a falta de recolhimento do imposto sobre ganhos de capital nos anoscalendário 1999 e 2000, relativo à alienação de um terreno no Guarujá/SP e de quotas da empresa Lavanderia Sorocaba S/C Ltda, conforme Auto de Infração de fls. 04/10. PRELIMINARES O Recorrente alega nulidade do Auto de Infração, sob o argumento de desrespeito ao devido processo legal. Diferentemente do alegado pelo Recorrente, o auto de infração em questão foi lavrado em conformidade com o disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional (CTN) e nos artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, atendendo, portanto, todos os requisitos formais e materiais exigidos para a autuação. CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Decreto 70.235/72 (PAF): Fl. 271DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10855.002775/200110 Acórdão n.º 2202003.592 S2C2T2 Fl. 272 6 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 (trinta) dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matricula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Também não se identificou violação das disposições contidas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, com as alterações introduzidas pela Lei nº 8.748, de 09 de dezembro de 1993. Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) O Auto de Infração foi lavrado por servidor competente, o sujeito passivo foi devidamente qualificado, foram mencionados os dispositivos legais infringidos e as penalidades aplicáveis, foram discriminados os valores da exigência fiscal, assim como foi especificado o conteúdo da autuação. Em resumo, encontramse satisfeitos todos os requisitos legais. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10855.002775/200110 Acórdão n.º 2202003.592 S2C2T2 Fl. 273 7 Observase que foi concedido ao sujeito passivo o mais amplo direito de defesa. Ele apresentou impugnação ao Auto de Infração, exercendo o seu direito ao contraditório, perfeitamente amparado pelo Decreto n.º 70.235/72 (PAF), tendo revelado conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, as quais rebateu, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa impugnação, abrangendo não só questões preliminares como também razões de mérito. Por todas essas razões, rejeitase a preliminar de nulidade do auto de infração. MÉRITO INFRAÇÃO 001 OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES/QUOTAS NÃO NEGOCIADAS EM BOLSA O Recorrente alega que aplicou o benefício fiscal de avaliação do bem a valor de mercado em sua DIRPF 1992, já que não havia feito a reavaliação à época, devendo os efeitos dessa valoração serem verificados na apuração do imposto devido na venda do ativo em 1999, mesmo que impossível a retificação da declaração anterior. Aduz que existe direito adquirido à reavaliação, ante a existência de erro comprovado na declaração de 1992, em respeito à verdade material. Sustenta que é absurda a aplicação da multa de ofício de 75%, pois não se poderia lançar de ofício antes de ser julgado o pedido de retificação justamente sobre o objeto do lançamento. Entendo que não tem razão o Recorrente. Conforme exposto na decisão de primeira instância, o pedido de retificação da declaração do exercício 1992 (anocalendário 1991) foi objeto de outro processo administrativo (processo nº 10855.001843/9958), o qual se encontra apenso ao presente. Naquele processo foi indeferido o pedido de retificação, mantendose, portanto, o valor do custo de aquisição conforme considerado pela Fiscalização. A decisão daquele processo administrativo foi definitiva, não cabendo mais recurso administrativo, conforme pode ser observado pela ausência de manifestação do interessado ao indeferimento da retificação (fls. 39/43 daquele processo). Assim, não há nada mais para ser discutido quanto a esse aspecto, devendo ser mantido o valor do custo de aquisição conforme adotado pela autoridade fiscal. Defende, ainda, o Recorrente, que independentemente da possibilidade ou não de retificação da DIRPF de 1992 ou da alteração do custo de aquisição das participações societárias do Hospital Modelo de Sorocaba, não é devido qualquer imposto na alienação de ações, uma vez que se encontra beneficiado pela isenção trazida pelo artigo 4º, "d", do DecretoLei nº 1.510/76, que garantia a isenção do imposto de renda à pessoa física que alienasse participações societárias, após decorridos 5 (cinco) anos de sua aquisição/subscrição. No entanto, observase que o Contribuinte não impugnou expressamente essa questão por ocasião da apresentação de sua impugnação, o que impede a sua apreciação por este colegiado, sob pena de supressão de instância. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10855.002775/200110 Acórdão n.º 2202003.592 S2C2T2 Fl. 274 8 O artigo 17 do Decreto 70.235/72 (PAF), assim dispõe: “Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)”. Nesse entendimento estão os seguintes julgados deste Conselho: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2006, 2007 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, conforme artigo 17, do PAF (Acórdão 2801003.924, Data de Publicação: 27/01/2015, Rel. Marcio Henrique Sales Parada). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE EM SEDE RECURSAL (ART. 17 DO DECRETO N.º 70.235/72). Nos termos do art. 17 do Decreto n.º 70.235/72, consideramse não impugnadas as questões não apontadas, expressamente, por ocasião da apresentação da impugnação. (Acórdão 2101002.658, Data de Publicação: 15/12/2014, Rel. Alexandre Naoki Nishioka). Assunto: CSSL Exercício: 2003 MULTA ISOLADA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo, constituindose definitivamente o crédito tributário a ela referente. (Acórdão 910100.540, Data de publicação: 29/06/2010, Rel. Leonardo de Andrade Couto). Quanto à multa de 75%, a sua aplicação ocorreu em obediência ao art. 44 da Lei nº 9.430/96, que prevê a sua imposição nos casos de lançamento de ofício. Não há razão para a sua substituição pela multa de mora, como defende o Contribuinte, uma vez que os valores lançados não foram declarados nem tampouco recolhidos antes do início do procedimento fiscal. Dessa forma, deve ser mantida a exigência em relação à infração 001 OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES/QUOTAS NÃO NEGOCIADAS EM BOLSA, com a aplicação da multa de ofício de 75%. INFRAÇÃO 002 FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO SOBRE GANHOS DE CAPITAL Defende o Recorrente que não poderia ter ocorrido o lançamento de ofício, uma vez que ambas as operações que geraram os ganhos de capital foram devidamente declaradas anteriormente a qualquer ato de fiscalização. Nesse ponto entendo que o Recorrente tem razão, pois não se admite o lançamento de ofício quando os valores objeto do lançamento tenham sido declarados antes de iniciado o procedimento fiscal. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10855.002775/200110 Acórdão n.º 2202003.592 S2C2T2 Fl. 275 9 O DecretoLei nº 2.124, de 08/03/1984 dispõe em seu art. 5º: Art 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 2º Não pago no prazo estabelecido pela legislação o crédito, corrigido monetariamente e acrescido da multa de vinte por cento e dos juros de mora devidos, poderá ser imediatamente inscrito em dívida ativa, para efeito de cobrança executiva, observado o disposto no § 2º do artigo 7º do Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. [...] A Instrução Normativa SRF nº 14, de 14/02/2000 assim estabelece: Art. 1o Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União. [...] O STJ manifestou a desnecessidade de qualquer outra providência pelo Fisco para constituir o crédito tributário declarado pelo contribuinte, consolidando o entendimento na Súmula nº 436: "A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco". Dessa forma, se o sujeito passivo confessa o valor efetivamente devido mediante declaração, não há qualquer necessidade de procedimento de ofício, pois caso ele não recolha o valor devido, a cobrança será feita mediante execução fiscal, após inscrição em dívida ativa. Nessa linha de entendimento temos a Solução de Consulta Interna nº 22, de 24/08/2004, cuja ementa abaixo se transcreve. ASSUNTO : Lançamento de crédito tributário declarado e não pago. EMENTA : O valor apurado e informado pelo sujeito passivo a título de “imposto de renda a pagar”, constante na declaração de ajuste anual das pessoas físicas, inclusive o incidente sobre ganho de capital na alienação de bens e direitos de qualquer natureza, apurado e informado no Demonstrativo da Apuração dos Ganhos de Capital anexo à declaração, quando não quitado no prazo estabelecido na legislação, deve ser objeto de cobrança amigável, com os acréscimos moratórios devidos, e, caso não seja pago, deve ser encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União, sendo incabível se falar em lançamento de ofício do referido valor. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10855.002775/200110 Acórdão n.º 2202003.592 S2C2T2 Fl. 276 10 DISPOSITIVOS LEGAIS : Decretolei no 2.124, de 1984, art. 5º, § 1º; Decreto nº 3.000, de 1999, art. 933, §§ 1º e 2º; Instrução Normativa SRF nº 77, de 1998, art. 1º; Instrução Normativa SRF nº 14, de 2000. Cabe transcrever os seguintes trechos da fundamentação e conclusão da referida Solução de Consulta: 8. Assim, se o sujeito passivo confessa mediante declaração o valor efetivamente devido, consoante com o fato gerador respectivo, não há qualquer necessidade de procedimento de ofício. Todo e qualquer problema verificado será resolvido no âmbito da própria sistemática da declaração: se o contribuinte recolhe o valor integral, extingue o crédito tributário; se o sujeito passivo não recolhe ou recolhe a menor que o declarado, serlheá cobrado, mediante inscrição em Dívida Ativa, o total confessado ou a diferença entre o valor pago e o valor declarado. 9. De forma diversa, se o sujeito passivo apura e confessa mediante declaração valor inferior ao efetivamente devido, em discrepância com o fato gerador pertinente, aí sim a fiscalização deve constituir, mediante o lançamento, o crédito correspondente à diferença entre o valor devido e aquele declarado/confessado previamente. 10. Logo, o imposto a pagar informado pelo sujeito passivo em declaração entregue à Secretaria da Receita Federal inclusive em DIRPF caracterizase como confissão de dívida, devendo ser objeto de cobrança amigável e inscrição em Dívida Ativa da União, se for o caso, com acréscimo de multa de mora e juros de mora, na forma prevista na lei. Não havendo que se falar em lançamento de ofício nessa hipótese, descabe, por óbvio, a aplicação da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. 11. Tal entendimento, no que se refere às pessoas físicas, não deve ficar restrito ao imposto de renda a pagar apurado em decorrência do ajuste anual. Afinal, o imposto de renda incidente sobre os ganhos de capital auferidos na alienação de bens e direitos de qualquer natureza, apurado e informado em demonstrativo que integra a DIRPF, inobstante sujeito à tributação definitiva, também se amolda à confissão de dívida, na forma aqui relatada. 12. Incabível, in casu, falarse em afronta ao disposto no art. 138 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN), eis que esse dispositivo se refere à denúncia espontânea de infração, que não pode ser confundida com o valor do imposto a pagar apurado e informado pelo sujeito passivo em declaração entregue à Secretaria da Receita Federal. Afinal, se o valor foi corretamente apurado, não há qualquer infração cometida pelo sujeito passivo. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10855.002775/200110 Acórdão n.º 2202003.592 S2C2T2 Fl. 277 11 13. A AdvocaciaGeral da União expediu o Parecer AGUSF 03/2000 (Anexo ao Parecer AGU: GM15, do então Advogado Geral da União Gilmar Ferreira Mendes), da lavra do consultor da União Oswaldo Othon de Pontes Saraiva Filho, publicado no D.O.U. de 10 de janeiro de 2001, onde restou consignado o entendimento supra, constante da ementa: No âmbito da Administração tributária federal, consagrou se o entendimento, com a corroboração da jurisprudência iterativa S.T.F. e do S.T.J., de que o não pagamento ou o pagamento a menor de débito tributário declarado pelo contribuinte, possuindo a mesma natureza da confissão de dívida, caso de auto apuração, declaração e apuração estas aceitas pela Secretaria da Receita Federal, se submete a cobrança administrativa do crédito, sem a necessidade de constituição formal do crédito tributário, daí a desnecessidade de instauração de processo administrativo fiscal litigioso. É também entendimento do Fisco Federal da desnecessidade de lançamento de ofício de consectários legais decorrentes de liquidação de débitos declarados pelo contribuinte e não pago com os acréscimos no vencimento, bastando, nesses casos, a notificação de cobrança do que não foi pago ou pago a menor, e se mesmo assim não houver a extinção do crédito, cabe a imediata inscrição do débito em dívida ativa com a expedição do título executivo extrajudicial a certidão de dívida ativa, e a conseqüente execução fiscal. [...] 3. CONCLUSÃO 15. Por todo o exposto, concluise que o valor apurado e informado pelo sujeito passivo a título de “imposto de renda a pagar”, constante na declaração de ajuste anual das pessoas físicas, inclusive o incidente sobre ganho de capital na alienação de bens e direitos de qualquer natureza, apurado e informado no Demonstrativo da Apuração dos Ganhos de Capital anexo à declaração, quando não quitado no prazo estabelecido na legislação, deve ser objeto de cobrança amigável, com os acréscimos moratórios devidos, e, caso não seja pago, deve ser encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União, sendo incabível se falar em lançamento de ofício do referido valor. (destaquei) No caso em exame, quanto ao ganho de capital referente às alienações do imóvel localizado no Guarujá/SP e das quotas da Lavanderia Sorocaba S/C Ltda., a própria autoridade fiscal reconheceu que os valores lançados de ofício foram declarados pelo contribuinte no Demonstrativo de Apuração dos Ganhos de Capital, anexo à DIRPF (fls. 6/7). Assim, sendo incabível o lançamento de ofício dos valores declarados, concluo pelo cancelamento da exigência relativa à infração 002 Falta de recolhimento do imposto sobre ganhos de capital. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10855.002775/200110 Acórdão n.º 2202003.592 S2C2T2 Fl. 278 12 Diante do exposto, voto no sentido de REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, DAR provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar a exigência fiscal relativa à infração 002 Falta de recolhimento do imposto sobre ganhos de capital. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 278DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10845.003738/2003-00
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1998
DECADÊNCIA - TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - TERMO INICIAL.
Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I, do CTN), nos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou ainda, mesmo nas ausências desses vícios, nos casos em que não ocorreu o pagamento antecipado da exação e inexista declaração com efeito de confissão de dívida prévia do débito, conforme entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática dos recursos repetitivos previsto no artigo 543-C do CPC e da Resolução STJ nº 08/2008. Essa interpretação deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do que determina o §2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Havendo pagamento ou confissão parcial dos débitos, a contagem do prazo decadencial deve observar a regra contida no §4º do art. 150 do CTN.
Numero da decisão: 9101-002.517
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Adriana Gomes Rego, que lhe deu provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Lívia De Carli Germano (suplente convocada em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Demetrius Nichele Macei (suplente convocado).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado TRANSBRASA TRANSITÁRIA BRASILEIRA LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 DECADÊNCIA TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO TERMO INICIAL. Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I, do CTN), nos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou ainda, mesmo nas ausências desses vícios, nos casos em que não ocorreu o pagamento antecipado da exação e inexista declaração com efeito de confissão de dívida prévia do débito, conforme entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática dos recursos repetitivos previsto no artigo 543C do CPC e da Resolução STJ nº 08/2008. Essa interpretação deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do que determina o §2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Havendo pagamento ou confissão parcial dos débitos, a contagem do prazo decadencial deve observar a regra contida no §4º do art. 150 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencida a conselheira Adriana Gomes Rego, que lhe deu provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 37 38 /2 00 3- 00 Fl. 3836DF CARF MF Processo nº 10845.003738/200300 Acórdão n.º 9101002.517 CSRFT1 Fl. 3 2 Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Lívia De Carli Germano (suplente convocada em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Demetrius Nichele Macei (suplente convocado). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial relativamente à contagem de prazo decadencial para constituição de crédito tributário. A recorrente insurgise contra o Acórdão nº 10322.986, de 25/04/2007, por meio do qual a Terceira Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes deu provimento parcial a recurso voluntário da contribuinte acima identificada, para fins de, entre outras questões, acolher a preliminar de decadência do direito de constituir o crédito tributário referente aos fatos geradores ocorridos até 30/09/1998. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 Ementa: NULIDADE. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Descabe a análise de suposta violação de princípios constitucionais que teria ocorrido em momento anterior ao procedimento fiscal, por ser matéria estranha ao feito e faltar competência a este Colegiado para apreciação do tema. NULIDADE. INOBSERVÂNCIA DA PORTARIA SRF N° 3.007/2002. DESCABIMENTO. Se a ação fiscal está devidamente acobertada pelo MPF que lhe deu origem, devese entender que o procedimento, inclusive a seleção do sujeito passivo, seguiu as normas que regulamentam a matéria. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1997, 1998 Ementa: DECADÊNCIA. IRPJ E PIS. PRAZO. Fl. 3837DF CARF MF Processo nº 10845.003738/200300 Acórdão n.º 9101002.517 CSRFT1 Fl. 4 3 O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente ao IRPJ, IRRF e PIS extinguese em 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, conforme disposto no art. 150, § 4º, do CTN. DECADÊNCIA. CSLL E COFINS. PRAZO. Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, tais como a CSLL e a COFINS, o termo inicial para a contagem do prazo qüinqüenal de decadência para constituição do crédito tributário é a própria ocorrência do respectivo fato gerador, a teor do art. 150, § 4°, do CTN. DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CASO DE DOLO OU FRAUDE. Uma vez tipificada a conduta fraudulenta prevista no §4° do art. 150 do CTN, aplicase a regra do prazo decadencial e a forma de contagem fixada no art. 173, quando a contagem do prazo de cinco anos tem como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2001, 2002, 2003 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. VALORES RECEBIDOS NO EXTERIOR. Devem ser tributadas mediante lançamento de oficio as receitas de prestação de serviços que, auferidas no exterior, não integraram a escrituração do sujeito passivo. LUCRO PRESUMIDO. REGIME DE CAIXA. A legislação concede ao sujeito passivo que apura resultado pelo lucro presumido a opção de escriturar as receitas pelo regime de Caixa. No entanto, dentro do período de apuração o registro contábil dessas receitas não pode ocorrer de forma híbrida, ora no regime de caixa ora no de competência, sob pena de desqualificar a escrituração. LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL DE APURAÇÃO. Se o sujeito passivo não demonstra que as receitas escrituradas de forma genérica referemse a operações sujeitas ao percentual de 8%, cabível a imputação do percentual de 32% referente à prestação de serviços gerais. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Para efeito de qualificação da multa de oficio, cada infração deve ser analisada isoladamente, como resultado de conduta específica. Mantémse a exasperadora quando a irregularidade for originada de conduta fraudulenta e, a contrario sensu, reduzse a multa ao percentual convencional quando não comprovada aquela circunstância. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA. A falta de declaração ou a prestação de declaração inexata, por si sós, não autorizam o agravamento da multa, que somente se justifica quando presente o evidente intuito de fraude, caracterizado pelo dolo específico, Fl. 3838DF CARF MF Processo nº 10845.003738/200300 Acórdão n.º 9101002.517 CSRFT1 Fl. 5 4 resultante da intenção criminosa e da vontade de obter o resultado da ação ou omissão delituosa, descrito na Lei n° 4.502/64 (Proc. 10240.000695/200492, Terceira Câmara, Rel.: Paulo Jacinto Nascimento, DOU 05.04.06). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por TRANSBRASA TRANSITÁRIA BRASILEIRA LTDA. ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade suscitada; por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência do direito de constituir o crédito tributário referente aos fatos geradores ocorridos até 30/09/1998, vencidos os conselheiros Leonardo de Andrade Couto (relator) e Guilherme Adolfo dos Santos Mendes que não admitiram a decadência em relação à CSLL e COFINS e, no mérito, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para reduzir a multa de lançamento exofficio qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento) ao seu percentual normal de 75% (setenta e cinco por cento), vencidos os conselheiros Leonardo de Andrade Couto (relator) e Guilherme Adolfo dos Santos Mendes que não admitiram a desoneração da exasperadora em relação à verba autuada a título de "omissão de receita junto à empresa Triton Container International" (itens 001 e 002 do auto de infração); e EXCLUIR da tributação a verba referente a "transferência bancária no Oakland Commerce Banks" no valor de R$ 240.240,00, no ano calendário de 1998 (item 002 do auto de infração). Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Paulo Jacinto do Nascimento. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, especificamente quanto ao reconhecimento da decadência de parte do crédito tributário constituído nestes autos. Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os argumentos descritos abaixo: o acórdão recorrido deu provimento ao recurso voluntário para reconhecer a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos até 30/09/1998, sendo que a ciência da recorrente se deu em 17/10/2003; com relação à decadência, a decisão da e. Câmara a quo diverge da decisão proferida pela 2ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, constante do Acórdão n° 302 38.565 (Acórdão Paradigma): Acórdão: 30238.565 Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/02/1992 a 31/03/1992 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Havendo contradição entre a decisão proferida e a matéria discutida nos autos, é cabível a apresentação de embargos de declaração. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PROVIDOS. Fl. 3839DF CARF MF Processo nº 10845.003738/200300 Acórdão n.º 9101002.517 CSRFT1 Fl. 6 5 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário pode ser estabelecido da seguinte maneira: (a) em regra, seguese o disposto no art. 173, I, do CTN, ou seja, o prazo é de cinco anos contados "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado"; (b) nos tributos sujeitos a lançamento por homologação cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo é de cinco anos contados do fato gerador, nos termos do art. 150, §4º, do CTN; (c) em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação cujo pagamento não foi antecipado pelo devedor, incide a regra do art. 173, I, do CTN. Assim temse por configurada a decadência. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. entenderam os ilustres Conselheiros que a homologação não é do pagamento, mas sim do seu lançamento. Portanto aplicaram o artigo 150, §4°, do CTN independentemente da existência de antecipação de pagamento; o Superior Tribunal de Justiça, ao interpretar a combinação entre os dispositivos do art. 150, §4°, e 173, I, do CTN, entende que, não se verificando recolhimento de exação e montante a homologar, bem havendo dolo, o prazo decadencial para o lançamento dos tributos sujeitos a lançamento por homologação segue, respectivamente, a disciplina normativa do art. 173, inciso I e parágrafo único do CTN (RESP 766.050/PR); nos casos, como o dos autos, em que o contribuinte não antecipa o pagamento dos tributos recolhidos mediante "lançamento por homologação", a jurisprudência entende que não haveria atividade do contribuinte a homologar; não seria possível realizar a homologação de atividade inexistente, ou efetuada de maneira errônea, mas caberia à autoridade administrativa unicamente proceder ao lançamento de oficio dos valores devidos. E o prazo para o lançamento de oficio não está disposto no art. 150, mas no art. 173 do CTN; observese que, no caso em análise, o auto de infração foi lavrado dentro do prazo disposto no art. 173, I, do CTN, não ocorrendo, portanto, a decadência do direito de lançar. Ou seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, é 1º de janeiro (ou o dia 2, devido ao feriado do dia 1°) de 1999, findandose, os 5 anos em 31/12/2003, portanto mais de dois meses após a data em que o contribuinte tomou ciência do auto de infração; deste modo, tendo tomado ciência em 17 de outubro de 2003 (17/10/2003), o Fisco agiu dentro do prazo de que dispunha para a constituição dos créditos tributários, não havendo que se falar em decadência; também esta e. Câmara Superior deste Conselho já esboçou posicionamento no sentido de que o prazo para o lançamento de tributos não recolhidos, ainda que para estes tributos a legislação atribua ao contribuinte o dever de antecipar do pagamento, conforme o art. 150 do CTN, é aquele disposto no art. 173, I, do CTN, que cuida do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário (ementas transcritas); Fl. 3840DF CARF MF Processo nº 10845.003738/200300 Acórdão n.º 9101002.517 CSRFT1 Fl. 7 6 aplicandose a regra do artigo 173, I, do CTN, o período de apuração relativo a 1998 não se encontra decaído. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho nº 1200 00.141, de 14/10/2014, admitiu o recurso com base na seguinte análise sobre a divergência suscitada: [...] Verificouse que, no caso do recorrido, decidiuse que aplicase o art. 150, §4° do CTN para a contagem do prazo de decadência de lançar IRPJ, IRRF e contribuição para o PIS, assim como para tributos sujeitos a lançamento por homologação, como a CSLL e a COFINS. No caso do paradigma, considerouse que aplicase o art. 150, § 4°, do CTN para tributos sujeitos a lançamento por homologação, mas que, se não há pagamento antecipado, aplicase a regra do art. 173, I, do CTN. Tendo a decisão recorrida adotado o entendimento de que a regra do art. 150, §4° do CTN é aplicável aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, sem exceção, ao passo que a do paradigma entendeu que cabe aplicar a regra do art. 173, I, do CTN no caso de não haver pagamento antecipado para esse tipo de tributo, concluise que a divergência de entendimentos está demonstrada para a matéria relativa à decadência do direito de o Fisco lançar tributos sujeitos a lançamento por homologação. Em 12/12/2014, a contribuinte foi intimada do recurso especial da PGFN, e do despacho que admitiu esse recurso (antes disso, ela já tinha tomado ciência do Acórdão nº 10322.986, e já havia apresentado pedido de desistência da parte dessa decisão que lhe foi desfavorável, para pagamento com os benefícios da Lei nº 11.489/2009). Tempestivamente, em 26/12/2004, a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso da PGFN, com os argumentos descritos a seguir: PRELIMINARMENTE DA INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO ESPECIAL INTERPOSTO conforme se verifica às fls. 3665 do processo em referência, os autos foram encaminhados à Procuradoria da Fazenda Nacional em 12/05/2011 (doc. 01, anexo), e recebido na PGFN em 17/05/2011, conforme se comprova com o documento 02, anexo, fls. 3666; o processo foi devolvido pela PGFN em 16/06/2011, conforme registrado Às fls. 3620 (doc. 03); considerandose que os autos foram recebidos na PGFN em 17/05/2011, temse como esse o termo inicial do prazo de quinze dias para interposição do recurso, cujo termo final ocorreu em 01/06/2011, sendo que o recurso somente foi recebido em 16/06/2011, conforme fls. 3621 (doc. 04); Por outro lado, às fls. 3597 (doc. 05), consta uma suposta ciência do Procurador, em 15/06/2011, com a afirmação logo abaixo de que o processo estava sendo devolvido pela PGFN com Recurso Especial; Fl. 3841DF CARF MF Processo nº 10845.003738/200300 Acórdão n.º 9101002.517 CSRFT1 Fl. 8 7 Pois bem, considerando em primeiro lugar o fato de que o processo foi recebido na PGFN no dia 17/05/2011, a ciência do Procurador datada de 15/06/2011 não pode, em hipótese alguma, ser considerada como ciência do acórdão, já que não poderia ele ter tomado ciência e ter juntado o recurso no mesmo momento, razão pela qual deve ser reconhecida a intempestividade do recurso interposto, cujo prazo venceu em 01/06/2011; DA FALTA DE REQUISITO INDISPENSÁVEL PARA A INTERPOSIÇÃO DO RECURSO ESPECIAL DA AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO as razões do recurso interposto estão fundamentadas no fato de que a recorrida supostamente não teria feito qualquer antecipação de pagamento dos tributos, situação que descartaria a aplicação do artigo 150, § 4º (prazo decadencial contado a partir do fato gerador), para admitir a aplicação do artigo 173, I, do CTN (prazo decadencial contado a partir do primeiro da do exercício seguinte); contudo, tal premissa, além de falsa, não foi discutida nos autos, situação que, por si só, já descartaria a admissibilidade do presente recurso, nos termos do artigo 67 do REGIMENTO INTERNO DO CARF, que em seu parágrafo terceiro estabelece: "§ 3º O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais"; em nenhum momento foi discutido ou afirmado no v. acórdão que não houve pagamento antecipado, razão pela qual caso pretendesse interpor recurso sob tal fundamento deveria ter primeiro oposto embargos declaratórios visando sanar eventual omissão, o que não fez, não podendo agora pretender seja conhecido e admitido seu recurso sob o fundamento de que não houve pagamento antecipado; ademais, uma vez que houve o recolhimento antecipado de tributos, temse como absolutamente improcedente o recurso interposto, já que o próprio acórdão utilizado como paradigma, Acórdão n° 30238.565, confirma a aplicação do prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º, do CTN na hipótese de pagamento antecipado; DA AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA ENTRE O V. ACÓRDÃO PROFERIDO E O ACÓRDÃO PARADIGMA o §4º do artigo 67 do Regimento Interno do CARF impõe como condição de admissibilidade do recurso especial que: "o recurso deverá demonstrar a divergência argüida". Contudo, o v. acórdão paradigma nada mais fez senão reconhecer a aplicação do prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º, do CTN, contados da ocorrência do fato gerador, na hipótese de pagamento antecipado; assim, o acórdão utilizado como paradigma não se presta a comprovar a divergência entre o v. acórdão proferido e aquela decisão, ao contrário, confirma entendimento manifestado no v. acórdão proferido, inviabilizando a admissibilidade do recurso interposto. Digase o mesmo quanto à citada jurisprudência do e. Superior Tribunal de Justiça; ademais, o recurso interposto afirma que: "entenderam os ilustres Conselheiros que a homologação não é do pagamento, mas sim do seu lançamento. Portanto, Fl. 3842DF CARF MF Processo nº 10845.003738/200300 Acórdão n.º 9101002.517 CSRFT1 Fl. 9 8 aplicase o artigo 150, §4º do CTN independentemente da existência de antecipação de pagamento"; tal assertiva não é verdadeira. Houve a entrega de declarações e recolhimento de tributos devidos, vindo o auto de infração lavrado a exigir diferenças apuradas em face de aplicação de alíquota indevida para o tipo de serviço prestado, entre outras. Em nenhum momento há afirmativa no acórdão proferido que a aplicação do artigo 150, §4º deve se dar "independentemente da existência de antecipação do pagamento", posto que, como dito, tal questão não foi debatida, presumindose o reconhecimento de que houve pagamento parcial; DA IMPOSSIBILIDADE DE DISCUSSÃO DA DECADÊNCIA SEM DISCUSSÃO DA MULTA AFASTADA o v. acórdão proferido entendeu por bem afastar a multa de ofício aplicada, de 150% (cento e cinqüenta por cento), reduzindoa a 75%, por não restar caracterizada qualquer conduta fraudulenta; em face de tal situação, entendeu aplicável o prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º, do CTN; nestes termos, se pretende a Fazenda Nacional rediscutir a decadência reconhecida, deveria então, necessariamente, ter rediscutido a redução da multa imposta, o que não fez, posto que tal redução foi condição sine qua non para o reconhecimento da decadência; portanto, uma vez reconhecida a ausência de conduta dolosa, com a redução da multa e a aplicação do prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º, do CTN, e tendo em vista que a redução da multa não foi objeto do recurso interposto pela recorrente, se torna impossível que venha essa E. Câmara reformar o prazo decadencial fixado no acórdão, não devendo ser admitido o recurso interposto, muito menos provido; MÉRITO DA DECADÊNCIA admitindo, apenas para fins de argumentação, a superação das preliminares supramencionadas, ainda assim, inviável o provimento do recurso interposto, devendo ser mantida a decadência tal qual reconhecida no v. acórdão proferido. Pois bem, é pacífica a jurisprudência no sentido de que, havendo antecipação de pagamento, seja a que título for, o prazo decadencial para a constituição do crédito tem início com a ocorrência do fato gerador, aplicandose o disposto no artigo 150, §4º, do CTN; em primeiro lugar convém afastar a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o que restou expressamente consignado no v. acórdão proferido, com a redução da multa agravada, o que, digase de passagem, não foi discutido no recurso especial interposto. Portanto, indubitável a aplicação do prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º, do CTN, contado da ocorrência do fato gerador; o PIS, a COFINS, o IRPJ e a CSLL são tributos sujeitos a lançamentos por homologação, razão pela qual ocorreu, com relação aos fatos geradores mar/97, jun/97, set/97, dez/97, mar/98, jun/98 e set/98, a decadência do direito de lançar, visto que este último fato Fl. 3843DF CARF MF Processo nº 10845.003738/200300 Acórdão n.º 9101002.517 CSRFT1 Fl. 10 9 gerador deuse em 30/09/98, enquanto que a autuação foi efetivada em outubro/2003, devendo ser mantido o v. acórdão tal qual foi proferido; nesse sentido vem decidindo a E. Câmara Superior de Recursos Fiscais, bem como os demais tribunais administrativos (ementas transcritas); de todo o exposto, verificase que o recurso oferecido pela Fazenda Nacional não tem condições de prosperar, porquanto em contraposição com a pacífica jurisprudência administrativa; assim, requer a ora recorrida que seja negado provimento ao recurso da Fazenda Nacional, com a manutenção da decisão proferida. É o relatório. Fl. 3844DF CARF MF Processo nº 10845.003738/200300 Acórdão n.º 9101002.517 CSRFT1 Fl. 11 10 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. O presente processo tem por objeto lançamento a título de IRPJ e tributos reflexos (CSLL, PIS e COFINS) sobre fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 e 2003. A autuação fiscal de IRPJ decorreu da constatação de três tipos de infrações: omissão de receitas; aplicação indevida de coeficiente de determinação do lucro presumido; e não adição de valores diferidos, controlados na parte B do LALUR, à base de cálculo do imposto, em razão da mudança no regime de tributação, de lucro real para lucro presumido. A apuração do IRPJ foi feita pelo regime do Lucro Real nos anoscalendário 1997, 2000, 2001, 2002 e 2003, e pelo Lucro Presumido nos anoscalendário 1998 e 1999. Os lançamentos reflexos a título de CSLL, PIS e COFINS foram realizados apenas com base na primeira infração acima mencionada, ou seja, na omissão de receitas. A ciência dos autos de infração ocorreu em 17/10/2003. O litígio que remanesceu para essa fase de recurso especial diz respeito à decadência, abrangendo o crédito tributário constituído sobre os fatos geradores ocorridos no anocalendário de 1998, especificamente no período de janeiro a setembro de 1998. No seu recurso especial, a PGFN tenta afastar a decadência em relação a esse período, alegando que o prazo decadencial a ser aplicado é aquele previsto no art. 173, I, do CTN, e não o do art. 150, §4º, do CTN, que foi adotado pelo acórdão recorrido. Em sede de contrarrazões, a contribuinte apresenta várias preliminares de não conhecimento do recurso. Quanto à alegação de intempestividade do Resp, cabe observar que o Decreto nº 70.235/1972 prevê as seguintes regras para a ciência dos Procuradores da Fazenda Nacional em relação às decisões do antigo Conselho de Contribuinte, e que hoje se aplicam ao CARF: Art. 23. Farseá a intimação: [...] §7º Os Procuradores da Fazenda Nacional serão intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda na sessão das respectivas câmaras subseqüente à formalização do acórdão. (Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) §8º Se os Procuradores da Fazenda Nacional não tiverem sido intimados pessoalmente em até 40 (quarenta) dias contados da formalização do acórdão do Conselho de Contribuintes ou da Câmara Fl. 3845DF CARF MF Processo nº 10845.003738/200300 Acórdão n.º 9101002.517 CSRFT1 Fl. 12 11 Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, os respectivos autos serão remetidos e entregues, mediante protocolo, à Procuradoria da Fazenda Nacional, para fins de intimação. (Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) §9º Os Procuradores da Fazenda Nacional serão considerados intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à Procuradoria na forma do § 8º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) (grifos acrescidos) Pois bem, os autos foram entregues à PGFN, na forma prevista no §8º acima transcrito, em 17/05/2011, de modo que a ciência ficta iria ocorrer em 16/06/2011. O que se deu foi simplesmente que na data prevista para a ciência ficta, ou seja, quando ainda iria se iniciar a contagem do prazo para apresentação do recurso especial, o Procurador da Fazenda Nacional redigiu e protocolizou esse recurso, em 16/06/2011. O fato de ele registrar a ciência pessoal em 15/06/2011, antecipando em um dia a ciência ficta, em nada contribui para caracterizar a alegada intempestividade, porque seja pela data da ciência pessoal, em 15/06/2011, seja pela data da ciência ficta, em 16/06/2011, a apresentação do recurso observa o prazo regimental de 15 dias e, portanto, ela é tempestiva. Não há, assim, qualquer razão para se falar em intempestividade na apresentação do recurso. Quanto à alegação de ausência de prequestionamento da matéria que é objeto do recurso especial, cabe esclarecer que o prequestionamento configura requisito para os recursos especiais interpostos pelos contribuintes, e não pela Fazenda Nacional. Isso, aliás, está expressamente previsto no §3º do art. 67 do RICARF, regra regimental que foi transcrita pela própria contribuinte em suas contrarrazões. A contribuinte também alega ausência de divergência entre os acórdãos recorrido e paradigma, porque ela teria realizado recolhimento de tributo. Segundo suas alegações, o acórdão paradigma confirmaria o entendimento manifestado no acórdão recorrido; o acórdão paradigma nada mais teria feito senão reconhecer, na hipótese de pagamento antecipado (ainda que parcial), a aplicação do prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º, do CTN. Ainda em sede de preliminar, a contribuinte sustenta que, no caso do acórdão recorrido, a aplicação do prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º, do CTN se deu em decorrência do exame do percentual da multa aplicada, matéria que guarda relação com a caracterização ou não de conduta dolosa. Assim, a Fazenda Nacional, para rediscutir a decadência, deveria ter rediscutido a redução da multa, o que não foi feito no recurso especial. Quanto a essas outras duas preliminares (ausência de divergência e não questionamento da multa), é importante perceber que o acórdão recorrido, embora não tenha tratado expressamente da questão da ocorrência ou não de pagamento, ao decidir sobre a Fl. 3846DF CARF MF Processo nº 10845.003738/200300 Acórdão n.º 9101002.517 CSRFT1 Fl. 13 12 decadência, aderiu a uma linha de interpretação muito comum na época em que foi proferida a decisão, que considerava irrelevante a ocorrência de pagamento, para fins de se definir a regra de contagem de prazo decadencial. É o que pode ser chamado de silêncio eloqüente, dado o contexto da época em que a decisão foi proferida. A referida linha de entendimento priorizava apenas o regime de lançamento a que estava submetido o tributo. Se a regra legal previa o regime de lançamento por homologação para um determinado tributo, a regra de decadência seria a prevista no art. 150, §4º, do CTN, independentemente de ter havido ou não algum pagamento desse tributo. O deslocamento do prazo previsto no art. 150 para o prazo do art. 173 do CTN só era admitido quando restasse caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Conforme bem explicitou o despacho de exame de admissibilidade do recurso especial, a divergência restou caracterizada porque o acórdão recorrido adotou o entendimento de que a regra do art. 150, §4°, do CTN é aplicável aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, só admitindo uma hipótese para o afastamento dessa regra a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, enquanto que o acórdão paradigma admitiu uma outra hipótese para isso, que é a ausência de pagamento (ainda que parcial). O objeto do recurso especial repousa justamente sobre essa divergência de interpretação da norma jurídica, que precisa ser dirimida. A divergência, portanto, restou mesmo caracterizada. A verificação do resultado prático de uma ou outra tese que for considerada correta, diante de todo o contexto fático que abrange o litígio, entendo que, nesse caso, é matéria de mérito, a ser examinada na fase seguinte do julgamento do presente recurso. Restando esclarecido que a divergência objeto do recurso especial se situa na questão sobre a relevância ou não do pagamento para definição da regra de prazo decadencial, não é necessário rediscutir a questão do percentual da multa, embora ela também tenha influenciado a análise da decadência que foi empreendida pelo acórdão recorrido. A divergência a ser aqui dirimida independe do percentual da multa, e da caracterização de fraude, etc., matéria que, realmente, nem é objeto do recurso especial sob exame. Em razão dessas considerações, devem ser rejeitadas as preliminares apresentadas pela contribuinte em sede de contrarrazões. O recurso, portanto, deve ser conhecido, porque preenche os requisitos de admissibilidade. Já foi mencionado que quanto à decadência, o entendimento manifestado no acórdão recorrido aderiu à interpretação de que nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo decadencial é de 5 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, afastandose essa regra apenas nos casos em que fica caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 3847DF CARF MF Processo nº 10845.003738/200300 Acórdão n.º 9101002.517 CSRFT1 Fl. 14 13 O recurso especial da PGFN voltase exatamente para essa questão, e defende a idéia de que ha outra situação que afasta a aplicação do prazo decadencial mais curto, previsto no art. 150, § 4º, do CTN, que é a ausência de pagamento (ainda que parcial), o que teria sido desconsiderado pela decisão recorrida. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), por ocasião do julgamento do Recurso Especial repetitivo 973.733/SC firmou o seguinte entendimento em relação à questão da decadência: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008). Essa interpretação deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, conforme determina o § 2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015: As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. De acordo com o STJ, devese aplicar o artigo 173, I, do CTN, quando, a despeito da previsão legal de pagamento antecipado da exação, o mesmo inocorre e inexiste declaração prévia do débito capaz de constituir o crédito tributário. No sentido inverso, há duas condições para a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º, do CTN: 1) haver pagamento ou 2) haver declaração prévia que constitua crédito tributário. Não se pode, portanto, deixar de reconhecer a relevância da existência ou não de pagamento ou declaração/confissão (ainda que parciais) para fins de definição do critério para a contagem de prazo decadencial. Aliás, vale frisar que todo esse debate em torno da relevância do pagamento ou da confissão de débito para análise de decadência de lançamento posteriormente realizado Fl. 3848DF CARF MF Processo nº 10845.003738/200300 Acórdão n.º 9101002.517 CSRFT1 Fl. 15 14 pelo Fisco pressupõem pagamento e/ou confissão parciais mesmo. Até porque o Fisco não realizaria nenhum lançamento de ofício para constituir crédito tributário que já foi em momento anterior integralmente pago ou confessado pelo contribuinte. No caso em análise, o acórdão recorrido reconheceu a decadência para os fatos geradores ocorridos até 30/09/1998. O litígio abrange especificamente o período de janeiro a setembro de 1998, conforme indica o próprio conteúdo do recurso apresentado pela PGFN. É que a decadência se opera para os fatos geradores ocorridos em 1997, por qualquer uma das regras de prazo decadencial em questão. Compulsando os autos, especialmente o "Termo de Verificação e Intimação" e os quadros demonstrativos dos autos de infração (efls. 3/15 e 16/84 do vol. 11 do e processo), verificase que a contribuinte declarou bases de cálculo para o período em questão, e que o lançamento ocorreu apenas sobre as infrações (diferenças) apuradas pela fiscalização. Ou seja, não houve lançamento sobre as bases de cálculo positivas de IRPJ/CSLL (lucro presumido) apuradas pelo próprio contribuinte, e nem sobre as receitas que já haviam sido por ele reconhecidas e declaradas (PIS/COFINS), indicando claramente que os tributos referentes às receitas já declaradas ou estavam pagos, ou pelo menos tinha sido declarados/confessados em DCTF. Do contrário, a autoridade fiscal teria realizado lançamento também sobre essas bases de cálculo. Aliás, uma das infrações constatadas para o IRPJ do anocalendário de 1998 foi justamente a "aplicação indevida de coeficiente de determinação do lucro presumido" sobre as receitas declaradas, o que também deixa evidente que a contribuinte pagou/confessou uma parte do tributo (já que o lançamento se deu apenas sobre as diferenças apuradas). A conclusão é de que a contribuinte havia pago ou pelo menos confessado em DCTF uma parte dos tributos em questão (que incidiram sobre as receitas por ela declaradas), o que implica na contagem da decadência pela regra do art. 150, §4º, do CTN, conforme o referido entendimento pacificado pelo STJ. Assim, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da PGFN. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 3849DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002532/2006-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Oct 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OCORRÊNCIA DE ERRO MATERIAL. LAPSO MANIFESTO.
Devem ser acolhidos os Embargos de Declaração quando demonstrada ocorrência de erro material ou lapso manifesto no acórdão embargado.
Embargos Acolhidos
Acórdão retificado
Numero da decisão: 3302-003.376
Decisão: Acórdão os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, para retificar a Acórdão Embargado.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Linhares e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OCORRÊNCIA DE ERRO MATERIAL. LAPSO MANIFESTO. Devem ser acolhidos os Embargos de Declaração quando demonstrada ocorrência de erro material ou lapso manifesto no acórdão embargado. Embargos Acolhidos Acórdão retificado Acórdão os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, para retificar a Acórdão Embargado. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Linhares e Walker Araújo. Relatório A Embargante em epígrafe interpõe Embargos de Declaração ao acórdão nº 3102002.008, de 24 de setembro de 2013, que, à época, recebeu a seguinte ementa. Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE Anocalendário: 2002 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 25 32 /2 00 6- 11 Fl. 426DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/10/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.002532/200611 Acórdão n.º 3102003.376 S3C1T2 Fl. 186 2 LICENÇA DE USO. AQUISIÇÃO DE CON El ECI M ENTO TECNOLÓGICO. CONTRATOS QUE IMPLIQUEM TRANSFERENCIA DE TECNOLOGIA. SERVIÇOS TÉCNICOS, DE ASSISTÊNCIA ADMINISTRATIVA E SEMELHANTES. ROYALTIES. PAGAMENTO. CREDITAMENTO. ENTREGA. EMPREGO OU REMESSA AO EXTERIOR. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. CONDIÇÃO. INEXISTÊNCIA. A Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE onera os valores pagos creditados, entregues, empregados ou remetidos a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, por licença de uso de conhecimentos tecnológicos, aquisição de conhecimentos tecnológicos, contratos que impliquem transferência tecnológica, serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes e royallies. A transferência de tecnologia ou de conhecimento tecnológico não é condição sine qua non à incidência da Contribuição. LICENÇAS DE USO OU DE DIREITOS DE COMERCIALIZAÇÃO OU DISTRIBUIÇÃO. PROGRAMAS DE COMPUTADOR. AUSÊNCIA DE TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. EXCLUSÃO DAS HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. VIGÊNCIA. A exclusão das hipóteses de incidência da CIDE da remuneração paga pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programas de computador determinada pela Lei 11.452/07 não é disposição de natureza interpretativa. Não há menção expressa na norma a essa condição e seu artigo 21 determinou que a desoneração entrasse em vigor a partir do dia I" de janeiro de 2006. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTARIA. Ao órgão administrativo não compete apreciar arguição de inconstitucionalidade de lei tributária, nos termos da súmula n° 2 do CARF. Negado Provimento aos Recursos de Oficio e Voluntário. O Relatório que fundamentou o Acórdão pelo presente embargado teve o seguinte teor. O presente processo versa acerca de auto de infração, lavrado em 16/11/2006 (11s. 81/86), atinente a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico — Remessa ao Exterior (CIDE — Remessa de Valores ao Exterior), relativo a fato gerador ocorrido no mês de janeiro do anocalendário de 2002, com crédito tributário total de RS 4.469.815,60 (quatro milhões, quatrocentos e sessenta e nove mil, oitocentos e quinze reais e sessenta centavos), composto de principal, multa de oficio de 75% e de juros de mora vinculados, calculados. até 31/10/2006. O referido auto de infração decorreu de ilícitos caracterizados em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributarias perante o sujeito passivo em epígrafe, segundo o qual restou configurada a ocorrência falta de recolhimentos da ('IDE incidentes sobre remessa de royalties assoe/ciclos ao contrato celebrado com a EDS WORLD CORPORATION, para convencionar a outorga do direito de uso de programas e sistemas de computador (software) de propriedade da sociedade americana, cuja descrição dos fatos/infrações e enquadramentos legais encontramse pormenorizados no corpo do mencionado auto Fl. 427DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/10/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.002532/200611 Acórdão n.º 3102003.376 S3C1T2 Fl. 187 3 de infração e do Termo de Verificação Fiscal (fls. 77/80), parte integrante e indissociável do lançamento. Cientificado pessoalmente do lançamento, em 21/11/2006, (f1.88), o contribuinte apresentou a impugnação em 20/12/2006 (fls. 93/114), acompanhado da documentação de fls. 115/188, na qual requer que o lançamento seja julgado totalmente improcedente e seja levada a efeito o cancelamento integral tia exigência formulada por intermédio do referido auto de infração, em síntese, apoiandose nas seguintes alegações de fito e de direito: I) Preambularmente, após breve relato da autuação em questão apresenta ulna introdução aos argumentos de mérito, iniciandose pela descrição das atividades previstas em seus quadros societários e assegurar que o contrato firmado com a matriz /10 exterior visou obter licença de uso de programas e sistemas e computador (software) no próprio estabelecimento da empresa 170 Brasil, devendo preservar sua confidencialidade e vedando a sub licença, venda, aluguel, cessão, transferência, publicação, exibição, autorização de uso, disponibilização, ou qualquer outra comunicação dos softwares perante terceiros; 2) Nesse ponto, dando ênfase ao teor da cláusula 5.2 do contrato comento, salienta que a pessoa jurídica estrangeira licencia os programas de computadores exclusivamente para utilização da própria empresa, sem, 170 entanto, acessar os conhecimentos técnicos ou transferência de tecnologia; 3) Entende, portanto, que mesmo após a alteração da Lei n° 10.168, de 2000, não esta sujeita ao recolhimento da C1DE sobre as importâncias pagas em decorrência da licença de uso, tendo em conta que a 1101711a é direcionada tão somente ás pessoas que efetuam pagamentos ao exterior em decorrência de contratos que envolvem licenças para utilização ou transferência de tecnologia, em sentido estrito; 4) Assevera que, muito embora posso se depreender da leitura dos dispositivos previsto 170 art. 20 da Lei n° 10.168, de 2000, alterado pelo art. 60 cia Lei n° 10.332, de 2001, a admissibilidade de onerar cia remuneração referente a todo e qualquer serviço técnico, de assistência administrativa, licença de uso, ainda que não vinculadas com contratos que integrem previsão contratual de transferência de tecnologia, tal conclusão neste,v moldes não é pertinente; 5) Concluída a fase inaugural da defesa, dá inicio as discussões de mérito submetendo suas arguições de direito na qual questiona Os Hittites constitucionais ligadas el instituição da CIDE, em especial, no tocante ao fato de que a interpretação a ser aplicada para fins de determinação da área de intervenção do Estado e da definição do sujeito passivo da contribuição, finda por extrapolar o grupo de beneficiários direitos ou indiretos da atuação estatal. Neste campo, sustenta suas argumentações mediante jurisprudência forense e doutrina tributária. 6) Seqüencialmente, aduz suas alegações visando debater a compatibilidade da incidência da CIDEROYALTIES, nem como analisar o atendimento dos requisitos de legitimidade constitucionalmente previstos, cujas conclusões apontam pela consideração de que a CIDE tem por objetivo o desenvolvimento tecnológico, razão pela qual entende que não se aplica em eventos que não se aplicam á produção ou aquisição de tecnologia, sob pena de inconstitucionalidade; 7) Sob este enfoque, enfatize que a fiscalização desconsiderou completamente as peculiaridades do contrato de licença de software firmado entre a impugnante e a sua matriz estrangeira, bem como o objetivo das normas que tratam a CIDE, Fl. 428DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/10/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.002532/200611 Acórdão n.º 3102003.376 S3C1T2 Fl. 188 4 impondo a exigência contribuição sobre uma remessa ao exterior que não detém qualquer vinculação com contrato de transferência de tecnologia, mas tão somente um contrato que envolve licença para uso de software para uso próprio; Completa, ainda, que o Termo de Constatação Fiscal e o auto de Infração fundamentou a autuação com fulcro no art. 20 e 30 da Lei n° 10.168/2000, alterada pela Lei n° 10.332, de 2001, entretanto, sem a especifica cão exata cio enquadramento de imputação da contribuição sobre a remessa para exterior ocorrida no inicio de 2002: 9)Assim, infere que para a incidência da CIDE não é suficiente que haja um contraio regulando licença de uso ou a identificação de pagamento de royalty ao exterior, mas sim, imprescindível que se constate que o contrato e o desembolso referemse à transferência de tecnologia, a luz do objetivo fixado pela Lei n° 10.168, de 2000 e dos arts. 149, 218 e 219 da CF/88; 10) Encerra suas contrarazões, fundamentando as inferências anteriores que visam atestar: (I) a distinção das conceitos de tecnologia e software no intuito de demonstrar que somente compete tributação sobre negócios jurídicos que efetivamente envolvam tecnologia estrangeira e não meras obras intelectuais;(II) o equívoco na pretensão de tributar por intermédio da CIDE qualquer remuneração atrelada a licença de uso de software, sem a ocorrência de transferência de tecnologia; (III) e, finalmente, o equivoco da pretensão c/c tributar as remessas ao exterior, atinentes importância de royalties vinculadas ao contrato de licença de uso de software, mediante aplicação da COE, nos termos do art. 2°, caput e §2° da Lei n° 10.168, de 2000, com a redação dada peia Lei n010332, de 2001, defronte a clareza de seus argumentos que evidenciam que a transferência ou o emprego de tecnologia, assim t entendidos os direitos de propriedade industrial, são indispensáveis para incidência c/a contribuição. Embasa suas teses mediante citação de doutrina e jurisprudência forense. Ato continuo, a autoridade preparadora encaminha os autos a DRI/SPOI para julgamento da impugnação." Após analisar a impugnação da Contribuinte, decidiu a DRJ por manter o lançamento, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÁO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2002 CIDE REMESSAS AO EXTERIOR. DA ADAHSSIBILIDADE DE TRIBUTAÇÃO DOS PAGAMENTOS DE ROYALTIES.CONTRATOS DE LICENÇA DE USO DE PROGRAMAS DE COMPUTADOR (SOFTWARE). VERDADE MATERIAL. A empresa signatária de contrato de cessão ou licença de uso de programa de computador (software), independentemente de estarem atrelados a transferência de tecnologia, caracterizavase na condição de sujeito passivo da CIDE, no que concerne as remessas ao exterior, sob a firma de remuneração ou royalties, independentemente da terminologia adotada nas cláusulas contratuais firmadas entre as partes. DOS ARGUMENTOS DE VIOLAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/10/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.002532/200611 Acórdão n.º 3102003.376 S3C1T2 Fl. 189 5 Não cabe ao órgão administrativo apreciar a argüição de legalidade ou constitucionalidade das leis ou mesmo de violação a qualquer principio constitucional de natureza tributária. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais, excetuandose as súmulas e/ou sentenças prolatadas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não vinculam as instâncias julgadoras, restringindose as matérias e as partes envolvidas no litígio. Lançamento Procedente Em sede recursal, a contribuinte, após apresentar um breve resumo fático, tece comentários sobre os "limites constitucionais para a instituição da CIDE , arguindo com fundamento no art. 149 da Constituição Federal a inconstitucionalidade da lei que a instituiu. Alega ainda que, a Receita Federal, equivocadamente, parte do principio de que todo e qualquer contrato que tenha por objeto a licença de uso de software, ou ainda, que envolva o pagamento de royalties ao exterior, deve sofrer incidência da CIDE, mesmo que fora de um contexto em que haja transferência de tecnologia, sustentado que seria o caso dos autos. Procura defender tal alegação, ao demonstrar que para que haja a incidência da CIDE prevista na Lei n° 10.168/2000 não é suficiente a existência de um contrato regulando licença de uso ou um pagamento de royalties ao exterior e sim que se demonstra se tal contrato e pagamento se referem, de alguma forma, à transferência de tecnologia, visto que 6. esse o objetivo da Lei n° 10.168/2000 e da Constituição Federal. Ainda dentro deste tópico, esclarece a requerente o significado dos "conceitos de tecnologia e de software", e em seu entendimento, impõese considerar que não necessariamente a licença de uso de um software implica em transferência de tecnologia. Isto porque podem existir contratos que têm por objeto a obra (no caso, o software) e outros que têm por objeto a tecnologia, sendo que quando se adquire o primeiro, não necessariamente se adquire o segundo. Para a recorrente, quem adquire a tecnologia passa a poder produzir determinada obra, já quem adquire a obra pode se utilizar das qualidades da obra em si e não tem, em principio , acesso á tecnologia que levou A. sua produção, seguindo esta linha de raciocínio, sustenta, que o software é um obra e, corno tal, protegida pelas normas de direitos autorais, enquanto que a sua criação envolve uma tecnologia, que pode ou não ser transferida a outrem. mediante contrato estabelecido entre as partes. Assim, demonstra que adquirir o direito de uso de um software é apenas adquirir o direito de utilizálo da forma em que foi concebido, enquanto adquirir o direito à respectiva tecnologia para a sua criação seria absolutamente diferente, urna vez que isso implica em ter acesso aos conhecimentos técnicos (códigofonte, formulas etc.) que foram utilizados para concebêlo. Segundo a recorrente a lei n° 11.452/2007 em seu art. 20, determinou que o art. 2° da lei n° 10.168/00 passaria a vigorar acrescido do art. 1° A, o qual estabelece que a CIDE apenas deve incidir sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/10/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.002532/200611 Acórdão n.º 3102003.376 S3C1T2 Fl. 190 6 No caso dos autos por não existir previsão nos contratos celebrados entre a Recorrente e as empresas estrangeiras para a transmissão do códigofonte, diagramas, fluxogramas etc, dos softwares objeto das licenças de uso, não há que se falar em transferência de tecnologia. Por fim, afirma que o Decreto n° 4.195/2002, editado com o objetivo de regulamentar a Lei n° 10.168/2000, não prevê que a simples licença de uso de softwares seja hipótese para a incidência da CIDE. Designado para manifestarse acerca da admissibilidade dos Embargos interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, o Conselheiro José Fernandes do Nascimento assim se pronunciou. Tempestivamente, em 25/5/2015, a recorrente apresentou os embargos de declaração de fl. 418, em que alegou contradição no julgado embargado, pois, uma vez que a DRJ de São Paulo/SP, por meio do acórdão nº 1621.848, julgou o lançamento procedente, logo, não houve recurso de ofício, em decorrência, contraditoriamente constou na ementa e no dispositivo do acórdão fora negado provimento ao recurso de ofício, que ficou assim redigido, in verbis: INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTARIA. Ao órgão administrativo não compete apreciar arguição de inconstitucionalidade de lei tributária, nos termos da súmula n° 2 do CARF. Negado Provimento aos Recursos de Oficio e Voluntário. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio, e, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Alvaro Arthur Lopes de Almeida Filho (relator) e Andréa Medrado Darzé, que davam provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ricardo Paulo Rosa. (grifos não originais) No caso em tela, ao contrário do que alegou à recorrente, não se vislumbra qualquer contradição entre a questionada decisão e seus fundamentos, requisito necessário para admissibilidade dos embargos de declaração, conforme explicitado no caput do art. 65 do Anexo II da Portaria MF 256/2009 (RICARF), a seguir transcrito: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. [...] (grifos não originais) No caso, com exceção da indevida referência ao recurso de ofício inexiste, do cotejo dos fundamentos consignados no voto condutor do julgado com disposto na decisão do Colegiado observase perfeita consonância. Entretanto, da simples leitura da redação do destacado fragmento final dos enunciados das ementas, anteriormente transcritas, em confronto com teor da redação do dispositivo do acórdão embargado e os fundamento e conclusão explicitada no voto condutor do citado julgado, constatase evidente erro escrita. É evidente que, se não houve recurso de ofício, inequivocamente, fora indevida a referência ao referido recurso no final da ementa e na parte dispositiva do acórdão. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/10/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.002532/200611 Acórdão n.º 3102003.376 S3C1T2 Fl. 191 7 Assim, embora não atenda os pressupostos de admissibilidade do citado art. 65, induvidosamente, o recurso em apreço encontra respaldado no art. 66 do RICARF, a seguir transcrito: Art. 66. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão serão retificados pelo presidente de turma, mediante requerimento de conselheiro da turma, do Procurador da Fazenda Nacional, do titular da unidade da administração tributária encarregada da execução do acórdão ou do recorrente. § 1° Será rejeitado de plano, por despacho irrecorrível do presidente, o requerimento que não demonstrar com precisão a inexatidão ou o erro. § 2° Caso o presidente entenda necessário, preliminarmente, será ouvido o conselheiro relator, ou outro designado, na impossibilidade daquele, que poderá propor que a matéria seja submetida à deliberação da turma. § 3° Do despacho que indeferir requerimento previsto no caput, darseá ciência ao requerente. (grifos não originais) A matéria também encontrase disciplinada no art. 67 do Decreto 7.574/2011, que regulamenta o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União, com o seguinte teor, in verbis: Art. 67. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão deverão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, mediante a prolação de um novo acórdão (Decreto no70.235, de 1972, art. 32). Do cotejo do teor dos dois referidos preceitos normativos, verificase que enquanto o preceito regimental atribui ao presidente turma a competência para proceder tais correções, o preceito regulamentar exige que a retificação seja feita mediante a prolação de novo acórdão. Em face dessa circunstância e tendo em vista que foi editado posteriormente e também por ser norma de hierarquia superior, certamente, em relação a este ponto específico, o comando normativo regimental foi derrogado pelo preceito regimental, devendo este último ser aplicado no âmbito CARF. Dessa forma, uma vez demonstrada a existência do referido erro de escrita, deve ser procedida a correção mediante a edição de novo acórdão. É o Relatório. Voto Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento dos embargos. Com base nos fundamentos acima declinados, que adoto como se meus fossem, do mesmo modo como já o fiz ao determinar a inclusão do processo em pauta para julgamento, entendo que deva ser corrigido o lapso manifesto com a consequente retificação do acórdão embargado. Fl. 432DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/10/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.002532/200611 Acórdão n.º 3102003.376 S3C1T2 Fl. 192 8 Importante observar que, embora a Ata também consigne decisão de negar provimento ao recurso de ofício, fato é que o recurso de ofício não pode ter existido, ex vi decisão tomada em primeira instância de julgamento. Observese como decide o Acórdão nº 1621.848, da 7ª Turma da DRJ/SPO I. Vistos, discutidos e relatados os autos, ACORDAM os membros da 7a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar PROCEDENTE o lançamento do crédito tributário, nos termos do relatório e voto, que fazem parte do presente julgado. Cientifiquese o contribuinte do presente acórdão, intimandoo a pagar, no prazo de 30 dias contados da ciência, o crédito tributário mantido, ressalvandolhe o direito de interpor recurso voluntário, em igual prazo, junto à Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos do art. 33 do Decreto n° 70.235/72. VOTO pelo acolhimento dos vertentes Embargos para retificação do Acórdão embargado. Onde consta Negado Provimento aos Recursos de Oficio e Voluntário. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio, e, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Alvaro Arthur Lopes de Almeida Filho (relator) e Andréa Medrado Darzé, que davam provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Passa a constar Negado Provimento ao Recurso Voluntário. Acórdão os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Alvaro Arthur Lopes de Almeida Filho (relator) e Andréa Medrado Darzé, que davam provimento ao Recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ricardo Paulo Rosa. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 433DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/10/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.002532/200611 Acórdão n.º 3102003.376 S3C1T2 Fl. 193 9 Fl. 434DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/10/2016 p or RICARDO PAULO ROSA
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