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Numero do processo: 10980.937854/2011-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 30/03/2001
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. TRIBUTAÇÃO DA RECEITA FINANCEIRA. IMPOSSIBILIDADE.
Uma vez declarado inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, por decisão definitiva do plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), em regime de repercussão geral, o valor da receita financeira não integra a base de cálculo da contribuição, por não integrar o faturamento da pessoa jurídica não financeira.
PAGAMENTO INDEVIDO. NÃO COMPROVADO O RECEBIMENTO DE RECEITA FINANCEIRA. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de reconhecimento o direito creditório se não provado, com documento hábil e idôneo, o recebimento da receita financeira sobre a qual foi apurada a parcela do PIS e da Cofins alegada como indevida.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. HOMOLOGAÇÃO DO PROCEDIMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Se não comprovadas a certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório mantém-se a não homologação da compensação declarada por ausência de crédito.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.485
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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COFINS. COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente P.G.SCHMIDT & CIA. LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 30/03/2001 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. TRIBUTAÇÃO DA RECEITA FINANCEIRA. IMPOSSIBILIDADE. Uma vez declarado inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, por decisão definitiva do plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), em regime de repercussão geral, o valor da receita financeira não integra a base de cálculo da contribuição, por não integrar o faturamento da pessoa jurídica não financeira. PAGAMENTO INDEVIDO. NÃO COMPROVADO O RECEBIMENTO DE RECEITA FINANCEIRA. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de reconhecimento o direito creditório se não provado, com documento hábil e idôneo, o recebimento da receita financeira sobre a qual foi apurada a parcela do PIS e da Cofins alegada como indevida. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. HOMOLOGAÇÃO DO PROCEDIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Se não comprovadas a certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório mantémse a não homologação da compensação declarada por ausência de crédito. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 78 54 /2 01 1- 71 Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10980.937854/201171 Acórdão n.º 3302004.485 S3C3T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Tratase de compensação, formalizada por meio de Declaração de Compensação (DComp) em que a contribuinte informou a utilização de indébito de PIS cumulativo (código 8109), para adimplir débitos de tributos diversos. Foi emitido despacho decisório de não homologação da compensação, seja em razão de o Darf discriminado na DComp encontrarse totalmente utilizado para quitação de débito da contribuinte, não restando saldo de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na citada DComp ou não ter sido localizado nos sistemas da Receita Federal. Em sede de manifestação de inconformidade, a recorrente alegou que o crédito utilizado era decorrente da ampliação da base cálculo, determinada pelo § 1º do art. 3º da Lei 9.718/1998, que fora declarada inconstitucional pelo STF no julgamento do RE 357.950; que aproveitou o referido crédito nos termos do art. 74 da Lei 9.430/1996; que apresentou demonstrativo da origem do crédito e afirmou que estava amparada pelo art. 170 do CTN; citou e transcreveu jurisprudência administrativa e judicial; ressaltou o contido no art. 165 do CTN; insistiu no direito à restituição; e, ao final, pediu a homologação da compensação. Sobreveio a decisão de primeira instância em que, por unanimidade de votos, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente e mantida a não homologação da compensação declarada, com base nos fundamentos expressos no Acórdão 06046.178. A contribuinte foi cientificada da referida decisão e apresentou, tempestivamente, o recurso voluntário constante nos autos, em que reafirmou as razões de defesa aduzidas na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.481, de Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10980.937854/201171 Acórdão n.º 3302004.485 S3C3T2 Fl. 4 3 25 de julho de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.924260/200986, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.481): "O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A controvérsia gira em torno da não homologação da compensação declarada, por inexistência do direito creditório informado. De fato, noticia o Despacho Decisório de fls. 2/4, que, embora localizado nos sistema da RFB, o Darf informado pela recorrente na Declaração de Compensação (DComp) de fls. 5/8, o pagamento nele discriminado fora integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação em apreço. Por meio da manifestação de inconformidade de fls. 9/14, a recorrente alegou que a parcela do pagamento utilizado na compensação correspondia a parcela do pagamento da Cofins do mês de fevereiro de 2001, calculada sobre o valor das receitas financeiras recebidas no mês, incluído indevidamente na base de cálculo da contribuição, em razão da decisão do STF que declarara inconstitucional o art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/1998. A questão jurídica, atinente ao ilegal alargamento da base de cálculo, já se encontra superada no âmbito deste Conselho desde o trânsito em julgado da decisão plenária do STF, proferida no âmbito do julgamento da questão de ordem suscitada no RE nº 585.235/RG, realizado sob o regime de repercussão geral, estabelecido no art. 543B do CPC, cujo enunciado da ementa restou a assim redigido, in verbis: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, DJe227 28/11/2008) – Grifos não originais. Com o trânsito de julgado da referida decisão, em cumprimento ao disposto no art. 62, § 2º, da Portaria MF 343/2015, que aprovou Regimento Interno deste Conselho (RICARF/2015), os fundamentos do referido julgado são de adoção obrigatória por todos membros deste Conselho, logo, aqui adotase o teor da respectiva decisão, para afastar o alargamento da base de cálculo das referidas contribuições, previsto no art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/1998. Entretanto, embora reconhecido como indevido o alargamento da base de cálculo das referidas contribuições, o que, induvidosamente, inclui as receitas financeiras auferidas no período de apuração em referência, a Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10980.937854/201171 Acórdão n.º 3302004.485 S3C3T2 Fl. 5 4 recorrente não dignou trazer aos autos prova de que de que auferira o valor da receita financeira alegado. De fato, na fase de manifestação de inconformidade, a recorrente não apresentou nenhum elemento probatório que confirmasse o recebimento das referidas receitas financeiras e tampouco que tenha incluído o correspondente valor na base de cálculo da contribuição recolhida no mês. Somente com a apresentação da peça recursal em apreço, a recorrente trouxe à colação dos autos o demonstrativo de fls. 44/45, em que discriminado os valores das receitas financeiras, auferidas nos meses de fevereiro de 2001 a dezembro de 2003, bem como os supostos valores originais e atualizados da Cofins indevida, apurados nos citados meses. E com vista à comprovação do valor da receita financeira auferida no mencionado mês, em vez de apresentar cópia das folhas do livro contábil obrigatório (o livro diário), devidamente autenticado no Registro Público de Empresas Mercantis, acompanhado das cópias dos extratos bancários das correspondentes operações financeiras, conforme exige os arts. 1.179 a 1811 da Lei 10.406/2002 (Código Civil de 2002), a recorrente limitouse a apresentar uma folha com os valores de suposta Demonstração de Resultado do mês de fevereiro. A copia do suposto documento não foi extraída do livro Diário e tampouco assinado por profissional da área contábil legalmente habilitado e pelo representante da recorrente, conforme exige o art. 1.184 do Código Civil de 2002, a seguir transcrito: Art. 1.184. No Diário serão lançadas, com individuação, clareza e caracterização do documento respectivo, dia a dia, por escrita direta ou reprodução, todas as operações relativas ao exercício da empresa. § 1º Admitese a escrituração resumida do Diário, com totais que não excedam o período de trinta dias, relativamente a contas cujas operações sejam numerosas ou realizadas fora da sede do estabelecimento, desde que utilizados livros auxiliares regularmente autenticados, para registro individualizado, e conservados os documentos que permitam a sua perfeita verificação. § 2º Serão lançados no Diário o balanço patrimonial e o de resultado econômico, devendo ambos ser assinados por técnico 1 "Art. 1.179. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração uniforme de seus livros, em correspondência com a documentação respectiva, e a levantar anualmente o balanço patrimonial e o de resultado econômico. § 1º Salvo o disposto no art. 1.180, o número e a espécie de livros ficam a critério dos interessados. § 2º É dispensado das exigências deste artigo o pequeno empresário a que se refere o art. 970. Art. 1.180. Além dos demais livros exigidos por lei, é indispensável o Diário, que pode ser substituído por fichas no caso de escrituração mecanizada ou eletrônica. Parágrafo único. A adoção de fichas não dispensa o uso de livro apropriado para o lançamento do balanço patrimonial e do de resultado econômico. Art. 1.181. Salvo disposição especial de lei, os livros obrigatórios e, se for o caso, as fichas, antes de postos em uso, devem ser autenticados no Registro Público de Empresas Mercantis. Parágrafo único. A autenticação não se fará sem que esteja inscrito o empresário, ou a sociedade empresária, que poderá fazer autenticar livros não obrigatórios." Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10980.937854/201171 Acórdão n.º 3302004.485 S3C3T2 Fl. 6 5 em Ciências Contábeis legalmente habilitado e pelo empresário ou sociedade empresária. (grifos não originais) Assim, como se trata de documento sem autenticidade, sequer assinado por representante legal da recorrente e profissional habilitado, induvidosamente, ele não serve como meio de prova do recebimento dos valores das referidas receitas financeiras discriminados pela recorrente no citado demonstrativo. Além disso, o citado documento não foi apresentado com a manifestação de inconformidade, conforme exige o art. 15 do Decreto 70.235/1972. Assim, ainda que revestisse de meio de prova adequada, o que se admite apenas para argumentar, por força da preclusão determinada no art. 16, § 4º, do citado Decreto, o referido documento não poderia ser admitido como elemento de prova na atual fase processual. Enfim, cabe ainda consignar que, no processo de compensação, a parte autora é o contribuinte que realizou o procedimento compensatório, portanto, nos termos do art. 373, I, da Lei 13.105/2015 (Código Processo Civil), que, na ausência de norma específica, aplicase subsidiariamente ao processo administrativo fiscal (art. 152 do CPC), o ônus de provar a certeza e liquidez do crédito utilizado na compensação em apreço era da incumbência da recorrente. No entanto, nas duas oportunidades em que compareceu aos autos, ela omitiu se de apresentar prova adequada que demonstrasse a existência do direito creditório informado. No mesmo sentido, o art. 36 da Lei 9.784/1999, que dispõe sobre o processo administrativo federal, atribui ao autor do feito ou do pedido o ônus da prova constitutiva do seu direito. Logo, uma vez demonstrado que o ônus da prova da existência do crédito compensado era da recorrente, porém, como ela não se incumbiu dessa função deve arcar com as consequências decorrentes da sua omissão. Por todo o exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra a decisão recorrida." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente e a Recorrente não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède 2 "Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente." Fl. 51DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.720235/2015-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
AUTO DE INFRAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
Tendo em vista que o procedimento fiscal foi instaurado conforme a legislação vigente, o lançamento fiscal foi efetuado por autoridade competente e encontra-se devidamente motivado, com descrição precisa e detalhada dos fatos, trazendo todas as informações necessárias para a sua devida compreensão, não se concretiza a hipótese de cerceamento do direito de defesa e nem de nulidade do Auto de Infração.
IMUNIDADE. ISENÇÃO. EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO DO INGRESSO DE DIVISAS.
A imunidade ou isenção aplicada às receitas de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior é condicionada à comprovação do ingresso de divisas no país, conforme dispõe o art. 14, inc. III, e § 1º, da MP n° 2.158-35/01.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
AUTO DE INFRAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
Tendo em vista que o procedimento fiscal foi instaurado conforme a legislação vigente, o lançamento fiscal foi efetuado por autoridade competente e encontra-se devidamente motivado, com descrição precisa e detalhada dos fatos, trazendo todas as informações necessárias para a sua devida compreensão, não se concretiza a hipótese de cerceamento do direito de defesa e nem de nulidade do Auto de Infração.
IMUNIDADE. ISENÇÃO. EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO DO INGRESSO DE DIVISAS.
A imunidade ou isenção aplicada às receitas de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior é condicionada à comprovação do ingresso de divisas no país, conforme dispõe o art. 14, inc. III, e § 1º, da MP n° 2.158-35/01.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3402-004.299
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. Tendo em vista que o procedimento fiscal foi instaurado conforme a legislação vigente, o lançamento fiscal foi efetuado por autoridade competente e encontra-se devidamente motivado, com descrição precisa e detalhada dos fatos, trazendo todas as informações necessárias para a sua devida compreensão, não se concretiza a hipótese de cerceamento do direito de defesa e nem de nulidade do Auto de Infração. IMUNIDADE. ISENÇÃO. EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO DO INGRESSO DE DIVISAS. A imunidade ou isenção aplicada às receitas de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior é condicionada à comprovação do ingresso de divisas no país, conforme dispõe o art. 14, inc. III, e § 1º, da MP n° 2.158-35/01. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. Tendo em vista que o procedimento fiscal foi instaurado conforme a legislação vigente, o lançamento fiscal foi efetuado por autoridade competente e encontra-se devidamente motivado, com descrição precisa e detalhada dos fatos, trazendo todas as informações necessárias para a sua devida compreensão, não se concretiza a hipótese de cerceamento do direito de defesa e nem de nulidade do Auto de Infração. IMUNIDADE. ISENÇÃO. EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO DO INGRESSO DE DIVISAS. A imunidade ou isenção aplicada às receitas de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior é condicionada à comprovação do ingresso de divisas no país, conforme dispõe o art. 14, inc. III, e § 1º, da MP n° 2.158-35/01. Recurso negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
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FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. Tendo em vista que o procedimento fiscal foi instaurado conforme a legislação vigente, o lançamento fiscal foi efetuado por autoridade competente e encontrase devidamente motivado, com descrição precisa e detalhada dos fatos, trazendo todas as informações necessárias para a sua devida compreensão, não se concretiza a hipótese de cerceamento do direito de defesa e nem de nulidade do Auto de Infração. IMUNIDADE. ISENÇÃO. EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO DO INGRESSO DE DIVISAS. A imunidade ou isenção aplicada às receitas de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior é condicionada à comprovação do ingresso de divisas no país, conforme dispõe o art. 14, inc. III, e § 1º, da MP n° 2.15835/01. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. Tendo em vista que o procedimento fiscal foi instaurado conforme a legislação vigente, o lançamento fiscal foi efetuado por autoridade competente e encontrase devidamente motivado, com descrição precisa e detalhada dos fatos, trazendo todas as informações necessárias para a sua devida compreensão, não se concretiza a hipótese de cerceamento do direito de defesa e nem de nulidade do Auto de Infração. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 02 35 /2 01 5- 11 Fl. 991DF CARF MF Processo nº 13896.720235/201511 Acórdão n.º 3402004.299 S3C4T2 Fl. 992 2 IMUNIDADE. ISENÇÃO. EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO DO INGRESSO DE DIVISAS. A imunidade ou isenção aplicada às receitas de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior é condicionada à comprovação do ingresso de divisas no país, conforme dispõe o art. 14, inc. III, e § 1º, da MP n° 2.15835/01. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de auto de infração de PIS/COFINS cobrados no regime de apuração cumulativo, alem de multa regulamentar por não entrega da escrituração contábil em meio digital (a qual não foi impugnada), tendo em vista entendimento do Fisco (TVF fls. 870/873) que o valor das comissões de serviços prestados no exterior em forma de desconto do valor remetido ao exterior para pagamento dos tomadores de serviços se caracteriza como receita. Assim, sobre este valor entendeu a fiscalização que incidem as contribuições e constituiu o correspondente crédito tributário. Inicialmente, em 29/01/2015, a fiscalização fez a cobrança com base no regime nãocumulativo (fls. 814/840). Posteriormente, em 13/02/2015, novo TVF retificando os itens 3.1.3 a 3.1.5 daquele, tendo a fiscalização constatado que utilizou incorretamente o referido regime de apuração na apuração inicial. Dessa feita refez os cálculos no regime cumulativo, conforme demonstrativos de fl. 872 (item 3.1.4 Apuração dos Valores do PIS e da COFINS Devidos). Assim, a exação objeto destes autos são os valores constantes no TVF de fls. 814/840. Informa o Fisco que a autuada é uma agência de viagens com foco na venda de programas de intercâmbio e cursos no exterior compreendendo, entre outros, cursos de idiomas, ensino médio no exterior, graduação, extensão universitária, programas de trabalho remunerado, programas para profissionais, para estudantes e famílias durante as férias escolares, além de viagens de aventura e voluntariado. Oferece também serviços correlatos Fl. 992DF CARF MF Processo nº 13896.720235/201511 Acórdão n.º 3402004.299 S3C4T2 Fl. 993 3 como venda de passagens aéreas, planos de assistência médica internacional, reserva de acomodações, emissão da carteira internacional do estudante e outros. Durante o procedimento fiscal, a empresa foi intimada e reintimada a informar os fundamentos legais que ampararam a classificação, a título de "Receita Isenta e Demais Receitas sem Incidência da Contribuição" (PIS e Cofins), dos valores declarados nos DACON relativos aos períodos de apuração do anocalendário de 2010. Em resposta, justificou a não incidência das referidas contribuições sobre receitas de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas. Intimada e reintimada a apresentar documentação comprobatória sobre a justificativa acima, informou que “parte das receitas (comissão) foi recebida dos tomadores por meio de (i) remessas provenientes do exterior, devidamente suportadas por contratos de câmbio, enquanto que a outra parte das receitas (comissão) foi recebida dos tomadores mediante (ii) dedução do respectivo montante (da comissão) das receitas auferidas pelos tomadores no país e objeto de remessas ao exterior realizadas pela Fiscalizada, também suportadas por contratos de câmbio”, acrescendo citação de soluções de consulta que dariam suporte ao entendimento de que o procedimento de dedução referido no item "ii" não desqualificaria o valor descontado da comissão quando da remessa como "ingresso de divisas" no país. Já a fiscalização, como dito, entende que a dedução dos montantes dos valores devidos a esses mesmos tomadores em decorrência da venda de passagens aéreas, cursos no exterior e outros produtos por serviços prestados a tomadores residentes ou domiciliados no exterior, não representa efetivo ingresso de divisas, referenciando outras soluções de consulta que vão ao encontro desse entendimento. Ou seja, em suma, entendeu a fiscalização que não ocorrendo o efetivo ingresso de divisas, não estão atendidas as condições expressas na legislação de regência para caracterizar tais receitas como beneficiárias da não incidência do PIS e da Cofins. Este é o núcleo da lide. Impugnado o lançamento (fls. 897/908), a DRJ/BHE julgou a impugnação improcedente (fls. 927/941). Não resignada, a autuada interpôs o presente recurso voluntário (fls. 955/972), no qual, em síntese, alega: 1 Em preliminar, que o lançamento seria nulo por "ausência de motivação e consequente cerceamento de defesa", uma vez que os citados artigos das Leis 10.637/02 e 10.833/03, não são aplicáveis uma vez que se referem ao regime nãocumulativo, o que não é o caso dela, nos termos do art. 10, XXIV da Lei 10.833. Igualmente, pugna pela nulidade da r. decisão ao argumento de que ela não teria enfrentado o pedido de decretação de nulidade por motivação inadequada do lançamento; 2 Que é uma agência de viagem que atua, primordialmente, na intermediação de programas de intercâmbio e de cursos no exterior promovidos por escolas e universidades, sendo que estas remuneram os serviços que ela presta por meio de comissão, as quais são recebidas mediante desconto dos valores remetidos ao exterior para pagamento dos tomadores de serviços, e mediante o recebimento de valores diretamente do exterior. Assim, entende que não pode prosperar o entendimento fiscal de que as comissões estariam sujeitas à incidência das contribuições por não representarem ingresso de divisas, pois, a seu juízo, tais valores seriam imunes nos termos do inciso I do § 2º do artigo 149 da Constituição. Ou seja, entende que tais valores de comissão seriam "receitas decorrentes de exportação". Argui que Fl. 993DF CARF MF Processo nº 13896.720235/201511 Acórdão n.º 3402004.299 S3C4T2 Fl. 994 4 ainda que a imunidade não se aplicasse ao caso vertente, as receitas de comissão seriam isentas com arrimo no inciso III e § 1º do artigo 14 da MP 2.15835/2001, o qual dispõe que são isentas da contestadas contribuições os serviços prestados por PJ, "cujo pagamento represente ingresso de divisas". Nesse sentido, faz referência às soluções de consulta 2/2008 da SRRF5 e 16/2007 da SRFF9, e Acórdão 20180.871, de 13/12/2007. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire PRELIMINAR Quanto à pugnada nulidade do lançamento, mera procrastinação, pois o novo TVF deixou bem aclarado que a exação anterior é que estava equivocada, pois errou ao apurar as contribuições devidas com base no regime nãocumulativo. Contudo, sem qualquer prejuízo à defesa, que sequer havia impugnado o lançamento anterior, pois foi feito novo lançamento (fls. 874/891) em substituição ao anterior (fls. 844/864), desta feita com o correto regime de apuração e suas respectivas alíquotas, resultando, inclusive, em uma cobrança de valor significativamente menor. E o novo lançamento que substituiu o anterior em todos seus termos está devidamente motivado quanto ao enquadramento legal. Quero crer que a recorrente não o tenha lido, restringindo sua leitura à retificação do TVF (que manteve o histórico da ação fiscal do anterior). Porém, a fl. 875, consta para a COFINS no regime cumulativo o seguinte enquadramento legal: E o enquadramento legal para a exigência do PIS encontrase à fl. 880: Portanto, não houve qualquer prejuízo à defesa, quer pelo correto enquadramento legal que consta às explícitas no auto de infração, quer porque os termos das Fl. 994DF CARF MF Processo nº 13896.720235/201511 Acórdão n.º 3402004.299 S3C4T2 Fl. 995 5 peças de impugnação e recursal demonstram pelo seu teor que não houve qualquer cerceio à defesa. Assim, sem reparos à peça fiscal de cobrança. Igualmente sem fundamento o pedido de anulação da decisão a quo, pois esta enfrentou, ao contrário do que afirma a recorrente, todos os pontos aventados na impugnação, mormente no que se refere ao pedido de nulidade do lançamento, inclusive em item específico (fl. 935 II "Da Nulidade dos Autos de Infração"). Vejase: No que se refere à disposição legal infringida, requisito obrigatório do auto de infração conforme art. 10, inc. IV, do Decreto nº 70.235/72, importante esclarecer o seguinte: Na primeira versão dos autos de infração referentes a Insuficiência de Declaração e/ou Recolhimento do PIS e da Cofins (fls. 851/864) constou como Enquadramento Legal as Leis n° 10.637/02 e n° 10.833/03 (regime nãocumulativo). Posteriormente, os lançamentos dos autos de infração acima foram objeto de revisão de ofício, conforme previsto no art. 149, inc. V, do Código Tributário Nacional, por ter sido utilizado incorretamente o regime nãocumulativo na apuração do PIS e da Cofins, razão pela qual os correspondentes autos de infração foram anulados. O lançamentos revistos de ofício foram objeto de novos autos de infração (fls. 874/883), cujo Enquadramento Legal cita adequadamente: art. 1º da Lei Complementar nº 70/91; art. 2º da Lei nº 9.718/98; art. 3º da Lei nº 9.718/98, com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Medida Provisória nº 2.15835/01, pelo art. 41 da Lei nº 11.196/05 e pelo art. 15 da Lei nº 11.945/09 (Cofins regime cumulativo); art. 1º da Lei Complementar nº 7/70; art. 2º, inc. I, e 9º da Lei nº 9.715/98; art. 2º da Lei 9.718/98; art. 79 da Lei nº 11.941/2009; art. 3º da Lei 9.718/98, com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Medida Provisória nº 2.15835/01, pelo art. 41 da Lei nº 11.196/05 e pelo art. 15 da Lei nº 11.945/09 (PIS regime cumulativo). Conforme se depreende dos fatos acima, não procede a alegação da Impugnante de que a Fiscalização se utilizou de base legal inadequada para o regime de apuração a que está sujeita. Embora tenha se equivocado na primeira versão dos autos de infração, estes foram adequadamente revistos e substituídos por outros devidamente qualificados com o enquadramento legal correto. Com efeito, sem reparos à r. decisão. Dessarte, por não identificar qualquer vício no lançamento e na decisão recorrida, e tampouco qualquer cerceamento ao seu direito de defesa ( pas de nullité sans grief) rechaço as pugnadas nulidades. MÉRITO Fl. 995DF CARF MF Processo nº 13896.720235/201511 Acórdão n.º 3402004.299 S3C4T2 Fl. 996 6 Quanto ao mérito, a lide se resume em identificarmos se os valores das comissões cobradas pela recorrente mediante desconto dos valores remetidos ao exterior para pagamento aos tomadores de serviços teria natureza jurídica de receita cujo pagamento represente ingresso de divisas. Já a recorrente entende que os valores recebidos “mediante desconto”, conforme acima relatado, está compreendido no conceito de receitas decorrentes da exportação de serviços, para fins de obtenção da imunidade, nos termos dos artigos 149, § 2º, inc. I, da CF/88, ou isenção do PIS e da Cofins, nos termos do art. 14, inc. III, e § 1º, da MP n° 2.15835/01. Regulamentando tal regra exonerativa constitucional em questão, o art. 14, inciso III e § 1º da MP n° 2.15835/01, estabelece a “isenção” de PIS e Cofins sobre as receitas dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, in verbis: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: [...]III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; [...]§ 1o São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. Portanto, condição legal para fruição da isenção em pauta tratase da exigência de que o pagamento represente ingresso de divisas no país. E o ingresso no país da receita de exportação ocorre por meio da liquidação dos correspondentes contratos de câmbio. E, como bem pontuado na r. decisão, para tanto devemos buscar o que dispõe a Circular Bacen 3.691/2013. TÍTULO: 1 – Mercado de Câmbio CAPÍTULO: 11 – Exportação SEÇÃO: 1 – Disposições Gerais 1. Este capítulo dispõe sobre as operações no mercado de câmbio relativas às exportações brasileiras de mercadorias e de serviços. 2. As exportações brasileiras de mercadorias e de serviços sujeitamse ao ingresso no País da moeda estrangeira correspondente, mediante celebração e liquidação de contrato de câmbio em banco autorizado a operar no mercado de câmbio, no País, ressalvados os casos específicos previstos na legislação e regulamentação em vigor. 3. As operações de câmbio a que se refere o item anterior são liquidadas mediante a entrega da moeda estrangeira ou do documento que a represente ao banco com o qual tenha sido celebrado o contrato de câmbio. Contudo, o recebimento de comissões obtidas mediante desconto dos valores remetidos ao exterior não se enquadra em nenhuma das formas acima discriminadas que ensejam a caracterização como ingressos de divisas no País. E não se tratando de recebimento de receitas do exterior, não há que falarse em imunidade, pois esta só haveria se houvesse receita de exportação, a qual, como dito, condicionase ao ingresso de divisas no país, o que não ocorreu na modalidade do desconto utilizado pela recorrente. Fl. 996DF CARF MF Processo nº 13896.720235/201511 Acórdão n.º 3402004.299 S3C4T2 Fl. 997 7 Em face dos aspectos legais discutidos e das considerações supra, concluo que receitas decorrentes das comissões obtidas mediante desconto dos valores remetidos ao exterior para pagamento dos tomadores de serviços não fruem da isenção de PIS e Cofins prevista no art. 14, inciso III, e § 1º, da MP n° 2.15835/01, e tampouco são imunes. Tratase, portanto, de receitas tributáveis. CONCLUSÃO Forte em todo exposto, nego provimento ao recurso. É como voto. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Relator Fl. 997DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13707.001674/2002-96
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário: 1997
DIPJ. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO.
Todas as pessoas jurídicas de direito privado domiciliadas no País,
registradas ou não, sejam quais forem os fins, estejam ou não sujeitas ao pagamento do imposto de renda, estão obrigada a entregar a Declaração de Informações da Pessoa Jurídica.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1801-000.717
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. Ausente momentaneamente o Conselheiro Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira.
Matéria: IRPJ - multa por atraso na entrega da DIPJ
Nome do relator: Edgar Silva Vidal
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 1997 DIPJ. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO. Todas as pessoas jurídicas de direito privado domiciliadas no País, registradas ou não, sejam quais forem os fins, estejam ou não sujeitas ao pagamento do imposto de renda, estão obrigada a entregar a Declaração de Informações da Pessoa Jurídica. Recurso Voluntário Provido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997 DIPJ. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO. Todas as pessoas jurídicas de direito privado domiciliadas no País, registradas ou não, sejam quais forem os fins, estejam ou não sujeitas ao pagamento do imposto de renda, estão obrigada a entregar a Declaração de Informações da Pessoa Jurídica. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. Ausente momentaneamente o Conselheiro Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente. (documento assinado digitalmente) Edgar Silva Vidal Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes Fl. 56DF CARF MF Emitido em 12/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 02/11/2011 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório Conselheiro Edgar Silva Vidal, Relator A contribuinte foi autuada no valor de R$ 414,35 por haver entregue, com atraso,a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica relativa ao exercício de 1998, ano calendário 1997. O prazo para entrega da DIPJ, no presente caso, era até o dia 29/ 05/1998 e consta no Auto de Infração, como data de apresentação da Declaração o dia 20/07/2001. Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, na qual alega a improcedência do mesmo, pois afirma que apresentou Declaração dentro do prazo, em 14/05/1998, juntando cópia não autenticada do recibo (fl..04).. Alega ainda que apresentou outra Declaração posteriormente, atendendo a pedido da Secretaria da Receita Federal. Diante da alegação da contribuinte, foi a mesma intimada pela 5ª Turma da DRJ/RJOI a apresentar, no prazo de 20 (vinte) dias, original ou cópia autenticada do recibo da declaração de rendimentos correspondente ao exercício de 1998, anocalendário de 1997. Recebida a intimação em 08 de março de 2004, a contribuinte não se manifestou A DRJ/RJOI entendeu que o documento de fl. 04 não se presta a confirmar a entrega tempestiva da declaração, pois não há como comprovar sua autenticidade e pelo Acórdão nº DRJ/RJOI nº 6313/2004, de 17/12/2004, manteve o lançamento constante do Auto de Infração. Intimada do Acórdão em 02/03/2005 (f,ls.27) a contribuinte apresentou, em 17 de março de 2005, cópia autenticada do Recibo de Entrega de Declaração de IRPJ 1998/1997 (Fls. 29/30) O processo, junto com a cópia autenticada , foi devolvido à DRJ I para análise, em 17/03/2005. A DRJ, proferiu o seguinte despacho em 25/04/2005(fls. 31): Haja vista, esta Delegacia já haver proferido decisão neste processo, fls. 22 a 25, e não existir previsão para reconsideração. Restituase o presente ao CAC/MADUREIRA/RJ, para as providências de sua alçada. O CAC/Madureira, através da Intimação nº 330/2005, de 09/5/2005, solicitou o comparecimento da contribuinte no prazo de 5 (cinco) dias, para esclarecer divergência encontrada no processo, mas sem especificála. A contribuinte foi intimada em 13/05/2005 (fls. 32) e não consta seu comparecimento ao CAC/MADUREIRA. Inconformada com a decisão, interpôs Recurso Voluntário 05/07/2005 (fls. 38/39) alegando que o lançamento é improcedente, pois entregou a Declaração de Renda no prazo legal, de acordo com os documentos constantes do processo. Fl. 57DF CARF MF Emitido em 12/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 02/11/2011 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13707.001674/200296 Acórdão n.º 1801000.717 S1TE01 Fl. 50 3 Pede a anulação do lançamento e a improcedência da multa. É o relatório. Fl. 58DF CARF MF Emitido em 12/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 02/11/2011 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Voto Conselheiro Edgar Silva Vidal, Relator Acato como Recurso Voluntário, tempestivo, a apresentação da cópia autenticada do recibo da entrega da DIPJ relativa ao anocalendário 1997, feita pela recorrente em 17 de março de 2005 e como Aditamento ao Recurso Voluntário, a peça protocolada em 05/07/2005. Pelos motivos expostos conheço do Recurso Voluntário. Considero satisfeita a obrigação acessória da recorrente, no tocante à entrega tempestiva da DIPJ relativa ao anocalendário de 1997. Diante do exposto, voto para dar provimento ao Recurso Voluntário. (Documento assinado digitalmente) Edgar Silva Vidal Relator Fl. 59DF CARF MF Emitido em 12/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 02/11/2011 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10935.001277/2011-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
CRÉDITO PRESUMIDO. CONTRATOS DE PARCERIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. DESCABIMENTO.
O crédito presumido previsto no art. 8º da Lei 10.925, de 2004, somente pode ser apurado sobre a aquisição de bens, mas não de serviços.
Se o criador de aves, por contrato de parceria, não tem o direito de usar, gozar ou dispor da coisa, posto que não pode comercializar os animais que cria, mas apenas devolvê-los a quem lhe entregou, inclusive a sua (quota-parte), não há que se falar em aquisição de bens por parte da agroindústria, mas sim em prestação de serviço; não cabendo portanto crédito presumido à agroindústria.
Não se pode diferenciar a atividade exercida pelo criador por parceira com relação a sua quota-parte e os demais animais, ou produz ou presta serviço, na totalidade, indistintamente, sem segregá-los em "produtos" em relação à sua quota-parte e "serviços" em relação aos demais. Na espécie, temos caracterizada a prestação de serviço do criador para a agroindústria, inclusive em relação a cota-parte.
CRÉDITO PRESUMIDO. RATEIO PROPORCIONAL. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO E MERCADO INTERNO. NÃO DISCRIMINAÇÃO POR PRODUTO OU SETOR.
Aplica-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não-cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Não se discrimina o cálculo por produto ou setor.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-004.026
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcos Roberto da Silva, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. Recorrente COOPAVEL COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 CRÉDITO PRESUMIDO. CONTRATOS DE PARCERIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. DESCABIMENTO. O crédito presumido previsto no art. 8º da Lei 10.925, de 2004, somente pode ser apurado sobre a aquisição de bens, mas não de serviços. Se o criador de aves, por contrato de parceria, não tem o direito de usar, gozar ou dispor da coisa, posto que não pode comercializar os animais que cria, mas apenas devolvêlos a quem lhe entregou, inclusive a sua (quota parte), não há que se falar em aquisição de bens por parte da agroindústria, mas sim em prestação de serviço; não cabendo portanto crédito presumido à agroindústria. Não se pode diferenciar a atividade exercida pelo criador por parceira com relação a sua quotaparte e os demais animais, ou produz ou presta serviço, na totalidade, indistintamente, sem segregálos em "produtos" em relação à sua quotaparte e "serviços" em relação aos demais. Na espécie, temos caracterizada a prestação de serviço do criador para a agroindústria, inclusive em relação a cotaparte. CRÉDITO PRESUMIDO. RATEIO PROPORCIONAL. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO E MERCADO INTERNO. NÃO DISCRIMINAÇÃO POR PRODUTO OU SETOR. Aplicase aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Não se discrimina o cálculo por produto ou setor. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 12 77 /2 01 1- 23 Fl. 2086DF CARF MF Processo nº 10935.001277/201123 Acórdão n.º 3301004.026 S3C3T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcos Roberto da Silva, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente processo do Pedido de Ressarcimento de Crédito Presumido de Cofins nãocumulativo(a) Exportação, no qual a contribuinte sustenta, em síntese, que possui o direito ao ressarcimento/compensação do crédito presumido acima (apurado nos termos do artigo 8º da Lei nº 10.925, de 2004) em face da introdução do art. 56A na Lei 12.350, de 2010, realizada pelo art. 9º da Medida Provisória nº 517, de 2010. Por sua vez, a Seção de Orientação e Análise Tributária – SAORT da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Cascavel – PR, após a realização de uma auditoria fiscal, emitiu Despacho Decisório reconhecendo parcialmente o direito creditório solicitado, sem a incidência de atualização monetária ou de juros de mora. A contribuinte foi cientificada do mencionado despacho decisório, apresentando manifestação de inconformidade, cujo teor é resumido a seguir. Incialmente, após um breve relato dos fatos, no item “Do Indeferimento/Glosa dos Créditos Presumidos”, subitem “1) Do direito a apuração do crédito presumido sobre a aquisição da produção dos produtores rurais nos contratos de parceira avícola/suinícola”, a interessada sustenta que os contratos de parceria caracterizam juridicamente as operações realizadas como produção de bens e não como prestação de serviços. Diz que, como não existe (ainda) lei específica, os contratos de parceria rural estão sob a égide do art. 96 do Estatuto da Terra (Lei nº 4.504, de 1964, e do Decreto nº 59.566, de 1966. Sustenta que o produtor, ao final da realização do objeto do contrato, recebe uma parte da produção, e que “Apenas por força do contrato de parceria avícola/suinícola o produtor se obriga a comercializar a sua quotaparte da produção com a agroindústria (parceiro outorgante). Se a previsão contratual não existisse o produtor rural estaria livre para comercializar a sua quotaparte da produção conforme sua conveniência.” Alega que referido entendimento, de que, nos contratos de parceira rural, a parte da produção do produtor rural é considerada como sendo produção Fl. 2087DF CARF MF Processo nº 10935.001277/201123 Acórdão n.º 3301004.026 S3C3T1 Fl. 4 3 própria, é corroborado pela legislação do Funrural (art. 168 da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009) e confirmado pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ. Argumenta, também, que a administração tributária, em face do que dispõe o art. 110 do Código Tributário Nacional – CTN, não pode alterar a definição de institutos privados, qualificando as operações como prestação de serviços para efeito da apuração do crédito presumido e como produção própria para efeito da incidência da contribuição para o Funrural. No subitem a seguir, denominado “2) Da alíquota para apuração do crédito presumido da produção de carnes”, a contribuinte defende a aplicação do percentual de 60% sobre a alíquota básica da contribuição (PIS 60% sobre alíquota de 1,65%, com alíquota efetiva de 0,99 % e Cofins 60% sobre a alíquota de 7,60%, com alíquota efetiva de 4,56%) para a apuração do crédito presumido relativo à produção de carnes. Alega que a legislação (art. 8º da Lei 10.925, de 2004) é clara ao definir que a alíquota é aplicada de acordo com os produtos fabricados e não conforme os insumos adquiridos. Diz que apurou o crédito presumido sobre os insumos adquiridos (aves/suínos e milho/ração) aplicando o percentual de 60%, mas que a autoridade fiscal, de forma diversa, apurou o crédito utilizando o percentual de 35% (sobre a alíquota básica da contribuição). Acrescenta que a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF corrobora o seu entendimento e que os seus produtos constam compreendidos no capítulo 2 da NCM, devendo ser aplicado, portanto, o percentual de 60 % (previsto no inciso I, § 3º, do mencionado art. 8º). Na sequencia, no subitem “3) Do índice de exportação para ressarcimento do crédito presumido”, a interessada defende a aplicação do método de rateio proporcional de forma setorial, de modo que sejam aplicados percentuais específicos para os setores de carne (receita de exportação carnes/receita bruta total carnes) e de óleo (receita de exportação óleo/receita bruta total óleo). Diz que o método aplicado pela fiscalização, de apuração de um índice único (receita de exportação/receita bruta total), com a inclusão de todas as receitas auferidas pela cooperativa no computo da receita bruta total, demonstrase ilegal e afronta os artigos 56A e 56B da Lei 10.350, de 2010, uma vez que o objetivo da inclusão do citados artigos foi o de permitir a conversão dos créditos acumulados em moeda (ativo financeiro). Argumenta que o método do rateio proporcional, previsto nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, deve ser interpretado de modo que “o crédito presumido a ressarcir deve corresponder ao apurado sobre os bens adquiridos e utilizados na produção dos bens exportados com direito ao crédito presumido.” Sustenta que a interpretação da autoridade tributária ao diminuir o indíce do percentual de exportação, e consequentemente o valor do crédito presumido apurado, viola o princípio constitucional da isonomia, uma vez que diferencia empresas que mantém uma única atividade das que exercem diversas atividades econômicas. Logo a seguir, no item “Da Atualização Monetária dos Créditos Obstados Ilegalmente”, a contribuinte defende a atualização monetária dos créditos, por meio da aplicação da taxa Selic acumulada, desde a formalização dos pedidos administrativos. Alega que a correção monetária Fl. 2088DF CARF MF Processo nº 10935.001277/201123 Acórdão n.º 3301004.026 S3C3T1 Fl. 5 4 deve ser aplicada para manter a integralidade dos créditos e não para punir a mora da administração pública em ressarcilos e que a devolução dos créditos em valores originais representa um enriquecimento sem causa da União. Diz, também, que a aplicação da atualização aos pedidos de ressarcimento vem sendo reconhecida, conforme a jurisprudência administrativa (Conselho Administrivo de Recursos Fiscais – CARF) e judicial (Superior Tribunal de Justiça – STJ) que colaciona na manifestação. Em outro item, denominado “Da Suspensão da Exigibilidade da Multa Isolada Lançada de Ofício”, a interessada pugna pela suspensão da exigibilidade da multa isolada, lançada no percentual de 50% sobre o valor do crédito indeferido, por meio do auto de infração constante do processo administrativo nº 10935.722746/201311. Sustenta que a exigibilidade da referida multa deve restar suspensa com a apresentação da manifestação de inconformidade contra o indeferimento do pedido de ressarcimento a ela relativo, conforme prevê o § 18 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, inserido pelo art. 20 da Lei nº 12.844, de 2013. Por último, no item “Do Pedido”, a contribuinte solicita: (i) a suspensão da exigibilidade da multa isolada lançada no auto de infração constante do processo administrativo nº 10935.722746/201311; (ii) o acolhimento da manifestação apresentada para o fim de reformar o despacho decisório e acolher as razões e argumentos apresentados; (iii) proceder à devolução do crédito presumido solicitado com a atualização monetária, por meio da aplicação da taxa Selic acumulada, desde a formalização dos pedidos administrativos até a data do efetivo pagamento. Registrese, quanto ao pedido de suspensão da multa de ofício isolada (de 50%), que a contribuinte foi orientada pela autoridade a quo a apresentar impugnação específica para o processo administrativo nº 10935.722746/201311. Anotese, também, que a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade complementar, por meio da qual acrescenta argumentos a respeito do percentual a ser aplicado sobre as alíquotas básicas (de PIS e Cofins) para a apuração do crédito presumido sobre os insumos adquiridos, relativamente à produção de carnes. No caso, a interessada repisa o seu entendimento de que deve ser aplicado o percentual (de 60%), levandose em conta, portanto, a origem dos insumos adquiridos e não a dos produtos fabricados. Acrescenta, também, que a polêmica na aplicação do referido percentual foi resolvida com a edição do art. 33 da Lei nº 10.865, de 2013, que inseriu o § 10 ao art. 8º da Lei 10.925, de 2004, o qual dispôs nos seguintes termos: “Para efeito de interpretação do inciso I do 3º, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos.” Por fim, é de se ressaltar a existência do mandado de segurança nº 5005004.61.2013.404.7005/PR, o qual tem como objetivo, entre outros, o reconhecimento do direito à correção monetária pela taxa Selic do crédito reconhecido no presente processo (assim como em outros 23 processos de Fl. 2089DF CARF MF Processo nº 10935.001277/201123 Acórdão n.º 3301004.026 S3C3T1 Fl. 6 5 ressarcimento), acumulada a partir do protocolo dos pedidos de ressarcimento até o seu efetivo pagamento. A DRJ decidiu pela procedência parcial da manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 06050.197. Inconformada com os indeferimentos e glosas mantidos na decisão recorrida, a COOPAVEL defende a ilegalidade destas. Ao final, pugna pela inclusão das aquisições de produtos da quotaparte do produtor rural nos contratos de parceria avícola/suinícola na base de cálculo para a apuração do crédito presumido; e que, na apuração do crédito a ser ressarcido seja utilizado o índice de exportação aferido da relação percentual da receita bruta da exportação dos produtos do setor carnes e óleo de soja degomado com a receita bruta total destes produtos (índice setorial). É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.013, de 31 de agosto de 2017, proferido no julgamento do processo 10935.000742/201117, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.013):Relator "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. O Pedido de Ressarcimento de Crédito Presumido da Cofins da recorrente lastreiase no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, c/c os artigos 56A e 56B da Lei nº 12.350/2010, incluídos pela Lei nº 12.431/2011: Da Lei nº 10.925/2004: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e Fl. 2090DF CARF MF Processo nº 10935.001277/201123 Acórdão n.º 3301004.026 S3C3T1 Fl. 7 6 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Da Lei nº 12.350/2010: Art. 56A. O saldo de créditos presumidos apurados a partir do ano calendário de 2006 na forma do § 3º do art. 8º da Lei no 10.925, de 23 de julho de 2004, existentes na data de publicação desta Lei, poderá: (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). [...] II ser ressarcido em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). [...] § 2º O disposto neste artigo aplicase aos créditos presumidos que tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). Art. 56B. A pessoa jurídica, inclusive cooperativa, que até o final de cada trimestrecalendário, não conseguir utilizar os créditos presumidos apurados na forma do inciso II do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, poderá: (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). [...] II solicitar seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). Parágrafo único. O disposto no caput aplicase aos créditos presumidos que tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita auferida com a venda no mercado interno ou com a exportação de farelo de soja classificado na posição 23.04 da NCM, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). Direito à apuração do crédito presumido sobre a alegada aquisição da produção dos criadores nos contratos de parceria avícola/suinícola Conforme relatado, a Delegacia de origem efetuou glosa relativa às entradas de frangos e suínos provenientes dos contratos de parceria, tendo em vista o entendimento de que essas operações não se qualificam como compra efetiva mas sim como pagamento de serviços prestados (mão de obra) para seus associados. Esta argumentou ter havido "uma simulação de compra de bens (aves/suínos) a qual representa o pagamento dos serviços prestados pelos produtores rurais com os cuidados no trato e criação dos lotes de aves ou suínos". Por consequencia, considerou não haver direito à apuração do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei 10.925, de 2004, entendendo Fl. 2091DF CARF MF Processo nº 10935.001277/201123 Acórdão n.º 3301004.026 S3C3T1 Fl. 8 7 que "referido crédito somente pode ser apurado sobre a aquisição de bens, mas não de serviços". De fato, o dito art. 8º fala em " calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003", estas que delimitam o creditamento da insumos no desenho da Pis/Pasep e da Cofins não cumulativas,"bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda"; restingindo o crédito presumido aos bens, excluindo os serviços. Se são bens e tratase de prestação de serviços, reproduzo a argumento da fiscalização: “Nestes contratos de parceria, fica evidente que as aves e animais já são de propriedade da cooperativa, apenas são remetidos às propriedades rurais dos associados para a contra prestação de serviços na sua criação e posterior devolução, devendo o parceiro, em resumo, seguir rígido sistema de manejo pré estabelecido, adotar na alimentação exclusivamente a ração e medicamentos fornecidos pela contratante e ao final do prazo estabelecido, devolver o lote completo de animais ou aves, recebendo como pagamento por seus serviços o resultado de um índice que mede o êxito do seu trabalhão (IEP – Índice de Eficiência Produtiva). Para subsidiar esta conclusão destacamos alguns fatos que traduzem por si o entendimento de que não há compra de mercadoria, mas pagamento de prestação de serviços: • A cooperativa não paga diretamente em espécie o resultado do trabalho do associado medido pelo IEP, usa o artifício de entregar simbolicamente seu equivalente valor em produto (aves/suínos), mas com uma cláusula de fidelidade nos contratos, obriga o parceiro a vender exclusivamente para a própria cooperativa tal parte, ou seja, faz um operação triangular, para ocultar o pagamento a título de serviços prestados, substituindo pelo imediato pagamento de uma suposta compra de produtos (que documentalmente já é de sua propriedade, ou seja, como pode comprar aquilo que já é seu?); • Sem entrar na seara tributária com o reflexo de tal procedimento equivocado, o fato é que representa uma distorção da realidade, onde o parceiro é investido na qualidade de proprietário das aves/suínos de forma virtual e apenas por alguns segundos, tempo suficiente para a emissão da nota fiscal de compra, instrumento que na pratica retrata o pagamento por seus serviços; • Ao término da criação, o transporte integral do lote de aves/suínos, da propriedade rural até o frigorífico é realizado pela Coopavel, para garantir que não haja desvio da produção. Somente no abate o parceiro/produtor rural tomará conhecimento do valor de seus serviços prestados, ocasião em que para recebelo aceita a emissão de uma nota fiscal simulando a venda de parte do lote, que não é seu, pois apenas detém a posse precária e não a propriedade; • Os contratos de parceria caracterizam o criador como fiel depositário das aves ou suínos; Fl. 2092DF CARF MF Processo nº 10935.001277/201123 Acórdão n.º 3301004.026 S3C3T1 Fl. 9 8 • Se os próprios contratos de parcerias definem que o criador receberá pelas suas tarefas/trabalhos para cada lote que concluir a criação, um valor pecuniário, logo, considerando não pertencer ao criador a propriedade dos animais e aves, ração e medicamentos utilizados no trato, é impróprio que este possa vender à cooperativa parte do lote (que não é seu), para mascarar o pagamento dos serviços prestados, dandolhe a versão de ‘aquisição de mercadorias’;” (Grifos deste relator). A recorrente defendo o contrário: "a operação realizada tem natureza jurídica de produção de bens da quotaparte do produtor rural nos contratos de parceria e não de prestação de serviços como se pretendeu na decisão recorrida"(Grifos deste relator). Traz o art. 96 do Estatuto da Terra (Lei nº 4.504/1964) que trata dos contratos de parceria rural. Diz que seu § 5º prevê que as regras dos contratos de parceria rural não se aplicam aos contratos de parceria agroindustrial para a criação de aves e suínos que possuirão legislação específica; mas que, como até então não foi publicada a lei específica, tem se mantido a aplicação das regras da parceria rural. Observa que esse artigo fora regulamentado pelo Decreto nº 59.566/1966, destacandose, para o presente caso, partes do seu art. 4º: Parceria rural é o contrato agrário pelo qual uma pessoa [...] lhe entrega (a outra pessoa) animais para cria, recria, invernagem, engorda [...] mediante partilha de riscos do caso fortuito e da força maior do empreendimento rural, e dos frutos, produtos ou lucros havidos nas proporções que estipularem, observados os limites percentuais da lei. (Grifos do original. Explicação entre parênteses, deste relator). E prossegue: Nos contratos de parceria avícola/suinícola o objeto do contrato é a criação de frangos/suínos para o abate. A agroindústria (parceiraoutorgante) se obriga ao fornecimento de pintos e suínos para cria, recria, medicamentos, ração, assistência técnica e transporte e o produtor rural (parceirooutorgado) se obriga ao alojamento em estrutura própria (aviário) e ao desenvolvimento desses animais até chegarem ao ponto ideal de abate, arcando com as despesas trabalhistas e previdenciárias da contratação de funcionários, energia elétrica, manutenção, etc. [...] A parte do produtor é caracterizada como produção rural própria e não prestação de serviços. Ao final da realização do objeto do contrato, o produtor recebe parte da produção e não por haver prestado serviços. Apenas por força do contrato de parceria avícola/suinícola o produtor se obriga a comercializar a sua quota parte da produção com a agroindústria (parceirooutorgante). Se a previsão contratual não existisse o produtor rural estaria livre para comercializar a sua quotaparte da produção conforme sua conveniência. Fl. 2093DF CARF MF Processo nº 10935.001277/201123 Acórdão n.º 3301004.026 S3C3T1 Fl. 10 9 O Código Civil estabelece o conceito de proprietário/ direito de propriedade como um conjunto de direitos: Art. 1.228. O proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavêla do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha. Se o criador não tem o direito de usar, gozar, dispor da coisa; posto que não pode comercializar os animais que cria, mas apenas devolvêlos a quem lhe entregou; inclusive a sua, assimchamada, quotaparte; por força do contrato de parceria; não há que se falar em aquisição de bens por parte da agroindústria; mas sim em prestação de serviço por parte do criador; não sendo portanto cabível o pretendido direito ao crédito presumido. O animal, que se representa sua quotaparte é apenas um parâmetro, uma referência para sua remuneração. E mais, não se pode diferenciar a atividade exercida pelo criador com relação a sua quotaparte dos demais animais, como dizer que com relação a um animal produz e aos outros presta serviço. Traz a recorrente em seu favor, a Instrução Normativa RFB nº 971/2009: [...] no capítulo I do título III ao dispor das normas e procedimentos das atividades rural e agroindustrial, menciona nos incisos XI e XIV do artigo 165 sobre o contrato de parceria rural. Expressamente, o § único do artigo 168 da referida instrução normativa prescreve que a quotaparte do parceiro é considerada produção rural própria do produtor rural e base de incidência da contribuição previdenciária sobre a receita da comercialização da produção rural. [...] Parágrafo único. A parte da produção que na partilha couber ao parceiro outorgante é considerada produção própria." (Grifos do original). Este entendimento também é confirmado pelo Superior Tribunal de Justiça, que instado a se manifestar sobre a incidência da contribuição previdenciária (funrural) nos contratos de parceria avícola, concluiu pela incidência da contribuição sobre a receita auferida pelo produtor rural quando da comercialização da sua quotaparte na produção a empresa agroindustrial (parceiro outorgante). [...] O artigo 110 do Código Tributário Nacional (Lei n. 5.172/1966) veda a possibilidade do ente competente de alterar a definição de institutos de direito privado [...] De fato, tal Instrução Normativa ´considera a quotaparte do parceiro produção rural própria, mas para fins específicos de incidência da contribuição previdenciária. Não pode ela alterar o instituto da propriedade esculpido no Código Civil, por força do referido art. 110 do Código Tributário. Fl. 2094DF CARF MF Processo nº 10935.001277/201123 Acórdão n.º 3301004.026 S3C3T1 Fl. 11 10 Traz a recorrente jurisprudência deste CARF em seu socorro. Importante examinar os termos dos contratos de parceria que regulam as relações em pauta: “A retenção de frangos pelo CRIADOR em índice superior ao permitido, [...]caracterizará o furto, respondendo o mesmo penal e civilmente pelo ato praticado. “O CRIADOR. por cada lote criado, receberá pecuniariamente o valor apurado através da tabela referente ao Índice de Eficiência Produtiva IEP, observandose o seguinte: Peso Médio (X) Sobrevivência (X) 100 % (:) Conversão Alimentar (X) Idade dos Frangos.” “Facultase ao CRIADOR utilizar 0,15% (zero vírgula quinze por cento) do total de aves do lote em formação, para o seu próprio sustento. Não consumindo o total permitido, obrigase o CRIADOR a entregar todo o saldo de aves viáves e remanescentes não consumidas.” “O CRIADOR se obriga ainda: [...] “O CRIADOR por este instrumento constituise fiel depositário das aves postas em seu poder pela COOPAVEL, para que efetue a criação obejto deste instrumento, devendo respeitar orientações técnicas, zelando pela sua guarda e conservação, sendo que não o fazendo por ato de sua responsabilidade, responderá pelas penas de depositário infiel, nos termos da lei, especialmente se der causa ao desaparecimento de frangos não autorizados por este instrumento. As penas do depositário infiel serão de ordem civil e criminal.” (Grifos do original) O fato de ser constituído fiel depositários das aves (entendo, de todas elas) postas em seu poder pela COOPAVEL demonstra que, como já examinado, não são suas as aves, apenas presta serviço com relação a elas. Sua remuneração é pelo Índice de Eficiência Produtiva e não pela venda de animais. Se pode reter parte dos animais é para o seu sustento, não sendo estas devolvidas ao produtor, apenas se houver saldo. Situação semelhante ocorre com os contratos relativos aos suínos. Assim, nesse tema, nego provimento ao recurso voluntário. Do índice de exportação para ressarcimento do crédito presumido Consta do acórdão recorrido que a Delegacia de origem recalculou o crédito presumido (relativamente às aquisições comprovadas e não glosadas) aplicando um novo critério de rateio proporcional; desconsiderando a aplicação do índice setorial de exportação utilizado pela recorrente. Empregou a unidade índice de exportação calculado mediante a comparação das exportações realizadas (de carne e de óleo de soja degomado) com a receita bruta total da empresa no período: Fl. 2095DF CARF MF Processo nº 10935.001277/201123 Acórdão n.º 3301004.026 S3C3T1 Fl. 12 11 Em síntese, a autoridade fiscal, após determinar as aquisições de milho, soja, e animais realizadas de pessoas físicas que poderiam conceder o direito ao crédito presumido, aplicou: (i) o índice de exportação de carnes (frango e suíno), calculado por meio da divisão do total de exportações de carne pela receita bruta total, sobre as aquisições de animais (frango e suínos) e de milho com direito à crédito; e (ii) o índice de exportação de óleo degomado, calculado por meio da divisão do total das exportaçoes de óleo pela receita bruta total, sobre as aquisições de soja in natura com direito à crédito. No caso, a fiscalização partiu da premissa de que o milho foi empregado exclusivamente na fabricação da ração e a soja somente na industrialização do óleo de soja degomado, caracterizandose, portanto, a existência de consumo direto nos respectivos processos produtivos e de exportações de carne e de óleo de soja degomado. A contribuinte, por outro lado, aplicou e defende a aplicação das seguintes fórmulas: A recorrente alega ilegalidades na forma de apuração utilizada pelo Fisco, tendo em vista o disposto nos já citados artigos 56A e 56B da Lei nº 12.350/2010, os quais autorizam a compensação com débitos próprios ou o ressarcimento em dinheiro, respectivamente: a) de saldo de créditos presumidos apurados a partir do ano calendário de 2006 na forma do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, existentes à data de publicação da lei; e b) para a pessoa jurídica, inclusive cooperativa, que até o final de cada trimestrecalendário, não conseguir utilizar os créditos presumidos apurados na forma do inciso II do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004; remetendo o cálculo aos §s 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e §s 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). Argumenta que, quanto à primeiro situação, a exposição de motivos da Medida Provisória nº 517/2010, na qual fora convertida a dita lei, traz que a finalidade da medida é monetizar o estoque de créditos presumidos vinculados às receitas de exportação, permitindo que as pessoas jurídicas consigam realizar estes ativos de modo a reduzir os custos de produção (grifos do original). Reproduzo, para análise mais detalhada, os disposições em pauta: Art. 3º. [...] § 7o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. Fl. 2096DF CARF MF Processo nº 10935.001277/201123 Acórdão n.º 3301004.026 S3C3T1 Fl. 13 12 § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9o O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8o, será aplicado consistentemente por todo o anocalendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. (Grifos deste relator). A recorrente, optante pelo rateito proporcional, assim interpretou o respectivo dispositivo: [...] o crédito presumido a ressarcir vinculado a receita de exportação será apurado pela aplicação sobre os custos (bens adquiridos) da relação percentual da receita bruta da exportação dos produtos com direito ao crédito presumido em relação a receita bruta total dos produtos com direito ao crédito presumido, ou seja, obtido conforme a seguinte fórmula. Entendo pelo acerto da Delegacia de origem e da Delegacia de Julgamento: a disposição do 3o, § 8o , II, da Lei n. 10.833/2003 não deixa margem à interpretação da recorrente, posto que baseia o rateio na "relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total". Se é "receita bruta total" não é receita bruta total por produto (ou setor) carne e óleo de soja degomado como quer fazer crer a recorrente. A exposição de motivos que traz em seu favor não tem o poder de alterar o significado da lei, no máximo direcionar a seu interpretação quando houver margem para tanto. Ainda assim, também não ampara a fórmula defendida pela recorrente, por não discriminar produtos/ setores. Aduz a recorrente que o Receita Federal estaria a violar o princípio constitucional da isonomia, "diferenciado para empresas que investem e produzem através de diversas atividades em unidade filiais, das empresas que mantém uma única atividade e assim não tem que computar para Fl. 2097DF CARF MF Processo nº 10935.001277/201123 Acórdão n.º 3301004.026 S3C3T1 Fl. 14 13 cálculo de seu crédito receita de outras atividades. De plano, não compete a este Conselho se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Ainda assim, entendo que o legislador, ao estatuir a opção pelo método da apropriação direta, permite que a empresa compute operação a operação o seu crédito. Já na opção pelo rateio proporcional, o legislador elegeu um método mais geral e simplificado, para empresas com incidência nãocumulativa da COFINS, para apenas parte de suas receitas, sem o detalhamento por produto/ setor. Assim, nessa questão, nego provimento ao recurso voluntário. Conclusão Por todo o exposto, nego provimento os recurso voluntário da COOPAVEL." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, o Crédito Presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, c/c os artigos 56A e 56B da Lei nº 12.350/2010, incluídos pela Lei nº 12.431/2011, e o cálculo de rateio proporcional no regime da não cumulatividade se aplica tanto à COFINS quanto à Contribuição para o PIS/Pasep. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 2098DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.723056/2013-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2010 a 31/03/2012
IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO DE EMBALAGENS. INCIDÊNCIA.
A industrialização de embalagens, mesmo que sob encomenda do adquirente e com acréscimo de informações sobre os produtos a que se destinam, não configura hipótese de incidência de ISS prevista no subitem 13.05 da lista anexa da Lei Complementar nº 116/2003, como decidido cautelarmente na ADI 4.389/DF. Demais disso, referido diploma legal não afasta textualmente a incidência simultânea do IPI e do ISS, uma vez configurada qualquer operação que se caracterize como industrialização, excetuando apenas a concomitância deste último com o ICMS.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. REGRAS DE INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO. OBSERVÂNCIA.
A classificação fiscal de uma mercadoria deve observar as regras de interpretação da Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM), as Regras Gerais para Interpretação (RGI), Regras Gerais Complementares (RGC) e Notas Complementares da NCM, além das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), Notas de Seção, Capítulo, posições e de subposições da NCM.
CRÉDITOS BÁSICOS. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. CARACTERIZAÇÃO. PROVA.
Se o contribuinte, devidamente intimado, não informa, sequer genericamente, a maneira como os pretensos materiais intermediários são empregados no processo industrial, não é possível deferir direito ao creditamento pleiteado, mostrando-se despiciente a discussão, em tese, do conceito desta categoria de insumo.
AQUISIÇÃO DE APARAS PARA FABRICAÇÃO DE EMBALAGENS. DIREITO A CRÉDITOS PRESUMIDOS. DESMONTRAÇÃO DO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS. NECESSIDADE.
O direito à fruição dos créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, aí incluídos os créditos presumidos diversos previstos na legislação de regência, atrelam-se ao preenchimento das exigências estabelecidas nos vários diplomas que o regulam, cuja inobservância impede a sua apropriação e aproveitamento na escrita fiscal.
SONEGAÇÃO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES INVERÍDICAS AO FISCO. MULTA QUALIFICADA. IMPOSIÇÃO.
Configura sonegação, tal como descrito no art. 71 da Lei nº 4.502/64, a conduta reiterada de prestar informações inverídicas à Administração Tributária, em cumprimento de obrigações acessórias, quando decorrente do aproveitamento de créditos fiscais sabidamente indevidos e apropriados com o objetivo de absorver os débitos tributários devidos, retardando o conhecimento, por parte das autoridades fazendárias, da ocorrência dos fatos geradores respectivos.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2010 a 31/03/2012
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. CONFIGURAÇÃO.
Nos termos dos arts. 124, I e 135, III do Código Tributário Nacional, há solidariedade entre os agentes quando houver interesse comum na situação que constitua o fato gerador, o que se verifica quando os dirigentes de grupo econômico empresarial, através de sucessivas alterações societárias e operações de cisão e incorporação, em clara violação da lei, transferem os ativos para determinadas pessoas jurídicas do conglomerado visando a blindagem do patrimônio contra ações tendentes à exigência e satisfação do crédito tributário constituído, o que também sujeita os envolvidos à responsabilidade pessoal pelo crédito respectivo.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-003.888
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado negar provimento ao recurso voluntário, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, no que se refere a (a1) incidência de IPI na industrialização de embalagens, tendo o Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira acompanhado pelas conclusões; (a2) classificação de embalagens; e (a3) créditos de IPI-glosas; (b) por maioria de votos, para manter a responsabilização das pessoas jurídicas e físicas relacionadas na autuação, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira e Tiago Guerra Machado; e (c) por voto de qualidade, para manter a multa de ofício no patamar de 150%, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Rosaldo Trevisan - Presidente
Robson José Bayerl - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2010 a 31/03/2012 IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO DE EMBALAGENS. INCIDÊNCIA. A industrialização de embalagens, mesmo que sob encomenda do adquirente e com acréscimo de informações sobre os produtos a que se destinam, não configura hipótese de incidência de ISS prevista no subitem 13.05 da lista anexa da Lei Complementar nº 116/2003, como decidido cautelarmente na ADI 4.389/DF. Demais disso, referido diploma legal não afasta textualmente a incidência simultânea do IPI e do ISS, uma vez configurada qualquer operação que se caracterize como industrialização, excetuando apenas a concomitância deste último com o ICMS. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. REGRAS DE INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO. OBSERVÂNCIA. A classificação fiscal de uma mercadoria deve observar as regras de interpretação da Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM), as Regras Gerais para Interpretação (RGI), Regras Gerais Complementares (RGC) e Notas Complementares da NCM, além das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), Notas de Seção, Capítulo, posições e de subposições da NCM. CRÉDITOS BÁSICOS. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. CARACTERIZAÇÃO. PROVA. Se o contribuinte, devidamente intimado, não informa, sequer genericamente, a maneira como os pretensos materiais intermediários são empregados no processo industrial, não é possível deferir direito ao creditamento pleiteado, mostrando-se despiciente a discussão, em tese, do conceito desta categoria de insumo. AQUISIÇÃO DE APARAS PARA FABRICAÇÃO DE EMBALAGENS. DIREITO A CRÉDITOS PRESUMIDOS. DESMONTRAÇÃO DO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS. NECESSIDADE. O direito à fruição dos créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, aí incluídos os créditos presumidos diversos previstos na legislação de regência, atrelam-se ao preenchimento das exigências estabelecidas nos vários diplomas que o regulam, cuja inobservância impede a sua apropriação e aproveitamento na escrita fiscal. SONEGAÇÃO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES INVERÍDICAS AO FISCO. MULTA QUALIFICADA. IMPOSIÇÃO. Configura sonegação, tal como descrito no art. 71 da Lei nº 4.502/64, a conduta reiterada de prestar informações inverídicas à Administração Tributária, em cumprimento de obrigações acessórias, quando decorrente do aproveitamento de créditos fiscais sabidamente indevidos e apropriados com o objetivo de absorver os débitos tributários devidos, retardando o conhecimento, por parte das autoridades fazendárias, da ocorrência dos fatos geradores respectivos. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2010 a 31/03/2012 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. CONFIGURAÇÃO. Nos termos dos arts. 124, I e 135, III do Código Tributário Nacional, há solidariedade entre os agentes quando houver interesse comum na situação que constitua o fato gerador, o que se verifica quando os dirigentes de grupo econômico empresarial, através de sucessivas alterações societárias e operações de cisão e incorporação, em clara violação da lei, transferem os ativos para determinadas pessoas jurídicas do conglomerado visando a blindagem do patrimônio contra ações tendentes à exigência e satisfação do crédito tributário constituído, o que também sujeita os envolvidos à responsabilidade pessoal pelo crédito respectivo. Recurso voluntário negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado negar provimento ao recurso voluntário, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, no que se refere a (a1) incidência de IPI na industrialização de embalagens, tendo o Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira acompanhado pelas conclusões; (a2) classificação de embalagens; e (a3) créditos de IPI-glosas; (b) por maioria de votos, para manter a responsabilização das pessoas jurídicas e físicas relacionadas na autuação, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira e Tiago Guerra Machado; e (c) por voto de qualidade, para manter a multa de ofício no patamar de 150%, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Rosaldo Trevisan - Presidente Robson José Bayerl - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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INDUSTRIALIZAÇÃO DE EMBALAGENS. INCIDÊNCIA. A industrialização de embalagens, mesmo que sob encomenda do adquirente e com acréscimo de informações sobre os produtos a que se destinam, não configura hipótese de incidência de ISS prevista no subitem 13.05 da lista anexa da Lei Complementar nº 116/2003, como decidido cautelarmente na ADI 4.389/DF. Demais disso, referido diploma legal não afasta textualmente a incidência simultânea do IPI e do ISS, uma vez configurada qualquer operação que se caracterize como industrialização, excetuando apenas a concomitância deste último com o ICMS. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. REGRAS DE INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO. OBSERVÂNCIA. A classificação fiscal de uma mercadoria deve observar as regras de interpretação da Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM), as Regras Gerais para Interpretação (RGI), Regras Gerais Complementares (RGC) e Notas Complementares da NCM, além das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), Notas de Seção, Capítulo, posições e de subposições da NCM. CRÉDITOS BÁSICOS. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. CARACTERIZAÇÃO. PROVA. Se o contribuinte, devidamente intimado, não informa, sequer genericamente, a maneira como os pretensos “materiais intermediários” são empregados no processo industrial, não é possível deferir direito ao creditamento pleiteado, mostrandose despiciente a discussão, em tese, do conceito desta categoria de insumo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 30 56 /2 01 3- 47Fl. 4708DF CARF MF 2 AQUISIÇÃO DE APARAS PARA FABRICAÇÃO DE EMBALAGENS. DIREITO A CRÉDITOS PRESUMIDOS. DESMONTRAÇÃO DO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS. NECESSIDADE. O direito à fruição dos créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, aí incluídos os créditos presumidos diversos previstos na legislação de regência, atrelamse ao preenchimento das exigências estabelecidas nos vários diplomas que o regulam, cuja inobservância impede a sua apropriação e aproveitamento na escrita fiscal. SONEGAÇÃO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES INVERÍDICAS AO FISCO. MULTA QUALIFICADA. IMPOSIÇÃO. Configura sonegação, tal como descrito no art. 71 da Lei nº 4.502/64, a conduta reiterada de prestar informações inverídicas à Administração Tributária, em cumprimento de obrigações acessórias, quando decorrente do aproveitamento de créditos fiscais sabidamente indevidos e apropriados com o objetivo de absorver os débitos tributários devidos, retardando o conhecimento, por parte das autoridades fazendárias, da ocorrência dos fatos geradores respectivos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2010 a 31/03/2012 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. CONFIGURAÇÃO. Nos termos dos arts. 124, I e 135, III do Código Tributário Nacional, há solidariedade entre os agentes quando houver interesse comum na situação que constitua o fato gerador, o que se verifica quando os dirigentes de grupo econômico empresarial, através de sucessivas alterações societárias e operações de cisão e incorporação, em clara violação da lei, transferem os ativos para determinadas pessoas jurídicas do conglomerado visando a blindagem do patrimônio contra ações tendentes à exigência e satisfação do crédito tributário constituído, o que também sujeita os envolvidos à responsabilidade pessoal pelo crédito respectivo. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado negar provimento ao recurso voluntário, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, no que se refere a (a1) incidência de IPI na industrialização de embalagens, tendo o Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira acompanhado pelas conclusões; (a2) classificação de embalagens; e (a3) créditos de IPIglosas; (b) por maioria de votos, para manter a responsabilização das pessoas jurídicas e físicas relacionadas na autuação, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira e Tiago Guerra Machado; e (c) por voto de qualidade, para manter a multa de ofício no patamar de 150%, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Rosaldo Trevisan Presidente Fl. 4709DF CARF MF Processo nº 11020.723056/201347 Acórdão n.º 3401003.888 S3C4T1 Fl. 11 3 Robson José Bayerl Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Albergam estes autos lançamento de IPI, período julho/2010 a março/2012, relativo à falta de recolhimento do tributo. A fiscalização decorreu de inconsistências verificadas entre os livros fiscais, DCTFs, DIPJs e notas fiscais eletrônicas referentes ao estabelecimento 11.252.642/000366. Consoante relatório de autuação fiscal, o estabelecimento matriz, na consolidação das DCTFs/DIPJs informou a inexistência de débitos de IPI no período sob fiscalização, entretanto, as notas fiscais eletrônicas indicavam a saída de produtos sujeitos ao imposto; que houve apropriação de créditos de produtos não empregados no processo industrial e créditos presumidos pela aquisição de aparas sem amparo legal e em desacordo com a Lei nº 12.375/2010; que houve reconstituição da escrita fiscal com a exigência dos débitos apurados; e, que a conduta reiterada de não informar os débitos de IPI ensejou a aplicação da multa qualificada. Em razão das conclusões constantes do relatório de Informação de Pesquisa e Investigação RS20130013 (efls. 3.557/4.208), elaborado pela ESPEI/10ª RF, foram arrolados como responsáveis solidários os Srs. Ítalo Fernando Trombini Filho e Ricardo Lacombe Trombini e a pessoa jurídica Sulina Embalagens Ltda. O sujeito passivo Trombini Embalagens, em impugnação, destacou ser produtor de embalagens personalizadas de papelão ondulado, o que configuraria serviço de fabricação de embalagens por encomenda, personalizadas por composição gráfica; que não se tratariam de produtos colocados indistintamente no mercado, com características uniformes; que o art. 8º do DL 406/88 (item 77 da lista anexa), art. 10 da LC 116/2003 (itens 13 e 13.05 da lista anexa) e Súmula STJ 156 sujeitariam os serviços de composição gráfica apenas à incidência do ISS, com exclusão do ICMS e IPI; que, ainda que devido o IPI, a classificação correta dos produtos tributados farseia na posição 4911.10.90, com alíquota zero; que as glosas de produtos intermediários são indevidas; que faz jus ao crédito presumido pela aquisição de aparas, nos termos do art. 6º, IV do Decreto nº 7.619/2011; que lhe é garantido o crédito, no percentual de 50% (cinqüenta por cento), das aquisições de não contribuintes do IPI; que, na definição do valor tributável, não foi considerado o disposto no art. 135 do RIPI/02 (Decreto nº 4.544/02); e, que a fundamentação da aplicação da multa qualificada é dúbia e frágil, porquanto não teria havido sonegação ou fraude. Os responsáveis Ítalo Fernando Trombini Filho e Ricardo Lacombe Trombini alegaram ausência de demonstração do interesse comum a justificar a aplicação do art. 124, I Fl. 4710DF CARF MF 4 do CTN; que também não se aplicaria o art. 133 do mesmo diploma, por falta de adequação; e, que a empresa estaria em pleno funcionamento, não havendo que se falar em redirecionamento das cobranças, ante o mero inadimplemento das obrigações tributárias. A responsável Sulina Embalagens Ltda. defendeu a inexistência de prova do interesse comum a atrair o art. 124, I do Código Tributário Nacional e tachou de abusiva a imputação de responsabilidade tributária. A DRJ Ribeirão Preto/SP manteve a autuação, mediante decisão assim ementada: “FABRICAÇÃO DE EMBALAGENS COM UTILIZAÇÃO DE APARAS DE PAPEL. CARACTERIZAÇÃO DE OPERAÇÃO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. INCIDÊNCIA DO IPI. A fabricação de embalagens de papel com utilização de aparas como matériaprima caracteriza operação de industrialização, na modalidade ‘transformação’, conforme preceitua o art. 4º, I, do RIPI/2010. O produto assim obtido é considerado produto industrializado, ensejando a incidência do IPI. FABRICAÇÃO DE EMBALAGENS COM UTILIZAÇÃO DE APARAS DE PAPEL. INDUSTRIALIZAÇÃO NA MODALIDADE DE TRANSFORMAÇÃO. BASE DE CÁLCULO DO IPI. A fabricação de embalagens de papel com utilização de aparas como matériaprima caracteriza operação de industrialização, na modalidade “transformação”. Por se tratar de produto novo, não se enquadra na hipótese de “renovação” ou “recondicionamento” e, por isso, o imposto não pode ser calculado sobre a diferença de preço entre a aquisição e a revenda, tal qual autoriza o art. 194 do RIPI/2010 (art. 135 do RIPI/2002). CLASSIFICAÇÃO FISCAL. EMBALAGENS DE PAPEL, PAPEL E CARTÃO ONDULADO. REGRAS INTERPRETATIVAS DO SISTEMA HARMONIZADO DE DESIGNAÇÃO E DE CODIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. Pelas regras de interpretação da NCM, a classificação é determinada pelos textos das posições. Se o estabelecimento industrial produz embalagens de papel, ou papel e cartão ondulado, estes produtos devem ser classificados nas posições 48.19 ou 48.08, respectivamente, pois seus textos descrevem exatamente esses produtos. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI NA AQUISIÇÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS A SEREM UTILIZADOS COMO MATÉRIAPRIMA. AQUISIÇÃO DE APARAS DE PAPEL. REQUISITOS NECESSÁRIOS. BASE DE CÁLCULO DO CRÉDITO. O direito ao crédito presumido de que trata a Lei nº 12.375, de 2010, restringese às aquisições diretas de cooperativas de catadores de materiais recicláveis, constituídas de, no mínimo, vinte cooperados pessoas físicas. É ainda vedado o aproveitamento de créditos quando os produtos fabricados saírem com suspensão do imposto, isenção ou imunidade. A base de cálculo do crédito presumido em questão é o valor correspondente a 30% do valor inscrito na nota fiscal, conforme o parágrafo único do art. 6º da Lei, regulamentado pelo o art. 5º, II do Decreto nº 7.619, de 2011. Fl. 4711DF CARF MF Processo nº 11020.723056/201347 Acórdão n.º 3401003.888 S3C4T1 Fl. 12 5 SOLIDARIEDADE PASSIVA TRIBUTÁRIA. CARACTERIZAÇÃO DE INTERESSE COMUM NA SITUAÇÃO QUE CONSTITUA O FATO GERADOR DO IPI, ENTRE AS PESSOAS JURÍDICAS ENVOLVIDAS. INCLUSÃO DOS DIRETORES DA EMPRESA NO PÓLO PASSIVO COMO RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS, EM RAZÃO DE REITERADA PRÁTICA DOLOSA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO. Ocorre solidariedade passiva tributária de fato quando há uma pluralidade de pessoas com interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Comprovada a conexão e o interesse comum entre as pessoas envolvidas, imputase a solidariedade passiva tributária, com fundamento no art. 124, I, do CTN. Também devem ser responsabilizados, solidariamente, pelo crédito tributário constituído, as pessoas físicas que tenham sido diretamente responsáveis pela infração à legislação tributária, com fundamento no art. 135, III, do CTN. PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE CRÉDITOS. INOVAÇÃO DA LIDE COM PEDIDO NOVO. É defeso à parte inovar a lide com pedido novo em sede de recurso. A competência das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) é de apreciar, em primeira instância, após instaurado o litígio, as impugnações e manifestações de inconformidade. Se o pedido não foi apreciado pela DRF de origem, não houve, logicamente, instauração do litígio administrativo com relação a essa matéria. Não há o que a DRJ apreciar. Não se conhece do pedido. CRÉDITOS DE IPI. PROVA DE FATOS. É imprescindível que as alegações contraditórias a questões de fato tenham o devido acompanhamento probatório. Quem não prova o que afirma, não pode pretender ser tida como verdade a existência do fato alegado, para fundamento de uma solução que atenda ao pedido feito. PRODUÇÃO DE PROVAS. JUNTADA DE DOCUMENTOS. PERÍCIA. A apresentação de prova documental deve ser feita no momento da impugnação. Considerase não formulado o pedido de perícia quando não atendidos os requisitos exigidos pela Lei. INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO PROCURADOR. Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. MANUTENÇÃO. A prática reiterada na conduta do sujeito passivo de deixar de declarar e de pagar, de forma deliberada, os débitos apurados do imposto, associada a complexas manobras contábeis e societárias levadas a cabo pelo grupo econômico, caracteriza a intenção dolosa de impedir ou retardar o conhecimento, pelo Fisco, do fato gerador do tributo. Neste contexto, o aproveitamento de créditos em contrariedade à disposição literal da lei Fl. 4712DF CARF MF 6 revela uma deliberada intenção tendente a ocultar a verdade ou a fugir do dever, ensejando a majoração da multa de ofício.” Trombini Embalagens, grosso modo, repetiu a argumentação da impugnação. Ítalo Fernando Trombini Filho e Ricardo Lacombe Trombini, em peça praticamente idêntica, apontaram a ausência de individualização da conduta, sendo ônus da Fazenda Nacional a sua demonstração; que o art. 135 do CTN exige prova do dolo, elementar do ilícito, para sua aplicação, sendo imprestável para os casos de simples inadimplemento; que a informação incorreta em DCTF não rende ensejo à inflição da multa qualificada e à responsabilidade tributária; que a obrigação do lançamento tributário é da autoridade administrativa; e, que não houve encerramento irregular de atividades, excesso de poder ou violação a lei ou estatuto social, a justificar o emprego do art. 133 do CTN. Sulina Embalagens rechaçou a informação que o patrimônio do Grupo Trombini estaria sendo nela concentrado, que não há qualquer irregularidade na prática de arrendamento de imóveis; que não foi demonstrado o interesse comum exigido para utilização do art. 124, I do CTN; que o arrendamento de bens a empresas do mesmo grupo econômico não é causa para imputação de responsabilidade tributária; e, que compete à Fazenda Nacional a prova de atuação concreta na correalização dos fatos geradores lançados. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator Os recursos preenchem os requisitos de admissibilidade e devem ser conhecidos. INDUSTRALIZAÇÃO DE EMBALAGENS – PERSONALIZAÇÃO – IPI X ISS INCIDÊNCIA A decisão recorrida sintetiza a operação realizada pela pessoa jurídica Trombini Embalagens, baseada em parecer técnico apresentado pelo próprio recorrente (efls. 4.293 e ss.), e a sua percepção da situação sub examine, da seguinte forma: “A interessada descreve seu processo produtivo com vistas a pleitear o reconhecimento ao direito a créditos de IPI e à forma de apuração da base de cálculo do imposto. Pelo teor do que expõe, é inequívoco que aí existe um processo de industrialização. O estabelecimento adquire papel reciclável, denominado aparas, e efetua um tratamento sobre essas aparas para, no final, obter bobinas de papel reciclado. Este papel reciclado disposto na forma de bobinas é utilizado, posteriormente, como componente do miolo do papelão ondulado, do qual serão confeccionadas as caixas de Fl. 4713DF CARF MF Processo nº 11020.723056/201347 Acórdão n.º 3401003.888 S3C4T1 Fl. 13 7 embalagem, ou como papel miolo, que constituirá a parte central dos sacos de papel de maior consistência. Esta é, em suma, a descrição contida nas partes do texto da contestação acima transcritas. A impugnante não detalha como obtém os outros componentes do papel ondulado e dos sacos de papel que irão ser transformados em embalagens. Somente descreve o processo de obtenção do miolo. Mas, independentemente da forma como os obtém, afirma que reúne todos esses componentes para resultar no produto intermediário (papel ondulado ou papel para sacos) que irá, ainda, ser transformado no seu produto final (as embalagens). O estabelecimento adquire matériasprimas e, depois de uma série de ações típicas de industrialização, dá saída ao produto ‘embalagem de papel’. Em síntese, transforma ‘aparas de papel’ em ‘embalagens de papel’, os quais, não obstante possuam a mesma natureza básica (papel), são produtos inteiramente diferentes, com propriedades e finalidades diferentes, inclusive com classificações NCM diferentes. O caso amoldase perfeitamente à hipótese do art. 4º, I, do RIPI/2010.” O recorrente, por seu turno, defende que a composição gráfica seria a sua atividade preponderante, consistente na fabricação de embalagens personalizadas sob encomenda, de modo que, a teor das disposições da LC 116/2003, sobre suas operações incidiria apenas o ISS. Ocorre que, pelo exame dos elementos do processo, verificase que esta “personalização” é claramente acessória em relação ao processo produtivo do contribuinte, sendo sua atividade principal a industrialização dessas embalagens, como descrito pela decisão reclamada. A LC 116/2003 em momento algum afastou a incidência do IPI, quando configurada operação a ele sujeito, como no caso vertente, ressalvando exclusivamente a concomitância em relação ao ICMS, no art. 1º, § 2º. A similitude das hipóteses de incidência do ICMS e do IPI não é razão suficiente para, sob o pálio da interpretação sistemática, inserir algo não previsto na norma, como pretende o recorrente. Como dito, a composição gráfica, descrita no item 13.05 da LC 116/2003, não é o objeto primordial da atividade realizada, produção e fornecimento de embalagens, mas tãosomente uma etapa do processo industrial do recorrente. Tanto assim, que o próprio reclamante toma sua atividade como industrialização, haja vista a escrituração do Livro Registro de Apuração do IPI e a apropriação dos créditos a que, em tese, faria jus, de maneira que a alegação de incidência exclusiva do ISS soa como argumento eminentemente retórico. Fl. 4714DF CARF MF 8 De outra banda, a jurisprudência, tanto administrativa, como judicial, citada nos recursos, pouco lhe aproveita, porque os casos lá tratados confecção de cartões magnéticos e/ou placas não guardam qualquer semelhança com as mercadorias produzidas pela recorrente embalagens de papel , não sendo possível a adoção da mesma conclusão lá externada. A esse respeito, comungo do posicionamento da RFB, consoante o qual “é irrelevante para determinar a incidência do IPI o fato de quaisquer serviços estarem catalogados na lista anexa ao Decretolei nº 406, de 31 de dezembro de 1968, ou que foram ou venham a ser posteriormente incluídos, desde que se caracterize a operação como de industrialização dentre as modalidades descritas no art. 4º do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002”, consubstanciado na SCI Cosit nº 04/2003, posteriormente confirmado na Solução de Consulta Cosit nº 68/2013. O Supremo Tribunal Federal, na ADI 4389/DF, patrocinada pela Associação Brasileira de Embalagem – ABRE e a Confederação Nacional da Indústria – CNI, cujo objetivo era afastar a pretensão dos municípios de tributar, pelo ISS, a produção de embalagens personalizadas para acondicionamento de mercadorias, manifestouse no sentido que estes produtos tem função técnica na industrialização e, portanto, seriam típicos insumos, destinados à integração ou utilização direta em processo subseqüente, como parte do complexo processo produtivo. Esse raciocínio foi estampado pelo Min. Joaquim Barbosa, na composição do voto condutor do deferimento de medida cautelar, nos seguintes termos: “Conforme se depreende dos autos, as embalagens têm função técnica na industrialização, ao permitirem a conservação das propriedades físicoquímicas dos produtos, bem como o transporte, o manuseio e o armazenamento dos produtos. Por força da legislação, tais embalagens podem ainda exibir informações relevantes aos consumidores e a quaisquer pessoas que com ela terão contato. Tratase de típico insumo. Neste momento de juízo inicial, tenho como densamente plausível a caracterização desse tipo de atividade como circulação de mercadorias (‘venda’), ainda que fabricadas as embalagens de acordo com especificações do cliente, e não como a contratação de serviço. Aliás, a ênfase na encomenda da industrialização parece me insuficiente para contrariar a tese oposta. Diante da sempre crescente complexidade técnica das atividades econômicas e da legislação regulatória, não é razoável esperar que todos os tipos de invólucro sejam produzidos de antemão e postos, indistintamente, à disposição das partes interessadas para eventual aquisição. Nem é adequado pretender que as atividades econômicas passem a ser verticalizadas, de modo a levar os agentes de mercado a absorver todas as etapas do ciclo produtivo. Assim, não há como equiparar a produção gráfica personalizada e encomendada para uso pontual, pessoal ou empresarial, e a produção personalizada e encomendada Fl. 4715DF CARF MF Processo nº 11020.723056/201347 Acórdão n.º 3401003.888 S3C4T1 Fl. 14 9 para fazer parte de complexo processo produtivo destinado a por bens em comércio. (...) Ante o exposto, concedo a medida liminar pleiteada, para dar interpretação conforme a Constituição ao art. 1º, caput e § 2º, da Lei Complementar 116/2003 e o subitem 13.05 da lista de serviços anexa, para reconhecer que o ISS não incide sobre operações de industrialização por encomenda de embalagens, destinadas à integração ou utilização direta em processo subseqüente de industrialização ou de circulação de mercadoria. Presentes os requisitos constitucionais e legais, incidirá o ICMS.” (destacado) Aludido ato decisório ostenta a seguinte ementa: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONFLITO ENTRE IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA E IMPOSTO SOBRE OPERAÇÃO DE CIRCULAÇÃO DE MERCADORIAS E DE SERVIÇOS DE COMUNICAÇÃO E DE TRANSPORTE INTERMUNICIPAL E INTERESTADUAL. PRODUÇÃO DE EMBALAGENS SOB ENCOMENDA PARA POSTERIOR INDUSTRIALIZAÇÃO (SERVIÇOS GRÁFICOS). AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE AJUIZADA PARA DAR INTERPRETAÇÃO CONFORME AO O ART. 1º, CAPUT E § 2º, DA LEI COMPLEMENTAR 116/2003 E O SUBITEM 13.05 DA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA. FIXAÇÃO DA INCIDÊNCIA DO ICMS E NÃO DO ISS. MEDIDA CAUTELAR DEFERIDA. Até o julgamento final e com eficácia apenas para o futuro (ex nunc), concedese medida cautelar para interpretar o art. 1º, caput e § 2º, da Lei Complementar 116/2003 e o subitem 13.05 da lista de serviços anexa, para reconhecer que o ISS não incide sobre operações de industrialização por encomenda de embalagens, destinadas à integração ou utilização direta em processo subseqüente de industrialização ou de circulação de mercadoria. Presentes os requisitos constitucionais e legais, incidirá o ICMS.” A situação versada na ação de constitucionalidade em comento é exatamente a mesma debatida nesse processo, de modo que não assiste razão ao recorrente quando sustenta a incidência exclusiva do ISS sobre a industrialização de embalagens, ainda que sob encomenda ou com algum trabalho de “composição gráfica”. CLASSIFICAÇÃO FISCAL EMBALAGENS Neste tópico, calcado na alegação que sua atividade, pelas características, enquadrarseia como “prestação de serviços gráficos”, o recorrente pugna para que seus produtos finais sejam classificados na posição 4911 (Outros impressos, incluindo as estampas, gravuras e fotografias). Fl. 4716DF CARF MF 10 Como bem pontuado pela decisão sob vergasta, “a classificação de uma mercadoria deve observar as regras de interpretação da Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM). Devem ser observadas as Regras Gerais para Interpretação (RGI), Regras Gerais Complementares (RGC) e Notas Complementares, todas da (NCM), bem como as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), além das Notas de Seção, Capítulo, posições e de subposições da NCM.” Nesse sentido, a teor da regra nº 1, a classificação fiscal é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo, estabelecendo, ainda, a regra 3.a) que a posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Os códigos de classificação fiscal utilizados para apuração do tributo devido, no lançamento, atendem com perfeição às regras anotadas – Posição 4808 [Papel e cartão ondulados (mesmo recobertos por colagem), encrespados, plissados, gofrados, estampados ou perfurados, em rolos ou em folhas, exceto o papel dos tipos descritos no texto da posição 48.03] e 4819 [Caixas, sacos, bolsas, cartuchos e outras embalagens, de papel, cartão, pasta (ouate) de celulose ou de mantas de fibras de celulose; cartonagens para escritórios, lojas e estabelecimentos semelhantes]. Portanto, sem razão o recorrente. CRÉDITOS DE IPI GLOSAS A primeira das glosas questionadas diz respeito aos supostos “produtos intermediários” utilizados, anotando o recorrente que sua causa decorreria do não enquadramento no conceito de “insumo”, o que, por sua vez, teria se ocasionado pela ausência de verificação do seu emprego no processo industrial. Na sequência, passa a discorrer sobre a conceituação dos produtos intermediários à luz do art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI/2010). Ocorre que, pela leitura do relatório de autuação, os fatos não são exatamente esses relatados pelo recorrente, principalmente quando afirma que a fiscalização não procedeu a qualquer verificação da utilização dos materiais glosados na produção. Está dito com todas as letras, naquela peça, que “o sujeito passivo, embora intimado, não justificou e não apresentou provas ou esclarecimentos sobre o efetivo emprego dessas mercadorias como insumos”. Sob esta perspectiva, o problema persiste, ao passo que o recorrente, sem prestar qualquer esclarecimento sobre a utilização desses “produtos intermediários”, simplesmente discute a acepção dessa espécie de insumo. A questão em debate não reside na conceituação de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, o que o Parecer Normativo CST nº 65/79 já fez com bastante propriedade, mas sim o enquadramento dos produtos glosados na categoria de produtos intermediários, o que só é possível com a descrição detalhada de sua função e forma de desgaste ou incorporação no processo de produção, o que não foi, em momento algum, informado pelo recorrente, único capaz de elucidar estas indagações, até porque o Fl. 4717DF CARF MF Processo nº 11020.723056/201347 Acórdão n.º 3401003.888 S3C4T1 Fl. 15 11 estabelecimento onde ocorridos os fatos geradores não mais se encontrava em funcionamento, por ocasião do procedimento fiscal. Como destacado pela decisão recorrida, nos termos da legislação processual civil, adotada subsidiariamente no processo administrativo fiscal, ao sujeito passivo compete a prova dos fatos modificativos do direito da Fazenda Nacional ao crédito tributário lançado, o que não ocorreu, motivo pelo qual reputo procedente a glosa realizada. Concernente às glosas de créditos presumidos pela aquisição de aparas, tem se que o recorrente, aparentemente, admite que sua base legal seriam os arts. 5º e 6º da Lei nº 12.375/2010. Os dispositivos em apreço estampam a seguinte redação: “Art. 5o Os estabelecimentos industriais farão jus, até 31 de dezembro de 2018, a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI na aquisição de resíduos sólidos utilizados como matériasprimas ou produtos intermediários na fabricação de seus produtos. (Redação dada pela Lei nº 13.097, de 2015) § 1o Para efeitos desta Lei, resíduos sólidos são os materiais, substâncias, objetos ou bens descartados resultantes de atividades humanas em sociedade. § 2o Cabe ao Poder Executivo definir, por código da Tabela de Incidência do IPI TIPI, os materiais adquiridos como resíduos sólidos que darão direito ao crédito presumido de que trata o caput deste artigo. Art. 6o O crédito presumido de que trata o art. 5o desta Lei: I – será utilizado exclusivamente na dedução do IPI incidente nas saídas dos produtos que contenham resíduos sólidos em sua composição; II – não poderá ser aproveitado se o produto que contenha resíduos sólidos em sua composição sair do estabelecimento industrial com suspensão, isenção ou imunidade do IPI; III – somente poderá ser usufruído se os resíduos sólidos forem adquiridos diretamente de cooperativa de catadores de materiais recicláveis com número mínimo de cooperados pessoas físicas definido em ato do Poder Executivo, ficando vedada, neste caso, a participação de pessoas jurídicas; e IV – será calculado pelo adquirente mediante a aplicação da alíquota da TIPI a que estiver sujeito o produto que contenha resíduos sólidos em sua composição sobre o percentual de até 50% (cinquenta por cento) do valor dos resíduos sólidos constantes da nota fiscal de aquisição, observado o § 2o do art. 5o desta Lei. Parágrafo único. O percentual de que trata o inciso IV deste artigo será fixado em ato do Poder Executivo.” (destacado) Fl. 4718DF CARF MF 12 A teor do ar. 5º, § 2º, cuidavase de norma de eficácia limitada, eis que sujeita à regulamentação do Poder Executivo. Nesse passo, como instrumento de regulação, foi editado o Decreto nº 7.619/2011, cujo art. 2º definiu, como requisito, que os resíduos sólidos, para a finalidade de fruição do crédito presumido, deveriam ser adquiridos diretamente de cooperativas de catadores de materiais recicláveis constituídas de, no mínimo, vinte cooperados pessoas físicas, sendo vedada, neste caso, a participação de pessoas jurídicas, verbis: “Art. 1º Os estabelecimentos industriais farão jus, até 31 de dezembro de 2014, a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI na aquisição de resíduos sólidos a serem utilizados como matérias primas ou produtos intermediários na fabricação de seus produtos. Parágrafo único. Para efeitos deste Decreto, resíduos sólidos são os materiais, substâncias, objetos ou bens descartados resultantes de atividades humanas em sociedade. Art. 2º Para fins do disposto no art. 1º, os resíduos sólidos deverão ser adquiridos diretamente de cooperativas de catadores de materiais recicláveis, constituídas de, no mínimo, vinte cooperados pessoas físicas, sendo vedada, neste caso, a participação de pessoas jurídicas.” (destacado) Segundo o mesmo diploma regulamentar, o percentual máximo a que faria jus o beneficiário estaria limitado a 30% (trinta por cento), nos casos de resíduos sólidos classificados na posição 4707. No caso dos autos, o contribuinte não comprovou que adquiriu as aparas utilizadas de cooperativas de catadores de materiais recicláveis, empregou indevidamente o percentual de 50% (cinqüenta por cento) e, além disso, apropriouse do crédito presumido em tela desde julho/2010, quando a regulamentação da norma só veio a ser publicada em 22/11/2011. Em outra frente defensiva, demonstrando incerteza quanto ao embasamento de seus créditos, aduziu que o seu direito ao “crédito presumido” estaria fundado no art. 227 do RIPI/2010, que garante crédito de 50% (cinqüenta por cento) sobre o valor das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, quando adquiridos de comerciante atacadista não contribuinte do imposto. No entanto, inexiste qualquer elemento de prova que demonstre que ditas aquisições tenham se realizado de comerciantes atacadistas, aliás, não há qualquer informação da origem dessas aparas, uma vez que o crédito foi lançado a partir de notas fiscais de entrada emitidas pelo próprio contribuinte (efls. 2.981/2.999), sem menção alguma dos seus fornecedores. Asseverou, ainda, o reclamante, que o seu direito se lastrearia no art. 135 do RIPI/2002 (Decreto nº 4.544/02), que prevê a incidência do IPI, relativa a produtos usados, sobre a diferença de preço entre a aquisição e a revenda. Ocorre que a alegação é completamente sem sentido, porque vincula o seu emprego às operações de renovação e recondicionamento, sendo que a “reciclagem de papel” não se enquadra em nenhuma delas, muito menos para o contribuinte, ora recorrente, onde sua atividade consiste em processar aparas de papel para obtenção de embalagens, o que caracteriza, isso sim, operação de transformação, assim entendida aquela que, exercida sobre matériasprimas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova. Fl. 4719DF CARF MF Processo nº 11020.723056/201347 Acórdão n.º 3401003.888 S3C4T1 Fl. 16 13 Não é possível afirmar que o contribuinte, em seu processo industrial, renove ou restaure aparas de papel para nova utilização, como exige o conceito de renovação ou recondicionamento estatuído no regulamento do imposto. Logo, não há que se falar em direito a qualquer espécie de crédito presumido. MULTA QUALIFICADA Tocante à qualificação da multa, verifico, pelos elementos juntados ao processo, que um dos pilares mas não o principal, digase para exacerbação da penalidade administrativa se embasa no relatório denominado “Informação de Pesquisa e Investigação IPEI RS20130013”, de 30/08/2013, elaborado pelo ESPEI/10ª RF, que, mediante farta documentação, demonstrou que o grupo econômico Trombini vem, ao longo de vários anos, praticando atos abusivos em prejuízo da Fazenda Nacional, mediante sucessivas alterações societárias, como incorporações e cisões, com transferência de patrimônio entre pessoas jurídicas do conglomerado, porém, sempre mantendo o poder de controle nas mãos de membros da família Trombini, especialmente, os Srs. Ricardo Lacombe Trombini e Ítalo Fernando Trombini Filho, arrolados como responsáveis pelo crédito tributário lançado nestes autos. O estudo revela em detalhes o paulatino esvaziamento das empresas devedoras do grupo, através dessas modificações societárias, com o isolamento do patrimônio na pessoa jurídica Sulina Embalagens Ltda. Relatam as autoridades administrativas que a recorrente, após transferir seus ativos a outras empresas do grupo, firmou contratos de arrendamento das instalações industriais que utiliza com aquela sociedade, de modo que mantém a produção nos mesmos locais, porém não mais na condição de proprietária. Ou seja, o contexto fático exposto no aludido relatório demonstra, sem a menor dúvida, a intenção deliberada dos controladores do grupo econômico em não arcar com os seus débitos tributários ou, na melhor das hipóteses, blindar o patrimônio do grupo contra possíveis execuções fiscais. Especificamente neste processo, a par do quadro resumidamente descrito, a fiscalização acentuou que o recorrente se aproveitou de créditos sabidamente indevidos com o intuito de escamotear os saldos devedores do IPI. Destarte, o termo de verificação fiscal registra que, intimado a apresentar a base legal dos créditos, o contribuinte quedou silente, não apresentando qualquer justificativa plausível para tal proceder. Os pretensos fundamentos foram deduzidos aleatoriamente apenas em sede recursal, com o apontamento de variados embasamentos e de forma alternativa, sem indicação clara do fundamento do direito vindicado. Fl. 4720DF CARF MF 14 Esta percepção emerge do exame do tópico referente aos créditos presumidos, onde o recurso assinalou que seu direito repousaria nas aquisições de aparas de cooperativas de catadores (Lei nº 12.375/2010) ou aquisições de comerciantes atacadistas não contribuintes do imposto. Ora, ou os créditos se referem a comerciais atacadistas, ou a cooperativas de catadores de material reciclável, sendo as hipóteses mutuamente excludentes. Em síntese, o recurso somente evidencia a incerteza e temeridade da apropriação do crédito, o que reforça a tese das autoridades fiscais que o contribuinte agiu decididamente a prestar informações inverídicas ao Fisco, ao preencher reiteradamente declarações sem informações dos débitos do IPI devidos. Esta conduta, a meu sentir, amoldase à figura da sonegação, assim tomada como toda ação ou omissão tendente a retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, tal como descrito no art. 71 da Lei nº 4.502/64. Logo, correta a inflição da multa qualificada, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/96, sobre o montante das glosas dos créditos presumidos de IPI indevidamente registrados. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA No que tange à inclusão, no polo passivo, dos Srs. Ricardo Lacombe Trombini e Ítalo Fernando Trombini Filho, diretores do contribuinte autuado, e da pessoa jurídica Sulina Embalagens Ltda., a decisão reclamada deduziu com clareza e concisão, em bem lançado raciocínio, os motivos que ensejaram a manutenção de todos os sujeitos arrolados no lançamento, como responsáveis pelo crédito tributário, razões com as quais concordo e tomo por empréstimo na fundamentação deste voto, pedindo licença para sua transcrição: “O Termo de Sujeição Passiva Solidária para a pessoa jurídica Sulina Embalagens Ltda, CNPJ (...), foi lavrado com fundamento no art. 124, I, do CTN, em relação à totalidade dos débitos lançados. Estabelece o dispositivo legal: (...) O inciso I do art. 124 versa sobre a solidariedade de fato, quando há uma pluralidade de pessoas com interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. De acordo com a investigação levada a cabo pelo ESPEI/10ªRF, a Sulina Embalagens Ltda é empresa do Grupo Trombini, constituída com o fim de manter em seu nome os bens de produção do grupo, que são utilizados pelas demais empresas em operações acobertadas formalmente por meio de contratos de arrendamento. Em outras palavras, houve uma segregação do patrimônio do grupo em uma pessoa jurídica específica, isolandoo das unidades geradoras de passivo tributário de modo a propiciar uma blindagem desses bens em relação às dívidas geradas. É o que demonstra, Fl. 4721DF CARF MF Processo nº 11020.723056/201347 Acórdão n.º 3401003.888 S3C4T1 Fl. 17 15 em resumo, o Relatório IPEI RS20130013 em suas fls. 18/56 (efls. 3.574/3.612) e fls. 64/93 (efls. 3.620/3.649). Portanto, em razão do papel que coube a Sulina Embalagens Ltda no conjunto das operações conduzidas pelo Grupo Trombini, fica evidente a conexão entre ela e a Trombini Embalagens S/A na ocorrência dos fatos geradores do IPI, conforme fortemente demonstrado pela já mencionada investigação do ESPEI. Por sua vez, os srs. Ítalo Fernando Trombini Filho (CPF ...) e Ricardo Lacombe Trombini (CPF ...) foram responsabilizados, solidariamente, pelo crédito tributário constituído, por terem sido diretamente responsáveis pela infração à legislação tributária, quando da reiterada prática dolosa de zerar as DCTF e DIPJ, com fundamento no art. 135, III, do CTN: (...) Os srs. Ítalo Fernando Trombini Filho e Ricardo Lacombe Trombini foram os responsáveis pela constituição da empresa Sulina Embalagens Ltda, que, como descrito anteriormente, teve a finalidade de propiciar uma blindagem do patrimônio do grupo em relação às dívidas geradas pelas demais empresas. Consta às fls. 12/13 do Relatório IPEI RS20130013 (efls. 3.568/3.569) que Ítalo Fernando Trombini Filho e Ricardo Lacombe Trombini foram ou são diretores das empresas Trombini Papel e Embalagens S/A (CNPJ ...), Trombini Papel e Embalagens S/A (CNPJ ...), Trombini Embalagens S/A (CNPJ ...), Trombini Industrial S/A (CNPJ ...), Trombini Embalagens S/A (CNPJ ...). À luz do Relatório IPEI RS20130013, fartamente documentado e detalhado, por participarem das decisões que definiram o comportamento das empresas por eles dirigidos, não há como deixar de imputar a responsabilização pessoal desses dirigentes pelo crédito tributário apurado. Não é demais citar mais uma vez, como argumento favorável à lavratura dos termos de solidariedade passiva, a expedição de medida liminar, pelo Poder Judiciário, em ação cautelar fiscal nº 0050473 92.2013.403.6182 (efls. 4.232/4.233): ‘A petição inicial trouxe boa fundamentação sobre a fumaça do bom direito e o perigo da demora, razão pela qual a liminar fica deferida. Passo a fundamentar. Existe crédito tributário constituído por auto de infração contra a requerida TROMBINI EMBALAGENS S.A (CNPJ ...), no valor de R$132.594.998,57 (cento e trinta e dois milhões, quinhentos e noventa e quatro mil, novecentos e noventa e oito reais e cinquenta e sete centavos), bem como lavratura de Termos de Sujeição Passiva em face dos diretores RICARDO LACOMBE TROMBINI e ÍTALO FERNANDO TROMBINI FILHO, com base no artigo 135, III, do CTN. Fl. 4722DF CARF MF 16 Além da fumaça de bom direito, existe risco de total esvaziamento patrimonial, ante a constatada reiteração de condutas, similares à acima exemplificada (fls.214 verso/231). Embora a constituição do crédito ainda não seja definitiva, certo é que a lei não exige tal definitividade e o lançamento se operou. Presentes, pois, os requisitos, DEFIRO A LIMINAR, decretando a indisponibilidade dos bens dos Requeridos, com base no artigo 7º, da Lei n.8.397/92, nos termos em que requerida.’” Especificamente em relação à Ação Cautelar Fiscal nº 0050473 92.2013.403.6182, o seu trâmite ocorre perante a Primeira Vara de Execuções Fiscais, Justiça Federal, Subseção Judiciária de São Paulo, TRF 3ª Região. Em consulta ao sítio virtual do TRF3ª Região, não foi possível averiguar a movimentação processual e as decisões lançadas, porque o processo está sob segredo de justiça. As partes acionadas são as mesmas que figuram neste processo administrativo. Outrossim, constatei que os agravos interpostos desta decisão liminar, no TRF3ª Região, foram todos denegados, não havendo notícia de revogação da medida liminar a seu tempo expedida. Tocante à alegação de ausência de individualização das condutas dos diretores da pessoa jurídica autuada, tenho que a imputação da responsabilidade tributária prescinde do isolamento de cada ato que os agentes tenham praticado para a finalidade de caracterizar a sua participação na prática da infração. O que a lei exige, segundo o entendimento dos tribunais, é que haja a apresentação de fatos que demonstrem a situação implicacional da responsabilização dos agentes, não bastando para tanto a mera figuração dos dirigentes ou sócios nos instrumentos societários da pessoa jurídica. Neste processo, há farto acervo documental demonstrando a efetiva participação dos responsáveis no desenvolvimento da estrutura societária do grupo econômico Trombini, ao longo das várias alterações promovidas, que culminou com a transferência das instalações industriais e propriedades para a pessoa jurídica Sulina Embalagens Ltda. Assim, a responsabilidade dos dirigentes não se baseia em circunstâncias hipotéticas, mas dados concretos, como descrito no já mencionado relatório “Informação de Pesquisa e Investigação IPEI RS20130013”, de 30/08/2013, elaborado pelo ESPEI/10ª RF. Vale acentuar que os recorrentes não negam os fatos narrados, apenas contestam as conclusões explicitadas e tentam desqualificar o trabalho realizado. O enquadramento no art. 135, III do Código Tributário Nacional, por sua vez, defluiu da prática de atos que, em minha concepção, violam a legislação garantidora do adimplemento da obrigação tributária, não sendo razoável admitir como válidas, perante a Fl. 4723DF CARF MF Processo nº 11020.723056/201347 Acórdão n.º 3401003.888 S3C4T1 Fl. 18 17 Fazenda Nacional, operações societárias cujo escopo se resume em resguardar o patrimônio do grupo econômico com a transferência de ativos para empresas específicas e o esvaziamento das outras, geradoras de passivos tributários. Também não procede a tese que a responsabilidade pessoal dos dirigentes não possa ser atribuída pelo mero inadimplemento da obrigação tributária, isto porque, como exposto alhures, não foi essa a causa determinante da imputação do ônus. Por derradeiro, a obrigação da autoridade administrativa em proceder ao lançamento e, por decorrência, a realização de todos os procedimentos tendentes a levantar os elementos da obrigação tributária, como descrito no art. 142 do Código Tributário Nacional, não dispensa o sujeito passivo de cumprir as obrigações acessórias e demais deveres correlatos impostos pela legislação tributária, aí incluídos, os atos administrativos baixados pela RFB. Relativamente à argumentação da pessoa jurídica Sulina Embalagens Ltda., como realçado pela decisão administrativa objurgada, a solidariedade pelo crédito tributário se verifica pelo interesse comum, revelado pelo contexto societário estampado no relatório do ESPEI/10ª RF. A sua inclusão no polo passivo visa assegurar o resultado útil do lançamento, impedindo que eventuais créditos não pagos simplesmente prescrevam por falta de localização de bens/direitos que possam garantir a sua satisfação. As peculiaridades apresentadas nestes autos, no que tange à configuração patrimonial e societária das empresas componentes do grupo econômico Trombini, não só permitem, como exigem a inclusão/manutenção da Sulina Embalagens Ltda. no polo passivo deste lançamento, tendo em conta, inclusive, que esta medida não se mostra extraordinária, mormente porque a própria Justiça Federal, em ação cautelar já mencionada, deferiu liminar para que as mesmas pessoas que figuram neste feito respondessem pelo crédito tributário lá discutido. Com estas considerações, voto por negar provimento aos recursos voluntários apresentados. Robson José Bayerl Fl. 4724DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.001289/2004-43
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 15 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 1993
EMENTA: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DO SALDO NEGATIVO DE IRPJ/CSLL - 0 prazo para pleitear a restituição de valor pago indevidamente
on em valor maior que o devido, relativo a tributo ou contribuição, extingue-se após o transcurso de cinco anos, contado da data da extinção do crédito tributário, nos termos dos artigos, 165 e 168, do Código Tributário Nacional.
Em casos de apuração de saldo negativo de 1RPJ ou CSLL, a contagem inicial do prazo se dá no mes subseqüente ao fixado para a entrega da declaração anual„ Facultado ao contribuinte proceder a compensação ou requerer a restituição, no primeiro dia do rné's seguinte ao encerramento do Período de apuração. Com a edição da Lei n` ) 8383/91, a restituição de valor pago a maior representado por apuração de saldo negativo de IRPJ Ott CSLI „
demanda ato formal por parte do contribuinte e não um reconhecimento de oficio da. administração tributária.
Numero da decisão: 1802-000.757
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório que integram o presente julgado
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 1993 EMENTA: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DO SALDO NEGATIVO DE IRPJ/CSLL - 0 prazo para pleitear a restituição de valor pago indevidamente on em valor maior que o devido, relativo a tributo ou contribuição, extingue-se após o transcurso de cinco anos, contado da data da extinção do crédito tributário, nos termos dos artigos, 165 e 168, do Código Tributário Nacional. Em casos de apuração de saldo negativo de 1RPJ ou CSLL, a contagem inicial do prazo se dá no mes subseqüente ao fixado para a entrega da declaração anual„ Facultado ao contribuinte proceder a compensação ou requerer a restituição, no primeiro dia do rné's seguinte ao encerramento do Período de apuração. Com a edição da Lei n` ) 8383/91, a restituição de valor pago a maior representado por apuração de saldo negativo de IRPJ Ott CSLI „ demanda ato formal por parte do contribuinte e não um reconhecimento de oficio da. administração tributária.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-03-10T13:10:10Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 12; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-03-10T13:10:09Z; Last-Modified: 2011-03-10T13:10:10Z; dcterms:modified: 2011-03-10T13:10:10Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:1c993291-e8ee-4686-8904-a599d1ac7f07; Last-Save-Date: 2011-03-10T13:10:10Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-03-10T13:10:10Z; meta:save-date: 2011-03-10T13:10:10Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-03-10T13:10:10Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-03-10T13:10:09Z; created: 2011-03-10T13:10:09Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2011-03-10T13:10:09Z; pdf:charsPerPage: 1842; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-03-10T13:10:09Z | Conteúdo => 51-11(02 Fl 96 MINISARIO DA FAZENDA CONSELII0 A DMINISTRATI VO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA S100 DE JULGAMENTO Processo n" 13819.001289/2004-43 Recurso n" 179.673 Voluntário /4.córdzio n" 1802-00.757 2" Turma Especial Sessão de 15 de dezembro de 2010 Matéria 1RPJ Recorrente SCAN IA LATIN AMERICAN LTDA Recorrida 4 Turma/DRI - Campinas/SP Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRP.1 Ano-calendário: 1993 REST1TUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DO SALDO NEGATIVO DE PI/CSLL - 0 prazo para pleitear a restituição de valor pago indevidamente on em valor maior que o devido, relativo a tributo ou contribuição, extingue- se após o transcurso de cinco anos, contado da data da extinção do crédito tributário, nos termos dos artigos, 165 e 168, do Código Tributário Nacional. Em casos de apuração de saldo negativo de 1RPJ ou CSLL, a contagem inicial do prazo se dá no mes subseqüente ao fixado para a entrega da declaração anual„ Facultado ao contribuinte proceder a compensação ou requerer a restituição, no primeiro dia do rné's seguinte ao encerramento do Período de apuração. Com a edição da Lei n` ) 8383/91, a restituição de valor pago a maior representado por apuração de saldo negativo de IRPJ Ott CSLI „ demanda ato tbrmal por parte do contribuinte e não urn reconhecimento de oficio da. administração tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do eolegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do .r' ri integram o presente julgado. rqu s de Sousa -,14-Sidente e tora. EDITADO EM: r V .2 .0 Participaram da sessão _Fulgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Correa, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, .Nelso Kichel, e sloão Francisco Bianco, Ausente imomentaneamente a Conselhcira Sandra Maria Dias Nunes. Relatório Por economia processual c bem descrever os Faros adoto o relatório da cleeisai recorrida (ds.75176) que a seguir transcrevo: Trata o presente processo de solicito crio da restituição dos .valores con/autos da 1)11.?1'1/94. ano-calendluio 1993, ntio disponibilizados até a data do pedido (18/12/2003) A contribuinte requer, ainda, na ausência da restituição, a compensação dos respectivos créditos corn parcelas vincendas (10.5 tribulas adMilliSitadospelo Ri']. us so/icitações foram indeferidas pelo cheio do SLORT — Serviço do Orientação e Análise Tributária„ mediante devacho decisório n° 136/2007 (11.s. 23/24), .501)0 .seguinte fundarnento.. "Alé o exercicio de 1992, mio ealenthirio 1991, os valores a restituir do IRIU e da (NU consi,gnados na DIRRI, cipos procc.s.samento eletrônico e nabalho de malha, era d isponibilizado i,a rede bancária poi prazo determinado on na Unidade de lurisdição. isto é, não havia a neces.sidade de .se An - mohair processos de restituição. A partir do exercício de 1993, ano calendário 1992, tendo em vista o disposto no art 66 da Eel n'' 6' 383/91, fin editada a Instrução Normativo n° 67, de 26/05/1992, onde Joi permitida aos contribuintes, con? direito à restituição dc tributos e contribuiçães federais por recolhimento ou pagamento indevido OU ti maior, a compensação des 505 yah)res coin débitos vincendos, facultada a opção pelo pedido do restituição em process° especifico. Posteriormente, este procedimento foi mantit.h) pelo art 6' da .1.1V-SRF n" 21/97, quo no caso dc valor a restituir relativo ao impost() de renda apurado na declaração de rendimentos demais teslitificões„ c.xice0o kita a impo..slo de renda de pessoa fisica apurado no DIRPF, .serao €1-etuadas a requerimento do contribuinte, dirigido á unidade da SI/i' de sua jurisdição, sendo que no caso do IRPJ, o demonstrativo será substituído pot urna cópia titi WSpeCtiva declaração de rendimentas. Pala o pet iodo em questão, em razão da fOrmolizoção do pedido de restituicão em 18/06/2004, constata-se que houve 0 transcurso do prazo deeadencial dc cimo o anos, contado da data da onn'ega da DIRP.I/94, ocorrida em 28/04/1994 Isto post°, proponho o indeferimento do pretenso credo pleiteado em razão da ocorrencia do instituto da decadencia, previsto no art 168 do C.'TN Em razão disso, proponho o indeferirnento do pedido de restituição e a não homologação das eventuais compensaçóes de débitos (ktuados corn base neste processo " (grilbs do original) Cientificada em 09/04/2008 (Al? de fls. 28), a contribuinte tomou vistas dos autos em 29/04/2008 (fls. 47), apro.sontando, em 2 Processo n" 13819 00 I 28912004-43 Si .1 . 1 ■:02 Acórao ii " 1802-00.757 1:i 97 08/05/2008, manifestação de inconformidade de ifs. 50/57, acompanhada dos documentos de fls.. 58/65. Ale,get que por se tratar de recolhimentos efetuados a maior, no ano-calendário de 1993, devidamente in/ui mados em declaração de rendimentos (01R.R1/1994), não havia a necessidade de for metlizar processo de restituição, uma vez (pre as valores restiluir, consignados na declaração„ eram disponibilizados autornaticamente por meio eletrônico. Transcreve o art. 66 da Lei n° 8 383, dc 1991, para concluir que o dispositivo legal inovou em favor do contribuinte, possibilitando, àsua opção, a compensação OU restituição de ti ibutos e contribuições federais recolhidos a maior E continua: "Portanto, a possibilidade de compensação ou restituição em processo especifico em nada alterou o direito de reaver os valores recolhidos a maior e assim expres.samente declarados na DIRRI da época, independentemente de pleito adicional E não poderia .ser diptente, tendo em vista que não teria lógica um dispositivo legal que viesse a tolher 08 direitos fá adquiridos pelos cOntiiintiideS CM matéria de compensação e/ou restituição. As.sim sendo, no caso concreto, não há que se . falar em prescrição ou deceteljncia do da mio de pleitear a restituição, tendo em vista que os valores de IRPJ pram declarados tempestivamente na DIRP,I do exercício de 1994, o que atende ao prazo indicado no artigo 16-8 do (TN De outro lado, ainda que não se entenda que a declaração dos valores na respectiva DIRPI seria ,suficiente para atender ao prazo previsto no art. 168 do CTN, o que se admite apenas para argumentar, nem assim feria ocorrido a perda do direito da ora ,suplicante reaver os valores de IRP..1 recolhidos a maior no (1170- calendário de 1993, tendo em vista que o prazo pata restituição dos tributos ..sujeito.s ao lançamento por homologação, tal como ocorre corn o IRPJ, é de dez anos. "(griPs do original) Ressalta, ao contrário do afirmado no despacho decisório recorrido, que o pleito fiti apresentado em 18.12.2003, e não em 18,06.2004, con/brine carimbo de recepção pela DR17/São Bernardo do Campo/ST Diz que a tese dos dez anos para pleitear a restituição defendida pelo citando como exemplo o RI/SR n° 44.221 e o REST n° 42..720, entre outros, CIO entendimento é adotado por am/Jas' as turmas do Tribunal E acrescenta "Assim, pelo critério de cálculo do prazo prescricional adotado pela Corte ■ S*uperior (10 altos da data do recolhimento do tributo), ainda não se encontrava o mesmo decorrido quando da formulação do pleito administrativo de compensação de que .se cuida, ..sendo totalmente legitimo o pedido objeto deste pleito, vez que o pedido administrative r foi formulado (quando menos) em 18,12.2003 e pleiteia-se a compensação do IRP,J recolhido a maior no ano- calendário de 1993, cujo fato gerador só ocorre no 31.12.1993 (de modo que a suplicante teria até a data dé 3 31 12.2003 para requere a devolução dos valores recolhidos a maj(r) " Cira, 'Jesse sentido, puisprudéncia do Conselho de Contribuintes illayla a aplieaeão dos artigo.s 30 e 4" da Lei Complementar n" 118, de 2005, por contrariarem o próprio artigo 106, I, do ('TN, bem como a Constituição Federal, face violação das princípios da independCncia e harmonia dos. poderes, .segurança juridica„ ir retro boaTfé, moralidade, isonomia e neutralidade da tributação para fins concorrenciais. Salienta, ademais, que O SPJ 1'4 declarou a inconslitucionalidade do art 40 da Lei n° 118, de 2005, na parte em epee determinava a aplicação retroativa do art 3', justamente por entender que, em rele-rção aos pewamentos efetuados no p(lAS(1(10, COWL - illfa entendimento eh? que a prescrição quinquenal cower- se apenas após a evtinção da oln "gr.-10o tributória, mantido, pO1 tanto, o prazo de dez anos Eirfiniza, poi - °utter lado, que não tendo sido eletuada a restituição, pode recorrente °plat pela comperrsação (10.5 re.spe.ctivos créditos corn parcelas vincerulas de tributos administradas pela RFB, nos termos dos arts. 7.3 e 74 da Lei n° 9.430, de 1996, e demais dispositivos leg-ais e regulamentares aplieãveis O hipótese (em especial a 1111 SRE n° 600, de 2005) Encerra protestando pela devolução dos valor es recolhidos a maiOl a titulo de devidamente atualizados e acrescidos de jut os cabíveis, sob a forma de restituição au compensação A pessoa jurídica fo cientificada da decisão proferida no Acórdão n° 05- 24299 , de 01 de dezembro de 2008, cord-dime o Aviso de Recebimento (AR), It 81, em 19/01/2009 e, interpôs recurso voluntário ao Conselho de Coniribuintes (11s.82/92), cm 11/02/2009, alegando as mesmas razões expendidas na impugnação, portanto, desnecessário repeti- ias. No essencial, alega que por Sc tratar de recolhimentos de IR.P.J efetuados maior no ano calendário de 1993 e que foram devidamente declarados na declaraçao de rendimentos da época (D1P1/1994), não havia a necessidade de o contribuinte formalizar processo de restituição, tendo em vista gm os valores a restituir consignados na DM eram disponibilizados automaticamente por meio eletrônico, e desse modo, não poderia ser imputada ao sujeito passivo qualquer acusação de inércia do exercício do direito de pleitear a restituição dos valores em questão, não podendo, pois, tal direito ser restringido pelo decurso de prazo. Finalmente alega que, pelo critério de cálculo do prazo prescricional adotado pela Corte Superior (10 anos da data do recolhimento do tributo), ainda não se encontrava o mesmo decorrido quando da formulação do pleito administrativo de compensação de que se cuida, sendo totalmente legitimo o pedido objeto deste pleito, vez que o pedido administrativo foi formulado (quando menos) ern 18..12..2003 e pleiteia-se a compensação do WM recolhido a maior no ano-calendário de 1993, cujo fato geradoi só ()wire no dia 3 1 .12_1993 ((IC modo que a suplicante teria até a data de 3.112.2003 para requerem a devolução dos valores recolhidos a major). o relatório 4 Process() n" 1 38 19 001289/2001-13 Si- 1 . 11;02 Acimkio ii . 1802-00.757 1 7 1 98 Voto Conselheira Relatora, Ester Marques !ins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n". 7(1.235/72 e alterações posteriores, dele tomo conbecimento.. Compulsando-se os autos constata-se o Pedido de Restituição de 11. 01, com carimbo de 18/12/2003, protocolizado em 18 d.e j -unho de 2004, no qual o requerente pleiteia suposto credito atinente ao ano de 1993 (exercício 1994) dito d.eclarado na Declaração de Rendimentos — .DIRPj/94. Apesar de mencionado a anexação de cópia da Declaração de Rendimentos esta Rao se encontra juntada à petição, nem tampouco indicado qual o valor pleiteado... O indeferimento do pleito, tanto no Despacho Decisório (fls,23/24) quanto no Acórdão n" 05-24.299 (11s,75/79) se dá fundamentalmente, corn supedãneo no art.. 168 do CTN, em razão do transcurso do prazo prescricional de cinco anos, contado da data da entrega da DIRP..1/94, ocorrida em 28/04/1994. No que se refere ao Saldo Negativo de IRP,1 Ott CSLI, supostamente apurados em 31/12/1993, é preciso delimitar a partir de quando a pessoa jurídica adquire o direito de pleitear a restituição ou compensação desses tributos em decorrência de eventual "Saldo Negativo" em 31 de dezembro, É preciso delimitar . a partir de quando a pessoa jurídica adquire o direito de pleitear a restituição ou compensação do indébito em decorrência de eventual excesso de antecipação de tributo no ano calendário. A recorrente optou pela tributação dos resultados apurados no aludido ano calendário de 1993, com base no two real, 11.22, Para a efetiva aplicação da legislação tributária ao presente caso faz-se necessária uma explicitação dos atos normativos em sua temporalidade. A Lei n" 8.383, de .30 dezembro de 1991, introduziu regras que modificaram a legislação do imposto de renda, a partir de 01/01/1992, aplicável também à CSLL, especialmente quanto a periodicidade de apuração do imposto. Dentre as principais alterações introduzidas pelo novo diploma legal, destaca- se aquela relativa ao período de apuração dos tributos incidentes sobre os lucros das pessoas juridicas, que passou a ser mensal, verbis: Art. 38. A partir do nd!s de janeiro de 1992, o impost() de renda das pessoas juridieas será devido mensalmente, à medida em que Os hteros. fivem atfferidos. 5 1 0 Para cftito do disposto neste rung°, 0.5 pes.socts jurídicas devcrão apurar, mensalmente, a base de cálculo do imposto e o impost() devido 2" A base de calculo do imposto sera convertida em quantidade de Ufir diária pelo valor desta no dia do mês a que corresponder. 3" 0 impost° de.:vido .será calculado mediante a aplicação da aliquoto sobre a base de aikido expresso em 11fir §. 4' Do imposto apurado na forma do parógialb anierioi a pessoa jurídica poderá diminuir a) os incentivos fiscais de dedução do impost() devido, podendo o valor eyced.ente ser compensado nos meses subseqi.ientes, observados os limites e prazos fixados na legislação específica; b) o.s incentivos fiscais de redução e isenção rio imposto, calculados- com base no lucio da exploração apurado rnensalmentc, q) o imposto de renda retido na firnic sobre receitas computadas na base de cálculo do imposto. 5' Os valores de que tratam as alíneas do pc-wag/40 anterior sera() convertido.s em quantidade de Ufir diái ia pelo valor desta no filfirno ilia do mês a que corresponderem 6' 0 saldo do impost() devido em cada mês .sera pago ate o ultimo dia do rites .subseqüente. 7° 0 préjuizo apurado na demonstração do lucro real em um mês poderá ser compensado com o lucro real do.s mese.s .sub.seqiientes § 8' Para efeito dc conwensação, o prejuízo sera corrigido monetariamente com base na variação acutardada da Ulir chária. § 9° 0.5 resultados apurados em cada rues sei ao corrigidos monetariamente (Lei n" 8 200, de 1991) Ail 3.9 As pes.soas juridic-as tributadas com base no lucro real poderão optar pelo pagamento, ate':' o lilt uno dia iffil do mês subseqUente, do imposto devido mensalmente, calculado por estimativa observado o .seguinte: rios meses de janeiro a (civil, o imposto estimado correspondera, em cmicla mês, a um duodécimo do imposto e adicional apurados em balanço ou balancete actual levantado em .31 de dezembro do ano anterior ou, art inexistência deste, a Hai sexto do imposto e adicional apurados mio balanço OU balaneete semestral levantado em 30 de junho do ano anterior,. 740.5 nines de Maio a ag0810, 0 itaprtsto estimado corre,sponderá, eni coda mês, a um duodécimo do imposto e adicional apurczdas no balanço anual de 31 de dezembro do ano anterior, 6 Proccs.so n" 13519001259/20(4-43 S1-TE02 Ac6'1E0 n "1802-00357 Fl 99 111 - nos mcses de setembro a dezembro, o imposto estimado corresponderá, eat cada in(2s, a um .sexto do imposto e adicional apuradas em balanço ou balancete semestral levantado em 30 de junho do ano cm ClfiSO § .1" 4 opção ..será(1,..etuada na data do pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro e só poderci ser alterada em relação ao imposto referente aas meses do ano subseqiiente § 2" 4 pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto mensal estimado, enquanto balanços ou balance/cc mensais denumstrarem que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto calculado corn base no lucro real do período cm curvo . § 3' 0 impost() apurado nos- balanços OU balanceies será convertido em quantidade de Ufir diária pelo valor desta no Ultimo dia do mês (1 que se referir. § 4" 0 impost() de renda retido na fonte sobre rendimentos computados na deter minação do lucro real poderá ser deduzido do imposto estimado de cada mês'. § 5" A diferença entre o imposto devido, apurado na declaração de ajuste anual (art 43), e a importância paga nas termos deste artigo será - a) paga em quota Unica, até a data fixada para a entrega da declaração dc ajuste anual, se positiva, h) compensada, corrigida monetariamente, corn o impost° mensal a ser pago nos meses subseqUentes ao fixado para a entrega da declaração de ajuste anual, se negativa, assegurada a alternativa de requerer a restituictio do montante pago indevidamente Como se vê, o regime d.e apuração instituído pela Lei n" 8.383/91 prevê, para as empresas optantes pela tributação com base no lucro real, que o IRP.1 e a CSLL são devidos mensalmente e deve ser pago segundo uma das seguintes modalidades: com base no lu.ero real apurado mensalmente;ou estimado em cada .mês. A opção pelo pagamento dos referidos tributos efetivamente devido, mês a mês, dispensa qualquer espécie de ajuste no final do ano calendario. Por conseguinte, a deelaração de rendimentos (DfRR.I) te m . canner apenas informativo. No caso do pagamento por estimativa a empresa flea obrigada a. confrontar os recolhimentos efetuados por estimativa com o efetuado cm Declaração de Ajuste, a ser apresentada no inicio do ano seguinte, podendo dela resultar di ferença positiva a ser recolhida no prazo legal ou. diferença negativa compensavel a partir do mês subseqüente ao da entrega da dec 1 aração. De acordo corn a Lei n" 8.541, de 23/12/1992, publicada em 24 de dezembro de 1992, a partir de .janeiro de 1993, o período base de incidência do Imposto de Renda da pessoa jurídica com base no lucro real, permaneceu mensal, porém com a possibilidade d , pessoa .jurídica. optar pelo recolhimento mensal cio imposto por estimativa devendo resultado tribuhivel em 31. de dezembro de cada ano ou na data de eneerramento de suas atividades ao teor do art 25 do mencionado ato legislativo. Di spun ha a Lei n" 8.541/92: "Art 23. As pessoas jurídicas ii ibutadas com base no lucro real podetão ()Mar pelo pagamento do impo.sto mensal calculado por estimativa. I" A ()N.J.() sera formalizada inediante o pagamento espontaneo do impost() relativo ao flies de janeiro ou do més de início de atividade. ) Art 28. As pessoas jurídicas que optarem pelo disposto no art.23, desta Lei, deverdo apurar o imposto na declaração anual do luclo real, e a diftrença verificada ellire O imposto devido na declaração e o impost° pago referente aos meses do período- base anual será I - paga ern quota unica, até a data fixada para entrega da declaragdoanual quando positiva; 11 - compensada, corrigida monetariamente, com o impost() mensal a ser pago nos meses subsequentes ao lixado paw a entrega da declaração anual Se negativa, assegurada alternativa de restituição do montanle pago a maior corrigido monetariamente (Err lamos) Dessarie, 00 caso de pessoa juridica que apura o resultado em período anual, o tecothimento de IRPJ e CSLL sob a forma de antecipações ( parcelas de estimativa ou .[RRE) são adiantamentos que só com o fat° gerador ocorrido em 31 de dezembro poderão se transtbrmar em pagamento a major, Corno se vê, o supracitado dispositivo legal delimitou que só a partir do mês subseqüente ao fixado para a entrega da declaração, (3 que a pessoa jurídica poderá pleitear restituição/compensayao da diferença do imposto considerada a maim, on seja o saldo negativo. Segundo o disposto no artigo 44, cap/it, da mencionada Lei n" 8.383/91, e artigo 38 , caput, da Lei n" 8.541192, aplicam-se à CS.1,1, as mesmas normas estabelecidas para o I It Pl. A Lei n° 9,430/96, também permite compensar o saldo do imposto de renda, apurado no encerramento do período anual dc 31 de dezembro, corn o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano seguinte, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração dc rendimentos, a restituição do montante pago a major, in verb.: (1 7 Art 6'' 0 iMpOSIO devido, apurado na firrina do art.2", devera ser pago até o ultimo dia útil do inC.s subseqiiente aquele que .se refer ir - O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será I - pago ern quota única, até o ultimo dia útil do ilk's de março do ano subseqüente se positivo( ), 8 Processo 11" 13819 001289/2001-43 St- E02 AcórcHio o " 1802-00.757 PI 100 Li- compensado, corn o imposto a ser pago a partir do inêS de abril do ano .subseqüente, assegurada a alternativa de requerer; ap(rrsa entrega da declaração de rendimentos, a restituição montante pwlo a merior. (Destaquei) A Instrução 'Nformativa SRF n" 127, de 30.10.98, instituiu a Declaração Integrada de In formações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica - Dill e tornou extinta a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica, a partir do Exercício de 1999. No sentido de esclarecer aos contribuintes, foi expedido o Ato Declaratório SRF N" 3, de 07/01/2000, orientando que os saldos negativos do TRP,I e da CSLI das pessoas jurídicas submetidas ao regime de tributação com base no lucro real, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados a partir do mL's de janeiro cio ano-calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes it taxa referencial Selie.. Da questão apontada conclui-se, diante dos fundamentos jurídicos alinhados, que a pessoa jurídica adquire o direito de pleitear a restituição ou compensação do Saldo Negativo apurado em 31/12/1993, a partir do môs de abril do ano de 1994, após a entrega da declaração de rendimentos. 0 litígio decorre da decisão administrativa que manteve o indeferimento de direito creditório relativo ao suposto saldo negativo do 1RPJ e CSLL cio ano calendário d.e 1.993 retro mencionado, e por conseqüencia a não homologação das compensações por ventura efetuadas pelo contribuinte no .mesmo valor. Indubitavelmente, o prazo para se pleitear restituição OU compensação de tributo pago indevidamente ou a maior que o devido, inicia-se na data do pagamento, conforme disposição contida no art, 165, inciso 1 , combinada com o art. 168, Caput, e inciso 1, todos do Código Tributado Nacional, verbis: Art. 165. 0 sajeito passim tem direito, independentemente de prévio protesto, à resfiluicao total ou parcial do tributo, .seja qual for á modalidade do ,sert pagamento, ressalvado o disposto no .1" do artigo 162, nos seguintes casos: 1 — cobrança ou pagamento espontance.) de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou cireunskincias materiais do fato gerador ('ktivainente ocorrido, 11 -- erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da crliquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento, Ill reforma, anulação, revogação on. rescisão de decisão condenatória [.1 iii 1. 168 0 direito de pleitear a restituição extingue-se decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados 9 I nas hipóteses das inersos 1 e II do ((trig° 165, da data da extinedo do credit() tributái io, .11 — na hip lese do ineiso III do artigo 165, da data em pre AC tornar definitiva a decivio admintslratNa au passar ern julgado a decisào judicial que tenha relOrniado. anulado, revogado OU rescindido a decis'do condenatória. Com efeito, o alcance da norma consagrada pelo art. -168, .inciso 1, do CTN, que por sua vez dispôe sobre a contagem do prazo prescricional para o pedido de .restituição de valores pagos a minor Ott indevidamente, nas hipóteses do art, 165, inciso I, do CTN, somente pode ser entendido se contarmos 5 (cinco) anos da data da extinção do crédito tributãrio, ou seja, da data em que se considerou o pagamento indevido ou maior, O direito dc postular a restituição do saldo negativo do IRPI e CSI A. apurados anualmente somente exsurge após o encerramento do ano ealendario. Assim, o direito de postular a restituição do saldo negativo do IR PI e da CSI L referentes ao ano calendário de .1993, teve seu termo inicial no dia 01/04/1994 e o termo final no dia 31/04/1999. Segue-se do arrazoado que no caso da apuração anual do .1RPI e CS1 J „ ern 31 de dezembro de -1993, podendo set requerida a restituição ou procedida a compensação, a partir de abril de 1994, o prazo prescricional de cinco anos, -Hui a partir de abril de 1994 e Hilda em abril de 1999 para o contribuinte pleitear a restituição/compensação do saldo negativo apurado em 31/12/1993, Não pode o contribuinte ao seu tala..nte alargar o prazo prescricional que se expirou cm abril de 1999. Acatar corno válido o prazo de 10 anos para os fins de pedir restituição após a prescrição em razão da inércia do contribuinte é dar elastério indevidamente ao artigo 168 do CT1N- Formulado o Pedido de Restituição somente em -18 de junho de 2004 ou ainda que se considere 18/12/2003 como alega a recorrente, mediante a apresentação do Pedido de Restituição (if 01), caracterizada esta a prescrição, no que se aplica o disposto no artigo 168, inciso 1, do CTN. Quanto ao argumento do recorrente dc que não havia a necessidade de formalizar processo de restituição, tendo cm vista que os valores a restituir consignados na DIPI/94 cram disponibilizados automaticamente pot meio eletrônico, e desse modo, não poderia ser imputada ao sujeito passivo qualquer acusação de inércia do exercicio do direito de pleitear a restituição dos valores em questão, não podendo, pois, tal direito ser restringido pelo decurso de prazo; tal alegação cai por terra na medida em que a Lei if 8383/91 (a11..39, § 5", "V) diz literalmente que flea assegurada a alternativa de requerer a restituição do montante pago indevidamente. Portanto, com a edição da Lei n" 8383/91, a restituição de saldo credor dc IRPT ou CSLL, demanda ato formal por parte do contribuinte e não ran reconhecimento de oficio da administração tributatia. Isto posto, VOTO„ no sentido de NE:GAR provimento ao recurso. - —7 fVrarq u es I jriTsile- Solisa 10 Proceso ri" 13819.00128912001-13 S1-1 E02 Acórdão ii ' 1802-90,757 Fl 101
score : 1.0
Numero do processo: 10380.730736/2013-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
NULIDADE. INEXISTÊNCIA. REQUISITOS DO LANÇAMENTO. DIREITO DE DEFESA.
Preenchidos os requisitos do lançamento, não há que se falar em nulidade, nem em cerceamento do direito de defesa.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
Entende-se por salário-de-contribuição a remuneração auferida, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho.
ARBITRAMENTO.
A fiscalização está autorizada legalmente a lançar de ofício, arbitrando as importâncias que reputarem devidas, com base em elementos idôneos de que dispuser, quando a contabilidade da empresa não registrar o movimento real de remuneração de segurados a seu serviço, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. COOPERATIVAS DE TRABALHO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO INCIDÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. SISTEMÁTICA DE REPERCUSSÃO GERAL. VINCULAÇÃO DO CARF.
No julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida, o STF declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei 8.212/91, que previa a contribuição previdenciária de 15% incidente sobre o valor de serviços prestados por meio de cooperativas de trabalho. Aplicação aos julgamentos do CARF, conforme RICARF.
MULTA.
A multa exigida na constituição do crédito tributário por meio do lançamento fiscal de ofício decorre de expressa disposição legal.
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE.
O processo administrativo não é via própria para a discussão da constitucionalidade das leis ou legalidade das normas. Enquanto vigentes, os dispositivos legais devem ser cumpridos, principalmente em se tratando da administração pública, cuja atividade está atrelada ao princípio da estrita legalidade.
NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. APURAÇÃO CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS POR ARBITRAMENTO. LEVANTAMENTO COM BASE EM LANÇAMENTO CONTÁBIL "EDIFICAÇÕES". NECESSIDADE MOTIVAÇÃO NOS TERMOS DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. NECESSIDADE DE APROFUNDAMENTO. INEXISTÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO.
De conformidade com a legislação de regência, especialmente artigo 33, § 3°, da Lei n° 8.212/91, a constituição do crédito tributário por aferição indireta/arbitramento, somente poderá ser levada a efeito quando devidamente demonstrada/comprovada à ocorrência da impossibilidade da aferição direta dos fatos geradores de tais tributos, em face da sonegação de documentos e/ou esclarecimentos solicitados ao contribuinte ou sua apresentação deficiente. A simples informação da utilização de referida presunção legal, sem que haja a sua devida motivação, não tem o condão de suportar o lançamento por arbitramento.
Numero da decisão: 2401-004.919
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso. No mérito, por maioria, dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento os levantamentos "OC - Cooperativas de Trabalho Diversas", "UC - Cooperativas de Trabalho UNIMED" e "P9 - Pagamentos a contribuintes individuais". Vencidos a relatora e os conselheiros Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez que davam provimento parcial em menor extensão para excluir apenas os levantamentos "OC - Cooperativas de Trabalho Diversas" e "UC - Cooperativas de Trabalho UNIMED". Designado para redigir o voto vencedor, na parte em que foi vencida a relatora, o conselheiro Rayd Santana Ferreira.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Relatora e Presidente.
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Redator Designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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Recorrente HOSPITAL SÃO CARLOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 NULIDADE. INEXISTÊNCIA. REQUISITOS DO LANÇAMENTO. DIREITO DE DEFESA. Preenchidos os requisitos do lançamento, não há que se falar em nulidade, nem em cerceamento do direito de defesa. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Entendese por saláriodecontribuição a remuneração auferida, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho. ARBITRAMENTO. A fiscalização está autorizada legalmente a lançar de ofício, arbitrando as importâncias que reputarem devidas, com base em elementos idôneos de que dispuser, quando a contabilidade da empresa não registrar o movimento real de remuneração de segurados a seu serviço, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. COOPERATIVAS DE TRABALHO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO INCIDÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. SISTEMÁTICA DE REPERCUSSÃO GERAL. VINCULAÇÃO DO CARF. No julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida, o STF declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei 8.212/91, que previa a contribuição previdenciária de 15% incidente sobre o valor de serviços prestados por meio de cooperativas de trabalho. Aplicação aos julgamentos do CARF, conforme RICARF. MULTA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 73 07 36 /2 01 3- 65 Fl. 1885DF CARF MF 2 A multa exigida na constituição do crédito tributário por meio do lançamento fiscal de ofício decorre de expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. O processo administrativo não é via própria para a discussão da constitucionalidade das leis ou legalidade das normas. Enquanto vigentes, os dispositivos legais devem ser cumpridos, principalmente em se tratando da administração pública, cuja atividade está atrelada ao princípio da estrita legalidade. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. APURAÇÃO CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS POR ARBITRAMENTO. LEVANTAMENTO COM BASE EM LANÇAMENTO CONTÁBIL "EDIFICAÇÕES". NECESSIDADE MOTIVAÇÃO NOS TERMOS DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. NECESSIDADE DE APROFUNDAMENTO. INEXISTÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO. De conformidade com a legislação de regência, especialmente artigo 33, § 3°, da Lei n° 8.212/91, a constituição do crédito tributário por aferição indireta/arbitramento, somente poderá ser levada a efeito quando devidamente demonstrada/comprovada à ocorrência da impossibilidade da aferição direta dos fatos geradores de tais tributos, em face da sonegação de documentos e/ou esclarecimentos solicitados ao contribuinte ou sua apresentação deficiente. A simples informação da utilização de referida presunção legal, sem que haja a sua devida motivação, não tem o condão de suportar o lançamento por arbitramento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1886DF CARF MF Processo nº 10380.730736/201365 Acórdão n.º 2401004.919 S2C4T1 Fl. 1.886 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso. No mérito, por maioria, dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento os levantamentos "OC Cooperativas de Trabalho Diversas", "UC Cooperativas de Trabalho UNIMED" e "P9 Pagamentos a contribuintes individuais". Vencidos a relatora e os conselheiros Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez que davam provimento parcial em menor extensão para excluir apenas os levantamentos "OC Cooperativas de Trabalho Diversas" e "UC Cooperativas de Trabalho UNIMED". Designado para redigir o voto vencedor, na parte em que foi vencida a relatora, o conselheiro Rayd Santana Ferreira. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Relatora e Presidente. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Redator Designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 1887DF CARF MF 4 Relatório Tratase de Autos de Infração AIs lavrados contra a empresa em epígrafe, cujos créditos tributários são os descritos a seguir: Obrigação Principal: · DEBCAD 51.013.1387 referente a contribuição social previdenciária correspondente à contribuição da empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), incidente sobre a remuneração paga a segurados empregados e contribuintes individuais, e contribuição de 15% sobre a nota fiscal de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. · DEBCAD 51.013.1395 referente a contribuição social previdenciária correspondente à contribuição dos segurados empregados e contribuintes individuais. · DEBCAD 51.013.1409 referente a contribuição social destinada a terceiros Salário Educação, Incra, Sesc, Senac e Sebrae, incidente sobre valores pagos a segurados empregados. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 61/64), a fiscalização apurou os seguintes fatos geradores: a) Levantamento AP aviso prévio indenizado diferença de recolhimentos sobre os valores pagos aos empregados nas rescisões. b) Levantamento CI – C Individual Lançamento Contábil – Pagamentos efetuados aos prestadores de serviços, constantes na contabilidade e não comprovada documentação dos pagamentos efetuados. Não declarados em GFIP. c) Levantamento DG – Diferença Folha de Pagamento não declarada em GFIP – diferença de recolhimentos sobre os valores pagos aos empregados na Folha de Pagamento e rescisões. d) Levantamento DP – Diferença Prólabore – diferença de recolhimentos sobre os valores pagos aos sócios. Não declarados na GFIP. e) Levantamento F2 – Remuneração Lançamentos Contabilidade – Pagamentos efetuados a empregados lançados na contabilidade e não comprovada a documentação dos pagamentos efetuados. Não declarados na GFIP. f) Levantamento OC – Cooperativas de Trabalho Diversas – pagamento das faturas de diversas cooperativas de trabalho. Não declaradas na GFIP. Fl. 1888DF CARF MF Processo nº 10380.730736/201365 Acórdão n.º 2401004.919 S2C4T1 Fl. 1.887 5 g) Levantamento P9 – Pagamentos a contribuintes individuais – pagamento constante na contabilidade e não comprovada a documentação dos pagamentos efetuados. Não declarados na GFIP. h) Levantamento UC – Cooperativas de Trabalho UNIMED – pagamento das faturas da Unimed. Não declarados na GFIP. Consta do relatório fiscal que: 7.2. Quanto aos levantamentos obtidos através de lançamentos na contabilidade CI – C Individual Lançamento Contábil; F2 – Remuneração Lançamentos Contabilidade e P9 – Pagamento a contribuintes individuais, são valores considerados pela auditoria como pagamentos realizados a segurados contribuintes individuais e como pagamentos a segurados, arbitrados após análise da contabilidade (Livro Diário/Razão) e aferidos como salário de contribuição em virtude da empresa não conseguir localizar os documentos não sendo possível a apresentação de tal documentação, pois a empresa responsável pelo arquivamento dos mesmos não os encontrou como foi esclarecido pelo contribuinte. Constituem fatos geradores das contribuições lançadas. Estes valores verificados na contabilidade foram extraídos de diversas contas contábeis e relacionados em planilhas anexas, folhas do diário e razão. Tendo em vista a falta de apresentação de documentos, todos valores lançados foram considerados como parcelas integrantes do saláriodecontribuição, em conformidade com o determina o art. 33 da Lei 8.212/91 [...] 7.3.Quanto ao levantamento P9 – Pagamento a contribuintes individuais, a empresa esclareceu parte do lançamento (declaração anexa e razão). Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação, na qual questiona os lançamentos efetuados relacionados a contribuintes individuais e cooperativas de trabalho e a multa aplicada. Consta dos autos que os processos DEBCAD 51.013.1395 e 51.013.1409 encontramse extintos por pagamento. Foi proferido o Acórdão 12076.464 14ª Turma da DRJ/RJO, fls. 1.774/1.790, com a seguinte ementa e resultado: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias e Outros Tributos e Contribuições Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 Pedidos não justificados de realização de perícia e de diligência. Descabimento. Nos termos do disposto no Decreto 70.235/1972, os pedidos de realização de diligência e perícia só poderão ser deferidos se forem expostos pelo requerente os motivos que os justifiquem, de Fl. 1889DF CARF MF 6 modo que fique demonstrada a necessidade e utilidade de sua realização. Pedido de juntada posterior de documentos. Descabimento. Deve ser rejeitado o pedido de juntada posterior de documentos, se não foi demonstrado pela requerente que o mesmo se insere entre as hipóteses de permissão consignadas no parágrafo 4º, do artigo 16, do Decreto 70.235/1972. Solicitação de intimação no endereço dos procuradores da empresa autuada. Descabimento. Não há previsão legal de realização de intimação no endereço dos procuradores da empresa autuada. O Decreto 70.235/1972 determina que a intimação por via postal darseá no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Dispõe o artigo 127 do Código Tributário Nacional que na falta de eleição, a intimação será feita no lugar da sede da pessoa jurídica, ou, em relação aos atos ou fatos que derem origem à obrigação, o de cada estabelecimento. Aferição indireta do crédito fiscal. Cabimento. Justificase, plenamente, a aferição indireta do crédito fiscal se a Autuada não apresentou a documentação solicitada pelo Fisco, para fins de comprovação da veracidade dos registros contábeis que deram origem ao lançamento fiscal, e tampouco justificou o seu procedimento. Apreciação na esfera administrativa da constitucionalidade dos diplomas legais que fundamentam a cobrança do crédito fiscal. Descabimento. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Aplicação da multa de ofício. Cabimento. Deve ser aplicada a multa de ofício prevista no artigo 44, inciso I, da Lei 9.430/1996, quando constatado que o contribuinte tenha concomitantemente deixado de apresentar a GFIP e deixado de efetuar o recolhimento das contribuições não declaradas, ou, tenha preenchido a GFIP com omissões de contribuições devidas e, ao mesmo tempo, não tenha recolhido as contribuições omitidas no referido documento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado do Acórdão em 6/7/15 (Aviso de Recebimento AR de fl. 1.794), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 30/7/15, fls. 1.796/1.837, que contém os mesmos argumentos da defesa, em síntese: Fl. 1890DF CARF MF Processo nº 10380.730736/201365 Acórdão n.º 2401004.919 S2C4T1 Fl. 1.888 7 Alega haver inconsistência na caracterização dos fatos geradores, contestando a validade do lançamento P9 – pagamentos a contribuintes individuais – pois entende o crédito fiscal foi apurado por aferição indireta sem amparo na legislação. Afirma que a fiscalização se utilizou de um método incompatível com a fixação do salário de contribuição, haja vista que sequer no relatório fiscal, discriminou como chegou à verba mencionada para fins de caracterização como base de cálculo de contribuição previdenciária. Não é possível a realização da aferição indireta como informado pela fiscalização previdenciária. Assim a aferição é inapropriada para o caso em tela. Cita jurisprudência e doutrina. Aduz que não se justifica a aferição indireta, pois atendeu as solicitações fiscais. A fiscalização somente citou a Lei 8.212/91, art. 22, sem informar em como chegou ao valor lançado, não havendo como aferir indiretamente que tais valores se referem a salário de contribuição, quando não há indicação na contabilidade que tais valores foram pagos a esse título. Esse lançamento impede o direito à ampla defesa da empresa, sendo o ato nulo. Acrescenta que a mais grave violação do lançamento tributário é o cerceamento à defesa, em função da insuficiente motivação do ato administrativo a corroborar a existência de pagamento a contribuintes individuais,quando no LIVRO FISCAL do contribuinte consta um lançamento como EDIFICAÇÕES. Para descaracterizar o lançamento o fisco há de motivar a razão da desconsideração de tal lançamento. Disserta sobre o princípio da ampla defesa, citando legislação e doutrina. Refuta as verbas lançadas como salário de contribuição nos levantamentos P9 – Pagamentos a Contribuintes Individuais, CI – Contribuinte Individual LCT Contábil e DP – Dif Prolabore, argumentando que no julgamento da ADI 1.1022 e RE 166.7729, foram declarados inconstitucionais as contribuições dos administradores, em razão de não poder a folha de salários conter os valores pagos a título de pro labore do sócio administrador em razão de que tais rendimentos não têm natureza salarial. Apesar de alegar refutar o lançamento efetuado no levantamento F2 – Remuneração Lançamentos Contabilidade, que se refere a valores pagos a empregados, não apresenta qualquer argumento contra ele. Acrescenta que o sócio, como contribuinte individual paga a contribuição previdenciária sobre o pro labore recebido, limitado ao teto de recolhimento fixado pela legislação. Diz que no tocante ao Levantamento CI – CONTRI INDIVIDUAL LCT CONTÁBIL, há discrepâncias que precisam ser extirpadas da planilha da fiscalização, tais como o valor de R$ 20.934,00 referentes à aquisição de material cirúrgico/hospitalar, que foram inseridos como base de incidência previdenciária, embora o contribuinte não tenha apresentado a nota fiscal respectiva, pois a mesma até então não foi encontrada. Apresenta tabela com valores que entende que devem ser excluídos. Contesta os levantamentos UC – Cooperativa de Trab UNIMED e OC – Cooperativas de Trab Diversas. Questiona a constitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei 8.212/91 e disserta sobre a matéria. Fl. 1891DF CARF MF 8 Apesar de dizer contestar, não apresenta argumentos contra o levantamento DG – Dif F Pagto Não Decl GFIP. Questiona a multa aplicada, prevista na Lei 9.430/96, art. 44, afirmando ser confiscatória. Entende que deveria ter sido aplicado o art. 32A da Lei 8.212/91. Invoca a retroatividade benigna prevista no CTN, art. 106. Alega que na elaboração do presente lançamento não foram observadas as disposições do Parecer PGFN/CAT 433/2009. Requer seja dado provimento ao recurso. É o relatório. Fl. 1892DF CARF MF Processo nº 10380.730736/201365 Acórdão n.º 2401004.919 S2C4T1 Fl. 1.889 9 Voto Vencido Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. CONSIDERAÇÕES INICIAIS Inicialmente, cumpre observar que o recorrente não contesta expressamente, na impugnação ou no recurso, os fatos geradores dos levantamentos AP aviso prévio indenizado, DG – Diferença Folha de Pagamento não declarada em GFIP e F2 – Remuneração Lançamentos Contabilidade, referentes a remuneração paga a segurados empregados. Inclusive, os autos de infração DEBCAD 51.013.1395 e 51.013.1409, que contêm o lançamento de contribuições sociais (segurados e terceiros) sobre os mesmos fatos geradores apontados acima, foram pagos pelo sujeito passivo. MÉRITO O lançamento teve por base o que determina a Lei 8.212/91, art. 28: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; [...] III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5º; [...] Fl. 1893DF CARF MF 10 VALORES PAGOS A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS LEVANTAMENTO P9 Ao contrário do que afirma a recorrente, a fiscalização justificou a apuração do crédito tributário, pois a autuada não apresentou a documentação solicitada pelo Fisco para fins de comprovação da veracidade dos registros contábeis que deram origem ao lançamento fiscal, e tampouco justificou o seu procedimento. Por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 004 de fls. 311/312 a fiscalização solicitou a apresentação dos documentos de caixa referentes aos lançamentos listados nos anexos 1 e 2. No anexo 1 de fls. 313/319 consta o lançamento de 31/12/09, efetuado a crédito da conta CAIXA, no valor de R$ 8.908.900,70 e com a seguinte contrapartida: EDIFICAÇÕES. Conforme consta no relatório fiscal, a autuada comprovou apenas parcialmente a regularidade do questionado lançamento contábil. Não foi apresentada a documentação que daria suporte ao registro contábil no valor de R$ 7.091.962,39. Portanto, não foi comprovado a regularidade dos registros contábeis desse valor. Ressaltese que não foram apresentados documentos que justificassem referido registro contábil, nem na impugnação, nem no recurso. O registro contábil precisa ser comprovado por documentos que o lastreiam, determinando a natureza dos valores registrados. Sendo assim, a fiscalização buscou apurar a veracidade do registro contábil e solicitou a documentação que daria suporte a ele. Contudo, para o registro no montante de R$ 8.908.900,70, efetuado em 31/12/09, a documentação apresentada foi apenas parcial, não tendo sido devidamente demonstrada a correção de registros contábeis no montante de R$ 7.091.962,39. Desta forma, justificada a aferição indireta efetuada nos termos da Lei 8.212/91, art. 33: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. § 1o É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou Fl. 1894DF CARF MF Processo nº 10380.730736/201365 Acórdão n.º 2401004.919 S2C4T1 Fl. 1.890 11 extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. [...] § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. [...] § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Logo, preenchidos os requisitos do lançamento, não há que se falar em nulidade, nem em cerceamento do direito de defesa. LEVANTAMENTOS P9, CI e DP Quanto aos valores lançados relativos a remuneração paga a contribuintes individuais, cumpre esclarecer que não se apurou no AI ora recorrido contribuições de segurados. As contribuições de segurados, cujo salário de contribuição é a remuneração limitada ao teto foram apuradas no AI Debcad 51.013.1395, pago pelo contribuinte. Diferentemente do que alega a recorrente, o lançamento não teve por fundamento o inciso I do artigo 22 da Lei 8.212/1991 ou o inciso I do artigo 3º da Lei 7.787/91. Os valores apurados se referem à contribuição patronal e tiveram por base o disposto na Lei 8.212/91, art. 22, III, acima transcrito, não havendo que se falar em inconstitucionalidade. Quanto à tabela apresentada, alega o recorrente que são valores que não são base de cálculo de contribuição previdenciária, contudo, ele próprio afirma que não encontrou as notas fiscais que comprovassem tais registros contábeis. Assim, como já foi dito acima, não há como considerar um registro contábil sem a documentação que o comprove. Não tendo a autuada apresentado a documentação que daria suporte aos lançamentos contábeis, está o Fisco autorizado a aferir de forma indireta o crédito fiscal, com base no disposto no parágrafo 3º do artigo 33 da Lei 8.212/91. Logo, correto o procedimento fiscal que apurou as contribuições lançadas nos levantamentos P9, CI e DP. COOPERATIVAS DE TRABALHO Fl. 1895DF CARF MF 12 O Supremo Tribunal Federal, por meio do RE nº 595.838, julgado em 23/4/14, julgou inconstitucional a cobrança da contribuição de 15% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, sob a sistemática do art. 543B do CPC, nos seguintes termos: EMENTA Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. (RE 595838, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 23/04/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe196 DIVULG 07 102014 PUBLIC 08102014) Assim, por força do Regimento Interno do CARF (RICARF), art. 62, § 1º, II, 'b', as decisões definitivas de mérito julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática do art. 543B da Lei 5.869/73, devem ser seguidas e reproduzidas pelos conselheiros: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo Fl. 1896DF CARF MF Processo nº 10380.730736/201365 Acórdão n.º 2401004.919 S2C4T1 Fl. 1.891 13 internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: [...] b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Sendo assim, devem ser excluídos os lançamentos efetuados com base na Lei 8.212/91, art. 22, IV, ou seja, os valores lançados nos levantamentos OC – Cooperativas de Trabalho Diversas e UC – Cooperativas de Trabalho UNIMED. MULTA A multa aplicada decorre do lançamento de ofício de contribuições devidas, nos termos da Lei 8.212/91, art. 35A c/c a Lei 9.430/96, art. 44, possuindo o devido respaldo legal e é de caráter irrelevável, não cabendo à autoridade administrativa, plenamente vinculada, reduzir seu percentual, como quer a recorrente. No presente caso não há que se falar em retroatividade benigna, pois o lançamento se refere a fatos geradores ocorridos em 2009 e 2010, já na vigência na MP 449/08, convertida na Lei 11.941/09. Muito menos caberia a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91, que trata de multa por descumprimento de obrigação acessória e a multa ora aplicada se refere à multa de ofício relacionada a obrigação principal. Também não demonstrou o contribuinte em que teria sido desrespeitado o Parecer PGFN/CAT 433/09, que se refere a fatos geradores até 11/08. Quanto a alegação de que a multa é confiscatória, a validade ou não da lei, em face de suposta ofensa a princípio de ordem constitucional escapa ao exame da administração, pois se a lei é demasiadamente severa, cabe ao Poder Legislativo, revêla, ou ao Poder Judiciário, declarar sua ilegitimidade em face da Constituição. Assim, a inconstitucionalidade ou ilegalidade de uma norma não se discute na esfera administrativa, pois não cabe à autoridade fiscal questionála, mas tão somente zelar pelo seu cumprimento, sendo o lançamento fiscal um procedimento legal a que a autoridade fiscal está vinculada. Ademais, o Decreto 70.235/72, dispõe que: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar Fl. 1897DF CARF MF 14 de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. E a Súmula CARF nº 2 determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, irrelevantes os argumentos sobre ilegalidade ou inconstitucionalidade da multa e que ela é confiscatória. CONCLUSÃO Voto por conhecer do recurso, e, no mérito, darlhe provimento parcial para excluir o lançamento efetuado nos levantamentos OC – Cooperativas de Trabalho Diversas e UC – Cooperativas de Trabalho UNIMED. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Fl. 1898DF CARF MF Processo nº 10380.730736/201365 Acórdão n.º 2401004.919 S2C4T1 Fl. 1.892 15 Voto Vencedor Conselheiro Rayd Santana Ferreira Redator Designado. Não obstante as sempre bem fundamentadas razões da ilustre Conselheira Relatora, peço vênia para manifestar entendimento divergente, por vislumbrar na hipótese vertente conclusão diversa da adotada pela nobre julgadora, relativamente ao arbitramento levado a efeito na lavratura do levantamento "P9 Pagamentos a contribuintes individuais", como passaremos a demonstrar. De conformidade com os elementos que instruem o processo, a autoridade lançadora ao promover o lançamento achou por bem constituir o crédito previdenciário por arbitramento, adotando as informações constantes do lançamento contábil, denominado como "EDIFICAÇÕES", como base de cálculo das contribuições ora exigidas. Com mais especificidade, a fiscalização utilizou como fundamentos ao procedimento do arbitramento as razões abaixo descritas, constantes do Relatório Fiscal, às Efls. 62/63: [...] 7.1 Para a constituição do crédito tributário, a auditoria identificou por código de levantamento distinto, cada fato gerador, da seguinte forma: (...) P9 Pagamento a contribuintes individuais pagamento constante na contabilidade e não comprovada a documentação dos pagamentos efetuados. Não declarados em GFIP. 7.2 Quanto aos levantamentos obtidos através de lançamentos na contabilidade CI C Individual Lançamento Contábil ; F2 Remuneração Lançamentos Contabilidade e P9 Pagamento a contribuintes individuais , são valores considerados pela auditoria como pagamentos realizados a segurados contribuintes individuais e como pagamentos a segurados , arbitrados após análise da contabilidade (Livro Diário/Razão) e aferidos como salário de contribuição em virtude da empresa não conseguir localizar os documentos não sendo possível a apresentação de tal documentação , pois a empresa responsável pelo arquivamento dos mesmos não os encontrou como foi esclarecido pelo contribuinte. Constituem fatos geradores das contribuições lançadas. Estes valores verificados na contabilidade foram extraídos de diversas contas contábeis e relacionadas em planilhas anexas, folhas do diário e razão. Tendo em vista a falta de apresentação de documentos , todos valores lançados foram considerados como parcelas integrantes do saláriodecontribuição, em conformidade com o determina o art. 33 da Lei 8.212/91 (combinado com alterações posteriores) [...] Fl. 1899DF CARF MF 16 Como se observa, o fiscal autuante entendeu por bem apurar o débito por aferição indireta/arbitramento, utilizando como supedâneo à sua empreitada o artigo 33, § 3°, da Lei n° 8.212/91, vigente à época nos seguintes termos: “Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "a", ‘b" e "c" do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "d" e "e" do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação alterada pela Lei nº 10.256/01) [...] § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social INSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. [...]” Nesse sentido, estando o lançamento escorado em uma presunção legal, incumbe à fiscalização demonstrar e comprovar os motivos que a levaram a utilizar deste procedimento excepcional e, conseqüentemente, fundamentálo na legislação de regência, fazendo constar dos autos do processo, nos anexos pertinentes, a norma legal esteio da exigência fiscal, sob pena de nulidade e/ou improcedência do feito. Em suas razões recursais, pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual manteve a exigência fiscal em sua plenitude, alegando haver inconsistência na caracterização dos fatos geradores, contestando a validade do lançamento P9 – pagamentos a contribuintes individuais – pois entende o crédito fiscal foi apurado por aferição indireta sem amparo na legislação. Afirma que a fiscalização se utilizou de um método incompatível com a fixação do salário de contribuição, haja vista que sequer no relatório fiscal, discriminou como chegou à verba mencionada para fins de caracterização como base de cálculo de contribuição previdenciária. Não é possível a realização da aferição indireta como informado pela fiscalização previdenciária. Assim a aferição é inapropriada para o caso em tela. Cita jurisprudência e doutrina. Aduz que não se justifica a aferição indireta, pois atendeu as solicitações fiscais. A fiscalização somente citou a Lei 8.212/91, art. 22, sem informar em como chegou ao valor lançado, não havendo como aferir indiretamente que tais valores se referem a salário de contribuição, quando não há indicação na contabilidade que tais valores foram pagos a esse título. Esse lançamento impede o direito à ampla defesa da empresa, sendo o ato nulo. Acrescenta que a mais grave violação do lançamento tributário é o cerceamento à defesa, em função da insuficiente motivação do ato administrativo a corroborar a existência de pagamento a contribuintes individuais, quando no LIVRO FISCAL do contribuinte consta um lançamento como EDIFICAÇÕES. Para Fl. 1900DF CARF MF Processo nº 10380.730736/201365 Acórdão n.º 2401004.919 S2C4T1 Fl. 1.893 17 descaracterizar o lançamento o fisco há de motivar a razão da desconsideração de tal lançamento. Disserta sobre o princípio da ampla defesa, citando legislação e doutrina. Não obstante as substanciosas razões de fato e de direito ofertadas pela fiscalização e autoridade julgadora de primeira instância, corroboradas pela nobre Relatora em defesa da manutenção da exigência fiscal em comento, o inconformismo da contribuinte merece prosperar, como demonstraremos ao longo desse arrazoado. Em que pese à grande celeuma que envolve o tema, é certo que atualmente o Fisco dispõe de alguns mecanismos para apuração de crédito tributário quando constatadas operações/transações realizadas pelo contribuinte com a finalidade de se esquivar da tributação, ou mesmo quando aquele não promove a devida escrituração contábil, nos moldes mínimos das normas específicas, ou não a oferece à fiscalização quando intimado para tanto. Como se observa, o procedimento do arbitramento, uma vez constatados os requisitos exigidos pela legislação de regência, é legal e inverte o ônus da prova ao contribuinte. Tratase, pois, de presunção legal – júris, que desdobrase, ensinam os doutrinadores, em presunções "juris et de jure" e "juris tantum". As primeiras não admitem prova em contrário; são verdades indiscutíveis por força de lei. Por sua vez, as presunções "juris tantum" (presunções discutíveis), fato conhecido induz à veracidade de outro, até a prova em contrário. Elas recuam diante da comprovação contrária ao presumido. Serve de bom exemplo a presunção de liquidez e certeza da dívida inscrita, que pode ser ilidida por prova inequívoca, nos termos do artigo 204, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. As hipóteses inscritas nos §§ 3º e 6º, do artigo 33, da Lei nº 8.212/91, portanto, caracterizamse como presunções juris tantum, albergada por lei, mas passíveis de comprovação do contrário presumido. Porém, tal procedimento deve estar devidamente fundamentado e motivado nos autos do processo, além da necessidade de atender aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, sob pena de nulidade ou improcedência do lançamento. Destarte, o arbitramento não pode representar uma verdadeira “carta branca” ao agente fiscal, de maneira a possibilitarlhe concluir pela existência de débitos tributários bem destoantes do que efetivamente devido pelo contribuinte, escorados em parâmetros aleatórios e imprecisos, sem o devido aprofundamento no exame das provas constantes dos autos. Não se pode admitir, pois, seja praticado o arbítrio em nome do arbitramento. É um procedimento, portanto, que objetiva aproximar, mensurar as remunerações tributáveis tanto quanto possível daquele que seria real. Temse assim que a vontade abstrata da lei é gravar o tributo que seria devido em condições normais, não mais do que isso, porquanto o objetivo precípuo da fiscalização é a orientação, com a finalidade de esclarecer aos contribuintes em geral sobre o indelével dever de recolher ao fisco os tributos efetivamente devidos, naturalmente após identificar as eventuais irregularidades extraídas de sua atividade, ou contabilidade, se for o caso. Em nenhum sistema jurídico se permite a tributação ao alvedrio da lei ou se preconiza a cobrança de tributo acima daquilo que o Fisco tem direito. Gravar tributo não tem o mesmo sentido de agraválo. O agravamento se faz mediante cominação de multas, não pela via do arbitramento. Fl. 1901DF CARF MF 18 A doutrina pátria oferece proteção ao entendimento encimado, conforme se verifica do excerto da obra do renomado tributarista HELENO TORRES1, abaixo transcrito: [...] toda a fundamentação de uma desconsideração de método previamente escolhido e aplicado pelo contribuinte é, em si, medida típica de arbitramento da base de cálculo dos tributos envolvidos [...]. Da Constituição, no seu art. 145, § 1°, ao próprio CTN, nos seus arts. 148 e 150, I, em nenhuma hipótese vêse justificativa para tributação com base em presunções absolutas; o que vale do mesmo modo para a negativa de aplicação de métodos de apuração de bases de cálculo. [...] Ao Direito tributário importa, com exclusividade, só a verdade material, para a qual certas presunções legais somente valem como hipóteses sujeitas a confirmação pela base natural de testabilidade: a situação fática tomada como motivo para a edição do ato administrativo de lançamento. Caso não se tenha por ocorrido tal como o supunha a norma, deve ser aberto ao contribuinte o direito de demonstrar, mediante produção de prova em contrário, a efetiva ocorrência do fato jurídico tributário, em louvor da verdade material. Sobre o uso das presunções legais no direito tributário, pela circunstância de alheamento da administração em face de todos os fatos passíveis de serem alcançados para tributação e pela exigência de demonstração de provas, por parte das autoridades administrativas, a cada ato de lançamento tributário, em favor da simplificação, qualquer recurso ao uso de presunções legais deve satisfazer a estritos requisitos de justificação, sob pena de afetar os princípios de segurança jurídica e interdição do arbítrio, e ter por prejudicada sua aplicação. Todavia, o uso de presunções em matéria tributária há de encontrar limites muito claros. Primeiro, tais presunções só poderão ser de ordem probatória (presunção simples ou hominis); e, quando criadas por lei, não poderão ser absolutas, mas só relativas, admitindo a devida prova em contrário por parte do alegado, com liberdade de meios e formas. Segundo, a Administração deve respeitar o caráter de subsidiariedade dos meios presuntivos, pois só de modo excepcional se deve valer deles, na função de típica finalidade aliviadora ou igualdade de armas, nas hipóteses em que encontrar evidente dificuldade probatória. Terceiro, porque a verdade material é o parâmetro absoluto da tributação, qualquer modalidade de presunção relativa, há de ser aplicada com estrito respeito aos direitos fundamentais, e a legalidade, acompanhada de devido processo legal e sem qualquer espécie de discricionariedade que leve ao abuso de poder. A jurisprudência administrativa é firme e mansa neste sentido, determinando o cancelamento de autuações em que a fiscalização extrapolou os limites impostos pela legislação ao lançar com base no arbitramento, sobretudo quando os critérios utilizados nesta empreitada não estejam devidamente claros e precisos, senão vejamos: [...] 1 TORRES, Heleno Taveira. Controle sobre Preços de Transferência. Legalidade e Uso de Presunções no Arbitramento da Base de Cálculo dos Tributos. O Direito ao Emprego do Melhor Método. Limites ao Uso do PRL60 na Importação. RFDT 06/2 I, dez/03 Fl. 1902DF CARF MF Processo nº 10380.730736/201365 Acórdão n.º 2401004.919 S2C4T1 Fl. 1.894 19 Ementa: ARBITRAMENTO – POSSIBILIDADE – PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE Na ocorrência de recusa na apresentação de livros ou documentos ou se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. O procedimento de arbitramento, embora seja prerrogativa legal do fisco, deve revestirse de razoabilidade, de tal sorte que os indícios apresentados levem a inferir a efetiva ocorrência do fato gerador. [...]” (1a TO da 4a Câmara da 2a SJ do CARF, Processo n° 13963.000848/200787 Acórdão n° 240100.057, Sessão de 04/03/2009 – Relatoria Conselheiro Ana Maria Bandeira) (grifamos) Ementa: [...] AFERIÇÃO INDIRETA. REQUISITOS. MOTIVAÇÃO. Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. AFERIÇÃO. REQUISITOS. NULIDADE. Na utilização da aferição o Fisco deve, de forma clara e precisa, descrever a fundamentação legal, os fatos geradores ocorridos, o débito apurado, os valores aferidos indiretamente, indicando claramente os parâmetros utilizados, bem como, sempre que possível, os segurados envolvidos. [...] (2a TO da 4a Câmara da 2a SJ do CARF, Processo n° 109.35.007634/200781 – Acórdão n° 240201.174, Sessão de 21/09/2010 – Relatoria Conselheiro Marcelo Oliveira) (grifamos) Ademais, o lançamento – atividade vinculada que constitui o crédito tributário – não pode se apoiar em suposições, conjecturas e muito menos presunções do agente arrecadador, como se extrai do artigo 142 do Código Tributário Nacional. Deve fundamentar se em fatos concretos, demonstrados, suscetíveis de comprovação. Mesmo porque, o artigo 142 do Código Tributário Nacional, ao atribuir a competência privativa do lançamento à autoridade administrativa, igualmente, exige que nessa atividade o fiscal autuante descreva e comprove a ocorrência do fato gerador, determinando, ainda, a perfeita base de cálculo dos tributos exigidos, como segue: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência Fl. 1903DF CARF MF 20 do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Em outras palavras, o procedimento do arbitramento, em que pese conferir a prerrogativa do fiscal autuante em presumir a base de cálculo do tributo lançado, não o desobriga de comprovar a ocorrência do fato gerador. Ou seja, a base de cálculo poderá ser presumida, uma vez observados os requisitos para tanto, mas a ocorrência dos fatos geradores não. É o que se extrai do artigo 148 do Código Tributário Nacional, nos seguintes termos: Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Mais a mais, os atos administrativos, conforme se depreende do artigo 50 da Lei n° 9.784/99, que regulamenta o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, devem ser motivados, sob pena de nulidade e/ou improcedência do feito, in verbis: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e fundamentos jurídicos [...] §1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente [...] Como se verifica dos dispositivos legais encimados, para que o lançamento encontre sustentáculo nas normas jurídicas e, conseqüentemente, tenha validade, deverá o fiscal autuante descrever precisamente e comprovar a ocorrência do fato gerador do tributo e determinar a matéria tributável (base de cálculo). A ausência dessa descrição clara e precisa, especialmente no Relatório Fiscal da Notificação, ou erro nessa conduta, macula o procedimento fiscal. Na mesma linha exposta acima, a apuração do crédito previdenciário por arbitramento deve vir acompanhada da devida motivação, indicando a autoridade lançadora às irregularidades constatadas, as quais a impediram de apurar diretamente a base de cálculo das contribuições previdenciárias efetivamente devidas e o aprofundamento quanto a ocorrência do fato gerador. A doutrina não discrepa deste entendimento, consoante se positiva dos ensinamentos da eminente jurista MARIA RITA FERRAGUT2, que assim preleciona: [...] 33. O arbitramento da base de cálculo deve respeitar os princípios da finalidade da lei, razoabilidade, proporcionalidade e capacidade contributiva, razão pela qual não há discricionariedade total na escolha das bases de cálculo alternativas, estando o agente público sempre vinculado, pelo menos, aos princípios constitucionais informadores da função administrativa. 34. Não basta que algum dos fatos previstos no 2 FERRAGUT, Maria Rita Ferragut. Presunções no Direito Tributário. Dialética, 2001, p. 161 Fl. 1904DF CARF MF Processo nº 10380.730736/201365 Acórdão n.º 2401004.919 S2C4T1 Fl. 1.895 21 artigo 148 do CTN tenha ocorrido a fim de que surja para o Fisco a competência de arbitrar: fazse imperioso que além disso o resultado da omissão ou do vício da documentação implique completa impossibilidade de descoberta direta da grandeza manifestada pelo fato jurídico. 34.1. O critério para determinar se um ou mais vícios ou erros são ou não suscetíveis de ensejar a desconsideração da documentação reside no seguinte: se implicarem a impossibilidade por parte do Fisco de, mediante exercício do dever de investigação, retificar a documentação de forma a garantir o valor probatório do documento, o mesmo deve ser considerado imprestável e a base de cálculo arbitrada. Caso contrário, não. 35. Diante de um lançamento por arbitramento, o sujeito passivo poderá verificar, para fins de defesa, se o ato jurídico encontrase devidamente motivado e os aspectos formais do ato foram cumpridos; se estão indicados na norma individual e concreta de constituição do crédito todos os dados e documentos utilizados para aferição dos valores arbitrados, pois em caso negativo, o lançamento estará cerceando o exercício da ampla defesa e do contraditório; se o critério adotado pelo Fisco para o arbitramento é muito oneroso e desprovido de razoabilidade, considerando o capital social, o faturamento, o lucro e a própria capacidade operacional da empresa; se a infração cometida consistiu apenas em atraso na escrita ou na entrega de declarações, o que não é considerado antecedente da norma jurídica que tem como conseqüente o dever do Fisco de efetuar o lançamento por arbitramento, mas tãosomente daquela que prevê a aplicação de multa decorrente de descumprimento de deveres instrumentais; se a documentação irregular poderia ter sido desconsiderada, uma vez que os vícios dela constantes são insignificantes se comparados ao número de lançamentos contábeis efetuados ou documentos fiscais emitidos; se mesmo diante de omissão de receitas o contribuinte teve prejuízo, não alterado em virtude dessas receitas, hipótese em que não se faz possível exigir o pagamento de tributos incidentes sobre a renda e o lucro; se a fiscalização utilizouse de exercícios em que a atividade do contribuinte foi atípica, comprometendo a validade da média; e muitos outros. A jurisprudência do CARF que se ocupou do tema, oferece guarida ao entendimento acima esposado, exigindo, além da devida motivação na utilização do procedimento do arbitramento, a demonstração da ocorrência do efetivo prejuízo da fiscalização, senão vejamos: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/10/2006 AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO. PROCEDIMENTO EXCEPCIONAL. CABIMENTO APENAS NAS SITUAÇÃO EM QUE FIQUE DEMONSTRADA A IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DO TRIBUTO COM BASE NA DOCUMENTAÇÃO EXIBIDA PELO SUJEITO PASSIVO. Fl. 1905DF CARF MF 22 A mera existência de irregularidades na escrita contábil do contribuinte não autoriza, por si só, a aferição indireta das contribuições, quando o Fisco não demonstra que houve sonegação de documentos ou que os elementos apresentados não refletem a real remuneração paga aos segurados a serviço da empresa. [...] Recurso Voluntário Provido em Parte. (1a TO da 4a Câmara da 2a SJ do CARF, Processo n° 35273.000238/200794, Acórdão n° 2401002.161, Sessão de 01/12/2011 – Relatoria Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo) (grifamos) Como se observa, em síntese, a fiscalização deve demonstrar cabalmente as razões que a levou a promover o lançamento por arbitramento, especialmente com a finalidade de oportunizar a ampla defesa e contraditório do contribuinte. No caso sub examine, concluise que o fiscal autuante edificou uma presunção legal, lançando valores que entendeu devidos, com base nas informações constates do LIVRO FISCAL, promovendo, por conseguinte, o arbitramento das contribuições lançadas, invertendo, assim, o ônus da prova ao contribuinte. Entrementes, em nenhum momento a autoridade lançadora logrou motivar aludido procedimento, deixando de elucidar as razões que deram azo ao arbitramento da base de cálculo das contribuições previdenciárias, especialmente por se basear em um lançamento contábil, com a denominação "EDIFICAÇÕES". Aliás, a fiscalização não teve o cuidado de redigir sequer uma linha com a finalidade de explicitar os motivos do arbitramento de uma lançamento contábil com denominação específica como sendo "remuneração". Assim, com a devida vênia ao ilustre fiscal notificante, não vislumbramos em seus argumentos fundamento suficientemente capaz de amparar o procedimento excepcional de arbitramento. Com efeito, tratandose de procedimento excepcional, o arbitramento, deve ser devidamente fundamentado em fatos e documentos suscetíveis de comprovação. Não basta a fiscalização simplesmente inferir que o adotou sem conquanto motivar sua conduta. Para que o lançamento tivesse o devido amparo legal e fático, caberia ao fiscal autuante ter aprofundado e debruçado para trazer indícios que comprovassem tratarse de remuneração, especialmente por ter caracterizado "todo" o valor lançado (arbitrando) na contabilidade. Isso não logrou o Fisco a comprovar na hipótese dos autos. Como se observa, mister se fazer à autoridade lançadora a observância dos parâmetros e condições básicas previstas na legislação de regência em casos de arbitramento, que somente poderá ser levado a efeito quando vislumbrados os permissivos legais para tanto, devendo, ainda, relatar todos os fatos de forma pormenorizada, possibilitando ao contribuinte a devida análise da conduta que lhe está sendo atribuída e, bem assim, ao julgador de analisar devidamente os autos. A presunção legal inserida no artigo 33, § 3°, da Lei n° 8.212/91, relativamente ao arbitramento, não tem o condão de suprimir o precípuo dever legal da autoridade fiscal demonstrar e comprovar a ocorrência das hipóteses legais ali inscritas, com a finalidade de justificar aludido procedimento. Fl. 1906DF CARF MF Processo nº 10380.730736/201365 Acórdão n.º 2401004.919 S2C4T1 Fl. 1.896 23 A rigor, em momento algum o fiscal autuante asseverou que se viu impossibilitado de apurar a base de cálculo das contribuições previdenciárias ora lançadas em face da falta de apresentação de documentos ou informações solicitados à empresa, capaz de reforçar a sua tese. E, se assim não o foi, inexiste razão para a apuração das contribuições por arbitramento. Repitase, o arbitramento não pode representar uma “carta branca” ao agente fiscal de maneira a afastar a necessidade de comprovação dos requisitos mínimos da exigência fiscal. Em face dos fatos acima delineados, uma vez não demonstrada ou sequer aventada pelo fiscal autuante a impossibilidade de aferição dos fatos geradores e base de cálculo das contribuições previdenciárias diretamente na contabilidade e/ou documentos fiscais da empresa, não se pode admitir a apuração de crédito previdenciário com base em arbitramento, exclusivamente arrimado numa presunção legal, a qual inverte o ônus da prova, mas deve estar devidamente motivado e comprovados seus pressupostos legais. Por todo o exposto, estando o levantamento sub examine em dissonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E DARLHE PROVIMENTO, reconhecendo a improcedência do presente lançamento fiscal, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 1907DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10711.000424/89-99
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Apr 30 00:00:00 UTC 1992
Ementa: CLASSIFICAÇÃO.
1. O produto, na forma como foi importado, não possui as
características necessárias às operações' normais do processamento têxtil em razão do seu comprimento. No conceito das NENCCA, trata-se de "flocos de fibra têxtil de poliamida aromática, com classificação TAB 59.01.02.99.
2. Incabível a aplicação das multas dos arts. 524 e 526,11,
do Regulamento Aduaneiro.
3. Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 301-26.966
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao
recurso, para excluir as multas dos arts. 524 e 526 11 do RA, vencidos os Cons. Fausto de Freitas e Castro Neto e Luiz Antoniojacques, que davam provimento integral, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Jose Theodoro Mascarenhas Menck
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ACORDÃO N.•......3.0.1.c.2.6.A.9.66 Recurso n.O Recorrente Recorrid a 111.972 Processo nQ 10711-000424/89-99. ASBERIT LTDA. IRF - PORTO DO RIO DE JANEIRO ~ RJ. CLASSIFICAÇÃO. 1. O produto, na forma como foi importado, não possui as características necessárías às operações' normais do prQ cessamento t~xtil em razão do seu comprimento .. No con ceito das NENCCA, trata-se de "flocos de fibra t~xtiT de poliamida aromática, com classificação TAB59.01.02.99. 2. Incabível a aplicação das multas dos arts. 524 e 526,11, do Regulamento Aduaneiro. 3. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento parciam ',.~ao recurso, para excluir as multas dos arts. 524 e 526 11 do RA, 'ven6idos os Cons. Fausto de Freitas e Castro Neto e Luiz Antoniojacques, que dA vam provimento integral, na forma do relatório e voto que passam a in tegrar o presente julgado. Brasília-DF, em .0 de abril de 1992. -ITAMAR R A OSTA - Presidente. /U~-kU JOSt JH DORO ~ASCARENHAS MENCK - Relator. ~ -~ J( CONRADO LVARES - Proc. da Fazenda Nacional. VISTO EM SESSÃO DE: 6 FEV 1993 - RPj301-0.381. Participaram, ainda do presente julgamento os seguintes Conselheiros: OTACfLIO DANTAS CARTAXO e JOÃO BAPTISTA MOREIRA. Ausentes os Cons. RQ naldo Lindimar José Marton e Sandra Míriam de Azevedo Mello. CONTRIBUINTES, 11 CÂMARA ACdRDÃo N9 301-26.966 SERviÇO PUBLICO FEDERAL MEFP - TERCEIRO CONSELHO DE RECURSO Nº 111.972 RECORRENTE: ASBERIT LTDA. RECORRIDA: IRF - PORTO DO RIO DE JANEIRO - RJ. RELATOR CONSELHE IRO JOSS THEODORO MASCARENHAS MENCK R E L A T Ó R I O A. empresa, atrav~s da Declaraç~o de Importaç~o (DI) nº 005748/88 (fls. U3/07), submeteu a despacho, ao amparo da Guia de Importaç~o (GI) nº 1-88/10727-6 (fls. 13 ), 5.115,6 quilos de fibras t~xteis sint~ticas e artificiais descontínuas, n~o card~ das, n~o penteadas - fibras de Kevlar "Pol iamida Aromática" T-979, de cor natural, 2mm de corte - seca, classificando o produto no CQ digo TAB 56.01.01.04, com alíquotas de 551; para o Imposto de Impor- taç~o (1.1) e zero para o Imposto sobre produtos Industrializados (IPI), solicitando, no quadro 24 da referida DI, o desembaraço com benefício do regime "drawback" (suspens~o), com base no Ato Conce~ sório nº 1-88/084-6 , de 19.04.88 (cópia às fls. 09), emitido pela CACEX do Rio de Janeiro, e Portaria Ministerial nº 36/82, e assQ mindo, no mesmo quadro, o compromisso previsto na Instruç~o Norm~ tiva SRF nº 14/85. Encaminhada a amostra do produto ao Laboratório de Ani lises, este emitiu o Laudo nº 1996/88(fls. 20 ), declarando tratar- -se de flocos de fibra t~xtil de poliamida aromática. Em ato de revis~o, verificando-se n~o estar o produto em foco beneficiado com o regime "drawback" suspens~o, por ser di verso do descrito nos documentos de importaç~o, e ter classific~ ç~o no código TAB 59.01.02.99, com alíquotas de 85% para o 1.1. e zero para o IPI, exigiu-se o cr~dito tributário apurado, atrav~s da intimaç~o de fls. N~o concordando com a exig~ncia fiscal, a importadora solicitou (fls.28/29) arquivamento da intimaç~o, argumentando, com base em afirmaç~o do fabricante (cópia de correspond~ncia - fls. 30 ), que se trata de fibra cortada, produzida a partir de filamen to contínuo por um processo especial, n~o podendo ser classific~ do como flocos, pastas, poeiras ou borbotos de fibra t~xteis. Rec. 111.9-7"2' SERVIÇO PÚBLICO FEDERAl Por solicitação do GREDA, o Laboratório de Análises, através da Informação Técnica nº IrJF 251/88 (fls. 32 ) complemen- tou os termo.s. do Laudo nº 1996/8.e:~, esclarecendo que pelo ensaio realizado verificou-se um comprimento das fibras de 2 mm,' (me- nos de Icm), bem como uma apresentação física em forma de flocos, o que exclui a possibilidade de considerar-se o produto em que~ tão como fibra têxtil sintética descontínua. Por não ter sido cumprida a exigência fiscal e em face do novo pronunciamento do Laboratório de Análises, foi lavra- do o Auto de Infração nº 038/89 (fls. OI), para exigir-se da Autu.l!. da o recolhimento do Imposto de Importação e das multas previstas nos artigos 524 e 526, lI, do Regulamento Aduaneiro (RA),aprovado pelo Decreto nº 91.030/85, além dos encargos legais cabíveis. Devidamente intimada (fls. DI), a Autuada, tempestiva- mente, apresentou impugnação (fls. 35/37), anexando cópia do Pare- cer Técnico nº 5088, de 29.12.88, do Instituto de Pesquisas Tecno- lógicas do Estado de são Paulo - IPT (fls. ~5/6Ú), e alegando que: a) um dos principais insumos que utiliza atualmente é fabricado pela DUPONT Americana e se chama Kevlar (fibra cortada); b) a fabricação deste insumo é decorrente do corte de fibras têxteis sintéticas (filamento contínuo), cujo processo in- dustrial pode apresentar, como subprodutos: flocos, pastas,poeiras ou borbotos; c) o fabricante, através da carta de 12.12.88 (cópia as fls. 30/52 ), carta esta apresentada anteriormente, afirma que o kevlar não pode ser classificado como flocos, pastas, etc.; d) pela conclusão do Laudo do IPT, verifica-se a im- possibilidade da conceituação do produto de que se trata como pó ou floco, em razão de seu aspecto altamente fibrilhado e do proce~ so de moagem a que é submetido (as denominaç6es pó ou floco sao aplicáveis somente as fibras que não apresentam as consequências de moagem, como fibrilhas); e) o citado Instituto considera correto o enquadramen- to tarifário do Kevlar T-979 no códigoTAB 56.01.01.04; e f) caso seja necessária nova perícia, apresenta, desde já, quesito a ser formulado e se permite indicar oportunamente o seu assistente técnico, na forma da lei. Rec.111.972 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Em face dos argumentos da Autuada, a AFTN autuante solicitou novo pronunciamento do Laborat6rio de Anilises que,atrA vés da Informação Técnica n.º INF 1'12/89 (fls.6;6,), ratificou os termos do laudo nº 1639/87 e esclareceu que: a) todos os laudos e informações emitidos pelo LA8ANA estão vinculados ao texto das NENCCA e muitas vezes os conceitos desta não coincidem com os aceitos correntemente no mercado e na esfera científica; b) uma vez que o objeto do laudo é fornecer embasamen to a correta classificação da mercadoria na NBM, este deve estar calcado na legislação pertinente (NENCCA); c) o produto, em face da faixa de 2,5 a conceito de fibra descontínua é inadequado ao do seu comprimento (evidentemente muito afastado 18cm, como estabelecem as NENCCA); d) no presente caso não se discute propriamente sobre a origem do material, uma vez que os conceitos de fibras desconti nuas e de poeiras abrangem o corte de filamentos contínuos; e) a conclusão do laudo descreve o aspecto físico em que o produto se encontra: flocos (fibras curtas e emaranhadas)e que se enquadra na mesma posição tarifiria para poeiras ou p6 de fibra têxtil; f) o termo "flocos" é que melhor se aplica ao produto, segundo o critério de semelhança. Na réplica (fls. 68 ), a AFTN Autuante, não acatando as razoes da defesa, propôs a manutenção do feito, em face dos pronunciamentos do LABANA. Em 12.05.89, através do ofício nº 250 do Chefe da Se- çao de Tributação (c6pia ~s fls. 'j1/72), reiterado pelo ofício nº 311/89 (c6pia às fls.13 ), perguntou-se a CACEX se: a) o fato de a mercadoria importada ter vindo sob a forma de flocos traria influência no seu preço; e b) se prevaleceria o incentivo de "drawback" para a mercadoria que foi efetivamente importada. Através do ofício CACEX/DEMAB-Ic-89/9115 (c6pia a fls. ,74), aquele 6rgão esclareceu que: -5- Rec. 111.9].2. SERVIÇO PÚBLICO fEDERAL "a) Conforme informaç5es coletadas, o preço do produ- to varia conforme a utilização que ele terá, sendo, no geral, o v~ lor do "floco" mais baixo que o da "fibra" propriamente dita. b) Tendo em vista que a empresa deverá comprovar a utl lização do material importado no produto final exportado, prevale-. ce (')incentivo do "drawback" para as mercadorias efetivamente import~ das." Em face dos termos do item Q do referido Ofício CACEX nº 9115, e considerando já haver relatório no tocante aos Atos Con cessórios nºs. 01-86/158-8, 01-87/102-5, 01-87/356-7, 01-87/359-1, 01-88/084-6, 01-88/086-2 e 01-88/094-3, foi enviado novo ofício do Chefe da Seção de Tributação, desta feita Ofício nº 398, de 23.08. 89, reiterado pelo Ofício nº 554, de 16.11.89 (fls. 76/7.9), soli-. citando à CACEX informar se no caso presente fora comprovada, pe- rante aquele órgão, a utilização, no produto final, das mercado- rias efetivamente importadas, isto é, flocos de fibra têxtil de poliamida aromática. Em resposta, a CACEX, através do ofício DEMAB 5c-89/ 16619, de 13.12.89 (fls.80 ), informou que: "foram comprovadas p,g, rante esta carteira a utilização, no produto final, das mercado- rias constantes das Ueclarç5es de Importação correspondentes, qual seja, fibras sintéticas de poliamida aromática (ARAMIDA)". A ação fiscal foi julgada procedente em Iª (fls. 82/88). Instância A empresa, nao se conformando com a decisão, recorre a este Colegiado, tempestivamente, aduzindo, em resumo, o seguinte (fl s .'921'99 ): I. Ficou demonstrado que o LABANA emitiu novo pronun- ciamento, a pedido do Fiscal Autuante, à revelia da Recorrente,sem que a esta tenha sido o dado o direito de também oferecer quesitos, aSSIm como lhe foi negada a perícia requerida, indeferindo-lhe o direito de indicar Assistente técnico, fatos que comprovam o cer- ceamento de defesa e tornam nula a decisão recorrida. 2. Ao esclarecer que não há dúvida que o produto sob exame provém do corte de fibras têxteis contínuas sintéticas (fil~ mentos contínuos), como demonstrou a Recorrente em sua impugnação, -0- Rec.lll.9:72 SERviÇO PÚBLICO FEDERAL o LABANA procurou diferençar os conceitos de FIBRAS DESCONTfNUAS e de POEIRAS, com fulcro nos esclarecimentos constantes das NENCCA (pág. 672), relativamente às fibras descontínuas - posição 56.01 - "in verbis": "a) sao dos obtidas pelo corte em comprimentos limitados cabos de fibras contínuas saídos dos orifícios da fieira;: e b) EM REGRA, as fibras sintéticas ou artifíciais, des- contínuas, APRESENTAM-SE COM UM COMPRIMENTO COMPRE- ENDIDO ENTRE 2,5cm e 18cm." 3. Como o produto examinado possui um comprimento médio ponderado de 1,95mm poder-se-ia concluir que não se trata de fibra descontínua. Ora, as próprias NENCCA esclareceram que, EM REGRA as fibras descontínuas apresentam-se com um comprimento superior a 2,5cm, MAS NÃO EXCLUI A POSSIBILIDADE DE EXISTÊNCIA'DE EXCEÇÕES.Com primento não é elemento absoluto nem fator determinante para a per- feita identificação de fibras descontínuas, já que as próprias NENCCA admitem a possibilidade de sua exi5tincia, com comprimento menores que os apontados. 4. A Recorrente apresentou laudo do insuspeito IPT que concluiu pela impossibilidade de conceituação do produto como pó ou floco, EM RAZÃO DE SEU ASPECTO ALTAMENTE FIBRILHADO E DO PROCESSO DE MOAGEM A QUE £ SUBMETIDO. (As denominaç6es como pó ou floco sao aplicáveis somente a fibras que apresentam as conseqüincias de moa- gem, como fibrilhas). Pelo texto das NENCCA, o comprimento entre 2,5cm e 18cm não é elemento absoluto nem fator determinante para a classificação de um produto como fibra descontínua na posição 56.01. Pode-se concluir que se classifkam nesta posição os produtos decorre.n tes de corte de filamentos contínuos que, a despeito de possuírem ••••• )1comprImento nao compreendIdo entre 2,5cm e 18cm, sao consequentes do processo de moagem e seu aspecto é altamente fibrilhado. 5. Há possibilidade da existincia de poeiras classifi- cáveis na posição 59.01, com comprimento superior a 2mm (desde que não resultantes de processo de moagem e com aspecto altamente fibrilhado), assim como há a possibilidade da existincia de fibras descontínuas classificáveis na posição 56.01, com comprimento In- ferior a 2,5cm (desde que resultantes de processo de moagem e com aspecto altamente fibrilhado). Rec.lll.9,72' SERviÇO PÚBLICO FEDERAL , 6. A decisão pretende impor, ainda, as penalidades previstas nos artigos 524 e 526, 11, do RA. Demonstrou-se a total improcedência dessa intenção pois, ainda que, por absurdo, pudesse ser considerada como aplicável ao produto da Recorrente a outra PQ sição da TAB com fundamento no laudo do LABANA, EVIDENCIOU-SE QUE O PRODUTO IriPORTADO t O MESMO, seja qual for a sua classificação fiscal, E O INCENTIVO DE "DRAW-BACK" FOI 'MANTIDO PELA CACEX. Es- clareceu-se que não houve DECLARACÃO INDEVIDA DE MERCADORIA as- sim como NÃO FOI A MESMA IMPORTADA SEM GUIA DE IMPORTACÃO, P01S, como o próprio laudo do LABANA explicitou, SEUS CONCEITOS PODEM NÃO COINCIDIR COM OS ACEITOS CORRETAMENTE PELO MERCADO E PELA ES- FERA CIENTíFICA. 7. Foi evidente cerceamento de defesa produzido pela autoridade de lª instância, aceitando unilateralmente pedido do Fiscal Autuante para novo pronunciamento do LABANA, ~ revelia da Recorrente e negando a esta a possibilidade de também oferecer esclarecimentos, inclusive, através da perícia requerida com a ln dicação de Assistente Técnico. 8. O laudo do LABANA não resiste a um confronto com o laudo do IPT, ~ luz do texto das NENCCA, a respeito das posições 56.01 (fibras descontínuas) e 59.01 (poeiras), já que o compri- mento nao é elemento absoluto nem tampouco fator determinante para a respectiva classificação de um produto nas referidas po- . -Slçoes. 9. Caso esse Egrégio Conselho entenda ser classificá- velo produto da Recorrente na outra posição, mesmo assim, o in- centivo de "draw-back" deve ser mantido, consoante pronunciamento da própria CACEX, sendo irrelevante a natureza do produto (flo- co ou fibra) e a sua posição (56.01 ou 59.01), já que o benefício foi dado para os produtos desembaraçados ao amparo das Guias de Importação expedidas e correspondentes ~s Declarações de Importa- ção nominadas. O R E L A T 6 R I o. $EAVICO PUBLICO "(ornAI. v O T O Ac • 301-26.966 Conselheiro José Theodoro Mascarenhas Menck, relator: Adoto o voto proferido pelo Ilustre Conselheiro Itamar Vieira da Costa, do (IUal resultou o Acórdão n9 301-26.953/92: "A cmpresa, ao efetuar o despacho aduaneiro, classificou e descrevcu a mcrcadoria (fls. ): 56.01.01.04 - Fibras t~xteis sintéticas e artificiais descontínuas, não cardadas, nao penteadas. A fiscalização, com base no laudo Labana-RJ: 59.UI.U2.99-(fls. ) - Flocos de fibra t~xtil de polia- mida aroulitica (fls. ). Em face dos argumentos aprescntados na impugn'Bção foi feita nova Inforulação Técnica n9 ~" /89, pelo Labana-RJ, que escla- receu (fls. ): a) - todos os laudos e inforJllaçÕesemitidos pelo LABANA estão villculados ao texto das NENCCA e uluitas vezes os conceitos desta não coincidem com os aceitos correntemente no mercado e na es fera cientffica; b) - uma vez que o objeto do laudo é fornecer embasamen to i correta classificação da mercadoria na NBM, este deve estai calcado lia legislação pertinente (NENCCA); c) - o conceito de fibra descontínua é inadequado ao produto, elllface de seticOlllpriJ"ellto(evidellteulentemuito afastado da ,faixa de 2,5 a 18 cm, como estabelecei" as NENCCA); d) - no presente caso não se discute propriamente sobre a origem do J"aterial, UJIJavez que os conceitos de fibras descontí- nuas e de poeiras abrangeul o corte de filamentos contínuos; c) - a cOllclusão do laudo descreve o aspecto físico em que o produto se encontra: flocos (fibras curtas e emaranhadas) e que se cnquadra na mcsma posição tarifiria para poeiras ou pó de fibra t~xti1; to, segundo f) - o tcrmo "flocos" é que melhor se aplica" ao o critério de semelhança. produ- determinou~e I' Instincia, esta CimaraApós a decisão a realização de dilig~ncia resultado eJ".17.10.91, foi junto ao INT (Res. o seguinte (fls. 301-556/90) ) cujo " Quesitos e respostas 1) A apresentação física do produto é em forma de flocos? Resposta: Não. Trata-se de um aglomerado de fibras altamente fi-~' brillladas, conseq~~ncia de processo de moagem. 2) ~ o produto: a) fibra t~xtil descontínuas sintética? b) Floco de fibrat~xtil descontínua? IIERVIC:O PUBLICO FEDERAL Resposta: Trata-se de fibra têxtil sintética descontínua produ- zida por corte e moagem. 3) O produto, ,com comprimento médio de 1,95mm pode ser considerado como fibra descontínua? Resposta: Pode, embora não possua mais as características neces sárias as operações normais do processamento têxtil 0,'. que ocorre com as fibras cortadas ("Staple .Fibers") com comprimento médio entre 2,5 e 18cm. 4) Qual é o produto que é fabricado em primeiro fibras descontínuas ou fibras.descontí~uas? Resposta: As fibras descontínuas constituem e os flocos sub-produtos. lugar: flocos de o produto principal :~ . 5) Existem fibras descontínuas co~menos de 2,5cm ou mais de l8çm ~ , de comprimento? ., Resposta: As fibras descontínuas de comprimento entre 2,5 e. 18 cm são as mais utilizadas no processamento têxtil, ~.';.i,' que nao impede que fibras de comprimento maiores ou. ,~'i. . ~'. .menores possam ser usados para os mesmos ou .'..outros ",.;.',~ fins. 1-3.: ' '. .' .' ", 6) O que se pode compreender da expressão constante da pigina 284; .:. . do livro Encyclopedia of Textiles, Fibers and'Nouwoven Fabric," editado por Martin Crayson e publicado por John Wiley J Son~., '. , . (A Wiley - lnterscience Publication)-USA, seção Staple Fibers;,..: (fibras descontínuas) - IOf/- linha, "in verbis". "The fibers components may be natural or synthetic, from mm to essentially endless"? '•• 1Resposta: "Os componentes fibrosos podem ser naturais ou sinté- ticos, de 1 a.3 mm para es.sencialmente sem fim" •..' ; . O texto é te6rico e diz respeito ao tamanho das fi- bras naturais 'ou sintéticas que pode ser de l-3mm até':. \ . . .:.~' quilômetros de extensão. • : (". 7) Considerando que, com o produto o objeto de perícia técnica e' conceituado pela Recorrente como fibia descontínua, ela Recor- .., rente fabrica "papelão de.vedação" e "papelão hidráJ.llico", .é . " 'possível substituí-los por."floco" e ainda obter a industriali-:'':.. zação desses mesmos produtos ("papelão de vedação" e. "papelão" ", .hidriulico") mantidas as suas características de utilização?'; '.' .. , " . , ~,. .. ,\ . .., , , .,.~ ,I . .;. '. " .• ",. •. t ~. "." . Im renaa Nacional . i '. ' ---------------------------~h~C~C~.~~~~~~~.~J~, _~---- Ac. 301-26.966 SERViÇO punllco fEOtRAl Resposta: Não. O produto fabricado com fibras descontínuas po- sui as características de uniformidade de formação e pcrnleabilida~e necessirias para o uso a que se desti nam. Caso fosse fabricado como flocos essas caracte rísticas scriam insatisfat6rias. 8) Queiram aduzir quaisquer outros esclarecimentos que possam melhor elucidar a questão pcricial? Resposta; Os esclarecimentos dados são suficientes." O laudo foi muito elucidativo, principalmente em rela ção aos quesitos n9 3 e 4. A resposta ao quesito n9 3 enfatiza que o produto, com comprimento m~dio de 1,95mm pode ser considera0 co mo fibra descontínua, cmbora não possua mais as caracter~sticas' ne cessirias as operações normais do"processamento têxtil o que ocor- re com as fibras cortadas ("staple Fibcrs") com comprimento m~dio entre 2,5 e 18cln.(grifei) Vê-sc, portanto, que assistc razao i fiscalização. Finalmcnte, por estar bem circunstanciadas as ~ funda mentações da decisão "a quo", transcrevo e adoto alguns trechos; "/\mcrcadoria despachada, de conformidade com os doc~ mcntos de importação, foi fibra têxtil sint~tica e artificial descontínua, não cardada, não penteada-f!. bra de Kevlar "Poliamida Aromitica" T-979, de cor nat~ ral 2mlllde corte - seca. Trata-se de fibras têxteis com comprimento variando de 2 a 5mm (menos de lem), com apresentação física em forma de flocos (fibras curtas e emaranlladas) identificadas pelo Laborat6rio de Anil! ses como "flocos de fibra têxtil de poliamida aromiti- ca" (Laudo n9. /87, lNF. /88 e INF. ./89-£1s. e / ) . O IPT, analisando amostra do Kevlar T-979, fornecida pelo contribuinte, informou que; o comprimento m~dio ponderado das fibras ~ 1,95mm, e que o termo p6 ou 'fl~ cos ê aplicivel somente a fibras que não apresentam as conseqUências de moagem como fibrilhas. A classificação de uma mercadoria ~ determin\ada:.leg~ mente pelo texto das posições e das Notas de cada uma das Seções ou Capítulos, pelas regras seguintes, se~ pre que nao contrariem os termos das referidas posiçaes l~"""". 'IT--'--""'" Ac. 301-26.966 Sl.RVICO ruoucu rWERAI. limitados orifrdos cotteem comprimentos continuas saidos dos e Notas (19 Regra Geral para Interpretação da NBtl). As Notas Explicativas da Nomenclatura do Conselho de Cooperação Aduaneira (NENCCA) são reconhecidas, por lei, como fonte subsidiária de interpretação do conteüdo das posições e desdobramentos da Nomencla- tura Brasileira de Mercadorias (parágrafo único do art. 100 do R.A.). As NENCCA esclarecem (pág. 672) , relativamente is fibras descontinuas - posição 56. 01 - o seguinte: a) são obtidas pelo dos cabos de fibras da fieira; e b) em regra, as fibras sintéticas ou artifici~is,de~ continuas, apresentam--se com um comprimento compre- endido entre 2,5 cm e 18 cm. Segundo as NENCCA, as poeiras ("tontisses") são fi- bras têxteis extremamente curtas, provenientes, em geral das operações de acabamento dos tecidos e, es pecialmente, de tosadeira dos veludos, podendo ser provenientes de cabos ou de fibras têxteis, que, se cdttam em pequenissimos fragmentos em geral de com- primento que não ultrapassa 2mm (Observações Relat!. vas i Posição 59.01, item B - pág. 708). Portanto o comprimento é fator determinante da diferenciação dos conceitos de fibras descontinuas e poeiras ("tontisses"). O LABANA, no Laudo número (fls.), âescr~ ve o aspecto fisico em que o produto se encontra co mo flocos (fibras curtas e emaranhadas), as quais, segundo o IPT (fls. ), tem comprimento médio pon- derado de 1,95 mm. O conceito de flocos é o que me- lhor se aplica ao produto importado, segundo o cri- tério de semelhança (INF.. 11/89, fls. ), crité- rio este estabelecido pela 49 Regra Geral para In- terpretação da NBM. O produto importado se classifica no código TAB 59. 01.02.99, relativo a "poeiras, flocos ou borbotosde matérias têxteis-qualquer outro". ----------------]J.]J.cc-:-. ~5510rr:1-"Z:cb>:.'J9TIbTIb------------- SERVIÇO "ÜBLlCO FEDERA •. --, A importação em causa foi efetuada sob o regime de "drawback-suspensão". No ato concessório (modalida- de suspensão] deverá constar, entre outros dados, a "especificação e código tarifário das mercadorias a serem importadas, com as quantidades e os valores respectivos, estabelecidos com base na mercadoria a ser exportada" - art. 317 do R.A.). O Ato Concessó- rio n9 01-87/102-5 - (fls. ) discrimina a mercado- ria a ser importada corno"fibra de poliamida aromá- tica", do código tarifário 56.01.01.04, mercadoria' diversa da importada. A empresa deveria comprovar, perante a CECEX. a utilizaçio do material importado no produto final exporta.do, prevalecenc1c o icentivo do "drawback" para as mercadorias efetivamente im- portadas (Ofício CACEX/DEMAB-1C-89/9115 - fls. ). Ela efetuou comprovação da utilização das mercador! as constantes das Declarações de Importação corres- pondentes, qual seja, fibras sint;ticas' de poliami- da aromática - ARN-UDA (Ofício CACEX/DEMAB 5C-89 / 16619, de 13/12/89 _ fls. ,. Não se referindo a comprovação em causa ã mercadoria efetivamente im- portada _ flocos de fibra têxtil de poliamida arom~ tica _ não se pode considerar tal importaçio ampar! da pelo regime "drawback-suspensão", o que torna de' vida a exigência dos impostos incidentes sobre a mesma. A omissão na D.I. e na G.I., de qualquer elementoi~ dispensável ã identificação e classificação tarifá- ria da mercadoria, ou a menção de elelnento incorre- to ou impreciso, caracteriza declaração indevida e importação ao desamparo de guia, ensejando a aplic! ção das multas previstas nos artigos 524 e 526, 11. do R.A. (itens 9 e 10 do Parecer CST n9 477/88)." Por todo o exposto e por tudo o mais que do proces- so consta, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 30 de abril de 1992. JOSt THEO~RMNCK - Relator lm"'AMA Nnclonol 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012
score : 1.0
Numero do processo: 10314.720282/2011-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 12/07/2006, 25/04/2011
PRODUTOS À BASE DE VITAMINA. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS TÉCNICOS DA ANVISA. ENQUADRAMENTO COMO MEDICAMENTOS. CABIMENTO.
Os produtos à base de vitamina isolada e de associações de vitaminas com minerais, cujos esquemas posológicos diários situam-se acima dos 100% (cem por cento) da Ingestão Diária Recomendada (IDR) são considerado medicamentos.
MEDICAMENTO DA MARCA REDOXON CONTENDO 1G OU 2G DE VITAMINA C. ENQUADRAMENTO NA NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). CÓDIGO DA NCM.
O medicamento à base de vitamina C, de nome comercial REDOXON, importado sob a forma de comprimido efervescente contendo 1 ou 2g de ácido ascórbico (vitamina C) e excipientes, classifica-se no código NCM 3004.50.90, declarado nas respectivas declarações de importação.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3302-004.752
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, José Renato Pereira de Deus e Walker Araújo.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 12/07/2006, 25/04/2011 PRODUTOS À BASE DE VITAMINA. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS TÉCNICOS DA ANVISA. ENQUADRAMENTO COMO MEDICAMENTOS. CABIMENTO. Os produtos à base de vitamina isolada e de associações de vitaminas com minerais, cujos esquemas posológicos diários situamse acima dos 100% (cem por cento) da Ingestão Diária Recomendada (IDR) são considerado medicamentos. MEDICAMENTO DA MARCA REDOXON CONTENDO 1G OU 2G DE VITAMINA C. ENQUADRAMENTO NA NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). CÓDIGO DA NCM. O medicamento à base de vitamina C, de nome comercial REDOXON, importado sob a forma de comprimido efervescente contendo 1 ou 2g de ácido ascórbico (vitamina C) e excipientes, classificase no código NCM 3004.50.90, declarado nas respectivas declarações de importação. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 02 82 /2 01 1- 46 Fl. 1968DF CARF MF 2 José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, José Renato Pereira de Deus e Walker Araújo. Relatório Tratase de autos de infração (fls. 38/429), em que formalizada a cobrança do crédito tributário, no valor total de R$ 14.414.038,08, correspondente ao somatório do Imposto sobre a Importação, Contribuição para o PIS/PasepImportação e CofinsImportação, acrescido de multa de oficio de 75% (setenta e cinco por cento) e de dos juros moratórios, e da regulamentar por erro de classificação fiscal na NCM. De acordo com a descrição dos fatos que integra as referidas autuações (fls. 59/81), a autuada submeteu a despacho aduaneiro o produto de nome comercial (i) REDOXON, apresentado sob a forma de comprimidos efervecentes contendo 1g ou 2g de ácido ascórbico (vitamina C) ou em gotas, contendo 200mg/ml de vitamina C, e (ii) REDOXON ZINCO, apresentado sob a forma de comprimidos efervecentes, contendo 1g de ácido ascórbico (vitamina C) associado com 10mg zinco, e os classificou incorretamente no código NCM 3004.50.90, para o qual é fixado alíquota 0% (zero por cento) do II, IPI, da Contribuição para o PIS/PasepImportação e CofinsImportação. Enquanto a fiscalização reclassificou os referidos produtos para o código 2106.90.30 da NCM, para o qual é fixado alíquota do II de 16%, a partir de 01/01/2007; e alíquotas de 0% do IPI, de 1,65% para a Contribuição PIS/PasepImportação e de 7,60% para CofinsImportação, para todo o período da autuação. Em face da referida reclassificação, a fiscalização apurou diferença de alíquotas do II (de 8% para 16%), da Contribuição PIS/PasepImportação (de 0% para 1,65%) e da CofinsImportação (de 0% para 7,60%) e procedeu a cobrança das diferenças de impostos e contribuições, acrescidos dos consectários legais devidos, incluindo a multa regulamentar de 1% (um por cento) por classificação incorreta do produto na NCM. Em sede de impugnação, autuada apresentou as razões de defesa, que foram resumidas no relatório encartado na decisão de primeiro grau, nos termos a seguir transcritos: A classificação de produtos da linha REDOXON como medicamentos é determinada pela própria ANVISA o que impede a requerente de importálo e vendêlo no país de forma distinta da regulamentada. A Receita Federal, ao tentar desnaturar a natureza do medicamento, forçando a sua classificação fiscal dentro do conceito de "preparação alimentícia'", estabelece norma conflitante com as determinações da ANVISA, que é o órgão federal responsável pela definição, registro e classificação de medicamentos. Se a Requerente utilizar a classificação fiscal pretendida pela Receita Federal, não obtém a autorização da ANVISA para importação, registro e a própria venda do produto no país. Se a Requerente manter a classificação fiscal de medicamento, estabelecida pela ANVISA para o produto, estará sujeita a sofrer Fl. 1969DF CARF MF Processo nº 10314.720282/201146 Acórdão n.º 3302004.752 S3C3T2 Fl. 1.969 3 com os abusivos Autos de Infração lavrados pela Receita Federal, como o ora impugnado. Vêse, portanto, a completa arbitrariedade da situação a qual está submetida a Requerente pelo Poder Público, que a impede de exercer regularmente sua atividade empresarial, em afronta o que lhe garante a Constituição Federal. A Requerente não pode ser prejudicada pela divergência de interpretação de dois órgãos federais. Caso prevaleça a classificação fiscal pretendida pela Receita Federal, e, conseqüentemente, a exigência fiscal ora impugnada, ocorrerá o cúmulo do absurdo de uma "preparação alimentícia" necessitar de prescrição médica para ser comercializada. A pena para o não cumprimento das determinações acima é justamente o cancelamento da autorização de funcionamento da empresa e o cancelamento do registro do produto, com a conseqüente proibição de sua comercialização (além de apreensão e aplicação de multa), conforme o artigo 10, incisos IV e XXXIV, da Lei n° 6.437/1977. No uso de suas atribuições legais, a ANVISA estabelece REQUISITOS TÉCNICOS EFETIVOS para diferenciação entre um complemento alimentar à base de vitamina e medicamento à base de vitamina. Um dos principais diferenciadores entre um alimento e um medicamento é a dosagem do princípio ativo (no caso do REDOXON: o ácido ascórbico, vitamina C) e seu índice de Ingestão Diária Recomendada (IDR). Segundo a ANVISA, o IDR máximo de vitamina C para uma PESSOA SADIA é de 45mg por dia. Os produtos da Requerente, no entanto, tem dosagens de 1.000g ou 2.000g de ácido ascórbico por comprimido ou tablete, o que representa um valor muito superior ao IDR recomendado pela ANVISA. JUSTAMENTE POR CONTER ALTAS DOSES DE ÁCIDO ASCÓRBICO É QUE A LINHA DE PRODUTOS REDOXON É CONSIDERADA UM MEDICAMENTO, SUJEITO AO REGISTRO E REGULAMENTAÇÃO DA ANVISA. Nesse sentido, a Requerente mesmo que quisesse adotar a classificação fiscal de produto alimentício, pretendida pela Receita Federal, esbarraria nas normas da ANVISA, em especial o artigo 5º da Resolução ANVISA RDC n° 24, de 14 de junho de 2010 e o artigo 2.1 da Portaria ANVISA n° 32/98. Por outro lado, por meio da Portaria n° 32/98, (doc. 13) a ANVISA estabelece que o suplementos vitamínicos somente poderão ser classificados como complementos alimentares quando contiverem um mínimo de 25% e no máximo 100% do IDR. Os produtos vitamínicos que superem 100% do IDR se enquadram no artigo 1º da Portaria ANVISA n° 40, de 13 de janeiro de 1998. Fl. 1970DF CARF MF 4 Conforme consta na tabela anexa da referida Portaria, o limite considerado seguro para ingestão diária de vitamina C é de até 1.000 mg, razão pela qual o REDOXON 1g e o REDOXON Zinco se enquadram na definição de medicamento especifico sem exigência de prescrição médica. Já o Redoxon 2g, conforme os próprios critérios estabelecidos na referida Portaria 40/98 da ANVISA, é considerado como medicamento específico com exigência de prescrição médica. A prevalecer o entendimento da Receita Federal contido no Auto de Infração, estarseá exigindo que uma suposta preparação alimentícia seja objeto de prescrição médica, o que é um completo despropósito. Em resumo, e como pode ser observado de todas as transcrições legais acima, a ANVISA classifica como medicamento específico os produtos à base de vitamina C, que contenham limites superiores ao IDR diário recomendado, como é o caso da linha REDOXON, o que impede que a Requerente possa importála ou comercializála sem o devido registro e utilização da classificação fiscal de medicamento. Não pode a Receita Federal alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e forma de direito privado para cobrar tributo da Requerente, sob pena de ofensa ao artigo 110 do Código Tribunal Nacional. O REDOXON é um medicamento indicado no fortalecimento da imunidade de pessoas não sadias, prevenindo o surgimento de não uma, mas de diversas doenças. Para que não reste dúvidas de que os produtos da linha REDOXON são medicamento, com atuação no sistema imunológico. O Laudo de Assistência Técnica confirma que o REDOXON é medicamento indicado para as seguintes aplicações profiláticas: “Reduz a severidade e duração da gripe e resfriados; Ação antioxidante; Potencializa o sistema natural de defesa imunológica, prevenindo assim os estados infecciosos, como a gripe;” Não deve prosperar o argumento da Receita Federal de que o REDOXON não teria aplicação contra doenças e afecções, uma vez que o próprio perito atesta sua condição de medicamento contra a gripe. Para corroborar o entendimento do Sr. Perito, confirase as anexas bulas dos produtos, as quais demonstram que as altas dosagens de ácido ascórbico, em valores superiores ao IDR possuem atuação profilática específica, tais como: auxiliar do sistema imunológico; antioxidante; póscirurgico e cicatrizante; doenças crônicas e convalescença; dietas restritivas e inadequadas; como auxiliar nas anemias carenciais; Dessa forma, resta comprovado que a ANVISA e o perito técnico indicado pela própria Receita Federal consideram o REDOXON um medicamento, por ser aplicável a todo o sistema Fl. 1971DF CARF MF Processo nº 10314.720282/201146 Acórdão n.º 3302004.752 S3C3T2 Fl. 1.970 5 imunológico, além do combate à gripe, o que impede a aplicação no caso concreto do pretenso argumento da Receita Federal. Diante o exposto, resta evidenciado que o REDOXON foi corretamente classificado na posição NCM 3004.50.90, pertinente a outros medicamentos à base de vitaminas, o que torna improcedente a aplicação da multa de 1% sobre o valor da importação por suposto erro na classificação fiscal do produto; bem como a cobrança de diferenças relativas ao Imposto de Importação, contribuição ao PIS e COFINS, exigidas no Auto de Infração. DA ILEGALIDADE DA INRFB N° 873/2008 O referido parecer da OMA não leva à conclusão de que o mesmo é extensivo e aplicável a todos os produtos que contenham a vitamina C como base. DO INCORRETO CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS E DA COFINS IMPORTAÇÃO A NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Segundo a Receita Federal, o REDOXON não poderia gozar da alíquota zero de PIS e de COFINS, aplicável aos medicamentos da posição NCM 3004.50.90, motivo pelo qual foi exigido no Auto de Infração as referidas contribuições às alíquotas de 1,65% e 7,6%, respectivamente, aplicáveis aos produtos alimentares da posição NCM 2106.90.30. Para o cálculo da suposta diferença devida pela Requerente decorrente da reclassificação fiscal, o Auto de Infração utiliza como fundamento a Instrução Normativa n° 572/2005, que determina a aplicação de um "fator X" a ser multiplicado ao valor aduaneiro para se apurar a base de cálculo das referidas contribuições. O fator X utilizado no Auto de Infração foi incorretamente calculado, o que ocasionou a cobrança de valores muito superiores ao supostamente devido. O valor correto do fator X seria 1,303186843, enquanto o Auto de Infração menciona dois outros valores discrepantes, o que, por si só, já tornaria o Auto de Infração nulo. O fato de o Auto de Infração ter se utilizado de dois índices incorretos, sem qualquer relação entre si e divergente do resultado da fórmula da INRFB n° 572/2005, maculao de vício insanável, passível de ser julgado nulo, por afronta ao disposto no art. 10, inciso IV do Decreto 70.235/72 e ao princípio da legalidade. A Requerente protesta pela apresentação posterior de novos documentos, provas e alegações para perfeita elucidação dos fatos. A Requerente, assim, acolhendose os argumentos expostos nesta Impugnação, pleiteia que seja julgado IMPROCEDENTE o Auto Fl. 1972DF CARF MF 6 de Infração lavrado, cancelandose integralmente as exigências fiscais nele contidas; ou, alternativamente, que sejam canceladas as exigências anteriores a setembro de 2008 e seja recalculada exigência da contribuição ao PIS e da COFINS nele contida. Em exame preliminar, por meio da Resolução nº 17001.060, de 24/11/2011, a 1ª Turma da DRJ/SPOII baixou os autos em diligência, para que fosse informado se procedia a alegação da autuada de que estaria incorreto cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep Importação e da CofinsImportação objeto das presentes autuações. Em resposta, a fiscalização informou que os cálculos estavam corretos, sendo descabidas as alegações da impugnante sobre este tema. Em 2/2/2012, a interessada foi devidamente cientificada, mas não se manifestou a respeito. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 1946/1960), em que, por unanimidade de votos, a impugnação foi julgada procedente consideraram e determinado o crédito tributário exigido, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementa que seguem transcritos: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 12/07/2006 Importação do produto REDOXON. Nota Coana/Cotac/Dinom n° 2010/00330, de 16 de setembro de 2010, pronunciou sobre a classificação de preparação em comprimido à base de vitamina C (500mg) na subposição 2106.90, relativa a "preparações alimentícias". O prospecto do produto REDOXON, que se pautou a ação fiscal, cita Redoxon de 1g e 2g, portanto em quantidade superior a 500mg por comprimido. A ilação proposta pela fiscalização não prospera em estender os efeitos da IN RFB n° 873/08 aos comprimidos com mais de 500g e assim possuir classificação fiscal no código NCM 2106.90.30, por ausência de amparo normativo. A Resolução n° 3.439, de 29/12/2005 da ANVISA concede ao REDOXON o registro de medicamento. Solução de Divergência COANA nº 8/2001 ressalta que a ANVISA tem a competência, conforme a Lei n.º 9.782, de 26 de janeiro de 1999, para normatizar os temas “alimentos” e “medicamentos”. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Como o crédito tributário exonerado excedeu o limite de alçada do órgão julgador, a referida decisão foi submetida a recurso de ofício, nos termos do art. 34 do Decreto 70.235/1972, com as alterações introduzidas pela Lei 9.532/1997, combinado com o disposto na Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Embora regularmente cientificada, a autuada não apresentou contrarrazões ao recurso interposto. Fl. 1973DF CARF MF Processo nº 10314.720282/201146 Acórdão n.º 3302004.752 S3C3T2 Fl. 1.971 7 É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso de ofício atende os requisitos do art. 34 do Decreto 70.235/1972, com as alterações introduzidas pela Lei 9.532/1997, e está dentro dos parâmetros estabelecidos na Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, portanto deve ser conhecido. A lide objeto do recurso de ofício em apreço cingese à questão atinente ao correto enquadramento na NCM dos produtos de nome comercial (i) REDOXON, apresentado sob a forma de comprimidos efervecentes contendo 1g ou 2g de ácido ascórbico (vitamina C) ou em gotas, contendo 200mg/ml de vitamina C; e (ii) REDOXON ZINCO, apresentado sob a forma de comprimidos efervecentes, contendo 1g de ácido ascórbico (vitamina C) associado com 10mg de zinco. Para a fiscalização, os referidos produtos constituem preparações à base de vitamina C e demais suplementos vitamínicos (incluindose aqui o zinco, presente no REDOXON ZINCO), que não possuem, por dose, uma quantidade suficiente de uma substância ativa com efeito curativo ou profilático contra uma doença ou afecção específica, classificados no código NCM 2106.90.30. As razões apresentadas pela fiscalização, para enquadrar os referidos produtos no citado código foram as seguintes, in verbis: De acordo com Nota Coana/Cotac/Dinom ° 2010/00330, de 16 de setembro de 2010 (fls. 413 a 418), o Comitê do Sistema Harmonizado (CSH) da Organização Mundial das Aduanas (OMA) já se pronunciou sobre a classificação de preparação em comprimido à base de vitamina C na subposição 2106.90, relativa a "preparações alimentícias", por meio de Pareceres internalizados pela IN RFB n° 873/08, verbis: 22. Preparação à base de vitamina C (500 mg por comprimido) Verificando os documentos de trabalho do CSH da OMA relativos ao Parecer 2106.90/22 e a produtos semelhantes, bem como Opiniões da Secretaria da OMA, que se anexam ao presente relatório (fls. 419 a 442), inferimos que o entendimento que norteia tal classificação é de que, para se configurar como "medicamento" da posição 30.04, o produto deve conter, por dose, uma quantidade suficiente de uma substância ativa com efeito curativo ou profilático contra uma doença ou afecção específica, o que não é o caso das preparações em comprimido a base de vitamina C. Tais produto servem, apenas, para manter o bem estar geral do organismo, sendo assim caracterizados como "complementos alimentares" da posição 21.06, conforme previsto pelas Nesh desta posição, verbis: Fl. 1974DF CARF MF 8 "Desde que não se classifiquem em outras posições da nomenclatura, a presente posição compreende: 16) As preparações designadas muitas vezes sob o nome de "complementas alimentares", à base de extraías de plantas, concentrados de frutas, mel, frutose, etc., adicionados de vitaminas e, por vezes, de pequenas quantidades de compostos de ferro. Estas preparações apresentamse acondicionadas em embalagens, nos quais consta que se destinam à manutenção da saúde e do bemestar geral. Excluemse as preparações análogas, próprias para evitar ou tratar doenças ou afecções (posições 30.03 ou 30.04) ". Por sua vez, a autuada alegou, na sua peça impugnatória, que os referidos produtos eram medicamentos, por força de determinação da ANVISA, e dada essa característica classificavamse no código 3004.50.90 da NCM. As razões apresentadas pela autuada, em síntese, foram as seguintes: a) a ANVISA era o órgão que estabelecia os requisitos técnicos efetivos, para diferenciação entre o complemento alimentar à base de vitamina e o medicamento à base de vitamina; b) um dos principais diferenciadores entre um alimento e um medicamento era a dosagem do princípio ativo (no caso do REDOXON, o ácido ascórbico ou vitamina C) e seu índice de Ingestão Diária Recomendada (IDR); c) a Resolução RDC 269/2005, editada pela Diretoria Colegiada da ANVISA, fixou o IDR máximo de vitamina C para uma pessoa sadia em 45mg por dia, logo, como os citados produtos continham dosagens de l.000mg ou 2.000mg de ácido ascórbico por comprimido ou tablete, que representava um valor muito superior ao do IDR recomendado pela ANVISA; d) ainda que quisesse adotar a classificação fiscal de produto alimentício, a autuada esbarraria nas normas da ANVISA, especialmente, o subitem 2.1 da Portaria 32/1998 e no art. 5º da Resolução RDC 24/2010; e) por meio da Portaria 32/1998, a ANVISA havia estabelecido que os suplementos vitamínicos somente poderiam ser classificados como complementos alimentares quando contivessem no mínimo de 25% e no máximo 100% do IDR; f) os produtos vitamínicos que superassem 100% do IDR enquadrarseia no art. 1º da Portaria ANVISA 40/1998. Segundo a tabela anexa a esta Portaria, o limite considerado seguro para ingestão diária de vitamina C era de até 1.000mg, razão pela qual o REDOXON lg e o REDOXON Zinco se enquadrariam na definição de medicamento especifico sem exigência de prescrição médica. Já o REDOXON 2g era considerado como medicamento específico, com exigência de prescrição médica, logo, a prevalecer o entendimento da fiscalização, estarseia exigindo que uma suposta preparação alimentícia fosse objeto de prescrição médica, o que era um completo despropósito; h) em resumo, a ANVISA classificava como medicamento específico os produtos à base de vitamina C, que contivessem limites superiores ao IDR diário recomendado, como é o caso da linha REDOXON, o que impedia a autuada de importar ou comercializar os referidos produtos sem o devido registro e utilização da classificação fiscal de medicamento; e Fl. 1975DF CARF MF Processo nº 10314.720282/201146 Acórdão n.º 3302004.752 S3C3T2 Fl. 1.972 9 i) o REDOXON era um medicamento indicado no fortalecimento da imunidade de pessoas não sadias, prevenindo o surgimento de não uma, mas de diversas doenças, logo, não pode a fiscalização alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e forma de direito privado, para cobrar tributo da autuada, sob pena de ofensa ao art. 110 do Código Tribunal Nacional (CTN). Para uma melhor compreensão da controvérsia, a reproduz a seguir os textos do código NCM 2106.90.30, atribuído pela fiscalização, e do código NCM 3004.50.90, defendido pela autuada: 2106 PREPARAÇÕES ALIMENTÍCIAS NÃO ESPECIFICADAS NEM COMPREENDIDAS NOUTRAS POSIÇÕES 2106.90 Outras 2106.90.30 Complementos alimentares 3004 MEDICAMENTOS (EXCETO OS PRODUTOS DAS POSIÇÕES 30.02, 30.05 OU 30.06) CONSTITUÍDOS POR PRODUTOS MISTURADOS OU NÃO MISTURADOS, PREPARADOS PARA FINS TERAPÊUTICOS OU PROFILÁTICOS, APRESENTADOS EM DOSES (INCLUINDO OS DESTINADOS A SEREM ADMINISTRADOS POR VIA PERCUTÂNEA) OU ACONDICIONADOS PARA VENDA A RETALHO. 3004.50 Outros medicamentos que contenham vitaminas ou outros produtos da posição 29.36 3004.50.90 Outros Com base nessas considerações, resta demonstrado que o cerne da controvérsia reside na natureza intrínseca dos referidos produtos, ou seja, se eles são complementos alimentares ou medicamentos. A autuada recorrida, com base no conceito de medicamento, estabelecido no art. 4º1 da Lei 5.991/1973, que dispõe sobre o controle sanitário do comércio de drogas e medicamentos, e nos requisitos técnicos estabelecidos pela ANVISA, manifestou o entendimento de que tais produtos eram medicamentos. As normas da ANVISA em que se fundamentou a autuada foram (i) a Portaria 32/1998, que trata da identidade e das características mínimas de qualidade que devem ter os suplementos vitamínicos, (ii) a Portaria 40/1998, que estabelece normas para níveis de dosagens diárias de vitaminas e minerais em medicamentos e a Resolução RDC 24/2010, que dispõe sobre o registro de medicamentos específicos. A definição de suplementos vitamínicos encontrase estabelecida no subitem 2.1 da citada Portaria 32/1998, a seguir transcrito: 1 "Art. 4º Para efeitos desta Lei, são adotados os seguintes conceitos: [...] II Medicamento produto farmacêutico, tecnicamente obtido ou elaborado, com finalidade profilática, curativa, paliativa ou para fins de diagnóstico;" Fl. 1976DF CARF MF 10 2.1. Definição Suplementos Vitamínicos e ou de Minerais para fins deste regulamento, doravante denominados simplesmente de “suplementos”, são alimentos que servem para complementar com estes nutrientes a dieta diária de uma pessoa saudável, em casos onde sua ingestão, a partir da alimentação, seja insuficiente ou quando a dieta requerer suplementação. Devem conter um mínimo de 25% e no máximo até 100% da: Ingestão Diária Recomendada (IDR) de vitaminas e ou minerais, na porção diária indicada pelo fabricante, não podendo substituir os alimentos, nem serem considerados como dieta exclusiva. [...] (grifos não originais) A definição de medicamentos a base de vitaminas encontrase estatuída no art. 5º, XII, da Resolução RDC 24/2010, a seguir reproduzido: Art. 5º Os seguintes produtos se enquadram para efeitos desta Resolução na categoria de medicamentos específicos: [...] XII medicamentos à base de vitaminas e/ou minerais e/ou aminoácidos e/ou proteínas isolados ou associados entre si, para uso oral, com pelo menos um dos componentes acima dos limites nutricionais estabelecidos pela IDR; [...] (grifos não originais) A Resolução RDC 269/2005, editada pela Diretoria Colegiada da ANVISA, fixou o IDR máximo de vitamina C para uma pessoa sadia em 45mg. Portanto, todos os produtos importados pela recorrente enquadramse na definição de medicamentos à base de vitaminas. Enfim, nos arts. 1º a 3º da Portaria 40/1998 encontrase a definição de medicamentos à base de vitamina, com venda sem e com exigência de prescrição médica, in verbis: Art. 1º Definir, sem prejuízo do disposto na Lei n° 6.360, de 23 de setembro de 1976 e no seu regulamento, o Decreto n° 79.094, de 5 de janeiro de 1977, como "Medicamentos à base de vitamina isolada, vitaminas associadas entre si, minerais isolados, minerais associados entre si e de associações de vitaminas com minerais", aqueles cujos esquemas posológicos diários situamse acima dos 100% da Ingestão Diária Recomendada IDR (estabelecida por legislação específica) de acordo com os níveis definidos nesta Portaria. Art. 2º Consideramse os medicamentos definidos no artigo anterior, como de "Venda Sem Exigência de Prescrição Médica" quando os níveis diários indicados para quaisquer dos componentes ativos, objeto deste regulamento, situemse até os limites considerados seguros, constantes da tabela anexa. Art. 3º Consideramse os medicamentos definidos no artigo 1° , como de "Venda Com Exigência de Prescrição Médica", quando os níveis diários indicados dos componentes ativos situemse acima dos limites considerados seguros por este Fl. 1977DF CARF MF Processo nº 10314.720282/201146 Acórdão n.º 3302004.752 S3C3T2 Fl. 1.973 11 regulamento, ou sempre que estiverem contidos em formulações para uso injetável. [...] (grifos não originais) De acordo com a tabela anexa à Portaria 40/1998, o nível máximo de segurança da vitamina C foi fixado em 1g/1.000mg. Logo, os medicamentos importados pela recorrente, contendo 2g/2.000mg de vitamina C, inequivocamente, estão sujeitos à venda somente mediante prescrição médica. Com base nos referenciados preceitos normativos, editados pela ANVISA, órgão regulador da matéria no País, fica demonstrado que todos os produtos importados pela autuada apresentam as características de medicamentos à base de vitaminas. Cabe ainda destacar que, além do atendimento dos requisitos técnicos estabelecidos nas referenciadas normas da ANVISA, os referidos medicamentos cumprem uma função profilática importante, pois, conforme informação contida nas respectivas bulas (fl. 63), eles colaboram para o bom funcionamento do sistema imunológico, dentre outras funções terapêuticas. A título de exemplo, transcrevese a seguir as funções terapêuticas, extraída da bula do medicamento Redoxon® Zinco, que contém 1g de vitamina C associada com 10mg de zinco, que é indicado como suplemento vitamínico e mineral: auxiliar do sistema imunológíco (auxiliar no combate e na redução do risco de doenças infecciosas crônicas e agudas, como resfriados); antioxidante; póscirúrgico e cicatrizante; doenças crônicas e convalescença; dietas restritivas e inadequadas, nos casos de deficiência de vitamina C e/ou zinco, por exemplo em fumantes.” Além disso, por meio da Resolução 3.439/2005, a ANVISA concedeu registro de medicamento específico e registro de fitoterápico aos diversos tipos de REDOXON produzidos pela BAYER. E a Coana já manifestou o entendimento, por intermédio da Solução de Divergência nº 8/2001, que “[...] a ANVISA tem a competência, conforme a Lei n.º 9.782, de 26 de janeiro de 1999, para normatizar os temas ‘alimentos’ e ‘medicamentos’ [...]”. De outra parte, a fiscalização a fiscalização manifestou o entendimento de que os referidos produtos não eram medicamento, mas “preparações alimentícias” do tipo “complementos alimentares”, sob argumento de que o Comitê do Sistema Harmonizado (CSH) da Organização Mundial das Aduanas (OMA) já havia definido que o comprimido contendo 500 mg de vitamina C era uma preparação alimentícia da suposição 2106.90. Para a fiscalização, para se configurar como “medicamento” da posição 30.04, “o produto deve conter, por dose, uma quantidade suficiente de uma substância ativa com efeito curativo ou profilático contra uma doença ou afecção específica, o que não é o caso das preparações em comprimido a base de vitamina C.” (grifos do original) Fl. 1978DF CARF MF 12 Com a devida vênia, essa condição de que o produto para ser considerado medicamento deverá ter efeito curativo ou profilático restrito a uma doença ou afecção específica, induvidosamente, não consta das NESH da posição 21.06, novamente transcrita a seguir, para melhor análise: Desde que não se classifiquem em outras posições da nomenclatura, a presente posição compreende [...] 16) As preparações designadas muitas vezes sob o nome de “complementos alimentares”, à base de extratos de plantas, concentrados de frutas, mel, frutose, etc., adicionados de vitaminas e, por vezes, de pequenas quantidades de compostos de ferro. Estas preparações apresentamse acondicionadas em embalagens, nos quais consta que se destinam à manutenção da saúde e do bemestar geral. Excluemse as preparações análogas, próprias para evitar ou tratar doenças ou afecções (posições 30.03 ou 30.04). (grifos não originais) A correta interpretação dos textos em destaque revela que as vitaminas adicionadas não são os componentes principais, que conferem ao produto a característica de preparação alimentícia ou complemento alimentar, mas os extratos de plantas, concentrados de frutas, mel, frutose etc. Diferentemente, nos produtos importados pela autuada da marca REDOXON, a vitamina C representa o componente principal, que confere ao produto a característica de medicamento, segundo os requisitos técnicos estabelecidos nas normas da ANVISA. Os demais componentes são excipientes, tais como: aroma de laranja, aroma de tangerina, sacarina sódica, bicarbonato de sódio, cloreto de sódio, riboflavina, apocaroteno a 1%, açúcar e ácido tartárico, que os comprimidos do REDOXON LARANJA 1G. Além disso, excluemse da referida posição, “as preparações análogas, próprias para evitar ou tratar doenças ou afecções”, em vez de preparações análogas, próprias para evitar ou tratar “uma doença ou afecção específica”, como asseverado pela fiscalização. E em face do seu efeito profilático, no sentido de colaborar para o bom funcionamento do sistema imunológico, dentre outras funções terapêuticas, certamente, os produtos importados pela autuada cumprem tal efeito profilático, conforme expressamente consignado nas bulas dos respectivos produtos importados. Com base nessas considerações, resta demonstrado que os referidos produtos caracterizam como medicamentos e como tais classificamse no código 3004.50.90 da NCM, conforme declarado pela autuada nas respectivas DI. Por todo o exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso de oficio, para manter na íntegra a decisão recorrida. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 1979DF CARF MF Processo nº 10314.720282/201146 Acórdão n.º 3302004.752 S3C3T2 Fl. 1.974 13 Fl. 1980DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720262/2015-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
MULTA DE NATUREZA SANCIONATÓRIA. IMPOSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO.
O contribuinte deduziu de modo indevido valores de multas de natureza sancionatória aplicadas por outro ente federativo.
MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE
Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de ofício e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte, já que ambas as penalidades estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal. Lançamento procedente em parte.
Numero da decisão: 1401-001.990
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento a exigência de multa isolada do IRPJ e CSLL. Vencidos os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Luiz Augusto de Souza Gonçalves que votaram pelo não provimento do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia de Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA
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IMPOSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO. O contribuinte deduziu de modo indevido valores de multas de natureza sancionatória aplicadas por outro ente federativo. MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de ofício e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte, já que ambas as penalidades estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal. Lançamento procedente em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento a exigência de multa isolada do IRPJ e CSLL. Vencidos os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Luiz Augusto de Souza Gonçalves que votaram pelo não provimento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 02 62 /2 01 5- 15 Fl. 1347DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia de Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva. Relatório 1. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba (PR), que manteve o auto de infração lavrado (fls. 881896) em decorrência supostas infrações à legislação tributária, referente ao ano calendário de 2010, por meio dos quais são exigidos do Recorrente, pessoa jurídica tributada pelo regime do Lucro Real anual, crédito tributário de R$ 26.472.762,30 referente ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ – e de R$ 9.553.131,03 de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL –, acrescidos de juros de mora, e de multas proporcional (75%) e isolada (50%), em razão da glosa de despesas operacionais indedutíveis – multas por infrações fiscais – incluídas na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ 2011, Anocalendário 2010, com fundamento artigo 344, §5° do RIR de 1999. 2. Nos termos do Termo de Verificação Fiscal – TVF, às fls. 897910, a fiscalização teve início em 20/09/2013, restou comprovado que a contribuinte escriturou na conta 4.4.3.8.1.9.9.0.0.1.1.0.1 DÉBITOS EXTEMPORÂNEOS, o valor de R$ 382.513.200,52, em virtude de sua adesão a um programa de parcelamento de dívidas tributárias do ISS – tributo municipal – e da contribuição federal Cofins. 3. Posteriormente, esse montante “entrou na composição da linha 32. Outras Despesas Operacionais como parcela dedutível”, da Ficha 05A – Despesas Operacionais – PJ em Geral da DIPJ 2011, A/C 2010.4. 4. Do total escriturado como Outras Despesas Operacionais R$ 47.705.454,96 referemse à redução das multas indicadas na tabela abaixo, retirada da fl. 899, decorrente da adesão da autuada a programas de parcelamentos de débitos tributários, estatuídos pela Lei Federal nº 11.941, de 27 de maio de 2009, e pela Lei Municipal de São PauloSP nº 14.129, de 11 de janeiro de 2006: Fl. 1348DF CARF MF Processo nº 19515.720262/201515 Acórdão n.º 1401001.990 S1C4T1 Fl. 1.435 3 5. Segundo a Autoridade Fiscal, a contrapartida dos lançamentos contábeis referidos encontrase na conta de receita: 3.3.4.9.1.9.9.0.0.2.0.06 CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. 6. No caso em tela, UNIMED PAULISTANA computou na DIPJ do ano calendário de 2010, os valores das referidas multas como despesas dedutíveis e os benefícios fiscais auferidos como receitas na linha 39. OUTRAS RECEITAS OPERACIONAIS da Ficha 06A da mesma declaração. 7. Nos termos da decisão recorrida, a situação em exame enquadrarseia, portanto, na hipótese tratada pela Solução de Consulta nº 21 – Cosit, de 06/11/2013, segundo a qual as receitas oriundas de reduções de multas de ofício decorrente da fruição do benefício previsto no art. 1°, § 3°, inciso I, da referida Lei n° 11.941, de 2009, não devem ser computadas na apuração do lucro real, porque envolvem multas indedutíveis, haja vista que não fizeram parte da apuração dos períodos anteriores. 8. Segundo a decisão recorrida, o art. 4°, §2°, I, da Lei municipal estabelece que o débito a ser constituído corresponderia a 50% do valor da multa; nessas circunstâncias o benefício auferido deveria ser, como de fato o foi, lançado como receita – em 39.OUTRAS RECEITAS OPERACIONAIS da Ficha 06A da DIPJ 2011 – enquanto as despesas correspondentes deveriam ser computadas como despesas não dedutíveis, uma vez que se enquadram na situação descrita no parágrafo 5° do artigo 344 do RIR de 1999. 9. De acordo com as conclusões da autoridade fiscal, com a qual se coadunou o julgador a quo, na apuração do lucro real, portanto, a regra básica – argumenta a Autoridade Fiscal – é a da indedutibilidade das multas fiscais, entre elas as multas lançadas de ofício. São dedutíveis, de outra parte, as multas de natureza compensatória, vale dizer as que visam compensar o sujeito ativo por eventuais prejuízos incorridos em virtude do atraso no pagamento do que era devido, por se caracterizarem como penalidades de natureza civil, por exemplo: a multa de mora (cf. art. 61, §§ 1° e 2°, da Lei n° 9.430, de 1996) e os juros de mora (cf. arts. 5°, § 3°, e 61, § 3°, da Lei n° 9.430, de 1996). 10. O Acórdão ora Recorrido (0653.511 1ª Turma da DRJ/CTA) recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 MULTA DE NATUREZA SANCIONATÓRIA. IMPOSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO. A Autoridade Fiscal a quo demonstrou sem ser contraditada que a contribuinte deduziu de modo indevido valores de multas de natureza sancionatória aplicadas por outro ente federativo, lançamento procedente. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. É cabível a aplicação simultânea da multa isolada por falta ou insuficiência do recolhimento do IRPJ e da CSLL sobre a base de cálculo estimada e da multa proporcional ao tributo exigido no auto de infração. Fl. 1349DF CARF MF 4 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 5. Em seu Recurso (fls. 1139 1179) que é praticamente uma repetição da sua Impugnação, alega em resumo que: i) O Lançamento seria Nulo já que a Fiscalização não atentou para o fato de que no anocalendário de 2010, a cooperativa apurou saldo negativo de IRPJ e de CSLL, declarados na DIPJ retificadora apresentada em 30.01.2012 – cf. cópia juntada às fls. 1.039 1.069 – que era de conhecimento da Fiscalização. Na ficha 12A daquela DIPJ verificase a existência de um saldo negativo de R$ 7.666.498,48 de IRPJ, enquanto na ficha 17, referente à CSLL, consta um saldo negativo de R$ 1.887.098,95. Nessas condições, afirma: considerando a existência de saldo negativo em favor da impugnante e constatando supostas ausências de pagamentos de IRPJ e CSLL, caberia à Fiscalização primeiramente recompor toda a apuração do período de 2010 para reajustar os saldos negativos, e, se ainda sim constatasse falta de recolhimentos de IRPJ e CSLL, exigir da Impugnante apenas a diferença destes valores. ii) A Fiscalização ao analisar a apuração do IRPJ e da CSLL relativa ao ano base de 2010, não se ateve às especificidades da metodologia de contabilização dispostas na IN/ANS n. 20/2008, e incorreu em equívoco no lançamento tributário ao glosar todo o valor do benefício relativo às multas de ofício obtidas pela Recorrente na anistia municipal e que supostamente teriam sido lançadas como despesas dedutíveis na apuração do lucro real no montante de R$ .39.984.141,47. iii) A fiscalização interpretou incorretamente o RIR de 1999 e a Solução de Consulta COSIT n° 21 de 2013; e, por fim, iv) A fiscalização aplicou multa isolada em concomitância com a multa de ofício, em contrariedade a entendimento majoritário do Conselho Administrativo de Recursos FiscaisCARF. 6. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva Relator. Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao eprocesso. Inicialmente cumpre ressaltar que o Recurso objeto do presente julgamento, em quase sua totalidade é uma repetição dos argumentos aduzidos em Impugnação (fls. 927 958), até mesmo no seu total de páginas. Todas as suas argumentações foram absolutamente enfrentadas no julgamento de piso e, em seu recurso, o contribuinte não as ataca, simplesmente repete os argumentos e razões de impugnação, insurgindose basicamente contra a fiscalização. Fl. 1350DF CARF MF Processo nº 19515.720262/201515 Acórdão n.º 1401001.990 S1C4T1 Fl. 1.436 5 No que se refere à preliminar suscitada pelo Recorrente, como bem observado pelo julgador a quo , todo o montante declarado como saldo negativo foi reconhecido pela Autoridade Fiscal competente e empregado para compensar débitos apresentados voluntariamente pela contribuinte. Assim, o crédito tributário decorrente de deduções indevidas, no caso concreto, não foram levadas em conta para diminuir os respectivos saldos negativos que vieram, por fim, a ser compensados pela contribuinte. Desta feita, não subsiste a razão que fundamenta o pedido de nulidade manejado pelo Recorrente, razão pela qual não acolho a preliminar. No mérito, como bem asseverado na decisão recorrida, o fato de a recorrente obedecer às regras de escrituração estabelecidas pelos órgãos reguladores não afeta a natureza do lançamento em questão O fato é que a contribuinte não contestou a inclusão entre as despesas dedutíveis declaradas à Receita Federal no anocalendário de 2010 o montante de R$ 39.984.141,47 oriundo de multas de ofício aplicadas pelo Fisco Municipal, cuja comprovação igualmente não foi contestada. O descumprimento da legislação tributária a meu ver está absolutamente demonstrada e confessada pelo Recorrente que defende a legalidade da sua conduta. Por sua vez, a Solução COSIT nº 21, de 2013 é bastante clara e determina que: LUCRO REAL. REDUÇÃO DE MULTA E JUROS. LEI N° 11.941, DE 2009. A receita oriunda da redução de multa de mora e juros de mora decorrente da fruição do benefício previsto no art. 1°, § 3°, inciso I, da Lei n° 11.941, de 2009, pode ser excluída do lucro líquido, para efeito de apuração do lucro real, nos termos do art. 4°, parágrafo único, da Lei n° 11.941, de 2009. Em razão de as multas de ofício serem indedutíveis na apuração do lucro real, a receita oriunda da redução de multa de ofício decorrente da fruição do benefício previsto no art. 1°, § 3°, inciso I, da Lei n° 11.941, de 2009, não é computada no lucro real, pois ela não terá sido deduzida em períodos de apuração anteriores. É inócuo, neste ponto, o comando do art. 4°, parágrafo único, da Lei n° 11.941, de 2009. A referida solução se fundamenta na interpretação lógica das disposições do art. 344 do RIR de 1999 sobre a indedutibilidade desse tipo despesa e as da Lei nº 8.981, de 1995: Art. 344. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência (Lei n° 8.981, de 1995, art. 41). Fl. 1351DF CARF MF 6 (...) § 5° Não são dedutíveis como custo ou despesas operacionais as multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compensatória e as impostas por infrações de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo (Lei n° 8.981, de 1995, art. 41, § 5°). Lei nº 8.981, de 1995, Art. 41. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. (...) § 5° Não são dedutíveis como custo ou despesas operacionais as multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compensatória e as impostas por infrações de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo. Como bem ressalvado pela autoridade fiscalizadora e ratificado pela julgadora, o benefício auferido na esfera municipal foi escriturado corretamente como receita operacional, enquanto as despesas respectivas deveriam ter sido computadas como despesas não dedutíveis, uma vez que se enquadram na situação descrita no parágrafo 5° do artigo 344 do RIR de 1999. Ocorre que as despesas indedutíveis (R$ 45.781.549,91), não contemplaram as despesas advindas dos benefícios auferidos em razão da negociação com o Fisco municipal, razão pela qual restou comprovado que todo seu montante foi indevidamente computado como despesa dedutível pela Recorrente, em ofensa à legislação de regência da matéria, dado que se tratava de multas de ofício e, por isso, foram corretamente glosadas. Ademais, coaduno da conclusão do julgador a quo no sentiudo de que o raciocínio da contribuinte que pugna que se dê ao benefício obtido na esfera municipal tratamento equivalente ao concedido pela Lei nº 11.941/2009 (neutralidade do tratamento tributário) não pode face à impossibilidade de estender a abrangência do dispositivo legal, dada a necessária interpretação restritiva a ser aplicada nesse tipo de matéria. Desta feita, não há como acolher tais razões de mérito do Recorrente, razão pela qual entendo que a decisão recorrida não merece reparo neste particular. Entretanto, no que se refere à alegação de impossibilidade da duplicidade da multa isolada e de ofício, concordo com as razões do Recorrente. Isto porque, sigo o entendimento acerca da impossibilidade da aplicação simultânea sobre a mesma infração da multa isolada pelo não pagamento de estimativas apuradas no curso do anocalendário e da multa proporcional concernente à falta de pagamento do tributo devido apurado no balanço final do mesmo anocalendário. Tal fato se deve à conclusão de que o não pagamento das estimativas é apenas uma etapa preparatória da execução da infração. Uma vez que as estimativas são meras antecipações dos tributos devidos, a concomitância significa dupla imposição de penalidade sobre o mesmo fato. Neste ponto entendo assistir razão ao Recorrente e me permito valer dos fundamentos aduzidos pelo Conselheiro Guilherme Adolfo Mendes no Acórdão 120100.235: Fl. 1352DF CARF MF Processo nº 19515.720262/201515 Acórdão n.º 1401001.990 S1C4T1 Fl. 1.437 7 As regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da nonna punitiva, inibese o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3°: Art. 3" A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplicase ao fato praticado durante sua vigência. O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível a cessação da vigência de leis extraordinárias e certo, em relação às temporárias, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não Fl. 1353DF CARF MF 8 fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte. Nada obstante, também entendo que as duas sanções (a decorrente do descumprimento do dever de antecipar e a do dever de pagar em definitivo) não devam ser aplicadas conjuntamente pelas mesmas razões de me valer, por terem a mesma função, dos institutos do Direito Penal. Nesta seara mais desenvolvida da Dogmática Jurídica, aplicase o Princípio da Consunção. Na lição de Oscar Stevenson, "pelo princípio da consunção ou absorção, a norma definidora de um crime, cuja execução atravessa fases em si representativas desta, bem como de outras que incriminem fatos anteriores e posteriores do agente, efetuados pelo mesmo fim prático". Para Delmanto, "a norma incriminadora de fato que é meio necessário, fase normal de preparação ou execução, ou conduta anterior ou posterior de outro crime, é excluída pela norma deste". Como exemplo, os crimes de dano, absorvem os de perigo. De igual sorte, o crime de estelionato absorve o de falso. Nada obstante, se o crime de estelionato não chega a ser executado, punese o falso. É o que ocorre em relação às sanções decorrentes do descumprimento de antecipação e de pagamento definitivo. Uma omissão de receita, que enseja o descumprimento de pagar definitivamente, também acarreta a violação do dever de antecipar. Assim, punese com multa proporcional. Todavia, se há uma mera omissão do dever de antecipar, mas não do de pagar, punese a não antecipação com multa isolada. No mesmo sentido são as conclusões da colega Conselheira Luciana Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin (Acórdão 1401001.421): Destarte, há concomitância se multas isolada e proporcional forem aplicadas como consequência da não antecipação de parcela do tributo devido que também não foi paga no ajuste. Isso ocorre, por exemplo, quando se verifica uma omissão de receita. A receita excluída no cálculo da estimativa é uma etapa preparatória do não pagamento do tributo devido no balanço final do mesmo anocalendário. O mesmo fenômeno ocorre quando se efetua uma glosa de despesa que havia sido incluída no cálculo da estimativa apurada em balanço de suspensão ou redução. O impacto que a não antecipação causa na apuração do tributo devido é devidamente penalizado pela multa proporcional. Fl. 1354DF CARF MF Processo nº 19515.720262/201515 Acórdão n.º 1401001.990 S1C4T1 Fl. 1.438 9 Digase ainda que a questão é objeto de Súmula do CARF nº 105, que entendo permanecer aplicável aos fatos geradores posteriores à edição da Lei nº 11.488/07 in verbis: Súmula CARF nº 105 : A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Outrossim, tal posição encontra guarida em diversas decisões deste Conselho, incluindose esta mesma Turma Ordinária. Assim, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário para excluir os lançamentos de multa isolada de IRPJ e multa isolada de CSLL. É como voto. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 1355DF CARF MF
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