Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,763)
- Primeira Turma Ordinária (16,221)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,176)
- Primeira Turma Ordinária (16,104)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,797)
- Segunda Turma Ordinária d (14,451)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,381)
- Segunda Turma Ordinária d (12,367)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,422)
- Quarta Câmara (84,834)
- Terceira Câmara (67,389)
- Segunda Câmara (55,826)
- Primeira Câmara (20,245)
- 3ª SEÇÃO (16,176)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,132)
- Segunda Seção de Julgamen (114,469)
- Primeira Seção de Julgame (76,587)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,889)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,487)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,925)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,921)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,515)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,849)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 15586.720051/2015-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO
Constatada a existência de omissão no acórdão que deixa de apreciar questão ventilada no recurso voluntário, devem ser acolhidos os embargos de declaração visando a saná-lo.
OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO.
A manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, caracteriza omissão de receitas.
Numero da decisão: 1301-003.365
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para suprir omissão, e, sem efeitos infringentes, ratificar o decidido no acórdão 1301-002.665
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2011 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO Constatada a existência de omissão no acórdão que deixa de apreciar questão ventilada no recurso voluntário, devem ser acolhidos os embargos de declaração visando a saná-lo. OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. A manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, caracteriza omissão de receitas.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 15586.720051/2015-80
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5922755
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1301-003.365
nome_arquivo_s : Decisao_15586720051201580.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 15586720051201580_5922755.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para suprir omissão, e, sem efeitos infringentes, ratificar o decidido no acórdão 1301-002.665 (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
id : 7498771
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:30:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148343050240
conteudo_txt : Metadados => date: 2018-11-01T14:17:30Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-11-01T14:17:30Z; Last-Modified: 2018-11-01T14:17:30Z; dcterms:modified: 2018-11-01T14:17:30Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:97e69dc5-eaf3-4e5b-a401-3043970cff0f; Last-Save-Date: 2018-11-01T14:17:30Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-11-01T14:17:30Z; meta:save-date: 2018-11-01T14:17:30Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-11-01T14:17:30Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-11-01T14:17:30Z; created: 2018-11-01T14:17:30Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2018-11-01T14:17:30Z; pdf:charsPerPage: 1423; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-11-01T14:17:30Z | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2.891 1 2.890 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.720051/201580 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1301003.365 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de setembro de 2018 Matéria EMBARGOS DECLARATÓRIOS Embargante ATLANTICA PRODUTOS DE PETROLEO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO Constatada a existência de omissão no acórdão que deixa de apreciar questão ventilada no recurso voluntário, devem ser acolhidos os embargos de declaração visando a sanálo. OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. A manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, caracteriza omissão de receitas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para suprir omissão, e, sem efeitos infringentes, ratificar o decidido no acórdão 1301002.665 (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 00 51 /2 01 5- 80 Fl. 2891DF CARF MF Processo nº 15586.720051/201580 Acórdão n.º 1301003.365 S1C3T1 Fl. 2.892 2 Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Trata o presente processo de Embargos de Declaração opostos por Atlântica Produtos de Petróleo Ltda, em face do Acórdão nº 1301002.665, de 18 de outubro de 2017 , proferido por este colegiado, assim ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2011 PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Há de se rejeitar as preliminares de nulidade quando comprovado que a autoridade fiscal cumpriu todos os requisitos pertinentes à formalização do lançamento e à atribuição do vínculo de responsabilidade, tendo o sujeito passivo sido cientificado dos fatos e das provas documentais que motivaram a autuação e, no exercício pleno de sua defesa, manifestado contestação de forma ampla e irrestrita, que foi recebida e apreciada pela autoridade julgadora. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO LEGAL. INOCORRÊNCIA. Constatado que o auto de infração contém a indicação clara do dispositivo legal infringido, e sendo certo que a infração foi descrita de forma perfeitamente compreensível, descabe a alegação de nulidade. NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2011 OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. A manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada caracteriza omissão de receitas. Nos casos em que o contribuinte comprovar a exigibilidade por meio de documentação hábil e idônea, estabelecendo o vínculo necessário entre o registro contábil e a operação que lhe deu causa, o valor correspondente deve ser excluído da base de cálculo do lançamento. Fl. 2892DF CARF MF Processo nº 15586.720051/201580 Acórdão n.º 1301003.365 S1C3T1 Fl. 2.893 3 MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AUTUAÇÃO POR PRESUNÇÃO. AUSÊNCIA DE CONDUTA DOLOSA ESPECÍFICA. A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964 (Súmula CARF nº 25). ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ESFERA ADMINISTRATIVA. COMPETÊNCIA. Incabível a argüição de inconstitucionalidade na esfera administrativa que visa afastar obrigação tributária regularmente constituída, por transbordar os limites de competência deste Conselho (Súmula CARF nº 2). TRIBUTAÇÃO REFLEXA. OMISSÃO DE RECEITAS. O valor da receita omitida deve ser considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da CSLL, da COFINS e do PIS. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2011 RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. ART. 135, III DO CTN. A expressão"infração de lei" prevista no art.. 135 do CTN refere se a situações nas quais o administrador atue fora das suas atribuições funcionais, extrapolando o que esteja previsto na lei societária ou no estatuto social da empresa, muitas vezes em prejuízo da própria empresa. RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. ART. 124, II DO CTN. No caso de aplicação da regra geral definida pelo art. 124, inciso II, do CTN, que prevê a responsabilidade solidária das pessoas expressamente designadas por lei, é imprescindível a indicação da legislação específica que fundamente o vínculo de responsabilidade atribuído à pessoa jurídica eleita. A embargante alega obscuridades e omissões, em face do Acórdão recorrido, sob os seguintes fundamentos: a) obscuridade quanto ao pedido de prova pericial e omissão na aplicabilidade dos princípios que regem o processo administrativo federal previstos na Lei nº 9.784/99 – erro material comprovado nas razões recursais; b) omissão quanto à nulidade do lançamento fiscal lavrado, por presunção sem prova efetiva da existência do apontado passivo fictício; e Fl. 2893DF CARF MF Processo nº 15586.720051/201580 Acórdão n.º 1301003.365 S1C3T1 Fl. 2.894 4 c) obscuridade e omissão no acórdão relativamente à ilegalidade do lançamento referente à Cofins e Pis – tributos retidos na fonte – bis in idem – nulidade do lançamento. Através de Despacho de Admissibilidade (fls. 2.883/2.890), o Sr. Presidente desta 1ª Turma admitiu em parte os Embargos de Declaração opostos, quanto ao segundo item: omissão quanto à nulidade do lançamento fiscal lavrado, por presunção sem prova efetiva da existência do apontado passivo fictício, relativamente aos documentos que ampararam o auto de infração (v.g., contrato de empréstimo junto ao Banestes, operações com empresas nas quais não aparece como cliente nas ECD), e que não foram aceitos pela decisão de primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator Os embargos são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade previstos no vigente Regimento Interno do CARF, razão pela qual os conheço e passo a analisálos. De acordo com o Regimento Interno deste Conselho, cabem embargos de declaração nas hipóteses em que o acórdão contenha obscuridade; contradição entre a decisão e seus fundamentos; ou omissão acerca de ponto sobre o qual o órgão julgador deveria pronunciarse. No caso concreto, considerando a parte admitida, o que motivou os embargos foi a apontada omissão em relação aos reclamos do Embargante relativos aos documentos que amparariam o auto de infração, sendo que sobre tais documentos não se manifestou a decisão do CARF. Assiste razão à embargante. De fato, silenciou o Acórdão embargado quanto aos referidos reclamos consignados em seu recurso, no tópico 2.5. Assim, passo a apreciar a omissão apontada. Da Análise da omissão apontada Alega a recorrente que apresentou um contrato de financiamento com o BANESTES, retratado na Cédula de Crédito Bancário nº 1100.532313, no valor de R$ 8.500.000,00, celebrado no dia 11/10/2011, com vencimento em 180 dias, ou seja, dia 10/04/2012, tendo, inclusive, juntado cópia do mencionado contrato. Ao analisar esta questão, a decisão recorrida manteve a acusação de passivo fictício de quatro milhões, sob o argumento de que "o documento anexado pelo impugnante retratando a operação acima descrita há havia sido analisado pela fiscalização, compondo o "Termo de Anexação de Arquivo NãoPaginável Resp TIF 004 2014" (fls. 209) O documento juntado pela fiscalização, porém, veio acompanhado de outro, denominado Custo Fl. 2894DF CARF MF Processo nº 15586.720051/201580 Acórdão n.º 1301003.365 S1C3T1 Fl. 2.895 5 Efetivo total (CEF) de Operação de Crédito, abaixo reproduzido, que indica como "Data do Vencimento Final" da operação 09/11/2011, confirmando o registro feito no TVI." Não há como acolher seus argumentos, pois deveria ter anexado aos autos, e não fez, documento comprobatório que atestasse que o pagamento do referido crédito bancário de fato ocorreu no ano de 2012, vez que se trata, no caso, de passivo fictício. É de se ver, que a Clausula Nona deste contrato prevê antecipação de pagamento (fls. 2.156). Ademais, há flagrante divergência entre o valor do saldo do passivo sem comprovação (R$ 4.000.000,00) e o valor do crédito bancário supostamente em aberto ao final do 4º trimestre/2011 (R$ 8.500.000,00) pertinente ao BANESTES. A recorrente alega erro contábil, porém esquivase de efetivamente comproválo. Desta forma, não há como considerar comprovado o passivo existente ao final do 4º trimestre/2011, no valor de R$ 4.000.000,00, em relação ao BANESTES. Em parágrafo mais adiante, realça a recorrente, relativamente à Bioverde Ind e Com de Biocombustíveis, a fragilidade do lançamento fiscal por se basear unicamente no fato de que seu nome não aparece na ECD como cliente daquela empresa. O mesmo se aplicaria às empresas Petrobras Biocombustível, Binatural Ind e Com de Óleos Vegetais, Federal Distribuidora de Petróleo e Caramuru Alimentos. Alega, sinteticamente, que manteve relação comercial com as mencionadas empresas no referido período fiscalizado, porém, nas operações de compra de biodiesel são geradas duas notas fiscais, ambas tendo como destinatária a recorrente, sendo uma emitida pela Petrobrás Petróleo Brasileiro e outra pela empresa produtora do biodiesel que mantém armazenado o produto; que a fiscalização desconsideraram operações de empréstimos realizadas pela corrente com os citados fornecedores, aberto em seu passivo, sob o equivocado entendimento que não se tratavam de operações comerciais, não gerando dívidas com fornecedor, o que não concordava, tendo em vista que as operaçoes de empréstimos caracterizam operações comerciais para efeitos fiscais, notadamente do ICMS, cujo fato gerador ocorre com a saída da mercadoria a qualquer título. Com referência a estas empresas, o TVI assim se pronunciou: Fl. 2895DF CARF MF Processo nº 15586.720051/201580 Acórdão n.º 1301003.365 S1C3T1 Fl. 2.896 6 (....) Ainda no TVI, foram relatados os resultados das diligências efetuadas em relação a estas mesmas empresas: Fl. 2896DF CARF MF Processo nº 15586.720051/201580 Acórdão n.º 1301003.365 S1C3T1 Fl. 2.897 7 Analisando as notas fiscais juntadas pelo recorrente, verifico que elas não se prestam a comprovar a existência de débitos pendentes de pagamentos com estas empresas no anocalendário 2011, e por isso, não são capazes de refutar as constatações da fiscalização, de que não havia nenhuma obrigação pendente que pudesse justificar a manutenção em contas do Passivo de exigibilidades com essas empresas. Portanto, devese manter a presunção legal de omissão de receitas apontada, no tange aos registros ora examinados. Conclusão Pelo exposto, voto por em acolher os embargos de declaração para sanar as omissões apontadas, sem efeitos infringentes, ratificando o decidido no Acórdão nº 1301 002.665. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 2897DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10803.720085/2011-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
Ementa:
NULIDADE DE LANÇAMENTO
Constatada a inexistência de qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, não há nulidade do lançamento de ofício.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
Existindo o pagamento antecipado sobre os tributos constituídos através do lançamento por homologação, o prazo decadencial sobre eventuais diferenças é de cinco anos, iniciando a partir do fato gerador, quando não constatado dolo, fraude ou simulação (Art. 150, § 4º, do CTN).
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. JUROS PELA TAXA SELIC.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme sua Súmula nº 2. O lançamento de ofício proporciona a exigibilidade da multa de ofício de 75%, com acréscimo dos juros de mora pela taxa SELIC, incidindo sobre a totalidade ou a diferença dos tributos apurados.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM.
Caracterizam omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES. LANÇAMENTO REFLEXO.
Havendo a omissão de receita tributável pelo IRPJ, aplica-se idêntico entendimento aos demais tributos ou contribuições sociais, com a incidência sobre os mesmos fatos.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
Indispensável que a autoridade fiscal evidencie a conduta dolosa da pessoa física, esclarecendo seu interesse comum e direto na evasão fiscal, sendo insuficiente a mera a acusação de que a movimentação financeira, omitida da escrituração fiscal e contábil, ocasiona a responsabilidade solidária de quem integrava administração da sociedade ou era seu mandatário.
Numero da decisão: 1201-002.623
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e, em dar parcial provimento aos recursos voluntários, apenas para afastar a responsabilidade tributária das pessoas físicas recorrentes, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rafael Gasparello Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: RAFAEL GASPARELLO LIMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 Ementa: NULIDADE DE LANÇAMENTO Constatada a inexistência de qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, não há nulidade do lançamento de ofício. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Existindo o pagamento antecipado sobre os tributos constituídos através do lançamento por homologação, o prazo decadencial sobre eventuais diferenças é de cinco anos, iniciando a partir do fato gerador, quando não constatado dolo, fraude ou simulação (Art. 150, § 4º, do CTN). INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. JUROS PELA TAXA SELIC. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme sua Súmula nº 2. O lançamento de ofício proporciona a exigibilidade da multa de ofício de 75%, com acréscimo dos juros de mora pela taxa SELIC, incidindo sobre a totalidade ou a diferença dos tributos apurados. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. Caracterizam omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES. LANÇAMENTO REFLEXO. Havendo a omissão de receita tributável pelo IRPJ, aplica-se idêntico entendimento aos demais tributos ou contribuições sociais, com a incidência sobre os mesmos fatos. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Indispensável que a autoridade fiscal evidencie a conduta dolosa da pessoa física, esclarecendo seu interesse comum e direto na evasão fiscal, sendo insuficiente a mera a acusação de que a movimentação financeira, omitida da escrituração fiscal e contábil, ocasiona a responsabilidade solidária de quem integrava administração da sociedade ou era seu mandatário.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10803.720085/2011-15
anomes_publicacao_s : 201812
conteudo_id_s : 5934397
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1201-002.623
nome_arquivo_s : Decisao_10803720085201115.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RAFAEL GASPARELLO LIMA
nome_arquivo_pdf_s : 10803720085201115_5934397.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e, em dar parcial provimento aos recursos voluntários, apenas para afastar a responsabilidade tributária das pessoas físicas recorrentes, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
id : 7538583
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:33:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148360876032
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 32; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1871; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 3.535 1 3.534 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10803.720085/201115 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1201002.623 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de outubro de 2018 Matéria IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS Recorrentes EXPERTISE COMUNICAÇÃO TOTAL LTDA. EPP FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 Ementa: NULIDADE DE LANÇAMENTO Constatada a inexistência de qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, não há nulidade do lançamento de ofício. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Existindo o pagamento antecipado sobre os tributos constituídos através do lançamento por homologação, o prazo decadencial sobre eventuais diferenças é de cinco anos, iniciando a partir do fato gerador, quando não constatado dolo, fraude ou simulação (Art. 150, § 4º, do CTN). INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. JUROS PELA TAXA SELIC. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme sua Súmula nº 2. O lançamento de ofício proporciona a exigibilidade da multa de ofício de 75%, com acréscimo dos juros de mora pela taxa SELIC, incidindo sobre a totalidade ou a diferença dos tributos apurados. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. Caracterizam omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES. LANÇAMENTO REFLEXO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 72 00 85 /2 01 1- 15 Fl. 3535DF CARF MF 2 Havendo a omissão de receita tributável pelo IRPJ, aplicase idêntico entendimento aos demais tributos ou contribuições sociais, com a incidência sobre os mesmos fatos. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Indispensável que a autoridade fiscal evidencie a conduta dolosa da pessoa física, esclarecendo seu interesse comum e direto na evasão fiscal, sendo insuficiente a mera a acusação de que a movimentação financeira, omitida da escrituração fiscal e contábil, ocasiona a responsabilidade solidária de quem integrava administração da sociedade ou era seu mandatário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e, em dar parcial provimento aos recursos voluntários, apenas para afastar a responsabilidade tributária das pessoas físicas recorrentes, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães. Relatório A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto (DRJ/RPO), por unanimidade, julgou procedente em parte as impugnações administrativas, conforme se extrai da ementa do acórdão nº 1444.104: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Fl. 3536DF CARF MF Processo nº 10803.720085/201115 Acórdão n.º 1201002.623 S1C2T1 Fl. 3.536 3 O lançamento por homologação ocorre quando o sujeito passivo da obrigação tributária apura o montante tributável e efetua o pagamento do imposto devido, ainda que parcialmente, sem prévio exame da autoridade administrativa, hipótese em que a contagem do prazo decadencial se rege pelo disposto no art. 150, § 4º, do CTN, quando ausente imputação de dolo, fraude ou simulação. Existindo pagamentos antecipados e não imputada pela Fiscalização a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador. OMISSÃO DE RECEITAS. DIFERENÇA ENTRE VALORES DAS NOTAS FISCAIS EMITIDAS E VALORES DA RECEITA DECLARADA. PROVA DIRETA. Cabível o lançamento de ofício fundado na caracterização de receitas omitidas apuradas com base em Notas Fiscais de prestação de serviços emitidas pelo contribuinte, refletindo rendimentos em montantes superiores àqueles declarados, com a consequente supressão, da base tributável, de significativa parcela da receita auferida. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS Em se tratando de exigência reflexa que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão do lançamento decorrente. MULTA DE OFÍCIO. A aplicação da penalidade nos lançamentos de ofício é determinada no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de questionamentos relacionados a ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei, os mandatários, prepostos e empregados, assim como os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Mantémse a atribuição de responsabilidade solidária às pessoas físicas em relação às quais não afastada a constatação fiscal de que integravam a pessoa jurídica autuada, dela recebendo rendimentos na condição de dirigentes, sócios ou titular, ou de que figuravam como representantes ou procuradores da sociedade ou de seus sócios. Impugnação Procedente em Parte Fl. 3537DF CARF MF 4 Crédito Tributário Mantido em Parte Resumidamente, o acórdão recorrido narrou os fatos que proporcionaram a imposição fiscal: Trata o presente processo de Autos de Infração à legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição ao Financiamento da Seguridade Social (Cofins), lavrados em 07/12/2011, formalizando crédito tributário no valor total de R$ 7.931.433,47, aí incluídos principal, juros de mora calculados até 30/11/2011 e multa de ofício de 75%, em razão das irregularidades apuradas no anocalendário de 2006 e assim descritas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 46/54: No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil em cumprimento ao determinado no Mandado de Procedimento FiscalFiscalização nº 08.1.28.002011000212, teve início a ação fiscal com a ciência do contribuinte em 09 de maio de 2011, AR ...., o Termo de Início de Procedimento Fiscal de 04 de maio de 2011. Foram emitidos os Termos de Ciência de Continuidade de Fiscalização nº 1 e 2 e de intimação nº 1, de 26 de julho, 21 de setembro e 06 de outubro de 2011, equivocadamente datado como 16 de outubro de 2011, ciência do contribuinte em 29 de julho, 26 de setembro e 11 de outubro de 2011, por meio postal, Aviso de Recebimento, respectivamente, números ... Em 25 de maio de 2011 o contribuinte apresentou o contrato social, e, informando ter adotado o regime de caixa para determinação da base de cálculo do IRPJ devido na forma do lucro presumido nos anoscalendário de 2006 a 2008, solicitou a prorrogação do prazo para apresentação dos extratos de contas bancárias e a designação de data e hora para apresentação dos demais documentos solicitados. À falta de instrumento de procuração ao signatário do referido expediente e da comprovação de que os extratos haviam sido solicitados às instituições financeiras, foi indeferido o pedido de prorrogação de prazo. Com o expediente datado de 30 de maio de 2011, recepcionado na mesma data, acompanhado de instrumento de procuração, com prazo de validade de 08 de julho de 2011, veio o contribuinte: 1 – solicitar a prorrogação por vinte (20) dias do prazo para apresentar os extratos de contas bancárias; 2 – apresentar os livros registro de prestação de serviços 3 – solicitar a prorrogação por sete (7) dias do prazo para apresentar as notas fiscais emitidas no anocalendário de 2006, cujo parcelamento fora solicitado, informalmente, em razão do grande volume de documentos; Fl. 3538DF CARF MF Processo nº 10803.720085/201115 Acórdão n.º 1201002.623 S1C2T1 Fl. 3.537 5 4 – informar que os itens 1.1 e 1.2 do Termo de Início do Procedimento Fiscal já foram atendidos, e 5 – colocarse a disposição para entrega das demais notas ficais, 2007 e 2008, “podendo ser contatada a advogada Dra. Fernanda Elissa de Carvalho Awada, no telefone 31471800” Por despacho no mesmo documento, foi indeferido, por intempestivo, o pedido de prorrogação de prazo para apresentação dos extratos de contas bancárias e deferido o pedido referente às notas fiscais. Em 02 de junho de 2011, acompanhadas de petição da mesma data, foram apresentadas trinta e duas (32) caixas de arquivo, contendo notas fiscais, “cujo conteúdo não foi conferido nem relacionado”. Ainda relativamente ao Termo de Início do Procedimento Fiscal, em 10 de junho de 2011, com o expediente datado de 09 de junho de 2011, foram apresentados “extratos emitidos pelo Banco Bradesco S A e pelo HSBC Bank Brasil S A , referente aos exercícios de 2006, 2007 e 2008” Em resposta ao Termo de Intimação nº 1, em 24 de outubro de 2011, com o expediente datado de 19 de outubro de 2011, informando “que está providenciando o instrumento de mandado solicitado no item 4 do mencionado termo”, o contribuinte fez apresentar s “livros caixa de 2006 e de janeiro a maio de 2007 (conteúdo gravado em CD)”, planilha relacionando notas fiscais e modelo de contrato de prestação de serviços e prestou as seguintes informações: Em 01 de novembro de 2011, com o expediente datado de 28 de outubro de 2011, ainda desacompanhado de instrumento de procuração, solicitado no Termo de Intimação nº 1, foram apresentadas, acondicionadas em três (3) caixas de arquivo, as notas fiscais nº 106801 a 109800. Por último, em 09 de novembro de 2011, com o expediente datado de 08 de novembro de 2011, foram apresentadas vinte e oito (28) caixas de arquivos, cujo conteúdo não foi conferido, contendo, segundo o contribuinte, as notas fiscais emitidas nos anoscalendário de 2007 e 2008, e os instrumentos de procuração. Foram emitidas as RMF abaixo relacionadas: Fl. 3539DF CARF MF 6 Os extratos fornecidos pelas instituições financeiras acima relacionadas registram operações de créditos em contas do contribuinte sob ação fiscal, no anocalendário de 2006, no montante de R$ 509.981.154,27. O exame dos mencionados registros, combinado com a conciliação entre as contas, com base somente nos históricos, datas e valores leva a decomposição do referido montante as seguintes rubricas: Nas notas fiscais emitidas pelo contribuinte, no anocalendário de 2006, são registrados valores a título de “TRIBUTADOS” e “NÃO TRIBUTADOS ISS” Nos termos da discriminação dos serviços prestados, constantes das notas fiscais, os valores identificados por “tributados” seriam correspondentes a comissão pelos serviços que teriam sido prestados, enquanto os identificados por “não tributados ISS” teriam por destinação a aquisição do denominado “Expert Card”, destinados a premiados indicados pelos tomadores de serviços. Na forma dos esclarecimentos prestados pelo contribuinte, anteriormente transcritos, os créditos efetuados em contas bancárias compreendem valores destinados a aquisição dos cartões e valores da comissão pelos serviços prestados. Os valores registrados nas notas fiscais emitidas no ano calendário de 2006 somam a importância de R$ 439.097.342,37. Estas informações, considerando que a conversão dos créditos a examinar/comprovar em crédito de origem não comprovada depende ainda de esclarecimentos e comprovações a serem prestados pelo contribuinte, revelam a pouca importância da diferença entre o montante dos créditos a examinar/comprovar e o total das notas fiscais emitidas no anocalendário de 2006, R$ 10.611.026,63, equivalente a 2,35955% dos créditos em contas bancárias a examinar/comprovar e 2,08067% do total dos créditos registrados nos extratos bancários. É de se considerar, ainda, que do montante das notas fiscais emitidas no anocalendário de 2006 deveriam ser excluídos aqueles recebidos no anocalendário seguinte e adicionados os recebidos em 2006 decorrentes de notas fiscais emitidas em 2005. Por outro lado, estas notas fiscais emitidas no anocalendário de 2006, comprovam ter o contribuinte auferido receitas por comissão pelos serviços que teriam sido prestados nos seguintes valores: Fl. 3540DF CARF MF Processo nº 10803.720085/201115 Acórdão n.º 1201002.623 S1C2T1 Fl. 3.538 7 No livro registro de prestação de serviços nº 07 o contribuinte fez registrar, como base de cálculo do ISS, os valores abaixo relacionados: Já na DIPJ relativa ao anocalendário de 2006 o contribuinte utilizou como base de cálculo do lucro presumido as seguintes importâncias: Na DACON o contribuinte informou como base de cálculo dos valores devidos a título de PIS e COFINS as seguintes importâncias: O exposto comprova que o contribuinte deixou de submeter à incidência do IMPOSTO SOBRE A RENDA PESSOA JURÍDICA – IRPJ e da CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL, por não incluir na base de cálculo do lucro Fl. 3541DF CARF MF 8 presumido as importâncias abaixo demonstradas, considerados os valores mensais informados no DACOM como base de cálculo do PIS e da COFINS e escriturados no Livro Registro de Prestação de Serviços: Embora tendo o contribuinte informado que adotou o regime de caixa para determinação da base de cálculo do lucro presumido no anocalendário de 2006, ao amparo do que dispõe o § 2º do Artigo 516 do Decreto nº 3.000/99RIR, os registros inseridos no livro caixa, apresentado em meio magnético, não identificam a que nota fiscal correspondem os valores escriturados como recebidos de clientes, na forma exigida por meio da Instrução Normativa SRF nº 104, de 24 de agosto de 1998, em seu Artigo 1º, inciso II e Artigo 85, inciso II, da Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002, além de ter informado em DIPJ que adotou o regime de competência. A propósito, no mencionado livro caixa, foram registrados recebimentos de clientes, pressupondo tratarse de receita, os seguintes montantes mensais, sem a identificação de que trata o parágrafo anterior: Na escrituração do livro caixa, apresentado em mídia, o contribuinte não incluiu, no anocalendário de 2006, a movimentação bancária, na forma exigida por meio do Artigo 527, parágrafo único, do Decreto nº 3.000/99 – RIR, segundo o qual: Art. 527. ... Por imprestável a escrituração apresentada, impõese o arbitramento do lucro, conforme previsto no Artigo 530, inciso II alínea “a”, do mencionado Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, tendo por base a receita bruta informada em DIPJ e a receita não declarada apurada por meio das notas fiscais emitidas pelo contribuinte. Fl. 3542DF CARF MF Processo nº 10803.720085/201115 Acórdão n.º 1201002.623 S1C2T1 Fl. 3.539 9 Dos valores apurados devidos a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, serão deduzidos os informados pelo contribuinte em DCTF números 1002.006.2006.2030071346 e 1002.006.2007.2070169842, nas seguintes importâncias: Tendo o contribuinte apresentado as notas fiscais emitidas no anocalendário de 2006 em duas (2) vias, neste ato é retida uma (1) via de todas estas notas fiscais, ficando a outra via a disposição para retirada pelo contribuinte junto a Divisão de Fiscalização da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil em São Paulo, na Av. Prestes Maia, ... No sistema CNPJ da RFB figuram como titulares do capital social do contribuinte sob ação fiscal: Enquanto na DIPJ relativa ao anocalendário de 2006 mencionados sócios são identificados como pessoa física, nas DIPJ relativas aos anoscalendário de 2007 a 2010 estes são identificados como pessoa jurídica. Nas DIPJ relativas aos anoscalendário de 2006 e 2007, figura como representante do contribuinte a pessoa física DAGOBERTO TENAGLIA JUNIOR, CPF 103.031.67831, e naquelas correspondentes aos anoscalendário de 2008 e 2010, na mesma condição, figura a pessoa física MANOEL MARTINS DE SOUZA, CPF 252.794.40353. Nas DIPJ abaixo relacionadas foram informados como procuradores dos participantes do capital da sociedade as seguintes pessoas físicas: Em atendimento ao Termo de Intimação nº 1 foram apresentados instrumentos, datados de 10 de outubro de 2011, constituindo Fl. 3543DF CARF MF 10 procurador dos referidos sócios a pessoa física MANOEL MARTINS DE SOUZA, CPF 252.794.40353. A DIPJ relativa ao anocalendário de 2006 comprova que receberam rendimentos como dirigentes, sócios ou titular da pessoa jurídica EXPERTISE COMUNICAÇÃO TOTAL LTDA., as pessoas físicas: Tendo em conta que a informação em DIPJ de receita bruta em valor inferior ao correspondente às notas fiscais emitidas e, como conseqüência, a apuração, declaração e recolhimento de tributos em importâncias inferiores às devidas, constituem a prática de atos com infração de lei, serão arroladas como pessoalmente responsáveis pelo crédito tributário constituído por Auto de Infração as pessoas físicas acima identificadas, ao amparo do que dispõe o Artigo 135, inciso II, da Lei nº 172/99 – CTN, segundo o qual: ... Para que produza seus efeitos legais é lavrado o presente termo em duas (2) vias de igual forma e teor, do qual uma via é enviada ao contribuinte, por meio postal, com AR, na forma do Artigo 23, inciso II, do Decreto 70.235/72, com a redação dada por meio do Artigo 67 da Lei nº 9.532/97 e Artigo 10, inciso II, do Decreto nº 7.571, de 29 de setembro de 2011. De fls. 36/45 constam Termos de Sujeição Passiva Solidária em face das pessoas físicas mencionadas no Termo de Verificação Fiscal, quais sejam Dagoberto Tenaglia Junior, Manoel Martins de Sousa, Rose Mary de Paula, Fernando Martini e Evandro Luiz Silva Amidani. De fls. 2884, consta relação de correspondências emitidas, como segue: Fl. 3544DF CARF MF Processo nº 10803.720085/201115 Acórdão n.º 1201002.623 S1C2T1 Fl. 3.540 11 Acompanham a relação supra os seguintes Avisos de Recebimento e informações: Em 02/01/2012 foi protocolizada impugnação de fls. 2896/2931 em nome de Rose Mary de Paula, subscrita por advogados com instrumento de procuração às fls. 2933 e acompanhada dos documentos de fls. 2922/2984, com as razões de defesa a seguir sintetizadas: Inicia consignando a tempestividade da impugnação e expondo seu entendimento acerca dos fatos. Em preliminar invoca a ilegitimidade passiva da impugnante, alegando inexistência das situações declinadas no artigo 135 do CTN e expondo: não foi demonstrado que a impugnante tenha agido com excesso de poderes ou em fraude e que o débito fiscal tenha se originado do referido ato, sequer que tenha se beneficiado com qualquer valor, devendo a pretensão fiscal ser movida tão somente em face da pessoa jurídica. a impugnante deixou a sociedade em 15/07/2008, conforme se infere do registro protocolizado na JUCESP (documento 01), e, quando da sua retirada, transferiu suas cotas aos demais acionistas, o que impossibilita a sua responsabilização; segundo a regra contida no artigo 1.003, parágrafo único do Código Civil o sócio retirante responde pela sociedade até 02 (dois) anos de sua saída, o que há muito já decorreu, fato que também impossibilita o redirecionamento da pretensão fiscal/executiva em seu desfavor (cita julgado do TRF da 3ª Região); inexistindo nos autos prova de qualquer gerência dolosa da impugnante ou o seu agir com excesso de poderes que tenha desencadeado ou de alguma forma contribuído para existência do crédito tributário, não há motivos para que venha integrar o pólo passivo; Fl. 3545DF CARF MF 12 ainda que verificada a hipótese autorizadora do redirecionamento da ação das pessoas dos sócios e conseqüentemente do embargante, ainda assim o seu ingresso nos autos dependeria do acolhimento do pedido de desconsideração da personalidade jurídica da empresa devedora, o que inexiste “in casu” (cita julgado do TRF da 3ª Região). Menciona excertos doutrinários relativos ao art. 135 do CTN para argumentar e concluir que: a prova da má conduta do sócio é imprescindível e sem ela o redirecionamento tornase impossível; não compete à impugnante fazer prova de que não agiu em desacordo a lei e/ou contrato social e que o crédito tributário perseguido não é proveniente desta conduta, haja vista que a seu favor milita a presunção de inocência e boa fé, além do artigo 5º, inciso LXIII, da Carta Magna segundo o qual ninguém está obrigado a fazer prova contra si; a impugnante é pessoa totalmente ilegítima a responder o procedimento fiscal deflagrado. Na seqüência argúi a ocorrência de decadência para os valores lançados referentes ao período anterior a dezembro de 2006, invocando aplicação do art. 150, § 4º, do CTN. Argúi, também, a nulidade do Auto de Infração, por falta de esgotamento da matéria tributável – item em que questiona a autuação com base em depósitos bancários, expondo que: a autuação fiscal ora contestada fundouse, exclusivamente, em informações supostamente obtidas de instituições financeiras nas quais a Impugnante mantinha, à época da autuação, contas bancárias, bem como em informações obtidas junto aos clientes tomadores dos serviços, o que levou a Receita Federal, ora Impugnada, a presumir, arbitrariamente, que as movimentações financeiras alegadamente realizadas se consubstanciariam fato gerador de IRPJ/CSLL/PIS/COFINS; a premissa eleita pelo Fisco – segundo a qual a totalidade das movimentações financeiras porventura apresentadas consistiria base de cálculo dos tributos – é ilegal, quiçá inconstitucional, implicando em tributação sobre uma ficção, já que se apurou a ocorrência do fato jurídico tributário por meio de diligência fiscal ou levantamento, como lhe incumbia. Reportase a Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) e assevera que os extratos bancários foram analisados pela fiscalização com o intuito de identificar os créditos que pudessem PRESUMIR o ingresso de novos recursos, não se prestando, portanto, como prova da ocorrência do fato imponível, uma vez que se trata, como mencionado pela ilustre Auditoria Fiscal, de mera PRESUNÇÃO, sendo imprestável à legitimação da autuação e, conseqüentemente, do lançamento do crédito. Fl. 3546DF CARF MF Processo nº 10803.720085/201115 Acórdão n.º 1201002.623 S1C2T1 Fl. 3.541 13 Discorre acerca do objeto social da empresa da qual a impugnante integrou o quadro societário, para alegar que: a conta corrente da empresa Expertise mostrouse tão somente de passagem. No mais, não há prova no procedimento fiscal que tais valores tenham integrado ao capital da empresa e constituído renda em seu favor; os fiscais se precipitaram em tomar a movimentação bancária como receita omitida. Meros depósitos não são e na verdade nunca foram documentos suficientes para comprovar e fundamentar a omissão de receita. Transcreve excerto doutrinário e conclui que meros depósitos em conta corrente não podem ser, aqui neste caso, suficientes para descaracterizar o exercício da atividade da empresa Expertise Comunicação Total Ltda., notadamente, a exploração de serviço de marketing, ... Os depósitos não foram uma situação suficiente de presunção de omissão de receita. Em tópico seguinte, defende a impossibilidade de utilização de presunções/ficções em direito tributário, alegando ser rechaçada pelo Poder Judiciário, bem como a impossibilidade de o procedimento fiscal ser baseado em meros indícios. Cita decisões administrativas e judiciais que entende corroborar sua tese e reportase a conclusões de Simpósio de Direito Tributário realizado em 1984, para, ao final deste item, expor que é inafastável a imprestabilidade do trabalho fiscal e da ficção que ensejou o Auto de Infração guerreado, por falta de motivação fáticojurídica, consistente na prova da efetiva ocorrência de fatos geradores dos tributos. Na seqüência, sob o título Mera Evidência Ilicitamente obtida. Ausência de Prova do Fato Gerador, discorre acerca de seu entendimento de necessidade de autorização judicial para utilização de informações bancárias na constituição de obrigações tributárias, defende o direito ao sigilo bancário e cita decisões judiciais para concluir que: o auto de infração em foco é nulo de pleno direito, porque amparado em informações unilaterias (incorretas) supostamente obtidas diretamente pelo Fisco das instituições financeiras, sem a imprescindível e prévia autorização judicial. No mérito, alega inobservância do Princípio da Legalidade, acerca do qual discorre, para concluir que: alegar a Impugnada por presunção que a Impugnante omitiu receita com base em informações obtidas ilegalmente, vez que obtidos por requisição de movimentação financeira direta ao Bacen, afronta de maneira latente a legislação aplicável ao caso, pois mesmo que fosse verídico que a Impugnante infringiu algum dispositivo a aplicação da penalidade extrapola os limites legais; a Impugnada, além de ter se equivocado quanto à ocorrência de decadência, ainda utilizouse de meios ilegítimos para tentar Fl. 3547DF CARF MF 14 imputar responsabilidade à Impugnante, cometeu ledo engano ao representar a Impugnante para exclusão do Regime Simples, fato que será devidamente perfilado em recurso próprio. Na seqüência, sob o título Da Responsabilidade Tributária, reportase ao conceito de presunção e a doutrina de Alfredo Augusto Becker e Pontes de Miranda, para alegar que: o presente Auto de Infração viola o artigo 43 do CTN; em nenhum momento conseguiu a impugnada determinar o ilícito cometido pela Impugnante, vez que a prova que se utiliza para imputar a ela a multa arbitrada, foram extratos bancários obtidos sem autorização judicial, ou seja, provas ilícitas; não demonstrou a Impugnada através de prova sólida que sua alegação de que a Impugnante não tenha declarado dados exigidos pela legislação, é forte, devendo ser rechaçado de plano o presente procedimento fiscal. Opõese a multa aplicada que classifica de confiscatória e inconstitucional. Reprisa que impugna expressamente todos os documentos apresentados/obtidos em violação ao sigilo fiscal sem a competente ordem judicial, recriminado por completo as informações apresentadas pelos bancos em atenção as RMF’s elencadas no procedimento. Sob o título Da Revisão do Processo, aborda a possibilidade de produção de provas, bem como do reconhecimento pela própria Administração do erro que se mostra latente. Destaca, por fim, que a empresa Expertise possui imóvel gravado com termo de arrolamento de bens e direitos à Delegacia da Receita Federal, conforme Matricula que apresenta como documento 01, pelo que entende que, estando garantido o procedimento aqui rebatido, a impugnante não pode sofrer qualquer violação ou interferência em seu patrimônio, ainda quando há violação do art. 5º, LIV, da Constituição Federal, e outros tipos legais enumerados ao longo da defesa. Conclui resumindo suas razões de defesa e formulando pedido de nulidade do Auto de Infração e cancelamento do débito fiscal reclamado ou que a multa seja minorada e/ou relevada. Em 09/01/2012 foi protocolizada impugnação de fls. 3190/3221 em nome da pessoa jurídica Expertise Comunicação Total Ltda e das pessoas físicas Dagoberto Tenaglia Junior, Manoel Martins de Sousa e Evandro Luiz Silva Amidani, subscrita por advogada com instrumentos de procuração às fls. 3223/3226 e acompanhada dos documentos de fls. 3222/3249, com as razões de defesa a seguir sintetizadas. Ao expor os fatos relaciona as infrações imputadas pela Fiscalização e passa a defender a ilicitude da prova, a ocorrência de quebra de sigilo bancário e a nulidade do Auto de Infração, alegando, de início, que o Agente Fiscal fundamentou sua autuação em informações obtidas diretamente de instituições financeiras, com fundamento no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001, ou seja, mediante quebra de sigilo bancário da Fl. 3548DF CARF MF Processo nº 10803.720085/201115 Acórdão n.º 1201002.623 S1C2T1 Fl. 3.542 15 Impugnante Expertise, conforme relatório de fls. 374/378 que transcreve. Reportase ao art. 5º, incisos X e XII, da Constituição Federal, discorrendo acerca de seu entendimento de que a Administração não pode afastar o sigilo das contas bancárias do contribuinte sem que haja autorização judicial para tanto e que, em conseqüência, o procedimento fiscal é nulo de pleno direito, posto que há violação da Constituição Federal. Menciona, também, o inciso LVI do mesmo art. 5º, bem como o art. 30 da Lei n° 9.784/99, e ressalta que: a Impugnante Expertise nunca se recusou a prestar nenhuma informação solicitada pela fiscalização, tendo apresentado extratos emitidos pelo Banco Bradesco S A e pelo HSBC Bank Brasil S A, não houve nenhuma outra intimação à Impugnante Expertise para apresentar eventuais documentos faltantes, o que era de mister para justificar a quebra de sigilo bancário, quebra que não se fazia indispensável; seja pela ilicitude no modo da obtenção da prova diante da orientação do STF de que não é possível a quebra de sigilo bancário sem autorização judicial, seja pela inobservância do iter procedimental para expedição da Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira – RMF, é certo que o auto de infração é nulo. Passa, então, a defender que não estaria caracterizada a omissão de receitas, uma vez que, contratualmente, faria um mero repasse de valores (prêmios) que não integrariam o patrimônio/lucro, faturamento ou receita da empresa. Esclarece que a Impugnante Expertise tem por objeto social a prestação de serviços de marketing de incentivo (criação, planejamento e desenvolvimento de campanhas motivacionais), marketing promocional, marketing direto e merchandising, conforme contrato social. Em suas palavras: “26. Em linhas gerais, a Impugnante Expertise é contratada para desenvolver campanhas internas, com empregados, prestadores de serviços ou vendedores, estabelecendo prêmios para aqueles que atingem as metas previamente propostas, quer sejam metas relacionadas com a produtividade ou com a assiduidade, quer sejam critérios específicos estabelecidos pela empresa contratante (cf. contrato juntado ao procedimento administrativo). 27. Implementadas as campanhas, a Impugnante Expertise recebe a indicação dos premiados e os valores dos prêmios, que são disponibilizados por meio de um cartão eletrônico magnético (à época denominado Exchange Card). Cada premiado, com o uso do cartão magnético, usufrui deste prêmio livremente no Fl. 3549DF CARF MF 16 comércio em geral. Esclarecese que os critérios da premiação sempre são estabelecidos pelas empresas contratantes que, reiterase, apenas encaminham a relação dos premiados e os valores dos prêmios para a Impugnante Expertise. 28. Os créditos efetuados nas contas bancárias de titularidade da Impugnante Expertise compreendem, portanto, o valor dos prêmios a serem distribuídos e o valor dos serviços prestados, que correspondem a um percentual sobre o valor dos prêmios. ... 30. O contrato que instrui o procedimento administrativo, nesse sentido, demonstra claramente que uma das obrigações da Impugnante Expertise na prestação dos serviços é, mediante o simples repasse de recursos a terceiros, disponibilizar aos premiados das campanhas dos contratantes os valores, bens e serviços a que fizeram por merecer, nos termos da cláusula ‘1.b.’, verbis: ‘Pelo presente instrumento particular, a CONTRATADA, (...) obrigase a prestar à CONTRATANTE, (...) os serviços especificados no item 03 do mesmo quadro, que compreendem: (...) b) a disponibilização do uso do cartão Exgange Card para pagamento e recebimento de premiação, com créditos pré definidos a serem fornecidos pela CONTRATANTE para os indicados como recebedores dos prêmios, a título de incentivo profissional e como meio de publicidade interna da CONTRATANTE. Requer a aplicação ao caso, por analogia, da legislação incidente sobre as atividades das agências de publicidade, que recebem dos clientes os honorários pelos serviços prestados e os valores devidos aos veículos de divulgação e outras despesas. Faz remissão ao art. 53 da Lei nº 7.450, de 1985, e art. 651 do RIR/99. E assevera: “32. Com efeito, a Impugnante Expertise recebe dos contratantes, além dos honorários profissionais que constituem receita própria em razão da prestação dos serviços, valores outros que não são receitas (v.g. importâncias a serem disponibilizadas aos cartões dos premiados). Diz que a única diferença seria que a forma de cobrança pelas agências de publicidade estaria prevista na legislação regulatória da atividade (Decreto nº 57.690/66), ao passo que o trabalho desenvolvido pela Impugnante não teria regulamentação legal própria, o que, no entanto, não afastaria o entendimento de que a Impugnante Expertise somente pode ser tributada pelos valores pagos pelos clientes a título de honorários, ou seja, por suas receitas próprias, decorrentes da efetiva prestação de serviços. Transcreve conceito doutrinário de receita, destacado que (...) Receitas são entradas que modificam o patrimônio da empresa, incrementandoo. Ingressos envolvem tanto as receitas como as Fl. 3550DF CARF MF Processo nº 10803.720085/201115 Acórdão n.º 1201002.623 S1C2T1 Fl. 3.543 17 somas pertencentes a terceiros (valores que integram o patrimônio de outrem). São aqueles valores que não importam modificação no patrimônio de quem os recebe, para posterior entrega a quem pertencem. Apenas os aportes que incrementam o patrimônio, como elemento novo e positivo, são receitas. (...) Reportase também a: ementa de julgado do Superior Tribunal de Justiça – STJ, no sentido de que o preço do serviço seria a base de cálculo do ISS, não sendo possível incluir nesse valor importâncias que não fossem revertidas para o prestador, mas simplesmente repassadas a terceiros, mediante posterior reembolso; julgado dos Tribunais Regionais Federais – TRF, distinguindo as bases de cálculo do PIS e da Cofins, nas atividades das empresas de trabalho temporário, para as quais não se constituem em receitas os valores referentes ao pagamento de salários e respectivos encargos sociais, repassados pelas tomadoras dos serviços; julgados do Conselho de Contribuintes e Soluções de Consulta acerca da tributação incidente sobre as atividades das agências de propaganda. Conclui daí que os valores supostamente omitidos pela Impugnante Expertise não se tratam de receitas pelos serviços prestados por si aos seus clientes, não tendo gerado efeitos patrimoniais, mas apenas transitaram pelas contas bancárias da Impugnante em razão de sua atividade. Acrescenta que os créditos bancários, se não acompanhados de outros indícios, não podem ensejar a presunção válida de omissão de rendimentos, citando julgado do Tribunal Regional Federal da 5ª Região e decisão da 1ª Turma da DRJ/Campinas. Finaliza este tópico expondo que os valores creditados nas contas bancárias da Impugnante Expertise não representam a sua receita – assim entendida como incremento patrimonial, de modo que o auto de infração não pode subsistir. Na seqüência, alega ter adotado o regime de caixa, pelo que não restaria configurada omissão de receitas dada a necessidade de efetivo ingresso de recursos, expondo que: o débito fiscal foi apurado computandose as diferenças apuradas entre a receita bruta informada na DIPJ e a receita não declarada apurada por meio das notas fiscais emitidas. entretanto, como optante do lucro presumido, a Impugnante Expertise adotava o regime de caixa, no qual não basta a emissão da nota fiscal para tornar tributável a receita, mas é necessário o efetivo ingresso de recursos o que não restou demonstrado; Fl. 3551DF CARF MF 18 a mera divergência entre o valor total das notas fiscais e os valores declarados em DIPJ não são suficientes para caracterizar a omissão de receita tributável. Em seguida, argúi a ocorrência de decadência do direito de revisão do débito tributário referente ao período de janeiro a novembro de 2006, alegando que: na autuação não foi imputada aos Impugnantes a prática de atos dolosos ou fraudulentos, sendo imposta multa de 75% , os tributos autuados são sujeitos ao lançamento por homologação e à conseqüente extinção do correspondente crédito tributário no prazo de 05 anos contados da ocorrência do fato gerador, como previsto no art. 150, § 4º, do CTN; tendo a Impugnante Expertise efetuado pagamento antecipado do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS referentes ao período de janeiro a dezembro do anocalendário de 2006, nada obsta a aplicação da regra do art. 150, § 4º, do CTN. Transcreve ementa de julgado do Conselho de Contribuintes e conclui pela necessidade de reconhecimento de que os fatos geradores dos tributos relativos ao período de janeiro a novembro de 2006 foram atingidos pela decadência. Opõese à multa de ofício aplicada no percentual de 75%, discorrendo. acerca de seu entendimento de que teria ela ofenderia dispositivos constitucionais, para concluir que, evidenciada a desproporcionalidade da multa imposta a Impugnante e seu caráter confiscatório, não pode prosperar a exigência da multa (75%), sob pena de violação ao disposto no art. 150, IV, da Constituição Federal. Discorda da atribuição de responsabilidade aos Impugnantes pessoas físicas, alegando ausência de infração à lei e expondo que: os Impugnantes não eram representantes legais da Impugnante Expertise à época dos fatos narrados no auto de infração e, ainda que tivessem sido, não teriam praticado qualquer infração à lei (art. 135, II). Em 31 de outubro de 2005 as quotas sociais da Impugnante Expertise, que pertenciam aos Impugnantes Dagoberto e Evandro, foram alienadas às empresas Ridderzaal Verspreiding C.V e Waddenzee Advertencie C.V, conforme consta da alteração do contrato social anexado, de modo que não podem ser responsabilizados por débitos tributários cujo fato gerador tenha ocorrido no anocalendário de 2006, quando já não eram mais sócios da empresa contribuinte. E nem se argumente que os Impugnantes Dagoberto e Evandro, por constarem da DIPJ relativa aos anoscalendário de 2006 e 2007 como representantes legais da Impugnante Expertise, devem ser responsabilizados, pois se trata de erro formal cometido pelo contador responsável pelo envio das declarações. Tanto que os atuais sócios da Impugnante Expertise ora constam da DIPJ como pessoas jurídicas ora constam como pessoas Fl. 3552DF CARF MF Processo nº 10803.720085/201115 Acórdão n.º 1201002.623 S1C2T1 Fl. 3.544 19 físicas, restando evidente que houve mero erro formal no preenchimento das declarações; afinal, os atuais sócios da Impugnante Expertise são pessoas jurídicas. Quanto ao Impugnante Manoel Martins de Sousa, é de se registrar que à época dos fatos narrados no auto de infração ela não era mandatário dos atuais sócios da Impugnante Expertise, conforme demonstra a procuração anexa. Assim, razão não há para que seja responsabilizado por débitos tributários relativos ao anocalendário de 2006. Acrescenta, também, que: o simples não recolhimento ou recolhimento a menor de tributos gerados pela pessoa jurídica em suas operações normais, regulares e legais não se constitui em hipótese de “infração à lei”, para efeitos de se atribuir ao mandatário, preposto ou empregado a responsabilidade pessoal de que trata o artigo 135, II, do Código Tributário Nacional, conforme já pacificou o Colendo STJ no julgamento do Resp 1019324; o artigo 135 cuida da responsabilidade pessoal, de modo que o crédito tributário deve, necessariamente, resultar de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto; no presente caso, ficou amplamente demonstrado que não houve infração à lei, não se cogitando de responsabilização dos Impugnantes; ainda que se admitisse a responsabilização, é de se registrar que os Impugnantes Dagoberto e Evandro deveriam ser responsabilizados tendo por base legal o art. 135, III, do CTN e não o artigo 135, II, do mesmo diploma legal, pois eram sócios e não mandatários, prepostos ou empregados da Impugnante Expertise; também a responsabilidade pessoal do mandatário, preposto ou empregado, deriva não de sua condição de mandatário, preposto ou empregado, mas de gestor da sociedade. Com efeito,o Impugnante Manoel passou a ser procurador dos novos sócios da Impugnante Expertise somente em 2007, ou seja, quase um ano após os fatos descritos nesse procedimento fiscal (cf. documentos anexados). Cita decisão do STJ no sentido de que a prática de atos contrários a lei ou com excesso de mandado só induz à responsabilidade de quem tenha administrado a sociedade por quotas de responsabilidade limitada, isto é seus sócios gerentes; essa solidariedade não se expande aos meros quotistas, sem poderes de gestão. Conclui que a responsabilização dos Impugnantes Evandro, Dagoberto e Manoel não deve prosperar. Fl. 3553DF CARF MF 20 Finaliza requerendo o conhecimento e o acolhimento da impugnação. Por meio do despacho de fls. 3267/3269 foi o processo encaminhado em diligência para que, em observância às disposições da Portaria RFB nº 2.284, de 2010, e do art. 23 do Decreto 70.235/72, fossem os autos instruídos com a prova da regular ciência a pessoa física Fernando Martini, ao qual também atribuída responsabilidade solidária. Em atendimento, a autoridade preparadora providenciou a intimação de fls. 3270 e juntou aviso de recebimento datado de 20/05/2013. Em 28/05/2013 foi protocolizada, conforme fls. 3273/3.303, impugnação em nome de Fernando Martini, subscrita por seus advogados com instrumento de procuração às fls. 3.307, apresentando razões de defesa já contidas na peça de fls. 3190/3221 em nome dos demais interessados e acrescentando, relativamente à responsabilidade tributária, que o Impugnante não tem poderes de gestão da sociedade nem praticou qualquer infração à lei. A contribuinte e responsáveis solidários interpuseram os tempestivos recursos voluntários, reiterando os mesmos argumentos da impugnação administrativa e anexando documentos. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, considerando o valor exonerado pelo acórdão recorrido, efetivou a remessa necessária do recurso de ofício para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). É o relatório. Voto Conselheiro Rafael Gasparello Lima, Relator. Os recursos voluntários são tempestivos, havendo os demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deles tomo conhecimento. De acordo com artigo 1º da Portaria MF nº 63, de 09 de setembro de 2017, "O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00", sendo assim, existindo esse requisito de admissibilidade e conhecimento do recurso de ofício. Frisese que o recurso de ofício se limita à extinção parcial do crédito tributário, em virtude da decadência, revisada adiante em tópico específico. I. NULIDADE DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO O acórdão recorrido ratificou a exigência tributária, explicitando a inexistência de qualquer nulidade do lançamento de ofício. Fl. 3554DF CARF MF Processo nº 10803.720085/201115 Acórdão n.º 1201002.623 S1C2T1 Fl. 3.545 21 Igualmente, não vislumbro quaisquer das hipóteses dos artigos 59 e 60 do Decreto nº 70.235/19721, endossando a ausência de nulidade e prevalecendo a validade da constituição do crédito tributário, tal como formalizado. Por sua vez, não é nula a exigência consubstanciada em informações financeiras da contribuinte, obtidas pela Receita Federal do Brasil sem prévia autorização judicial. Atualmente, a jurisprudência do Egrégio Supremo Tribunal Federal, uniformizada pelo acórdão prolatado no Recurso Extraordinário (RE) nº 601.314/SP, com efeito da repercussão geral estabelecida no artigo 543B do Código de Processo Civil vigente à época, possibilita o acesso dessas informações bancárias no exercício do procedimento fiscal: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 1 “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio” Fl. 3555DF CARF MF 22 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. O artigo 145, parágrafo primeiro, da Constituição Federal, consagra o princípio da capacidade contributiva, orientando que "sempre que possível os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte." A autoridade administrativa é competente para exigir informações financeiras da contribuinte, mediante intimação escrita, consoante o artigo 197 do Código Tributário Nacional: "Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: (...) II – os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras;" A Lei Complementar nº 105/2001 permitiu a requisição de informações diretamente nas instituições financeiras, ressaltando que não configuraria violação ao dever de sigilo: Fl. 3556DF CARF MF Processo nº 10803.720085/201115 Acórdão n.º 1201002.623 S1C2T1 Fl. 3.546 23 Art.1º As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) §3º Não constitui violação do dever de sigilo: (...) VI – a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art.5º O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. (...) §2º As informações transferidas na forma do caput deste artigo restringirseão a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados. (...) §4º Recebidas as informações de que trata este artigo, se detectados indícios de falhas, incorreções ou omissões, ou de cometimento de ilícito fiscal, a autoridade interessada poderá requisitar as informações e os documentos de que necessitar, bem como realizar fiscalização ou auditoria para a adequada apuração dos fatos. §5º As informações a que refere este artigo serão conservadas sob sigilo fiscal, na forma da legislação em vigor. Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Fl. 3557DF CARF MF 24 Este instrumento de fiscalização foi aperfeiçoado pela Lei nº 10.174/2001 e o Decreto nº 3.724/2001, com validade constitucional reconhecida pelo Colendo Supremo Tribunal Federal. Finalmente, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mediante sua Súmula nº 2, delimita que "não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". II. DECADÊNCIA O acórdão recorrido, parcialmente, admitiu a decadência na constituição do crédito tributário: No presente caso, confirmase nos sistemas informatizados, conforme pesquisas a seguir reproduzidas, a existência de pagamentos antecipados, tendo sido, inclusive, como relatado, considerados na autuação os respectivos valores confessados em DCTF. (...) Existindo pagamentos antecipados e não tendo sido expressamente imputada pela Fiscalização a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, impõese adotar a contagem do prazo decadencial pelo art. 150, § 4º, do CTN. Assim, tendo em conta que a exigência em questão abrange fatos geradores mensais e trimestrais integrantes do anocalendário de 2006 e a ciência da autuação se deu em 10/12/2011, impõese reconhecer a ocorrência de decadência para os períodos autuados do 1º, 2º e 3º trimestres de 2006 relativos ao IRPJ e CSLL de apuração trimestral e para os períodos de janeiro a novembro de 2006 relativos à contribuição ao PIS e a COFINS, de apuração mensal. Remanescem não atingidas pelo prazo decadencial as exigências de IRPJ e CSLL relativas ao 4º trimestre/2006 (fato gerador de 31/12/2006) e as exigências de PIS e COFINS de dezembro/2006.(grifado no original) Destarte, limitase a decadência ao 1º, 2º e 3º trimestre de 2006, quanto ao IRPJ e CSLL de apuração trimestral, assim como ao período de janeiro a novembro do ano calendário de 2006, referente às contribuições sociais do PIS e da COFINS de incidência mensal, uma vez que a contribuinte foi cientificada do lançamento de ofício em 10 de dezembro de 2011. III. OMISSÃO DE RECEITA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento opinou pela parcial procedência do lançamento de ofício, conforme o acórdão recorrido e por mim ratificado, em virtude dos seguintes fundamentos, in litteris: Todavia, todas as alegações nesse sentido mostramse desvinculadas do fundamento da autuação, não sendo hábeis a afastar a exigência. Fl. 3558DF CARF MF Processo nº 10803.720085/201115 Acórdão n.º 1201002.623 S1C2T1 Fl. 3.547 25 De fato. Em que pese (i) não se vislumbrar óbice legal à autuação por presunção, sobretudo nos casos de presunção legal de omissão de receitas decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada (hipótese expressamente prevista no art. 42 da Lei 9.430, de 1996) bem como (ii) não se confirmar a ilicitude de utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente, tendo em conta a plena vigência e eficácia da Lei Complementar nº 105, de 2001, acerca da qual, apesar dos questionamentos no âmbito do Supremo Tribunal Federal, ainda não há decisão definitiva transitada em julgada e com efeitos erga omnes, as objeções das impugnações nos aspectos aventados não se aplicam ao presente processo. Isto porque, distintamente do alegado, o crédito tributário exigido no presente processo não foi apurado em função da movimentação bancária, mas, como consta do Termo de Verificação, decorre: da diferença apurada entre os valores das receitas declarados e os valores das Notas Fiscais que comprovam ter o contribuinte auferido receitas por comissão pelos serviços prestados (item 1 do Auto de IRPJ); da receita declarada e submetida à forma de tributação pelo lucro arbitrado em vista de o Livro Caixa não contemplar a movimentação financeira (item 2 do Auto de Infração), tendo sido abatidos os valores confessados em DCTF . Vejase que, em função das Notas Fiscais apresentadas no curso do procedimento, a Fiscalização elaborou planilha de fls. 2.403/2.795, relacionando os valores tributados e os não tributados nelas consignados, conforme excerto a seguir reproduzido: E a diferença que ensejou a autuação por omissão de receitas foi apurada pela comparação entre valores tributados (comissão por prestação de serviços) com os valores declarados. Em oposição à receita omitida assim apurada, alega a pessoa jurídica que, como optante do lucro presumido, adotava o regime de caixa, no qual não basta a emissão de nota fiscal para tornar tributável a receita, sendo necessário o ingresso de recursos, o que não teria restado demonstrado. Fl. 3559DF CARF MF 26 Acerca da questão, recordese que consignou a Fiscalização ter a contribuinte informado, no curso do procedimento, a adoção do regime de caixa para determinação da base de cálculo do lucro presumido – opção que, além de divergente daquela aposta na DIPJ, não foi possível confirmar no Livro Caixa. (...) E, quanto ao Livro Caixa, constatou a Fiscalização que os registros nele inseridos não identificam a que nota fiscal correspondem os valores escriturados como recebidos de cliente, na forma exigida por meio da Instrução Normativa SRF nº 104, de 24 de agosto de 1998, em seu Art. 1º. Inciso II, e Artigo 85, inciso II, da Instrução Normativa SRF nº 24, de 2002. (...) Mas, como constatado pela Fiscalização, o Livro Caixa apresentado, constante de fls. 127/369, não reflete a observância da condição destacada, como se vê nos excertos a seguir reproduzidos: (...) E, acerca de tal deficiência na escrituração do Livro Caixa, bem como de outras que, inclusive, ensejaram a adoção da forma de tributação pelo arbitramento, nada esclareceu ou refutou a Impugnante. Neste contexto, injustificável a pretensão de atribuir a diferença apurada pela Fiscalização entre as Notas Fiscais emitidas de prestação de serviços e a receita declarada, à adoção do regime de Caixa. Além de não comprovada e demonstrada a adoção de tal regime, observou a Fiscalização que a no mencionado Livro Caixa foram registrados recebimentos de clientes, pressupondose tratarse de receitas, sem identificação das correspondentes notas fiscais, dos seguintes montantes mensais que totalizam no ano R$ 7.221.951,53, conforme planilha de fl. 2.795: Portanto, vêse que os valores registrados no Livro Caixa (no total de R$ 7.221.951,53) são pouco menores do que aqueles informados como receitas na DIPJ (R$ 7.239.131,10) e a diferença de apenas R$ 17.179,57 (= 7.239.131,10 – 7.221.951,53) não é hábil a justificar a receita apurada como omitida no total anual de R$ 20.448.197,91. Fl. 3560DF CARF MF Processo nº 10803.720085/201115 Acórdão n.º 1201002.623 S1C2T1 Fl. 3.548 27 Observese que, do modelo de contrato de prestação de serviços, apresentada pela interessada no curso do procedimento fiscal (fls. 370), consta como forma de pagamento: a vista, contra a emissão da nota fiscal de prestação de serviços. Desse modo a pretensão de atribuir à adoção do regime de caixa a discrepância entre os valores declarados e os valores das notas fiscais emitidas, além de destituída de prova, mostrase incompatível com a previsão contratual, pela qual inexistiria discrepância entre a emissão da Nota Fiscal e o recebimento de seu valor. Assim, a alegação de utilização do regime de caixa, destituída das correspondentes provas, em nada afeta a exigência. Cabível acrescentar que optantes pelo lucro presumido, como é o caso na pessoa jurídica autuada, têm obrigação legal de manter, no mínimo, a escrituração do Livro Caixa com toda a movimentação bancária, como previsto no art.45 da Lei n° 8.981/95, base legal do art. 527 do RIR/99: Art. 527. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45): I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário; III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45, parágrafo único). Apresentado Livro Caixa, no qual constatou a Fiscalização não estar incluída a movimentação bancária, a autoridade lançadora fica autorizada ao arbitramento das bases tributáveis da pessoa jurídica, conforme permissão inicial contida no próprio Código Tributário Nacional: Art 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, Fl. 3561DF CARF MF 28 ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro do comitente residente ou domiciliado no exterior (art. 398); VI o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. Tanto é que, acerca da forma de tributação pelo lucro arbitrado, nada foi refutado expressamente nas peças de impugnação. Portanto, nenhuma das alegações apresentadas se mostra hábil a afastar a constatação fiscal de omissão de receitas de prestação de serviços, impondose a manutenção da correspondente exigência de IRPJ, no período não atingido pela decadência. Cabível acrescentar, também, que ainda que as exigências tivessem sido formalizadas com base nas informações obtidas junto a instituições financeiras – o que, repitase, não é o caso do presente processo , não se justificaria a alegação de nulidade por quebra de sigilo bancário. Logo, não há elementos suficientes para inverter o ônus da prova, que é própria da Recorrente, nem qualquer esclarecimento sobre as receitas omitidas. A presunção relativa de omissão de receita é impugnável pela Recorrente, porém, necessário documentos hábeis e idôneos que evidenciem o contrário. O artigo 923 do Regulamento do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza (RIR/1999), aprovado pelo Decreto nº 3.000/1999, reafirma que "a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais." A presunção juris tantum foi estabelecida em norma vigente, invertendo o ônus de prova quanto à omissão de receitas para a contribuinte. O atual Código de Processo Fl. 3562DF CARF MF Processo nº 10803.720085/201115 Acórdão n.º 1201002.623 S1C2T1 Fl. 3.549 29 Civil, subsidiariamente, aplicável ao processo administrativo tributário, prevê tal hipótese no seu artigo 374: "Art. 374. Não dependem de prova os fatos: (...) IV— em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade." Portanto, a presunção normativa não infringe qualquer garantia constitucional da Recorrente. IV. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Convergindo com o Termo de Verificação Fiscal, o acórdão recorrido manteve a responsabilidade solidária dos recorrentes, como se infere das suas razões: A atribuição de responsabilidade solidária foi justificada na autuação pela constatação de prática de atos com infração à lei e fundamentada no art. 135, inciso II, do CTN. De fato, tendo a Fiscalização constatado que, na DIPJ apresentada em nome da pessoa jurídica, foram informados valores de receita bruta inferiores àqueles das notas fiscais emitidas, e, em consequência, foram apurados, declarados e recolhidos tributos em importâncias inferiores àquelas devidas – ocorrências que as defesas apresentadas não lograram êxito em afastar , resta caracterizada a prática de atos com infração a lei. E, nessas circunstâncias, o Código Tributário Nacional, no art. 135, prevê a atribuição de responsabilidade solidária, como segue: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Na defesa apresentada em nome de Rose Mary de Paula, é alegado que não teria a Fiscalização demonstrado a ação com excesso de poderes ou em fraude, ou que a Impugnante teria se beneficiado com qualquer valor. Também na defesa apresentada em nome das demais pessoas físicas (Dagoberto Tenaglia Junior, Manoel Martins de Souza e Evandro Luiz Amidani) é alegado que o art. 135 cuida de responsabilidade pessoal, de modo que o crédito deve, necessariamente, resultar de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto. No mesmo sentido, é a defesa em nome de Fernando Martini. Fl. 3563DF CARF MF 30 Todavia, de acordo com a previsão contida no art. 135 do CTN, a demonstração de prática de atos com infração à lei é suficiente para permitir a atribuição de responsabilidade solidária, independentemente da comprovação das demais ocorrências que também configuram hipótese fática de solidariedade. E, no caso, a Fiscalização, ao atribuir responsabilidade solidária, descreve ter constatado: (...) Quanto aos demais responsáveis solidários, temse que, além das circunstâncias que configuraram a prática de infração à lei, acrescentou a Fiscalização, nos Termos de Sujeição Passiva Solidária: Fl. 3564DF CARF MF Processo nº 10803.720085/201115 Acórdão n.º 1201002.623 S1C2T1 Fl. 3.550 31 Outros argumentos do Termo de Verificação Fiscal e do acórdão recorrido, em síntese, não possibilitam a imputação da responsabilidade solidária aos demais recorrentes, pessoas físicas, restringindo à hipótese do artigo 135, incisos II ou III, do Código de Tributário Nacional. Indispensável a nítida evidência pela autoridade fiscal da conduta dolosa da pessoa física, responsabilizada de forma solidária, esclarecendo seu interesse comum e direto na evasão fiscal. É insuficiente a mera a acusação de que a movimentação financeira, omitida da escrituração fiscal e contábil, ocasiona a responsabilidade solidária de quem integrava administração da sociedade ou era seu mandatário. Por fim, ainda que integrantes da administração recebessem proventos ou qualquer outro rendimento da pessoa jurídica, autuada e ora Recorrente, imprescindível justificar a vinculação da citada quantia com a receita omitida, inerente à movimentação financeira não escriturada. V. JUROS SOBRE A MULTA E A TAXA DO SISTEMA ESPECIAL DE LIQUIDAÇÃO E DE CUSTÓDIA (SELIC) A incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício é convalidada por diversos precedentes deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), pois integrante da obrigação tributária. Por exemplo, citase parte do acórdão nº 9101003.469, proferido pela Conselheira, Adriana Gomes Rêgo: Não há dúvida de que multa não é tributo, pela própria dicção do art. 3º do CTN: "Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada". Todavia, a coerência interna do CTN evidencia, com clareza, conforme revelam os arts. 113, § 1º, e 139, que a penalidade pecuniária é também objeto da obrigação tributária principal e assim integra o conceito de crédito, objeto da relação jurídica estabelecida entre o Fisco e o sujeito passivo, beneficiandose de todas as garantias a ele asseguradas por lei, inclusive o acréscimo de juros de mora. A Lei nº 9.065/1995, artigo 3º, definiu como juros de mora a Taxa Referencial o Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC). Fl. 3565DF CARF MF 32 A divergência jurisprudencial foi uniformizada pela Súmula nº 108: "Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício." VI. MULTA DE OFÍCIO (75%) CONFISCATÓRIA A multa de ofício, equivalente a 75%, com previsão expressa no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, impõe a Súmula nº 2, uma vez que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais "não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Isto posto, voto pelo conhecimento e NEGO PROVIMENTO ao recurso de ofício. Não obstante, voto pelo conhecimento, rejeitando a nulidade arguida e DOU PARCIAL PROVIMENTO aos recursos voluntários, excluindo a responsabilidade solidária das pessoas físicas, ora recorrentes. (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima Relator Fl. 3566DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10923.000222/2007-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001
DESPACHO DECISÓRIO. COMPENSAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
A decisão que indefere crédito pleiteado sem apresentar, de forma clara e precisa, os seus fundamentos, incorre em preterição do direito de defesa, acarretando a sua nulidade, conforme determina o art. 59, inciso II, do Decreto 70.235/72. Entretanto, quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a sua declaração, a autoridade julgadora não a pronunciará.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001
CFOP. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL.
Se o único fundamento da glosa é o CFOP das notas fiscais, registrado na Contabilidade, e o contribuinte demonstra que houve erro material em sua utilização, bem como que o objeto da glosa era, efetivamente, insumo com direito a crédito, deve ser cancelada a glosa.
Numero da decisão: 3401-005.754
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Os conselheiros Rosaldo Trevisan, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanharam pelas conclusões, divergindo apenas em relação à argumentação de que possa haver nulidade parcial no processo administrativo fiscal.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lázaro Antônio Souza Soares - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Lázaro Antonio Souza Soares, Tiago Guerra Machado, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, e Cássio Schappo. Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: LAZARO ANTONIO SOUZA SOARES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201812
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 DESPACHO DECISÓRIO. COMPENSAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. A decisão que indefere crédito pleiteado sem apresentar, de forma clara e precisa, os seus fundamentos, incorre em preterição do direito de defesa, acarretando a sua nulidade, conforme determina o art. 59, inciso II, do Decreto 70.235/72. Entretanto, quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a sua declaração, a autoridade julgadora não a pronunciará. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 CFOP. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Se o único fundamento da glosa é o CFOP das notas fiscais, registrado na Contabilidade, e o contribuinte demonstra que houve erro material em sua utilização, bem como que o objeto da glosa era, efetivamente, insumo com direito a crédito, deve ser cancelada a glosa.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10923.000222/2007-59
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5944382
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3401-005.754
nome_arquivo_s : Decisao_10923000222200759.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LAZARO ANTONIO SOUZA SOARES
nome_arquivo_pdf_s : 10923000222200759_5944382.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Os conselheiros Rosaldo Trevisan, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanharam pelas conclusões, divergindo apenas em relação à argumentação de que possa haver nulidade parcial no processo administrativo fiscal. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Lázaro Antonio Souza Soares, Tiago Guerra Machado, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, e Cássio Schappo. Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
id : 7559940
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:34:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148370313216
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1855; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 1.138 1 1.137 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10923.000222/200759 Recurso nº 01 Voluntário Acórdão nº 3401005.754 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de dezembro de 2018 Matéria IPI RESSARCIMENTO Recorrente COLGATEPALMOLIVE COMERCIAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 DESPACHO DECISÓRIO. COMPENSAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. A decisão que indefere crédito pleiteado sem apresentar, de forma clara e precisa, os seus fundamentos, incorre em preterição do direito de defesa, acarretando a sua nulidade, conforme determina o art. 59, inciso II, do Decreto 70.235/72. Entretanto, quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a sua declaração, a autoridade julgadora não a pronunciará. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 CFOP. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Se o único fundamento da glosa é o CFOP das notas fiscais, registrado na Contabilidade, e o contribuinte demonstra que houve erro material em sua utilização, bem como que o objeto da glosa era, efetivamente, insumo com direito a crédito, deve ser cancelada a glosa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Os conselheiros Rosaldo Trevisan, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanharam pelas conclusões, divergindo apenas em relação à argumentação de que possa haver nulidade parcial no processo administrativo fiscal. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 3. 00 02 22 /2 00 7- 59 Fl. 1138DF CARF MF Processo nº 10923.000222/200759 Acórdão n.º 3401005.754 S3C4T1 Fl. 1.139 2 (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Lázaro Antonio Souza Soares, Tiago Guerra Machado, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, e Cássio Schappo. Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. Relatório 1. Trata o presente caso de ação fiscal desenvolvida junto ao contribuinte em epígrafe para análise de Pedido de Ressarcimento nº 07296.10866.220808.1.7.012605 (PER retificadora), referente a créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, relativo ao 2º trimestre de 2004, cujo valor pleiteado é de R$1.860.715,46, nos termos do art. 11 da Lei n° 9.779/99 e IN 33/99 (crédito básico). Cumulativamente, apresentou pedido de compensação requerendo que o débito ali relacionado fosse extinto com aquele crédito. 2. O pleito foi apreciado pelo Despacho Decisório anexado às fls. 998/1002 do processo eletrônico, proferido pela DERAT/São Paulo, a qual, tomando por base as conclusões da Informação Fiscal às fls. 986 e 987, reconheceu parcialmente o direito creditório no valor de R$ 1.673.337,60 e, conseqüentemente, homologou a compensação até esse limite. 3. Regularmente cientificada, a empresa apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 1006/1008, alegando, em síntese, o seguinte: DOS FATOS A requerente apresentou declaração de compensação através do PER/DCOMP nº 38730.21933.140704.1.3.01.3740 — original e 07296.10866.220808.1.7.012605 retificadora, relativa ao 2º trimestre de 2004, transmitida por via eletrônica, pleiteando a compensação do saldo credor de 1PI no valor de R$1.679.568,24 (um milhão, seiscentos e setenta e nove mil, quinhentos e sessenta e oito reais e vinte e quatro centavos). (...) Na análise dos documentos a Auditora Fiscal, baseandose apenas no CFOP em que foram lançados os documentos, excluiu do saldo credor os valores lançados no CFOP 1.653, relativo a compras de combustível ou lubrificante por consumidor ou usuário final, com o argumento de que tais insumos não se integram no produto final nem tampouco sofrem qualquer alteração em decorrência do contato direto com o produto em fabricação. Os documentos excluídos em cada período de apuração estão demonstrados no quadro abaixo, perfazendo o total de R$6.230,64 (seis mil, duzentos e trinta reais e sessenta e quatro centavos). Fl. 1139DF CARF MF Processo nº 10923.000222/200759 Acórdão n.º 3401005.754 S3C4T1 Fl. 1.140 3 (...) Com a exclusão, só foi reconhecido o direito a requerente de compensar o valor de R$ 1.673.337,60 (um milhão, seiscentos e setenta e três mil, trezentos e trinta,e.sete reais e sessenta centavos). Embora louvável o trabalho da fiscalização, ele ocorre em equívoco ao excluir créditos legítimos a que a requerente tem direito, visto que os produtos envolvidos na notas fiscais acobertadas pelo CFOP glosado são Álcool Etílico 95% NCM 2207.20.10, utilizado como insumo na fabricação do Anti Séptico Bucal — classificação fiscal 3306.90.00— Alíquota do IPI: zero; Diluente 401 — NCM 3814.00.00 e Solução 3902E, ambas utilizadas na rotulagem e marcação dos produtos fabricados pela requerente. O CFOP 1.653 Compra de combustível ou lubrificante por consumidor ou usuário final, entre outros, foi criado pelo Ajuste SINIEF 09/2003 com a finalidade específica para lançamento das operações com combustíveis, derivados ou não de petróleo, e lubrificantes, que ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 2004. A nota explicativa do referido código diz, textualmente "ClassificamSe neste código as compras de combustíveis ou lubrificantes a serem consumidos em processo de industrialização de outros produtos, na prestação de serviços ou por usuário final". 4. Em Sessão de 22/07/2014, a DRJ Belém (DRJ/BEL) decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, nos seguintes termos: Conforme se observa, através do relatório que fundamentou o deferimento parcial de fls. 1010/1014, a unidade de origem excluiu os créditos decorrentes das compras realizadas no CFOP 1653 compra de combustível ou lubrificante por consumidor ou usuário final, pois se classificam neste código as compras de combustíveis ou lubrificantes a serem consumidos em processo de industrialização de outros produtos, na prestação de serviços ou por usuário final, alegando que tais insumos utilizados no processo produtivo não se integraram ao produto final nem tampouco sofreram qualquer alteração em decorrência do contato direto com o produto em fabricação. A contribuinte, ao apresentar a manifestação de inconformidade, apenas argumenta, de forma genérica, que o Álcool Etílico95% é utilizado como insumo na fabricação do AntiSéptico Bucal e o Diluente 401 e Solução 3902E, são utilizadas na rotulagem e marcação dos produtos fabricados pela requerente. Entretanto, não logra provar tal argumentação. (...) Somente geram direito aos créditos de IPI, que trata o art. 11 da Lei nº 9.779/99 c/c IN SRF nº 33/99, as aquisições de produtos Fl. 1140DF CARF MF Processo nº 10923.000222/200759 Acórdão n.º 3401005.754 S3C4T1 Fl. 1.141 4 que se enquadram no conceito de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem empregados, e as aquisições de insumos cuja prova de integrarem o processo produtivo da empresa foi devidamente realizada pela interessada com documentos hábeis e idôneos. Por fim, a unidade de origem deverá providenciar a apartação da parte não impugnada para cobrança imediata. 5. O contribuinte teve ciência do Acórdão da DRJ por meio de sua Caixa Postal, considerada seu Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) perante a RFB, na data de 17/06/2015, conforme "TERMO DE CIÊNCIA POR ABERTURA DE MENSAGEM", à fl. 1048. 6. Irresignado com a decisão da DRJBEL, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 16/07/2015, às fls. 1051/1070, nos seguintes termos: I DOS FATOS 1. Em 14/07/2004, a Recorrente apresentou declaração de compensação para liquidar débitos de sua titularidade com créditos de IPI apurados no 2o Trimestre de 2004, no valor total de R$ 1.860.715,46. (...) 5. Apesar de a Recorrente ter comprovado, mediante a apresentação de diversos documentos contábeis, os créditos de IPI apurados no 2º trimestre de 2004, o Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil concluiu suas análises propondo o deferimento apenas parcial do direito creditório pleiteado, no valor de R$ 1.679.568,24, tendo em vista que parcela dos créditos pleiteados decorreriam da entrada de produtos não utilizados como insumo no processo produtivo (Álcool Etílico). 7. Com efeito, o despacho decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Bernardo, além de acolher integralmente o Parecer do Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil, glosou adicionalmente, o valor de R$ 6.230,64, ao argumento de que este crédito também decorreria da entrada de produtos não utilizados como insumo no processo produtivo (Álcool Etílico CFOP n° 1.653). 8. Assim, após a prolação do despacho decisório foi reconhecido o direito creditório da Recorrente apenas no valor de R$1.673.337,60, tendo sido glosado crédito utilizado para compensação de tributos no valor original de R$ 187.377,86. 9. Diante disso, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade em face do r. despacho decisório, por meio da qual demonstrou que a parcela do crédito glosada é manifestamente improcedente, porquanto os produtos classificados no CFOP n° 1.653 (Álcool Etílico) são efetivamente utilizados como insumo no processo de Fl. 1141DF CARF MF Processo nº 10923.000222/200759 Acórdão n.º 3401005.754 S3C4T1 Fl. 1.142 5 industrialização e, portanto, ensejam a apropriação dos créditos de IPI decorrentes de sua aquisição. (...) 11. Além disso, desconsiderando que todo o crédito glosado decorre da aquisição do produto classificado na CFOP n° 1.653 (Álcool Etílico), o que foi devidamente contestado na manifestação de inconformidade apresentada, a 3a Turma da DRJ/BEL determinou, de forma absolutamente equivocada, "a apartação da parte não impugnada para a cobrança imediata" (fl. 1.039). 12. No entanto, não merece prosperar a r. decisão recorrida, consoante se passa a demonstrar. II DO DIREITO II.1 DA NULIDADE POR PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA II.2.1 Ausência de intimação específica para apresentação de informações e documentos necessários para o esclarecimento do direito creditório (...) 14. Por sua vez, na manifestação de inconformidade, a Recorrente demonstrou que, embora classificado na CFOP n° 1.653, o produto que ensejou a apropriação dos créditos de IPI é efetivamente utilizado em seu processo de industrialização, de modo que a apropriação de créditos de IPI decorrente de sua entrada é absolutamente legítima. (...) 16. Ocorre, porém, que, considerando o entendimento manifestado pela 3ª Turma da DRJ/BEL, fato é que, no curso do processo administrativo, a Recorrente jamais foi intimada especificamente para comprovar a utilização do álcool etílico em seu processo industrial. (...) 23. Pelo exposto, e demonstrado que a decisão administrativa foi proferida prematuramente, impedindo a Recorrente de comprovar o direito creditório pleiteado, está caracterizado o cerceamento do seu direito de defesa, garantido no inciso LV do artigo 5º da Constituição Federal de 1988 e artigo 2º da Lei n° 9.784/99. (...) II.3 Dos Créditos Glosados Apropriados em Razão da Aquisição dos Produtos de CFOP n° 1.653 (...) Fl. 1142DF CARF MF Processo nº 10923.000222/200759 Acórdão n.º 3401005.754 S3C4T1 Fl. 1.143 6 32. Além disso, e desconsiderando que a integralidade do crédito glosado decorre da aquisição do produto classificado na CFOP n° 1.653 (Álcool Etílico), o que foi integralmente combatido na manifestação de inconformidade apresentada, a r. decisão recorrida, de forma absolutamente equivocada, determinou "a apartação da parte não impugnada para cobrança imediata" (fl. 1.039). 33. Ora, não há que se falar em "parte não impugnada", a justificar a cobrança de parcela dos débitos liquidados com a utilização dos créditos de IPI glosados pelo despacho decisório, por, supostamente, não terem sido impugnados pela Recorrente na manifestação de inconformidade. 34. Com efeito, todo o crédito glosado decorre de um único fundamento: o entendimento das Autoridades Fiscais de que o Álcool Etílico, classificado no CFOP n° 1.653, não seria utilizado como insumo no processo produtivo da Recorrente e, portanto, não ensejaria a apropriação de créditos de IPI decorrentes de sua aquisição. 35. Todavia, na manifestação de inconformidade, a Recorrente impugnou especificamente o fundamento utilizado pelas Autoridades Fiscais para glosar o direito creditório pleiteado, procurando demonstrar, de forma clara e efetiva, que o Álcool Etílico, classificado no CFOP n° 1.653 é, sim, utilizado como insumo no processo de industrialização. 36. Portanto, desde já, deve ser afastada a determinação da r. decisão recorrida para que seja apartada a parte dos débitos compensados com créditos glosados e supostamente não impugnados pela Recorrente para cobrança imediata. (...) 38. Com efeito, o álcool etílico adquirido pela Recorrente é utilizado como matériaprima na fabricação do AntiSéptico Bucal, comercialmente denominado "Colgate Plax", conforme se pode verificar do Bill of Materials anexa (doe. 02). 39. Apenas a título de esclarecimento, o mencionado Bill of Materials se trata do sistema gerencial, no qual constam as informações acerca dos processos produtivos da Recorrente, neste caso, especificamente sobre o produto "Colgate Plax". 40. Em outras palavras, é na Bill of Materials que se encontra todo o segredo empresarial sobre o produto fabricado pela Recorrente. 41. Notese que tal sistema é organizado por níveis e subníveis, de forma a separar as matériasprimas utilizadas de acordo com as diversas etapas de produção. Dessa forma, há um nível para cada produto identificados por um código SKU único para cada produto em cada uma de suas formas de apresentação comercial , o qual é subdividido em subníveis para cada fase do processo produtivo (havendo ainda outros subníveis tantos Fl. 1143DF CARF MF Processo nº 10923.000222/200759 Acórdão n.º 3401005.754 S3C4T1 Fl. 1.144 7 quanto forem necessários para os insumos empregados em cada uma destas fases). 42. Por meio da Bill of Materials relativa ao produto "Colgate Plax", portanto, é possível verificar facilmente que o álcool etílico adquirido pela Recorrente (e equivocadamente classificado na CFOP n° 1.653) é efetivamente utilizado como matériaprima na industrialização do produto "Colgate Plax". 7. É o relatório. Voto Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares, Relator. 8. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. 9. Analisando o quanto exposto no Relatório, bem como toda a documentação acostada aos autos, verifico que o Recorrente não teve uma perfeita compreensão da imputação fiscal que lhe está sendo feita. Na Manifestação de Inconformidade, impugnou exclusivamente a glosa de R$ 6.230,64, a qual foi efetivada apenas quando da emissão do Despacho Decisório, uma vez que durante o procedimento fiscal não houve glosa, mas apenas uma confusa apuração do saldo credor de IPI que culminou no deferimento apenas parcial do direito creditório, no montante de R$ 1.679.568,24. 10. No presente Recurso Voluntário, o Recorrente passa a impugnar todo o valor indeferido, que foi de R$ 187.377,86 (R$ 181.147,22 + R$ 6.230,64); no entanto, afirma que "a integralidade do crédito glosado decorre da aquisição do produto classificado na CFOP n° 1.653 (Álcool Etílico), o que foi integralmente combatido na manifestação de inconformidade apresentada". Na verdade, a glosa pelo CFOP n° 1.653 foi apenas no montante de R$ 6.230,64, não sendo esta a razão para o valor total indeferido. 11. A diferença entre o crédito pleiteado no PER e o apurado na Informação Fiscal, no valor de R$ 181.147,22 (R$ 1.860.715,46 R$ 1.679.568,24), foi encontrada unicamente a partir do "Demonstrativo de Apuração do Ressarcimento", à fl. 985, no qual: (i) não consta nenhuma glosa (conforme coluna "H"); (ii) não há indicação da origem/fonte dos valores utilizados, como aqueles constantes na coluna "O", apenas intitulada "Ressarcimento Deferido"; (iii) há erro de cálculo nas fórmulas indicadas nas "Observações", em relação à 2ª quinzena de Maio de 2004; (iv) aparentemente, existe o crédito de R$1.860.715,46, mas a diferença de R$ 181.147,22 (valor indeferido) está indicada como um "saldo credor ajustado". Ou seja, não vislumbro uma identificação precisa das razões para este deferimento apenas parcial do crédito. 12. Assim, apesar de equivocado, me parece compreensível o fato do Recorrente, na Manifestação de Inconformidade, ter impugnado exclusivamente a glosa decorrente da utilização da utilização do CFOP n° 1.653, no valor de R$ 6.230,64. Afinal, nem no Despacho Decisório, nem no referido Demonstrativo, nem na Informação Fiscal, existe qualquer explicação sobre os motivos de ter sido encontrada esta diferença, mas tão somente uma referência ao Demonstrativo, no item 7 da Informação Fiscal: Fl. 1144DF CARF MF Processo nº 10923.000222/200759 Acórdão n.º 3401005.754 S3C4T1 Fl. 1.145 8 7 Mediante o apurado (subitem 6.9) e considerando o saldo existente, proponho o deferimento do "Crédito de IPI", no valor de R$ 1.679.568,24 (um milhão, seiscentos e setenta e nove mil, quinhentos e sessenta e oito reais e vinte e quatro centavos), conforme refletido no Demonstrativo de Apuração do Ressarcimento (coluna O), que faz parte integrante deste procedimento. 13. Vale destacar que mesmo o Despacho Decisório, proferido com base na Informação Fiscal, faz referência à escassez de informações: Em sucinto relatório de Informação Fiscal, às fls. 880/883, a Fiscalização, em diligência efetuada, consubstanciada nos exames de auditoria, o montante de R$ 1.679.568,24 (...) referente a saldo credor de IPI. 14. Além disso, a Informação Fiscal, antes de propor, no item 7, o deferimento parcial do "Crédito de IPI", no valor de R$ 1.679.568,24, afirma, no item 6.9, a existência de saldo credor no mesmo montante pleiteado pelo contribuinte: 15. Assim, entendo que não restou claro para o Recorrente, no Despacho Decisório, qual o valor que não foi deferido, nem muito menos as razões para o indeferimento. Nesse contexto, houve grave prejuízo para o Recorrente, que não pode exercer adequadamente seu direito de ampla defesa e a um justo contraditório. 16. Mostrase forçoso concluir que o Despacho Decisório, em relação ao indeferimento do crédito de IPI no montante de R$ 181.147,22, foi proferido com preterição do direito de defesa, acarretando a sua nulidade, conforme determina o art. 59, inciso II, do Decreto 70.235/72. 17. Observese que o Recorrente apresentou pedido de nulidade por cerceamento de defesa, porém invocando fundamentação diversa. No entanto, sendo o sistema de nulidades processuais matéria de ordem pública, que ultrapassa o mero interesse das partes, o fundamento aqui tratado pode ser levantado de ofício, sendo cognoscível pelas autoridades julgadoras em qualquer momento processual. 18. Como este contexto também implica uma carência de fundamentação por parte do Fisco, possibilitando decidir do mérito a favor do sujeito passivo, o art. 59, § 3º, do Decreto 70.235/72 determina que a nulidade não deve ser pronunciada: Art. 59. São nulos: (...) Fl. 1145DF CARF MF Processo nº 10923.000222/200759 Acórdão n.º 3401005.754 S3C4T1 Fl. 1.146 9 § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. 19. Em relação à glosa de R$ 6.230,64, porém, entendo que não há qualquer nulidade na decisão proferida, tanto que o Recorrente produziu adequadamente sua defesa. 20. Passando, então, à análise do mérito, verifico que o Recorrente apresentou, no corpo da Manifestação de Inconformidade, a relação das notas fiscais glosadas por estarem identificadas com o CFOP n° 1.653, à fl. 1007. Nesta relação, consta que o produto objeto das notas fiscais é o álcool etílico, insumo para o produto Colgate Plax, e que havia ocorrido um equívoco na utilização do CFOP n° 1.653 Compra de combustível ou lubrificante por consumidor ou usuário final (classificamse neste código as compras de combustíveis ou lubrificantes a serem consumidos em processo de industrialização de outros produtos, na prestação de serviços ou por usuário final). 21. A DRJ julgou a alegação improcedente, afirmando que o Manifestante não havia logrado êxito em comprovar seus argumentos. 22. O contribuinte, então, junto com seu Recurso Voluntário, apresentou as notas fiscais que haviam sido glosadas por, supostamente, estarem identificadas com o CFOP n° 1.653, às fls. 1125/1135. Estas notas anexadas ao processo são aquelas mesmas constantes da relação apresentada no corpo da Manifestação de Inconformidade, à fl. 1007. Consta nestas notas fiscais que o produto comercializado é o álcool neutro, com CFOP 5.101 Venda de produção do estabelecimento. 23. Analisando os documentos anexados às fls. 1091/1098, com as especificações do produto fabricado pela Recorrente, o AntiSéptico Bucal Colgate Plax, constatase que o álcool neutro, ou álcool etílico, realmente faz parte da composição do produto vendido, sendo um insumo e gerando crédito de IPI. 24. Como a única prova do Fisco é o fato de existir no Livro Registro de IPI entradas registradas com o CFOP n° 1.653, sem que se tenha feito qualquer verificação sobre quais eram os produtos constantes das notas fiscais respectivas, ou mesmo se tais produtos poderiam se caracterizar como insumos, não há outra conclusão a se alcançar que não seja a procedência das alegações do Recorrente. 25. Vale destacar que esta glosa não foi efetuada pela Autoridade Tributária responsável pelo procedimento, que não fez qualquer referência a este fato na sua Informação Fiscal, mas sim pela Autoridade Tributária que proferiu o Despacho Decisório, talvez sem as melhores condições para emitir tal juízo de valor. 26. Assim, pelos fundamentos acima expostos, voto por dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares Relator Fl. 1146DF CARF MF Processo nº 10923.000222/200759 Acórdão n.º 3401005.754 S3C4T1 Fl. 1.147 10 Fl. 1147DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.905351/2015-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2011
DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade o despacho decisório que esteja devidamente motivado e fundamentado, possibilitando o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte.
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização de parte do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. Artigo 61 da Lei nº 9.430/1996.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS DE MORA. SELIC. MULTAS EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 108.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.781
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2011 DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade o despacho decisório que esteja devidamente motivado e fundamentado, possibilitando o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização de parte do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. Artigo 61 da Lei nº 9.430/1996. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. SELIC. MULTAS EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11020.905351/2015-81
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5944213
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3402-005.781
nome_arquivo_s : Decisao_11020905351201581.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 11020905351201581_5944213.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
id : 7559567
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:34:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148373458944
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1836; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.905351/201581 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402005.781 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de outubro de 2018 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COFINS Recorrente KEKO ACESSORIOS S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2011 DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade o despacho decisório que esteja devidamente motivado e fundamentado, possibilitando o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização de parte do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicandose o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. Artigo 61 da Lei nº 9.430/1996. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. SELIC. MULTAS EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 108. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 53 51 /2 01 5- 81 Fl. 173DF CARF MF Processo nº 11020.905351/201581 Acórdão n.º 3402005.781 S3C4T2 Fl. 0 2 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, rejeitando as preliminares da defesa e não homologando as compensações apresentadas por não reconhecer o direito creditório postulado. O Despacho Decisório considerou que o crédito informado no PER/DCOMP foi parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em manifestação de inconformidade alegou preliminarmente a Contribuinte que é legítima detentora de créditos apresentados para compensação originados de pagamentos realizados de maneira indevida ou a maior e o despacho decisório, que não reconheceu o direito creditório e deixou de homologar a compensação deve ser declarado nulo em razão de: i)Ausência de fundamentação, resultando em desvio de finalidade na busca pela verdade material, uma vez que não foi diligenciado para aferição do crédito pleiteado e não intimou a Contribuinte a prestar informações; Fl. 174DF CARF MF Processo nº 11020.905351/201581 Acórdão n.º 3402005.781 S3C4T2 Fl. 0 3 ii) É dever da Autoridade fiscal, por aplicação do artigo 7º do Decreto nº 70.235/72, instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações ao Contribuinte, apreensão de documentos fiscais, diligências até a sede da Empresa, entre outros expedientes; iii) Não foi respeitado o contraditório, o devido processo legal e a ampla defesa. No mérito, alegou a Contribuinte que: iv) Deve ser possibilitada posterior juntada de documentos que comprovem as alegações trazidas em manifestação de inconformidade, em respeito ao princípio administrativo da verdade material, possibilitando a comprovação do direito creditório; v) É ilegal e inconstitucional a multa aplicada sobre o montante do tributo devido, devendo ser aplicados os princípios constitucionais do não confisco, razoabilidade e proporcionalidade; vi) O percentual de multa aplicado para o caso de descumprimento de obrigação principal, mesmo que expressamente previsto na legislação pertinente, deveria sempre guardar proporção com o valor da prestação tributária exigida, bem como adequarse e/ou assemelharse aos novos critérios de aplicação de multas estabelecidos para as relações contratuais que envolvem questões de direito privado. O Acórdão nº 02073.171 manteve o despacho decisório. Regularmente cientificada desta decisão, a Recorrente interpôs tempestivamente o Recurso Voluntário ora em apreço, onde repisa os argumentos expostos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.753, de 24 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 11020.900612/201658, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402005.753): "Pressupostos legais de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, devendo ser conhecido. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 11020.905351/201581 Acórdão n.º 3402005.781 S3C4T2 Fl. 0 4 Preliminar A Recorrente alega preliminarmente que o despacho decisório é nulo por não ser fundamentado e ferir os princípios constitucionais da ampla defesa, contraditório e devido processo legal, resultando em desvio de finalidade. Sem razão. Está correta a decisão recorrida ao concluir pela aplicação do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Com a detida análise dos autos é possível constatar que tanto o PERD/COMP, quanto a Manifestação de Inconformidade e o Recurso Voluntário, não estão instruídos com documentos passíveis de corroborar com as alegações da defesa. Ao invés de comprovar a certeza e liquidez ou, ainda, proceder à retificação da DCTF, demonstrando a suficiência do direito creditório para contrapor ao despacho decisório que não homologou a compensação, a Recorrente cingiuse em alegar a ausência das razões da não homologação, invocando os Princípios Constitucionais do Contraditório, Ampla Defesa e Devido Processo Legal, atribuindo o ônus da prova à Autoridade Fazendária. Ao contrário do que alega a Recorrente, aplicase o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito. Neste sentido, a 4ª Câmara da 1ª Turma Ordinária da 3ª Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais proferiu o Acórdão nº 3401003.907, acatando por unanimidade o voto do Conselheiro Relator Augusto Fiel Jorge D'Oliveira ao negar provimento ao Recurso Voluntário interposto no Processo Administrativo Fiscal nº 13832.000095/9970, conforme Ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1991 a 30/06/1992 ÔNUS DA PROVA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem do indeferimento de pedido de restituição/compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 11020.905351/201581 Acórdão n.º 3402005.781 S3C4T2 Fl. 0 5 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Transcrevese abaixo parte do fundamento que embasou o respeitável voto do julgado acima citado: Em se tratando de pedido de restituição combinado com pedido de compensação, é ônus do contribuinte provar que possui o direito de crédito e no montante por ele alegado, o que implica a guarda da documentação necessária para tanto não pelo prazo de 5 (cinco) anos da realização dos pagamentos, como pretende ver reconhecido o Recorrente, mas até o encerramento da discussão administrativa ou judicial em que pretende ver aquele direito de crédito reconhecido. Nesse sentido, vejam os dispositivos legais a seguir: CTN: "Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram". (grifos nossos) Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil): "Art. 1.194. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a conservar em boa guarda toda a escrituração, correspondência e mais papéis concernentes à sua atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência no tocante aos atos neles consignados" . (grifos nossos) Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99): "Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (Decreto Lei nº 486, de 1969, art. 4º). (...) Art.923.A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em Fl. 177DF CARF MF Processo nº 11020.905351/201581 Acórdão n.º 3402005.781 S3C4T2 Fl. 0 6 preceitos legais. (DecretoLei nº1.598, de 1977, art. 9º, §1º)". (grifos nossos) Neste caso, não se aplicam as hipóteses de nulidade previstas pelo artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972, uma vez que tanto o despacho decisório, quanto o acórdão recorrido estão motivados pela ausência de crédito suficiente para compensação com os débitos declarados. E não há que se falar em preterição do direito de defesa da Contribuinte. Portanto, afasto as preliminares invocadas no recurso em análise. Mérito Princípio da Verdade Material A Recorrente invoca o Princípio da Verdade Material para alegar que deveria o Agente Fiscal apurar os fatos independentemente de suposições ou indícios, possibilitando à manifestante a posterior juntada de documentos para comprovar o direito creditório. Com efeito, a busca pela verdade material deve prevalecer, possibilitando ao Contribuinte apresentar todos os meios de provas necessários para comprovação de seu direito. No entanto, é da Contribuinte o ônus da prova passível de contrapor a constatação de utilização dos créditos declarados para compensação, o que não ocorreu no presente caso, pois a Recorrente não apresentou qualquer documento passível de comprovar o direito alegado, tampouco procedeu à Retificação da DCTF no prazo concedido para manifestação de inconformidade. O Artigo 37 da Lei nº 9.430/1996 prevê que "Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios". Reiterase a aplicação do artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, bem como a incidência do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Neste sentido, citase o Acórdão nº 3302005.292, proferido pela 3ª Câmara da 2ª Turma Ordinária da 3ª Seção deste Tribuna Administrativo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 Fl. 178DF CARF MF Processo nº 11020.905351/201581 Acórdão n.º 3402005.781 S3C4T2 Fl. 0 7 DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. AUSÊNCIA DE PROVA. INDEFERIMENTO. O direito creditório objeto de pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep será indeferido se o contribuinte não apresentar os documentos necessários a análise e confirmação do valor do crédito pleiteado/compensado. Para esse fim, o postulante deve apresentar à fiscalização, quando solicitado, os arquivos digitais e os documentos fiscais e contábeis necessários à comprovação dos créditos apropriados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento de crédito decorrente do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, seja sob a forma de dedução, compensação ou ressarcimento, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros moratórios. COMPENSAÇÃO DECLARADA. ANÁLISE ANTES DE COMPLETADO O PRAZO DE CINCO ANOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há homologação tácita da compensação declarada quando o contribuinte é cientificado do despacho decisório não homologatório da compensação antes de completado o prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da correspondente declaração de compensação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA.. IMPRESCINDIBILIDADE DA NOVA PROVA. INDEFERIMENTO. Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários e suficientes à formação da convicção do julgador quanto às questões de fato objeto da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência e perícia formulado. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E Fl. 179DF CARF MF Processo nº 11020.905351/201581 Acórdão n.º 3402005.781 S3C4T2 Fl. 0 8 ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. 1. No âmbito do processo administrativo fiscal, a produção da prova pericial somente se justifica nos casos a análise da prova exige conhecimento técnico especializado. Por não atender tal condição, a apreciação de documentos contábeis e fiscais prescinde de realização de perícia técnica. 2. O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA IMPRESCINDÍVEL À COMPROVAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO NA FASE PROCEDIMENTAL DE FORMA DELIBERADA E INTENCIONAL. PRINCÍPIO DO NEMO AUDITUR PROPRIAM TURPITUDINEM ALLEGANS. REABERTURA DA INSTRUÇÃO PROBATÓRIA NA FASE RECURSAL. NÃO CABIMENTO. Se no curso do procedimento fiscal, após ser intimada e reintimada a recorrente, de forma deliberada e como estratégia de defesa, omitese de apresentar os arquivos digitais e a documentação contábil e fiscal necessária à apuração da certeza e liquidez do crédito da Cofins pleiteado, a reabertura da instrução probatória na fase recursal, inequivocamente, implicaria clara afronta ao princípio jurídico de que ninguém pode se beneficiar de sua própria torpeza (ou nemo auditur propriam turpitudinem allegans). DESPACHO DECISÓRIO PROFERIDO POR AUTORIDADE COMPETENTE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA INEXISTENTE. NULIDADE. IMPOSSIBILIDAE. Não é passível de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e que contenha todos os fundamentos fáticos e jurídicos suficientes para o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido. Fl. 180DF CARF MF Processo nº 11020.905351/201581 Acórdão n.º 3402005.781 S3C4T2 Fl. 0 9 Recurso Voluntário Negado. Da alegação de Inaplicabilidade da multa em face do Princípio Constitucional do Não Confisco e dos Princípios Administrativos da Razoabilidade e da Proporcionalidade. A Recorrente questiona a multa aplicada, alegando tratarse de penalidade confiscatória, ilegal e inconstitucional. Alega que: O valor lançado a título de multa, flagrantemente ilegal como a seguir demonstrarseá, é manifestamente excessivo, ferindo, desta maneira o princípio constitucional do não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade. Neste contexto, é princípio básico que a pena, no caso a multa aplicada em face de infrações, não pode ultrapassar os estritos limites da lei – ou ainda, do direito como um todo valendo para o caso específico do direito tributário, a definição legal do tributo como insuscetível de servir como instrumento de penalização do contribuinte. (...) De outra banda, importa consignar que as obrigações acessórias, entre elas a multa, podem ter duas naturezas, sendo uma tributária e, neste caso, converterse em principal, e a outra de natureza punitiva, que, ipso jure, convertese também em principal. No primeiro caso, o que era princípio na legislação esparsa, convertese em mandamento constitucional e legal impeditivo da bitributação com a mesma base de cálculo, vedando o bis in idem a partir do mesmo fato gerador, expresso no art. 150, I da CF/88, antes focado. Ora ainda que tolerado durante a vigência da Constituição anterior e ainda que contrário ao princípio da tributação, o Código Tributário Nacional, como antes dito, mandava converter a obrigação acessória, qualquer que fosse sua natureza, administrativa ou punitiva, em obrigação principal. Contudo, a tolerância tinha origem na idéia de que a obrigação principal art. 113, 3º, do CTN surge com a ocorrência do fato gerador, e tinha por objeto não apenas o pagamento do tributo, mas também a penalidade pecuniária. (...) Assim, a multa em questão é totalmente inexigível, uma vez que fere explicitamente os princípios legais e constitucionais Fl. 181DF CARF MF Processo nº 11020.905351/201581 Acórdão n.º 3402005.781 S3C4T2 Fl. 0 10 acima referidos, devendo ser reformado o acórdão recorrido também neste ponto. Ocorre que o artigo 61 da Lei nº 9.430/1996 é taxativo ao estabelecer a fixação de juros de mora e multa: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. A multa aplicada atende ao limite de 20% (vinte por cento) estabelecido pelo § 2º acima transcrito. Portanto, não há que se alegar caráter confiscatório, tampouco ausência de razoabilidade e proporcionalidade. Por outro lado, incide a Súmula CARF nº 2, uma vez que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Taxa Selic A Recorrente questiona a aplicação da Taxa Selic na correção do crédito tributário, argumentando pela ilegalidade do cálculo de juros moratórios sobre débitos tributários. Não assiste razão à Recorrente, considerando a incidência da Súmula CARF 108, que assim dispõe: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 11020.905351/201581 Acórdão n.º 3402005.781 S3C4T2 Fl. 0 11 Portanto, deve ser mantida a decisão recorrida. Dispositivo Ante o exposto, conheço o Recurso Voluntário, rejeito as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGO PROVIMENTO para manter na íntegra o acórdão recorrido. " Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 183DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.903276/2008-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Ano-calendário: 2003
CIDE/REMESSAS. CRÉDITO PREVISTO NO ART. 4º DA MP 2.159-70/2001. APROVEITAMENTO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O crédito de CIDE previsto no art. 4º da MP nº 2.159-70/2001 não decorre de pagamento indevido. Logo, não pode ser utilizado por meio de Declaração de Compensação, mas tão somente para fins de dedução da contribuição incidente em operações posteriores.
Numero da decisão: 3301-005.157
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13819.900202/2009-27, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE Ano-calendário: 2003 CIDE/REMESSAS. CRÉDITO PREVISTO NO ART. 4º DA MP 2.159-70/2001. APROVEITAMENTO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O crédito de CIDE previsto no art. 4º da MP nº 2.159-70/2001 não decorre de pagamento indevido. Logo, não pode ser utilizado por meio de Declaração de Compensação, mas tão somente para fins de dedução da contribuição incidente em operações posteriores.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13819.903276/2008-34
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5923883
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-005.157
nome_arquivo_s : Decisao_13819903276200834.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 13819903276200834_5923883.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13819.900202/2009-27, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
id : 7499642
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:30:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148378701824
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1632; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13819.903276/200834 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301005.157 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de setembro de 2018 Matéria CIDE Recorrente AUTONEUM BRASIL TÉXTEIS ACÚSTICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2003 CIDE/REMESSAS. CRÉDITO PREVISTO NO ART. 4º DA MP 2.159 70/2001. APROVEITAMENTO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O crédito de CIDE previsto no art. 4º da MP nº 2.15970/2001 não decorre de pagamento indevido. Logo, não pode ser utilizado por meio de Declaração de Compensação, mas tão somente para fins de dedução da contribuição incidente em operações posteriores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13819.900202/200927, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 32 76 /2 00 8- 34 Fl. 110DF CARF MF Processo nº 13819.903276/200834 Acórdão n.º 3301005.157 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido e aproveitar esse crédito com débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB. Em análise ao referido documento, a autoridade tributária proferiu Despacho Decisório Eletrônico, explicando que o pagamento indicado já estava integralmente alocado, não restando, assim, crédito para ser utilizado na compensação em questão. Com isso, decidiu pela não homologação da referida Declaração de Compensação. Inconformado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade tempestiva alegando, em suma, que seu direito creditório tem fundamento no artigo 4º da Medida Provisória nº 2.15970/2001, o qual afirma terlhe outorgado o direito de compensar tal crédito com débitos do mesmo tributo, conforme o fez através da Dcomp em tela. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 0533.184. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário em que discorre sobre sua atividade, o contrato de exploração de patente e uso de marca que firmou com empresa estrangeira, as remessas de royalties, o direito ao crédito de CIDE, sob o amparo da MP n° 2.15970/01, e a correção do procedimento adotado utilização do crédito da CIDE para liquidação de débitos vincendos, via PER/DCOMP. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.136, de 25 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 13819.900202/200927, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301005.136): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 13819.903276/200834 Acórdão n.º 3301005.157 S3C3T1 Fl. 4 3 Com fulcro no § 1° do art. 50 da Lei n° 9.784/99, adoto como razão de decidir o voto condutor do Acórdão DRJ n° 1265.687, de 22/05/14, da lavra do i.julgador Bernardo Moraes Fiuza Pequeno: "(. . .) Verificase que o interessado fundamenta sua defesa no art. 4º da MP Nº 2.15970/2001, deste modo, transcrevo o referido dispositivo legal por ser de suma importância para a solução da lide (grifos de minha autoria). 'Art. 4º É concedido crédito incidente sobre a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, instituída pela Lei nº 10.168, de 2000, aplicável às importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas para o exterior a título de róialties referentes a contratos de exploração de patentes e de uso de marcas. § 1º O crédito referido no caput: I será determinado com base na contribuição devida, incidente sobre pagamentos, créditos, entregas, emprego ou remessa ao exterior a título de róialties de que trata o caput deste artigo, mediante utilização dos seguintes percentuais: a) cem por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1o de janeiro de 2001 até 31 de dezembro de 2003; b) setenta por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1o de janeiro de 2004 até 31 de dezembro de 2008; c) trinta por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1o de janeiro de 2009 até 31 de dezembro de 2013; II será utilizado, exclusivamente, para fins de dedução da contribuição incidente em operações posteriores, relativas a róialties previstos no caput deste artigo. § 2o O Comitê Gestor definido no art. 5º da Lei nº 10.168, de 2000, será composto por representantes do Governo Federal, do setor industrial e do segmento acadêmicocientífico.' Percebese na leitura deste artigo, que a MP nº 2.15970/2001 concedeu crédito ao contribuinte nos casos de remessas ao exterior a título de róialties, o qual é calculado com base na contribuição devida. No entanto, o interessado informou na Declaração de Compensação crédito oriundo de pagamento indevido, ou seja, o crédito previsto na MP nº 2.15970/2001 não tem relação com o crédito de pagamento indevido, haja vista que o pagamento só é indevido se a CIDE não é devida. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13819.903276/200834 Acórdão n.º 3301005.157 S3C3T1 Fl. 5 4 Por outro lado, o crédito da MP nº 2.15970/2001 só é gerado com base na CIDE que é devida. Portanto, percebese que a defesa sustenta um crédito distinto daquele informado na Declaração de Compensação. Ademais, ainda que o interessado obtivesse êxito em comprovar o suposto crédito previsto na MP nº 2.15970, este não poderia ser utilizado através de Declaração de Compensação, mas tão somente por meio de dedução da CIDE de períodos subseqüentes, em conformidade com o art. 4º, § 1º, inciso II, que diz (grifos meus): 'II será utilizado, exclusivamente, para fins de dedução da contribuição incidente em operações posteriores, relativas a róialties previstos no caput deste artigo.' Portanto, diante de todo exposto, voto por julgar a manifestação de inconformidade improcedente, mantendose integralmente o Despacho Decisório, a fim de não homologar a Declaração de Compensação." Com base no acima exposto, nego provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 113DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14055.720273/2012-95
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.756
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira (relator) e Fernanda Melo Leal, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 14055.720273/2012-95
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5927908
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2001-000.756
nome_arquivo_s : Decisao_14055720273201295.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOSE RICARDO MOREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 14055720273201295_5927908.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira (relator) e Fernanda Melo Leal, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
id : 7514467
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:31:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148390236160
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1608; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 2 1 1 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14055.720273/201295 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.756 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 26 de setembro de 2018 Matéria Imposto de Renda Pessoa Física Recorrente CLEIDE SARAIVA DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira (relator) e Fernanda Melo Leal, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 05 5. 72 02 73 /2 01 2- 95 Fl. 68DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2009, anocalendário de 2008, em que foram glosadas dedução de despesas médicas no valor de R$ 24.716,00. Também foi objeto do lançamento a glosa de dedução com dependente, no valor de R$ 1.655,88. A contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada procedente em parte, mediante Acórdão da DRJ Brasília de f. 38/43. A Decisão restabeleceu a dedução da despesa com dependente (R$ 1,655,88) e de despesas médicas no valor de R$ 3.212,00. Cientificada, a interessada apresentou recurso voluntário de f. 52/55. Em síntese, alega que atendeu ao que foi solicitado pela autoridade fiscal, apresentando os respectivos recibos relativos às despesas médicas. Aduz que os recibos, por si só, fazem prova dos pagamentos realizados a este título. Argumenta que não está obrigada a apresentar seus exames médicos e laboratoriais. Sustenta ainda que não é razoável exigir a apresentação de extratos ou outros meios de prova dos pagamentos, seja porque a pessoa física não é obrigada a ter escrita fiscal, seja porque a reunião destes documentos é difícil para o contribuinte. Pugna pela procedência do recurso e pelo cancelamento do crédito tributário. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. A questão aqui posta para análise cingese à glosa de despesas médicas. A interessada, no recurso, insurgese contra estas glosas, pelas razões que enumera. Dispõe o art. o art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Consta da fundamentação do lançamento, bem como da decisão de primeira instância, que é necessária a apresentação de comprovação do efetivo pagamento para aceitação das despesas médicas. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 14055.720273/201295 Acórdão n.º 2001000.756 S2C0T1 Fl. 3 3 Desta forma, verificase que o recibo, ao contrário do que defende a recorrente, não faz prova absoluta da real ocorrência do pagamento. A autoridade fiscal, se entender necessário, pode solicitar outros elementos de convicção da efetiva realização da despesa que se pretende deduzir. Não poderia ser de outra forma. Entender o contrário seria tolher a ação da fiscalização, que ficaria impossibilitada de exercer sua atividade investigativa, na busca de verificar a veracidade das declarações prestadas. Há que ser frisado que aqui não se trata de mera prerrogativa, mas de um dever da autoridade fiscal, haja vista tratarse de dedução da base de cálculo e, portanto, de redução do tributo. Com efeito, as solicitações de documentos devem atender à razoabilidade, devendo ser evitados os pedidos de provas impossíveis ou de difícil produção. Analisando a Notificação de Lançamento, verificamos que foram glosadas despesas médicas de valores significativos, que justifica a solicitação de informações adicionais. A Descrição dos Fatos e Enquadramento legal do Lançamento encontrase devidamente fundamentado, com todas as razões que levaram a efetivação da glosa. Não foram apresentadas provas do efetivo pagamento das despesas, não houve suficiente descrição do tratamento ou dos exames realizados. Aqui deve prevalecer o princípio do benefício da prova, já que o interesse em provar é do contribuinte, a quem a prova aproveita. Não há que se falar em quebra de sigilo ou de invasão à privacidade do cidadão. Não há quebra de sigilo perante o fisco, cuja atividade primordial é justamente investigar a veracidade dessas despesas que resultam em redução de tributo. Ademais, ao intimar o contribuinte para apresentar documentos adicionais que comprovam a efetividade das despesas (provas essas que beneficiam o contribuinte), a autoridade fiscal não está interessada na intimidade da pessoa, mas está cumprindo o dever legal de investigar a veracidade das declarações prestadas. Tratase de imposto lançado por homologação e o quantum devido pode ser alterado pela autoridade lançadora, no exercício de suas atribuições legais. Da mesma forma, não se mostra desarrazoado o pedido de apresentação de extratos bancários. Pode ocorrer de o contribuinte haver pago as despesas em cheques ou mediante saques da conta corrente, o que seria facilmente comprovado pela existência de saques de valores compatíveis em datas aproximadas das da efetivação das despesas. O contribuinte poderia requerer à instituição financeira os referidos extratos (em alguns casos, obtémse extratos pela internet, em poucos instantes), sendo que essa providência não lhe seria de difícil execução. Se tivesse atendido a este simples pedido, provavelmente não seriam glosadas parte ou a totalidade das despesas. O contribuinte, entretanto, por diversas vezes, mediante negativas genéricas, se opôs a trazer os elementos de prova que lhe seriam benéficos. Não apresentou à autoridade lançadora, não juntou à impugnação e não se aproveita da oportunidade agora trazida pelo recurso voluntário. Desta forma, reitero a motivação do voto exposto na decisão de primeira instância, que indeferiu a dedução das despesas glosadas. Fl. 70DF CARF MF 4 CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Voto Vencedor Discordo do Relator em relação às despesas médicas. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que seja glosado devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e o fundamento para lançar limitase a que recibos não comprovam pagamento de despesas médicas. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa a documentos usuais não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 14055.720273/201295 Acórdão n.º 2001000.756 S2C0T1 Fl. 4 5 E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como se pode ver no art 2º Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento exofficio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Diante do exposto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Redator Designado. Fl. 72DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19985.723375/2014-47
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2015
EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO. DÉBITO.
A existência de débito com a Fazenda Pública Federal, cuja exigibilidade não esteja suspensa, impossibilita a permanência no Simples Nacional.
Numero da decisão: 1001-000.873
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2015 EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO. DÉBITO. A existência de débito com a Fazenda Pública Federal, cuja exigibilidade não esteja suspensa, impossibilita a permanência no Simples Nacional.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 19985.723375/2014-47
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5922585
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1001-000.873
nome_arquivo_s : Decisao_19985723375201447.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : EDUARDO MORGADO RODRIGUES
nome_arquivo_pdf_s : 19985723375201447_5922585.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
dt_sessao_tdt : Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
id : 7492013
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:30:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148419596288
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1221; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 2 1 1 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19985.723375/201447 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.873 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 03 de outubro de 2018 Matéria Exclusão do Simples Recorrente VERDESPACO ENGENHARIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2015 EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO. DÉBITO. A existência de débito com a Fazenda Pública Federal, cuja exigibilidade não esteja suspensa, impossibilita a permanência no Simples Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 98 5. 72 33 75 /2 01 4- 47 Fl. 93DF CARF MF Processo nº 19985.723375/201447 Acórdão n.º 1001000.873 S1C0T1 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Voluntário (fl. 70 a 71) interposto contra o Acórdão nº 1542.692, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador/BA (fls. 60 a 61), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2015 EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO. DÉBITO. A existência de débito com a Fazenda Pública Federal, cuja exigibilidade não esteja suspensa, impossibilita a permanência no Simples Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio " Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " Tratase de Manifestação de Inconformidade contra o Ato Declaratório Executivo nº 112282, de 10 de setembro de 2014, que excluiu a contribuinte do Simples Nacional com efeitos a partir de 01/01/2015 por possuir débitos com a Secretaria da Receita Federal do Brasil com exigibilidade não suspensa, conforme disposto no inciso V do art. 17 da Lei Complementar nº 123, de 2006, e na alínea “d” do inciso II do art. 73, combinada com o inciso I do art. 76, ambos da Resolução CGSN no 94, de 2011. A interessada alega que regularizou as pendências impeditivas à sua opção pelo Simples Nacional. " Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente apresentou o recurso sob análise com base na mesmas alegações já aventadas em primeira instância. É o relatório. Voto Fl. 94DF CARF MF Processo nº 19985.723375/201447 Acórdão n.º 1001000.873 S1C0T1 Fl. 4 3 Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Em atenção ao disposto no §3º do art. 57 do RICARF, e por concordar com seu teor, adoto as razões exaradas pela decisão da DRJ ora combatida. Para tanto, reproduzo os tópicos atinentes às matérias ora tratadas: " (...) Às folhas 55/57 foi anexada a Informação Fiscal EQSIM/DRF/CTA – Nº 024/2016, que bem sintetiza o objeto deste processo, da qual transcrevo a conclusão, cujos fundamentos adoto como razão de decidir: Desse modo, em 09/12/2014, quando transcorrido o prazo de trinta (30) dias contados da ciência do ato de exclusão, data limite para a regularização das pendências, os débitos não previdenciários em cobrança na PGFN, inscrição nº 90 4 14 00738178, não estavam com a exigibilidade suspensa, tampouco estavam integralmente quitados. Isto posto, voto por julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade e manter a exclusão da interessada do Simples Nacional. (...)" Assim, com base nos argumentos supra colacionados, provenientes da DRJ de origem, entendo que os argumentos esposados pela Recorrente não devem ser acolhidos. Portanto, a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. Desta forma, VOTO por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 95DF CARF MF Processo nº 19985.723375/201447 Acórdão n.º 1001000.873 S1C0T1 Fl. 5 4 Fl. 96DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.721008/2012-92
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 29/11/2007 a 15/06/2009
IMPORTAÇÃO. INFRAÇÃO POR OCULTAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM VERSUS IMPORTAÇÃO POR ENCOMENDA. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. EXCLUDENTE DE TIPICIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em alteração no critério jurídico ou de ausência de subsunção do fato às normas quando, no auto de infração, considera-se ter ocorrido uma importação por conta e ordem de terceiros e a decisão de primeira instância, uma importação por encomenda. A interposição fraudulenta de terceiros está associada à falsidade das informações prestadas pelo contribuinte/solidário à Secretaria da Receita Federal. Declarada como importação por conta própria, sobressai incontroverso que a operação não se processou nos moldes em que foi declarada, mas no interesse de outro, independentemente de ter-se realizado com recursos de terceiros ou não.
Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 29/11/2007 a 15/06/2009
PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. DANO AO ERÁRIO. PREJUÍZO EFETIVO. DEMONSTRAÇÃO. DESNECESSIDADE. INFRAÇÃO DE CONDUTA.
Constitui infração por dano ao Erário a ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou do responsável pela operação. A conduta é apenada com o perdimento das mercadorias, convertido em multa equivalente ao seu valor aduaneiro, caso elas não sejam localizadas ou tenham sido consumidas.
A penalidade decorrente da infração por interposição fraudulenta coibe a conduta do administrado; não depende da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
Numero da decisão: 9303-007.451
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Votou pelas conclusões, quanto ao conhecimento, a conselheira Tatiana Midori Migiyama. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Demes Brito, substituído pela conselheira Semíramis de Oliveira Duro.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal- Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Semíramis de Oliveira Duro (suplente convocada), Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 29/11/2007 a 15/06/2009 IMPORTAÇÃO. INFRAÇÃO POR OCULTAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM VERSUS IMPORTAÇÃO POR ENCOMENDA. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. EXCLUDENTE DE TIPICIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em alteração no critério jurídico ou de ausência de subsunção do fato às normas quando, no auto de infração, considera-se ter ocorrido uma importação por conta e ordem de terceiros e a decisão de primeira instância, uma importação por encomenda. A interposição fraudulenta de terceiros está associada à falsidade das informações prestadas pelo contribuinte/solidário à Secretaria da Receita Federal. Declarada como importação por conta própria, sobressai incontroverso que a operação não se processou nos moldes em que foi declarada, mas no interesse de outro, independentemente de ter-se realizado com recursos de terceiros ou não. Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 29/11/2007 a 15/06/2009 PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. DANO AO ERÁRIO. PREJUÍZO EFETIVO. DEMONSTRAÇÃO. DESNECESSIDADE. INFRAÇÃO DE CONDUTA. Constitui infração por dano ao Erário a ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou do responsável pela operação. A conduta é apenada com o perdimento das mercadorias, convertido em multa equivalente ao seu valor aduaneiro, caso elas não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. A penalidade decorrente da infração por interposição fraudulenta coibe a conduta do administrado; não depende da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10983.721008/2012-92
anomes_publicacao_s : 201812
conteudo_id_s : 5930644
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9303-007.451
nome_arquivo_s : Decisao_10983721008201292.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
nome_arquivo_pdf_s : 10983721008201292_5930644.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Votou pelas conclusões, quanto ao conhecimento, a conselheira Tatiana Midori Migiyama. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Demes Brito, substituído pela conselheira Semíramis de Oliveira Duro. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran - Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal- Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Semíramis de Oliveira Duro (suplente convocada), Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7532558
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:32:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148435324928
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 37; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2061; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10983.721008/201292 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303007.451 – 3ª Turma Sessão de 20 de setembro de 2018 Matéria MULTA DE CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FIRST S.A. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 29/11/2007 a 15/06/2009 IMPORTAÇÃO. INFRAÇÃO POR OCULTAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM VERSUS IMPORTAÇÃO POR ENCOMENDA. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. EXCLUDENTE DE TIPICIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em alteração no critério jurídico ou de ausência de subsunção do fato às normas quando, no auto de infração, considerase ter ocorrido uma importação por conta e ordem de terceiros e a decisão de primeira instância, uma importação por encomenda. A interposição fraudulenta de terceiros está associada à falsidade das informações prestadas pelo contribuinte/solidário à Secretaria da Receita Federal. Declarada como importação por conta própria, sobressai incontroverso que a operação não se processou nos moldes em que foi declarada, mas no interesse de outro, independentemente de terse realizado com recursos de terceiros ou não. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 29/11/2007 a 15/06/2009 PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. DANO AO ERÁRIO. PREJUÍZO EFETIVO. DEMONSTRAÇÃO. DESNECESSIDADE. INFRAÇÃO DE CONDUTA. Constitui infração por dano ao Erário a ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou do responsável pela operação. A conduta é apenada com o perdimento das mercadorias, convertido em multa equivalente ao seu valor aduaneiro, caso elas não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. A penalidade decorrente da infração por interposição fraudulenta coibe a conduta do administrado; não depende da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 72 10 08 /2 01 2- 92 Fl. 3154DF CARF MF Processo nº 10983.721008/201292 Acórdão n.º 9303007.451 CSRFT3 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Votou pelas conclusões, quanto ao conhecimento, a conselheira Tatiana Midori Migiyama. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Demes Brito, substituído pela conselheira Semíramis de Oliveira Duro. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Semíramis de Oliveira Duro (suplente convocada), Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão nº 3402002.275, de 28 de janeiro de 2014 (fls. 3017 a 3047 do processo eletrônico), proferido Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que por maioria de votos de votos, deu provimento ao recurso voluntário, cancelandose a autuação. A discussão dos presentes autos tem origem no auto de infração lavrado em face do Contribuinte First S/A para exigência de crédito tributário no valor de R$ 7.418.812,48 referente a multa equivalente ao valor aduaneiro de mercadorias importadas. Depreendese da descrição dos fatos do auto de infração que o Contribuinte teve duas Declarações de Importação fiscalizadas em unidade de fronteira da Receita Federal Fl. 3155DF CARF MF Processo nº 10983.721008/201292 Acórdão n.º 9303007.451 CSRFT3 Fl. 4 3 do Brasil. No decorrer daquela fiscalização foram levantados indícios de que haveria a prática de ocultação dos reais adquirentes das mercadorias importadas pela interessada, pois as importações eram realizadas na modalidade “direta”. Foram tomados depoimentos dos intervenientes nas operações, transportador e despachante aduaneiro, bem como do próprio diretor da empresa. Também foram apreendidas mensagens eletrônicas que confirmaram as suspeitas iniciais. Assim, foi realizada fiscalização nas Declarações de Importação registradas pela interessada no período de 2007 a 2009. A descrição dos fatos do auto de infração foi assim resumida pela fiscalização em seu relatório fiscal: “Diante do relatado até aqui, podemos concluir que: A FIRST S/A atuava como intermediária nas operações de importação de preformas PET, que são objeto desta fiscalização, ocorridas entre novembro de 2007 e junho de 2009. As preformas PET a serem importadas eram definidas, em quantidade e características, pelas empresas clientes da FIRST, no caso do presente auto, a empresa Brasal. As empresas destinatárias das preformas PET mantinham contato direto com a empresa Cristalpet, inclusive definindo características das mercadorias a serem importadas. A empresa FIRST procurou ocultar da fiscalização, no decorrer tanto do procedimento especial de controle instaurado pela IRF/Santana do Livramento quanto no decorrer da presente fiscalização, que as preformas PET, por ela importadas, tinham destinatários predeterminados. A emissão de notas fiscais de venda para os reais adquirentes das preformas PET, antes mesmo da liberação das mercadorias pela alfândega, era uma prática recorrente da empresa, uma vez que os reais adquirentes já eram conhecidos pela FIRST antes mesmo da importação ocorrer. Fl. 3156DF CARF MF Processo nº 10983.721008/201292 Acórdão n.º 9303007.451 CSRFT3 Fl. 5 4 Os recursos utilizados nas operações de importação pertenciam, ao que tudo indica, à empresa FIRST S/A e eram reembolsados a ela, pelas reais adquirentes das mercadorias. A empresa FIRST S/A atuava como prestadora de serviços de importação para empresas que utilizavam preformas PET em seus processos produtivos, entre elas a empresa Brasal Embalagens Ltda. Houve ocultação do real adquirente (comprador no exterior) das mercadorias importadas por meio das DI sob fiscalização. As operações realizadas pela FIRST, por suas características e, tendo em vista que a mercadoria a ser importada (quantidade, tipo, preço) era sempre definida, previamente, em negociação direta entre o adquirente das mercadorias (Brasal) e o exportador, se enquadram como importações por conta e ordem de terceiros.” Com relação às penalidades, assim, concluiu a fiscalização: “Diante de todo exposto no presente Relatório e nos documentos citados, concluise que: A empresa FIRST S/A efetuou diversas operações de importação de preformas PET (DI constantes na Tabela 1), onde declarava importar em nome próprio, ocultando os reais adquirentes das operações, mediante simulação e fraude. Neste auto, a empresa ocultada foi a Brasal Embalagens Ltda. Todas as operações de importação de preforma PET analisadas nesta fiscalização foram realizadas em nome da empresa Brasal Embalagens Ltda. A conduta da empresa FIRST S/A configura a prática de ato simulado, uma vez que o verdadeiro negócio jurídico realizado (prestação de serviços de importação por conta e ordem de terceiros) permaneceu oculto. Houve, em tese, utilização indevida de benefício fiscal relativo ao ICMS pelas empresas FIRST e Brasal Embalagens Ltda., o que configura fraude tributária. Fl. 3157DF CARF MF Processo nº 10983.721008/201292 Acórdão n.º 9303007.451 CSRFT3 Fl. 6 5 Restou demonstrado que a empresa FIRST S/A, mediante cessão de seu nome e seus documentos, importou preformas PET, na realidade, por conta e ordem da empresa Brasal Embalagens Ltda., sendo esta empresa acobertada das relações obrigacionais tributárias formadas. Resumindo, concluise que a empresa FIRST S/A ocultou (acobertou) o verdadeiro destinatário das preformas PET importadas nas DI sob fiscalização (tabela 1), configurando a prática de OCULTAÇÃO DO REAL COMPRADOR E RESPONSÁVEL pelas operações de importação, mediante fraude e simulação.” Assim conclui a fiscalização: “Sendo assim e, tendo em vista que: 1. As mercadorias importadas não estavam mais na posse da importadora, uma vez que foram entregues às adquirentes; 2. As mercadorias foram importadas no período de julho de 2007 a agosto de 2009, para serem utilizadas no processo produtivo da adquirente; 3. Não haveria possibilidade de serem identificadas no estoque da adquirente (uma vez que incluída no estoque, não é possível diferenciar uma preforma PET importada numa data de outra importada numa outra ocasião, pelo fato de as mercadorias não terem uma identificação única e específica). Aplicase, então, a multa do art. 23, V, parágrafos 1° e 3° do DecretoLei 1455 de 1976. Resta esclarecer que, pela prática da infração descrita no artigo 23, inciso V, e parágrafos 1º e 3º, do DecretoLei nº 1.455, de 1976, respondem as empresas FIRST S/A e Brasal Embalagens Ltda., em virtude da responsabilidade estabelecida no DecretoLei nº 37, de 1966, com as alterações feitas pela Medida Provisória nº 2.158, de 2001. Finalmente, então diante dos elementos analisados acima, concluise que essa conduta dolosa resultou no fornecimento de informações falsas nas Fl. 3158DF CARF MF Processo nº 10983.721008/201292 Acórdão n.º 9303007.451 CSRFT3 Fl. 7 6 declarações de importação, consubstanciando simulação para ocultação do real adquirente das mercadorias importadas, caracterizando a ocorrência da infração descrita no art. 23 do DecretoLei n.º 1.455/76, além de restar comprovada a responsabilidade solidária da empresa Brasal Embalagens Ltda.” Cientificados do auto de infração, os Contribuintes First S/A e Brasal Embalagens Ltda. apresentaram suas respectivas impugnações. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC julgou improcedentes as impugnações apresentadas pelos Contribuintes. Irresignados com a decisão contrária aos seus pleitos, os Contribuintes First S/A e Brasal Embalagens Ltda. apresentaram seus recursos voluntários, o Colegiado por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário, cancelandose a autuação, conforme acórdão assim ementado in verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 29/11/2007 a 15/06/2009 VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NÃO CARACTERIZADA. IMPORTAÇÃO POR ENCOMENDA. INEXISTENCIA DE ATO DISSIMULADO E DE SIMULAÇÃO. CANCELAMENTO. A caracterização da interposição fraudulenta se justifica pela ocorrência de fraude ou simulação no ato de importar ou exportar, não bastado, para fins da capitulação de dano ao erário contida no art. 23, V do DL 1.455/76 a acusação de ocultação pura e simples. Restou verificado nos autos que as operações fiscalizadas não se tratam de importação por conta e ordem, cujo ato dissimulado seria a prestação do serviço, mas sim, eram de importação por encomenda, de modo que por não haver ato dissimulado não há simulação, devendo ser cancelado o lançamento fiscal nela lastreado. Fl. 3159DF CARF MF Processo nº 10983.721008/201292 Acórdão n.º 9303007.451 CSRFT3 Fl. 8 7 Recurso Voluntário Provido. A Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração às fls. 3053 a 3055, sendo que estes foram rejeitados, conforme despacho às fls. 3067 a 3070. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 3072 a 3086) em face do acordão recorrido que deu provimento aos recursos dos Contribuintes, a divergência suscitada pela Fazenda Nacional diz respeito aos elementos necessários à caracterização de interposição fraudulenta. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, a Fazenda Nacional apresentou como paradigma o acórdão de número 3201001.545. A comprovação do julgado firmouse pela juntada de cópia de inteiro teor do acórdão, documento de fls. 3087 a 3113. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho de fls. 3115 a 3118, sob o argumento que apesar de os casos analisados serem idênticos no que se refere a fundamentos, a decisão proferida pelo CARF no acórdão paradigma colacionado externa entendimento substancialmente divergente do constante no acórdão recorrido. Os Contribuintes First S/A e Brasal Embalagens Ltda. foram cientificados para apresentarem contrarrazões (fls. 3124) e não se manifestaram (fls. 3129). É o relatório em síntese. Fl. 3160DF CARF MF Processo nº 10983.721008/201292 Acórdão n.º 9303007.451 CSRFT3 Fl. 9 8 Voto Vencido Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Da admissibilidade Depreendendose da análise do Recurso interposto pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecêlos, eis que tempestivo e comprovada a divergência entre os arestos – acórdão recorrido e o indicado como paradigma. O que concordo com o exame de admissibilidade constante em Despacho de fls. 3115 a 3118. Do mérito A discursão dos presentes autos se referem aos elementos necessários à caracterização de interposição fraudulenta. Depreendendose da análise dos autos do processo, entendo o que de fato ocorreu foi importação por encomenda, e não por conta e ordem, bem como que há licitude dos recursos utilizados na importação – o que resta afastar qualquer caracterização de fraude, devendo ser cancelado o lançamento fiscal nela lastreado. Para melhor elucidar o meu entendimento, peço licença para transcrever o voto irretocável, voto vencedor do nobre ex. Conselheiro João Carlos Cassuli Jr: Para dar vasão a incumbência que me foi atribuída, relativa à redação do voto vencedor do julgamento ocorrido para estes autos, constato, inicialmente, que a contenda emerge da acusação fiscal de “interposição fraudulenta”, com fundamento no art. 23, inciso V, do DecretoLei n° 1.455/76, com as alterações trazidas pelo art. 59, da Lei n° 10.637/2002, e ainda, com imputação de responsabilidade solidária aos supostos reais adquirentes, que teriam sido fraudulentamente ocultados, com embasamento legal no art. 95, inciso V, do DecretoLei n° 37/66. Fl. 3161DF CARF MF Processo nº 10983.721008/201292 Acórdão n.º 9303007.451 CSRFT3 Fl. 10 9 Tais dispositivos, por constituíremse na “espinha dorsal” do ato administrativo e lhe conferirem a indispensável legalidade, merecem ser reproduzidos: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) – Grifouse. Art.95 Respondem pela infração: (...) V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Pelo que se vê, a peça acusatória fiscal parte da análise importações realizadas pelo contribuinte FIRST S.A., e que acabou lhe imputando as seguintes condutas: (a) Efetuou importações de proformas PET, declarando importar em nome próprio, ocultando os reais adquirentes das operações, mediante simulação e fraude; (b) As operações foram realizadas, de fato, em nome dos terceiros; (c) Praticou ato simulado, de venda no mercado interno, ocultando o verdadeiro negócio, que era a prestação de serviços de importação por conta e ordem de terceiro; (d) Utilizou indevidamente benefício fiscal de ICMS concedido pelo Estado de Santa Catarina; (e) Cedeu nome e documentos para os terceiros, reais importadores por conta e ordem, e que acobertaram relações obrigacionais de prestações de serviços e não de compra e venda; Fl. 3162DF CARF MF Processo nº 10983.721008/201292 Acórdão n.º 9303007.451 CSRFT3 Fl. 11 10 (f) “Resumindo, concluise que a empresa FIRST S/A ocultou (acobertou) o verdadeiro destinatário [dos bens] nas DI sob fiscalização, configurando a prática de ocultação do real comprador e responsável pelas operações de importação, mediante fraude e simulação.” As condutas imputadas à FIRST justificaram a autuação pela prática de “interposição fraudulenta” de terceiros (art. 23, inciso V, do DL 1.455/76), e como as mercadorias já não mais existiam, na maioria dos casos houve a aplicação da pena de multa substitutiva da pena de perdimento, no percentual de 100% do valor aduaneiro da mercadoria. Tenho, porém, que alguns elementos iniciais, a guisa de premissas, devem ser perquiridos antes que se possa chumbar definitivamente o acerto ou desacerto do ato fiscal, ou a lisura ou o deslize da conduta do contribuinte, até porque aqui estamos cuidando de uma questão capital, de expropriação do patrimônio do particular em virtude de uma acusação de fraude e simulação, que deve, antes de mais nada, estar suportada em prova robusta e inquestionável, convenhamos. Está claro que o ato fiscal, ao imputar as condutas de ocultação do real adquirente a empresa FIRST S/A, desqualificou a “importação direta” para importação “por conta e ordem de terceiro”, e ao qualificar o ato como sendo “simulado”, foi textual em dizer que o ato simulado foi a compra no mercado externo com a subsequente venda no mercado interno (da FIRST – importadora , para o terceiro real adquirente: ATO SIMULADO; para FIRST prestadora de serviços de importação por conta e ordem, para real adquirente, tomador de serviços e real importador: ATO DISSIMULADO). Daí porque é indispensável para que esteja presente o instituto da “simulação”, que tenha concretamente havido o negócio jurídico simulado, o qual foi claramente apontado, qual seja: prestação de serviços de “importação por conta e ordem”. Fl. 3163DF CARF MF Processo nº 10983.721008/201292 Acórdão n.º 9303007.451 CSRFT3 Fl. 12 11 Sabemos que em matéria de comércio exterior existem três modalidades de importação, a saber: direta, por encomenda, e por conta e ordem. Os ilustres Conselheiros desta Casa, Luiz Roberto Domingo e Ângela Sartori, em trabalho inserido no livro “Tributação Aduaneira à luz da jurisprudência do CARF”, conceituam as três modalidades de importação, nos seguintes termos: “A importação por conta própria é a tradicional modalidade de importação. É aquela modalidade de importação em que o importador adquire a mercadoria do exportador no exterior, fecha o câmbio em nome próprio, com recursos próprios, paga os tributos e a utiliza ou a vende no mercado interno para diversos compradores. Notese que nessa modalidade de importação tradicional o importador deverá fechar o câmbio e proceder ao pagamento diretamente ao exportador, recolhendo os tributos com recursos próprios...” (...) A importação por conta e ordem de terceiros é a operação pela qual uma empresa contratada, geralmente uma importadora, promove em seu nome o despacho aduaneiro de importação de mercadoria adquirida por outra empresa em razão de contrato previamente firmado entre as partes e registrado na Receita Federal do Brasil – RFB. O regramento da importação por conta e ordem foi dado pelos artigos 86 e 87 da IN n. 247 e ADI n. 07/02, os quais exigem determinados procedimentos e requisitos para sua caracterização. (...) As operações por conta e ordem são aplicáveis tão somente nas hipóteses em que a importadora atua como prestadora de serviços, isto é, uma intermediária nas importações. Em decorrência desta condição, a importadora que atua por conta e ordem não pode, em qualquer situação, adquirir a propriedade das mercadorias importadas, possuindo somente a posse até a transferência para a empresa adquirente. Fl. 3164DF CARF MF Processo nº 10983.721008/201292 Acórdão n.º 9303007.451 CSRFT3 Fl. 13 12 Sendo assim, na importação por conta e ordem de terceiros, a remessa da mercadoria da importadora para seus clientes não configura uma operação de venda, mas sim uma operação de remessa de mercadorias. (...) A importação por encomenda é aquela em que a empresa importadora adquire no exterior com recursos próprios e promove o seu despacho aduaneiro de importação, a fim de revendêlas, posteriormente, a uma empresa encomendante previamente determinada, em razão de contrato entre elas, cujo objeto deve compreender, pelo menos, o prazo ou as operações pactuadas (art. 2°, § 1°, da IN SRF n. 634/06). Assim, o importador deverá fazer a negociação com o exportador no exterior, adquirir a mercadoria junto ao exportador no exterior, providenciar sua nacionalização e a revender ao encomendante. Importante salientar que tal operação tem, para o importador contratado, os mesmos efeitos fiscais de uma importação própria. (...) Ressaltese ainda que, diferentemente da importação por conta e ordem, no caso de importação por encomenda, a operação cambial para pagamento da importação deve ser realizada exclusivamente em nome do importador, conforme determina o Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais (RMCCI – Título 1, Capítulo 12, Seção 2) do Banco Central do Brasil (Bacen). (...)”1 Quanto a importação direta, não há dúvidas. Ela é a clássica, na qual o importador importa para si próprio ou para seu consumo ou revenda. Ele assume todos os riscos e procedimentos e usa ou revende o produto. Não há participação de terceiro. Nesse caso, é típico que ocorram dois fatos geradores dos diversos tributos, aqueles incidentes no desembaraço aduaneiro relativos a importação e os outros na operação de venda no mercado interno. Fl. 3165DF CARF MF Processo nº 10983.721008/201292 Acórdão n.º 9303007.451 CSRFT3 Fl. 14 13 Já no que diz respeito às outras duas modalidades, e agora buscando no próprio sítio na internet, vemos que a Receita Federal do Brasil distingue claramente as modalidades de importação “por encomenda” daquela “por conta e ordem”, de modo que, positivamente, são modalidades diversas, sendo que as mesmas se desigualam pelo fato de que, realmente, na modalidade “por encomenda”, o encomendante até pode escolher a mercadoria e mesmo participar de atos de negociação (conforme regra legal abaixo referenciada), mas há também duas operações, uma de importação, pelo importador, e outra de venda, deste para o encomendante, e nesse caso, quem assume todos os riscos da importação, tais como o pagamento do preço pela importação, riscos cambiais (oscilações etc.), é o importador e não o encomendante. Já na importação “por conta e ordem”, tratase de mera prestação de serviços, não havendo “operação de venda no mercado interno”, e quem assume o risco da operação é o ordenante, por conta de quem a operação se realiza. A análise dos emails que constam dos autos, dá conta de que os “supostos reais adquirentes” tiveram, uns mais e outros menos, algum conhecimento das negociações mantidas entre a FIRST e os exportadores sediados no exterior. Tal situação, a meu ver, caracteriza a hipótese do art. 11, §3°, da Lei n° 11.281/2006, pelo qual: “A importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado não configura importação por conta e ordem .... participando ou não o encomendante das operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior”. Esse preceito legal, em cotejo com a prova dos autos, colhida pela fiscalização, não firma a existência de importação “por conta e ordem”, mas antes afasta acusação de fraude ou simulação, firmando, a meu sentir, a certeza da existência, na pior (ou melhor) das hipóteses, de importação “por encomenda”. Fl. 3166DF CARF MF Processo nº 10983.721008/201292 Acórdão n.º 9303007.451 CSRFT3 Fl. 15 14 No que diz respeito ao benefício do ICMS no Estado de Santa Catarina, relendo a legislação que implementou o denominado “PróEmprego” , não identifiquei nenhum condicionante que para usufruir do incentivo fiscal as importações devessem ser realizadas obrigatoriamente apenas por uma ou algumas dessas modalidades de importações (direta, por encomenda ou por conta e ordem); e, ainda, havia o benefício na revenda de mercadoria, mesmo para compradores fora do Estado, e não apenas para aqueles sediados em SC. Tais aspectos, no meu entendimento, acabam por retirar o possível interesse e até sentido lógico de se fraudar ou simular para ocultar o real adquirente, de modo que a questão do benefício do ICMS tornase fator irrelevante para o deslinde da causa e para sustentar a aplicação da pena de perdimento por dano ao erário, porque não se presta para servir de “motivo” de eventual simulação ou fraude. Outro aspecto incontroverso dos autos que entendo relevante para a conclusão, é o fato de que sempre quem efetivou o pagamento pelas importações foi a FIRST S.A. (fechamento de câmbio), e, portanto foi ela que assumiu os riscos da operação de importação (oscilações cambiais), subsequentemente emitindo nota fiscal de venda do produto para os “supostos reais adquirentes”. O fato de tais “supostos reais adquirentes” saberem os produtos que iriam adquirir, denota que tal operação poderia ser da modalidade “por encomenda”, mas jamais que se enquadraria na modalidade que foi capitulada pela autoridade fiscal, que foi taxativa em dizer tratarse de operação “por conta e ordem“ (§3°, do art. 11, da Lei 11.281/06). Tal fator recebe destaque pelos ilustres Conselheiros Luiz Roberto Domingo e Ângela Sartori, no já citado artigo, ao concluírem sua exposição sobre a modalidade de “importação por encomenda”, diferenciandoa da “por conta e ordem”, a saber: “Com efeito, cumpre desde já salientar que o artigo 12 da IN SRF 247/02 estabelece que, SE nas operações de importação houver utilização de recursos de terceiros, poderá ser presumida a operação ‘por conta e ordem Fl. 3167DF CARF MF Processo nº 10983.721008/201292 Acórdão n.º 9303007.451 CSRFT3 Fl. 16 15 de terceiros’ o que implicaria o suposto ilícito de interposição fraudulenta de terceiros.” – grifouse. Vejase que a operação de importação não pode ser por conta OU ordem. Deve ser por conta E ordem, de modo que o elemento pagamento é fundamental para qualificar essa espécie de importação, e sendo o pagamento feito pela importadora, com recursos próprios, a importação será ou direta ou por encomenda, não havendo espaço para a importação por conta e ordem. Não se poderia ter olvidado que os recursos sempre foram da FIRST S/A, e, portanto, a operação não seria por conta e ordem, mas quando muito “por encomenda”. Isto está claro inclusive na decisão da DRJ, que reconhece esse fato, mas relevam pelo fato de que, de todo modo, teria havido o fato “ocultação”. O mesmo se dá com a sentença prolatada pelo Excelentíssimo Magistrado Gaúcho, que concedeu parcialmente a segurança para algumas DI’s na fronteira daquele estado, que reconheceu textualmente tratarseia de operação de “importação por encomenda”. E esse reconhecimento (que estamos diante de uma operação “por encomenda” e não de uma importação “por conta e ordem”), no meu entendimento, se afigura fundamental para o deslinde da questão pelo fato de que, não basta a “ocultação pura e simples”, essa ocultação deve ser qualificada pela fraude ou pela simulação, para que se qualifique como dano ao erário para os fins do art. 23, V, do DL nº 1.455/76. O conceito de fraude, dado pelo artigo 72, da Lei 4.502/644, em cotejo aos fatos dos autos, deixa claro que aqui não se está diante da hipótese de fraude, pois que não se impediu ou retardou o fato gerador e nem se excluiu ou modificou suas características essenciais, pois que não se deixou de recolher os tributos nas operações. Portanto, como bem sustentado pelo fiscal autuante, se trataria de simulação, cujo ato simulado teria sido a Fl. 3168DF CARF MF Processo nº 10983.721008/201292 Acórdão n.º 9303007.451 CSRFT3 Fl. 17 16 importação direta, e o ato dissimulado teria sido a “prestação de serviços” inerente à importação por conta e ordem. Se, porém, a importação não se qualifica legalmente como “por conta e ordem”, como reconhece a própria DRJ e mesmo os diversos elementos dos autos, e quando muito se qualificaria como “por encomenda”, que na verdade gera uma venda no mercado interno – tal e qual foi retratado nos documentos fiscais (o que põe em questionamento inclusive a máfé que está ínsita na acusação fiscal) – não há como se extrair ou caracterizar a simulação. Até pode ter havido “ocultação”, mas não há “simulação”, pois que o ato dissimulado, que era a “prestação de serviços” inerentes a importação “por conta e ordem”, inexistente no caso. Não havendo simulação e nem fraude, não se preenche a hipótese legal do art. 23, V, do DecretoLei n° 1.455/76, e, consequentemente, não deve subsistir o lançamento em questão. De qualquer forma, ainda que viesse a ser superada esta situação, quanto a responsabilidade solidária, do mesmo modo e pelos mesmos motivos, também não há como persistir, pois que, nos termos do art. 95, V, do DecretoLei n° 37/66, reportasse especificamente à imputação de responsabilidade solidária em caso de importação por conta e ordem, e não para os casos de importação por encomenda, caso que aqui está incontroverso que é a hipótese que realmente se molda ao fatos ocorridos. Deste modo, mesmo que se resolva manter a autuação pelo fato de que houvesse ocultação, embora da pessoa do encomendante (o que seria inadmissível, pois que no meu ver estarseia alterando o fundamento jurídico e a capitulação legal do lançamento e o motivo do ato tido por dissimulado), ainda assim, não se poderia estender a responsabilidade solidária por analogia, pois sabidamente a solidariedade não se presume. Fl. 3169DF CARF MF Processo nº 10983.721008/201292 Acórdão n.º 9303007.451 CSRFT3 Fl. 18 17 No entanto, a análise de mérito, atinente à inexistência de ato dissimulado à fazer contraponto à simulação, e eu leva à inexistência de ato simulado, consequentemente, já são plenamente suficientes para que se conclua pela impossibilidade de manutenção do lançamento tributário, pois que não se consumou a hipótese legal que dá sustentação ao ato administrativo pertinente. Com efeito, com a vênia ao ilustre relator, acabo por divergir seu brilhante voto, e, consequentemente, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, cancelandose a autuação, nos termos do que acima restou exposto. Como dito acima, a importação por encomenda é aquela em que uma empresa adquire mercadorias no exterior com recursos próprios e promove o seu despacho aduaneiro de importação, a fim de revendêlas, posteriormente, a uma empresa encomendante previamente determinada em contrato firmado entre ambas as empresas (a importadora e a encomendante). Em resumo, o importador adquire a mercadoria no exterior, providencia sua nacionalização e a revende ao encomendante. Assim, para o importador contratado, a operação tem os mesmos efeitos fiscais de uma importação por conta própria. Em última análise, embora exista a obrigação do importador de revender as mercadorias importadas ao encomendante predeterminado, é o importador que deve dispor de capacidade econômica para o pagamento da importação e, de forma semelhante, e o encomendante que deve ter capacidade econômica para adquirir, no mercado interno, as mercadorias revendidas pelo importador contratado. A despeito de a fiscalização ter enquadrado as operações de importação realizadas pela First como importação por conta e ordem, há manifestação expressa no Relatório de Ação Fiscal de que os recursos financeiros utilizados pela importadora eram próprios. Ora, se é verdade que a First dispunha de recursos próprios para dar curso às operações de comércio exterior que foram objeto da autuação ora discutida, isso já seria suficiente para afastar o enquadramento da fiscalização, eis que, como visto, a importação por Fl. 3170DF CARF MF Processo nº 10983.721008/201292 Acórdão n.º 9303007.451 CSRFT3 Fl. 19 18 conta e ordem pressupõe que os recursos empregados nas operações dessa natureza tenham origem alheia ao importador. Quando os recursos pertencem ao próprio importador, ou a importação é direta ou é por encomenda. O fato de a First emitir notas fiscais de venda Brasal Embalagens Ltda., antes do desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas não tem qualquer relevância para fins de caracterização da importação por conta e ordem, se a própria fiscalização admitiu que os recursos eram da First. Cabe trazer que ainda que a First não tenha declarado as operações de importação de forma regular, considerando que tinha de antemão conhecimento de que as mercadorias importadas seriam vendidas à Brasal Embalagens Ltda., não confere a caracterização de fraude – mas apenas atesta que que descumpriu a obrigação de se declarar as operações como importação por encomenda, nos termos do art. 11 da Lei 11.281/06 e da IN SRF nº 634/06: “Lei 11.281/06 Art. 11. A importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado não configura importação por conta e ordem de terceiros. § 1o A Secretaria da Receita Federal: I estabelecerá os requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora na forma do caput deste artigo; e II poderá exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do encomendante. § 2o A operação de comércio exterior realizada em desacordo com os requisitos e condições estabelecidos na forma do § 1o deste artigo presume se por conta e ordem de terceiros, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001.” “IN 634/06 Fl. 3171DF CARF MF Processo nº 10983.721008/201292 Acórdão n.º 9303007.451 CSRFT3 Fl. 20 19 Art. 1º O controle aduaneiro relativo à atuação de pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado será exercido conforme o estabelecido nesta Instrução Normativa. Parágrafo único. Não se considera importação por encomenda a operação realizada com recursos do encomendante, ainda que parcialmente. Art. 2º O registro da Declaração de Importação (DI) fica condicionado à prévia vinculação do importador por encomenda ao encomendante, no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex). § 1º Para fins da vinculação a que se refere o caput, o encomendante deverá apresentar à unidade da Secretaria da Receita Federal (SRF) de fiscalização aduaneira com jurisdição sobre o seu estabelecimento matriz, requerimento indicando: I nome empresarial e número de inscrição do importador no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ); e II prazo ou operações para os quais o importador foi contratado. § 2º As modificações das informações referidas no § 1º deverão ser comunicadas pela mesma forma nele prevista. § 3º Para fins do disposto no caput, o encomendante deverá estar habilitado nos termos da IN SRF nº 455, de 5 de outubro de 2004. Art. 3º O importador por encomenda, ao registrar DI, deverá informar, em campo próprio, o número de inscrição do encomendante no CNPJ. Parágrafo único. Enquanto não estiver disponível o campo próprio da DI a que se refere o caput, o importador por encomenda deverá utilizar o campo destinado à identificação do adquirente por conta e ordem da ficha "Importador" e indicar no campo "Informações Complementares" que se trata de importação por encomenda. Art. 4º O importador por encomenda e o encomendante são obrigados a manter em boa guarda e ordem, e a apresentar à fiscalização aduaneira, quando exigidos, os documentos e registros relativos às transações em que intervierem, pelo prazo decadencial. Art. 5º O importador por encomenda e o encomendante ficarão sujeitos à exigência de garantia para autorização da entrega ou desembaraço Fl. 3172DF CARF MF Processo nº 10983.721008/201292 Acórdão n.º 9303007.451 CSRFT3 Fl. 21 20 aduaneiro de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou patrimônio líquido do importador ou do encomendante. Parágrafo único. Os intervenientes referidos no caput estarão sujeitos a procedimento especial de fiscalização, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 228, de 21 de outubro de 2002, diante de indícios de incompatibilidade entre os volumes transacionados no comércio exterior e a capacidade econômica e financeira citada. Art. 6º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação.” In casu, resta, assim, claro estarmos diante de uma operação por encomenda. No que tange às operações alegadamente simuladas pela autoridade fazendária vendas realizadas entre a First e a Brasal Embalagens Ltda., ,temse que não devem ser consideradas simuladas, eis que as vendas declaradas inequivocamente foram realizadas. Sendo assim, depreendendose da análise dos fatos, não há como caracterizar a operação ora em discussão como fraude e simulação. O que, por conseguinte, entendo que se deve afastar a imputação da multa pecuniária prevista no art. 23, § 3º, do DecretoLei nº 1.455, de 1976, e alterações posteriores, pois no presente caso, não houve fraude ou simulação. Ademais, de acordo com os dispositivos citados, vêse claro que a aplicação da penalidade está vinculada a comprovação de fraude ou simulação, devendose manter afastada qualquer presunção dessas intenções. Por fim cabe ainda discorrer que para a autoridade fazendária, a adquirente das mercadorias importadas, objeto da DI, foi a Recorrida – que, por sua vez, segundo essa autoridade, pretendia se manter acobertada nas importações em questão e, assim, se eximir das obrigações tributárias principais e acessórias, dentre elas a de se submeter a procedimentos fiscais de habilitação para atuar no comércio exterior, bem como, de outra ponta, se beneficiar de incentivo fiscal estadual conferido pelo Estado de Santa Catarina. Fl. 3173DF CARF MF Processo nº 10983.721008/201292 Acórdão n.º 9303007.451 CSRFT3 Fl. 22 21 Não obstante, no caso vertente, a situação é diversa, pois, independentemente da conduta ou pretensão do fornecedora das mercadorias, a Recorrida é adquirente de boafé. Realizou compras de mercadorias de empresa regularmente instalada no país, mediante nota fiscal – o que foi comprovado nos autos. Aqui, a intenção que motiva a empresa Brasal Embalagens Ltda., ao comprar as mercadorias da empresa FIRST S/A é econômicofinanceiro, uma vez que, conforme constatado pela própria fiscalização, esta última empresa goza de benefícios fiscais de ICMS no Estado de Santa Catarina, benefício este que é conhecido como PRÓEMPREGO, capitulado na Lei Estadual nº 13.992/07. Referida questão, legitimidade ou não do benefício fiscal em comento, é um problema dos Estadosmembros da Federação e que, no presente caso, não serve para prejudicar a Recorrente, mas sim para beneficiála, já que demonstra a real intenção das partes envolvidas nesta operação, que apresenta notória índole econômica e não fraudulenta. Logo, tenho para mim que as questões aqui postas afastam a intenção dolosa na prática de pretensa ocultação de real importador, o que me motiva, no presente caso, a manter integralmente os termos do voto do acordão recorrido. Vêse que não houve nenhuma intenção de a Recorrida se ocultar na operação, vez que mantinha comunicação constante, até mesmo formal, diretamente com a fornecedora. O que, tal ato, já se direcionaria para infirmar a sua boafé. Ora, a aquisição no mercado interno de mercadoria importada, mediante nota fiscal emitida por firma regularmente estabelecida gera a presunção de boafé do adquirente. Nessa senda, em vista de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 3174DF CARF MF Processo nº 10983.721008/201292 Acórdão n.º 9303007.451 CSRFT3 Fl. 23 22 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, redator designado. Peço vênia à i. Relatora do processo para expor as razões pelas quais divirjo da decisão que propunha à solução da lide. Discutese exigência de multa por infração prevista no artigo 689, inciso XXII, § 1º, do Regulamento Aduaneiro Decreto 6.759/09 matriz legal Lei nº 10.637/02. Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decreto Lei no 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei no 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1o, este com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): (...) XXII estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1o A pena de que trata este artigo convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida (DecretoLei no 1.455, de 1976, art. 23, § 3o, com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59). (...) § 6o Para os efeitos do inciso XXII, presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados (DecretoLei no 1.455, de 1976, art. 23, § 2o, com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59). Fl. 3175DF CARF MF Processo nº 10983.721008/201292 Acórdão n.º 9303007.451 CSRFT3 Fl. 24 23 Como já tive a oportunidade de expressar em outras oportunidades, entendo que a conduta apenada está identificada no texto legal como ato de ocultação (i) do sujeito passivo, (ii) do real vendedor, (iii) comprador ou (iv) de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive, interposição fraudulenta de terceiros. A não comprovação da origem dos recursos empregados na atividade faz presumir a ocorrência da infração. Quanto a isso, abrese parênteses para esclarecer que o § 6º apenas introduziu uma presunção legal do ato ilícito. Não exsurge dele infração diferente da prevista no inciso V do artigo 23 do Decretolei 1.455/76 (redação do art. 59 do Lei 10.637/02). Em outras palavras, não há que se falar em "interposição presumida" e "interposição comprovada". A infração é uma só, os meios de comprovála são muitos. Antes de adentrar ao caso concreto, importa fazer uma breve digressão histórica em torno do assunto. Ainda antes que fosse instituída pena específica para interposição fraudulenta de terceiros, os efeitos tributários das operações praticadas nessa modalidade negocial começaram a ser disciplinados. Por força do disposto no art. 77 da Medida Provisória nº 2.158 35/01, o adquirente da mercadoria importada por conta e ordem de terceiro foi revestido da condição de responsável/solidário pelo imposto e pelas infrações praticadas. Art. 32 É responsável pelo imposto: (...) Parágrafo único. É responsável solidário: (...) III o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Art. 95 Respondem pela infração: (...) V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Fl. 3176DF CARF MF Processo nº 10983.721008/201292 Acórdão n.º 9303007.451 CSRFT3 Fl. 25 24 Foi também equiparado a estabelecimento industrial, tornandose contribuinte de direito do Imposto sobre Produtos Industrializados. Outrossim, foramlhe aplicadas as normas de incidência das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins próprias do importador. Art. 79. Equiparamse a estabelecimento industrial os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Art. 81. Aplicamse à pessoa jurídica adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, as normas de incidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS sobre a receita bruta do importador. Com fundamento no art. 80 da MP nº 2.15835/20011, a Secretaria da Receita Federal definiu requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro. A Instrução Normativa 225/022 estabeleceu regras claras e rígidas para consecução do negócio. Esclareceu que a operação por conta e ordem de terceiro era aquela promovida em nome da pessoa jurídica para mercadoria adquirida por outra, mediante contrato previamente firmado. As informações a respeito da operação deveriam, obrigatoriamente, retratar a realidade, sob pena de perdimento das mercadorias importadas. 1 Art. 80. A Secretaria da Receita Federal poderá: I estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro; e II exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do adquirente. 2 "Art. 1º O controle aduaneiro relativo à atuação de pessoa jurídica importadora que opere por conta e ordem de terceiros será exercido conforme o estabelecido nesta Instrução Normativa. Parágrafo único. Entendese por importador por conta e ordem de terceiro a pessoa jurídica que promover, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadoria adquirida por outra, em razão de contrato previamente firmado, que poderá compreender, ainda, a prestação de outros serviços relacionados com a transação comercial, como a realização de cotação de preços e a intermediação comercial. (...) Art. 4º Sujeitarseá à aplicação de pena de perdimento a mercadoria importada na hipótese de: I inserção de informação que não traduza a realidade da operação, seja no contrato de prestação de serviços apresentado para efeito de habilitação, seja nos documentos de instrução da DI de que trata o art. 3º (art. 105, inciso VI, do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966); (...)" Fl. 3177DF CARF MF Processo nº 10983.721008/201292 Acórdão n.º 9303007.451 CSRFT3 Fl. 26 25 Foi dois meses depois da IN SRF 225/2002 que a Lei 10.637/02 alterou o artigo 23 do Decretolei 1.455/76, criando pena específica para a interposição fraudulenta. Mais tarde, a Lei 10.833/20033 trouxe para o campo de incidência do imposto de importação a mercadoria objeto da pena de perdimento não localizada, consumida ou revendida. Em 20/02/2006, a Lei 11.281/2006 previu nova modalidade de importação, denominada importação por encomenda4. A Instrução Normativa SRF nº 634/20065 definiu as regras a serem observadas neste tipo de operação. Como se vê, a opção pela importação por conta e ordem ou por encomenda traz relevantes requisitos e consequências: (i) obrigação de informar previamente à RFB a escolha dessa modalidade negocial, (ii) prestação de garantia como condição para a entrega de 3 Art. 77. Os arts. 1º, 17, 36, 37, 50, 104, 107 e 169 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, passam a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 1º ........................................................................... ........................................................................... § 4º O imposto não incide sobre mercadoria estrangeira: (...) III que tenha sido objeto de pena de perdimento, exceto na hipótese em que não seja localizada, tenha sido consumida ou revendida." (NR) 4 Art. 11. A importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado não configura importação por conta e ordem de terceiros. § 1o A Secretaria da Receita Federal: I estabelecerá os requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora na forma do caput deste artigo; e II poderá exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do encomendante. § 2o A operação de comércio exterior realizada em desacordo com os requisitos e condições estabelecidos na forma do § 1º deste artigo presumese por conta e ordem de terceiros, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001. § 3o Considerase promovida na forma do caput deste artigo a importação realizada com recursos próprios da pessoa jurídica importadora, participando ou não o encomendante das operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior. (Incluído pela Lei nº 11.452, de 2007) 5 Art. 2º O registro da Declaração de Importação (DI) fica condicionado à prévia vinculação do importador por encomenda ao encomendante, no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex). § 1º Para fins da vinculação a que se refere o caput, o encomendante deverá apresentar à unidade da Secretaria da Receita Federal (SRF) de fiscalização aduaneira com jurisdição sobre o seu estabelecimento matriz, requerimento indicando: I nome empresarial e número de inscrição do importador no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ); e II prazo ou operações para os quais o importador foi contratado. § 2º As modificações das informações referidas no § 1º deverão ser comunicadas pela mesma forma nele prevista. § 3º Para fins do disposto no caput, o encomendante deverá estar habilitado nos termos da IN SRF nº 455, de 5 de outubro de 2004 . Fl. 3178DF CARF MF Processo nº 10983.721008/201292 Acórdão n.º 9303007.451 CSRFT3 Fl. 27 26 mercadorias, quando o valor for incompatível com seu capital social ou o patrimônio líquido; (iii) sujeição ao procedimento especial previsto na IN SRF 228/2002; (iv) responsabilidade solidária quanto ao imposto de importação; (v) responsabilidade conjunta ou isolada, quanto às infrações aduaneiras; (vi) sujeição ao pagamento dos tributos relativos ao IPI de sua saída por contribuinte por equiparação; (vii) sujeição ao pagamentos de PIS/Pasep e Cofins sob as normas de incidência sobre a receita bruta do importador. A toda evidência, se se pretende discutir a imputabilidade da pena àquele que incorre na conduta especificada em lei, é preciso ficar claro que o debate não se encerra na prescrição geral e abstrata encontrada no inciso XXII do artigo 689 do Regulamento Aduaneiro. Requer que todo o esforço normativo empreendido pelo poder público para coibir conduta lesiva ao interesse comum seja levado em consideração. A fim de alcançar o adquirente ou encomendante da mercadoria importada por sua conta e ordem, sujeitandoo às mesmas normas e condições próprias do importador, e evitar que o papel de cada interveniente fosse dissimulado, foram definidas regras inflexíveis para atuação das empresas prestadoras de serviço de importação e importadoras por encomenda. Com base nisso, parecenos sempre despropositada a discussão acerca da qualificação do ato ou da extensão dos efeitos dele decorrentes. O regramento definido para operações com esta formatação deixa nítido a intenção de coibir a forma de agir do administrado, potencialmente lesiva ao interesse coletivo, sem a necessidade que se aponte o prejuízo causado ou que se comprove a presença do elemento volitivo nos atos praticados. E, de fato, há muito as operações "triangulares" no âmbito do comércio exterior afetam decisivamente a condição da fiscalização tributária na identificação da pessoa com capacidade contributiva para responder pelos tributos devidos; assim como na indicação, com segurança, do enquadramento da operação nas regras de incidência nãocumulativa de impostos e contribuições; na definição da base de cálculo desses gravames; na avaliação da pertinência da aplicação de preço de transferência; determinação do valor aduaneiro das transações etc. Pelo menos em tese, há inúmeras vantagens na prática de operações comércio exterior mediante a interposição ilícita de pessoas como: (i) burla aos controles da habilitação para operar no comércio exterior; (ii) blindagem do patrimônio do real adquirente ou encomendante, no caso de eventual lançamento de tributos ou infrações; (iii) quebra da cadeia Fl. 3179DF CARF MF Processo nº 10983.721008/201292 Acórdão n.º 9303007.451 CSRFT3 Fl. 28 27 do IPI; (iv) sonegação de PIS e Cofins relativamente ao real adquirente, (v) lavagem de dinheiro e ocultação da origem de bens e valores, (vi) aproveitamento indevido de incentivos fiscais do ICMS. Isoladamente, para cada uma dessas situações há normas jurídicas aptas a sancionar o ato ilícito; contudo, o mais das vezes, a demonstração da finalidade pretendida pelo infrator ou mesmo do dano efetivo é improvável ou mesmo impossível, até porque a modalidade negocial de que se trata é particularmente suscetível à orquestração de papeis. Foi por essa razão que as regras de conduta foram definidas com o rigor que se observa. O ponto de partida dessa regulamentação foi a interpretação que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional deu ao disposto no artigo 31 do DecretoLei nº 37/66 que, como se sabe, especifica como contribuinte do imposto de importação aquele que promove a entrada de mercadoria estrangeira no território nacional6. Conforme entendeu (Parecer PGFN CAT 1.316/01), o contribuinte do imposto é a pessoa cujo nome aparece no conhecimento de carga como sendo o proprietário da mercadorias importadas, independentemente de quem esteja efetivamente interessado na aquisição ou fizer as negociações prévias. Como consequência, os procedimentos fiscais levados a efeito no âmbito da RFB passaram a indicar, como importador, a pessoa informada como tal nas declarações de importação, mesmo que, na ótica de uns ou de outros, um terceiro fosse quem, verdadeiramente, "promovesse o ingresso das mercadorias em território nacional". No mesmo esteio, criaramse instrumentos legais capazes de resguardar os interesses do Erário, por meio das equiparações e condições para as operações por conta e ordem e por encomenda. A falta de informação fidedigna, pelo potencial lesivo que representa, foi tratada como infração gravíssima, sujeita à pena de perdimento dos bens, por dano ao Erário. Cumpre mencionar que não há inovação na graduação da pena associada à conduta do agente. A observação das demais hipóteses de infração por dano ao Erário previstas na legislação aduaneira evidencia essa prática. CAPÍTULO II DO PERDIMENTO DA MERCADORIA 6 Decreto 6.759/09 104. É contribuinte do imposto (DecretoLei no 37, de 1966, art. 31, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o): I o importador, assim considerada qualquer pessoa que promova a entrada de mercadoria estrangeira no território aduaneiro; Fl. 3180DF CARF MF Processo nº 10983.721008/201292 Acórdão n.º 9303007.451 CSRFT3 Fl. 29 28 Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decreto Lei no 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei no 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1o, este com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): (...) II incluída em listas de sobressalentes e de provisões de bordo quando em desacordo, quantitativo ou qualitativo, com as necessidades do serviço, do custeio do veículo e da manutenção de sua tripulação e de seus passageiros; III oculta, a bordo do veículo ou na zona primária, qualquer que seja o processo utilizado; IV existente a bordo do veículo, sem registro em manifesto, em documento de efeito equivalente ou em outras declarações; V nacional ou nacionalizada, em grande quantidade ou de vultoso valor, encontrada na zona de vigilância aduaneira, em circunstâncias que tornem evidente destinarse a exportação clandestina; VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; VII nas condições do inciso VI, possuída a qualquer título ou para qualquer fim; VIII estrangeira, que apresente característica essencial falsificada ou adulterada, que impeça ou dificulte sua identificação, ainda que a falsificação ou a adulteração não influa no seu tratamento tributário ou cambial; (...) XI estrangeira, já desembaraçada e cujos tributos aduaneiros tenham sido pagos apenas em parte, mediante artifício doloso; Fl. 3181DF CARF MF Processo nº 10983.721008/201292 Acórdão n.º 9303007.451 CSRFT3 Fl. 30 29 XII estrangeira, chegada ao País com falsa declaração de conteúdo; (...) XVII estrangeira, em trânsito no território aduaneiro, quando o veículo terrestre que a conduzir for desviado de sua rota legal, sem motivo justificado; (...) XIX estrangeira, atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem públicas; XX importada ao desamparo de licença de importação ou documento de efeito equivalente, quando a sua emissão estiver vedada ou suspensa, na forma da legislação específica; XXI importada e que for considerada abandonada pelo decurso do prazo de permanência em recinto alfandegado, nas hipóteses referidas no art. 642; e XXII estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. Como é fácil perceber, grande parte das infrações identificadas como dano ao Erário tem pouca ou nenhuma relação direta com o efetivo prejuízo aos cofres públicos. São infrações de conduta, se não vejamos: mercadoria (i) Em listas de sobressalentes (...) quando em desacordo com as necessidades do serviço; (ii) oculta, a bordo do veículo; (iii) destinadas à exportação clandestina; (iv) quando o documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado; (v) em trânsito no território aduaneiro, quando o veículo terrestre (...) for desviado de sua rota legal (vi) estrangeira, atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem públicas; (vii) importada ao desamparo de licença de importação ou documento de efeito equivalente, quando a sua emissão estiver vedada ou suspensa (...) e outras. Fl. 3182DF CARF MF Processo nº 10983.721008/201292 Acórdão n.º 9303007.451 CSRFT3 Fl. 31 30 O saudoso Ministro Teori Zavascki, quando ainda Ministro do Superior Tribunal de Justiça, proferiu relevante manifestação sobre o tema, em decisão tomada nos autos do recurso especial nº 954.526 PR (2007/01166420): No que diz respeito ao dano, destaco que a pena de perdimento, visa resguardar não apenas o interesse financeiro do Fisco, mas também regular as relações de comércio exterior e proteger a indústria nacional. Se o perdimento não prescinde da demonstração do dano para sua aplicação, não é menos verdade que, por vezes, o dano está caracterizado pela dificuldade imposta pela conduta do importador à fiscalização aduaneira, cuja incumbência é, por norma constitucional, da Receita Federal. Convém destacar, ainda, que, não embarcado o restante da mercadoria, poderia ela ser vendida no mercado interno, sem a incidência de tributos, propiciando riquíssimo ganho às apelantes. O dano ao erário, assim, seria inconteste, porque, com os benefícios fiscais (através da simulação de exportação), a apelante deixaria de recolher os tributos devidos (II, ICMS, dentre outros), fato que repercutiria na formação dos preços ao consumidor. (grifos meus) Percebese na conjugação dos verbos grifados no texto especial atenção ao dano potencial das circunstâncias descritas. Não há menção a prejuízo causado, mas ao risco que a conduta em si representa. Com base em todas as considerações precedentes, concluise que as regras de conduta definidas pelo Poder Público para a atuação de empresa importadora por conta e ordem ou por encomenda e a própria infração por interposição fraudulenta, que as integra, constituem elemento essencial de controle das operações de comércio exterior. Condicionar a imputação de pena à demonstração do efetivo prejuízo ou a demonstração do elemento volitivo subtrarlheia a própria essência instrumental, como meio apto a viabilizar o monitoramento fiscal dos atos praticados pelo particular. Fl. 3183DF CARF MF Processo nº 10983.721008/201292 Acórdão n.º 9303007.451 CSRFT3 Fl. 32 31 Feitas as considerações preambulares, passo ao exame do caso concreto. Compulsando os autos, identificamse no corpo do acórdão recorrido, as evidências de que a importação de mercadorias, pela First, estava previamente destinadas à empresa Brasal Embalagens. Observese (efolhas 3.032). A operação de importação realizada pela First S/A e o envolvimento da empresa Brasal Embalagens Ltda. nas operações realizadas O cerne da lide é o conjunto de operações que a Fiscalização Aduaneira entende, terem constado como importador a empresa First S/A, mas cujo real adquirente era a empresa Brasal. A apuração envolve a observância dos documentos e fatos trazidos aos autos pela Fiscalização. A forma de operação das operações realizadas foi descrita no relatório e merece uma análise em razão das provas constantes dos autos. A fiscalização identificou por diversos informações e documentos fiscais a relação da First com empresas que atuavam na área da produção e envasamento de refrigerantes, atuando como importadora e fornecedora de preformas. O trabalho da auditoria da receita federal foi detalhado e consegue comprovar de forma inequívoca o modo de operação. A seguir detalho informações extraídas do relatório fiscal, que motivaram a exigência fiscal. i) A Fiscalização identificou a existência de emissão de Notas Fiscais, na mesma data de liberação das mercadorias pela Alfândega, configurando que as mercadorias importadas já estavam com a destinação para Brasal. (fl.25) "Conforme demonstrado na Tabela 2.5, verificamos que o fato ocorrido com relação às datas de emissão das notas fiscais de saída e de entrada durante o procedimento especial de controle acima relatado, longe de ser um engano da empresa FIRST, é uma prática corrente da empresa. Os dados da citada tabela revelam que as notas de saída (venda) para a empresa Brasal eram emitidas, em regra, na mesma data da liberação das mercadorias na fronteira, sendo a emissão das notas de saída sempre em ato contínuo à emissão das notas fiscais de entrada Ora, a empresa FIRST “vendia” as preformas PET antes mesmo de elas terem sido nacionalizadas e, portanto, estarem aptas a entrar em seu estoque. Isto demonstra claramente que as mercadorias, relacionadas nas DI sob análise e mencionadas na Tabela 2.5 tinha como destinatários predeterminados a empresa Brasal." ii) A Fiscalização identificou a ligação documental para amparar a logística da importação e transporte de mercadoria, vinculado as importações ao transporte e a emissão de Fl. 3184DF CARF MF Processo nº 10983.721008/201292 Acórdão n.º 9303007.451 CSRFT3 Fl. 33 32 documentos fiscais, conforme se verifica no trecho abaixo extraído do relatório fiscal. (fl. 27) “Para cada processo de importação era feita vinculação, documento a documento. Eram emitidas para cada processo, uma nota fiscal de entrada global que relaciona todas as mercadorias daquele processo/DI e várias notas fiscais de entradas parciais emitidas para acompanhar os transportes parciais (transporte fracionado). A nota fiscal de entrada global traz todas as informações do processo (seu código IMPXXXXXX, o número da DI, o número da Fatura Comercial (invoice)) e cada nota fiscal de entrada parcial traz, em seu corpo, o número da nota global. Importante notar também que, para controle da FIRST e do real adquirente da mercadoria, no corpo da nota fiscal de saída, além do número identificador do processo ao qual pertenciam as mercadorias, consta o número da fatura de importação da mesma, emitida pelo exportador no exterior” iii) A Fiscalização demonstra com riqueza de detalhes a vinculação entre as Declarações de Importação DI e as Notas Fiscais de Saída, comprovando a vinculação das importações a venda realizada à Brasal, confirmando que as importações foram realizadas para serem entregues a Brasal. “A Tabela 3 resume os dados referentes às importações realizadas extraídos do SISCOMEX (informações das DI), das Notas Fiscais de entrada e saída apresentadas pela empresa, da contabilidade (apresentada em meio magnético), e das informações dos pagamentos referentes às vendas dos produtos importados e dos contratos de câmbio, também apresentadas pela empresa. A Tabela 3 mostra as 60 operações realizadas pela FIRST no período de novembro de 2007 a junho de 2009 como importador direto de garrafas PET, onde as mercadorias importadas foram destinadas à Brasal. Já vimos que cada importação realizada é destinada a apenas uma empresa (Brasal) em sua totalidade. Este fato é verificado comparando a quantidade total e o tipo (descrição) das mercadorias constante de cada DI com a quantidade total e o ipo (descrição) das mercadorias nas notas fiscais de saída, sempre iguais, assim como destinadas a um único cliente. sta vinculação entre quantidade de mercadorias de uma DI suas notas fiscais de saída pode ser verificada na tabela 3, onde vinculação entre DI e notas fiscais de vendas correspondentes que deram saída às mercadorias importadas or meio desta DI) oi feita pelo número de controle interno a empresa FIRST (vide explicação do item 5.2.1), uma vez ue esse número é sempre mencionado nas notas fiscais de ntrada global e nas notas iscais de saída das mercadorias importadas por uma DI, bem como nos livros contábeis. Cada DI possui um código do tipo ”IMPXXXXXX” e esse código é informado na nota fiscal de entrada global da citada DI e nas notas fiscais de saída, sendo possível fazer uma perfeita vinculação entre a Fl. 3185DF CARF MF Processo nº 10983.721008/201292 Acórdão n.º 9303007.451 CSRFT3 Fl. 34 33 mercadoria importada por uma DI e sua venda nas notas fiscais de saída. Observouse então que TODAS as mercadorias de uma DI são sempre destinadas a uma única empresa, no presente caso, Brasal Embalagens Ltda. O fato de as notas fiscais de saída serem emitidas muitas vezes em sequência às notas fiscais de entrada (item 5.2.1) e na mesma quantidade e tipo (item 5.2.2) mostra que as mercadorias importadas tinham um destinatário pré determinado." iv) A investigação da Fiscalização verificou que a empresa não apresentava estoques de preformas importadas, sendo os produtos enviados diretamente após o desembaraço aduaneiro para os seus reais adquirentes. O funcionamento do estoque da empresa foi detalhado no Relatório Fiscal. (fl. "Ao analisar a contabilidade da empresa, notamos que não existe estoque de preformas PET na empresa FIRST, na realidade o saldo do estoque é muitas vezes credor, ou seja, toda mercadoria importada é imediatamente destinada a uma terceira empresa. As notas fiscais de entrada e saída das preformas PET emitidas em sequência já é um indicativo de que realmente não seria possível haver estoque dessas mercadorias na FIRST. Este fato foi questionado ao Senhor Natanael que, em declaração prestada à fiscalização (Termo Declaração Diretor) informou que “nunca aconteceu de a mercadoria importada não ter sido vendida e nem mesmo de ter permanecido em estoque por longo período”. Na verdade esse estoque não existe, já que as mercadorias importadas são entregues diretamente aos reais adquirentes. Os gráficos de séries temporais de saldos dos períodos de 2007, 2008 e 2009 mostram a evolução do saldo contábil do estoque de garrafas PET (conta 1.1.03.01.017 MERCADORIAS IMPORTADAS GARRAFAS PET) no período de registro das importações analisadas. Verificamos que o saldo apresenta picos lançamentos das notas fiscais de entrada para liberação das importações – e retorna a zero – lançamento das notas fiscais de saída, evidenciando que, contabilmente, os produtos importados apenas passavam pela empresa e eram imediatamente destinados a seus reais adquirentes." v) Os pagamentos referentes as mercadorias não guarda relação com as Notas Fiscais de Saída, mas com os processos de importação, conforme apuração dos registros financeiros na contabilidade da empresa First, detalhados no relatório fiscal (fl. 34) "Começamos esta análise com o primeiro pagamento relacionado com cada DI, verificamos que o valor é sempre igual ao valor dos impostos pagos na importação, nos casos analisados PIS e COFINS já que as importações são originárias do MERCOSUL, e a alíquota do IPI é zero, e ocorre sempre sete dias após o registro da DI, ou em Fl. 3186DF CARF MF Processo nº 10983.721008/201292 Acórdão n.º 9303007.451 CSRFT3 Fl. 35 34 raros casos muito próximo disso. Tomando como exemplo a primeira DI da Tabela 3, a de número 07/16611745, vemos que a data de seu registro foi 29/11/2007 e os impostos recolhidos totalizaram R$ 170.391,16. Na seção da tabela 3 referente aos pagamentos realizados confirmamos o pagamento do mesmo valor dos impostos que ocorreu 12 dias após o registro da DI. A regra observada quanto aos pagamentos é que existam mais dois pagamentos relacionados a cada importação e, eventualmente, um quarto pagamento de pequeno valor, algumas vezes, inclusive negativo, tipicamente referente a algum ajuste, provavelmente de câmbio, neste caso, ajuste ao valor de liquidação dos contratos de câmbio. Embora nem todos os “pagamentos” negativos tenham sido informados à fiscalização, verificamos nos registros contábeis da empresa que eles são bastante numerosos." iii) A empresa First foi intimada a apresentar mensagens trocadas com seu transportador a empresa TORA. Em procedimento posterior, a Fiscalização realizou diligência na empresa TORA transportadora, que franqueou o acesso à correspondência eletrônica trocada entre a transportadora, a First e as empresas fabricantes de bebidas Comparando os dois conjuntos de mensagens, a Fiscalização identificou diversas divergências entre as mensagens que foram apresentadas pela First e aquelas encontradas nos computadores da empresa TORA. Segundo consta do trabalho fiscal, as mensagens apresentadas pela First foram editadas, sendo suprimidas as informações que vinculavam as operações de importação com a empresa Brasal e o envolvimento com a empresa Cristalpet (fabricante dos produtos no exterior). Abaixo as divergências encontradas pela Fiscalização. (fls. 34 a 41) "A partir desta constatação, procedeuse a uma comparação entre as mensagens apresentadas pela FIRST e as obtidas na diligência junto à empresa TORA. Verificouse que em algumas mensagens apresentadas pela FIRST houve edição do conteúdo, com o intuito de excluir o nome da empresa destinatária da mercadoria, no caso das DI sob procedimento especial, a empresa Brasal, dando a entender que a definição das preformas era efetuada pela FIRST. Como exemplo, podemos mencionar as seguintes mensagens (as partes em que as mensagens divergem foram grifadas e estão no documento EMAILS DIVERGENTES): 1) Mensagem de Gabriela Vergílio (funcionária da FIRST) para Inácio Severi (da Cristalpet) e Marize Bezerra Marques (funcionária da BRASAL), datada de 25 de maio de 2009: O que consta na mensagem apresentada pela FIRST : Fl. 3187DF CARF MF Processo nº 10983.721008/201292 Acórdão n.º 9303007.451 CSRFT3 Fl. 36 35 “Boa tarde Ignácio, Podes nos informar com precisão que data será carregada a carreta de 28 gramas e 22 verde zero que está pedente para a FIRST. Pela programação esta carga já deveria estar no nosso armazém. Gentileza informar também sobre a 38 azul aquarius pois estamos sem estoque. Aguardo, Obrigada,” O que consta na mensagem obtida na caixa de correios corporativa do gerente da empresa TORA: “Boa tarde Ignácio, Podes nos informar com precisão que data será carregada a carreta de 28 gramas e 22 verde zero que está pedente da BRASAL. Pela programação esta carga já deveria estar na BRASAL desde o dia 19. Gentileza informar também sobre a 38 azul aquarius pois eles estão sem estoque e necessitando desse tipo de preforma. Aguardo, Obrigada,” (...) À luz dos fatos apurados pela Fiscalização Federal, não vejo como deixar de reconhecer que as importações não foram realizadas na modalidade por conta própria, mas no interesse de terceiro, ao qual estavam previamente destinadas; no caso em apreço, à empresa Brasal Embalagens. Uma vez que isto esteja claro, necessário que se decida acerca das questões jurídicas postas nos autos, em relação à correta interpretação da legislação tributária aplicável à situação fática identificada. Quanto a isso, releva dizer que não vejo como possa prosperar o entendimento de que houve alteração de critério jurídico, ausência de subsunção dos fatos à norma, ou qualquer outro vício ou imprecisão que maculasse o procedimento fiscal, a decisão de piso, ou que, com base em qualquer outra interpretação do direito aplicável, importasse na dispensa da exigência consignado nos autos, com base em suposta revisão do enquadramento dos fatos apurados pelo Fisco, já por ocasião da decisão de primeira instância, quando considerou que a operação estaria melhor enquadrada como importação por encomenda e não Fl. 3188DF CARF MF Processo nº 10983.721008/201292 Acórdão n.º 9303007.451 CSRFT3 Fl. 37 36 importação por conta e ordem, como entenderam os AuditoresFiscais autuantes. De fato, em consonância com os fundamentos até aqui declinados, demonstrase absolutamente irrelevante o fato de a simulação ter origem em operação realizada por encomenda de outro ou por conta e ordem daquele. O elemento nuclear da simulação encontrase na confrontação entre a operação declarada ao Fisco, que foi de importação por conta própria, e operação efetivamente levada a efeito pelo contribuinte, que, conforme demonstrado nos autos, não pode ser reconhecida como tal. É de interesse secundário o enquadramento das operações como tendo sido realizadas por encomenda ou por conta e ordem de terceiros. O que importa saber é se a conduta declarada pelo contribuinte é ou não condizente com aquilo que foi apurado e comprovado pela Fiscalização Federal. No caso concreto, não era. Disso decorre a prática de conduta passível de ser apenada pela aplicação do disposto na legislação retrocitada. Sob outra perspectiva, é possível dizer que a infração, por ocultação ou por interposição, nada tem a ver com o título sob o qual darseia a importação se tivesse sido corretamente declarada: se por encomenda ou por conta e ordem. A infração ocorre no momento em que o é declarado como sendo por conta própria, operação realizada por conta e ordem e/ou por encomenda de outro, ocultando, por interposição, a pessoa jurídica que estava por trás das transações. Na mesma toada, como já foi dito na parte introdutória do vertente voto, a discussão acerca da imputabilidade da pena àquele que incorre na conduta especificada em lei não se encerra na prescrição geral e abstrata encontrada no inciso XXII do artigo 689 do Regulamento Aduaneiro, requer que todo o esforço normativo empreendido pelo poder público para coibir conduta lesiva ao interesse comum seja levado em consideração. A fim de alcançar o adquirente ou encomendante da mercadoria importada por sua conta e ordem, sujeitandoo às mesmas normas e condições próprias do importador, e evitar que o papel de cada interveniente fosse dissimulado, foram definidas regras inflexíveis para atuação das empresas prestadoras de serviço de importação e importadoras por encomenda. Não há que se falar, portanto, em qualificação do ato, se doloso ou de boafé, ou da extensão dos efeitos dele decorrentes com ou sem prejuízo ao Erário. O regramento definido para operações realizadas por conta e ordem de terceiro ou no interesse de terceiro encomendante deixa nítida a intenção de coibir a forma de agir do administrado, Fl. 3189DF CARF MF Processo nº 10983.721008/201292 Acórdão n.º 9303007.451 CSRFT3 Fl. 38 37 potencialmente lesiva ao interesse coletivo, sem a necessidade que se aponte o prejuízo causado ou que se comprove a presença do elemento volitivo nos atos praticados. Isto posto, com base nos fundamentos expendidos, voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 3190DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10835.721292/2013-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO.
O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR).
GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
Os fretes e dispêndios para transferência de insumos entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte são componentes do custo de produção e essenciais ao contexto produtivo. Portanto, geram direito de crédito de PIS e Cofins, no regime não cumulativo, conforme artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, e Resp 1.221.170/PR.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS A DESCONTAR. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. PRESERVAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS DO PRODUTO. DIREITO AO CRÉDITO.
As embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as características do produto, devem ser consideradas como insumos para fins de constituição de crédito de PIS/Pasep pela sistemática não cumulativa.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS.
Os materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos na sistemática não cumulativa.
Numero da decisão: 3201-004.314
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo quanto à matéria que se refere à reclassificação do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, e, no mérito, quanto às demais matérias, acordam em dar-lhe provimento, para reverter as glosas de créditos decorrentes dos gastos realizados sobre os seguintes itens: a) fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) entre os estabelecimentos da Recorrente; b) materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo; c) embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as suas características.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Os fretes e dispêndios para transferência de insumos entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte são componentes do custo de produção e essenciais ao contexto produtivo. Portanto, geram direito de crédito de PIS e Cofins, no regime não cumulativo, conforme artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, e Resp 1.221.170/PR. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS A DESCONTAR. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. PRESERVAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS DO PRODUTO. DIREITO AO CRÉDITO. As embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as características do produto, devem ser consideradas como insumos para fins de constituição de crédito de PIS/Pasep pela sistemática não cumulativa. REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Os materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos na sistemática não cumulativa.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10835.721292/2013-81
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5930127
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3201-004.314
nome_arquivo_s : Decisao_10835721292201381.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10835721292201381_5930127.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo quanto à matéria que se refere à reclassificação do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, e, no mérito, quanto às demais matérias, acordam em dar-lhe provimento, para reverter as glosas de créditos decorrentes dos gastos realizados sobre os seguintes itens: a) fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) entre os estabelecimentos da Recorrente; b) materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo; c) embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as suas características. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
id : 7528864
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:32:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148500336640
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1924; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10835.721292/201381 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201004.314 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de outubro de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO. DIREITO DE CRÉDITO. Recorrente LIDER ALIMENTOS DO BRASIL S.A EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Os fretes e dispêndios para transferência de insumos entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte são componentes do custo de produção e essenciais ao contexto produtivo. Portanto, geram direito de crédito de PIS e Cofins, no regime não cumulativo, conforme artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, e Resp 1.221.170/PR. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS A DESCONTAR. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. PRESERVAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS DO PRODUTO. DIREITO AO CRÉDITO. As embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as características do produto, devem ser consideradas como insumos para fins de constituição de crédito de PIS/Pasep pela sistemática não cumulativa. REGIME NÃOCUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 72 12 92 /2 01 3- 81 Fl. 1329DF CARF MF Processo nº 10835.721292/201381 Acórdão n.º 3201004.314 S3C2T1 Fl. 3 2 Os materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos na sistemática não cumulativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo quanto à matéria que se refere à reclassificação do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, e, no mérito, quanto às demais matérias, acordam em darlhe provimento, para reverter as glosas de créditos decorrentes dos gastos realizados sobre os seguintes itens: a) fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) entre os estabelecimentos da Recorrente; b) materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo; c) embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as suas características. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório A interessada apresentou pedido de ressarcimento de contribuição não cumulativa, que foi objeto de ação fiscal por parte da DRF/Presidente Prudente. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, merecem transcrição fragmentos do relatório da decisão de primeira instância, que resumem o entendimento da autoridade fiscal manifestado no Despacho Decisório: De acordo com o despacho decisório, foram apuradas glosas de vários itens relativos aos créditos da não cumulatividade utilizados pela autuada que tem como principal objeto social a fabricação e comercialização de laticínios relativos a itens não considerados insumos pela fiscalização com base na definição contida nas Instruções Normativas (IN) SRF nºs 247, de 2002, e 404, de 2004, ou seja, que não foram consumidos no processo produtivo em função da ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação. Abaixo discriminados: a.2) PLANILHA 02: GLOSAS de créditos relativos a Materiais de uso e consumo, conforme notas fiscais de entrada, CFOP: 1556 e 2556, referentes Peças e serviços de manutenção de frotas, cestas básicas e despesas de refeitórios, materiais de limpeza, materiais de higiene, uniformes e Fl. 1330DF CARF MF Processo nº 10835.721292/201381 Acórdão n.º 3201004.314 S3C2T1 Fl. 4 3 equipamento de proteção, materiais de manutenção consertos e reparos, lubrificantes, óleo diesel, óleo de motor, álcool, gasolina, pneus, e outros materiais relacionados, inclusos os lançados como débito direto. Estes bens e serviços não correspondem a matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem, que exerçam ação diretamente sobre os produtos fabricados, não sendo, portanto, caracterizados como insumos. a.3 PLANILHA 03: Glosas de créditos relativos a aquisição de outras mercadorias e serviços, conforme notas fiscais de entrada enquadradas no CFOP: 1949 e 2949, referentes:materiais e serviços de manutenção, mão de obra de manutenção de Frotas, Pneus /Empilhadeira e RECAP, serviço de carga e descarga, serviços de análise, serviços de tratamento de afluentes, serviços de Lavagem, combustíveis como óleos de motor, diesel, álcool, gasolina e lubrificantes, serviços de consultoria e outros relacionados, inclusos os lançados como débito direto. Conforme a legislação e observações acima não geram direito a crédito os valores relativos às aquisição dos referidos bens/serviços não diretamente responsáveis pela produção dos bens ou produtos destinados à venda a.4) PLANILHA 04: Glosas de créditos relativos a mercadorias e serviços, de uso e consumo, conforme notas fiscais de entrada, CFOP: 1407, 1653, 1933, 2407 e 2653, referentes: Álcool, Gasolina, Lubrificante, Óleo Diesel, Óleo de Motor, Peças e serviços de manutenção de frota, Pneus, serviços de lavagem e outros materiais e serviços relacionados, inclusos os lançados como débito direto. Conforme observações acima não geram direito a crédito valores relativos a aquisição dos referidos bens/serviços não diretamente utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda, assim entendidos aqueles que sejam consumidos, desgastados ou tenham suas propriedades físicoquímicas alteradas no processo produtivo. a.5) PLANILHA 05: Glosas de créditos relativos a material de embalagem para transporte “não insumos”, conforme notas fiscais de entrada, CFOP: 1101 e 2101. Referentes embalagens que não incorporam diretamente ao produto no processo de industrialização, mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tão somente a facilitar o transporte dos produtos acabados, portanto, conforme legislação acima, não geram direito a creditamento as relativas aquisições. Além das glosas dos bens e serviços não considerados insumos pela fiscalização, também foram glosados créditos referentes às seguinte despesas: a.1) – PLANILHA 01: GLOSAS de créditos relativos a Serviço de Transporte (FRETE), referentes notas fiscais de entrada, CFOP 1352, 2352, 1360,1353, 2353, 1949 e 2949 (...) As notas fiscais glosadas foram relacionadas pela empresa como sendo notas fiscais de entrada referentes aquisição de leite ou outras mercadorias adquiridas de pessoa jurídica (conforme planilhas de Notas fiscais de entrada PJ constantes dos arquivos não pagináveis anexados ao presente processo), quando “de fato”, referemse à Fl. 1331DF CARF MF Processo nº 10835.721292/201381 Acórdão n.º 3201004.314 S3C2T1 Fl. 5 4 “conhecimentos de transporte” relativos a aquisição de serviço de frete, sendo em sua maioria fretes entre estabelecimentos da empresa, conforme comprova o arquivo anexo..., b) Glosas de créditos referentes Locações/alugueis, relacionados no ANEXO III (...). do presente processo: Relativos a Locação/aluguel de bens/serviços não inclusos no conceito legal de insumos, ou seja, não são utilizados especificamente no processo produtivo da empresa. c) – Glosas de créditos referentes arrendamentos mercantis relativos aos bens/veículos relacionados no ANEXO IV (...) do presente processo: Relativos a arrendamentos mercantis de bens/serviços não inclusos no conceito legal de insumos, ou seja, não são utilizados especificamente no processo produtivo da empresa. d) – Glosas de Créditos Presumido, relativos a aquisição de Lenha de Eucalipto e outros materiais adquiridas de pessoas físicas relacionados no ANEXO V (...) do presente processo. No caso em questão a lenha de eucalipto é utilizada como combustível no processo de produção/fabricação. Entretanto, conforme legislação acima citada, o direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica (art. 3º, § 3º, I a Lei nº 10.637/2002 e art.3º, § 3º, I a Lei nº 10.833/2003). Observada a legislação, foram glosados os créditos relativos ás aquisições de lenha de eucalipto e outros produtos adquiridos de pessoa física. e.) Anexo VI – (...) RECLASSIFICAÇÃO DE CRÉDITO: Cálculo de crédito integral sobre aquisições de leite efetuadas com benefício da suspensão Crédito Presumido. Inexiste a possibilidade de cálculo de créditos com base nos disposto nos art. 3º da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, havendo previsão legal apenas de crédito presumido, nos termos da Lei nº 10.925/2004 (Art.8º §§ 1º ao 9º e Art. 9º) e Instrução Normativa SRF nº 660/2006 (Arts. 2º a 6º), em razão disso foram reclassificados os créditos referentes aquisições de leite, considerados pela empresa como ressarcíveis, para créditos presumidos nos termos da legislação. Observase que o fato de não constar na nota fiscal que a operação está ocorrendo com benefício da suspensão não pode ser utilizado como argumento para o creditamento nos termos do disposto no art. 3º, II das Leis nº 10.637/2003 e 10.833/2003. O Intuito do ressarcimento é o de ressarcir, de devolver à empresa um valor que foi recolhido aos cofres públicos. No caso da suspensão, como não houve recolhimento a título de PIS e de COFINS pelos fornecedores de leite não é devido qualquer valor a título de ressarcimento. Há previsão legal apenas para o cálculo de crédito presumido sobre essas aquisições, nos termos do disposto no art. 8 º da Lei 10.925/2004, valor que poderá apenas ser deduzido dos débitos da própria contribuição. O valor da base de cálculo constante do Anexo VI, foi lançado no Anexo I, com o título “Reclassificação de Créditos”, e deduzido da base de cálculo dos créditos apurados sobre aquisição de bens e serviços utilizados como insumos, e após a Fl. 1332DF CARF MF Processo nº 10835.721292/201381 Acórdão n.º 3201004.314 S3C2T1 Fl. 6 5 aplicação das alíquotas de 0,99% (PIS) e 4,56%(Cofins) sobre a respectiva base de cálculo, os valores apurados, foram lançados como acréscimos aos créditos presumidos calculados sobre insumos de origem animal. Foi informado ainda pela fiscalização o seguinte quanto a decisões judiciais obtidas pela contribuinte: Observase que em relação a empresa consta as ações judiciais Mandado de Segurança nº 2006.61.12.0085437/SP e nº 2006.61.12.0045543/SP, reconhecendo o direito da empresa à utilização do saldo credor da contribuição de PIS e COFINS, decorrente do crédito presumido instituído pela Lei nº 10925/2004, no pagamento de débitos próprios relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nos termos do art. 16 da Lei nº 11.116/2005, salvo quanto às operações de venda (eventuais) de leite a granel realizada na forma prevista no inciso II do parágrafo 1º do art.8º da Lei nº 10.925/04, afastando qualquer ato restritivo da autoridade impetrada. Porém, referidas decisões ainda não transitaram em julgado em razão de apelação da União Federal, encontrandose os autos no Tribunal Regional Federal da 3º Região Consta ainda a ação judicial Mandado de Segurança nº 000538802.2013.403.6112, proposta pela empresa, onde foi deferido parcialmente liminar para que a autoridade impetrada (Delegado da Receita Federal do Brasil em Presidente PrudenteSP)abstenhase de imporlhe multa em decorrência do simples indeferimento de seus pedidos de ressarcimento de crédito pendentes de julgamento, sem que realize análise prévia da máfé (ou não) do contribuinte em relação ao pedido formulado. Ficando a multa, portanto, condicionada a verificação da máfé por parte do contribuinte (...). No presente processo não foi constatado máfé da contribuinte. Cientificada do Despacho Decisório que deferiu parcialmente o seu pleito, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/RPO n.º 14063.423, de 16/12/2006, assim ementado: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Os insumos utilizados no processo produtivo somente dão direito a crédito no regime de incidência nãocumulativa, se incorporados diretamente ao bem produzido ou se consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto e desde que não incorporados ao ativo imobilizado. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. Fl. 1333DF CARF MF Processo nº 10835.721292/201381 Acórdão n.º 3201004.314 S3C2T1 Fl. 7 6 Somente dão direito a crédito no regime de incidência não cumulativa, os gastos expressamente previstos na legislação de regência. ARRENDAMENTO. ALUGUÉIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. São passíveis de aproveitamento os gastos com aluguéis e arrendamento de máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. APROVEITAMENTO. São passíveis de aproveitamento os créditos presumidos da agroindústria quando o contribuinte atende às exigências contidas na Lei nº 10.925, de 2004. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. FRETES. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Somente dão direito a crédito no regime de incidência não cumulativa os gastos com frete na operação de venda quando suportados pelo vendedor. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 APRECIAÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE. ESFERA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. A argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário por meio do qual alega, em apertada síntese, o seguinte: a) Reclassificação dos créditos básicos para crédito presumido relativos à aquisição de leite in natura: os créditos oriundos de aquisição de leite in natura devem ser considerados como créditos básicos, nos termos do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, pois tratase de insumo principal da produção. Acresce, no tópico seguinte (Do crédito presumido oriundo decorrente de atividades agroindustriais Aquisição de Leite in natura e Lenha de Eucalipto), que a empresa tem por objeto social, dentre outros, a atuação no ramo de produtos do laticínio. Assim, faz jus à utilização do benefício do crédito presumido de PIS/Cofins para as agroindústrias, disposto no ordenamento jurídico por meio da Lei n.º 10.925, de 2004. Contudo, restringiramse as possibilidades de utilização do saldo credor das contribuições em referência, ao firmar entendimento de que o crédito presumido, instituído justamente para o equilíbrio das contas daquelas empresas adquirentes de insumos, não poderia ser objeto de compensação ou ressarcimento; Fl. 1334DF CARF MF Processo nº 10835.721292/201381 Acórdão n.º 3201004.314 S3C2T1 Fl. 8 7 b) Créditos relativos a serviço de transporte (frete) entre estabelecimentos: transfere de uma unidade para outra sua matéria prima ou subproduto dele para devido tratamento e elaboração, sendo encaminhado para unidade industrial específica, onde, após devido tratamento o torna apto ao consumo e acondiciona para posterior revenda. O produto começa a ser elaborado em uma unidade e tem o seu processamento final em outra unidade; c) Créditos relativos a Materiais de Uso e Consumo e Serviços tomados: os gastos relativos à higienização na produção de alimentos podem ser considerados insumos para fins de creditamento de PIS/Cofins, pois pertinentes e viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, direta ou indiretamente empregados, cuja subtração importa na impossibilidade da mesma prestação de serviço ou produção, implicando substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes; d) Materiais de Embalagem: os materiais de embalagem glosados pela Fiscalização e mantidos pelo Acórdão recorrido são utilizados no acondicionamento e transporte do produto acabado. Todos os materiais utilizados para a embalagem acabam compondo o produto final da empresa, sendo de suma importância que o produto comercializado tenha sua integridade garantida até sua entrega definitiva. Convém esclarecer que todas as embalagens estão em contato direto com o produto e nenhuma delas retorna para a empresa. Assim, é evidente que a sua utilização é indispensável para o processo de geração de receitas, gerando custos a cada etapa, o que lhe assegura direito ao crédito pretendido. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.306, de 24/10/2018, proferido no julgamento do processo 10835.720775/201440, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.306): "O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. (...) Deferido em parte o pedido e apresentada manifestação de inconformidade, a DRJ julgoua procedente em parte, daí o recurso voluntário, ora apreciado. Da Reclassificação dos créditos básicos para crédito presumido (sic) Inicialmente, a Recorrente defende que os créditos presumidos de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, sejam considerados como se créditos básicos fossem (como se vê, o contrário do que está no título deste tópico do recurso). Fl. 1335DF CARF MF Processo nº 10835.721292/201381 Acórdão n.º 3201004.314 S3C2T1 Fl. 9 8 Registra o voto condutor do acórdão recorrido que, não obstante tenha tentado viabilizar a compensação do valor a ser ressarcido com outros tributos administrados pela RFB, não mais havia decisão judicial autorizando o que pleiteara. A matéria, com efeito, é, nesta parte, idêntica a que ora enfrentamos, conforme facilmente se percebe do dispositivo da sentença transcrito no mesmo voto: DISPOSITIVO DA R. SENTENÇA: "Por todo o exposto: a) no que concerne ao pedido de afastamento do Ato Declaratório Interpretativo nº 15/2005, JULGO EXTINTO o presente feito, sem resolução do mérito, com amparo no artigo 267, inciso VI, do Código de Processo Civil, em razão da ausência de interesse de agir. b) No tocante ao pleito remanescente, JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTE o pedido e CONCEDO PARCIALMENTE A SEGURANÇA para reconhecer o direito líquido e certo da impetrante à utilização do saldo credor da contribuição para o PIS e da COFINS, decorrente do crédito presumido instituído pela Lei nº 10.925/2004, no pagamento de débitos próprios relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nos termos do art. 16, inciso I, da Lei nº 11.116/2005, salvo quanto às operações de vendas (eventuais) de leite a granel realizadas na forma prevista no inciso II do 1º do art. 8º da Lei 10.925/04, afastando qualquer ato restritivo da autoridade impetrada no sentido de impedir a aplicação do disposto no art. 16, inciso I, da Lei 11.116/05, em especial a Instrução Normativa SRF nº 636, de 24 de março de 2006. Em conseqüência, julgo extinto o processo, com resolução do mérito, a teor do que dispõe o art.269, I, do Código de Processo Civil. Incabível a condenação em honorários advocatícios na quadra do mandado de segurança (Súmula 512 do Supremo Tribunal Federal). Sentença sujeita ao reexame necessário. Custas ex lege. P.R.I.O" Publicação D. Oficial de sentença em 27/11/2007, pag 83 (grifos do original) Portanto, não obstante não tenha reconhecido a concomitância, os processos judicial e administrativo apresentamse, ao menos em parte, com objetos idênticos. Afinal, considerar o crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, como se crédito básico fosse equivale a permitir o seu ressarcimento, não a sua utilização exclusiva para deduzir do PIS/Cofins em cada período de apuração (conforme o caput do mesmo dispositivo). Incide, na hipótese, a nosso juízo, a Súmula Vinculante CARF nº 1, segundo a qual "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". Esse cenário, sublinhese, não se altera em face da introdução do art. 9ºA na Lei nº 10.925, de 2004, pela Lei nº 13.317, de 2015. 1 Dos Créditos relativos a serviço de transporte (frete) entre estabelecimentos A Recorrente sustenta que transfere de um dos seus estabelecimento para outro matéria prima ou subproduto dela para o devido tratamento e elaboração, sendo encaminhado para unidade industrial específica, onde, após o devido tratamento, tornaa apta ao consumo e a 1 Art. 9oA. A pessoa jurídica poderá utilizar o saldo de créditos presumidos de que trata o art. 8o apurado em relação a custos, despesas e encargos vinculados à produção e à comercialização de leite, acumulado até o dia anterior à publicação do ato de que trata o § 8o deste artigo ou acumulado ao final de cada trimestre do ano calendário a partir da referida data, para: (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação aplicável à matéria; ou (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) II ressarcimento em dinheiro, observada a legislação aplicável à matéria. (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) Fl. 1336DF CARF MF Processo nº 10835.721292/201381 Acórdão n.º 3201004.314 S3C2T1 Fl. 10 9 acondiciona para posterior revenda. O produto começa a ser elaborado em uma unidade e tem o seu processamento final em outra unidade Ora, a própria RFB consolidou o entendimento de que as despesas com frete no transporte de insumos incorporamse ao custo do produto adquirido, tal como prevê a Solução de Divergência nº 7 Cosit, de 23 de agosto de 2016: NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CREDITAMENTO. INSUMOS. DIVERSOS ITENS. 1. Na sistemática de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, a possibilidade de creditamento, na modalidade aquisição de insumos, deve ser apurada tendo em conta o produto destinado à venda ou o serviço prestado ao público externo pela pessoa jurídica. 2. In casu, tratase de pessoa jurídica dedicada à produção e à comercialização de pasta mecânica, celulose, papel, papelão e produtos conexos, que desenvolve também as atividades preparatórias de florestamento e reflorestamento. 3. Nesse contexto, permitese, entre outros, creditamento em relação a dispêndios com: 3.a) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos que, no interior de um mesmo estabelecimento da pessoa jurídica, suprem, com insumos ou produtos em elaboração, as máquinas que promovem a produção de bens ou a prestação de serviços, desde que tais dispêndios não devam ser capitalizados ao valor do bem em manutenção; 3.b) combustíveis e lubrificantes consumidos em máquinas, equipamentos e veículos diretamente utilizados na produção de bens; 3.c) bens de pequeno valor (para fins de imobilização), como modelos e utensílios, e ferramentas de consumo, tais como machos, bits, brocas, pontas montadas, rebolos, pastilhas, discos de corte e de desbaste, bicos de corte, eletrodos, arames de solda, oxigênio, acetileno, dióxido de carbono e materiais de solda empregados na manutenção ou funcionamento de máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção de bens para venda; 4. Diferentemente, não se permite, entre outros, creditamento em relação a dispêndios com: 4.a) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em máquinas, equipamentos e veículos utilizados em florestamento e reflorestamento destinado a produzir matériaprima para a produção de bens destinados à venda; 4.b) serviços de transporte suportados pelo adquirente de bens, pois a possibilidade de creditamento deve ser analisada em relação ao bem adquirido; 4.c) serviços de transporte, prestados por terceiros, de remessa e retorno de máquinas e equipamentos a empresas prestadoras de serviço de conserto e manutenção; 4.d) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos utilizados no transporte de insumos no trajeto compreendido entre as instalações do fornecedor dos insumos e as instalações do adquirente; 4.e) combustíveis e lubrificantes consumidos em veículos utilizados no transporte de matéria prima entre estabelecimentos da pessoa jurídica (unidades de produção); Fl. 1337DF CARF MF Processo nº 10835.721292/201381 Acórdão n.º 3201004.314 S3C2T1 Fl. 11 10 4.f) bens de pequeno valor (para fins de imobilização), como modelos e utensílios, e ferramentas de consumo, tais como machos, bits, brocas, pontas montadas, rebolos, pastilhas, discos de corte e de desbaste, bicos de corte, eletrodos, arames de solda, oxigênio, acetileno, dióxido de carbono e materiais de solda empregados na manutenção ou funcionamento de máquinas e equipamentos utilizados nas atividades de florestamento e reflorestamento destinadas a produzir matéria prima para a produção de bens destinados à venda; 4.g) serviços prestados por terceiros no corte e transporte de árvores e madeira das áreas de florestamentos e reflorestamentos destinadas a produzir matériaprima para a produção de bens destinados à venda; 4.h) óleo diesel consumido por geradores e por fontes de produção da energia elétrica consumida nas plantas industriais, bem como os gastos com a manutenção dessas máquinas e equipamentos. Dispositivos Legais: Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Instrução Normativa SRF nº 247, de 2002, art. 66; Lei nº 4.506, de 1964, art. 48; Parecer Normativo CST nº 58, de 19 de agosto de 1976; DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13. Parcialmente vinculada à Solução de Consulta Cosit nº 76, de 23 de março de 2015, publicada no Diário Oficial da União de 30 de março de 2015. Parcialmente vinculada à Solução de Consulta Cosit nº 16, de 24 de outubro de 2013, publicada no Diário Oficial da União de 06 de novembro de 2013. Como deixa cristalino a Solução de Divergência e mesmo se extrai do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, para que se permita a apropriação do créditos sobre o frete pago no transporte do insumo adquirido, há que se ter a aquisição do insumo, operação a que não corresponde a mera transferência de insumos entre estabelecimentos da mesma empresa. No caso, há a remessa de produtos em elaboração de um para outro estabelecimento da mesma empresa, no qual será submetido a um processo de industrialização – a um custo específico, que, portanto, incorporase ao produto final – , tornandoos aptos ao consumo e os acondicionando para posterior revenda. Nesse contexto, temos entendido possível o creditamento, em sintonia com o que decidido pela 3ª Turma da CSRF: DESPESAS. FRETES. TRANSFERÊNCIA/TRANSPORTE. PRODUTOS INACABADOS E INSUMOS. ESTABELECIMENTOS PRÓPRIOS, CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. As despesas com fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) e de insumos entre estabelecimentos do contribuinte integram o custo de produção dos produtos fabricados/vendidos e, consequentemente, geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor apurado sobre o faturamento mensal. (Acórdão nº 9303007.285, de 15/08/2018) Dos Créditos relativos a Materiais de Uso e Consumo e Serviços tomados Aqui, a Recorrente contesta o acórdão recorrido, ao fundamento de que os gastos relativos à higienização na produção de alimentos – no seu caso, a fabricação de laticínios – podem ser considerados insumos para fins de creditamento de PIS/Cofins, pois, além de Fl. 1338DF CARF MF Processo nº 10835.721292/201381 Acórdão n.º 3201004.314 S3C2T1 Fl. 12 11 pertinentes, viabilizam o processo produtivo e cuja subtração implicando substancial perda de qualidade do produto. É evidente que, sendo a Recorrente fabricante de produtos laticínios, submetese a rigoroso controle de higienização e limpeza durante todo o seu processo produtivo. Assim, faz jus aos créditos sobre os produtos ou serviços que adquire para viabilizálo. A jurisprudência administrativa é remansosa a respeito do tema. Entre outras: REGIME NÃOCUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da nãocumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais. (Acórdão nº 3401004.896, de 21/05/2018) PRODUTOS QUÍMICOS UTILIZADOS NA ASSEPSIA E HIGIENIZAÇÃO DOS TANQUES DE TRANSPORTE DE LEITE, SILOS EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS. Os produtos químicos utilizados na assepsia e higienização dos tanques de transportes do leite caminhões, silos e equipamentos industriais são considerados essenciais à atividade/produção do sujeito passivo, eis ser obrigatória a referida assepsia para evitar a contaminação da matériaprima e do produto acabado. O que, por conseguinte, há de se considerar a constituição de crédito das contribuições sobre os gastos com a aquisição dos referidos produtos químicos, em respeito à prevalência do critério da essencialidade para fins de conceituação de insumo para a geração do direito ao referido crédito. (Acórdão nº 9303005.652, de 19/09/2017) Dos Materiais de Embalagem Dizse que os materiais de embalagem glosados são utilizados no acondicionamento e transporte do produto acabado, compondo o produto final fabricado pela empresa, mantendo a sua integridade até sua entrega e a ela, posteriormente, não retornando. A glosa teve por fundamento o fato de que os gastos com embalagem somente poderiam ser considerados insumos quando incorporada ao produto em fabricação ou quando sofre alteração em suas propriedades, de modo que as embalagens destinadas a apenas proteger ou transportar o produto acabado não dão direito a crédito de PIS/Cofins. A propósito do tema, a 3ª Turma de CSRF já entendeu que as embalagens destinadas a viabilizar a preservação de suas características durante o seu transporte e cuja falta pode torná lo imprestável à comercialização devem ser consideradas como insumos utilizados na produção. É o que se decidiu no julgamento consubstanciado no Acórdão nº 9303004.174, de 05/07/2016, de relatoria da il. Conselheira Tatiana Midori Migiyama, assim ementado: NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS A DESCONTAR. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. DIREITO AO CRÉDITO. É de se considerar as embalagens para transporte como insumos para fins de constituição de crédito da Cofins pela sistemática não cumulativa. Fl. 1339DF CARF MF Processo nº 10835.721292/201381 Acórdão n.º 3201004.314 S3C2T1 Fl. 13 12 No voto condutor do acórdão, a relatora reproduziu, em apoio à sua tese, aresto proferido pelo Superior Tribunal de Justiça STJ, o qual abraçou idêntico entendimento: PROCESSUAL CIVIL – TRIBUTÁRIO – PIS/COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos. Agravo regimental improvido. (g.n.) (STJ, Rel. Humberto Martins, AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.125.253 SC, julgado em 15/04/2010) Ressaltamos, também, o fato de que a própria RFB parece indicar uma alteração de entendimento (conceito próprio da legislação do IPI), uma vez que, na Solução de Divergência Cosit nº 7, de 23 de agosto de 2016, após a reprodução dos atos legais e infralegais que disciplinam o PIS/Cofins não cumulativo, concluiu que, no conceito de insumos, incluemse os bens ou serviços que "vertam sua utilidade" sobre o bem ou o serviço produzido. Confirase: 14. Analisandose detalhadamente as regras constantes dos atos transcritos acima e das decisões da RFB acerca da matéria, podese asseverar, em termos mais explícitos, que somente geram direito à apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a aquisição de insumos utilizados ou consumidos na produção de bens que sejam destinados à venda e de serviços prestados a terceiros, e que, para este fim, somente podem ser considerados insumo: a) bens que: a.1) sejam objeto de processos produtivos que culminam diretamente na produção do bem destinado à venda (matériaprima); a.2) sejam fornecidos na prestação de serviços pelo prestador ao tomador do serviço; a.3) que vertam sua utilidade diretamente sobre o bem em produção ou sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço (tais como produto intermediário, material de embalagem, material de limpeza, material de pintura, etc); ou a.4) sejam consumidos em máquinas, equipamentos ou veículos que promovem a produção de bem ou a prestação de serviço, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado da pessoa jurídica (tais como combustíveis, moldes, peças de reposição, etc); b) serviços que vertem sua utilidade diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços, o que geralmente ocorre: Fl. 1340DF CARF MF Processo nº 10835.721292/201381 Acórdão n.º 3201004.314 S3C2T1 Fl. 14 13 b.1) pela aplicação do serviço sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço; b.2) pela prestação paralela de serviços que reunidos formam a prestação de serviço final disponibilizada ao público externo (como subcontratação de serviços, etc); c) serviços de manutenção de máquinas, equipamentos ou veículos utilizados diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços. (g.n.) Ademais, e parecenos isso de fundamental importância, não obstante o conceito de insumos, para os fins da incidência do IPI, compreenda apenas as matériasprimas, os produtos intermediários e o material de embalagem, a legislação deste imposto faz uma expressa distinção entre o que é embalagem de apresentação e o que é embalagem para o transporte, de forma que a permitir o crédito apenas sobre a aquisição da primeira, mas não da segunda, consoante preconiza do art. 3º, parágrafo único, inciso II, da Lei nº 4.502, de 1964 (regra matriz do IPI): Art . 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto. Parágrafo único. Para os efeitos dêste artigo, considerase industrialização qualquer operação de que resulte alteração da natureza, funcionamento, utilização, acabamento ou apresentação do produto, salvo: I o conserto de máquinas, aparelhos e objetos pertencentes a terceiros; II o acondicionamento destinado apenas ao transporte do produto; (g.n.) Norma semelhante, contudo, não existe nos diplomas legais que disciplinam o PIS/Cofins não cumulativo. Assim sendo, devem ser considerados insumos na sistemática não cumulativa do PIS/Cofins os materiais de embalagem utilizados no acondicionamento e transporte do produto acabado, compondo o produto final fabricado pela empresa, mantendo a sua integridade até sua entrega e a ela, posteriormente, não retornando. Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário, quanto à matéria que se refere à reclassificação do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, e, quanto às demais matérias, DOULHE PROVIMENTO, para reverter as glosas de créditos decorrentes dos gastos realizados sobre os seguintes itens: a) fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) entre os estabelecimentos da Recorrente; b) materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo; c) embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as suas características." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado não conheceu do recurso Voluntário quanto à matéria que se refere à reclassificação do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, e, quanto às demais matérias, deulhe provimento, para reverter as glosas de créditos decorrentes dos gastos realizados sobre os seguintes itens: Fl. 1341DF CARF MF Processo nº 10835.721292/201381 Acórdão n.º 3201004.314 S3C2T1 Fl. 15 14 a) fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) entre os estabelecimentos da Recorrente; b) materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo; c) embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as suas características. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1342DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.720246/2011-42
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 03/03/2011
RESPONSABILIDADE. FALTA DE DANO À FISCALIZAÇÃO OU AO ERÁRIO PÚBLICO. IRRELEVÂNCIA.
A responsabilidade pela infração independe da intenção do agente e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, de acordo com o § 2º do art. 94, do Decreto-Lei 37/1966.
MULTA. INCONSTITUCIONALIDADE. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E DA RAZOABILIDADE. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 2.
Aplicação da Súmula CARF nº. 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE A DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 126.
Aplicação da Súmula CARF nº 126: A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3002-000.494
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo do argumento de inconstitucionalidade e, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada de ofício pela conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. No mérito, acordam, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 03/03/2011 RESPONSABILIDADE. FALTA DE DANO À FISCALIZAÇÃO OU AO ERÁRIO PÚBLICO. IRRELEVÂNCIA. A responsabilidade pela infração independe da intenção do agente e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, de acordo com o § 2º do art. 94, do Decreto-Lei 37/1966. MULTA. INCONSTITUCIONALIDADE. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E DA RAZOABILIDADE. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 2. Aplicação da Súmula CARF nº. 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE A DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 126. Aplicação da Súmula CARF nº 126: A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11128.720246/2011-42
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5944510
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3002-000.494
nome_arquivo_s : Decisao_11128720246201142.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
nome_arquivo_pdf_s : 11128720246201142_5944510.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo do argumento de inconstitucionalidade e, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada de ofício pela conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. No mérito, acordam, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves.
dt_sessao_tdt : Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
id : 7560618
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:34:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148507676672
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1695; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 106 1 105 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.720246/201142 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.494 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 22 de novembro de 2018 Matéria AI ADUANA Recorrente TOP GLOBAL ASSESSORIA ADUANEIRA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 03/03/2011 RESPONSABILIDADE. FALTA DE DANO À FISCALIZAÇÃO OU AO ERÁRIO PÚBLICO. IRRELEVÂNCIA. A responsabilidade pela infração independe da intenção do agente e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, de acordo com o § 2º do art. 94, do DecretoLei 37/1966. MULTA. INCONSTITUCIONALIDADE. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E DA RAZOABILIDADE. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 2. Aplicação da Súmula CARF nº. 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE A DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 126. Aplicação da Súmula CARF nº 126: A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 02 46 /2 01 1- 42 Fl. 107DF CARF MF Processo nº 11128.720246/201142 Acórdão n.º 3002000.494 S3C0T2 Fl. 107 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo do argumento de inconstitucionalidade e, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada de ofício pela conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. No mérito, acordam, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão 12096.994 da DRJ/RJO, que manteve integralmente o Crédito Tributário lançado pelo Auto de Infração, que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. No caso concreto, foi impingida a multa citada, referente a apuração da falta de informação, no prazo legal, dos dados de desconsolidação da carga chegada ao Porto de Santos em 05/03/2011 às 06:05h (momento da atracação), pois o registro das informações do CE 151105035141764 ocorreu somente em 03/03/2011 às 08:25h (fl. 04), ou seja, após o prazo máximo de 48h antes da atracação do navio, conforme o disposto no art. 22, III, da Instrução Normativa RFB nº 800/2007. Inconformada com a autuação, a contribuinte apresentou impugnação, a qual foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro DRJ/RJO, por Acórdão dispensado de ementa , de acordo com a Portaria RFB nº 2.724/2017. Em seqüência, após ser cientificada dessa decisão, a contribuinte apresenta Recurso Voluntário (76/102), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, repisando fatos e argumentos jurídicos já apresentados em seu recurso inicial. É o relatório, em síntese. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 11128.720246/201142 Acórdão n.º 3002000.494 S3C0T2 Fl. 108 3 Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O Crédito Tributário contestado no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. A questão posta nos autos cingese na autuação fiscal por ter a ora recorrente infringido o inciso III, do art. 22, da Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007, isto é, por ter a recorrente prestado informações sobre a desconsolidação de carga após o prazo de 48 horas antes da chegada do navio no porto de destino do conhecimento genérico, conforme exige o ordenamento jurídico: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: Iomissis ......................................................................................................... III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. ......................................................................................................... (grifo nosso) Desta forma, ficando sujeita a penalidade prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . Iomissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis Fl. 109DF CARF MF Processo nº 11128.720246/201142 Acórdão n.º 3002000.494 S3C0T2 Fl. 109 4 ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; (grifo nosso) Passo a análise dos argumentos trazidos pela recorrente em seu Voluntário: De pronto, afirmemos que não houve contestação sobre a ocorrência do registro extemporâneo das informações de desconsolidação da carga, fato que ensejou a presente autuação, portanto, essa questão resta incontroversa. Para comprovação, transcrevese excerto da peça recursal: "20. CONTUDO ESTA NÃO É A SITUAÇÃO TRATADA NO PROCESSO, onde simplesmente o Contribuinte (Recorrente) perdeu o prazo fixado para o fornecimento de informações no que pertine aos dados relativos ao conhecimento eletrônico e sua desconsolidação antes da atracação da embarcação." (grifo nosso) Primeiramente, a recorrente alega que sua atitude não gerou nenhum dano ao erário público e à fiscalização aduaneira. Assevera, ainda, que o seu atraso no registro da informações devidas ocorreu sem intenção, que agiu sempre de boa fé e que o registro ocorreu apenas poucas horas após o limite previsto pela legislação, conseqüentemente, não teria ocorrido nenhum tipo de dificuldade seja para a fiscalização, seja para apuração de créditos destinados ao erário. Quanto a essas argumentações, não assiste razão a recorrente. Vale lembrar que, conforme o § 2º do art. 94, do DecretoLei 37/1966, a responsabilidade da ora recorrente por seu ato, descumprimento do prazo para prestar as informações sobre a desconsolidação da carga, independia da sua intenção e da extensão dos efeitos causados por ele: Art.94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 11128.720246/201142 Acórdão n.º 3002000.494 S3C0T2 Fl. 110 5 § 1º O regulamento e demais atos administrativos não poderão estabelecer ou disciplinar obrigação, nem definir infração ou cominar penalidade que estejam autorizadas ou previstas em lei. § 2º Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (grifo nosso) Com efeito, a simples mora no cumprimento da obrigação acessória de prestar as devidas informações sobre a desconsolidação da carga infringe o disposto na legislação e, ademais, prejudica o controle aduaneiro, pois impede a adequada preparação da atividade fiscalizatória e, por conseqüência, também prejudica os interesses nacionais, conforme o disposto no art. 237 da Constituição Federal: Art. 237. A fiscalização e o controle sobre o comércio exterior, essenciais à defesa dos interesses fazendários nacionais, serão exercidos pelo Ministério da Fazenda. Continuando sua defesa, a recorrente alega que a aplicação da penalidade pela fiscalização aduaneira se mostra totalmente desproporcional e descabida, por isso, afrontou os Princípios Constitucionais da Proporcionalidade e da Razoabilidade. Melhor sorte não cabe à recorrente também nessas alegações. Subsumindose seu ato à previsão legal para aplicação da penalidade, não há como se vislumbrar qualquer afronta à Lei ou à Princípio Constitucional, por outro lado, não se pode olvidar que a atividade administrativa de lançamento é plenamente vinculada e obrigatória, de acordo com o art. 142 do Código Tributário Nacional: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Quanto à alegação de inconstitucionalidade da multa, justamente, por ofensa aos Princípios citados, impõese relembrar que o julgamento administrativo trata da aplicação Fl. 111DF CARF MF Processo nº 11128.720246/201142 Acórdão n.º 3002000.494 S3C0T2 Fl. 111 6 da legislação tributária como apresentada no sistema jurídico. Dessa maneira, a norma válida e eficaz, assim entendida a promulgada e publicada, dotada de presunção de correção formal e material, não pode ser desconsiderada pelo julgador. Nesse sentido, dispõe o art.62, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. A instância administrativa não é o foro adequado para discussões a respeito de ilegalidade ou inconstitucionalidade de leis legitimamente inseridas no ordenamento jurídico pátrio, por absoluta falta de competência das autoridades administrativas a essa função, que é reservada pela Constituição Federal em caráter exclusivo ao Poder Judiciário. É inócuo, portanto, suscitar tais alegações no âmbito administrativo, pois o julgador não pode delas tomar conhecimento. No caso, verificar a eventual existência de confisco, de desproporcionalidade, de irrazobilidade ou da não individualização da pena seria equivalente a reconhecer a inconstitucionalidade da norma que prevê a incidência da multa, o que é vedado a este Conselho Administrativo. Em consonância com esse ditame, vejamos o teor da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim sendo, não tomo conhecimento das alegações de inconstitucionalidade da multa prevista no art. 107, IV, e, do Decretolei n.º 37/1966. Em seqüência, a recorrente assevera que, no caso concreto, embora de forma extemporânea, as informações sobre a desconsolidação da carga foram prestadas antes do início do procedimento administrativo, que culminou com o presente lançamento, assim, estando a situação fática se amoldando às hipóteses legais para a aplicação do benefício da denúncia espontânea. O instituto da denúncia espontânea no Direito Tributário, assim como os seus semelhantes em outros ramos do Direito, visa incentivar o infrator se auto corrigir, através do reconhecimento voluntário do ilícito e da reparação do bem jurídico violado. Contudo, algumas infrações não são passíveis de serem beneficiadas pela denúncia espontânea. Quando a mera conduta do agente é definidor do núcleo do tipo da infração, estamos diante desse caso. Em outras palavras, quando a simples ação ou omissão do agente configurar o ilícito, não há possibilidade jurídica de se reparar o dano cometido. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 11128.720246/201142 Acórdão n.º 3002000.494 S3C0T2 Fl. 112 7 No caso das obrigações acessórias autônomas, em regra, essa situação se configura. Podemos dizer que é, justamente, o atraso no cumprimento de obrigação acessória o exemplo mais contundente desse tipo de infração. Uma vez que, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido cumprida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Considerandose que, como no caso dos presentes autos, a obrigação acessória autônoma descumprida pelo transportador ou pelos seus representantes consiste no dever de o sujeito passivo informar os dados de desconsolidação da carga à Aduana no prazo estabelecido, a simples falta da prestação tempestiva dessas informações já configura a infração e a impossibilidade física do retrocesso temporal impede sua reparação. Por outro lado, se admitíssemos a possibilidade de aplicação da denúncia espontânea aos casos de infrações decorrentes do atraso na entrega de declarações ou da prestação de informações, estaríamos diante de um paradoxo lógicojurídico, o qual tornaria morta a letra da lei. Nesse sentido, me socorro do entendimento do Ilustre Conselheiro Jose Fernandes do Nascimento manifestado no Acórdão 310200.988, do qual extraio o seguinte excerto: "De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em conseqüência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." Nesse mesmo sentido, vem se manifestando a jurisprudência de nossos tribunais, conforme se infere da seguinte ementa: Fl. 113DF CARF MF Processo nº 11128.720246/201142 Acórdão n.º 3002000.494 S3C0T2 Fl. 113 8 MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/ SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) Nessa esteira, a Súmula CARF nº 49 preceitua a não aplicabilidade da denúncia espontânea em casos análogos de cumprimento de obrigação acessória de forma extemporânea: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Ademais, esclareçase que a recorrente alega que, com o advento da MP 497/2010, convertida na Lei nº 12.350/2010, o instituto da denúncia espontânea passou a alcançar as penalidades de natureza tributária e administrativa, caso em comento. Contudo, creio que a legislação supra não alterou o impedimento racional da aplicação do instituto da denúncia espontânea aos casos de cumprimento extemporâneo de obrigação acessória e alinho me ao entendimento do Douto Desembargador Rômulo Pizzolatti manifesto no voto condutor do Acórdão já mencionado: A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse Fl. 114DF CARF MF Processo nº 11128.720246/201142 Acórdão n.º 3002000.494 S3C0T2 Fl. 114 9 sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. Por fim, manifestandose especificamente sobre o tema ora tratado, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais editou a Súmula CARF nº 126, cuja observância é obrigatória pelos Conselheiros em seus julgamentos, conforme art. 72 do RICARF: Súmula CARF nº 126: A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Como conseqüência do desenvolvimento lógicojurídico esposado ao longo do voto, considero inaplicável ao caso concreto o instituto da denúncia espontânea, pois este não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento do dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à Administração. Por todo o exposto, voto no sentido de conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, no mérito, negarlhe provimento, mantendo na integra o Crédito Tributário lançado. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 115DF CARF MF
score : 1.0
