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Numero do processo: 10283.905350/2012-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2010 a 30/09/2010
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA.
As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Não tendo sido apresentada documentação assaz apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida.
DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHODECISÓRIO.EFEITOS.
A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde, nos moldes do artigo 147, §1º do Código Tributário Nacional.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-005.057
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada documentação assaz apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHODECISÓRIO.EFEITOS. A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde, nos moldes do artigo 147, §1º do Código Tributário Nacional. Recurso voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 53 50 /2 01 2- 31 Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10283.905350/201231 Acórdão n.º 3402005.057 S3C4T2 Fl. 0 2 Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Fortaleza, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte sobre pedido de restituição de créditos de Contribuição para COFINS. O Despacho Decisório denegatório do direito pleiteado inicialmente, fundamentou a não homologação da compensação sob a justificativa de que o pagamento referente ao DARF indicado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ciente do Despacho Decisório, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade tempestiva, na qual alega em síntese que: • A legislação federal referente à restituição/compensação assegura em caso de não homologação da compensação o direito a interposição de manifestação de inconformidade; • O Despacho Decisório de não homologação foi demasiadamente sucinto e não esclareceu o porquê da decisão. • Os princípios constitucionais do contraditório e ampla defesa não foram respeitados pela administração tributária. O Despacho Decisório deve ser considerado nulo uma vez que não expôs os motivos da não homologação prejudicando seu direito de defesa; • É “empresa industrial com projeto aprovado na SUFRAMA e detentora de incentivos fiscais próprios da Zona Franca de Manaus, instituídos pelo DecretoLei nº 288/1967, bem como sujeita ao regime de apuração pela sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, podendo descontar créditos que poderão ser deduzidos do montante devido de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil.” • Faz jus aos créditos de PIS e COFINS, com base nos artigos 3º da Lei 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, especificamente com relação ao inciso III: “energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica.” • Levantou os créditos no mês de competência e utilizou parte do crédito oriundo do previsto no inciso III dos artigos 3º da Lei 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, para compensar com as Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10283.905350/201231 Acórdão n.º 3402005.057 S3C4T2 Fl. 0 3 contribuições vencidas no período, conforme DACONs retificadoras; “A manifestante, inclusive, providenciou a retificação da DCTF correspondente, regularizando qualquer pendência que ainda pudesse haver.” A defesa relaciona os Acórdãos nºs 1246124 de 10 de maio de 2012 da 17ª Turma e 1638673 de 11 de maio de 2012 da 3ª Turma. (...) • Ao final requer que se julgue procedente a Manifestação de Inconformidade, para o efeito de reformar o Despacho Decisório exarado no processo. Sobreveio então o Acórdão 08033.070, da DRJ/FOR, negando provimento à manifestação de inconformidade, por entender que "a eficácia da retificação da DCTF, quando apresentada após a ciência do Despacho Decisório, depende de comprovação, a cargo do contribuinte, do erro em que se funda, mediante escrituração e documentos", comprovação esta que não restou satisfeita. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, no qual repisa os argumentos trazidos em sua impugnação ao lançamento tributário com relação ao mérito da questão, bem como alegando que a decisão recorrida não analisou a documentação apresentada no seu entender, suficiente para garantir o crédito pleiteado , deixando prevalecer erro material nas declarações inicialmente prestadas pela Contribuinte, mas depois devidamente sanadas. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3402005.034, de 22 de março de 2018, proferida no julgamento do processo 10283.904567/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu no Acórdão nº 3402005.034: "Como se depreende do relato acima, a lide resumese à comprovação da existência e suficiência do crédito objeto da compensação. Pois bem. A Lei n. 5.172/66 (Código Tributário Nacional), em seu art. 165, assegura o direito à restituição de tributos por recolhimento ou pagamento indevido ou a maior que o devido e estabelece os casos que configuram tal recolhimento ou Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10283.905350/201231 Acórdão n.º 3402005.057 S3C4T2 Fl. 0 4 pagamento, como a Recorrente afirma possuir, nos seguintes termos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos I Cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória Por sua vez, o instituto da compensação de créditos tributários está previsto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (...) Com o advento da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a compensação passou a ser tratada especificamente em seu artigo 74, tendo a citada Lei disciplinado a compensação de débitos tributários com créditos do sujeito passivo decorrentes de restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições, âmbito da Secretaria da Receita Federal (SRF). Ainda, o §1º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (incluído pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02) 1 determina que a compensação será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados (PER/DCOMP), como pretende a Recorrente in casu. Nesse sentido, a Recorrente processou pedido de compensação, afirmando possuir créditos relativos à Contribuição ao PIS, decorrente de pagamentos indevidos e créditos que teria direito pela sistemática da não cumulatividade da contribuição social (incentivos fiscais próprios da Zona Franca de Manaus, instituídos pelo DecretoLei nº 288/1967 e 1 A referida legislação recebeu ainda algumas alterações promovidas pelas Leis nºs 10.833/2003 e 11.051/2004. Atualmente, os procedimentos respectivos encontramse regidos pela IN RFB nº 1.300/2012 e alterações posteriores Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10283.905350/201231 Acórdão n.º 3402005.057 S3C4T2 Fl. 0 5 com base nos artigos 3º da Lei 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, respectivamente). Entretanto, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. Assim, concluiu a Fiscalização que não restava crédito disponível para restituição, e, por conseguinte, a compensação não foi homologada. Muito embora a falta de prova sobre a existência e suficiência do crédito tenha sido o motivo tanto da não homologação da compensação por despacho decisório, como da negativa de provimento à manifestação de inconformidade, a Recorrente permanece sem se desincumbir do seu ônus probatório, insistindo que efetuou a retificação do Dacon e da DCTF, o que demonstraria seu direito ao crédito. Ocorre que o Dacon constitui demonstrativo por meio do qual a empresa apura as contribuições devidas. Com efeito, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), instituído pela Instrução Normativa SRF nº 387, de 20 de janeiro de 2004, é uma declaração acessória obrigatória em que as pessoas jurídicas informavam a Receita Federal do Brasil sobre a apuração da Contribuição ao PIS e da COFINS. Em outros termos, sua função é de refletir a situação do recolhimento das contribuições da empresa, sendo os créditos autorizados por lei e com substrato nos documentos contábeis da empresa, basicamente notas fiscais os livros fiscais onde estão registradas as referidas notas, além da própria DCTF. Assim, são esses últimos documentos que possuem aptidão para comprovar o crédito. Ademais, a Instrução Normativa n. 1.015, de 05 de março de 2010, vigente à época dos fatos, estabelece que Art. 10. A alteração das informações prestadas em Dacon, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de demonstrativo retificador, elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar alteração nos créditos e retenções na fonte informados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10283.905350/201231 Acórdão n.º 3402005.057 S3C4T2 Fl. 0 6 a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas no demonstrativo original, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alterar débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...) § 5º A pessoa jurídica que entregar Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), deverá apresentar, também, DCTF retificadora. Quanto à DCTF, cuja retificação foi feita posteriormente à prolação do despacho decisório, tampouco salvaguarda o pleito da Recorrente. Explico. Este Conselho possui pacífica jurisprudência, tanto nas turmas ordinárias (e.g. Acórdãos 3801004.289, 3801004.079, 3803003.964) como na Câmara Superior de Recursos Fiscais (e.g. Acórdão 9303005.519), no sentido de que a retificação posterior ao Despacho Decisório não impediria o deferimento do crédito quando acompanhada de provas documentais comprovando o erro cometido no preenchimento da declaração original. Tal entendimento fundase na letra do artigo 147, § 1º do Código Tributário Nacional, a seguir transcrito: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na for ma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Portanto, a DCTF retificadora apresentada após a ciência do Despacho Decisório não é suficiente para a demonstração do crédito pleiteado em PER/DCOMP, sendo imprescindível que a Contribuinte faça prova do erro em que se fundou a retificação. Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10283.905350/201231 Acórdão n.º 3402005.057 S3C4T2 Fl. 0 7 Nesse sentido, destaco a ementa do Acórdão nº 9303005.708, cujo julgamento na CSRF, por unanimidade, ocorreu em 19 de setembro de 2017: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2001 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Recurso Especial do Contribuinte negado.) Com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, abaixo transcritos, que caberia à Recorrente, autora do presente processo administrativo, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia: Art. 36 da Lei nº 9.784/99. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 373 do Código de Processo Civil. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Peço vênia para destacar as palavras do Conselheiro relator Antonio Carlos Atulim, plenamente aplicáveis ao caso sub judice: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. No caso em análise, a Contribuinte esclarece que teria apurado créditos de PIS, contudo, para comprovar a liquidez e Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10283.905350/201231 Acórdão n.º 3402005.057 S3C4T2 Fl. 0 8 certeza do crédito informado nas declarações (DCTF e DACON) é imprescindível que seja demonstrada através da escrituração contábil e fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A Contribuinte não juntou aos autos nenhum documento contábil ou fiscal capaz de comprovar a liquidez e certeza do credito apontado. Somente insistiu que as declarações retificadoras seriam suficientes para tanto, mesmo após a decisão da DRJ ter expressamente colocado quais documentos seriam necessários para a efetividade da prova do crédito. Sobre esse ponto, saliento que este Colegiado vem admitindo provas apresentadas em sede de recurso voluntário, haja vista o princípio da verdade material e da informalidade moderada que reinam na esfera do processo administrativo. Todavia, nem em sede recursal a Recorrente se desincumbiu do ônus da prova. Dessarte, não tendo sido comprovada pela Recorrente a liquidez e certeza do crédito pleiteado, de acordo com toda a disciplina jurídica supra mencionada, não há reparos a serem feitos quanto ao Acórdão recorrido. Dispositivo Por essas razões, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 204DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.904034/2012-91
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
SERVIÇOS HOSPITALARES. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MÉDICOS POR IMAGEM.
A contribuinte que executa prestação de serviços médicos por imagem, conforme restou confirmado nos autos, está submetida ao coeficiente do lucro presumido aplicável aos serviços hospitalares. Aplicação do entendimento exarado pelo STJ no REsp nº 1.116.399-BA.
Numero da decisão: 9101-003.323
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13888.904183/2009-94, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CLÍNICA TRAUMATOLOGICA MOINHOS DE VENTO SOCIEDADE SIMPLES LTDA. EPP ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 SERVIÇOS HOSPITALARES. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MÉDICOS POR IMAGEM. A contribuinte que executa prestação de serviços médicos por imagem, conforme restou confirmado nos autos, está submetida ao coeficiente do lucro presumido aplicável aos serviços hospitalares. Aplicação do entendimento exarado pelo STJ no REsp nº 1.116.399BA. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13888.904183/200994, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 40 34 /2 01 2- 91 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 11080.904034/201291 Acórdão n.º 9101003.323 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial quanto ao que foi decidido sobre o coeficiente para cálculo do lucro presumido no caso de empresa que presta serviços por imagem. A recorrente insurgese contra Acórdão que reconhece que a prestação de serviço médico por imagem estava submetido ao coeficiente do lucro presumido aplicável aos serviços hospitalares. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente, relativamente à matéria acima mencionada, da que tem sido dada em outros processos. Sustenta que a decisão do Superior Tribunal de Justiça no REsp 1116399 não menciona os serviços por imagem, equiparandoos a serviços hospitalares. Tal julgado tão somente discorre acerca da interpretação objetiva da expressão “serviços hospitalares” prevista na Lei nº 9.429/95. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente de Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho fundamentado deu seguimento ao recurso. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo Relatora O presente processo trata de CSLL. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 9101003.319, de 17.01.2018, proferido no julgamento do Processo nº 13888.904183/200994. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 9101003.319): Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. A tributação dos serviços hospitalares na modalidade do lucro presumido já suscitou muitas controvérsias. A Lei 9.249/1995, em sua redação original, definiu o coeficiente de 8% para os serviços hospitalares nos seguintes termos: Fl. 123DF CARF MF Processo nº 11080.904034/201291 Acórdão n.º 9101003.323 CSRFT1 Fl. 4 3 Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: I – (...) II – (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; Havia muita polêmica sobre quais atividades poderiam ser enquadradas como “serviço hospitalar”, e quais os requisitos que os contribuintes deveriam atender para que fosse aplicado o coeficiente de 8%. A Lei nº 11.727/2008, então, promoveu uma alteração na alínea “a” acima transcrita, que passou a conter a seguinte redação: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Os fatos debatidos nesse processo são anteriores a esta alteração legislativa. Interpretando a redação original da Lei 9.249/1995, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, ao julgar um Recurso Especial representativo de controvérsia, que foi submetido ao regime do artigo 543C do CPC, consolidou o entendimento de que “a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde)”: RECURSO ESPECIAL Nº 1.116.399 BA (2009/00064810) EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO “SERVIÇOS HOSPITALARES”. INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão “serviços hospitalares” prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de “serviços hospitalares” apenas aqueles estabelecimentos destinados Fl. 124DF CARF MF Processo nº 11080.904034/201291 Acórdão n.º 9101003.323 CSRFT1 Fl. 5 4 ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão “serviços hospitalares”, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que “a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares”. 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares “aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde”, de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos”. 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. (grifos acrescidos) O STJ vinha interpretando o referido dispositivo legal de maneira bem restritiva, e a mudança neste posicionamento se deu no Fl. 125DF CARF MF Processo nº 11080.904034/201291 Acórdão n.º 9101003.323 CSRFT1 Fl. 6 5 julgamento do RESP 951.251PR, conforme o destaque feito na transcrição acima. Também é interessante transcrever a ementa dessa decisão: RECURSO ESPECIAL Nº 951.251 PR (2007/01102360) EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LUCRO PRESUMIDO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO. ARTS. 15, § 1º, III, “A”, E 20 DA LEI Nº 9.249/95. SERVIÇO HOSPITALAR.. INTERNAÇÃO. NÃOOBRIGATORIEDADE. INTERPRETAÇÃO TELEOLÓGICA DA NORMA. FINALIDADE EXTRAFISCAL DA TRIBUTAÇÃO. POSICIONAMENTO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO DA UNIÃO. CONTRADIÇÃO. NÃO PROVIMENTO. 1. Acórdão proferido antes do advento das alterações introduzidas pela Lei nº 11.727, de 2008. O art. 15, § 1º, III, “a”, da Lei nº 9.249/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não no contribuinte que os executa. 2. Independentemente da forma de interpretação aplicada, ao intérprete não é dado alterar a mens legis. Assim, a pretexto de adotar uma interpretação restritiva do dispositivo legal, não se pode alterar sua natureza para transmudar o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo. 3. A redução do tributo, nos termos da lei, não teve em conta os custos arcados pelo contribuinte, mas, sim, a natureza do serviço, essencial à população por estar ligado à garantia do direito fundamental à saúde, nos termos do art. 6º da Constituição Federal. 4. Qualquer imposto, direto ou indireto, pode, em maior ou menor grau, ser utilizado para atingir fim que não se resuma à arrecadação de recursos para o cofre do Estado. Ainda que o Imposto de Renda se caracterize como um tributo direto, com objetivo preponderantemente fiscal, pode o legislador dele se utilizar para a obtenção de uma finalidade extrafiscal. 5. Devese entender como “serviços hospitalares” aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde. Em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. 6. Duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por instituição que, no desenvolvimento de sua atividade, possua custos diferenciados do simples atendimento médico, sem, contudo, decorrerem estes necessariamente da internação de pacientes. 7. Orientações da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e da Secretaria da Receita Federal contraditórias. 8. Recurso especial não provido. (grifos acrescidos) Fl. 126DF CARF MF Processo nº 11080.904034/201291 Acórdão n.º 9101003.323 CSRFT1 Fl. 7 6 O voto que orientou o julgamento do RESP 951.251PR esclarece bem o que significa interpretar a norma em questão sob a ótica de seu conteúdo objetivo: Entretanto, não se deve perder de vista que o art. 15, § 1º, III, "a", da Lei nº 9.274/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não na pessoa do contribuinte que executa a “prestação de serviços hospitalares”. Doutro modo, seria alterar a própria natureza da norma legal, transmudandose o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo, a fim de concedêlo apenas aos estabelecimentos hospitalares. (...) Se a intenção do legislador – que, não se deve esquecer, representa a vontade popular – fosse beneficiar determinados contribuintes em face de suas características particulares, concedendo, assim, uma isenção subjetiva, a regra deveria referirse a esses sujeitos, e não ao serviço por eles prestado. Dessa forma, não se deve restringir o benefício aos hospitais, até mesmo porque, se esse fosse o propósito da lei, caberia explicitarse que a concessão estaria dirigida apenas a esses estabelecimentos, pois nada o impediria de ter assim procedido. (...) A Receita Federal tem reconhecido o direito à base de cálculo reduzida do IRPJ a prestadores de serviços hospitalares, mesmo que esses não possuam estrutura física para realizar internação de pacientes. (...) Em conclusão, por serviços hospitalares compreendemse aqueles que estão relacionados às atividades desenvolvidas nos hospitais, ligados diretamente à promoção da saúde, podendo ser prestados no interior do estabelecimento hospitalar, mas não havendo esta obrigatoriedade. Devese, por certo, excluir do benefício simples prestações de serviços realizadas por profissionais liberais consubstanciadas em consultas médicas, já que essa atividade não se identifica com as atividades prestadas no âmbito hospitalar, mas, sim, nos consultórios médicos. (grifos acrescidos) Este mesmo voto fornece ainda outros parâmetros para a compreensão do que seriam serviços hospitalares, especialmente no sentido de diferenciálos da “simples prestação de atendimento médico”: (...) Com esta exegese, não está excluído por completo o aspecto referente aos custos dos contribuintes, uma vez que, para que esses efetivamente prestem serviços hospitalares, necessitam possuir um suporte material e humano específico – instrumentos necessários à elaboração de diagnósticos e intervenções cirúrgicas, bem como profissionais especializados para sua utilização, sendo tal aparato diverso e mais oneroso do que aquele relacionado com a simples prestação de consultas médicas. Dessa forma, duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja Fl. 127DF CARF MF Processo nº 11080.904034/201291 Acórdão n.º 9101003.323 CSRFT1 Fl. 8 7 realizada por contribuinte que no desenvolvimento de sua atividade possua custos diferenciados da simples prestação de atendimento médico, sem, contudo, decorrerem esses custos necessariamente da internação de pacientes. (grifos acrescidos) Retomando o conteúdo destes autos, vêse que a atividade da contribuinte não consiste em simples prestação de consultas médicas. Em seu recurso, a PGFN argumenta que a decisão do Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.116.399 não menciona os serviços de radiologia, equiparandoos a serviços hospitalares; que tal julgado tãosomente discorre acerca da interpretação objetiva da expressão “serviços hospitalares” prevista na Lei 9.429/95, deixando claro que não se pode exigir internação e assistência médica integral para o enquadramento. De fato, a referida decisão do STJ não tratou especificamente de serviços de radiologia, mas tudo o que foi dito naquela decisão sobre a questão em torno da tributação dos serviços hospitalares deve ser aplicado para as várias atividades ligadas à promoção da saúde. Com efeito, o STJ, ao proferir a citada decisão na sistemática dos recursos repetitivos, não restringiu sua análise aos serviços médicos laboratoriais (situação específica daquele REsp). Por outro lado, embora a PGFN reconheça que o STJ deixou claro que não se pode exigir internação e assistência médica integral para o enquadramento no coeficiente de 8%, ela acabou buscando fundamento nas antigas instruções normativas da Receita Federal que defendiam justamente essa linha de interpretação. As decisões invocadas pela PGFN, tanto do antigo Conselho de Contribuintes, quanto do STJ (2006), realmente trazem um entendimento superado, alterado em 2009 pelo próprio STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, conforme já mencionado. Esta Câmara Superior de Recursos Fiscais já se posicionou em outras oportunidades sobre situações semelhantes à destes autos, reconhecendo a aplicação do coeficiente de 8% para entidades que também não são hospitais, mas que se encaixam na referida interpretação do STJ manifestada em sede de recursos repetitivos, e que foi considerada pela CSRF como de observância obrigatória, em razão do art. 62A do RICARFAnexo II: Acórdão nº 9101001.870 Sessão de 30 de janeiro de 2014 Recorrente: LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS DE SOROCABA LTDA Interessado: FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício:1999,2000,2001,2002 Ementa: LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS. SERVIÇOS HOSPITALARES. PERÍODO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI N° 11.727/08. COEFICIENTES DISTINTOS PARA DETERMINAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 11080.904034/201291 Acórdão n.º 9101003.323 CSRFT1 Fl. 9 8 As empresas laboratoriais de análises clínicas que optaram pelo Lucro Presumido, antes da vigência da Lei n° 11.727/08, devem utilizar o coeficiente de 8% para determinar o referido lucro. Aplicação do entendimento exarado no RESp nº 1.116.399BA, conforme art. 62A do RICARFAnexo II. [...] Voto Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão O recurso preenche os pressupostos e dele conheço. A matéria posta à apreciação por esta Câmara Superior referese ao enquadramento de prestadora de serviços de análises clinicas na mesma categoria das atividades de serviços hospitalares, para efeito de tributação pelo lucro presumido. Os outros temas levantados no especial do Contribuinte não foram admitidos. O recurso especial foi apresentado pelo Contribuinte em 30 de junho de 2009 (fls. 366), ocorre que em 08/11/2010, transitou em julgado o RESp nº 1.116.399BA, Primeira Seção, Rel. Min. Benedito Gonçalves (decidido em 28 de outubro de 2009), objeto de julgamento pelo Superior Tribunal de Justiça, pelo regime instituído no art. 543C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), em que foi negado provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Isto posto, conheço do recurso especial. O RESp nº 1.116.399BA tem a seguinte ementa: [...] A ementa do julgado evidencia que estão excluídas do conceito tributário de atividades hospitalares as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. E, decidindo especificamente a matéria tratada nestes autos, o Superior Tribunal de Justiça estabeleceu que o coeficiente de presunção de lucros estabelecido na Lei nº 9.249/95 deve ser de 8%, para fins de apuração do IRPJ, e de 12%, para fins de apuração da CSLL, relativamente à parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, naquele caso também empresa prestadora de serviços médicos laboratoriais, atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas. Vejase que o julgado afastou qualquer aplicação retroativa da Lei nº 11.727/2008, e fixou a interpretação em referência para os fatos geradores anteriores à sua edição, ou seja, anteriormente ao anocalendário 2008 (caso dos presentes autos). Assim, há que se aplicar ao caso o art. 62A do RICARFAnexo II, devendo se observada mandatoriamente a decisão do STJ acima mencionada. Neste sentido, há que se dar provimento parcial ao recurso especial (que pede a nulidade do auto de infração), apenas para submeter a receita bruta ao coeficiente de 8% para o cálculo do IRPJ, e não para afastar integralmente a exigência. Isto porque as receitas não operacionais devem ser adicionadas ao lucro presumido e não se Fl. 129DF CARF MF Processo nº 11080.904034/201291 Acórdão n.º 9101003.323 CSRFT1 Fl. 10 9 submetem à aplicação do coeficiente de presunção, como fez o Contribuinte. Em conclusão, voto por conhecer e dar provimento parcial ao recurso especial do Contribuinte. Acórdão nº 9101001.559 Sessão de 23 de janeiro de 2013 Recorrente: FAZENDA NACIONAL Interessado: CAMP IMAGEM NUCLEAR S/C LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998, 1999, 2000 SERVIÇOS HOSPITALARES. SERVIÇOS DE DIAGNÓSTICOS POR IMAGEMMEDICINA NUCLEAR. LUCRO PRESUMIDO. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COEFICIENTE DE 8%. No julgamento do Recurso Especial nº 1.116.399/BA (2009/00064810), na sistemática dos recursos especiais repetitivos, o STJ decidiu que a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). [...] Voto Conselheiro Plínio Rodrigues Lima. [...] Quanto ao mérito, a discussão gravita em torno do percentual aplicado na apuração do lucro presumido às sociedades prestadoras de serviços médicos na área de medicina nuclear nos anos calendários de 1998, 1999 e 2000, dependendo do conceito de serviços hospitalares. Sobre a legislação aplicável ao assunto, diz a Lei n° 9.249/95, em sua redação original: [...] Com o advento da Lei n° 11.277/2008, não restam dúvidas, que, a partir de janeiro de 2009, os serviços prestados pela interessada enquadramse no conceito de serviços hospitalares, desde que cumpridos os requisitos a seguir dispostos: [...] Antes da vigência da Lei n° 11.727/2008, em caso semelhante, a 1ª Turma da CSRF, entendera que serviços médicos e ambulatoriais enquadramse na categoria de serviços gerais em acórdão assim ementado: [...] Porém, em 28/10/2009, o Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial n° 1.116.399 – BA, relator Ministro Benedito Gonçalves, Fl. 130DF CARF MF Processo nº 11080.904034/201291 Acórdão n.º 9101003.323 CSRFT1 Fl. 11 10 proferiu decisão na mesma linha de raciocínio da decisão do acórdão ora recorrido: [...] Referido julgado enquadrouse na sistemática dos recursos especiais repetitivos a que se refere o art. 543–C do Código de Processo Civil (CPC). Devese, em decorrência, aplicar a Portaria MF n° 586, de 22 de dezembro de 2010, que introduziu o art. 62A ao Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, com a seguinte redação: [...] Portanto, devemse considerar os serviços específicos prestados pela interessada como enquadrados no conceito de serviços hospitalares, cuja receita bruta auferida recebe o percentual de 8% na apuração do IRPJ pelo lucro presumido. No presente processo, cabe adotar o mesmo posicionamento das referidas decisões desta 1ª Turma da CSRF (acima transcritas). Desse modo, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da PGFN. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do Recurso Especial e, no mérito, em negolhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 131DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.722167/2015-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2013
RECEITAS TÍPICAS DE SOCIEDADE DE SEGUROS. CONCEITO DE FATURAMENTO
O conceito de faturamento abrange não apenas venda de mercadorias e serviços, em stricto sensu, porém todas as receitas derivadas das atividades-fim do contribuinte. No caso de sociedade seguradora, abrange as receitas com prêmios de seguros.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2013
RECEITAS TÍPICAS DE SOCIEDADE DE SEGUROS. CONCEITO DE FATURAMENTO
O conceito de faturamento abrange não apenas venda de mercadorias e serviços, porém todas as receitas derivadas das atividades-fim do contribuinte. No caso de sociedade seguradora, abrange as receitas com prêmios de seguros.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2013
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO
Em sendo parte integrante da obrigação tributária, é lícita a incidência de juros Selic sobre a multa de ofício não recolhida no prazo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.172
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencida a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, que dava provimento parcial, acatando o argumento de que não havia base legal para a cobrança de juros sobre multa de ofício.
Jose Henrique Mauri - Presidente.
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Henrique Mauri (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2013 RECEITAS TÍPICAS DE SOCIEDADE DE SEGUROS. CONCEITO DE FATURAMENTO O conceito de faturamento abrange não apenas venda de mercadorias e serviços, em stricto sensu, porém todas as receitas derivadas das atividades-fim do contribuinte. No caso de sociedade seguradora, abrange as receitas com prêmios de seguros. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2013 RECEITAS TÍPICAS DE SOCIEDADE DE SEGUROS. CONCEITO DE FATURAMENTO O conceito de faturamento abrange não apenas venda de mercadorias e serviços, porém todas as receitas derivadas das atividades-fim do contribuinte. No caso de sociedade seguradora, abrange as receitas com prêmios de seguros. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2013 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO Em sendo parte integrante da obrigação tributária, é lícita a incidência de juros Selic sobre a multa de ofício não recolhida no prazo. Recurso Voluntário Negado
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A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2013 RECEITAS TÍPICAS DE SOCIEDADE DE SEGUROS. CONCEITO DE FATURAMENTO O conceito de faturamento abrange não apenas venda de mercadorias e serviços, em stricto sensu, porém todas as receitas derivadas das atividades fim do contribuinte. No caso de sociedade seguradora, abrange as receitas com prêmios de seguros. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2013 RECEITAS TÍPICAS DE SOCIEDADE DE SEGUROS. CONCEITO DE FATURAMENTO O conceito de faturamento abrange não apenas venda de mercadorias e serviços, porém todas as receitas derivadas das atividadesfim do contribuinte. No caso de sociedade seguradora, abrange as receitas com prêmios de seguros. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2013 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO Em sendo parte integrante da obrigação tributária, é lícita a incidência de juros Selic sobre a multa de ofício não recolhida no prazo. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 21 67 /2 01 5- 87 Fl. 540DF CARF MF Processo nº 10980.722167/201587 Acórdão n.º 3301004.172 S3C3T1 Fl. 541 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencida a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, que dava provimento parcial, acatando o argumento de que não havia base legal para a cobrança de juros sobre multa de ofício. Jose Henrique Mauri Presidente. Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Henrique Mauri (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini Fl. 541DF CARF MF Processo nº 10980.722167/201587 Acórdão n.º 3301004.172 S3C3T1 Fl. 542 3 Relatório Adoto o relatório da decisão da primeira instância: "Em decorrência de ação fiscal levada a efeito contra o contribuinte identificado, foram lavrados os autos de infração de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins (fls. 2/14), no qual se exige o recolhimento de R$ 83.182.523,99 de Cofins, R$ 23.841.604,08 a título de juros (calculados até 06/2015) e R$ 63.386.893,01 a título de multa de lançamento de ofício (75%); e de Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS (fls. 15/27), no qual se exige o recolhimento de R$ 13.517.160,16 de PIS, R$ 3.874.260,68 a título de juros (calculados até 06/2015), e R$ 10.137.870,20 a título de multa de lançamento de ofício (75%). Conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 29/58), a contribuinte impetrou Mandado de Segurança, sob nº 2006.70.00.40312, e que na sentença exarada em 10/10/2006 teve reconhecido apenas seu direito de "recolher a contribuição ao PIS calculada sobre a base de cálculo prevista na Lei Complementar n° 07/70 e na Lei nº 9.715/98, e aCOFINS calculada sobre a base de cálculo prevista na Lei Complementar nº 70/91", e ainda, "de, após o trânsito em julgado (art. 170A do CTN), compensar os valores recolhidos a maior desde janeiro de 2001, em face do direito ora reconhecido, com outros tributos administrados pela Secretaria de Receita Federal, nos termos do art. 74 da Lei n°9.430/96, com a redação da Lei n° 10.637/2002". Dizem as autoridades fiscais que em momento algum a sentença proferida reconheceu que as receitas decorrentes das operações de seguros (praticadas pelo contribuinte) não constituem base de cálculo do PIS e da Cofins do período, por qualquer motivo que fosse, ainda mais pelo entendimento (dado pelo contribuinte) de que a prática de tais operações (securitárias) não se configura prestação de serviços, muito pelo contrário, ainda em sede monocrática, respectivo Juízo fez questão de destacar expressamente a "inexistência de declaração na presente ação acerca da interpretação das referidas leis, ou seja, sobre quais receitas das impetrantes estão efetivamente inseridas nas bases de cálculo referidas, uma vez que não foi a questão objeto de pedido nos autos". Assim, fica claro que a ação interposta não se presta a esclarecer quais receitas auferidas pelo contribuinte devem ou não compor a base de cálculo das contribuições em tela. Mencionam as autoridades fiscais que na sentença prolatada respectivo Juízo fez questão de ressalvar, expressamente, ao Fisco "o poder de, sponte sua (princípio da auto executoriedade dos atos administrativos), fiscalizar os recolhimentos realizados pelas impetrantes a partir da decisão liminar, bem assim a compensação após o trânsito em julgado, conferindo a sua idoneidade, em especial quanto às receitas consideradas enquadradas na legislação aplicável quanto à base de cálculo, declarada na presente sentença, podendo, inclusive, proceder ao lançamento ex officio (art. 142 do CTN e demais aplicáveis) e lançar eventual multa devida". Entretanto, em procedimento fiscal ficou constatado que as receitas decorrentes das operações de seguros, praticadas pelo contribuinte entre 07/2010 e 12/2013, não compuseram a base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins apuradas (pelo mesmo) no período, vez que, no seu entender, tais receitas não Fl. 542DF CARF MF Processo nº 10980.722167/201587 Acórdão n.º 3301004.172 S3C3T1 Fl. 543 4 compõem o faturamento do período, pelo fato de que a prática de operações de seguro não se enquadra no conceito de prestação de serviços, os quais devem decorrer do fazer humano. Cientificada em 19/06/2015, a interessada apresentou, por intermédio de seus representantes legais, a impugnação de fls. 238/285, onde aduz que a fiscalização entendeu que a atividade securitária exercida como atividadefim seria classificável como uma prestação de serviços, muito embora a decisão judicial emanada nos autos do processo nº 000403156.2006.404.7000 (antigo nº 2006.70.00.0040312) determinasse que a Cofins e o PIS somente poderiam incidir sobre receitas oriundas do fornecimento de mercadorias e serviços de qualquer natureza. Relata que a Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, alterou a base de cálculo das contribuições ao PIS e à Cofins, instituídas pelas Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, e nº 70, de 30 de dezembro de 1991, respectivamente, considerando faturamento como a totalidade das receitas da pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou o tratamento contábil adotado. Essa modificação trazida por lei ordinária motivou uma discussão acerca de sua inconstitucionalidade, que acabou alcançando o E. Supremo Tribunal Federal que declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 e concluindo que a base de cálculo equivale ao faturamento, entendido este como sendo o total de receitas auferidas em razão da venda de mercadorias e/ou da prestação de PA BELEM DRJ Fl. 427serviços de qualquer natureza. Posteriormente, acrescenta, foi editada a Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, que revogou expressamente o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, afastando definitivamente a equiparação do conceito de faturamento à totalidade das receitas da pessoa jurídica. Expõe que, sujeitandose às disposições da Lei nº 9.718/1998, ingressou com ação judicial requerendo lhe fosse reconhecido o direito de calcular o PIS e a Cofins com base no seu faturamento, tal como definido pela Lei Complementar nº 70/91, e não pela totalidade das receitas. O desfecho dessa ação se deu com a decisão do Tribunal Regional Federal da Quarta Região, declarando a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, como já fizera o STF, confirmandose deverem incidir exclusivamente sobre receitas auferidas na venda de mercadorias, na prestação de serviços ou na conjunção de ambos. Ressalta que o provimento em seu favor concedido não implica mera autorização para ‘exclusão’ de receitas da base de cálculo das contribuições, mas sim o reconhecimento de que valores há que jamais a compuseram validamente. Diz, referindose a sua causa de pedir na ação judicial, que o afastamento da base de cálculo prevista na Lei nº 9.718/1998 implicaria a impossibilidade de incidência da Cofins e do PIS sobre receitas financeiras (e equiparadas). Sendo assim, e de acordo com a decisão contida no acórdão proferido pelo TRF/4ª Região, não haveria dúvidas de que as receitas financeiras (e aquelas a elas equiparadas, como as securitárias) não integram e nunca poderiam integrar o conceito de prestação de serviços. Por isso, alega que os autos de infração não merecem prosperar, eis que visam exigir valores afastados por ação judicial, dando interpretação à ação proposta e à decisão proferida de forma totalmente diversa do seu real conteúdo. Alega que a autoridade fiscal visou replicar o posicionamento contido no Parecer/CAT nº 2.772/2007, contudo, se equivocou quanto (i) a natureza jurídica das receitas auferidas pela impugnante em razão de suas atividades típicas; (ii) a amplitude do termo “faturamento”, conforme entendimento jurisprudencial; e (iii) a Fl. 543DF CARF MF Processo nº 10980.722167/201587 Acórdão n.º 3301004.172 S3C3T1 Fl. 544 5 aplicabilidade de disposições do Acordo Geral sobre Comércio de Serviços para a determinação de fatos geradores no âmbito tributário. Em tópico específico, salienta o equívoco cometido pela fiscalização, dada a impossibilidade de enquadramento das receitas de natureza securitária no conceito de contraprestação pela prestação de serviços, conforme conceituação presente no Anexo sobre Serviços Financeiros do Acordo Geral sobre Comércio e Serviços GATS, firmado pelo Estado Federativo do Brasil no âmbito do GATT/OMC, e que o STF, em julgamento sobre a incidência de ISS na locação de guindastes, já se posicionou que somente há uma prestação de serviço quando se verificar uma obrigação de fazer relacionada a um esforço humano, que gere uma utilidade material ou imaterial a terceiro. Cita, no mesmo sentido, doutrina a respeito. Salienta, ainda, nesse contexto, que muito embora a sua atividade esteja prevista no item 18.01 da Lista de Serviços anexa à Lei Complementar nº 116, o qual prevê “Serviços de regulação de sinistros vinculados a contratos de seguros; inspeção e avaliação de risco para cobertura de contratos de seguros; prevenção e gerência de riscos seguráveis e congêneres”, a jurisprudência do STF foi contundente em afastar a tributação de atividades que pudessem extrapolar o conceito constitucional de serviço. Finaliza que jamais se poderia equiparar receitas tipicamente financeiras (às quais juridicamente se equiparam as receitas securitárias) a uma contraprestação de serviço (preço de serviço). Argumentando que o fato gerador da contribuição é uma prestação de serviços (ou uma venda de mercadorias), e nenhuma outra, afirma que esta não é a causa jurídica das receitas por ela auferidas, eis que não decorrem de uma prestação de serviço, por não remunerar qualquer espécie de esforço humano. Expõe que, por ser companhia seguradora, firma com seus clientes contratos pelos quais se obriga a custear/assumir despesas eventualmente incorridas em razão dos chamados ‘sinistros’, mediante o recebimento de um valor fixo mensal (‘prêmio’), destinado à constituição de um fundo comum que será utilizado para a cobertura de eventuais despesas dos clientes. Essa espécie contratual, complementa, é tipicamente aleatória, na medida em que uma das prestações é sempre incerta, dependente da ocorrência de evento futuro e imprevisível, percebendose, assim, que não se está diante de uma prestação de serviços, já que os valores recebidos não se prestam a remunerar um serviço especificamente prestado; portanto, não se pode equiparar as receitas securitárias auferidas (‘prêmio’) a uma contraprestação por um serviço, sob pena de alterar a definição de faturamento, emprestada do Direito Privado, o que é vedado pelo art. 110 do CTN, restaurando por vias oblíquas a aplicabilidade do dispositivo legal já declarado inconstitucional. Diz que, é possível firmar a premissa de que somente após o advento da Medida Provisória n° 627/13 (posteriormente convertida na Lei n° 12.973/2014) que houve a pretensão de tributar todas as receitas provenientes da atividade principal da empresa, pelo PIS e pela COFINS. Contudo, é notório que essa nova base de cálculo não pode retroagir para alcançar fatos geradores pretéritos. Refuta o GATS para a caracterização de serviços, uma vez que o âmbito da assinatura e da aplicabilidade do GATS é no comércio internacional de serviços, entre EstadosMembros, não podendo ser utilizada a conceituação ali inserida para fazer incidir a Cofins e o PIS sobre as receitas de natureza securitária. Traçando um paralelo ao caso, transcreve a previsão contida no Código de Defesa do Consumidor CDC (§ 2º, art. 3º, Lei Federal nº 8.078, de 1990): “...serviços é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira e de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista.”, para concluir que, a despeito de o CDC trazer a atividade securitária (dentre outras) como se serviço fosse, tal previsão não tem o condão de permitir a incidência do PIS e da Cofins sobre as receitas correspondentes; tanto que Fl. 544DF CARF MF Processo nº 10980.722167/201587 Acórdão n.º 3301004.172 S3C3T1 Fl. 545 6 esse Código considera que uma operação tipicamente bancária, como um empréstimo, seria um serviço para fins exclusivos de atribuir proteção especial ao cliente/consumidor, o que, de modo algum, poderia significar transferência da competência tributária privativa da União aos Municípios. Por último, assevera que o GATS foi recepcionado no ordenamento por meio de Decreto, o que afasta qualquer possibilidade de que os conceitos por si trazidos possam se sobrepor àqueles pressupostos pela Constituição Federal na definição dos aspectos materiais dos tributos de competência de cada ente tributante (ex.: faturamento, serviço) ou de leis complementares definidoras das respectivas regras matrizes de incidência tributária (ex.: LC 07/70, LC 70/91, CTN). Solicita que seja determinado o sobrestamento do julgamento do presente processo administrativo, em razão de a discussão sobre a incidência do PIS e da COFINS sobre as receitas financeiras auferidas pelas instituições financeiras estar pendente de julgamento definitivo pelo E. STF no Recurso Extraordinário n° 609.096/RS, ao qual foi suscitada repercussão geral. Por fim, diz que os juros calculados com base na taxa SELIC não poderão ser exigidos sobre a multa de ofício lançada, por absoluta ausência de previsão legal. É o relatório." Em 17/05/2016, a DRJ em Belém (PA) julgou a impugnação improcedente e o Acórdão n° 0132.836 foi assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2013 BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DE PRÊMIOS RECEBIDOS AÇÃO JUDICIAL. Pela decisão judicial transitado em julgado, que considerou inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins, trazida pela Lei nº 9.718/98, conforme entendimento do Superior Tribunal Federal, ficaram afastadas da base de cálculo o valor das demais receitas não decorrentes da atividade principal da empresa, não restando estabelecido, na decisão judicial, que as receitas de prêmios recebidos, atinentes a sua atividade operacional, tenham sido afastadas da incidência das referidas contribuições. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Cobramse juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), e multa de ofício, por expressa previsão legal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2013 BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DE PRÊMIOS RECEBIDOS AÇÃO JUDICIAL. Fl. 545DF CARF MF Processo nº 10980.722167/201587 Acórdão n.º 3301004.172 S3C3T1 Fl. 546 7 Pela decisão judicial transitado em julgado, que considerou inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins, trazida pela Lei nº 9.718/98, conforme entendimento do Superior Tribunal Federal, ficaram afastadas da base de cálculo o valor das demais receitas não decorrentes da atividade principal da empresa, não restando estabelecido, na decisão judicial, que as receitas de prêmios recebidos, atinentes a sua atividade operacional, tenham sido afastadas da incidência das referidas contribuições. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Cobramse juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), e multa de ofício, por expressa previsão legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que, basicamente, repete os argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. Fl. 546DF CARF MF Processo nº 10980.722167/201587 Acórdão n.º 3301004.172 S3C3T1 Fl. 547 8 Voto O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que deve ser conhecido. DA CONTENDA Tratase de autos de infração para cobrança de PIS e COFINS sobre receitas líquidas de prêmios de seguros auferidas no período de julho de 2010 a dezembro de 2013, nos montantes de R$ 169.411.021,08 e R$ 27.529.291,04, incluindo principal, multa de ofício de 75% e juros Selic. A fiscalização considerou as receitas de prêmios de seguros, líquidas das deduções admitidas em lei, como integrantes do faturamento e tributáveis para fins de PIS e COFINS, nos termos das redações então vigentes das LC n° 7/70 e 70/91 e Leis n° 9.718/98 e Lei n° 9.715/98. A autuação também fundamentouse: no alcance da sentença judicial proferida em favor da recorrente, em que contatou que "(. . .) o contribuinte teve reconhecido apenas seu direito de 'recolher a contribuição ao PIS calculada sobre a base de cálculo prevista na Lei Complementar n°07/70 e na Lei n° 9.715/98, e a COFINS calculada sobre a base de cálculo prevista na Lei Complementar n° 70/91', e ainda, 'de, após o trânsito em julgado (art. 170A do CT1V), compensar os valores recolhidos a maior desde janeiro de 2001, em face do direito ora reconhecido, com outros tributos administrados pela Secretaria de Receita Federal, nos termos do art. 74 da Lei n°9.430/96, com a redação da Lei n° 10.637/2002'"; no § 2° e caput do art. 3° da Lei n° 8.078/90 (definição de fornecedor e serviço do Código de Defesa do Consumidor CDC); no Anexo de Serviços Financeiros do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio 1994 (GATT 1994); no Parecer PGFN/CAT/n° 2.773/07; e Acórdão CARF n° 3101001.768, de 11/12/2014, que versam sobre as mesmas matérias, porém atinentes ao período de março de 2008 a junho de 2010. A DRJ ratificou a autuação, pelos seus fundamentos, enfatizando aquela que julgou ser a questão central: o alcance da sentença judicial e o conceito de faturamento, que abrangeria as receitas típicas de uma sociedade seguradora. Colacionou trechos de julgamentos do Supremo Tribunal Federal, em que concluíram pela inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98. Em suas peças de defesa, a recorrente apresenta diversos argumentos para contestar a pretensão fiscal, a saber: i) Trouxe dissertação acerca do perfil constitucional das contribuições para o PIS e COFINS, destacando que o alargamento da base de cálculo promovido pela Lei n° Fl. 547DF CARF MF Processo nº 10980.722167/201587 Acórdão n.º 3301004.172 S3C3T1 Fl. 548 9 9.718/98 foi considerado inconstitucional pelo STF, o que fez com que incidam exclusivamente sobre vendas de mercadorias e serviços, nos moldes do art. 2° da LC n° 70/91. ii) Alegou que nem todas as receitas operacionais enquadramse no conceito de faturamento, mencionando: decisão do STF (RE n° 396.514), em que a receita de locação de imóveis não se inclui na base de cálculo da COFINS, por não se tratar de venda de mercadoria ou serviço; trecho de debate, no âmbito do RE 390.840, em que o Ministro Carlos Brito manifestouse no sentido de que receitas financeiras não constituem faturamento; julgados do TRF da 4° Região (MS n° 2005.71.00.0195070/RS e AMS n° 2005.71.00.0236496), para instituição financeira, dispondo que as receitas financeiras não se incluem no conceito de faturamento; que somente a partir de janeiro de 2015, com a edição da MP n° 627/13, convertida na Lei n° 12.973/14, poderseia admitir a inclusão da receita de prêmios nas bases tributáveis pelo PIS e a COFINS, posto que determinou a incidência sobre as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica; e precedente do CARF, no sentido de que as receitas financeiras não integram as bases de PIS e COFINS de instituição financeira (processo n° 15504.015967/201072) e em que foi discutida a aplicação de conteúdo da sentença proferida em favor do contribuinte em questão. iii) Dispôs sobre o alcance da sentença proferida em seu favor, que declarou que o § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98 era inconstitucional. Como foi determinado que deveriam ser calculadas com base na LC n° 70/91 venda de mercadorias e serviços e venda de seguros não se configura como prestação de serviços, seria indevido o lançamento de ofício. Para tanto, destacou o seguinte trecho do voto proferido no acórdão transitado em julgado: iv) Aduziu que a DRJ não apreciou os argumentos que contestaram a equiparação de receitas securitárias às de serviços, que teria sido efetuada com base no Anexo de Serviços Financeiros do GATT 1994 e no CDC, quais sejam: O STF, quando do julgamento do RE 116.121/SP, leading case sobre não tributação pelo ISS de locação de guindastes, consignou que somente há serviço, quando se verifica uma obrigação de fazer, o que não ocorre no caso em tela, posto que as receitas que aufere "não se prestam a remunerar qualquer espécie de esforço humano." O GATT 1994 aplicase ao comércio internacional, não podendo ser adotado "no âmbito de atuação interna de cada ente federado". Fl. 548DF CARF MF Processo nº 10980.722167/201587 Acórdão n.º 3301004.172 S3C3T1 Fl. 549 10 Cita decisão do STJ, no Resp 222.246/MG, no sentido de que "o conceito constitucional de serviço tributável somente abrange 'a) as obrigações de fazer e nenhuma outra". A previsão do CDC de que a atividade securitária incluise dentre as de prestação de serviços não tem o condão de produzir efeitos no campo tributário. v) Requer o sobrestamento do processo até o julgamento definitivo do RE 609.096/RS, nos termos do art. 1.030, inciso III do Novo Código de Processo Civil. Com efeito, naquele processo discutese a incidência de PIS e COFINS sobre receitas financeiras auferidas por instituições financeiras. vi) Alega ser ilegal a cobrança de juros Selic sobre multa de ofício. DA ANÁLISE DO MÉRITO Já me pronunciei sobre este tema, quando proferi meu voto no Acórdão n° 3301003.166, de 25/01/17. Propus que fosse negado provimento ao recurso voluntário, no que fui acompanhado por todos os conselheiros então presentes. Verificase que a empresa em questão era a "HSBC EMPRESA DE CAPITALIZAÇÃO (BRASIL) S/A" e que também figurava como parte no processo judicial mencionado pela recorrente (MS n° 2006.70.00.0040312). E que os argumentos de defesa apresentados naquele processo também se encontram no presente. Sendo assim, enfrento os argumentos comuns aos dois processos administrativos da recorrente com trecho do voto que naquela ocasião proferi. Em seguida, aprecio duas questões não contempladas no citado Acórdão n° 3301003.166: impropriedade da equiparação de receitas securitárias às de serviços realizada pela fiscalização, com base no GATT 1994 e no CDC; e ilegalidade da cobrança de juros Selic sobre multa de ofício. Abaixo, transcrição de parte do voto condutor do Acórdão n° 3301003.166, de 25/01/17: " Divirjo da Recorrente. Em suma, não depreendo das ações judiciais em que se discutiu a constitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98 que o PIS e a COFINS incidem somente sobre vendas de bens e serviços. Minha oposição, entretanto, não reside na pretensa classificação da venda de seguros e títulos de capitalização como serviços. Indiscutivelmente, não os são. Entendo que o conceito de faturamento, receita bruta, venda de bens e serviços, é amplo, abrangente, evoluiu ao longo dos anos com a expansão da atividade empresarial e deve ser entendido como o fruto, a receita obtida com as atividadesfim, principais e típicas do negócio. Nesta linha, a receita derivada da venda de seguros e títulos de capitalização deve ser incluída nas bases de cálculo do PIS e da COFINS. (. . .) Fl. 549DF CARF MF Processo nº 10980.722167/201587 Acórdão n.º 3301004.172 S3C3T1 Fl. 550 11 De volta ao tema principal, cabe então apresentar aos Conselheiros desta Turma o processo movido pela Recorrente e os fundamentos da opinião que expus em parágrafos anteriores. Apesar da baixa qualidade da reprodução, dada a sua importância, reproduzo trechos das seguintes peças processuais: pedido incluído no citado Mandado de Segurança; a decisão que concedeu parcialmente a segurança; e a sentença que transitou em julgado, prolatada pelo TRF da 4° Região: MS nº 2006.70.00.0040312 (fl. 41) Pedido Concessão parcial da segurança Fl. 550DF CARF MF Processo nº 10980.722167/201587 Acórdão n.º 3301004.172 S3C3T1 Fl. 551 12 Sentença transitada em julgado (TRF 4° Região) Dos excertos acima, destaco que: a Recorrente pleiteou pagar PIS sobre o "faturamento"; e não obstante o fato de ser apenas a decisão de primeiro grau, o juízo que concedeu a segurança deixou claro que o conceito de faturamento não foi objeto de apreciação, por não ter sido incluído no pedido: "destacando, apenas, a inexistência de declaração na presente ação acerca da interpretação das referidas leis, ou seja, sobre quais receitas das impetrantes estão efetivamente inseridas nas bases de cálculo referidas, uma vez que não foi a questão objeto de pedido nos autos". No tocante aos textos legais em que fundamento o entendimento acima manifestado sobre "faturamento" ou "receita bruta" ou "receita da venda de bens e serviços", inicio pelos artigos 278 a 280 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n° 3.000/99), cujo fundamento legal se encontra no Decretolei n° 1.598/77 e Lei n° 6.404/76 ("Lei das Sociedades Anônimas): Regulamento do Imposto de Renda (RIR) "Lucro Bruto Art. 278. Será classificado como lucro bruto o resultado da atividade de venda de bens ou serviços que constitua objeto da pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 11, § 2º). Fl. 551DF CARF MF Processo nº 10980.722167/201587 Acórdão n.º 3301004.172 S3C3T1 Fl. 552 13 Parágrafo único. O lucro bruto corresponde à diferença entre a receita líquida das vendas e serviços (art. 280) e o custo dos bens e serviços vendidos Subseção III (Lei nº 6.404, de 1976, art. 187, inciso II). Subseção I Disposições Gerais sobre Receitas Receita Bruta Art. 279. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12). Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem os impostos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante, dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. Receita Líquida Art. 280. A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 1º)." (g.n.) Adicionalmente, na sessão do julgamento do RE 346.084/PR (fls. 1.253 e 1.254), em que foi declarada a inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, o Ministro César Peluso expressou o entendimento de que receita bruta é sinônimo de faturamento, como a soma das receitas oriundas do exercício das atividades típicas da empresa e acrescentou que, se determinadas instituições têm receitas financeiras como atividade empresarial típica, tais receitas ingressam no conceito de receita bruta como faturamento: “(. . . ) Quanto ao caput do art. 3°, julgoo constitucional, para lhe dar interpretação conforme a Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE n° 150755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de "receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços", adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais.” (..) Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de "receita bruta igual a faturamento". (g.n.) O Ministro César Peluso manifestou idêntico posicionamento, quando do julgamento do AgR RE 371.258 e no AgR RE 400.479. Sobre este último, chamo a atenção dos Conselheiros para a reprodução da manifestação do referido ministro, pois trata do caso presente, isto é, tributação pelo PIS e COFINS de receitas da venda de seguros: AgR RE 371.258 Fl. 552DF CARF MF Processo nº 10980.722167/201587 Acórdão n.º 3301004.172 S3C3T1 Fl. 553 14 “RECURSO. Extraordinário. COFINS. Locação de bens imóveis. Incidência. Agravo regimental improvido. O conceito de receita bruta sujeita à exação tributária envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais” RE 400.479AgR, manifestação do Relator, Ministro Cezar Peluso “Tendo em conta que a doutrina comercialista mais acatada reconhece há tempos a relevância da chamada teoria da empresa e que o conceito básico do moderno direito comercial seria o de atividade empresarial, substituindo a velha noção de ato de comércio, assentou o relator que se deveria formular a ideia de faturamento sob a perspectiva da natureza e das finalidades da atividade empresarial. Ressaltou que o equívoco dos que querem furtarse ao regulamento das contribuições, alegando não comercializar bens nem serviços, decorreria da não percepção da ideia mais abrangente de atividade empresarial. Disse que, embora se use definir empresa com base na noção de empresário, entendido como quem exerce profissionalmente atividade organizada para a produção e circulação de bens e serviços, obviamente não haveria como nem por onde resumir a ideia da atividade empresarial à de venda de bens e serviços, nem tampouco interpretar restritivamente o sentido da referência a esses bens e serviços. A noção seria ampla e abarcaria o conjunto das atividades empresariais, pouco importando o ramo a que pertençam. Para o relator, não seria possível deixar de correlacionar atualmente a noção jurídica de faturamento com a de atividade empresarial. Realçou que, se nem todas as receitas constituem faturamento, seria preciso reconhecer, por outro lado, que as receitas que o compõem não se exauririam na rubrica das oriundas de vendas de bens e serviços. Não seria lícito, portanto, invocar a concepção curtíssima de mercadorias ou serviços para limitar a noção de faturamento, não procedendo a argumentação quer da seguradora quer das instituições financeiras de que, por não venderem mercadorias nem prestarem serviços, estariam livres da incidência da contribuição sobre o faturamento. Aduziu que a atividade econômica se expressaria das mais variadas formas e o fato de certos ramos não se dedicarem à produção de mercadorias nem à prestação de serviço ‘stricto sensu’, não lhes retiraria nem esmaeceria o caráter empresarial que está indissociavelmente ligado ao pressuposto do fato autorizador do PIS e da COFINS” (Informativo STF n. 556, de 17 a 21 de agosto de 2009 – g. n.). Por fim, imprescindível mencionar que, em sessão de 24/08/2016, a 2° Turma Ordinária destas Seção e Câmara, em processo idêntico e de n° 10980.725458/2011 01, proferiu decisão em desfavor da Recorrente. O Acórdão 3302003.334 foi assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2008 PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS SECURITÁRIAS E DE CAPITALIZAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. Pela decisão judicial transitada em julgado, que considerou inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins, trazida pela Lei n. 9.718/98, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal, ficaram afastadas da base de cálculo o valor das demais receitas não decorrentes da atividade principal da empresa, não restando estabelecido, na decisão judicial, que as receitas Fl. 553DF CARF MF Processo nº 10980.722167/201587 Acórdão n.º 3301004.172 S3C3T1 Fl. 554 15 securitárias e de capitalização, e correlatas, atinentes à atividade operacional da companhia, tenham sido afastadas da incidência das referidas contribuições." (g.n.) No quarto item do recurso voluntário, a Recorrente requer o sobrestamento do processo, "em razão de a discussão sobre a incidência do PIS e da COFINS sobre receitas financeiras auferidas por instituições financeiras estar pendente de julgamento definitivo pelo STF, em sede do RE n° 609.096/RS, ao qual foi conferido repercussão geral." Deste resultado, aguardase posicionamento definitivo do STF sobre a abrangência dos conceitos de "faturamento" / "receita bruta" / "receita da venda de bens e serviços", para fins de determinação das bases de cálculo do PIS e da COFINS. Não obstante a pertinência do RE n° 609.096/RS com a discussão em tela, no Regimento Interno do CARF atualmente em vigor (Portaria MF n° 343/2015), não há mais previsão acerca de sobrestamento. Diante do exposto, entendo que as receitas derivadas da venda de seguros, cosseguros, resseguros, segurossaúde e de títulos de capitalização incluemse no conceito de faturamento, base de cálculo do PIS, o qual abrange as receitas das atividadesfim do contribuinte. Desta forma, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto." Consignado meu posicionamento sobre a matéria, isto é, de que considero tributáveis pelo PIS e COFINS as receitas com prêmios de seguros, enfrentarei as duas alegações remanescentes. Segundo a recorrente, a fiscalização teria concluído pela incidência do PIS e da COFINS sobre receitas securitárias, em razão de têlas equiparado às receitas de prestação de serviços, com os seguintes fundamentos: § 2° e caput do art. 3° da Lei n° 8.078/90 (definição de fornecedor e serviço do Código de defesa do Consumidor; e no Anexo de Serviços Financeiros do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio 1994 (GATT 1994). Nas peças de defesa, a recorrente assim contestou os argumentos da fiscalização, os quais, a seu ver, inclusive, não teriam sido enfrentados pela DRJ: O STF, quando do julgamento do RE 116.121/SP, leading case sobre não tributação pelo ISS de locação de guindastes, consignou que somente há serviço, quando se verifica uma obrigação de fazer, o que não ocorre no caso em tela, posto que as receitas que aufere "não se prestam a remunerar qualquer espécie de esforço humano." O GATT 1994 aplicase ao comércio internacional, não podendo ser adotado "no âmbito de atuação interna de cada ente federado". Cita decisão do STJ, no Resp 222.246/MG, no sentido de que "o conceito constitucional de serviço tributável somente abrange 'a) as obrigações de fazer e nenhuma outra". Fl. 554DF CARF MF Processo nº 10980.722167/201587 Acórdão n.º 3301004.172 S3C3T1 Fl. 555 16 A previsão do CDC de que a atividade securitária incluise dentre as de prestação de serviços não tem o condão de produzir efeitos no campo tributário. Minha leitura do Termo de Verificação Fiscal (fls. 29 a 48) difere da efetuada pela recorrente. Depreendo que a fiscalização recorreu ao GATT 1994 e ao § 2° e caput do art. 3° da Lei n° 8.078/90 (definição de fornecedor e serviço do Código de Defesa do Consumidor CDC) para consignar quais atividades estavam compreendidas no objeto social de uma sociedade seguradora, cujas receitas compõem seu faturamento e, por conseguinte, estavam sujeitas à incidência do PIS e da COFINS. E a DRJ, a meu ver, ao consignar que as contribuições incidem sobre as receitas das atividades típicas de uma seguradora, enfrentou a questão, ainda que de forma indireta. Conforme já mencionei, entendo que o faturamento, base de cálculo do PIS e da COFINS, abrange todas as receitas das atividades típicas da pessoa jurídica. E, em se tratando de seguradora, compreende, naturalmente, as receitas com prêmios de seguros. Por fim, sobre a suposta ilegalidade da cobrança de juros Selic sobre a multa de ofício, dispõe o art. 113 do CTN: " Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (. . .)" (grifo nosso) A redação do art. 113 do CTN já foi objeto de inúmeras críticas por parte de conceituados tributaristas, que repudiam o fato de o conceito de obrigação tributária compreender tributo e penalidade. Contudo, não podemos nos furtar a aplicálo. Assim, no caso em tela, a obrigação tributária abrange PIS, COFINS e multa de ofício. Sobre a incidência dos juros, temos o art. 161 do CTN: "Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (. . .)" (grifo nosso) Portanto, é lícita a incidência de juros sobre a obrigação tributária, consistente em tributo e/ou penalidade pecuniária. Neste sentido, apresentouse o entendimento do STJ no AgRg no REsp n° 1335688/PR (DJ de 10/12/2012): "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. Fl. 555DF CARF MF Processo nº 10980.722167/201587 Acórdão n.º 3301004.172 S3C3T1 Fl. 556 17 INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido." (grifo nosso) Sobre a taxa de juros a ser aplicada, reportome à Súmula CARF n° 4: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." Com base no acima exposto, nego provimento às alegações concernentes à ausência de base legal para a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício não recolhida no prazo. DA CONCLUSÃO Nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 556DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.914073/2009-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ELEMENTOS DE PROVA.
A prova do direito de crédito do contribuinte, por força de lei, é a sua contabilidade comercial e fiscal, bem assim, os documentos que a suportam, não se prestando a tal desiderato exclusivamente as declarações entregues à RFB, ainda que retificadas, razão porque a ele incumbe a prova documental que respalda o direito de crédito vindicado, ex vi do art. 373 do Código de Processo Civil, não cabendo a invocação do princípio da verdade material, quando apenas o interessado pode produzir os elementos que amparam sua pretensão.
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 3401-004.348
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, para negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ELEMENTOS DE PROVA. A prova do direito de crédito do contribuinte, por força de lei, é a sua contabilidade comercial e fiscal, bem assim, os documentos que a suportam, não se prestando a tal desiderato exclusivamente as declarações entregues à RFB, ainda que retificadas, razão porque a ele incumbe a prova documental que respalda o direito de crédito vindicado, ex vi do art. 373 do Código de Processo Civil, não cabendo a invocação do princípio da verdade material, quando apenas o interessado pode produzir os elementos que amparam sua pretensão. Embargos acolhidos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, para negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente Robson José Bayerl Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ELEMENTOS DE PROVA. A prova do direito de crédito do contribuinte, por força de lei, é a sua contabilidade comercial e fiscal, bem assim, os documentos que a suportam, não se prestando a tal desiderato exclusivamente as declarações entregues à RFB, ainda que retificadas, razão porque a ele incumbe a prova documental que respalda o direito de crédito vindicado, ex vi do art. 373 do Código de Processo Civil, não cabendo a invocação do princípio da verdade material, quando apenas o interessado pode produzir os elementos que amparam sua pretensão. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, para negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 40 73 /2 00 9- 09Fl. 113DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos. Relatório Cuidase, na espécie, de despacho decisório eletrônico de não homologação de compensação, relativo ao PER/DCOMP 26561.40195.060207.1.7.045692, cujo fundamento é a integral vinculação do crédito indicado em outro(s) débito(s) de titularidade do contribuinte. Em manifestação de inconformidade o contribuinte sustentou a efetiva existência do crédito utilizado, que, devidamente corrigido, seria suficiente à quitação do débito exigido; que promoveu a retificação da DCTF e DACON; e, que houve erro material no preenchimento das declarações. Foram juntados, na ocasião, planilha de atualização do indébito, PERDCOMP (original), DACON e DCTF retificados. A DRJ Porto Alegre/RS julgou o recurso improcedente ao argumento que não havia prova concreta nos autos que conferisse liquidez e certeza ao crédito postulado, para tanto não bastando apenas retificações de declarações desacompanhadas de outros elementos. O recurso voluntário apontou violação ao princípio da verdade material e aduziu a ocorrência de erro material, devidamente caracterizado. Citou doutrina e jurisprudência, em seu favor. A 1ª Turma Ordinária/4ª Câmara/3ª SEJUL/CARF/MF, através do Acórdão 3401001.613, de 02/09/2011, não conheceu do recurso, devido à perempção (perda de prazo processual). A unidade preparadora interpôs embargo de declaração, assinalando omissão, de sua parte, na juntada do competente Aviso de Recebimento – AR, de ciência postal, certificando a tempestividade da peça. Às efls. 111/112 consta o exame de admissibilidade recursal exigido pelo art. 65, § 2º do RICARF/15 (Portaria MF 343/15). É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator Reexaminado o recurso voluntário, à luz do aclaratório interposto, confirmo o preenchimento dos requisitos para sua admissibilidade, visto que proposto dentro do trintídio legal, de modo que deve ser conhecido. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 11080.914073/200909 Acórdão n.º 3401004.348 S3C4T1 Fl. 11 3 Nesse diapasão, a questão dessa discussão, a meu ver, diz respeito a prova dos fatos alegados ou, melhor dizendo, à distribuição do ônus probatório correspondente, mais especificamente, a quem caberia a produção dos elementos probatórios do direito de crédito ora altercado. O contribuinte, em sua manifestação recursal, pugnou pela observância do princípio da verdade material, regente do processo administrativo fiscal, contudo, não se pode olvidar que é sua a atribuição de comprovar a existência do indébito alegado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil (CPC/15), utilizado subsidiariamente. Consoante aludido dispositivo, cabe ao autor o ônus de provar o fato constitutivo de seu direito, o que, nas hipóteses de pedido de restituição e/ou ressarcimento, incumbe ao sujeito passivo, que é seu titular, enquanto nos lançamentos para exigência de crédito tributário este encargo é responsabilidade do sujeito ativo, o Estado, representado pela Fazenda Nacional. Mesmo reconhecendo que o aludido princípio é verdadeiro dogma para o procedimento contencioso administrativo, tenho que encontra limite na própria lógica da produção probatória necessária à demonstração do direito invocado, não me parecendo coerente que a Administração Tributária, no caso, tenha que providenciar os elementos de prova que estão em poder do requerente. Também não me parece suficiente que ao administrado basta a invocação do seu direito, desacompanhado de qualquer documento que o ampare, para que dele possa usufruir e, havendo necessidade de instrução probatória, compita à administração pública providenciála com base no princípio da verdade material, mormente quando a mesma dependa de provas que estão justamente na esfera de disponibilidade do administrado requerente. A prova documental colacionada ao processo se limita às declarações retificadoras, que, a meu ver e por si só, não possuem o condão de deflagrar os efeitos desejados pelo contribuinte – demonstração de recolhimento a maior de tributo –, como acentuou a decisão recorrida. Em hipóteses como esta – divergência entre declarações (retificada x retificadora) –, apenas a contabilidade do contribuinte se sobrepõe às declarações firmadas, porquanto a legislação comercial e civil (e. g. art. 226 do Código Civil, art. 195 do Código Tributário Nacional e arts. 56 e ss da Lei nº 4.502/64) lhe conferem expressamente esta força probante, de modo que caberia sua apresentação, ainda que por amostra, para contraposição às declarações apresentadas, para checagem do que é realmente devido. Neste processo, não há um único elemento distinto das sobreditas declarações retificadoras, não vindo aos autos qualquer documento contábil ou fiscal que permita a aferição de seus dados, documentos estes, repitase, que apenas o contribuinte ora recorrente detém, cabendo acentuar que esta circunstância foi expressamente destacada na decisão recorrida: Fl. 115DF CARF MF 4 (...) Em que pese o alerta feito pelo colegiado a quo, o recurso voluntário não trouxe nenhum outro elemento, mas tãosomente um acórdão do TRF – 4ª Região. Repitase: a incumbência da prova cabe ao contribuinte, que não se desvencilhou de produzila, sendo insuficiente a referência às declarações, justamente porque as informações são díspares e não conduzem à conclusão defendida. De outra banda, vale aqui a inteligência do adágio jurídico consoante o qual alegar o direito e não provar é o mesmo que nada alegar (allegare sine probare et non allegare paria sunt). Quanto ao pretenso erro material, o recorrente menciona genericamente a sua ocorrência, divagando sobre seus efeitos, mas sequer indica onde teria ocorrido o equívoco de preenchimento, o que, por outro lado, seria de nenhuma valia, pois, como dito, desacompanhado dos elementos documentais que respaldariam a revisão pretendida. Em síntese, concluo que a decisão recorrida deve ser integralmente mantida pelos seus próprios e jurídicos fundamentos, não merecendo qualquer censura. Pelo exposto, acolho os embargos de declaração, com efeito infringente, para negar provimento ao recurso. Robson José Bayerl Fl. 116DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004215/2010-16
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.425
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo.
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APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 42 15 /2 01 0- 16 Fl. 551DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo. Relatório Tratase de ação fiscal que originou os seguintes procedimentos: PROCESSO DEBCAD TIPO FASE 19515.004215/201016 37.309.5112 (Emp. e SAT) Obrig. Principal Recurso Especial 19515.004214/201063 37.309.5139 (Terceiros) Obrig. Principal Recurso Especial 19515.004216/201052 37.252.5334 (AI 78) Obrig. Acessória Recurso Especial 19515.004217/201005 37.309.5074 (AI34) Obrig. Acessória Sem interposição de Recurso Especial 19515.004218/201041 37.309.5120 (AI 68) Obrig. Acessória Recurso Especial O presente processo trata do Auto de Infração de Obrigação Principal, Debcad 37.309.5112, referente às Contribuições Previdenciárias, parte patronal e a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho RAT, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, aos segurados empregados, no período de 01/2005 a 13/2005, conforme Relatório Fiscal de fls. 31 a 43. Em sessão plenária de 16/07/2013, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2403002.142 (efls. 482 a 493), assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR PRIVADA. Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de previdência complementar privada quando não extensivo a todos os empregados e dirigentes da empresa. DESPESAS MÉDICAS. Fl. 552DF CARF MF Processo nº 19515.004215/201016 Acórdão n.º 9202006.425 CSRFT2 Fl. 552 3 A assistência médica seja a título de seguro saúde, seja a título de reembolso de despesas médicas, é saláriodecontribuição quando não ofertados a todos os empregados e dirigentes da empresa. Recurso Voluntário Provido em Parte." A decisão foi assim resumida: “ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, no mérito, dar provimento parcial para reconhecer a decadência no período de 01/2005 a 11/2005, nos termos do art. 150, parágrafo 4º do CTN, bem como para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora." O processo foi encaminhado à PGFN em 13/09/2013 (Despacho de Encaminhamento de efls. 494) e, em 01/10/2013, foi interposto o Recurso Especial de efls. 495 a 512 (Despacho de Encaminhamento de efls. 513). O apelo está fundamentado nos arts. 64, II, e 67, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e visava rediscutir duas matérias: decadência; e aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. Ao Recurso Especial foi dado seguimento parcial, apenas quanto à aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, conforme Despacho nº 2400242/2014, de 24/02/2014 (efls. 515 a 518), o que foi mantido pelo Despacho de Reexame nº 2400348R/2014, de 07/05/2014 (efls. 519). Quanto à matéria que obteve seguimento, a Fazenda Nacional pede que se verifique, na execução do julgado, qual a norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou a do art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991. Cientificada do acórdão, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento parcial em 02/02/2015 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de efls. 528), a Contribuinte ofereceu, em 13/02/2015, as Contrarrazões de efls. 530 a 539 (carimbo de efls. 530), contendo os seguintes argumentos, relativamente à matéria que obteve seguimento: conforme muito bem observado no acórdão recorrido, antes da Medida Provisória n° 449 não havia a previsão de aplicação da multa de ofício mas sim a multa de mora aplicada em duas modalidades distintas: (i) uma decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea e (ii) outra decorrente da notificação fiscal de lançamento; Fl. 553DF CARF MF 4 posteriormente, com o advento da referida MP, que passou a vigorar a partir de 04/12/2008 e foi convertida na Lei n° 11.941, de 2009, surgiu a previsão da multa de ofício com a nova redação dada ao artigo 35 da Lei n° 8.212, de 1991, e com a inclusão do artigo 35 A no dispositivo legal mencionado acima; neste sentido, nos termos do artigo 144, do CTN, o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, de modo que em relação aos fatos geradores ocorridos antes de dezembro de 2008, aplicase apenas a multa de mora e, em relação aos fatos geradores ocorridos após dezembro de 2008, aplicase apenas a multa de ofício; deste modo, também quanto à aplicação da multa, não poderá ser admitido ou provido o Recurso Especial, e, por conseguinte, deverá ser feito o recálculo da multa com base no artigo 61, da Lei n° 9.430, de 1996, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212, de 1991. Ao final, a Contribuinte pede que seja negado provimento ao recurso, mantendose integralmente o acórdão recorrido. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e, relativamente à matéria que obteve seguimento aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009 atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido, nesta parte. Embora a Contribuinte, em sede de Contrarrazões, alegue que o Recurso Especial não poderia ser admitido, uma vez que o acórdão recorrido teria aplicado o entendimento da súmula nº 99 do CARF, verificase que a citada súmula referese à matéria da decadência, cujo seguimento foi negado ainda na fase de admissibilidade, conforme os despachos de efls. 515 a 519. Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal, Debcad 37.309.5112, referente às Contribuições Previdenciárias, parte patronal e a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho RAT, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, aos segurados empregados, no período de 01/2005 a 13/2005, conforme Relatório Fiscal de fls. 31 a 43. No que tange à penalidade, no caso do acórdão recorrido determinouse o recálculo da multa de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96). A Fazenda Nacional, por sua vez, pede que se verifique, na execução do julgado, qual a norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou a do art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991. A retroatividade benigna encontrase prevista no Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966), conforme a seguir: "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) Fl. 554DF CARF MF Processo nº 19515.004215/201016 Acórdão n.º 9202006.425 CSRFT2 Fl. 553 5 II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática." No presente caso, os fatos geradores ocorreram à luz de legislação posteriormente alterada, de sorte que a aferição acerca de eventual retroatividade benigna deve ser levada a cabo mediante comparação da redação original da Lei nº 8.212, de 1991, com a sua nova redação, conferida pela Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009: Redação da Lei nº 8.212, de 1991, à época dos fatos geradores “Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 555DF CARF MF 6 b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento.” (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (grifei) Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações da Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” (grifei) Fl. 556DF CARF MF Processo nº 19515.004215/201016 Acórdão n.º 9202006.425 CSRFT2 Fl. 554 7 Destarte, independentemente da denominação que se dê à penalidade, há que se perquirir acerca do seu caráter material, e nesse sentido não há dúvida de que, mesmo na antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, estavam ali descritas multas de mora e multas de ofício. As primeiras, cobradas com o tributo recolhido após o vencimento, porém espontaneamente. As últimas, cobradas quando do pagamento por força de ação fiscal, tal como ocorria com os demais tributos federais, nos lançamentos de ofício. Além disso, tanto os demais tributos como as contribuições previdenciárias têm seu regramento básico estabelecido pelo Código Tributário Nacional, que não só determina que a exigência tributária tem de ser formalizada por meio de lançamento, como também especifica as respectivas modalidades: lançamento por homologação, lançamento por declaração e lançamento de ofício. Cada uma dessas modalidades está ligada ao grau de colaboração verificado por parte do sujeito passivo. No caso dos tributos e contribuições federais, foi adotado de forma genérica o lançamento por homologação, que atribui ao sujeito passivo o dever de calcular o valor devido e efetuar o seu recolhimento, independentemente de prévia ação por parte da Autoridade Administrativa. Por outro lado, se o sujeito passivo deixa de cumprir com essas obrigações, o Fisco pode exigir o tributo por meio de lançamento de ofício. Nesta sistemática, qualquer que seja o tributo ou contribuição, e independentemente da denominação atribuída ao lançamento, claramente são visualizadas duas formas de recolhimento fora do prazo estabelecido: aquele efetuado espontaneamente, passível de aplicação de multa de mora; e aquele efetuado por força de ação fiscal, aplicável aí a multa de ofício, mais onerosa. Assim, embora a antiga redação do artigo 35 da Lei nº 8.212, de 1991, tenha utilizado apenas a expressão “multa de mora” para as contribuições previdenciárias, não há dúvida de que os incisos componentes do dispositivo legal já continham a descrição das duas condutas tipificadas nos dispositivos legais que regulavam os demais tributos federais: pagamento espontâneo e pagamento efetuado por força de ação fiscal, conforme os ditames do CTN. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, determinando que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 557DF CARF MF
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Numero do processo: 10875.000762/2005-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2002 SIMPLES. EXCLUSÃO - A exclusão de pessoa jurídica que tenha por objetivo, ou exercício, uma das atividades econômicas relacionadas no art. 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317/96, ou atividades assemelhadas a uma delas, tem sua aplicabilidade adstrita à comprovação de que sua atividade seja impeditiva ou que encontre plena similitude com as que sejam. Não comprovada nos autos a efetiva prestação de serviços profissionais de engenheiro, consultoria, assessoria, projetos, ou de qualquer atividade que pudesse caracterizar semelhança com a engenharia ou consultoria, descabida a exclusão do contribuinte. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-000.677
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Moisés Giacomelli Nunes da Silva
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 SIMPLES. EXCLUSÃO A exclusão de pessoa jurídica que tenha por objetivo, ou exercício, uma das atividades econômicas relacionadas no art. 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317/96, ou atividades assemelhadas a uma delas, tem sua aplicabilidade adstrita à comprovação de que sua atividade seja impeditiva ou que encontre plena similitude com as que sejam. Não comprovada nos autos a efetiva prestação de serviços profissionais de engenheiro, consultoria, assessoria, projetos, ou de qualquer atividade que pudesse caracterizar semelhança com a engenharia ou consultoria, descabida a exclusão do contribuinte. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 259DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10875.000762/200593 Acórdão n.º 140200.677 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório SERMACSEG SERVICOS EMPRESARIAIS LTDA. ME, já qualificada nos autos, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre da decisão de primeira instância, que julgou improcedente seu pleito. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: O Contribuinte foi excluído do Simples e disto teve ciência em 30/08/2004 (fl. 23). Apresentou sua insurgência em 16/09/2004 (fls. 02/08), a qual, autuada, seguiu para esta DRJ em Campinas/SP (chegados os autos nesta Unidade em 09/03/2005, conforme protocolo de capa), sem apreciação de mérito por parte da DRF origem, certo que, na hipótese, entendeuse que a discussão intentada seria exclusivamente de direito (fl. 01). Argüia o Contribuinte: a) O ato de exclusão não teria fundamento fático, certo que a atividade por ele desenvolvida não se enquadraria entre aquelas vedadas pelo art. 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317/96. b) Sua receita não excederia o limite permitido. c) Julgados administrativos dariam suporte à sua inteligência. d) Atribuição do efeito suspensivo à sua insurgência contra o ato de exclusão do Simples. Em tempo, o Ato Declaratório Executivo (ADE) que excluíra o Contribuinte do Simples, com efeitos a partir de 27/09/2002, consigna a data de 27/09/2002 como a de ocorrência do evento impeditivo, e foi sumariamente motivado nos termos seguintes: “atividade econômica vedada: 29696/02 Instalação, reparação e manutenção de outras máquinas e equipamentos de uso específico” (fls. 11). A decisão recorrida está assim ementada: CIRCUNSTÂNCIAS IMPEDITIVAS DE INGRESSO E/OU PERMANÊNCIA NO SIMPLES. O exercício de atividade que pressupõe o domínio de conhecimento técnicocientífico próprio de profissional da engenharia é circunstância que impede o ingresso ou a permanência no Simples. Solicitação Indeferida No voto condutor do acórdão de primeira instância extraise os seguintes fundamentos: (...) No caso presente, consta como atividade econômica explorada pelo Contribuinte, entre outros: “serviços de instalação, manutenção e comercialização de Fl. 260DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10875.000762/200593 Acórdão n.º 140200.677 S1C4T2 Fl. 0 3 equipamentos eletrônicos de segurança, de comunicação interna e externa, assim como de emissão e captação de sinais e orientação comercial”. (...) Vejase, a vedação estampada no art. 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317/96, é de ordem objetiva, nada que ver com qualquer aspecto subjetivo. Explicase. O impedimento traçado tem assento na atividade (critério objetivo) e não na pessoa que desempenha dita atividade (que se constituiria num critério subjetivo). Por outra, não importa quem desempenha a atividade, mas senão se tal atividade encontrase, ou não, especificamente atribuída a algum dos profissionais (ou assemelhados) elencados no referido inciso XIII, do art. 9º, da Lei nº 9.317/96. Se a atividade sob consideração inserese no domínio de conhecimento técnicocientífico próprio daqueles profissionais (ou assemelhados), tal é uma circunstância impeditiva para o ingresso ou a permanência no Simples. (...) Presentemente, sem que o Contribuinte faça a juntada de outros instrumentos probatórios (tais os já citados: alterações de contrato social ou estatuto, de declaração de firma individual, notas fiscais de venda de produtos, mercadorias e/ou serviços), não se pode, pura e simplesmente, à força de simples alegação, ter por desconstituída (ou até restringida) a declaração de vontade impressa em seus atos constitutivos. (...) Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 16/12/2009, fls.34 e seguintes, aduzindo que: (...) Portanto, depreendese do acima transcrito, que no entendimento do Fisco, a teor da legislação supratranscrita, a competência para executar serviços na área de instalação e manutenção de máquinas em geral, equipamentos mecânicos ou eletromecânicos caberia unicamente aos engenheiros e técnicos, no âmbito dessas modalidades profissionais especificas. 15. No mais, notase que o fundamento da decisão recorrida enseja a sua reforma, guando sustenta que a execução desses serviços cabe aos engenheiros e assemelhados. 16. Observase, que nos termos do inciso XIII do artigo 9° da Lei 9.317/96, o impedimento legal é o exercício de atividade pela pessoa jurídica envolvendo prestação de serviço profissional de engenheiro. 17. Ademais, as vedações do inciso XIII do artigo 9° sob comento não podem ser interpretadas de forma ampla, pois é defeso o emprego de analogia, quando esta implicaria em exigência de tributo sem lei. 0 que fatalmente ocorreria no presente caso. (...) 24. Vale salientar que a execução dos serviços de instalação e manutenção de equipamentos de segurança, não exige profissional legalmente habilitado (engenheiro), nem o Estatuto dos Engenheiros, Arquitetos e Engenheiros Agrônomo, a Lei n° 5.194/66, exige o registro no CREA para a pessoa jurídica executar tais serviços. Fl. 261DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10875.000762/200593 Acórdão n.º 140200.677 S1C4T2 Fl. 0 4 25. Assim, verificase que a Recorrente não executa serviços que necessitam de profissional que dependa de habilitação profissional legalmente exigida, e, portanto reúne condições para reingressar legitimamente no SIMPLES. (...) IV DO PEDIDO 32. Face a todo o exposto, requer a Vossas Senhorias, em preliminar, o conhecimento e processamento do presente recurso, a fim de que ao final, em sede meritória, seja dado total provimento as suas razões, com a reforma da r. decisão de Primeira Instância, anulandose do Ato Declaratório Executivo DRF/GUA n° 566.629, de 02.08.2004, para que seja promovida a reinclusão de pleno direito da Requerente no SIMPLES, retroagindose seus efeitos, a 27.09.2002, para garantir a continuidade do regime. É o relatório. Fl. 262DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10875.000762/200593 Acórdão n.º 140200.677 S1C4T2 Fl. 0 5 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto nº. 70.235 de 06/03/1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado e preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoo e passo ao exame da matéria. Em litígio a exclusão do contribuinte da sistemática do Simples, no ano de 2002, pelo exercício de atividade vedada, qual seja: “instalação e manutenção de equipamento eletrônico”, conforme CNAE e Contrato Social. A decisão de 1a. instância confirmou a exclusão sob o entendimento que essa atividade é mesmo vedada ao Simples. Por seu turno, o recorrente alega que, “nos termos do inciso XIII do artigo 9° da Lei 9.317/96, o impedimento legal é o exercício de atividade pela pessoa jurídica envolvendo prestação de serviço profissional de engenheiro... Ademais, as vedações do inciso XIII do artigo 9° sob comento não podem ser interpretadas de forma ampla, pois é defeso o emprego de analogia, quando esta implicaria em exigência de tributo sem lei. (...)” Pois bem, compulsando os autos, verificase que não foi juntada uma única nota fiscal, tampouco um único contrato de prestação de serviços que comprove qual a atividade efetivamente exercida pelo contribuinte. O ato declaratório de exclusão é absolutamente superficial e se orientou apenas pelo CNAE fiscal do contribuinte. Por sua vez, a decisão de primeira instância calcouse exclusivamente no Contrato Social, cuja clausula 2a. estabelece: A sociedade tem por objeto social a exploração do segmento de serviços de instalação, manutenção e comercialização de equipamentos eletrônicos de segurança, de comunicação interna e externa, assim como de emissão e captação de sinais e orientação comercial. Não obstante a peça recursal ter articulado apenas alegações de direito, quando poderia ter apresentado provas materiais de que realmente não exerceu atividade vedada, é certo que, neste caso, o ônus da prova é do Fisco, consoante já decidido por está Câmara. O fato de constar no Contrato Social o exercício de uma atividade, que pode vir a ser vedada à luz da legislação do Simples, por si só, não pode ensejar a exclusão. Repito, cumpre ao Fisco fazer prova material desse impedimento. Além de não se constituir na única atividade da empresa, a instalação e manutenção de equipamentos eletrônicos, nem sempre se confunde com os serviços privativos de engenheiro, assemelhados e profissões legalmente regulamentadas. Fl. 263DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10875.000762/200593 Acórdão n.º 140200.677 S1C4T2 Fl. 0 6 Nesse sentido é majoritário o entendimento no CARF, a exemplo dos seguintes acórdãos: Acórdão 30333.679 de 19/10/2006 SIMPLES. EXCLUSÃO A exclusão de pessoa jurídica que tenha por objetivo, ou exercício, uma das atividades econômicas relacionadas no art. 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317/96, ou atividades assemelhadas a uma delas, tem sua aplicabilidade adstrita à comprovação de que sua atividade seja impeditiva ou que encontre plena similitude com as que sejam. Não comprovada nos autos a efetiva prestação de serviços profissionais de engenheiro, consultoria, assessoria, projetos, ou de qualquer atividade que pudesse caracterizar semelhança com a engenharia ou consultoria, descabida a exclusão do contribuinte. Recurso voluntário provido Acórdão 30331.877 de 24/02/2005 SIMPLES EXCLUSÃO RAMO DE COMERCIALIZAÇÃO, INSTALAÇÃO, ASSISTÊNCIA TÉCNICA E MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTOS PARA ESCRITÓRIO, COMUNICAÇÃO E INFORMÁTICA, não se encontra enquadrado nas atividades incluídas nos dispositivos de vedação à opção pelo regime especial do sistema integrado de pagamento de impostos e contribuições das microempresas e das empresas de pequeno porte. Comprovado que a recorrente se dedica ao ramo de comercialização, instalação e prestação de serviços de assistência técnica e manutenção de equipamentos para escritório, comunicação e informática, prestados por técnicos em informática (analistas de suporte) e que este ramo não se confunde com a prestação de serviços priVAtivos de engenheiros, assemelhados e profissões legalmente regulamentadas, sendo essas atividades exercidas pela recorrente perfeitamente permitidas pela legIslação vigente aplicável, é de se reconsiderar o ATO DECLARATÓRIO que a tornou excluída do Sistema Integrado de Pagamento de impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. ISSO POSTO, voto no sentido de dar provimento ao recurso e cancelar o ato declaratório que excluiu o contribuinte do Simples. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 264DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 10630.901790/2008-45
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS COM NOTAÇÃO NT NA TIPI. IMPOSSIBILIDADE.
Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, as pessoas jurídicas que exportam produtos com notação "NT" na Tabela do IPI - TIPI.
Numero da decisão: 9303-006.355
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
(Assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS COM NOTAÇÃO NT NA TIPI. IMPOSSIBILIDADE. Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, as pessoas jurídicas que exportam produtos com notação "NT" na Tabela do IPI - TIPI.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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PRODUTOS COM NOTAÇÃO NT NA TIPI. IMPOSSIBILIDADE. Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, as pessoas jurídicas que exportam produtos com notação "NT" na Tabela do IPI TIPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 90 17 90 /2 00 8- 45 Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10630.901790/200845 Acórdão n.º 9303006.355 CSRFT3 Fl. 3 2 (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 3301001.582, da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por voto de qualidade, negou provimento ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CRÉDITOPRESUMIDO. INSUMOS EMPREGADOS EM PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. A exportação de produto não tributado (NT) não confere direito ao crédito presumido de IPI relativamente aos insumos empregados em sua fabricação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/10/2004, 15/11/2004, 30/11/2004, 15/12/2004, 29/12/2004, 15/01/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). HOMOLOGAÇÃO. A homologação de compensação de débitos fiscais, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Dcomp, está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado.” Irresignada, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, trazendo, entre outros, que há o direito ao crédito presumido de IPI apurado ainda que os seus produtos exportados estejam classificados como NT. Em Despacho às fls. 221 a 224, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Contrarrazões ao recurso especial foram apresentados pela Fazenda Nacional, que trouxe, entre outros: · É inegável que a meta da norma em apreço é desonerar os produtos exportados, eliminando parcela da carga tributária acumulada ao Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10630.901790/200845 Acórdão n.º 9303006.355 CSRFT3 Fl. 4 3 longo do ciclo produtivo, representada pelas indigitadas contribuições sociais ao PIS e COFINS; · Entretanto, parece irrefutável não ter sido a opção de o legislador ordinário extirpar qualquer relação do denominado incentivo fiscal com o próprio IPI, tendo em vista que, inegavelmente, criou um crédito presumido de IPI, em todos os seus contornos, de forma que é incontestável que referido imposto tangencia aquelas contribuições; · Assim, a análise do competente texto legal, ainda sob o prisma teleológico, leva à inferência de que o objetivo da lei foi, na verdade, desonerar apenas os produtos industrializados, visando com isso incentivar a exportação de produtos elaborados com maior valor agregado, em detrimento de produtos em estado quase natural ou com incipiente processo de elaboração, como no caso dos produtos NT; · Conceituase estabelecimento industrial como sendo aquele que executa qualquer das operações de transformação, beneficiamento, montagem, acondicionamento e/ou reacondicionamento e renovação e/ou recondicionamento, desde que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento, excluídos os nãotributados; · Considerando que no presente caso ocorreu exportação de produtos com notação NT e, em conformidade com o exposto acima, não são considerados industrializados e, portanto, fora de incidência do IPI, concluise que o recorrente não faz jus ao crédito presumido de IPI estabelecido pela Lei 9.363/96. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo na parte admitida em Despacho – o que concordo com a manifestação exposta em Despacho de Admissibilidade às fls. 221 a 224. Ventiladas tais considerações, passo a discorrer sobre a lide posta em recurso, qual seja, se o sujeito passivo tem ou não direito ao crédito previsto na Lei 9.363/96; ou seja, se Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10630.901790/200845 Acórdão n.º 9303006.355 CSRFT3 Fl. 5 4 haveria ou não a possibilidade de se reconhecer o direito à fruição do incentivo fiscal instituído pela Lei 9.363/96, crédito presumido de IPI, como ressarcimento das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, às pessoas jurídicas que elaboram produtos cuja notação na TIPI é NT (não tributado). No que tange ao crédito presumido de IPI, entendo que o sujeito passivo, em razão da exportação de álcool etílico para fins carburantes e seu sub produto bagaço de cana, possui o direito ao crédito fiscal, nos termos da Lei 9.363/96. Para tanto, trago o art. 1º da Lei 9.363/96 (Grifos meus): “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. ” Somente com a leitura desse dispositivo, é possível, a princípio, entender que a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, não circunscrevendo seu alcance aos produtos industrializados. O que, por conseguinte, já entendo assistir razão ao sujeito passivo. Não obstante, vêse que poderia entender que a Lei trouxe que, para a fruição do crédito presumido do IPI deve haver a dependência de as matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem sejam utilizadas no processo produtivo. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10630.901790/200845 Acórdão n.º 9303006.355 CSRFT3 Fl. 6 5 Nesse ínterim, vêse que a Lei 9.363/96, ao criar o mecanismo do crédito presumido para reduzir o impacto econômico da incidência das contribuições para o PIS e a COFINS considerou o processo de produtivo ou seja, a industrialização desses materiais, para fins de se produzir determinado produto a ser exportado. Vêse que o crédito presumido do IPI tem o escopo de ressarcir o contribuinte, do montante pago a título de PIS e COFINS, em todas as operações em que este adquiriu insumos, com o intuito de empregálos na produção de mercadorias exportadas. O dispositivo em referência, trouxe efetivamente um benefício às empresas que industrializam produtos e os vendem para o mercado externo. E, ademais, notase que não condiciona tal fruição para produtos tributos pelo IPI. Ou seja, o crédito trazido pela Lei não delimita o alcance do benefício aos contribuintes do IPI. A Lei n° 9363/96, em seu artigo 1º estabelece que o requisito para a fruição do direito ao crédito presumido é a produção e exportação de mercadorias nacionais ou somente a exportação, em sentido amplo, sendo irrelevante que o produto esteja ou não sujeito ao IPI. No caso em comento, o sujeito passivo atua no ramo de produção de álcool, adquirindo canadeaçúcar que efetivamente sofre processo de industrialização para a saída do produto final – álcool que, por sua vez, é comercializado e exportado. Em vista do exposto, dou provimento ao recurso interposto pelo sujeito passivo. É como voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10630.901790/200845 Acórdão n.º 9303006.355 CSRFT3 Fl. 7 6 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Redator designado. Com todo respeito à ilustre relatora, discordo de seu entendimento quanto ao direito de o contribuinte aproveitar crédito presumido do IPI sobre aquisições e revenda para o exterior de produtos não tributados . No presente caso, tratase de exportações de álcool para fins carburantes e seu subproduto bagaço de cana de açúcar, conforme depreendese do trecho do relatório fiscal, abaixo transcrito: Tratase de matéria antiga no âmbito do contencioso administrativo e a controvérsia resumese em saber se há a possibilidade de aproveitamento de crédito presumido de IPI, de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363/96, na produção e exportação de produtos classificados na Tabela do IPI com notação "NT" (não tributados). Preliminarmente é importante ressaltar que entendo que o crédito presumido de IPI, de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363/96, é um benefício fiscal concedido aos produtores/exportadores de produtos nacionais, e, nessa circunstância impõese a interpretação literal dos dispositivos legais nos termos do art. 111 do CTN. Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Na verdade a concessão de isenção, anistia, incentivos e benefícios fiscais decorrem de normas que têm caráter de exceção. Fogem às regras do que seria o tratamento normal. Transcrevo abaixo trecho da doutrina do Professor Eduardo Sabbag: (...) Retomando a análise do art. 111 do CTN, o que se nota é que tal dispositivo disciplina hipóteses de “exceção”, devendo sua interpretação ser literal[44]. Na verdade, consagra um postulado que emana efeitos em qualquer ramo jurídico, isto é, “o que é regra se presume; o que é exceção deve estar expresso em lei”. Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10630.901790/200845 Acórdão n.º 9303006.355 CSRFT3 Fl. 8 7 Com efeito, a regra não é o descumprimento de obrigações acessórias, nem a isenção concedida e, por fim, nem a exclusão ou suspensão do crédito tributário, mas, respectivamente, o cumprimento de obrigações, o pagamento do tributo e a extinção do crédito, mediante pagamento ou outra modalidade extintiva. Assim, o direito excepcional[45] deve ser interpretado literalmente, razão pela qual se impõe o artigo ora em estudo. Aliás, em absoluta consonância com o art. 111 está a regra do parágrafo único do art. 175, pela qual “a exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela consequente”. (...) (Trecho extraído da internet no seguinte endereço: https://eduardosabbag.jusbrasil.com.br/artigos/121933898/inter pretacaoeintegracaodalegislacaotributaria) Analisemos então o que consta da Lei nº 9.363/96 que instituiu o benefício do crédito presumido: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) Art. 3º .... Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem. Nesse momento é importante destacar que a lei determinou o benefício para a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. Se quisesse abarcar todos os exportadores, não necessitaria de incluir a palavra produtora. Seria inócuo. E ao incluir a palavra produtora, determinou no parágrafo único do art. 3º que deve ser utilizada a legislação do IPI para a busca da definição do que se entende por produção. Sendo assim, a legislação do IPI não considera estabelecimento industrial, ou produtor, para fins do tributo, aqueles que produzem produtos que estão fora do seu campo de incidência. Veja como o Regulamento do IPI disciplina a matéria. Transcrevese abaixo artigos do RIPI/2002 que era o vigente à época dos fatos, mas nada mudou a respeito deste assunto no atual regulamento: Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10630.901790/200845 Acórdão n.º 9303006.355 CSRFT3 Fl. 9 8 Art. 2º O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI (Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 1º, e DecretoLei nº 34, de 18 de novembro de 1966, art. 1º). Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (nãotributado) (Lei nº 10.451,de 10 de maio de 2002, art. 6º). (...) Art. 8º Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4º, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º). Do conjunto dessa leitura, concluise que os produtos "NT" (NÃO TRIBUTADOS) estão fora do conceito de produtos industrializados estabelecidos pela legislação do IPI. Assim, quem os produz, não são considerados estabelecimentos industriais para fins dessa legislação. Assim vem decidindo este colegiado. Para um melhor entendimento transcrevo abaixo trecho de um voto do exConselheiro Henrique Pinheiro Torres proferido no Acórdão nº 20216.066: (...) A meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela exclusão dos valores correspondentes às exportações dos produtos não tributados (NT) pelo IPI, já que, nos termos do caput do art. 1º da Lei n° 9.363/1996, instituidora desse incentivo fiscal, o crédito é destinado, tãosomente, às empresas que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições: a) ser produtora; b) ser exportadora. Isso porque os estabelecimentos processadores de produtos NT não são, para efeitos da legislação fiscal, considerados como produtor. Isso ocorre porque, as empresas que fazem produtos não sujeitos ao IPI, de acordo com a legislação fiscal, em relação a eles, não são consideradas como estabelecimentos produtores, pois, a teor do art. 3º da Lei nº 4.502/1964, considera se estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto. Ora, como é de todos sabido, os produtos constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI com a notação NT (Não Tributados) estão fora do campo de incidência desse tributo federal. Por conseguinte, não estão sujeitos ao imposto. Ora, se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não é considerada como produtora, não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições a que está subordinado o beneficio em apreço, o de ser produtora. Por outro lado, não se pode perder de vista o escopo desse favor fiscal que é o de alavancar a exportação de produtos elaborados, e não a de produtos primários ou Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10630.901790/200845 Acórdão n.º 9303006.355 CSRFT3 Fl. 10 9 semielaborados. Para isso, o legislador concedeu o incentivo apenas aos produtores, aos industriais exportadores. Tanto é verdade, que, afora os produtoresexportadores, nenhum outro tipo de empresa foi agraciada com tal beneficio, nem mesmo as trading companies, reforçandose assim, o entendimento de que o favor fiscal em foco destinase, apenas, aos fabricantes de produtos tributados a serem exportados. Cabe ainda destacar que assim como ocorre com o crédito presumido, vários outros incentivos à exportação foram concedidos apenas a produtos tributados pelo IPI (ainda que sujeitos à aliquota zero ou isentos). Como exemplo podese citar o extinto créditoprêmio de IPI conferido ao industrial exportador, e o direito à manutenção e utilização do crédito referente a insumos empregados na fabricação de produtos exportados. Neste caso, a regra geral é que o beneficio alcança apenas a exportação de produtos tributados (sujeitos ao imposto); se se referir a NT, só haverá direito a crédito no caso de produtos relacionados pelo Ministro da Fazenda, como previsto no parágrafo único do art. 92 do RIPI/1982. Outro ponto a corroborar o posicionamento aqui defendido é a mudança trazida pela Medida Provisória nº 1.50816, consistente na inclusão de diversos produtos no campo de incidência do IPI, a exemplo dos frangos abatidos, cortados e embalados, que passaram de NT para alíquota zero. Essa mudança na tributação veio justamente para atender aos anseios dos exportadores, que puderam, então, usufruir do crédito presumido de IPI nas exportações desses produtos. Diante de todas essas razões, é de se reconhecer que os produtos exportados pela reclamante, por não estarem incluídos no campo de incidência do IPI, já que constam da tabela como NT (não tributado), não geram crédito presumido de IPI. (...) Por sua vez, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) já se pronunciou sobre a possibilidade de apropriação de crédito presumido de IPI na exportação de produtos não tributados, conforme o seguinte precedente: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. ERRO MATERIAL. SANEAMENTO. EFEITOS INFRINGENTES. POSSIBILIDADE. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. INCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. O decisum agravado deixou de conhecer do recurso especial na parte em que alegada a impossibilidade de inclusão, na base de cálculo do crédito presumido do IPI, dos valores relativos a exportação de produtos não tributados, ao fundamento de que o apelo raro padecia de deficiência de fundamentação recursal. 2. Compulsandose novamente o caderno processual, é de se afastar a incidência ao caso da Súmula 284/STF, devendo, pois, ser analisado o mérito do apelo raro nesse particular. 3. O Superior Tribunal de Justiça já se posicionou no sentido de que não há ilegalidade na limitação imposta pelas Instruções Normativas da SRF nº 313/2003 e nº 419/2004 do cômputo dos valores referentes à exportação de produtos não tributados na base de cálculo do crédito presumido do IPI, tendo em vista que a própria Lei nº 9.363/96 admitiu a possibilidade de ampliação Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10630.901790/200845 Acórdão n.º 9303006.355 CSRFT3 Fl. 11 10 ou restrição do conceito de "receitas de exportação" por norma de hierarquia inferior. 4. Embargos de declaração acolhidos com efeitos infringentes para dar parcial provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, a fim de reconhecer a impossibilidade de se computarem os valores referentes a exportação de produtos não tributados na base de cálculo do crédito presumido do IPI. (EDcl no AgRg no REsp 1241900/RS, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/12/2014, DJe 11/12/2014) (grifei) Cumpre lembrar também recente decisão desta CSRF no Acórdão nº 9303 003.462, de 23/02/2016, relatoria do Presidente da 3ª Seção de Julgamento, Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que ficou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 IPI. CRÉDITOS. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, Lei nº 9.363/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Diante de tudo exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 243DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10670.001079/2004-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 14/09/2004
MULTA REGULAMENTAR. CIGARROS DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA INTRODUZIDO CLANDESTINAMENTE NO PAÍS. TRANSPORTE REALIZADO PELO PROPRIETÁRIO DO VEÍCULO. INFRAÇÃO IMPUTADA AO TRANSPORTADOR. CABIMENTO.
Constitui infração às medidas de controle aduaneiro e fiscal transportar pelo País cigarros de procedência estrangeira sem documentação comprobatória da sua regular importação. Em decorrência da prática dessa infração, o transportador da mercadoria responde pela respectiva penalidade pecuniária, independentemente da sua intenção e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos da conduta cometida.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 14/09/2004
AUTO DE INFRAÇÃO. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS MATERIAIS E FORMAIS. NULIDADE POR FALTA DE MOTIVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade o auto de infração que atende todos os requisitos materiais e formais exigidos por lei.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula CARF nº 11).
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. APRECIAÇÃO PELO CARF. IMPOSSIBILIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2)
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.963
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 14/09/2004 MULTA REGULAMENTAR. CIGARROS DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA INTRODUZIDO CLANDESTINAMENTE NO PAÍS. TRANSPORTE REALIZADO PELO PROPRIETÁRIO DO VEÍCULO. INFRAÇÃO IMPUTADA AO TRANSPORTADOR. CABIMENTO. Constitui infração às medidas de controle aduaneiro e fiscal transportar pelo País cigarros de procedência estrangeira sem documentação comprobatória da sua regular importação. Em decorrência da prática dessa infração, o transportador da mercadoria responde pela respectiva penalidade pecuniária, independentemente da sua intenção e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos da conduta cometida. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 14/09/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS MATERIAIS E FORMAIS. NULIDADE POR FALTA DE MOTIVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade o auto de infração que atende todos os requisitos materiais e formais exigidos por lei. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula CARF nº 11). INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. APRECIAÇÃO PELO CARF. IMPOSSIBILIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2) Recurso Voluntário Negado.
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CIGARROS DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA INTRODUZIDO CLANDESTINAMENTE NO PAÍS. TRANSPORTE REALIZADO PELO PROPRIETÁRIO DO VEÍCULO. INFRAÇÃO IMPUTADA AO TRANSPORTADOR. CABIMENTO. Constitui infração às medidas de controle aduaneiro e fiscal transportar pelo País cigarros de procedência estrangeira sem documentação comprobatória da sua regular importação. Em decorrência da prática dessa infração, o transportador da mercadoria responde pela respectiva penalidade pecuniária, independentemente da sua intenção e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos da conduta cometida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/09/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS MATERIAIS E FORMAIS. NULIDADE POR FALTA DE MOTIVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade o auto de infração que atende todos os requisitos materiais e formais exigidos por lei. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula CARF nº 11). INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. APRECIAÇÃO PELO CARF. IMPOSSIBILIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 00 10 79 /2 00 4- 99 Fl. 202DF CARF MF 2 Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório que integra o acórdão recorrido, que segue integralmente transcrito: Tratase de auto de infração lavrado, em 22/10/2004, em nome do Sr. Gilvane Barreto Hoesel, para exigência de crédito tributário no valor de R$ 261.242,00, referente a multa por infração às medidas especiais de controle fiscal relativas a fumo, charuto, cigarrilha e cigarro de procedência estrangeira, conforme disposto no Decretolei nº 399/1968; No auto de infração consta que, conforme Boletim de Ocorrência no 42.094 (fl. 69/72), em 14/09/2004, no ônibus Scania/K112 33 S, placa GKW1095, foram apreendidos pela Polícia Militar de Minas Gerais 130.621 maços de cigarros de procedência estrangeira sem documentação comprobatória de sua introdução regular no País, circunstância que ensejaria tanto a aplicação da pena de perdimento capitulada no art. 621 do Decreto no 4.543/02, que foi formalizada por meio do processo no 10670.001066/200410, quanto “a multa de 5% do MVR (Maior Valor de Referência) vigente no Pais, a qual é constituída por meio deste Auto de Infração” (fl. 3). Cientificado do lançamento em 28/10/2004 (fl. 12), o Sr. Gilvane Barreto Hoesel apresentou a impugnação de fls. 15/23, em 24/11/2004, onde afirma que: i) pelo que se depreende do evasivo auto de infração, a única pessoa que estava no veículo no momento da apreensão era o motorista do veículo; ii) o auto de infração fora lavrado em seu nome, uma vez que era quem constava no Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo (CRLV) no momento da Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10670.001079/200499 Acórdão n.º 3302004.963 S3C3T2 Fl. 203 3 apreensão, o que seria inaceitável, uma vez que as mercadorias que foram encontradas em situação não lhe pertenciam e que o veículo não era mais de sua propriedade, “conforme faz prova a Autorização para Transferência de Veiculo, este foi vendido, no dia 05 de maio de 2004, ao Sr. JOSE CARLOS ROCHA DE SOUZA [...] (fl. 17)”; iii) que não teria concorrido para a prática da infração, nos termos impostos pelo art. 603 do Decreto no 4.543/02 (fl. 17); Alega, também, que “não merece respaldo a tese de que somente após a alteração do registro junto ao Detran, o antigo proprietário se exime de responsabilidade, pois é cediço que a transferência de bens móveis se dá pela mera tradição, sendo que o registro nos órgãos de transito é mera formalidade exigida pelos entes governamentais” (fl. 18). Requer, então, que seja “reconhecida ilegitimidade do impugnante para figurar no pólo passivo do presente Auto de Infração, declarandose nulo o processo administrativo fiscal e promovendose a autuação do verdadeiro responsável (conforme documento de transferência)” (fl. 19). Ainda em sede preliminar, o autuado defende que “a simples leitura do auto de infração, demonstra que o mesmo, limitase tão somente a, de maneira genérica, mencionar a infração as medidas de controle fiscal, não trazendo em seu corpo os atos ou omissões do contribuinte (ora impugnante), impossibilitando o exercício, de maneira satisfatória, de sua defesa, o que caracteriza cerceamento ao direito constitucionalmente garantido a ampla defesa”. (fl. 20) O interessado alega, como sendo questão de mérito, que a exigência imposta pela autoridade autuante, no valor de R$ 2,00 por maço de cigarros, fere os princípios da capacidade contributiva e de propriedade, uma vez que o próprio fisco avaliou cada maço pelo valor de R$ 0,65. Ao final, no intuito de comprovar suas alegações, junta cópias o Termo de Comunicação de Venda do Veículo (fl. 35), do Certificado de Registro de Veículo (fl. 36) e do extrato do IPVA do veículo, impresso do site da Secretaria de Fazenda do Estado do Paraná (fl. 37). Em 26/06/2007, por meio da Resolução no 900 (fls. 41/44), o relator do processo, à época, propôs a conversão do processo em diligência, para que a autoridade fiscal tomasse as seguintes providências: i) Intimar o autuado a comprovar a efetiva transferência do veiculo na data de 05/05/2004, conforme consta da Autorização para Transferência de Veiculo, cuja copia acostouse às fls. 36, acostando os elementos de prova que julgar necessário a tal comprovação, como, por exemplo, os comprovantes do pagamento do valor do veiculo (R$ 25.000,00); Fl. 204DF CARF MF 4 ii) Intimar o comprador a se manifestar sobre a referida aquisição, solicitandolhe a confirmação não só da operação de compra e venda como também o reconhecimento da data em que efetivamente ocorreu a transação. iii) Se restar comprovada a alegação do autuado de que não era o proprietário do veiculo na data de ocorrência do fato gerador da multa em questão, a fiscalização deverá providenciar a lavratura de auto de infração em nome do legitimo proprietário do mencionado veiculo. Atendendo a referida resolução, a Delegacia da Receita Federal de Montes Claros/MG intimou, em 09/08/2007, o Sr. Gilvane Barreto Hoesel a comprovar a efetiva transferência do veículo no qual foi encontrado a mercadoria em situação irregular (fl. 49) e o Sr. José Carlos Rocha Souza a comprovar a aquisição do (fl. 47) do citado veículo. O Sr. Gilvane Barreto Hoesel tomou ciência da intimação em 14/08/2007, vindo a se manifestar em 27/08/2007 (fls. 51/52), afirmando que os documentos comprobatórios da venda do veículo foram apresentados juntamente com a impugnação e reiterando sua alegação de que não era o proprietário do veículo na data da ocorrência infração. Quanto ao Sr. José Carlos Rocha Souza, não consta dos autos o documento comprobatório do recebimento da intimação a ele enviada em 10/08/2007 (fl. 59). Em 13/04/2009 (fl. 79), o Sr. José Carlos Rocha Souza foi novamente intimado a (fl. 78): i) “Comprovar mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, tais como cópias de cheques, ordem bancárias, TED e/ou extrato bancário, coincidente em data e valor e que possa fazer prova inequívoca da transferência do patrimônio do adquirente do veiculo para o patrimônio do vendedor, o numerário ou outros bens destinados ao pagamento do valor de R$ 25.000,00, constante da autorização para transferência de veiculo, datada de 05.05.2004.” ii) “Confirmar se V.Sª , atualmente ainda é proprietário do veiculo acima referenciado, se confirmada a propriedade apresentar cópia autenticada do CRLV; em caso negativo, informar para quem o revendeu/transferiu, identificando o adquirente por nome, endereço e número de inscrição CPF/ CNPJ e apresentar documentação comprobatória da transferência”. Não tendo sido atendida, a Delegacia da Receita Federal de Montes Claros reiterou o pedido, conforme Intimação no 2 (fls. 81/82). Devidamente cientificado em 02/06/2009, o Sr. José Carlos Rocha Souza, em 08/06/2009, compareceu ao processo, esclarecendo que: “Eu, José Carlos Rocha de Souza, portador do RG no 0226974626, inscrito no CPF no 325.213.16504, venho por meio Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10670.001079/200499 Acórdão n.º 3302004.963 S3C3T2 Fl. 204 5 desta carta esclarecer e comprovar o que me foi solicitado no Termo de Intimação Fiscal n° 001 e 002, atendendo ao prazo estipulado, para que não transcorra em multas. Inicialmente esclareço que o Termo de Comunicação de Venda do Veiculo, não foi apresentado por mim e sim por Gilvane Barreto Hoesel, inscrito no CPF n° 045.183.13909, vendedor do veiculo. Foi realizada uma negociação para efetuar a compra e venda do veiculo ônibus SCANIA/K112, placa GKW1095, Chassi 9 BSKC4X2B03453290, onde as partes firmaram apenas um simples contrato de compra e venda, e se responsabilizaram pelo pagamento do valor estipulado em R$ 25.000,00 (vinte e cinco mil) e transferência do patrimônio após a quitação do valor referido. Desta forma, eu efetuei o pagamento em duas parcelas, a primeira de R$10.000,00 (dez mil), e a segunda no valor de 15.000,00 (quinze mil), todas em dinheiro em espécie e em mãos do vendedor, assim não possuo extrato bancário, nem copias de cheques. Conclui a negociação e recebi o veiculo e após o pagamento da ultima parcela recebi a documentação necessária para transferência do mesmo. Entretanto o veiculo acima referido e toda a documentação a ele pertencente, foi apreendido pela Receita Federal de Foz do Iguaçu.” Após prestar os esclarecimentos de fls. 106/110, a Delegacia da Receita Federal de Montes Claros encaminhou o processo para julgamento. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 128/148) em que, por voto de qualidade, foi rejeitada a arguição de nulidade por vício material, e, por maioria de votos, (i) rejeitada a arguição de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, e de ausência de vínculo de responsabilidade, e (ii) julgada improcedente a impugnação e mantido o crédito tributário, com base no fundamento resumido no enunciado da ementa que segue transcrito: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/09/2004 APREENSÃO DE CIGARROS. MULTA. EXISTÊNCIA DE MOTIVO A multa exigida sobre cigarros irregulares encontrados em zona secundária de controle fiscal, dispensa a indicação do enquadramento legal relativo a medida de controle especial que deixou de ser cumprida em zona primária, bastando o enquadramento no Decretolei no 399/68 como motivo da autuação acrescido de suficiente motivação. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA Descabe nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa quando na impugnação resta demonstrado que o autuado entendeu claramente os motivos do auto de infração, e a motivação deixa transparecer a verossimilhança dos fatos com Fl. 206DF CARF MF 6 possibilidade de se alcançar a verdade material unicamente pela análise do quadro probatório. SUJEITO PASSIVO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA POR INFRAÇÃO ADUANEIRA Responde pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie, inclusive o proprietário do veículo transportador da carga irregular q deixe de adotar tempestivamente as providências legais para transferência do veículo ao novo proprietário e não consegue provar, por outros meios, que este não mais lhe pertencia na época da infração. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. VEDAÇÃO. A arguição de inconstitucionalidade não é oponível na esfera administrativa, porquanto a autoridade administrativa carece de competência para apreciar matéria reservada ao Poder Judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em 30/10/2012, o recorrente foi cientificado da decisão. Inconformado, em 22/11/2012, protocolou o recurso voluntário de fls. 154/166, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória. Em aditamento alegou, em sede de preliminar, (i) prescrição intercorrente do procedimento, com base no art. 1º, § 1º, da Lei 9.873/1999, e (ii) nulidade material da autuação, por ausência de suporte fático. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso foi apresentado tempestivamente, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A controvérsia envolve questões preliminares e de mérito, que serão a seguir analisadas. Das questões preliminares. Em preliminar, o recorrente alegou prescrição intercorrente e vício material de nulidade da autuação, por ausência de suporte fático e ilegitimidade passiva. Para a recorrente o procedimento fora extinto por prescrição intercorrente, baseada no argumento de que o processo permanecera paralisado, pendente de julgamento e/ou decisão, por prazo superior a 3 (três) anos. E essa paralisação excedente ao prazo trienal havia extinto a ação punitiva da Fazenda Pública, conforme expressamente previsto no art. 1º, § 1º, da Lei 9.873/1999, a seguir transcrito: Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10670.001079/200499 Acórdão n.º 3302004.963 S3C3T2 Fl. 205 7 Art. 1º Prescreve em cinco anos a ação punitiva da Administração Pública Federal, direta e indireta, no exercício do poder de polícia, objetivando apurar infração à legislação em vigor, contados da data da prática do ato ou, no caso de infração permanente ou continuada, do dia em que tiver cessado. § 1º Incide a prescrição no procedimento administrativo paralisado por mais de três anos, pendente de julgamento ou despacho, cujos autos serão arquivados de ofício ou mediante requerimento da parte interessada, sem prejuízo da apuração da responsabilidade funcional decorrente da paralisação, se for o caso. [...] (grifos não originais) A prescrição intercorrente, prevista no referido preceito legal, aplicase apenas as ações de caráter punitivo da Administração Pública Federal decorrentes, direta ou indiretamente, do exercício do poder de polícia destinado a apurar infração à legislação vigente em geral. Ela não se aplica em relação às infrações a legislações específicas, a exemplo da legislação tributária e aduaneira, que têm regramento próprio, respectivamente, estabelecido no art. 174 do CTN e no art. 139 do Decretolei 37/1966. Da mesma forma, o processo de julgamento das penalidades pecuniárias decorrentes da apuração das referidas infrações também é regido por normas específicas estabelecidas no Decreto 70.235/1972, com as alterações posteriores, e no âmbito deste diploma legal, não há previsão de prescrição intercorrente resultante da mora no julgamento dos processos correspondentes. Dessa forma, resta evidenciado que o disposto no art. 1º, § 1º, da Lei 9.873/1999, não se aplica aos procedimentos e processos administrativos fiscais, que têm regime processual próprio, veiculado pelo Decreto 70.235/1972. Aliás, o art. 5º da própria Lei 9.873/1999, expressamente, excepciona o processo administrativo fiscal do regime por ela estabelecido, nos termos a seguir reproduzidos: Art. 5º O disposto nesta Lei não se aplica às infrações de natureza funcional e aos processos e procedimentos de natureza tributária. Em conformidade com essas disposições legais, no âmbito deste Conselho, a matéria foi objeto da súmula CARF nº 11, cujo enunciado tem seguinte teor: “Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.” Assim, demonstrada a inaplicabilidade da prescrição suscitada ao caso em tela, passase analisar a preliminar de nulidade do acórdão recorrido, por ausência de suporte fático e ilegitimidade passiva do autuado. A alegação de ausência de suporte fático ou de motivo para a aplicação da multa em razão da falta de demonstração ou comprovação do descumprimento das normas sobre a aplicação de selo fiscal de controle nos cigarros importados, no entendimento deste Relator, revelase totalmente descabida e desnecessária, pois, por se tratar de fato evidente e notório, para fins processuais, sabidamente, a sua comprovação revelase desnecessária, consoante entendimento consagrado pela melhor doutrina. Fl. 208DF CARF MF 8 Ora, se a importação regular do cigarro prescinde da selagem previamente ao desembaraço aduaneiro, logo, se o produto foi introduzido irregular ou clandestinamente no País, a conclusão óbvia é de que ele não foi submetido a despacho ou desembaraço aduaneiro de importação e, por conseguinte, não foi selado. Ora, se a selagem é condição prévia e obrigatória para o processamento regular do despacho e desembaraço aduaneiros e, portanto, condição necessário para a regular introdução do bem importado no País, se o bem foi introduzido clandestinamente no País, ele não foi submetido ao prévio e necessário despacho aduaneiro, logo, a conclusão óbvia, é que não foram cumpridas as exigências legais sobre selagem. O entendimento apresentado pela recorrente implicaria na inversão dessa condição óbvia, ou seja, que a irregularidade da operação de importação de cigarros somente ocorreria se provada pela autoridade fiscal que não cumpridas as normas atinentes à selagem, o que se revela como completo despropósito, ou, em linguagem popular, “pôr o carro à frente dos bois”. E no caso, há provas irrefutáveis de que os cigarros apreendidos, objeto da presente autuação, encontravamse em situação irregular, ou seja, foram introduzidos clandestinamente no País, sem ser submetido ao prévio e obrigatório procedimento de despacho aduaneiro. Dada essa configuração, a exigência de produção de prova sobre descumprimento das normas sobre selagem, revelase despropositada e descabida. E a razão é evidente, pois, se o maço de cigarro não foi submetido ao prévio procedimento de despacho e desembaraço aduaneiros, inexoravelmente, ele não foi importado regularmente e, portanto, não fora selado. A compreensão da infração e penalidade em apreço não se revela possível com base interpretação isolada do art. 2º do Decretolei 399/1968, como fez a recorrente e o nobre relator do voto vencido do acórdão recorrido. Ao contrário, a exata compreensão só se mostra cabível a partir da leitura e interpretação conjunta dos arts. 2º e 3º do Decretolei 399/1968, este último com a redação dada pelo art. 78 da Lei 10.833/2003, que, para facilitar a análise, seguem transcritos: Art 2º O Ministro da Fazenda estabelecerá medidas especiais de contrôle fiscal para o desembaraço aduaneiro, a circulação, a posse e o consumo de fumo, charuto, cigarrilha e cigarro de procedência estrangeira. Art 3º Ficam incursos nas penas previstas no artigo 334 do Código Penal os que, em infração às medidas a serem baixadas na forma do artigo anterior adquirirem, transportarem, venderem, expuserem à venda, tiverem em depósito, possuirem ou consumirem qualquer dos produtos nêle mencionados. Parágrafo único. Sem prejuízo da sanção penal referida neste artigo, será aplicada, além da pena de perdimento da respectiva mercadoria, a multa de R$ 2,00 (dois reais) por maço de cigarro ou por unidade dos demais produtos apreendidos. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) grifos não originais. Veja que no art. 2º foram estabelecidas as obrigações acessórias, ou seja, as “medidas especiais de controle fiscal” relativas não só desembaraço aduaneiro, como também a circulação, a posse e consumo dos citados produtos. E a selagem, sabidamente, é uma medida especial prévia e necessária apenas para o processamento do despacho aduaneiro e o Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10670.001079/200499 Acórdão n.º 3302004.963 S3C3T2 Fl. 206 9 desembaraço aduaneiro do produto, conforme determina o art. 50, I, da Lei 9.532/1997, redação vigente na data da infração, que segue transcrito: Art. 50. No desembaraço aduaneiro de cigarros importados do exterior deverão ser observados: I se as vintenas importadas correspondem à marca comercial divulgada e se estão devidamente seladas, com a marcação no selo de controle do número de inscrição do importador no CGC e do preço de venda a varejo; [...] (grifos não originais). Para a circulação, a posse e o consumo dos citados produtos no País, inequivocamente, outras medidas especiais são necessárias. A título de exemplo, podese citar a emissão de nota fiscal para circulação do produto no País. E no caso, as mercadorias foram encontradas em circulação pelo País desacobertadas de qualquer documentação fiscal idônea. Dito outra forma, os cigarros foram encontrados fora da zona primária, onde é realizado o controle aduaneiro, desamparados de qualquer documento fiscal. Assim, resta evidenciado que para a configuração da infração em apreço não havia necessidade de comprovação de que as normas sobre selagem do produto foram descumpridas. A demonstração do descumprimento dessa norma era imprescindível se a infração tivesse sido apurado em recinto alfandegado de zona primária e se o motivo da aplicação da penalidade fosse a ausência de selo, o que não ocorreu no caso em tela. Nesse contexto, a comprovação de que as mercadorias foram importadas clandestinamente e que estavam em circulando pelo País sem documentação fiscal idônea, certamente, revelase suficiente para efeito de materialização da infração em apreço, que consiste na prática da conduta de transportar cigarros de procedência estrangeira introduzidos clandestinamente no País ou em circulação ilegal pelo País. No mesmo sentido, cabe trazer à colação os profundos e pertinentes fundamentos lançados pelo nobre redator do voto condutor do julgado recorrido, ex Conselheiro desta Turma Charles Pereira Nunes, nos excertos que seguem transcritos: Como se observa no voto acima transcrito, as irregularidades relativas ao controle especial sob análise não ficam restritas às normas concernentes ao selo de controle fiscal, pois existem outras normas que igualmente devem ser atendidas antes da mercadoria ser desembaraçada, todavia, veremos que não há necessidade delas serem citadas no auto de infração como seu motivo, pois na realidade a infração a tais normas especiais de controle é em geral pressuposto incontroverso de onde deriva outro motivo para aplicação da multa sob análise, que conforme se verá, é a posse dos cigarros em situação irregular na zona secundária. Entendo que esta medidas especiais de controle fiscal, por serem preparatórias para formalizar a regular importação, ocorrendo sob controle fiscal primário, não são o alvo principal do artigo 3º do DecretoLei e por isso não necessitam ser citadas como enquadramento legal de auto de infração lavrado em atividade de repreensão em zona secundária onde se exercem medidas Fl. 210DF CARF MF 10 comuns de controle fiscal, inclusive relativas a nota fiscal, e não mais de natureza especial. [...] Embora não haja impedimento para o artigo 3º ser aplicado no controle fiscal de zona primária, verificase que ele tem aplicação típica na zona secundária em situações de repreensão [sic], onde as medidas especiais de controle fiscal já foram descumpridas em momento anterior deixando a mercadoria em condição irregular até que seja encontrada por uma blitz e destruída por não ser mais possível sua regularização. Neste segundo momento o flagrante tornase o elemento principal que caracterizará a infração, pois ele só se efetivará pela retenção da mercadoria se for constatado que esta foi encontrada em situação irregular seja por está sem selo, com selo falso, sem nota fiscal idônea etc. Observase então que para fins da aplicação da multa em zona secundária, como é o caso, não se trata mais de penalizar quem deixou de atender os controles aduaneiros de zona primária naquele momento inicial (infração original) mas sim quem, neste momento subsequente, adquiria, transportava, vendia, expunha à venda, tinha em depósito, possuía ou consumia os cigarros irregulares, sendo flagrado nesta atividade (infração subsequente) e ainda quem fosse identificado como tendo concorrido para a infração tipificada, ainda que não presente no local do flagrante. Como se sabe a palavra flagrante originouse do latim flagrans, que significa ardente, queimante, e se presta para qualificar a forma de colhimento de prova plena e eloquente da materialidade de uma infração, que se torna incontroversa dada a notoriedade do fato perante todos que presenciaram o flagrante. Tal comprovação é que permite a retenção da mercadoria e posterior aplicação das penalidades cabíveis. No caso sob análise, o fato da Polícia Militar ter registrado o flagrante em relação ao transporte de cigarros sem comprovação de sua regular importação, e consequente retenção dos cigarros com aplicação das penas de perdimentos e multa, subsumese perfeitamente ao Decretolei no 399/68 que elegeu nele apenar somente a infração subsequente em vez da infração inicial de burla ao controle aduaneiro primário. (grifos do original) Assim, uma vez demonstrada a materialização da infração, passase a analisar a questão atinente à autoria da infração, bem como o argumento de nulidade da autuação por ilegitimidade passiva suscitado pela recorrente. Nesse sentido, cabe analisar qual foi a conduta imputada a recorrente na autuação em apreço. E a leitura da descrição dos fatos que integra o Auto de Infração de fls. 3/6 e o Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal (AITAGF) de fls. 80/83 noticia que, em conformidade com o Boletim de Ocorrência nº 42.094, em 14/9/2004, foram apreendidos pela Polícia Militar de Minas Gerais, 130.621 maços de cigarros de procedência estrangeira sem documentação comprobatória de sua introdução regular no País, sendo Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10670.001079/200499 Acórdão n.º 3302004.963 S3C3T2 Fl. 207 11 transportados no ônibus Scania/K112 33 S, placa GKW1095, de propriedade do recorrente. No citado AITAGF ainda foram relatados os seguintes fatos relevantes: No presente caso não há como escusar a responsabilidade e a máfé do proprietário do veiculo pelos seguintes motivos: 1. Em desacordo com o artigo 11 da Resolução 17/02, da ANTT, o motorista não portava a Autorização de Viagem; a Cópia do CRF; a relação de passageiros, fechada, carimbada, assinada pelo representante legal da empresa; certificado de inspeção médica do motorista; apólice de seguro de responsabilidade civil; ou a nota fiscal da prestação do serviço. 2. Tratase, em verdade, de pessoa física que não possui qualquer documento regular para o transporte de passageiros, nos termos exigidos pela ANTI, descaracterizandoo para tal fim, mas tão somente para o transporte de cargas. 3. Em desacordo como o artigo 74, da Lei 10.833/03 e artigo 10 da Resolução 18/02, da ANTT, as mercadorias existentes no interior do veiculo não estavam identificadas com tiquete de bagagem criado pela empresa, impossibilitando o controle de sua identificação. 4. Em conformidade com o artigo 74, § 3°, da Lei 10.833/03, presumese de propriedade do transportador, para efeitos fiscais, a mercadoria transportada sem a identificação do respectivo proprietário. 5. As bagagens existentes no interior do veiculo constituíramse de mercadorias trazidas do Paraguai que, por suas características (equipamentos de informática, eletrônicos, brinquedos e cigarro, etc.) e volume (todo bagageiro interior, sobre e sob as poltronas, porta embrulhos e corredor), são de nítido cunho comercial, em violação ao Regulamento Aduaneiro, artigo 618, X e legislação. 6. O condutor do veiculo é, para fins fiscais, representante legal da empresa transportadora/proprietário, nos termos dos artigos 39, § 2° e 113 do Decreto Lei 37/66, conforme afirma a jurisprudência dominante: Essas circunstâncias não deixam qualquer dúvida que o motivo da inclusão do recorrente no polo passivo da autuação foi a sua condição de proprietário do veículo transportador dos cigarros apreendidos em situação irregular. Dada essa particularidade, a condição de proprietário do veículo, na data da apreensão dos cigarros, induvidosamente, revestese de elemento essencial para a definição da pessoa legitimada a integrar o polo passivo da presente autuação, especialmente, tendo em conta o que dispõe o art. 74, § 3º, da Lei 10.833/2003, a seguir transcrito: Art. 74. O transportador de passageiros, em viagem internacional, ou que transite por zona de vigilância aduaneira, fica obrigado a identificar os volumes transportados como bagagem em compartimento isolado dos viajantes, e seus respectivos proprietários. Fl. 212DF CARF MF 12 § 1º No caso de transporte terrestre de passageiros, a identificação referida no caput também se aplica aos volumes portados pelos passageiros no interior do veículo. § 2º As mercadorias transportadas no compartimento comum de bagagens ou de carga do veículo, que não constituam bagagem identificada dos passageiros, devem estar acompanhadas do respectivo conhecimento de transporte. § 3º Presumese de propriedade do transportador, para efeito fiscais, a mercadoria transportada sem a identificação do respectivo proprietário, na forma estabelecida no caput ou nos §§ 1º e 2º deste artigo. § 4º Compete à Secretaria da Receita Federal disciplinar os procedimentos necessários para fins de cumprimento do previsto neste artigo. Assim, em face dessa presunção relativa (juris tantum), o recorrente tinha o ônus de apresentar prova em contrário, no sentido de demonstrar que não era o proprietário do citado veículo e, por conseguinte, dos cigarros nele transportados. E com esse propósito, o recorrente alegou que fora proprietário do veículo somente até 5/5/2004, quando o alienou ao Sr. José Carlos Rocha de Souza. Para comprovar o alegado, o recorrente trouxe à colação dos autos, na fase impugnatória, os seguintes documentos: a) “Termo de Comunicação de Venda de Veiculo” de fls. 39/40, com data de 29/10/2004, em que o Chefe da Ciretran da cidade de Foz do Iguaçu/PR informou que fora comunicado ao Detran/PR, no dia 28/10/2004, a venda do citado veículo; b) o Certificado de Registro de Veículo, com autorização de transferência no dia 5/5/2004 e reconhecimento de firma no dia 28/10/2004; e c) o Extrato do IPVA do citado veiculo do ano de 2004, retirado da de suposta página da internet da Secretaria de Estado da Fazenda do Paraná no dia 24/11/2004. Dada a evidente precariedade e as incongruências e coincidências a seguir mencionadas, para este Relator, todos esses documentos não servem de prova de que, na data da apreensão dos cigarros, o citado veículo não era de propriedade do recorrente. A uma, porque a citada Autorização para Transferência de Veículos, apesar de preenchida com a data de 5/5/2004, só tivera o reconhecimento de firma registrado no dia 28/10/2004, após mais de cinco meses contado da data da suposta venda. A duas, porque, coincidentemente, no mesmo dia 28/10/2004 fora feita a comunicação pelo recorrente da venda do veiculo ao Detran/PR. A três, porque não foi mera coincidência o fato de o recorrente ter tomado todas as providências acima citadas no dia 28/10/2004. Com efeito, na referida data, o recorrente foi cientificado da presente autuação, conforme Aviso de Recebimento (AR) de fl. 13. Esse fatos conjuntamente sopesados demonstram que, somente após ser cientificado do auto de infração, o recorrente adotou as providências, com o nítido propósito de descaracterizar a condição de proprietário do veículo. De fato, na mesma data, comunicou a alienação do veículo ao Detran/PB e providenciou o reconhecimento da assinatura aposta na autorização para transferência do veículo. Além disso, para fim de comprovar a efetiva realização da alegada operação de venda do veículo, intimados comprador e vendedor, na fase diligência fiscal, a apresentar documentos idôneos de pagamento do veículo, nenhum deles não apresentou qualquer documento bancário, ou outro documento idôneo de fonte externa, no sentido de comprovar a efetiva realização do pagamento do veículo pelo adquirente. Nesse contexto, a informação de que o pagamento fora feito em dinheiro, porque o adquirente trabalhava na informalidade, Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10670.001079/200499 Acórdão n.º 3302004.963 S3C3T2 Fl. 208 13 obviamente, não constitui justificativa plausível para fim de justificar a inexistência de qualquer documento idôneo que confirmasse a alienação do referenciado veículo. A recorrente alegou ainda que a fiscalização não havia fundamentado a inclusão da recorrente no polo passivo da autuação, vez que limitarase a citar os artigos do Decretolei 37/1966 que tratam de responsabilidade tributária, omissão que, por si só, viciava o lançamento por ausência de motivação. Equivocase a recorrente. A leitura da descrição dos fatos e do enquadramento legal revela que a recorrente foi incluída no polo passivo autuação na condição de autor da infração e não de responsável solidário. E a infração que lhe foi atribuída de transportar cigarros de procedência estrangeira, desacompanhado da documentação comprobatória da importação regular, e respectiva penalidade foi corretamente enquadra no art. 3º do Decretolei 399/1968, com a redação dada pelo art. 78 da Lei 10.833/2003. Pela mesma razão, também não procede a alegação do recorrente de que, se houvesse responsabilidade solidária presente caso, o que admitia apenas para argumentar, ela somente poderia ocorrer com no art. 95 do Decretolei 37/1966. Ora, se a recorrente foi autuada na condição de autora da infração em comento e não na condição de responsabilidade solidária, como alegou a recorrente, logo, era despicienda qualquer menção ao referido art. 95 do Decretolei 37/1966. Sabese, ademais, que para haver solidariedade é necessária a presença de pelo menos duas pessoas no polo passivo da autuação, o que, notoriamente, não ocorreu no caso em tela. Por todas essas razões, rejeitase todas as preliminares de nulidade suscitadas pela recorrente. Das questões de mérito. No mérito, o que auto de infração deveria ser cancelado, porque não se encontrava no veículo quando houve a apreensão dos cigarros e não era o proprietário dos citados produtos. Nos autos, não há controvérsia quanto ao fato de que a recorrente não se encontrava no veículo no momento da apreensão dos cigarros. Mas esse não foi o motivo pelo qual a referida infração foi imputadalhe. Diferentemente do alegado, a participação do recorrente como legitimado passivo na presente autuação, inequivocamente, deuse em razão de ser ele o proprietário do veículo e, em razão da presunção prevista no art. 74, § 3º, da Lei 10.833/2003, terlhe sido atribuída a propriedade dos maços de cigarros por ele transportados e apreendidos, conforme explicitado no AITAGF de fls. 80/83 e anteriormente demonstrado. Assim, resta demonstrado que a questão sobre responsabilidade solidária, seja de natureza tributária, ou por infração a legislação aduaneira, suscitada na peça impugnatória e abordada nos votos e na declaração de voto integrantes do acórdão recorrido tratase de matéria estranha aos autos, porque não foi sequer mencionada pela autoridade fiscal na descrição dos fatos constantes do auto de infração e do citado AITAGF. Portanto, sem relevância para o deslinde da controvérsia a alegação sobre essa questão. Enfim, a recorrente alegou que, ainda que se aceitasse a ocorrência de infração às medidas de controle fiscal, o que admitia apenas para argumentar, a multa ora Fl. 214DF CARF MF 14 aplicada, no montante de R$ 2,00 por maço de cigarro, maculava o direito de propriedade e feria de morte o princípio da capacidade contributiva, já que avaliara cada maço em R$ 0,65. No caso, a aplicação da referida multa foi feita com base no que determina o 3º do Decretolei 399/1968, com a redação dada pelo art. 78 da Lei 10.833/2003, norma legal plenamente vigente e eficaz. Portanto, no exercício do poderdever de propor a aplicação da referida penalidade, a autoridade fiscal limitouse apenas ao estrito cumprimento da referida norma legal. E assim como o proceder da autoridade fiscal está delineado pela referida norma legal, fora das exceções previstas no § 6º do art. 26A do Decreto 70.235/1972, aos membros deste Conselho é expressamente vedado afastar a aplicação ou deixar de observar norma legal, sob fundamento de inconstitucionalidade, que seria a única opção, caso admitida a aplicação ao caso em tela do afastamento da referida multa em razão de afronta ao direito de propriedade e agressão ao princípio da capacidade contributiva. A mesma vedação consta do art. 62 da Portaria MF 343/2015 (RICARF/2015) e a sua inobservância implica perda do mandato do Conselheiro, nos termos do art. 45, VI, do RICARF/2015. No âmbito do CARF, o assunto foi objeto da Súmula CARF nº 2, que tem o seguinte teor, in verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Por todas essas razões, não se toma conhecimento desta última alegação meritória. Da conclusão Por todo o exposto, votase para tomar conhecimento parcial do recurso e, na parte conhecida, rejeitas as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, negarlhe provimento, para manter na íntegra a decisão recorrida. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 215DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.001664/2009-64
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2008
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator e Presidente em Exercício.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Recorrente COTRAMOL COOPERATIVA TRANSPORTE DE CARGAS DO MEIO OESTE CAT LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2008 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator e Presidente em Exercício. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 16 64 /2 00 9- 64 Fl. 610DF CARF MF 2 Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo. Relatório Do auto de infração ao recurso voluntário Trata o presente processo de auto de infração de obrigação principal AIOP, DEBCAD nº 37.154.3789, à efl. 02, no qual foram constituídos créditos referentes a contribuições devidas a terceiros (SEST e SENAT), incidentes sobre o valor pago ou creditado aos segurados contribuintes individuais pela cooperativa. O auto de infração foi cientificado à contribuinte em 29/07/2009 e constituiu créditos, para as competências de 10/2004 a 12/2008, com multa e juros no valor de R$ 404.921,37, consolidados em 22/07/2009, e tem seu relatório fiscal de infração posto às e fls. 212 a 234. A contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, às efls. 245 a 266, em 26/08/2009. Já a 5ª Turma da DRJ/FNS, no acórdão nº 0730.152, prolatado em 22/11/2012, às efls. 339 a 374, considerou, por unanimidade, improcedente a impugnação, mantendo integralmente o crédito tributário exigido. Inconformada, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, em 12/04/2013, às efls. 388 a 408, argumentando, em síntese que extraímos do acórdão recorrido, que: 1. O fisco simplesmente ignora uma série de documentos apresentados pela requerente. , com fulcro na subjetiva ilação de que a cooperativa não distingue os prestadores de serviços em sua contabilidade, chega a exigir valores que não compõem a base de cálculo de contribuições ao SEST e ao SENAT. 2. Não verifica a inadimplência dos tributos em comento, simplesmente autua, sem observar que os mesmos podem ter sido recolhidos aos cofres públicos pelo próprio contribuinte individual. 3. Em preliminar fala em nulidade, ao entendimento de abuso de poder da autoridade fiscal que agiu de forma ilegal e arbitrária no procedimento de fiscalização. 4. Cita que a empresa cumpriu todas as exigências e intimações no curso da fiscalização e que por várias vezes a autoridade fiscal invadiu a sede da recorrente, abrindo gavetas e arquivos, jogando papéis no chão e levandoos como se seu fossem. 5. Diz que tal atitude infringe limitações comportamentais previstas na Constituição Federal. 6. Arrola dispositivos do Código Tributário Nacional sobre a atividade de fiscalização (arts. 195 e 200), bem como sobre o uso necessário da força policial em caso de embaraço, porém, a empresa jamais impediu ou dificultou qualquer ato da fiscalização, cumprindo sempre toda e qualquer exigência e intimação. Fl. 611DF CARF MF Processo nº 10925.001664/200964 Acórdão n.º 9202006.449 CSRFT2 Fl. 656 3 7. Que foram injustificados os atos da autoridade fiscal em invadir e desrespeitar funcionários e a sede da empresa. 8. Que a Constituição Federal determina o respeito ao princípio da razoabilidade, citando doutrina. 9. Arrola o art. 5º, inciso XI da Constituição Federal, que trata da inviolabilidade da casa e que, no caso, não havendo embaraços ou empecilhos por parte da impugnante, não é permitido que se invada a sede da empresa, recolhendo documentos e registros com as próprias mãos. 10. Diz que tal conduta abusiva de apreensão de documentos é considerada ilícita, não podendo servir como prova, devendo ser considerado nulo o lançamento fiscal. 11. Considera que o lançamento apresenta vício material insanável, posto que deveria ser formalizado mediante notificação de lançamento e não na forma de auto de infração, citando os art. 33, § 7º e 37 da Lei nº 8.212/91 e art. 243 do Decreto 3.048/99. 12. Discorre sobre o Decreto nº 70.235/72, em seus arts. 10 e 11, que tratam da lavratura mediante auto de infração ou notificação de lançamento, reforçando que no caso presente se trata de vício insanável, uma vez que deveria ser formalizado o crédito mediante Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), devendo ser anulado. 13. Fala em ausência de fundamentação legal para se exigir da sociedade cooperativa as contribuições para as terceiras entidades SEST e SENAT incidentes sobre valores repassados a autônomos; que conforme a Lei nº 8.706/93, a responsabilidade é do tomador de serviços e que no seu caso não é tomadora dos serviços de seus associados e transportadores autônomos; que até pode intermediar a contratação de fretes para seus associados ou não cooperados, mas não é quem toma os serviços destes; que como intermediária de fretes de seus associados ou não cooperados não desnatura o fato de que somente é o tomador (terceiro) responsável na relação. 14. Que embora a Lei nº 8.212/91 em se art. 15 equipare a cooperativa a empresa, tal fato serve apenas para os fins desta lei, e não para a Lei nº 8.706/93 e, ainda, mesmo que equiparada por esta lei, tem que é irrelevante quando a contribuição é a devida pelos transportadores autônomos. 15. Aduz que o art. 2º do Decreto nº 1.007, de 13 de dezembro de 1993 é claro ao dispor que a responsabilidade é da pessoa jurídica tomadora dos serviços do transportador autônomo. 16. Fala que não cabe exigir contribuição ao SEST/SENAT das sociedades cooperativas de transporte, por não estarem perfeitamente indicadas na legislação instituidora do tributo; que em matéria tributária vigora o princípio da legalidade estrita, nos termos do art. 150, I, da Constituição Federal. Fl. 612DF CARF MF 4 17. Discorre sobre as Sociedades Cooperativas, seus fins e que se trata de um sistema de ajuda mútua, mediante esforço comum de interessados, eliminando intermediários, que foi o motivo da criação da COTRAMOL, sociedade cooperativa de transporte, que pratica atos cooperados e não cooperados e que no seu caso, os fretes realizados pelos cooperados a tomadores de serviços são atos cooperados. 18. Que é uma sociedade cooperativa e não uma transportadora (sociedade empresária). 19. Fala e arrola legislação sobre o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (SESCOOP), aduzindo que as sociedades cooperativas estão desobrigadas da contribuição ao SEST/SENAT. 20. Fala que o lançamento é nulo porque contém valores a título de terceiros e esporádicos quando se trata de frete prestado por cooperado. 21. Diz que em inúmeros casos, a autoridade fiscal apura valores supostamente devidos quando o frete é prestado por Cooperado (C), lançando valores de fretes na coluna Cooperado e também na coluna Terceiro (T) e Esporádicos (E). 22. Fala em nulidade por tipificação indevida no fato que a legislação não se refere a matéria objeto do lançamento, aduzindo que o § 4° do art. 201 do Decreto 3.048/99 não se aplica a atividade de transporte rodoviário de cargas, mas sim de atividade remunerada de condutor autônomo de veiculo rodoviário, ou ao auxiliar de condutor autônomo de veiculo rodoviário. 23. Por fim requereu a nulidade do procedimento fiscal e insubsistente o auto de infração, produção de todos os meios de provas, especialmente documental, bem como sejam as intimações encaminhadas aos advogados. O recurso voluntário foi apreciado pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 23/01/2014, resultando no acórdão nº 401003.377, às efls. 511 a 530, que tem as seguintes ementas: PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AIOP SEST E SENAT CONTRATAÇÃO DE TRABALHADORES AUTÔNOMOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS VINCULADOS A COOPERATIVA Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente. A não apresentação dos documentos durante o procedimento fiscal, acaba por inverter o ônus da prova, competindo ao recorrente a apresentação de argumentos e provas da inexistência dos fatos geradores. Empresa de transporte rodoviário: é a que exercite a atividade de transporte rodoviário de pessoas ou bens, próprios ou de terceiros, com fins econômicos ou Fl. 613DF CARF MF Processo nº 10925.001664/200964 Acórdão n.º 9202006.449 CSRFT2 Fl. 657 5 comerciais, por via pública ou rodovia, assim, aplicável a exigência de contribuições para o SEST e SENAT. MULTA LEI 11.941/08 RETROATIVIDADE BENIGNA Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Com a alteração introduzida pela lei 11.941/08, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, como no presente caso, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no art. 44: 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. O acórdão teve o seguinte teor: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar as preliminares de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o conselheiro Igor Araújo Soares. RE da contribuinte A contribuinte foi intimada (efl. 487) do acórdão nº 2401003.375, em 15/02/2016 (efl. 490), e interpôs recurso especial de divergência em 1º/03/2016, às efls. 549 a 557. A matéria recorrida, cuja divergência estaria posta nos acórdãos nº 2301 003.243 e 2301003.277 é a aplicação de multa pelo critério de retroatividade benigna, em face das alterações de penalidades da Lei nº 8.212/1991, trazidas pela Lei nº 11.491/2009. O acórdão recorrido conclui pela aplicação de penalidade que atinge 75% da totalidade dos tributos lançados, pela incidência do art. 35A da Lei nº 8.212/1991. Os paradigmas afastam, a aplicação do mesmo artigo, pois a mudança legislativa não tiraria a natureza de multa de mora definida no art. 35 da legislação antiga e por isso deve ser aplicada sua homóloga, mais benigna, com base no novo art. 35, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996, limitandoa a 20%. Finaliza por requerer o conhecimento e o provimento do seu recurso especial de divergência para que se reforme o acórdão recorrido para cancelar a exigência fiscal em relação à multa de mora e à de ofício ou, alternativa e sucessivamente, consignar que relativamente aos fatos geradores anteriores a novembro/2008 deve ser aplicada a multa de mora limitada ao percentual de 20%, prevista na novel redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. No despacho de efls. 599 a 605, em 25/05/2016, a Presidente da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento, reconheceu a similitude das situações fáticas dos acórdãos Fl. 614DF CARF MF 6 paradigmas e do recorrido, com atendimento aos requisitos regimentais, e entendeu por dar seguimento ao recurso especial da contribuinte para que se rediscuta a matéria relativa à aplicação de multa com a consideração da penalidade mais benigna. Contrarrazões da Fazenda A Procuradoria da Fazenda Nacional manejou contrarrazões ao recurso em 08/07/2016, às efls. 606 a 609. Em seu arrazoado, a Procuradora inicia por afirmar que a tese encampada pela recorrente não merece prevalecer, pois a forma de cálculo por ela defendida somente pode ser utilizada no caso em que o contribuinte incorreu na mora e efetuou o recolhimento em atraso espontaneamente. Na espécie, não houve recolhimento espontâneo do tributo devido. Houve isto sim lançamento de ofício. Daí conclui que: Nessa linha de raciocínio, o lançamento em testilha deve ser mantido, com a ressalva de que, no momento da execução do julgado, a autoridade fiscal deverá apreciar a norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou o art. 35A da MP nº 449/2008, atualmente convertida na Lei nº 11.941/2009. Ao final, requerer seja negado provimento ao recurso especial de divergência interposto pela contribuinte. Em 13/04/2016, este processo foi apensado ao de nº 10925.001666/200953, conforme termo de efl. 597. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo, cumpre os requisitos regimentais e, por isso, dele conheço. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 615DF CARF MF Processo nº 10925.001664/200964 Acórdão n.º 9202006.449 CSRFT2 Fl. 658 7 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores Fl. 616DF CARF MF 8 no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no auto de infração de obrigação acessória AIOA somado com a multa aplicada na NFLD do auto de infração da obrigação principal AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. Fl. 617DF CARF MF Processo nº 10925.001664/200964 Acórdão n.º 9202006.449 CSRFT2 Fl. 659 9 § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Fl. 618DF CARF MF 10 Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de Fl. 619DF CARF MF Processo nº 10925.001664/200964 Acórdão n.º 9202006.449 CSRFT2 Fl. 660 11 obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos Fl. 620DF CARF MF 12 valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Dessarte, voto por negar provimento ao recurso da contribuinte, para manter o critério do auto de infração que aplicava a multa do art. 35 da Lei nº 8.212/1991, em conformidade com o art. 4º da Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04/12/2009. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso especial de divergência da contribuinte e negarlhe provimento, para manter o auto de infração no que respeita às multas, por têlas apurando em conformidade com o art. 4º da Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04/12/2009. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 621DF CARF MF Processo nº 10925.001664/200964 Acórdão n.º 9202006.449 CSRFT2 Fl. 661 13 Fl. 622DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720534/2011-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
Ementa:
PRELIMINARES. NULIDADE SUSCITADA PELO RELATOR. REJEIÇÃO.
Inocorrência de inovação de fundamento do lançamento por parte do julgador de 1º grau.
AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM PECÚNIA.
Integram o salário de contribuição os pagamentos efetuados em pecúnia a título de auxílio alimentação (assim também considerados os pagamentos via cartões ou tickets).
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURO DE VIDA COLETIVO. NÃO INCIDÊNCIA.
Não incide contribuição previdenciária sobre valor pago a título de seguro de vida em grupo, independentemente da existência ou não de convenção ou acordo coletivo de trabalho.Nos termos do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria/MF 343, de 2015, art. 62 §1º, inciso II, os membros das turmas de julgamento do CARF devem observar em suas decisões a existência de dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos artigos 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ABONO. NÃO INCIDÊNCIA.
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os abonos únicos previstos em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculados do salário e pago sem habitualidade, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 16/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional - PGFN
Numero da decisão: 2202-004.338
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de nulidade do acórdão recorrido em relação ao auxílio-alimentação e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para cancelar o lançamento em relação a: auxílio-alimentação tão-somente no que se refere a valores pagos pelo Contribuinte para a aquisição de alimentos in natura; seguro de vida; e abono salarial. Vencidos os Conselheiros Dilson Jatahy Fonseca Neto (Relator), Martin da Silva Gesto e Junia Roberta Gouveia Sampaio, que acolhiam a preliminar de nulidade e, no mérito, deram provimento parcial ao recurso em maior extensão. Foi designado o Conselheiro Paulo Sérgio Miranda Gabriel Filho para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
WALTIR DE CARVALHO - Presidente.
(assinado digitalmente)
DILSON JATAHY FONSECA NETO - Relator.
(assinado digitalmente)
PAULO SERGIO MIRANDA GABRIEL FILHO - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 Ementa: PRELIMINARES. NULIDADE SUSCITADA PELO RELATOR. REJEIÇÃO. Inocorrência de inovação de fundamento do lançamento por parte do julgador de 1º grau. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM PECÚNIA. Integram o salário de contribuição os pagamentos efetuados em pecúnia a título de auxílio alimentação (assim também considerados os pagamentos via cartões ou tickets). CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURO DE VIDA COLETIVO. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide contribuição previdenciária sobre valor pago a título de seguro de vida em grupo, independentemente da existência ou não de convenção ou acordo coletivo de trabalho.Nos termos do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria/MF 343, de 2015, art. 62 §1º, inciso II, os membros das turmas de julgamento do CARF devem observar em suas decisões a existência de dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos artigos 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ABONO. NÃO INCIDÊNCIA. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os abonos únicos previstos em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculados do salário e pago sem habitualidade, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 16/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional - PGFN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de nulidade do acórdão recorrido em relação ao auxílio-alimentação e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para cancelar o lançamento em relação a: auxílio-alimentação tão-somente no que se refere a valores pagos pelo Contribuinte para a aquisição de alimentos in natura; seguro de vida; e abono salarial. Vencidos os Conselheiros Dilson Jatahy Fonseca Neto (Relator), Martin da Silva Gesto e Junia Roberta Gouveia Sampaio, que acolhiam a preliminar de nulidade e, no mérito, deram provimento parcial ao recurso em maior extensão. Foi designado o Conselheiro Paulo Sérgio Miranda Gabriel Filho para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) WALTIR DE CARVALHO - Presidente. (assinado digitalmente) DILSON JATAHY FONSECA NETO - Relator. (assinado digitalmente) PAULO SERGIO MIRANDA GABRIEL FILHO - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho e Martin da Silva Gesto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 Ementa: PRELIMINARES. NULIDADE SUSCITADA PELO RELATOR. REJEIÇÃO. Inocorrência de inovação de fundamento do lançamento por parte do julgador de 1º grau. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM PECÚNIA. Integram o salário de contribuição os pagamentos efetuados em pecúnia a título de auxílio alimentação (assim também considerados os pagamentos via cartões ou tickets). CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURO DE VIDA COLETIVO. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide contribuição previdenciária sobre valor pago a título de seguro de vida em grupo, independentemente da existência ou não de convenção ou acordo coletivo de trabalho.Nos termos do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria/MF 343, de 2015, art. 62 §1º, inciso II, os membros das turmas de julgamento do CARF devem observar em suas decisões a existência de dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos artigos 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ABONO. NÃO INCIDÊNCIA. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os abonos únicos previstos em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculados do salário e pago sem habitualidade, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 16/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional PGFN AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 05 34 /2 01 1- 25 Fl. 2877DF CARF MF Processo nº 16682.720534/201125 Acórdão n.º 2202004.338 S2C2T2 Fl. 2.878 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de nulidade do acórdão recorrido em relação ao auxílioalimentação e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para cancelar o lançamento em relação a: auxílio alimentação tãosomente no que se refere a valores pagos pelo Contribuinte para a aquisição de alimentos in natura; seguro de vida; e abono salarial. Vencidos os Conselheiros Dilson Jatahy Fonseca Neto (Relator), Martin da Silva Gesto e Junia Roberta Gouveia Sampaio, que acolhiam a preliminar de nulidade e, no mérito, deram provimento parcial ao recurso em maior extensão. Foi designado o Conselheiro Paulo Sérgio Miranda Gabriel Filho para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) WALTIR DE CARVALHO Presidente. (assinado digitalmente) DILSON JATAHY FONSECA NETO Relator. (assinado digitalmente) PAULO SERGIO MIRANDA GABRIEL FILHO Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho e Martin da Silva Gesto. Relatório Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor da Contribuinte para constituir crédito tributário referente a Contribuições Sociais Previdenciárias. Tendo a Contribuinte impugnado o lançamento, a DRJ manteve integralmente o crédito fazendário. Inconformada, a Contribuinte interpôs recurso voluntário, ora levado a julgamento. Feito o breve resumo da lide, passo ao relatório pormenorizado dos autos. Em 07/07/2011 foram constituídos · AI DEBCAD nº 37.317.0980 (fls. 2/21) para constituir GILRAT; · AI DEBCAD nº 37.317.0998 (fls. 22/40) para constituir contribuições destinadas a outras entidades; · AI DEBCAD nº 37.317.1005 (fls. 41/54) para constituir contribuições devidas pelos segurados empregados; Fl. 2878DF CARF MF Processo nº 16682.720534/201125 Acórdão n.º 2202004.338 S2C2T2 Fl. 2.879 3 · AI DEBCAD nº 37.317.1021 (fl. 55) para constitui crédito tributário referente à CFL 35; · AI DEBCAD nº 37.317.1048 (fls. 56/82) para constituir crédito tributário referente às Contribuições ao auxílioalimentação pago sem que a empresa estivesse inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT; · AI DEBCAD nº 37.317.1056 (fls. 83/108) para constituir crédito tributário referente às Contribuições ao auxílioalimentação pago sem que a empresa estivesse inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT; · AI DEBCAD nº 37.317.1072 (fls. 109/134) para constituir crédito tributário referente às Contribuições ao auxílioalimentação pago sem que a empresa estivesse inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT; · AI DEBCAD nº 37.317.1080 (fls. 135/140) para constituir crédito referente a trabalhadores contribuintes individuais que prestaram serviços à empresa; · AI DEBCAD nº 37.317.1099 (fls. 141/146) para constituir crédito referente a trabalhadores contribuintes individuais que prestaram serviços à empresa; · AI DEBCAD nº 37.343.8338 (fls. 147/151) para constituir crédito tributário referente à glosa de compensação indevida; · AI DEBCAD nº 37.343.8346 (fl. 152) para constituir crédito tributário referente à CFL 30; · AI DEBCAD nº 37.343.8354 (fl. 153) para constituir crédito tributário referente à CFL 59; · AI DEBCAD nº 37.343.8362 (fl. 154) para constituir crédito tributário referente à CFL 38; · AI DEBCAD nº 37.343.8389 (fl. 155) para constituir crédito tributário referente à CFL 22; · AI DEBCAD nº 37.343.8400 (fl. 156) para constituir crédito tributário referente à CFL 78; e · AI DEBCAD nº 37.343.8419 (fl. 157) para constituir crédito tributário referente à CFL 68. Conforme o Relatório Fiscal (fls. 161/214 e docs. anexos fls. 215/1.763), "CAPÍTULO 1 Fl. 2879DF CARF MF Processo nº 16682.720534/201125 Acórdão n.º 2202004.338 S2C2T2 Fl. 2.880 4 RELATÓRIO FISCAL DOS AUTOS DE INFRAÇÃO AIs DEBCAD Nº 37.317.0980, 37.317.0998 e 37.317.1005 (...) 5) As contribuições lançadas nestes Autos de Infração foram agrupadas nos seguintes levantamentos: Levantamento Descrição L1 Dif FP Menos GFIP L2 Abono Salarial L3 Contr Segurado L6 Ajuda de Custo (...) 7) DO LEVANTAMENTO "L1 Dif FP Menos GFIP (...) 7.3) Os valores lançados neste levantamento foram calculados pela diferença entre os valores da folha de pagamento (os valores considerados pela empresa como base de cálculo de contribuições previdenciárias) e os valores declarados pela empresa na GFIP. 7.3.1.) Assim, estão sendo lançados neste levantamento somente os valores da folha de pagamento que não estão declarados na GFIP. (...) 8) DO LEVANTAMENTO "L2 ABONO SALARIAL' (...) 8.5) Portanto, concluise que os valores recebidos a título de abono salarial não integram o saláriodecontribuição, quando forem expressamente desvinculados do salário por força de lei. 8.6) Entretanto, o Abono Salarial pago pela empresa não estava submetido a nenhuma Lei que expressamente o desvinculasse do salário. Portanto, os valores pagos a título de abono salarial devem integrar o saláriodecontribuição. (...) 9) DO LEVANTAMENTO "L6 AJUDA DE CUSTO" 9.1) Os fatos geradores das contribuições previdenciárias lançadas nos Autos de Infração debcad Nº 37.317.0980, 37.099 8 e 37.317.1005 no levantamento L 6 ocorreram com os pagamentos de valores em dinheiro aos segurados empregados da empresa, a título de ajuda de custo, sem que houvesse a comprovação da mudança do local de trabalho do empregado. Fl. 2880DF CARF MF Processo nº 16682.720534/201125 Acórdão n.º 2202004.338 S2C2T2 Fl. 2.881 5 (...) 10) DO LEVANTAMENTO "L3 CONTR SEGURADO" 10.1) Os fatos geradores da contribuição previdenciária lançada no Auto de Infração debcad Nº 37.317.1005 no levantamento L3 ocorreram com o pagamento de valores de remuneração aos segurados empregados da empresa. Estes valores de remuneração são: 10.1.1) Diferença entre os valores da folha de pagamento (os valores considerados pela empresa como base de cálculo de contribuições previdenciárias) e os valores declarados pela empresa na GFIP , lançados no L1 10.1.2) Valores de Abono Salarial, lançados no levantamento L2. (...) 10.5) Não foram observados aqui fatos que configurassem, em tese, o crime contra a seguridade social relacionado à falta de repasse à previdência social das contribuições recolhidas dos contribuintes, tipificado no art. 168A do Código Penal, pois os valores lançados neste levantamento L3 do auto de Infração debcad Nº 37.317.1005 não foram descontados dos segurados empregados. CAPÍTULO 2 RELATÓRIO FISCAL DOS AUTOS DE INFRAÇÃO AIs DEBCAD NºS 37.317.1080 E 37.317.1099 (...) 14 DO LEVANTAMENTO "L5 DIRF CI" 14.1) Os fatos geradores das contribuições previdenciárias lançadas nos Autos de Infração debcad Nºs 37.317.1080 e 37.317.1099 no levantamento L5 ocorreram com o pagamento de valores remuneratórios a segurados contribuintes individuais que prestaram serviços à empresa. (...) 14.5) Entretanto, a empresa não apresentou esclarecimentos por escrito e nem entregou novos arquivos digitais da folha de pagamento formado MANAD incluindo os segurados contribuintes individuais. Por este motivo, foi lavrado Auto de Infração (AIOA) cfl 22, debcad nº 37.343.8389 neste mesmo processo. (...) CAPÍTULO 3 RELATÓRIO FISCAL DOS AUTOS DE INFRAÇÃO AIs DEBCAD NºS 37.317.1048, 37.317.1056 e 37.317.1072 Fl. 2881DF CARF MF Processo nº 16682.720534/201125 Acórdão n.º 2202004.338 S2C2T2 Fl. 2.882 6 (...) 18) DO LEVANTAMENTO "L8 PAT" 18.1) Os fatos geradores das contribuições previdenciárias lançadas nos Autos de Infração debcad Nºs 37.317.1048, 37.317.1056 e 37.317.1072 no levantamento L8 ocorreram com o fornecimento de ticket refeição / alimentação aos segurados empregados da empresa, sem que a empresa estivesse inscrita no Programa de Alimentação do trabalhador PAT, do Ministério do Trabalho e Empresa MTE. 18.2) A inscrição da empresa no PAT foi cancelada por execução inadequada, pela Portaria Nº 5, de 12/02/2007, da Secretaria de Inspeção do Trabalho, publicada no Diário Oficial da União, em 14/02/2007, seção 1, página 49, com data de Inativa e Encerramento do PAT em 26/02/2007 no sítio do PAT/MTE (cópias anexas). Portanto, os valores de ticket refeição/alimentação fornecidos aos segurados empregados da empresa no período de 26/02/2007 a 31/12/2007 se revestem de caráter remuneratório, mas não foram considerados pela empresa como salário de contribuição (tela de consulta ao sítio do PAT/MTE e mensagem enviada ao PAT/MTE com a respectiva resposta em anexo). 18.3) O parágrafo nono do artigo 28 da Lei Nº 8.212, de 24/07/91, dispõe sobre os valores exclusivos que não integram o saláriodecontribuição e a alínea 'c' expressa que as parcelas 'in natura' recebidas de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976 não integram o salário de contribuição. (...) 18.5) Para que essa parcela 'in natura' não integre o saláriode contribuição, esta deve ser fornecida de acordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. O PAT é um programa instituído por lei. A empresa teve a sua inscrição cancelada no PAT a partir de 26/02/2007. Portanto, no período de 26/02/2007 a 31/12/2007, a empresa não estava inscrita no PAT e os valores fornecidos pela empresa a título de ticket refeição/alimentação integram o saláriodecontribuição. 18.6) A empresa foi intimada, através do Termo de Intimação Fiscal (TIF) Nº 10, datado de 06/04/2011, a apresentar as notas fiscais/faturas pagas pela empresa referentes a ticket refeição/alimentação e a Relação Mensal de Ticket Refeição/Alimentação Fornecidos a cada um dos empregados, com o valor do ticket e a quantidade fornecida do período de janeiro/2007 a dezembro/2007. 18.6.1) A empresa apresentou diversas notas fiscais/faturas pagas às empresas Ticket Serviços S/A e Tok Take Alimentação Ltda. Como pôde se verificar com o confronto com os lançamentos contábeis da conta contábil "0041100200 PAT Fl. 2882DF CARF MF Processo nº 16682.720534/201125 Acórdão n.º 2202004.338 S2C2T2 Fl. 2.883 7 PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO AO TRABALHADOR", obtidos dos arquivos digitais da contabilidade no formato previsto no MANAD, foi constatado que a empresa não apresentou a totalidade das notas fiscais/faturas, pois há lançamentos contábeis desta conta contábil para os quais não foram detectados as respectivas notas fiscais/faturas. (...) 18.6.3) Como a empresa não apresentou a relação mensal de Ticket Refeição/Alimentação fornecido a cada um dos empregados da empresa, foi lavrado Auto de Infração com código de fundamentação legal CFL 35, debcad nº 37.317.102 1 deste mesmo processo. (...) 19 DO LEVANTAMENTO "L9 SVG" 19.1) Os fatos geradores das contribuições previdenciárias lançadas nos Autos de Infração debcad Nºs 37.317.1048, 37.317.1056 e 37.317.1072 no levantamento L9 ocorreram com o pagamento de seguro de vida aos empregados da empresa, sem que este benefício esteja previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho. (...) 19.6.3) Como a empresa não apresentou as notas fiscais/faturas pagas referentes a Seguro de Vida em Grupo e também não apresentou a relação mensal com o valor individualizado por empregado do benefício do Seguro de Vida em Grupo, foi lavrado Auto de Infração com código de fundamentação legal CFL 35, debcad nº 37.317.1021 deste mesmo processo. (...) CAPÍTULO 4 RELATÓRIO FISCAL DOS AUTOS DE INFRAÇÃO AI DEBCAD Nº 37.343.8338 (...) 23) DO LEVANTAMENTO L7 GLOSA DE COMPENSAÇÃO 23.1) Os fatos geradores das contribuições previdenciárias lançadas no Auto de Infração debcad Nº 37.343.8338 no levantamento L7 ocorreram pelo fato da empresa ter declarado na GFIP valores de compensação indevidos. (...) 23.7) Foi lavrado também Auto de Infração com código de fundamentação legal (CFL) 78, debcad nº 37.343.8400, pela declaração na GFIp de valores de compensação indevidos. Fl. 2883DF CARF MF Processo nº 16682.720534/201125 Acórdão n.º 2202004.338 S2C2T2 Fl. 2.884 8 23.8) Foi formalizado processo de Representação Fiscal para Fins Penais, de sonegação de contribuições previdenciárias, comprot nº 10569.000257/201151, pois os valores do levantamento L7 foram declarados incorretamente em GFIP e isso configura, em tese, crime contra a Seguridade Social, conforme definido na Lei no. 9.983, de 14/07/2000, publicada no DOU de 17/07/2000. (...) CAPÍTULO 15 (...) 138) Foram lavrados neste procedimento fiscal, os seguintes Autos de Infração: Tipo Comprot Debcad Débito Assuntos AIOP 16682.720.534/ 201125 37.317.0980 Empregado Empresa Dif. FP GFIP, Abono, Ajuda de Custo AIOP 16682.720.534/ 201125 37.317.0998 Empregado Terceiros Dif. FP GFIP, Abono, Ajuda de Custo AIOP 16682.720.534/ 201125 37.317.1005 Empregado Segurado Dif. FP GFIP, Abono, Ajuda de Custo AIOP 16682.720.534/ 201125 37.317.1080 CI Empresa CI origem na DIRF AIOP 16682.720.534/ 201125 37.317.1099 CI Empresa CI origem na DIRF AIOP 16682.720.534/ 201125 37.317.1048 Aferição Empresa Alimentação e Seguro de Vida em Grupo AIOP 16682.720.534/ 201125 37.317.1056 Aferição Terceiros Alimentação e Seguro de Vida em Grupo AIOP 16682.720.534/ 201125 37.317.1072 Aferição Segurado Alimentação e Seguro de Vida em Grupo AIOP 16682.720.534/ 201125 37.317.8338 Glosa de Compensação Glosa de Compensação AIOA 16682.720.534/ 201125 37.343.8354 Cfl 59 AIOA 16682.720.534/ 201125 37.343.8346 Cfl 30 AIOA 16682.720.534/ 201125 37.343.8389 Cfl 22 AIOA 16682.720.534/ 201125 37.343.8362 Cfl 38 Fl. 2884DF CARF MF Processo nº 16682.720534/201125 Acórdão n.º 2202004.338 S2C2T2 Fl. 2.885 9 AIOA 16682.720.534/ 201125 37.343.8400 Cfl 78 AIOA 16682.720.534/ 201125 37.343.8419 Cfl 68 AIOA 16682.720.534/ 201125 37.317.1021 Cfl 35 AIOP 16682.720.535/ 201170 37.317.1013 Retenção Cessão e Empreitada de MãodeObra (...) CAPÍTULO 17 140) DA COMPARAÇÃO ENTRE A LEGISLAÇÃO À ÉPOCA DOS FATOS GERADORES E A LEGISLAÇÃO ATUAL SUPERVENIENTE (...) 140.6) Portanto, a multa de ofício de 75% mais a multa administrativa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas, a ser aplicada após a Lei n.º 11.941, substitui as seguintes multas que seriam aplicadas pela legislação anterior: multa de mora de 24% aplicada no lançamento da obrigação principal devida; multa aplicada pela infração relativa à omissão de fatos geradores em GFIP e multa aplicada pela infração relativa à omissão ou inexatidão de dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias. 140.7) Tendo em vista que as infrações possuem fatos geradores ocorridos anteriormente a 04/12/2008, data da entrada em vigor da MP nº 449/2008, a multa aplicada observa o princípio da retroatividade benigna (Código Tributário Nacional CTN, art. 106, inc. II, c), comparandose as multas impostas pela legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador com as multas impostas pela legislação superveniente. 140.8) Assim, foi feita uma comparação entre as multas impostas pela legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores: multa de mora de 24% (vinte e quatro por cento) mais auto de infração por obrigação acessória de infração relativa à omissão de fatos geradores em GFIP mais auto de infração por obrigação acessória de infração relativa à omissão ou inexatidão de dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias com a multa imposta pela legislação superveniente atual da Lei n.º 11.941, publicada no D.O.U. em 28.05.2009: multa de ofício de 75% (setenta e cinco Fl. 2885DF CARF MF Processo nº 16682.720534/201125 Acórdão n.º 2202004.338 S2C2T2 Fl. 2.886 10 porcento) mais auto de infração por obrigação acessória de infração relativa à omissão ou inexatidão de informações em GFIP, com o objetivo de se considerar o princípio da retroatividade benigna. (...) 140.15) Segue, anexa, a planilha Anexo 27 demonstrando o comparativo entre as multas impostas pela legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador com as multas impostas pela legislação superveniente. Intimada, a Contribuinte protocolou Impugnação (fls. 1.785/1.819 e docs. anexos fls. 1.820/2.705). A DRJ então proferiu o acórdão nº 1243.692, de 06/02/2012 (fls. 2.708/2.723), que julgou procedente o lançamento e restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. PARECER PGFN 2117/2011. NÃO INCIDÊNCIA CONDICIONADA. Para que o auxílio alimentação (das empresas não inscritas no PAT) não sofra a incidência de contribuições previdenciárias é necessário que o mesmo seja fornecido in natura. O fornecimento em espécie e de forma reiterada não afasta a tributação. SEGURO DE VIDA EM GRUPO. PARECER PGFN 2119/2011. NÃO INCIDÊNCIA CONDICIONADA. Quando o seguro de vida em grupo é contratado de forma não individualizada, fica afastada a tributação. Caso contrário dáse quando o Fisco não tem condições de saber, dada a recusa de fornecimento de informações, se a contratação foi feita para os empregados individualmente ou para o coletivo obreiro. ABONOS VINCULAÇÃO AO SALÁRIO Os ganhos eventuais e indenizações sobre os quais não incidem contribuição previdenciária são aqueles expressamente desvinculados do salário por força de Lei, na forma do Art. 28, §9º, "e", sétima figura e Art. 214, §9º, V, "j" , do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. FATO EXTINTIVO. ÔNUS DA PROVA. A alteração do crédito tributário constituído deve se basear em fatos extintivos ou modificativos, argüidos como matéria de defesa, devidamente demonstrados pelo contribuinte mediante produção de provas. MULTA DE MORA. ART. 35, II, DA LEI 8.212/91, NA REDAÇÃO ANTERIOR À MP 449/08, CONVERTIDA NA LEI 11.941/09. RETROAÇÃO BENIGNA. Fl. 2886DF CARF MF Processo nº 16682.720534/201125 Acórdão n.º 2202004.338 S2C2T2 Fl. 2.887 11 Para fatos geradores ocorridos até 31/10/2008, deve ser aplicada a multa de mora de 24%, na forma do Art. 35, II, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 9.876/99, quando mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o Art. 106, II, "c", do Código Tributário Nacional. ILEGALIDADE/INCONSTITUCIONALIDADE O julgador no âmbito do contencioso administrativo não tem competência legal para apreciar e declarar ilegalidade ou inconstitucionalidade de dispositivo de Lei ou Decreto, frente ao sistema normativo. O controle da constitucionalidade é exercido, via de regra, pelo Poder Judiciário. Art. 26a do Decreto 70.235/72 ART. 17 DO DEC. 70.235/72 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA A teor do Art. 17 do Decreto 70.235/72, a matéria não expressamente impugnada está preclusa. Necessidade de estabilização da relação jurídicoprocessual no contencioso administrativo fiscal. Compatibilidade com a Legalidade Administrativa insculpida no Art, 37, caput, da Constituição da República. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada em 19/09/2012 (fl. 2.726), a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 2.731/2.755 e docs. anexos fls. 2.756/2.854) em 19/10/2012 (fl. 2.729), argumentando, em síntese: · Que reconheceu parte dos débitos, especificamente aqueles consubstanciados nos AI DEBCAD nºs 37.343.8362, 37.343.8389, 37.343.8346, 37.317.1080, 37.317.1099, 37.343.8354 e 37.343.8338, os quais já realizou o pagamento; · Que a matéria dos AI DEBCADs nº 37.317.1048, 37.317.1056 E 37.317.1072 são: (1) fornecimento pela Recorrente de auxílio alimentação in natura a seus empregados; e (2) contratação pela Recorrente de seguro de vida em grupo em favor de seus empregados; Auxílioalimentação · Que não é possível a incidência das Contribuições Sociais Previdenciárias sobre os valores pagos a título de auxílioalimentação, porquanto têm natureza indenizatória, e servem para permitir que o trabalhador labore, e não para remunerar o seu trabalho; em outras palavras, é para trabalho, e não pelo trabalho; · Que forneceu alimentos in natura, não podendo incidir CP nesse caso; Seguro de vida Fl. 2887DF CARF MF Processo nº 16682.720534/201125 Acórdão n.º 2202004.338 S2C2T2 Fl. 2.888 12 · Que o seguro de vida fornecido o foi para a totalidade dos seus trabalhadores; · Que não é possível incidir CP sobre os valores despendidos a título de seguro de vida, nos termos do art. 458 da CLT, do art. 28, § 9º, 'p' da Lei nº 8.212/1991; · Que o seguro de vida é igual à previdência privada; · Que o art. 214, § 9º, inciso XXV, do Decreto nº 3.048/1999 extrapola as exigências da Lei ao exigir que a oferta do seguro de vida está incluída em acordo ou convenção coletiva; Abono salarial · Que os AI DEBCADs nº 37.317.0980, 37.317.0998 e 37.317.1005 se referem ao abono salarial; · Que é a norma do art. 214, § 9º, inciso V, alínea 'j', do Decreto nº 3.048/1999 também é ilegal, porquanto estabelece exigência inexistente na Lei, especificamente que a desvinculação dos abonos em relação ao salário seja feita por Lei; · Que os pagamentos feito pela Contribuinte se coadunam com a jurisprudência do STJ, que é no sentido de que o abono salarial não compõe a base de cálculo da contribuição previdenciária, desde que seja: (1) pago em parcela única, (2) desvinculado do salário e (3) previsto em acordo coletivo; Da comparação da Folha de Pagamento com a GFIP: · Que não há divergência entre a Folha de Pagamento e a GFIP; · Que, na verdade, a Folha de Pagamento utilizada pela fiscalização em formato digital MANAD não estava devidamente parametrizada, e isso é que deu causa à diferença; · Que a Contribuinte apresentou em anexo à Impugnação todas as folhas de pagamento e as respectivas GFIPs para demonstrar que todos os valores pagos pela Recorrente foram corretamente declarados; Das multas · Que foi imposta multa de 100% sobre o valor do tributo lançado, nos termos do art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991, mas que a Lei nº 11.491/2009 promoveu alterações na legislação, revogando o referido comando legal, substituindoa pelo art. 32A da Lei nº 8.212/1991, penalidade essa que deve ser aplicada, em observância do art. 106, inciso II, alínea 'c', do CTN; Fl. 2888DF CARF MF Processo nº 16682.720534/201125 Acórdão n.º 2202004.338 S2C2T2 Fl. 2.889 13 · Que os AI DEBCADs nºs 37.343.8400 e 37.317.1021 foram constituídos para lavras a multa do art. 32A em relação aos períodos de 01/2007 a 05/2007, 08/2007 a 12/2007 e 13/2007, mas que a sua existência está associada à existência do crédito principal, ou seja, à existência de erros na declaração; · Que tampouco pode prevalecer a multa de mora lançada em 24%, com base no art. 35, incisos, I, II e III, da Lei nº 8.212/1991, vez que este foi revogado pela Lei nº 11.941/2009, devendo ser aplicada a partir de então a norma do art. 61 da Lei nº 9.430/1996 c/ art. 35 da Lei nº 8.212/1991; É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos, portanto dele conheço. Conforme o relatório, percebese que o recurso voluntário argumenta pelo seguinte: (1) não incidência da CP sobre (1.1.) o auxílioalimentação; (1.2.) seguro de vida; e (1.3.) abono salarial; (1.4) GFIP, e, caso seja mantida a autuação, (2) aplicabilidade retroativa das normas da Lei nº 11.941/2009 em relação à multa. Preliminares de nulidade do acórdão recorrido Do auxílioalimentação A despeito de a Recorrente não ter suscitado essa questão em sua peça recursal, constatase que o acórdão recorrido utilizou fundamento diverso daquele constante no Relatório Fiscal para fundamentar a manutenção do lançamento. Nos termos do art. 61 do Decreto nº 70.235/1972, a nulidade será declarada pela autoridade competente para julgar a legitimidade do ato; in casu, este CARF tem competência para julgar a legitimidade da decisão de primeiro grau, razão pela qual se pode conhecer da nulidade de ofício. Retornando ao lançamento, percebese que a autoridade lançadora incluiu na base de cálculo dos autos de infração os valores pagos a título de auxílio alimentação em função da exclusão da Contribuinte do PAT. Em suas próprias palavras: "18) DO LEVANTAMENTO "L8 PAT" 18.1) Os fatos geradores das contribuições previdenciárias lançadas nos Autos de Infração debcad Nºs 37.317.1048, 37.317.1056 e 37.317.1072 no levantamento L8 ocorreram com o fornecimento de ticket refeição / alimentação aos segurados empregados da empresa, sem que a empresa estivesse inscrita no Programa de Alimentação do trabalhador PAT, do Ministério do Trabalho e Empresa MTE. Fl. 2889DF CARF MF Processo nº 16682.720534/201125 Acórdão n.º 2202004.338 S2C2T2 Fl. 2.890 14 18.2) A inscrição da empresa no PAT foi cancelada por execução inadequada, pela Portaria Nº 5, de 12/02/2007, da Secretaria de Inspeção do Trabalho, publicada no Diário Oficial da União, em 14/02/2007, seção 1, página 49, com data de Inativa e Encerramento do PAT em 26/02/2007 no sítio do PAT/MTE (cópias anexas). Portanto, os valores de ticket refeição/alimentação fornecidos aos segurados empregados da empresa no período de 26/02/2007 a 31/12/2007 se revestem de caráter remuneratório, mas não foram considerados pela empresa como salário de contribuição (tela de consulta ao sítio do PAT/MTE e mensagem enviada ao PAT/MTE com a respectiva resposta em anexo). 18.3) O parágrafo nono do artigo 28 da Lei Nº 8.212, de 24/07/91, dispõe sobre os valores exclusivos que não integram o saláriodecontribuição e a alínea 'c' expressa que as parcelas 'in natura' recebidas de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976 não integram o salário de contribuição. (...) 18.5) Para que essa parcela 'in natura' não integre o salário decontribuição, esta deve ser fornecida de acordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. O PAT é um programa instituído por lei. A empresa teve a sua inscrição cancelada no PAT a partir de 26/02/2007. Portanto, no período de 26/02/2007 a 31/12/2007, a empresa não estava inscrita no PAT e os valores fornecidos pela empresa a título de ticket refeição/alimentação integram o saláriodecontribuição. 18.6) A empresa foi intimada, através do Termo de Intimação Fiscal (TIF) Nº 10, datado de 06/04/2011, a apresentar as notas fiscais/faturas pagas pela empresa referentes a ticket refeição/alimentação e a Relação Mensal de Ticket Refeição/Alimentação Fornecidos a cada um dos empregados, com o valor do ticket e a quantidade fornecida do período de janeiro/2007 a dezembro/2007. 18.6.1) A empresa apresentou diversas notas fiscais/faturas pagas às empresas Ticket Serviços S/A e Tok Take Alimentação Ltda. Como pôde se verificar com o confronto com os lançamentos contábeis da conta contábil "0041100200 PAT PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO AO TRABALHADOR", obtidos dos arquivos digitais da contabilidade no formato previsto no MANAD, foi constatado que a empresa não apresentou a totalidade das notas fiscais/faturas, pois há lançamentos contábeis desta conta contábil para os quais não foram detectados as respectivas notas fiscais/faturas. (...) 18.6.3) Como a empresa não apresentou a relação mensal de Ticket Refeição/Alimentação fornecido a cada um dos empregados da empresa, foi lavrado Auto de Infração com Fl. 2890DF CARF MF Processo nº 16682.720534/201125 Acórdão n.º 2202004.338 S2C2T2 Fl. 2.891 15 código de fundamentação legal CFL 35, debcad nº 37.317.102 1 deste mesmo processo." fls. 175/177; (grifei) Argumenta a Contribuinte pela não incidência das Contribuições Sociais Previdenciárias sobre os valores pagos a título de auxílioalimentação. Segundo defende sua tese, o valor é pago para o trabalho, e não pelo trabalho. Mais, afirma que o STJ já tem jurisprudência consolidada no sentido da não incidência, independente de estar ou não inscrita no PAT. Enfim, que o auxílioalimentação foi in natura. Já a DRJ, ao analisar a questão, afirmou que: "17.1. Em relação à jurisprudência do STJ afeta ao assunto, temos que, para que não incida contribuição previdenciária sobre auxílio alimentação, mesmo não estando o contribuinte inscrito no PAT, tal melhoria deve ser fornecida in natura e não em espécie: (...) 17.2. Seguindo esta linha de pensamento, a PGFN exarou o parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 (aprovado pelo Min. da Fazenda em 22/11/11 DOU de 24/11/11) (...) 17.3. Não é o caso deste lançamento. Pelo que descreve o Relatório Fiscal, a empresa, não inscrita no PAT, no lugar de fornecer alimentação in natura, efetua entrega de 'vale refeição' ou 'ticketrefeição' que, em dedução simples, é espécie de espécie. Além do mais, o contribuinte não disponibilizou a relação dos beneficiários deste acréscimo, bem como o total dos tickets fornecidos, motivo que levou à lavratura do AI 35.317.1021. Cabe ressaltar que a empresa foi excluída expressamente do PAT, conforme se observa no tópico 18.2 do Relatório Fiscal, por execução inadequada daquele. Ainda que pense o contribuinte não ser necessária a inscrição no PAT, a contrario sensu, a exclusão de ofício aponta irregularidade constatada pelo MTE, reforçando a necessidade de se entender as vergas pagas como saláriodecontribuição. (...)" fls. 2.718/2.720; (grifei) Enfim, constatase que a autoridade julgadora de primeiro grau concordou com o fundamento utilizado pela Contribuinte: não incide Contribuições Previdenciárias sobre os alimentos pagos in natura, independente de estar ou não inscrita no PAT. No caso concreto, entretanto, ela observou que os valores despendidos pela empresa não foram para a oferta de alimentos in natura, mas sim para a aquisição de tickets refeição/alimentação. Em outras palavras, a autoridade julgadora de primeiro grau negou provimento à Impugnação porque os alimentos não teriam sido oferecidos in natura, e não simplesmente por estar excluída do PAT. Contudo, a autoridade lançadora em momento algum fez a distinção. Pelo contrário, em seu relatório fiscal ora se refere a tickets refeição/alimentação, ora a alimentos in natura, sem fazer a distinção. Em outras palavras, a autoridade lançadora admite diversas vezes que os pagamentos foram feitos in natura, mas incluiu tal lançamento na base de cálculo exclusivamente por a empresa ter sido excluída do PAT. Fl. 2891DF CARF MF Processo nº 16682.720534/201125 Acórdão n.º 2202004.338 S2C2T2 Fl. 2.892 16 Mais, incluiu na base de cálculo os valores pagos tanto à Ticket Serviços S/A e Tok Take Alimentação Ltda. Percebese das notas fiscais juntadas aos autos, entretanto, que aquela fornecia tickets (fls. 2.064/2.174), enquanto esta fornecia gêneros alimentícios (pães, bolos, saladas, frutas etc.) (fls. 2.175/2.409). Em outras palavras, não distinguiu, incluindo todos os valores como se fossem uma só coisa. Portanto, não pode a autoridade julgadora de 1º grau inovar nos fundamentos do lançamento, apresentando fundamento diverso que os alimentos não foram in natura para justificar a manutenção do auto de infração. MÉRITO A despeito das nulidades identificadas acima, constatase que é possível dar provimento ao recurso no mérito em relação a esses pontos , razão pela qual, nos termos do art. 59, § 3º, do Decreto nº 70.235/1972, dou continuidade ao julgamento. Auxílioalimentação Retornando ao lançamento, percebese que a autoridade lançadora incluiu na base de cálculo dos autos de infração os valores pagos a título de auxílio alimentação em função da exclusão da Contribuinte do PAT. Em suas próprias palavras: "18) DO LEVANTAMENTO "L8 PAT" 18.1) Os fatos geradores das contribuições previdenciárias lançadas nos Autos de Infração debcad Nºs 37.317.1048, 37.317.1056 e 37.317.1072 no levantamento L8 ocorreram com o fornecimento de ticket refeição / alimentação aos segurados empregados da empresa, sem que a empresa estivesse inscrita no Programa de Alimentação do trabalhador PAT, do Ministério do Trabalho e Empresa MTE. 18.2) A inscrição da empresa no PAT foi cancelada por execução inadequada, pela Portaria Nº 5, de 12/02/2007, da Secretaria de Inspeção do Trabalho, publicada no Diário Oficial da União, em 14/02/2007, seção 1, página 49, com data de Inativa e Encerramento do PAT em 26/02/2007 no sítio do PAT/MTE (cópias anexas). Portanto, os valores de ticket refeição/alimentação fornecidos aos segurados empregados da empresa no período de 26/02/2007 a 31/12/2007 se revestem de caráter remuneratório, mas não foram considerados pela empresa como salário de contribuição (tela de consulta ao sítio do PAT/MTE e mensagem enviada ao PAT/MTE com a respectiva resposta em anexo). 18.3) O parágrafo nono do artigo 28 da Lei Nº 8.212, de 24/07/91, dispõe sobre os valores exclusivos que não integram o saláriodecontribuição e a alínea 'c' expressa que as parcelas 'in natura' recebidas de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976 não integram o salário de contribuição. (...) Fl. 2892DF CARF MF Processo nº 16682.720534/201125 Acórdão n.º 2202004.338 S2C2T2 Fl. 2.893 17 18.5) Para que essa parcela 'in natura' não integre o salário decontribuição, esta deve ser fornecida de acordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. O PAT é um programa instituído por lei. A empresa teve a sua inscrição cancelada no PAT a partir de 26/02/2007. Portanto, no período de 26/02/2007 a 31/12/2007, a empresa não estava inscrita no PAT e os valores fornecidos pela empresa a título de ticket refeição/alimentação integram o saláriodecontribuição. 18.6) A empresa foi intimada, através do Termo de Intimação Fiscal (TIF) Nº 10, datado de 06/04/2011, a apresentar as notas fiscais/faturas pagas pela empresa referentes a ticket refeição/alimentação e a Relação Mensal de Ticket Refeição/Alimentação Fornecidos a cada um dos empregados, com o valor do ticket e a quantidade fornecida do período de janeiro/2007 a dezembro/2007. 18.6.1) A empresa apresentou diversas notas fiscais/faturas pagas às empresas Ticket Serviços S/A e Tok Take Alimentação Ltda. Como pôde se verificar com o confronto com os lançamentos contábeis da conta contábil "0041100200 PAT PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO AO TRABALHADOR", obtidos dos arquivos digitais da contabilidade no formato previsto no MANAD, foi constatado que a empresa não apresentou a totalidade das notas fiscais/faturas, pois há lançamentos contábeis desta conta contábil para os quais não foram detectados as respectivas notas fiscais/faturas. (...) 18.6.3) Como a empresa não apresentou a relação mensal de Ticket Refeição/Alimentação fornecido a cada um dos empregados da empresa, foi lavrado Auto de Infração com código de fundamentação legal CFL 35, debcad nº 37.317.102 1 deste mesmo processo." fls. 175/177; (grifei) Argumenta a Contribuinte pela não incidência das Contribuições Sociais Previdenciárias sobre os valores pagos a título de auxílioalimentação. Segundo defende sua tese, o valor é pago para o trabalho, e não pelo trabalho. Mais, afirma que o STJ já tem jurisprudência consolidada no sentido da não incidência, independente de estar ou não inscrita no PAT. Enfim, que o auxílioalimentação foi in natura. Já a DRJ, ao analisar a questão, afirmou que: "17.1. Em relação à jurisprudência do STJ afeta ao assunto, temos que, para que não incida contribuição previdenciária sobre auxílio alimentação, mesmo não estando o contribuinte inscrito no PAT, tal melhoria deve ser fornecida in natura e não em espécie: (...) 17.2. Seguindo esta linha de pensamento, a PGFN exarou o parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 (aprovado pelo Min. da Fazenda em 22/11/11 DOU de 24/11/11) (...) Fl. 2893DF CARF MF Processo nº 16682.720534/201125 Acórdão n.º 2202004.338 S2C2T2 Fl. 2.894 18 17.3. Não é o caso deste lançamento. Pelo que descreve o Relatório Fiscal, a empresa, não inscrita no PAT, no lugar de fornecer alimentação in natura, efetua entrega de 'vale refeição' ou 'ticketrefeição' que, em dedução simples, é espécie de espécie. Além do mais, o contribuinte não disponibilizou a relação dos beneficiários deste acréscimo, bem como o total dos tickets fornecidos, motivo que levou à lavratura do AI 35.317.1021. Cabe ressaltar que a empresa foi excluída expressamente do PAT, conforme se observa no tópico 18.2 do Relatório Fiscal, por execução inadequada daquele. Ainda que pense o contribuinte não ser necessária a inscrição no PAT, a contrario sensu, a exclusão de ofício aponta irregularidade constatada pelo MTE, reforçando a necessidade de se entender as vergas pagas como saláriodecontribuição. (...)" fls. 2.718/2.720; (grifei) Enfim, constatase que a autoridade julgadora de primeiro grau concordou com o fundamento utilizado pela Contribuinte: não incide Contribuições Previdenciárias sobre os alimentos pagos in natura, independente de estar ou não inscrita no PAT. No caso concreto, entretanto, ela observou que os valores despendidos pela empresa não foram para a oferta de alimentos in natura, mas sim para a aquisição de tickets refeição/alimentação. Em outras palavras, a autoridade julgadora de primeiro grau negou provimento à Impugnação porque os alimentos não teriam sido oferecidos in natura, e não simplesmente por estar excluída do PAT. Pois bem. Em primeiro lugar, há que se observar que a despeito de a Contribuinte e a autoridade lançadora se referirem a alimentos in natura, o auxílioalimentação que compõe a base de cálculo foi composto (1) tanto pela oferta de ticket refeição/alimentação, (2) quanto pela oferta de alimentos in natura propriamente dita. Efetivamente, a autoridade lançadora, no seu relatório fiscal (fls. 175/179), referese a auxílioalimentação in natura, mas afirma que foram adquiridos tickets refeição/alimentação. Há, nesse sentido, inclusive notas fiscais e faturas nos autos (fls. 2.064/ 2.174). Também, os acordos coletivos mencionam o pagamento de auxílioalimentação em espécie (fls. 1.557 e 1.566/1.567). De outro lado, a Contribuinte argumenta que não deve incidir CP em nenhuma hipótese, mas frisa que no caso foram oferecidos alimentos in natura propriamente ditos. Há, nesse sentido, também notas fiscais de aquisição de diversos gêneros alimentícios, como pão de forma, saladas, bolos, croissants, frutas etc. (fls. 2.175/2.409). Os acordos coletivos também mencionam a oferta de lanches diários aos empregados contratados com carga horária semanal superior a 36 horas (e.g. fl. 1.557 e 1.566/1.567). Para fins do presente julgamento, se faz necessário dividir a autuação haja vista que a autoridade lançadora incluiu no mesmo levantamento duas espécies diversas de "auxílioalimentação". Efetivamente, conforme demonstram as provas nos autos, a Contribuinte fornecia alimentos tanto em tickets quanto em gêneros alimentícios diretamente. Não há discussão quanto à não incidência das Contribuições Sociais Previdenciárias sobre os valores despendidos na aquisição e fornecimentos de alimentos Fl. 2894DF CARF MF Processo nº 16682.720534/201125 Acórdão n.º 2202004.338 S2C2T2 Fl. 2.895 19 diretamente. Em relação a essas despesas, inclusive, é irrelevante estar ou não o Contribuinte incluído no PAT, como demonstra o parecer da PGFN citado pela DRJ: Tributário. Contribuição previdenciária. Auxílioalimentação in natura. Não incidência. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos. (...) 5. Ocorre que o Poder Judiciário tem entendido diversamente, restando assente no âmbito do STJ o posicionamento segundo o qual o pagamento in natura do auxílioalimentação, ou seja, quando o próprio empregador fornece a alimentação aos seus empregados, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir verba de natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho. Entende o Colendo Superior Tribunal que tal atitude do empregador visa tãosomente proporcionar um incremento à produtividade e eficiência funcionais. (...) 14. Ademais, devese também evitar a constituição de novos créditos tributários que levem em consideração interpretação diversa da adotada pelo STJ na matéria ora em análise. Mais relevantemente, é a jurisprudência consolidada do STJ, como se observa do seguinte precedente, que indica inúmeros outros: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. FOLHA DE SALÁRIOS. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO N. 1.230.957RS. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. (...) 2. A jurisprudência desta Corte pacificouse no sentido de que o auxílio alimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Precedentes: EREsp 603.509/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, DJ 8/11/2004; REsp 1.196.748/RJ, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28/9/2010; AgRg no REsp 1.119.787/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 29/6/2010. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 90.440/MG, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/09/2014, DJe 30/09/2014) (grifei) Fl. 2895DF CARF MF Processo nº 16682.720534/201125 Acórdão n.º 2202004.338 S2C2T2 Fl. 2.896 20 Questão diversa toca aos valores despendidos pela Contribuinte para a aquisição e fornecimento de tickets alimentação/refeição. Em primeiro lugar, o referido Parecer PGFN faz claramente a distinção entre as hipóteses de alimentação em que se fornece diretamente o gênero alimentício e nas quais o benefício é feito pelo pagamento em pecúnia. Segundo ele, "6. Por outro lado, quando o auxílio alimentação for pago em espécie ou creditado em contacorrente, em caráter habitual, assume feição salarial e, desse modo, integra a base de cálculo da contribuição previdenciária.". Nesse mesmo sentido, este e.CARF tem diversos precedentes no sentido de que o auxílioalimentação pago em pecúnia, quando não estiver a Contribuinte inscrita no PAT, compõe a base de cálculo das Contribuições Sociais Previdenciárias. Também, que os tickets são equiparáveis a pecúnia: Acórdão CSRF nº 9202006.283, de 30/11/2017 AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM PECÚNIA. Integram o saláriodecontribuição os pagamentos efetuados em pecúnia a título de auxílioalimentação (assim também considerados os pagamentos via cartões ou tickets). Acórdão CSRF nº 9202005.516, de 25/05/2017 ALIMENTAÇÃO FORNECIDA MEDIANTE TICKETS. FALTA DE ADESÃO AO PAT. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. INAPLICABILIDADE DO ATO DECLARATÓRIO PGFN N.º 03 (DOU 24/11/2011). A empresa deve comprovar a sua regularidade perante o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT para que não incidam contribuições sociais sobre a alimentação fornecida mediante tickets aos seus empregados. Inaplicável o Ato Declaratório PGFN n.º 03/2011, considerando não se tratr de fornecimento "in natura". Há que registrar, entretanto, que esses precedentes da CSRF são por maioria. Em ambos há votos no sentido de que os valores de auxílioalimentação na forma de tickets não compõe a base de cálculo. O que é mais, a questão chegou à CSRF exatamente em função da divergência observada nas turmas do CARF. Efetivamente, em breve pesquisa é possível encontrar precedentes no sentido de que os "tickets" e "vales" não se equiparam a pecúnia, configurandose, em verdade, pagamento in natura: Acórdão CARF nº 2201003.600, de 09/05/2017 ALIMENTAÇÃO NA FORMA DE TICKET. PAGAMENTO IN NATURA. CARÁTER INDENIZATÓRIO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. O ticketrefeição (ou valealimentação) se aproxima muito mais do fornecimento de alimentação in natura do que propriamente do pagamento em dinheiro, não havendo diferença relevante entre a empresa fornecer os alimentos aos empregados Fl. 2896DF CARF MF Processo nº 16682.720534/201125 Acórdão n.º 2202004.338 S2C2T2 Fl. 2.897 21 diretamente nas suas instalações ou entregarlhes ticketrefeição para que possam se alimentar nos restaurantes conveniados. Não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos ao empregado a título de alimentação in natura. Acórdão CARF nº 2201003.549, de 06/04/2017 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. TERCEIROS (INCRA, SENAC, SESC, SEBRAE, SALÁRIOEDUCAÇÃO). BASE DE CÁLCULO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR (PAT). FALTA DE INSCRIÇÃO. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. FORNECIMENTO DE TICKET. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE SALÁRIO IN NATURA. CARACTERIZAÇÃO DE ALIMENTO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. ALINHAMENTO COM ENTENDIMENTO DO STJ, CARF E PGFN. RESP Nº 1.119.787SP, DJE 13/05/10, ADE Nº 03/11, PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117/11, IN RFB Nº 1.456/14, REGIMENTO INTERNO CARF (PORT. MF Nº 343/15 ART. 62, PAR ÚN., II, “A”), PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117/11 Na relação de emprego, a remuneração representada por qualquer benefício que não seja oferecido em pecúnia configura o denominado “salário utilidade” ou “prestação in natura”. Nesse contexto, se a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação abrange todas as distribuições e prestações in natura, ou seja, que não em dinheiro, tanto a alimentação propriamente dita como aquela fornecida via ticket, mesmo sem a devida inscrição no PAT, deixam de sofrer a incidência da contribuição previdenciária. Exposta a existência da divergência, necessário concluir pela não incidência da Contribuição Social Previdenciária sobre os valores fornecidos em ticket refeição/alimentação. Em primeiro lugar, e suficientemente, porque a própria autoridade lançadora, no presente caso, afirma peremptoriamente que os valores que compõem a base de cálculo são "alimentos in natura" (vide item 18.5 do relatório fiscal, supratranscrito). Portanto, entender diversamente a essa altura é inovar o lançamento, o que é vedado. Em segundo lugar, e ainda que assim não fosse, é necessário registrar que nos termos dos arts. 45, VI, e 62, § 1º, II, 'c', do Anexo II ao RICARF, os conselheiros deste tribunal administrativo são obrigados a aplicar o quanto determinado em Ato Declaratório da PGFN aprovado pelo Ministro da Fazenda. No presente caso, convém observar que o AD PGFN nº 3/2011 admite a não incidência de Contribuições Sociais Previdenciárias sobre o auxílialimentação in natura. Ora, o Parecer PGFN nº 2.117/2011, que fundamentou tal AD, foi cristalino ao afirmar que: 4. O entendimento sustentado pela União em juízo é o de que o auxílioalimentação pago in natura ostenta natureza salarial e, Fl. 2897DF CARF MF Processo nº 16682.720534/201125 Acórdão n.º 2202004.338 S2C2T2 Fl. 2.898 22 portanto, integra a remuneração do trabalhador, razão pela qual deve haver incidência da contribuição previdenciária. 5. Ocorre que o Poder Judiciário tem entendido diversamente, restando assente no âmbito do STJ o posicionamento segundo o qual o pagamento in natura do auxílioalimentação, ou seja, quando o próprio empregador fornece a alimentação aos seus empregados, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir verba de natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho. Entende o Colendo Superior Tribunal que tal atitude do empregador visa tão somente proporcionar um incremento à produtividade e eficiência funcionais. 6. Por outro lado, quando o auxílioalimentação for pago em espécie ou creditado em contacorrente, em caráter habitual, assume feição salarial e, desse modo, integra a base de cálculo da contribuição previdenciária. De um lado, por força das decisões judiciais, admite a não incidência quando o pagamento é in natura; de outro, reforça a incidência quando o pagamento é feito "em espécie ou creditado em contacorrente". Uma vez que não menciona expressamente os tickets refeição/alimentação como uma terceira alternativa, então é necessário enquadrálos em uma ou em outra categoria. Percebese, já na primeira análise, que tickets não podem ser equiparados a pagamento em espécie nem a creditamentos em contacorrente. Efetivamente, o papelmoeda do real tem curso forçado no Brasil. Isso significa que não pode ser recusado como forma de pagamento do preço. Logo, recebendo pagamento feito em dinheiro, o trabalhador poderia "tredestinar" tais recursos para outras despesas suas. Em sentido similar, o depósito bancário configura moedacontábil, garantindo ao seu titular o direito de sacálo e utilizálo como bem entender. Então, mesmo que o fornecedor não aceite uma transferência bancária ou cartão de débito, cheque etc. , o consumidor pode sacar os recursos para a seguir utilizálos. Diferentemente, o ticket refeição/alimentação não pode ser utilizado como bem entender o seu titular. Não tem curso forçado no país e o fornecedor não é obrigado a aceitálo. Pelo contrário, o fornecedor deve se cadastrar para poder aceitálo. Mais, o cadastro está sujeito ao preenchimento de determinados requisitos por parte do fornecedor. Especificamente, o ticket refeição/alimentação deve ser utilizado para a aquisição de gêneros alimentícios. Em outras palavras, o ticket não pode ser equiparado ao pagamento em espécie nem ao creditamento em contacorrente. Assim, a Contribuinte poderia montar ela própria um refeitório em seu estabelecimento, onde fornecesse diretamente o gênero alimentício. Contudo, esse tipo de empreendimento envolve gastos de pessoal e logística, vez que será necessário separar um espaço para tanto, pessoas que comprem e administrem o estoque etc. Além disso, envolve riscos, como alimentos estragados. De outro lado, fornecendo o ticket, o Contribuinte isentase desses inconvenientes ao mesmo tempo em que garante o fornecimento do alimento, apenas o Fl. 2898DF CARF MF Processo nº 16682.720534/201125 Acórdão n.º 2202004.338 S2C2T2 Fl. 2.899 23 faz por meio de um fornecedor intermediário. Frisase que o ticket refeição/alimentação só é (ou só deveria ser) aceito por estabelecimentos que produzam ou vendam alimentos. Diante desse confrontamento, concluise que os tickets refeição/alimentação efetivamente se aproximam muito mais da noção de alimentos in natura do que da noção de pagamento em espécie. Consequentemente, (1) seja porque os alimentos foram fornecidos em gêneros alimentícios diretamente, (2) seja porque a autoridade lançadora não distingue essas espécies, configurandose inovação distinguir agora, (3) seja porque os tickets não se configuram pagamento em espécie, entendo que é necessário dar provimento ao recurso nesse ponto. Seguro de vida A autoridade lançadora incluiu na base de cálculo dos autos de infração os valores referentes ao seguro de vida em grupo em função de esses pagamentos não estarem previstos em acordo ou convenção coletiva de trabalho. Em suas próprias palavras: 19 DO LEVANTAMENTO "L9 SVG" 19.1) Os fatos geradores das contribuições previdenciárias lançadas nos Autos de Infração debcad Nºs 37.317.1048, 37.317.1056 e 37.317.1072 no levantamento L9 ocorreram com o pagamento de seguro de vida aos empregados da empresa, sem que este benefício esteja previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho. (...) 19.6.3) Como a empresa não apresentou as notas fiscais/faturas pagas referentes a Seguro de Vida em Grupo e também não apresentou a relação mensal com o valor individualizado por empregado do benefício do Seguro de Vida em Grupo, foi lavrado Auto de Infração com código de fundamentação legal CFL 35, debcad nº 37.317.1021 deste mesmo processo. Por sua vez, a DRJ manteve o lançamento esclarecendo que a jurisprudência do STJ é no sentido de que só não incide Contribuições Sociais Previdenciárias sobre os valores referentes ao Seguro de Vida em Grupo quando não há individualização do montante que beneficia cada um dos segurados. No mesmo sentido indica o Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.119/2011, aprovado pelo Min. da Fazenda e publicado no D.O.U. em 09/12/2011. Analisando o caso concreto, afirmou que o lançamento só não individualizou os valores em função de a empresa não ter apresentado os relatórios dos beneficiários e que, ademais, a empresa não demonstrou que a contratação foi feita de forma global. Por essa razão, entendeu que não se encaixa o caso concreto na jurisprudência do STJ e no Parecer da PGFN. Por sua vez a defesa argumentou que o seguro de vida foi sim fornecido à totalidade de seus trabalhadores, apresentando para isso provas. Outrossim, que o art. 458 da CLT e o art. 28, § 9º, 'p' da Lei nº 8.212/1991 impedem a incidência das Contribuições Sociais Previdenciárias sobre os esses valores. Ainda, que o seguro de vida é similar à previdência privada e que, enfim, o art. 214, § 9º, inciso XXV do Decreto nº 3.048/1999 extrapola as exigências da Lei. Fl. 2899DF CARF MF Processo nº 16682.720534/201125 Acórdão n.º 2202004.338 S2C2T2 Fl. 2.900 24 Em primeiro lugar, observase que o fundamento da autoridade lançadora para a inclusão dessa rubrica no lançamento foi a ausência dessa previsão em Convenção ou Acordo Coletivo. Tal argumento não pode sobreviver, uma vez que esse requisito não é fundamental para configurar ou não a ocorrência de remuneração. Ademais, o CARF tem afastado esse argumento, como se observa dos seguintes precedentes: Acórdão CSRF nº 9202005.318, de 28/03/2017 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURO DE VIDA COLETIVO. AUSÊNCIA DE ACORDO OU CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. PARECER PGFN/CRJ Nº 2119/2011 APROVADO PELO MINISTRO DA FAZENDA. ART. 62, §1º, II, C DO RICARF. Não incide contribuição previdenciária sobre valor pago à título de seguro de vida em grupo, independentemente da existência ou não de convenção ou acordo coletivo de trabalho. Acórdão CARF nº 2202004.300, de 03/10/2017 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURO DE VIDA COLETIVO. AUSÊNCIA DE ACORDO OU CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. PARECER PGFN/CRJ Nº 2119/2011 APROVADO PELO MINISTRO DA FAZENDA. ART. 62, §1º, II, C, DO RICARF. Não incide contribuição previdenciária sobre valor pago a título de seguro de vida em grupo, independentemente da existência ou não de convenção ou acordo coletivo de trabalho. Nos termos do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria/MF 343, de 2015, art. 62 §1º, inciso II, os membros das turmas de julgamento do CARF devem observar em suas decisões a existência de dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos artigos 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002. Em ambos os casos, aplicam o mesmo Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.119/2011, utilizado pela DRJ para manter o lançamento exatamente para afastálo. Quanto ao argumento suscitado pela DRJ de que não há provas de que o seguro de vida foi concedido à integralidade dos empregados da Contribuinte, e que não era feito de forma individualizada, apontase que a Contribuinte trouxe aos autos: · Apólice do seguro de vida no qual há sempre referência a "Seguro de Vida em Grupo" (fls. 2.812/2.848); · Faturas nas quais há exclusivamente o lançamento de uma apólice de seguro de vida em grupo, com um valor unitário (fls. 2.850/2.852); · Declaração da Seguradora segundo a qual: Fl. 2900DF CARF MF Processo nº 16682.720534/201125 Acórdão n.º 2202004.338 S2C2T2 Fl. 2.901 25 "Informamos que o Itaú Seguros S.A., sucessora de Unibanco Seguros S.A., celebraou com a Contax S.A. um Contrato de Seguro de Vida em Grupo Empresarial para seus funcionários, durante o período de 26 de dezembro de 2005 à 31 de julho de 2010. Esclarecemos ainda que, o pagamento do seguro era mensal e de responsabilidade da Contax S.A., que exercia a função de estipulante da apólice." (fl. 2.854); Em suma, é necessário dar provimento ao recurso também nesse ponto, uma vez que (1) não é possível exigir que o seguro de vida esteja estipulado em Convenção ou Acordo Coletivo; e (2) a Contribuinte era a estipulante do seguro, o qual era pago de maneira universal, sem individualização dos seguros para cada um de seus trabalhadores. Abono salarial Argumenta a Contribuinte, em relação ao abono salarial, que esses valores se enquadrariam na hipótese do art. 28, § 9º, 'e', 7, da Lei nº 8.212/1991, o qual tem prevalência em relação ao art. 214, § 9º, V, 'j', do Decreto nº 3.048/1999, nos termos do art. 99 do CTN. Nesse sentido, que a exigência estabelecida no Decreto de que o abono seja desvinculado do salário por Lei em sentido estrito extrapolou o conteúdo da Lei que instituiu o referido Decreto. Enfim, que os pagamentos feito pela Contribuinte se coadunam com a jurisprudência do STJ, que é no sentido de que o abono salarial não compõe a base de cálculo da contribuição previdenciária, desde que seja: (1) pago em parcela única, (2) desvinculado do salário e (3) previsto em acordo coletivo. Retornando ao relatório fiscal, percebese que a autoridade lançadora incluiu tais valores na base de cálculo lastreandose em ambos os comandos legais, o da Lei e o do Decreto. Outrossim, esclareceu que: "8.6) Entretanto, o Abono Salarial pago pela empresa não estava submetido a nenhuma Lei que expressamente o desvinculasse do salário. Portanto, os valores pagos a título de abono salarial devem integrar o saláriodecontribuição." fl. 165 Tendo a Contribuinte impugnado a questão, a DRJ manteve o lançamento nesse ponto ao argumento de que, apesar de a expressão "por força de lei" constar no Decreto mas não na Lei, não se pode falar em ilegalidade do Decreto, que não houve extrapolação. Pelo contrário, que o Decreto não se presta a meramente reproduzir o conteúdo da Lei, mas sim interpretar e regulamentála. Outrossim, que o abono não foi "único", uma vez que foi pago nas competências de 06 a 12 (e 13) de 2007. A verdade é que o último argumento suscitado pela DRJ não pode prevalecer. Efetivamente, a autoridade lançadora identificou o pagamento do Abono salarial em diversas competências. Contudo, fazendo um levantamento por amostragem nas tabelas anexas ao auto de infração (fls. 217/1.131), constatase que o nome dos funcionários não se repete. Assim, concluise que o abono só foi pago uma vez a cada funcionário. Com relação à desvinculação do abono em relação ao salário, a despeito da bem fundamentada posição esposada pela DRJ, a verdade é que o Decreto não pode impor limitação ou exigência não existente em Lei. O Decreto tem sim autorização para interpretar a Lei, regulamentála, mas não para inovar, extrapolar os seus limites. Efetivamente, a Lei nº Fl. 2901DF CARF MF Processo nº 16682.720534/201125 Acórdão n.º 2202004.338 S2C2T2 Fl. 2.902 26 8.212/1991 fala em desvinculação do abono em relação ao salário. Não há ali nenhuma menção à desvinculação decorrer de Lei. Observase, outrossim, que constam nos autos Convenções Coletiva de Trabalho (fls. 2.410/2.420, 2.421/2.431, 2.432/2.442 etc.) na qual realmente são previstos o pagamento de um abono salarial aos funcionários da empresa. A questão já foi objeto, inclusive, de Ato Declaratório da PGFN nº 16/2011, no qual restou decidido que: A PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida (....), tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2114/2011, (...) DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: 'nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o abono único, previsto em Convenção Coletiva de trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária'. Tratase de entendimento que deve ser obrigatoriamente reproduzido, nos termos dos art. 45, VI, e 62, II, 'c', ambos do Anexo II ao RICARF. Percebemse, inclusive, diversos precedentes do CARF que reconhecem a não incidência de Contribuições Sociais Previdenciárias sobre valores pagos a título de abonos eventuais, sem fazer exigência de que sejam desvinculados do salário por Lei. Por exemplo: Acórdão CARF nº 2401004.986, de 08/08/2017 ABONOS EVENTUAIS. NÃO INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO. As importâncias pagas a título de abono foram se deram sem habitualidade o que revela a sua eventualidade e estavam desvinculadas do salário, não constituindo, por isso, base de cálculo das contribuições devidas à seguridade social. Acórdão CARF nº 2301003.740, de 19/09/2013 ABONO NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os abonos únicos previstos em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculados do salário e pago sem habitualidade, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 16/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional PGFN Por esse motivo, sendo a fundamentação da inclusão de tal valor na base de cálculo exclusivamente calcada na questão da exigência de desvinculação legal, é necessário dar provimento ao recurso voluntário também nesse ponto. Das diferenças entre Folha de Pagamento e GFIP Fl. 2902DF CARF MF Processo nº 16682.720534/201125 Acórdão n.º 2202004.338 S2C2T2 Fl. 2.903 27 Argumenta a recorrente, ainda, que não há divergência entre os valores pagos e os valores declarados em GFIP. Segundo esclarece, o arquivo MANAD utilizado pela fiscalização não estava "parametrizado", o que gerou a diferença apurada. Nesse sentido, juntou aos autos, já na impugnação, os demonstrativos de pagamento e as GFIPs, buscando assim demonstrar que todos os valores pagos foram devidamente declarados. Analisando a questão, a DRJ concluiu que: "16.7. Não infirma o lançamento, neste passo, a alegação de que a folha não estava "parametrizada". Muito menos eficiente é a assertiva de que traz os comprovantes aos autos, as folhas. Ao se analisar os documentos acostados, verificase que os demonstrativos são os individuais, não as folhas de pagamentos. Também não são acostadas as passagens do diário que comprovem a real despesa com o pagamento de salários, o que daria possível suporte à alegação de que a folha, à época do lançamento, não estaria parametrizada. 16.8. O Fisco, na época do acertamento, indicou os CNPJs, empregados e valores em divergência, com especificação clara, numérica e nominal, das bases de cálculo apontadas. Alegar que não há descompasso entre a GFIP e a nova folha, de forma genérica, não é eficaz a desconstituir o lançamento. 16.9. Importante notar que o ônus da impugnação específica do lançamento, além de requisito indispensável à aferição da adequação formal da impugnação, é uma importante regra processual afeta aos critérios de distribuição do ônus da prova, já que a legislação é expressa ao afirmar que, nas razões de defesa, cabe ao sujeito passivo manifestarse precisa e especificamente sobre cada ponto de discordância. 16.10. Em decorrência disto, a peça de defesa que, ao contestar determinados fatos geradores, não aponta os erros e as discordâncias, nem mesmo cita os dados apurados com os quais não concorda, tornase inepta, sendo admitidos como verdadeiros os mesmos." fl. 2.716; Com razão a DRJ. Compulsando os autos, constatase que a autoridade lançadora juntou aos autos tabelas indicando os valores extraídos da GFIP e os valores extraídos da FP (fls. 217/1.131). Por sua vez, a Contribuinte anexa aos autos documentação juntada pela Contribuinte (fls. 2.472/2.682) se compõe de demonstrativos individuais. Outrossim, já no primeiro demonstrativo de pagamento acostado (fl. 2.472) se observa um salário de contribuição do INSS de R$ 238,18 em jan/2007, o mesmo identificado pela autoridade lançadora como constante da FP mas não na GFIP (fl. 217). O mesmo se repete com o oitavo demonstrativo de pagamento acostado aos autos (fl. 2.475), no qual se observa um salário de contribuição de R$ 32,33, mesmo valor apurado pela autoridade lançadora como constante na FP mas não na GFIP (fl. 217). Em suma, a Contribuinte não logrou demonstrar o erro no lançamento, razão pela qual não é possível dar provimento ao recurso nesse ponto. Das multas Fl. 2903DF CARF MF Processo nº 16682.720534/201125 Acórdão n.º 2202004.338 S2C2T2 Fl. 2.904 28 Argumenta a Recorrente, subsidiariamente, pela aplicação retroativa da Lei nº 11.491/2009, que promoveu alterações na Lei nº 8.212/1991, em especial no tocante às multas aplicáveis. Outrossim, reclama o cancelamento das multas constantes por descumprimento de obrigações acessórias em conjunto com o cancelamento dos créditos principais, uma vez que, não havendo erros nas GFIP, não há que se aplicar a multa do art. 32 A, I, da Lei nº 8.212/1991. Enfim, que foi errôneo o lançamento da multa de mora, lastreada no art. 35, I, II e III, da Lei nº 8.212/1991, deixando de aplicar o art. 79 da Lei nº 11.941/2009. Em primeiro lugar, uma vez que entendemos pela manutenção parcial do lançamento, é possível afirmar que há erros na GFIP. Em segundo lugar, constatase que a autoridade lançadora registrou, no Relatório Fiscal, 140.7) Tendo em vista que as infrações possuem fatos geradores ocorridos anteriormente a 04/12/2008, data da entrada em vigor da MP nº 449/2008, a multa aplicada observa o princípio da retroatividade benigna (Código Tributário Nacional CTN, art. 106, inc. II, c), comparandose as multas impostas pela legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador com as multas impostas pela legislação superveniente. 140.8) Assim, foi feita uma comparação entre as multas impostas pela legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores: multa de mora de 24% (vinte e quatro por cento) mais auto de infração por obrigação acessória de infração relativa à omissão de fatos geradores em GFIP mais auto de infração por obrigação acessória de infração relativa à omissão ou inexatidão de dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias com a multa imposta pela legislação superveniente atual da Lei n.º 11.941, publicada no D.O.U. em 28.05.2009: multa de ofício de 75% (setenta e cinco porcento) mais auto de infração por obrigação acessória de infração relativa à omissão ou inexatidão de informações em GFIP, com o objetivo de se considerar o princípio da retroatividade benigna. (...) 140.15) Segue, anexa, a planilha Anexo 27 demonstrando o comparativo entre as multas impostas pela legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador com as multas impostas pela legislação superveniente. 140.16) Seguem, anexas, as planilhas Anexo 25 e 28, demonstrando os cálculos da multa de infração relativas à omissão de fatos geradores em GFIP pela legislação anterior à MP 449/2008; 140.17) Seguem, anexas, as planilhas Anexo 25 e 26, demonstrando os cálculos da multa de infração relativa à omissão de fatos geradores em GFIP pela legislação posterior à MP 449/2008." fls. 211/212. Fl. 2904DF CARF MF Processo nº 16682.720534/201125 Acórdão n.º 2202004.338 S2C2T2 Fl. 2.905 29 Em outras palavras, aplicou a denominada "cesta de multas", a qual condiciona a aplicação retroativa da Lei mais benéfica à comparação entre (a) o somatório das multas por descumprimento de obrigações acessórias e multas por falta de pagamento; e (b) a multa de 75% introduzida pela referida Lei nº 11.941/2009. Tal entendimento, entretanto, não pode prevalecer. A verdade é que a Lei (1) alterou penalidade já existente; (2) revogou a multa anteriormente existente e (3) ao mesmo tempo criou outra multa, em função de fatos diversos. Nesse caminho, podem retroagir beneficamente a norma que alterou, reduzindo a penalidade (1), bem como a norma que revogou a penalidade anteriormente existente (2). Diferentemente, a norma que criou penalidade nova (3) não pode retroagir, somente podendo ser aplicada nos lançamentos posteriores. Nesse sentido devese limitar a multa a 20%, conforme o art. 35, da Lei nº 8.212/1991, com redação dada pela Lei nº 11.941/2009, não podendo ser aplicada a multa da redação original desse artigo, uma vez que foi revogada, nem a multa do art. 35A, da mesma Lei, vez que só foi criada após o fato gerador, não podendo retroagir em prejuízo do sujeito passivo. Esse é, inclusive, o entendimento do STJ, conforme se observa do seguinte precedente: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. PREMISSA EQUIVOCADA. SÚMULA 284/STF. INAPLICABILIDADE. TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. COBRANÇA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MULTA. REDUÇÃO PARA 20%. ART. 35 DA LEI N. 8.212/91 E ART. 106, II, "C", DO CTN. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA. PRECEDENTES. HONORÁRIOS. CABIMENTO. 1. Tratandose de ato não definitivamente julgado, aplicase a lei mais benéfica ao contribuinte, para redução de multa, conforme dispõe o art. 106, inciso II, alínea "c", do CTN. 2. O art. 35 da Lei n. 8.212/91 foi alterado pela Lei n. 11.941/09, devendo o novo percentual aplicável à multa seguir o patamar de 20% que, sendo mais propícia ao contribuinte, deve ser a ele aplicado, por se tratar de lei mais benéfica, cuja retroação é autorizada com base no art. 106, II, do CTN. 3. Precedentes: AgRg no AREsp 185.324/SP, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 27.8.2012; AgRg no REsp 1216186/RS, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 16/5/2011; REsp 1117701/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 19/10/2009. 4. O art. 35 da Lei n. 8.212/91, com a redação anterior à Lei n. 11.940/09, não distingue a aplicação da multa em decorrência da sua forma de constituição (de ofício ou por homologação), hipótese prevista tão somente com o advento da Lei n. 11.940/09, que introduziu o art. 35A à Lei de Custeio da Seguridade Social, restringindo sua incidência aos casos ocorridos após sua vigência, sob pena de retroação. Fl. 2905DF CARF MF Processo nº 16682.720534/201125 Acórdão n.º 2202004.338 S2C2T2 Fl. 2.906 30 5. É firme o entendimento no sentido de que a procedência do incidente de exceção de préexecutividade, ainda que resulte apenas na extinção parcial da execução fiscal ou redução de seu valor, acarreta a condenação na verba honorária. Precedentes. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos. (EDcl no AgRg no REsp 1275297/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/12/2013, DJe 10/12/2013) Mais relevante ainda é a leitura do voto proferido pelo i.Min. Relator, de onde se extrai os seguintes excertos: Cumpre destacar que o art. 35 da Lei n. 8.212/91, com a redação anterior à Lei n. 11.940/09, não distinguia a aplicação da multa em decorrência da sua forma de constituição (de ofício ou por homologação), mas levando em consideração, essencialmente, o momento em que constatado o atraso no pagamento: antes da notificação fiscal, durante a notificação e existência de recurso administrativo, e após a inscrição em dívida ativa. Vale a transcrição: (...) Com efeito, a nova redação do art. 35 da Lei n. 8.212/91, dada pela Lei n. 11.941/09, ao prever que as multas aplicadas obedecerão os parâmetros estabelecidos no art. 61 da Lei n. 9.430/96, possibilitou a aplicação da multa reduzida aos processos ainda não definitivamente julgados. (...) A distinção quanto à forma de lançamento para fixação de multa somente foi prevista com o advento da Lei n. 11.940/09, que introduziu o art. 35A à Lei n. 8.212/91, verbis: (...) Com efeito, sua aplicação restringese aos lançamentos de ofício existentes após sua vigência, sob pena de retroação. Outros relevantes precedentes são: · AgRg no REsp 1319947/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 25/09/2012, DJe 02/10/2012); e · AgRg no REsp 1216186/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 10/05/2011, DJe 16/05/2011). Nesse caminho, é necessário reconhecer a aplicação retroativa (art. 106 do CTN) da Lei nº 11.941/2009, aplicandose a multa mais benéfica ao Contribuinte, limitada porém ao patamar de 20% constante na nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Dispositivo Fl. 2906DF CARF MF Processo nº 16682.720534/201125 Acórdão n.º 2202004.338 S2C2T2 Fl. 2.907 31 Diante de tudo quanto exposto, voto por reconhecer a nulidade da decisão recorrida, mas para superar a nulidade nos termos do art. 59, § 3º, do Decreto nº 70.235/1972 para, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para cancelar o lançamento em relação ao auxílioalimentação, ao seguro de vida e ao abono salarial, bem como para reduzir a multa para 20%. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Voto Vencedor Conselheiro Paulo Sérgio Miranda Gabriel Filho Redator designado Peço licença ao Ilustre Relator, Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto, para divergir do seu entendimento com relação ao mérito da incidência de contribuições previdenciárias sobre o auxílio alimentação pago pela Recorrente em pecúnia por meio de ticket, bem como em relação as preliminares, pelas razões que passo a expor. Preliminares de nulidade do acórdão recorrido Do auxílioalimentação A questão preliminar foi suscitada pelo ilustre relator, já que a Recorrente restou silente sobre essa questão em sua peça recursal. Uma vez que no mérito, o recurso voluntário não foi provido integralmente em relação ao auxílioalimentação, não é possível a aplicação do art. 59, § 3º, do Decreto nº 70.235/1972 para superar a nulidade. Da leitura do Relatório Fiscal, é possível verificar que a Autoridade Fiscal citou os dois tipos de pagamento de auxílioalimentação realizado pela Recorrente: in natura e em pecúnia por meio de ticket. Em nenhum momento, a autoridade fiscal afirmou que o pagamento em pecúnia por meio de ticket é o mesmo que pagamento in natura. No item 18.4, v.g., a autoridade fiscal deixa claro que a sua fundamentação legal foi o art. 214, § 9º, inciso III, do Regulamento da Previdência Social (RPS; Decreto nº 3.048/99), o qual estabelece que não integram o salário de contribuição, exclusivamente a parcela in natura recebida de acordo com programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, nos termos da Lei nº 6.321/1976. Dessa forma, temos dois critérios: a parcela ser in natura e a empresa estar regular no PAT. Da leitura do Acórdão a quo, é possível verificar que a Autoridade Julgadora de 1º grau fez tão somente resumir o que foi afirmado pela Autoridade Fiscal em seu Relatório Fiscal. Não houve inovação de fundamentação. Não há que se falar, in casu, em ausência de distinção da Autoridade Fiscal com relação ao tipo de pagamento do auxílio alimentação (in natura e em ticket) e, Fl. 2907DF CARF MF Processo nº 16682.720534/201125 Acórdão n.º 2202004.338 S2C2T2 Fl. 2.908 32 consequentemente, em inovação nos fundamentos do lançamento por parte da autoridade julgadora de 1º grau. As preliminares suscitada devem ser, portanto, rejeitadas. MÉRITO Vencidas as nulidades identificadas acima, resta apreciar o mérito da questão retromencionada. Auxílioalimentação No que concerne ao auxílio alimentação, conforme afirmou o Ilustre Relator, o Auto de Infração sob julgamento deve ser dividido em duas espécies: pagamento in natura (em gêneros alimentícios diretamente) e pagamento em pecúnia por meio de tickets. Especificamente no que se refere à incidência das Contribuições Previdenciárias sobre a parcela correspondente a auxílio alimentação pago na forma de ticket/cartão alimentação, o art. 28, § 9º, da Lei nº 8.212/1991, apresenta o mesmo regramento citado anteriormente no art. 214, § 9º, inciso III, do RPS. Ademais, o Decreto nº 05, de 1991, que regulamentou a Lei nº 6.321, de 1976, assim define o fornecimento de alimentação: "Art. 4° Para a execução dos programas de alimentação do trabalhador a pessoa jurídica beneficiária pode manter serviço próprio de refeições, distribuir alimentos e firmar convênio com entidades fornecedoras de alimentação coletiva, sociedades civis e sociedades cooperativas. (Redação dada pelo Decreto nº 2.101, de 1996)" No caso sob crivo, conforme consta nos autos, parte do auxílio alimentação era fornecido em pecúnia, por meio de tickets, e a empresa não comprovou sua inscrição em PAT (Programa de Alimentação do Trabalhador). Mesmo que houvesse inscrição no PAT, o STJ1 já se manifestou no sentido de que ainda assim o pagamento na forma de tickets integra o salário de contribuição, tendo em vista que o mesmo não se configura como pagamento in natura, in verbis: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM PECÚNIA, TÍCKETS OU VALEALIMENTAÇÃO. INCIDÊNCIA. 1. Conforme entendimento deste Superior Tribunal, "o auxílio alimentação pago in natura não integra a base de cálculo da contribuição previdenciária, esteja ou não a empresa inscrita no PAT; por outro lado, quando pago habitualmente e em pecúnia, incide a referida contribuição, como ocorre na hipótese dos autos em que houve o pagamento na forma de tíckets. Precedentes: REsp 1.196.748/RJ, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe 28/09/2010; 1 AgRg no REsp 1446149 / CE, DJe de 13/04/2016, rel. Min. Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª REGIÃO). No mesmo sentido, EDcl no AgInt no REsp 1591058 / GO, DJe de 01/09/2017, rel. Min. Regina Helena Costa. Fl. 2908DF CARF MF Processo nº 16682.720534/201125 Acórdão n.º 2202004.338 S2C2T2 Fl. 2.909 33 AgRg no Ag 1.392.454/SC, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA TURMA, DJe 25/11/2011; AgRg no REsp 1.426.319/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, DJe 13/05/2014." (AgRg no REsp 1.474.955/RS, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/10/2014, DJe 14/10/2014) 2. Agravo regimental a que se nega provimento.(g.n.) Assim, constatase que o auxílio alimentação ora tratado (pagamento em pecúnia por meio de tickets) não satisfaz a nenhuma das modalidades legais que autorizariam sua exclusão do salário de contribuição2. Dispositivo Diante de tudo quanto exposto, voto por rejeitar a nulidade suscitada pelo ilustre relator e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para cancelar o lançamento em relação ao auxílioalimentação in natura, ao seguro de vida e ao abono salarial. É como voto. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Miranda Gabriel Filho Redator designado 2 No mesmo sentido, ao julgar Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, assim decidiu a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão nº 9202006.283, de 30/11/2017. Fl. 2909DF CARF MF
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