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Numero do processo: 13854.000325/2002-63
Turma: Terceira Turma Superior
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 28 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Fri Jul 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/1999 a 31/10/2001
PIS. DECADÊNCIA.
O prazo decadencial para a Fazenda Pública constituir crédito tributário é de cinco anos, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN, no caso de haver antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-000.955
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/1999 a 31/10/2001 PIS. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para a Fazenda Pública constituir crédito tributário é de cinco anos, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN, no caso de haver antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo. Recurso Especial do Contribuinte Provido.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/1999 a 31/10/2001 PIS. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para a Fazenda Pública constituir crédito tributário é de cinco anos, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN, no caso de haver antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 4. 00 03 25 /2 00 2- 63 Fl. 379DF CARF MF Impresso em 10/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13854.000325/200263 Acórdão n.º 9303000.955 CSRFT3 Fl. 380 2 Relatório A matéria devolvida a este Colegiado cingese ao prazo decadencial para se constituir crédito das contribuições sociais, na hipótese de existência de antecipação de pagamento do tributo devido. O julgamento deste recurso tem como paradigma o Recurso nº 230.135, julgado na sessão imediatamente anterior a esta, sendolhe aplicada mesma tese daquele julgado, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Em apertada síntese, é o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator O recurso merece ser conhecido por ser tempestivo e atender aos pressupostos regimentais de admissibilidade. A teor do relatado, a questão devolvida a este Colegiado cingese em decidir se se aplica o prazo decenal do art. 45 da Lei nº 8.212/1991, ou os cinco anos do CTN, e ainda, o termo inicial da contagem. Este voto segue as disposições do § 2º, in fine, do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Para tanto, adoto a tese do julgamento do Recurso nº 230.135. A matéria trazida a debate gira em torno de se decidir se se aplica o prazo decenal do art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991, ou os cinco anos do CTN, e ainda o termo inicial da contagem. No tocante à duração do prazo, a questão foi apascentada na Jurisprudência deste Colegiado, com a edição da SúmulaVinculante nº 8, do Supremo Tribunal Federal, que declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Com isso, o prazo de decadência de todos os tributos é de 5 anos, nos termos preconizados no CTN. Resta, então, decidir qual o termo de início, se o da data de ocorrência do fato gerador § 4º do art. 150 do CTN ou se o do primeiro dia do exercício seguinte, nos termos do inciso I do Código Tributário Nacional. Conforme se verifica dos autos, a autuação deveuse a diferenças havidas entre os valores pagos e outros encontrados nas DCTF, quando comparados com os constantes na DIPJ e nos livros contábeis.Isto é, houve pagamento. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 10/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13854.000325/200263 Acórdão n.º 9303000.955 CSRFT3 Fl. 381 3 Superada está a possibilidade de aplicar o art. 45, acima referido, uma vez que a Súmula nº 8 do STF afastou a norma nele contida do ordenamento tributário, por inconstitucional. Passamos então à apreciação do dia a partir do qual deve ser contado o prazo decadencial. A posição, diversas vezes expressada, é de que tributos sujeitos ao lançamento por homologação constituem modalidade de atividade mista, fisco/contribuinte, como meio de facilitação da formalização e do cumprimento da obrigação tributária. O contribuinte faz as contas e paga, quando for o caso, e o auditor fiscal analisa a atividade como um todo, homologando ou não o pagamento. É assim o conteúdo da norma inscrita no art. 150, § 4º. Vejamos: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ....................................................................................................... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. De outro lado, nos termos do art. 142 do CTN, a atividade de lançamento é privativa da autoridade administrativa: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Assim, definido que o lançamento é atividade privativa e vinculada da autoridade tributária, penso que o legislador desejou informar pela norma contida no art. 150 do CTN, a possibilidade de, posteriormente à atividade de organização das contas pelo contribuinte, à luz de sua interpretação das normas legais (interpretação do contribuinte), fazer com que a atividade de lançamento, privativa do auditor fiscal, e normalmente prévia ao pagamento, seja posterior ao mesmo, no momento em que a autoridade tributária afere a correção do procedimento Fl. 381DF CARF MF Impresso em 10/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13854.000325/200263 Acórdão n.º 9303000.955 CSRFT3 Fl. 382 4 desenvolvido pelo contribuinte – suas contas, regimes, atividades, e tudo o mais que constitui a formação do lançamento, e homologa ou não o pagamento oferecido antecipadamente, no exercício da atividade de fiscalização. Como já disse, estamos diante de norma simplificadora da atividade do fiscal e do contribuinte, tanto que, expirados os cinco anos sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, presumese correta a atividade, homologase o pagamento e considerase definitivamente extinta a obrigação tributária. Ocorre que o pagamento antecipado, não vem acompanhado do memorial contendo a contabilidade da empresa, e outras informações que podem socorrer o agente público na hora de proceder o lançamento. De outro lado, o pagamento antecipado noticia ao Fisco a ocorrência de um fato gerador de obrigação tributária, e que o crédito tributário, dela decorrente, está a espera de formalização por meio de um ato administrativo. Nesse caso, entendeu o legislador que o Fisco dispõe de 5 anos, contados da ocorrência do fato gerador para formalizar o lançamento ou homologar o pagamento efetuado, se não o fizer, nesse prazo considerase homologada a antecipação realizada pelo sujeito passivo, e definitivamente extinto o crédito tributário. Situação diferente é aquela em que o sujeito passivo não antecipa o pagamento do tributo devido. Neste caso, não há falarse em homologação. Com isso, o prazo decadencial tem como marco inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, conforme disposição expressa do art. 173, inciso I, do CTN. No caso dos autos, houve antecipação de pagamento, e não ficou constatado simulação, fraude ou dolo. Assim, o termo inicial é o do art. 150, § 4º, do CTN. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso apresentado pelo sujeito passivo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 382DF CARF MF Impresso em 10/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 16327.901624/2006-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3301-000.140
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: WALBER JOSÉ DA SILVA-Relator ad hoc
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (Assinado Digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado Digitalmente) Walber José da Silva – Relator “Ad hoc” Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Mauricio Taveira e Silva, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Rafael Yuji Kavabata, OAB 249.810-SP. BANCO ITAÚ S.A., devidamente qualificado nos autos, recorre a este Colegiado, através do recurso de fls. 39/44 contra o acórdão nº 05-28.787, de 17/05/2010, prolatado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas - SP, fls. 31/34, que não reconheceu o direito creditório alegado, não homologando a compensação declarada, por meio de PER/Dcomp transmitida em 22/05/2003 (fl. 15), conforme relatado pela instância a quo, nos seguintes termos: Fl. 93DF CARF MF Impresso em 06/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 16327.901624/2006-05 Resolução n.º 3301-000.140 S3-C3T1 Fl. 50 2 Trata-se de Despacho Decisório, fl. 15, que não homologou Declaração de Compensação eletrônica. Na fundamentação do ato, consta: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada em 27/02/2008, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade em 26/03/2008, fls. 04/08, alegando, em síntese: a) a não homologação eletrônica impede o contribuinte de exercer o direito constitucional de ampla defesa, pois falta ao despacho decisório a demonstração das razões que levaram à não homologação da compensação. No caso em tela, seguramente, o fisco não trouxe aos autos do processo nenhum elemento que, por si, realmente desse suporte ao que alegou como fato motivador da não homologação da declaração de compensação, exceto a descrição dos valores apurados. Por isso é que, além da circunstância de em qualquer ramo do direito incumbir o ônus da prova àquele que alega determinado fato como constitutivo de seu direito (vale dizer, à Receita Federal quanto ao fato constitutivo de seu direito, isto é, do imposto a que se julga credor), em matéria de direito administrativo, seja ela de direito tributário ou não, o ato administrativo há de ser sempre e necessariamente motivado. Ora, a falta de apuração da matéria (demonstração de que os valores foram utilizados em outros pagamentos, por exemplo), por parte da autoridade fiscal, acarreta a total impossibilidade de o contribuinte exercer sua prerrogativa constitucional de ampla defesa. Portanto, o ato administrativo deve sempre atender às formalidades impostas, devendo permitir ao contribuinte apreender o motivo e o fato (sic) está sendo autuado, a fim de que possa se defender ou, caso concorde com a autoridade fiscal, recolher o tributo apurado. Entretanto, o auto de infração em tela, ao arrepio das normas mencionadas, não demonstrando o que alega, impede que o contribuinte apresente sua defesa corretamente, o que, por si só, já o torna nulo de pleno direito; b) foram cometidos erros na declaração de compensação, cujo valor do débito corresponde à totalidade do tributo do período, tributo esse que teve parte já paga e, portanto, não fora compensada. c) o valor de débito apresentado em DCTF (doc. 08) pelo peticionante, também contém erro que deve ser observado, especificamente, o campo pagamento com DARF, pois apresentou valor maior de débito; d) o peticionante requer que seja alterado de ofício as informações da DCTF, de acordo com os dados informados no demonstrativo (doc. 07) visando contemplar o crédito ora não homologado. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 06/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 16327.901624/2006-05 Resolução n.º 3301-000.140 S3-C3T1 Fl. 51 3 A DRJ considerou a manifestação de inconformidade improcedente e não reconheceu o direito creditório. O acórdão restou assim ementado: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Ano-calendário: 2003 Compensação. Pagamento indevido ou a maior. Argüição de nulidade. Despacho decisório. Motivação. Válida a decisão que expressa a inexistência de direito creditório para compensação fundada na vinculação total do pagamento a débito declarado pelo próprio interessado. Despacho Decisório Eletrônico. Fundamentação. Cerceamento de Defesa. Na medida em que o despacho decisório que não homologou a compensação declarada teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declaração pelo próprio sujeito passivo, não há falar em cerceamento de defesa, máxime quando a manifestação de inconformidade demonstra o entendimento das razões do despacho decisório. Declaração de Compensação. Manifestação de Inconformidade. Retificação. Impossibilidade. A retificação dos débitos declarados em declaração de compensação está submetida a procedimentos e parâmetros específicos, sendo incabível o atendimento de tal pleito em sede de manifestação de inconformidade. Compensação. Créditos. Comprovação. É pré-requisito indispensável à efetivação da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Tempestivamente, a contribuinte protocolizou recurso voluntário de fls. 39/44, acrescido dos documentos de fls. 45/47, apresentando os seguintes argumentos: a) após uma sucessão de diversos erros que relaciona, a contribuinte localizou trinta e cinco pequenos valores recolhidos a maior com os quais compôs o total a ser compensado com débitos de IOF no montante de R$13.931,23; b) a verdade material deve ser privilegiada acolhendo-se as provas trazidas aos autos, afastando-se, por conseguinte, a verdade formal, de modo a não exigir valor que não possua respaldo na legislação, em observância ao princípio da estrita legalidade do direito tributário. Por fim, requer a homologação da compensação pretendida e, se necessário, a alteração de ofício das Per/Dcomp e DCTF transmitidas, nos termos do art. 147, § 2º do CTN; Fl. 95DF CARF MF Impresso em 06/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 16327.901624/2006-05 Resolução n.º 3301-000.140 S3-C3T1 Fl. 52 4 o cancelamento da cobrança efetivada através do processo n° 16327.720022/2008-11 e, ainda, protesta pela juntada dos documentos em anexo. É o Relatório. Conselheiro Walber José da Silva – Relator “Ad hoc” O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual, dele se conhece. Conforme relatado, a interessada transmitiu PER/Dcomp em 22/05/2003 (fl. 15), cuja compensação não foi homologada em virtude de que, na data da transmissão da declaração de compensação, o crédito indicado encontrava-se totalmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, inexistindo disponibilidade do valor declarado na Dcomp. Por sua vez a contribuinte alega ter havido erro no preenchimento do Per/Dcomp e da DCTF relacionadas ao crédito controvertido. A interessada menciona que apurou e declarou o IOF devido em 12/02/2003 como sendo R$257.710,65 (257.109,48 + 601,17), quitado por meio de dois DARF. Posteriormente, constatou que o valor devido seria de R$271.040,71, gerando uma insuficiência de R$13.330,06. Entretanto, esquecendo-se do DARF de R$601,17, entendeu ser devedora de R$13.931,23, cujo valor tencionou quitar por meio de trinta e cinco Dcomp, dentre as quais vinte seis não foram homologadas. Devido a ausência de apresentação de declarações retificadoras e, ainda, preenchimentos equivocados das DCTF e PER/Dcomp transmitidas, tais equívocos acarretaram a cobrança não do valor relacionado à compensação, e sim, do valor total relativo ao período de apuração, em cada um desses vinte seis processos, ou seja, está lhe sendo exigido o pagamento de vinte seis DARF de valor principal de R$271.040,71, além de multa e juros. De se ressaltar que os procedimentos de restituição, ressarcimento e compensação são intensamente regrados de modo a evitar a saída indevida de valores dos cofres públicos, bem assim, a extinção do crédito tributário pela compensação irregular. Nessa toada cabe ao administrado a observância das regras impostas, e não à administração fazendária se sujeitar a análises casuísticas em contradição com o regramento. Por outro lado, no presente caso, sendo constatada a veracidade dos argumentos apresentados, estar-se-ia exigindo pagamento de valores extremamente elevados em relação ao que de fato pudesse ser devido. Assim, em homenagem aos princípios da proporcionalidade, formalidade moderada e da verdade real, que devem nortear o processo administrativo fiscal e, ainda, de modo a evitar eventual enriquecimento sem causa por parte do fisco, proponho converter o julgamento do presente recurso em diligência a fim de que a DRF de origem analise os documentos acostados aos presentes autos e, caso entenda necessário, intime a contribuinte a comprovar a pertinência e veracidade das alegações supramencionadas, em duas vertentes, sendo a primeira em relação às declarações ditas equivocadas e a segunda, quanto à existência e disponibilidade do indébito, conforme abaixo: a) visando à constatação de que de fato as declarações apresentadas encontram- se equivocadas e, caso os equívocos fossem saneados, a exigência correta limitar-se-ia ao valor a compensar pretendido, ou seja, cerca de treze mil reais, acrescidos de multa e juros: Fl. 96DF CARF MF Impresso em 06/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 16327.901624/2006-05 Resolução n.º 3301-000.140 S3-C3T1 Fl. 53 5 b) demonstrar e existência do indébito alegado, bem como sua condição de haver suportado o ônus financeiro do IOF retido na qualidade de responsável. Posteriormente, o fiscal diligente deverá elaborar relatório, pormenorizado e conclusivo das análises levadas a efeito e do seu reflexo nas PER/Dcomp apresentadas. Na sequência a contribuinte deverá ser intimada para que, no prazo de trinta dias, caso entenda conveniente, apresente manifestação, somente quanto à matéria decorrente da diligência. Por fim, devolver os autos para este Conselho, para julgamento. (Assinado Digitalmente) Walber José da Silva – Relator “Ad hoc” Fl. 97DF CARF MF Impresso em 06/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 13975.001052/2007-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu May 14 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3101-000.414
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência nos termos do voto da relatora.
HENRIQUE PINHEIRO TORRES
Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, José Henrique Mauri, Adolpho Bergamini e Fernando Luiz da Gama Lobo Deça.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência nos termos do voto da relatora. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, José Henrique Mauri, Adolpho Bergamini e Fernando Luiz da Gama Lobo D’eça. Em complemento ao relatório de fls.133 e 134 o presente processo foi convertido em diligência para que a repartição de origem em conjunto com a diligência a ser realizada no processo n° 13.975.000042/200831: a) apure o valor a recolher da contribuição do COFINS com base na escrituração fiscal e contábil, período de apuração de 30/04/2005, em especial verifique se houve pagamento a maior em face das receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003 com prazo superior a um ano; b) cientifique a Recorrente quanto ao teor dos cálculos para, desejando manifestarse no prazo de dez dias; c) concluída a diligência conforme itens a) e b) retorne esse processo ao CARF para julgamento. Em atendimento à diligência determinada por meio da Resolução n° 3101 000.262 a DRF de Florianópolis em fls. 140 e 141 elaborou despacho concluindo: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 75 .0 01 05 2/ 20 07 -1 1 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13975.001052/200711 Resolução nº 3101000.414 S3C1T1 Fl. 32 2 “Portanto, temse que, como procedimento relativo à eventual devolução e/ou estorno deverá ser adotado por intermédio da Caixa Econômica Federal (CEF), uma vez que se trata de quantia inidônea à restituição e compensação a ser processada no Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (SIAFI), entendemos, s.m.j, prejudicada a diligência ora requerida em sede de procedimento administrativo relativo à compensação tributária, inadequado à pretensão do interessado, motivo pelo qual os autos deverão retornar ao CARF para a adoção das providências de alçada face ao acima exposto. Anotese e encaminhese para ciência ao interessado, abrindolhe prazo de dez dias para manifestação. Após, com ou sem manifestação, restituamse os autos ao CARF para seguimento.” Em fls. 142, foi expedida a Intimação SEORT n° 2372013 e em fls. 143 a juntada de aviso de recebimento pelo Recorrente. Na sequência a Recorrente manifestouse em forma única referindose a dezessetes processos supostamente idênticos, alertando que a relatora em primeiro grau foi favorável a tese da mesma, porém, totalmente diferente da decisão do conselho que deixou de contrapor a tese de defesa. Finaliza, requerendo a inclinação desse julgamento pelos argumentos e fundamentos do recurso, corroborado com a análise detida e boa percepção dessa relatora. É o relatório. Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro, O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, por conter todos os requisitos de admissibilidade. Conforme o relatado o presente processo foi convertido em diligência por esse colegiado em sessão de 29 de novembro de 2012, por unanimidade de votos. Entretanto, com todo respeito, entendo não realizada a diligência pela DRF de origem, que entendeu a mesma prejudicada por inadequada a pretensão do contribuinte. Assim, como não cabe ao órgão executor da diligência julgar a determinação desse colegiado, converto novamente o julgamento do presente processo em diligência para que a repartição de origem: a) apure o valor a recolher da contribuição do COFINS com base na escrituração fiscal e contábil, período de apuração de 30/04/2005, em especial verifique se houve pagamento a maior em face das receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003 com prazo superior a um ano; b) cientifique a Recorrente quanto ao teor dos cálculos para, desejando manifestarse no prazo de dez dias; c) concluída a diligência conforme itens a) e b) retorne esse processo ao CARF para julgamento. É como voto. Relatora – VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Fl. 160DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10845.000080/00-99
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/1989 a 30/04/1991
FINSOCIAL. PRAZO PARA PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO E COMPENSAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-B DO CPC. TEORIA DOS 5+5 PARA PEDIDOS PROTOCOLADOS ANTES DE 09 DE JUNHO DE 2005.
O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543-B do Código de Processo Civil, o que faz com que se deva adotar a teoria dos 5+5 para os pedidos administrativos protocolados antes de 09 de junho de 2005.
Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos, previsto no art. 168, inciso I, do CTN, só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4o, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em um prazo para a repetição do indébito ou compensação de 10 anos após a ocorrência do fato gerador.
Como os pedidos administrativos de restituição/compensação foram protocolados em 12/01/2000, permanece o direito de se pleitear a restituição/compensação pretendida somente para os fatos geradores ocorridos após 12/01/1990, devendo-se, assim, reconhecer a decadência do direito à restituição/compensação para os fatos geradores compreendidos entre 09/1989 e 12/1989 (inclusive).
Recurso Extraordinário Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 9900-000.891
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto
Presidente na data da Formalização do Acórdão
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros OTACILIO DANTAS CARTAXO (Presidente), JOEL MIYAZAKI, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, NANCI GAMA, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, MARCELO OLIVEIRA, PAULO ROBERTO CORTEZ, PAULO ROBERTO CORTEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, JULIO CESAR ALVES RAMOS, JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, VALMAR FONSECA DE MENEZES, JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, ELIAS SAMPAIO FREIRE, VALMIR SANDRI, MARIA HELENA COTTA CARDOZO, HENRIQUE PINHEIRO TORRES, RODRIGO CARDOZO MIRANDA, RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, RODRIGO DA COSTA POSSAS e FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente na data da Formalização do Acórdão (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros OTACILIO DANTAS CARTAXO (Presidente), JOEL MIYAZAKI, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, NANCI GAMA, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, MARCELO OLIVEIRA, PAULO ROBERTO CORTEZ, PAULO ROBERTO CORTEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, JULIO CESAR ALVES RAMOS, JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, VALMAR FONSECA DE MENEZES, JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, ELIAS SAMPAIO FREIRE, VALMIR SANDRI, MARIA HELENA COTTA CARDOZO, HENRIQUE PINHEIRO TORRES, RODRIGO CARDOZO MIRANDA, RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, RODRIGO DA COSTA POSSAS e FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA.
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PRAZO PARA PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO E COMPENSAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543B DO CPC. TEORIA DOS 5+5 PARA PEDIDOS PROTOCOLADOS ANTES DE 09 DE JUNHO DE 2005. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, o que faz com que se deva adotar a teoria dos 5+5 para os pedidos administrativos protocolados antes de 09 de junho de 2005. Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos, previsto no art. 168, inciso I, do CTN, só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4o, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em um prazo para a repetição do indébito ou compensação de 10 anos após a ocorrência do fato gerador. Como os pedidos administrativos de restituição/compensação foram protocolados em 12/01/2000, permanece o direito de se pleitear a restituição/compensação pretendida somente para os fatos geradores ocorridos após 12/01/1990, devendose, assim, reconhecer a decadência do direito à restituição/compensação para os fatos geradores compreendidos entre 09/1989 e 12/1989 (inclusive). Recurso Extraordinário Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 00 80 /0 0- 99 Fl. 596DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBE RTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.000080/0099 Acórdão n.º 9900000.891 CSRFPL Fl. 358 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente na data da Formalização do Acórdão (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros OTACILIO DANTAS CARTAXO (Presidente), JOEL MIYAZAKI, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, NANCI GAMA, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, MARCELO OLIVEIRA, PAULO ROBERTO CORTEZ, PAULO ROBERTO CORTEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, JULIO CESAR ALVES RAMOS, JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, VALMAR FONSECA DE MENEZES, JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, ELIAS SAMPAIO FREIRE, VALMIR SANDRI, MARIA HELENA COTTA CARDOZO, HENRIQUE PINHEIRO TORRES, RODRIGO CARDOZO MIRANDA, RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, RODRIGO DA COSTA POSSAS e FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA. Relatório Tratase de recurso extraordinário ao pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, com fundamento no artigo 9º do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais RICSRF, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007. Observese que, embora não esteja previsto no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, os recursos extraordinários interpostos contra acórdãos proferidos até 30 de junho de 2009 serão, por força do artigo 4° do mesmo Regimento, processados de acordo com o rito previsto no RICSRF. O Acórdão no 0305.624 da 3a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (efls. 566 a 574) reconheceu o direito do contribuinte de restituição/compensação, conforme pedidos protocolizados em 12/01/2000 (fls. 01 e 02), de direitos creditórios de FINSOCIAL referente a fatos geradores ocorridos de 01/09/1989 a 30/04/1991 (efls. 9 e 10). A Fazenda Nacional apresentou tempestivamente recurso extraordinário (e fls. 578 a 586), onde afirma que somente é possível se pleitear a repetição do indébito no prazo de 5 anos após o recolhimento indevido. Para comprovar a divergência, indicou, como paradigma, o Acórdão CSRF/0400.810, da 4a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, julgado em 03 de março de 2008, cuja ementa se transcreve: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ILL O direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de Fl. 597DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBE RTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.000080/0099 Acórdão n.º 9900000.891 CSRFPL Fl. 359 3 extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos 1 e II, e 168, inciso I, do CTN, e entendimento do Superior Tribunal de Justiça). Recurso Especial do Procurador Provido. O recurso foi admitido pelo despacho de efls. 588/589, que considerou a divergência jurisprudencial comprovada. Devidamente cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Data do pedido: 12/01/2000 (fl. 1). Fatos Geradores: 01/09/1989 a 30/04/1991 (efls. 9 e 10). O presente recurso extraordinário é tempestivo, e preenche os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a recorrente logrou demonstrar a divergência jurisprudencial suscitada. Portanto, dele conheço. Discutese qual o prazo para se pleitear a restituição dos tributos lançados por homologação, especificamente no caso de tributo declarado inconstitucional. Nessa situação, o CARF está obrigatoriamente vinculado ao posicionamento dos Tribunais Superiores nos termos do art. 62A do anexo II do RICARF, segundo o qual se deve reproduzir o conteúdo das decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Isso porque, no Recurso Extraordinário n° 566.621/RS, julgado em 11/10/2011, com trânsito em julgado em 17/11/2011, o STF decidiu que (a) considerase o prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias da LC 118/05, ou seja a partir de 9 de junho de 2005, e (b) para os demais casos, aplicase a posição do STJ de que o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados da ocorrência do fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4o, 156, VII, e 168, I do CTN. Não há que se falar em tratamento diverso do acima exposto para o caso de inconstitucionalidade de lei. Nesse sentido: no RESP nº 1.002.932SP, de 05/11/2009, em regime de Recurso Repetitivo, o Ministro Relator, Luiz Fux, faz expressa referência, em seu voto (fls. 6 e 7) à jurisprudência do STJ, reproduzindo o ERESP n° 4.35835SC, nos termos a seguir: Fl. 598DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBE RTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.000080/0099 Acórdão n.º 9900000.891 CSRFPL Fl. 360 4 ... 2. Não há que se falar em prazo prescricional a contar de declaração de inconstitucionalidade pelo STF ou da Resolução do Senado. ... o Supremo Tribunal Federal confirma essa afirmação, no RE nº 566.621 RS, de 11/10/2011, da relatoria da Ministra Ellen Gracie, em que é definido o critério de aplicação da tese dos 5 + 5 anos, em detrimento da redação dada ao art. 168 do CTN pela Lei Complementar n° 118, de 2005, e, à fl. 11 do voto, é também referida a jurisprudência consolidada do STJ, nos termos a seguir: ... é que a União invoca precedentes relativos a questões específicas, como tributos retidos no regime de substituição tributária e tributos inconstitucionais, em que chegou a haver, é verdade, alguma dúvida quanto à aplicação da regra geral dos 10 anos, mas que não perdurou. Logo, aquela Corte [STJ] firmou posição no sentido de que, também em tais situações de retenção e de reconhecimento do indébito em razão da inconstitucionalidade de lei instituidora, deverseia aplicar, sem ressalvas, a tese dos dez anos, conforme se vê dos EREsp 329.160/DF e EREsp 435.835/SC, julgados pela Primeira Seção daquela Corte. Aliás, nada melhor do que o próprio STJ para reconhecer que se tratava de jurisprudência consolidada. esse entendimento foi confirmado pelo próprio STJ, quando adaptou sua jurisprudência à decisão do STF, conforme RESP n° 1.269.570MG, de 23/05/2012, da relatoria do Ministro Mauro Campbell, em que se esclarece que a única alteração foi referente à data da mudança de critério, qual seja, para pedidos a partir da vigência da Lei Complementar n° 118, de 2005. Salientese, adicionalmente, que a expressão "ações ajuizadas" na decisão referida deve ser entendida como a realização do pedido de repetição de valor ou compensação à autoridade competente para tal, o que inclui o processo administrativo, no âmbito da Administração Tributária. No presente caso, os pedidos de restituição/compensação ocorreram antes de 09 de junho de 2005 e, portanto, aplicase o prazo de 10 anos a partir da ocorrência do fato gerador. Como os pedidos de restituição/compensação foram feitos em 12/01/2000 (fls. 1 e 2), estava apto o contribuinte a, através daqueles, utilizarse de direitos creditórios referentes a fatos geradores ocorridos após 12/01/1990. Dessa forma, como o pleito em questão se refere a fatos geradores ocorridos de 01/09/1989 a 30/04/1991 (efls. 9 e 10), é de se reconhecer que o direito de restituição/compensação estava fulminado pelo transcurso do prazo fatal para os fatos geradores compreendidos entre 09/1989 e 12/1989, inclusive . Assim, voto no sentido de conhecer do recurso extraordinário da Fazenda Nacional para, no mérito, darlhe provimento parcial, reconhecendose a decadência para os direitos creditórios pleiteados decorrentes de fatos geradores compreendidos entre 09/1989 e 12/1989 (inclusive) e determinando o retorno dos autos à unidade de origem para exame das demais questões. Fl. 599DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBE RTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.000080/0099 Acórdão n.º 9900000.891 CSRFPL Fl. 361 5 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 600DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBE RTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 11516.001201/2009-87
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Jul 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
CRÉDITO. DESPESAS DE ALUGUEL. PROVA. CONTRATO. ESCRITURAÇÃO.
É dispensável para a comprovação das despesas de aluguel de imóvel utilizado na atividade da empresa a emissão de nota fiscal pela empresa locadora, sendo hábil para considerá-la o nascimento da obrigação de pagar, já se tendo verificado todos os pressupostos materiais que tornaram exigível a relação jurídica que lhe deu causa, ainda que o respectivo pagamento venha a ocorrer em período subsequente. Adicionalmente, presente a escrita contábil com registro do pagamento do aluguel.
Numero da decisão: 3803-006.913
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para excluir a glosa da despesa com aluguel.
(assinado digitalmente)
Corinto Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os Conselheiros Corinto Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Demes Brito e Paulo Renato Mothes de Moraes.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CRÉDITO. DESPESAS DE ALUGUEL. PROVA. CONTRATO. ESCRITURAÇÃO. É dispensável para a comprovação das despesas de aluguel de imóvel utilizado na atividade da empresa a emissão de nota fiscal pela empresa locadora, sendo hábil para considerá-la o nascimento da obrigação de pagar, já se tendo verificado todos os pressupostos materiais que tornaram exigível a relação jurídica que lhe deu causa, ainda que o respectivo pagamento venha a ocorrer em período subsequente. Adicionalmente, presente a escrita contábil com registro do pagamento do aluguel.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para excluir a glosa da despesa com aluguel. (assinado digitalmente) Corinto Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram, ainda, da sessão de julgamento os Conselheiros Corinto Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Demes Brito e Paulo Renato Mothes de Moraes.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO. DESPESAS DE ALUGUEL. LOCADOR PESSOA JURÍDICA. Do valor apurado do débito da contribuição para o PIS Não Cumulativo a pessoa jurídica poderá descontar crédito calculado em relação a aluguel de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CRÉDITO. DESPESAS DE ALUGUEL. PROVA. CONTRATO. ESCRITURAÇÃO. É dispensável para a comprovação das despesas de aluguel de imóvel utilizado na atividade da empresa a emissão de nota fiscal pela empresa locadora, sendo hábil para considerála o nascimento da obrigação de pagar, já se tendo verificado todos os pressupostos materiais que tornaram exigível a relação jurídica que lhe deu causa, ainda que o respectivo pagamento venha a ocorrer em período subsequente. Adicionalmente, presente a escrita contábil com registro do pagamento do aluguel. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para excluir a glosa da despesa com aluguel. (assinado digitalmente) Corinto Oliveira Machado Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 12 01 /2 00 9- 87 Fl. 246DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram, ainda, da sessão de julgamento os Conselheiros Corinto Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Demes Brito e Paulo Renato Mothes de Moraes. Relatório Este processo retorna da diligência requisitada por meio da Resolução nº 3803000.358, de 22 de agosto de 2013, na qual foi pedido para que a Repartição de origem certificasse junto à Contribuinte e anexasse aos autos a escrituração das despesas de aluguel do período em foco. Revendo o itinerário do processo temse que esta Contribuinte transmitiu o Pedido de Ressarcimento nº 25750.86037.310306.1.1.092209, fls. 2/6, de Cofins não cumulativa relativo ao 2º. trimestre do anocalendário de 2004, no valor de R$ 34.272,22, utilizado como crédito nas Declarações de Compensação de fls. 7/20. A DRF/Florianópolis, por meio do Despacho Decisório de fls. 157/164, reconheceu parcialmente o crédito no valor de R$ 25.866,96, e homologou parcialmente a compensação. Deixou de considerar na base de cálculo dos créditos os valores a titulo de crédito presumido sobre os estoques adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País, na quantia de R$ 3.530;64, bem como os valores de aluguéis visto como pagos a pessoa física, na importância de R$ 1.203,26. Em Manifestação de Inconformidade apresentada, fls. 103/104, a Interessada alegou que houve equívoco na conclusão da autoridade fiscal no tocante à análise da documentação apresentada pela empresa, haja vista que os créditos de estoque de mercadorias nacionais constam do Dacon, recebido sob o n° 07.33.33.45.22.00. De igual forma, está comprovado que os pagamentos de aluguéis foram feitos à empresa Garantia Administradora de Bens e Serviços Ltda., pessoa jurídica, conforme documentação em anexo. Em julgamento da lide, a DRJ/Florianópolis: a) verificou que a Defesa anexou um aditivo ao contrato de locação, antes do período de que trata o presente processo, por meio do qual o locador passou a ser pessoa jurídica; b) considerou, em tese, a possibilidade do desconto de créditos em relação a pagamentos de despesas de aluguel de prédios locados de Pessoas Jurídicas e utilizados nas atividades da empresa, conforme a Lei no 10.637, de 2002. Todavia, deixou de deferir a solicitação contida na manifestação de inconformidade pelo fato de a Contribuinte ter deixado de apresentar as notas fiscais emitidas pela empresa locadora, visando à comprovação dos pagamentos feitos nos montantes que constam do Dacon. Considerou, ainda, que o Despacho Decisório foi omisso em trazer os fundamentos de fato e de direito para as demais glosas efetuadas, e o reformou para reconhecer o direito creditório correspondente a estas glosas, mantendo a relativa ao aluguel. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11516.001201/200987 Acórdão n.º 3803006.913 S3TE03 Fl. 184 3 A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. DIREITO CREDITÓRIO. NÃO RECONHECIMENTO. FUNDAMENTAÇÃO. Os fundamentos de fato e de direito são elementos essenciais para embasar a decisão administrativa que não reconhece o direito creditório. Cientificada da decisão em 27 de junho de 2012, irresignada, apresentou recurso voluntário, fls. 207/210, em 12 de julho de 2012, em que, sustentou a impropriedade e equívoco da decisão recorrida de indeferir a solicitação de inclusão dos valores de aluguéis na base de cálculo dos créditos por falta de apresentação das notas fiscais correspondentes à locação do imóvel destinado ao exercício das atividades da empresa, afirmando não haver base legal para tal exigência e que o contrato de locação já apreciado pelo Colegiado de primeira instância já faz prova do despesa incorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo Sousa Relator O recurso é tempestivo, e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A controvérsia cingese ao reconhecimento ou não do direito ao crédito decorrente das despesas de aluguel no trimestre, nos termos como decidido pela primeira instância e segundo os elementos fornecidos pela Defesa. Cabe, nesse passo, dirimir se é, de fato, exigível a apresentação de notas fiscais emitidas pela pessoa jurídica locadora do imóvel para a reconhecimento do direito a tal crédito,como exigido no despacho decisório, e, nessa esteira, definir o que será suficiente para respaldálo. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 O Código Civil, que estatui em seu art. 565 que “na locação, uma das partes se obriga a ceder à outra, por tempo determinado ou não, o uso e gozo de coisa não fungível, mediante certa retribuição.”. O art. 566 fixa que “o locador é obrigado: I) a entregar ao locatário a coisa alugada, com suas pertenças, em estado de servir ao uso a que se destina...”. Do disposto acima, deduzse que a natureza jurídica da locação de imóveis é uma obrigação de dar, evento que não é alcançado pela incidência do ISSQN, destinado que é para alcançar as obrigações de fazer, segundo a eleição feita pelo legislador na Lista Anexa à LC nº 116/2003, que não inclui esta atividade. Enquanto obrigação de dar, por sua vez, a locação de imóveis não se enquadra entre as operações relativas à circulação de mercadorias, hipótese de incidência do ICMS, juntamente com a prestação de serviços de transportes e de comunicação. A exigência de emissão de notas fiscais está adstrita às operações e prestações que consubstanciam as hipóteses de incidência de ambos os impostos. À locação de imóveis, uma vez não alcançada pela tributação destes impostos, é impertinente a exigência de emissão de nota fiscal para comprovála. Corolário desse desenho legal, a obrigação de dar contratada não é comprovável por meio de documento típico de efeitos fiscais, mas pelo próprio contrato. E a contraprestação dessa obrigação o pagamento – como, de resto, ocorre com qualquer transação mercantil é comprovado por meio de recibo, segundo a Lei nº 8.245, de 18 de outubro de 1991 (Lei do Inquilinato) 1, que estatui em seu art. 22, VI: “o locador é obrigado a fornecer ao locatário recibo discriminado das importâncias por este pagas, vedada a quitação genérica.”. Sem embargo do dispositivo legal acima, observo que para o efeito do creditamento do PIS e da Cofins a apresentação do recibo sequer é necessária para comprovação do direito ao crédito, sendo bastante a apresentação de contrato de locação firmado com pessoa jurídica idônea no CNPJ, condição que é trivial presumirse do texto legal, em vista dos efeitos da inaptidão da inscrição no CNPJ, em especial o art. 43 da IN SRF 200, de 13 de setembro de 2002, vigente ao tempo dos fatos geradores. Art. 43. Será considerado inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ haja sido declarada inapta. O fato gerador do crédito é o valor do aluguel incorrido correspondente à posse direta, a cada mês, do bem locado e destinado à atividade da empresa locatária, com fulcro no contrato firmado, independentemente do pagamento. É elementar, na elucidação do entendimento acima, o que avulta da regra de procedimento do art. 3º, § 1º, II, da Lei nº 10.637/2002, ao fixar que o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no art. 2º sobre o valor do aluguel incorrido, não sobre o valor do aluguel pago: 1 Art. 22. O locador é obrigado a: VI fornecer ao locatário recibo discriminado das importâncias por este pagas, vedada a quitação genérica; Fl. 249DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11516.001201/200987 Acórdão n.º 3803006.913 S3TE03 Fl. 185 5 Art. 3 Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] § 1º O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor:[...] II dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; [grifo aqui] A propósito, o Supremo Tribunal Federal consignou no bojo da decisão no RE 586.482/RS que “o inadimplemento do comprador não influi na descaracterização do fato gerador. Há receita em potencial a ser auferida pela empresa”, e mais, que “a exigência tributária não está vinculada ao êxito dos negócios privados.”. Acerca do conceito de despesas incorridas, o PN CST nº 58, de 1977, esclarece que “são aquelas de competência do período de apuração, relativas a bens empregados ou serviços consumidos nas transações ou operações exigidas pela atividade da empresa, tenham sido pagas ou não. A obrigação de pagar determinada despesa (enquadrável como operacional) nasce quando, em face da relação jurídica que lhe deu causa, já se verificaram todos os pressupostos materiais que a tornaram incondicional, vale dizer, exigível independentemente de qualquer prestação por parte do respectivo credor. Despesas incorridas são, portanto, aquelas decorrentes de bens empregados ou de serviços consumidos nas transações ou operações exigidas pela atividade da empresa, em relação às quais já tenha nascido a obrigação correspondente, ainda que o respectivo pagamento venha a ocorrer em período subsequente.”. 2 Sedimentado acima o modo como incide a regra de creditamento da contribuição, na situação em tela, temos, no presente caso cópia do aditivo nº 01 do contrato de locação, celebrado em 12 de abril de 2002, já reconhecido em tese pela decisão recorrida, como originador de crédito. O Aditivo nº 02 foi celebrado em 31 de março de 2009, que ora menciono apenas para demonstrar a continuidade da relação jurídica, dando cobertura aos períodos de apuração sob exame, em seu item “3”consta: 3. O aluguel mensal inicial será de R$3.800,00 (TRÊS MIL E OITOCENTOS REAIS) e vigorará pelo prazo que decorrer de 31.01.2002 a 30.01.2003, devendo, ser. pago no dia 05 do mês seguinte, contra recibo respectivo, independentemente de prévio aviso ou interpelação judicial ou extrajudicial. Após esse período, a LOCATÁRIA se sujeitará a pagar juros de mora de 1% (hum por .cento) ao mês, multa contratual de 10% (dez por cento) sobre o valor atual do. débito e correção "prorata dies" pelo IGPM sobre o montante do débito, além das despesas de cobrança. 2 http://www.receita.fazenda.gov.br/PessoaJuridica/DIPJ/2003/PergResp2003/pr241a264.htm. <acesso em 8 de junho de 2013>. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Parágrafo único. O aluguel será reajustado anualmente de. acordo, com a variação do IGPM publicado a partir de fevereiro de 2002, ou, na sua falta, o índice que vier a substituílo. Intimada a Interessada da Resolução, em atendimento requereu a juntada da escrituração das despesas de aluguel do 2º trimestre de 2004, bem como "Declaração firmada pela GARANTIA ADMINISTRADORA DE BENS E SERVIÇOS LTDA., ratificando o seu conhecimento do contrato com a PLASSON DO BRASIL, celebrado em 17.12.2001, relativamente a um terreno com área de 3.501,77 m2, e nele construído um pavilhão com área de 1.377,70 m2, às margens da Rodovia SC 444, km. 02, Içara/SC, de seus aditivos nºs 01, de 12.04.2002, 02, de 31.03.2009 e 03, de 18.01.2010, e distrato em 02.06.2010, o qual era permanentemente utilizado pela locatária para funcionamento do seu estabelecimento fabril". A escrita contábil fazse presente, inclusive com cópia dos termos de abertura e de encerramento do Diário, às fls. 240/244, com registro do aluguel às fls. 241/242/243 (fls. 140/186/233 do Livro Diário), no valor correspondente à soma dos registros constantes do DACON. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso para excluir a glosa da despesa com aluguel. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 251DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 11080.901879/2006-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Sun Jul 08 00:00:00 UTC 2001
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
APURAÇÃO DO IMPOSTO. LANÇAMENTO CREDOR. INSUMOS. FABRICAÇÃO DE PRODUTO IMUNE. REGRA GERAL. IMPOSSIBILIDADE.
Não gera direito a crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI o valor do Imposto pago na aquisição de insumos aplicados na fabricação de produtos imunes, exceto nos casos em que a imunidade decorre da exportação do produto final.
ATOS NORMATIVOS. OBEDIÊNCIA. PENALIDADES E JUROS DE MORA. EXCLUSÃO.
A observância dos atos normativos editados pela Secretaria da Receita Federal exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3102-01.129
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso para afastar a incidência de juros e multa. Vencida a Conselheira Nanci Gama, que dava provimento integral ao recurso. O conselheiro Álvaro Almeida Filho votou pelas conclusões e o Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro acompanhou a tese vencedora em segunda votação.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa
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LANÇAMENTO CREDOR. INSUMOS. FABRICAÇÃO DE PRODUTO IMUNE. REGRA GERAL. IMPOSSIBILIDADE. Não gera direito a crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI o valor do Imposto pago na aquisição de insumos aplicados na fabricação de produtos imunes, exceto nos casos em que a imunidade decorre da exportação do produto final. ATOS NORMATIVOS. OBEDIÊNCIA. PENALIDADES E JUROS DE MORA. EXCLUSÃO. A observância dos atos normativos editados pela Secretaria da Receita Federal exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso para afastar a incidência de juros e multa. Vencida a Conselheira Nanci Gama, que dava provimento integral ao recurso. O conselheiro Álvaro Almeida Filho votou pelas conclusões e o Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro acompanhou a tese vencedora em segunda votação. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 08/07/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Paulo Sergio Celani, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Ausente justificadamente o Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. O estabelecimento acima identificado apresentou pedido de ressarcimento do saldo credor do IPI, correspondente ao 1° trimestre de 2002, fls. 01/02, autorizado pelo art. 11 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999, no valor de R$ 97.121,19, cumulado com declaração de compensação. 2. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre, pelo Despacho Decisório n° 147/2008, fl. 36, de 28 de abril de 2008, com suporte na Informação fiscal das fls. 31/34, não reconheceu o direito creditório pleiteado e não homologou as compensações vinculadas ao crédito pretendido, pelos motivos relatados a seguir: 2.1 Os únicos produtos que a empresa dá saída são os jornais Zero Hora, Diário de Santa Maria e Diário Gaúcho, que, de acordo com o art. 150, VI, da Constituição Federal, são produtos imunes à tributação, não revestindo, por isso, a condição de estabelecimento industrial, nos termos da legislação do IPI. 2.2 O entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil é de que o disposto no art. 11 da Lei n° 9.779, de 11 de novembro de 1999, não se aplica aos produtos amparados por imunidade. 3. Dessa decisão o contribuinte foi cientificado em 09 de maio de 2008, conforme Aviso de Recebimento na fl. 38. Inconformado, apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade, fls. 39/55, firmada por procurador (Instrumento de Procuração na fl. 56) alegando, em síntese, o seguinte: a) direito ao crédito nas saídas de produtos imunes; b) vinculação da Administração Pública aos atos normativos por ela expedidos: violação ao art. 11 da Lei n° 9.779/99 e, em especial, ao art. 4° da IN SRF n° 33, de 04 de março de 1999, uma vez que os produtos industrializados sujeitos à alíquota zero englobam os produtos imunes; c) aplicação retroativa de ato infralegal, em violação aos artigos 106, I, e 144, ambos do Código Tributário Nacional. 3.1 Ao final, requer a reforma do despacho decisório e homologação das compensações efetuadas. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR DO IPI. São inadmitidos, na composição do saldo credor do IPI, os créditos decorrentes da aquisição de insumos empregados na fabricação de produtos imunes por outros fatores que não a exportação, bem como de produtos com a notação "NT" Fl. 2DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11080.901879/200686 Acórdão n.º 3102001.129 S3C1T2 Fl. 2 3 (nãotributados) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI). Ilegalidade. Não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à ilegalidade dos atos normativos, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. Aplicação dos atos normativos. O julgador deve observar o entendimento da SRF expresso em atos normativos. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na Manifestação de Inconformidade. Sustenta que os produtos de sua fabricação são produtos imunes e não produtos não tributados. Destaca a relevante distinção que há entre ambos. Que o direito ao crédito não surgiu com a Lei n o 9.779/99, mas do próprio princípio da nãocumulatividade, previsto na Constituição Federal. Que o direito ao credito no caso de produtos imunes, isentos ou tributados à alíquota zero foi explicitado na Instrução Normativa SRF nº 33/99, mais tarde ilegalmente modificada pelo Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 05, de 17 de abril de 2006. Cita “recente julgado, ocorrido em 18 de junho de 2008 [no qual] o Min. Ricardo Lewandovski” considera “patente que o direito ao aproveitamento de créditos decorrentes de insumos tributados, no caso de produtos isentos ou tributados à alíquota zero, não teria surgido apenas com a promulgação da Lei 9.779/99, já derivado diretamente do princípio da nãocumulatividade, previsto na CF/88 e em Cartas anteriores, sendo inadmissível que lei ordinária ou simples regulamento pudessem obstaculizálo. Ressaltou que a retroação dos efeitos da Lei 9.779/99 estaria implícita, porque esse diploma configuraria verdadeira "lei interpretativa””. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Discutese a possibilidade de aproveitamento de créditos na aquisição de insumos aplicados na fabricação de produtos imunes. Tratase de um assunto bastante controvertido, se não pela própria sistemática de apuração de tributos nãocumulativos e das tantas interpretações que comporta no tocante às conseqüências do aproveitamento de créditos quando a operação subsequente é desonerada do Imposto, então pelas divergentes decisões encontrados na jurisprudência. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA 4 Permitome iniciar a análise, partindo da decisão tomada no âmbito do Supremo Tribunal Federal, colacionada pela própria empresa recorrente, de lavra do Exmo. Min. Ricardo Lewandovski, com o seguinte teor. Entendeu ser patente que o direito ao aproveitamento de créditos decorrentes de insumos tributados, no caso de produtos isentos ou tributados à alíquota zero, não teria surgido apenas com a promulgação da Lei 9.779/99, já derivado diretamente do princípio da nãocumulatividade, previsto na CF/88 e em Cartas anteriores, sendo inadmissível que lei ordinária ou simples regulamento pudessem obstaculizálo. Ressaltou que a retroação dos efeitos da Lei 9.779/99 estaria implícita, porque esse diploma configuraria verdadeira "lei interpretativa” É de se admitir que a interpretação acima transcrita caminha no mesmo sentido da que é defendida pela recorrente. Tal como naquela, baseiase na premissa de que a Lei 9.779/99 não inovou no ordenamento jurídico pátrio, mas apenas determinou expressamente aquilo que já estava há muito consagrado pela própria Constituição Federal, derivando diretamente do princípio da nãocumulatividade. Inobstante, o fato é que nem mesmo a própria decisão do Recurso Especial em epígrafe terminou por adotar tal entendimento, se não vejamos. Antes da vigência Lei nº 9.779/99 não é possível o contribuinte se creditar ou se compensar do IPI quando incidente o tributo sobre os insumos ou matériasprimas utilizados na industrialização de produtos isentos ou tributados com alíquota zero. RE 562.980, Min. Ricardo Lewandowski e redator AC Min. Marco Aurélio Ou seja, a despeito do entendimento manifesto pelo Ministro Relator do processo no curso da decisão, conforme trazido aos autos pela recorrente, ao final prevaleceu a idéia contrária, a de que foi a Lei 9.779/99 responsável pela introdução no ordenamento jurídico da possibilidade de creditamento nas situações em que o produtos final não pague o Imposto. Pertinente trazer aos autos manifestação contida no voto condutor da decisão epigrafada, de autoria do Exmo. Min. Marco Aurélio. RECUSO EXRAORDINÁRIO 562.9805 SANTA CATARINA O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – Senhor Presidente, apenas dois esclarecimentos: os casos versam situação pretérita à lei, e, no meu voto, sustentei realmente que a Constituição Federal cogita de compensação, e compensação pressupõe algo devido que terá parcela subtraída mediante esse fenômeno – compensação. Há mais, Presidente. Há um aspecto muito interessante: se não entendermos dessa forma, o que ocorrerá, evidentemente por uma via diversa, quanto ao recolhimento anterior? Se se credita o valor recolhido anteriormente, quando a saída do produto é isenta, estarseá procedendo à retroação dessa mesma isenção a ponto de alcançar a primeira operação e, claro, isso não está previsto na Constituição Federal. A Constituição Federal visa, com o princípio da não cumulatividade, a evitar superposições, não a extensão retroativa de benefício, considerada a operação tributada anteriormente. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11080.901879/200686 Acórdão n.º 3102001.129 S3C1T2 Fl. 3 5 Por isso mantenho, nos dois casos, os votos proferidos, ressaltando que, como não se reconhece o direito ao principal, não se pode cogitar de acessórios – correção monetária. As conseqüências de tal fato são claras. Se não é da índole do método de apuração baseado no princípio da nãocumulatividade a autorização para o aproveitamento de créditos na aquisição de insumos utilizados para produtos isentos ou tributados com a alíquota zero, por certo também não o é nos casos de fabricação de produtos imunes ou nãotributados, de tal sorte que o aproveitamento do créditos nestas circunstâncias depende de expressa previsão legal. No mesmo diapasão, encontrase a orientação consignada em súmula editada no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Todo exposto, salvo melhor juízo, afasta qualquer possibilidade de que se acolha o entendimento de que o aproveitamento de créditos em situações como a de que aqui tratamos seja um procedimento inerente à mecânica da nãocumulatividade. Em lugar disso, necessário admitir que ele decorre de Lei e dela depende. Neste sentido, identificase no comando legal contido na Lei 9.779/99 autorização para o aproveitamento de crédito apenas em dois casos: nos de fabricação de produtos isentos e nos de fabricação de produtos tributados à alíquota zero. Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. Embora a recorrente tenha colocado em destaque na parte introdutória da peça recursal a distinção entre produtos imunes e não tributados, nada acrescentou a respeito do assunto nas linhas subseqüentes. Observese como introduziu o assunto. 2. RAZÕES DO RECURSO 2.1 Do objeto da controvérsia 2.1.1 A empresa recorrente tem como objeto a exploração do ramo de jornalismo, distribuição de notícias e informações, bem como a edição e impressão de jornais e periódicos, ou seja, produtos imunes ao IPI. O acórdão, por sua vez, afirma que tais produtos seriam classificados como produtos nãotributados e constrói sua argumentação em cima dessa classificação, conforme se percebe na ementa do acórdão: "inadmitidos, na composição do saldo credor do IPI, os créditos decorrentes da aquisição de insumos empregados na fabricação de produtos imunes por outros fatores que não a exportação, bem como de produtos com a notação NT (nãotributados) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI)". Fl. 5DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA 6 2.1.2 Resta evidente pela leitura do acórdão que o Relator estende a mesma fundamentação dos produtos nãotributados aos produtos imunes, declarando inexistir direito ao provimento de créditos decorrentes da aquisição de insumos aplicados tanto na produção de produtos imunes como nãotributados. 2.1.3 Sobre o ponto, indiscutível tratarse de produtos imunes, porquanto a empresa dedicase à publicação de jornais e periódicos, cuja imunidade está constitucionalmente consagrada no art. 150, VI, d, e prevista no art. 18, I, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI) Decreto n° 4.544/02. 2.1.4 A diferenciação se mostra relevante, à medida que a matériaprima utilizada na fabricação de produtos nãotributados jamais pode ser aproveitada como crédito de IPI, ao contrário da matériaprima dos produtos imunes, que se enquadra na hipótese prevista no art. 11 da Lei n° 9.779/99. Não havendo, como se disse, considerações complementares capazes de elucidar a distinção anunciada, o argumento trazido pela própria recorrente, no sentido de que a matériaprima utilizada na fabricação de produtos nãotributados jamais pode ser aproveitada como crédito de IPI, ao contrário da matériaprima dos produtos imunes, que se enquadra na hipótese prevista no art. 11 da Lei n° 9.779/99, termina por corroborar (embora não fosse essa a sua intenção) o entendimento de que a autorização para apropriação do crédito na escrita, em tais circunstâncias, está restrita àquilo expressamente determinado na Lei permissiva, a Lei 9.779/99. Importante destacar nesta altura, sem intentar a elaboração de uma tese conclusiva a respeito do assunto, que existem conhecidas distinções entre os fenômenos da isenção, da tributação à alíquota zero, da imunidade e da condição de produtos não tributáveis. Enquanto a isenção e a redução da alíquota são procedimentos ao alcance, um do legislador ordinário, outro muitas vezes da própria Administração, a imunidade é assunto tutelado pela Constituição Federal, ao passo que a condição de produto não tributado consubstanciandose em uma característica própria do produto definido como tal. Identificar tais distinções permite admitir que para uns o legislador tenha encontrado fortes razões para permitir o aproveitamento de créditos e para outros não, reforçando o entendimento de que a decisão deva ser tomada à luz do disposto na Lei 9.779/99, ausentes quaisquer razões para que se proceda a uma interpretação extensiva de suas disposições. Uma vez que isso tudo esteja decidido, é preciso, noutro giro, que se atente para as disposições infralegais trazidas ao mundo jurídico pelas deliberações emanadas da Secretaria da Receita Federal do Brasil por meio da Instrução Normativa nº 33/99 e do Ato Declaratório Interpretativo nº 05/06. A Instrução Normativa nº 33/99, ao tratar dos produtos passíveis de aproveitamento do crédito, referiuse expressamente àqueles identificados como imunes, se não vejamos. Do direito ao aproveitamento do saldo credor do IPI – Art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999 Art. 4º O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei no 9.779, de 1999, do saldo credor do IP I decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no Fl. 6DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11080.901879/200686 Acórdão n.º 3102001.129 S3C1T2 Fl. 4 7 estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1o de janeiro de 1999. (grifos meus) Art. 5º Os créditos acumulados na escrita fiscal, existentes em 31 de dezembro de 1998, decorrentes de excesso de crédito em relação ao débito e da saída de produtos isentos com direito apenas à manutenção dos créditos, somente poderão ser aproveitados para dedução do IPI devido, vedado seu ressarcimento ou compensação. § 1º Os créditos a que se refere este artigo deverão ficar anotados à margem da escrita fiscal do IPI. § 2º O aproveitamento dos créditos do IPI de que trata este artigo somente poderá ser efetuado com débitos decorrente da saída dos produtos acabados, existentes em 31 de dezembro de 1998, e dos fabricados a partir de 1º de janeiro de 1999, com a utilização dos insumos originadores desses créditos, considerandose que os produtos que primeiro saírem foram industrializados com a utilização dos insumos que primeiro entraram no estabelecimento. § 3º O aproveitamento dos créditos, nas condições estabelecidas no artigo anterior, somente será admitido após esgotados os créditos referidos neste artigo. Mais tarde, o Ato Declaratório Interpretativo nº 05/06, com o fito de interpretar a Instrução Normativa nº 33/99, assim esclareceu. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 230 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n° 30, de 25 de fevereiro de 2005, e tendo em vista o que consta do processo n° 10168.000853/200696, declara: Art. 1° Os produtos a que se refere o art. 40 da Instrução Normativa SRF n° 33, de 4 de março de 1999, são aqueles aos quais a legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) garante o direito à manutenção e utilização dos créditos. Art. 2° O disposto no art. 11 da Lei n°9.779, de 11 de janeiro de 1999, no art. 5° do Decretolei n°491, de 5 de março de 1969, e no art. 40 da Instrução Normativa SRF n° 33, de 4 de março de 1999, não se aplica aos produtos: I com a notação "NT" (nãotributados, a exemplo dos produtos naturais ou em bruto) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto n° 4.542, de 26 de dezembro de 2002; II amparados por imunidade; III excluídos do conceito de industrialização por força do disposto no art. 5° do Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002 – Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (Ripi). Parágrafo único. Excetuamse do disposto no inciso II os produtos tributados na Tipi que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior. A litigante recorre a estas disposições em sua defesa, conforme excertos do recurso voluntário apresentado a este colegiado, a seguir transcritos. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA 8 Ocorre que o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 05, de 17 de abril de 2006, proibiu, em seu art. 2°, II, o creditamento do IPI envolvendo insumos empregados na industrialização de produtos imunes. 2.2.11 Não é possível que um ato supostamente interpretativo afaste expressa previsão legal e de fontes complementares das leis. A administração tributária está vinculada aos instrumentos normativos que produz, devendo atender à IN SRF n° 33/99, a qual foi exarada com a finalidade de regulamentar o art. 11 da Lei n° 9.779/99. (...) 2.2.13 O ADI n° 05/06 claramente não possui natureza interpretativa, pois modifica a legislação ao afastar o direito à manutenção do crédito de IPI aos produtos imunes. 2.2.14 Não havendo dúvidas quanto às disposições da Lei n° 9.779/99 e da IN SRF n° 33/99, não há falar em interpretação, pois o ADI n° 05/06 não pode "interpretar" inovando algo que está claríssimo nos referidos diplomas. 2.2.15 Logo, sequer há espaço para a edição de um ato normativo cuja finalidade é exclusivamente interpretativa. Viola o senso comum afirmar que a expressão "inclusive imunes" prevista no art. 4° da IN SRF n° 33/99 deve ser esclarecida por possuir sentido ambíguo. Assim sendo, se a única função do ADI é esclarecer a legislação, e isso sequer poderia ser feito, o ADI não é interpretativo e, conseqüentemente, não produz efeito algum porque sua função não lhe permite inovar a legislação permanecendo os efeitos da IN SRF n° 33/99. 2.2.16 Afastada a natureza interpretativa, o referido ato não é aplicável ao caso dos autos, porquanto, conforme previsão do art. 106, I, do Código Tributário Nacional, a lei aplicase a ato ou fato pretérito quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados. 2.2.17 Segundo o princípio da legalidade, somente a lei pode instituir ou majorar tributos. Ao implicar em majoração de tributo, o ADI SRF n° 05/06 possui natureza modificativa, violando o art. 97 do Código Tributário Nacional, uma vez que isso somente poderia ser feito por meio de lei que alterasse a redação do art. 11 da Lei n° 9.799/99. (...) Liminarmente, imperioso que se reconheça a exata finalidade para a qual a Instrução Normativa SRF nº33/99 foi editada. Tal como claramente disposto no mesmo artigo 4º da IN, onde são mencionados os produtos imunes, o comando infralegal ali presente destinase a regulamentar o “direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei no 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI”. Foi no intento de regulamentar a apuração do Imposto, que terminou por acrescentar na relação de produtos nos quais as MP, PI e ME adquiridos seriam empregados, os produtos imunes, que não estavam especificados no artigo 11 da Lei a que se propunha regulamentar. A esse respeito, mister que se reconheça a incompetência da Administração para legislar sobre os critérios de apuração da base de cálculo dos tributos, nos termos do artigo 97 do Código Tributário Nacional. Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: Fl. 8DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11080.901879/200686 Acórdão n.º 3102001.129 S3C1T2 Fl. 5 9 I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. § 1º Equiparase à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. § 2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo. Em consequência, o comando contido no artigo 4º da Instrução Normativa nº 33/99 transborda sua competência ao incluir dentre os produtos que ensejam a manutenção do crédito decorrente da aquisição de insumos, aqueles classificados como produtos imunes, na medida em que estes não estavam contemplados na Lei 9.779/99, restando a consequência do ali disposto, a meu ver, limitada àquela prevista no parágrafo único do artigo 100 do Código Tributário Nacional. Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Por força do comando legal acima transcrito, entendo que a Administração está impedida de cobrar da litigante qualquer tipo de penalidade, assim como de proceder à correção do valor ou à exigência de juros em relação a eventual saldo devedor apurado. De resto, no que concerne ao Ato Declaratório Interpretativo nº 05/06, pareceme que a intenção da Administração foi, de fato, no sentido de esclarecer a razão para a inclusão de produtos imunes no texto da Instrução Normativa nº 33/99. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA 10 A inclusão que, a priori, parece ser completamente desarrazoada, encontra provável justificativa na intenção de preservar às empresas exportadoras o direito à manutenção dos créditos na aquisição de insumos destinados à fabricação de produtos imunes. É que a imunidade concedida aos produtos exportados não se confunde com a imunidade objetiva, identificada com o produto em si. A manutenção dos créditos na aquisição de insumos empregados em produtos exportados constituise em verdadeiro incentivo à exportação, não cabendo qualquer tipo de ilação quanto à pertinência do lançamento credor. Ao intentar resguardar tal direito, a IN 33/99 terminou por provocar certa confusão, cujos efeitos tentouse aplacar com a edição do ADI 05/06. Esse, contudo, seja ou não reconhecido como de caráter interpretativo ou não, não tem, segundo entendo, o efeito de afastar o disposto no artigo 100 do CTN, acima transcrito. Por todo o exposto, VOTO POR DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso apresentado pela recorrente, para excluir a incidência de juros sobre o saldo devedor não extinto com o crédito do contribuinte não reconhecido no presente processo. Sala de Sessões, 08 de julho de 2001. Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 11128.007171/2006-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 08 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3201-000.184
Decisão: Resolvem os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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Resolvent os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o ,julgarnento Cm diligénci a.. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Judith do Amaral Marcondes armando, Luciano topes de Almeida Moraes, -Méreia Helena Trajano Marcelo Ribeiro Nogueira, Daniel Mariz Gudino e Luis Eduardo Garrossino Barbieri_ nelatário Adoto o relatório do órgdo julgador de primeira instôncia (Hs. .148), pois descreve com preeiszlo as etapas desse processo administrativo até aquela fase: O importador, atravc:!¡ d(Iv Deelarae&N de Impor/aça (1)1) n" 04/0872592-8 (adiço 01) e n° 04/0872626-6 (adkiies 01, 0.3 e 04), s.uhnieteu a des-pm:ha os seguinte produtos. Proc:eso u`' 11128 007171/2006-4 3 S3-C2'1- 1 Rcsoluyio ii '-' 3201-00..184 11 191 1)1 n" 04/0872592-8 adti,•ão 01 "(.1OLECALC1FEROL ROVIM1X 1).3-500 LSO 4N/J14.41, QUALIDADE : INDUSTRIAL- APTICACJO • .4.1,1M.ENTA00 ANIMAL REG M A 8P-03509 00296-3", ckts . ')ificando .NCM 2936.29.21, com aliquotas dull de 14%, e 0% par a o PIS e COFINS. 1)1 '1 ' 04/0872626-6 1 adição 01 "VITAMINA "A" E "1)3" ROVIMIX 41)3 .1000/200 [ISO ANIMAL OVALIDADE INDUSTRIAL APLICAÇAO ALIA4EN7A0 -0 ANIMAL REG MA 82-03509-30118". classilicando na AVAI 2936 90 00, com aliquonts do 2% pata o If, e 0% pal a o PIS o COPIES 2 adição 03 " V/TAM/A/A 132 .11.0 VIMIX B2 80 SD (ISO ANIMAL QUALIDADE INDU57R1AL APLICACA70 ALIMEN11(:/i0 ANIMAL REG, M - SP- 03509-00626-8", classijicando na ECM 2936 23 10, coin aliquolas de 2% para o 11, e ON para o 11'1, 2/Ao (VEINS 3 adição 04 "ACETATO DL VITAMINA "A" ROVIM1X .4-00 WS USO ANIMAL OUALIDADE. INDUS1R1AL APL1("ACAO ALIMENIA(.."ÃO ANIMAL REG MA 81-03509 300,37", ola.ssificando na AVM 2936 21.12, corn aliquotas de 2% para o II e 0% pata o 1PI, PIS e WHEN. fiscalização, a clas.sificação fiscal cot rota para todos os produtos e na NUM 2309..90 90, com aliquotas - de 8% pat a o II, 0% porn o HI, 1,65% para o PIS e 7,60% para a (-VEINS. Esse entendimento encontra-se lastreado pelos Laudos FUNCAMP 2978 01 Ill 86), 2977 01 (/7 39), 2977 03 Ui45) e 2977..04 al 52) .Atravc"!.s doiluto de Infiac,.ão do fls. 01 a 26, cobratam-se as clifOten(as de Impost() do .lityportação, PIS e COFINS, acrescidas juros de mora O mult.a de ofieto, bent como multa polo MIN do ,14 -nin de imp()) taeão e multa por classificação fiscal incoireta. Oonnticado do lançamento ern 28/11/2006 (17 116 verso), o into esscido aprosentou impugnação em 21/12/2006 (/Is 118 a 145), alegando om sintese quo (a) a mulla pot falta Jo gun' de importação e incabivol, uma vez que descrevou cot I elamonto os whin's importados Cita o AON C 0511' 12/97, (1)) os excipiontos 0/Icon/tal/os são suhstanclas incrics adicionadas para a pi oteção das vnaminas, send° admitidos pelas regras de < -_lassificação tarifinia do Capitulo (7) 0 auto cle infração 111.00iCOLl as classilicaçães da adição 01 da DI 04/0872592/-8 e das adições 01, 03 e 04 da DI 04/0872626-6, 50111 se titer quo todas as vitaminas Twain o/) cio de consultaà COANA, que as marneve classificadas no (ãpindo 29, (d) cito a Decis-ii-o COANA n" 4/99 quo suportaria a clas.sificação do produto Rovhwa P3-500 na NUM 2.936 29.21, 2 Process() n' III 28 007171/2006-z13 Resoluç'Jo n '' 3201-00.184 S3-C211 (e) cila Decisão COANA ni) 11/99 que suporlaria a elassilicação do produto ROVIAllg A 113 ntt NC1v1 2936 90 00; (f) cita Dec:is-do C.Y)ANA n" 11/99 (fut.! supro taria (1 classificação do podia° .ROVIMIX _132 80 81) na NCH 2936_23.10, (g) cita a Decisiio COA NA ii`) 3/99 que suportai ia a classifit Ado do produto ROVIMIX A-500 14/8" na NCH 2936 21 12, (11) cita a IN/SRP n"99/99, que internaliza os Pareceres de Classificação da 0111/1, e a IN/SRF it° 123/98, que altera os textos das NESI (i) demonstrada a correct'io da classificação fiscal adotada, requer seja considerada improcedente a aulua<lio. Diante da impugnac5o da Recorrente, CM 25 de novernbro de 2009, a 2 Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de julgamento em Sdo Paulo 11 proferiu o acOrdao n" 17-36585, ementado con forme abaixo: Assunto Classificaça.o de Mcicadoi ias Fait) Gerador. 01/09/2004 Einenta. CLASSIFICA(_:.i0 FISCAL, Os produtos de denontinação comercial RO1/1111.1' 11)3-500, ROVT1141V - 41)3 1000/200, RO VlitITV 132 80 Si) e .R.01/01411X A - 500 fkiS' encontram il corria elaSS1fiell(d0 tarifaria na NCH 2309 90.90 A autoridade fiscal apresentou pi ova (le quo as substancias acrescidas tomam o produto particularmente apto para uso especifico preferencial a via aplicação geral Inaplicavel solução dc consulta fitirdada em pressuposto fiitico refutado pela prova técnica que suporta o lançam•nto AVILTA. INFRACAO .40 (_.70NTROLE DAS IMPORTACÕES se a multa por fidla de Licença de Importação nas importações em que as mercadorids- não este/aia corretamente descritas, corn todos os elementos necessarlas a Alta identificação 0 00 enquadramento tart:04o pleiteado AIULTA. CLASSIFICA 00 INCORRETA A classilicação incorreta de mercadoria é penalizada com a niulta dc 1% .sobrc.' o valor aduaneiro, prevista no artig:a 84, inciso 1, da MP 2 158-35/2001 Impzignação Intprocedente Cm édito Tributai io Majitido A intimacilo da decisEio da DRJ/SP ocorreu em 18/12/2009 (fls. 159 ), tendo o a Recorrente oferecido seu recurso ern 28/12/2009 (fls. 161), reiterando os argumentos expendidos naimpugnacao. .1\1a forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 30/07/2010. Procc:5so n" III 25 007171/2006-13 S3-C2 11 Reso1u0o n " 3201-00184 11 19 É. o relatoiio. Voto Consellreiro Daniel Mariz Cruchilo, Relatom. 0 recurso é tempestivo, em conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto 70 235 de 06 de março de 1972, foi interposto pot parte legitima e esta devidamente fundamentado.. Assim, conheço-o e passo ao exame do merito. 0 ciédito tributário ora discutido originou-se das seguintes infrações supostamente cometidas -pela Recorrente: (i) declaração inexata de mercadoria, (ii) importação desamparada de guia de importação ou documento equivalente, e (iii) mercadoria classificada -incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul.. Passo a analisar esses aspectos individualmente. DECLARAÇÃO INEXATA DE MERCADOR1AS De um lado . 11 Recorrente alega que os produtos da Adição 001 (ROV1M IX 1)3- 500 — V ihrmina 1)3) da D1 04/0872592-8 e das Adições 001 (ROV1MIX AD3 1000/200 — Vitamina A I Vitamina D3), 003 (ROVIIVI1X B2 80 SD Vitamina B2) e 004 (ROVIMIX A- 500 WS — Acetato de Vitamina A) da D1 04/0872676-6, que ensejaram o crédito tributário ova discutido, deveriam ser classificados respectivamente sob os Códigos NCM 2936 29 21, 2936.90 00, 2936 23.10 e 2936.90.00, uma vez que os excipientes neles utilizados são admitidos pela NES11 e não desvirtuam as caracteriticas essenciais dessas vitaminas. Corn entendimento diverso, a 2" Turma da DR.I-SP2 . julgou o lançamento proccdente, mantendo o credito tributário na integra. De acordo corn o voto da decisão recorrida, os laudos da FUNCAMP deixaram claw que as substâncias adicionadas as vitaminas importadas pela Recorrente transformaram-nas em compostos destinados especificamente fabricação de alimentos completos OU complementares para a nutrição animal, e, portanto, fazendo uso (ki RGI/SH n" 1, combinada com a Regia 6 (subposicão) e corn a RGC (item), conclui que os produtos cm questão deveriam ser classificados sob o Código ni) 2309,90 90. E preciso reconhecer que a finalidade do produto importado é realmente fundamental pm a sua correta classificação fiscal, sendo certo que a próptia Recorrente o léz nas Dl's 04/0872592-8 (11s. 82) e 04/0872626-6 (11s 34 a 36) ao informar, no campo "descrição detalhada da mercadoria", que tais vitaminas tem poi finalidade a produção industrial de ali incuto animaL Por essa razão, nesse particular, mantenho a decisão tecorrida. Entretanto, esse elemento não é absoluto, devendo set analisado ein conformidade com a nota do capitulo 23 da Tarifa Externa Comum TEC, especilicamente no que diz respeito à - posição 23.09, a seguir transcrita: Incluetn-sc na posicao 23 09 os produtos dos tipos uhlizadoN para alitrientaccio de eSpeCi fiCad(P. Pew comp, - eendidos out; as posicões, oblidos pelo tratamento de mat(Vias vefgetais ou animais, de tal fOrma que perderam as caracteristicas. essenciaís da matCria de origem, excluidos fiCSperdiCias VCgetaiS -, etii(1110s e subprodutos vegetais resultantes desse ti at oriento (Grifri) Ptoccso n" I 128 007171/2006-d3 S3-C2 I 1 R esoIn6o u 321) I -00J 84 AJI 194 Com eito, a primeira parte da. nota — utilizados para an mentação de animais — 6 clam quanto ã finalidade do produto. A segunda parte não especi ficados nem compreendidos em outras posições abre margem para uma nova interpretação que transcende finalidade isoladatnente.. A terceira parte obtidos pelos tratamento de matérias vegetais ou an minis, de tal forma que perderam as caracteristicas essenciais da matéria de origem — refill-0 a necessidade de o interprete extrapolar a noção de finalidade. Não é por outra razão que a COANA proferiu a. decisão n" 1 4 em que reconhece que a vitamina deve ser classificada na posição 'WM . 2936 a despeito de SCE" destinada ao prevail) de rações para an i mais. Confira-se: DECISJO N" 14 de 21 de ,Iunlio de 1999 ASS-Li:NW Cia s sifielk ito de Alereadorias EME-NTI. Mi8Mta de vitamina A (mínimo de 500 000 unidades por grama de „61irlo) com vitamina 1)3 (mínimo de 100 00 unidades internacionais por ,,irta de sólido) protegida e estabilizada HUM S6100 protetor (mistura de gelatina, lactose e ulna pequena quantidade de antioïidante butil-hidroxitolueno glicerina, gelatina, carboldratos e antioxidante etoxi quina), desiinada ao preparo de rações para animais, classifica-se no códizo 2936.90.00 da Tarifa Kyterna Comum, aprovada pelo Decrero n" I 343/94, cam a reda(do dada pelo Decreto n" .2 376/97. (Grifei) Outrossim, o text() das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias NESH aprovado pela Instrução Normativa SIZE n" .157, de 10.052002 esclarece . que a posição 2936.90 inclui os concentrados de vitaminas naturais (os de vitaminas A ou D, por exemplo), que são utilizados quer no estado natural (como produtos de adição dos alimentos do gado, etc.), quer depois dc submetidos a tratamento -ulterior para isolamento da vitamina. Desse modo, o fato de concentrados vitaminicos serem utilizados em ração animal não são suficientes para afastá-los da posição 2936. Convém esclarecer que há precedentes interessantes desse E. "fri bunal a esse respeito: TERCE1R0 CONSEL110 DE COMM -BUNTEN PRIMEIRA CAMARA Processo n° 1.11.28 000655/00-96 Recurso n° 124 869 .4eórckio n" 301-33 563 Sessdo de 24 de janeiro de 2007 Recorrida. DR,I/S4.0 PAULO/SP (-1,4,s'5zvicAcio 1)E A1ERCADORIAS Rovimiy 82 80 SD, produto constiluido de vitamina 82 (ribollavina), corn teor de pureza de 80%, e de polissaearldeos coin propriedades ant/poeira e de estabilidade, classifica-se no código .2936 23.10 da MCAI REC:URSO VOLUNTÁRIO PRO mo 5 Process() 1.1.0 1 [128 007171/200643 S3-C2T1 Resoltiyio ii 3201-1)(1,184 195 0 então relator e atual presidente da 2" lunna Ordinaria da 2" Cam= da 3" Seção, destacou no seu voto situação 1atica idêntica ao presente caso: A.s infOrino0cs carreadas aos autos demonstram que a pre.senç..-a dos polissacarideos ndo allero a concentraedo de vitamina 112 obtida no pi ocos so dc fabricaçao. Apenas Bic conkre pi opriedades interessontes, doiire elas ii parcial granulaçao eom (Oka() desse aditivo agloinerante auxiliar, a fin de obtei produtos com aceitavets propriedades de fluidez e dc compres.sao. A.ssim, a ftwao da dextrina .ser do ad/ti vo car ¡ardor adsoivente, na jOintaçao da parede de revestimento da 1 ,11a1711.17a, 170 processo de microencapsulaoOo, confer indo ao produto as propriedades citadas. Com isso, a presença do polissacorideo não ofieta a aptioa00 eia icao animal do produto; (Touts quail fica as suas propiiedades Outro trecho importante da NESH para a presente analise é o que se refere a posição 2309, especificamente no tocante as vitaminas: .Excluem-se dafires ente posio(lo ) o) As vitaminas, incsmo do constituição química delinida, misturadas crate Si on ndo, Elwyn° apt escutadas em um .solvente OH estabilizadas por adição de agentes antio.xidarmto 01.1 antiaglomorimics, pot adsoioao em 1.1717 VIII).S1M1:0 Oil 1101' pot - exemplo, coin gelatina, ceias, ntatérias /i ireis' (eordas*), desde que a quantidade das- substüncias acreseei itadas. substratos nu revestimentos modifiquem o caráter de vitaminas e nem as tornem partieularmente aptas para usos específicos de preferência it sua aplicação geral (posição 29.36) (GI WO Também vale mencionar que a adição 002 da Dl n" 04/0872626-6 tem o nome comercial de ROY 111/1.X. NIACIN, e tal corno as adições 001, 003 e 004 da mesma DE, destinam-se alimentação am mal . . linnet:unto, como o respectivo laudo indicarou que essa vitainina encontra-se isolada (11s. 43), a fiscalização riao as incluiu na autuação. 0 fez apenas quanto as vitaminas misturadas com excipientes Diante dessas considerações, é de suma impottaneia verificar se a concentração dos sólidos excipientes desnaturam as características essenciais das vitaminas, uma vez que destinação dos produtos não é critério suliciente para definir a classificação da mercadoria. I ai con.statação deve Ser: 1..e.i.ta a luz dos laudos da FUN( partir das conclusões dos referidos laudos, percebe-se que a matéria protéica e a maltose encontradas no produto examinado não se confundem cam impurezas, estabilizantes, itutiaglomenintes e agentes antipoeira, sendo verdadeiros excipientes que fbanirm um revestimento resistente a alta pressão, fricção, temperatura e umidade.. Entretanto, por não ter sido formulado quesito neste sentido, os laudos não esclarecem, eri. momento algum, se as características essenciais das vitaminas .importadas foram alteradas em função da concentração Procsso n" I I 28 007171/2000-43 S3-C211 Resolu0o. IL' 3201-00184 96 dos excipientes identilicados, limitando-se a dizer que se tratam de preparações especificamente elaboradas para sere.m adicionada.F, na al imentação animal Ora., ã luz dos esclareeimentos da NESII quanto ii posição 2936, que expressamente prevêem a inelusão de concentrados de vitaminas naturais utilizados como produtos para adição dos alimentos de animais, é preciso que seja Rita nova diligência. para que não reste dúvidas quanto ii manutenção ou desnaturação das características essenciais dos produtos importados pela Recorrente em razão da: concentração de excipientes nas suas formulas. Contudo, se acaso os meus pares entenderem quo não é oportuno baixar o processo em. diligência, por .ja, haverem formado convicção a respeito desse tenra undo, dado que não estou certo sobre a suposta declaração inexata cometida pela Recorrente, con formic alegado pela fiscalização, tenho por bem julgar procedente o recurso voluntário em respeito ao Princípio in clubio pto reo aplicável ás questões fiscais e conelatas, nos termos do art. 113 do Código Tributario -Nacional -- CTN.. Portanto, se o colegiado entender que a dif igência é despicienda, voto por afastar cobrança das supostas di ferenças de Imposto de Importação . PIS-Importação e COHNS- Importação que não foram recolhidas, bem como os seus acréscimos legais. IMPORTAÇÃO DESAMPARA DA DE GUIA DE IMPORTAÇÃO A multa por violação do controle administrativo das importações, prevista no art. 169, I, "b", do Deereto-Lei n" 37, de 18. 11,1966, que decorre de importação desamparada de guia de importação ou documento equivalente, ês, resultado da. declaração inexata supostamente cometida pela Recorrente, como resta claro no trecho da. fundamentação do auto de infração transcrito a. seguir: Considerando Lucius as latos (.....v)ostos (vide Item 01 - DECLAR1(.2.46 INEXATA .1141',RC4DOR IA) cobra-se a Hittite pr( -vista TU) (Wig° 490, do Decreto n". 4.543/2002 e Ato Deelaratório Not many° Cosit 12, de 21/01/97, tratando-se de clas.s.ifica(Zes tart] áties errerteas e necessitando de novo hceneiamento, nau automático, vi.sto que as mercadorias efetivamente importadas, 0170011fraill-Se relacionadas no Tratamento Administrativo do Sm scorner (Capindo 111, Seção 1.11, Pot - teria ,STC/LX 14/2000) e„ considerando ainda, nap terent sido correlcunente de.scrites, cum todos os elementos necessaries a identilicaçao e enquadramento tarilário das- mesmas, constintiu intra(iio administrativa ao commie das importaeões, pata as mercadorias despachadas na adição 001 da DI n" 04/0872592-8, e nas adições' 001, 003 e 004 da DI n° 04/0872626-6, ambas registradas em 01/09/2004. Coal efei to, havendo dúvidas quanto à própria inexatidão da declaração prestada pela Recorrente relativamente aos produtos por cia importados, ado é possível lhe aplicar penal idade pretendida pela fiscalização. Ademais, mesmo que o resultado de uma. nova diligência aponte para o vicio na declaração da. Recorrente, (") importante ter-se em mente que, conforme reconhecido pela 7 Procso n" 11128 0071 7 1/2000- 43 S3-C2 I t csoluOu ii 3201 -00.184 I 1 197 própria fiscalização as fls. 155, a mesma infortnou expressamente quais foram os produtos importados e o fim a que se destinavam, não podendo persistir a alegação de que a descrição fornecida pela R.ecorrente carece de elementos que possam enquadrar os produtos na correta classificação. . Desse modo, entendo que assiste razão a Recorrente no alegar o cabimento do Ato Declaratório Normativo COSIT n" 12, de 2101.1997, segundo o qual: . 1100 conytittil infia çao administrative' ao controle dos impor1a00.s. nos termos do ineiso if do (01.526 do Roulamento Aduanoiro, a ((alai aoio de importacIio da moroadoria objeto de licenciamento 110 isteina 1iilea ado de C'otri&eio Exterior - SIS(.. '0.111EX, cuja elassilicacao tari.ffiria errônea ou indicao'io indorida do de.staque "ex " OX/JO noro licenciamento, automiitico OU ntio, (lode quo o pr' dolo esteja cot retamente descrito, com todos 0.5 clementos necessarios a sua identificaciio 0 00 enquadramento pleiteado, 0 quo flat) so t.:onstate, em qualquer dos- cam's, intuito doloso ou mó /0 pot parte do deelarante (Crif0i) Esclareço que este entendimento encontra arnparo em precedentes deste E, Tribunal, con -forme se vei i fica a seguir: TERCE1R0 CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA (.'1111ARA Procos.so n". 10314 00251 9/2001-48 Recurso n" 133 302 Act:n(1a° n". ..30I-32.800 Sossao do.. 24 de inato de 2006 Recorrida DRI/Sii0 PAULO/SP IMPORTA(ziO DESCRI( coRRE 1.)4 MERCAD 0/U/1 DE PLNALIDADES baYe tie Ate Deelarat6tie COSI]' no. 12/97., bem como no Ato Deolaratório 10/97, niio procedem as inaltas de ()Itch, e a multa pot de guia de importa0o, Ye (I de 5 c 1' U,4-to da mercadoria se 000010 suficiente papa a classifictkijo ¡Rio havondo a hipótese de infiacCio ao controle administralivo das importaç5e.s e item a infraç.iio punivel coin as multas do artigo 44 da Lei 9.430/96. Roeurso parcialmente provido para cteluir os peinzlidad.es lançadas RECURS() YOLUN141/10 PROMO LM PAR1L ( (» ifei) Portanto, ainda que persista a primeira alegação da fiscalização após a desde logo, dou provimento ao recurso voluntario para, nesse particular, ai astar multa do controle administrativo de importações de que tirita o art. 1.69, I, "b" do Decteto-Lei 110 :37/66.. MERCADORIA CLASSIFICADA INCORRETAMENTE NA NCM 8 Por Tim, de n aujos retornar a este Conselheiro para fins de julgamento. oce() IC 1 1 1Di 007171/2006-43 'S3-C2 111 12esol LIÇ1iO ii" 3201-00184 A multa regulamentar de que trata o art.. 84, 1, da Medida Provisória n" 2..158-35, de .24,08.2001, é conseetario da suposta inexatidão da declaração dos produtos importados pela Recorrentc. Assim, considerando que é necessária a realização de nova diligência para apurar se a concentração dos excipientes identificados nos referidos prod.utos não desnatura as suas características essenciais, ainda não é possível aplicar a penalidade pretendida pela fiscalização.. A se confirmar a inexatidão da classificação, confirmada estará também a penal idade ora tratada. Contudo, se tal diligência não .for admitida pelo meu colegi.ado, antecipo o meu voto para julgar procedente o recurso voluntário em respeito ao principio do beneficio da dúvida que aproveita ao contribuinte, nos termos do . já citado art, 113 do QUESITOS PARA A NOVA MLIGÊNCIA Admitindo que os demais membros da la Turma Ordinal ia da 2" Camara da 3" Seção de fulgamento do CARF concordem com a realização de nova diligência, apresento, abaixo, os quesitos a serem respondidos novamente pela FUNCAM.P: — Quais são as concentrações dos excipientes id.entificados nos laudos FUNCAMP n" 2978.01, 2977.01, 2977,03 e 2977.04, todos emitidos em 29..10.2004, relativamente as vitaminas contidas nos produtos importados pela Recorrente? 2 — As concentrações identificadas no quesito anterior são suficientes para desnaturar as caracteristicas essenciais das vitaminas contidas nos produtos importados pela Recorrente? Diante do exposto, voto para ser realizada a diligência supra elencada. Antes da realização da diligência, deve ser intimado o contribuinte para que, se quiser, apresentar quesitos adicionais para a perícia, assim como a autoridade preparadora, se entender cabível.. Realizada a diligência, devera ser dado vista ao recorrente para se manifestar, querendo, pelo prazo de 30 dias Após, devem ser encaminhados os autos para vista. à PG.EN da perícia realizada..
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Numero do processo: 11080.724793/2011-91
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL.
Em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente recebidos por força de ação judicial, embora a incidência ocorra no mês do pagamento, o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referem os rendimentos. Precedentes do STJ e Julgado do STJ sujeito ao regime do art. 543-C do Código de Processo Civil de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF por força do art.62-A do Regimento Interno.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. EXCLUSÃO DESSES RENDIMENTOS DA BASE DE CÁLCULO.
Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor da tributo devido, caracterizando-se um vício material a invalidar o cômputo dos rendimentos recebidos acumuladamente na base de cálculo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente excluir da base de cálculo os referidos rendimentos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2802-003.237
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar o lançamento, nos termos do relatório e votos integrantes do julgado. Vencido o Conselheiro Jaci de Assis Júnior (relator) que negava provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Redator ad hoc.
(Acórdão formalizado extemporaneamente, face à impossibilidade de a redatora original, a Conselheira Julianna Bandeira Toscano, formalizar o acórdão, e de o relator, Conselheiro Jaci de Assis Júnior, assiná-lo digitalmente, em virtude de sua aposentadoria)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Vinicius Magni Verçoza (Suplente Convocado), Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. Em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente recebidos por força de ação judicial, embora a incidência ocorra no mês do pagamento, o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referem os rendimentos. Precedentes do STJ e Julgado do STJ sujeito ao regime do art. 543-C do Código de Processo Civil de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF por força do art.62-A do Regimento Interno. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. EXCLUSÃO DESSES RENDIMENTOS DA BASE DE CÁLCULO. Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor da tributo devido, caracterizando-se um vício material a invalidar o cômputo dos rendimentos recebidos acumuladamente na base de cálculo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente excluir da base de cálculo os referidos rendimentos. Recurso Voluntário Provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2169; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 103 1 102 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.724793/201191 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802003.237 – 2ª Turma Especial Sessão de 05 de novembro de 2014 Matéria IRPF Recorrente RIVALDO VIEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. Em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente recebidos por força de ação judicial, embora a incidência ocorra no mês do pagamento, o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referem os rendimentos. Precedentes do STJ e Julgado do STJ sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF por força do art.62A do Regimento Interno. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. EXCLUSÃO DESSES RENDIMENTOS DA BASE DE CÁLCULO. Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor da tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidar o cômputo dos rendimentos recebidos acumuladamente na base de cálculo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente excluir da base de cálculo os referidos rendimentos. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 47 93 /2 01 1- 91 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/04/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar o lançamento, nos termos do relatório e votos integrantes do julgado. Vencido o Conselheiro Jaci de Assis Júnior (relator) que negava provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Redator ad hoc. (Acórdão formalizado extemporaneamente, face à impossibilidade de a redatora original, a Conselheira Julianna Bandeira Toscano, formalizar o acórdão, e de o relator, Conselheiro Jaci de Assis Júnior, assinálo digitalmente, em virtude de sua aposentadoria) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Vinicius Magni Verçoza (Suplente Convocado), Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Relatório Na sessão de julgamento, o Conselheiro Relator apresentou o seguinte relatório: "Por bem descrever os fatos que integram os presentes autos até à decisão de primeiro grau, abaixo transcrevo o relatório extraído do Acórdão nº 1037.989, proferido pela 4ª Turma da DRJ/POA: “Mediante Notificação de Lançamento às fls. 07 a 11, reduzse o saldo do imposto a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2010, em R$ 23.898,62, alterandoo de R$ 39.980,44, para R$ 16.081,82. A ação da Fiscalização decorreu de revisão da Declaração de Ajuste Anual exercício 2010, ano calendário 2009, DIRPF/2010, cópia às fls. 56 a 60, quando foi apurada a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de ação trabalhista no valor de R$ 120.149,10, confrontados as informações e documentos apresentados pelo contribuinte e as informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, conforme relatado na “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” à fl. 09. O enquadramento legal: arts. 1º a 3º e parágrafos da Lei nº 7.713/88; arts. 1º a 3º da Lei nº 8.134/90; arts. 1º e 15 da Lei nº 10.451/02, art. 28 da Lei nº 10.833/2003; art. 43 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto nº 3.000/99. O contribuinte, inconformado com o lançamento, apresentou tempestivamente impugnação à Notificação de Lançamento, às fls. 02 a 04, mediante procurador formalmente constituído – docs. fls. 05 e 06, alegando que é portador de moléstia grave, enquadrável na Lei nº 7.713/1988, para fins de isenção de imposto de renda, Fl. 104DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/04/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.724793/201191 Acórdão n.º 2802003.237 S2TE02 Fl. 104 3 desde 14.01.1997, pelo Laudo do Departamento de Perícia Médica, da Secretaria da Administração do Estado do Rio Grande do Sul, e desde 05 de abril de 2000, pelo Laudo do Instituto Nacional de Seguro Social – INSS, o que, em conseqüência, não houve omissão de rendimentos, oriundos da SPH, juntando cópia desses Laudos e de recente atestado médico expedido em 08.06.2011. De outra parte, informa que a Justiça do Trabalho, quando do pagamento do Precatório, Processo nº 01212.009/78 9, da 9ª Vara do Trabalho de Porto Alegre, houve retenção do imposto de renda no valor de R$ 14.333,35, e quando do pagamento de outro Precatório, Processo nº 01345.011/792, da 11ª Vara do Trabalho de Porto Alegre, também ocorreu a retenção do imposto de renda na fonte no valor de R$ 25.647,09. Ressalta, ainda, que o executado – SPH, por se tratar de autarquia estadual, está dispensado do recolhimento do imposto de renda, por força do art. 157, I, da Constituição Federal. Junta documentação anexada às fls. 14 a 52. Finalmente, informa estar amparado pelo benefício de preferência instituído pelas Lei nº 9.784/1999, art. 69A, e a Lei nº 10.741/2003, art. 71.” Examinando o assunto a DRJ em Porto Alegre/RS, fls. 73 a 76, julgou improcedente a impugnação, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 RENDIMENTO TRIBUTÁVEL. Integra o montante de rendimentos tributáveis os valores do trabalho assalariado recebidos acumuladamente em decorrência de reclamatória trabalhista, deduzidas as despesas com ação judicial necessárias ao recebimento do rendimento, comprovadas com documentação hábil e idônea. ISENÇÃO. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. O benefício isencional está condicionado ao atendimento cumulativo e necessário de que os rendimentos tenham a natureza de proventos de aposentadoria e sejam percebidos por portador de moléstia grave definida na legislação pertinente e reconhecida por laudo médico pericial emitido por Serviço Médico Oficial. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado, via edital, em 23/5/2012, fls. 82, o interessado interpôs recurso voluntário em 11/6/2012, fls. 83 a 86, alegando, em síntese, que: para elucidar apresenta o ato de aposentadoria junto ao Departamento Estadual de Portos Rios e Canais – DEPREC, datado de 28/12/1993, que comprova que os rendimentos das ações judiciais tiveram origem os proventos de sua aposentadoria, concedida em 05/08/1992 no INSS; é portador de moléstia grave desde 14/01/1997; Fl. 105DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/04/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 existe ampla jurisprudência que considera os juros recebidos como isentos, que na data do pagamento dos precatórios perfaziam R$100.566,04, conforme fl. 536 do processo 01212.009/789 e fl. 275 do processo 01345.011/792 na Justiça do Trabalho. É o relatório". Voto Vencido Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Redator ad hoc Reproduzo abaixo o voto apresentado pelo Conselheiro Relator na sessão de julgamento: "O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Examinando os documentos que instruíram a impugnação, a decisão recorrida destacou que o impugnante comprovara ser portador de moléstia grave CID C 07, desde 14.01.1997, conforme laudo oficial de fl. 18. Por outro lado, ao entendimento de que somente os proventos de aposentadoria e pensão, e suas respectivas complementações, recebidos por portador de moléstia grave, são isentos do imposto de renda (artigo 39, inciso XXXIII, e parágrafos 4º e 5º do RIR/99), a decisão recorrida entendeu não estar comprovado nos autos que os rendimentos recebidos em virtude da ação trabalhista correspondem a proventos de aposentadoria. Nesse sentido, o relator do voto condutor do acórdão recorrido destacou: “(...)as demandas trabalhistas foram formalizadas em 1978 e em 1979 – Processos nºs 01212.009/789 e 01345.011/792, e que as “Atas de Audiência” do Juízo Auxiliar de Conciliação da Justiça Trabalhista e respectivos demonstrativos de cálculos dos valores – docs. fls. 24 a 37, e 43 a 49, definiram a percepção de rendimentos com a natureza do trabalho assalariado, sem, no entanto, permitir identificar o período – no mínimo, ano, e o tipo/espécie(...)” Na tentativa de elucidar a questão, o recorrente alega que os rendimentos das ações judiciais tiveram origem os proventos de sua aposentadoria, concedida em 05/08/1992, apresentando como prova o ato de aposentadoria junto ao Departamento Estadual de Portos Rios e Canais – DEPREC. Esse documento, embora comprove a situação de aposentado, o fato de ter sido concedida ao contribuinte a partir de 05/08/1992, na verdade, somente confirma o entendimento firmado pela decisão recorrida no sentido de que os rendimentos auferidos em razão das demandas trabalhistas formalizadas em 1978 e 1979, não decorrem de proventos de aposentadoria. Quanto a tese de não incidência do IRPF sobre verbas relativas a incidência de juros de mora sobre valores recebidos a destempo, na ausência de norma isentiva explícita, é de se observar o caráter tributável dos rendimentos em questão. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/04/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.724793/201191 Acórdão n.º 2802003.237 S2TE02 Fl. 105 5 Ademais, a legislação em vigor é taxativa ao determinar a sua tributação nos termos do art.55, XIV, do RIR: Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): (...) XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; Ressaltese, ainda, que a tributação independe da denominação dos rendimentos, bastando para a incidência o benefício por qualquer forma e a qualquer título, nos termos do § 40, art. 3°, da Lei 7.713/88. Observese que o artigo 62 do Regimento do CARF, Portaria MF n.256/2009, veda que este Conselho deixe de aplicar dispositivos de lei ou decreto, ao fundamento de inconstitucionalidade, salvo quando declarados inconstitucionais por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Do mesmo modo, a jurisprudência do STF e do STJ em matéria infraconstitucional, somente vincula os julgamentos do CARF, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, nos termos do artigo 62A do citado Regimento do CARF. Neste sentido, é relevante destacar que o Acórdão proferido no Agravo Regimental em Embargos de Divergência no REsp n° 1.163.490, veiculado pelo DJe de 21 de março de 2012, trata do alcance do decidido em sede de recurso repetitivo pelo Acórdão proferido no citado REsp n° 1.227.133. Desta forma, há que se entender pelo não cabimento à espécie dos autos do precedente que fundamentou a decisão recorrida, o REsp n° 1.227.133. De fato, ao apreciar o Resp n° 1.227.133, inicialmente o voto vencedor do Ministro Cesar Asfor Rocha reconhecia a nãoincidência do IR sobre juros moratórios, de forma ampla. Por outro lado, o julgamento dos embargos de declaração no referido recurso especial, publicado no DO de 02/12/11 reconheceu que os Ministros que acompanharam o voto do relator, deram provimento ao recurso em sentido mais restrito, reconhecendo apenas a não incidência do IR sobre juros moratórios, quando os mesmos incidem sobre rescisão de contrato de trabalho e/ou decorram do recebimento de verba isenta do imposto de renda, o que levou à modificação da ementa do acórdão por ocasião dos referidos embargos de declaração. Portanto, não comprovado nos autos que os rendimentos recebidos decorreram no contexto de rescisão de contrato de trabalho, bem como o fato de o contribuinte não apresentar documentos que evidenciem a natureza não tributável das verbas trabalhistas recebidas, não há como acatar o pedido de excluir da base tributável a parcela de R$100.566,04, que alega corresponderem aos juros recebidos em virtude da ação trabalhista. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/04/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Observese, ainda, que embora a omissão de rendimentos decorra de recebimento de verbas resultantes de ação judicial movida contra o Departamento Estadual de Portos, Rios e Canais – DEPRC, das fls. 24 a 52, constatase que a emissão dos referidos precatórios foi fruto de acordo celebrado entre a Administração Estadual e os representantes dos Portuários do Estado do Rio Grande do Sul. Também, conforme mencionou a decisão recorrida, nenhum outro elemento trouxe o contribuinte aos autos que pudesse identificar o período, no mínimo, o ano ou anos, e o tipo/espécie das verbas recebidas. Daí a razão pela qual não há como observar, no caso concreto, a decisão firmada no Acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, em face do exame o recurso repetitivo representativo de controvérsia (Resp 1.118.429/SP), sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil. Voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário. Jaci de Assis Junior" Voto Vencedor Ronnie Soares Anderson, redator ad hoc Não obstante as ponderadas razões do ilustre Conselheiro Relator, o restante do Colegiado dissentiu do seu entendimento, considerando que, por tratar o litígio de omissão de rendimentos recebidos acumuladamente em virtude de ação trabalhista, caberia a aplicação da tese consolidada pelo STJ no REsp nº 1.118.429/SP, em sede de recurso repetitivo. Foi então designada para a redação do voto vencedor a Conselheira Julianna Bandeira Toscano, a qual manifestou na sessão que tal redação se daria na linha de outros votos por ela já proferidos sobre o assunto, tais como o exarado no Acórdão nº 2802003.004, de 12/8/2014. Assim sendo, e diante da impossibilidade de a D. Conselheira levar a efeito tal incumbência, passo a redigir o Voto Vencedor reproduzindo, no que pertinente, o precitado julgado. "A matéria colocada em julgamento é conhecida dessa Turma Julgadora e vem sendo resolvida no sentido de reconhecer que existe erro de cunho material na apuração do imposto devido, por aplicação incorreta do art. 12 da Lei nº 7.713/1988, consoante interpretação dada pelo Superior Tribunal de Justiça. Por bem retratar tal entendimento, transcrevese ,a seguir, o acórdão nº 2802 002.876, proferido em 13 de maio de 2014, nos autos do processo nº 10183.006479/200814, de Relatoria do Conselheiro Jorge Cláudio Duarte Cardoso e cujas razões de decidir são transcritas e passam a integrar a fundamentação do presente acórdão. O desafio, portanto, é aplicar a correta interpretação do art. 12 da Lei 7.713/1988, o que demanda uma análise contextualizada da questão. Vejamos. A tese consolidada no STJ foi proferida no REsp 1118429/SP, julgado em 24/03/2010, em acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC, portanto de aplicação obrigatória no CARF. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/04/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.724793/201191 Acórdão n.º 2802003.237 S2TE02 Fl. 106 7 TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art.543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008.( REsp 1118429 / SP) Sabese que, neste Conselho, há entendimentos de que o referido julgado está restrito ao recebimento acumulado de benefícios previdenciários ou que sua adoção implicaria deixar de aplicar o art. 12 da lei 7.713/1988. Com devido respeito a essa linha argumentativa, à qual não se adere, passase a analisar, contextualizadamente, a jurisprudência em questão. Os casos que deram origem à jurisprudência do STJ referiamse à revisão de benefícios previdenciários mensais, benefícios previdenciários mensais reconhecidos e pagos com atraso, reajustes mensais de servidores públicos pagos em atraso e pagamentos mensais em atraso devido a retorno ao serviço ativo. Em todos eles os valores foram reconhecidos por competência, possibilitando aplicar a norma tributária a cada caso, implicando em reconhecer que os valores estavam isentos ou definir a alíquota correspondente a cada mês. A título ilustrativo, é possível cotejar alguns do principais julgados que levaram à consolidação da jurisprudência no STJ: a) aposentadoria por tempo de serviço concedida e paga pelo INSS com anos de atraso RESP 758.779/SC; b) revisão de benefícios mensais do INSS – RESP 492.247/RS (Relator Ministro Luiz Fux); RESP 719.774/SC Ministro Teori Zavascki; RESP 901.945 – Relator Ministro Teori Zavascki; RESP 1.088.739/SP– decisão monocrática Ministro Francisco Falcão; c) diferenças salariais mensais da URP – RESP 424.225/SC (Relator Ministro Teori Zavascki); RESP 383.309/SC (Relator Ministro João Otávio Noronha); d) valores mensais de Benefícios previdenciários e assistenciais pagos por precatório – RESP 505.081/RS (Relator Ministro Luiz Fux); e) valores mensais de benefícios previdenciários RESP 1.075.700/RS (Relatora Ministra Eliana Calmon); RESP 723.196/RS – Relator Ministro Franciulli Netto; RESP 667.238/RJ; RESP 667.238/RJ (Relato Ministro José Delgado); RESP 613.996/RS Relator Ministro Arnaldo Esteves Lima; RESP 783.724/RS Relator Ministro Castro Meira; e f) Valores mensais de rendimentos de servidor público – AgReg. AI 766.896/SC, Relator Ministro José Delgado. É fato que as ações de benefícios previdenciários são muito freqüentes, porém se constata que não eram apenas esses casos. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/04/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 Entre inúmeros julgados do Tribunal Superior, elenco alguns para deles extrair os respectivos fundamentos adotados: a) RESP 758.779/SC; tratamento justo ao caso (equidade); b) RESP 492.247/RS; princípios da legalidade e da isonomia.; c) RESP 719.774/SC; princípios da legalidade e da isonomia e vedação ao enriquecimento sem causa da Administração; d) RESP 901.945 – resolução de aparente antinomia entre o art. 521 do RIR1980 (Decreto 85.450/80) e o art. 12 da Lei 7.713/88 se resolve pela seguinte exegese: este último disciplina o momento da incidência; o outro, o modo de calcular o imposto. (Precedentes citados: REsp 617081/PR, 1ª T, Min. Luiz Fux, DJ 29.05.2006 e Resp 719.774/SC, 1ª T, Min. Teori Albino Zavascki, DJ 04.04.2005.); e) RESP 424.225/SC ao dispor sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, o art. 12 da Lei 7.713/88 disciplina o momento da incidência do Imposto de Renda, porém nada diz a respeito da alíquota aplicável a tais rendimentos, adotou a jurisprudência dominante e assentou que não havia declaração de inconstitucionalidade da lei d) RESP 505.081/RS – se o rendimento mensalmente era isento, ao ser recebido de uma só vez não perde essa natureza; e e) RESP 1.075.700/RS não há violação do art. 12 da Lei n.º 7.713∕88 e art. 56, do Decreto n.º 3.000∕99, pois o acórdão recorrido está alinhado com a jurisprudência. Afastar a aplicação do art. 12 da Lei n.º 7.713∕88 está fora da órbita de competência dos membros desse Conselho, portanto fica vedado adotar como razão precedentes judiciais que tenham esse fundamento, ainda que pautados por ofensa à legalidade, à isonomia e mesmo sob o fundamento de buscar o tributo justo. Outrossim, seria inadequado adotar precedentes que se socorreram da equidade, pois há vedação legal expressa quanto ao emprego da equidade para dispensar a exigência de tributo (§2º do art. 108 do CTN). De outro giro, outras premissas devem ser levadas em conta: a) está implícito na função do CARF contribuir para a segurança jurídica em matéria tributária; b) essa Turma já se posicionou diversas vezes sobre esse tema, enquanto não vigorava a norma regimental que impôs o sobrestamento; c) é competência constitucional do STJ atuar como guardião e intérprete da lei federal; d) há jurisprudência consolidada da jurisprudência do STJ sobre o tema e julgada na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil – CPC, cuja reprodução é obrigatória pelos membros do CARF (caput art. 62A do Regimento Interno do CARF, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010). Destarte, no CARF, a questão deve ser solucionada com a adoção do entendimento proferido nos acórdãos do STJ que se fundamentaram na interpretação do art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, no sentido de que o momento do recebimento dos rendimentos define a ocorrência do fato gerador, porém no cálculo do tributo aplicamse as alíquotas e tabelas próprias das competências a que os valores se Fl. 110DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/04/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.724793/201191 Acórdão n.º 2802003.237 S2TE02 Fl. 107 9 referem (RESP 424.225/SC e RESP 901.945, tese consolidada no RESP 1.118.429/SP). Frisese: é interpretação do art. 12 e não declaração de sua inconstitucionalidade. Diversas vezes, o STF reconheceu que, com esse fundamento, o STJ não está declarando a inconstitucionalidade da norma legal, mas apenas interpretando a legislação infraconstitucional aplicável ao caso: RE 572580/RS, julgado em 03/06/2008; RE 563.347/SC; AI 660.020/SC, e AI 636303/SC, julgado em 01/07/2008. Teria a admissão de repercussão geral, sem decisão definitiva de mérito, o condão de afastar a aplicação do entendimento adotado no STJ e inviabilizar sua aplicação pelo CARF? O Recurso Extraordinário em questão enfrentou um acórdão de Tribunal Regional que declarou a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei 7.713/1988. Por essa razão, as razões do deferimento da repercussão geral foram: a declaração de inconstitucionalidade superveniente e a relevância jurídica correspondente à presunção de constitucionalidade das leis, a necessidade de garantir a unidade do ordenamento jurídico, a uniformidade da tributação federal (art. 151, I da Constituição) e a isonomia (art. 150, II da Constituição) (RE 614232 AgRQO/RS, rel. Min. Ellen Gracie, 20.10.2010, RE614232). Com a aplicação do entendimento consignado no RESP 1.118.429/SP não está sendo afastada aplicação da lei, mas tão somente dando ao dispositivo legal vigente na época de ocorrência dos fatos geradores (art. 144 do CTN) a interpretação pacificada no âmbito de seu intérprete mais abalizado. Em suma: ausente decisão de mérito do STF na sistemática do art. 543B do CPC, nos Recursos Extraordinários paradigmas, o art. 12 está em vigor e sua interpretação se dá nos moldes do julgado do STJ que adotou o rito do art. 543C do CPC, no sentido de que o momento do recebimento dos rendimentos define a ocorrência do fato gerador, porém no cálculo do tributo aplicamse as alíquotas e tabelas próprias das competências a que os valores se referem (RESP 1.118.429/SP). Após a análise dos precedentes que levaram à tese firmada no Recurso Especial repetitivo, proferido em sede do art. 543C do CPC, concluise que esse julgado merece uma interpretação sistemática e não apenas literal restrita a sua ementa. (...) Este caso concreto é compatível com a interpretação do art. 12 da Lei 7.713/1988 firmada no RESP 1.118.429/SP. Contudo, ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidálo. É de se concluir, portanto, que, na espécie, existe erro de cunho material na apuração do imposto devido, por aplicação incorreta do art. 12 da Lei nº7.713/1988, consoante interpretação dada pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de Recurso Especial com a Fl. 111DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/04/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 atribuição da sistemática do art. 543C do CPC, e que deve ser de aplicação obrigatória pelos Conselheiros do CARF, conforme disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF. Diante do exposto, voto por dar provimentos ao recurso para cancelar o lançamento". (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, na qualidade de redator ad hoc Fl. 112DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/04/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 11080.009153/2004-28
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1999
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ISENÇÃO. OBSERVÂNCIA DE CONDIÇÃO IMPLEMENTADA PELO DECRETO-LEI N.º 1.510/1976 NO PERÍODO DE SUA VIGÊNCIA. POSTERIOR REVOGAÇÃO. DIREITO ADQUIRIDO - A alienação de participação societária adquirida sob a égide do art. 4º, alínea "d", do Decreto-lei nº. 1.510, de 1976, após decorridos cinco anos da aquisição, não constitui operação tributável, ainda que a alienação ocorra após a vigência de nova lei revogadora do benefício, tendo em vista o direito adquirido. Jurisprudência da CSRF e do STJ.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - PROVAS - À luz do artigo 29 do Decreto 70.235 de 1972, na apreciação de provas, a autoridade julgadora tem a prerrogativa de formar livremente sua convicção.
SIMULAÇÃO - A simulação se caracteriza pela divergência entre a exteriorização e a vontade, isto é, são praticados determinados atos formalmente, enquanto subjetivamente, os que se praticam são outros. Assim, na simulação, os atos exteriorizados são sempre desejados pelas partes, mas apenas no aspecto formal, pois, na realidade, o ato praticado é outro.
SIMULAÇÃO E DECADÊNCIA - Configurada a presença de simulação, o prazo para constituir o crédito tributário é de 5 (cinco) anos, contados do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado nos termos do art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional.
SIMULAÇÃO E ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO - Comprovado que o contribuinte realizou a operação pretendida por meio de outrem, ato simulado, não há que se falar em erro na identificação do sujeito passivo quando o crédito tributário é constituído e exigido daquele que realmente praticou o negócio.
SIMULAÇÃO E GANHO DE CAPITAL - Na apuração do ganho de capital, é considerada a operação que importe alienação a qualquer título de bens ou direitos, ou cessão, ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição. Comprovada a simulação e verificada a ocorrência de ganho de capital na operação efetivamente realizada, correta a exigência do tributo efetivamente devido.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA - Cabível a aplicação da multa qualificada de 150%, quando restar caracterizada a realização, pelo contribuinte, da conduta prevista no art. 71, 72 ou 73 da Lei no 4.502, de 1964.
Recurso especial do Contribuinte e da Fazenda Nacional negados.
Numero da decisão: 9202-003.166
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto qualidade, em negar provimento ao recurso do Contribuinte. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gustavo Lian Haddad.
Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Relator) e Maria Helena Cotta Cardozo. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente á época da formalização
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator
(Assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Redatora-Designada AD HOC para formalização do voto vencedor
EDITADO EM: 25/05/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento), Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ISENÇÃO. OBSERVÂNCIA DE CONDIÇÃO IMPLEMENTADA PELO DECRETOLEI N.º 1.510/1976 NO PERÍODO DE SUA VIGÊNCIA. POSTERIOR REVOGAÇÃO. DIREITO ADQUIRIDO A alienação de participação societária adquirida sob a égide do art. 4º, alínea "d", do Decretolei nº. 1.510, de 1976, após decorridos cinco anos da aquisição, não constitui operação tributável, ainda que a alienação ocorra após a vigência de nova lei revogadora do benefício, tendo em vista o direito adquirido. Jurisprudência da CSRF e do STJ. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PROVAS À luz do artigo 29 do Decreto 70.235 de 1972, na apreciação de provas, a autoridade julgadora tem a prerrogativa de formar livremente sua convicção. SIMULAÇÃO A simulação se caracteriza pela divergência entre a exteriorização e a vontade, isto é, são praticados determinados atos formalmente, enquanto subjetivamente, os que se praticam são outros. Assim, na simulação, os atos exteriorizados são sempre desejados pelas partes, mas apenas no aspecto formal, pois, na realidade, o ato praticado é outro. SIMULAÇÃO E DECADÊNCIA Configurada a presença de simulação, o prazo para constituir o crédito tributário é de 5 (cinco) anos, contados do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado nos termos do art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. SIMULAÇÃO E ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO Comprovado que o contribuinte realizou a operação pretendida por meio de outrem, ato simulado, não há que se falar em erro na identificação do sujeito passivo quando o crédito tributário é constituído e exigido daquele que realmente praticou o negócio. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 91 53 /2 00 4- 28 Fl. 2646DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11080.009153/200428 Acórdão n.º 9202003.166 CSRFT2 Fl. 1.047 2 SIMULAÇÃO E GANHO DE CAPITAL Na apuração do ganho de capital, é considerada a operação que importe “alienação” a qualquer título de bens ou direitos, ou cessão, ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição. Comprovada a simulação e verificada a ocorrência de ganho de capital na operação efetivamente realizada, correta a exigência do tributo efetivamente devido. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA Cabível a aplicação da multa qualificada de 150%, quando restar caracterizada a realização, pelo contribuinte, da conduta prevista no art. 71, 72 ou 73 da Lei no 4.502, de 1964. Recurso especial do Contribuinte e da Fazenda Nacional negados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto qualidade, em negar provimento ao recurso do Contribuinte. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gustavo Lian Haddad. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Relator) e Maria Helena Cotta Cardozo. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente á época da formalização (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira RedatoraDesignada AD HOC para formalização do voto vencedor EDITADO EM: 25/05/2015 Fl. 2647DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11080.009153/200428 Acórdão n.º 9202003.166 CSRFT2 Fl. 1.048 3 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento), Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Trata o presente processo de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescido de juros de mora e multa de ofício qualificada, tendo em vista a alegação, pela autoridade lançadora, de simulação levada a cabo pelo autuado quando da alienação de 14.303 ações ordinárias e 9 ações preferenciais, de sua propriedade, de Elevadores Sur S/A Indústria e Comércio (doravante “ELEVADORES SUR” CNPJ 90.347.840/000118), conforme auto de infração de fls. 31 a 35 e Relatório de Atividade Fiscal de fls. 37 a 83. Verificase ter o lançamento se originado de complexa seqüência de operações societárias, assim resumidamente descritas às fls. 45 a 47 quanto aos pontos de interesse à presente discussão: 1. No dia 04/08/99, o autuado e demais acionistas de ELEVADORES SUR (acima qualificada) ingressam no quadro societário de 5246 PARTICIPAÇÕES S.A. (CNPJ 02.880.274/000148), subscrevendo um aumento de capital de R$ 700,00, bem como a simultânea formação de reserva de capital no valor de R$ 1.400,00, mediante a emissão de 7.000.000 de ações. Com isso, o capital social da 5246 PARTICIPAÇÕES S.A. passou a ser de R$ 1.700,00, dividido em 17.000.000 de ações. A subscrição do aumento de capital se deu de tal forma que foi mantida, em 5246 PARTICIPAÇÕES S.A., aproximadamente a mesma participação que os acionistas detinham em ELEVADORES SUR (Anexo III, fls. 28 a 34) 2. No mesmo dia 04/08/99, um dos antigos acionistas de 5246 PARTICIPAÇÕES, EDUARDO DUARTE, até então detentor (juntamente com MÁRCIA LÚCIA COELHO DOS SANTOS) de 100% das ações de emissão da 5246 PARTICIPAÇÕES S.A., renunciou ao cargo de diretor da empresa. MÁRCIA LÚCIA COELHO DOS SANTOS já havia renunciado ao cargo anteriormente, em 20/04/99 (Anexo III, fls. 27 a 34); 3. No dia 05/08/99, EDUARDO DUARTE e MÁRCIA LÚCIA COELHO DOS SANTOS alienaram as 10.000.000 de ações que detinham na 5246 PARTICIPAÇÕES S.A. para a própria 5246 PARTICIPAÇÕES S.A. pelo valor de R$ 1.400,00. Com isso, a 5246 PARTICIPAÇÕES S.A. passou a ter 10.000.000 AÇÕES EM TESOURARIA, ou seja, passou a deter 10.000.000 ações de sua própria emissão (Anexo III, fls. 134 a 140); 4. No dia 15/08/99, os novos acionistas da 5246 PARTICIPAÇÕES S.A. (repitase, então também acionistas de ELEVADORES SUR, incluindose aqui o autuado) subscrevem um aumento de capital na empresa, no valor de R$ 36.653.340,00. Tal aumento de capital foi integralizado mediante a conferência das ações que eles detinham na empresa ELEVADORES SUR (Anexo III, fls. 35 a 38); Fl. 2648DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11080.009153/200428 Acórdão n.º 9202003.166 CSRFT2 Fl. 1.049 4 5. No dia 27/08/99, a THYSSEN INDUSTRIES S/A (Sociedade domiciliada em Madri, Espanha), juntamente com a THYSSEN ELETEC LTDA. (CNPJ 01.189.622/000172), constituíram, no Brasil, a empresa THYSSEN KRUPP PARTICIPAÇÕES LTDA. (CNPJ 03.375.379/000102), com um capital social subscrito de R$ 100,00, a ser integralizado no prazo de um ano (Anexo V, Fls. 05 a 11); 6. No dia 05/09/99, EDUARDO DUARTE e SIMONE BURCK SILVA, até então detentores de 100% das ações de emissão de 5256 PARTICIPAÇÕES LTDA. (CNPJ 03.284.016/000161), transferem suas ações para ADROALDO AUMONDE, renunciando aos cargos de Diretores no dia 08/09/99 (Anexo IV, fls. 28 a 34 e 143 a 150); 7. No dia 08/09/99, os acionistas da 5246 PARTICIPAÇÕES S.A. transferem as ações que acabaram de subscrever na 5246 PARTICIPAÇÕES S.A. para a 5256 PARTICIPAÇÕES LTDA., em decorrência de uma integralização de aumento de capital subscrito pelos então acionistas da 5246 PARTICIPAÇÕES S.A. nesta 5256 PARTICIPAÇÕES LTDA, no montante de R$ 25.032.000,09 (Anexo IV, fls. 28 a 34); 8. No dia 08/09/99, a 5246 PARTICIPAÇÕES S.A. (VENDEDORA) vende para THYSSEN INDUSTRIES S/A (COMPRADORA), as 10.000.000 (3.340.000 ON e 6.660.000 PN) de AÇÕES de sua emissão que estavam EM TESOURARIA, pelo preço de R$ 202.337.000,00, equivalentes, naquela data, a US$ 107.000.000,00, as quais havia adquirido em 05/08/99; O preço de R$ 202.337.000,00 foi pago no ato de celebração do contrato através de crédito em conta corrente da VENDEDORA mantida junto ao BANCO PACTUAL S/A, outorgando a VENDEDORA à COMPRADORA a mais ampla, geral e irrestrita quitação pelo recebimento da totalidade do preço, inscrevendose a COMPRADORA no Livro Registro de Ações Nominativas da VENDEDORA (Anexo I e Anexo II, fl. 186); 9. Ato continuo, a THYSSEN INDUSTRIES S/A (COMPRADORA) subscreveu um aumento de capital na empresa THYSSEN KRUPP PARTICIPAÇÕES LTDA. no valor de R$ 226.919.901,00, integralizado da seguinte forma: a) R$ 202.337.000,00, mediante a conferencia das 10.000.000 de emissão da 5246 PARTICIPAÇÕES S.A., que a THYSSEN INDUSTRIES S/A havia acabado de adquirir da própria 5246 PARTICIPAÇÕES S.A.; b) pagamento em dinheiro no valor de R$ 3.782.000,00; e c) o saldo remanescente deveria ser integralizado em dinheiro ou bens no prazo de 24 meses (Anexo V, fls. 13 a 15); 10. Em seguida, e no mesmo dia 08/09/99, a THYSSEN KRUPP PARTICIPAÇÕES LTDA. (PERMUTANTE) realiza permuta com a 5246 PARTICIPAÇÕES S.A. (VENDEDORA), passando a titularidade das 10.000.000 (3.340.000 ON e 6.660.000 PN) de ações de emissão de 5246 PARTICIPAÇÕES S.A. (então detidas pela PERMUTANTE) para a própria 5246 PARTICIPAÇÕES S.A. Em contrapartida, a titularidade das ações de emissão de ELEVADORES SUR e de ASTEL MANUTENÇÃO E ASSISTÊNCIA TÉCNICA DE ELEVADORES LTDA. (CNPJ 93.258.671/000138) então detidas pela 5246 PARTICIPAÇÕES S.A. passaram aqui para a propriedade de THYSSEN KRUPP PARTICIPAÇÕES LTDA.. Com isso, as 10.000.000 de ações de emissão de 5246 PARTICIPAÇÕES S.A. voltaram a ser AÇÕES EM TESOURARIA e a THYSSEN KRUPP PARTICIPAÇÕES LTDA. passou a deter o controle societário de ELEVADORES SUR e de ASTEL MANUTENÇÃO E ASSISTÊNCIA TÉCNICA DE ELEVADORES LTDA. (na proporção de 98,66% e 99,9999%, respectivamente) (Anexo I); Fl. 2649DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11080.009153/200428 Acórdão n.º 9202003.166 CSRFT2 Fl. 1.050 5 11. No dia 09/09/99, a 5246 PARTICIPAÇÕES S.A. remeteu para o exterior uma considerável parcela do valor recebido na venda/permuta de ELEVADORES SUR e ASTEL MANUTENÇÃO E ASSISTÊNCIA TÉCNICA DE ELEVADORES, a titulo de investimento direto na subsidiária GRANITE HOLDINGS CORPORATION, com sede em Nassau, Ilhas Bahamas (Anexo II, Fl. 208); 12. Finalmente, no dia 30/12/99, os quotistas da THYSSEN KRUPP PARTICIPAÇÕES LTDA. resolvem, por unanimidade, aprovar a incorporação da THYSSEN KRUPP PARTICIPAÇÕES LTDA. pela THYSSEN SUR ELEVADORES E TECNOLOGIA (nova denominação então vigente de ELEVADORES SUR – CNPJ 90.347.840/000118) . (Anexo V, Fls. 16 a 23). Alegou a autoridade fiscal, quando do lançamento, que: “Com base em uma análise mais detida nos negócios jurídicos acima, é possível afirmar, de maneira resumida, que os controles societários de ELEVADORES SUR e da ASTEL ASSISTÊNCIA TÉCNICA foram vendidos para o GRUPO THYSSEN KRUPP pelo valor de RS 202.337.000,00, através de uma complexa seqüência de atos societários que tiveram por objetivo MASCARAR a operação de compra e venda, acarretando a falta de recolhimento dos tributos devidos pelos ALIENANTES sobre o ganho auferido na operação. Além da falta de recolhimento dos tributos devidos, a operação teve por objetivo gerar um ágio dedutivel para o GRUPO THYSSEN KRUPP, sem o qual a operação não seria vantajosa para o adquirente.” O auto assim lavrado foi objeto de impugnação pelo contribuinte, anexada às fls. 99 a 242 dos autos, com decisão da autoridade julgadora de 1a. instância de fls. 247 a 281 no sentido de procedência integral do lançamento. Cientificado da referida decisão em 05/09/2005 (fl. 487), insurgiuse o contribuinte contra a mesma, através de Recurso Voluntário a este Conselho, anexado às fls. 291 a 484. Em sessão plenária de 04/07/2007, foi dado provimento parcial ao referido Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão 10248.656, assim ementado (fls. 496 a 562): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1999 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL LANÇAMENTO NULIDADE Não é nulo o auto de infração, lavrado com observância do art. 142 do CTN e 10 do Decreto 70.235 de 1972, quando a descrição dos fatos e a capitulação legal permitem ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente suas peças impugnatória e recursal. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DEFESA DO CONTRIBUINTE APRECIAÇÃO Conforme cediço no Superior Tribunal de Justiça STJ, a autoridade julgadora não fica obrigada a manifestarse sobre todas as alegações do recorrente, nem a aterse aos fundamentos indicados por ele ou Fl. 2650DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11080.009153/200428 Acórdão n.º 9202003.166 CSRFT2 Fl. 1.051 6 a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão. (REsp 876271/SP, julgado em 13/02/2007; REsp 874793/CE, julgado em 28/11/2006). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PROVAS À luz do artigo 29 do Decreto 70.235 de 1972, na apreciação de provas a autoridade julgadora tem a prerrogativa de formar livremente sua convicção. SIMULAÇÃO A simulação se caracteriza pela divergência entre a exteriorização e a vontade, isto é, são praticados determinados atos formalmente, enquanto subjetivamente, os que se praticam são outros. Assim, na simulação, os atos exteriorizados são sempre desejados pelas partes, mas apenas no aspecto formal, pois, na realidade, o ato praticado é outro. SIMULAÇÃO E DECADÊNCIA Configurada a presença de simulação, o prazo para constituir o crédito tributário é de 5 (cinco) anos, contados do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado nos termos do art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. SIMULAÇÃO E ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO Comprovado que o contribuinte realizou a operação pretendida por meio de outrem, ato simulado, não há que se falar em erro na identificação do sujeito passivo quando o crédito tributário é constituído e exigido daquele que realmente praticou o negócio. SIMULAÇÃO E GANHO DE CAPITAL – Na apuração do ganho de capital, é considerada a operação que importe “alienação” a qualquer título de bens ou direitos, ou cessão, ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição. Comprovada a simulação e verificada a ocorrência de ganho de capital na operação efetivamente realizada, correta a exigência do tributo efetivamente devido. GANHO DE CAPITAL PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS DIREITO ADQUIRIDO DECRETOLEI 1.510/76 – Não incide imposto de renda na alienação de participações societárias integrantes do patrimônio do contribuinte desde dezembro de 1983, nos termos do art. 4º, alínea d, do DecretoLei 1.510/76, em decorrência do direito adquirido (Acórdão nº CSRF/04 00.215, de 14/03/2006). SIMULAÇÃO E MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA Comprovada a simulação, correta a exigência da multa de ofício qualificada sobre os tributos devidos, no percentual de 150%. Preliminares rejeitadas. Recurso parcialmente provido. A decisão foi assim resumida: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, AFASTAR Fl. 2651DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11080.009153/200428 Acórdão n.º 9202003.166 CSRFT2 Fl. 1.052 7 a preliminar de erro na identificação do sujeito passivo. Por maioria de votos, MANTER a qualificação da multa. Vencidos os Conselheiros Silvana Mancini Karam e Moises Giacomelli Nunes da Silva que desqualificam a multa e apresentam declaração de voto. Por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de decadência. Por maioria de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade do lançamento. Vencido o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva que acolhe a preliminar de nulidade argüida em relação ao art. 116, § 1° do CTN. No mérito, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir na apuração do ganho de capital o ganho correspondente a 22 ações, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Apresenta declaração de voto o Conselheiro Naury Fragoso Tanaka. Cientificada do acórdão em 15/05/2008 (fls. 563), a Fazenda Nacional interpôs, na mesma data, o Recurso Especial de Divergência de fls. 566 a 585, com fundamento no art. 7°, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, questionando a aplicação, pelo recorrido, do art. 4°, alínea d, do DecretoLei n° 1.510, de 27 de dezembro de 1976, da qual decorreu a exclusão, pelo r., do ganho com 22 ações, as quais seriam de propriedade do sujeito passivo em dezembro de 1983. É trazido como paradigma, a propósito, o Acórdão 104 22.220, de lavra da 4a. Câmara do então 1o. Conselho de Contribuintes, assim ementado: AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA SOB A ÉGIDE DO DECRETOLEI N°.1510, DE 1976 ALIENAÇÃO NA VIGÊNCIA DE NOVA LEI REVOGADORA DO BENEFÍCIO LEGISLAÇÃO APLICÁVEL A alienação de participação societária adquirida sob a égide do art. 4°, alínea "d", do DecretoLei n° 1.510, de 1976, após decorridos cinco anos da aquisição, não garante o direito à isenção, que pode ser modificada ou revogada, por lei, aplicandose a lei vigente na data da alienação, quando ocorre o fato gerador da obrigação tributária. Defende a Fazenda que se está a tratar, no caso, de regimes jurídicos distintos: até a edição da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, vigia um regime jurídico baseado no mencionado DecretoLei n° 1.510, de 1976, que contemplava essa hipótese de isenção, mas, com a edição da Lei n° 7.713, de 1988, inaugurouse um outro regime. E é este último que se aplica aos fatos ocorridos a partir de sua vigência. Cita, ainda, como supedâneo a seu entendimento, os arts. 104, inciso III, 144 e 178 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). Nesse sentido, entende que o vocábulo “condições” reproduzido pelo CTN deve ser entendido como sinônimo de “encargos” e não de “requisitos”, aduzindo, suportado por jurisprudência colacionada oriunda do Superior Tribunal de Justiça, que: “(...) para que o recorrido fizesse jus à ultraatividade concessiva de isenção, que se encontrava revogada quando da ocorrência do fato gerador, deveria ter demonstrado o encargo por ele suportado, que tornasse injusta a tributação que lhe é exigida. Fl. 2652DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11080.009153/200428 Acórdão n.º 9202003.166 CSRFT2 Fl. 1.053 8 35. Pela leitura da norma benéfica invocada pelo contribuinte (DecretoLei n° 1.510/76, art. 4°, alinea "d"), verificase que para o gozo do beneficio não estava o sujeito passivo obrigado à realização de um encargo. Ficou ali estabelecido que o simples decurso do prazo de cinco anos entre a subscrição das ações e sua respectiva alienação seria suficiente para o gozo da isenção. 36. Não foi, destarte, exigida do sujeito passivo nenhuma obrigação (prestação de dar, fazer ou nãofazer) para que gozasse do incentivo fiscal, cediço que o critério para a sua concessão se limitou o mero decurso de tempo entre a subscrição de ações e a sua alienação. 37. No caso vertente, é ainda mais patente a inexistência de motivo para a ultraatividade da norma benéfica pelo fato de o contribuinte não ter alienado as ações logo após o decurso do prazo de cinco anos da subscrição, o que se deu período superior a uma década. (...)” Propugna, assim, ao final, pela reforma do recorrido, a fim de que seja integralmente mantida a autuação realizada. Ao Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, foi dado seguimento, conforme o Despacho n° 467, de 07/07/2008 (fls. 586/589). Cientificado do acórdão, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do despacho que lhe deu seguimento em 10/12/2008 (fl. 593), o Contribuinte ofereceu, em 15/12/2008, embargos ao recorrido Acórdão 10248.656 (fls. 595 a 840), seguido de contrarrazões ao Recurso interposto pelo Procurador da Fazenda Nacional (fls. 841 a 851). Em sede de contrarrazões, o contribuinte propugna pela existência de direito adquirido á referida isenção, por ter sido cumprida a condição para a isenção (onerosa, em seu entendimento), qual seja, a permanência por 5 anos das ações adquiridas, em seu patrimônio, antes da revogação da isenção pela Lei n° 7.713, de 1988. Entende que o regime jurídico mais limitador e restritivo estabelecido pela nova Lei não pode ser aplicado aos direitos adquiridos na égide da lei anterior. Cita, a propósito, a Súmula STF 544, bem como jurisprudência oriunda do STJ e deste Conselho que suportariam seu entendimento. Não acolhidos os embargos de iniciativa do contribuinte, através de Despacho de fls. 854 a 858. Cientificado da decisão de não acolhimento em 09/05/2011 (fl. 865), ingressa o contribuinte com Recurso Especial de Divergência, de fls. 866 a 1031, com fulcro nos arts. 67 e seguintes do atual RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009. Tal recurso foi regularmente admitido, conforme despacho de fls. 1035 a 1039. Quanto ao referido Recurso Especial, o Contribuinte apresenta os seguintes argumentos, em síntese, quanto às matérias para as quais foram alegadas existência de divergência jurisprudencial: a) Quanto ao evidente intuito de fraude: Fl. 2653DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11080.009153/200428 Acórdão n.º 9202003.166 CSRFT2 Fl. 1.054 9 Alega, inicialmente, ter agido em total consonância não só com a legislação, mas também com a jurisprudência do Conselho de Contribuintes, tendo a fiscalização se valido de presunções e não de provas concretas, devendo os vícios de vontade serem efetivamente comprovados, vedada a utilização de indícios. Sustenta que: (a) a operação autuada é verdadeira; (b) as sociedades indicadas efetivamente existiram e existem; (c) os negócios jurídicos e comerciais foram realizados de fato e foi dada publicidade; e (d) não há indícios de simulação ou dissimulação na operação autuada. Ainda, alega que o atendimento a todas as solicitações do Fisco, a observância da legislação societária, com a divulgação e registro nos órgãos públicos competentes descaracterizam a máfé, característica necessária aos atos fraudulentos, rejeitando assim a ocorrência de evidente intuito de fraude. Argumenta que há que se diferenciar o negócio jurídico indireto do negócio jurídico simulado. O negócio jurídico indireto configurase quando um contribuinte se utiliza de um determinado negócio, típico ou atípico, para obtenção de uma finalidade diversa daquela que constitui a sua própria causa, em que as partes querem efetivamente o negócio e os efeitos típicos dele realizado e submetese a sua disciplina jurídica. Ressalta a existência das três condições necessárias a que determinado ato produza efeitos elisivos: (a) Em primeiro lugar, resulta de atos anteriores à ocorrência do fato gerador. (b) Em segundo lugar, resulta de atos praticados licitamente, alegando que o ponto central das operações praticadas foi a aquisição de ações mantidas em tesouraria, hipótese essa expressamente permitida pelo artigo 30 da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976. (c) Em terceiro lugar, resulta de atos efetivamente existentes tanto que foram documentados e registrados nas repartições competentes e continuam gerando efeitos. Entende, também, que não se pode falar em simulação quando, em um negócio bilateral, se imputa à apenas uma das partes a fraude, citando que, no âmbito do Acórdão no 10516.395, de lavra da 5a. Câmara do então 1o. Conselho de Contribuintes, se reconheceu como legal e válido o ágio que a empresa THYSSEN KRUPP obteve com a aquisição da ELEVADORES SUR. Propugna, ainda, pela juntada de prova nova (laudo pericial), produzida em Ação Ordinária para Decretação de Ineficácia ou Anulabilidade de Atos Praticados com Fraude Contra Credores, ajuizada por CIACORP INTERNATIONAL CORPORATION contra Adroaldo Carlos Aumonde e THYSSEN KRUPP ELEVADORES S/A, a qual somente não foi anexada anteriormente pelo fato da perícia só ter ficado pronta após o julgamento do recurso voluntário de iniciativa do Recorrente. Tal laudo teria concluído que não houve dolo, fraude ou simulação na venda do controle acionário da ELEVADORES SUR S/A à THYSSEN KRUPP INDUSTRIES S/A. Traz como paradigmas que caracterizariam a divergência suscitada em termos de caracterização da ocorrência de simulação/evidente intuito de fraude os acórdãos abaixo ementados: a) Acórdão 10195.537 (1a Câmara do então 1o. Conselho de Contribuintes, sessão plenária de 24/05/2006). Fl. 2654DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11080.009153/200428 Acórdão n.º 9202003.166 CSRFT2 Fl. 1.055 10 SIMULAÇÃO. Caracterizada a simulação, os atos praticados com o objetivo de reduzir artificialmente os tributos não são oponíveis ao fisco, que pode desconsiderálos. OPERAÇÃO ÁGIO – SUBSCRIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO COM ÁGIO E SUBSEQÜENTE CISÃO – VERDADEIRA ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO – Se os atos formalmente praticados, analisados pelo seu todo, demonstram não terem as partes outro objetivo que não se livrar de uma tributação específica, e seus substratos estão alheios às finalidades dos institutos utilizados ou não correspondem a uma verdadeira vivência dos riscos envolvidos no negócio escolhido, tais atos não são oponíveis ao fisco, devendo merecer o tratamento tributário que o verdadeiro ato dissimulado produz. Subscrição de participação com ágio, seguida de imediata cisão e entrega dos valores monetários referentes ao ágio, traduz verdadeira alienação de participação societária. PENALIDADE QUALIFICADA – INOCORRÊNCIA DE VERDADEIRO INTUITO DE FRAUDE – ERRO DE PROIBIÇÃO – ARTIGO 112 DO CTN – SIMULAÇÃO RELATIVA FRAUDE À LEI – Independentemente da patologia presente no negócio jurídico analisado em um planejamento tributário, se simulação relativa ou fraude à lei, a existência de conflitantes e respeitáveis correntes doutrinárias, bem como de precedentes jurisprudências contrários à nova interpretação dos fatos pelo seu verdadeiro conteúdo, e não pelo aspecto meramente formal, implica em escusável desconhecimento da ilicitude do conjunto de atos praticados, ocorrendo na espécie o erro de proibição. Pelo mesmo motivo, bem como por ter o contribuinte registrado todos os atos formais em sua escrituração, cumprindo todas as obrigações acessórias cabíveis, inclusive a entrega de declarações quando da cisão, e assim permitindo ao fisco plena possibilidade de fiscalização e qualificação dos fatos, aplicáveis as determinações do artigo 112 do CTN. Fraude à lei não se confunde com fraude criminal. Recurso não provido. b) Acórdão 10321.047 (3a Câmara do então 1o. Conselho de Contribuintes, sessão plenária de 16/10/2002). INCORPORAÇÃO ATÍPICA NEGÓCIO JURÍDICO INDIRETO SIMULAÇÃO RELATIVA A incorporação de empresa superavitária por outra deficitária, embora atípica, não é vedada por lei, representando um negócio jurídico indireto, na medida em que, subjacente a uma realidade jurídica, há uma realidade econômica não revelada. Para que os atos jurídicos produzam efeitos elisivos, além da anterioridade à ocorrência do fato gerador, necessário se faz que revistam forma lícita, aí não compreendida hipótese de simulação relativa, configurada em face dos dados e fatos que instruíram o processo. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE A evidência da intenção dolosa, exigida na lei para agravamento da penalidade aplicada, há que aflorar na instrução processual, devendo ser inconteste e Fl. 2655DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11080.009153/200428 Acórdão n.º 9202003.166 CSRFT2 Fl. 1.056 11 demonstrada de forma cabal. O atendimento a todas as solicitações do Fisco e observância da legislação societária, com a divulgação e registro nos órgãos públicos competentes, inclusive com o cumprimento das formalidades devidas junto à Receita Federal, ensejam a intenção de obter economia de impostos, por meios supostamente elisivos, mas não evidenciam máfé, inerente à prática de atos fraudulentos. PENALIDADE SUCESSÃO A incorporadora, como sucessora, é responsável pelos tributos devidos pela incorporada, até a data do ato de incorporação, não respondendo por penalidades aplicadas posteriormente a essa data e decorrentes de infrações anteriormente praticadas pela sucedida (CTN, art. 132). b) Quanto ao erro na identificação do sujeito passivo: Alega, ainda, que o IRPF incidente sobre o ganho de capital apurado pela autoridade fiscal seria devido pela empresa 5246 PARTICIPAÇÕES S.A., sociedade que efetuou a permuta das ações com a estrangeira THYSSEN KRUPP PARTICIPAÇÕES LTDA e não pelo contribuinte objeto de autuação. A respeito da participação do Recorrente sobre o valor da alienação (aproximadamente R$ 202 milhões), entende que deva se considerar o seguinte: quando o recorrente subscreveu o capital na empresa 5246, o patrimônio liquido desta era de R$ 36 milhões; o patrimônio liquido da 5246 passou a ser de R$ 202 milhões somente depois que a empresa estrangeira THYSSEN KRUPP PARTICIPAÇÕES permutou com a empresa 5246 sua participação nesta empresa, pelas ações da sociedade Elevadores SUR. Assim, essa diferença, de 36 milhões para 202 milhões, teria ficado na empresa 5246 PARTICIPAÇÕES S.A. Se ganho houve, é lá que ele deve ser apurado. Entende que o Recorrente não auferiu qualquer beneficio econômico do respectivo fato gerador (permuta das ações), aliás, ele nem mesmo realizou o fato gerador, que foi gerado pela empresa 5246 PARTICIPAÇÕES, sendo, portanto, esta empresa o sujeito passivo da exigência tributária. Cita a propósito o seguinte trecho do voto condutor do Acórdão Paradigma no 10809.227, formalizado quando do julgamento do lançamento sobre outro dos acionistas da Elevadores SUR que participaram da mesma sequência de operações sob análise, verbis: "(...) Acolho a preliminar de nulidade pela ocorrência de erro na identificação do sujeito passivo, porque o Fisco não lavrou o auto de infração na empresa intitulada 5246, onde foram efetuados os aportes financeiros e que obteve o ganho econômico, tendo ela permanecido em atividade após os fatos tidos como simulados, além de continuar sendo controlada indiretamente pela pessoa física que foi beneficiada pela não tributação do ganho de capital na alienação de participação societária. O planejamento tributário ilícito teve como fundamento básico a continuidade da pessoa jurídica. Para o deslinde da questão é importante distinguir a extensão da figura da simulação. Está claro que o fato oculto nos negócios perpetrados foi o ganho de capital na alienação das ações que o Sr. Adroaldo Aumonde detinha na Elevadores Sur para o Grupo Fl. 2656DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11080.009153/200428 Acórdão n.º 9202003.166 CSRFT2 Fl. 1.057 12 Thyssen. Deve ser feita uma distinção entre as etapas das operações engendradas pela pessoa física e o comprador de suas ações. A personalidade jurídica da empresa 5246 continuou existindo, foi a ela que se destinaram os recursos e ali ficaram sob o controle indireto do Sr. Adroaldo Aumonde. Quando no pólo passivo da simulação produzida pelo vendedor e comprador figura uma empresa onde todas as operações foram realizadas e esta pessoa jurídica continua sendo controlada indiretamente pelo sócio vendedor, é nela que a tributação deve recair. A matéria não é nova nesta Câmara. No julgamento do recurso no136.234, processo no 10882.003600/200275, acórdão no 108 08.603, foi rejeitada a preliminar de erro na identificação do sujeito passivo, em virtude do auto de infração ter sido lavrado na empresa beneficiária da movimentação financeira e econômica, não se acatando a pretensão da recorrente para que a exigência tributária recaísse na figura do sócio da pessoa jurídica, tendo sido mantido o lançamento. Naquela oportunidade, decidiu esta Câmara que o procedimento de fiscalização adequado ao caso é a lavratura do auto de infração na empresa para qual os aportes financeiros foram dirigidos, o que na situação aqui analisada corresponde à 5246. Assim, tendo sido lavrado o auto de infração na pessoa jurídica Epart Administração e Participações Ltda. ao invés de na pessoa jurídica 5246, onde as operações societárias ocorreram e que foram destinados os ganhos econômico e financeiro, tendo o recurso lá permanecido sob o controle da pessoa física interessada na simulação, deve ser acolhida a preliminar de nulidade do lançamento por erro na identificação do sujeito passivo." O acórdão acima, utilizado como primeiro paradigma caracterizador da divergência suscitada quanto à matéria, encontrase assim ementado: Acórdão 10809.227 (8a Câmara do então 1o. Conselho de Contribuintes, sessão plenária de 28/02/2007). Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 1999 Ementa: PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO Configura erro na identificação do sujeito passivo, quando o Fisco não lavra o auto de infração na empresa onde foram efetuados os aportes financeiros e para qual foi dirigido o ganho econômico, quando ela permanece ativa após os fatos considerados como simulados e controlada pela pessoa física beneficiada, direta ou indiretamente, pela não tributação do ganho de capital na alienação de participação societária. IRPJ E CSLL DECADÊNCIA O Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquidos, são tributos cuja legislação prevê a antecipação de pagamento sem prévio exame pelo Fisco, está adstrito à sistemática de Fl. 2657DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11080.009153/200428 Acórdão n.º 9202003.166 CSRFT2 Fl. 1.058 13 lançamento dita por homologação, na qual a contagem da decadência do prazo para sua exigência tem como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador (art. 150 parágrafo 4º do CTN). Ocorrendo a ciência do auto de infração pela contribuinte no ano de 2005, cabível a preliminar de decadência suscitada para os tributos lançados no anocalendário de 1999. PENALIDADE QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE INOCORRÊNCIA SIMULAÇÃO RELATIVA A evidência da intenção dolosa, exigida na lei para agravamento da penalidade aplicada, há que aflorar na instrução processual, devendo ser inconteste e demonstrada de forma cabal.O atendimento a todas as solicitações do Fisco e observância da legislação societária, com a divulgação e registro nos órgãos públicos competentes, inclusive com o cumprimento das formalidades devidas junto à Receita Federal, ensejam a intenção de obter economia de impostos, por meios supostamente elisivos, mas não evidenciam máfé, inerente à prática de atos fraudulentos. Preliminar de nulidade acolhida. Preliminar de decadência acolhida. Traz, ainda, como paradigma adicional, que sustentaria seu posicionamento no sentido de necessidade de lançamento na 5246 PARTICIPAÇÕES S.A., a seguinte decisão: Acórdão 10194.771 (1a Câmara do então 1o. Conselho de Contribuintes, sessão plenária de 11/11/2004). DESCONSIDERAÇÃO DE ATO JURÍDICO – Devidamente demonstrado nos autos que os atos negociais praticados deram se em direção contrária a norma legal, com o intuito doloso de excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária (art. 149 do CTN), cabível a desconsideração do suposto negócio jurídico realizado e a exigência do tributo incidente sobre a real operação. SIMULAÇÃO/DISSIMULAÇÃO – Configurase como simulação, o comportamento do contribuinte em que se detecta uma inadequação ou inequivalência entre a forma jurídica sob a qual o negócio se apresenta e a substância ou natureza do fato gerador efetivamente realizado, ou seja, dáse pela discrepância entre a vontade querida pelo agente e o ato por ele praticado para exteriorização dessa vontade, ao passo que a dissimulação contém em seu bojo um disfarce, no qual se encontra escondida uma operação em que o fato revelado não guarda correspondência com a efetiva realidade, ou melhor, dissimular é encobrir o que é. IRPJ – GANHO DE CAPITAL – Considerase ganho de capital a diferença positiva entre o valor pelo qual o bem ou direito houver sido alienado ou baixado e o seu valor contábil, diminuído, se for o caso, da depreciação, amortização ou exaustão acumulada. Fl. 2658DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11080.009153/200428 Acórdão n.º 9202003.166 CSRFT2 Fl. 1.059 14 MULTA AGRAVADA – Presente o evidente intuito de fraude, cabível o agravamento da multa de ofício prevista no inciso II, art. 44, da lei nº 9.430/96. LANÇAMENTOS DECORRENTES – CSLL A solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase, no que couber, ao lançamento decorrente, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. Recurso provido parcialmente. c) Quanto à decadência e desqualificação da multa: Por sua vez, reconhecendose, com base nas alegações anteriormente reproduzidas, a inexistência de dolo, fraude, simulação ou dissimulação, sustenta a recorrente que se impõe, por conseguinte, o reconhecimento, da decadência do direito do Erário Federal autuar o contribuinte com base em operação realizada no ano de 1999, com fulcro no art. 150, § 4o. do CTN, não cabível a utilização dos ditames do art. 173, I do mesmo Código Entende, também, que não há que se falar em violação à lei, sendo que a legislação reguladora da matéria existente e aplicável aos fatos exigia para a aplicação da multa qualificada evidente e inconteste.intuito de fraude, de dolo, o que não é o caso, propugnando assim, pela desqualificação da multa aplicada pela autoridade fiscal. Quanto à tais matérias, traz como paradigma adicional, além do mesmo Acórdão 10809.227, cuja ementa já foi aqui reproduzida, o Acórdão abaixo: Acórdão 10247.476 (2a Câmara do então 1o. Conselho de Contribuintes, sessão plenária de 23/03/2006). DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO INEXISTÊNCIA DE FRAUDE A simples omissão de receita não é sinônimo de fraude. Assim, há de ficar afastada a aplicação do artigo 173, I, do Código Tributário Nacional para a contagem do prazo decadencial, prevalecendo a norma do artigo 150, § 4o., da Lei Complementar Tributária. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA Para a aplicação da multa qualificada de 150%, é indispensável a plena caracterização e comprovação da prática de uma conduta fraudulenta por parte do contribuinte, ou seja, é absolutamente necessário restar demonstrada a materialidade dessa conduta, ou que fique configurado o dolo específico do agente evidenciando não somente a intenção mas também o seu objetivo. Preliminar acolhida. Levanta, por fim, incongruência na decisão recorrida, uma vez que todos os documentos acostados aos autos demonstram que a isenção pleiteada não abrangeria apenas 22 (vinte e duas) ações, como teria concluído erroneamente o douto acórdão recorrido, mas sim a totalidade das 14.312 ações que o contribuinte alienou em 09/09/1999, conforme comprovam, incontestavelmente, os documentos anexos. Informa que foi elaborado laudo técnico sobre a determinação da quantidade de ações de ELEVADORES SUR S/A possuidas pelo Sr. José Carlos Panzenhagen em 31/12/1983, com seus conseqüentes reflexos na tributação de ganho de capital pela posterior venda das ações, laudo este formado com base em documentação, cujas cópias autenticadas são juntadas a estes autos. Fl. 2659DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11080.009153/200428 Acórdão n.º 9202003.166 CSRFT2 Fl. 1.060 15 Diante do exposto, o contribuinte requer seja dado provimento integral ao recurso, a fim de que sejam apreciadas todas as questões e provas levadas a efeito nas defesas anteriormente apresentadas, inclusive cópia da perícia judicial e do laudo técnico apresentados, reconhecendose ao final, a licitude dos atos praticados, com a conseqüente anulação do lançamento objeto. Cientificada do Recurso do Contribuinte em 18/05/2012 (fls. 1040), a Fazenda Nacional ofereceu, na mesma data, as ContraRazões de fls. 1043 a 1045, onde requer que seja mantida incólume a decisão recorrida, restando inócua a argumentação do contribuinte para todas as matérias presentes em seu Recurso Especial, a partir da caracterização nos autos de simulação e evidente intuito de fraude pelo autuado. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator a) Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional: Inicio a análise pelo Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. O recurso é tempestivo, os paradigmas foram proferidos por órgãos julgadores diferentes daquele do presente processo e não foram reformados, e as matérias impugnadas não são objeto de súmula do CARF. Ainda, analisando o paradigma trazido pelo Procurador da Fazenda, verifico se estar diante de situações fáticas idênticas para as quais o presente Conselho adotou critérios jurídicos diferentes e, assim, conheço do recurso. Conhecido o Recurso, passo a seu mérito. Entendo a propósito, inclusive como já tive oportunidade de me manifestar anteriormente em casos similares, que, no caso da isenção prevista pelo art. 4°, alínea d, do DecretoLei n° 1.510, de 1976, posteriormente revogada pela Lei nº 7.713, de 1988, há que se aplicar o teor do art. 144 do CTN, que reza: CTN (Lei 5.172/66) Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Vejo que, no caso em questão, o ganho de capital se realizou em 1999, já na vigência da Lei nº 7.713, de 1988. Aplicável então, com fulcro no art. 144 citado, a revogação trazida pela nova Lei ao caso sob análise, não havendo que se falar de isenção com fulcro no art. 4°, “d”, do DecretoLei n° 1.510, de 1976. Faço notar, ainda, que o art. 178 do CTN, citado pelo contribuinte em suas contrarrazões e também em Declaração de Voto no âmbito do recorrido, estabelece, desde sua redação trazida pela Lei Complementar n° 24, de 07 de maio de 1975, ou seja, anteriormente à revogação propugnada pela Lei nº 7.713, de 1988, que: CTN Fl. 2660DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11080.009153/200428 Acórdão n.º 9202003.166 CSRFT2 Fl. 1.061 16 Art. 178. A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo, observado o disposto no inciso III do art. 104. (g.n.) A respeito deste dispositivo, alinhome aqui à corrente que entende como cumulativas as qualificadoras da isenção concedida a fim de que a ressalva presente na parte inicial do dispositivo possa operar. É bastante elucidativa, a respeito, a declaração de voto de lavra do Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa, no acórdão 2201001.619, de 16 de maio de 2012, que, tratando da mesma situação agora em sede de restituição, não merece, em meu entendimento, qualquer reparo, verbis: “(...) No caso específico das isenções, inclusive, o CTN dispõe expressamente que estas podem ser revogadas ou modificadas, por lei, desde que não tenham sido concedidas em função de determinadas condições e por prazo certo. É o que reza o art. 178, verbis: Art. 178. A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo, observado o disposto no inciso III do art. 104. Notese que o artigo 178, acima reproduzido, referese a duas condições, cumulativamente: que a isenção seja concedida por prazo certo e (e não ou) em função de determinadas condições. E, neste caso, a lei, de fato onera a isenção com a condição de que a alienação somente ocorra após cinco anos da aquisição, porém, e este é o ponto, não delimita um prazo para a vigência da isenção. E não se diga que o artigo 178, ao utilizar o conectivo “e” não pretendeu dar ao texto o sentido de adição. É que o artigo 178 foi alterado pela Lei Complementar nº 24, de 07/05/1975 especificamente para o “ou” da redação anterior pelo “e” da redação atual. Aliomar Baleeiro, comentando esta alteração, observou: “A primitiva Redação do art. 178 era alternativa: ‘por prazo certo ou em função de determinadas condições’. Uma coisa ou outra. A Lei Complementar n° 24/1975 substituiu ou por e ambas as circunstâncias simultaneamente”. Não há dúvida, portanto, de que a irrevogabilidade da isenção depende da observância das duas condições, e não é este o caso” Por outro lado, o art. 104, que integra o capítulo que cuida da vigência da legislação tributária, é claro ao fixa a vigência de lei que reduz ou extingue isenção, a saber: Art. 104. Entram em vigor no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorra a sua publicação os dispositivos de lei referentes a imposto sobre o patrimônio e a renda: (...) Fl. 2661DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11080.009153/200428 Acórdão n.º 9202003.166 CSRFT2 Fl. 1.062 17 III – que extinguem ou reduzem isenções, salvo se a lei dispuser de maneira mais favorável ao contribuinte, e observado o disposto no art. 178. Ora, no caso sob exame, a alienação da participação societária e, portanto, o fato gerador da obrigação tributário ocorreu na vigência da Lei nº 7.713, de 1988 e a isenção prevista no art. 4º, “d” do DecretoLei nº 1.510, de 1976 não preenche ambas as condições previstas no art. 178 do CTN: ser condicionada a determinadas condições e, cumulativamente, ser por prazo certo. Portanto, o imposto recolhido era devido, razão pela qual o Contribuinte não faz jus à restituição pleiteada. (...)” A partir do acima disposto, e tendo em vista que, no caso em questão, na forma acima, ainda que se admita como presente a alegada “onerosidade”, não havia prazo certo concedido para a isenção sob análise, tenho por inaplicável a ressalva inicial contida no art. 178 do CTN, devendose reconhecer aqui a revogação operada pela Lei nº 7.713, de 1988, para todos os fatos geradores ocorridos quando de sua vigência, não havendo que se cogitar, assim, da isenção alegada no caso sob análise. Destarte, entendo que, no momento de ocorrência do fato gerador (alienação das ações da ELEVADORES SUR), ocorrida durante o anocalendário de 1999, a isenção prevista pelo art. 4°, alínea d, do DecretoLei n° 1.510, de 1976, já havia sido revogada pela Lei nº 7.713, de 1988, sendo esta última a Lei que, assim, deve reger a constituição do crédito tributário na situação sob análise, estando tal entendimento em plena consonância com o procedimento originalmente realizado pela autoridade fiscal. Finalmente, quanto à argumentação de direito adquirido sob a égide do DecretoLei n° 1.510, de 1976, reportome aqui ao julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) das ADIN’s nº 3.105/DF e 3.128/DF, relativas ao art. 4º, caput, da Emenda Constitucional nº 41, de 19 de dezembro de 2003, referente à análise da constitucionalidade da incidência de contribuição previdenciária sobre inativos e pensionistas, que sepulta a idéia de norma de imunidade tributária absoluta, verbis: “1. Inconstitucionalidade. Seguridade social. Servidor público. Vencimentos. Proventos de aposentadoria e pensões. Sujeição à incidência de contribuição previdenciária. Ofensa a direito adquirido no ato de aposentadoria. Não ocorrência. Contribuição social. Exigência patrimonial de natureza tributária. Inexistência de norma de imunidade tributáriaabsoluta. Emenda Constitucional nº 41/2003 (art. 4º, caput). Regra não retroativa. Incidência sobre fatos geradores ocorridos depois do início de sua vigência. Precedentes da Corte. Inteligência dos arts. 5º, XXXVI, 146, III, 149, 150, I e III, 194, 195, caput, II e § 6º, da CF, e art. 4º, caput, da EC nº 41/2003. No ordenamento jurídico vigente, não há norma, expressa nem sistemática, que atribua à condição jurídico subjetiva da aposentadoria de servidor público o efeito de lhe gerar direito subjetivo como poder de subtrair ad aeternum a percepção dos respectivos proventos e pensões à incidência de lei tributária que, anterior ou ulterior, os submeta à incidência Fl. 2662DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11080.009153/200428 Acórdão n.º 9202003.166 CSRFT2 Fl. 1.063 18 de contribuição previdencial. Noutras palavras, não há, em nosso ordenamento, nenhuma norma jurídica válida que, como efeito específico do fato jurídico da aposentadoria, lhe imunize os proventos e as pensões, de modo absoluto, à tributação de ordem constitucional, qualquer que seja a modalidade do tributo eleito, donde não haver, a respeito, direito adquirido com o aposentamento. (...)” A propósito, verifico que, na situação fática, inexiste norma que, no momento do fato gerador, imunizasse o ganho de capital referente à parcela de ações adquiridas antes de 1983 da incidência tributária, não havendo que se falar de direito adquirido. Confirmando tal entendimento, o recente julgamento pelo Supremo Tribunal Federal da Lei da Ficha Limpa (ADCs 29 e 30), opinou por sua aplicação a fatos iniciados ou ocorridos antes de sua edição, concluindo não haver que se falar em direito adquirido em sede de regime jurídico. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao Recurso Especial do Procurador da Fazenda Nacional, a fim de que seja mantido como montante tributável também o ganho de capital oriundo da alienação das 22 ações inicialmente excluído pelo acórdão vergastado. b) Recurso Especial interposto pelo Contribuinte: O apelo é tempestivo, os paradigmas foram proferidos por órgãos julgadores diferentes daquele do presente processo e não foram reformados, e as matérias impugnadas não são objeto de súmula do CARF. Resta perquirir acerca do atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade. Opto por fazêlo subdividindo o pleito pelas matérias objeto de alegação de divergência pelo recorrente. a) Quanto ao evidente intuito de fraude/simulação: Iniciase a análise por esta matéria constante do Recurso Especial de iniciativa do contribuinte, por se entender como fundamental para o deslinde de outras matérias presentes no mesmo pleito, tais como a decadência e a multa qualificada. Em sede de conhecimento, inicialmente, comungo da opinião do despacho de exame de admissibilidade de fls. 1038, pela confusão existente entre a presente matéria e aquelas de desqualificação da multa e contagem do prazo decadencial também abordadas pelo contribuinte em seu pleito recursal e a serem tratadas (conjuntamente) em item próprio a seguir, no âmbito do presente voto. Assim, a propósito, também em plena consonância com o referido despacho, julgo ser o acórdãoparadigma de no 10809.227 já reproduzido, não só suficiente para configurar a divergência para as matérias de qualificação da multa e contagem do prazo decadencial, mas também para a seara de divergência na caracterização de evidente intuito de fraude na situação sob análise, e, assim, entendo ser o paradigma suficiente para comprovação de divergência quanto a todas estas três matérias. Quanto à possibilidade de utilização de indícios para fins de caracterização do vício de vontade, adoto aqui, a fundamentação já utilizada pela autoridade julgadora de 1a. instância às fls. 272 a 274, por oferecer supedâneo teórico perfeito para meu posicionamento Fl. 2663DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11080.009153/200428 Acórdão n.º 9202003.166 CSRFT2 Fl. 1.064 19 acerca da matéria, no sentido de serem as provas indiciárias perfeitamente legais para fins de caracterização de simulação em matéria tributária, verbis: “(...) Meios de prova da simulação Conforme Mello (ob. cit., p. 162), a prova da simulação é difícil. Isso decorre da própria natureza dos atos simulados: são praticados justamente para ludibriar, buscando esconder os atos efetivos. A prova direta de atos que as partes procuram ocultar é árdua quando não impossível. Pode ser feita todavia através de documentos que demonstrem o negócio jurídico real que se procurou dissimular. Justamente por essa dificuldade, admitese que a simulação seja provada por todos os meios admitidos em Direito, inclusive por indícios e presunções. Com isso concorda Francisco Ferrara (A simulação nos negócios jurídicos, Campinas: Red Livros, 1999, 430 e 432), verbis: [...] com relação a terceiros, que são alheios à simulação, a prova não sofre limitações nem restrições: todo o meio de prova é admitido para descobrir a aparência ou falsidade do negocio [...] De facto, neste caso não seria aplicável a proibição da prova por testemunhas e presumpções, porque os terceiros encontramse sempre na impossibilidade de obter uma prova escrita do fingimento realizados por outros e sem êles o saberem. [...] Efectivamente, os terceiros não podem ter a esperança, a não ser em casos excepcionais, de servirse duma contra declaração feita pelas partes [...] Verdadeiramente eficaz e fructuosa é só a prova por presumpções, a qual é normalmente o auxilio a que recorrem terceiros para estabelecer a simulação. A simulação como divergência psicológica da intenção dos declarantes, escapa a uma prova directa. Melhor se deduz, se pode arguir, se infere por intuição do ambiente em que surgiu o contrato, das relações entre as partes, do conteúdo do negocio, das circunstâncias que o acompanham. A prova da simulação é uma prova indirecta, de indícios, conjectural (per conjecturas, signa et urgentes suspeciones), e é esta que fere verdadeiramente a simulação, porque a combate no seu próprio terreno. (...) Contudo, essa prova indiciária não se faz por indícios isolados, mas pelo seu conjunto, não podendo ser analisados isoladamente, mas é o seu conjunto que forma a prova que aponta a simulação.” Fl. 2664DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11080.009153/200428 Acórdão n.º 9202003.166 CSRFT2 Fl. 1.065 20 Superada tal objeção e agora adentrando ao cerne propriamente dito da questão (caracterização ou não da simulação e conduta dolosa com o intuito de suprimir tributo, caracterizando evidente intuito de fraude), com base na livre convicção de provas que me é permitida pelo art. 29 do Decreto n° 70.235, de 25 de março de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, também chego à conclusão que houve simulação nos atos negociais praticados, com o intento de alienar as ações da Elevadores SUR e da Astel para o Grupo ThyssenKrupp e ocultar o ganho de capital, caracterizado o dolo por parte do contribuinte. A propósito, entendo inicialmente que a sequência de operações engenhosamente engendrada pelos acionistas alienantes reflete mera exteriorização que diverge da vontade dos acionistas, a qual, conforme expressamente admitido pelo contribuinte, era de celebração de uma compra e venda, com a alienação do controle acionário das empresas ELEVADORES SUR e Astel, representando uma sequência de condutas dolosas com o fim de a alterar artificialmente as características essenciais da operação que ensejaria o fato gerador do tributo, de modo a evitar seu pagamento, caracterizado, assim, evidente intuito de fraude. Rejeito as correntes que admitem que o registro formal das operações, acompanhado do pleno atendimento ás solicitações do fisco (por vezes, doutrinariamente tido como caracterizador de uma modalidade de simulação denominada como simulação relativa), tenha o condão de afastar a ocorrência de evidente intuito de fraude, quando da realização de conduta prevista nos arts. 71 a 73 da Lei no 4,502, de 1964. Rejeito, ainda, que possa, no caso dos autos, se caracterizar erro de proibição, o que poderia justificar, assim, o afastamento da multa qualificada (a ser tratado em item próprio). Firmo minha convicção com base no seguinte vasto conjunto de indícios acostados aos autos, que apontam para a existência de claro animus simulandi, iniciandose pelo sui generis contrato em que a 5246 Participações aliena e, no mesmo instrumento, readquire 10.000.000 de suas próprias ações em tesouraria (anexo I), o curtíssimo espaço de tempo entre o grande número de operações geradoras do benefício fiscal de não tributação do ganho de capital e praticamente simultânea geração do ágio aproveitável pelo grupo THYSSEN KRUPP, aos quais, ainda, devem ser adicionados os seguintes fatos, já anteriormente mencionados no voto lavrado pela autoridade administrativa de 1a. instância (fls. 279/280): a) A participação de pessoas jurídicas interpostas, com ausência e finalidade comercial, aparentando negociar direitos para pessoas diversas daquelas que efetivamente realizaram a transação; b) A ausência de fatos que possam fazer que se conclua pela efetividade das atividades destas PJ interpostas, havendo, ao contrário, indícios que apontam para sua provável existência meramente formal, tais como a realização de Assembléias em suas sedes no Rio de Janeiro, com a presença de todos os sócios residentes no Rio Grande do Sul, em sua maioria em Porto Alegre; c) A incongruência entre os valores: R$ 202.337.000,00, que foi aportado em dinheiro pela THYSSEN Industries, na empresa 5246, para aquisição de ações antes mantidas em tesouraria; e Fl. 2665DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11080.009153/200428 Acórdão n.º 9202003.166 CSRFT2 Fl. 1.066 21 R$ 36.653.340,00, atribuídos às ações da empresa alienada (Elevadores Sür), menos de um mês antes, e recebidas pela THYSSEN Industries, na devolução das mesmas ações em tesouraria antes adquiridas. d) A remessa imediata de R$ 172.101.510,00 para Nassau (Bahamas), pela 5246 PARTICIPAÇÕES S.A., no exato momento de seu recebimento, quando da alienação das ações de ELEVADORES SUR ao grupo Thyssen Krupp, conforme fls. 207 e 208 do Anexo II; Ressalto aqui, ainda a propósito, conforme Fl. 71 do Termo de Verificação devidamente respaldado por Laudo Pericial judicial, ter ocorrido, até o ano de 2004, perda significativa de parcela deste montante remetido à paraíso fiscal pela receptora dos recursos (Granite Holdings Corporation, sediada em Nassau, Bahamas) para terceira empresa (Incheon Holdings Limited), decorrente de relevantes operações de crédito não liquidadas. e) Os pareceres de lavra do Dr. Paulo de Barros Carvalho, Dr. Galeno Lacerda, Dr. Jaguara Torelli Teixeira e Sr. Perito Contábil Dr. Carlos Edbertode Almeida Guedes, bem como os relatórios das empresas Arthur Andersen e Ernest & Young, em que se afirma ter havido vício de vontade nas operações realizadas. Finalmente com relação a outros pontos levantados pela autuada em seu recurso especial, tenho a informar que: a) Quanto à utilização do art. 116, § 1o, do CTN, acompanho a linha de entendimento da autoridade administrativa de 1a. instância de fl. 279, de que não há que se falar em aplicabilidade ou não da norma antielisão, como já explicitado, por não se aplicar ao caso, e nem sequer ter sido utilizado como fundamento da autoridade fiscal autuante. b) Quanto ao Acórdão no 10516.395, que entendeu como aproveitável o ágio contabilizado pelo grupo Thyssen Krupp decorrente do conjunto de operações aqui sob análise, faço notar, a propósito, que o que está em discussão nos presentes autos é a tributação do ganho de capital pelo acionista autuado e não os efeitos tributários do ágio decorrente da operação simulada, que, notese, afetou contribuinte diverso. Em primeiro lugar, cabe esclarecer que – formalmente – decisões estranhas ao objeto do processo não têm o condão de vincular o julgamento do processo. Pelo contrário, em essência, se o ágio (pago pela adquirente) é considerado dedutível, reforçase a convicção de que houve ganho de capital (auferido pelo alienante). c) Quanto ao novo laudo pericial anexado pelo contribuinte em sede recursal: entendo que o mesmo não traz elementos novos que pudessem afetar minha livre convicção acerca do caráter simulado das operações realizadas. Concluo, ainda, não haver como se afastar o dolo do autuado nas condutas realizadas, caracterizado assim o evidente intuito de fraude na forma preconizada pelo lançamento e, assim, voto pelo não provimento do Recurso Especial do Contribuinte nesta matéria. b) Erro de identificação do sujeito passivo Acedo aos argumentos de existência de divergência trazidos pelo exame de admissibilidade do pleito recursal às fls. 1037v. e, desta forma, também conheço do recurso nesta parte. Fl. 2666DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11080.009153/200428 Acórdão n.º 9202003.166 CSRFT2 Fl. 1.067 22 Ainda a respeito, faço notar que a conclusão atingida pelo acórdãoparadigma que se presta para a divergência e que trata de situação idêntica à suscitada (apenas analisando o lançamento efetuado em outro acionista) baseiase na seguinte premissa de que a empresa 5246 tenha continuado a existir e que a ela se destinaram os recursos (excerto do votocondutor daquele Acórdão): “ (...) Para o deslinde da questão é importante distinguir a extensão da figura da simulação. Está claro que o fato oculto nos negócios perpetrados foi o ganho de capital na alienação das ações que o Sr. Adroaldo Aumonde detinha na Elevadores Sur para o Grupo Thyssen. Deve ser feita uma distinção entre as etapas das operações engendradas pela pessoa física e o comprador de suas ações. A personalidade jurídica da empresa 5246 continuou existindo, foi a ela que se destinaram os recursos e ali ficaram sob o controle indireto do Sr. Adroaldo Aumonde. Quando no pólo passivo da simulação produzida pelo vendedor e comprador figura uma empresa onde todas as operações foram realizadas e esta pessoa jurídica continua sendo controlada indiretamente pelo sócio vendedor, é nela que a tributação deve recair. (...)” Assim, agora adentrando ao mérito da alegação do contribuinte e com a devida vênia ao referido voto e decisum do paradigma divergente, não comungo desta mesma certeza de auferimento dos benefícios econômicos da operação pela 5246 PARTICIPAÇÕES S.A. e pelo Sr. Adroaldo Aumonde. Compulsando os autos, verifico que, conforme Termo de Verificação (Fls 47 e 71/72), não houve manutenção dos recursos originados na permuta na 5246 PARTICIPAÇÕES, seja sob uma ótica financeira, seja sob uma ótica patrimonial. Financeiramente, há relevante remessa a título de investimento para a empresa Granite Holdings Corporation, sediada em paraíso fiscal (Anexo II, Fl. 208), com posterior destinação dos recursos por esta Granite Holdings a terceira empresa, com indícios de definitividade de transferência a esta terceira empresa de relevante parcela dos R$ 202.337.000 ingressados através da permuta (caracterizandose, assim, a transferência patrimonial). A propósito, transcrevo trechos do Termo de Verificação (fls. 71) que são claros em demonstrar, com base nos elementos de prova acostados aos autos, a clara destinação financeira da maior parte dos recursos objeto da operação à terceira empresa, através de realização de operações de crédito, os quais se converteram, posteriormente, em prováveis perdas patrimoniais através da constituição de provisão para créditos de liquidação duvidosa na mesma Granite Holdings Corporation, verbis: “ (...) Fl. 2667DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11080.009153/200428 Acórdão n.º 9202003.166 CSRFT2 Fl. 1.068 23 No dia 09/09/99, a 5246 PARTICIPAÇÕES remeteu para o exterior uma considerável parcela do valor recebido na venda de ELEVADORES SUR e ASTEL ASSISTÊNCIA TÉCNICA (R$ 172.101.510,00) a titulo de investimento direto na subsidiária GRANITE HOLDINGS CORPORATION, com sede em Nassau, Ilhas Bahamas (fl. 208 do Anexo II); (...) De acordo com o Laudo Pericial emitido pelo Perito Contador CARLOS EDBERTO DE ALMEIDA GUEDES, CRC/RJ 028206/T9, em 05/10/2004 (fls. 188 a 206 do Anexo II), o capital social da empresa GRANITE HOLDINGS CORPORATION (com sede em Nassau, Bahamas) era, em 31/12/2003, de US$ 84.600.000,00, dividido em 84.600.000 de ações ordinárias, com valor nominal de US$ 1,00 cada, as quais, por sua vez, pertenciam, integralmente, à 5246 PARTICIPAÇÕES. De acordo com o Laudo Pericial e o Balanço Patrimonial da GRANITE HOLDINGS CORPORATION, a empresa teria concedido empréstimos de longo prazo no montante superior a US$ 90.000.000,00, com vencimentos entre 30/08/2030 e 03/04/2032, a empresa INCHEON HOLDINGS LIMITED. De acordo com o Perito Contador, a GRANITE HOLDINGS CORPORATION constituiu uma provisão para perdas desses empréstimos, no montante correspondente a, aproximadamente, 50%, restando um valor liquido a receber em torno de apenas US$ 46.000.000,00. Essas perdas teriam começado a ocorrer no exercício encerrado em 31/12/2001, não existindo informações que identifiquem os elementos que fundamentam essas provisões, bem corno se elas irão continuar ocorrendo até o prazo de resgate dos empréstimos. (...) Assim, e considerandose agora também todos os vastos elementos presentes nos autos, que remetem á participação de todos os acionistas (o autuado, inclusive) em todas as etapas do conjunto de operações aqui considerado como caracterizador de simulação, bem assim a improvável hipótese, de nesta conjuntura, ter o acionista aceitado não auferir os beneficios econômicos da alienação cursada ao preço de R$ 202.337.000,00 junto ao grupo Thyssen, entendo como perfeita a caracterização realizada pela autoridade fiscal quanto ao sujeito passivo da autuação, corretamente limitada à sua participação no capital social quando do ingresso dos recursos originados do grupo Thyssen Krupp. Diante do exposto, nego provimento ao recurso do contribuinte quanto à matéria de erro na identificação do sujeito passivo. c) Decadência e desqualificação da multa. Fl. 2668DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11080.009153/200428 Acórdão n.º 9202003.166 CSRFT2 Fl. 1.069 24 Conforme já observado quando da análise do conhecimento da matéria de evidente intuito de fraude, entendo o Acórdão no 10809.227 como caracterizador da divergência suscitada e, assim, conheço do recurso. Quanto ao prazo decadencial, uma vez caracterizada a simulação na forma do item “a” do presente voto, necessária a contagem na forma disposta no art. 173, inciso I do Código Tributário Nacional. Assim, o prazo decadencial referente ao ganho de capital auferido durante o anocalendário de 1999 iniciouse em 01/01/2000, terminando em 31/12/2004. Cientificado o auto ao contribuinte em 11/12/2004, não há que se falar em decadência. Rejeita se, assim, o pleito do contribuinte quanto à esta matéria recursal. Em relação à multa qualificada de 150%, verifico que na forma do art. 44, inciso II da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, então vigente à época do lançamento e atualmente mantido agora no §1o. do mesmo art. 44, a condição para sua aplicação é o intuito de fraudar pelo contribuinte, que deve se enquadrar em um dos artigos 71, 72 ou 73 da Lei n° 4.502, de 1964, abaixo reproduzidos: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Conforme já tive oportunidade de mencionar no item “a” deste voto, convencime da ocorrência na situação fática evidente intuito de fraude. Assim, perfeitamente aplicável a multa de oficio qualificada conforme previsto no inciso do artigo 44. inciso II da Lei n° 9.430/96 (então vigente à época do lançamento), devendose, assim, negar provimento ao Recurso do contribuinte também nesta matéria. d) Quantidade de ações adquiridas até 1983 Para completar a análise do recurso, cumpre analisar a alegação, apresentada em seu final, de suposta incongruência e obscuridade na decisão recorrida, em que se afirma ter o acórdão incorrido em erro ao considerar que apenas 22 ações teriam sido adquiridas até 31/12/1983, trazendo, o recorrente, laudo que conclui que a totalidade das ações objeto do auto de infração teria sido adquiridas até essa data. Fl. 2669DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11080.009153/200428 Acórdão n.º 9202003.166 CSRFT2 Fl. 1.070 25 Antes de iniciar a análise da alegação, cumpre esclarecer que não se trata aqui de um ponto de divergência expressamente componente do recurso, mas somente uma alegação que, complementando os argumentos das contra razões ao Recurso Especial da Fazenda, poderia eventualmente, influenciar na decisão quanto ao Recurso Especial do Contribuinte. Portanto, para esgotar o tema, a seguir analisaremos em detalhes a questão. Em primeiro lugar, as alegadas incongruência e obscuridade, supostamente presentes na decisão recorrida, ensejariam a interposição de embargos de declaração. Saliente se que houve embargos para tratar exatamente desse tema e, nos termos do despacho de fls. 854 a 857, ele foi rejeitado, por ter sido tratado o assunto detalhada e claramente na decisão recorrida (fls. 525 a 528), concluindo que se tratava de uma tentativa de rediscussão do caso. Ocorre que a mesma alegação, ainda que de forma subsidiária, foi trazida ao Recurso Especial. Nesse caos, de maneira formal, não caberia sequer a discussão de elemento de prova pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, cuja cognição de Recursos é restrita. Além do mais, especificamente para o assunto, para que fosse tratado como matéria de recurso especial, deveria ter sido trazido paradigma em que, se tratando de apuração de quantidade de ações com direito à isenção, critérios jurídicos diferentes daqueles esposados no acórdão recorrido tivessem sido utilizados. Entretanto, isso também não ocorreu. Assim, resta prejudicada a discussão dessa alegação. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 2670DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11080.009153/200428 Acórdão n.º 9202003.166 CSRFT2 Fl. 1.071 26 Voto Vencedor Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, RedatoraDesignada AD HOC para formalização do voto vencedor. Pelo fato de o ConselheiroRelator ter renunciado ao cargo antes da formalização do presente acórdão, eu, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, nomeada para formalização reproduzo a seguir o voto por ele apresentado na sessão. Em que pese o merecido respeito a que faz jus o Ilustre Relator, dele divergi quanto ao julgamento tanto do recurso especial do Contribuinte quanto da Fazenda Nacional. Fui designado para redigir o voto vencedor relativo ao recurso especial da Fazenda Nacional, que versa exclusivamente sobre a aplicação, para fins de apuração de ganho de capital na alienação de ações, da isenção prevista pelo art. 4°, alínea d, do DecretoLei n° 1.510/1976, tendo em vista sua revogação pela Lei nº 7.713/1988. Estabelece o referido artigo 4°, alínea d, do DecretoLei n° 1.510/1976, in verbis: “Art 1º O lucro auferido por pessoas físicas na alienação de quaisquer participações societárias está sujeito à incidência do imposto de renda, na cédula "H" da declaração de rendimentos. (...) Art 4º Não incidirá o imposto de que trata o artigo 1º: (...) d) nas alienações efetivadas após decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação.” Tratase de questão já conhecida por este E. Colegiado, conforme se constata das ementas abaixo transcritas nas quais prevaleceu a tese de que a isenção não poderia ser revogada haja vista se tratar de direito adquirido do contribuinte, in verbis: “ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ISENÇÃO CONDICIONADA. OBSERVÂNCIA DE CONDIÇÃO IMPLEMENTADA PELO DECRETOLEI N.º 1.510/1976 NO PERÍODO DE SUA VIGÊNCIA. POSTERIOR REVOGAÇÃO. DIREITO ADQUIRIDO. A observância, sob a égide do art. 4°, alínea "d", do Decretolei n.º 1.510, de 1976, da condição de isenção por ele implementada, de manutenção das ações pelo período mínimo de cinco anos, ainda que a alienação da participação societária tenha sido realizada sob a vigência de nova lei que revogou o benefício, não perfaz a hipótese de incidência do imposto de renda sobre o ganho de capital. Direito adquirido do contribuinte, devendo ser reconhecida a isenção do ato de alienação da participação societária perpetrado pelo Recorrente (art. 5º, XXXVI, da Constituição; art. 6º, caput e §2º, Fl. 2671DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11080.009153/200428 Acórdão n.º 9202003.166 CSRFT2 Fl. 1.072 27 da LINDB; e art. 178 do Código Tributário Nacional). Recurso especial negado.” (Acórdão 9202002.805, 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Rel. Alexandre Naoki Nishioka, Sessão de 07/08/2013) “AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA SOB A ÉGIDE DO DECRETOLEI Nº. 1510, DE 1976 ALIENAÇÃO NA VIGÊNCIA DE "NOVA LEI REVOGADORA DO BENEFÍCIO DIREITO ADQUIRIDO PAGAMENTO INDEVIDO RESTITUIÇÃO A alienação de participação societária adquirida sob a égide do art. 4º, alínea "d", do Decretolei nº. 1.510, de 1976, após decorridos cinco anos da aquisição, não constitui operação tributável, ainda que realizada sob a vigência de nova lei revogadora do benefício, tendo em vista o direito adquirido, constitucionalmente previsto. Implementada a condição antes da revogação da lei que concedia o benefício, os pagamentos porventura efetuados são indevidos, portanto passíveis de restituição." (Acórdão 102 48.329, 2ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, Rel. Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Data da Sessão 28/03/2007) "AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA SOB A ÉGIDE DO DECRETOLEI Nº. 1510, DE 1976 ALIENAÇÃO NA VIGÊNCIA DE NOVA LEI REVOGADORA DO BENEFÍCIO DIREITO ADQUIRIDO PAGAMENTO INDEVIDO RESTITUIÇÃO A alienação de participação societária adquirida sob a égide do art. 4º, alínea "d", do Decretolei nº. 1.510, de 1976, após decorridos cinco anos da aquisição, não constitui operação tributável, ainda que realizada sob a vigência de nova lei revogadora do benefício, tendo em vista o direito adquirido, constitucionalmente previsto. Implementada a condição antes da revogação da lei que concedia o benefício, os pagamentos porventura efetuados são indevidos, portanto passíveis de restituição.” (Acórdão 10421.519, 4ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, Rel. Nelson Mallmann, Data da Sessão: 26/04/2006) “IRPF – PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS – AQUISIÇÃO SOBRE OS EFEITOS DA HIPÓTESE DE NÃO INCIDÊNCIA PREVISTOS NO ART. 4º, ALÍNEA "d" DO DECRETOLEI 1.510/76 – DIREITO ADQUIRIDO A ALIENAÇÃO SEM TRIBUTAÇÃO MESMO NA VIGÊNCIA DE LEGISLAÇÃO POSTERIOR ESTABELECENDO A HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA (LEI 7.713/88) – Se a pessoa Física titular da participação societária, sob a égide do artigo 4º "d", do DecretoLei 1.510/76, subsequentemente ao período de 5 (cinco) anos da aquisição da participação, alienoua, ainda que legislação posterior ao decurso do prazo de 5 (cinco) anos tenha transformado a hipótese de não incidência em hipótese de incidência, não torna aquela alienação tributável, prevalecendo, sob o manto constitucional do direito adquirido o regime tributário completado na vigência da legislação anterior que afastava qualquer hipótese de tributação.” (Acórdão CSRF/01 Fl. 2672DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11080.009153/200428 Acórdão n.º 9202003.166 CSRFT2 Fl. 1.073 28 03.349, 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Rel. Carlos Alberto Gonçalves Nunes, Sessão de 17/04/2001) No mesmo sentido o Poder Judiciário tem reconhecido que a isenção em questão deve ser aplicada tendo em vista o direito adquirido do contribuinte conforme se verifica dos julgados abaixo: "TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. ALIENAÇÃO DE AÇÕES SOCIETÁRIAS. ISENÇÃO CONDICIONADA OU ONEROSA. DECRETOLEI N. 1.510/76. REVOGAÇÃO PELA LEI N. 7.713/88. DIREITO ADQUIRIDO À ISENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE REVOGAÇÃO. SÚMULA N. 544/STF. 1. Inserese no conceito de isenção condicionada ou onerosa a isenção do imposto de renda sobre lucro auferido por pessoa física em virtude de venda de ações (art. 4º, "d" do DecretoLei n. 1.510/76), pois concedida mediante o cumprimento de determinado requisito (condição), qual seja, o de a alienação ocorrer somente depois de decorridos cinco anos da subscrição ou da aquisição da participação societária. 2. Cumpridos os requisitos para o gozo da isenção condicionada, tem o contribuinte direito adquirido ao benefício fiscal. 3. "Isenções tributárias concedidas, sob condição onerosa, não podem ser livremente suprimidas" (Súmula n. 544/STF). 4. Recurso especial nãoprovido." Recurso Especial nº 656.222, Rel. Min. João Otávio de Noronha, Sessão de 25/10/2005. "RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LUCRO DECORRENTE DE ALIENAÇÃO DE AÇÕES SOCIETÁRIAS. ISENÇÃO CONCEDIDA PELO DECRETOLEI N. 1.510/76, REVOGADA PELA LEI N. 7.713/88. HIPÓTESE DE ISENÇÃO ONEROSA CUJA CONDIÇÃO FOI IMPLEMENTADA ANTES DO ADVENTO DA LEI REVOGADORA. ARTIGO 178 DO CTN. SÚMULA 544/STF. NULIDADE TOTAL DO LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. Cingese a controvérsia acerca do reconhecimento de direito adquirido sobre a isenção de imposto de renda sobre lucro auferido na alienação de ações societárias, isenção esta instituída pelo DecretoLei n. 1.510/76 e revogada pela Lei n. 7.713/88, tendo em vista que a venda das ações ocorreu em 1991, após a revogação. Implementada a condição pelo contribuinte antes mesmo da norma ser revogada, ainda que a alienação tenha ocorrido na vigência da lei revogadora, há que se manter a norma isentiva. Incidência do enunciado da Súmula 544/STF. O fato do Fisco tributar os lucros auferidos pela alienação das ações albergadas pela isenção, juntamente com outras tributáveis, por si só, possui a virtude de comprometer todo o lançamento e afasta a possibilidade de nulidade parcial, relativamente a parcelas identificáveis e destacáveis do débito. Reconhecida a isenção do imposto de renda sobre o lucro auferido na alienação de ações societárias e a necessidade de se anular o lançamento fiscal, resta prejudicada análise do questionamento relativo à forma de apuração dos valores lançados. Recurso especial improvido. (...)” Recurso Especial nº 723.508, Rel. Min. Franciulli Netto, Sessão de 15/03/2005. Fl. 2673DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11080.009153/200428 Acórdão n.º 9202003.166 CSRFT2 Fl. 1.074 29 Ante o entendimento amplamente majoritária acima transcrito, encaminho meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 2674DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11080.009153/200428 Acórdão n.º 9202003.166 CSRFT2 Fl. 1.075 30 Declaração de Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire A declaração de voto apresentada tempestivamente não foi assinada em decorrência da superveniente aposentadoria do Conselheiro antes da apresentação do voto vencedor pelo Conselheiro então designado para tal, Dr. Gustavo Lian Haddad. Por certo, para que a multa seja exacerbada ao patamar de 150%, deve haver, o evidente intuito de fraude, conforme exigência legal à época dos fatos geradores (art. 44, II da Lei nº 9,430, de 1996), nos casos de sonegação, fraude e conluio, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, in verbis: "Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (...) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis." "Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72." A autoridade fiscal incorporou a seu relatório os principais argumentos e conclusões (no sentido da existência de fraude nos negócios jurídicos) trazidos pelos juristas PAULO DE BARROS CARVALHO, GALENO LACERDA e JAGUARÊ TORELLY TEIXEIRA em seus Pareceres, os quais, por sua vez, foram contratados pela CIACORP para analisar as operações realizadas entre os ALIENANTES e o GRUPO THYSSENKRUPP: Fl. 2675DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11080.009153/200428 Acórdão n.º 9202003.166 CSRFT2 Fl. 1.076 31 i) o Professor Paulo de Barros Carvalho, conclui peremptoriamente pela ocorrência de fraude, além, obviamente da simulação, nos seguintes termos: "Esta conduta ajustase fielmente à hipótese de simulação. A estratégia adotada configura, pelos resultados alcançados, outra modalidade de ilícito tributário, a fraude. Com efeito, o conceito jurídico positivo de "fraude" abrange todo e qualquer ato que, por ação ou omissão dolosa impeça, retarde ou atenue os efeitos da ocorrência do fato tributário, reduz o montante do tributo devido ou postergue o seu pagamento. A sucessão de atos societários permitiu obtenção de ganho de capital e formação de ágio sem o dever de pagar tributo. O ganho de capital foi, fraudulentamente, ocultado pela existência de outras pessoas jurídicas e a realização de permuta.(...). Assim, além de ser simulada, a ação dos ALIENANTES (GRUPO AUMONDE) em conjunto com o GRUPO THYSSENKRUPP pode ser classificada como fraudulenta. Diante desses argumentos, não cabe falar em planejamento tributário lícito, mas sim em típico caso de evasão tributária." ii) o Professor Galeno Lacerda apontou explicitamente a constatação de fraude e sonegação, mencionando, inclusive, ter havido escancarada e acintosa fraude, em parecer assim ementado: "Fraude contra credores, caracterizada pela criação, dentro e fora do País, de empresas fictícias, de modo a propiciar a transferência de patrimônios de grande vulto para o exterior, em prejuízo dos credores nacionais, lesados pela frustração das penhoras, e do próprio Fisco, pela conseqüente evasão de divisas e sonegação fiscal. Processos e atos jurídicos fictícios, concertados no Uruguai, e colusão de importante empresa multinacional na prática das manobras jurídicas fraudulentas. Incidência do art. 109 do Código Civil. " E ainda, o conluio, como sendo, ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos da sonegação ou da fraude, mencionou a autoridade fiscal que ocorreu em decorrência das seguintes circunstâncias: "A SUBAVALIAÇÃO DELIBERADA no valor de mercado pelo qual as ações de emissão de 5246 PARTICIPAÇÕES foram integralizadas na 5256 PARTICIPAÇÕES, também CARACTERIZA o DOLO, a FRAUDE e o CONLUIO dos ALIENANTES, que assim agiram com o claro intuito de reduzir a tributação sobre ganho de capital auferido na venda das ações de ELEVADORES SúR e ASTEL ASSISTÊNCIA TÉCNICA." Conforme relatado, o contribuinte ratifica a juntada de documentação que trata de uma perícia judicial a qual teve por objeto exatamente o estudo da operação glosada pelo Fisco e objeto destes autos. Declara que tal documento é prova nova. Salienta que a perícia entendeu que não houve fraude, dolo ou simulação na venda do controle acionário da Elevadores Súr S/A à ThyssenKrupp Industries S/A. Acerca do referido Laudo Pericial, apontado como prova nova, há de se salientar que apesar de o contribuinte não apontar, especificamente, em que ponto do referido Laudo Pericial teria havido menção a inocorrência de fraude, dolo ou simulação, constato que não houve esta conclusão, ante o que se depreende da leitura do seguinte trecho do Laudo Pericial: "2.6. DO QUESITO SUPLEMENTAR ELABORADO PELA 2ª RÉ — Thyssenkrupp Elevadores S/A — F1.3421 2. Esclareça o Sr. Perito Judicial, justificando a sua resposta, os critérios e subsídios por ele utilizados para determinar se uma operação é ou não é fraudulenta. Fl. 2676DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11080.009153/200428 Acórdão n.º 9202003.166 CSRFT2 Fl. 1.077 32 Salvo melhor juízo, a decisão sobre a existência de fraude ou não em operações segue critérios legais de apreciação exclusiva do Magistrado. Ao Perito incumbe a tarefa de relatar a verificação dos fatos, do momento em que as operações ocorreram e da forma come ocorreram, do revestimento formal dos registros e documentos que suportam as ocorrências e, também, das origens e dos lançamentos dos recursos envolvidos com o objetivo de fornecer ao Juiz da causa os elementos técnicos necessários para que este possa identificar e .formar o seu convencimento sobre a existência ou não de atos fraudulentos. Dessa forma, para que seja alcançado o objetivo acima descrito, a verificação da seqüência dos eventos desencadeada em uma operação objeto de determinada análise deverá ser realizada a partir do exame detalhado de registros societários e contábeis/administrativos das empresas, no caso do exame recair sobre operações envolvendo pessoa jurídicas, que participaram diretamente' e indiretamente da operação, o que equivale dizer que as informações a serem apresentadas pelo Perito deverão estar. suportadas, fundamentalmente e especialmente, pelar prova documental colhida e analisada durante a elaboração do estudo. Ainda com relação ao exame acima referido, a conciliação e o cruzamento de informações obtidas através dos registros são medidas imperativas para a correta avaliação. Assim, os esclarecimentos prestados pelo Perito devem estar baseado nos documentos e registros examinados inclusive quanto aos aspectos formais de que devem estar revestidos. De outra parte, como os esclarecimentos acima apresentados não se referem ao caso específico dos autos, até mesmo porque o quesito supra não impõe essa condição, entende o signatário como oportuno informar que os critérios e subsídios relacionados acima foram utilizados na elaboração das respostas aos quesitos formulados pelas partes, que, inclusive, em momento algum, questionam este perito no tocante à existência de fraude nas operações realizadas. Com relação aos subsídios utilizados, estes se encontram relacionados no item de n°1.4 do laudo. Imperioso ressaltar, também, que os quesitos apresentados, incluindo aquele proposto pela Douta Magistrada através do comando judicial de fl. 2.990, vislumbram a detalhada descrição da seqüência de atos que culminou com a transferência do controle acionário da ELEVADORES SÚR S/A, no intuito de esclarecer a forma como ocorreu, para que o Juízo, a quem compete a verificação de fraude, possa identificar a sua existência ou não, segundo os critérios legais, inclusive e fundamentalmente de interpretação jurídica." Fl. 2677DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11080.009153/200428 Acórdão n.º 9202003.166 CSRFT2 Fl. 1.078 33 Assim sendo, com fulcro no que dispõe o art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964 e considerando o conceito jurídicopositivo de "fraude", que abrange todo e qualquer ato que, por ação ou omissão dolosa impeça, retarde ou atenue os efeitos da ocorrência do fato tributário, reduz o montante do tributo devido ou postergue o seu pagamento, concluo que: além de ter havido simulação, são fraudulentas as referidas operações que resultaram em omissão de ganho de capital na alienação de participação societária através de operações simuladas de compra e venda de ações em tesouraria com subseqüente permuta. Ainda, de acordo com o que disciplina o art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, constatase que a criação de pessoas jurídicas e a sua extinção, a bel prazer pelas partes envolvidas, para promover o nascimento e o sumiço de patrimônio, configura a sonegação. E mais, o conluio, conforme previsto no art. 73 da Lei nº 4.502, de 1964, que é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos da sonegação ou da fraude, restou caracterizado em decorrência de: a) a sucessão de manobras societárias realizadas pelos ALIENANTES e pelo GRUPO THYSSENKRUPP, com a utilização de empresas de fachada (duas delas, inclusive, tendo como razão social "números") que impediram o acompanhamento real de transferência do controle acionário que os ALIENANTES detinham sobre a empresa ELEVADORES SúR; b) a concordância da adquirente, GRUPO THYSSENKRUPP, com essas manobras dos ALIENANTES, constituindo, ela própria, novas empresas (como, por exemplo, THYSSEN KRUPP PARTICIPAÇÕES) exclusivamente para se ajustar no quadro das empresas criadas pelos ALIENANTES; c) a aquiescência não apenas passiva, mas ativa, da adquirente, GRUPO THYSSENKRUPP, com tais operações que, ao fim e ao cabo, possibilitaram a drenagem para o exterior, através de uma empresa "numérica", de todo o pagamento por ela efetuado ao ALIENANTES, configuram, sem dúvida, o conluio para a prática de fraude e sonegação. Destarte, agiu bem a fiscalização, que diante do evidente intuito de fraude e da ocorrência simultânea de sonegação, fraude e conluio, aplicou a multa qualificada no patamar de 150%, conforme previsão, então contida, art. 44, II da Lei nº 9.430, de 1996. Ante o exposto, conheço dos recursos interpostos, para negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional e negar provimento ao recurso do contribuinte. Fl. 2678DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Numero do processo: 10580.723992/2009-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Sun Jul 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2005
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Os valores creditados em contas correntes mantidas pela
contribuinte junto a instituições financeiras caracterizam
omissão de receita, ainda mais quando se constata a ausência de
escrituração e a ausência de comprovação, mediante
documentação hábil e idônea, da origem dos recursos utilizados
nessas operações.
ARBITRAMENTO DO LUCRO. ESCRITA NÃO APRESENTADA.
A falta de apresentação da escrituração, na forma das leis
comerciais e fiscais, que permita a determinação do lucro real,
autoriza o arbitramento do lucro da pessoa jurídica com base
nas receitas omitidas.
EMPRESA DE FOMENTO MERCANTIL. RECONHECIMENTO DE RECEITAS.
As Empresas que exercem atividade de fomento mercantil
(factoring), contudo não mantém escrituração regular, com o
registro de todas as suas operações, não apurando resultado
pelo lucro real não pode alegar que sua receita tributável deve
ser representada pela diferença entre o valor de face do título de crédito adquirido e valor pago pelo titulo.
CONFISSÃO DO CONTRIBUINTE.
A confissão do contribuinte de que auferiu receitas tributadas, a despeito de ter apresentado declaração de IRPJ negativada, configura a infração fiscal.
ASSUNTOS: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL,
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP, CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS
Confirmada, quando da apreciação do lançamento principal, a
ocorrência dos fatos geradores que deram causa aos lançamentos decorrentes, há que ser dado a estes igual entendimento. Tributação reflexa.
MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO PELA FALTA DE ATENDIMENTO A INTIMAÇÃO. DESCABIMENTO
A falta de atendimento e, em decorrência, a não comprovação da
origem dos créditos, motivou a presunção legal da existência de
receitas omitidas. Tais receitas serviram de base para o
arbitramento do lucro da pessoa jurídica, não se podendo
utilizar o mesmo fato, que já gerou conseqüências específicas
previstas na legislação, para agravar a penalidade aplicada.
Recurso voluntário conhecido e não provido.
Recurso de oficio conhecido e não provido.
Numero da decisão: 1201-000.455
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício. Por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: RAFAEL CORREIA FUSO
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Os valores creditados em contas correntes mantidas pela contribuinte junto a instituições financeiras caracterizam omissão de receita, ainda mais quando se constata a ausência de escrituração e a ausência de comprovação, mediante documentação hábil e idônea, da origem dos recursos utilizados nessas operações. ARBITRAMENTO DO LUCRO. ESCRITA NÃO APRESENTADA. A falta de apresentação da escrituração, na forma das leis comerciais e fiscais, que permita a determinação do lucro real, autoriza o arbitramento do lucro da pessoa jurídica com base nas receitas omitidas. EMPRESA DE FOMENTO MERCANTIL. RECONHECIMENTO DE RECEITAS. As Empresas que exercem atividade de fomento mercantil (factoring), contudo não mantém escrituração regular, com o registro de todas as suas operações, não apurando resultado pelo lucro real não pode alegar que sua receita tributável deve ser representada pela diferença entre o valor de face do título de crédito adquirido e valor pago pelo titulo. CONFISSÃO DO CONTRIBUINTE. A confissão do contribuinte de que auferiu receitas tributadas, a despeito de ter apresentado declaração de IRPJ negativada, configura a infração fiscal. ASSUNTOS: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL, CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP, CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Confirmada, quando da apreciação do lançamento principal, a ocorrência dos fatos geradores que deram causa aos lançamentos decorrentes, há que ser dado a estes igual entendimento. Tributação reflexa. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO PELA FALTA DE ATENDIMENTO A INTIMAÇÃO. DESCABIMENTO A falta de atendimento e, em decorrência, a não comprovação da origem dos créditos, motivou a presunção legal da existência de receitas omitidas. Tais receitas serviram de base para o arbitramento do lucro da pessoa jurídica, não se podendo utilizar o mesmo fato, que já gerou conseqüências específicas previstas na legislação, para agravar a penalidade aplicada. Recurso voluntário conhecido e não provido. Recurso de oficio conhecido e não provido.
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E RECURSO DE OFÍCIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Os valores creditados em contas correntes mantidas pela contribuinte junto a instituições financeiras caracterizam omissão de receita, ainda mais quando se constata a ausência de escrituração e a ausência de comprovação, mediante documentação hábil e idônea, da origem dos recursos utilizados nessas operações. ARBITRAMENTO DO LUCRO. ESCRITA NÃO APRESENTADA. A falta de apresentação da escrituração, na forma das leis comerciais e fiscais, que permita a determinação do lucro real, autoriza o arbitramento do lucro da pessoa jurídica com base nas receitas omitidas. EMPRESA DE FOMENTO MERCANTIL. RECONHECIMENTO DE RECEITAS. As Empresas que exercem atividade de fomento mercantil (factoring), contudo não mantém escrituração regular, com o registro de todas as suas operações, não apurando resultado pelo lucro real não pode alegar que sua receita tributável deve ser representada pela diferença entre o valor de face do título de crédito adquirido e valor pago pelo titulo. CONFISSÃO DO CONTRIBUINTE. A confissão do contribuinte de que auferiu receitas tributadas, a despeito de ter apresentado declaração de IRPJ negativada, configura a infração fiscal. Fl. 996DF CARF MF Impresso em 25/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 25/04/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS 2 ASSUNTOS: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL, CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP, CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Confirmada, quando da apreciação do lançamento principal, a ocorrência dos fatos geradores que deram causa aos lançamentos decorrentes, há que ser dado a estes igual entendimento. Tributação reflexa. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO PELA FALTA DE ATENDIMENTO A INTIMAÇÃO. DESCABIMENTO A falta de atendimento e, em decorrência, a não comprovação da origem dos créditos, motivou a presunção legal da existência de receitas omitidas. Tais receitas serviram de base para o arbitramento do lucro da pessoa jurídica, não se podendo utilizar o mesmo fato, que já gerou conseqüências específicas previstas na legislação, para agravar a penalidade aplicada. Recurso voluntário conhecido e não provido. Recurso de oficio conhecido e não provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício. Por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Presidente. (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO Relator. (documento assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Antonio Carlos Guidoni Filho (VicePresidente), Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Régis Magalhães Soares De Queiroz, Marcelo Cuba Netto E Rafael Correia Fuso. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em 23/07/2009 pela fiscalização federal, que cobra da contribuinte IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, em razão de arbitramento do lucro nos períodos de 03/2005, 06/2005, 09/2005 e 12/2005, por ausência de apresentação de livros e documentos de escrituração. A fiscalização imputou também multa de 225% em todos os tributos, com fundamento no artigo 44, inciso II e § 2º da Lei nº 9.430/96. Fl. 997DF CARF MF Impresso em 25/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 25/04/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10580.723992/200963 Acórdão n.º 120100.455 S1C2T1 Fl. 3 3 A cobrança dos títulos ora mencionados decorrem ainda de depósitos bancários de origem não comprovada, ou seja, a fiscalização considerou que os valores movimentados em contas correntes bancárias pertencentes à empresa, por não haver nenhuma escrituração dessas operações, são receitas tributadas. Vejamos o histórico com detalhes a partir do Relatório Fiscal. A empresa foi selecionada para fiscalização pelo fato de ter apresentado movimentação financeira superior a R$ 15,5 milhões no ano de 2005, porém apresentou DIPJ como inativa no mesmo anocalendário, conforme se constata do documento juntado aos autos. O contribuinte juntou aos autos para atender a fiscalização cópia do contrato social, cópia dos extratos bancários (Banco do Brasil, Banco Bradesco e Banco Real), relatório de controle financeiro de descontos de cheques, demonstrativo de receitas, cópia de cheques devolvidos, autorizando ainda o acesso integral de dados bancários. Em atendimento à fiscalização, afirmou por meio de petição que praticou durante o ano de 2005 fomento mercantil (factoring), reconhecendo e confirmando que não realizou qualquer escrituração de livros comerciais e fiscais próprios. O objeto social da empresa, conforme documento juntado aos autos, é comércio varejista via online (internet) de artigos para presentes e a representação comercial. Assim, constatouse que a atividade comercial indicada no contrato social da empresa não coincide com a atividade de fomento mercantil declarada pelo contribuinte em seu expediente de 04/06/2009. No mais, a empresa silenciouse com os pedidos de esclarecimentos das movimentações bancárias apontados pela fiscalização. Nesse sentido, a fiscalização desqualificou a atividade mercantil e enquadrou a empresa como factoring, incorrendo a empresa na apuração do IRPJ e da CSLL na sistemática do Lucro Real. Nestes termos, aplicou o disposto no artigo 47, inciso III, da Lei nº 8.981/95, sujeitandose ao arbitramento do lucro, nas condições indicadas no artigo 16 da Lei nº 9.249/95. Com isso, os valores depositados passaram a ser considerados omissão de receita, diante da não comprovação da origem, enquadrando às exigências tributárias no artigo 24 da Lei nº 9.249/95. Todos os extratos de movimentação bancária estão nos autos, sendo juntados espontaneamente pela contribuinte. Em sua impugnação, o contribuinte alegou que: inadmissível a caracterização de sua receita bruta pelo montante total dos valores creditados em suas contas bancárias, tendo em conta que “a receita bruta das despesas de fomento comercial é a diferença entre o valor da aquisição e o valor de face do título ou do direito adquirido, não se prestando o somatório dos créditos de arbitramento de lucros; Fl. 998DF CARF MF Impresso em 25/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 25/04/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS 4 na hipótese de serem desconsiderados os relatórios fornecidos pelo sujeito passivo, mas reconhecidos, como feito pelos agentes fiscais autuantes, que a empresa exercia atividade de fomento mercantil, imporseia a verificação da “receita bruta calculada a partir de fatos médio de desconto apurado na ação fiscal”; com isso, não se poderia computar todos os valores depositados em contas bancárias do sujeito passivo como sua receita bruta, pois a remuneração dos serviços de factoring corresponde a reduzido percentual de valores que ingressaram nas contas bancárias da empresa; quanto à multa de ofício, informa que sempre atendeu às intimações dos agentes fiscais, não podendo receber uma penalidade tão severa; afirma ainda que houve sim a falta de recolhimento de tributos no ano calendário de 2005, mas os respectivos créditos não podem ser calculados sobre o montante total de valores creditados em suas contas bancárias; ademais, afirma que os tributos cobrados devem ser apurados apenas sobre a diferença entre os valores de aquisição e os valores de face dos cheques emitidos, devendo, no entanto, excluir os créditos referentes às atividades de factoring, aos estornos de créditos, cheques devolvidos e rendimentos declarados; aponta em planilha que reconstitui o lançamento fiscal que o crédito tributário devido e ora confesso, no valor de R$ 123.886,57 será objeto de parcelamento pela Lei nº 11.941/2009, ou seja, se a fiscalização tivesse autuado apenas a diferença entre os valores de aquisição e os valores de face seria esse o valor a recolher; por fim, o contribuinte apresentou planilha com estornos de cheques, mas não fez qualquer registro ou escrituração contábil; em seu pedido, requereu provimento à impugnação, devendo ser apurado apenas como crédito o valor ora mencionado na petição. Na decisão da DRJ de Salvador, houve a redução apenas da multa de 225% para 150%, mantendose a cobrança dos tributos contemplados no Auto de Infração. Vejamos a ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em contas correntes mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais a pessoa jurídica titular, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ARBITRAMENTO DO LUCRO. ESCRITA NÃO APRESENTADA. A falta de apresentação da escrituração, na forma das leis comerciais e fiscais, que permita a determinação do lucro real, Fl. 999DF CARF MF Impresso em 25/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 25/04/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10580.723992/200963 Acórdão n.º 120100.455 S1C2T1 Fl. 4 5 autoriza o arbitramento do lucro da pessoa jurídica com base nas receitas omitidas. EMPRESA DE FOMENTO MERCANTIL. RECONHECIMENTO DE RECEITAS. Empresa que exerce atividade de fomento mercantil (factoring), mas não mantém escrituração regular, com o registro de todas as suas operações, e não apura seu resultado pelo lucro real não pode alegar que sua receita tributável deve ser representada pela diferença entre o valor de face do título de crédito adquirido e valor pago pelo titulo. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Contribuição para o Programa de Integração Social PIS/Pasep Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Confirmada, quando da apreciação do lançamento principal, a ocorrência dos fatos geradores que deram causa aos lançamentos decorrentes, há que ser dado a estes igual entendimento. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO PELA FALTA DE ATENDIMENTO A INTIMAÇÃO. Infirmase o agravamento da multa quando não resta comprovada a razão apresentada para a sua majoração, bem como quando o fato de não ter havido resposta a uma intimação específica já tenha trazido como consequência a tributação levada a efeito contra a pessoa jurídica. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Assim ficou consignado o acórdão da DRJ: Acordam os membros da 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade, considerar PARCIALMENTE PROCEDENTE a impugnação apresentada, mantendo as parcelas remanescentes dos lançamentos relativos: ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, no valor de R$1.705.637,18 (um milhão, setecentos e cinco mil, seiscentos e trinta e sete reais e dezoito centavos); à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no valor de R$192.861,59 (cento e noventa e dois mil, oitocentos e sessenta e um reais e cinquenta e nove centavos); àCon tribuição para o Programa de Integração Social – PIS, no valor de R$116.344,09 (cento e dezesseis mil, trezentos e quarenta e quatro e nove centavos); e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, no valor de R$535.726,60 (quinhentos e trinta e cinco mil, setecentos e vinte seis reais e sessenta centavos), e reduzindo para 150% o percentual da Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 25/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 25/04/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS 6 multa de ofício a ser exigida juntamente com os juros de mora, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Quanto ao crédito exonerado, RECORRO DE OFÍCIO ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de acordo com o artigo 34 do Decreto nº 70.235, de 1972, com as alterações promovidas pela Lei nº 8.748, de 1993, e pelo artigo 1º da Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. O contribuinte foi cientificado do acórdão da DRJ em 12/07/2010, conforme despacho nos autos e protocolou o Recurso Voluntário em 23/07/2010, reproduzindo os mesmos argumentos trazidos na impugnação. Este é o relatório! Voto Conselheiro RAFAEL CORREIA FUSO Tratamse de Recurso Voluntário do contribuinte e Recurso de Ofício, em que se discute o arbitramento da receita bruta auferida pela empresa, em razão de movimentações bancárias sem qualquer escrituração, informando inclusive na DIPJ do ano calendário de 2005 que não teve movimentação. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. Da mesma forma faço com o Recurso de Ofício. Quanto ao mérito, entendo que não merece reparos a decisão da DRJ de Salvador. Isso porque, a omissão de receita está devidamente configurada, até mesmo por confissão expressa do Recorrente, cabendo apenas a esse julgador verificar a questão da base de cálculo dos tributos cobrados e se a penalidade reduzida merece ficar no patamar de 150%. Inicialmente, da mesma forma que constou no relato do acórdão recorrido, é fato incontroverso que o Recorrente apresentou DCTFs e DIPJ sem nenhum débito declarado, informando ainda que a empresa estava inativa. Também é fato incontroverso que não há nenhum registro contábil das operações e movimentações financeiras do Recorrente, seja pela atividade descrita no objeto, seja a atividade de factoring informada nas petições do Recorrente. Por isso, agiu bem a fiscalização em arbitrar o Lucro e a Receita da empresa, utilizandose, para tanto, dos valores de movimentações bancárias informadas pela própria empresa, ou seja, em nenhum momento houve quebra de sigilo bancário. O problema maior que prejudica os argumentos trazidos pela Recorrente são as origens dos depósitos bancários, não se sabendo se dão decorrentes de operação de factoring ou de outra atividade, podendo até se cogitar a licitude ou não desses valores. Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 25/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 25/04/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10580.723992/200963 Acórdão n.º 120100.455 S1C2T1 Fl. 5 7 Ainda que consideremos que a atividade praticada pela Recorrente fora de factoring, com base nas provas trazidas nos autos não se consegue apontar o valor daquilo que se chama de diferença, pois do exame dos relatórios apresentados pelo contribuinte não há qualquer coerência entre as datas e valores das importâncias apontadas pela autuada com os extratos bancários. Da mesma forma são as transferências on line, que não guardam correspondência com as movimentações a débito, de iguais valores, na mesma data, nos outros dois bancos em que a Recorrente possui conta. Já no caso de cheques devolvidos e das notas promissórias não quitadas, as cópias dos cheques não possuem qualquer carimbo de devolução, como de praxe dos Bancos, destacando ainda que nenhum dos cheques consta como crédito do relatório e demonstrativo fiscal, o que permite afirmamos que não compôs a base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, numa análise preliminar. Por fim, quanto às promissórias não quitadas, considerando que não houve pagamento, visto que não há nos extratos bancários esses registros, pois somente no caso de pagamento é que o valor de aquisição dessas promissórias poderia ser deduzido do valor de face do título adquirido pela Contribuinte e quitado pelo devedor. Assim, parecenos que em nenhum momento o Recorrente conseguiu demonstrar nos autos, seja pela retórica seja pelos seus extratos e planilhas, a escrituração e os registros de suas operações, de forma a permitir identificar a diferença ora comentada, que para o contribuinte seria de R$ 123.886,57, a ser pago no parcelamento da Lei n° 11.941/2009. Dessa forma, resta aplicado como correto o arbitramento do Lucro nos termos do artigo 530, inciso III, do RIR/99, considerando ainda que a autuação se fundou na imputação de considerar que as movimentações bancárias serviram de elementos para presumir nos termos do artigo 148 do CTN a omissão de receitas, permitindose, então a cobrança do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Vejamos o texto da Norma Geral Tributária: Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tem em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Não tendo a empresa demonstrado a origem dos valores depositados em sua conta bancária, haja vista inclusive sua omissão quanto à escrituração, é lícito concluir que tais valores decorrem de receitas tributadas. Com isso, afasto também no caso em questão a aplicação do disposto no Ato Declaratório Normativo COSIT n° 51/1994, aplicável às empresas de factoring quando se tem elementos para se apurar o lucro líquido com base na diferença entre a quantia expressa no crédito adquirido e o valor pago, o que não se trata do presente caso. Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 25/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 25/04/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS 8 Já em relação à base de cálculo do IRPJ, como bem visto no AI, fora obtida utilizando aquilo que está previsto na Lei, utilização do percentual de 38,4%, que nada mais é que um percentual de 20% superior ao do adotado para o lucro presumido. Assim, correta também a base de cálculo do lucro arbitrado quanto ao IRPJ. Quanto à CSLL, PIS e COFINS, a presunção aplicada ao IRPJ é a mesma para essas contribuições, sendo correta a aplicação dos dispositivos legais trazidos no lançamento fiscal, visto que permite contemplar a incidência desses tributos sobre a receita omitida presumida com base nas movimentações bancárias. Por fim, quanto à redução da multa de 225% para 150%, entendo que a decisão da DRJ tem total coerência, razoabilidade e proporcionalidade, até mesmo porque a Recorrente já havia consignado por petição que não registrou contabilmente suas operações e atendeu à fiscalização apresentando todos os extratos bancários, permitindo ao fisco realizar por completo seu trabalho de arbitramento, conforme se observa dos fundamentos abaixo: Por fim, a Impugnante reclama do agravamento da multa de ofício, prevista no § 2º do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1966, em face de não atendimento de intimação. Os elementos contidos nos autos do processo demonstram que a Autuada atendeu, com certa regularidade, aos termos de intimação lavrados pelos agentes fiscais, o que não significa, por certo, apresentar todos os documentos e esclarecimentos requeridos pela Fiscalização. No Termo de Verificação Fiscal, às fls. 36 a 38, o signatário admite que promoveu o agravamento da penalidade em vista de a Contribuinte não ter respondido o último termo de intimação enviado. (grifei) Ora, o último termo enviado pelo Fisco (fls. 102 a 126), recepcionado em 23/06/2009, e não atendido pela Contribuinte, foi justamente aquele em que foi solicitada a comprovação da origem dos valores creditados em suas contas correntes bancárias. A falta de atendimento e, em decorrência, a não comprovação da origem dos créditos, motivou a presunção legal da existência de receitas omitidas. Tais receitas serviram de base para o arbitramento do lucro da pessoa jurídica, não se podendo utilizar o mesmo fato, que já gerou conseqüências específicas previstas na legislação, para agravar a penalidade aplicada. Assim, o percentual da multa de ofício aplicada deve ser reduzido de 225% (duzentos e vinte e cinco por cento) para 150% (cento e cinquenta por cento), consoante o disposto no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996. (destacamos) Diante do exposto, CONHEÇO dos Recursos e no mérito NEGOLHES PROVIMENTO, mantendo intacta a decisão da DRJ de Salvador. É como voto! RAFAEL CORREIA FUSO Relator (documento assinado digitalmente) Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 25/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 25/04/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10580.723992/200963 Acórdão n.º 120100.455 S1C2T1 Fl. 6 9 Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 25/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 25/04/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS
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