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Numero do processo: 10675.907926/2009-95
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/04/2003
PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL.
As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543-B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-002.989
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Maria Teresa Martínez López (Relatora), que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa.
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente Substituto
Maria Teresa Martínez López - Relatora
Ricardo Paulo Rosa - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: Relator
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BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Maria Teresa Martínez López (Relatora), que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente Substituto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 79 26 /2 00 9- 95 Fl. 270DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907926/200995 Acórdão n.º 9303002.989 CSRFT3 Fl. 271 2 Maria Teresa Martínez López Relatora Ricardo Paulo Rosa Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de pedido de restituição de PIS ancorada em ação judicial proposta pela contribuinte, transitada em julgado, na qual lhe foi reconhecida a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Consta do relatório da decisão recorrida o que a seguir reproduzo: Tratase de Recurso Voluntário em face da nãohomologação parcial de compensação realizada com créditos de PIS decorrentes da decisão judicial transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança nº 2000.38.03.0007782, de autoria da Recorrente, que objetivou a declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/98 (ampliação da base de cálculo do tributo). O despacho decisório exarado pela Delegacia da Receita Federal em Uberlândia – MG que vedou parcialmente o direito ao crédito de PIS da Recorrente, baseouse em manifestação da Equipe de Ações Judiciais – EQAJ daquela DRF, exarada em processo fiscal de acompanhamento do Mandado de Segurança acima aludido (Informação Fiscal n°. 0098/2010/DRF/UBE/EGAJ PAJ 10675.000306/0097), que ao analisar o alcance da decisão judicial em questão, acabou por entender que o Recorrente se utilizou de base de cálculo menor do que a devida, pois considerou que as receitas que deverão compor a base de cálculo do PIS das instituições financeiras tais como a Recorrente serão todas aquelas relativas às atividades típicas realizadas por este gênero empresarial, quais sejam, as oriundas das “operações bancárias” em geral, o que culminou na apresentação de Manifestação de Inconformidade pelo Contribuinte. A Manifestação de Inconformidade restou indeferida através do Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora MG, que corroborou o Fl. 271DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907926/200995 Acórdão n.º 9303002.989 CSRFT3 Fl. 272 3 entendimento esposado pela DRF de origem, conforme ementa abaixo transcrita, in verbis: “PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A base de cálculo do PIS/Pasep para as instituições financeiras e assemelhadas é o faturamento, entendido como a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” A fundamentação apontada pelo acórdão da DRF que sustentou a decisão pode ser extraída dos seguintes trechos: Ao pretender ser tributada apenas em relação aos serviços prestados no seu sentido estrito, intenta a manifestante excluir da incidência da contribuição as receitas provenientes daquelas que constituem justamente as atividades principais do seu objeto, ou seja, as receitas obtidas no exercício das suas atividades empresariais , que são as mais expressivas em termos de riquezas geradas. (…) Ora, as chamadas operações bancárias (“spreads”, prêmios, deságios, juros oriundos da intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, empréstimos, financiamentos, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, arrendamento mercantil, etc.), se constituem na essência do exercício das atividades empresariais das instituições financeiras. Já os chamados serviços bancários (tarifas de manutenção de conta, de abertura de crédito, de custódia, de administração, etc...), são atividades secundárias e acessórias, executadas unicamente para que a instituição possa desempenhar adequadamente a sua atividade principal. Portanto, correta a autoridade administrativa ao incluir no faturamento da manifestante as receitas relativas a empréstimos, financiamentos, etc…, que são oriundas do exercício das atividades empresariais, como definido na decisão exarada no Recurso Extraordinário 401.3487Minas Gerais. Inconformada, a Contribuinte interpõe o presente Recurso Voluntário, através do qual sustenta possuir direito ao crédito de PIS inicialmente indeferido, porquanto está devidamente amparada por decisão transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança n° 2000.38.03.0007782, o qual, por sua vez, está em consonância com a decisão do Órgão Plenário do Supremo Tribunal Federal que extirpou do ordenamento jurídico o artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, ao consignar que a base de cálculo do PIS está atrelada ao conceito estrito de receita bruta de venda de mercadorias e da prestação de serviços. Em suma, alega a Recorrente em suas razões recursais que a receita de prestação de serviços que configura o “faturamento” das Fl. 272DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907926/200995 Acórdão n.º 9303002.989 CSRFT3 Fl. 273 4 instituições financeiras engloba todos os tipos de taxas, tarifas e comissões cobradas pelas instituições para prestar serviços bancários. Por sua vez, a movimentação financeira decorrente de operações bancárias, e não de serviços bancários, está fora do conceito de “faturamento” determinado pelo Supremo Tribunal Federal. À final, requer seja dado provimento ao recurso. Contra a decisão da DRJ de origem, que negou provimento ao recurso, a contribuinte interpôs recurso voluntário, que por sua vez foi julgado improcedente pela Câmara a quo. A recorrente interpôs recurso especial e sustentou que a decisão recorrida interpretou equivocadamente a decisão prolatada pelo eg. Supremo Tribunal Federal no RE 401.348/MG, devendo ser reformada para que a base de cálculo do PIS limitese à receita bruta das vendas de mercadoria e da prestação de serviços, sem a inclusão da receita financeira decorrente das operações bancárias. Alega contrariedade à coisa julgada, eis que possue decisão transitada em julgado que não só declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, mas também reconheceu o significado de faturamento a ser utilizado para a incidência do PIS “ é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza”. O i. Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF deu seguimento ao recurso especial por considerar que restou comprovada a divergência jurisprudencial. Na sessão de novembro de 2013, em suposta obediência ao que dispunha o Regimento do CARF, art. 62A (sobrestamento do julgamento) o processo foi suspenso por meio de Resolução, “ até que sobrevenha decisão definitiva do STF no RE nº 609.096 (Tema 372).” Em face da revogação dos §§ 1º e 2º do art. 62A do RICARF, o processo retorna em pauta para seguimento do julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Maria Teresa Martínez López, Relatora O recurso atende aos requisitos legais e dele tomo conhecimento. Conforme relatado a recorrente possui decisão judicial transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança nº 2000.38.03.0007782, que objetivou a declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/98 (ampliação da base de cálculo do tributo). Fl. 273DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907926/200995 Acórdão n.º 9303002.989 CSRFT3 Fl. 274 5 Cabe, no entender desta Conselheira, analisar os efeitos da decisão do STF transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança nº 2000.38.03.0007782. I Entende a recorrente que a decisão que transitou em julgado não só declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, mas também reconheceu o significado de faturamento a ser utilizado para a incidência do PIS “ é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza”. II Entende a fiscalização que, ao analisar o alcance da decisão judicial em questão, acabou por entender que a recorrente se utilizou de base de cálculo menor do que a devida, pois considerou que as receitas que deverão compor a base de cálculo do PIS das instituições financeiras serão todas aquelas relativas às atividades típicas realizadas por este gênero empresarial, quais sejam, as oriundas das “operações bancárias”. 1 A contribuinte tem decisão que transitou em julgado que não só declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, mas também reconheceu o significado de faturamento a ser utilizado para a incidência do PIS como sendo o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza”. Nem se afirme que dúvidas poderiam existir, para aqueles que ainda não possuem uma decisão do Judiciário, eis que a matéria, envolvendo base de cálculo para as instituições financeiras, ainda (até junho/14) não foi julgada pelo STF. Isto porque, no meu sentir, o conceito fixado pelo Pleno, não pode ser alterado até que uma nova decisão do Pleno venha a alterar o conceito. Explico. Fazse necessária breve explanação histórica da jurisprudência da Corte no que toca ao tema em referência. Em 2005, no julgamento dos recursos extraordinários 346.084 (DJ 01/09/2006 – Rel p/ acórdão Min. Marco Aurélio), 357.950, 358.273 e 390.840 (todos DJ 15.08.06 – Rel. Min. Marco Aurélio), houve amplo debate no Plenário do STF acerca do conceito constitucional de faturamento, para fins de verificação da constitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei 9.718/1998, à luz do artigo 195, inciso I, da Constituição Federal de 1988, no período anterior à Emenda Constitucional 20/1998. Ficou definido que faturamento corresponde à receita das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços, nos termos da seguinte ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PIS – RECEITA BRUTA – NOÇÃO – INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº. 20, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº. 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para 1 em razão deste entendimento, optei no passado pela escolha da via do sobrestamento do julgamento ao caso de outra financeira, pelo STF. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907926/200995 Acórdão n.º 9303002.989 CSRFT3 Fl. 275 6 envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. 2 Na ocasião, o Exmo. Sr. Ministro Cezar Peluso, parcialmente vencido no julgamento, reconheceu que a jurisprudência do STF, exposta na ADC 1 (Rel. Min. Moreira Alves, DJ 16.06.95), fixou esse mesmo conceito de faturamento. Ao final de seu voto, porém, entendeu que faturamento deveria ser entendido não só como “receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços”, mas também como a “somas das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”.3 É importante ressaltar que, todavia, esse significado externado pelo referido Ministro não prevaleceu, porque o Plenário entendeu que extrapolava o objeto do recurso. O Exmo. Sr. Ministro Marco Aurélio, redator do acórdão, expressamente consignou que, se houvesse dúvida quanto ao conceito de faturamento para instituições financeiras, seguradoras, ou para outras hipóteses de receitas, a questão deveria ser analisada em recurso próprio: O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO: Sr. Presidente, gostaria de enfatizar meu ponto de vista, para que não fique nenhuma dúvida ao propósito. Quando me referi ao conceito construído sobretudo no RE 170.755/PE, sob a expressão “receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviço”, quis significar que tal conceito está ligado à idéia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas. Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de “receita bruta igual a faturamento”. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR): Mas, ministro, seria interessante, em primeiro lugar, esperar a chegada de um conflito de interesses, envolvendo uma dúvida quanto ao conceito que, por ora, não passa por nossa cabeça. No caso em discussão, a bem da verdade, sob a análise desse mesmo Ministro CEZAR PELUSO, o que se percebe é que a matéria não foi enfrentada. Por outro lado, não houve recurso da Procuradoria Geral da Fazenda. É importante também observar que somente com a alteração ocorrida a partir de 2014, pela edição da Medida Provisória nº 627/2013, art. 49 4 transformada na Lei nº 12.973, de 2014, que alterou a legislação federal – as instituições financeiras terão que recolher PIS e Cofins sobre uma base maior, ou seja, o faturamento incluindo o spread. Se foi preciso alteração da norma é porque antes não era devido a inclusão de receitas sobre o conceito mais largo de Receita. 2 RE 346.084, DJ 01/09/2006, Red. p/ acórdão Min. Marco Aurélio, Ementa, p. 1. 3 RE 346.084, DJ 01/09/2006, Red. p/ acórdão Min. Marco Aurélio, Voto Ministro Cezar Peluso, p. 84. 4 altera o art. 12 do DL nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907926/200995 Acórdão n.º 9303002.989 CSRFT3 Fl. 276 7 Nesse sentido consta da exposição de motivos da MP 627, de 2013 o que a seguir transcrevo: Sublinhamos, ainda, a inovação proporcionada pela alteração do art. 12 do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, no que se refere a ampliação da base de cálculo do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS ao se tributar, a partir deste momento, as receitas da atividade principal da pessoa jurídica. Assim, além do produto da venda de bens, de serviços e o resultado auferido nas operações de conta alheia, passase a tributar, como fato gerador novo, inaugural no mundo jurídico tributário, as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica. Merece destaque a lição do i. Prof. Humberto Theodoro Júnior (2002), em seu livro Curso de Direito Processual Civil (38. ed., Ed. Forense, v. 1, p. 485), trazida pelo patrono do recorrente: "A coisa julgada material abrange o deduzido e o deduzível. Por isso, não se podem levantar, a respeito da mesma pretensão, "questões arguidas ou que o podiam ser , se com isso se consiga diminuir ou atingir o julgado imutável e, consequentemente, a tutela jurisdicional nele contida. Com todo o respeito, olvidou a Fiscalização que a Procuradoria da Fazenda Nacional poderia e devia ter embargado a decisão do STF se entendesse que interpretação a ser dada era limitada. Se não o fez á época, o acórdão transitou em julgado sem limitações ao pedido efetuado pela recorrente. Inclusive, durante o curso do processo, a Procuradoria da Fazenda Nacional em nenhum momento suscitou a diferenciação do conceito de faturamento para cada setor da atividade econômica. A despeito da unilateralidade no estabelecimento desse conceito alargado, pois decorrente exclusivamente do “ponto de vista” de um dos julgadores “Ministro César Peluzo”, decisões monocráticas de outros Ministros, 5 algumas já confirmadas pelas respectivas Turmas, utilizaram dessa definição, sempre citando o precedente do atual Presidente do STF, como se fosse aquela estabelecida pelo Plenário da Suprema Corte. Outrossim, no julgamento da Questão de Ordem no RE 585.235 (Repercussão Geral DJ 28.11.08 – Rel. Min. Cezar Peluso), que vislumbrou apenas reafirmar a jurisprudência do STF sobre a inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei 9.718/1998, também foi indevidamente inserida a locução “soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais” no conceito de faturamento. 6 5 várias decisões monocráticas podem ser colhidas para a expressão “soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”. Vg.: RE 631873, Dj 11.02.11, Rel. Min. Celso de Mello; RE 612340, DJ 14.02.11, Rel. Min. Carmen Lucia; AI 716675 AgR, DJ 03.12.10, Rel. Min. Ellen Gracie; AI 592080, DJ 30.11.10, Rel. Min. Joaquim Barbosa; AI 799.767, DJ 25.05.10, Rel. Min. Ricardo Lewandowski; AI 799578, DJ 19.05.10, Rel. Min. Carlos Britto. decisões monocráticas para a expressão “soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”. Vg.: RE 631873, Dj 11.02.11, Rel. Min. Celso de Mello; RE 612340, DJ 14.02.11, Rel. Min. Carmen Lucia; AI 716675 AgR, DJ 03.12.10, Rel. Min. Ellen Gracie; AI 592080, DJ 30.11.10, Rel. Min. Joaquim Barbosa; AI 799.767, DJ 25.05.10, Rel. Min. Ricardo Lewandowski; AI 799578, DJ 19.05.10, Rel. Min. Carlos Britto. 6 O alvo da questão de ordem era legítimo: evitar a subida de recursos extraordinários sobre a controvérsia, já devidamente pacificada pelo Plenário do STF. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907926/200995 Acórdão n.º 9303002.989 CSRFT3 Fl. 277 8 O objetivo, todavia, não era reabrir o debate acerca do conceito de faturamento, o que sequer seria possível, pois (i) o representativo da controvérsia pretendeu apenas reafirmar a jurisprudência, de modo que não poderia, consequentemente, modificála; e (ii) porque a questão relativa ao conceito de faturamento já estava afetada ao Plenário para apreciação no RE 400.479, que discute o conceito à luz das receitas das instituições financeiras e seguradoras, matéria cuja repercussão geral foi reconhecida, posteriormente, no RE 609.096 (ambos os recursos pendentes de julgamento). Realmente, não teria sentido o STF apreciar os limites do conceito de faturamento e, posteriormente, fazêlo novamente nos RE’s 400.479 e 609.096. No caso em análise, ao analisar a decisão transitada em julgado em favor da recorrente, o respeitável Ministro não ressaltou a locução “soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais” no conceito de faturamento. É importante reiterar essa observação. Até porque, seria uma decisão em contradição à solução dada pelo Plenário nos leading cases do STF sobre a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9718/98. Assim sendo a decisão que transitou em julgado não só declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, mas também reconheceu o significado de faturamento a ser utilizado para a incidência do PIS “ é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza”. Por último, o voto do Ministro Peluso cita expressamente os Recursos Extraordinários nº 346.084PR, nº 357.950RS, nº 358.273RS e nº 390.840MG, informando que a decisão se deu conforme o seu teor, da maneira que se pode ver por meio da abreviatura “cf”. Conforme já visto anteriormente esses Recursos firmaram o entendimento que era inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvidas e da classificação contábil adotada, devendose tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. Assim, referendou o Ministro o entendimento do próprio STF de que o faturamento se cinge à receita decorrente da venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços, independentemente de sua posição pessoal, mesmo porque, julgando nos termos do artigo 557 do Código de Processo Civil não poderia têlo feito, se em sentido distinto da jurisprudência dominante do STF. Penso, com todo o respeito àqueles que de mim divergem, que uma vez reconhecido a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, seja a empresa financeira, comercial ou industrial, a revogação da norma se aplica indistintamente para todos os seguimentos. É estranho se pensar que a depender da atividade econômica possa se ter um conceito de receita/faturamento diferente. A base de cálculo deve estar limitada à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação se serviços, sem a inclusão da receita financeira decorrente das operações bancárias. Considerando isso, quer pela óptica constitucional, quer pela óptica doutrinária ou ainda, pela interpretação primária do próprio voto, tenho que não há como se tomar as intermediações financeiras sujeitas à incidência da contribuição Fl. 277DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907926/200995 Acórdão n.º 9303002.989 CSRFT3 Fl. 278 9 O fato do STF ter reconhecido a repercussão geral da matéria atinente à base de cálculo do PIS para instituições financeiras (vide RE nº 609.096/RS) reforça o posicionamento de que as coisas julgadas em outros processos decorrentes da aplicação do anterior julgamento da matéria pelo Pleno do STF, como ocorreu no presente caso, têm conteúdo jurídico delimitado, com a definição do conceito estrito de faturamento, vinculado à venda de mercadorias e/ou prestação de serviços. Reitero. Caso seja alterado o posicionamento do STF, haverá a produção dos efeitos somente para os processos ainda em andamento, não podendo atingir o conteúdo jurídico em ofensa à coisa julgada e à vedação à sua relativização (Súmula 487 do STJ) – às decisões definitivamente proferidas, como é o caso em análise. 7 No caso concreto da recorrente, vejase não ter ocorrido diferenciação do conceito de faturamento por setor econômico. Caso houvesse, o pedido não poderia ter sido julgado totalmente procedente. O resultado seria o de reconhecer a inconstitucionalidade da lei em parte? Ou, seria, constitucional apenas para as instituições financeiras? Seria um contra senso, admitir que a contribuinte foi ganhador na ação judicial, mas perante a Receita, não. Julgarseia procedente um pedido que contrariaria o que foi pedido na exordial. Ademais, se assim o fizesse, o Ministro Cezar Peluso, relator do acórdão, não poderia fazer monocraticamente e muito menos com base no art. 557, § 1°A. Deveria, então, levar o processo novamente para julgamento pelo Pleno, pois poderia haver uma alteração do entendimento já consolidado nos leading cases mencionados. Ao prever os efeitos preclusivos da coisa julgada, o art. 474 do CPC, determina que passada em julgado a sentença de mérito, reputarseão deduzidas e repelidas todas as alegações e defesas, que a parte poderia opor assim ao acolhimento como à rejeição do pedido. Para Rodolfo Mancuso, a técnica da eficácia preclusiva acolhida por este dispositivo legal opera como uma válvula de segurança do sistema, de modo a imunizar as questões deduzidas e deduzíveis, mas desde que atinentes ao núcleo do tema decidido, isto é, ao preciso objeto litigioso. 8 Barbosa Moreira entende que há uma relação de instrumentalidade entre os limites objetivos da coisa julgada e a sua eficácia preclusiva, pois enquanto os limites objetivos geram a imutabilidade do julgado, no que tange à parte dispositiva, a eficácia preclusiva consiste no impedimento que surge à discussão e apreciação de questões suscetíveis de influir neste julgado, cobrindo o deduzido e dedutível. Assim, pode suceder que, de fato, não tenham sido exaustivamente consideradas, no processo, as questões que poderiam influir na decisão, sendo vedado que depois de findo o processo se viesse a pôr em dúvida o resultado atingido, acenandose com tal ou qual questão que haja ficado na sombra e que, porventura trazida à luz, teria sido capaz de levar o órgão judicial à conclusão diferente da corporificada na sentença (ressalvados os casos restritos de rescindibilidade do julgado). 9 Na lição de Fredie Didier 10 transitada em julgado a decisão definitiva da causa, todas as alegações e defesas que poderiam ter sido formuladas para o acolhimento ou 7 nesse sentido, vide Acórdão nº 3403001.945, 8 MANCUSO, Rodolfo de Camargo. Jurisdição Coletiva e Coisa Julgada: teoria geral das ações coletivas. São Paulo: RT, 2006, pp. 29,236. 9 BARBOSA MOREIRA, José Carlos. A eficácia preclusiva da coisa julgada material no sistema do processo civil brasileiro. Temas de Direito Processual. 1ª série, São Paulo: Saraiva, 1977, pp. 98103 10 Fredie Didier, in Curso de Direito Processual Civil . Salvador/BA: Editora Juspodivm, vol. II, 4ª ed., 2009, p. 426. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907926/200995 Acórdão n.º 9303002.989 CSRFT3 Fl. 279 10 rejeição do pedido reputamse arguidas e repelidas; tornamse irrelevantes todos os argumentos e provas que as partes tinham a alegar ou produzir em favor da sua tese. Com a formação da coisa julgada, preclui a possibilidade de rediscussão de todos os argumentos alegações e defesas, na dicção legal que poderiam ter sido suscitados, mas não foram. A coisa julgada torna preclusa a possibilidade de discutir o deduzido e torna irrelevante suscitar o que poderia ter sido deduzido (o dedutível ). CONCLUSÃO Diante do acima exposto, tendo em vista que a recorrente é possuidora de decisão que transitou em julgado que não só declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, mas também reconheceu o significado de faturamento a ser utilizado para a incidência do PIS como sendo o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, VOTO, no sentido de lhe dar provimento, e assim homologar a compensação efetuada. Maria Teresa Martínez López Voto Vencedor Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Redator Designado Embora a clareza e proficiência com que a i. Conselheira Relatora do Processo fundamentou a decisão proposta, ouso divergir de suas conclusões pelas razões que a seguir serão expostas. O litígio decorre de declarações de compensação apresentadas pela Requerente visando a compensação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep apurados de acordo com o entendimento que teve de decisão judicial transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança n° 2000.38.03.000.7782, que tramitou na 1ª Vara Federal de Uberlândia/MG. Informa a Recorrente que o Mandado de Segurança foi impetrado “em 16 de fevereiro de 2000, com pedido para que fosse concedida a segurança, declarandose a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 e reconhecendo o direito de recolher a contribuição ao PIS, a partir de 1°/01/2001, à alíquota de 0,65% sobre seu efetivo faturamento que engloba a receita decorrente da prestação de serviços a seus clientes”. Adiante conclui, No entanto, o Recurso Extraordinário foi não só conhecido como foi integralmente provido o pedido do Requerente, pelo STF: A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim, a noção de Fl. 279DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907926/200995 Acórdão n.º 9303002.989 CSRFT3 Fl. 280 11 faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE n. 346.084PR, Rei. orig. Min. Ilmar Galvão; RE n. 357.950RS, RE n. 358.273RS e RE n. 390.840MG, Rel. Min. Marco Aurélio, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF n. 408, p. 1). Diante do exposto, e com fundamento no art. 557, § 1°A do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados Embora o caso em tela envolva provimento jurisdicional específico, a solução da lide, segundo me parece, guarda estreita relação com o entendimento que se tem acerca do evento marcado pela declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e dos efeitos que lhe são próprios e alcançam os contribuintes de modo geral. Necessário introduzir o assunto. A controvérsia teve início na promoção do alargamento do conceito de faturamento para efeito de cálculo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, introduzido pela Lei 9.718/98, que incluiu na base de cálculo toda e qualquer receita, independentemente de sua classificação contábil11. A inconformidade dos contribuintes alcançados pela medida levou o assunto ao Poder Judiciário, onde a matéria terminou por ser decidida pelo Supremo Tribunal Federal, em Regime de Repercussão Geral, nos seguintes termos. EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Decisão O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco 11 Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907926/200995 Acórdão n.º 9303002.989 CSRFT3 Fl. 281 12 Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. RE 585.235QO, Min. Cezar Peluso O que se discute nos autos, e o assunto não é novo, diz respeito ao preciso efeito da declaração de inconstitucionalidade do parágrafo 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, uma vez que, em nenhum momento, as decisões tomadas no âmbito do Supremo Tribunal Federal estenderam esse juízo à alteração introduzida pelo caput do artigo 3º, assim como por todos os demais critérios de apuração especificados nos parágrafos e artigos subsequentes e na legislação superveniente. Com efeito, é de sabença que a Suprema Corte do Pais, na pessoa do Exmo. Sr. Ministro Cezar Peluso, fez expressa menção à constitucionalidade do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, a teor do pronunciamento encontrado, pelo menos, nos Recursos Extraordinários nº. 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840. Embora no caso concreto discutase exclusivamente a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, não será demais que aqui se fale também a respeito dos efeitos da modificação legislativa sobre a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, uma vez que sua base de cálculo se tenha também afetado no curso mesmo empreendimento legislativo que promoveu o alargamento da base de cálculo do PIS e tenha sido, tal como a última, submetida a idêntica conformação aos liames constitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. A Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins tinha base de cálculo definida na Lei Complementar nº 70/91 como sendo o faturamento decorrente das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Já as Contribuições para o PIS e para o PASEP contavam com fontes de financiamento advindas de diversas origens, conforme Leis Complementares 07 e 08 de 197012, dentre elas o faturamento das empresas e demais entidades especificadas nas Leis, onde estavam textualmente incluídas as instituições financeiras13. Ao instituir a nova base tributável por meio da Lei 9.718/98, o legislador ordinário, embora tenha mantido o faturamento como definição elementar do fenômeno econômicocontábil gravado pela tributação, especificouo, conforme dito antes, como sendo toda a receita bruta auferida pela pessoa jurídica, irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada, conceito que conflitou com o disposto no inciso I 12 A constituição da República Federativa do Brasil de 1988, no Ato das Disposições Constitucionais Transitórias art. 72, inciso V, destinou uma parcela da Contribuição para o PIS devida pelas instituições financeiras ao Fundo Social de Emergência, fixando alíquotas e definindo a base de cálculo como sendo a receita bruta operacional. A Lei 9.701/98 autorizou determinadas exclusões ou deduções dessa base. 13 § 2.º As instituições financeiras, sociedades seguradoras e outras empresas que não realizam operações de vendas de mercadorias participarão do Programa de Integração Social com uma contribuição ao Fundo de Participação de, recursos próprios de valor idêntico do que for apurado na forma do parágrafo anterior. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907926/200995 Acórdão n.º 9303002.989 CSRFT3 Fl. 282 13 do artigo 195 da Constituição Federal que, antes da Emenda Constitucional nº 20, de 20 de dezembro de 1998, previa o financiamento da seguridade social com base no valor arrecadado pelas contribuições sociais incidentes sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro14, sem nenhuma menção à receita. É precisamente neste ponto que se encontra a origem de toda a discussão em torno da inconstitucionalidade do conceito insculpido no parágrafo 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, transbordando as delimitações contidas no texto constitucional na data da entrada em vigor da legislação novel. Ainda que, para efeitos tributários, já houvesse uma tendência ao reconhecimento de certa equivalência entre o conceito de faturamento e receita (observese que, muito antes de se falar na EM 20/98, a própria LC 70/91 já especificava a base de cálculo como sendo a receita), a expansão promovida pelo parágrafo primeiro foi para muito além daquilo que estava e ainda está sedimentado na doutrina e na jurisprudência como sendo o possível conceito de faturamento empresarial para fins de incidência tributária. De fundamental importância, neste cenário, observar e compreender com precisão o verdadeiro problema identificado pelos Ministros do Supremo Tribunal Federal ao acolhimento da nova definição de faturamento introduzida pela Lei 9.718/98. Nos precitados Recursos Extraordinários, tornaramse de amplo conhecimento as considerações feitas sobre o assunto pelo Ministro Cesar Peluso, estabelecendo os limites da definição possível para o conceito veiculado no (constitucional) caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, conforme segue (todos os grifos acrescentados). Por todo o exposto, julgo inconstitucional o parágrafo 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, parágrafo 4º, se considerado para esse efeito de nova fonte de custeio da seguridade social. Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe dar interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. 14 O texto antes e depois da EM 20/98. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro; II dos trabalhadores; Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, o Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; b) a receita ou o faturamento; c) o lucro; Fl. 282DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907926/200995 Acórdão n.º 9303002.989 CSRFT3 Fl. 283 14 (...) Sr. Presidente, gostaria de enfatizar meu ponto de vista, para que não fique nenhuma dúvida ao propósito. Quando me referi ao conceito construído sobretudo no RE 150.755, sob a expressão “receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviço”, quis significar que tal conceito está ligado à idéia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas. Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de “receita bruta igual a faturamento.” (...) 6. (...) Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao ato de emitir faturas, coisa que, como alternativa semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação. – grifamos. (...) Uma vez que o Ministro Cezar Peluso tenha sido parcialmente vencido na decisão da causa, se tem criticado o uso de suas manifestações (e as de outros Ministros que também foram total ou parcialmente vencidos) na fundamentação de decisões envolvendo os efeitos da declaração de inconstitucionalidade do parágrafo primeiro do artigo 3º da Lei 9.718/98. Quanto a isso, de grande relevo que se situe com clareza a matéria que estava então sub judice na Suprema Corte, as considerações que lhes emprestaram não apenas o Ministro Cesar Peluso mas todos os demais integrantes do Tribunal e em que assunto e aspectos, especificamente, uns e outros se viram vencedores ou vencidos. Analisase um dos precedentes apontados no Recurso Extraordinário nº 585.235 que concedeu Regime de Repercussão Geral à questão: RE 346.0846/PR, da Relatoria do Ministro Ilmar Galvão, Relator para acórdão Ministro Marco Aurélio. O Relatório do Ministro Ilmar Galvão delimita com rapidez e precisão os liames da lide. RELATÓRIO O SENHOR MINISTRO ILMAR GALVÃO (Relator) : Recurso que, pela letra a do permissivo constitucional, foi interposto contra acórdão que concluiu pela legitimidade da ampliação da base de cálculo da COFINS até então restrita às “vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza” conforme definido pela Lei Complementar n.° 70/91 (art. 2.°), para nela fazer compreender “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”, efetuada por meio de lei ordinária (Lei n.° 9.718/98, art. 3.°, § 1.°), alteração que teve por vigente a partir de 1.° de fevereiro de 1999, como estabelecido no art. 17, I, do referido diploma normativo. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907926/200995 Acórdão n.º 9303002.989 CSRFT3 Fl. 284 15 Sustenta a recorrente que, ao assim decidir, o acórdão ofendeu o inciso I e o § 4.° do art. 195 e, por conseqüência, o inciso I do art. 154, ambos da CF. Sustenta, ainda, haver a decisão recorrida contrariado, por igual, o § 6.° do mencionado art. 195, por haver considerado que a alteração passou a produzir efeito a partir da edição da primeira medida provisória e não da EC 20, de 15 de dezembro de 1998 , que, a seu ver, não poderia constitucionalizar norma editada com ofensa à Constituição. Regularmente processado, foi o recurso admitido na origem, havendo a douta ProcuradoriaGeral da República, em parecer do Dr. Roberto Monteiro Gurgel Santos, opinado pelo nãoconhecimento. É o relatório. Se bem posso traduzir em poucas palavras o relatório acima transcrito, diria tratarse de um litígio que se travou em torno da constitucionalidade do alargamento da base de cálculo, (i) à luz do conceito de faturamento vigente à época da formulação da exigência fiscal e (ii) da possibilidade de que se reconhecesse a constitucionalidade superveniente da Lei 9.718/98 em face da modificação introduzida pela Emenda Constitucional nº 20. A ementa do decisum confirma a circunscrição da lide nos termos em que está acima definida. CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 32, § l2, DA LEI Na 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Ne 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § Ia DO ARTIGO 3 a DA LEI Na 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional na 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § lº do artigo 3º da Lei na 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Uma vez especificado o que havia por decidir no âmbito do Recurso Extraordinário nº 346.0846, relevante que se observe o conteúdo das decisões parciais proferidas após o Voto de cada um dos Ministros que participaram do processo de formação do Ato Decisório, até o último Extrato de Ata emitido pela Secretaria, em 09 de novembro de 2005. PLENÁRIO EXTRATO DE ATA Fl. 284DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907926/200995 Acórdão n.º 9303002.989 CSRFT3 Fl. 285 16 RECURSO EXTRAORDINÁRIO 346.0846 PROCED.: PARANÁ RELATOR ORIGINÁRIO: MIN. ILMAR GALVÃO RELATOR PARA O ACÓRDÃO: MIN. MARCO AURÉLIO RECTE.: DIVESA DISTRIBUIDORA CURITIBANA DE VEÍCULOS S/A ADVDOS.: MARCELO MARQUES MUNHOZ E OUTROS ADV.(A/S): RODRIGO LEPORACE FARRET E OUTROS RECDA.: UNIÃO ADV.: PFN RICARDO PY GOMES DA SILVEIRA Decisão: Após o voto do Senhor Ministro Ilmar Galvão, Relator, conhecendo e provendo parcialmente o extraordinário, para fixar, como termo inicial dos 90 (noventa) dias, 1º de fevereiro de 1999, pediu vista o Senhor Ministro Gilmar Mendes. Falaram, pela recorrente., o Dr. Helenilson Cunha Pontes, e, pela recorrida, o Dr. Francisco Targino da Rocha Meto, Procurador da Fazenda Nacional. Presidência do Senhor Ministro Marco Aurélio. Plenário, 12.12.2002. Decisão: Após o voto do Senhor Ministro Ilmar Galvão, Relator, conhecendo e provendo parcialmente o extraordinário, para fixar, como termo inicial dos 90 (noventa) dias, 1º de fevereiro de 1999, e dos votos dos Senhores Ministros Gilmar Mendes e Presidente, Ministro Maurício Corrêa, que conheciam do recurso, mas negavamlhe provimento, pediu vista dos autos o Senhor Ministro Cezar Peluso. Não participou da votação o Senhor Ministro Carlos Britto por suceder ao Senhor Ministro limar Galvão que proferira voto anteriormente. Plenário, 01.04.2004. Decisão: Renovado o pedido de vista do Senhor Ministro Cezar Peluso, justificadamente, nos termos do § 1º do artigo lº da Resolução nu 278, de 15 de dezembro de 2003. Presidência, em exercício, do Senhor Ministro Nelson Jobim, VicePresidente. Plenário, 13.05.2004. Decisão: Após os votos dos Senhores Ministros Cezar Peluso, Marco Aurélio, Carlos Velloso, Celso de Mello e Sepúlveda Pertence, conhecendo e provendo o recurso, nos termos dos seus respectivos votos, pediu vista dos autos o Senhor Ministro Eros Grau. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Nelson Jobim (Presidente). Presidência da Senhora Ministra Ellen Gracie (Vice Presidente). Plenário, 18.05.2005. Decisão: Renovado o pedido de vista do Senhor Ministro Eros Grau, justificadamente, nos termos do § 1º do artigo 1º da Resolução nº 278, de 15 de dezembro de 2003. Presidência do Senhor Ministro Nelson Jobim. Plenário, 15.06.2005. Decisão: O Tribunal, por unanimidade, conheceu do recurso extraordinário e, por maioria, deulhe provimento, em parte, para declarar a inconstitucionalidade do § 1º. do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, vencidos, parcialmente, os Senhores Ministros Ilmar Galvão (Relator), Cezar Peluso e Celso de Mello e, integralmente, os Senhores Ministros Gilmar Mendes, Maurício Corrêa, Joaquim Barbosa, e o Presidente (Ministro Nelson Jobim). Reformulou parcialmente o voto o Senhor Ministro Sepúlveda Pertence. Não participaram da votação os Senhores Ministros Carlos Britto e Eros Grau por serem sucessores dos Senhores Ministros limar Galvão e Maurício Corrêa que proferiram voto. Ausente, justificadamente, a Senhora Ministra Ellen Gracie. Plenário, 09.11.2005;. Presidência do Senhor Ministro Nelson Jobim. Presentes â sessão os Senhores Ministros Sepúlveda Pertence, Celso de Mello, Carlos Velloso, Marco Aurélio, Gilmar Mendes, Cezar Peluso, Carlos Britto, Joaquim Barbosa e Eros Grau. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907926/200995 Acórdão n.º 9303002.989 CSRFT3 Fl. 286 17 ProcuradorGeral da. República, Dr. Antônio Fernando Barros e Silva de Souza. Luiz Tomimatsu Secretário Percebese acima que, o núcleo da discussão até que o Ministro Cezar Peluso pedisse vista dos autos, girava em torno da constitucionalidade superveniente da Lei 9.718/98 em face da modificação introduzida pela Emenda Constitucional nº 20. Essa circunstância está estampada no excerto a seguir reproduzido, extraído do próprio Voto do Ministro Cezar Peluso. Admitido o recurso, o relator, Min. ILMAR GALVÃO, deulhe parcial provimento, para julgar inconstitucional a majoração da base de cálculo da COFINS, na forma do art. 39 da Lei ne 9.718/98, até a edição da EC ns 20/98, que “veio emprestarlhe o embasamento constitucional de que carecia, ao dar nova redação ao art. 195 da Carta de 88, para dispor que a COFINS passaria a incidir sobre ‘b) a receita ou o faturamento’“. O Min. GILMAR MENDES, em votovista, entendeu constitucional a majoração, pelos seguintes fundamentos: (...) Este entendimento foi acompanhado pelo Min. MAURÍCIO CORREA, que, antecipando voto, julgou constitucional a majoração. Nessa fase do julgamento, foi, então, justamente o Ministro Cezar Peluso que, como se lê nas transcrições acima, abriu a divergência na decisão que vinha sendo proposta à lide, para externar seu entendimento e decidir pela inconstitucionalidade do “parágrafo 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para ‘toda e qualquer receita’, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, parágrafo 4º, se considerado para esse efeito de nova fonte de custeio da seguridade social”. Ante tais evidências colhidas dos registros feitos ao longo do julgamento, pareceme impróprio minorar a relevância dos fundamentos do Ministro Cesar Peluso na solução da lide. Foi justamente ele quem primeiro destoou do entendimento, até então prevalente, de que o alargamento promovido pela Lei 9.718/98 havia sido constitucionalizado pela Emenda Constitucional nº 20, determinando novo rumo ao julgamento e à decisão que ao final haveria de ser proposta. Ainda mais, como adiante se pretenderá demonstrar, foi o Ministro Cezar Peluso quem mais fundo foi no estudo da questão posta, tendo sido citado por quase todos os demais Ministros em seus respectivos votos. A redação final do Acórdão não permite saber exatamente em que assunto o Ministro Cezar Peluso ficou vencido, mas, sem margem de dúvida, ele não se refere nem à decisão de considerar inconstitucional apenas o parágrafo primeiro do artigo 3º da Lei 9.718/98, tampouco à dedicada incursão que fez ao significado do vernáculo faturamento15. 15 Interessante observar, inclusive, que o Ministro Carlos Velloso, apontado como vencedor no Acórdão, acompanhou o Ministro Cezar Peluso em usa decisão. "Concluo o meu voto. Com a vénia do eminente Relator, que já não está aqui, acompanho o voto do Ministro César Peluzo. Nos demais recursos extraordinários, com o eminente MinistroRelator, Ministro Marco Aurélio". Fl. 286DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907926/200995 Acórdão n.º 9303002.989 CSRFT3 Fl. 287 18 Com efeito, de grande importância sublinhar que, ao longo de todo o julgamento, não se logra êxito em encontrar no corpo do decisum qualquer dissonância entre os integrantes da Corte Suprema acerca disponibilidade concedida pela Carta Política ao legislador ordinário para fixação do que deva ser considerado faturamento para fins tributários. Outrossim, identificase ao longo de todo o processo decisório uma única menção, de lavra do Ministro Celso de Mello, propondo a inconstitucionalidade do artigo 3º como um todo. O Ministro, contudo, assim como o Ministro Cezar Peluso, foi, ao final, declarado parcialmente vencido. É de grande interesse conhecer, da leitura dos excertos que seguem, como os Ministros se manifestaram a respeito do conceito de faturamento para fins tributários, assunto a respeito do qual, repitase, não há registro de divergência. Ministro Ilmar Galvão. O recorrente considera que tais precedentes não seriam aplicáveis ao caso, haja vista que o STF teria estabelecido sinonímia entre faturamento e receita bruta quando tais expressões designavam receitas oriundas de vendas de bens e/ou serviços. Tal leitura não é correta. A Corte, ao admitir tal equiparação, em verdade assentou a legitimidade constitucional da atuação do legislador ordinário para densificar uma norma constitucional aberta, não estabelecendo a vinculação pretendida pelo recorrente em relação às operações de venda. Ao contrário do que pretende o recorrente, a Corte rejeitou qualquer tentativa de constitucionalizar eventuais préconcepções doutrinárias não incorporadas expressamente no texto constitucional. O STF jamais disse que havia um específico conceito constitucional de faturamento. Ao contrário, reconheceu que ao legislador caberia fixar tal conceito. E também não disse que eventuais conceitos vinculados a operações de venda seriam os únicos possíveis. Não fosse assim, teríamos que admitir que a composição legislativa de 1991 possuía um poder extraordinário. Por meio da Lei Complementar nº 71, teriam aqueles legisladores fixado uma interpretação dotada da mesma hierarquia da norma constitucional, interpretação esta que estaria infensa a qualquer alteração, sob pena de inconstitucionalidade. Na tarefa de concretizar normas constitucionais abertas, a vinculação de determinados conteúdos ao texto constitucional é legítima. Todavia, pretender eternizar um específico conteúdo em detrimento de todos os outros sentidos compatíveis com uma norma aberta constitui, isto sim, uma violação à força normativa da Constituição, haja vista as necessidades de atualização e adaptação da Carta Política à realidade. Tal perspectiva é sobretudo antidemocrática, uma vez que impõe às gerações futuras uma decisão majoritária adotada em uma circunstância específica, que pode não representar a melhor via de concretização do texto constitucional. (...) Fl. 287DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907926/200995 Acórdão n.º 9303002.989 CSRFT3 Fl. 288 19 Ministro Gilmar Mendes Nessa breve história legislativa da COFINS percebese, desde logo, que já sob o regime da Lei Complementar de 1991 a acepção de faturamento adotada pelo legislador não correspondia àquela usualmente adotada nas relações comerciais. Ou seja, já sob o império da Lei Complementar n° 70 se verificara o abandono do conceito tradicional de faturamento, especialmente naquela acepção comercialista que se refere, grosso modo, a operações de venda de mercadorias já concluídas e registradas em fatura. Esse conceito técnicocomercial é invocado expressamente pelos recorrentes. Precedentes do STF A discussão quanto à legitimidade dessa perspectiva adotada pelo legislador, de abandono de eventuais préconcepções da expressão “faturamento”, não é estranha para este Tribunal. No RE 150.755, da relatoria do Ministro Carlos Velloso (redator do acórdão o Min. Sepúlveda Pertence), em que se discutia a constitucionalidade da contribuição do FINSOCIAL, tal como fixada no art. 28 da Lei n° 7.738, de 1989, admitiuse como legítima a assimilação do conceito de receita bruta ao de faturamento. Nesse precedente, registra a parte final da ementa: 8. A contribuição social questionada se insere entre as previstas no art. 195, I, CF e sua instituição, portanto dispensa a lei complementar: no art. 28 da L. 7.738/89, a alusão a “receita bruta”, como base de cálculo do tributo, para conformarse ao art. 195, I, da Constituição, há de ser entendida segundo a definição do Dl. 2.397/87, que é equiparável à noção corrente de “faturamento” das empresas de serviço.” Especificamente sobre a alegação de que o tributo previsto art. 28 da Lei n° 7.738 não se enquadraria na definição constitucional de faturamento, assentou o Ministro Sepúlveda Pertence: “(...) 43. Convencime, porém, de que a substancial distinção pretendida entre receita bruta e faturamento cuja procedência teórica não questiono , não encontra respaldo atual no quadro do direito positivo pertinente à espécie, ao menos, em termos tão inequívocos que induzisse, sem alternativa, à inconstitucionalidade da lei. 44. Baixada para adaptar a legislação do imposto sobre a renda à Lei das Sociedades por Ações, dispusera o Dl. 1.598, 26.12.77: (...) O recorrente considera que tais precedentes não seriam aplicáveis ao caso, haja vista que o STF teria estabelecido sinonímia entre faturamento e receita bruta quando tais expressões designavam receitas oriundas de vendas de bens e/ou serviços. Tal leitura não é correta. A Corte, ao admitir tal equiparação, em verdade assentou a legitimidade constitucional da atuação do legislador ordinário para densificar uma norma constitucional aberta, não estabelecendo a vinculação pretendida pelo recorrente em relação às operações de venda. Ministro Eros Grau Fl. 288DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907926/200995 Acórdão n.º 9303002.989 CSRFT3 Fl. 289 20 “06. No caso, faturamento terá sido tomado como termo de uma das várias noções que existem as noções de faturamento na e com uma de suas significações usuais atualmente. Sabemos de antemão que já não se a toma como atinente ao fato de ‘emitir faturas’. Nós a tomamos, hoje, em regra, como o resultado econômico das operações empresarias do agente econômico, como ‘receita bruta das vendas de mercadorias e mercadorias e serviços, de qualquer natureza’ [art.22 do decretolei n. 2.397/87]. Esse entendimento foi consagrado no RE 150.764, Relator o Ministro ILMAR GALVÃO, e na ADC n. 1, Relator o Ministro MOREIRA ALVES. 07. Daí porque tudo parece bem claro: em um primeiro momento diremos que faturamento é outro nome dado à receita bruta das vendas e serviços do agente econômico. Essa é uma das significações usuais do vocábulo [i.é., a noção da qual o vocábulo é termo é precisamente esta faturamento é receita bruta das vendas e serviços do agente econômico]. A análise dos precedentes aponta, no entanto – isso é proficientemente indicado em parecer de HUMBERTO ÁVILA no sentido de inversão dos termos: a lei tributária chamou de receita bruta, para efeitos do FINSOCIAL, o que é faturamento; o conceito de receita bruta [ = receita da venda de mercadorias e da prestação de serviços], na lei, é que coincide com a noção de faturamento, na Constituição. 08 .Ora, o artigo 3º da Lei n. 9.718/98 não diz mais do que isso. Seu § 1º é que vai além, para afirmar que ali e ali não se cogita de faturamento, mas de receita bruta se trata da totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para tais receitas. (...) 10. (...) Eis o que aí se tem, nesse § 1º do artigo 3º e da Lei nº 9.718/98, uma definição jurídica de receita bruta: a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para tais receitas. 11 .Cumpre então indagarmos se a lei poderia ter afirmado essa definição de receita bruta. A Constituição dizia, anteriormente à EC 20/98, que a seguridade social seria financiada, entre outros, mediante recursos provenientes de contribuição social “dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e os lucros” art. 195, I). A EC 20/98 alterou o preceito, para afirmar que essa mesma contribuição incidirá sobre a folha de salários e outros rendimentos do trabalho, sobre “a receita ou o faturamento” e sobre o lucro. A lei é anterior à EC 20/98, ao tempo em que o artigo 195, I da Constituição afirmava que a contribuição incidiria “sobre a folha de salários, o faturamento e os lucros”. 12. A alteração no texto da Constituição aparentemente, mas não necessariamente, indica alteração do campo de incidência da contribuição. A emenda , ao referir “a receita ou o faturamento”, poderia estar a tomar receita como sinônimo de faturamento e faturamento como sinônimo de receita. Anteriormente à EC 20/98 ela incidia sobre a receita da venda de mercadorias e da prestação de serviços [= receita bruta], que coincidia, qual afirmou esta Corte, Fl. 289DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907926/200995 Acórdão n.º 9303002.989 CSRFT3 Fl. 290 21 com a noção de faturamento. Após a EC 20/98 ela incide sobre “a receita ou o faturamento”. Ora, se receita bruta [= receita da venda de mercadorias e da prestação de serviços] coincide, qual afirmou esta Corte, com a noção de faturamento, a inserção do termo de um outro conceito “receita” no texto constitucional há de estar referindo outro conceito, que não o que coincide com a noção de faturamento. Para exemplificar, sem qualquer comprometimento com a conclusão: receita como totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante para a determinação dessa totalidade o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para tais receitas. Temos aí receita bruta, termo de um conceito, e receita bruta, termo de outro conceito. No primeiro caso, receita bruta que é enquadrada na noção de faturamento, receita bruta das vendas e serviços do agente econômico, isto é, proveniente das operações do seu objeto social. No segundo, receita bruta que envolve, além da receita bruta das vendas e serviços do agente econômico isto é, das operações do seu objeto social aquela decorrente de operações estranhas a esse objeto. (grifos meus). Impõese então distinguirmos: de um lado teremos receita bruta/faturamento; de outro, a receita bruta que excede a noção de faturamento, introduzida pela EC 20/98, para a determinação de cuja totalidade são irrelevantes o tipo de atividade que dá lugar a sua percepção e a classificação contábil adotada. 13. Dirseá que a Constituição, ao não definir faturamento, incorporou noção que dele se tinha à época. Na verdade incorporou uma das noções que dele à época se tinha. A Constituição poóleria [sic], mais do que incorporar, poderia ter contemplado uma definição jurídica, de faturamento. Não o tendo feito, prevaleceu um dos entendimentos possíveis, aquele nos termos do qual receita bruta coincide com a noção de faturamento enquanto receita da venda de mercadorias e da prestação de serviços. Poderia ter prevalecido outro. E cumpre aqui dedicar especial atenção à fundamentação do voto do Ministro Relator Marco Aurélio, que, ainda que faça menção ao conceito de faturamento como sendo a receita vinculada à venda de mercadorias, serviços ou ambos, conforme explicitado na Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 11/DF (leitura empregada em data muito anterior à Lei 9.718/98), deixa claro que o problema está no conceito veiculado pelo parágrafo primeiro: o passo mostrouse demasiadamente largo, (...) por incluir no conceito de receita bruta todo e qualquer aporte contabilizado pela empresa, pouco importando a origem, em si, e a classificação que deva ser levada em conta sob o ângulo contábil. Quer dizer, a norma transgrediu o ordenamento jurídico ao transbordar a noção técnicojurídica possível de faturamento e não ao definilo como sendo resultado de outras operações empresariais além das vendas de mercadorias e serviços ou ambos. Ministro Marco Aurélio (Relator) Examino, então, a problemática referente à Lei nº 9.718/98. Aqui há de se perceber o empréstimo de sentido todo próprio ao conceito de faturamento. Eis o teor da lei envolvida na espécie: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907926/200995 Acórdão n.º 9303002.989 CSRFT3 Fl. 291 22 Tivesse o legislador parado nessa disciplina, aludindo faturamento sem dar lhe, no campo da ficção jurídica, conotação discrepante da consagrada por doutrina e jurisprudência, terseia solução idêntica à concernente à Lei nº 9.715/98. Tomarse ia o faturamento tal como veio a ser explicitado na Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 11/DF, ou seja, a envolver o conceito de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços. Respeitado estaria o Diploma Maior ao estabelecer, no inciso I do artigo 195, o cálculo da contribuição para o financiamento da seguridade social devida pelo empregador, considerado o faturamento. Em última análise, terseia a observância da ordem natural das coisas, do conceito do instituto que é o faturamento, caminhandose para o atendimento da jurisprudência desta Corte. (...) Não fosse o § lº que se seguiu, terseia a observância da jurisprudência desta Corte, no que ficara explicitado, na Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 1 1/DF, a sinonímia dos vocábulos “faturamento” e “receita bruta”. Todavia, o § 1º veio a definir esta última de forma toda própria: § 1 Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. O passo mostrouse demasiadamente largo, olvidandose, por completo, não só a Lei Fundamental como também a interpretação desta já proclamada pelo Supremo Tribunal Federal. Fezse incluir no conceito de receita bruta todo e qualquer aporte contabilizado pela empresa, pouco importando a origem, em si, e a classificação que deva ser levada em conta sob o ângulo contábil. Essencial que se diga que a questão específica da incidência das Contribuições nas receitas das instituições financeiras terminou por não ser resolvida nas decisões que lastrearam o Recurso Extraordinário 585.235, que outorgou repercussão geral à decisão de extirpar do mundo jurídico o parágrafo primeiro do artigo 3º da Lei 9.718/98. Isso se vê em diversos dos debates colhidos das notas taquigráficas. Seguese um deles. O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO Sr. Presidente, gostaria de enfatizar meu ponto de vista, para que não fique nenhuma dúvida ao propósito. Quando me referi ao conceito construído sobretudo no RE 150.755, sob a expressão “receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviço”, quis significar que tal conceito está ligado à idéia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas. Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de “receita bruta igual a faturamento”. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) Mas, ministro, seria interessante, em primeiro lugar, esperar a chegada de um conflito de interesses, envolvendo uma dúvida quanto ao conceito que, por ora, não passa pela nossa cabeça, Fl. 291DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907926/200995 Acórdão n.º 9303002.989 CSRFT3 Fl. 292 23 O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO Mas passa pela cabeça de outros. Já não temos poucas causas, Sr. Ministro, para julgar. Quanto mais claro seja o pensamento da Corte, melhor para a Corte e para a sociedade. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) Não pretendo, neste julgamento, resolver todos os problemas que possam surgir, mesmo porque a atividade do homem é muito grande sobre a base de incidência desses tributos. E, de qualquer forma, estamos julgando um processo subjetivo e não objetivo e a única controvérsia é esta: o alcance do vocábulo “faturamento”. E, a respeito desse alcance, temos já, na Corte, reiterados pronunciamentos. O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO É o que estou fazendo: esclarecendo meu pensamento sobre o alcance desse conceito. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) Senão, em vez de julgarmos as demandas que estão em Mesa, provocaremos até o surgimento de outras demandas, cogitando de situações diversas. (...) No curso do julgamento, o Colegiado chegou inclusive a adentrar à questão (preocupação mais uma vez manifesta pelo Ministro Cezar Peluso) dos demais parágrafos do artigo 3º da Lei 9.718/98, sem, contudo, chegar a uma conclusão a esse respeito. O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO Presidente, só uma ponderação. Como o artigo 3º não tem um único parágrafo, mas vários, se for declarada a inconstitucionalidade do caput, os outros parágrafos ficarão soltos, perderão o seu objeto de referência. O SR. MINISTRO CARLOS VELLOSO Ministro, eles ficam soltos e vêm soltos porque se referem ao parágrafo lº: "§ 2º Para. fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta:” Que receita bruta? A que está no § lº. O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO O meu receio é de que haja algum parágrafo que, depois, ganhe certa autonomia e gere dificuldade. É isso que me preocupa. O SR. MINISTRO CARLOS VELLOSO Todos eles são dependentes do § 1º. O SENHOR MINISTRO SEPÚLVEDA PERTENCE Todos eles regulam a base de cálculo da COFINS. Se estamos entendendo que o conceito básico e a disciplina do COFINS já estão declarados constitucionais pelo Tribunal... O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO Estou apenas ponderando quanto ao risco de eventuais incertezas futuras. A SRA. MINISTRA ELLEN GRACIE (PRESIDENTE) Ainda teremos uma sessão de julgamento em que o Ministro Eros Grau trará o seu voto e poderemos eventualmente reajustar. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907926/200995 Acórdão n.º 9303002.989 CSRFT3 Fl. 293 24 Vêse, sem margem para dúvidas, que se constitui em assunto bastante controvertido, e, por certo, não haverá de, aqui, deixar de sêlo. Com efeito, o alinhamento do entendimento aplicável à matéria depende, em última análise, do julgamento, pelo Supremo Tribunal Federal, em Regime (já determinado) de Repercussão Geral, do Recurso Extraordinário nº 609096, a partir de quando, pelo menos no contexto atual e na presente instância, as opiniões pessoais cederão à hierarquia da jurisdição. Enquanto não consumado o julgamento do RE pelo Pretório Excelso, cumpre a este Colegiado escolher a interpretação que considera correta e determinar o cumprimento da decisão em âmbito administrativo. Nestas condições, pareceme que, a despeito das reticências que se extraem do debate travado entre Ministros da Suprema Corte, uma vez que não foi declarada a inconstitucionalidade do caput do artigo 3º, necessário distinguir que a base de cálculo, até então adstrita à receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, passou a ser também identificada, simplesmente, como receita bruta. De fato, ao declarar a inconstitucionalidade apenas do parágrafo 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, o Supremo Tribunal Federal não deixou outro caminho, se não o que conduz o intérprete a compreensão de que é constitucional a definição insculpida no caput do artigo. A alteração promovida pela Emenda Constitucional nº 20/98 teve por escopo justamente permitir que a receita, lato sensu, fosse alcançada pelas contribuições para o financiamento da seguridade social. Como foi observado pelo Exmo. Ministro Carlos Britto, a autorização introduzida pela Emenda autoriza, justamente, a incidência sobre as receitas que estariam especificadas no parágrafo primeiro do artigo 3º da Lei 9.718/98. A conclusão a que se chega é que depois da Lei 9.718/98 e da declaração da inconstitucionalidade do parágrafo 1º de seu artigo 3º, apenas a receita típica da pessoa jurídica e não a totalidade das receitas auferidas por ela poderiam integrar a base de cálculo das Contribuições. Quanto a isso, que se diga que não se desconhecem os diversos Acórdãos do Supremo Tribunal Federal que, depois da decisão pela inconstitucionalidade do parágrafo primeiro, fazem remissão ao conceito de faturamento que parecia pacificado antes da entrada em vigor da Lei 9.718/98, o da Lei Complementar 70/91. Sobre o assunto, imperioso pontuar que emerge inconfundível das manifestações colhidas dos votos dos Ministros que participaram dos leading case do Recurso Extraordinário 585.235, que é nítido o entendimento de que jamais pretendeuse “a constitucionalização de preconcepções doutrinárias não incorporadas expressamente no texto constitucional”, nem o reconhecimento de “um específico conceito constitucional de faturamento16“. A dedução remissiva ao status anterior da base imponível encontrada em muitos acórdãos decorre da destinação das decisões onde eles se encontram, em processos nos quais discutiase o direito do contribuinte de afastar o inconstitucional alargamento da base de cálculo e não a amplitude do conceito de faturamento que, me arrisco dizer, não foi objeto daquelas lides. 16 As duas remissões são à manifestação, antes reproduzida, do Exmo. Ministro Ilmar Galvão. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907926/200995 Acórdão n.º 9303002.989 CSRFT3 Fl. 294 25 E que se diga, no caso concreto o provimento judicial, embora refirase à venda de mercadorias e prestação de serviços de qualquer natureza, acrescenta, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Isto tudo esclarecido, que se diga, há, ainda, outras questões que merecem ser levadas em consideração. Do parágrafo 2º ao parágrafo 9º do artigo 3º, assim como na MP 2.158/01, encontramse exclusões permitidas da base de cálculo das Contribuições apuradas no Sistema Cumulativo que não fariam nenhum sentido se essa as instituições financeiras continuassem sujeitas à incidência apenas sobre as receitas provenientes da prestação de serviços stricto sensu. Outrossim, resgatando mais uma vez o arcabouço normativo histórico da Cofins, vêse que a Lei Complementar nº 70/91, ao disciplinar de maneira ampla a incidência da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, seu raio de alcance e fonte de financiamento das atividadesfins das áreas de saúde, previdência e assistência social, excluiu as instituições financeiras do pagamento da Contribuição e elevou a alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido por elas devida. Lei Complementar 70/91 Art. 11. Fica elevada em oito pontos percentuais a alíquota referida no § 1° do art. 23 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, relativa à contribuição social sobre o lucro das instituições a que se refere o § 1° do art. 22 da mesma lei, mantidas as demais normas da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, com as alterações posteriormente introduzidas. Parágrafo único. As pessoas jurídicas sujeitas ao disposto neste artigo ficam excluídas do pagamento da contribuição social sobre o faturamento, instituída pelo art. 1° desta lei complementar. Lei 8.212/91 Art. 23. As contribuições a cargo da empresa provenientes do faturamento e do lucro, destinadas à Seguridade Social, além do disposto no art. 22, são calculadas mediante a aplicação das seguintes alíquotas: I 2% (dois por cento) sobre sua receita bruta, estabelecida segundo o disposto no § 1º do art. 1º do Decretolei nº 1.940, de 25 de maio de 1982, com a redação dada pelo art. 22, do Decretolei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987, e alterações posteriores; 9 II 10% (dez por cento) sobre o lucro líquido do períodobase, antes da provisão para o Imposto de Renda, ajustado na forma do art. 2º da Lei nº 8.034, de 12 de abril de 1990. 10 § 1º No caso das instituições citadas no § 1º do art. 22 desta Lei, a alíquota da contribuição prevista no inciso II é de 15% (quinze por cento). § 2º O disposto neste artigo não se aplica às pessoas de que trata o art. 25. Não somente a Lei 9.718/98, mas outras medidas legislativas que se seguiram, como fazem exemplo a MP 2.158/01 e, mais tarde, as Leis 10.637/03 e 10.833/03, que introduziram o Sistema NãoCumulativo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, Fl. 294DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907926/200995 Acórdão n.º 9303002.989 CSRFT3 Fl. 295 26 revisaram o Sistema de financiamento da Seguridade Social, incluindo as instituições bancárias no rol de contribuintes sujeitos ao recolhimento da exação fiscal. Vejase. Se o que se discute é a possibilidade de que estejam extirpados do ordenamento jurídico todas as disposições normativas introduzidas pelo artigo 3º da Lei 9.718/98 e MP 2.158/01, então haveria de se estar faltando em exclusão total do pagamento da Cofins, uma vez que a revogação tácita do parágrafo único do artigo 11 da Lei Complementar 70/91 decorre das disposições introduzidas pelo artigo 3º da Lei 9.718/98 e MP 2.158/0117. Já no que concerne à alteração introduzida recentemente pela Lei 12.973/04 e a correspondente exposição de motivos, importante observar que se trata de uma inovação na definição da receita bruta que alcança a base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e Contribuição para o PIS/Pasep, essas duas últimas, também quando calculadas no Sistema NãoCumulativo de apuração. A exposição de motivos não deixa claro para qual desses tributos e contribuições estarseia passando a tributar fato gerador novo, inaugural no mundo jurídico tributário. A despeito disso, não há como interpretar que a Lei tenha encerrado a questão da incidência ou não das Contribuições sobre o spread bancário para fato geradores anteriores a sua entrada em vigor. As manifestações colhidas da mais alta instância da jurisdição brasileira mostram que tratase de um assunto em aberto, que será decidido apenas quando com o trânsito em julgado do Recurso Extraordinário nº 609096. De resto, não será demais acrescentar que o vernáculo serviço, cujo produto da venda é base de cálculo das Contribuições, admite múltiplas concepções. No âmbito do Acordo Geral sobre Comércio e Serviços – GATS, por exemplo, o spread bancário é textualmente incluído no rol de atividades designadas como tal. De fato, não há como afirmar que a inclusão da atividade bancária no conceito de serviços seja uma violação a preceitos constitucionais ou ao ordenamento jurídico pátrio. A palavra serviço amoldase muito bem às mais diferentes atividades. Muito diferente é o que ocorre, por exemplo, com a atividade de locação. Como apontado pelo Ministro Cesar Peluso, justamente no votovista em que propôs a inclusão de todas as receitas decorrentes da atividade típica da pessoa jurídica na base de cálculo das Contribuições, “a Corte julgou inconstitucional a exigência de imposto sobre serviços na ‘locação de bens móveis’, por delirar do conceito de serviços pressuposto pela Constituição na outorga de competência aos municípios. Da ementa consta: RE 116.1213 “TRIBUTO FIGURINO CONSTITUCIONAL. A supremacia da Carta Federal é conducente a glosarse a cobrança de tributo discrepante daqueles nela previstos. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS CONTRATO DE LOCAÇÃO. A terminologia constitucional do Imposto Sobre Serviços revela o objeto da tributação. Conflita com a Lei Maior dispositivo que imponha o tributo considerado contrato de locação de bem móvel. Em direito, os institutos, as expressões e os vocábulos têm sentido próprio, descabendo confundir a locação de serviços com a de móveis, praticas diversas regidas pelo Código Civil, cujas definições são de observância inafastável art. 110 do Código Tributário Nacional.” 17 Como disse antes, faço remissão à Cofins mesmo que o assunto dos autos restrinjase ao PIS. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.907926/200995 Acórdão n.º 9303002.989 CSRFT3 Fl. 296 27 Por todo o exposto, meu VOTO é por negar provimento ao Recurso Especial. Ricardo Paulo Rosa Fl. 296DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado di gitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10380.900774/2009-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2005
PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE CONTRATUAL.
Constatado que a evolução acumulada do preço da energia elétrica se deu em proporção inferior à variação ponderada de seus insumos, não é descaracterizado o preço predeterminado, com a incidência cumulativa das contribuições de PIS e COFINS.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3101-001.730
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para determinar que a apuração da contribuição, no período em questão, seja feita no regime cumulativo, com o retorno dos autos à unidade de origem, para a apuração do valor do indébito e o processamento da compensação até o limite do valor deferido. Fez sustentação oral o Dr. Luiz Felipe Krieger Moura Bueno, OAB/RJ nº 117.908, advogado do sujeito passivo.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Amauri Amora Câmara Junior, Elias Fernandes Eufrásio, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2005 PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE CONTRATUAL. Constatado que a evolução acumulada do preço da energia elétrica se deu em proporção inferior à variação ponderada de seus insumos, não é descaracterizado o preço predeterminado, com a incidência cumulativa das contribuições de PIS e COFINS. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para determinar que a apuração da contribuição, no período em questão, seja feita no regime cumulativo, com o retorno dos autos à unidade de origem, para a apuração do valor do indébito e o processamento da compensação até o limite do valor deferido. Fez sustentação oral o Dr. Luiz Felipe Krieger Moura Bueno, OAB/RJ nº 117.908, advogado do sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres - Presidente Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Amauri Amora Câmara Junior, Elias Fernandes Eufrásio, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005 PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE CONTRATUAL. Constatado que a evolução acumulada do preço da energia elétrica se deu em proporção inferior à variação ponderada de seus insumos, não é descaracterizado o preço predeterminado, com a incidência cumulativa das contribuições de PIS e COFINS. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para determinar que a apuração da contribuição, no período em questão, seja feita no regime cumulativo, com o retorno dos autos à unidade de origem, para a apuração do valor do indébito e o processamento da compensação até o limite do valor deferido. Fez sustentação oral o Dr. Luiz Felipe Krieger Moura Bueno, OAB/RJ nº 117.908, advogado do sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Presidente Rodrigo Mineiro Fernandes Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 07 74 /2 00 9- 13 Fl. 348DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANDRESSA GOMES MARTINS, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10380.900774/200913 Acórdão n.º 3101001.730 S3C1T1 Fl. 349 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Amauri Amora Câmara Junior, Elias Fernandes Eufrásio, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres. Relatório Trata o presente processo de declaração de compensação (DCOMP) eletrônica na qual o interessado alega possuir crédito decorrente de pagamento a maior da contribuição que pretende utilizar para compensar com seus débitos. A análise do direito creditório concluiu que o pagamento informado como origem do crédito encontravase totalmente utilizado para quitação de débito do contribuinte da própria contribuição, não restando saldo disponível para ser utilizado para a compensação pretendida. Como resultado, o direito creditório não foi reconhecido, com a conseqüente não homologação da compensação, conforme Despacho Decisório e Detalhamento da Compensação. Regularmente cientificada, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade, acompanhada de documentos ao seu ver probatórios de seus direitos, alegando, em síntese: que seu crédito decorre de pagamento a maior em virtude de ter calculado a contribuição indevidamente com alíquota de nãocumulatividade; que embora tenha concorrido involuntariamente para a conclusão do Despacho Decisório, seu crédito não pode ser aniquilado por erro de fato cometido no cumprimento de obrigação acessória; que seu objeto societário é a produção, transmissão, distribuição e comercialização de energia elétrica e toda a sua energia fornecida no anocalendário 2005 foi adquirida pela Companhia Energética do Ceará, cujo contrato de compra e venda foi celebrado em 31/08/2001 (aditivos em 10/10/2001 e 22/11/2002), com prazo de 20 anos; que estava obrigada a pagar as contribuições calculadas exclusivamente de forma cumulativa, por força do disposto na alínea “b” do inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003; que indicou indevidamente na DCTF o valor da contribuição devida no período, calculando e recolhendo com a alíquota prevista para a não cumulatividade; que percebendo o erro estornou a parcela da despesa que havia contabilizado a maior e a registrou no ativo; que apresentou o PER/DCOMP em tela declarando a compensação relativa à diferença acima apontada, mas se ouvidou de retificar a DCTF correspondente. Ao fim, pede a reforma do Despacho Decisório para homologar integralmente a compensação declarada. A DRJ em FORTALEZA/CE julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo a nãohomologação da compensação do débito fiscal declarado. Entendeu o órgão julgador de primeiro grau que, a partir de 31/10/03, para fins de apuração da Cofins, o preço predeterminado é descaracterizado após o 1º reajuste, salvo quando demonstrado que o reajuste de preços se dá em percentual não superior ao correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário onde basicamente reproduz o alegado em primeira instância, reforçando notadamente a importância do Ofício nº 1.431/2006SFF/ANEEL, que acredita fazer prova a Fl. 349DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANDRESSA GOMES MARTINS, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10380.900774/200913 Acórdão n.º 3101001.730 S3C1T1 Fl. 350 3 seu favor. Por fim, requereu a reforma do acórdão recorrido e a subsistência total da compensação efetivada. Em sessão de julgamento realizada em 10 de novembro de 2011, esta turma de julgamento, em sua composição anterior, determinou a conversão do julgamento em diligência para que a unidade preparadora jurisdicionante do domicílio tributário da recorrente intimasse a recorrente, para trazer aos autos, laudo de perito competente, com o detalhamento do processo de produção da energia elétrica fornecida no período em que a recorrente alega possuir crédito, indicação dos insumos utilizados, a variação dos preços dos respectivos insumos e a memória dos reajustes do preço da energia elétrica fornecida, bem como a conclusão acerca da questão controversa se os índices utilizados ultrapassaram, ou não, os custos de produção ou a variação ponderada dos custos dos insumos. Após ser regularmente intimada, a recorrente apresentou o Laudo Pericial solicitado, com o detalhamento do processo de produção de energia elétrica, indicação dos insumos utilizados, variação dos preços dos insumos e memória dos reajustes do preço da central geradora termelétrica FORTALEZA – CGTF, assinado pelos engenheiros José Mario Miranda Abdo e Eduardo Henrique Ellery Filho, sócios da empresa Abdo, Ellery & Associado Consultoria Empresarial em Energia e Regulação. Após o atendimento do disposto na Resolução, a unidade de origem encaminhou o os autos a esse órgão julgador de segunda instância para apreciação. Novamente em pauta para julgamento, esta turma determinou nova conversão do julgamento em diligência, para trazer aos autos complemento do laudo pericial, com a informação completa da composição final do preço de venda de energia para a COELCE, informando, de forma detalhada, a ponderação dos insumos gás natural e TUST na composição do preço final da energia vendida, com a correspondente relação insumo x produto da energia vendida para a COELCE no ano de 2005. Após ser regularmente intimada, a recorrente apresentou o complemento do Laudo Pericial Técnico elaborado pelos engenheiros José Mario Miranda Abdo e Eduardo Henrique Ellery Filho, sócios da empresa Abdo, Ellery & Associado Consultoria Empresarial em Energia e Regulação, contendo a composição final do preço de venda de energia para a COELCE, com o detalhamento da ponderação dos insumos na composição do preço final de energia. Após o atendimento do disposto na Resolução, a unidade de origem encaminhou o os autos a esse órgão julgador de segunda instância para apreciação. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator O recurso voluntário é tempestivo e, considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANDRESSA GOMES MARTINS, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10380.900774/200913 Acórdão n.º 3101001.730 S3C1T1 Fl. 351 4 A questão meritória a ser apreciada por esse colegiado é a sujeição ou não das receitas da recorrente ao PIS e Cofins com incidência cumulativa. A recorrente alega ter apurado de forma equivoca a contribuição com incidência nãocumulativa, quando o correto seria a incidência cumulativa, existindo, segundo seu entendimento, saldo de contribuição recolhida indevidamente e passível de restituição e compensação. Entretanto, não foi esse o entendimento da unidade de origem e da autoridade julgadora de primeira instância, que não reconheceu o direito creditório, com a conseqüente não homologação da compensação, sob o fundamento de que a contribuição seria devida pelo regime nãocumulativo e inexistia o crédito declarado. A incidência nãocumulativa das contribuições de que tratam a Lei n° 10.637/2002 e a Lei nº 10.833/2003, encontra, entre as exceções legalmente previstas, aquela relativa às receitas originadas de contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com prazo superior a um ano de fornecimento de bens ou serviços a preço predeterminado (art. 10, XI, “b”, da Lei 10.833/2003), que estariam sujeitas às contribuições pela sistemática cumulativa. Regulamentando esse diploma legal e definindo preço predeterminado, foi editada a Instrução Normativa SRF n° 468, de 08/11/2004. A Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, de caráter interpretativa, esclareceu a questão do reajuste de preços para a caracterização ou não de preço predeterminado, para fins de incidência nãocumulativa das contribuições, assim dispondo: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003. Posteriormente foi editada a Instrução Normativa SRF nº 658, de 4 de julho de 2006, dispondo sobre as contribuições incidente sobre as receitas decorrentes de contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com produção de efeitos a partir de 1° de fevereiro de 2004, nos seguintes termos: Art. 2° Permanecem tributadas no regime de cumulatividade, ainda que a pessoa jurídica esteja sujeita a incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: II com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; Art. 3° Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. [...] Fl. 351DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANDRESSA GOMES MARTINS, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10380.900774/200913 Acórdão n.º 3101001.730 S3C1T1 Fl. 352 5 §2° Ressalvado o disposto no §3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio §3° 0 reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou em variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o prego predeterminado. Art. 5° Consideramse com prazo superior a 1 (um) ano os contratos com prazo indeterminado cuja vigência tenha se prolongado por mais de 1 (um) ano, contado da data em que foram firmados. Parágrafo único, Aplicase aos contratos mencionados no caput o disposto nos §§ 2°e 3° do art. 3°. Art. 7 Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I a partir de 1° de fevereiro de 2004, em relação às receitas decorrentes dos contratos de que tratam os incisos I a III do art. 2º; Importanos, para a solução da questão em litígio, identificar se o reajuste de preços praticados pela recorrente à época dos fatos foi em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Caso positivo, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado, sujeitandose a recorrente à alíquota cumulativa das contribuições, subsistindo indébito tributário passível de repetição e compensação. Portanto, há duas possibilidades para a sujeição ao regime cumulativo de incidência das contribuições: (i) a adoção de um percentual que reflita o custo de produção (específico para cada contratante) ou (ii) da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos de insumos utilizados (índice setorial). O ponto principal para a sujeição ao regime cumulativo é a comprovação de que o reajuste praticado não foi superior à variação dos custos de produção. A recorrente celebrou, em 31 de agosto de 2001, contrato de compra e venda de energia elétrica com a Companhia Energética do Ceará – COELCE, por um prazo de 20 anos, contados a partir da data inicial de fornecimento, que foi devidamente aprovado pela ANEEL através do Ofício nº 243/2002SFF/ANEEL, de 09/04/2002. Conforme informado no Laudo Técnico, a recorrente, Central Geradora Termelétrica Fortaleza (CGTF) produzia energia via ciclo combinado de gás natural e vapor. Foi projetada a partir do Programa Prioritário de Termoeletricidade (PPT) do Governo Federal, com sede na cidade de Caucaia, Ceará, dentro do Complexo Industrial e Portuário do Pecém. Foi concluída em 2003, com capacidade instalada de 326,60 MW e 318,5 MW de energia assegurada, contando com uma linha de transmissão de 1,2 km em altatensão. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANDRESSA GOMES MARTINS, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10380.900774/200913 Acórdão n.º 3101001.730 S3C1T1 Fl. 353 6 A defesa da recorrente é toda calcada no esforço para provar que o índice previsto para reajuste do preço predeterminado, constante do contrato de fornecimento de energia elétrica para a Companhia Energética do Ceará – COELCE, não restou descaracterizado quando do primeiro reajuste, porquanto tal índice refletira os acréscimos dos custos de produção de energia elétrica, nos exatos termos condicionados pela legislação aplicável, tendo como consequência a tributação de suas receitas pelo PIS e COFINS no sistema cumulativo. Esta turma de julgamento, em sua composição anterior, em 10 de novembro de 2011, ao determinar a conversão do julgamento em diligência, assim se manifestou sobre o índice utilizado pela recorrente (por maioria de votos, vencido o Conselheiro Leonardo Mussi da Silva): Em que pese o alentado trabalho de convencimento do patrono da recorrente, que acredita firmemente ter trazido prova de que o pronunciamento da ANEEL certifica serem os índices de reajustamento de preços previstos no contrato de fornecimento de energia elétrica da recorrente, reflexo dos custos de produção ou variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, penso que não se pode, à luz do aludido Ofício, de fato, dizer que os índices utilizados pela recorrente (k1, k2 e k3, respectivamente fatores de ponderação dos índices IGPM, de combustíveis e de variação cambial) estão no formato previsto na legislação apontada, até porque o Ofício reportase explicitamente apenas ao IGPM, fazendo menção genérica aos “demais índices” no seu último parágrafo. Nesse sentido, concordo com o órgão judicante de primeiro grau, no sentido de que o Ofício da ANEEL trazido aos autos não se afeiçoa a laudo ou parecer para os fins do art. 30 do Decreto nº 70.235/72, que trata de peças técnicas com o escopo de identificar produtos para posterior classificação fiscal, as quais têm caráter específico e não genérico. A Cláusula 6.3 do Contrato de Fornecimento estabelece que a fórmula de reajuste dos preços seria determinada com base na Resolução ANEEL 22/2001, que previa, para aplicação do limite de repasse dos preços contratuais, o Valor Normativo estabelecido para cada contrato de compra de energia seria atualizado para o mês anterior à data de acordo com a seguinte fórmula: Onde: VNi Valor Normativo reajustado no mês do reajuste das tarifas de fornecimento do concessionário ou permissionário de distribuição; VNoi Valor Normativo vigente no mês de registro do contrato de compra de energia referido ao mês de publicação da resolução; K1 = fator de ponderação do índice IGPM; K2 = fator de ponderação do índice de combustíveis; Fl. 353DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANDRESSA GOMES MARTINS, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10380.900774/200913 Acórdão n.º 3101001.730 S3C1T1 Fl. 354 7 K3 = fator de ponderação do índice de variação cambial IGPMli valor do índice geral de preços ao mercado, estabelecido pela Fundação Getúlio Vargas FGV, no mês anterior a data de atualização do VN; IGPMOi valor do índice geral de preços ao mercado, estabelecido pela Fundação Getúlio Vargas FGV, no mês anterior à data de entrada em vigor da Resolução; COMBli valor do índice do combustível, no mês anterior a data de atualização do VN; COMBOi valor do índice do combustível, no mês anterior à data de entrada em vigor da Resolução; IVCli média da cotação de venda do dólar norteamericano, divulgada pelo Banco Central do Brasil, no mês anterior a data de atualização do VN; IVC0i = R$ 1,9633/US$. Já a variação do índice referente ao combustível, a ser utilizado na fórmula de atualização dos Valores Normativos, considera 80% da parcela do preço com reajuste estipulado pelas variações da taxa cambial e do índice de preços ao atacado no mercado dos Estados Unidos da América, e 20% restantes pela variação do IGPM. Portanto, a fórmula para reajustes de preço baseiase em índices que captam a variação geral de preços (IGPM), a variação cambial e a variação setorial (combustível), esse, por sua vez, também derivado da variação cambial. Dessa forma, a variação cambial entra duas vezes na composição da fórmula de reajuste de preços. Estes índices, apesar de contratualmente estipulados e aprovados pela agência reguladora, não representam necessariamente a variação dos custos da produção ou dos insumos utilizados, mas sim a recomposição de preços de mercado. Não foi comprovado que há uma correlação direta entre os componentes da fórmula de reajuste de preços e a variação dos custos de produção. A utilização dos fatores, mesmo ponderados, e dos índices geral, setorial e especialmente o cambial, tendem a restabelecer o preço de mercado, atualizando os custos para os novos empreendimento e não os custos da produção ou dos insumos efetivamente incorridos. Considerando que a fórmula de reajuste de preços não foi derivada de índice refletor da variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, restanos analisála em função da variação do custo de produção. O Laudo apresentado, em atendimento ao determinado por essa turma de julgamento, foi dividido em duas partes: (i) a primeira fez uma contextualização da CGTF na recente história do setor elétrico brasileiro e no arcabouço legal e regulatório em que está inserida; (ii) a segunda parte fez um estudo da questão específica sobre os reajustes de preços da recorrente para a COELCE, e se esse reajuste ultrapassou ou não a variação dos preços dos insumos. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANDRESSA GOMES MARTINS, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10380.900774/200913 Acórdão n.º 3101001.730 S3C1T1 Fl. 355 8 Questionados se os reajustes de preços no CGTFCOELCE ultrapassaram ou não a variação ponderada dos insumos, os peritos apresentaram a seguinte resposta: Nesse contexto de forte definição por parte do Estado, os reajustes aplicados desde o início do suprimento CGTFCOELCE não ultrapassaram os custos de produção ou a variação ponderada dos insumos pelas seguintes razões: · As Regras de Reajuste Contratual foram estabelecidas na legislação setorial; · O contrato foi analisado e aprovado pela ANEEL; · As regras de reajuste contratual definidas pela legislação setorial visam a variação ponderada dos custos de produção ou dos insumos, em consonância estrita com o princípio da legalidade, observado com todo o natural zelo pelo Regulador, em especial obedecendo o que dispõe o art. 27 da Lei nº 9.069/1995 no que diz respeito às condições necessárias para a utilização de índice diferente do IPC; e · A variação de preço de venda não foi superior à dos insumos. O Laudo apresentado definiu como insumos da produção de energia os seguintes itens: (i) gás natural e (ii) tarifa do uso do sistema de transmissão (TUST). O reajuste de preço relativo ao fornecimento para a COELCE foi efetuado em abril de 2004, no percentual de 34%, em relação à data de referencia contratual de 31/08/2002, considerando uma variação no preço do gás natural de 33,24%, portanto, em percentual maior do que seu principal insumo, mas inferior à variação da tarifa do uso do sistema de transmissão (TUST) de 312,88%. A recorrente apresentou, em atendimento à Resolução desta turma de julgamento, o complemento do Laudo Técnico, no qual consta a composição final do preço com base nos nesses insumos: Também foi apresentada a evolução ponderada dos insumos e produto: Fl. 355DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANDRESSA GOMES MARTINS, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10380.900774/200913 Acórdão n.º 3101001.730 S3C1T1 Fl. 356 9 Constatase, que em todos os anos do período apresentado, a evolução acumulada do preço da energia elétrica se deu em proporção inferior à variação ponderada de seus insumos, ficando demonstrado que a correção no preço da energia elétrica praticada no período em questão (2005), não foi superior ao que ocorreu com seus insumos. Dessa forma, o reajuste praticado não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado, sujeitandose a recorrente à alíquota cumulativa das contribuições, subsistindo indébito tributário passível de repetição e compensação. Diante dos fatos apurados, dou provimento parcial ao recurso voluntário, determinando que a apuração da contribuição, no período em questão, seja feita no regime cumulativo, com o retorno dos autos à Unidade de Origem, para apuração do valor do indébito e o processamento da compensação até o limite do valor deferido Rodrigo Mineiro Fernandes Fl. 356DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANDRESSA GOMES MARTINS, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10850.905388/2011-41
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE COMBUSTÍVEL. REGIME DE TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE VAREJISTA
EXCLUÍDO DA TRIBUTAÇÃO. INDEFERIMENTO.
No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetiva-se uma única vez, portanto, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente.
A partir de 01/07/2000, o regime de tributação da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS incidente sobre os combustíveis incluídos o óleo diesel, passou a ser realizado em uma única fase (incidência monofásica), concentrado nas receitas de vendas realizadas pelas refinarias, ficando exoneradas as receitas auferidas nas etapas seguintes por distribuidoras e varejistas, que passaram a ser submetidas ao regime de alíquota zero.
Dessa forma, após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS incidente sobre a venda de óleo diesel do distribuidor para o comerciante varejista.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.151
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Antônio Elmo Gomes Queiroz. OAB/PE nº 23.878. Antecipado o julgamento para o período matutino a pedido do recorrente.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE COMBUSTÍVEL. REGIME DE TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE VAREJISTA EXCLUÍDO DA TRIBUTAÇÃO. INDEFERIMENTO. No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetiva-se uma única vez, portanto, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente. A partir de 01/07/2000, o regime de tributação da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS incidente sobre os combustíveis incluídos o óleo diesel, passou a ser realizado em uma única fase (incidência monofásica), concentrado nas receitas de vendas realizadas pelas refinarias, ficando exoneradas as receitas auferidas nas etapas seguintes por distribuidoras e varejistas, que passaram a ser submetidas ao regime de alíquota zero. Dessa forma, após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS incidente sobre a venda de óleo diesel do distribuidor para o comerciante varejista. Recurso Voluntário Negado.
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CRÉDITO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE COMBUSTÍVEL. REGIME DE TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE VAREJISTA EXCLUÍDO DA TRIBUTAÇÃO. INDEFERIMENTO. No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetivase uma única vez, portanto, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente. A partir de 01/07/2000, o regime de tributação da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS incidente sobre os combustíveis incluídos o óleo diesel, passou a ser realizado em uma única fase (incidência monofásica), concentrado nas receitas de vendas realizadas pelas refinarias, ficando exoneradas as receitas auferidas nas etapas seguintes por distribuidoras e varejistas, que passaram a ser submetidas ao regime de alíquota zero. Dessa forma, após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS incidente sobre a venda de óleo diesel do distribuidor para o comerciante varejista. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 53 88 /2 01 1- 41 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.905388/201141 Acórdão n.º 3801004.151 S3TE01 Fl. 12 2 julgado. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Antônio Elmo Gomes Queiroz. OAB/PE nº 23.878. Antecipado o julgamento para o período matutino a pedido do recorrente. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.905388/201141 Acórdão n.º 3801004.151 S3TE01 Fl. 13 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo, contra o acórdão exarado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Ribeirão Preto (DRJ/RPO), na Sessão de Julgamento do dia 25 de março de 2013, em que foi julgada a improcedência da manifestação de inconformidade, deixado de conhecer o direito creditório sobre aquisição de combustíveis. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciado Pedido de Ressarcimento (PER/DCOMP), por intermédio da qual o contribuinte pretende ver ressarcido crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo, concernente a PIS/PASEP (PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO – MERCADO INTERNO), período de apuração: 1º trimestre de 2008. Por meio de despacho decisório de fl. 5, com fundamento na informação fiscal de fls. 46/48, constatouse que o interessado apurou créditos relativos às aquisições de óleo diesel para pleitear ressarcimento junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), considerando as suas saídas com alíquota zero. O pedido do contribuinte foi indeferido, pois apesar do produto sair com alíquota zero, à tributação do PIS/PASEP, referente ao óleo diesel, ocorre de forma concentrada (incidência monofásica) no produtor ou importador, não havendo previsão legal da possibilidade de manutenção de créditos na aquisição pelo distribuidor ou revendedor atacadista ou revendedor varejista. Diante disso, como não foi constatado o auferimento de receitas não tributadas no mercado interno, passíveis de ressarcimento, o despacho decisório concluiu que o interessado não tem direito ao ressarcimento pleiteado. Regularmente cientificado do Despacho Decisório em 14/5/2012 (fl. 6), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de fls. 07/38. Contudo, como se observa da Manifestação de Inconformidade de fls. 07/38, as folhas 10 a 16 da peça impugnatória não foram juntadas aos autos. A fim de evitar qualquer prejuízo ao contribuinte, juntouse cópia dessas folhas (fls. 49/55), extraídas da manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente no processo, cujo conteúdo é idêntico. Assim, insurgindose contra o teor do despacho decisório de fl. 5, acompanhado de Informação Fiscal, o contribuinte alega, em síntese, que: a) por entender ter direito ao crédito de PIS/COFINS nãocumulativo, em relação aos produtos que adquiriu, pleiteou o seu ressarcimento; b) não pleiteou direito ao creditamento sobre álcool, gás liquefeito ou natural ou biodiesel, mas apenas ao creditamento na aquisição de gasolina A e óleo Fl. 126DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.905388/201141 Acórdão n.º 3801004.151 S3TE01 Fl. 14 4 diesel, doravante englobados pelo termo combustível; c) as normas devem ser interpretadas sistematicamente sob pena de desvirtuamento da ordem jurídica, sendo desejo expresso do legislador que não existisse mais qualquer vedação ao creditamento pretendido como forma de dar efetividade à não cumulatividade; d) a contribuinte está obrigatoriamente sob a incidência das leis da nãocumulatividade, nos termos da Lei nº 10.637/2002 (PIS não cumulativo) e da Lei nº 10.833/2003 (COFINS não cumulativa), já que não se enquadra nas exceções; e) é de se consignar que os distribuidores já constaram expressamente como jungidos à comutatividade, mas houve uma mutação na redação original que instituiu como substituto a refinaria e substituídos os distribuidores; f) a Lei nº 9.990/00 retirou a distribuidora da incidência; g) há ainda uma menção residual aos distribuidores de combustíveis, mas totalmente esvaziada, pois já não existe mais a substituição tributária aventada; h) há norma latente para os distribuidores enquanto substitutos, mas não há como contribuintes diretos, pois não estão mais na comutatividade; i) quem se encontra em limbo tributário são os produtores não os distribuidores, já que passaram a ser submetidos às chamadas alíquotas diferenciadas; j) essa mixórdia se refere a “produtor” e “importador”, não arrastando para a balbúrdia os “distribuidores”; k) a legislação da cumulatividade não se destina à contribuinte já que os distribuidores, que apuram resultados para o imposto sobre a renda pelo lucro real, foram postos compulsoriamente na não cumulatividade; l) cita os artigos que foram apresentados como fundamento para vedação definitiva dos créditos aqui discutidos; m) na cadeia produtiva de combustíveis, as distribuidoras estão em uma etapa que está sob a incidência da legislação do PIS/COFINS nãocumulativos e, para completar os critérios da regramatriz de incidência, já tinha ficado estabelecido que os distribuidores operariam com alíquota zero, conforme MP nº 2.15835/01; n) é descabido confundir alíquota zero com não incidência, pois são fenômenos distintos; o) quando a lei estabelece a tributação dita monofásica, ela expressamente coloca a incidência em uma única fase que não se confunde com a nãocumulatividade que pressupõe a tributação em várias fases mesmo que em uma ou alguma delas a incidência se dê à alíquota zero; p) nesse caso, não há direito a creditamento para outras fases, porque o resto da cadeia está fora do campo de incidência do tributo, uma vez que a tributação ficou inteiramente concentrada em um único contribuinte, independente da sistemática dos demais elos da cadeia produtiva. Nestes específicos casos, descabe falar em cumulatividade ou nãocumulatividade. Todavia, se incidir, ainda que com alíquota zero, não é o caso de tributação monofásica, o que não ocorreu com os combustíveis aqui discutidos: gasolina A e Diesel; q) é constrangedora a frequência com que se repete, até em atos regulamentares inferiores, que os combustíveis estão sob o sistema de monofásica, porém não há tributação monofásica justamente porque todos estão submetidos à incidência da tributação das Fl. 127DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.905388/201141 Acórdão n.º 3801004.151 S3TE01 Fl. 15 5 citadas contribuições (alíquota zero); r) por meio da MP nº 206, publicada e vigente em 09/08/2004, surgiu o artigo 16, que virou o artigo 17, quando convertida na Lei nº 11.033/2004, criando condições para a plena nãocumulatividade no que tange ao PIS/COFINS, como expresso na Exposição de Motivos da referida MP; s) a MP que introduziu o artigo 17 é norma politemática; t) a Lei nº 11.116/2005 veio para dar maior efetividade ao creditamento como instrumento da não cumulatividade; u) a autoridade administrativa usou o argumento equivocado para negar o direito da empresa, citando as disposições da IN SRF nº 594/2005, que teria expressamente introduzido a vedação, e mais, com efeito retroativo. No Estado Democrático de Direito, as limitações e restrições ao agir dos contribuintes somente podem estar previstas em lei; v) pela normatização do PIS/COFINS nãocumulativos, o método escolhido pelo legislador foi o indireto subtrativo, ou seja, independe de quanto foi, ou sequer se houve, tributação na cadeia anterior, ou se o elo anterior estava no regime da não cumulatividade, pois se baseia somente em incidência da alíquota base sobre as aquisições, independente se a aquisição seja decorrente de creditamento sobre etapas não tributadas, ou tributadas com alíquota diferente; x) em 03/01/2008, foi editada a MP nº 413, que alterou o permissivo de creditamento das leis da nãocumulatividade, porém tal dispositivo não foi aprovado; y) após toda a exposição, transcreve as seguintes premissas: 1) se a contribuinte é distribuidora de combustíveis; 2) se a contribuinte é tributada pelo Lucro Real (regime nãocumulativo para o PIS/COFINS); 3) o único instrumento com poderes para criar restrições é a lei; 4) existe norma que previu expressamente que a contribuinte deveria tributar o PIS/COFINS com alíquota zero sobre seu faturamento, e não em monofásica ou não incidência; 5) o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 prevê expressamente que todos os contribuintes da nãocumulatividade, mesmo que faturem com alíquota zero, podem creditarse de PIS/COFINS; 6) a Lei nº 11.033/2004 é politemática; 7) o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 fez foi dotar de mais garantias a previsão do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 8) sempre se ressalva, nas novas normas, o que fica ainda regulado em outra norma anterior, o que não aconteceu com a possibilidade de creditamento para a contribuinte, sendo certo que normas infralegais não tem tal condão; 9) o creditamento é coerente com a técnica de nãocumulatividade empregada no PIS/COFINS, em consonância com a prescrição constitucional; 10) o Poder Executivo, via medida provisória, tentou restaurar a vedação ao creditamento, mas por intuitiva inconstitucionalidade, não foi mantida no ordenamento jurídico; z) repisese, creditamento sobre a aquisição de Gasolina A e óleo Diesel, como consta de seu pedido. Ao final, requer a procedência da Manifestação de Inconformidade para o fim de se deferir o creditamento pretendido e homologado a compensação efetuada. É o relatório. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.905388/201141 Acórdão n.º 3801004.151 S3TE01 Fl. 16 6 A DRJ de Ribeirão Preto julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, conforme pode ser conferido pela ementa do acórdão, abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DERIVADOS DE PETRÓLEO. COMBUSTÍVEIS. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. DISTRIBUIDORA DE COMBUSTÍVEIS. SISTEMÁTICA DA NÃOCUMULATIVIDADE DO PIS/PASEP. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há direito a creditamento de PIS/PASEP relativos às operações de distribuição e varejo de combustíveis, realizadas à alíquota zero, com base na sistemática da nãocumulatividade. É incontroverso que a Lei nº 9.990/2000 fixou a incidência monofásica do PIS/PASEP e da COFINS sobre combustíveis derivados de petróleo, permanecendo concentrada na produção e importação a incidência do tributo, inviabilizando, por esse motivo, o creditamento pretendido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, aludindo os mesmos argumentos trazidos em sede de Manifestação de Inconformidade. É o sucinto relatório. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.905388/201141 Acórdão n.º 3801004.151 S3TE01 Fl. 17 7 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. A Recorrente pleiteou o ressarcimento dos valores atualizados da Contribuição para o PIS/PASEP supostamente incidente sobre aquisição de gasolina A e óleo diesel. Não obstante tenha entendimento vencido sobre o tema, e por alterar o meu entendimento, passo a adotar as razões do voto do Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, ilustre colega de sessão, em julgamento pretérito sobre a mesma matéria, consolidado no Acórdão n. 3801002.958. As operações comerciais com os combustíveis derivados de petróleo, realizamse em três etapas bem definidas e distintas, a saber: as refinarias, as distribuidoras e os varejistas. Historicamente as receitas decorrentes da venda desses produtos ocorreram de forma concentrada e simplificada, inicialmente na modalidade de substituição tributária para frente e posteriormente sob a forma de tributação monofásica. Sob a forma de substituição tributária, enquanto vigente, a incidência do PIS e COFINS se deu da seguinte forma: a) até 31/01/1999, concentrada nas distribuidoras, na condição de contribuintes substitutas dos varejistas: em relação à COFINS, esta sistemática foi adotada desde a instituição desta contribuição pela Lei Complementar n.º 70, de 1991 (art. 4º); no que tange à Contribuição para o PIS/PASEP, ela foi introduzida a partir da vigência da MP n.º 1.212, de 1995 (art. 6º), convertida na Lei n.º 9.715, de 1998; e, b) no período de 01/02/1999 a 30/06/2000, concentrada nas refinarias, na condição de contribuintes substitutas das distribuidoras e dos varejistas: com o advento da Lei n.º 9.718, de 1998 (art. 4º), foi unificada a legislação sobre a forma incidência das duas Contribuições sobre as receitas das vendas de combustíveis. Nesta nova forma de substituição, as refinarias foram indicadas como contribuintes substitutas no lugar das distribuidoras eleitas na sistemática anterior. Nesse modelo adotouse o modelo de substituição tributária para frente, com a definição das refinarias como contribuintes substitutas das distribuidoras e varejistas. No caso de não ocorrer a venda na última fase da cadeia comercialização, foi assegurado ao consumidor final, contribuinte substituído, o ressarcimento dos valores das Contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS. Esse entendimento foi expresso no art. 6º da Instrução Normativa SRF n.º 6, de 29 de janeiro de 1999, a seguir transcrito: Fl. 130DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.905388/201141 Acórdão n.º 3801004.151 S3TE01 Fl. 18 8 Art. 6º. Fica assegurado ao consumidor final, pessoa jurídica, o ressarcimento dos valores das contribuições referidas no artigo anterior, correspondentes à incidência na venda a varejo, na hipótese de aquisição de gasolina automotiva ou óleo diesel, diretamente à distribuidora. § 1º Para efeito do ressarcimento a que se refere este artigo, a distribuidora deverá informar, destacadamente, na nota fiscal de sua emissão, a base de cálculo do valor a ser ressarcido. § 2° A base de cálculo de que trata o parágrafo anterior será determinada mediante a aplicação, sobre o preço de venda da refinaria, calculado na forma do parágrafo único do art. 2°, multiplicado por dois inteiros e dois décimos. §2º A base de cálculo de que trata o parágrafo anterior será determinada mediante a aplicação, sobre o preço de venda da refinaria, calculado na forma do parágrafo único do art. 2º,multiplicado por dois inteiros e dois décimos ou por um inteiro e oitenta e oito décimos, no caso de aquisição de gasolina automotiva ou de óleo diesel, respectivamente. (Redação dada pela IN SRF n.º 24/99, de 25/02/1999) § 3º O valor de cada contribuição, a ser ressarcido, será obtido mediante aplicação da alíquota respectiva sobre a base de cálculo referida no parágrafo anterior. § 4º O ressarcimento de que trata este artigo darseá mediante compensação ou restituição, observadas as normas estabelecidas na Instrução Normativa SRF n.º 21, de 10 de março de 1997, vedada a aplicação do disposto nos arts. 7°a 14 desta Instrução Normativa. Os artigos 2º e 43 da Medida Provisória n.º 1.99115, de 2000 aboliu a sistemática de substituição tributária, substituindoa pelo regime de tributação monofásica, na origem, ou seja, na refinaria de petróleo, em conformidade com o previsto no art. 149, § 4º, da CF/1988, assim expresso: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. (...) § 4º A lei definirá as hipóteses em que as contribuições incidirão uma única vez. Nessa sistemática as refinarias passaram a recolher na condição de contribuinte de fato e direito, deixando a categoria de contribuintes substitutos dos demais, distribuidoras e os varejistas, intervenientes nas etapas de comercialização seguintes. As receitas das distribuidoras e dos varejistas provenientes das vendas desses produtos ficaram Fl. 131DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.905388/201141 Acórdão n.º 3801004.151 S3TE01 Fl. 19 9 excluídas do pagamento das referidas Contribuições, que se tornou definitivo com a reprodução no inciso I do art. 42 da MP n.º 2.15835, de 24 agosto de 2001, assim expresso: Art.42. Ficam reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: Igasolinas, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e GLP, auferida por distribuidores e comerciantes varejistas; A tributação das refinarias, das distribuidoras e varejistas passou a ser realizada de forma autônoma sob a sistemática monofásica, não havendo mais a figura da antecipação do que seria devido nas etapas subsequentes. Os pagamentos passam a ser considerados definitivos, independentemente de qual seja o desfecho que venham ter os fatos geradores posteriores à aquisição dos produtos nas refinarias. A MP n.º 1.99115, de 2000 extinguiu o citado regime de substituição tributária aplicável às duas Contribuições, determinando a tributação em uma única fase (monofásica). Como conseqüência o regime monofásico de tributação não previu a possibilidade de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, em face de sua incidência única e definitiva. Sustenta o contribuinte o direito ao crédito relativo às aquisições dos referidos produtos junto ao fabricante, conforme expressamente reconhecido no artigo 17 da Lei n.º 11.033, de 2004. Em mudança de posicionamento entendo que não assiste razão a Recorrente. A sistemática legal não fundamenta tal entendimento, assim vejamos: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Entendo pela possibilidade de manutenção de créditos exclusivamente quanto aqueles calculados sobre custos, encargos e despesas que tenham antes sofrido a tributação das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, segundo sistemática da nãocumulatividade. Igualmente, com base no artigo 3º, inciso I, alínea “b”, da Lei n.º 10.637, de 2002 é expressamente vedado descontar créditos calculados em relação aquisições de derivados de petróleo. A referência normativa à “manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados” às operações de vendas com isenção, alíquota zero ou não incidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, se dirige unicamente aos créditos relativos aos custos, encargos e despesas legalmente admitidas. Por outro lado, a alínea “b” do I inciso do art. 3º da Lei n.º 10.637, de 2002, e da Lei n.º 10.833, de 2003, veda a utilização de crédito relativo às aquisições dos produtos revendidos cuja receita está sujeita aos regimes especiais de tributação, dentre eles o monofásico. Cabe esclarecer que a própria exposição de motivos da MP 66/2002, convertida na Lei n.º 10.637/2002 ressaltou a especificidade desses regimes especiais, da seguinte forma: Fl. 132DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.905388/201141 Acórdão n.º 3801004.151 S3TE01 Fl. 20 10 8. Sem prejuízo de convivência harmoniosa com a incidência não cumulativa do PIS/PASEP, foram excluídas do modelo, em vista de suas especificidades, as cooperativas, as empresas optantes pelo Simples ou pelo regime de tributação do lucro presumido, as instituições financeiras e os contribuintes tributados em regime monofásico ou de substituição tributária. Assim, não estando a receita de venda de tais produtos sujeita ao regime de incidência nãocumulativa e submetida à alíquota zero não há que se cogitar direito a crédito por ausência de expressa determinação legal. Por outro lado, entendo pela existência de restrição para os créditos de produtos adquiridos para revenda. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Fl. 133DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 16327.721705/2011-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
DESMUTUALIZAÇÃO DAS BOLSAS. ALIENAÇÃO DAS AÇÕES RECEBIDAS.
Apesar de o recebimento de ações em troca de títulos patrimoniais nos processos de desmutualização ter denotado devolução do patrimônio das associações civis representativas das antigas bolsas, configurando ganho de capital tributável pelo IRPJ e pela CSLL, a alienação posterior dessas ações não caracteriza operação de conta própria por não possuir a mesma natureza mercantil contida nos títulos e valores mobiliários ordinariamente negociados pelas sociedades corretoras de valores. Por isso, não configura receita tributável no âmbito do PIS.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 1102-001.221
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de erro na sujeição passiva e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros José Evande Carvalho Araujo e João Otávio Oppermann Thomé, que negavam provimento.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto.
Nome do relator: Ricardo Marozzi Gregorio
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COFINS. Receitas de alienações de ações. Recorrente TOV CORRETORA DE CÂMBIO, TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2007 DESMUTUALIZAÇÃO DAS BOLSAS. ALIENAÇÃO DAS AÇÕES RECEBIDAS. Apesar de o recebimento de ações em troca de títulos patrimoniais nos processos de desmutualização ter denotado devolução do patrimônio das associações civis representativas das antigas bolsas, configurando ganho de capital tributável pelo IRPJ e pela CSLL, a alienação posterior dessas ações não caracteriza operação de conta própria por não possuir a mesma natureza mercantil contida nos títulos e valores mobiliários ordinariamente negociados pelas sociedades corretoras de valores. Por isso, não configura receita tributável no âmbito do PIS. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 DESMUTUALIZAÇÃO DAS BOLSAS. ALIENAÇÃO DAS AÇÕES RECEBIDAS. Apesar de o recebimento de ações em troca de títulos patrimoniais nos processos de desmutualização ter denotado devolução do patrimônio das associações civis representativas das antigas bolsas, configurando ganho de capital tributável pelo IRPJ e pela CSLL, a alienação posterior dessas ações não caracteriza operação de conta própria por não possuir a mesma natureza mercantil contida nos títulos e valores mobiliários ordinariamente negociados pelas sociedades corretoras de valores. Por isso, não configura receita tributável no âmbito do PIS. Recurso Voluntário Provido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 17 05 /2 01 1- 82 Fl. 2736DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721705/201182 Acórdão n.º 1102001.221 S1C1T2 Fl. 2.707 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de erro na sujeição passiva e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros José Evande Carvalho Araujo e João Otávio Oppermann Thomé, que negavam provimento. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto. Relatório Inicialmente, esclareço que todas as indicações de folhas inseridas neste relatório e no subsequente voto dizem respeito à numeração digital do sistema eProcesso. Tratase de recurso voluntário interposto por TOV CORRETORA DE CÂMBIO, TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS LTDA contra acórdão proferido pela 7ª Turma da DRJ/São Paulo I que concluiu pela procedência total dos lançamentos efetuados. Os créditos tributários lançados, no âmbito da Deinf/SP, referentes ao PIS e a COFINS, devidos nos períodos de apuração correspondentes ao anocalendário de 2007, totalizaram o valor de R$ 18.290.312,59. Tal autuação foi fundamentada na tributação de receitas apuradas em operações de alienação de ações. De acordo com a autoridade fiscal, os autos de infração são reflexos dos lançamentos de IRPJ e CSLL consubstanciados no processo nº 16327.721704/201138. Da autuação: Em seu relatório, a decisão recorrida assim descreveu o feito fiscal: Fl. 2737DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721705/201182 Acórdão n.º 1102001.221 S1C1T2 Fl. 2.708 3 Conforme consta no Termo de Verificação Fiscal (fls. 2.333 a 2.363), tratase de auto de infração reflexo do lançamento de IRPJ e CSLL (processo administrativo nº 16327.721704/201138). O AuditorFiscal inicia relatando como ocorreram os processos de desmutualização da Bovespa (em 28 de agosto de 2007) e da BM&F (1º de outubro de 2007), explicando que tiveram como objetivo transferir as atividades compreendidas no objeto social das então associações para entidades organizadas sob a forma de sociedades por ações. O acesso das sociedades corretoras aos sistemas de negociação da bolsa, bem como o acesso dos agentes de compensação e liquidação aos sistemas administrados pela CBLC, passou a decorrer de relação contratual desvinculada da participação societária (relação mutual). No caso da Bovespa, houve a sua cisão parcial (permanecendo 0,03% do patrimônio na associação) e incorporação do patrimônio cindido na Bolsa de Valores de São Paulo S/A (BVSP) e na Bovespa Holding S/A. Em seguida, a Bovespa Holding incorporou as ações da BVSP, tornandose controladora de 100% do seu capital. Cada associado recebeu, pela incorporação da parcela cindida da associação, 570.535 ações da Bovespa Holding por título patrimonial, e, pela incorporação de ações da BVSP pela Holding, mais 136.227 ações, totalizando, assim, 706.762 ações da Bovespa Holding por cada um dos 758 títulos patrimoniais que compunham o patrimônio da Bovespa. O valor patrimonial unitário das ações de emissão da Bovespa Holding em 28.08.2007, para fins de registro contábil, foi determinado em, aproximadamente, R$ 2,22, totalizando R$ 1.568.803,71, permanecendo um valor residual de R$ 8,46 para cada título, que permaneceu no ativo permanente, tudo conforme o Ofício Circular Bovespa nº 225, de 18.09.2007. Após a desmutualização, a partir de 26.10.2007, foi iniciada a Oferta Pública Inicial de 250.492.283 ações de emissão da Bovespa Holding, pelo preço unitário de R$ 23,00, acrescida de um lote suplementar de 37.573.842 ações, resultando numa distribuição total 288.066.125 ações. A desmutualização da BM&F consistiu na cisão parcial da associação e incorporação da parcela cindida pela companhia aberta Bolsa de Mercadorias e Futuros – BM&F S/A, que assumiu as atividades comerciais da associação, permanecendo nesta apenas as atividades educacionais, assistenciais e esportivas. Na data da desmutualização havia: 83 títulos de Membro de Compensação, com valor patrimonial por título de R$ 4.961.610,00, correspondendo a 4.961.610 ações por título; 81 títulos de Corretora de Mercadorias, com valor patrimonial por título de R$ 4.898.015,00, correspondendo a 4.898.015 ações por título; 67 títulos de Operador Especial, com valor patrimonial por título de R$ 1.335.141,00, correspondendo a 1.335.141 ações por título; 387 títulos de Sócio Efetivo, com valor patrimonial por título de R$ 10.000,00, correspondendo a 10.000 ações por título. Fl. 2738DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721705/201182 Acórdão n.º 1102001.221 S1C1T2 Fl. 2.709 4 Após a desmutualização, em 15.11.2007, houve a primeira venda de ações de emissão da BM&F S/A, correspondendo a 10% do total de ações, conforme compromisso dos acionistas vendedores. A partir de 29.11.2007 foi iniciada a Oferta Pública Inicial das demais ações, pelo preço unitário de R$ 20,00, sendo 260.160.736 ações no lote principal e 39.024.110 no lote suplementar. O AuditorFiscal descreve os instrumentos subscritos pela TOV, a fim de participar das ofertas públicas iniciais das ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A: Procuração para a Bovespa Holding praticar os atos necessários à obtenção do registro do IPO, de 27.09.2007; Instrumento Particular de Contrato de Indenização e Outras Avenças, entre a TOV e a Bovespa Holding, de 27.09.2007; Anexo II – B – Termo de Adesão e Procuração (Pessoa Jurídica), e Anexo IV – B – Contrato de Indenização e Outras Avenças (Pessoa Jurídica), subscritos pela TOV e pela BM&F S/A em 1º.11.2007. O autuante elaborou os seguintes quadros, especificando as alienações das ações de emissão da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A: 1ª Alienação: Data da operação Descrição – Ações da Bovespa Holding S.A. Valor venda – R$ 30/10/2007 Alienação de 4.500.000 ações Bovespa IPO 103.500.000,00 Custo (R$2,22 X 4.500.000) (9.989.226,72) Ganho Líquido 93.510.773,28 2ª Alienação: Data da operação Descrição – Ações da BM&F S.A. Valor venda – R$ 16/11/2007 Alienação de 489.802 Ações BM&F 4.260.198,00 Complemento venda 388,83 Complemento venda 527.926,77 Custo (R$1,00 X 489.802) (489.802,00) Ganho Líquido 4.298.711,60 3ª Alienação: Fl. 2739DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721705/201182 Acórdão n.º 1102001.221 S1C1T2 Fl. 2.710 5 Data da operação Descrição – Ações da BM&F S.A. Valor venda – R$ 03/12/2007 Alienação de 3.826.087 ações BM&F IPO 76.521.740,00 Custo (R$1,00 X 3.826.087) (3.826.087,00) Ganho Líquido 72.695.653,00 4ª Alienação: Data da operação Descrição – Ações da BM&F S.A. Valor venda – R$ 07/12/2007 Alienação de 573.913 ações BM&F IPO 11.478.260,00 Custo (R$1,00 X 573.913) (573.913,00) Ganho Líquido 10.904.347,00 No que se refere às 1ª, 3ª e 4ª alienações, os ganhos obtidos não foram contabilizados no resultado da TOV, e portanto não foram oferecidos à tributação do PIS e da COFINS, sendo contabilizados na pessoa jurídica como obrigações relativas a reduções do capital social, cujas quotas seriam resgatadas mediante a entrega daquelas ações ao sócio beneficiário. O autuante afirma, no entanto, que os ganhos obtidos pertencem à TOV, conforme razões expostas no Termo de Verificação Fiscal que acompanha o lançamento de ofício do IRPJ e da CSLL (processo nº 16327.721704/201138), de forma que são tributáveis na pessoa jurídica, e não na pessoa física. A 2ª alienação, de 489.802 ações da BM&F S/A, foi realizada para uma investidora especial, um fundo de investimento integrante do grupo Private Equity General Atlantic, por meio de contrato denominado “Instrumento de Aceitação de Venda de Ações Ordinárias da Bolsa de Mercadorias & Futuros – BM&F S/A e Outorga de Poderes”, subscrito pela TOV no dia 1º de novembro de 2007. Neste caso, o ganho foi contabilizado no resultado da TOV, porém não foi oferecido à tributação do PIS e da COFINS. Registra a autoridade fiscal que os ganhos obtidos na alienação de ações de emissão da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A, nos respectivos IPO’s, foram reclassificadas da pessoa física para a pessoa jurídica, conforme consta no processo nº 16327.721704/201138 , relativo ao IRPJ e à CSLL. Afirma que a atividade principal ou acessória das instituições financeiras, e por isso a caracterização do seu faturamento ou receita bruta, está definida no artigo 17 da Lei nº 4.595/64 como sendo “a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros”. No caso das sociedades corretoras, o artigo 2º do Regulamento Anexo à Resolução CMN nº 1.655/1989 define que o seu objeto social, entre outras atividades, abrange a compra e venda de títulos e valores mobiliários por conta própria e de terceiros, o que também consta como objeto social da TOV, conforme a Fl. 2740DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721705/201182 Acórdão n.º 1102001.221 S1C1T2 Fl. 2.711 6 cláusula segunda do seu contrato social, como disposto na 60ª Alteração Contratual, de 30.06.2007. Conclui o autuante que as operações com títulos e valores mobiliários (como é o caso das ações) são típicas da atividade empresarial da autuada, e por isso os ganhos obtidos devem ser incluídos na receita bruta, e consequentemente na base de cálculo do PIS e da COFINS, conforme artigos 2º e 3º, caput e parágrafos 5º e 6º da Lei nº 9.718/98. A própria Bovespa, no Ofício Circular nº 225/2007, recomendou às associadas a contabilização das ações recebidas de emissão da Bovespa Holding S/A no ativo circulante, caso a decisão fosse a de considerálas como “títulos disponíveis para negociação ou venda”, ou no ativo permanente, se a decisão fosse a de considerálas como investimento. Dessa forma, a contabilização correta para as ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A, que estavam comprometidas com os respectivos IPO’s, era no ativo circulante, em subconta específica de Títulos de Renda Variável, até a alienação, e a receita obtida deveria ser contabilizada no resultado em subconta específica Rendas de Títulos de Renda Variável, conforme as Normas Básicas do Cosif. A TOV subscreveu, logo após o recebimento das ações, vários documentos com o objetivo de alienálas, demonstrando que era essa a sua real intenção, ou seja, as ações recebidas deveriam ser classificadas no ativo circulante. O fato de todas as ações alienadas em 2007 terem sido recebidas cerca de dois meses antes da alienação demonstra que não havia a intenção de permanência que justificasse a contabilização no ativo permanente, e, consequentemente, a receita da alienação como não operacional. Os ganhos obtidos na venda das ações nos IPO’s foram considerados como tendo sido auferidos pelo sócio, conforme anteriormente exposto, enquanto que aqueles auferidos na venda das ações da BM&F S/A para o investidor institucional foram contabilizados indevidamente na conta de resultado “Lucros em Trans. C/ Vals. e Bens – Lucro na Alienação de Invest.”, conta esta que trata da contabilização de receitas não operacionais na alienação de investimentos registrados no ativo permanente caracterizados pela intenção de permanência. Por isso, não sofreram tributação pelo PIS e pela COFINS. Ressalta o AuditorFiscal que a Instrução Normativa SRF nº 247/2002 contém planilha de cálculo das contribuições em comento, incluindo, entre as contas tributáveis, a de “Rendas de Títulos de Renda Variável”. Conclui que os ganhos obtidos nas alienações em 2007 compõem a receita bruta ou faturamento da TOV, sujeitos à incidência do PIS e da COFINS. O autuante relata ainda que a TOV impetrou mandados de segurança que contestam a incidência da COFINS (MS nº 002027314.2000.4.03.6100) e do PIS (MS nº 2006.38.10.0038036) com base na Lei nº 9.718/98, obtendo sentenças no sentido de não ser compelida ao pagamento do PIS e da COFINS nos moldes do §1º, artigo 3º da Lei nº 9.718/98, e ambas as ações encontravamse, na época da lavratura dos autos de infração, pendentes de julgamento em segunda instância. Tais decisões, ao seu ver, não repercutem no lançamento do PIS e da COFINS, já que as contribuições foram calculadas sobre a receita bruta como definida nos artigos 2º e 3º, caput e §§ 5º e 6º da Lei nº 9.718/98. Observa que o STF Fl. 2741DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721705/201182 Acórdão n.º 1102001.221 S1C1T2 Fl. 2.712 7 julgou inconstitucional apenas o §1º do artigo 3º daquela lei, e que o entendimento daquela Corte é o de que o faturamento é o resultado econômico das operações empresariais típicas, como é o caso da receitas da venda das ações pelas sociedades corretoras. Cita o agente fiscal, também, o Parecer PGFN/CAT nº 2.773/2007, que esposa o entendimento de que as atividades do setor financeiro e de seguros podem ser classificadas como serviços para fins tributários, sujeitandose à incidência do PIS e da COFINS. Também faz referência a decisões recentes dos nossos Tribunais em que ficou assentado o entendimento de que o faturamento das instituições financeiras abrange as receitas financeiras, posto que advindas das suas atividades econômicas típicas. Por todos os motivos expostos, foi realizado o lançamento do PIS e da COFINS, conforme tabela abaixo: Alienação de ações/Período Outubro/2007 Novembro/2007 Dezembro/2007 1ª Ganho na IPO Bovespa Holding S.A. 93.510.773,28 0,00 0,00 2ª Ganho BM&F S.A 0,00 4.298.711,60 0,00 3ª Ganho na IPO BM&F S.A. 0,00 0,00 72.695.653,00 4ª Ganho na IPO BM&F S.A. 0,00 0,00 10.904.347,00 Total 93.510.773,28 4.298.711,60 83.600.000,00 PIS 0,65% 607.820,03 27.941,63 543.400,00 COFINS4% 3.740.430,93 171.948,46 3.344.000,00 Total do PIS apurado 1.179.161,66 Total da COFINS apurada 7.256.379,39 Da impugnação: Novamente, segundo o relatório da decisão recorrida, foram as seguintes as alegações deduzidas na impugnação: Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação em 18.01.2012 (fls. 2.377 a 2.384). Observa que as argumentações relativas ao processo original (de IRPJ e CSLL) não cabem na impugnação do presente processo, e por isso estão sendo impugnados apenas os aspectos relativos ao PIS/COFINS, que independem da decisão havida naqueles outros autos, mas alteram a base de cálculo para fins de incidência das contribuições. Mais adiante afirma que as decisões judiciais transitadas em julgado e a decisão definitiva do processo originário impactam neste lançamento. Fl. 2742DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721705/201182 Acórdão n.º 1102001.221 S1C1T2 Fl. 2.713 8 Delimita a questão central ao conceito de faturamento, emanado das decisões do Supremo Tribunal Federal, como sendo as receitas típicas das atividadesfim das empresas. Alega que as receitas utilizadas no lançamento não se constituem receitas típicas das atividadesfim da TOV, já que decorreram de situações atípicas. Argumenta que as ações recebidas pela TOV decorrentes do processo de desmutualização das bolsas conservaram as características originárias, de investimentos permanentes, pois foram recebidas, não adquiridas, em substituição aos títulos patrimoniais das então associações civis, que foram cindidas, com base nas previsões dos artigos 44 e 2033 do Código Civil. Por isso, não se pode falar em momento para optar se seriam para negociação ou aplicações do permanente, apenas permaneceram no permanente pois o negócio continuou o mesmo, apenas mudou o tipo jurídico por meio de reorganização societária. O momento da cisão não ensejou a opção de reclassificação, esta opção de reclassificar para a carteira própria sempre existiu a partir do momento de recebimento das ações. A TOV não o fez, pois sua intenção era apenas devolver o capital ao sócio mediante estes bens. Como as participações societárias são permanentes, a receita das operações de alienação são receitas não operacionais. Se houve desconsideração dos lançamentos contábeis relativos aos negócios jurídicos reduções de capital, como está no processo originário, então os saldos retornaram ao permanente. Se não houve eram bens não de uso, o que era fato, pois a sociedade iria entregálos ao sócio, não podia negociálos e eles não eram mais necessários ao objeto social, pois para operar nas bolsas não seriam mais necessários os títulos, nem as ações. Quanto à orientação de contabilização das ações emitidas pela Bolsa, assevera que: Na verdade o comunicado ao mercado sugerindo duas formas de contabilização continha um erro, não se trata só de classificar entre para venda no ativo circulante ou para manter no ativo permanente, as ações poderiam ter como destino a venda, ou seja o desejo de deixar de ser sócio, pois a sociedade não era de capital aberto, então os interesses até a abertura de capital não vinculados as atividades operacionais da TOV, pois para que fossem os papeis deveriam ser de mercado, e até aquele momento não eram. Assim as receitas seriam não operacionais, se fossem considerados os bens como do permanente, seriam também desvinculadas das receitas das atividades fins, por serem efetivamente Bens não de uso, e nunca foram bens destinados à venda no ativo circulante, porque a TOV não optou e não podia, e porque os papéis nunca estiveram disponíveis para negociação regular no mercado, pois mercado não havia. Portanto receitas não operacionais ou desvinculadas das atividades fins, qual delas não importa, o que importa é que não estavam sujeitas a incidência do PIS e da COFINS. Afastadas as incidências, cancelase o débito apurado Prossegue dizendo que as participações societárias representadas pelas ações da Bovespa e da BM&F nunca estiveram disponíveis para negociação antes do processo de IPO. A única operação efetuada de venda das participações em questão restringiramse aos quatro eventos, todos ligados à abertura de capital, portanto desconexos das atividadesfim da TOV, que não faz e não fez outras operações deste tipo. Argumenta que os IPO’s representaram a transformação das ações recebidas na desmutualização em “ações” valores mobiliários, aí sim enquadráveis no objeto social da TOV, mas apenas depois da alienação discutida. As ações descritas na Lei nº 6.385/76 são exatamente as que circulam no mercado, as que são privadas não se Fl. 2743DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721705/201182 Acórdão n.º 1102001.221 S1C1T2 Fl. 2.714 9 enquadram na categoria de valores mobiliários. Na operação de IPO, quem compra adquire um valor mobiliário, quem vende nem sempre, e este foi o caso da TOV. Observa que a TOV não opera em mercados de Balcão de Compra e Venda de ações, e por isso a receita decorrente da venda das ações que não eram valores mobiliários não se insere no conceito de receita típica da atividade da sociedade. E estão por isso excluídas da incidência do PIS e da COFINS. Aduz também que: Ainda é necessário salientar, sem discutir o mérito da questão, que em vista dos artigos 121, 125, 126, e 130 do código civil, as ações estavam indissociáveis do detentor do direito condicional, o sócio, sobre as participações sociais, na forma que ações que lhe haviam sido auferidas nas reduções de capital, todas citadas no Termo de verificação fiscal do processo originário para fazer quanto aos fatos, já que constam dos respectivos autos. Assim, repitase, sem entrar no mérito, não é o instituto da reclassificação contábil em processo fiscal, que produzirá receita tributável para os fins do Pis e do Cofins. A razão é simples, sobre as ações gravavam a constrição do artigo 126, impedimento da sociedade agir contrário as deliberações da sociedade, sendo então as ações consideradas indisponíveis para negociação. Os efeitos desta vedação devem ser discutidos também aqui e não só lá, pois de fato ensejam a realização de receita atípicas, pois eis que contrária aos próprios preceitos legais aos próprios estatutários, sendo apenas originadas pela ação de verdadeira desconsideração dos atos jurídicos, portanto receita decorrente deste tipo de ação fiscal, não pode assumir o conceito de receitas típicas das atividades afins da empresa, ficando afastados desta forma a incidência do Pis e da Cofins. Afastandose o lançamento e cancelandose a exigência tributária. Quanto à venda de ações da BM&F para o investidor institucional, argumenta que: Da mesma forma, a operação de venda BM&F para a GA, não se admite como trivial, pois foi tipo de operação única, revestida de condições anormais de mercado, dentro de um contexto também atípico que é o que caracterizou a preparação para a abertura de capital da BM&F. Em termos de IPOs tudo foi atípico, comparado com as operações usuais da TOV, os instrumentos foram atípicos, as regras foram atípicas, os tempos foram atípicos. Nada relacionado ao contexto das aberturas de capital é comum no contexto operacional da TOV. Então, alem da receita operação com a GA, ser clássica Receita Não Operacional, ela não guarda relação nenhuma com o objeto social da TOV, portanto não sujeita ao PIS e Cofins. As ações BM&F negociadas com a GA, nunca foram adquiridas para negociação, eram investimento permanentes e continuaram sendo investimentos permanentes até o momento da alienação. Pois a cisão da associação BM&F nunca produziu aquisição de ativo que ensejasse a opção ser permanente ou ativo circulante, apenas continuaram sendo investimentos registrados no permanente. Assim o resultado contábil da venda não seria outro que não o resultado não sujeito à incidência do Pis e da Cofins, mas pelas circunstâncias só poderia ser o que foi, receitas não operacionais. Cabe citar que neste contexto não existe qualquer oposição entre o processo originário e este, pois não cabia no processo original reclassificar a receita de não operacional para operacional, pois lá não geraria qualquer efeito ao lançamento tributário, não cabendo lá se defender de base de cálculo inexistente naquele processo, aplicandose esta decisão somente a este, pois aqui este argumento cabe. Ante o exposto, requer a extinção do crédito tributário, extinguindose este feito independentemente da decisão proferida no processo inicial. Fl. 2744DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721705/201182 Acórdão n.º 1102001.221 S1C1T2 Fl. 2.715 10 Requer sejam admitidas como prova todos os documentos relacionados ao processo original, incluído o termo de verificação fiscal que embasou o lançamento de IRPJ e CSLL, admitindose para tal todos os que foram entregues mediante protocolo. Lista os documentos juntados com a impugnação. Pugna ao final pelo cancelamento dos débitos fiscais reclamados. Da decisão recorrida: A já mencionada 7ª Turma da DRJ/São Paulo I, ao apreciar a impugnação interposta, proferiu o Acórdão nº 1642.977, de 17 de janeiro de 2013, por meio do qual decidiu pela total procedência do feito fiscal. Assim figurou a ementa do referido julgado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 PROCESSO VINCULADO. LANÇAMENTO REFLEXO. A decisão no processo em que se discute a exigência do IRPJ e da CSLL, no que tratou da identificação correta do sujeito passivo em relação aos tributos devidos em decorrência da alienação das ações das bolsas de valores, tem reflexo no lançamento do PIS e da COFINS. Caso ficasse ali decidido que o sujeito passivo é a pessoa física (o sócio), e não a pessoa jurídica (corretora), não seria cabível o lançamento das contribuições. No entanto, como a Turma Julgadora decidiu pela tributação na pessoa jurídica, cabe analisar as demais alegações específicas ao PIS e à COFINS. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2007 RECEITA DECORRENTE DA VENDA DE AÇÕES DAS SOCIEDADES BOVESPA HOLDING S/A E BM&F S/A, RECEBIDAS EM DECORRÊNCIA DA DESMUTUALIZAÇÃO DAS ASSOCIAÇÕES BOVESPA E BM&F. CLASSIFICAÇÃO DAS AÇÕES NO ATIVO CIRCULANTE. O recebimento de ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A, em decorrência das operações de desmutualização das bolsas de valores, caracterizase como aquisição de ativo, e não como mera troca ou substituição. Demonstrada desde o início a intenção de venda no curto prazo, devem as ações serem classificadas no ativo circulante, e não no ativo permanente. CONCEITO DE FATURAMENTO. ATIVIDADES TÍPICAS. VENDA DE AÇÕES POR CORRETORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS. A receita decorrente de venda de ações, atividade empresarial típica das sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, deve ser entendida como faturamento daquelas empresas, e sobre ela incide o PIS. Fl. 2745DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721705/201182 Acórdão n.º 1102001.221 S1C1T2 Fl. 2.716 11 LANÇAMENTO DE COFINS. Aplicamse ao lançamento da COFINS as mesmas conclusões e razões de decidir consideradas para o lançamento do PIS, por serem comuns os seus fundamentos fáticos e jurídicos. Cabe, ainda, destacar que a instância a quo manteve o entendimento suscitado pela fiscalização segundo o qual os lançamentos efetuados não seriam afetados pelas ações judiciais que discutiam a constitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 (alargamento das bases de cálculo do PIS e da COFINS). Isso porque considerouse que a receita das alienações das ações estão inseridas no conceito de faturamento. Ademais, a decisão recorrida discordou da alegação de que as operações tributadas não são operações típicas da empresa (i) porque as ações emitidas por companhias fechadas também se enquadram no conceito de valores mobiliários e (ii) porque a singularidade do negócio realizado e o contexto em que estava inserido (abertura de capital das bolsas) não retira o caráter de atividades típicas do objeto social da empresa. Do recurso voluntário: Em seu recurso voluntário, a empresa autuada reproduz toda a narrativa e considerações deduzidas na peça recursal apresentada no processo referente aos lançamentos de IRPJ e CSLL (nº 16327.721704/201138). Tal como naquele processo, é possível resumir suas alegações, essencialmente, nos seguintes tópicos: Em caráter preliminar, 1. Há que se cancelar a autuação por erro de sujeição passiva. No item “Do histórico da Bovespa e da BM&F”, 2. O auditor entende que o pagamento dos recursos referentes à devolução do capital só poderia ser feito após a aprovação do Banco Central. No entanto, além do sócio controlador (99,99%), a empresa tem como minoritários apenas duas outras pessoas, sua irmã e esposa, razão pela qual não era necessário o interregno de noventa dias previstos no Código Civil para fins de impugnação dos credores que se sentirem prejudicados com a redução do capital social. As normas do Código Civil não são opostas ao Fisco, mas tão somente à empresa e seus acionistas, voltamse para as partes envolvidas e que entenderem prejudicadas. 3. A autorização do Banco Central deuse com efeito retroativo já que a empresa deu ciência de suas alterações e reestruturação pelo diário oficial e jornais de grande circulação. 4. A averbação da alteração estatutária na Junta Comercial somente se exige para fins comerciais, não afligindo questões fiscais. 5. Ainda que a chancela do Banco Central tenha se dado com efeitos retroativos, o pagamento dos recursos referentes à devolução do capital só ocorreu após essa chancela porque a Fl. 2746DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721705/201182 Acórdão n.º 1102001.221 S1C1T2 Fl. 2.717 12 empresa tomou a atitude mais zelosa de realizar a venda por conta e ordem do sócio controlador. 6. Depois de descrever as três operações de redução de capital, a conclusão que chega é que houve efetivamente uma transferência de propriedade do título patrimonial (1ª operação) e das ações (2ª e 3ª operações) para o sócio, chancelada pelo Banco Central, com efeito retroativo. Porém, por questões de cautela, a empresa só repassou a liquidação financeira recebida com a venda das ações em 2008. 7. A empresa não é o contribuinte de que trata o artigo 121 do CTN, já que realizou os atos atinentes ao negócio jurídico por conta e ordem do sócio controlador. Recebeu as ações de emissão da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A por conta e ordem e subscreveu os instrumentos relativos à decisão de participar das ofertas publicas também por conta e ordem. Tanto é que efetuou o pagamento dos impostos pela pessoa física. A empresa apenas negociava na bolsa as ações de seu sócio controlador. 8. Tendo ocorrido a abertura da Bovespa e da BM&F, a empresa pôde ter acesso aos mercados de ações sem a necessidade dos títulos permanentes. A alegação da autoridade fiscal de que a redução de capital vai de encontro à realidade financeira mundial na ocasião é incoerente porque deixa de relatar a necessidade de adequação às normas relativas ao limite de imobilizado, quando da redução do permanente, com a entrega das ações. 9. Na jurisprudência colacionada pelo Fisco acerca da “falta de motivação extratributária” havia uma simulação, fraude e/ou dolo, o que no caso presente não se deu e sequer foi motivo para a qualificação da multa. No item “Infrações – 1ª autuação”, 10. A desmutualização das bolsas tratou de um fato permutativo de títulos patrimoniais por ações, sem provocar alteração do patrimônio líquido da empresa. Não configura fato gerador do IRPJ e da CSLL, portanto, nem do PIS e da COFINS. A desmutualização não se equipara à dissolução da associação. Mesmo que se tratasse de uma dissolução, a operação seria plenamente admitida e não produziria impacto fiscal enquanto não promovida a alienação dos bens recebidos em devolução. 11. São aplicáveis ao presente caso as regras previstas nos artigos 1.113 e seguintes do Código Civil, em detrimento do artigo 61 invocado equivocadamente pelo Fisco. Há que se ter em mente que o disciplinado no artigo 2.033 preceitua que as normas relativas às associações aplicamse subsidiariamente a qualquer tipo de sociedade (artigo 44, §2º). 12. A legislação civil permite a cisão de uma associação isenta e a legislação societária não impõe qualquer restrição a esta operação, nem considera este evento fato gerador do IRPJ e da CSLL desde que o valor vertido tenha sido avaliado a valor contábil. 13. O artigo 15, § 4º, da Lei nº 9.532/97, o qual determinava que as entidades isentas deveriam assegurar a destinação do seu patrimônio a outra instituição isenta, foi revogado pelo artigo 18, IV, da Lei nº 9.718/98. Com isso, não havia restrição para que o patrimônio cindido fosse destinado a uma entidade com fins econômicos. Fl. 2747DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721705/201182 Acórdão n.º 1102001.221 S1C1T2 Fl. 2.718 13 14. O artigo 17 da Lei nº 9.532/97, que trata de devolução de capital, não é aplicável quando se trata de mera relação de troca. No caso em tela, deve ser aplicado o artigo 16, § único, da mesma Lei, que determina que a transferência de bens e direito do patrimônio das entidades isentas para o patrimônio de outra pessoa jurídica, em virtude de cisão, deve ser efetuada pelo valor de sua aquisição. 15. Invoca em seu favor as seguintes conclusões: a troca de títulos da dívida pública federal no âmbito do PND se caracterizava como mera permuta (Parecer PGFN nº 970/91); a natureza de fato permutativo na substituição de títulos patrimoniais por ações envolvendo a CBLC (Solução de Consulta nº 13/97, item 8); a inexistência de ganho de capital quando o bem é transferido pelo seu valor contábil (artigo 22 da Lei nº 9.249/95 e Solução de Consulta nº 07/2002); os ajustes contábeis realizados pelas corretoras nos títulos patrimoniais seriam indiferentes para fins tributários (Portaria MF nº 785/77); a reserva de reavaliação decorrente da atualização dos títulos patrimoniais não deveria ser tributada (Pareceres CST nº 78/78, 2.111/81, 911/83 e 2.867/83); e a aplicação do MEP para fins de avaliação contábil dos títulos patrimoniais das bolsas (Solução de Consulta nº 13/97, Parecer CST nº 78/78 e Ato Declaratório Normativo nº 9/81). 16. Requer a aplicação do princípio da segurança jurídica e do artigo 100, § único, do CTN, posto que seu procedimento estava em conformidade com o entendimento consagrado na Solução de Consulta nº 13/97. No item “Infrações – 2ª autuação”, 17. A empresa efetuou os lançamentos contábeis em conta passiva, e não do resultado, porque as ações não eram suas e, portanto, o ganho de capital era de responsabilidade do sócio controlador. Nesse sentido, também não é a responsável pelo recolhimento do PIS e da COFINS. Frente a todo o exposto, reforça os argumentos acima já resumidos para concluir que: (1) houve erro na identificação do sujeito passivo; (2) não houve ganho de capital na transmissão do título da corretora para o seu sócio, nem das bolsas para suas associadas e tão pouco houve ganho de capital na venda por conta e ordem; e (3) não houve incidência tributária sobre as desmutualizações das bolsas. Relativamente ao voto proferido na instância inferior, acrescenta as seguintes alegações: 18. Apesar de ser acertada a decisão quando refere que não se aplica o MEP, o tratamento contábil e fiscal guarda os mesmos efeitos. 19. A Portaria MF nº 785/77 veiculava normas, apenas para os proprietários dos títulos patrimoniais das antigas bolsas, que impunham o dever de, ano a ano, contabilizar a valorização desses títulos em conta do ativo com contrapartida em conta de reserva para sua compulsória incorporação ao capital. Aos aumentos de capital assim procedidos aplicarseia o disposto no DL nº 1.109/70. É aí que reside o equívoco da Solução de Consulta nº 10, visto que a norma não estava a regular hipótese de postergação de tributação, pelo contrário, estava a veicular autêntica isenção condicionada. Assim trataram todos os pareceres normativos que versaram sobre o assunto. Uma vez incorporada reserva à conta de capital, os valores de atualização patrimonial registrados se tornam perenemente isentos. Fl. 2748DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721705/201182 Acórdão n.º 1102001.221 S1C1T2 Fl. 2.719 14 20. Admitindose a correção do entendimento da Cosit (na referida Solução de Consulta), a tributação jamais poderia alcançar os valores capitalizados há mais de cinco anos, uma vez que, quanto a esses, a isenção já teria se consolidado e o lançamento estaria atingido pela decadência. 21. O Banco Central, ao tratar da reestruturação realizada pela empresa, não se manifestou sobre a necessidade de sua autorização prévia para a redução do capital. Ao contrário, sua manifestação foi no sentido de que os atos praticados não estavam em desacordo com suas normas. O ato administrativo de aprovação teve seus efeitos retroagidos às datas de assinatura dos atos societários. 22. As reduções de capital tiveram seus regulares efeitos no momento em que deliberadas. Por isso, a conclusão dos julgadores, que tiveram por base as regras de contabilização previstas no artigo 5º da Circular nº 2.750/97, não tem qualquer amparo legal. 23. A decisão recorrida não aplicou o entendimento predominante do CARF contido no Acórdão nº 10245.982, o qual decidiu que, para fins fiscais, o que importa é o ato formalizado e tencionado pelo contribuinte, ainda que, naquele caso, fosse invertida a posição que ocupam o Fisco e o contribuinte. No item “Receitas incluídas no conceito de faturamento”, são apresentadas as alegações, enfim, voltadas para os lançamentos do PIS e da COFINS: 24. A decisão recorrida entende não ser aplicável a decisão proferida pelo STF, entretanto, as receitas das vendas das ações não compõem o conceito de faturamento, há vista não serem suas. 25. Ademais, ainda que as ações fossem da empresa recorrente, não são receitas típicas da sua atividade. Vender o seu patrimônio, seu ativo permanente, não é o seu negócio empresarial nem o de qualquer outra empresa. Portanto, isso está fora do campo de incidência de que trata o presente feito. Ao final, requer o cancelamento do auto de infração. Das contrarrazões: Em suas contrarrazões, a Fazenda Nacional apresenta um breve histórico fático do fenômeno da desmutualização e discorre sobre o regime jurídico aplicável às associações, bem como sobre seus efeitos tributários. Nesse ponto, ressalta que os efeitos tributários do processo de desmutualização já foram perfeitamente delimitados pelo Judiciário e, mais recentemente, pelo próprio CARF. Quanto à alienação das ações obtidas com a desmutualização, renova os argumentos de que os atos de redução do capital social somente se tornam eficazes com a ausência de impugnação de credores no prazo de noventa dias, com as autorizações do Banco Central publicada no DOU e com os registros dos respectivos atos na Junta Comercial, após as autorizações do Banco Central. Ademais, reitera o argumento adicional suscitado pela fiscalização que propugna pela ausência de propósito negocial no planejamento fiscal engendrado. Fl. 2749DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721705/201182 Acórdão n.º 1102001.221 S1C1T2 Fl. 2.720 15 No que diz respeito à classificação das ações recebidas a título de devolução do patrimônio, reafirma o entendimento segundo o qual elas devem ser classificadas no ativo circulante da empresa. Neste sentido, invoca o conteúdo das instruções fornecidas pela Bovespa no já referido Ofício Circular nº 225/2007 e o fato de a empresa, desde o início do processo de desmutualização, ter firmado acordo no qual manifestou a concordância com a alienação das ações em leilões de ofertas públicas iniciais (IPO). Esse comportamento, aliás, teria sido padrão entre as empresas associadas das antigas bolsas. Então, de acordo com o artigo 179, I, da Lei nº 6.404/76, é de se exigir a classificação no ativo circulante dos bens de titularidade da pessoa jurídica que devam ser alienados até o término do exercício social subseqüente. No tocante à tributação pelo PIS e pela COFINS, sustenta que o montante recebido pela empresa em decorrência das operações de alienação das ações integra a sua receita bruta operacional. Além do já referido artigo 2º do Regulamento Anexo à Resolução CMN nº 1.655/89, que diz que no objeto social das sociedades corretoras incluise a compra e venda de títulos e valores mobiliários por conta própria e de terceiros, invoca também o conteúdo da Circular Bacen nº 1.273/87, do qual é possível extrair o entendimento segundo o qual são rendas operacionais as remunerações obtidas pelas sociedades corretoras em suas operações ativas e de prestação de serviços, ou seja, aquelas que se referem a atividades típicas, regulares e habituais. Ao final, requer que seja negado provimento ao recurso voluntário. Da declinação da competência: A 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, mediante o Acórdão nº 3401002.403, de 26 de setembro de 2013, entendeu que a decisão proferida no processo nº 16327.721704/201138 terá reflexo diretamente no presente. Assim, até para evitar decisões contraditórias, declinou da competência para que os processos sejam julgados em conjunto. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 2750DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721705/201182 Acórdão n.º 1102001.221 S1C1T2 Fl. 2.721 16 Considerando: (i) que os lançamentos do PIS e da COFINS, objeto do presente processo, são conexos aos lançamentos do IRPJ e da CSLL consubstanciados no processo nº 16327.721704/201138; e (ii) que as razões de defesa da recorrente e da Fazenda Nacional são inicialmente idênticas às deduzidas naquele processo; peço vênia para reproduzir a íntegra do meu voto proferido, na condição de relator, no respectivo julgamento: Em caráter preliminar, a recorrente alega erro na sujeição passiva. De fato, diante da relação de subsidiariedade das disposições do processo civil no processo administrativo fiscal, o erro de sujeição passiva deve ser equiparado à ilegitimidade de uma das partes, o que constituiria ausência de uma das condições da ação e, consequentemente, motivo suficiente para a extinção do processo sem a resolução do mérito (artigo 267, VI, do CPC). No entanto, no presente caso, essa alegação está intimamente ligada às infrações imputadas na medida em que, no mérito, pretende se atribuir ao sócio majoritário a titularidade dos títulos e/ou ações sobre os quais foram constatados os ganhos de capital tributados. Por tal motivo, deixo para analisar essa questão no momento mais adequado. Quanto ao mérito, há, então, duas infrações a serem consideradas. 1ª infração Ganho de capital na desmutualização: A recorrente detinha sete títulos patrimoniais da Bovespa com os seguintes custos de aquisição: 1º – R$ 355.000,00 2º – R$ 250.000,00 3º – R$ 250.000,00 4º – R$ 200.000,00 5º – R$ 275.000,00 6º – R$ 275.000,00 7º – R$ 275.000,00 Com o processo de desmutualização, os associados receberam em troca de cada título patrimonial o equivalente a 706.062 ações da Bovespa Holding para as quais foi atribuído o valor contábil de R$ 1.568.890,19. Dessa operação, a fiscalização apurou um ganho de capital tributável no valor de R$ 9.102.231,33 referente ao terceiro trimestre de 2007. A despeito de a empresa ter alegado no procedimento fiscal que o 4º título teria sido entregue ao sócio antes da conclusão da desmutualização, em razão da primeira operação de redução de capital, a fiscalização desconsiderou este fato em razão dos mesmos motivos que serão examinados na análise da segunda infração. Portanto, se não concordarmos com a imposição dessa segunda infração, será necessário rever as consequências dessa conduta. Fl. 2751DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721705/201182 Acórdão n.º 1102001.221 S1C1T2 Fl. 2.722 17 Ademais, a recorrente detinha um título de sócio efetivo e um título de corretora de mercadorias na BM&F. A empresa não apresentou documentação comprobatória da aquisição do título de sócio efetivo, razão pela qual a fiscalização lhe atribuiu custo zero. Por outro lado, a documentação entregue referente ao título de corretora de mercadorias revelou um custo de aquisição no valor de R$ 2.721.894,13. Considerando que, com o processo de desmutualização, os associados receberam ações em troca de cada um desses títulos que equivaleram, respectivamente, aos valores contábeis de R$ 10.000,00 e R$ 4.908.015,00, a fiscalização apurou um ganho contábil tributável no valor de R$ 2.186.120,87 referente ao quarto trimestre de 2007. Antes desses processos de desmutualização, em conformidade com o que dispunha o artigo 7º da Resolução CMN nº 1.656/89 (posteriormente reproduzido no artigo 7º da Resolução CMN nº 2.690/00), o patrimônio das bolsas de valores era formado mediante realização em dinheiro e dividido em títulos patrimoniais, cuja quantidade e valor inicial eram fixados pela Comissão de Valores Mobiliários. O valor nominal desses títulos eram atualizados anualmente nos termos dos critérios estabelecidos no artigo 10 da mesma Resolução (artigo 9º da Resolução nº 2.690/00). O procedimento contábil para refletir essas atualizações estava disciplinado na Circular BACEN nº 1.273/87, que instituiu o Plano Contábil das Instituições Financeiras do Sistema Financeiro Nacional – COSIF, no trecho seguir transcrito: CAPÍTULO: Normas Básicas – 1 SEÇÃO: Ativo Permanente 11 (...) 3. Outros investimentos 1 – Constituem a Carteira Outros Investimentos as seguintes aplicações: (...) b) títulos patrimoniais; (...) 3 – Os títulos patrimoniais de bolsas de valores, de mercadorias e de futuros, são corrigidos mensalmente e atualizados, por ocasião dos balanços, pelo valor informado pela respectiva bolsa, procedendose aos seguintes lançamentos de ajustes: a) se o novo valor informado pelas bolsas for superior ao saldo contábil corrigido na database do balanço, debitase TÍTULOS PATRIMONIAIS pela diferença apurada, em contrapartida com RESERVA DE ATUALIZAÇÃO DE TÍTULOS PATRIMONIAIS; b) se o novo valor informado pelas bolsas for inferior ao saldo contábil corrigido na database do balanço, creditase TÍTULOS PATRIMONIAIS pela diferença apurada, em contrapartida com RESERVA DE ATUALIZAÇÃO DE TÍTULOS PATRIMONIAIS até o limite do seu saldo. A parcela excedente, Fl. 2752DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721705/201182 Acórdão n.º 1102001.221 S1C1T2 Fl. 2.723 18 se houver, é debitada em LUCROS OU PREJUÍZOS ACUMULADOS. Por ainda não se tratar de renda disponível, os ganhos assim obtidos não eram tributados na esteira do entendimento consubstanciado na Portaria MF nº 785/77, in verbis: I. O acréscimo do valor nominal dos títulos patrimoniais das Bolsas de Valores, em decorrência de alteração do seu patrimônio social, não constitui receita nem ganho de capital das sociedades corretoras associadas e, por isso, pode ser excluído do lucro real destas desde que não seja distribuído e constitua reserva para oportuna e compulsória incorporação ao capital. Naturalmente, se houvesse a realização da renda pela alienação dos títulos patrimoniais, darseia a tributação dos ganhos disponibilizados com a computação da reserva de atualização dos títulos patrimoniais no resultado tributável (artigo 4º da Lei nº 9.959/00). Neste ponto, cumpre observar a clara distinção entre o que ocorre neste procedimento e o que se passa no método da equivalência patrimonial. Neste último, aplicável aos investimentos relevantes em sociedades controladas e coligadas, o acréscimo patrimonial está sujeito à tributação na sociedade investida na medida em que é contabilizado. O registro desse acréscimo é concomitantemente refletido no investimento da sociedade investidora, porém, em atendimento a uma medida de política fiscal consoante com a técnica de integração para alívio da bitributação econômica, o legislador deixa de tributar tal acréscimo até mesmo quando ocorre a realização do investimento. No caso dos investimentos nos antigos títulos patrimoniais das bolsas de valores, não havia a tributação na sociedade investida. Sua natureza societária estava bem delineada no artigo 1º da já mencionada Resolução CMN nº 1.656/89, in verbis: Art. 1º As Bolsas de Valores são constituídas como associações civis, sem finalidade lucrativa, tendo por objeto social: (...) Parágrafo único. As Bolsas de Valores não podem distribuir a sociedades corretoras membros parcela de patrimônio ou resultado, exceto nos casos de dissolução e na forma que a Comissão de Valores Mobiliários aprovar. Portanto, as bolsas de valores eram, no regime anterior, tratadas como associações civis sem fins lucrativos. E essas entidades estavam isentas da tributação pelo IRPJ e pela CSLL, à luz do que estava expressamente previsto no artigo 15 da Lei nº 9.532/97. Confirase: Fl. 2753DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721705/201182 Acórdão n.º 1102001.221 S1C1T2 Fl. 2.724 19 Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. Assim, quando o investimento das sociedades corretoras que atuavam nas bolsas de valores era realizado, ocorria normalmente a tributação dos ganhos obtidos com os seus acréscimos patrimoniais. Isto porque inexistia a bitributação econômica e, portanto, não havia motivação para uma decisão legislativa que promovesse seu alívio tal como foi tomada com os investimentos avaliados pela equivalência patrimonial. Com os processos de desmutualização, as bolsas de valores deixaram de ter a natureza de associações civis sem lucrativos para se tornarem sociedades anônimas. Implementouse uma reestruturação societária, a exemplo do que se sucedeu com as bolsas americana, europeias e asiáticas, com o objetivo de tornar realidade a faculdade há algum tempo prevista no artigo 1ª da Resolução CMN nº 2.690/00 (que havia revogado a já referida Resolução CMN nº 1.656/89), in verbis: Art. 1º As bolsas de valores poderão ser constituídas como associações civis ou sociedades anônimas (...) (grifei) A desmutualizaão ocorreu em duas etapas: num primeiro momento, constituiriamse as sociedades anônimas representativas das novas bolsas de valores (Bovespa Holding S/A e BM&F S/A); num momento posterior, os títulos patrimoniais das associações civis representativas das antigas bolsas de valores foram trocados por ações de emissão das aludidas sociedades anônimas. Nesse contexto, há que se investigar quais seriam as consequências tributárias dessas operações. O Código Civil prevê as seguintes normas para a destinação do patrimônio líquido das associações dissolvidas: Art. 61. Dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio líquido, depois de deduzidas, se for o caso, as quotas ou frações ideais referidas no parágrafo único do art. 56, será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes. § 1o Por cláusula do estatuto ou, no seu silêncio, por deliberação dos associados, podem estes, antes da destinação do Fl. 2754DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721705/201182 Acórdão n.º 1102001.221 S1C1T2 Fl. 2.725 20 remanescente referida neste artigo, receber em restituição, atualizado o respectivo valor, as contribuições que tiverem prestado ao patrimônio da associação. Destarte, no caso de dissolução, o patrimônio das associações deverá ser destinado à entidades de fins não econômicos, sendo possível, antes, a restituição aos associados das contribuições que estes tiverem prestado ao patrimônio. E, no caso da devolução dessa parcela do patrimônio aos associados, o artigo 17 da já mencionada Lei nº 9.532/97 é expresso no sentido de que se proceda à tributação pelo IRPJ e pela CSLL da diferença entre o valor recebido e o valor que foi entregue para a formação do patrimônio. Vejase: Art. 17. Sujeitase à incidência do imposto de renda à alíquota de quinze por cento a diferença entre o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa física, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver entregue para a formação do referido patrimônio. (...) § 3º Quando a destinatária dos valores em dinheiro ou dos bens e direitos devolvidos for pessoa jurídica, a diferença a que se refere o caput será computada na determinação do lucro real ou adicionada ao lucro presumido ou arbitrado, conforme seja a forma de tributação a que estiver sujeita. § 4º Na hipótese do parágrafo anterior, para a determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido a pessoa jurídica deverá computar: a) a diferença a que se refere o caput, se sujeita ao pagamento do imposto de renda com base no lucro real; b) o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos, se tributada com base no lucro presumido ou arbitrado. Portanto, nos processos de desmutualização, ocorreu uma dissolução parcial das associações civis representativas das antigas bolsas de valores, com devolução aos associados de suas parcelas do patrimônio na forma de ações das sociedades anônimas representativas das novas bolsas de valores. Impõese, então, a consequente tributação das diferenças apuradas entre o valor recebido e o valor que foi entregue para a formação do patrimônio. E não poderia ser diferente uma vez que instituise um novo regime. Com a mudança da natureza societária, as bolsas de valores deixaram de ser instituições isentas e, assim sendo, tributam e distribuem seus lucros. Os investimentos relevantes nessas instituições passaram a ser avaliados pelo método da equivalência patrimonial. E, como tais, são beneficiados pelo alívio da bitributação econômica quando de sua realização. Não seria coerente migrar para o novo regime, sem que se promovesse a tributação dos acréscimos acumulados dos investimentos quando a instituição investida era beneficiada pelo regime de isenção. Fl. 2755DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721705/201182 Acórdão n.º 1102001.221 S1C1T2 Fl. 2.726 21 Ademais, não se pode alegar que teria havido uma cisão parcial (ao invés de uma dissolução parcial) das antigas bolsas de valores e que, por isso, haveria que se aplicar o previsto no parágrafo único do artigo 16 da Lei nº 9.532/97, in verbis: Art. 16. (...) Parágrafo único. A transferência de bens e direitos do patrimônio das entidades isentas para o patrimônio de outra pessoa jurídica, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, deverá ser efetuada pelo valor de sua aquisição ou pelo valor atribuído, no caso de doação. Explicase. O Código Civil trata distintamente as diferentes espécies de pessoas jurídicas de direito privado. Assim, seu artigo 44 destaca as associações numa categoria autônoma: Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: I as associações; II as sociedades; III as fundações. IV as organizações religiosas;(Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003) V os partidos políticos.(Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003) VI as empresas individuais de responsabilidade limitada.(Incluído pela Lei nº 12.441, de 2011) (grifei) Em suas disposições finais transitórias, o Código determinou que: Art. 2.033. Salvo o disposto em lei especial, as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas referidas no art. 44, bem como a sua transformação, incorporação, cisão ou fusão, regemse desde logo por este Código. Ora, esse artigo 2.033 apenas vincula as modificações dos atos constitutivos ao novo Código. Não diz que todas as pessoas jurídicas do artigo 44 são passíveis de sofrer as modalidades de reorganização societária que enuncia. Os institutos da transformação, incorporação, cisão e fusão somente foram tratados pelo Código no Capítulo X (artigos 1.113 a 1.122) do Subtítulo II (Da Sociedade Personificada) do Livro II (Do Direito da Empresa) da Parte Especial. Quando quis compartilhar as regras aplicáveis à categoria das sociedades empresárias com as demais espécies de Fl. 2756DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721705/201182 Acórdão n.º 1102001.221 S1C1T2 Fl. 2.727 22 pessoas jurídicas de direito privado, o Código foi expresso. Confirase, nesse sentido, a regra prevista no § 2º do artigo 51 exclusivamente para os casos de liquidação: Art. 51. (...) 2o As disposições para a liquidação das sociedades aplicamse, no que couber, às demais pessoas jurídicas de direito privado. Inexiste outro dispositivo determinando a aplicação das regras das sociedades empresárias às associações. Nada obstante, em sentido contrário, o § 2º do artigo 44 estendeu, de forma subsidiária, o regime jurídico das associações às sociedades empresárias. Vejase: Art. 44. (...) § 2o As disposições concernentes às associações aplicamse subsidiariamente às sociedades que são objeto do Livro II da Parte Especial deste Código.(Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003) Portanto, a alegada cisão parcial das associações não encontra amparo na legislação civil vigente. Nem se pode recorrer às disposições do Código Civil de 1916. Isto porque as disposições finais e transitórias do Código de 2002 estabeleceram um prazo para que todas as pessoas jurídicas de direito privado se adaptassem às suas novas determinações. Confirase: Art. 2.031. As associações, sociedades e fundações, constituídas na forma das leis anteriores, bem como os empresários, deverão se adaptar às disposições deste Código até 11 de janeiro de 2007.(Redação dada pela Lei nº 11.127, de 2005) É por isso que todos os atos legais ou infralegais anteriores à vigência do Código Civil de 2002 devem ser interpretados em consonância com suas disposições. E isso inclui a regra contida no parágrafo único do artigo 16 da Lei nº 9.532/97 (acima transcrito). Sua interpretação deve estar em harmonia com o disposto no artigo 61 do Código Civil, isto é, a transferência de bens e direitos do patrimônio das associações só pode ser efetuada para o patrimônio de outra pessoa jurídica que tenha fins não econômicos. Nesse sentido, o parágrafo único do artigo 16 da Lei nº 9.532/97 só pode ser aplicado quando a entidade isenta não se tratar de uma associação. Assim sendo, mesmo que as formas empregadas nos processos de desmutualização tenham sido chanceladas por seus órgãos de controle, não se pode opor ao Fisco consequências tributárias distintas daquelas efetivamente aplicáveis aos fatos constatados. Fl. 2757DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721705/201182 Acórdão n.º 1102001.221 S1C1T2 Fl. 2.728 23 Como conclusão, o resultado dos processos de desmutualização somente pode ser caracterizado como dissolução parcial das associações civis representativas das antigas bolsas de valores, com devolução do respectivo patrimônio aos associados, convertido em bens que foram utilizados para o aporte em capital das novas sociedades anônimas constituídas. E, em consonância com o disposto no artigo 17, e seus §§ 3º e 4º, da Lei nº 9.532/97, a diferença entre o valor das ações recebidas e o custo de aquisição dos títulos patrimoniais deve ser computada na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Como relatado, a Cosit já havia se pronunciado sobre essa questão na Solução de Consulta nº 10/07, a qual foi publicada com a seguinte ementa: OPERAÇÃO DE DESMUTUALIZAÇÃO DAS BOLSAS DE VALORES. O instituto da cisão, disciplinado nos arts. 229 e segs. da Lei nº 6.404, de 1976, e no art. 1.122 da Lei nº 10.406, de 2002, só é aplicável às pessoas jurídicas de direito privado constituídas sob a forma de sociedade. Às bolsas de valores constituídas sob a forma de associações se aplica o regime jurídico estatuído nos arts. 53 a 61 da Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil de 2002). O art. 61 da Lei nº 10.406, de 2002, veda a destinação de qualquer parcela do patrimônio das bolsas de valores, constituídas sob a forma de associações, a entes com finalidade lucrativa. As sociedades corretoras devem avaliar as cotas ou frações ideais das bolsas de valores pelo custo de aquisição. O fato de a operação de “desmutualização” de associações não encontrar amparo no ordenamento jurídico não obsta a incidência do imposto de renda sobre a diferença entre o valor nominal das ações (da sociedade) recebidas pelos associados (sociedades corretoras) e o custo de aquisição das cotas ou frações ideais representativo do patrimônio segregado das bolsas de valores. Nesse sentido, também, a orientação de diversos julgados desta Casa: DESMUTUALIZAÇÃO DE BOLSAS DE VALORES. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO DE ASSOCIAÇÃO. SUJEIÇÃO À TRIBUTAÇÃO. AVALIAÇÃO PELO CUSTO DE AQUISIÇÃO. A operação de desmutualização das bolsas de valores, sob a forma de cisão parcial seguida de incorporação, não se faz possível, em razão do disposto no art. 61 do Código Civil de 2002, que veda a destinação de qualquer parcela do patrimônio de associações a entes com finalidade lucrativa. A inoponibilidade ao Fisco da operação de desmutualização das bolsas de valores atrai a incidência do IRPJ calculado sobre a diferença entre o valor nominal das ações das sociedades (Bovespa Holdings e da BM&F S.A.) recebidas pelas corretoras associadas e o custo de aquisição das cotas ou frações ideais representativo do patrimônio segregado das associações (Bovespa e BM&F). Aplicase o art. 17 da Lei nº 9.532/97, e não o art. 16 da mesma lei, à operação de desmutualização, visto que a transferência de bens das bolsas de valores para outras pessoas jurídicas configura uma devolução de capital em razão da transferência dos títulos representativos do seu capital aos seus associados (sociedades corretoras), sem que as novas sociedades (Bovespa Holdings e da BM&F S.A) passem a integrar seu quadro social. Os títulos patrimoniais das bolsas de valores (associações) devem ser avaliados por seu custo de aquisição, e não pelo Método de Equivalência Patrimonial (MEP), estando apenas autorizadas pela Portaria nº 785/77, a postergar a tributação sobre o valor dos acréscimos efetuados ao valor nominal das cotas ou frações ideais recebidos Fl. 2758DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721705/201182 Acórdão n.º 1102001.221 S1C1T2 Fl. 2.729 24 em virtude de aumento do capital social das associações para o momento da redução do capital ou extinção das mesmas. (Acórdão nº 1202.000745, de 11/04/2012, Conselheira Viviane Vidal Wagner, Redatora Designada) IRPJ e CSLL. Processo de desmutualização da BMF e BOVESPA. O processo de desmutualização da BMF e da Bovespa redundou na devolução do capital e conseqüente tributação nos termos do art. 17 da Lei 9532. (Acórdão nº 1302.00880, de 11/04/2012, Conselheiro Marcos Rodrigues de Mello, Relator) DESMUTUALIZAÇÃO DA BM&F. CISÃO DE ASSOCIAÇÃO CIVIL SEM FINS LUCRATIVOS. IMPOSSIBILIDADE. HIPÓTESE DE DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO AOS ASSOCIADOS. INCIDÊNCIA. Inexistindo a possibilidade de cisão de associação civil, ou mesmo de destinação de seu patrimônio a entidade de fins econômicos, o fato jurídico que converteu títulos patrimoniais da BM&F em ações somente pode ser caracterizado como dissolução parcial daquela associação, com devolução de patrimônio ao associado, que utiliza este valor para aporte de capital na sociedade anônima constituída. Em tais circunstâncias, há ganho de capital se o valor das ações recebidas é superior ao valor originalmente entregue à associação civil. (Acórdão nº 1101.000833, de 08/11/2012, Conselheira Edeli Pereira Bessa, Redatora Designada) AUTO DE INFRAÇÃO. DESMUTUALIZAÇÃO DE BOLSAS DE VALORES E DE MERCADORIAS. ASSOCIAÇÕES ISENTAS. DEVOLUÇÃO DE TÍTULO PATRIMONIAL E SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES DAS NOVAS EMPRESAS. SUJEIÇÃO À TRIBUTAÇÃO. Sujeitase à incidência do imposto de renda, computandose na determinação do lucro real do exercício, a diferença entre o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa jurídica, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver sido entregue para a formação do referido patrimônio. (Acórdão nº 1301.001225, de 12/06/2013, Conselheiro Edwal Casoni de P. F. Junior, Relator) Outrossim, já há diversos julgados proferidos no âmbito do Tribunal Regional Federal da 3ª Região que seguem a mesma linha de entendimento. A título ilustrativo, transcrevese o seguinte: MANDADO DE SEGURANÇA. INCIDÊNCIA DE IRPJ E CSSL. BOVESPA E BM&F. OPERAÇÃO DE "DESMUTUALIZAÇÃO". TÍTULOS PATRIMONIAIS CONVERTIDOS EM AÇÕES DE S/A. PORTARIA MF 785/77. DECRETOLEI 1.109/70. CTN: ART. 111. LEI 9.532/97, ART. 17. Fl. 2759DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721705/201182 Acórdão n.º 1102001.221 S1C1T2 Fl. 2.730 25 1. Com a operação de "desmutualização" das Bolsas, ocorrida no ano de 2007 em que as mesmas deixaram de ser associações civis sem fins lucrativos e passaram a se constituir em sociedades anônimas, ocorreu a substituição dos títulos patrimoniais dos associados, detidos pelos impetrantes por ações da Bovespa Holding S/A e BM&F S/A, alterando a situação jurídicotributária então existente. 2. De fato, superando o biênio inicial de vigência do NCC não mais se viabilizaria a transformação de entidades associativas em sociedades, ante o silêncio do seu art. 1.113, quanto àquelas, destinadas a extinção, nos casos da espécie, facultado o retorno das contribuições vertidas ao patrimônio associativo (NCC: art. 61, §§ 1º e 2º), o que se operou através da substituição dos títulos patrimoniais dos associados pelas ações das novas sociedades, estas com e aquelas sem finalidade lucrativa. 3. Hipótese em que opera efeitos a previsão do art. 177 e § 2º da Lei nº 6.404, de 1976, desde sua redação original, exsurgindo as conseqüências tributárias advindas dos novos lineamentos civis, sem que necessário perquirir acerca da validade das deliberações sociais tomadas em prol da "desmutualização" operada. 4. Daí porque remanesce integra a Solução de Consulta nº 10/2007, incidindo na espécie, tanto o IRPJ com a CSL, a teor da Lei 9.532 de 10/12/97, art. 17, §§ 3º e 4º. 5. Não tem lugar a utilização do Método de Equivalência Patrimonial, já que o mesmo somente é viável nas hipóteses de investimentos em controladas e coligadas, nos termos do que dispõe os arts. 384, 387, 388, do Decreto 3000/99. 6. Precedente desta Corte: AG 2007.03.00.1051159. De minha relatoria: AMS 000812150.2008.4.03.6100/SP 7. Tampouco incide a Portaria MF 785/77, restrita ao acréscimo do valor nominal dos títulos patrimoniais não distribuídos e segregados contabilmente para compulsória incorporação ao capital associativo (CTN: art. 111). 8. Improsperam, pelas mesmas razões, os pedidos subsidiários, na medida em que assentada a incidência das exações no momento da conversão dos títulos patrimoniais em ações, verificado com a desmutualização em 28/08/2007, sobre a diferença entre o valor de aquisição dos primeiros e o valor de devolução em ações. 9. Não há decadência, portanto, para excluir da base de cálculo atualizações levadas a efeito até 2002, nem como excluir da tributação aquelas procedidas até o advento da Solução de Consulta COSIT nº 10/07, máxime porque apenas espelha entendimento da União, não detendo qualquer força legal. Por fim, como já ressaltado, em caso de posterior alienação de ações, poderá ocorrer nova incidência, se verificado ganho de capital, o que não inviabiliza a cobrança ora hostilizada. 10. Precedentes desta E. Corte (Terceira Turma: AMS 000852215.2009.4.03.6100, AMS 000238466.2008.4.03.6100 e AMS 000870605.2008.4.03.6100, todos de relatoria do Juiz convocado Rubens Calixto; AMS 000812150.2008.4.03.6100, de minha relatoria). 11. Apelo da impetrante a que se nega provimento. (AMS nº 000454379.2008.4.03.6100, de 08/05/2014, Relator Juiz Convocado Roberto Jeuken) Pelos motivos expostos, impõese, então, discordar da recorrente quando afirma: que a desmutualização não se equipara à dissolução da associação; que os artigos 1.113 e seguintes do Código Civil, bem como o artigo 2.033 c/c artigo 44, § 2º, do mesmo Código, poderiam, de alguma forma, lhe ser favoráveis; que a legislação civil permite a cisão de uma associação isenta; que a revogação do artigo Fl. 2760DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721705/201182 Acórdão n.º 1102001.221 S1C1T2 Fl. 2.731 26 15, § 4º, da Lei nº 9.532/97, permitiria que o patrimônio fosse destinado a uma entidade com fins econômicos; que o artigo 17 da Lei nº 9.532/97 não seria aplicável ao caso, mas, sim, o seu artigo 16, § único. Além disso, os demais atos legais ou infralegais invocados pela recorrente devem também ser interpretados em consonância com as disposições do novo Código Civil, o que resulta nas conclusões acima alcançadas. É por isso que também não prosperam as alegações de que: a troca de títulos da dívida pública federal no âmbito do PND se caracterizava como mera permuta; a substituição de títulos patrimoniais por ações envolvendo a CBLC teve natureza de fato permutativo; inexiste ganho de capital quando o bem é transferido pelo seu valor contábil; os ajustes contábeis realizados pelas corretoras nos títulos patrimoniais seriam indiferentes para fins tributários; a reserva de reavaliação decorrente da atualização dos títulos patrimoniais não deveria ser tributada; o MEP deve ser aplicado para fins de avaliação contábil dos títulos patrimoniais das bolsas; deve ser aplicado o § único do artigo 100 do CTN porque seu entendimento estava em conformidade com o consagrado na Solução de Consulta nº 13/97; a norma não estaria a veicular hipótese de postergação da tributação, mas autêntica isenção condicionada; e já se teria operado a decadência dos valores capitalizados. No que se refere à aplicação do princípio da segurança jurídica, não se pode acatar esse argumento. Isso porque a competência desta Casa está circunscrita a verificar os aspectos legais dessa atuação. Quanto a isso, vale a pena transcrever o que dispõem o artigo 62 do Anexo II do RICARF e a Súmula CARF nº 2: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (grifei) Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, mantenho a integralidade do lançamento no que concerne ao ganho de capital apurado nos processos de desmutualização. 2ª infração Ganho de capital na alienação de ações: Conforme relatado, durante o ano de 2007, a recorrente alega ter efetuado três operações de redução de capital com a entrega de título/ações à pessoa física do seu sócio majoritário. Na primeira, como acima mencionado, teria havido a entrega do 4º título patrimonial da Bovespa pelo seu valor atualizado, equivalente a R$ 1.282.500,00. Não obstante a regulamentação do BACEN determinar que essa operação só seria concretizada após sua aprovação, a empresa procedeu ao registro contábil da operação, em 30 de junho, promovendo a reclassificação do título para a conta ativa que continha a descrição “Bens Não de Uso Próprio – Outros”. Com a desmutualização, ocorrida em 28 de agosto, aquele título patrimonial foi substituído por 706.762 da Bovespa Holding S/A. Fl. 2761DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721705/201182 Acórdão n.º 1102001.221 S1C1T2 Fl. 2.732 27 Na segunda, realizada após a desmutualização, teria havido a entrega de 4.240.572 ações da Bovespa Holding S/A pelo valor contábil de R$ 9.412.822,26. Não obstante a regulamentação do BACEN determinar que essa operação só seria concretizada após sua aprovação, a empresa procedeu ao registro contábil da operação, em 18 de outubro, promovendo a reclassificação das ações para a conta ativa que continha a descrição “Bens Não de Uso Próprio – Outros”. Na terceira, realizada após a desmutualização da BM&F, ocorrida em 1º de outubro, teria havido a entrega de 4.408.015 ações da BM&F S/A pelo valor contábil de R$ 4.408.015,00. Não obstante a regulamentação do BACEN determinar que essa operação só seria concretizada após sua aprovação, a empresa procedeu ao registro contábil da operação, em 29 de outubro, promovendo a reclassificação das ações para a conta ativa que continha a descrição “Bens Não de Uso Próprio – Outros”. Apesar disso, a recorrente praticou os atos necessários e cumpriu todas as etapas preparatórias para a participação nos leilões de ofertas públicas iniciais (IPO) de ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A. Nesse contexto, alienou parte das ações que alega terem sido entregues ao sócio majoritário em três operações. Na primeira, ocorrida em 30 de outubro, alienou 4.500.000 ações da Bovespa Holding S/A pelo preço de R$ 103.500.000,00. As ações alienadas foram baixadas da conta ativa que continha a descrição “Bens Não de Uso Próprio – Outros” e o valor da transação foi contabilizado na conta passiva que continha a descrição “Outras Obrigações – Vlrs. Vinc. a Red. Capital”. Na segunda, ocorrida em 3 de dezembro, alienou 3.826.087 ações da BM&F S/A pelo preço de R$ 76.521.740,00. As ações alienadas foram baixadas da conta ativa que continha a descrição “Bens Não de Uso Próprio – Outros” e o valor da transação foi contabilizado na conta passiva que continha a descrição “Outras Obrigações – Vlrs. Vinc. a Red. Capital”. Na terceira, ocorrida em 7 de dezembro, alienou 573.913 ações da BM&F S/A pelo preço de R$ 11.478.260,00. As ações alienadas foram baixadas da conta ativa que continha a descrição “Bens Não de Uso Próprio – Outros” e o valor da transação foi contabilizado na conta passiva que continha a descrição “Outras Obrigações – Vlrs. Vinc. a Red. Capital”. A empresa considerou que essas alienações foram efetuadas por conta e ordem, por isso apurou o ganho de capital e tributou as operações em nome da pessoa física do seu sócio majoritário. A fiscalização entendeu que não houve a efetiva entrega do título e das ações. A titularidade desses bens só poderia ser atribuída ao sócio quando as operações de redução de capital fossem aprovadas pelo BACEN. Por conseguinte, apurou ganhos de capital tributáveis na pessoa jurídica da empresa, referentes ao quarto trimestre de 2007, nos valores de: R$ 93.510.773,28 na primeira alienação; R$ 70.375.574,90, na segunda alienação; e R$ 10.554.981,03, na terceira alienação. A DRJ acatou o pleito de aproveitamento dos pagamentos de imposto efetuados em nome do sócio, pessoa física, sobre os ganhos de capital apurado. Em minha opinião o feito fiscal, depois do aproveitamento do imposto determinado pela decisão recorrida, não merece mais reparo. Fl. 2762DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721705/201182 Acórdão n.º 1102001.221 S1C1T2 Fl. 2.733 28 Como atestaram a fiscalização e a instância a quo, o artigo 10 e seu § 1º c/c o § 1º do artigo 18 da Lei nº 4.595/64 impõem a autorização do BACEN às alterações estatutárias das instituições financeiras. Dentre estas, incluemse as sociedades corretoras que atuam nas bolsas de valores. Não se trata de uma autorização que possa ser considerada automática, eis que, a própria Lei, determina o estudo dos pedidos formulados, do que poderá resultar em concessão ou recusa da autorização pleiteada. Confirase: Art. 10. Compete privativamente ao Banco Central da República do Brasil: (...) X Conceder autorização às instituições financeiras, a fim de que possam: (Renumerado pela Lei nº 7.730, de 31/01/89) (...) f) alterar seus estatutos. (...) § 1º No exercício das atribuições a que se refere o inciso IX deste artigo, com base nas normas estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional, o Banco Central da República do Brasil, estudará os pedidos que lhe sejam formulados e resolverá conceder ou recusar a autorização pleiteada, podendo (Vetado) incluir as cláusulas que reputar convenientes ao interesse público. (...) Art. 18. (...) § 1º Além dos estabelecimentos bancários oficiais ou privados, das sociedades de crédito, financiamento e investimentos, das caixas econômicas e das cooperativas de crédito ou a seção de crédito das cooperativas que a tenham, também se subordinam às disposições e disciplina desta lei no que for aplicável, as bolsas de valores, companhias de seguros e de capitalização, as sociedades que efetuam distribuição de prêmios em imóveis, mercadorias ou dinheiro, mediante sorteio de títulos de sua emissão ou por qualquer forma, e as pessoas físicas ou jurídicas que exerçam, por conta própria ou de terceiros, atividade relacionada com a compra e venda de ações e outros quaisquer títulos, realizando nos mercados financeiros e de capitais operações ou serviços de natureza dos executados pelas instituições financeiras. (grifei) A referência ao inciso IX no § 1º do artigo 10, na realidade, tem como foco o atual inciso X resultante da renumeração promovida pelo artigo 19 da Lei nº 7.730/89. Fl. 2763DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721705/201182 Acórdão n.º 1102001.221 S1C1T2 Fl. 2.734 29 Consideradas sociedades corretoras de valores mobiliários, essas instituições financeiras também se subordinam aos ditames do Regulamento anexo à Resolução CMN/BACEN nº 1.655/89. Em seus artigos 3º e 17, constam os seguintes mandamentos: Art. 3º A constituição e o funcionamento de sociedade corretora dependem de autorização do Banco Central do Brasil. (...) Art. 17. Subordinarseão à prévia aprovação do Banco Central, além da autorização de que trata o "caput" do artigo 3º, os seguintes atos relativos à sociedade corretora: (...) III – alteração do valor do capital social; (...) IX qualquer outra alteração do estatuto ou contrato social; No âmbito dos procedimentos que devem ser obedecidos pelas instituições financeiras para o registro contábil de subscrição, aumento e redução do capital social, a Circular BACEN nº 2.750/97 determinou que: Art. 5º A redução do capital social das instituições referidas no art. 1º, deliberada em assembléia de acionistas ou reunião de quotistas, deve ser registrada, enquanto não autorizada por este órgão, a débito da conta redução de capital, tendo como contra partida: I lucros ou prejuízos acumulados, no caso de amortização de prejuízos; II credores diversos país, no caso de resgate de ações ou quotas; III capital a realizar, no caso de cancelamento de ações ou quotas ainda não integralizadas. Parágrafo 1º Os recursos referentes ao resgate de ações ou quotas somente podem ser pagos aos beneficiários após a aprovação por este órgão da ata da assembléia de acionistas ou reunião de quotistas que deliberou a redução do capital social, na forma por essa definida. Parágrafo 2º A redução de capital social deve ser registrada a débito de capital e a crédito de redução de capital, na data da aprovação por este órgão da ata da assembléia de acionistas ou reunião de quotistas que deliberou a redução do capital social. (grifei) Fl. 2764DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721705/201182 Acórdão n.º 1102001.221 S1C1T2 Fl. 2.735 30 Portanto, está bem claro que os recursos (as ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A) só poderiam ser pagos (entregues) aos beneficiários (o sócio majoritário) após a aprovação, pelo BACEN, da ata da reunião de quotistas que deliberou a redução do capital social. Ademais, a redução na conta do capital social só poderia ser contabilizada na mesma data, isto é, quando efetivamente se concretiza a operação de redução do capital social. Noutro prisma, a normatização existente acerca dos procedimentos para o registro público dos atos societários que exigem aprovação governamental também não permite concluir que teria havido a concretização das operações de redução de capital. O artigo 35, VIII, da Lei nº 8.934/94 contém a seguinte redação: Art. 35. Não podem ser arquivados: (...) VIII os contratos ou estatutos de sociedades mercantis, ainda não aprovados pelo Governo, nos casos em que for necessária essa aprovação, bem como as posteriores alterações, antes de igualmente aprovadas. E a Instrução Normativa DNRC nº 32/91, vigente à época dos fatos, que dispunha sobre o arquivamento dos atos subordinados a aprovação prévia de órgãos do governo, incluía expressamente, em seu Anexo, as alterações dos contratos sociais das sociedades corretoras de câmbio e de títulos e valores mobiliários dentre os que estavam proibidos de arquivamento sem a prévia aprovação do BACEN. Por sua vez, o artigo 35 da Lei nº 6.404/76 (Lei das Sociedades Anônimas) esclarece como é feita a transferência da titularidade da propriedade das ações escriturais, in verbis: Art. 35. A propriedade da ação escritural presumese pelo registro na conta de depósito das ações, aberta em nome do acionista nos livros da instituição depositária. § 1º A transferência da ação escritural operase pelo lançamento efetuado pela instituição depositária em seus livros, a débito da conta de ações do alienante e a crédito da conta de ações do adquirente, à vista de ordem escrita do alienante, ou de autorização ou ordem judicial, em documento hábil que ficará em poder da instituição. § 2º A instituição depositária fornecerá ao acionista extrato da conta de depósito das ações escriturais, sempre que solicitado, ao término de todo mês em que for movimentada e, ainda que não haja movimentação, ao menos uma vez por ano. § 3º O estatuto pode autorizar a instituição depositária a cobrar do acionista o custo do serviço de transferência da propriedade das ações escriturais, observados os limites máximos fixados pela Comissão de Valores Mobiliários. Fl. 2765DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721705/201182 Acórdão n.º 1102001.221 S1C1T2 Fl. 2.736 31 Como bem observado no voto condutor da decisão recorrida, todos os informes da instituição custodiante juntados aos autos (fls. 241 a 243, 284, 285, 301, 310 e 314) indicam que a empresa recorrente seria a proprietária das ações. Não é certo que tenham caráter apenas informativo nem que o alienante pudesse optar por manter as informações inalteradas para evitar burocracia e custos decorrentes. Não bastasse isso, a fiscalização também constatou que o saldo das ações não alienadas nas ofertas públicas, que pertenceria ao sócio controlador após as respectivas aprovações dos atos societários pelo BACEN, nunca foi efetivamente para ele transferido. Uma parte foi alienada em abril de 2008 e outra parte foi substituída por ações da BM&FBovespa S/A em maio de 2008. Dessas últimas, uma parte foi alienada em outubro de 2008 e outra parte permaneceu no patrimônio da empresa recorrente. Ademais, a liquidação financeira das ações alienadas nas ofertas públicas só foi repassada ao sócio no ano de 2008. Ou seja, tudo levando a crer que nunca houve a intenção de se promover uma efetiva transferência da propriedade das ações para o sócio. Portanto, não se pode acolher a alegação de que houve erro na identificação do sujeito passivo. A titularidade das ações alienadas era, de fato e de direito, da empresa recorrente. Razão pela qual não possuem qualquer fundamento para alterar essa constatação os argumentos que defendem que: não haveria necessidade do interregno de noventa dias para fins de impugnação dos credores sobre as operações de redução de capital; a autorização do BACEN teria efeito retroativo; a averbação da alteração estatutária na Junta Comercial não afligiria questões fiscais; a empresa teria tomado uma atitude zelosa ao realizar a venda por conta e ordem do sócio controlador; o repasse da liquidação financeira em 2008 seria motivado por questões de cautela; a negociação das ações do sócio controlador nas bolsas seria um negócio jurídico por conta e ordem; o ganho de capital seria de responsabilidade do sócio controlador; e as reduções de capital teriam seus regulares efeitos no momento em que foram deliberadas. Quanto à alegação de que a decisão recorrida não aplicou o entendimento predominante no CARF, há que se salientar que a primeira instância de julgamento dos processos administrativos fiscais no âmbito federal, salvo no que diz respeito a matérias objeto de súmulas vinculantes, não está adstrita à jurisprudência desta Casa. Por outro lado, concordo com a decisão recorrida no que concerne à dispensabilidade da fundamentação da autuação com base na ausência de motivação extratributária. Isso porque quando a interpretação da matéria fática, do ponto de vista da formalidade dos negócios jurídicos empreendidos, é suficiente para ser subsumida na regramatriz de incidência tributária não há necessidade de se recorrer à jurisprudência administrativa que faz uma análise objetiva do propósito preponderante dos negócios jurídicos formalizados com a finalidade de afastar a oposição dos seus efeitos ao Fisco. Com isso, mantenho também a integralidade do lançamento no que se refere ao ganho de capital apurado na alienação de ações. Ademais, no que diz respeito ao aproveitamento do imposto pago em nome da pessoa física do sócio, questão que é o objeto do recurso de oficio, considero correto entendimento da decisão recorrida. Nesse sentido, peço vênia para reproduzir as razões de decidir pronunciadas pelo voto condutor daquela decisão, as quais subscrevo: Fl. 2766DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721705/201182 Acórdão n.º 1102001.221 S1C1T2 Fl. 2.737 32 De maneira geral, podemos dizer que, se a autoridade fiscal efetua a constituição de um crédito tributário em nome da pessoa jurídica, sob o argumento de que foi ela quem realizou o fato gerador do tributo, e não a pessoa física do sócio, ela está, ao mesmo tempo, desconstituindo a relação jurídica que existia entre o Fisco e a pessoa física, da qual decorreu o pagamento do IRPF. Dessa maneira, torna indevidos os recolhimentos efetuados em nome do sócio, que poderia, por isso, solicitar a sua restituição, uma vez finalizado o processo administrativo em que a autuada discute o lançamento, e tornada definitiva a decisão. A alternativa de utilização para abater valores lançados na pessoa jurídica apenas poderia ocorrer com autorização da pessoa física, posto que, caso deferida tal utilização, ela ficaria impedida de solicitar a restituição do tributo por ela recolhido. Dadas as circunstâncias do caso em concreto, no entanto, em que o pagamento foi feito pela própria TOV, e considerando que o sócio beneficiário detinha 99,99% do seu capital social (o que implica, ao meu ver, em concordância tácita com o pedido da pessoa jurídica), entendo ser possível a utilização dos recolhimentos de IRPF para reduzir o valor lançado de IRPJ correspondente à venda das ações, pelo que dou provimento, nesta parte, à impugnação do contribuinte. Pelo exposto, oriento meu voto no sentido de afastar a preliminar de erro na sujeição passiva e, no mérito, negar provimento aos recursos voluntário e de ofício. Uma vez esclarecida a minha opinião sobre a natureza tributável dos ganhos de capital obtidos na desmutualização das bolsas e nas subsequentes alienações das ações recebidas, impõese enfrentar a discussão sobre a possibilidade de tributação, pelo PIS e pela COFINS, das receitas auferidas nessas mesmas operações de alienação de ações. A fiscalização fundamentou a autuação no fato de a compra e venda de títulos e valores mobiliários incluirse dentre as atividades típicas da empresa autuada. Além disso, a Bovespa, no Ofício Circular nº 225/07, teria recomendado às associadas a contabilização das ações recebidas no ativo circulante caso a decisão fosse de considerálas como “títulos disponíveis para negociação ou venda”. Como a recorrente teria subscrito vários documentos que demonstram a inequívoca intenção de alienálas, sua correta classificação contábil seria no ativo circulante e não no ativo permanente. Por isso, segundo a fiscalização, o necessário enquadramento dos valores auferidos nas operações de alienação nos conceitos de faturamento e receita bruta definidos pelos artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718/98, bem como o seu não enquadramento na hipótese de não incidência veiculada pelo inciso IV do § 2º desse mesmo artigo 3º. Confirase: Art.2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art.3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. Fl. 2767DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721705/201182 Acórdão n.º 1102001.221 S1C1T2 Fl. 2.738 33 §1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) §2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: (...) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. Ademais, os lançamentos efetuados não seriam afetados pelas ações judiciais que discutiam a constitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 (já revogado, conforme acima transcrito, em razão de declaração de inconstitucionalidade pronunciada pelo STF) porque a fiscalização considerou que a receita das alienações das ações está inserida no conceito de faturamento. A DRJ, amparada pela decisão proferida no processo nº 16327.721704/2011 38, sustentou que o recebimento das ações nas operações de desmutualização caracterizase como aquisição de ativo e não mera troca ou substituição. Daí a concordância com o entendimento da fiscalização, ou seja, caracterizouse um novo momento (diferente da aquisição originária dos títulos patrimoniais) a fim de se verificar a intenção ou não da alienação para fins de classificação das ações no ativo circulante ou permanente. Como estava demonstrada a intenção de venda no curto prazo, as ações deveriam, então, ser classificadas no ativo circulante. Ainda, segundo ela, como as operações efetuadas eram, de fato, operações típicas da empresa, impunhase o enquadramento dos valores auferidos como receita bruta com a consequente tributação pelo PIS e pela COFINS. Tais argumentos são depois reforçados nas contrarrazões da PFN. A recorrente, por sua vez, entende que a receita das vendas das ações não se inclui no conceito de faturamento porque as ações faziam parte do seu ativo permanente. Assim, a controvérsia reside em verificar se era necessária a classificação das ações no ativo circulante e, mesmo que isso fosse necessário, se está correto o enquadramento dos valores auferidos nas operações de alienação nos conceitos de faturamento/receita bruta. Como se viu na transcrição do voto proferido no outro processo, na desmutualização, ocorreu uma dissolução parcial das associações civis representativas das antigas bolsas de valores, com devolução aos associados de suas parcelas do patrimônio na forma de ações das sociedades anônimas representativas das novas bolsas de valores. Portanto, as ações recebidas constituíam participações em outras sociedades (as novas bolsas). Tinham, pois, natureza de investimentos e, como tais, poderiam ser contabilizados no ativo circulante ou permanente, dependendo da intenção de negociação, se imediata ou não, respectivamente. Como, de fato, havia o compromisso de negociar as ações, em sintonia com as normas de caráter contábil (Ofício Circular nº 225/07) e societário (artigo 179 da Lei das S.A.), elas talvez devessem ter sido classificadas no ativo circulante. Ainda assim, há que se Fl. 2768DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721705/201182 Acórdão n.º 1102001.221 S1C1T2 Fl. 2.739 34 investigar se as operações de alienação das ações se enquadravam efetivamente nos conceitos de faturamento/receita bruta previstos na Lei nº 9.718/98. O conteúdo desses conceitos não se encontra na própria lei. Sua tentativa de definir o conceito de receita bruta (e por via transversa o faturamento) no § 1º do artigo 3º, o qual sugeria que a receita bruta é “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”, como acima dissemos, foi declarada inconstitucional pelo STF. É que a Constituição, na redação original do seu artigo 195, I, dizia que a competência para a instituição das contribuições para a seguridade social deveria tomar como base, além da folha de salários e do lucro, o faturamento. E a ideia corrente de faturamento coincidia com a de receita bruta insculpida na legislação do imposto de renda, mais precisamente, no artigo 12 do DecretoLei nº 1.598/77 (em sua redação original anterior à alteração promovida pela Lei nº 12.973/14 para os fatos geradores que ocorrerem a partir de 2015), qual seja, “compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados”. Ou seja, a lei pretendia estender o conceito às receitas não operacionais. Assim, para o presente caso, importa verificar se as operações de alienação das ações configuram operações de conta própria. A meu ver, não se pode considerar que as ações recebidas em troca dos títulos patrimoniais possuíam a mesma natureza mercantil contida nos títulos e valores mobiliários ordinariamente negociados pela recorrente. É certo que, conforme indica seu objeto social, a compra e venda de títulos e valores mobiliários pode se dar por conta própria ou de terceiros. Contudo, mesmo os comprados por conta própria, para futura negociação, são adquiridos em condições normais de mercado, dentro do espírito especulativo que envolve as transações cotidianas de compra e venda nas bolsas de valores. Esses, sim, caracterizam operações de conta própria das sociedades corretoras de valores. Por outro lado, as ações recebidas nos processos de desmutualização possuem uma conotação diferente. De certa forma, tem razão a recorrente quando alega que as ações foram recebidas e não adquiridas. Por isso, não se reveste daquela condição normal de mercado que caracteriza as operações de conta própria. Nada obstante, o recebimento das ações em troca dos títulos patrimoniais denota devolução do patrimônio das associações civis representativas das antigas bolsas. E isso, já vimos, configura ganho de capital tributável no âmbito do IRPJ e da CSLL. Mas, não, que isso vá implicar, em momento posterior, em receita tributável no âmbito do PIS e da COFINS. Com argumentos um pouco diferentes, podemos encontrar as opiniões de alguns conselheiros do CARF que seguiram a mesma linha aqui adotada, ou seja, não consideraram tributáveis pelo PIS e pela COFINS as alienações de ações efetuadas logo após os processos de desmutualização apesar de terem considerado tributáveis pelo IRPJ e pela CSLL o ganho de capital verificado na devolução dos títulos patrimoniais. Destaco as seguintes: Voto Vencedor da Conselheira Viviane Vidal Wagner no Acórdão nº 1202000.813, de 12/06/12: Fl. 2769DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721705/201182 Acórdão n.º 1102001.221 S1C1T2 Fl. 2.740 35 Em que pese a votação ter sido unânime pelo provimento do recurso voluntário nessa parte, cabem alguns esclarecimentos, haja vista que as razões dadas pelo relator para a não incidência dessas contribuições sobre a operação pautaramse, basicamente, na interpretação de que teriam ocorrido meros fatos permutativos, sem ingresso de receita ou ganho que poderiam, em tese, ser incluídos nas bases tributáveis respectivas, argumento esse que restou vencido. A interpretação majoritária dada pelo colegiado à operação que ensejou a infração à legislação do IRPJ e da CSLL, formalizada como “001 – OUTROS RESULTADOS NÃO OPERACIONAIS GANHOS AUFERIDOS EM DEVOLUÇÃO DO PATRIMÔNIO DE ENTIDADES ISENTAS”, concluiu pela existência de devolução de patrimônio com ganho de capital no momento da desmutualização, consoante os fundamentos expostos anteriormente. Como fundamento da autuação das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, a autoridade fiscal considerou que as ações vendidas em momento posterior estavam incorretamente classificadas como Ativo Permanente, quando deveriam estar classificadas como Ativo Circulante, ensejando, neste caso, a tributação de PIS e Cofins sobre a receita de venda, por representar receita bruta, referente a “ganho de capital obtido na venda de 210.000 ações da BOVESPA HOLDING S/A, em outubro de 2007, e ganho de capital resultante do recebimento de ações preferenciais da BM&F BOVESPA S/A, em junho de 2008”, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal (fls.3345). O fundamento da autuação das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins evidencia que não se trata de lançamento reflexo, mas, sim, conexo com o de IRPJ, Assim, as conclusões quanto ao lançamento de IRPJ não vinculam as conclusões quanto aos lançamentos de PIS e Cofins. A competência da 1ª Seção para apreciação desses lançamentos decorre do art. 2º, inciso IV, do Anexo II, da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, com a redação dada pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, considerando que as exigências das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins estiveram lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ. No caso concreto, a recorrente contabilizou todas as ações adquiridas da BOVESPA HOLDING S/A no ativo permanente da empresa. Quando da venda de parte dessas ações, em outubro de 2007, a receita apurada não foi oferecida à tributação do PIS e da Cofins. Da mesma forma procedeu quando do resgate de ações preferenciais da BM&F BOVESPA S/A, em junho de 2008. A recorrente contesta as autuações, alegando que, sendo uma mera troca de ativos, e permanecendo a participação dos novos ativos, a função de ativo permanente não foi desviada e, portanto, não haveria motivo para alterar a classificação contábil por ela adotada. Segundo a técnica contábil, no momento do recebimento das ações é que se averigua a intenção de se ativar ou vender o ativo, o que determina sua classificação em conta do ativo permanente ou circulante. Como se viu, no processo de desmutualização, não houve mera troca de ativos. A alteração estrutural das entidades de natureza associativa para sociedades anônimas gerou a devolução do capital detido pela recorrente, anteriormente, sob a forma de títulos patrimoniais. Todavia, essa devolução se deu sob a forma de ações da nova sociedade. Poderia ter se dado através de moeda em espécie ou outro ativo qualquer, mas, tendo Fl. 2770DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721705/201182 Acórdão n.º 1102001.221 S1C1T2 Fl. 2.741 36 se dado através de ações, a classificação destas no ativo permanente da recorrente é justificável. Assim, no momento da venda/resgate dessas ações, a percepção de eventual acréscimo patrimonial representa ganho de capital tributável pelo IRPJ e pela CSLL, não equivalendo a receita bruta, esta, sim, sujeita às contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Declaração de Voto do Conselheiro Walber José da Silva nos Acórdãos nº 3302 001.850, de 23/10/2013, e nº 3302001.872, de 27/11/2013: No presente recurso voluntário votei no sentido de desconstituir o lançamento porque a empresa Recorrente é um banco comercial e não é atividade própria dos bancos comerciais a compra em nome próprio, para posterior revenda, de títulos e valores mobiliários, a exemplo de ações. Eventual operação desta natureza, como a que aconteceu no presente caso, a receita auferida com a venda das ações não é a receita da atividade própria do banco recorrente. Não sendo receita da atividade do contribuinte, não integrava a base de cálculo do PIS e da Cofins antes da alteração promovida pela Lei nº 9.718/98, que restou declarada inconstitucional pelo STF. Mais ainda, a referida receita não decorre da prestação de serviços ou da revenda de mercadorias, como sustentam alguns. No caso dos autos, o banco comercial recorrente adquiriu ações em nome próprio (com ou sem compromisso de revender), que passou a integrar o seu patrimônio, e as contabilizou (no ativo circulante ou no ativo imobilizado, conforme o caso) como tal. Posteriormente vendeu essas ações (a totalidade ou parte, não faz diferença), auferindo uma receita de mesma natureza (receita de alienação de patrimônio), que não é tributada pelo PIS e pela Cofins no regime cumulativo. Estão são as razões, em apertada síntese, que me levam a concluir pela improcedência do lançamento e, portanto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. Pelo exposto, oriento meu voto no sentido de afastar a preliminar de erro na sujeição passiva e, no mérito, dar provimento ao recursos voluntário. É como voto. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 2771DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721705/201182 Acórdão n.º 1102001.221 S1C1T2 Fl. 2.742 37 Fl. 2772DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 28/10/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME
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Numero do processo: 10680.001371/2006-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001
COFINS. ISENÇÃO. ART. 14 DA MP 2.158/01. RECEITA DA ATIVIDADE PRÓPRIA.
As receitas relativas às atividades próprias, para fins de aplicação da regra de isenção da Cofins prevista no art. 14, X, da MP 2.15835/2001, são aquelas auferidas em contraprestação pelo desempenho das atividades para as quais foram constituídas as entidades.
REPRODUÇÃO DAS DECISÕES DEFINITIVAS DO STF, NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-B, DO CPC.
No julgamento dos recursos no âmbito do CARF devem ser reproduzidas pelos Conselheiros as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática prevista pelo art. 543-B, da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 197 - Código de Processo Civil, em conformidade com o que estabelece o art. 62-A do Regimento Interno.
COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. RE 585.235.
Segundo entendimento do Supremo Tribunal Federal, a base de cálculo das Contribuições para o PIS e da COFINS cumulativas é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, sendo inconstitucional o alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 para atingir receitas outras como os alugueis e as receitas financeiras.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3102-002.248
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral o Dr. Daniel Barros Guazzelli, OAB/MG nº 73.478, advogado do sujeito passivo.
[assinado digitalmente]
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
[assinado digitalmente]
Andréa Medrado Darzé - Relatora.
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros José Luis Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiro, Demes Brito e José Fernandes do Nascimento.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 COFINS. ISENÇÃO. ART. 14 DA MP 2.158/01. RECEITA DA ATIVIDADE PRÓPRIA. As receitas relativas às atividades próprias, para fins de aplicação da regra de isenção da Cofins prevista no art. 14, X, da MP 2.15835/2001, são aquelas auferidas em contraprestação pelo desempenho das atividades para as quais foram constituídas as entidades. REPRODUÇÃO DAS DECISÕES DEFINITIVAS DO STF, NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-B, DO CPC. No julgamento dos recursos no âmbito do CARF devem ser reproduzidas pelos Conselheiros as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática prevista pelo art. 543-B, da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 197 - Código de Processo Civil, em conformidade com o que estabelece o art. 62-A do Regimento Interno. COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. RE 585.235. Segundo entendimento do Supremo Tribunal Federal, a base de cálculo das Contribuições para o PIS e da COFINS cumulativas é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, sendo inconstitucional o alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 para atingir receitas outras como os alugueis e as receitas financeiras. Recurso Voluntário Provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2158; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 11 1 10 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.001371/200654 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3102002.248 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de agosto de 2014 Matéria COFINS Recorrente FUNDAÇÃO FELÍCIO ROSSO HOSP. FELÍCIO ROCHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 COFINS. ISENÇÃO. ART. 14 DA MP 2.158/01. RECEITA DA ATIVIDADE PRÓPRIA. As “receitas relativas às atividades próprias”, para fins de aplicação da regra de isenção da Cofins prevista no art. 14, X, da MP 2.15835/2001, são aquelas auferidas em contraprestação pelo desempenho das atividades para as quais foram constituídas as entidades. REPRODUÇÃO DAS DECISÕES DEFINITIVAS DO STF, NA SISTEMÁTICA DO ART. 543B, DO CPC. No julgamento dos recursos no âmbito do CARF devem ser reproduzidas pelos Conselheiros as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática prevista pelo art. 543B, da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 197 Código de Processo Civil, em conformidade com o que estabelece o art. 62A do Regimento Interno. COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. RE 585.235. Segundo entendimento do Supremo Tribunal Federal, a base de cálculo das Contribuições para o PIS e da COFINS cumulativas é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, sendo inconstitucional o alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 para atingir receitas outras como os alugueis e as receitas financeiras. Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 13 71 /2 00 6- 54 Fl. 459DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral o Dr. Daniel Barros Guazzelli, OAB/MG nº 73.478, advogado do sujeito passivo. [assinado digitalmente] Ricardo Paulo Rosa Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros José Luis Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiro, Demes Brito e José Fernandes do Nascimento. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da DRJ em Belo Horizonte que julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendo a exigência fiscal, por entender que “consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembleia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais”. Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados com riqueza de detalhes, adoto o relatório da decisão recorrida, transcrevendoo abaixo na íntegra: Lavrouse contra o contribuinte identificado o Auto de Infração de fls. 04/10, relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, totalizando um crédito tributário de R$ 4.414.993,82, incluindo multa de oficio e juros moratórios, correspondente aos períodos especificados em fls. 05. A autuação ocorreu em virtude de falta ou insuficiência de recolhimento da Cofins e de diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago. O enquadramento legal encontrase citado em fls. 06. Para a compreensão dos fatos referentes ao processo em tela, seguemse excertos do Termo de Verificação Fiscal (TVF), fls. 11/25, elaborado pela Fiscalização. A isenção da Cofins para as entidades de assistência social sem fins lucrativos que prestem serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, referemse apenas às receitas típicas dessas entidades, como as decorrentes de contribuições, doações e subvenções por elas recebidas, bem assim mensalidades ou anuidades pagas por seus associados, destinadas à manutenção da entidade e consecução de seus objetivos sociais, sem caráter contraprestacional. Fl. 460DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.001371/200654 Acórdão n.º 3102002.248 S3C1T2 Fl. 12 3 A isenção não alcança as receitas que são próprias de atividade de natureza econômicofinanceira ou empresarial. Por isso, sujeitamse à incidência da contribuição, as receitas decorrentes de atividades comuns às dos agentes econômicos, como as resultantes da venda de mercadorias e prestação de serviços, receitas de aplicações financeiras , etc. conforme disposto nos art. . 2° e 3°, § 1°, da Lei n°9.718, de 27 de novembro de 1998. A Fundação Felice Rosso — Hospital Felicio Rocho, é uma entidade privada sem fins lucrativos, que tem como objetivo promover a saúde no país, através da gestão, manutenção e custeio do Hospital Felicio Rocho e de suas novas unidades hospitalares, ambulatoriais e/ou domiciliares que vierem a ser criadas; promover o conhecimento em saúde no país através do desenvolvimento de atividades de educação e de pesquisa cientifica e/ou da criação, manutenção e custeio de unidades especificas; praticar quaisquer atos de beneficência, dentro do território nacional, não consignados nestes estatutos, mas que forem determinados pelo Conselho Diretor, em sua maioria, e aprovados pelo Conselho Superior, conforme Estatuto Social. A luz do disposto no presente termo, concluise que a empresa fiscalizada, sendo uma entidade beneficente de assistência social, com atividades de prestação de serviços de saúde e de assistência social, está sujeita ao pagamento da Cofins, incidente sobre as receitas auferidas pelas atividades econômicas de prestação de serviços e venda de bens, na forma estabelecida pela legislação aplicável, inclusive sobre as receitas decorrentes de atendimentos hospitalares por corresponderem á contraprestação dos serviços prestados pela entidade. Em atendimento às intimações desta fiscalização, a fiscalizada apresentou planilhas que discriminam a composição das receitas mensais auferidas pela entidade durante o período de 2001, (doc. Fls. 84/87). Os valores informados nessas planilhas estão de conformidade com os valores das receitas registradas nos livros contábeis e fiscais. Considerando que a Fundação Felice Rosso — Hospital Felicio Rocho não declarou em DCTF e nem fez recolhimentos da contribuição em exame, procedemos ao levantamento dos valores da Cofins devidos pela entidade decorrentes das receitas recebidas em caráter de contraprestação pelos serviços prestados e produtos vendidos, apurados com base nos registro contábeis e planilhas por ela apresentadas. Diante do exposto, elaboramos o demonstrativo da base de cálculo da Cofins, doc. de fls. 26, e efetuamos o lançamento de oficio para a sua cobrança, referente ao ano calendário 2001, lançado com multa de oficio e juros de mora. Cientificado em 02/02/2006 (fls. 04), o interessado apresentou, em 06/03/2006, impugnação ao lançamento, conforme arrazoado Fl. 461DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA 4 de fls. 196/218, acompanhado dos documentos de fls. 219/302, com as suas razões de defesa, assim resumidas: Reconhecido pela própria auditoria fiscal que a impugnante é uma entidade beneficente de assistência social, ou seja, que ela cumpre os requisitos necessários e suficientes para assumir essa condição (fls. 11 e 21 dos autos e certidão de fls. 77/78 do Anexo III), a consequência lógica e natural dessa constatação deveria ter sido a aceitação da imunidade tributária da instituição e, com ela (ii) a não exigência da Cofins. A isenção a que se refere o § 7° do artigo 195 da Constituição Federal 6, na verdade, uma imunidade, a qual, por ser uma limitação constitucional ao poder de tributar, só pode ser tratadas por lei complementar. A falta de uma lei complementar especifica sobre o tema, coube ao CTN (art. 14) o papel de definir os requisitos necessários à fruição da desoneração constitucional. Nesse contexto, é forçoso reconhecer que há, pois, uma nítida incompatibilidade entre a norma constitucional e a norma de isenção apresentada pela MP 2.15835/01. Enquanto a primeira garante a imunidade para toda a receita auferida pelas entidades sem fins lucrativos, a isenção atinge apenas os ganhos referentes à atividade própria das entidades, tributando as demais receitas. Ante o exposto, não havendo controvérsia sobre o fato de que a impugnante atende As condicionantes que a caracterizam como uma entidade beneficente de assistência social, deve ser reconhecida a sua imunidade constitucional e, consequentemente, afastada a exigência fiscal em apreço. Caso superada a preliminar de imunidade e consequente nulidade do lançamento suscitada anteriormente, o que se admite apenas para argumentar, a questão a ser debatida no presente tópico restringese a saber se o termo "atividades próprias" a que se refere a MP 18586/1999 (atualmente MP n° 215835/2001) engloba todas as receitas obtidas e aplicadas nos objetivos institucionais da impugnante ou apenas aquelas decorrentes de doações e contribuições sem caráter contraprestacional. Apesar de a MP 215835/01 não ter definido a expressão "atividades próprias" a IN SRF n° 247/2002, extrapolando o âmbito da mera regulamentação, não só conceituou o termo em análise, como restringiu (e muito) o seu possível campo de abrangência. Para encerrar qualquer dúvida que ainda pudesse existir sobre o fato de que (i) as atividades próprias das fundações são aquelas descritas nos estatutos, englobando, inclusive, aquelas de cunho contraprestacional e que (ii) a IN 247/2002 omitiu enormemente a abrangência e a extensão da locução "atividade própria" contida na MP no 2.15835/2001, incorrendo, pois, em ilegalidade (...) Pois bem, identificado que (i) não há justificativa (nem lógica, nem legal )para excluir as atividades contraprestacionais das Fl. 462DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.001371/200654 Acórdão n.º 3102002.248 S3C1T2 Fl. 13 5 atividades próprias da entidade, (ii) que próprias são todas as ações descritas no estatuto e que permitem A. instituição angariar fundos para a manutenção da beneficência e (iii) que os atos praticados em cumprimento e para a realização das finalidades estatutárias se inserem dentre as atividades próprias da entidade, resta verificar o que seria próprio à consecução dos objetivos da impugnante. Com a devida vênia da opiniões em contrário, poderia haver algo mais próprio, adequado e pertinente ao custeio de um hospital que pretende atender a população carente do que cobrar daqueles que podem pagar (atendimento contraprestacional) e dar tratamento médico gratuito aos mais pobres? Nos termos da Decisão SRRF/3a RF /DISIT n° 44, de 30/12/1999, apenas as "receitas provenientes da prática de atos que extrapolem os objetivos da entidade sofrerão a incidência da contribuição." Ora, como as receitas estatutárias auferidas pela impugnante não vão além das suas finalidades institucionais, ao contrário, encontramse em perfeita sintonia com o propósito para o qual a entidade foi criada, é evidente que elas não se sujeitam à COFINS. Ante o exposto, tendo em vista que a auditoria fiscal baseouse na conceituação restritiva contida na IN SRF n° 247/2002, esquecendose, no entanto, de que "o lançamento tributário, por constituirse ato administrativo, está adstrito ao principio da legalidade, e portanto deve obedecer rigorosamente aos requisitos previstos em lei, sob pena de ser nula, a autuação fiscal em apreço deve ser imediatamente cancelada. Além disso, poderia a IN SRF no 247/2002 produzir efeitos sobre atos praticados antes da sua entrada em vigor, isto 6, ter efeito retroativo? Não, não se admite a protração no tempo (art. 103, I, do CTN), sob pena de manifesta ofensa aos princípios da irretroatividade (art.. 5°, XXXVI, da CF/1988), da segurança jurídica (art. 5° caput, da CF/1988), da razoabilidade (art. 5°, LIV e LV, da CF/1988) e da moralidade administrativa (art. 37, caput, da CF/88), além de violação direta e expressa ao artigo 2° da Lei n° 9.784, de 29/01/1999. É imperioso verificar que a definição restritiva de "atividades próprias" contida na IN SRF no 247, de 21/11/2002 foi revogada pelo Decreto n°4524, de 17/12/2002, o qual, tratou do mesmo tema de forma vem mais abrangente. Ora, além de o referido Decreto ser norma posterior, ele é superior hierarquicamente, razão pela qual, não resta a menor dúvida de que ele realmente revogou, ao menos nessa parte, a IN SRF no 247/2002. Se tudo o que foi falado até aqui não for considerado suficiente A. eliminação do auto de infração, o que se suscita ad absurdum tantum, há pelo menos duas rubricas que devem ser excluídas do lançamento. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA 6 O primeiro item diz respeito às receitas financeiras, cuja incidência foi declarada inconstitucional por decisão definitiva do Plenário do Supremo Tribunal Federal, o qual, como se sabe, não validou o alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins promovido pelo § 1° do art. 3° da Lei n°9.718/98. O outro item a ser decotado do auto de infração referese às receitas de aluguel, as quais, não constando entre os objetivos institucionais da impugnante, não se enquadram no conceito de produto das vendas e dos serviços prestado não podendo, assim, pelas mesmas razões explicitadas acima, sofrer a incidência da Cofins. É prática reiterada no âmbito da DRF/BH fazer incidir juros SELIC sobre a multa de oficio cobrada. A DRJ em São Paulo julgou a impugnação improcedente, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. A arguição de ilegalidade e de inconstitucionalidade não é oponível na esfera administrativa por transbordar os limites da sua competência. Lançamento Procedente Irresignado com a decisão da DRJ em Belo Horizonte, o contribuinte recorre a este Conselho, basicamente repetindo as razões apresentadas na sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme é possível perceber do relato acima, a presente controvérsia volta se, basicamente, para (i) a definição do conceito de atividade própria das fundações de direito privado para fins de aplicação a regra de isenção da COFINS prescrita pelo artigo 14, inciso X, da MP 2.15835/01, bem como (ii) para a possibilidade de incluir a contraprestação por serviços de saúde, as receitas relacionadas à promoção de educação, as receitas de aluguel de Fl. 464DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.001371/200654 Acórdão n.º 3102002.248 S3C1T2 Fl. 14 7 imóveis de propriedade da entidade e as receitas financeiras neste conceito. Isso porque restou incontroverso nos autos que a ora Recorrente é uma entidade beneficente de assistência social, que cumpre os requisitos necessários e suficientes para assumir essa condição (fls. 11 e 21 dos autos e certidão de fls. 77/78 do Anexo III). Pois bem. A isenção da COFINS está prescrita no artigo 14, inciso X, da MP 2.15835/01, que assim prescreve: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (…) X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. A lei, todavia, não definiu expressamente o que seriam “receitas relativas às atividades próprias”. De acordo com a fiscalização, no que foi acompanhada pela decisão recorrida, estariam incluídas neste conceito apenas os ingressos decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembleia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais Este entendimento reflete as disposições do art. 47 da IN SRF 247/2002, que assim dispõe: Art. 47. As entidades relacionadas no art. 9° desta Instrução Normativa: (...) II — são isentas da Cofins em relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. (...) § 2° Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembleia ou estatuto, recebidas de associados ou destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. Ocorre que, prevalecer a presente interpretação restritiva, estabelecida por norma infralegal, é bom ressaltar, equivale a esvaziar de sentido a própria regra de isenção prevista na MP 2.15835/01, que não terá qualquer campo de aplicação. Isso por uma razão singela, mas decisiva: as contribuições, doações e anuidades ou mensalidades de associados e mantenedores não se incluem tecnicamente no conceito de receita tributável, por lhes faltar o pressuposto fundamental que as tipificam: apenas são receitas os ingressos que remuneram a atividade ou a cessão onerosa e temporária de direitos. Assim, qual seria a razão para estabelecer regra de isenção para aquilo que está fora do campo da tributação? Não se pode admitir este absurdo. Como se vê, a interpretação proposta pela fiscalização implica, verdadeiramente, a supressão de qualquer utilidade para a presente regra de isenção, uma vez que, juridicamente, só há receita nos ingressos que remuneram atividade, o que não ocorre com as doações e subvenções. Fl. 465DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA 8 Neste sentido são precisas as lições José Antônio Minatel ao definir o conceito de receita: (...) anunciamos ser receita qualificada pelo ingresso de recursos financeiros no patrimônio da pessoa jurídica, em caráter definitivo, proveniente dos negócios jurídicos que envolvam o exercício da atividade empresarial, que corresponda à contraprestação pela venda de mercadorias, pela prestação de serviços, assim como pela remuneração de investimentos ou pela cessão onerosa e temporária de bens e direitos a terceiros, aferido instantaneamente pela contrapartida que remunera cada um desses eventos.1 Neste contexto, como as contribuições e doações são aportes unilaterais, desvinculados de qualquer contraprestação, como tais, não se subsomem ao conceito técnico de receita, que exige exercício de atividade. Assim, não se exige maior esforço para concluir que, sendo desnecessária qualquer regra para isentar esses ingressos da COFINS, já que as regras de isenção recaem apenas sobre fatos passiveis de incidência, não pode ser este o conteúdo da referida regra. Neste contexto, resta evidente que não tem qualquer sustentação jurídica a interpretação pretendida pela Secretaria da Receita Federal, no que foi seguida pela decisão recorrida, uma vez que vai de encontro com a própria legislação, a qual não apenas vislumbra a possibilidade de a entidade obter receitas, como prevê a destinação que deve ser conferida a estas receitas. Nesta linha já se manifestou o Supremo Tribunal Federal, no julgamento da ADI nº 1.80203, proposta justamente para ver reconhecida a inconstitucionalidade da tributação das receitas financeiras das entidades sem fins lucrativos: Objeção de que as instituições de saúde de fins não lucrativos – objeto das normas discutidas – não integrariam categoria econômica é de recusar: conforme a própria característica de “entidades sem fins lucrativos” constante do art. 3º do art. 12 da lei questionada – “a que não apresente superavit em suas contas, ou caso os apresente em determinado exercício, destine o referido resultado integralmente ao incremento de seu ativo imobilizado” – faz claro que não as descaracteriza o exercício da atividade econômica, desde que o saldo positivo não se converta em lucro a ser distribuído aos associados. Ademais, vale destacar que o artigo 111 do Código Tributário Nacional impõe interpretação literal às regras de isenção tributária: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Neste sentido, é inequívoca a inteligência do referido dispositivo legal, que preconiza que, em matéria interpretativa da legislação tributária, a necessidade de fazêlo de forma literal quando tratar, conforme o inciso II, de outorga de isenção. Vejase que o objetivo do legislador foi justamente assegurar que os benéficos concedidos por meio de isenção não 1 MINATEL, José Antonio. Conteúdo do Conceito de Receita e Regime Jurídico para sua Tributação. São Paulo, MP Editora, 2005. Fl. 466DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.001371/200654 Acórdão n.º 3102002.248 S3C1T2 Fl. 15 9 fossem desvirtuados pelos intérpretes da lei, ampliando ou restringindo sua aplicabilidade, senão nos exatos termos estabelecidos pela própria legislação. Sobre a necessidade de interpretar literalmente o artigo 111 do CTN, assevera Hugo de Brito Machado: Interpretação literal significa interpretação segundo o significado gramatical, ou melhor, etimológico, das palavras que integram o texto. Quer o Código que se atribua prevalência ao elemento gramatical das leis pertinentes à matéria tratada no art. 111, que é matéria excepcional. 2 Assim, voltandose para o caso concreto, verificase que não se sustenta a alegação seja da autoridade lançadora, seja da autoridade recorrida, no sentido de que o caráter contraprestacional das atividades realizadas pela Recorrente seria suficiente para afastar a aplicação da regra de isenção do artigo 14 da MP n.º 2.15835/01. Ora, tratase de evidente restrição do alcance e conteúdo jurídico das receitas próprias, cuja proteção pretendeuse ao editar e conferir efeitos definitivos à aludida medida provisória, outorgandolhes o benefício de isenção. Por conseguinte, esta não se amolda à norma estipulada no artigo 111 do CTN, porquanto restringe a regra de isenção que se refere exclusivamente às receitas próprias, ou seja, aquelas inerentes à atividade das entidades relacionadas no artigo 13 da MP n.º 2.158 35/01. Não há qualquer passagem na lei que indique a inexistência de caráter contraprestacional das receitas auferidas pelas entidades como condição para configurar a receita própria dessas entidades. José Antonio Minatel foi muito preciso ao tratar do conteúdo e alcance de receita própria, para fins da isenção em análise: Também não a descaracteriza o fato de a entidade prestar serviços a terceiros ou aos seus próprios associados, ainda que remunerados, desde que essa seja a sua missão institucional e o faça sem pretensão econômica de finalidade lucrativa, buscando recursos unicamente para a satisfação dos gastos vinculados com suas finalidades sociais.3 Voltandose para o caso concreto, constatase que são objeto da autuação as seguintes receitas: (i) de contraprestação de serviços de saúde; (ii) receitas relacionadas à promoção de educação; (iii) alugueis de imóveis de propriedade da entidade; e (iv) receitas financeiras (fl. 26 dos autos). Ora, tais receitas consistem inequívocas receitas próprias da Fundação, consoante previsão do inciso X do artigo 14 da MP 2.15835/01, eis que voltadas exclusivamente para atender seus objetivos sociais, ao encontro da previsão em seu Estatuto, sem qualquer finalidade lucrativa. 2 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário. 22ª edição. Malheiros, São Paulo, 2003, p. 104105. 3 MINATEL, José Antonio. In “Grandes Questões Atuais do Direito Tributário 7º Volume”, Dialética, 2003. p. 287. Fl. 467DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA 10 Com efeito, são as seguintes as atividades da Recorrente, nos termos do seu Estatuto Social: Art. 3 º Constituem finalidades da Fundação: I promover a saúde no Pais, através da questão, manutenção e custeio do Hospital Felicio Roche e de novas unidades hospitalares, ambulatoriais e/ou domiciliares que vierem a ser criadas; II promover o conhecimento em saúde no País, através do desenvolvimento de atividades de educação e de pesquisa cientifica e/ou a criação, manutenção e custeio de unidades especificas; III praticar atos de beneficência, dentro do território nacional, não consignados neste Estatuto, mas que forem determinados pelo Conselho Diretor, em sua maioria, e aprovados pelo Conselho Superior. Parágrafo único A execução dos fins enumerados neste artigo darseá segundo as possibilidades financeiras e econômicas da Fundação. Art. 4º A Fundação, para a consecução de suas finalidades, poderá associarse, firmar convênios ou contratos e articular se, pela forma conveniente, com órgãos ou entidades, públicas ou privadas, do País ou do exterior.(...) Art. 6°. A Fundação prestará serviços permanentes e sem qualquer discriminação de clientela, respeitada sua capacidade operacional. Como se pode perceber, o objetivo principal da Recorrente é administrar e custear o funcionamento do Hospital Felicio Racho, promovendo, com isso, a saúde de pessoas carentes. Para atingir o fim para o qual ela foi criada, a instituição detém a prerrogativa de contratar, de se associar e de se articular, ou seja, de prestar serviços. Assim, cotejando o artigo 3º do Estatuto Social da Recorrente, acima transcrito, podese observar que as receitas objeto da autuação não estão divorciadas de suas atividades estatutárias, pelo contrário, decorrem da realização das atividades para as quais ela foi instituída pelo Poder Executivo. Logo, resta evidente que as receitas consideradas tributáveis no Auto de Infração, na verdade, são receitas provenientes de atividades próprias da Fundação, ou seja: são as únicas determinadas pelo instituidor (o Poder Executivo) como fonte de manutenção da autuada. Desta forma, não há como admitir que as receitas provenientes da (i) contraprestação de serviços de saúde e (ii) as relacionadas à promoção de educação, destinadas exclusivamente à manutenção da Fundação e alcance de seu objeto social (fatos estes incontroversos nos autos, é bom ressaltar) sejam consideradas “receitas de atividades impróprias” e como tais, não alcançadas pela regra de isenção em análise. Com efeito, é cristalina a pertinência guardada entre as receitas em destaque, com a atividade exercida pela Fundação. Assim, não há que se falar na caracterização destas como “receitas impróprias”, como alegado, unicamente por terem suposta natureza Fl. 468DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.001371/200654 Acórdão n.º 3102002.248 S3C1T2 Fl. 16 11 contraprestacional. Pelo contrario é evidente que as receitas analisadas pelo Auditor fiscal são próprias da atividade exercida pela Fundação, conforme amplamente demonstrado. Vale ressaltar que este é o entendimento que prevalece neste Consleho, como se constata das ementas abaixo transcritas: ENTIDADES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ISENÇÃO. RECEITAS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS. ABRANGÊNCIA. À vista da decisão do Supremo Tribunal Federal na medida cautelar na ADI 2.028, os requisitos de exclusividade e gratuidade na prestação de serviços não podem ser exigidos das entidades de assistência social para a caracterização da imunidade constitucional às contribuições sociais. Assim, o conceito de “receitas de atividades próprias”, para efeito da isenção de PIS e Cofins das entidades que tenham certificado de entidade beneficente de assistência social, abrange também as receitas retributivas destas entidades, relativamente aos serviços prestados que façam parte de seu objeto social. (Acórdão 3302001.935 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária) COFINS. ISENÇÃO. ENTIDADE EDUCACIONAL SEM FINS LUCRATIVOS. ART. 14 DA MP 2.158/01. RECEITA DA ATIVIDADE PRÓPRIA. A isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III e IV, da MP 2.15835/ 2001, ao se referir às “receitas relativas às atividades próprias”, aplicase principalmente em relação às receitas auferidas em contraprestação pelo desempenho das atividades para as quais foram constituídas as entidades, no caso, pela prestação de serviços educacionais, culturais e científicos. Precedentes (CSRF, acórdãos 930301.486e 9303001.869). (3403002.280 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária) No que se refere aos (iii) alugueis de imóveis de propriedade da entidade e (iv) as receitas financeiras, a despeito de, em meu sentir, não se enquadrarem, no caso concreto no conceito de atividade própria da Recorrente, elas também não podem ser incluídas na base de cálculo da COFINS. Isso porque, o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal, no julgamento dos Recursos Extraordinários nºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, consolidou o entendimento de que é inconstitucional a ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98 CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, Fl. 469DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA 12 considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Em outra oportunidade, este Egrégio Tribunal, ao apreciar o Recurso Extraordinário nº 585.235, reconheceu a existência de repercussão geral e reafirmou a jurisprudência no sentido da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Neste contexto, tratandose de dispositivo legal que já fora declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal, pode este Colegiado afastar a sua aplicação no caso concreto, por força do que prescreve o art. 26A, I, do Decreto nº 70.235/72: Não bastasse isso, também com a alteração do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais promovida pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, passou a ser obrigatória a reprodução pelos Conselheiros das decisões do STF, proferidas na sistemárica da repercussão geral: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, em face do disposto no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aplicase ao presente julgamento, aquela decisão, excluindose da base de calculo da contribuição as receitas de aluguéis e financeiras. Em face do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. [Assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 470DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.001371/200654 Acórdão n.º 3102002.248 S3C1T2 Fl. 17 13 Fl. 471DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 11128.003026/2007-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 11/09/2003
IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. TEMPLO DE QUALQUER CULTO. DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. IPI E II. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DA DESTINAÇÃO DOS BENS IMPORTADOS. ART. 36 DA LEI 9.784/1999 E ART. 29 DO PAF.
A imunidade concedida aos templos de qualquer culto pelo art. 150, VI, letra b, da Constituição Federal abrange o IPI e o II, incidentes no desembaraço aduaneiro de bens importados diretamente por entidades religiosas, os quais sejam destinados a integrar seu patrimônio e estejam relacionados a suas finalidades essenciais.
O enquadramento de bens importados como sendo vinculados às finalidades das referidas entidades deverá pautar-se em análise objetiva de cada caso concreto, levando-se em consideração as finalidades da instituição, conforme estabelecidas em seus atos constitutivos, a qualidade e quantidade dos bens importados, bem assim outros critérios que fundamentem a vinculação com as finalidades essenciais da entidade.
Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, desde que fundamentada.
A perda da documentação contábil e fiscal da entidade e a natureza não específica dos bens importados impedem a análise acerca da utilização destes na finalidade social da recorrente, que é o pressuposto do indébito alegado, cujo ônus da prova é da contribuinte, nos termos do art. 36 da Lei nº 9.784/1999.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-001.343
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário da empresa.
Luis Eduardo Garrossino Barbieri Presidente substituto
Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Eduardo Garrossino Barbieri (Presidente Substituto), Gilberto de Castro Moreira Junior, Rodrigo Cardozo Miranda, Charles Mayer De Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Paulo Roberto Stocco Portes.
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
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IPI. II. TEMPLO. Recorrente ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DA IGREJA DE JESUS CRISTO DOS SANTOS DOS ÚLTIMOS DIAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 11/09/2003 IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. TEMPLO DE QUALQUER CULTO. DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. IPI E II. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DA DESTINAÇÃO DOS BENS IMPORTADOS. ART. 36 DA LEI 9.784/1999 E ART. 29 DO PAF. A imunidade concedida aos templos de qualquer culto pelo art. 150, VI, letra “b”, da Constituição Federal abrange o IPI e o II, incidentes no desembaraço aduaneiro de bens importados diretamente por entidades religiosas, os quais sejam destinados a integrar seu patrimônio e estejam relacionados a suas finalidades essenciais. O enquadramento de bens importados como sendo vinculados às finalidades das referidas entidades deverá pautarse em análise objetiva de cada caso concreto, levandose em consideração as finalidades da instituição, conforme estabelecidas em seus atos constitutivos, a qualidade e quantidade dos bens importados, bem assim outros critérios que fundamentem a vinculação com as finalidades essenciais da entidade. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, desde que fundamentada. A perda da documentação contábil e fiscal da entidade e a natureza não específica dos bens importados impedem a análise acerca da utilização destes na finalidade social da recorrente, que é o pressuposto do indébito alegado, cujo ônus da prova é da contribuinte, nos termos do art. 36 da Lei nº 9.784/1999. Recurso voluntário negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 30 26 /2 00 7- 74 Fl. 466DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário da empresa. Luis Eduardo Garrossino Barbieri – Presidente substituto Thiago Moura de Albuquerque Alves – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Eduardo Garrossino Barbieri (Presidente Substituto), Gilberto de Castro Moreira Junior, Rodrigo Cardozo Miranda, Charles Mayer De Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Paulo Roberto Stocco Portes. Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição (fls. 1 e seguintes) de valores pagos a título de Imposto de Importação (I.I.) e Imposto sobre Produtos Industrializados (I.P.I.), na importação relativa à Declaração de Importação n° 03/07760710, registrada em 11/09/03 (fls. 36/45), por entender a requerente que goza da imunidade tributária prevista no artigo 150, inciso VI, alínea "b" da Constituição Federal de 1988, para o II e IPI importação, conforme reconhecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, através de despacho de fls. 68, determinando a retificação da Declaração de Importação constante dos autos. Intimado a apresentar documentos contábeis e fiscais comprobatórios de que as mercadorias em exame integraram seu patrimônio e estão relacionadas à finalidade essencial da entidade, o contribuinte informou da dificuldade em obter a documentação contábil exigida, haja vista que a importação ocorrera há mais de cinco anos e limitouse a apresentar a declaração solicitada pela autoridade fiscal de que não houve o repasse ou aproveitamento do crédito de IPI nesta operação. O despacho decisório e a decisão de primeira instância, diante da falta de comprovação documental, negaram integralmente o pedido de restituição e em recurso o contribuinte reitera suas alegações iniciais, ou seja, que o indeferimento não foi precedido por qualquer vistoria "in loco", além de proferido sem que a autoridade fiscal tivesse esgotado as possibilidades daquilo que queria ver provado, o que teria cerceado seu direito de defesa, pois foilhe negado o direito de produzir, de forma integral, as provas pertinentes; que constrói e mantém Templos, sendo certo que todos os produtos importados na DI ora em discussão foram instalados em capelas de sua construção, conforme pode ser verificado em diligência ao local; e anexa decisões administrativas proferidas por outras unidades da Receita Federal, favoráveis à restituição, para material semelhante. Fl. 467DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11128.003026/200774 Acórdão n.º 3202001.343 S3C2T2 Fl. 467 3 Iniciado o julgamento do recurso voluntário, a douta Turma, seguindo o voto do Conselheiro MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA decidiu converter o julgamento em diligência. Observese: Entendo que o processo, no seu estado atual não comporta julgamento, portanto, VOTO por converter o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora providencie a intimação do recorrente desta decisão e, para que, seja feita diligência ao estabelecimento do recorrente para a verificação dos documentos fiscais e contábeis da recorrente, visando apurar a veracidade da alegação produzida em sua impugnação e repetida no corpo deste recurso voluntário, especialmente quanto à utilização dos produtos importados na Dl ora em discussão em capelas de sua construção e da não utilização dos créditos correspondentes de IPI, nem a transferência do encargo financeiro. Com o objetivo de atender à diligência determinada pelo CARF, intimouse a ora recorrente para apresentar documentação comprobatória da utilização dos bens importados para seu objetivo social, tendo a contribuinte informado, em síntese, que a documentação em questão era guardada por uma empresa terceirizada, INTERFILE, cujo galpão fora incendiado, conforme demonstra inquérito judicial, anexado aos autos, e petição informando à Receita Federal desse acontecimento, sendo possível, contudo, o exame in loco da utilização dos bens importados pela fiscalização. A recorrente acrescentou, ainda, que possui Solução de Consulta, reconhecendo seu direito à imunidade tributária e que, em outra DI, a SAORT do Aeroporto de Viracopos concordou com a retificação da declaração, por ter verificado a utilização dos bens importados em templos da associação. Em seqüência à resposta da contribuinte, foi exarada a seguinte informação fiscal: Sra Chefe, Em atendimento à requisição do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais no citado processo para que seja feita diligência ao estabelecimento do recorrente para verificação dos documentos fiscais e contábeis, através da Intimação n° ..., foi solicitado ao contribuinte que apresentasse seus documentos fiscais e contábeis com o objetivo de apurar a veracidade da alegação quanto: • Utilização dos produtos importados em capelas de sua construção; • Utilização dos créditos correspondentes de IPI e; • Não transferência do encargo financeiro; Em resposta á intimação citada o sujeito passivo alega que os documentos fiscais e contábeis solicitados foram destruídos em um incêndio, conforme inquérito policial apresentado. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI 4 O contribuinte requer, em substituição à apresentação da documentação solicitada, que seja realizada vistoria dos bens in loco. No presente caso, quando se deseja apurar a veracidade da alegação da utilização dos créditos correspondentes de IPI e a não transferência do encargo financeiro, entendo não ser possível reconhecer a veracidade das alegações diante da impossibilidade das verificações contábeis e fiscais, tendo em vista a alegação do contribuinte em não possuir os documentos necessários, devido ao incêndio. Cabe lembrar que cabe ao contribuinte zelar pela guarda dos livros e documentos enquanto durar o respectivo processo administrativo. Através do inquérito policial, notase que o incêndio acorreu em 04/07/2011, quase três anos após a ciência da primeira intimação, em 02/09/2008, demonstrando, assim, que o mesmo já não os possuía á época. Quanto à utilização dos produtos importados em capelas de sua construção e levando em consideração a alegação do requerente que se coloca a disposição para demonstrar in loco que os bens importados são de seu patrimônio, entendo mais uma vez, que cabe ao contribuinte o encargo de provar que estes bens são de seu patrimônio, através de documentos fiscais e contábeis, como, por exemplo, o livro Registro de Inventário, notas fiscais e outros documentos que achar pertinente. Sua solicitação para que se substitua à apresentação da documentação por uma vistoria dos bens in loco, não se justifica, pois somente uma visita não seria suficiente para comprovar tal alegação, uma vez que os bens, aqui em questão, são bens que não contém especificidade, isto é, numero de serie, numero de identificação, bens que não contém identificação individual. Importante citar ainda mais dois agravantes: • As descrições genéricas apresentadas nas declarações de importação (fls. 42 a 50) a saber: "BANCO DE MADEIRA; CHAVE PARA FECHADURA; FECHADURA PARA GAVETA; ARGOLA PORTACHAVES; ETIQUETA DE LATAO PARA CHAVE COM NUMEROS; GAVETA PARA VESTUARIO (DESMONTADA); CORTINAS PARA BOX DE VINIL; PORTA SABAO DE BALCAO; ACESSORIO PARA PARTICOES, ACO INOXIDAVEL; BARAS PARA DEFICIENTES; LIXEIRA; PAPELEIRA / LIXEIRA; PARTICOES PARA VESTUARIO DE METAL (DESMONTADO); PORTA PAPEL HIGIENICO; PORTA TOALHA; PRATELEIRA PARA TOALHA; SUPORTE PARA BANCO”, que impossibilita a precisa identificação dos mesmos in loco. • As descrições genéricas apresentadas na fatura comercial n°TCA3C100186 e TCA3F100485 (fl52), que impossibilita a precisa identificação dos mesmos in loco. • Já se passaram mais de 8 anos da importação das mercadorias, sendo essas, em muitos casos, bens não duráveis. Fl. 469DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11128.003026/200774 Acórdão n.º 3202001.343 S3C2T2 Fl. 468 5 Posto isto, proponho o encaminhamento deste processo ao CARF para continuidade do julgamento. À sua consideração. Com a informações acima transcritas, o processo foi remetido para o CARF para julgamento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e, por isso, merece ser apreciado. A Recorrente possui o direito à imunidade tributária na importação de bens, reconhecido nos processos de consulta SRRF 8ª RF DISIT 227/2004 (IPI) e 254/2004 (II), ambos juntados aos autos, cujas ementas são as seguintes: Solução de Consulta nº 227/2004 EMENTA: IMUNIDADE. TEMPLOS DE QUALQUER CULTO. A imunidade concedida aos templos de qualquer culto pelo art. 150, VI, letra “b”, da Constituição Federal não abrange o IPI incidente nas saídas de produtos industrializados dos estabelecimentos industriais ou equiparados. É devido o imposto nas saídas desses bens quando adquiridos por aquelas entidades, mesmo que sejam destinados a integrar seu patrimônio e estejam relacionados ao desempenho de suas finalidades essenciais. Está, todavia, abrangido pela imunidade prevista no precitado dispositivo constitucional o IPI incidente no desembaraço aduaneiro de bens importados diretamente por entidades religiosas, os quais sejam destinados a integrar seu patrimônio e estejam relacionados a suas finalidades essenciais. O enquadramento de bens importados como sendo vinculados às finalidades das referidas entidades deverá pautarse em análise objetiva de cada caso concreto, levandose em consideração as finalidades da instituição, conforme estabelecidas em seus atos constitutivos, a qualidade e quantidade dos bens importados, bem assim outros critérios que fundamentem a vinculação com as finalidades essenciais da entidade. Fl. 470DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI 6 ***** Solução de Consulta nº 254/2004 EMENTA: IMPORTAÇÃO. TEMPLOS DE QUALQUER CULTO. IMUNIDADE RELATIVAMENTE AO IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO E IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. ABRANGÊNCIA. A importação, por entidade que se enquadra no art. 150, VI, b, da CF, de artigos com significado religioso, destinados a atender suas finalidades essenciais, está abrangida pela imunidade dos templos de qualquer culto constante da Constituição Federal, estendendose ao Imposto sobre a Importação e ao Imposto sobre Produtos Industrializados, por se tratar de operações de bens vinculados às finalidades essenciais da entidade religiosa. O enquadramento dos bens importados como vinculados às finalidades essenciais a entidade religiosa deverá pautarse em análise objetiva em cada caso concreto, levandose em consideração as finalidades da instituição conforme prevista em seus atos constitutivos, a qualidade e quantidade dos bens importados, assim como outros critérios que fundamentem a vinculação com as finalidades essenciais da entidade. As mencionadas soluções de consulta constantes dos autos deixam claro, que para o reconhecimento da imunidade do IPI e II na importação de bens, é necessário “o enquadramento de bens importados como sendo vinculados às finalidades das referidas entidades deverá pautarse em análise objetiva de cada caso concreto, levandose em consideração as finalidades da instituição, conforme estabelecidas em seus atos constitutivos, a qualidade e quantidade dos bens importados, bem assim outros critérios que fundamentem a vinculação com as finalidades essenciais da entidade”. Concordo com o entendimento das soluções de consulta mencionadas. Dessa forma, o litígio restringese à valoração dos elementos comprobatórios, nos termos do art. 29 do PAF. Nesse sentido, o CARF proferiu Resolução para que fosse feita diligência ao estabelecimento do recorrente para a verificação dos documentos fiscais e contábeis da recorrente, visando apurar a veracidade da alegação da Recorrente, de que utilizou os bens importados para suas finalidades sociais. Entretanto, como constatado na Diligência, a recorrente informou que não possuía os documentos fiscais e contábeis solicitados, pois estes foram destruídos em um incêndio, conforme inquérito policial apresentado, mas que, segundo a entidade, a vistoria dos bens in loco permitiria ver que os bens foram incorporados ao seu patrimônio ou destinados à sua finalidade social. Na ótica da autoridade preparadora, porém, uma visita in loco não seria suficiente para comprovar tal alegação, uma vez que a natureza dos bens, aqui em questão (banco de madeira; lixeira, chave para fechadura; fechadura para gaveta; argola portachaves, etc.), são bens que não contém especificidade, isto é, número de série, número de identificação. Fl. 471DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11128.003026/200774 Acórdão n.º 3202001.343 S3C2T2 Fl. 469 7 Concordo com as conclusões da diligência, realizada pela autoridade preparadora. Efetivamente, a natureza dos bens importados não permitem sua vinculação com as finalidades essenciais da entidade, sendo do particular o ônus da prova, nos pedidos de restituição, que fundamentou o indébito alegado, nos termos do art. 36 da Lei nº 9.784/1999. Diante do exposto, voto do sentido de NEGAR provimento ao recurso. É como voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 472DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI
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Numero do processo: 10711.005549/2004-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 09/03/2000, 25/05/2000
ISOPAR C. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Tendo sido identificada a mercadoria como Nafta Hidrotratada, que se enquadra na classe dos óleos de petróleo ou de minerais betuminosos (exceto óleos brutos) e preparações não especificadas nem compreendidas em outras posições, contendo, como constituintes básicos, 70% ou mais, em peso, de óleos de petróleo ou de minerais betuminosos, exceto os desperdícios da posição 2710.10.1, mas não se incluindo em nenhuma das mercadorias nominalmente previstas nos subitens, a mercadoria importada deve se classificada na posição 2710.00.99.
ISOPAR L. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Tendo sido identificada a mercadoria como Nafta Hidrotratada, que se enquadra na classe dos óleos de petróleo ou de minerais betuminosos (exceto óleos brutos) e preparações não especificadas nem compreendidas em outras posições, contendo, como constituintes básicos, 70% ou mais, em peso, de óleos de petróleo ou de minerais betuminosos, exceto os desperdícios da posição 2710.10.1, mas não se incluindo em nenhuma das mercadorias nominalmente previstas nos subitens, a mercadoria importada deve se classificada na posição 2710.00.99.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3101-001.637
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário.
Luiz Roberto Domingo- Relator, Vice-Presidente no exercício da Presidência
EDITADO EM: 20/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (Suplente), Glauco Antonio de Azevedo Morais, Mônica Monteiro Garcia de los Rios (Suplente) e Luiz Roberto Domingo, Presidente em Exercício, por força do art. 17, § 2°, do Anexo II ao RICARF, em face da ausência do Presidente Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Luiz Roberto Domingo- Relator, Vice-Presidente no exercício da Presidência EDITADO EM: 20/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (Suplente), Glauco Antonio de Azevedo Morais, Mônica Monteiro Garcia de los Rios (Suplente) e Luiz Roberto Domingo, Presidente em Exercício, por força do art. 17, § 2°, do Anexo II ao RICARF, em face da ausência do Presidente Henrique Pinheiro Torres.
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CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Tendo sido identificada a mercadoria como Nafta Hidrotratada, que se enquadra na classe dos “óleos de petróleo ou de minerais betuminosos (exceto óleos brutos) e preparações não especificadas nem compreendidas em outras posições, contendo, como constituintes básicos, 70% ou mais, em peso, de óleos de petróleo ou de minerais betuminosos, exceto os desperdícios” da posição “2710.10.1”, mas não se incluindo em nenhuma das mercadorias nominalmente previstas nos subitens, a mercadoria importada deve se classificada na posição 2710.00.99. ISOPAR L. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Tendo sido identificada a mercadoria como Nafta Hidrotratada, que se enquadra na classe dos “óleos de petróleo ou de minerais betuminosos (exceto óleos brutos) e preparações não especificadas nem compreendidas em outras posições, contendo, como constituintes básicos, 70% ou mais, em peso, de óleos de petróleo ou de minerais betuminosos, exceto os desperdícios” da posição “2710.10.1”, mas não se incluindo em nenhuma das mercadorias nominalmente previstas nos subitens, a mercadoria importada deve se classificada na posição 2710.00.99. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Luiz Roberto Domingo Relator, VicePresidente no exercício da Presidência EDITADO EM: 20/05/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 55 49 /2 00 4- 60 Fl. 197DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (Suplente), Glauco Antonio de Azevedo Morais, Mônica Monteiro Garcia de los Rios (Suplente) e Luiz Roberto Domingo, Presidente em Exercício, por força do art. 17, § 2°, do Anexo II ao RICARF, em face da ausência do Presidente Henrique Pinheiro Torres. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ de São Paulo (fls. 290/302), que manteve os autos de infração (fls. 226/228), decorrente do erro de classificação fiscal, conforme relatório fiscal: O Importador, por meio das :Declarações de Importação de nºs 00/01996147 e 00/04686815, registradas em 09/03/2000 e 25/05/2000, respectivamente, submeteu a despacho e desembaraçou as mercad. or. ias descritas como "solvente parafínico nome comercial: ISOPAR L", na 1ª DI, e "solvente parafínico nome comercial: ISOPAR C", na 2ª DI, classificandoas na Tarifa Externa Comum no código 2710.00.19, sendo 0% a alíquota do Imposto de Importação e não Ocorre que foram retiradas amostras, da Mercadoria de ambas as Declarações de Importação, havendo os Laudos de Análise nºs 2215/00 e 2561/00, do Laboratório de Análises do Ministério da Fazenda, concluído por se tratar o referido produto, na DI, de "mistura de hidrocarbonetos alifáticos saturados constituída por Undecano, Dodecano e Tridecano", e na 2ª DI, de "mistura de carbonetos alifáticos saturados constituída por Heptano e Octano", classificável na Tarifa Externa Comum (TEC) no código 2710.00.99, sendo incidente a alíquota do IPI de 8%. Cabe ressaltar que, tendo em vista que a posição na TEC utilizada pelo Importador, 2710.00.19, referese a "Naftas", autoridade Fiscal formulou quesito a ser respondido pelo Laboratório de Análises, solicitando identificar se o produto Nafta. No Laudo n° 2561/00 consta a resposta informando que o referido produto não Nafta, portanto, incabível sua classificação na posição 2710.00.19. Sendo assim, cobrase a diferença de imposto, apurada em face de tal incorreção, somada aos acréscimos legais devidos. Fazem parte integrante do presente Auto de Infração a copia das DI's nºs 00/01996147 e 00/04686815, cópia dos Laudos de Análise n's 2215/00 e 2561/00, 6 telas do SISCOMEX referentes As DI's e as telas referentes A classificação tarifária da mercadoria, a pretendida pelo Importador e a encontrada após a análise efetuada, com as alíquotas do II e IPI correspondentes.da não declaração/recolhimento do COFINS, conforme relatório da decisão recorrida que transcrevo abaixo:...” Os laudos do Laboratório de Análises n.° 2.215 e n.° 2.561, realizados de forma superficial, haviam indicado que o produto "Isopar L" seria constituído de "mistura de hidrocarbonetos alifáticos saturados constituído por Undecano,, Dodecano e Tridecano", ,sendo que o produto "Isopar C" tratavase de "mistura de hidrocarbonetos, alifáticos saturados constituída por Héptano e Octano". O laudo de fls. 152, decorrente de diligência ordenada pela DRJ, conclui que: ISOPAR C “Tratase de uma mistura de hidrocarbonetos alifáticos saturados de cadeia ramificada, constituída principalmente por Fl. 198DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 10711.005549/200460 Acórdão n.º 3101001.637 S3C1T1 Fl. 198 3 isoalcanos com estruturas químicas contendo sete e oito átomos de carbonos.” ISOPAR L: “A analise dos espectros de massas sugere tratarse de uma mistura de hidrocarbonetos isoparafínicos contendo número de carbonos predominantemente na faixa de 10 a 12 átomos de carbono.” Em julgamento (fls. 290/302), a DRJ manteve o Auto de Infração combatido, com fundamento consubstanciado na seguinte ementa: “CLASSIFICAÇÃO FISCAL. As mercadorias efetivamente importadas,s constituídas por "mistura de hidrocarbonetos alifaticos saturados constituída por Undecano, Dodecano e Tridecano" ou por "mistura de hidrocarbonetos alifáticos saturados constituída por heptano e Octano" classificamse no código NCM 2710.00.99 por aplicação da Regra Geral de Interpretação n° 1, e também da Regra Geral de Interpretação Complementar n° 1.” Intimada da decisão em 24/09/2010 (fl. 177), a recorrente apresentou recurso voluntário em 21/10/2010 (fls. 179/322), aduzindo, em síntese: (i) a correta classificação das mercadorias importadas e (ii) a ilegalidade da aplicação da multa do controle administrativo, já que a Recorrente apresentou iodos os dados do produto quando do desembaraço aduaneiro, inclusive com, o nome, do produto na literatura técnica. É o relatório. Voto Conselheiro LUIZ ROBERTO DOMINGO Relator Conheço do recurso por apresentar os requisitos de admissibilidade. O Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias – SH foi criado através de trabalho conjunto, desenvolvido pela Organização das Nações Unidas, Comunidade Econômica Européia e Conselho de Cooperação Aduaneira, com os objetivos de criar uma codificação internacional e uniforme (linguagem aduaneira comum) para facilitar a identificação de mercadorias na comercialização aduaneira. Por isso contempla não só a tabela de mercadorias designadas, decodificadas e classificadas, mas, também, Regras Gerais de Interpretação, que traçam as diretrizes básicas para a determinação da posição fiscal do produto e as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado NESH que explicam quais produtos são açambarcados pelas seções e capítulos do Sistema, ou como uma dada informação deve ser interpretada. As Notas Explicativas constituem elemento subsidiário de interpretação do Fl. 199DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO 4 conteúdo dos textos das posições e subposições, bem como das Notas de Seção, Capítulo, posições e subposições da Nomenclatura do SH. A classificação adotada pelo SH divide as mercadorias por categorias, reunindoas segundo suas origens animais, vegetais, produtos derivados, produtos da indústria química, minerais, metais trabalhados, máquinas, equipamentos e mercadorias diversas. Cada categoria é reunida em uma Seção, e as espécies de cada categoria, em Capítulos. Nos Capítulos encontramos as posições e subposições de cada mercadoria, devidamente classificadas e correlacionadas com uma numeração que a identifique (codificação). Diante da diversidade de mercadorias o SH tem a pretensão de contemplálas todas em seus 96 capítulos reunidos em 21 seções. Essa divisão apesar de seguir indicadores lógicos de reunião das mercadorias segundo sua natureza, material constitutivo, tipo ou função e destinarse a facilitar a visualização do intérprete dos conjuntos que formam o sistema, tem caráter apenas indicativo, não proporcionando em si, a classificação. Isso porque, a natureza física ou funcional da coisa, por si só, não é determinante para a classificação, uma vez que o SH é uma convenção e segue os critérios artificialmente “convencionados” para determinar se uma mercadoria será incluída em uma classe e não em outra. Importante esclarecer que, para quem se empenha na tarefa de classificar mercadorias do SH, pouco importa os efeitos fiscais decorrentes da fixação da classificação em determinada posição. Ocorre que não é incomum encontrarmos situações em que o contribuinte ou Fisco tentam a partir da alíquota justificar a classificação adotada. A Convenção Internacional do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, celebrado em Bruxelas, em 14/06/1983, constituise norma internacional da qual o Brasil é signatário, desde 31/10/1986, tendo ratificado sua adesão em 08/11/1988. Internamente, o Brasil promulgou a convenção em 27/12/1988, por meio do Decreto n° 97.409/1988. Desta forma, tratase de norma jurídica que passou a integral o sistema de direito positivo interno, circunstância que o caracteriza como veículo introdutor de normas jurídicas. Tal constatação repercute de maneira relevante na solução de questões relativas à classificação de mercadorias, pois, em sendo norma jurídica as regras e disposições contidas no Sistema Harmonizado vinculam a administração pública (que se submete ao princípio constitucional da legalidade). Ademias, a aplicação e interpretação de tais normas submetemse à perspectiva da lógica jurídica. É de dizerse que a classificação de mercadorias é um procedimento afeto ao operador do Direito, por mais que elementos técnicos de outras ciências sejam requisitados. Antes de enfrentarmos a classificação fiscal do produto pelas Regras Gerais de Interpretação é imprescindível atendermos a “Regra Zero” de Classificação de mercadorias, ou seja, saber o que é a mercadoria: qual a sua definição e qual a significação que contempla a palavra na representação da mercadoria? Como se depreende das respostas aos quesitos formulados, os Laudos do INT consigna com clareza a identificação das mercadorias: 2. Por que os componentes químicos identificados nas análises não foram enquadrados na definição de "naftâ" se o "ISOPAR L" destila na faixa de 189/207°C e o "ISOPAR C" destila na faixa de 98/104°C? Fl. 200DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 10711.005549/200460 Acórdão n.º 3101001.637 S3C1T1 Fl. 199 5 Resposta: De acordo com os resultados obtidos nas análises efetuadas no nosso laboratório, a amostra do produto ISOPAR L destila na faixa de 172 °C a 231°C, próxima da faixa de destilação da nafta citada na pergunta. O parâmetro faixa de destilação, por si s6 não caracteriza um produto, uma vez que, o produto ISOPAR L é obtido pelo tratamento de uma fração de petróleo, correspondente a nafta, com hidrogênio na presença de um catalisador. Com relação à amostra do produto ISOPAR C, a faixa de destilação encontrada foi de 84,2°C a 113,8°C, também, muito próxima da faixa de temperatura citada. Os componentes isoparafínicos encontrados sugerem que ISOPAR C 6 obtido do tratamento da fração de petróleo correspondente a nafta, ou seja, 6 enquadrado na definição de nafta hidrotratada: uma mistura complexa de hidrocarbonetos obtida pelo tratamento de uma fração do petróleo com hidrogênio, na presença de um catalisador. Esta mistura consiste em hidrocarbonetos com, predominantemente, de 06 (seis) a 12 (doze) átomos de carbono e pontos de ebulição em uma faixa aproximada de 65°C a 230°C. [7] Em suma, ambos os produtos Isom. C e !sop& L estão muito bem enquadrados na definição de NAFTAS HIDROTRATADAS. ... 1. 0 "ISOPAR L" E O "ISOPAR C" correspondem ao conceito de "Nafta"? Fundamente a sua resposta. Resposta: ISOPAR é uma marca registrada da Exxon Mobil Corporation para solventes isoparafinicos de alta pureza com estreita faixa de ponto de ebulição.(ficha da Exxon 2001) ISOPAR L é um liquido incolor límpido da família de hidrocarboneto alifático, nome químico hidrocarboneto isoparafínico sintético, compreendendo faixa de carbonos C11 a C15 (FISPQ No. 5015973) da ExxonMobil Química Ltda) (disponível em www.exxonchemical.com ), com registro na Chemical Abstract Service (CAS No. 64742489). Consta nesta ficha que a faixa de ponto de ebulição encontrase entre 189 °C a 207 °C. Esta faixa está bem próximo da faixa determinada no nosso laboratório (172 °C a 231 °C). Esta pequena diferença observada, possivelmente, é devida as características da origem da matéria prima. Conforme já respondido no quesito 2 formulado pela autuada, ISOPAR L é produzido de matéria s. primas baseado em petróleo, sintetizado quimicamente, as quais são tratadas com hidrogênio na presença de um catalisador para produzir um 'solvente isoparafínico relativamente puro e de baixo odor. ISOPAR C apresenta composição predominante de hidrocarbonetos com 07 (sete) e 08 (oito) átomos de carbono. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO 6 Encontrase registrado com os seguintes números EINECS : 2924585 e Chemical Abstract Service (CAS No.70024929). E, assim como o Isopar L, pode ser classificado como uma nafta hidrotratada, conforme já descrito em quesito anterior formulado pela autuada. Portanto, a resposta ao quesito 6: Não, os produtos não correspondem ao conceito de Nafta, e sim ao conceito de Nafta Hidrotratada. Portanto, tratase de Nafta Hidrotratada, que não se confunde com a nafta pura, para a qual há posição específica conforme acima mencionado (2710.00.1 – NAFTAS; 2710.00.11 Para petroquimica e 2710.00.19 Outras). Não há dúvida ou controversa acerca da classificação das mercadorias importadas posição 2710, mas nessa posição temos algumas mercadorias que formam as seguintes classes, conforme aduz a Recorrente: A subposição 2710.00.estava dividida nos seguintes subitens: 2710.00.1 – Naftas 2710.00.2 – Gasolinas 2710.00.3 – Querosenes 2710.00.4 Outros óleos combustíveis 2710.00.5 Misturas de alquilidenos 2710.00.6 Óleos lubrificantes 2710.00.9 Outros E a posição 2710.00.1 Naftas estava divida em: Subposição 2710.00.11 Para petroquimica. Subposição 2710.00.19 Outras. A posição de enquadramento determinada no auto de infração tem a seguinte descrição: 2710.00.99 Outros "Ex" 01 Óleos parcialmente refinados "Ex" 02 Óleos para lamparina de mecha (signal oil) "Óleo para sinal (signal oil)" Destaque NCM 003 Graxa lubrificante à base do sabcio de litio" Por enquadraremse perfeitamente na descrição do NCM 2710.00.19 os produtos em questão não poderiam ser classificados na posição NCM 2710.00.99, pretendida pela fiscalização, uma vez que esta posição não deve ser utilizada para produtos que poderiam ser enquadrados em outra posição mais especifica, como é o caso do "ISOPAR L" e do "ISOPAR C", na medida em que tais produtos enquadramse na definição química de nafta, conforme reconhecido pelo Ministério da Fazenda através da Portaria n° 510, de 29/09/94, cuja cópia anexamos a presente (Doc. 5). Cabe aqui uma interpretação mais apurada do quanto foi identificado nos laudos técnicos em face das classes de mercadorias contidas na TEC. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 10711.005549/200460 Acórdão n.º 3101001.637 S3C1T1 Fl. 200 7 A divisão das Naftas deve ser interpretada conforme o descrímen adotado pela regra implícita contida na divisão da subposição, ou seja, o critério adotado para decomposição da subposição da Nafta nos itens “para petroquímica” e “outras”. Certamente, esse critério não está relacionado com a identificação da mercadoria ou sua qualificação, mas especificamente com a sua destinação. É de notarse que as Naftas classificadas nas posições 2710.00.11 e 2710.00.19 são produtos idênticos, tendo como divergência tãosomente a destinação. A “Nafta Hidrotratada” não é “Nafta” propriamente dita, pois encontrase em outro estágio de elaboração identificado pelo termo “hidrotratada”, ou seja, contempla ligações de hidrogênio que a modificaram de seu estado puro de nafta. Desta forma, o descrímen para inclusão da classe contemplada pela posição 2710.11.1 está no fato de ser a mercadoria a “nafta” apenas, tal qual a posição exige para inclusão na classe. Ocorre que, dado o fato de a mercadoria importada fato ser hidrotratada, a exclui da subposição 2710.11.1, apesar de mantêla na posição 2710.10 como já dissemos, mas em outro item. Assim, por se tratarem de “Óleos de petróleo ou de minerais betuminosos (exceto óleos brutos) e preparações não especificadas nem compreendidas em outras posições, contendo, como constituintes básicos, 70% ou mais, em peso, de óleos de petróleo ou de minerais betuminosos, exceto os desperdícios”, que não estão expressamente contemplados nas subposições, devem ser classificados como outros óleos da posição 2710.00.99. Quanto à multa prevista no artigo 633, inciso II, “a” do Decreto nº 4.543/2002, verifico que esta determina a incidência de multa de 30% nas situações em que ocorre importação de mercadorias sem licença de importação, quando obrigatória. Ocorre que a licença de importação não é obrigatória na importação dos produtos da Recorrente. Cumpre destacar que as mercadorias estão plenamente descritas na DI indicando seus nomes comerciais para as quais há literatura a respeito, o que não indica que houve impedimento à sua plena identificação, de modo que é cabível a exoneração da penalidade prevista no Ato Declaratório Normativo COSIT nº 12/97, in verbis: O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o item II da Instrução Normativa nº 34, de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o disposto no inciso VI do art. 526 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 5 de março de 1985, e no art. 112, inciso IV, do Código Tributário Nacional Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação da mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja Fl. 203DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO 8 corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. Da mesma forma, com relação à multa de ofício prevista no art. 44 da Lei 9.430/96, entendo aplicável o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 10, de 20 de janeiro de 1997, que prevê a não constituição de infração por erro de classificação fiscal incorreta, à época dos fatos: Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração punível com as multas previstas no art. 4° da Lei n° 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho aduaneiro, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a classificação tarifária errônea ou a indicação indevida de destaque (ex), desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. No caso concreto, as mercadorias estão corretamente descritas nas DI’s nºs 03/03345424 e 03/05262747, constantes todos os elementos necessários a identificação e passíveis de comprovar a alteração do enquadramento tarifário. Além disso, não foi comprovado pela autoridade alfandegária nenhuma prática de ato ilícito, com dolo ou máfé da Recorrente, motivo pelo qual entendo que devem ser afastadas as multas de ofício e de controle administrativo das importações em decorrência dos Atos Declaratórios COSIT nºs 10 e 12, ambos de 1997.. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário Luiz Roberto Domingo Relator Fl. 204DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO
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Numero do processo: 10245.003789/2008-05
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2005, 2006,2007,2008
LUCRO PRESUMIDO.OMISSÃO DE RECEITAS.
Caracteriza-se como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente.
MÚTUO. DESCONTO DE JUROS. INCLUSÃO NA RECEITA BRUTA.
Os juros, o desconto, o lucro na operação de reporte e os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, ganhos pelo contribuinte, devem incluídos na receita bruta, quando derivados de operações ou títulos com vencimento posterior ao encerramento do período de apuração, poderão ser rateados pelos períodos a que competirem.
RECEITA BRUTA. PIS.COFINS.
O Pis e a Cofins devem ser calculadas com base na receita bruta, tendo em vista que o STF declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
LANÇAMENTO DECORRENTE.
O lançamentos de CSLL sendo decorrente da mesma infração tributária, a relação de causalidade que o informa leva a que o resultados do julgamento deste feito acompanhe aquele que foi dado à exigência de IRPJ.
Numero da decisão: 1801-000.951
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira.
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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Caracterizase como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente. MÚTUO. DESCONTO DE JUROS. INCLUSÃO NA RECEITA BRUTA. Os juros, o desconto, o lucro na operação de reporte e os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, ganhos pelo contribuinte, devem incluídos na receita bruta, quando derivados de operações ou títulos com vencimento posterior ao encerramento do período de apuração, poderão ser rateados pelos períodos a que competirem. RECEITA BRUTA. PIS.COFINS. O Pis e a Cofins devem ser calculadas com base na receita bruta, tendo em vista que o STF declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTO DECORRENTE. Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10245.003789/200805 Acórdão n.º 180100.951 S1TE01 Fl. 657 2 O lançamentos de CSLL sendo decorrente da mesma infração tributária, a relação de causalidade que o informa leva a que o resultados do julgamento deste feito acompanhe aquele que foi dado à exigência de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Maria de Lourdes Ramirez, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 226237, com a exigência do crédito tributário no valor de R$62.094,39, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional apurado pelo regime de tributação com base no lucro presumido dos anoscalendários de 2004, 2005, 2006 e 2007. O lançamento se fundamenta na omissão verificada em razão falta de adição à receita bruta dos valores correspondentes à remissão dos juros incidentes sobre obrigações de mútuo contraídas em moeda estrangeira nos anoscalendário de 2004, 2005, 2006 e 2007. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 373, art. 521 e art. 528 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II – O Auto de Infração às fls. 238252 a exigência do crédito tributário no valor de R$31.221,22 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: §§ do art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 29 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, bem como art. 37 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. III O Auto de Infração às fls. 253268 com a exigência do crédito tributário no valor de R$2.339,42 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10245.003789/200805 Acórdão n.º 180100.951 S1TE01 Fl. 658 3 juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º e art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, bem como parágrafo único e alínea “a” do inciso I do art. 2º, art. 3º, art. 10, art. 22, art. 51 e art. 91 do Decreto nº 4.524 de 17 de dezembro de 2002. IV – O Auto de Infração às fls. 269283 com a exigência do crédito tributário no valor de R$10.800,62 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: parágrafo único do inciso II do art. 2º, art. 3º, art. 10, art. 22, art. 51 e art. 91 do Decreto nº 4.524 de 17 de dezembro de 2002. V – O Auto de Infração às fls. 284288 com a exigência do crédito tributário no valor de R$51.602,17 a título de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), juros de mora e multa de ofício proporcional originário de pagamento sem causa de operação não comprovada que gerou a redução do saldo credor de da conta Caixa em 31.07.2007. Este montante foi averiguado a partir do cotejo entre os valores informados na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) e aqueles escriturados no Balanço Patrimonial transcrito no Livro Caixa. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 674 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Cientificada em 12.08.2008, fls. 227, 239, 254, 270 e 285, a Recorrente solicitou em 22.08.2008, fls. 317319, noventa dias para dilação do prazo, a qual foi indeferida por falta de previsão legal, em conformidade com o Ofício n° 0972/2008/DRF/BVT/Sacat, fls.320/322. Em sequencia, apresentou a impugnação em 11.09.2008, fls. 323371, com as alegações abaixo sintetizadas. Aduz que o ato administrativo é nulo, uma vez que foi indeferida a dilação probatória. Tece esclarecimentos sobre as atividades exercidas pelo “Grupo “Walter Vogel” e as peculiaridades das operações societárias. Procura esclarecer que não se tratam de práticas de condutas ilícitas. No que se refere à infração pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, em relação à diminuição do saldo de caixa entre 31/10/2005 e 31/07/2007, expõe que a caracterização da presunção que pressupõe a ocorrência do fato gerador e cumpra o seu dever de formalizar a exigibilidade do crédito tributário, é necessário despertar um sentimento robusto de segurança. Suscita que é impossível comprovar a existência, ou não. dos pagamentos, ou para quem foram feitos, pois o Poder Público suprimiu a possibilidade de comprovação em contrário, dando sumiço em documentos da impugnante. Alega que nem todos os documentos apreendidos na operação foram devolvidos, havendo divergência na quantidade de documentos devolvidos. Pertinente ao ilícito omissão de receitas dos valores relativos as receitas financeiras decorrentes de perdão de juros de empréstimos contraídos”, argui as autoridades fiscais não consideraram o regime de tributação com base no lucro presumido por ela adotado e o regime de caixa do reconhecimento das receitas. Destaca que os créditos tributários constituídos pelo lançamento no presente processo somente são procedentes até os fatos geradores ocorridos até maio do anocalendário de 2004. Alega que foram alcançados pela decadência. Discorda da incidência de juros de mora. Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10245.003789/200805 Acórdão n.º 180100.951 S1TE01 Fl. 659 4 Com o objetivo de fundamentar seus argumentos interpreta a legislação que rege a questão litigiosa, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e cita entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui À luz de todo o exposto requer a Impugnante: 1 a anulação total do lançamento pela violação dos princípios do contraditório e ampla defesa, pela negativa de dilação do prazo para apresentação desta defesa, em face do responsável ter sido notificado de dezessete autos de infração, em intervalos de dois dias, devendo apresentar defesa de todos eles. Ainda, em face de violação explícita aos princípios da moralidade e da boafé; 2 em não se convencendo, requer a anulação do lançamento constituído sob as alegações de pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, em razão da constatação de vício insanável, ou seja, pela violação do devido processo legal, com ofensa aos princípios do contraditório e ampla defesa, vez que não oportunizou à impugnante manifestação acerca de todos os documentos colhidos procedimento de busca e apreensão; 3 requer ainda, sejam acatadas em todos os seus termos as justificativas da improcedência do lançamento tributário relativo a omissão de receitas financeiras extinção de exigibilidade de juros sobre empréstimos, por insubsistente o fato gerador, lastreado em mera suposição, ou caso esse argumento seja superado, por ferir o lapso temporal de ocorrência dos fatos, como sobejamente demonstrado linhas atrás, seja reconhecido em parte. Termos em que, P. Deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/BEL/PA nº 0122.053, de 09.06.2011, fls. 599611: “Impugnação Procedente em Parte”, oportunidade em que foi exonerado o crédito tributário referente (a) à omissão de receitas do anocalendário de 2006 de IRPJ, CSLL, Pis e Cofins e (b) ao pagamento sem causa de operação não comprovada de 31.07.2007 de IRRF. Restou ementado Assunto: Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF AnoCalendário: 2004 , 2005 . 2006 . 2007 OPERAÇÕES ENTRE PESSOAS DO MESMO GRUPO. POTENCIALIDADE DE SIMULAÇÃO. Não basta a potencialidade de simulação; a efetividade de simulação de operação entre empresas do mesmo grupo deve ser provada para se caracterizar negócio jurídico simulado. RECIBOS E ESCRITURAS. ASSINATURA DA MESMA PESSOA NOS PÓLOS PASSIVOS DA OBRIGAÇÃO CONTRATUAL. Pessoas jurídicas são entidades diversas das dos seus sócios ou diretores. Não há irregularidade e uma mesma pessoa figurar nos pólos ativo e passivo de uma mesma obrigação como diretor de pessoas jurídicas diversas, desde que os fatos descritos nos documentos existam e sejam provados no plano exterior à organização interessada. NEGÓCIO JURÍDICO. FORMA INCOMUM. Características incomuns de negócios jurídicos dependem da natureza de cada atividade. Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10245.003789/200805 Acórdão n.º 180100.951 S1TE01 Fl. 660 5 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. VERDADE MATERIAL A verdade material, salvo previsões legais, preside a condução do processo administrativo tributário, desde a instauração do procedimento fiscal,até o deslinde do contencioso tributário; em conseqüência, o fato gerador deve estar contido na realidade das atividades exercidas pelo fiscalizado. FATO GERADOR. PAGAMENTO SEM CAUSA. Não foi deferido pela legislação o instituto da “presunção legal” para o fato gerador do art. 61 § 1º da Lei nº 8.981; assim deve ser provada a existência de “pagamento”, que não pode ser presumido por mera redução do saldo da conta caixa ao final do exercício analisado. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. FATO INDICIÁRIO. PROVAS EM CONTRÁRIO. Havendo provas em relação aos indícios autorizadores da presunção de Omissão de Receitas deve prevalecer a presunção por provado o fato indiciário. PERDÃO DE JUROS DE MORA. CLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL. O valor relativo à redução de dívida decorrente da remissão de juros não tem natureza de receita financeira, devendo ser registrada como "outras receitas operacionais". PERDÃO DE JUROS DE MORA. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. A remissão de dívida importa para o devedor (remitido) acréscimo patrimonial (receita operacional diversa da receita financeira), por ser uma insubsistência do passivo, cujo fato imponível se concretiza no momento do ato remitente. PERSONALIDADE JURÍDICA. EFEITOS. ENTE PERSONALIZADO. ENTE DESPERSONALIZADO. O sujeito personalizado pode fazer tudo que não está proibido em lei; o despersonalizado somente o essencial ao cumprimento de sua função ou os atos expressamente autorizados na lei que regula sua atividade. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. CONDICIONANTES. As condicionantes subjetivas autorizadoras da "desconsideração da personalidade jurídica" são a fraude e o abuso de direito: a condicionante objetiva, a confusão patrimonial.natureza de receita financeira, devendo ser registrada como "outras receitas operacionais". Notificada em 23.08.2011, fl. 643, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 22.09.2011, fls. 644648, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Acrescenta argumentos sobre os lançamentos efetuados no processo nº 10245.003681/200812. Reitera algumas alegações apresentados na peça impugnatória. Suscita Mútuo. Renúncia unilateral dos juros. Receitas Financeiras. Inocorrência. Não procede o lançamento sobre os valores referentes aos juros inadimplidos sobre empréstimos contraídos pela recorrente. Isso porque não constituem fato gerador de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. A sua interpretação não reserva dúvidas. O imposto possui dois fatos geradores: (1) a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda; e (2) a aquisição e disponibilidade econômica ou jurídica de qualquer acréscimo patrimonial, não incluído na definição de renda. [...] Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10245.003789/200805 Acórdão n.º 180100.951 S1TE01 Fl. 661 6 A autoridade administrativa afirma se tratar de acréscimo patrimonial, o valor correspondente aos juros do mútuo contraído pela recorrente que posteriormente deixaram de ser cobrados pelo mutuante. [...] A interpretação não reserva dúvidas. Em se tratando de situação que envolva uma relação jurídica, o fato gerador ocorre, tãosó, com a sua constituição definitiva. [...] Sua interpretação não deixa igualmente dúvidas. Se considera perfeito e acabado, desde a sua celebração inicial o negócio jurídico que imponha condição resolutória. Tece esclarecimentos sobre o contrato de mútuo, em conformidade com o Código Civil. Diz No caso, em que se debate um mútuo, pelo que são cobrados juros, o fato que gera, eventualmente, despesa ao mutuário, depende da implementação de condição, no caso, a data para pagamento do juro que dele é decorrente. Antes de implementada a condição, que cria o direito de cobrar juros, aí sim, podese dizer que o mutuário terá uma despesa de empréstimo. Antes disso, não há obrigação perfeita e acabada, porquanto não foi definitivamente constituída. Existe, apenas, enquanto obrigação, e não, direito! Esclarecido, como está, que o mutuante não tem direito de cobrar juros do mutuário antes do implemento da condição, não há que se concluir, então, que o mutuário tem um benefício, quando o mutuante deixa, unilateralmente de cobrálos. Isso porque não gera benefício econômico algum a renúncia de um direito inexistente. Como dito, a condição resolutória impede a constituição definitiva do negócio jurídico até a sua resolução. Não se resolvendo o direito à cobrança dos juros não há despesa que possa ser imputado ao mutuário. E, se, eventualmente, nesse ínterim, o mutuário é desobrigado do seu pagamento ele não obteve benefício econômico algum! [...] Se a recorrente não obteve benefício econômico com a renúncia dos juros pelos mutuantes, não há que se falar em acréscimo patrimonial de qualquer natureza. E, como conseqüência última, não ocorreu o fato gerador [...]. Conclui Ante ao exposto, requer, muirespeitosamente à Vossas Senhorias que o recurso seja admitido para que seja julgado improcedente o PAF, porque a renúncia unilateral dos juros pela recorrente não se constitui em “receita financeira”, fato gerador do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Termos em que. Pede Deferimento. É o Relatório. Voto Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10245.003789/200805 Acórdão n.º 180100.951 S1TE01 Fl. 662 7 Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A parcela litigiosa devolvida para reexame nesta segunda instância de julgamento, referese aos anoscalendário de 2004, 2005 e 2007 do IRPJ, da CSLL, do PIS e da Cofins. Os argumentos sobre os lançamentos efetuados no processo nº 10245.003681/200812 não podem ser analisados nos presentes autos por falta de objeto. A Recorrente suscita que não há que se falar em omissão de receitas. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, cabendo à autoridade a prova da não veracidade dos fatos registrados. O regime de tributação com base no lucro presumido trimestral é uma opção da pessoa jurídica para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada com o pagamento do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário. É determinado pelo somatório do ganho de capital, da receita financeira e das demais receitas auferidas, bem como do valor resultante da aplicação do coeficiente legal correspondente a sua atividade econômica sobre a receita bruta total auferida no período de apuração. Quando se tratar de pessoa jurídica com atividades diversificadas serão adotados os percentuais específicos para cada uma das atividades econômicas, cujas receitas deverão ser apuradas separadamente. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. Somente podem ser excluídos da receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante, uma vez que se presume que uma parcela da receita bruta foi consumida na produção dos rendimentos decorrentes da atividade econômica. A pessoa jurídica deve manter o Livro Registro de Inventário, bem como a escrituração contábil nos termos da legislação comercial, ressalvada a hipótese, neste caso, de escriturar o Livro Caixa, incluindo toda a movimentação financeira, inclusive bancária. Caracterizase como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10245.003789/200805 Acórdão n.º 180100.951 S1TE01 Fl. 663 8 valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente1. Os juros, o desconto, o lucro na operação de reporte e os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, ganhos pelo contribuinte, devem incluídos na receita bruta, quando derivados de operações ou títulos com vencimento posterior ao encerramento do período de apuração, poderão ser rateados pelos períodos a que competirem2. Tem cabimento, portanto, o exame da situação fática. Em conformidade com os documentos que instruem os autos, vale esclarecer que a ação fiscal tem sua origem na operação denominada Exodus realizada em conjunto com a RFB, Departamento de Polícia Federal e Ministério Público Federal, bem o Departamento de Combate a Ilícitos Cambiais e Financeiros da Gerência Técnica de Recife/PE do BACEN. A partir deste procedimento foi constatada a constituição de 98 (noventa e oito) pessoas jurídicas, incluindo a Recorrente, que têm em comum o sócio Walter Vogel, CPF 703.513.92904, procurador no Brasil de credores estrangeiros, pessoas físicas e jurídicas, que investiamlhes os recursos originários de países com tributação favorecida. A Recorrente ajustou o contrato de mútuo com a Global Concepts Establishment em 11.10.2000 no valor principal de US$70.000,00 com juros de mora a 12% ao ano para implemento em parcelas nos valores US$25.200,00, US$26.880,00 e US$6.421,20 vencíveis respectivamente em 11.10.2005, 11.10.2008 e 11.10.2011. Entretanto, de acordo com o cálculo de ofício dos juros de mora corretos temse os valores US$25.200,00, US$42.000,00 e US$25.200,00 vencíveis respectivamente em 11.10.2005, 11.10.2008 e 11.10.2011. Restou esclarecido que tais divergências são originárias da remissão parcial dos juros de mora, cujo fato pode ser comprovado pelos documentos enviados pelo Banco Central do Brasil S/A (BACEN), mediante a análise das correspondências do credor datada de 24.05.2004, fl. 137, e da Recorrente de 26.12.2006, fl. 136. A Recorrente, entretanto, não escriturou os valores dos juros de mora como provisão na conta do Passivo Exigível nos Livros Razão de modo que, por ocasião do perdão dos mesmos, não houve o registro da baixa da quantia da obrigação nesta conta nem a sua contrapartida na conta de receitas financeiras. Por ocasião da extinção da exigibilidade da obrigação de pagar os juros, ocorrida em 24.05.2004, a empresa deveria ter reconhecido como receitas financeiras juros calculados até aquela data, e nos meses seguintes, os juros que seriam incorridos em cada período, o que não ocorreu. A remissão dos juros pelo credor constitui um acréscimo patrimonial da Recorrente de acordo com expressa determinação legal, e representa receita financeira tributável que não foi oferecida a tributação. Por esta razão, os valores detalhados por contrato foram lançados como omissão de receita com os devidos acréscimos legais. A partir dos dados constantes nos Balanços Patrimoniais e nas Demonstrações dos Resultados dos Exercícios, fls. 108110, foram calculados os Valores Tributáveis, fls. 308309, constantes na Tabela 1. 1 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 15 e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º, art. 25 e art. 26 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 2 Fundamentação legal: art. 17 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de1977, § 2º do art. 76 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e § 3º do art. 11 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10245.003789/200805 Acórdão n.º 180100.951 S1TE01 Fl. 664 9 Tabela 1 – Valores tributáveis de receitas referentes à remissão de juros pela Global Concepts Establishment/Mutuante que a Recorrente/Mutuaria não ofereceu à tributação nos anos calendário de 2004, 2005 e 2007 Descrições Período (A) Valor dos Juros US$ (B) Cotação US$ (C) Valor dos Juros R$ D=(B*C) 24.05.2004 30.100,00 3,12910 94.185,91 Junho 700,00 3,10750 2.118,76 Julho 700,00 3,02680 2.118,76 Agosto 700,00 2,93380 2.053,66 Setembro 700,00 2,85860 2.001,02 Outubro 700,00 2,85650 1.999,55 Novembro 700,00 2,73070 1.911,49 Dezembro 700,00 2,65440 1.858,08 AnoCalendário de 2005 Janeiro 700,00 2,62480 1.837,36 Fevereiro 700,00 2,59500 1.816,50 Março 700,00 2,66620 1.866,34 Abril 700,00 2,53130 1.771,91 Maio 700,00 2,40380 1.682,66 Junho 700,00 2,35040 1.645,28 Julho 700,00 2,39050 1.673,35 Agosto 700,00 2,36370 1.654,59 Setembro 700,00 2,22220 1.555,54 Outubro 700,00 2,25430 1.578,01 Novembro 700,00 2,20700 1.544,90 Dezembro 700,00 2,34070 1.638,49 AnoCalendário de 2007 Janeiro 700,00 2,12470 1.487,29 Fevereiro 700,00 2,11820 1.482,74 Março 700,00 2,05040 1.435,28 Abril 700,00 2,03390 1.423,73 Maio 700,00 1,92890 1.350,23 Junho 700,00 1,92620 1.348,34 Julho 700,00 1,87760 1.314,32 Agosto 700,00 1,96200 1.373,40 Setembro 700,00 1,83890 1.287,23 Outubro 700,00 1,74400 1.220,80 Novembro 700,00 1,78370 1.248,59 Dezembro 700,00 1,77130 1.239,91 Notas: 1 O valor de US$ 30.100,00 corresponde aos juros incorridos da data do empréstimo em 11.10.2000 até a data da liberação em 24.05.2004, ou seja, 43 meses, a taxa de 1% ao mês, sobre o principal. Tal valor deveria ter sido lançado como receita bruta pela Recorrente em maio de 2004 para fins de apuração do resultado do exercício. 2 O valor de US$700,00 corresponde à aplicação do percentual mensal de 1% sobre o valor original do contrato de mútuo de US$70.000,00 e deveria ser apropriado mensalmente como despesa de juros nos registros contábeis. Como houve o perdão dos juros, tais valores se converteram em receitas para a Recorrente, devendo ser dado o tratamento tributário comum as suas demais receitas. 3 A conversão de dólar americano para reais foi feita com base na cotação para venda divulgada mensalmente pela RFB no sitio institucional. Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10245.003789/200805 Acórdão n.º 180100.951 S1TE01 Fl. 665 10 Além disso, a Recorrente reconhece que de fato teve em seu favor o desconto de juros incidentes sobre obrigações contraídas em moeda estrangeira no anocalendário de 2000, cujos vencimento da operações foi posterior ao encerramento do período de apuração, ou seja, 2004 e 2005, fls. 136137, cujos valores correspondentes não foram incluídos na receita bruta para fins de apuração do lucro presumido. Embora defenda a tese de que não houve a ocorrência do fato gerador dos tributos, a legislação determina que este valor deve incluído na receita bruta, podendo ser rateados pelos períodos a que competirem. Desse modo o conjunto probatório produzido nos autos evidencia que o procedimento de ofício está correto em relação ao IRPJ re à CSLL. Entretanto pertinente à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), cabe ressaltar que foram criadas para o custeio da seguridade social, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, devem ser calculadas com base na receita bruta, podendo ser excluídos os valores das vendas canceladas, dos descontos incondicionais concedidos, do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Por esta razão as receitas financeiras não compõem a base de cálculo destes tributos, no caso em que a pessoa jurídica não exerça atividade econômica tendo estas como objeto. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no Agravo de Instrumento/Questões de Ordem nº 715.423/RS3 que reconheceu a Repercussão Geral com mérito julgado no Recurso Extraordinário nº 527.602/RS4, que reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, em conformidade com o Relatório Repercussão Geral do STF5, e deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF6. Os presentes créditos tributários de Pis e de Cofins foram constituídos com fundamento na omissão verificada em razão falta de adição à receita bruta dos valores correspondentes à remissão dos juros incidentes sobre obrigações de mútuo contraídas em moeda estrangeira nos anoscalendário de 2004, 2005 e 2007. Tendo em vista o fato de que estes valores não compõem a receita bruta decorrente das atividades econômicas comerciais de florestamento, industrialização e comercialização de madeira e derivado e agropecuária 3 BRASIL.Supremo Tribunal Federal. Agravo de Instrumento/Questões de Ordem nº 715.423/RS. Ministra Relatora: Ellen Gracie, Plenário, Brasília, DF, 11 de junho de 2008. Disponível em: <http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=546303>. Acesso em: 22 set.2011. 4 BRASIL.Supremo Tribunal Federal. Recurso Extraordinário nº 527.602/RS. Ministro Relator Originário: Eros Grau, Ministro Relator Acórdão: Marco Aurélio, Tribunal Pleno, Brasília, DF, 5 de agosto de 2009. Disponível em: <http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=605653>. Acesso em: 22 set.2011. 5 BRASIL. Supremo Tribunal Federal.Jurisprudência. Repercussão Geral. Relatório da Repercussão Geral. Disponível em: < http://www.stf.jus.br/portal/cms/verTexto.asp?servico=jurisprudenciaRepercussaoGeralRelatorio>. Acesso em: 22 set.2011. 6 Fundamentação legal: art. 195 da Constituição Federal, art. 1º e art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, art. 2º, art. 3º e art. 8º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, art. 8º e art. 9º da Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10245.003789/200805 Acórdão n.º 180100.951 S1TE01 Fl. 666 11 exercidas pela Recorrente, fls. 373375, os Autos de Infração de Pis e de Cofins, fls. 253283, são improcedentes. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso7. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade8. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo9. O lançamentos de CSLL sendo decorrente da mesma infração tributária, a relação de causalidade que o informa leva a que o resultados do julgamento deste feito acompanhe aquele que foi dado à exigência de IRPJ. Em face do exposto, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário para cancelar os créditos tributários formalizados nos Autos de Infração de Pis e de Cofins. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 7 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 8 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. 9 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 18471.000212/2006-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
LANÇAMENTO. AUTORIDADE COMPETENTE. Conforme o art. 6. da Lei 10593/2002 (com redação data pela lei 11.457/2007), o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (anteriormente denominado de Auditor Fiscal da Receita Federal) é competente para o lançamento tributário.
JUROS DE MORA. LEGALIDADE. O questionamento sobre a legalidade dos juros de mora, se cabível, deve ser feita na via jurisdicional, tendo em vista o art. 62 da Portaria MF 256/2009.
REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. LEGALIDADE. A requisição de informações sobre a movimentação financeira do contribuinte às entidades bancárias está prevista na LC 105/2001.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2101-002.589
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado :(a) por voto de qualidade, em afastar as preliminares de nulidade suscitadas, vencidos os conselheiros Eduardo de Souza Leão, Mara Eugênia Buonano Caramico e Eivanice Canário da Silva, que votaram por declarar a nulidade do auto de infração e (b) no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
MARIA CLECI COTI MARTINS - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, EIVANICE CANARIO DA SILVA, MARA EUGENIA BUONANNO CARAMICO, MARIA CLECI COTI MARTINS, EDUARDO DE SOUZA LEAO
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
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AUTORIDADE COMPETENTE. Conforme o art. 6. da Lei 10593/2002 (com redação data pela lei 11.457/2007), o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (anteriormente denominado de Auditor Fiscal da Receita Federal) é competente para o lançamento tributário. JUROS DE MORA. LEGALIDADE. O questionamento sobre a legalidade dos juros de mora, se cabível, deve ser feita na via jurisdicional, tendo em vista o art. 62 da Portaria MF 256/2009. REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. LEGALIDADE. A requisição de informações sobre a movimentação financeira do contribuinte às entidades bancárias está prevista na LC 105/2001. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado :(a) por voto de qualidade, em afastar as preliminares de nulidade suscitadas, vencidos os conselheiros Eduardo de Souza Leão, Mara Eugênia Buonano Caramico e Eivanice Canário da Silva, que votaram por declarar a nulidade do auto de infração e (b) no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. MARIA CLECI COTI MARTINS Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 02 12 /2 00 6- 18 Fl. 179DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 30/10/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, EIVANICE CANARIO DA SILVA, MARA EUGENIA BUONANNO CARAMICO, MARIA CLECI COTI MARTINS, EDUARDO DE SOUZA LEAO Relatório O Recurso Voluntário visa reverter a decisão proferida no Acórdão 1320.393 7a. Turma da DRJ/RJOII que manteve integralmente o lançamento efetuado contra o contribuinte para o exercício 2002. A ciência do Acórdão de Impugnação ocorreu em 24/07/2008 e o Recurso Voluntário foi interposto em 08/08/2008. Em preliminares o contribuinte alega que não foi aventada a discussão da conservação da Medida Provisória, mas sim a nulidade do Decreto Presidencial n. 5644 de 28/12/2005, que restaurou a Receita Federal do Brasil para os atos praticados pelos agentes fiscais, por inocorrência de repristinação. Entende que o servidor que lavrou o auto de infração não tinha competência legal para fazêlo, exigência essa fixada pelo art. 10 do Decreto 70235/72. O recorrente entende que, para a violação do sigilo bancário, é necessário que exista processo administrativo aberto, o que não teria ocorrido quando da emissão da RMF. Tal processo só foi aberto quando da impugnação pelo do auto de infração. Não concorda com a taxa de juros moratórios para créditos fiscais preconizada na lei 9065/95 pois tal taxa possui característica de remuneração e não de indenização. Informa que os depósitos bancários seriam originários de uma só fonte, e que os valores foram depositados em sua conta bancária para que fizesse liquidação de processos trabalhistas e fiscais existentes contra a sociedade Bigforte Segurança e Vigilância Ltda. Protesta pela juntada, oportunamente, da documentação comprobatória dos depósitos dos pagamentos feitos em nome da empresa citada. É o relatório. Voto Conselheira MARIA CLECI COTI MARTINS O recurso é tempestivo, atende aos requisitos legais e dele conheço. Não foram juntados aos autos quaisquer documentos relativos às operações alegadas pelo contribuinte tendo em vista justificar os depósitos em suas contas bancárias. Argumenta, contudo, a ilegalidade do ato de lançamento, da quebra de sigilo bancário, e dos juros moratórios. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 30/10/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 18471.000212/200618 Acórdão n.º 2101002.589 S2C1T1 Fl. 3 3 A decisão de primeira instância já se pronunciou sobre a validade dos atos administrativo fiscais na vigência da Medida Provisória 258, de 21/07/2005, que teria criado a Receita Federal do Brasil, mas não foi convertida em lei. Observase que a fiscalização teve início antes da edição da MP 258 e só foi encerrada em 21/03/2006, pela mesma autoridade autuante, isto é, o Auditor Fiscal da Receita Federal. Conforme estabelecido no art. 6. da Lei 10593/2002 (com redação data pela lei 11.457/2007), a competência para constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições é do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil. AFRFB (anteriormente chamado AuditorFiscal da Receita Federal). Assim, não houve modificação na competência da autoridade lançadora mesmo com a modificação da denominação de Auditor Fiscal da Receita Federal para Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, após a transformação da Receita Federal em Receita Federal do Brasil tendo em vista abarcar também as atividades de fiscalização previdenciária. Relativamente à requisição de movimentação financeira, não assiste razão o recorrente, pois está claro no art. 6 da Lei Complementar 105/2001, que "as autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente." Observase que o pedido de informações financeiras às entidades foi feito após o início do procedimento fiscal e após as intimações ao contribuinte. Conforme o art. 62 do Regimento Interno deste Conselho (Portaria MF 256/2009), "fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade." Assim, a análise sobre a legalidade do diploma autorizativo dos juros moratórios, sobretudo a lei 9.065/95, não pode ser realizada neste Colegiado. Entendendo o sujeito passivo a necessidade desse questionamento, deverá procurar tutela jurisdicional. Foi verificado que o somatório dos depósitos bancários sem comprovação da origem, constantes do lançamento fiscal, resultam em somatório maior que R$ 80.000,00, por ano, nas contas bancárias individuais do contribuinte. Desta forma, voto por negar provimento ao recurso. MARIA CLECI COTI MARTINS Relatora Fl. 181DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 30/10/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 30/10/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10865.000370/2009-77
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
Coeficiente Apuração do Lucro Presumido. Serviços Hospitalares. Serviços à Saúde.
A prestação de serviços médicos não se confunde com prestação de serviços hospitalares, não permitindo o gozo do favor fiscal de redução de coeficiente para apuração do lucro presumido - de 32% para 8%, como já decidiu o STJ.
Juros Moratórios. Taxa Selic.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para tributos federais.
Juros De Mora Sobre Multa De Ofício.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Lançamento de Ofício. Penalidade
A penalidade instituída pelo art. 44, I, da Lei nº 9.430, nada mais é do que uma sanção pecuniária a um ato ilícito, configurado na falta de pagamento ou recolhimento de tributo devido, ou ainda a falta de declaração ou a apresentação de declaração inexata.
In casu, dado que não houve pagamento ou recolhimento de tributo devido, por parte da contribuinte, a exigência da multa de ofício encontra-se em perfeita consonância com a legislação em vigor.
Numero da decisão: 1801-002.088
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por qualidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Neudson Cavalcante Albuquerque e Alexandre Fernandes Limiro que davam provimento ao recurso por entender que a fiscalização não carreou provas necessárias a proceder à tributação.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cristiane Silva Costa, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 Coeficiente Apuração do Lucro Presumido. Serviços Hospitalares. Serviços à Saúde. A prestação de serviços médicos não se confunde com prestação de serviços hospitalares, não permitindo o gozo do favor fiscal de redução de coeficiente para apuração do lucro presumido - de 32% para 8%, como já decidiu o STJ. Juros Moratórios. Taxa Selic. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para tributos federais. Juros De Mora Sobre Multa De Ofício. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Lançamento de Ofício. Penalidade A penalidade instituída pelo art. 44, I, da Lei nº 9.430, nada mais é do que uma sanção pecuniária a um ato ilícito, configurado na falta de pagamento ou recolhimento de tributo devido, ou ainda a falta de declaração ou a apresentação de declaração inexata. In casu, dado que não houve pagamento ou recolhimento de tributo devido, por parte da contribuinte, a exigência da multa de ofício encontra-se em perfeita consonância com a legislação em vigor.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 COEFICIENTE APURAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS HOSPITALARES. SERVIÇOS À SAÚDE. A prestação de serviços médicos não se confunde com prestação de serviços hospitalares, não permitindo o gozo do favor fiscal de redução de coeficiente para apuração do lucro presumido de 32% para 8%, como já decidiu o STJ. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para tributos federais. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE A penalidade instituída pelo art. 44, I, da Lei nº 9.430, nada mais é do que uma sanção pecuniária a um ato ilícito, configurado na falta de pagamento ou recolhimento de tributo devido, ou ainda a falta de declaração ou a apresentação de declaração inexata. In casu, dado que não houve pagamento ou recolhimento de tributo devido, por parte da contribuinte, a exigência da multa de ofício encontrase em perfeita consonância com a legislação em vigor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 03 70 /2 00 9- 77 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/09/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Acordam, os membros do colegiado, por qualidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Neudson Cavalcante Albuquerque e Alexandre Fernandes Limiro que davam provimento ao recurso por entender que a fiscalização não carreou provas necessárias a proceder à tributação. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cristiane Silva Costa, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 1a. Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto/SP que, por unanimidade de votos, manteve parcialmente a exigência de IRPJ consubstanciada nos autos. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ em Ribeirão Preto/SP: No âmbito do procedimento instituído pelo Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n º 200800938, em desfavor da contribuinte, submetida à sistemática de tributação pelo lucro presumido, foi lavrado auto de infração (fls. 2/10) que lhe exigiu Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) de R$ 152.557,44, acrescido de multa de ofício no valor de R$ 114.418,07 e juros de R$ 65.058,98, relativo ao ano calendário de 2005. A imposição tributária baseouse na aplicação indevida do coeficiente de 8% sobre as receitas da atividade de prestação de serviços, quando o correto seria de 32%. A base legal que amparou a constituição do crédito tributário achase descrita no auto de infração e nos demonstrativos correspondentes. Conforme assentado no Termo de Verificação de Irregularidade Fiscal (fl. 12) a contribuinte não comprovou a prestação de serviços hospitalares que justificassem a aplicação da alíquota de 8%, o que ensejou a imposição tributária na alíquota de 32%. Do que consta dos autos, verificase que a contribuinte foi intimada por meio de edital a comprovar a efetiva prestação de serviços que a enquadrasse na alíquota de 8%, a justificar o motivo por que não se aplicou a alíquota de 32%, além de apresentar cópia do contrato social e alterações (fls. 11/12). Fl. 151DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/09/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10865.000370/200977 Acórdão n.º 1801002.088 S1TE01 Fl. 3 3 Posteriormente, nos termos do Edital Sefis/DRF/Lim n º 008/2009 (fl. 17) fora notificada da lavratura do auto de infração. Integra os autos o termo de revelia lavrado em face de que, decorrido o prazo regulamentar, a contribuinte não impugnou o lançamento, não recolheu o crédito tributário lançado, tampouco apresentou prova da interposição de medida judicial visando anular ou lançamento ou suspender a exigibilidade do crédito tributário. Registra o termo que esgotado o prazo de cobrança sem atendimento da exigência, os autos seriam encaminhados à Procuradoria da Fazenda Nacional para cobrança executiva (fl. 20). Consta dos autos a carta de cobrança n º 0327/2009 que instou a contribuinte a providenciar o recolhimento e comprovar o pagamento, com a ressalva de que o não atendimento da solicitação implicaria encaminhamento do processo à Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) para cobrança executiva (fl. 21/22). Decorrido o prazo sem manifestação da contribuinte, lavrouse em 2/7/2009 o despacho de encaminhamento do processo à PFN para fins de apuração, inscrição e cobrança da dívida ativa da União (fls. 26/28). O ofício 10865/Sefis/DRF/Limeira n º 162/2009, remetido pela Delegacia da Receita Federal em Limeira à Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Piracicaba, encaminha expediente protocolizado pela contribuinte, para as providências que se entendessem cabíveis (fl. 29). O expediente em foco é a impugnação da carta de cobrança antes referida, com a ressalva de que a contribuinte suscita o direito ao contraditório e à ampla defesa para apresentar razões de mérito. Suscitou a nulidade da intimação do auto de infração pois apenas recebera carta de cobrança em seu atual endereço e que antes nenhum outro fora entregue. Aduziu que alterou seu domicílio, da Rua João Machado Gomes, 553, Vila Cláudia, para a Rua Via Capri, 160, Vila San Marino, ambos na cidade de Limeira, SP. Pelo fato de não ter sido notificada do auto de infração todos os atos posteriores seriam nulos de pleno direito. Assim, deve ser intimada do auto de infração, com abertura de prazo para apresentar sua defesa. Argüiu que pelo fato de apenas ter recebido a carta de cobrança não dispunha de maiores esclarecimentos acerca da imposição tributária. Entretanto, todos os recolhimentos foram efetuados em conformidade com a legislação, daí inexistir débito. Ao final propugnou pela acolhida de suas alegações, protestou por provar o alegado por todos os meios de prova, ao mesmo tempo em que pleiteou sejam as notificações e intimações encaminhadas para Av. Washington Luiz, 155, Centro, caixa postal, 528, em Araras, SP. Consta dos autos a informação de que a contribuinte protocolizou pela Internet pedido de alteração de endereço em 8/10/2008, que foi homologado pela RFB apenas em 2/3/2009, razão por que a autoridade fiscal solicita cancelamento da inscrição em dívida ativa da União para reabertura de prazo para apresentar impugnação, após a contribuinte ter sido cientificada da imposição fiscal. O despacho de 9/12/2009 exarado pelo Procurador Seccional da Fazenda Nacional em Piracicaba acolheu o proposta de cancelamento da inscrição em dívida ativa (fl.58). Fl. 152DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/09/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 A intimação Secat/n º 1007/2010, de 9/10/2010 notificou a contribuinte do cancelamento da inscrição em dívida ativa da União ao mesmo tempo em que cientificou do auto de infração e a intimou a recolher os créditos tributários lançados ou apresentar impugnação (fl. 65/6). Intimada a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 67/74 com alegação de que: inexiste definição ou conceituação legal do que sejam serviços hospitalares, o que instaura insegurança jurídica, descabendo ao intérprete, ainda que baseado em instruções normativas, restringir o âmbito de sua incidência; as atividades que exerce devem ser enquadradas como serviços hospitalares, pois estão ligadas à atenção e assistência à saúde, cuja finalidade, em consonância com a diretiva assentada no art. 196 da Constituição Federal, é a de promover o atendimento à saúde, conforme decidiu o Superior Tribunal de Justiça (STJ); ocorreu prescrição (sic) do prazo para constituição do crédito tributário. A Turma Julgadora de 1a. Instância, ao apreciar o litígio, declarou a decadência dos lançamentos relativos aos fatos geradores ocorridos nos primeiro e segundo trimestres de 2005, mantendo as exigências referentes aos terceiro e quarto trimestres de 2005. No mérito, depois de historiar e reproduzir a legislação de regência que se sucedeu na matéria, assinalou que os atos normativos vigentes delimitaram a definição do conceito de serviços hospitalares àqueles prestados por empresário ou sociedade empresária – conforme definição dada pelo art. 966 do Código Civil (CC), Lei nº 10.406, de 10/01/2002 que exerça uma ou mais das atribuições previstas no artigo 27 da IN SRF n.° 480, de 2004; e alterações implementadas pela IN SRF n.° 539, de 2005, além do ADI n° 18/2003. Observou que não se consideram serviços hospitalares aqueles prestados exclusivamente pelos sócios da pessoa jurídica ou referentes unicamente ao exercício de atividade intelectual, de natureza científica, dos profissionais envolvidos, mesmo que com o concurso de auxiliares ou colaboradores sem a mesma habilitação técnica dos sócios da empresa a que a esses prestem serviços de apoio técnico ou administrativo, acrescentando que as normas da Anvisa estão previstas na Resolução – RDC nº 50, de 2002, e dispõe sobre o Regulamento Técnico para planejamento, programação, elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde. Salientou que no caso em apreço, além de a empresa estar enquadrada como sociedade civil, a teor do contrato de constituição, seu objetivo social previsto na cláusula 2ª do Contrato Social Consolidado é o de prestação de serviços médicos com atendimento a urgências e emergências (fl. 80), o que permitiria concluir que sua atividade referese apenas ao exercício de atividade intelectual dos sócios, circunstância que impediria o reconhecimento de tributação benéfica. Cientificada da decisão, em 31/07/2013 (AR fl. 103), apresentou a interessada em 27/08/2013, recurso voluntário. Em preliminares alega a nulidade do lançamento por ausência de motivação caracterizada pela “descrição insuficiente dos fundamentos de fato e de direito da exigência do imposto”. Acrescentou que o Fisco não fez prova da razão que teria levado a desconsideração da declaração do IRPJ. Seria nulo o lançamento também pelo cerceamento do direito de defesa com conseqüente violação do devido processo legal eis que o auto de infração foi lavrado sem Fl. 153DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/09/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10865.000370/200977 Acórdão n.º 1801002.088 S1TE01 Fl. 4 5 qualquer explicação em termo de verificação fiscal justificando a razão fática e jurídica que levaram a desconsideração de todos os documentos e esclarecimentos prestados. Pelos mesmos fundamentos, não haveria prova a amparar o lançamento, já que o Fisco teria, por mera presunção, invertido o ônus probatório. No mérito afirma prestar serviços de atendimento médicohospitalar na área de urgências e emergências também feito em UTIs móveis, como demonstraria claramente seus estatutos sociais e que nenhum ato infralegal poderia restringir o que dispõe a lei a respeito do conceito de serviços hospitalares. Colaciona jurisprudência. Reafirma, com suas palavras: O tratamento, ou melhor, o atendimento complementar à saúde no tocante à atividade desempenhada pela recorrente: i) possui corpo clínico DESTINADO AO IMEDIATO E COMPLEXO ATENDIMENTO, CIRURGIAS, RESSUCITAMENTO, EMERGÊNCIAS E URGÊNCIAS NOS MAIS VARIADOS RAMOS DA MEDICINA e internação de pacientes; ii) garante o atendimento médico básico para diagnóstico e tratamento de urgências e emergências; iii) possui serviços de laboratório na área em que atua; iv) possui registros médicos organizados. ... Notese que a própria lei descreve quais os serviços estão incluídos no conceito de “médicohospitalar”. Conforme já demonstrado nestes autos, a atividade da recorrente é diversificada – urgência e emergência, portanto, tem o direito de apurar a base de cálculo para a incidência do IRPJ mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por centos), sobre sua receita bruta. Defende a ilegalidade da cobrança de juros com base na taxa Selic e da incidência de juros sobre multa e qualifica de confiscatória a multa aplicada. Ao final pede pelo acolhimento das razões recursais. Fez sustentação oral pela recorrente, em plenário se julgamento, o Dr. Danilo Marques Souza, OAB/SP nº 273.499. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/09/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. 1 Preliminarmente No que respeita à invocada nulidade do procedimento cumpre examinar, inicialmente, se no presente caso teriam sido observados os requisitos legais pertinentes à constituição do Crédito Tributário pela Fazenda Pública, conforme estabelecido no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972, que disciplina o Processo Administrativo Fiscal – PAF, bem como se teriam sido atendidas as exigências presentes no art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN Lei nº. 5.172, de 1966. Esta é a redação dos dispositivos mencionados: Decreto no. 70.235/72 – PAF Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta e conterá obrigatoriamente: I – a qualificação do autuado; II – o local, a data e a hora da lavratura; III – a descrição do fato; IV – a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V – a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI – a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Lei nº. 5.172/66 – Código Tributário Nacional Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Nesse aspecto, não se verifica nos autos a ausência dos elementos essenciais à formalização do crédito tributário, eis que presentes a descrição das irregularidades com a identificação da ocorrência dos fatos geradores, das matérias tributáveis, como também a determinação das bases de cálculo e alíquotas aplicáveis, o cálculo dos tributos exigidos, a correta identificação do sujeito passivo e a imposição da penalidade cabível. Assim, o ato praticado no presente processo revestiuse de todas as formalidades para sua validade, não se detectando nos autos qualquer das hipóteses de nulidade previstas nos incisos I e II do art. 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972, abaixo transcrito, uma vez Fl. 155DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/09/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10865.000370/200977 Acórdão n.º 1801002.088 S1TE01 Fl. 5 7 que o ato foi formalizado por pessoa competente, o AFRFB, e foi assegurado aos autuados o direito de defesa. Da mesma forma, as decisões administrativas somente podem ser objeto de anulação se também restar caracterizada afronta às disposições do artigo 59, inciso II: Art. 59 São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ...omissis... Do mesmo modo não se verifica, in casu, incompetência da autoridade julgadora de 1a. instância. Tampouco a decisão foi proferida com preterição do direito de defesa da contribuinte, razão pela qual rejeito os argumentos preliminares. 2 Mérito Consta dos autos que no âmbito de procedimento fiscal a recorrente fora intimada, em seu domicilio anterior, a comprovar a prestação de serviços hospitales que ensejassem a aplicação do percentual de presunção do lucro de 8%, assim como justificar por qual razão não teria se utilizado do percentual regular de 32%. Como não fora localizada no seu domicilio fiscal anterior e não atendera à intimação cientificada por Edital, a auditoria considerou que a recorrente não comprovou que sua atividade estaria submetida ao percentual reduzido de presunção e lavrou o auto de infração para exigir a diferença de imposto. Somente com o envio do processo para inscrição em dívida ativa da União – posteriormente cancelada é que a recorrente tomou conhecimento da exigência. Em que pese a ciência tardia a defesa não trouxe aos autos, nem por ocasião da impugnação, nem neste momento em que se aprecia o recurso voluntário, nenhum elemento capaz de comprovar que pratica atividades relacionadas a “serviços hospitalares” a fim de se submeter ao benefício previsto no art. 15 da Lei n º 9.249, de 1995: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º. Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (....) III trinta e dois por cento, para as atividades de: Fl. 156DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/09/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; (destaques acrescidos) O único elemento disponibilizado pela defesa foi o contrato social que tem previsto, como objeto social, na Cláusula Segunda (fl.80): A sociedade terá como objetivo social a prestação de serviços Médicos com atendimento a urgências e emergências. Com efeito, nem todas as empresas que prestam serviços à saúde podem ser consideradas como prestadoras de atividades hospitalares para fins de aplicação do percentual mais reduzido de presunção do lucro. É necessário que fique claramente demonstrado que a prestadora de serviços à saúde não se limita e oferecer aos usuários simples consultas médicas. Esse tema foi amplamente debatido pelo Superior Tribunal de Justiça. A jurisprudência daquela Corte Superior encontrase pacificada no sentido de atividades ligadas á saúde de prestação de serviços de simples consultas médicas não se enquadram no conceito de atividades hospitalares para o fim do benefício de fruição do percentual de presunção do lucro mais favorável. Esse posicionamento pode ser claramente verificado no voto proferido pelo Ministro Benedito Gonçalves no julgamento do julgamento do Resp nº 1.116.399 BA (2009/00064810), ao qual foram atribuídos os efeitos do art. 543C do CPC. Eis o que restou consignado no Acórdão proferido no referido julgado: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 53 e 468 DO CP. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CP. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, par fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global do paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, §1º, inciso I, “a” da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério Fl. 157DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/09/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10865.000370/200977 Acórdão n.º 1801002.088 S1TE01 Fl. 6 9 subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Recita Federal e frente aos diapositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisito não previsto em lei (a exemplo da necessidade da estrutura que permita internação de pacientes) para obtenção do benefício. Daí a conclusão de que “a dispensa de capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares” 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares “aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde”, de sorte que, “em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos” 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/2008 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2ºdo artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipóteses em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não assemelhados a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por centos), no caso do IRPJ e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. Podem ser citados, ainda, outros precedentes daquela Corte, na mesma direção: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO –IRPJ E CSLL – BASE DE CÁLCULO REDUZIDA – LEI 9.249/95 – CONCEITO DE "SERVIÇOS HOSPITALARES" –CARÁTER OBJETIVO – Fl. 158DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/09/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 QUESTÃO PACIFICADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO (RESP 951.251/PR) – RECURSO ESPECIAL ADESIVO – SUCUMBÊNCIA INEXISTENTE –AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. 1. Provida apelação e a remessa oficial, com a denegação da segurança, falta à Fazenda Nacional interse recursal. 2. A Primeira Seção pacificou o entendimento de que o conceito de serviços hospitalares a que se refere o art. 15, §1º, I, "a, da Lei 9.249/95, na sua redação original, deve ser interpretado de forma objetiva,abrangendo as atividades de natureza hospitalar essenciais à população, independente da existência de estrutura para internação, excluída somente as consultas realizadas por profissionais liberais em seus consultórios médicos. 3. Na ocasião, restou consignado que a tributação com a base de cálculo reduzida deve considerar a receita proveniente de cada atividade específica, na forma do § 2º do mencionado dispositivo legal,o invés da recita bruta total da empresa. 4. Da mesma forma, concluise que não é possível aplicação das disposições da Lei 11.727/2008 às demandas ajuizadas anteriormente à sua vigência, por falta de préquestionamento. 5. Ressalva do ponto de vista da relatora em relação à exclusão indistinta das consultas em comento. 6. Provido parcialmente o recurso do contribuinte; não conhecido o especial adesivo da Fazenda Nacional (REsp 93.21/SC, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 21/5/209, DJe 4/6209). TRIBUTÁRIO –IRPJ E CSLL –ALÍQUOTA REDUZIDA –ART. 15, §1º, I, "A, DA LEI N.9249/95 –LABORATÓRIO DE ANÁLISE CLÍNICAS –PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES –NOVEL ENTENDIMENTO DA PRIMEIRA SEÇÃO. 1. Concluiu a Primeira Seção que, "por serviços hospitalares compreendemse aqueles que estão relacionados às atividades desenvolvidas nos hospitais, ligados diretamente à promoção da saúde, podendo ser prestados no interior do estabelecimento hospitalar, mas não havendo esta obrigatoriedade. Devese, por certo, excluir do benefício as simples prestações de serviços realizadas por profissionais liberais consubstanciadas em consultas médicas, já que essa atividade não se identifica com as atividades prestadas no âmbito hospitalar, mas, sim, nos consultórios médicos." (REsp 951251/PR, rel. Min. Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 2.4209, DJe 3.6209). 2. Para fazer jus à concessão do benefício fiscal previsto ns artigos 15, §1º, I, "a e 20 da Lei n.9249/95, é necessário que a prestação de serviços hospitalares seja realizada por contribuinte que, no desenvolvimento de sua atividade, possua custos diferenciados da simples prestação de atendimento médico, e não apenas a capacidade de internação de pacientes. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/09/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10865.000370/200977 Acórdão n.º 1801002.088 S1TE01 Fl. 7 11 3. Merece reforma o entendimento firmado pela Primeira Turma, para reconhecer a incidência dos percentuais de8% (oit por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços laboratoriais de análise clínicas. Embargos de divergência providos (ERsp 956.12/RS, Rel. Minstro HUMBERTO MARTINS, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 23/09209, DJe 01/0209). Observo que, no presente caso, a recorrente não fez prova da atividade que pratica, limitandose, como já consignado, a disponibilizar apenas a cópia do contrato social que prevê, de forma genérica a prestação de serviços médicos, sem, no entanto, especifícálos (efl.80). A prova da real atividade médica praticada pela recorrente poderia ser facilmente promovida pela apresentação das notas fiscais de prestação de serviços e recibos contendo a descrição dos serviços, assim como relatórios médicos, contratos de prestação de serviços, dentre outros. A recorrente, deixou, assim, de provar que presta serviços hospitalares. Na verdade a recorrente presta simplesmente “serviços médicos” e, nessas condições, sua atividade não se insere no conceito de atividade hospitalar. No que respeita à inconformidade da recorrente com relação à incidência de juros calculados com base na taxa SELIC, este órgão de julgamento já consolidou seu entendimento,, como se verifica do enunciado de súmula abaixo reproduzido: Súmula CARF n º 4. A partir de 1o. de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. Quanto aos juros incidentes sobre a multa lançada de ofício e não paga no seu respectivo vencimento cumpre reconhecer que se trata de crédito tributário para com a Fazenda Nacional regularmente constituído. Observese que o CNT determina a conversão da penalidade pecuniária em obrigação principal, no caso de seu não adimplemento: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/09/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 12 Portanto, sendo a multa de ofício, débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela SRF, configurase regular a incidência de juros de mora a partir do vencimento do crédito tributário assim determinado. Ademais, o art. 161 do Código Tributário Nacional dispõe que os juros devem incidir sobre o crédito tributário não pago. Vejamos: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. No mesmo sentido, ainda, a Súmula CARF nº. 5, que pode ser aplicada ao caso: Súmula CARF nº.5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Com relação à penalidade aplicada sobre os tributos exigidos nos presentes autos é de se esclarecer que a multa ao percentual de 75% corresponde à multa exigida nos casos de lançamento de ofício. A penalidade instituída pelo artigo 44 da Lei n º 9.430, de 1996, nada mais é do que uma sanção pecuniária a um ato ilícito, qual seja, a falta de pagamento ou recolhimento de tributo devido, ou ainda a falta de declaração ou a apresentação de declaração inexata. In casu, dado que não houve pagamento ou recolhimento de tributos devidos, por parte da contribuinte, a exigência da multa de ofício encontrase em perfeita consonância com a legislação em vigor. A propósito, em relação aos argumentos de ilegalidade e inconstitucionalidade de comandos normativos legitimamente inseridos no sistema jurídico, cumpre transcrever o posicionamento consensual deste órgão, como se verifica da seguinte súmula: Súmula CARF no. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Fl. 161DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/09/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10865.000370/200977 Acórdão n.º 1801002.088 S1TE01 Fl. 8 13 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/09/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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