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Numero do processo: 14041.001180/2008-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. FALTA DE IDENTIFICAÇÃO DO DOCUMENTO UTILIZADO COMO FUNDAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Deve ser reconhecida e corrigida a omissão consistente na menção a documento que é utilizado como fundamento para decisão, mas não é adequadamente identificado no Acórdão, dificultando assim, o direito de defesa da parte prejudicada.
Numero da decisão: 2201-003.739
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos de declaração apresentados para, sanando a omissão identificada, mencionar que o documento que embasa a decisão prolatada encontra-se no arquivo não-paginável anexado à fl. 538 do processo eletrônico.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
EDITADO EM: 17/07/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. FALTA DE IDENTIFICAÇÃO DO DOCUMENTO UTILIZADO COMO FUNDAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Deve ser reconhecida e corrigida a omissão consistente na menção a documento que é utilizado como fundamento para decisão, mas não é adequadamente identificado no Acórdão, dificultando assim, o direito de defesa da parte prejudicada.
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OMISSÃO. FALTA DE IDENTIFICAÇÃO DO DOCUMENTO UTILIZADO COMO FUNDAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Deve ser reconhecida e corrigida a omissão consistente na menção a documento que é utilizado como fundamento para decisão, mas não é adequadamente identificado no Acórdão, dificultando assim, o direito de defesa da parte prejudicada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos de declaração apresentados para, sanando a omissão identificada, mencionar que o documento que embasa a decisão prolatada encontrase no arquivo não paginável anexado à fl. 538 do processo eletrônico. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. EDITADO EM: 17/07/2017 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 11 80 /2 00 8- 31 Fl. 624DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de embargos de declaração (fls. 602/606) apresentados pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 2201002.855 (fls. 575/601), proferido por esta Turma, que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007 ISENÇÃO. DIREITO ADQUIRIDO. Inexiste direito adquirido à isenção com base no Decreto Lei 1.572/1977. Não há razão para falarse em direito à imunidade por prazo indeterminado. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. Havendo recolhimentos aplicase a regra do § 4º do artigo 150 do CTN. EDUCAÇÃO. BOLSAS DE ESTUDOS. Não incide tributação sobre o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ALIMENTAÇÃO IN NATURA Sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. Fl. 625DF CARF MF Processo nº 14041.001180/200831 Acórdão n.º 2201003.739 S2C2T1 Fl. 625 3 O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. REGULAMENTAÇÃO. Não ofende ao Princípio da Legalidade a regulamentação através de decreto do conceito de atividade preponderante e da fixação do grau de risco. SESC E SEBRAE As empresas prestadoras de serviços estão sujeitas às contribuições ao SESC e SEBRAE. INCRA. EMPRESAS URBANAS. É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural. SALÁRIO EDUCAÇÃO É constitucional a cobrança da contribuição do salário educação, seja sob a carta de 1969, seja sob a constituição federal de 1988, e no regime da lei 9.424/96. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Ao identificar o vício que justificaria a apresentação de embargos, a PGFN destaca o seguinte trecho do voto condutor do Acórdão: “Apesar de o lançamento referirse a contribuição para terceiros de uma entidade que dizse isenta, o Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados RADA, apresenta algumas apropriações de recolhimentos para o débito em questão.” Em seguida, afirma a embargante que: O acórdão ora embargado se reporta ao RADA como prova de que houve recolhimento parcial, todavia, não foi possível confirmar a informação no sentido de que há recolhimento parcial da contribuição previdenciária objeto dos autos exatamente nas competências em análise. Muito embora exista menção ao documento, salvo algum equívoco na leitura do processo, não foi possível localizálo, o que enseja cerceamento do direito de defesa da União. Após mencionar a importância da análise dessas informações para o processo e transcrever o enunciado nº 99 da Súmula CARF, concluiu a peticionante no seguinte sentido: Fl. 626DF CARF MF 4 Como fica patente ante a leitura do enunciado, não basta a existência de pagamento de qualquer contribuição previdenciária, é preciso que esses comprovantes de recolhimento se refiram ao tributo específico a que se reporta a autuação. Nesse contexto, cumpre ressaltar e se mostra um tanto espantoso que haja recolhimento no caso dos autos, considerando que entidade que se enquadrava como isenta no período, aspecto que demonstra ainda maior a relevância de que se aponte com clareza qual documento (página/trecho exatos) que respaldam a conclusão do julgado. Pelo despacho de fls. 621/622, os embargos foram admitidos por se considerar que "a decisão embargada foi omissa ao não mencionar a folha dos autos em que se localiza o documento". É o relatório. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora Conforme foi evidenciado no relatório, a decisão embargada considerou comprovada a existência de pagamentos de contribuições previdenciárias em parte do período abrangido pelo auto de infração, razão pela qual aplicou o prazo decadencial de que trata o art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. Ao fundamentar essa decisão, o aresto vergastado afirma que o Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados RADA apresenta várias apropriações de recolhimentos para o débito em questão, e tendo o sujeito passivo sido cientificado do auto de infração em 20/11/2008, declara a decadência das competências 01/2003 a 10/2003. Não tendo localizado a comprovação desses pagamentos, a embargante solicita que se identifique página/trechos exatos que justificariam essa conclusão. Analisandose o processo, vêse que a fls. 547/558 foi prolatada a Resolução nº 2403000.296, de 6 de novembro de 2014, pela qual se determina a juntada ao processo dos seguintes documentos: IPC Instruções para o Contribuinte DAD Discriminativo Analítico do Débito DSD Discriminativo Sintético do Débito DSE Discriminativo Sintético por Estabelecimento RL Relatório de Lançamentos RDA Relatório de Documentos Apresentados RADA Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados Fl. 627DF CARF MF Processo nº 14041.001180/200831 Acórdão n.º 2201003.739 S2C2T1 Fl. 626 5 FLD Fundamentos Legais do Débito REPLEG Relatório de Representantes Legais VINCULOS Relatório de Vínculos REFISC Relatório Fiscal A partir da fl. 534, há vários termos de anexação de arquivo nãopaginável. Na fl. 538, está identificado o "termo de anexação de arquivo nãopaginável Debcad 37.156.7424", que contém um conjunto de arquivos, sendo um deles identificado como RADA.pdf. Nele está o Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados relativo ao AI Debcad 37.156.7424, onde a fiscalização procura demonstrar como os pagamentos identificados no curso da ação fiscal foram apropriados no lançamento. A primeira informação fornecida nesse arquivo é a abaixo transcrita: Estabelecimento: 00.331.801/000130 Competência: 01/2003 Documentos Apresentados Tipo Quant. DEBCAD C.Pag. Tot. INSS Tot. Terc. Tot. Liq. Tot. c/ Acr. Leg. GPS 35 2100 89.807,46 89.807,46 91.090,09 TOTAL DA COMPETÊNCIA 89.807,46 89.807,46 91.090,09 Apropriação Efetuada Documento Item Levantamento Prioridade Vl. Apropriado EXCL 09.446.7532 Segurados GFE 1 1.141,49 AI 37.156.7424 Empresa REF 3 67.803,35 AI 37.156.7440 Segurados DSE 2 19.769,51 AI 37.156.7459 Segurados CSE 3 1.093,11 TOTAL INSS 89.807,46 Conforme se extrai dessas informações, na competência 01/2003, foram identificadas 35 GPS com código de pagamento 2100, totalizando R$ 89.807,46. Para as competências seguintes, esse documento apresenta as seguintes informações: Comp. 02/2003: 42 GPS no cód. de pagto 2100, totalizando R$ 201.047,64; Comp. 03/2003: 37 GPS no cód. de pagto 2100, totalizando R$ 204.504,71; Comp. 04/2003: 38 GPS no cód. de pagto 2100, totalizando R$ 155.609,46; Fl. 628DF CARF MF 6 Comp. 05/2003: 41 GPS no cód. de pagto 2100, totalizando R$ 213.051,29; Comp. 06/2003: 47 GPS no cód. de pagto 2100, totalizando R$ 251.808,19; Comp. 07/2003: 42 GPS no cód. de pagto 2100, totalizando R$ 256.436,83; Comp. 08/2003: 40 GPS no cód. de pagto 2100, totalizando R$ 247.763,42; Comp. 09/2003: 41 GPS no cód. de pagto 2100, totalizando R$ 437.869,73; Comp. 10/2003: 40 GPS no cód. de pagto 2100, totalizando R$ 234.254,53. No mesmo "arquivo nãopaginável" é possível encontrar o arquivo RDA.pdf, onde estão relacionadas todas as GPS apropriadas no RADA. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer os embargos de declaração apresentados para, sanando a omissão identificada, informar à embargante que o documento citado pelo Acórdão embargado como fundamento para a declaração de decadência de parte do lançamento encontrase no arquivo nãopaginável anexado à fl. 538 do processo eletrônico. Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 629DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720531/2014-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
OMISSÃO DE RECEITAS. RENDIMENTOS DE QUOTAS DE FUNDOS DE INVESTIMENTOS DE DIREITOS CREDITÓRIOS - FIDC. REGIME FECHADO E ABERTO. LUCRO REAL. REGIME DE COMPETÊNCIA. INCIDÊNCIA DE IRPJ E CSLL. EXCLUSÃO INDEVIDA.
A IN SRF nº 25/2001 não autorizava a incidência do IRPJ e da CSLL somente no ano-calendário do resgate das quotas do FIDC, fechado ou aberto.
É correto o procedimento da fiscalização em recompor o lucro real e a base de cálculo do IRPF e da CSLL, indevidamente excluídos na apuração do lucro real, em regime de competência, em relação aos rendimentos mensais de quotas de FIDC.
O art. 14 da IN SRF nº 25/2001, vigente à época, mas revogada em 2009, assegurava a incidência do imposto de renda, na forma do art. 23 da mesma IN. Todavia, o art. 23, previa que o IR deveria ser tratado na forma daquela Seção da IN que, por sua vez, previa a incidência mensal do IR e o recolhimento no mês subsequente (art. 23, § 4º, IN SRF nº 25/2001).
Numero da decisão: 1302-002.298
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
1.0 = *:*
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 OMISSÃO DE RECEITAS. RENDIMENTOS DE QUOTAS DE FUNDOS DE INVESTIMENTOS DE DIREITOS CREDITÓRIOS - FIDC. REGIME FECHADO E ABERTO. LUCRO REAL. REGIME DE COMPETÊNCIA. INCIDÊNCIA DE IRPJ E CSLL. EXCLUSÃO INDEVIDA. A IN SRF nº 25/2001 não autorizava a incidência do IRPJ e da CSLL somente no ano-calendário do resgate das quotas do FIDC, fechado ou aberto. É correto o procedimento da fiscalização em recompor o lucro real e a base de cálculo do IRPF e da CSLL, indevidamente excluídos na apuração do lucro real, em regime de competência, em relação aos rendimentos mensais de quotas de FIDC. O art. 14 da IN SRF nº 25/2001, vigente à época, mas revogada em 2009, assegurava a incidência do imposto de renda, na forma do art. 23 da mesma IN. Todavia, o art. 23, previa que o IR deveria ser tratado na forma daquela Seção da IN que, por sua vez, previa a incidência mensal do IR e o recolhimento no mês subsequente (art. 23, § 4º, IN SRF nº 25/2001).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1767; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.720531/201454 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302002.298 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de junho de 2017 Matéria OMISSÃO DE RECEITAS. RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS Recorrente TRENDBANK S.A. BANCO DE FOMENTO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 OMISSÃO DE RECEITAS. RENDIMENTOS DE QUOTAS DE FUNDOS DE INVESTIMENTOS DE DIREITOS CREDITÓRIOS FIDC. REGIME FECHADO E ABERTO. LUCRO REAL. REGIME DE COMPETÊNCIA. INCIDÊNCIA DE IRPJ E CSLL. EXCLUSÃO INDEVIDA. A IN SRF nº 25/2001 não autorizava a incidência do IRPJ e da CSLL somente no anocalendário do resgate das quotas do FIDC, fechado ou aberto. É correto o procedimento da fiscalização em recompor o lucro real e a base de cálculo do IRPF e da CSLL, indevidamente excluídos na apuração do lucro real, em regime de competência, em relação aos rendimentos mensais de quotas de FIDC. O art. 14 da IN SRF nº 25/2001, vigente à época, mas revogada em 2009, assegurava a incidência do imposto de renda, na forma do art. 23 da mesma IN. Todavia, o art. 23, previa que o IR deveria ser tratado na forma daquela Seção da IN que, por sua vez, previa a incidência mensal do IR e o recolhimento no mês subsequente (art. 23, § 4º, IN SRF nº 25/2001). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 05 31 /2 01 4- 54 Fl. 940DF CARF MF Processo nº 19515.720531/201454 Acórdão n.º 1302002.298 S1C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto face ao Acórdão nº 1269.128 de 9 de outubro de 2014, da 6ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro RJ que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação da recorrente, registrandose a seguinte ementa: RENDIMENTOS DECORRENTES DE APLICAÇÕES EM FUNDOS DE INVESTIMENTO. REGIME DE RECONHECIMENTO. As pessoas que apuram lucro real devem reconhecer as receitas decorrentes da valorização das cotas dos Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios segundo o regime de competência. CSLL. LANÇAMENTOS CONEXOS. Na ausência de especificidades, aos lançamentos formalizados a partir da mesma base fática aplicase o mesmo julgado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A autuação fundamentouse nos seguintes termos, resumidos: A atividade operacional preponderante da interessada é a de "comércio de direitos creditórios. No ano de 2009 apurou lucro real anual e excluiu do lucro real e da base de cálculo da CSLL a quantia de R$ 22.765.024,62, referente a valorização de cotas de Fundos (abertos e fechados) de Investimentos em Direitos Creditórios (FIDCs). Tal valor foi registrado na contabilidade em conta de receita (cta 01.02.01.005.00001 cotas FIDC), havendo sido devidamente incluído no lucro líquido do período. FIDCs constituem modalidade de fundo de investimento da categoria de renda fixa, cuja carteira é integrada, predominantemente, por direitos creditórios. Podem ser constituídos sob a forma de condomínio aberto ou fechado. A principal diferença entre ambas é que os fundos abertos podem, a qualquer momento, emitir novas cotas e resgatar cotas anteriormente emitidas. Em outras palavras, podese entrar e sair de um fundo aberto a qualquer momento. Nos fundos fechados, entretanto, os cotistas só podem resgatar suas cotas ao término da existência do fundo, de sorte que a negociação das referidas cotas ocorre no mercado secundário (bolsa de valores). Diferentemente dos fundos abertos, submetidos à tributação na Fonte sob o denominado sistema de "come cotas' os fundos de investimentos constituídos sob a forma de condomínio fechado são tributados pelo imposto de renda na fonte apenas por ocasião da alienação, amortização ou resgate de cotas (IN SRF 25/2001, art. 14). Fl. 941DF CARF MF Processo nº 19515.720531/201454 Acórdão n.º 1302002.298 S1C3T2 Fl. 4 3 Apesar da distinção entre os regimes de retenção, tanto no caso dos fundos abertos quanto no dos fundos fechados, os rendimentos auferidos (valorização de cotas) estão submetidos, como regra geral, ao regime de competência. A legislação do imposto de renda só autoriza a adoção do regime de caixa, na tributação dos fundos de investimentos, para os investidores residentes ou domiciliados no exterior (IN RFB 25/2001, art. 32) e para as pessoas jurídicas que adotem o lucro presumido ou arbitrado (art. 770, § 3°, II do RIR/1999). Apenas estes podem tributar seus rendimentos (valorização das cotas) por ocasião da alienação ou resgate. A adoção do regime de competência é regra para as pessoas jurídicas que adotem o lucro real, só podendo ser afastada nas hipóteses expressamente previstas. Por todo o exposto concluise que a conduta adotada pela interessada, de reconhecer contabilmente os rendimentos com a valorização das cotas dos FIDCs e posteriormente excluílos, para efeitos de apuração do lucro real, não possui previsão legal, fato este que autoriza a exclusão no valor de R$ 22.765.024,62, feita na apuração das bases de cálculo do IRPJ e CSLL. Da compensação de bases tributáveis Considerando que as bases de dados da RFB indicavam saldos acumulados de prejuízos fiscais e de bases negativas da CSLL, a base de cálculo apurada por meio da auditoria foi compensada, de ofício, dentro dos limites autorizados por lei, para abatimento do crédito tributário lançado. Os valores compensados constam de demonstrativos juntados aos autos. Do Recurso Voluntário A recorrente foi intimada do Acórdão recorrido, em 27/01/2015 (fl. 911), via AR. Interpôs recurso voluntário, em 26/02/2015 (fl. 912). Está devidamente representada (fl. 881). Em meio a duras críticas ao relator do acórdão recorrido, a Recorrente ressaltou que repetiu integralmente no Recurso Voluntário, as mesmas razões que apresentou na Impugnação, de 24/06/2014 (fls. 839/860). O Recurso frisa que a autuação seria nula, por não ter observado disposições específicas, como as dos arts. 14 e 23 da IN SRF nº 25/2001 que, em seu entendimento, assegurariam à recorrente o direito de não computar na apuração do lucro real, em regime de competência, os rendimentos mensais das quotas que detinha em Fundos de Investimentos de Direitos Creditórios (FIDCs), alguns abertos e outros fechados. Também contrapôsse à incidência da Taxa Selic sobre valores autuados; sustentou que a multa de ofício de 75% atentaria contra o princípio referente aos efeitos não confiscatórios; asseverou que seria ilegal incidir juros de mora sobre multa de ofício; arguiu sobre a necessidade de realização de recálculos para que sejam considerados os valores relativos ao diferimento de tributos; alegouse, ainda, a necessidade de se considerar o imposto de renda retido na fonte (IRRF). Pediu o provimento do Recurso. É o relatório. Fl. 942DF CARF MF Processo nº 19515.720531/201454 Acórdão n.º 1302002.298 S1C3T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator O recurso voluntário é tempestivo e os recorrentes estão regularmente representados. Conheço do recurso. Da Glosa de Exclusão na Apuração do Lucro Real Na forma apresentada pela Recorrente, os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) tem a natureza de aplicação financeira de renda fixa e podem ser constituídos sob a forma de condomínio aberto ou fechado. A principal diferença entre eles é que os fundos abertos podem, a qualquer momento, emitir novas cotas e resgatar cotas anteriormente emitidas. Em outras palavras, podese entrar e sair de um fundo aberto, a qualquer momento. Nos fundos fechados, entretanto, os cotistas só podem resgatar as suas cotas ao término da existência do fundo, de sorte que a negociação de cotas de um fundo fechado se dá no âmbito do mercado secundário, isto é, em bolsa de valores ou mercado de balcão. Os FIDCs estão previstos nas Instruções CVM n° 356/01 e 393/03. Seu funcionamento depende de prévio registro naquele órgão. A Recorrente detinha quotas dos seguintes FIDCs: Trendbank Multicredit Fundo de Investimento em Direitos Creditórios, CNPJ 10.362.512/000151, foi constituído sob a forma de condomínio aberto e com prazo de duração indeterminado; Trendbank Fomento Fundo de Investimento em Direitos Creditórios CREDITMDC CNPJ 09.072.384/000122, foi constituído sob a forma de condomínio fechado e com prazo de duração indeterminado; Fundo de Investimento em Direitos Creditórios Trendbank Banco de Fomento Multisetorial, CNPJ: 08.927.488/000109, foi constituído sob a forma de condomínio fechado e com prazo de duração indeterminado; O acórdão recorrido consignou a seguinte interpretação sobre as disposições normativas legais e regulamentares sustentadas pela Recorrente: Diferentemente dos fundos abertos, submetidos à tributação na fonte sob o denominado sistema de "comecotas", os fundos de investimento constituídos sob a forma de condomínio fechado são tributados pelo Imposto de Renda na fonte apenas por ocasião da alienação, amortização ou resgate de cotas (IN SRF n° 25, de 06 de março de 2001, artigo 14). A retenção do Imposto de Renda na fonte tem natureza de antecipação do valor do tributo devido no período de apuração dos rendimentos. O fato de ele incidir apenas na ocasião da alienação, amortização ou resgate de cotas não significa que os rendimentos auferidos (valorização das cotas) possam ser excluídos da apuração do lucro real. Fl. 943DF CARF MF Processo nº 19515.720531/201454 Acórdão n.º 1302002.298 S1C3T2 Fl. 6 5 A legislação do Imposto de Renda não faz distinção entre fundos de investimento constituídos sob a forma de condomínio aberto ou fechado, exceto em relação à tributação do Imposto de Renda na fonte. Como visto nas disposições normativas mencionadas acima, a legislação tributária estabelece como definitiva a incidência do Imposto de Renda na fonte apenas para os investidores pessoas física e para as pessoas jurídicas optantes pela inscrição no SIMPLES ou isentas; e autoriza o diferimento na tributação do Imposto de Renda dos rendimentos auferidos por investidores residentes ou domiciliados no exterior e para Pessoas Jurídicas tributadas sob a forma do lucro presumido ou arbitrado. Desse modo, em relação às pessoas jurídicas tributadas sob a forma do lucro real, no qual a regra geral é a adoção do regime de competência, não há dispositivo legal que autorize o diferimento da tributação do imposto de renda incidente sob os rendimentos auferidos por aplicações com a natureza de renda fixa como é o caso dos FIDC 's. A valorização das cotas dos Fundos de Investimento em Direitos Creditórios, de titularidade do contribuinte fiscalizado, é fato inconteste, registrado em sua escrita contábil (conta n° 01.02.01.005.00001 QUOTAS FIDC), demonstrando a aquisição de disponibilidade jurídica de proventos e a ocorrência de acréscimo patrimonial. A conduta do contribuinte em excluir os rendimentos dos FIDCs na apuração do lucro real do período, resultou diferimento da tributação do IRPJ e da CSLL sem que exista previsão legal para tal. De seu lado, a Recorrente sustenta que o art. 14 da citada IN SRF nº 25/2001, legitimaria a exclusão do lucro líquido apurado no balança encerrado em 31/12/2009, da avaliação de seus investimentos FIDCs no valor de R$22.765.024,62: Art. 14. Os ganhos auferidos na alienação de quotas de fundos de investimento constituídos sob a forma de condomínio fechado, que não admitem resgate de quotas durante o prazo de duração do fundo, são tributados: I de acordo com as disposições previstas no art. 23, quando auferidos: b) por pessoa jurídica em operações realizadas dentro ou fora de bolsa; Art. 23. Os ganhos líquidos auferidos por quaisquer beneficiários, inclusive pessoa jurídica isenta, em operações realizadas em bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhados, existentes no País, sujeitandose à incidência do imposto de renda de acordo com as disposições previstas nesta seção; (destaquei) § 1° São consideradas assemelhadas às bolsas de que trata este artigo, as entidades cujo objeto social seja análogo ao das referidas bolsas e que funcionem sob a supervisão e fiscalização da Comissão de Valores Mobiliários. Fl. 944DF CARF MF Processo nº 19515.720531/201454 Acórdão n.º 1302002.298 S1C3T2 Fl. 7 6 Verificase, conforme destaque acima (sujeitandose à incidência do imposto de renda de acordo com as disposições previstas nesta seção) que a Recorrente equivocouse em afirmar que, a IN SRF nº 25/2001 teria autorizado a exclusão dos rendimentos mensais das quotas de FIDC, fechado. Senão vejamos. O § 4º do transcrito art. 23 da IN SRF nº 25/2001 daquela Seção III Aplicação em Valores Mobiliários de Renda Variável Disposições Gerais é taxativo em prever a incidência mensal do imposto de renda e a data limite para pagamento do tributo, verbis: IN SRF nº 25/2001, art. 23, § 4o. O imposto de que trata este artigo será apurado por períodos mensais e pago até o último dia útil do mês subseqüente ao da apuração. Assim, não obstante as extensas exposições da Recorrente, não é correto afirmar que, somente no anocalendário do resgate das quotas do FIDCFechado, deverá haver a incidência do imposto de renda na fonte, bem como a inclusão desse rendimento na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. A IN SRF nº 25/2001, não confere essa prerrogativa. Dessa forma, foi correto o procedimento da fiscalização em recompor o lucro real e a base de cálculo do IRPF e da CSLL, por falta de amparo legal para a sua sustentação. Não há fundamento, portanto, para atendimento ao pedido da Recorrente, quanto ao cancelamento dos créditos tributários constituídos do IRPJ Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da CSLL Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (fls. 811 a 833). Em sequência, a Recorrente alega que o cálculo realizado pela fiscalização, ao não admitir a exclusão em questão, também teria que desconsiderar a adição promovida no Lalur, relativamente ao provisionamento do IR diferido e adicionado ao lucro líquido de 2009/2010, no valor de R$5.243.390,95, sob a denominação de IR diferido FIDC (esse valor estaria contido nos R$9.424.479,37 que foi adicionado ao lucro líquido na Ficha 09A, linha 5 da Demonstração do Lucro Real e da Ficha 17, linha 05 do Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, da DIPJ de 2010/2009 acostada aos autos. A recorrente, assim, requereu o cancelamento de parte do crédito tributário constituído de IRPJ no valor de R$ 917.593,44 (3.437.653,80 2.520.060,36), da multa de oficio no valor de R$688.195,08 (917.593,44 x 75%) e dos juros de mora no valor de R$367.679,69 (917.593,44 x 40,07%). Do mesmo modo, requereu o cancelamento de parte do crédito tributário constituído da CSLL no valor de R$330.333,63 (1.246.195,37 915.861,74), da multa de oficio no valor de R$247.750,22 (330.333,63 x 75%) e dos juros de mora no valor de R$132.364,69 (330.333,63 x 40,07%). Em que pese os argumentos da Recorrente, verificase que não houve equívoco no procedimento fiscal. Senão vejamos. A Recorrente, na apuração do lucro real, promovia a exclusão dos rendimentos decorrentes da valorização das cotas, com o objetivo de neutralizar a receita reconhecida contabilmente pelo regime de competência, e posteriormente, quando do efetivo resgate das referidas cotas, efetuava a adição, para que, só então, os rendimentos fossem tributados (regime de caixa). Fl. 945DF CARF MF Processo nº 19515.720531/201454 Acórdão n.º 1302002.298 S1C3T2 Fl. 8 7 Sendo assim, os referidos R$5.243.390,95 que a Recorrente sustenta que deveriam ser excluídos de base tributável (e que foram objeto de lançamento) referemse, na verdade, a outras receitas financeiras, decorrentes de valorização de cotas de fundos que, se considerados pelo regime de competência, deveriam já ter sido tributados em anos anteriores e não foram. Notese que, o valor em questão não se relaciona com a quantia de R$22.765.024,62, que indica e remete, especificamente, à valorização que ocorreu, ao longo do ano de 2009, no preço de resgate das cotas. Dessa forma, não há como acolher o pedido de recálculo de tais valores lançados. Ainda sobre supostos valores não considerados pela fiscalização, a Recorrente adverte que deveriam ter sido considerados no cálculo do IRPJ devido (R$3.437.653,80), o IRFonte (R$102.909,48) e no cálculo da CSLL (R$1.246.195,37) o valor retido na fonte (R$65.703,26). Ressaltou que teria havido erro manifesto e requereu o cancelamento de parte dos créditos tributários constituídos de IRPJ, no valor de R$ 102.909,48, de multa de oficio no valor de R$ 77.182,11 (102.909,48 x 75%), dos juros de mora no valor de RS 41.235,83 (102.909,48 x 40,07%) e da CSLL no valor R$ 65.703,26, de multa de oficio no valor de RS 49.277,45 (65.703,26 x 75%), dos juros de mora no valor de RS 26.327,30 (65.703,26x40,07%). Sobre esses apontamentos, o Acórdão recorrido apresentou os seguintes fundamentos: As retenções acima referidas incidiram sobre receitas diversas das que são objeto destes autos e, conforme afirma a própria interessada, já foram aproveitadas, sendo portanto incabível que sejam novamente utilizadas para abater tributos apurados a partir de receitas não incorporadas naquela DIPJ. Faço ainda registro de que as retenções nos valores pleiteados pela interessada integraram o saldo negativo de IRPJ e de CSLL apurados para o ano de 2009 e o crédito correspondente foi objeto dos Per Dcomps 04384.49457.120413.1.3.020492 e 13617.95569.120413.1.3.038536, sendo que o primeiro deles já foi integralmente deferido. Assim evidenciado e em conformidade com a conclusão da DRJ, concluo que é de se manter o indeferimento do pedido de que sejam aproveitadas as retenções nos valores de R$ R$ 102.909,48 e R$ 65.703,26. Das Alegações sobre a Inaplicabilidade da Taxa Selic e Caráter Confiscatório da Multa de Ofício A Recorrente apresenta tese de que, sobre os valores tributários pagos em atraso, não poderiam incidir juros de mora superior a 1% ao mês. Considera inconstitucional e ilegal a utilização da Taxa Referencial do SELIC, nesses casos. Também requereu o cancelamento da multa de ofício de 75%, por considerá la ilegal e confiscatória. Fl. 946DF CARF MF Processo nº 19515.720531/201454 Acórdão n.º 1302002.298 S1C3T2 Fl. 9 8 Não há como analisar tias fundamentos da Recorrente, face à Súmula Carf nº 2, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Finalização Na forma demonstrada pela Fiscalização e mantida pela DRJ, não há autorização legal para a Recorrente excluir da base de cálculo do lucro real, em regime de competência, os rendimentos mensais das quotas de Fundos de Investimento de Direitos Creditórios FIDCs, sejam no regime aberto, seja fechado. É correta a conclusão de que é devida a adição dos referidos rendimentos, em conformidade com as disposições legais e normativas reto citadas, colacionadas pela própria Recorrente. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 947DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.003314/2003-82
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO ESCRITURAL. AUSÊNCIA DE OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. CORREÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE.
De acordo com o decidido pelo STJ no REsp nº 1.035.847, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, artigo 543-C do CPC, não existe previsão legal para a incidência de correção monetária nos pedidos de ressarcimento de crédito escritural de IPI. Tal correção somente seria possível estivesse comprovado a existência de ato de oposição ilegítima, praticado pelo Fisco, no sentido de inviabilizar o aproveitamento do referido crédito.
Numero da decisão: 9303-005.410
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO ESCRITURAL. AUSÊNCIA DE OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. CORREÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. De acordo com o decidido pelo STJ no REsp nº 1.035.847, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, artigo 543-C do CPC, não existe previsão legal para a incidência de correção monetária nos pedidos de ressarcimento de crédito escritural de IPI. Tal correção somente seria possível estivesse comprovado a existência de ato de oposição ilegítima, praticado pelo Fisco, no sentido de inviabilizar o aproveitamento do referido crédito.
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PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO ESCRITURAL. AUSÊNCIA DE OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. CORREÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. De acordo com o decidido pelo STJ no REsp nº 1.035.847, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, artigo 543C do CPC, não existe previsão legal para a incidência de correção monetária nos pedidos de ressarcimento de crédito escritural de IPI. Tal correção somente seria possível estivesse comprovado a existência de ato de oposição ilegítima, praticado pelo Fisco, no sentido de inviabilizar o aproveitamento do referido crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 33 14 /2 00 3- 82 Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10980.003314/200382 Acórdão n.º 9303005.410 CSRFT3 Fl. 3 2 Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o acórdão nº 3403001.866, de 29 de novembro de 2012 (fls. 147 a 152 do processo eletrônico), proferido pela Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF. A discussão dos presentes autos tem origem no pedido de ressarcimento de saldo credor de IPI acumulado no quarto trimestre de 2002 e requerido em 08.04.2003 pelo estabelecimento matriz do contribuinte, com fundamento nos artigos 11, da Lei nº 9.779/99 e 1º, inciso II, da Lei nº 8.402/92 (fls. 4). Seguiuse ao pedido, declaração de compensação formalizada em 30.07.2003, por meio da qual o contribuinte pretendia empregar os créditos objeto do ressarcimento na extinção de débitos tributários próprios. No despacho decisório que proferiu ao término da análise do pleito, o órgão de origem (fls. 57/60): (i) reconheceu integralmente o direito creditório reivindicado; (ii) verificou da declaração de compensação que a recorrente não acrescera os débitos tributários nela confessados dos correspondentes consectários da mora, não obstante já estivessem vencidos por ocasião da respectiva transmissão; e, em razão desta desconformidade; (iii) homologou parcialmente a compensação, até o limite do crédito reconhecido. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, restringindo sua irresignação ao item (ii) acima exposto. A DRJ em Ribeirão Preto/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10980.003314/200382 Acórdão n.º 9303005.410 CSRFT3 Fl. 4 3 Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o contribuinte apresentou recurso voluntário, o Colegiado por unanimidade de votos deu provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito de o contribuinte corrigir o ressarcimento pela Taxa Selic entre a data de apresentação do pedido de ressarcimento e a data da efetiva utilização do crédito, conforme acórdão assim ementado in verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/10/2002 a 31/12/2002 DCOMP. DÉBITOS VENCIDOS. ATUALIZAÇÃO. Nos termos do art. 61, da Lei nº 9.430/96, os débitos vencidos indicados em declarações de compensação devem ser acrescidos de juros e multa moratória. IPI. CRÉDITO ESCRITURAL. ACRÉSCIMO DE TAXA SELIC. De acordo com precedente do E. STJ submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e aplicável ao processo administrativo fiscal por força do artigo 62A, do RICARF (REsp no. 1.035.847), o ressarcimento de créditos de IPI está sujeito a acréscimo da Taxa SELIC entre as datas do protocolo do pedido e aquela em que o postulante fruir efetivamente o direito. Recurso voluntário provido em parte. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 154 a 168) em face do acordão recorrido que deu provimento parcial ao recurso do contribuinte, a divergência suscitada pela Fazenda Nacional diz respeito à incidência da taxa Selic sobre o ressarcimento deferido (sem oposição ilegítima) de crédito presumido do IPI. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, a Fazenda Nacional apresentou como paradigmas os acórdãos de números 310100.939 e 9303001.724 A comprovação dos julgados firmouse pela transcrição integral das ementas no corpo da peça recursal. Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10980.003314/200382 Acórdão n.º 9303005.410 CSRFT3 Fl. 5 4 O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho de fls. 170 a 172, sob o argumento que no confronto das decisões ficou comprovada a divergência apontada. O Contribuinte foi cientificado para apresentar contrarrazões, conforme se verifica às fls. 176 e 177, e não se manifestou. É o relatório em síntese. Voto Vencido Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Da admissibilidade O Recurso Especial da Fazenda Nacional é tempestivo devendo ser apreciado quanto ao seu conhecimento. Na decisão atacada o colegiado concedeu a incidência da taxa SELIC sobre o valor reconhecido (sem oposição comissiva ilegítima) do crédito presumido do IPI solicitado em ressarcimento, aplicada a partir da data de protocolo do pedido até a data do efetivo ressarcimento. Já no paradigma, diversamente, não foi reconhecido o direito à incidência da taxa SELIC, considerado pelo colegiado não configurada qualquer resistência comissiva desmotivada por parte da Administração que impedisse a interessada de utilizar o valor do crédito solicitado em ressarcimento. O acórdão paradigma 3101.0093 (que não foi analisado no exame de admissibilidade) trata de embargos opostos para retificar o acórdão nº 3101.00743 e negar o recurso voluntário, sendo que este acórdão antes de ser retificado dava provimento parcial ao recurso voluntário fundamentado na decisão proferida pelo Resp 1.035.847. Pesquisando não encontrei este acórdão paradigma no site do CARF e também não consta no andamento processual. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10980.003314/200382 Acórdão n.º 9303005.410 CSRFT3 Fl. 6 5 Já o acordão 9303.001.724 demonstra que a taxa Selic só deve ser aplicada quando houver previsão legal, que no caso de ressarcimento de IPI não existe tal previsão e que o Resp 1.035.847 trata de creditamento de IPI. Entendo que ficou comprovada a divergência jurisprudencial quanto à utilização obrigatória de decisão do STJ. Portanto, voto pelo conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Do mérito O acórdão recorrido reconheceu o direito ao acréscimo da Taxa SELIC sobre o montante do crédito que lhe foi assegurado parcialmente pelo despacho decisório de fls. 57/60, aplicandose o índice desde a data do protocolo do pedido (08.04.2003) até a data da respectiva utilização, seja ela na transmissão da respectiva DCOMP, seja ela na entrega de numerário em espécie, em havendo excedente para ressarcimento em pecúnia. Adotou para tanto o que foi decidido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.035.847/RS. Entendo que decisão recorrida não merece reparos a fazer na quanto à interpretação que deu da análise de decidido no REsp nº 1.035.847/RS. Nesse sentido transcreve se sua ementa com grifos meus: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10980.003314/200382 Acórdão n.º 9303005.410 CSRFT3 Fl. 7 6 que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Da leitura do referido julgado, podese concluir que de fato não há previsão legal para a aplicação de índices de correção monetária sobre os créditos escriturais de IPI. No entanto, a oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. O CARF e também esta CSRF tem aplicado referida decisão nas situações em que as Delegacias da Receita Federal indeferem o ressarcimento por alguma razão de direito que posteriormente venha a ser modificada no decorrer do trâmite do processo administrativo fiscal. Esta situação já foi reconhecida e não é objeto do recurso. Meu entendimento é do reconhecimento da incidência dos juros Selic no ressarcimento do crédito presumido de IPI desde o protocolo do pedido utilizando uma Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10980.003314/200382 Acórdão n.º 9303005.410 CSRFT3 Fl. 8 7 interpretação um pouco mais abrangente da aplicação do que foi decidido no REsp nº 1.035.847/RS. No entanto, a CSRF tem decido que à concessão dos juros Selic somente se aplica na parte do ressarcimento em que houve uma oposição estatal ilegítima e esta oposição somente é verificada na parte não concedida originalmente e revertida posteriormente no âmbito do julgamento dos processos administrativos correspondentes. Foi o que ocorreu no presente caso. Diante disto, nego provimento ao Recurso Especial da Fazenda, mantendo a decisão a quo, que concedeu a incidência da Selic. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10980.003314/200382 Acórdão n.º 9303005.410 CSRFT3 Fl. 9 8 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Redator designado. Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo de suas conclusões. Em seu voto ela manteve o entendimento constante do acórdão recorrido, utilizando para tanto os fundamentos do que foi decidido no REsp nº 1.035.847/RS, julgado pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos. A ementa do julgado está transcrita em seu voto, com destaque de que o STJ firmou o entendimento de que não há previsão legal para o reconhecimento da correção monetária nos pedidos de ressarcimento de crédito de IPI. Porém esta correção estaria autorizada nas situações em que o Fisco fizesse oposição ilegítima ao aproveitamento do referido crédito. De fato, esta turma julgadora, vem aplicando este entendimento, até porquê ele tem força vinculante aos julgamentos administrativos, por força do que dispõe o § 2º do art. 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Porém, para que ele seja aplicado, os fatos ocorridos no processo devem estar consonantes com o que foi decidido pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos. Nesse sentido vale novamente transcrever o que foi decidido no REsp nº 1.035.847/RS: REsp 1.035.847/RS: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10980.003314/200382 Acórdão n.º 9303005.410 CSRFT3 Fl. 10 9 DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Concluise que a oposição ilegítima por parte do Fisco, ao aproveitamento de referidos créditos, permite que seja reconhecida a incidência da correção monetária pela aplicação da Taxa Selic. Porém da leitura que se faz, para a incidência da correção que se pretende, há que existir necessariamente o ato de oposição estatal que foi reconhecido como ilegítimo. Como bem ressaltou a ilustre relatora em seu voto, no âmbito do processo administrativo de pedidos de ressarcimento tem se que estes atos administrativos só se tornam ilegítimos caso seu entendimento seja revertido pelas instâncias administrativas de julgamento. Portanto somente sobre a parcela do pedido de ressarcimento que foi inicialmente indeferida e Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10980.003314/200382 Acórdão n.º 9303005.410 CSRFT3 Fl. 11 10 depois revertida é que é possível o reconhecimento da incidência da Taxa Selic. Tudo isso por força do efeito vinculante da decisão do STJ acima citada e transcrita. Assim é necessário que retomemos os fatos ocorridos no presente processo, para verificar se houve a ocorrência de ato ilegítimo por parte do Fisco que obstasse o aproveitamento dos créditos de IPI que se pretendia ver ressarcido. Pois bem, à efl. 04, consta o Pedido de Ressarcimento de Créditos de IPI, apresentado pelo contribuinte, relativo ao 4º trimestre/2002 (out/nov/dez/2002), no montante de R$ 111.593,05. O seu protocolo foi efetuado em 08/04/2003, pouco tempo após o encerramento do trimestre de apuração. Em seguida o próprio contribuinte utiliza o total de seu crédito em compensações da seguinte forma: apresenta declaração de compensação DCOMP, efl. 56, transmitida em 30/07/2003 para compensar débitos do IRRF da 1ª semana de abril/2003 no valor de R$ 28.783,40 e da 5ª semana de maio/2003, no valor de R$ 82.809,65, cuja soma dá o valor exato de R$ 111.593,05, ou seja, no valor exato do ressarcimento que pretendia. Portanto, a primeira conclusão a que se chega é que a possível demora na análise de seu direito não é oponível ao Fisco, pois ele utilizou num espaço de aproximadamente 3 meses todo o seu crédito requerido em compensações de débitos próprios. Em seguida, por meio do Despacho Decisório, efl. 63, o valor integral do seu pedido de ressarcimento foi deferido, porém não foi suficiente para homologação integral da compensação apresentada. Melhor dizendo, o fisco acatou integralmente o seu pedido de ressarcimento, sendo que o crédito deferido já havia sido utilizado num prazo curto, de menos de 3 meses, para compensar débitos próprios do contribuinte. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade quanto ao despacho decisório que não homologou integralmente a sua compensação, fazendo pedido específico relativo à aplicação da correção monetária aos créditos de IPI ressarcidos. Como não há previsão legal para a incidência da correção monetária de créditos escriturais de IPI, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão PretoSP, efls. 1119/126, indeferiu o seu pedido. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10980.003314/200382 Acórdão n.º 9303005.410 CSRFT3 Fl. 12 11 O contribuinte apresentou recurso voluntário, sendo que a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, proferiu o Acórdão ora recorrido, no sentido de que seria a hipótese de aplicação da REsp 1.035.847, julgado pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos, e concedeu a aplicação da taxa Selic sobre os valores dos créditos ressarcidos da data do protocolo do pedido até o seu efetivo aproveitamento. Na oportunidade o relator entendeu aplicável o precedente do STJ, mas não esclareceu qual foi o ato estatal ilegítimo que motivou o deferimento da correção monetária. Da mesma forma atuou a relatora do voto vencido no presente julgamento. Como esclarecido anteriormente, para que seja aplicável o repetitivo do STJ é necessário que se identifique o ato de oposição estatal ilegítimo praticado no presente processo que teria impossibilitado o contribuinte ao aproveitamento do crédito de IPI pleiteado. De fato não existe nenhum. Resumindo o contribuinte apresentou pedido de ressarcimento de IPI e utilizou quase que de imediato o total de seu crédito para compensar com débitos de sua responsabilidade. O Fisco analisou o seu pedido e deferiu integralmente o crédito solicitado. Assim, não houve qualquer reversão dos montantes do créditos pelas instâncias de julgamento administrativo, até porque não havia o que reverter quanto ao montante do pedido. Portanto, indubitavelmente, o repetitivo do STJ só pode ser aplicado ao presente caso quanto à sua primeira afirmativa, no sentido de que não há previsão legal para a incidência da correção monetária nos pedidos de ressarcimento de créditos escriturais de IPI. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10980.003314/200382 Acórdão n.º 9303005.410 CSRFT3 Fl. 13 12 Fl. 189DF CARF MF
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Numero do processo: 15578.720048/2013-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Sep 21 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1302-000.516
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que os autos retornem à DRF de origem, de modo a que seja esclarecido o montante efetivamente extinto a título de estimativas de IRPJ, em relação ao ano-calendário de 2008, até a data de apresentação da DComp nº 34162.67009.240712.1.3.02-4191, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente Substituta.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Júlio Lima Souza Martins (suplente convocado), Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca e Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que os autos retornem à DRF de origem, de modo a que seja esclarecido o montante efetivamente extinto a título de estimativas de IRPJ, em relação ao ano calendário de 2008, até a data de apresentação da DComp nº 34162.67009.240712.1.3.024191, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente Substituta. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Júlio Lima Souza Martins (suplente convocado), Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca e Ester Marques Lins de Sousa. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 1.121 a 1.143) interposto contra o Acórdão nº 0130.315, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA (fls. 1.107 a 1.113), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 78 .7 20 04 8/ 20 13 -0 1 Fl. 1259DF CARF MF Processo nº 15578.720048/201301 Resolução nº 1302000.516 S1C3T2 Fl. 1.260 2 A Manifestação de Inconformidade (fls. 707 a 805) foi apresentada contra o Parecer Seort nº 346/2014 e Despacho Decisório nele embasado (fls. 686 a 695), que não homologaram as compensações declaradas nas Declarações de Compensação (DComp) n° 37394.39519.250712.1.7.024260, 09373.45405.241012.1.3.026206, 22000.38388.161112.1.3.026690, 26448.13785.200613.1.3.020802, 22138.72768.280613.1.3.021737, 27773.17684.180713.1.3.021502, 35631.73080.290813.1.3.027771 e 38087.08104.181213.1.3.022504. O crédito envolvido nas referidas DComp tem por origem saldo negativo de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), apurado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) relativa ao anocalendário de 2008 (fls. 53 a 99) e alterado por meio de lançamento de ofício de que trata o processo administrativo nº 15578.720163/201378. Previamente à apreciação dos Recursos, fazse necessário esclarecimento, de modo que deixo de detalhar as razões recursais e passo à elucidação dos pontos a serem esclarecidos. Voto Como dito, contra o Recorrente, foi lavrado Auto de Infração que alterou o crédito que deu suporte à apresentação das DComp de que trata o presente processo. Contudo, tanto o Auto de Infração lavrado contra o sujeito passivo, quanto o Acórdão que tratou da impugnação a ele e o Parecer Seort nº 346/2014 consideraram como pagos apenas os valores retidos na fonte e os recolhimentos realizados até o encerramento do exercício. Ocorre que o sujeito passivo sustenta, na DComp que discrimina o crédito (DComp nº 37394.39519.250712.1.7.024260, que retificou a de nº 34162.67009.240712.1.3.024191) e no Recurso Voluntário, a existência de parcelamentos, quitação posterior e compensação de valores de estimativas do IRPJ. O Parecer Seort nº 346/2014 reconhece a existência de parcelamentos, desconsiderandoos por terem sido realizados após o encerramento do exercício. A par disso, o mesmo Parecer afirma que todas as DComp apresentadas pelo Recorrente para compensar estimativas de IRPJ no anocalendário de 2008 foram consideradas como não declaradas, mas, contraditoriamente, relata que os débitos foram inscritos em Dívida Ativa da União. A quantificação correta dos valores extintos pelo sujeito passivo, a título de estimativas de IRPJ, tem efeito direto na análise das DComp de que trata o presente processo. Isto posto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que o processo retorne à Unidade de origem (DRF/Vitória/ES), para que: a) informese, dos totais de estimativas de IRPJ que compuseram o crédito informado na DComp nº 37394.39519.250712.1.7.024260, quais os montantes que efetivamente foram objeto de pagamento, Dcomp e/ou de parcelamento até a data de apresentação da DComp nº 34162.67009.240712.1.3.024191; Fl. 1260DF CARF MF Processo nº 15578.720048/201301 Resolução nº 1302000.516 S1C3T2 Fl. 1.261 3 b) detalhese, para cada mês do referido anocalendário, o desfecho de cada uma das DComp eventualmente apresentadas e/ou parcelamentos eventualmente formalizados referentes a estimativas de IRPJ, com indicação do número do processo administrativo correspondente; c) ao fim, elaborese relatório de diligência contendo as informações acima requeridas, dando ciência do resultado ao sujeito passivo e concedendolhe prazo para, querendo, manifestarse nos autos. Após, reencaminhese o processo à este Colegiado. Chamo a atenção para a relação de decorrência existente entre este processo e o de nº 15578.720163/201378, no âmbito de qual foi solicitada diligência similar à Unidade de origem, os quais deverão ser julgados conjuntamente por este CARF. Destaco, por fim, para a relação de decorrência deste processo com o de nº 15578.720045/201441, referente a multa pela nãohomologação das DComp aqui tratadas, de modo que o julgamento daquele deverá ser realizado após o julgamento de mesma instância deste ou ser realizado conjuntamente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 1261DF CARF MF
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Numero do processo: 10320.722153/2013-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 1.
Estabelece a Súmula CARF nº 1 que importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO DA RESPECTIVA DECISÃO JUDICIAL. 170-A DO CTN.
Nos termos do art. 170-A do Código Tributário Nacional, é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. FALSIDADE DE INFORMAÇÃO EM GFIP.
Constitui infração, passível de aplicação de multa isolada agravada, a compensação das contribuições sociais feita em desconformidade da legislação previdenciária, nos termos do art. 89, §§ 9º e 10, da Lei nº 8.212/91.
Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da Lei nº 8.212/1991, necessário que a autoridade fiscal demonstre a efetiva falsidade de declaração, ou seja, a inexistência de direito "líquido e certo" à compensação, sem a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-004.121
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que deram provimento parcial ao recurso, para afastar a multa isolada de 150%.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 1. Estabelece a Súmula CARF nº 1 que importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO DA RESPECTIVA DECISÃO JUDICIAL. 170-A DO CTN. Nos termos do art. 170-A do Código Tributário Nacional, é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. FALSIDADE DE INFORMAÇÃO EM GFIP. Constitui infração, passível de aplicação de multa isolada agravada, a compensação das contribuições sociais feita em desconformidade da legislação previdenciária, nos termos do art. 89, §§ 9º e 10, da Lei nº 8.212/91. Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da Lei nº 8.212/1991, necessário que a autoridade fiscal demonstre a efetiva falsidade de declaração, ou seja, a inexistência de direito "líquido e certo" à compensação, sem a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que deram provimento parcial ao recurso, para afastar a multa isolada de 150%. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Jose Ricardo Moreira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 1. Estabelece a Súmula CARF nº 1 que importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO DA RESPECTIVA DECISÃO JUDICIAL. 170A DO CTN. Nos termos do art. 170A do Código Tributário Nacional, é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. FALSIDADE DE INFORMAÇÃO EM GFIP. Constitui infração, passível de aplicação de multa isolada agravada, a compensação das contribuições sociais feita em desconformidade da legislação previdenciária, nos termos do art. 89, §§ 9º e 10, da Lei nº 8.212/91. Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da Lei nº 8.212/1991, necessário que a autoridade fiscal demonstre a efetiva falsidade de declaração, ou seja, a inexistência de direito "líquido e certo" à compensação, sem a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 72 21 53 /2 01 3- 75 Fl. 435DF CARF MF Processo nº 10320.722153/201375 Acórdão n.º 2202004.121 S2C2T2 Fl. 436 2 MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que deram provimento parcial ao recurso, para afastar a multa isolada de 150%. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Jose Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10320.722153/201375, em face do acórdão nº 0830.493, julgado pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (DRJ/FOR), na sessão de julgamento de 23 de julho de 2014, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar parcialmente procedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: "Tratase de processo no nome do contribuinte em epígrafe, doravante mencionado simplesmente como contribuinte, autuado ou Hospital, por meio do qual foi formalizado crédito tributário incluindo o período 01/2010 a 12/2011. O processo se compõe dos seguintes Autos de Infração: Auto de Infração de Obrigação Principal nº 51.020.6166, no qual foi lançada glosa de compensação indevida de contribuições, informadas em Guias de Recolhimento do Fundo Fl. 436DF CARF MF Processo nº 10320.722153/201375 Acórdão n.º 2202004.121 S2C2T2 Fl. 437 3 de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP: b) Auto de Infração nº 51.020.6174, com multa isolada de 150%, no valor de R$ 5.512.221,27. 1 Relatório Fiscal Consta no Relatório Fiscal que: 1. Foram glosados os valores informados pelo contribuinte nas GFIPs das competências 12/2009 a 13/2011 a título de compensação previdenciária, considerados indevidos pela fiscalização. 2. Foi emitida Representação Fiscal para Fins Penais, tendo em vista a redução do tributo a ser pago nas citadas competências. 3. Nos dispositivos legais que regem a compensação e restituição de pagamento indevido (Código Tributário Nacional – CTN, art. 156, II, e arts. 165 a 169, Lei nº 8.212/1991, art. 89, e Lei Complementar nº 118/2005, art. 3º) está claro que somente é possível a compensação em caso de pagamento, não havendo a possibilidade nos casos em que o tributo supostamente indevido esteja inserido em parcelamento. 4. No caso, não se trata de recolhimento indevido em decorrência de equívoco, mas de pretensão de ver afastada a aplicação da legislação em vigor. Justamente para evitar conflitos decorrentes de decisões judiciárias provisórias, o legislador vedou a compensação de valores questionados judicialmente antes do trânsito em julgado da sentença, o que não foi observado pelo contribuinte. 5. O contribuinte impetrou Mandados de Segurança distribuídos para a 3ª e a 6ª Varas Federais em São Luís/MA, requerendo a concessão de medida liminar que suspendesse a exigibilidade do crédito tributário referente à contribuição previdenciária incidente sobre o auxíliodoença/acidente pago nos primeiros 15 (quinze) dias de afastamento, salário maternidade, férias e adicional de férias, adicionais noturno, de periculosidade, de insalubridade, de transferência, aviso prévio indenizado, assim como compensação dos valores recolhidos a esse título nos últimos 10 (dez) anos. 6. O MM. Juiz Federal da 6ª Vara da Seção Judiciária do Maranhão denegou a segurança demandada pelo contribuinte por meio do processo 0041947752010.4.01.3700. O Tribunal Regional Federal – TRF da Primeira Região deu parcialmente provimento ao Recurso de Apelação interposto pelo contribuinte tão somente para suspender a exigibilidade da contribuição previdenciária incidente sobre os valores pagos a título de aviso prévio indenizado e respectiva parcela do 13º proporcional. Foi Fl. 437DF CARF MF Processo nº 10320.722153/201375 Acórdão n.º 2202004.121 S2C2T2 Fl. 438 4 ressaltado, ainda, que a repetição dos valores recolhidos deve observar a data do ajuizamento da ação. No caso, como a ação foi ajuizada em 11/11/2010, o prazo de cinco anos deve ser contado do recolhimento indevido, estando prescritos créditos anteriores a 11/11/2005. Foi destacado também na decisão que é vedada a realização da compensação antes do trânsito em julgado da ação judicial. 7. Há também o processo 000756408.2009.4.01.3700 (número anterior 2009.37.00.77455). A Decisão do Tribunal Regional Federal da Primeira Região, em 22/02/2010, deu provimento, em parte, ao agravo de instrumento interposto pelo contribuinte, suspendendo a exigibilidade da contribuição previdenciária sobre os valores pagos nos primeiro quinze dias de auxílio acidente e doença e adicional de 1/3 de férias. 8. Em resposta à solicitação do demonstrativo das bases de cálculo que originaram as contribuições compensadas, o contribuinte apresentou planilha onde constam verbas sobre as quais não foi afastada a exigibilidade de contribuição previdenciária patronal, tais como horas extras, adicional noturno, de periculosidade, de insalubridade, de transferência, salário maternidade e férias. 9. Tendo a empresa infringido o art. 170A do CTN, efetuando a compensação antes do trânsito em julgado da ação judicial, as compensações efetuadas foram glosadas. 10. Considerando, em tese, falsa a declaração de compensação efetuada pelo contribuinte, a Auditora Fiscal aplicou a multa isolada prevista no §10 do art. 89 da Lei nº 8.212/1991, no percentual de 150%, a qual incidiu sobre os valores indevidamente compensados. Foi aplicada, ainda a multa moratória de 0,33% ao dia limitada a 20%, bem como a taxa SELIC. 11. A Auditoria Fiscal destacou que a responsabilidade pela declaração de compensação é do contribuinte, cabendo a ele certificarse de que, conforme a legislação aplicável, tem realmente o direito de compensarse. 2 Intimação e Impugnação A ciência do contribuinte deuse em 20/08/2013, conforme Aviso de Recebimento – AR juntado às fls. 163. Em 02/09/2013, o autuado apresentou impugnação, na qual alega, em síntese, que: 1. Foi ajuizada a ação nº 7564082009.4.01.3700 (número antigo 2009.37.00.0077455), distribuída para a 6ª Vara Federal de São LuísMA, atualmente em trâmite perante o TRF da 1ª Região, na qual foi pleiteada a declaração de inexigibilidade das verbas ali discutidas : férias, 1/3 incidente sobre férias, auxílio doença e acidente e saláriomaternidade. Foi pedido também que o Fisco Federal se abstivesse de promover retaliações ao exercício do direito à compensação, tendo a empresa obtido decisões judiciais favoráveis. Fl. 438DF CARF MF Processo nº 10320.722153/201375 Acórdão n.º 2202004.121 S2C2T2 Fl. 439 5 2. O contribuinte ajuizou a ação nº 004194775.2010.4.01.3700, distribuída para a 3ª Vara Federal em São Luís/MA, pleiteando não ser compelido ao recolhimento da contribuição previdenciária patronal incidente sobre as seguintes verbas indenizatórias: horas extras (mínimo 50), adicionais noturno (mínimo 20%), de insalubridade (de 10% a 40%), de periculosidade (30%) e de transferência (mínimo de 25%), bem como aviso prévio indenizado e respectiva parcela de 13º salário, ação atualmente em trâmite perante o TRF da 1ª Região. 3. Em ambas as ações acima mencionadas foram proferidas decisões liminares, sentença e acórdão favoráveis ao impugnante, o que por si só suspende a exigibilidade do crédito, nos termos do art. 151 do CTN, sendo a exigência indevida. Em face dessas decisões, não poderia o contribuinte sofrer fiscalização, tampouco ser submetido ao pagamento da suposta infração e da exorbitante multa exigidos. 4. No Auto de Infração, a Auditora Fiscal exige do contribuinte a contribuição previdenciária patronal incidente sobre férias, adicional constitucional de 1/3, salário maternidade, horas extras e adicionais noturno, de periculosidade e insalubridade, indevidamente. 5. Com respeito à competência 07/2010, a Auditora Fiscal equivocouse ao considerar o valor compensado como sendo R$ 267.695,75, quando o correto é R$ 84.133,09, conforme demonstrado na Guia da Previdência Social – GPS do período. O que houve foi apenas um erro material na GFIP, o que acarretou o equívoco da fiscalização. 6. Em relação ao período 08/2011 e 13/2011, houve também equívoco, tendo sido considerado que houve compensação quando tais competências foram objeto de declaração retificadora espontânea enviada em 10/01/2013. 7. Recente decisão da Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça – STJ, no Recurso Especial nº 1.322.945/DF, reabriu discussão sobre a inexigibilidade da contribuição previdenciária patronal sobre verbas que não compõem sua base de cálculo, como salário maternidade e férias gozadas. Nessa decisão, o STJ concordou com a tese dos contribuintes, não sendo mais pacífica a jurisprudência em favor da União Federal. Por essa tese, embora a Lei nº 8.212/1991 e a Consolidação das Leis do Trabalho – CLT tenham conferido natureza salarial às verbas pagas a título de salário maternidade e férias gozadas, elas não compõem a base de cálculo da contribuição previdenciária por força do art. 195, I, “a”, da Constituição Federal, pois não constituem contraprestação por serviços laborais. 8. Da mesma forma, por não consistirem em contraprestação por serviços prestados, não incide a contribuição patronal previdenciária sobre a importância paga nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado e sobre o adicional de féria de 1/3. Por sua vez, as verbas indenizatórias (horas extras, adicionais noturno, de Fl. 439DF CARF MF Processo nº 10320.722153/201375 Acórdão n.º 2202004.121 S2C2T2 Fl. 440 6 periculosidade, de insalubridade e de transferência) destinamse a indenizar os trabalhadores que se encontram laborando em situações anormais, conforme previsão legal (CLT) e constitucional. Há também previsão constitucional e legal no que tange ao caráter provisório do aviso prévio indenizado. Não se trata, pois, de pagamento pelos serviços prestados. 9. Na verdade, no caso das indenizações por trabalho excedente ou condições adversas, há incidência da contribuição patronal apenas sobre o valor normal, não sobre o valor que corresponde à indenização. 10. No que tange ao terço constitucional de férias, o Fisco Federal faz indevida equiparação entre a contribuição patronal e a contribuição dos segurados empregados, sendo o salário de contribuição base de cálculo apenas destes últimos, não se prestando para apurar a base de cálculo da contribuição patronal, conforme disposto no art. 20 da Lei nº 8.212/1991. Ademais essa indevida exigência é sustentada em dispositivos infralegais, como a Instrução Normativa RFB nº 971/2009, cujos dispositivos são ilegais e inconstitucionais, ocorrendo desrespeito ao princípio da legalidade. 11. A jurisprudência dos tribunais superiores é pacífica quanto à não incidência da contribuição previdenciária patronal sobre o terço constitucional de férias. 12. Da mesma forma, o argumento de que o salário maternidade e verbas indenizatórias (horas extras, adicionais noturno, de periculosidade, de insalubridade e de transferência) integram o salário de contribuição não procede, uma vez que este último somente constitui a base de cálculo da contribuição do segurado empregado. 13. Por ter recolhido indevidamente a contribuição previdenciária o impugnante buscou amparo legal e judicial para efetuar compensações, direito reconhecido em decisão judicial e amparado pelo art. 66 da Lei nº 8.383/1991, c/c art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Ao final, o impugnante pede que a sua defesa seja recebida, sendolhe atribuído efeito suspensivo, para que seja decretada a total improcedência dos Autos de Infração. Protesta provar o alegado por todos os meios admitidos em direito, notadamente a juntada posterior de documentos e, especialmente, pela realização de perícia técnica, para comprovar suas afirmações. É o relatório." A 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (DRJ/FOR) entendeu pela procedência em parte da impugnação, vindo a exonerar do lançamento os valores na tabela abaixo (fl.352) Fl. 440DF CARF MF Processo nº 10320.722153/201375 Acórdão n.º 2202004.121 S2C2T2 Fl. 441 7 Assim, o lançamento se manteve em relação aos seguintes valores (consolidados em 26/07/2012), conforme tabela de mesma folha. Inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 366/428, reiterando as alegações expostas em impugnação quanto ao que foi vencida. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Ação Judicial. Renúncia à via administrativa. No caso aqui discutido, o Hospital impetrou dois mandados de segurança. Um deles foi objeto do Processo nº 4194775.2010.4.01.3700, no qual ele objetiva a declaração de inexistência de relação jurídicotributária apta a ensejar o recolhimento de contribuição previdenciária sobre valores pagos a título de adicional noturno, de periculosidade, de insalubridade e de transferência, bem como a título de aviso prévio indenizado e respectiva parcela correspondente do 13º salário proporcional e horas extras. Pleiteou também o direito de efetuar a compensação dos valores indevidamente recolhidos a tal título nos último 10 (dez) anos, acrescidos dos consectários legais, com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Previdenciária, sem as limitações do art. 170A do CTN, dos arts. 3º e 4º da Lei Complementar nº 118/2005 e do §3º do art. 89 da Lei nº 8.212/1991, afastando as restrições presentes em qualquer norma legal ou infralegal. Requereu, ainda, que fosse determinado que o Fisco se abstivesse de promover a cobrança ou a exigência dos valores da contribuição em questão, não podendo haver quaisquer restrições, autuações fiscais, negativa de expedição de Certidão Negativa de Débito, imposições de multas, penalidades ou inscrições em órgãos de restrição como o CADIN. A DRJ bem salientou que as alegações apresentadas perante o Poder Judiciário fundamentando a não incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas Fl. 441DF CARF MF Processo nº 10320.722153/201375 Acórdão n.º 2202004.121 S2C2T2 Fl. 442 8 citadas foram as mesmas agora manejadas no âmbito administrativo. Desse modo, a decisão de primeira instância foi no sentido de que, ao recorrer a contribuinte ao Poder Judiciário, o contribuinte renunciou à instância administrativa, estando ele e o Fisco adstritos ao disposto nas decisões judiciais específicas para o processo, cuja análise se passa a fazer. Em relação ao processo nº 000756408.2009.4.01.3700, o qual impetrado pelo contribuinte para que fosse afastada a exigibilidade da contribuição previdenciária incidente sobre os valores pagos aos empregados a título de auxílio doença e auxílio acidente nos primeiros 15 (quinze) dias de afastamento, sobre o salário maternidade, sobre as férias e seu respectivo adicional. Verificase que também neste processo são os argumentos nas ações judiciais fundamentando a não incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas mencionadas foram os mesmos apresentados no âmbito administrativo. Não cabe, pois, a avaliação desses aspectos no presente julgamento, diante da renúncia ao contencioso administrativo representada pela interposição da ação judicial. Conforme se verifica dos autos, a contribuinte está discutindo judicialmente a incidência de contribuição previdenciária sobre algumas rubricas, dentre elas os valores pagos nos primeiros 15 dias de afastamento dos empregados doentes ou acidentados e, também, aqueles pagos a título de terço constitucional de férias. No entanto, a Súmula nº 01 deste Conselho assim dispõe: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Portanto, não conheço das alegações quanto a não incidência de contribuição previdenciária sobre as rubricas em questão, diante da renúncia à instância administrativa. Glosa por compensação indevida. No processo judicial nº 4194775.2010.4.01.3700 o pedido formulado em sede liminar foi indeferido. Na sentença de primeiro grau, emitida em 05/04/2011, foi declarada a inexistência de relação jurídicotributária que autorizasse a cobrança de contribuição previdenciária patronal incidente apenas sobre as seguintes verbas: aviso prévio indenizado e 13º salário calculado sobre o aviso prévio indenizado. Assim, o MM. Juiz decidiu que todas as outras verbas integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, ao contrário do que diz o contribuinte na sua defesa. Ademais, ainda quanto a esse primeiro processo, foi autorizada a compensação dos valores recolhidos a tal título, porém não consta na decisão judicial autorização para que a empresa ignorasse o comando insculpido no art. 170A do CTN. Ao contrário, na fundamentação da sentença resta evidente que referida compensação está sujeita ao disposto no art. 170A do CTN e deve ser realizada com débitos oriundos exclusivamente de contribuições patronais incidentes sobre a folha de salário. No Acórdão do Tribunal Regional Federal da Primeira Região por meio do qual foram julgadas as apelações do contribuinte e da Fazenda Nacional, resta claro que não foi Fl. 442DF CARF MF Processo nº 10320.722153/201375 Acórdão n.º 2202004.121 S2C2T2 Fl. 443 9 afastado o cumprimento obrigatório do disposto no art. 170A do CTN, tanto no fundamento quanto no dispositivo: "Fundamentos: [...] Nos termos da Súmula 271 do STF, “concessão de mandado de segurança não produz efeitos patrimoniais, em relação a período pretérito, os quais devem ser reclamados administrativamente ou pela via judicial própria”. No presente caso, o deferimento da compensação tributária na sentença recorrida não violou esse entendimento sumular. A compensação será realizada após o trânsito em julgado da sentença (CTN, art. 170A) e, assim, não produzirá efeito patrimonial no passado. [...] Por outro lado, a Súmula 269 do STF dispõe que “o mandado de segurança não é substitutivo de ação de cobrança”. Esse enunciado, igualmente, não foi violado no presente caso, porque não se trata de repetição de indébito, mas, sim, de compensação a ser realizada a partir do trânsito em julgado da sentença. [...] O Superior Tribunal de Justiça decidiu, em regime de recursos repetitivos, que o art. 170A é aplicável às ações ajuizadas depois da entrada em vigência da LC 104/01 (REsp 1.164.452), caso dos autos (11.11.2010) Dispositivo: Ante o exposto: a) nego provimento à apelação do impetrante; b) dou parcial provimento à apelação da Fazenda Nacional e à remessa oficial [...]" O acórdão foi publicado em 1º/06/2012, os embargos de declaração foram julgados improcedentes por acórdão publicado em 21/02/2014. Portanto, no período em que foram efetivadas as compensações, não havia se dado ainda o trânsito em julgado, sendo descabido tal procedimento por parte do contribuinte, pois não foram cumpridos nem o art. 170A do CTN, nem as decisões judiciais específicas para o caso. Por sua vez, em relação ao processo nº 000756408.2009.4.01.3700, o Juiz Federal da 6ª Vara da Seção Judiciária do Maranhão denegou a segurança demandada, em sentença publicada em 18/11/2010. O contribuinte interpôs apelação, a qual foi julgada pelo TRF da Primeira Região por meio de acórdão publicado em 04/07/2011, cuja decisão foi no sentido de afastar a exigibilidade da contribuição previdenciária patronal incidente apenas sobre os valores pagos durante os 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do trabalho por motivo de doença ou acidente, assim como sobre o adicional de férias (exigível, pois, a contribuição sobre salário maternidade e férias). Foi declarado, ainda, o direito de o contribuinte promover a compensação dos valores indevidamente recolhidos a tal título. Fl. 443DF CARF MF Processo nº 10320.722153/201375 Acórdão n.º 2202004.121 S2C2T2 Fl. 444 10 Tal qual no outro processo, além de o dispositivo da decisão não mencionar a dispensa da obrigação de observar o art. 170A do CTN, no fundamento encontrase expressamente manifestado o entendimento de que esse dispositivo deve ser obedecido no caso: "[...] A partir deste quadro, devem ser observados os seguintes tópicos quanto ao direito à compensação dos valores indevidamente recolhidos, levandose em conta a data da impetração do presente “writ”, que no caso se deu em 06/11/2009: a) a disposição contida no art. 170A do CTN (introduzida pela Lei Complementar nº 104/01), a qual determina que a compensação somente poderá ser efetivada após o trânsito em julgado da decisão; [...]" Foram opostos embargos de declaração pela União, cuja omissão alegada restringiuse a matéria relacionada à prescrição do direito de pleitear a repetição do indébito. Os embargos foram inicialmente rejeitados, porém em face da decisão do Superior Tribunal de Justiça, em regime de recursos repetitivos de que o art. 170A é aplicável às ações ajuizadas depois da entrada em vigência da Lei Complementar nº 104/2001, em retratação, o tribunal emitiu novo acórdão, adequando o julgamento dos embargos de declaração ao entendimento do STJ. A contribuinte interpôs recurso especial em 25/07/2011. Porém, como a publicação do acórdão dos embargos de declaração foi posterior (10/08/2012), o juízo de segunda instância entendeu ser necessária a reiteração do pedido recursal, a teor da súmula 418 do STJ. Não cumprida essa formalidade, restou caracterizada a extemporaneidade do recurso especial, o qual não foi admitido. Dessa forma, quando da efetivação das compensações, não havia se dado ainda o trânsito em julgado também da decisão desse processo, tendo agido o contribuinte em confronto com o art. 170A do CTN e com as decisões judiciais emitidas para o caso. A compensação de valores discutidos judicialmente deve obedecer o que determina o CTN, no artigo 170A: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (grifouse) No entanto, conforme verificado, a contribuinte procedeu à compensação antes do trânsito em julgado das decisões judiciais, prática vedada pelo art. 170A do Código Tributário Nacional. Assim, o direito da contribuinte escudado pelas ações judiciais ainda não foi definitivamente julgado pela Poder Judiciário, sendo, portanto, indevida a compensação declarada em GFIP nas competências referidas. Observase que na época da realização das compensações os referidos processos ainda não haviam sido definitivamente julgados. Fl. 444DF CARF MF Processo nº 10320.722153/201375 Acórdão n.º 2202004.121 S2C2T2 Fl. 445 11 Dessa feita, em que pese o fato de haver discussão judicial acerca da incidência de contribuições previdenciárias sobre algumas verbas pagas a empregados, temse que não há nos autos nenhuma decisão judicial que, contrariando a legislação tributária de regência, autorizasse o contribuinte a compensar valores decorrentes de discussão judicial ainda não transitada em julgado com contribuições apuradas, conforme realizou. Portanto, em conformidade com o dispositivo citado, e em respeito à decisão judicial referida pela recorrente, as compensações, objeto de glosa por meio da autuação tratada no presente processo, foram efetuadas sem que, na oportunidade de sua realização, existissem créditos que lhes amparassem, devendo tais glosas serem mantidas. Multa por compensação indevida. A contribuinte realizou compensações consideradas indevidas, por utilizarse créditos antes do trânsito em julgado. Constitui infração, passível de aplicação de multa isolada agravada, a compensação das contribuições sociais feita em desconformidade da legislação previdenciária, nos termos do art. 89, §§ 9º e 10, da Lei nº 8.212/91. Relativamente à aplicação da multa isolada de 150%, a Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, assim dispõe: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. [...] § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. O art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996, por sua vez, com a redação da Lei nº 11.488, de 2007, dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata Da leitura destes dispositivos, não resta dúvida no sentido de que a constatação da falsidade da declaração é suficiente para a aplicação da multa isolada de 150%, Fl. 445DF CARF MF Processo nº 10320.722153/201375 Acórdão n.º 2202004.121 S2C2T2 Fl. 446 12 sem a necessidade de comprovação de existência de dolo, ou qualquer uma das figuras penais descritas no §1º do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996. A multa de 150% é cabível não apenas em função da compensação indevida mas pela declaração falsa do contribuinte de possuir créditos em seu favor. Nesse passo, a compensação de créditos tributários inexistentes caracterizaria a falsidade requerida no dispositivo legal acima transcrito, restando perquirir, no presente caso, qual foi a situação que ensejou a glosa das compensações. O Relatório Fiscal fornece os fundamentos para a multa, descrevendo os supostos créditos que o contribuinte teria utilizado para as compensações. Tais compensações foram indevidas. Assim sendo, as importâncias utilizadas como crédito pelo contribuinte não gozavam do pressuposto de liquidez e certeza, levando à conclusão de que este contribuinte compensouse de créditos inexistentes. Por pertinente, transcrevo trecho do voto vencedor da Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, proferido no Acórdão nº 9202004.341, em julgamento na Câmara Superior deste Conselho (sessão de 24/08/2016), sobre a aplicação da multa ora examinada: "[...] o legislador determina a aplicação de multa de 150% quando se trata de falsidade de declaração, sem que no mencionado dispositivo, tenha a autoridade fiscal, mencionado a necessidade de imputação, de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. Mas, qual o limite entre a caracterização de simples informação inexata, ou sem que o recorrente tenha legitimidade para exercer naquele momento o direito e a falsidade propriamente dita? Ao efetivar compensação sobre valores de contribuições ao qual não demonstrou o recorrente ter efetivamente promovido o recolhimento, procedeu o recorrente a informação de existência de crédito na verdade inexistente, indicando nítida falsidade de declaração. [...] Neste ponto, entendo pertinente transcrever o voto do ilustre Conselheiro Kleber Ferreira de Araujo, que tratou com muita propriedade a questão: "Verificase de início que a lei impõe como condição para aplicação da multa isolada que tenha havido a comprovada falsidade na declaração apresentada. Assim, para que o fisco possa impor a penalidade de 150% sobre os valores indevidamente compensados, é imprescindível a demonstração de que a declaração efetuada mediante a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP contém falsidade, ou seja, não retrata a realidade tributária da declarante. Pesquisando o significado do termo falsidade em http://www.dicionariodoaurelio.com, obtémse o seguinte resultado: “s.f. Propriedade do que é falso. / Mentira, calúnia. / Hipocrisia; perfídia. / Delito que comete aquele que conscientemente esconde ou altera a verdade.” Fl. 446DF CARF MF Processo nº 10320.722153/201375 Acórdão n.º 2202004.121 S2C2T2 Fl. 447 13 Inserindo esse vocábulo no contexto da compensação indevida é de se concluir que se o sujeito passivo inserir na guia informativa créditos que decorrentes de contribuições incidentes sobre parcelas integrantes do saláriodecontribuição, evidentemente cometeu falsidade, haja vista ter inserido no sistema da Administração Tributária informação inverídica no intuito de se livrar do pagamento dos tributos. Vale ressaltar que legislador foi bastante feliz na redação do dispositivo encimado, posto que utilizouse do art. 44 da ei n. 9.430/1996 apenas para balizar o percentual de multa a ser aplicado, não condicionando à aplicação da multa à ocorrência das condutas de sonegação, fraude e conluio, definidas respectivamente nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/1964. Esse opção legislativa serviu exatamente para afastar os questionamentos de que a mera compensação indevida não representaria os ilícitos acima, nos casos em que o sujeito passivo tivesse declarado corretamente os fatos geradores, posto que não se poderia falar em sonegação ou fraude fiscal." [...] Contudo, não há que se confundir fraude com falsidade, tendo em vista que se o legislador, quisesse atribuir a mesma natureza as duas penalidades, teria simplesmente determinado a aplicação do art. 44, § 1º da 9430/1996. [...] De se concluir que na imposição da multa isolada, relativa à compensação indevida de contribuições previdenciárias, a única demonstração que se exige do fisco é a ocorrência de falsidade na GFIP apresentada pelo sujeito passivo, como no presente caso. (sem grifos no original.)" Deste modo, entendo correto o procedimento adotado pela autoridade fiscal, com relação à multa isolada, considerando que a informação em GFIP de compensações realizadas, sem que o contribuinte encontrese exercendo direito líquido e certo, leva sim, a uma declaração falsa, capaz de ensejar a aplicação da multa prevista no §10 do artigo 89 da Lei nº 8.212/91. Registro, ainda, que esta Turma, em julgamento em 04 de abril de 2017, por maioria de votos, entendeu pela manutenção da multa isolada de 150%, consoante ementa abaixo parcialmente transcrita: "[...] COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES COM CRÉDITOS INEXISTENTES. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA. O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos Fl. 447DF CARF MF Processo nº 10320.722153/201375 Acórdão n.º 2202004.121 S2C2T2 Fl. 448 14 inexistentes, de fato ou de direito, seja por utilizar créditos prescritos, seja pela compensação antes do trânsito em julgado de ação judicial. Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da Lei nº 8.212/1991, necessário que a autoridade fiscal demonstre a efetiva falsidade de declaração, ou seja, a inexistência de direito "líquido e certo" à compensação, sem a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. [...]" (Acórdão 2202003.786. Conselheira Relatora Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Redatora designada: Conselheira Cecília Dutra Pillar. Sessão de 04/04/2017) Assim, restando evidenciado que na declaração em GFIP houve falsidade da declaração apresentada, está configurada a situação prevista na Lei para a aplicação da penalidade de 150%. Alegações de inconstitucionalidade. Em relação a alegação de caráter confiscatório da multa aplicada, deixo de apreciála, por força do disposto na Súmula CARF nº 2, que assim dispõe: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.". Conclusão. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 448DF CARF MF
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Numero do processo: 12466.003304/2007-15
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 02/06/2008 a 16/07/2008
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS
É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação aplicada a fatos ao menos assemelhados, tenham chegado a conclusões díspares. Em se tratando de classificação fiscal de produtos, recorrida e paradigma devem tratar do mesmo produto, admitindo-se, excepcionalmente, que se refiram a produtos distintos, mas referidos no mesmo código NCM, quando a discussão travada nas duas decisões puder ser aplicada a ambos os produtos.
Numero da decisão: 9303-004.241
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte, nos termos do voto do Relator designado. Vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que o conheceram.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
(assinado digitalmente)
Julio Cesar Alves Ramos - Relator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Andrada Márcio Canuto Natal, Julio Cesar Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 02/06/2008 a 16/07/2008 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação aplicada a fatos ao menos assemelhados, tenham chegado a conclusões díspares. Em se tratando de classificação fiscal de produtos, recorrida e paradigma devem tratar do mesmo produto, admitindo-se, excepcionalmente, que se refiram a produtos distintos, mas referidos no mesmo código NCM, quando a discussão travada nas duas decisões puder ser aplicada a ambos os produtos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1773; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 12466.003304/200715 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303004.241 – 3ª Turma Sessão de 13 de setembro de 2016 Matéria II. CLASSIFICAÇÃO FISCAL Recorrente CISA TRADING S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 02/06/2008 a 16/07/2008 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação aplicada a fatos ao menos assemelhados, tenham chegado a conclusões díspares. Em se tratando de classificação fiscal de produtos, recorrida e paradigma devem tratar do mesmo produto, admitindose, excepcionalmente, que se refiram a produtos distintos, mas referidos no mesmo código NCM, quando a discussão travada nas duas decisões puder ser aplicada a ambos os produtos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte, nos termos do voto do Relator designado. Vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que o conheceram. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora (assinado digitalmente) Julio Cesar Alves Ramos Relator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Andrada Márcio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 33 04 /2 00 7- 15 Fl. 712DF CARF MF Processo nº 12466.003304/200715 Acórdão n.º 9303004.241 CSRFT3 Fl. 3 2 Canuto Natal, Julio Cesar Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello. Relatório Trata o presente de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pelo sujeito passivo, ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 256, de 22 de junho de 2009, em face do acórdão n.º 3202001.438, de 11/12/2014, que traz a seguinte ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Fato Gerador: 28/08/2007 CARTUCHOS DE TONER DE MÁQUINA MULTIFUNCIONAL. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Por aplicação da RGI/SH 3C, combinada com a RGI/SH 6 e a RGC1, os cartuchos de toner de máquina multifuncional devem ser classificados no código 8443.99.39. MULTA POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA NA NCM. Mantida a reclassificação fiscal efetuada, é cabível a multa de 1% sobre o valor aduaneiro decorrente da incorreição na classificação fiscal na NCM adotada pela contribuinte na DI. MULTA DE OFÍCIO. O não cumprimento da legislação fiscal sujeita o infrator à multa de ofício no percentual de 75% do valor do imposto lançado de ofício, nos termos da legislação tributária específica. JUROS DE MORA. Os juros de mora decorrem de lei e, por terem natureza compensatória, são devidos em relação ao crédito não integralmente pago no vencimento, seja qual for o motivo determinante da falta de recolhimento no prazo legal. Recurso voluntário negado Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. (grifos nossos) Cuida o presente processo de lançamento de ofício para cobrança do Imposto de Importação, do IPI, do PIS e da Cofins, acrescidos da multa de ofício de 75% pela falta de pagamento do tributo (art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996 com a redação dada pelo art. 14 da Lei n.º 11.488/2007) e também da multa regulamentar de 1% sobre o valor da mercadoria classificada incorretamente na NCM (art. 84, inciso I, da Medida Provisória n.° 215835/2001 combinado com o art. 69 e art. 81, inc. IV, da Lei n.º 10.833/2003), em decorrência de Fl. 713DF CARF MF Processo nº 12466.003304/200715 Acórdão n.º 9303004.241 CSRFT3 Fl. 4 3 classificação incorreta de mercadorias, detectada em ato de conferência aduaneira, de “cartuchos de toner de diversos modelos", os quais foram classificados pelo importador no código NCM/SH 8443.99.29. A fiscalização entendeu que os cartuchos são partes de máquinas multifuncionais do código NCM/SH 8443.31.00, devendo ser classificados no código NCM/SH 8443.99.39. A contribuinte apresentou recurso voluntário perante este Colegiado onde repisa os argumentos já trazidos na impugnação, além de citar julgados proferidos pelo CARF sobre a matéria, requerendo a reforma da decisão recorrida, com a anulação das cobranças dos tributos e das multas aplicadas. O Colegiado negou provimento ao Recurso voluntário, com base em normas jurídicas consubstanciadas nas RGI/SH, as quais revelam que os “cartuchos de toner de diversos modelos” devem ser classificadas no código NCM/SH 8443.99.39, em função do que dispõe a RGI/SH 3C (a utilização do item situado em último lugar na ordem numérica), não cabendo aludir a direito consuetudinário, sob o argumento de que há soluções de consultas em sentido divergente ao adotado pela fiscalização. Inconformada, a contribuinte interpôs Recurso Especial, evidenciando a divergência entre o entendimento exarado no Acórdão Recorrido e os Acórdãos paradigmas, no que tange à aplicação e interpretação da Regra 3 das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado. Ou seja, entendeuse (paradigma), que a função principal das multifuncionais seria a de impressão, de forma a se afastar a incidência da Regra 3c das RGI/SH, posto haver uma NCM mais específica, conforme Regras 3a e 3b; entendimento este que deve ser estendido aos acessórios cartuchos de toner (mercadoria importada), o que contraria o entendimento do acórdão recorrido. Então, no caso presente do recurso especial, concentrase no mérito da questão quanto a diferença de classificação. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida. Contrarrazões foram apresentadas. É o relatório, em síntese. Voto Vencido Conselheira Érika Costa Camargos Autran Da admissibilidade O Recurso Especial do Contribuinte é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido, conforme razões expostas abaixo Fl. 714DF CARF MF Processo nº 12466.003304/200715 Acórdão n.º 9303004.241 CSRFT3 Fl. 5 4 O cerne do presente litígio referese à correta classificação fiscal a ser atribuída aos produtos importados descritos como “cartuchos de toner de diversos modelos”, os quais foram classificados pelo importador no código NCM/SH 8443.99.29. A fiscalização entendeu que os cartuchos são partes de máquinas multifuncionais do código NCM/SH 8443.31.00, devendo ser classificados no código NCM/SH 8443.99.39. E o acórdão recorrido, com base em normas jurídicas consubstanciadas nas RGI/SH, entendeu que os "cartuchos de toner de diversos modelos” devem ser classificadas no código NCM/SH 8443.99.39, em função do que dispõe a RGI/SH 3C (a utilização do item situado em último lugar na ordem numérica), não cabendo aludir a direito consuetudinário, sob o argumento de que há soluções de consultas em sentido divergente ao adotado pela fiscalização. ] A contribuinte então interpôs Recurso Especial, evidenciando a divergência entre o entendimento exarado no Acórdão Recorrido e os Acórdãos paradigmas, no que tange à aplicação e interpretação da Regra 3 das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado. O paradigma entendeu que a função principal das multifuncionais seria a de impressão, de forma a se afastar a incidência da Regra 3c das RGI/SH, posto haver uma NCM mais específica, conforme Regras 3a e 3b; entendimento este que deve ser estendido aos acessórios cartuchos de toner , o que contraria o entendimento do acórdão recorrido. E visando comprovar a divergência foram apontados diversos paradigmas, no entanto cito os seguintes Acórdãos 3802001.002, 3803002.648, e 310100.253: Acórdão 3802001.002, de 22/05/2012: Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 17/03/2006 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPRESSORA MULTIFUNCIONAL. O produto caracterizado como impressora multifuncional, que execute pelo menos duas das seguintes funções: impressão, cópia ou transmissão de telecópia (fax), capaz de ser conectada a uma máquina automática para processamento de dados ou a uma rede, encontrava adequada classificação fiscal no código NCM 8471.60 utilizado pelo importador, tal como adotado pelo Decreto n° 5.802/06, diversamente do definido pelo Ato Declaratório Interpretativo SRF No. 7 de 26/07/2005. Atualmente, com a edição da Resolução n° 07/08 do Mercosul, o produto encontra correta classificação fiscal no código NCM 8443.31 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO." ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatórioe votos que integram o presente julgado. Acórdão 3803002.648, de 21/03/2012: Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 24/02/2006 a 14/03/2006 Fl. 715DF CARF MF Processo nº 12466.003304/200715 Acórdão n.º 9303004.241 CSRFT3 Fl. 6 5 EQUIPAMENTOS MULTIFUNCIONAIS. CLASSIFICAÇÃO. CARACTERÍSTICA ESSENCIAL. Os produtos constituídos pela reunião de aparelhos diferentes classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação, segundo Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 24/02/2006 a 14/03/2006 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INSUBSISTÊNCIA DO MOTIVO. CANCELAMENTO Deve ser cancelado o lançamento fundado em motivo que se revela insubsistente, consubstanciado na atribuição de erro na classificação fiscal procedida pela Contribuinte, que se verifica correta. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade. O Conselheiro Belchior Melo de Sousa, neste aspecto acompanhou o relator por suas conclusões. No mérito, por maioria de votos, deuse provimento ao recurso.Vencido o Relator. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa. Acórdão 310100.253, de 19 de outubro de 2009 ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 28/09/2005 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPRESSORA MULTIFUNCIONAL. A classificação fiscal adotada pelo Fisco (Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 7/2005) para as impressoras multifucionais, não cumpre o rigor das regras de classificação fiscal, pois as funções nela disponíveis e a característica de sua conectividade com máquinas de processamento de dados, afastaa da posição 9009. A confirmação dessa interpretação está atualmente passificada no âmbito do Mercosul, por seu Comitê Técnico n° 1 da Comissão de Comércio do Mercosul que aceitou o laudo técnico do produto apresentado pela delegação brasileira e concluiu que o produto denominado comercialmente de "impressora multifuncional" tratase de uma impressora com diversas funções, razão pela qual determinou a sua classificação no código NCM 8443.31, como "máquinas que executem pelo menos duas das seguintes funções: impressão, cópia ou transmissão de telecópia (fax), capazes de ser conectadas a uma máquina automática para processamento de dados ou a uma rede" (CXXXVIII Reunião do Comitê Técnico n° 1 "Tarifas, Nomenclatura e Classificação de Mercadorias" MERCOSUL/CCM/CT N° 1/ ATA N° 08/08) Recurso Voluntário Provido. Para melhor ilustrar a divergência ora sob análise, cabe transcrever fragmentos dos votos dos acórdãos paradigmas, respectivamente: Acórdão 3802001.002 "Tenho que, a princípio, em termos objetivas, as máquinas multifuncionais, da forma como se apresentam no presente caso, possuem normalmente como principal função a de impressão. Com efeito, em geral, é essa a função própria Fl. 716DF CARF MF Processo nº 12466.003304/200715 Acórdão n.º 9303004.241 CSRFT3 Fl. 7 6 desses equipamentos, sendo as demais funções realizadas de forma secundária não por outra razão são comercialmente conhecidas como impressoras multifuncionais. " Acórdão 3803002.648 Os produtos constituídos pela reunião de aparelhos diferentes classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação, segundo Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado. Portanto é forçoso concluir como correta a classificação procedida àquele tempo pela contribuinte. " Já o acórdão recorrido indica que não se pode aplicar as Regras 3a e 3b, porque os cartuchos de toner importados pela Recorrente tanto poderiam ser utilizados para impressão quanto para cópia, conforme trecho do voto abaixo: "A Regra 3a é clara: devese classificar a mercadoria na posição (no caso, item) mais específica. Esclarece a NESH que posição mais específica é aquela que identifica a mercadoria mais claramente, com descrição mais precisa e completa. Acontece que o item referente a partes e acessórios de impressora é tão específico quanto os itens referentes a partes e acessórios de telecopiadoras e de copiadoras, não trazendo nenhum deles qualquer descrição mais precisa ou completa da mercadoria em relação aos outros, uma vez que esta se trata de cartucho de toner que pode ser utilizado, indistintamente, em qualquer uma das funções, seja ela impressão, cópia ou telecópia. Não se mostra possível, portanto, a aplicação da regra 3a. Por sua vez, a regra 3b determina a classificação pela matéria ou artigo que configure à mercadoria sua característica essencial, porém é aplicável somente nos casos de i. produtos misturados; ii. obras compostas de matérias diferentes; iii. obras constituídas pela reunião de artigos diferentes; e iv. mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho. A mercadoria em questão não se trata de nenhum dos 4 casos em que a regra pode ser aplicada." Vale ressalta que de acordo com a Regra Geral n.º 1 para a Interpretação do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias: “Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes:”. Entretanto, caso pareça que a mercadoria possa classificarse em duas ou mais posições, a classificação deverá efetuar se na forma da Regra Geral nº 3: a) A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para Fl. 717DF CARF MF Processo nº 12466.003304/200715 Acórdão n.º 9303004.241 CSRFT3 Fl. 8 7 venda a retalho, tais posições devem considerarse, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. b) Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3 a), classificam se pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. c) Nos casos em que as Regras 3 a) e 3 b) não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classificase na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. Desta maneira, o contraste das ementas e do teor dos votos das decisões evidencia a divergência entre o entendimento exarado no Acórdão Recorrido e os Acórdãos paradigmas, no que tange à aplicação e interpretação da Regra 3 das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado. Ou seja, entendeuse (paradigma), que a função principal das multifuncionais seria a de impressão, de forma a se afastar a incidência da Regra 3c das RGI/SH, posto haver uma NCM mais específica, conforme Regras 3a e 3b; entendimento este que deve ser estendido aos acessórios cartuchos de toner (mercadoria importada), o que contraria o entendimento do acórdão recorrido. Diante do exposto, comprovada a divergência, voto no sentido de conhecer do recurso interposto pelo contribuinte. Vencida no conhecimento, deixo de analisar o mérito. É como voto. ÉRIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN Relatora Voto Vencedor Conselheiro Júlio César Alves Ramos redator para o acórdão Fui designado pela Presidência para a redação das razões pelas quais a maioria do colegiado, divergindo da relatora, não conheceu do recurso apresentado. Elas se resumiram à constatação de que todos os acórdãos trazidos como paradigma referemse a impressoras e não a cartuchos de impressora. O colegiado, mantendo longa jurisprudência, não entendeu oponíveis decisões relativas a classificação fiscal quando diferentes os produtos por classificar. Nessa linha, quando muito, podem ser opostos itens distintos, mas que pertençam ao mesmo código Fl. 718DF CARF MF Processo nº 12466.003304/200715 Acórdão n.º 9303004.241 CSRFT3 Fl. 9 8 NCM. E, ainda assim, a semelhança entre eles tem de ser tal que a discussão travada em ambos possa ser tomada como suficiente à definição da classificação correta. No caso em discussão, pretende a recorrente que a divergência se deu quanto à aplicação da regra 3A do sistema harmonizado. Para ela, as decisões paradigmas a aplicaram e a recorrida não. Ora, isso não pode bastar à caracterização de divergência, a menos que se pretenda aceitála sempre que a regra que o recorrente pretendia ver aplicada não o for. Muito mais do que isso, o que importa para configurar a divergência, quando a matéria envolve a classificação fiscal de produtos, é que colegiados distintos tenham proposto classificações diferentes para o mesmo produto, pouco importando se o fizeram aplicando a mesma regra de classificação ou diferente. Em qualquer caso, caberá à CSRF dizer qual das duas propostas é a correta, ratificando, por consequencia, a aplicação da regra correspondente, quando divergentes. De outra banda, não basta meramente apontar a regra que deve ser aplicada sem daí deduzir a consequência para o específico produto em consideração. Isso só tem valor se for ratificada a decisão recorrida, pois, para o produto que interessa classificar, somente ela disse que a regra é tal e a consequência, qual. No "paradigma" estáse a dizer que, para produto distinto, a regra é outra. Ainda assim, para o produto que queremos classificar, resta a pergunta: e daí? Com efeito, os "paradigmas" entenderam que para as impressoras multifuncionais, dadas as características delas, impressoras, a regra a ser adotada é a 3A. Mas o que nos autoriza a concluir que as características do toner são as mesmas, como faz a dra. Érika, ao dizer " entendimento este que deve ser estendido aos acessórios cartuchos de toner". Por quê? Toner é uma coisa e impressora é outra. Por isso, nada, para ele, se extrai da conclusão de que " a função principal das multifuncionais seria a de impressão, de forma a se afastar a incidência da Regra 3c das RGI/SH". Isso pode perfeitamente ser verdade para a impressora e não o ser para o toner. Do mesmo jeito que " haver uma NCM mais específica" para impressoras não impõe que haja uma para o toner. O que essas próprias expressões demonstram é quais os critérios que devem ser seguidos na aplicação das subdivisões da regra 3. Sobre isso não há divergência alguma. O que há é que um outro produto (segundo os paradigmas) tem uma função principal identificável e posição específica. Como a decisão recorrida disse que o toner não os tem, precisaríamos de acórdão que dissesse, contrariando a recorrida, que ele também o tem. E isto não pode ser dito originariamente pelo colegiado superior, como o fazia a relatora. Essas as razões que levaram o colegiado a não admitir o recurso. Esse o acórdão que me coube redigir. Conselheiro Júlio César Alves Ramos Fl. 719DF CARF MF Processo nº 12466.003304/200715 Acórdão n.º 9303004.241 CSRFT3 Fl. 10 9 Fl. 720DF CARF MF
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Numero do processo: 13116.900749/2009-40
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2006
PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO.
A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento de tributo a título de estimativa mensal somente pode utilizá-lo ao final do período de apuração na dedução do devido ou para compor o saldo negativo, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza. Este procedimento é uma formalidade essencial ao ato de compensar tributos administrados pela RFB, sem a qual a direito não pode ser exercido.
Numero da decisão: 1801-000.387
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário para não reconhecer o direito creditório e não homologar a compensação, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os conselheiros Marcos Vinícius Barros Ottoni e Rogério Garcia Peres que votaram pela conversão do julgamento em diligência. Houve sustentação oral pelo representante da Recorrente Dr. Antônio Fernando dos Santos Barros, OAB/GO nº 25.858
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006 PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento de tributo a título de estimativa mensal somente pode utilizá-lo ao final do período de apuração na dedução do devido ou para compor o saldo negativo, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza. Este procedimento é uma formalidade essencial ao ato de compensar tributos administrados pela RFB, sem a qual a direito não pode ser exercido.
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SALDO NEGATIVO. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento de tributo a título de estimativa mensal somente pode utilizá-lo ao final do período de apuração na dedução do devido ou para compor o saldo negativo, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza. Este procedimento é uma formalidade essencial ao ato de compensar tributos administrados pela RFB, sem a qual a direito não pode ser exercido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário para não reconhecer o direito creditório e não homologar a compensação, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os conselheiros Marcos Vinícius Barros Ottoni e Rogério Garcia Peres que votaram pela conversão do julgamento em diligência. Houve sustentação oral pelo representante da Recorrente Dr. Antônio Fernando dos Santos Barros, OAB/GO nº 25.858. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes - Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Relatora EDITADO EM: Fl. 41DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 19/11/2010 por ANA DE BARROS FERNAN DES 2 Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (PER/DComp) em 19/05/2006, fls. 10/16, utilizando- se do crédito relativo ao pagamento a maior no valor total de R$26.472,14 de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) determinada sobre a base de cálculo estimada, código nº 2484, efetuado em 29/06/2005, fl. 09. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 06, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que o pagamento a titulo de estimativa mensal da pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual somente pode ser utilizado na dedução do tributo devido ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo. Cientificada em 02/04/2009, fl. 25, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 24/04/2008, fls. 01/05, argumentando em síntese que discorda da conclusão da análise do pedido. Suscita que procedeu ao pagamento a maior que o devido a título de estimativa, já que optou pelo pagamento do tributo com base no lucro real anual. Discorda da previsão legal no sentido de que o pagamento efetuado sobre a base estimada somente pode ser utilizado para compor o saldo negativo ao final do período de apuração. Argúi comprovar de forma inequívoca o pagamento a maior. Diz que houve violação ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Indica a legislação que rege a matéria, princípios que alega foram violados ainda entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui 3.1 Ex positis REQUER seja reformado o Despacho Decisório ora guerreado, a fim de que seja integralmente homologada a compensação declarada. Termos em que, Pede e espera deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/BSA/DF nº 03-32.990, de 28/08/2009, fls. 27/30:“Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Consta que ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2005 Compensação - Pagamento Indevido ou a Maior - Impossibilidade - Necessidade de Liquidez e Certeza do Crédito do Sujeito Passivo Fl. 42DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 19/11/2010 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13116.900749/2009-40 Acórdão n.º 1801-00.387 S1-TE01 Fl. 43 3 A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. Constitucionalidade e/ou legalidade de Normas Legais A instância administrativa não é foro apropriado para discussões desta natureza, pois qualquer discussão sobre a constitucionalidade e/ou legalidade de normas jurídicas deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal. Notificada em 05/01/2010, fl. 33, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 02/02/2010, fls. 34/39, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera todos os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Conclui 4.1. Ex positis REQUER seja recebido, conhecido e julgado o presente recurso, por atender os pressupostos legais. 4.2. Requer, pelo mérito, seja reformado o Acórdão a quo, de sorte que, alfim, seja reconhecido o direito creditório do sujeito passivo. Termos em que, Pede e espera deferimento. É o Relatório. Voto Conselheira Relatora, Carmen Ferreira Saraiva O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente discorda do procedimento fiscal. Em relação à compensação, a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, prevê: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e Fl. 43DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 19/11/2010 por ANA DE BARROS FERNAN DES 4 contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) No caso de a pessoa jurídica apurar crédito tributário passível de restituição pode empregá-lo na compensação de débitos próprios. A Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, que vigorava à época da entrega da Per/DComp, determinava: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. [...] Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à SRF da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à SRF do formulário Declaração de Compensação constante do Anexo IV, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. § 2º A compensação declarada à SRF extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento. [...] § 7º Os débitos do sujeito passivo serão compensados na ordem por ele indicada na Declaração de Compensação. § 8º A compensação de crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, será efetuada pelo sujeito passivo mediante a apresentação da Declaração de Compensação ainda que: I – o débito e o crédito objeto da compensação se refiram a um mesmo tributo ou contribuição; A legislação de regência e a Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, dispõem no sentido de que a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento de tributo a título de estimativa mensal somente pode utilizá-lo ao final Fl. 44DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 19/11/2010 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13116.900749/2009-40 Acórdão n.º 1801-00.387 S1-TE01 Fl. 44 5 do período de apuração na dedução do devido ou para compor o saldo negativo, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza. Este procedimento é uma formalidade essencial ao ato de compensar tributos administrados pela RFB, sem a qual a direito não pode ser exercido. Como não há previsão legal para a retificação de ofício da Per/DComp, somente por iniciativa do sujeito passivo as informações constantes no documento podem ser retificadas e desde que preenchidas as condições legais, dentre as quais que a sua apresentação seja efetuada caso a sua análise se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Cabe mencionar a jurisprudência administrativa sobre a questão (fonte: http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/listaJurisprudencia.jsf, acesso em 14/10/2010): [...]Nº Recurso 160204 - Número do Processo 11060.001258/2002-13 - Turma 3ª Turma Especial Contribuinte TECMA ENGENHARIA LTDA Tipo do Recurso Recurso Voluntário - Dar Provimento Por Unanimidade Data da Sessão 16/09/2008 Relator(a) Ester Marques Lins de Sousa Nº Acórdão 193-00012 - Tributo / Matéria CSL- que não versem sobre exigência de cred. trib. (ex.:restituição.) Decisão Por unanimidade de votos, negaram provimento ao recurso - Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF - Ano-calendário: 1996, 1997,1998 Ementa: IRPJ. LUCRO REAL. SALDO NEGATIVO - Em decorrência da sistemática de tributação adotada, o imposto de renda retido na fonte incidente sobre as receitas que integram o lucro tributável e constitui antecipação do IRPJ é passível de dedução na apuração do valor a pagar ou para compor o saldo negativo do imposto do período de apuração em que houve a retenção. Assunto: Normas de Administração Tributária Anos-calendário: 1997, 1998, 1999 IRPJ. CSLL. EVENTUAL EXCESSO DE ESTIMATIVAS. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. A pessoa jurídica não adquire o direito de pleitear a restituição ou compensação do IRPJ e da CSLL em decorrência de eventuais excessos nos recolhimentos por estimativa. Após 31 de dezembro, momento do fato gerador, o que poderá ser restituído ou compensado é o pagamento a maior apurado decorrente do ajuste anual, configurado como saldo negativo. [...]Nº Recurso 157525 - Número do Processo 10380.012470/00- 16 - Turma 7ª Turma Especial Contribuinte SUPER FILME COMERCIAL LTDA Tipo do Recurso Recurso Voluntário - Dar Provimento Por Unanimidade Data da Sessão 21/10/2008 Relator(a) Leonardo Lobo de Almeida Nº Acórdão 197-00051 - Tributo / Matéria CSL- que não versem sobre exigência de cred. trib. (ex.:restituição.) Decisão Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso - Ementa Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL - Exercício: 1996, 1997 Ementa: COMPENSAÇÃO - CSLL - PAGAMENTOS POR ESTIMATIVA - As estimativas mensais, ainda que pagas em valor superior ao calculado na forma da lei, não se caracterizam, de imediato, Fl. 45DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 19/11/2010 por ANA DE BARROS FERNAN DES 6 como tributo indevido ou a maior passível de restituição. A opção pelo pagamento mensal por estimativa difere para o ajuste anual a verificação da regularidade dos pagamentos efetuados. [...]Nº Recurso 157361 -Número do Processo 10620.720035/2005-38 -Turma 5ª Câmara Contribuinte INONIB INOCUL E FERRO LIG NIPO BRASIL SA Tipo do RecursoRecurso Voluntário - Dar Provimento Por Unanimidade- Data da Sessão 17/04/2008 Relator(a) Marcos Rodrigues de Mello Nº Acórdão 105-16967 -Tributo / MatériaCSL- que não versem sobre exigência de cred. trib. (ex.:restituição.) Decisão Ementa ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ - ANO-CALENDÁRIO: 2003 Ementa: O valor pago a título de estimativa, não sendo demonstrado que tenha havido erro em sua apuração, nos termos da legislação vigente à época, não pode ser considerado indevido e, assim sendo, não pode ser considerado passível de restituição. Partindo do pressuposto legal de que a defesa deve comprovar todas as suas alegações na oportunidade própria (art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1996), a Recorrente não juntou novas provas aos autos mediante documentos hábeis e idôneos que demonstrem sua afirmativa de que o entendimento de ofício não deve prevalecer. As suas meras alegações desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade não são suficientes para elidir a motivação fiscal da ação de ofício, tendo em vista que as provas já constantes nos autos constituem um conjunto probatório lícito e robusto de que o procedimento de ofício está correto. Partindo do pressuposto legal de que a defesa deve comprovar todas as suas alegações na oportunidade própria (art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1996), a Recorrente não juntou novas provas aos autos mediante documentos hábeis e idôneos que demonstrem sua afirmativa de que o entendimento de ofício não deve prevalecer. As suas meras alegações desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade não são suficientes para elidir a motivação fiscal do lançamento, tendo em vista que as provas já constantes nos autos constituem um conjunto probatório lícito e robusto de que o procedimento de ofício está correto. Assim, o pagamento de CSLL determinada sobre a base de cálculo estimada, código nº 2484, efetuado em 29/06/2005, fl. 09, no valor de R$26.472,14, somente pode ser utilizado na dedução do tributo devido ao final do ano-calendário ou para compor o saldo negativo de 2006. Por conseguinte, não cabem reparos ao procedimento fiscal. No que se refere à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados na peça recursal, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso (art. 100 do Código Tributário Nacional). Em relação aos princípios constitucionais que a Recorrente entende que supostamente foram violados, cabe transcrever o enunciado da Súmula CARF n 2, que é de adoção obrigatória (art. 72 do Anexo II da Portaria n 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF), e que assim determina: Fl. 46DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 19/11/2010 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13116.900749/2009-40 Acórdão n.º 1801-00.387 S1-TE01 Fl. 45 7 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Logo, este argumento não pode prosperar. Em face do exposto voto, no mérito, por negar provimento ao recurso voluntário para não reconhecer o direito creditório e não homologar a compensação. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 47DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 19/11/2010 por ANA DE BARROS FERNAN DES
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Numero do processo: 11065.002301/2009-86
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2006 a 31/08/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.565
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2006 a 31/08/2007 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1697; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 204 1 203 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11065.002301/200986 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202005.565 – 2ª Turma Sessão de 28 de junho de 2017 Matéria RETROATIVIDADE BENIGNA, NATUREZA DA MULTA NOS LANÇAMENTOS PREVIDENCIÁRIOS ANTERIORES A MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI 11.941/2009 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado PARTECIPARE, RECRUTAMENTO E SELEÇÃO DE PESSOAL, LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA E TRABALHO TEMPORÁRIO LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2006 a 31/08/2007 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 23 01 /2 00 9- 86 Fl. 204DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. Importante mencionar que, conforme termo de desapensação de fls. 201, este processo encontravase apenso ao Processo 11065.002300/200931, principal, e foi desapensado para permitir o julgamento do respectivo recurso na sistemática prevista no art.47, §§1º e2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de2015. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 205DF CARF MF Processo nº 11065.002301/200986 Acórdão n.º 9202005.565 CSRFT2 Fl. 205 3 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 206DF CARF MF 4 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não Fl. 207DF CARF MF Processo nº 11065.002301/200986 Acórdão n.º 9202005.565 CSRFT2 Fl. 206 5 apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) Fl. 208DF CARF MF 6 cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão Fl. 209DF CARF MF Processo nº 11065.002301/200986 Acórdão n.º 9202005.565 CSRFT2 Fl. 207 7 do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Fl. 210DF CARF MF 8 Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 211DF CARF MF Processo nº 11065.002301/200986 Acórdão n.º 9202005.565 CSRFT2 Fl. 208 9 Fl. 212DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.003302/2006-14
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2000 TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. REPETIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. LC Nº. 118/2005. NOVEL ENTENDIMENTO DO STF. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL DE 5 ANOS SOMENTE ÀS AÇÕES AJUIZADAS OU PEDIDOS FORMULADOS A PARTIR DE 09/06/2005. A jurisprudência do STJ albergava a tese de que o prazo prescricional na repetição de indébito de cinco anos, definido na Lei Complementar nº 118/2005, somente incidiria sobre os pagamentos indevidos ocorridos a partir da entrada em vigor da referida lei, ou seja, 9/06/2005. Porém, esse entendimento restou superado quando, sob o regime de Repercussão Geral, o Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária realizada em 4/08/2011, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.621/RS, pacificou a tese de que o prazo prescricional de cinco anos, definido na Lei Complementar nº 118/2005, incide sobre as ações de repetição de indébito ajuizadas ou pedidos de restituição formulados a partir da entrada em vigor da nova lei (9/06/2005), ainda que essas ações ou pedidos digam respeito a recolhimentos indevidos realizados antes da sua vigência. Para os pleitos de restituição de indébito tributário de tributos sujeitos a lançamento por homologação, ajuízados ou apresentados administrativamente antes do término da vacatio legis da referida Lei Complementar, prevalece a aplicação do prazo de prescrição de que trata a “Tese 5+5”do STJ.
Numero da decisão: 1802-001.093
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Nelso Kichel
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2395; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 1 1 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.003302/200614 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 1802001.093 – 2ª Turma Especial Sessão de 17 de janeiro de 2012 Matéria IRPJ SALDO NEGATIVO. DCOMP Recorrente OTR EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. REPETIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. LC Nº. 118/2005. NOVEL ENTENDIMENTO DO STF. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL DE 5 ANOS SOMENTE ÀS AÇÕES AJUIZADAS OU PEDIDOS FORMULADOS A PARTIR DE 09/06/2005. A jurisprudência do STJ albergava a tese de que o prazo prescricional na repetição de indébito de cinco anos, definido na Lei Complementar nº 118/2005, somente incidiria sobre os pagamentos indevidos ocorridos a partir da entrada em vigor da referida lei, ou seja, 9/06/2005. Porém, esse entendimento restou superado quando, sob o regime de Repercussão Geral, o Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária realizada em 4/08/2011, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.621/RS, pacificou a tese de que o prazo prescricional de cinco anos, definido na Lei Complementar nº 118/2005, incide sobre as ações de repetição de indébito ajuizadas ou pedidos de restituição formulados a partir da entrada em vigor da nova lei (9/06/2005), ainda que essas ações ou pedidos digam respeito a recolhimentos indevidos realizados antes da sua vigência. Para os pleitos de restituição de indébito tributário de tributos sujeitos a lançamento por homologação, ajuízados ou apresentados administrativamente antes do término da vacatio legis da referida Lei Complementar, prevalece a aplicação do prazo de prescrição de que trata a “Tese 5+5”do STJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Catilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 143/150 contra decisão da 4ª Turma da DRJ/Campinas (fls.136/140) que julgou a manifestação de inconformidade improcedente, mantendo o despacho decisório do Seort/DRF/Campinas que denegara a repetição do direito creditório pleiteado de R$ 10.389,82, não acatando a “Tese 5+5” do STJ. A propósito, trancrevo a decisão do Seort/DRF/Campinas, de 20/06/2007 (fls.61/66), in verbis: (...) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO PERÍODO DE APURAÇÃO: 2000 (CRÉDITO) DECADÊNCIA O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO INDÉBITO Para fins de se pleitear a restituição, é necessário que o contribuinte demonstre cabalmente a origem do indébito. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO INDEFERIDO. 1. Relatório Tratase de pedido de restituição, protocolizado pelo contribuinte em data de 05 de julho de 2006, de saldo negativo de IRPJ referente ao anocalendário 2000, exercício 2001. 2. Fundamentação Fl. 165DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.003302/200614 Acórdão n.º 1802001.093 S1TE02 Fl. 2 3 2.1 Da decadência Considerando que o saldo negativo objeto do pedido de restituição referese ao anocalendário 2000 e que a protocolização do pedido foi realizada em 05 de julho de 2006, concluise, de forma cabal, que ocorreu a decadência do direito de pedir restituição, haja vista o contido nos artigos 165 e 168 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), (...) Seguindo a inteligência dos dispositivos legais acima (...), o Ato Declaratório SRF n° 96, de 26 de novembro de 1999, assevera: "I o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extingue se após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário — arts. 165, I, e 168, I, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional)." (...) Em se tratando de saldo negativo de IRPJ, a data do pagamento indevido é o último dia do anocalendário a que se refere, ou seja, 31 de dezembro de 2000, iniciandose nesta data a contagem do prazo decadencial para a formulação de pedido de restituição. 2.3 Da proposição Face ao exposto, proponho seja indeferido o pedido de restituiçãoo sob análise. À consideração do Senhor Chefe deste Seort. 3. Decisão e Ordem de Intimação De acordo. Procedase conforme proposto. Que a interessada seja cientificada do inteiro teor deste despacho decisório e de sua faculdade, no prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência deste, de apresentar manifestação de inconformidade contra o indeferimento do pedido de restituição à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. (...) Inconformada com o despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade junto à DRJ/Campinas (fls. 68/71), argumentando, em suas razões, que, no caso dos tributos lançados por homologação, o prazo para pedir restituição é de cinco anos contados da data da homologação tácita ("tese do cinco mais cinco" do STJ). Além Fl. 166DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 disso, lembrou que, de acordo com o STJ, a alteração introduzida pelos arts. 3º e 4º da Lei Complementar n° 118, de 2005, somente atingiria fatos geradores posteriores ao início da sua vigência. Juntou, ainda, documentos (fls. 72/134). Por sua vez, a DRJ/Campinas, no mesmo sentido do Seort/DRF/Campinas, ratificou a decisão anterior, denegando o direito creditório pleiteado, cuja ementa da decisão transcrevo a seguir (fl.136): (...) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. ART. 168 DO CTN. Nos termos do art. 168 do CTN, o direito de pleitear a restituição de tributo, relativo a pagamento indevido ou maior que o devido, se exaure com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário. Solicitação Indeferida (...) Irresignada coma decisão a quo da qual tomou ciência em 03/07/2008 (fl. 1142), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 29/07/2008 (fls. 143/150), reiterando as razões apresentadas na primeira instância de julgamento, ou seja, pela aplicação da “Tese dos 5+5” do STJ, no caso. Por fim, a recorrente pediu a reforma da decisão recorrida, para reconhecimento do seu direito creditório . É o relatório. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.003302/200614 Acórdão n.º 1802001.093 S1TE02 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Tratam os autos do pleito de restituição do direito creditório – saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2000 – protocolizado em 05/07/2006, no valor de R$ 10.389,82 (fls. 01/03). As decisões anteriores, neste processo, denegaram o pleito de restituição do direito creditório pleiteado, pela ocorrência da prescrição. Inconformada com a decisão a quo, a recorrente – nas razões do seu recurso defende a “Tese 5+5” do STJ para repetição do indébito tributário, pugnando pela não aplicação do prazo do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, por ser inconstitucional, submentendo a contenda à análise desta Colenda Turma. A questão a ser enfrentada, nesta instância de julgamento, resumese em apurar se a recorrente pleiteou o pretenso direito creditório antes ou depois de transcorrido o lapso temporal prescricional. Antes de tudo, apenas para argumentar, tanto em sede doutrinária, quanto em sede jurisprudencial dos nossos tribunais, há divergência quanto ao entendimento se o prazo para repetição de indébito tributário seria decadencial ou prescriocional. Sem delongas, entendo que o prazo para repetição de indébito tributário é prescricional, pois a ação de repetição do indébito tributário tem natureza condenatória por envolver pretensão suscetível de violação, sujeitandose aos efeitos da prescrição, e não da decadência que se articula com o exercício de direitos potestativos, insuscetíveis de violação. A questão do prazo para repetição do indébito tributário, em face do art. 4º da Lei Complementar nº 118/2005, já foi enfrentada, no mérito, pelo Pleno do STF, Corte Suprema guardiã da Constituição da República Federativa do Brasil, no RE nº 566.621/RS. Vale dizer, na sessão plenária de 04/08/2011, no RE nº 566.621/RS, Relatora Min. Ellen Gracie, sob regime de repercussão geral, o STF – por maioria de votos declarou a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4º da Lei Complementar nº 118/2005, cuja ementa desse decisum transcrevo a seguir: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA A REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS Fl. 168DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/2005, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados de seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts.150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. (...) A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos (...). Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (...) Em face dessa decisão do STF, a “Tese 5+5” do STJ para repetição do indébito tributário restou superada para pleitos ajuizados ou reclamados em sede administrativa a partir de 09/06/2005, ainda que relativos a pagamentos ou recolhimentos indevidos anteriores à vigência dessa novel Lei Complementar. Por outro lado, permaneceu válida a “Tese 5+5” do STJ apenas para pleitos ajuízados ou formulados antes dessa data. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.003302/200614 Acórdão n.º 1802001.093 S1TE02 Fl. 4 7 Por oportuno, colaciono a ementa do julgado do próprio STJ que elucidou a questão: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. LC N. 118/2005. NOVEL ENTENDIMENTO DO STF. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL DE 5 ANOS SOMENTE ÀS AÇÕES AJUIZADAS A PARTIR DE 9.6.2005. 1. A jurisprudência do STJ alberga a tese de que o prazo prescricional na repetição de indébito de cinco anos, definido na Lei Complementar n. 118/2005, somente incidirá sobre os pagamentos indevidos ocorridos a partir da entrada em vigor da referida lei, ou seja, 9.6.2005. Vide o REsp 1.002.032/SP, julgado pelo regime dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC). 2. Este entendimento restou superado quando, sob o regime de Repercussão Geral, o Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária realizada em 4.8.2011, no julgamento do Recurso Extraordinário n.566.621/RS (acórdão não publicado), pacificou a tese de que o prazo prescricional de cinco anos, definido na Lei Complementar n.118/2005, incidirá sobre as ações de repetição de indébito ajuizadas a partir da entrada em vigor da nova lei (9.6.2005), ainda que estas ações digam respeito a recolhimentos indevidos realizados antes da sua vigência. Agravo regimental provido em parte. (STJ, AgRg no REsp 1215642/SC, Rel. MIN. HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/09/2011, DJe 09/09/2011). No caso, a recorrente protocolizou o pedido de restituição do saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2000 (apurado em 31/12/2000), no valor de R$ 10.389,82, tão somente em 05/07/2006 , não fazendo jus ao prazo de prescrição da “Tese 5+5” do STJ. O pretenso direito creditório pleiteado, portanto, está fulminado pela prescrição, pois o pedido de repetição do indébito foi formulado além do prazo de 5 (cinco) anos da apuração do saldo negativo do IRPJ (31/12/2000). Diante do exposto, voto para NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 170DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10932.000349/2006-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
ANO-CALENDÁRIO: 200], 2002. 2003, 2004, 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEREMPÇÃO.
Havendo termo de perempção lavrado pela autoridade preparadora e ficando inerte o contribuinte, devidamente intimado para comprovar o regular protocolo de seu recurso que alega ter sido tempestivo, não é possível conhecer do recurso.
Numero da decisão: 3201-001.066
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, para não conhecer do recurso voluntário.
Matéria: IPI- ação fiscal- insuf. na apuração/recolhimento (outros)
Nome do relator: Marcelo Ribeiro Nogueira
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Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI ANO-CALENDÁRIO: 200], 2002. 2003, 2004, 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEREMPÇÃO. Havendo termo de perempção lavrado pela autoridade preparadora e ficando inerte o contribuinte, devidamente intimado para comprovar o regular protocolo de seu recurso que alega ter sido tempestivo, não é possível conhecer do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2a Câmara / ] a Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, para não conhecer do recurso voluntário. - d~~~. MARCõS RELIO PEREIRA VALADAO - Presidente. / {\I\OvV&fu r;)'G A 1 - !\;voq~:. MARCELO RIBEIR~- RelatoU Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D'Amorim, Paulo Sérgio Celani (Suplente), Daniel Mariz Gudino e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional. Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: Contra a empresa em epígrafe foi lavrado auto de infração pelo fato de o estabelecimento industrial ter dado saída de produtos tributados pelo IPI sem emissão de nota fiscal, em decorrência de omissão de receita, nos anos-calendário de 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005, caracterizada por depósitos bancários junto a instituições .financeiras, cuja origem dos recursos utilizados nessas operações a contribuinte, regularmente intimada, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea. o crédito tributário lançado totalizou R$ 10.566.370,63, inclusos juros de mora e multa de oficio. o termo de verificação e constatação fiscal de jls. 450/452 descreve a 'ação fiscal, ressaltando que foi aplicada a multa qualificada de 150%, em função de se considerar que o contribuinte teve a intenção de suprimir ou reduzir tributo ou contribuição, na medida em que se declarou inativo nos anos- calendário de 2001 e 2002, ficou omisso nos anos-calendário de 2003, 2004 e 2005, mantendo grande e incompatível movimentação financeira em instituições bancárias, além de não prestar esclarecimentos ou entregar a documentação solicitada pela fiscalização. Referida multa foi agravada para 225%, pelo fato de a empresa não ter atendido as intimações e apresentado os documentos solicitados. Notificada do lançamento em 22/12/2006, conforme autos de infração às jls.470/480, a interessada, por seu representante legal, ingressou, em 19/0112007, com a impugnação de fis.498/531, alegando, em suma: Em Preliminar: • Violação ao princípio da legalidade e da publicidade, uma vez que a autoridade administrativa não esclareceu os motivos que ensejaram a instaurqção do mandado de procedimento fiscal (MPF) - diligência, nem quais os motivos de alteração para procedimento de fiscalização, além das demais questões levantadas nas petições protocoladas pela impugnante; • Violação do principio da motivação, uma vez que não restaram materializadas as razões que levaram á instauração do termo de início de fiscalização, exigindo a entrega de seus extratos bancários; • Nulidade do MPF, por não estar em conformidade com os princípios assegurados constitucionalmente, como o principio que impede a auto-incriminação (Constituição Federal - CF, art. 5°. LXVIII), manifestação eloqüente da cláusula da amp~/ 2 Processo n° 10932.000349/2006-88 Acórdão n.o 3201- defesa (CF, art. 5 O, LV), do direito de permanecer calado (CF, art. 5°, LXIII) e da presunção de inocência (CL, ml. 5°, 1, VII); • Necessidade de devolução do prazo para impugnação, pois as cópias dos autos não foram entregues à impugnante dentro do prazo razoável, ocasionando o cerceamento de seu direito de defesa, já que houve recusa dos agentes administrativos em liberar cópias dos autos. No mérito: • Decadência do direito de a Fazenda Nacional proceder ao lançamento do imposto, nos termos do Código Tributário Nacional (CTN), art. 150, ~ 40, com relação aos fatos geradores ocorridos entre janeiro a novembro de 2001, urna vez que a lavratura dos autos se deu em 20/12/2006; • Ofensa ao principio da capacidade contributiva, da vedação de confisco e da isonomia contributiva; • Inexistência de crédito tributário, dada a irregularidade do lançamento, tendo em vista que foram solicitadas iriformações sobre toda a movimentação financeira da impugnante junto ás instituições bancárias, mediante requisições de movimentação financeira (IMF), o que é um ato totalmente inconstitucional, pois apenas o Poder Judiciário tem competência para determinar a quebra de dados sigilosos dos contribuintes; • Inconstitucionalidade no ato de vasculhar as movimentaçÕeS bancárias da impugnante por meio de envio de RMF para as instituições financeiras, uma vez que o art. 40, ~ 7°, do Decreto nO 3.724, de 2001, não exige que a RMF apresente entre os seus requisitos obrigatórios a fundamentação de que trata a CE art. 93, IX; • Deixando de respeitar todas as normas, leis e até o bom-senso, os agentes fiscais considerarem como receitas omitidas os valores depositados/creditados nas referidas contas bancarias, revelando-se que houve preguiça por parte deles, pois é muito mais fácil e rápido indicar os valores que bem entenderem, sem investigar o que é devido ou não, sem separar o que foi devidamente recolhido de imposto pela impugnante; • A empresa não apresentou os documentos solicitados durante a ação fiscal pelos seguintes motivos: por entender que o procedimento fiscalizatório foi instaurado irregularmente em sua origem, uma vez que os motivos que ensejaram o termo de inicio de diligência fiscal e, posteriormente, a fiscalização, não estão formalmente materializados; foi negado acesso aos autos de procedimento administrativo fiscal, a fim de que a impugnante pudesse exercer de forma plena o direito de defesa assegurado pela Constituição Federal; flagrante violação de princípios e direitos; em qualquer procedimento/processo está resguardado o direito constitucional de não autoincriminação; 53-C2Tl FI. 987 3 • Nulidade da multa aplicada, por ser manifestamente confiscatória, além do que, sem prova material da existência de fraude fiscal ou sonegação fiscal, como definida em leisfederais, a multa por suposta infração a dispositivo regulamentar, sem caracterizar má-jé, não pode ser astronômica, nem proporcional ao valor da operação ou do imposto; • A imposição de multa de 225% pelo não atendimento das intimações pela impugnante não deve ser exigida, uma vez que, conforme inúmeras petições protocoladas no decorrer de todo o procedimento fiscalizatório, os documentos solicitados não foram apresentados pela impugnante pelos motivos fartamente expostos; • Não devem ser aplicadas nem a multa qualificada cm 150% nem a de 250%. por suposta infração dos art. 10 e]O da aludida lei; • Com relação à representação fiscal para fins penais em decorrência do MPF, o entendimento dos nossos tribunais é de que, não estando encenado oprocedimento administrativo fiscal, não há que sefalar em adentrar na esfera criminal. Requereu a devolução do prazo para impugnação a partir da data da retirada das cópias dos autos do procedimento administrativo. Em caso negativo, a desconstituiçâo do auto de infração impugnado, a declaração da nulidade da multa aplicada ou sua redução para o percentual de 10% (dez por cento) sobre o valor do tributo. Diante das alegações apresentadas pela empresa referentes à disponibilização do processo para vistas e das cópias solicitadas, os autos do processo principal (10932.000346/2006 44) c o processo decorrente de IPI da matriz (10932.000348/2006-33) foram encaminhados à Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em São Bernardo do Campo, para que fosse reaberto o prazo de trinta dias para apresentação de defesa. Cumprido o despacho, a contribuinte recebeu a intimação em 18/10/2007, Em 30/11/2007, a empresa apresentou documento aditando a impugnação anteriormente protocolizado no processo da matriz, no qual reiterou todos os termos da impugnação anteriormente ofertado, solicitando a aplicação da Lei n° 9.784, de 1999, no que diz respeito aos preceitos basilares do processo administrativo. Referidos documentos foram Juntados por mim ás fls. 724/729. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO INDUSTRIALIZADOS - IPI SOBRE PRODUTOS ~/ 4 Processo nO 10932.00034912006-88 Acórdão n.o 3201- ANO-CALENDÁRIO: 2001, 2002. 2003, 2004, 2005 LANÇAMENTO DE OFICIO DECORRENTE. OMISSÃO DE RECEITAS Comprovada a omissão de receitas em lançamento de oficio respeitante ao IRPJ, cobra-se, por decorrência, em virtude da irrefutável relação de causa e efeito, o IPI correspondente, com os consectários legais. LANÇAMENTO. PRAZO DECADENCIAL. Comprovada a falta apuração e recolhimento do imposto, o prazo decadencial, para a constituição do crédito tributário, excepciona o dies a quo determinado pelo S 4° do Art. 150 do CTN. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindo-o para o contribuinte, que pode refutá-la mediante oferta de provas hábeis e idôneas. PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS OBTENÇÃO. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIo. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. MULTA QUALIFICADA. FRA UDE. Mantém-se a multa por infração qualificada quando reste inequivocamente comprovado o evidente intuito de fraude. MULTA AGRAVADA. FALTA DE ATENDIMENTO A INTIMAÇÕES A falta de atendimento pela contribuinte das intimações que lhe foram dirigidas durante ação fiscal acarreta o agravamento da multa de oficio. Lançamento Procedente 53-C2T1 FI. 988 o contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, ~presento~ recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de./')./ Impugnaçao. ~ 5 Os autos foram enviados a este Conselho e fui designado como relator do presente recurso voluntário, na forma regimental, tendo requisitado a sua inclusão em pauta para julgamento. Em sessão de 02 de fevereiro de 2011, este Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência, na forma da Resolução n° 3201-000.159, para que a autoridade preparadora informasse a este Colegiado se há qualquer registro do protocolo do recurso no dia 19 de dezembro de 2.008, conforme alega o contribuinte, e intimasse o contribuinte a apresentar, no prazo de 15 (quinze) dias, cópia do protocolo do recurso voluntário interposto, a fim de possibilitar a este Colegiado a apreciação da tempestividade do mesmo. Foi buscada a intimação pessoal do contribuinte, por aerograma registrado, em seu endereço informado à autoridade fiscal, esta restou infrutífera e tendo sido procedida a intimação por edital, o contribuinte não se manifestou no prazo estabelecido naquela intimação. Encerrada a diligência, os autos retornaram a este Colegiado. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira Observo que há nos autos (às fls. 776), Termo de Perempção lavrado pela autoridade preparadora e datado de 15 de janeiro de 2009, considerando que não houve a interposição de recurso voluntário em face da decisão de primeira instância. O contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância, através de Termo de Vistas Processuais e Ciência (fls. 755), datado de 26 de novembro de 2008, logo, o prazo para interposição do recurso se encerraria no dia 29 de dezembro de 2.008 (posto que o dia 26 de dezembro daquele ano foi decretado ponto facultativo). Às fls. 781 e seguintes dos autos, foi juntada petição do contribuinte, na qual se faz referência ao recurso voluntário apresentado em 19 de dezembro de 2.008, portanto, dentro do prazo legal. Diante da inércia do contribuinte, devidamente intimado e a inexistência de qualquer outro indício que permita a este relator apontar a correção do protocolo ou mesmo a existência real do alegado recurso voluntário, acolho o Termo de Perempção e VOTO para não conhecer do recurso. ~ ~1~ j):O",'-fl~d1~', rJIARCELO RIB~~I~\Jelator 6 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006
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