Sistemas: Acordãos
Busca:
mostrar execução da query
4701577 #
Numero do processo: 11618.003391/2004-14
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2006
Ementa: COFINS DECORRENTE - IRPJ - OMISSÃO DE RECEITAS - Constatada diferença entre os valores informados ao Estado e à SRF, depuradas as bases podem ser consideradas omissão de receitas, quando o contribuinte não demonstra que o diferencial não se refere a receita da empresa. Recurso negado.
Numero da decisão: 105-15.491
Decisão: ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: José Clóvis Alves

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
materia_s : Cofins - ação fiscal (todas)

dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021

anomes_sessao_s : 200601

ementa_s : COFINS DECORRENTE - IRPJ - OMISSÃO DE RECEITAS - Constatada diferença entre os valores informados ao Estado e à SRF, depuradas as bases podem ser consideradas omissão de receitas, quando o contribuinte não demonstra que o diferencial não se refere a receita da empresa. Recurso negado.

dt_publicacao_tdt : Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2006

numero_processo_s : 11618.003391/2004-14

anomes_publicacao_s : 200601

conteudo_id_s : 4247352

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 12 00:00:00 UTC 2016

numero_decisao_s : 105-15.491

nome_arquivo_s : 10515491_145802_11618003391200414_005.PDF

ano_publicacao_s : 2006

nome_relator_s : José Clóvis Alves

nome_arquivo_pdf_s : 11618003391200414_4247352.pdf

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.

dt_sessao_tdt : Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2006

id : 4701577

ano_sessao_s : 2006

atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:51:33 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1714075309489258496

conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-20T19:21:16Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-20T19:21:16Z; Last-Modified: 2009-08-20T19:21:16Z; dcterms:modified: 2009-08-20T19:21:16Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-20T19:21:16Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-20T19:21:16Z; meta:save-date: 2009-08-20T19:21:16Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-20T19:21:16Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-20T19:21:16Z; created: 2009-08-20T19:21:16Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2009-08-20T19:21:16Z; pdf:charsPerPage: 1199; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-20T19:21:16Z | Conteúdo => . _ .... , k . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. ig> QUINTA CÂMARA Processo n°. :11618.003391/2004-14 Recurso n°. :145.802 Matéria : COFINS - EXS.: 2001 a 2004 Recorrente : RENASCENTE ELETRO MERCANTIL LTDA. Recorrida : r TURMA/DRJ em RECIFE/PE Sessão de : 25 DE JANEIRO DE 2006 Acórdão n°. :105-15.491 COFINS DECORRENTE - IRPJ - OMISSÃO DE RECEITAS - Constatada diferença entre os valores informados ao Estado e à SRF, depuradas as bases podem ser consideradas omissão de receitas, quando o contribuinte não demonstra que o diferencial não se refere a receita da empresa. Recurso negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por RENASCENTE ELETRO MERCANTIL LTDA. ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Je linVIS AL ES( " - SIDENTE e RELATOR FORMALIZADO EM: 08 MAR 2006 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: NADJA RODRIGUES ROMERO, DANIEL SAHAGOFF, CLÁUDIA LÚCIA PIMENTEL MARTINS DA SILVA (Suplente Convocada), LUÍS ALBERTO BACELAR VIDAL, IRINEU BIANCHI e JOSÉ CARLOS PASSUELLO. MINISTÉRIO DA FAZENDA -3t -ric PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. QUINTA CÂMARA Processo n°. :11618.003391/2004-14 Acórdão n°. : 105-15.491 Recurso n°. : 145.802 Recorrente : RENASCENTE ELETRO MERCANTIL LTDA. RELATÓRIO RENASCENTE ELETRO MERCANTIL LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com a Decisão n° 11.144 de 18 de fevereiro de 2.005 da r Turma da DRJ em Recife PE, que manteve o lançamento de COFINS, interpõe recurso a este Tribunal Administrativo objetivando a reforma da sentença. Trata a lide das exigências de COFINS, relativa aos exercícios de 2.001 a 2.004, tendo sido constatadas diferenças entre os valores declarados e os valores escriturados no registro de saídas, procedeu-se aos lançamentos da referida contribuição social. Não concordando com o lançamento a empresa apresentou impugnação aos feitos fiscais, fls. 625/636, argumentando, em epitome o seguinte: Que é contribuinte do PIS. Que houve a declaração de inconstitucionalidade do PIS Decretos-lei 2.445 e 2.449/88. Que impetrara ação judicial visando compensar os valores pagos a maior de PIS com base nos referidos Decretos-lei e em desacordo com a LC 7/70. Que obteve autorização judicial para compensar os valores pagos a maior. Que pagou também a maior o FINSOCIAL de que trata o DL 1.940/82, sendo as alíquotas superiores a 0,5% (meio por cento) inconstitucionais, e tendo recorrido à justiça obteve o direito de compensar os valores indevidamente pagos. Pede a revisão dos cálculos das exigências para considerar os créditos de PIS e COFINS já deferidos pela justiça, uma vez que o apelo da PFN ao STJ tem a finalidade exclusiva da procrastinação do trânsito em julgado. 2 fl MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. ,..cer . QUINTA CÂMARA Processo n°. : 11618.003391/2004-14 Acórdão n°. :105-15.491 A 2a Turma da DRJ em RECIFE PEI analisou os lançamentos bem como as defesas apresentadas e através do Acórdão n° 11.144 de 18 de fevereiro de 2.005, decidiu pela procedência dos lançamentos. Verificou a decisão que a empresa não atacara o fundamento da exigência que fora a diferença entre o valor declarado e o escriturado, tão somente quis a compensação de créditos de PIS e FINSOCIAL, pagos a maior que pleiteia na justiça e que ainda não transitaram em julgado. Inconformada a empresa apresentou a petição recursal de folhas 382/394, onde repete os argumentos da inicial. Recurso lido na integra em plenário. Como garantia arrolou bens. É o relatório. 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES F I . 7%.S. QUINTA CÂMARA Processo n°. : 11618.003391/2004-14 Acórdão n°. : 105-15.491 VOTO Conselheiro JOSÉ CLÓVIS ALVES, Relator O recurso é tempestivo, a empresa apresentou garantia através de arrolamento de bens, portanto conheço do apelo. Tratam os autos de exigência de COFINS, lançada em virtude de diferenças encontrada pelo auditor entre a receita declarada e escriturada. A empresa em todo processo não ataca o fundamento da autuação, tão somente pede que sejam considerados pretensos créditos de contribuições para o PIS e FISNSOCIAL, que pleiteia na justiça e que ainda não tiveram segundo os dados constantes dos autos o trânsito em julgado. De inicio cabe salientar que o contribuinte errou o instrumento pois a compensação/restituição na esfera administrativa tem rito próprio diferente do de exigência do crédito tributário, porém ainda que do processo correto se socorresse não poderiam as autoridades falar sobre a matéria do ponto de vista jurídico, visto que em relação a tal tema recorrera à justiça. A compensação, se for o caso poderá ser feita administrativamente, na SRF ou na PFN, após o trânsito em julgado dos processos judiciais, se o Poder Judiciário reconhecer o direito do contribuinte. Às DRJs e Conselhos de Contribuintes, órgãos judicantes na esfera administrativa cabem julgar as lides, porém a acusada deve sempre enfrentar as acusações de forma individualizada, clara e objetiva, tanto do ponto de vista legal quanto material, não podendo se pronunciarem sobre matérias estranhas à acusação, que não diz respeito à lide. 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. QUINTA CÂMARA Processo n°. :11618.003391/2004-14 Acórdão n°. :105-15.491 De fato agiu corretamente a DRJ pois a compensação de tributos discutidos na justiça só pode ser efetivada guando do transito em julgado das ações conforme artigo 170-A do CTN, transcrito na decisão recorrida. Assim, conheço do recurso e no mérito nego-lhe provimento. Sala das Sessões - DF, em 25 de janeiro de 2006. ;) IS ALVE Page 1 _0020700.PDF Page 1 _0020800.PDF Page 1 _0020900.PDF Page 1 _0021000.PDF Page 1

score : 1.0
4723642 #
Numero do processo: 13888.001241/99-20
Data da sessão: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2006
Ementa: FINSOCIAL – Pedido de Restituição/Compensação - Possibilidade de Exame - Inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal – Prescrição do direito de Restituição/Compensação – Inadmissibilidade - dies a quo – edição de Ato Normativo que dispensa a constituição de crédito tributário - Duplo Grau de Jurisdição. Recurso especial negado
Numero da decisão: CSRF/03-04.752
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Por unanimidade de votos, NEGAR provimentá ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: NILTON LUIZ BARTOLI

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
materia_s : Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario

dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021

anomes_sessao_s : 200602

ementa_s : FINSOCIAL – Pedido de Restituição/Compensação - Possibilidade de Exame - Inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal – Prescrição do direito de Restituição/Compensação – Inadmissibilidade - dies a quo – edição de Ato Normativo que dispensa a constituição de crédito tributário - Duplo Grau de Jurisdição. Recurso especial negado

dt_publicacao_tdt : Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2006

numero_processo_s : 13888.001241/99-20

anomes_publicacao_s : 200602

conteudo_id_s : 4415134

dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 30 00:00:00 UTC 2017

numero_decisao_s : CSRF/03-04.752

nome_arquivo_s : 40304752_126875_138880012419920_038.PDF

ano_publicacao_s : 2006

nome_relator_s : NILTON LUIZ BARTOLI

nome_arquivo_pdf_s : 138880012419920_4415134.pdf

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Por unanimidade de votos, NEGAR provimentá ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.

dt_sessao_tdt : Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2006

id : 4723642

ano_sessao_s : 2006

atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:52:08 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1714075309573144576

conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-16T17:59:18Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-16T17:59:17Z; Last-Modified: 2009-07-16T17:59:18Z; dcterms:modified: 2009-07-16T17:59:18Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-16T17:59:18Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-16T17:59:18Z; meta:save-date: 2009-07-16T17:59:18Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-16T17:59:18Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-16T17:59:17Z; created: 2009-07-16T17:59:17Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 38; Creation-Date: 2009-07-16T17:59:17Z; pdf:charsPerPage: 1439; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-16T17:59:17Z | Conteúdo => • Ir J.. ‘,7 CH":"g= MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA TURMA Processo n° : 13888.001241/99-20 Recurso n° : 301-126875 Matéria : FINSOCIAL - RESTITUIÇÃO Recorrente : FAZENDA NACIONAL Recorrida : 1 8 CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Interessada : FECULARIA NOSSA SENHORA DE FÁTIMA LTDA. Sessão de : 20 de fevereiro de 2006 Acórdão : CSRF/03-04.752 FINSOCIAL — Pedido de Restituição/Compensação - Possibilidade de Exame - Inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal — Prescrição do direito de Restituição/Compensação — Inadmissibilidade - dies a que — edição de Ato Normativo que dispensa a constituição de crédito tributário - Duplo Grau de Jurisdição. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL, ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Por unanimidade de votos, NEGAR provimentá ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. fi MANOEL ANTONIO GADELHA DIAS PRESIDENTE INsitl?)N LUIZ RTOLI LATOR FORMALIZADO EM: 20 JUL 2006 Participaram ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: OTACILIO DANTAS CARTAXO, CARLOS HENRIQUE KLASER FILHO, ELIZABETH EMILIO CHIEREGATTO DE MORAES (Substituta convocada), PAULO ROBERTO CUCCO ANTUNES, ANELISE DAUDT PRIETO e MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JÚNIOR. Ausente momentaneamente a Conselheira JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO. Rr Processo n° :13888.001241/99-20 Acórdão : CSRF/03-04.752 Recurso n° : 301 -1 26875 Recorrente : FAZENDA NACIONAL Interessada : FECULARIA NOSSA SENHORA DE FÁTIMA LTDA. RELATÓRIO Trata-se de Recurso Especial, interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, contra decisão proferida pela 1 a• Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, lavrada no Acórdão n° 301-30.986 (fls. 94/98), consubstanciado na seguinte ementa: "FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO. O prazo para requerer o indébito tributário decorrente da declaração de inconstitucionalidade das majorações de aliquotas do Finsocial é de cinco anos, contados de 12/6/1998, data da publicação da Medida Provisória n.° 1.621-36, que de forma definitiva trouxe a manifestação do Poder Executivo no sentido de possibilitar ao contribuinte fazer a correspondente solicitação. RECURSO PROVIDO POR UNANIMIDADE." Do acórdão, proferido por unanimidade de votos, a Procuradoria da Fazenda Nacional recorre, tempestivamente, com base no art. 5°, inciso II, do Regimento Interno da CSRF, sob o argumento de que a decisão recorrida diverge de entendimento manifestado pela colenda 2a. Câmara do Eg. 3° Conselho de Contribuintes, que, em acórdão paradigma (Ac. 302-35782), assentou posicionamento de que o "direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário (art. 168, inciso I, do Código Tributário Nacional), ocorrido com o pagamento do tributo". Em defesa ao acolhimento das razões expostas no acórdão paradigma, apresenta, em suma, os seguintes argumentos: .A?2 Processo n° :13888.001241/99-20 Acórdão : CSRF/03-04.752 i) pelo exame dos artigos 165, inciso I e 168, inciso I, ambos do CTN, constata-se que o direito de o sujeito passivo pleitear a restituição total ou parcial de tributo pago indevidamente ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido, extingue-se com o decurso do prazo de 5 arios, contados da data da extinção do crédito tributário; ii) as decisões administrativas devem respeitar o disposto no AD SRF n° 96/99, segundo o qual o prazo para pleitear restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extingue-se após o transcurso do prazo de 5 anos, contado da data da extinção do crédito tributário; iii) o AD SRF n° 96/99 tem caráter vinculante para a administração tributária, a partir de sua publicação, nos termos dos artigos 100, I e 103, I, do CTN, sob pena de responsabilidade funcional e, no que tange ao questionamento, suscitado eventualmente pelo contribuinte, sobre a inconstitucionalidade ou ilegalidade dessa norma, aduz tratar- se de competência exclusiva do Poder Judiciário, não cabendo discussão administrativa acerca da matéria; iv) aplicando-se o dispositivo do AD SRF n° 96/99 e tendo em vista que o CTN, em seu artigo 156, inciso I, especifica que o pagamento é modalidade de extinção do crédito tributário e considerando a data em que o pedido de restituição do Finsocial foi protocolizado, tem que não havia como ser deferido tal pleito, levando-se em conta o decurso de mais de 5 anos desde o recolhimento efetivado; v) não há nada que justifique ser considerada a data da publicação da Medida Provisória n° 1.621-36/98, o termo inicial da contagem do prazo para se pleitear a restituição do Finsocial, tendo em vista que, no 3 4 Processo n° :13888.001241/99-20 Acórdão : CSRF/03-04.752 momento em que foi recolhido indevidamente o tributo, no outro dia, o contribuinte já poderia ter buscado a guarida do Judiciário para pleitear a restituição dos valores, não tendo que aguardar decisão da Colenda Suprema Corte para tal fim; vi) Tal assertativa é indiscutível, eis que no ordenamento jurídico brasileiro, é admitido o controle constitucional difuso ou aberto, que se caracteriza pela permissão a todo e qualquer juiz ou tribunal realizar no caso concreto a análise sobre a compatibilidade do ordenamento jurídico com a Constituição Federal. Conclui que não há na lei qualquer autorização para se considerar um outro termo inicial da contagem do prazo para restituição do indébito, mais favorável para o contribuinte, em detrimento do erário público. Requer seja cassado o v. acórdão recorrido, restaurando-se o inteiro teor da r. decisão de V. Instância. Acórdão paradigma, 302-35.782, juntado às fls. 110/135. Instado a apresentar contra-razões, o contribuinte manifesta-se às fls. 144/155, tempestivamente, reiterando os argumentos apresentados em sua peça impugnatória e Recurso Voluntário, e acrescentando, em suma, que: (i)o art. 165, I c/c 168, I do CTN fixa a contagem do prazo decadencial a partir da extinção do crédito tributário pelo pagamento do tributo; (ii) o ato normativo das decisões administrativas, tem caráter vinculante, nos termos do art. 100, I c/c 103, I do CTN, sob pena de responsabilidade funcional; (iii)inexiste justificativa para considerar a data da publicação da Medida Provisória n.° 1.621-36/98 como termo inicial da contagem de prazo para se pleitear a 4 Processo n° :13888.001241/99-20 Acórdão : CSRF/03-04.752 restituição do Finsocial, com o argumento de que no momento do recolhimento tributo indevido, no dia seguinte o contribuinte poderia pleitear a restituição; (iv)o STJ dirimiu divergência e, em julgamento de uniformização de jurisprudência, estabeleceu que é de dez anos contados da ocorrência do fato gerador o prazo para o contribuinte que pagou indevidamente ou a maior tributos sujeitos a lançamento por homologação requerer a sua restituição ou compensação com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, baseando-se no art. 168 do CTN; (v) o lançamento é ato privativo da autoridade administrativa, nos termos do art. 142 do CTN, sendo ele que constitui formalmente o crédito tributário, ou seja, o pagamento antecipado que ocorre nos tributos cujo lançamento se dá por homologação, não pode ser considerado fato extintivo da obrigação tributária, vez que efetuado antes mesmo da constituição formal do crédito, sem qualquer interferência da autoridade competente; (vi)se a homologação tem o efeito de extinguir tanto o crédito como a obrigação tributária, por ser ela a atividade administrativa que encerra o vínculo obrigacional, nítido está que o pagamento antecipado não tem o mesmo condão do pagamento efetuado a teor do art. 156 do CTN, que trata do pagamento efetuado pelo contribuinte e com a concordância expressa da administração, só assim capaz de extinguir a obrigação; (vii) trazendo a doutrina à experiência do texto contido no art. 168, inciso I do CTN, o prazo de cinco anos para prescrição do crédito tributário tem o termo inicial na data em que é possível reconhecer a extinção do crédito tributário, ou seja, solvência da obrigação que no caso de tributos com lançamento por homologação, depende da manifestação expressa ou tácita da administração. Se expressa conta-se da data da efetiva homologação, se tácita, conta-se do prazo final que a administraçã , e Processo n° :13888.001241/99-20 Acórdão : CSRF/03-04.752 tinha pra se manifestar expressamente, no caso aplica-se a regra contida no art. 150, § 4° do CTN; (viii)na presente hipótese, contados da data do fato gerador, temos, cinco anos até a extinção do crédito pela homologação tácita e mais cinco anos, daí em diante, para decair do direito de pedir repetição, totalizando dez anos; (ix)conforme ressaltado pelo Julgador, a partir da MP 1.621-366, o Poder Executivo reconhece subsistir o direito restitutório do Finsocial, motivo este que, a partir da edição desta norma começa a contar o prazo decadencial, pois somente existiu o indébito tributário para o contribuinte após o reconhecimento do direito da restituição pelo Poder Executivo, pois, até então, não existia nenhum indébito; (x) até mesmo a própria jurisprudência citada pela recorrente demonstra de forma cristalina que o direito de pleitear a restituição é de cinco anos contados a partir da extinção do crédito tributário e não do pagamento, e nos casos do tributos por homologação, tal prazo começa a contar, caso não haja a homologação expressa do Poder Público, cinco anos após a data de pagamento que é quando decai o direito da administração pública fiscalizar, exigir e rever o pagamento do tributo, sendo a partir de que decorrido os cinco anos começa a contar mais cinco do prazo decadencial. Desta forma, requer a confirmação do acórdão proferido, mantendo a correta interpretação ao disposto no art. 168 do CTN. Anexa documentos em fls. 156/171 Os autos foram distribuídos a este Conselheiro, constando numeração até as fls. 214, última. É o relatório. ("Á 46 Processo n° : 13888.001241/99-20 Acórdão : CSRF/03-04.752 VOTO Conselheiro NILTON LUIZ BARTOLI, Relator. O Recurso Especial de Divergência oposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo e contém matéria de competência desta E. Câmara de Recursos Fiscais, o que habilita esta Colenda Turma a examinar o feito. Para o cabimento do Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, com fundamento no inciso II, do art. 5° do Regimento Interno da CSRF, necessário demonstrar, fundamentadamente, a divergência argüida, indicando a decisão divergente, e comprovando-a mediante a apresentação física do acórdão paradigma. No que se refere ao Acórdão Paradigma de divergência n° 302-35.782, apontado e juntado aos autos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, verifica-se que o mesmo prestou-se a comprovar a divergência alegada, na medida em que, enquanto no Acórdão recorrido entende-se que o prazo para pleitear restituição é de 5 anos contados de 12/06/98, data de publicação da Medida Provisória n° 1.621-36, de 10/06/98, no acórdão paradigma defende-se a tese de que o direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 anos, porém, contados da data de extinção do crédito tributário, conforme art. 168, I, do CTN, assim entendida a efetivação do pagamento. Ultrapassados os requisitos de admissibilidade, passo ao exame da controvérsia. Em que pesem os argumentos expendidos pela r. Procuradoria da Fazenda Nacional, entendo que não lhe assiste razão, nem tampouco concordo com os fundamentos apresentados no v. acórdão paradigma, já que compartilho do 7 Processo n° :13888.001241/99-20 Acórdão : CSRF/03-04.752 entendimento manifestado pela r. decisão recorrida, o qual, inclusive, já foi reiteradamente demonstrado pela Eg. Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes. Por diversas oportunidades, manifestei meu entendimento quanto ao prazo decadencial para os pedidos de restituição do Finsocial, como é o caso, alinhavando em meu voto, os fundamentos que me fizeram concluir pelo início da contagem do prazo, com a publicação da Medida Provisória n°1.110, de 31/08/95. Nestes termos, a fim de reiterar o entendimento esposado na decisão recorrida, apresento meu entendimento quanto à questão, qual seja: O pedido de restituição/compensação formulado pelo recorrente tem fundamento na inconstitucionalidade das normas que majoraram a aliquota do FINSOCIAL, declarada pelo Colendo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE n° 150.764-PE ocorrido em 16.12.1992, tendo o acórdão sido publicado em 2.3.1993, e cuja decisão transitou em julgado em 4.5.1993. A controvérsia trazida aos autos cinge-se à ocorrência (ou não) da decadência (prescrição) do direito do recorrente de pleitear a restituição dos valores que pagou a mais em razão do aumento reputado inconstitucional. Antes, porém, de adentrarmos na análise do caso concreto, cumpre uma advertência. Levantou-se no âmbito do Conselho de Contribuintes, sob o fundamento do Parecer PGFN/CRJ/N° 3401/2002, o entendimento de ser impossível a este Colegiado deferir pedidos de restituição/compensação dos valores pagos a titulo do FINSOCIAL, em razão das conclusões elencadas naquele arrazoado, endossadas pelo Ministro de Estado da Fazenda quando de sua aprovação. 8 >5. Processo n° :13888.001241/99-20 Acórdão : CSRF/03-04.752 Com a devida vênia de seus seguidores, tal entendimento revela-se equivocado, destoando do que prevê a legislação aplicável. Inicialmente, cumpre destacar que a citação ou transcrição de excertos isolados e fora de contexto do mencionado Parecer podem realmente conduzir à conclusão de que o tema relativo à compensação/restituição do FINSOCIAL teria sido plenamente esgotado na peça elaborada pela Procuradoria da Fazenda Nacional, vinculando toda a Administração Federal àquelas conclusões. Sucede que o Parecer versa especificamente sobre os pedidos de restituição/compensação do FINSOCIAL referentes a créditos que tenham sido objeto de ação judicial, com decisão final favorável à Fazenda Nacional já transitada em julgado. A questão efetivamente tratada no Parecer é: "os contribuintes que já tenham contra si uma decisão judicial final desfavorável atinente ao FINSOCIAL, transitada em julgado, podem requerer administrativamente a restituição/compensação daqueles créditos?" É o que se depreende do despacho do Exmo. Ministro da Fazenda, quando da aprovação do Parecer "Despacho: Aprovo o Parecer PGFN/CRJ N° 3.401/2002, de 31 de outubro de 2002, pelo qual ficou esclarecido que: 1) os pagamentos efetuados relativos a créditos tributários, e os depósitos convertidos em renda da União, em razão de decisões judiciais favoráveis à Fazenda Nacional transitadas em julgado, não são suscetíveis de restituição ou de compensação em decorrência de a norma aplicada vir a ser declarada inconstitucional em eventual julgamento, no controle difuso, em outras ações distintas de Interesse de outros contribuintes; 2) a dispensa de constituição do crédito tributário ou a autorização para a sua desconstituição, se já constituído, previstas no art. 18 da Medida Provisória n°2.176-79/2002, convertida na Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002, somente alcançam 9 Processo n° :13888.001241/99-20 Acórdão : CSRF/03-04.752 a situação de créditos tributários ainda não extintos pelo pagamento. Publique-se o presente despacho, com o referido Parecer:" (grifos acrescentados) Na mesma linha, a ementa do Parecer "Declaração de inconstitucionalidade em sede de controle difuso. Não- suspensão da execução da lei pelo Senado Federal. Irreversibilidade das sentenças transitadas em julgado em favor da União (Fazenda Nacional), a não ser em procedimento revisional rescisório, quando cabível. Necessidade de provimento judicial para repetição ou compensação em relação à terceiro eventualmente prejudicado."2 (grifos acrescentados) A conclusão do mencionado Parecer é ainda mais eloqüente, somente confirmando nosso entendimento: "IV CONCLUSÃO 43. Diante do exposto, a síntese do entendimento doutrinário acima esposado conduz, inexoravelmente, à conclusão de que os efeitos da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal no RE 150.764/PE (na via de defesa) não têm o condão de alcançar as situações jurídicas concretas decorrentes de decisões iudiciais transitadas em iulqado, favoráveis à União (Fazenda Nacional). Assim, pode-se concluir que a questão submetida a esta Procuradoria-Geral deve ser harmonizada no sentido de que: a) a declaração de inconstitucionalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal no RE 150.764/PE não tem o condão de afetar a eficácia das decisões transitadas em julgado, as quais determinaram a conversão dos depósitos efetuados em renda da União; b) repetindo, a decisão do STF que fulminou a norma no controle difuso de constitucionalidade também não poderá ser invocada para o fim de automática e imediatamente desfazer situações jurídicas concretas e direitos subjetivos, porque não foram o objeto da pretensão declaratória de inconstitucionalidade; (...)13 (nossos destaques) DOU de 2 de janeiro de 2003, Seção I, p. 5. 'Idem, p. 5. 'Idem, p. 5/6. 612 a>10 Processo n° :13888.001241/99-20 Acórdão : CSRF/03-04.752 Ora, percebe-se claramente que a questão ventilada no Parecer refere- se àqueles créditos de FINSOCIAL que tenham sido objeto de ação judicial, julgada em favor da Fazenda Nacional e já transitada em julgado. O ponto central do Parecer reside em saber se um posterior reconhecimento da inconstitucionalidade de um tributo teria o condão de desfazer a coisa julgada. Esse não é o caso dos autos. Bem por isso, a transcrição isolada da alínea "c" do item 43 do Parecer poderia levar à conclusão de que o Parecer teria esgotado o tema referente à restituição/compensação do FINSOCIAL em todas as suas variáveis, o que jamais ocorreu. Com efeito, essa é a redação da citada alínea "c": "c) os contribuintes que porventura efetuaram pagamento espontâneo, ou parcelaram ou tiveram os depósitos convertidos em renda da União, sob a vigência de norma cuja eficácia tenha vindo a ser, posteriormente, suspensa pelo Senado Federal, não fazem jus, em sede administrativa, à restituição, compensação ou qualquer outro expediente que resulte em renúncia de crédito da União;"4 Ocorre que a alínea "c" está inserida no item 43 do Parecer, cujo caput remete unicamente às "situações jurídicas concretas decorrentes de decisões judiciais transitadas em julgado, favoráveis à União (Fazenda Nacional)". Como se não bastaáse, afora a inaplicabilidade das conclusões do mencionado Parecer ao caso concreto, outras razões autorizam este Conselho a examinar pedidos como o que ora se julga. Idem. gt) A5i11 Processo n° :13888.001241/99-20 Acórdão : CSRF/03-04.752 A existência e a competência dos Conselhos de Contribuintes estão previstas em lei, notadamente no Decreto n° 70.235/72 com as alterações introduzidas pela Lei n° 8.748/93. Os Conselhos de Contribuintes são segunda instância de julgamento dos processos administrativos relativos a tributos de competência da União, garantindo, na sede administrativa, a existência do duplo grau de jurisdição previsto constitucionalmente. O processo administrativo fiscal rege-se pelo já citado Decreto n° 70.235/72, e, subsidiariamente, pelo Código de Processo Civil. A atividade jurisdicional, quer a administrativa, quer a judicial, tem como princípio basilar o livre convencimento do juiz, segundo o qual o julgador decidirá livremente a causa, apreciando a lei e as provas constantes dos autos, fundamentando sua decisão. O direito à restituição/compensação de valores pagos indevidamente a título de tributo se encOntra há muito previsto no Código Tributário Nacional e legislação correlata. No âmbito administrativo, a matéria encontra-se atualmente regulada pela Instrução Normativa SRF n° 210/2002. Assim dispõe o seu artigo 2°, verbis: Art. 22 Poderão ser restituídas pela SRF as quantias recolhidas ao Tesouro Nacional a título de tributo ou contribuição sob sua administração, nas seguintes hipóteses: I — cobrança ou pagamento espontâneo, indevido ou a maior que o devido; II — erro na identificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; 12 Processo n° :13888.001241/99-20 Acórdão : CSRF/03-04.752 III — reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Parágrafo único. A SRF poderá promover a restituição de receitas arrecadadas mediante Darf que não estejam sob sua administração, desde que o direito creditório tenha sido previamente reconhecido pelo órgão ou entidade responsável pela administração da receita. Mais adiante, a norma prevê a compensação: Art. 21. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo - ou contribuição administrado pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da SRF. (s..) Nos casos onde haja o indeferimento administrativo do pedido de compensação/restituição, o contribuinte poderá interpor recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes. É o que dispõe o artigo 35 da mesma Instrução: Art. 35. É facultado ao sujeito passivo, no prazo de trinta dias, contado da data da ciência da decisão que indeferiu seu pedido de iestituição ou de ressarcimento ou, ainda, da data da ciência do ato que não homologou a compensação de débito lançado de ofício ou confessado, apresentar manifestação de inconformidade contra o não- reconhecimento de seu direito creditório. § 1 2 Da decisão que julgar a manifestação de inconformidade do sujeito passivo caberá a interposição de recurso voluntário, no prazo de trinta dias, contado da data de sua ciência. § 22 A manifestação de inconformidade e o recurso a que se referem o caput e o § 1 2 reger-se-ão pelo disposto no Decreto n2 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações posteriores. § 32 O disposto no caput não se aplica às hipóteses de lançamento de ofício de que trata o art. 23. 13 63) Processo n° :13888.001241/99-20 Acórdão : CSRF/03-04.752 Já o atual Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, introduzido pela Portaria MF n° 55, prevê em seu artigo 9° que: Art. 9° Compete ao Terceiro Conselho de Contribuintes julgar os recursos de oficio e voluntários de decisão de primeira instância sobre a aplicação da legislação referente a: (...)• Parágrafo único. Na competência de que trata este artigo, incluem-se os recursos voluntários pertinentes a: I - apreciação de direito creditório dos impostos e contribuições relacionados neste artigo; e (Redação dada pelo art. 2° da Portaria MF n°1.132, de 30/09/2002) (...) Ora, como restou amplamente demonstrado no cotejo da legislação em destaque, este Conselho encontra-se plena e legalmente habilitado a apreciar, em sede recursal, pedidos de restituição/compensação de valores pagos indevidamente a titulo dos tributos de sua competência, dentre eles, o FINSOCIAL. Dessa forma, ainda que o prestigioso Parecer PGFN/CRJ/N° 3401/2002 discorresse sobre toda a gama de pedidos de restituição/compensação atinentes ao FINSOCIAL - o que não se verificou, como já foi sublinhado -, suas conclusões não poderiam restringir a apreciação do tema por este Colegiado, incumbido por Lei deste mister sem qualquer restrição. Na mesma esteira, as conclusões ali enumeradas jamais poderiam vincular as decisões deste Conselho. Como é notório, ainda não há no direito 14 Processo n° :13888.001241/99-20 Acórdão : CSRF/03-04.752 pátrio a chamada súmula de efeito vinculante, estando as Cortes julgadoras livres em seu convencimento. Finalmente, mas não menos digno de cita, o artigo 22A do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, introduzido pela Portaria MF n° 103, autoriza expressamente, a contrario sensu, os Conselhos de Contribuintes a afastar, por vício de inconstitucionalidade, a aplicação de lei "que embase a constituição de crédito tributário, cuja constituição tenha sido dispensada por ato do Secretário da Receita Federal" (parágrafo único, inciso III, "a"). Como será melhor detalhado mais adiante, em 31.8.1995 foi editada a Medida Provisória n° 1.110, de 30.8.1995, de autoria do Exmo. Ministro da Fazenda, que, após sucessivas reedições, foi convertida na Lei n° 10.522, de 19.7.2002 Entre outras providências, a Medida Provisória dispensou a Fazenda Nacional de constituir créditos, inscrever na Divida Ativa, ajuizar execução fiscal, bem como autorizou a cancelar o lançamento e a inscrição relativamente a tributos e contribuições julgados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, ou ilegais, em última instância, pelo Superior Tribunal de Justiça (artigo 17). No rol do citado artigo encontrava-se a contribuição ao FINSOCIAL (inciso III). Tendo havido ato normativo formal que dispensou a constituição de créditos tributários oriundos do FINSOCIAL, este Conselho fica automaticamente investido da competência de afastar a aplicação de lei reputada inconstitucional, por força do previsto no art. 22A, § único, inciso III, l'a" de seu Regimento Interno. Superado o óbice, passemos à análise do caso concreto. De inicio, julgo conveniente nos debruçarmos sobre os institutos da decadência e prescrição. 15 Processo n° :13888.001241/99-20 Acórdão : CSRF/03-04.752 Embora ainda haja alguma controvérsia acerca dos elementos que diferenciam a decadência da prescrição, o certo é que ambos os institutos foram introduzidos há muito no direito pátrio objetivando disciplinar as relações jurídicas no tempo. Com efeito, a falta de um termo final para o exercício de um direito poderia desestabilizar as relações sociais, ao deixar indefinidas certas situações, gerando insegurança jurídica. Bem por isso o legislador houve por estabelecer regras para o exercício de direitos, delimitando sua extensão no tempo e seus termos inicial e final. No que toca ao início do prazo prescricional para o exercício de um direito, é de lógica elementar ser o dies a quo aquele em que o direito passou a ser exercitável. Afinal, não prescreve° direito que ainda não nasceu. Essa foi a linha adotada pelo legislador no Código Civil de 1916, recentemente revogado. Assim dispunha o seu artigo 177, verbis: Art. 177. As ações pessoais prescrevem, ordinariamente, em 20 (vinte) anos, as reais em 10 (dez), entre presentes, e entre ausentes, em 15 (quinze), contados da data em que poderiam ter sido propostas. (grifos nossos) O novo Código Civil, da lavra de ninguém menos do que o aclamado jurista e filósofo Miguel Reale, adotando a mesma lógica, dispõe que: Art. 189. Violado o direito, nasce para o titular a pretensão, a qual se extingue, pela prescrição, nos prazos a que aludem os arts. 205 e 206. 16 C42 . . Processo n° :13888.001241/99-20 Acórdão : CSRF/03-04.752 (destaques acrescentados) Nesse diapasão, o precioso magistério de Paulo Pimentas "A pretensão, na lição inesgotável de Pontes de Miranda, 'é a posição subjetiva de poder exigir de outrem alguma prestação positiva ou negativa'', ou seja, é a faculdade de exigir o cumprimento de uma prestação, seja a de dar, fazer, ou de não fazer. Além disso, o dispositivo inovador consagra expressamente o princípio da action nata — cuja existência era admitida com tranqüilidade pela doutrina civilista na vigência do Código de 1916 -, por força do qual o prazo de prescrição começa fluir no momento em que ocorre a violação do direito material. Vale dizer, o prazo prescricional surge no momento da ocorrência dei determinado fato que modifica uma determinada situação jurídica, tornando-a desconforme com o sistema jurídico. Nem sempre esse fato corresponde a um ato do devedor, podendo ser praticado, também, por terceiros, pode consistir num evento imprevisível (caso fortuito ou força maior), ou até mesmo ser decorrente de provimento jurisdicional que atribua nova qualificação, jurídica a um determinado evento." Na seara tributária, o termo a quo do prazo prescricional do direito do contribuinte de repetir o que pagou indevidamente possui algumas singularidades. 3 A Restituição dos Tributos Inconstitucionais, o Novo Código Civil e a Jurisprudência do STF e do STJ, in Revista Dialética de Direito Tributário, vol. 91, Editora Dialética, 2003, p. 90/91. 6 Tratado de Direito Privado, t. 5, atual. Por Vision Rodrigues, Campinas, Bookseller, 2000, p. 503. 17 Processo n° :13888.001241/99-20 Acórdão : CSRF/03-04.752 De início, há que se perquirir a natureza do pagamento indevido, que comumente ocorre em uma de três modalidades. No primeiro caso, o contribuinte paga espontaneamente tributo que não devia ou além do que devia. No segundo caso, o contribuinte sofre cobrança indevida ou maior do que a devida. No terceiro caso, o contribuinte paga tributo que era devido à época do pagamento, e que posteriormente, por força de um fato que modifica a situação jurídica então vigente, torna-se indevido. Nos dois primeiros casos, o pagamento sempre foi indevido, daí porque o prazo prescricional para o contribuinte reaver o indébito tem início na data do próprio pagamento (CTN, art. 168, I), malgrado a redação imprópria do parágrafo 1, já que não há se falar em crédito tributário a ser extinto quando o pagamento é integralmente indevido. Já na terceira hipótese, a situação é diametralmente distinta. O que foi pago pelo contribuinte era efetivamente devido à época do pagamento. Não havia, naquele instante, o caráter indevido no recolhimento efetuado, que só viria a adquirir essa feição após o advento de uma inovação na realidade jurídica em vigor. Na esteira do que já foi declinado acerca da prescrição e decadência, a violação do direito que faz nascer a pretensão, in casu, a do contribuinte, só ocorre quando o pagamento que era devido se torna indevido. Decisões recentes .e seguidas das mais altas Cortes do pais, judiciais e administrativas, arrimadas na melhor doutrina, vêm elencando três ocorrências que têm o condão de tomar, a posteriori, indevido o pagamento até então tido como devido. São elas: (i) declaração de inconstitucionalidade de norma tributária proferida pelo Supremo Tribunal Federal em ações de controle concentrado de constitucionalidade, como as ADINs, de efeito erga omnes; (ii) declaração incidental de 18 (9) Processo n° : 13888.001241/99-20 Acórdão : CSRF/03-04.752 inconstitucionalidade de norma tributária proferida pelo Supremo Tribunal Federal em ações de controle difuso de constitucionalidade, irradiando efeitos erga omnes a partir da publicação de resolução do Senado Federal que suspenda a execução da lei declarada inconstitucional; e (iii) lei ou ato administrativo que reconheça, implícita ou expressamente, o caráter indevido da exação. • O que há de comum nesses três casos é a modificação da ordem jurídico-tributária após o pagamento do tributo. Como não é difícil de intuir, somente após se tornar indevido é que surge para o contribuinte o correspondente direito de reaver aquilo que pagou. No tocante às hipóteses "i" e "ii" acima citadas, é pacífico o entendimento de que a declaração de inconstitucionalidade de uma norma tributária produz efeitos ex tunc, tomando inválidos os atos praticados sob sua vigência. Eventual exceção a essa regra só poderia ocorrer se viesse expressamente consignada na declaração de inconstitucionalidade da norma, para que, por exemplo, emanasse somente efeitos ex nunc. Não havendo ressalva, a inconstitucionalidade da norma retroage ao momento em que entrou no ordenamento jurídico. Assim, tributos declarados inconstitucionais conferem ao contribuinte, a partir da indigitada declaração de inconstitucionalidade, o direito de repetir o que foi pago indevidamente. n O Colendo Superior Tribunal de Justiça, arauto máximo na uniformização da aplicação do direito federal, vem decidindo reiteradamente que, no caso de tributo declarado inconstitucional, o prazo para repetição do que foi pago indevidamente só se inicia com o trânsito em julgado do acórdão do Supremo Tribunal Federal que declarou a inconstitucionalidade da exação. 19 ‘31() Processo n° : 13888.001241/99-20 Acórdão : CSRF/03-04.752 Tal entendimento vem sendo sufragado, inclusive, nos casos relativos ao FINSOCIAL, onde, como se sabe, não houve declaração de inconstitucionalidade com efeito erga omnes. Nesse sentido, decisão recente proferida por aquela Corte: AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. COMPENSAÇÃO. FINSOCIAL. PRESCRIÇÃO. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. CONTAGEM A PARTIR DO TRÂNSITO EM JULGADO DA DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. PROVIMENTO NEGADO (...) A declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal não elide a presunção de constitucionalidade das normas, razão pela qual não estava o contribuinte obrigado a suscitar a sua inconstitucionalidade sem o pronunciamento da Excelsa Corte, cabendo-lhe, pelo contrário, o dever de cumprir a determinação nela contida. A tese que fixa como termo a quo para a repetição do indébito o reconhecimento da inconstitucionalidade da lei que instituiu o tributo deverá prevalecer, pois não é justo ou razoável permitir que o contribuinte, até então desconhecedor da inconstitucionalidade da exação recolhida, seja lesado pelo Fisco. Ainda que não previsto expressamente em lei que o prazo prescricional/decadencial para restituição de tributos declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal é contado após cinco anos do trânsito em julgado daquela decisão, a interpretação sistemática do ordenamento jurídico pátrio leva a essa conclusão. Cabível a restituição do indébito contra a Fazenda, sendo o prazo de decadência/prescrição de cinco anos para pleitear a devolução, contado do trânsito em julgado da decisão do Supremo Tribunal Federal que declarou inconstitucional o suposto tributo. Agravo regimental a que se nega provimento. (STJ-r Turma, AGRESP n° 414.130-MG, rel. Min. Franciulli Netto, j. 3.9.2002, negaram provimento. v.u., DJU 19.5.2003, p. 184) Com efeito, mesmo nos casos onde a declaração de inconstitucionalidade tenha ocorrido em sede incidental, o contribuinte passa a ter ciência da lesão a seu direito. 20 ‘4,vi • Processo n° :13888.001241/99-20 Acórdão : CSRF/03-04.752 E na esteira no que já dissemos antes, a contagem do prazo de prescrição somente pode ter inicio a partir de uma lesão a um direito. Isso porque, se não há lesão, não há utilidade no ato do sujeito de direito tomar alguma medida. A extinção de direito de que se trata, pelo decurso de prazo fixado em lei, atinge a faculdade conferida ao sujeito ativo para exigir a eficácia do objeto do direito subjetivo. O decurso do prazo convalesce esta lesão, como na lição de SANTIAGO DANTAS, desde que se entenda adequadamente o direito de ação como o de agir manifestando exigibilidade ou pretensão dirigida à obtenção da eficácia substantiva do objeto do direito: "Tenho eu um direito subjetivo e podem passar os anos sem que o tempo tenha a mínima influência sobre o meu direito. Mais eis que, de repente, o meu direito entra em lesão, isto é, o dever jurídico que a ele corresponde não se cumpre: dá-se a lesão do direito. Nasce da lesão do direito o dever de ressarcir e, para mim, o direito de propor uma ação para obter ressarcimento. Se, porém, deixo que passe o tempo sem fazer valer o meu direito de ação, o que acontece? A lesão do direito se cura, convalesce, a situação antijurídica toma-se jurídica; o direito anistia a lesão anterior e já não se pode mais pretender que eu faça valer nenhuma ação. Esta é a conceituação da prescrição que mais nos defende de dificuldades da matéria."' SANTIAGO DANTAS esclarece que "a prescrição conta-se sempre da data em que se verificou a lesão", pois, na verdade, só com esta surge a denominada "actio nata", que sustenta o direito à reparação. Assim sendo, indaga-se: quando se verifica a lesão de um direito pelo recolhimento de um tributo posteriormente declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, ainda que em controle incidental? Estará tal lesão configurada na data em que recolhido o tributo, muito embora a norma, à época do pagamento, ainda detivesse a presunção de inconstitucionalidade? As lições dos mestres MARCO AURÉLIO GRECO e HELENILSON CUNHA PONTES em obra integralmente dedicada ao tema em apreço, merecem ser destacadas: Programa de Direito Civil, Editora Forense, 3' Edição, 2001, p. 345. Ce2 21 . . Processo n° :13888.001241/99-20 Acórdão : CSRF/03-04.752 "O exercício de um direito, submetido a prazo prescricional, pressupõe a violação deste direito, apto a configurar a 'actio nata', isto é, o momento de caracterização da lesão de um direito. Câmara Leal lembra que não basta que o direito tenha existência atual e possa ser exercido por seu titular, é necessário, para admissibilidade da ação, que esse direito sofra alguma violação que deva ser por ela removida. É da violação, portanto, que nasce a ação. E a prescrição começa a correr desde que a ação teve o nascimento, isto é, desde a data em que a violação se verificou. Com base nestes pressupostos doutrinários, pode-se concluir que antes da pronúncia (ou da extensão) da inconstitucionalidade da lei tributária, o contribuinte não possui efetivamente um 'direito a uma prestação', apto a gerar contra si um prazo prescricional que o fulmine pela sua inércia. Não pode haver inércia a ser fulminada pela prescrição se não há direito exercitável, isto é, se não há 'actio natal."8 Alguns dirão: mas com o recolhimento Indevido" (ainda que apenas em cumprimento de lei com presunção de constitucionalidade), surge para o contribuinte o direito de suscitar a declaração de inconstitucionalidade da norma e cumulativamente pleitear a restituição do recolhido. Mais ainda, dirão que o prazo é o previsto nos artigos 165 a 168 do CTN, defendendo ser esta a interpretação mais adequada com o princípio da segurança jurídica, que demanda a imutabilidade de situações que perduram ao longo do tempo, ainda que irregulares. Os mesmos autores da obra já citada prontamente refutam esta argumentação, afirmando que: a) os artigos que tratam de restituição no CTN não prevêem a hipótese de declaração de inconstitucionalidade da norma; e b) o princípio da segurança jurídica deve ser temperado por outro que, fulcrado na presunção de constitucionalidade das leis editadas, demanda a imediata aplicação das normas editadas pelos Poderes competentes, sob pena de disfunção sistêmica. Relevante transcrever os excertos nos quais os brilhantes juristas demonstram o acima destacado. Primeiro a questão dos prazos do CTN: s Inconstitucionalidade da Lei Tributária — Repetição do' Indébito, Editora Dialética, 2002, p. 48. a i 22 Processo n° :13888.001241/99-20 Acórdão : CSRF/03-04.752 "Nas hipóteses contempladas no artigo 165 do CTN, como a qualificação jurídica a ser aferida é aquela que resulta da legislação aplicável (fundamento imediato da exigência), a simples realização de um pagamento que não esteja plenamente de acordo com tal disciplina, reúne condições que fazem nascer para o contribuinte o direito de obter a restituição do que indevidamente pagou. Ou seja, nestes casos, existe uma qualificação certa (a da lei) e uma conduta que dela se distancia (espontaneamente, por erro de identificação etc.). Andou bem o CTN quando atrelou a tais 'eventos os prazos que correm contra o contribuinte e fixou os respectivos termos iniciais na data da extinção do crédito (artigo 168, I) ou na data em que se tornar definitiva a decisão que reformar a decisão condenatória (artigo 168, II). Em suma, nas hipóteses reguladas pelo CTN, a qualificação jurídica é certa e está definida antes da ocorrência do evento concreto. E, pela estrita razão de que o evento não se enquadra adequadamente na qualificação jurídica preexistente, é que o contribuinte tem direito à restituição do indevido. O indevido, nestes casos, é aferido mediante cotejo entre um fato e a respectiva previsão normativa, sendo que o fato é posterior a esta."9 Agora a matéria dos princípios (vale dizer o confronto entre a segurança jurídica e a segurança sistêmica pelo respeito à presunção de constitucionalidade das leis), na página 74: "Nesse passo, estamos perante duas posições. De um lado, os que sustentam que o prazo prescricional se inicia com o pagamento feito (com base nas normas do CTN) e que, passados cinco anos, não cabe mais pedido de repetição de indébito, ainda que, após esse prazo, sobrevenha decisão judicial reconhecendo a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo. De outro lado, a nossa posição, no sentido de que, tendo havido inequívoca decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade de uma norma tributária, o contribuinte, no prazo de 5 (cinco) anos pode ingressar com ação de repetição de indébito, mesmo que o pagamento tenha sido efetuado há mais de cinco anos d 9 Ob. Cit., p. 50. 23 cs) Processo n° :13888.001241/99-20 Acórdão : CSRF/03-04.752 propositura da ação, pleiteando a repetição de todo o tributo pago com fundamento na lei declarada inconstitucional. Entendem os primeiros que sua posição deve prevalecer, pois assegura a segurança e a estabilidade das relações. Entendemos nós, porém, que a posição que sustentamos é a que melhor resguarda tais valores e, mais do que isso, é a que preserva o ordenamento jurídico e sua eficácia. Com efeito, se a contagem do prazo de prescrição tiver por termo inicial a data do pagamento feito (inclusive pagamento antecipado nos termos do artigo 150 do CTN), esta é melhor forma para induzir os contribuintes a questionarem toda e qualquer exigência antes de completado o prazo de cinco anos. Ou seja, ela produz o efeito contrário à busca de _ segurança e , estabilidade pois, a priori, tudo seria questionável e mais, deveria ser efetivamente questionado (por mais absurdo que pudesse parecer naquele momento), como medida de cautela para evitar o perecimento do seu direito de pleitear judicialmente a restituição. Em suma, contar a prescrição a partir da data do pagamento feito (inclusive pagamento antecipado nos termos do artigo 150 do CTN) é negar o valor segurança, pois elimina a presunção de constitucionalidade da lei (que tem função estabilizadora das relações sociais e jurídicas), além de provocar desconfiança no ordenamento e induzir seu descumprimento, no sentido de que os contribuintes são levados a impugnar tudo, pois tudo precisa ser questionado para evitar a prescrição. Não se pode deixar de mencionar, também, que discutir quanto a prazo de prescrição por inconstitucionalidade da lei ou ato normativo é defender a mais paradoxal das posições pois, num contexto de relacionamento sadio entre Fisco e contribuinte, se o Plenário do Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade de uma lei e, por conseqüência admitiu ter havido pagamento indevido, seria de se esperar que o Fisco tomasse imediatamente a iniciativa e, ex officio, devolvesse o que recebeu indevidamente aos que foram atingidos pela exigência." A jurisprudência do Poder Judiciário, fundada nos mesmos princípios, vem por consolidar o entendimento de que somente se conta o prazo para a repetição do indébito quando se afasta da norma a presunção de constitucionalidade, através de pronúncia de invalidade por inconstitucionalidade, ainda que no controle 24 4/2 Processo n° :13888.001241/99-20 Acórdão : CSRF/03-04.752 difuso. Nos Embargos de Divergência em Recurso Especial n° 43995/RS, o Eminente Ministro CÉSAR ASFOR ROCHA, do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, assim se pronunciou, citando HUGO DE BRITO MACHADO: "Ocorre que a presunção de constitucionalidade das leis não permite que se afirme a existência do direito à restituição do indébito, antes de declarada a inconstitucionalidade da lei em que se fundou a cobrança do tributo. É certo que o contribuinte pode promover a ação de restituição, pedindo seja incidentalmente declarada a inconstitucionalidade. Tal ação, todavia, é diversa daquela que tem o contribuinte, diante da declaração, pelo STF, da inconstitucionalidade da lei em que se fundou a cobrança do tributo. Na primeira, o contribuinte enfrenta, como questão prejudicial, a questão da inconstitucionalidade. Na segunda, essa questão encontra-se previamente resolvida. Não é razoável considerar-se que ocorreu inércia do contribuinte que não quis enfrentar a questão da constitucionalidade. Ele aceitou a lei, fundado na presunção de constitucionalidade desta. Uma vez declarada a inconstitucionalidade, surge, então, para o contribuinte, o direito à repetição, afastada que está aquela presunção." Importantíssimo anotar que, no caso apreciado pelo Egrégio STJ, tratava-se de decisão plenária do STF, que afastava, por vício de inconstitucionalidade, a exigência do empréstimo compulsório sobre a aquisição de combustíveis, conforme RE 121.336. Exatamente como no caso da cota do IBC. Além disso, na data em que concluído o julgamento em destaque, não havia sido editada qualquer resolução senatorial. Pode-se também mencionar o acerto da decisão alcançada pelo mesmo Tribunal no REsp 200909/RS, aliás, como se faz acontecer nos pronunciamentos do Eminente Ministro JOSÉ DELGADO: "Tributário. Prescrição. Repetição de Indébito. Lei Inconstitucional. Atende ao princípio da ética tributária e o de não se permitir a apropriação indevida, pelo Fisco, de valores recolhidos a título de tributo, por ter sido declarada inconstitucional a lei que o exige, considerar-se o inicio do prazo prescricional de indébito a partir da data em que o colendo Supremo Tribunal Federal declarou a referida ofensa à Carta Magna." 25 Processo n° : 13888.001241/99-20 Acórdão : CSRF/03-04.752 E para quebrantar quaisquer resistências, o Ministro SEPÚLVEDA PERTENCE, no RE 136.883-RJ, indicendo o precedente no RE 121.336, declarou que o direito à repetição surge com a decisão que declara a inconstitucionalidade. Assim a ementa: "Empréstimo compulsório (Decreto-Lei n° 2.288/86, art. 10): incidência na aquisição de automóveis, com resgate em quotas do Fundo Nacional de Desenvolvimento: inconstitucionalidade não apenas da sua cobrança no ano da lei que a criou, mas também da sua própria instituição, já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (RE 121.336, Plenário, 11-10-90, Pertence): direito do contribuinte à repetição do indébito, independentemente do exercício em que se deu o pagamento indevido." Do voto de S. Exa. extrai-se passagem decisiva: "Declarada, assim, pelo Plenário, a inconstitucionalidade material das normas legais em que fundada a exigência da natureza tributária, porque feita a título de cobrança de empréstimo compulsório -, segue- se o direito do contribuinte à repetição do que se pagou (Código Tributário Nacional, art. 165), independentemente do exercício financeiro em que tenha ocorrido o pagamento indevido." Pelas lições que se pode absorver do aresto, é que o Superior Tribunal de Justiça, como não poderia deixar de ser, continua a se manifestar pela contagem da prescrição a partir da declaração de inconstitucionalidade em sessão plenária do STF, conforme REsp 217195/PB: "A iterativa jurisprudência desta Corte consagrou entendimento no sentido de que o prazo prescricional qüinqüenal das ações de repetição de indébito tributário inicia-se com a publicação da decisão do STF que declarou a inconstitucionalidade da exação (11.10.90)". (a referência de data é a do RE 121.336). De qualquer forma, há ainda a terceira modalidade de fato jurídico apto a tomar indevida uma determinada exação, deflagrando nesse instante o direito à sua repetição. 26 Processo n° :13888.001241/99-20 Acórdão : CSRF/03-04.752 Trata-se de manifestação inequívoca da própria Administração, através de lei ou ato administrativo, que reconhece expressa ou tacitamente a inconstitucionalidade de um determinado tributo. Esse reconhecimento pode se exteriorizar de diferentes formas, como na dispensa da cobrança ou pagamento do tributo, na dispensa da constituição do crédito tributário a ele referente, na revogação total ou parcial na norma tributária inconstitucional, dentre outras. A partir da edição desse ato, o contribuinte passa a ter ciência indubitável da ocorrência da violação de seu direito, dando início à fluência do prazo prescricional para que pleiteie a devolução do que pagou indevidamente. É mais uma vez a regra encampada pelo direito pátrio atinente à prescrição, segundo a qual o prazo prescricional só tem início no dia em que o exercício do direito passou a ser possível. Feitas essas considerações gerais, aplicáveis a qualquer tributo reputado inconstitucional, cumpre analisarmos o que se verificou com o FINSOCIAL. O paradigma na matéria foi o acórdão proferido pelo plenário do Supremo Tribunal Federal no julgamento do recurso extraordinário n° 150.764-PE, de relatoria do eminente Ministro Marco Aurélio, que considerou inconstitucionais os sucessivos aumentos na alíquota desse tributo, veiculados pelo artigo 9° da Lei 7.689/88, artigo 7° da Lei 7.787/89, artigo 1° da Lei 7.894/89, e artigo 1° da Lei 8.147/90. Como se tratou de decisão incidental, proferida em controle difuso de constitucionalidade, a Corte Suprema remeteu o julgado ao Senado Federal, para que fossem tomadas as providências no sentido de se suspender a eficácia das normas declaradas inconstitucionais. Contrariando seu mister constitucional, aquele órgão legislativo não editou a resolução correspondente. 27 Processo n° :13888.001241/99-20 Acórdão : CSRF/03-04.752 Indigitada omissão se configura inconstitucional no entender deste relator. Com efeito, o órgão incumbido pela Carta Magna de promover o controle de constitucionalidade das normas já em vigor é exclusivamente o Supremo Tribunal Federal (CF, art. 102, I "a" e III "a", "b" e "c"). Somente antes de ingressarem no ordenamento jurídico é que os projetos de lei sofrem controle de constitucionalidade das respectivas Casas Legislativas por onde tramitam, através das Comissões de Constituição e Justiça. Por conta disso, a declaração de inconstitucionalidade de uma determinada norma, quer em sede de controle concentrado (efeito erga omnes) quer em sede incidental (efeito entre as partes), proferida pelo Supremo Tribunal Federal prescinde de qualquer referendo, de qualquer órgão, para produzir efeitos. O Senado Federal não é instância revisional de decisão de inconstitucionalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal. A eficácia da norma inconstitucional já foi invalidada pelo STF. À Corte Suprema, porém, não cabe inovar no campo legislativo, competência privativa do Congresso Nacional (CF, art. 44). A resolução do Senado Federal (CF, art. 52, X) tem como missão unicamente retirar do ordenamento jurídico o que já foi declarado inválido. É ato vinculado, não cabendo àquele órgão legislativo questionar as razões que conduziram à declaração de inconstitucionalidade. Bem por isso, o entendimento externado pelo senador Amir Lando, quando da recusa em editar a resolução senatorial decorrente no julgamento da inconstitucionalidade do FINSOCIAL, reproduzido no Parecer PGFN/CRJ/N° 3401/2002 é absolutamente inconstitucional, sobre ser fundado em argumentos meta-jurídicos que não têm o condão de "revisar o mérito de decisão proferida pela Corte Suprema. Cei 28 Processo n° : 13888.001241/99-20 Acórdão : CSRF/03-04.752 De fato, a prevalecer o entendimento do cioso Senador, um projeto de lei aprovado por apertada maioria no Congresso Nacional não poderia ser convertido em lei; de igual forma, um projeto de lei, legitimamente aprovado pelo Congresso Nacional e sancionado pelo Presidente da República, não se tornaria lei por trazer "profunda repercussão na vida econômica do País". Juristas de escol têm considerado atualmente a previsão de edição de resolução do Senado Federal visando suspender a eficácia de normas já declaradas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal como herança histórica e ultrapassada, incompatível com o moderno sistema de controle da constitucionalidade de normas. Com efeito, devemos ter presente que o instituto de conferir ao Senado o poder discricionário de estender efeitos erga omnes às declarações de inconstitucionalidade em controle incidental sofreu, após a Carta de 1988, críticas pela sua ineficiência diante do modelo de controle abstrato adotado, pois irracional que de um mesmo Plenário surjam decisões com efeitos distintos, quando tomadas com fulcro na inconstitucionalidade de certa norma. Nesse sentido, o precioso magistério do jurista e Ministro do STF GILMAR FERREIRA MENDES, que bem definiu a inconsistência do instituto: "A amplitude conferida ao controle abstrato de normas e a possibilidade de que se suspenda, liminarmente, a eficácia de leis ou atos normativos, com eficácia geral, contribuíram, certamente, para que se quebrantasse a crença na própria justificativa desse instituto, que se inspirava diretamente numa concepção de separação de Poderes --- hoje necessária e inevitavelmente ultrapassada. Se o Supremo Tribunal Federal pode, em ação direta de inconstitucionalidade, suspender, liminarmente, a eficácia de uma lei, até mesmo de uma Emenda Constitucional, por que haveria a declaração de inconstitucionalidade, proferida no controle incidental, valer tão-somente para as partes? A única resposta plausível indica que o instituto da suspensão pelo Senado de execução da lei declarada 29 Processo n° :13888.001241/99-20 Acórdão : CSRF/03-04.752 n inconstitucional pelo Supremo assenta-se hoje em razão de índole exclusivamente histórica. Deve-se observar, outrossim, que o instituto da suspensão da execução da lei pelo Senado mostra-se inadequado para assegurar eficácia geral ou efeito vinculante às decisões do Supremo Tribunal que não declaram a inconstitucionalidade de uma lei, limitando-se a fixar a orientação constitucionalmente adequada ou correta. Isto se verifica quando o Supremo Tribunal afirma que dada disposição há de ser interpretada desta ou daquela forma, superando, assim, entendimento adotado pelos Tribunais ordinários ou pela própria Administração. A decisão do Supremo Tribunal • não tem efeito vinculante, valendo nos estritos limites da relação processual subjetiva. Como não se cuida de declaração de inconstitucionalidade de lei, não há que se cogitar aqui de qualquer intervenção do Senado, restando o tema aberto para inúmeras controvérsias. Situação semelhante ocorre quando o Supremo Tribunal Federal adota uma interpretação conforme à Constituição, restringindo o significado de uma dada expressão literal ou colmatando uma lacuna contida no regramento ordinário. Aqui o Supremo Tribunal não afirma propriamente a ilegitimidade da lei, limitando-se a ressaltar que uma dada interpretação é compatível com a Constituição, ou, ainda que, para ser considerada constitucional, determinada norma necessita de um complemento (lacuna aberta) ou restrição (lacuna oculta — redução teleológica). Todos esses casos de decisão com base em uma interpretação conforme à Constituição não podem ter a sua eficácia ampliada com o recurso ao instituto da suspensão de execução da lei pelo Senado Federal. Finalmente, mencionem-se os casos de declaração de inconstitucionalidade parcial sem redução de texto, nos quais se explicitam que de um dado significado normativo é inconstitucional sem que a expressão literal sofra qualquer alteração. Também nessas hipóteses, a suspensão de execução da lei ou ato normativo pelo Senado revela-se problemática, porque não se cuida de afastar a incidência de disposições do ato impugnado, mas tão-somente de um de seus significados normativos. Todas essas razões demonstram a inadequação, o caráter obsoleto mesmo, do instituto de suspensão de 30 Processo n° :13888.001241/99-20 Acórdão : CSRF/03-04.752 execução pelo Senado no atual estágio do nosso sistema de controle de constitucionalidade."10 No caso do FINSOCIAL, entretanto, não se faz necessário perquirir se a declaração incidental de sua inconstitucionalidade teria ou não deflagrado o prazo prescricional para a sua repetição. Em 31.8.1995 foi editada a Medida Provisória n° 1.110, de 30.8.1995, que, após sucessivas reedições, foi convertida na Lei n° 10.522, de 19.7.2002 Entre outras providências, a Medida Provisória dispensou a Fazenda Nacional de constituir créditos, inscrever na Divida Ativa, ajuizar execução fiscal, bem como autorizou a cancelar o lançamento e a inscrição relativamente a tributos e contribuições julgados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, ou ilegais, em última instância, pelo Superior Tribunal de Justiça (artigo 17). No rol do citado artigo encontrava-se a contribuição ao FINSOCIAL (inciso III). Ao dispensar a constituição de créditos, a inscrição na Divida Ativa, o ajuizamento de execução fiscal, cancelando o lançamento e a inscrição relativos ao que foi exigido a titulo de FINSOCIAL na aliquota acima de 0,5%, com fundamento nas Leis 7.689/88, 7.787/89, 7.894/89 e 8.147/90, a Medida Provisória reconheceu expressamente a declaração de inconstitucionalidade das citadas normas proferida pelo STF no julgamento do RE n° 150.764-PE. E não se diga que o fato de a majoração das aliquotas do FINSOCIAL estar no rol do artigo 17 não significa necessariamente o reconhecimento de sua inconstitucionalidade, já que todos os demais tributos elencados no artigo 17 já I° Direitos Fundamentais e Controle de Constitucionalidade, Celso Bastos Editor, 1998, p. 376: 31 Processo n° :13888.001241/99-20 Acórdão : CSRF/03-04.752 tinham, ao tempo da edição da MP, sido declarados inconstitucionais, inclusive com efeito erga omnes. É o caso da Contribuição instituída pelo artigo 8° da Lei 7.689/88 (art. 17, I), suspensa pela Resolução n° 11 do Senado Federal, de 4.4.95; do Empréstimo Compulsório, instituído pelo Decreto-lei 2.288/86 (at. 17, II), suspenso pela Resolução n° 50 do Senado Federai, de 9.10.95; o IPMF, criado pela Lei Complementar n° 77/93 (art. 17, IV), declarado inconstitucional em parte pelo STF na ADIN 939-DF, acórdão publicado em 18.3.94. Estando o FINSOCIAL em tão boa companhia, é inegável que a Fazenda Nacional, quando da edição da indigitada MP, reconheceu expressamente a sua inconstitucionalidade ao arrolá-lo ao lado de outros tributos já reconhecidamente inconstitucionais, conferindo-lhe igual tratamento (dispensa de constituição de crédito, inscrição, etc.). Da mesma forma, não procede o argumento segundo o qual a Medida Provisória 1.110/95 teria se restringido unicamente aos créditos ainda não extintos, nada dispondo sobre aquilo que foi pago indevidamente. Ora, como foi visto; ao reconhecer a inconstitucionalidade do FINSOCIAL, dispensando a Administração Tributária de procedimentos arrecadatórios nesse particular, a Fazenda Nacional admitiu a violação do direito do contribuinte, marco inicial do prazo prescricional para que este pleiteie sua restituição. Nesse sentido, respaldado pela doutrina de Ricardo Lobo Torres, ensina com sua habitual propriedade Gabriel Lacerda Troianellin: "Há que se considerar, entretanto, que nem a decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal em controle concentrado de constitucionalidade, nem a resolução do Senado Federal suspensiva de ato normativo declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, que a Jurisprudência do Superior Tribunal de justiça vem hoje, II Lei Intetpretativa e Prescrição do Direito de Repetir: Novo Prazo para a Contribuição ao PS, in Revista Dialética de Direito Tributário, vol. 71, Editora Dialética, 2001, p. 73. 32 6.5Á Processo n° :13888.001241/99-20 Acórdão : CSRF/03-04.752 pacificamente, admitindo como sendo causas de fluências de novo prazo para pleitear a compensação ou restituição de tributo indevidamente pago, encontram-se previstos na legislação como tais. A jurisprudência, na verdade, teve como fundamento não a lei, mas a doutrina, que, especialmente após as lições de Ricardo Lobo Torres 12 :, vem defendendo a existência de causas supervenientes de abertura de prazo para o contribuinte reaver tributo indevidamente pago, entre as quais a decisão do Supremo Tribunal Federal em sede de controle concentrado e a resolução do Senado Federal, hoje pacificamente admitidas pelos Tribunais. Mas não são apenas estas as duas causas supervenientes admitidas pela Doutrina, como bem demonstra Ricardo Lobo Torres, nos trechos a seguir transcritos: 'A restituição do indébito a causa superveniente apresenta o esquema que pode ser desdobrado em vários procedimentos ou atos distintos: (...); 2°) um ato intermediário que transforma em ilegal o pagamento até então legal, e que pode ser proferido em ação judicial (decretação de nulidade e da ineficácia do negócio jurídico; declaração de inconstitucionalidade da lei em ação direta), em resolução do Senado Federal (que suspende a execução da lei declarada inconstitucional incidenter pelo STF), em lei de natureza interpretativa ou em ato ou procedimento administrativo (..). Na declaração de inconstitucionalidade da lei a decadência ocorre depois de cinco anos da data do trânsito em julgado da decisão do STF proferida em ação direta ou da publicação da Resolução do Senado que suspendeu a lei com base em decisão proferida incidenter tantum pelo STF. Até aquela data o contribuinte só poderia exercitar o seu direito se, concomitantemente, postulasse a declaração judicial de inconstitucionalidade. Esse, entretanto, seria outro tipo de processo de restituição, sujeito às regras do CTN, como vimos no Titulo II, inconfundível com o que decorre de uma decretação de inconstitucionalidade com eficácia erga omnes. Na hipótese de que se cuida já existe a prejudicialidade da questão da inconstitucionalidade. Logo, a partir da data em que se adquiriu eficácia erga omnes a declaração é que se contará o prazo da decadência. Nem haverá justificativa para restringir o direito do contribuinte, contando o prazo a partir do pagamento (legal e devido), pois serviria de estimulo à multiplicação de repetitórias dirigidas, concomitantemente, contra a constitucionalidade da lei. O mesmo argumento e a mesmíssima conclusão se impõem para os casos de lei interpretativa. Também ai, a nosso ver o prazo deo 12 TORRES, Ricardo Lobo. Restituição dos Tributos. Rio de Janeiro: Forense, 1983, p. 167/170. 33 \44Ik Processo n° :13888.001241/99-20 Acórdão : CSRF/03-04.752 decadência se intencia da data da publicação da lei que incorporou, em texto formal, os julgados'. No mesmo sentido, é copiosa a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais e Conselho de Contribuintes: Número do Recurso: 119471 Câmara: SEGUNDA CÂMARA Número do Processo: 10183.002651/99-73 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: RESTITUIÇÃO/COMP PIS Recorrente: ELÉTRICA CUIABANA LTDA Recorrida/Interessado: DRJ-CAMPO GRANDE/MS Data da Sessão: 05/12/2002 08:00:00 Relator Antônio Carlos Bueno Ribeiro Decisão: ACÓRDÃO 202-14475 Resultado: NPQ — NEGADO PROVIMENTO POR QUALIDADE Texto da Decisão: Por unanimidade de votos: I) Acolheu-se a preliminar para afastar decadência; II) no mérito: a) por unanimidade de votos, deu-se provimento parcial ao recurso, quanto à semestralidade; e b) pelo voto de qualidade, negou-se provimento ao recurso, quanto aos expurgos inflacionários. Vencidos os Conselheiros Eduardo da Rocha Schmidt, Gustavo Kelly Alencar, Raimar da Silva Aguiar e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. Ementa: NORMAS PROCESSUAIS - RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO - DECADÊNCIA. O prazo para pleitear a restituição ou compensação de tributos pagos indevidamente é sempre de 05 (cinco) anos, distinguindo-se o início de sua contagem em razão da forma em que se exterioriza o indébito. Se o indébito exsurge da iniciativa unilateral do sujeito passivo, calcado em situação fática não litigiosa, o prazo para pleitear a restituição ou a compensação tem início a partir da data do pagamento que se considera indevido (extinção do crédito tributário). Todavia, se o indébito se exterioriza no contexto de solução jurídica conflituosa, o prazo para desconstituir a indevida incidência só pode ter início com a decisão definitiva da controvérsia, como acontece nas soluções jurídicas ordenadas com eficácia erga omnes, pela edição de Resolução do Senado Federal para expurgar do sistema 34 Processo n° :13888.001241/99-20 Acórdão : CSRF/03-04.752 norma declarada inconstitucional, ou na situação em que é editada Medida Provisória ou mesmo ato administrativo para reconhecer a impertinência de exação tributária anteriormente exigida. Decadência — Pedido de Restituição — Termo Inicial Em caso de conflito quanto à legalidade da exação tributária, o termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente inicia-se: a) da publicação do acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIn; b) da Resolução do Senado que confere efeito erga omnes à decisão proferida inter partes em processo que reconhece inconstitucionalidade de tributo; c)da publicação de ato administrativo que reconhece caráter indevido de exação tributária. (CSRF-1 8 Turma, Acórdão n° CSRF/01-03.491, rel. Cons. Wilfrido Augusto Marques, j. 17.9.2001, DOU 30.10.2002, p. 62); (CSRF- i a Turma, Acórdão n° CSRF/01-03.239, rel. Cons. Wilfrido Augusto Marques, j. 19.3.2001, DOU 2.10.2001, p. 19) Número do Recurso: 128622 Câmara: SEXTA CÂMARA Número do Processo: 13678.000008/99-41 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: ILL Recorrente: CIA. AGRO PASTORIL DO RIO GRANDE Recorrida/Interessado: DRJ-JUIZ DE FORNMG Data da Sessão: 11/07/2002 00:00:00 Relator: Wilfrido Augusto Marques Decisão: Acórdão 106-12786 Resultado: OUTROS — OUTROS 35 Processo n° :13888.001241/99-20 Acórdão : CSRF/03-04.752 Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, AFASTAR a decadência do direito de pedir da recorrente e DETERMINAR a remessa dos autos à repartição de origem para apreciação do mérito. Ementa: DECADÉNCIA - PEDIDO DE RESTITUIÇÃO - TERMO INICIAL - Em caso de conflito quanto à inconstitucionalidade da exação tributária, o termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente inicia-se: a) da publicação do acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIN; b) da Resolução do Senado que confere efeito erga omnes à decisão proferida inter partes em processo que reconhece inconstitucionalidade de tributo; c) da publicação de ato administrativo que reconhece caráter indevido de exação tributária. Decadência afastada. Merece ainda ser transcrito o voto proferido no Acórdão CSRF/01- 03.225, de 19.03.2001, de relatoria do preclaro Conselheiro Antonio de Freitas Dutra, Presidente da 2.° Câmara do 1.° Conselho de Contribuintes: "Em que momento houve a extinção do crédito tributário? A resposta mais óbvia seria — no mês que o imposto passou a indevido As regras definidas pelos artigos 165 e 168 da Lei n° 5.172 de 25/10/66 — Código Tributário Nacional, pelas características próprias do caso em pauta, não podem ser literalmente aplicadas não há como aplicar a regra inserida no inciso I do art. 168 do CTN que o direito de pleitear a restituição é de cinco anos da extinção do crédito tributário. Primeiro, porque na época era incabível qualquer pedido de restituição uma vez que, até então, esta espécie de rendimento era considerada tributável, tanto na esfera administrativa como na judiciária. Segundo, em nome do princípio de segurança jurídica não se pode admitir a hipótese de que a contagem para o exercício de um direito TENHA INÍCIO antes da data de sua AQUISIÇAO. Como é que o contribuinte poderia pedir RESTITUIÇAO daquilo que legalmente foi retido e recolhido? O contribuinte só adquire o direito de requerer a devolução daquele imposto, que num dado momento foi considerado indevido, por um novo ato legal ou decisão judicial transitada em julgado. No caso aqui enfocado, aplica—se a norma inserida no inciso 1 do art. 165 36 a . Processo n° :13888.001241/99-20 Acórdão : CSRF/03-04.752 do Código Tributário Nacional .... No momento que o pagamento do imposto foi considerado indevido, cabe à administração por dever de oficio, devolvê-lo. A regra é a administração devolver o que sabe que não lhe pertence, a exceção é o contribuinte ter que requerê-la e, neste caso, só poderia fazê-lo a partir do momento que adquiriu o direito de pedir a devolução Por fim, ainda em referência ao Parecer PGFN/CRJ/N° 3401/2002 elaborado pela Procuradoria da Fazenda Nacional, cumpre esclarecer que não há elementos nos autos que permitam concluir ter o contribuinte se utilizado da via judicial para questionar a incidência do FINSOCIAL, tendo obtido desfecho desfavorável passado em julgado, a obstar seu pedido de restituição/compensação na sede administrativa, razão pela qual são inaplicáveis ao caso concreto as digressões nesse sentido. Diante do exposto, tendo o prazo prescricional (decadencial para alguns) se iniciado na data da publicação da MP n° 1.110/95, qual seja, 31.8.95, é tempestivo o pedido de restituição/compensação formulado pelo Contribuinte, devendo ser reformadas as decisões anteriores. Embora a matéria que ora se conhece seja de mérito, é inegável não terem sido examinadas, pela primeira instância, outras questões de igual relevo ao deferimento do pedido formulado nestes autos. Desta forma, pelos argumentos expostos e em prestigio ao principio do duplo grau de jurisdição e para que não haja supressão de instância, conheço do recurso interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional e a ele nego provimento, para manter a decisão recorrida, no sentido de que seja afastada a prescrição (sio "decadência") do direito do recorrente de pleitear a restituição/compensação dos valores recolhidos indevidamente a titulo de FINSOCIAL, devendo seu pedido ser remetido à primeira instância administrativa para análise dos demais pressupostos formais que devem embasar tais requerimentos, tais como a subsunção das atividades comerciais desenvolvidas pelo contribuinte àquelas sobre as quais pairou a declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no julgamento do n 37 Processo n° :13888.001241/99-20 Acórdão : CSRF/03-04.752 RE n° 150.764-PE, aferição dos cálculos apresentados, eventual existência de ações judiciais com desfecho favorável à Fazenda Nacional cuidando dos mesmos créditos, entre outros. Sala das Sessões — DF, em 20 de fevereiro de 2006 LUIV7TOLI 38 Page 1 _0032700.PDF Page 1 _0032800.PDF Page 1 _0032900.PDF Page 1 _0033000.PDF Page 1 _0033100.PDF Page 1 _0033200.PDF Page 1 _0033300.PDF Page 1 _0033400.PDF Page 1 _0033500.PDF Page 1 _0033600.PDF Page 1 _0033700.PDF Page 1 _0033800.PDF Page 1 _0033900.PDF Page 1 _0034000.PDF Page 1 _0034100.PDF Page 1 _0034200.PDF Page 1 _0034300.PDF Page 1 _0034400.PDF Page 1 _0034500.PDF Page 1 _0034600.PDF Page 1 _0034700.PDF Page 1 _0034800.PDF Page 1 _0034900.PDF Page 1 _0035000.PDF Page 1 _0035100.PDF Page 1 _0035200.PDF Page 1 _0035300.PDF Page 1 _0035400.PDF Page 1 _0035500.PDF Page 1 _0035600.PDF Page 1 _0035700.PDF Page 1 _0035800.PDF Page 1 _0035900.PDF Page 1 _0036000.PDF Page 1 _0036100.PDF Page 1 _0036200.PDF Page 1 _0036300.PDF Page 1

score : 1.0
4719920 #
Numero do processo: 13839.002309/2004-65
Data da sessão: Tue Jun 24 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Jun 24 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício. 2000 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. Não se conhece o recurso apresentado, quando a interessada tenha ingressado em juízo, antes ou após à autuação, com ação judicial discutindo a matéria que tem o mesmo objeto do processo administrativo. Recurso Especial Negado.
Numero da decisão: CSRF/01-05.921
Decisão: ACORDAM os membros da primeira turma da câmara superior de recursos fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausentes justificadamente os conselheiros José Clovis Alves e José Carlos Passuello.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Mário Sergio Fernandes Barroso

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)

dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021

anomes_sessao_s : 200806

ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício. 2000 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. Não se conhece o recurso apresentado, quando a interessada tenha ingressado em juízo, antes ou após à autuação, com ação judicial discutindo a matéria que tem o mesmo objeto do processo administrativo. Recurso Especial Negado.

dt_publicacao_tdt : Tue Jun 24 00:00:00 UTC 2008

numero_processo_s : 13839.002309/2004-65

anomes_publicacao_s : 200806

conteudo_id_s : 4420928

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 10 00:00:00 UTC 2016

numero_decisao_s : CSRF/01-05.921

nome_arquivo_s : 40105921_145788_13839002309200465_007.PDF

ano_publicacao_s : 2008

nome_relator_s : Mário Sergio Fernandes Barroso

nome_arquivo_pdf_s : 13839002309200465_4420928.pdf

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : ACORDAM os membros da primeira turma da câmara superior de recursos fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausentes justificadamente os conselheiros José Clovis Alves e José Carlos Passuello.

dt_sessao_tdt : Tue Jun 24 00:00:00 UTC 2008

id : 4719920

ano_sessao_s : 2008

atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:52:00 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1714075309728333824

conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-22T14:11:37Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-22T14:11:37Z; Last-Modified: 2009-07-22T14:11:37Z; dcterms:modified: 2009-07-22T14:11:37Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-22T14:11:37Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-22T14:11:37Z; meta:save-date: 2009-07-22T14:11:37Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-22T14:11:37Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-22T14:11:37Z; created: 2009-07-22T14:11:37Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2009-07-22T14:11:37Z; pdf:charsPerPage: 1120; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-22T14:11:37Z | Conteúdo => CSRF/T01 Fls. I MINISTÉRIO DA FAZENDA 'M • '. ri: "v1. 1 .tt CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS ,,, :»74":22tbi PRIMEIRA TURMA Processo n° 13839.002309/2004-65 Recurso n° 105-145.788 Especial do Contribuinte Matéria CONCOMITÂNCIA Acórdão n° CSRF/01-05.921 Sessão de 24 de junho de 2008 Recorrente JOFEGÉ PAVIMENTAÇÃO E CONSTRUÇÃO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício. 2000 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. Não se conhece o recurso apresentado, quando a interessada tenha ingressado em juízo, antes ou após à autuação, com ação judicial discutindo a matéria que tem o mesmo objeto do processo administrativo. Recurso Especial Negado. , Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. e—) ACORDAM os membros da primeira turma da câmara superior de recursos fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a inte y ar o presente julgado. Ausentes justificadamente os conselheiros José Clovi Alves e Jo anos Passuello. TO i O PRAG • it Presidente • •i/ • airans • • IO ‘ RGIO F e RNANDES BARROSO Relator A7z D . Processo n°13839.002309/2004-65 CSRF/T01 Acórdão n.° CSRF/01-05.921 Fb. 2 FORMALIZADO EM: 2 5 FEV 2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Luciano de Oliveira Valença, Antonio Carlos Guidoni Filho, Marcos Vinícius Neder de Lima, Hugo Correa Sotero (Substituto Convocado), Mário Sérgio Fernandes Barroso, Karem Jureidini Dias e Valmir Sandri (Substituto Convocado) 447 2 Processo n°13839.002309/2004-65 CSRFtT01 Acórdão n.° CSRF/01-05.921 Eis. 3 Relatório Trata o processo de recurso contra a decisão da Egrégia 5' Câmara do 1° C.C., que negou provimento ao recurso do contribuinte com o argumento de concomitância. Do auto de infração se extrai que as infrações foram decorrentes da correção monetária do balanço encerrado em 31/12/1989, devido a expurgos inflacionários dos meses de janeiro e fevereiro de 1989, que foi considerada como despesa no ano-calendário de 1999, autorizada por medida liminar em mandado de segurança. A contribuinte apresentou balancete em que a referida despesa foi transferida para prejuízos acumulados e informada na demonstração do lucro real no item outras exclusões. No ano de 2002 a empresa retificou a DIPJ do ano calendário de 1999, reduzindo o item outras exclusões Em decorrência dessa exclusão, a empresa que apresentara lucro tributável, passou a apresentar prejuízo. A câmara "a quo" se manifestou da seguinte maneira: "Como visto acima, o presente processo trata exclusivamente de matérias discutidas no âmbito do poder judiciário, perante o qual a contribuinte ingressou com ação para discutir especificamente a matéria de mérito objeto do auto de infração, nesse particular, há concomitância na defesa, ou seja, a busca da tutela do poder judiciário, bem como o recurso à instância administrativa." A contribuinte não satisfeita entrou com recurso especial que: a) inicialmente, requer sobrestamento deste recurso para aguardar o pronunciamento do Supremo Tribunal Federal, a respeito da matéria; b) alega que não haveria renúncia à esfera administrativa, pois, a ação judicial ocorrera antes da lavratura do auto de infração; O recurso foi admitido, pois, há uma decisão no sentido de que mandado de segurança impetrado antes do lançamento não inibiria a discussão do auto de infração na esfera administrativa. É o relatório. tfr 72( 3 Processo n°13839.002309/2004-65 CSRPT01 Acórdão n.° CSRF/01 -05.921 Fls. 4 Voto Conselheiro MÁRIO SÉRGIO FERNANDES BARROSO, Relator Os pressupostos de admissibilidade observam os requisitos legais, pelo que o recurso deve ser conhecido. Preliminarmente, não vislumbro motivo para sobrestar o presente recurso, inclusive não vejo nenhum prejuízo ao contribuinte, pois, o processo judicial no qual ele está discutindo a matéria, está correndo. Com a propositura de ação judicial contra a Fazenda, a contribuinte manifestou renúncia tácita às instâncias administrativas no que conceme às questões postas em discussão na via judiciária, afastando, a partir de então, o pronunciamento dos órgãos julgadores administrativos sobre as referidas matérias, em face da unicidade de jurisdição prevista na Constituição Federal. Sobre a questão, prescreve o Ato Declaratório Normativo Cosit n° 3, de 14 de • fevereiro de 1996: - C.) a) a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial — por qualquer modalidade processual — antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto; (g.n) b) conseqüentemente, quando diférentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada (..); c) no caso da letra 'a', a autoridade dirigente do órgão onde se encontra o processo não conhecerá de eventual petição do contribuinte, proferindo decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, se for o caso, encaminhando o processo para a cobrança do débito, ressalvada a eventual aplicação do disposto no art. 149 do CM; d) na hipótese da alínea anterior, não se verificando a ressalva ali contida, proceder-se-á a inscrição em divida ativa, deixando-se de fazê-lo, para aguardar o pronunciamento judicial, somente quando demonstrada a ocorrência do disposto nos incisos II (depósito do montante integral do débito) ou IV (concessão de medida liminar em mandado de segurança),do art.I51, do CNT; e) é irrelevante, na espécie, que o processo tenha sido extinto, no Judiciário, sem julgamento do mérito (art.267 do CPC). 4 Processo n°13839.002309/2004-65 CSRF/TOI Acórdão n.° CSRF/01-05.921 Eis. 5 No mesmo sentido, o artigo 26 da Portaria MF n°258, de 24 de agosto de 2001, estabelece o seguinte: Art. 26 - O pedido de parcelamento, a confissão irretratável da dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte contra a Fazenda Nacional de ação judicial com o mesmo objeto importa a desistência do processo.(g.n) (.) Por seu turno, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, em seu Parecer n° 25.046/78, assim se manifestou: 32. Todavia, nenhum dispositivo legal ou princípio processual permite a discussão paralela da mesma matéria em instâncias diversas, sejam administrativas ou judiciais ou uma de cada natureza. 33. Outrossim, pela sistemática constitucional, o ato administrativo está sujeito ao controle do Poder Judiciário, sendo este último, em relação ao primeiro, instância superior ou autônoma. SUPERIOR, porque pode rever, para cassar ou anular, o ato administrativo; AUTÓNOMA, porque a parte não está obrigada a percorrer as instâncias administrativas para ingressar em juízo. Pode fazê-lo diretamente. 34. Assim sendo, a opção pela via judicial importa, em princípio, em renúncia às instâncias administrativas ou desistência de recurso acaso formulado. 35. Somente quando a pretensão judicial tem por objeto o próprio processo administrativo (v.g. a obrigação de decidir de autoridade administrativa; a inadmissão de recurso administrativo válido, dado por intempestivo ou incabível por falta de garantia ou outra razão análoga) é que não ocorre renúncia à instância administrativa, pois aí o objeto do pedido judicial é o próprio rito do processo administrativo. 36. Inadmissível, porém, por ser ilógica e injuridica, é a existência paralela de duas iniciativas, dois procedimentos, com idêntico objeto e para o mesmo fim. (.)" Cabe ainda invocar o Parecer PGFN n° 1.159/99, do qual se trasladam os seguintes excertos: 29. Antes de prosseguir, cumpre esclarecer que o Conselho de Contribuintes, ao contrário do aventado na consulta, não tem entendimento diverso àquele que levou ao disposto no ADN n. 3/96. Conforme verifica-se, dentre inúmeros outros, dos acórdãos n. 02- 02.098. de 13.12.98, 01-02.127, de 17.3.97, e 03-03.029, de 12.4.99, 5 Processo e 13839.002309/2004-65 CSRF/T01 Acórdão n.° CSRF/01-05.921 Fls. 6 todos da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), e 101-92.101, de 2.6.98, 101-92.190, de 15.7.98, 103-18.091, de 14.11.96, e 108.03.984, estes do Primeiro Conselho de Contribuintes, há firme entendimento no sentido da renúncia à discussão na esfera administrativa quando há anterior, concomitante ou superveniente argüição da mesma matéria junto ao Poder Judiciário. O que ocorreu algumas vezes, e excepcionalmente ainda ocorre, é que há conselheiros — e, quiçá, certas Câmaras em certas composições — que assim não entendem, especialmente quando a ação judicial é anterior ao lançamento: alegam, aqui, que ninguém pode renunciar aquilo que ainda não existe. Nestes casos — isolados e cada vez mais excepcionais, repita-se — a PGFN, fone nos precedentes da CSRF acima referidos, vem sistematicamente levando a questão àquela superior instância, postulando e obtendo sua reforma neste particular. 30. Voltando ao tema do procedimento a adotar nos casos enunciados no item 28, preliminarmente anotamos que não nos parece existir qualquer distinção entre a ocorrência destas situações antes ou após o trânsito em julgado da decisão judicial menos favorável ao contribuinte, pois sendo a decisão administrativa imediatamente executável e mandatária à administração (art. 42, inciso g do Decreto n. 70.235/72) — enquanto a decisão judicial será apenas declaratá ria dos interesses da Fazenda Nacional -, a situação de impasse se instalará qualquer que seja a posição processual do trâmite judicial. 33. Não há qualquer dúvida acerca da superioridade do pronunciamento do Poder Judiciário em relação àquele que possa advir de órgãos administrativos. Fosse insuficiente perceber a óbvia validade dessa assertiva em nosso modelo constitucional, assentada na unicidade jurisdicional, basta verificar que as decisões administrativas são sempre submissiveis ao crivo de legalidade do judicium, não sendo o reverso verdadeiro (melhor dizendo, o reverso não é sequer possível!!!). É por esse motivo que havendo tramitação de feito judiciário concomitante à de processo administrativo fiscal, considera- se renunciado pelo contribuinte o direito a prosseguir na contenda administrativa. É também por este motivo que a administração não pode deixar de dar cumprimento a decisão judiciária mais favorável que outra proferida no âmbito administrativo. (.)" Da leitura dos dispositivos acima transcritos, conclui-se que a opção pela via judicial, antes ou concomitante à esfera administrativa, toma completamente estéril a discussão no âmbito não jurisdicional. Na verdade, como bem ressaltou o Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima, no voto proferido no julgamento do Recurso n° 102.234 (Acórdão 202-09.648), "tal opção acarreta em renúncia ao direito subjetivo de ver apreciada administrativamente a impugnação do lançamento do tributo com relação à mesma matéria sub judice". 6 Processo n° 13839.002309/2004-65 CSRF/TO Acórdão n.• CSRE/01-05.921 Fls. 7 Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso interposto pelo recorrente, e no mérito negar provimento ao mesmo. Sala das Sessões, em 24 de junho de 2008 MÁRIO SÉ 10 FERNAND S BARROSO 41/ 1 Page 1 _0041100.PDF Page 1 _0041300.PDF Page 1 _0041500.PDF Page 1 _0041700.PDF Page 1 _0041900.PDF Page 1 _0042100.PDF Page 1

score : 1.0
4709829 #
Numero do processo: 13678.000190/2002-14
Data da sessão: Sun Sep 19 00:00:00 UTC 6
Data da publicação: Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2007
Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO DO JULGADO. Constatada omissão, quando do julgamento do Recurso Voluntário, consubstanciada pela não apreciação do pedido relacionado com a atualização monetária do crédito tributário pela taxa SELIC. Justifica-se a interposição dos embargos de declaração. TAXA SELIC. Sendo o ressarcimento uma espécie do gênero restituição segundo tratamento dado pelo Decreto nº 2.138/97, seu valor deverá também ser atualizado pela Taxa SELIC nos termos do §4º do art. 39 da Lei nº 9.250/95. Recurso provido. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE NO JULGADO. Não estando devidamente caracterizada a obscuridade levantada pela embargante não se justifica a interposição dos presentes embargos. Embargos provido em parte.
Numero da decisão: 203-11890
Decisão: Por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: Não Informado

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
materia_s : IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)

dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021

anomes_sessao_s : 000609

ementa_s : EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO DO JULGADO. Constatada omissão, quando do julgamento do Recurso Voluntário, consubstanciada pela não apreciação do pedido relacionado com a atualização monetária do crédito tributário pela taxa SELIC. Justifica-se a interposição dos embargos de declaração. TAXA SELIC. Sendo o ressarcimento uma espécie do gênero restituição segundo tratamento dado pelo Decreto nº 2.138/97, seu valor deverá também ser atualizado pela Taxa SELIC nos termos do §4º do art. 39 da Lei nº 9.250/95. Recurso provido. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE NO JULGADO. Não estando devidamente caracterizada a obscuridade levantada pela embargante não se justifica a interposição dos presentes embargos. Embargos provido em parte.

dt_publicacao_tdt : Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2007

numero_processo_s : 13678.000190/2002-14

anomes_publicacao_s : 200703

conteudo_id_s : 4128812

dt_registro_atualizacao_tdt : Sun May 05 00:00:00 UTC 2013

numero_decisao_s : 203-11890

nome_arquivo_s : 20311890_132473_13678000190200214_004.PDF

ano_publicacao_s : 2007

nome_relator_s : Não Informado

nome_arquivo_pdf_s : 13678000190200214_4128812.pdf

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso.

dt_sessao_tdt : Sun Sep 19 00:00:00 UTC 6

id : 4709829

ano_sessao_s : 0006

atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:51:43 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1714075309735673856

conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-05T17:34:52Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-05T17:34:52Z; Last-Modified: 2009-08-05T17:34:52Z; dcterms:modified: 2009-08-05T17:34:52Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-05T17:34:52Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-05T17:34:52Z; meta:save-date: 2009-08-05T17:34:52Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-05T17:34:52Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-05T17:34:52Z; created: 2009-08-05T17:34:52Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2009-08-05T17:34:52Z; pdf:charsPerPage: 1754; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-05T17:34:52Z | Conteúdo => • 22 CC-MF • Ministério da Fazenda ••-,ed:3,-- Segundo Conselho de Contribuintes core"» temer: Processo n2 : 13678.000190/2002-14 mva ? guno w1 cério oficiag usai° .___LD-1Recurso n2 : 132.473 p. Acórdão n° : 203-11.890 Rore• • Embargante : MINERAÇÃO SERRA DA FORTALEZA S/A Embargada : Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes Interessada : DRJ em Juiz de Fora - MG EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO DO JULGADO. Constatada omissão, quando do julgamento do Recurso Voluntário, consubstanciada pela não apreciação do pedido relacionado com a atualização monetária do crédito tributário pela taxa SELIC. Justifica-se a interposição dos embargos de declaração TAXA SELIC. Sendo o ressarcimento uma espécie do gênero • restituição segundo tratamento dado pelo Decreto n° 2.138/97, seu valor deverá também ser atualizado pela Taxa SELIC nos termos do • §4° do art. 39 da Lei n°9.250/95. Recurso provido. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE NO JULGADO. Não estando devidamente caracterizada a obscuridade levantada pela embargante não se justifica a interposição dos presentes embargos. Embargos provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes embargos de declaração interpostos por: MLNERAÇÁO SERRA DA FORTALEZA S/A. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, por maioria de votos, em dar provimento parcial aos embargos de declaração para retificar o Acórdão n° 203-11.309, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis. Odassi Guérzoni Filho e Antonio Bezerra Neto que negavam provimento aos embargos. Sala das Sessões, em 27 de março de 2007. ; , MN. DA FAZENDA - 9 CC • .ton. - asNeto Pre 'den CONFERE C2 M O_ORIGIMA BRASILIA jai + _ .ilatás v a VISTO z 22 CC-MF Iff-;:;;:et Ministério da Fazenda Fl. - Segundo Conselho de Contribuintes Processo n2 : 13678.000190/2002-14 Recurso n2 : 132.473 Acórdão n° : 203-11.890 Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Silvia de Brito Oliveira, Eric Moraes de Castro e Silva e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Cesar Piantavigna. Enal/inp MIN. DA FP, ZENDA - 2 CC BCROANsFu.EIRAL/(2.C71.1.1_03b3 OrdeiNt)AiLt V laTO • /(Ci< MIN. DA FAZENDA - CC .k CONFERE CCM O DRISINA).. 22 CG-MF Ministério da Fazenda FI. ^ Segundo Conselho de Contribuintes "54 VISTâ Processo n2 : 13678.000190/2002-14 Recurso n2 : 132.473 Acórdão n° : 203-11.890 Embargante : MLN'ERAÇÃO SERRA DA FORTALEZA S/A. RELATÓRIO Trata-se de Embargos de Declaração no Acórdão n° 203-11.309, sessão de 19/09/06, interpostos pela empresa MINERAÇÃO SERRA DA FORTALEZA S/A, com fundamento no art. 27 do vigente Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda, sob a principal alegação de que teria ocorrido omissão e contradição no referido julgado. Dentre suas razões de embargar alega a Embargante que o Acórdão embargado se omitiu no que se relaciona com a aplicação da taxa SELIC para corrigir a parcela remanescente do crédito de IPI. Aponta ainda a embargante contradição no referido Acórdão, quando ao reconhecer que o Parecer Normativo n° 65/79 tem extrapolado na interpretação da legislação que rege a matéria, não reconheceu o direito de crédito da contribuinte sob o argumento de ausência de apontamento específico da aplicação dos produtos que geraram a pretensão ressarcitória em tela. É o relatório. . . . . • 3 . . PIM. DA FAZENDA • . .2 cc ak CONFER. 2cm o ussiut. 22 CC-NIF Irtilf":4 Ministério da Fazenda ertívsitmck 1 Dl- 10 n. 21);-74%.;.e.,.,bt.;,.. Segundo Conselho de Contribuintes ,,..- ., via-r61) 'Processo n2 : 13678.000190/2002-14 —_---. Recurso n2 : 132.473 Acórdão n° : 203-11.890 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR VALDEMAR LUDVIG Dentre suas razões de embargar alega a Embargante que o Acórdão embargado se omitiu no que se relaciona com a aplicação da taxa SELIC para corrigir a parcela remanescente do crédito de 1PI. . Aponta ainda a embargante contradição no referido Acórdão, quando ao reconhecer que o Parecer Normativo n° 65/79 tem extrapolado na interpretação da legislação que rege a matéria, não reconheceu o direito de crédito da contribuinte sob o argumento de ausência de apontamento específico da aplicação dos produtos que geraram a pretensão ressarcitória em tela. Analisando o Acórdão recorrido, realmente verifica-se que houve a omissão com relação ao pedido da recorrente relacionado com a atualização pela taxa SELIC dos seus créditos de EPI, o que justifica a interposição dos Embargos de Declaração, para que a matéria seja devidamente analisada. Em se tratando da atualização dos créditos solicitados a partir da protocolização do pedido, embora esta matéria enfrente divergências dentre os membros deste Colegiado, meu entendimento acompanha decisão majoritária da Câmara Superior de Recursos Fiscais externada no Acórdão n° CSRF/02-01.165 e sintetizada na seguinte ementa: "TAXA SELIC – NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO – Incidindo a Taxa SELIC sobre a restituição, nos termos do art. 39, §4° da Lei n°9.250/95, a partir de 01/01/96, sendo o ressarcimento uma espécie do gênero restituição, conforme entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão/02.0-708, de 04/06/98, além do que, tendo o Decreto n°2.138/97 tratado restituição e ressarcimento da mesma maneira, a referida Taxa incidirá, também, sobre o ressarcimento." Já com relação a suposta contradição levantada pela embargante relacionada com a aplicação dos insumos glosados e a interpretação restritiva do Parecer Normativo n° 65/79, não observo a situação na mesma direção da embargante, uma vez que, apesar da mesma registrar que teceu diversos apontamentos quanto à aplicação e importância dos produtos adquiridos e utilizados em seu processo produtivo estes esclarecimentos, no meu entendimento não foram suficientes para justificar a inclusão destes produtos nas condições de matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, em consonância com as normas legais que regem a matéria. Face ao acima exposto, voto no sentido de em acatando os embargos, dar provimento ao recurso no que se refere a atualização pela taxa SELIC dos créditos de EPI que tenha direito a recorrente, a partir da srotocolização do pedido. : como vot ). Sala das 5 , s e s, em 27 de março de 2007. ( v , • - . erli" ida N.IW -.....___ -1. Page 1 _0056700.PDF Page 1 _0056800.PDF Page 1 _0056900.PDF Page 1

score : 1.0
4734647 #
Numero do processo: 18108.000429/2007-49
Data da sessão: Fri Sep 25 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Sep 25 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2001 a 31/05/2006 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - GFIP - TERMO DE CONFISSÃO DE DIVIDA - SEGURADOS EMPREGADOS INCLUÍDOS EM FOLHA DE PAGAMENTO - CONTRATAÇÃO DE TRABALHADORES AUTÔNOMOS - CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS - NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA - INCONSTITUCIONALIDADE. A GFIP é termo de confissão de dívida em relação aos valores declarados e não recolhidos. A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 2401-000.689
Decisão: ACORDAM e membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021

anomes_sessao_s : 200909

ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2001 a 31/05/2006 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - GFIP - TERMO DE CONFISSÃO DE DIVIDA - SEGURADOS EMPREGADOS INCLUÍDOS EM FOLHA DE PAGAMENTO - CONTRATAÇÃO DE TRABALHADORES AUTÔNOMOS - CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS - NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA - INCONSTITUCIONALIDADE. A GFIP é termo de confissão de dívida em relação aos valores declarados e não recolhidos. A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.

dt_publicacao_tdt : Fri Sep 25 00:00:00 UTC 2009

numero_processo_s : 18108.000429/2007-49

anomes_publicacao_s : 200909

conteudo_id_s : 4456420

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 10 00:00:00 UTC 2015

numero_decisao_s : 2401-000.689

nome_arquivo_s : 240100689_154925_18108000429200749_009.PDF

ano_publicacao_s : 2009

nome_relator_s : Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira

nome_arquivo_pdf_s : 18108000429200749_4456420.pdf

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : ACORDAM e membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.

dt_sessao_tdt : Fri Sep 25 00:00:00 UTC 2009

id : 4734647

ano_sessao_s : 2009

atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:53:11 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1714075309737771008

conteudo_txt : Metadados => date: 2009-10-24T07:10:00Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-10-24T07:10:00Z; Last-Modified: 2009-10-24T07:10:00Z; dcterms:modified: 2009-10-24T07:10:00Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-10-24T07:10:00Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-10-24T07:10:00Z; meta:save-date: 2009-10-24T07:10:00Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-10-24T07:10:00Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-10-24T07:10:00Z; created: 2009-10-24T07:10:00Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2009-10-24T07:10:00Z; pdf:charsPerPage: 1379; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-10-24T07:10:00Z | Conteúdo => S2-C4T1 Fl. 265 r g, f.ii,ear MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 18108.000429/2007-49 Recurso n° 154.925 Voluntário Acórdão n" 2401-00.689 — 4' Câmara / P Turma Ordinária Sessão de 25 de setembro de 2009 Matéria DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES Recorrente HOSPITAL E MATERNIDADE SÃO MIGUEL S/A Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA - SRP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2001 a 31/05/2006 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - GFIP - TERMO DE CONFISSÃO DE DIVIDA - SEGURADOS EMPREGADOS INCLUÍDOS EM FOLHA DE PAGAMENTO - CONTRATAÇÃO DE TRABALHADORES AUTÔNOMOS - CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS - NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA - INCONSTITUCIONALIDADE. A GFIP é termo de confissão de dívida em relação aos valores declarados e não recolhidos. A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM e membros da lla Câmara / I a Turma Ordinária da SegundaII Seção de Julgamento, por un o ade de votos, em negar provimento ao recurso. ELIAS SAMP 41, R RE - Presidente EL • • INA MONTEIRO E SILVA VIEIRA - Relatora Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Elias Sampaio Freire, Clcusa Vieira de Souza, Kleber Ferreira de Araújo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Marcelo Freitas de Souza Costa e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. 2 Processo n° 18108.000429/2007-49 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-00.689 Fl. 266 Relatório A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e a destinada aos Terceiros, levantadas sobre os valores pagos a pessoas físicas na qualidade de empregados e contribuintes individuais. O lançamento compreende competências entre o período de 11/2001 A 05/2006, sendo que os fatos geradores incluídos nesta NFLD foram apurados por meio do documento GFIP em confronto com os recolhimentos efetuados em GPS. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deu-se em 21/07/2006, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 22/07/2006. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela notificada, fls. 79 a 111. A Decisão-Notificação confirmou a procedência, total do lançamento, fls. 204 a 210. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 216 a 249. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega o seguinte: Totalmente ilegal a cobrança de multas, em razão da denúncia espontânea, bem como o percentual de 20% que configura verdadeiro confisco. Ressalta que a administração pública, representada pelos auditores fiscais e conselheiros no âmbito do CRPS não só tem legitimidade como obrigação de afastar o lançamento de tributo com amparo em leis inconstitucionais. Ilegal a cobrança de contribuição para o salário educação., mesmo considerando no ano de 1997 a edição da MP 1565/97 dada a incompletude da lei instituidora e a Primazia do Principio Constitucional da anterioridade. Ilegal a exigência de cobrança do INCRA, levando-se em consideração que a empresa exerce atividade urbana. Ademais, o INCRA não exerce qualquer atividade de natureza previdenciária, em benefícios dessas empresas. Inconstitucional ainda a exigência de contribuições para o SEBRAE, SESC E SENAC. Em relação ao SEBRAE a cobrança constitui verdadeiro bis in idem, acarretando a incidência de mais de um tributo sobre uma mesma base fática e sobre a mesma espécie tributária. ei›. 3 Não previu o texto constitucional a possibilidade de incidência de duas contribuições sobre a mesma base de cálculo, nesta evidencia-se inconstitucional a exigência para SEBRAE, SESC E SENAC. Além das ilegalidades apontadas que determinam a improbidade da forma de cobrança de contribuições, ainda existe o fato do Estado impor tanto na constituição como na formalização multas ilegais, com evidente caráter confiscatório. No mesmo sentido acima exposto inconstitucional a aplicação da taxa SELIC. Face o exposto, requer seja julgada inteiramente procedente o presente recurso, para fim de ser reconhecida a total improcedência do auto de infração, determinando a eliminação ou redução de multa, bem como a exclusão das contribuições ao Salário Educação, INCRA, SEBRAE, SENAC E SESC. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este 2° CC sem o oferecimento de contra-razões. É o relatório. 4 Processo n°18108.000429/2007-49 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-00.689 E. 267 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 250. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. O recorrente durante o procedimento não apresentou os documentos para comprovar a regularidade, simplesmente resumiu-se a alegar a inconstitucionalidade de contribuições sobre salário educação, INCRA, SEBRAE, SENAC E SESC, bem como dos juros e multa aplicados. NO que tange a argüição de inconstitucionalidade de legislação previdenciária que dispõe sobre o recolhimento de contribuições, frise-se que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusar-se a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os prazos regulados na Lei n° 8.212/1991. Dessa forma, quanto à inconstitucionalidade/ilegalidade na cobrança das contribuições previdenciárias, não há razão para a recorrente. Como dito, não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional, razão pela qual são exigíveis a aplicação da taxa de juros SE LIC, a multa pela inadimplência. Toda lei presume-se constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitá-la. Nesse sentido, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária, Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar urna lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. No mesmo sentido posiciona-se este 2° Conselho de Contribuintes ao publicar a súmula n°. 2 aprovada na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicadas no DOU de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28: SÚMULA N. 2 O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Em relação à cobrança do INCRA segue ementa do Recurso Especial n 603267, publicado no DJ em 24/05/2004, cujo Relator foi o Ministro Teori Albino Zavascki: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNRURAL E PARA O INCRA (LEI 2.613/55). EMPRESA URBANA. EXIGIBILIDADE. ORIENTAÇÃO FIRMADA PELO STF. PRECEDENTES DO STI. I. O Supremo Tribunal Federal firmou entendimento no sentido de que não existe óbice a que sejam cobradas de empresa urbana as contribuições destinadas ao INCRA e ao FUNRURAL. 2. Recurso especial provido. Apenas para ilustrar, em relação à cobrança das contribuições destinadas ao SEBRAE, segue ementa do entendimento firmado pelo TRF da 4" Região: Tributário - Contribuição ao Sebrae - Exigibilidade. 1. O adicional destinado ao Sebrae (Lei n° 8.029/90, na redação dada pela Lei Ir 8.154/90) constitui simples majoração das aliquotas previstas no Decreto-Lei n°2.318/86 (Senai, Senac, Sesi e Sesc), prescindível, portanto, sua instituição por lei complementar. 2. Prevê a Magna Carta tratamento mais favorável às micro e pequenas empresas para que seja promovido o progresso nacional Para tanto submete à exação pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo. 3. Precedente da I" Seção desta Corte (EIAC n 2000.04.01.106990-9). ACÓRDÃO: Vistos e relatados estes autos entre as partes acima indicadas, decide a Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 4' Região, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório, voto e notas taquigrá:ficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 17 de junho de 2003. (TRF 4" R - 2" 7' - Ac. n" 2001.70.07.002018-3 - Rel. Dirceu de Almeida Soares - 9.7.2003 -p. 274) Com relação à cobrança de juros está prevista em lei especifica da previdência social, art. 34 da Lei n° 8.212/1991, abaixo transcrito, desse modo foi correta a aplicação do índice pela autarquia previdenciária: Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia-SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei n" 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de ?91/ 6 _n _ Processo n° 18108.000429/2007-49 S2-C4T 1 Acórdão n.° 2401-00.689 Fl. 268 caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições correspondera a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁT1CA. SÚMULA 07/5 Ti. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1°, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1701/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poder-se-ia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Dessa forma, não há que se falar em excesso de cobrança de juros, estando os valores descritos na NFLD, em consonância com o prescrito na legislação previdenciária. Conforme descrito acima, a multa moratória é bem aplicável pelo não recolhimento em época própria das contribuições previdenciárias. Ademais, o art. 136 do C'TN descreve que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável, e da natureza e extensão dos efeitos do ato. O art. 35 da Lei n° 8.212/1991 dispõe, nestas palavras. Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1°, da Lei n° 9.876/99) I - para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1°, da Lei n°9.876/99). ar b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pelo art. 1°, da Lei n°9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1", da Lei n" 9.876/99). II - para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da not(cação; (Redação dada pelo art. 1°, da Lei n°9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. I', da Lei n"9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social - CRPS; (Redação dada pelo ar!. 1°, da Lei n°9.876/99). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social - CRPS, enquanto não inscrito em Divida Ativa; (Redação dada pela Lei n" 9.876/99). III - para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1°, da Lei n°9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pelo art. 1", da Lei n°9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1", da Lei n" 9.876/99). d) cem por cento, após o ajzázamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1'; da Lei n° 9.876/99). § I" Nas hipóteses de parcelamento ou de reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o Caput e seus incisos. (Parágrafo acrescentado pela MP n" 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei n" 9.528/97) § 2" Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. (Parágrafo acrescentado pela MP n` 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei n" 9.528/97) § 3" O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de np 8 Processo n°18108000429/2007-49 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-00.689 Fl. 269 competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1° deste artigo. (Parágrafo acrescentado pela MP n° 1.571/97, reeditado até a conversão na Lei n°9.528/97) § 4° Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei n°9.876/99) Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da DN, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente, no que concerne a parte remanescente são incapazes de refutar a presente notificação. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito NEGAR-LHE PROVIMENTO. É como voto. Sala das Sessões, em 25 de setembro de 2009 ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA - Relatora 9

score : 1.0
4720750 #
Numero do processo: 13849.000156/96-86
Data da sessão: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2000
Data da publicação: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2000
Ementa: ITR - BASE DE CÁLCULO - A fixação do Valor da Terra Nua mínimo - VFNm para formalização do lançamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR propaga em favor da Fazenda Pública os efeitos de juris tantum, o que implica na atribuição do ônus da prova ao contribuinte para sua alteração. A revisão do Valor da Terra Nua mínimo pela autoridade administrativa competente deve ser pautada nos instrumentos probatórios exigidos em lei, ou seja, apresentação de Laudo Técnico, emitido por entidade ou profissional com capacitação técnica devidamente habilitado e, obrigatoriamente, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica junto ao CREA. Imprescindível que o Laudo Técnico atenda os requisitos da NBR n° 8.799 da Associação Brasileira de Normas Técnicas, reportando-se à data de referência do fato imponivel da obrigação tributária. MULTA DE MORA - SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO - A tempestiva interposição de impugnação ao lançamento tributário gera efeitos de suspender a exigibilidade do crédito tributário e postergar, conseqüentemente, o vencimento para o término do prazo fixado para o cumprimento da decisão definitiva no âmbito administrativo. Somente após o transcurso desse prazo final é que se torna possível a aplicação de penalidade no caso de inadimplida a obrigação da relação jurídica individual e concreta contida na decisão administrativa transitada em julgado. Recurso a que se dá provimento parcial.
Numero da decisão: 202-11.923
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa de mora.
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021

anomes_sessao_s : 200003

ementa_s : ITR - BASE DE CÁLCULO - A fixação do Valor da Terra Nua mínimo - VFNm para formalização do lançamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR propaga em favor da Fazenda Pública os efeitos de juris tantum, o que implica na atribuição do ônus da prova ao contribuinte para sua alteração. A revisão do Valor da Terra Nua mínimo pela autoridade administrativa competente deve ser pautada nos instrumentos probatórios exigidos em lei, ou seja, apresentação de Laudo Técnico, emitido por entidade ou profissional com capacitação técnica devidamente habilitado e, obrigatoriamente, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica junto ao CREA. Imprescindível que o Laudo Técnico atenda os requisitos da NBR n° 8.799 da Associação Brasileira de Normas Técnicas, reportando-se à data de referência do fato imponivel da obrigação tributária. MULTA DE MORA - SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO - A tempestiva interposição de impugnação ao lançamento tributário gera efeitos de suspender a exigibilidade do crédito tributário e postergar, conseqüentemente, o vencimento para o término do prazo fixado para o cumprimento da decisão definitiva no âmbito administrativo. Somente após o transcurso desse prazo final é que se torna possível a aplicação de penalidade no caso de inadimplida a obrigação da relação jurídica individual e concreta contida na decisão administrativa transitada em julgado. Recurso a que se dá provimento parcial.

dt_publicacao_tdt : Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2000

numero_processo_s : 13849.000156/96-86

anomes_publicacao_s : 200003

conteudo_id_s : 4122033

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018

numero_decisao_s : 202-11.923

nome_arquivo_s : 20211923_123800_138490001569686_010.PDF

ano_publicacao_s : 2000

nome_relator_s : LUIZ ROBERTO DOMINGO

nome_arquivo_pdf_s : 138490001569686_4122033.pdf

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa de mora.

dt_sessao_tdt : Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2000

id : 4720750

ano_sessao_s : 2000

atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:52:02 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1714075309759791104

conteudo_txt : Metadados => date: 2009-10-23T23:11:31Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-10-23T23:11:31Z; Last-Modified: 2009-10-23T23:11:31Z; dcterms:modified: 2009-10-23T23:11:31Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-10-23T23:11:31Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-10-23T23:11:31Z; meta:save-date: 2009-10-23T23:11:31Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-10-23T23:11:31Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-10-23T23:11:31Z; created: 2009-10-23T23:11:31Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2009-10-23T23:11:31Z; pdf:charsPerPage: 2342; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-10-23T23:11:31Z | Conteúdo => 4,---14fL: MINISTÉRIO DA FAZENDA 2.QC 00.49_105_/ Zaaa ?,*('-'47 PUBLIcADO NO D. O. U. -2çe -----.-- '-t4St SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES C .., ......... - - Processo : 13849.000156/96-86 Acórdão : 202-11.923 Sessão • . 14 de março de 2000 Recurso : 110.762 Recorrente : GUNTHER PLATZECK Recorrida : DRJ em Ribeirão Preto - SP 1TR - BASE DE CÁLCULO - A fixação do Valor da Terra Nua mínimo - VFNm para formalização do lançamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR propaga em favor da Fazenda Pública os efeitos de juris tantum, o que implica na atribuição do ônus da prova ao contribuinte para sua alteração. A revisão do Valor da Terra Nua mínimo pela autoridade administrativa competente deve ser pautada nos instrumentos probatórios exigidos em lei, ou seja, apresentação de Laudo Técnico, emitido por entidade ou profissional com capacitação técnica devidamente habilitado e, obrigatoriamente, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica junto ao CREA. Imprescindível que o Laudo Técnico atenda os requisitos da NBR n° 8.799 da Associação Brasileira de Normas Técnicas, reportando-se à data de referência do fato imponivel da obrigação tributária. MULTA DE MORA - SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRUIO - A tempestiva interposição de impugnação ao lançamento tributário gera efeitos de suspender a exigibilidade do crédito tributário e postergar, conseqüentemente, o vencimento para o término do prazo fixado para o cumprimento da decisão definitiva no âmbito administrativo. Somente após o transcurso desse prazo final é que se torna possível a aplicação de penalidade no caso de inadimplida a obrigação da relação jurídica individual e concreta contida na decisão administrativa transitada em julgado. Recurso a que se dá provimento parcial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: GUNTHER PLATZECK. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa de mora. Sala das S- e a: • ., m 14 de março de 2000 ajam ,n wz 1 os ertO D tini Illro Relator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Tarásio Campeio Borges, Maria Teresa Martinez López, Ricardo Leite Rodrigues, Antonio Carlos Bueno Ribeiro, Oswaldo Tancredo de Oliveira e Helvio Escovedo Barcellos. Imp/cf 1 UL) MINISTÉRIO DA FAZENDA rst-N- SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13849.000156/96-86 Acórdão : 202-11.923 Recurso : 110.762 Recorrente : GUNTHER PLATZECK RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra Decisão de Primeira Instância que julgou procedente a exigência do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, Contribuição Sindical Rural à CNA e à CONTAG e Contribuição ao SENAR, exercício de 1995, referente ao imóvel inscrito, sob o n° 0724075.9, no Cadastro Fiscal de Imóveis Rurais (CAFIR) da Secretaria da Receita Federal, com área de 752,6ha, denominado Rancho Vale Verde, situado no Município de Ouro Verde - SP, lançado com base no Valor da Terra Nua mínimo. Regularmente intimado da exigência fiscal, o Recorrente instaurou o contraditório, com as razões assim substanciadas no relatório da Decisão Recorrida de fls. 70/75: "C..) Inconformado com o valor do crédito tributário exigido, o Interessado ingressou com a impugnação de fls. 01/13, solicitando o cancelamento do lançamento em tela e a emissão de um novo utilizando como base de cálculo o valor da terra nua apurado no laudo de avaliação do imóvel, em anexo, alegando em síntese que: 1 - o VTNm atribuído ao município pela Receita Federal contrasta com a realidade do mercado, extrapolando inclusive o valor do imóvel com suas respectivas benfeitorias; 2 - comparando o valor atribuído à terra nua para o lançamento do ITR/1994 com o ITR/95, constata-se uma majoração real de 280,06 %;segundo a avaliação, suas terras são imprórias para a agricultura e de uso restrito para a pecuária em face da baixa reserva de nutrientes e pouca fertilidade natural; 3 - o perito avaliou o hectare do imóvel com benfeitorias em R$ 1.129,00, deduzindo o valor dessas, apurou-se um VTN de R$ 531,06 por hectare; 4 - a IN SRF n° 42/1996, que fixou o 'VTNm para o lançamento do ITR/95, exacerbou o contribuinte e pecou pela ilegalidade, porque modificou 2 • . ., 127 MINISTÉRIO DA FAZENDA - a.--At) SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13849.000156/9646 Acórdão : 202-11.923 brutalmente a base de cálculo do tributo, com majoração sensível no montante a pagar, ao arrepio do art. 146, II!, a, da Constituição Federal de 1988 (CF/88): (.-) 5 - feriu também o princípio da reserva legal (legalidade tributária) previsto no art. 97, II, § 1° e 2° do Código Tributário Nacional (CTN): (...) 6 - transcreveu às fls. 06/07, a ementa e parte do voto do relator do Recurso Especial n° 53.007-5/RS (94.002.572.60) relativo à majoração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Urbana - IPTU, por meio de decreto executivo; transcreveu, ainda, às fls. 08/10, outras ementas sobre majoração, atualização e reajustamento de IPTU; já à fl. 10 citou oito acórdãos do Segundo Conselho de Contribuintes refutando a majoração da base de cálculo do ITR referente ao exercício de 1992; 7 - desses estudos e julgados, conclui-se que a competência outorgada ao Secretário da Receita Federal, nos termos do § 2°, art. 3° da Lei n.° 8.847/1994 é ilegal, pois, contraria o art. 146, III, a, da CF/1988 e o art. 97, II, § I° do CTN (princípio da Reserva Legal). O ato administrativo deveria limitar-se à atualização de valores até o limite da correção monetária calculada por índices oficiais; 8 - o lançamento, ora impugnado, feito com base em valor fundiário excessivo e irreal, afrontou outros dois princípios constitucionais: o da pessoalidade dos impostos e capacidade contributiva. (—) Para instruir o processo, juntou aos autos os documentos de fls. 15/30." Os fundamentos da Decisão Recorrida estão consubstanciados na seguinte ementa: "Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR Exercício: 1995 Ementa: ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. 3 n 1:21 . . - MINISTÉRIO DA FAZENDA 1:55,11: SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13849.000156/96-86 Acórdão : 202-11.923 A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a inconstitucionalidade das leis. VTNm. REDUÇÃO. A autoridade julgadora poderá rever o V'TNrn, mediante laudo técnico, elaborado por entidade especializada ou profissional habilitado, obedecidos os requisitos da ABNT e com ART, registrada no CREA. LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE. O Laudo Técnico de Avaliação, em desacordo com a NBR n° 8799 da ABNT é elemento de prova insuficiente. LANÇAMENTO PROCEDENTE". Intimado da decisão singular em 21/01/99, o Recorrente interpôs o Recurso Voluntário, com documento (fls. 82/98), no qual reitera suas razões iniciais e contesta a rejeição, pela autoridade monocrática, do Laudo de Avaliação de fls. 42/49. Aduz a Recorrente que "supostas omissões e vícios na formalização do laudo não podem ser elemento suficiente para infirmar o trabalho do profissional devidamente qualificado. As circunstâncias, peculiaridades e dificuldades definem o grau de detalhamento do laudo. Do profissional técnico não deve ser subtraída a prerrogativa de determinar o que é essencial e relevante para mensurar valores." O Recurso Voluntário foi instruido com o Instrumento Particular de Procuração de fls. 97 e a Ratificação de Laudo Técnico de Avaliação de Imóvel Rural de fls. 87/96, bem como prova do deposito de valor correspondente a "trinta por cento da exigência fiscal definida na decisão", conforme determinação contida no Decreto n° 70.235/72, artigo 33, § 2°, com a redação dada pelo artigo 32 da Medida Provisória n° 1 .863-52, de 26.08.99. É o relatório. 4 •• id íti - ,ne• MINISTÉRIO DA FAZENDA Nri • SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13849.000156/96-86 Acórdão : 202-11.923 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR LUIZ ROBERTO DOMINGO A tempestividade e o atendimento dos requisitos processuais administrativos impõem o conhecimento do recurso para sua apreciação. A discussão postas nesses autos é similar a outras já apreciadas e julgadas em outros processos por esta Egrégia Câmara e cinge-se à apreciação adequada do Laudo Técnico de Avaliação do Valor da Terra Nua, nos moldes fixados pela Associação Brasileira de Normas Técnicas, bem como em relação à procedência da exigência das Contribuições Sindical Rural à CNA e à CONTAG e Contribuição ao SENAR, exercício de 1995. Portanto, como linha de fundamento de minha decisão, adoto partes do voto do eminente Conselheiro Tarásio Campeio Borges, prolatado quando do Acórdão n° 202-11.494, de 14/09/99, que, ao apreciar as mesmas questões formuladas no presente feito, trouxe relevantes argumentos, que, com a máxima vênia, utilizo-os como minhas anotações complementares: "É de se destacar persiste a legalidade da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal n° 42/96, que fixou o Valor da Terra Nua mínimo para o lançamento do ITR/95, nos termos da competência a ele delegada pelo § 2° do art. 3° da Lei n° 8.847/94. Não há falar-se em majoração da base de cálculo, quando esta permanece inalterada ou imutável o Valor da Terra Nua — VTN. Não há como confundir-se a base de cálculo do tributo, definida no artigo 30 do Código Tributário Nacional, com a mensuração do seu valor, cuja competência para fixação do valor tributável mínimo — Valor da Terra Nua mínimo, quando legalmente atribuída ao Secretário da Receita Federal. Da leitura dos §§ 1° e 2° do artigo 97 do C'TN, percebe-se que: o primeiro, equipara à majoração a modificação da base de cálculo, hipótese não configurada no caso presente, pois, conforme já mencionado, a base de cálculo era e continua sendo o Valor da Terra Nua — VTN; o segundo, dispõe sobre a atualização do valor monetário da base de cálculo sem que tal fato constitua majoração de tributo, neste caso, não há nos autos qualquer demonstração que a variação do VTNm impingida pelo ato da Secretaria da Receita Federal fõra superior à variação da atualização monetária da moeda em determinado período. Não há, no entanto, no ordenamento regra que subordine a atualização do valor 5 - - - - - - _ /59 MINISTÉRIO DA FAZENDA I SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES -;- Processo : 13849.000156/96-86 Acórdão : 202-11.923 monetário à correção monetária calculada pela variação de um determinado índice oficial_ Portanto, imprescindível a inconteste demonstração por parte do contribuinte, o que ensejaria, inclusive a oportunidade do contraditório por parte da Fazenda. Cabe ressaltar que por força do § 40 do art. 30 da Lei n° 8.847/94, a competência para fixar e rever, em caráter geral, o Valor da Terra Nua mínimo - VTNm por hectare é atribuída ao Secretario da Receita Federal, ouvido o Ministério da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária, em conjunto com as Secretarias de Agriculturas dos Estados respectivos, nos termos do disposto no § 2° desta mesma lei e segundo o método ali preconizado. Se assim fixado, competiria ao contribuinte apontar os vícios de procedimento de acometessem o ato administrativo da pecha de inválido, o que não se verifica nos autos." E de lavra própria, fiindamenta o eminente Conselheiro, ora acompanhado: "Melhor sorte não cabe à ora Recorrente no que respeita à tentativa de abrigar-se na farta jurisprudência do IPTU que transcreve. ITR e IPTU são tributos distintos, normalizados por legislações autónomas, com fatos geradores, bases de cálculo e sujeitos ativos diversos, inexistindo qualquer motivo para que a jurisprudência daquele tributo de competência municipal possa lhe socorrer quando a demanda tem como objeto a exigência do tributo incidente sobre a Propriedade Territorial Rural. Quanto à jurisprudência da Primeira Câmara deste Colegiado, igualmente invocada pela ora Recorrente, seria necessário conhecer, também, além da ementa, o inteiro teor dos relatórios e dos votos condutores dos oito acórdãos citados para possibilitar o cotejamento dos fatos a eles inerentes com os aqui discutidos. Demais disso, a decisão de uma Câmara não vincula os Muros julgados. Relativamente à pessoalidade e capacidade contributiva, a redação do § 1° do artigo 145 da Constituição Federal é iniciada com a ressalva "sempre que possível", e continua: 44 os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade económica do contribuinte, facultado á administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, 6 111:1 _ MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13849.000156/96-86 Acórdão : 202-11.923 identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte." No caso presente, um tributo peculiar, não é possível estabelecer vínculos com a capacidade econômica do contribuinte, pois um fator de suprema relevância se faz presente: a função social da terra. Esta é a prioridade do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR que tem aliquota subordinada ao tamanho do imóvel rural, ao grau de exploração da área efetivamente aproveitável e às desigualdades regionais. Também é objeto do recurso a contestação do Valor da Terra Nua utilizado para a determinação da base de cálculo do lançamento de fls. 14. Por tratar de igual matéria, adoto e transcrevo parte do voto condutor do Acórdão n° 202-08.838 (Recurso n° 99.594), da lavra do ilustre Conselheiro Antônio Carlos Bueno Ribeiro: "... a autoridade administrativa competente para rever, em caráter geral, o Valor da Terra Nua mínimo — VTNm por hectare de que fala o § 4° do art. 3° da Lei n° 8.847/94 é o Secretário da Receita Federal, já que é dele a competência para fixá-lo, ouvido o Ministério da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária, em conjunto com as Secretarias de Agriculturas dos Estados respectivos, nos termos do disposto no § 2° desta mesma lei e segundo o método ali preconizado. Em caráter individual, a inteligência do mencionado § 4° integrada com as disposições do processo administrativo fiscal (Decreto n° 70.235/72 ), faculta ao Contribuinte impugnar a base de cálculo utilizada no lançamento atacado, seja ela oriunda de dados por ele mesmo declarado na Declaração do Imposto Territorial Rural — DITR respectiva ou decorrente do produto da área tributável pelo VTNtn/ha do Município onde o imóvel rural está localizado. Nesse diapasão, em qualquer uma dessas hipóteses, incumbe ao Contribuinte o ônus de provar através de elementos hábeis a base de cálculo que alega como correta na forma estabelecida no § I° do art. 3° da Lei n° 8.847/94, ou seja, o Valor da Terra Nua — VTN, apurado no dia 31 de dezembro do exercício anterior, que é obtido através da exclusão do valor do imóvel (de mercado) dos seguintes bens nele incorporados: 7 ÷u.,,"..,••-•1 MINISTÉRIO DA FAZENDA ?irar fit41 SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13849.000156/96-86 Acórdão : 202-11.923 1- Construções, instalações e benfeitorias; II - Culturas permanentes e temporárias; III - Pastagens cultivadas e melhoradas; IV - florestas plantadas. E essa prova é o laudo técnico emitido por entidades de reconhecida capacitação técnica ou profissional devidamente habilitado, o qual para atender os parâmetros legais acima indicados haverá de ser especifico ao imóvel rural, avaliando o seu valor de mercado e dos bens nele incorporados, de sorte a apurar o VTN que se traduz na base de cálculo alegada. Ademais, a atividade de avaliação de imóveis está subordinada aos requisitos das Normas da ABNT — Associação Brasileira de Normas Técnicas (NBR n° 8799), dai a necessidade para o convencimento da propriedade do laudo que se demonstre os métodos avaliatórios e fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel e aos bens nele incorporados. Da mesma forma a apresentação de cópia da Anotação de Responsabilidade Técnica — ART, devidamente registrada no CRE.A, é o requisito legal que demonstra a habilitação do profissional responsável pelo laudo de avaliação." No presente feito, a irresignação da Recorrente em relação ao VTNm imprescindiria de prova técnica hábil, ou seja, Laudo Técnico elaborado com os requisitos da NBR n° 8799, como dispõe o § 40 do artigo 30 da Lei n° 8.847/94. O Laudo de fls. 18/28, bem como o de fls. 40/65, apesar de impressionar na forma e de mencionar que fora elaborado com base nos métodos direto, comparativo e de custo (item 1.7), com nível de precisão normal (item 1 .8), citando, como fontes de informações, "os preços das terras, informações fornecidos [sie] por corretores que fizeram transações na região em questão, vizinhos da propriedade, imobiliárias, associação da classe dos produtores, prefeitura dos municípios e publicações em revista e jornais" (item 6), no conteúdo, omitiu, dentre outros preceitos: a) quanto à apresentação dos valores pesquisados (NBR n° 8799, item 8.2.2); b) quanto ao tratamento dos elementos, de acordo com os critérios escolhidos e com o nível de precisão da avaliação (NBR n° 8799, item 8.2.4); e 8 • ) ) !4'.0 MINISTÉRIO DA FAZENDA ".;~ SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13849.000156/96-86 Acórdão : 202-11.923 c) quanto ao cálculo dos valores com base nos elementos pesquisados e nos ritérios estabelecidos (NBR ri° 8799, item 8.2.5). Ainda que suplantado o requisito formal processual administrativo, previsto no § 4° do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72, acrescido ao texto legal pela Lei n° 9.532/97, pelo principio da verdade material, a Ratificação de Laudo Técnico de Avaliação de Imóvel Rural de fls. 55/598 e seus anexos, pretendendo sanear aquele que instruiu a impugnação, não se vislumbra, da mesma maneira, o atendimento aos requisitos técnicos fixados pela NBR n° 8799, sendo que atendeu, tão-somente, ao requisito estabelecido no item 8.2.2 da NBR citada (apresentação dos valores pesquisados). No que tange à penalidade lançada, com o fim de computar base de cálculo do depósito administrativo recursal, cabe salientar que a impugnação tempestiva ao lançamento do crédito tributário suspende sua exigibilidade, ex-vi do art. 151, inciso III, do Código Tributário Nacional, o que, de plano, altera a data do vencimento da obrigação para a data fixada em decisão irrecorrivel na esfera administrativa. A constituição do crédito tributário, na forma do art. 142 do Código Tributário Nacional, faz-se com o lançamento: "Art. 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível." Com efeito, o lançamento tributário é ato administrativo no qual o agente público reduz a norma juridic tributária geral e abstrata em norma jurídica tributária individual e concreta, ou seja, aplica o direito sobre o fato imponível, quantificando o núcleo da relação jurídica tributária, que consistirá o dever jurídico a ser adimplido pelo sujeito passivo O ato de aplicar a norma é ato que cumpre os desígnios de coação pertinentes ao próprio sistema normativo, ou seja, requisito que viabiliza a eficácia da norma. Ocorre, no entanto, que o próprio sistema cria caminhos e recursos para minimizar a coação normativa, sendo uma dentre tantas, a possibilidade de impugnar administrativamente o ato de lançamento, procedimento este que propaga efeitos. É principio basilar do Processo Administrativo Fiscal que a interposição de 9 14/5 ktk MINISTÉRIO DA FAZENDA ).-ii1PM:r SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES -- Processo : 13849.000156/96-86 Acórdão : 202-11.923 reclamação ou recurso retira do ato sua coercitividade até ulterior decisão a respeito do pleiteado. Em outras palavras, a interposição do recurso suspende a exigibilidade do crédito, como retirando, momentaneamente, da Fazenda, a executoriedade de seu direito subjetivo. Ora, a relação jurídica tributária pode ser representada pelo quadro: Direito Subjetivo Sa Ot Sp dever Jurídico onde o Sujeito Ativo (Sa) tem o direito subjetivo a um quantum em dinheiro que é a Obrigação Tributário (Ot) e o Sujeito Passivo (Sp) tem o dever jurídico de adimpli-Ia. Se do vetor do "Direito Subjetivo" é retirado o elemento da exigibilidade, ainda que temporariamente, há a implicação lógica de o vetor do "Dever Jurídico" ficar aniquelado do modal deôntico obrigatório, enquanto perdurar a suspensão. Dai o entendimento de que, suspensa a obrigação, não há que se cogitar a mora. Vejamos. A Relação Jurídica Tributária é formada de conectivos lógicos deonticamente modalizados, pelos quais a regra da suspensão da exigibilidade do crédito implica na permissão ao Sp em não adimplir, temporariamente, a obrigação. Se não há a obrigação de pagamento, não pode falar-se em mora pelo não pagamento e, conseqüentemente, não é possível a exigência de urna penalidade pela mora que ainda não ocorreu. Somente após o transcurso desse prazo final é que se toma possível a aplicação de penalidade no caso de inadimplida a obrigação da relação jurídica individual e concreta contida na decisão administrativa transitada em julgado, uma vez que somente a partir da recomposição integral do Direito Subjetivo do Sujeito Ativo será recomposto o Dever Jurídico do Sujeito Passivo. Ante o exposto, e de udo que dos autos consta, conheço do presente recurso voluntário para DAR-LHE PRO I 2 • • • •X• CIAL para o fim de excluir a multa de mora. ala dai^ 14 . - março de 2000 AI LUIZ ROBER. O • •MINa 10

score : 1.0
4732587 #
Numero do processo: 10480.013880/2001-71
Data da sessão: Tue Jul 28 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Jul 28 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1999 e 2000 INICIADA A FISCALIZAÇÃO, NÃO EXISTE MAIS DENÚNCIA ESPONTÂNEA - A declaração DCTF após início da fiscalização não afasta a aplicação da multa de oficio. OS JUROS SELIC SÃO DEVIDOS - Os juros SELIC são exigidos pelo art. 39 da Lei 9250/95 e portanto são devidos — Súmula 4 do Primeiro Conselho de Contribuintes. A MULTA DE 75% É DEVIDA - A multa de oficio de 75% não é confisco e é exigida por lei, art. 44 da Lei 9430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 1803-000.115
Decisão: Acordam os membros do colegiado. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
materia_s : CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)

dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021

anomes_sessao_s : 200907

ementa_s : Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1999 e 2000 INICIADA A FISCALIZAÇÃO, NÃO EXISTE MAIS DENÚNCIA ESPONTÂNEA - A declaração DCTF após início da fiscalização não afasta a aplicação da multa de oficio. OS JUROS SELIC SÃO DEVIDOS - Os juros SELIC são exigidos pelo art. 39 da Lei 9250/95 e portanto são devidos — Súmula 4 do Primeiro Conselho de Contribuintes. A MULTA DE 75% É DEVIDA - A multa de oficio de 75% não é confisco e é exigida por lei, art. 44 da Lei 9430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.

dt_publicacao_tdt : Tue Jul 28 00:00:00 UTC 2009

numero_processo_s : 10480.013880/2001-71

anomes_publicacao_s : 200907

conteudo_id_s : 4438493

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2017

numero_decisao_s : 1803-000.115

nome_arquivo_s : 180300115_139524_10480013880200171_005.PDF

ano_publicacao_s : 2009

nome_relator_s : Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira

nome_arquivo_pdf_s : 10480013880200171_4438493.pdf

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Acordam os membros do colegiado. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.

dt_sessao_tdt : Tue Jul 28 00:00:00 UTC 2009

id : 4732587

ano_sessao_s : 2009

atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:52:30 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1714075309775519744

conteudo_txt : Metadados => date: 2010-01-18T08:58:24Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-01-18T08:58:24Z; Last-Modified: 2010-01-18T08:58:24Z; dcterms:modified: 2010-01-18T08:58:24Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-01-18T08:58:24Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-01-18T08:58:24Z; meta:save-date: 2010-01-18T08:58:24Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-01-18T08:58:24Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-01-18T08:58:24Z; created: 2010-01-18T08:58:24Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2010-01-18T08:58:24Z; pdf:charsPerPage: 1170; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-01-18T08:58:24Z | Conteúdo => • Sl-TE03 Fl. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10480.013880/2001-71 Recurso n° 139.524 Voluntário Acórdão n° 1803-i...00115 — 3" Turma Especial Sessão de 28 de julho de 2009 Matéria CSLL - Exs.: 2000 e 2001 Recorrente MERCADINHO BOA SORTE LTDA Recorrida 4a TURMA/DRJ - RECIFE/PE Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1999 e 2000 INICIADA A FISCALIZAÇÃO, NÃO EXISTE MAIS DENÚNCIA ESPONTÂNEA - A declaração DCTF após início da fiscalização não afasta a aplicação da multa de oficio. OS JUROS SELIC SÃO DEVIDOS - Os juros SELIC são exigidos pelo art. 39 da Lei 9250/95 e portanto são devidos — Súmula 4 do Primeiro Conselho de Contribuintes. A MULTA DE 75% É DEVIDA - A multa de oficio de 75% não é confisco e é exigida por lei, art. 44 da Lei 9430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado.) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. nn•• - RREIRA DE MORAES - Presidente • LÀ /IA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA - Relatora EDITADO EM: Q2 2009- 11 Processo n° 10480.013880/2001-71 81-TE03 .111Acórdão n.° 1803-000115 Fl. 2 Participaram, da presente sessão de julgamento, os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Celso Benicio Júnior, Luciano Inocêncio dos Santos e Márcia Miranda Gomes Clementino. Relatório Trata-se do Auto de Infração n°. 0410100/00784/01 (fls.04), de 29/08/2001, lavrado pela DRF Recife, em face da empresa Mercadinho Boa Sorte Ltda., que teve como origem a falta de recolhimento da Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido, relativa aos períodos de 30/09/1999, 31/12/1999, 30/09/2000 e 31/12/2000, no valor de R$ 1.434,62, acrescido de juros de mora no montante de R$ 201,84 e multa proporcional no valor de R$ 1.075,95, o que perfaz o total do crédito tributário apurado de R$ 2.712,41 (data base: agosto/2001). Mencionado auto de infração teve como fundamento legal os artigos 77, inciso III, do Decreto Lei n°. 5.844/43; 149 da Lei n°. 5.172/66; art. 2° e §§, da Lei n°. 7.689/88; Art. 1° da Lei n°. 9.316/96; art. 28 da Lei n°. 9.430/96; Art. 19 da Lei n°. 9.249/95, com as alterações do art. 6° da Medida Provisória n°. 1.807/99 e suas reedições. Referida autuação se deu em razão da Fiscalização efetuada pela DRF Recife (fls. 09/14), iniciada aos 18.07.2001, onde se constatou que a empresa deixou de recolher a Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido dos períodos supra mencionados, tendo ainda entregue as DCTF's dos 3° e 4° trimestres de 1999 e 2000, fora do prazo (21.08.2001 — fls. 54/55) e, inclusive, após ter se iniciado o procedimento fiscalizatório. O Recorrente, aos 27.09.2001, apresentou Impugnação parcial ao AIIM, não se insurgindo contra a cobrança da CSLL (fls. 57/65), refutando tão somente a aplicação da multa de oficio de 75%, aduzindo que o lançamento efetuado pelo Recorrente não poderia ter sido desconsiderado pelo Fisco, por se tratar a CSLL de um tributo lançado na modalidade de declaração (artigo 147 do CTN), e que, no caso em tela, não poderia ter sido aplicada a multa de oficio de 75%, prevista no artigo 44, inciso I da Lei n°. 9.430/96 e sim, multa de mora por inadimplência, no limite de 20%, prevista no artigo 61, § 2° da Lei n°. 9.430/96, por fim, requereu que fossem desconsiderados os lançamentos de oficio efetuados pela Autoridade Fiscal, relativos aos tributos não recolhidos, afastando ainda a multa de oficio aplicada, pois, se tais tributos foram lançados por declaração do Recorrente, não caberia, por conseqüência, o lançamento de oficio, mas sim o direcionamento do débito para execução fiscal. Com efeito, aos 21.11.2003, foi proferido acórdão n° 6.662 (fls. 68/74), pela 4' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Recife-PE, que, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento fiscal efetuado, mantendo-se, em seus exatos termos, o Auto de Infração ora lavrado. Nas razões do acórdão ora prolatado, foram rechaçadas todas as alegações do Recorrente, onde foram esclarecidos os seguintes pontos: 4/1 (44 Processo n° 10480.013880/2001-71 S1-TE03 Acórdão n.° 1803-000115 Fl. 3 - que a CSLL é tributo lançado por homologação, e que nesta modalidade de lançamento, o sujeito passivo tem o dever de antecipar o pagamento da contribuição sem o prévio exame da autoridade fazendária; - a diferença entre as declarações do Recorrente (DIPJ e DCTF), no sentido de que a primeira possui caráter meramente informativo, já a segunda efetivamente significa uma confissão de divida, podendo inclusive ser enviada diretamente para inscrição em divida ativa, nos termos da IN n° 45/98; - que a DCTF apresentada antes do inicio da ação fiscal, constitui em confissão de divida espontânea, podendo o Recorrente usufruir da benesse concedida pelo artigo 138 do Código Tributário Nacional, que afasta a responsabilidade por infração, desde que a declaração venha acompanhada do pagamento do tributo; Diante dos esclarecimentos acima expostos, a 4' Turma da DRJ de Recife, concluiu pela legalidade da lavratura do auto de infração em tela, unia vez que as DCTF's trazidas pelo Recorrente foram apresentadas aos 21/08/2001, ou seja, posteriormente ao inicio da ação fiscal, que se deu aos 18/07/2001, o que não poderia constituir em confissão de divida, entendendo assim devida a penalidade pecuniária no importe de 75% (setenta e cindo por cento) da exação, nos termos do artigo 44, inciso I, da Lei n°. 9.430/96. O Recorrente foi notificado acerca do referido acórdão, via AR (fls. 77), aos 15.01.2004. Inconformado, o Recorrente apresentou, aos 16.02.2004, o presente Recurso Voluntário (fls.78/89), onde manteve a alegação de que a CSLL é um tributo lançado por declaração, alegando ainda a inexistência de infração que desse azo à aplicação de multa de 75% (setenta e cinco por cento). Ademais, alegou que referida multa possui caráter confiscatório, configurando-se violação ao artigo 150, IV, da Constituição Federal, por conseguinte, alegou que "qualquer multa aplicada, no Direito Tributário, que exceda 20% (vinte por cento) do valor do tributo, tem natureza confiscatória e impõe dano ao Recorrente" (fis.81). Por fim, refutou indevida a utilização da SELIC como critério de atualização monetária, por se tratar de taxa utilizada no mercado financeiro para remuneração do capital, não podendo ser utilizada para correção monetária de débitos fiscais. Mencionado recurso foi interposto sem a realização de depósito prévio de 30% (trinta por cento) exigidos pelo artigo 2° do Decreto 4.523/2002 e da Lei n° 10.522/2002, tendo em vista a concessão de medida liminar nos autos do Mandado de Segurança n° 2004.83.00.004484-7, impetrado pelo Recorrente e em trâmite na 10' Vara da Justiça Federal da Seção Judiciária de Pemambuco.(fls.99) Voto Conselheira Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Relatora. , Processo n° 10480.013880/2001-71 81-TE03 #11Acórdão n.° 1803-000115 Fl. 4 O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, sendo que dele tomo conhecimento. Inicialmente, conforme discorrido no relatório, o Recorrente impugnou parcialmente o auto de infração, de modo que não se insurgiu contra o lançamento do valor principal da CSLL dos anos-calendários de 1999 e 2000. Concordo que não se trata de denúncia espontânea, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional. A denúncia espontânea, para afastar qualquer multa (oficio ou mora), nos termos do caput do artigo, exige o pagamento espontâneo do tributo. Neste caso, o interessado não pagou o tributo, apenas • efetuou a declaração DCTF já após transcorridos mais de 30 dias do início do procedimento fiscal. Art. 138 — A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único: Não se considera espontânea denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Nos termos do parágrafo 1 ° do mesmo artigo 138 e do artigo 7 ° do Decreto 70.235/72, o pagamento e a declaração efetuados após início da fiscalização não elidem a aplicação da multa de oficio, pois não há, aí, espontaneidade: o contribuinte efetua o pagamento já sob o poder fiscalizatório da autoridade. O Parecer CST N-Q 2.716/84 esclarece ainda que "o ato que determinar o início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do contribuinte somente em relação ao tributo, ao período e à matéria nele expressamente inseridos." Este é o caso dos autos: foi aberta fiscalização de CSLL deste período e, verificada a insuficiência do pagamento, foi apurada a multa de ofício. Não é caso de denúncia espontânea portanto. Também não é aplicável o artigo 47 da Lei 9.430/96, pois não houve o pagamento da CSLL devida, apenas a declaração em DCTF, 30 dias depois de iniciada a fiscalização. Nesse ponto, então, não assiste razão ao contribuinte e deve ser mantida a exigência da multa. Em seu recurso voluntário, o Recorrente sustenta o caráter confiscatório da multa de oficio aplicada no importe de 75%, assim como a ilegalidade da utilização da SELIC como critério de atualização das dívidas tributárias. Primeiramente, com relação à multa de oficio, verifica-se que a mesma encontra respaldo legal, sendo assim devida a penalidade pecuniária no importe de 75% (setenta e cindo por cento) da exação, nos termos do artigo 44, inciso I, da Lei n°. 9.430/96. A multa visa condicionar o comportamento do pagamento espontâneo: caso não feito, haverá multa. Para essa finalidade, entendo que o percentual em questão guarda proporcionalidade e por isso não tem caráter confiscatório. N1‘, • Processo o' 10480.013880/2001-71 S1-TE03 Acórdão n.° 1803-000115 Fl. 5 Desta forma, constatada a ausência de recolhimento da CSLL dos anos- calendários de 1999 e 2000, o Recorrente . faz jus à imputação de tal penalidade. Já com relação à aplicação da Taxa Selic como critério de atualização monetária, verifica-se que esta possui previsão legal (Lei n°. 9.250/95), sendo perfeitamente cabível a sua utilização. Inclusive, sobre esta questão, o Primeiro Conselho de Contribuintes editou a súmula n° 4, verbis: "A partir de 1" de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos .federais" (Súmula n. 4 do Primeiro Conselho de Contribuintes). Nesses termos, NEGO provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões - DF, em 28 de julho de 2009. LAV I • MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA •

score : 1.0
4732870 #
Numero do processo: 10746.000807/2006-86
Data da sessão: Mon May 25 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon May 25 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 LIVRO REGISTRO DE SERVIÇOS. PROVA DIRETA. O Livro Registro de Serviços é documento que atesta a veracidade do fato de que a contribuinte auferiu receitas, configurando prova direta deste fato, e não mero indício ou presunção. ARBITRAMENTO DO LUCRO.CABIMENTO. Na falta da apresentação de livros e documentos, cabível a figura do arbitramento. MULTA QUALIFICADA. É cabível a multa qualificada quando restar comprovado que o contribuinte impediu ou retardou o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador e de suas circunstâncias materiais, necessárias à sua mensuração.
Numero da decisão: 1804-000.042
Decisão: Acordam os membros o Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos teme do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Leonardo Lobo de Almeida

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021

anomes_sessao_s : 200905

ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 LIVRO REGISTRO DE SERVIÇOS. PROVA DIRETA. O Livro Registro de Serviços é documento que atesta a veracidade do fato de que a contribuinte auferiu receitas, configurando prova direta deste fato, e não mero indício ou presunção. ARBITRAMENTO DO LUCRO.CABIMENTO. Na falta da apresentação de livros e documentos, cabível a figura do arbitramento. MULTA QUALIFICADA. É cabível a multa qualificada quando restar comprovado que o contribuinte impediu ou retardou o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador e de suas circunstâncias materiais, necessárias à sua mensuração.

dt_publicacao_tdt : Mon May 25 00:00:00 UTC 2009

numero_processo_s : 10746.000807/2006-86

anomes_publicacao_s : 200905

conteudo_id_s : 4628761

dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 03 00:00:00 UTC 2017

numero_decisao_s : 1804-000.042

nome_arquivo_s : 180400042_156288_10746000807200686_008.PDF

ano_publicacao_s : 2009

nome_relator_s : Leonardo Lobo de Almeida

nome_arquivo_pdf_s : 10746000807200686_4628761.pdf

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Acordam os membros o Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos teme do relatório e voto que integram o presente julgado.

dt_sessao_tdt : Mon May 25 00:00:00 UTC 2009

id : 4732870

ano_sessao_s : 2009

atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:52:36 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1714075309834240000

conteudo_txt : Metadados => date: 2011-01-07T11:11:18Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-01-07T11:11:17Z; Last-Modified: 2011-01-07T11:11:18Z; dcterms:modified: 2011-01-07T11:11:18Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:4cf0482c-edaf-4334-97aa-d1ce429996a9; Last-Save-Date: 2011-01-07T11:11:18Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-01-07T11:11:18Z; meta:save-date: 2011-01-07T11:11:18Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-01-07T11:11:18Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-01-07T11:11:17Z; created: 2011-01-07T11:11:17Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2011-01-07T11:11:17Z; pdf:charsPerPage: 1299; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-01-07T11:11:17Z | Conteúdo => EDITADO EM: 08/11/2010 cius Neder de Lima - Presidente ,----errerfá de Moraes - Relatara Ad H-6 c S1-TE04 Fl. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo IV 10746.000807/2006-86 Recurso n° 156.288 Voluntário Acórdão n° 1804-00.042 — 4" Turma Especial Sessão de 25 de maio de 2009 Matéria IRPJ Recorrente AJS TOPOGRAFIA AGRIMENSURA & CONSULTORIA Recorrida 2a TURMA/DRJ-BRASÍLIA/DF ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 LIVRO REGISTRO DE SERVIÇOS. PROVA DIRETA. O Livro Registro de Serviços é documento que atesta a veracidade do fato de que a contribuinte auferiu receitas, configurando prova direta deste fato, e não mero indício ou presunção. ARBITRAMENTO DO LUCRO.CABIMENTO. Na falta da apresentação de livros e documentos, cabível a figura do arbitramento. MULTA QUALIFICADA. É cabível a multa qualificada quando restar comprovado que o contribuinte impediu ou retardou o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador e de suas circunstâncias materiais, necessárias à sua mensuração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membro o Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos temo d tório e voto que integram o presente julgado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Vinícius Neder de Lima, Selene Ferreira de Moraes, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira e Leonardo Lobo de Almeida. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: "Contra o sujeito passivo qualificado nos autos foram lavrados o auto de infração de IRPJ fl. 146/148, no valor total de R$ 244.026,44. Foi realizado o arbitramento do lucro, pois o contribuinte notificado a apresentar os livros e documentos da sua escrituração deixou de apresenta-los. Intimado (e reintimado) a apresentar os seus livros e documentos fiscais e contábeis, apresentar os recibos das Declarações de créditos e Débitos Tributários Federais (DCTF) do ano calendário de 2000 e a prestar esclarecimentos acerca do motivo da retificação de todas as DCTF dos anos-calendário 2001 a 2003. Posteriormente, a contribuinte atendeu parcialmente a reintimação e solicitou dilação de prazo que foi atendido. Passado o prazo não foi apresentado a documentação. Reintimado a apresentar os documentos solicitados e, agora, os blocos de notas e comprovantes de retenção na fonte fornecidos pele Instituto Nacional de Colonização e reforma agrária (INCRA). Posteriormente em 17/10/2005, foi solicitado mais 60 dias pela contribuinte para a apresentação dos documentos. Concedido o prazo até 06/11/2005 para os documentos de 2000 e até 26/11/2005 para os documentos de 2001 até 2003, conforme termo de constatação fiscal de 20/10/2005. Tal termo foi devolvido com o diagnóstico de mudou-se. A contribuinte mudou de endereço, e não efetuou a alteração no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica, nem comunicou a mudança à fiscalização. A contribuinte atua na prestação de serviços de agrimensura coleta de dados-satélite de geotécnica e geologia, cartografia, topografia e geodésia etc, em Araguaína-GO. Optou pelo lucro presumido em 2001 a 2003, sua receitas de prestação de serviços sujeitam-se ao percentual de 32%. Porém, na ficha 14A da DIPJ do ano —calendário 2001 informou que se submetera ao percentual de 16%, e no ano —calendário 2002, 8%. A ficha 14A no ano —calendário 2003 foi apresentada em branco. Também foi verificado que nos anos-calendários de 2001 a 2003, não consta nenhum pagamento relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ). Processo n° 10746.000807/2006-86 81-TE04 Acórdão n.° 1804-00.042 FL 2 A contribuinte foi intimada a prestar esclarecimentos justificando o motivo da retificação de todas as DCTF entregues nos anos-calendários de 2001 a 2003 zerando todos os débitos. Em resposta, informou que precisou fazer as retificações para conseguir certidões negativas, pois, não constava as informações das DCTF entregues. A fiscalização entendeu as retificações das DCTF como declarações falsas. O INCRA foi oficiado a apresentar cópia das notas fiscais e comprovantes de pagamentos das mesmas relativas aos serviços prestados àquele órgão pela AJS Topografia, Agrimensura & Consultoria LTDA. De posse das notas fiscais foi constatada divergências de acordo com o termo de verificação fiscal. Pela falta de apresentação dos documentos foi arbitrado o lucro de acordo com o art. 530 do RIR/99. O arbitramento foi com base na receita bruta conhecida extraída do livro de registro de Serviços acrescida dos valores não escriturados. Constatada a existência de retenção na fonte efetuada pelo INCRA todos os valores foram consolidados conforme anexo do termo de verificação fiscal. Considerados como antecipação do devido foram utilizados na apuração do IR pagar (Anexo II do termo de verificação fiscal). A fiscalização entendeu a conduta da contribuinte zerando as DCTF, informando erroneamente os percentuais do Lucro Presumido, deixando de escriturar e tributar integralmente suas receitas no ano-celendário de 2002, como (em tese), crime contra a ordem tributária. A multa também foi agravada, pois, não atendera os prazos das intimações na apresentação dos livros e documentos contábeis e fiscais. Foi formalizado (em apenso) o processo de representação fiscal para fins penais A contribuinte impugna com os seguintes argumentos: Alega que as DCTF zeradas não constituem crime e, além disso, não sabia das tais DCTF; Alega que a contadora apresentou as DCTF zeradas para conseguir as certidões negativas; Alega que no termo de verificaçã o fiscal a empresa teria iniciado em 2003, mas a empresa iniciou em 1993;" A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente, em decisão assim ementada: "ARBITRAMENTO DE LUCRO O imposto devido no decorrer do Ano-calendário será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou apresentar escrituração em desacordo com a legislação." Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que tece as seguintes considerações: a) A mudança no regime de tributação para determinar o valor do imposto é ilegal, o ordenamento jurídico vigente dispõe que a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão. b) Os vícios existentes na escrita fiscal não impediam a quantificação da receita bruta, muito menos impediam a identificação da efetiva movimentação bancária ou financeira, uma vez que o INCRA e os demais órgãos forneceram todos os dados para auferir a receita bruta da recorrente. c) Não houve, por parte do contribuinte, nenhum impedimento ou retardamento, total ou parcial, no conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, até porque, a autoridade fazendária iniciou a fiscalização com posse das DIRF's. d) Mesmo não declarando todas as receitas, por erro contábil, o imposto foi retido na fonte. De tal modo, não merece prosperar a afirmativa de crime contra a ordem tributária, posto que, o impugnante não emitiu ou omitiu informações, muito menos, fraudou documentos, declarações falsas visando obter não pagamento de tributo. e) Não merece prosseguir a penalidade da multa de oficio de 225%, já que o dispositivo que prevê sua aplicação está vinculada à vontade do agente. f) As receitas declaradas serão novamente lançadas como o novo regime de tributação, aplicando-se ainda uma multa de 75% pelo não recolhimento sob essa fourra de tributação. A multa tem característica de confisco. É o relatório. Voto Conselheira Selene Peneira de Moraes - Relatora Ad Hoc O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Afillna a recorrente que a mudança no regime de tributação para determinar o valor do imposto é ilegal, sendo que o ordenamento jurídico vigente dispõe que a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com Processo n° 10746.000807/2006-86 S1-TE04 Acórdão IV' 1804-00.042 Fl. 3 regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão. A fiscalização, com base nos elementos de prova coligidos aos autos, demonstrou que, contrariamente às informações constantes na DIPJ e nas DCTF's, a contribuinte auferiu receitas decorrentes de sua atividade. O Livro Registro de Serviços é documento que atesta a veracidade do fato de que a contribuinte prestou serviços e auferiu receitas. Tais elementos são prova direta destes fatos, ou seja, guardam íntima relação com o fato prob ando. O artigo 47 da Lei n° 8.981/1995 regula as hipóteses em que a base de cálculo do tributo poderá ser arbitrada. Note-se que todas elas contemplam situações em que há descumprimento de deveres instrumentais pelo contribuinte, tais como a existência de vícios que tornem a escrituração imprestável para a determinação do lucro real, ou a falta de apresentação de livros e documentos à autoridade administrativa, in verbis: "Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: I - o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real ou submetido ao regime de tributação de que trata o Decreto-lei n° 2.397, de 1987, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II - a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou h) determinar o lucro real. III - o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, na hipótese de que trata o art. 45, parágrafo único; IV - o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V - o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de cumprir o disposto no 1° do art. 76 da Lei n° 3.470, de 28 de novembro de 1958; VI - REVOGADO - Este inciso foi revogado pelo artigo 18 da Lei n°9.718 de 27.11.1998. VII - o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. VIII - o contribuinte não escriturar ou deixar de apresentar à autoridade tributária os livros ou registros auxiliares de que trata o 2° do art. 177 da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e 20 do art. 8° do Decreto-Lei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977." Desde o início do procedimento fiscal a contribuinte foi intimada a entregar os documentos necessários para averiguar o montante dos tributos devidos. Ao verificar a existência de receitas não declaradas, a fiscalização intimou a contribuinte a apresentar sua escrituração contábil e fiscal, sendo que, expirados todos os prazos de prorrogação pleiteados, foi lavrado um termo, que foi devolvido com a informação de que a contribuinte havia se mudado, conforme trecho da decisão recorrida a seguir reproduzido: "Intimado (e reintimado) a apresentar os seus livros e documentos fiscais e contábeis, apresentar os recibos das Declarações de créditos e Débitos Tributários Federais (DCTF) do ano calendário de 2000 e a prestar esclarecimentos acerca do motivo da retUicação de todas as DCTF dos anos-calendário 2001 a 2003. Posteriormente, a contribuinte atendeu parcialmente a reintimaçã o e solicitou dilação de prazo que foi atendido. Passado o prazo não foi apresentado a documentação. Reintimado a apresentar os documentos solicitados e, agora, os blocos de notas e comprovantes de retenção na fonte fornecidos pele Instituto Nacional de Colonização e reforma agrária (INCRA). Posteriormente em 17/10/2005, foi solicitado mais 60 dias pela contribuinte para a apresentação dos documentos. Concedido o prazo até 06/11/2005 para os documentos de 2000 e até 26/11/2005 para os documentos de 2001 até 2003, conforme termo de constatação fiscal de 20/10/2005. Tal termo fbi devolvido com o diagnóstico de mudou-se. A contribuinte mudou de endereço, e não efetuou a alteração no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica, nem comunicou a mudança à fiscalização." Conforme de Termo de Constatação Fiscal datado de 09/09/2005, a contribuinte apresentou Livros Diário e Razão dos anos de 2003 e 2004 e Livro Registro de Serviços Prestados. Ou seja, não apresentou escrituração relativa aos anos calendário objeto da autuação. In casu, materializou-se a hipótese de arbitramento prevista no inciso III , do art. 47 da Lei n° 8.981/1995. A fiscalização aplicou corretamente a legilasção pertinente à matéria, cabendo à recorrente a demonstração de qualquer equivoco no procedimento fiscal dos autos. Por sua vez, a recorrente apenas efetuou alegações genéricas contra o procedimento fiscal, não trazendo aos autos nenhum elemento capaz de demonstrar que o lucro foi arbitrado indevidamente. Inúmeras decisões, não só administrativas, mas também judiciais admitem a possibilidade de arbitramento do lucro, quando são concretizadas as hipóteses previstas na legislação, conforme ementas a seguir reproduzidas: "ARBITRAMENTO DO LUCRO - FALTA DE APRESENTAÇÃO DE ESCRITURAÇÃO - O arbitramento dos lucros é medida extrema sim, por isso foi tomado no presente caso, pois apesar Processo n° 10746,000807/2006-86 81-TE04 Acórdão n.° 1804-00.042 Fl. 4 das inúmeras intimações à fiscalizada esta somente apresentou parte da documentação solicitada. E em relação à parte apresentada a fiscalização mostra que não reúne as condições necessárias para sustentar apuração pelo lucro real, mormente pela falta de contabilização de expressiva movimentação bancária o que, por si só, já a torna imprestável, nos termos da legislação de regência. (Acórdão n° 107-09513, sessão em 15/10/2008) IRPJ - ARBITRAMENTO DO LUCRO - Não dispondo o sujeito passivo de escrituração na forma das leis comerciais, sequer o livro Caixa, cabível o arbitramento do lucro, a partir dos dados escriturados no Livro de Apuração do ICMS, que permitem chegar ao conhecimento da receita bruta. (Acórdão n° 108- 09693, sessão em 14/08/2008). TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. IRPJ. AUSÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO FISCAL. LUCRO ARBITRADO. DECRETO-LEI N° 1.648/78 E RIR/1980. TRIBUTAÇÃO REFLEXA DO SÓCIO. POSSIBILIDADE. I. A Certidão de Dívida Ativa goza de presunção de certeza e liquidez, refutável pelo sujeito passivo da obrigação tributária, através de prova inequívoca. A alegação genérica do apelante de existência de documentos contábeis da empresa aptos a afastar o arbitramento do lucro, não é suficiente para descaracterizar a autuação. 2. Ausência de escrituração regular, bem como de elementos contábeis suficientes para a apuração do lucro real, por si, já autoriza a aplicação dos arts. 399 e 400 do RIR/80, com a fixação do lucro por meio de arbitramento. 3. Presume-se distribuído aos sócios o lucro arbitrado da pessoa jurídica que omita escrituração contábil para fins de apuração do lucro real, nos moldes do artigo 8° do Decreto n°2.065/83 e do artigo 403 do Decreto n° 85.450/80, presunção que somente pode ser afastada pelo contribuinte. 4. Apelação improvida" (TRF 3° Região, AC 90.03.002471-5, Rel. Des. Fed. MARLI FERREIRA, DJU 28.01.2005, p. 472). TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. IRPF LANÇADO POR TRIBUTAÇÃO REFLEXA DA PESSOA JURÍDICA. LUCRO ARBITRADO. AUSÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO REGULAR. POSSIBILIDADE. ENCARGO DO DECRETO-LEI N° 1.025/69. CONDENAÇÃO EM HONORÁRIOS ADVOCATICIOS. FALTA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. 1.A autoridade administrativa pode realizar o arbitramento do lucro da pessoa jurídica que não mantém escrituração regular e, apesar de intimada, não apresenta a documentação exigida. Tributação reflexa para o sócio, nos termos dos arts. 403 e 34, I, do RIR/80, combinados com o art. 8° do Decreto-lei n°2.065/83. Precedentes desta Corte. (TRF 3 a Regiã o, AC nN° 95.03,046214- 2/SP, Rel. Des. Fed. CECILIA ~CONDES, DJU 23/09/2009). No tocante à multa de oficio, a fiscalização assim motivou a imposição da multa de 225% (fls. 161): "Pela falta de apresentação de livros e documentos conforme descrito no item Contexto do presente Termo, arbitramos o lucro do contribuinte nos termos do art. 530 do RIR199. O arbitramento foi com base na receita bruta conhecida, nos termos do art. 532 do RIR199, extraída do Livro de Registro de Serviços apresentado em 05/09/2000 (1h. 96 a 132), acrescida dos valores não escriturados acima expostos, consolidada na coluna "C" do Anexo II do presente Termo". "Entendemos que a conduta do contribuinte descrita no item Verificações Preliminares, ao retificar todas as DCTF declarando como "zero" todos os débitos tributários de sua responsabilidade nos anos-calendário de 2001 e 2002, ao informar incorretamente os percentuais de tributação no regime do lucro presumido a que se sujeitam suas receitas nos anos- calendário de 2001 e 2002, ao deixar de escriturar e tributar integralmente suas receitas no ano-calendário de 2002, caracteriza em tese, crime contra a ordem tributária, e insere-se na descrição prevista nos incisos I e II do art.1° e inciso Ido art. 2' da Lei n° 8.137/90 ..." De fato a conduta de zerar as DCTF's apenas "para conseguir certidões negativas", mudar de endereço sem comunicação do novo domicílio à Fazenda Nacional, durante a fiscalização, demonstra ter a autuada agido com consciência e vontade, no sentido de ocultar a movimentação dos recursos, procurando, com isso, impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador e de suas circunstâncias materiais, necessárias à sua mensuração, o que demonstra o dolo e caracteriza o evidente intuito de fraude, dando ensejo à aplicação da multa qualificada. Ante todo o exposto, nego provimento ao recurso. 8

score : 1.0
4732597 #
Numero do processo: 10508.000386/2005-15
Data da sessão: Thu Jul 30 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Jul 30 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2001 IMPOSTO DE RENDA - TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - REGIME DA LEI N° 9.430/96 - POSSIBILIDADE - A partir da vigência do art. 42 da Lei n° 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos, depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 50 do art. 6° da Lei n° 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS - IMPOSSIBILIDADE DE O DEPÓSITO DE UM MÊS SERVIR COMO COMPROVAÇÃO PARA O DEPÓSITO DO MÊS SEGUINTE - Na tributação dos depósitos bancários de origem não comprovada não se individualiza os saldos em fins de período, mas os próprios depósitos, considerados rendimentos omitidos na hipótese especificada em lei. Permitir que os depósitos de um mês pudessem funcionar como origens para os depósitos do mês seguinte, somente seria possível se houvesse a comprovação de que o valor sacado foi, posteriormente, depositado. Acatar a possibilidade, em tese, dos depósitos antecedentes servirem como comprovação e origem dos depósitos subseqüentes, no extremo, permitiria que um depósito de um dia servisse para justificar o depósito do dia seguinte. DEPÓSITOS BANCÁRIOS - VALORES INDIVIDUAIS ABAIXO DE R$ 12.000,00 - SOMATÓRIO ANUAL QUE ULTRAPASSA R$ 80.000,00 - SUJEIÇÃO À PRESUNÇÃO DO ART. 42 DA LEI N° 9.430/96 -Os rendimentos omissos decorrentes de depósitos bancários de valor individual abaixo de R$ 12.000,00 ultrapassam R$ 80.000,00 e devem ser submetidos à presunção de omissão de rendimentos, na forma do art. 42 da Lei n° 9.430/96. DEPÓSITOS BANCÁRIOS ORIUNDOS DE CHEQUES DA PRÓPRIA EMISSÃO DO CONTRIBUINTE E DE SUA EMPRESA - NÃO COMPROVAÇÃO - MANUTENÇÃO DA PRESUNÇÃO DA OMISSÃO DE RENDIMENTO PREVISTA NO ART. 42 DA LEI N° 9.430/96 - O contribuinte não logrou comprovar que os cheques depositados eram de sua própria emissão ou de uma empresa a si vinculada. Correção da presunção de rendimentos estatuída no art. 42 da Lei n° 9.430/96. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - RENDIMENTOS CONFESSADOS NAS DECLARAÇÕES DE AJUSTE ANUAL - TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS - EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO - POSSIBILIDADE - Comprovado o liame entre os rendimentos declarados e os depósitos bancários, deve-se fazer a competente exclusão da base de cálculo do imposto lançado. Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2102-000.236
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da base de cálculo da infração o montante de R$ 154.905,34, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Giovanni Christian Nunes Campos

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
materia_s : IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada

dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021

anomes_sessao_s : 200907

ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2001 IMPOSTO DE RENDA - TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - REGIME DA LEI N° 9.430/96 - POSSIBILIDADE - A partir da vigência do art. 42 da Lei n° 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos, depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 50 do art. 6° da Lei n° 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS - IMPOSSIBILIDADE DE O DEPÓSITO DE UM MÊS SERVIR COMO COMPROVAÇÃO PARA O DEPÓSITO DO MÊS SEGUINTE - Na tributação dos depósitos bancários de origem não comprovada não se individualiza os saldos em fins de período, mas os próprios depósitos, considerados rendimentos omitidos na hipótese especificada em lei. Permitir que os depósitos de um mês pudessem funcionar como origens para os depósitos do mês seguinte, somente seria possível se houvesse a comprovação de que o valor sacado foi, posteriormente, depositado. Acatar a possibilidade, em tese, dos depósitos antecedentes servirem como comprovação e origem dos depósitos subseqüentes, no extremo, permitiria que um depósito de um dia servisse para justificar o depósito do dia seguinte. DEPÓSITOS BANCÁRIOS - VALORES INDIVIDUAIS ABAIXO DE R$ 12.000,00 - SOMATÓRIO ANUAL QUE ULTRAPASSA R$ 80.000,00 - SUJEIÇÃO À PRESUNÇÃO DO ART. 42 DA LEI N° 9.430/96 -Os rendimentos omissos decorrentes de depósitos bancários de valor individual abaixo de R$ 12.000,00 ultrapassam R$ 80.000,00 e devem ser submetidos à presunção de omissão de rendimentos, na forma do art. 42 da Lei n° 9.430/96. DEPÓSITOS BANCÁRIOS ORIUNDOS DE CHEQUES DA PRÓPRIA EMISSÃO DO CONTRIBUINTE E DE SUA EMPRESA - NÃO COMPROVAÇÃO - MANUTENÇÃO DA PRESUNÇÃO DA OMISSÃO DE RENDIMENTO PREVISTA NO ART. 42 DA LEI N° 9.430/96 - O contribuinte não logrou comprovar que os cheques depositados eram de sua própria emissão ou de uma empresa a si vinculada. Correção da presunção de rendimentos estatuída no art. 42 da Lei n° 9.430/96. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - RENDIMENTOS CONFESSADOS NAS DECLARAÇÕES DE AJUSTE ANUAL - TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS - EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO - POSSIBILIDADE - Comprovado o liame entre os rendimentos declarados e os depósitos bancários, deve-se fazer a competente exclusão da base de cálculo do imposto lançado. Recurso parcialmente provido.

dt_publicacao_tdt : Thu Jul 30 00:00:00 UTC 2009

numero_processo_s : 10508.000386/2005-15

anomes_publicacao_s : 200907

conteudo_id_s : 4774668

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2019

numero_decisao_s : 2102-000.236

nome_arquivo_s : 210200236_161628_10508000386200515_010.PDF

ano_publicacao_s : 2009

nome_relator_s : Giovanni Christian Nunes Campos

nome_arquivo_pdf_s : 10508000386200515_4774668.pdf

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da base de cálculo da infração o montante de R$ 154.905,34, nos termos do voto do Relator.

dt_sessao_tdt : Thu Jul 30 00:00:00 UTC 2009

id : 4732597

ano_sessao_s : 2009

atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:52:30 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1714075310015643648

conteudo_txt : Metadados => date: 2009-09-03T12:33:47Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-09-03T12:33:47Z; Last-Modified: 2009-09-03T12:33:47Z; dcterms:modified: 2009-09-03T12:33:47Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-09-03T12:33:47Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-09-03T12:33:47Z; meta:save-date: 2009-09-03T12:33:47Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-09-03T12:33:47Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-09-03T12:33:47Z; created: 2009-09-03T12:33:47Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2009-09-03T12:33:47Z; pdf:charsPerPage: 2294; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-09-03T12:33:47Z | Conteúdo => S2-CIT2 Fl. 241 Yr/ ih\lr,, :5 N ‘.. htits2t{.:t" MINISTÉRIO DA FAZENDA ‘41‘ .,‘ 0,:k..k;An". CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS/ SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO e Processo n° 10508.000386/2005-15 Recurso n° 161.628 Voluntário Acórdão n° 2102-00.236 — l' Câmara /2* Turma Ordinária Sessão de 30 de julho de 2009 Matéria IRPF Recorrente ALBERTO CHOCOUREL ALBAGLI Recorrida 3' TURMA/DIU-SALVADOR/BA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2001 IMPOSTO DE RENDA - TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - REGIME DA LEI N° 9.430/96 - POSSIBILIDADE - A partir da vigência do art. 42 da Lei n° 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos, depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 50 do art. 6° da Lei n° 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS - IMPOSSIBILIDADE DE O DEPÓSITO DE UM MÊS SERVIR COMO COMPROVAÇÃO PARA O DEPÓSITO DO MÊS SEGUINTE - Na tributação dos depósitos bancários de origem não comprovada não se individualiza os saldos em fins de período, mas os próprios depósitos, considerados rendimentos omitidos na hipótese especificada em lei. Permitir que os depósitos de um mês pudessem funcionar como origens para os depósitos do mês seguinte, somente seria possível se houvesse a comprovação de que o valor sacado foi, posteriormente, depositado. Acatar a possibilidade, em tese, dos depósitos antecedentes servirem como comprovação e origem dos depósitos subseqüentes, no extremo, permitiria que um depósito de um dia servisse para justificar o depósito do dia seguinte. DEPÓSITOS BANCÁRIOS - VALORES INDIVIDUAIS ABAIXO DE R$ 12.000,00 - SOMATÓRIO ANUAL QUE ULTRAPASSA R$ 80.000,00 - SUJEIÇÃO À PRESUNÇÃO DO ART. 42 DA LEI N° 9.430/96 -Os rendimentos omissos decorrentes de depósitos bancários de valor individual abaixo de R$ 12.000,00 ultrapassam R$ 80.000,00 e devem ser submetidos à presunção de omissão de rendimentos, na forma do art. 42 da Lei n° 9.430/96. Processo rr 10508.000386/2005-15 S2-CI T2 Acórdão n." 2102-00.236 Fl. 242 DEPÓSITOS BANCÁRIOS ORIUNDOS DE CHEQUES DA PRÓPRIA EMISSÃO DO CONTRIBUINTE E DE SUA EMPRESA - NÃO COMPROVAÇÃO - MANUTENÇÃO DA PRESUNÇÃO DA OMISSÃO DE RENDIMENTO PREVISTA NO ART. 42 DA LEI N° 9.430/96 - O contribuinte não logrou comprovar que os cheques depositados eram de sua própria emissão ou de uma empresa a si vinculada. Correção da presunção de rendimentos estatuída no art. 42 da Lei n° 9.430/96. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - RENDIMENTOS CONFESSADOS NAS DECLARAÇÕES DE AJUSTE ANUAL - TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS - EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO - POSSIBILIDADE - Comprovado o liame entre os rendimentos declarados e os depósitos bancários, deve-se fazer a competente exclusão da base de cálculo do imposto lançado. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM o • - • ros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção de Jul: . ento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, e • DAR provi ento PARCIAL ao recurso para excluir da base de cálculo da infração o Ó ntante de igii. 1 '4.905,34, nos te «os do voto do Relator. I i 1 GIOVANNI C .1' ,. I i 4 N = ES CAMPOS Presidente e R or j IFORMALI • DO EM: 21 ,,:i ,i 009 Particip• , aind. do presente julgamento os Conselheiros Núbia Matos Moura, V. - ssa Perei • odri:, es B • mene, Rubens Maurício Carvalho, Sidney Ferro Barros (Suplente co • .. • e Roberta de • . credo Ferreira Pagetti. Relatório Em face do contribuinte Alberto chocourel Albagli, CPF/MF n° 003.104.175- 20, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 27/07/2005, auto de infração (fls. 06 a 11), com ciência pessoal em 1°/08/2005 (fl. 06). Abaixo, discrimina-se o crédito tributário constituído pelo auto de infração antes informado, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 68.281,58 2 Processo n° 10508.00038612005-15 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.236 Fl. 243 MULTA DE OFICIO R$ 51.211,18 Ao contribuinte foi imputada uma omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no ano-calendário 2001, conduta essa apenada com multa de oficio de 75%. Como se apreende dos autos, atendendo intimação da fiscalização, o contribuinte apresentou os extratos de suas contas correntes mantidas nos bancos Bradesco, HSBC, Brasil, Itaú e Sicoob Credilhêus. Auditados os extratos bancários, a fiscalização intimou o contribuinte a comprovar a origem de determinados créditos bancários (fls. 19, 20 a 22), sob pena de esses serem considerados rendimentos omitidos, à luz do art. 42 da Lei n° 9.430/96. Para justificar a origem dos créditos bancários, o contribuinte trouxe declaração do Sicoob Credilhéus, onde se registrava que a movimentação da conta mantida nesta cooperativa muitas vezes tinha origem em cheques do banco do Brasil, de valores inferiores, que eram trocados no serviço nacional de compensação, no prazo de 48 horas (fl. 43), bem como asseverou que um montante de R$ 56.257,41, em outubro de 2001, tinha origem em valores recebidos do Senhor Mário Marcos Albagli Oliveira, para aquisição de um terreno e cobertura de despesas iniciais para construção de um prédio. A compra do terreno e as despesas de construção estão em nome do Senhor Mário Albagli Oliveira, não tendo sido apresentado nenhum documento comprovando a participação do contribuinte sob fiscalização nestas operações (fls. 35 a 42). Também não restou comprovado que os depósitos que montaram R$ 56.257,41, em outubro de 2001, no HSBC, tenham sido feitos pelo Senhor Mário Albagli. A fiscalização considerou as justificativas acima insuficientes, não havendo documentação comprobatória da origem de quaisquer dos créditos, o que implicou na incidência da presunção legal do art. 42 da Lei n° 9.430/96 em desfavor do contribuinte. Aqui, registre-se que os créditos bancários de origem não comprovada estavam depositados no Banco de Crédito Cooperativa S/A (Sicoob Credilhéus) e no banco HSBC, com primazia do banco cooperativo (fls. 20 a 22). Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, trazendo as seguintes linhas de defesa (vide relatório do julgamento a quo): • Os depósitos em sua conta no HSBC tiveram as seguintes origens: valores depositados por conta e ordem do seu sobrinho, no total de R$ 56.257,41; movimentação de caixa de rendimentos incluídos na declaração (R$ 28.482,96); receita mensal da venda de cacau (R$ 137.762,94), conforme declaração da atividade rural; receita do cônjuge (R$ 1824,00); empréstimo via CDC (R$ 9.224,70). Estes recursos somam R$ 181.294,60, mais que suficiente para justificar a movimentação financeira apontada no auto de infração. • Em sua conta no Credilhéus; os depósitos proviam de 131 cheques de sua própria emissão e de sua empresa, sacados contra suas contas em outras instituições financeiras, para cobrir outros cheques, de menor valor, Processo n° 10508.000386/2005-15 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.236 Fl. 244 que eram liberados antes de compensados. Anexa correspondência do Credilhéus confirmando a operação (fls. 166/167). • Não foram excluídos os depósitos inferiores a RS 12.000,00 que, somados, não ultrapassaram, em cada ano, R$ 80.000,00, como determina a legislação aplicável. • O lançamento foi efetuado com base em meros depósitos, sem outras evidências patrimoniais e de consumo a indicaram a ocorrência do fato gerador. • Como a tributação por depósitos bancários é mensal, caberia computar como origem dos depósitos em cada mês os recursos revelados pelos depósitos do mês anterior. A 3a Turma de Julgamento da DRJ-Salvador (BA), por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento, em decisão de fls. 225 a 227. A decisão foi consubstanciada no Acórdão n° 15-13.178, de 19 de julho de 2007, que foi assim ementado: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Presumem-se rendimentos tributáveis omitidos os depósitos bancários de origem não comprovada. Essencialmente, a decisão acima asseverou que o contribuinte deveria ter comprovado, individualizadamente, cada depósito bancário, com documentação hábil e idônea, não se admitindo argumentos que pretendessem considerar como origem, em bloco, a totalidade de recursos, mesmo que regularmente declarados, ou que os depósitos de um mês sirvam para comprovar a origem dos depósitos do mês seguinte. Ainda, a declaração da Credilhéus de que os depósitos provinham de cheques de emissão do próprio recorrente não restou comprovada nos autos, e os depósitos de origem não comprovada abaixo de R$ 12.000,00 sobejam, no ano-calendário, o total de R$ 80.000,00, razão suficiente para rejeitar as demais inconformidades do impugnante. O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 08/08/2007 (fl. 228v). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 29/08/2007 (fl. 232). No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que repisa as argumentações deduzidas na peça impugnatória, e que não seria razoável imputar a presunção em debate ao contribuinte pessoa física, já que este não é obrigado a manter escrituração, e que foge ao bom senso exigir que o contribuinte se lembre de eventos ocorridos há mais de 04 anos. Ademais, pede que o saldo de um mês seja utilizado para comprovar a origem dos créditos do mês seguinte. Por fim, assevera que, verbis: Tem sido radical a postura de agentes fiscais lotados nas Delegacias de Receita Federal, no sentido de não computar na movimentação bancária do contribuinte os valores gerados durante o ano calendário fiscalizado, como no caso presente" (fls. 234). Por outro lado, se forem considerados os rendimentos declarados pelo impugnante, ver fica-se que não foram excluídos Processo n°10508.000386/2005-15 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.236 Fl. 245 sequer os rendimentos tributáveis, isentos ou com tributação exclusiva/definitiva e que, com certeza, foram depositados/creditados nos mencionados Bancos. (fls. 235) Os valores recebidos e declarados pelo Recorrente, foram objeto de depósitos ou créditos bancários, quer de forma isolada, quer agrupados a outros valores, razão pelo qual deveriam ter sido excluídos da somatória de depósitos levantada pela fiscalização. (/7s. 236) Este recurso voluntário compôs o lote n° 06, sorteado para este relator na sessão pública da Sexta Cámara do Primeiro Conselho de Contribuintes de 04/02/2009. É o Relatório. Voto Conselheiro GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Relator Primeiramente, declara-se a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 08/08/2007 (fl. 228v), quarta-feira, e interpôs o recurso voluntário em 29/08/2007 (f1S. 232), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 07/09/2007, sexta-feira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passa-se a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Inicialmente, o contribuinte argumenta que não poderia sofrer o ônus da presunção legal do art. 42 da Lei n° 9.430/96, pois não seria obrigado a manter escrituração, bem como seria desarrazoado impingir-lhe a obrigatoriedade da comprovação da origem de créditos bancários ocorridos há mais de 04 anos. Acontece que a presunção legal em foco foi estatuída por Lei, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a origem dos créditos bancários, sob pena deles serem considerados rendimentos omitidos. Abaixo, um breve histórico da evolução da matéria aqui debatida. Anteriormente à Lei n° 8.021/90, assentou-se que os depósitos bancários, por si só, não representavam rendimentos a sofrer a incidência do imposto de renda. Inclusive, em épocas pretéritas a tal Lei, o egrégio Tribunal Federal de Recursos tinha sumulado um entendimento com tal interpretação (Súmula 182 do TER). A partir da Lei n° 8.021/90, para presumir que depósitos bancários de origem não comprovada eram rendimentos omitidos, o fisco passou a ser obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados. Essa era a dicção do art. 6° da Lei n°8.021/90, verbis: Art. 6° O lançamento de oficio, além dos casos já especcados em lei, far-se-á arbitrando-se os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. 5 Processo n° 10508.000386/2005-15 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.236 Fl. 246 § I° Considera-se sinal exterior de riqueza a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. § 2° Constitui renda disponível a receita auferida pelo contribuinte, diminuída dos abatimentos e deduções admitidos pela legislação do Imposto de Renda em vigor e do Imposto de Renda pago pelo contribuinte. § 3° Ocorrendo a hipótese prevista neste artigo, o contribuinte será notificado para o devido procedimento fiscal de arbitramento. § 4° No arbitraniento tomar-se-ão como base os preços de mercado vigentes à época da ocorrência dos fatos ou eventos, podendo, para tanto, ser adotados índices ou indicadores econômicos oficiais ou publicações técnicas especializadas. depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições 9.130, de 1996) § 6° Qualquer que seja a modalidade escolhida para o arbitramento, será sempre levada a efeito aquela que mais favorecer o contribuinte. Esse estado de coisas foi profundamente alterado pelo art. 42, caput, da Lei n° 9.430/96, verbis: Art.42.Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A partir dessa inovação legislativa, os valores mantidos em conta de depósito sem comprovação de sua origem passaram a ser rendimentos presumidos. Trata-se de presunção iuris tantum, passível de prova em contrário por parte do contribuinte. Entretanto, caso o contribuinte, regularmente intimado, não comprove a origem dos valores mantidos em conta de depósito ou investimento, é de se presumir que tais valores foram omitidos da tributação. Observe que o art. 6°, § 5°, da Lei n° 8.021/90 (tachado acima) tratava do arbitramento dos rendimentos com base em depósitos bancários e foi expressamente revogado pelo art. 88, XVIII, da Lei n°9.430/96. Dessa forma, para fatos geradores a partir de 1°/01/1997, no tocante à omissão de rendimentos com base em depósitos bancários com origem não comprovada, tem vigência única e plena o art. 42 da Lei n° 9.430/96. Com esse novo estatuto, como já assinalado, o depósito bancário com origem não comprovada é presumido rendimento omitido, com incidência da tabela progressiva do imposto de renda. Nesse novo cenário normativo, não há que se falar em sinais exteriores de riqueza ou prova do consumo da renda para tributar depósitos bancários com origem não comprovada pelo contribuinte. Esta é a hipótese dos Processo n° 10508.000386/2005-15 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.236 Fl. 247 autos. Por uma presunção legal relativa, o depósito com origem não comprovada é rendimento tributável pelo imposto de renda. Esse entendimento encontra-se pacificado no âmbito do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Como exemplo, por todos, veja-se o Acórdão n° CSRF/04-00.164, sessão de 13 de dezembro de 2005, relatora a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, que restou assim ementado: IRPF - DEPÓSITOS BANCÁMOS - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - Presume-se a omissão de rendimentos sempre que o titular de conta bancária, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósito ou de investimento (art. 42 da Lei n". 9.430, de 1996). Assim, na hipótese em debate, escorreito o lançamento que utilizou a presunção estatuída no art. 42 da Lei n° 9.430/96. Ainda, o contribuinte pugna para que os saldos de um mês sejam considerados origem do mês seguinte. Ocorre que não há previsão legal para a pretensão acima estampada. Na tributação em debate não se individualiza os saldos em fins de cada período, mas os próprios depósitos, considerados rendimentos omitidos na hipótese especificada em lei. Permitir que os depósitos de um mês pudessem funcionar como origem para os depósitos do mês seguinte, somente seria possível se houvesse a comprovação de que o valor sacado foi, posteriormente, depositado. Acatar a possibilidade, em tese, dos depósitos antecedentes servirem como comprovação e origem dos depósitos subseqüentes, no extremo, permitiria que um depósito de um dia servisse para justificar o depósito do dia seguinte, o que, por óbvio, não é o desiderato legal, pois se estaria considerando que a regra seria a sucessão de saques e depósitos dos mesmos valores, o que viola a realidade comum das transações bancárias. Ora, o normal é que um saque não dê origem a um depósito, mormente quando existia a CPMF, o que implicaria na incidência em duplicidade dessa contribuição, a cada saque. No ponto, sem razão o contribuinte. Por fim, considerando que o contribuinte pugnou pelo conhecimento neste recurso voluntário das razões deduzidas na impugnação, passa-se a apreciá-las. Resumidamente, os itens I e 2, abaixo, não foram repisados expressamente no voluntário, enquanto o item 3 foi novamente aventado, porém sem os detalhes dos valores trazidos na impugnação: I. Não foram excluídos os depósitos inferiores a RS 12.000,00 que, somados, não ultrapassaram, em cada ano, R$ 80.000,00, como determina a legislação aplicável. 2. Em sua conta no Credilhas, os depósitos proviam de cheques de sua própria emissão e de sua empresa, sacados contra suas contas em outras instituições financeiras, para cobrir outros cheques, de menor valor, que eram liberados antes de compensados. Anexa correspondência do Credilhéus confirmando a operação (fls. 166/167) (\—)7 Processo n° 10508.000386/2005-15 52-C1T2 Acórdão n.°2102-00.236 Fl. 248 3. Os depósitos em sua conta no HSBC tiveram as seguintes origens: valores depositados por conta e ordem do seu sobrinho, no total de R$ 56.257,41; movimentação de caixa de rendimentos incluídos na declaração (R$ 28.482,96); receita mensal da venda de cacau (R$ 137.762,94), conforme declaração da atividade rural; receita do cônjuge (R$ 5.824,00); empréstimo via CDC (R$ 9.224,70). Estes recursos somam R$ 181.294,60, mais que suficiente para justificar a movimentação financeira apontada no auto de infração. Em relação ao item 1, não assiste razão ao recorrente. Como se vê nas planilhas de fls. 20 a 22, o montante dos depósitos de origem não comprovada alcançou R$ 248.296,68. Já o somatório dos depósitos abaixo de R$ 12.000,00 atingiu R$ 186.766,41, acima de R$ 80.000,00, como previsto no art.43, § 3 0, II, da Lei n° 9.430/96. Assim, sem razão o recorrente. Quanto ao item 2, o contribuinte não logrou comprovar que os cheques depositados na Credilhéus eram de sua própria emissão. Primeiramente, a Credilhéus asseverou que o contribuinte fizera diversos depósitos com cheques originados do Banco do Brasil, agência Ilhéus (BA), sem registrar que os cheques eram de emissão do próprio contribuinte (vide declaração de fls. 43). Na impugnação, outra declaração foi produzida, parecendo indicar que os cheques depositados na Credilhéus tinham origem na conta do Banco do Brasil do contribuinte (fls. 165). Porém, compulsando os extratos da conta mantida no Banco do Brasil pelo contribuinte, de n° 50.683-4, agência n° 19-1, não se confirma os débitos dos cheques creditados na conta corrente da Credilhéus (como exemplo, vejam-se os cheques depositados no dia 07/05/2001, no montante de R$ 2.086,00, que não tem qualquer correspondência com os débitos na conta do Banco do Brasil — fls. 78, 166 e 168). Por último, analisando o relatório analítico da nossa remessa de cheques menores (relatório da compensação da Credilhéus), verifica-se que a conta sacada dos cheques (n° 50.005-4) não tem correspondência com a conta bancária do contribuinte no Banco do Brasil (n° 50.683-4) — vide fls. 168 a 221 c/c fls. 73 a 98. Veja-se, então, que não restou comprovada a tese de que os cheques depositados na Credilhéus provinham de outra conta do fiscalizado, no Banco do Brasil. Mais uma vez, sem razão o recorrente, devendo, neste ponto, permanecer hígida a omissão de rendimentos caracterizada pelos depósitos bancários de origem não comprovada. Por último, passa-se à defesa estampada no item 3, acima: Os depósitos em sua conta no IISBC tiveram as seguintes origens: valores depositados por conta e ordem do seu sobrinho, no total de R$ 56.257,41; movimentação de caixa de rendimentos incluídos na declaração (R$ 28.482,96); receita mensal da venda de cacau (R$ 137.762,94), conforme declaração da atividade rural; receita do cônjuge (R$ 5.824,00); empréstimo via CDC (R$ 9.224,70). Estes recursos somam R$ 181.294,60, mais que suficiente para justificar a movimentação financeira apontada no auto de infração. ÀO contribuinte não logrou comprovar em nenhum momento que os depósitos que somaram R$ 56.257,41, no banco HSBC, no mês de outubro de 2001, tinham origem em remessas de seu sobrinho. Toda a documentação que se juntou referente à operação se encontra 8 Processo n° 10508.000386/2005-15 S2-CIT2 Acórdão n.° 2102-00.236 Fl. 249 em nome do próprio sobrinho e não se demonstrou que esse foi o responsável pelos depósitos. Assim, é uma mera alegação, destituída de qualquer prova, não podendo justificar a origem dos depósitos perseguidos. Já no tocante à exclusão dos rendimentos declarados da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, assiste razão ao recorrente. Explica-se. A fiscalização federal comumente tem exigido que o contribuinte comprove a origem dos depósitos bancários, com documentação hábil e idônea, com coincidência de data e valor, como ocorreu no caso vertente. Assim, por exemplo, mesmo que os rendimentos confessados na declaração de ajuste anual tenham sido percebidos incontestavelmente, caso o contribuinte não logre vincular tais rendimentos aos depósitos bancários, mantém-se, in totum, a omissão de rendimentos representada pelos depósitos bancários, sequer excluindo os rendimentos declarados. Entretanto, tal procedimento não é uníssono no âmbito do fisco, pois, eventualmente, a própria autoridade autuante exclui o rendimento informado na declaração de ajuste anual do montante da omissão, ou tal procedimento é perpetrado pelas autoridades julgadoras de 1° grau do contencioso administrativo fiscal federal, como se tem observado seguidamente na experiência de apreciação de recursos voluntários no âmbito da então Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. Na última vertente acima, no âmbito do Primeiro Conselho de Contribuintes, tem-se mitigado o rigor da análise individualizada dos créditos, permitindo, por exemplo, que• os rendimentos informados nas declarações de ajuste anual da pessoa física, desde que não expressamente vinculados aos depósitos bancários de origem não comprovada, pois nesse caso seriam excluídos pela própria fiscalização, sejam excluídos em bloco. A questão é que não parece plausível defender que somente os rendimentos ofertados à tributação não tenham transitado pelas contas bancárias, o que implicaria dizer que somente os rendimentos omitidos transitam pelas contas bancárias. Ora, é razoável compreender que os rendimentos declarados e omitidos transitam, igualmente, pelas contas bancárias do fiscalizado, devendo, assim, os rendimentos declarados serem excluídos em bloco do montante da omissão, já que foram ofertados à tributação. Como exemplo desse entendimento, vejam-se os Acórdãos tf': 102- 48.761 (Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes), sessão de 17/10/2007, relatora a Conselheira Silvana Mancini Karam, unânime no ponto em discussão; 106-17.117 (Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes), sessão de 09/10/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, por maioria. Nessa mesma senda, plausível a exclusão das receitas da atividade rural da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, já que tais valores devem sofrer o mesmo tratamento dos demais rendimentos da pessoa fisica. No caso destes autos, verifica-se que o contribuinte ofertou um montante de receita da atividade rural de R$ 137.782,84 (fls. 32), acrescidos de uma aposentadoria/pensão recebida do INSS e um rendimento percebido da empresa Albagli & Cia Ltda (fls. 30) e de rendimentos provenientes do cônjuge de R$ 5.824,05 (fls. 31), em sua declaração de ajuste anual do ano-calendário 2001 - DIRPF. A aposentadoria/pensão recebida do INSS não pode ser excluída do montante dos depósitos bancários, já que tal rendimento transitou pela conta do banco HSBC e não constou como presunção de omissão de rendimentos (como exemplo, vide fls. 20 e 51). Entretanto, a receita da atividade rural (R$ 137.782,84) e o rendimento percebido da empresa 9 Processo n0 10508.00038612005-15 S2-C1T2 Acórdão o? 2102-00.236 Fl. 250 Albagli & Cia Ltda (R$ 18.000 — R$ 877,50 = 17.122,50) devem ter transitado pelas contas correntes do contribuinte, sendo forçoso efetuar a exclusão de tais valores da base de cálculo da infração, como acima defendido. Aqui, interessante ressaltar que a maior parte do rendimento omitido transitou no banco cooperativo, em linha com a informação do rendimento da atividade rural constante na DIRPF do contribuinte. Já o empréstimo via CDC (R$ 9.224,70), ocorrido no Banco do Brasil, não pode ser excluído, pois tal crédito não foi computado na presunção da omissão de rendimentos (não há qualquer crédito proveniente do Banco do Brasil na base de cálculo da infração). Por fim, no tocante ao rendimento proveniente do cônjuge do autuado (R$ 5.824,05), não se pode acatar a exclusão vindicada, pois tal rendimento somente pode ter transitado nas contas correntes da esposa do fiscalizado, que declara em separado, podendo servir lá, eventualmente, para justificar a movimentação financeira da esposa. Aqui, por óbvio, somente os rendimentos próprios do fiscalizado podem justificar sua movimentação financeira. Com as considerações acima, deve-se excluir da base de cálculo da infração o montante de R$ 154.905,34, remanescendo uma base de cálculo de R$ 93.391,34. Ante o exposto, voto n• : "do de DAR PARCIAL provimento ao recurso para excluir da base de cálculo da infr. ao o mo tante de R$ 154.905,34. Sala das Sessõ -: - DF, em 30 • e julho de 2009 GIOVA I CHRISTI • 1,(1) p i C, OS(I, / 111 I 10 Page 1 _0007800.PDF Page 1 _0007900.PDF Page 1 _0008000.PDF Page 1 _0008100.PDF Page 1 _0008200.PDF Page 1 _0008300.PDF Page 1 _0008400.PDF Page 1 _0008500.PDF Page 1 _0008600.PDF Page 1

score : 1.0
4733493 #
Numero do processo: 11060.000209/2003-36
Data da sessão: Thu Jul 30 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Jul 30 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1997, 1998, 1999, 2000 Ementa: APLICAÇÃO RETROATIVA DAS LEIS COMPLEMENTAR N° 105/2001 E ORDINÁRIA N° 10.174/2001 - LEGISLAÇÃO QUE AUMENTA OS PODERES DE INVESTIGAÇÃO DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA FISCAL - PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA VERSUS PRINCÍPIO DA SUPREMACIA DO INTERESSE PÚBLICO — PREVALÊNCIA DO PRINCÍPIO QUE AMPLIA O PODER PERSECUTÓRIO DO ESTADO - Hígida a ação fiscal que tomou como elemento indiciário de infração tributária a informação da CPMF, mesmo para período anterior a 2001, já que à luz do art. 144, § 1°, do CTN, pode-se utilizar a legislação superveniente à ocorrência do fato gerador, quando esta amplia os poderes de investigação da autoridade administrativa fiscal. Não se pode invocar o princípio da segurança jurídica como um meio para se proteger da descoberta do cometimento de infrações tributárias. Mesma inteligência para aplicação retroativa dos poderes trazidos ao fisco pela Lei Complementar n" 105/2001. IRPF - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - PRAZO DECADENCIAL CONTADO NA FORMA DO ART. 150, § 4°, DO CTN - OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO - PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO ART. 173, I, DO CTN - RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL - FATO GERADOR COMPLEXIVO ANUAL - A regra de incidência prevista na lei é que define a modalidade do lançamento. O lançamento do imposto de renda da pessoa física é por homologação, com fato gerador complexivo, que se aperfeiçoa em 31/12 do ano-calendário, no caso de rendimentos sujeitos ao ajuste anual. Para esse tipo de lançamento, o qüinqüênio do prazo decadencial tem seu início na data do fato gerador, na forma do art. 150, § 4°, do CTN, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, quando tem aplicação o art. 173, I, do CTN. DECADÊNCIA. MULTA ISOLADA - O prazo decadencial para lançamento da multa isolada pelo não recolhimento do imposto de renda a titulo de carnê-leão segue a regra do tributo a que se refere, aplicando-se destarte a regra do § 40, do art. 150, do CTN, IMPOSTO DE RENDA - TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS — REGIME DA LEI N° 9.430/96 - POSSIBILIDADE - A partir da vigência do art. 42 da Lei n° 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 50 do art. 6° da Lei n° 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA — NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA QUE COMPROVE A ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS — De forma clara e coerente, deve a documentação comprovar a origem dos depósitos bancários, para, então, ser afastada a presunção do art. 42 da Lei n° 9.430/96. Um conjunto probatório que não identifica a origem individual dos depósitos bancários, alicerçado em escritura gerais de prestação de contas, não é meio hábil para afastar a presunção legal em foco. JUROS DE MORA —ATUALIZAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS PELA TAXA SELIC — POSSIBILIDADE — No âmbito dos Conselhos de Contribuintes e agora do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, pacifica a utilização da taxa Selic, quer como juros de mora a incidir sobre crédito tributário em atraso, quer para atualizar os indébitos do contribuinte em face da Fazenda Federal. Entendimento em linha com o enunciado da Súmula 1° CC n° 4: "A partir de I" de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais". Ainda, com espeque no art. 72, capuz' e § 4°, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009 (DOU de 23 de junho de 2009), deve-se ressaltar que os enunciados sumulares dos Conselhos de Contribuintes e do CARF são de aplicação obrigatória nos julgamentos de 2° grau. MULTA DE OFÍCIO — ILEGALIDADE — PEDIDO QUE REPRESENTA A DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA — IMPOSSIBILIDADE DE DEFERIMENTO NA VIA ADMINISTRATIVA - Deve-se lembrar que a Administração Tributária se submete ao principio da legalidade, não podendo se furtar em aplicar a lei. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, por exemplo, invocando o principio do não-confisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a 1 inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de oficio). Ora, é cediço que somente os órgãos judiciais têm esse poder, ou, em casos excepcionais, as cúpulas dos poderes executivo e legislativo (e o Tribunal de Contas da União). No caso específico do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tem aplicação o art. 62 de seu Regimento Interno, que veda expressamente a declaração de inconstitucionalidade de leis, tratados, acordos internacionais ou decreto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO - RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI NOVA DE CARÁTER PENAL — REDUÇÃO DO PERCENTUAL DA MULTA DE OFÍCIO — APLICAÇÃO AOS CASOS NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADOS — A multa isolada pelo não pagamento do carnê-leão, aplicada no percentual de 75%, deve ser adaptada ao percentual previsto no art. 44, II, "a", da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pela Lei n° 11.488/2007, que expressamente reduziu a multa pelo não recolhimento mensal obrigatório para 50%, aplicando-se, aqui, o princípio da retroatividade benigna da lei de caráter penal. Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2102-000.241
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em REJEITAR a preliminar de irretroatividade das Leis n° 10.174/2001 e complementar n° 105/2001, vencida a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti que a acolhia. No mérito, por maioria de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso para reconhecer que a decadência fulminou o imposto referente à omissão de rendimentos caracterizada pelos depósitos bancários de origem não comprovada do ano-calendário 1997 e a multa de oficio do carnê-leão até o fato gerador de 28/02/1998, e que a multa isolada do carnê-leão remanescente deve ser reduzida para o percentual de 50%. Vencidos os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Relator) e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti que reconheciam a decadencia da multa isolada do carnê-leão apenas até 31/10/1997. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Núbia Matos Moura.
Nome do relator: Giovanni Christian Nunes Campos

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021

anomes_sessao_s : 200907

dt_publicacao_tdt : Thu Jul 30 00:00:00 UTC 2009

numero_processo_s : 11060.000209/2003-36

anomes_publicacao_s : 200907

conteudo_id_s : 4774892

dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 12 00:00:00 UTC 2019

numero_decisao_s : 2102-000.241

nome_arquivo_s : 210200241_153896_11060000209200336_024.PDF

ano_publicacao_s : 2009

nome_relator_s : Giovanni Christian Nunes Campos

nome_arquivo_pdf_s : 11060000209200336_4774892.pdf

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : ACORDAM os Membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em REJEITAR a preliminar de irretroatividade das Leis n° 10.174/2001 e complementar n° 105/2001, vencida a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti que a acolhia. No mérito, por maioria de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso para reconhecer que a decadência fulminou o imposto referente à omissão de rendimentos caracterizada pelos depósitos bancários de origem não comprovada do ano-calendário 1997 e a multa de oficio do carnê-leão até o fato gerador de 28/02/1998, e que a multa isolada do carnê-leão remanescente deve ser reduzida para o percentual de 50%. Vencidos os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Relator) e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti que reconheciam a decadencia da multa isolada do carnê-leão apenas até 31/10/1997. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Núbia Matos Moura.

dt_sessao_tdt : Thu Jul 30 00:00:00 UTC 2009

id : 4733493

ano_sessao_s : 2009

ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1997, 1998, 1999, 2000 Ementa: APLICAÇÃO RETROATIVA DAS LEIS COMPLEMENTAR N° 105/2001 E ORDINÁRIA N° 10.174/2001 - LEGISLAÇÃO QUE AUMENTA OS PODERES DE INVESTIGAÇÃO DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA FISCAL - PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA VERSUS PRINCÍPIO DA SUPREMACIA DO INTERESSE PÚBLICO — PREVALÊNCIA DO PRINCÍPIO QUE AMPLIA O PODER PERSECUTÓRIO DO ESTADO - Hígida a ação fiscal que tomou como elemento indiciário de infração tributária a informação da CPMF, mesmo para período anterior a 2001, já que à luz do art. 144, § 1°, do CTN, pode-se utilizar a legislação superveniente à ocorrência do fato gerador, quando esta amplia os poderes de investigação da autoridade administrativa fiscal. Não se pode invocar o princípio da segurança jurídica como um meio para se proteger da descoberta do cometimento de infrações tributárias. Mesma inteligência para aplicação retroativa dos poderes trazidos ao fisco pela Lei Complementar n" 105/2001. IRPF - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - PRAZO DECADENCIAL CONTADO NA FORMA DO ART. 150, § 4°, DO CTN - OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO - PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO ART. 173, I, DO CTN - RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL - FATO GERADOR COMPLEXIVO ANUAL - A regra de incidência prevista na lei é que define a modalidade do lançamento. O lançamento do imposto de renda da pessoa física é por homologação, com fato gerador complexivo, que se aperfeiçoa em 31/12 do ano-calendário, no caso de rendimentos sujeitos ao ajuste anual. Para esse tipo de lançamento, o qüinqüênio do prazo decadencial tem seu início na data do fato gerador, na forma do art. 150, § 4°, do CTN, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, quando tem aplicação o art. 173, I, do CTN. DECADÊNCIA. MULTA ISOLADA - O prazo decadencial para lançamento da multa isolada pelo não recolhimento do imposto de renda a titulo de carnê-leão segue a regra do tributo a que se refere, aplicando-se destarte a regra do § 40, do art. 150, do CTN, IMPOSTO DE RENDA - TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS — REGIME DA LEI N° 9.430/96 - POSSIBILIDADE - A partir da vigência do art. 42 da Lei n° 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 50 do art. 6° da Lei n° 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA — NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA QUE COMPROVE A ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS — De forma clara e coerente, deve a documentação comprovar a origem dos depósitos bancários, para, então, ser afastada a presunção do art. 42 da Lei n° 9.430/96. Um conjunto probatório que não identifica a origem individual dos depósitos bancários, alicerçado em escritura gerais de prestação de contas, não é meio hábil para afastar a presunção legal em foco. JUROS DE MORA —ATUALIZAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS PELA TAXA SELIC — POSSIBILIDADE — No âmbito dos Conselhos de Contribuintes e agora do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, pacifica a utilização da taxa Selic, quer como juros de mora a incidir sobre crédito tributário em atraso, quer para atualizar os indébitos do contribuinte em face da Fazenda Federal. Entendimento em linha com o enunciado da Súmula 1° CC n° 4: "A partir de I" de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais". Ainda, com espeque no art. 72, capuz' e § 4°, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009 (DOU de 23 de junho de 2009), deve-se ressaltar que os enunciados sumulares dos Conselhos de Contribuintes e do CARF são de aplicação obrigatória nos julgamentos de 2° grau. MULTA DE OFÍCIO — ILEGALIDADE — PEDIDO QUE REPRESENTA A DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA — IMPOSSIBILIDADE DE DEFERIMENTO NA VIA ADMINISTRATIVA - Deve-se lembrar que a Administração Tributária se submete ao principio da legalidade, não podendo se furtar em aplicar a lei. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, por exemplo, invocando o principio do não-confisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a 1 inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de oficio). Ora, é cediço que somente os órgãos judiciais têm esse poder, ou, em casos excepcionais, as cúpulas dos poderes executivo e legislativo (e o Tribunal de Contas da União). No caso específico do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tem aplicação o art. 62 de seu Regimento Interno, que veda expressamente a declaração de inconstitucionalidade de leis, tratados, acordos internacionais ou decreto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO - RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI NOVA DE CARÁTER PENAL — REDUÇÃO DO PERCENTUAL DA MULTA DE OFÍCIO — APLICAÇÃO AOS CASOS NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADOS — A multa isolada pelo não pagamento do carnê-leão, aplicada no percentual de 75%, deve ser adaptada ao percentual previsto no art. 44, II, "a", da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pela Lei n° 11.488/2007, que expressamente reduziu a multa pelo não recolhimento mensal obrigatório para 50%, aplicando-se, aqui, o princípio da retroatividade benigna da lei de caráter penal. Recurso parcialmente provido.

atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:52:49 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1714075310022983680

conteudo_txt : Metadados => date: 2009-10-01T16:54:43Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-10-01T16:54:43Z; Last-Modified: 2009-10-01T16:54:43Z; dcterms:modified: 2009-10-01T16:54:43Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-10-01T16:54:43Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-10-01T16:54:43Z; meta:save-date: 2009-10-01T16:54:43Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-10-01T16:54:43Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-10-01T16:54:43Z; created: 2009-10-01T16:54:43Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; Creation-Date: 2009-10-01T16:54:43Z; pdf:charsPerPage: 2143; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-10-01T16:54:43Z | Conteúdo => 1 S2-C1T2 Fl. 827 N-... , ..Q . MINISTÉRIO DA FAZENDA 'Ák . • + ''.- ` CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS St a;T:1-1:, SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 11060.000209/2003-36 Recurso n° 153.896 Voluntário , Acórdão n° 2102-00241 - 1" Câmara / 2" Turma Ordinária Sessão de 30 de julho de 2009 Matéria IRPF Recorrente ROMI ARLINDO DE BONA Recorrida 2a TURMA/DRJ-SANTA MARIA (RS) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1997, 1998, 1999, 2000 Ementa: APLICAÇÃO RETROATIVA DAS LEIS COMPLEMENTAR N° 105/2001 E ORDINÁRIA N° 10.174/2001 - LEGISLAÇÃO QUE AUMENTA OS PODERES DE INVESTIGAÇÃO DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA FISCAL - PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA VERSUS PRINCÍPIO DA SUPREMACIA DO INTERESSE PÚBLICO — PREVALÊNCIA DO PRINCÍPIO QUE AMPLIA O PODER PERSECUTÓRIO DO ESTADO - Hígida a ação fiscal que tomou como elemento indiciário de infração tributária a informação da CPMF, mesmo para período anterior a 2001, já que à luz do art. 144, § 1°, do CTN, pode-se utilizar a legislação superveniente à ocorrência do fato gerador, quando esta amplia os poderes de investigação da autoridade administrativa fiscal. Não se pode invocar o princípio da segurança jurídica como um meio para se proteger da descoberta do cometimento de infrações tributárias. Mesma inteligência para aplicação retroativa dos poderes trazidos ao fisco pela Lei Complementar n" 105/2001. IRPF - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - PRAZO DECADENCIAL CONTADO NA FORMA DO ART. 150, § 4°, DO CTN - OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO - PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO ART. 173, I, DO CTN - RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL - FATO GERADOR COMPLEXIVO ANUAL - A regra de incidência prevista na lei é que define a modalidade do lançamento. O lançamento do imposto de renda da pessoa física é por homologação, com fato gerador complexivo, que se aperfeiçoa em 31/12 do ano-calendário, no caso de rendimentos sujeitos ao ajuste anual. Para esse tipo de lançamento, o qüinqüênio do prazo decadencial tem seu início na data do fato gerador, na forma do art. 150, § 4°, do CTN, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, quando tem aplicação o art. 173, I, do CTN. f, , Processo n° 11060.000209/2003-36 . S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00241 Fl. 828 DECADÊNCIA. MULTA ISOLADA - O prazo decadencial para lançamento da multa isolada pelo não recolhimento do imposto de renda a titulo de carnê- leão segue a regra do tributo a que se refere, aplicando-se destarte a regra do § 4 0 , do art. 150, do CTN, IMPOSTO DE RENDA - TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS — REGIME DA LEI N° 9.430/96 - POSSIBILIDADE - A partir da vigência do art. 42 da Lei n° 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 50 do art. 6° da Lei n° 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA — NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA QUE COMPROVE A ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS — De forma clara e coerente, deve a documentação comprovar a origem dos depósitos bancários, para, então, ser afastada a presunção do art. 42 da Lei n° 9.430/96. Um conjunto probatório que não identifica a origem individual dos depósitos bancários, alicerçado em escritura gerais de prestação de contas, não é meio hábil para afastar a presunção legal em foco. 1 JUROS DE MORA —ATUALIZAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS PELA TAXA SELIC — POSSIBILIDADE — No âmbito dos Conselhos de Contribuintes e agora do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, pacifica a utilização da taxa Selic, quer como juros de mora a incidir sobre crédito tributário em atraso, quer para atualizar os indébitos do contribuinte em face da Fazenda Federal. Entendimento em linha com o enunciado da Súmula 1° CC n° 4: "A partir de I" de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais". Ainda, com espeque no art. 72, capuz' e § 4°, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009 (DOU de 23 de junho de 2009), deve-se ressaltar que os enunciados sumulares dos Conselhos de Contribuintes e do CARF são de aplicação obrigatória nos julgamentos de 2° grau. MULTA DE OFÍCIO — ILEGALIDADE — PEDIDO QUE REPRESENTA A DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA — IMPOSSIBILIDADE DE DEFERIMENTO NA VIA ADMINISTRATIVA - Deve-se lembrar que a Administração Tributária se submete ao principio da legalidade, não podendo se furtar em aplicar a lei. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, por exemplo, invocando o principio do não-confisco, afastar a aplicação da lei tributária. I Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a 1 inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do , , , Processo tf 11060.000209/2003-36 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00241 Fl. 829 1 lançamento (imposto e multa de oficio). Ora, é cediço que somente os órgãos judiciais têm esse poder, ou, em casos excepcionais, as cúpulas dos poderes executivo e legislativo (e o Tribunal de Contas da União). No caso específico do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tem aplicação o art. 62 de seu Regimento Interno, que veda expressamente a declaração de inconstitucionalidade de leis, tratados, acordos internacionais ou decreto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO - RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI NOVA DE CARÁTER PENAL — REDUÇÃO DO PERCENTUAL DA MULTA DE OFÍCIO — APLICAÇÃO AOS CASOS NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADOS — A multa isolada pelo não pagamento do carnê-leão, aplicada no percentual de 75%, deve ser adaptada ao percentual previsto no art. 44, II, "a", da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pela Lei n° 11.488/2007, que expressamente reduziu a multa pelo não recolhimento mensal obrigatório para 50%, aplicando-se, aqui, o princípio da retroatividade benigna da lei de caráter penal. Recurso parcialmente provido. ACORDAM os Membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em REJEITAR a preliminar de irretroatividade das Leis n° 10.174/2001 e complementar n° 105/2001, vencida a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti que a acolhia. No mérito, por maioria de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso para reconhecer que a decadência fulminou o imposto referente à omissão de rendimentos caracterizada pelos depósitos bancários de origem não comprovada do ano-calendário 1997 e a multa de oficio do carnê-leão até o fato gerador de 28/02/1998, e que a multa isolada do carnê- leão remanescente deve se - 4 uzi e : para o percentual de 50%. Vencidos os Conselheiros Giovanni Christian Nu. -s Campos 9 elator) e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti que reconheciam a decad ; cia da multa is dada do carnê-leão apenas até 31/10/1997. Designada para redigir o voto encedor a Coi I .elhé'ra Núbia Matos Me ra. ji GIOVANNI • '11 I/ I 't , N, ES CAMPOS Presidente e ' = to i ,x i I al dr, - NÚBIA n —Jr •S MO RA ^Redatora desi_ ada 25 SET 2009 Participaram, .inda, do presente julgamento os Conselheiros Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Rubens Mauricio Carvalho e Sidney Ferro Barros (Suplente convocado). , 1Relatório 3 I Processo n0 11060.000209/2003-36 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00241 Fl. 830 Relatório Em face do contribuinte Romi Adindo de Bona, CPF/MF n° 058.011.250-00, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 06/02/2003, auto de infração (fls. 02 a 48), com ciência postal em 18/03/2003 (fl. 476). Abaixo, discrimina-se o crédito tributário constituído pelo auto de infração antes informado, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 179.658,98 MULTA DE OFÍCIO R$ 134.744,22 MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE R$ 20.748,94 Ao contribuinte foram imputadas as seguintes infrações, todas apenadas com multa de oficio de 75%: 1. omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício, recebidos de pessoa fisica, no ano-calendário 2000; 2, omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, nos anos-calendário 1997 a 2000; 3. falta de recolhimento do IRPF devido a título de carne-leão, em decorrência de rendimentos tributáveis recebidos de pessoas fisicas informados em suas declarações de ajuste anual, dos anos-calendário 1997 a 2000, conduta essa apenada com multa de oficio de 75%. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A 20 Turma de Julgamento da DRJ-Santa Maria (RS), por unanimidade de votos, considerou procedente em parte o lançamento, em decisão de fls. 718 a 734. A decisão foi consubstanciada no Acórdão n° 5.505, de 20 de abril de 2006, que foi assim ementado: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A partir de 01/01/1997, os valores depositados em instituições financeiras, de origem não comprovada pelo contribuinte, passaram a ser considerados receita ou rendimento omitidos. MULTA CARNÊ-LEÃO. Os rendimentos que não tenham sido tributados na fonte, recebidos por pessoa física de outra pessoa física, sujeitam-se ao pagamento mensal do imposto. LANÇAMENTO POR PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. As presunções que autorizam o lançamento são as presunções legais. ?\ 4 Processo n° 11060.000209/2003-36 S2-CIT2 Acórdão n.° 2102-00241 Fl. 831 A decisão acima cancelou a infração referente à omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas, do ano-calendário 2000, bem como a multa isolada do carnê-leão vinculada a tal infração. O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 25/07/2006 (fl. 741). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 16/08/2006 (fl. 742). No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que: I. as Leis complementar n° 105/2001 e ordinária n° 10.174/2001 não poderiam retroagir para alcançar fatos geradores anteriores ao ano de 2001, como ocorreu no caso vertente, já que se violou os princípios da irretroatividade das leis e do tempus regit actum; II. a decadência fulminou o crédito tributário do ano-calendário 1997; III. a presunção legal do art. 42 da Lei n° 9.430/96 colide com 'as diretrizes do processo de criação de presunções legais, pois a prática evidencia que não há liame absoluto entre o depósito bancário e o rendimento omitido. O lançamento estribado em depósito bancário somente é admissivel quando ficar comprovado o nexo causal entre o depósito e o fato que representa omissão de rendimentos; IV. encontra-se comprovada a origem dos depósitos bancários, como se demonstra a seguir: a. o recorrente recebeu as seguintes doações: i. ano-calendário 1997 — R$ 10.000,00, de Cecília França do Nascimento; R$ 25.000,00, de Maria Onira de Abreu Terra. Ainda, os depósitos de R$ 4.320,00, em 20/06/1997, e R$ 800,00, em 16/07/1997, referem-se a doações feitas pela doadora Cecilia França. ii. ano-calendário 2000 — R$ 17.000,00, de Maria Onira de Abreu Terra, comprovada pela informação na declaração de bens e direitos do recorrente e por declaração prestada pela doadora (fls. 532 e 535). A informação não constou na declaração de ajuste anual da doadora em virtude dessa ter apresentado declaração simplificada (fl. 534). b. Os depósitos de R$ 5.000,00, em 07/03/1997; de R$ 30.688,42; em 05/05/1997; de R$ 13.500,00, em 26/05/1997; de R$ 7.500,00, em 08/08/1997; de R$ 32.000,00, em 12/12/1997; de R$ 15.000,00, em 23/01/1998, estão vinculados à transação imobiliária praticada por Cecília França do Nascimento, que vendeu bem imóvel aos compradores Leila e Cyro Porciiincula, como comprovado nos autos (fls. 538 a 546); c. encontra-se amplamente demonstrada a relação profissional doj recorrente com a senhora Cecilia França do Nascimento, como se Processo n° 11060.000209/2003-36 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00241 Fl. 832 pode comprovar pelas escrituras de prestação de contas decorrentes da gestão de negócios e outros mandatos conferidos ao recorrente pela senhora Cecilia (fls. 547 a 553). Ademais, como se pode ver pela escrituração de declaração e quitação de fl. 547, a senhora Cecilia declarou que diversos depósitos pretensamente de origem não comprovada eram oriundos de meros repasses para as contas correntes do recorrente mandatário, com posterior transferência para a aquisição de bens em nome da senhora Cecilia; d. Os depósitos de R$ 4.860,00 e R$ 840,00, ambos em 11/03/1997, e de R$ 4.860,00 e R$ 840,00, ambos em 25/04/1997, estão vinculados a valores recebidos em nome e em proveito da Senhora Onira Terra, corno comprovado nos autos, em decorrência de ação de execução interposta em desfavor do senhor Edison Dumoncel Amaral (fls. 554 a 579); e. Os depósitos de R$ 11.921,76, em 02/06/1997; de R$ 12.100,00; em 05/06/1998; de R$ 9.000,00, em 07/10/1998; de R$ 6.454,80, em 04/12/1998; de R$ 15.690,00, em 1°/10/1999, foram depositados pelo senhor Onésimo Eugênio Soldera para que o recorrente saldasse compromissos comerciais do depositante, conforme declaração assinada pelo depositante e recibos de depósitos juntados aos autos (fls. 580 e 581); f. Os depósitos de R$ 10.000,00, em 30/07/1997, e R$ 60.000,00, em 18/08/1997, estão vinculados à alienação de imóvel rural de Onira Terra para Lourenço Sanderson (fls. 582 a 589); g. Os depósitos de R$ 300,00, em 09/09/1997; de R$ 300,00, em 01/10/1997; de R$ 300,00, em 07/11/1997; de R$ 300,00, em 02/12/1997; de R$ 300,00, em 05/01/1997; de R$ 300,00, em 05/05/1998; de R$ 217,73, em 03/07/1998, referem-se a aluguéis pagos pelo senhor Lourenço Sanderson a senhora Onira Terra, funcionando o recorrente corno mandatário da locadora (fls. 589 e 590); h. Os depósitos de R$ 25.000,00, em 15/12/1997, e de R$ 15.000,00, em 22/12/1997, referem-se ao produto da alienação de imóvel rural feita pela senhora Onira Terra para o senhor Jorge Neves, funcionando o recorrente como mandatário da locadora (fls. 591 a 597); i. O depósito de R$ 34.000,00, em 02/01/1998, em moeda corrente nacional, foi feito com valores que pertenciam às senhoras Onira e Cecilia e que se encontravam em caixa com elas, conforme depósito de fl. 597; j. Os depósitos de R$ 5.000,00, em 30/01/1998; de R$ 6.600,00, em 30/01/1998; de R$ 12.616,20, em 02/06/1998; de R$ 5.000,00, em 02/09/1998; de R$ 6.600,00, em 30/01/1998; de R$ 12.616,20, em 6 Processo n° 11060.000209/2003-36 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00241 Fl. 833 02/06/1998; de R$ 500,00, em 02/09/1998; de R$ 12.900,00, em 13/08/1999; de R$ 15.648,00, em 25/08/2000, referem-se a valores depositados na conta corrente do fiscalizado pela senhora Suzana Terra Bonumá para que o recorrente saldasse compromissos comerciais da depositante, conforme declaração assinada pela depositante e recibo de depósito juntado aos autos (fls. 598 e 599); k. Depósitos de R$ 30.000,00 e R$ 6.000,00, ambos em 04/06/1998 - Traz recibos e declaração de Claryntho Salles Pinto Netto, na condição de representante de seu avô Claryntho Salles Pinto (finado), então inventariante por morte de sua avó Edith de Almeida Pinto, confirmando o depósito de ditos valores em conta corrente do contribuinte, então advogado do inventário, para pagamento de despesas processuais etc. (fls. 599 a 601); /. O depósito de R$ 6.161,40 tem origem em parte do valor da transação entre a senhora Cecilia Nascimento e os senhores Cyro e Leila Porciúncula, como anteriormente explanado (fl. 602); m. Os depósitos de R$ 5.410,00, em 04/09/1998; de R$ 8.800,00, em 09/09/1998; de R$ 10.500,00, em 25/09/1998 se originaram da venda de uma casa em Júlio de Castilhos, sendo vendedora Onira Terra e compradora Otillia Gelaim. Diz que a venda está tipificada no contrato particular de promessa de compra e venda de imóvel rural, sendo vendedora Onira Terra e comprador Lourenço Sanderson, e que o imóvel consta na cláusula Terceira, item "c" daquele instrumento, e traz declaração do corretor atestando a transação (fls. 603 a 607); n. Os depósitos de R$ 18.775,00, R$ 12.915,00 e R$ 5.310,75, todos em 14/09/1998; de R$ 5.000,00, em 30/09/1998; de R$ 1.500,00, em 24/11/1998; de R$ 4.000,00, em 11/12/1998; de R$ 3.000,00, em 23/12/1998; de R$ 15.620,86, em 29/04/1999; de R$ 17.604,00, em 03/05/1999, tiveram origem em transações de imóveis rurais da senhora Cecilia Nascimento (vide escritura pública de declaração e quitação de fl. 547, bem como os recibos de fls. 610 a 612); o. Depósito de R$ 3.360,00, em 22/09/1998 — mesma origem do item d, acima; p. Depósito de R$ 500,00, em 02/10/1998, oriundo de doação da senhora Cecilia Nascimento; q. Depósito de R$ 11.000,00, em 02/10/1998, oriundo da percepção de valor em beneficio de Onira Terra, em decorrência de contrato de arrendamento em face de Edison Dumoncel Amaral, com o recorrente figurando como mandatário da arrendadora (fl. 612); Processo n° 11060.000209/2003-36 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00241 Fl. 834 r. Depósito de R$ 31.000,00, em 09/05/2000, efetuado por Edison Dumoncel Amaral destinado a ressarcir parcialmente Onira Terra de pagamentos de INCRA e ITR devidos tanto na área de arrendamento quanto na área que comprou e somente parcialmente pagou. Este recibo está em poder do senhor Edison que de forma alguma entregará ao recorrente. s. Traz documentação comprobatória da origem dos depósitos de R$ 249.814,00, em 20/10/2000, e de R$ 24.500,00, em 03/11/2000, sendo que este último foi depositado na conta do autuado no Banco do Brasil, pelo senhor Luiz Herter, para ser usado por Onira Terra, em negócios entre as partes, conforme recibo de depósito de fl. 641 (fls. 613 a 642); t. Ainda, para demonstrar a relação profissional com as senhoras Onira Terra e Cecília Nascimento, o recorrente traz documentação que comprova a prestação de contas em diversos anos perpetrada pelo mandatário, aqui recorrente. V. A motivação que a decisão recorrida utilizou para espancar a omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoa fisica, no ano-calendário 2000, ou seja, de que a fiscalização utilizou simples presunção para efetuar o lançamento, deveria ter sido utilizada para cancelar todo o lançamento fiscal; VI. os juros e a multa cobrados são ilegais. Este recurso voluntário compôs o lote n° 01, sorteado para este relator na sessão pública da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes de 16/12/2008. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Primeiramente, declara-se a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 25/07/2006 (fl. 741), terça-feira, e interpôs o recurso voluntário em 16/08/2006 (fl. 742), dentro do trintidio legal, este que teve seu termo final em 24/08/2006, quinta-feira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passa-se a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Passa-se à defesa do item 1 (as Leis complementar n° 105/2001 e ordinária n° 10.174/2001 não poderiam retroagir para alcançar fatos geradores anteriores ao ano de 2001, como ocorreu no caso vertente, já que se violou os princípios da irretroatividade das leis e do tempus regit actum). Processo n° 11060.000209/2003-36 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00241 Fl. 835 Essa questão foi acaloradamente debatida no âmbito dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Ao final, consolidou-se o entendimento de que a Lei n° 10.174/2001, quando permitiu a utilização dos dados da CPMF para períodos pretéritos a sua vigência, bem como os poderes trazidos à fiscalização pela Lei complementar n° 105/2001, tem fundamento de validade no art. 144, § 1°, do Código Tributário Nacional, que manda aplicar ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. Assim, não há que se falar em vulneração dos princípios da irretroatividade e do tempus regit actum, pois se trata de leis de caráter procedimental, que apenas aumentaram o poder de fiscalização do estado. Na linha do entendimento acima, veja-se a ementa do Acórdão n° CSRF/04- 00.135, sessão de 13 de dezembro de 2005, relator o conselheiro Romeu Bueno de Camargo: LEGISLAÇÃO QUE AMPLIA OS MEIOS DE FISCALIZAÇÃO - INAPLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE - A Lei n°10.174, de 2001, que deu nova redação ao § 3' do art. 11 da Lei n" 9.311, de 1996, permitindo o cruzamento de informações relativas à CPMF para a constituição de crédito tributário pertinente a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, é norma procedimental e por essa razão não se submetem ao princípio da irretroatividade das leis, ou seja, incidem de imediato, ainda que relativas a fato gerador ocorrido antes de sua entrada em vigor. Recurso especial provido. Ainda, corno exemplo dessa orientação jurisprudencial, no âmbito da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, vejam-se os Acórdãos re 106-16.083, sessão de 25 de janeiro de 2007, relatora a Conselheira Sueli Efigênia Mendes de Britto; 106-16.142, sessão de 28 de fevereiro de 2007, relator o Conselheiro José Ribamar Barros Penha. No Poder Judiciário, a higidez das Leis n° 10.174/2001 e complementar n° 105/2001, a primeira permitindo a utilização dos dados da CPMF como indícios a aparelhar o lançamento tributário e a segunda autorizando a transferência compulsória do sigilo bancário do contribuinte para o fisco, inclusive para períodos anteriores a 2001, foi ratificada em múltiplos arestos do Superior Tribunal de Justiça — STJ. Por todos, veja-se a ementa do REsp 792.812, julgado em 13/03/2007, publicado no 131 de 02/04/2007, relator o Ministro Luiz Fux: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. AUTUAÇÃO COM BASE APENAS EM DEMONSTRATIVOS DE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA LC 105/01. INAPLICABILIDADE DA SÚMULA 182/TFR. 1. A LC 105/01 expressamente prevê que o repasse de informações relativas à CPMF pelas instituições financeiras à Delegacia da Receita Federal, na forma do art. 11 e parágrafos da Lei 9.311/96, não constitui quebra de sigilo bancário. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça está assentada no sentido de que: "a exegese do art. 144, § I" do Código Tributário Nacional, considerada a natureza formal da Processo n° 11060.000209/2003-36 S2-C1T2 1 Acórdão n.° 2102-00241 Fl. 836 norma que permite o cruzamento de dados referentes à arrecadação da CPMF para fins de constituição de crédito relativo a outros tributos, conduz à conclusão da possibilidade da aplicação dos artigos 6" da Lei Complementar 105/2001 e 1° da Lei 10.174/2001 ao ato de lançamento de tributos cujo fato gerador se verificou em exercício anterior à vigência dos citados diplomas legais, desde que a constituição do crédito em si não esteja alcançada pela decadência" e que "inexiste direito adquirido de obstar a fiscalização de negócios tributários, máxime porque, enquanto não extinto o crédito tributário a Autoridade Fiscal tem o dever vinculativo do lançamento em correspondência ao direito de tributar da entidade estatal" (REsp 685.708/ES, 1" Turma, Min. Luiz Fux, DJ de 20/06/2005). 3. A teor do que dispõe o art. 144, § 1', do CTIV, as leis tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata, pelo que a LC n° 105/2001, art. 6", por envergar essa natureza, atinge fatos pretéritos. Assim, por força dessa disposição, é possível que a administração, sem autorização judicial, quebre o sigilo bancário de contribuinte durante período anterior a sua vigência. 4. Tese inversa levaria a criar situações em que a administração tributária, mesmo tendo ciência de possível sonegação fiscal, ficaria impedida de apurá-la. 5. Deveras, ressoa inadmissível que o ordenamento jurídico crie proteção de tal nível a quem, possivelmente, cometeu infração. 6. Isto porque o sigilo bancário não tem conteúdo absoluto, devendo ceder ao princípio da moralidade pública e privada, este sim, com força de natureza absoluta. Ele deve ceder todas as vezes que as transações bancárias são denotadoras de ilicitude, porquanto não pode o cidadão, sob o alegado manto de garantias fundamentais, cometer ilícitos. O sigilo bancário é garantido pela Constituição Federal como direito fundamental para guardar a intimidade das pessoas desde que não sirva para encobrir ilícitos. 7. Outrossim, é cediço que "É possível a aplicação imediata do art. 6" da LC n" 105/2001, porquanto trata de disposição meramente procedimental, sendo certo que, a teor do que dispõe o art. 144, § 1", do CTN, revela-se possível o cruzamento dos dados obtidos com a arrecadação da CPMF para fins de constituição de crédito relativo a outros tributos em face do que dispõe o art. 1" da Lei n" 10.174/2001, que alterou a redação original do art. 11, § 3", da Lei n" 9.311/96" (AgRgREsp 700.789/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ 19.12.2005). 8. Precedentes: REsp 701.996/RJ, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ 06/03/06; REsp 691.601/SC, 2" Turma, Min. Eliana Cahnon, DJ de 21/11/2005; AgRgREsp 558.633/PR, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ 07/11/05; REsp 628.527/PR, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ 03/10/05. io Processo n° 11060.000209/2003-36 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00241 Fl. 837 9. Consectariamente, consoante assentado no Parecer do Ministério Público (1is. 272/274): "uma vez verificada a incompatibilidade entre os rendimentos informados na declaração de ajuste anual do ano calendário de 1992 (lh. 67/73) e os valores dos depósitos bancários em questão ((is. 15/30), por inferência lógica se cria uma presunçâo relativa de omissão de rendimentos, a qual pode ser afastada pela interessada mediante prova em contrário." 10. A súmula 182 do extinto TFR, diante do novel quadro legislativo, tornou-se inoperante, sendo certo que, in casu: "houve processo administrativo, no qual a Autora apresentou a sua defesa, a impugnar o lançamento do IR !astreado na sua movimentação bancária, em valores aproximados a 1 milhão e meio de dólares (lis. 43/4). Segundo informe cio relatório fiscal (lls. 40), a Autora recebeu numerário cio Exterior, em conta CC5 , em cheques nominativos e administrativos, supostamente oriundos de "um amigo estrangeiro residente no Líbano" (fls. 40). Na justificativa do Fisco (lls. 51), que manteve o lançamento, a tributação teve a sua causa eficiente assim descrita, verbis: "Inicialmente, deve-se chamar a atenção para o fato de que os depósitos bancários em questão estão perfeitamente identificados, conforme cópias dos cheques de fls. 15/30, não havendo qualquer controvérsia a respeito da autenticidade dos mesmos. Além disso, deve-se observar que o objeto da tributação não são os depósitos bancários em si, mas a omissão de rendimentos representada e exteriorizada por eles." 3. Recurso especial provido. Ainda, buscou o contribuinte se acobertar no manto da segurança jurídica, invocando os princípios da irretroatividade das leis e o do tempus regit actum, o que afastaria a utilização retrospectiva dos dados da CPMF. Tais princípios devem ser sopesados em face da necessidade do combate aos ilícitos fiscais, obrigação do estado e direito do cidadão cumpridor de suas obrigações, o que é, em última análise, uma vertente do princípio da supremacia do interesse público. Não pode uma norma procedimental, que vede a ação do fisco, anistiar infrações cometidas no curso de sua vigência, garantindo ao infrator um direito adquirido. Ora, o direito a ser adquirido é aquele lícito, em conformidade com o ordenamento jurídico. Ninguém tem direito a invocar uma legislação que o proteja, de forma peremptória, do descortinamento de ilícitos que foram desnudados por legislação superveniente, que, no caso vertente, aumentou os poderes da fiscalização tributária federal. Assim, o princípio da segurança jurídica deve ser afastado em prol do interesse público e da necessidade da descoberta das infrações tributárias. Por tudo, escorreita a utilização das informações da CPMF como elemento indiciário à constituição do crédito tributário, como no caso vertente, não havendo qualquer pecha de inconstitucionalidade na utilização retroativa dos poderes trazidos pela Lei n° 10.174/2001 à fiscalização tributária, aliado aos poderes da Lei complementar n° 105/2001. Por tudo, neste ponto, rejeita-se a defesa do recorrente. (YI Processo n° 11060.000209/2003-36 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00241 Fl. 838 Agora, passa-se à defesa do item II (a decadência fulminou o crédito tributário do ano-calendário 1997). A regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento. Se a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, o tributo amolda-se à sistemática de lançamento denominada de homologação, onde a contagem do prazo decadencial dá-se na forma disciplinada no art. 150, § 4 0, do CTN. Este é o caso do lançamento do imposto de renda da pessoa fisica, quer para o caso dos rendimentos sujeitos ao ajuste anual, que para o caso dos rendimentos submetidos à tributação definitiva. Deve-se enfatizar que é pacífico, no âmbito do Primeiro Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que a contagem do prazo decadencial do imposto de renda da pessoa fisica, quer nas hipóteses de tributação definitiva, quer nas de tributação sujeita a ajuste, amolda-se à dicção do art. 150, § 4 0, do Código Tributário Nacional, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, quando a contagem passa a ser feita na forma do art. 173, I, do Código Tributário Nacional. Como exemplo dessa jurisprudência, cita-se o acórdão n° CSRF/04-00.213, relator o Conselheiro Wilfrido Augusto Marques, sessão de 14/03/2006, que restou assim ementado: IRPF - DECADÊNCIA — TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - A regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento. Se a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, o tributo amolda-se à sistemática de lançamento denominada de homologação, onde a contagem do prazo decadencial dá-se na forma disciplinada no §4" do artigo 150 do CTN. Assim, considerando que o lançamento do imposto de renda da pessoa fisica é por homologação, adota-se o prazo decadencial qüinqüenal a partir do fato gerador, na forma do art. 150, § 4°, do CTN, como antes enfatizado, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, quando a contagem passa a ser feita na forma do art. 173, I, do Código Tributário Nacional. Superado o ponto precedente, deve-se discutir qual a periodicidade do fato gerador do imposto de renda referente aos rendimentos sujeitos à colação na declaração de ajuste anual, como no caso aqui em debate, condição necessária para se firmar o termo a quo para contagem do prazo decadencial. Antes de prosseguir, um pequeno apanhado doutrinário sobre a classificação dos fatos geradores quanto a sua forma de exteriorização. Por essa classificação, o fato gerador pode ser instantâneo, que se exterioriza por um fato único (como a saída do produto do estabelecimento para o IPI), complexivo ou periódico, que se exterioriza por uma série de fatos econômicos e se aperfeiçoa em um único momento (como exemplo, o imposto de renda), e continuado, que se exterioriza por uma situação de fato, de caráter contínuo, que se renova em determinado período de tempo (como o IPTU). Nessa linha, não há dúvidas de que o fato gerador do imposto de renda da pessoa fisica referente a rendimentos passíveis de ajuste anual é complexivo, ou seja, aperfeiçoa-se ao final de determinado período de tempo. \)(12 Processo n° 11060.000209/2003-36 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00241 Fl. 839 Aqui, vale ressaltar que sob a égide primitiva da Lei n° 7.713/88, que introduziu na legislação do imposto de renda o sistema de bases correntes, o fato gerador foi mensal apenas para o ano-calendário 1989. O imposto era apurado mensalmente, e as pessoas • físicas pagavam, mensalmente, com base nessa apuração. Entretanto, a partir do ano-calendário de 1990, mister conciliar a interpretação do art. 2° da Lei n° 7.713/88 ("O imposto de renda das pessoas fisicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos") com o art. 2° da Lei n° 8.134/90 ("O Imposto de Renda das pessoas fisicas será devido à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no art. 11"). O art. 11 da Lei n° 8.134/90, aliado ao art. 9° desta Lei, versa sobre a apuração do saldo do imposto a pagar ou a restituir na declaração de ajuste anual. Assim, a partir da Lei n° 8.134/90, que introduziu a declaração de ajuste anual nos moldes que se conhece hoje, o fato gerador passou a ser anual, porém se manteve a tributação dos rendimentos à medida de sua percepção. Essa a única interpretação que pode conciliar os dispositivos da Lei n° 7.713/88 com os da Lei n° 8.134/90, não havendo que se falar em fato gerador do imposto de renda com periodicidade mensal. Na linha acima, a Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, competente para uniformizar a interpretação da legislação tributária da pessoa física no âmbito dos Conselhos de Contribuintes, em sessão de 19/06/2007, relatora a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, no Acórdão n° CSRF/04-00.586, assentou: DECADÊNCIA — LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO — TERMO INICIAL — PRAZO — No caso de lançamento por homologação, o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário extingue-se no prazo de cinco anos, contados da data de ocorrência do fato gerador que, em se tratando de Imposto de Renda Pessoa Física apurado no ajuste anual, considera-se ocorrido em 31 de dezembro do ano-calendário. Por tudo, no caso de rendimentos sujeitos à colação na declaração de ajuste anual, como os rendimentos decorrentes da presunção do art. 42 da Lei n° 9.430/96, não remanescem maiores controvérsias de que sua periodicidade é anual, com o fato gerador se aperfeiçoando em 31/12 do ano-calendário da percepção do rendimento omitido. No caso vertente, em relação aos créditos tributários dos anos-calendário 1997 a 2000, referente ao imposto que incidiu sobre a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, os fatos geradores do imposto de renda da pessoa física se aperfeiçoaram em 31/12/1997, 31/12/1998, 31/12/1999 e 31/12/2000, e como não houve comprovação da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, em tais datas começou a fluir o prazo decadencial, na forma do art. 150, § 4°, do CTN. Considerando que o contribuinte foi cientificado do auto de infração em 18/03/2003 (fl. 476), forçoso reconhecer que a decadência fulminou o crédito tributário relativo ao imposto que incidiu sobre a omissão de rendimentos caracterizada pelos depósitos de origem não comprovada do ano-calendário 1997, pois o fisco deveria ter concretizado o lançamento até 31/12/2002. Para os anos-calendário 1998 a 2000, higida a pretensão da Fazenda Nacional, já que o termo final da decadência somente se implementou em 31/12/2003, 31/12/2004 e 31/12/2005, respectivamente, em momento posterior à data da ciência do lançamento. )k 13 Processo n° 11060.000209/2003-36 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00241 Fl. 840 De outro lado, a regra do art. 150, § 40, do CTN somente se aplica a tributos, como expressamente previsto na cabeça desse artigo, já que o conceito de lançamento por homologação está voltado a tributo. No caso de multa isolada pelo não pagamento do recolhimento mensal obrigatório (camê-leão), incide a regra geral do prazo decadencial do art. 173, I, do CTN, que assevera que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Assim, o crédito tributário referente à multa pela ausência do pagamento do camê-leão até outubro de 1997 poderia ter sido lançado dentro do ano-calendário 1997, devendo-se reconhecer que o prazo decadencial da multa isolada lançada até outubro de 1997 começou a fluir em 1°/01/1998, com termo final em 31/12/2002, estando, assim, neste ponto, o lançamento caduco. Por outro lado, em relação às ausências de recolhimento do carnê-leão de novembro (recolhimento do imposto não pago com vencimento em 31/12/1997) e dezembro de 1997 (recolhimento do imposto não pago com vencimento em 31/01/1998), o fisco somente poderia efetuar o lançamento da multa no ano-calendário 1998, sendo forçoso reconhecer que o prazo decadencial somente começou a fluir a partir de 1°/01/1999, com termo final em 31/12/2003, estando, no ponto, hígido o lançamento. Por tudo, reconhece-se que a decadência fulminou o imposto referente à omissão de rendimentos caracterizada pelos depósitos bancários de origem não comprovada do ano-calendário 1997 e a multa de oficio do camê-leão até o fato gerador de 31/10/1997. Agora, passa-se à defesa do item III (a presunção legal do art. 42 da Lei n° 9.430/96 colide com as diretrizes do processo de criação de presunções legais, pois a prática evidencia que não há liame absoluto entre o depósito bancário e o rendimento omitido. O lançamento estribado em depósito bancário somente é admissivel quando ficar comprovado o nexo causal entre o depósito e o fato que representa omissão de rendimentos). A presunção legal em foco foi estatuída por Lei, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a origem dos créditos bancários, sob pena deles serem considerados rendimentos omitidos. Abaixo, um breve histórico da evolução da matéria aqui debatida. Anteriormente à Lei n° 8.021/90, assentou-se que os depósitos bancários, por si só, não representavam rendimentos a sofrer a incidência do imposto de renda. Inclusive, em épocas pretéritas a tal Lei, o egrégio Tribunal Federal de Recursos tinha sumulado um entendimento com tal interpretação (Súmula 182 do TFR). A partir da Lei n° 8.021/90, para presumir que depósitos bancários de origem não comprovada eram rendimentos omitidos, o fisco passou a ser obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados. Essa era a dicção do art. 6° da Lei n° 8.021/90, verbis: Art. 6° O lançamento de oficio, além dos casos já especificados em lei, far-se-á arbitrando-se os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. § 1° Considera-se sinal exterior de riqueza a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. § 2° Constitui renda disponível a receita auferida pelo contribuinte, diminuída dos abatimentos e deduções admitidos 14 ,, , Processo n° 11060.000209/2003-36 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00241 Fl. 841 pela legislação do Imposto de Renda em vigor e do Imposto de Renda pago pelo contribuinte. § 3° Ocorrendo a hipótese prevista neste artigo, o contribuinte será notificado para o devido procedimento fiscal de arbitramento. § 4° No arbitramento tomar-se-ão como base os preços de mercado vigentes à época da ocorrência dos fatos ou eventos, podendo, para tanto, ser adotados índices ou indicadores económicos oficiais ou publicações técnicas especializadas. o e •• :. • • • : : : • • l • . • • • • • • , • • : • : •• : • • • • depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições recursos utilizados nessas operações. (Revogado pela lei n" 9.430, de 1996) § 6° Qualquer que seja a modalidade escolhida para o arbitramento, será sempre levada a efeito aquela que mais favorecer o contribuinte. Esse estado de coisas foi profundamente alterado pelo art. 42, caput, da Lei no 9.430/96, verbis: Art.42.Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. , A partir dessa inovação legislativa, os valores mantidos em conta de depósito , sem comprovação de sua origem passaram a ser rendimentos presumidos. Trata-se de ,, presunção iuris tantum, passível de prova em contrário por parte do contribuinte. Entretanto, caso o contribuinte, regularmente intimado, não comprove a origem dos valores mantidos em , ! conta de depósito ou investimento, é de se presumir que tais valores foram omitidos da , tributação. Observe que o art. 6°, § 5°, da Lei n° 8.021/90 (tachado acima) tratava do arbitramento dos rendimentos com base em depósitos bancários e foi expressamente revogado pelo art. 88, XVIII, da Lei n° 9.430/96. , Dessa forma, para fatos geradores a partir de 1°/01/1997, no tocante à omissão de rendimentos com base em depósitos bancários com origem não comprovada, tem , vigência única e plena o art. 42 da Lei n° 9.430/96. Com esse novo estatuto, como já assinalado, o depósito bancário com origem não comprovada é presumido rendimento omitido, ,, com incidência da tabela progressiva do imposto de renda. Nesse novo cenário normativo, não há que se falar em sinais exteriores de riqueza ou prova do consumo da renda para tributar depósitos bancários com origem não comprovada pelo contribuinte. Esta é a hipótese dos autos. Por uma presunção legal relativa, o depósito com origem não comprovada é rendimento tributável pelo imposto de renda. Esse entendimento encontra-se pacificado no âmbito do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Como exemplo, por todos, veja-seo 15 ) 1 ' , Processo n° 11060.000209/2003-36 S2-CIT2 Acórdão n.° 2102-00241 Fl. 842 Acórdão n° CSRF/04-00.164, sessão de 13 de dezembro de 2005, relatora a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, que restou assim ementado: IRPF - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - Presume-se a omissão de rendimentos sempre que o titular de conta bancária, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósito ou de investimento (art. 42 da Lei n`). 9.430, de 1996). Assim, na hipótese em debate, escorreito o lançamento que utilizou a presunção estatuída no art. 42 da Lei n° 9.430/96. Na defesa do item IV, o contribuinte enfrenta o mérito da controvérsia, buscando comprovar a origem dos depósitos bancários. Considerando que foi reconhecida a decadência do imposto referente à presunção da omissão de rendimentos caracterizada pelos depósitos bancários de origem não comprovada do ano-calendário 1997, o debate aqui ficará circunscrito à irresignação no tocante às comprovações dos anos-calendário 1998 a 2000. a. o recorrente recebeu as seguintes doações: i. ano-calendário 1997 - omissis. ano-calendário 2000 — R$ 17.000,00, de Maria Onira de Abreu Terra, comprovada pela informação na declaração de bens e direitos do recorrente e por declaração prestada pela doadora (fls. 532 e 535). A informação não constou na declaração de ajuste anual da doadora em virtude dessa ter apresentado declaração simplificada (fl. 534). Como se pode ver na Il. 39, apenas 03 depósitos acima de R$ 12.000,00 foram imputados como omissão de rendimentos no ano-calendário 2000. Sequer há algum depósito no montante de R$ 17.000,00. A mera declaração da senhora Onira Terra (fl. 532), produzida no curso deste procedimento fiscal, não faz prova suficiente da origem do depósito. Quanto à informação constante na declaração de bens e direito do contribuinte (fl. 535), este estava obrigado a comprovar documentalmente toda a variação patrimonial sem sua declaração de ajuste (art. 806 do Decreto n° 3.000/99), o que não ocorreu no caso vertente. Assim, deve-se manter a presente omissão. b. Os depósitos de R$ 5.000,00, em 07/03/1997; de R$ 30.688,42; em 05/05/1997; de R$ 13.500,00, em 26/05/1997; de R$ 7.500,00, em 08/08/1997; de R$ 32.000,00, em 12/12/1997; de R$ 15.000,00, em 23/01/1998, estão vinculados à transação imobiliária praticada por Cecília França do Nascimento, que vendeu bem imóvel aos compradores Leila e Cyro Porciúncula, como comprovado nos autos (fls. 538 a 546). Aqui, valho-me do asseverado na decisão recorrida, para manter a omissão de rendimentos, no tocante ao ano- 16 Processo n° 11060.000209/2003-36 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00241 Fl. 843 calendário 1998, verbis: "A Escritura Pública apresentada, além de não identificar o contribuinte como procurador, apenas dá quitação do valor de R$ 100.000,00, não discriminando a forma de pagamento. Portanto, esse instrumento não tem como justificar depósitos na conta bancária do autuado, Da mesma forma, os recibos de depósito juntados não possuem a identificação do depositante nem o motivo pelo qual foram efetuados, não sendo, portanto, hábeis a comprovar a origem dos depósitos bancários". No recurso, o contribuinte nada inovou, devendo ressaltar que não há qualquer identificação do depositante na guia de depósito de R$ 15.000,00 (fl. 546), em debate neste recurso. c, encontra-se amplamente demonstrada a relação profissional do recorrente com a senhora Cecilia França do Nascimento, como se pode comprovar pelas escrituras de prestação de contas decorrentes da gestão de negócios e outros mandatos conferidos ao recorrente pela senhora Cecília (fls. 547 a 553). Ademais, como se pode ver pela escrituração de declaração e quitação de fl. 547, a senhora Cecília declarou que diversos depósitos pretensamente de origem não comprovada eram oriundos de meros repasses para as contas correntes do recorrente mandatário, com posterior transferência para a aquisição de bens em nome da senhora Cecília. Registre-se que meras declarações particulares ou públicas de doação ou de prestação de conta de mandato, por si só, não são suficientes para comprovar a origem dos depósitos bancários. Como já dito em item precedente, o sujeito passivo tem o ônus de comprovar, com documentação comercial ou bancária, a origem dos depósitos. Não basta, simplesmente, determinada pessoa asseverar, mesmo por instrumento público, que efetuou múltiplos depósitos nas contas correntes do contribuinte, quer por doação, quer por execução de mandato e outras ordens, sem a efetiva comprovação documental da origem do depósito. Assim, por exemplo, a escritura pública de declaração e quitação de fl. 547, lavrada no curso deste procedimento fiscal, na qual a senhora Cecilia França do Nascimento assevera que efetuou múltiplos depósitos nas contas bancárias do contribuinte, em si mesma, não é prova bastante para elidir a presunção do art. 42 da Lei n° 9.430/96. É preciso comprovar, com documentação fiscal, comercial ou bancária, que tenha similaridade de data e valor e que seja contemporânea aos fatos que se quer justificar, a origem dos depósitos bancários, o que inocorreu no caso aqui em apreço. d. omissis (omissão de rendimentos do ano-calendário 1997); 17 Processo n" 11060.000209/2003-36 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00241 Fl. 844 e. Os depósitos de R$ 11.921,76, em 02706/1997; de R$ 12.100,00; em 05/06/1998; de R$ 9.000,00, em 07/10/1998; de R$ 6.454,80, em 04/12/1998; de R$ 15.690,00, em 1°/10/1999, foram depositados pelo senhor Onésimo Eugênio Soldera para que o recorrente saldasse compromissos comerciais do depositante, conforme declaração assinada pelo depositante e recibos de depósitos juntados aos autos (fls. 580 e 581); A mera declaração particular do senhor Onésimo Eugenio Soldera, produzida no curso deste procedimento fiscal, aliada a cópia de dois depósitos sem identificação do depositante, não é capaz de elidir a presunção do art. 42 da Lei n° 9.430/96. Sequer foi comprovada a efetiva transferência dos recursos do declarante para o sujeito passivo fiscalizado e, como já dito, os comprovantes de depósitos apresentados não identificam o depositante nem a finalidade do depósito. f. omissis (omissão de rendimentos do ano-calendário 1997); g. Os depósitos de R$ 300,00, em 09/09/1997; de R$ 300,00, em 01/10/1997; de R$ 300,00, em 07/11/1997; de R$ 300,00, em 02/12/1997; de R$ 300,00, em 05/01/1997; de R$ 300,00, em 05/05/1998; de R$ 217,73, em 03/07/1998 referem-se a aluguéis pagos pelo senhor Lourenço Sanderson a senhora Onira Terra, funcionando o recorrente como mandatário da locadora (fls. 589 e 590); Para negar a pretensão acima, mais uma vez valho-me do asseverado na decisão recorrido, pois o recorrente nada inovou neste recurso voluntário, verbis: "O autuado junta cópia de três recibos de depósitos bancários (fls. 590 e 591), um tendo corno depositante Lourenço Sanderson e os outros dois, Anderson e Cia Ltda, sem a especificação da finalidade a que se destina. No entanto, não traz nenhum elemento que comprove que os depósitos referem- se a aluguéis recebidos por Onira Terra". h. omissis (omissão de rendimentos do ano-calendário 1997); i. O depósito de R$ 34.000,00, em 02/01/1998, em moeda corrente nacional, foi feito com valores que pertenciam às senhoras Onira e Cecília e que se encontravam em caixa com elas, conforme depósito de fls. 597; Trata-se de mera alegação, destituída de qualquer prova. O então impugnante apenas juntou cópia de um recibo de depositante, no qual não há a identificação de quem depositou ou a finalidade. j. Os depósitos de R$ 5.000,00, em 30/01/1998; de R$ 6.600,00, em 30/01/1998; de R$ 12.616,20, em 02/06/1998; de R$ 5.000,00, em 02/09/1998; de R$ 6.600,00, em 30/01/1998; de R$ 12.616,20, em 18, • Processo n° 11060.000209/2003-36 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00241 Fl. 845 02/06/1998; de R$ 500,00, em 02/09/1998; de R$ 12.900,00, em 13/08/1999; de R$ 15.648,00, em 25/08/2000, referem-se a valores depositados na conta corrente do fiscalizado pela senhora Suzana Terra Bonumá para que o recorrente saldasse compromissos comerciais da depositante, conforme declaração assinada pela depositante e recibo de depósito juntado aos autos (fIs. 598 e 599); A mera declaração particular da Senhora Suzana Terra, produzida no curso deste procedimento fiscal, aliada a cópia de um depósito sem identificação do depositante não é capaz de elidir a presunção do art. 42 da Lei n° 9.430/96. Sequer foi comprovada a efetiva transferência dos recursos do declarante para o sujeito passivo e, como já dito, o comprovante de depósito apresentado não identifica o depositante nem a finalidade do depósito. k. Depósitos de R$ 30.000,00 e R$ 6.000,00, ambos em 04106/1998 - Traz recibos e declaração de Claryntho Salles Pinto Netto, na condição de representante de seu avô Claryntho Salles Pinto (finado), então inventariante por morte de sua avó Edith de Almeida Pinto, confirmando o depósito de ditos valores em conta corrente do contribuinte, então i advogado do inventário, para pagamento de despesas processuais etc. (fls. 599 a 601); Idem ao item precedente. 1. O depósito de R$ 6.161,40 tem origem em parte do valor da transação entre a senhora Cecília Nascimento e os Senhores Cyro e Leila Porciiincula, como anteriormente explanado (fls. 602); Trata-se de mera alegação, sem comprovação da origem do depósito. m. Os depósitos de R$ 5.410,00, em 04/09/1998; de R$ 8.800,00, em 09/09/1998; de R$ 10.500,00, em 25/09/1998, originaram-se da venda de uma casa em Júlio de Castilhos, sendo vendedora Onira Terra e compradora Otillia Gelaim. Diz que o imóvel vendido foi adquirido pelo contrato particular de promessa de compra e venda de imóvel rural, sendo vendedora Onira Terra e comprador Lourenço Sanderson, e que o imóvel vendido consta na cláusula Terceira, item "c" daquele instrumento, como meio de pagamento de parte do preço do imóvel rural, e, ainda, traz declaração do corretor atestando as duas transações (fls. 603 1 a 607); I Não há qualquer identificação de que a senhora Otillia Gelaim tenha efetuado os depósitos em destaque, sendo, aqui, plausível exigir a juntada de uma promessa de compra e venda (ou contrato), o que não foi feito pelo recorrente. Ademais, sequer há identidade entre os valores depositados e o referente à venda, não sendo razoável atribuir essa diferença ao custo de escritura, como fez io I Processo n° 11060.000209/2003-36 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00241 Fl. 846 recorrente, pois tal custo, como regra, é suportado pelo adquirente (senhora Otillia Gelaim). n. Os depósitos de R$ 18.775,00, R$ 12.915,00 e R$ 5.310,75, todos em 14/09/1998; de R$ 5.000,00, em 30/09/1998; de R$ 1.500,00, em 24/11/1998; de R$ 4.000,00, em 11/12/1998; de R$ 3.000,00, em 23/12/1998; de R$ 15.620,86, em 29/04/1999; de R$ 17.604,00, em 03/05/1999, tiveram origem em transações de imóveis rurais da senhora Cecilia Nascimento (vide escritura pública de declaração e quitação de fls. 547, bem como os recibos de fls. 610 a 612); Corno já dito, a escritura pública de declaração e quitação, por si só, não tem forca suficiente para arrostar a presunção do art. 42 da Lei n° 9.430/96. E preciso que se demonstre, iniludivelmente, a origem dos depósitos bancários, com documentação bancária, comercial ou fiscal, o que inocorreu nesta presente hipótese, e continua valendo o dito pela decisão recorrida, verbis: "Nas escrituras públicas de compra e venda de terras de campo, de fls. 608 e 609, tendo como vendedora Cecilia do Nascimento, constam que as transações foram efetuadas pelos valores de R$ 25.000,00 e R$ 30.000,00, respectivamente, não registrando as formas de pagamento, dando apenas quitação dos valores. A soma dos depósitos é R$ 83.725,61 e os valores constantes das escrituras relativos às transações totalizam R$ 55.000,00. Não há como vincular os citados depósitos bancários às alienações mencionadas, por absoluta falta de vincula ção entre as operações e os depósitos. Quanto à escritura pública de declaração e quitação, ratifica-se o já exposto sobre o assunto". o. Depósito de R$ 3.360,00, em 22/09/1998 — estão vinculados a valores recebidos em nome e em proveito da senhora Onira Terra, como comprovado nos autos, em decorrência de ação de execução interposta em desfavor do Senhor Edison Dumoncel Amaral (fls. 554 a 579). Pede para que seja considerada a escritura pública de quitação outorgada pela - senhora Onira Terra em favor do recorrente. Nos autos, não há qualquer vinculação entre o presente depósito e a execução em desfavor do Senhor Edison Amaral. A escritura pública de declaração e quitação, por si só, não tem força suficiente para arrostar a presunção do art. 42 da Lei n° 9.430/96. É preciso que se demonstre, iniludivelmente, a origem dos depósitos bancários, com documentação bancária, comercial ou fiscal, o que inocorreu nesta presente hipótese. p. Depósito de R$ 500,00, em 02/10/1998, oriundo de doação da senhora Cecília Nascimento; o Processo n° 11060.000209/2003-36 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00241 Fl. 847 Como já dito, a escritura pública de declaração e quitação não tem força suficiente para arrostar a presunção do art. 42 da Lei n° 9.430/96. É preciso que se demonstre, iniludivelmente, a origem dos depósitos bancários, com documentação bancária, comercial ou fiscal, o que inocorreu nesta presente hipótese. q. Depósito de R$ 11.000,00, em 02/10/1998, oriundo da percepção de valor em beneficio de Onira Terra, em decorrência de contrato de arrendamento em face de Edison Dumoncel Amaral, com o recorrente figurando como mandatário da arrendadora (fls. 612); Idem ao item n. O depósito juntado aos autos (fls. 612) não tem identificação do depositante ou a finalidade, bem como não há qualquer documento que justifique tal depósito. r. Depósito de R$ 31.000,00, em 09/05/2000, efetuado por Edison Dumoncel Amaral destinado a ressarcir parcialmente Onira Terra de pagamentos de INCRA e ITR devidos tanto na área de arrendamento quanto na área que comprou e somente parcialmente pagou. Este recibo está em poder do senhor Edison, que de forma alguma entregará ao recorrente. Idem ao itemV) s. Traz documentação comprobatoria da origem dos depósitos de R$ 249.814,00, em 20/10/2000, e de R$ 24.500,00, em 03/11/2000, sendo que este último foi depositado na conta do autuado no Banco do Brasil, pelo senhor Luiz Herter, para ser usado por Onira Terra, em negócios entre as partes, conforme recibo de depósito de fls. 641 (fls. 613 a 642); Inicialmente, deve-se evidenciar que o depósito de R$ 249.814,00 não constou no rol de rendimentos omitidos no ano-calendário 2000 (fls. 39). No curso da fiscalização, tal depósito foi considerado parcialmente comprovado, e a autoridade autuante lançou a diferença como rendimento omitido recebido de pessoa fisica, sem vinculo empregaticio, omissão essa que foi cancelada pela decisão recorrida. Quanto ao depósito de R$ 24.500,00, em 03/11/2000, o contribuinte somente logrou trazer cópia do recibo de depósito, sem qualquer vinculo adicional no tocante a sua origem (fls. 641). t. Ainda, para demonstrar a relação profissional com as senhoras Onira Terra e Cecilia Nascimento, o recorrente traz documentação que comprova a prestação de contas em diversos anos perpetrada pelo mandatário, aqui recorrente. Aqui não se discute a posição de mandatário do recorrente em favor das senhoras Onira Terra e Cecilia Nascimento. 21 Processo n° 11060.000209/2003-36 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00241 Fl. 848 O art. 42 da Lei n" 9.430/96 exige que o contribuinte comprove a origem dos depósitos bancários feitos em suas contas correntes. Ora, simplesmente atribuir toda uma gama de depósitos como feitos em beneficios de terceiros, tendo por base declarações públicas e particulares de prestação de contas exaradas por terceiros em beneficio do recorrente, não é suficiente. Aceitar tal procedimento iria destruir a própria presunção legal do art. 42 da Lei n° 9.430/96, a qual seria obstada com uma simples declaração de terceiro indicando a pretensa origem dos depósitos. Essa não pode ser a inteligência do artigo ora citado. O contribuinte tem o ônus de comprovar documentalmente a origem dos depósitos bancários, devendo haver um claro liame entre os documentos e os depósitos. Agora, passa-se à defesa do item V (A motivação que a decisão recorrida utilizou para espancar a omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoa fisica, no ano-calendário 2000, ou seja, de que a fiscalização utilizou simples presunção para efetuar o lançamento, deveria ter sido utilizada para cancelar todo o lançamento fiscal). Aqui, deve-se observar que a autuação imputou ao contribuinte uma omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoa física e uma presunção legal de omissão de rendimentos, esta estribada no art. 42 da Lei n° 9.430/96. Para a primeira, inferida a partir de uma diferença de um depósito bancário, a autoridade não trouxe aos autos qualquer prova de que tal depósito se referia a rendimentos do trabalho sem vinculo empregatício, razão suficiente para que a decisão recorrida afastasse tal omissão. De outra banda, a omissão de rendimentos caracterizada pelos depósitos bancários de origem não comprovada está mediatamente vinculada aos créditos nas contas bancárias do contribuinte, já que não se tributa os depósitos em si mesmos, mas a presunção de omissão de rendimentos decorrente da não comprovação dos depósitos bancários. Em tal situação, a Lei, expressamente, determina que tais créditos sejam considerados rendimentos omitidos. Como já dito, é uma presunção legal, passível de prova em contrário por parte do sujeito passivo. A Lei considera ocorrido o fato gerador do imposto de renda na presença de créditos bancários de origem não comprovada, porque se entende que tais créditos, como ordinariamente ocorre na vida, são rendimentos omitidos, já que o contribuinte poderia explicitar sua origem, demonstrando que não se trata de rendimentos tributáveis ou que se trata de rendimentos já tributados ou, ainda, de rendimentos que deveriam sofrer alguma tributação específica (art. 42, § 2', da Lei n° 9.430/96). Trata-se de uma presunção definida em lei e que cabe a autoridade autuante aplicá-la, não podendo ser afastada pela autoridade julgadora administrativa. Como acima se vê, são situações diferentes. Na primeira, exige-se a efetiva comprovação de que o contribuinte recebeu rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício para se imputar a omissão de rendimentos, desnudando o fato gerador do imposto a ser lançado. Na segunda, basta os créditos bancários com origem não comprovada para se ter a presunção da omissão de rendimentos. Em ambas as hipóteses, o imposto incidirá sobre a base de cálculo omitida e/ou presumida. 22 Processo n° 11060.000209/2003-36 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00241 Fl. 849 Então, sem razão o recorrente. Passa-se à defesa do item VI (os juros e a multa cobrados são ilegais). A aplicação dos juros de mora, à taxa Selic, é matéria pacificada no âmbito do Primeiro Conselho de Contribuintes, objeto, inclusive, do enunciado Sumular 1° CC n° 4: "A partir de 1' de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais". Assim, com espeque no art. 72, caput e § 4°, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda', aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009 (DOU de 23 de junho de 2009), deve-se ressaltar que os enunciados sumulares, dos Conselhos de Contribuintes e do CARF, são de aplicação obrigatória nos julgamentos de 2° grau. Dessa forma, não pode prosperar, neste ponto, a irresignação do recorrente. No tocante à multa de oficio, deve-se lembrar que a Administração Tributária se submete ao principio da legalidade, não podendo se furtar em aplicar a lei. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, por exemplo, invocando o principio do não- confisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de oficio). Ora, é cediço que somente os órgãos judiciais têm esse poder. No caso especifico do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tem aplicação o art. 62 de seu Regimento Interno, que veda expressamente a declaração de inconstitucionalidade de leis, tratados, acordos internacionais ou decreto. Por fim, no tocante à multa isolada pelo não pagamento do carne-leão, aplicada no percentual de 75%, deve ser adaptada ao percentual previsto no art. 44, II, "a", da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pela Lei n° 11.488/2007, que expressamente reduziu a multa pelo não recolhimento mensal obrigatório para 50%, aplicando-se, aqui, o principio da retroatividade benigna da lei de caráter penal. Ante o exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de irretroatividade das Leis n° 10.174/2001 e complementar n° 105/2001, e, no mérito, DAR parcial provimento para reconhecer que decadência fulminou o imposto referente à omissão de rendimentos caracterizada pelos depósitos bancários de origem não comprovada do ano-calendário 1997 e a Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos Membros do CARF. § 1° a §3° Omissis. § 4° As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF. ;I12 3 Processo n° 11060.000209/2003-36 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00241 Fl. 850 multa de oficio do camê-leão até o fato gerador de 31/10/1997 ) e que a multa isolada do cara- leão remanescente deve ser reduzida par. • per entual de 50%. Sala das Sessõe em O de j lho de 2009 Giova, i Christian 141 a.:s 1 I Voto Vencedor Cons- eira NI:113I • MA OS MOURA, Redatora-designada Com a devida vênia d scordo do ilustre Conselheiro Relator no que diz respeito às suas conclusões quanto à decadência da multa isolada, aplicada em razão da falta do recolhimento mensal obrigatório (camê-leão). A aplicação da referida multa decorre do descumprimento do dever jurídico de recolher total ou parcialmente o imposto incidente mensalmente sobre rendimentos recebidos de pessoas fisicas ou do exterior. Trata-se, pois, de antecipação do imposto devido, que será apurado quando da apresentação da Declaração de Ajuste Anual (DAA). O legislador entendeu que tal irregularidade seria passível de imposição de multa, na modalidade isolada, sem cobrança do principal. Tal fato se justifica por não existir ainda a certeza do resultado do ajuste quando então será apurado o imposto efetivamente devido no ano-calendário. Por outro lado, a aplicação isolada não desvincula a multa do tributo. Sob esse prisma, a multa isolada decorrente da falta ou da insuficiência do recolhimento mensal obrigatório (carne-leão) submete-se à regra decadencial daquele imposto a qual, na remansosa jurisprudência deste Colegiado, está definida no § 40, do art. 150 do CTN, com prazo qüinqüenal contado a partir do fato gerador. Como a ciência da autuação ocorreu em 18/03/2003, fls. 476, foram atingidos pela decadência os períodos anteriores a 18/03/1998 ou, no caso, fatos geradores ocorridos até 28/02/1998, inclusive. Ante o exposto, VOTO por acolher a multa isolada devida em razão da falta de recolhimento mensal obrigatório (carnê-leão) até aos fatos geradores ocorridos em 28/02/1998. Sala das Sessões, em 30 de julho de 2009. ,W/4(4,41 NÜBIA MATOS MOURA 24

score : 1.0