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4821436 #
Numero do processo: 10711.007127/90-35
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 1993
Data da publicação: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 1993
Ementa: CLASSIFICAÇÃO. 1. O produto na forma como foi importado e segundo Parecer Técnico do INT (Of. 678/92) trata-se de "SDAD-Estearil Dimetil Amina Dest., classe amina terciária, teor de pureza: min 97%, classificação TAB/SH. 29.21.19.99.99. 2 - Recurso provido
Numero da decisão: 301-27.300
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencidos as Conselheiros Itamar Vieira da Costa, relator, João Baptista Moreira e Ronaldo Lindimar Jose Marton. Designado para redigir o Acórdão o Conselheiro josé Theodoro Mascarenhas Menck, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ITAMAR VIEIRA DA COSTA

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4610989 #
Numero do processo: 10711.007133/90-38
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 1993
Data da publicação: Thu Jun 25 00:00:00 UTC 1998
Ementa: CLASSIFICAÇÃO. 1. O produto na forma como foi importado e segundo Parecer Técnico do INT trata-se de "SDAD - Estearil Dimetil Amina Dest., classe amina terciária, teor de pureza: mino 97%., com classificação TAB/SH 2921.19.9999. 2. Recurso provido.
Numero da decisão: 301-27.306
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencidos os Cons. João Baptista Moreira, Ronaldo Lindimar José Marton e Itamar Vieira da Costa, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: JOSÉ THEODORO MASCARENHAS MENCK

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ementa_s : CLASSIFICAÇÃO. 1. O produto na forma como foi importado e segundo Parecer Técnico do INT trata-se de "SDAD - Estearil Dimetil Amina Dest., classe amina terciária, teor de pureza: mino 97%., com classificação TAB/SH 2921.19.9999. 2. Recurso provido.

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IRF - PORTO DO RIO DE JANEIRO CLASSIFICAÇI'lO. 1. O p~oduto na fo~ma como foi impo~tado e segundo Pa~ece~ Técnico do INT t~ata-se de "SDAD - Estea- ~il Dimetil Amina Dest., classe amina te~ciá~ia, teo~ de pu~eza: mino 971.,com classifica~~o TAB/SH 2921.19.9999. 2. Recu~so p~ovido. VISTOS, ~elatados e discutidos os p~esentes autos, • ACORDAM os Memb~os da P~imei~a C~ma~a do Te~cei~o Conselho de Cont~ibuintes, po~ maio~ia de votos, em da~ p~ovimento ao ~ecu~so, vencidos os Cons. Jo~o Baptista Mo~ei~a, Ronaldo Lindi- ma~ José Ma~ton e Itama~ Viei~a da Costa, na fo~ma do ~elatb~io e voto que passam a integrar o presente julgadoa B~asi1ia-DF, em 15 de feve~ei~o de 1993. STA - P~esidente VISTO EM SESSAO DE: o 7 DEZ 1994 DANEFP/DF - SECOS Nll 047/92 _ J. H. Participaram, ros: FAUSTO DE e LUIZ ANTONIO ainda, do FREITAS E JACQUES. . ' , presente julgamento CASTRO NETO, SANDRA ,. 2 os seguintes Conselhei- MIRIAM DE AZEVEDO MELLO i• O:' . .-.f i._. I J 2 PRIMEIRA CAMARA RECURSO N. 113.706 - ACORD~O N. 301-27.306 RECORRENTE: HERGA INDOSTRIAS QUIMICAS LTDA. RECORRIDA IRF - PORTO DO RIO DE JANEIRO RELATOR JOSE THEODORO MASCARENHAS MENCK R E L A T O R I O Conselhei~o do acó~d~o há um descompasso ent~e o voto do autos (fls. 55) e a folha de ~osto Reto~na o p~esente p~ocedimento administ~ativo de dilig@ncia efetuada junto ao Instituto Nacional de Tecnologia - INT, pa~a onde foi ~emetido po~ fo~~a da Resolu~~o n. 301-731 datado aos 17 de outu- b~o de 1991- Note-se que ~elator anexado aos (fls. 52). Em seu voto o Conselhei~o Flávio António Quei~oga Mendlovitz se p~onunciou pela anula~~o da decis~o de p~imei~a instancia, o que implica em novo julgamento po~ pa~te do Inspeto~ da Inspeto~ia da Re- ceita Fede~al do Po~to do Rio de Janei~o. Já a folha de ~osto da ~esolu~~o se manifesta apenas po~ uma dilig@ncia junto ao INT. O feito foi ao INT, onde fo~am ~espondidos os seguintes que- sitos, fo~mulados pelo cont~ibuinte: • "QUESITOS E RESPOSTAS • 1. ,~ "Queiram iriior;;'~rse a Matéria prima "SOAO - Estearil Oimetil Ami- na Dest.p" de nossa importação é um composto de amina graxa terciá- ria estearil,de .origem orgânica? " Resposta: O produto" SOA0 - Estearil Oimetil Amina Oest." ~ um com- posto de origem natural constitufdo de uma mistura de ami- nas graxas terciárias obtidas pelo processo de hidrogena- ção catalftica da nitrila do sebo natural, que ~ um pro- duto orgânico de origem natural. Um dos processos de ob- t~nção dessas aminas se resume nas seguintes reações: R - /0 C/ 'OH + R - C :: N nitrilas graxas H2 ~ Cato - NH3 R CH2 - NH2 . "...~:~.:.~.~~ HCHO HCOOH~ ... + + 2C~2 Rec. 113.706 Ac., 301-27.306 ~.-. ::,\.,:. .,'; onde R pode variar entre C14 e ClO. Deste modo. podemos ,'';''Fir';'arque D produto N3DAD Estearll Dimetil Amina -~st'._~é u.a composta de a.inas graxas terciárias COIll .,~~ j'a.çõesde,rad ica is alco ilas decorrentes das cOOlbina- "-çõe$ possiveis entre os radicais C14. CU. e C13 origi- nárió? dos ácidos graxos do sebo. :.. :;;~j;,:~:';":-:'~::i-::\'-'- -.<':' '-"i' .....t',,, ... ' ", .... 0:,' ~i-<~.-~-,">~:'i~r:;.~~.j-<-." 2. "Queira. na Dest •• in~ormar se'a matéria prima N CDAO Estearil é um compost~, de Função nitrogenada?N Dimet i1 Am i- • • Resposta: Sim. Ositens~ e 4 do Resultado da Análise conFi.maOl a ~unção nitroge~~da do produto • 3. NQueiram inFormar se _a 'matéria prima N3DAD Estearil Dimetil Amina Dest.N tem composição qufmica de~inida. conrorme o conceito inscul- pido nas Notas Expl icati'vas'do 3istema lIarmonizado Capftulo 2?? ." :'.~.':-', ,- '. ,., .•.,~. ..,-. ":'-,., ,- Resposta: 'De:.-';'CQ'';cÍocom a, NCNAD,' (1) posição 2? e TAl! ,NON(2). transcrevemos: N Os p.odutos de constituição qufmica deFi- nida são 'aquele:s'compostos qufmicos cuja estrutura se co- nhece. que não contém outra, substância deliberadamente a. dicionada. durante ou apÓs o ~abrico. O termo impurezas aplica-se exclusivamente às substâncias cuja associação com o composto qufmico dis tinto resulta. exclusiva e di- retamente do processo de ~abrico.N No caso do N COAD Es- tearil Dimetil Amina Dest.N• estas aminas graxas são pro- venientes da hidrogenação catalftica da nitrila do sebo. que por sua vez. é constituído de uma mistura de ácidos graxos ( ~~% de ácido esteárlco. 30% de ácido palmitfco e 4% de ácido lIirfstico). Considerando-se a deFinição do NENAD. para Fins de classiFicação alra~degá,ia. mesmo com a presença de diversas aminas graxas. trata"se dtLull com- _ •• __ o posto,d~ const itui~~o_ 'luJIII ica deF in ida. 4. "Queiram prestar quaisquer inrormações necessárias. ao bom deslinde da questão ?" Resposta: Nada temos a acrescentar." ~ O relatório. • • 4 Rec. 113.706 Ac. 301-27.306 v O T O Tendo sido assinado a folha de ~osto da ~esolu~~o pelo Con- selhei~o Flávio António Quei~oga Mendlovitz, e como é nela que está consignado o decidido, bem como o voto dos demais membros da camara, c~eio que deva p~evalece~ o que nela está p~esc~ito. Assim sendo chamo o p~ocesso à o~dem acolhendo o Pa~ece~ do INT. Como se obse~va no Relató~io o Pa~ece~ do INT é taxativo quando ~espondendo aos quesitos desta C~ma~a, definiu que o composto é de constitui~~o quimica definida . E o INT, completa a quest~o aqui t~atada dizendo, taxativa- mente, que: "No caso do SDAD-Estea~il Dimetil Amina Dest.", estas aminas g~axas s~o p~ovenientes de hid~ogena~~o catalitica nit~ila do sebo, que po~ sua vez, é constituido de uma mist~u~a de ácidos g~axos (661.de ácido esteá~ico, 301.de ácido palmiti- co e 41.de ácido mi~istico). Conside~ando-se a defini~~o da NENAB, pa~a fins de classifica~~o alfandegá~ia, mesmo com a presen~a de diversas aminas graxas, trata-se de um composto de constitui~~o quimica definida." O p~oduto impo~tado ao se~ classificado no Capitulo 29 da TAB, PRODUTOS QUIMICOS ORGANICOS, e ainda destacando, a Nota l-a do referido capitulo, "ressalvados as disposiç:f1es em contrário, as posi- ~ôes ao p~esente Capitulo apenas comp~eendem: os compostos o~ganicos de constitui~~o quimica definida ap~esentadas isoladamente, mesmo con- tendo impu~ezas, está co~~eto. em sua p~odutos te .... , Já o Capitulo 38, PRODUTOS DIVERSOS DAS INDOSTRIAS QUIMICAS, Nota l-a, escla~ece: "O p~esente Capitulo n~o comp~eende: os de constitui~~o quimica definida ap~esentadas isoladamen- Assim sendo, voto no sentido de dar provimento ao recurso. Sala das SessÕes, em 15 de feve~ei~o de 1993. 19l /JOSE 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005

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4733760 #
Numero do processo: 12466.003686/2006-04
Data da sessão: Thu Dec 03 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Dec 03 00:00:00 UTC 2009
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 09/02/2006 a 17/03/2006 Mandado de Procedimento Fiscal. Prorrogação. A prorrogação do MPF é ato administrativo publicado no sitio da Receita Federal na Internet, sem previsão legal de necessária ciência pessoal ao sujeito passivo da obrigação tributária. Mandado de Procedimento Fiscal. Operações de comércio exterior. Origem dos recursos. Combate à interposição fraudulenta de pessoas. Procedimento especial. O prazo de noventa dias previsto na IN SRF 228, de 2002, diz respeito apenas ao procedimento especial nela detalhado, com restrições impostas para o despacho aduaneiro, para o desembaraço aduaneiro bem como para a entrega de mercadorias importadas nesse interregno, mas ele não tem o condão de modificar o prazo fixado nas normas inerentes ao Mandado de Procedimento Fiscal para os procedimentos ordinários de fiscalização de tributos e contribuições federais. Dano ao erário. Perdimento. Consumo presumido. Penalidade pecuniária. Na impossibilidade de ser promovida apreensão da mercadoria sujeita a pena de perdimento, seja porque não localizada, seja porque consumida, o lançamento da multa decorrente da conversão da pena de perdimento em pecúnia deve ser processada e julgada na forma prevista pela legislação que regula a determinação e a exigência dos demais créditos tributários da União. O processo administrativo de apuração do dano ao erário (aplicação da pena de perdimento pelo titular do órgão local da Receita Federal), cuja peça inicial é o auto de infração acompanhado do termo de apreensão das mercadorias, não pode ser pressuposto do processo administrativo instaurado para lançamento da multa decorrente da conversão da pena de perdimento em pecúnia diante da não localização ou consumo das mercadorias. Normas gerais de direito tributário. Solidariedade. Sujeição passiva solidária por interesse comum. Nas infrações à legislação tributaria decorrentes de operações por conta de terceiros, o lançamento ex officio pode ser levado a efeito tanto na trading company quanto na pessoa contratante das importações, ambas na qualidade de sujeito passivo da obrigação tributária principal, sem beneficio de ordem; uma como contribuinte, a outra como responsável solidária por interesse comum. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3101-000.320
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: TARASIO CAMPELO BORGES

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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 09/02/2006 a 17/03/2006 Mandado de Procedimento Fiscal. Prorrogação. A prorrogação do MPF é ato administrativo publicado no sitio da Receita Federal na Internet, sem previsão legal de necessária ciência pessoal ao sujeito passivo da obrigação tributária. Mandado de Procedimento Fiscal. Operações de comércio exterior. Origem dos recursos. Combate à interposição fraudulenta de pessoas. Procedimento especial. O prazo de noventa dias previsto na IN SRF 228, de 2002, diz respeito apenas ao procedimento especial nela detalhado, com restrições impostas para o despacho aduaneiro, para o desembaraço aduaneiro bem como para a entrega de mercadorias importadas nesse interregno, mas ele não tem o condão de modificar o prazo fixado nas normas inerentes ao Mandado de Procedimento Fiscal para os procedimentos ordinários de fiscalização de tributos e contribuições federais. Dano ao erário. Perdimento. Consumo presumido. Penalidade pecuniária. Na impossibilidade de ser promovida apreensão da mercadoria sujeita a pena de perdimento, seja porque não localizada, seja porque consumida, o lançamento da multa decorrente da conversão da pena de perdimento em pecúnia deve ser processada e julgada na forma prevista pela legislação que regula a determinação e a exigência dos demais créditos tributários da União. O processo administrativo de apuração do dano ao erário (aplicação da pena de perdimento pelo titular do órgão local da Receita Federal), cuja peça inicial é o auto de infração acompanhado do termo de apreensão das mercadorias, não pode ser pressuposto do processo administrativo instaurado para lançamento da multa decorrente da conversão da pena de perdimento em pecúnia diante da não localização ou consumo das mercadorias. Normas gerais de direito tributário. Solidariedade. Sujeição passiva solidária por interesse comum. Nas infrações à legislação tributaria decorrentes de operações por conta de terceiros, o lançamento ex officio pode ser levado a efeito tanto na trading company quanto na pessoa contratante das importações, ambas na qualidade de sujeito passivo da obrigação tributária principal, sem beneficio de ordem; uma como contribuinte, a outra como responsável solidária por interesse comum. Recurso Voluntário Negado.

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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-03-29T19:41:13Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-03-29T19:41:11Z; Last-Modified: 2010-03-29T19:41:13Z; dcterms:modified: 2010-03-29T19:41:13Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-03-29T19:41:13Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-03-29T19:41:13Z; meta:save-date: 2010-03-29T19:41:13Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-03-29T19:41:13Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-03-29T19:41:11Z; created: 2010-03-29T19:41:11Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2010-03-29T19:41:11Z; pdf:charsPerPage: 2224; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-03-29T19:41:11Z | Conteúdo => S3-C/TI El. 350 MINISTÉRIO DA FAZENDA ". i .. "Iân,' ' °." .I-'. • If =;-' CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS-- P.,:-rzt-, ,- TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n 0 12466.003686/2006-04 Recurso n° 340.444 Voluntário Acórdão n° 3101-00.320 — 1" Câmara / P Turma Ordinária Sessão de 03 de dezembro de 2009 Matéria MULTA DIVERSA (conversão pena perdimento cm pecúnia) Recorrente ALLCOMEX CONSULTORIA, EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA. Recorrida DRJ-FLORIANOPOLIS/SC ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 09/02/2006 a 17/03/2006 Mandado de Procedimento Fiscal. Prorrogação. A prorrogação do MPF é ato administrativo publicado no sitio da Receita Federal na Internet, sem previsão legal de necessária ciência pessoal ao sujeito passivo da obrigação tributária. Mandado de Procedimento Fiscal. Operações de comércio exterior. Origem dos recursos. Combate à interposição fraudulenta de pessoas. Procedimento especial. O prazo de noventa dias previsto na IN SRF 228, de 2002, diz respeito apenas ao procedimento especial nela detalhado, com restrições impostas para o despacho aduaneiro, para o desembaraço aduaneiro bem como para a entrega de mercadorias importadas nesse interregno, mas ele não tem o condão de modificar o prazo fixado nas normas inerentes ao Mandado de Procedimento Fiscal para os procedimentos ordinários de fiscalização de tributos e contribuições federais. Dano ao erário. Perdimento. Consumo presumido. Penalidade pecuniária. Na impossibilidade de ser promovida apreensão da mercadoria sujeita a pena de perchmento, seja porque não localizada, seja porque consumida, o lançamento da multa decorrente da conversão da pena de perdimento em pecúnia deve ser processada e julgada na forma prevista pela legislação que regula a determinação e a exigência dos demais créditos tributários da União. O processo administrativo de apuração do dano ao erário (aplicação da pena de perdunento pelo titular do órgão local da Receita Federal), cuja peça inicial é o auto de infração acompanhado do termo de apreensão das mercadorias, não pode ser pressuposto do processo administrativo instaurado para lançamento da multa decorrente da conversão da pena de perdimento em pecúnia diante da não localização ou consumo das mercadorias. i Normas gerais de direito tributário. Solidariedade. Sujeição passiva solidária por interesse comum. Nas infrações à legislação tributaria decorrentes de operações por conta de terceiros, o lançamento ex officio pode ser levado a efeito tanto na trading company quanto na pessoa contratante das importações, ambas na qualidade de sujeito passivo da obrigação tributária principal, sem beneficio de ordem; uma como contribuinte, a outra como responsável solidária por interesse comum. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. ennque Pinheiro Torres - residae fAa\E S3I-T3. • Tarásio Campeio Borges - Relator EDITADO EM: 22/12/2009 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tarásio Campeio Borges, Corintho Oliveira Machado, Luiz Roberto Domingo, Valdete Aparecida Marinheiro e Vanessa Albuquerque Valente. Relatório Cuida-se de recurso voluntário contra acórdão unânime da Primeira Turma da DRJ Florianópolis (SC) que julgou procedente a exigência da multa equivalente ao valor aduaneiro, lançada em face da conversão em pecúnia da pena de perdimento l de mercadorias não localizadas2, porque encaminhadas para consumo imediatamente após o desembaraço aduaneiro de importações consideradas fraudulentas. Segundo a denúncia fiscal3 , após inclusão da ALLCOMEX CONSULTORIA, EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA. em procedimento especial Capitulação legal da penalidade: Decreto-lei 1.455, de 1976, artigo 23, incisos IV e V, §§ 1° a 3°, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei 10.637, de 2002, c/c Lei 10.833, de 2003, artigo SI, inciso III (RA 2002, artigo 618, incisos VI, XII e XXII, §§ r e 2°). 2 Declarações de importação: 06/0161549-7, 06/0161664-7, 06/0259526-0, 06/0259574-0, 06/0259590-2, 06/0310016-8, 06/0310032-0 e 06/0310060-5. Registro no período: 9 de fevereiro de 2006 a 17 de março de 2006. Desembaraço aduaneiro no período: 15 de fevereiro de 2006 a 20 de março de 2006. 3 Descrição dos fatos e enquadramento legal das infrações às folhas 2 a 24. 2 Processo e' 12466.00368612006-04 S3-C1T1 Acórdão n.° 3101-00.320 E. 351 previsto na IN SRF 228, de 21 de outubro de 2002 [ 4], restou constatada a interposição fraudulenta de terceiros para ocultação do comprador da mercadoria importada e responsável pela operação de importação, mediante uso de documentos falsificados. A sociedade empresária autuada se apresentava como importadora perante os órgãos da aduana brasileira, mas os tributos, o fechamento do câmbio e todas as demais despesas inerentes às importações eram assumidos pelo despachante aduaneiro. Regulamente intimada do lançamento, a interessada instaurou o contraditório com as razões de folhas 285 a 300, assim sintetizadas no relatório do acórdão recorrido: - preliminarmente, cabe notar a incompetência do AFRF para aplicar a pena de perclimento e converter esta pena em multa; não foi instaurado o processo de perdimento, presumindo o auditor que as mercadorias teriam sido consumidas, sem realizar qualquer diligência; assim, o autuante pretendeu substituir o Inspetor, convertendo a pena de perdimento em multa; o art. 73 da Lei n°10.833/2003 dispõe que o processo de perdimento deva ser extinto, assim é necessário que ele exista; . não basta a afirmação de que as mercadorias foram consumidas, é necessária diligência para sua comprovação: por essa razão, o inciso 11 do art. 12 da IN SRF n° 228/2002, a partir da vigência da Lei n° 10.833/2003, é ineficaz: apesar de identificar a Igreja Evangélica da Graça como destinatária das mercadorias, com base em informações prestadas pela própria impugnante, a fiscalização não tentou localizá-las; - para o procedimento especial de fiscalização previsto na IN SRF n°228/2002 é necessária a expedição de MPF específico e não apenas MPF para fiscalização rotineira de II e IPI no período de 01/2005 a 06/2006; o auditor agiu, portanto, além dos limites de sua competência, já que é nítida a distinção entre a fiscalização com objetivo de efetuar o lançamento tributário e a atividade de controle administrativo (aduaneiro, no caso); dessa forma, o Termo de Início lavrado pela fiscalização é nulo, sendo nulo também o Auto de Infração porque este decorre da ação fiscal originada no AfPF-F; - o MPF-F deveria ter sido executado até 18/10/2006, todavia o encerramento da ação fiscal se deu em 04/01/2007; como não houve prorrogação do MPF-F, a autoridade aduaneira lavrou o Auto de Infração quando não possuía mais competência para fazê-lo, o que o torna nulo; - no mérito, é de se frisar que as irregularidades relativas aos fatos relatados no processo administrativo citado no Auto de Infração não autorizam a presunção de que tenha havido algum ilícito no presente caso; - no caso em discussão, foi contatada pelo Sr. Fernando Aquino para que realizasse importações por conta e ordem de terceiros 4 1N SR12 228, de 2002, ementa: Dispõe sobre procedimento especial de verificação da origem dos recursos aplicados em operações de comércio exterior e combate à interposição fraudulenta de pesfoas. - para a Igreja Evangélica da Graça; a operação seria conduzida pelo despachante aduaneiro José Camilo dos Santos Filho, que se incumbiu de providenciar "o registro da Igreja no Radar, a vincula ção dos CNIéJs e realizar o despacho de importação"; - não se deu conta de que as declarações de importação foram registradas como se fossem operações próprias da Allcomex, quando deveriam ter -sido declaradas por conta e ordem de terceiro; por essa razão é que o representante legal da impugnante afirmou que não conhecia o exportador e que não havia feito pagamentos relativos a câmbio ou impostos, já que os recursos adiantados pela Igreja eram repassados diretamente para o despachante, que realizava os pagamentos em nome da interessada; as contas bancárias indicadas nas DIs para débito dos tributos são exatamente dos despachantes aduaneiros, todavia toda a movimentação financeira está devidamente registrada nos livros fiscais da autuada,. - prova de que acreditava estar realizando importações por conta e ordem de terceiros é o fato de que as notas fiscais de entrada sempre foram emitidas com o CFOP 3.949, que diz respeito a outras entradas, e não a compras; - a utilização das notas fiscais de entrada, emitidas por processo eletrônico, como suporte para a retirada das mercadorias do recinto alfandegado, constitui procedimento que nunca foi autorizado pela Állcomex e deve ser atribuído integralmente ao despachante aduaneiro e aos responsáveis pela administração do porto seco; o envio das notas fiscais impressas digitalmente tinha a finalidade de controle apenas, uma vez que apresentava melhor legibilidade do que as notas emitidas manualmente; ademais, tal irregularidade não é punível com a pena de perdimento das mercadorias, assim como não o é a falta de emissão de notas fiscais de saída, equivoco já sanado como comprovam as cópias em anexo; - agiu de boa-fé e nunca teve a intenção de fraudar ()fisco, tendo sido vitima da conduta adotada pelo despachante aduaneiro; - de qualquer forma, é importante ressaltar que as DIs objeto da presente autuação foram todas selecionadas para o canal vermelho de conferência aduaneira, assim não podem restar dúvidas sobre a natureza e a correta identificação das mercadorias declaradas, posto que a administração aduaneira realizou a verificação física, atestando a veracidade das informações da importadora e reconhecendo o valor aduaneiro consignado; - o destinatário das mercadorias importadas é um templo religioso e, em razão disso, goza de imunidade tributária (CF/I988, art. 150, inciso VI, alínea "b'); ainda que se argumente que o IPI não está incluído na imunidade dos templos religiosos, as principais mercadorias importadas são papel para impressão de livros (bíblias), que também são imunes (CF/1988, art. 150, inciso VI, alínea "d'); por sua vez, os gabinetes com fonte para computador destinavam-se ao ativo permanente da Igreja, de forma que não seriam revendidos, fato que também os W 4 Processo n° 12466.003686/2006-04 S3-C1T1 Acórdão n.° 3101-00.320 Fl. 352 torna imunes; assim, não haveria qualquer interesse em se ocultar o real sujeito passivo das operações; - segundo informações constantes do sitio da Receita Federal, a real adquirente das mercadorias é responsável solidária pelas obrigações fiscais geradas pela importação efetivada, em virtude que dela são os recursos utilizados na operação; a Igreja Evangélica da Graça, portanto, deve ser incluída no pólo passivo da obrigação tributária, permitindo-se a ela a competente defesa; - para enquadramento no tipo legal do art. 23, inciso V, sç . 2° do Decreto-Lei 1.455/1976, é necessário que a ocultação do sujeito passivo tenha sido obtida mediante fraude ou simulação,' além disso, também é imprescindível que a origem, disponibilidade e transferência de recursos não seja comprovada; como a fiscalização não auditou devidamente os livros da impugnante, é inaplicável, no caso, a presunção legal; - a IN SRF n` 228/2002 foi editada com o objetivo de implementar a política governamental de combate à lavagem de dinheiro, coibindo a interposição fraudulenta que visa a limpar o dinheiro de origem criminosa; assim, o fisco está desvirtuando completamente a finalidade da edição da referida norma ao utilizada, indiscriminadamente, como mecanismo punitivo contra o planejamento tributário; - não existe falsidade ideológica dos documentos utilizados no despacho, como já demonstrado, e quanto à falsidade material, nada de concreto foi apontado pela fiscalização, além de não ter sido realizada perícia. Ao final, requer seja declarado nulo o Auto de Infração, Caso assim não entenda a DRI, solicita que o julgamento seja convertido em diligência para exame dos livros comerciais e da escrita contábil das empresas interessadas. Por eventualidade, postula que a Igreja Evangélica da Graça seja considerada -responsável solidária e intimada a apresentar sua defesa. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido estão consubstanciados na ementa que transcrevo: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 09/02/2006, 07/03/2006, 17/03/2006 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. Considera-se dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro caso . W .rt • as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 09/02/2006 07/03/2006, 17/03/2006 MPF-F. DECURSO DO PRAZO DE VALIDADE. INOCORRÊNCL4. Descabe a argüição de decurso do prazo de Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização (A4PF-F) se no prazo de validade foi ele regularmente prorrogado. COMPETÊNCIA DO AFRF PARA APLICAÇÃO DA MULTA SUBSTITUTIVA DO PERDIMENTO. Verificada a impossibilidade de apreensão da mercadoria sujeita a pena de perdimento, em razão de sua não-localização ou consumo, e o AFRF competente para exigir, mediante lançamento de oficio, a multa prevista no § 3' do art. 23 do Decreto-Lei n°1.455/1976. Lançamento Procedente. Ciente do inteiro teor do acórdão originário da DRJ Florianópolis (SC), recurso voluntário foi interposto às folhas 336 a 344. Nessa petição, as razões iniciais são reiteradas noutras palavras, exceto quanto ao pedido de conversão do julgamento em diligência para exame dos livros comerciais e da escrita contábil da ora recorrente e da Igreja Evangélica da Graça matéria estranha à peça recursal. A autoridade competente deu por encenado o preparo do processo e encaminhou para a segunda instância administrativas os autos posteriormente distribuídos a este conselheiro e submetidos a julgamento em dois volumes, ora processados com 349 folhas. Na última delas consta o registro da distribuição mediante sorteio. É o relatório. • Voto Conselheiro Tarásio Campeio Borges, Relator Conheço do recurso voluntário interposto às folhas 336 a 344, porque tempestivo e atendidos os demais requisitos para sua admissibilidade. 5 Despacho acostado à folha 348 determina o encaminhamento dos autos para o outrora denominado Terceiro Conselho de Contribuintes. AD-7/' Processo n° 12466.003686/2006-04 S3-C1TI Acórdão n.° 3101-00.320 Fl. 353 Preliminarmente, entendo descabida a alegada incompetência do auditor- fiscal para o lançamento do crédito tributário ora discutido, procedimento amparado no § 2° do artigo 73 da Lei 10.833, de 29 de dezembro de 2003 [6]. Com efeito, diante da "impossibilidade de apreensão da mercadoria sujeita a - pena de perdimento"9 , seja porque não localizada, seja porque consumida, o lançamento da - multa decorrente da conversão da pena de perdimento em pecúnia deve ser processada e julgada "nos termos da legislação que rege a determinação e exigência dos demais créditos tributários da Unido"8. Nesse particular, não entendo necessária a prévia instauração do processo administrativo de apuração do dano ao erário, vale dizer, processo administrativo para aplicação da pena de perdimento pelo titular do órgão local da Receita Federal, porquanto, por expressa determinação legal [ 9], o auto de infração acompanhado do termo de apreensão é a peça inicial dos processos nos quais são apuradas as infrações enumeradas no artigo 23 do Decreto-lei 1.455, de 7 de abril de 1976 (dano ao erário), instauração Subordinada à prévia localização das mercadorias, e não há se falar -nele como pressuposto do processo administrativo instaurado para lançamento da multa decorrente da conversão da pena de perdimento em pecúnia, diante da não localização ou consumo das mercadorias. Ainda na preliminar de incompetência é alegado vicio do procedimento que teria presumido o consumo das mercadorias sem realizar qualquer diligência. Creio igualmente descabido o alegado vicio, pois a denúncia é de interposição fraudulenta de terceiros para ocultação do comprador da mercadoria importada e responsável pela operação de importação, mediante uso de documentos falsificados, uma simulação que salta aos olhos diante dos esclarecimentos prestados a termo l ° pelo sócio e representante legal da ora recorrente, mormente nas declarações destacadas na folha 8 da denúncia fiscal. Essa denúncia de simulação ganha ainda mais força quando a então impugnante tenta dar a aparência de regularidade às suas operações mediante apresentação das notas fiscais de saída de folhas 301 a 310, algumas com data de emissão anterior a 4 de julho de 2006, data do tenno de esclarecimentos de folhas 114 a 116, no qual declara, nos itens "m" e "p": (1) que as mercadorias eram transportadas, depois de desembaraçadas, com nota fiscal 6 Lei 10.833, de 2003, artigo 73: Verificada a impossibilidade de apreensão da mercadoria sujeita a pena de perdimento, em razão de sua não-localização ou consumo, extinguir-se-á o processo administrativo instaurado para apuração da infração capitulada como dano ao Erário. (§ 1°) Na hipótese prevista no caput, será instaurado processo administrativo para aplicação da multa prevista no § 3 0 do art. 23 do Decreto-Lei n° 1.455, de 7 de abril de 1976, com a redação dada pelo art. 59 da Lei n° 1E637, de 30 de dezembro de 2002. (§ 2°) A multa a que se refere o § 1° será exigida mediante lançamento de oficio, que será processado e julgado nos termos da legislação que rege a determinação e exigência dos demais créditos tributários da União. 7 • Ler 10.833, de 2003, artigo 73, capas. s Lei 10.833, de 2003, artigo 73, § 2°. 9 Decreto-lei 1.455, de 1976, artigo 27, capta: As infrações mencionadas nos artigos 23,24 e 26 serão apuradas através de processo fiscal, cuja peça inicial será o auto de infração acompanhado de termo de apreensão, e, se for o caso, de termo de guarda. I ° Teimo de esclarecimentos de folhas 114 a 116, lavrado em 4 de julho de 2006. 7 de entrada da ALLCOMEX CONSULTORIA, EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÂO LTDA. e (2) que nunca emitiu nota fiscal de saída dessas mercadorias. Logo, como as mercadorias não estavam na posse da ora recorrente e nenhuma nota fiscal de saída delas havia sido emitida, essas eram mercadorias não localizadas ou consumidas. Rejeito a preliminar de incompetência do auditor-fiscal da Receita Federal. Noutra preliminar, a ora recorrente argui duas questões: (1) inexistência de prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) e (2) vicio derivado da incompetência do auditor-fiscal para decidir pelo inicio do procedimento especial de que trata a IN SRF 228, de 21 de outubro de 2002. Entretanto, o procedimento especial foi proposto pelo auditor-fiscal no relatório preliminar de folhas 102 a 105, decidido pelo inspetor da Alfândega do Porto de Vitória (ES) no despacho de folha 105 e a regularidade dos aspectos formais da instauração desse procedimento é matéria estranha ao litígio ora examinado, pois a regular formalização do procedimento especial somente tem repercussão em eventual demanda relacionada às restrições impostas para o despacho aduaneiro, para o desembaraço aduaneiro bem como para a entrega de mercadorias importadas [n][12]. Por outro lado, a auditoria fiscal que deu origem ao lançamento do crédito tributário contestado guarda conformidade com o MPF de folha 101, de 20 de junho de 2006, válido até 18 de outubro de 2006, com prazo de validade regularmente prorrogado duas vezes: até 17 de dezembro de 2006 e até 15 de fevereiro de 2007, conforme documento de folha 313, não contraditado nas razões recursais. A prorrogação do MPF é ato administrativo publicado no sitio da Receita Federal na internet, semi previsão legal de necessária ciência pessoal ao sujeito passivo da obrigação tributária. II IN SRF 228, de 2002, artigo 7": Enquanto não comprovada a origem licita, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos necessários à prática das operações, bem assim a condição de real adquirente ou vendedor, o desembaraço ou a entrega das mercadorias na importação fica condicionado à prestação de garantia, até a conclusão do procedimento especial. (§ 1°) A garantia será equivalente ao preço da mercadoria apurado com base nos procedimentos previstos no art. 88 da Medida Provisória n°2.158-35, de 24 de agosto de 2001, acrescido do frete e seguro internacional, e será fixada pela unidade de despacho no prazo de dez dias úteis contado da data da instauração do procedimento especial. (§ 2") No caso de despacho aduaneiro de mercadoria iniciado após a instauração do procedimento especial, o prazo para fixação de garantia será contado da data de registro da declaração aduaneira. (§ 3°) A garantia a que se refere este artigo poderá ser prestada sob a forma de depósito em moeda corrente, fiança bancária ou seguro em favor da União. (§ 4°) A Coana poderá fixar, mediante Ato Declaratório Executivo, valores minirnos de garantia para tipos específicos de mercadorias. 12 IN SRF 228, de 2002, artigo 8': Na hipótese de não comparecimento das pessoas citadas no inciso Ido caput do art. 4°, no prazo previsto, os despachos aduaneiros da empresa eventualmente em curso serão interrompidos, bem assim suspensa a entrega de mercadorias já desembaraçadas que ainda se encontrem depositadas em recintos alfandegados. (§ 1°) O não comparecimento das pessoas citadas no capar deverá ser informado no sistema Radar, de modo a possibilitar a adoção das providências previstas pelas unidades da SRF de despacho. (§ 2°) Também será retida pela fiscalização a mercadoria da empresa sob procedimento especial que se encontre depositada em recinto alfandegado e ainda não tenha sido submetida a despacho aduaneiro. (§ 3°) O disposto no § 2° aplica-se, ainda, à mercadoria objeto de conhecimento de carga consignado ou endossado à empresa submetida ao procedimento especial, que tenha sido ou venha a ser endossado a terceiro. (§ 4°) O disposto nos §§ 2° e 3° não impede o registro da correspondente declaração aduaneira, devendo o respectivo despacho ser imediatamente interrompido nos termas deste artigo. rrS-7-17 8 Processo n° 12466.003686/2006-04 S3-C1T/ Acórdão n.° 3101-00.320 Fl. 354 No que concerne ao prazo de noventa dias previsto na IN SRF 228, de 2002 [ 13 ] , ele diz respeito apenas ao procedimento especial nela detalhado, com restrições impostas para o despacho aduaneiro, para o desembaraço aduaneiro bem como para a entrega de mercadorias importadas nesse interregno, mas ele não tem o condão de modificar o prazo fixado nas normas inerentes ao MPF para os procedimentos ordinários de fiscalização de tributos e contribuições federais. Rejeito, também, as preliminares de inexistência de prorrogação do MPF e de vicio derivado da incompetência do auditor-fiscal para decidir pelo início do procedimento especial de que trata a IN SRF 228, de 2002. • No mérito, o desembaraço de mercadorias mediante utilização de documento falsificado ou a ocultação do real comprador ou do "responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros" são infrações consideradas dano ao erário, cuja pena é o perdimento das mercadorias, convertida em multa igual ao valor aduaneiro daquelas não localizadas ou consumidas, a teor do disposto no artigo 23, incisos IV e V, §§ 1 0 a 3 0, do Decreto-lei 1.455, de 7 de abril de 1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei 10.637, de 2002 [ 14] [ 15 ] (RA 2002, artigo 618, incisos VI, XII e XXII, §§ 10 e 2°), não passível de redução, por força da Lei 10833, de 2003, artigo 81, inciso III. Declaração de importação, conhecimento de transporte e fatura comercial acostados nos autos deste processo administrativo, conforme indicação no quadro de folha 14, nos quais a ora recorrente é identificada como importadora, são documentos falsificados para ocultação do real comprador, responsável pela operação mercantil, mediante simulação. Corroboram essa simulação, afora as razões de impugnação e de recurso: (I) o ônus tributário, o fechamento do câmbio e todas as demais despesas inerentes às importações assumidos pelo despachante aduaneiro; (2) os esclarecimentos prestados a termo 16 pelo sócio e representante legal da ora recorrente, principalmente nas declarações destacadas na folha 8 da denúncia fiscal; e (3) a emissão de notas fiscais de saída desvinculadas de efetivas saídas de mercadorias IN SRF 228, de 2002, artigo 9°: O procedimento especial previsto nesta Instnição Normativa deverá ser concluído no prazo de noventa dias, contado da data de atendimento às intimações previstas no art. 40. (Parágrafo único) O titular da unidade da SRF responsável pelo procedimento especial poderá, em situações devidamente justificadas, prorrogar por igual período o prazo previsto neste artigo. 14 Decreto-lei 1.455, de 1976, artigo 23: Consideram-se dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (IV) enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas "a" e "b" do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos 1 a XIX do artigo 105, do Decreto-lei número 37, de 18 de novembro de 1966. (V) estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei 10.637, de 30.12.2002) L.1 (§ 1°) O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluido pela Lei 10.637, de 30.12.2002) (§ 2) Presume-se interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não- comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Ineluido pela Lei 10.637, de 30.12.2002) (§ 3°) A pena prevista no § 1 2 converte-se em multa equivalente ao valor aduaneira da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumidadIncluido pela Lei 10.637, de 30.122002). I5 Decreto-lei 37, de 1966, artigo 105: Aplica-se a pena de perda da mercadoria: [...] (VI) estrangeira ou nacional, na importação ou ria exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; [—J. 16 Termo de esclarecimentos de folhas 114 a 116, lavrado em 4 de julho de 2006. 9 • (folhas 301 a 310), algumas com data de emissão anterior a 4 de julho de 2006, data do termo de esclarecimentos de folhas 114 a 116. Vale lembrar que no termo de esclarecimentos de folas 114 a 116, o representante legal da ora recorrente havia declarado, nos itens "m" e "p": (1) que as mercadorias eram transportadas, depois de desembaraçadas, com nota fiscal de entrada da ALLCOMEX CONSULTORIA, EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA. e (2) que nunca emitiu nota fiscal de salda dessas mercadorias. • Finalmente, por expressa determinação do Decreto-lei 37, de 1966, artigo 95, I e IV, são responsáveis pela infração: "quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie", bem como "a pessoa natural ou jurídica, em razão do despacho que promover, de qualquer mercadoria". Destarte, nas infrações à legislação tributaria decorrentes de operações por conta de terceiros, entendo correto o lançamento tanto na sociedade empresária que se apresenta como importadora quanto na contratante das importações, ambas na qualidade de sujeito passivo da obrigação tributária principal, sem beneficio de ordem (em qualquer delas ou em ambas); uma como contribuinte", a outra como responsável solidária ls por interesse comum. • Com essas considerações, rejeito todas as preliminares e nego provimento ao recurso voluntário. Tarásio Campeio Borges fre 17 DIN, artigo 121, parágrafo único, I. 18 CTN, artigo CTN, artigo 124, I e parágrafo único, e artigo 121, parágrafo único, II, cic Decreto-lei 37, de 1966, artigo 95,1 e IV. 10

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9329056 #
Numero do processo: 10711.007126/90-72
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 1991
Numero da decisão: 301-00.727
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência ao INT, através da Repartição de origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: FLAVIO ANTONIO QUEIROGA MENDLOVITZ

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Recurson.O 113,700 PROCESSO NQ Recorrente HERGA INDÚSTRIAS QUJMICAS Recorrida IRF~ PORTO - RJ . 10711-007126/90-72. LTDA. R E S O L U ç À O Nº 301-727 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Cons~ julg-ª.forma lTZ - Relator. residente. RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro lho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em converter o menta em dilig~ncia ao 'INT, através da Repartiç~o de origem, na do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, 17 e outubro de 1991 . VISTO EM O 8 \f 1,9-9' 1SESSÃO DE: . • Participaram, ainda do presente julgamento os seguintes Conselheiros: LUIZ ANTONIO JACQUES, JOÃO BAPTISTA MOREIRA, SANDRA MJRIAM DE AZEVEDO MELLO (Suplente), WLADEMIR CLOVIS MOREIRA, FAUSTO FREITAS DE CASTRO I NETO. Ausentes os Conselheiros: JOSt THEODORO MASCARENHAS MENCK e IVAR GAROTTI. •••• '" .1 SERVICO PÚBllCO FEDERAL MEFP - TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - PRIMEIRA CÂMARA RECURSO Nº 113.700 - RESOLUçM Nº 301-727 RECORRENTE: HERGA INDÚSTRIAS QUfMICAS LTDA. RECORRIDA: IRF - PORTO DO RIO DE JANEIRO RELATOR : FLÁVIO ANTÔNIO QUEIROGA MENDLOVITZ R E L A T 6 R I O 02. i • • A ~ Et O_RREN-TX_F".~ .' atra- ,.ves da Declaração de Importação (D.I.) n23383/90 (fls.2/7), submeteu • a despacho 22861 quilos de "SDAD - ESTEARIL DIMETIL AMINA DEST., cla.ê. se: AMINA terciária., teor de pureza: mín. 9-7%", ao amparo da Guia de Importação (G.I.) n21-89/35880-8 (fls.09~, classificando o produto no código TAB 2921.19.9999, com alíquotas de 30% para o Imposto de Im portação (1.1.) e zero para o Imposto sobre Produtos Industrializados (I.P.I.). Encaminhada a amostra do produto ao Laboratóriode Análises, este emitiu o Laudo n23710/90 .(fls.ll), declarando tratar- se de alquil dimetil amina-'Jma preparação química à base de aminas terciárias (produto de constituição q~imica não definida) . Em ato de revisão, o"produto foi desclassificado para o código TAB 3823.90.9999 com alíquotas de 60% para o 1.1. e 10% para o I.P.I., sendo exigido, através do Auto de Infração n2 371/90 (fl.01), o reco.lhimento da diferença do 1.1., o'I.P.I. apurado e as multas previstas nos arts. 524 e 526,11, do Regulamento Aduaneiro (R.A. ), aprovado p~l~ Decreto- n2 9.1030/85, e art. 80, 11, da Lei. .... 4502/64, com a redação dada pelo Decreto-Lei n2 34/66, além dos en- r:argos legais cabíveis. Devidamente intimada (fls.15), a autuada, tempe.ê. tivamente, apresentou impugnação (fls.16/24), discordando do resul- tado do Laudo, alegando que: a) trata-se de um mesmo produto, que vem sendo importado há anos na mesma classificação na TAB (2922 na antiga e 292.1.19.9900 na nova), como composto de função amina, produto de constitui- ção química definida, condição confirmada em lau dos de análise do LABANA; Imprensa NaCional SERVICO PUBLICO FEDERAL 03. Rec. 113.700 Res.301-727 -. I ift , I b) a fiscalização quer classificar no código •.•• 3823.90.9999 da nova TAB; em razão de que o mes- mo LABANA"vem agora afirmando trata~-se de pro- duto sem composição química definida; c) deve ser solicitado pronuncia~ento do INT ou de outro órgão técnico; d) o produto consiste de aminas graxas industri- ais obtidas a partir do ácido graxo de sebo e tem constituição química definida; e) se o produto não possuisse constituição quími- ca definida, necessariamente teria classificação, própria na posição 3402; f) não cabe a aplicação das multas previstas nos artigos 524 e 526 do Regulamento Âduaneiro, vis- to que não houve declaração indevida e nem impoE- . tação de mercadoria sem guia; Por solicitação do GREDA-GRUPO DE REVISÃO DE DES PACHO ADUANEIRO ( fls.30 v.), o LABANA emitiu a Informação Técnica nQ 44/91 (fls.31/32), ratificando os termos do Laudo nQ 3710/90 (fls. 11) • (fls.33), o AFTN autuante nao acolheu a manutenção do feito, em,face do re- Na réplica as razoes da defesa, propondo sultado laboratorial. l- A autoridade de Iª Instância julgou procedente a - ,Iaçao fiscal, para declarar "devida a diferença do 1.1., no valor de Cr$ 428.270,59 e o I.P.I., no valor de Cr$ 228.410,98, impondo, ou- trossim, i autuada as múltas,-previstas nos artigos 524 e 526, II,do R.A. e no artigo 80, 11, da Lei nQ 4.502/64 e DL 34/66, além dos en cargos legais cabíveis." •• A recorrente interp6s o recurso volunt~rio tem- pestivamente com as razões de fls. 41 a 48, protestando i fls. 46 por novo exame laboratorial. ~ o relat6rio. .Igl •• Imprensa Nacional l- _ " Rec.113.700 Res.301-727 I SERViÇO PÚBLICO FEDERAL ! • r v o T o Trata o presente recurso de desclassificação de mercadQ fla, com base em laudo do Laboratório Nacional de Análise de nº 3710/ 90, não tendo a autoridade de 1~ instância apreciado pedido na impuQ nação, que solicitava diligincia ~o INT para se manifestar quanto a matéria técnica apresentada. Ao prolatar a decisão ignorando o requerido, infringiu a .autoridade singular disposto veiculado na Carta Magna de 1988, cons~ grando principio constitucional da ampla defesa, que diz em seu inci so LV do art. 5º: com os meios e recursos a ela •• 1 "LV - aos litigantes, em tivo, e aos acusados em tório e ampla defesa, inerentes". processo judicial ou geral são assegurados administr~ o contradi outubro de 1991. Assim sendo, para restabelecer à recorrente o seu direito de ampla defesa, voto para acolher a preliminar de cerceamento de d~ fesa e em o fazendo, declarar nula a decisão de primeira instância,d~ vendo o processo retornar à Repartição de origem para providenciar a diligincia solicitada. 00000001 00000002 00000003 00000004

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4821291 #
Numero do processo: 10711.001702/90-69
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 1996
Data da publicação: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 1996
Ementa: Importação. Classificação. Mistura odorífera para uso em perfumaria, classifica-se no código TAB/SH 33.02.90.0100. Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 301-27.966
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir as multas dos art. 524 e 526 inciso II do R.A. A conselheira Márcia Regina Machado Melaré fará declaração de voto, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: JOÃO BAPTISTA MOREIRA

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Classificação. Mistura odorífera para uso em perfumaria, classifica-se no código TAB 3302.90.0100. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. • ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir as multas dos art. 524 e 526 inciso II do R.A. A conselheira Márcia Regina Machado Melaré fará declaração de voto, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 26 de março de 1995 /0"111.11.1"1001.--__40ak MOACY I ant— ii ''P1 ROS r 1 JO O BAPTI A MOR' • • lator • í.teet Nye '0% .9eff"eir -0 O 5 SEI. 1996 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ISALBERTO ZAVÃO LIMA, FAUSTO DE FREITAS E CASTRO NETO, MARIA DE FÁTIMA PESSOA DE MELLO CARTAXO, LEDA RUIZ DAMASCENO E LUIZ FELIPE GALVÃO CALHEIROS. - mfdac112843 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 112.843 ACÓRDÃO N° : 301-27.966 RECORRENTE : IFF ESSÊNCIAS E FRAGRÂNCIAS LTDA RECORRIDA : IRF - PORTO - RJ RELATOR(A) : JOÃO BAPTISTA MOREIRA RELATÓRIO Adoto o Relatório integrante da Resolução n° 301-655, de fls. 85 et seqs, ut infra: • "A empresa submeteu a despacho aduaneiro, através da Declaração de Importação-D.1. n° 12582/89, mercadoria que classificou e descreveu (fls. 09). • 2914.29.9900 - Metil Cedrenil Cetona, tipo coeur, 98% de pureza aprox., líquida. Nome científico: Metil cedrenil cetona. Nome comercial: Vertofix Coeur. Qualidade industrial. O Labana-RJ, através do Laudo n° 3806/89, concluiu: "Trata-se de mistura odorífera para uso em perfumaria onde foi detectada a presença de metil cedril centona". Em ato de revisão aduaneira o produto foi desclassificado para o código TAB 3302.90.0100, e lavrado o Auto de Infração n° 34/90 (fl. 1), substituído pelo Termo Complementar de fls. 33, para exigir- se da importadora o recolhimento da diferença de I.I., do I.P.I. e das multas previstas nos arts. 524 e 526, inc. II, do Regulamento Aduaneiro (R.A.), aprovado pelo Decreto n° 91.030/85 e no artigo 80, II, da Lei n° 4.502/64, com redação modificada pelo Decreto-lei n° 34/66, art. 2°, 22 a alteração, além dos encargos legais cabíveis. A autuada, tempestivamente, apresentou impugnação (fls. 17/19 e 35/37), anexando cópias de Resoluções do 3° Conselho de Contribuintes, emitidas em processos relativos a produtos semelhantes ao do presente caso (fls. 24/30 e 41/45) e solicitando: a) apensação dos processos relacionados às fls. 35, pela sua interligação material com o auto de fl. 1 e seu Termo Complementar (fls. 33); 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 112.843 ACÓRDÃO N° : 301-27.966 b) nulidade do auto de infração lavrado; c) modificação do laudo do Laboratório de Análises; d) perícia antecipada a ser efetuada pelo Instituto Nacional de Tecnologia (INT) e/ou por peritos técnicos nomeados, com formulação de quesitos; e) liminar revisão "ex ofício" pela Tributação à presente imposição fiscal e aos processos que seriam apensados, como neles requerido, • resguardando-se a impugnante à complementação impugnatória, no • momento hábil, na forma da lei; e O suspensão de quaisquer eventuais sanções à impugnante, até decisão final dos mencionados processos. Alegou, ainda, a interessada: a) cerceamento de defesa, face aos artigos 153, §§ 4° e 15 da Constituição Federal e artigo 142 do Código Tributário Nacional; b) falta, por parte da fiscalização, do fornecimento de orientação temática ou técnica com a finalidade de evitar decréscimo patrimonial à impugnante; e c) falta de definição do fato gerador (art. 144, CTN). A AFTN argumentou que as alegações da Autuada não cabiam no presente caso, opinando pela manutenção do Auto de Infração (fls. 48). A ação fiscal foi julgada procedente, para exigir o Imposto de Importação, o Imposto sobre Produtos Industrializados e as multas dos arts. 524 e 526, II do Regulamento Aduaneiro e do art. 80, II da Lei 4.502/64 com redação modificada pelo Decreto-lei n° 34/66, art. 2°, 22 a alteração, além dos encargos legais cabíveis. Inconformada, a empresa recorre a este Colegiado, tempestivamente, reiterando os argumentos da fase impugnatória e o pedido de diligência para efetivação de nova análise". • 3 • MINISTÉRIO DA FAZENDA1 TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 112.843 ACÓRDÃO N° : 301-27.966 Houve laudo do INT, às fls. 107: O parecer abaixo refere-se, exclusivamente, a amostra do produto comercial "Vertofix Coeur" encaminhada a este Instituto anexo ao ofício n° 015/SESIT datado de 27/07/93 do Inspetor da Alfândega do Porto do Rio de Janeiro solicitando parecer com informações técnicas detalhadas e respostas aos quesitos apresentados pelo IRF/Porto/RJ e pelo Labana nos autos do processo n° 10711.001702/90-69. A amostra veio acondicionada em recipiente de cor ambar com etiqueta apresentando os dizeres: 3806/89 Vertofix Coeur. • Na Declaração de Importação n° 012582 adição 001 datada 15/09/89 no item 11 consta a seguinte especificação da mercadoria: 2800, kgs. de Metil Cedrenil Cetona, tipo Coeur, 98% de pureza aprox., líquido. Nome Científico: Metil Cedrenil Cetona Nome Comercial: Vertofix Coeur Qualidade: Industrial Fab. e Exp. Internacional - FL Y FR (México) S.A. de CV. - México XX. PARECER TÉCNICO Resultado da Análise Aspecto: Líquido Amarelado, oleoso. Análise por espectrofotometria na região de radiação infravermelha. O espectro obtido mostrou picos de absorção de acordo com a estrutura da Metil Cedrenil Cetona. Análise por Cromatografia gasosa/Espectrometria de Massas. Os espectros de massas dos componentes apresentam fragmentos que indicam tratar-se de isomeros. Respostas aos quesitos formulados pela IRF/Porto/RJ a) Qual o processo de obtenção do produto em causa? Resposta: O produto é obtido por acetilação de "Cedarwood Oil Terpenes" usando anidrido acético como agente e um catalisador específico. 4 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 112.843 ACÓRDÃO N° : 301-27.966 O Cedarwood Oil Terpenes tem como componentes principais o Cedrene, o Cedrene e o Thujopseme além de outros sesquiterprenos em proporção muito menor, que acetilados geram uma série de isomeros. .<..cedrene cat. > A Ca, O • O Acetilcedrene (isômero principal) p-cedrene 00 cat. > Itoe Accat 156mero •G O Thujopsene olefina B intermediário b) Quais os componentes identificados na mistura e a dosagem de cada um? Resposta: Além do componente principal a metil cedrenil cetona (59,35%), a amostra apresentou sete isomeros de mesma função química com os seguintes percentuais (10,75%; 6,01%; 5,84%; 5,4%; 4,23%; e 3,51%). c) Todos os componentes da mistura foram obtidos através do processo de fabricação? Resposta: Sim d) É possível a separação deles? Resposta: A separação de isomeros é inviável industrialmente. e) Em caso afirmativo, qual a razão de não ter sido feita tal separação? Resposta: Quesito prejudicado pela resposta anterior. f) As impurezas presentes tornam o produto apto a um uso específico de preferência à • sua aplicação geral? • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 112.843 ACÓRDÃO N° : 301-27.966 Resposta: As impurezas presentes são provenientes do processo de obtenção e segundo a literatura (1) não tornam o produto apto a nenhum uso específico, de preferência à sua aplicação geral que é em indústria de perfumaria, conferindo o odor de "musk". g) Em caso negativo qual a razão das impurezas não terem sido eliminadas? Resposta: Já respondido no item c. h) O produto em causa é usada na indústria de perfumaria? Resposta: Sim. Confere o odor de "musk". • i) Em caso afirmativo pode-se considerar o produto uma mistura odorífera? Resnosta: Não. O produto é proveniente de uma mesma reação química que forma isomeros de massa de mesma função, não havendo adição deliberada de nenhuma substância, sendo portanto, segundo a TAB/NESH, um composto de constituição química definida. j) Em caso negativo, justificar a resposta e esclareça em que tipo de indústria é usado e qual a finalidade de tal uso? Resposta: Já respondido no quesito h. • Respostas aos quesitos formulados pelo Labana 1)Informar qual tipo de indústria empregará o produto e com que finalidade o fará. Resposta: O produto é usado em indústria de perfumaria para conferir o odor de "musk". 2) Informar o n° de componentes da amostra especificando os percentuais predominantes. Resposta: Já respondido no quesito b formulado pela IRF/Porto/RJ. 3) O emprego do produto é função só de um de seus componentes? A presença dos outros constituintes não confere características próprias ao produto, que ele não teria na ausência dos mesmos? Resposta: Já respondido nos quesitos formulados pela IRF/Porto/RJ. 4) Existem evidencias de que o 2° componente do produto seja inodoro? Citar fonte (s) em caso afirmativo. Resposta: Uma vez que na pergunta não está especificado qual é o 2° componente e considerando que o produto é uma mistura de isomeros de mesma função química, não é possível responder a este quesito. • 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 112.843 ACÓRDÃO N° : 301-27.966 5) Teria o produto uso geral como substância pura de constituição química definida • metil cedrenil cetona em qualquer segmento industrial ou analítico incluindo as instituições de pesquisa que dele necessitarem? Resposta : Isto é irrelevante para a classificação tarifária do produto, pois segundo a TAB/NESH, o produto que é proveniente de uma mesma reação química que forma isomeros de mesma função química, não lhe sendo adicionada deliberadamente nenhuma substância, é considerado composto de constituição química definida. 6)As NENCCA estabelecem que os compostos do Cap. 29 (comp. orgânicos) são os de constituição química definida, apresentados isoladamente, mesmo • contendo impurezas, porém ressalva que estas não podem ter sido deliberadamente deixadas no produto de forma a torná-lo apto a usos particulares, em detrimento do uso geral que se condiciona aos produtos do Cap. 29, ou mesmo lhe melhorar a aptidão a um determinado emprego. Tendo em consideração esses elementos e, ainda, as respostas dadas aos quesitos anteriores, informar se o produto em questão, metil cedrenil cetona apresentando as impurezas verificadas, pode ser considerado um composto orgânico de composição química definida, apresentado • isoladamente, nos termos das NENCCA? Resposta: Já respondido em quesitos anteriores. É o relatório. 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 112.843 •ACÓRDÃO N° : 301-27.966 VOTO O laudo do INT, de fls. 107, coincide com o laudo do LABANA- RJ, de fls. 14, no sentido que o produto é uma "mistura odorífera para uso em perfumaria, onde foi detectada a presença de metil-cedril-cetona". Dispensadas as multas tendo em vista que "Vertofix Couer" foi considerado no Laudo-Labana. Segundo o ADN 14/74, a descrição correta seguida de classificação errada não acarreta apenação qualquer. Destarte, dou provimento parcial ao Recurso, apenas para eximir a imposição das multas capituladas na Decisão Recorrida. Sala das Sessões, em 26 em-- ço de 1996. JOÃ APTIST MOREIRA 2 ATOR. 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 112.843 ACÓRDÃO N° : 301-27.966 DECLARAÇÃO DE VOTO • Acompanho o voto do relator, e nego provimento ao recurso apresentado, ressaltando, inclusive, que a questão já mereceu apreciação nos processos 10.711.006.446/87-82; 10.711.002.920/88-51 e 10.711.004.772/88-36, sendo negado provimento aos recursos do contribuinte, mantendo-se a reclassificação dada ao produto pela fiscalização vide acórdãos 301-26.362; 301-26.345 e 301- 26.922. Excluo, de oficio, contudo, as exigências decorrentes da aplicação das multas previstas nos artigos 524 e 526, II, do R.A., haja vista a importação ter sido feita à vista de Guia de Importação, não tendo a reclassificação tarifária o efeito de nulificá- la, tal como entendeu a fiscalização, para caracterizar uma importação sem guia. c.-e -C- MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ - Conselheira 9 Page 1 _0006100.PDF Page 1 _0006200.PDF Page 1 _0006300.PDF Page 1 _0006400.PDF Page 1 _0006500.PDF Page 1 _0006600.PDF Page 1 _0006700.PDF Page 1 _0006800.PDF Page 1

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Numero do processo: 12466.002526/2005-59
Data da sessão: Mon Nov 16 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Nov 16 00:00:00 UTC 2009
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 01/04/2005, 12/04/2005, 25/04/2005, 27/04/2005, 16/05/2005, 30/205/2005, 10/06/2005, 21/06/2005, 22/06/2005. MULTAS DE OFÍCIO. Indevida a cobrança de multa de oficio, em face da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, previamente a qualquer procedimento fiscal tendente à sua constituição. Recurso de Oficio Negado.
Numero da decisão: 3101-000.291
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: VANESSA ALBUQUERQUE VALENTE

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MULTAS DE OFÍCIO. Indevida a cobrança de multa de oficio, em face da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, previamente a qualquer procedimento fiscal tendente à sua constituição. Recurso de Oficio Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio. -- Henriqüe Pinheiro Torres - Presidente i_er;72 Vánessa Albuquerque Valente - Relatora EDITADO EM: 08/12/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tardsio Campelo Borges, Corintho Oliveira Machado, Luiz Roberto Domingo, Valdete Aparecida Marinheiro e Vanessa Albuquerque Valente. Relatório Por bem sintetizar os fatos e atos processuais até a data do julgamento de primeira instância, adoto o relatório de fls. 268, que passo a transcrever: "Reportam-se os presentes autos a exigência de direitos antidumping, cujo valor, por força de antecipação de tutela concedida em sede de ação ordinária, deixou de ser recolhido por ocasião do registro das Declarações de Importação relacionadas no auto de infração. Tais direitos foram acrescidos da multa de oficio e dos juros de mora e seu lançamento teve por finalidade a prevenção da decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito em questão. Cientificada do lançamento, a interessada apresentou tempestiva impugnação para argüir a nulidade do lançamento, em face da incompetência da autoridade lançadora para constituir créditos de natureza não tributária e do fato de ter sido submetida a apreciação do Poder Judiciário a matéria de que se constitui a presente exigência. No mérito, a autuada requer a improcedência do lançamento, tendo em vista os inúmeros vícios que comprometem a legalidade da taxa intitulada direito antidumpig, bem como a falta de previsão legal para o arbitramento do valor aduaneiro praticado pela fiscalização." Os autos foram encaminhados â. Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis/SC, a qual julgou procedente em parte o lançamento, consubstanciada na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2005 a 22/06/2005 Ementa: AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. PENALIDADE. Tutela antecipada concedida em medida cautelar não impede a constituição do crédito tributário correspondente, para fins de prevenção da decadência. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda Nacional implica renúncia ao julgamento em instáncia administrativa dos lançamentos que tenham por objeto a mesma matéria levada a apreciação do Poder Judiciário. Impugnação não conhecida no que se refere as questões de direito argüidas pela impugnante. Indevida a cobrança da multa de oficio, em face da suspensão da exigibilidade do crédito, previamente a qualquer procedimento fiscal tendente it sua constituição. Lançamento Procedente em Parte. 2 "çl Processo n° 12466.002526/2005-59 S3-C I 1' I Acórdão n.° 3101-00.291 Fl »1 A Turma a quo manteve o lançamento referente aos direitos antidumping e juros de mora e exonerou o lançamento relativo à multa de oficio no valor de R$ 2.750.515,42. Dessa decisão recorreu de oficio. Devidamente cientificada da decisão, a contribuinte não apresentou recurso voluntário. 0 processo foi distribuído a esta Conselheira, A fl. 295. o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Albuquerque Valente, Relatora Estando presentes todos os requisitos para a admissibilidade do presente Recurso, inclusive quanto ao valor superior ao limite de alçada, bem como, tratando-se de matéria da competência deste Colegiado, conheço do Recurso de Oficio interposto pela DRJ — Florianópolis/SC, em face da decisão que julgou parcialmente procedente o lançamento contra a empresa GARNER COMERCIAL E IMPORTAÇÃO LTDA. Conforme consta do relato, a matéria é concernente A exigência de direitos antidumping, cujo valor, por força de antecipação de tutela concedida em ação ordinária, deixou de ser recolhido por ocasião do registro das Declarações de Importação relacionadas no auto de infração sub examen. No caso em apreço, entendo que andou bem a decisão de la instância, não merecendo reparos o acórdão recorrido. Dessa forma, adoto, como fundamentos de decidir, o Voto Condutor que conduziu o julgamento a quo, fls. 268/271, que leio em sessão. No que diz respeito à exclusão da multa de oficio lançada no auto de infração como bem destacado pelo julgador de la instância: "...uma vez caracterizado que o contribuinte, por determinação judicial, não se encontrava, it data do registro importação, obrigado ao recolhimento do tributo apurado e tido como devido pela autoridade administrativa, não há como se manter a fundamentação fcitica da multa de oficio, qual seja, o descumprimento da norma administrativa pelo contribuinte, uma vez que tal comportamento estava autorizado expressamente pela autoridade judicial, não havendo, portanto, ato ou omissão a ser punido pela administração." Com efeito, o Código Tributário Nacional, em seu artigo 151, incisos IV e V, estabelece que suspendem a exigibilidade do crédito tributário a concessão de medida liminar em mandado de segurança, bem como a concessão de medida liminar ou tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial. 3 In casu, é incontroverso que, antes da ocorrência do fato gerador, com o registro das DI's em 01/04/2005, 12/04/2005, 25/04/2005, 26/04/2005, 27/04/2005, 16/05/2005, 30/05/2005, 10/06/2005, 21/06/2005, 22/06/2005, respectivamente, o sujeito passivo já estava amparado por medida liminar concedida em ação ordinária com antecipação de tutela. Portanto, se na data do fato gerador a exigibilidade do crédito tributário estava suspensa, entendo descabida a interposição de penalidade. Nestes termos, nego provimento ao recurso de oficio. Vanessa Albuquerque alente 4

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Numero do processo: 17883.000325/2008-62
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2000 a 31/03/2005 PREVIDENCIÁRIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO PERÍODO PARCIALMENTE ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Na hipótese dos autos, aplica-se o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62-A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar pelo contribuinte. A Recorrente teve ciência da NFLD no dia 01.12.2005, o período do débito é de 06/2000 a 03/2005. Dessa forma, constata-se que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até a competência 11/2000, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE REGULARIDADE NO LANÇAMENTO NÃO OCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO TAXA SELIC APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-000.863
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, nas preliminares, por unanimidade de votos em reconhecer a decadência parcial das competências até 11/2000, inclusive, com base no art.150, § 4º do CTN. No mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule o valor da multa de mora de acordo com o disposto no art. 35, “caput”, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, com prevalência da mais benéfica ao contribuinte.
Nome do relator: PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO

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decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, nas preliminares, por unanimidade de votos em reconhecer a decadência parcial das competências até 11/2000, inclusive, com base no art.150, § 4º do CTN. No mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule o valor da multa de mora de acordo com o disposto no art. 35, “caput”, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, com prevalência da mais benéfica ao contribuinte.

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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2000 a 31/03/2005 PREVIDENCIÁRIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO PERÍODO PARCIALMENTE ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Na hipótese dos autos, aplica-se o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62-A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar pelo contribuinte. A Recorrente teve ciência da NFLD no dia 01.12.2005, o período do débito é de 06/2000 a 03/2005. Dessa forma, constata-se que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até a competência 11/2000, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE REGULARIDADE NO LANÇAMENTO NÃO OCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO TAXA SELIC APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte

atualizado_anexos_dt : Sat Apr 09 09:55:42 UTC 2022

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VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI   2 A  legislação  ordinária  de  custeio  previdenciário  não  pode  ser  afastada  em  âmbito  administrativo  por  alegações  de  inconstitucionalidade,  já  que  tais  questões  são  reservadas  à  competência,  constitucional  e  legal,  do  Poder  Judiciário.  Neste sentido, o art. 26­A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do  CARF,  publicada  no  D.O.U.  em  22/12/2009,  que  expressamente  veda  ao  CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.  PREVIDENCIÁRIO  ­  CUSTEIO  ­  INOBSERVÂNCIA  DE  REGULARIDADE NO LANÇAMENTO ­ NÃO OCORRÊNCIA.   Tendo o  fiscal  autuante  demonstrado  de  forma  clara  e  precisa  os  fatos  que  suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e  do  contraditório,  bem  como  em  observância  aos  pressupostos  formais  e  materiais  do  ato  administrativo,  nos  termos  da  legislação  de  regência,  especialmente  artigo  142  do  CTN,  não  há  que  se  falar  em  nulidade  do  lançamento.  PREVIDENCIÁRIO  ­  CUSTEIO  ­  TAXA  SELIC  ­  APLICAÇÃO  À  COBRANÇA DE TRIBUTOS.  É  cabível  a  cobrança  de  juros  de mora  sobre  os  débitos  para  com  a União  decorrentes  de  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita Federal do Brasil  com base na  taxa referencial do Sistema Especial  de Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais.  PREVIDENCIÁRIO  ­  CUSTEIO  ­  NOTIFICAÇÃO  FISCAL  DE  LANÇAMENTO  DE  DÉBITO  ­  ACRÉSCIMOS  LEGAIS  ­  JUROS  E  MULTA DE MORA  ­  ALTERAÇÕES DADAS  PELA LEI  11.941/2009  ­  RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ­ ART. 106, II, C, CTN  Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram  distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35  da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991  (que  tratava de  juros moratórios),  alterou  a  redação do art. 35  (que versava  sobre  a  multa  de  mora)  e  inseriu  o  art.  35­A,  para  disciplinar  a  multa  de  ofício.  Visto que o artigo 106,  II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei  quando,  tratando­se  de  ato  não  definitivamente  julgado,  lhe  comine  penalidade  menos  severa  que  a  prevista  na  lei  vigente  ao  tempo  da  sua  prática, princípio da retroatividade benigna, impõe­se o cálculo da multa com  base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará­la com a multa aplicada com  base  na  redação  anterior  do  artigo  35  da Lei  8.212/91  (presente  no  crédito  lançado neste  processo)  para  determinação  e  prevalência  da multa  de mora  mais benéfica.  Ressalva­se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual  se  deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora  (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art.  5º,  §  3º  Lei  9.430/1996)  e  da multa  de  ofício  (com  base  no  art.  35­A,  Lei  8.212/1991  c/c  art.  44  Lei  9.430/1996),  com  a  prevalência  dos  acréscimos  legais mais benéficos ao contribuinte.  Recurso Voluntário Provido em Parte      Fl. 401DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 17883.000325/2008­62  Acórdão n.º 2403­00.863  S2­C4T3  Fl. 370          3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros  do Colegiado,  nas  preliminares,  por  unanimidade  de  votos  em  reconhecer  a  decadência  parcial  das  competências  até  11/2000,  inclusive,  com  base no art.150, § 4º do CTN. No mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial  ao recurso, para que se recalcule o valor da multa de mora de acordo com o disposto no art. 35,  “caput”,  da  Lei  8.212/91,  na  redação  dada  pela  Lei  11.941/2009,  com  prevalência  da  mais  benéfica ao contribuinte..      Carlos Alberto Mees Stringari ­ Presidente    Paulo Maurício Pinheiro Monteiro ­ Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Carlos  Alberto Mees  Stringari,  Ivacir  Júlio  de  Souza,  Paulo  Maurício  Pinheiro  Monteiro,  Marcelo  Magalhães  Peixoto, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Jhonatas Ribeiro da Silva (suplente). Ausente o  Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza.    Fl. 402DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI   4     Relatório      Trata­se de Recurso Voluntário, às fls. 230 a 242, apresentado contra Decisão  da  Delegacia  da  Receita  Previdenciária  em  Duque  de  Caxias  /  RJ,  Decisão­Notificação  nº  17.422.4/394/2006,  fls. 216 a 221, que  julgou procedente a autuação por descumprimento de  obrigação  principal, NFLD – Notificação Fiscal  de Lançamento  de Débito  nº.  35.850.927­0,  com ciência da Recorrente em 01.12.2005, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 555.419,04  (quinhentos e cinqüenta e cinco mil, quatrocentos e dezenove reais e quatro centavos).  O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas  à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa e as destinadas a Terceiros, incidentes  sobre a remuneração paga aos empregados e contribuintes individuais, conforme declarado na  Guia  de  Recolhimento  do  Fundo  de  Garantia  do  Tempo  de  Serviço  e  Informações  à  Previdência Social – GFIP e nos resumos das folhas de pagamento (13° salário), no período de  06/2000 a 03/2005.  Conforme  ainda  o  Relatório  Fiscal,  às  fls.  90  a  94,  as  contribuições  previdenciárias  tiveram  como  fato  gerador  para  os  empregados  e  para  os  contribuintes  individuais, o exercício de atividade remunerada.   As bases de cálculo das contribuições previdenciárias (Empresa, SAT/RAT e  Terceiros)  foram as  remunerações dos empregados e dos contribuintes  individuais,  conforme  descrito  no  Discriminativo  Analítico  do  Débito  (DAD)  e  Relatório  de  Lançamentos  (RL),  integrantes deste lançamento, segundo declarado nas (GFIP) examinadas no período notificado  ­  exceto  os  valores  referentes  aos  pagamentos  referentes  ao  13°  Salário  de  dezembro,  que  foram apurados nos resumos das folhas de pagamento.   Nos Anexos às fls. 149 a 180, se encontram demonstrados por competência e  por  rubrica  a  apuração  das  contribuições,  as  deduções  efetuadas  concernentes  ao  aproveitamento das contribuições já recolhidas e dos valores pagos a título de salário­família e  salário­maternidade e o cálculo das contribuições devidas.   O período de apuração, de acordo com o Mandado de Procedimento Fiscal –  MPF nº 09237072, foi de 06/2000 a 03/2005, fls. 85 a 87.  O período objeto da NFLD, conforme o Relatório Discriminativo Sintético de  Débito ­ DSD, às fls. 33, é de 06/2000 a 03/2005.  A Recorrente teve ciência do Auto de Infração no dia 01.12.2005, conforme  fls. 01.  Contra  a  autuação,  a Recorrente  apresentou  impugnação  tempestiva,  de  fls.  180 a 187.  Fl. 403DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 17883.000325/2008­62  Acórdão n.º 2403­00.863  S2­C4T3  Fl. 371          5 Após análise,  a Delegacia da Receita Previdenciária  em Duque de Caxias  /  RJ, emitiu a Decisão­Notificação nº 17.422.4/394/2006, fls. 216 a 221, julgando procedente a  autuação e mantendo a multa aplicada, conforme a Ementa a seguir:  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  TAXA  SELIC.  LEGALIDADE/CONSTITUCIONALIDADE  DAS  NORMAS.  COMPETÊNCIA DO PODER JUDICIÁRIO.  A  taxa  SELIC,  estabelecida  no  art.  34  da  Lei  8.212/91,  êt  aplicada a todo crédito previdenciário recolhido com atraso.  Compete  exclusivamente  ao  Poder  Judiciário  decidir  sobre  matéria relativa a legalidade/constitucionalidade das normas.  LANÇAMENTO PROCEDENTE.    Inconformada  com  a  decisão,  a  Recorrente  apresentou  Recurso  Voluntário, fls. 230 a 242, na qual alega em síntese que:    Em sede Preliminar:  (i) da inconstitucionalidade da aplicação da Taxa SELIC.      Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão,  fls. 368.        É o Relatório.    Fl. 404DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI   6   Voto             Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator      PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE    O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 368.     Anota­se  ainda que o Supremo Tribunal  Federal  – STF ao  editar  a Súmula  Vinculante nº. 21 afastou a exigência de depósito para a admissibilidade de recurso na esfera  administrativa.  Súmula Vinculante 21   É  inconstitucional  a  exigência  de  depósito  ou  arrolamento  prévios  de  dinheiro  ou  bens  para  admissibilidade  de  recurso  administrativo.   Fonte de Publicação: DJe nº. 210, p. 1, em 10/11/2009. DOU de  10/11/2009, p. 1.    Avaliados os pressupostos, passo para as questões preliminares.      DAS PRELIMINARES    (a) violação a preceitos constitucionais.    Analisemos.  Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não  pode ser anulado na  instância administrativa por alegações de  inconstitucionalidade,  já  que  tais  questões  são  reservadas  à  competência,  constitucional  e  legal,  do  Poder  Judiciário.   Fl. 405DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 17883.000325/2008­62  Acórdão n.º 2403­00.863  S2­C4T3  Fl. 372          7 Neste sentido, o art. 26­A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o  processo administrativo fiscal, e dá outras providências:  “Art.  26­A. No  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  fica  vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade. (Redação  dada  pela  Lei  nº 11.941, de 2009)  § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)  § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)  § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)  § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)  § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)  § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  ato  normativo: (Incluído  pela Lei nº 11.941, de 2009)  I  –  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão  definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela  Lei nº 11.941, de 2009)  II  –  que  fundamente  crédito  tributário  objeto  de: (Incluído  pela  Lei nº 11.941, de 2009)  a)  dispensa  legal  de  constituição  ou  de  ato  declaratório  do  Procurador­Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e  19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº  11.941, de 2009)  b) súmula da Advocacia­Geral da União, na forma do art. 43 da  Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído  pela Lei nº 11.941, de 2009)  c)  pareceres  do  Advogado­Geral  da  União  aprovados  pelo  Presidente  da  República,  na  forma  do  art.  40  da  Lei  Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993.  (Incluído pela  Lei nº 11.941, de 2009)”(gn).  Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009,  que  expressamente  veda  ao  CARF  se  pronunciar  acerca  da  inconstitucionalidade  de  lei  tributária.  Súmula  CARFnº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.        Fl. 406DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI   8 (b) Da regularidade do lançamento    Analisemos.  Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente  pois, de plano, nota­se que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não  havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa.   Foi  realizada  auditoria­fiscal  que  resultou  no  lançamento  da  Notificação  Fiscal  de Lançamento  de Débito — NFLD,  de  contribuições  destinadas  à Seguridade Social  correspondente a parte patronal e a Terceiros.  Desta  forma,  conforme  o  artigo  37  da  Lei  n°  8.212/91,  foi  lavrada  Notificação  Fiscal  de  Lançamento  de  Débito  ­  NFLD  nº  35.850.927­0que,  conforme  definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de  crédito  relativo  às  contribuições  devidas  à  Previdência  Social  e  a  outras  importâncias  arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal:  (redação à época da lavratura da NFLD nº 35.850.927­0)  Lei n° 8.212/91   Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de  contribuições  tratadas  nesta  Lei,  ou  em  caso  de  falta  de  pagamento  de  beneficio  reembolsado,  a  fiscalização  lavrará  notificação  de  débito,  com  discriminação  clara  e  precisa  dos  fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que  se referem, conforme dispuser o regulamento.    IN MPS/SRP n° 03/2005   Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário,  no âmbito da SRP:  IV ­ Notificação Fiscal de Lançamento de Débito ­ NFLD, que é  o  documento  constitutivo  de  crédito  relativo  às  contribuições  devidas  à  Previdência  Social  e  a  outras  importâncias  arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal;    Não  obstante  a  argumentação  da  Recorrente,  não  confiro  razão  à  Recorrente  pois,  de  plano,  nota­se  que  o  procedimento  fiscal  atendeu  a  todas  as  determinações legais, com a clara discriminação de cada débito apurado e dos acréscimos  legais  incidentes,  não  havendo,  pois,  nulidade  por  vício  insanável  e  tampouco  cerceamento de defesa.   Pode­se elencar as etapas necessárias à realização do procedimento:  •  A  autorização  por  meio  da  emissão  do  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  –  MPF­  F,  com  a  competente  designação  do  Auditor­Fiscal  responsável  pelo  cumprimento do procedimento; Fl. 407DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 17883.000325/2008­62  Acórdão n.º 2403­00.863  S2­C4T3  Fl. 373          9 •  A  intimação  para  a  apresentação  dos  documentos  conforme  Termo  de  Intimação  para  Apresentação  de  Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que  apresentasse todos os documentos capazes de comprovar  o cumprimento da legislação previdenciária;   •  A  autuação  dentro  do  prazo  autorizado  pelo  referido  Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos  geradores  e  fundamentação  legal  que  constituíram  a  lavratura  do  auto  de  infração  ora  contestado,  com  as  informações  necessárias  para  que  o  autuado  pudesse  efetuar as impugnações que considerasse pertinentes:  a. IPC ­ Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de  comunicar  ao  contribuinte  como  regularizar  seu  débito,  como  apresentar defesa e outras informações);  b. DAD ­ Discriminativo Analítico do Débito (que discrimina os  valores originários das contribuições devidas pelo contribuinte,  abatidos os valores já recolhidos e as deduções legais);  c. DSD  ­ Discriminativo  Sintético  do Débito  (que  apresenta  os  valores  devidos  em  cada  competência,  referentes  aos  levantamentos indicados agrupados por estabelecimento);  d. RL ­ Relatório de Lançamentos (que relaciona os lançamentos  efetuados  nos  sistemas  específicos  para  apuração  dos  valores  devidos pelo sujeito passivo);  e.  FLD­  Fundamentos  Legais  do  Débito  (que  indica  os  dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das  contribuições  exigidas,  de  acordo  com  a  legislação  vigente  à  época do respectivo fato gerador);  f. CORESP­ ­ Relatório de Co­responsáveis do Débito;  g. VÍNCULOS ­ Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas  físicas  ou  jurídicas  em  razão  de  seu  vínculo  com  o  sujeito  passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período);   h. MPF – Mandado de Procedimento Fiscal;  i.  TIAD  –  Termo  de  Intimação  para  Apresentação  de  Documentos;.  j. TEAF ­ Termo de Encerramento da Ação Fiscal;.  k. REFISC – Relatório Fiscal.    Cumpre­nos  esclarecer  ainda,  que  o  lançamento  fiscal  foi  elaborado  nos  termos  do  artigo  142  do Código Tributário Nacional,  especialmente  a  verificação  da  efetiva  ocorrência  do  fato  gerador  tributário,  a  matéria  sujeita  ao  tributo,  bem  como  o  montante  individualizado do tributo devido.  De plano, o art. 142, CTN, estabelece que:  Fl. 408DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI   10 “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa  constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido  o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da  penalidade cabível.   Parágrafo  único.  A  atividade  administrativa  de  lançamento  é  vinculada  e  obrigatória,  sob  pena  de  responsabilidade  funcional.”    Analisando­se  a  NFLD  nº  35.850.927­0,  tem­se  que  foi  cumprido  integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN.  Ademais,  não  compete  ao  Auditor­Fiscal  agir  de  forma  discricionária  no  exercício  de  suas  atribuições.  Desta  forma,  em  constatando  a  falta  de  recolhimento,  face  a  ocorrência do fato gerador, cumpri­lhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de  débito  de  forma  vinculada,  constituindo  o  crédito  previdenciário.  O  art.  243  do  Decreto  3.048/99, assim dispõe neste sentido:  Art.243.  Constatada  a  falta  de  recolhimento  de  qualquer  contribuição  ou  outra  importância  devida  nos  termos  deste  Regulamento,  a  fiscalização  lavrará,  de  imediato,  notificação  fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos  geradores,  das  contribuições  devidas  e  dos  períodos  a  que  se  referem,  de  acordo  com  as  normas  estabelecidas  pelos  órgãos  competentes.      (c) Da decadência    Analisemos.    Analisemos.  Deve­se verificar a ocorrência, ou não, da decadência.  O Supremo Tribunal Federal ­ STF, conforme o Informativo STF nº 510 de  19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e  decadência  em matéria  tributária,  nos  termos  do  artigo  146,  III,  b,  da  Constituição  Federal,  negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nºs 556664/RS, 559882/RS,  559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45  e  46,  da  Lei  nº  8.212/91,  atribuindo­se,  à  decisão,  eficácia  ex  nunc  apenas  em  relação  aos  recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via  judicial, seja pela administrativa.  Fl. 409DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 17883.000325/2008­62  Acórdão n.º 2403­00.863  S2­C4T3  Fl. 374          11 Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em  20.06.2008, nestes termos:  Súmula  Vinculante  nº  8  ­  São  inconstitucionais  os  parágrafo  único do artigo 5º do Decreto­lei 1.569/77 e os artigos 45 e 46  da  Lei  8.212/91,  que  tratam  de  prescrição  e  decadência  de  crédito  tributário.  Publicada  no  DOU  de  20/6/2008,  Seção  1,  p.1.  É  necessário  observar  ainda  que  as  súmulas  aprovadas  pelo  STF  possuem  efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103­A e parágrafos da Constituição Federal,  que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis:  “Art. 103­A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou  por  provocação,  mediante  decisão  de  dois  terços  dos  seus  membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional,  aprovar  súmula  que,  a  partir  de  sua  publicação  na  imprensa  oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do  Poder  Judiciário  e  à  administração  pública  direta  e  indireta,  nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à  sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.  § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a  eficácia  de  normas  determinadas,  acerca  das  quais  haja  controvérsia  atual  entre  órgãos  judiciários  ou  entre  esses  e  a  administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e  relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica.   §  2º  Sem  prejuízo  do  que  vier  a  ser  estabelecido  em  lei,  a  aprovação,  revisão  ou  cancelamento  de  súmula  poderá  ser  provocada  por  aqueles  que  podem  propor  a  ação  direta  de  inconstitucionalidade.  § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a  súmula  aplicável  ou  que  indevidamente  a  aplicar,  caberá  reclamação  ao  Supremo  Tribunal  Federal  que,  julgando­a  procedente,  anulará  o  ato  administrativo  ou  cassará  a  decisão  judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com  ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)."  Portanto,  da  leitura  do  dispositivo  constitucional  acima,  conclui­se  que  a  vinculação  à  súmula  alcança  a  administração  pública  e,  por  conseqüência,  os  julgadores  no  âmbito do contencioso administrativo fiscal.  Ademais, no termos do artigo 64­B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela  Lei  11.417/06,  a  administração  pública  direta  e  indireta,  nas  esferas  federal,  estadual  e  municipal,  deve  adequar  a  decisão  administrativa  ao  entendimento  do  STF,  sob  pena  de  responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal.  “Art.  64­B.  Acolhida  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  a  reclamação  fundada  em  violação  de  enunciado  da  súmula  vinculante,  dar­se­á  ciência  à  autoridade  prolatora  e  ao  órgão  competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar  as  futuras  decisões  administrativas  em  casos  semelhantes,  sob  Fl. 410DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI   12 pena  de  responsabilização  pessoal  nas  esferas  cível,  administrativa e penal”  Cumpre  ressaltar  que  o  art.  62,  caput  do  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais ­ CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de  22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou  inobservância de  legislação sob  fundamento  de inconstitucionalidade.   Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF,  ressalva  que  o  disposto  no  caput  não  se  aplica  a  dispositivo  que  tenha  sido  declarado  inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal:  “Art.  62.  Fica  vedado  aos  membros  das  turmas  de  julgamento  do  CARF  afastar  a  aplicação  ou  deixar  de  observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob  fundamento de inconstitucionalidade.  Parágrafo  único.  O  disposto  no  caput  não  se  aplica  aos  casos  de  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  ato  normativo:  I  ­  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal;  ou  II ­ que fundamente crédito tributário objeto de:  a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do  Procurador­Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts.  18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002;  b) súmula da Advocacia­Geral da União, na forma do art.  43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou  c)  parecer  do  Advogado­Geral  da  União  aprovado  pelo  Presidente  da  República,  na  forma  do  art.  40  da  Lei  Complementar n° 73, de 1993. (g.n.)”  Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da  Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário  Nacional  ­  CTN.  Dessa  forma,  constata­se  que  já  se  operara  a  decadência  do  direito  de  constituição  dos  créditos  ora  lançados,  nos  termos  dos  artigos  150,  §  4o,  e  173  do  Código  Tributário Nacional.  O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva  do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173:  “Art.  173. O direito  de  a Fazenda Pública  constituir  o  crédito  tributário extingue­se após 5 (cinco) anos, contados:  I  ­  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento poderia ter sido efetuado;  II  ­  da  data  em  que  se  tornar  definitiva  a  decisão  que  houver  anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.  Fl. 411DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 17883.000325/2008­62  Acórdão n.º 2403­00.863  S2­C4T3  Fl. 375          13 Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue­se  definitivamente  com  o  decurso  do  prazo  nele  previsto,  contado  da  data  em  que  tenha  sido  iniciada  a  constituição  do  crédito  tributário  pela  notificação,  ao  sujeito  passivo,  de  qualquer  medida preparatória indispensável ao lançamento. (g.n.)”  Já em se tratando de tributo sujeito a  lançamento por homologação, quando  ocorre  pagamento  antecipado  inferior  ao  efetivamente  devido,  sem  que  o  contribuinte  tenha  incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplica­se o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN,  segundo o qual,  se  a  lei  não  fixar prazo  à homologação,  será  ele de cinco anos,  a contar da  ocorrência do fato gerador:   “Art.150. O  lançamento  por  homologação,  que  ocorre  quanto  aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de  antecipar  o  pagamento  sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa, opera­se pelo ato em que a referida autoridade,  tomando  conhecimento  da  atividade  assim  exercida  pelo  obrigado, expressamente a homologa.  § 1º ­ O pagamento antecipado pelo obrigado nos  termos deste  artigo  extingue  o  crédito,  sob  condição  resolutória  da  ulterior  homologação do lançamento.  § 2º  ­ Não  influem sobre a obrigação  tributária quaisquer atos  anteriores  à  homologação,  praticados  pelo  sujeito  passivo  ou  por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito.  § 3º ­ Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém  considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o  caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação.  § 4º ­ Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco  anos  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador;  expirado  esse  prazo  sem  que  a  Fazenda  Pública  se  tenha  pronunciado,  considera­se homologado o lançamento e definitivamente extinto  o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou  simulação. (g.n.)”  Essas interpretações estão em sintonia com decisões do Poder Judiciário.  “Ementa:  ....1.  O  entendimento  jurisprudencial  consagrado  no  Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que, em se tratando  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação  cujo  pagamento  ocorreu  antecipadamente,  o  prazo  decadencial  de  que dispõe o Fisco para constituir o crédito tributário é de cinco  anos, contados a partir do fato gerador.Todavia, se não houver  pagamento antecipado, incide a regra do art. 173, I, do Código  Tributário Nacional.”  (STJ.1ª  Turma, AgRg no Ag 972.949/RS,  Rel.: Min.Denise Arruda.,ago/08.) (g.n.)  “Ementa:  ....4.  Nas  exações  cujo  lançamento  se  faz  por  homologação, havendo pagamento antecipado, conta­se o prazo  decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, §  4º, do CTN). Somente quand onão há pagamento antecipado, ou  há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto  Fl. 412DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI   14 no  art.  173,  I,  do  CTN.  Em  normais  circunstâncias,  não  se  conjugam  os  dispositivos  legais.  Precedentes  das  Turmas  de  Direito Público e da Primeira Seção. 5.Hipótyese dos autos em  que não houve pagamento antecipado, aplicando­se a  regra do  art. 173,  I, do CTN.” (STJ. 2ª Turma, AgRg no Ag 939.714/RS,  Rel.: Min. Eliana Calmon., fev/08.) . (g.n.)  “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por  homologação,  a  fixação  do  termo  a  quo  do  prazo  decadencial  para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os  arts.  150,  §  4º,  e  173,  I,  do  Código  Tributário  Nacional.  Na  hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação  (contribuição  previdenciária)  com  pagamento  antecipado,  o  prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do  fato  gerador.  (...)  Somente  quando  não  há  pagamento  antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se  aplica  o  disposto  no  art.  173,  I,  do  CTN..”  (STJ.  EREsp  278727/DF.  Rel.:  Min.  Franciulli  Netto.  1ª  Seção.  Decisão:  27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) . (g.n.)  Uma corrente doutrinária também aponta que no caso de tributo lançado por  homologação,  desde  que  haja  a  antecipação  de  pagamento,  se  aplica  uma  regra  especial  disposta no art. 150, § 4º, CTN em detrimento da aplicação da regra geral do art. 173, I, CTN.  No entanto, nos casos de dolo, fraude ou simulação, de modo a que se configure a comprovada  má­fé  do  sujeito  passivo,  não  corre  o  prazo  do  art.  150,  §  4º,  CTN mas  sim  a  decadência  tributária se rege pela disposição genérica do art. 173, I, CTN.  Nesta corrente doutrinária pode­se citar, dentre outros, Ricardo Lobo Torres1,  Eduardo Sabbag2, Mauro Luís Rocha Lopes3 e Leandro Paulsen4.  Há vozes discordantes na doutrina que defendem que a decadência opera com  base  na  regra  geral  de  decadência  exposta  no  art.  173  do  CTN,  haja  ou  não  pagamento  antecipado no caso de lançamento por homologação, de forma a não se aplicar o art. 150, § 4º,  CTN.  O  meu  posicionamento  se  identifica  com  o  direcionamento  do  Superior  Tribunal de Justiça – STJ e com a primeira corrente doutrinária exposta no sentido de no caso  de  tributo  lançado  por  homologação,  desde  que  haja  a  antecipação  de  pagamento  e  não  se  configure os casos de dolo, fraude ou simulação, se aplica a regra especial disposta no art. 150,  § 4º, CTN,  conforme se depreende do REsp 973.733/SC nos  termos do art. 62­A, Anexo  II,  Regimento Interno do CARF – RICARF.  Na  hipótese  presente,  verifica­se  que  há  a  presença  de  recolhimentos  antecipados a homologar pela Auditoria­Fiscal pois os Levantamentos, a seguir, se referem às  diferenças  oriundas  de  divergências  entre  os  valores  declarados  em  GFIP  e  os  valores  recolhidos em GPS, conforme se depreende do Relatório de Lançamentos, às fls. 51 a 77:  (a) AG3­ DIV GFIP GPS CONT PATRO AGN25A., nos períodos  06/2000 a 02/2002;                                                              1 TORRES, Ricardo Lobo. Curso de direito financeiro e tributário. 16. ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2009. p. 283.  2 SABBAG, Eduardo. Manual de direito tributário. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 723.  3 LOPES, Mauro Luís Rocha. Direito tributário brasileiro. Rio de Janeiro: Impetus, 2009. p. 248.  4 PAULSEN, Leandro. Direito tributário: constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 11.  ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2009. p. 1036.  Fl. 413DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 17883.000325/2008­62  Acórdão n.º 2403­00.863  S2­C4T3  Fl. 376          15 (b)  FPG­  DIV  GFIP  GPS  CONTRIB  PATRONAL,  nos  períodos 06/2000 a 03/2005  Então, aplicando­se o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos  do art. 62­A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF, exsurge a regra de decadência  insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar pelo  contribuinte.  Verifica­se,  da  análise  dos  autos,  que  a  cientificação  da  NFLD  pela  Recorrente,  às  fls.  48,  se  deu  em  01.12.2005  e  o  débito  se  refere  a  contribuições  devidas  à  Seguridade Social no seguinte período: 06/2000 a 03/2005.  Dessa  forma,  nos  termos  do  artigo  150,  §  4o,  CTN,  constata­se  que  já  se  operara  a  decadência  do  direito  de  constituição  dos  créditos  lançados  até  a  competência  11/2000, inclusive.      DO MÉRITO.    (d) Da taxa SELIC    Analisemos.    Insurge­se  a  recorrente  contra  a  aplicação  da  taxa  SELIC  ao  argumento  de  que seria ilegal.  Registre­se, porque importante, que a legislação de regência, sobretudo a Lei  nº 8.212/91, afasta literalmente os argumentos erguidos pelo recorrente.  De  fato,  as  contribuições  sociais  arrecadadas  estão  sujeitas  à  incidência  da  taxa referencial SELIC ­ Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, nos termos do artigo  34 da Lei nº 8.212/91:  Art.  34.  As  contribuições  sociais  e  outras  importâncias  arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de  lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento,  ficam  sujeitas  aos  juros  equivalentes  à  taxa  referencial  do  Sistema Especial de Liquidação e de Custódia ­ SELIC, a que se  refere  o  art.  13  da  Lei  nº  9.065,  de  20  de  junho  de  1995,  incidentes  sobre  o  valor  atualizado,  e multa  de mora,  todos  de  caráter  irrelevável.  (Restabelecido  com  redação  alterada  pela  MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A  atualização  monetária  foi  extinta,  para  os  fatos  geradores  Fl. 414DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI   16 ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa  de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei)    Neste  sentido,  há  a  Súmula  nº  4  do  CARF,  publicada  no  D.O.U.  em  22/12/2009, que expressamente estabelece a aplicação da taxa SELIC.  Súmula CARF nº  4: A  partir  de  1º  de  abril  de  1995,  os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais.    Nesse contexto, correta a aplicação da taxa SELIC como juros de mora, com  fulcro no artigo 34 da Lei nº 8.212/91, na redação anterior à dada pela Lei 11.941/2009.    DA MULTA DE MORA  Esta Colenda Turma de Julgamento vem se posicionando reiteradamente, por  maioria,  em  relação  ao  recálculo  dos  acréscimos  legais,  para  que  se  recalcule  a  multa  de  mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a  prevalência da mais benéfica ao contribuinte:   A  multa  de  mora  aplicada  teve  por  base  o  artigo  35  da  Lei  8.212/91,  que  determinava  aplicação  de  multa  que  progredia  conforme  a  fase  e  o  decorrer  do  tempo  e  que  poderia  atingir  50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal.   Ocorre  que  esse  artigo  foi  alterado  pela  Lei  11.941/2009,  que  estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas  nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de  mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro  de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%.  Visto  que  o  artigo  106,  II,  c  do  CTN  determina  a  aplicação  retroativa da lei quando, tratando­se de ato não definitivamente  julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na  lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade  benigna, impõe­se o cálculo da multa com base no artigo 61 da  Lei  9.430/96  para  compará­la  com  a multa  aplicada  com  base  na  redação anterior  do  artigo  35  da Lei  8.212/91  (presente no  crédito  lançado  neste  processo)  para  determinação  e  prevalência da multa mais benéfica.    Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:   I  ­  em  qualquer  caso,  quando  seja  expressamente  interpretativa,  excluída  a  aplicação  de  penalidade  à  infração dos dispositivos interpretados;    II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado:   a) quando deixe de defini­lo como infração;  Fl. 415DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 17883.000325/2008­62  Acórdão n.º 2403­00.863  S2­C4T3  Fl. 377          17  b)  quando  deixe  de  tratá­lo  como  contrário  a  qualquer  exigência  de  ação  ou  omissão,  desde  que  não  tenha  sido  fraudulento  e  não  tenha  implicado  em  falta  de  pagamento  de tributo;   c)  quando  lhe  comine  penalidade  menos  severa  que  a  prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.  Ressalva­se a posição do Relator, posição vencida nesta Colenda Turma,  na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com  base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996)  e da multa de ofício (com base no art. 35­A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a  prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte.        CONCLUSÃO    Voto  no  sentido  de  CONHECER  do  recurso,  NAS  PRELIMINARES,  acolher a decadência até a competência 11/2000,  inclusive, com base no art. 150, § 4º, CTN,  no MÉRITO, DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO,  para  que  se  recalcule  a  multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91,  com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte.      É como voto.      Paulo Maurício Pinheiro Monteiro                               Fl. 416DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI

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Numero do processo: 16641.000145/2009-41
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DESCONSTITUÍDA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ACOMPANHA A PRINCIPAL. Sendo desconstituída a obrigação principal, não há descumprimento de obrigação acessória, vez que esta acompanha a principal. Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2403-000.814
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Nome do relator: MARCELO MAGALHÃES PEIXOTO

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COMÉRCIO DE CEREAIS AMARILHO LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006  PREVIDENCIÁRIO.  OBRIGAÇÃO  PRINCIPAL  DESCONSTITUÍDA.  OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ACOMPANHA A PRINCIPAL.  Sendo  desconstituída  a  obrigação  principal,  não  há  descumprimento  de  obrigação acessória, vez que esta acompanha a principal.  Recurso Voluntário Provido      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos,  em dar  provimento ao recurso.    Carlos Alberto Mees Stringari ­ Presidente    Marcelo Magalhães Peixoto ­ Relator    Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees  Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro  Monteiro, Ivacir Julio de Souza e Marthius Sávio Cavalcante Lobato.     Fl. 373DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI     2   Relatório  Trata­se  de  Auto  de  Infração  sob  o  n.  37.225.092­0,  consolidado  em  06/08/2009,  cuja  notificação  ocorreu  em  14/08/2009,  referente  ao  descumprimento  de  obrigação acessória que ensejou na aplicação da multa no montante de R$ 77.092,44 (setenta e  sete mil, noventa e dois reais e quarenta e quatro centavos).  De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 06/09, a  recorrente  foi  intimada a  apresentar  GFIP,  Livros  Diário  e  Razão,  comprovante  de  recolhimento,  dentre  outros  documentos solicitados.  Da análise da documentação apresentada,  foi constatada a omissão de  fatos  geradores  em  GFIP,  referentes  às  aquisições  de  produtos  rurais  de  pessoas  físicas  e/ou  segurado  especial.  Pelo  descumprimento  da  obrigação  principal,  na  mesma  ação  fiscal  foi  instaurado o Auto de Infração DEBCAD n. 37.225.088­2.  Pelo  descumprimento  da  obrigação  acessória,  a  recorrente  infringiu  a  seguinte legislação: art. 32, IV e parágrafos 3o e 5o da Lei n. 8.212/91, acrescentados pela Lei  n. 9.528/97, cumulado com o art. 225, IV e parágrafo 4o do Decreto n. 3.048/99 (RPS).  Diante disso,  foi  aplicada  a multa  com base na  seguinte  legislação:  art.  32,  parágrafo 5o da Lei n. 8.212/91, acrescentado pela Lei n. 9.528/97, cumulado com o art. 284, II  do Decreto n. 3.048/99 (RPS), com redação dada pelo Decreto n. 4.729/03 e art. 373 do RPS.   DA IMPUGNAÇÃO  Devidamente citada, a recorrente apresentou impugnação tempestiva nas fls.  12/324, alegando, em síntese:  Cumprimento da referida obrigação através de GFIPs retificadoras, antes da  decisão administrativa, sendo causa de relevação da multa, nos termos do art. 291, parágrafo 1o  do Decreto n. 3.048/99.  Comprova o alegado com vasta documentação.  DA DECISÃO DA DRJ  Após  analisar  aos  argumentos  da  impugnante,  a 5ª  Turma da Delegacia de  Julgamento da Receita Federal do Brasil de Juiz de Fora – MG ­ DRJ/JFA, emitiu o Acórdão  n° 09­33.117, mantendo procedente o lançamento.  DO RECURSO  Inconformada, a recorrente apresentou, tempestivamente, Recurso Voluntário  de fls. 397/408, com os mesmos argumentos da defesa.  É o relatório.  Fl. 374DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16641.000145/2009­41  Acórdão n.º 2403­000.814  S2­C4T3  Fl. 2          3   Voto             Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto  DA TEMPESTIVIDADE  Conforme registro de fl. 411, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos  de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento.  DO MÉRITO  Nas  palavras  do  fiscal  autuante,  no  Relatório  Fiscal  de  fls.  06/10,  item  2,  assim tratou acerca do objeto deste Auto de Infração, verbis:  “Através das  informações disponibilizadas pelo contribuinte  foi  constatada a omissão de fatos geradores em GFIP referentes às  aquisições  de  produtos  rurais  de  pessoas  físicas  e/ou  segurado  especial.  (...)  As  contribuições  incidentes  sobre  os  fatos  geradores anteriormente descritos, devidas pela empresa, estão  incluídas  no  Auto  de  Infração  DEBCAD  No  37.225.088­2,  emitido nesta mesma ação fiscal.” (grifos nosso)  Diante  dessa  suposta  omissão,  entendeu  a  fiscalização  que  a  recorrente  descumpriu com a obrigação acessória constante no art. 32,  IV e parágrafos 3o e 5o da Lei n.  8.212/91, acrescentados pela Lei n. 9.528/97, cumulado com o art. 225, IV e parágrafo 4o do  Decreto n. 3.048/99 (RPS).  Ocorre  que  este  relator  entendeu  por  bem  julgar  improcedente  a  NFLD  DEBCAD n. 37.225.088­2, que instaurou o Processo n. 16641.000144/2009­05, com base no  RE n. 363.852/MG, que transitou em julgado no dia 1o/06/2011, verbis:  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO  ­  PRESSUPOSTO  ESPECÍFICO  ­  VIOLÊNCIA  À  CONSTITUIÇÃO  ­  ANÁLISE  ­  CONCLUSÃO.  Porque  o  Supremo,  na  análise  da  violência  à  Constituição, adota entendimento quanto à matéria de fundo do  extraordinário,  a  conclusão  a  que  chega  deságua,  conforme  sempre  sustentou  a  melhor  doutrina  ­  José  Carlos  Barbosa  Moreira  ­,  em provimento  ou  desprovimento  do  recurso,  sendo  impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento.  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  ­  COMERCIALIZAÇÃO  DE  BOVINOS  ­  PRODUTORES  RURAIS  PESSOAS  NATURAIS  ­  SUB­ROGAÇÃO  ­  LEI Nº  8.212/91  ­  ARTIGO  195,  INCISO  I,  DA  CARTA  FEDERAL  ­  PERÍODO  ANTERIOR  À  EMENDA  CONSTITUCIONAL Nº 20/98 ­ UNICIDADE DE INCIDÊNCIA ­  EXCEÇÕES  ­  COFINS  E  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  ­  PRECEDENTE  ­  INEXISTÊNCIA  DE  LEI  COMPLEMENTAR. Ante o texto constitucional, não subsiste a  obrigação  tributária  sub­rogada  do  adquirente,  presente  a  venda  de  bovinos  por  produtores  rurais,  pessoas  naturais,  prevista nos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30,  Fl. 375DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI     4 inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das  Leis  nº  8.540/92  e  nº  9.528/97.  Aplicação  de  leis  no  tempo  ­  considerações.  (RE  363852,  Relator(a):  Min.  MARCO  AURÉLIO,  Tribunal  Pleno,  julgado  em  03/02/2010,  DJe­071  DIVULG  22­04­2010  PUBLIC 23­04­2010 EMENT VOL­02398­04 PP­00701 RET  v.  13, n. 74, 2010, p. 41­69) (grifo nosso)  Logo,  tendo  sido  anulado  o  Auto  de  Infração  que  originou  o  processo  principal,  não  há  que  se  falar  em  descumprimento  de  obrigação  acessória,  haja  vista  que  o  acessório segue o principal.  Em  outras  palavras,  tendo  sido  considerada  como  indevida  a  contribuição  previdenciária referente à DEBCAD n. 37.225.088­2, não há que se falar em omissão de fatos  geradores em GFIP. Razão pela qual, o Recurso Voluntário deve ser julgado procedente.  CONCLUSÃO  Do exposto, dou provimento ao Recurso.    Marcelo Magalhães Peixoto                                Fl. 376DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI

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Numero do processo: 16832.000150/2009-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Por unanimidade de votos, ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DÚVIDA QUE MERECE SER SANADA. EMBARGOS CONHECIDOS. O Carf confirmou a decisão da DRJ de origem que anulou o lançamento sob o entendimento de que “a não apresentação da relação dos depósitos, de forma individualizada, para que o titular dos recursos comprove a origem, importa em falta de descrição adequada dos fatos e impossibilita que o autuado possa exercer seu direito de defesa, com a finalidade de comprovar a origem de cada um dos depósitos bancários.” Questiona da PFN se tal decisão caracteriza vício formal ou material. Tenho que a dúvida é pertinente. Conheço dos embargos. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. INTIMAÇÃO DE QUE TRATA O ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996, PARA O CONTRIBUINTE COMPROVAR A ORIGEM DOS DEPÓSITOS, SOB PENA DE PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. ASPECTO NECESSÁRIO À FORMAÇÃO DA PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA QUE ANTECEDE AO LANÇAMENTO. Não se pode confundir vícios formais ou materiais inerentes ao lançamento, com requisitos necessários para caracterizar a presunção de omissão de receita. A intimação prévia para o contribuinte comprovar a origem dos depósitos bancários é condição essencial para que se forme a presunção de omissão de rendimentos ou de receita. Uma vez caracterizada a presunção de omissão de receita tem-se o lançamento que pode conter vícios formais ou vícios materiais. No caso dos autos não se está diante de lançamento que não atenda aos requisitos do artigo 10 do Decreto 70.235, de 1972, mas sim de situação cuja presunção de omissão de receita não se caracterizou. A situação dos autos revela vícios prévios ao lançamento que impediram a formação da presunção de omissão de receita. E sem presunção de omissão de receita não há lançamento válido, não por questões atinentes à forma, mas sim por inexistência de situação que caracterize a infração. A infração só estaria presente se caracterizada, de forma válida, a presunção de omissão de receita. A inexistência de intimação válida, necessária à formação da presunção de omissão de rendimentos ou de receita, não caracteriza vício formal ou material, mas sim indica situação em que a não se formou a presunção de omissão de receita necessária para justificar lançamento de crédito tributário. É engano imaginar que toda a decisão que cancela lançamento está baseada, obrigatoriamente, numa das situações que caracteriza vício formal ou material. Embargos Conhecidos e Acolhidos. Obscuridade Sanada.
Numero da decisão: 1402-000.859
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, conhecer e acolher os embargos interpostos pela PFN, para sanar a obscuridade e, no mérito, ratificar o acórdão 140200.296, de 09/11/2010, para manter a decisão do Colegiado no sentido de negar provimento ao recurso de oficio; e por maioria de votos, esclarecer que se trata de improcedência do lançamento pela inobservância estrita do procedimento para aplicação da presunção de omissão de receitas, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Antônio José Praga de Souza e Frederico Augusto Gomes de Alencar que entenderam se tratar de vício formal, haja vista que houve a intimação para justificar a origem dos depósitos bancários, medida que integra o processo de lançamento de oficio, sendo que tais depósitos foram identificados pelo total diário ao invés de individualmente. O Conselheiro Antônio José Praga de Souza apresentará declaração de voto.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2301; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C4T2  Fl. 1          1 0  S1­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  16832.000150/2009­15  Recurso nº               Embargos  Acórdão nº  1402­00.859   –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  17 de janeiro de 2012  Matéria  EMBARGOS  Embargante  PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL  Interessado  TOP RIO COMERCIO DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS E BEBIDAS LTDA      Por unanimidade de votos,  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2005  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO.  DÚVIDA  QUE  MERECE  SER  SANADA. EMBARGOS CONHECIDOS. O Carf confirmou a decisão da  DRJ de origem que anulou o lançamento sob o entendimento de que “a não  apresentação da relação dos depósitos, de forma individualizada, para que o  titular  dos  recursos  comprove  a  origem,  importa  em  falta  de  descrição  adequada dos fatos e impossibilita que o autuado possa exercer seu direito de  defesa,  com a  finalidade de  comprovar  a origem de  cada um dos depósitos  bancários.”  Questiona  da  PFN  se  tal  decisão  caracteriza  vício  formal  ou  material. Tenho que a dúvida é pertinente. Conheço dos embargos.     PRESUNÇÃO  DE  OMISSÃO  DE  RECEITA.  INTIMAÇÃO  DE  QUE  TRATA  O  ARTIGO  42  DA  LEI  Nº  9.430,  DE  1996,  PARA  O  CONTRIBUINTE COMPROVAR A ORIGEM DOS DEPÓSITOS, SOB  PENA  DE  PRESUNÇÃO  DE  OMISSÃO  DE  RECEITA.  ASPECTO  NECESSÁRIO À FORMAÇÃO DA PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE  RECEITA QUE ANTECEDE AO LANÇAMENTO.   Não se pode confundir vícios formais ou materiais inerentes ao lançamento,  com  requisitos  necessários  para  caracterizar  a  presunção  de  omissão  de  receita.  A  intimação  prévia  para  o  contribuinte  comprovar  a  origem  dos  depósitos  bancários é condição essencial para que se forme a presunção de omissão de  rendimentos ou de receita. Uma vez caracterizada a presunção de omissão de  receita  tem­se  o  lançamento  que  pode  conter  vícios  formais  ou  vícios  materiais. No caso dos autos não se está diante de lançamento que não atenda     Fl. 364DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 16832.000150/2009­15  Acórdão n.º 1402­00.859   S1­C4T2  Fl. 0          2 aos requisitos do artigo 10 do Decreto 70.235, de 1972, mas sim de situação  cuja presunção de omissão de receita não se caracterizou.   A situação dos autos    revela vícios prévios ao  lançamento que impediram a  formação da presunção de omissão de receita. E sem presunção de omissão  de receita não há lançamento válido, não por questões atinentes à forma, mas  sim  por  inexistência  de  situação  que  caracterize  a  infração.  A  infração  só  estaria presente se caracterizada, de forma válida, a presunção de omissão de  receita.   A    inexistência de  intimação válida, necessária à  formação da presunção de  omissão  de  rendimentos  ou  de  receita,  não  caracteriza  vício  formal  ou  material, mas  sim  indica  situação  em  que  a  não  se  formou  a  presunção  de  omissão de receita necessária para justificar lançamento de crédito tributário.  É engano imaginar que toda a decisão que cancela lançamento está baseada,  obrigatoriamente,  numa  das  situações  que  caracteriza  vício  formal  ou  material.  Embargos Conhecidos e Acolhidos. Obscuridade Sanada.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Acordam os membros  do  colegiado,  Por  unanimidade  de votos,  conhecer  e  acolher os embargos  interpostos pela PFN, para  sanar a obscuridade e,  no mérito,  ratificar o  acórdão 1402­00.296, de 09/11/2010, para manter a decisão do Colegiado no sentido de negar  provimento  ao  recurso  de  oficio;  e  por  maioria  de  votos,  esclarecer  que  se  trata  de  improcedência  do  lançamento  pela  inobservância  estrita  do  procedimento  para  aplicação  da  presunção  de  omissão  de  receitas,  nos  termos  do  relatório  e  voto  que  passam  a  integrar  o  presente julgado. Vencidos os Conselheiros Antônio José Praga de Souza e Frederico Augusto  Gomes de Alencar que entenderam se tratar de vício formal, haja vista que houve a intimação  para justificar a origem dos depósitos bancários, medida que integra o processo de lançamento  de  oficio,  sendo  que  tais  depósitos  foram  identificados  pelo  total  diário  ao  invés  de  individualmente. O Conselheiro Antônio José Praga de Souza apresentará declaração de voto.      (assinado digitalmente)  Albertina Silva Santos de Lima – Presidente      (assinado digitalmente)  Moisés Giacomelli Nunes da Silva ­ Relator    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de  Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e  Albertina Silva Santos de Lima. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Henrique  Magalhães de Oliveira.     Relatório  Fl. 365DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 16832.000150/2009­15  Acórdão n.º 1402­00.859   S1­C4T2  Fl. 0          3 Contra  a  contribuinte  TOP  RIO  COM  GÊNEROS  ALIMENTÍCIOS  BEBIDAS, empresa optante pelo Simples, foram lavrados os autos de infração de fls. 56/105,  referentes ao ano­calendário de 2005, para cobrança do IRPJ (fls. 56/65) e tributações reflexas  do de PIS (fls. 66/75); CSLL (fls. 76/85); COFINS (fls. 86/95) e INSS (fls. 96/105), exigindo­ se o crédito tributário de R$ 3.872.102,02.  A  7a.  TURMA  DA  DRJ  RIO  DE  JANEIRO  I    julgou  improcedente  a  exigência, recorrendo de oficio.  O  recurso  foi  apreciado  por  esta  Turma  na  sessão  de  9/11/2010,  sendo  proferido o acórdão 1402­00.296, assim ementado:  RECURSO  DE  OFÍCIO.  LANÇAMENTO  COM  BASE  EM  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  NÃO  INDIVIDUALIZADOS.  INEXISTÊNCIA  DE  DESCRIÇÃO  ADEQUADA DOS FATOS. LANÇAMENTO CANCELADO PELA DRJ. RECURSO  DE  OFÍCIO  IMPROVIDO.  Nos  casos  de  presunção  de  omissão  de  rendimentos  decorrente de depósitos bancários de origem não justificada, nos termos do art. 42  da Lei n. 9.430, de 1996, o lançamento deve ser precedido de intimação contendo,  de forma individualizada, cada um dos depósitos cuja origem deve ser comprovada.  A não apresentação da relação dos depósitos, de forma individualizada, para que o  titular  dos  recursos  comprove  a  origem,  importa  em  falta  de  descrição  adequada  dos fatos e impossibilita que o autuado possa exercer seu direito de defesa, com a  finalidade de comprovar a origem de cada um dos depósito bancários.  Recurso de ofício negado.  Cientificada,  a  douta  PROCURADORIA  DA  FAZENDA  NACIONAL  apresentou Embargos de Declaração (copia às fls. 399).  Aduz a embargante que há obscuridade no aresto quanto a natureza da nulidade  do acordão: se por vício formal ou material.  Mediante  despacho  de  12/12/2011,  este  relator  propos  o  acolhimento  dos  embargos para reapreciação da matéria pelo colegiado.  É o sucinto relatório.  Fl. 366DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 16832.000150/2009­15  Acórdão n.º 1402­00.859   S1­C4T2  Fl. 0          4   Voto             Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator.  Os embargos da PFN são tempestivos e diante do disposto no artigo 173, II,  do CTN, que reabre o prazo para novo lançamento em caso de vício formal, é de se conhecer  dos embargos para esclarecer as dúvidas suscitadas.   Tanto  a  decisão  de  1a.  instância,  quanto  o  acórdão  embargado  foram  no  sentido de que a não intimação prévia e regular do contribuinte para comprovar a origem dos  depósitos bancários não caracterizam a presunção de receita ou de rendimentos de que trata o  artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996.  Isso está refletido no voto condutor do acórdão embargado,  conforme a seguir transcrito:  Da  análise  das  planilhas  de  fls.  36/43,  que  embasaram  a  lavratura  dos  autos  de  infração de fls. 63/105, constata­se que os quadros demonstrativos dos créditos, que  instruíram  o  termo  de  intimação,  solicitando  a  comprovação  da  origem  dos  depósitos, eram compostos de montantes consolidados diários, sendo que inexistem  nos  autos  informações  sobre  quais  os  depósitos  bancários  que  totalizaram  os  aludidos valores.  Assim, a falta de discriminação dos depósitos bancários que compuseram os valores  considerados  de  origem  não  comprovada,  de  forma  individualizada,  inviabilizou  que  a  contribuinte  ao  menos  tivesse  oportunidade  de,  caso  a  caso,  identificar  a  procedência dos respectivos créditos, a fim de exercer seu direito de defesa.  Neste  sentido,  para  viabilizar  o  direito  de  defesa,  o  artigo  10,  III,  do Decreto  n°  70.235,  de  1972,  dispõe  que  o  auto  de  infração  deve  conter,  obrigatoriamente,  a  descrição  do  fato.  Em  assim  sendo,  nos  casos  de  presunção  de  omissão  de  rendimentos  decorrente  de  depósitos  bancários  de  origem  não  justificada,  nos  termos do art. 42 da Lei n. 9.430, de 1996, o lançamento deve relacionar, de forma  individualizada, cada um dos depósitos que formam a base de cálculo da exigência  do crédito tributário, sob pena de não se caracterizar a presunção.  Cada  depósito  bancário  não  justificado  constitui  uma  infração,  razão  pela  qual  deve estar precisamente  identificada com valor e data, para que o  sujeito passivo  possa apresentar defesa.  Desta  forma,  se  a  lei  exige  que  a  comprovação  da  origem  dos  valores  se  dê  de  forma  individualizada, não pode a  fiscalização apresentar  tão somente o somatório  dos  valores  considerados  não  justificados,  sem  especificar  o  montante  correspondente a cada um.  Tal procedimento importa em falta de descrição adequada da infração e impossibilita  que o autuado possa opor resistência, de  forma  individualizada, em relação a cada  depósito bancários que compõe a base de cálculo da exigência do crédito tributário.  A PFN, de forma tempestiva, opôs embargos alegando ter dúvidas quanto à  natureza do vício contido no lançamento, se formal ou material.  Ocorre que a  intimação prévia para o  contribuinte  comprovar  a origem dos  depósitos  bancários  é  condição  essencial  para  que  se  forme  a  presunção  de  omissão  de  rendimentos ou de receita. Uma vez caracterizada a presunção de omissão de receita tem­se o  Fl. 367DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 16832.000150/2009­15  Acórdão n.º 1402­00.859   S1­C4T2  Fl. 0          5 lançamento que pode conter vícios formais ou vícios materiais. A identificação do autuado, a  descrição  do  fato,  a  disposição  legal  que  incide  sobre  o  fato  descrito,  o  crédito  apurado  e  a  assinatura do autuante são elementos que dizem respeito aos aspectos materiais da autuação.  Não existe autuação, sob os aspectos materiais, se não houver a indicação do nome do autuado,  a descrição do fato, a identificação da norma que incide sobre o fato descrito e a assinatura do  autuante. Esta, a assinatura, por exemplo, tem por finalidade demonstrar que o ato foi praticado  por agente dotado de legitimidade legal para tal.   Por outro lado, as falhas quanto à identificação do local, data e intimação do  sujeito passivo caracterizam vícios formais. Contudo, não se pode confundir vícios formais ou  materiais inerentes ao lançamento, com requisitos necessários para caracterizar a presunção de  omissão de receita.  No  caso  dos  autos  não  se  está  diante  de  lançamento  que  não  atenda  aos  requisitos  do  artigo  10  do Decreto  70.235,  de 1972, mas  sim  de  situação  cuja presunção  de  omissão de  receita não se caracterizou. Tal  fato antecede ao  lançamento. Só é possível  fazer  lançamento com base no artigo 42 da Lei nº 9.439, de 1996, se houver presunção de omissão  de  receita.  Todavia,  no  caso  dos  autos  se  está  diante  de  vícios  prévios  ao  lançamento  que  impediram a  formação da presunção de omissão  de  receita. E sem presunção de omissão de  receita  não  há  lançamento  válido,  não  por  questão  de  vício  atinente  à  forma,  mas  sim  por  inexistência de infração. Aqui a infração só estaria presente se caracterizada, de forma válida, a  presunção  de  omissão  de  receita.  É  engano  imaginar  que  toda  a  decisão  que  cancela  lançamento  está  baseada,  obrigatoriamente,  numa  das  situações  que  caracteriza  em  vício  formal ou material.   O artigo 173, II, CTN, única hipótese prevista em nosso direito que suspende  a decadência, trata de vício relacionado ao ato do lançamento. No entanto, a falta de intimação  válida de que trata o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, é questão que antecede ao lançamento.  No caso em exame, a  inexistência de intimação válida não é vício contido no auto de infração,  mas sim indica situação onde não se formou a presunção de omissão necessária para justificar  lançamento de crédito tributário.  ISSO  POSTO,  conheço  e  acolho  os  embargos  interpostos  pela  PFN,  para  sanar a obscuridade e, no mérito, ratificar o acórdão 1402­00.296, de 09/11/2010, para manter  a decisão do Colegiado no sentido de negar provimento ao recurso de oficio.  É o voto    (assinado digitalmente)  Moisés Giacomelli Nunes da Silva                     Fl. 368DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 16832.000150/2009­15  Acórdão n.º 1402­00.859   S1­C4T2  Fl. 0          6 Declaração de Voto  Os embargos da PFN são tempestivo e atendem os preceitos regimentais (art.  64, inciso I do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 256/2009).  Analisando  as  alegações  da  embargante,  devo  reconhecer  que  há  mesmo  obscuridade  no voto condutor do acórdão quanto a natureza da improcedência do lançamento,   especialmente se a causa foi  vício formal ou material.  Tal  aspecto  é  relevante  para  determinar  se  há  possibilidade  de  refazer  o  lançamento,  corrigindo  o  erro,  no  prazo  de  5  anos  contados  da  decisão  definitiva  que  reconhecer a nulidade, conforme dispõe o art. 173, inciso II, do CTN.  Tanto a decisão de 1a.  instância quanto o acórdão embargado foi no sentido  de  que  há  falha  na  descrição  dos  fatos.  Isso  está  refletido  no  voto  condutor  do  acórdão  embargado, conforme a seguir transcrito:  Da  análise  das  planilhas  de  fls.  36/43,  que  embasaram  a  lavratura  dos  autos  de  infração de fls. 63/105, constata­se que os quadros demonstrativos dos créditos, que  instruíram  o  termo  de  intimação,  solicitando  a  comprovação  da  origem  dos  depósitos, eram compostos de montantes consolidados diários, sendo que inexistem  nos  autos  informações  sobre  quais  os  depósitos  bancários  que  totalizaram  os  aludidos valores.  Assim, a falta de discriminação dos depósitos bancários que compuseram os valores  considerados  de  origem  não  comprovada,  de  forma  individualizada,  inviabilizou  que  a  contribuinte  ao  menos  tivesse  oportunidade  de,  caso  a  caso,  identificar  a  procedência dos respectivos créditos, a fim de exercer seu direito de defesa.  Neste  sentido,  para  viabilizar  o  direito  de  defesa,  o  artigo  10,  III,  do Decreto  n°  70.235,  de  1972,  dispõe  que  o  auto  de  infração  deve  conter,  obrigatoriamente,  a  descrição  do  fato.  Em  assim  sendo,  nos  casos  de  presunção  de  omissão  de  rendimentos  decorrente  de  depósitos  bancários  de  origem  não  justificada,  nos  termos do art. 42 da Lei n. 9.430, de 1996, o lançamento deve relacionar, de forma  individualizada, cada um dos depósitos que formam a base de cálculo da exigência  do crédito tributário, sob pena de não se caracterizar a presunção.  Cada  depósito  bancário  não  justificado  constitui  uma  infração,  razão  pela  qual  deve estar precisamente  identificada com valor e data, para que o  sujeito passivo  possa apresentar defesa.  Desta  forma,  se  a  lei  exige  que  a  comprovação  da  origem  dos  valores  se  dê  de  forma individualizada, não pode a fiscalização apresentar tão somente o somatório  dos  valores  considerados  não  justificados,  sem  especificar  o  montante  correspondente a cada um.  Tal  procedimento  importa  em  falta  de  descrição  adequada  da  infração  e  impossibilita que o autuado possa opor resistência, de forma individualizada, em  relação a cada depósito bancários que compõe a base de cálculo da exigência do  crédito tributário.  (Grifei)  Fl. 369DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 16832.000150/2009­15  Acórdão n.º 1402­00.859   S1­C4T2  Fl. 0          7   Pois bem. Os artigos 59 a 61 do PAF estabelecem:  Art. 59. São nulos:   I ­ os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;   II  ­  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente  ou  com  preterição do direito de defesa.   § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente  dependam ou sejam conseqüência.   §  2º  Na  declaração  de  nulidade,  a  autoridade  dirá  os  atos  alcançados,  e  determinará  as  providências  necessárias  ao  prosseguimento  ou  solução  do  processo.  § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria  a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará  repetir o ato ou suprir­lhe a falta.(Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993)   Art.  60.  As  irregularidades,  incorreções  e  omissões  diferentes  das  referidas  no  artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em  prejuízo  para  o  sujeito  passivo,  salvo  se  este  lhes houver  dado  causa,  ou  quando  não influírem na solução do litígio.   Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato  ou julgar a sua legitimidade.  (grifei).    Por seu turno o artigo 173, inciso II, do Código Tributário Nacional, quanto a  prazo para novo lançamento em face de nulidade por vício formal, dispõe:  Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue­se  após 5 (cinco) anos, contados:(...)  II.  da  data  em  que  se  tornar  definitiva  a  decisão  que  houver  anulado,  por  vício  formal, o lançamento anteriormente efetuado.      Este Conselho possui  inúmeros  julgados  confirmando a ocorrência de vicio  formal e a possibilidade de novo lançamento em casos análogos. Cite­se os seguintes acórdãos:    DECADÊNCIA  –  DECLARAÇÃO  DE  NULIDADE  POR  VÍCIO  FORMAL  –  TERMO INICIAL – PRAZO – O direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito  tributário  extingue­se  no  prazo  de  cinco  anos,  contados  da  data  em  que  se  torna  definitiva  a  decisão  que  tenha  anulado,  por  vício  formal,  o  lançamento  anteriormente  efetuado  (art.  173,  inciso  II,  do  CTN).    Recurso  Especial  do  Procurador Provido. Acórdão CSRF/04­00.862 de 26/05/2008.    PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE – VÍCIO FORMAL. ­ É nulo  o  ato  administrativo  eivado de  vício  de  forma,  já  que  devendo  ser  editado  com a  demonstração dos fundamentos e dos fatos jurídicos que o motivou. Inobservados os  Fl. 370DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 16832.000150/2009­15  Acórdão n.º 1402­00.859   S1­C4T2  Fl. 0          8 requisitos  formais,  há  de  ser  considerado  nulo,  não  acarretando  nenhum  efeito.  (Processo  Administrativo  Fiscal  arts.  10  e  11).  Acórdão  CSRF/03­04.924  de  21/08/2006.    PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  ­ LANÇAMENTO ­ NULIDADE ­ VÍCIO  FORMAL  ­  Quando  a  autoridade  lançadora  não  entrega  ao  sujeito  passivo  os  quadros que demonstram os cálculos realizados para a apuração do valor tributado  como receita omitida, agravado pela impossibilidade de ter vistas aos autos durante  o prazo para impugnação, caracteriza vício formal e cabe a decretação da nulidade  o lançamento. Acórdão 101­92353 de 15/10/1998.    ERRO  DE  DIREITO  ­  INADEQUAÇÃO  DA  DESCRIÇÃO  FÁTICA  COM  A  DESCRIÇÃO  LEGAL  ­  NULIDADE  FORMAL  ­  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO  INSUBSISTENTE  ­  Uma  vez  verificado  o  descompasso  ou  erro  de  descrição  dos  fatos  auditados  perante  o  dispositivo  legal  invocado  como  infringido  pela  autoridade lançadora, não se pode dar guarida a tal vício formal, que contamina,  irremediavelmente, o lançamento, em dissonância ao quanto determinado pelo art.  10, inciso IV do Decreto 70.235/72. Portanto, insubsistente o lançamento de ofício.  Recurso Voluntário Provido. Acordão 108­09705 de 17/09/2008.  O  limite entre o vicio formal e o vício material é tênue. No presente caso os  lançamentos  foram  motivados,  a  infração  foi  adequadamente  identificada,  há  descrição  dos  fatos e demonstrativo da determinação da exigência, porém a intimação para justificar a origem  dos  depósitos  bancários  foi  insuficiente,  haja  vista  não  ter    sido  individualizada,  o  que  caracteriza o vício formal.   Quanto  a  caracterização  de  vicio  material,  transcrevo  o  posicionamento  manifestado  pelo Marcos  Neder  e Maria  Tereza Martinez  na  obra  Processo  Administrativo  Fiscal Comentado, 3a. Edição (2010), pag. 206/207:  “A Descrição do Fato  Descrição é ato ou efeito de descrever. Descrever é contar, pormenorizadamente, o  fato.  Por meio  da  descrição,  relevam­se  os motivos  fático  e  legal  que  levaram  à  autuação,  estabelecendo  a  conexão  entre  os  meios  de  prova  coletados  e/ou  produzidos e a conclusão chegada pela autoridade fiscal. Seu objetivo é convencer  o  julgador  da  plausibilidade  legal  da  autuação,  demonstrando  a  relação  entre  a  matéria constatada no auto com a hipótese descrita na norma jurídica.  Os  enunciados  que  atendem  aos  requisitos  "III"  (descrição  dos  fatos)  e  "IV"  (disposição  legal  infringida)  do  artigo  10  do  Decreto  n°  70.235/72  formam  a  motivação  do  lançamento,  que  nada  mais  é  que  a  descrição  dos  motivos  que  desencadeiam o surgimento da obrigação tributária em concreto, tornando possível  identificar  os  sujeitos  e  quantificar  o  crédito  tributário.  Assim,  a  motivação  elaborada pelo auditor é  requisito de natureza  formal do  lançamento, enquanto a  existência de motivo fático e legal vincula­se ao conteúdo do ato.  A indicação da disposição legal infringida é elemento essencial à lavratura do auto  de  infração,  porém,  a  jurisprudência  administrativa  tem  admitido  que  eventuais  incorreções  no  enquadramento  legal  no  auto  de  infração  podem  ser  superadas  quando descritos com precisão quais os fatos que deram margem à tipificação legal  e à autuação.  Fl. 371DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 16832.000150/2009­15  Acórdão n.º 1402­00.859   S1­C4T2  Fl. 0          9 Por outro lado, a errônea compreensão dos fatos ocorridos ou do direito aplicável  pelo auditor é vício que dificilmente poderá ser sanado no curso do processo, pois  incide no motivo do ato. Não é vício formal na descrição, mas no próprio conteúdo  do ato. Não adianta a repetição do lançamento pela autoridade com a finalidade de  aproveitamento  do  ato  anterior  pela  sua  convalidação.  pois  remanesce  na  nova  norma individual e concreta introduzida a mesma anomalia. A correção só poderá  ser empreendida por meio da invalidação do lançamento original e a formalização  de nova exigência fiscal, se ainda dentro do prazo decadencial.  (...)  Ressalte­se que a lei traz a descrição dos fatos como elemento obrigatório do auto  de  infração,  e,  se  constar de  termo avulso  (v.g.,  folha  de  continuação do  auto de  infração),  deve­se  fazer  referência  expressa  desse  fato  no  auto  de  infração.  A  ausência  de  correlação  entre  as  duas  peças  pode  levar  à  alegação  de  não  conhecimento  dos  motivos  da  autuação  pelo  contribuinte  e  à  nulidade  do  lançamento.  (grifei).  No  presente  caso  não  há  que  se  falar  em “errônea  compreensão  dos  fatos  ocorridos ou do direito aplicável pelo auditor”, também  não se trata de vício na motivação do  ato, muito menos há falta de correlação do termo de descrição dos fatos com os demonstrativos  de  determinação  da  exigência.  Portanto,  à  luz  da  legislação,  jurisprudência  e  doutrina,  estamos diante de um vício formal.   In  casu,  repito a  “falta  de  descrição  adequada  da  infração  e  impossibilita  que o autuado possa opor resistência, de forma individualizada, em relação a cada depósito  bancários que compõe a base de cálculo da exigência do crédito tributário’.  De fato, a  ausência ou insuficiência na descrição dos fatos é vício material,  pois, fere o núcleo da regra matriz de incidência, implicando em descumprimento do disposto  no art. 142 do CTN. Mas não é essa a situação versada nos autos, cuja descrição da infração  tributada, bem com a determinação dos  tributos devidos está adequada. Logo, não há que se  falar em vício material, muito menos erro na constituição do crédito tributário ou inocorrência  do fato gerador.  Por fim, assevero que a constituição do crédito tributário é uma procedimento  complexivo e não um ato estanque (vide art. 142 do CTN). Logo, a intimação do contribuinte  para justificar a origem dos   depósitos bancários faz parte do procedimento para lavratura do  auto de infração. Alias indispensável à aplicação da presunção legal de que trata o art.42 da Lei  9.430/1996.    No  caso  em  pauta,  temos  a  intimação  porém,  deixou­se  de  observar  uma  formalidade  estabelecida na Lei, qual  seja,  a  individualização dos depósitos bancários. Daí a  conclusão pelo vício formal.   Diante  do  exposto,  voto  no  sentido  de  conhecer  e  acolher  os  embargos  interpostos pela PFN, para sanar a obscuridade e, no mérito, ratificar o Acórdão 1402­00.296,  de 9/11/2010, mantendo a decisão do Colegiado no sentido de negar provimento ao recurso de  oficio, porém esclarecendo tratar­se de vício formal.     (assinado digitalmente)  Antonio Jose Praga de Souza  Fl. 372DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA

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Numero do processo: 17460.000744/2007-94
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/2005 DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COOPERATIVA DE TRABALHO. MULTA DE MORA. MULTA MAIS BENÉFICA. CONSTITUCIONALIDADE. LEGALIDADE. Conforme a Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal STF e a Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ”, são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Desse modo, o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados. A empresa é obrigada a contribuir com quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, Lei 8.212/91, artigo 22, inciso IV. As contribuições sociais, pagas com atraso, ficam sujeitas à multa de mora artigos 35 da Lei 8.212/91. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional cabe aplicar o artigo 35-A, se mais benéfico ao contribuinte, na forma da Lei 11.941/2009 que revogou o art. 34, Lei 8.212/1991 e conferiu nova redação ao art. 35, Lei 8.212/1991. O processo administrativo não é via própria para a discussão da constitucionalidade das leis ou legalidade das normas. Enquanto vigentes tais diplomas devem ser cumpridos, principalmente em se tratando da administração pública, cuja atividade está atrelada ao principio da estrita legalidade. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-000.831
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, nas preliminares, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência das competências até 08/2001, inclusive, com base no artigo 150, § 4º do CTN. Votaram pelas conclusões os conselheiros Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recalculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Ausente momentaneamente o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto. Fez sustentação oral o Advogado Marcos Vinícius Gonçalves Floriano, OAB/SP nº 210.507.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: IVANCIR JÚLIO DE SOUZA

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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/2005 DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COOPERATIVA DE TRABALHO. MULTA DE MORA. MULTA MAIS BENÉFICA. CONSTITUCIONALIDADE. LEGALIDADE. Conforme a Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal STF e a Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ”, são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Desse modo, o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados. A empresa é obrigada a contribuir com quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, Lei 8.212/91, artigo 22, inciso IV. As contribuições sociais, pagas com atraso, ficam sujeitas à multa de mora artigos 35 da Lei 8.212/91. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional cabe aplicar o artigo 35-A, se mais benéfico ao contribuinte, na forma da Lei 11.941/2009 que revogou o art. 34, Lei 8.212/1991 e conferiu nova redação ao art. 35, Lei 8.212/1991. O processo administrativo não é via própria para a discussão da constitucionalidade das leis ou legalidade das normas. Enquanto vigentes tais diplomas devem ser cumpridos, principalmente em se tratando da administração pública, cuja atividade está atrelada ao principio da estrita legalidade. Recurso Voluntário Provido em Parte.

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Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/2005  DECADÊNCIA.  PRAZO  QÜINQÜENAL.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  COOPERATIVA  DE  TRABALHO.  MULTA  DE  MORA.  MULTA  MAIS  BENÉFICA.  CONSTITUCIONALIDADE.  LEGALIDADE.  Conforme a Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal  ­ STF e a Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ”,  são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto­lei 1.569/77 e  os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de  crédito  tributário. Desse modo, o prazo decadencial  para  a  constituição  dos  créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência  do  fato  gerador  do  tributo,  nos  termos  do  artigo  150,  §  4º,  do  Códex  Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou  simulação comprovados.   A empresa é obrigada a contribuir com quinze por cento sobre o valor bruto  da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que  lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho,  Lei 8.212/91, artigo 22, inciso IV.   As  contribuições  sociais,  pagas  com  atraso,  ficam sujeitas  à multa de mora  artigos 35 da Lei 8.212/91.  Considerando  o  princípio  da  retroatividade  benigna  previsto  no  art.  106,  inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional cabe aplicar o artigo 35­ A,  se  mais  benéfico  ao  contribuinte,  na  forma  da  Lei  11.941/2009  que  revogou  o  art.  34,  Lei  8.212/1991  e  conferiu  nova  redação  ao  art.  35,  Lei  8.212/1991.  O  processo  administrativo  não  é  via  própria  para  a  discussão  da  constitucionalidade das leis ou legalidade das normas. Enquanto vigentes tais  diplomas  devem  ser  cumpridos,  principalmente  em  se  tratando  da     Fl. 1DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI     2 administração  pública,  cuja  atividade  está  atrelada  ao  principio  da  estrita  legalidade.  Recurso Voluntário Provido em Parte    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros  do Colegiado,  nas  preliminares,  por  unanimidade  de votos, em reconhecer a decadência das competências até 08/2001,  inclusive, com base no  artigo 150, § 4º do CTN. Votaram pelas conclusões os conselheiros Paulo Mauricio Pinheiro  Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento  parcial ao recurso, determinando o recalculo da multa de mora, com base na redação dada pela  Lei  nº  11.941/2009,  ao  artigo  35  da  Lei  8.212/91  e  prevalecendo  a  mais  benéfica  ao  contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa de  mora. Ausente momentaneamente o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto. Fez sustentação  oral o Advogado Marcos Vinícius Gonçalves Floriano, OAB/SP nº 210.507.     Carlos Alberto Mees Stringari­Presidente  Ivacir Júlio de Souza ­ Relator    Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto  Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães  Peixoto, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Cid Marconi Gurgel de Souza.  Fl. 2DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 17460.000744/2007­94  Acórdão n.º 2403­000.831  S2­C4T3  Fl. 148          3   Relatório  Trata­se  de  crédito  lançado  pela  fiscalização  contra  á  empresa  acima  identificada no montante de R$ 238.264,57 (duzentos e trinta e oito mil, duzentos e sessenta e  quatro reais e cinqüenta e sete centavos), no período de 05/01 a 12/05, referente contribuição  social  destinada  à  seguridade  social  correspondente  à  contribuição  incidente  sobre  o  valor  bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços prestados por  cooperados  por  intermédio  de  cooperativas  de  trabalho,  conforme  informado  no  Relatório  Fiscal de fls. 46/47.  A  ação  fiscal  foi  precedida  de Mandado  de  Procedimento  Fiscal  ­ MPF  e  MPF  complementares  de  n°  09284824,  fls.  39/41,  tendo  a  documentação  sido  solicitada  através do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos ­ TIAD de fls. 42/43.  A interessada foi cientificada da presente NFLD em 11/09/2006 e apresentou  defesa, às fls. 51/90 e em síntese:   ­  Afirma  que  a  contribuição  de  que  trata  a  Lei  9.876/99  é  nova,  portanto,  deveria  ter  sido  criada  por  lei  complementar.  Cita  os  artigos  195,  §4°  e  151,  inciso  I  da  Constituição Federal e jurisprudência. Conclui que tal contribuição é inconstitucional.;  ­  Diz  que  o  valor  pago  por  assistência  prestada  por  serviço  médico  ou  odontológico,  desde  que  a  cobertura  abranja  a  totalidade  dos  empregados  e  dirigentes  da  empresa, não pode  integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Cita o  inciso  XVII do artigo 72 da Instrução Normativa INSS 03/2005.  ­  Argumenta  que  a  multa  aplicada  tem  caráter  confiscatório,  por  isso  é  inconstitucional. Cita doutrina e jurisprudência;  ­ Critica as autoridades  administrativas  julgadoras que  relutam em afastar a  aplicação de uma norma ao argumento de que tal incumbência cabe ao Judiciário;   ­ Diz que não se pode conceber o comportamento adotado pela administração  de alegar que seus atos se sujeitam incondicionalmente ao primado da estrita legalidade (artigo  37 da CF). Cita doutrina;  ­ Acrescenta que a questão deve ser examinada  tendo em vista as garantias  constitucionais da ampla defesa e do contraditório. Conclui que é possível administrativamente  o afastamento das regras que conflitam com a Carta Magna; e  ­ Requer  o  julgamento  do  presente  processo  juntamente  com o  do Auto  de  Infração n°35.820.367­8, e pede a anulação da presente NFLD.        Fl. 3DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI     4 DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA  Após  analisar  as  alegações  da  Impugnante,  a  8ª  Turma  da  DRJ/BHE  da  Delegacia  da Receita  Federal  do Brasil  de  Julgamento  de Belo Horizonte  (MG) mediante  o  Acórdão de n° 02­16.895 decidiu por manter o lançamento.  DO RECURSO   Irresignada,  a  empresa  interpôs  Recurso  Voluntário  conforme  folhas  106  onde reitera as alegações que fizera em sede de impugnação.  É o Relatório.  Fl. 4DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 17460.000744/2007­94  Acórdão n.º 2403­000.831  S2­C4T3  Fl. 149          5 Voto             Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator  DA TEMPESTIVIDADE   Conforme  folhas  140,  o  Recurso  é  tempestivo.  Assim  dele  tomo  conhecimento.  DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA   De  plano,  em  atenção  ao  artigo  62­A  do  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo Fiscal – RICARF, é relevante observar que o lançamento em comento refere­se  tão­somente a créditos suplementares que representam valores não recolhidos  correspondentes  às contribuições incidentes sobre os valores brutos das notas fiscais ou faturas relativamente a  serviços  prestados  por  cooperados  por  intermédio  de  cooperativas  de  trabalho,  conforme  informado no Relatório Fiscal de fls. 46/47.  Na forma supra,  é lícito inferir que as demais obrigações principais restaram  adimplidas  quando  da  ação  fiscal  o  que  implica  que  houve    “pagamentos  antecipados”  à  presença fiscal em referência à tese  reiteradamente esposada por parte do STJ.  Também há que se ressaltar logo em princípio que ainda que não tenha sido  argüido  pelo  Recorrente,  a  decadência  será  reconhecida  de  ofício  na  hipótese    de  sua  ocorrência.  O  período  de  apuração  do  crédito  tributário  compreendeu  a  competência  05/01 a 12/05 e a notificação ocorreu em  11/09/2006.  Tomando­se  como certo o  entendimento de que ocorre  a decadência  com a  extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à  condição  de  seu  exercício  dentro  de  um  prazo  prefixado,  e  este  se  esgotou  sem  que  esse  exercício tivesse se verificado, em preliminar, quedo­me a observar hipótese decadencial face a  edição  da  Súmula Vinculante  n°  8  exarada  pelo  Supremo Tribunal  Federal  –  STF  e  da  Lei  Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ”:  SÚMULA VINCULANTE DO STF N° 8    “São  inconstitucionais  o  parágrafo  único  do  artigo  5º  do  Decreto­lei  1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que  tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”.  A  súmula  n°  8  passou  a  produzir  efeitos  a  partir  de  20  de  junho  de  2008,  conforme ata da vigésima segunda sessão plenária do STF, do dia 12.06.2008, cuja íntegra do  debate foi publicado no Diário de Justiça do dia 11.09.2008. O material está no site do tribunal.  Consolidando o sumulado, se observa a Lei complementar n° 128, de 19 de  dezembro de 2008, artigo 13, I, “a ” :  Fl. 5DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI     6 “ Lei Complementar n°128, de 19 de dezembro de 2008  (...)  Art. 13. Ficam revogados:   I – a partir da data de publicação desta Lei Complementar:   a) os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991”    A  Lei  n°  11.457,  de  16  de  março  de  2007  através  do  artigo  2°,  §  4°,  extinguiu  a  então  Secretaria  da  Receita  Previdenciária  do  Ministério  da  Previdência  Social  promovendo a unificação das receitas dando origem a atual Receita Federal do Brasil.  Assume grande  importância  saber  que  a partir  da Lei  nº  9.528/97  é  que  se  introduziu  a  obrigatoriedade  de  os  sujeitos  passivos  das  contribuições  previdenciárias  apresentarem  a  Guia  de  Recolhimento  do  Fundo  de  Garantia  por  Tempo  de  Serviço  e  Informações à Previdência Social – GFIP.      Então,  somente  da  competência  janeiro  de  1999  em  diante,  todas  as  pessoas  físicas  ou  jurídicas  sujeitas  ao  recolhimento  do  FGTS,  conforme  estabelece  a  lei  nº  8.036/90  e  legislação  posterior,  bem  como  às  contribuições  e/ou  informações  à  Previdência  Social,  na  forma  do  disposto  nas  leis  nº  8.212/91  e  8.213/91  e  legislação  posterior,  estão  obrigadas ao cumprimento desta obrigação.       Na  referida  GFIP,  deverão  ser  informados  os  dados  da  empresa  e  dos  trabalhadores, os fatos geradores de contribuições previdenciárias e valores devidos ao INSS,  bem como as remunerações dos trabalhadores e valor a ser recolhido ao FGTS.       As  empresas  estão  obrigadas  à  entrega  da  GFIP  ainda  que  não  haja  recolhimento  para  o  FGTS,  caso  em  que  esta  GFIP  será  declaratória,  contendo  todas  as  informações cadastrais e financeiras de interesse da Previdência Social.   Desse  modo,  com  a  introdução  da  GFIP  na  legislação  previdenciária,  se  institui para os contribuintes o dever ­ que não existia antes de janeiro de 1999 ­ de declarar, e ,  espontaneamente,  antes  de  eventual  ação  fiscal  que  lhe  exija,  antecipar  os  pagamentos,  os  valores que entendam devidos à Previdência Social e proceder a demais obrigações acessórias.   Obrigado  a  isso,  a  legislação  das  contribuições  previdenciárias  submeteu  o  sujeito passivo o dever de efetuar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa,  pagamento este, por analogia, também sujeito a ulterior homologação. Logo, inserido na dicção  do artigo 150.  Segundo  leciona  Hugo  Brito  Machado,  em  Curso  de  Direito  Tributário  e  Finanças Públicas, Editora Saraiva, Edição exclusiva ANFIP, pg. 847:  “  Por  homologação  é  o  lançamento  feito  quanto  aos  tributos  cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o  pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa no  que concerne à sua determinação. Opera­se pelo ato em que a  autoridade,  tomando  conhecimento  da  determinação  feita  pelo  sujeito  passivo,  expressamente a homologa( CTN,  art.  150),  ou  então, mediante homologação tácita, que se opera pelo decurso  de  prazo  de  decadência  do  direito  de  constituir  o  crédito  tributário, pelo lançamento.(CTN, art. 150, § 4°) ”.  Fl. 6DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 17460.000744/2007­94  Acórdão n.º 2403­000.831  S2­C4T3  Fl. 150          7 Nestas  condições  as  contribuições  para  a  Previdência  Social  e  suas  obrigações principais e acessórias se subsumem à lançamentos por homologação expressa ou  tácita.  Também  é  relevante  saber  que  os  recolhimentos  das  contribuições  previdenciárias, antes da atual Guia da previdência Social – GPS, eram efetuados mediante as  denominadas Guias de Recolhimento da Previdência Social ­ GRPS, vigentes até a edição da  Resolução Nº 657, de 17 de dezembro de 1998, que institui a atual GPS.  Naquelas  guias  denominadas  GRPS,  segregados  em  campos  próprios,  se  informavam  os  pagamentos  que  estavam  sendo  recolhidos  bem  como  a  que  título,  se  vinculados aos segurados, às empresas ou para terceiros.  Muito  embora  segregados,  tais  recolhimentos  não  representavam  “dinheiro  carimbado”, permitindo­se assim eventuais remanejamentos/retificações daquelas destinações,  até  porque  os  ingressos  daqueles  valores  afluíam  de  um mesmo  contribuinte  para  o mesmo  cofre público.   Atualmente,  na  forma do  leiaute das Guias da Previdência Social  – GPS,  a  exceção da rubrica outras entidades, não se vislumbra, de imediato,  tampouco de forma mais  detida,  de  modo  claro  e  efetivo,  quais  os  fatos  geradores  ou  quais  rubricas  estão  sendo  contemplados com tal pagamento. Eis porque a necessidade de ações e procedimentos fiscais,  considerados  os  prazos  decadenciais,  para  corroborar  ou  não,  de  forma  expressa  os  auto­ lançamentos e eventuais recolhimentos produzidos pelos contribuintes.  Por  tudo  isso,  entendo que qualquer  eventual  recolhimento na  forma difusa  como é procedido atualmente, bem como no modo como o fora no passado, tem o condão de  alcançar qualquer rubrica de modo integral ou parcial.  Apresentado  tal  contexto,  inserido  nele  é  que  estarei  conduzindo  minha  análise.   É  muito  relevante  notar  que,  isto  posto,  de  forma  alguma  o  legislador  condicionou  a  homologação,  nos  termos  do  artigo  150,  à  antecipações  de  pagamento  até  porque na dicção do artigo 160, parágrafo único, em ocorrendo antecipação de pagamento, o  sujeito passivo pode ser contemplado com desconto:   “ Art. 160. Quando a legislação tributária não fixar o tempo do  pagamento, o vencimento do crédito ocorre trinta dias depois da  data  em  que  se  considera  o  sujeito  passivo  notificado  do  lançamento.   Parágrafo  único.  A  legislação  tributária  pode  conceder  desconto  pela  antecipação  do  pagamento,  nas  condições  que  estabeleça. ”   Relevante notar que:  “o objeto  da homologação  é  a  atividade de  apuração,  e  não o  pagamento  do  tributo.  (Cf.  Zuudi  Sakakihara,  em  Código  Tributário Nacional  Comentado,  coord.  de  Vladimir  Passos  de  Freitas,  Editora  Revista  dos  Tribunais,  São  Paulo,  1999,  p.584)”.(grifei)  Fl. 7DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI     8 Destarte, não sendo o objeto da homologação o pagamento, mas a atividade  que em face de determinada situação de fato afirma existir um tributo e lhe apura o montante,  ou  nega  a  existência  desse  tributo  a  ser  apurado,  não  é  razoável  concluir  que  a  ausência  do  pagamento influencie a homologação.  Entendo, ainda, que a ausência de pagamento aliada ao fato de a autoridade  administrativa  não  ter  cumprido  seu mister,  não  desnatura  a  condição  de  lançamento  do  por  homologação, neste caso tácita.  À exceção do prazo qüinqüenal  legal, o  legislador não condicionou  , e nem  poderia,  nenhuma  outra  hipótese  para  reconhecer  a  decadência  tanto  no  que  se  refere  às  obrigações principais quanto às acessórias.  Entretanto  saber  se  houve  ou  não  o  lançamento,  é  dado  importante  para  definir se foi expressa ou tácita a homologação.  Neste  sentido,  é  fundamental  o  entendimento  sobre  o  que  venha  a  ser  o  denominado  lançamento  posto  que  sendo  este  um  ato  vinculado  e  obrigatório  da  autoridade  administrativa,  é  a  existência  dele  que  vai  determinar  se  foi  expressa  a  homologação  das  obrigações principais e acessórias ou tácita.   Tendo a Autoridade Administrativa procedido ao lançamento expressamente,  vencido o prazo qüinqüenal este restará homologado incluindo aí eventuais pagamentos e como  conseqüência a decadência sobre hipotéticas diferenças não apontadas tempestivamente.  Em não existindo lançamentos e nem auto­lançamentos mediante GFIPs, bem  como pagamentos e demais obrigações adimplidas, vencido prazo qüinqüenal, tal circunstância  restará  tacitamente  homologada  e  como  conseqüência  o  instituto  da  decadência  fulmina  o  direito  do  fisco  de  proceder  ao  lançamento  para  garantir  a  cobrança  do  crédito  tributário  e  quaisquer outras exigências vinculadas.   Assim,  resumidamente,  no  que  concerne  às  obrigações  principais  e  acessórias,  convém  lembrar que  tratando­se  de  lançamento  por  homologação,  o que  restará  homologado tacitamente é a circunstância existente à época cumpridas ou não, adimplidas  parcial ou integralmente e até mesmo inadimplidas as obrigações.  O  contribuinte  é  sabedor  de  que  deve  efetuar  o  recolhimento  em  época  própria , de modo espontâneo, isto é antes da presença do fisco, e eis aí a antecipação de que  nos fala a dicção do artigo 150, caput, do CTN.  Partindo  do  entendimento  que  decadência  não  se  concede  mas  sim  se  reconhece  em  razão  de  ter  ocorrido  a  homologação  tácita  das  circunstâncias  decaídas,  o  legislador,  em  tempo  algum,  pretendeu  reconhecer  a  decadência  de  forma  menos  ou  mais  gravosa.  Se  assim  o  fosse,  o  legislador  estaria  estimulando  a  que  o  contribuinte  efetuasse  um  planejamento  fiscal  que  contemplasse  “antecipações”  ainda  que  irrisórias  somente com o fito de se prevalecer do beneficio de uma tipificação menos severa quando do  reconhecimento de eventual decadência sobre suas obrigações tributárias. Portanto, aplicando­ se forma menos severa,  tal tratamento se constituiria em prêmio ao contribuinte inadimplente  que  porventura  à  época  do  termo  do  prazo  qüinqüenal  tivesse  efetuado  algum  “pagamento  antecipado” assegurando tal hipotético “direito” para ser compulsado em hipótese decadencial.  Fl. 8DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 17460.000744/2007­94  Acórdão n.º 2403­000.831  S2­C4T3  Fl. 151          9 À  decadência,  se  constatada,  não  cabe  condicionamento  nem  mesmo  renúncia. É compulsório seu reconhecimento.  Então qual a razão do legislador mencionar pagamentos antecipados no § 1º  do artigo 150 do CTN ?   Para  definir  e  caracterizar  o  que  seria  lançamento  por  homologação  e  informar  que  mesmo  tendo  sido  efetuado  o  pagamento,  espontaneamente,  antes  da  ação  do  fisco, a extinção do crédito referente àquele pagamento só se daria com a condição resolutória  da ulterior homologação ao lançamento.  Pagamento antecipado não se trata pois de condição para reconhecimento de  decadência.  Cabe lembrar, por relevante, que no artigo 150 do CTN, legislador se refere  genericamente à ulterior homologação sem taxar se expressa ou tácita.   Art. 150 CTN :  (...)   “ § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste  artigo  extingue  o  crédito,  sob  condição  resolutória  da  ulterior  homologação ao lançamento.”  Ainda sobre o referido artigo 150 do CTN, a leitura atenta logo nas primeiras  palavras do caput, se evidencia que o que o legislador pretendeu foi conceituar a modalidade de  lançamento a que se refere o artigo, neste caso lançamento por homologação, e não condicionar  direitos:   “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto  aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de  antecipar  o  pagamento  sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa, opera­se pelo ato em que a referida autoridade,  tomando  conhecimento  da  atividade  assim  exercida  pelo  obrigado, expressamente a homologa.   §  1º O pagamento  antecipado  pelo  obrigado  nos  termos  deste  artigo  extingue  o  crédito,  sob  condição  resolutória  da  ulterior  homologação ao lançamento.   §  2º  Não  influem  sobre  a  obrigação  tributária  quaisquer  atos  anteriores  à  homologação,  praticados  pelo  sujeito  passivo  ou  por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito.   § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém,  considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o  caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação.   § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco  anos,  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador;  expirado  esse  prazo  sem  que  a  Fazenda  Pública  se  tenha  pronunciado,  considera­se  homologado  o  lançamento  e  definitivamente  Fl. 9DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI     10 extinto  o  crédito,  salvo  se  comprovada  a  ocorrência  de  dolo,  fraude ou simulação.”  Releva  observar  que  para  análise  em  comento,  as  expressões  nucleares  do  artigo acima são:  ­ lançamento por homologação;                               ­  dever  de  antecipar  o  pagamento  sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa ;   ­ atividade;   ­ expressamente a homologa;  (  referindo­se à atividade define que o que se  homologa é atividade);  ­ condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento;  ­ será ele de cinco anos; e  ­ considera­se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito.   Entendo que tais expressões constituem a espinha dorsal que estrutura o texto  na sua totalidade.  A  leitura  feita assim, de forma  indutiva, do particular para o geral e depois  integrando  as  partes  e  relendo  de  forma  dedutiva,  do  geral  para  o  particular,  permite  ,  sem  dúvida,  compreender  que  o  que  a  autoridade  administrativa  homologa  é  a  ATIVIDADE  conforme se extraí do caput, parte final :   “  ...sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa,  opera­se  pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da  atividade  assim  exercida  pelo  obrigado,  expressamente  a  homologa”.   Manifestando­se  sobre  a  decadência  o  legislador  foi  econômico  e  objetivo  definindo na forma do artigo 150 § 4º que :   “ Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos,  a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem  que  a  Fazenda  Pública  se  tenha  pronunciado,  considera­se  homologado  o  lançamento  e  definitivamente  extinto  o  crédito,  salvo  se  comprovada  a  ocorrência  de  dolo,  fraude  ou  simulação”.                                  Outro ponto de  relevo que entendo deva ser destacado da  leitura do § 4º do artigo  150 é que na  hipótese de comprovada ocorrência de dolo, fraude ou simulação, fica explícito que não  se aplicará o referido artigo para o reconhecimento da decadência. Entretanto, nem de forma explícita,  tampouco implícita, ficou determinado a capitulação do artigo 173 para a determinação da decadência  dos valores fraudados.                                A meu juízo, a comprovada ocorrência de dolo, fraude ou simulação importa conduta  criminosa  e  a  decadência  ou  a  prescrição  devem  ser  analisadas  e  em  foro  próprio  não  comportando  benefício tributário.    Fl. 10DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 17460.000744/2007­94  Acórdão n.º 2403­000.831  S2­C4T3  Fl. 152          11 Por outro aspecto, na forma do artigo 173, sem mencionar homologação mas  sim o direito de a fazenda constituir o crédito tributário:   “ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito  tributário extingue­se após 5 (cinco) anos, contados:   I  ­  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento poderia ter sido efetuado;   II  ­  da  data  em que  se  tornar  definitiva  a  decisão  que  houver  anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.   Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue­ se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado  da  data  em  que  tenha  sido  iniciada  a  constituição  do  crédito  tributário  pela  notificação,  ao  sujeito  passivo,  de  qualquer  medida preparatória indispensável ao lançamento.  É de se reparar que para os tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo  o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, isto é para  aqueles  sob  lançamento  por  homologação,  o  legislador  foi  explícito  preceituando  que  a  decadência se observa na forma do artigo 150 § 4º :   “  Se  a  lei  não  fixar  prazo  a  homologação,  será  ele  de  cinco  anos,  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador;  expirado  esse  prazo  sem  que  a  Fazenda  Pública  se  tenha  pronunciado,  considera­se homologado o lançamento e definitivamente extinto  o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou  simulação”  Ao passo que sob a ótica do artigo 173, a decadência se observa conforme o §  único :   “ Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue­ se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado  da  data  em  que  tenha  sido  iniciada  a  constituição  do  crédito  tributário  pela  notificação,  ao  sujeito  passivo,  de  qualquer  medida preparatória indispensável ao lançamento.”  Resumidamente, artigo 150 invoca o lançamento e sua homologação ao passo  que  o  artigo  173  não  exorta  a  homologação,  sendo  lícito,  portanto,  inferir  que  para  o  reconhecimento da decadência a aplicação do artigo 173 é  regra geral e no que se  refere aos  tributos submetidos aos lançamentos por homologação é especifica a aplicação do artigo 150 §  4º salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.  Corroborando  tal  entendimento,  consta  decisão  do  STJ  nos  embargos  de  Divergência  n°  413.265­SC(  2004/0160983­7),  onde  a  Primeira  Seção  firmou  entendimento  preciso e atual sobre a interpretação das normas jurídicas que regem a decadência do direito do  fisco no Código Tributário Nacional – CTN.  Ficou assente no julgado, por unanimidade, à luz da relatoria da Min. Denise  Arruda, que a decadência do direito do fisco no CTN é tratada mediante uma REGRA GERAL  e uma REGRA ESPECÍFICA. A regra geral está prevista no artigo 173, I do CTN, aplica­se a  Fl. 11DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI     12 todos os tributos; já a específica consta do 150, § 4° do CTN, e aplica­se aos tributos sujeitos  ao lançamento por homologação.  Sobre  a  decadência,  registra­se  ainda  o  contido  no  artigo  156,  V,  da  Lei  5.172/66, que a decadência extingue o crédito tributário.  O artigo 107 do CTN determina que :    “ A legislação tributária será interpretada conforme o disposto  neste Capítulo”.  Logo em seguida o artigo 108 preceitua que :    “ Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente  para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na  ordem indicada :   I ­ a analogia;”  Assim,  na  forma  do  artigo  107  e  108  do  CTN  ,  por  analogia,  resta  tomar  emprestado o conceito de decadência conforme a definição noutros ramos do direito.  Em  obediência  à  máxima  “Dormientibus  non  sucurrit  jus”  que  admite  ser  traduzida como o direito não socorre aos que dormem, decadência pode  ser definida como a  perda do direito ou da faculdade pela inércia de seu titular em exercê­lo.  Em direito civil, decadência é a perda de um direito potestativo pelo seu não  exercício,  durante  o  prazo  fixado  em  lei  ou  eleito  e  fixado  pelas  partes.  Nesse  instituto  extingue­se  o  direito  potestativo  de  poder,  condição  que  torna  a  execução  contratual  dependente duma covenção que se acha subordinada à vontade ou ao arbítrio de uma ou outra  das  partes.  Não  procedem  eventuais  contestações.  O  direito  é  outorgado  para  ser  exercido  dentro de determinado prazo, se não exercido, extingue­se.  Na  decadência  o  prazo  não  se  interrompe,  nem  se  suspende,  corre  indefectivelmente contra todos e é fatal, peremptório, termina sempre no dia pré­estabelecido.   Destarte, a decadência :  Extingue direito potestativo;  O prazo pode ser legal ou convencional;   Supõe uma ação cuja origem seria idêntica da do direito;  Corre contra todos;   Decorrente  de  prazo  legal  pode  ser  julgado  de  ofício  pelo  juiz  independentemente de argüição do interessado;   Resultante de prazo legal não pode ser renunciado; e   A ação tem natureza constitutiva.   No Código Penal Brasileiro – CPB , a decadência é prevista na art. 107, IV  causa de extinção da punibilidade.  Fl. 12DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 17460.000744/2007­94  Acórdão n.º 2403­000.831  S2­C4T3  Fl. 153          13 Nestes termos o cerne da questão é a decadência da exigência de tributo cujo  lançamento é por homologação observando que esta não se resume à mera questão pecuniária,  sobre se houve ou não recolhimento antecipado.  Homologa­se  a,  na  hipótese  de  ocorrência  tácita,  modalidade  do  caso  em  comento, a perda do direito potestativo, ainda que inadimplidas as obrigações.   Claro que as condutas ilícitas, por constituírem crimes, estão excepcionadas  desta análise. Entretanto, mesmo essas, em fórum próprio, têm regramento legal e são, também  alcançadas pelos institutos da decadência/prescrição.  Assim,  considerando  o  período  da  ocorrência  da  infração  definido  pelas  competências 05/01 a 12/05, conforme Relatório Fiscal de folhas 46/47 e ainda que a empresa  fora notificada em 11/09/2006, na forma do artigo 150, §4° do CTN, bem como em obediência  ao  previsto  no  artigo  62­A  do  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais – CARF, o crédito lançado pela fiscalização para a competência 08/2001 e anteriores,  encontra­se fulminado pelo instituto da decadência.    SOBRE A INCIDÊNCIA DO TRIBUTO    Conforme cópia da fatura às folhas 48 a Recorrente contratava cooperativa de  prestação de serviços médicos.  Na fatura de pagamento se fazia constar marcado como item VI, a observação  de que tais serviços se subordinavam ao preceituado no inciso IV do artigo 22 da Lei 8.212 na  redação dada pela Lei 9.876/99 :   "VI .Serv. .Médicos a partir de 01/03/00: R$ 6.510,24, Inciso IV  do artigo 22 da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 9876/99"  Segundo o previsto na dicção do artigo 22 citado:  Artigo 22, inciso IV da Lei 8.212/91  “A  contribuição  a  cargo  da  empresa  destinada  à  Seguridade  Social, além do disposto no Art. 23, é de:  (...)  IV ­ quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura  de  prestação  de  serviços,  relativamente  a  serviços  que  lhe  são  prestados  por  cooperados  por  intermédio  de  cooperativas  de  trabalho.  A Lei 8.212/91. artigo 28, § 9°, “q ”, contém previsão de que não  haverá  incidência  sobre  tais  ocorrências  desde  que  a  cobertura  abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa :     Fl. 13DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI     14   Lei 8.212/91. artigo 28 :  ( ... )  §  9º  Não  integram  o  salário­de­contribuição  para  os  fins  desta  Lei, exclusivamente:   (...)   q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou  odontológico,  próprio  da  empresa  ou  por  ela  conveniado,  inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos,  aparelhos  ortopédicos,  despesas  médico­hospitalares  e  outras  similares,  desde  que  a  cobertura  abranja  a  totalidade  dos  empregados  e  dirigentes  da  empresa;  (Alínea  acrescentada  pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)   Tal  previsão  foi  reiterada  na  forma  do  artigo  72,  inciso  XVII  da  IN  3,  de  14/07/2005, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa  , não integram a base de cálculo :    Art.  72.  Não  integram  a  base  de  cálculo  para  incidência  de  contribuições:   ( ... )   XVII ­ o valor relativo à assistência prestada por serviço médico  ou  odontológico,  próprio  da  empresa  ou  daquele  a  ela  conveniado,  inclusive  o  reembolso  de  despesas  médico­ hospitalares  ou  com  medicamentos,  óculos,  aparelhos  ortopédicos e outras similares, desde que a cobertura abranja a  totalidade dos empregados e dirigentes da empresa;   Muito  embora  a  empresa  alegue  que  tais  serviços  estariam  a  disposição  de  todos os  empregados,  não  apresentou documentação que  fizesse prova de  sua  afirmação  tais  como eventuais contratos onde o pacto restasse firmado.  Ao contrário, o que de fato resta materialmente comprovado foi o firmado e  aceito na fatura que tais serviços são de sofrer a incidência ora refutada em recurso.  Desse modo, não assiste razão a recorrente quando argumenta que os valores  levantados sob o preceituado no inciso IV do artigo 22 da Lei 8.212 na redação dada pela Lei  9.876/99 não constituem base de cálculo.  DA CONSTITUCIONALIDADE   A Recorrente questiona a constitucionalidade da contribuição ora apurada e  também da multa aplicada. Acrescenta ainda que é possível administrativamente o afastamento  das regras que conflitam com a Carta Magna.  A Súmula nº 2 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF pacificou  tal entendimento :   “O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária.”  Fl. 14DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 17460.000744/2007­94  Acórdão n.º 2403­000.831  S2­C4T3  Fl. 154          15 DA MULTA DE MORA  Sobre tal questionamento, a multa moratória descrita na presente NFLD está  prevista no artigo 35 da Lei 8.212/91 e possui o devido respaldo legal.  Entretanto, muito embora isto, em razão do artigo 106 do CTN que determina  a aplicação retroativa da lei quando, tratando­se de ato não definitivamente julgado, lhe comine  penalidade menos  severa que  a prevista na  lei  vigente  ao  tempo da  sua prática,  princípio da  retroatividade  benigna,  impõe­se  o  cálculo  da multa  com  base  no  artigo  61  da Lei  9.430/96  para  compará­la  com  a  multa  aplicada  com  base  na  redação  anterior  do  artigo  35  da  Lei  8.212/91  (presente  no  crédito  lançado  neste  processo)  para  determinação  e  prevalência  da  multa mais benéfica.    “ Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:   I ­ em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa,  excluída  a  aplicação de  penalidade  à  infração dos dispositivos  interpretados;    II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado:   a) quando deixe de defini­lo como infração;   b)  quando  deixe  de  tratá­lo  como  contrário  a  qualquer  exigência  de  ação  ou  omissão,  desde  que  não  tenha  sido  fraudulento  e  não  tenha  implicado  em  falta  de  pagamento  de  tributo;   c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista  na lei vigente ao tempo da sua prática.”  Aduz que às folhas 34 registram­se os fundamentos legais em que a multa de  mora  foi  aplicada. Ali  se  revela que a multa  teve por base o  artigo 35 da Lei 8.212/91, que  determinava , à época, aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo  e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal.                Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, estabelecendo que os débitos  referentes  a  contribuições não pagas nos prazos previstos  em  legislação,  serão  acrescidos de  multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei  9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%.  Dessa forma há que se conceder o benefício à Recorrente.    JULGAMENTO CONJUNTO     Quanto  ao  pedido  de  julgamento  em  conjunto  com  o  Auto  de  Infração  n°  35.820.367­8, este será atendido.      Fl. 15DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI     16 CONCLUSÃO   Assim,  por  tudo  que  foi  exposto,  voto  por  conhecer  do  recurso  e  em  PRELIMINAR  reconhecer decadência  das  competência  08/2001(inclusive)  e  anteriores,  com  base  no  artigo  150,  §  4°  do  Código  Tributário  Nacional  ­  CTN  e  ,  no  ,  MÉRITO,  DAR  PROVIMENTO PARCIAL determinando o recálculo da multa de mora de acordo com a nova  redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, fazendo prevalecer a multa  mais benéfica para o contribuinte.     É como voto.  Ivacir Júlio de Souza                                Fl. 16DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI

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