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Numero do processo: 13962.000231/2007-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
RENDIMENTOS ISENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO MÉDICO.
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios Súmula CARF no 63.
Hipótese em que o contribuinte não comprovou seu direito com laudo médico.
VALOR EXIGIDO NA AUTUAÇÃO JÁ PAGO ANTES DA FISCALIZAÇÃO. EXCLUSÃO DA MULTA DE OFÍCIO.
O contribuinte demonstrou já ter pago o valor cobrado no presente
lançamento anteriormente à fiscalização, pelo que deve se excluir a multa de ofício.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2101-001.307
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, dar provimento ao recurso, para exclusão da multa de ofício. Ausente justificadamente o conselheiro Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa.
Nome do relator: Jose Evande Carvalho Araújo
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MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO MÉDICO. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios Súmula CARF no 63. Hipótese em que o contribuinte não comprovou seu direito com laudo médico. VALOR EXIGIDO NA AUTUAÇÃO JÁ PAGO ANTES DA FISCALIZAÇÃO. EXCLUSÃO DA MULTA DE OFÍCIO. O contribuinte demonstrou já ter pago o valor cobrado no presente lançamento anteriormente à fiscalização, pelo que deve se excluir a multa de ofício. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, dar provimento ao recurso, para exclusão da multa de ofício. Ausente justificadamente o conselheiro Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa. (assinado digitalmente) _____________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente. Fl. 44DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 10/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 13962.000231/200771 Acórdão n.º 2101001.307 S2C1T1 Fl. 37 2 (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Celia Maria de Souza Murphy, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka. Ausente, justificadamente, o conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 14 a 16, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2004, para lançar infração de omissão de rendimentos, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$1.217,08, acrescido de multa de ofício e juros de mora. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 1 a 3), acatada como tempestiva. O relatório do acórdão de primeira instância descreveu o recurso da seguinte maneira (fls. 23v a 24): O contribuinte relata que declarou os rendimentos tributáveis, no valor total de R$ 35.201,02, sendo R$ 20.467,84 oriundos do seu contrato de trabalho vigente à época e R$ 14.733,18 oriundos de rendimentos percebidos pelo Instituto Nacional de Seguro Social — INSS, a título de aposentadoria especial. Alega que, quando o seu contador efetuou a sua Declaração de Rendimentos, se equivocou e não lançou a quantia a que tinha direito a titulo de Imposto de Renda a Restituir, em face de ter sido diagnosticado, em 03/03/1999, através de exame anátomopatológico, ser portador de carcinoma Basocelular e Carcinoma Espinocelular bem diferenciado (Neoplasia maligna de origem epitelial). Fato que deixou o campo "imposto a restituir" zerado, enquanto deveria constar a importância de R$ 675,41, referente ao Imposto de Renda Retido na Fonte das suas duas fontes de rendimentos. Cita o inciso XIV, art. 6° da Lei n° 7.713/88, que dispõe sobre isenção de imposto de renda sobre rendimentos de aposentadoria percebidos por portadores de moléstia grave, ratificando sua condição de isento do imposto de renda. Aduz que o contador, ao se aperceber do equívoco, efetuou uma Declaração de Ajuste Anual — Retificadora (recibo n° 11.44.50.90.0072, enviada em 28/04/2004) incluindo o já referido IRRF, mas que, face ao novo equívoco do contador, não foi declarado os rendimentos percebidos do INSS e deixou o campo zerado de "imposto devido" e "saldo do imposto a pagar". Fl. 45DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 10/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 13962.000231/200771 Acórdão n.º 2101001.307 S2C1T1 Fl. 38 3 Frisa que os rendimentos omitidos do INSS já havia sido declarados na declaração anterior. Diz que, face aos equívocos cometidos pelo contador, deu a entender ao órgão notificante que ele havia entregado duas Declarações de Ajuste Anual Completas, quando, na verdade foi apenas uma, sendo a outra uma retificadora. Levou, ainda, a conclusão que o notificante, além dos rendimentos apresentados na primeira Declaração, percebeu mais R$ 20.467,84, gerando um imposto a pagar de mais R$ 1.271,08. Assevera que o valor do imposto devido, referente ao exercício 2004, ano— calendário 2003, na verdade foi pago em 30/11/2004, conforme cópia de DARF (fl.13), e que não há outro valor a ser pago. Diz, ainda, que para comprovar o alegado basta comparar ambas as Declarações, a original e a retificadora, onde se verifica que os rendimentos declarados são da mesma fonte pagadora e do mesmo período, e que exigir novo pagamento a este título, seria condenálo ao pagamento em duplicidade "bis in idem". Por fim, requer que seja revisada e anulada a presente Notificação de Lançamento. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o lançamento, em julgamento sem ementa (fls. 23 a 24), com base nas seguintes considerações: O impugnante sustenta que os rendimentos tributados pela autoridade lançadora são isentos e não tributáveis, tendo em vista que o mesmo é portador de moléstia grave. (...) Conforme se verifica dos dispositivos legais acima transcritos, estão abrangidos pela isenção de imposto de renda os proventos de aposentadoria pagos ao portador de moléstia grave, relacionada em norma isentiva, desde que atendidas às condições estabelecidas na legislação tributária. Igualmente, para o gozo da isenção argüida, o legislador estabeleceu duas condições cumulativas, quais sejam: os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria e devem ser percebidos por portador de moléstia grave nele enumerada. A isenção está, pois vinculada à patologia do beneficiário e à natureza do rendimento por ele percebido. Por sua vez, com o fito de comprovar sua alegação, o impugnante junta aos autos, às fl 17 — 19, Laudos de Exames AnátomoPatológicos dos Laboratórios Citopatologia Imunopatologia Anatomia Patológica — CIPAC, datados de 03 maio e 18 de fevereiro de 1999, respectivamente, e do VITA LAB, datado de 10 de julho de 2003 (fl. 19). Da leitura dos documentos acima, concluise que a comprovação da patologia alegada não atendeu a um dos requisitos da norma legal que é a comprovação Fl. 46DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 10/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 13962.000231/200771 Acórdão n.º 2101001.307 S2C1T1 Fl. 39 4 mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Ademias, verificase que nas Dirf’s apresentadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social e pela Têxtil Renaux S.A., obtida através dos Sistemas Informatizados da Receita Federal do Brasil, constam que os rendimentos percebidos sofreram retenção do imposto de renda. Em sendo assim, reputase não justificada a isenção pleiteada e, portanto, correto o lançamento procedido pela autoridade lançadora. (...) RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 21/12/2010 (fl. 27), o contribuinte apresentou, em 13/1/2011, o recurso de fls. 28 a 29, onde: a) afirma que a decisão recorrida julgou improcedente sua impugnação sob o argumento de que não justificou seu pedido de isenção do pagamento do IRPF, vez que não cumpriu o requisito do §4°, incisos XXXI e XXXIII, artigo 39, do Decreto 3.000/99, mas que em nenhum momento requereu pedido de isenção do imposto cobrado, tendo apenas informado que a cobrança efetuada pela Notificação de Lançamento era em duplicidade, pois já havia quitado o imposto em data de 30/11/04; b) repete os argumentos da impugnação de que havia declarado todos os rendimentos tributáveis originalmente, mas que, em retificadora apresentada para se obter a restituição da fonte retida pelas fontes pagadoras devido à moléstia grave, houve a supressão indevida do rendimento lançado. Ao final, requer que se reconheça a cobrança em duplicidade, e que se anule o lançamento, vez que em nenhum momento de sua impugnação pleiteou isenção. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 34, que também trata do envio dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, contendo ainda a fl. 35, sem numeração, referente ao Despacho de Encaminhamento dos autos do SECOJ/SECEX/CARF para a 1a Câmara da 2a Seção. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. Fl. 47DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 10/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 13962.000231/200771 Acórdão n.º 2101001.307 S2C1T1 Fl. 40 5 O contribuinte apresentou declaração de ajuste do exercício de 2004 em 23/04/2004, informando rendimentos tributáveis de R$ 35.201,02 e apurando imposto devido de R$1.892,49 (fl. 8). Os rendimentos tributáveis declarados correspondiam a R$20.467,84 recebidos a título de rendimentos do trabalho assalariado de Textil Renaux S/A, CNPJ no 82.982.075/000180, com IRRF de R$369,89 (fl. 09), e a R$14.733,18 recebidos a título de aposentadoria especial do Instituto Nacional do Seguro Social, CNPJ no 29.979.036/000140, com IRRF de R$305,52 (fl. 10). Entretanto, em 28/04/2004, essa declaração foi retificada para se suprimir a segunda fonte pagadora, reduzindo os rendimentos tributáveis para R$20.467,84, e apurando um imposto a restituir de R$675,41 (fl. 11). Como as fontes pagadoras haviam informado seus pagamentos ao contribuinte como tributáveis, o presente lançamento tributou os rendimentos indevidamente excluídos. Na impugnação, o sujeito passivo explicou que o objetivo da retificadora foi o de obter a restituição do imposto retido na fonte, por ser portador de moléstia grave, fato comprovado com laudos de exames anátomopatológicos (fls. 17 a 20), datados de 18/02/1999 e 03/03/1999, que apontam a presença de carcinoma Basocelular e Carcinoma Espinocelular bem diferenciado (Neoplasia maligna de origem epitelial). O julgador de 1a instância manteve o lançamento, pois considerou que a comprovação da isenção por moléstia grave exige a apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. No voluntário, o recorrente alega que não pleiteou a isenção de imposto de renda, mas que apenas informou que já pagou o tributo lançado, conforme comprovante de fl. 30. Sem razão o recorrente. Não há dúvidas de que o contribuinte solicitou a restituição do imposto de renda retido na fonte do exercício de 2004 por se considerar portador de moléstia grave, fato comprovado pelo conteúdo de seus recursos administrativos e pela declaração retificadora apresentada. O julgamento de primeira instância agiu corretamente em indeferir essa pretensão, por falta de apresentação de laudo médico oficial. É esse também o entendimento consolidado deste Conselho, desde a publicação da Súmula CARF no 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Fl. 48DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 10/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 13962.000231/200771 Acórdão n.º 2101001.307 S2C1T1 Fl. 41 6 Entretanto, há que se atentar para uma particularidade do caso: o contribuinte pagou o imposto apurado na sua primeira declaração do exercício de 2004 em 30/11/2004 (fl. 30), valor idêntico ao cobrado nesta autuação (R$1.217,08). Como o recolhimento se deu muito antes da presente fiscalização, ocorrida no ano de 2007, não é possível se admitir a imposição de multa de ofício. Isso porque, caso apenas se aproveite o pagamento já feito na cobrança decorrente deste processo, resultará em exigência de diferença de multa, pois o recolhimento espontâneo foi feito com multa de mora. Desta forma, é necessário se excluir a multa de ofício do lançamento. De qualquer modo, a existência de pagamento prévio, que resultará na quitação da presente exigência, não altera a necessidade de se invalidar o pedido de restituição efetuado na declaração retificadora, sob pena de se permitir repetição indevida de tributo. Diante do exposto, voto por conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, dar provimento ao recurso, para exclusão da multa de ofício. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 49DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 10/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO
score : 1.0
Numero do processo: 10580.008220/2007-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 24/08/2007
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ARTIGO 33, § 2.º E 3 º DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO
283, II, “j” DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 OBRIGAÇÃO
PRINCIPAL NULIDADE DA AUTUAÇÃO CERCEAMENTO DE DEFESA FALTA
DE PREVISÃO LEGAL PARA APLICAÇÃO DA MULTA DECADÊNCIA
SÚMULA VINCULANTE N. 08 STF.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de nº 8, “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””.
Em se tratando de Auto de Infração por não ter a empresa apresentado documentos, não há que se falar em recolhimento antecipado devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173 do CTN.
No lançamento em questão a lavratura do AI deu-se se em 24/08/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 28/08/2007, os documentos exigidos referem-se a fatos geradores ocorridos no ano de 1997, o que fulmina em sua totalidade o direito do fisco de constituir o lançamento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-002.113
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar a decadência do lançamento.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””. Em se tratando de Auto de Infração por não ter a empresa apresentado documentos, não há que se falar em recolhimento antecipado devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173 do CTN. No lançamento em questão a lavratura do AI deuse se em 24/08/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 28/08/2007, os documentos exigidos referemse a fatos geradores ocorridos no ano de 1997, o que fulmina em sua totalidade o direito do fisco de constituir o lançamento. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar a decadência do lançamento. Fl. 75DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 76DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10580.008220/200736 Acórdão n.º 240102.113 S2C4T1 Fl. 69 3 Relatório O presente Auto de Infração de obrigação acessória, lavrado sob n. 37.058.3477, originado em virtude do descumprimento do art. 33, §2º da Lei n ° 8.212/1991 c/c art. 283, II, “j” do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, ao deixar de exibir qualquer documento ou livro relacionado com as contribuições previstas na lei 8.212/1991, ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira, conforme dispositivo legal infringido. Segundo o relatório fiscal, fl. 07 a empresa foi autuada por deixar de exibir todas as Folhas de pagamentos do ano de 1997, que são documento diretamente relacionados com as contribuições previstas na Lei n° 8.212, de 24/07/1991. Foram solicitadas, através de TIAF Termo de Inicio da Ação Fiscal (cópia anexa), emitido em 24 de julho de 2007, todos os documentos de interesse da fiscalização previdenciária, do período de janeiro de 1997 a dezembro de 1998. Durante o desenvolvimento dos trabalhos de auditoria foram emitidos TIAD Termo de Intimação para apresentação de Documentos requisitando a apresentação dos documentos faltantes. No período da ação fiscal, não foram entregues as folhas de pagamentos dos meses de março de 1997 a dezembro de 1997 e janeiro do mesmo ano. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 24/08/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 28/08/2007. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 37 a 41, alegando a decadência do direito do fisco exigir ditos documentos.. Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência do lançamento, fls. 47 a 51. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 55 a 65, contendo em síntese os mesmo argumentos da impugnação, qual seja que a autuação encontrase alcançada pelo prazo decadencial. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 77DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 66. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: DA DECADÊNCIA Quanto a preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto deste Auto de Infração, entendo cabível a sua apreciação. Em primeiro lugar, devemos considerar que se trata de auto de infração, que ao contrário das NFLD, constitui obrigação acessória de “fazer” ou “deixar de fazer”, sendo irrelevante a existência ou não de recolhimentos antecipados. Porém, antes de identificar o período abrangido pela decadência, exponha a tese que adoto sobre o assunto. Dessa forma, quanto a aplicação da decadência qüinqüenal, subsumo todo o meu entendimento quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91 (10 anos), outrora defendido à decisão do STF. Dessa forma, quanto a decadência de 5 anos, profiro meu entendimento. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações Fl. 78DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10580.008220/200736 Acórdão n.º 240102.113 S2C4T1 Fl. 70 5 previdenciárias. Citese o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela 1a Seção no Recurso Especial de n º 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO LEI Nº 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3.º DO ART. 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO STJ. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. 1. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo. 2. A lista de serviços anexa ao Decretolei n.º 406/68, para fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindose, contudo, uma leitura extensiva de cada item, no afã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 361829/RJ, publicado no DJ de 24.02.2006; Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ de 28.08.2006). 3. Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao DecretoLei 406/68 demanda o reexame do conteúdo fático probatório dos autos, insindicável ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e REsp 445137/MG, publicado no DJ de 01.09.2006). 4. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Dívida Ativa demanda exame de matéria fáticoprobatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Súmula 07/STJ). 5. Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Dívida Ativa consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, com seu fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n.º 2141/94; 2517/97, 2628/98 e 2807/00) e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito (ISSQN), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Início de Ação Fiscal, bem como do Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, a fixação dos honorários advocatícios não está Fl. 79DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à condenação, nos termos do artigo 20, § 4º, do CPC (Precedentes: AgRg no AG 623.659/RJ, publicado no DJ de 06.06.2005; e AgRg no Resp 592.430/MG, publicado no DJ de 29.11.2004). 7. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para a fixação dos honorários, encontra óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, a fixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário" (Súmula 389/STF).8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, contase do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do Fl. 80DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10580.008220/200736 Acórdão n.º 240102.113 S2C4T1 Fl. 71 7 exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do CTN, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidamse simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigurase como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operarseá ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de ofício, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, II, do CTN, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da Fl. 81DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 verificação de vício formal. Neste caso, o marco decadencial iniciase da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 16. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deuse em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo ISSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contandose o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponíveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido.(GRIFOS NOSSOS) Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdenciárias após a publicação da Súmula vinculante nº 8 do STF: Conforme descrito no recurso descrito acima: “A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210) O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 82DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10580.008220/200736 Acórdão n.º 240102.113 S2C4T1 Fl. 72 9 II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, conforme descrito anteriormente, tratase de lavratura de Auto de Infração por não ter a empresa comprovado o lançamento contábil na forma devida de alguns pagamentos feitos ainda no ano de 1997. Dessa forma, não há que se falar em recolhimento antecipado devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173 do CTN. Assim, no lançamento em questão a lavratura do AI deuse em 24/08/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 28/08/2007, os documentos exigidos Fl. 83DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 referemse a fatos geradores ocorridos no ano de 1997, o que fulmina em sua totalidade o direito de autuar em relação aos fatos geradores do período. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito DARLHE PROVIMENTO, face a aplicação da decadência quinqüenal É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 84DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10980.004017/2006-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES.
A omissão de rendimentos na Declaração de Ajuste Anual caracteriza infração à legislação tributária, sujeitando o infrator à pena administrativa de multa, além do recolhimento do imposto suplementar e acréscimos legais. Salvo disposição legal em contrário, a responsabilidade pelas infrações tributárias independe da intenção do agente (art. 136 do CTN).
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-001.405
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. A omissão de rendimentos na Declaração de Ajuste Anual caracteriza infração à legislação tributária, sujeitando o infrator à pena administrativa de multa, além do recolhimento do imposto suplementar e acréscimos legais. Salvo disposição legal em contrário, a responsabilidade pelas infrações tributárias independe da intenção do agente (art. 136 do CTN). Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 36DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.004017/200605 Acórdão n.º 2101001.405 S2C1T1 Fl. 30 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Evande Carvalho Araujo, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 22/24) interposto em 18 de março de 2010 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) (fls. 17/18), do qual o Recorrente teve ciência em 22 de fevereiro de 2010 (fl. 21), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 02/06, lavrado em 17 de fevereiro de 2006, em decorrência de omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas com vínculo empregatício, verificada no anocalendário de 2002. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INFRAÇÃO. A omissão de rendimentos na Declaração de Ajuste Anual caracteriza infração à legislação tributária, sujeitando o infrator à pena administrativa de multa, além do recolhimento do imposto suplementar e acréscimos legais. ÔNUS DA PROVA. O ato administrativo se presume legítimo, cabendo à parte que alegar o contrário, a prova correspondente. A simples alegação contrária a ato da administração, sem carrear aos autos provas documentais, não desconstitui o lançamento. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido (fl. 17) Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 22/24), pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Fl. 37DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.004017/200605 Acórdão n.º 2101001.405 S2C1T1 Fl. 31 3 Verificase que no auto de infração constatouse omissão de rendimentos na Declaração de Ajuste Anual correspondente ao exercício de 2003, anocalendário de 2002, que exige R$ 1.088,89 de imposto de renda suplementar, R$ 816,66 de multa de ofício, além dos acréscimos legais. Alega o Recorrente, em síntese, que se esqueceu de lançar os valores correspondentes aos centavos em sua Declaração de Ajuste Anual e que tal fato é comum em seu país de origem, mas que não houve máfé ou dolo em sua conduta. A esse respeito, o art. 136 do Código Tributário Nacional prevê que, salvo disposição legal em contrário, a responsabilidade pelas infrações tributárias (multa) independe da intenção do agente: “Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.” No nosso sistema jurídico tributário “subjaz à responsabilidade tributária a noção de culpa, pelo menos stricto sensu, pois, ainda que o indivíduo não atue com consciência e vontade do resultado, este pode decorrer da falta de diligência (portanto, de negligência) sua ou de seus prepostos, no trato de seus negócios (...) o que preceitua o Código Tributário Nacional é que a responsabilidade por infração tributária não requer a prova, pelo Fisco, de que o indivíduo agiu com conhecimento de que sua ação ou omissão era contrária à lei, e, de que ele quis descumprir a lei” (AMARO, Luciano. Direito Tributário Brasileiro. 13ª ed.. São Paulo: Saraiva. p. 445). No caso dos autos, a autuação ocorreu em razão da omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrente, justamente, do equívoco no preenchimento da Declaração de Ajuste Anual. Por esse motivo, exigese o imposto de renda suplementar devido, bem como a multa de oficio prevista no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996, que independe de dolo ou má fé, estando, portanto, correto o lançamento. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 38DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.004017/200605 Acórdão n.º 2101001.405 S2C1T1 Fl. 32 4 Fl. 39DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 37316.003833/2006-82
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/1999 a 31/12/1999
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO RETENÇÃO DE 11% APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. DECADÊNCIA.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a “Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””.
A empresa contratante não efetuou a regular retenção nas notas fiscais ou faturas da empresa contratada.
O crédito tributário foi lançado na forma preconizada no art. 33, § 5º da Lei n.º 8.212/91.
O sujeito passivo passou a suportar o ônus de não ter realizado a retenção que era obrigada a realizar na condição de substituto tributário, passando a ficar diretamente responsável pela retenção que deixou de realizar e, consequentemente, pelo recolhimento do tributo devido.
Para fins de averiguação da antecipação de pagamento, as contribuições previdenciárias a cargo da empresa na condição de responsável direto devam ser apreciadas como um todo.
Os documentos constantes nos autos impossibilitam concluir acerca da ausência de antecipação de pagamento de contribuições previdenciárias por parte do sujeito passivo.
A regra do art. 150, § 4º, do CTN trata-se de regra específica a ser aplicada a tributo sujeito ao lançamento por homologação, que prefere à regra geral prevista no art. 173, I do CTN.
Para que se aplique a regra do art. 173, I do CTN, em detrimento a regra do art. 150, § 4º, deve os fisco comprovar a ocorrência de uma das seguintes situações: (i) ocorrência de dolo, fraude ou simulação; ou (ii) que não houve antecipação do pagamento. O que não ocorreu no presente caso.
Na data em que o sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 04/07/2005, os fatos geradores objeto da presente NFLD, compreendidos entre as competências 05/1999 a 12/1999, encontravam-se fulminados pela decadência.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.695
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Junior.
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1999 a 31/12/1999 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO RETENÇÃO DE 11% APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. DECADÊNCIA. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a “Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””. A empresa contratante não efetuou a regular retenção nas notas fiscais ou faturas da empresa contratada. O crédito tributário foi lançado na forma preconizada no art. 33, § 5º da Lei n.º 8.212/91. O sujeito passivo passou a suportar o ônus de não ter realizado a retenção que era obrigada a realizar na condição de substituto tributário, passando a ficar diretamente responsável pela retenção que deixou de realizar e, consequentemente, pelo recolhimento do tributo devido. Para fins de averiguação da antecipação de pagamento, as contribuições previdenciárias a cargo da empresa na condição de responsável direto devam ser apreciadas como um todo. Os documentos constantes nos autos impossibilitam concluir acerca da ausência de antecipação de pagamento de contribuições previdenciárias por parte do sujeito passivo. A regra do art. 150, § 4º, do CTN trata-se de regra específica a ser aplicada a tributo sujeito ao lançamento por homologação, que prefere à regra geral prevista no art. 173, I do CTN. Para que se aplique a regra do art. 173, I do CTN, em detrimento a regra do art. 150, § 4º, deve os fisco comprovar a ocorrência de uma das seguintes situações: (i) ocorrência de dolo, fraude ou simulação; ou (ii) que não houve antecipação do pagamento. O que não ocorreu no presente caso. Na data em que o sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 04/07/2005, os fatos geradores objeto da presente NFLD, compreendidos entre as competências 05/1999 a 12/1999, encontravam-se fulminados pela decadência. Recurso especial negado.
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DECADÊNCIA. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a “Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””. A empresa contratante não efetuou a regular retenção nas notas fiscais ou faturas da empresa contratada. O crédito tributário foi lançado na forma preconizada no art. 33, § 5º da Lei n.º 8.212/91. O sujeito passivo passou a suportar o ônus de não ter realizado a retenção que era obrigada a realizar na condição de substituto tributário, passando a ficar diretamente responsável pela retenção que deixou de realizar e, consequentemente, pelo recolhimento do tributo devido. Para fins de averiguação da antecipação de pagamento, as contribuições previdenciárias a cargo da empresa na condição de responsável direto devam ser apreciadas como um todo. Os documentos constantes nos autos impossibilitam concluir acerca da ausência de antecipação de pagamento de contribuições previdenciárias por parte do sujeito passivo. A regra do art. 150, § 4º, do CTN tratase de regra específica a ser aplicada a tributo sujeito ao lançamento por homologação, que prefere à regra geral prevista no art. 173, I do CTN. Fl. 493DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Para que se aplique a regra do art. 173, I do CTN, em detrimento a regra do art. 150, § 4º, deve os fisco comprovar a ocorrência de uma das seguintes situações: (i) ocorrência de dolo, fraude ou simulação; ou (ii) que não houve antecipação do pagamento. O que não ocorreu no presente caso. Na data em que o sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 04/07/2005, os fatos geradores objeto da presente NFLD, compreendidos entre as competências 05/1999 a 12/1999, encontravamse fulminados pela decadência. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Junior. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Relator EDITADO EM: 08/08/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Alexandre Naoki Nishioka (Conselheiro Convocado), Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Oliveira. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão nº 206 01.461, proferido pela antiga Sexta Câmara do 2º CC em 09/10/2008 (fls. 387/395), interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de contrariedade e recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 400/409). O acórdão recorrido, por unanimidade de votos, declarou a decadência das contribuições apuradas até a competência 11/99 e, por maioria de votos, declarou também a decadência das contribuições apuradas até a competência 12/99. Segue abaixo sua ementa: “CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, tendo Fl. 494DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 37316.003833/200682 Acórdão n.º 920201.695 CSRFT2 Fl. 2 3 em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nos 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. DECADÊNCIA. Tratandose de matéria de ordem pública, incumbe ao julgador reconhecer de oficio a decadência do crédito previdenciário lançado. Recurso Voluntário Provido.” A recorrente explica que o acórdão recorrido, no que toca à competência de dezembro de 1999, aplicou os ditames do § 4º do art. 150 do CTN para efeito de contagem do prazo decadencial, sem, entretanto, considerar que não houve antecipação de pagamento do tributo devido por parte do contribuinte. Ao assim proceder, entende que a decisão atacada, além de encontrar divergência no paradigma que apresenta, também contrariou o art. 173, inciso I, do CTN. Invoca precedente que, quanto aos tributos submetidos a lançamento por homologação, para as hipóteses de total ausência de recolhimento, atesta a incidência do prazo previsto no art. 173 do CTN. Salienta que reiterados acórdãos, inclusive da CSRF, sufragam a posição de que, se não foi recolhido tributo, nada há a homologar, tratandose, isto sim, de caso de lançamento de oficio, cujo prazo decadencial é regido pelo dispositivo citado. Assenta que o Superior Tribunal de Justiça, ao interpretar a combinação entre os dispositivos do art. 150, §4° e 173, I, do CTN, entende que, não se verificando recolhimento de exação e montante a homologar, nem havendo dolo, o prazo decadencial para o lançamento dos tributos sujeitos a lançamento por homologação segue, respectivamente, a disciplina normativa do art. 173, inciso I e parágrafo único, do CTN. Ao final, requer o provimento dos recursos especiais interpostos. Nos termos do Despacho n.º 2400269 (fls. 411/413), foi dado seguimento aos dois pedidos em análise. O contribuinte apresentou contrarazões fora do prazo regimental, consoante despacho à folha 472. Eis o breve relatório. Fl. 495DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. No que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação temos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, Fl. 496DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 37316.003833/200682 Acórdão n.º 920201.695 CSRFT2 Fl. 3 5 iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). Em suma, inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). No presente caso, o contribuinte está sendo tributado em decorrência de não ter efetuado o regular recolhimento das contribuições que deveriam ter sido retidas do contratado, previsto no art. 31 da Lei nº 8212/91, in verbis: “Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da Fl. 497DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei.” Sobre esta questão há de se fazer distinção entre duas situações. A primeira diz situação diz respeito às hipóteses nas quais a empresa contratante efetua a retenção da empresa contratada e não recolhe estes valores aos cofres públicos. Sobre esta hipótese já se manifestou o STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (REsp 1131047 / MA, sendo relator o ministro Teori Albino Zavascki), no sentido de que a empresa contratante é responsável, com exclusividade, pelo recolhimento da contribuição previdenciária por ela retida do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, afastada, em relação ao montante retido, a responsabilidade supletiva da empresa prestadora, cedente de mãodeobra, assim ementado: “TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE. RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. FORNECEDOR E TOMADOR DE MÃODEOBRA. ART. 31 DA LEI 8.212/91, COM A REDAÇÃO DA LEI 9.711/98. 1. A partir da vigência do art. 31 da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei 9.711/98, a empresa contratante é responsável, com exclusividade, pelo recolhimento da contribuição previdenciária por ela retida do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, afastada, em relação ao montante retido, a responsabilidade supletiva da empresa prestadora, cedente de mãodeobra. 2. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08.” A segunda situação, que é a dos autos, diz respeito à hipótese na qual o fisco tributa a empresa contratante em virtude de esta empresa não ter efetuado a regular retenção nas notas fiscais ou faturas da empresa contratada. Sobre a natureza jurídica da retenção de 11% incidente sobre as notas fiscais ou faturas de prestação de serviços o STJ proferiu o seguinte entendimento em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (REsp 1036375 / SP, sendo relator o ministro Luiz Fux): PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇO. RETENÇÃO DE 11% SOBRE FATURAS. ART. 31, DA LEI Nº 8.212/91, COM A REDAÇÃO DA LEI Nº 9.711/98. NOVA SISTEMÁTICA DE ARRECADAÇÃO MAIS COMPLEXA, SEM AFETAÇÃO DAS BASES LEGAIS DA ENTIDADE TRIBUTÁRIA MATERIAL DA EXAÇÃO. 1. A retenção de contribuição previdenciária determinada pela Lei 9.711/98 não configura nova exação e sim técnica arrecadatória via substituição tributária, sem que, com isso, resulte aumento da carga tributária. Fl. 498DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 37316.003833/200682 Acórdão n.º 920201.695 CSRFT2 Fl. 4 7 2. A Lei nº 9.711/98, que alterou o artigo 31 da Lei nº 8.212/91, não criou nova contribuição sobre o faturamento, tampouco alterou a alíquota ou a base de cálculo da contribuição previdenciária sobre a folha de pagamento. 3. A determinação do mencionado artigo configura apenas uma nova sistemática de arrecadação da contribuição previdenciária, tornando as empresas tomadoras de serviço como responsáveis tributários pela forma de substituição tributária. Nesse sentido, o procedimento a ser adotado não viola qualquer disposição legal. 4. Precedentes: REsp 884.936/RJ, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/08/2008, DJe 20/08/2008; AgRg no Ag 906.813/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/10/2007, DJe 23/10/2008; AgRg no Ag 965.911/SP, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/04/2008, DJe 21/05/2008; EDcl no REsp 806.226/RJ, Rel. MIN. CARLOS FERNANDO MATHIAS (JUIZ CONVOCADO DO TRF 1ª REGIÃO), SEGUNDA TURMA, julgado em 04/03/2008, DJe 26/03/2008; AgRg no Ag 795.758/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/06/2007, DJ 09/08/2007. 5. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Este intróito se fez necessário para demonstrar o que considero como pagamento antecipado ou não para fins de enquadramento na regra prevista no art. 150, § 4º do CTN. No caso de tributo lançado por homologação, quando não há pagamento antecipado, ou há a ocorrência de fraude, dolo ou simulação, o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional). Inicialmente ressalto que no presente caso a empresa contratante não efetuou a regular retenção nas notas fiscais ou faturas da empresa contratada. O crédito tributário foi lançado na forma preconizada no art. 33, § 5º da Lei n.º 8.212/91, in verbis: Art. 33................ ........................... § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei” Ou seja, o sujeito passivo passou a suportar o ônus de não ter realizado a retenção que era obrigada a realizar na condição de substituto tributário, passando a ficar Fl. 499DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 diretamente responsável pela retenção que deixou de realizar e, consequentemente, pelo recolhimento do tributo devido. Para fins de averiguação da antecipação de pagamento, as contribuições previdenciárias a cargo da empresa na condição de responsável direto devam ser apreciadas como um todo. Os documentos constantes nos autos impossibilitam concluir acerca da ausência de antecipação de pagamento de contribuições previdenciárias por parte do sujeito passivo. A regra do art. 150, § 4º, do CTN tratase de regra específica a ser aplicada a tributo sujeito ao lançamento por homologação, que prefere à regra geral prevista no art. 173, I do CTN. Ou seja, para que se aplique a regra do art. 173, I do CTN, em detrimento a regra do art. 150, § 4º, deve os fisco comprovar a ocorrência de uma das seguintes situações: (i) ocorrência de dolo, fraude ou simulação; ou (ii) que não houve antecipação do pagamento. O que não ocorreu no presente caso. Assim, na data em que o sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 04/07/2005, os fatos geradores objeto da presente NFLD, compreendidos entre as competências 05/1999 a 12/1999, encontravamse fulminados pela decadência. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso ESPECIAL DA Fazenda Nacional. É como voto. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 500DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 16327.002502/2002-01
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1999
Ementa: RECURSO ESPECIAL. MATÉRIA SUMULADA.
Nos termos do art. 67, parágrafo 2° do RI/CARF, não se conhece de recurso especial que pleiteia revisão de julgado que esteja em consonância com a jurisprudência sumulada pela Corte Administrativa.
INCENTIVOS FISCAIS. PERC. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO
RETIFICADORA. ALTERAÇÃO DE VALORES.
Não perde o direito a opção pela aplicação em incentivos fiscais no FINAM o contribuinte que entregar declaração retificadora fora do exercício de competência, com redução do valor do imposto, mantido o fundo e o percentual. Nesse caso, ficam reduzidos, na mesma proporção, os valores considerados como incentivo. Recolhido integralmente dentro do exercício financeiro o imposto devido constante da declaração retificada (parte a titulo
de imposto e parte a titulo de dedução do imposto para aplicação no fundo), a única conseqüência razoável da posterior retificação da declaração é que o valor já recolhido e aplicado no fundo não pode ser restituído, e a parcela reduzida passaria a ser - considerada aplicação com recursos próprios.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9101-001.065
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer
parcialmente do recurso da Fazenda Nacional para, na parte conhecida, negar-lhe provimento
Matéria: IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: Antonio Carlos Guidoni Filho
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1999 Ementa: RECURSO ESPECIAL. MATÉRIA SUMULADA. Nos termos do art. 67, parágrafo 2° do RI/CARF, não se conhece de recurso especial que pleiteia revisão de julgado que esteja em consonância com a jurisprudência sumulada pela Corte Administrativa. INCENTIVOS FISCAIS. PERC. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. ALTERAÇÃO DE VALORES. Não perde o direito a opção pela aplicação em incentivos fiscais no FINAM o contribuinte que entregar declaração retificadora fora do exercício de competência, com redução do valor do imposto, mantido o fundo e o percentual. Nesse caso, ficam reduzidos, na mesma proporção, os valores considerados como incentivo. Recolhido integralmente dentro do exercício financeiro o imposto devido constante da declaração retificada (parte a titulo de imposto e parte a titulo de dedução do imposto para aplicação no fundo), a única conseqüência razoável da posterior retificação da declaração é que o valor já recolhido e aplicado no fundo não pode ser restituído, e a parcela reduzida passaria a ser - considerada aplicação com recursos próprios. Recurso Especial do Procurador Negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-09-19T13:40:39Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-09-19T13:40:39Z; Last-Modified: 2011-09-19T13:40:39Z; dcterms:modified: 2011-09-19T13:40:39Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:9e7179f6-846a-4477-9aa7-35efe89e58bc; Last-Save-Date: 2011-09-19T13:40:39Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-09-19T13:40:39Z; meta:save-date: 2011-09-19T13:40:39Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-09-19T13:40:39Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-09-19T13:40:39Z; created: 2011-09-19T13:40:39Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2011-09-19T13:40:39Z; pdf:charsPerPage: 1781; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-09-19T13:40:39Z | Conteúdo => CSRF-Tl Fl. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 16327.002502/2002-01 Recurso n° 150.736 Especial do Procurador Acórdão n° 9101-001.065 — la Turma Sessão de 28 de junho de 2011 Matéria PERC Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BANCO VOLKSWAGEN S/A Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1999 Ementa: RECURSO ESPECIAL. MATÉRIA SUMULADA. Nos termos do art. 67, parágrafo 2 ° do RI/CARF, não se conhece de recurso especial que pleiteia revisão de julgado que esteja em consonância com a jurisprudência sumulada pela Corte Administrativa. INCENTIVOS FISCAIS. PERC. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. ALTERAÇÃO DE VALORES. Não perde o direito a opção pela aplicação em incentivos fiscais no FINAM o contribuinte que entregar declaração retificadora fora do exercício de competência, com redução do valor do imposto, mantido o fundo e o percentual. Nesse caso, ficam reduzidos, na mesma proporção, os valores considerados como incentivo. Recolhido integralmente dentro do exercício financeiro o imposto devido constante da declaração retificada (parte a titulo de imposto e parte a titulo de dedução do imposto para aplicação no fundo), a única conseqüência razoável da posterior retificação da declaração é que o valor já recolhido e aplicado no fundo não pode ser restituído, e a parcela reduzida passaria a ser - considerada aplicação com recursos próprios. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso da Fazenda Nacional para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. Otacilio Danta artaxo - Presidente. - Antonio oni Filho - Relator. Editado em: 2 st:T 20, Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente), Claudemir Rodrigues Malaquias, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner, Karem Jureidini Dias, Alberto Pinto Souza Junior, João Carlos de Lima Junior, Antonio Carlos Guidoni Filho, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Com base no permissivo do art. 67, II do Regimento Interno/CARF, a Fazenda Nacional interpõe recurso especial em face de acórdão proferido pela 2 a Turma Ordinária da l a Seed() do CARF, assim ementado: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998 INCENTIVOS FISCAIS. PERC. MOMENTO DE COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE. 0 reconhecimento do incentivo fiscal do IRPJ, com base na opção do contribuinte na DIPJ, deve levar em conta a regularidade fiscal da pessoa jurídica na data da entrega da declaração de rendimentos. Cabível a opção realizada, quando não comprovada pelo Fisco a falta de quitação de tributos na data da opção pelo Fundo de Investimento. INCENTIVOS FISCAIS. PERC, APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. ALTERAÇÃO DE VALORES. Não perde o direito a op cão pela aplicação em incentivos fiscais no FINAM o contribuinte que entregar declaração retificadora fora do exercício de competência, com redução do valor do imposto, mantido o fundo e o percentual. Nesse caso, ficam reduzidos, na mesma proporção, os valores considerados como incentivo. Recolhido integralmente dentro do exercício financeiro o imposto devido constante da declaração retificada (parte a titulo de imposto e parte a titulo de dedução do imposto para aplicação no fundo), a única conseqüência razoável da posterior retificaçcio da declaração é que o valor já recolhido e aplicado no fundo não pode ser restituído, e a parcela reduzida passaria a ser considerada aplicação com recursos próprios. Recurso Voluntário Provido." 0 caso foi assim relatado pela Câmara recorrida, verbis: "Retorna o recurso a julgamento nesta E. Turma, após cumprimento de diligencia determinada na sessão de 28 de março de 2007, por meio da Resolução n° 108-00.428, fis. 501/515. Para reavivar a memória dos meus pares acerca da matéria objeto do litígio, leio em sessão o relatório e voto que motivou a 2 Processo n° 16327.002502/2002-01 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-001.065 Fl. 2 conversão do julgamento em diligência naquela oportunidade, evitando, com isso, a reprodução de ato processual já constante dos autos. "Recorre a empresa de Acórdão que indeferiu sua solicitação. 0 processo originou-se de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais - PERC (fls. 01), apresentado em 27/02/2002, referente a declaração do ano-calendário de 1998. O contribuinte optou por aplicação no FINAM, mas teve sua opção rejeitada pela existência de débitos tributários, conforme Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais (fls. 04-v). Instruindo o pedido, anexou os documentos de fls. 02/317. Em 26/08/2002 apresentou petição para a juntada de certidão de Cartório de Imóveis, bem assim extrato de consulta de declaração de ITR, conforme documentos de fls. 318/328. Para subsidiar a análise do pedido o Fisco juntou os documentos de fls. 330/393, inclusive extratos de consulta relativos as declarações de rendimentos normal e retificadora apresentadas respectivamente em 08/10/1999 (fls. 330) e 31/01/2003 (fls. 332). Os valores das aplicações em incentivos fiscais montam a R$ 2.263.520,54 P. 332) e a R$ 1.477.394,78 (lis. 334), respectivamente para as declarações normal e retificadora. O Despacho Decisório da DEINF/SP, de 03/05/2005, aprovou a proposição de fls. 400 e indeferiu o pedido por descumprimento do disposto no art. 60 da Lei n° 9.069/95 e no ,sS 5 0, art. 4° da Lei n° 9.532/97, em função da constatação: 1) de irregularidade na retificaçcio de declaração causada pela modificação no valor das aplicações no FINAM; e 2) da existência de diversos débitos em cobrança (fls. 353/357), além de dois débitos inscritos na Divida Ativa da Unido P. 362). Diz a ementa do Despacho em comento: "INCENTIVOS FISCAIS. PERC. Encerrado o exercício, a opção por aplicação do imposto de renda em incentivos regionais manifestada na declaração de rendimentos 6, segundo determina a lei, irretratável. A lei determina que fardo jus ao beneficio somente os declarantes regulares perante a Fazenda Pública." 3 Em 25/05/2005 o contribuinte anexou os documentos de fls. 403/422, inclusive Certidão Positiva de Débitos Tributos e Contribuições Federais, com Efeitos de Negativa, emitida eletronicamente pela SRF em 05/05/2005 e válida até 07/11/2005 (fls. 422). Posteriormente, em 08/06/2005, o interessado manifestou- se (fis. 423/430) argumentando, em breve síntese, que: 1) ao retificar sua declaração de rendimentos não alterou a opção de aplicação de incentivos fiscais do FINAM, mas apenas o valor dos mesmos, o que não contraria a legislação de regência da matéria enfocada; 2) não foi concedido prazo para que regularizasse sua situação fiscal. Pediu, ao final, a reforma do Despacho Decisório, para deferimento da PERC e liberação da OEA — Ordem de Emissão Adicional de Incentivos Fiscais, com a emissão do competente certificado de investimentos. Anexou os documentos de fls. 4311438. A 10.a Turma da DIU em Sao Paulo/SP-I, pelo Acórdão n.° 7.626/2005 «is. 440/446), indeferiu a solicitação do contribuinte conforme resumido a seguir: "PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS — PERC. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS APRESENTADA FORA DO E=CICIO DE COMPETÊNCIA. A pessoa jurídica que apresentar declaração de rendimentos retificadora fora do exercício de competência, não fará jus a opção para aplicação em incentivos fiscais se alterar o valor ou Fundo de Investimento da opção exercida na última declaração entregue dentro do exercício de competência. INCENTIVO FISCAL. FINAM REQUISITOS. A não comprovação de quitação de tributos e contribuições federais, pelo contribuinte, impede o reconhecimento ou a concessão de beneficios ou incentivos fiscais." A fundamentação do acórdão pode ser extraída do voto do relator, que assim se expressou: 1) quanto a declaração retificadora: "No tocante a primeira questão, não há reparos a fazer no despacho decisório. A autoridade administrativa aplicou corretamente a Nota SRF n° 131, de 15 de agosto de 2001, sendo procedente o entendimento de que somente serão acatadas aplicações para incentivos fiscais provenientes de declarações retificadoras entregues depois de 4 Processo n° 16327.002502/2002-01 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-001.065 Fl. 3 encerrado o exercício referido se, cumulativamente, a declaração original tiver sido entregue dentro do exercício e não tenha havido retificação que altere o valor da opção exercida na última declaração (X (fis. 444). 2) quanto a regularidade tributária: "A autoridade administrativa verificou que a Manifestante encontrava-se irregular perante a Secretaria da Receita Federal (IL. 353/357), ressaltando ainda a existência de dois débitos de sua responsabilidade que se encontravam inscritos em Divida Ativa «Is. 362)." lrresignado, o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 448/461), de onde se extrai os trechos relevantes para o deslinde da questão: 1) quanto a declaração retificadora: 1.1) da legislação de regência: (.) Entretanto, como se sabe, a declaração retificadora (como o próprio nome diz), se presta retificar, a substituir, a declaração retificada. Assim, ao se alterar o valor do imposto de renda devido, não há como se manter incólume o valor da ordem de emissão, eis que o mesmo deverá estabelecer o percentual proporcional. A Lei n° 9.532/1997 determina, tão somente, que a opção pela aplicação do imposto em investimentos regionais na declaração de rendimentos ê irretratável, não podendo ser alterada. ( .)" «Is. 452). 1.2) da jurisprudência administrativa: "IRR1 - INCENTIVOS FISCAIS. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO. ALTERAÇÃO DE VALORES. Não perde o direito a opção pela aplicação em incentivos fiscais no Finam o contribuinte que entregar declaração retificadora fora do exercício de competência, com redução do valor do imposto, mantido o fundo e o percentual. Nesse caso, ficam reduzidos, na mesma proporção, os valores considerados como incentivo. Recolhido integralmente dentro do exercício financeiro o imposto devido constante da declaração retificada (parte a titulo de imposto e parte a titulo de dedução do imposto para aplicação no fundo), a única conseqüência razoável da posterior retificação da declaração ê que o valor já recolhido e aplicado no 5 fundo não pode ser restituído, e a parcela reduzida passaria a ser considerada aplicação com recursos próprios. (Acórdão n° 101-94.979, de 19/05/2005, relato da Conselheira Sandra Maria Faroni)."(lis. 454). 2) quanto a regularidade tributária: "Ocorre que o extrato de fls. 362 reporta-se a supostos débitos perante a Procuradoria da Fazenda Nacional que não podem ser considerados relevantes para análise do pedido sob o aspecto temporal. Isto porque, caso supostamente, fosse obrigatória a verificação da regularidade fiscal do contribuinte, esta deve ser realizada no momento da opção pela aplicação em incentivos fiscais, ou seja, no momento da entrega da declaração de rendimentos, ou, no momento da efetuação do pedido de revisão de ordem de incentivo — PERC. (fls. 457/458). Em outras palavras, se o contribuinte entregou a declaração em outubro de 1999, efetuou o pedido de revisão de ordem de incentivos fiscais — PERC em 27/06/2002, e apresentou a declaração retificadora em janeiro de 2003 não pode a autoridade administrativa, em 03/05/2005 indeferir o pedido sob a alegação de existirem débitos perante a PGFN cuja inscrição em divida ocorreu em data totalmente distinta! Nada mais arbitrário, e em evidente ofensa aos princípios que regem os atos vinculados da administração publica. Destarte, tal indeferimento torna-se ainda mais anômalo ao se verificar, através da anexa Certidão Negativa expedida pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional em 26/06/2002 (doc. 02), ou seja, exatamente um dia antes da realização do Perc, que o Recorrente não possuía qualquer débito inscrito em divida. (.)" (fls. 458). Ao final, o contribuinte assim se expressou para requerer: "(1) seja recebido, conhecido e provido o presente Recurso Voluntário com o conseqüente deferimento do PERC em questão, dada a flagrante inaplicabilidade da Nota SRF/COSAR n° 131/2001 e do artigo 60 da Lei n° 9.069/95 à espécie; ou caso assim não entenda; (it) Conforme já pleiteado através da impugnação, seja garantido o direito constitucional ao contraditório, ampla defesa e devido processo legal 6, ainda, pelo principio da verdade material, a fim de que, seja reconhecida a inexistência de qualquer 6 Processo n° 16327.002502/2002-01 Acórdão n.° 9101-001.065 débito do Recorrente em face da Juntada da certidão da PFN, também com o seu conseqüente deferimento; (iii) Ou, ainda, caso assim não se entenda, seja deferido o PERC tendo em vista que, de acordo com a previsão constante no artigo 1999 do Código Tributário Nacional, deveria a Administração Pública, para possibilitar o fomento da regido Amazônica, utilizar os meios próprios para verificação da situação fiscal do Recorrente, e consequentemente deferir o PERC." Instruindo o recurso anexou os documentos de fls. 462/493. Posteriormente, anexou ainda os documentos de fls. 494/497, solicitando a juntada da Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa de Débitos Relativos a Tributos Federais e a Divida Ativa da União, emitida eletronicamente em 09/02/2006 e válida até 08/08/2006 (fis. 496). („) "Pelo exame dos autos, parece que efetivamente existiam pendências quando do exercício da opção que impediriam o indeferimento. Entretanto, a avaliação da autoridade competente não foi especifica quanto aos débitos em aberto, motivo pelo qual manifesto-me no sentido de converter o julgamento do recurso ern diligencia para que a Unidade Local da Receita Federal do Brasil verifique e informe a situação fiscal da requerente em 30/01/2003." Sobreveio o relatório da autoridade fiscal encarregada da diligencia, acostado aos autos ás fls. 515/516, concluindo o seguinte: "Com relação ao solicitado temos a esclarecer que a SRF não dispõe de informação se o contribuinte estava em situação fiscal regular em 30/01/2003, mesmo porque esta verificação deve atender não só aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, mas deve abranger também outros órgãos da administração pública, como o disposto na Constituição Federal de 1988, art. 195, ,¢ 3°; na Lei n° 8.212/1991 (Lei Orgânica da Seguridade Social), art. 47, I, a; Lei 8.036, de 11.05.1990 (Lei do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), Art. 27; Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002, Art. 6°, II; Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, art. 618, que faz referência a Lei n°8.137, de 27 de dezembro de 1990, e a Lei n°8.846, de 1994. CSRF-T1 Fl. 4 7 Considerando que a legislação que rege a matéria não elegeu um determinado momento para que a interessada esteja em situação de regularidade fiscal, essa exigência legal se estende no tempo, pode ser verificada a qualquer momento pela autoridade administrativa, e deve ser sempre verificada no momento da concessão de qualquer beneficio ou incentivo fiscal." Cientificada do resultado da diligencia, a recorrente deixou de apresentar manifestapão a respeito de suas conclusões." 0 acórdão impugnado deu provimento ao recurso voluntário interposto pela Contribuinte, sob o fundamento de que a Fiscalização deveria informar com precisão quais os débitos (contemporâneos êt opção) que justificaram o indeferimento do PERC. Segundo o acórdão recorrido, ausente tal informação/comprovação pelo Fisco, o PERC não poderia ser indeferido, tal como ocorreu no caso considerada a data da opção e a data da alegada irregularidade fiscal da Contribuinte. Entendeu o acórdão recorrido, ainda, que a retificação de declaração não implica perda do direito de fruir do beneficio optado, mas sim mera redução proporcional do valor do incentivo. Em sede de recurso especial, argüi a Fazenda Nacional, contrariedade entre o acórdão recorrido e o Acórdão n. 108-09111, o qual assenta o entendimento de que (i) "a pessoa jurídica que apresentar declaração de rendimentos original ou retificadora fora do exercício de competência, com alteração dos valores a serem aplicados em incentivos fiscais regionais, não fat-6 jus a essa opção, mesmo com imposto parcial ou totalmente recolhido no exercício correspondente"; e (ii) "o despacho do PERC só será favorável ao contribuinte, com a correspondente emissão da 0EA, caso este contribuinte esteja com situação regular perante a SRF, isto é, se estiver em condições de receber certidão negativa ou positiva com efeito de negativa nos termos da IN n. 93, de 26/1/93, na data do despacho". (Norma de Execução SRF/Cosar/Cosit n. 4, de 26/02/97, item 5.4.10). A data da comprovação da regularidade é a do despacho no PER C. Tratando de incentivo fiscal, cabe ao próprio concedente estabelecer as regras pertinentes ao procedimento." 0 recurso especial foi admitido pelo Sr. Presidente do Colegiado a quo (Despacho Pres n. 1200 - 0.423/2009 (fls. 611/612)), em vista da alegada caracterização de dissenso jurisprudencial. Foram apresentadas contra-razões. É o relatório. 8 Processo n° 16327.002502/2002-01 Acórdão n.° 9101-001.065 CSRF-T1 Fl. 5 Voto Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, Relator Peço vênia para conhecer apenas em parte do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Cinge-se parte da controvérsia em estabelecer a interpretação que deve ser dada ao art. 60 da Lei n. 9.069, de 1995, especialmente no que se refere ao momento da regularidade fiscal a ser comprovada pelo contribuinte. Citada legislação não faz expressa menção se o referido momento seria o do fato gerador, o da data da opção, o do indeferimento pelo Fisco ou, ainda, o momento do julgamento definitivo do PERC. Citada controvérsia encontra-se superada nesta Corte Administrativa por força da edição da Súmula CARF n. 37, verbis: "Súmula CARF n° 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto n° 70.235/72." A superação da controvérsia pela reiterada (e sumulada) jurisprudência deste Colegiado, por si só, é suficiente para afastar o conhecimento de recurso especial fundamentado exclusivamente em alegado (e já a priori solucionado) dissenso jurisprudencial. De fato, a edição de súmula (ainda que superveniente) esvazia por completo o objeto da insurgência da Fazenda Nacional, em vista da absoluta impossibilidade de este Colegiado examinar novamente o dissenso ou a alegada violação do acórdão recorrido â. lei federal suscitada no recurso. Reforça este fundamento o atual RI/CARF, o qual impõe atualmente o não conhecimento de recursos que se insurjam contra julgados que estejam em perfeita consonância com a jurisprudência sumulada pela Corte. Veja-se, neste sentido, o disposto no art. 67, parágrafo 2 °, do RI/CARF aprovado pela Portaria MF n. 256/2009, verbis: "Art. 67. Compete a CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der a lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. sç 2° Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARE, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância." 9 ,... z Filho - Relator Antonio C Outra parte da controvérsia refere-se A caducidade (ou não) da opção pelo FINAM por força de retificação da declaração de rendimentos fora do período de competência. Quanto ao ponto, nada obstante o recurso da Fazenda Nacional tenha se restringido a apontar o aresto paradigma e a transcrever a ementa respectiva, parece-me possível verificar no caso o alegado dissenso jurisprudencial. De fato, enquanto o acórdão recorrido atesta que a apresentação de declaração de rendimentos retificadora não é causa de perda do direito A opção pelo incentivo, o aresto paradigma afirma categoricamente que "a pessoa jurídica que apresentar declaração de rendimentos original ou retificadora fora do exercício de competência, com alteração dos valores a serem aplicados em incentivos fiscais regionais, não ford jus a essa opção, mesmo com imposto parcial ou totalmente recolhido no exercício correspondente". Quanto a esta controvérsia, parece-me ter razão o acórdão recorrido. De fato, não há na legislação de regência dispositivo que preveja a perda do direito de opção ao incentivo regional pelo fato de o Contribuinte ter retificado sua declaração de rendimentos fora do período de competência respectivo, tal como seria de rigor para retirar da pessoa jurídica o direito em referência. Além disso, como bem assentado pelo acórdão recorrido, o procedimento adotado pelo Contribuinte não causa qualquer prejuízo A Fazenda Pública, porquanto o valor eventualmente recolhido sob a base de cálculo maior da Declaração original será considerado contribuição com recursos próprios ou subscrição voluntária. Por tais fundamentos, voto no sentido de conhecer parcialmente do recurso especial da Fazenda Nacional para pa e conhecida, negar-lhe provimento. 10
score : 1.0
Numero do processo: 35342.000863/2005-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS AUTO DE INFRAÇÃO. CONTABILIDADE. OMISSÃO DE FATOS GERADORES. PROVA TESTEMUNHAL. RETRATAÇÃO EM JUÍZO. ÚNICA PROVA. Não prevalece o auto de infração baseado unicamente em prova testemunhal produzida na fase de inquérito policial, notadamente quando retratada em juízo. O auto de infração deve ser calcado em provas consistentes no sentido de demonstrar que a conduta adotada pelo contribuinte constitui violação à norma tributária.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.720
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS AUTO DE INFRAÇÃO. CONTABILIDADE. OMISSÃO DE FATOS GERADORES. PROVA TESTEMUNHAL. RETRATAÇÃO EM JUÍZO. ÚNICA PROVA. Não prevalece o auto de infração baseado unicamente em prova testemunhal produzida na fase de inquérito policial, notadamente quando retratada em juízo. O auto de infração deve ser calcado em provas consistentes no sentido de demonstrar que a conduta adotada pelo contribuinte constitui violação à norma tributária. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator EDITADO EM: 17/10/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 11/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente substituto), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (Conselheiro Convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão nº 2301 00.268, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção em 06/05/2009 (fls. 178/189), interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de contrariedade à Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 193/198). O acórdão recorrido, por maioria de votos, deu provimento ao recurso. Segue abaixo sua ementa: “AUTO DE INFRAÇÃO. CONTABILIDADE. OMISSÃO DE FATOS GERADORES. PROVA TESTEMUNHAL. ÚNICA PROVA. Não prevalece o auto de infração baseado unicamente em prova testemunhal produzida na fase de inquérito policial, notadamente quando retratada em juízo. O auto de infração deve ser calcado em provas consistentes no sentido de demonstrar que a conduta adotada pelo contribuinte constitui violação à norma tributária. Recurso Voluntário Provido.” A recorrente explica que o acórdão recorrido deu provimento ao recurso voluntário para anular o lançamento por vício material, em razão de o Auto de Infração ter se baseado unicamente em prova testemunhal. Afirma que o aresto ora atacado merece reforma, visto que a legislação tributária de regência da matéria foi flagrantemente violada, precisamente, os artigos 11, 59 e 60 do Decreto n.º 70.235/72 e arts. 33, §§ 3º, 6º e 7º e 37, caput da Lei n.º 8.212/91. Além disso, aduz que a decisão em comento também se mostra em evidente confronto com o conjunto probatório carreado aos autos do processo. Ressalta que os depoimentos prestados são meios de prova admitidos em direito e podem ser suficientes para sustentar o lançamento por arbitramento. Entende que o inquérito policial e a ação penal tratam da materialidade dos delitos praticados, ficando comprovado que a recorrida não contabilizava todos os fatos que sustentam o arbitramento. Cita jurisprudência da CSRF segundo a qual a prova indiciária é instrumento idôneo para sustentar uma autuação. Nesse contexto, afirma que com mais razão a prova testemunhal colhida em inquérito policial e em ação penal, para apuração de crime contra a Administração e contra a Ordem Tributária, pode embasar uma autuação. Argumenta, ainda, que não existe prejuízo à defesa quando os fatos narrados e fartamente documentados nos autos amoldamse perfeitamente às infrações imputadas à empresa fiscalizada. Entende que não há nulidade sem prejuízo. Ao final, requer seja dado provimento ao presente recurso para que se reforme o acórdão recorrido. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 11/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35342.000863/200511 Acórdão n.º 920201.720 CSRFT2 Fl. 2 3 Nos termos do Despacho n.º 346/2009 (fls. 199/199verso), foi dado seguimento ao pedido em análise. O contribuinte não ofereceu contrarazões, consoante despacho de folha 206. Eis o breve relatório. Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator Salientese que, não obstante o aludido recurso não encontrar previsão no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a Portaria Ministerial MF nº. 256, de 22 de junho de 2009, em suas disposições transitórias, prevê que os recursos com base no inciso I do art. 7° e do art. 9° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, interpostos em face de acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à 1° de julho de 2009, serão processados de acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16 e nos arts. 43 e 44 daquele Regimento. Por seu turno o inciso I do art. 7° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, fazia previsão de interposição de recurso especial na hipótese de contrariedade à lei e à evidência das provas. Examinandose o recurso especial apresentado com supedâneo no inciso I do art. 7° do RICSRF, verificase que ele demonstrou, fundamentadamente, em que a decisão recorrida seria contrária à lei, no entendimento da Fazenda Nacional, consoante o disposto no inciso I do artigo 7º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Assim, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Por oportuno, colaciono trecho do Relatório Fiscal da Infração, no que considero relevante para elucidar a questão a ser apreciada por este colegiado. "3.1 — O presente lançamento foi efetuado através de AFERIÇÃO INDIRETA, tendo em vista o contido na denúncia do Ministério Público Federal conforme oficio n° 352/2004/PRM/CHAPECÓ/SC, datado de 06/08/2004. 3.2 — A aferição indireta, objeto da presente notificação, foi feita com base nos seguintes critérios, os quais passaremos a demonstrar: 3.2.1 — Em depoimento na Polícia Federal, da senhora IVANIR TEREZINHA PICHETI, SÓCIAGERENTE da empresa, afirmou que: "...comprava o referido medicamento sem nota fiscal, da mesma forma vendiao sem nota fiscal; que não era dado entrada na contabilidade da empresa dos valores recebidos pela venda do medicamento..." Fl. 3DF CARF MF Emitido em 11/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 3.2.2 — Tal fato vem a confirmarse com o depoimento do Sr. Celso Flores, representante comercial da empresa MARCHETTI, onde afirmou que "...não recebia nota fiscal da Farmácia MINERVA quando retirava os medicamentos; que o medicamento também era vendido sem nota fiscal; que pega os medicamentos na Farmácia em consignação, recebendo pelos medicamentos vendidos; que vende pelo valor de R$ 18,00 a R$ 21,00 cada caixa e recebe R$ 4,00 a R$ 7,00 por caixa; que faz o acerto dos medicamentos vendidos semanalmente, entregando em torno de R$ 400,00 diretamente para OSCAR PICHETTI ou IVANIR PICHETTI. 3.2.3. — O empregado da farmácia, Adriano Cordova, em seu depoimento menciona: 'que era utilizado o nome do depoente e de outros empregados da farmácia para constar como remetente de encomendas dos medicamentos; que o pagamento das encomendas dos medicamentos eram efetuados diretamente na conta corrente de Oscar Pichetti, mediante débito em conta". Temos neste depoimento, uma desobediência ao Princípio Fundamental da Contabilidade — Princípio da Entidade, estabelecido pela Resolução CFC 750/93. 3.2.4. — Em julho de 2004, a empresa possuía 12 empregados. Em depoimento dos funcionários da empresa é mencionado que oito destes recebem salário por fora da folha de pagamento normal. Nesta constatação são quase 70% dos empregados da empresa que mencionam a percepção de salário por fora. Menciono abaixo parte de cada depoimento: Antônio Leandro Rodrigues 'o declarante recebe mensalmente em torno de R$ 1000,00, sendo R$ 400,00 devidamente registrado na carteira, e o valor aproximado de R$ 600,0, sem registro". Adriano Luiz Cordova, 'que recebe em torno de 1.000,00 por mês, sendo que na carteira o salário normativo (em torno de R$ 460,00) e mais comissão pela venda de medicamentos bonificados e manipulados; que a contribuição previdenciária era recolhida apenas sobre s salário normativo; que TEREZINHA CORONA, DILETA, TEREZINHA SOUTHIER, ADRIANA, recebiam os seus salários nas mesmas condições do depoente." DIVA MARIA BET MAGNA TI. 'que recebe mensalmente em torno de R$ 800,00 a 1.000,00, estando registrado na carteira o salário normativo (R$430,00) e o restante por fora. TERESINHA MARIA WINCKLER "que percebe mensalmente a importância de R$ 1.300,00, sendo na CTPS o salário normativo (R$ 430,00) e o restante por fora". 4. Assim, de posse dessas informações, concluímos que a Farmácia Minerva, não contabiliza todas as suas receitas e despesas auferidas, utilizando a conta particular do sócio para Fl. 4DF CARF MF Emitido em 11/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35342.000863/200511 Acórdão n.º 920201.720 CSRFT2 Fl. 3 5 transações comerciais, confundindo patrimônio particular com o da empresa, desrespeito grave ao princípio da entidade. Com isto, fica provada a irregularidade de sua escrituração contábil, que passa a não ser merecedora de fé, impõese a à Fiscalização efetuar o lançamento por meio de arbitramento, como forma de apuração do correto valor da contribuição social a ser recolhida para o órgão previdenciário, cabendo à empresa o ónus da prova em contrário, conforme determinado no artigo 148 do Código Tributário Nacional, do artigo 33, §3º, da Lei n.º 8.212/91 e o do artigo 235 do Decreto n.° 3.048/99." 5. Os valores das remunerações mensais dos segurados envolvidos na presente atuação foram fixados com base nos depoimentos prestados juntos à Polícia Federal, relatados acima. 6. Deixando de contabilizar todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, o contribuinte acabou por violar as disposições do art. 32, inciso II da Lei nº 8.212/91.” Ou seja, em decorrência da situação acima descrita a autoridade fiscal lavrou auto de infração, por ter o contribuinte deixado de cumprir a obrigação acessória assim tipificada: “lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos;” É certo que os depoimentos prestados foram os únicos elementos utilizados para fixar os valores das remunerações arbitradas pela fiscalização e para considerar que a contabilidade da empresa não registrava os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Ocorre que as mesmas pessoas a que se refere a informação fiscal ao comparecerem em juízo prestaram depoimento diverso do prestado perante a autoridade policial e, ainda, Terezinha Maria Winckler e Diva Maria Bet Magnanti, que não prestaram depoimento em juízo, declararam em escritura pública, o que resumidamente se segue (fls. 112/118): “a) Adriano Luiz Cordova, devidamente compromissado, asseverou que: "o depoente percebe por seu trabalho na farmácia o que consta em folha R$ 460,00; que como joga bocha pela cidade de Blumenau recebe R$ 700,00; que o depoente está participando dos jogos abertos que tiveram início nesta data..." b) Antônio Leandro Rodrigues, devidamente compromissado, asseverou: que o depoente explica que na Polícia Federal declarou que recebia R$ 1.000,00, pois tem outro serviço, onde revende produtos Anil, no qual recebe 1.000,00, juntando com o salário da farmácia..." c) Teresinha Slothier, afirmou que: que a informante recebia na Farmácia cerca de R$ 450,00;" d) Teresinha Maria Winckler, declarou em Cartório de Notas que: "é funcionária da empresa ORGANIZAÇÕES Fl. 5DF CARF MF Emitido em 11/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 FARMACÊUTICAS PICHETTI LTDA, estabelecida na Avenida Porto Alegre n.° 183D, Centro, nesta cidade de ChapecóSC, inscrita no CNPJ/MF sob o n.° 83.948.265/000143. 2°) que recebe como remuneração a importância de R$ 505,64 (quinhentos e cinco reais e sessenta e quatro centavos), conforme consta às folhas 27, de sua Carteira de Trabalho e Previdência Social. 3°) Que declara expressamente que não é verdadeira a declaração prestada na Polícia Federal em 21 de junho de 2004, de que recebe mensalmente a importância de R$ 1.300,00 (um mil e trezentos reais), correspondente a R$ 400,00 (quatrocentos reais) como salário normativo e o restante "por fora ". " e) Diva Maria Bet Magnanti, também declarou em Cartório de Notas que: "é funcionária da empresa ORGANIZAÇÕES FARMACÊUTICAS PICHETTI LTDA, estabelecida na Avenida Porto Alegre n.° 183D, Centro, nesta cidade de ChapecóSC, inscrita no CNPJ/MF sob o n.° 83.948.265/000143, desde I° de julho de 1998. 2") que recebe como remuneração a importância de R$ 910,27 (novecentos e dez reais e vinte e sete centavos), conforme consta às folhas 25, de sua Carteira de Trabalho e Previdência Social. 3") Que declara expressamente que não é verdadeira a declaração prestada na Policia Federal em 20 de junho de 2004, onde consta que está registrada na Carteira de Trabalho e Previdência Social o salário normativo de R$ 430,00 (quatrocentos e trinta reais) e de que recebe salário e/ou comissão "por fora", para atingir. valor aproximado de R$ 800,00 (oitocentos reais) a R$ 1.000,00 (um mil reais) mensais." Esta questão foi devidamente enfrentada no voto condutor da acórdão recorrido, que ora reproduzo e adoto como razões de decidir: “8. De maneira que os novos documentos carreados aos autos colocaram em xeque a autuação, uma vez que os valores considerados pelo fisco como remuneração paga, simplesmente com base em informações dos empregados da empresa, muito se aproximam da fragilidade. E a fiscalização poderia ter obtido informações adicionais para assegurar a ocorrência de infração à legislação previdenciária, ao invés de se contentar apenas com depoimentos de terceiros. Outras fontes de informação poderiam ter sido buscadas, tais como pesquisa em instituições bancárias com as quais a recorrente operava para realizar os pagamentos dos empregados, emissão de cheques aos funcionários (já que dispunha o auditor dos nomes dos empregados) e ações judiciais trabalhistas eventualmente propostas contra a empresa. 9. Frisese, também, os depoimentos prestados perante a Polícia Federal e, mais tarde retratados em juízo, por si só, não são provas suficientes para autorizar a presunção de que os valores anunciados se referem a pagamentos "por fora" de remuneração. Deve a fiscalização aprofundar a investigação, redirecionandoa para o enquadramento e colheita de outras provas convincentes no sentido de eventual irregularidade no recolhimento das contribuições previdenciárias. 10. Evidentemente que não estou aqui a desconsiderar a sentença prolatada pelo douto Juiz Federal que bem analisou o caso sob o aspecto penal, até porque o artigo 332 do CPC, Fl. 6DF CARF MF Emitido em 11/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35342.000863/200511 Acórdão n.º 920201.720 CSRFT2 Fl. 4 7 utilizado subsidiariamente no processo administrativo fiscal, prescreve que "todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos em que se funda a ação ou a defesa". Razão pela qual, em termos gerais é perfeitamente válida a utilização de provas produzidas em outros processos, desde que evidentemente estas guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer. 11. Pela mesma razão devese ser admitida a prova carreada aos autos pelo recorrente, sendo descabida a simples desconsideração por parte do fisco, sem que elementos capazes de sustentar a infração fossem trazidos pela fiscalização. 12. E mais ainda: a sentença judicial proferida no âmbito penal e elevada a nível incontestável pelo auditor fiscal não tem o condão de declarar tributo, eis que proferida para efeito de condenação criminal dos réus. Até porque, no caso concreto, referida sentença não se baseou exclusivamente nos depoimentos de testemunhas, mas em todo num conjunto de prova documental. Nesse sentido, foi que o juiz sentenciante formou a sua convicção para condenar os réus. E para os efeitos fiscais, friso novamente, não considero o simples depoimento como prova cabal para que o auditor fiscal pudesse efetuar o lançamento de tributo. 13. É bom sempre lembrar que, como todo meio de prova que depende das percepções sensoriais do ser humano, a prova testemunhal é falível. Nesse diapasão, Cândido Rangel Dinamarco ensina que: "as distorções da realidade pela testemunha nem sempre são intencionais. Há fatos que acontecem de improviso, sem que a pessoa tivesse qualquer participação nem esperasse por eles, o que leva a ter uma percepção parcial e nem sempre correta do acontecido (acidente de veículos). Há caso em que o decurso do tempo e as fantasias que às vezes se criam em torno dos acontecimentos da via real são responsáveis pelo esquecimento daquilo que foi visto, ouvido, lido ou sentido. A experiência mostra ainda que as palavras da testemunha ao juiz nem sempre são suficientemente claras e nem sempre trazem ao espírito deste a correta representação da idéia que ela pretende transmitir". 14. As lições de Sérgio Pinto Martins vão mais além ao destacar que a prova testemunhal é a pior prova que existe, justamente por ser a mais insegura (In, Direito Processual do Trabalho. 26a Edição. São Paulo: Atlas, 2006, p. 329). No mesmo sentido, o renomado Pincherli assevera que `... são muitas vezes, olhos que não vêem e ouvidos que não escutam..." (In, A Prova Testemunhal no Processo Civil e no Processo do Trabalho. São Paulo: LTr, 2005, p. 31). 15. No processo administrativo fiscal, a regra é que as provas estão relacionadas quase que diretamente a documentos. Isto Fl. 7DF CARF MF Emitido em 11/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 porque, no campo do direito tributário o leque é mais restrito que aquele previsto no Processo Civil. 16. Com efeito, a prova testemunhal largamente utilizada no processo civil, no penal, no trabalho, em geral não é tão utilizada no processo tributário, embora deva ser aceita, no entendimento desse relator, em respeito ao princípio da ampla defesa. E mesmo a confissão, que tem utilização prática no âmbito do direito tributário, deve ser verificada sempre como conseqüência do fato ocorrido, e não da vontade do sujeito passivo que confessou o fato capaz de gerar a incidência tributária. É dizer, o auditor fiscal deverá sempre apurar cuidadosamente a relação de fato ligada à incidência do tributo, quando não baseado o lançamento em documentos fiscais do contribuinte. 17. A seu turno, os depoimentos trazidos aos autos, apesar de considerados na sentença proferida contra os sócios da empresa em ação penal movida pelo Ministério Público Federal, exatamente pela sua fragilidade, tanto que foram retratados posteriormente, necessitam, para efeitos fiscais, ser corroborados por outra forma probatória para a comprovação da ocorrência do fato gerador. 18. Não é demais dizer que o lançamento fiscal há de basearse em dados concretos, objetivos e coincidentes, sólidos em sua estruturação, e não em uma opção simplista, fundamentada em prova testemunhal, a qual deverá ser sempre examinada em si mesma, pois em certos casos, devem servir, no máximo, como um forte indicador da irregularidade e não como fato incontestável sujeito à incidência de tributo na esfera administrativa. 19. Em suma, não há como a fiscalização ter constatado que a contabilidade não registrava toda a movimentação real das remunerações pagas aos segurados que prestavam serviços à empresa, haja vista a ausência de outro elemento apto a comprovar as afirmações declaradas no relatório fiscal produzido pelo auditor fiscal. Talvez pudesse, no máximo, a informação fiscal demonstrar a ausência de contabilização do faturamento e do lucro da empresa, mas tal comprovação não geraria a incidência de contribuição previdenciária no que se refere ao débito ora em discussão.” Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 8DF CARF MF Emitido em 11/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35342.000863/200511 Acórdão n.º 920201.720 CSRFT2 Fl. 5 9 Fl. 9DF CARF MF Emitido em 11/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 37317.003443/2005-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. PRAZOS. INTEMPESTIVIDADE.
O prazo para interposição do recurso especial é de 15 dias da data da ciência da decisão de segunda instância. Não observado o preceito, não se conhece do recurso por intempestivo.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-001.284
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso por ser intempestivo.
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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score : 1.0
Numero do processo: 13558.901168/2008-45
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
NULIDADE. VÍCIO NA MOTIVAÇÃO.
Anulase,
por ausência de motivação, o despacho eletrônico de não
homologação de compensação que deixa de declinar o fato que rendeu ensejo
à glosa de parte do saldo credor da escrita do IPI.
Processo anulado.
Numero da decisão: 3403-001.208
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, anular o
despacho decisório por vício na motivação.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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VÍCIO NA MOTIVAÇÃO. Anulase, por ausência de motivação, o despacho eletrônico de não homologação de compensação que deixa de declinar o fato que rendeu ensejo à glosa de parte do saldo credor da escrita do IPI. Processo anulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, anular o despacho decisório por vício na motivação. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Domingos de Sá Filho, Liduína Maria Alves Macambira, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do acórdão de primeira instância, que transcrevo a seguir: Fl. 76DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/09/201 1 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 “Tratase de Manifestação de Inconformidade do interessado contra Despacho Decisório eletrônico da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Itabuna n° 804807908, fl.01, que deferiu parcialmente o direito ao crédito de IPI no valor de R$2.988,38, demonstrado no PER/DCOMP n°10755.20021.280604.1.3.014545, no total de R$7.457,49, relativo ao 1° trimestre de 2004, por conseguinte não homologou a compensação dos débitos declarados no PER/DCOMP n°15853.79301.150704.1.3.016382, em razão da insuficiência do crédito de IPI vinculado alegado, uma vez que o saldo credor passível de ressarcimento foi inferior ao valor pleiteado, e que este, na escrita fiscal, em períodos subseqüentes ao trimestre em referência até a data da apresentação do PER/DCOMP já teria sido utilizado integral ou parcialmente. Cientificado do despacho decisório, o interessado apresentou sua defesa à f1.02, alegando que o PER/DCOMP n°15853.79301.150704.1.3.016382, de 15/07/2004, referese ao segundo trimestre do ano de 2004, tendo a empresa apurado um crédito de IPI no valor de R$4.469,11, conforme cópia em anexo do Livro de Apuração compensando com a Cofins.” Por meio do Acórdão no 23.284, de 31/03/2010, da DRJ em SalvadorBA, indeferiu a manifestação de inconformidade. O julgado recebeu a seguinte ementa: “Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 ERRO DE PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO. O Pedido de Ressarcimento de crédito de IPI deve, além de indicar corretamente o trimestre a que corresponde o crédito, demonstrar a legitimidade e disponibilidade do crédito vinculado à compensação declarada, sendo incabível a compensação de débitos vinculados a crédito de IPI relativo a trimestre não solicitado em pedido de ressarcimento. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte”. Regularmente notificado do acórdão de primeira instância, o contribuinte recorreu em tempo hábil a este Conselho, alegando em síntese que considera correto seu procedimento, conforme demonstrativo colacionado no corpo do recurso e as cópias do livro modelo 8 juntadas. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme se verifica nos autos, o acórdão de primeira instância considerou que houve erro no preenchimento do PER/DECOMP, pois o contribuinte no PER/DECOMP 15853.79301.150704.1.3.016382 vinculou o saldo credor do 1º trimestre de 2004, quando deveria ter sido vinculado o crédito do 2º trimestre do mesmo ano. Na verdade o que aconteceu é que contribuinte equivocouse e apresentou dois PER/DECOMP utilizando o saldo credor de IPI do 1º trimestre de 2004. Fl. 77DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/09/201 1 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13558.901168/200845 Acórdão n.º 340301.208 S3C4T3 Fl. 2 3 Conquanto o contribuinte tenha apresentado os livros do 2º Trimestre de 2004, no intuito de comprovar que possuía crédito de IPI suficiente para extiguir a obrigação tributária, o despacho eletrônico que não homologou a compensação merece ser analisado à luz dos requisitos legais de validade do ato administrativo. É sabido que todo e qualquer ato administrativo, deve preencher os requisitos legais relativos à competência do agente, ao objeto, à forma , ao motivo e à finalidade (art. 2º da Lei nº 4.717, de 29/06/1965). Nesse passo, conforme se verifica na fl. 01, o motivo invocado pela autoridade administrativa para homologar em parte as compensações foi o seguinte: “(...) O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do (s) seguinte (s) motivo (s): Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos. Constatação de que o saldo passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. (...)” O texto padrão utilizado na motivação do despacho eletrônico nada esclarece sobre a razão pela qual a compensação não foi homologada. Dizer que o saldo passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado é o mesmo que nada dizer, pois fica no ar a pergunta que não quer calar: por quê? A mesma sensação de vazio surge quando se tenta interpretar as informações complementares de análise do crédito que constam dos documentos de fls. 23 a 27. Em matéria de motivação de atos administrativos, o art. 50 da Lei nº 9.784/98 estabelece o seguinte: “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II a VIII – omissis.... §1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. (Grifei) No caso concreto, o despacho eletrônico que originou este processo é um ato administrativo regrado, vinculado, que deveria ter vindo obrigatoriamente acompanhado de motivação clara a fim de possibilitar não só a defesa do contribuinte, mas também o exame de sua conformidade com o regime jurídico dos créditos de IPI e com as normas que regem o ressarcimento do saldo credor da escrita. A motivação que consta do despacho eletrônico, mesmo acompanhada dos documentos de análise do crédito, não foi clara, pois não declinou o motivo pelo qual o saldo credor foi insuficiente para extiguir a obrigação tributária. Fl. 78DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/09/201 1 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Considerando que o ato administrativo, por não ter declinado o motivo determinante da insuficiência do saldo credor, deixou de atender ao requisito estabelecido do art. 50, § 1º da Lei nº 9.784/98, voto no sentido de dar provimento ao recurso para anular o despacho decisório de fl. 01 por vício na motivação. Antonio Carlos Atulim Fl. 79DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/09/201 1 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 18108.002031/2007-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/12/2004
Ementa: DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS .
É vedada a distribuição de lucros aos sócios por empresa em débito com a Previdência Social.
MATÉRIA PRECLUSA
Os argumentos não trazidos em sede de defesa se consubstanciam em matéria não impugnada, para a qual ocorreu a preclusão do direito de discussão, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, configurando motivo para o seu não conhecimento.
MATÉRIA SUB JUDICE – CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL
– RENÚNCIA
Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, individual ou coletiva, antes ou depois do lançamento, implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário.
A renúncia à utilização da via administrativa por discussão da pretensão por via judicial é motivo para não conhecimento do recurso interposto.
Numero da decisão: 2301-002.368
Decisão: Acordam os membros do colegiado, : I) Por unanimidade de votos: a) em não conhecer do Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/1999 a 30/12/2004 Ementa: DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS . É vedada a distribuição de lucros aos sócios por empresa em débito com a Previdência Social. MATÉRIA PRECLUSA Os argumentos não trazidos em sede de defesa se consubstanciam em matéria não impugnada, para a qual ocorreu a preclusão do direito de discussão, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, configurando motivo para o seu não conhecimento. MATÉRIA SUB JUDICE – CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL – RENÚNCIA Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, individual ou coletiva, antes ou depois do lançamento, implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário. A renúncia à utilização da via administrativa por discussão da pretensão por via judicial é motivo para não conhecimento do recurso interposto.
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É vedada a distribuição de lucros aos sócios por empresa em débito com a Previdência Social. MATÉRIA PRECLUSA Os argumentos não trazidos em sede de defesa se consubstanciam em matéria não impugnada, para a qual ocorreu a preclusão do direito de discussão, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, configurando motivo para o seu não conhecimento. MATÉRIA SUB JUDICE – CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL – RENÚNCIA Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, individual ou coletiva, antes ou depois do lançamento, implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário. A renúncia à utilização da via administrativa por discussão da pretensão por via judicial é motivo para não conhecimento do recurso interposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, : I) Por unanimidade de votos: a) em não conhecer do Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). MARCELO OLIVEIRA Presidente. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 28/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02 /03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por MARCELO OLIVEIRA 2 Bernadete de Oliveira Barros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 28/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02 /03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 18108.002031/200747 Acórdão n.º 2301002.368 S2C3T1 Fl. 2 3 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 27/02/2006, em razão de a empresa acima qualificada ter atribuído e distribuído lucros aos sócios cotistas, estando em débito com a Previdência Social, infringindo, dessa forma, o inciso II, art. 52 da Lei 8.212/91, c/c art. 280, inc.II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Conforme Relatório Fiscal (fls. 07), a autuada distribuiu lucros a seus sócios, conforme comprova as declarações sobre Imposto de Renda de Pessoa Jurídica anexas. A autoridade autuante considerou débito com a Seguridade Social os valores declarados em GFIP e as NFLDs 35.718.7954 e 35.875.3120, que lançaram os débitos declarados e não recolhidos. A recorrente não impugnou o débito e a Secretaria da Receita Previdenciária, mesmo sem ter sido o Auto de Infração impugnado, apreciouo, por força do disposto nos §§ 4o e 5o, do art. 293, do Decreto 3.048/99, com a redação vigente à época, e julgou o lançamento procedente, nos termos da DecisãoNotificação n 21.401.4/0601/2006 (fls. 326). Inconformada com a decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 333 e seguintes), alegando, em síntese, o que se segue. Entende que tem respaldo constitucional e doutrinário para não se curvar às imposições que são feitas e informa que impetrara Mandado de Segurança perante a 4a Vara Cível da Justiça Federal da Capital_SP, processo n° 2006.61.00.0056460, por estar sendo atingida no direito líquido e certo de efetuar tais antecipações ou distribuições de lucros. Esclarece que, por ser uma sociedade limitada, onde exerce as atividades descritas em seu objeto social, submetida à tributação com base em lucro presumido para efeitos do IPRJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, e demais tributos, nos termos da legislação vigente, a recorrente efetua regularmente a antecipação ou a distribuição de lucros a seus sócios. Observa que, inobstante haja sido concedido à Recorrente o prazo de 15 (quinze) dias para apresentação de defesa na via administrativa, verificouse que essa defesa, em tal via, não teria o condão de anular nem de afastar a exigibilidade dessa indevida e inconstitucional penalidade que lhe impõe tal AI, pois essa anulação só poderia advir por meio de pertinente decisão judicial. Alega que o art. 17 da Lei n o. 11.051/04 ,que alterou a redação do art. 32 da Lei n° 4.357/64, ao prever sanção, sob a forma de multa, imposta pela distribuição de bonificações ou lucros a sócios, por pessoas jurídicas "em débito, não garantido, para com a União e suas autarquias de Previdência e Assistência social, por falta de recolhimento de imposto, taxa ou contribuição" incorre, indubitavelmente, nesse inconstitucional cerceamento de direitos do contribuinte e, por isso mesmo, não pode subsistir. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 28/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02 /03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por MARCELO OLIVEIRA 4 Pondera, ainda, que o direito à distribuição de lucros e dividendos depende de deliberação exclusiva dos sócios ou dos acionistas, consoante o disposto no art. 1.071 do Código Civil e do art. 121 e seguintes da Lei. 6.404/1976, prerrogativa essa que não pode ser obstada por lei tributária, porquanto se trata de matéria inerente ao Direito Societário, onde não é dado ao Direito Tributário interferir. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 28/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02 /03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 18108.002031/200747 Acórdão n.º 2301002.368 S2C3T1 Fl. 3 5 Voto Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, Relatora Da análise dos autos, verificase que a empresa autuada não impugnou o Auto de Infração, deixando de apresentar, perante a primeira instância de julgamento, qualquer questionamento em relação ao AI discutido no presente processo administrativo, vindo a fazê lo somente em sede recursal, motivo pelo qual entendo que ocorreu a preclusão do direito de discussão da matéria não impugnada, em razão do que dispõe o art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, transcrito a seguir: Art.17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante Portanto, no meu entendimento, não foi instaurado o contencioso administrativo fiscal, o que é motivo para não conhecimento do recurso apresentado. Observase que a primeira instância administrativa analisou o auto, em observância ao disposto nos §§ 4o e 5o, do art. 293, do Decreto 3.048/99, com a redação vigente à época. Contudo, o referido dispositivo legal foi alterado pelo Decreto 6.032/2007, não estando mais a autoridade julgadora administrativa obrigada a apreciar o AI não impugnado. Porém, ainda que não se considerasse ocorrida a preclusão, verificase, no caso presente, que a empresa decidiu discutir o AI por via judicial, o que implica em renúncia à discussão administrativa. O artigo 78, da Portaria 256/2009, que aprova o Regimento Interno do CARF, estabelece que: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º Na hipótese de acórdão passível de recurso pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, a desistência de recurso deverá ser precedida de renúncia do requerente ao direito sobre o qual se funda o recurso por ele anteriormente interposto Fl. 5DF CARF MF Impresso em 28/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02 /03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por MARCELO OLIVEIRA 6 Dessa forma, a empresa autuada impetrou Mandado de Segurança cujo objeto é idêntico ao do AI em discussão, renunciando, assim, a quaisquer alegações de fato ou de direito sobre as quais se fundamenta o recurso. Portanto, entendo que a renúncia à utilização da via administrativa por propositura de ação judicial contra a Fazenda Nacional é motivo para o não conhecimento do recurso. Nesse sentido, voto por não conhecer do recurso voluntário. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relatora Fl. 6DF CARF MF Impresso em 28/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02 /03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 15940.000164/2007-79
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2003, 2004, 2005
Ementa: RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA. REQUISITO ESSENCIAL. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO.
A apresentação de acórdãos paradigmas que se refiram à aplicação da legislação à situação de fato semelhante à do acórdão objeto do recurso é requisito essencial para admissão do recurso especial de divergência. A apresentação de acórdãos paradigmas com situações fáticas divergentes da contida no acórdão recorrido não satisfaz tal requisito.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO.
A Lei 9.430/1996 ao dispor sobre a aplicação da multa qualificada determina a caracterização do evidente intuito de fraude.
Recurso Especial do Procurado Provido em Parte.
Numero da decisão: 9202-001.889
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer
em parte do recurso e, na parte conhecida, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, para manter a multa desqualificada. Fez sustentação oral o Dr. Luiz Felipe Bulus, OAB/DF nº 15.229, advogado do contribuinte.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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Recorrente PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL (PGFN) Recorrida JOSÉ LUIZ FACHOLI Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2003, 2004, 2005 Ementa: RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA. REQUISITO ESSENCIAL. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. A apresentação de acórdãos paradigmas que se refiram à aplicação da legislação à situação de fato semelhante à do acórdão objeto do recurso é requisito essencial para admissão do recurso especial de divergência. A apresentação de acórdãos paradigmas com situações fáticas divergentes da contida no acórdão recorrido não satisfaz tal requisito. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO. A Lei 9.430/1996 ao dispor sobre a aplicação da multa qualificada determina a caracterização do evidente intuito de fraude. Recurso Especial do Procurado Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, para manter a multa desqualificada. Fez sustentação oral o Dr. Luiz Felipe Bulus, OAB/DF nº 15.229, advogado do contribuinte. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15940.000164/200779 Acórdão n.º 920201.889 CSRFT2 Fl. 5.236 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls.05161, interposto pela nobre Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão, fls. 05130 que decidiu, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares argüidas pelo Recorrente e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência, relativo aos depósitos bancários de origem não comprovada, os valores de R$ 33.021,29; R$ 372.737,54 e a integralidade lançada correspondente aos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004 respectivamente, e desqualificar, quando for o caso, a multa de oficio, reduzindoa ao percentual de 75%. O acórdão em questão possui as seguintes ementa e decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003, 2004, 2005 DECADÊNCIA AJUSTE ANUAL LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita a ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação, hipótese em que o direito de a fazenda Nacional lançar decai após cinco anos, contados de 31 de dezembro de cada anocalendário questionado. AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE Não está inquinado de nulidade o auto de infração lavrado por autoridade competente e que não tenha causado preterição do direito de defesa, efetuado em consonância com o que preceitua o art. 142 do Código Tributário Nacional, especialmente se o sujeito passivo, em sua defesa, demonstra pleno conhecimento dos fatos que ensejaram a sua lavratura, exercendo, atentamente, o seu direito de defesa. ARBITRAMENTO – ATIVIDADE RURAL – ESCRITURAÇÃO EXIGIDA – O contribuinte deve comprovar a veracidade das receitas e das despesas escrituradas no Livro Caixa, mediante documentação idônea que identifique o adquirente ou o beneficiário, o valor e a data da operação, a qual é mantida em seu poder à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a decadência. Assim, se o contribuinte for intimado a apresentar o Livro Caixa a que estava obrigado a escriturar, e não tendo cumprido a exigência, é cabível o arbitramento realizado com base no parágrafo 2° do artigo 18, da Lei n/ 9.250, de 1995. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI N° 9.430, DE 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a Fl. 3DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA 4 existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fÍsica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS – PERÍODO BASE DE INCIDÊNCIA APURAÇÃO MENSAL TRIBUTAÇÃO NO AJUSTE ANUAL – Os valores dos depósitos bancários não justificados, a partir de 1' de janeiro de 1997, serão apurados, mensalmente, à medida que forem creditados em conta bancária e tributados como rendimentos sujeitos a tabela progressiva anual (ajuste anual). PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA – As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. APURAÇÃO DE RECEITA DA ATIVIDADE RURAL – LANÇAMENTO DE OFÍCIO JUSTIFICATIVA DE ORIGEM DEPÓSITOS BANCÁRIOS – É de se aceitar como origem de recursos, justificando a existência de creditados em conta de depósito ou de investimento, os valores relativos à receita bruta da atividade rural, apurados durante o procedimento fiscal, lançados de oficio pela autoridade lançadora. SANÇÃO TRIBUTÁRIA MULTA QUALIFICADA – JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE A evidência da intenção dolosa exigida na lei para a qualificação da penalidade aplicada há que aflorar na instrução processual, devendo ser inconteste e demonstrada de forma cabal. A prestação de informações ao fisco divergente de dados levantados pela fiscalização, bem como a falta de inclusão, na Declaração de Ajuste Anual, de rendimentos, bens ou direitos, mesmo que de forma reiterada, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei n° 9.430, de 1996, já que ausente conduta material bastante para sua caracterização. Preliminares rejeitadas. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORRAM os Membros da 2 Turma Ordinária da 2' Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares arguidas pelo Recorrente e, no mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência, relativo aos depósitos bancários de origem não comprovada, os valores de R$ 33.021,29; R$ Fl. 4DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15940.000164/200779 Acórdão n.º 920201.889 CSRFT2 Fl. 5.237 5 372.737,54 e a integralidade lançada, correspondente aos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004, respectivamente, e desqualificar, quando for o caso, a multa de oficio, reduzindo a ao percentual de 75%, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, que negava provimento ao recurso e Antonio Lopo Martinez, que apenas desqualificavam a multa de oficio. Em seu recurso especial a Procuradoria alega, em síntese, que: 1. Não há como prosperar o entendimento presente no acórdão recorrido, que desconstituiu parcela do auto de infração, haja vista que a exclusão dos valores determinados pelo acórdão ora combatido relativos aos depósitos bancários de origem não comprovada não foi fundamentada em provas; 2. Quanto à redução do percentual da multa de oficio temos que esta também não pode prosperar em razão de configuração de prática reiterada de omissão com o intuito de retardar ou não efetuar o pagamento d s tributos devidos; 3. O acórdão ora recorrido entendeu por bem cancelar parte do auto de infração para excluir da base de cálculo da exigência, relativo aos depósitos bancários de origem não comprovada, os valores decorrentes do saldo positivo apurado no último dia de cada ano calendário, supostamente desconsiderados pelo Auditor, em razão do critério utilizado pela fiscalização qual seja, "fluxo de caixa"; 4. Para a exclusão de tais valore baseouse na presunção de que os mesmos (saldos positivos) poderiam justificar, em tese, alguns dos depósitos bancários de origem não comprovada, caso não seja levada em conta a necessidade de coincidência de datas e valores; 5. A PGFN apresenta quanto a esse ponto, o seguinte acórdão paradigmas 10617223; 6. A presunção em favor do Fisco somente pode ser elidida pelo contribuinte, com a comprovação direta da origem dos recursos; 7. Ao mitigar esta necessidade de comprovação por parte do contribuinte, o julgado ora combatido, ao tentar justificar por presunção (saldos positivos) a origem de tais depósitos, colidiu frontalmente com a tese exposta nos acórdãos paradigmas; Fl. 5DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA 6 8. Já com relação à redução do percentual da multa de oficio aplicada em alguns casos no percentual de 150% para 75% temos que tal entendimento também não pode prevalecer ima vez que, ao contrário do entendeu a Turma recorrida, a prática reiterada do contribuinte de não oferecer à tributação rendimentos detectados constitui evidente intuito de fraude, a ensejar a incidência da multa qualificada; 9. A PGFN apresenta quanto a esse ponto, o seguinte acórdão paradigma: 10195292; 10. Diante do exposto, requer que seja provido o recurso especial. O contribuinte, citando a decisão que deu provimento parcial ao recurso, apresentou sua desistência e renúncia a qualquer discussão superveniente, fls. 05184. Por despacho, fls. 05199, deuse seguimento ao recurso especial. O Contribuinte apresentou suas contra razões, fls. 05216, argumentando, em síntese, que: 1. Quanto à questão dos depósitos bancários, a PGFN não demonstrou a devida divergência jurisprudencial; 2. As situações fáticas são totalmente divergentes, nos acórdãos paradigma e recorrido; 3. A tese exposta na peça recursal só reuniria condições de ser examinada se o acórdão recorrido tivesse entendido que, à luz do art. 42 da Lei 9.430/96, o contribuinte não precisaria comprovar a origem dos depósitos por meio de documentação hábil e isso não ocorreu; 4. Na qualificação da multa foi aplicado entendimento constante em Súmula, o que impede o conhecimento do recurso (Súmula 1ºCC nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo); 5. Quanto ao mérito, a peculiaridade do presente caso se resume ao critério adotado na atuação (fluxo de caixa), que passou o saldo positivo de um mês para o outros, mas não o fez de um exercício para o outro. Tal equivoco foi corrigido pelo CARF, apenas isso; 6. Quanto à multa, não há motivos para a alteração do julgado, pois inexistiu dolo em fraudar; e Fl. 6DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15940.000164/200779 Acórdão n.º 920201.889 CSRFT2 Fl. 5.238 7 7. Por todo exposto, o recurso não deve ser conhecido e, caso seja, devese negar provimento aos seus argumentos. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA 8 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Quanto à questão dos depósitos bancários, devemos, primeiramente, verificar se ficou comprovada a divergência jurisprudencial que a nobre PGFN busca demonstrar. A PGFN apresenta o acórdão paradigma 10617223: "(...) PERÍCIA OU DILIGÊNCIA NÃO COMPROVAÇÃO DA IMPRESCINDIBILIDADE REJEIÇÃO A prova pericial surge como meio para suprir a carência de conhecimentos técnicos do julgador para solução do litígio. Afinal, não é admissível que o julgador seja detentor de conhecimentos universais para examinar cientificamente todos os fenômenos possíveis de figurar na seara tributária. Por seu turno, a diligência objetiva trazer luzes sobre algum ponto obscuro apreendido nos autos. Não comprovada a necessidade da diligência ou perícia para subsidiar a solução da controvérsia, devese rejeitar a pretensão do recorrente. IMPOSTO DE RENDA – TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS REGIME DA LEI N 9.430/96 POSSIBILIDADE A partir da vigência do art. 42 da Lei 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 52 do art. 62 da Lei 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos cl aplicação da tabela progressiva. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS – ATIVIDADE RURAL E ATIVIDADE ECONÔMICA DESENVOLVIDA POR FIRMA INDIVIDUAL AUSÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATóRIA DO ALEGADO REJEIÇÃO DA COMPROVAÇÃO Não basta simplesmente alegar que os depósitos bancários de origem não comprovada são provenientes da atividade rural ou de atividade econômica desenvolvida por firma individual. Ausente a prova do alegado, cujo ônus era do recorrente, hígida a presunção de omissão de rendimento estribada no art. 42 da Lei 9.430/96. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS TRAZIDA NA FASE DA AUTUAÇÃO AUSÊNCIA DE INVESTIGAÇÃO DO DEPOSITANTE PELA FISCALIZAÇÃO DESNECESSIDADE DA COMPROVAÇÃO DA CAUSA DOS DEPÓSITOS E DA EVENTUAL TRIBUTAÇÃO DESSES VALORES NÃO Fl. 8DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15940.000164/200779 Acórdão n.º 920201.889 CSRFT2 Fl. 5.239 9 APERFEIÇOAMENTO DA PRESUNÇÃO DO ART. 42 DA LEI 1\1° 9.430/96 Comprovada a origem dos depósitos bancários, caberá a fiscalização aprofundar a investigação para submetê los, se for o caso, ás normas de tributação especificas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos, na forma do art. 42, § 2, da Lei n' 9.430/96. Não se pode, simplesmente, ancorarse na presunção do art. 42 da Lei 9.430/96, obrigando o contribuinte a comprovar a causa da operação, e se esta foi tributada. Conhecendo a origem dos dep6sitos, inviável a manutenção da presunção de rendimentos com fulcro no art. 42 da Lei re 9.430/96. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA CRÉDITOS BANCÁRIOS EXCLUÍDOS PELA FISCALIZAÇÃO MATÉRIA ESTRANHA AO AUTO DE INFRAÇÃO – AUSÊNCIA DE LITÍGIO Excluídos determinados créditos bancários pela autoridade autuante, não remanesce qualquer controvérsia a ser solucionada no rito do contencioso administrativo fiscal. Recurso voluntário provido em parte. Já o nobre Relator do acórdão recorrido, Conselheiro Pedro Anan Júnior, assim redigiu a ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI N° 9.430, DE 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fÍsica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS – PERÍODO BASE DE INCIDÊNCIA APURAÇÃO MENSAL TRIBUTAÇÃO NO AJUSTE ANUAL – Os valores dos depósitos bancários não justificados, a partir de 1' de janeiro de 1997, serão apurados, mensalmente, à medida que forem creditados em conta bancária e tributados como rendimentos sujeitos a tabela progressiva anual (ajuste anual). PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA – As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. APURAÇÃO DE RECEITA DA ATIVIDADE RURAL – LANÇAMENTO DE OFÍCIO JUSTIFICATIVA DE ORIGEM DEPÓSITOS BANCÁRIOS – É de se aceitar como origem de recursos, justificando a existência de creditados em conta de depósito ou de investimento, os valores relativos à receita bruta da atividade rural, apurados durante o procedimento fiscal, lançados de oficio pela autoridade lançadora. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA 10 Em um primeiro momento, pela simples leitura das ementas, chegase à conclusão de que os acórdãos recorridos e paradigmas, quanto à utilização e conceituação dos depósitos bancários como receita, chegaram à mesma conclusão: “Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fÍsica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações”. Para termos certeza da não existência da divergência, verificaremos o que consta do texto dos votos: Acórdão Paradigma (Acórdão 10617223): Nas defesas dos itens III, IV e V, o contribuinte afirma que os depósitos eram oriundos da atividade agropecuária e das atividades da firma individual já informada. Ainda, pugnou pela exclusão de 80% da base da infração, albergandose nas benesses da Lei n° 8.023/90. Repisa que vendeu bovinos para a empresa GSB Marchantaria Ltda, que comprovam a origem dos depósitos de R$ 24.883,00, R$ 22.000,00 e R$ 20.027,00, sendo que as notas fiscais estão na posse dessa empresa; De plano, registrese que o contribuinte não fez qualquer prova para sustentar a versão de que os depósitos bancários eram oriundos das atividades econômicas da firma individual. Trata se de mera alegação, desde a fase da autuação, sem qualquer sustentáculo documental, tentando comprovar in totum os depósitos de origem não comprovada a si imputados. Nesse caso, a mera alegação não pode ser aceita, pois seria absurdo determinar à autoridade autuante que, após receber a alegação do contribuinte, tomasse alguma medida que fosse diferente da própria intimação ao recorrente. Como já dito em item precedente, somente o recorrente poderia trazer a documentação fiscal da firma individual, comprovando que os depósitos bancários eram oriundos da atividade econômica desta, devendo, assim, ser tributados de forma equiparada à pessoa jurídica. Porém, neste ponto, nenhuma prova o contribuinte fez, devendo ser rechaçada essa linha de defesa. Ainda, pugna pela aplicação da benesse da Lei ti° 8.023/90, excluindo 80% da base tributável. Aqui, ora o contribuinte afiança que os depósitos têm origem na firma individual, ora afiança que provém da atividade rural, buscando elidir a autuação fiscal nas duas vertentes que, em princípio, são excludentes. Porém não há qualquer comprovação de que o contribuinte desempenhasse qualquer atividade rural, exceto urna declaração de que vendeu uma partida de bois para a empresa GSB Marchantaria Ltda, vinculado a tal negócio um total de 03 depósitos, considerados de origem não comprovada. Ora, documentalmente não há qualquer prova que o contribuinte milita na atividade agropecuária, exceto a declaração antes informada. Somente haveria alguma plausibilidade na tese aqui invocada se o contribuinte fizesse robusta prova de que militava na atividade rural, com uma comprovação de receitas da atividade rural rivalizando com o total dos depósitos bancários, como, por exemplo, ocorreu em julgamento prolatado por esta Sexta Câmara, consubstanciado no Acórdão n° 10616.716, Fl. 10DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15940.000164/200779 Acórdão n.º 920201.889 CSRFT2 Fl. 5.240 11 sessão de 22/01/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos. Aqui, entretanto, não há qualquer prova da atividade rural, não tendo sido juntada uma única nota fiscal de produtor rural, havendo, repisese, apenas uma declaração vinculando 03 depósitos de origem não comprovada à atividade rural, o que é completamente insuficiente para acatar a presente pretensão recursal, pois não se comprovou que o contribuinte milita, iniludivelmente, na atividade rural e que suas receitas dessa atividade rivalizam com sua movimentação financeira. Assim, rejeitase a defesa aqui vindicada. Acórdão Recorrido (Acórdão 2202 – 00.182. Recurso 166412): “Apesar das sérias restrições, no passado, com relação aos lançamentos de crédito tributário baseado exclusivamente em depósitos bancários (extratos bancários), como já exposto no item inicial deste voto, não posso deixar de concordar com a decisão de primeira instância, que a partir do ano de 1997, com o advento da Lei n. 9.430, de 1996, existe o permissivo legal para tributação de depósitos bancários não justificados como se "omissão de rendimentos" fossem. Como se vê, a lei instituiu uma presunção legal de omissão de rendimentos. ... De outro lado, todavia o dever do oficio nos arrasta, no sentido de que se restabeleça a justiça fiscal de que, nestes autos, está carente, não por culpa da autoridade lançadora e sim pela situação peculiar estabelecida nestes autos. Ou seja, o autuado, na tentativa de justificar es depósitos bancários apresentou notas fiscais de produtor nos valores de R$ 16.765.759,36; R$ 21.187.357,44 e R$ 18.723.798,33, correspondente aos anos calendário de 2002, 2003 e 2004, respectivamente (considerado o valor total do condomínio rural), cujos valores foram incluídos nos Autos de Infrações (dividido por quatro — condomínio), pela autoridade lançadora, como sendo omissão de rendimentos provenientes da atividade rural, cujos valores foram considerados como origem comprovada para efeitos de exclusão nos valores lançados como sendo omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários cu a origem não foi comprovada. Necessário se observar que a receita bruta da atividade rural foi considerada nos demonstrativos de apuração dos créditos bancários não justificados na forma de "fluxo de caixa" (fls. 4889/4903). Ou seja, somouse diariamente os créditos bancários e subtraiuse os cheques devolvidos, os juros, os valores com origem justificada e a receita da atividade rural apurada naquele dia. Se o resultado foi negativo, considerouse como omissão de rendimentos por depósitos bancários não justificados e o resultado foi positivo o saldo foi utilizado para justificar créditos bancários do dia seguinte e assim sucessivamente dentro do anocalendário. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA 12 Entretanto, nesse processo, quero ressaltar, que independentemente do teor da peça impugnatória e da peça recursal incumbe a este colegiado, verificar o controle interno da legalidade do lançamento, bem como, observar a jurisprudência dominante na Câmara, para que as decisões tomadas sejam as mais justas possíveis, dando o direito de igualdade para todos os contribuintes. Não tenho dúvidas, que quando se trata de questões preliminares, tais como: nulidade do lançamento, decadência, erro na identificação do sujeito passivo, intempestividade da petição, erro na base e cálculo, aplicação de multa, etc, são passíveis de serem levantadas e apreciadas pela autoridade julgadora independentemente de argumentação das partes litigantes. Embora não abandone a idéia de que a comprovação de origem, nos termos do disposto no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, deva ser interpretada como a apresentação pelo contribuinte de documentação hábil e idônea que possa identificar a fonte do crédito, o valor, a data e, principalmente, que demonstre de forma inequívoca a que titulo os créditos foram efetuados na conta corrente, sou forçado a reconhecer que a jurisprudência neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem avançado no sentido de reconhecer a necessidade de excluir da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários não comprovados, nos casos em que a autoridade lançadora deixou de considerar, os rendimentos declarados / lançados ou utilizou critérios que não considerem a totalidade. Observase, que a autoridade lançadora considerou os valores da receita bruta da atividade rural, relativo as notas fiscais de produtor apresentado pelo suplicante, durante a fase do procedimento fiscal. Entretanto, o critério utilizado prejudicou o suplicante, já que a autoridade fiscal ao utilizar o critério do tipo "fluxo de Caixa" não considerou o saldo positivo apurado no último dia do ano calendário. Ou seja, o suplicante (condomínio) tinha um saldo positivo de recursos que, em tese, poderiam justificar depósitos bancários dentro do ano calendário se não for levada em conta a necessidade de coincidência de datas e valores, como foi o caso do presente processo. Muito embora não haja dúvidas quanto a presunção legal que determina a apuração mensal dos depósitos bancários, temos no caso presente que o contribuinte se dedica atividade rural, sendo também certo que a Lei 8.023, de 1990 impõe a apuração anual. Não considerar tais valores como origem dos depósitos bancários não comprovado deixa, com certeza, o suplicante numa situação inadequada. Assim, em especial, neste processo, entendo que por uma questão de justiça fiscal existe necessidade de se estabelecer uma relação harmoniosa entre o fisco e o contribuinte. Ou seja parece ser possível concluir, por uma questão de coerência, que o tratamento a ser dado nestas circunstâncias deva ser a exclusão do valor da receita da atividade rural incluída de oficio Fl. 12DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15940.000164/200779 Acórdão n.º 920201.889 CSRFT2 Fl. 5.241 13 pela autoridade lançadora no Auto de Infração, como sendo a base de cálculo para a omissão e rendimentos da atividade rural, sob pena de se lhe dar tratamento tributário mais gravoso do que se o contribuinte estivesse ficado inerte (não apresentar as respectiva notas fiscais). Por outro lado, tal aspecto não chega a se constituir em prova absoluta de que o valor apurado, com base nas notas fiscais de produtor, de fato tem origem nestes depósitos bancários não justificados. Ora, se o recorrente apresentou as notas fiscais de produtor durante o procedimento fiscal (de forma espontânea) e o fisco utilizou o valor destas notas fiscais para constituir o lançamento de oficio, não vejo, pois, como deixar de reconhecer ao recorrente o direito de reduzir em igual montante o valor da receita bruta da atividade rural utilizada como base de cálculo para apurar a omissão de rendimentos provenientes da atividade rural do item de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários, para efeito de cálculo do imposto devido. É de se registrar, que em situações análogas esse conselho já se manifestou no sentido de excluir a tributação dos rendimentos omitidos por decorrência de depósito bancário, uma vez que tais valores já foram objeto de lançamento por receita omitida na atividade rural, conforme podemos observar no acórdão abaixo transcrito: DEPÓSITOS BANCÁRIOS ATIVIDADE RURAL – A interpretação harmônica da Lei n." 9.430, de 1996 com a Lei n." 8.023, de 1990 que regula a atividade rural, induz ao entendimento de que os rendimentos totais da atividade se prestam como origem para justificar os depósitos bancários, independentemente de coincidência de data e valores. (Ac. 104 19984)' Assim sendo, da análise dos demonstrativos de fls. 4.889/4.903 observase que foi apurado um saldo positivo de R$ 132.085,19 (fls. 4.411); R$ 1.490.950,17 (fls. 4.670) e R$ 3.123.274,55 (fls. 4.887), correspondente aos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004, respectivamente. Estes valores correspondem ao condomínio sendo necessário a divisão por quatro para se apurar o valor a excluir por contribuinte: 132.085,19 : 4 = 33.021,29; 1.490.950,17 : 4 = 372 .737,54 e 3.123.274,55 : 4 = 780.818,00. Assim sendo, se faz necessário excluir da base de cálculo dos itens omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários os valores: R$ 33.021,29; R$ 372.737,54 e R$ 780.818,00, correspondente aos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004, respectivamente. Observando, que relativo ao ano calendário de 2004 é de se excluir a totalidade lançada, já que os valores lançados neste item somam R$ 493.010,16 e o valor positivo foi de R$ 780.818,00. Fl. 13DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA 14 Como se demonstra, de forma clara, pela leitura das ementas e dos votos, tanto os acórdãos paradigmas quanto o acórdão recorrido não afastam a aplicação do Art. 42, da Lei 9.430/1996. Também determinam que provas sejam produzidas pelos contribuintes. O paradigma e o recorrido respeitam e aplicam o Art. 42 e respeitam a inversão do ônus probante, só que o acórdão recorrido, devido a forma de apuração efetivada pelo Fisco, na origem do lançamento, utilizou saldos positivos que ocorreram no final dos anos. Portanto, como não há divergência demonstrada entre acórdãos paradigmas e recorrido, voto pelo não conhecimento do recurso da nobre PGFN no que tange aos depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do voto. Quanto ao segundo ponto, qualificação da multa, o contribuinte alega que, também, o argumento não deveria ter sido conhecido, pois, segundo o Regimento do Conselho, não se pode conhecer de alegação que tenha sido objeto de Súmula. RICARF: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. ... § 2º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância. Esclarecemos ao Contribuinte que, apesar do extenso voto sobre a questão, proferido pelo nobre Relator, não há a utilização de Súmula para decidir a questão. Portanto, nesse caso, devemos conhecer do argumento da PGFN. Quanto a qualificação da multa devido a lançamento de ofício, devido, segundo o Fisco, a existência de conduta prevista em lei por parte do sujeito passivo. Lei 9.430/1996: Art.44.Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: Ide setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; IIcento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Fl. 14DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15940.000164/200779 Acórdão n.º 920201.889 CSRFT2 Fl. 5.242 15 Pela leitura do dispositivo, fica claro que há necessidade do evidente intuito de fraude. Lei 4.502/1964: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. O Fisco motivou a qualificação da multa sob os seguintes argumentos, fls. 04995: 40. O contribuinte, ao não informar, nos respectivos meses, no anexo da atividade rural (anoscalendário de 2002, 2003, 2004), a quase totalidade da vultosa receita bruta auferida proveniente de imóveis explorados como parceiro e arrendatário, o fez com a intenção de impedir ou retardar, ainda que parcialmente, o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, no caso, rendimento tributável relacionado com exploração da atividade rural, restando configurado a conduta escrita como sonegação fiscal, conforme definido no artigo 71, inciso I da Lei n° 4.502/64, justificandose, por conseguinte, a aplicação da multa prevista no artigo 44, inciso II da Lei n° .430/96. Na verdade, tratase de prática reiterada, praticada nos anos calendário de 2001, 002, 2003 e 2004. O mesmo argumento é válido no que diz respeito aos rendimentos omitidos provenientes de juros recebidos via cobrança bancária. Portanto, o Fisco motivou a qualificação da multa por não informação, com pratica reiterada. Como bem observa o Contribuinte, há Súmula que nos ajuda a definir a questão: Fl. 15DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA 16 Portaria CARF 49/2010: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Em nosso entender, não há a demonstração, pelo relatado pelo Fisco, do evidente intuito de fraude. O Contribuinte não utilizou de estratagemas para “esconder” a receita, pelo contrario, conforme destaca o nobre Relator, o Contribuinte apresentou todas as informações solicitadas pelo Fisco, que, aliás, fundamentaram a exigência. Com todo respeito ao trabalho do Fisco, não encontramos em nenhum momento a caracterização de evidente intuito de fraude. Verificamos o inadimplemento das suas obrigações tributárias, mas essa conduta não enseja a aplicação da multa qualificada. Ressaltese que o contribuinte já é penalizado pelo inadimplemento do tributo devido, com uma multa de 75% (setenta e cinco pro cento) sobre o valor devido. Para a duplicação dessa penalidade, com a aplicação de uma multa de 150% (cento e cinqüenta por cento) deve estar provado nos autos, com absoluta, cabal, evidente certeza, o intuito de fraude, requisito que não consta na autuação. O Fisco, para a qualificação da multa, necessita comprovar duas características na ação do sujeito passivo: 1. EVIDENTE: qualidade daquilo que não admite dúvida; e 2. INTUITO: Propósito na realização de um ato. Ressaltamos, novamente, que pela leitura do relato do Fisco não ficou demonstrado, com absoluta certeza, que o propósito era, sem dúvida, de impedir o conhecimento para reduzir o tributo devido. Somase as considerações expostas em voto qualificado do nobre Conselheiro Relator Giovanni Christian Nunes Campos (Acórdão 10617.015): “Primeiro, devese discutir a pertinência da qualificação da multa de oficio. Quando das infrações aqui em comento, tinha vigência o art. 44 da Lei n° 9.430/96, em sua redação original. Nessa época, aplicavase a multa qualificada nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. Assim, mister verificar se a conduta estampada nos autos pode se subsumir aos tipos abstratos da qualificação previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96, ou seja, se está comprovado o evidente intuito de fraude, como definido nos arts. 71, 72, 73 da Lei n° 4.502/1964. A autuação tomou por base uma presunção de omissão de rendimentos. O recorrente não fez qualquer prova da origem dos depósitos bancários. Por fim, nos autos, não se descobriu a origem dos depósitos bancários. Fl. 16DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15940.000164/200779 Acórdão n.º 920201.889 CSRFT2 Fl. 5.243 17 ... Poderia, entretanto, a conduta dos autos se subsumir à sonegação, que é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador do imposto de renda ou das condições pessoais do contribuinte. No caso de sonegação, mister explicitar claramente o fato gerador do imposto sonegado, com as condutas dolosas que impediram ou retardaram o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador ou das condições pessoais do contribuinte. A partir de uma presunção legal de ocorrência de um fato gerador do imposto, não podemos afiançar que o contribuinte agiu com dolo, no intuito de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, notadamente porque a conta bancária era movimentada pelo recorrente, sem nenhuma interposição de pessoa, ou fraude a esconder o real beneficiário dos depósitos. Toda a movimentação bancária foi feita às claras. Por óbvio, considerando as gravíssimos conseqüências da qualificação da multa, que ultrapassam a questão pecuniária, adentrando no terreno do direito penal tributário, não pode o evidente intuito de fraude ser presumido. ... No caso dos autos, o contribuinte não comprovou, documentalmente, a origem dos depósitos, o que manteve íntegro o auto de infração. Caso o recorrente tivesse comprovado a origem dos depósitos, a autoridade autuante, na forma do art. 42, § 2°, da Lei n° 9.430/96, iria verificar se tais depósitos tinham sido submetidos a regular tributação. Caso negativo, iria submetêlos às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Na última situação do parágrafo acima, a autoridade fiscal iria analisar a gênese do fato gerador do imposto omitido, e, eventualmente, poderia identificar as condutas dolosas de sonegação, fraude ou conluio. Entretanto, somente poderíamos afiançar que o contribuinte agiu dessa forma com o conhecimento do real fato gerador do tributo. Por óbvio, considerando as gravíssimas conseqüências da qualificação da multa, que ultrapassam a questão pecuniária, adentrando no terreno do direito penal tributário, não pode o evidente intuito de fraude ser presumido. Como exemplo, acatase a qualificação da multa de oficio nas seguintes hipóteses: • utilização de documentos, material ou ideologicamente, falsos para abertura ou movimentação da conta bancária; • conta de depósito aberta em nome interposta pessoa (Acórdão n° 104 20.713, sessão de 19/05/2005, relator o Conselheiro Remis Almeida Estol; Acórdão n° 10422.618, sessão de 13/09/2007, relator o Conselheiro Nelson Mallmann); Fl. 17DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA 18 • utilização de um segundo número de CPF para dificultar a identificação do contribuinte (Acórdão n° 10247.157, sessão de 20/10/2005, relatora a Conselheiro Silvana Mancini Karam); • contribuinte que utiliza conta de terceiro para movimentar recursos de origem não comprovada (Acórdão n° 10616.646, sessão de 05/12/2007, relatora a Conselheira Roberto de Azeredo Ferreira Pagetti); • omissão da escrituração de depósitos bancários, aliado ao exercício de atividades paralelas, as quais dependem de autorização de órgão governamental (Acórdão n° 10193.865, sessão de 19/06/2002, relator o Conselheiro Paulo Roberto Cortez); • utilização de meio fraudulento para comprovar a origem dos depósitos bancários (Acórdão n° 10248.266, sessão de 01/03/2007, relator o Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho). Na espécie, nenhuma das hipóteses acima ocorreu, mas apenas uma omissão de rendimentos, estribada em uma presunção legal relativa. Para qualificar a multa, mister comprovar com elementos hábeis e idôneos o evidente intuito de fraude. Mera presunção da omissão de rendimentos a partir de depósitos bancários de origem não comprovada não justifica a qualificação da multa de oficio. Devese ressaltar que a decisão acima está em consonância com a jurisprudência do Conselho de Contribuintes, balizada pela Súmula 1°CC n° 14: "A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo". Corno exemplo da jurisprudência do Conselho na matéria, colacionase a ementa do Acórdão n° 10422619, unânime para desqualificar a multa de oficio, sessão de 13/09/2007, relator o conselheiro Nelson Malmann, verbis: OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI 1‘1°. 9.430, DE 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente ' intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS PERÍODOBASE DE INCIDÊNCIA APURAÇÃO MENSAL TRIBUTAÇÃO NO AJUSTE ANUAL – Os valores dos depósitos bancários não justificados, a partir de 1° de janeiro de 1997, serão apurados, mensalmente, à medida que forem creditados em conta bancária e tributados como rendimentos sujeitos à tabela progressiva anual (ajuste anual). PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÓNUS DA PROVA – As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao Fl. 18DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15940.000164/200779 Acórdão n.º 920201.889 CSRFT2 Fl. 5.244 19 contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. SANÇÃO TRIBUTÁRIA MULTA QUALIFICADA JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de oficio de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa qualificada seja aplicada, exigese que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502, de 1964. A apuração de depósitos bancários em contas de titularidade do contribuinte cuja origem não foi justificada, independentemente da forma reiterada e do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito defraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei no. 9.430, de 1996.. Recurso parcialmente provido. (grifei) Ainda, na linha do aqui decidido, citamse os Acórdãos n's: 103 23151, sessão de 08/08/2007, relator o conselheiro Paulo Jacinto do Nascimento; 10616389, sessão de 23/05/2007, relatora a conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Assim, devese afastar a qualificação da multa de oficio. Por todo exposto, creio que o Acórdão recorrido não deve ser reparado quanto a questão da multa de ofício. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso da nobre PGFN e, na parte conhecida, nego provimento ao recurso, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 19DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA 20 Fl. 20DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA
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