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Numero do processo: 10283.002500/99-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/1991 a 31/12/1994
VALOR DE ALÇADA PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO - SÚMULA CARF 103
O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF 63, de 09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF 103).
Recurso de ofício não conhecido.
Numero da decisão: 3402-004.200
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
assinado digitalmente
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício e relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/1991 a 31/12/1994 VALOR DE ALÇADA PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO - SÚMULA CARF 103 O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF 63, de 09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF 103). Recurso de ofício não conhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício e relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
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score : 1.0
Numero do processo: 10508.001202/2008-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Incorre em omissão o acórdão que se refere à fundamentação constante de outro acórdão sem mencioná-la expressamente.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 1401-002.009
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, reconhecer a omissão apontada para suprir a fundamentação do acórdão recorrido, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano (Vice-presidente), Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado CMOS DRAKE DO NORDESTE LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Incorre em omissão o acórdão que se refere à fundamentação constante de outro acórdão sem mencionála expressamente. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, reconhecer a omissão apontada para suprir a fundamentação do acórdão recorrido, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 50 8. 00 12 02 /2 00 8- 87 Fl. 253DF CARF MF 2 Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano (Vicepresidente), Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Relatório Tratase de auto de infração lavrado para a cobrança de PIS e COFINS relativos a períodos de apuração de 2005, nos quais a autoridade autuante apurou insuficiência de recolhimento, sendo as divergências relativas ao valor do crédito presumido de ICMS. Em sua impugnação apresentada em 20 de janeiro de 2009 (fls. 150158), a empresa contribuinte alega que: • os créditos presumidos de ICMS "não denotam qualquer manifestação de riqueza ou incorporação de capital ou bens ao patrimônio da recorrente, destinandose, única e tão somente, ao ressarcimento dos custos de operação"; • ao se permitir a tributação federal de crédito presumido deferido pelo Estado, por via oblíqua, limitarseia o poder constitucionalmente outorgado aos Estados de legislar em matéria tributária deles privativa, em patente afronta aos arts. 153 e 154, I, da Constituição Federal; • mesmo que tido como "subvenção", o crédito em tela se mostra como "de investimento", uma vez que computado como reserva de capital; • há, ainda, vicio formal que invalida os auto de infração, uma vez que violaram o art. 1º, § 2°, da Portaria SRF n° 326, de 2005, visto que o autuante lavrou um único auto para a exigência de tributo e multa, sendo que deveria ter lavrado auto autônomo para se configurar a exigência da multa. A DRJ em Salvador julgou a impugnação improcedente, em acórdão assim ementado (fls. 210): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2005 a 31/07/2005, 01/09/2005 a 31/12/2005 BENEFÍCIO FISCAL. CRÉDITO PRESUMIDO DO ICMS. Por não estar inserido no rol das exclusões da base de cálculo da Contribuição para o PIS previstas na legislação de regência, mantémse a autuação dos valores relativos a esse beneficio fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2005 a 31/07/2005, 01/09/2005 a 31/12/2005 BENEFÍCIO FISCAL. CRÉDITO PRESUMIDO DO ICMS. Por não estar inserido no rol das exclusões da base de cálculo da Cofins previstas na legislação de regência, mantémse a autuação dos valores relativos a esse beneficio fiscal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2005 a 31/07/2005, 01/09/2005 a 31/12/2005 Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10508.001202/200887 Acórdão n.º 1401002.009 S1C4T1 Fl. 254 3 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Incabível a argüição de nulidade do auto de infração, quando se verifica que foi lavrado por pessoa competente para fazêlo e em consonância com a legislação vigente. INCONSTITUCIONALIDADE. A Secretaria da Receita Federal do Brasil, como órgão da administração direta da União, não é competente para decidir quanto à inconstitucionalidade de norma legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada do acórdão em 10 de fevereiro de 2010 (fls. 218), a empresa não apresentou recurso voluntário após tal data. No entanto, consta dos autos "recurso administrativo de revisão" dirigido ao Conselho de Contribuintes, apresentado em 8 de outubro de 2009, antes de qualquer julgamento em primeira instância administrativa (fl. 161/169). Tal recurso basicamente repete os argumentos expostos na peça impugnatória. Por meio do Acórdão nº 3101014, de 14 de fevereiro de 2011, a 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento declinou da competência de julgar este feito, "tendo em vista que os fatos que acarretaram a lavratura dos presentes autos de infração foram os mesmos que ensejaram a cobrança do IRPJ e da CSLL, objeto do processo nº 10508.001203/200821, já julgado pela Primeira Seção de Julgamento deste CARF". O presente processo foi distribuído ao Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos, então integrante desta Turma. Em 21 de janeiro de 2016, esta Turma conheceu do recurso voluntário apresentado e o julgou parcialmente procedente, "para aplicar o mesmo tratamento dispensado ao lançamento da exigência principal, objeto do processo nº 10508.001203/200821." O processo no. 10508.001203/200821, tido como principal, consta como tendo sido julgado por este CARF em 29 de junho de 2011 nos termos do acórdão nº 1802 000.925. Contra tal decisão a PGFN apresentou recurso especial, o qual aguarda a apreciação da Câmara Superior de Recursos Fiscais e discute justamente a natureza das subvenções em tela e seus reflexos tributários. Diante disso, a PGFN apresentou os presentes embargos de declaração. Neste recurso, a PGFN sustenta que o acórdão ora embargado implicitamente adota as conclusões do acórdão 1802000.925 ao estender sua aplicação ao PIS/COFINS, no entanto tais conclusões devem constar expressamente do acórdão embargado, para fins de prequestionamento. Neste contexto, afirma ainda: "Se a decisão proferida no processo nº 10508.001203/200821 já fosse definitiva, nenhum problema haveria. Estando pendente de apreciação o recurso especial o acórdão principal, porém, devem as suas razões constar expressamente do acórdão ora embargado, sob pena de configurarse omissão. Fl. 255DF CARF MF 4 Nos termos do RICARF, é obrigação do recorrente, ao propor a divergência, promover o cotejo analítico entre o acórdão recorrido e os dois acórdãos apontados como paradigmas. Sem que a tese de fundo, de direito tributário material, conste do acórdão exarado dessa Egrégia Turma, fica impossível realizar tal cotejo, o que impede o exercício da prerrogativa desta PGFN de interpor o recurso por divergência. Sendo assim, a União entende que a omissão deve ser suprida para fins de prequestionamento, garantindose, assim, seu direito de recorrer por divergência. Basta, para tanto, que a matéria de fundo, tal qual decidida no processo nº 10508.001203/200821, seja expressamente disposta no voto e/ou na ementa, como razões de decidir." Em 1o de julho de 2016 os embargos de declaração foram admitidos, "uma vez que efetivamente existe a omissão apontada. De fato, as razões de decidir constantes do processo principal devem ser dispostas no voto (ou, pelo menos, na ementa) referente a este processo decorrente, para possibilitar a apresentação de recurso especial." (fl. 240). Recebi o processo em distribuição realizada em 19 de maio de 2017. Voto Conselheira Livia De Carli Germano Relatora O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Tratase de embargos de declaração que visam a suprir omissão do acórdão recorrido, uma vez que este pretendeu adotar as razões de decidir do acórdão 1802000.925, no entanto não as mencionou textualmente. Alega a PGFN que tal omissão a impede de apresentar recurso especial, uma vez que tal recurso exige a demonstração de divergência, a qual se faz mediante o cotejo analítico entre o acórdão recorrido e os dois acórdãos apontados como paradigmas. Assim, por não ter sido mencionada expressamente a fundamentação do acórdão recorrido, tal cotejo analítico restaria prejudicado. Entendo que assiste razão à recorrente. Na verdade, ao não mencionar expressamente os trechos do acórdão a que faz referência, o acórdão ora recorrido vai de encontro ao que dispõe o artigo 50 da Lei 9.784/1999, merecendo destaque os trechos que grifamos abaixo: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; III decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; IV dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10508.001202/200887 Acórdão n.º 1401002.009 S1C4T1 Fl. 255 5 V decidam recursos administrativos; VI decorram de reexame de ofício; VII deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; VIII importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo. § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. § 2o Na solução de vários assuntos da mesma natureza, pode ser utilizado meio mecânico que reproduza os fundamentos das decisões, desde que não prejudique direito ou garantia dos interessados. § 3o A motivação das decisões de órgãos colegiados e comissões ou de decisões orais constará da respectiva ata ou de termo escrito. Desse modo reconheço a omissão apontada para suprir a fundamentação do acórdão recorrido, nos termos abaixo. Antes, vale apenas fazer a observação de que, desde sua impugnação, a contribuinte se defende genericamente contra a tributação dos créditos presumidos de ICMS, seja pelo IRPJ e pela CSLL seja pelas contribuições ao PIS e à COFINS, não tendo ressaltado quaisquer diferenças específicas com relação às bases de cálculo de tais tributos que pudessem levar a tratamento diferenciado. O voto do acórdão recorrido é sucinto e vale transcrevêlo em sua integralidade: Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso é tempestivo, preenche os requisitos de admissibilidade. Dele conheço. A autuada tanto na impugnação quanto no recurso voluntário insurgese contra a exigência da Cofins e do PIS. Todavia, tomase a defesa por pertinência ao IRPJ e à CSLL, tendo em vista serem estas as exigências relativas aos autos de infração de que trata o presente processo. Essencialmente, a recorrente alega que se submete ao regime de apuração por lucro presumido, assim, impossível a incidência dos citados tributos sobre o crédito presumido de ICMS deferido pelo Estado da Bahia, nos termos da legislação aplicável à espécie. Consta do Relatório Fiscal (fls.124/126) que o autuante durante o procedimento de fiscalização constatou que houve insuficiência de recolhimento do IRPJ e da CSLL devidos nos trimestres do ano calendário de 2005 e que, o contribuinte ao ser intimado para explicar as diferenças encontradas informou à fl.19 que os valores escriturados como "outras receitas operacionais — recuperação de despesas" são referentes a estorno de débitos do ICMS (Crédito Presumido de ICMS), em virtude de incentivo fiscal concedido pelo Decreto Estadual n° 4.316/95, conforme escriturado no livro Registro de apuração do ICMS (fls. 79 a 92), e que foram contabilizados na conta de recuperação de despesas perfazendo o total de R$ 974.569,79, os quais foram contabilizados na conta de Fl. 257DF CARF MF 6 “Deduções da Receita Bruta — ICMS”, portanto, não se trata de novos ingressos de recursos, não devendo, pois, ser tributados. O entendimento encartado na autuação é de que, o crédito presumido do ICMS, mencionado pelo contribuinte, constitui receita do período de apuração, devendo o valor desse crédito presumido ser deduzido do ICMS a recolher, apurado conforme a sistemática de débito e crédito desse imposto. Afirma o autuante que a alegação do contribuinte de que tais valores foram contabilizados na conta Deduções da Receita Bruta — ICMS é irrelevante, pois o regime de apuração por ele escolhido é o Lucro Presumido, e de acordo com o art. 521 do RIR/1999, esses valores devem ser acrescidos à base de cálculo de que trata o art. 518, para efeito de incidência do imposto e do adicional, e da contribuição social. Compulsandose os autos, constatase nos demonstrativos de fls.127/129 que o autuante para compor o faturamento da empresa, utilizou os valores de vendas e devoluções registrados nos livros de saída e apuração do ICMS como também os valores escriturados nos balancetes mensais a título de "Outras receitas operacionais recuperação de despesas" e ao final apurou o IRPJ e CSLL demonstrados às fls.129 e 142. Nessa seara, a questão está clarificada no Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 22, de 29/10/2003 (DOU de 31/10/2003, pág.14), que dispõe sobre o tratamento de incentivos concedidos pelo Poder Público às pessoas jurídicas, consistentes em empréstimos subsidiados ou regimes especiais de pagamento de impostos, verbis: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 259, de 24 de agosto de 2001, e tendo em vista o disposto nos arts. 374, 377 e 443 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda (RIR, de 1999), e o que consta do processo no 10768.028583/9801, declara: Art. 1º. Os incentivos concedidos pelo Poder Público às pessoas jurídicas, consistentes em empréstimos subsidiados ou regimes especiais de pagamento de impostos, em que os juros e a atualização monetária, previstos contratualmente, incidem sob condição suspensiva, não configuram subvenções para investimento, nem subvenções correntes para custeio. Parágrafo único. Os incentivos de que trata o caput configuram reduções de custos ou despesas, não se aplicando o disposto no art. 443 do RIR, de 1999. (Grifei) Art. 2º. Os juros e a atualização monetária contratados, incidentes sob condição suspensiva, serão considerados despesas na apuração do Lucro Real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), quando implementada a condição. Para melhor compreensão do que se pretende demonstrar, em relação ao tratamento do incentivo concedido pelo Poder Público às pessoas jurídicas, consistentes em redução de pagamento do ICMS, tomemos com números hipotéticos a contabilização dos fatos, a teor do Ato Declaratório acima. Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10508.001202/200887 Acórdão n.º 1401002.009 S1C4T1 Fl. 256 7 No mês da venda de mercadorias, a empresa contabiliza o valor do ICMS, a débito da conta de despesa tributária e a crédito de ICMS a recolher. No vencimento do débito (ICMS), o valor da redução de 60% (se for o caso) é debitado na conta de ICMS a recolher e o crédito da contrapartida deve ser levado para a conta de resultado (Despesa de ICMS), ou seja: (D) Despesa de ICMS (C) ICMS a recolher ............................R$ 1.000,00 No mês do vencimento (exemplo: recolhimento com redução de 60 % por incentivo); Incentivo = R$ 600,00 (D) ICMS a recolher........ 1.000 (C) Caixa ....................... 400 (pagamento do ICMS devido) (C) Despesa de ICMS ....... 600 (estorno pelo não pagamento /redução/incentivo). Como se pode observar, o incentivo de redução do ICMS concedido pelo Estado à pessoa jurídica não configura subvenção para investimento, nem subvenção corrente para custeio, e sim, redução de custo ou despesa tributária, não se aplicando o disposto no artigo 443 do RIR, de 1999. Deste modo, o valor do incentivo não será considerado como receita (operacional ou não operacional), e sim, estorno pelo não pagamento do ICMS a recolher tendo em vista o incentivo de redução do ICMS concedido pelo Estado à pessoa jurídica. Tem razão a recorrente. Havendo a empresa optado pela tributação com base no lucro presumido, a contabilização do incentivo como receita é irrelevante para fins de apuração do IRPJ e da CSLL, salvo se a pessoa jurídica tivesse deduzido do valor da receita bruta, o valor do incentivo de redução do ICMS, visto que o ICMS integra o preço da venda, excluídas apenas: as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador, dos quais o vendedor ou prestador é mero depositário, como é o caso do IPI, e que, o percentual para obtenção do lucro se aplica sobre o valor total da venda (receita bruta), já que o lucro que se apura nesse sistema é o presumido. Não consta dos autos que a recorrente tenha excluído da receita bruta o valor correspondente ao estorno da conta de despesas tributárias do ICMS, pela despesa não incorrida (valor do incentivo). Vale exalçar (sic) que o valor total de R$ 974.569,79 discriminado às fls. 121 e 141, corresponde aos seguintes valores trimestrais, R$ 182.802,90; R$ 420.928,27; R$ 110.384,86 e R$ 260.453,76, respectivamente, aos 1º, 2º, 3º e 4º trimestres do ano calendário de 2005. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso para que sejam excluídos das bases de calculo, demonstradas às fls.127/129 e 140/142, os valores trimestrais acima mencionados para fins de apuração trimestral do IRPJ e da CSLL. Fl. 259DF CARF MF 8 É como voto. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 260DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.722720/2015-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2012
DESCRIÇÃO DOS FATOS. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. DIREITO AO CONTRADITÓRIO E À AMPLA DEFESA. ARGUIÇÃO DE NULIDADE.
Infundada a arguição de nulidade decorrente de alegado cerceamento do direito de defesa quando presentes nos autos uma adequada descrição dos fatos e uma fundamentação legal ajustada à realidade dos fatos, estando ainda o processo devidamente instruído com os elementos de prova necessários à comprovação da infração.
MULTA DE OFÍCIO NO PERCENTUAL DE 225%. PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO.
Presumem-se revestidos de validade e eficácia os dispositivos legais regularmente inseridos no ordenamento jurídico pátrio, atributos que se mostram presentes na aplicação da multa de ofício no percentual de 225% (duzentos e vinte e cinco por cento), já que prevista nos §§ 1º e 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, não sendo dada a este órgão do contencioso administrativo a prerrogativa de afastar a sua aplicação por suposta afronta a princípio constitucional.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2012
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DE SÓCIO. ADMINISTRAÇÃO DA SOCIEDADE. NÃO COMPROVAÇÃO.
Somente os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado podem ser responsabilizados pelos tributos devidos pela pessoa jurídica. Para isso é necessário que tenham exercido a direção ou a gerência da sociedade, atributo que deve ser devidamente comprovado pela autoridade fiscalizadora.
Numero da decisão: 3201-003.014
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. DIREITO AO CONTRADITÓRIO E À AMPLA DEFESA. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. Infundada a arguição de nulidade decorrente de alegado cerceamento do direito de defesa quando presentes nos autos uma adequada descrição dos fatos e uma fundamentação legal ajustada à realidade dos fatos, estando ainda o processo devidamente instruído com os elementos de prova necessários à comprovação da infração. MULTA DE OFÍCIO NO PERCENTUAL DE 225%. PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO. Presumemse revestidos de validade e eficácia os dispositivos legais regularmente inseridos no ordenamento jurídico pátrio, atributos que se mostram presentes na aplicação da multa de ofício no percentual de 225% (duzentos e vinte e cinco por cento), já que prevista nos §§ 1º e 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, não sendo dada a este órgão do contencioso administrativo a prerrogativa de afastar a sua aplicação por suposta afronta a princípio constitucional. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2012 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DE SÓCIO. ADMINISTRAÇÃO DA SOCIEDADE. NÃO COMPROVAÇÃO. Somente os “diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado” podem ser responsabilizados pelos tributos devidos pela pessoa jurídica. Para isso é necessário que tenham exercido a direção ou a gerência da sociedade, atributo que deve ser devidamente comprovado pela autoridade fiscalizadora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 27 20 /2 01 5- 10 Fl. 345DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila. Relatório Tratase de Recurso de Ofício e de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 08035.548, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE), que assim relatou o feito: Tratase de impugnação apresentada pela pessoa jurídica interessada, formalizada com o objetivo de contraditar os créditos tributários abaixo quantificados: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) .......................................................... RS 12.831.238,29 Contribuição para o PIS/Pasep ....................... R$ 2.790.221,86 Total Lançado................................................. R$ 15.621.460,15 Tendo a requisitada permanecido inerte, deuse a lavratura do Termo de Reintimação Fiscal nº 01, fls. 148/149, em foi registrado o não atendimento ao que foi determinado no Termo de Início de Fiscalização e estabelecido o prazo adicional de 5 (cinco) dias úteis para o saneamento da situação. A ciência deu se em 23/02/2015, fls. 151/152. Em 27/02/2015 a pessoa jurídica apresentou documento, fl. 253, em que informa a apresentação dos atos constitutivos da pessoa jurídica e suas alterações posteriores, qualifica a pessoa responsável pelo acompanhamento da ação fiscal e, no que toca ao demonstrativo de apuração do PIS/Pasep e da Cofins, assim como a justifica para as divergências entre os valores evidenciados nos DACONs e aqueles constantes das DCTFs retificadoras, solicitou a concessão de um prazo adicional de 60 (sessenta) dias. Fl. 346DF CARF MF Processo nº 10120.722720/201510 Acórdão n.º 3201003.014 S3C2T1 Fl. 346 3 Em atendimento parcial ao demandado, a autoridade fiscal deferiu o prazo de 20 (vinte) dias. Transcorrido o lapso temporal determinado, sem que nada mais fosse apresentado pela pessoa jurídica fiscalizada, a autoridade fiscal teve por concluídos os trabalhos, promovendo a lavratura dos autos de infração pertinentes ao PIS/Pasep e à Cofins nos valores acima informados, fls. 02/16. A infração considerada, tanto no PIS/Pasep quanto na Cofins, foi a insuficiência de recolhimento das contribuições sociais, estando as respectivas descrições dos fatos presentes nos autos de infração complementadas pelo que consta do Termo de Verificação Fiscal, fls. 18/26. Segundo consta do acima aludido documento, a despeito de o contribuinte haver apurado valores a pagar, relativamente às 2 (duas) exações fiscais em pauta, o que se deu por meio de DACONs transmitidos à repartição fiscal, posteriormente retificou as DCTFs relativas aos meses do anocalendário 2012, “zerando” os valores a pagar inicialmente confessados, tudo conforme demonstrado no Anexo I, fl. 24. Quanto ao Anexo II, fl. 25, relaciona os débitos de PIS/Pasep e de Cofins confessados nas DCTFs originárias, que foram anulados pela autuada em um momento posterior. Sendo esta a situação, a fiscalização efetuou lançamentos em que o crédito tributário exigido correspondeu, com exatidão, aos valores apurados pelo próprio sujeito passivo nos DACONs transmitidos à repartição fiscal, já que nas DCTFs retificadoras houvera eliminado qualquer vestígio de valores a pagar, tanto para o PIS/Pasep, quanto para a Cofins. No que diz respeito à multa de ofício, o lançamento deuse no percentual de 225% (duzentos e vinte e cinco por cento): adotou a qualificação da penalidade pecuniária do percentual de 75% (setenta e cinco por cento) para 150% (cento e cinquenta por cento), o que se deu em razão de entender aplicável, ao caso em questão, o determinado pelo § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, pois “ao tentar impedir ou retardar o conhecimento do fato gerador dos tributos PIS e Cofins” se enquadrou na tipificação da sonegação fiscal prevista no art. 71 da Lei nº 4.562, de 1964; e procedeu ao agravamento de 50% (cinquenta por cento), incidente sobre o percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), com o que chegou aos 225% (duzentos e vinte e cinco por cento), pelo fato de o contribuinte não haver apresentado os esclarecimentos solicitados desde o Termo de Início de Fiscalização. Ademais, procedeu à responsabilização solidária do Sr. ANTÔNIO GOMES DE MELO, CPF 301.882.10172, procedimento adotado sob o argumento de que “era o sócio Fl. 347DF CARF MF 4 administrador na época dos fatos narrados acima”, com o que teria incidido nas hipóteses de responsabilização estatuídas pelo art. 124, inc. I e pelo art. 135, inc. II, ambos do CTN. A ciência da pessoa jurídica, efetivada por meio da ECT, fls. 237/238, deuse em 01/04/2015, fls. 237/238. No que se refere ao sócio que foi colocado na condição de devedor solidário, a notificação ocorreu no dia 04/04/2015, fls. 239/240. Em 30/04/2015 deuse a apresentação da impugnação aos lançamentos, efetivada tanto em nome da pessoa jurídica PETROGOIÁS LTDA, quanto da pessoa natural ANTÔNIO GOMES DE MELO, fls. 173/200. Responsabilização Solidária do Sócio ANTÔNIO GOMES DE MELO Inicialmente a defesa buscou demonstrar a inaplicabilidade ao caso concreto do disposto no art. 124, inc. I do CTN, que determina que são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, já que cumpriria ao fisco provar a existência do interesse comum do sócio colocado no polo passivo da relação jurídico tributária, referente ao fato que motivou as autuações, ou seja, a insuficiência de recolhimentos do PIS/Pasep e da Cofins, ao longo do ano calendário 2012, o que ao seu ver não se faz presente nos autos. Contestou veementemente a afirmação da autoridade fiscal, consistente no fato de o nominado sócio haver atuado na condição de sóciogerente da pessoa jurídica, ao longo de todo o ano de 2012, informação que teria sido extraída da 18ª Alteração Contratual. Conforme a impugnante, “a autoridade fiscal simplesmente deixou de apresentar as duas últimas páginas da 18ª Alteração Contratual [...] que poderiam comprovar que o Sr. Antônio Gomes de Melo era, de fato, sócio administrador [...] durante o ano de 2012”. Uma rápida verificação nas páginas 11 e 12 da 18ª Alteração Contratual, contudo, são suficientes para se constatar que a verdade é outra, totalmente contrária à afirmação fiscal, já que somente foi realizada no dia 15/11/2014, com registro na Junta Comercial do Estado de Goiás em 05/01/2015, de modo que somente a partir desta última data é que a pessoa física impugnante passou a exercer a função de sócio administrador da pessoa jurídica PETROGOIÁS LTDA, conforme disposição contida na Cláusula 5ª da modificação contratural em voga. Além disso, as alterações contratuais vigentes durante o período abarcado pela fiscalização – 13ª, 14ª e 15ª Alterações Contratuais – demonstram que o Sr. ANTÔNIO GOMES DE MELO jamais exerceu qualquer cargo de gerência ou de Fl. 348DF CARF MF Processo nº 10120.722720/201510 Acórdão n.º 3201003.014 S3C2T1 Fl. 347 5 administração perante a PETROGOIÁS LTDA durante todo o ano de 2012. Sendo assim, não há que se falar que na condição de mero sócio quotista da PETROGOIÁS LTDA tenha o Sr. ANTÔNIO GOMES DE MELO interesse comum na situação que representou o fato gerador das autuações fiscais em questão. A procedência da imposição de responsabilidade solidária, com amparo no art. 124, inc. I, do CTN, requer a demonstração, por parte do ente tributante, dos elementos legais, mediante justificativa fática e jurídica, devidamente amparada por provas, não podendo prevalecer meras presunções, como verificado no caso concreto. Prosseguindo, apresentou estudos doutrinários de renomados autores, assim como ementas de julgados que, a seu ver, reforçam os argumentos pela defesa apresentados. Esgotada a defesa relacionada ao art. 124, inc. I, do CTN a impugnante centrou o foco ao disposto no inc. III do art. 135 deste mesmo diploma legal, a estatuir serem pessoalmente responsáveis pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei os gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. A doutrina e a jurisprudência pátrias pacificaram o entendimento consoante o qual o simples inadimplemento de obrigações tributárias, como ocorre no caso em apreço, não é fato ensejador da responsabilidade pessoal dos sócios, mormente quando o implicado não era sócio administrador ou sócio com poderes de gerência na condução dos negócios da empresa. A sociedade com fins empresarias possui existência própria, é um ente capaz de adquirir direitos e contrair obrigações, que não se confundem com as de seus integrantes, entendimento que é reforçado pela doutrina de Alfredo de Assis Gonçalves Neto. Não se pode olvidar que, em matéria de responsabilidade tributária, o administrador somente será responsabilizado se praticar qualquer uma das condutas previstas no caput do art. 135 do CTN, a saber, “atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos” de onde resulte o nascimento de obrigações tributárias, tratandose de entendimento que já foi pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), como verificado nas ementas pela defendente apresentadas, bem como no que consta da Súmula STJ nº 430. No caso impugnado, os lançamentos decorreram de mera insuficiência de recolhimentos do PIS/Pasep e da Cofins, não havendo que se cogitar em prática de atos com excesso de poderes ou com infração de lei. Ausência de Elementos de Prova Indispensáveis à Comprovação do Ilícito Fl. 349DF CARF MF 6 Na dicção da requerente, não se vislumbram nos autos os elementos de prova indispensáveis à comprovação do fato imponível pela fiscalização imputado, qual seja, a insuficiência de recolhimentos do PIS/Pasep e da Cofins. O que foi apresentado na peça acusatória, as DCTFs retificadoras sem débitos do PIS/Pasep e da Cofins, na realidade fazem prova a favor da própria pessoa jurídica, uma vez que tais documentos substituíram integralmente as declarações anteriormente transmitidas, segundo previsão legal contida no art. 9º, § 1º da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 2010. Inexistindo qualquer débito confessado nas obrigações acessórias retificadoras ativas, referentes aos períodos mensais de janeiro a dezembro de 2012, não se pode afirmar, de pleno, ser a pessoa jurídica impugnante devedora da Fazenda Nacional. A situação acima narrada configura, portanto, ausência de fundamentação do lançamento e, por conseguinte, insegurança na determinação da infração, cerceamento do direito de defesa e do direito ao contraditório. Segundo prescrição estabelecida no art. 142 do CTN, o conteúdo do lançamento consiste precisamente na declaração expressa do fato jurídico tributável, acompanhada da identificação de todos os seus elementos – subjetivo, espacial, temporal, material e quantitativo –, que devem se subsumir aos equivalentes aspectos ou critérios da hipótese de incidência tributária. Não basta ao ente tributante, ao efetivar o lançamento, simplesmente declarar expressamente o fato jurídico tributário na sua completude, devendo produzir a prova da sua ocorrência. In casu, a autoridade lançadora não fez nem uma coisa nem a outra. Com o propósito de melhor fundamentar a tese pela defendente arregimentada, consistente, em suma, no não cumprimento, por parte da Fazenda Nacional, do dever inerente ao ônus da prova, a impugnante apresentou estudos doutrinários de festejados autores e ementa de julgado do CARF. Concluiu suas considerações com a afirmação de que se faz presente, no caso em julgamento, a ausência de fundamentação da exigência fiscal, a implicar na configuração da insegurança na determinação da infração e no cerceamento do direito de defesa e ao contraditório, o que impõe a declaração da nulidade dos lançamentos contraditados. Multa de Ofício de 225% Ofensa ao Princípio da Vedação do Confisco As multas administrativas ostentam uma função punitiva, voltada ao infrator, e outra preventiva, que visa evitar que se repita o comportamento ilícito. No caso em questão, entretanto, foi fixada em valor excessivo, suficiente para inviabilizar economicamente a empresa punida, o que a torna confiscatória, desviandose de suas finalidades punitivas e preventivas, passando a representar instrumento de Fl. 350DF CARF MF Processo nº 10120.722720/201510 Acórdão n.º 3201003.014 S3C2T1 Fl. 348 7 enriquecimento sem causa do Tesouro Nacional, sendo passível de anulação na via administrativa e na via judiciária. Ainda que as autoridades fiscais devam observar os princípios da vinculação e da legalidade, as multas punitivas confiscatórias devem ser rechaçadas já que há um excesso na norma legislativa à medida que impõe ao contribuinte penalidades de conteúdo confiscatório. O princípio da vedação ao confisco, pontuou a interessada, é previsto no sistema tributário nacional como uma das limitações constitucionais ao poder de tributar, estando contida no art. 150, inc. IV da Constituição Federal. Prosseguindo, apresentou estudos de renomados autores, todos eles voltados para a perfeita compreensão do princípio pela requerente suscitado, como também ementa de julgado proferido no Supremo Tribunal Federal (STF). Finalizou com a proposição de que este órgão julgador cancele a penalidade de 225% que lhe foi imposta pois, além de afrontar o princípio da não vedação ao confisco, atenta contra o princípio da capacidade contributiva. Dos Pedidos Requereu a impugnante, ao concluir a sua abordagem, com a formulação dos seguintes pedidos: a declaração da inexistência de responsabilidade solidária do segundo impugnante, Sr. ANTÔNIO GOMES DE MELO; a nulidade dos créditos tributários lavrados; e na hipótese do não acolhimento desta última proposição, o cancelamento da multa de ofício no percentual de 225. Posteriormente, em petição datada recepcionada na repartição fiscal em 22/07/2015, fls. 255/264, a pessoa jurídica aditou a impugnação inicialmente apresentada, tecendo considerações adicionais no que se refere à multa de ofício que lhe foi imputada pela autoridade fiscalizadora. É o que se tem a relatar. Após exame da Impugnação apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2012 DESCRIÇÃO DOS FATOS. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. DIREITO AO CONTRADITÓRIO E À AMPLA DEFESA. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. Infundada a arguição de nulidade decorrente de alegado cerceamento do direito de defesa quando presentes nos autos uma adequada descrição dos fatos e uma fundamentação Fl. 351DF CARF MF 8 legal ajustada à realidade dos fatos, estando ainda o processo devidamente instruído com os elementos de prova necessários à comprovação da infração. MULTA DE OFÍCIO NO PERCENTUAL DE 225%. PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO. Presumemse revestidos de validade e eficácia os dispositivos legais regularmente inseridos no ordenamento jurídico pátrio, atributos que se mostram presentes na aplicação da multa de ofício no percentual de 225% (duzentos e vinte e cinco por cento), já que prevista nos §§ 1º e 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, não sendo dada a este órgão do contencioso administrativo a prerrogativa de afastar a sua aplicação por suposta afronta a princípio constitucional. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano calendário: 2012 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DE SÓCIO. ADMINISTRAÇÃO DA SOCIEDADE. NÃO COMPROVAÇÃO. Somente os “diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado” podem ser responsabilizados pelos tributos devidos pela pessoa jurídica. Para isso é necessário que tenham exercido a direção ou a gerência da sociedade, atributo que deve ser devidamente comprovado pela autoridade fiscalizadora. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido Por oportuno, transcrevese a conclusão do julgado quanto à procedência parcial da impugnação: Ante o exposto, levando em consideração os fatos e a legislação apresentados, VOTO pela procedência parcial da impugnação, excluindose o Sr. ANTÔNIO GOMES DE MELO, CPF 301.882.10172, da condição de devedor solidário, e se mantendo os lançamentos em suas integralidades, com a respectiva permanência das cobrança dos créditos tributários exigidos, relativamente à pessoa jurídica PETROGOIÁS DISTRIBUIDORA DE PETRÓLEO LTDA, CNPJ 05.470.445/000159. Não obstante a exclusão do solidário ANTÔNIO GOMES DE MELO, ambos os contribuintes (ANTÔNIO GOMES DE MELO e PETROGOIÁS DISTRIBUIDORA DE PETRÓLEO) apresentaram Recurso Voluntário a este CARF, reiterando os argumentos de defesa apresentados. Por conseguinte, foram os autos encaminhados a este CARF para exame de RECURSO DE OFÍCIO (quanto à exclusão do responsável solidário) e do RECURSO VOLUNTÁRIO (quanto à manutenção integral do lançamento), tendo sido a mim distribuídos por sorteio. É o relatório. Fl. 352DF CARF MF Processo nº 10120.722720/201510 Acórdão n.º 3201003.014 S3C2T1 Fl. 349 9 Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Os Recursos de Ofício e Voluntário são próprios e tempestivos e, portanto, deles tomo conhecimento. Na hipótese dos autos, notase que o Contribuinte Recorrente limitouse, em sede de Recurso Voluntário, a reescrever a impugnação apresentada, inclusive no que tange à responsabilidade solidária do sócio, excluída em sede de primeira instância. Ademais, conforme se verifica pelo Relatório supra, a lançamento decorre de confirmação de dados lançados pelo próprio Contribuinte em suas DACONs e, contra este, não apresentou qualquer contestação, limitandose, em sua defesa, a afirmar que deveriam ser considerados os valores constantes em sua DCTF retificadora, que informaram inexistir qualquer débito das referidas contribuições para o período. Dispõe o § 3º do art 57 do RICARF, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Com efeito, entendo que a decisão proferida pela DRJ de Fortaleza, em primeira instância, analisou adequadamente o feito, aplicandolhe o melhor direito à espécie, razão pela qual, com fulcro no dispositivo transcrito, confirmo a adoção da decisão recorrida, seja em sede de Recurso Voluntário, seja em sede de Recurso de Ofício. Fl. 353DF CARF MF 10 Transcrevo: Voto A impugnação é tempestiva e tem por signatário mandatário regularmente constituído, como verificado em instrumentos de mandatos, cujas cópias foram apresentadas, fls. 201/202, devendo ser conhecida, apreciada e deliberada. Responsabilização Solidária do Sócio ANTÔNIO GOMES DE MELO A primeira questão a ser enfrentada no presente julgado diz respeito à inserção no polo passivo da relação jurídico tributária do Sr. ANTÔNIO GOMES DE MELO, CPF 301.882.10172, o que se deu, segundo afirmado pela autoridade lançadora, pois ao longo do anocalendário 2012, época da ocorrência dos fatos geradores, seria sócio administrador da pessoa jurídica autuada, medida que foi adotada com substrato no art. 124, inc. I e no art. 135, inc. III, ambos da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN). Aludem os defendentes haver o representante fazendário cometido um grave equívoco ao afirmar que o Sr. ANTÔNIO GOMES DE MELO se encontrava na gerência da empresa durante o ano de 2012, assertiva que foi proferida com base na 18ª Alteração Contratual. Destacam, ainda, que ao se compulsar os autos, o que se observa é a ausência das 2 (duas) últimas folhas de um total de 12 (doze) do acima referido documento, as quais poderiam comprovar que a pessoa natural responsabilizada não exerceu a administração da empresa no ano de 2012. Como prova do assegurado, apresentaram a cópia completa da 18ª Alteração Contratual, fls. 223/234, que permite se observar haver sido formulada no dia 15/11/2014. Foram ainda disponibilizadas as cópias das seguintes alterações contratuais: 13ª Alteração Contratual, datada de 14/08/2009, fls. 206/212, cuja Cláusula Oitava estabelece que a administração da sociedade será exercida pelo sócio Danilo Bently de Carvalho; 14ª Alteração Contratual, datada de 20/09/2012, fls. 213/217, em que o parágrafo único da Cláusula Quinta determina que a administração da sociedade permanece sendo exercida pelo sócio Danilo Bently de Carvalho; e 15ª Alteração Contratual, datada de 20/03/2013, fls. 218/221, em que o parágrafo único da Cláusula Quinta mantém a redação contida na alteração anterior, com o sócio Danilo Bently de Carvalho seguindo na condição de administrador da pessoa jurídica. Atentandose para a documentação juntada ao processo pela fiscalização, relativa ao que foi apresentado pela pessoa jurídica, em decorrência de uma reintimação fiscal, fls. 153/165, percebese, quanto à 18ª Alteração Contratual, fls. 156/165, se Fl. 354DF CARF MF Processo nº 10120.722720/201510 Acórdão n.º 3201003.014 S3C2T1 Fl. 350 11 fazer presente em sua Cláusula Quinta do Contrato Social consolidado que a administração da empresa será exercida pelo Sr. ANTÔNIO GOMES DE MELO, tratandose da última das 10 (dez) folhas que foi apresentada de um total de 12 (doze) folhas existentes no documento, de modo que as páginas juntadas pela fiscalização não estabelecem a data em que a modificação contratual foi procedimentada, informação somente encontrada em sua última folha, tratandose do dia 15/11/2014, como verificado na cópia completa que foi apresentada pelos impugnantes, fls. 223/234. Assim, tendo em vista o que consta da 13ª, 14ª e da 15ª Alterações Contratuais, o entendimento que se pode chegar é de que o Sr. ANTÔNIO GOMES DE MELO, CPF 301.882.10172, não se encontrava alçado à condição de sócio administrador da PETROGOIÁS LTDA ao longo de todo o anocalendário 2012, como aduzido pela defesa, mas sim o Sr. Danilo Bently de Carvalho, CPF 082.445.88187. A leitura dos documentos apresentados permite que se infira que o Sr. ANTÔNIO GOMES DE MELO ingressou na sociedade quando do advento da 13ª Alteração Contratual, de 20/09/2012, momento em que adquiriu as quotas da Srª Rosemary Almeida Macedo Bently, CPF 213.356.56120, não tendo a sua condição de sócio quotista sido modificada pela 14ª Alteração Contratual, de 20/09/2012, nem pela 15ª Alteração Contratual, de 20/13/2013, o que nos permite prolatar, com base no que consta do processo, que a pessoa implicada pela fiscalização não se encontrava exercendo a administração da pessoa jurídica autuada durante o anocalendário 2012. Vejamos, ademais, quem denota a condição de representante da PETROGOIÁS LTDA, no que se refere às obrigações acessórias da pessoa jurídica, pertinentes ao anocalendário 2012: DIPJ/2013 – Danilo Bently de Carvalho, CPF 082.445.88187, fl. 30; DCTFs retificadoras, que “zeraram” os débitos de PIS/Pasep e de Cofins – Danilo Bently de Carvalho, CPF 082.445.88187, fls. 108/139; e DACONs mensais apresentados pela empresa – Danilo Bently de Carvalho, CPF 082.445.88187, conforme consulta a sistema interno de controle da RFB por este julgado por este julgador efetuada. Nesse compasso, tendo presente o que consta das alterações contratuais apresentadas pela defesa, como também das informações colhidas em relação à DIPJ/2013, às DCTFs retificadoras (o que se mostrou relevante para a responsabilização ora debatida) e aos DACONs mensais, a conclusão que se pode chegar é de que o Sr. ANTÔNIO GOMES DE MELO, CPF 301.882.10172, não se encontrava na condição de sócio administrador da pessoa jurídica no período objeto das autuações, o que põe por terra a tese arregimentada pela autoridade fiscal. Fl. 355DF CARF MF 12 A impossibilidade de se responsabilizar quem não se encontrava na gerência da sociedade diz respeito a entendimento defendido pelo consagrado doutrinador Leandro Pausen1, para quem Somente os “diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado” podem ser responsabilizados, e não todo e qualquer sócio. Faz se necessário, pois, que o sócio tenha exercido a direção ou a gerência da sociedade, com poder de gestão. Efetivamente, a responsabilização exige que as pessoas indicadas tenham praticado diretamente, ou tolerado, a prática do ato abusivo e ilegal quando em posição de influir para a sua não ocorrência. Constitui prova para a configuração da responsabilidade o fato de o agente encontrarse na direção da empresa na data do cumprimento da obrigação, devendo ter poderes de decisão quanto ao recolhimento do tributo. No que se refere ao dever de provar, estatui o art. 373 do novo Código de Processo Civil, Lei nº 13.105, de 2015, que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito, e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. No caso vertente caberia à fiscalização, autora do procedimento fiscal, apresentar a documentação comprobatória do que foi alegado – estar o Sr. ANTÔNIO GOMES DE MELO na condição de sócio administrador da empresa em 2012. Limitouse, contudo, a apresentar um documento incompleto, em que referido senhor constava na condição de responsável pela gerência da empresa, mas não precisava em qual data. Os impugnantes, de sua vez, apresentaram as páginas faltantes da alteração contratual (juntada aos autos de modo incompleto pela fiscalização), assim demonstrando que não foi editada em 2012, mas em 2014, além de outras 3 (três) alterações contratuais que se mostraram suficientes para a comprovação de que o Sr. ANTÔNIO GOMES DE MELO não passava, em 2012, de um sócio quotista da empresa, de forma que cumpriram de forma exitosa o encargo ao seu talante. Sendo essa a situação, tenho por descabida a condição de devedor solidário que foi atribuída pela fiscalização ao Sr. ANTÔNIO GOMES DE MELO. Ausência de Elementos de Prova Indispensáveis à Comprovação do Ilícito Foi informado no Termo de Verificação Fiscal que, em relação aos meses de 2012, o contribuinte apresentou DACONs em que apurou valores a pagar para o PIS/Pasep e para a Cofins. Tais valores em um primeiro momento foram confessados em DCTFs. Contudo, em um momento posterior foram anulados através de DCTFs retificadoras, tudo conforme especificado no Anexo I, adiante transcrito: Fl. 356DF CARF MF Processo nº 10120.722720/201510 Acórdão n.º 3201003.014 S3C2T1 Fl. 351 13 Nada tendo sido recolhido pela pessoa jurídica, deliberou a fiscalização por constituir os créditos tributários, procedendo aos lançamentos nos exatos valores constantes dos DACONs e das DCTFs originais que foram transmitidos pela pessoa jurídica. Requer a defendente, de seu lado, que este órgão julgador decrete a nulidade das autuações em razão da inexistência nos autos dos elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito, da não indicação dos dados com base nos quais foram lançados e da ausência de fundamentação para os créditos tributários constituídos, o que teria acarretado insegurança em suas determinações, cerceamento ao direito de sua defesa e ao exercício do contraditório. Consultandose as descrições dos fatos, fls. 05 e 13, verificase ter a autoridade fiscalizadora registrado que os valores foram apurados conforme Termo de Verificação anexado ao processo, fls. 18/23, acompanhado do já citado Anexo I, fl. 24, e do Anexo II, fl. 25, sendo que neste último estão relacionados os valores confessados pela empresa (a título de PIS/Pasep e de Cofins para os fatos geradores ocorridos no anocalendário 2012) e as datas em que as DCTFs originais foram transmitidas. Vejamos o disposto na norma a seguir apresentada, acerca da temática em apreciação: Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 2010 Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. Fl. 357DF CARF MF 14 [...]§ 6º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. [...]A pessoa jurídica apresentou DCTFs em que informou valores a pagar do PIS/Pasep e da Cofins em perfeita sincronia com os dados apurados nos DACONs e até mesmo com os valores indicados na DIPJ concernente ao anocalendário 2012, fls. 28/107, documento em cuja Ficha 06A – Demonstração do Resultado são encontrados em sua Linha 05 – Receita de Revenda de Mercadorias no Mercado Interno os valores a seguir discriminados: 1º trimestre/2012: R$ 22.081.424,20 2º trimestre/2012: R$ 21.217.748,40 3º trimestre/2012: R$ 27.206.321,40 4º trimestre/2012: R$ 38.916.050,00 Totalizandose as quantias declaradas, a título de receitas auferidas, chegase ao expressivo montante de R$ 109.421.544,00, o que bem demonstra a existência de consideráveis valores a recolher de PIS/Pasep e de Cofins, já que em 2012 estas contribuições sociais tinham como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independente de sua denominação ou classificação contábil, o que engloba a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica (art. 1º da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 1º da Lei nº 10.833, de 2003). Tratandose de uma empresa dedicada ao comércio atacadista de álcool carburante, biodíesel, gasolina e demais derivados de petróleo com faturamento anual acima de R$ 100 milhões em 2012, incidindo o PIS/Pasep e a Cofins sobre o seu faturamento mensal, o esperado era a apuração de consideráveis valores, relativamente a estas exações fiscais, em todos os meses do ano, situação que de fato foi informada nas DCTF originais transmitidas à repartição fiscal. Em um momento posterior, outrosssim, vêm a lume as DCTFs retificadoras, desta feita “zerando” todos os débitos de PIS/Pasep e de Cofins então confessados, o que se deu sem que providenciasse as retificações dos DACONs, tampouco da DIPJ que lhe são correspondentes, como determinado pelo § 6º do art. 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 2010, antes reproduzido. Ao constituir os créditos tributários em análise, vale registrar, a autoridade fiscalizadora nada mais fez senão lançar de ofício os valores apurados pela própria empresa, especificados nos Fl. 358DF CARF MF Processo nº 10120.722720/201510 Acórdão n.º 3201003.014 S3C2T1 Fl. 352 15 DACONs apresentados, restabelecendo as exigências do PIS/Pasep e da Cofins confessados nas DCTFs iniciais. Isso porque a partir do momento em que foram “zeradas” nenhum valor seria cobrado pelos sistemas eletrônicos de controle interno RFB, o que deu azo à deflagração do procedimento fiscalizatório e à lavratura dos autos de infração ora questionados. Entendo, portanto, haver procedido de forma adequada a fiscalização, no que se refere à infração considerada nas autuações, insuficiência de recolhimentos do PIS/Pasep e da Cofins, bem como no enquadramento legal adotado, adiante transcrito: Lei nº 11.196, de 2005 Art. 64. Na venda de álcool, inclusive para fins carburantes, destinado ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, efetuada por produtor, importador ou distribuidor estabelecido fora da ZFM, aplicase o disposto no art. 2º da Lei nº 10.996, de 15 de dezembro de 2004. [...]§ 2º O produtor, importador ou distribuidor fica obrigado a cobrar e recolher, na condição de contribuintesubstituto, a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins devidas pela pessoa jurídica de que trata o § 1º deste artigo. [...]Art. 65. Nas vendas efetuadas por produtor, fabricante ou importador estabelecido fora da ZFM dos produtos relacionados nos incisos I a VII do § 1º do art. 2º da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, destinadas ao consumo ou industrialização na ZFM, aplicase o disposto no art. 2º da Lei nº 10.996, de 15 de dezembro de 2004. [...]§ 2º O produtor, fabricante ou importador, no caso deste artigo, fica obrigado a cobrar e recolher, na condição de contribuinte substituto, a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins devidas pela pessoa jurídica de que trata o § 1º deste artigo. [destaques acrescidos] Os §§ 2º de ambos os artigos apresentados estabelecem que a tributação do PIS/Pasep e da Cofins, no caso de empresas distribuidoras de combustíveis, darseá sob o balizamento especificado para a substituição tributária, o que diz respeito ao caso em apreciação em que a contestante possui o CNAE 46.81 801 – Comércio atacadista de álcool carburante, biodiesel, gasolina e demais derivados de petróleo. Não há que se falar, por conseguinte, em ausência de fundamentação do lançamento, como suscitado pela litigante, dado que a despeito de sucinta, a descrição dos fatos evidenciada nos autos de infração e complementada pelo Termo Fl. 359DF CARF MF 16 de Verificação se mostra suficiente para a perfeita identificação da infração cometida pela pessoa jurídica. Vejase a respeito, a doutrina de Marcus Vinícius Neder e Maria Teresa Martínez López (2010, p. 210): É necessário, portanto, que o auditor relate, com clareza, os fatos ocorridos, as provas, e evidencie a relação lógica entre estes elementos de convicção e a conclusão advinda deles. Não é necessário que a descrição dos fatos seja extensa, bastando que se articule de modo preciso os elementos de fato e de direito que levaram o auditor ao convencimento de que a infração deve ser imputada ao contribuinte. No caso concreto, o representante do fisco relatou com clareza solar os fatos ocorridos no mundo fenomênico (a retificação das DCTFs “zerando” os débitos de PIS/Pasep e de Cofins, que restaram em descompasso com os valores apurados nos DACONs que lhe são correlatos, medida que não foi justificada pela pessoa jurídica durante a fiscalização, nem na fase litigiosa), apresentou os elementos de prova (as cópias das DCTFs retificadoras, fls. 108/139) e evidenciou a contento a relação lógica entre os elementos de convicção e a conclusão deles advinda (Anexo I e Anexo II do Termo de Verificação Fiscal, fls. 24/25), de forma que seu procedimento se mostrou escorreito, quando confrontado com o ensinamento produzido pelos autores acima apresentado. Observemos os requisitos exigíveis pela legislação de regência, quanto ao auto de infração: Lei nº 5.172, de 1966 (CTN) Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Decreto nº 70.235, de 1972 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; Fl. 360DF CARF MF Processo nº 10120.722720/201510 Acórdão n.º 3201003.014 S3C2T1 Fl. 353 17 VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Na situação em julgamento os autos de infração foram lavrados por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB), a autoridade administrativa competente para tanto, que verificou a ocorrência do fato gerador, determinou a matéria tributável, calculou o montante devido, identificou o sujeito passivo e aplicou a penalidade cabível (caput do art. 142 do CTN). Além do que, contém todos os demais requisitos relacionados nos incisos I e VI do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). Quanto à nulidade pretendida pelas defendentes, atentemos para a legislação de regência: Decreto nº 70.235, de 1972 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. [...]Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Desse modo, tendo o ato de lançamento sido efetuado por pessoa competente, como de fato o foi, e não tendo sido demonstrada pela requerente a preterição de seu direito de defesa, não há que se falar de nulidade dos lançamentos. É como os órgãos do contencioso estão decidindo as demandas análogas que lhes têm sido apresentadas: Acórdão nº 0362121 de 27 de junho de 2014 – DRJ Brasília NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. O lançamento encontrase devidamente motivado com a descrição dos fatos geradores; das bases de cálculos e seus fundamentos legais. Uma vez presentes os requisitos legais da notificação e inexistindo ato lavrado por pessoa incompetente ou proferido com preterição ao direito de defesa, descabida a arguição de nulidade do feito. Acórdão nº 1146343 de 20 de maio de 2014 DRJ Recife ARGUIÇÃO DE NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. DESCRIÇÃO DOS FATOS. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. DIREITO AO CONTRADITÓRIO E À AMPLA DEFESA. Diante de alentada descrição dos fatos e indicação da fundamentação legal no auto de infração, o qual é instruído ainda com os elementos de prova em que se baseia a exigência fiscal, resta Fl. 361DF CARF MF 18 infundada a arguição de nulidade por cerceamento do direito de defesa. Acórdão nº 2401003.823 de 21 de janeiro de 2015 CARF LANÇAMENTO QUE CONTEMPLA A DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES, A QUANTIFICAÇÃO DA BASE TRIBUTÁVEL E OS FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA OU DE FALTA DE MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA DE NULIDADE. O fisco, ao narrar os fatos geradores e as circunstâncias de sua ocorrência, a base tributável e a fundamentação legal do lançamento, fornece ao sujeito passivo todos os elementos necessários ao exercício da ampla defesa, não havendo o que se falar em prejuízo ao direito de defesa ou falta de motivação do ato que pudesse acarretar na sua nulidade, mormente quando os termos da impugnação permitem concluir que houve a prefeita compreensão do lançamento pelo autuado. Acórdão nº 340100.562 de 03 de fevereiro de 2010 CARF NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE DE AUTO DE INFRAÇÃO. Não é nulo lançamento que cumpre as exigências dos arts. 10 do Decreto 70.235/72 e 142 do CTN, contendo adequada descrição dos fatos e correto enquadramento legal. Nesse diapasão, tendo por devidamente demonstrada a adequação dos lançamentos aos comandos legais que regem a matéria, tenho por afastada a proposição de nulidade dos lançamentos requerida pelas partes interessadas. Multa de Ofício de 225% Ofensa ao Princípio da Vedação do Confisco É intenção das impugnantes que este órgão julgador acolha a pecha de confiscatória para a multa de ofício de 225% (duzentos e vinte e cinco por cento) que lhes foi imposta, cancelandoa de ofício em razão da vedação contida no art. 150, inc. IV da Constituição Federal. Vejamos, pois, a capitulação legal utilizada pela a autoridade lançadora: Lei nº 9.430, de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...]§ 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Fl. 362DF CARF MF Processo nº 10120.722720/201510 Acórdão n.º 3201003.014 S3C2T1 Fl. 354 19 § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; [...] Lei nº 4.502, de 1964 Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Ante os dispositivos legais apresentados, há que concluir que a multa de 150% terá lugar quando a fiscalização conseguir demonstrar a intenção dolosa do contribuinte em “impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade tributária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais”, ou seja, que a conduta dos implicados se encontra eivada pelo evidente intuito de fraude, circunstância a impor a qualificação da multa de ofício questionada. Antes de se adentrar na análise do procedimento da impugnante, convém que sejam tecidas algumas considerações acerca do dolo, instituto jurídico estabelecido pelo inc. I do art. 18 do Código Penal, in verbis: DecretoLei nº 2.848, DE 1940 – Código Penal Art. 18 Dizse o crime doloso, quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo. [...]Segundo preconizado pelo consagrado penalista Rogério Grecco (2005, p. 204), Dolo é a vontade livre e consciente dirigida a realizar a conduta prevista no tipo penal incriminador [...]. Assim, podemos perceber que o dolo é formado por um elemento intelectual e um elemento volitivo. A consciência, ou seja, o momento intelectual do dolo, basicamente, diz respeito à situação fática em que se encontra o agente. O agente deve ter consciência, isto é, deve saber exatamente aquilo que faz, para que se possa atribuir o resultado lesivo a título de dolo. [...]Por exemplo, se alguém, durante uma caçada, confunde um homem com um animal e Fl. 363DF CARF MF 20 atira nele, matandoo, não atua com o dolo do tipo previsto no art. 121 do Código Penal, uma vez que não tinha a consciência de que atirava contra um ser humano, mas sim contra um animal. Não havendo essa consciência, não se pode falar em dolo. [...]A vontade é outro elemento sem o qual se desestrutura o crime doloso. Aquele que é coagido fisicamente a acabar com a vida de outra pessoa não atua com vontade de matála. Assim, se Antônio, pressionado por João, é forçado a colocar o dedo no gatilho de uma arma, que é disparada contra Pedro, que vem a falecer, não atua com vontade. Não houve, portanto, conduta, pois, mesmo sabendo que atirando poderia causar a morte de Pedro, não atuou com vontade, devido à coação física a que fora submetido. Na realidade, o agente, no exemplo fornecido, não passa de um mero instrumento nas mãos do coator. [...]Enfim, faltando um desses elementos – consciência e vontade –, descaracterizado estará o crime doloso. A doutrina apresentada trata do dolo sob o aspecto penal, o que não a invalida como paradigma para a discussão ora travada pois, como é sabido, a qualificação da multa de ofício para o percentual de 150% tem como consequência inexorável a formulação de Representação Fiscal para Fins Penais, pela ocorrência, em tese, de crime contra a ordem tributária. Conforme ensinado pelo referenciado autor, para que fique patente o dolo na atuação do sujeito passivo, necessário que restem demonstradas as presenças dos dois elementos essenciais à sua caracterização: a consciência de que o agente encontravase operando de forma contrária ao ordenamento jurídico e a vontade livre e deliberada de assim proceder. Voltandose ao exame do caso em pauta, não há como se olvidar da intenção livre e deliberada dos implicados em ocultar da Fazenda Pública a ocorrência dos fatos geradores da obrigação principal, o que se deu no exato momento em que foram “zeradas” as DCTFs que inicialmente tinham sido apresentadas em conformidade com o que foi apurado nos DACONs pela empresa apresentados, procedimento adotado sem qualquer justificativa, seja na fase fiscalizatória, seja na impugnação aos lançamentos, repisese, deixando à margem da tributação a totalidade de seu faturamento do ano calendário 2012. Como sabido, somente a DCTF é considerado instrumento hábil para a confissão de dívida, prestandose, inclusive, para eventual encaminhamento do débito à PGFN, para fins de inscrição em DAU da União, de modo que os DACONs apresentados com a informação dos valores devidos não sensibilizam os sistemas de cobrança da RFB de forma que, não fora a seleção da empresa para procedimento fiscal, a pessoa jurídica teria logrado êxito em seu intento de ocultar da Administração Tributária a ocorrência dos respectivos fatos geradores. Fl. 364DF CARF MF Processo nº 10120.722720/201510 Acórdão n.º 3201003.014 S3C2T1 Fl. 355 21 No que se relaciona ao agravamento em 50% da multa de ofício de 150% aplicada, resultando no percentual de 225%, ocorreu em razão da determinação legal contida no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que impõe a adoção dessa medida no caso de não atendimento pelo sujeito passivo de intimação fiscal para prestação de esclarecimentos, o que ocorreu no caso do Termo de Início de Fiscalização, fls. 140/140, em que foi determinada a apresentação de planilha demonstrando a apuração do PIS/Pasep e da Cofins no ano de 2012, assim como que fosse esclarecida a divergência encontrada entre os valores confessados nas DCTFs retificadoras e os apurados nos DACONs, tendo sido estabelecido o prazo de 5 (cinco) dias úteis, contado da data em que a pessoa jurídica foi cientificada. Notificada a pessoa jurídica no dia 28/01/2015, fls. 144/145, sem que nada nenhuma providência houvesse adotada, deuse a lavratura de Termo de Reintimação Fiscal, documento em que foi reiterada a intimação constante do Termo de Início, a ser apresentada em novo prazo de 5 (cinco) dias úteis. Como o contribuinte não apresentou a planilha e nem qualquer justificativa por “zerar” as DCTFs, deliberou a autoridade fazendária por efetuar os lançamentos com base nas informações constantes nos DACONs e nas DCTFs originais, adotando, na aplicação da multa de ofício, o percentual qualificado de 150% que é determinado pelo § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, em razão do evidente intuito de fraude caracterizado na conduta do sujeito passivo, além do percentual agravado de 50%, incidente sobre os 150% iniciais, como estabelecido pelo § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, chegando ao percentual final de 225%. Demonstrase, portanto, que a fundamentação legal empregada pela autoridade autuante mostrase compatível com a realidade dos fatos e pautada em normas vigentes e operantes, não havendo a possibilidade de este órgão julgador da instância administrativa determinar o ser afastamento, por alegada afronta ao princípio do não confisco, como requerido pelas defendentes. Com efeito, à Administração Pública, mais especificadamente, a esta Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ Fortaleza), falece competência para o julgamento da matéria levantada pela defesa pois o contencioso administrativo não se presta ao aferimento da constitucionalidade das normas jurídicas inseridas no ordenamento jurídico nacional de forma válida e eficaz, uma vez que a própria Carta Magna reservou dita atribuição ao Poder Judiciário. Aos julgadores administrativos cumpre observar as disposições contidas nas normas formalmente inseridas no ordenamento jurídico, sendolhes vedada eventual apreciação quanto à sua validade. É o que determina o artigo 26A do Decreto nº 70.235/72 (Processo Administrativo Fiscal): Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF) Fl. 365DF CARF MF 22 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...]§ 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Desse modo, pretensas inconstitucionalidades de leis, que não hajam sido decretadas com efeito erga omnes pelo Poder Judiciário, não podem ser apreciadas na esfera administrativa, que se limita ao cumprimento das determinações legais. Vejase, por relevante, o estabelecido pelo inc. V do art. 7º da Portaria MF nº 341, de 2.011: Portaria MF nº 341, de 2.011 Art. 7º São deveres do julgador: [...]V observar o disposto no inciso III do art. 116 da Lei nº 8.112, de 1990, bem como o entendimento da RFB expresso em atos normativos. [...]Lei nº 8.112, de 1990 Art.116. São deveres do servidor: [...]III observar as normas legais e regulamentares; Sendo dever do servidor público em geral observar as normas legais e regulamentares, não como este julgador afastar o lançamento de uma penalidade pecuniária decorrente de uma norma inserida no ordenamento jurídico de forma válida e eficaz. Anotese que o próprio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) já se pronunciou de forma terminativa sobre a sua incompetência para apreciar alegações quanto à Fl. 366DF CARF MF Processo nº 10120.722720/201510 Acórdão n.º 3201003.014 S3C2T1 Fl. 356 23 inconstitucionalidade de leis tributárias, o que se infere da leitura da Súmula nº 02, aprovada pela Portaria CARF nº 106, de 21 de dezembro de 2009, abaixo reproduzida: Súmula CARF nº 02: O CARF é incompetente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Tratase de entendimento pacificado na esfera do contencioso administrativo, como é possível se observar por meio da leitura das ementas adiante transcritas: Acórdão nº 1657538 de 06 de Maio de 2014 – DRJ São Paulo ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. Não compete à autoridade tributária administrativa a apreciação da inconstitucionalidade das leis, uma vez que neste juízo os dispositivos legais se presumem revestidos do caráter de validade e eficácia, não cabendo, pois, na hipótese, negarlhe execução. Acórdão nº 0351460 de 27 de Março de 2013 – DRJ Brasília CONTROLE DA CONSTITUCIONALIDADE. Ao órgão colegiado de julgamento administrativo de primeira instância não é dada a competência para pronunciarse sobre inconstitucionalidade de norma legal que instituiu a aplicação de multas e cobrança de juros de mora. Os mecanismos de controle da constitucionalidade passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário. Acórdão nº 2401004.196 de 08 de Março de 2016 CARF INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE ATO NORMATIVO. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA. Escapa à competência deste Colegiado a declaração, bem como o reconhecimento, de inconstitucionalidade de leis tributárias, eis que tal atribuição foi reservada, com exclusividade, pela Constituição Federal, ao Poder Judiciário. Súmula CARF nº 02. Acórdão nº 3301002.865 de 25 de Fevereiro de 2016 CARF MULTA DE OFÍCIO E JUROS. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. Nos termos da súmula 2 do CARF, este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim considerando, deixo de perscrutar a alegada ofensa ao princípio da vedação do confisco (art. 150, inc. IV – CF), quanto à multa de ofício no percentual de 225% pela fiscalização aplicada, por não corresponder a matéria inserida na competência institucional deste órgão julgador. Quanto às alegações trazidas à baila em petição apresentada na repartição fiscal no dia 22/07/2015, após a data limite para a impugnação do lançamento, portanto, há que atentar para o disposto pelo § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de Fl. 367DF CARF MF 24 1972, no sentido de que “A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira se a fato ou direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos”. Como a situação não pode ser enquadrada em qualquer das hipóteses elencadas pela norma apresentada, nas alíneas “a”, “b” e “c”, temse por precluso o direito do sujeito passivo, neste particular. Conclusão Ante o exposto, levando em consideração os fatos e a legislação apresentados, VOTO pela procedência parcial da impugnação, excluindose o Sr. ANTÔNIO GOMES DE MELO, CPF 301.882.10172, da condição de devedor solidário, e se mantendo os lançamentos em suas integralidades, com a respectiva permanência das cobrança dos créditos tributários exigidos, relativamente à pessoa jurídica PETROGOIÁS DISTRIBUIDORA DE PETRÓLEO LTDA, CNPJ 05.470.445/000159. Desse modo, consoante razões transcritas, voto por NEGAR PROVIMENTO ao RECURSO DE OFÍCIO e ao RECURSO VOLUNTÁRIO, mantendo integralmente a decisão de primeira instância. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Fl. 368DF CARF MF
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Numero do processo: 13016.000262/2005-60
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005
NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-005.383
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1883; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13016.000262/200560 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303005.383 – 3ª Turma Sessão de 25 de julho de 2017 Matéria PIS/COFINS. INCIDÊNCIA. CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DO ICMS. EXPORTAÇÃO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MADEM SA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MADEIRAS E EMBALAGENS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005 NÃOCUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da nãoincidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições. Recurso Especial do Procurador Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 01 6. 00 02 62 /2 00 5- 60 Fl. 287DF CARF MF Processo nº 13016.000262/200560 Acórdão n.º 9303005.383 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão 380300.860. Na parte de interesse ao presente litígio, o colegiado a quo decidiu que a cessão onerosa de créditos do ICMS não compõe a base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. A Fazenda Nacional requer a reforma do acórdão argumentando, em síntese, que a cessão onerosa de créditos de ICMS é uma operação que equiparase a verdadeira alienação de direitos a titulo oneroso, originando receita tributável, devendo compor a base de cálculo da PIS/ COFINS, conforme dispõe o art. 1° §§ 1º e 2º da Lei nº 10.637/2002, bem como o art. 1° da Lei nº 10.833/2003. Mediante Despacho do Presidente da Câmara competente, foi dado seguimento ao recurso interposto. O contribuinte apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.319, de 25/07/2017, proferido no julgamento do processo 13016.000004/200401, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.319): "Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram cumpridos e foram respeitadas as formalidades regimentalmente previstas. A matéria tratada no presente litígio restringese ao fato de se as receitas decorrentes da transferência onerosa de créditos de ICMS, acumulados em razão de exportação para o exterior, devem, ou não, ser excluídas da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins. O tema não é mais passível de discussão no CARF, haja vista que o Supremo Tribunal Federal já decidiu a questão posta, com a devida declaração de repercussão geral, nos termos do artigo 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, antigo Código de Processo Civil. Fl. 288DF CARF MF Processo nº 13016.000262/200560 Acórdão n.º 9303005.383 CSRFT3 Fl. 4 3 O Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, que trata da matéria, foi interposto pela Fazenda Nacional, contra decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que considerou inconstitucional a inclusão, na base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas, dos valores dos créditos do ICMS provenientes de exportação que fossem cedidos onerosamente a terceiros. Em julgamento realizado pelo pleno do STF, em 22/05/2013, sob a relatoria da Ministra Rosa Weber, foi julgado o mérito, cuja decisão possui a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. (...) VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. (...) Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. O acórdão foi publicado em 25/11/2013 e o trânsito em julgado deu se em 05/12/2013. Fl. 289DF CARF MF Processo nº 13016.000262/200560 Acórdão n.º 9303005.383 CSRFT3 Fl. 5 4 Por força da disposição, a seguir transcrita, do § 2º do art. 62 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, a mencionada decisão do STF deve ser reproduzida por este relator: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Registrese ainda, a título de observação, que, na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, com a manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir, no que interessa a esta discussão: NOTA /PGFN/CRJ/Nº 1.486/2013 (...) 2. Em razão de os referidos julgados terem repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, estas CRJ examina, infra, os itens referidos no parágrafo anterior, realizando a delimitação do tema ali tratado, nos seguintes termos: (...) 98 – RE 606.107/RS (...) Resumo: não incide PIS e COFINS sobre a cessão a terceiros do crédito presumido do ICMS decorrente de exportação. Data da inclusão:13/12/2013 DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: as verbas referentes à cessão a terceiro de crédito presumido do ICMS decorrente de exportação não constituem base para incidência do PIS e da COFINS. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte." Fl. 290DF CARF MF Processo nº 13016.000262/200560 Acórdão n.º 9303005.383 CSRFT3 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 291DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.002524/2009-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 30/06/2009
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
O Relatório Fiscal e os Anexos do Al oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa ao lançamento, estando discriminados, nestes, a situação fática constatada e os dispositivos legais que amparam a autuação.
MULTA. ARGÜIÇÃO DE CONFISCO. SÚMULA CARF Nº 2.
A alegação de que a multa em face de seu elevado valor é confiscatória não pode ser discutida nesta esfera de julgamento, pois se trata de exigência fundada em legislação vigente, à qual o julgador administrativo é vinculado.
DUPLICIDADE DA AUTUAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Verifica-se que tratam-se de autos de infração distintas, desta forma, não há duplicidade na autuação.
Numero da decisão: 2402-005.683
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, João Victor Ribeiro Aldinucci e Bianca Felicia Rothschild.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 30/06/2009 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O Relatório Fiscal e os Anexos do Al oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa ao lançamento, estando discriminados, nestes, a situação fática constatada e os dispositivos legais que amparam a autuação. MULTA. ARGÜIÇÃO DE CONFISCO. SÚMULA CARF Nº 2. A alegação de que a multa em face de seu elevado valor é confiscatória não pode ser discutida nesta esfera de julgamento, pois se trata de exigência fundada em legislação vigente, à qual o julgador administrativo é vinculado. DUPLICIDADE DA AUTUAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Verifica-se que tratam-se de autos de infração distintas, desta forma, não há duplicidade na autuação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, João Victor Ribeiro Aldinucci e Bianca Felicia Rothschild.
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INOCORRÊNCIA. O Relatório Fiscal e os Anexos do Al oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa ao lançamento, estando discriminados, nestes, a situação fática constatada e os dispositivos legais que amparam a autuação. MULTA. ARGÜIÇÃO DE CONFISCO. SÚMULA CARF Nº 2. A alegação de que a multa em face de seu elevado valor é confiscatória não pode ser discutida nesta esfera de julgamento, pois se trata de exigência fundada em legislação vigente, à qual o julgador administrativo é vinculado. DUPLICIDADE DA AUTUAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Verificase que tratamse de autos de infração distintas, desta forma, não há duplicidade na autuação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 25 24 /2 00 9- 18 Fl. 94DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, João Victor Ribeiro Aldinucci e Bianca Felicia Rothschild. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 19515.002524/200918 Acórdão n.º 2402005.683 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Conforme relatório da decisão recorrida, tratase de Auto de Infração (AI) DEBCAD n.° 37.117.5933 lavrado, em 30/06/2009, pela fiscalização, contra a empresa em epígrafe, por infração ao disposto no artigo 33, parágrafos 2° e 3° da Lei n.° 8.212, de 24/07/1991, e nos artigos 232 e 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n.° 3.048, de 06/05/ 1999, tendo em vista que, de acordo com o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 09, ela deixou de apresentar à fiscalização os seguintes documentos, solicitados através de Termo de Intimação Fiscal (TIF): Livros Diário e Razão dos anos calendário de 2006 a 2008. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, de fls. 10, informa que foi aplicada a multa prevista na Lei n.° 8.212, de 24/07/1991, artigos 92 e 102, e no Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048, de 06/05/1999, artigo 283, inciso II, alínea “j” e artigo 373, tendo sido considerada, ainda, a Portaria Interministerial MPS/MF n.° 48, de 12/02/2009, artigo 8°, inciso VI. E o Termo de Antecedentes, de 02/10/2008, às fls. 24 a 25, informa a existência de alguns Autos de Infração lavrados contra a empresa em ações fiscais anteriores DEBCAD, data de emissão, código de fundamentação legal, período da infração e data de pagamento, revelia ou decisão irrecorrível. Foram anexados, também, pela fiscalização: IPC Instruções para o Contribuinte; REPLEG Relatório de Representantes Legais; VÍNCULOS Relação de Vínculos; MPF Mandado de Procedimento Fiscal; TIAF Termo de Início da Ação Fiscal; Termos de Intimação Fiscal; Termos de Prosseguimento de Ação Fiscal; e, TEPF Tenno de Encerramento do Procedimento Fiscal. E, consta, às fls. 27, termo de juntada de processo, segundo o qual, em 30/06/2009, este processo foi apensado ao processo de n.° 195 15 .002529/200932. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com a autuação, da qual foi cientificada, pessoalmente, em 30/06/2009 (fls. 03'), a empresa apresentou, em 29/07/2009, a impugnação de fls. 28 a 37, com documentos anexos às fls. 38 a 60 (Procuração, e cópias de documento de identificação do subscritor da impugnação, de Ata de Assembléia Geral Extraordinária de 31/10/2007, e do Estatuto Social adaptado às Leis 10.406/2002 e 11.127/2005, aprovado pela Assembléia Geral Extraordinária de 11/01/2007), na qual deduz as alegações a seguir sintetizadas. Das considerações iniciais: Primeiramente, afirma a empresa estar apresentando impugnação à constituição do crédito previdenciário (multa) consignado no AI n.° 37.117.5933, datado de 30 de junho de 2009, no valor de RS 13.391,66. Fl. 96DF CARF MF 4 Informa, então, que o relatório fiscal, de forma concisa, descreve que o lançamento se refere a obrigações acessórias referentes ao período de janeiro de 2004 a dezembro de 2008, e que referida exigência não poderia prosperar. Do cerceamento ao direito do exercício da ampla defesa: Segundo a impugnante, a afirmação de forma unilateral e genérica de que teria deixado de recolher valores devidos à Previdência Social, sem, contudo, demonstrar a origem e a natureza da contribuição e os segurados beneficiários da previdência social, impediria a perfeita identificação da obrigação inadimplida, sendo que o obscurantismo do ato administrativo o inquinaria de nulidade. Sustenta que todo ato administrativo, além da obrigação de possuir fundamentação legal, sob pena de violar os princípios da legalidade e da motivação, celebrados pelos artigos 37 e 150, inciso I da Constituição Federal de 1988, e artigos 97, inciso I, e 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional, deve possuir descrição correta, ou seja, identificar com clareza o ato praticado, permitindo ao administrado a prática de ampla defesa administrativa de seus direitos, também constitucionalmente assegurados pelo inciso LV do artigo 5° da Constituição Federal de 1988. Para ela, a infração cometida, a fundamentação jurídica e a base imponível deveriam estar indicadas de forma precisa, de modo a respaldar a validade da autuação, possibilitando, com sua identificação, o exercício da ampla defesa na esfera administrativa. Alega, então, que houve, no caso, violação aos artigos 2° e 50, inciso II da Lei n.° 9.784, de 29/01/1999, e conclui que padece de vicio de nulidade a constituição do crédito sem a identificação dos segurados beneficiários, bem como dos fatos geradores. Da multa confiscatória: Sustenta a impugnante que 0 valor atribuído da penalidade pelo descumprimento de obrigações acessórias extrapola todos os princípios constitucionais do não confisco e da razoabilidade em sede constitucional (art. 150, IV da CF/88). Entende que a sanção tributária teria por finalidade apenas dissuadir o possível devedor de eventual descumprimento da obrigação a que esteja sujeito e, assim, estimular o pagamento correto e pontual dos tributos, sob risco de sua oneração, e que a multa tributária não poderia ser utilizada como expediente ou técnica de arrecadação, como verdadeiro tributo disfarçado, não devendo qualquer atraso no pagamento dos tributos, ou ausência de declaração do mesmo, legitimar a previsão de multa exacerbada. Para ela, a multa aplicada feriria também o princípio da capacidade contributiva, indo o acréscimo pretendido muito além da simples tentativa de coibir infrações tributárias, importando em majoração de tributo para além da sua capacidade econômica. Afirma, ainda, que o Auto de Infração gerador da multa foi lavrado com base em seus próprios documentos, e que cooperou com a fiscalização, sendo que, em momento algum, teria sido indicada qualquer razão específica para a imposição de multa tão exacerbada. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 19515.002524/200918 Acórdão n.º 2402005.683 S2C4T2 Fl. 4 5 Da duplicidade de autuação: Alega, aqui, a empresa, que já teria sido autuada, pela mesma infração, sob o n.° 37.117.2925. Do pedido: Para ela, assim, restaria demonstrada a necessidade de revisão do ato impugnado para declarar a sua nulidade. A decisão da autoridade de primeira instancia julgou improcedente a impugnação, cuja ementa encontrase abaixo transcrita: Assumo: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/06/2009 DIREITO PREVIDENCIÁRIO. INFRAÇÃO. EXIBIR DOCUMENTOS. OBRIGATORIEDADE. Deixar a empresa de exibir qualquer livro ou documento relacionado com as contribuições para a Seguridade Social ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira constitui infração à legislação previdenciária. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O Relatório Fiscal e os Anexos do AI oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa ao lançamento, estando discriminados, nestes, a situação fática constatada e os dispositivos legais que amparam a autuação. MULTA. ARGÜIÇÃO DE CONFISCO. A alegação de que a multa em face de seu elevado valor é confiscatória não pode ser discutida nesta esfera de julgamento, pois se trata de exigência fundada em legislação vigente, à qual o julgador administrativo é vinculado. VALOR DA MULTA A MENOR. NECESSIDADE DE AI COMPLEMENTAR. LAVRATURA. Deve ser lavrado auto de infração complementar, em face da impossibilidade de agravamento de multa nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Impugnação Improcedente Fl. 98DF CARF MF 6 Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de primeira instancia em 01/02/2011 (fl. 79), o contribuinte apresentou tempestivamente, fl. 81 e segs., em 28/02/2011, o recurso voluntário repisa os argumentos já levantados em sede de impugnação em relação ao cerceamento ao direito do exercício da ampla defesa, caráter confiscatório da multa e duplicidade da autuação. Diante do exposto, requer seja decretada a nulidade do presente lançamento de débito. É o relatório. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 19515.002524/200918 Acórdão n.º 2402005.683 S2C4T2 Fl. 5 7 Voto Conselheira Bianca Felícia Rothschild Relatora O recurso é TEMPESTIVO, eis que intimado da decisão no dia 01/02/2011 (fl. 844), interpôs recurso voluntário no dia 28/02/2011, atendendo também às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser CONHECIDO. CERCEAMENTO AO DIREITO DO EXERCÍCIO DA AMPLA DEFESA Em linha com a decisão de primeira instancia, entendo que os Relatórios Fiscais da Infração e da Aplicação da Multa e os anexos do AI ofereceram as condições necessárias para que o contribuinte conhecesse o procedimento fiscal e apresentasse suas alegações de defesa ao lançamento, estando discriminados, nestes, a situação fática constatada e os dispositivos legais que amparam a autuação, não há que se falar em declaração de nulidade do lançamento por cerceamento de defesa. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA No que se refere às alegações da impugnante no sentido de que a multa aplicada violaria os princípios do não confisco, da razoabilidade e da capacidade contributiva, é de se ressaltar, no caso, que a atividade administrativa é vinculada, devendo a Administração cumprir a lei, sob pena de responsabilidade funcional. Cumpre esclarecer, aqui, que referidos princípios se dirigem ao Poder Legislativo, que deve tomar em consideração tais preceitos quando da elaboração das leis, não cabendo ao julgador administrativo a análise sobre esta matéria, estando sua atividade vinculada à legislação que dispõe acerca da multa a ser aplicada para a infração em tela. Registrese, ainda, que a alegação do caráter confiscatório da multa não prospera, por ingressar tal argumento na trilha da suposta inconstitucionalidade de seu suporte legal, o que atrai a incidência no caso do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, e da Súmula CARF nº 2, esta por força do art. 72 do RICARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DUPLICIDADE DA AUTUAÇÃO Não merece acolhida a alegação da Recorrente de que já teria sido autuada, pela mesma infração, sob o n.° 37.117.2925. Inicialmente, cumpre esclarecer que não existe nenhum Auto de Infração lavrado contra a empresa com o numero por ela citado, qual seja 37.1 17.2925. E, caso, na realidade, sua intenção fosse se referir ao AI n.° 37.117.3925, este sim lavrado contra ela, nesta mesma ação fiscal, com o código de fundamentação legal Fl. 100DF CARF MF 8 (CFL) 35, cabe observar que este último e o presente AI tratam de infrações diversas, não havendo, assim, óbice à sua lavratura simultânea: o AI com CFL 38 é lavrado quando constatada a infração de não exibição de documentos relacionados às contribuições previdenciárias; o AI com CFL 35 é lavrado quando constatada a infração de não prestação de informações cadastrais, financeiras e contábeis e esclarecimentos de interesse da fiscalização; a infração relatada no presente AI é a não apresentação de Livros Diário e Razão dos anos calendário 2006 a 2008; a infração relatada no AI n.° 37.117.5925 é a não apresentação de Arquivos Digitais. Tendo em vista o acima, voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 101DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.901859/2011-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-001.034
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte supra identificado em face do acórdão nº 1456.778 da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se contrapor ao Despacho Decisório que indeferira o Pedido de Ressarcimento de IPI e, por conseguinte, não homologara as compensações declaradas. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu preliminarmente a nulidade, por generalidade, do despacho decisório e, no mérito, invocou o princípio da verdade material e pleiteou o reconhecimento da não incidência da taxa Selic e multas sobre os débitos que restaram não compensados. Anteriormente, o contribuinte havia impetrado Mandado de Segurança, tendo obtido decisão liminar, em que se determinou que os pedidos de ressarcimento por ele RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 51 .9 01 85 9/ 20 11 -2 0 Fl. 506DF CARF MF Processo nº 13851.901859/201120 Resolução nº 3201001.034 S3C2T1 Fl. 458 2 formulados fossem examinados “no prazo improrrogável de 30 (trinta) dias, a contar da intimação [da] decisão, sob as penas da lei.” A par da liminar, o contribuinte foi intimado a apresentar livros, documentos e arquivos digitais em 20 dias, tendo a Fiscalização verificado que os arquivos digitais apresentados continham milhares de ocorrências de erros, sendo que, em função dessas incorreções e do prazo exíguo para a prolação da decisão, o pedido foi indeferido. A decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de apresentação de prova documental por parte do interessado que pudesse embasar o ressarcimento e na existência de previsão legal para a aplicação da taxa Selic no cálculo dos juros de mora. Quanto à alegação do contribuinte acerca do caráter confiscatório da multa de ofício, o julgador a quo argumentou que a vedação ao confisco prevista na Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar as penalidades nos moldes da legislação que as instituiu. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do crédito postulado e pedindo, alternativamente, a realização de diligência para as apurações cabíveis. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201001.025, de 29/08/2017, proferido no julgamento do processo 13851.901697/201120, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.025): A compensação tributária pode ser requerida pelo contribuinte que possua crédito líquido e certo contra a Fazenda. Nesse sentido é a literalidade do artigo 170 do CTN1. A administração, no prazo de 30 dias para análise que lhe foi concedido pelo Poder Judiciário, no âmbito do Mandado de Segurança impetrado pela recorrente, intimou a empresa a apresentar arquivos e documentos que já deviam estar disponíveis. O artigo 11 da Lei 8.218/912 prescreve o dever dos contribuinte de disponibilizar os dados. 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. 2 Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. Fl. 507DF CARF MF Processo nº 13851.901859/201120 Resolução nº 3201001.034 S3C2T1 Fl. 459 3 A responsabilidade do serviço público é muito grande quando defere restituição/ressarcimento ao contribuinte, pois se trata de transferir recursos da sociedade para o particular. Somente a materialidade provada, líquida e certa autoriza um ato administrativo com essa envergadura de responsabilidade. No presente caso, não existiam condições para tanto. Com efeito, o arquivo próprio para tais tipos de análises, que detalha as notas fiscais, não foi oferecido à administração, posto que aquele apresentado possuía tantos erros que não poderia validamente ser fundamento da restituição/ressarcimento. O Relatório Fiscal aponta milhares e milhares de erros no arquivo digital apresentado, erros inclusive de “IPI inválido”[...]. Resumese: ANO QUANTIDADE DENOMINAÇÃO DA INCONSISTÊNCIA 2005 7667 Já existe um participante com esta identificação 2005 12 Inconsistência de IPI 2005 6 Inconsistência de Valor 2005 441 IPI Inválido 2005 3 NCM Inválida ou Inexistente 2008 9125 Já existe um participante com esta identificação 2008 186 Inconsistência de ICMS 2008 78 Inconsistência de IPI 2008 18 Inconsistência de Valor 2008 566 IPI Inválido 2008 4 NCM Inválida ou Inexistente 2009 9400 Já existe um participante com esta identificação ANO QUANTIDADE DENOMINAÇÃO DA INCONSISTÊNCIA 2009 109 Inconsistência de ICMS 2009 44 Inconsistência de IPI 2009 1 Inconsistência de Valor 2009 494 IPI Inválido 2009 3 NCM Inválida ou Inexistente 2010 8875 Já existe um participante com esta identificação 2010 17 Inconsistência de ICMS 2010 1207 Inconsistência de IPI 2010 310 Inconsistência de Valor 2010 13114 IPI Inválido 2010 1 NCM Inválida ou Inexistente Não se configura, portanto, a materialidade do crédito pretendido. Fl. 508DF CARF MF Processo nº 13851.901859/201120 Resolução nº 3201001.034 S3C2T1 Fl. 460 4 Logo, mais que lícito e fundamentado o indeferimento da compensação. A recorrente poderia, no longo prazo que decorreu desde o indeferimento do Despacho Decisório até hoje, esclarecer as divergências, oferecer outro arquivo, apontar planilhas com, ao menos, parte do crédito devido, indicar a origem material de seu direito, mas não é o que aconteceu. Poderia e deveria, porque o ônus de provar o crédito é seu art. 333 do Código Civil3. Até hoje, entretanto, mantémse na tentativa de obter um deferimento sumário, sem análise de mérito do crédito. A obrigação de esclarecimento do contribuinte é positivada, ainda, artigo 4º da Lei 9.784/99: Art. 4º São deveres do administrado perante a Administração, sem prejuízo de outros previstos em ato normativo: I expor os fatos conforme a verdade; II proceder com lealdade, urbanidade e boafé; III não agir de modo temerário; IV prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos Como pedido alternativo, a recorrente pede a conversão do julgamento em diligência. Em regra, a diligência somente é cabível quando se verifique o esforço da recorrente em esclarecer a materialidade dos fatos. Embora não se verifique inovação probatória na Impugnação e no Recurso Voluntário, que ensejasse a constatação desse esforço, o fato é que, nos casos de Pedido de Ressarcimento de IPI, o próprio programa gerador do pedido exige extensas informações, detalhadas, sobre o crédito. Essas informações indicam a existência de créditos, mas que ainda não foram auditados. Não houve oportunidade de correção dos arquivos digitais, primeiro, pelo prazo de análise imposto pelo Poder Judiciário, e em segundo lugar porque, em regra, essa correção não tem como ser feita nas instâncias julgadoras. À vista de todo o exposto, a comprovação das informações prestadas já no pedido, deve ser oportunizada, por meio dos arquivos digitais corrigidos e outros elementos que o Fisco entender necessários. Pelo exposto, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que a Delegacia da Receita Federal promova auditoria nas informações já prestadas no pedido de ressarcimento, proferindo Despacho conclusivo quanto ao direito pretendido. Destaquese que, assim como ocorreu no acórdão paradigma, neste processo também se verificaram inconsistências nos arquivos digitais apresentados pelo contribuinte para demonstrar o crédito pleiteado. 3 Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor”. Fl. 509DF CARF MF Processo nº 13851.901859/201120 Resolução nº 3201001.034 S3C2T1 Fl. 461 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora analise a existência do crédito postulado, procedendose à auditoria das informações já prestadas no Pedido de Ressarcimento, valendo se dos dados presentes nos arquivos digitais devidamente corrigidos e em outros elementos que entender necessários, proferindose despacho conclusivo quanto ao direito pretendido. Após a manifestação fiscal, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 510DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.901854/2015-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000
INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. FATURAMENTO E RECEITAS FINANCEIRAS. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718/989. COISA JULGADA. POSSIBILIDADE DE GLOSA.
O reconhecimento, por intermédio de decisão judicial transitada em julgado, em favor de instituição financeira quanto à inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/989 não inibe a fiscalização de, diante do caso em concreto, glosar créditos que não se enquadrem no conceito de receitas financeiras e, em verdade, configurem valores decorrentes de serviços prestados por tais instituições.
ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS PROMOVIDA PELO §1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL DO RE 585.235-1/MG. RECEITAS ORIUNDAS DO EXERCÍCIO DAS ATIVIDADES EMPRESARIAIS. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. É inconstitucional o §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, conforme jurisprudência consolidada no STF e reafirmada no RE 585.2351/ MG, no qual reconheceu-se a repercussão geral do tema, devendo a decisão ser reproduzida nos julgamentos no âmbito do CARF. A base de cálculo do PIS e da COFINS sob a égide da Lei nº 9.718/98 corresponde à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais.
INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. RECEITAS DA INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA. BASE DE CÁLCULO DA COFINS. As receitas decorrentes do exercício das atividades empresariais, incluindo as receitas da intermediação financeira, compõem a base de cálculo da Cofins para as instituições financeiras e assemelhadas, nos termos do RE 585.2351/ MG.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000
INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. FATURAMENTO E RECEITAS FINANCEIRAS. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718/989. COISA JULGADA. POSSIBILIDADE DE GLOSA.
O reconhecimento, por intermédio de decisão judicial transitada em julgado, em favor de instituição financeira quanto à inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/989 não inibe a fiscalização de, diante do caso em concreto, glosar créditos que não se enquadrem no conceito de receitas financeiras e, em verdade, configurem valores decorrentes de serviços prestados por tais instituições.
ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS PROMOVIDA PELO §1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL DO RE 585.235-1/MG. RECEITAS ORIUNDAS DO EXERCÍCIO DAS ATIVIDADES EMPRESARIAIS. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. É inconstitucional o §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, conforme jurisprudência consolidada no STF e reafirmada no RE 585.2351/ MG, no qual reconheceu-se a repercussão geral do tema, devendo a decisão ser reproduzida nos julgamentos no âmbito do CARF. A base de cálculo do PIS e da COFINS sob a égide da Lei nº 9.718/98 corresponde à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais.
INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. RECEITAS DA INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA. BASE DE CÁLCULO DA COFINS. As receitas decorrentes do exercício das atividades empresariais, incluindo as receitas da intermediação financeira, compõem a base de cálculo da Cofins para as instituições financeiras e assemelhadas, nos termos do RE 585.2351/ MG.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.434
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em afastar a proposta de sobrestamento pelo Relator. Vencidos o Relator e os Conselheiros Thais De Laurentiis, Maysa Pittondo e Carlos Daniel. No mérito, por voto de qualidade, negou-se provimento ao recurso. Vencidos o Relator e os Conselheiros Thais De Laurentiis, Maysa Pittondo e Carlos Daniel. Designado redator para o voto vencedor o Conselheiro Waldir Navarro.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro - Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000 INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. FATURAMENTO E RECEITAS FINANCEIRAS. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718/989. COISA JULGADA. POSSIBILIDADE DE GLOSA. O reconhecimento, por intermédio de decisão judicial transitada em julgado, em favor de instituição financeira quanto à inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/989 não inibe a fiscalização de, diante do caso em concreto, glosar créditos que não se enquadrem no conceito de receitas financeiras e, em verdade, configurem valores decorrentes de serviços prestados por tais instituições. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS PROMOVIDA PELO §1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL DO RE 585.235-1/MG. RECEITAS ORIUNDAS DO EXERCÍCIO DAS ATIVIDADES EMPRESARIAIS. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. É inconstitucional o §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, conforme jurisprudência consolidada no STF e reafirmada no RE 585.2351/ MG, no qual reconheceu-se a repercussão geral do tema, devendo a decisão ser reproduzida nos julgamentos no âmbito do CARF. A base de cálculo do PIS e da COFINS sob a égide da Lei nº 9.718/98 corresponde à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. RECEITAS DA INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA. BASE DE CÁLCULO DA COFINS. As receitas decorrentes do exercício das atividades empresariais, incluindo as receitas da intermediação financeira, compõem a base de cálculo da Cofins para as instituições financeiras e assemelhadas, nos termos do RE 585.2351/ MG. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000 INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. FATURAMENTO E RECEITAS FINANCEIRAS. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718/989. COISA JULGADA. POSSIBILIDADE DE GLOSA. O reconhecimento, por intermédio de decisão judicial transitada em julgado, em favor de instituição financeira quanto à inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/989 não inibe a fiscalização de, diante do caso em concreto, glosar créditos que não se enquadrem no conceito de receitas financeiras e, em verdade, configurem valores decorrentes de serviços prestados por tais instituições. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS PROMOVIDA PELO §1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL DO RE 585.235-1/MG. RECEITAS ORIUNDAS DO EXERCÍCIO DAS ATIVIDADES EMPRESARIAIS. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. É inconstitucional o §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, conforme jurisprudência consolidada no STF e reafirmada no RE 585.2351/ MG, no qual reconheceu-se a repercussão geral do tema, devendo a decisão ser reproduzida nos julgamentos no âmbito do CARF. A base de cálculo do PIS e da COFINS sob a égide da Lei nº 9.718/98 corresponde à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. RECEITAS DA INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA. BASE DE CÁLCULO DA COFINS. As receitas decorrentes do exercício das atividades empresariais, incluindo as receitas da intermediação financeira, compõem a base de cálculo da Cofins para as instituições financeiras e assemelhadas, nos termos do RE 585.2351/ MG. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em afastar a proposta de sobrestamento pelo Relator. Vencidos o Relator e os Conselheiros Thais De Laurentiis, Maysa Pittondo e Carlos Daniel. No mérito, por voto de qualidade, negou-se provimento ao recurso. Vencidos o Relator e os Conselheiros Thais De Laurentiis, Maysa Pittondo e Carlos Daniel. Designado redator para o voto vencedor o Conselheiro Waldir Navarro. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro - Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 28; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2209; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 384 1 383 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.901854/201567 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402004.434 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de setembro de 2017 Matéria PIS e COFINS Recorrente BANCO LOSANGO S.A BANCO MÚLTIPLO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000 INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. FATURAMENTO E RECEITAS FINANCEIRAS. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718/989. COISA JULGADA. POSSIBILIDADE DE GLOSA. O reconhecimento, por intermédio de decisão judicial transitada em julgado, em favor de instituição financeira quanto à inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/989 não inibe a fiscalização de, diante do caso em concreto, glosar créditos que não se enquadrem no conceito de receitas financeiras e, em verdade, configurem valores decorrentes de serviços prestados por tais instituições. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS PROMOVIDA PELO §1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL DO RE 585.235 1/MG. RECEITAS ORIUNDAS DO EXERCÍCIO DAS ATIVIDADES EMPRESARIAIS. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. É inconstitucional o §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, conforme jurisprudência consolidada no STF e reafirmada no RE 585.2351/ MG, no qual reconheceuse a repercussão geral do tema, devendo a decisão ser reproduzida nos julgamentos no âmbito do CARF. A base de cálculo do PIS e da COFINS sob a égide da Lei nº 9.718/98 corresponde à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. RECEITAS DA INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA. BASE DE CÁLCULO DA COFINS. As receitas decorrentes do exercício das atividades empresariais, incluindo as receitas da intermediação financeira, compõem a base de cálculo da Cofins para as instituições financeiras e assemelhadas, nos termos do RE 585.2351/ MG. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 18 54 /2 01 5- 67 Fl. 384DF CARF MF 2 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000 INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. FATURAMENTO E RECEITAS FINANCEIRAS. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718/989. COISA JULGADA. POSSIBILIDADE DE GLOSA. O reconhecimento, por intermédio de decisão judicial transitada em julgado, em favor de instituição financeira quanto à inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/989 não inibe a fiscalização de, diante do caso em concreto, glosar créditos que não se enquadrem no conceito de receitas financeiras e, em verdade, configurem valores decorrentes de serviços prestados por tais instituições. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS PROMOVIDA PELO §1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL DO RE 585.235 1/MG. RECEITAS ORIUNDAS DO EXERCÍCIO DAS ATIVIDADES EMPRESARIAIS. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. É inconstitucional o §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, conforme jurisprudência consolidada no STF e reafirmada no RE 585.2351/ MG, no qual reconheceuse a repercussão geral do tema, devendo a decisão ser reproduzida nos julgamentos no âmbito do CARF. A base de cálculo do PIS e da COFINS sob a égide da Lei nº 9.718/98 corresponde à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. RECEITAS DA INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA. BASE DE CÁLCULO DA COFINS. As receitas decorrentes do exercício das atividades empresariais, incluindo as receitas da intermediação financeira, compõem a base de cálculo da Cofins para as instituições financeiras e assemelhadas, nos termos do RE 585.2351/ MG. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em afastar a proposta de sobrestamento pelo Relator. Vencidos o Relator e os Conselheiros Thais De Laurentiis, Maysa Pittondo e Carlos Daniel. No mérito, por voto de qualidade, negouse provimento ao recurso. Vencidos o Relator e os Conselheiros Thais De Laurentiis, Maysa Pittondo e Carlos Daniel. Designado redator para o voto vencedor o Conselheiro Waldir Navarro. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. (assinado digitalmente) Fl. 385DF CARF MF Processo nº 10980.901854/201567 Acórdão n.º 3402004.434 S3C4T2 Fl. 385 3 Waldir Navarro Bezerra Redator designado Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório 1. Por bem retratar os fatos que gravitam em torno da presente demanda, valhome de parte do relatório desenvolvido pela DRJ Brasília e retratado no acórdão n. 03 71.351 (fls. 271/288), o que passo a fazer nos seguintes termos: Trata o presente processo de análise do direito creditório dos Pedidos de Ressarcimento constantes dos PER/DCOMP 03476.77386.190912.1.2.574736 e 14341.13762.190912.1.2.57 0034, no montante de R$ 31.914.970,28, decorrente de Decisão Judicial transitada em julgado em 19/03/2012, referentes ao Processo Judicial MS nº.0011097.35.2005.403.6100/SP impetrado pela interessada. Conforme o teor da decisão judicial, foi suspensa a exigibilidade do PIS e da Cofins sobre as receitas que não resultassem de venda de mercadorias, prestação de serviços ou combinação de ambos, no que tange aos fatos geradores ocorridos no ano 2000 (PIS) e no período de 02/1999 a 12/2000 (Cofins), podendo os valores oriundos das receitas indevidamente recolhidos ser objeto de compensação com parcelas vincendas de contribuições e impostos arrecadados pela Receita Federal. A fim de verificar a existência de créditos de PIS e COFINS objeto do presente pedido de restituição e compensação, procedeuse Auditoria conforme Informação Fiscal de fls. 239/268, a seguir: (...). Em resumo, a Informação Fiscal relata tratase de uma instituição financeira banco múltiplo que realiza operações ativas e passivas por intermédio de carteiras autorizadas: comercial, de investimentos, de crédito imobiliário e de crédito, financiamento e investimento, inclusive câmbio. Assim, o faturamento de um banco múltiplo se constitui de receitas decorrentes da atividade bancária, exercida pelas instituições financeiras que apresentam tais atividades expressamente previstas como objetos sociais dos seus Estatutos, como efetiva prestação de serviços, ou seja, parte do faturamento, de acordo com Código de Defesa do Consumidor –CDC (Lei nº 8.078/1990), bem como do Acordo Geral sobre Comércio de Serviços. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º, art. 3º. da Lei nº. 9.718/98 não modifica a realidade para as instituições Fl. 386DF CARF MF 4 financeiras e as seguradoras, sendo que a base de cálculo do PIS e da Cofins continua sendo a receita bruta da pessoa jurídica, com as exclusões contidas nos §§ 5º e 6º do mesmo art. 3º da Lei nº 9.718/98, sem incluir as receitas não operacionais, uma vez que o art. 2º e o caput do art. 3º não foram declarados inconstitucionais. Destaca que as exclusões efetuadas nas bases de cálculo são as contidas no art. 1º. da Lei nº. 9.718/98 e nos §§ 5º. e 6º. do art. 3º. da Lei nº 9.718/98, conforme dispõe a Instrução Normativa RFB nº 1.285/12, a qual, em seus artigos 7º. e 8º, dispõe sobre as Exclusões e Deduções da Receita Bruta de Caráter Geral e Específicas de Instituições Financeiras e Assemelhadas; que as exclusões e deduções previstas nos §§ 5º. e 6º., do art. 3º., da Lei nº. 9.718/98, são específicas às pessoas jurídicas referidas no § 1º. do art. 22 da Lei nº. 8.212/91, dentre as quais se insere a contribuinte; e que o § 5º. do art. 3º., da Lei nº. 9.718/98, prevê que, para tais pessoas jurídicas, serão admitidas, para os efeitos da Cofins, as mesmas exclusões e deduções facultadas na determinação da base de cálculo do PIS as quais se encontram definidas na Lei nº. 9.718/98. Por fim, acrescenta que a Decisão Judicial, seguindo o conceito dado pelo STF, à luz da Lei 9.718/98 e da Lei Complementar 70/91, ao estender o conceito de receita bruta como sendo faturamento, no sentido de venda de mercadoria e serviços, teria chegado ao conceito de receita operacional, conforme se infere das diversas manifestações dos Ministros do STF, pelo que toda pessoa jurídica que possui ingressos decorrentes de sua atividade típica possui receita operacional, o que corresponde ao faturamento ou receita bruta que a Lei Complementar 70/91 e a Lei 9.718/98 elegeram como base de cálculo da Cofins e do PIS. Analisadas as informações relacionadas ao citado pleito, foi emitido Despacho Decisório Eletrônico, em 09/03/2015, às fls. 2/10, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, por falta de comprovação, razão pela qual: NÃO HOMOLOGADA a compensação declarada nas PER/DCOMP: 26342.28798.201112.1.3.570389, 04609.65288.191012.1.3.572660, 36751.85099.281212.1.3.57 9280, 16189.43235.201212.1.3.578001, 15247.60594.190912.1.3.570357, 18625.84949.190912.1.3.57 0084, 30267.15189.311012.1.3.572292, 08874.24319.311012.1.3.570310, 26461.49937.310113.1.3.57 0096, 23556.79951.180113.1.3.571658, 02813.15261.301112.1.3.576452 e 07233.73512.280912.1.3.57 9430; INDEFERIDO o pedido de restituição/ressarcimento apresentado nos PER/DCOMP: 03476.77386.190912.1.2.57 4736 e 14341.13762.190912.1.2.570034. Cientificada do Despacho Decisório, a interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 13/61), em 15/04/2015, contestando o entendimento da autoridade fiscal de que as atividades financeiras da requerente seriam receita operacionais Fl. 387DF CARF MF Processo nº 10980.901854/201567 Acórdão n.º 3402004.434 S3C4T2 Fl. 386 5 e, por conseguinte, não haveria crédito de Pis Cofins sobre tais receitas. (...). 2. Devidamente processada, a manifestação de inconformidade apresentada pela recorrente foi julgada improcedente pelo citado acórdão n. 0371.351, cuja ementa segue abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000 INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. RECEITAS FINANCEIRAS. FATURAMENTO. RECEITA BRUTA. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS As receitas financeiras auferidas por instituição financeira, decorrentes da concessão de crédito, como os juros, as comissões e outras receitas direta ou indiretamente vinculadas à concessão do crédito, constituem serviços de natureza financeira, integrando o faturamento (receita bruta) e, consequentemente, a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. RECEITAS FINANCEIRAS. INCIDÊNCIA. PIS/COFINS. A inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/989 não afeta a inclusão das receitas financeiras auferidas por instituições financeiras no conceito de faturamento para fins de incidência da COFINS ou do PIS. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para o sobrestamento do processo administrativo, que se rege pelo princípio da oficialidade, impondo à Administração impulsionar o processo até o seu término. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. 3. Intimado do teor da referida decisão, o contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 294/342, oportunidade em que repisou os fundamentos desenvolvidos em sua manifestação de inconformidade. Fl. 388DF CARF MF 6 4. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 5. Em suma, a questão aqui debatida é exatamente aquela pendente de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal e retratada em recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida (RE n. 609.096). A citada repercussão geral está retratada pela ementa abaixo transcrita: EMENTA CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. COFINS E CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. INCIDÊNCIA. RECEITAS FINANCEIRAS DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. CONCEITO DE FATURAMENTO. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. (STF; RE 609096 RG, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, julgado em 03/03/2011, DJe080 DIVULG 29042011 PUBLIC 02052011 EMENT VOL0251201 PP 00128). 6. Tecidas tais considerações, insta desde já destacar que, ao meu ver, o presente caso pode ser albergado por duas decisões possíveis, porém excludentes entre si, as quais serão devidamente detalhadas a seguir. I. Da aplicação subsidiária do CPC/2015 e o sobrestamento do feito 7. A primeira decisão possível para o presente caso é a de sobrestar seu julgamento até que haja decisão definitiva do RE n. 609.096, haja vista o caráter vinculante do precedente que se formará em tal julgamento. 8. Para se chegar a tal conclusão, convém registrar que não é de hoje que o legislador nacional, sob o pretexto de buscar uma pretensa aproximação de um distante modelo de Common Law, tem criado inúmeros dispositivos legislativos no sentido de prestigiar a figura do precedente, em especial quando tal precedente é vinculado por um Tribunal Superior. Daí, e.g., a criação da repercussão geral, por intermédio da Emenda Constitucional n. 45/04. 9. Referida valorização – ainda que aparente – de um modelo de stare decisis é renovada com o advento do CPC/2015, em especial com o disposto no seu art. 9261, norma que oferece importantes vetores para a busca de uma verdadeira valorização dos precedentes. Não obstante, o art. 927 do citado Codex2 densifica tais valores, na medida em que prescreve os tipos formais de decisão aptos a veicular um precedente de caráter vinculante. 1 “Art. 926. Os tribunais devem uniformizar sua jurisprudência e mantêla estável, íntegra e coerente.” 2 “Art. 927. Os juízes e os tribunais observarão: I as decisões do Supremo Tribunal Federal em controle concentrado de constitucionalidade; II os enunciados de súmula vinculante; III os acórdãos em incidente de assunção de competência ou de resolução de demandas repetitivas e em julgamento de recursos extraordinário e especial repetitivos; IV os enunciados das súmulas do Supremo Tribunal Federal em matéria constitucional e do Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional; V a orientação do plenário ou do órgão especial aos quais estiverem vinculados.” Fl. 389DF CARF MF Processo nº 10980.901854/201567 Acórdão n.º 3402004.434 S3C4T2 Fl. 387 7 10. Logo, o que se observa é que o reconhecimento quanto à repercussão geral do RE nº 609.096 já denota que o advento do precedente a ser formado apresentará um caráter transubjetivo e vinculante, o que obrigará que a ratio decidendi daí extraída seja seguida pelos demais órgãos judiciais e também pela Administração Pública, exatamente como prevê o caput do citado art. 927 do CPC. Buscase, com isso, salvaguardar a unidade material das decisões de caráter judicativo e, consequentemente, o tratamento igualitário entre jurisdicionados que se encontrem em situações análogas e, por fim, uma segurança jurídica de índole substancial. 11. Aliás, é exatamente em razão de tais valores que o CPC/2015 prescreve que, na hipótese de recurso extraordinário afetado por repercussão geral, todos os demais processos (sem distinção entre processos administrativos e judiciais) deverão ser sobrestados, até que haja decisão no chamado leading case. É o que prevê o art. 1.035, §5° do CPC3. 12. A questão, todavia, que deve ser aqui debatida é se tal dispositivo deve ou não ser convocado no âmbito dos processos administrativos tributários. Para tanto, insta analisar o que dispõe o art. 15 do CPC4. Segundo referido dispositivo, as disposições do CPC devem ser aplicadas de forma supletiva e subsidiária, ou seja, atribuemse às normas do CPC, respectivamente, uma função normativosubstitutiva e também uma função normativo integrativa. 13. Para a questão aqui analisada, o que interessa é o caráter subsidiário do CPC/2015 e, consequentemente, sua função normativointegrativa, que pode ser vista por duas perspectivas. 14. A primeira delas com base na embolorada ideia de que o direito se perfaz pelo intermédio exclusivo da lei, calcada, pois, na concepção de um divinal legislador que não deixa comportamentos sociais sem prescrições normativas e que, quando isso eventualmente ocorre, o próprio direito legislado cria mecanismos no sentido suplantar tais buracos, o que se dá por intermédio de institutos como a analogia, os princípios gerais do direito e a equidade. Aí então a função integrativa clássica do CPC/2015 em face de uma lacuna legislativa referente ao processo administrativo tributário. 15. Todavia, uma visão mais moderna deste caráter subsidiário da lei parte do pressuposto de que tal norma integrativa deverá ser convocada de modo a potencializar os valores que lhes são próprios, bem como os valores do próprio Direito enquanto método de resolução, com justiça, de problemas de convivência humana. Nesse sentido, quando se fala no caráter subsidiário do CPC, sua convocação no processo administrativo, inclusive o tributário, deve ser no sentido de potencializar os princípios constitucionais do processo civil, dentre os quais destacamse os seguintes vetores: integridade, unidade e coerência das decisões de caráter judicativo, de modo a também tutelar, reflexamente, igualdade de tratamento a 3 “Art. 1.035. O Supremo Tribunal Federal, em decisão irrecorrível, não conhecerá do recurso extraordinário quando a questão constitucional nele versada não tiver repercussão geral, nos termos deste artigo. (...). § 5o Reconhecida a repercussão geral, o relator no Supremo Tribunal Federal determinará a suspensão do processamento de todos os processos pendentes, individuais ou coletivos, que versem sobre a questão e tramitem no território nacional.” 4 “Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente.” Fl. 390DF CARF MF 8 jurisdicionados em situações análogas e, por fim, segurança jurídica, aqui tratada como uma segurança jurídica de índole material5. 16. Assim, com base em tais premissas, na hipótese de recurso extraordinário afetado por repercussão geral, o sobrestamento prescrito no já citado art. 1.035, §5° do CPC, também deve se estender aos processos administrativos de caráter tributário, pois, dessa forma, estarseá prestigiando os sobreditos valores jurídicos, tão importantes para o Direito. 17. Não obstante, mesmo que se empregue a função integrativa de uma norma subsidiária em um sentido clássico, ainda sim a solução aqui proposta (sobrestamento do processo administrativo tributário) seria a resposta mais adequada para o caso em tela. E isso porque, ao se analisar as disposições legais que tratam do processo administrativo tributário (Decreto n. 70.235 e lei n. 9.784/99), é impossível encontrar qualquer prescrição normativa que trate do problema aqui enfrentado, qual seja, o que fazer com processo administrativo que apresente recurso com causa de pedir autônoma e cujo teor está pendente de julgamento no âmbito judicial, em sede de processo com caráter transindividual. Não havendo disposições legais nas leis que tratam o processo administrativo tributário, deve ser aplicado de forma subsidiária o CPC. 18. O RICARF, por sua vez, não apresenta solução para essa questão, uma vez que a hipótese aqui tratada (sobrestamento de casos afetados por repercussão geral no STF) foi suprimida do atual Regimento Interno deste Tribunal, caracterizando a lacuna normativa. Nem se alegue que essa supressão geraria um pretenso "sentido" jurídico, uma vez que denotaria a pseuda intenção deste ato normativo regimental em propositadamente evitar o sobrestamento aqui debatido. Não é crível imaginar que a omissão do veiculador do RICARF seja capaz de, positivamente, criar norma jurídica e, o que é pior, criar uma suposta norma que gritantemente conflita com os valores de igualdade e segurança jurídica que devem conformar toda e qualquer decisão de caráter judicativo. 19. Ademais, também não há que se falar que o disposto no art. 62, §§ 1º e 2º do RICARF6 resolveria essa questão. Primeiramente pela falta de subsunção, já que o citado 5 A segurança jurídica aqui defendida não quer redundar apenas em uma segurança através do direito, quer dizer, a garantia de uma planificação prévia de ações, mas deve efetivamente ser caracterizada como a segurança do direito, ou seja, como algo que suscite a manutenção dos "vectores irredutíveis da normatividade jurídica". (BRONZE, Fernando C. P. "As margens e o rio (da retórica à metodonomologia)". "in" Boletim da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra vol. LXXIII. out 1998. pp. 112113.). 6 “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos Fl. 391DF CARF MF Processo nº 10980.901854/201567 Acórdão n.º 3402004.434 S3C4T2 Fl. 388 9 dispostivo fala de vinculação deste Tribunal na hipótese de decisão já proferida pelo STF ou pelo STJ, o que não é o caso dos autos. Não obstante, ainda que fosse possível convocar analogamente tais dispositivos, o que se cogita aqui apenas de forma hipotética, ainda sim restaria impossível o afastamento do art. 15 do CPC no caso em concreto. E isso porque um regimento interno, passível de veiculação autocrática ou antimajoritária por parte de um circunstancial Presidente de um Tribunal Administrativo ou Ministro da Fazenda não pode se sobrepor ao que estabelece uma legislação federal fruto de longo e exaustivo debate democrático promovido no âmbito das casas do Congresso Nacional, sob pena de, em última ratio, simplesmente esvaziar o art. 15 do CPC de qualquer conteúdo, ou seja, indevidamente admitir que mero regimento interno, regularmente veiculado por simples portaria ministerial, tenha a aptidão de revogar lei federal. Até porque, em última análise, diposição regimental não tem aptidão para tratar de norma processual, matéria afeta exclusivamente à lei federal, exatamente como prescreve o art. 22, inciso I da Magna Lex7. 20. Em perfeita sintonia com as assertivas até então desenvolvidas, em 23/02/2017, caso em tudo análogo ao presente foi decidido no sentido da suspensão do processo administrativo que tramita neste Conselho: no curso do Recurso Extraordinário nº 566.622/RS, de relatoria do Ministro Marco Aurélio Mello, oportunidade em que procedeuse à suspensão dos processos que tramitam neste Conselho acerca de matéria idêntica, decidida de maneira favorável ao contribuinte pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em decisão pendente de publicação: A Fundação Armando Álvares Penteado, admitida no processo como interessada, requer a comunicação, mediante ofício, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF acerca da suspensão dos processos que versem a mesma matéria do extraordinário. (...). Relata a ausência de implementação da medida no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, vinculado ao Ministério da Fazenda, responsável pelo exame dos recursos contra atos formalizados no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB. Afirma que a recusa do Órgão decorre da falta de previsão regimental a respaldar a suspensão dos processos. Ressalta a iminência de julgamento, no CARF, de processo administrativo relevante para a entidade. Noticia a expedição de ofício, pela Secretaria Judiciária, a todos os tribunais do território nacional, não tendo havido comunicação aos órgãos administrativos. (...) Em se tratando de processo sob repercussão geral, surgem conseqüências danosas. Uma vez admitida, dáse o fenômeno do sobrestamento de processos que, nos diversos Tribunais do País, versem a mesma matéria, sendo que hoje há previsão no sentido do implemento da providência requerida § 5º do artigo 1.035 do Código de Processo Civil. arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)” 7 " Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre: I direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral, agrário, marítimo, aeronáutico, espacial e do trabalho; (...)." Fl. 392DF CARF MF 10 (...) A entrega da prestação jurisdicional deve ocorrer conciliandose celeridade e conteúdo. Daí a necessidade de atentarse para o estágio atual dos trabalhos do Plenário. Dificilmente conseguese julgar, fora processos constantes em listas, mais de uma demanda, o que projeta no tempo, em demasia, o desfecho de inúmeros conflitos de interesse. No caso, temse quatro votos proferidos no sentido da inconstitucionalidade do artigo 55 da Lei nº 8.212/1991. Enquanto isso, o Poder Público continua aplicandoo, gerando dificuldades de toda ordem para entidades beneficentes. (...) Implemento a medida acauteladora, suspendendo, nos termos do artigo 1.035, § 5º, do Código de Processo Civil, o curso de processos que veiculem o tema, obstaculizando o acionamento, pela Administração Pública, do artigo 55 da Lei nº 8.212/1991. (grifos nossos). 21. Em 07/03/2017 foi expedido o Ofício nº 594/R endereçado ao Presidente deste Conselho com cópia da decisão do Ministro Marco Aurélio Mello que suspendeu os processos administrativos que tratam da matéria. Logo, não há dúvida quanto à aplicação subsidiária do art. 1.035, §5° do CPC no caso em comento. 22. Diante deste quadro, voto pelo sobrestamento do presente processo administrativo até que haja ulterior e defintiva decisão no RE n. 609.096, a ser julgado pelo STF. 23. Caso, todavia, a proposta de sobrestamento alhures desenvolvida não seja acolhida por esse colegiado, mister se faz a análise do mérito da lide aqui desenhada, o que resultaria em suma segunda decisão possível para o caso em comento. Vejamos. II. Dos reflexos da coisa julgada na instância judicial para a resolução da presente demanda administrativa 24. Como visto ao longo do presente processo administrativo, o fundamento central do recurso voluntário do contribuinte é no sentido de que a coisa julgada formada no bojo do mandado de segurança autuado sob o n. 001109735.2005.403.6100 impediria o advento da presente autuação. Nesse diapasão, mister se faz uma análise da demanda judicial proposta pelo contribuinte para, ato contínuo, verificar quais são os reflexos para esta instância administrativa. Assim, convém primeiramente analisar o pedido formulado pelo contribuinte no já citado writ para então se delimitar a amplitude/extensão da correlata atividade jurisdicional8 e, consequentemente, seus efeitos no presente processo administrativo. E referido pedido, com especial ênfase para o seu item "ii", foi assim deduzido pelo contribuinte (fls. 182/183): 8 O dever de prestar jurisdição é fruto do exercício do direito de ação, o qual se materializa por intermédio da petição inicial. E é ali, na petição inicial, que o jurisdicionado, por meio do seu pedido, delimita a extensão do correlato dever jurisdicional. Daí, inclusive, que provém as vedações de julgamentos “ultra”, “extra” e “citra petita” e também o princípio do dispositivo. Fl. 393DF CARF MF Processo nº 10980.901854/201567 Acórdão n.º 3402004.434 S3C4T2 Fl. 389 11 25. Ao apreciar a inicial do mandamus impetrado é possível constatar que a discussão então travada ou, para ser mais técnico processualmente, a causa de pedir próxima da lide, referese à inconstitucionalidade ou não do conceito de faturamento trazido pelo art. 3°. da lei n. 9.718/98. É o que se observa, v.g., dos seguintes excertos da petição inicial do writ (fls. 172 e s.s.): (...). (...). Fl. 394DF CARF MF 12 (...). (...). Fl. 395DF CARF MF Processo nº 10980.901854/201567 Acórdão n.º 3402004.434 S3C4T2 Fl. 390 13 (...). (...). 26. Percebese, pois, que ao delimitar os contornos da sobredita lide por meio da sua peça inicial, o contribuinte o fez em termos genéricos, quer dizer, se limitou a pleitear o reconhecimento incidental quanto à inconstitucionalidade do art. 3°. da lei n. 9.718/98, de Fl. 396DF CARF MF 14 modo então que a incidência da exação aqui tratada recaísse sobre o seu faturamento, então entendido como o fruto da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e da prestação de serviços. 27. Em resposta a tal pedido insistase, genérico o contribuinte obteve uma solução jurisdicional também de caráter genérico, conforme se constata do trecho da sentença lavrada em seu favor (fl. 143): (...). (...). 28. Referida sentença foi complementada em razão de embargos de declaração interpostos pelo contribuinte no citado judicial, o que redundou na seguinte manifestação judicial: Fl. 397DF CARF MF Processo nº 10980.901854/201567 Acórdão n.º 3402004.434 S3C4T2 Fl. 391 15 (...). 29. Referida sentença foi objeto de remessa necessária e apelo fazendário, sendo ambos julgados improcedentes, conforme atesta acórdão do TRF da 3a Região acostado nos autos as fls. 163/167. 30. Diante deste quadro, resta claro que a decisão transitada em julgado reconheceu, de forma incidental, a inconstitucionalidade do §1o do art. 3° da lei n. 9.718/98, prescrevendo, pois, que a COFINS só poderia ser exigida com base nos valores auferidos pelo contribuinte a título de venda de mercadorias e serviços. 31. Em suma, é possível concluir que (i) o contribuinte possui decisão judicial transitada em julgado reconhecendo, também de forma genérica, que (ii) apenas as Fl. 398DF CARF MF 16 suas receitas egressas de serviços9 prestados estariam sujeitas à incidência da COFINS o que, em oposição (iii) exclui dessa incidência receitas de outras naturezas, em especial receitas financeiras. 32. Em momento algum, todavia, discutese o que é serviço para as instituições financeiras. Não houve, pois, qualquer debate acerca de quais atividades desenvolvidas pela recorrente devem ser juridicamente tratadas como serviço e quais não. Logo, em princípio, a decisão proferida em favor da recorrente (autos n. 10011097 35.2005.403.6100) e transitada em julgado não é, por si só, motivo suficiente para afirmar que a autuação aqui realizada é ofensiva à coisa julgada. Para tanto, é indispensável analisar tal decisão em conjunto com as atividades exercidas pela recorrente e objeto da presente autuação. É o que faremos a seguir. III. Das atividades desempenhadas pela recorrente e que foram objeto da autuação 33. Antes, entretanto, de analisar as rubricas contábeis objeto de autuação, mister se faz destacar que a recorrente não tratou desta questão em suas peças impugnatória e recursal. De forma mais precisa, o que a recorrente fez no tópico "II.4" do seu recurso foi opor se à tributação dos valores contabilizados nas contas "outras receitas", o que fez partindo de proposições conceituais de "faturamento" e de "receitas financeiras" para concluir, per saltum, que aquelas rubricas contábeis presentes no campo "outras receitas" se enquadravam no conceito de "receitas financeiras" do próprio banco e não faturamento, i.e., receita decorrente da prestação de serviços financeiros ofertados pela recorrente. 34. Em nenhum momento a recorrente detalha que tipo de atividades empresariais são aquelas descritas nos demonstrativos de base de cálculos apresentados pela fiscalização (fls. 266/267) e que resultaram nas glosas aqui questionadas. Assim, diante da carência desta impugnação específica, este voto limitarseá a tratar daquelas glosas cuja simples terminologia das rubricas contábeis demonstram a incorreção do trabalho fiscal. Assim, as glosas que serão aqui abordadas são as seguintes: 7.1.4.20.004 Rendas de Aplicações em Depósitos Interfinanceiras; 7.1.9.20.009 Recuperação de créditos baixados como prejuízo; 7.1.9.30.006 Recuperação de encargos e despesas; e 7.1.9.90.008 Reversão de provisões operacionais. 35. Antes de seguir adiante na análise de tais rubricas é importante delimitar aqui o conceito de receita para fins de incidência de COFINS. Nesse sentido, uma primeira qualidade do signo receita é tratarse de um ingresso financeiro com fins de definitividade patrimonial10. Ressaltese, entretanto, que essa repercussão patrimonial de caráter definitivo não é suficiente para delimitar o conteúdo semânticojurídico do signo receita. Para tanto, é 9 Segundo Marçal Justen Filho, serviço consiste na "prestação de utilidade (material ou não) de qualquer natureza, efetuada sob regime de Direito privado, mas não sob regime trabalhista, qualificável juridicamente como execução de obrigação de fazer, decorrente de um contrato bilateral". ("in" "O ISS, a Constituição de 1988 e o DecretoLei 406/68", Revista Dialética de Direito Tributário, v. 3, p. 66.). 10 É por isso que, 'v.g.', o arrendamento mercantil não é tratado como receita, exatamente como orienta CPC n. 06: "Os pagamentos do arrendamento mercantil operacional devem ser reconhecidos como despesa numa base de linha reta durante o prazo do arrendamento mercantil, a não ser que outra base sistemática seja mais representativa do modelo temporal do benefício do usuário." Fl. 399DF CARF MF Processo nº 10980.901854/201567 Acórdão n.º 3402004.434 S3C4T2 Fl. 392 17 indispensável que tal entrada seja uma riqueza nova11 e, ainda, tenha uma relação de pertinência com a atividade empresarial daquele que aufere o ingresso. Aliás, essa relação de pertinência entre a causa do ingresso e a atividade empresarial desenvolvida pela pessoa jurídica não passou despercebida pelo Conselheiro Antonio Carlos Atulim quando proferiu declaração de voto retratada no Acórdão n. 3402003.072 e cujo trecho transcrevo abaixo: (...) embora exista autorização na constituição para a tributação da "receita" em geral, o legislador não se valeu dessa faculdade, pois não só vinculou "a totalidade das receitas" ao termo "faturamento", mas também excluiu expressamente da incidência as receitas não operacionais nos parágrafos 3º dos arts. 1º dessas duas leis. Nas cabeças dos arts. 1º de ambas as leis, a menção ao termo "faturamento", limita a amplitude do "total das receitas auferidas" ao total das receitas operacionais, uma vez que as receitas nãooperacionais não se identificam com faturamento, já que não decorrem da execução do objeto social da pessoa jurídica. Tal afirmação parece ser confirmada pelos parágrafos 3º dos dois dispositivos citados, que se encarregaram de excluir da incidência das contribuições as receitas não operacionais, nos seguintes termos: (...). 36. Ainda no mesmo sentido é o voto da Conselheira Maria Teresa Martínez López (acórdão n. 9303002.618), in verbis: (...). De se observar, a partir desta definição, a receita ainda traz consigo a característica de ser o produto que vem de fora do patrimônio empresarial, mas que é derivado de dentro, por decorrer de atos, operações ou atividades da empresa, ou do emprego de recursos que compõem esse patrimônio, e de que resulte algum benefício direto para a pessoa que o remunera por isso. (...). (g.n.). 37. Nessa linha de raciocínio, é possível concluir que receita é (i) ingresso financeiro (ii) com caráter patrimonial que (iii) apresente uma relação de pertinência com as atividades empresariais desenvolvidas por uma determinada pessoa jurídica. Todos esses elementos configuradores do conceito de receita devem estar concomitantemente presentes para que, de fato, exista receita para fins exacionais. 11 Nesse sentido são as lições de Fábio Pallaretti Calcini, quando aduz que para precisar o conceito de receita "é preciso identificar a relação de causalidade entre a origem da entrada e seu reflexo patrimonial. Somente pode ser considerada receita o ingresso que compreenda a uma causa inicial ou primária, isto é, receita nova. ('in' "PIS. COFINS. Faturamento. Receita. Ingressos obtidos de fornecedores." 'in' "Revista Dialética de Direito Tributário n. 213. São Paulo: Dialética, junho2013. pp.170/171. Fl. 400DF CARF MF 18 38. Fixada essa premissa, agora sim é possível verificar se, no caso decidendo, as rubricas autuadas se enquadram ou não no conceito de receita para fins de incidência da COFINS. III.a Das rubricas contábeis passíveis de exclusão 39. Dentre as rubricas contábeis glosadas pela fiscalização é possível constatar que algumas delas são típicas hipóteses de exclusão da receita bruta. É o caso dos seguintes registros: (i) recuperação de créditos baixados como prejuízos, (ii) recuperação de encargos e despesas, e, ainda, (iii) reversão de provisões. 40. Em relação à (i) recuperação de créditos baixados como prejuízos e (iii) reversão de provisões, a questão é regida pelo art. 1o, inciso I da lei n. 9.701/98, in verbis: Art.1o Para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, de que trata o inciso V do art. 72 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, as pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, poderão efetuar as seguintes exclusões ou deduções da receita bruta operacional auferida no mês: I reversões de provisões operacionais e recuperações de créditos baixados como prejuízo, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (...). 41. Por sua vez, o supracitado § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 assim prevê: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...). § 1o No caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização, agentes autônomos de seguros privados e de crédito e entidades de previdência privada abertas e fechadas, além das contribuições referidas neste artigo e no art. 23, é devida a contribuição adicional de dois vírgula cinco por cento sobre a base de cálculo definida nos incisos I e III deste artigo. 42. Percebese, portanto, que no caso da recorrente [banco comercial e de investimento (objeto social fls. 72/77)] os lançamentos contábeis aqui mencionados (recuperação de créditos baixados como prejuízos e reversão de provisões) não integram a base de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 401DF CARF MF Processo nº 10980.901854/201567 Acórdão n.º 3402004.434 S3C4T2 Fl. 393 19 43. Já em relação à (ii) recuperação de encargos e despesas o que se tem é a recuperação de valores adiantados pela recorrente em favor dos seus clientes. Por outro giro verbal, a recuperação desses importes nada mais é do que uma recomposição patrimonial da recorrente, não configurando, pois, uma riqueza nova, o que impede a incidência da contribuição em tela por não se amoldar ao conceito de receita. Tratase de mero ingresso, mas não de receita, exatamente como desenvolvido no tópico imediatamente anterior do presente voto. 44. Diante de tais considerações, encaminho o presente voto para afastar as glosas perpetradas pela fiscalização sobre as seguintes rubricas contábeis: (i) recuperação de créditos baixados como prejuízos, (ii) recuperação de encargos e despesas, e, ainda, (iii) reversão de provisões. III.b Da rubrica "rendas de aplicações em depósitos interfinanceiras" 45. Por fim, a último registro contábil objeto de tributação por parte de fiscalização é aquele denominado "rendas de aplicações em depósitos interfinanceiras". Trata se, pois, da aplicação de recursos próprios da recorrente no âmbito da CETIP S.A. Balcão Organizado de Ativos e Derivativos. 46. Segundo o Manual de Operações da CETIP, as aplicações interfinanceiras são aquelas realizadas entre instituições financeiras. É o que se observa, por exemplo, do relato dos "depósitos interfinanceiros (com ou sem garantias)"12, in verbis: DI Depósito Interfinanceiro (com ou sem Garantia) O DI é um instrumento financeiro destinado à transferência de recursos entre Instituições Financeiras. Podem receber Depósitos Interfinanceiros: os Bancos Múltiplos, Bancos Comerciais, Caixas Econômicas, Bancos de Investimento, Bancos de Desenvolvimento, Sociedades de Crédito, Financiamento e Investimento, Sociedades de Crédito Imobiliário, Companhias Hipotecárias, Associações de Poupança e Empréstimo, Cooperativas de Crédito e Sociedades de Arrendamento Mercantil. 47. Nesse sentido, a CETIP é uma sociedade anônima autorizada por lei (lei n. 10.214/01) para, dentre outras funções, patrocinar essas aplicações interfinanceiras, ou seja, essas aplicações realizadas exclusivamente entre bancos. Percebese, assim, que os valores registrados nesse grupo contábil são aqueles auferidos pela recorrente com tais aplicações. Logo, é possível concluir que tais valores apresentam natureza de receita financeira, o que impede a incidência de PIS e COFINS em desfavor da recorrente, haja vista a coisa julgada formada em seu favor no autos do mandado de segurança n. 001109735.2005.403.6100 e já referido no presente voto. 48. Neste esteio, também neste tópico encaminho o voto no sentido de afastar a glosa do grupo contábil "rendas de aplicações em depósitos interfinanceiras ". 12 Acessado em 19/05/2017: https://www.cetip.com.br/informacao_tecnica/regulamento_e_manuais/manuais_de_operacoes/Outros_Instrument os_de_Captacao/instrumentos_captacao.pdf Fl. 402DF CARF MF 20 Dispositivo 49. Ex positis, voto no sentido de (i) suspender o julgamento do presente processo até que haja decisão em definitivo do RE n. 609.096 ou, caso essa proposta de julgamento seja superada, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário interposto para afastar as glosas realizadas sobre as seguintes rubricas contábeis: (i) rendas de aplicações em depósitos interfinanceiras; (ii) recuperação de créditos baixados como prejuízo; (iii) recuperação de encargos e despesas; e, por fim, (iv) reversão de provisões operacionais. 50. É como voto. Relator Diego Diniz Ribeiro Relator. Fl. 403DF CARF MF Processo nº 10980.901854/201567 Acórdão n.º 3402004.434 S3C4T2 Fl. 394 21 Voto Vencedor Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Em que pese a pertinência das razões e dos fundamentos legais contidos no voto do Ilustre Conselheiro Diego Diniz Ribeiro Relator, ressalto minha discordância exclusivamente em relação ao seguinte ponto deste voto: exclusão da Contribuição para o PIS e para a COFINS, incidentes sobre as Receitas Financeiras das Instituições Financeiras (IF) e o conceito de faturamento. Primeiramente, ressalto que quanto a aplicação subsidiária do CPC/2015 e o sobrestamento do julgamento deste processo até que haja decisão definitiva do RE nº 609.096/RS, haja vista o caráter vinculante do precedente que se formará em tal julgamento, esse Colegiado já tem decido pela sua improcedência, em face da falta de previsão regimental abarcado pelo RICARF. Já, quanto aos reflexos da coisa julgada na instância judicial (ofensa a coisa transitada em julgado), entendo que, como relatado, o ponto nevrálgico da discussão é no sentido de que a coisa julgada formada no bojo do Mandado de Segurança autuado sob o nº 001109735.2005.4036100, impediria ou não o advento da presente autuação. Nesse diapasão, mister se faz uma análise da demanda judicial proposta pelo contribuinte para, ato contínuo, verificar quais são os reflexos para esta instância administrativa. Pois bem. Ao apreciar a inicial do mandamus impetrado é possível constatar que a causa de pedir da lide, referese à inconstitucionalidade ou não do conceito de faturamento trazido pelo art. 3º da Lei nº 9.718/98. É o que se observa dos excertos da petição inicial do writ, já reproduzida integralmente no voto do relator. Mesmo assim, para melhor entendimento, transcrevo o trecho abaixo: Após a interposição de vários graus de recursos na esfera Judicial, em resumo, é possível concluir que o Recorrente possui decisão judicial transitada em julgado reconhecendo de forma genérica, que apenas as suas receitas egressas de serviços prestados estariam sujeitas à incidência da COFINS. Ressaltase que em momento algum, todavia, discutese o que é serviço para as Instituições Financeiras (IF). Fl. 404DF CARF MF 22 Desta forma, concluise que a decisão proferida em favor da Recorrente nos autos nº 1001109735.2005.4036100 e transitada em julgado não é, por si só, motivo suficiente para afirmar que a autuação aqui realizada é ofensiva à coisa julgada. Quanto as atividades desempenhadas pela recorrente e que foram objeto da autuação, verificase que o provimento jurisdicional obtido nos autos nº 10011097 35.2005.4036100, está em linha com o entendimento do STF no sentido da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da COFINS dada pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, sem adentrar, contudo, a questão, claramente diversa e específica, de definir se as receitas financeiras auferidas por Instituições Financeiras (e equiparadas a tal) integram, ou não, como receitas operacionais, o faturamento dessas instituições. Observase que tal questão não foi arguida pelo autor em sua petição inicial, ou seja, a questão do conceito de “faturamento” para instituições financeiras e assemelhadas não foi objeto do pedido do autor. Ou seja, a incidência, ou não, da COFINS sobre receitas advindas das atividades financeiras desenvolvidas por instituições financeiras ou a elas equiparadas não foi abordada na petição da empresa, muito menos nas decisões exaradas nos autos do Mandado de Segurança por ele ajuizado. Portanto, a alegação principal do Recorrente consiste na ofensa à coisa julgada, vez que o Fisco considerou como serviços tributáveis as receitas decorrentes das atividades desenvolvidas em torno do objeto social da recorrente, mais precisamente, as receitas decorrentes da intermediação financeira. Neste ponto específico, caberia discorrer sobre o alcance das decisões proferidas nos RREE nº 346.084/PR; nº 357.950/RS; nº 358.273/RS; e nº 390.840/MG (formadores dos leading cases, que afirmaram a inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998), para se verificar se houve ou não a ocorrência de ofensa à coisa julgada neste caso. No entanto vou me ater, por bem ilustrar a matéria, somente a outro RE nº RE nº 585.2351/MG (com repercussão geral do tema) e a alguns trechos do Parecer PGFN/CAT nº 2.773/2007. Primeiramente vejamos o conteúdo do Parecer PGFN/CAT nº 2.773/2007, que abordou o conceito de serviços para as instituições financeiras e seguradoras, cujos principais trechos transcrevo abaixo: “9. Com efeito o enquadramento da atividade de bancos e de seguros no setor terciário da economia (serviços) é contemplado no Acordo Geral sobre Comércio de Serviços (GATS), firmado durante a rodada de negociações multilaterais promovidas no âmbito de Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio 1994 (GATT 1994) – Rodada Uruguai, promulgada pelo Decreto nº 1.355, de 30 de dezembro de 1994. (...). 32. Dessa forma, fica claro que a atividade bancária é constituída por serviços que são disponibilizados aos clientes, dentre os quais se inclui a intermediação financeira. Efetivamente, o ponto fundamental do presente trabalho é possuir a clara avaliação do que se pode considerar serviço para fins tributários. Assim, o conceito de serviço, deve ser considerado sob o “contexto sistemático da Constituição”, que “leva à conclusão de que o conceito constitucional de serviço não coincide com o emergente da acepção comum, ordinária, desse vocábulo”. Foi Alfredo Augusto Becker – apoiado em Pontes de Miranda – quem melhor mostrou que a norma jurídica como que “deturpa” ou “deforma” os fatos, do mundo, ao erigilos em fatos jurídicos”.2 Ainda, segundo Aires Barreto, “serviço tributável é o Fl. 405DF CARF MF Processo nº 10980.901854/201567 Acórdão n.º 3402004.434 S3C4T2 Fl. 395 23 desempenho de atividade economicamente apreciável, produtiva de utilidade para outrem, porém sem subordinação, sob regime de direito privado, com fito de remuneração”. 33. Com efeito, o conceito de serviços não se limita àqueles assim caracterizados na legislação e na doutrina especificamente bancárias, na qual as atividades da instituições financeiras, em geral, discriminadas entre operações bancárias (em síntese, relacionadas à intermediação financeira) e serviços bancários (estes, em síntese, relacionados à prestação direta de serviços pelas instituições a seus usuários, clientes ou não, e normalmente remunerados sob a forma de tarifas). 35. Tal conceito (de serviços) compreende a totalidade das atividades desenvolvidas pelas instituições financeiras em torno do seu objeto social legalmente tipificado – ou seja, compreendendo tanto as “operações” quanto os “serviços” bancários/financeiros, como caracterizado no item 5 do Anexo sobre Serviços Financeiros do Acordo Geral sobre Comércio de Serviços (GATS), firmado na Rodada Uruguai do GATT (1994) e promulgado pelo Decreto nº 1.355, de 30 de dezembro de 1994. (...) 50. Nesse passo, temos que a natureza jurídica dos serviços de intermediação financeira não é diferente da natureza jurídica de quaisquer outros serviços colocados, pelas instituições financeiras, à disposição de seus clientes. Ontologicamente a única diferença é a forma como se aufere a receita proveniente de tais serviços. 51. De fato, a receita auferida pelos serviços de fornecimento de talão de cheques, extratos, compensação de cheques, etc., é proveniente de pagamentos diretos feitos pelos clientes (por meio do débito automático de tarifas correspondentes nas contas de depósito dos mesmos). Por outro lado, as receitas provenientes dos serviços de intermediação ou aplicação de recursos são decorrentes exatamente de tais transações, ou seja, correspondem à diferença apurada entre os valores originariamente aplicados, o seu rendimento, e o valor que contratualmente deve ser devolvido ao aplicador ao final da operação, o que se convencionou chamar de spread, como já demonstrado. (...) 66. Em face dos argumentos acima expendidos, concluise que: (...) f) no caso da COFINS o conceito de receita bruta é o contido no art. 2º da LC nº 70, de 1991, isto é, as receitas advindas da venda de mercadorias e da prestação de serviços; g) no caso do PIS o conceito de receita bruta é o contido no art. 1º da Lei nº 9.701, de 1998; h) serviços para as instituições financeiras abarcam as receitas advindas da cobrança de tarifas (serviços bancários) e das operações bancárias (intermediação financeira); i) serviços para as seguradoras abarcam as receitas advindas do recebimento dos prêmios; (...) 66. Têmse, então, que a natureza das receitas decorrentes das atividades do setor financeiro e de seguros pode ser classificada como serviços para fins tributários, estando sujeita à incidência das contribuições em causa, na forma dos arts. 2º, 3º, caput e nos §§5º e 6º do mesmo artigo, exceto no que diz respeito ao ‘plus’ contido no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, considerado inconstitucional por meio Fl. 406DF CARF MF 24 do Recurso Extraordinário 357.9509/ RS e dos demais recursos que foram julgados na mesma assentada.” (Grifei) Por outro lado, temos que o alcance do termo faturamento ou receita bruta abarcando a atividade empresarial típica, restou assente no RE nº 585.2351/MG, no qual reconheceuse a repercussão geral do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, e reafirmouse a jurisprudência consolidada pela Corte Suprema nos leading cases. Transcrevese a ementa: "EMENTA. RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, sob a Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes, na conformidade da ata de julgamento e das notas taquigráficas, por unanimidade, em resolver questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Brasília, 10 de setembro de 2008 Ministro Cezar Peluso, Relator" No voto, o Ministro Cezar Peluso deixou consignado que: “1. O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais....”(Grifei) Verificase que as conclusões obtidas no Parecer PGFN/CAT nº 2.773/2007 se coadunam com o entendimento exarado no RE 585.2351/MG acima (no qual reconheceu se a repercussão geral do tema, devendo a decisão ser reproduzida nos julgamentos no âmbito deste CARF), e prestigiam o princípio da universalidade na manutenção da seguridade social (art. 195, caput da Constituição Federal) e da capacidade contributiva (art. 145, §1º da Constituição Federal), revelando, pois, legítimas as incidências da COFINS sobre as receitas oriundas das atividades empresariais dos contribuintes. No entanto, se faz importante ressaltar, que a incidência (composição das bases de cálculo) de PIS e COFINS, especificamente, sobre as receitas financeiras das Instituições Financeiras (IF) e Seguradoras está sendo julgada no RE nº 609.096/RS, no qual Fl. 407DF CARF MF Processo nº 10980.901854/201567 Acórdão n.º 3402004.434 S3C4T2 Fl. 396 25 foi reconhecida a repercussão geral do tema, o que implica reconhecer que a matéria não foi objeto dos julgamentos dos RREE nº 346.084/PR; nº 357.950/RS; nº 358.273/RS; e nº 390.840/MG e, conseqüentemente, ainda não foi decidida pela Suprema Corte. Cabe salientar também que, atualmente o RE nº 880.143 (da empresa Sita Corretora), também esta elevado a situação de repercussão geral do tema, na medida em que, por um problema processual, apenas o PIS será julgado no caso do RE nº 609.096/RS. Em verdade o fato é que essa matéria não se encontra pacificada perante esse Tribunal Administrativo. Porém, em sentido com o qual compartilho de seus fundamentos, citase o julgado proferido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), o qual negou provimento a Recurso Especial, PAF nº 15504.730283/201347, Acórdão CSRF nº 9303 003.862, de 18/05/2016, de relatoria do Conselheiro Valcir Gassen, cuja ementa e parte do voto transcrevo abaixo: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. RECEITAS DA INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA. BASE DE CÁLCULO DA COFINS. As receitas decorrentes do exercício das atividades empresariais, incluindo as receitas da intermediação financeira, compõem a base de cálculo da Cofins para as instituições financeiras e assemelhadas, nos termos do RE 585.2351/MG." "(...) A alegação principal do Contribuinte consiste na ofensa à coisa julgada na Ação Rescisória n° 2006.01.00.01070238. Ocorre que da leitura da petição inicial e do acórdão transitado em julgado, o objeto foi a declaração de inconstitucionalidade do §1º do art.3º da Lei 9.718/1998, não se tratou especificamente da incidência da COFINS sobre as receitas financeiras decorrentes da intermediação financeira. Observese ainda que a intermediação financeira decorre das atividades típicas da razão social da empresa e, portanto, não implica na sua exclusão da base de incidência da COFINS. Neste sentido o voto do Ministro Cezar Peluso no julgamento do agravo regimental no RE 400.4798/RJ é ilustrativo: “Seja qual for a classificação que se dê às receitas oriundas dos contratos de seguro, denominados prêmios, o certo é que tal não implica na sua exclusão da base de incidência das contribuições para o PIS e COFINS, mormente após a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98 dada pelo Plenário do STF. É que, conforme expressamente fundamentado na decisão agravada, o conceito de receita bruta sujeita à exação tributária em comento envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais.” (grifei). No RE 585.2351/MG, no qual se reconheceu a repercussão geral acerca da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista §1º do art.3º da Lei 9.718/1998, trata do alcance do termo faturamento ou Fl. 408DF CARF MF 26 receita bruta abarcando a atividade empresarial típica conforme se pode depreender: EMENTA. RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social PIS. COFINS.Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, sob a Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes, na conformidade da ata de julgamento e das notas taquigráficas, por unanimidade, em resolver questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Brasília, 10 de setembro de 2008 Ministro Cezar Peluso Relator No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou: “1. O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais....” (grifei) Diante do exposto, da inquestionável declaração de inconstitucionalidade do §1º do art.3º da Lei 9.718/1998; da não violação dos termos da decisão judicial transitado em julgado pelo fato de não ter sido especificamente tratado da incidência da COFINS sobre as receitas financeiras decorrentes da intermediação financeira na Ação Rescisória; de se considerar que a intermediação financeira integra a atividade empresarial típica da recorrente, nego provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. No caso sob análise bem como no acima decidido pela CSRF, restou assentado nos autos o entendimento no sentido de que não foi objeto de contestação, naquela ação judicial questão específica, qual seja, que as receitas financeiras, auferidas pelas Instituições Financeiras (atividade da Recorrente), integrariam, ou não, como receitas operacionais, o faturamento das referidas instituições, para fins de tributação da COFINS. Como é cediço, o artigo 17 da Lei nº 4.595/1964 definiu a instituição financeira nos seguintes termos: Fl. 409DF CARF MF Processo nº 10980.901854/201567 Acórdão n.º 3402004.434 S3C4T2 Fl. 397 27 Art. 17. Consideramse instituições financeiras, para os efeitos da legislação em vigor, as pessoas jurídicas públicas ou privadas, que tenham como atividade principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros. Parágrafo único. (...). (Grifei). Portanto, todas as receitas auferidas pelo Recorrente são classificadas como rendas operacionais, sendo consideradas típicas, regulares e habituais, se inserindo na definição de faturamento dada pelo STF no RE 585.2351/MG, o qual reafirmou a sujeição das receitas típicas oriundas das atividades empresariais à incidência das contribuições. Observo que no âmbito tributário, desde a LC nº 70/91, o faturamento corresponde à receita bruta de vendas de mercadorias e de serviços, compreendendo a totalidade das receitas operacionais da pessoa jurídica. As receitas operacionais são aquelas desenvolvidas em conformidade com o objeto social da pessoa jurídica. No caso das instituições financeiras, as receitas operacionais são as receitas de serviços decorrentes das operações de intermediação financeira e de outros serviços bancários ou financeiros. Portanto, entendo que não houve afronta à coisa julgada na inconstitucionalidade da ampliação das bases de cálculo do PIS e da COFINS pelo § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, pois como asseverado neste voto, as receitas financeiras são típicas da atividade fim das instituições financeiras e, portanto, componentes do seu faturamento. Veja se que a tipificação dos bens e serviços foi posta em segundo plano pelo STF nos REE, posto que, para ser sofrer a incidência das contribuições, basta que a receita seja decorrente do objeto social da pessoa jurídica. Reprisese que no Mandado de Segurança proposto pelo Recorrente, não foi abordado a natureza de suas receitas, mas apenas reproduziu o julgamento efetuado nos leanding cases (RE) acerca da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições, o que, entretanto, não afastou a incidência da COFINS sobre as receitas oriundas das atividades empresariais típicas da PJ, no caso Instituição Financeira (Banco LOSANGO S.A). É importante ressaltar que a decisão transitada em julgado, não impede que se apure a receita operacional do Recorrente, a qual integrou o seu faturamento nos anos calendário aqui discutidos, e, consequentemente, constituiu a base de cálculo da COFINS. Nesse caso, não há, pois, ofensa à coisa julgada e à segurança jurídica. Concluise, portanto, que as receitas decorrentes das atividades constantes do seu objeto social (conforme artigo 17 da Lei nº 4.595/1964), mais precisamente as Receitas Financeiras decorrentes da intermediação financeira, se enquadram na hipótese de incidência da Contribuição para a COFINS. Da MP 627/2013, convertida na Lei nº 12.973/2014 Analisandose o caso, entendo que se encontra correto os termos da decisão de piso, que ratifico e, supletivamente, adoto todos os fundamentos, que tenho por boa e conforme a lei (forte no art. 50, § 1º, da Lei no 9.784, de 1991), que restou consignada que quanto às alterações promovidas pela Medida Provisória nº 627/2013 no art. 3º da Lei nº Fl. 410DF CARF MF 28 9.718/98 e no art. 12 do Decretolei nº 1.598/77, cabe observar que elas não têm o condão de alterar a interpretação de que a base de cálculo da COFINS é o faturamento que corresponde à receita bruta de vendas de mercadorias e de serviços, compreendendo a totalidade das receitas operacionais da pessoa jurídica. O fato das novas redações do art. 3º da Lei nº 9.718/98 e do art. 12 do Decretolei nº 1.598/77 coincidirem com a interpretação dada pela RFB e pela PGFN para a base de cálculo da COFINS das instituições financeiras e assemelhadas não implica que tal interpretação estava equivocada. As alterações introduzidas pela MP nº 627/2013 foram implementadas somente para dirimir a discussão acerca da correta interpretação da base de cálculo do PIS e da COFINS. Corrobora tal entendimento o item 15.4 da Exposição de Motivos da MP nº 627/2013: “15.4. O art. 12 foi alterado com o objetivo de aperfeiçoar a definição de receita bruta e de receita líquida;”. Portanto, estão corretas a exclusão das receitas esporádicas e atípicas do contribuinte (“outras receitas”) ou receitas não operacionais, desvinculadas do seu objeto social, da base de cálculo da COFINS, para a determinação do montante a ser restituído/ compensado e, por outro lado, a inclusão das receitas decorrentes de intermediação financeira, típicas das instituições financeiras, não afastadas pelo provimento judicial obtido. Dispositivo Ante ao acima exposto, NEGO provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 411DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.903153/2012-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/11/2009
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA.
As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Não tendo sido apresentada qualquer documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito apto a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.426
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada qualquer documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito apto a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 31 53 /2 01 2- 21 Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13830.903153/201221 Acórdão n.º 3402004.426 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Belo Horizonte, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte sobre pedido de restituição de créditos de PIS. O despacho decisório indeferiu o pedido de restituição por inexistência do crédito pleiteado face a vinculação do DARF nele informado com a quitação de débitos do contribuinte. Em sua manifestação de inconformidade, a recorrente alega em síntese que: (...) a empresa tem seus produtos tributados à alíquota zero de PIS e Cofins, conforme determina o art. 1º, inciso XII, da Lei nº 10.925, de 2004. Faz ainda referência à legislação que autoriza o contribuinte a solicitar o ressarcimento ou restituição dos valores que resultarem em crédito acumulado ou recolhimento que se revelou indevido ou a maior. Destaca que revisou suas apurações de PIS e Cofins e constatou que apurou erroneamente os valores ao tributar receitas sujeitas à alíquota zero, tendo efetuado os pedidos de restituição, via PER/DCOMP. Diante disso, foram retificados os Dacon, revelando saldo credor das referidas contribuições. Afirma ainda que, em data posterior ao protocolo dos pedidos, efetuou também as retificações das DCTF, cujo recibo segue anexo. Diante disso, o recorrente não pode ter seu pedido de restituição indeferido sem que se analise o crédito que lhe deu origem, demonstrado no Dacon retificador que se encontra no banco de dados da Receita Federal. Também é necessário que se verifiquem as DCTF retificadoras apresentadas. Defendeu ainda o direito à incidência da taxa Selic sobre o crédito em debate. Ao final, requer: 1. seja recebida e processada a manifestação de inconformidade; 2. seja determinada nova verificação do Dacon retificador e da DCTF retificadora relativa ao período em debate, para o fim de identificar o crédito objeto deste processo; 3. seja reformado o Despacho Decisório, para o fim de reconhecer integralmente o crédito objeto do PER/DCOMP nº 19327.90131.170910.1.2.043613, que tem origem em pagamento indevido ou a maior demonstrado em Dacon e DCTF; 4. que seja determinada a atualização do crédito pela taxa Selic, nos termos fixados no § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 1995; Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13830.903153/201221 Acórdão n.º 3402004.426 S3C4T2 Fl. 4 3 5. que seja determinado o depósito do valor solicitado e atualizado em conta corrente especificada. Sobreveio então o Acórdão 02060.689, da 2ª Turma da DRJ/BHE, negando provimento à manifestação de inconformidade da Contribuinte, devido a ausência de comprovação do pagamento indevido ou a maior. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, no qual repisa os argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.394, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 13830.903129/201292, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.394): "Como se depreende do relato acima, a lide resumese à comprovação da existência e suficiência do crédito objeto da compensação. Pois bem. A Lei n. 5.172/66 (Código Tributário Nacional), em seu art. 165, assegura o direito à restituição de tributos por recolhimento ou pagamento indevido ou a maior que o devido e estabelece os casos que configuram tal recolhimento ou pagamento, como a Recorrente afirma possuir, nos seguintes termos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos I Cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13830.903153/201221 Acórdão n.º 3402004.426 S3C4T2 Fl. 5 4 Por sua vez, o instituto da compensação de créditos tributários está previsto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (...) Com o advento da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a compensação passou a ser tratada especificamente em seu artigo 74, tendo a citada Lei disciplinado a compensação de débitos tributários com créditos do sujeito passivo decorrentes de restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições, âmbito da Secretaria da Receita Federal (SRF). Ainda, o §1º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (incluído pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02) 1 determina que a compensação será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados (PER/DCOMP), como pretende a Recorrente in casu. Nesse sentido, a Recorrente processou pedido de compensação, afirmando possuir créditos relativos à COFINS, decorrente de pagamentos indevidos (receita da venda de seus produtos, queijos, que é reduzida a zero pela legislação da Contribuição). Entretanto, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. Assim, concluiu a Fiscalização que não restava crédito disponível para restituição, e, por conseguinte, a compensação não foi homologada. Muito embora a falta de prova sobre a existência e suficiência do crédito tenha sido o motivo tanto da não homologação da compensação por despacho decisório, como da negativa de provimento à manifestação de inconformidade, a Recorrente permanece sem se desincumbir do seu ônus probatório, insistindo que efetuou a retificação do Dacon, o que demonstraria seu direito ao crédito. Ocorre que o Dacon constitui demonstrativo por meio do qual a empresa apura as contribuições devidas. Com efeito, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), instituído pela Instrução Normativa SRF nº 387, de 20 de janeiro de 2004, é uma declaração acessória obrigatória em que as pessoas jurídicas informavam a Receita Federal do Brasil sobre a apuração da Contribuição ao PIS e da 1 A referida legislação recebeu ainda algumas alterações promovidas pelas Leis nºs 10.833/2003 e 11.051/2004. Atualmente, os procedimentos respectivos encontramse regidos pela IN RFB nº 1.300/2012 e alterações posteriores Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13830.903153/201221 Acórdão n.º 3402004.426 S3C4T2 Fl. 6 5 COFINS. Em outros termos, sua função é de refletir a situação do recolhimento das contribuições da empresa, sendo os créditos autorizados por lei e com substrato nos documentos contábeis da empresa, basicamente notas fiscais os livros fiscais onde estão registradas as referidas notas, além da própria DCTF. Assim, são esses últimos documentos que possuem aptidão para comprovar o crédito. Ademais, a Instrução Normativa n. 1.015, de 05 de março de 2010, vigente à época dos fatos, estabelece que Art. 10. A alteração das informações prestadas em Dacon, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de demonstrativo retificador, elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar alteração nos créditos e retenções na fonte informados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas no demonstrativo original, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alterar débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...) § 5º A pessoa jurídica que entregar Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), deverá apresentar, também, DCTF retificadora. Conforme mencionado anteriormente, a Contribuinte não apresentou nenhum documento que comprovasse o crédito alegado. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13830.903153/201221 Acórdão n.º 3402004.426 S3C4T2 Fl. 7 6 Ressalto que com relação à alegação em manifestação de inconformidade que haveria DCTF retificadora, a decisão recorrida bem coloca que os valores constantes desse documento foram aqueles utilizados pela Fiscalização para a análise do PER/DCOMP, bem como que, com o exame do DACON retificador, fica evidenciada a utilização do crédito em questão. Nesse sentido, destaco o seguinte trecho do acórdão da DRJ: Quanto à alegada retificação da DCTF, registrese que o documento retificador constante dos sistemas mantidos pela Receita Federal, entregue em 28/09/2012 (conf. recibo de entrega), revela a existência do débito no valor que foi considerado no Despacho Decisório e indicado no quadro “UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS PARA O DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP. (...) Nestas condições, fica convalidado em todos os seus termos o Despacho Decisório contestado, que evidencia que o crédito postulado pelo contribuinte foi utilizado conforme especificado no demonstrativo de utilização do pagamento, não restando crédito passível de restituição. Ao não apresentar documentos indispensáveis à apreciação do alegado crédito, o interessado prejudicou a análise por parte da Administração, visto que restou impossibilitada a comprovação de certeza e liquidez do crédito solicitado, conforme preceitua o artigo 170 do CTN. Com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, abaixo transcritos, que caberia à Recorrente, autora do presente processo administrativo, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia: Art. 36 da Lei nº 9.784/99. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 373 do Código de Processo Civil. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Peço vênia para destacar as palavras do Conselheiro relator Antonio Carlos Atulim, plenamente aplicáveis ao caso sub judice: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13830.903153/201221 Acórdão n.º 3402004.426 S3C4T2 Fl. 8 7 provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. A jurisprudência do CARF é pacífica sobre o tema, como se depreende das ementas abaixo colacionadas: Ementa(s) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. A DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório que não homologa a compensação e a DACON não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos (Acórdão 3803 006.915, Relator Conselheiro Corintho Oliveira Machado) Ementa(s) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2009 PIS/COFINS. DCOMP. CRÉDITOS DECORRENTES DE DCTF NÃO RETIFICADA POR DECURSO DE PRAZO (5 ANOS). PER/DCOMP NÃO HOMOLOGADO. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. PIS/COFINS. DCOMP. DACON RETIFICADOR Embora o DACON seja uma fonte válida de informações Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13830.903153/201221 Acórdão n.º 3402004.426 S3C4T2 Fl. 9 8 para o Fisco, tomado isoladamente, ele não é prova suficiente do erro alegado, sendo incapaz de elidir o valor inicialmente declarado em DCTF (Acórdão 3802003.316, Relator Conselheiro Waldir Navarro Bezerra) Ementa(s) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/01/2005 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE DCTF RETIFICADORA. A informação dos valores devidos a título de PIS prestada na DACON não enseja o direito creditório, uma vez que o crédito tributário constituise pela DCTF. No caso de divergência entre os valores declarados em DCTF e DACON, prevalece o montante constituído em DCTF. A DCTF é o instrumento hábil e suficiente para constituição do crédito tributário, por consequência lógica, que o indébito tributário pelo pagamento a maior deve ser apurado pelo confronto com os valores constituídos em DCTF e os valores recolhidos. A desconstituição da confissão depende de robusta prova e detalhada demonstração de materialidade diversa da declara. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO (Acórdão 3101001.259, Conselheiro Relator Luis Roberto Domingo). Dessarte, não tendo sido em momento algum comprovada pela Recorrente a liquidez e certeza do crédito pleiteado, de acordo com toda a disciplina jurídica supra mencionada, não há reparos a serem feitos quanto ao Acórdão recorrido. Quanto a correção monetária do crédito, hodiernamente não restam mais dúvidas sobre a necessidade de correção monetária do indébito, desde a data em que o pagamento foi feito ao Estado. É o que consta tanto da jurisprudência do Supremo, da Súmula nº 46 do extinto Tribunal Federal de Recursos, quanto da Súmula n. 162 do Superior Tribunal de Justiça, vazada nos seguinte dizeres: “na repetição de indébito tributário, a correção monetária incide a partir do pagamento indevido.” Inclusive, merece destaque o Parecer AGU/MF01/96 da AdvocaciaGeral da União, publicado no Diário Oficial de 18.01.96, que claramente sintetizou as soluções adotadas pelos legítimos intérpretes da lei, além de enfatizar o papel da correção monetária nas ações de repetição de indébito. 2 2 Mesmo na inexistência de expressa previsão legal, é devida correção monetária de repetição de quantia indevidamente recolhida ou cobrada a título de tributo. A restituição tardia e sem atualização é restituição incompleta e representa enriquecimento ilícito do Fisco. Correção monetária não constitui um plus a exigir expressa previsão legal. É, apenas, recomposição do crédito corroído pela inflação. O dever de restituir o que se recebeu indevidamente inclui o dever de restituir o valor atualizado. Se a letra fria da lei não cobre tudo o que no seu espírito se contém, a interpretação integrativa se impõe como medida de Justiça. Disposições legais anteriores Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13830.903153/201221 Acórdão n.º 3402004.426 S3C4T2 Fl. 10 9 Ademais, fato é que a Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991 (artigo 66, § 3º) trouxe a disciplina de forma expressa ao âmbito tributário, especificamente sobre a restituição e compensação de tributos federais. Desde então, diferentes índices foram usados para fins de atualização monetária dos indébitos fiscais, terminando com a taxa de juros Selic aplicada atualmente. Contudo, como destacado alhures, não houve a comprovação de crédito a ser utilizado pela Recorrente, de modo que resta prejudicado seu pedido acerca da correção monetária do mesmo. Dispositivo Por essas razões, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire à Lei n° 8.383191 e princípios superiores do Direito brasileiro autorizam a conclusão no sentido de ser devida a correção na hipótese em exame. A jurisprudência unânime dos Tribunais reconhece, nesse caso, o direito a ̀ atualização do valor reclamado. O Poder Judiciário não cria, mas, tãosomente aplica o direito vigente. Se tem reconhecido esse direito é porque ele existe. Fl. 63DF CARF MF
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Numero do processo: 10935.000742/2011-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
CRÉDITO PRESUMIDO. CONTRATOS DE PARCERIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. NÃO CABE DIREITO.
Não há direito à apuração do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei 10.925, de 2004, que somente pode ser apurado sobre a aquisição de bens, mas não de serviços.
Se o criador não tem o direito de usar, gozar, dispor da coisa; posto que não pode comercializar os animais que cria, mas apenas devolvê-los a quem lhe entregou; inclusive a sua, assim-chamada, quota-parte; por força do contrato de parceria; não são há que se falar em aquisição de bens por parte da agroindústria; mas sim em prestação de serviço; não sendo portanto cabendo portanto crédito presumido a agroindústria. E mais, não se pode diferenciar a atividade exercida pelo criador com relação a sua quota-parte dos demais animais, como dizer que com relação a um animal produz e aos outros presta serviço.
CRÉDITO PRESUMIDO. RATEIO PROPORCIONAL. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO E MERCADO INTERNO. NÃO DISCRIMINAÇÃO POR POR PRODUTO OU SETOR.
Aplica-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não-cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Não discrimina o cálculo por produto ou setor.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.013
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
José Henrique Mauri - Presidente substituto.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcos Roberto da Silva, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
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CONTRATOS DE PARCERIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. NÃO CABE DIREITO. Não há direito à apuração do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei 10.925, de 2004, que somente pode ser apurado sobre a aquisição de bens, mas não de serviços. Se o criador não tem o direito de usar, gozar, dispor da coisa; posto que não pode comercializar os animais que cria, mas apenas devolvêlos a quem lhe entregou; inclusive a sua, assimchamada, quotaparte; por força do contrato de parceria; não são há que se falar em aquisição de bens por parte da agroindústria; mas sim em prestação de serviço; não sendo portanto cabendo portanto crédito presumido a agroindústria. E mais, não se pode diferenciar a atividade exercida pelo criador com relação a sua quotaparte dos demais animais, como dizer que com relação a um animal produz e aos outros presta serviço. CRÉDITO PRESUMIDO. RATEIO PROPORCIONAL. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO E MERCADO INTERNO. NÃO DISCRIMINAÇÃO POR POR PRODUTO OU SETOR. Aplicase aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Não discrimina o cálculo por produto ou setor. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 07 42 /2 01 1- 17 Fl. 2033DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Henrique Mauri Presidente substituto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcos Roberto da Silva, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 0650.185, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba, o qual deu por procedente em parte a manifestação de inconformidade apresentada. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante do acórdão recorrido, em parte: Trata o presente processo do Pedido de Ressarcimento de Crédito Presumido de Cofins nãocumulativo(a) – Exportação, relativo ao 1º trimestre de 2006, formalizado em 04/11/11 em formulário (papel), [...]. Em seu pedido, a contribuinte sustenta, em síntese, que possui o direito ao ressarcimento/compensação do crédito presumido acima (apurado nos termos do artigo 8º da Lei nº 10.925, de 2004) em face da introdução do art. 56A na Lei 12.350, de 2010, realizada pelo art. 9º da Medida Provisória nº 517, de 2010. Aduz que referido direito pode ser solicitado (ressarcido ou compensado) a partir de 01/01/2011 e que o pedido foi efetuado em papel em virtude da impossibilidade de utilização do programa eletrônico PER/Dcomp no presente caso. Por sua vez, a Seção de Orientação e Análise Tributária – SAORT da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Cascavel – PR, após a realização de uma auditoria fiscal, emitiu, em 10/07/13, o Despacho Decisório nº 366/2013, reconhecendo parcialmente o direito creditório solicitado, no valor de R$ 33.705,16, sem a incidência de atualização monetária ou de juros de mora. Em referido documento, a autoridade fiscal destaca, primeiramente, a existência de outro pedido de ressarcimento, relativo à mesma contribuição e período, o qual trata, entretanto, do crédito básico vinculado à exportação e Fl. 2034DF CARF MF Processo nº 10935.000742/201117 Acórdão n.º 3301004.013 S3C3T1 Fl. 2.034 3 cuja verificação e análise foram realizadas no processo administrativo nº 10935.004783/201093. Explica, em apertada síntese, que a auditoria, que foi realizada com base nos arquivos digitais e documentos coletados durante o procedimento fiscal, teve como objetivo a identificação dos valores passíveis de ressarcimento no período em análise, os quais, além de estarem relacionados com o crédito presumido da atividade agroindustrial (apurado nos termos do artigo 8º da Lei nº 10.925, de 2004), devem ser vinculados com os produtos fabricados pela cooperativa que sejam vendidos exclusivamente para o mercado externo (em conformidade com o art. 56A da Lei nº 12.350, de 2010). Informa, adicionalmente, que os produtos exportados, decorrentes das atividades agroindustriais da contribuinte, tratamse de carnes e miudezas comestíveis de frangos e suínos e, também, de óleo de soja degomado. Nesse sentido, ressalta que na análise e verificação do crédito básico (realizada no processo administrativo nº 10935.004783/201093) “conforme detalhado no Despacho Decisório 72/2012, com cópia anexada às fls. 178 a 198, inclusive quanto a confirmação da efetivação das exportações e outros elementos inerentes a apuração dos créditos, mesmo que por amostragens, motivo pelo qual, no presente procedimento de auditoria a questão limitase especificamente a adequação da parcela do crédito presumido vinculado à exportação e passível de ressarcimento, que foi expurgado do cálculo anterior, tendo como premissa o acatamento das conclusões apontadas naquela análise e respectivos valores.” (Grifos no Originais) Diz que a cooperativa desenvolve diversos processos comerciais e industriais mas que somente uma parcela dos produtos adquiridos concede o direito ao crédito presumido, sendo que na aquisição de grãos somente as parcelas direcionadas para as unidades “fábrica de ração” e “fábrica de óleo” (inscritas nos CNPJ nº 76.098.219/001390 e nº 16.098.219/002695) é que concedem o mencionado direito. Por conseguinte, relata que procedeu a apuração do mencionado crédito presumido e que os valores informados no Dacon foram recalculados em face dos ajustes e glosas que seguem abaixo resumidos: a) ajuste relativo às aquisições de grãos empregadas na ração fabricada e revendida para o mercado interno, de forma a apropriar para este mercado os custos dos insumos a ele relativos; b) glosa relativa às entradas de frangos e suínos provenientes dos contratos de parceria, tendo em vista o entendimento de que essas operações não se qualificam como compra efetiva mas sim como pagamento de serviços prestados (mão de obra) para seus associados; c) glosa relativa às aquisições de milho e soja relacionados com a exportação de carnes de bovinos, tendo em vista que não foram encontrados registros de utilização de ração ou dos citados cereais no tratamento em confinamento desses animais; Fl. 2035DF CARF MF 4 d) recálculo do rateio proporcional aplicado sobre as aquisições de milho (empregado na fabricação de ração), de soja (aplicado na industrialização do óleo degomado) e de animais; e) recálculo do crédito presumido sobre as aquisições de soja com a aplicação do índice de 35 % sobre a alíquota da contribuição (0,5775% para o PIS e 2,66% para a Cofins); f) realocação/glosa do crédito presumido de origem animal para o fim de refletir, segundo a origem das aquisições e alíquotas adequadas, o crédito presumido passível de ressarcimento na situação apresentada; g) desprezo do saldo remanescente de crédito presumido relacionado com as operações do mercado interno, após a utilização da parcela dedutível e do valor reconhecido para ressarcimento no trimestre, em face do entendimento de que não existe amparo legal para manutenção em conta gráfica desse tipo de crédito presumido vinculado ao mercado interno. Em 23/07/2013, por meio do Comunicado nº 432/2013, a contribuinte foi cientificada do mencionado despacho decisório, apresentando, em 21/08/2013, manifestação de inconformidade, cujo teor é resumido a seguir. Incialmente, após um breve relato dos fatos, no item “Do Indeferimento/Glosa dos Créditos Presumidos”, subitem “1) Do direito a apuração do crédito presumido sobre a aquisição da produção dos produtores rurais nos contratos de parceira avícola/suinícola”, a interessada sustenta que os contratos de parceria caracterizam juridicamente as operações realizadas como produção de bens e não como prestação de serviços. Diz que, como não existe (ainda) lei específica, os contratos de parceria rural estão sob a égide do art. 96 do Estatuto da Terra (Lei nº 4.504, de 1964, e do Decreto nº 59.566, de 1966. Sustenta que o produtor, ao final da realização do objeto do contrato, recebe uma parte da produção, e que “Apenas por força do contrato de parceria avícola/suinícola o produtor se obriga a comercializar a sua quotaparte da produção com a agroindústria (parceirooutorgante). Se a previsão contratual não existisse o produtor rural estaria livre para comercializar a sua quotaparte da produção conforme sua conveniência.” Alega que referido entendimento, de que, nos contratos de parceira rural, a parte da produção do produtor rural é considerada como sendo produção própria, é corroborado pela legislação do Funrural (art. 168 da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009) e confirmado pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ. Argumenta, também, que a administração tributária, em face do que dispõe o art. 110 do Código Tributário Nacional – CTN, não pode alterar a definição de institutos privados, qualificando as operações como prestação de serviços para efeito da apuração do crédito presumido e como produção própria para efeito da incidência da contribuição para o Funrural. No subitem a seguir, denominado “2) Da alíquota para apuração do crédito presumido da produção de carnes”, a contribuinte defende a aplicação do percentual de 60% sobre a alíquota básica da contribuição (PIS 60% sobre alíquota de 1,65%, com alíquota efetiva de 0,99 % e Cofins 60% Fl. 2036DF CARF MF Processo nº 10935.000742/201117 Acórdão n.º 3301004.013 S3C3T1 Fl. 2.035 5 sobre a alíquota de 7,60%, com alíquota efetiva de 4,56%) para a apuração do crédito presumido relativo à produção de carnes. Alega que a legislação (art. 8º da Lei 10.925, de 2004) é clara ao definir que a alíquota é aplicada de acordo com os produtos fabricados e não conforme os insumos adquiridos. Diz que apurou o crédito presumido sobre os insumos adquiridos (aves/suínos e milho/ração) aplicando o percentual de 60%, mas que a autoridade fiscal, de forma diversa, apurou o crédito utilizando o percentual de 35% (sobre a alíquota básica da contribuição). Acrescenta que a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF corrobora o seu entendimento e que os seus produtos constam compreendidos no capítulo 2 da NCM, devendo ser aplicado, portanto, o percentual de 60 % (previsto no inciso I, § 3º, do mencionado art. 8º). Na sequencia, no subitem “3) Do índice de exportação para ressarcimento do crédito presumido”, a interessada defende a aplicação do método de rateio proporcional de forma setorial, de modo que sejam aplicados percentuais específicos para os setores de carne (receita de exportação carnes/receita bruta total carnes) e de óleo (receita de exportação óleo/receita bruta total óleo). Diz que o método aplicado pela fiscalização, de apuração de um índice único (receita de exportação/receita bruta total), com a inclusão de todas as receitas auferidas pela cooperativa no computo da receita bruta total, demonstrase ilegal e afronta os artigos 56A e 56B da Lei 10.350, de 2010, uma vez que o objetivo da inclusão do citados artigos foi o de permitir a conversão dos créditos acumulados em moeda (ativo financeiro). Argumenta que o método do rateio proporcional, previsto nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, deve ser interpretado de modo que “o crédito presumido a ressarcir deve corresponder ao apurado sobre os bens adquiridos e utilizados na produção dos bens exportados com direito ao crédito presumido.” Sustenta que a interpretação da autoridade tributária ao diminuir o indíce do percentual de exportação, e consequentemente o valor do crédito presumido apurado, viola o princípio constitucional da isonomia, uma vez que diferencia empresas que mantém uma única atividade das que exercem diversas atividades econômicas. Logo a seguir, no item “Da Atualização Monetária dos Créditos Obstados Ilegalmente”, a contribuinte defende a atualização monetária dos créditos, por meio da aplicação da taxa Selic acumulada, desde a formalização dos pedidos administrativos. Alega que a correção monetária deve ser aplicada para manter a integralidade dos créditos e não para punir a mora da administração pública em ressarcilos e que a devolução dos créditos em valores originais representa um enriquecimento sem causa da União. Diz, também, que a aplicação da atualização aos pedidos de ressarcimento vem sendo reconhecida, conforme a jurisprudência administrativa (Conselho Administrivo de Recursos Fiscais – CARF) e judicial (Superior Tribunal de Justiça – STJ) que colaciona na manifestação. Em outro item, denominado “Da Suspensão da Exigibilidade da Multa Isolada Lançada de Ofício”, a interessada pugna pela suspensão da exigibilidade da multa isolada, lançada no percentual de 50% sobre o valor do crédito indeferido, por meio do auto de infração constante do processo Fl. 2037DF CARF MF 6 administrativo nº 10935.722746/201311. Sustenta que a exigibilidade da referida multa deve restar suspensa com a apresentação da manifestação de inconformidade contra o indeferimento do pedido de ressarcimento a ela relativo, conforme prevê o § 18 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, inserido pelo art. 20 da Lei nº 12.844, de 2013. Por último, no item “Do Pedido”, a contribuinte solicita: (i) a suspensão da exigibilidade da multa isolada lançada no auto de infração constante do processo administrativo nº 10935.722746/201311; (ii) o acolhimento da manifestação apresentada para o fim de reformar o despacho decisório e acolher as razões e argumentos apresentados; (iii) proceder à devolução do crédito presumido solicitado com a atualização monetária, por meio da aplicação da taxa Selic acumulada, desde a formalização dos pedidos administrativos até a data do efetivo pagamento. Registrese, quanto ao pedido de suspensão da multa de ofício isolada (de 50%), que a contribuinte foi orientada pela autoridade a quo a apresentar impugnação específica para o processo administrativo nº 10935.722746/201311. Anotese, também, que a contribuinte apresentou, em 18/10/2013, manifestação de inconformidade complementar, por meio da qual acrescenta argumentos a respeito do percentual a ser aplicado sobre as alíquotas básicas (de PIS e Cofins) para a apuração do crédito presumido sobre os insumos adquiridos, relativamente à produção de carnes. No caso, a interessada repisa o seu entendimento de que deve ser aplicado o percentual (de 60%), levando se em conta, portanto, a origem dos insumos adquiridos e não a dos produtos fabricados. Acrescenta, também, que a polêmica na aplicação do referido percentual foi resolvida com a edição do art. 33 da Lei nº 10.865, de 2013, que inseriu o § 10 ao art. 8º da Lei 10.925, de 2004, o qual dispôs nos seguintes termos: “Para efeito de interpretação do inciso I do 3º, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos.” Por fim, é de se ressaltar a existência do mandado de segurança nº 5005004.61.2013.404.7005/PR, o qual tem como objetivo, entre outros, o reconhecimento do direito à correção monetária pela taxa Selic do crédito reconhecido no presente processo (assim como em outros 23 processos de ressarcimento), acumulada a partir do protocolo dos pedidos de ressarcimento até o seu efetivo pagamento. O citado acórdão decidiu pela procedência parcial da manifestação de inconformidade, assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMO. ENGORDA DE ANIMAIS. A simples engorda de animais, que consiste em serviço prestado por pessoa física a pessoa jurídica, não concede o direito ao crédito presumido da Fl. 2038DF CARF MF Processo nº 10935.000742/201117 Acórdão n.º 3301004.013 S3C3T1 Fl. 2.036 7 atividade agroindustrial, uma vez que não se constitue em aquisição de bens (animais), conforme exigido pela legislação, mas, sim, em prestação de serviço. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. RATEIO PROPORCIONAL. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO E MERCADO INTERNO. O rateio proporcional aplicado no regime da não cumulatividade das contribuições (PIS e Cofins), para apuração dos créditos presumidos vinculados às receitas do mercado interno, tributado e não tributado, e de exportação, deve ser calculado pela divisão das respectivas receitas de cada mercado pela receita bruta total da empresa. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. A propositura de ação judicial, versando sobre matéria idêntica, importa renúncia às instâncias administrativas e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa a que caberia o julgamento. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Acordaram em: considerar, no tocante à atualização monetária dos créditos, em face da impetração do Mandado de Segurança nº 5005004.61.2013.404.7005/PR, a definitividade da renúncia às intâncias administrativas; e acolher parcialmente as razões contidas na manifestação de inconformidade apresentada, reconhecendose o direito ao crédito no valor de R$ 14.467,47, conforme detalhamento contido na Tabela 2 constante do voto, em adição ao direito creditório reconhecido pela autoridade a quo, no valor de R$ 33.705,16, e mantendose o indeferimento do restante do crédito pleiteado, no valor de R$ 182.996,49. No dito acolhimento trata da Alíquota para Apuração do Crédito Presumido na Produção de Carnes. Inconformada com a indeferimentos e glosas mantidos na decisão recorrida, a COOPAVEL defende a ilegalidade destas. Ao final, pugna pela inclusão das aquisições de produtos da quotaparte do produtor rural nos contratos de parceria avícola/suinícola na base de cálculo para a apuração do crédito presumido; e que, na apuração do crédito a ser ressarcido seja utilizado o índice de exportação aferido da relação percentual da receita bruta da exportação dos produtos do setor carnes e óleo de soja degomado com a receita bruta total destes produtos (índice setorial). Foime distribuído o presente processo para relatar e pautar. Fl. 2039DF CARF MF 8 É o relatório. Fl. 2040DF CARF MF Processo nº 10935.000742/201117 Acórdão n.º 3301004.013 S3C3T1 Fl. 2.037 9 Voto Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Relator. O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. O Pedido de Ressarcimento de Crédito Presumido da Cofins da recorrente lastreiase no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, c/c os artigos 56A e 56B da Lei nº 12.350/2010, incluídos pela Lei nº 12.431/2011: Da Lei nº 10.925/2004: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Da Lei nº 12.350/2010: Art. 56A. O saldo de créditos presumidos apurados a partir do ano calendário de 2006 na forma do § 3o do art. 8o da Lei no 10.925, de 23 de julho de 2004, existentes na data de publicação desta Lei, poderá: (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). [...] II ser ressarcido em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). [...] § 2o O disposto neste artigo aplicase aos créditos presumidos que tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nos §§ 8o e 9o do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). Fl. 2041DF CARF MF 10 Art. 56B. A pessoa jurídica, inclusive cooperativa, que até o final de cada trimestrecalendário, não conseguir utilizar os créditos presumidos apurados na forma do inciso II do § 3o do art. 8o da Lei no 10.925, de 23 de julho de 2004, poderá: (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). [...] II solicitar seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). Parágrafo único. O disposto no caput aplicase aos créditos presumidos que tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita auferida com a venda no mercado interno ou com a exportação de farelo de soja classificado na posição 23.04 da NCM, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nos §§ 8o e 9o do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). Direito à apuração do crédito presumido sobre a alegada aquisição da produção dos criadores nos contratos de parceria avícola/suinícola Conforme relatado, a Delegacia de origem efetuou glosa relativa às entradas de frangos e suínos provenientes dos contratos de parceria, tendo em vista o entendimento de que essas operações não se qualificam como compra efetiva mas sim como pagamento de serviços prestados (mão de obra) para seus associados. Esta argumentou ter havido "uma simulação de compra de bens (aves/suínos) a qual representa o pagamento dos serviços prestados pelos produtores rurais com os cuidados no trato e criação dos lotes de aves ou suínos". Por consequencia, considerou não haver direito à apuração do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei 10.925, de 2004, entendendo que "referido crédito somente pode ser apurado sobre a aquisição de bens, mas não de serviços". De fato, o dito art. 8º fala em " calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003", estas que delimitam o creditamento da insumos no desenho da Pis/Pasep e da Cofins não cumulativas,"bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda"; restingindo o crédito presumido aos bens, excluindo os serviços. Se são bens e tratase de prestação de serviços, reproduzo a argumento da fiscalização: “Nestes contratos de parceria, fica evidente que as aves e animais já são de propriedade da cooperativa, apenas são remetidos às propriedades rurais dos associados para a contra prestação de serviços na sua criação e posterior devolução, devendo o parceiro, em resumo, seguir rígido sistema de manejo pré estabelecido, adotar na alimentação exclusivamente a ração e medicamentos fornecidos pela contratante e ao final do prazo Fl. 2042DF CARF MF Processo nº 10935.000742/201117 Acórdão n.º 3301004.013 S3C3T1 Fl. 2.038 11 estabelecido, devolver o lote completo de animais ou aves, recebendo como pagamento por seus serviços o resultado de um índice que mede o êxito do seu trabalhão (IEP – Índice de Eficiência Produtiva). Para subsidiar esta conclusão destacamos alguns fatos que traduzem por si o entendimento de que não há compra de mercadoria, mas pagamento de prestação de serviços: • A cooperativa não paga diretamente em espécie o resultado do trabalho do associado medido pelo IEP, usa o artifício de entregar simbolicamente seu equivalente valor em produto (aves/suínos), mas com uma cláusula de fidelidade nos contratos, obriga o parceiro a vender exclusivamente para a própria cooperativa tal parte, ou seja, faz um operação triangular, para ocultar o pagamento a título de serviços prestados, substituindo pelo imediato pagamento de uma suposta compra de produtos (que documentalmente já é de sua propriedade, ou seja, como pode comprar aquilo que já é seu?); • Sem entrar na seara tributária com o reflexo de tal procedimento equivocado, o fato é que representa uma distorção da realidade, onde o parceiro é investido na qualidade de proprietário das aves/suínos de forma virtual e apenas por alguns segundos, tempo suficiente para a emissão da nota fiscal de compra, instrumento que na pratica retrata o pagamento por seus serviços; • Ao término da criação, o transporte integral do lote de aves/suínos, da propriedade rural até o frigorífico é realizado pela Coopavel, para garantir que não haja desvio da produção. Somente no abate o parceiro/produtor rural tomará conhecimento do valor de seus serviços prestados, ocasião em que para recebelo aceita a emissão de uma nota fiscal simulando a venda de parte do lote, que não é seu, pois apenas detém a posse precária e não a propriedade; • Os contratos de parceria caracterizam o criador como fiel depositário das aves ou suínos; • Se os próprios contratos de parcerias definem que o criador receberá pelas suas tarefas/trabalhos para cada lote que concluir a criação, um valor pecuniário, logo, considerando não pertencer ao criador a propriedade dos animais e aves, ração e medicamentos utilizados no trato, é impróprio que este possa vender à cooperativa parte do lote (que não é seu), para mascarar o pagamento dos serviços prestados, dandolhe a versão de ‘aquisição de mercadorias’;” (Grifos deste relator). A recorrente defendo o contrário: "a operação realizada tem natureza jurídica de produção de bens da quotaparte do produtor rural nos contratos de parceria e não de prestação de serviços como se pretendeu na decisão recorrida"(Grifos deste relator). Fl. 2043DF CARF MF 12 Traz o art. 96 do Estatuto da Terra (Lei nº 4.504/1964) que trata dos contratos de parceria rural. Diz que seu § 5º prevê que as regras dos contratos de parceria rural não se aplicam aos contratos de parceria agroindustrial para a criação de aves e suínos que possuirão legislação específica; mas que, como até então não foi publicada a lei específica, temse mantido a aplicação das regras da parceria rural. Observa que esse artigo fora regulamentado pelo Decreto nº 59.566/1966, destacandose, para o presente caso, partes do seu art. 4º: Parceria rural é o contrato agrário pelo qual uma pessoa [...] lhe entrega (a outra pessoa) animais para cria, recria, invernagem, engorda [...] mediante partilha de riscos do caso fortuito e da força maior do empreendimento rural, e dos frutos, produtos ou lucros havidos nas proporções que estipularem, observados os limites percentuais da lei. (Grifos do original. Explicação entre parênteses, deste relator). E prossegue: Nos contratos de parceria avícola/suinícola o objeto do contrato é a criação de frangos/suínos para o abate. A agroindústria (parceiraoutorgante) se obriga ao fornecimento de pintos e suínos para cria, recria, medicamentos, ração, assistência técnica e transporte e o produtor rural (parceirooutorgado) se obriga ao alojamento em estrutura própria (aviário) e ao desenvolvimento desses animais até chegarem ao ponto ideal de abate, arcando com as despesas trabalhistas e previdenciárias da contratação de funcionários, energia elétrica, manutenção, etc. [...] A parte do produtor é caracterizada como produção rural própria e não prestação de serviços. Ao final da realização do objeto do contrato, o produtor recebe parte da produção e não por haver prestado serviços. Apenas por força do contrato de parceria avícola/suinícola o produtor se obriga a comercializar a sua quotaparte da produção com a agroindústria (parceirooutorgante). Se a previsão contratual não existisse o produtor rural estaria livre para comercializar a sua quotaparte da produção conforme sua conveniência. O Código Civil estabelece o conceito de proprietário/ direito de propriedade como um conjunto de direitos: Art. 1.228. O proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavêla do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha. Se o criador não tem o direito de usar, gozar, dispor da coisa; posto que não pode comercializar os animais que cria, mas apenas devolvêlos a quem lhe entregou; inclusive a sua, assimchamada, quotaparte; por força do contrato de parceria; não há que se falar em aquisição de bens por parte da agroindústria; mas sim em prestação de serviço por parte do criador; não sendo portanto cabível o pretendido direito ao crédito presumido. Fl. 2044DF CARF MF Processo nº 10935.000742/201117 Acórdão n.º 3301004.013 S3C3T1 Fl. 2.039 13 O animal, que se representa sua quotaparte é apenas um parâmetro, uma referência para sua remuneração. E mais, não se pode diferenciar a atividade exercida pelo criador com relação a sua quotaparte dos demais animais, como dizer que com relação a um animal produz e aos outros presta serviço. Traz a recorrente em seu favor, a Instrução Normativa RFB nº 971/2009: [...] no capítulo I do título III ao dispor das normas e procedimentos das atividades rural e agroindustrial, menciona nos incisos XI e XIV do artigo 165 sobre o contrato de parceria rural. Expressamente, o § único do artigo 168 da referida instrução normativa prescreve que a quotaparte do parceiro é considerada produção rural própria do produtor rural e base de incidência da contribuição previdenciária sobre a receita da comercialização da produção rural. [...] Parágrafo único. A parte da produção que na partilha couber ao parceiro outorgante é considerada produção própria." (Grifos do original). Este entendimento também é confirmado pelo Superior Tribunal de Justiça, que instado a se manifestar sobre a incidência da contribuição previdenciária (funrural) nos contratos de parceria avícola, concluiu pela incidência da contribuição sobre a receita auferida pelo produtor rural quando da comercialização da sua quotaparte na produção a empresa agroindustrial (parceirooutorgante). [...] O artigo 110 do Código Tributário Nacional (Lei n. 5.172/1966) veda a possibilidade do ente competente de alterar a definição de institutos de direito privado [...] De fato, tal Instrução Normativa ´considera a quotaparte do parceiro produção rural própria, mas para fins específicos de incidência da contribuição previdenciária. Não pode ela alterar o instituto da propriedade esculpido no Código Civil, por força do referido art. 110 do Código Tributário. Traz a recorrente jurisprudência deste CARF em seu socorro. Importante examinar os termos dos contratos de parceria que regulam as relações em pauta: “A retenção de frangos pelo CRIADOR em índice superior ao permitido, [...]caracterizará o furto, respondendo o mesmo penal e civilmente pelo ato praticado. Fl. 2045DF CARF MF 14 “O CRIADOR. por cada lote criado, receberá pecuniariamente o valor apurado através da tabela referente ao Índice de Eficiência Produtiva IEP, observandose o seguinte: Peso Médio (X) Sobrevivência (X) 100 % (:) Conversão Alimentar (X) Idade dos Frangos.” “Facultase ao CRIADOR utilizar 0,15% (zero vírgula quinze por cento) do total de aves do lote em formação, para o seu próprio sustento. Não consumindo o total permitido, obrigase o CRIADOR a entregar todo o saldo de aves viáves e remanescentes não consumidas.” “O CRIADOR se obriga ainda: [...] “O CRIADOR por este instrumento constituise fiel depositário das aves postas em seu poder pela COOPAVEL, para que efetue a criação obejto deste instrumento, devendo respeitar orientações técnicas, zelando pela sua guarda e conservação, sendo que não o fazendo por ato de sua responsabilidade, responderá pelas penas de depositário infiel, nos termos da lei, especialmente se der causa ao desaparecimento de frangos não autorizados por este instrumento. As penas do depositário infiel serão de ordem civil e criminal.” (Grifos do original) O fato de ser constituído fiel depositários das aves (entendo, de todas elas) postas em seu poder pela COOPAVEL demonstra que, como já examinado, não são suas as aves, apenas presta serviço com relação a elas. Sua remuneração é pelo Índice de Eficiência Produtiva e não pela venda de animais. Se pode reter parte dos animais é para o seu sustento, não sendo estas devolvidas ao produtor, apenas se houver saldo. Situação semelhante ocorre com os contratos relativos aos suínos. Assim, nesse tema, nego provimento ao recurso voluntário. Do índice de exportação para ressarcimento do crédito presumido Consta do acórdão recorrido que a Delegacia de origem recalculou o crédito presumido (relativamente às aquisições comprovadas e não glosadas) aplicando um novo critério de rateio proporcional; desconsiderando a aplicação do índice setorial de exportação utilizado pela recorrente. Empregou a unidade índice de exportação calculado mediante a comparação das exportações realizadas (de carne e de óleo de soja degomado) com a receita bruta total da empresa no período: Em síntese, a autoridade fiscal, após determinar as aquisições de milho, soja, e animais realizadas de pessoas físicas que poderiam conceder o direito ao crédito presumido, aplicou: (i) o índice de exportação de carnes (frango e suíno), calculado por meio da divisão do total de exportações de carne pela Fl. 2046DF CARF MF Processo nº 10935.000742/201117 Acórdão n.º 3301004.013 S3C3T1 Fl. 2.040 15 receita bruta total, sobre as aquisições de animais (frango e suínos) e de milho com direito à crédito; e (ii) o índice de exportação de óleo degomado, calculado por meio da divisão do total das exportaçoes de óleo pela receita bruta total, sobre as aquisições de soja in natura com direito à crédito. No caso, a fiscalização partiu da premissa de que o milho foi empregado exclusivamente na fabricação da ração e a soja somente na industrialização do óleo de soja degomado, caracterizandose, portanto, a existência de consumo direto nos respectivos processos produtivos e de exportações de carne e de óleo de soja degomado. A contribuinte, por outro lado, aplicou e defende a aplicação das seguintes fórmulas: A recorrente alega ilegalidades na forma de apuração utilizada pelo Fisco, tendo em vista o disposto nos já citados artigos 56A e 56B da Lei nº 12.350/2010, os quais autorizam a compensação com débitos próprios ou o ressarcimento em dinheiro, respectivamente: a) de saldo de créditos presumidos apurados a partir do anocalendário de 2006 na forma do § 3o do art. 8o da Lei no 10.925, de 23 de julho de 2004, existentes à data de publicação da lei; e b) para a pessoa jurídica, inclusive cooperativa, que até o final de cada trimestrecalendário, não conseguir utilizar os créditos presumidos apurados na forma do inciso II do § 3o do art. 8o da Lei no 10.925, de 23 de julho de 2004; remetendo o cálculo aos §s 8o e 9o do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e §s 8o e 9o do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). Argumenta que, quanto à primeiro situação, a exposição de motivos da Medida Provisória nº 517/2010, na qual fora convertida a dita lei, traz que a finalidade da medida é monetizar o estoque de créditos presumidos vinculados às receitas de exportação, permitindo que as pessoas jurídicas consigam realizar estes ativos de modo a reduzir os custos de produção (grifos do original). Reproduzo, para análise mais detalhada, os disposições em pauta: Art. 3º. [...] § 7o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência não cumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. Fl. 2047DF CARF MF 16 § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9o O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8o, será aplicado consistentemente por todo o anocalendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. (Grifos deste relator). A recorrente, optante pelo rateito proporcional, assim interpretou o respectivo dispositivo: [...] o crédito presumido a ressarcir vinculado a receita de exportação será apurado pela aplicação sobre os custos (bens adquiridos) da relação percentual da receita bruta da exportação dos produtos com direito ao crédito presumido em relação a receita bruta total dos produtos com direito ao crédito presumido, ou seja, obtido conforme a seguinte fórmula. Entendo pelo acerto da Delegacia de origem e da Delegacia de Julgamento: a disposição do 3o, § 8o , II, da Lei n. 10.833/2003 não deixa margem à interpretação da recorrente, posto que baseia o rateio na "relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total". Se é "receita bruta total" não é receita bruta total por produto (ou setor) carne e óleo de soja degomado como quer fazer crer a recorrente. A exposição de motivos que traz em seu favor não tem o poder de alterar o significado da lei, no máximo direcionar a seu interpretação quando houver margem para tanto. Ainda assim, também não ampara a fórmula defendida pela recorrente, por não discriminar produtos/ setores. Aduz a recorrente que o Receita Federal estaria a violar o princípio constitucional da isonomia, "diferenciado para empresas que investem e produzem através de diversas atividades em unidade filiais, das empresas que mantém uma única atividade e assim não tem que computar para cálculo de seu crédito receita de outras atividades. De plano, não compete a este Conselho se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Fl. 2048DF CARF MF Processo nº 10935.000742/201117 Acórdão n.º 3301004.013 S3C3T1 Fl. 2.041 17 Ainda assim, entendo que o legislador, ao estatuir a opção pelo método da apropriação direta, permite que a empresa compute operação a operação o seu crédito. Já na opção pelo rateio proporcional, o legislador elegeu um método mais geral e simplificado, para empresas com incidência nãocumulativa da COFINS, para apenas parte de suas receitas, sem o detalhamento por produto/ setor. Assim, nessa questão, nego provimento ao recurso voluntário. Conclusão Por todo o exposto, nego provimento os recurso voluntário da COOPAVEL. (ASSINADO DIGITALMENTE) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Fl. 2049DF CARF MF
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Numero do processo: 10855.004230/2003-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1998
MP nº 1.212, de 1995. REEDIÇÕES. INCIDÊNCIA. CONSTITUCIONALIDADE.
É constitucional a cobrança do PIS por meio MP 1.212/95 e suas reedições.
Numero da decisão: 3302-004.704
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinatura digital)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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REEDIÇÕES. INCIDÊNCIA. CONSTITUCIONALIDADE. É constitucional a cobrança do PIS por meio MP 1.212/95 e suas reedições. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo. Relatório Tratase de retorno de processo administrativo, advindo da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que teve como origem pedido de restituição e compensação, para que fosse analisado o mérito. Em face do acórdão deste Egrégio Tribunal Administrativo, a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 42 30 /2 00 3- 00 Fl. 545DF CARF MF 2 contribuinte interpôs Recurso Especial, que originou o acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/1998 a 30/09/1998 NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543B DO CPC. Consoante art. 62A do Regimento Interno do CARF, “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. DIREITO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO JULGAMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621/RS (RELATORA A MINISTRA ELLEN GRACIE). “Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º do CPC aos recursos sobrestados. Ao final deste acórdão, o Relator Júlio César Alves Ramos, dispôs o seguinte: Com essas considerações, voto por dar provimento integral ao apelo do contribuinte com retorno dos autos à Câmara recorrida para exame do mérito da postulação com respeito aos períodos não atingidos pela prescrição. Assim, cabe a análise do pleito da contribuinte. Em face do acórdão da DRJ/Ribeirão Preto, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, fls. 4281 e seguintes, onde alegou em síntese que: 1. Que se trata de um pedido de restituição e compensação relativo a recolhimentos indevidos na vigência da MP nº 1.212, de 1995, e Lei nº 9.715, de 1998; 2. Explicita que o fundamento do seu pedido teve como fator determinante a declaração de inconstitucionalidade sentenciada pelo STF da disposição inscrita no artigo 15, da MP nº 1.212, de 1995, e do artigo 18, da Lei nº 9.715, de 1998; 3. Demonstra que cumpriu todas as exigências do processo administrativo fiscal de restituição, em especial, o estabelecido na Instrução Normativa nº 210, de 30 de setembro de 2002, comprovando o recolhimento do indébito e a habilitação do signatário; 1 Todas as páginas, referenciadas no voto, correspondem ao eprocesso. Fl. 546DF CARF MF Processo nº 10855.004230/200300 Acórdão n.º 3302004.704 S3C3T2 Fl. 3 3 4. Discorre a respeito dos princípios constitucionais inerentes ao processo administrativo fiscal; 5. Expõe que o prazo para pleitear a restituição é de 10 anos; 6. Entende que se uma lei reguladora da matéria tributária, no caso, a MP nº 1212, de 1995, e suas reedições, convertida na Lei nº 9.715, de 1998, teve no julgamento da ADIN 1417/00, excluído parte de seu artigo 18, a retroatividade de sua aplicação, então, a Lei apesar de existir para o mundo jurídico no período anterior à sua publicação, na vigência da MP nº 1.212, de 1995, existiu sem incidência de fato gerador, pois o acórdão acabou por determinar o elemento temporal do fato gerador, qual seja, a partir da publicação da Lei; 7. Que a partir da publicação da Medida Provisória 1.212, em 29 de novembro de 1.995, novamente veio a ser alterada a base de cálculo da contribuição para o PIS, restabelecendo aquela que vigorou na vigência dos Decretosleis n°s. 2.445 e 2.449/88, julgados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal e retirados do ordenamento jurídico por meio da Resolução n° 49/95 e que como só houve a conversão da Medida Provisória n° 1.212/95, em 25 de novembro de 1998, na Lei n° 9.715/98, temos que todos os recolhimentos de PIS feitos com base nas reedições desta Medida Provisória foram inconstitucionais, na medida em que não respeitaram o prazo da anterioridade mitigada; 8. Entende que a última manifestação relativa a Contribuição para o PIS, foi a declaração de inconstitucionalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 232.8963/PA . É, então, a partir da data da publicação do citado Acórdão, no Diário Oficial da Justiça, ocorrida em 13 de agosto de 1999, que deve se iniciar a contagem do prazo para a restituição. É o relatório. Voto Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora. 1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Preliminares 2.1. Princípios Constitucionais do Processo Administrativo Fiscal A Recorrente alega que o processo administrativo fiscal está protegido no cerne dos direitos e das garantias fundamentais previsto na Constituição Federal, insurgese contra a cobrança de depósito para o recebimento do recurso administrativo. Tal preliminar encontrase superada, uma vez que o referido recurso foi recebido. 2.1. Da prescrição Fl. 547DF CARF MF 4 No mérito, a Recorrente explicita o prazo prescricional para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Tal matéria também se encontra superada em razão da apreciação pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. A Câmara Superior de Recursos Fiscais considerou que se aplica o prazo de 5 + 5 (cinco mais cinco) anos para o pedido de restituição em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. No caso em análise, a contribuinte entrou com o pedido de restituição em 16 de outubro de 2003 em relação ao período de 01/10/1995 a 28/02/99, fls. 241 e seguintes, mas pela análise da planilha apresentada, fls. 248, só há recolhimento de janeiro de 1998 a fevereiro de 1999. Logo, não há incidência dos efeitos da prescrição quanto aos pedidos pleiteados. 3. Do mérito 3.1. Medida Provisória nº 1.212, de 1995 A Recorrente esclarece que em face da declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLeis n° 2.445 e 2.449 (ADIN 14170), em 28 de novembro de 1995, o Presidente da República a fim de dispor sobre o tributo em epígrafe e, sobretudo, garantir a continuidade de sua arrecadação, editou a Medida Provisória n° 1212, que determinava sua aplicação retroativa a 1o de outubro de 1995 e elucida que a referida medida provisória foi reeditada trinta e quatro vezes até ser convertida na Lei nº 9.715, em 25 de novembro de 1998. Afirma que há uma afronta ao Princípios da Anterioridade e Irretroatividade e defende que, no caso a MP 1212 e suas reedições, convertida na Lei nº 9.715/98, teve no julgamento da ADIN 1417/00, excluído parte de seu artigo 18, e com a retroatividade de sua aplicação, a Lei apesar de existir para o mundo jurídico no período anterior à sua publicação, na vigência da MP 1212, existiu sem incidência de fato gerador, pois o acórdão acabou por determinar o elemento temporal do fato gerador, qual seja, a partir da publicação da Lei. Assegura ainda que sendo a contribuição para o PIS/Pasep, uma contribuição social, então, sua anterioridade submetese à regra também dos 90 (noventa) dias. Demonstra que carece de fundamentos jurídicos a pretensão de fazer incidir correção monetária do faturamento do sexto mês anterior, que é a base de cálculo do PIS, para fins de efetivo cálculo do valor devido, pura e simplesmente porque não há previsão legal para tal atualização. Afirma que todos os recolhimentos realizados com base na Medida Provisória em questão são indevidos. Vale transcrever os dispositivos da Medida Provisória que discorrem sobre a incidência, base de cálculo do tributo em apreço e a retroatividade: MP nº 1.212, de 1995 Art. 2º A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: I pelas pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda, inclusive as empresas públicas e as sociedades de economia mista e suas subsidiárias, com base no faturamento do mês; Fl. 548DF CARF MF Processo nº 10855.004230/200300 Acórdão n.º 3302004.704 S3C3T2 Fl. 4 5 II pelas entidades sem fins lucrativos definidas como empregadoras pela legislação trabalhista, inclusive as fundações, com base na folha de salários; III pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. Parágrafo único. As sociedades cooperativas, além da contribuição sobre a folha de pagamento mensal, pagarão, também, a contribuição calculada na forma do inciso I, em relação às receitas decorrentes de operações praticadas com não associados. Art. 3º Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considera se faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o imposto sobre produtos industriais IPI, e o impostos sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (...) Art. 15. Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação, aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de outubro de 1995. O RE 232.896/PA que julgou em controle incidental a MP nº 1.212, de 1995, teve a seguinte ementa: EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. PISPASEP. PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE NONAGESIMAL: MEDIDA PROVISÓRIA: REEDIÇÃO. I. Princípio da anterioridade nonagesimal: C.F., art. 195, § 6o: contagem do prazo de noventa dias, medida provisória convertida em lei: contase o prazo de noventa dias a partir da veiculação da primeira medida provisória. II. Inconstitucionalidade da disposição inscrita no art. 15 da Med. Prov. 1.212, de 28.11.95 — "aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir de 1° de outubro de 1995" — e de igual disposição inscrita nas medidas provisórias reeditadas e na Lei 9.715, de 25.11.98, artigo 18. III. Não perde eficácia a medida provisória, com força de lei, não apreciada pelo Congresso Nacional, mas reeditada, por meio de nova medida provisória, dentro de seu prazo de validade de trinta dias. Fl. 549DF CARF MF 6 IV. Precedentes do S.T.F.: ADIn 1.617MS, Ministro Octávio Gallotti, "DJ" de 15.8.97; ADIn 1.610DF, Ministro Sydney Sanches; RE n° 221.856PE, Ministro Carlos Velloso, 2 ª T., 25.5.98. V. R.E. conhecido e provido, em parte. A ADIN 1.4170, Distrito Federal, foi proposta em face da Lei nº 9.715, de 1998 e dela retiramse trechos importantes, do voto do Ministro Relator Octavio Gallotti: Acolhendo o parecer e confirmando o decidido quando da apreciação da medida cautelar, julgo, em parte, procedente a ação, para declarar a inconstitucionalidade, no art. 18 da Lei n° 9.715, de 25 de novembro de 1998, da expressão "aplicando se aos fatos geradores ocorridos a partir de Io de outubro de 1995". Observase que tanto o RE 232.896/PA como a ADIN 1.4170 consideraram inconstitucional a previsão da retroatividade prevista no artigo 15, da Medida Provisória nº 1.212, de 1995, e no artigo 18, da Lei nº 9.718, de 1998, mas não houve declaração de inconstitucionalidade a respeito da incidência do tributo em questão, que continuou incidindo durante o período pleiteado pela contribuinte. No AI 840906 ED, Relator Ministro Luiz Fux, sessão 20.03.2012, temse que: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. CONVERSÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. TRIBUTÁRIO. PIS. MP 1.212/95 E REEDIÇÕES. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE MITIGADA (ART. 195, § 6º, CF). INOCORRÊNCIA. 1. Os embargos de declaração opostos objetivando reforma da decisão do relator, com caráter infringente, devem ser convertidos em agravo regimental, que é o recurso cabível, por força do princípio da fungibilidade. Precedentes: Pet 4.837ED, rel. Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, DJ 14.3.2011; Rcl 11.022ED, rel. Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, DJ 7.4.2011; AI 547.827ED, rel. Min. DIAS TOFFOLI, 1ª Turma, DJ 9.3.2011; RE 546.525ED, rel. Min. ELLEN GRACIE, 2ª Turma, DJ 5.4.2011). 2. É constitucional a cobrança do PIS por meio MP 1.212/95 e suas reedições (posteriormente convertida na Lei nº 9.718/98), conforme entendimento assinalado pelo Plenário desta Corte quando do julgamento da ADI 1.417, Plenário, da Relatoria do Min. Octavio Gallotti, DJ de 23.03.01. Nesse sentido, os seguintes precedentes: AI 749.301AgR, Segunda Turma, Rel. Min. Gilmar Mendes, Dje de 21.06.2011, e RE 564.787AgR, Rel. Min. Dias Toffoli, Primeira Turma, DJe de 15.03.2011. AI 749.301AgR, Segunda Turma, Rel. Min. Gilmar Mendes, DJe de 21.06.2011. 3. In casu, o acórdão recorrido assentou: “TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA. PIS. MP 1.212/95 E REEDIÇÕES. PRAZO NONAGESIMAL. VIGÊNCIA DA LC 07/70 ATÉ FEVEREIRO/96. 1. Tratandose o PIS de tributo sujeito a lançamento por homologação, a prescrição da ação de restituição somente ocorre decorridos cinco anos, a Fl. 550DF CARF MF Processo nº 10855.004230/200300 Acórdão n.º 3302004.704 S3C3T2 Fl. 5 7 partir do fato gerador, acrescidos de mais cinco anos, contados da homologação tácita.2. A contribuição social para o PIS foi expressamente recepcionada pelo artigo 239 da Constituição Federal de 1988, permanecendo, ipso facto, em vigor a Lei Complementar n. 07/70, com modificação apenas do destino da correspondente receita. 3. Os decretosleis ns. 2.445 e 2449, de 1988, que alteraram a sistemática da contribuição para o PIS, base de cálculo e a alíquota, foram declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 148.754 2/RJ, de 24/06/1993, por impossibilidade de utilização desses instrumentos normativos, face à reserva qualificada das matérias (art. 55 da CF). A Resolução n. 49 do Senado Federal, publicada em 10 de outubro de 1995, suspendeu a execução dos referidos decretosleis. 4. Afastados os referidos decretosleis, a contribuição para o PIS passou a ser disciplinada pela LC n. 07/70, com as alterações introduzidas pela LC n. 17/73, até a edição da Medida Provisória n. 1.212/95. 5. A Medida Provisória 1.212, publicada em 29/11/95, passou a ter eficácia somente em 27/02/96, consoante o princípio da anterioridade nonagesimal. Por conseguinte, apenas no período de outubro de 1995 a fevereiro de 1996 encontravase em vigência a LC 07/70. Precedente desta Corte. 6. Considerando que o pedido das impetrantes referese ao reconhecimento do direito à compensação dos valores indevidamente recolhidos no período de março/96 a janeiro/99, correta a sentença que denegou a segurança. 7. Apelação improvida.” 4. Agravo regimental desprovido. (grifos não constam no original) Portanto, apesar da declaração de inconstitucionalidade dos Decretosleis nº 2.445, de 1988, e 2.449, de 1988, houve continuidade da exigência do PIS, sendo constitucional a cobrança do PIS por meio MP 1.212/95 e suas reedições. 4. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer o recurso voluntário, mas, no mérito, negar provimento. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Fl. 551DF CARF MF 8 Fl. 552DF CARF MF
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