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Numero do processo: 13839.003651/2009-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2007
Ementa:
IRPF. DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA.
Nos termos do art. 8º, § 2º, inc. III da Lei nº 9.250/95, somente podem ser deduzidas as despesas médicas comprovadas por meio de recibo que preencha os requisitos da lei (com indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu). Quando não é feita a comprovação do dispêndio, deve prevalecer a glosa da referida despesa.
Numero da decisão: 2102-001.603
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 Ementa: IRPF. DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. Nos termos do art. 8º, § 2º, inc. III da Lei nº 9.250/95, somente podem ser deduzidas as despesas médicas comprovadas por meio de recibo que preencha os requisitos da lei (com indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu). Quando não é feita a comprovação do dispêndio, deve prevalecer a glosa da referida despesa.
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DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. Nos termos do art. 8º, § 2º, inc. III da Lei nº 9.250/95, somente podem ser deduzidas as despesas médicas comprovadas por meio de recibo que preencha os requisitos da lei (com indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu). Quando não é feita a comprovação do dispêndio, deve prevalecer a glosa da referida despesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 24/10/2011 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Nubia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos Andre Rodrigues Pereira Lima. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO 2 Relatório Em face do contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 10 e seguintes, para exigência de IRPF em razão da glosa das despesas médicas deduzidas por ele na DIRPF 2007. Constam dela os seguintes esclarecimentos como justificativa para a glosa efetuada: A glosa referese aos beneficiários de despesas médicas: Suemi Gutierrez Bozzo (R$ 5.000,00), Luciangela M. P. Costa (R$ 3.990,00) e Newton Thomaz Coneo Filho (R$ 10.000,00), tendo em vista que os recibos dos mesmos, apresentados pelo contribuinte em 17/6/2009 na DRF/Jundiai (protocolo 7899), não atendem ao disposto no Art. 80° do RIR/99 (Decreto 3.000/99). Além disso foi glosado R$ 3.396,12 com o plano de saude lntermedica Plano de Saude, tendo em vista que a despesa é da Carmen Rubia Machado, NÃO dependente do contribuinte e R$ 783,30 por falta de comprovação.. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01, esclarecendo que durante a fiscalização cometera equívocos quanto aos anos solicitados nas intimações recebidas, apresentando para o ano de 2005 os documentos relativos a despesas efetuadas em 2006, e viceversa – o que prejudicou sua defesa, impedindoo de comprovar documentalmente a efetividade das despesas efetuadas naquele ano. Afirmou ainda que seria procedente parte da glosa efetuada para o ano de 2005, concordando com o equívoco na dedução de R$ 3.016,41 pagos INTERMEDICA, por se tratar de plano de saúde em que sua mãe seria a beneficiária. Em relação ao ano de 2006, seria procedente a glosa de R$ 2.373,84, por se referir a despesas com instrução de sua neta, que não era sua dependente. Da mesma forma, concordou com a glosa da despesa paga à INTERMEDICA, relativamente a despesas com sua mãe. Pugnou pela improcedência das demais glosas, conforme documentos acostados. Na análise de suas alegações, os membros da DRJ em São Paulo decidiram pela manutenção integral do lançamento, ao argumento de que não havia, nos recibos trazidos pelo contribuinte, a indicação de quem seriam os reais beneficiários dos tratamentos médicos a que se referiam as despesas, além de não preencherem os requisitos legais (falta de endereço e CPF do emitente). O contribuinte teve ciência de tal decisão e contra ela interpôs o Recurso Voluntário de fls. 36/37, por meio do qual alegou que estava trazendo aos autos cartas que seriam aditamentos aos recibos anteriormente apresentados, das quais constariam o endereço e CPF das profissionais que lhe prestaram serviço, a fim de que não restasse quaisquer dúvidas acerca da efetividade das despesas cuja dedução pretendeu. Informou ainda não ter encontrado a origem da despesa de R$ 783,30, acreditando que se trataria de mero erro aritmético. Anexou os documentos de fls. 38/47. Os autos então foram remetidos a este Conselho para julgamento. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 13839.003651/200997 Acórdão n.º 210201.603 S2C1T2 Fl. 53 3 É o Relatório. Voto Conselheiro Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relator O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 09.11.2010, como atesta o AR de fls. 33. O Recurso Voluntário foi interposto em 19.11.2010 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de lançamento por meio do qual foram glosadas despesas médicas e com instrução efetuadas pelo Recorrente ao longo do anocalendário 2006. Tais despesas seriam – segundo o Recorrente – comprovadas através de recibos acostados às fls. 07/20. A decisão recorrida deixou de acolher tais documentos como comprobatórios das referidas despesas, ao entendimento de que os mesmos não preenchiam os requisitos da lei para tanto, verbis: Com relação A despesa com o plano de saúde INTERMÊDICA, no valor de R$3.396,12 o defendente acatou a glosa, matéria, portanto, incontroversa e a parcela foi transferida para cobrança. 0 valor lançado de R$783,30 não restou comprovado nos autos. Os recibos emitidos por Suemi, Luciangela e Newton não indicam quem teria sido atendido e não indicam os seus endereços, em desconformidade com a legislação • transcrita, motivo pelo qual a glosa do valor correspondente (R$19.773,29) deverá ser mantida. (...) Em sede de recurso, e visando contraditar o entendimento esposado na decisão recorrida, o Recorrente trouxe aos autos três cartas, que segundo ele seriam aditamentos aos recibos anteriormente expedidos pelos profissionais Suemi Gutierrez Bozzo e Luciangela M. P. Costa e Newton Thomaz Correa Filho. De fato, a legislação fiscal prevê que para que o contribuinte possa se beneficiar da dedução de suas despesas médicas do Imposto de Renda, deverá ele ter em mãos, além dos recibos competentes (que devem preencher os requisitos da lei), quaisquer outros documentos que demonstrem, ainda que minimamente, a efetividade dos serviços prestados, bem como o seu pagamento. Sem que tais provas sejam feitas, está correta a glosa das despesas médicas não comprovadas. É o que determina o art. 8º da Lei nº 9.250/95: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...) Fl. 60DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO 4 II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; (...) No caso em exame, o Recorrente trouxe aos autos os recibos emitidos pelos profissionais em comento, dos quais realmente não constavam os endereços dos emitentes. Tal falha, para ser suprida, demandaria um esforço maior por parte do Recorrente, que, em nenhum momento se preocupou em trazer aos autos outros documentos que demonstrassem a efetividade de tais serviços, ainda que de maneira simples e leiga. Por isso, entendo que devem ser mantidas as glosas efetuadas através do lançamento em exame. Assim, VOTO no sentido de NEGAR provimento ao Recurso. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 61DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 10380.005828/2007-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/09/2005 a 31/07/2006
CERCEAMENTO DE DEFESA
Não se configura cerceamento de defesa a impossibilidade de dilação do prazo de defesa, posto que a matéria vem regulada em lei.
SERVIDORES MUNICIPAIS SEM REGIME PRÓPRIO
Servidores municipais não abrangidos por regime próprio são filiados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social como segurados empregados, conforme dispõe a Lei n.º 8.212/91, incidindo contribuições previdenciárias sobre suas remunerações.
CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS.
Incidem contribuições previdenciárias sobre a remuneração e demais rendimentos do trabalho recebidos pelas pessoas físicas.
JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91.
Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais.
JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL.
A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual.
PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO.
Pedido de pericia não se constitui em direito subjetivo do notificado e a prova do fato de eventual erro nos valores lançados, independe de conhecimento técnico e poderia ter sido trazida, aos autos pela recorrente, posto que sequer
houve qualquer apontamento onde os cálculos poderiam estar incorretos.
Considerar-se-á como não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV c/c §1° do Decreto n° 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-001.381
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2005 a 31/07/2006 CERCEAMENTO DE DEFESA Não se configura cerceamento de defesa a impossibilidade de dilação do prazo de defesa, posto que a matéria vem regulada em lei. SERVIDORES MUNICIPAIS SEM REGIME PRÓPRIO Servidores municipais não abrangidos por regime próprio são filiados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social como segurados empregados, conforme dispõe a Lei n.º 8.212/91, incidindo contribuições previdenciárias sobre suas remunerações. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Incidem contribuições previdenciárias sobre a remuneração e demais rendimentos do trabalho recebidos pelas pessoas físicas. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO. Pedido de pericia não se constitui em direito subjetivo do notificado e a prova do fato de eventual erro nos valores lançados, independe de conhecimento técnico e poderia ter sido trazida, aos autos pela recorrente, posto que sequer houve qualquer apontamento onde os cálculos poderiam estar incorretos. Considerar-se-á como não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV c/c §1° do Decreto n° 70.235/72. Recurso Voluntário Negado
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SERVIDORES MUNICIPAIS SEM REGIME PRÓPRIO Servidores municipais não abrangidos por regime próprio são filiados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social como segurados empregados, conforme dispõe a Lei n.º 8.212/91, incidindo contribuições previdenciárias sobre suas remunerações. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Incidem contribuições previdenciárias sobre a remuneração e demais rendimentos do trabalho recebidos pelas pessoas físicas. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Pedido de pericia não se constitui em direito subjetivo do notificado e a prova do fato de eventual erro nos valores lançados, independe de conhecimento técnico e poderia ter sido trazida, aos autos pela recorrente, posto que sequer houve qualquer apontamento onde os cálculos poderiam estar incorretos. Considerarseá como não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV c/c §1° do Decreto n° 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. EDITADO EM: 03/11/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Eduardo Augusto Marcondes de Freitas, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Junior Fl. 109DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10380.005828/200765 Acórdão n.º 230201.381 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Trata a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito lavrada em 29/12/2006 e cientificada ao sujeito passivo através de Registro Postal em 27/01/2007, de contribuições previdenciárias devidas e incidentes sobre a remuneração dos servidores e contribuintes individuais que lhe prestaram serviço, no período de 09/2005 a 07/2006. Após a impugnação, os autos foram baixados em diligência para que o fisco elaborasse relatório complementar para corrigir o período constante do relatório fiscal. O contribuinte foi cientificado do relatório complementar e lhe foi reaberto prazo de defesa, no qual não se manifestou. Acórdão de fls. 79/90 julgou o lançamento procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso, onde alega em síntese: a) o cerceamento de defesa pela inconsistência no relatório fiscal que não trouxe especificamente os fundamentos legais, que constaram de anexo e pelo exíguo prazo de defesa; b) que o relatório tem defeitos e omissões; c) que fazem parte da base de cálculo valores relativos aos primeiros quinze dias de auxíliodoença e auxílio acidente; d) que a SELIC é ilegal, arbitrária e insuportável; e) a decadência qüinqüenal; f) que a retenção de 11% é ilegal e viola os princípios da capacidade contributiva e da equidade na participação do custeio; g) que o fisco já deveria ter efetuado a compensação dos valores recolhidos até 18/09/2004, relativos aos exercentes de mandato eletivo. Requer a insubsistência do lançamento pela falta de detalhamento do relatório fiscal, ou a impossibilidade da retenção sobre os contratos, a exclusão da SELIC substituindoa pelo INPC e juros de 1%; a compensação das contribuições dos exercentes de mandato eletivo e das rubricas auxíliodoença e auxílioacidente e que seja reconhecida a decadência. Requer, ainda a produção de provas, a juntada de novos documentos e perícia para aferir a correção dos cálculos. É o relatório. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi Das Preliminares A recorrente argúi a decadência qüinqüenal exposta no Código Tributário Nacional, entretanto, a presente notificação contempla as competências de 08/2005 a 07/2006, sendo lavrada em 29/12/2006 e cientificada ao sujeito passivo em 27/01/2007, não havendo que se falar em período decadente. Não vislumbro a tese de nulidade da notificação, pois não foi observado qualquer vício no procedimento da fiscalização e formalização do lançamento. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O relatório fiscal traz expressamente quais os fatos geradores que compõem a presente notificação, identificando cada lançamento efetuado, conforme se vê da fl. 45. Ainda, o Relatório de Lançamentos, documentos de fls. 14/19, especifica o fato gerador, a base de cálculo, a alíquota incidente e o valor resultante da aplicação da mesma. Também foi enviado a notificada, relatório complementar, fl.74, com o correto período do crédito lançado e reaberto o prazo de defesa, que não foi utilizado. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10380.005828/200765 Acórdão n.º 230201.381 S2C3T2 Fl. 3 5 Notase, portanto, que a recorrente foi devidamente intimada de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: Fl. 112DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Quanto à argüição da recorrente de que houve cerceamento de defesa frente ao exíguo prazo para impugnar a notificação, temse que não se configura cerceamento de defesa a impossibilidade de dilação do prazo de defesa, posto que a matéria vem regulada em lei. Os atos processuais, por força do disposto no art. 177 do Código de Processo Civil, realizarseão nos prazos prescritos em lei. O prazo para impugnação ( à época do lançamento) era de 15 (quinze) dias, conforme teor do art. 37, § 1º, da Lei nº 8.212/91 e arts. 243, § 2º, e 293, § 1º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, abaixo transcritos: “Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. § 1º Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. (Renumerado pela Lei nº 9.711, de 20.11.98)” “Art. 243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes (...). § 2º Recebida a notificação, a empresa, o empregador doméstico ou o segurado terão o prazo de quinze dias para efetuar o pagamento ou apresentar defesa”. “Art. 293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social lavrará, de imediato, autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação, indicando local, dia, hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. § 1º Recebido o autodeinfração, o autuado terá o prazo de quinze dias, a contar da ciência, para efetuar o pagamento da multa com redução de cinqüenta por cento ou impugnar a autuação. (Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001)” Fl. 113DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10380.005828/200765 Acórdão n.º 230201.381 S2C3T2 Fl. 4 7 A Portaria MPS/GM nº 520, de 19 de maio de 2004, que regulava o Contencioso Administrativo Previdenciário, também à época do lançamento, previa, em seu art. 34, que “os prazos para impugnação ou recurso não serão prorrogados”. É de se registrar, por oportuno, que após a emissão do relatório complementar de fl. 74, foi reaberto o prazo de defesa de trinta dias, frente a edição do Decreto n.º 6.103, de 30/04/2007, que alterou a redação do artigo 243 do RPS, e os prazos de defesa : Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. (...) § 2º Recebida a notificação, o empregador doméstico, a empresa ou o segurado terão o prazo de trinta dias para efetuar o pagamento ou apresentar impugnação. (Modificado pelo Decreto nº 6.103 DE 30/4/2007 – DOU DE 2/5/2007) Portanto, foram cumpridas as determinações legais, sendo improcedente a arguição de cerceamento de defesa. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. Do Mérito O lançamento referese às contribuições previdenciárias devidas sobre a remuneração dos contribuintes individuais, expostas na Lei n.º 8.212/91, artigo 22, inciso III, que foi acrescentado pela Lei n.º 9.876/99, com vigência a partir de 03/2000, englobando, assim, o período contido nesta notificação, não se submetendo a qualquer limite: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada a Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: ... III – vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços;(grifei) Também, se refere o crédito à alíquota de 11%, relativa a parte do segurado, que deve ser arrecadada e recolhida pela empresa, nos termos da Lei n.º 10.666, de 08/05/2003: Art. 4º Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia 10 (dez) do mês seguinte ao da competência. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Consta, ainda, da notificação, crédito referente às contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre a remuneração paga aos servidores do município não abrangidos por Regime Próprio de Previdência Social e por isso, obrigatoriamente, filiados ao Regime Geral de Previdência Social, sujeitandose o município ao recolhimento das contribuições dispostas no artigo 22, incisos I e II da Lei n.º 8.212/91. No que se refere a argüição da recorrente acerca de valores indevidos porque relativos a auxíliodoença e auxílioacidente, primeiramente é de se notar que o relatório fiscal não faz menção a estas rubricas e a recorrente não mostrou quais seriam os valores relativos a elas, apenas alegou que não são fato gerador. Ademais é de se notar que de acordo com a legislação previdenciária o auxíliodoença será devido ao segurado empregado a partir do 16º dia de afastamento de suas atividades, a teor do disposto no artigo 60, da Lei n.º 8.213/91, sendo que os primeiros quinze dias de afastamento são de responsabilidade da empresa, e assim, integram o salário de contribuição. Sobre as alegações acerca da retenção de 11% sobre os contratos de prestação de serviço, deixo de me manifestar, posto que tal matéria não faz parte desta notificação. Em razão da natureza do lançamento, dos elementos que foram examinados, lhe deram suporte, é prescindível a perícia para a necessária convicção no julgamento do presente recurso, devendose aplicar o disposto nas normas que disciplinam o processo administrativo tributário, in verbis: DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) PORTARIA Nº 520, DE 19 DE MAIO DE 2004 Art. 11. A autoridade julgadora determinará de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligência ou perícia, quando as entender necessárias, indeferindo, mediante despacho fundamentado ou na respectiva DecisãoNotificação, aquelas que considerar prescindíveis, protelatórias ou impraticáveis. Portanto, indefiro o pedido de perícia, com base no artigo 11 da Portaria MPS n.º 520 de 19/05/2004, já que não se constitui em direito subjetivo do notificado e a prova do fato de eventual erro nos valores lançados, independe de conhecimento técnico e poderia ter sido trazida, aos autos pela recorrente, posto que sequer houve qualquer apontamento onde os cálculos poderiam estar incorretos. Ademais, considerarseá como não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV c/c §1° do Decreto n° 70.235/72. Quanto à solicitação de juntada de documentos a posterior, informo ao contribuinte que no processo administrativo, a Portaria MPS/GM nº 520/2004, no art. 9º, § 1º, acompanhando os preceitos do art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235/72, limitou o momento Fl. 115DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10380.005828/200765 Acórdão n.º 230201.381 S2C3T2 Fl. 5 9 para a apresentação de provas, dispondo que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. No caso em tela, o contribuinte teve oportunidade durante toda a ação fiscal e o desenrolar do processo administrativo de trazer aos autos elementos que viessem a comprovar suas alegações ou demonstrar a iliquidez do crédito, o que não se confirmou. No tocante à taxa SELIC, cumpre asseverar que sobre o principal apurado e não recolhido, incidem os juros moratórios, aplicados conforme determina o artigo 34 da Lei 8.212/91: “... As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC, a que se refere o artigo 13, da Lei n.º 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável.” O art. 161 do CTN prescreve que os juros de mora serão calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. No caso das contribuições em tela, há lei dispondo de modo diverso, ou seja, o aludido art. 34 da Lei 8.212/91 dispõe que sobre as contribuições em questão incide a Taxa SELIC. Portanto, está correta a aplicação da referida taxa a título de juros, perfeitamente utilizável como índice a ser aplicado às contribuições em questão, recolhidas com atraso, objetivando recompor os valores devidos. Ainda, quanto à admissibilidade da utilização da taxa SELIC, ressaltamos que o Segundo Conselho, do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovou na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicada no D.O.U. de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28 a Súmula 3, que dita: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais. E, com a criação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, tal súmula foi consolidada na Súmula CARF n.º 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por derradeiro, a compensação entre crédito e débito tributário efetivase por iniciativa do contribuinte, não cabendo ao fisco efetuála de ofício, como quer a recorrente. Pelo exposto, Fl. 116DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 117DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 13629.001279/2005-26
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003, 2004, 2005
IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS MULTA QUALIFICADA.
Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada prevista, à época do lançamento em apreço, no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. O evidente intuito de fraude não se presume e deve ser demonstrado pela fiscalização. No caso, o dolo que autorizaria a qualificação da multa não restou comprovado, conforme bem evidenciado pelo acórdão recorrido. A pretensa simulação de negócio jurídico suscitada pela fiscalização, isoladamente, sem nenhum outro elemento adicional, não caracteriza o dolo, sendo que tal ato não ocultou a ocorrência do fato gerador do imposto de renda pessoa física, considerando que a Secretaria da Receita Federal tomou conhecimento dos rendimentos por ele percebidos através das DIMOB apresentadas pelas fontes pagadoras. Ademais, diante das circunstâncias duvidosas, tem aplicação ao feito a regra do artigo 112, incisos II e IV, do CTN.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.558
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso da Fazenda Nacional, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Oliveira (Relator), Francisco Assis de Oliveira Júnior, Elias Sampaio Freire e Henrique Pinheiro Torres. Designado o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage para redigir o voto vencedor.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Marcelo Oliveira
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Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada prevista, à época do lançamento em apreço, no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. O evidente intuito de fraude não se presume e deve ser demonstrado pela fiscalização. No caso, o dolo que autorizaria a qualificação da multa não restou comprovado, conforme bem evidenciado pelo acórdão recorrido. A pretensa simulação de negócio jurídico suscitada pela fiscalização, isoladamente, sem nenhum outro elemento adicional, não caracteriza o dolo, sendo que tal ato não ocultou a ocorrência do fato gerador do imposto de renda pessoa física, considerando que a Secretaria da Receita Federal tomou conhecimento dos rendimentos por ele percebidos através das DIMOB apresentadas pelas fontes pagadoras. Ademais, diante das circunstâncias duvidosas, tem aplicação ao feito a regra do artigo 112, incisos II e IV, do CTN. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Oliveira (Relator), Francisco Assis de Oliveira Júnior, Elias Sampaio Freire e Henrique Pinheiro Torres. Designado o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage para redigir o voto vencedor. Fl. 238DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 28/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 29/06 /2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente Marcelo Oliveira Relator Gonçalo Bonet Allage Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente – Substituto), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Giovanni Christian Nunes Campos, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Oliveira. Fl. 239DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 28/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 29/06 /2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13629.001279/200526 Acórdão n.º 920201.558 CSRFT2 Fl. 842 3 Relatório Tratase de Recurso Especial de contrariedade, a partir das fls. 0817, interposto pela Fazenda Nacional contra acórdão, a partir das fls. 0792, que decidiu, por maioria de votos, em prover parcialmente o recurso, para desqualificar a multa agravada reduzindoa de 150% para 75%. O acórdão em questão possui as seguintes ementa e decisão: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Ano calendário: 2002, 2003, 2004 Ementa: RENDIMENTOS DE ALUGUEIS TRIBUTAÇÃO NA PESSOA FÍSICA Correta a reclassificação dos rendimentos auferidos pela pessoa fisica, quando resta comprovada nos autos a efetividade dessa percepção. Não basta a vontade do contribuinte para que esses rendimentos sejam tratados como receitas de pessoa jurídica da qual detém participação majoritária e a gerência. APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA POR EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE Consoante art. 44, lias° II, da Lei 9.430/996, à aplicação da multa qualificada de 150% fazse necessário a plena configuração de uma das hipóteses estabelecidas nos art.' 71 á 73 da Lei 4.502/1964. In casu, as omissões e propósitos do contribuinte chegaram o conhecimento do fisco por meio do D1RF apresentadas pelas fontes pagadoras, o que descaracteriza a intenção dolosa. Recurso parcialmente provido. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para desqualificar a multa de oficio, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Antônio José Praga de Souza, que mantinha a qualificação. Em seu recurso especial a Fazenda Nacional alega que: No presente caso, no que se refere á multa agravada, o acórdão contraria as provas existentes nos autos, além do disposto no art. 44 da Lei 9.430/96 e no art. 72 da Lei 4.502/64. E continua apontando provas constantes dos autos: a) ação de despejo de imóvel integralizado a capital de empresa, na qual o autor não é a empresa, mas o autuado; b) retiradas diárias a titulo de distribuição de lucros, correspondentes a cheques compensados e a saques efetuados na conta da empresa; distribuição de lucros com imóveis integralizados retomando para os sócios; Fl. 240DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 28/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 29/06 /2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 c) conta corrente em nome da empresa, mas, de fato, utilizada como conta pessoal dos sócios; d) registros de saídas, em sua grande maioria, subsumidas distribuição de lucros, sem registro de saídas relacionadas à própria atividade da empresa; e) inexistência, desde a origem da Sociedade Muriaense, de atividades empresariais, assim como o fato de a administração dos imóveis incumbir a administradora diversa (SEJUR); Os fatos estão descritos no termo de verificação fiscal, fls. 014 a 028, com as seguintes constatações: a) os supostos rendimentos omitidos da declaração de ajuste anual da pessoa física foram verificados através da DIMOB, declaração sobre informações imobiliárias, apresentada por terceiros; b) o interessado alegou que os imóveis declarados na pessoa física passaram a fazer parte da pessoa jurídica denominada Muriaense – Empreendimentos e Participações Ltda., CNPJ 04.854.796/0001.56 e que a partir de 2002 todos os rendimentos anteriormente declarados na pessoa física passaram a ser tributados na pessoa jurídica, uma vez que o CNPJ foi requerido junto à Receita Federal no início do referido ano; c) a transferência da propriedade dos imóveis para a pessoa jurídica ocorreu no curso do procedimento fiscal e se deu através de integralização de capital; d) apesar de a sociedade ter sido constituída em setembro de 1996, a inscrição no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas — CNPJ só foi providenciada em janeiro de 2002. Também nos registros imobiliários não houve alterações, permanecendo os bens registrados como de propriedades dos sócios; e) só após o início dos procedimentos fiscais, em março de 2004, é que o contrato social da sociedade Muriaense foi levado a registro em cartório imobiliário; f) quanto a atividade empresarial da pessoa jurídica, transcrevese trecho do termo de verificação: O contrato social registra que a finalidade da sociedade é o investimento e participação em empresas, contudo, desde sua constituição, em setembro de 1996, não houve desenvolvimento de atividades empresarial relacionada com seu objeto ou qualquer outra atividade empresarial. Nem mesmo a administração dos imóveis arrolados no contrato social foi por ela desenvolvida. Esta atividade coube à administradora de imóveis Sejur Empreendimentos Imobiliários Ltda. Assim, foi no período em que o contribuinte entendeu serem os rendimentos de aluguéis tributáveis nas pessoas como no período em que entendeu serem tributáveis na pessoa jurídica. E ainda, as rendas dos imóveis constantes do contrato social beneficiaram diretamente os cônjuges, jamais foram alocadas em investimentos ou participações em empresas, que são a razão da constituição da sociedade. ... Fl. 241DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 28/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 29/06 /2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13629.001279/200526 Acórdão n.º 920201.558 CSRFT2 Fl. 843 5 Porém, a realidade fálica permaneceu sempre a mesma, sem alteração na situação dos imóveis e nos beneficiários diretos de seus frutos Os cônjuges permaneceram com a propriedade e com as rendas dos imóveis (itens III e VI). A única mudança ocorrida a partir de 2002 foi a nova classificação dada aos rendimentos de aluguéis, da pessoa física para a jurídica, alcançando uma diminuição nos tributos devidos. Não houve na constituição da sociedade a intenção de desenvolver qualquer atividade econômica (com os seus próprios riscos), mas sim a finalidade de suprimir tributos. Por despacho, deuse seguimento ao recurso especial. Em contrarazões, a partir das fls. 0827, o contribuinte reiterou as razões trazidas no recurso voluntário e ainda que: Podemos concluir, assim, do quanto exposto na antecedência e sob todo e qualquer prisma, em exercício silogístico, que para que haja a aplicação da multa qualificada, deve restar comprovado o dolo do contribuinte a configurar a sonegação, o que não restou verificado nos autos, senão vejamos: A uma: porque o art. 44, §3 0, da Lei n° 9.430/96, determina a aplicação da multa qualificada, ou seja, daquela multa prevista no inciso I do referido artigo, duplicada, em caso de sonegação; A duas: porque a norma insculpida no art. 71, da Lei n° 4.502/64, que traz como tipo penal a sonegação, a define como sendo a ação ou omissão dolosa, tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente o conhecimento da fiscalização acerca da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária ou do aspecto pessoal da hipótese de incidência da referida obrigação, o que não restou configurado no presente caso; Conclusão: via de conseqüência, exsurge evidente a ilegalidade da aplicação da multa qualificada, prevista no art.44, parágrafo 3 da Lei n° 9.430/96, tendo em vista que não restou configurado, no caso, o dolo, elemento caracterizador da sonegação, consoante art. 71 da Lei n° 4.502/64. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 242DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 28/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 29/06 /2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 Voto Vencido Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sendo o recurso especial tempestivo e comprovados os demais pressupostos para seu seguimento, dele conheço e passo ao seu exame. Examinadas as provas trazidas aos autos ficaram comprovados todos os fatos relatados no termo de verificação fiscal, acima sintetizados, dos quais seleciono como principais: a) Ausência de atividade empresarial pela pessoa jurídica até mesmo diante da necessidade de administração dos imóveis por ela incorporados e locados a terceiros, considerando ser esse objeto social; b) Contratação de outra pessoa jurídica para realizar sua atividade empresarial; c) O sócio da pessoa jurídica, que é o autuado, de fato ficava com todos os rendimentos de aluguéis sob a forma de retiradas, quase que diariamente, das antecipações de lucros; d) A incorporação dos imóveis pela pessoa jurídica se deu no curso da ação fiscal; e e) O interessado representava em nome próprio os interesses que envolvessem os imóveis locados a terceiros. Não se nega que quase todo os atos jurídicos praticados estejam revestidos das formalidades necessárias para sua comprovação: a) A pessoa jurídica foi regularmente constituída; b) Alguns bens foram transferidos à pessoa jurídica através de integralização de capital, com alteração do contrato social (curso da ação fiscal); e c) A pessoa jurídica possui escrituração contábil. É de destacar trecho do acórdão recorrido, fls. 0813, que afirma que ocorreu a simulação: Outrossim, ainda que a simulação de vontade esteja bem caracterizada nos autos, verificase, in casu, que os procedimentos do contribuinte além de não surtirem os efeitos desejados, sequer foram capazes de ocultar do fisco a ocorrência do fato gerador. Eis que, a meu ver, não restou concretizado o evidente intuito de fraude de que trata o art. 44 da Lei 9.430 de 1996, que remete aos art. 71 a 73 da Lei 4.502/1964. Como se constata do voto vencedor a questão se cinge ao que se considera ou não como simulação. Fl. 243DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 28/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 29/06 /2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13629.001279/200526 Acórdão n.º 920201.558 CSRFT2 Fl. 844 7 Prevaleceu que ela não estava caracterizada sobretudo por não ter havido omissão, o interessado não escamoteou os atos praticados. No entanto, com as devidas vênias, divirjo dessa visão do conceito. Cumpre destacar lição que clareia a questão: Evasão fiscal/elisão abusiva. "Nada deve impedir o indivíduo de, dentro dos limites da Lei, planejar adequadamente seus negócios, ordenandoos de forma a pagar menos impostos. Não lhe proíbe a lei; nem tampouco se lhe opõem razões de ordem social ou patriótica. Entretanto, essa fórmula de liberalidade não pode ser levada ao paroxismo permitindose a simulação ou o abuso de direito. A elisão abusiva deve ser coibida, Pois o uso de formas jurídicas com a única finalidade de fugir ao imposto ofende a um sistema criado sobre as bases constitucionais da capacidade contributiva e da isonomia tributária. .. uma relação jurídica sem qualquer objetivo econômico, cuja única finalidade seja de natureza tributária, não pode ser considerada um comportamento lícito. Seria fechar os olhos à realidade e desconsiderar a presença do fato econômico na racionalidade da norma tributária. Uma interpretação jurídica atenta à realidade econômica subjacente ao feto ou negócio jurídico, para efeito de tributação, é a resposta justa, eqüitativa e pragmática” (Paulsen, Leandro. Direito Tributário e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. 6. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2004, p. 0889) Portanto, a busca da verdade material, da realidade dos fatos deve ser o norte da decisão. Analisando a questão, existe simulação quando a aparência não coincide com a realidade. O natural é que as coisas aparentem o que são; para mudar isso é necessária a simulação. Ressaltase que nas peças recursais não se defende outro propósito dissociado da vantagem obtida em redução de tributo. Não há um propósito não tributário. Não há a realização de atividades econômicas e empresariais, que é, inclusive, realizada por outra pessoa jurídica. A ausência de propósito negocial válido e justificável da pessoa jurídica a qual, por ato de vontade do interessado, se alterou o pólo passivo da obrigação tributária, reduzindose o tributo, evidencia simulação tributária. Ou nas palavras de Clovis Bevilaqua1 quando define a simulação nas relações jurídicas privadas: “ocorre simulação quando o ato existe apenas aparentemente, sob a forma em que o agente faz entrar nas relações da vida; é um ato fictício, uma declaração enganosa da vontade, visando produzir efeito diverso do ostensivamente indicado.” A propósito, o Código Civil traz em seu artigo 167 o que se entende por simulação, com os mesmos elementos do que apresentamos. A simulação compreende a 1 Bevilaqua, Clovis. Teoria geral do direito civil. Campinas : RED livros, 2001 Fl. 244DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 28/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 29/06 /2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 realização de atos ou negócios jurídicos através de forma prescrita ou não defesa em lei, mas de modo que a vontade formalmente declarada no instrumento oculte deliberadamente a vontade real dos sujeitos da relação jurídica. Art. 167... ... § 1° Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados." Somase o fato de que essa vantagem econômica se perpetuou em prejuízo de terceiro estranho às operações, no caso a Fazenda Nacional. Ressaltase, também, que a garantia da liberdade de autoorganização encontra limites nos princípios constitucionais da capacidade contributiva, da isonomia tributária e, dentre outros, da livre concorrência. Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: IV livre concorrência; Art. 173 (...) § 5º A lei, sem prejuízo da responsabilidade individual dos dirigentes da pessoa jurídica, estabelecerá a responsabilidade desta, sujeitandoa às punições compatíveis com sua natureza, nos atos praticados contra a ordem econômica e financeira e contra a economia popular. O CARF, desde a época dos Conselhos de Contribuintes, formou jurisprudência no sentido da prevalência do conteúdo sobre a forma, da investigação dos propósitos, na busca da licitude dos atos e na verdade dos fatos. Dentre tantos, citase o acórdão n° 10421.675, de 22/06/2006: Nº Acórdão 10421675 Tributo / Matéria IRPF ação fiscal (AF) Decisão Por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares argüidas pelo Recorrente. No mérito, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gustavo Lian Haddad e Remis Almeida Estol, que proviam parcialmente o recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa a 75%. Ementa: SIMULAÇÃO CONJUNTO PROBATÓRIO Se o conjunto probatório evidencia que os atos formais praticados Fl. 245DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 28/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 29/06 /2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13629.001279/200526 Acórdão n.º 920201.558 CSRFT2 Fl. 845 9 (reorganização societária) divergiam da real intenção subjacente (compra e venda), caracterizase a simulação, cujo elemento principal não é a ocultação do objetivo real, mas sim a existência de objetivo diverso daquele configurado pelos atos praticados, seja ele claro ou oculto. OPERAÇÕES ESTRUTURADAS EM SEQÜÊNCIA O fato de cada uma das transações, isoladamente e do ponto de vista formal, ostentar legalidade, não garante a legitimidade do conjunto de operações, quando fica comprovado que os atos praticados tinham objetivo diverso daquele que lhes é próprio. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO EXTRATRIBUTÁRIA O princípio da liberdade de autoorganização, mitigado que foi pelos princípios constitucionais da isonomia tributária e da capacidade contributiva, não mais endossa a prática de atos sem motivação negocial, sob o argumento de exercício de planejamento tributário. Além disso, outros elementos se prestam a comprovar que o conjunto de operações levado a cabo pelo contribuinte tinha o objetivo único de impedir a ocorrência do fato gerador, simulando situação que, por si só, é inconsistente, a saber: realização de operações em seqüência, porém com um objetivo único subjacente; operações inconsistentes entre si associação e imediata reorganização societária efetuadas em um curto espaço de tempo; análise da situação anterior e posterior à realização das operações, indicando os efeitos de uma compra e venda, e não de uma associação/reorganização societária; total ausência de motivação extratributária. Portanto, cabe destacar alguns elementos, comprovados nos autos, freqüentes nos casos de simulação: 1. inexistência de outro motivo que não o tributário (não há atividade empresarial); 2. forma aparente se distancia da realidade (não há atividade empresarial); 3. validade na formalização dos atos tomados isoladamente induzem a erro de conhecimento (sem a pesquisa e comprovação não haveria como detectar a realidade dos fatos); 4. relação de dependência entre as partes envolvidas (pessoa física e jurídica se identificam); 5. coincidência de interesses; 6. incoerência das operações realizadas para convencer da existência de propósito negocial não tributário justificável (pagamento de distribuição de lucros diariamente). Devemos destacar, também, nesse compasso, o que se vem entendendo como planejamento fiscal válido e justificável, elisão fiscal: Fl. 246DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 28/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 29/06 /2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 10 IRPJ. ELISÃO FISCAL. Se os negócios não são efetuados com o único propósito de escapar ao tributo, mas sim efetuados com objetivos econômicos e empresariais verdadeiros, embora com recurso às formas jurídicas que proporcionam maior economia tributária, há elisão fiscal e não evasão ilícita. De se aceitar, portanto, a cisão como regular e legítima, no caso dos autos. Serviços prestados que se provaram necessários e efetuados. Primeiro Conselho de Contribuintes. Primeiro Câmara. Acórdão n.° 10177.837. Recurso n.° 92.319. Recorrente: Lamesa Industrial e Comercial Ltda. Recorrida: DRF em Campinas (SP). Relator: Urgel Pereira Lopes. Brasília, 11 de julho de 1988. Salientamos, novamente, por fim, que nos autos não há demonstração de outra finalidade na constituição da pessoa jurídica que não a redução de tributo. Por todo exposto e pelas provas trazidas aos autos, entendo que está configurada e demonstrada a simulação, com a única finalidade de reduzir tributo. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo provimento do Recurso Especial, nos termos do voto. Marcelo Oliveira Voto Vencedor Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Redator Designado, Não obstante a respeitável posição defendida pelo Conselheiro Marcelo Oliveira (Relator) e seguida pelos Conselheiros Francisco Assis de Oliveira Júnior, Elias Sampaio Freire e Henrique Pinheiro Torres, entendo que a pretensão da Fazenda Nacional não merece prosperar, pois a penalidade deve ser mantida em 75%. A autoridade lançadora entendeu que se está, para a omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas jurídicas, diante de caso de multa qualificada de 150%, prevista, ao tempo do auto de infração, no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, nos seguintes termos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (...) II – 150% (cento e cinqüenta por cento), nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Fl. 247DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 28/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 29/06 /2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13629.001279/200526 Acórdão n.º 920201.558 CSRFT2 Fl. 846 11 Segundo tal norma, os casos de evidente intuito de fraude estão descritos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, os quais determinam que: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Extraio do Termo de Verificação Fiscal de fls. 6175 as seguintes assertivas, relativas à forma de apuração da omissão de rendimentos e à qualificação da penalidade: (...) A fiscalização foi motivada por divergências entre os rendimentos de aluguéis declarados pelo contribuinte em suas declarações de imposto de renda e as informações prestadas por terceiros à Secretaria da Receita Federal nas declarações sobre informações imobiliárias – DIMOB. (...) A conduta do contribuinte de constituir uma pessoa jurídica com o intuito único e deliberado de fugir aos tributos devidos, por se tratar de simulação que subverte a verdade dos fatos em detrimento dos direitos legais assegurados à Fazenda Nacional, enquadrase no preceito estabelecido pelo art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, sujeitandoo, portanto, à multa de ofício agravada. Foi aplicada a multa de 75% (art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96), no entanto, no lançamento da omissão (ano 2003) dos rendimentos obtidos no aluguel do apartamento n° 1206, bloco Fl. 248DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 28/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 29/06 /2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 12 1, do Edifício Torre do Bosque, situado na Rua João Chagas, n° 65, Cidade Nova, Belo Horizonte/MG, já que este imóvel não está relacionado como bem da pessoa jurídica constituída em simulação de negócio jurídico. Para os demais valores lançados, foi aplicada multa de 150%, dado que a conduta dos contribuintes de evadirse aos tributos por meio da simulação de negócio jurídico evidenciou intuito de fraude preconizado pelo inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430/96. Segundo penso, o fato descrito como simulado, isoladamente, é insuficiente para a qualificação da multa de ofício, pois não configura o evidente intuito de fraude e, ademais, não ocultou a ocorrência do fato gerador do imposto de renda pessoa física, considerando que a Secretaria da Receita Federal tomou conhecimento dos rendimentos por ele percebidos através das DIMOB apresentadas pelas fontes pagadoras. Salvo melhor juízo, a autoridade lançadora sequer enquadrou a conduta do sujeito passivo nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, suscitando apenas a ocorrência de simulação de negócio jurídico. O dolo é elemento específico da sonegação, da fraude e do conluio, que o diferencia da mera falta de pagamento do tributo ou da simples omissão de rendimentos na declaração de ajuste anual, ou seja, o intuito doloso deve estar plenamente demonstrado, sob pena de não restarem evidenciados os ardis característicos da fraude, elementos indispensáveis para ensejar o lançamento da multa qualificada. O evidente intuito de fraude, autorizador da aplicação da multa de 150%, não se presume e deve ser demonstrado pela fiscalização. Entendo que para a correta aplicação da multa qualificada, a inobservância da legislação tributária tem que estar acompanhada de prova que o contribuinte, por ato fraudulento, levou a autoridade administrativa a erro, por meio, ilustrativamente, da utilização de documentos falsos, notas frias, etc. Sob minha ótica, nenhum elemento que pudesse justificar a exasperação da penalidade foi coligido aos autos pela autoridade lançadora. No caso, a omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas jurídicas foi detectada pela fiscalização pelas DIMOB apresentadas pela fontes pagadoras. É impossível para o contribuinte esconder estas informações da Secretaria da Receita Federal do Brasil. As circunstâncias dos autos podem evidenciar a omissão de rendimentos de aluguéis, mas não caracterizam o evidente intuito de fraude do contribuinte Lindberg Coelho, previsto ao tempo do lançamento, no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, por não se enquadrarem em nenhuma das regras dos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Em julgado cuja situação fática guarda alguma semelhança com o caso em apreço, o extinto e Egrégio Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda proferiu acórdão com a seguinte ementa: Fl. 249DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 28/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 29/06 /2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13629.001279/200526 Acórdão n.º 920201.558 CSRFT2 Fl. 847 13 IMPOSTO DE RENDA DAS PESSOAS FÍSICAS — São rendimentos da pessoa física para fins de tributação do Imposto de Renda aqueles provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos, funções e quaisquer proventos ou vantagens percebidos tais como salários, ordenados, vantagens, gratificações, honorários, entre outras denominações. IRPF LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA — Quando os rendimentos da pessoa física sujeitaremse tãosomente ao regime de tributação na declaração de ajuste anual e independentemente de exame prévio da autoridade administrativa, por caracterizarse lançamento por homologação, o prazo decadencial tem inicio em 31 de dezembro do anocalendário, tendo o Fisco cinco anos, a partir dessa data, para realizar o lançamento de ofício. SIMULAÇÃO — Não se caracteriza simulação para fins tributários quando ficar incomprovada a acusação de conluio entre empregador, sociedade esportiva, e o empregado, técnico de futebol profissional, por meio de empresa já constituída com o fim de prestar serviços de treinamento de equipe profissional futebol. MULTA QUALIFICADA DE OFÍCIO Para que a multa de ofício qualificada no percentual de 150% possa ser aplicada é necessário que haja descrição e inconteste comprovação da ação ou omissão dolosa, na qual fique evidente o intuito de sonegação, fraude ou conluio, capitulado na fôrma dos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, respectivamente. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS — Devem ser aproveitados na apuração de crédito tributário os valores arrecadados sob o código de tributos exigidos da pessoa jurídica cuja receita foi desclassificada e convertida em rendimentos da pessoa física, base de cálculo de lançamento de ofício. Recurso provido parcialmente. (Primeiro Conselho, Sexta Câmara, Processo n° 11020.003823/200326, Acórdão n° 10614.244, Relator Conselheiro José Ribamar Barros Penha, julgado em 20/10/2004) No feito apreciado pela Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, não se reconheceu a existência de simulação e, por conseqüência, a penalidade de ofício restou desqualificada do patamar de 150% para 75%. Penso que idêntica sorte merece o caso em julgamento. A jurisprudência geral do extinto e Egrégio Conselho de Contribuintes sobre multa qualificada corrobora este posicionamento, conforme ilustram as ementas dos seguintes acórdãos: Fl. 250DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 28/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 29/06 /2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 14 (...) MULTA QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO MERA OMISSÃO DE RENDIMENTOS Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei nº 9.430/96, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. Nos termos do enunciado sumular nº 14 deste Primeiro Conselho, não há que se falar em qualificação da multa de ofício nas hipóteses de mera omissão de rendimentos, mormente quando estribada em presunção legal, sem a devida comprovação do evidente intuito de fraude. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA NÃO ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES DA AUTORIDADE AUTUANTE AUSÊNCIA DE PREJUÍZO PARA O LANÇAMENTO DESCABIMENTO – Como a fiscalização já detinha informações suficientes para concretizar a autuação, devese desagravar a multa de ofício. O não atendimento às intimações da fiscalização não obstou a lavratura do auto de infração. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA – OMISSÃO DE RENDIMENTOS –– ALEGAÇÃO DE QUE OS DEPÓSITOS BANCÁRIOS ERAM DE PROPRIEDADES DE TERCEIROS NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS, COM IDENTIDADE DE DATA E VALOR – INOCORRÊNCIA – A alegação de que os depósitos bancários eram recursos de terceiros não restou comprovada nos autos. Assim, ausente a comprovação da origem dos depósitos, com identidade de data e valor, devese manter o lançamento vergastado. Recurso voluntário parcialmente provido. (Primeiro Conselho, Sexta Câmara, Recurso n° 148.837, Acórdão n° 10617.015, Relator Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, julgado em 07/08/2008) OMISSÃO DE RENDIMENTOS PRESUNÇÃO LEGAL DEPÓSITOS BANCÁRIOS Presumese a existência de renda omitida em montante compatível com depósitos e créditos bancários de origem não comprovada. INCONSTITUCIONALIDADE Súmula 1º CC nº 2 O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA QUALIFICADA. O lançamento de multa qualificada exige que a autoridade fiscalizadora traga elementos para os autos que provem o evidente intuito de fraude. Preliminares rejeitadas. Recurso parcialmente provido. Fl. 251DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 28/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 29/06 /2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13629.001279/200526 Acórdão n.º 920201.558 CSRFT2 Fl. 848 15 (Primeiro Conselho, Segunda Câmara, Recurso n° 152.024, Acórdão n° 10249.094, Redatora Designada Conselheira Núbia Matos Moura, julgado em 29/05/2008) OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, DE 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS PERÍODOBASE DE INCIDÊNCIA APURAÇÃO MENSAL TRIBUTAÇÃO NO AJUSTE ANUAL Os valores dos depósitos bancários não justificados, a partir de 1º de janeiro de 1997, serão apurados, mensalmente, à medida que forem creditados em conta bancária e tributados como rendimentos sujeitos à tabela progressiva anual (ajuste anual). PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. SANÇÃO TRIBUTÁRIA MULTA QUALIFICADA JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa qualificada seja aplicada, exigese que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº. 4.502, de 1964. A apuração de depósitos bancários em contas de titularidade do contribuinte cuja origem não foi justificada, independentemente da forma reiterada e do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de 1996. Recurso parcialmente provido. (Primeiro Conselho, Quarta Câmara, Recurso n° 155.366, Acórdão n° 10422.619, Relator Conselheiro Nelson Mallmann, julgado em 13/09/2007) Fl. 252DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 28/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 29/06 /2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 16 Sob minha ótica, a situação descrita pela fiscalização, isoladamente, sem nenhum outro elemento adicional, não caracteriza sonegação, fraude ou conluio, da forma prevista nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Entendo, pois, que tais fatos se amoldam à regra do artigo 112, incisos II e IV, do Código Tributário Nacional – CTN, segundo o qual: “Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: (...) II – à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; (...) IV – à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação.” Tenho como plenamente aplicável ao caso o Enunciado de Súmula CARF n° 14, segundo o qual “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.” Com esses fundamentos, penso que merece ser mantida a decisão recorrida, na medida em que não pode prevalecer a qualificação da multa de ofício aplicada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Gonçalo Bonet Allage Fl. 253DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 28/06/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 29/06 /2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10840.001475/2005-06
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins
Período de apuração: 02/2005
Ementa: PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO.
CRÉDITO. ART. 3º, II DA
LEI 10.833/2003. CONCEITO DE INSUMO. PERTINÊNCIA COM AS
CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA. USINA DE
AÇÚCAR E ÁLCOOL. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES PARA O
MAQUINÁRIO DE CORTE E TRANSPORTE. SERVIÇO DE
TRANSPORTE DE PESSOAS ENTRE A SEDE DA EMPRESA E O
LOCAL DO CORTE DA CANADEAÇÚCAR.
POSSIBILIDADE.
A análise do direito ao crédito deve atentar para as características específicas
da atividade produtiva do contribuinte.
Na atividade de usinagem de canadeaçúcar,
o transporte dos funcionários
até o local do corte da canadeaçúcar
é uma atividade integrante, porquanto
necessária, do processo produtivo.
Situação em que o transporte do funcionário não configura pagamento de um
benefício ao empregado, mas a contratação de um serviço que viabiliza a
produção, integrando o processo produtivo.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 3403-001.271
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento
parcial ao recurso para afastar a glosa do “transporte de funcionários” e, em relação ao estoque,
para que sejam computados os bens correspondentes aos Adesivos, Corretivos, Cupinicida,
Fertilizantes, Herbicidas e Inseticidas Produtos,
não devendo computar no estoque o valor de
serviço de transporte de pessoas. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão
quanto aos estoques de insumos aplicados na produção agrícola e quanto ao transporte de mãodeobra.
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CRÉDITO. ART. 3º, II DA LEI 10.833/2003. CONCEITO DE INSUMO. PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA. USINA DE AÇÚCAR E ÁLCOOL. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES PARA O MAQUINÁRIO DE CORTE E TRANSPORTE. SERVIÇO DE TRANSPORTE DE PESSOAS ENTRE A SEDE DA EMPRESA E O LOCAL DO CORTE DA CANADEAÇÚCAR. POSSIBILIDADE. A análise do direito ao crédito deve atentar para as características específicas da atividade produtiva do contribuinte. Na atividade de usinagem de canadeaçúcar, o transporte dos funcionários até o local do corte da canadeaçúcar é uma atividade integrante, porquanto necessária, do processo produtivo. Situação em que o transporte do funcionário não configura pagamento de um benefício ao empregado, mas a contratação de um serviço que viabiliza a produção, integrando o processo produtivo. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a glosa do “transporte de funcionários” e, em relação ao estoque, para que sejam computados os bens correspondentes aos Adesivos, Corretivos, Cupinicida, Fertilizantes, Herbicidas e Inseticidas Produtos, não devendo computar no estoque o valor de serviço de transporte de pessoas. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão quanto aos estoques de insumos aplicados na produção agrícola e quanto ao transporte de mão deobra. Antonio Carlos Atulim – Presidente Fl. 120DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Ivan Allegretti – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Liduína Maria Alves Macambira, Ivan Allegretti, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Raquel Motta Brandão Minatel e Adriana Oliveira e Ribeiro. Ausentes justificadamente os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de Declarações de Compensação protocoladas pelo contribuinte por meio das quais busca o aproveitamento de crédito de Cofins que teria sido gerado no período de apuração correspondente ao mês 02/2005, correspondente a receitas de exportação, na forma do art. 6º, § 1º da Lei nº 10.833/2003. A Fiscalização, depois da coleta de informações e documentos, apresentou Relatório da Ação Fiscal (fls. 43/52) sugerindo (a) a glosa dos créditos que entende que não deveriam ser considerados como insumos: (a.1) relativos aos “combustíveis e lubrificantes utilizados no maquinário agrícola ligado ao corte e carregamento da cana de ac úcar, assim como, nos caminhões que transportam a cana da lavoura até a unidade industrial da contribuinte para fabricac ão do ac úcar e álcool” por entender que “não podem ser considerados "insumos", tendo em vista que não são utilizados no processo produtivo de ac úcar e álcool da empresa e sim no maquinário agrícola ligado ao plantio, corte e carregamento da cana” (a.2) referentes à aquisição de serviços os quais se resumem ao valores pagos para o transporte de trabalhadores rurais envolvidos na atividade de plantação das mudas e corte de canadeaçúcar esmagada na unidade industrial da contribuinte; A Fiscalização também identificou, em benefício do contribuinte, que na determinação do percentual de repartição entre Mercado Interno e Mercado Externo havia sido adicionado ao Mercado Interno, de maneira equivocada, o valor da venda de álcool (que não deveria ser computado pelo fato de se submeter ao regime cumulativo), o que surtia o efeito de elevar indevidamente o percentual do Mercado Interno e, via de conseqüência, reduzir indevidamente o percentual do Mercado Externo. Ao final, contudo, a Fiscalização concluiu que o contribuinte tinha direito a um valor menor que o pleiteado. O Despacho Decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal de Ribeirão Preto/SP (fls. 53/54) apoiouse na conclusão da fiscalização, assim homologando apenas em parte as compensações, na medida dos créditos reconhecidos aos contribuinte. O entendimento do Despacho Decisório é resumido na seguinte ementa: COFINS Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Tributação nãocumulativa Fl. 121DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10840.001475/200506 Acórdão n.º 3403001.271 S3C4T3 Fl. 2 3 Conceito de Insumos para fins de crédito da COFINS Não Cumulativa – Inciso II do art 3° e inciso II do §1° do art. 6° da Lei n°. 10.833/2003 §4° do art 8° da IN n° 404/2004 A pessoa jurídica pode descontar créditos determinados mediante a aplicação da alíquota de 7,6 % sobre os valores das aquisições efetuadas no mês de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou na prestação de serviços. Entendese como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda, a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado, bem como, os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Entendese como insumos utilizados na prestação de serviços, os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado, assim como, os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Somente podem ser considerados insumos, para fins de creditamento de COFINS, os bens e serviços intrinsecamente vinculados à fabricação ou produção de bens destinados à venda ou à prestação de serviços, ou seja, quando aplicados ou consumidos diretamente no processo, não podendo ser interpretados como todo e qualquer serviço que gere despesas, mas tãosomente os que efetivamente se relacionem com a atividadefim da empresa. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 59/70) alegando 1) que devem ser admitidos os créditos correspondentes à aquisição de combustíveis e lubrificantes utilizados nas máquinas agrícolas, bem como aos pagamentos para o transporte de pessoas na lavoura de canadeaçúcar, explicando em síntese o seguinte: Destarte, desde o plantio, tratos culturais, colheita e recebimento da canadeaçúcar, até o empacotamento e armazenamento do açúcar, diversas etapas são necessárias, sendo que em todas elas estão presentes processos essenciais para obtenção do produto final. Com efeito, as etapas do plantio (transporte de olhadura), tratos culturais (aplicação de agrotóxicos), corte, carregamento e transporte da cana até o estabelecimento industrial é representativo e envolve grande parte dos custos operacionais necessários para o exercício da atividade de produção da Manifestante. Fl. 122DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Destarte, se faz necessário o transporte das mudas para o plantio como também o transporte de trabalhadores rurais e o consumo de combustível do maquinário agrícola para o corte de canadeaçúcar e a manutenção da lavoura. Ora, tais atividades se revelam essenciais ao processo produtivo como um todo, que resultará, ao final, na obtenção do produto que será comercializado e que gerará receita tributada pela COFINS. Ainda, não se pode concordar com o entendimento do fisco, que entendeu não haver amparo legal vigente para considerar a aquisição de combustível usado no corte e carregamento e dos serviços de transporte das mudas e dos cortadores de cana, assim como os gastos com a aplicação de agrotóxicos e adubos, como insumos na produção e fabricação de açúcar e álcool. Verificase, de acordo com o artigo 3º da Lei n° 10.833/03, que o direito ao crédito deve considerar todos os dispêndios (custos e despesas) da pessoa jurídica com vistas à geração de sua receita tributável. Nesse contexto, temse que os gastos transporte de mudas e dos cortadores de cana caracterizase como uma despesa incorrida numa etapa da produção da Manifestante, haja vista que, obviamente, a atividade da empresa tem o cultivo da cana como um dos primeiros pressupostos, sendo certo também que sem transporte não há como operacionalizar a cultura da lavoura. 2) que tem direito à utilizar o crédito presumido da agroindústria (em relação à receita de exportação) para compensação com outros tributos, pois da mesma forma que o art. 8º da Lei nº 10.925/2004, ao conceder o crédito presumido, referiase aos bens do inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, o art. 6º da Lei nº 10.833/2003 assegura o direito de compensação em relação ao crédito apurado na forma do art. 3º, na proporção correspondente à exportação de mercadorias. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto/SP (DRJ), por meio do Acórdão nº 1432.842, de 14 de março de 2011 (fls. 77/80) manteve integralmente a decisão da DRF, resumindo seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 28/02/2005 DEDUÇÃO. INSUMOS. CRÉDITOS MENSAIS E DE ESTOQUE DE ABERTURA. PRODUTOS NÃO UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DO PRODUTO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Entendese como insumos, para efeito de dedução do valor apurado da contribuição, a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. Os produtos e serviços utilizados em fases que não a fabricação do produto não podem ser considerados insumos, para efeito de dedução do valor da contribuição apurada, por falta de previsão legal. Fl. 123DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10840.001475/200506 Acórdão n.º 3403001.271 S3C4T3 Fl. 3 5 CRÉDITO PRESUMIDO.COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. O valor do crédito presumido previsto na Lei n° 10.925, de 2004, arts. 8º e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da contribuição para o PIS e Cofins apuradas no regime de incidência não cumulativa, vedada o seu ressarcimento ou compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 83/113) reiterando os mesmos fundamentos da sua manifestação de inconformidade, apenas acrescentando a citação de julgados deste Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, motivo pelo qual dele conheço. I. O crédito pelo transporte de mão de obra e combustíveis. Entendo que assiste razão ao contribuinte quando alega que os combustíveis e lubrificantes, bem como o transporte dos funcionários para o local da extração da canade açúcar, devem ser tratados como insumo, enquanto necessários e integrantes do processo produtivo. O art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003 prevê a possibilidade de que do valor devido de contribuição se desconte créditos calculados em relação a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, (…)”. O processo produtivo detalhado pelo contribuinte deixa claro que o transporte dos funcionários até o local do corte da canadeaçúcar é uma medida necessária e indispensável do processo produtivo, configurando a contratação de um serviço que traduz um dos insumos necessários para a produção da cana de açúcar. E também quanto aos combustíveis e lubrificantes, consta que são utilizados no maquinário utilizado para o corte, carregamento e transporte da canadeaçúcar. A DRF e a DRJ recusam o direito de crédito por pretender confinar o conceito de produção ao conceito de industrialização aplicado à legislação do IPI. O conceito de produção, no entanto, é mais amplo que o de industrialização, alcançando todas as etapas necessárias à atividade desenvolvida pelo contribuinte, seja ele industrial, comerciante ou prestador de serviço, devendo ser considerados como insumos tanto Fl. 124DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 bens como serviços, desde que necessários, o que deve ser considerado no contexto do processo produtivo do contribuinte. O entendimento do CARF, com efeito, reconhece como insumos tanto os bens utilizados como os serviços prestados no contexto do processo produtivo do contribuinte, conforme se ilustra nos seguintes julgados: (…) NÃOCUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. CONCEITO E ABRANGÊNCIA. Os insumos utilizados na fabricação de produtos e prestação de serviços que geram direito de crédito da contribuição não cumulativa são somente aqueles que representem bens e serviços. (…) (Acórdão 210200.050, Recurso 150.521, Processo 10675.004362/200422, Rel. Cons. José Antônio Francisco, j. 05/03/2009) Neste caso acima o Conselheiro Relator esclareceu o seguinte: Insumo, como se sabe, é um elemento empregado na fabricação de um bem ou serviço. Entretanto, não são todos os elementos empregados na fabricação de produtos ou na prestação de serviço que originam crédito de Cofins, mas somente os insumos que sejam "bens", no sentido jurídico, e "serviços". Dessa forma, os "benefícios a empregados", a mãodeobra e os benefícios ou salários indiretos, embora possam caracterizarse como insumos utilizados na prestação de serviços, não representam "bens" e "serviços", de forma que não geram direito de crédito. Neste caso, como se percebe, o transporte do funcionário não se caracteriza como o pagamento de benefício aos empregados, mas como contratação de um serviço que viabiliza a produção, ou seja, como providência necessária e integrante do processo produtivo, remunerada como contratação da prestação de um serviço propriamente dito (transporte de pessoas). E ainda que se tratasse de combustível, estaria configurado então o fornecimento de bens. A propósito do transporte realizado no contexto do processo produtivo, confirase ainda o seguinte julgado: (...)CRÉDITO. RESSARCIMENTO. São passíveis de ressarcimento os créditos de PIS apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação. Recurso voluntário provido em parte.” (Acórdão 20181.139, Recurso 148.457, Processo 11065.101271/200647, Rel. Cons. Walber José da Silva, j. 02.06.2008) Neste julgado o Relator manifesta o seguinte entendimento: Fl. 125DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10840.001475/200506 Acórdão n.º 3403001.271 S3C4T3 Fl. 4 7 Portanto, basta que os custos ou despesas gerem créditos para a empresa exportadora ter direito ao seu ressarcimento. No caso de empresa industrial, o crédito de PIS não se restringe aos insumos empregados diretamente na produção como defende a decisão recorrida. Todos os créditos decorrentes de custos ou despesas incorridas na produção e venda do produto exportado, apurados na forma prevista no art. 3º da Lei nº 10.637/2002, são passíveis de ressarcimento. (…) Mais ainda, a vinculação da despesa com a receita de exportação não guarda relação exclusivamente com o processo produtivo. A despesa pode ser incorrida antes ou depois de realizada a produção do bem exportado. No caso sob exame, foram glosados os créditos relativos aos combustíveis e lubrificantes usados na frota de veículos da recorrente e aos dispêndios com a remoção de resíduos industriais, por não estarem vinculados ao processo produtivo. A recorrente alega que tem direito ao crédito dos combustíveis e lubrificantes porque os mesmos são usados em sua frota de veículos, que transporta produtos e insumos entre seus estabelecimentos. Para haver ressarcimento é necessário haver o direito ao crédito. No caso dos combustíveis e lubrificantes usados na frota de veículo ligados à atividade industrial geram, no meu entender, direito ao crédito, a teor do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002. E geram direito ao crédito porque o conceito de insumo (bens e serviços) utilizado pela lei não é igual à soma de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, a que se refere a legislação do IPI. Insumos são todos os "custos, despesas ou encargos" vinculados ao produto ou serviço vendido, como diz o art. 2º da IN SRF nº 460/2004. Quanto aos dispêndios realizados com o serviço de remoção de resíduos industriais, não há nenhuma dúvida de que este serviço é parte do processo de industrialização dos bens exportados e está vinculado à receita de exportação. Pela natureza da atividade da recorrente, sem este serviço não há produção. Sendo um serviço diretamente vinculado ao processo produtivo, entendo que a recorrente tem direito ao crédito da Cofins incidente sobre a compra desse serviço e, como tal, tem direito ao ressarcimento desse crédito em face da exportação dos produtos (inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002). Ora, se se admite o crédito em relação ao transporte dos resíduos e de entulho industrial, reconhecendo tal providência como parte do processo de produção, tanto mais será o deslocamento dos funcionários para que se execute uma das fases do processo produtivo. Fl. 126DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 Vale a pena conferir também o seguinte precedente no qual se reconhece a despesa de seguros de carga como insumo que integra a atividade produtiva do contribuinte: (…) REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. DESCONTOS COM SEGUROS. Na apurac ão do PIS nãocumulativo podem ser descontados créditos calculados sobre as despesas decorrentes da contratac ão de seguros, essenciais para a atividade fim desenvolvida pela recorrente, pois estes se caracterizam sim como `insumos' previstos na legislac ão do IRPJ. (…) (Acórdão 20312.741, Recurso 137.910, Processo 10932.000016/200578, Redator Designado Cons. Emanuel Dantas de Assis, j. 11/03/2008) Embora não se refira à mesma hipótese concreta de crédito, o precede acima ilustra muito bem que a análise do direito ao crédito deve guardar pertinência com as características da atividade produtiva desempenhada concretamente pelo contribuinte. No presente caso fica claro que o transporte dos funcionário não é apenas uma despesa de uma empresa qualquer que deseja fornecer transporte aos seus empregados, mas da viabilização da atividade de plantação e colheita da cana de açúcar, devidamente contextualizada no processo produtivo. II. A impossibilidade de compensação do crédito presumido da agroindústria. O contribuinte não tem direito de utilizar os créditos presumidos da agroindústria em declaração de compensação. O art. 8º, § 3º, II da IN 660/2006 não deixa margem de dúvida ao estipular que o crédito presumido “Não poderá ser objeto de compensação com outros tributos ou de pedido de ressarcimento”. Tal previsão parece ser consequência necessária do disposto no art. 8º, § 2º da Lei nº 10.925/2004: § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Com efeito, o art. 3º, § 4º, da Lei nº 10.637/2002 resume o rito de aproveitamento dos créditos ordinários de PIS/Cofins nãocumulativos, dispondo que “O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes”. Assim, o tratamento que deve ser dado ao crédito presumido é o do regime aplicável ao crédito ordinário relativo ao mercado interno – que apenas pode ser aproveitado para redução da própria contribuição – e não o do crédito correspondente à exportação – que pode ser objeto de restituição e compensação. Por isso não impressiona a ginástica do contribuinte ao pretender que se aplicasse isoladamente a regra de geração e aproveitamento dos créditos correspondentes às receitas de exportação, quando a interpretação conjunta dos dispositivos envolvidos deixa claro Fl. 127DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10840.001475/200506 Acórdão n.º 3403001.271 S3C4T3 Fl. 5 9 que a exportação conduz à repartição proporcional entre as regras do mercado interno e externo , mas apenas em relação às hipóteses ordinárias de geração de crédito, pois em relação ao crédito presumido da agroindústria houve previsão expressa de que não poderia ser compensado. III. Conclusão. Voto, pois, no sentido de dar parcial provimento ao recurso, para afastar a glosa de combustíveis e lubrificantes e de transporte de funcionários. Ivan Allegretti Fl. 128DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 13819.001553/2008-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DIRPF – IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO APÓS NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO Após efetuada a notificação de lançamento pela Autoridade Tributária, mediante a devida intimação ao contribuinte, não é possível a retificação da declaração de ajuste anual.
Numero da decisão: 2101-001.345
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos não conhecer do recurso.
Nome do relator: GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA
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Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente. (assinado digitalmente) ___________________________________ Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Célia Maria de Souza Murphy, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka. Fl. 41DF CARF MF Impresso em 14/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA S, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA S, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO 2 Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 2 a 4, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2005, para lançar infração de dedução indevida de despesas médicas e omissão de rendimentos de aluguéis, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$5.095,50, acrescido de multa de ofício e juros de mora. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fl.2), acatada como tempestiva, alegando, em seu entendimento, que as despesas médicas em questão referiam-se apenas aquelas gastas na rede de atendimento particular não abrangidas pelo convênio, que por força da legislação municipal é descontado diretamente em seu pagamento, apresentando Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção na Fonte, de emissão da Prefeitura do Município de São Bernardo do Campo, silenciando, contudo, quanto às despesas ocorridas com não dependentes e quanto à omissão de rendimentos de aluguéis. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente em parte o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 12 a 15): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2005 MATÉRIA INCONTROVERSA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. Consideram-se não impugnadas as matérias não contestadas pela interessada, consolidando-se administrativamente o crédito tributário a elas correspondentes, consoante o disposto no artigo 17 do Decreto n.° 70.235/1972, com as modificações introduzidas pela Lei n.° 9.53211997. GLOSA DE DEDUÇÕES COM DESPESAS MÉDICAS. O direito às suas deduções condiciona-se a comprovação não só da efetividade dos serviços prestados, mas também dos correspondentes pagamentos e que sejam para tratamento do próprio contribuinte e ou de seus dependente. Artigo 73, § 1° e art. 80, §1°, incisos II e III, do Regulamento de Imposto de Renda (Decreto n° 3.000/99). Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O julgador de 1 a instância fundamentou seu voto nos seguintes termos (fls. 13 a 14): Matéria Incontroversa. Fl. 42DF CARF MF Impresso em 14/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA S, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA S, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO Processo nº 13819.001553/2008-72 Acórdão n.º 2101-001.345 S2-C1T1 Fl. 2 3 À vista dos elementos trazidos pelo impugnante, verifica-se que a lide reside na glosa dos valores pleiteados como dedução de despesas médicas, no valor de R$ 11.115,30, relativos aos pagamentos efetuados à Instituto Municipal de Assistência à Saúde do Funcionalismo — I MASF. Conseqüência lógica, admite-se como efetiva a glosa de parte das despesas médicas, no valor de R$ 3.255.80, glosadas por tratar de despesas com não dependente e ainda, o lançamento de omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoa física, no valor de R$ 4.158.00, fls.3 e 3v. Considera-se, assim, não impugnado o lançamento, no que diz respeito matéria relacionada no parágrafo anterior, consoante o disposto no artigo 17 do Decreto n.° 70.235/1972, corn as modificações introduzidas pela Lei n.° 9.532/1997, "considerar-se-6 não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante." Da Glosa de Deduções com Despesas Médicas - no valor de R$ 11.115,30 Sobre a comprovação dos pagamentos realizados e deduzidos na Declaração de Ajuste Anual, estabelece o artigo 80 e §1º do Regulamento de Imposto de Renda: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudi6logos, terapeutas ocupacionais e hospitais, ben7 COMO as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei ,z 2 9.250, de 1995, art. 82, inciso II, alínea "a'3. §1º 0 disposto neste artigo (Lei n2 9.250, de 1995, art. 82, §22): I - aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no Pais, destinados à 'cobertura de despesas COM hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (grifamos) Segundo consta do lançamento, fls. 3, a autoridade fiscal, glosou o valor de R$ 11.115,30 por não ter sido apresentado os comprovantes de pagamentos efetuados ao Instituto Municipal de Assistência à Saúde do Funcionalismo —IMASF. Na impugnação o contribuinte manifesta-se informando que os valores pagos de assistência à saúde são descontados de seu pagamento e apresenta cópia do Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, fls. 6, da Fonte Pagadora Prefeitura do Município de sac. Bernardo do Campo, onde consta das informações complementares os referidos valores. Desta forma, restabelece-se a dedução pleiteada de Despesas Médicas, no valor de R$ 11.115,30. (...) Face ao exposto, voto no sentido de julgar Procedente em Parte a Impugnação, excluindo do lançamento o valor conforme segue: (...) RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISC AIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 16/08/2010 (fl. 21), o contribuinte apresentou, em 15/09/2010, o recurso de fls. 22, onde requereu retificação/revisão do débito em decorrência de alegado equívoco da Prefeitura do Município de São Bernardo do Campo, seu empregador, que englobou no montante o abono pecuniário, que deveria, a rigor, Fl. 43DF CARF MF Impresso em 14/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA S, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA S, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO 4 constar nos rendimentos isentos e não tributáveis, sem no entanto elencar as razões ou apresentar provas para a autoridade tributária proceder à revisão do imposto suplementar. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 35, que também trata do envio dos autos ao então Primeiro Conselho de Contribuintes. É o relatório. VOTO Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. Da análise da impugnação conclui-se que não houve qualquer contestação do julgamento promovido pela instância à quo, limitando-se o Recorrente em requerer a retificação/revisão do débito. Para tanto, carreou aos autos, declaração da Prefeitura do Município de São Bernardo do Campo relativa à informação do recebimento, pelo contribuinte, do valor de R$ 2.644,65 à título de férias indenizadas. Em seus argumentos o impugnante informou que somente tomou conhecimento do equívoco da Prefeitura do Município de São Bernardo do Campo em setembro de 2009. Não há qualquer fundamento legal para atender tal solicitação de retificação de declaração de ajuste, pelo contrário, conforme estabelece o art. 147 do CTN, a saber: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1o A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Portanto, conclui-se que não houve qualquer contestação no julgamento promovido pela instância à quo, limitando-se o Recorrente em requerer a retificação/revisão do débito. Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Fl. 44DF CARF MF Impresso em 14/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA S, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA S, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO Processo nº 13819.001553/2008-72 Acórdão n.º 2101-001.345 S2-C1T1 Fl. 3 5 Relatório Despacho Decisório Voto Fl. 45DF CARF MF Impresso em 14/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA S, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA S, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO
score : 1.0
Numero do processo: 10845.001078/2001-52
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 21 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Feb 21 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples
Exercício: 2000
Posterior regularização dos débitos não suspensos apontados no ato declaratório de exclusão do SIMPLES não tem o condão de tornar inválida a exclusão, subsistindo ao contribuinte o direito de pleitear nova inclusão, pela via adequada, a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao da regularização, desde que presentes todos os requisitos legais e afastadas outras hipóteses de exclusão.
Numero da decisão: 9101-000.819
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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DOS SANTOS DECORACOES Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Exercício: 2000 Ementa: Posterior regularização dos débitos não suspensos apontados no ato declaratório de exclusão do SIMPLES não tem o condão de tornar inválida a exclusão, subsistindo ao contribuinte o direito de pleitear nova inclusão, pela via adequada, a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao da regularização, desde que presentes todos os requisitos legais e afastadas outras hipóteses de exclusão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Caio Marcos Cândido Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Marcos Cândido, Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Leonardo de Fl. 261DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO 2 Andrade Couto, Karem Jureidini Dias, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antônio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri e Susy Gomes Hoffmann. Fl. 262DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 10845.001078/200152 Acórdão n.º 910100819 CSRFT1 Fl. 2 3 Relatório Tratase de recurso especial em face de acórdão no. 30134095, prolatado pela antiga Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, em procedimento decorrente de solicitação de revisão da exclusão da opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples, gerada pelo Ato Declaratório de Exclusão nº 374.621, de 2.10.2000, em razão de pendências da empresa e/ou sócios junto a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN. A Câmara recorrida determinou diligência, visando obter da unidade de origem esclarecimentos quanto ao seguinte a) Em que data o Recorrente foi intimado das decisões relativas aos seus pedidos de alocução de pagamentos junto aos processos administrativos objeto do relatório de pendências de fls. 03 (Processos administrativos 1084517577/9759; 10845 17578/9711; 10845217579/9784; 10845204639/9933). b) Se, após a intimação de tais decisões, o Recorrente pagou, e em qual data, os valores efetivamente pendentes. c) Se houver pendência relativa aos processos administrativos mencionados que indique quais valores ainda estão pendentes de pagamento. d) Se houve pagamentos pendentes relativos aos processos já anteriormente mencionados, informe, se de qualquer, forma, a exigibilidade dos referidos valores encontrase suspensa nos termos do artigo 151 do CTN ou pelo fato de tais débitos estarem garantidos em Execução Fiscal ainda em trâmite. e) Depois de juntadas tais informações que seja dada a oportunidade para que o Recorrente se manifeste sobre as informações e documentos juntados. Após o retorno da diligência determinada, em que se constatou que os débitos existentes e sem exigibilidade suspensa no momento da exclusão foram pagos após a emissão do referido ADE, a câmara a quo deu provimento ao recurso voluntário, sob o fundamento de que, diante da prova da quitação, a manutenção da exclusão contrariaria os princípios que regem a atividade econômica escoimados no art. 170 da Constituição Federal. O acórdão recorrido restou assim ementado: Ementa: SIMPLES Não há que ser desenquadrada do SIMPLES a empresa que antes de ser notificada sobre a existência de pendências perante o Fisco, já vinha buscando a sua regularização. Fl. 263DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO 4 Não pode ser punida a empresa pelas dificuldades impostas pela própria sistemática da Fiscalização. Prova documental farta no sentido de provar o direito da Recorrente. Permanência no SIMPLES. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial com fulcro no art. 7º, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais vigente à época, alegando divergência jurisprudencial quanto à manutenção no SIMPLES de empresa que demonstra posteriormente sua regularidade fiscal junto à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), cujas pendências motivaram o ato de exclusão do SIMPLES. Apresenta acórdão paradigma em que se discute a mesma questão SIMPLES — EXCLUSÃO — DÉBITO INSCRITO EM DIVIDA ATIVA DA UNIÃO COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA— REGULARIZAÇÃO A POSTERIORI. A regularização pelo contribuinte do débito inscrito em dívida ativa, com exigibilidade não suspensa, após a cientificação de ato declaratório de exclusão do SIMPLES, com a inclusão no REFIS ou qualquer outra modalidade de extinção do débito inscrito ou suspensão da sua exigibilidade, não é razão para a anulação ou revogação do ato de exclusão. NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE. Acrescenta que a exclusão obedeceu o disposto no art. 9o, inciso XV, da Lei no 9317/96, sendo plenamente válida e legítima. Reconhece a possibilidade de nova adesão do contribuinte ao SIMPLES através do procedimento adequado e todavia pede a manutenção da exclusão da opção pelo SIMPLES efetivada pelo Ato Declaratório Executivo de Exclusão, em razão da confirmação da existência de débitos inscritos em Dívida Ativa da União, quando de sua edição. Em face da ausência de apresentação de paradigmas pela recorrente, a presidente da Câmara a quo, no exame de admissibilidade do recurso especial, verificando a equivocada referëncia ao dispositivo do Regimento Interno da CSRF, e a votação por maioria, adotou a fungibilidade para conhecer do recurso pelo art. 5º, inciso I, da mesma norma. Em contrarrazões, alega o contribuinte que existe nos autos farta documentação comprobatória do seu direito à permanência no SIMPLES, ressaltando que não deve ser desenquadra do SIMPLES empresa que já vinha buscando sua regularização mesmo antes da notificação, nem pode a empresa ser punida pelas dificuldades decorrentes da sistemática da fiscalização. É o relatório. Fl. 264DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 10845.001078/200152 Acórdão n.º 910100819 CSRFT1 Fl. 3 5 Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora Presentes os pressupostos recursais, admitese o recurso. Quanto à sistemática do SIMPLES, cabe tecer breves considerações iniciais. Atualmente, evidenciase cada vez mais a correlação entre o direito e a economia. Ao operador do direito cabe interpretar as normas jurídicas sem dissociálas da realidade econômica do País. Assim, a análise das situações de enquadramento na sistemática do SIMPLES deve sempre se pautar nos parâmetros definidos pela Constituição Federal de 1988, em seus arts. 170, inciso IX, e 179, ao estabelecer um tratamento não isonômico às micro e pequenas empresas, dado seu caráter fundamental no desenvolvimento da economia brasileira. O tratamento não isonômico dado às micro e pequenas empresas reflete o princípio maior da isonomia, que propugna o dever de tratar os iguais com igualdade e os desiguais com desigualdade, na medida de suas desigualdades. Todavia, o incentivo concedido pela Constituição Federal às microempresas e empresas de pequeno porte, não deve, permissa venia, ser utilizado como argumento de deliberada desconstituição das normas vigentes, pela relevação de violações às regras da sistemática do SIMPLES em determinados casos, gerando uma desigualdade interna no sistema. A Lei nº 9.317/96, atualmente revogada pela Lei Complementar nº 123/06, ao dispor sobre o regime tributário das microempresas e empresas de pequeno porte, instituiu o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, e estabeleceu os requisitos para o enquadramento naquela sistemática, assim como as hipóteses em que este seria vedado. No que pertine ao litígio em exame, interessam os seguintes dispositivos: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: [...] XV que tenha débito inscrito em Divida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa; [...] Fl. 265DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO 6 Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: I por opção. II obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9º; [...] Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: [...] II a partir do mês subseqüente ao em que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XVIII do art. 9º; [...] Em 2005, a Lei nº 9.317/96 sofreu alterações quanto à disciplina dos efeitos da exclusão no caso de existência de débitos da pessoa jurídica ou dos sócios. Eis os dispositivos com a redação alterada: Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: [...] II a partir do mês subseqüente ao que for incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIV e XVII a XIX do caput do art. 9o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] VI (Vide Medida Provisória nº 252, de 2005 Sem eficácia) VI a partir do anocalendário subseqüente ao da ciência do ato declaratório de exclusão, nos casos dos incisos XV e XVI do caput do art. 9o desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] § 5o (Vide Medida Provisória nº 252, de 2005 Sem eficácia) § 5o Na hipótese do inciso VI do caput deste artigo, será permitida a permanência da pessoa jurídica como optante pelo Simples mediante a comprovação, na unidade da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o seu domicílio fiscal, da quitação do débito inscrito no prazo de até 30 (trinta) dias contado a partir da ciência do ato declaratório de exclusão. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 266DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 10845.001078/200152 Acórdão n.º 910100819 CSRFT1 Fl. 4 7 Como se vê, a partir da alteração legislativa, buscou o legislador esclarecer o momento em que a quitação poderia ser aceita para fins de revogação do ato declaratório de exclusão, prevendo que a quitação do débito no prazo de 30 (trinta) dias da ciência do ato declaratório de exclusão permite a manutenção na sistemática do SIMPLES. Tal prazo corresponde exatamente o prazo de apresentação da solicitação de revisão da exclusão da opção pelo SIMPLES – SRS. A própria Administração Tributária já permitia a regularização dos débitos dentro daquele prazo, mantendo suspensa a exclusão até a ciência do despacho decisório sobre a SRS. Ademais, o prazo para apresentação da SRS referente a atos declaratórios expedidos em 02.10.2000 foi prorrogado até 31.01.2001, pela Instrução Normativa SRF nº 100, de 26.10.2000. Tudo isso, contudo, mostrase insuficiente para solucionar a presente recurso, visto que a regularização dos débitos somente ocorreu em 14.06.2005, conforme documentos de fls. 198, 201, 205 e 209. O procedimento administrativo fiscal, em que pese informado pelo princípio do formalismo moderado, deve obedecer aos estritos limites da lei, observado o princípio do devido processo legal, de modo a assegurar as garantias do contraditório e da ampla defesa. O que se discute no presente recurso é a validade ou não do ato de exclusão da sistemática do SIMPLES – ADE nº 347.621. Para fins de revisão administrativa instaurada pela SRS, é ônus do contribuinte demonstrar a inexistência da causa da exclusão, no momento da edição do ato declaratório ou até 30 (trinta) dias após sua ciência, o que não ocorreu no presente caso. Aceitar a quitação dos débitos em qualquer momento processual, além de ferir a sistemática prevista pelo legislador, provoca concorrência injusta. Nessa medida, uma empresa que utiliza seus recursos financeiros para arcar com suas obrigações tributárias e faz corretamente a opção pelo SIMPLES, estará competindo de forma desequilibrada com outra que mantém débitos em aberto e utiliza seus recursos financeiros com a finalidade de desenvolver diretamente a empresa, ganhando espaço no mercado durante o tempo em que discute a exclusão. Desigualdade dentro da desigualdade não é o que prevê a Constituição Federal. Assim, no período compreendido entre a data em que a exclusão passou a produzir efeitos, até o ano subsequente ao da regularização fiscal, não pode o contribuinte aproveitarse dos benefícios da sistemática do SIMPLES, por expressa vedação legal. Sem embargo, uma vez afastada a causa de exclusão aqui discutida, o contribuinte pode optar novamente pela sistemática do Simples, seguindo os procedimentos administrativos adequados, desde que presentes todos os requisitos legais e afastadas outras hipóteses de exclusão. Fl. 267DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO 8 Isto posto, voto no sentido de dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para manter a exclusão da opção pelo SIMPLES gerada pelo ato declaratório executivo em litígio. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 268DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO
score : 1.0
Numero do processo: 11330.001334/2007-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2006
CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO CONTRIBUIÇÕES SOBRE A REMUNERAÇÃO PAGA AOS SEGURADOS EMPREGADOS AUXÍLIO BABA NATUREZA
SALARIAL
O art. 28, § 9ºda Lei 8.212/91 destaca quais as verbas que não compõem a base de cálculo de contribuições.
O reembolso babá para ser excluído da base de cálculo condiciona à comprovação do registro na Carteira de Trabalho e Previdência Social da empregada, do pagamento da remuneração e do recolhimento da contribuição previdenciária considerando o limite máximo de seis anos de idade da criança;
Assim, o que buscou o legislador foi comprovar a efetiva destinação da verba, o que restou demonstrado no caso em questão, com a apresentação da CTPS assinada e do comprovante de recolhimento da previdência social, posto o referido comprovante demonstrar a existência de pagamento do salário e o valor da remuneração.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2006
PRAZO DECADENCIAL EXISTÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO OU IMPOSSIBILIDADE DE SE VERIFICAR ESSE FATO. APLICAÇÃO DO § 4. DO ART. 150 DO CTN.
Constatando-se antecipação de recolhimento ou quando, com base nos autos, não há como a se concluir sobre essa questão, deve-se
aferir o prazo decadencial pela regra constante do § 4. do art. 150 do CTN.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2401-001.979
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, I) Por maioria de votos, declarar a decadência até a competência 09/2002. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que declarava a decadência até a competência 11/2001. II) Por
unanimidade de votos, no mérito, dar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o(a) Conselheiro(a) Kleber Ferreira de Araújo.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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O reembolso babá para ser excluído da base de cálculo condiciona à comprovação do registro na Carteira de Trabalho e Previdência Social da empregada, do pagamento da remuneração e do recolhimento da contribuição previdenciária considerando o limite máximo de seis anos de idade da criança; Assim, o que buscou o legislador foi comprovar a efetiva destinação da verba, o que restou demonstrado no caso em questão, com a apresentação da CTPS assinada e do comprovante de recolhimento da previdência social, posto o referido comprovante demonstrar a existência de pagamento do salário e o valor da remuneração. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2006 PRAZO DECADENCIAL EXISTÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO OU IMPOSSIBILIDADE DE SE VERIFICAR ESSE FATO. APLICAÇÃO DO § 4. DO ART. 150 DO CTN. Constatandose antecipação de recolhimento ou quando, com base nos autos, não há como a se concluir sobre essa questão, devese aferir o prazo decadencial pela regra constante do § 4. do art. 150 do CTN. Recurso Voluntário Provido Fl. 344DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por maioria de votos, declarar a decadência até a competência 09/2002. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que declarava a decadência até a competência 11/2001. II) Por unanimidade de votos, no mérito, dar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o(a) Conselheiro(a) Kleber Ferreira de Araújo. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Kleber Ferreira de Araújo – Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 345DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11330.001334/200760 Acórdão n.º 240101.979 S2C4T1 Fl. 345 3 Relatório O presente NFLD, lavrado sob o n. 37.112.4662, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados (observado o limite do salário de contribuição), da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e a destinada aos Terceiros, levantadas sobre os seguintes sobre os pagamentos feitos aos segurados empregados conforme descrito no relatório fiscal. Constituem fatos geradores das contribuições lançadas a remuneração paga aos segurados empregados a título de AUXÍLIOACOMPANHANTE, incluída em folha de pagamento nas rubricas de proventos e descontos. Com base nas informações contidas nos arquivos digitais relativos às folhas de pagamento, verificouse, no período mencionado, que parte dos empregados receberam mensalmente proventos, e eventualmente sofreram descontos, a título de AUXÍLIO ACOMPANHANTE, através das rubricas de códigos 130, 230, 230D, 230J, 230N e 730, as quais não foram consideradas pela empresa como base de cálculo para incidência das contribuições mensais à seguridade social no período de 01/1999 a 09/2006. Em análise aos diversos documentos e regulamentos internos da empresa, verificouse que o chamado AuxílioAcompanhante tratase de beneficio concedido pela Fundação aos seus empregados que possuam dependentes até 36 meses de idade, mediante o reembolso de a remuneração de empregado doméstico contratado para cuidar da criança (babá), em substituição ao auxíliocreche, por opção do empregado. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 28/09/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 02/10/2007. Inconformado com a NFLD, a notificada apresentou defesa, conforme fls. 195 a 219. Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência do lançamento, fls. 265 a 273. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 299 a 314 , onde, em síntese a recorrente alegou o seguinte: 1. Preliminarmente, o artigo 45 da Lei 8.212/1991, é inaplicável às contribuições, a teor do disposto no artigo 146, III, "h" da CRFB/1988, que disciplina matéria relativa a "obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários". Assim, devem ser excluídas as contribuições até a competência 09/2002. 2. A Impugnante disponibilizou aos seus empregados com filhos ou tutela de menor o AuxílioCreche, na forma de reembolso, durante o primeiro triênio de vida da criança. Fl. 346DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 3. O empregado podia optar pelo recebimento do AuxílioAcompanhante (também conhecido como AuxílioBabá), em substituição ao AuxílioCreche, após a comprovação da contratação desse serviço, que, na prática, ocorria por meio da apresentação de cópia do registro na Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) da babá contratada e da guia de recolhimento da contribuição previdenciária. 4. Face à dificuldade operacional e espacial de as empresas manterem nos seus estabelecimentos locais apropriados para a guarda dos filhos de suas empregadas, a Portaria n° 3.296, de 03.09.1986, do Ministério do Trabalho, autorizou as empresas e empregadores a adotarem o sistema de ReembolsoCreche, em substituição à exigência contida nos §§ 1° e 2° do artigo 389 da CLT, devendo a implantação desse sistema estar previamente estipulada em acordo ou convenção coletiva e ser comunicada à Delegacia Regional do Trabalho (DRT). 5. Desta forma a Impugnante adotou o referido sistema de ReembolsoCreche, que de acordo com os referidos ACT, esse reembolso podia ser substituído pelo Auxílio Acompanhante (ou AuxílioBabá), de acordo com a opção do empregado. 6. Cita a cláusula 6 do ACT celebrado entre a Impugnante e o sindicato dos seus empregados na Bahia em 30.04.2002, que estabelece as condições para a concessão do AuxílioAcompanhante ou AuxílioCreche. 7. Cita ainda acórdão do STF para corroborar seu entendimento de que o AuxílioCreche, tem natureza indenizatória. 8. Alega que o legislador acabou reconhecendo a natureza indenizatória do AuxílioCreche por meio do artigo 1° da Lei n° 9.528, de 10.12.1997, que deu nova redação à alínea "s" do § 9° do artigo 28 da Lei n° 8.212/1991, ao inserir o referido auxílio no rol das parcelas que não integram o saláriodecontribuição. 9. Desta forma, concluiu que o mesmo tratamento é aplicável ao AuxílioAcompanhante (ou AuxílioBabá), já que ambos tem a mesma natureza indenizatória do AuxílioCreche. 10. Acrescenta que pagou o AuxílioAcompanhante mediante a prévia apresentação de cópia do registro na CTPS da babá contratada e da respectiva guia de recolhimento da contribuição previdenciária, sendo tais documentos suficientes para comprovar as despesas dos empregados da impugnante com a contratação dos serviços de acompanhante/babá. 11. Por derradeiro, alega que considerando ser a contribuição previdenciária devida pelos empregados da Impugnante incidente sobre a remuneração registrada na CTPS da babá, forçosa é a conclusão de que a apresentação das respectivas guias de recolhimento, aliada à apresentação de tais Carteiras, pressupõe o pagamento da referida remuneração. 12. Requer, ao final, seja cancelada a NFLD, com a conseqüente extinção do crédito tributário por ela exigido. A DRFB encaminhou o recurso a este Conselho para Julgamento. É o Relatório. Fl. 347DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11330.001334/200760 Acórdão n.º 240101.979 S2C4T1 Fl. 346 5 Voto Vencido Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 318. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: DA DECADÊNCIA Quanto a preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto desta NFLD, entendo cabível a sua apreciação. Nesse sentido, quanto a aplicação da decadência qüinqüenal, subsumo todo o meu entendimento quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91 (10 anos), outrora defendido à decisão do STF. Dessa forma, quanto a decadência de 5 anos, profiro meu entendimento. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações Fl. 348DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 previdenciárias. Citese o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela 1a Seção no Recurso Especial de n º 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO LEI Nº 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3.º DO ART. 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO STJ. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. 1. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo. 2. A lista de serviços anexa ao Decretolei n.º 406/68, para fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindose, contudo, uma leitura extensiva de cada item, no afã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 361829/RJ, publicado no DJ de 24.02.2006; Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ de 28.08.2006). 3. Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao DecretoLei 406/68 demanda o reexame do conteúdo fático probatório dos autos, insindicável ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e REsp 445137/MG, publicado no DJ de 01.09.2006). 4. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Dívida Ativa demanda exame de matéria fáticoprobatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Súmula 07/STJ). 5. Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Dívida Ativa consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, com seu fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n.º 2141/94; 2517/97, 2628/98 e 2807/00) e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito (ISSQN), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Início de Ação Fiscal, bem como do Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, a fixação dos honorários advocatícios não está adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à condenação, nos termos do artigo 20, § 4º, do CPC Fl. 349DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11330.001334/200760 Acórdão n.º 240101.979 S2C4T1 Fl. 347 7 (Precedentes: AgRg no AG 623.659/RJ, publicado no DJ de 06.06.2005; e AgRg no Resp 592.430/MG, publicado no DJ de 29.11.2004). 7. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para a fixação dos honorários, encontra óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, a fixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário" (Súmula 389/STF).8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, contase do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do Fl. 350DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do CTN, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidamse simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigurase como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operarseá ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de ofício, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, II, do CTN, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vício formal. Neste caso, o marco decadencial iniciase da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 16. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a Fl. 351DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11330.001334/200760 Acórdão n.º 240101.979 S2C4T1 Fl. 348 9 lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deuse em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo ISSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contandose o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponíveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido.(GRIFOS NOSSOS) Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdenciárias após a publicação da Súmula vinculante nº 8 do STF: Conforme descrito no recurso descrito acima: “A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210) O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 352DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173, I ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, antecipar o pagamento de uma contribuição significa delimitar qual o seu fato gerador e em processo contíguo realizar o seu pagamento. Deve ser possível ao fisco, efetuar de forma, simples ou mesmo eletrônica a conferência do valor que se pretendia recolher e o efetivamente recolhido. Neste caso, a inércia do fisco em buscar valores já declarados, ou mesmo continuamente pagos pelo contribuinte é que lhe tira o direito de lançar créditos pela aplicação do prazo decadencial consubstanciado no art. 150, § 4º. No caso, a NFLD referese a pagamentos feitos á título de AUXÍLIO ACOMPANHANTE, valores estes não reconhecidos por meio da GFIP como salário de Fl. 353DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11330.001334/200760 Acórdão n.º 240101.979 S2C4T1 Fl. 349 11 contribuição, razão porque entendo não há de se falar em recolhimento antecipado de contribuições, devendo a decadência ser vista à luz do art. 173, I do CTN. Como considerar que houve antecipação de pagamento de algo que o contribuinte nunca pretendeu recolher. Antecipar significa: Fazer, dizer, sentir, fruir, fazer ocorrer, antes do tempo marcado, previsto ou oportuno; precipitar;.Chegar antes de; anteceder, ou seja, não basta dizer que houve recolhimento em relação a remuneração como um todo, mas sim, identificar sob qual base foi o pagamento realizado. Assim, deverseá considerar que houve antecipação para aplicação do § 4º do art. 150 do CTN, quando ocorreu por parte do contribuinte o reconhecimento do valor devido e o seu parcial recolhimento, sendo em todos os demais casos de não reconhecimento da rubrica aplicável o art. 173, I do referido diploma. No caso em questão, o lançamento foi efetuado em 28/09/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 02/10/2007. Os fatos geradores ocorreram entre as competências 01/1999 a 09/2006, dessa forma em aplicandose o art. 173, I do CTN, devem ser excluídos os fatos geradores até a competência 11/2001. DO MÉRITO Para iniciarmos a análise da procedência ou não do lançamento, importante identificar quais as contribuições apuradas pelo lançamento. Assim, foram apuradas contribuições sobre os valores pagos s pessoas físicas, enquanto empregados á título de auxílio acompanhante (também denominado pela empresa de auxílio babá). De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) grifo nosso. Não se pode descartar o fato de que os valores pagos á título de auxílio babá, não representam alguma espécie de ganho para seus empregados. Pelo contrário, estão inseridos no conceito lato de remuneração, assim compreendida a totalidade dos ganhos recebidos como contraprestação pelo serviço executado, só podendo ser excluídos do conceito de remuneração quando expressamente previstos em lei. Ainda com relação aos pagamentos realizados à título de AUXÍLIO ACOMPANHANTE (BABÁ) em primeiro lugar esclareço que o mesmo não se confunde com Fl. 354DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 o auxílio creche, visto que ambos encontramse previstos no art. 214, § 9º do RPS, sendo que as exigências para o efetivo afastamento da verba da base de cálculo de contribuições previdenciárias são distintas. Neste sentido dispõe o texto do Decreto 3048/99 em seu art. 214: Art. 214 (...) XXIII o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade da criança, quando devidamente comprovadas as despesas; (Acrescentado pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) XXIV o reembolso babá, limitado ao menor saláriode contribuição mensal e condicionado à comprovação do registro na Carteira de Trabalho e Previdência Social da empregada, do pagamento da remuneração e do recolhimento da contribuição previdenciária, pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade da criança; e (Acrescentado pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) Durante o procedimento fiscal, a autoridade em constatando o pagamento de auxílio acompanhante (babá), intimou o recorrente para apresentação dos documentos, fl. 96, senão vejamos: Conforme descrito no relatório fiscal: Verificouse, através da análise dos procedimentos internos formalmente estabelecidos pela Fundação para a concessão do benefício, bem como pela análise dos documentos de comprovação de despesas com babá apresentados, que o reembolsobabá, chamado de Auxílio Acompanhante, não é concedido de acordo com a legislação previdenciária, uma vez que não são exigidos mensalmente os comprovantes do pagamento da remuneração à pessoa contratada para cuidar da criança (babá), sendo exigidos apenas comprovação do registro na Carteira de Trabalho e Previdência Social da babá e do recolhimento da contribuição previdenciária da mesma. Há, pois, que se considerar como saláriodecontribuição as remunerações pagas ou creditadas pela Fundação aos seus empregados a título de AUXÍLIOACOMPANHANTE nos períodos: de 01/1999 a 10/1999, por não haver até então previsão legal para a exclusão do reembolsobabá da base de tributação; e de 11/1999 a 09/2006, por ter sido o beneficio concedido em desacordo com as exigências da legislação previdenciária. Contudo, ao contrário do entendimento adotado pela autoridade fiscal, ratificado pela autoridade julgadora, entendo que restou demonstrado a destinação do pagamento dentro da previsão legal, não conseguindo a autoridade fiscal demonstrar que o pagamento possuía outra destinação, senão aquela descrita no texto legal. Em outras ocasiões, onde a empresa destinava pagamentos à título de auxílio babá, sem os comprovantes de pagamento mensal e de recolhimento a previdência social, proferi votos no sentido de considerar a verba como salário de contribuição, posto não comprovado o efetivo vínculo com a empregada. Contudo, no caso em questão, posicionome de forma diversa, posto que a simples ausência dos recibos de pagamento, não demonstra a ausência de vínculo, que neste Fl. 355DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11330.001334/200760 Acórdão n.º 240101.979 S2C4T1 Fl. 350 13 caso pode ser suprida com os comprovantes de recolhimento da contribuição previdenciária, e a assinatura da carteira de trabalho. Assim, estando dentro da previsão legal de exclusão da base de cálculo, face o auxílio alcançar os empregados que tenham filhos de até 3 anos e comprovado que os valores são pagos mediante a apresentação da CTPS assinada e a comprovação de recolhimento previdenciário, que digase não seria feito se não existisse pagamento de salário, onde é possível, inclusive identificar a base de cálculo, não há como manter o lançamento. Face o exposto e tudo mais que consta nos autos. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para excluir face a aplicação da decadência quinquenal as contribuições até 11/2001 e no mérito DAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 356DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 Voto Vencedor Kleber Ferreira de Araújo – Redator Designado Em que pese a boa fundamentação apresentada pela relatora, concluo de forma diversa no que diz respeito ao critério para fixação do prazo decadencial. Passarei, de imediato, a expressar meu entendimento, posto que a legislação aplicável já foi suficientemente mencionada no voto da Conselheira Elaine Cristina Vieira. A bem da verdade, tanto esse Conselheiro quanto a Ilustre Relatora entendemos que, havendo recolhimento antecipado da contribuição, há de se contar o prazo decadencial pela norma do art. 150, § 4. do CTN, qual seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Divergimos, todavia, para os casos em que, embora existam recolhimentos efetuados pela empresa, esta não reconhece a incidência de contribuição sob determinada rubrica. Nesses casos, a Conselheira Elaine Cristina pondera que as guias de recolhimento embora existentes, dizem respeito a outras rubricas, haja vista que, para as parcelas sobre as quais não se considerou a incidência tributária, não há o que se falar em antecipação de pagamento. Ouso divergir dessa tese. É cediço que na Guia da Previdência Social – GPS não são identificados os fatos geradores, mas são lançados em campo único – “Valor do INSS” – todas as contribuições previdenciárias e, inclusive a dos segurados. Por esse motivo, havendo recolhimentos, não vejo como segregar as parcelas reconhecidas pela empresa, daquelas que não tenham sido tratadas como saláriodecontribuição. Verificase na espécie, que há fortes índicos da existência de recolhimentos posto que, embora não exista nos autos o Relatório de Documentos Apresentados – RDA, há um fato que me leva a supor que houve pagamentos para as contribuições decorrentes de outros fatos geradores, que não os lançados. Isso porque todas as NFLD constantes no Termo de Encerramento da Ação Fiscal – TEAF, fl. 36, são relativas a contribuições decorrentes do pagamento de salário indireto, não havendo lançamento decorrente de valores lançados em folha de pagamento ou GFIP. Nesses casos, o entendimento que tem prevalecido nessa Turma de Julgamento é que se aplique o § 4. do art. 150 do CTN para contagem do prazo decadencial. Assim, considerandose que a ciência do lançamento deuse em 02/10/2007, voto pela declaração de decadência para o período de 01/1999 a 09/2002. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 357DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 13984.000693/2004-98
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2000
ITR ÁREA DE RESERVA LEGAL NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 10 DA LEI N° 9.393/96.
Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal).
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-001.616
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira que negavam provimento.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
Nome do relator: Gustavo Lian Hadad
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FLOBASA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2000 ITR ÁREA DE RESERVA LEGAL NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 10 DA LEI N° 9.393/96. Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal). Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira que negavam provimento. Fl. 168DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 29/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto (assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Relator (assinado digitalmente) EDITADO EM: 16/05/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (PresidenteSubstituto), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente Substituto), Elias Sampaio Freire, Alexandre Naoki Nishioka (Conselheiro convocado), Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Oliveira. Relatório Em face de Florestal Battistella S.A. Flobasa foi lavrado o auto de infração de fls. 30/32, objetivando a exigência de imposto sobre a propriedade territorial rural, exercício 2000, tendo sido apurada a infração de falta de recolhimento do referido imposto em decorrência de glosa dos valores declarados como área de reserva legal e da revisão do valor do VTN declarado pela contribuinte do imóvel Fazenda Santa Luzia. A Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pela contribuinte, exarou o acórdão n° 30239.410, que se encontra às fls. 121/126 e cuja ementa é a seguinte: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2000 ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL/UTILIZAÇÃO LIMITADA. Tendo o recorrente trazido aos autos prova da regularidade da área de reserva legal, deve ser afastada a glosa efetuada. VTN. LAUDO DE VALOR DA TERRA BASEADO EM VALOR CONTÁBIL. Laudo técnico, assinado por engenheiro, baseado unicamente no valor contábil do imóvel, não pode ser aceito como prova para a discussão da glosa do VTN. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.” A anotação do resultado do julgamento indica que a Câmara, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso para excluir da exigência fiscal a área de reserva legal. Fl. 169DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 29/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13984.000693/200498 Acórdão n.º 920201.616 CSRFT2 Fl. 2 3 Intimada pessoalmente do acórdão em 24/07/2008 (fls. 127) a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 130/141, com base no artigo 7º, inciso I do antigo Regimento Interno desta Câmara sustentando, em síntese, que a decisão foi contrária à prova dos autos, bem como contrária à legislação que determina a necessidade de prévia averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel para sua exclusão da tributação pelo ITR. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 302.214, de 18/09/2008 (fls. 142/144). Intimado sobre a admissão do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional o contribuinte apresentou as contrarazões de fls. 149/152. É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator O recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional preenche os requisitos de admissibilidade. Dele conheço. A Recorrente aponta que o v. acórdão recorrido, proferido pelo antigo Conselho de Contribuintes, contrariou a prova dos autos na medida em que reconheceu expressamente a existência da averbação na matrícula do imóvel da área de reserva legal. Nesse sentido, verifico que, de fato, o voto condutor do v. acórdão expressamente reconhece que foi comprovada nos autos a averbação da área de reserva legal, como se verifica do seguinte trecho: “Com o recurso apresentado, foi trazida cópia de certidão do registro geral de imóveis sobre a propriedade em exame, na qual se verifica que houve a averbação de área de reserva legal (Termo de Responsabilidade de Preservação de Floresta, datado de 25 de março de 1993) no valor de 124,77 hectares.” Ocorre que o documento citado pelo I. Conselheiro não se refere ao imóvel objeto do litígio. De fato, verifico que a certidão de matrícula do imóvel cuja área de reserva legal foi glosada, qual seja a Fazenda Santa Luzia, encontrase às fls. 22 dos autos, sendo que nesse documento não há qualquer referência à averbação de reserva legal. O documento a que se refere o acórdão do E. Conselho de Contribuintes (fls. 95) é um imóvel de propriedade de Ladimir Enore Pellizzaro, arrendado à Contribuinte para a execução de projetos de florestamento e reflorestamento. A referida matrícula foi apresentada nos autos pela Contribuinte como forma de comprovar a propriedade dos bens arrolados como condição para interposição de recurso voluntário conforme determinava a IN SRF nº 264/2002. No tocante à necessidade de averbação ou não da área de reserva legal na matrícula do imóvel transcrevo, a seguir, voto do I. Conselheiro Gonçalo Bonet Allage no Fl. 170DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 29/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 processo 13984.000688/200485, cujas razões adoto como fundamento do presente voto, in verbis: “Inicio a análise do recurso pela questão da área de utilização limitada, cuja glosa decorre da falta de averbação à margem da matrícula do imóvel. Pois bem, o artigo 10 da Lei n° 9.393/96 tem a seguinte redação: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1°. Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; Portanto, de acordo com tal regra, as áreas de preservação permanente e de reserva legal, previstas no Código Florestal (Lei n° 4.771/65), estão excluídas da base de cálculo do ITR. A chamada área de reserva legal ou de utilização limitada tem contornos estabelecidos pelo artigo 16 do Código Florestal, atualmente com a redação que lhe foi dada pela Medida Provisória n° 2.16667/2001, da seguinte forma: Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; Fl. 171DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 29/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13984.000693/200498 Acórdão n.º 920201.616 CSRFT2 Fl. 3 5 III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. § 1°. O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. § 2°. A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. § 3°. Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. § 4°. A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: I o plano de bacia hidrográfica; II o plano diretor municipal; III o zoneamento ecológicoeconômico; IV outras categorias de zoneamento ambiental; e V a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. § 5°. O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: I reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e Fl. 172DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 29/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 II ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. § 6°. Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: I oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; II cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e III vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o. § 7°. O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6o. § 8°. A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. § 9°. A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. A necessidade ou não de averbação da referida área no cartório de registro de imóveis, para fins de apuração da base de cálculo do ITR, é matéria bastante controvertida, tanto nos Tribunais Judiciais quanto no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Fl. 173DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 29/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13984.000693/200498 Acórdão n.º 920201.616 CSRFT2 Fl. 4 7 Este julgador, inclusive, chegou a votar no sentido de que, comprovada a existência da área de reserva legal de alguma forma, inexistia o dever de averbála à margem da matrícula do imóvel. Contudo, após profundos debates, principalmente no âmbito da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção, da qual faço parte, alterei meu posicionamento para, no caso, dar razão à Fazenda Nacional, entendendo que a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel é, como regra geral, condição para sua exclusão da base de cálculo do ITR. Acabei convencido de que a necessidade de averbação da área de reserva legal, embora com função declaratória e não constitutiva, decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal), conforme acima destacado. Atualmente, a infringência a tal mandamento, inclusive, dá ensejo à aplicação de multas pecuniárias, conforme determina o artigo 55 do Decreto n° 6.514/2008 O ITR é tributo de natureza eminentemente extrafiscal, sendo que a obrigatoriedade da averbação da reserva legal está relacionada, muito além do direito tributário, à garantia de preservação de um meio ambiente ecologicamente equilibrado. Salvo melhor juízo, o benefício tributário consistente na exclusão da base de cálculo do ITR da área de reserva legal só pode ser reconhecido se estiverem cumpridas as exigências da legislação ambiental, o que não ocorre no caso em apreço, pois inexiste averbação da área de reserva legal informada na DITR, nem tampouco há compromisso firmado pelo sujeito passivo com órgão do poder público no sentido de preservar respectiva área, adequadamente delimitada (esclareço que, sob minha ótica, esta providência pode suprir, em determinadas situações, não verificadas neste feito, a necessidade de averbação).” No presente caso, entendo que não restou comprovada nos autos a averbação na matrícula do imóvel Fazenda Santa Luzia da área de reserva legal declarada pela Contribuinte, não havendo como ela se beneficiar de sua exclusão da base de cálculo do ITR. Destarte, encaminho meu voto no sentido de conhecer do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO para restabelecer a exigência quanto à área de reserva legal. Gustavo Lian Haddad (assinado digitalmente) Fl. 174DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 29/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 Fl. 175DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 29/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 35950.001016/2007-60
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/1996 a 30/11/2001
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.
No caso dos autos, verifica-se que o lançamento refere-se
a contribuições incidentes sobre pagamentos realizados por intermédio de cartão de premiação.
Para fins de averiguação da antecipação de pagamento, as contribuições previdenciárias a cargo da empresa incidentes
sobre a remuneração dos segurados do Regime Geral da Previdência Social RGPS devem ser apreciadas como um todo.
Os documentos constantes nos autos impossibilitam concluir acerca da ausência de antecipação de pagamento de contribuições previdenciárias por parte do sujeito passivo.
A regra do art. 150, § 4º, do CTN trata-se de regra específica a ser aplicada a tributo sujeito ao lançamento por homologação, que prefere à regra geral prevista no art. 173, I do CTN.
Ou seja, para que se aplique a regra do art. 173, I do CTN, em detrimento a regra do art. 150, § 4º, deve os fisco comprovar a ocorrência de uma das seguintes situações: (i) ocorrência de dolo, fraude ou simulação; ou (ii) que não houve antecipação do pagamento. O que não ocorreu no presente caso.
Assim, na data em que o sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 19/12/2006, as contribuições apuradas no presente lançamento, com fatos geradores ocorrido até a competência 11/2001 encontravam-se fulminados pela decadência.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-001.547
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso do sujeito passivo. Os Conselheiros Francisco Assis de Oliveira Júnior e Marcelo Oliveira votaram pelas conclusões.
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1996 a 30/11/2001 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. No caso dos autos, verificase que o lançamento referese a contribuições incidentes sobre pagamentos realizados por intermédio de cartão de premiação. Para fins de averiguação da antecipação de pagamento, as contribuições previdenciárias a cargo da empresa incidentes sobre a remuneração dos segurados do Regime Geral da Previdência Social RGPS devem ser apreciadas como um todo. Os documentos constantes nos autos impossibilitam concluir acerca da ausência de antecipação de pagamento de contribuições previdenciárias por parte do sujeito passivo. A regra do art. 150, § 4º, do CTN tratase de regra específica a ser aplicada a tributo sujeito ao lançamento por homologação, que prefere à regra geral prevista no art. 173, I do CTN. Ou seja, para que se aplique a regra do art. 173, I do CTN, em detrimento a regra do art. 150, § 4º, deve os fisco comprovar a ocorrência de uma das seguintes situações: (i) ocorrência de dolo, fraude ou simulação; ou (ii) que não houve antecipação do pagamento. O que não ocorreu no presente caso. Assim, na data em que o sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 19/12/2006, as contribuições apuradas no presente lançamento, com fatos geradores ocorrido até a competência 11/2001 encontravamse fulminados pela decadência. Recurso especial provido. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso do sujeito passivo. Os Conselheiros Francisco Assis de Oliveira Júnior e Marcelo Oliveira votaram pelas conclusões. Henrique Pinheiro Torres – PresidenteSubstituto (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator (Assinado digitalmente) EDITADO EM: 24/05/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (PresidenteSubstituto), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Oliveira. Relatório O contribuinte, inconformado com o decidido no Acórdão nº 240200.088, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção em 18/08/2009 (fls. 211/217), interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 258/293). A decisão recorrida, por unanimidade de votos, decidiu pela decadência; por maioria de votos, declarou a decadência até a competência 11/2000; e, no mérito, negou provimento por unanimidade. Segue abaixo sua ementa: “DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. PROGRAMA DE INCENTIVO. PREMIO ATRAVÉS DE CARTÃO. GRATIFICAÇÃO. REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, mesmo através de cartões de premiação, constitui gratificação e, portanto, tem natureza salarial. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.” Afirma que a decisão recorrida, ao manter o lançamento das competências posteriores a 11/2000 sob a justificativa de que o prazo decadencial aplicável ao presente caso é o do disposto no art. 173 do CTN, divergiu do paradigma que apresenta, segundo o qual os Fl. 2DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 35950.001016/200760 Acórdão n.º 920201.547 CSRFT2 Fl. 2 3 tributos sujeitos ao lançamento por homologação estão sujeitos ao prazo decadencial previsto no art. 150 do CTN. Explica que o direito de lançamento do Fisco encontrase completamente decaído em relação a parte dos valores exigidos, pois já se passaram mais de cinco anos contados dos fatos geradores, sem que houvesse qualquer atitude da Fazenda no sentido de constituir tais créditos. Aponta que, no seu entendimento, houve decadência do período correspondente à novembro de 2001 em novembro de 2006. Contudo a autoridade fiscal procedeu ao lançamento somente em 19 de dezembro de 2006, inexistindo fundamento legal que imponha a necessidade de lançamento de período devidamente extinto. Ao final, requer o provimento do recurso especial interposto. Nos termos do Despacho n.º 2400247/2010 (fls. 296/297), foi dado seguimento ao pedido em análise. A Fazenda Nacional ofereceu, tempestivamente, contrarazões às folhas 300/308. Segundo seu entendimento, para que se possa cogitar de lançamento por homologação a ensejar a aplicação do art. 150, §4º do CTN, o contribuinte deve ter procedido à antecipação do pagamento do tributo. Não ocorrendo a antecipação, nada há a homologar, havendo, na verdade, lançamento de ofício, o que acarreta a aplicação do art. 173, I do CTN. Cita jurisprudência do STJ segundo a qual, em não havendo recolhimento de exação e montante a homologar, ou havendo dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para o lançamento dos tributos sujeitos a lançamento por homologação segue, respectivamente, a disciplina normativa do art. 173, I do CTN. Ao final, requer seja negado provimento ao recurso. Eis o breve relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. No que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação temos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à Fl. 4DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 35950.001016/200760 Acórdão n.º 920201.547 CSRFT2 Fl. 3 5 ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). Em suma, inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). No caso dos autos, verificase que o lançamento referese a contribuições incidentes sobre pagamentos realizados por intermédio de cartão de premiação. Para fins de averiguação da antecipação de pagamento, as contribuições previdenciárias a cargo da empresa incidentes sobre a remuneração dos segurados do Regime Geral da Previdência Social RGPS devem ser apreciadas como um todo. Segregando se, entretanto, a contribuição a cargo do próprio segurado e as contribuições para terceiros. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 6 Os documentos constantes nos autos impossibilitam concluir acerca da ausência de antecipação de pagamento de contribuições previdenciárias por parte do sujeito passivo. A regra do art. 150, § 4º, do CTN tratase de regra específica a ser aplicada a tributo sujeito ao lançamento por homologação, que prefere à regra geral prevista no art. 173, I do CTN. Ou seja, para que se aplique a regra do art. 173, I do CTN, em detrimento a regra do art. 150, § 4º, deve os fisco comprovar a ocorrência de uma das seguintes situações: (i) ocorrência de dolo, fraude ou simulação; ou (ii) que não houve antecipação do pagamento. O que não ocorreu no presente caso. Assim, na data em que o sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 19/12/2006, as contribuições apuradas no presente lançamento, com fatos geradores ocorrido até a competência 11/2001 encontravamse fulminados pela decadência. Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial do contribuinte, para declarar a decadência da totalidade das contribuições apuradas no presente lançamento. Elias Sampaio Freire (Assinado digitalmente) Fl. 6DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
score : 1.0
Numero do processo: 10380.002650/2004-58
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário:1996
PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS
FISCAIS (PERC). REGULARIDADE FISCAL.
Com vistas ao gozo do benefício fiscal, a condição de comprovação da quitação de tributos considera-se implementada com a apresentação das respectivas certidões negativas ou positivas com efeito de negativas durante o andamento do processo administrativo fiscal correspondente.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1801-000.761
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: EDGAR SILVA VIDAL
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Recorrida FAZENA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1996 PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS (PERC). REGULARIDADE FISCAL. Com vistas ao gozo do benefício fiscal, a condição de comprovação da quitação de tributos considerase implementada com a apresentação das respectivas certidões negativas ou positivas com efeito de negativas durante o andamento do processo administrativo fiscal correspondente. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente Substituta (Documento assinado digitalmente) Edgar Silva Vidal Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Magda Azario Kanaan Polancyk, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Carmen Ferreira Saraiva 2 Relatório Na DIPJ de 1997, anocalendário de 1996, a empresa optou por aplicar no FINOR a importância de R$ 104.111,44. Em 01/09/1998 a Secretaria da Receita Federal emitiu o EXTRATO DAS APLICAÇÕES EM INCENTIVOS FISCAIS IRPJ/97 – ANO CALENDÁRIO/96 com valor zerado nas aplicações daquele Fundo, com a seguinte ocorrência: “Contribuinte com Débito de Tributos e Contribuições Federais” (Lei 9.069/95, artigo 60). Em 19 de agosto de 1999, a Recorrente protocolou o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais – PERC. Em 04 de agosto de 2004, a DRF em Fortaleza – CE, em Despacho Decisório (fls. 51 a 53), indeferiu o PERC, sob a alegação de que, naquela data a empresa possuía pendências fiscais junto à SRF referentes a débitos de tributos e contribuições federais, conforme relatório de fls. 45 a 49. A decisão teve por base o artigo 614 do RIR/99: Art. 614. ... Parágrafo único. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, fica condicionada à comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais (Lei n° 9.069, de 1995, art. 60). Em 27/09/2004, a Recorrente apresentou apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 54/58), alegando: I – as informações obtidas pelo fiscal a partir do sistema de consultas da Receita Federal não podem e em nenhuma hipótese devem ser tidas como de forma absoluta para motivar o indeferimento do incentivo fiscal, em razão da inconstância das informações e, em muitas das vezes, as indicações de débitos são frutos da alocação indevida de pagamentos feitos pelo contribuinte; II – é totalmente inviável para o contribuinte de grande porte, manterse com a situação fiscal imaculada durante todo o período de tempo de validade da Certidão Negativa de Débitos; III – a atualização quase diária dos supostos débitos e a necessidade constante de liquidar as exigências da SRF; IV – o único documento capaz de satisfazer tal exigência é a Certidão Negativa de Débitos, documento que basta para comprovar perante todos os órgãos a situação de regularidade fiscal durante o período em que estiver válida e que, no seu caso, na época do despacho decisório exarado em 03/08/2004, estava em processo de renovação o que demanda um certo tempo. Por este motivo, não há como conceber o indeferimento do PERC, sem que a impugnante possa anexar a CND respectiva; Processo nº 10380.002650/200458 Acórdão n.º 1801000.761 S1TE01 Fl. 105 3 Pede a nulidade e conseqüente improcedência do despacho decisório, procedendose a ordem de emissão dos incentivos fiscais. Em sessão de 27 de fevereiro de 2007, a 3ª Turma da DRJ em Fortaleza, com o Acórdão 0810.220, indeferiu a Solicitação, sob o argumento de que a contribuinte não comprovou que, na data do exercício da opção pelo benefício fiscal, em 30/04/1997, data da entrega da DIPJ/97, estava em dia com a Fazenda Pública Federal, pois não trouxe aos autos as certidões negativas SRF e da PGFN. Intimada do Acórdão 15/03/2007, interpôs Recurso Voluntário em 16/04/2007, onde repete as alegações da impugnação e pede provimento do Recurso Voluntário. É o relatório. 4 Voto Conselheiro Edgar Silva Vidal – Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e dele conheço. A questão central deste processo é a definição data em que o contribuinte deve provar sua regularidade fiscal. Súmula CARF nº 37 Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Quando da apresentação do PERC, em 19 de agosto de 1999, a Recorrente apresentou o Certificado de Regularidade de Situação – CRS do FGTS, válido até 22/09/99 (fls. 08/), Certidão Positiva de Débito, com exigibilidade Suspensa, expedida pelo INSS (fls. 09) em 07 de abril de 1999, com validade 180 (cento e oitenta) e negativa da PGFN (fls. 10) quanto à Dívida Ativa da União expedida em 17 de maio de 1999, com validade 6 (seis) meses, mas não apresentou Certidão Negativa expedida pela SRF. Quando da apresentação da impugnação, em 27/09/2004, ela apresentou apenas Certidão Positiva de Débitos de Tributos e Contribuições Federais, com Efeitos de Negativa, válida até 02/06/2004 . Da análise do processo, entendo que a Recorrente cumpriu as exigências legais de acordo com o enunciado da Súmula CARF nº 37. Diante do exposto, voto para dar provimento ao Recurso Voluntário .(Documento assinado digitalmente) Edgar Silva Vidal Relator
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