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Numero do processo: 10830.900497/2008-12
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS CONSUMIDOS EM OUTRAS DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA.
Identificado que o crédito descrito no PER/DCOMP foi totalmente consumido em outras declarações de compensação, não há que se falar em procedência da manifestação de inconformidade por ausência de liquidez e certeza do direito creditório pleiteado.
DÉBITO CONFESSADO EM PER/DCOMP. DISCORDÂNCIA EM RELAÇÃO AO VALOR.
A discordância em relação ao débito confessado deve ser apresentado perante a autoridade administrativa.
Numero da decisão: 1003-000.687
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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CRÉDITOS CONSUMIDOS EM OUTRAS DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. Identificado que o crédito descrito no PER/DCOMP foi totalmente consumido em outras declarações de compensação, não há que se falar em procedência da manifestação de inconformidade por ausência de liquidez e certeza do direito creditório pleiteado. DÉBITO CONFESSADO EM PER/DCOMP. DISCORDÂNCIA EM RELAÇÃO AO VALOR. A discordância em relação ao débito confessado deve ser apresentado perante a autoridade administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 04 97 /2 00 8- 12 Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10830.900497/200812 Acórdão n.º 1003000.687 S1C0T3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 0829.855, de 27 de maio de 2014, da 4ª Turma da DRJ/FOR, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, não conhecendo o direito creditório. A Recorrente apresentou manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório, nº de rastreamento 757835412, emitido em 24/04/2008, que não homologou a compensação declarada em razão de inexistência de crédito PER/DCOMP nº 18023.17015.131103.1.3.049256. Destacando o que se segue: O requerente efetuou o recolhimento do IRPJ, em 31/01/2003, através de DARF (docs. 02 e 03), no valor de R$2.880,33, referente ao quarto trimestre de 2002. Posteriormente, constatouse que o referido pagamento superou o valor devido, razão pela qual se declarou a compensação (docs. 04, 05 e 10), no montante de R$452,41. Entretanto, ocorreram dois erros, no preenchimento da declaração de compensação (PER/DCOMP 41873.09162.131103.1.3.046125): identificouse, como data da arrecadação, o dia 13/11/2003 (doc. 04), em vez do dia 31/01/2003, data em que se efetivou o recolhimento do DARF (doc. 02); indicouse o valor principal de R$452,41, em vez de R$646,49. A partir do momento em que se tornaram conhecidos os lapsos informação da data da transmissão como sendo a data da arrecadação e erro na quantificação do crédito , providenciou se nova declaração de compensação (doc. 06), em 22/08/2006 (PER/DCOMP 26413.71289.220806.1.7.045106). No documento retificador (doc. 06), ajustouse a data de arrecadação 31/01/2003, bem como se declarou o valor do crédito, corretamente, já atualizado. Contudo, cumpre salientar que, apesar da assertiva formulada no PER/DCOMP, o débito da diferença, relativo à compensação, não se efetivou no IRPJ, período de apuração: 3° trimestre/2006 (docs. 06, 07 e 08). Nova declaração de compensação foi transmitida (PER/DCOMP n. 19227.82676.300108.1.3.040407), para que fosse informado o débito da diferença, que restou concretizado no IRPJ, do 4° trimestre/2007 (doc.09). Destarte, a prova documental, em especial a cópia do DARF anexada (doc . 02), permite que se conclua a existência do Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10830.900497/200812 Acórdão n.º 1003000.687 S1C0T3 Fl. 4 3 recolhimento de R$2.880,33, e, por conseguinte, o pagamento superior ao devido. Comprovada a existência do DARF, a sua quitação e o excesso do tributo, impõese o reconhecimento do direito de crédito do requerente, com supedâneo no artigo 165, inciso I, do CTN. Então, patente o direito de crédito, mister a realização da homologação da compensação efetuada pelo requerente, conforme o artigo 74, §2°, da Lei n. 9.430/96. Ante o exposto, requer a procedência desta manifestação de inconformidade, com a homologação da compensação, nos termos do artigo 74, §2°, da Lei n. 9430/1996, porquanto houve o pagamento espontâneo, através do DARF anexo, de R$ 2.880,33, valor maior que o devido (artigo 165, inciso I, do CTN), em face da legislação tributária aplicável. A DRJ/FOR julgou a manifestação de inconformidade improcedente e não conheceu o direito creditório pleiteado, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. Não se homologa a compensação com crédito previamente utilizado pelo contribuinte. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário que, em síntese, destacou: (i) Que o acórdão 0829.855 confirmou o recolhimento a maior efetuado através de DARF referente ao quarto trimestre de 2002, porém informou que o crédito havia sido consumido com as homologações das DCOMP nºs 37989.50954.300108.1.7.048062 e 19227.82676.300108.1.3.040407; (ii) Que as DCOMP acima mencionadas se referiam ao 3º trimestre de 2006 e ao 4º trimestre de 2007, mas os créditos utilizados nas respectivas compensações era oriundos do 4º trimestre de 2002; (iii) Ter elaborado duas DCOMP de nºs 41873.09162.131103.1.3.046125 e 18023.17015.131103.1.3.049256 para aproveitar o crédito. Contudo, aduz que ocorreram erros no preenchimento das duas DCOMP e, em especial à de nº, 18023.17015.131103.1.3.049256, a Recorrente teria indicado como data da arrecadação 13/11/2003, quando o correto deveria ser 31/01/2003, data que se efetivou o recolhimento do DARF, tendo o crédito sido informado corretamente; Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10830.900497/200812 Acórdão n.º 1003000.687 S1C0T3 Fl. 5 4 (iv) Esclarece que apenas efetuou a retificação do erro cometido na DCOMP 41873.09162.131103.1.3.046125; (v) Esclarece que o 3º trimestre de 2006 e o 4º trimestre de 2007 não são estranhos à lide, visto ter ocorrido as compensações do crédito, relativo ao pagamento de tributo a maior apurado para o 4º trimestre de 2002; 13/11/2003 é a data de transmissão da DCOMP 18023.17015.131103.1.3.049256, ocasião em que não se efetivou a compensação, a qual apenas ocorreu com as DCOMP nºs 37989.50954.300108.1.7.048062 e 19227.82676.300108.1.3.040407; (vi) Em razão do exposto, a Recorrente defende que a manifestação de inconformidade deveria ter sido provida, visto que o fundamento do despacho decisório, ausência de identificação do DARF, não subsiste. Por fim, requereu o reconhecimento do pagamento a maior do tributo e efetuada a homologação da compensação. Subsidiariamente, requer que, caso seja improcedente o recurso, seja declarada a inexistência de débitos. É o Relatório. Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. A Recorrente apresentou PER/DCOMP de nº 18023.17015.131103.1.3.04 9256, em razão de pagamento indevido ou a maior de IRPJ, no valor de R$ 646,49. O despacho decisório de nº de rastreamento 757835412 indeferiu a homologação fundamentando que, após análise da PER/DCOMP, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF não foi localizado nos sistemas. A Recorrente apresentou manifestação de inconformidade explicando que havia cometido um erro de preenchimento da PER/DCOMP, pois teria indicado como data da arrecadação 13/11/2003, quando o correto deveria ser 31/01/2003, data que se efetivou o recolhimento do DARF. Esse equívoco não foi retificado pela Recorrente. Diante disso, acertadamente, a Delegacia de origem não homologou a declaração de compensação. Contudo, na sua defesa, a Recorrente além de esclarecer o erro, também colacionou cópia do DARF objeto do PER/DCOMP, tendo a DRJ identificado o recolhimento do DARF nos moldes informados pela Recorrente, reconhecendo a existência do crédito em relação ao valor do débito apontado na DCTF do período. Ocorre que, embora a DRJ tenha identificado a existência do pagamento a maior, verificou que a Recorrente já não possuía mais os créditos, pois eles foram utilizados em outras PER/DCOMP, vide trechos do voto: Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10830.900497/200812 Acórdão n.º 1003000.687 S1C0T3 Fl. 6 5 9. O despacho decisório foi cientificado ao administrado em 05/05/2008. Nesse momento a DCTF do 4° trimestre de 2002 vigente é a transmitida em 06/01/2006, que confessa débito de IRPJ trimestral no valor de R$2.233,84. 10. Portanto, em valores originários, como o requerente efetuou recolhimento de R$2.880,33, em 31/01/2003, o pagamento ultrapassou o débito em R$ 646,49. Todavia, como o administrado compensou as parcelas de R$402,92 (na DCOMP 37989.50954.300108.1.7.04 8062) e de R$243,57 (na DCOMP 19227.82676.300108.1.3.040407), todo o pagamento de R$2.880,33 já foi consumido com as citadas extinções de débitos (vide fl. 129). A Recorrente reconhece que os créditos originados desse pagamento a maior (DARF recolhido em 31/03/2003) foi, de fato, utilizado em outras duas PER/DCOMP, vide trecho do recurso voluntário: Não osbtante ter a Recorrente reconhecido que os créditos foram utilizados nas DCOMP de nºs . 37989.50954.300108.1.7.048062 e 19227.82676.300108.1.3.040407, entende que o fundamento motivador do despacho decisório não subsiste e, por conseguinte, a manifestação deveria ter sido provida. Contudo, não assiste razão à Recorrente. De fato, o Despacho Decisório negou a homologação por não identificar o DARF. Na manifestação de inconformidade, após apresentado o documento, a DRJ identificou o crédito, no entanto precisou ainda analisar a liquidez e certeza de dito crédito, conforme determinado pelo art. 170 do CTN. Na análise da liquidez e certeza, identificouse que o crédito do DARF objeto do PER/DCOMP em debate já havia sido consumido em outras declarações de compensação. Logo, se a DRJ tivesse dado provimento à manifestação de inconformidade estaria permitindo a utilização do crédito em duplicidade. É digno registrar que o presente processo se refere unicamente a análise do PER/DCOMP 18023.17015.131103.1.3.049256. Nesse, identificouse que os créditos ali descritos foram consumidos em outras declarações de compensação. A Recorrente insurgese contra o débito, alegando já ter sido pago por compensação, porém quaisquer discordância em relação ao débito confessado deve ser apresentado perante a autoridade administrativa. Em relação a essa questão, o Parecer Normativo COSIT nº 08, de 03 de setembro de 2014, prevê: Conclusão 81. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10830.900497/200812 Acórdão n.º 1003000.687 S1C0T3 Fl. 7 6 Em face do exposto, concluise que: [...] b) a retificação de ofício de débito confessado em declaração, para reduzir o saldo a pagar a ser encaminhado à PGFN para inscrição na Dívida Ativa, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração; Por seu turno, o Anexo I do Regimento Interno da Receita Federal do Brasil (RFB), aprovado pela Portaria MF nº 430, de 09 de outubro de 2017, determina: Art. 270. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil (DRF), à Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes do Riode Janeiro(Demac/RJO), à Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Pessoas Físicas (Derpf) e às Alfândegas da Receita Federal do Brasil (ALF) compete, no âmbito da respectiva jurisdição, no que couber, gerir e executar as atividades de cadastros, de arrecadação, de controle, de cobrança, de recuperação e garantia do crédito tributário, de direitos creditórios, de benefícios fiscais, de atendimento e orientação ao cidadão, de comunicação social, de fiscalização, de controle aduaneiro, de tecnologia e segurança da informação, de programação e logística, de gestão de pessoas e de planejamento, avaliação, organização e modernização. [...] A atividade de revisão de ofício do débito tributário confessado cabe à autoridade administrativa, nos termos do art. 149 do Código Tributário Nacional. Eventual discordância em relação ao débito confessado no PER/DCOMP nº 18023.17015.131103.1.3.049256 deve ser resolvido diretamente na DRF de origem. Isto posto, voto em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão da DRJ/FOR. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 160DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15940.720031/2012-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/12/2008
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL.
O Mandado de Procedimento Fiscal, sob a égide da Portaria que o criou, é mero instrumento de controle administrativo. Estes instrumentos não podem obstar o exercício da atividade de lançamento conferida ao Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, que decorrerem exclusivamente de Lei. A cientificação do sujeito passivo após o prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal - MPF não acarreta nulidade do lançamento, conforme enunciado n.° 25 do extinto Conselho de Recursos da Previdência Social, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
DECADÊNCIA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS.
O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cinco anos e deve se contado nos termos do CTN, artigo 173, inciso I.
PREVIDENCIÁRIO. MULTA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CFL 38. APRESENTAR LIVROS CONTÁBEIS COM INFORMAÇÃO DIVERSA DA REALIDADE OU QUE OMITEM AS INFORMAÇÕES VERDADEIRAS.
Constitui infração à legislação previdenciária, a apresentação à Fiscalização de livros contábeis que contém informação diversa da realidade ou que omitem as informações verdadeiras.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-005.051
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2007 a 30/12/2008 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal, sob a égide da Portaria que o criou, é mero instrumento de controle administrativo. Estes instrumentos não podem obstar o exercício da atividade de lançamento conferida ao Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, que decorrerem exclusivamente de Lei. A cientificação do sujeito passivo após o prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal - MPF não acarreta nulidade do lançamento, conforme enunciado n.° 25 do extinto Conselho de Recursos da Previdência Social, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cinco anos e deve se contado nos termos do CTN, artigo 173, inciso I. PREVIDENCIÁRIO. MULTA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CFL 38. APRESENTAR LIVROS CONTÁBEIS COM INFORMAÇÃO DIVERSA DA REALIDADE OU QUE OMITEM AS INFORMAÇÕES VERDADEIRAS. Constitui infração à legislação previdenciária, a apresentação à Fiscalização de livros contábeis que contém informação diversa da realidade ou que omitem as informações verdadeiras. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 30/12/2008 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal, sob a égide da Portaria que o criou, é mero instrumento de controle administrativo. Estes instrumentos não podem obstar o exercício da atividade de lançamento conferida ao Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, que decorrerem exclusivamente de Lei. A cientificação do sujeito passivo após o prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal MPF não acarreta nulidade do lançamento, conforme enunciado n.° 25 do extinto Conselho de Recursos da Previdência Social, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cinco anos e deve se contado nos termos do CTN, artigo 173, inciso I. PREVIDENCIÁRIO. MULTA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CFL 38. APRESENTAR LIVROS CONTÁBEIS COM INFORMAÇÃO DIVERSA DA REALIDADE OU QUE OMITEM AS INFORMAÇÕES VERDADEIRAS. Constitui infração à legislação previdenciária, a apresentação à Fiscalização de livros contábeis que contém informação diversa da realidade ou que omitem as informações verdadeiras. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 0. 72 00 31 /2 01 2- 80 Fl. 303DF CARF MF Processo nº 15940.720031/201280 Acórdão n.º 2202005.051 S2C2T2 Fl. 304 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 15940.720031/201280, em face do acórdão nº 0255.583, julgado pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE), em sessão realizada em 29 de abril de 2014, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: “Tratase de infringência a Lei 8.212/1991, artigo 33, §§ 2° e 3º, na redação dada pela Lei 11.941/2009, combinado com o Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999, artigos 232 e 233, parágrafo único, por ter o contribuinte incorrido nas seguintes irregularidades, conforme relatório fiscal, fls. 223 a 227: na escrituração das despesas deixou de observar os centros de custo por ele estipulados; omitiu lançamentos contábeis de notas fiscais de compra de mercadoria identificados às fls. 224/225; contabilizou notas fiscais em duplicidade (fl. 225); apresentou comprovantes de recebimento de materiais de construção assinados por pessoas “delegadas” pela empresa como responsáveis pelo recebimento e que não estavam registradas no Livro de Registro de Empregados; apresentou comprovantes de recebimento de materiais assinados por pessoa responsável pela empresa e que não estava registrada na data da assinatura, porém, foi registrada alguns dias depois; Fl. 304DF CARF MF Processo nº 15940.720031/201280 Acórdão n.º 2202005.051 S2C2T2 Fl. 305 3 apresentou comprovante de recebimento de materiais de construção, assinado por pessoa responsável pela empresa, demitida em mês anterior, portanto, sem registro na data da assinatura que consta na nota fiscal; Relata a fiscalização, citando a obra executada para o Centro de Estudos Britânicos de Presidente Prudente que as notas fiscais emitidas pelo contribuinte apresentaram percentuais menores de mãodeobra em relação aos serviços prestados do que os previstos na legislação previdenciária. Informa o auditor fiscal que os lançamentos contábeis verificados foram os constantes dos Livros Diários n°. 16, ano 2007, registrado sob número 705/2008 e n°.17, ano 2008, registrado sob número 391/2009. Em decorrência da infração foi aplicada multa com base na Lei 8.212/1991, artigos 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999, artigos 283, inciso II, alínea "j", e 373, no valor de R$ 16.170,98. O contribuinte teve ciência das autuações em 5/4/2012 (quinta– feira, véspera de feriado), e apresentou impugnação em 8/5/2012, fls. 201 a 213, com as seguintes razões: Diz que apoiada em suposições dissociadas da realidade e sem fundamentação técnicajurídica, a fiscalização não considerou sua contabilidade, lavrando autuações por arbitramento, procedimento esse mais severo e punitivo ao contribuinte. Afirma que suas obras eram regularmente fiscalizadas pelo Ministério do Trabalho sem que houvesse a constatação de "pessoas a serviço da construtora sem o devido registro como empregados". Afirma que em nenhuma das ações movidas por exempregados ficou configurada tal hipótese. Alega que as falhas, porventura, ocorridas nos seus controles administrativos não podem ser consideradas como indício de sonegação de registro de mãodeobra. Argumenta que os valores correspondentes ao período de 2006 e parte de 2007 (janeiro a março), foram atingidos pela decadência e devem ser excluídos dos lançamentos. Justifica a variação de percentuais referente a serviços prestados (3,84% a 42,46%) constante de suas notas fiscais, da seguinte forma: 1) as obras possuem características e diversidades múltiplas. Na realização de coberturas e telhados, terraplenagens, calçamentos, instalação de tubulações subterrâneas, instalações de equipamentos refrigeradores a mãodeobra empregada é mínima em relação aos equipamentos/ferramental utilizados. Na contratação para "reformas" em escolas municipais são utilizados estruturas e materiais préexistentes, que além de Fl. 305DF CARF MF Processo nº 15940.720031/201280 Acórdão n.º 2202005.051 S2C2T2 Fl. 306 4 baratear os custos de materiais, reduzem o tempo, a quantidade da mãodeobra e os custos. 2) Os percentuais tomam como "base de cálculo" o faturamento (receita) que podem e sempre estão de acordo com o contratado (após licitação). Cita exemplos às fls. 264/265. Explica que o faturamento de obras contratadas por empreitada global é realizado sem discriminação de seus itens (materiais e mão de obra), sendo atribuídos percentuais desta composição (proporção) apenas para o cumprimento das obrigações quanto à retenção e recolhimento da contribuição previdenciária sobre os serviços faturados. Anexa os documentos 38 a 40. 3) se cometeu equívocos, foi porque interpretou e analisou dados parcialmente. Diz que, em anexo ao processo 15940.720029/201219, listou as obras (centros de custos levantados e discriminados no item 8 do relatório fiscal daquele processo) com as justificativas de seus custos (proporções na composição da mão de obra e materiais aplicados) e o apontamento dos subempreiteiros, dados esses não considerados pela fiscalização na apuração do salário de contribuição. Em relação aos motivos que levaram a fiscalização a não considerar a contabilidade como prova a seu favor apresenta os seguintes argumentos: a) LANÇAMENTOS CONTÁBEIS DE DESPESAS EM CENTROS DE CUSTOS NÃO DISCRIMINADOS POR OBRA Alega que houve apenas (se é que houve) divergência na classificação contábil e que para garantir seu direito de defesa deveria a fiscalização apontar quais despesas não obedeceram a qual centro de custo, o que não foi feito. Diz que como prova de sua alegação está anexando demonstração dos centros de custos, valores registrados e apuração do resultado (doc. 01 a 12 e 13 a 22 juntados ao processo 15940.720029/201219). Como prova a seu favor, cita os itens 7 e 8 do relatório fiscal do processo 15940.720029/201219, onde estão discriminadas e descritas obras “centro de custos” do período analisado (2007 e 2008), com descrição das obras (matrículas), valores (faturamento, serviços, salário de contribuição, percentuais do sal. contribuição) e período das mesmas (abril/2006 a dezembro/2009). b) OMISSÃO DE LANÇAMENTOS CONTÁBEIS DE NOTAS FISCAIS DE COMPRA DE MERCADORIA. Aduz que não houve omissão de lançamentos e sim lançamento extemporâneo das notas fiscais relacionadas. Esclarece que notas não registradas e correspondentes ao exercício de 2007, foram, espontaneamente regularizadas no ano seguinte e que nove das quatorze notas levantadas (nº 27074, 27079, 27086, 27102, 27108, 27119, 27306, 27376, 27377) referemse à Fl. 306DF CARF MF Processo nº 15940.720031/201280 Acórdão n.º 2202005.051 S2C2T2 Fl. 307 5 operação de “remessas” (envio de concreto pelo fornecedor) para entrega e faturamento. As outras cinco notas são de aquisição de concreto, contabilizadas extemporaneamente, porém, jamais omitidas, até porque referem a mercadorias/produtos recebidos/faturados no período de abril a julho/2007, no total de R$ 9.101,55, parte ínfima do total movimentado na empresa. c) CONTABILIZAÇÃO DE NOTAS FISCAIS EM DUPLICIDADE Argui que se trata de erro escusável e sanável e que em nada se relaciona a “omissão e/ou sonegação” de tributos. d) COMPROVANTE DE RECEBIMENTO DE MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO, EM OBRAS, RECEBIDOS POR PESSOAS, “DELEGADAS” PELA EMPRESA COMO RESPONSÁVEL PELO SEU RECEBIMENTO, E QUE NÃO SE ENCONTRAVAM REGISTRADAS EM SEU LIVRO DE REGISTRO DE EMPREGADOS. Alega que não se tratavam de empregados da recorrente. Justifica o ocorrido, no fato de que as obras contratadas são, em sua maioria, de entidades públicas, estatais ou paraestatais, sendo o acesso de pessoas a esses locais controlado rigorosamente, além de possuir sistema máximo de segurança, razão pela qual algumas das tarefas (estafetagem e/ou malotes) eram e foram realizadas através de "pessoas delegadas" para este fim. e) COMPROVANTE DE RECEBIMENTO DE MATERIAIS EM OBRAS SENDO RECEBIDOS POR PESSOA RESPONSÁVEL PELA EMPRESA E, QUENÃO ESTAVA REGISTRADA NA DATA DA ASSINATURA, MAS QUE FOI REGISTRADA ALGUNS DIAS DEPOIS Alega que se trata do Sr. Gabriel dos Santos Negrão, trabalhador de outra construtora até ser contratado em 1/11/2007, e que nessa época partilhavam do mesmo canteiro de obras. Afirma que as assinaturas encontradas em documentos de recebimento de mercadorias, foram realizadas nas condições justificadas no item anterior ("d"). f) COMPROVANTE DE RECEBIMENTO DE MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO EM SUAS OBRAS, RECEBIDAS POR PESSOA RESPONSÁVEL PELA EMPRESA E QUE JÁ HAVIA SIDO DEMITIDA DA EMPRESA, EM MÊS ANTERIOR, NÃO ESTANDO REGISTRADA NA DATA DA ASSINATURA QUE CONSTA NA NOTA FISCAL Diz tratarse de Rodrigo Pereira, seu empregado até 19/9/2008, quando foi contratado por outra construtora que prestava serviços no mesmo canteiro de obras. As assinaturas do ex empregado encontradas em documentos de recebimento de mercadorias, a exemplo da nota fiscal 123380 – Bozoli Comércio de Tintas Ltda, de 20/11/2008, foi realizada nas mesmas condições justificadas nos itens anteriores ("d" e "e"). Fl. 307DF CARF MF Processo nº 15940.720031/201280 Acórdão n.º 2202005.051 S2C2T2 Fl. 308 6 Requer o reconhecimento da regularidade dos registros contábeis, bem como seja revisto e cancelado o presente auto de infração, por estar totalmente dissociado dos fatos, conforme impugnação apresentada, bem como por falta de fundamentação legal. Solicitação de diligência O processo retornou a DRF de origem, para que fosse juntado aos autos o relatório fiscal do AI 51.005.4110 (CFL 38), uma vez que o anexado inicialmente se referia ao AI 37.353.8812 (CFL 68). Foi solicitada também, confirmação a respeito da correta entrega ao contribuinte do relatório correspondente ao AI/CFL 38, quando cientificado do lançamento. Foi anexado aos autos (fls. 223 a 227), o relatório fiscal como solicitado pela DRJ/BH. Quanto à entrega correta do relatório ao contribuinte, informa a fiscalização, fl. 235, que tal fato é confirmado pela impugnação apresentada, pois nessa o impugnante informa os números do processo e da autuação corretamente, além de fazer menção a tal relatório no item 2 de sua defesa. Transcrevese da peça impugnatória (fl. 202): Do presente REFISC CLF 38 (item 5 fls. 2), restou consignado que: "embora a empresa tenha apresentado a contabilidade formalizada dos exercícios de 2007 e 2008, ela não escriturou corretamente seus comprovantes de despesas, conforme relatado nos itens "a" a "c" e que também incorreu no erro de manter trabalhadores a seu serviço sem o devido registro formal, conforme o relatado nos itens "d" a "f." (grifos não existentes no original).” A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte, mantendo, assim o crédito tributário lançado, na integralidade. O contribuinte, inconformado com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, às fls. 259/275, reiterando as alegações expostas em impugnação. Da chegada dos autos no CARF, entendeu este colegiado por converter o julgamento em diligência conforme Resolução de n.º 2202000.826, de modo que a unidade de origem apresentasse os comprovantes de recolhimento das contribuições previdenciárias relativos às competências de janeiro, fevereiro e março de 2007. Em cumprimento ao determinado foi juntado às fls. 287/296 os comprovantes das contribuições previdenciárias do período requerido. O contribuinte foi intimado da decisão pela Intimação SACAT/DRF/PPE n.º 389/2018, tendo sido juntado AR datado de 07/11/2018, sendo que o contribuinte não apresentou manifestação sobre os documentos juntados ao processo. É o relatório. Fl. 308DF CARF MF Processo nº 15940.720031/201280 Acórdão n.º 2202005.051 S2C2T2 Fl. 309 7 Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 1. Do Mandado de Procedimento Fiscal MPF. A recorrente pleiteia a nulidade do lançamento por ter sido notificada e recebido o Termo de Encerramento após o término do prazo previsto no Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. Entendo que não cabe razão à recorrente. Inicialmente registro a inexistência de prejuízo. Sigo a jurisprudência do CARF, que tem decidido que a eventual irregularidade na emissão do MPF ou o descumprimento do prazo previsto no MPF para realização da ação fiscal não induzem a nulidade do ato jurídico praticado pelo auditor fiscal pois o MPF é mero instrumento de controle da atividade fiscal e não um limitador da competência do agente público. Compartilho do entendimento exarado no acórdão CARF nº 10423228 (sessão de 29/05/2008), no sentido que o MPF Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Seu vencimento não constitui, por si só, causa de nulidade do lançamento e nem provoca a reaquisição de espontaneidade por parte do sujeito passivo. Assim, eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração. Rejeito a preliminar, portanto. 2. Decadência. Em sua defesa o contribuinte alega decadência dos valores correspondentes a 2006 e parte de 2007. No presente caso, o crédito (constituído através de autuação por descumprimento de obrigação acessória) não se trata de lançamento por homologação previsto no art. 150, caput, mas sim de lançamento de ofício, previsto no inciso VI, art. 149, ambos do CTN, sujeito, portanto, as regras contidas no inciso I, art. 173 do mesmo Código. Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária. [...] Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 309DF CARF MF Processo nº 15940.720031/201280 Acórdão n.º 2202005.051 S2C2T2 Fl. 310 8 I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No presente caso, a autuação ocorreu em 5/4/2012 (fl. 3), considerando que os documentos apresentados de forma deficiente se referem ao período de 01/2007 a 12/2008, e que o Termo de Início do Procedimento Fiscal foi emitido em 01/6/2011, com ciência do autuado em 2/6/2011 (fl. 163), não há que se cogitar na ocorrência de extinção do direito de constituição do crédito por decadência, no presente caso. Rejeitase, portanto, a alegação de decadência. 3. Multa por descumprimento de obrigação acessória (CFL 38). Conforme relatório fiscal, o contribuinte, entre outras irregularidades, deixou de observar, nos lançamentos contábeis, os centros de custo que estabeleceu para cada obra de construção civil, omitiu lançamentos contábeis de notas fiscais e escriturou notas fiscais em duplicidade, infringindo dispositivo da Lei 8.212/1991, artigo 33, §§ 2º e 3º, na redação dada pela Lei 11.941/2009, c/c Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999, artigos 232 e 233, parágrafo único, abaixo transcritos: Lei 8.212/1991: Art. 33. [...] § 2º A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. RPS Art. 232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades Fl. 310DF CARF MF Processo nº 15940.720031/201280 Acórdão n.º 2202005.051 S2C2T2 Fl. 311 9 legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. A multa foi aplicada pela fiscalização no valor de R$ 16.170,98, com base na Lei 8.212/1991, artigos 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999, artigos 283, inciso II, alínea "j", e 373. 3.1 Do processo nº 15940.720029/201219 (obrigação principal). Esta Turma compreendeu no processo nº 15940.720029/201219 (obrigação principal), em julgamento realizado na mesma sessão deste processo, por negar provimento ao recurso voluntário. Assim, mantémse a multa por descumprimento de obrigação acessória. 3.2 Manutenção da multa. Tendo em vista que restou comprovado nos autos o efetivo cometimento da infração, a aplicação da penalidade ao caso presente encontrase perfeitamente legal. Assim, não sendo provado o fato constitutivo do direito alegado pelo contribuinte, devese manter sem reparos o acórdão recorrido. Ocorre que temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, da contribuinte ora recorrente. Portanto, deve ser negado o recurso quanto a este ponto. Conclusão. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 311DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.902446/2014-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/10/2000
PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS.
A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais.
JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE.
Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como receita financeira, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente.
Numero da decisão: 3401-005.880
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/10/2000 PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE. Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como receita financeira, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/10/2000 PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE. Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como “receita financeira”, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 24 46 /2 01 4- 54 Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10580.902446/201454 Acórdão n.º 3401005.880 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/POR, que considerou insubsistente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório que indeferiu pedido de restituição de PIS. Do Pedido de Compensação e do Despacho Decisório O contribuinte pleiteou compensação, referente a pagamento efetuado indevidamente ou a maior, transmitido através de PER. Em despacho decisório, o pedido foi indeferido sob a alegação que o “recolhimento apontado como origem do crédito encontrase integralmente alocado ao débito informado pelo contribuinte, não restando qualquer saldo de pagamento a ser restituído. ” Da Manifestação de Inconformidade O Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, argumentando o seguinte: 1. O Supremo Tribunal Federal declarou incidentalmente a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, contida no §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998 e que o presente pedido de restituição se mostra subsistente, pois os recolhimentos da contribuição em tela foram realizados nos estritos lindes do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, cujo descompasso com o sistema normativo acabou por provocar o recolhimento a maior nesse tocante e, por conseguinte, não há como prosperar o indeferimento do presente pedido de restituição. 2. O STF declarou a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei 9.718/98 porque reconheceu que as contribuições sociais ao PIS e à Cofins só poderiam incidir sobre o faturamento das empresas, assim entendida “a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza”, não podendo incluir na base de cálculo receitas não operacionais. 3. O conceito de faturamento não varia em função do objeto social de cada contribuinte, pois a base de cálculo ficaria sujeita a um grau de incerteza absolutamente incompatível com uma obrigação tributária. Assim sendo, não há qualquer relação de identidade entre o conceito de faturamento com a atividade principal dos contribuintes. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10580.902446/201454 Acórdão n.º 3401005.880 S3C4T1 Fl. 4 3 4. Mesmo que se entenda que as receitas financeiras auferidas por instituições financeiras têm natureza de receita de prestação de serviços, integrando o conceito de faturamento, o que se admite apenas para argumentar, não podem integrar referida base de cálculo as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos próprios e ou de terceiros em hipóteses que não envolvam intermediação financeira. 5. A base de cálculo, deveria ficar restrita somente às receitas auferidas no exercício de seu objeto social, com a prestação de serviços bancários, tais como administração de fundos de investimentos, assessoria em operações de fusão e aquisição, intermediação financeira e concessão de crédito, dentre outras atividades. 6. As receitas financeiras obtidas com a aplicação de seu próprio capital de giro e capital de terceiros, bem como em razão da remuneração dos depósitos compulsórios realizados junto ao Banco Central e aplicações próprias, realizadas no seu único e exclusivo interesse, sem intermediação, não configuram prestação de serviços, uma vez que ninguém presta serviço para si próprio. Junto com a impugnação, o recorrente apresentou planilhas de cálculo, e balancete analítico do mês de referência. Da Decisão de Primeiro Grau O colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 14061.554. Do Recurso Voluntário Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso, reprisando as razões apresentadas na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.809, de 25 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10580.902382/201491, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.809): "Da Admissibilidade Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10580.902446/201454 Acórdão n.º 3401005.880 S3C4T1 Fl. 5 4 O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade; de modo que tomo seu conhecimento. Do Mérito O núcleo do litígio reside na forma de aplicação da declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei Federal 9718/1998 pelo STF – quando do julgamento do RE nº 585.235, sob a forma do art. 543B, do CPC, sobre o alargamento da base de cálculo das contribuições PIS e COFINS, no que tange às instituições financeiras. Naquela oportunidade, restou pacificado que, para fins de incidência cumulativa das contribuições sociais, o faturamento é o resultado das atividades típicas, ou seja, que decorram do objeto social do contribuinte. Como não poderia ser diferente, esse vem sendo o entendimento adotado nessa Seção, e na Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000 COFINS. FATURAMENTO. LEI 9.784/98 [SIC]. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. Consoante entendimento firmado pelo STF, as receitas operacionais obtidas pelas instituições financeiras, decorrentes de sua atividade fim, integram o conceito de receita bruta utilizado pelo art. 3º da Lei nº 9.718/98. RECUPERAÇÃO DE ENCARGOS E DESPESAS E REVERSÃO DE PROVISÕES OPERACIONAIS. Lançamentos que não representes ingressos de receita oriundos das atividades típicas das instituições financeiras não podem ser alcançados pela incidência da COFINS. (Acórdão nº 3201004.445, Relatora Tatiana Josefovicz Belisário, sessão de 27.11.2018) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2004 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10580.902446/201454 Acórdão n.º 3401005.880 S3C4T1 Fl. 6 5 As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. (Acórdão nº 9303002.934, Redator designado: Ricardo Paulo Rosa, sessão de 03.06.2014). Acertadamente, a decisão ora recorrida destacou que as atividades operacionais das instituições financeiras se encontram elencadas no Plano de Conta COSIF, nos termos emanados pelo Banco Central do Brasil: O Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional, instituído pela Circular do Banco Central do Brasil nº 1.273, de 29 de dezembro de 1987, traz em seu Capítulo 1 Normas Básicas, Seção 17 Receitas e Despesas, item 3, que as rendas obtidas tanto com as operações ativas como com a prestação de serviços, ambas referentes a atividades típicas, regulares e habituais da instituição financeira, são classificadas como operacionais. Confirase: 3 As rendas operacionais representam remunerações obtidas pela instituição em suas operações ativas e de prestação de serviços, ou seja, aquelas que se referem a atividades típicas, regulares e habituais. (grifos nossos) No Cosif, as contas de receitas operacionais são divididas em: 7.1 RECEITAS OPERACIONAIS 7.1.1.00.001 Rendas de Operações de Crédito 7.1.2.00.004 Rendas de Arrendamento Mercantil 7.1.3.00.007 Rendas de Câmbio 7.1.4.00.000 Rendas de Aplicações Interfinanceiras de Liquidez 7.1.5.00.003 Rendas com Títulos e Valores Mobiliários e Instrumentos Financeiros Derivativos Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10580.902446/201454 Acórdão n.º 3401005.880 S3C4T1 Fl. 7 6 7.1.7.00.009 Rendas de Prestação de Serviços 7.1.8.00.002 Rendas de Participações 7.1.9.00.005 Outras Receitas Operacionais (...) Portanto, em uma instituição financeira as receitas financeiras decorrem de serviços prestados aos clientes (financiamentos, empréstimos, operações de câmbio na importação ou exportação, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, seguros, arrendamento mercantil, administração de planos de previdência privada e tantas outras mais) não constituindo mero ganho financeiro como acontece em outras empresas. São, portanto, receitas operacionais, que compõem a base de cálculo do PIS e da Cofins. (...) Especificamente quanto a instituições financeiras e contribuintes a ela equiparadas por força do artigo 22, § 1° da Lei 8.212/91, devese entender por faturamento os ganhos obtidos com operações financeiras realizadas por tais entidades, quanto à captação, movimentação e aplicação de ativos que proporcionem alguma forma de ganho pecuniário, posto não ser outro o objeto social de tais sociedades. Observando o caso concreto, tratase de instituição financeira que tem por objeto social “efetuar operações bancárias em geral, inclusive câmbio”. Esse, portanto, é o limite das atividades típicas que devem ser objeto de escrutínio para sua inclusão na base de cálculo das contribuições sociais. No presente processo, a Recorrente pleiteia crédito de COFINS no montante calculado sobre a diferença entre a totalidade de receitas operacionais e a receita de prestação de serviços bancários (conta 7.1.7.00.00.9), entendendo, a despeito do entendimento acima esposado, que somente as atividades de prestação de serviços bancários poderiam vir a ser objeto de incidência das contribuições sociais, ignorando que a atividade bancária per si não se restringe, por óbvio, aos serviços prestados aos clientes. Adicionese aos argumentos anteriores que a própria Lei Federal 9.718/1998 partiu da premissa que as receitas financeiras geradas nas atividades das instituições bancárias eram tributadas, quando previu, em seus parágrafos 5º e 6º, hipóteses específicas de dedução: Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10580.902446/201454 Acórdão n.º 3401005.880 S3C4T1 Fl. 8 7 I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; c) deságio na colocação de títulos; d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; II no caso de empresas de seguros privados, o valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos. III no caso de entidades de previdência privada, abertas e fechadas, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates; IV no caso de empresas de capitalização, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de resgate de títulos. Assim, todas as receitas decorrentes da atividade bancária, seja pela prestação de serviços, seja pela fruição de resultados financeiros dos ativos próprios e de terceiros, devem ser tributadas pelas contribuições sociais, observadas das deduções acima. Por outro lado, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como “receita financeira”, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente, nos termos do RE 1.104.184/RS, do STJ, julgado sob efeitos do artigo 543C do antigo CPC. Sob a mesma ótica, não é possível admitir na base de cálculo das contribuições as receitas decorrentes da locação de imóveis, eis que essa atividade não se encontra contemplada no seu contrato social. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10580.902446/201454 Acórdão n.º 3401005.880 S3C4T1 Fl. 9 8 Tratase, portanto, de resultados que não decorre da atividade bancária, de forma que a parcela do lançamento referente a essa rubrica deve ser cancelada. Por todo o exposto, conheço do Recurso, e doulhe parcial provimento para afastar a glosa sobre as receitas decorrentes da remuneração de juros sobre o capital próprio e locação de imóveis próprios." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. . Da mesma forma, a Declaração de Voto do Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, apresentada no processo paradigma, é extensível ao presente processo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do recurso voluntário, e darlhe parcial provimento para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10580.902446/201454 Acórdão n.º 3401005.880 S3C4T1 Fl. 10 9 Fl. 160DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.001856/2004-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1995, 1996
PRAZO PARA PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543B DO CPC. TEORIA DOS 5+5 PARA PEDIDOS PROTOCOLADOS ANTES DE 9 DE JUNHO DE 2005. SÚMULA Nº 91 CARF
O art. 62 do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, o que faz com que se deva adotar a teoria dos 5+5 para os pedidos administrativos protocolados antes de 9 de junho de 2005.
Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos, previsto no art. 168, inciso I, do CTN, só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4o, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em um prazo para a repetição do indébito de 10 anos após a ocorrência do fato gerador.
Numero da decisão: 1302-003.538
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1995, 1996 PRAZO PARA PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543B DO CPC. TEORIA DOS 5+5 PARA PEDIDOS PROTOCOLADOS ANTES DE 9 DE JUNHO DE 2005. SÚMULA Nº 91 CARF O art. 62 do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, o que faz com que se deva adotar a teoria dos 5+5 para os pedidos administrativos protocolados antes de 9 de junho de 2005. Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos, previsto no art. 168, inciso I, do CTN, só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4o, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em um prazo para a repetição do indébito de 10 anos após a ocorrência do fato gerador.
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MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543B DO CPC. TEORIA DOS 5+5 PARA PEDIDOS PROTOCOLADOS ANTES DE 9 DE JUNHO DE 2005. SÚMULA Nº 91 CARF O art. 62 do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, o que faz com que se deva adotar a teoria dos 5+5 para os pedidos administrativos protocolados antes de 9 de junho de 2005. Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos, previsto no art. 168, inciso I, do CTN, só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4o, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em um prazo para a repetição do indébito de 10 anos após a ocorrência do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 18 56 /2 00 4- 07 Fl. 620DF CARF MF Processo nº 13971.001856/200407 Acórdão n.º 1302003.538 S1C3T2 Fl. 621 2 (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Para a devida síntese do processo em exame, transcrevo o relatório da DRJ/FNS, complementandoo ao final: Por meio do Despacho Decisório de f. 296, foi indeferido o Pedido de Restituição de CSLL protocolado pela interessada em 13/10/2004, f. 1 a 6, e não homologadas as Declarações de Compensação de f. 271 a 285. O crédito seria proveniente de pagamentos a maior, efetuados durante os anoscalendário de 1995 e 1996. A fundamentação da decisão (f. 266 a 269) foi a de que o pedido foi apresentado após o prazo de cinco anos, previsto no Código Tributário Nacional, prazo este contado a partir dos respectivos pagamentos. Deste modo, o direito à restituição já havia sido atingido pela decadência. Acerca da solicitação de exclusão de débitos de estimativa de CSLL do anocalendário de 1995, consolidados no REFIS, a autoridade recorrida declarou que caberia ao interessado providenciar respectivo pedido de revisão do parcelamento. Irresignada, a contribuinte encaminhou a manifestação de inconformidade de f. 109 a 121, na qual alega, em síntese, que: Na modalidade de lançamento por homologação, o prazo decadencial para sua repetição é de 10 anos, ou seja, 5 anos para a sua homologação e mais 5 referentes a prescrição, a teor da interpretação aglutinada dos arts. 150, § 4º, 165, I, e 168, I, do CTN; O Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, proferiu decisão com este entendimento, por meio do acórdão 102 44.382 de 17/08/2000; Fl. 621DF CARF MF Processo nº 13971.001856/200407 Acórdão n.º 1302003.538 S1C3T2 Fl. 622 3 Tal entendimento, conhecido como a "tese dos cinco mais cinco" encontra respaldo na jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça mesmo após o advento da Lei Complementar n° 118/05; A 1ª Seção do STJ, no julgamento do Recursos Especial tf 1.001932/SN em julgado de 25/11/2009, de relatoria do Ministro Luiz Fux, declarou que: 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos. casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal(regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002 segundo o qual o qual: "Serão os da lei anterior Os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada”). Requer a reforma do despacho decisório, a homologação de todas as compensações efetuadas pela empresa, e a reunião ao presente processo do processo n° 13971.002322/201038, referente à Solicitação de Revisão de Débitos Consolidados no REFIS, para que somente ao final do presente processo, seja decidido sobre a sua procedência. Após análise das razões acima, a 7ª Turma de Julgamento da DRJ/FNS, através do Acórdão nº 0722.085, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e, por via de consequência, não reconheceu o direito creditório pleiteado. Nesse sentido, segue ementa do acórdão recorrido: ASSUNTO: NORMAS GERIAS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano – calendário: 1995, 1996 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL O direito de pleitear a restituição extingue – se com o decurso do prazo decadencial de cinco anos, contado da data do pagamento indevido. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 622DF CARF MF Processo nº 13971.001856/200407 Acórdão n.º 1302003.538 S1C3T2 Fl. 623 4 Ano – calendário 1995,1996 ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Manifestações de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário submetendo o caso à apreciação deste Conselho, aduzindo, em síntese, as mesmas razões da Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa – Relator. Presentes os requisitos de admissibilidade recursal, tomo conhecimento do presente Recurso Voluntário. O crédito aqui discutido decorre do Pedido de Restituição de CSLL protocolado pela recorrente em 13/10/2004, decorrente de pagamentos a maior, durante os anoscalendário de 1995 e 1996. O acórdão recorrido manteve o entendimento do despacho decisório, no sentido que a pretensão do recorrente estaria decaída, pela decorrência do prazo de 05 anos. Para tanto, cumpre uma breve exposição sobre o tema. O Código Tributário Nacional trás dispositivos sobre o tema, senão vejamos: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Fl. 623DF CARF MF Processo nº 13971.001856/200407 Acórdão n.º 1302003.538 S1C3T2 Fl. 624 5 § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário;(Vide art 3 da LCp nº 118, de 2005) II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Fl. 624DF CARF MF Processo nº 13971.001856/200407 Acórdão n.º 1302003.538 S1C3T2 Fl. 625 6 Apesar da aparente simplicidade dessas normas, sabese que a discussão sobre o prazo para se pleitear a restituição dos tributos lançados por homologação é questão tormentosa, que vem dividindo a doutrina e as jurisprudências administrativa e judicial há tempos. As divergências se iniciam na própria natureza desse prazo, sendo comum as decisões administrativas relacionarem sua perda ao instituto da decadência, e as judiciais, ao da prescrição, questão deixada em aberto nesse voto, por não possuir qualquer relevância com a solução adotada. De toda a discussão sobre o tema, três soluções prevaleceram no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. A primeira concede o prazo de cinco anos contado a partir do pagamento indevido e é o entendimento esposado pela Administração tributária. A interpretação decorre da determinação do art. 168, inciso I, do CTN, que ordena o início do prazo na data de extinção do crédito tributário, em conjunto com o art. 150, §1º, do CTN, que determina que o pagamento antecipado extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. Como a extinção ocorre sob condição resolutória, ela opera efeitos imediatos, devendose considerar o crédito tributário extinto a partir do recolhimento. A segunda, também conhecida como “teoria dos 5+5”, reconhece o prazo de dez anos a partir da ocorrência do fato gerador, e foi o entendimento que terminou por prevalecer após longa discussão no Superior Tribunal de Justiça – STJ. Para se chegar a essa conclusão, considerouse que a extinção do crédito tributário só ocorre após a homologação do lançamento, que, se não acontecer de forma expressa, darseia tacitamente após 5 anos do pagamento, quando se iniciaria novo período de 5 anos para o pedido de restituição. A terceira diz respeito apenas aos tributos declarados inconstitucionais com efeitos erga omnes, quando a contagem do prazo para a repetição do indébito se iniciaria após essa declaração, ou então após o reconhecimento pela Administração Tributária da exação como indevida. Tentando resolver esse impasse, a Lei complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005, trouxe as seguintes determinações: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei. Art. 4º Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. Isto é, o novo ato legal buscou fazer interpretação autêntica do art. 168 do CTN, pois determinou sua aplicação a fatos pretéritos por se considerar expressamente interpretativo (art. 106, inciso I do CTN), optando pela primeira solução acima descrita. Diante da inovação legislativa, o STJ concluiu que a nova norma não tinha caráter meramente interpretativo, pois afastava interpretação há muito consolidada, e passou a aplicar a nova regra inicialmente apenas para as ações ajuizadas após a data de vigência da Fl. 625DF CARF MF Processo nº 13971.001856/200407 Acórdão n.º 1302003.538 S1C3T2 Fl. 626 7 nova lei, em 9 de junho de 2005, mas terminou fixando o entendimento de que o novel regramento se aplica aos pagamentos ocorridos após essa data. Pacificando essa discussão, o Supremo Tribunal Federal – STF, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.621/RS, em 11 de outubro de 2011, com trânsito em julgado em 17 de novembro de 2011, decidiu pela inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4º da Lei complementar nº 118, de 2005, mas definiu que a nova lei poderia ser aplicada para as ações ajuizadas a partir da data de sua vigência, em 9 de junho de 2005, como demonstra a ementa abaixo transcrita: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança de garantia do acesso à Justiça. Fl. 626DF CARF MF Processo nº 13971.001856/200407 Acórdão n.º 1302003.538 S1C3T2 Fl. 627 8 Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08 que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Como a decisão acima foi tomada na sistemática do art. 543B, § 3º, do CPC, os julgamentos do CARF devem adotar esse entendimento, por determinação do art. 62 do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Tal entendimento deu origem a Súmula CARF nº 91, que preceitua: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Assim, no presente caso, como o pedido de restituição foi protocolado em 2004, não se encontra decaído o direito creditório do recorrente. Conclusão Fl. 627DF CARF MF Processo nº 13971.001856/200407 Acórdão n.º 1302003.538 S1C3T2 Fl. 628 9 Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à DRF de origem para continuidade da análise do direito creditório do contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 628DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.901233/2015-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
DCOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. EXISTÊNCIA DE SALDO NEGATIVO E NÃO PAGAMENTO A MAIOR. FALTA DE COMPROVAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO.
A alegação de que teria havido equívoco no preenchimento da DCOMP (indicação de que teria sido pagamento indevido ou a maior ao invés de Saldo Negativo), não elide a necessidade de comprovação do crédito, por meio de documentos hábeis e idôneos. Embora a jurisprudência deste Conselho, venha admitindo a convolação do pedido de restituição de pagamento indevido ou a maior em pedido de restituição de saldo negativo, incumbe à interessada a comprovação do erro de fato. À míngua de tal comprovação não há como reconhecer o direito creditório.
Numero da decisão: 1302-003.452
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. A conselheira Maria Lúcia Miceli votou pelas conclusões do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10283.901232/2015-04, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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DCOMP. RETIFICADORA Recorrente ORIENT RELÓGIOS DA AMAZÔNIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 DCOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. EXISTÊNCIA DE SALDO NEGATIVO E NÃO PAGAMENTO A MAIOR. FALTA DE COMPROVAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. A alegação de que teria havido equívoco no preenchimento da DCOMP (indicação de que teria sido pagamento indevido ou a maior ao invés de Saldo Negativo), não elide a necessidade de comprovação do crédito, por meio de documentos hábeis e idôneos. Embora a jurisprudência deste Conselho, venha admitindo a convolação do pedido de restituição de pagamento indevido ou a maior em pedido de restituição de saldo negativo, incumbe à interessada a comprovação do erro de fato. À míngua de tal comprovação não há como reconhecer o direito creditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. A conselheira Maria Lúcia Miceli votou pelas conclusões do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10283.901232/201504, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 12 33 /2 01 5- 41 Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10283.901233/201541 Acórdão n.º 1302003.452 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto face ao Acórdão nº 1152.275, de 22/03/2016, da 4ª Turma da DRJ de Recife que, por unanimidade de votos, não conheceram da manifestação de inconformidade, registrandose a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 DCOMP. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO. INCOMPETÊNCIA O julgador administrativo não é competente para apreciar pedido de retificação de crédito informado na Declaração de Compensação. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecido A recorrente dedicase à fabricação, ao comércio e à reparação de cronômetros e relógios. É optante do regime de tributação com base lucro real, com pagamentos por estimativas mensais. Sustenta que, em conformidade com sua DIPJ, teria efetuado pagamento indevido ou a maior de estimativa, o que teria resultado em saldo negativo de CSLL. A recorrente apresentou DCOMP para compensar débito de CSLL. A DCOMP não foi homologada, nos termos do Despacho Decisório eletrônico. A recorrente alega que teria incorrido em equívoco no momento do preenchimento da DCOMP. Pois, informou que o crédito seria decorrente de "Pagamento Indevido ou a Maior", ao passo que deveria ter sido indicado "Saldo Negativo de CSLL. Sustenta que teria sido esse o motivo da não localização de pagamento a maior. O DARF indicado na DCOMP, correspondia exatamente aos débitos declarados em DCTF. Apresentou manifestação de inconformidade tempestivamente demonstrando o referido erro de preenchimento que inviabilizou a DCOMP. A DRJ/REC concluiu que "o julgador administrativo não é competente para apreciar pedido de retificação de crédito informado na Declaração de Compensação". A recorrente foi intimada do acórdão de manifestação de inconformidade e protocolou recurso voluntário tempestivamente. Em suas razões, a recorrente sustenta: · reportase à Ficha 17 de sua DIPJ, em que registra saldo negativo de CSLL de R$ R$ 325.789,59 e afirma que a empresa recorrente dispunha de saldo negativo de CSLL apto a alicerçar sua pretensão de compensação; Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10283.901233/201541 Acórdão n.º 1302003.452 S1C3T2 Fl. 4 3 · em função do equívoco ocorrido em relação à indicação da origem do referido crédito "Pagamento Indevido ou a Maior" ao invés de "Saldo Negativo de CSLL" a delegacia responsável pelo exame da DCOMP não detectou o direito creditório postulado; · não obstante o fato de que havia a possibilidade de retificar a DCOMP, a recorrente só tomou ciência do equívoco cometido no momento em que recebeu o Despacho Decisório informandoa sobre a não homologação de sua compensação; · a Delegacia de Julgamentos, ao invés de adotar conduta proativa e que promovesse a busca da verdade material, declarouse incompetente para proceder a retificação das declarações apresentadas pelo contribuinte; · ciente da existência de fortes indícios de que efetivamente a empresa recorrente teria cometido erros de preenchimento na documentação creditícia, caberia a essa autoridade julgadora, determinar o retorno do processo à origem para que a delegacia competente reapreciasse o pedido de compensação, desconsiderando o aludido erro de preenchimento da DCOMP; · a existência do direito de crédito do contribuinte advém de apuração contábil e não pode ser obstado em razão de meros erros no preenchimento do respectivo documento de compensação; · se assim fosse, haveria inaceitável sobreposição da forma administrativa ao direito material legalmente assegurado ao cidadão administrado. E, como consequência desse fato, haveria o risco de locupletamento do Fisco Federal, mediante o recebimento de receitas não previstas em lei; · os equívocos nos quais incorreu a empresa recorrente no momento de formalização da DCOMP, não tornam inexistente o seu direito creditório liquido, certo e amplamente embasado em documentação fiscal e contábil; · citou acórdãos do Carf que concluíram pelo baixa dos autos à DRF para que fosse apreciado o alegado direito creditório e o alegado erro de preenchimento, à vista das evidências e especificidades dos casos examinados; · requereu que esta Turma determinasse a remessa do feito à delegacia de origem para que lá a DCOMP seja reprocessada. Fundamentou o pedido nos acórdãos citados e nas disposições do art. 147, CTN; · invoca o princípio da verdade material; É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10283.901233/201541 Acórdão n.º 1302003.452 S1C3T2 Fl. 5 4 1302003.451, de 21/03/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10283.901232/2015 04, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1302003.451): Conheço do recurso voluntário, à vista de sua interposição tempestiva e do atendimento aos demais requisitos de admissibilidade. Verificase que a recorrente enviou a DCOMP n° 02826.34969.110311.1.3.048788, em 11 de março de 2011, para compensar débito de IRPJ (cód. rec. 2362) no montante de R$ 124.097,15, com crédito de R$ 326.819,73. Por equívoco, indicou que o crédito seria originário de pagamento a maior de IRPJ, por estimativa apurada no exercício findo em 31/12/2010. Na tentativa de demonstrar o equívoco, esclareceu que o crédito indicado referiase ao DARF, período de apuração de 30/10/2010, código da Receita Federal 2362, no valor de R$ 759.616,05, arrecadado em 30/12/2010. Alega que esse pagamento, em realidade, teria sido destinado à liquidação do débito confessado em DCTF. Para ilustrar suas alegações, quanto à sucessão de acontecimentos e comprovar a existência de direito creditório, a recorrente apresentou os seguintes quadros: Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10283.901233/201541 Acórdão n.º 1302003.452 S1C3T2 Fl. 6 5 Em que pese o esforço da recorrente, as informações apresentadas não são suficientes para evidenciar a real existência do direito creditório invocado. A alegação de que teria havido equívoco no preenchimento da DCOMP (indicação de que teria sido pagamento indevido ou a maior ao invés de Saldo Negativo), não elide a necessidade de comprovação do crédito, por meio de documentos hábeis e idôneos. Embora a jurisprudência deste Conselho, venha admitindo a convolação do pedido de restituição de pagamento indevido ou a maior em pedido de restituição de saldo negativo, quando devidamente demonstrado, a recorrente não trouxe a comprovação do erro de fato. O próprio valor informado na DIPJ não corresponde ao saldo pleiteado, o que, com mais razão, exigiria a comprovação documental. A recorrente teve a oportunidade para apresentar escrita contábil e respectivo suporte para se concluir, com certeza e precisão, sobre o valor do alegado saldo negativo e a sua disponibilidade para a utilização na DCOMP em questão. Todavia, não se desincumbiu de tal providência. Assim, à mingua da comprovação do alegado crédito, não vejo como acolher as pretensões da recorrente. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10283.901233/201541 Acórdão n.º 1302003.452 S1C3T2 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 165DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.720722/2015-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
SAÍDAS NO MERCADO INTERNO DE PRODUTOS DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. EQUIPARAÇÃO A INDUSTRIAL. FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO.
É equiparado a industrial o estabelecimento que der saída no mercado interno a produtos de procedência estrangeira, sendo devido o imposto não lançado nas notas fiscais.
IPI. CRÉDITOS ESCRITURAIS. APURAÇÃO.
Os créditos escriturais a serem confrontados com os débitos incorridos para apuração do imposto devido são aqueles acumulados na escrita no momento do confronto referido (art.225, RIPI/2010, aprovado pelo Decreto 7.212/2010).
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. AUSÊNCIA. IMPOSIÇÃO DA PENALIDADE. DIES A QUO DA CONTAGEM DA EXTINÇÃO PUNITIVA.
O lançamento por homologação ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame.
Entretanto, para a multa de ofício, o prazo é contado a partir da data de cada infração, nos termos do art. 72 da Lei nº 4.502/1964.
MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO. FATO PUNÍVEL IDENTIFICADO.
A ausência de destaque total ou parcial na nota fiscal de saída do imposto devido na operação enseja a aplicação de penalidade punitiva nos termos previstos no artigo 569 do RIPI/2010.
Numero da decisão: 3301-005.842
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento para considerar a decadência parcial da exigência da multa isolada no período de 01/01/2010 a 30/07/2010. Vencidos os Conselheiros Liziane Angelotti Meira e Winderley Morais Pereira, que negaram provimento integral ao recurso e os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira e Semírames de Oliveira Duro, que votaram pela decadência parcial do imposto e da multa de ofício. Designado para o voto vencedor o Conselheiro Salvador Cândido Brandão Júnior.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira
(assinado digitalmente)
Salvador Cândido Brandão Junior
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D' Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Júnior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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EQUIPARAÇÃO A INDUSTRIAL. FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO. É equiparado a industrial o estabelecimento que der saída no mercado interno a produtos de procedência estrangeira, sendo devido o imposto não lançado nas notas fiscais. IPI. CRÉDITOS ESCRITURAIS. APURAÇÃO. Os créditos escriturais a serem confrontados com os débitos incorridos para apuração do imposto devido são aqueles acumulados na escrita no momento do confronto referido (art.225, RIPI/2010, aprovado pelo Decreto 7.212/2010). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. AUSÊNCIA. IMPOSIÇÃO DA PENALIDADE. DIES A QUO DA CONTAGEM DA EXTINÇÃO PUNITIVA. O lançamento por homologação ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame. Entretanto, para a multa de ofício, o prazo é contado a partir da data de cada infração, nos termos do art. 72 da Lei nº 4.502/1964. MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO. FATO PUNÍVEL IDENTIFICADO. A ausência de destaque total ou parcial na nota fiscal de saída do imposto devido na operação enseja a aplicação de penalidade punitiva nos termos previstos no artigo 569 do RIPI/2010. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 07 22 /2 01 5- 05 Fl. 596DF CARF MF Processo nº 19515.720722/201505 Acórdão n.º 3301005.842 S3C3T1 Fl. 1.462 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento para considerar a decadência parcial da exigência da multa isolada no período de 01/01/2010 a 30/07/2010. Vencidos os Conselheiros Liziane Angelotti Meira e Winderley Morais Pereira, que negaram provimento integral ao recurso e os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira e Semírames de Oliveira Duro, que votaram pela decadência parcial do imposto e da multa de ofício. Designado para o voto vencedor o Conselheiro Salvador Cândido Brandão Júnior. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira (assinado digitalmente) Salvador Cândido Brandão Junior Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D' Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Júnior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do Acórdão no. 0962.987 3ª Turma da DRJ/JFA (fls 484/502): Em julgamento os autos de infração de fls. 77 a 85 e 87 a 89. O primeiro cuida do lançamento do IPI que deixou de ser recolhido; o segundo da multa de ofício decorrente da natureza da autuação. A razão de existência das exações encontrase no Termo de Verificação Fiscal de fls. 67 a 85: Analisando os atos constitutivos do contribuinte, verificase que a Companhia Brasileira de Distribuição tem por objeto social o comércio varejista de produtos manufaturados, semimanufaturados ou "in natura", nacionais ou estrangeiros. Para tanto, utiliza uma rede de estabelecimentos da própria fiscalizada e estabelecimentos de pessoas jurídicas com as quais mantém relação de interdependência. Dentre os estabelecimentos próprios, o situado à Av. Marginal Direita do Rio Tietê, 342 na cidade de São Paulo SP, inscrito no CNPJ sob n° 47.508.411/007835, atua como o centro de distribuição e, em relação aos produtos por ele importados, Fl. 597DF CARF MF Processo nº 19515.720722/201505 Acórdão n.º 3301005.842 S3C3T1 Fl. 1.463 3 equiparase a industrial, nos termos dos incisos I e II do art. 9° do Regulamento do IPI aprovado pelo Decreto n° 7.212 de 15 de junho de 2010... Ressaltese que o estabelecimento que importa produtos tributados de procedência estrangeira é equiparado a industrial de forma ampla, estando, portanto, sujeito ao cumprimento das obrigações tributárias, principais e acessórias emanadas da legislação de regência. Desta forma, tratandose de estabelecimento equiparado a industrial, constatamos que o contribuinte não destaca nas respectivas notas fiscais o valor do IPI incidente sobre as saídas dos produtos importados do seu estabelecimento importador, não apresentou à Receita Federal do Brasil as Declarações do IPIDIPI, como também não pagou o imposto devido nos respectivos períodos de apuração do anocalendário de 2010. Tratandose de estabelecimento importador que dá saída dos produtos por ele importados para estabelecimentos da própria pessoa jurídica ou de empresas com as quais mantém relação de interdependência, a determinação do valor tributável está prescrita no art. 195 do RIPI/2010... O contribuinte foi intimado a demonstrar o valor tributável mínimo para os produtos importados, conforme definido nos incisos I e II, combinados com o § 1°, todos do art. 195 do RIPI/2010. Em atendimento à referida intimação o contribuinte respondeu que "em razão do grande volume de operações realizadas mensalmente, da pulverização de distribuição desses produtos para diversos estabelecimentos, etc., não lhe foi possível concluir o levantamento de tais informações na forma requerida por essa Fiscalização". Passamos, então, a pesquisar no sistema informatizado denominado SPED Nota Fiscal Eletrônica, repositório das notas fiscais eletrônicas emitidas pelos contribuintes brasileiros, objetivando coletar os dados relativos às vendas efetuadas pelos estabelecimentos varejistas do fiscalizado localizados na cidade de São PauloSP, a praça do remetente. Todavia, os dados obtidos não possibilitaram a identificação dos produtos de procedência estrangeira importados pelo fiscalizado e, por esta razão, não puderam ser utilizados na determinação dos respectivos valores tributáveis. Diante da impossibilidade de se obter o valor tributável, quer utilizando os dados existentes na RFB ou do próprio estabelecimento importador, restou a esta Fiscalização a aplicação do inciso I, "b" do art. 190 do RIPI/2010, ou seja, utilizar como base de cálculo do IPI, o valor dos produtos destacados nas notas fiscais de saída emitidas pelo estabelecimento importador. Fl. 598DF CARF MF Processo nº 19515.720722/201505 Acórdão n.º 3301005.842 S3C3T1 Fl. 1.464 4 DOS CRÉDITOS DO IPI Embora a legislação tributária condicione o direito ao crédito do IPI à manutenção de escrituração pelo beneficiário nos seus livros fiscais, à vista do documento que lhes confira legitimidade, é pacífico o entendimento da administração tributária que, na saída de produtos de origem estrangeira para o mercado interno, deverá ser levado em consideração, para dedução do tributo lançado de ofício em auto de infração, os créditos relativos ao IPI pago no desembaraço aduaneiro desses produtos, ainda que não escriturado em livros próprios. Entendimento esse esposado no Acórdão 20169.262 de 15/06/94, da 1a Câmara do 2° Conselho de Contribuintes. O contribuinte não mantém escrituração fiscal relativa ao IPI, a que está obrigado, por se tratar de estabelecimento equiparado a industrial como importador de produtos de origem estrangeira, uma vez que não destaca o valor do tributo incidente nas saídas desses produtos, não apresenta as Declarações de IPI DIPI, e não recolhe o IPI incidente sobre produtos importados. Confrontando os valores dos produtos consignados na mencionada planilha, como também nos Livros de Registro de Inventário, verificase que os valores atribuídos aos respectivos produtos são iguais ou estão próximos, a mais ou a menos, dos valores de saída, uma vez que incorporam a estes os custos incorridos após o desembaraço aduaneiro. Diante desta circunstância, os créditos foram calculados com base nos valores dos produtos constantes das Notas Fiscais emitidas pelo estabelecimento importador, quando da retirada das mercadorias da repartição aduaneira, ou seja, Notas Fiscais de Entrada. As Notas Fiscais mencionadas foram obtidas do sistema informatizado da RFB denominado SPED NOTA FISCAL ELETRÔNICA, conforme planilhas de mesmo nome anexado ao presente Termo, relativas aos anoscalendário 2009 e 2010. DOS DÉBITOS DO IPI Conforme determinação contida no artigo 189 do vigente RIPI/2010, calculase o imposto mediante a aplicação das alíquotas constantes da Tabela de Incidência de Produtos Industrializados TIPI, sobre o valor tributável dos respectivos produtos, segundo classificação das mercadorias em conformidade com a regras de interpretação da Norma Comum do MERCOSUL NCM, Na determinação do débito do imposto esta Fiscalizou considerou o mesmo código da NCM consignado pelo fiscalizado nas notas fiscais de saída, multiplicando a alíquota correspondente pelo valor tributável definido como o valor dos produtos discriminados nas notas fiscais de saída emitidas pelo estabelecimento importador. Fl. 599DF CARF MF Processo nº 19515.720722/201505 Acórdão n.º 3301005.842 S3C3T1 Fl. 1.465 5 A insurgência veio assim vazada: PRELIMINARMENTE: Nulidade Do Auto de Infração Equívocos na Metodologia para Determinação do Crédito Tributário Conforme se observa do "TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL", a D. Fiscalização arbitrou, em parte, o montante do crédito relativo ao imposto devido (IPI), a partir da margem de lucro que supostamente a Impugnante agregaria a cada um dos produtos de origem estrangeira. Veja I. Julgador, segundo consta do trecho do "Termo de Constatação Fiscal" transcrito acima, para apuração do crédito do imposto, a D. Fiscalização acabou por segregar os produtos em dois grupos e utilizou duas metodologias distintas para cada um deles. Para uma parte dos produtos objeto da autuação, a D. Fiscalização apurou o crédito, a partir do valor constante nas Notas Fiscais de Entrada da Impugnante. No entanto, para outra gama de produtos, a D. Fiscalização calculou a razão entre (i) a somatória dos custos médios unitários e (ii) a somatória dos valores unitários de saída dos produtos e verificou que o valor adicionado médio equivaleria a 37%, percentual esse utilizado para dedução do valor das saídas, para apuração dos créditos. Ocorre que tal presunção não poderia (e não pode!) ser aplicada ao presente caso, haja vista a ausência de previsão legal para presunção da margem de lucro agregada e, portanto, do valor do crédito do imposto relativo a cada uma das entradas de produtos de origem estrangeira. Presunção do momento da apuração do crédito de IPI Além dos equívocos cometidos pela D. Fiscalização para lavratura do Auto deInfração, no tocante aos cálculos dos créditos de IPI, o momento da apropriação docrédito de IPI relativa a entrada dos produtos de importados, objeto da autuação,também foi presumido pela Fiscalização. Segundo consta do citado Termo de Constatação Fiscal, bem como das planilhas elaboradas pela D. Fiscalização e entregues à Impugnante, o montante do crédito do imposto relativo às entradas das mercadorias importadas foi computado (para dedução do imposto supostamente devido) apenas no momento da saída de cada produto. No entanto, ignorou a D. Autoridade Fiscal, I. Julgador, que o crédito do IPI deve ser lançado na data da entrada dos produtos importados e não no mês relativo às saídas dos referidos produtos, tal como consta do indigitado Al. Fl. 600DF CARF MF Processo nº 19515.720722/201505 Acórdão n.º 3301005.842 S3C3T1 Fl. 1.466 6 Ora, de acordo com o Auto de Infração, fora fornecida à D. Fiscalização, detalhadamente, todas as informações relativas às entradas e saídas das mercadorias de origem estrangeira, motivo pelo qual não justifica a adoção desse critério temporal para lançamento do crédito do imposto. Mérito ...não faz, verdadeiramente, sentido, equiparar ao contribuinte industrial referido no inciso II, do artigo 51, do CTN, o comerciante que, tendo importado determinada mercadoria sujeita ao IPI, a revenda sem antes ter sido submetido a qualquer operação que implique industrialização, conforme art. 46, parágrafo único do CTN, retro. Assim, ainda que repetitivo: a exigência do IPI no caso sob exame, somente se fundamentaria se houve industrialização pela Impugnante das mercadorias. No entanto, a Impugnante apenas promove a revenda ao consumidor final, não contribuinte do imposto. Ora, para que se possa enquadrar determinada pessoa jurídica como equiparada a industrial, a atividade por ela exercida deve possuir fortes pontos de identificação com a atividade fabril, de modo que para fins fiscais, as demais diferenças sejam irrelevantes. Ademais, as razões que fundamentam o lançamento, ora combatido, baseiamse em "ficção" inadequada à incidência do IPI, imposta sobre as operações de revenda ou transferência de produtos importados por estabelecimentos que não são industriais e não podem ser validamente a eles equiparados, atribuindo tratamento igual a situações completamente diferentes e, portanto, violando o constitucional princípio da Igualdade, previsto nos artigos 5º, caput e, especificamente em matéria tributária, no inciso I e 150, inciso II, ambos da CF. Insubsistência dos Valores Exigidos a título de Multa de Ofício Mais recentemente, em razão dos denominados planejamentos tributários, a dogmática tributária passou a analisar com maior regularidade o princípio da boafé objetiva, especialmente para verificação da aplicação de multa. O órgão administrativo de julgamento no âmbito de tributos federais tem enfrentado a questão da boafé, tendo chegado a afastar a aplicação de multa de ofício, ou de reduzila, com base no instituto penal do "erro de proibição", em razão da nova orientação adotada naquela instância de julgamento. Assim, o antigo Conselho de Contribuintes7, atual CARF, afastou a incidência de multa agravada aplicada sobre operação de planejamento considerada simulada, sob o fundamento de que o contribuinte agiu de boafé, em conformidade com o entendimento anteriormente vigente. Neste caso, a jurisprudência administrativa induziu o sujeito passivo a acreditar, de forma legítima, que não praticava qualquer ato Fl. 601DF CARF MF Processo nº 19515.720722/201505 Acórdão n.º 3301005.842 S3C3T1 Fl. 1.467 7 infracional, razão pela qual não poderia ser penalizado de forma qualificada nem sofrer eventuais sanções penais. Portanto, as decisões administrativas e judiciais podem despertar confiança legítima nos contribuintes que, agindo de boafé, não poderão sofrer sanções, exatamente em razão da impossibilidade de atribuição de eficácia retroativa à reforma do entendimento anteriormente manifestado. O artigo 76, da Lei n.2 4.502, de 1964, numa interpretação teleológica, estabelece que não serão aplicadas penalidades, enquanto prevalecer o entendimento aos que tiverem agido ou pago o imposto de acordo com interpretação fiscal adotada pela jurisprudência. Aplicação de dupla penalidade e em valor superior ao Imposto exigido ...conforme se depreende do próprio Termo de Verificação Fiscal e Auto de Infração lavrado, a Fiscalização aplicou Multa Proporcional de 75% sobre o valor do imposto que deixou de ser recolhido e, ainda, Multa de 75% sobre o valor do IPI que supostamente deveria ter sido destacado pela Impugnante, contrariamente ao que prevê o citado dispositivo legal. Ora, no caso dos autos, na remotíssima hipótese de se entender legítima a cobrança do IPI nas suas operações de revenda, por "supostamente" ser a ora Impugnante equiparada a estabelecimento industrial, o que se menciona apenas para argumentar, somente lhe poderia ser exigido o valor do IPI que efetivamente deixou de ser recolhido, ou seja, aquele resultante da seguinte equação: débito total do IPI naquele mês () crédito de IPI naquele mês (=) valor do IPI lançado naquele mês (efetivamente devido). Considerando que a Impugnante não recolheu o IPI "supostamente" incidente na revenda das mercadorias importadas, ela também não aproveitou os créditos atinentes ao referido imposto relativo aos valores que foram pagos na importação de tais mercadorias, em obediência ao Princípio da NãoCumulatividade. Desta feita, se a Impugnante for compelida ao recolhimento do tributo ora exigido, então é evidente que também lhe deve ser reconhecido o direito ao crédito de IPI na aquisição dessas mesmas mercadorias. Tanto é assim que, no presente caso, relativamente à quantificação e apuração do IPI "supostamente" devido pela Impugnante (a título de principal), foi exatamente dessa forma que procedeu a D. Autoridade Fiscal ao lhe exigir, apenas e tão somente, o imposto no montante decorrente da equação acima, resultando na exigência fiscal de R$ 13.148.947,93, repitase: a título de principal. Fl. 602DF CARF MF Processo nº 19515.720722/201505 Acórdão n.º 3301005.842 S3C3T1 Fl. 1.468 8 Contudo, notase dos demonstrativos colacionados pela D. Fiscalização, que, quando do lançamento da penalidade pela "suposta" infração praticada, as multas de 75% aplicadas de forma totalmente equivocada, somam o montante de R$ 25.613.144,41, valor este que é inegavelmente superior ao valor do imposto que efetivamente deixou de ser destacado ou recolhido (R$ 13.148.947,93). Isto é, referido equívoco fiscal acabou por impingir à Impugnante multa exacerbadamente superior do que "supostamente" lhe deveria ser exigido a título de multa e, isso, de plano, não pode ser admitido. Selic Sobre a Multa de Ofício Ainda, segundo consta, a SRFB, após 30 (trinta) dias da lavratura do Al, vem exigindo dos contribuintes a Taxa SELIC sobre as multas aplicadas, com fundamento legal na MP nº 1.62131/98, atualmente convertida na Lei nº 10.522/02 (artigos 29 e 30). a 1ª Turma da Câmara Superior de RecursosFiscais decidiu que os juros de mora não podem ser aplicados sobre o valor da multade ofício perpetrada... Decadência do Direito à Constituição do Crédito Tributário Período de Janeiro a Junho de 2010 Ad argumentandum, a caso esta D. Delegacia de Julgamento entenda devida a exigência combatida em função da equiparação da Impugnante a estabelecimento industrial e, portanto, contribuinte do IPI, há que se destacar, então, a ocorrência da decadência em relação aos valores de IPI supostamente devidos no período de Janeiro a Junho de 2010, constantes do "Demonstrativo de Débitos Apurados", do AIIM ora rebatido. ...para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o Fisco tem o prazo de 05 (cinco) anos, a partir da ocorrência do respectivo fato gerador, para formalizar o crédito tributário sendo que, expirado este lapso temporal sem que ele tenha se pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito tributário. 139. No caso em epígrafe, operouse exatamente a situação descrita acima relativamente aos meses de Janeiro a Junho de 2010, com a conseqüente decadência do direito da D. Fiscalização de promover o lançamento de ofício com referência a tais valores. A propósito, a jurisprudência dos Tribunais Superiores frente ao tema, notadamente do E. STJ, está atualmente consolidada no sentido de que se o contribuinte realiza o pagamento do tributo/contribuição, ainda que em valor inferior ao efetivamente devido, como é exatamente o caso dos autos, sem que tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, a contagem se dará pela Fl. 603DF CARF MF Processo nº 19515.720722/201505 Acórdão n.º 3301005.842 S3C3T1 Fl. 1.469 9 regra do § 4^, do artigo 150, do CTN, ou seja, 5 (cinco) anos contados a partir da ocorrência do respectivo fato gerador. E nem se alegue a ausência de pagamento parcial do imposto uma vez o IPI devido por ocasião da importação (IPI Importação) foi devidamente quitado pela Impugnante juntamente com os demais tributos incidentes na importação. O processo foi baixado em diligência para revisão dos critérios de atribuição de créditos escriturais, tendo a DRF se manifestado favoravelmente às ponderações desse julgador de acordo com o relatório de fls.386 a 388. Ciente do relatório da Defis/SPO, manifestouse a contribuinte: Confrontando o resultado da diligência ao Auto de Infração, vê se a diminuição da exigência no montante de R$ 3.219.935,71. O motivo dessa diferença é que, como constatado por esta d. DRJ, o Sr. AFRF efetuou o lançamento em total afronta ao RIPI. O critério adotado pelo agente fiscal foi atribuir créditos vinculados a cada saída, ao invés de cotejar o volume de débitos incorridos com o estoque de créditos auferidos a cada período de apuração. Isso consiste em vício insanável (material), o que impossibilita a retificação do lançamento, nos termos dos art. 142 e 145 do CTN, impondose o cancelamento integral do auto. 15. O lançamento é o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível, conforme dispõe o art. 142, do CTN. No presente caso, não há dúvidas de que o montante devido não está condizente com o que estabelece a legislação, que impõe o confronto de débitos e créditos de todas as operações de um determinado período de apuração. Além disso, conforme demonstrado na impugnação, não houve efetiva verificação do momento da ocorrência do fato gerador, presumido pela D. Fiscalização. Desse modo, nem o valor apurado nem o momento da ocorrência do fato gerador foram devidamente apurados. Ademais, ainda que seja outro o entendimento desta d. Turma, a autuação deve ser cancelada, pois o Sr. AFRF deveria ter apurado eventual crédito de IPI detido pela Manifestante nos exercícios anteriores, não apenas no anocalendário objeto da fiscalização. Vêse que o nosso ordenamento jurídico estabelece que o saldo de crédito de umperíodo deve ser transferido para o seguinte, mas isso não foi respeitado pelo Sr. AFRF.Sem nenhuma Fl. 604DF CARF MF Processo nº 19515.720722/201505 Acórdão n.º 3301005.842 S3C3T1 Fl. 1.470 10 surpresa, esse é o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): Delegacia da Receita Federal de Julgamento considerou improcedente a impugnação, sob a seguinte ementa (fl. 484): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 IPI. EQUIPARAÇÃO A ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. PREVISÃO LEGAL VERIFICADA. Constatada a equiparação a industrial de determinado estabelecimento comercial (art.4º, inciso I, da Lei 4.502/64), é de se apurar o IPI devido nos termos da legislação que rege esse imposto. IPI. CRÉDITOS ESCRITURAIS. APURAÇÃO. Os créditos escriturais a serem confrontados com os débitos incorridos para apuração do imposto devido são aqueles acumulados na escrita no momento do confronto referido (art.225, RIPI/2010, aprovado pelo Decreto 7.212/2010). MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO. FATO PUNÍVEL IDENTIFICADO. A ausência de destaque total ou parcial na nota fiscal de saída do imposto devido na operação enseja a aplicação de penalidade punitiva nos termos previstos no artigo 569 do RIPI/2010. DIREITO DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CADUCIDADE. INOCORRÊNCIA. TRIBUTOS SOB REGIME DE HOMOLOGAÇÃO. Na ausência de pagamento parcial em se tratando de tributos recolhidos por homologação, dáse a caducidade do direito de lançar o montante inadimplido uma vez transcorrido o lapso temporal computado nos termos do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Intervalo temporal não transposto, decadência do direito não há. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada com a decisão da DRJ, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário (fls. 516/565), no qual reforça os argumentos expendidos na manifestação de inconformidade, que serão objeto de análise no voto. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. A Recorrente interpôs Recurso Voluntário, cujas alegações, que são analisadas no decorrer do voto, contém os seguintes pontos: Fl. 605DF CARF MF Processo nº 19515.720722/201505 Acórdão n.º 3301005.842 S3C3T1 Fl. 1.471 11 1. Inobservância da Legislação e Equívocos na Metodologia do Levantamento para Determinação do Crédito Tributário 2. Presunção do momento de ocorrência do Fato Gerador e da base de cálculo do imposto 3. Não incidência de IPI nas saídas de Produtos Industrializados à Luz do CTN e da CF/88 4. Momento de ocorrência do fato gerador do IPI: "entrada da coisa no circuito econômico de sua utilização" 5. Não incidência de IPI nas saídas dos estabelecimentos importadores 6. Exigência de IPI sobre as operações de saída do estabelecimento importador implica bis in idem 7. Jurisprudência afastando a incidência de IPI nas saídas dos estabelecimentos importadores 8. Ofensa ao artigo 98 do CTN e ao Acordo Geral sobre Pautas Aduaneiras e Comércio (Acordo GATT/47) 9. Insubsistência dos Valores Exigidos a título de Multa de Ofício 10. Inaplicabilidade de multa àqueles que tenham agido em conformidade com decisões de última instância, preferidas em processos de outros contribuintes, ou em decisão de primeira instância relativa ao próprio contribuinte 11. Aplicação subsidíaria do CPC e impossibilidade de exigência do imposto, em caso de alteração de jurisprudência consolidada 12. Aplicação da dupla penalidade e em valor superior ao Imposto exigido 13. SELIC sobre a multa de ofício 14. Decadência do Direito à Constituição do Crédito Tributário Período de janeiro a junho de 2010 Passamos à análise dos pontos levantados pela Recorrente. Cumpre informar que o presente processo tem muitas similaridades com o processo no. 16561.720088/201478. Adotaremos em vários itens o entendimento constante do voto condutor do Acórdão no. 3302006.536 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de relatoria do Conselheiro Walker Araujo. 1. Inobservância da Legislação e Equívocos na Metodologia do Levantamento para Determinação do Crédito Tributário 2. Presunção do momento de ocorrência do Fato Gerador e da base de cálculo do imposto Fl. 606DF CARF MF Processo nº 19515.720722/201505 Acórdão n.º 3301005.842 S3C3T1 Fl. 1.472 12 Conforme consignou a Recorrente, confrontando o resultado da diligência ao Auto de Infração, vêse a diminuição da exigência no montante de R$ 3.219.935,71. Defende a Recorrente que o motivo dessa diferença é porque o Auditor Fiscal efetuou o lançamento em total afronta ao RIPI; afirma que o critério adotado pelo Fiscal foi atribuir créditos vinculados a cada saída, ao invés de cotejar o volume de débitos incorridos com o estoque de créditos auferidos a cada período de apuração; e assevera que se estaria diante de um vício insanável. Defende que nem o valor apurado nem o momento de ocorrência do fato gerador foram devidamente apurados. Discorre sobre o caráter não cumulativo do IPI e assevera que o crédito de um período deve ser transferido para o seguinte, o que não foi respeitado no Auto de Infração. No Termo de Diligência Fiscal (fl. 172), encontramos a sistemática adotada pela Fiscalização que foi a seguinte: 1 – tomamse os créditos de IPI presentes nas notas fiscais de entrada; 2 – os créditos assim obtidos são alocados em cada período de apuração (mês) 3 – a partir das notas de saída do importado (critério escolhido pela Fiscalização), determinamse os débitos incorridos, distribuindoos mês a mês; 4 débitos e créditos distribuídos, fazse o confronto período a período (mês a mês). Observemos excerto da decisão a quo: A exação posta em julgamento diz respeito ao descumprimento da obrigação de pagar o IPI como decorrência da equiparação a estabelecimento industrial prevista no inciso I, do artigo 9º do RIPI/2010, aprovado pelo Decreto nº 7212/2010: Art.9o Equiparamse a estabelecimento industrial: Ios estabelecimentos importadores de produtos de procedência estrangeira, que derem saída a esses produtos(Lei nº 4.502, de 1964, art. 4º, inciso I); Como descrito no Termo de Verificação Fiscal, o estabelecimento da Companhia Brasileira de Distribuição cadastrado no CNPJ sob o número 47.508.411/007835 importou e deu saída a produtos estrangeiros sem assumir sua condição de equiparado, nos termos da legislação supra. Inadimplemento constatado, cuidou a Autoridade Tributária de formatar a exigência. E assim foi feito. No pólo dos débitos incorridos (IPI não destacado), depois de frustradas todas as tentativas de se obter o valor tributável mínimo, referido este no artigo 195, I, optouse pela adoção do critério previsto no artigo 190, I, “b”, todos do RIPI/2010. Assim, a mensuração da obrigação tributária voltouse para “o Fl. 607DF CARF MF Processo nº 19515.720722/201505 Acórdão n.º 3301005.842 S3C3T1 Fl. 1.473 13 valor total das operação de que decorrer a saída do estabelecimento equiparado a industrial”. Critério adotado, liquidez aos débitos incorridos identificada no montante de R$ 13.148.947,93. Obedecendo ao princípio constitucional da nãocumulatividade, elaborou o Fiscal complexa forma de determinação dos valores dos créditos escriturais a serem utilizados como parcela redutora dos débitos a serem lançados mês a mês. Em análise da trilha operacional referente aos mencionados créditos, decidiuse baixar o processo em diligência para que fosse apresentada uma planilha com redistribuição destes nos termos estritos das normas que regem o IPI. Na diligência baixada, restou claro que a trilha de atribuição de créditos escolhida pela Fiscalização deveria migrar para aquela que, em lugar de atribuir créditos vinculados a cada saída, simplesmente faria a comparação do volume de débitos incorridos com o estoque de créditos auferidos a cada período de apuração, bem como com os créditos excedentes advindos de meses anteriores. Ou seja, farseia a reconstituição de confronto débitos x créditos como se RAIPI houvesse. A diligência foi atendida e, portanto, foram os créditos recalculados e planilhados, como também foi planilhado o confronto para determinação dos novos valores mensais a serem exigidos a título de IPI inadimplido. Assim, resta superada a insurgência da Interessada quanto a esse tema, restando apenas a assertiva no sentido de que na nova reconstituição os créditos originados de meses anteriores ao início do intervalo temporal de fiscalização não teriam sido computados. Quer dizer, a Impugnante afirma que o saldo de abertura em 01/01/2010 (início da auditoria) deveria conter créditos excedentes migrados de períodos anteriores. Mas a alegação não vem acompanhada de qualquer indício de pertinência de argumento. Por certo, o saldo de abertura foi tomado como nulo simplesmente porque os saldos mensais de apuração do IPI atrelados ao período auditado mostraramse sempre devedores, como conseqüência de valores de venda que em todos os períodos superaram os de compra, não havendo portanto qualquer indicativo de panorama diverso em períodos pregressos com compras superando vendas, nem mesmo de forma eventual. Além disso, os saldos de abertura representam, no fluxo operacional de auditoria, uma simples transposição do saldo constante na escrituração, representativo do período imediatamente anterior ao início do intervalo a ser fiscalizado. Quer dizer, o valor de abertura não representa, via de regra, valor calculado, mas valor transposto da escrita fiscal. Ocorre que a Contribuinte nunca possuiu qualquer escrita vinculada ao IPI, pois se comportou como se contribuinte do imposto não fosse. Assim, nada havia a ser transposto. Em suma, lídima foi a ação do Auditor em tomar como inexistente, ou equivalente a zero, o saldo de abertura janeiro/2010: além inexistirem quaisquer Fl. 608DF CARF MF Processo nº 19515.720722/201505 Acórdão n.º 3301005.842 S3C3T1 Fl. 1.474 14 indícios de que o saldo deveria conhecer valor superior a zero, a linha de auditoria sempre se baseia em tomar o saldo de abertura como transcrição do valor lançado na escrituração, que deve ser zero se escrituração não há. Observase o tribunal a quo foi muito cuidadoso, solicitou diligência e considerou todos os créditos levantados, o que resultou na redução do montante do Auto de Infração. Tratase de alteração do lançamento diante de impugnação do sujeito passivo, nos termos do art. 145 do Código Tributário Nacional. Portanto, neste ponto adotamos e entendimento da decisão recorrida. A Recorrente também se volta contra a presunção do momento do fato gerador e da base de cálculo do imposto. Assevera que o crédito do IPI deve ser lançado na data da entrada dos produtos importados e não no mês relativo às saídas dos referidos produtos, tal como consta do Auto de Infração. Informa que forneceu à Fiscalização todas as informações necessárias para esse levantamento, de modo que não se justifica a presunção. Questiona também a base de cálculo estabelecida no Auto de Infração. No presente processo, a Recorrente, diante da solicitação de apresentação do valor tributável mínimo, respondeu que " em razão do grande volume de operações realizadas mensalmente, da pulverização de distribuição desses produtos para diversos estabelecimentos, situados em regiões distintas do território nacional, com diferentes realidades de precificação ao consumidor final, além da grande quantidade de produtos envolvidos e da complexidade dos dados solicitados, não lhe foi possível concluir o levantamento de tais informações na forma requerida por essa D. Fiscalização, de modo individualizado por produto e por operação com as mercadorias importadas." (cf. fls. 55/56) Assim, tendo por certa a ausência de documentos e informações que deveriam ter sido prestados pela Recorrente a arrimar a necessidade de realizar arbitramento, entendo que as insurgências da Recorrente neste ponto merecem rejeição. 3. Não incidência de IPI nas saídas de Produtos Industrializados à Luz do CTN e da CF/88 4. Momento de ocorrência do fato gerador do IPI: "entrada da coisa no circuito econômico de sua utilização" 5. Não incidência de IPI nas saídas dos estabelecimentos importadores 6. Exigência de IPI sobre as operações de saída do estabelecimento importador implica bis in idem 7. Jurisprudência afastando a incidência de IPI nas saídas dos estabelecimentos importadores 8. Ofensa ao artigo 98 do CTN e ao Acordo Geral sobre Pautas Aduaneiras e Comércio (Acordo GATT/47) Nos itens 3 a 8, a Recorrente critica a incidência do IPI na saída de produtos industrializados, tomando por base a Constituição Federal e seus princípios, o Código Fl. 609DF CARF MF Processo nº 19515.720722/201505 Acórdão n.º 3301005.842 S3C3T1 Fl. 1.475 15 Tributário Nacional e também considerando critérios econômicos e outros relativos ao comércio internacional. Remetese ainda ao art. 98 do CTN, que trata dos acordos internacionais, e ao Acordo GATT para questionar essa exação. Todos estes tópicos da Impugnação acima listados, em síntese, são argumentos que tratam de uma mesma questão jurídica, a incidência de IPI nas saídas dos estabelecimentos importadores. A legislação tributária é clara no sentido dessa incidência: Código Tributário Nacional – CTN (Lei nº 5.172, de 25/10/1966) Art. 46. O imposto, de competência da União, sobre produtos industrializados tem como fato gerador: I o seu desembaraço aduaneiro, quando de procedência estrangeira; II a sua saída dos estabelecimentos a que se refere o parágrafo único do artigo 51; III a sua arrematação, quando apreendido ou abandonado e levado a leilão. [...] Art. 51. Contribuinte do imposto é: I o importador ou quem a lei a ele equiparar; II o industrial ou quem a lei a ele equiparar; III o comerciante de produtos sujeitos ao imposto, que os forneça aos contribuintes definidos no inciso anterior; IV o arrematante de produtos apreendidos ou abandonados, levados a leilão. Parágrafo único. Para os efeitos deste imposto, considerase contribuinte autônomo qualquer estabelecimento de importador, industrial, comerciante ou arrematante. Lei nº 4.502, de 30/11/1964 Art . 4º. Equiparamse a estabelecimento produtor, para todos os efeitos desta Lei: I os importadores e os arrematantes de produtos de procedência estrangeira; II as filiais e demais estabelecimentos que exercerem o comércio de produtos importados, industrializados ou mandados industrializar por outro estabelecimento do mesmo contribuinte;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Tal questão, de qualquer forma, já se encontra superada, conforme Acórdão do Superior Tribunal de Justiça de 18/12/2015, proferido sob o rito dos recursos repetitivos, previsto no art. 543C do CPC, tendo sido o admitido o processamento dos embargos de divergência (EREsp nº 1403532) como repetitivo: EMENTA: EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. FATO GERADOR. INCIDÊNCIA SOBRE OS IMPORTADORES NA REVENDA DE PRODUTOS DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. FATO GERADOR AUTORIZADO PELO ART. 46, II, C/C 51, PARÁGRAFO Fl. 610DF CARF MF Processo nº 19515.720722/201505 Acórdão n.º 3301005.842 S3C3T1 Fl. 1.476 16 ÚNICO DO CTN. SUJEIÇÃO PASSIVA AUTORIZADA PELO ART. 51, II, DO CTN, C/C ART. 4º, I, DA LEI N. 4.502/64. PREVISÃO NOS ARTS. 9, I E 35, II, DO RIPI/2010 (DECRETO N. 7.212/2010). 1. Seja pela combinação dos artigos 46, II e 51, parágrafo único do CTN – que compõem o fato gerador, seja pela combinação do art. 51, II, do CTN, art. 4º, I, da Lei n. 4.502/64, art. 79, da Medida Provisória n. 2.15835/2001 e art. 13, da Lei n. 11.281/2006 que definem a sujeição passiva, nenhum deles até então afastados por inconstitucionalidade, os produtos importados estão sujeitos a uma nova incidência do IPI quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda, mesmo que não tenham sofrido industrialização no Brasil. 2. Não há qualquer ilegalidade na incidência do IPI na saída dos produtos de procedência estrangeira do estabelecimento do importador, já que equiparado a industrial pelo art. 4º, I, da Lei n. 4.502/64, com a permissão dada pelo art. 51, II, do CTN. 3. Interpretação que não ocasiona a ocorrência de bis in idem, dupla tributação ou bitributação, porque a lei elenca dois fatos geradores distintos, o desembaraço aduaneiro proveniente da operação de compra de produto industrializado do exterior e a saída do produto industrializado do estabelecimento importador equiparado a estabelecimento produtor, isto é, a primeira tributação recai sobre o preço de compra onde embutida a margem de lucro da empresa estrangeira e a segunda tributação recai sobre o preço da venda, onde já embutida a margem de lucro da empresa brasileira importadora. Além disso, não onera a cadeia além do razoável, pois o importador na primeira operação apenas acumula a condição de contribuinte de fato e de direito em razão da territorialidade, já que o estabelecimento industrial produtor estrangeiro não pode ser eleito pela lei nacional brasileira como contribuinte de direito do IPI (os limites da soberania tributária o impedem), sendo que a empresa importadora nacional brasileira acumula o crédito do imposto pago no desembaraço aduaneiro para ser utilizado como abatimento do imposto a ser pago na saída do produto como contribuinte de direito (nãocumulatividade), mantendose a tributação apenas sobre o valor agregado. 5. Tese julgada para efeito do art. 543C, do CPC: "os produtos importados estão sujeitos a uma nova incidência do IPI quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda, mesmo que não tenham sofrido industrialização no Brasil". 6. Embargos de divergência em Recurso especial não providos. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Cumpre ainda colacionar a Súmula CARF no. 2: Fl. 611DF CARF MF Processo nº 19515.720722/201505 Acórdão n.º 3301005.842 S3C3T1 Fl. 1.477 17 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dessarte, concordando com a decisão recorrida, mantenho seu entendimento de afastar as pretensões da Recorrente. 9. Insubsistência dos Valores Exigidos a título de Multa de Ofício Argumenta a Recorrente que as multas não podem ser mantidas porque na data da ocorrência dos fatos geradores havia jurisprudência pacífica convalidando o entendimento adotado pela contribuinte. No entanto, no momento do lançamento não havia nenhuma decisão judicial em favor da contribuinte. Ao contrário, a jurisprudência se consolidou em favor do Fisco. Desse modo, como qualquer outro contribuinte, estava obrigada a cumprir as leis vigentes e, em caso de descumprimento, sujeita às penalidades legais. Portanto, a razão não assiste à Recorrente também neste ponto. 10. Inaplicabilidade de multa àqueles que tenham agido em conformidade com decisões de última instância, proferidas em processos de outros contribuintes, ou em decisão de primeira instância relativa ao próprio contribuinte 11. Aplicação subsidíaria do CPC e impossibilidade de exigência do imposto, em caso de alteração de jurisprudência consolidada Nos itens 10 e 11, a Recorrente retoma a questão da jurisprudência. Questiona a multa e o próprio tributo exigidos nesse contexto. Em linhas gerais a Recorrente alega que no âmbito do IPI, há previsão expressa de inaplicabilidade de multa àqueles que tenham agido em conformidade com o entendimento firmado na jurisprudência ou em respostas à consulta. Cita doutrina e também legislação, especificamente o art. 100 do CTN, o art. 76 da Lei nº 4.502, de 1964, reproduzido no artigo 486 do Regulamento do IPI aprovado pelo Decreto nº 4.544/2002 e no artigo 567 do Regulamento do IPI aprovado pelo Decreto nº 7.212, de 2010: Art. 567. Não serão aplicadas penalidades: I aos que, antes de qualquer procedimento fiscal, anotarem, no livro Registro de Utilização de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrências, modelo 6, e comunicarem ao órgão de jurisdição qualquer irregularidade ou falta praticada, ressalvadas as hipóteses previstas nos arts. 552, 553, 572 e 603 (Lei nº 4.502, de 1964, art. 76, inciso I); e II aos que, enquanto prevalecer o entendimento, tiverem agido ou pago o imposto (Lei nº 4.502, de 1964, art. 76, inciso II): a) de acordo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, Fl. 612DF CARF MF Processo nº 19515.720722/201505 Acórdão n.º 3301005.842 S3C3T1 Fl. 1.478 18 seja ou não parte o interessado (Lei nº 4.502, de 1964, art. 76, inciso II, alínea “a”); b) de acordo com interpretação fiscal constante de decisão, de primeira instância, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, em instância única, em que for parte o interessado (Lei nº 4.502, de 1964, art. 76, inciso II, alínea “b”, e Lei no 9.430, de 1996, art. 48); ou c) de acordo com interpretação fiscal constante de atos normativos expedidos pelas autoridades fazendárias competentes dentro das respectivas jurisdições territoriais (Lei nº 4.502, de 1964, art. 76, inciso II, alínea “c”). Infundado também o argumento da Recorrente quanto à aplicação do artigo 100, do CTN, a saber: 122. Não há dúvidas que, apesar de não ter havido qualquer mudança legislativa e a despeito de a Impugnante deter centenas de estabelecimentos e realizar operações de importações com posterior transferência dos produtos ou revenda há dezenas de anos, apenas recentemente passou a sofrer exigência do imposto, de modo arbitrariamente retroativo, com aplicação de severa penalidade, o que evidencia que havia uma prática reiterada da Administração, alterada posteriormente. Com todo respeito aos argumentos explicitados pela Recorrente, entendemos que o fato da fiscalização ter deixado de fiscalizar/autuar os procedimentos adotados pelo contribuinte em períodos anteriores, não significa que a fiscalização tenha concordado com tal procedimento. Ora, a administração não pode punir ou onerar o contribuinte por ter seguido as instruções ou orientações fornecidas pela fiscalização, o que não é caso dos autos, posto que não houve por parte do Fisco nenhuma orientação destinada à Recorrente para fosse deixado de recolher o IPI nas operações sob análise. Assim, não há que falar em aplicação do artigo 100, do CTN. Além disso, solicita aplicação subsidiária do art. 927, § 3o, do Código de Processo Civil, cuja redação é a seguinte: § 3o Na hipótese de alteração de jurisprudência dominante do Supremo Tribunal Federal e dos tribunais superiores ou daquela oriunda de julgamento de casos repetitivos, pode haver modulação dos efeitos da alteração no interesse social e no da segurança jurídica. Contudo, como se sabe, quem decide sobre a modulação dos efeitos da decisão é o próprio tribunal superior, o que não foi feito no presente caso. Portanto, reforçase a conclusão de que a lei vigente, e reconhecida constitucional pelo STJ, deve ser aplicada ao presente caso, como efetivamente ocorreu no Auto de Infração. . 12. Aplicação da dupla penalidade e em valor superior ao Imposto exigido Fl. 613DF CARF MF Processo nº 19515.720722/201505 Acórdão n.º 3301005.842 S3C3T1 Fl. 1.479 19 Alega a Recorrente contrariedade ao previsto no artigo 80, da Lei nº 4.502/64, na medida em que a fiscalização aplicou multa proporcional de 75% sobre o valor do imposto que deixou de ser recolhido e, ainda, multa de 75% sobre o valor do IPI que supostamente deveria ter sido destacado pela Recorrente, a saber: Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Sobre o assunto, socorrome ao entendimento do Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, nos autos do PA nº 16682.720110/201241: A matriz legal para a cobrança das multas é o artigo 80 da Lei nº 4.502, de 1964, cuja redação até 22/01/2007 era dada pelo artigo 45 da Lei nº 9.430, de 1996, e, posteriormente, com a publicação da MP nº 351, de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 2007, pelo artigo 13 desta última lei: Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal, a falta de recolhimento do imposto lançado ou o recolhimento após vencido o prazo, sem o acréscimo de multa moratória, sujeitará o contribuinte às seguintes multas de ofício: (Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) (Vide Mpv nº 303, de 2006) I setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido ou que houver sido recolhido após o vencimento do prazo sem o acréscimo de multa moratória; (Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) ... Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido.(redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) ... No caso, sobre o mesmo fato gerador não deve ser aplicada a mesma multa, ou seja, se o imposto não lançado na nota tiver créditos suficientes para sua cobertura, não há imposto a ser lançado, mas apenas a multa isolada sobre a falta de destaque na nota. Por outro lado, se o imposto, ou parte, não possuir cobertura de créditos, então o saldo devedor é lançado com multa de ofício vinculada, e, neste caso, não há lançamento de multa isolada. A decisão da DRJ caminhou no mesmo sentido da decisão anteriormente citada: A explanação é lúcida e irretocável. Como já se disse à exaustão, não há duas multas. Há somente uma multa incidente sobre bases diferentes a depender da situação: imposto não recolhido, portanto descoberto, ou imposto coberto onde haverá somente a multa como decorrência de saldo devedor nulo. Não há bisin idem, como quer a Contribuinte, pois as duas situações antes descritas – imposto coberto e não coberto – podem ocorrer no Fl. 614DF CARF MF Processo nº 19515.720722/201505 Acórdão n.º 3301005.842 S3C3T1 Fl. 1.480 20 mesmo período de apuração, mas, frisese e repisese, sempre sob bases diferentes. Em verdade, e tratando do caso concreto, estaríamos, na ótica do Auditor, diante do fenômeno jurídico da absorção de condutas onde a ação de não destacar teria absorvido a ação de não recolher. Interpretação bastante plausível, que em nada se contrapõe ao texto do artigo 80 da Lei 4.502/64 até porque tivesse o Auditor optado pela bifurcação da multa em “parcela descoberta de créditos” e “parcela coberta de créditos” o somatório das parcelas equivaleria exatamente ao montante da multa aplicada com conduta absorvida e com lavratura de dois autos de infração. Em resumo: o artigo 80 da Lei nº 4.502/64 abriga duas formas de operacionalização da multa de ofício: ou se opta por bifurcar o lançamento distribuindo o montante em duas condutas (falta de recolhimento e falta de destaque) ou se opta pela teoria da absorção e se pune simplesmente pela falta de destaque com incidência da penalidade sobre o total dos débitos. O Auditor, como já se sabe, optou pela segunda trilha e lavrou dois autos de infração: no primeiro lançou o imposto devido com acréscimo de juros moratórios; no segundo tratou de lançar a multa de ofício por meio da qual puniu a falta de destaque do imposto nas notas fiscais de saída da Interessada para outros estabelecimentos ou para empresas interdependentes. Perfeito e juridicamente irretocável. A Recorrente, por sua vez, alegou genericamente suposto equívoco quanto ao procedimento seguido pelo fisco para cobrança da multa sobre o IPI, não lançado com cobertura de crédito, não tendo demonstrado analiticamente o erro cometido pela fiscalização. Quanto à alegação de suposto confisco da multa prevista em lei, cumpre lembrar que, nos termos da Súmula CARF no. 1, não cabe a este Tribunal se manifestar sobre inconstitucionalidade de lei. Assim, afastamse o argumentos suscitados pela Recorrente. 13. SELIC sobre a multa de ofício Neste ponto, aplicase a Súmula CARF nº 108: "Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício". 14. Decadência do Direito à Constituição do Crédito Tributário Período de janeiro a junho de 2010 Afirma a Recorrente que para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o Fisco tem o prazo de cinco anos, a partir da ocorrência do respectivo fato gerador, para formalizar o crédito tributário sendo que, expirado este lapso temporal sem que ele tenha se pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o Fl. 615DF CARF MF Processo nº 19515.720722/201505 Acórdão n.º 3301005.842 S3C3T1 Fl. 1.481 21 crédito tributário. Defende que, no caso em epígrafe, operouse exatamente a situação descrita acima relativamente aos meses de Janeiro a Junho de 2010, com a conseqüente decadência do direito de se promover o lançamento de ofício com referência a tais valores. O problema, conforme se consignou na decisão de piso, é que o julgado milita contra a tese da Impugnante. Reproduzimos a decisão recorrida, a qual adotamos: Como se pode ver, o STJ posiciona a contagem do prazo decadencial no §4º do art.150 do CTN somente quanto há pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, ou seja, quando há numerário recolhido cujo montante há de ser cotejado com a legislação do tributo em questão. Quer dizer, deve haver recolhimento parcial para que, em verdade, haja algo a ser homologado em procedimento de ofício levado a termo pelas Autoridades Tributárias. Ora, no caso presente nada recolheu a Contribuinte. Não houve pagamento parcial em momento algum, o que impede, sem nenhuma margem de dúvida, a contagem do lapso de caducidade para o lançamento de tributário com base no teor normativo inserto no §4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional. A tese da Contribuinte de que teria havido pagamento no momento do desembaraço é absolutamente inconsistente. O fato gerador do IPI incidente nas importações é o desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira, ao passo que na equiparação por revenda de produto importado é a saída desses produtos do estabelecimento industrial. É óbvio que o STJ estava se referindo a pagamento relativo às obrigações objeto do lançamento, e não a um pagamento em que o contribuinte – como no caso do desembaraço – não necessita ser equiparado a industrial, bastando ser importador de mercadoria estrangeira. A condição da Interessada na importação é de contribuinte por promover a entrada no País de produtos de procedência estrangeira; e na saída é a de estabelecimento equiparado a industrial. As situações não se comunicam; portanto os pagamentos não podem se comunicar. Em resumo: nada foi pago a título de IPI devido por equiparação, o que afasta qualquer possibilidade de aplicação do posicionamento do STJ. Também não se diga que estamos diante da tese de que houve pagamento realizado pela existência de créditos legítimos reconhecidos pela Fiscalização que abateram parte dos débitos apurados (arts.124/RIPI2002 e 183/RIPI2010). Neste ponto devese considerar que o pagamento via créditos escriturais admitidos só se dará a partir do cumprimento das condicionantes formais exigidas do contribuinte pelas normas que regem o IPI, quais sejam: 1 emissão de nota fiscal na saída dos produtos, nos termos dos artigos 323 a 365 do RIPI/2002 (396 a 440 RIPI/2010); 2 manutenção de escrita fiscal de acordo com os ditames dos artigos 369 a 400 do RIPI/2002 (444 a 478 do RIPI/2010); Fl. 616DF CARF MF Processo nº 19515.720722/201505 Acórdão n.º 3301005.842 S3C3T1 Fl. 1.482 22 A leitura das condicionantes traz uma exegese clara: só se há de falar em pagamento via créditos escriturais se a entidade empresarial assume legalmente sua condição de contribuinte do IPI cumprindo as obrigações formais que lhe são impostas pela legislação. Isso significa, em seqüência de raciocínio, que a legitimidade dos créditos como forma reconhecida de pagamento de débitos incorridos depende de ações antecedentes necessárias que demonstrem comportamento compatível com a condição de contribuinte do imposto. Não se pode considerar como efetivação de pagamento valores destacados em notas de entrada ou de aquisição que, no momento das respectivas operações, não possuíam a proteção jurídica para assumirem a condição de créditos escriturais. Ou seja, só há pagamento escritural se houver espaço jurídico para tanto e esse espaço vem da condição jurídica reconhecida documentalmente pela empresa de sua condição de contribuinte. E, no caso concreto, nada disso ocorreu. Como se sabe, a Interessada jamais se comportou como estabelecimento equiparado que sempre foi, e sendo assim os valores destacadas nas notas de aquisição ou de entrada jamais tomaram o perfil de pagamento, pois não se pode liquidar um débito que não se reconhece como existente. E se pagamento não houve, seja qual for a ótica de análise, aplicabilidade não há para o §4º do artigo 150 do CTN, deslocandose a contagem decadencial pelo inciso I do artigo 173 do mesmo diploma legal: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Contagem feita nos moldes do artigo 173, temos que o direito de a Fazenda constituir créditos tributários relativos ao ano de 2010 encerrarseia em 31 de dezembro de 2015. Como a ciência do lançamento tomou lugar em 31 de julho de 2015 não há de se falar em caducidade ocorrida, pois ela simplesmente não ocorreu. Portanto, entendemos que não assiste razão à Recorrente também nesta questão. Conclusão Por tudo ante exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Relatora Fl. 617DF CARF MF Processo nº 19515.720722/201505 Acórdão n.º 3301005.842 S3C3T1 Fl. 1.483 23 Voto Vencedor Conselheiro Salvador Cândido Brandão Junior De início, consigno elogios ao voto proferido pela ilustre relatora, no entanto, peço vênia para divergir apenas sobre um ponto específico e, para tanto, serei bem objetivo. O ponto de divergência está relacionado com o prazo decadencial para o lançamento de ofício em relação à multa. Isso porque o art. 78 da Lei nº 4.502/1964 é claro em definir o prazo de cinco anos contados da data de cada infração par fins de aplicação de penalidades. Assim dispõe o citado dispositivo: Lei nº 4.502/1964 Art . 78.O direito de impôr penalidade extinguese em cinco anos, contados da data da infração. Da análise do documento de fl. 98, constatase que a notificação do lançamento de ofício foi levada a efeito em 31/07/2015. Em vista disso, é necessário considerar a decadência parcial da exigência da multa isolada no período de 01/01/2010 a 30/07/2010. Voto por dar provimento nesta parte. Conselheiro Salvador Cândido Brandão Junior Redator Fl. 618DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.729015/2011-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2402-000.753
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil preste as informações solicitadas, nos termos do voto que segue na resolução, consolidando o resultado da diligência em Informação Fiscal que deverá ser cientificada ao Contribuinte para que, a seu critério, apresente manifestação em 30 (trinta) dias.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira.
Relatório
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil preste as informações solicitadas, nos termos do voto que segue na resolução, consolidando o resultado da diligência em Informação Fiscal que deverá ser cientificada ao Contribuinte para que, a seu critério, apresente manifestação em 30 (trinta) dias. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira. Relatório Cuidase de recurso voluntário (efls. 84/88) em face do Acórdão n. 1254.948 20ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) DRJ/RJ1 (efls. 74/77), que julgou improcedente a impugnação (efls. 02/06), apresentada em 28/06/2011, mantendo o crédito tributário consignado no lançamento constituído em 30/05/2011 (efl. 15) mediante a Notificação de Lançamento Imposto de Renda Pessoa Física RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 24 48 .7 29 01 5/ 20 11 -4 4 Fl. 109DF CARF MF Processo nº 12448.729015/201144 Resolução nº 2402000.753 S2C4T2 Fl. 110 2 n. 2008/071119703017705 no total de R$ 93.031,95 (efls. 07/11) com fulcro em compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF). Cientificado do teor da decisão de piso em 29/04/2013 (efl. 80), o impugnante, agora Recorrente, apresentou recurso voluntário na data de 27/05/2013, alegando, em linhas gerais, a improcedência da glosa de IRRF. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto dele CONHEÇO. Passo à análise. O cerne deste litígio concentrase na glosa do IRRF no valor de R$ 62.404,65, em virtude de o Recorrente ser sócio da fonte pagadora, com participação de 50% no capital da empresa, não ter comprovado o respectivo recolhimento. Muito bem. É oportuno ressaltar que a autoridade lançadora noticia que a fonte pagadora aderiu ao parcelamento de débitos instituído pela Lei n. 11.941/2009, incluindo os de IRRF, bem assim a ocorrência de divergência entre o Código de Receita informado em DIRF (0588) e aquele consignado em DCTF (0561). Não obstante constar da impugnação (efls. 02/06), a decisão recorrida não se aprofundou na matéria, inclusive para averiguar as divergências de Código de Receita denunciadas pela autoridade lançadora, bem assim a situação do parcelamento até à data da consolidação do Acórdão n. 1254.948 (efls. 74/77), ocorrida em 17/04/2013. Em sede de Recurso Voluntário (efls. 84/88), o Recorrente revisita os argumentos aduzidos na impugnação (efls. 02/06), nos seguintes termos: De se observar que a responsabilidade tributária do Recorrente decorre de expressa previsão legal no art. 124, II, do CTN, c/c art. 8°. do DecretoLei n. 1736/1979, Fl. 110DF CARF MF Processo nº 12448.729015/201144 Resolução nº 2402000.753 S2C4T2 Fl. 111 3 reverberado, no plano infralegal, no art. 723 do Decreto n. 3.000/1999 RIR/99 (vigente à época dos fatos): CTN: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. DecretoLei n. 1736/1979: Art 8º São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos decorrentes do não recolhimento do imposto sobre produtos industrializados e do imposto sobre a renda descontado na fonte. Parágrafo único. A responsabilidade das pessoas referidas neste artigo restringese ao período da respectiva administração, gestão ou representação. Decreto n. 3.000/1999: Art. 723. São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos decorrentes do não recolhimento do imposto descontado na fonte (DecretoLei nº 1.736, de 20 de dezembro de 1979, art. 8º). Todavia, uma vez presente adesão ao parcelamento da Lei n. 11.941/2009 e já decorridos 10 anos desde aquele evento, entendo razoável averiguar, mediante diligência junto à Unidade de Origem da RFB a atual situação dos débitos de IRRF apurados no AC 2007, de titularidade da fonte pagadora EMCO IKE Indústria e Comércio Ltda. CNPJ 03.278.416/000164, inclusive se já foram extintos ou se ainda há saldo remanescente em parcelamento, bem assim esclarecer as divergências apontadas pela autoridade lançadora relativamente aos Códigos de Receita informados em DIRF (0588) e na DCTF (0561). Ante o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário para converter o julgamento em diligência à Unidade de Origem da RFB para averiguar a atual situação dos débitos de IRRF apurados no AC 2007, de titularidade da fonte pagadora EMCO IKE Indústria e Comércio Ltda. CNPJ 03.278.416/000164, inclusive se já foram extintos ou se ainda há saldo remanescente em parcelamento, bem assim esclarecer as divergências apontadas pela autoridade lançadora relativamente aos Códigos de Receita informados em DIRF (0588) e na DCTF (0561), observandose que, após a diligência ora solicitada, deverá a Unidade de Origem Fl. 111DF CARF MF Processo nº 12448.729015/201144 Resolução nº 2402000.753 S2C4T2 Fl. 112 4 consolidar Informação Fiscal em face das verificações realizadas, cientificando o Recorrente do seu teor e concedendo prazo de 30 (trinta) dias, a contar da ciência, para que, a seu critério, apresente contrarrazões. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 112DF CARF MF
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Numero do processo: 13851.001224/2003-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 04 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — IPI
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. RECEITA OPERACIONAL BRUTA.
Para efeitos da Lei nº 9.363/96, o conceito de Receita
Operacional Bruta se dá nos termos das normas que regem a
incidência da contribuição para o PIS e da Cofins, ou seja, o
faturamento, assim compreendidas as receitas decorrentes das
atividades normais da empresa, de acordo com os arts. 22 e 32 da
Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998.
RESSARCIMENTO. LEI N2 9.363/96. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E DE COOPERATIVAS.
Não se incluem na base de cálculo do incentivo os insumos que
não sofreram a incidência da contribuição para o PIS e da Cofins
na operação de fornecimento ao produtor-exportador.
BASE DE CALCULO.
Somente integram a base de cálculo do crédito presumido de IPI
como ressarcimento da contribuição para o PIS e da Cofins as
matérias-primas, os produtos intermediários e o material de
embalagem, segundo as definições que lhes dá a legislação do
IPI, a teor do art. 32 da Lei nº 9.363/96, desde que cumpram os
requisitos do Parecer Normativo CST nº 65/79.
AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS, ENERGIA ELÉTRICA E DEMAIS INSUMOS NÃO UTILIZADOS DIRETAMENTE NA PRODUÇÃO DO BEM EXPORTADO.
Apenas os insumos diretamente utilizados na produção do produto exportado, que se integram na sua composição final, se enquadram no conceito de matéria-prima ou produto intermediário, razão pela qual ai não se incluem a energia elétrica, os combustíveis e os demais produtos relativos à preparação indireta do produto.
FRETES.
A inserção dos fretes na base de cálculo do ressarcimento do
crédito presumido de IPI somente é possível quando comprovado
tratar-se de fretes de MP, PI e ME pagos pelo contribuinte por
estarem inclusos nos preços destes insumos ou quando, mesmo
não estando inclusos nos preços destes insumos, forem pagos pela
empresa a transportadoras contribuintes do PIS e da Cofins.
Recurso negado.
Numero da decisão: 202-19.288
Decisão: ACORDAM os membros da segunda câmara do segundo conselho de contribuintes, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso (Relator), Gustavo Kelly Alencar, Domingos de Sá Filho e Maria Teresa MartípefLópei Designado o Conselheiro Antonio Zomer para redigir o voto vencedor
Nome do relator: Antonio Lisboa Cardoso
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Recorrida DRJ em Ribeirão Preto - SP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. RECEITA OPERACIONAL BRUTA. Para efeitos da Lei n2 9.363/96, o conceito de Receita Operacional Bruta se dá nos termos das normas que regem a incidência da contribuição para o PIS e da Cofins, ou seja, o 4 4) faturamento, assim compreendidas as receitas decorrentes das .2 a B atividades normais da empresa, de acordo com os arts. r e 32 da nri Lei n2 9.718, de 27 de novembro de 1998. c.5 X a g 7„; RESSARCIMENTO. LEI N2 9.363/96. INSUMOS o o :C. CO .e CO ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E DE COOPERATIVAS.(4.44.g 3 Não se incluem na base de cálculo do incentivo os insumos que dg si oz. não sofreram a incidência da contribuição para o PIS e da Cofins tif — na operação de fornecimento ao produtor-exportador. I à BASE DE CÁLCULO. Somente integram a base de cálculo do crédito presumido de IPI como ressarcimento da contribuição para o PIS e da Cofins as matérias-primas, os produtos intermediários e o material de embalagem, segundo as definições que lhes dá a legislação do IPI, a teor do art. 32 da Lei n2 9.363/96, desde que cumpram os requisitos do Parecer Normativo CST n2 65/79. AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS, ENERGIA ELÉTRICA E DEMAIS INSUMOS NÃO UTILIZADOS DIRETAMENTE NA PRODUÇÃO DO BEM EXPORTADO. Apenas os insumos diretamente utilizados na produção do produto exportado, que se integram na sua composição final, se enquadram no conceito de matéria-prima ou produto intermediário, razão pela qual aí não se incluem a energia \st \ HF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRHU/NTES CONFERE COM O ORIGDIAL • Processo,? 13851.00122412003-11cama» Acórdão n.• 202-19.268 Eiras Ma aiII lana Cláudia Silva Castro' Fls. 276 Mat. Siar& 92136 elétrica, os combustíveis e os demais produtos relativos à preparação indireta do produto. FRETES. A inserção dos fretes na base de cálculo do ressarcimento do crédito presumido de IPI somente é possível quando comprovado tratar-se de fretes de MP, PI e ME pagos pelo contribuinte por estarem inclusos nos preços destes insumos ou quando, mesmo não estando inclusos nos preços destes insumos, forem pagos pela empresa a transportadoras contribuintes do PIS e da Cotins. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da segunda câmara do segundo conselho de contribuintes, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso (Relator), Gustavo Kelly Alencar, Domingos de Sá Filho e Maria Teresa MartípefLópei Designado o Conselheiro Antonio Zomer para redigir o voto vencedor. (14)-(1 ANTONIO CARLOS ATULIM PresideMA ATiNNIO t" MER Relator-Designado Participaram, ainda, do presente julgamento, as Conselheiras Maria Cristina Roza da Costa e Nadja Rodrigues Romero. Relatório Cuida-se de recurso em face da decisão da DRJ em Ribeira Preto - SP que indeferiu o pedido de ressarcimento protocolizado em 28/07/2003, do crédito presumido de Imposto sobre Produtos Industrializados - RI referente aos quatro trimestres-calendário de 2000, nos termos da Lei n2 9.363, de 13 de dezembro de 1996. Consta ainda que o referido pedido foi cumulado com pedidos de compensação, convertidos em declarações de compensação, conforme § 42 do art. 49 da Lei n2 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Conforme bem observou o julgador a quo, de acordo com a petição de fls. 01/02 e o demonstrativo de fl. 04, trata-se de pedido de ressarcimento complementar aos Processos n2s 13851.000538/00-64 (fl. 05), 138151-000939/00-13 (fl. 06), 13851.001466/00-91 (fl. 07) e 13851.000291/2001-56 (fl. 08), incluindo-se no presente processo matérias-primas (frutas 2 ' ME - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OProcesso n• 13851.001224/2003 - 11 CONFERE COM O OR/INAL CCO2/CO2 Acórdão n.• 202-19.288 Brasília, 13 n 01 Fls. 277 lvana Cláudia Silva Castro Mat. Siape 92136 cítricas) adquiridas de pessoas fisicas, assim como os custos com o frete e a colheita das matérias-primas, a energia elétrica consumida no processo industrial e o frete na colocação dos produtos no local de embarque para o exterior. A decisão da DRJ (fis. 226/241) é assim ementada: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. São glosados os valores referentes a aquisições de insumos de pessoas físicas, não-contribuintes do PIS e da Cofins, pois, conforme a legislação de regência, os insumos adquiridos devem sofrer o gravame das referidas contribuições. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CONSUMIDA NA PRODUÇÃO. Somente as matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, conforme a conceituação albergada pela legislação tributária, podem ser computados na apuração da base de cálculo do incentivo fiscal. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. CUSTOS DE FRETE. Para ser admitido no cômputo do beneficio fiscal, o frete deve compor o preço do insumo adquirido e necessariamente onerado pelas contribuições do PIS e da Cofins. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000 ILEGALIDADE DE ATOS NORMATIVOS. A autoridade administrativa é incompetente para se manifestar acerca de suscitada ilegalidade de atos normativos regularmente editados. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROVAS ADICIONAIS. PRECLUSÃO TEMPORAL. Tendo em vista a superveniência da preclara() temporal, é rejeitado o pedido de apresentação de provas suplementares, pois o momento propício para a defesa cabal é o da oferta da peça de defesa. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A matéria submetida a glosa em revisão de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPL não especificamente contestada na manifestação de inconformidade, é reputada como incontroversa, com a aceitação tácita da interessada, e é insuscetível de ser trazida à baila em momento processual subseqüente. Solicitação Indeferida". .4-\41... \\ 3 MF - SEGUNDO CONSELI40 DE "'hl • CONFIM COMO ORGINAL""na Brom I ia, jïjja.._ o ir • Processo ne 13851.001224/2003-11 Mins Cláudia Silva Castro b•-.1 CC°2IC°2Acórdão n.• 202-19.288 tia 92136 Fls. 278 Cientificada em 19/04/2007 (fl. 243), a recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 245/273, em 18/05/2007, aduzindo, em síntese, que as glosas e alterações procedidas são improcedentes, considerando-se que de acordo com o art. 22 da Lei n2 9.363/96, a base de cálculo do crédito presumido de IPI será calculado "sobre o valor total das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem" adquiridos "para utilização no processo produtivo" da mercadoria exportada, cujo conceito de bens de produção é definido pela legislação do IPI (RIPI) no art. 488, incisos I a V, razão pela qual entende que a decisão recorrida deve ser reformada pelos seguintes motivos: a) preliminarmente alega a nulidade da decisão recorrida, pelo fato de não terem sido analisados os argumentos expendidos sobre as glosas sobre os fretes, os quais deveriam compor a base de cálculo do crédito presumido; b) ainda em sede de preliminar, contesta a afirmação de que houve "matéria não impugnada", relativamente à glosa dos custos de colheita das frutas, vez que na página 9 (fls. 219/220 do processo), da manifestação de inconformidade, este item foi cabalmente contestado, e na parte final requereu expressamente "para que sejam canceladas as glosas indevidamente promovidas, para DEFERIR o pedido"; c) também argumenta que não houve posicionamento da DRJ quanto ao pedido de declaração da homologação tácita dos pedidos de ressarcimento e compensações correlatas, quando ultrapassarem o prazo previsto no CTN para a homologação expressa, razão pela qual requer novo julgamento na DRJ, a fim de apreciar todos os argumentos expendidos em sua contestação. No mérito alega o seguinte: a) aquisições de não-contribuintes das contribuições sociais — frutas adquiridas de fazendas (produtores rurais) —, vez que a decisão recorrida considerou que, pelo fato de não serem contribuintes do PIS e da Cofins, inviabilizaria a inclusão dos valores na base de cálculo do crédito, o que não se justifica, vez que a legislação total das aquisições de matérias-primas compõem a base de cálculo do beneficio, não sendo razoável a exclusão dessas aquisições. Em favor de sua tese, cita jurisprudência do Eg. STJ (REsp n 2 617.733/CE e n2 586.3921RN); b) sobre as glosas de insumos apropriados para o cálculo do crédito presumido, alega que sua atividade é a de produção industrial de suco de laranja destinado à exportação, tendo como insumos primordiais a fruta, cuja produção industrial emprega energia elétrica no processo produtivo, requerendo sua inclusão no cálculo do crédito presumido, sendo, no caso, fato incontroverso que a energia elétrica apropriada no cálculo do crédito presumido, foi a relativa às atividades produtivas, em favor de sua tese, cita jurisprudência judicial e deste Segundo Conselho de Contribuintes e também da CSRF (Processo n 2 13854.000283/97-32, Recurso RP/RD n2 202-118294, sessão de 24 de abril de 2007); c) custos na obtenção das frutas. A recorrente defende que o custo de aquisição dos insumos principais de sua atividade industrial devem ser acolhidos para o cálculo do crédito presumido, uma vez que se trata de aquisições onerosas, enquadrando-se no conceito de matéria-prima, denominado "custo agregado". Ademais, alega que a DRJ pretendeu impor exigência que a própria lei não considerou, pois, "alocam como pressupostos da possibilidade de creditamento, a suposta necessidade de que os insumos tenham sido tributados pela • MF - SEGUNDO CONSELHO OE P CUTR:BUINTES .1 CONFERE C041 O ORKUNAL 13 ras Ma • 13--J-11—.0....1-4 -- I - Processo n• 1385 1.001224/2003-1 1 Acórdão n, 202-19.2138 ivanamaitusndiia Sigiv2auCsa sa """ E CCOns. 22/;029 contribuição ao PIS e pela COFINS, ou que sejam agregados fisicamente ao ben exportado", devendo por isso ser afastada a glosa; d) fretes. As glosas de fretes também se revelam indevidas, conforme mencionado na preliminar de nulidade, vez que a decisão recorrida apenas afirma que tais valores não são geradores do crédito, todavia, "os fretes que a empresa incluiu no cômputo do crédito presumido efetivamente foram parte integrante do custo de elaboração do produto final exportado, legitimando sua apropriação na forma legal", requer seja cancelada a glosa do aproveitamento dos gastos com frete. Requer, por fim, seja dado provimento ao recurso voluntário para que seja recalculada a proporção entre a receita de exportação e a operacional, e para que sejam canceladas as glosas indevidamente promovidas, assegurando o pleno ressarcimento dos créditos presumidos de PI, decorrentes das exportações promovidas pela empresa. É o Relatório. Voto Vencido Quanto às aquisições de insumos de pessoas físicas Conselheiro ANTÔNIO LISBOA CARDOSO, Relator O recurso merece ser conhecido, porquanto interposto dentro do trintidio legal e respeitados os demais requisitos estabelecidos. Conforme relatado, cuida-se de recurso em face da decisão da DRJ que manteve improcedente o pedido complementar de ressarcimento do crédito presumido de IPI, nos termos da Lei n2 9.363/96, e se refere aos quatro trimestres-calendário do ano de 2000. No presente processo estão em discussão os seguintes itens: I) Preliminares de nulidade da decisão recorrida; 2) Aquisições de matéria-prima de não contribuintes; 3) Produtos Intermediários: Energia Elétrica; 4) Custos na obtenção das frutas; 5) Fretes. Passemos então a analisar os pontos suscitados no recurso: 1 Preliminar de nulidade da decisão recorrida (fretes) As preliminares de nulidades devem ser rejeitadas de pleno, senão vejamos: Preliminar sobre a glosa dos valores correspondentes aos fretes deve ser rejeitada, tendo em vista que a recorrente não logrou comprovar, de forma sat . sfatória, pois, conforme bem esclarecido pela decisão recorrida, o frete é \ .aceito para co por a base de ... , 5 I \ i IAF -SEGUNDO CONSPIRO Ce C.C10121BUINT. CONPERE COM O ORiGINAL ursos1112. Processo n° 13851.001224/2003-11 hiana Cláudia Silva Casco-, CCO21CO2 Acórdão n.° 202-19.21113 Mat. Sia 5213:-, Fls. 280 cálculo, quando tratar-se de aquisição de matéria-prima, produto intermediário e materiais de embalagem, desde que o frete esteja plenamente vinculado à nota fiscal de tais insumos ou inclusos no preço dos mesmos, ou ainda, mesmo que não estando inclusos nos preços destes insumos, tenham sido pagos pela empresa a transportadoras contribuintes do PIS e Cotins. Portanto, são improcedentes as alegações da recorrente quanto aos fretes, apresentadas em sede de preliminar e também de mérito, pois não logrou comprovar que fazia jus ao creditamento dos aludidos valores, porquanto não restou comprovado tratar-se de frete de MP, PI e ME pago pela contribuinte por estarem inclusos nos preços destes insumos ou que se tratava de fretes que, mesmo não estando inclusos nos preços destes insumos, foram pagos pela empresa a transportadoras contribuintes do PIS e Cofins. As demais preliminares também não merecem prosperar, porquanto todos os argumentos expendidos na manifestação de inconformidade foram detidamente analisados, inclusive quanto ao pedido de declaração de homologação; ao contrário do que alega no recurso, tal pedido foi negado explicitamente. 2 Aquisições de matérias-primas de não-contribuintes Inicialmente entendo assistir razão à recorrente quanto à aquisição de insumos de não-contribuintes, relativamente à matéria-prima (laranja) que efetivamente irá se agregar ao produto industrializado exportado. Através da Lei n2 9.363/96 foi instituído beneficio fiscal por meio do qual se objetivou única e exclusivamente desonerar as exportações de produtos manufaturados brasileiros, mediante o ressarcimento, na forma de crédito presumido de Imposto Sobre Produtos Industrializados - IPI, das Contribuições para o Programa de Integração Social - PIS e para o Financiamento da Seguridade Social - Cotins, incidentes sobre os insumos adquiridos para consumo no processo produtivo de bens nacionais destinados ao mercado externo. O objetivo que se buscou e se busca alcançar, mediante a desoneração tributária das exportações de produtos manufaturados brasileiros, não é o de simplesmente tomar mais competitivos, no mercado externo, tais produtos, mas sim o de melhorar o balanço de pagamentos brasileiro e, via de conseqüência, diminuir nossa perigosa dependência do cada vez mais volátil capital financeiro internacional. Tal necessidade, que mesmo antes dos recentes acontecimentos externos já se mostrava premente, levando o Presidente da República a afirmar que "é exportar ou morre', revela-se, agora, de primeiríssima grandeza, por relacionar-se direta e intrinsecamente com a saúde financeira do Brasil e, portanto, com o bem estar de toda a nação. Releva notar, a propósito, que a simples instituição do beneficio fiscal em questão não tem o condão de proporcionar um automático incremento das exportações, e, por conseguinte, tomar de imediato o País menos dependente ou mesmo independente do volátil capital financeiro internacional, o que efetivamente é o fim colimado. Esta pretendida independência somente será alcançada pelo contínuo e firme estímulo estatal às exportações. Este pequeno intróito se fez necessário para ressaltar que a questão deve ser examinada à luz das disposições do art. 5 2 da Lei Introdução ao Código Civil (LICC) — lei de ME - SEGUNDO CONSELHO (DE CONTRI5UP4", COUFEhE C0.1* O ORIONAL Processo it 13851.001224/2003-11 Gianni/a. / CCO2/CO2 Acórdão n.• 202.19.288 Ivana Cláudia SliVa Casco """ Fls. 281Mat. Skpo 97.13f, introdução a todas as leis —, que determina que "na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum". No caso, os fins sociais a que se destina a lei e as exigências do bem comum se vêem representados pela imperiosa necessidade de se tomar mais competitivos, no mercado externo, os produtos manufaturados produzidos no Brasil, com vistas a proporcionar uma melhora no balanço de pagamentos. O beneficio fiscal instituído pela Lei n2 9.363/96, não é demais repetir, visa a desonerar as exportações de produtos manufaturados brasileiros, mediante o ressarcimento, na forma de crédito presumido de Imposto Sobre Produtos Industrializados - IPI, das Contribuições para o Programa de Integração Social - PIS e para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins incidentes sobre os insumos adquiridos para consumo no processo produtivo de bens nacionais destinados ao mercado externo. Para alguns, o pilar fundamental do beneficio aqui tratado é o disposto no art. 52 da Lei n2 9.363/96, que determina que "a eventual restituição, ao fornecedor, das importâncias recolhidas em pagamento das contribuições referidas no art. 1°, bem assim a compensação mediante crédito, implica imediato estorno, pelo produtor exportador, do valor correspondente", pois ao determinar que o PIS e a Cotins restituídos a fornecedores devem ser estornados do valor do ressarcimento, teria o legislador optado "por condicionar o incentivo à existência de tributação na última etapa", o que impediria a inclusão de aquisições feitas de não contribuintes — sobre cuja receita naturalmente não incidem o PIS e a Cofins —, na base de cálculo do beneficio fiscal. Concessa venia daqueles que defendem o respeitável entendimento até agora prevalente, ouso divergir. Trata-se, de fato, de argumento praticamente insuperável. Sucumbe, dito argumento, apenas, mas definitivamente, diante da singela constatação de que o art. 52 da Lei n2 9.363/96 é inaplicável, inaplicabilidade esta que se revela, primeiro, e de forma sintomática, quando se verifica, do exame das Portarias Ministeriais e Instruções Normativos da Secretaria da Receita Federal que regulam e regularam a matéria, que não existe e nunca existiu qualquer norma a regulamentá-lo. Este primeiro sintoma — lacuna regulamentar —, todavia, não parece fruto do acaso, encontrando, ao revés, fácil explicação no fato de o comando contido no citado art. 52 ser, repita-se, inaplicável, notadamente por contrariar a sistemática estabelecido na Lei n2 9.363/96. Com efeito, a possibilidade de estorno somente teria razão de ser caso o crédito de IPI em questão não fosse presumido e estimado, mas em sentido contrário, calculado com base em valores efetivamente pagos pelo produtor fornecedor a título de PIS e Cotins, pois somente em tal hipótese o crédito poderia ser apurado com base em valores pagos de forma indevida ou a maior, que, se restituídos, naturalmente deveriam ser estornados da base de cálculo do crédito presumido de IPI. No caso, entretanto, o que ocorre é exatamente o oposto, sendo o crédito calculado de forma presumida e estimada, sem levar em conta os valores efetivamente recolhidos pelo produtor fornecedor a título de PIS e Cofms. Tendo se adotado tal sistemática, o estorno, conforme previsto no art. 52, fica impossibilitado, pois, considerando que o Direito Brasileiro admite somente a restituição de tributos pagos a maior, em se dotando a tese até 7 - SEGUNDO CONSELHO D:asuga i CONFERE COM O ORCRNAL Processo rr 13851.0012202003-11 Etrasilia 15 kl 10i C CO2/CO2 Acórdão n.• 202-19.283 bana Cláudia Silva Castro 1-1 lis. 282 Mat. Sian 9213N agora vencedora, estar-se-á admitindo que o estorno seja devido mesmo quando a restituição decorrer de valores pagos indevidamente e que, portanto, não redundaram no pagamento de tributo a menor o que não se afigura jurídico nem tampouco razoável. Concluindo, o entendimento aqui defendido encontra-se acorde com aquele esposado pelo Superior Tribunal de Justiça, como se vê no recente acórdão inclusive publicado no Informativo do STJ n2 0305: "REsp 494.281/CE — TRIBUTÁRIO — CRÉDITO PRESUMIDO DE IP! — RESSARCIMENTO DE PISCOFINS — ART. 1° DA LEI IV. 9.363 ,96 — RESTRIÇÃO PELA IN 23,97 — ILEGALIDADE — PRECEDENTE. 1. A controvérsia restringe-se à limitação da incidência do art. 1° da Lei n. 9.36396, imposta pelo art. 2°, § 2° da IN 23,97, que determina que o beneficio do crédito presumido do !PI, para ressarcimento de PISPASEP e COFINS, somente será cabível em relação às aquisições de pessoa jurídicas. 2. Ora, uma norma subalterna, qual seja, instrução normativa, não tem o condão de restringir o alcance de um texto de lei. Ofende-se, destarte, o princípio da legalidade, inserto no art. 150, inciso I, da CF/88. A jurisprudência desta Corte posiciona-se no sentido da ilegalidade do art. 2°, § 2° da IN 23,97. Precedente: REsp 617.733,CE; Rd Min. Teori Albino Zavascki, DJ 24.8.2006. Recurso especial provido." Pelo exposto, entendo ter a recorrente direito ao crédito presumido de IPI de que trata a Lei n2 9.363/96, mesmo quando os insumos utilizados no processo produtivo de bens destinados ao mercado externo sejam adquiridos de não contribuintes de PIS e de Cofins, haja vista ser este o único entendimento capaz de atingir os fins a que se destina a lei e compatível às exigências do bem comum. Produtos Intermediários: Energia Elétrica Não assiste razão, porém, à recorrente, quanto à pretensão da manutenção dos valores de energia elétrica no cômputo do crédito presumido do IPI, conforme é a seguir demonstrado. De acordo com a legislação de regência do crédito presumido do IPI, somente as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, conceituados pela legislação do IPI, utilizados nos produtos tributados, dão direito a esse beneficio fiscal. O art. 1 2 da Lei n2 9.363, de 13/12/1996, assim dispõe: "Art. I° A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis complementares n°07, de 7 de setembro de 1970, n° 8, de 03 de dezembro de 1970 • e 70 de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo." - SEGUNDO CO23-ELHO GE tX)ibil:BUSt - --' ; CONFERE C0410 OREI*. - Processo it 13851.001224/2003-11 Brasília. j) , Ls. f 04 CCO2/CO2 Acórdão n.• 202-19.288 lvana Cláudia Silva Casto si Fls. 283 Mat. Siape 92136 O art. 22, por sua vez, determina: "Art. 2 2 A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador: A decisão recorrida está amparada no fato de a Lei n2 9.363, de 1996, somente reconhecer o crédito de IPI, em relação aos insumos que, embora não integrem o novo produto, sejam consumidos, em decorrência de ação direta exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida, conforme restrição contida no Parecer CST n 2 65, de 1979, bem como pelo fato de não se enquadrarem nos conceitos de matéria-prima e produto intermediário, a energia elétrica, óleo combustível e produtos químicos utilizados no processo produtivo. O aludido parecer dispõe que serão incluídos entre as matérias-primas e produtos intermediários os insumos que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. Abaixo, trechos do Parecer n2 65, de 1979, da Coordenação de Tributação da Receita Federal, que, a despeito do alegado pela interessada, impõe interpretação diversa quanto ao sentido de "consumidos" no processo de industrialização: "(.) Em estudo o inciso I do artigo 66 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto n° 83.263, de 9 de março de 1979 (RIP1/79). (..) 'Art. 66- Os estabelecimentos industriais e os que lhe são equiparados, poderão creditar-se (Lei n° 4.502/64 arts. 25 a 30 e Decreto-lei n° 3.466, art. 2°, alt. 89: 1 - do imposto relativo a matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo-se, entre as matérias-primas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrializacão, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente'. (..) 4.1- Observe-se, ainda, que enquanto na primeira parte da norma 'matérias-primas' e 'produtos intermediários' são empregados 'sina° sensu' , a segunda usa tais expressões em seu sentido lato: quaisquer bens que, embora não se integrando ao produto em fabricação se consumam na operacão de industrialização. (4 6 - Todavia, relativamente aos produtos referidos na segunda parte, matérias-primas e produtos intermediários entendidos em sen ido \samplo, ou seja, aqueles que embora não sofram as referidas ope , res a ' ./ NnN 9, g.t ~mor Et tiONthi 0010u amo& Grabilea..1Ls. Ali 01 Ivan Cláudia SitVa Ce.".3 Processo n• 13851.001224/2003-11 Mat Sia 92136 CCO2/CO2 Acórdão n. 20219.288 Fls. 284 são nelas utilizados, se consumindo em virtude do contato físico com o produto em fabricacão tais como lixas, láminas de serra e catalisadores, além da ressalva de não gerarem o direito se compreendidos no ativo permanente, exige-se uma série de considerações. 10.1 - Como o texto fala em 'incluindo-se entre as matérias primas e os produtos intermediários', é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matérias-primas e os produtos intermediários "stricto sensu" , semelhança esta que reside no fato de exercerem na operacão de industrializacão funcão análoga a destes, ou sela se consumirem em decorrência de um contato fisico. ou melhor dizendo de uma ação diretamente exercida sobre o produto de fabricação, ou por este diretamente sofrida. 10.2 - A expressão 'consumidos' sobretudo levando-se em conta que as restrições 'imediata e integralmente', constantes do dispositivo correspondente do Regulamento anterior, foram omitidas, há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, Q desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou Químicas, desde arre decorrentes de adio direta do insumo sobre o produto em fabricação. ou deste sobre o inumo. (..)". (Grifou-se) Por outro lado, conforme bem asseverou a decisão recorrida, nem todos os custos feitos na produção que não façam parte do ativo permanente podem ser recuperados com o fim de gerar o respectivo direito ao crédito como se insumos fossem, não sendo demais afirmar que o Parecer 65, de . 1979, não extrapola ou amplia o conceito de matérias-primas e produtos intermediários, definido no regulamento do IPI e atos normativos, como considera a interessada, uma vez que sua utilização como norteador do alcance dos termos "matéria-prima e produto intermediário" está em consonância com o art. 82 do RIPI182 e também tem por matriz legal o art. 66 do AIPI/1979, tratado pelo citado Parecer, que, ao final, é a mesma do art. 82 do RIPI11982 e do art. 147 do RIPI/1998, qual seja, o art. 25 da Lei n2 4.502, de 1964. Nesse sentido, já dispunha o Parecer Normativo n2 181, de 1974, em seu item 13: "13 - Por outro lado, ressalvados os casos de incentivos expressamente previstos em lei não geram direito ao crédito do imposto os produtos incorporados às instalacões industriais as partes, peças e acessórios de máquinas, equipamentos e ferramentas, mesmo que se desgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização, bem como os produtos empregados na manutencão das instalacões. das máquinas e equipamentos. inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento. Entre outros, são produtos dessa natureza: limas, rebolos, lâmina de serra, mandris, brocas, tijolos refratários usados em fornos de fusão de metais, tintas e lubrificantes empregados na manutenção de máquinas e equipamentos etc." (Grifou-se). (...."9" . 10 AIF - SEGUNDO CONS81.80 08 CetitRaLIWTES CONFIM COM O ORIGINAL Gra. I I la• Processo n° 13851.001224/2003- l I 0/8118 Cláudia Silva Castro CCO2/CO2 • Acórdão o.' 202-19.2813 Mt, tiapo 92136 Fls. 285 Especificamente sobre energia elétrica, peço venia para transcrever parte da ementa do Acórdão n2 202-18.961, julgado na sessão de 07 de maio de 2008, onde se discutiu essa mesma matéria, quando esta Câmara deliberou por unanimidade neste item, verbis: "ENERGIA ELÉTRICA. Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei n" 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica, uma vez que não são consumidos em contato direito com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário. Súmula n°12 do Segundo Conselho de Contribuintes." (Processo n° 13851.001937100-15 Recurso n" 152.303 Matéria RESSARCIMENTO IPI - CRÉDITO PRESUMIDO Acórdão n" 202- 18.961 Sessão de 07 de maio de 2008 Recorrente SUCOCITRICO CUT'RALE LTDA). Conforme bem sintetizou a i. Conselheira Maria Cristina Roza da Costa, no voto condutor do referido acórdão, o conceito de insumos é um conceito econômico, estando incluídos todos os elementos que contribuem para a obtenção do produto novo. Enquanto o conceito de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem, que são espécies do gênero insumos, tem, na legislação do II% um conceito jurídico que restringe o alcance do conceito econômico aos limites que determina, conforme depreende-se do Regulamento do IPI — RIPI: "Art. 147. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditar-se: I - do imposto relativo a matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo-se, entre as matérias-primas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente;" Discorre, ainda, em seu voto que o processo de industrialização é composto de uma série de processos e procedimentos destinados à obtenção de produto novo pela aplicação de diversos componentes, ou seja, matérias-primas e produtos intermediários. Faz parte desse processo produtivo a utilização de produtos tais, necessários à obtenção do produto novo pretendido, que a ele não se integra, porém é consumido, se desgasta, para que esse produto novo surja. Esse tipo de produto também é aceito como produto intermediário, ou produto interveniente no processo produtivo ou, ainda, produto que interage com aqueles que compõem o produto novo para que este possa ser obtido. Logo, a energia elétrica e o combustível têm relação indireta e remota com o produto novo. Isso porque atuam sobre as máquinas e equipamentos que irão produzi-lo e não sobre ele. Ademais, esse assunto encontra-se devidamente sumulado no âmbito deste colendo Segundo Conselho de Contribuintes, consoante Súmula n 2 12, publicada no Diário Oficial da União em 26/09/2007, "não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei n" 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica, uma vez que não são consumidos em ES :484:110:7N jt6IriGNS1114°4.0:63155124"Mtlet"TrI;1 • Processo n• 13851.001224/2003-11 Ivána Cláudio 611v9 Castro'—' CCO2/CO2 Acórdão n.• 202-19.288 - M t Sia • 92136 Fls. 286 contato direito com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário". 3 Custos na obtenção das frutas Conforme bem resumiu a i. Conselheira Maria Cristina Roza da Costa, quando do julgamento do Recurso n2 152.303, onde se discutiu também esta mesma matéria, os pretendidos custos agregados, relativos a serviços prestados na colheita da fruta, que, conforme informa a recorrente, refere-se ao custo dos serviços prestados por terceiros na colheita da laranja, não há como enquadrá-lo no conceito de matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, pois trata-se de serviço e não de aquisição de bem de produção. Assim sendo, correta a glosa mantida pela decisão recorrida quanto aos custos na obtenção das frutas, visto que os serviços de terceiros não estão contemplados nas hipóteses de recuperação do crédito presumido de 21 a que se refere a Lei n29.363/96. Em face do exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade e no mérito DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para afastar as glosas relativas às aquisições de matéria-prima de não contribuintes da contribuição ao PIS e da Cofins. Sala das Sessões, 04 de setembro de 2008. „ r ONI td LISBOA CARDOSO Voto Vencedor Conselheiro ANTONIO ZOMER, Designado Quanto às aquisições de insumos de pessoas físicas Cuido neste voto apenas da possibilidade de inclusão, na base de cálculo do crédito presumido do IPI, para ressarcimento da Contribuição para o PIS e da Cofins, dos insumos adquiridos de não-contribuintes (pessoas fisicas ou cooperativas). O crédito presumido de IPI foi instituído pela Medida Provisória n2 948, de 23/03/95, convertida na Lei n2 9.363/96, com a finalidade de estimular o crescimento das exportações do pais, desonerando os produtos exportados dos impostos internos incidentes sobre suas matérias-primas e visando permitir maior competitividade destes no mercado internacional. O art. 1 2 da Lei n2 9.363/96 dispõe que o crédito presumido tem natureza de ressarcimento das contribuições incidentes sobre as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para a utilização no processo produtivo, verbis: "Art. 12 A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam 12 Iff - SEGUNDO CONSELHO DE conivountra . coNFERE COM O ORIGINAL Bras fita, _li Processon• 13851.001224/2003-11 ' - Nana Cláudia Silva Castro •••‘/ CCO2J032 Acórdão n.• 202-19.2513 Mat. Siape 92136 Eis. 287 as Leis Complementares n" 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo." (negritei) O crédito presumido é um beneficio fiscal, e sendo assim, a sua lei instituidora deve ser interpretada restritivamente, a teor do disposto no art. 111 do Código Tributário Nacional - CTN, para que não se estenda a exoneração fiscal a casos semelhantes. Com efeito, tratando-se de normas nas quais o Estado abre mão de determinada receita tributária, a interpretação não admite alargamentos do texto legal. Nesse sentido, Carlos Maximiliano, discorrendo sobre a hermenêutica das leis fiscais, ensina: "402 — 111. O rigor é maior em se tratando de disposição excepcional, de isenções ou abrandamentos de ónus em proveito de indivíduos ou corporações. Não se presume o intuito de abrir mão de direitos inerentes á autoridade suprema. A outorga deve ser feita em termos claros, irretorquiveis; ficar provada até a evidência, e se não estender além das hipóteses figuradas no texto; jamais será inferida de fatos que não indiquem irresistivelmente a existência da concessão ou de um contrato que a envolva. No caso, não tem cabimento o brocardo célebre; na dúvida, se decide contra as isenções totais ou parciais, e a favor do fisco; ou, melhor, presume-se não haver o Estado aberto mão de sua autoridade para exigir tributos. "1 Destarte, a empresa paga o tributo embutido no preço de aquisição do insumo e recebe, posteriormente, a quantia desembolsada sob a forma de crédito presumido compensável com o IN e, na impossibilidade de compensação, na forma de ressarcimento em espécie. O art. 1 2, retrotranscrito, restringe o beneficio ao "ressarcimento de contribuições [...] incidentes nas respectivas aquisições", referindo-se o legislador ao PIS e à Cotins incidentes sobre as operações de vendas faturadas pelo fornecedor para a empresa produtora e exportadora, ou seja, nesse caso, se as vendas de insumos efetuadas pelo fornecedor não sofreram a incidência das contribuições, não há como enquadrá-las no dispositivo legal. Há quem sustente que o percentual de cálculo do incentivo (5,37%) é superior ao empregado no cálculo das contribuições que visa a ressarcir e que, por isso, o incentivo• alcançaria todas as aquisições, inclusive aquelas que não sofreram a incidência das referidas contribuições. Entretanto, o fato de o crédito presumido visar à desoneração de mais de uma etapa da cadeia produtiva não autoriza que se interprete extensivamente a norma, concedendo o incentivo a todas as aquisições efetuadas pelo contribuinte. Alfredo Augusto Becker, ao se referir à interpretação extensiva, assim se manifestou: "... na extensão não há interpretação, mas criação de regra jurídica nova. Com efeito, o intérprete constata que o fato por ele focalizado não realiza a hipótese de incidência da regra jurídica; entretanto, em virtude de cena analogia, o intérprete estende ou alarga a hipótese de incidência da regra jurídica de modo a abranger o fato por ele focalizado. Ora, isto é criar regra jurídica nova, cuja hipótese de I Hermenêutica e Aplicação do Direito, 12Ç Forense, Rio de Janeiro, 1992, pp. 333/334. t 13 Wreil CfMTR189 tBsj • Processo n• 13851.001224/2003-11 CCO2/CO2 Acórdão ri? 292-19.258 Eis. 288 iaaat. S a Calitr---.7:a * - 82136 incidência passa a ser alargada pelo intérprete e que não era a hipótese de incidência da regra jurídica velha." 2 (negritei) Ora, se a interpretação extensiva cria regra jurídica nova, é claro que sua aplicação é vedada pelo art. 111 do CTN, quando se trata de incentivo fiscal. Assim, não há como ampliar o disposto no art. 1 2 da Lei n2 9.363/96, que limita expressamente o incentivo fiscal ao ressarcimento das contribuições incidentes sobre as aquisições do produtor- exportador, não o estendendo a todas as aquisições da cadeia comercial do produto. Desta forma, se em alguma etapa anterior da cadeia produtiva do insumo houve o pagamento de PIS e Cotins, o ressarcimento, tal como foi concebido, não alcança esse pagamento específico. Se fosse assim não haveria necessidade de a norma especificar que se trata de ressarcimento das contribuições incidentes sobre as respectivas aquisições, ou, o que dá no mesmo, incidentes sobre as aquisições do produtor-exportador. Reforça tal entendimento o fato de o art. 5 2 da Lei n2 9.363/96 prever o imediato estorno da parcela do incentivo a que faz jus o produtor-exportador quando houver restituição ou compensação da contribuição para o PIS e da Cofins pagas pelo fornecedor de matérias- primas na etapa anterior, ou seja, o estorno da parcela de incentivo que corresponda às aquisições de fornecedor que obteve a restituição ou compensação dos referidos tributos. Ora, se há imposição legal para estornar a correspondente parcela de incentivo na hipótese em que a contribuição paga pelo fornecedor foi-lhe, posteriormente, restituída, não se pode utilizar, no cálculo do incentivo, as aquisições em que este mesmo fornecedor não arca com o tributo na venda do insumo. Pensar de outra forma levaria à conclusão absurda de que o legislador considera, no cálculo do incentivo, o valor dos insumos adquiridos de fornecedor não-contribuinte, que não pagou a contribuição, e nega esse direito quando há o pagamento com posterior restituição. As duas situações são em tudo semelhantes, mas na primeira haveria direito ao incentivo sem que houvesse o ônus do pagamento da contribuição e na segunda não. Ressalte-se, ainda, que a norma incentivadora também prevê, em seu art. 32, que a apuração da Receita Bruta, da Receita de Exportação e do valor das aquisições de insumos será efetuada nos termos das normas que regem a incidência da contribuição para o PIS e da Cofins, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor-exportador. •A vinculação legal da apuração do montante das aquisições às normas de regência das contribuições e ao valor da nota fiscal do fornecedor confirma o entendimento de que devem ser consideradas, no cálculo do incentivo, somente as aquisições de insumos que sofreram a incidência direta das contribuições. A negação dessa premissa tornaria supérflua a disposição do art. 32 da Lei n2 9.363/96, contrariando o princípio elementar do direito que prega que a lei não contém palavras vãs. Portanto, o que se vê é que o legislador foi judicioso ao elaborar a norma que deu origem ao incentivo, definindo sua natureza jurídica, os beneficiários, a forma de cálculo, os percentuais e a base de cálculo, não havendo razão para o intérprete supor que a lei disse menos do que deveria e crie, em conseqüência, exceções à regra geral, alargando o incentivo fiscal para hipóteses não previstas. 2 Teoria Geral do Direito Tributário, 312 , Ed. Lajus, São Paulo, 1998, p. 133. 14 .2raniticooitilu FER_DIO:E CONTRIBUINTES kr - SEGISCO CONsE .. t (AM O ORlaiNaL . Processo d. 13851.001224/200341 Ivana Clá ---c4-1—(2-t— CCO2IC.02 Acórdão n.• 202-19.288 udia Silva C Wiat. Sia 92/36aStr0 4'1 Fls. 289 Ademais, o Poder Judiciário já se manifestou contrariamente à inclusão das aquisições de não-contribuintes no cálculo do crédito presumido de IP1, conforme se depreende do Acórdão AGTR 32877-CE, julgado em 28/11/2000, pela Quarta Turma do TRF da 9 Região, sendo relator o Desembargador Federal Napoleão Maia Filho, cuja ementa tem o seguinte teor: "TRIBUTÁRIO. LEI 9.363/96. CRÉDTTO PRESUMIDO DO II'! A TITULO DE RESSARCIMENTO DO PIS/PASEP E DA COFINS EM PRODUTOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E/OU RURAIS QUE NÃO SUPORTARAM O PAGAMENTO DAQUELAS CONTRIBUIÇÕES. AUSÊNCIA DE FUMUS BONI JURES AO CREDITÁMEIVTO. I. Tratando-se de ressarcimento de exações suportadas por empresa exportadora, tal como se dá com o beneficio instituído pelo art 1 2 da Lei 9.363/96, somente poderá haver o crédito respectivo se o encargo houver sido efetivamente suportado pelo contribuinte. 2. Sendo as exações PIS/PASEP e COFINS incidentes apenas sobre as operações com pessoas jurídicas, a aquisição de produtos primários de pessoas físicas não resulta onerada pela sua cobrança, daí porque impraticável o crédito de seus valores, sob a forma de ressarcimento, por não ter havido a prévia incidência ...". O mesmo entendimento foi esposado pelo Desembargador Federal do TRF da 9 Região, no AGTR 33341-PE, Processo n° 2000.05.00.056093-7,3 que, à certa altura do seu despacho, asseverou: 'A pretensão ao crédito presumido do IPI, previsto no art. P da Lei 9.363, de 13.12.96, pressupõe, nos termos da nota referida, 'o ressarcimento das contribuições de que tratam as leis complementares nos 07, de 07 de setembro de 1970; 08, de 03 de dezembro de 1970; e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem' utilizados no processo produtivo do pretendente. Ora, na conformidade do que dispõem as leis complementares a que a Lei n2 9.363/96 faz remição, somente as pessoas jurídicas estão obrigadas ao recolhimento das contribuições conhecidas por PIS. PASEP, e COFINS, instituidas por aqueles diplomas, sendo intuitivo que apenas sobre o valor dos produtos a estas adquiridos pelo contribuinte do IPI possa ele se ressarcir do valor daquelas contribuições a fim de se compensar com o crédito presumido do imposto em referência. Não recolhendo os fornecedores, quando pessoas físicas, aquelas contribuições, segue não ser dado ao produtor industrial adquirente de seus produtos, compensar-se de valores de contribuições inexistentes nas operações mercantis de aquisição, pois o crédito presumido do IPI autorizado pela Lei n° 9.363/96 tem por fundamento o ressarcimento daquelas contribuições, que são recolhidas pelas pessoas jurídicas ...." 3 Despacho datado de 08/02/2001, DJU 2, de 06/03/2001. .31\s\r . \b, 15 / ME - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRiBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL • Processo n• 13851.00122412003-11 Brasília IS / i. oy CCO2/032 Acérdio n.'202-19.288 Nana Cláudia Silva Castro al rit 2" Mat. Siape 92136 Essas decisões judiciais evidenciam o acerto do entendimento aqui exposto, no sentido de que não há incidência da norma jurídica instituidora do crédito presumido do IPI para ressarcimento do PIS e da Cofins, quando estas contribuições não forem exigíveis nas operações de aquisição, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo da empresa produtora e exportadora. Ante o exposto, nego provimento ao recurso quanto aos insumos adquiridos de não-contribuintes, por entender que estes custos não devem integrar a base de cálculo do crédito presumido do IPI. Sala das Sessões, em 04 de setembro de 2008. fit " A a I* Z7, ER 6 16 Page 1 _0040200.PDF Page 1 _0040300.PDF Page 1 _0040400.PDF Page 1 _0040500.PDF Page 1 _0040600.PDF Page 1 _0040700.PDF Page 1 _0040800.PDF Page 1 _0040900.PDF Page 1 _0041000.PDF Page 1 _0041100.PDF Page 1 _0041200.PDF Page 1 _0041300.PDF Page 1 _0041400.PDF Page 1 _0041500.PDF Page 1 _0041600.PDF Page 1
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Numero do processo: 13866.000025/2006-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000
IRPF. REVISÃO DE OFÍCIO DO LANÇAMENTO.
O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos casos em que reste comprovada falsidade, erro ou omissão, por quem de direito, quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória.
TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4.
Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos à taxa Selic para títulos federais.
MULTA.
A multa exigida na constituição do crédito tributário por meio do lançamento fiscal de ofício decorre de expressa disposição legal.
Numero da decisão: 2401-006.510
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para retificar o valor do imposto suplementar apurado para R$ 4.811,83, sobre o qual deverão incidir juros à taxa Selic e multa de ofício de 75%.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2000 IRPF. REVISÃO DE OFÍCIO DO LANÇAMENTO. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos casos em que reste comprovada falsidade, erro ou omissão, por quem de direito, quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos à taxa Selic para títulos federais. MULTA. A multa exigida na constituição do crédito tributário por meio do lançamento fiscal de ofício decorre de expressa disposição legal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para retificar o valor do imposto suplementar apurado para R$ 4.811,83, sobre o qual deverão incidir juros à taxa Selic e multa de ofício de 75%. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
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COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Recorrente WAGNER SALBEGO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000 IRPF. REVISÃO DE OFÍCIO DO LANÇAMENTO. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos casos em que reste comprovada falsidade, erro ou omissão, por quem de direito, quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos à taxa Selic para títulos federais. MULTA. A multa exigida na constituição do crédito tributário por meio do lançamento fiscal de ofício decorre de expressa disposição legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para retificar o valor do imposto suplementar apurado para R$ 4.811,83, sobre o qual deverão incidir juros à taxa Selic e multa de ofício de 75%. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 6. 00 00 25 /2 00 6- 79 Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13866.000025/200679 Acórdão n.º 2401006.510 S2C4T1 Fl. 85 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório Tratase de Auto de Infração de imposto de renda pessoa física IRPF, fls. 5/12, anocalendário 2000, que apurou imposto suplementar de R$ 18.694,26, acrescido de juros de mora e multa de ofício, em virtude de o contribuinte ter pleiteado erroneamente imposto complementar (mensalão) no valor de R$ 19.690,66, que é o imposto apurado no auto de infração processo nº 10850.002314/9911. Em impugnação apresentada às fls. 2/4, o contribuinte esclarece seus erros ao enviar a declaração, afirmando não haver máfé e pede a improcedência do lançamento. A DRJ/FOR, julgou improcedente a impugnação, conforme Acórdão 08 17.040 de fls. 53/60, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000 COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO DE PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. Por falta de competência, excetuada a situaçao de erro de fato, o julgador da DRJ não pode apreciar pedido de retificação de declaração, mormente se o pedido objetiva exclusão de rendimentos tributáveis e ajuste na declaração de bens, tendo em vista a evolução patrimonial. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. . ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado do Acórdão em 12/3/10 (Aviso de Recebimento AR de fl. 65), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 13/4/10, fls. 66/80, que contém, em síntese: Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13866.000025/200679 Acórdão n.º 2401006.510 S2C4T1 Fl. 86 3 Diz que para justificar o acréscimo patrimonial em sua declaração resolveu declarar o rendimento recebido em 1997 em ação trabalhista (R$ 50.481,58), o qual resultou em auto de infração para pagamento do imposto devido não declarado no valor de R$ 19.690,66 (Processo 10850.002314/9911), como rendimento recebido em 2000. Declarou o imposto recolhido como imposto complementar na DAA anocalendário 2000. Assim, devido ao erro cometido, deve ser revisada sua declaração do ano calendário 2000 para retificar o total de rendimentos percebidos de pessoas jurídicas para R$ 78.542,28 (excluindo o valor de R$ 50.481,58) e também excluindo o imposto complementar de R$ 19.690,66, resultando em um saldo de imposto a pagar de R$ 4.811,83, o qual reconhece. Questiona a multa aplicada e os juros à taxa Selic. Requer a reforma da decisão recorrida e a insubsistência da notificação de lançamento. É o relatório. Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. MÉRITO No presente caso, a fiscalização glosou o imposto declarado como imposto complementar no valor de R$ 19.690,66. Contudo, conforme informa o contribuinte, houve erro na declaração. Concorda com referida glosa, mas solicita que também seja excluído o rendimento de R$ 50.481,58, recebido em ação trabalhista em 1997, que já foi objeto, inclusive, de auto de infração por omissão de rendimentos naquele ano. Realmente, como alega o recorrente, conforme documentos de fls. 13/18, referido rendimento foi objeto de auto de infração. Foi considerado na autuação, fl. 11, um rendimento tributável total no valor de R$ 129.023,86, conforme DAA, e glosado o valor do imposto complementar de R$ 19.690,66. Conforme Comprovante de Rendimentos da fonte pagadora Ministério da Saúde, fl. 20, no anocalendário 2000, foi pago ao contribuinte o valor de R$ 36.643,24 (tal valor confere com o documento de fl. 46 extraído do sistema informatizado da RFB). Em DAA, fls. 39/44, observase que foi informado como também recebido da fonte pagadora Ministério da Saúde o valor de R$ 50.481,58, que confere, nos centavos, com o valor recebido na citada ação trabalhista. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13866.000025/200679 Acórdão n.º 2401006.510 S2C4T1 Fl. 87 4 Assim, prestigiando a verdade material, não há como serem ignorados os elementos trazidos aos autos, sendo forte a prova produzida pelo contribuinte. Desta forma, o cálculo do imposto devido deve levar em consideração o rendimento informado a maior, conforme calculado na Tabela 1 Apuração do imposto devido. Tabela 2 Apuração do imposto devido. Descrição Valores em reais 1)Total dos Rendimentos Tributáveis Declarados R$ 131.336,86 2) Rendimento declarado a maior 50.481,58 3) Total dos Rendimentos Tributáveis R$ 80.855,28 4) Deduções declaradas R$ 21.334,06 5) Base de Cálculo Apurada (34) R$ 59.521,22 6) Imposto Apurado Após Alterações (Calculado pela Tabela Progressiva Anual) R$ 12.048,34 7) Imposto Retido na Fonte R$ 7.236,51 8) Saldo de Imposto a pagar Apurado após Alterações R$ 4.811,83 Tais ocorrências autorizam a administração tributária a rever de ofício o lançamento efetuado, a teor do inciso IV do art. 149 do CTN. Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: [...] IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; No caso, considerando as provas carreadas aos autos, encontrouse um imposto a pagar de R$ 4.811,83, reconhecido pelo contribuinte no recurso. JUROS SELIC Quanto à utilização da taxa Selic, a matéria encontrase sumulada pelo CARF: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA A Lei 9.430/96, art. 44, assim dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13866.000025/200679 Acórdão n.º 2401006.510 S2C4T1 Fl. 88 5 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; A atividade vinculada do agente administrativo não o permite interpretar a lei de forma diversa. Logo, efetuado o lançamento de ofício, deve ser aplicada a multa prevista no artigo 44 acima citado, sendo esta irrelevável. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, dar lhe provimento parcial para retificar o valor do imposto suplementar apurado para R$ 4.811,83, sobre o qual deverão incidir juros à taxa Selic e multa de ofício de 75%. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 88DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001258/2003-31
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO VALORADO EM DESCONFORMIDADE COM O ART.63 DA IN 600/2005. DIFERENÇA NÃO RECONHECIDA.
Não se reconhece a diferença a maior decorrente da atualização do crédito em desconformidade com o art. 63 da IN nº 600/2005.
Numero da decisão: 1001-001.221
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson Presidente
(assinado digitalmente)
Andréa Machado Millan - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Andréa Machado Millan, e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: ANDREA MACHADO MILLAN
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO VALORADO EM DESCONFORMIDADE COM O ART.63 DA IN 600/2005. DIFERENÇA NÃO RECONHECIDA. Não se reconhece a diferença a maior decorrente da atualização do crédito em desconformidade com o art. 63 da IN nº 600/2005.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Presidente (assinado digitalmente) Andréa Machado Millan - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Andréa Machado Millan, e Jose Roberto Adelino da Silva.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO VALORADO EM DESCONFORMIDADE COM O ART.63 DA IN 600/2005. DIFERENÇA NÃO RECONHECIDA. Não se reconhece a diferença a maior decorrente da atualização do crédito em desconformidade com o art. 63 da IN nº 600/2005. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson – Presidente (assinado digitalmente) Andréa Machado Millan Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Andréa Machado Millan, e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 12 58 /2 00 3- 31 Fl. 511DF CARF MF Processo nº 16327.001258/200331 Acórdão n.º 1001001.221 S1C0T1 Fl. 512 2 O presente processo trata de declarações de compensação que têm por objeto o saldo negativo de IRPJ e de CSLL apurados pela empresa no anocalendário de 2001. Transcrevo, abaixo, os trechos relevantes do relatório da decisão de primeira instância (fls. 182 a 189), Acórdão 1621.156, proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) São Paulo I, em sessão de 23/04/2009, que bem resume o pleito: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório de fls. 68/69, em que foram apreciadas: a Declarações de Compensação de fls. 01 (retificação da Declaração às fls. 52/55), a PER/DCOMP de fls.56/59, a Declaração de Compensação à fl. 01 do P.A. n° 16327.004149/200295 (juntado ao presente), a Declaração de Compensação à fl. 01 do P.A. 16327.000302/200396 (também juntado ao presente), protocolizadas, respectivamente, em 14/04/2003, 15/12/2006, 28/11/2002 e 03/02/2003. Por intermédio das referidas declarações a contribuinte pretende compensar os débitos a seguir discriminados, com créditos decorrentes do Saldo Negativo do Imposto de renda Pessoa Jurídica e do Saldo Negativo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL apurados no ano calendário de 2001. (...) 2. A autoridade competente para apreciação da pretendida compensação elaborou o Despacho Decisório de fls. 68/69, no qual ponderou que: O saldo negativo do IRPJ em 31/12/2001 (linha 13 da Ficha 12B da DIPJ 2002 — fl. 163) era de R$ l.397.295,03 e o saldo negativo da CSLL em 31/12/2001 era de R$ 365.200,03 (linha 42 da Ficha 17 da DIPJ 2002 — fl 165); no caso da CSLL os valores foram objeto de compensação com base em discussão judicial no MS 96.00169551, ainda em andamento; houve compensações durante o anocalendário de 2002, sem processo decorrente desses saldos negativos (conf. docs. de fls. 170 a 173). Assim sendo, concluiu a autoridade fiscal no Despacho Decisório: Diante do exposto, com base nas informações prestadas pelo contribuinte, considerando que o saldo negativo de CSLL encontrase sub judice com acompanhamento administrativo no processo 16327.002210/200774, decido homologar as compensações efetuadas pelo contribuinte em DCTF sem processo no anobase de 2002 e as compensações constantes dos processos 16327.004149/200295, 16327.001258/200331 e 16327.000302/200396, conforme demonstrativo em anexo (fls. 60 a 67). Decido ainda, homologar parcialmente as compensações efetuadas na DCOMP 3633.17692. 3. A contribuinte foi cientificada a respeito do teor do despacho supracitado em 30/06/2008, conforme AR à fl. 75. 4. Em sua Manifestação de Inconformidade (fls. 76 a 88), protocolizada em 29/07/2008, a interessada requer a reforma do despacho decisório de forma a homologar integralmente as compensações declaradas. Neste sentido argumenta: (...) Fl. 512DF CARF MF Processo nº 16327.001258/200331 Acórdão n.º 1001001.221 S1C0T1 Fl. 513 3 que, em relação aos cálculos de atualização, observou as normas tributárias vigentes nas respectivas apurações de compensações (art. 39, § 4% da Lei n° 9250/1995, bem como no artigo 38 da IN 210/2002 e artigo 51 da IN 460/2004). (...) 5. Impende consignar que o processo n° 16327.001259/200386, apensado ao presente, não foi objeto de apreciação pela DIORT/DEINF/SP em face da desistência do pedido de compensação a ele pertinente juntado à fl. 11 daquele processo. Por conseguinte, também não está sendo objeto de análise neste julgamento. No voto, a decisão da DRJ esclareceu que a controvérsia cingiase à atualização do crédito utilizado na compensação, uma vez que os valores originários do saldo negativo de IRPJ (R$1.397.275,03) e do saldo negativo da CSLL (R$ 365.200,03), reconhecidos e utilizados pela autoridade administrativa que apreciou o pedido, estavam coincidentes com aqueles indicados na DIPJ 2002 (fls.169 e 171), bem como com o apontado pelo contribuinte em seu demonstrativo (fl. 143). Em resumo, a análise feita, no acórdão da DRJ, sobre a legislação referente ao tema, informou que a interpretação consolidada no art. 28 da IN SRF n° 210, de 30/09/2002, era de que a compensação devia ser efetuada na data do pagamento indevido, ressalvada outras hipóteses ali especificadas. Que a IN SRF n° 323, de 24/04/2003, alterou a redação do art. 28 da IN SRF 210/2002, passando a dispor o seguinte: Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios na forma prevista nos arts. 38 e 39 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. Informou que, posteriormente, a IN SRF n° 210 foi revogada pela IN SRF nº 460/2004, que foi revogada pela IN SRF n° 600, de 28/12/2005. Que à época em que o despacho decisório homologou parcialmente a compensação, vigoravam os efeitos da alteração introduzida nos artigos 52 e 63 da IN SRF n° 600/2005 pela IN RFB n° 831, de 18/03/2008. Com a alteração, a IN nº 600/2005 passou a determinar, em seus artigos 28, 52 e 63: Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 52 e 53 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. (...) Art. 52. O crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição, será restituído ou compensado com o acréscimo de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1 % (um por cento) no mês em que: Fl. 513DF CARF MF Processo nº 16327.001258/200331 Acórdão n.º 1001001.221 S1C0T1 Fl. 514 4 I — a quantia for disponibilizada ao sujeito passivo; II— houver a entrega da Declaração de Compensação; !II houver o encerramento do período de apuração do débito, quando este se encerrar após a data da entrega da Declaração de Compensação; § °No cálculo dos juros Selic de que trata o caput, observarseá, corno termo inicial de incidência: IV — na hipótese de saldo negativo de IRPJ e de CSLL, o mês subsequente ao do encerramento do período de apuração. (...) Art. 63. A compensação objeto de pedido de compensação deferido ou de Declaração de Compensação apresentada à SRF até 27 de maio de 2003 será efetuada considerandose a seguinte data: I do pagamento indevido ou a maior, no caso de compensação com débito cujo período de apuração já estiver concluído em data anterior à do pagamento; II do encerramento do período de apuração do saldo negativo de IRPJ ou CSLL, bem como de crédito do IRRF incidente sobre pagamento efetuado a cooperativa de trabalho, associação de profissionais ou assemelhada, no caso de compensação com débito cujo período de apuração já estiver concluído em data anterior àquela; III do ingresso do pedido de ressarcimento, quando destinado à compensação com débito cujo período de apuração já estiver concluído quando do ingresso desse pedido; IV do encerramento do período de apuração do débito, quando as datas a que se referem os incisos I, II ou III, conforme o caso, forem anteriores às previstas neste inciso; A análise da DRJ esclareceu que nas declarações de compensação à fl. 01 do presente processo, à fl. 01 do processo n° 16327.004149/200295, e à fl. 01 do processo nº 16327.000302/200396 (ambos juntados ao presente), o critério adotado nos cálculos da compensação foi a data de encerramento do período de apuração dos débitos, conforme art.63, IV, da IN nº 600/2005, com a redação dada pela IN nº 831/2008. Já para a DCOMP eletrônica às fls. 62 a 65, a regra aplicada foi a do art. 52 da IN nº 600/2005, pois essa declaração foi enviada em data posterior a 27/05/2003, considerandose então a data da entrega da declaração de compensação. Esclarecendo melhor, afirmou que a diferença na valoração dos créditos a partir da IN RFB nº 831/2008 afetou as declarações de compensação formalizadas até 27/05/2003, e cujo débito fosse de período de apuração posterior ao crédito (no caso, encerramento do período de apuração dos saldos negativos de IRPJ e CSLL), nos termos do Fl. 514DF CARF MF Processo nº 16327.001258/200331 Acórdão n.º 1001001.221 S1C0T1 Fl. 515 5 citado art. 63, considerandose efetuada a compensação na data do encerramento do período de apuração do débito. Tal regra só não alcançou a DCOMP de fls. 62 a 65. Considerando a natureza vinculada da autoridade administrativa, concluiu correto o cálculo efetuado pela unidade de origem, indeferindo a solicitação contida na manifestação de inconformidade e ratificando o despacho decisório. Cientificado da decisão de primeira instância em 13/05/2009 (Aviso de Recebimento à fl. 421), o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 12/06/2009 (fls. 422 a 433). Nele alega que: (i) tendo em vista que as compensações encontramse abarcadas no período de 2002 a 2006, os cálculos deveriam basearse apenas no artigo 39, §4º, da Lei nº 9.250/1995 (abaixo transcrito), bem como no artigo 38 da IN SRF nº 210/2002 e no artigo 51 da IN SRF nº 460/2004, que o seguem, e que regulavam, à época, os créditos objetos de compensação: § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. (ii) que a Autoridade Fiscal equivocouse ao invocar diferenças entre o artigo 28, da IN 210/2002 e o artigo 28, da IN 323/2003, posto que a regra de cálculo para a atualização do crédito passível de compensação estava explicita no artigo 38, da IN 210/2002, que determinava tanto o termo inicial quanto o termo final da valorização do crédito. (iii) que a aplicação da IN SRF n.° 600/2005 e da IN RFB n.° 831/2008 não deveria ser cogitada no caso, pois os normativos não poderiam retroagir a fatos pretéritos, consumados e sem quaisquer infrações às legislações tributárias vigentes à época. Assim, pede que seja reformada a decisão recorrida para que sejam homologados integralmente os pedidos de compensação pleiteados. É o Relatório. Voto Conselheira Andréa Machado Millan, Relatora O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. Fl. 515DF CARF MF Processo nº 16327.001258/200331 Acórdão n.º 1001001.221 S1C0T1 Fl. 516 6 A análise da DRJ sobre os fatos ocorridos, detalhada no relatório acima, comprovase no Demonstrativo Analítico de Compensação, às fls. 68 a 70. Ali se vê, na compensação de cada débito, qual foi a regra de valoração do crédito e o dispositivo legal que a embasou. Está explícito que, nos oito primeiros débitos compensados, o crédito foi corrigido até o encerramento do período de apuração do débito, com base no art. 63, inciso IV, da IN nº 600/2005, modificado pela IN nº 831/2008. No nono e último débito a regra muda, e a data de valoração passa a ser a data do pedido de compensação. Comparandose o demonstrativo acima citado com a planilha contida no corpo do recurso voluntário, às fls. 425 e 426, percebese que a diferença entre os cálculos da RFB e do contribuinte decorre exatamente dos diferentes períodos de valoração do crédito definidos nas IN citadas. Assim, o contribuinte sempre atualizou o crédito até a data do pedido/declaração de compensação, que coincide com a data de vencimento do débito. Já a RFB, nos oito primeiros débitos, atualizou o crédito até a data de encerramento do período de apuração, sempre no mês anterior ao vencimento e ao pedido de compensação. Por exemplo, o primeiro débito compensado no demonstrativo citado (fl. 68) era de CSLL, do período de apuração de 07/2002. Seu vencimento era em 30/08/2002, data em que foi entregue a Dcomp. Conforme a legislação indicada no demonstrativo (inciso IV do art. 63 da IN nº 600/2005, na redação dada pela IN nº 831/2008), o crédito foi atualizado pela Selic até 31/07/2002, data do encerramento do período de apuração. Já o contribuinte, para o mesmo débito, atualizou o crédito até 30/08/2002, data da entrega da Dcomp. Então, no cálculo da RFB, diminuiuse o crédito, no valor do débito compensado, atualizado sempre até um mês antes que no cálculo do contribuinte. Assim, no cálculo da RFB, um valor menor de crédito foi atualizado nos meses de vencimento (meses das declarações de compensação), gerando pequenas diferenças que, somadas, ocasionaram o débito em aberto ora discutido. Compreendidos os cálculos, passemos ao direito. A referida IN nº 831/2008 deu ao art. 63 da IN nº 600/2005 (reproduzido no relatório acima) redação que estabeleceu a data de 27/05/2003 como divisor de águas entre (considerandose as hipóteses do presente caso): (i) pedidos de compensação cujo crédito a ser compensado deveria ser valorado até o encerramento do período de apuração do débito, se esse fosse posterior ao crédito, e (ii) declarações de compensação cujo crédito deveria ser valorado até a declaração de compensação, se essa fosse posterior ao período de apuração do débito (art. 52, II e IV, da mesma IN nº 600/2005). Essa data – 27/05/2003 – é a última antes da publicação da IN nº 323/2003, que alterou a redação da IN SRF nº 210/2002. De fato, a IN nº 323/2003 corrigiu a IN 210/2002 para fixar como data de efetivação da compensação a data de entrega da Declaração de Compensação, já que aquela reproduzia critérios antigos, anteriores à Dcomp. Então, a partir da IN nº 323/2003, o crédito Fl. 516DF CARF MF Processo nº 16327.001258/200331 Acórdão n.º 1001001.221 S1C0T1 Fl. 517 7 passou a ser atualizado desde sua apuração até a data da Dcomp, e também o débito, caso a Dcomp fosse apresentada após o vencimento. No caso concreto, as oito compensações informadas pela empresa com cálculo distinto daquele da RFB, que geraram a diferença impugnada, são anteriores à IN nº 323/2003. Foram, portanto, apresentadas na vigência da IN nº 210/2002, cuja redação original dispunha: Art. 28. A compensação deverá ser efetuada considerandose as seguintes datas: I do pagamento indevido ou a maior que o devido, no caso de restituição, ressalvadas as hipóteses seguintes; II do ingresso do pedido de ressarcimento, quando destinado à compensação com débito vencido; III do vencimento do débito, quando o pedido de ressarcimento houver ocorrido antes dessa data; (...) Esse artigo estabelecia o momento em que era considerada efetuada a compensação. No caso em análise, o pedido de compensação coincide com o vencimento do débito. Então, não há dúvidade que a compensação efetuavase nesta data. Definida a data da compensação, o artigo 38 da mesma IN determinava como seria o cálculo: Art. 38. As quantias recolhidas ao Tesouro Nacional a título de tributo ou contribuição administrado pela SRF serão restituídas ou compensadas com o acréscimo de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que a quantia for disponibilizada ou utilizada na compensação de débitos do sujeito passivo, observandose, para o seu cálculo, o seguinte: I como termo inicial de incidência: (...) d) na hipótese de saldo credor do IRPJ e da CSLL, o mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração. II como termo final de incidência: a) em se tratando de restituição apurada em declaração de rendimentos da pessoa física (...); b) nos demais casos, o mês anterior ao da restituição ou compensação. Então, o art. 38, inciso II, alínea b, definia que o crédito deveria ser atualizado até o mês anterior ao da compensação. No caso concreto, esse é o mês do período de apuração do débito. Fl. 517DF CARF MF Processo nº 16327.001258/200331 Acórdão n.º 1001001.221 S1C0T1 Fl. 518 8 Assim, verificase que, caso o contribuinte tivesse utilizado o normativo vigente à época das oito primeiras declarações de compensação, teria obtido o mesmo resultado que a RFB. Porque a IN nº 831 não trouxe nova interpretação aos fatos pretéritos aqui analisados. Apenas procurou evitar que a data eleita para a compensação pela IN 323/2003 (data da declaração de compensação) fosse aplicada a compensações anteriores à sua vigência. Tais dispositivos não ferem o art. 39, § 4º, da lei 9.250/1995, reproduzido no relatório acima, que determina que a compensação será acrescida de juros equivalentes à taxa SELIC acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Apenas elegem, para efeito de cálculo, o momento em que se considera efetuada a compensação. A criação da Dcomp alterou esse momento. Conclusão Concluise que o art. 38 da IN nº 210/2002, vigente à época das compensações cujo cálculo o contribuinte questiona, determinava cálculo idêntico àquele efetuado pela RFB com base na IN 600/2005, alterada pela IN 831/2008. Por isso, não se reconhece a diferença a maior decorrente da atualização do crédito em desconformidade com o art. 63 da IN nº 600/2005. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Andréa Machado Millan Fl. 518DF CARF MF
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