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Numero do processo: 12326.000073/2010-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
PREJUDICIAL DE MÉRITO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Súmula CARF 11).
Numero da decisão: 2301-004.614
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator.
EDITADO EM: 25/04/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Fábio Piovesan Bozza e Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Súmula CARF 11). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator. EDITADO EM: 25/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Fábio Piovesan Bozza e Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente). Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 1338.242, exarado pela 3ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro II (fls. 53 a 56 – numeração dos autos eletrônicos). Reproduzo trechos do relatório do acórdão recorrido: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 32 6. 00 00 73 /2 01 0- 98 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Foi efetuada Notificação de Lançamento de fls. 06/11 em razão de dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 39.409,45, na declaração de rendimentos relativa ao Exercício de 2008, AnoCalendário 2007. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fl. 09, verifica se que foram excluídos os pagamentos efetuados à EletrosSaúde em nome de não dependentes na DIRPF. Inconformado(a) com a exigência, o(a) contribuinte apresentou impugnação, fls. 03/06, alegando, em síntese, que: (...) Este valor, R$ 39.409,45, referese ao que foi pago por mim à ELETROS SAÚDE por meu sogro Francisco Antônio Mandarino Filho (CPF: 007.005.00772), nascido em 10 de agosto de 1904 e minha sogra Luz Mandarino, nascida em 02 de outubro de 1913, pais de minha mulher, filha única, Regina Célia Mandarino Medeiros, casada comigo em comunhão de bens, com renda própria insuficiente, já oferecida a tributação da Receita como minha dependente. Meus sogros eram meus vinculados no Plano de Saúde, ELETROS SAÚDE, conforme já foi dito. (...) Após intimação, fl. 17, o contribuinte complementou a impugnação anteriormente formulada, requereu novamente que seus sogros fossem considerados dependentes para fins de Imposto de Renda e apresentou a documentação de fls. 21/30. A DRJ julgou parcialmente procedente a impugnação, e o acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2007 DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. Na Declaração de Ajuste Anual podem ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem assim as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, relativos ao tratamento do contribuinte e de seus dependentes. A ciência pessoal dessa decisão ocorreu em 04/10/2013 (fl. 57). Em 29/10/2013, foi apresentado recurso voluntário (fls. 59 a 63), sendo alegado, em síntese, a ocorrência de prescrição da notificação e a extinção da obrigação tributária. O processo foi distribuído para este relator em 09/12/2015 (fl. 66). É o relatório. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 12326.000073/201098 Acórdão n.º 2301004.614 S2C3T1 Fl. 68 3 Voto Conselheiro Relator João Bellini Júnior O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. QUESTÃO PREJUDICIAL DE MÉRITO – PRESCRIÇÃO Não se sustentam as alegações de que teria ocorrido a prescrição do crédito tributário em questão, uma vez que Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal, conforme Súmula CARF 11, de observância obrigatória pelos membros do CARF, segundo determinação do caput do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 2015 (Ricarf). Voto, portanto, por NEGAR provimento ao recurso (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 69DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10510.724896/2011-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1302-000.422
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix.
Relatório
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa - Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix. Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 10 .7 24 89 6/ 20 11 -8 1 Fl. 911DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 20 /06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 10510.724896/201181 Resolução nº 1302000.422 S1C3T2 Fl. 912 2 Relatório Tratase de apreciar Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 1ª Turma da DRJ/SDR, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, rejeitar as alegações de decadência, nulidade e o pedido de juntada posterior de provas, e, no mérito, considerar procedente em parte a impugnação apresentada, para manter o valor do IRPJ em R$ 170.916,76, e exonerar o valor de R$ 52.282,51; manter o valor da CSLL, em R$ 62.075,03, e exonerar o valor de R$ 15.684,75; manter o valor da COFINS em R$ 42.828,05 e exonerar o valor de R$ 16.338,28, e, manter o valor do PIS em R$ 9.547,50, e exonerar o valor de R$ 3.539,96, juntamente com os acréscimos legais correspondentes, inclusive a multa qualificada de 150%, conforme ementa que abaixo reproduzo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006, 2007 DECADÊNCIA. FRAUDE. PRAZO. Constatada a ocorrência de fraude, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, vinculase à regra do art. 173, I do CTN, extinguindose em 05 anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Incabível a argüição de nulidade do Auto de Infração, quando se verifica que foi lavrado por pessoa competente para fazêlo, e em consonância com a legislação vigente, de tal forma que permitiu à contribuinte impugnálo em sua inteireza demonstrando conhecer plenamente a matéria que lhe deu causa. PROVAS. PROTESTO PELA PRODUÇÃO. Resta esvaziado o protesto para a produção de provas, se no decorrer do processo não foi anexado qualquer documento ou elemento que demonstrasse o seu exercício. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. CONTESTAÇÃO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS. Configurase omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em que o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nestas operações. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONDUTA DOLOSA. Fl. 912DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 20 /06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 10510.724896/201181 Resolução nº 1302000.422 S1C3T2 Fl. 913 3 Verificado pelo agente fiscal que o contribuinte incorreu em conduta dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, é cabível a aplicação da penalidade qualificada, nos termos da lei. AUTOS DECORRENTES CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS IRPJ. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento aos relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, à Contribuição para o PIS e à COFINS, em razão da relação de causa e efeito advindas dos mesmos fatos geradores e elementos probantes. Foram lavrados autos de infração para cobrança de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins no valor total (incluídos multa de ofício qualificada e juros de mora) de R$1.143.465,28 (fl. 846). O lucro foi arbitrado porque o contribuinte deixou de apresentar os livros e documentos da escrituração (fl.846). A matéria lançada é relativa a: a) receita omitida, apurada com base em depósitos bancários de origem não comprovada (fatos geradores entre 01/01/2006 e 30/06/2007 fl. 846); b) receita de prestação de serviços em geral, por falta de declaração e recolhimento quanto ao faturamento apurado em notas fiscais de prestação de serviços (fatos geradores entre 01/01/2006 e 30/06/2007 fl. 846). Informa a fiscalização que a DIPJ 2007 (anocalendário 2006), com opção pelo lucro real anual, declarou valores de receitas e despesas iguais a zero. DCTF/2006 também foi apresentada com ausência de débitos. No primeiro semestre do ano calendário 2007 optou pelo Lucro Presumido, e declarou na DIPJ 2008 receitas no valor total de R$ 265.122,53. Entretanto, na DCTF referente a esse período declarou novamente inexistência de débitos tributários. A partir do 2º semestre de 2007 optou pelo Simples Nacional. O contribuinte não apresentou livro diário e razão, embora intimado reiteradas vezes a fazêlo. Efetuouse Requisição de Movimentação Financeira (RMF) ao Banco do Estado do Sergipe (Banese) e Caixa Econômica Federal (CEF), nas quais o contribuinte mantinha contas abertas. Expurgadas as transferências entre contas, foi o contribuinte intimado a justificar a origem dos recursos depositados. No decorrer do procedimento, verificouse existência de notas fiscais de prestação de serviços Série A1, que não compuseram o faturamento declarado, as quais foram somadas e lançadas. Fl. 913DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 20 /06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 10510.724896/201181 Resolução nº 1302000.422 S1C3T2 Fl. 914 4 Aplicouse multa qualificada pela prestação de DCTF falsa (2006 e 2007) e DIPJ/2007 zerada, pois evidenciam intuito doloso de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador e de suas circunstâncias materiais. Nos lançamentos de PIS e Cofins foram abatidos todos os pagamentos constantes de DARF pagos espontaneamente, antes do procedimento fiscal. Não foi identificado pagamento de IRPJ e CSLL. O contribuinte apresentou impugnação (fls.575684) em 26/01/2012, na qual alegou comprovar alguns depósitos (item 1 do auto de infração), mas não contestou a matéria lançada no item 2. A DRJ acatou parcialmente o pedido e excluiu R$544.609,36 da base sobre a qual incidiu a tributação. Intimado do acórdão recorrido em 28/01/2014, interpôs recurso voluntário em 17/02/2014. Na peça recursal a ser submetida à apreciação deste colegiado, reiterou as alegações trazidas na impugnação, aduzindo que: a) Remanesce como matéria litigiosa os valores de depósitos bancários tidos como não comprovados pela DRJ nos meses de janeiro e setembro de 2006 e a imposição da multa qualificada, bem como as alegações preliminares suscitadas de nulidade e de decadência. b) Com relação à alegação de nulidade o acórdão de primeiro grau resumiu as alegações da recorrente desta forma: I. “No caso vertente, o processo se iniciou sem que o mesmo tenha sido instruído com qualquer documento que fosse, a exceção do termo de verificação e auto de infração, o que somente veio a ser retificado quando já tinha fluído metade do prazo impugnativo”. II. “Cumpre destacar que o prazo da Impugnante teve o seu termo inicial em 28.12.11, porém o feito somente foi devidamente instruído com as peças necessárias a partir do dia 10.01.12 à tarde, ou seja, não havia nos autos do processo administrativo qualquer elemento comprobatório de que as argumentações da autoridade fiscalizadora pudesse ser confrontada”. III. “Tal procedimento administrativo de instruir o feito sem qualquer documentação que desse arrimo ao auto de infração causou sérios prejuízos à Impugnante, que não teve tempo hábil para, por exemplo, solicitar as instituições financeiras os respectivos comprovantes da origem dos créditos que, em sua grande maioria, são apenas transferências de contas bancárias da sua titularidade ou ainda empréstimos bancários, e provar que não se tratavam de receitas tributáveis, isto porque desconhecia totalmente o conteúdo do processo já que o mesmo foi instaurado sem qualquer documentação que embasasse o auto de infração”. IV. “Desta forma, evidente a contrariedade aos princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, principios estes constitucionais cujas formalidades legais são essenciais para a validade do ato (a exemplo do lançamento), e que são uma esperança e garantia de justiça no processo e em qualquer decisão, e devem ser compreendidos como uma garantia fundamental do cidadão, servindo de instrumento para superação de eventuais injustiças processuais substanciais.”. b) De acordo com o acórdão recorrido, quanto à decadência, a recorrente alegou em sua impugnação, em síntese: Fl. 914DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 20 /06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 10510.724896/201181 Resolução nº 1302000.422 S1C3T2 Fl. 915 5 VII. “Preliminarmente, é preciso que se observe que, com relação aos lançamentos, relativos aos fatos geradores ocorridos até 30 de novembro de 2006, a Fazenda Nacional, por decurso de prazo, perdeu o direito de lançar a exigência tributária, em face de ter ocorrido a decadência, uma vez que, tratandose do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e das contribuições do PIS e da COFINS, ocorre o chamado "lançamento por homologação". VIII. “Como é cediço, a regra básica, para contagem do prazo decadencial do direito da Fazenda Pública efetuar o lançamento, é a prevista no Artigo 173, Inciso I, do Código Tributário Nacional. Porém, quando se trata de lançamento por homologação, como no caso dos autos, a norma a ser aplicada está contida no Artigo 150, § 42, do mesmo diploma legal”. IX. “Por todo o exposto, podese concluir que perdeu a Fazenda Pública o direito de rever o procedimento adotado pela Impugnante, para os três trimestres do ano calendário de 2006, para o IRPJ e para CSLL, enquanto que para as contribuições sociais do PIS e da COFINS, até os fatos geradores ocorridos até o dia 30/11/2006, não são mais passíveis de controvérsia, estando, de fato, caracterizada a decadência, uma vez que seu objeto é exatamente o direito concedido à Administração Tributária de constituir e/ou retificar o lançamento apurado sob condição resolutória, para posterior homologação”. c) Quanto ao mérito, alega no recurso: c.1) que os depósitos bancários tidos como não justificados nos meses de janeiro (R$ 78.117,50) e setembro de 2006 (R$ 150.000,00, foram devidamente justificados, mediante a apresentação das respectivas notas fiscais de prestação de serviços que correspondem aos créditos verificados na conta corrente; c.2) que, conforme demonstrado, todos os seus clientes são órgãos ou empresas públicas que, por questões de disponibilidade e dotação financeira, em regra, pagam seus títulos após o vencimento, num prazo médio de 45/50 dias, o que justifica os depósitos ocorridos em datas posteriores a emissão das notas fiscais; c.3) com relação ao depósito no valor de R$ 150.000,00 no mês de setembro de 2006, estes correspondem a notas fiscais emitidas em maio, junho, julho e agosto de 2003 que foram recebidas da Secretaria de Estado da Comunicação Social, após três anos de inadimplência; c.4) que todos os títulos representativos das vendas realizadas são cobrados e recebidos através de instituições financeiras, o que justifica o fato de alguns depósitos englobarem várias duplicatas de clientes diversos que são recebidos/liquidados na mesma data; c.5) que seria recomendável a realização de diligências junto aos Clientes, no sentido de averiguar as alegações e registros da recorrente. d) com relação à multa qualificada alega que a fiscalização não deduziu as razões pelas quais qualificou a multa de ofício, e que deve ser aplicado o disposto na súmula Carf nº 25. É o relatório. Fl. 915DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 20 /06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 10510.724896/201181 Resolução nº 1302000.422 S1C3T2 Fl. 916 6 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator. O recurso é tempestivo, e atende aos pressupostos legais e regimentais. Portanto, dele conheço. A questão de mérito remanescente referese ao lançamento de omissão de receitas com base em créditos bancários de origem não comprovada, verificados nos meses de janeiro e setembro de/2006, bem como a imposição da penalidade qualificada no lançamento. Preliminarmente o recorrente alega a nulidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa, na medida em que o procedimento não estaria instruído com todos os seus elementos de forma que prejudicou o seu direito de defesa. A decisão recorrida analisou a preliminar de forma precisa, de forma que a adoto como fundamento para rejeitar a alegação de nulidade, verbis: Ao examinar os documentos que compõem o processo, verificamos que as alegações apresentadas pelo sujeito passivo não procedem, pois constam do PAF todas as comprovações de ele foi cientificado do início e fim do procedimento fiscal. Além do mais todas as informações que embasaram o lançamento foram diretamente ele requisitadas ao longo do procedimento de fiscalização, conforme comprovam os diversos Termos de Intimação que integram o PAF. Acrescentese, ainda, que no procedimento administrativo de fiscalização vige o princípio da inquisitoriedade, o qual permite que a autoridade fazendária apure eventos de interesse tributário com a finalidade instrutória, estando fora do alcance de questionamentos processuais do interessado. Já na fase do processo administrativo passam a vigorar as garantias processuais do interessado, como o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa. Neste sentido, citase o autor James Marins, no Livro Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial), Ed. Dialética, 2ª edição, 2002, p. 182. Enquanto que a inquisitoriedade que preside o procedimento permite – dentro da lei – uma atuação mais célere e eficaz por parte da Administração, as garantias do processo enfeixam o atuar administrativo, criando para o contribuinte poderes de participação no iter do julgamento (contraditório, ampla defesa, recursos, etc...). (grifo do relator) No caso específico, a Impugnante foi regularmente intimada e obteve acesso a todas as peças da autuação, o que lhe possibilitou apresentar as suas alegações, prazo dentro do qual poderia trazer aos autos todas as provas que entendesse capazes de elidir o lançamento. Ofereceu sua defesa em tempo hábil e demonstrou ter pleno conhecimento dos fatos apresentados, motivo pelo qual afasto a presente argüição de nulidade. Pelas razões retro expostas rejeito a alegação de nulidade. No que concerne às questões de mérito, examinando as alegações da recorrente e os documentos trazidos aos autos, entendo que o presente julgamento deve ser convertido na Fl. 916DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 20 /06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 10510.724896/201181 Resolução nº 1302000.422 S1C3T2 Fl. 917 7 realização de diligências com vistas a elucidar as questões pendentes relacionadas à comprovação da origem dos recursos creditados nas contas bancárias da recorrente, nos meses de janeiro e setembro de 2006, pelas razões que passo a expor. A recorrente alega que todos os seus clientes são órgãos públicos que dependem de dotações orçamentárias e disponibilidades financeiras para a quitação das faturas de serviços, o que geralmente ocorre em prazos médios de 45/50 dias. Especificamente com relação aos créditos bancários tidos como não comprovados pelo Fisco, ainda em litígio, a recorrente apresenta demonstrativos detalhados nos quais vincula os créditos bancários à notas fiscais/faturas de prestação de serviços por ela emitidas anteriormente, conforme abaixo reproduzo: Examinando os autos, verifico nas notas fiscais juntadas às fls. 669/712, que de fato elas correspondem a serviços de publicidade prestados a órgãos do Estado de Sergipe, nos meses de novembro e dezembro/2005 e que os valores são equivalentes àqueles créditos recebidos em janeiro/2006, conforme demonstrado no primeiro quadro acima. Verificase, também que os créditos globais efetuados em 03/01, nos valores de R$ 3.796,00 e de R$ 58.737,62 tem origem em serviços prestados com a intermediação de uma mesma agência de publicidade: Makplan, pelo que se infere das observações constantes das notas fiscais. Os créditos de R$ 6.800,00, R$ 8.000,00 foram intermediados pela agência: Mídia Publicidade e R$ 784,00 pela agência: SLA Propaganda Ltda. É prática usual no mercado publicitário que as agências de publicidade que intermedeiam as inserções nos veículos de comunicação recebam o valor integral dos serviços Fl. 917DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 20 /06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 10510.724896/201181 Resolução nº 1302000.422 S1C3T2 Fl. 918 8 prestados do anunciante e efetuem o repasse do valor do serviço aos veículos de comunicação, retendo a sua comissão. Por outro lado, todos os créditos do mês de janeiro/2006, relacionados nos extrato de fls. 132, foram feitos mediante TED, DOC ou transferências on line, conforme histórico constante dos extratos. Deste modo, entendo que é possível apurar, mediante diligências junto à própria recorrente, às agências de publicidade e ao Banco do Estado de Sergipe Banese, se efetivamente tais créditos tem como origem o pagamento pelos serviços prestados nas referidas notas fiscais. Com relação ao crédito de R$ 150.000,00, realizado em 08 de setembro de 2006, o contribuinte apresentou 15 notas fiscais (fls. 779/793), no valor de R$ 10.000,00, emitidas em favor da Secretaria de Estado da Comunicação Social do Estado de Sergipe no ano de 2003. Nestas notas não consta nenhuma observação quanto à intermediação dos serviços por agência de publicidade. O contribuinte justifica a grande diferença de prazo entre a emissão das notas fiscais (2003) e o recebimento (2006) como sendo devida ao inadimplemento do governo de Sergipe, por falta de recursos. No extrato do Banese (fls. 159), verificase o seguinte histórico no lançamento efetuado no dia 06/09: "C. Única". O crédito efetivo ocorreu no dia 08/09, com o histórico: "Lib Dep". A coincidência entre os valores creditados na conta bancária junto ao banco Banese e aqueles indicados, individual ou globalmente, nas notas fiscais apresentadas dá alguma verossimilhança à argumentação da recorrente quanto à origem dos créditos bancários. Não obstante, entendo que tais elementos não são suficientes para infirmar a autuação, sendo necessária a realização de diligências com vistas a melhor documentar as operações. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que: a) seja designada autoridade fiscal competente para a realização das seguintes diligências: a.1) Intimação da interessada para: apresentação de outros elementos de que disponha de modo a comprovar o vínculo entre os créditos bancários e as notas fiscais de serviços prestados; comprovar o oferecimento à tributação das receitas informadas nas notas fiscais, no ano de sua emissão; indicar o nome das agências de publicidades que intermediaram a realização dos serviços; e, ainda, identificar as fontes pagadoras dos recurso que deram origem a cada um dos créditos (se as agências de publicidade ou o próprio órgão governamental contratante); a.2) Intimação de terceiros (agências de propaganda e/ou órgãos contratantes) para confirmar a data e forma de pagamento pelos serviços referidos nas notas fiscais; Fl. 918DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 20 /06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BES SA Processo nº 10510.724896/201181 Resolução nº 1302000.422 S1C3T2 Fl. 919 9 a.3) Intimação do Banco do Estado de Sergipe, mediante Requisição de Movimentação Financeira RMF complementar ou mediante solicitação de autorização da própria interessada, para informar os remetentes dos recursos creditados na conta bancária da recorrente, conforme indicado nos extratos bancários de fls. 132 e 159, bem como a apresentação dos documentos microfilmados relativos aos lançamentos respectivos; a.4) elaborar relatório circunstanciado sobre as apurações efetuadas e as conclusões quanto a comprovação da origem dos recursos creditados no mês de janeiro/2006 e setembro de 2006, indicados anteriormente. Concluídas as diligências a interessada deve ser cientificada do relatório conclusivo, abrindose prazo para sua manifestação nos termos do parágrafo único do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. Esgotado o prazo para manifestação o processo deve retornar a este Conselho para prosseguimento do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator. Fl. 919DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 20 /06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BES SA
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Numero do processo: 10803.000064/2009-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007
LANÇAMENTO. NULIDADE. AUSÊNCIA. POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DE PROVAS PRODUZIDAS A PARTIR DE PROCEDIMENTO CRIMINAL.
Nos termos do artigo 332 do CPC, a prova da verdade dos fatos poderá ser feita por todos os meios legais e moralmente legítimos, sendo lícita a utilização de provas produzidas a partir de procedimento criminal realizado com a observância do quanto disposto no artigo 5º, inciso XII, da Constituição da República.
LANÇAMENTO. NULIDADE. AUSÊNCIA.
Não havendo preterição do direito de defesa, com a descrição dos fatos e a observância dos elementos necessários à constituição do crédito tributário, não há que se falar em nulidade do lançamento.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL.
Em conformidade com o entendimento do STJ, no recurso repetitivo REsp n.º 973.733/SC, o dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação.
IRPF.OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CARACTERIZAÇÃO.
Para caracterizar a omissão de rendimentos recebidos, tanto de pessoa física quanto de pessoa jurídica, o Fisco tem o ônus de demonstrar que o contribuinte foi o efetivo beneficiário dos rendimentos, não bastando para tanto meros indícios e presunções.
OMISSÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ELEMENTO CARACTERIZADOR DO FATO GERADOR. PRESUNÇÃO LEGAL.
A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. No caso, o fato gerador não se dá pela constatação dos depósitos bancários creditados em conta corrente do contribuinte, mas pela falta de comprovação da origem dos valores ingressados no sistema financeiro.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.
Na determinação do acréscimo não justificado, devem ser levantadas as mutações patrimoniais, mensalmente, confrontando-as com os rendimentos do respectivo mês, com transporte para o período seguinte dos saldos positivos apurados em um período mensal, dentro do mesmo ano-calendário, evidenciando, desta forma, a omissão de rendimentos a ser tributada em cada mês.
MULTA QUALIFICADA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. (Súmula CARF nº 25, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009)
A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14, Portaria CARF nº 52, de 21/12/2010)
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO.
É legítima a incidência de juros de mora, à taxa Selic, sobre o valor da multa de ofício proporcional, não paga no seu vencimento.
Recurso Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-004.578
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos seguintes termos: (a) reconhecer a decadência referente ao ano-calendário de 2003, vencida a Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis; (b) cancelar o lançamento relacionado ao reconhecimento do vínculo empregatício; vencidos os Conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis e João Bellini Junior; (c) cancelar a multa qualificada sobre depósitos bancários de origem não comprovada, vencidos os Conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis e João Bellini Junior; (d) nas demais questões, por unanimidade de votos, acompanhar o voto da relatora, que restou mantido na íntegra. Fez sustentação oral o Dr. Flavio Eduardo Carvalho, OAB/DF 20.720. Redigirá declaração de voto a Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis.
(Assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros João Bellini Júnior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souzam Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes, Nathalia Correia Pompeu.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 43; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2401; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2.453 1 2.452 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10803.000064/200965 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301004.578 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de março de 2016 Matéria IRPF Recorrente MARCELO NAOKI IKEDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 LANÇAMENTO. NULIDADE. AUSÊNCIA. POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DE PROVAS PRODUZIDAS A PARTIR DE PROCEDIMENTO CRIMINAL. Nos termos do artigo 332 do CPC, a prova da verdade dos fatos poderá ser feita por todos os meios legais e moralmente legítimos, sendo lícita a utilização de provas produzidas a partir de procedimento criminal realizado com a observância do quanto disposto no artigo 5º, inciso XII, da Constituição da República. LANÇAMENTO. NULIDADE. AUSÊNCIA. Não havendo preterição do direito de defesa, com a descrição dos fatos e a observância dos elementos necessários à constituição do crédito tributário, não há que se falar em nulidade do lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. Em conformidade com o entendimento do STJ, no recurso repetitivo REsp n.º 973.733/SC, o dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação. IRPF.OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CARACTERIZAÇÃO. Para caracterizar a omissão de rendimentos recebidos, tanto de pessoa física quanto de pessoa jurídica, o Fisco tem o ônus de demonstrar que o contribuinte foi o efetivo beneficiário dos rendimentos, não bastando para tanto meros indícios e presunções. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 00 00 64 /2 00 9- 65 Fl. 2453DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS 2 OMISSÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ELEMENTO CARACTERIZADOR DO FATO GERADOR. PRESUNÇÃO LEGAL. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. No caso, o fato gerador não se dá pela constatação dos depósitos bancários creditados em conta corrente do contribuinte, mas pela falta de comprovação da origem dos valores ingressados no sistema financeiro. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Na determinação do acréscimo não justificado, devem ser levantadas as mutações patrimoniais, mensalmente, confrontandoas com os rendimentos do respectivo mês, com transporte para o período seguinte dos saldos positivos apurados em um período mensal, dentro do mesmo anocalendário, evidenciando, desta forma, a omissão de rendimentos a ser tributada em cada mês. MULTA QUALIFICADA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. (Súmula CARF nº 25, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14, Portaria CARF nº 52, de 21/12/2010) JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO. É legítima a incidência de juros de mora, à taxa Selic, sobre o valor da multa de ofício proporcional, não paga no seu vencimento. Recurso Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos seguintes termos: (a) reconhecer a decadência referente ao anocalendário de 2003, vencida a Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis; (b) cancelar o lançamento relacionado ao reconhecimento do vínculo empregatício; vencidos os Conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis e João Bellini Junior; (c) cancelar a multa qualificada sobre depósitos bancários de origem não comprovada, vencidos os Conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis e João Bellini Junior; (d) nas demais questões, por unanimidade de votos, acompanhar o voto da relatora, que restou mantido na íntegra. Fez sustentação oral o Dr. Flavio Eduardo Carvalho, OAB/DF 20.720. Redigirá declaração de voto a Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. Fl. 2454DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS Processo nº 10803.000064/200965 Acórdão n.º 2301004.578 S2C3T1 Fl. 2.454 3 (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros João Bellini Júnior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souzam Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes, Nathalia Correia Pompeu. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até a apresentação da impugnação pelo contribuinte, adoto de forma livre o relatório do Acórdão proferido pela 18ª Turma da DRJ/SP1, nº 1642.908, constante em fls. 2.206/2.256: Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado, em 26/11/2009, o Auto de Infração de fls. 1.417/1.426 (numeração do processo digitalizado) acompanhado dos demonstrativos de apuração de fls. 1.427/1.434, que lhe exige crédito tributário no montante de R$ 2.410.273,58, sendo R$ 813.082,89 de imposto, R$ 387.355,97 de juros de mora, calculados até 30/10/2009 e R$ 1.209.834,72 de multa proporcional, relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física dos anos calendário de 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007. Por força da chamada “Operação Persona”, levada a efeito em conjunto pela Polícia Federal e pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, que tinha por objetivo desmantelar um esquema de importações fraudulentas, e atendendo requisição da Justiça Federal, foi instaurado o procedimento de fiscalização em nome do contribuinte. Todos os procedimentos fiscais adotados, bem como as verificações/análises/conclusões encontramse detalhadamente relatadas no Termo de Verificação e de Conclusão Fiscal de fls. 1.435/1.641, do qual depreendese, em síntese: 1) Em face da instauração do Procedimento Criminal Diverso nº 2005.61.0092851, em curso na Quarta Vara Federal Criminal da 1ª Subseção Judiciária de São Paulo/SP, diversas planilhas e documentos foram arrecadados, durante a execução dos Mandados de Busca e Apreensão na chamada“Operação Persona”, nas residências e escritórios dos sócios formais, dos sócios informais com cargos de direção e outras empresas integrantes do grupo JDTC/MUDE. 2) A força tarefa realizada entre a Receita Federal do Brasil, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, na denominada “Operação Persona”, conseguiu desmantelar um esquema de importação fraudulento que se valia de empresas e pessoas interpostas. As reais beneficiárias das operações eram a empresa Mude Comércio e Serviços Ltda. (denominada Mude Brasil), CNPJ 04.867.975/000172, e a multinacional americana CISCO SYSTEMS INC. Fl. 2455DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS 4 3) Em 16/06/2008, o Juiz Federal Dr. Alexandre Cassettari, da Quarta Vara Federal Criminal – 1ª Subseção Judiciária de São Paulo, por intermédio do Ofício nº 3693/2008 – S7 – SVZ, proferiu autorização para a utilização das interceptações telefônicas e telemáticas por Auditores da Receita Federal da 5ª e 8ª Regiões. 4) Pelos dados levantados, verificouse que a composição dos quadros societários das empresas utilizadas pelo esquema era de pessoas sem aparente capacidade econômicofinanceira, interpostas pessoas (“laranjas”), e pessoas jurídicas estrangeiras, em geral sediadas no Panamá, Bahamas, Ilhas Virgens Britânicas ou Estados Unidos, as quais eram, de fato, controladas por pessoas do grupo. 5) Na residência dos principais dirigentes e funcionários da empresa Mude, foram encontrados documentos, planilhas e fluxogramas que comprovam a composição do grupo JDTC/MUDE. 6) A distribuição dos recursos financeiros obtidos através do esquema de interposição fraudulenta ocorria basicamente em paraísos fiscais, através de offshores, e, em território nacional, pela própria MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA., mediante pagamentos de prólabore e de prestação de serviços de empresas individuais inexistentes. 7) A estrutura de importação fraudulenta abrangeu empresas sediadas em território nacional e empresas sediadas no exterior. A principal atividade do grupo era a distribuição no Brasil de produtos fabricados pela multinacional americana CISCO SYSTEMS INC, sendo que cerca de 90% das vendas da MUDE eram de produtos fabricados pela CISCO. 8) O grupo empresarial atua no Brasil desde a época da empresa União Digital (de 1996 a 1999), passando pelas Fulfill Distribuidora (de 1999 a 2002) e Fulfill Serviços, sendo esta posteriormente substituída pela Mude, a partir de 2002. 9) Diversas planilhas e documentos arrecadados durante a execução dos Mandados de Busca e Apreensão na chamada “Operação Persona”, indicam que a Mude Comércio e Serviços Ltda. (denominada Mude Brasil) é um dos investimentos de um grupo empresarial transnacional mais abrangente denominado JDTC/MUDE, composto pelos reais responsáveis da Mude e beneficiário direto das práticas de importações fraudulentas coordenadas pela Mude Brasil. 10) Na residência de José Roberto Pernomian Rodrigues, atual diretor de operações e finanças da Mude, foi apreendido um relatório conclusivo do escritório de advocacia Mesquita Neto Advogados, grafado como “Confidencial”, referente a análise de risco no campo fiscal de operações da empresa Mude Comércio e Serviços. 11) Foi encontrada na residência de Marcílio Palhares Lemos, gerente financeiro da Mude Comércio e Serviços, um controle do fluxo financeiro, que comprova que a Mude controlava as contas bancárias das empresas pertencentes à estrutura de importação fraudulenta. Fl. 2456DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS Processo nº 10803.000064/200965 Acórdão n.º 2301004.578 S2C3T1 Fl. 2.455 5 12) As empresas D’Luck, Spcom, Arco, Prime, Tecnosul e Comtec cediam seus nomes para que a Mude Comércio e Serviços abrisse contas bancárias e as transferências que simulavam operações de compra e venda eram orquestradas pela Mude para que os importadores dispusessem de recursos financeiros, quando do fechamento de câmbio e registro da declaração de importação, originando os recursos da Mude Comércio e Serviços. 13) De maneira a ocultar os reais beneficiários pelas operações de importação fraudulenta, os membros do grupo JDTC/MUDE optaram por criar empresas offshores sediadas em paraísos fiscais. Para fins didáticos, denominouse offshores particulares, as empresas de propriedade de cada membro do grupo, e de offshores operacionais, as empresas de propriedade do grupo JDTC/MUDE, todas sediadas em paraísos fiscais. 14) O sujeito passivo faz parte do grupo desde a União Digital e tem vinculação com outras empresas ligadas ao grupo. De acordo com os sistemas da Receita Federal do Brasil – RFB, o sujeito passivo é sócio, ou exsócio, de diversas empresas vinculadas ao grupo, como: MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA., CNPJ 04.867.975/000172; FULFILL SÉRVIOS LTDA., CNPJ 03.356.503/000138; FULFILL – DISTRIBUIDORA LTDA., CNPJ 03.362.390/000138; MARCELO NAOKI IKEDA, CNPJ 04.465.312/000121; e CASPIAN OVERSEAS LTDA., empresa estrangeira domiciliada nas Ilhas Virgens. 15) Os elementos coletados apontam que o sujeito passivo, além de exercer o cargo de Diretor Comercial, tinha também participação financeira no Grupo JDTC/MUDE, na condição de sócio, pertencendo também ao grupo LIG (ou SIG), subgrupo da organização JDTC, formado por Luis Scarpelli (L ou S), Marcelo Ikeda (I) e Fernando Grecco (G). 16) A Sinbold Holdings Limited (Ilhas Virgens Britânicas) vendeu para a Caspian Overseas Ltda. (Ilhas Virgens Britânicas), ambas tendo, coincidentemente, o mesmo endereço, quotas de capital da Fulfill Holding Ltda. (Ilhas Virgens Britânicas). O contribuinte foi uma das pessoas que assinou como sendo responsável pela offshore operacional Caspian Overseas. ficando o grupo LIG com 75% e o grupo JDTC/Mude, representado por Hélio Benetti Pedreira, com 25% de participação da Mude Comércio e Serviços Ltda. 17) Essa estratégia do grupo, denominada venda de 75% da MUDE pelo grupo JDTC, seria responsável pela alteração do quadro social da empresa Mude Comercio e Serviços. O grupo LIG (Luiz Scarpelli, Ikeda e Grecco) teria participação de 75% e Hélio Benetti Pedreira, representando o grupo JDTC, teria participação de 25%. 18) Segundo documentos arrecadados nas residências de José Roberto Pernomian Rodrigues e de Hélio Benetti Pedreira, o sujeito passivo teria direito a receber US$ 924,480.00 pela venda da MUDE e já teria recebido US$ 288,139.46. 19) Na residência dos membros da organização foram encontradas diversas planilhas contábeis que quantificam a participação de cada um na operação Fl. 2457DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS 6 denominada “venda de 75% da MUDE”. O contribuinte seria uma das pessoas beneficiadas pela operação com vultosos valores a receber, sendo que boa parte do numerário teria como destino a offshore particular CORDELL ENTERPRISES LIMITED. 20) Foram também encontradas planilhas de onde se extrai que o contribuinte é o proprietários da empresa CORDELL ENTERPRISES LIMITED. A propriedade da Cordell também foi confirmada pelo sujeito passivo, quando este retificou suas Declarações de Ajuste Anual, exercícios de 2004 a 2007, incluindo a empresa entre seus bens e direitos. 21) Assim, conseguiuse comprovar que o contribuinte recebia recursos nas contas bancárias de sua offshore Cordell Enterprises Limited., cujo endereço é Road Town P.O.Box 3175 Tortola, Ilhas Virgens Britânicas. Esse endereço é o mesmo da Cansons Investiments Ltd., Raywell Overseas Limites, April Hodings Overseas Limited e Boynton International Limited, outras offshores operacionais e particulares do grupo. 22) As offshores particulares dos membros dos grupos possibilitam aos mesmos ocultar das autoridades brasileiras patrimônio mantido no exterior e introduzir de maneira disfarçada no país os recursos mediante investimentos das offshores particulares no Brasil, na maioria das vezes, como integralização de capital social em empresas brasileiras que são responsáveis pela propriedade e administração dos bens particulares de cada membro do grupo JDTC. 23) Ficou comprovado na ação fiscal que o sujeito passivo também recebeu remuneração diretamente de outra offshores do grupo, conforme cópia de extrato da empresa Raywell Overseas Limited, que também pertence ao grupo Mude/JTDC. 24) A empresa Raywell Overseas Ltd. recebia diversos ingressos com a descrição “Câmbio RE”, supostamente numerário enviado pelo doleiro utilizado pelo grupo, de nome Renato Lanzuolo Filho. 25) De posse do numerário, a Raywell Overseas Ltd. fez sua distribuição para os integrantes do grupo (MIMarcelo Ikeda, FMGFernando Machado Grecco, PCPedro Costa e LSFLuiz Scarpelli Filho), para a Cansons Investiments, uma outra offshore operacional da organização, e para a Nordstrom, offshore operacional que realiza aportes de capital na Mude. 26) Os documentos arrecadados mediante a “Operação Persona” demonstram que o contribuinte teria adquirido imóveis no Brasil com recursos provenientes dos ilícitos praticados no comércio exterior. Os recursos recebidos pela offshore particular CORDELL teriam sido remetidos ao país a título de integralização de capital social. 27) Nos documentos arrecadados foi encontrado um contrato social da MINES PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO DE BENS PRÓPRIOS, constando como sócios a empresa Cordell Enterprises Limited e Sandro Takeo Ikeda, irmão de Marcelo Naoki Ikeda. Conforme documentos apreendidos, a Cordell Enterprises Limited é offshore particular do sujeito passivo. Portanto, a Mines Participações e Administração de Bens Próprios Ltda. é uma empresa do contribuinte. Fl. 2458DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS Processo nº 10803.000064/200965 Acórdão n.º 2301004.578 S2C3T1 Fl. 2.456 7 28) Na residência do Sr. Marcílio Palhares Lemos foi apreendido arquivo magnético com controle dos pagamentos aos sócios do grupo MUDE através das empresas individuais de prestação de pagamentos aos sócios do grupo Mude por meio de empresas individuais de prestação de serviços inexistentes. 29) A empresa Marcelo Naoki Ikeda EPP recebeu ingressos com a descrição “Câmbio RE”, supostamente numerário enviado pelo doleiro utilizado pelo grupo, de nome Renato Lanzuolo Filho. 30) A Fiscalização concluiu que a participação do contribuinte no esquema de importação com interposição fraudulenta de pessoas vai além do cargo de direção da Mude Comércio e Serviços Ltda., por ser sócio oculto do grupo JDTC, sendo a Mude um de seus investimentos no país. 31) Foi iniciada a Fiscalização do sujeito passivo, em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal nº 08.1.90.002008033730, onde se constatou que o contribuinte apresentou Declarações de Ajuste Anual no modelo Simplificado, dos exercícios 2004 a 2008, após a deflagração da Operação Persona, ocorrida em 16/10/2007. 32) Após intimações, a Fiscalização verificou que todas as notas fiscais foram emitidas, sequencialmente, pela empresa de propriedade do sujeito passivo, cuja sede ficava no mesmo endereço onde se localizavam outras empresas de propriedade de outros diretores da Mude Comércio e Serviços Ltda., indicavam apenas um tomador de serviços, a empresa Phase2 – Serviços Diferenciados Ltda., CNPJ 03.273.804/000152, no período de janeiro/2003 a outubro/2003. As Notas do período de novembro/2003 a setembro/2007 foram emitidas, também de forma sequencial, em nome da Mude Comércio e Serviços Ltda.. 33) A empresa Marcelo Naoki Ikeda EPP tem como CNAE a atividade “Comércio varejista especializado de equipamentos e suprimentos de informática” e todas as Notas Fiscais emitidas decorreram de “Prestação de Serviços”, conforme consta na “descriminação”das mesmas. 34) Assim, a Fiscalização concluiu que os serviços foram prestados, pessoalmente, pelo sócioproprietário da empresa Marcelo Naoki Ikeda EPP. O Livro de Registros de Empregados apresentado demonstrava que nunca houve contratação de quaisquer funcionários. 35) A Fiscalização verificou, ainda, que os serviços eram prestados de maneira contínua, habitual, exclusiva, nas dependências e com a utilização de equipamentos da Mude Comércio e Serviços Ltda., abrangendo não só a diretoria comercial, mas também as diretorias Operacional e de Marketing. 36) Esses fatos demonstram a existência de vínculo entre o sujeito passivo e a empresa Mude Comércio e Serviços Ltda. e o recebimento de remuneração por “interposta pessoa jurídica” (Marcelo Naoki IkedaEPP). Fl. 2459DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS 8 37) Não somente o sujeito passivo, mas todos os demais diretores da Mude Comércio e Serviços, prestavam serviços relacionados diretamente com as atividades de forma pessoal, onerosa, habitual e com poder decisório, decorrente da participação societária que detêm, ostensiva e ocultamente. 38) A pessoalidade é constatada pela prestação de serviço pelos próprios diretores, sem intermédio de outrem. O trabalho sempre foi prestado de maneira exclusiva e pessoal pelos próprios “sócios” das empresas contratadas, que nunca tiveram empregados registrados. A não eventualidade e a habitualidade estão presentes na execução de serviços ligados diretamente aos empreendimentos da Mude Comércio e Serviços (atividades essenciais e de necessidade permanente). A onerosidade fica por conta dos valores pagos aos profissionais pelos serviços prestados. Em relação ao poder de direção, em razão das funções exercidas pelos diretores, estes definem os rumos da empresa. 39) Tudo isso evidencia que a empresa Mude Comércio e Serviços Ltda. encobriu a real relação de trabalho entre ela e seus diretores, dentre eles o sujeito passivo, haja vista que utilizou o recurso de contratos de prestação de serviços com empresas interpostas para ocultar a verdadeira situação jurídica, ou seja, a prestação de serviços essenciais ao funcionamento da empresa por pessoas físicas, que no caso em questão, são os seus sócios ostensivos e ocultos. 40) Por fim, a Fiscalização concluiu que os pagamentos efetuados pela Mude Comércio e Serviços Ltda. e Phase2 Serviços Diferenciados Ltda. em favor da empresa Marcelo Naoki Ikeda EPP., valores informados na DIRPJ Simples, foram recebidos por seu sócioproprietário Marcelo Naoki Ikeda, em decorrência dos serviços por ele prestados, que no presente caso é um dos diretores/sócio oculto das contratantes, sendo assim esses valores objeto de lançamento como omissão de rendimentos. 41) Extratos da conta corrente nº 73807E25, do Merrill Lynch Bank, localizado na Flórida (USA), extraídas da mídia eletrônica apreendida junto a Marcílio Palhares Lemos, gerente financeiro da Mude Comércio e Serviços Ltda., comprovam a remessa de valores para a Cordell Enterprises Limited, por intermédio da Raywell Overseas Limited, offshore operacional, também localizada nas Ilhas Virgens Britânicas. 42) A offshore Cordell Enterprises Limited é sócia, no Brasil, da empresa Mines Participações e Administração de Bens Próprios Ltda., CNPJ 08.221.257/000185, situada à Rua Arnaldo Magniccaro, 927, conjunto 03, São Paulo, com 97,50% das cotas, sendo o outro sócio, Sandro Takeo Ikeda, irmão do sujeito passivo, com 2,5% das cotas. Sendo procuradores da Mines o sujeito passivo e sua esposa, Érika Sassaki Ikeda. 43) A empresa Mines permaneceu, desde sua constituição em 2006, sem auferir quaisquer receitas. 44) Concluiuse que os depósitos efetuados em favor da Cordell Enterprises Limited eram na realidade valores auferidos pelo seu proprietário, o sujeito passivo, em decorrência das atividades vinculadas a um esquema fraudulento de importações, já que foram utilizados para a integralização do capital da Mines e, consequentemente, para a aquisição de veículo. Fl. 2460DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS Processo nº 10803.000064/200965 Acórdão n.º 2301004.578 S2C3T1 Fl. 2.457 9 45) Foi apreendida pela Equipe de Busca da Polícia Federal, na residência do sócio do sujeito passivo na Mude, Hélio Beneti Pedreira, planilha intitulada “Retiradas MI até 31/03/2005”, na qual constam os valores creditados para a Cordell Enterprises Limited de US$ 134,112.00 e US$ 85,000.00, em 18/08/2003 e em 14/07/2004, respectivamente. 46) Os valores recebidos pelo sujeito passivo, por intermédio da empresa Cordell Enterprises Limited, convertidos em reais de acordo com a IN SRF nº 208/2002, foram objeto de lançamento de ofício, já que não foram oferecidos à tributação. 47) O contribuinte foi regularmente intimado a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em data e valor, a origem de depósitos bancários que foram efetuados em sua contacorrente nº 53.5372, da Agência 641, do Banco Itaú S/A. A comprovação restringiuse na alegação de que os depósitos decorreram de dívida de terceiros e de recebimento de parcelas de um mútuo financeiro concedido à empresa Momentum Tecnologia Ltda., acarretando sua tributação, nos termos do art. 42, da Lei nº 9.430/96. 48) As receitas brutas correspondentes a valores recebidos pela empresa Marcelo Naoki IkedaEPP e informados em suas Declarações de IRPJSIMPLES foram considerados como origens no Demonstrativo de Variação Patrimonial, que deduzidos dos valores informados pelo sujeito passivo em suas Declarações de Ajuste Anual, resultou valores objeto de lançamento. 49) Em se tratando de variação patrimonial a descoberto decorrente de bens comuns ao casal e tendo sido apresentadas Declarações de Ajuste Anual em separado, a tributação do montante apurado foi efetuado na proporção de 50% para cada cônjuge, após regularmente intimados. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 1.419 e 1.426), o procedimento teve origem na: a) Omissão de rendimentos recebidos de Mude Comércio e Serviços Ltda., decorrentes de trabalho com vínculo empregatício, pagos através de interposta pessoa jurídica, Marcelo Naoki IkedaEPP: [...] b) Acréscimo Patrimonial a Descoberto Omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, onde verificouse excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados/comprovados: [...] c) Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta de depósito ou investimento, mantida em instituição financeira, em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos: [...] Fl. 2461DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS 10 d) Omissão de rendimentos correspondente a valores enviados ao exterior e que foram creditados em conta corrente da empresa de propriedade do sujeito passivo, Cordell Enterprises Limited: [...] Cientificado do lançamento em foco, em 1º/12/2009 (fl. 1.418 e 1.642), o interessado apresentou, em 30/12/2009, a impugnação de fls. 1.648/1.755, aduzindo o que se segue. PRELIMINARMENTE As conclusões da Fiscalização baseiamse em dados e arquivos magnéticos apreendidos pela Polícia Federal e que se destinavam exclusivamente à apuração de eventuais delitos na esfera criminal, sendo certo que apesar de ter sido concedida autorização judicial destinada à apuração de eventuais créditos tributários supostamente devidos pelo impugnante, tal medida é ilegal e inconstitucional. O procedimento adotado pela Fiscalização não tem amparo no disposto nos incisos X, XI e XII do artigo 5º da Constituição Federal, que somente admite a “flexibilização” dos sigilos de correspondência, comunicações telegráficas, de dados e de comunicações telefônicas mediante ordem judicial e apenas para investigação criminal ou para fins de instrução processual penal. Referida proteção constitucional resguarda a privacidade e protege a intimidade econômica e financeira das pessoas. Sobre a vida privada temse as palavras de Celso Bastos in “Estudos e Pareceres. Sigilo Bancário” – São Paulo – RT, 1993, p. 62/67. A Lei nº 9.296, de 24/07/1996, regulamentou a possibilidade de interceptação telefônica, dispondo inclusive que a interceptação de comunicações, telefônicas, de informática ou telemática com objetivos não autorizados em Lei constitui crime apenado com reclusão de dois a quatro anos, além de multa. Temse é o entendimento de Alexandre de Moraes – Direito Constitucional. 13ª edição. São Paulo. Editora Atlas. 2003, p. 86. Grande parte do que foi deduzido pela Fiscalização no Termo de Verificação e Conclusão Fiscal referese a fatos relacionados às operações comerciais desenvolvidas pela empresa Mude e nada têm a ver com a ocorrência do fato gerador do IRPF. Foram lavrados autos de infração contra a empresa Mude, sob o entendimento de que seria devido o IPI incidente sobre produtos supostamente importados por terceiros por conta e ordem da empresa Mude (processos nº 10803.000134/200802 e 10803.000038/200937) e IPI devido pela equiparação da empresa Mude a estabelecimento industrial, que ainda não foram analisados. A Fiscalização ao lavrar o presente Auto de Infração partiu da premissa equivocada de que o crédito tributário constituído contra a empresa Mude já conteria a presunção de veracidade e legitimidade (próprios dos lançamentos tributários definitivamente constituídos). Valendose dessa situação (o que Fl. 2462DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS Processo nº 10803.000064/200965 Acórdão n.º 2301004.578 S2C3T1 Fl. 2.458 11 demonstra a violação aos princípios da impessoalidade e da motivação, na medida em que esses fatos não tem qualquer relação com a correta apuração do IRPF), a Fiscalização narra no Termo de Verificação e Conclusão Fiscal fatos tributários relacionados à Mude e alega indevidamente que a suposta sonegação demonstrada nos referidos lançamentos teria beneficiado o impugnante, o que não se pode admitir já que ainda não existe presunção de veracidade e legitimidade nas acusações feitas contra a Mude. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais teve a oportunidade de julgar recentemente caso análogo ao que está sendo discutido pela Mude e houve por bem acatar as alegações do contribuinte, que são os mesmos utilizados e comprovados documentalmente pela Mude para demonstrar a insubsistência dos lançamentos fiscais descritos (processo nº 10314.003911/200611 em nome da empresa LVMH Fashion Group Brasil Ltda.). Não lhe foi concedido vista dos autos do Processo Administrativo que fundamenta a exigência ora combatida, já que referidos autos encontravamse “EM TRÂNSITO” da DIFIS para a Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária – DERAT, desde a data da ciência do lançamento, que ocorreu em 1º.12.2009, até o dia 30.12.2009, data do prazo fatal para a apresentação da defesa. Tal situação gerou graves prejuízos para a defesa, uma vez que ao longo do Termo de Verificação e Conclusão Fiscal, a Fiscalização faz diversas referências a documentos juntados a este processo administrativo. MÉRITO O auto de infração não aponta de forma clara e precisa a condição jurídica do Impugnante, confundindo os conceitos jurídicos e as suas consequências no campo tributário, o que demonstra a sua falta de motivação e a sua flagrante ilegalidade. A Auditoria Fiscal não conseguiu definir se o impugnante: (i) é ou foi sócio da Mude; (ii) se o impugnante era um dos sócios ocultos, ou ainda (iii) se ele era empregado da Mude e por isso mantinha vínculo empregatício com a referida empresa. Como o impugnante poderia ser sócio oculto da empresa Mude, sendo que o tipo societário previsto no artigo 991 do Código Civil jamais foi adotado. Se o tivesse feito, tal situação estaria devidamente informada em sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, onde há ficha específica para tais informações. Sustenta a Fiscalização que o impugnante efetuou a compra da empresa Mude no ano de 2002, conforme “Instrumento Particular de Cessão de Ativos e Participações e Outras Avenças”. Com a referida compra, o grupo “LIG”, supostamente, formado pelo Sr. Luís Scarpelli Filho, Sr. Fernando Machado Grecco e o impugnante, tornarseia o controlador da Mude. A RFB lavrou autos de infração contra a Mude, objetivando a cobrança de créditos previdenciários, bem como por supostas transgressões de obrigações Fl. 2463DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS 12 acessórias, nos quais atribuiu ao Impugnante a responsabilidade solidária pelo pagamento de referidos créditos tributários na condição de sócio gerente da Mude. Tais atos demonstram que efetivamente a RFB considera que o impugnante é sócio da Mude, como de fato é, a partir de 2006. Em linha desse raciocínio, a própria Fiscalização autuou a Mude pelo não pagamento das contribuições previdenciárias supostamente incidentes sobre a alegada retirada de prólabore pelo impugnante e de outros supostos sócios da Mude e desconsiderou todos os pagamentos efetuados pela Mude à empresa Ikeda EPP, de propriedade do impugnante, sob o argumento de que tais valores se tratavam de prólabore. Os atos praticados pela Fiscalização violam o contraditório e obstam o pleno exercício do direito de defesa do impugnante e demonstram que o auto de infração é frágil, confuso e sem a devida sustentação legal. Temse lição de Alexandre de Moraes e entendimento do CARF em recente acórdão que houve por bem declarar a nulidade material da autuação fiscal lavrada com omissões e incorreções, na qual não ficaram comprovados todos os requisitos do vínculo empregatício e que impossibilitou o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. Nos termos de recente entendimento do Conselho de Contribuintes e admitindose que fosse possível a desconsideração da personalidade jurídica da empresa Ikeda pela Fiscalização sem ação judicial própria, mesmo assim, a Fiscalização deveria comprovar o vínculo empregatício. Não se sabe qual o fundamento legal utilizado pela Fiscalização para desconsiderar a personalidade jurídica da empresa Ikeda EPP, o que demonstra a nulidade do auto de infração por violação aos princípios da legalidade e da motivação. Temse passagens referentes à obrigatoriedade da fundamentação legal no Curso de Direito Administrativo do professor Celso Antonio Bandeira de Mello e cita entendimento do antigo Conselho de Contribuinte nesse sentido. A Fiscalização considerou que o faturamento da empresa Ikeda EPP teria sido disponibilizado integralmente ao impugnante, razão pela qual foi aplicada a alíquota de 27,5%. Contudo, a Fiscalização da RFB não tem competência para desconsiderar a personalidade jurídica da empresa Ikeda EPP. Ao pretender demonstrar a existência de vínculo material de trabalho entre o impugnante e a empresa Mude, a Fiscalização invadiu a esfera de competência da Justiça do Trabalho a quem compete processar e julgar todos os casos oriundos da relação de trabalho, conforme artigo 114 da CF. Em outro processo administrativo, a própria RFB considerou os mesmos valores como rendimentos relativos a prólabore, retirados pelo impugnante como sócio da empresa Mude, sem ao menos definir o período e sem considerar o que de fato aconteceu. Não foi considerado que, até o anocalendário de 2007, a empresa Ikeda EPP efetivamente prestou serviços à empresa Mude. Ainda que se admitisse que fosse possível desconsiderar a personalidade jurídica da empresa Ikeda EPP da forma como foi feita pela Fiscalização, com base no art. 116 do CTN, ainda assim o procedimento adotado pela Fiscalização não Fl. 2464DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS Processo nº 10803.000064/200965 Acórdão n.º 2301004.578 S2C3T1 Fl. 2.459 13 tem fundamento legal, porque o parágrafo único do mesmo artigo 116 depende de regulamentação em lei ordinária, não contendo autoaplicabilidade. Tal entendimento confere com a posição da doutrina de Cleide Previtalli Cais em , 6ª Edição, São Paulo, Editora Revista dos Tribunais, 2009, p. 258/259, e do Conselho de Contribuinte e da Delegacia de Julgamento de São Paulo. A suposição de que a Fiscalização teria verificado a presença de simulação não é capaz de embasar a configuração de relação empregatícia entre o impugnante e a Mude. A relação que se estabeleceu entre o impugnante e a Mude não se constitui, nem nunca constituiu, no período fiscalizado, relação de emprego, pois não estão presentes todos os requisitos exigidos pela CLT, quais sejam: subordinação, onerosidade, continuidade, habitualidade e pessoalidade. Não pode prosperar o lançamento por conta da inexistência de relação entre os documentos apreendidos pela Polícia Federal, as interceptações telefônicas e o fato gerador do IRPF, o que além de violentar o princípio da verdade material, demonstra a insubsistência do auto impugnado. A Fiscalização não analisou os documentos baseado na impessoalidade. O procedimento adotado pela Fiscalização violenta também os princípios constitucionais da eficiência, da finalidade, da motivação, previstos também pela Lei nº 9.784/99. A Fiscalização agiu sem obediência ao princípio da moralidade e da boafé, pois o mínimo que se esperaria da RFB seria a verificação real e precisa da ocorrência do fato gerador do IRPF. Temse as palavras do Ministro do Supremo Tribunal Federal Celso de Mello, lição do doutrinador Egon Bockmann Moreira e julgado de Aires F. Barreto do Conselho Municipal de Tributos do Município de São Paulo. No item “002, ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO”, a Fiscalização aponta que o impugnante omitiu rendimentos decorrentes de variação patrimonial a descoberto. Tratase de mais um absurdo, considerando que o procedimento realizado pela Fiscalização foi pessoal e tendencioso. A própria Fiscalização observou que, ao intimar o impugnante para manifestarse a respeito das supracitadas variações patrimoniais a descoberto, recebeu a informação de que o valor de R$ 98.500,00 foi equivocadamente considerado na planilha, constando em duplicidade. O impugnante anexou uma cópia de seu extrato bancário, comprovando um saque no valor de R$ 100.000,00, efetuado no mês de setembro de 2006, e a Fiscalização considerou como “renda consumida”. Além disso, a Fiscalização considerou para a lavratura do auto 50% do valor supostamente relativo à variação patrimonial a descoberto para o impugnante e a outra metade para sua esposa. O procedimento adotado pela Fiscalização deve ser afastada, eis que eivado dos vícios de pessoalidade e de imperícia. Para um mesmo fato foi aplicada a Fl. 2465DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS 14 multa qualificada de 150% para o impugnante e multa por lançamento de ofício de 75% para sua esposa. O impugnante apresentou o extrato de sua conta corrente demonstrando um saque no valor de R$ 100.000,00, que comprova que o impugnante tinha origem para a manutenção do caixa ou dinheiro em seu poder, no dia 31/12/2006. Referida situação foi devidamente informada em sua DIRPF às autoridades fiscais, em atendimento ao que dispõe as normas de preenchimento das informações na referida Declaração. No curso do processo de fiscalização do impugnante, foi solicitado, quando da lavratura do Termo de Intimação Fiscal nº 0001, que fossem elaboradas planilhas contendo todas as informações relativas a rendimentos tributáveis, isentos, sujeitos à tributação exclusiva e definitiva, bem como todos os dispêndios incorridos pelo impugnante no período fiscalizado, com envio de modelo de planilha com bases mensais a ser utilizado. Referido procedimento acarretou em uma transferência do ato de fiscalização ao próprio impugnante que, de fato, se autofiscalizou. Além da necessidade de realização desse volumoso trabalho, por determinação da Fiscalização, o impugnante foi obrigado a apresentar seus extratos bancários relativos ao período, bem como todos os documentos relativos a cada um dos valores informados nas planilhas. O impugnante teve em sua residência a realização da operação de busca e apreensão de documentos e muito do que lhe foi solicitado já se encontravam em poder da própria Fiscalização, que ainda solicitou a identificação da origem de todos os créditos efetuados na conta corrente do impugnante, mantida no Banco Itaú, o que foi atendido de imediato. Muito embora o impugnante tenha informado à Fiscalização a origem de todos os créditos realizados em sua conta corrente, determinados valores foram considerados como não identificados e, portanto, como omissão de rendimentos. Nos moldes do inciso II do parágrafo 2º do artigo 849 do RIR/1999, não haveria necessidade da demonstração da origem de depósitos bancários de valor indivIdual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o somatório não ultrapassasse ao valor de R$ 80.000,00 por anocalendário fiscalizado. Nesse sentido temse posicionamento do CARF. No ano de 2003, um depósito de R$ 43.738,50, efetuado em 31/05/2003, que, além de ser atingido pela decadência, deveria ser desconsiderado. Em 30/10/2009 foi informado que tais valores referemse ao recebimento de comissão pela intermediação de negócios realizados pelo impugnante. A Fiscalização se utilizou de pretensas provas colhidas com o objetivo de instruir o Procedimento Criminal Diverso nº 2005.61.0092851, em trâmite junto à Quarta Vara Federal Criminal da 1ª Subseção Judiciária de São Paulo, e não para fins fiscais. Verificase que de todas as mais de 130 planilhas apontadas em nada guardam relação com verdadeiros documentos que comprovam os fatos supostamente sustentados. A Fiscalização sequer se deu ao trabalho de cruzar as Fl. 2466DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS Processo nº 10803.000064/200965 Acórdão n.º 2301004.578 S2C3T1 Fl. 2.460 15 informações constantes nas planilhas com, por exemplo, extratos bancários, documentos contábeis, financeiros e societários da empresa Ikeda – EPP e, menos ainda, com a empresa Cordell, sediada no exterior. Não foi carreado aos autos do presente processo administrativo nenhum documento que, de fato, tenha verdadeira correlação com as informações constantes nas planilhas mencionadas no curso da fiscalização e a ele atribuídas. As planilhas podem, no máximo, sem a devida comprovação, apontar indícios, mas nunca ter o poder ou a força das provas. As planilhas somente devem se sustentar como provas quando guardarem correlação com a ocorrência de fatos ocorridos, o que se prova por meio de documentos. Todo Termo de Verificação e de Conclusão Fiscal está calcado na suposição de que a vantagem econômica foi transferida ao impugnante, por meio de transferências internacionais realizadas por um doleiro. Considerase que as transferências tenham sido efetuadas pelo Sr. Renato Lanzuolo ou pelo Sr. Renato Lanzuolo Filho, pessoas que o impugnante sequer conhece. Em relação à suposta operação de venda da Mude, referida operação sequer foi implementada, tendo em vista a desistência das partes signatárias do “Instrumento Particular de Cessão de Ativos e Participações Societárias e Outras Avenças”. O valor do preço que supostamente o impugnante faria jus a receber pela suposta “venda da Mude” seria de US$ 924,480.00, recebendo a parcela de US$ 289,139.46, valor refletido na planilha. Quando da elaboração da Parte C do mesmo Termo de Verificação e de Conclusão Fiscal, a Fiscalização apontou a mesma planilha e considerou que US$ 134,112.00 e mais US$ 85,000.00, que perfazem US$ 219,112.46, considerados agora como omitidos da tributação e recebidos pelo impugnante por intermédio da Cordell, em remessas efetuadas pelos supostos doleiros, aplicandose as regras contidas no art. 16 da IN SRF nº 208/2002, sem o extrato bancário da empresa. Notese que para a aplicação das regras constantes na IN SRF nº 208/2002 é indispensável a verificação da data do crédito efetuado em conta corrente para determinar o valor em reais dos recursos recebidos. A Fiscalização buscou demonstrar no Termo de Verificação e de Conclusão Fiscal que os valores apontados na planilha intitulada “Venda da Mude” teriam sido disponibilizados para a empresa Cordell e não a pessoa física do impugnante. Se tratasse de parcelas correspondentes à alienação da participação societária na empresa Mude pelo impugnante, a alíquota aplicável seria de 15% sobre eventual ganho de capital auferido pela pessoa física do impugnante, o que de fato não ocorreu. Fl. 2467DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS 16 O equívoco contido no auto de infração ao aplicar a alíquota de 27,5% sobre os supostos rendimentos não tem previsão legal e conduz ao reconhecimento da iliquidez da autuação e comprova a sua flagrante nulidade. Em nenhum momento o impugnante foi intimado para esclarecer sobre a referida aquisição da empresa para que, posteriormente, pudesse vendêla. Isso demonstra que a Fiscalização nem tentou ao menos buscar a verdade material dos fatos, o que comprova a fragilidade da ação fiscal. Tamanha imperícia e contradição terminou por violentar o direito à ampla defesa, pois o impugnante não sabe se contra ele foi constituído crédito tributário em decorrência da apuração de ganho de capital, por omissão de rendimentos ou por depósitos bancários de origem não comprovada, o que também não pode ser, porque sequer existe nos autos o extrato bancário da empresa Cordell. Mesmo se admitisse as alegações contidas no auto de infração, ainda assim, o crédito tributário constituído pela Fiscalização foi atingido pela decadência, nos moldes do artigo 150, § 4º do CTN ou ainda nos moldes do artigo 173, inciso I do CTN e não poderá subsistir. No caso específico de ganho de capital apurado pela Fiscalização na suposta “Venda da Mude”, o IRPF poderia ter sido lançado até o último dia útil do mês subseqüente à ocorrência do suposto fato gerador, consoante determina o parágrafo único do artigo 142 e o artigo 852, ambos do RIR/99. Assim, admitindose a aplicação da regra do artigo 150, § 4º do CTN, o lançamento de ofício relativamente aos créditos imputados pela Fiscalização somente poderia ser efetuado até o dia 31/08/2008, ou ainda, até o dia 31/07/2009, haja vista que os fatos geradores ocorreram em 31/08/2003 e 31/07/2004. Notese entendimentos do CARF. Caso se entenda pela aplicação da regra do artigo 173, inciso I, do CTN, ainda, assim temse que o lançamento só poderia ocorrer no prazo de 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado e da mesma forma encontrase extinto o crédito tributário constituído pelo lançamento. Isso porque o fato gerador do ganho de capital é denominado pela doutrina como fato gerador dinâmico e deve ser verificado mês a mês e não anualmente.Dessa forma, se o contribuinte deixa de efetuar o pagamento do tributo devido até o último dia útil do mês subseqüente à ocorrência do ganho de capital, as Autoridades Fiscais já estão autorizadas a efetuar o lançamento de ofício e exigir o montante do crédito tributário que entende devido. Assim, o lançamento do Imposto de Renda poderia ocorrer respectivamente em 31/09/2003 e 31/09/2004, ou seja, no primeiro dia do exercício seguinte à data de vencimento do Imposto de Renda que deveria ter sido recolhido pelo impugnante em 1º/10/2003 e em 1º/10/2004, caso essa operação tivesse de fato ocorrido e gerado um eventual ganho de capital. Fl. 2468DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS Processo nº 10803.000064/200965 Acórdão n.º 2301004.578 S2C3T1 Fl. 2.461 17 Têmse entendimentos de Zuddi Sakakihara e Vicente Cassoni que consideram possíveis exercícios inferiores ao anual e jurisprudência do TRF da 4ª Região nesse sentido. Portanto, os créditos decorrentes de ganho de capital que foram supostamente auferidos pelo impugnante nos dias 31.08.2003 e 31.07.2004 teriam sido atingidos pela decadência, pois o lançamento foi realizado apenas em 1º.12.2009, ou seja, depois de 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento de ganho de capital poderia ter sido efetuado. E, ainda que se considerasse o exercício de forma anual, no caso do crédito efetuado em 31.08.2003, o lançamento já poderia ser efetuado em 1º.01.2004 e ainda assim referido crédito tributário estaria decaído, porque o crédito ora impugnado somente foi lavrado em 1º.12.2009, ou seja após o transcurso do prazo decadencial de 5 (cinco) anos contados de 1º de janeiro de 2004. Nesse sentido cita doutrina do tributarista Luciano Amaro. Ainda que houvesse utilização de interposta pessoa jurídica na realização das operações em análise, conforme entende a Fiscalização, tal situação não seria suficiente para configurar, por si só, a hipótese de aplicação de multa qualificada de 150%. Para que a multa possa ser exigida, é necessário que a Fiscalização demonstre, por intermédio de apresentação de provas inequívocas, que referidas operações foram feitas com evidente intuito doloso por parte do impugnante, nos termos exatos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30/11/1964. Cita entendimentos no mesmo sentido de Plácido e Silva, Celso Antonio Bandeira de Mello, Lourival Vilanova e Pontes de Miranda e decisões do Conselho de Contribuinte ao analisar casos semelhantes. No presente caso, "a Fiscalização apenas acreditou que pudesse afirmar que a empresa Ikeda – EPP e a empresa Cordell são interpostas pessoas jurídicas, sem ao menos, para tanto, buscar a desconsideração de cada uma delas. Contudo, isto não é suficiente para a caracterização do dolo. Para tanto, teria que provar que esta simulação foi praticada com o intuito de fraudar o Fisco, e isto não foi feito.” O mesmo se pode afirmar em relação à suposta omissão de rendimentos, já que esses valores não foram declarados nas DIRPF do impugnante pelo simples fato de que não foram por ele recebidos, ou ainda, não eram de sua titularidade. Não há como negar que referidas empresas estão regularmente constituídas e são titulares de direitos e de deveres. Todos os atos relativos à sua constituição foram devidamente registrados nos órgãos competentes e não cabe à Fiscalização apenas desconsiderálos. A Fiscalização não comprovou ação ou omissão dolosa por parte do impugnante, uma vez que os fatos a ele atribuídos sequer ocorreram da forma com que foi colocada. A Fiscalização apenas transcreveu os dispositivos legais, sem apontar as provas que ensejariam a sua aplicação. Fl. 2469DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS 18 Todos os atos comerciais praticados pelo impugnante foram devidamente escriturados e declarados às autoridades fiscais e todos os tributos devidos em referidas operações foram efetivamente recolhidos pela empresa Ikeda EPP. Todos os rendimentos auferidos pelo impugnante foram devidamente considerados e informados em suas DIRPF, onde foram considerados todos os bens de propriedade do impugnante. Quem age com intuito de fraude realiza operações proibidas, não escritura em seus registros comerciais e fiscais, não declara essas operações nos formulários de entrega obrigatória e, quando fiscalizado, não entrega a documentação solicitada, procurando sob todas as formas ocultar essas operações. Nenhuma dessas condutas foi praticada pelo impugnante para deixar de pagar tributo. Todas as operações bem como seus efeitos tributários foram devidamente registradas nos documentos fiscais e contábeis de sua empresa, que efetivamente prestou os serviços à empresa Mude. Nada foi omitido a ninguém, sequer as empresas situadas no exterior. A Fiscalização informa que as DIRPF do impugnante foram retificadas somente após a deflagração da Operação Persona. Nos termos do parágrafo 1º do artigo 7º, da IN RFB nº 918/2009, a declaração retificadora substitui integralmente a declaração retificada. A Fiscalização sequer apontou qualquer irregularidade na apresentação dessas DIRPF, já que a RFB ainda não havia iniciado o processo de fiscalização do impugnante. Esses dados, além de prejudicar uma decisão imparcial da Turma Julgadora, só acrescenta informações desnecessárias à verificação da ocorrência ou não dos fatos geradores do IRPF. As referidas DIRPF somente foram retificadas para corrigir algumas informações anteriormente prestadas pelo impugnante, oportunidade em que foram tributadas por meio de denúncia espontânea todas as importâncias que haviam sido disponibilizadas ao impugnante. No Termo de Verificação e de Conclusão Fiscal, a Fiscalização referese a empresas situadas no exterior como “constituídas em paraísos fiscais”. Constituir empresas em tais localidades não é ilegal. Portanto, descartada está a possibilidade de alegação de fraude. Não há que se falar em conluio no presente caso. A ocorrência de conluio foi apenas considerada pela Fiscalização ao transcrever o dispositivo legal que trata do assunto. Não há em nenhuma passagem a consideração taxativa da ocorrência do conluio, portanto, não se pode admitilo. Conforme evidenciado pela documentação apresentada no curso do processo administrativo e de fiscalização, não existe ação dolosa do impugnante. Muito pelo contrário, todas as operações realizadas por ele ou por sua empresa foram devidamente registradas e contabilizadas e nunca foram omitidas. Não tendo demonstrado que o impugnante praticou qualquer um desses tipos penais, tendentes a impedir o surgimento da obrigação tributária, ainda que fosse Fl. 2470DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS Processo nº 10803.000064/200965 Acórdão n.º 2301004.578 S2C3T1 Fl. 2.462 19 possível a exigência de multa de oficio, essa não poderia ser exigida de maneira agravada/qualificada. Ainda que pudesse prevalecer qualquer argumentação no sentido de que o impugnante utilizouse de interpostas pessoas jurídicas, não se demonstrou que essa utilização teve o objetivo claro de fraudar o Fisco. O impugnante não era e nunca foi empregado das empresas Phrase2 ou ainda da própria Mude, como ele prestaria os seus serviços a tais empresas? Onde está a operação que visou evitar ou retardar a geração da obrigação tributária, sendo que a empresa Ikeda EPP efetuou o recolhimento de todos os tributos por ela devidos? Sobre o tema, temse decisão proferida nos autos do processo nº 11051.000569/0004, de lavra do ilustríssimo Conselheiro Nelson Mallman, integrante da 4ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuinte. Assim, a Fiscalização entendeu pela aplicação da multa qualificada de 150% sob a alegação de que ocorreu sonegação, fraude ou conluio, de maneira genérica, sem enquadrar devidamente o procedimento adotado ao que, de fato, aconteceu. No direito tributário, a exemplo do que ocorre na seara penal, vigora o princípio da tipicidade cerrada, que demanda a descrição pormenorizada do fato capaz de atrair vínculo jurídico tributário, exigindo a previsão de cada um de seus elementos configuradores, tais como o próprio fato gerador, o momento em que se considera implementado, o lugar de sua ocorrência, entre outros. Cita posição do tributarista Alberto Xavier sobre o princípio da tipicidade cerrada. O artigo 50, inciso V, da Lei nº 9.874/99, que dispõe que todos os atos administrativos que decidam recursos deverão ser motivados com a indicação clara e precisa dos fatos e fundamentos jurídicos, foi absolutamente ignorado. Verificamse acórdãos do antigo Conselho de Contribuintes e do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Ocorreu o pagamento antecipado dos tributos, ainda que insuficiente no entendimento da Fiscalização, portanto, entendese plenamente aplicável ao caso a regra do artigo 150, § 4º, do CTN e assim encontrase decaído o crédito tributário decorrente dos fatos geradores ocorridos até o dia 30/11/2004. Têmse entendimentos do tributarista Sacha Calmon Navarro Coelho, do CARF e do Superior Tribunal de Justiça. Não pode prosperar a cobrança dos juros moratórios mediante a utilização da variação da taxa correspondente ao Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC). A taxa SELIC foi criada para medir a variação apontada nas operações do SELIC. É uma taxa de juros remuneratórios, que visa a premiar o capital investido pelo aplicador em títulos da dívida pública federal. Sua fixação visa a remuneração Fl. 2471DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS 20 do investidor, de uma forma competitiva, e não para ser aplicada como sanção, por atraso no cumprimento de uma obrigação. É nesse sentido o entendimento de Maristela Miglioli Sabbag e do professor Ives Gandra da Martins. Devese ressaltar que a referida Taxa não foi criada e definida em lei, mas por Resoluções do Conselho Monetário Nacional e do Banco Central do Brasil, o que ofende o princípio constitucional da legalidade, bem como o disposto no artigo 161, parágrafo 1º do CTN. Citese entendimento do Exmo. Ministro do Superior Tribunal de Justiça, Domingos Franciulli Netto, em artigo publicado na Revista Dialética de Direito Tributário nº 58 sobre a inconstitucionalidade da taxa Selic para fins tributários e acórdão do E. Superior Tribunal de Justiça. Em 11/05/2011, o processo foi encaminhado para a DERAT/SP para que o interessado fosse intimado para vista do processo, considerando que na impugnação alegou que os autos do processo não estavam disponíveis desde a data da ciência até o dia 30/12/2009 para vista na repartição de origem, já que referidos autos encontravamse “EM TRÂNSITO” da DIFIS para a Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária – DERAT. O Interessado foi intimado para vistas do processo, facultando complementação à impugnação, em 25/05/2011, conforme fls. 1.979 e 1.980. Em 22/06/2011, apresentou Impugnação Complementar de fls. 1.985 a 2.000, alegando, em síntese, algumas razões já anteriormente expendidas na referida impugnação de fls. 1.648 a 1.755 e outras, conforme relatadas a seguir. Alega o contribuinte que a Delegacia de Julgamento reconheceu o cerceamento do seu direito de defesa e, por meio da concessão de novo prazo para acesso dos documentos ao Impugnante, busca uma tentativa de sanar o vício perpetrado pelo auto de infração. Contudo, a manutenção e aproveitamento do auto não merece prosperar, visto que o cerceamento de defesa macula o auto por atingir um dos requisitos indispensáveis à sua formação e validade, o que é causa insanável de sua nulidade. Alega que deverá ser reconhecida, juntamente com as violações ao princípio do contraditório e da ampla defesa, a ausência de motivo e de publicidade de parte integrante, declarando nulo o auto de infração. Nesse sentido têmse entendimentos do Professor Eurico Marcos Diniz de Santi, do Mestre Celso Antonio Bandeira de Mello, de Daniel Monteiro Peixoto e de Maria Sylvia Zanella Di Pietro. Alega também o Interessado que outra nulidade que macula as supostas provas acostadas pela Fiscalização diz respeito à utilização de provas em língua estrangeira, sem a devida tradução juramentada. Argumenta ainda que não é válida a tentativa de “aperfeiçoamento” do lançamento realizado pela Delegacia de Julgamento ao determinar a realização de diligência. Fl. 2472DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS Processo nº 10803.000064/200965 Acórdão n.º 2301004.578 S2C3T1 Fl. 2.463 21 Ainda que fosse válido, o Auto de Infração não poderá prevalecer, tendo em vista que esse “aperfeiçoamento” ocorreu após o transcurso do prazo legalmente previsto pelo artigo 150, §4º, ou ainda pelo artigo 173 do Código Tributário Nacional. Isso porque transcorreram mais de 5 (cinco) anos entre a ocorrência dos fatos jurídicos, cujos fatos geradores ocorreram entre 01/01/2003 e 31/12/2007, e a data da ciência, 25/05/2011, data que se considera efetivado o lançamento tributário. Nos moldes do artigo 150, § 4º do CTN, a renda supostamente auferida antes do dia 25/05/2006 foi atingida pela ocorrência da decadência e, ainda, que se aplicasse a regra do artigo 173, I do CTN, todos os valores lançados de janeiro de 2003 a dezembro de 2004 encontramse decaídos. Alega também que no caso da tributação de ganho de capital da suposta venda da participação societária na empresa Mude, o crédito tributário impugnado encontrase decaído, na medida em que ocorreram mais de cinco anos entre a ocorrência dos fatos geradores (31/08/2003 e 31/07/2004) até a data da ciência da decisão da DRJ que concedeu ao Impugnante vista das cópias que instruíram o auto de infração (25/05/2011), com a aplicação de ambas as regras (do artigo 150, § 4°, e do artigo 173, inciso I, do CTN). Por fim, reitera e ratifica tudo que foi aduzido em sua impugnação. A Turma de Primeira Instância, julgou procedente em parte a impugnação. O contribuinte foi cientificado do Acórdão n° 1642.908 da 18ª Turma da DRJ/SP1 em 24/04/2013 (fl. 2.262). Sobreveio Recurso Voluntário em 23/05/2013 (fls. 2.263/2.328), no qual, o contribuinte, em suma, ratificou as razões da impugnação. Em 29/01/2014, o Recorrente requereu a desistência parcial do recurso voluntário, posto que aderiu ao programa de anistia instituído pela Lei nº 12.865/13, e optou por efetuar o recolhimento do IRPF sobre os depósitos bancários de origem não comprovada, relativamente ao anocalendário 2003, no valor de R$ 43.738,50, porém, com multa de 75% e não qualificada nos termos da autuação. É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado possui os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. PRELIMINARES Preliminarmente, alega o Recorrente a impossibilidade de utilização das provas obtidas no Procedimento Criminal n.º 2005.61.0092851, da 4ª Vara Federal Criminal da Fl. 2473DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS 22 1ª Subseção Judiciária de São Paulo (SP), sob o argumento de que tal medida não encontra amparo no artigo 5º, incisos X, XI e XII, da Constituição. Não é esse, contudo, o entendimento que deve prevalecer. Exatamente como determina o artigo 5º, inciso XII, da Constituição da República, a quebra do sigilo das correspondências e comunicações foi realizada em cumprimento de ordem judicial (Ofício n.º 3693/2008 – S7 – SVZ, emitido em 16/06/2008 pelo Exmo. Juiz Alexandre Cassettari – cf. fl. 1.846), nos termos estabelecidos em lei para fins de investigação criminal. Mediante requisição da Justiça Federal, servidores da Secretaria da Receita Federal do Brasil participaram da investigação criminal na condição de assistentes técnicos. Não há vedação na Constituição, tampouco na legislação relativa ao processo administrativo, acerca do traslado de documentos ou utilização de provas realizadas em processo diverso. A propósito, em consonância com o Texto Constitucional, o artigo 332 do Código de Processo Civil autoriza o seu uso, ao determinar que “todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se funda a ação ou a defesa.” Importante consignar, ademais, que a lavratura do auto de infração observou os ditames do devido processo legal, possibilitandose ao contribuinte o exercício do contraditório e ampla defesa. Nesse sentido, considerando que as provas foram produzidas em face da regular instauração do procedimento criminal e que foram observadas as garantias do contribuinte no processo administrativo tributário, não há que se falar em nulidade decorrente da sua utilização, como, aliás, já reconheceu em inúmeras oportunidades esse Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a exemplo do julgado cujo excertos ora se reproduz: “(...) PROVAS PRODUZIDAS A PARTIR DE LAUDO PERICIAL CONFECCIONADO PELA POLÍCIA FEDERAL – DOCUMENTAÇÃO TRAZIDA DO EXTERIOR COM AUTORIZAÇÃO DA JUSTIÇA FEDERAL – PROVA EMPRESTADA – POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO PELO FISCO – DOCUMENTOS INCIDENTAIS EM LÍNGUA ESTRANGEIRA – DESNECESSIDADE DE TRADUÇÃO PARA O VERNÁCULO O fisco pode se valer de prova emprestada, produzida em outro processo administrativo fiscal ou mesmo processo judicial, inclusive em processo criminal. Não há necessidade de que a prova do Processo Administrativo Fiscal seja produzida por AuditorFiscal da Receita Federal. Peças incidentais em língua estrangeira, as quais não criaram qualquer dificuldade para a defesa do recorrente, estando, ressaltese, nos pontos que interessam à solução da presente lide, traduzidas para vernáculo nos ofícios e laudos da Polícia Federal, não inquinam de nulidade o lançamento em debate. (...).” (Recurso Voluntário ref. Processo Administrativo n.º 18471.001360/200641, Acórdão n.º 10617029, Relator Giovanni Christian Nunes Campos, j. em 07/08/2008). Também não merece acolhida a preliminar arguida pelo Recorrente acerca da nulidade do lançamento por suposta violação aos princípios da impessoalidade e da motivação, Fl. 2474DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS Processo nº 10803.000064/200965 Acórdão n.º 2301004.578 S2C3T1 Fl. 2.464 23 em razão da inexistência de relação entre as atuações fiscais lavradas em face da empresa MUDE e a apuração do IRPF havida nos presentes autos. Afastase também a alegação do Recorrente de que a Fiscalização teria partido da premissa de que teria havido uma operação de venda da empresa Mude ocorrida em 2002, no entanto referida operação sequer foi implementada, tendo em vista a desistência das partes e tal informação não interferiu no lançamento. Rejeitadas as preliminares arguidas pelo Recorrente, passo ao exame do mérito. DA DECADÊNCIA No caso em exame, embora a alegação da parte de que houve pagamento antecipado para o anocalendário de 2003, compulsando os autos, não consta comprovação de tal alegação, não há pagamentos, bem como não há retenção de Imposto de Renda na Fonte, portanto, com fundamento no recurso repetitivo do STJ, REsp n.º 973.733/SC, resta inaplicável o art. 150, § 4º, do CTN. Passo a análise da aplicabilidade do art. 173, I, do CTN. Inicialmente, cumpre esclarecer que a interpretação desta relatora quanto a contagem do prazo decadencial através do recurso repetitivo, REsp n.º 973.733/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18.9.2009, submetido ao art. 543C do CP, utilizava a interpretação dada no AgRg no AResp 252942/PE, conforme pode ser constatado na citação abaixo, vejamos: [...] 6. De acordo com a jurisprudência consolidada do STJ, a decadência do direito de constituir o crédito tributário é regida pelo art.173, I, do CTN, quando se trata de tributo sujeito a lançamento por homologação e o contribuinte não realiza o respectivo pagamento parcial antecipado (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18.9.2009, submetido ao art. 543C do CPC). 7. In casu, ocorrido o fato gerador em 31 de dezembro de 1994, o lançamento somente poderia ter sido realizado no decorrer do ano de 1995, de modo que o termo inicial da decadência é 1° de janeiro de 1996. Como o prazo decadencial de cinco anos se encerraria em 31 de dezembro de 2000, e a constituição do crédito tributário deuse em junho de 2000 (fl. 593), não há falar em decadência do direito de lançar o tributo. 8. Agravos Regimentais não providos. Através da súmula do CARF n.º 38, abaixo transcrita, bem como da jurisprudência do STJ, no caso de Imposto de Renda Pessoa Física, restou consolidado o entendimento de que o fato gerador ocorre em 31 de dezembro do respectivo anocalendário. In verbis: Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a Fl. 2475DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS 24 partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Não obstante a interpretação anterior desta relatora ser diversa, de acordo com o art. 62 do Regimento Interno do CARF, esta conselheira não pode afastar a aplicação dos recursos repetitivos do STJ e, sobre a matéria da aplicabilidade do art. 173, I do CTN, em relação a contagem do prazo decadencial, o REsp n.º 973.733/SC Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18.9.2009, submetido ao art. 543C do CPC, nos excertos abaixo transcritos, assim determina: [...] 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). [...] Sendo que fato imponível e fato gerador são sinônimos, contando o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, no caso em análise, relativamente aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2003, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado é 01/01/2004, de forma que o prazo decadencial se esgotaria em 31.12.2008. Assim, considerando que o Recorrente foi cientificado do lançamento em 1º/12/2009, verificase que decaiu o direito do Fisco de constituir o crédito tributário pelo lançamento em relação ao ano de 2003. Ademais, cabe registrar, que andou bem o STJ, quando da análise do prazo decadencial no REsp n.º 973.733/SC, submetido ao art. 543C do CPC, ao afirmar que “corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível”, visto que, a entrega no ano seguinte ao fato gerador é apenas a Declaração de Ajuste Anual, a qual (obrigação assessória) não tem efeitos jurídicos para fins de início da contagem do prazo decadencial, sendo certo que o Ajuste Anual somente tem a função de apurar crédito ou débito em relação ao Fisco. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DAS PESSOAS JURÍDICAS MUDE E MARCELO NAOKI IKEDA EPP OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DA OFFSHORE CORDELL Fl. 2476DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS Processo nº 10803.000064/200965 Acórdão n.º 2301004.578 S2C3T1 Fl. 2.465 25 O caso dos autos, relativo a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007, decorre de fatos desvendados em decorrência da chamada “Operação Persona”, deflagrada em 16/10/2007 pela Receita Federal do Brasil conjuntamente com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, com a instauração do Procedimento Criminal n.º 2005.61.0092851, que tramitou na 4ª Vara Federal Criminal da 1ª Subseção Judiciária de São Paulo (SP), a qual apontou um esquema de importação tido por fraudulento, valendose de empresas e pessoas interpostas, cujas reais beneficiárias eram a empresa Mude Comércio e Serviços Ltda. e a multinacional americana Cisco Systems Inc. Diante do conjunto probatório obtido, constatouse a participação efetiva do sujeito passivo Marcelo Naoki Ikeda no esquema fraudulento JDCT/Mude e, concomitantemente, dos recebimentos pelo próprio de rendimentos tributáveis por participações nos resultados do Grupo JDCT/Mude. Consoante se extrai do Termo de Verificação e Conclusão Fiscal que o Grupo JDCT/Mude era constituído por empresas sediadas no Panamá, Ilhas Virgens Britânicas, Bahamas, Estados Unidos e Brasil. A distribuição dos recursos financeiros obtidos através do esquema de interposição fraudulenta ocorria basicamente em paraísos fiscais, através de offshores, e, em território nacional, pela própria MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA., mediante pagamentos de prolabore e de prestação de serviços de empresas individuais inexistentes. Foi lavrado assim, o presente Auto de Infração decorrente de omissão de rendimentos recebidos da empresa Mude Comércio e Serviços Ltda., pagos através de interposta pessoa jurídica, Marcelo Naoki Ikeda EPP., nos anoscalendário de 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007, Acréscimo Patrimonial a Descoberto, no anocalendário de 2006, depósito bancário de origem não comprovada, nos anoscalendário de 2003 e 2004, e omissão de rendimentos recebidos por meio da offshore Cordell Enterprises Limited, em 31/08/2003 e 31/07/2004. Por pertinente, no que tange a omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas e omissão de rendimentos, cumpre ressaltar que este Egrégio Conselho quando analisou os processos nº 10803.000062/200976 e 10803.000018/201008, envolvendo outros acusados da mesma operação, entendeu que não havia provas suficientes comprovando a disponibilidade econômica ou jurídica da renda, já que o único elemento em que se baseou as autuações é uma planilha apreendida na residência do contribuinte e de alguns envolvidos. Dito isso, compulsandose os autos, verifico, pois, que, relativamente ao item 01, “Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo Empregatício Recebidos de Pessoas Jurídicas”, e item 04 "Omissão de Rendimentos", a autoridade fiscal também direcionou seus trabalhos utilizando como parâmetro a citada planilha. A questão destes autos é exatamente a mesma. Assim, utilizome dos mesmos fundamentos dos Conselheiros Relatores nos acórdãos nº 2201002.029 e 2201002.648, que considero bastantes para afastar a exigência fiscal do item 01, “Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo Empregatício Recebidos de Pessoas Jurídicas”, e item 04 "Omissão de Rendimentos" pedindo vênia para a transcrição: Passo à análise dos outros itens da autuação, os itens 02, 03 e 04. Tratase de valores repassados, respectivamente, às empresas BRAVO TRADING, DELAIR e do doleiro Renato Lanzuolo Filho, o "Lanza". Aqui, diferentemente do que acontece quanto aos aportes de capital na empresa H.M.P. PARTICIPAÇÕES em que há comprovação da efetiva transferência de recursos para a empresa e a utilização, por Fl. 2477DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS 26 esta, em benefício do ora recorrente, não há nos autos evidência do efetivo benefício do Recorrente no recebimento dos tais recursos. O único elemento em que se baseia a autuação é em uma planilha, apreendida na residência do Recorrente, em que constaria a indicação dos valores repassados às empresas e ao doleiro, o que se supôs tratarse de pagamentos de rendimentos o ora Recorrente. Tratase da planilha às fls. 1409. Ali, como se vê, tratase de mera planilha, sem indicação de autor e que sugere a entrega de recursos às empresas e ao doleiro, ali indicados. A conclusão de que tais valores referemse a rendimentos recebidos pelo ora Recorrente é mera ilação, embora razoável, consideradas as circunstâncias do caso, mas insuficientes, a meu juízo, para configurar prova inequívoca da aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda pelo Contribuinte É certo, como ressaltado pela decisão de primeira instância que em operações envolvendo fraude, como este caso, há uma dificuldade natural de se produzir provas da efetividade dos ganhos pelos partícipes de tais operações, dada a ausência de documentos a formalizarem as movimentações financeiras, mas tal dificuldade não dispensa o Fisco de comprovar a aquisição da disponibilidade da renda, o que faz é ampliar os meios de prova admissíveis que, certamente, não são os mesmos daquelas obtidas quando se cuida de operações regulares. Mas uma simples planilha com a indicação e valores sem a referência expressa ao Recorrente, mesmo nas circunstâncias do caso analisado, não permite concluir tratarse de rendimentos pagos ao Recorrente. Assim, como proferido no julgamento dos Acórdãos nº 2201002.029 e 2201 002.648, entendo que, também neste caso não há prova inequívoca da aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda pelo recorrente. Isso posto, entendo que devese excluir do presente lançamento o item 01, “Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo Empregatício Recebidos de Pessoas Jurídicas”, bem como o item 04 "Omissão de Rendimentos". DO ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO No que tange ao acréscimo patrimonial a descoberto, igualmente ratifico as razões da decisão de primeira instância, por seus próprios fundamentos. A análise patrimonial realizada confrontou os recursos com as aplicações, ambos de acordo com os elementos apurados no curso da ação fiscal, conforme detalhado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 1.560/1.562). Os Demonstrativos de Variação Patrimonial de fl. 1.561, incluídos valores de seu cônjuge, Érika Sasasaki Ikeda, CPF 018.009.12986, demonstram detalhadamente as origens e as aplicações dos recursos, mês a mês, referente aos anos calendário de 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007, que resultaram em Variação Patrimonial a Descoberto no mês de março de 2006, no valor de 4.581,28, e no mês de dezembro de 2006, no valor de R$ 90.348,15. Fl. 2478DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS Processo nº 10803.000064/200965 Acórdão n.º 2301004.578 S2C3T1 Fl. 2.466 27 Em se tratando de variação patrimonial a descoberto de bens comuns ao casal e tendo apresentadas Declarações de Ajuste Anual em separado, a tributação do montante apurado foi efetuada na proporção de 50% para cada cônjuge. Antes de analisar alguns aspectos pontuais acerca da planilha de evolução patrimonial construída pela fiscalização (fls. 591/593), através da qual foi apurado acréscimo patrimonial a descoberto, comporta análise da legislação que envolve o procedimento adotado pela fiscalização. O acréscimo patrimonial a descoberto foi lançado com base nos artigos 1º a 3o e §§ da Lei 7.713/88; artigos 1o e 2o da Lei 8.134/90 e artigos 55, inciso XIII, e parágrafo único, 806 e 807 do RIR/99. No que tange a forma de apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, dentre os dispositivos citados no Auto de Infração, interessam para o exame que se propõe, os que a seguir se transcrevem: [...] Lei 8.134/1990 “Art. 1° A partir do exercício financeiro de 1991, os rendimentos e ganhos de capital percebidos por pessoas físicas residentes ou domiciliadas no Brasil serão tributados pelo Imposto de Renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta lei. Art. 2° O Imposto de Renda das pessoas físicas será devido à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no art. 11. (...) Art. 4° Em relação aos rendimentos percebidos a partir de 1° de janeiro de 1991, o imposto de que trata o art. 8° da Lei n° 7.713, de 1988: I será calculado sobre os rendimentos efetivamente recebidos no mês; (...)” De acordo com os artigos transcritos, a partir de 1º de janeiro de 1989, o imposto de renda das pessoas físicas é devido mensalmente, a medida em que os rendimentos incluídos neste conceito os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados e ganhos de capital são percebidos. Portanto, a análise da evolução patrimonial para fins de levantamento do acréscimo patrimonial a descoberto, cuja finalidade é detectar a existência de omissão de rendimentos tributáveis, deve reportarse aos períodos mensais para conformarse às disposições legais. Fl. 2479DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS 28 Além da exteriorização da omissão de rendimentos, o levantamento de que se trata propicia o arbitramento da renda omitida e, consequentemente, a apuração do montante do tributo devido. Constituise, pois, em ato integrante da atividade de lançamento, que por ser atividade vinculada (CTN, art.142, parágrafo único), deve ser exercida estritamente dentro da lei. Pelo exposto, perfeito o procedimento utilizado pela fiscalização na apuração do imposto devido relativamente à omissão de rendimentos caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto. Cabe, ainda, considerar que o acréscimo patrimonial, assim como a tributação por depósitos bancários de origem não comprovada, é uma das formas colocadas à disposição do Fisco para detectar omissão de rendimentos, edificandose aí, uma presunção legal do tipo condicional ou relativa (juris tantum), que, embora estabelecida em lei, não tem caráter absoluto de verdade, impondo ao contribuinte a comprovação da origem dos rendimentos determinantes do descompasso patrimonial. Assim, muito embora admitam prova em contrário, as presunções juris tantum dispensam do ônus da prova àquele a favor de quem se estabeleceram, cabendo ao sujeito passivo, no caso, a produção de provas em contrário, no sentido de refutá las. [...] Dessa forma, não é a autoridade lançadora quem presume a omissão de rendimentos, mas a lei, especificamente a Lei nº 7.713/1988, art. 3º, § 1°. Provada, então, pelo Fisco a aquisição de bens e/ou aplicações de recursos, cabe ao contribuinte a prova da origem dos recursos utilizados, ou seja, ocorre à inversão do ônus da prova. Frisese que cabe ao contribuinte, se pretende refutar a presença da omissão de rendimentos estabelecida contra ele, provar por meio de documentação hábil e idônea que tais valores tiveram origem em rendimentos tributáveis, não tributáveis, sujeitos à tributação definitiva e/ou já tributados exclusivamente na fonte. [...] A tributação do acréscimo patrimonial a descoberto está especificada, ainda, no Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/03/1999 (RIR/1999), art. 55, XIII, e arts. 806 e 807: [...] À Fazenda Pública cabe tornar evidente o fato constitutivo do seu direito. Desta forma, a autoridade administrativa, em procedimento fiscal, utilizase de planilhas de cálculo com o fito de apurar se houve ou não a ocorrência de inconformidades entre a renda informada e os dispêndios e aplicações realizados pelo contribuinte. Ocorrendo diferenças negativas, quando são Fl. 2480DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS Processo nº 10803.000064/200965 Acórdão n.º 2301004.578 S2C3T1 Fl. 2.467 29 verificadas despesas e/ou aplicações, sem cobertura dos rendimentos declarados, cabe ao contribuinte provar os fatos modificativos ou extintivos desse direito, ou seja, justificar o acréscimo patrimonial com rendimentos tributáveis, não tributáveis ou tributáveis exclusivamente na fonte. O objetivo da análise patrimonial é verificar a situação do contribuinte, pela comparação, em determinado período, dos valores que ingressaram no seu patrimônio (origens de recursos) com aqueles efetivamente saídos (aplicações de recursos); a metodologia permite detectar se houve excesso de aplicações com relação às origens de recursos, situação que somente pode ser explicada pela omissão de rendimentos por parte do contribuinte. Em outras palavras, a ocorrência de acréscimo patrimonial a descoberto pressupõe a disponibilidade econômica ou jurídica de renda. Feitas estas considerações de cunho geral, analisamse a seguir as alegações específicas da defesa. Alega o contribuinte que anexou uma cópia de seu extrato bancário, comprovando um saque no valor de R$ 100.000,00, efetuado no mês de setembro de 2006, valor esse que a Fiscalização considerou como “renda consumida”. Alega que o extrato apresentado demonstrando um saque no valor de R$ 100.000,00 comprova que ele tinha origem para a manutenção do caixa ou dinheiro em seu poder, no dia 31/12/2006, e que atendimento ao que dispõe as normas de preenchimento das informações na referida Declaração. Alega também que o procedimento adotado pela Fiscalização deve ser afastado, eis que eivado dos vícios de pessoalidade e de imperícia. Para um mesmo fato foi aplicada a multa qualificada de 150% para o impugnante e multa por lançamento de ofício de 75% para sua esposa. Cabe ao impugnante trazer juntamente com suas alegações impugnatórias todos os documentos que dêem a elas força probante. O impugnante não apresenta documentos comprovando a existência de numerários informados em sua declaração de ajuste. Ressaltese que não basta a declaração de ajuste anual para comprovar a existência de numerários em seu poder. È necessário que se faça a prova cabal da sua existência física e que se demonstre documentalmente de onde provieram (saques em dinheiro, recebimentos em espécie, etc.). Ademais, é bastante estranho que alguém mantenha em seu poder, em espécie, tamanha quantia de recursos, com todos os riscos inerentes, deixando de aplicálos às taxas de juros que o mercado paga. O fato de a pessoa física não ter nenhuma obrigação de manter a escrituração de seu numerário não desobriga o contribuinte Fl. 2481DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS 30 pessoa física de manter a guarda dos respectivos comprovantes, principalmente, tendo em conta a movimentação financeira expressiva realizada no anocalendário em comparação com os rendimentos declarados. Ressaltese que em atendimento ao Termo de Início de Fiscalização (fls. 03/05), o contribuinte apresentou planilha de fl. 127, contendo as origens e aplicações de recursos, na qual o próprio sujeito passivo informou, em setembro/2006, “Despesas Gerais” no valor de R$ 101.920,00. Assim, por falta de comprovação, os valores declarados como“VALOR EM ESPÉCIE BRASIL” no valor de R$ 98.500,00, em 31/12/2006, foi corretamente desconsiderado na análise patrimonial, devendo ser mantido o critério adotado pela atuação nesse tocante. [...] Por todo exposto, constatase que o acréscimo patrimonial foi corretamente constituído a partir dos elementos que o Fisco tinha disponíveis, não podendo ser acatados os argumentos do impugnante por total falta de documentos hábeis para tanto. DA MULTA QUALIFICADA SOBRE A OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA ATRAVÉS DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS Através de petição protocolada em 29/01/2014, o Recorrente requereu a desistência parcial do recurso voluntário, posto que aderiu ao programa de anistia instituído pela Lei nº 12.865/13, e optou por efetuar o recolhimento do IRPF sobre os depósitos bancários de origem não comprovada, relativamente ao anocalendário 2003, no valor de R$ 43.738,50, porém, com multa de 75% e não qualificada nos termos da autuação. Em face dos documentos acostados, inclusive da DARF de fl. 2.362, a qual comprova o pagamento da primeira parcela referente ao programa de anistia, passo a análise da multa qualificada aplicada sobre os depósitos bancários de origem não comprovada. Qualquer circunstância que autorize a qualificação da multa de lançamento de ofício no percentual de 150%, deve ser minuciosamente justificada e comprovada. Em relação à omissão de rendimentos caracterizada através de depósitos bancários, verificase que tratase de uma presunção relativa, a qual incumbe ao contribuinte comprovar a origem dos valores que ingressaram nas suas contas bancárias fiscalizadas, de modo que, a simples apuração de omissão de rendimentos devido à falta de comprovação da origem de tais recursos financeiros, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício. Isso porque, seria inadmissível que o Fisco utilizandose de presunção legal, além de considerar os depósitos bancários cuja origem não fora comprovada como se rendimentos do contribuinte fossem, ainda qualifique a multa de ofício, penalizando o contribuinte duplamente. Vale destacar que tal matéria já foi pacificada neste Conselho, que editou súmulas aplicáveis ao caso, que cristaliza o entendimento de que a simples apuração de omissão de rendimentos, bem como a presunção legal de omissão de rendimentos, por si só, não autorizam a qualificação da multa de ofício: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da Fl. 2482DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS Processo nº 10803.000064/200965 Acórdão n.º 2301004.578 S2C3T1 Fl. 2.468 31 multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Nesse sentido, cabe transcrever julgados deste Egrégio Conselho: "Acórdão nº 2102003.198 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 3 de dezembro de 2014 Matéria IRPF Omissão de rendimentos e depósitos bancários ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009, 2010 [...] MULTA QUALIFICADA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. (Súmula CARF nº 25, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009)" (grifei) "Acórdão nº 2101002.732 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de março de 2015 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 [...] DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MULTA AGRAVADA. Qualquer circunstância que autorize a qualificação da multa de lançamento de ofício no percentual de 150%, deve ser minuciosamente justificada e comprovada. Além disso, para que a multa qualificada seja aplicada, exigese que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. A falta inclusão como rendimentos tributáveis, na Declaração de Imposto de Renda ou a apresentação da Declaração Anual de Isento, de valores depositados em contas correntes pertencentes ao contribuinte fiscalizado, sem comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações, caracteriza falta simples de presunção de omissão de rendimentos." (grifei) "Acórdão nº 2202002.890 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 02 de dezembro de 2014 Fl. 2483DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS 32 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. [...] MULTA QUALIFICADA A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14)." (grifei) "Acórdão nº 2202002.586 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de março de 2014 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003, 2004 [...] DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA QUALIFICADA Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº. 4.502, de 1964. O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. Nos termos do enunciado nº 14 da Súmula deste Conselho, não há que se falar em qualificação da multa de ofício nas hipóteses de mera omissão de rendimentos, sem a devida comprovação do intuito de fraude." (grifei) Relativamente aos depósitos bancários do anocalendário 2004, os quais não foram submetidos ao programa de parcelamento, verificase que o contribuinte não logrou êxito em comprovar a origem dos mesmos. O art. 42, caput da Lei nº 9.430/96, dispõe que: “caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de Fl. 2484DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS Processo nº 10803.000064/200965 Acórdão n.º 2301004.578 S2C3T1 Fl. 2.469 33 investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações”. No regime jurídico do art. 42 da Lei 9.430/1996 há uma presunção legal relativa, vez que, intimado para comprovar a origem dos depósitos, o contribuinte tem o ônus de comprovar cada crédito de forma individualizada. A presunção em favor do Fisco não se configura como mera suposição e transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. Tratase, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. É função do Fisco, entre outras, comprovar os créditos dos valores em contas de depósito ou de investimento, analisar a respectiva declaração de ajuste anual e intimar o beneficiário desses créditos a apresentar os documentos/informações/esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de rendimentos de que trata o art. 42 da Lei n° 9.430/1.996. Todavia, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. Ao deixar de produzir a comprovação, o contribuinte dá ensejo à transformação do indício em presunção de omissão de rendimentos. Assim, a impossibilidade do contribuinte em comprovar, por meio de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos que ensejaram a referida movimentação financeira, evidencia que a mesma corresponde a disponibilidade econômica ou jurídica de rendimentos sem origem justificada Cabe frisar que, o objeto da tributação não foi o depósito bancário em si, mas a omissão de rendimentos representada e exteriorizada pelo mesmo, vez que, os depósitos bancários são utilizados unicamente como instrumento de arbitramento dos rendimentos presumidamente omitidos. Dessa forma, é perfeitamente cabível a tributação com base na presunção definida em lei, posto que o deposito bancário é considerado uma omissão de receita ou rendimento quando sua origem não for devidamente comprovada, conforme previsto no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, não tendo o contribuinte logrado êxito em comprovar a origem dos depósitos bancários relativos ao anocalendário 2004, deve ser mantido o lançamento neste item. Assim, no tocante à infração de omissão de rendimentos caracterizada através de depósitos bancários com origem não comprovada, a multa de ofício aplicada deve ser reduzida de 150% para 75%, observados os valores excluídos pela decisão a quo. DOS JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Insurgese o recorrente contra a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada, alegando a ausência de previsão legal neste sentido. Não lhe assiste razão. Fl. 2485DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS 34 A previsão de incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício está plenamente configurada no bojo do art. 161, do CTN, que possui a seguinte redação: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. (......)” A acepção da palavra crédito deve ser feita em consonância com o fato de que, após o lançamento de ofício efetuado, a multa aplicada passa a integrar aquele valor. Afinal, se o crédito tem a mesma natureza da obrigação principal e esta tem por objeto o pagamento de tributos e penalidades pecuniárias, é evidente que o crédito tributário compreende um e outro. Pela própria localização do referido artigo no CTN, inserido em um capitulo que versa sobre a extinção do crédito tributário, e numa seção que trata do pagamento, não se vislumbra amparo ao entendimento que visa a reduzir o alcance da palavra crédito, como se o artigo estivesse se referindo exclusivamente ao tributo, e não ao crédito tributário. Os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. O vencimento da multa por lançamento de oficio se dá no prazo de 30 dias contados da ciência do auto de infração, momento a partir do qual, se não paga a multa, passa o contribuinte a encontrarse em mora. Conforme dispôs o próprio CTN, somente a lei pode dispor em sentido diverso, eventualmente cogitando da não aplicação de juros sobre alguma parcela do crédito tributário. Ademais, cumpre destacar ainda que o entendimento aqui exposto coaduna se com o que se vem consolidando no STJ, conforme se pode verificar na ementa abaixo transcrita: AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.335.688 – PR, Relator Min. Benedito Gonçalves, DJe: 10/12/2012: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. Fl. 2486DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS Processo nº 10803.000064/200965 Acórdão n.º 2301004.578 S2C3T1 Fl. 2.470 35 Com estas considerações, entendo cabível a incidência de juros de mora sobre a multa punitiva aplicada, os quais, nos termos da legislação de regência, são atualmente calculados com base na taxa Selic. Ante o exposto, voto no sentido de REJEITAR AS PRELIMINARES e, no mérito, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso para acolher a decadência do ano de 2003, bem como para excluir do lançamento as infrações de Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoas Jurídicas (itens 01 e 04), bem como reduzir a multa de ofício de 150% para 75% quanto à infração de omissão de rendimentos caracterizada através de depósitos bancários com origem não comprovada. (Assinado digitalmente) Relatora Alice Grecchi Declaração de Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Decadência Na sistemática do CTN, inexistindo antecipação de pagamento pelo sujeito passivo, ainda que parcial, ou em caso de dolo, fraude ou simulação, considerase o termo inicial para contagem do prazo decadencial o disposto no inciso I do art. 173: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) A segunda regra, prevista no § 4º do art. 150 do CTN, abaixo transcrito, é aplicável quando há pagamento, ainda que parcial, exceto quando constatada fraude, dolo e simulação, caso em que deve ser adotada a regra anterior. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) Fl. 2487DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS 36 § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Em síntese, para se determinar o dies a quo do prazo decadencial, é necessário verificar se houve ou não pagamento antecipado, ou, ainda, se ficou comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Havendo pagamento antecipado e inexistindo dolo, fraude ou simulação, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador, caso contrário, será de cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. Este é o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento ao Recurso Especial nº 973.733/SC, submetido ao rito de recursos repetitivos, art. 543C do CPC, que, por força do artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09/06/20151, deve ser reproduzido nas turmas deste Conselho. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o 1 art. 62 ... § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 2488DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS Processo nº 10803.000064/200965 Acórdão n.º 2301004.578 S2C3T1 Fl. 2.471 37 pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados,tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Relator Min. Luiz Fux, DJe 18/09/2009). No caso em análise, verificase que não ocorreu pagamento antecipado, fazendo incidir a regra do art. 173, inciso I, do CTN. A questão de fundo consiste em saber qual é efetivamente o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado", de acordo com a interpretação do STJ no REsp 973733/SC. No mencionado Recurso Especial foi negado provimento ao Recurso Especial interposto pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), mantendo a decisão do acórdão recorrido, proferido pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que, por sua vez, confirmou a decisão de primeira instância, no sentido da decadência do direito de o Fisco, em 26/03/2001, constituir o lançamento relativo ao período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994. Fl. 2489DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS 38 O fato gerador das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento ocorre no último dia do mês da prestação do serviço. Com efeito, naquele caso, o fato gerador da competência mais recente, dezembro de 1994, ocorreu em 31/12/1994 e poderia ser constituído a partir de 1º de janeiro de 1995, de modo que o primeiro dia do exercício seguinte a este último prazo teve início em 1º de janeiro de 1996, encerrandose se após o transcurso de cinco anos, em 31 de dezembro de 2000. No caso do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF) o fato gerador ocorre em 31 de dezembro do respectivo anocalendário, nos termos do Enunciado da Súmula do CARF n.º 38, abaixo transcrita, assentado na jurisprudência do STJ: Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Portanto, em relação ao tributos cujo fato gerador ocorre em 31 de dezembro, caso do IRPF, o lançamento somente pode ser constituído a partir de 1º de janeiro do exercício seguinte, sendo possível afirmar que o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento pode ser efetuado corresponde a 1º de janeiro do segundo exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador. Essa interpretação fica clara no voto proferido pelo relator do REsp 973.733/SC, Min. Luiz Fux, em outro processo, específico sobre a decadência no caso de IRPF: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. ART. 544 DO CPC. TRIBUTÁRIO. EXCEÇÃO DE PRÉEXECUTIVIDADE. CABIMENTO. ALEGADA NULIDADE DA CDA. AUSÊNCIA DE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SÚMULA Nº 07/STJ. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. (..) 8. A Primeira Seção, quando do julgamento do REsp 973.733/SC, representativo da controvérsia, nos termos do artigo 543C, do CPC, reafirmou o entendimento de que " o dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, Fl. 2490DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS Processo nº 10803.000064/200965 Acórdão n.º 2301004.578 S2C3T1 Fl. 2.472 39 "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009). 9. À luz da novel metodologia legal, publicado o acórdão do julgamento do recurso especial, submetido ao regime previsto no artigo 534C, do CPC, os demais recursos já distribuídos, fundados em idêntica controvérsia, deverão ser julgados pelo relator, nos termos do artigo 557, CPC (artigo 5º, I, da Res. STJ 8/2008). 5. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento do IRPF foi omitida pelo contribuinte a partir de seu vencimento em 30.04.2001, consoante consignado pelo Tribunal a quo; (c) o prazo do fisco para lançar iniciou a partir de 01.01.2002 com término em 01.01.2007; (d) ocorre que a notificação do contribuinte da constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 16.02.2005, por edital, conforme consta da Certidão de Dívida Ativa. 6. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, I, do Codex Tributário, contandose o prazo de cinco anos, a contar "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), donde se dessume a inocorrência da decadência do direito de o Fisco lançar os referidos créditos tributários. 7. Agravo regimental desprovido. (AgRg no Ag 1199147/SC Rel. Min. Luiz Fux, DJe 30/06/2010). No agravo regimental ao Recurso Especial nº 1.467.333/SP (2014/0166969 2), que também tratou de prazo decadencial aplicável ao IRPF, o Relator, Min. Humberto Martins, fazendo referência ao recurso repetitivo, concluiu no mesmo sentido aqui exposto: TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. APLICAÇÃO DO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO FIRMADO EM RECURSO REPETITIVO. DECADÊNCIA NÃO CARACTERIZADA. 1. A Primeira Seção, no julgamento do REsp 973.733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, submetido ao rito dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), firmou entendimento no sentido de que, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, para a fixação do prazo decadencial para a constituição do crédito tributário, considerase apenas a existência, ou não, de pagamento antecipado, pois é esse o ato que está sujeito à homologação pela Fazenda Pública, nos termos do art. 150, e parágrafos, do CTN. Fl. 2491DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS 40 2. Cuidase de débito tributário referente ao IRPF ano base 1992, exercício 1993, sem o devido pagamento do tributo. Logo, o prazo decadencial para Fazenda Pública realizar o lançamento de ofício substitutivo iniciouse em 1º.1.1994. Como a notificação do referido lançamento ocorreu em 1998, não se encontra caracterizada a decadência, porquanto não decorridos mais de cinco anos entre o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado e a constituição definitiva do crédito. (grifei) Aplicação do disposto no art. 173, inciso I, do CPC. Agravo regimental improvido. (AgRg no Recurso Especial nº 1.467.333SP, Relator Min. Humberto Martins, DJe 16/09/2014). A mesma interpretação se repete nos demais julgados do STJ sobre a matéria. Eis alguns exemplos: TRIBUTÁRIO. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RENDIMENTOS. SÚMULA 7/STJ. DISPOSITIVOS LEGAIS IMPERTINENTES. SÚMULA 284/STF. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. ART. 173, I, DO CPC. 1. Cuidase, originariamente, de Ação Anulatória que pretende desconstituir lançamento de imposto sobre a renda de pessoa física decorrente de acréscimo patrimonial a descoberto relativo a 1994 e 1995. 2. Não está configurada a ofensa ao art. 535 do Código de Processo Civil, uma vez que o Tribunal local julgou integralmente a lide e solucionou a controvérsia, tal como lhe foi apresentada. 3. O Tribunal a quo, mediante análise da prova documental produzida pelo contribuinte, concluiu pela comprovação parcial da origem dos rendimentos tributados. A reforma de tal entendimento demanda revolvimento fáticoprobatório, o que é vedado pela Súmula 7/STJ. 4. Da mesma forma, o exame das alegadas nulidades havidas no processo administrativofiscal exigem revolvimento de prova documental, uma vez que o Tribunal a quo atestou que "os documentos acostados aos autos demonstram que, ao demandante, foram conferidas todas as oportunidades de manifestação, nas diversas fases do processo administrativo, tendo sido devidamente observadas as formalidades do Decreto 70.235/72" (fl. 592). 5. Os arts. 333, I, do CPC e 204 do CTN – que disciplinam o ônus da prova e a presunção de certeza e liquidez da CDA – não possuem carga normativa suficiente para amparar a tese da Fazenda Nacional, no sentido da necessidade de averbação do contrato na matrícula do imóvel. Incide, por analogia, a Súmula 284/STF. Fl. 2492DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS Processo nº 10803.000064/200965 Acórdão n.º 2301004.578 S2C3T1 Fl. 2.473 41 6. De acordo com a jurisprudência consolidada do STJ, a decadência do direito de constituir o crédito tributário é regida pelo art. 173, I, do CTN, quando se trata de tributo sujeito a lançamento por homologação e o contribuinte não realiza o respectivo pagamento parcial antecipado (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18.9.2009, submetido ao art. 543C do CPC). 7. In casu, ocorrido o fato gerador em 31 de dezembro de 1994, o lançamento somente poderia ter sido realizado no decorrer do ano de 1995, de modo que o termo inicial da decadência é 1° de janeiro de 1996. Como o prazo decadencial de cinco anos se encerraria em 31 de dezembro de 2000, e a constituição do crédito tributário deuse em junho de 2000 (fl. 593), não há falar em decadência do direito de lançar o tributo. 8. Agravos Regimentais não providos. (AgRg no Agravo em Recurso Especial nº 252.942PE (2012/02347196), Relator Min. Herman Benjamin, Dje 12/06/2013). TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. APLICAÇÃO DO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO FIRMADO EM RECURSO REPETITIVO. DECADÊNCIA NÃO CARACTERIZADA. 1. A Primeira Seção, no julgamento do REsp 973.733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, submetido ao rito dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), firmou entendimento no sentido de que, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, para a fixação do prazo decadencial para a constituição do crédito tributário, considerase apenas a existência, ou não, de pagamento antecipado, pois é esse o ato que está sujeito à homologação pela Fazenda Pública, nos termos do art. 150, e parágrafos, do CTN. 2. Cuidase de débito tributário referente ao IRPF ano base 1992, exercício 1993, sem o devido pagamento do tributo. Logo, o prazo decadencial para Fazenda Pública realizar o lançamento de ofício substitutivo iniciouse em 1º.1.1994. Como a notificação do referido lançamento ocorreu em 1998, não se encontra caracterizada a decadência, porquanto não decorridos mais de cinco anos entre o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado e a constituição definitiva do crédito. (grifei) Aplicação do disposto no art. 173, inciso I, do CPC. Agravo regimental improvido. (AgRg no Recurso Especial nº 1.467.333SP, Relator Min. Humberto Martins, DJe 16/09/2014). Fl. 2493DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS 42 Assim, com base na jurisprudência do STJ, no caso em análise, relativamente aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2003, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado ocorreu em 1º de janeiro de 2005, de modo que o prazo decadencial somente se encerrou após o transcurso de cinco anos, em 31 de dezembro de 2009. Considerando que o Recorrente foi cientificado do lançamento em 1º de dezembro de 2009, entendo que não restou configurada a decadência. Omissão de Rendimentos Recebidos da Pessoa Jurídica Mude Comércio e Serviços Ltda. Omissão de Rendimentos Recebidos por intermédio da Offshore Cordell Enterprises Limited De acordo com o Termo de Verificação e de Conclusão Fiscal (TVCF), fls. 1435 e ss., o presente Auto de Infração, dentre outros fundamentos, decorrente de omissão de rendimentos recebidos pelo Recorrente da empresa Mude Comércio e Serviços Ltda, pagos através de interposta pessoa jurídica, Marcelo Naoki Ikeda EPP. Segundo a fiscalização, a prestação de serviços à sociedade empresária Mude Comércio e Serviços Ltda, no período do lançamento, foi feita pelo próprio Recorrente, com pessoalidade, onerosidade e não eventualidade, o qual atuava como diretor dessa sociedade empresária. Concluiu que a sociedade empresária Mude Comércio e Serviços Ltda simulou a utilização dos serviços da pessoa jurídica Marcelo Naoki Ikeda EPP para remunerar o Recorrente. Por conseguinte, os valores informados pelo Recorrente em sua Declaração de Ajuste Anual, como rendimentos isentos e não tributáveis decorrentes de lucros distribuídos oriundos da pessoa jurídica Marcelo Naoki Ikeda EPP, comprovadamente recebidos com base em extratos bancários, foram, no presente Auto de Infração, considerados rendimentos tributáveis decorrentes do trabalho na condição de sócio diretor. Portanto, os rendimentos identificados no Auto de Infração "001 rendimentos recebidos de pessoas jurídicas omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica" não foram extraídos de planilha apreendida pela Polícia Federal, mas das declarações de imposto de renda, corroboradas por extratos bancários. Entendo, portanto, que os fundamentos de fato deste lançamento não têm relação com aqueles analisados nos acórdãos deste Conselho nº 2201002.029 e 2201002.648, os quais foram adotados pela i. Relatora em seu voto como razões de decidir, porquanto aqui os rendimentos não foram extraídos de planilha apreendida pela Polícia Federal e restou suficientemente demonstrada a disponibilidade econômica ou jurídica da renda. Ademais, conforme descrito no TVCF, ficou demonstrado, em planilhas apreendidas pela Polícia Federal, que o Recorrente tinha participação societária na Mude e demais empresas do grupo, tendo sido beneficiado com o pagamento da venda de 75% da Mude Comércio e Serviços, ocorrida em 2006, proporcionalmente à sua participação social. Ficou demonstrado também que os recursos ilícitos, decorrentes de importação ilegal de mercadorias, eram destinados à offshore Cordell Enterprises Limited, empresa sediada no exterior (Ilhas Virgens Britânicas), de propriedade do Recorrente. A titularidade da empresa foi reconhecida na Declaração de Ajuste Anual. Fl. 2494DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS Processo nº 10803.000064/200965 Acórdão n.º 2301004.578 S2C3T1 Fl. 2.474 43 E que parte do crédito decorrente da venda da Mude foi destinada à offshore Cordell Enterprises Limited, sendo que do valor devido em 2006 foram abatidos valores adiantados também creditados em favor da mencionada offshore, em anos anteriores. Ficou consignado, na planilha apreendida pela Polícia Federal, que o Recorrente recebeu em 28/06/2004, por meio da offshore Cordell, o valor, em dólares, equivalente a R$ 210.000,00 "para compra da casa". A aquisição da casa, pelo Recorrente, foi confirmada por documentos, inclusive por comprovante de pagamento parcial, no valor de R$ 210.000,00, através de transferência bancária (TVCF, fls. 1596). Assim, o lançamento também se refere à omissão de rendimentos correspondentes a valores enviados ao exterior e que foram creditados em contacorrente da empresa Cordell Enterprises Limited, nos anos de 2003 (U$ 134.112,00 = R$ 382.836,12) e de 2004 (U$ 85.000,00 = R$ 266.662,00), o qual está identificado no auto de infração como "004 omissão de rendimentos". Esses valores foram extraídos da mesma planilha apreendida pela Polícia Federal, na qual constou o recebimento de R$ 210.000,00, pelo Recorrente, cuja aplicação do recurso, na compra da casa, ficou comprovada. A Cordell é sócia majoritária (97,50%) no Brasil, da sociedade empresária Mines Participações e Administração de Bens Próprios, juntamente com Sandro Takeo Ikeda, irmão do Recorrente. Embora o Recorrente figure como procurador da empresa Mines, ele é, de fato, o real proprietário. Ficou demonstrado que parte dos valores destinados à offshore Cordell nos anos de 2003 e 2004, que constam da planilha apreendida pela Polícia Federal, serviram para integralização do capital social da Mines e para a compra de um veículo. A Mines foi constituída em 2006, com capital registrado de R$ 369.140,00 e em 27/10/2006, a empresa efetuou a compra de um veículo, no valor de R$ 172.000,00, cujo pagamento foi autorizado pelo Recorrente, na qualidade de procurador da Mines Participações (TVCF, fls. 1.631). Esses elementos comprovam que ocorreu a disponibilidade da renda recebida por intermédio da offshore Cordell Enterprises Limited. Entendo, portanto, que os fundamentos de fato deste lançamento não têm relação com aqueles analisados nos acórdãos deste Conselho nº 2201002.029 e 2201002.648, os quais foram adotados como razões de decidir do voto da Relatora, porquanto aqui, embora os rendimentos tenham sido extraídos de planilha apreendida pela Polícia Federal, restou demonstrada a disponibilidade econômica ou jurídica da renda. Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Luciana de Souza Espíndola Reis Fl. 2495DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 2/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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Numero do processo: 11020.000376/2006-04
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 14/01/2004
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA DE INSUMO EMPREGADO NO PROCESSO PRODUTIVO DO BEM EXPORTADO. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE.
Não contraria as disposições da Lei 9.363/96 a inclusão na base de cálculo do incentivo por ela instituído das despesas com industrialização por encomenda desde que esta seja realizada sobre bem a ser empregado como matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem na fabricação do bem a ser exportado.
Numero da decisão: 9303-003.836
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas e Charles Mayer de Castro Souza.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). O julgamento iniciara-se na sessão de 17/3/2016, em que votaram o Relator e os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconelo e Maria Teresa Martínez López, tendo sido interrompido em face do pedido de vista do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, que presidiu a sessão, e concluído nesta data.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/01/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA DE INSUMO EMPREGADO NO PROCESSO PRODUTIVO DO BEM EXPORTADO. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE. Não contraria as disposições da Lei 9.363/96 a inclusão na base de cálculo do incentivo por ela instituído das despesas com industrialização por encomenda desde que esta seja realizada sobre bem a ser empregado como matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem na fabricação do bem a ser exportado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas e Charles Mayer de Castro Souza. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 03 76 /2 00 6- 04 Fl. 338DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JULIO CESAR ALVES RA MOS 2 Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). O julgamento iniciarase na sessão de 17/3/2016, em que votaram o Relator e os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconelo e Maria Teresa Martínez López, tendo sido interrompido em face do pedido de vista do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, que presidiu a sessão, e concluído nesta data. Relatório Controvertese direito a inclusão das despesas com industrialização por encomenda na base de cálculo do crédito presumido de IPI instituído pela Lei 9.363/96, negado na decisão recorrida. Para comprovação da divergência o sujeito passivo aponta os acórdãos nº 20215.733 e nº 20216.361. Neles, que têm o mesmo relator, a possibilidade de inclusão foi reconhecida quando o produto resultante da industrialização por encomenda é utilizado como matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem na produção daquele que vem a ser exportado pelo postulante ao crédito presumido. Em todas as peças de defesa apresentadas pelo sujeito passivo, afirmase ser esta a situação dos autos, mas não se diz qual o bem submetido a industrialização adicional e nem como ele é usado no processo produtivo. E nada há nas decisões já proferidas, muito menos no relatório elaborado pela fiscalização acerca desse aspecto, visto que para as autoridades que já examinaram o processo isso seria irrelevante. Contrarrazões da Fazenda Nacional pugnam pela manutenção do julgado com os mesmos fundamentos da decisão. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Como relatado, cuidamos de mais um daqueles casos em que informação fundamental para formação da convicção do julgador encontrase por completo ausente dos autos. No caso concreto, partilho exatamente a tese dos paradigmas colacionados, que exige que o material submetido a industrialização adicional seja posteriormente utilizado no processo produtivo do bem que venha a ser exportado, aí servindo como matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem, informação que não se encontra nos autos, ainda que objeto de afirmação nas defesas apresentadas. Na segunda instância (Turmas Ordinárias) baixaríamos os autos em diligência para que essa informação fosse colhida. Aqui na CSRF, temse entendido impraticável tal conduta. Concluo pela aceitação do recurso, na medida em que a informação de que os produtos recebidos entram no processo produtivo da recorrente, que consta de todas as suas Fl. 339DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 11020.000376/200604 Acórdão n.º 9303003.836 CSRFT3 Fl. 339 3 peças de defesa, não foi controvertida em momento algum no processo. Destarte, assumoa como verdadeira e passo ao exame do mérito do recurso. E cabe, a meu ver, lhe dar inteiro provimento, pois partilho, há muito, a tese sufragada nos recursos paradigmas. As razões para tanto já foram por mim explicitadas quando indicado redator em outro processo (nº 11065.001205/200163). Peço vênia para transcrevêlas aqui: Incumbiume o i. Presidente da redação do acórdão no atinente à industrialização por encomenda, visto ter a maioria divergido do entendimento esposado pelo n. relator. Conforme se observa de seu voto, três são os fundamentos para que ele entenda que o valor pago pelo industrialexportador não pode ser computado na base de cálculo do benefício fiscal instituído pela Lei 9.363/96. Em primeiro lugar porque a interpretação daquela norma haveria de ser restritiva por envolver renúncia de receita fiscal. Ocorre que ele não explicita o comando legal que dá suporte à sua conclusão e, por isso, começo daí minha divergência. É que, a contrário senso, se lê no artigo 111 do CTN: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Destarte, a se entender que essa seria sua fundamentação, necessário se faz enquadrar o benefício em tela como hipótese de suspensão ou de exclusão do crédito tributário, dado que não se trata nem de isenção de tributo nem de autorização para não cumprimento de obrigações acessórias. Não considero, no entanto, que os créditos presumidos em geral, e o da Lei 9.363 em particular, assim se possam definir. Com efeito, o mesmo CTN que a todos nós vincula, estabelece as hipóteses de exclusão de crédito tributário em seu art. 175: Art. 175. Excluem o crédito tributário: I a isenção; II a anistia. Parágrafo único. A exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela conseqüente. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JULIO CESAR ALVES RA MOS 4 E como a isenção já havia sido destacadamente mencionada no art. 111 entendo que os dois dispositivos lidos conjugadamente impõem a interpretação restritiva ou literal apenas à anistia, à suspensão de crédito tributário e à dispensa de obrigações acessórias. Não me parece que o crédito presumido se inclua em qualquer dessas situações. Assim, ainda que fosse necessário dar uma interpretação “ampliativa” ao comando inserto na Lei 9.363/96 considero que nada o impede. Sequer há tal necessidade, porém. É que o segundo fundamento do dr. Rodrigo é a premissa de que o valor aqui discutido não se enquadra como “valor de aquisição”, ou seja, decorrente de uma operação de compra e venda, como exigido pela Lei, mas sim de um pagamento por uma prestação de serviço. A essa premissa também não adiro. Em primeiro lugar porque a própria legislação do IPI, única ao que eu saiba que cuida da figura da industrialização por encomenda mediante a remessa de insumos por parte do encomendante, é clara em caracterizála como uma operação de “industrialização parcial” sujeita ao IPI. E dessa imposição não exclui nem mesmo os casos em que o executor da encomenda não agrega nenhum insumo por si adquirido. Isto é, mesmo nesta última hipótese, em que se poderia legitimamente pretender sua equiparação a mera prestação de serviço, a obrigação relativa ao IPI é mantida. E, no meu entender, ainda quando sujeita ao ISS. Deixemos por enquanto essa hipótese de lado, dado que é mister reconhecer não ser ela a regra. De fato, na maior parte das vezes em que um industrial recorre à industrialização por encomenda o faz por não reunir condições técnicas de realizar internamente tais operações, seja por falta de pessoal capacitado, seja por não possuir o equipamento adequado. A opção não está, assim, vinculada ao aproveitamento de um possível benefício fiscal. Está ligada, isto sim, à racionalidade econômica. Em outras palavras, ela decorre de uma decisão econômica de não verticalizar o processo produtivo, criando internamente uma linha ou divisão para realizar a operação em tela, seja porque infreqüente, seja porque é mais barato realizá la fora. Posta essa diferente premissa, o fato é que o item em discussão (couro, no caso concreto) só assume a condição de matéria prima para o postulante do benefício (fabricante de calçado) após ter sido submetida a essa industrialização parcial adicional. Antes, matéria prima ainda não é. Essa conclusão, a meu ver, se impõe pela própria definição de matéria prima tantas vezes por nós repetida: item que é utilizado no processo produtivo e aí é integral e imediatamente consumido, incorporandose fisicamente ao item fabricado. Ora, se no estado em que inicialmente adquirido o item não pode ainda participar do processo fabril do postulante, como pode ser, desde logo, considerado matéria prima? Fl. 341DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 11020.000376/200604 Acórdão n.º 9303003.836 CSRFT3 Fl. 340 5 Só o é, a meu sentir, após submetido àquele tratamento adicional. E, como já disse, mesmo a interpretação literal do texto normativo permite sua inclusão nesse caso. Deveras, dispõem os arts. 1º e 2º da Lei 9.363: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 2o A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador A meu ver, pois, o “valor total” a que se refere a lei tem de corresponder àquele que a empresa desembolsou para contar em seu estabelecimento com um item que empregará efetivamente na produção do produto a exportar. Vale repetir que esse acréscimo de valor – correspondente à aqui discutida “industrialização adicional” – inclui, no mais das vezes, não apenas despesas com mão de obra, mas também, e com destaque, depreciação de ativo fixo não existente no estabelecimento do encomendante, e, no mínimo, o lucro daquele que realiza a operação. A presença dessa última parcela é, por si só, suficiente para não fazer sentido pressupor – ao menos como regra – que um dado estabelecimento capaz de realizála internamente “opte” por contratála a terceiros e pagar mais por isso. De todo modo, admitindo que na maior parte das vezes há mesmo outros itens compondo o “preço dos serviços prestados”, a restrição proposta pelo dr. Rodrigo, pareceme, não os alcançaria. De fato, quanto a eles, a meu sentir, não há como dizer que não ocorra uma operação comercial. A celeuma, pois, vêse restrita às despesas com mãodeobra. De fato, em outros processos ela vem expressa em votos da primeira instância e em relatórios de verificação fiscal elaborados pelas autoridades incumbidas dos trabalhos fiscais. E pode ser resumida assim: se o postulante houvesse internalizado a operação, não haveria crédito presumido sobre essa parcela. Por “analogia” (ou “isonomia” ou “justiça fiscal” ou qualquer Fl. 342DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JULIO CESAR ALVES RA MOS 6 coisa semelhante) também não deveria haver se ele a “externaliza”. Como já repeti, a validade do argumento tem como condições necessárias que 1) o postulante ao crédito presumido possa fazer internamente a operação; 2) o valor pago ao executor se resuma ao da mãodeobra empregada. Essa segunda condição só seria válida na ausência de qualquer capital. Do contrário, haverá, pelo menos, o “custo do capital” empregado, entendido como a sua depreciação mais lucro. Em outras palavras, apenas se fosse contratado algum(ns) trabalhador(es), sem qualquer equipamento, para “prestar o serviço”. Admitindo que isso fosse mesmo possível (e valesse a pena, do ponto de vista econômico) o argumento ganharia força pela nossa jurisprudência que limitava o incentivo às “aquisições realizadas a contribuintes dos tributos a ressarcir”. Desnecessário dizer que ela já não mais se sustenta em face das reiteradas decisões do STJ em sentido contrário. De modo que, aclarados devidamente os contornos da restrição cogitada pelo dr. Rodrigo, acredito que a questão somente se coloca se: 1) houver uma contratação apenas de “serviços” de industrialização e 2) ela se der junto a pessoas físicas que não empreguem qualquer insumo ou equipamento nessa prestação. Não é sequer necessário aqui adentrála: no presente processo (e acredito que em todos que venhamos a examinar) muito longe estamos dessa situação. Aqui se pagou a outra empresa para transformar couro cru em couro wet blue, o que requer o emprego de equipamentos específicos e pessoal especializado. Despiciendo dizer, sobre o valor pago incidiram integralmente as contribuições que se quer ressarcir. E, por fim, não foi sequer questionado pela fiscalização que o couro wet blue recebido é empregado, como matériaprima, nos calçados fabricados. Essa é, em verdade, a única restrição que faço: dado que a lei fala em matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, não haveria tal possibilidade de inclusão se os materiais recebidos fossem exportados no mesmo estado. De fato, já tivemos oportunidade de examinar caso em que a “fábrica” de calçados de fábrica não tinha mais nada, “terceirizada” que fora toda a produção. Ela se limitava a exportar o produto pronto, assim recebido dos executores. Nessa hipótese, entendo eu, não há benefício algum. Mas aqui, ao contrário, a empresa emprega o couro beneficiado na efetiva fabricação dos calçados que exporta. Não vejo motivos então para que se exclua a parcela do beneficiamento realizado. Não muda essa minha conclusão o terceiro argumento do n. relator. É ele o fato de a Lei 10.276 ter expressamente Fl. 343DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 11020.000376/200604 Acórdão n.º 9303003.836 CSRFT3 Fl. 341 7 autorizado a inclusão dessa parcela que não consta expressamente da Lei 9.363. A conclusão foi: se a partir daí pode, é porque antes não podia. Com a devida vênia, entendo que as regras de hermenêutica consagradas não permitem essa ilação. De fato, não faz sentido (lógico) deduzir uma proibição em uma lei porque de outra tal proibição não conste. A não ser que a nova lei esteja regulando a mesma matéria. Como se sabe, a Lei 10.276 institui uma forma alternativa de cálculo do benefício, como reconhece o relator. Assim, dela tudo o que decorre é que na sistemática por ela introduzida pode; nada se pode inferir quanto à outra modalidade de que ela não trata e cuja legislação cabe interpretar. Com essas considerações, manteve a maioria o deferimento da parcela que a douta PFN pretendia fosse excluída. E esse é o acórdão que me coube redigir. Como se vê, divirjo do posicionamento exposto pela douta Procuradoria da Fazenda Nacional, em suas contrarazões ao recurso especial, verbis: Cumpre destacar a interpretação da legislação de IPI, no que respeita à prestação de serviços na industrialização por encomenda a terceiros, trazida a lume pelo Boletim Central nº 147, de 4 de agosto de 1998, aprovado pela Nota MF/SRF/COSIT/COTIP/DIPEX nº 312, de 3 de agosto de 1998, pergunta 2.7, ora transcrita, verbis: 2.7) Encontrase com habitualidade, casos em que a empresa produtora exportadora, remete matérias primas de seu estoque para efetuar uma etapa produtiva em outra empresa. Por exemplo, o produtor exportador adquire couro semi acabado e o envia a outra empresa (um curtume) para acabamento. Nesse processo, são agregados a essa matéria prima diversos outros insumos, como produtos químicos, corantes, etc. O couro retorna modificado para o estabelecimento produtor exportador, acompanhado de nota fiscal indicando operação de beneficiamento. Perguntase, se o valor agregado, correspondente ao beneficiamento deve ser computado como aquisição de insumos (período de 1996) e como custos (a partir de 1997)? E, em caso de beneficiamento que não agregue outras matérias primas (exemplo, parte de calçado remetida para costura, colagem ou trançamento, acompanhada de todos os materiais necessários), o tratamento deve ser o mesmo? R) No caso em que o encomendante remete os insumos com suspensão do IPI ao executor da encomenda (hipótese prevista no art. 36, incisos I e II do RIPI/82 correspondente ao art. 40, incisos VII e VIII do RIPI/98) e o executor da encomenda remete Fl. 344DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JULIO CESAR ALVES RA MOS 8 os produtos com suspensão, não há que se falar em inclusão do valor cobrado pelo encomendante na base de cálculo do crédito presumido,tratase de mera prestação de serviços e não de aquisição de matéria prima, material de embalagem e produto intermediário. Porém, no caso em que o encomendante remete os insumos com tributação, e o industrializador por encomenda utiliza insumos próprios e, após a industrialização, remete os produtos tributados pelo IPI ao encomendante, o valor cobrado pelo realizador da industrialização ao encomendante integra a base de cálculo do crédito presumido. O entendimento aplicase tanto ao exercício de 1995, quanto aos posteriores. (destaques do original) Como já afirmei no voto, nem mesmo se o encomendante não remeter nenhum insumo podese dizer que não haverá acréscimo de insumos ("mera prestação de serviços"). Com efeito, nem mesmo a conclusão extraída pela PFN da informação produzida pela SRF em seu site (questão nº 723, inserida na publicação "Perguntas e Respostas do Programa de Imposto de Renda PIR 2001"), vênia máxima, procede: mesmo quando o executor nenhum insumo acresce em seu processo industrial, ainda assim a operação é industrialização para efeito do IPI e sobre ela incide sim o imposto, consoante as disposições dos arts. 3º e 4º da Lei 4.502/64 na forma reiteradamente interpretada nos diversos decretos que a regulamentaram. Notese que, em meu entender isso não é condição para deferir ou não o incentivo. E, como digo em meu voto, nem mesmo nesse caso é lícito concluir que o valor da operação apenas corresponde ao valor da mãodeobra empregada. Caracterizado, pois, que a industrialização se deu sobre insumo que vem a ser, depois, efetivamente empregado no processo produtivo do bem exportado, cabe, em meu entender, incluir o valor pago no cálculo do incentivo. Com essas mesmas considerações, que, acredito, abordam todas as razões normalmente suscitadas para negar o direito ora discutido, voto por dar provimento ao recurso do contribuinte. É como voto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 345DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JULIO CESAR ALVES RA MOS
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Numero do processo: 13811.001716/99-44
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI - AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI - AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TERMO INICIAL.
No ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos).
Recurso Especial Do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-003.463
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencido o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, que dava provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TERMO INICIAL. No ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). Recurso Especial Do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencido o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, que dava provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 17 16 /9 9- 44 Fl. 802DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 13811.001716/9944 Acórdão n.º 9303003.463 CSRFT3 Fl. 423 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Fl. 803DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 13811.001716/9944 Acórdão n.º 9303003.463 CSRFT3 Fl. 424 3 Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, em face do Acórdão nº 3401002.014, de 23/10/2012, cuja ementa se transcreve a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI Nº 9.363/96. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. Consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recurso repetitivo, a ser reproduzida no CARF conforme o art. 62A do Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, alterado pela Portaria MF nº 586, de 2010, matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas dão direito ao Crédito Presumido instituído pela Lei nº 9.363/96. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI RELATIVO A COMBUSTÍVEIS, ENERGIA ELÉTRICA, TELEFONIA E LENHA. Não se permite o aproveitamento de créditos relativos a combustíveis, energia elétrica e a telefonia, visto não possuir relação com a produção industrial. Sumula CARF nº 19. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. É cabível a aplicação da taxa SELIC em casos de cobrança de juros moratórios, conforme a Súmula nº 4 deste egrégio Conselho. Em face da decisão acima, a Fazenda Nacional interpôs o já referido recurso especial, contestando, em síntese, a aplicação do art. 62A do RICARF ao caso vertente, em especial, a aplicação da taxa SELIC aos pedidos de ressarcimento e quanto ao termo inicial para sua fluência. O recurso especial da Fazenda Nacional foi parcialmente admitido, apenas em relação à forma/sistemática de correção monetária do crédito reconhecido, através do despacho s/nº de fls. 733/736, de 25/06/2015. A Fazenda Nacional apresentou pedido de reconsideração em face do despacho que admitiu em parte o recurso especial apresentado, que foi indeferido, conforme despacho s/nº de fls. 744/745. Fl. 804DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 13811.001716/9944 Acórdão n.º 9303003.463 CSRFT3 Fl. 425 4 Contrarrazões às fls. 753/764. É o relatório. Fl. 805DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 13811.001716/9944 Acórdão n.º 9303003.463 CSRFT3 Fl. 426 5 Voto Presentes os requisitos de admissibilidade, entendo que o recurso merece ser conhecido. Quanto ao mérito, todavia, o recurso especial da Fazenda Nacional não merece melhor sorte. A matéria aceita como divergente no recurso especial da Fazenda Nacional cingese à forma/sistemática de correção monetária do crédito reconhecido. A decisão recorrida determinou a aplicação da taxa Selic para atualização monetária do crédito a ser ressarcido, relativo à aquisição de insumos provenientes de pessoas físicas, desde a data da formulação do pedido. Já o Acórdão 310200.914, paradigma, definiu o termo inicial como sendo a data da ciência do despacho decisório que indeferiu o pleito inicial, enquanto o Acórdão 3201001.765, inaugurando uma terceira via, defendeu que a atualização monetária somente fluiria a partir do transcurso de 360 (trezentos e sessenta) dias, previsto no art. 24 da Lei nº 11.457, a contar da data do protocolo do pedido de ressarcimento, pois, até então, não se verificaria mora da União. Preliminarmente, com relação à atualização do ressarcimento de créditos presumidos de IPI pela taxa SELIC, conforme decidido no acórdão recorrido, é de se notar que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente acima referido tem a seguinte ementa: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA.INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância Fl. 806DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 13811.001716/9944 Acórdão n.º 9303003.463 CSRFT3 Fl. 427 6 que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel.Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro oLUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) (grifos nossos) Essa decisão foi proferida, justamente, em julgamento relativo a pedido de ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, de que trata a lei 9.363/1996, em que atos normativos infralegais obstaculizaram a inclusão na base de cálculo do incentivo das compras realizadas junto a pessoas físicas e cooperativas. Com a alteração regimental, que acrescentou o art. 62A ao Regimento Interno do Carf, com a redação mantida atualmente no § 2º do art. 62 do RICARF1, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, as decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos devem ser observados no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Assim, se a matéria foi julgada pelo STJ, em sede de recurso repetitivo, a decisão de lá deve ser adotada aqui, independentemente de convicções pessoais dos julgadores. Já em relação ao termo inicial para a incidência da taxa SELIC sobre os créditos a ressarcir, apesar das posições discordantes aventadas nos paradigmas apresentados, entendo que esta deve ser admitida desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). Isso porque a demora no aproveitamento do crédito ocorre a partir do protocolo do pedido de ressarcimento, que foi o momento em que a Recorrente optou em exercer o seu direito e que ficou configurada a mora do fisco. Nesse sentido, aliás, já decidiu essa Câmara, nos autos do Processo Administrativo nº 10768.005638/0010: 1 art.62, § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 807DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 13811.001716/9944 Acórdão n.º 9303003.463 CSRFT3 Fl. 428 7 Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997, 01/01/1999 a 30/06/1999 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observados no Julgamento deste Tribunal Administrativo. No ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). (grifos nossos) Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 808DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO
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Numero do processo: 11060.003727/2010-31
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre o acórdão recorrido e os paradigmas, mormente quando se trata de qualificação da penalidade, situação diretamente ligada à conduta do sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador não conhecido
Numero da decisão: 9202-003.982
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora.
EDITADO EM: 23/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora. EDITADO EM: 23/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre o acórdão recorrido e os paradigmas, mormente quando se trata de qualificação da penalidade, situação diretamente ligada à conduta do sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora. EDITADO EM: 23/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 37 27 /2 01 0- 31 Fl. 1948DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/0 6/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 2 Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratavase inicialmente de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescido de juros de mora e multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, tendo em vista a omissão de rendimentos da atividade rural, relativa aos anoscalendário de 2004 e 2005. No julgamento em primeira instância foi desqualificada a penalidade e declarada a decadência relativamente ao anocalendário de 2004, mantendose a autuação referente ao anocalendário de 2005, inclusive com a qualificadora. Em sessão plenária de 15/08/2012, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2801002.647 (fls. 1.891 a 1.908), assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as alegações de nulidade quando não se vislumbra nos autos nenhuma uma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. Não é nulo o acórdão de primeira instância que exaure a matéria contida na impugnação. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ATIVIDADE RURAL. CONTRATO MEDIANTE ENTREGA FUTURA. NÃO CUMPRIMENTO. RESTITUIÇÃO DO VALOR ANTECIPADO. COMPROVAÇÃO PARCIAL. Cabível a exclusão da base de cálculo do lançamento referente à omissão de rendimentos da atividade rural quando devidamente comprovado nos autos a restituição em espécie (devolução) de valores correspondentes a uma parte dos títulos (CPR Cédula de Produto Rural) relacionados na autuação. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SÚMULA 14 DO CARF. De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 14 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150%, condicionase à comprovação, por parte da autoridade lançadora, do evidente intuito de fraude do contribuinte, o que não restou caracterizado nos autos. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Provido em Parte." A decisão foi assim resumida: Fl. 1949DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/0 6/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 11060.003727/201031 Acórdão n.º 9202003.982 CSRFT2 Fl. 1.949 3 " Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir o valor de R$ 76.315,50 da base de cálculo lançada a título de omissão de rendimentos da atividade rural, anocalendário 2005, e para desqualificar a multa de ofício exigida com supedâneo nesta mesma infração, reduzindoa ao percentual de 75%, nos termos do voto do Relator." O processo foi encaminhado à PGFN em 19/09/2012 (Despacho de Encaminhamento de fls. 1.909). De acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a intimação presumida da Fazenda Nacional ocorreu 30 dias após a referida data (19/10/2012) e, em 29/10/2012, foi interposto o Recurso Especial de fls. 1.910 a 1.919 (Despacho de Encaminhamento de fls. 1.920), com fundamento no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF – RICARF, visando rediscutir a desqualificação da multa de ofício. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 07/06/2013 (fls. 1.921/1.922). No apelo, a Fazenda Nacional alega, em síntese: inicialmente, cumpre observar que o dispositivo legal que fundamenta a multa agravada é o art. 44, II, da Lei 9.430/96, abaixo transcrito: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (...) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis." como se vê, a multa agravada incide no caso de evidente intuito de fraude, que está definido nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64; dentre os ilícitos dispostos nos artigos acima mencionados, o que mais se aplica ao presente caso é a sonegação, prevista no art. 71 da Lei nº 4.502/64, in verbis: "Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente." Fl. 1950DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/0 6/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 4 não há a menor dúvida de que o contribuinte, ao omitir de forma recorrente sua renda verdadeira ao Fisco, procurou impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade tributária, da ocorrência do fato gerador do tributo; tal fato restou provado nos autos, e, salientese, não foi ilidido no r. acórdão proferido pela e. Câmara a quo; entretanto, ainda que provado o ilícito, de acordo com a jurisprudência do CARF, somente caberia o agravamento da multa, quando restasse demonstrado o "evidente intuito de fraude", ou seja, caberia demonstrar que o contribuinte dirigiu a sua vontade, de forma consciente, para o fim de obter o resultado gravoso para o Fisco; ocorre que, data maxima venia, a e. Câmara a quo se equivocou quando entendeu que, no ilícito cometido pelo recorrido, não estaria evidenciado o intuito de fraude, a importar no agravamento da multa; com efeito, vêse o intuito de fraude quando o recorrido adota a prática de declarar ao Fisco uma renda que sabia não ser verdadeira, e, digase de passagem, os valores omitidos são de grande vulto, assim é muito claro que o contribuinte passou, de forma consciente, informações falsas ao Fisco; ora, depreendese do próprio art. 71 da Lei n.º 4.502, de 1964, que não é, de forma alguma, permitido ao contribuinte declarar informações sabidamente falsas ao Fisco; interessante salientar, novamente, que o dever fixado pelo art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, é plenamente compatível com as demais normas que compõem o sistema de direito tributário; com efeito, diferentemente do que poderia ocorrer em outros ramos do Direito, no direito tributário os fiscalizados possuem o dever de colaborar com os fiscais, conforme os artigos 194, 195 e seguintes do Código Tributário Nacional (cita doutrina de James Marins e Alberto Xavier); demonstrado que o contribuinte declarou, de forma consciente, informações falsas ao Fisco, não há a menor dúvida de que agiu com dolo, e a vontade dolosa resta absolutamente clara quando se vê que o contribuinte passou informações sabidamente falsas ao Fisco em suas Declarações de Ajuste Anual; a infração foi reiterada, ou seja, o contribuinte estava ciente dos seus atos, e mais, estava certo de que sairia impune, de que o ilícito estaria "valendo a pena", então a fraude é ainda muito mais grave, pois não decorreu de atos isolados, ao contrário, vêse uma clara prática fraudulenta, a merecer repúdio ainda muito maior. a jurisprudência do CARF já condenou tal prática fraudulenta, pacificando o entendimento de que, quando o contribuinte apresenta ao Fisco declarações falsas, de modo reiterado, está provado o evidente intuito de fraude, sendo inteiramente cabível a multa agravada: Acórdão nº 10514.098 "MULTA AGRAVADA Cabível a multa agravada, quando, além de confessado expressamente pelo contribuinte, perfeitamente demonstrado nos autos, que os envolvidos na prática da infração tributária conseguiram o objetivo de, além Fl. 1951DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/0 6/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 11060.003727/201031 Acórdão n.º 9202003.982 CSRFT2 Fl. 1.950 5 de omitirem a informação em suas declarações de rendimentos, deixaram de recolher os tributos devidos. A prática reiterada de reduzir indevidamente a receita oferecida à tributação, por força de erro de soma ou outro artifício, é forte indício de prática fraudulenta, merecendo a imposição da multa agravada de 150%." Acórdão nº 10707.084 "IRPJ DECLARAÇÕES APRESENTADAS, SISTEMATICAMENTE, COM RECEITAS MENORES QUE AS ESCRITURADAS EM LIVROS FISCAIS ‑ MULTA AGRAVADA CABIMENTO O dolo, elemento imprescindível à caraterização das figuras que justificam a exasperação da penalidade, resta comprovado pela conduta reiterada e sistemática, consistente em calcular o imposto de renda e informálo nas Declarações de Rendimentos e nas DCTF, tomando como base para apuração do tributo um percentual quase fixo (entre 7% e 10%) das receitas efetivamente auferidas e escrituradas em livros fiscais." Acórdão 10807.569 "MULTA AGRAVADA CONDUTA REITERADA DECLARAÇÃO ABAIXO DO VALOR DA RECEITA PARA ENQUADRAMENTO NO SIMPLES EM ANOS SEGUIDOS O fato do contribuinte declarar pelo "Simples" em vários anos sucessivos, quando, na verdade, auferia receita muito superior a declarada, confirma hipótese de aplicação da multa qualificada, no percentual de 150%." Acórdão 10194.230 "FRAUDE CARACTERIZAÇÃO A reiterada conduta ilícita do contribuinte, ao longo do tempo, consistente na não escrituração de contas bancárias e na emissão de notas calçadas ao longo de vários períodosbase, descaracteriza o caráter fortuito do procedimento, evidenciando o intuito doloso tendente à fraude.". desse modo, o ilícito foi cometido pelo recorrido com evidente intuito de fraude, sendo inteiramente cabível, conforme jurisprudência pacificada, a cobrança da multa qualificada. Ao final, a Fazenda Nacional pede o provimento do recurso, restabelecendo se a multa de 150%. Cientificado do acórdão, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do despacho que lhe deu seguimento em 06/12/2013 (AR Aviso de Recebimento de fls. 1.939/1.940), o Contribuinte ofereceu, em 12/12/2013, as Contrarrazões de fls. 1.932 a 1.935). Ademais, informou às fls. 1.936 haver aderido a parcelamento, relativamente à parcela do crédito tributário que foi mantida. Em sede de Contrarrazões, o Contribuinte argumenta, em síntese: Fl. 1952DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/0 6/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 6 o Recurso Especial não tem condições de prosseguir, por colidir com o Regimento do CARF, que impede a interposição do apelo contrário a entendimento consolidado em súmula; ainda que assim não fosse, o recurso não deve ser acolhido, em face da inexistência da alegada divergência jurisprudencial; o primeiro paradigma, Acórdão n° 10196.908, não tem a mínima identidade fática com o acórdão recorrido, por envolver situação de declaração falsa de inatividade, que nada tem a ver com o presente feito; o segundo paradigma, Acórdão n° 10517.107, igualmente, não tem a mínima identidade fática com o recorrido, seja por envolver situação de pagamentos não escriturados por uma pessoa jurídica, seja em face do caráter aleatório do enunciado da ementa dita como divergente, o que impossibilita qualquer confronto de conteúdo; na Impugnação e no Recurso Voluntário está reiteradamente demonstrado que, neste processo, a "omissão de rendimentos" foi lançada mediante uso da presunção pessoal da autoridade lançadora, conforme o excerto abaixo: " ... diante da constatação de que alguns contratos de CPR anteriormente pactuados mediante a concessão de ADIANTAMENTOS DE RECURSOS FINANCEIROS foram liquidados sem a indicação das notas fiscais que lhes dariam ensejo, os Autuantes presumiram que houve a entrega de produtos sem emissão de notas fiscais. Ora, dita presunção não pode prosperar por carecer de uma base factual e documental mínima. Ademais, no item 4.3 retro (e subitens), a Impugnante demonstrou, com base em vários motivos, que, de fato, inexiste a omissão de receita apontada. Assim sendo, resta evidente a inexistência do fenômeno SONEGAÇÃO, que os Autuantes atribuíram à situação em comento. De qualquer forma, mesmo que a referida presunção fosse admitida para fins de lançamento, a mesma não se estenderia ao campo da penalização. Crime não se presume, provase. No presente caso, não está provado. Complementando o que aduziu no item precedente, o Recorrente observa que todas as inferências e imputações promovidas pelos Autuantes TEM ORIGEM em dados extraídos da escrituração e do vasto documentário apresentado. Logo, carece de nexo lógico, é paradoxal a alegação de que houve intuito doloso de ocultar patrimônio e rendimentos ao Fisco, ou impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador do imposto. Se alguma penalização fosse aplicável, seria uma eventual multa administrativa decorrente das dificuldades geradas pela falta de organização. Tratase de um fato culposo jamais tipifícável como sonegação." é inverídica a alegação fazendária de que "os valores omitidos são de grande vulto", basta ver o pequeno valor mantido em relação ao originalmente lançado (RS Fl. 1953DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/0 6/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 11060.003727/201031 Acórdão n.º 9202003.982 CSRFT2 Fl. 1.951 7 18.737,37), o qual, mesmo não concordando, o recorrido optou por pagar parceladamente para não prolongar aborrecimentos. Ao final o Contribuinte pede a manutenção do acórdão recorrido. Voto Conselheira MARIA HELENA COTTA CARDOZO O Recurso Especial da Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir acerca do cumprimento dos demais pressupostos de admissibilidade. A matéria suscitada no Recurso Especial é a desqualificação da multa de ofício, levada a cabo no acórdão recorrido. Em sede de Contrarrazões, o Contribuinte questiona o seguimento do apelo, alegando ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas. Primeiramente, cabe especificar a situação verificada no caso do acórdão recorrido, no que diz respeito à qualificação da penalidade. Tratavase inicialmente de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescido de juros de mora e multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, tendo em vista a omissão de rendimentos da atividade rural, relativa aos anoscalendário de 2004 e 2005. A Fiscalização assim fundamentou a qualificadora: "O não reconhecimento de parte das receitas auferidas no ano calendário 2004 e a não emissão das notas fiscais no ano calendário 2005, caracterizam conduta que, em tese, incorrem na infração prevista no art. 71 da Lei n° 4.502764, cabendo a aplicação da multa de ofício qualificada prevista no art. 44, inc. I e parágrafos da Lei n° 9.430/96, com redação dada pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007 sobre os rendimentos de atividade rural omitidos pelo sujeito passivo, que totalizaram RS 369.436,06 no anocalendário 2004 e RS 216.515,10 no ano calendário 2005." No julgamento em primeira instância foi desqualificada a penalidade e declarada a decadência relativamente ao anocalendário de 2004, mantendose a autuação referente ao anocalendário de 2005, inclusive com a qualificadora. A DRJ assim fundamentou a decisão: "Sobre a multa qualificada sobre os rendimentos omitidos no anocalendário 2004 Para esse anocalendário a qualificação da multa de ofício se deu em função de que parte das notas fiscais de venda emitidas não foram oferecidas à tributação. A simples omissão de rendimentos não dá causa à qualificação da multa de ofício. A infração a dispositivo de lei, mesmo que resulte diminuição de pagamento de tributo, não autoriza Fl. 1954DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/0 6/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 8 presumir a ocorrência de sonegação. A inobservância da legislação tributária tem que estar acompanhada de prova de que o sujeito passivo empenhouse em induzir a autoridade administrativa em erro para que fique caracterizada a conduta dolosa. A qualificação da multa não se vincula às importâncias envolvidas no lançamento. Não cabe à autoridade administrativa, em razão do valor apurado no auto de infração, aplicar ou deixar de aplicar a multa qualificada. Deve basear se, sim, na conduta adotada pelo infrator em relação à infração. Verificada a intenção dolosa do contribuinte de reduzir indevidamente sua base de cálculo, a fim de se eximir do imposto devido, a multa deve ser qualificada, sejam grandes ou sejam pequenos os valores discutidos. A jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é pacífica neste sentido, tendo sido editada a Súmula CARF n° 25,com efeito vinculante em relação á administração tributária federal, publicada pela Portaria MF/GM n° 383, no D.O.U. de 14/07/2010, in verbis: Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Sobre a multa qualificada sobre os rendimentos omitidos no anocalendário 2005 A qualificação da multa de ofício sobre os rendimentos omitidos no anocalendário 2005 foi decorrente da não emissão de notas fiscais das vendas relativas às entregas de produto em cumprimento aos contratos de adiantamento. Correto o procedimento fiscal quanto à aplicação da multa qualificada. Embora o contribuinte afirme que a constatação de não emissão de notas fiscais das vendas no cumprimento a contratos de adiantamento resulta do uso de uma presunção pessoal dos autuantes, não é o que ocorre. O extrato dos estoques mantidos pela parceria na Herter Cereais no anocalendário 2005 indicam a liquidação das CPR com a entrega de grãos. Com exceção de alguns pagamentos parciais das CPR, não houve nenhuma comprovação de que as liquidações ocorreram de forma diversa dos contratos. Assim, houve entrega de grãos a Herter Cereais sem a devida emissão de nota fiscal. Cumpre dizer que o dolo é a vontade consciente orientada para um determinado resultado buscado pelo agente, e, sendo de natureza subjetiva, se não for confessada, só pode ser perquirida através da sua manifestação exterior. A conduta adotada pelo contribuinte revela o intuito doloso de ocultar patrimônio e rendimentos ao fisco, bem como impedir o conhecimento, por parte do fisco, da ocorrência do fato gerador do imposto, configurando, portanto, sonegação, definida nos termos do artigo 71, inciso I, da Lei n° 4.502/1964, devendo ser Fl. 1955DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/0 6/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 11060.003727/201031 Acórdão n.º 9202003.982 CSRFT2 Fl. 1.952 9 mantida a exigência da multa qualificada de 150% incidente sobre a omissão de rendimentos apurada no anocalendário(...)" (grifei) Assim, conforme a decisão de Primeira Instância, no anocalendário de 2004 não ocorreu o dolo, portanto inaplicável a multa qualificada. Ademais, restou claro nessa decisão que os valores envolvidos na autuação não deveriam condicionar a exasperação da penalidade, devendose observar tãosomente a conduta do autuado. Tal decisão transitou em julgado, uma vez que não sujeita a Recurso de Ofício, de sorte que, restando apenas um ano calendário tido como sujeito à qualificadora, não há que se falar em reiteração. Tampouco se pode falar em valores elevados, já que, repitase, este não foi o critério adotado na decisão que se tornou definitiva. Como paradigma, a Fazenda Nacional indicou os Acórdãos nºs 10196.908 e 10517.107. Quanto ao primeiro deles, a Recorrente limitase a colacionar a respectiva ementa, conforme a seguir: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ AnosCalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 Ementa: MULTA QUALIFICADA DE 150% CONDUTA FRAUDULENTA A prática reiterada da contribuinte, por sucessivos exercícios, em omitir receitas, mediante declaração falsa de inatividade, e em declarar de maneira significantemente reduzida a receita auferida, caracterizam sua intenção fraudulenta e, por conseguinte, justificam a aplicação da multa qualificada de 150%." (destaques da Recorrente) De plano constatase que esse primeiro paradigma não se presta a demonstrar a alegada divergência, já que nele a qualificadora foi fundamentada na conduta reiterada, por cinco anoscalendário consecutivos, de apresentação de declaração falsa de inatividade, o que de forma alguma ocorreu no caso do acórdão recorrido. Com efeito, no acórdão recorrido não houve reiteração, já que a conduta considerada dolosa, após decisão definitiva da DRJ, limitou se a apenas um anocalendário. Ademais, a expressividade de valores foi descartada como critério de qualificação da multa e não houve qualquer menção a apresentação de declaração de inatividade. No que tange ao segundo paradigma indicado Acórdão nº 10517.107 a Fazenda Nacional assim colacionou a ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ EXERCÍCIO: 2000 Ementa: DECADÊNCIA Na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a teor do parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, a regra de decadência ali prevista não opera. Nesses casos, a melhor exegese é aquela que direciona para aplicação da regra geral estampada no art. 173, I do mesmo diploma legal (Código Tributário Nacional). NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA IMPROCEDÊNCIA Constatado que as infrações apuradas Fl. 1956DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/0 6/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 10 foram adequadamente descritas nas peças acusatórias e no correspondente Termo de Verificação Fiscal, e que o contribuinte, demonstrando ter perfeita compreensão delas, exerceu o seu direito de defesa, não há que se falar em nulidade do lançamento. REMESSAS PARA O EXTERIOR. COMPROVAÇÃO Se os elementos aportados aos autos pela Fiscalização, em confronto com as alegações apresentadas pela contribuinte, possibilitam criar convicção acerca do autor das remessas de recursos para o exterior, há que se manter o lançamento tributário. OMISSÃO DE RECEITAS PAGAMENTOS NÃO ESCRITURADOS A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica caracteriza, também, omissão de receita. MULTA QUALIFICADA Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado da contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados a título de omissão de receitas, da multa de ofício qualificada de 150%, prevista no inciso II do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996. JUROS SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." A leitura da ementa, mormente do trecho destacado, permite concluir que se trata essencialmente de matéria de prova, o que não se presta à demonstração de divergência, já que, nesse particular, cada processo constitui um universo específico. Nesse passo, a divergência somente restaria demonstrada se, em situação semelhante à do Contribuinte autuado no processo ora em julgamento, fosse mantida a qualificadora. No caso do acórdão recorrido, a infração foi a não emissão de nota fiscal por pessoa física que desempenha a atividade rural. Já no caso do paradigma, ao que tudo indica, tratase de pessoa jurídica que efetuou remessas para o exterior, bem como deixou de escriturar pagamentos. Com efeito, as situações fáticas são diversas, sendo que sequer as infrações se assemelham, de sorte que esse segundo paradigma também não demonstra a alegada divergência. Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora Fl. 1957DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/0 6/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO
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Numero do processo: 15463.000166/2010-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jul 19 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2402-000.563
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do Relatório e do Voto do relator.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Natanael Vieira dos Santos - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva, Lourenço Ferreira do Prado, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do Relatório e do Voto do relator. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Natanael Vieira dos Santos Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva, Lourenço Ferreira do Prado, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 54 63 .0 00 16 6/ 20 10 -3 6 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 15/0 7/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15463.000166/201036 Resolução nº 2402000.563 S2C4T2 Fl. 119 2 RELATÓRIO 1. Tratase de Recurso Voluntário interposto por MARIA HELENA BLOOMFIELD PEREGRINO DA SILVA, em face do acórdão nº 1253.921, proferido pela 21ª Turma de Julgamento da DRJ/RJ1, Rio de Janeiro (RJ), na sessão de 20 de março de 2013, na qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. 2. O lançamento efetuado, contra o qual se insurge a contribuinte, referese a rendimentos omitidos em sua DAA, anocalendário 2005, exercício 2006, que montam o valor de R$ 38.129,49 e se refere aos pagamentos efetuados pela fonte pagadora FUNDAÇÃO BANCO CENTRAL DE PREVIDÊNCIA PRIVADA CENTRUS (fl. 13). 3. Em cotejo dos valores recebidos de pessoa jurídica, informados em DIRF, com o declarado foi constatada a omissão de rendimentos acima mencionados, os quais refletiram na apuração do IRPF e com a consequente cobrança suplementar do imposto no valor de R$ 5.295,56, conforme Notificação de Lançamento, de 14/12/2009 (fls. 12/15). 4. Em 22/12/2009 (fl. 36), a contribuinte foi devidamente notificada do lançamento, e, em 21/01/2010, por não concordar com o procedimento fiscal, tempestivamente, ingressou com a competente impugnação (fls. 03/10), a respeito da qual, por unanimidade de votos, entendeu os julgadores de primeira instância pela sua improcedência (fls. 51/58). 5. Cientificada da decisão supra, em 13/02/2014 (fl. 63), a recorrente interpôs recurso voluntário, em 17/03/2014 (fls. 66/81), onde, basicamente, reitera o alegado em sede de impugnação, argumentando, em síntese, quanto à necessidade de reforma do r. acórdão recorrido, e, consequentemente, tornar insubsistente o lançamento. É o relatório. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 15/0 7/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15463.000166/201036 Resolução nº 2402000.563 S2C4T2 Fl. 120 3 VOTO Conselheiro Natanael Vieira dos Santos Relator 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade, previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. 2. A Fiscalização em procedimento de revisão da Declaração de Ajuste Anual DAA do Imposto de Renda da contribuinte, referente ao Exercício de 2006, AnoCalendário de 2005, apurou crédito tributário de R$ 11.485,54, já acrescido de multa de mora e juros de mora calculados até 30/12/09. Contudo, a recorrente alega, em síntese, não ser devida tal importância, uma vez que se refere a benefícios pagos por entidade de previdência privada, constituídos pelas contribuições do próprio participante, e, assim isento do imposto de renda. 3. O imposto de renda suplementar acima mencionado decorre, portanto, de omissão de rendimentos num montante de R$ 38.129,49, relativos aos pagamentos efetuados a contribuinte pela Fundação Banco Central de Previdência Privada Centrus que, segundo a interessada, reiterese, não tributado pelo imposto de renda. 4. Em sede recursal, assim como fez na impugnação, sem trazer provas, mas apenas alegações, insiste no direito à isenção, apontando inclusive que se trata de matéria já pacificada no STJ, reproduzindo, inclusive, diversas decisões da referida Corte. 5. No recurso voluntário a contribuinte faz referência no sentido de que ingressou no Poder Judiciário requerendo restituição e/ou afastamento de tributação da complementação de aposentadoria, nos termos da IN RFB nº 1343/2013. 6. Vejase que, a propositura, pelo contribuinte, de ação judicial com o propósito de discutir mesma matéria com objeto idêntico importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso já interposto. 7. É neste sentido o já pacificado por esta Corte Administrativa por meio da Súmula CARF n° 01: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." 8. Assim, tendo em conta as informações sumárias da contribuinte, quanto ao ingresso de ação judicial para pleitear o afastamento de tributação da complementação de aposentadoria, entendo como sendo necessário baixar os autos em diligência para que posteriormente se verifique eventual concomitância de instância, o que se constatado cessaria na esfera administrativa o exame do recurso interposto pela recorrente. 9. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que a autoridade administrativa de origem intime a contribuinte para que esta junte aos autos cópia Fl. 120DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 15/0 7/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15463.000166/201036 Resolução nº 2402000.563 S2C4T2 Fl. 121 4 da petição inicial, inclusive eventuais decisões de primeira e segunda instância judiciária, se houver, relativamente aos autos do processo judicial nº 2004.34.00.0075370. Após as providências diligenciais, os autos deverão retornar a este Conselho para a conclusão do julgamento. É como voto. Natanael Vieira dos Santos. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 15/0 7/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S
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Numero do processo: 10715.004861/2009-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004
ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA.
Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação - após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicou-se a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescente-se, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito.
Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.763
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004 ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação - após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicou-se a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescente-se, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 48 61 /2 00 9- 19 Fl. 224DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.004861/200919 Acórdão n.º 9303003.763 CSRFT3 Fl. 225 2 advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente HENRIQUE PINHEIRO TORRES Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige do contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801004.801, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa acima citada. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350/2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida e o sujeito passivo apresentou Contrarrazões. É o relatório, em síntese. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.004861/200919 Acórdão n.º 9303003.763 CSRFT3 Fl. 226 3 Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.553, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.000019/201033 , paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.553): "O recurso é tempestivo e, como será demonstrado linhas abaixo, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser conhecido. De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma nº 3802001.128, de 28/06/2012, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, são as mesmas, a saber: a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Mais uma vez, ressaltese que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Frisese que, tanto no paradigma quanto no recorrido, enfrentouse a aplicação da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras relativas ao descumprimento do Fl. 226DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.004861/200919 Acórdão n.º 9303003.763 CSRFT3 Fl. 227 4 prazo estabelecido para prestar as informações, a que alude o dispositivo legal acima transcrito, sendo que, no paradigma, afastouse a possibilidade de aplicação da denúncia espontânea a esse tipo de infração. Para tanto, o Colegiado buscou arrimo no Código Tributário Nacional, desprezando, completamente, em seus fundamentos, a novel legislação. Já no acórdão recorrido, tanto o CTN quanto a nova redação do § 2º do art. 102 do Decreto Lei 37/1966 foram utilizados para arrazoar a decisão que aplicou a denúncia espontânea à infração aqui sob exame. Todavia, o fato de o paradigma não ter consignado, em seus fundamentos, a alteração do § 2º do DL 37/66, ocorrida em 2010, não impede a configuração do dissenso, pois não são os fundamentos adotados pelo colegiado que configuram a divergência. No caso, diante de uma mesma penalidade e de julgamentos com resultados opostos (do recorrido e do paradigma), ambos realizados na vigência dos mesmos dispositivos legais, entendo presentes os requisitos necessários à comprovação da divergência jurisprudencial. Atendidos, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.004861/200919 Acórdão n.º 9303003.763 CSRFT3 Fl. 228 5 O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 228DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.004861/200919 Acórdão n.º 9303003.763 CSRFT3 Fl. 229 6 e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 229DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.004861/200919 Acórdão n.º 9303003.763 CSRFT3 Fl. 230 7 infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá Fl. 230DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.004861/200919 Acórdão n.º 9303003.763 CSRFT3 Fl. 231 8 mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.004861/200919 Acórdão n.º 9303003.763 CSRFT3 Fl. 232 9 [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 232DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 19515.722032/2011-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - INOBSERVÂNCIA DE REGULARIDADE NO LANÇAMENTO - NÃO OCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - CONDUTOR AUTÔNOMO DE VEÍCULO RODOVIÁRIO - SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO
O salário de contribuição do condutor autônomo de veículo rodoviário (inclusive o taxista), do auxiliar de condutor autônomo e do operador de máquinas, bem como do cooperado filiado à cooperativa de transportadores autônomos, conforme estabelecido no § 4º do art. 201 do Decreto 3.048/1999, corresponde a vinte por cento do valor bruto auferido pelo frete, carreto, transporte, não se admitindo a dedução de qualquer valor relativo aos dispêndios com combustível e manutenção do veículo.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - GFIP - APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - ALTERAÇÃO NO ORDENAMENTO JURÍDICO - LEI NOVA QUE CONCEDE ANISTIA À INFRAÇÃO - APLICABILIDADE AO FATO PRETÉRITO.
Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
Todavia, antes da apresentação dos autos para julgamento o ordenamento jurídico foi inovado pela Lei 13.097/2015, publicada no DOU em 20.01.2015 com vigência dos artigos 48 a 50, na data de publicação da citada lei. A multa aplicada nesse auto de infração está abarcada pela anistia concedida pela Lei 13.097/2015, ainda, que tal lei só cite o artigo 32 - A, da Lei 8.212/91 na redação dada pela MP 449/2008 convertida na Lei 11.491/2009, de forma que em verdade o dispositivo legal a prevalecer não seria o antigo, artigo 32, IV, §4º, mas sim o artigo 32 - A - I, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009, uma vez que o artigo 106, II, c, da Lei 5.172/66 determina a aplicação da legislação que comine penalidade menos severa.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2202-003.263
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao Recurso, para excluir o AIOA nº 37.362.602-9, em função da anistia da Lei nº 13.097/2015, vencidos os Conselheiros PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO (Relator), MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA e MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA, que negaram provimento. Foi designada a Conselheira JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO para redigir o voto vencedor.
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Márcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente convocado), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). Presente ao julgamento, a Procuradora da Fazenda Nacional, Drª Francianna Barbosa de Araújo.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO CONDUTOR AUTÔNOMO DE VEÍCULO RODOVIÁRIO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO O salário de contribuição do condutor autônomo de veículo rodoviário (inclusive o taxista), do auxiliar de condutor autônomo e do operador de máquinas, bem como do cooperado filiado à cooperativa de transportadores autônomos, conforme estabelecido no § 4º do art. 201 do Decreto 3.048/1999, corresponde a vinte por cento do valor bruto auferido pelo frete, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 20 32 /2 01 1- 59 Fl. 989DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROB ERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 carreto, transporte, não se admitindo a dedução de qualquer valor relativo aos dispêndios com combustível e manutenção do veículo. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO GFIP APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS ALTERAÇÃO NO ORDENAMENTO JURÍDICO LEI NOVA QUE CONCEDE ANISTIA À INFRAÇÃO APLICABILIDADE AO FATO PRETÉRITO. Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autode infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Todavia, antes da apresentação dos autos para julgamento o ordenamento jurídico foi inovado pela Lei 13.097/2015, publicada no DOU em 20.01.2015 com vigência dos artigos 48 a 50, na data de publicação da citada lei. A multa aplicada nesse auto de infração está abarcada pela anistia concedida pela Lei 13.097/2015, ainda, que tal lei só cite o artigo 32 A, da Lei 8.212/91 na redação dada pela MP 449/2008 convertida na Lei 11.491/2009, de forma que em verdade o dispositivo legal a prevalecer não seria o antigo, artigo 32, IV, §4º, mas sim o artigo 32 A I, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009, uma vez que o artigo 106, II, “c”, da Lei 5.172/66 determina a aplicação da legislação que comine penalidade menos severa. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 990DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROB ERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.722032/201159 Acórdão n.º 2202003.263 S2C2T2 Fl. 991 3 ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao Recurso, para excluir o AIOA nº 37.362.6029, em função da anistia da Lei nº 13.097/2015, vencidos os Conselheiros PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO (Relator), MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA e MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA, que negaram provimento. Foi designada a Conselheira JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO para redigir o voto vencedor. Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Júnia Roberta Gouveia Sampaio Redatora Designada Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Márcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente convocado), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). Presente ao julgamento, a Procuradora da Fazenda Nacional, Drª Francianna Barbosa de Araújo. Fl. 991DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROB ERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente contra Acórdão nº 0252.619 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte MG que julgou procedente as Autuações por descumprimento de obrigações: Principal AIOP nº. 37.362.6037 (parte da empresa); e Acessória AIOA nº. 37.362.6029 (CFL68). O Relatório da decisão de primeira instância aponta os Autos de Infração: (i) AIOP nº 37.362.6037, com valor consolidado em 19/12/2011, de R$ 612.119,12, referente à exigência de contribuições destinadas à previdência social inclusive, relativas às competências de 01/2007 a 12/2007, parte da empresa, incidentes sobre pagamentos efetuados a contribuintes individuais. (ii) AIOA nº 37.362.6029, no valor de R$ 60.942,80, lavrado em 20/12/2011, por descumprimento de obrigação acessória por infringência ao que dispunha, na época da infração, a Lei nº 8.212, de 24/7/1991, artigo 32, inciso IV e § 5º, combinado com disposto no Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048, de 6/5/1999, artigo 225, inciso IV e § 4 (Código de Fundamentação Legal – CFL nº 68). Em obediência ao que dispõe o CTN, artigo 106, inciso II, alínea “c” tais multas foram aplicadas relativamente a erros e omissões nas Guias de recolhimento do FGTS e informações à previdência social – GFIP de 03/2007 e de 08/2007 a 10/2007. O Relatório Fiscal mostra a descrição do código de levantamento CI: O débito relativo ao código de levantamento CI referese às contribuições devidas pela empresa incidentes sobre pagamentos efetuados aos contribuintes individuais taxistas autônomos que prestam serviços a Associação Zona Leste Rádio Táxi. Os valores apurados não foram informados na Guia de recolhimento do FGTS e informações à Previdência Social GFIP. Ainda, o Relatório da decisão de primeira instância mostra os motivos da aferição indireta: Durante a fiscalização relativa ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ, constatouse, conforme dispõe o estatuto social do contribuinte, que a Associação Zona Leste Rádio Táxi foi constituída com a finalidade de gerar ganhos aos taxistas autônomos associados, e de administrar/coordenar as atividades econômicas por eles desenvolvidas proporcionandolhes maior número de “corridas”. Constatouse, ainda, que sua atividade é a execução de serviços de Rádio Táxi. Tal circunstância Fl. 992DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROB ERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.722032/201159 Acórdão n.º 2202003.263 S2C2T2 Fl. 992 5 (finalidade econômica) fere o que dispõe o Código Civil, artigo 53. Por essa razão, concluiuse que o contribuinte não é uma associação, pois uma entidade dessa natureza deve ser constituída com a finalidade de defesa e representação dos associados, e não como forma de potencializar rendimentos de uma classe de trabalhadores. Diante dessa circunstância restou demonstrado o não atendimento dos requisitos para o gozo de isenção de impostos previstos na Lei nº 9.532/1997, artigo 12, § 2º, alíneas “a”, “b” e “d”. Dessa feita, por meio do Ato Declaratório Executivo da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo – DEFIS/SPO nº 243, de 10/10/2011, foi declarada a suspensão da isenção tributária relativamente ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e a contribuição social sobre o lucro líquido, por descumprimento ao disposto na Lei nº 9.532/1997, artigo 15, § 3º. O sujeito passivo, após ser intimado a apresentar as folhas de pagamento dos contribuintes taxistas autônomos (com vistas a verificar o recolhimento das contribuições previdenciárias patronais), apenas se manifestou informando: que a associação não faz pagamento algum aos associados, que os associados são remunerados pelas empresas tomadoras de serviços, que são os associados a remunerar a associação pagando pelos serviços de radiocomunicação, e que não existe folha de pagamentos para associados. Por esse motivo, considerandose o que dispõe a Lei nº 8.212/1991, artigo 33, a remuneração foi aferida com base no faturamento da Associação Zona Leste Rádio Táxi. Em relação à base de cálculo, informa o relatório da decisão de primeira instância: Para a apuração da base de cálculo foram consideradas as quantias faturadas, no ano de 2007, pelo contribuinte, contabilizadas nas contas contábeis “4.1.1.01.001– Prestação de Serviços – Associados”, “4.1.1.01.006 – Prestação de Serviços Wappa” e “4.1.1.01.002 – Prestação de Serviços – Cartão de Crédito”. As operações de faturamento, identificadas com base nos registros contábeis efetuados nessas contas, e relativas a serviços prestados a pessoas jurídicas (ou com intermediação delas), bem como, os valores de receitas com serviços recebidos por meio de cartão de crédito estão discriminados no demonstrativo de fls. 83/224. Fl. 993DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROB ERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 6 Considerandose o que dispõe a IN SRP nº 3 de 14/7/2005, artigo 69, § 2º, o valor da remuneração, por competência, foi apurado pela aplicação do percentual de 20% sobre o faturamento mensal. A AuditoriaFiscal fez um quadro comparativo de multas aplicáveis com base na legislação de regência (antes da publicação da MP nº 449/2008) e com base na legislação modificada após a publicação da MP nº 449/2008. Desta forma, foi aplicada a multa mais benéfica ao contribuinte, considerando as modificações da legislação previdenciária levadas a efeito pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009 e considerandose o que dispõe o art. 106, II, alínea “c”, CTN: Como houve alterações importantes na Legislação em virtude da edição da MP 449/08, convertida na lei 11.941/09, temos que a multa a ser aplicada deve observar o princípio da retroatividade benigna, nos moldes do art. 106, "c" do Código Tributário Nacional até a data de entrada em vigor da MP em 04/12/2008. Portanto, comparamos a multa prevista pela legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador com a multa prevista na legislação superveniente, para cominação da mais benéfica ao contribuinte, no período de 01/2007 a 11/2007 (...) Conforme tabela acima, que contempla o código de levantamento CI verificamos que a multa deve ser aplicada nos moldes da legislação anterior por ser benéfica ao contribuinte nas competências 03/2007, 08/2007, 09/2007 e 10/2007. Em relação ao AIOA nº 37.362.6029 CFL68 o contribuinte foi autuado por ter enviado GFIP relativas às competências 03/2007, de 08/2007 a 10/2007, omitindo os valores pagos a contribuintes individuais, que tiveram que ser aferidos. Mostra o relatório da decisão de primeira instância: Em razão dessas infrações foi aplicada a multa total de R$ 60.942,80, apurada conforme determina na Lei nº 8.212/1991, artigo 32, § 5º e no Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, artigo 284, inciso II, e artigo 373. O valor da multa foi atualizado conforme Portaria Interministerial MPS/MF nº 568, de 31/12/2010, publicada no DOU de 3/1/2011. Nesse caso, o valor da multa, por competência, corresponde a 100% do valor da contribuição devida e não declarada limitada, com base no valor mínimo atualizado pela portaria mencionada, em função do número de segurados. Para identificação do número de associados, dividiuse o valor total das mensalidades pagas na competência pelo valor da mensalidade individual paga por cada associado. Fl. 994DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROB ERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.722032/201159 Acórdão n.º 2202003.263 S2C2T2 Fl. 993 7 O cálculo da multa foi demonstrado no documento de fl. 81. O período objeto do auto de infração conforme o Relatório Fiscal é de 01/2007 a 12/2007. A Recorrente teve ciência do auto de infração em 20.12.2011, às fls. 230. A Recorrente apresentou Impugnação, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: Esclarece que está em curso uma impugnação ao Ato Declaratório nº 243, de 10/10/2011 que suspendeu sua isenção tributária. Afirma que, ao contrário do que consta no item 2.3.1 do Termo de Verificação Fiscal, apresentou esclarecimentos. Informa que formulou uma consulta tributária a respeito das contribuições para a previdência social antes do início do procedimento fiscal. Apresenta informações acerca dessa consulta: processo nº 13807.000704/201118, protocolado em 2/2/2011. Afirma que no caso não se aplica o disposto na Lei nº 8.212/1991, artigo 30, inciso I, pois os contribuintes individuais (transportadores autônomos) não estão a seu serviço, mas ele é que está a serviço deles (associados). Aduz que deve ser considerado o disposto no inciso II do mesmo artigo 30. Aponta que as rádiotaxis são constituídas como associações para prestarem serviços, principalmente, de “tele radiocomunicação” aos associados. Acrescenta que não possui veículos, e por essa razão, não presta serviços de transporte. Transcreve os artigos 1º e 3º do Estatuto Social da Zona Leste Táxi com o fito de comprovar que foi constituída para prestar serviços ao grupo a que se destina, sem fins lucrativos. Aponta que o serviço de transporte prestado a passageiros é remunerado pelas empresas desses passageiros e que no RIR, artigo 652, há a previsão de incidência de imposto de renda na fonte sobre valores pagos por serviços prestados por associados. Diz que sua atividade está representada pelo código CNAE 52290/01 – Serviços de apoio ao transporte por táxi, inclusive centrais de chamada. Afirma que os associados não integram sua folha de pagamento porque não são empregados, ao contrário, são os donos. Assevera que não gera lucro pois todas as contribuições dos associados são revertidas para eles em serviços, e que foi constituída, precípuamente, para atender a telefonemas de passageiros, anotar o pedido de táxi, e passálo para o associado que estiver em melhores condições de atender. Aduz Fl. 995DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROB ERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 8 que tal atividade não é fato gerador de contribuição previdenciária, mas somente de IR, e que em decorrência da Lei nº 9.632/1997, artigo 15, também nesse caso, há isenção. Alega que a tentativa de vislumbrar finalidade lucrativa com base em seu modo de atuação que propiciaria benefício econômico é pífia. Cita doutrina para corroborar essa alegação. Aduz que a fiscalização citou a mesma doutrina. Aponta que o fato de gerar benefício econômico não indica que ele tenha fins lucrativos, a ser assim todas as entidades filantrópicas seriam entidades com fins lucrativos. Afirma que nesse caso, a lei veda a distribuição de superávit. Conclui que gera benefícios econômicos, ainda que indiretamente, mas não há distribuição de superávit (finalidade lucrativa). Diz que não ocorreu nenhuma das hipóteses de incidência da contribuição lançada. ERRO NA ESCOLHA DA BASE DE CÁLCULO. RECEITA DE ASSOCIADOS. ERRO NA ESCOLHA DAS ALÍQUOTAS Aponta que as receitas da associação são, unicamente, as contribuições mensais dos associados que pagam os serviços de radiocomunicação. Afirma que o pagamento das empresas tomadoras de serviços dos associados são apenas transferidos (transportados) pela associação aos respectivos “donos” que fizeram as corridas. Acrescenta que esses valores são recursos financeiros que não se destinam à associação, pois a remuneração pelo transporte, paga pelo passageiro (empresas), é entregue inteiramente ao respectivo associado e que isso não chega a integrar a receita da associação. Tece considerações acerca da aplicação da legislação tributária e aponta que a fiscalização errou ao eleger como base de cálculo 20% da remuneração não respeitando o teto do salário de contribuição dos transportadores autônomos. Diz que ao proceder dessa forma também houve erro ao eleger a alíquota sem o limite previdenciário. DECISÃO DE SUSPENSÃO DA ISENÇÃO FISCAL Aponta que não celebra contratos em seu nome, mas em nome dos associados, que são os permissionários de serviço público, e que não poderia se obrigar a transportar passageiros. Acrescenta que não recebe pagamento de corridas em nome próprio, mas em nome deles. Afirma que o procedimento de fiscalização levou à suspensão da isenção, mas que a conclusão de que não cumpre os requisitos legais previstos na Lei nº 9.532/1997 está errada e que os argumentos da fiscalização não são técnicos, mas contraditórios, estando em desacordo com a lei. Assevera que a fiscalização errou em suas conclusões acerca da definição das instituições “associação” e “cooperativa”. Retoma suas considerações acerca da possibilidade de obtenção de ganhos, da vedação à distribuição de superávit (resultado financeiro positivo) e sobre o conceito de lucro e finalidade lucrativa. Cita a Lei nº Fl. 996DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROB ERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.722032/201159 Acórdão n.º 2202003.263 S2C2T2 Fl. 994 9 9.532/1997 para fundamentar o seu conceito de entidade sem fins lucrativos. Diz que para constatar a ocorrência de distribuição de superávit deveriam ser analisadas as receitas, as despesas e o resultado da atividade da associação. Disserta sobre como identificar se uma pessoa jurídica tem finalidade lucrativa e conclui que, como ele devolve aos associados todas as contribuições em forma de serviços e não em dinheiro, não há tal finalidade. Afirma que a isenção é concedida a associações civis que prestem serviços para os quais foram instituídas, e acrescenta que houve confusão da autoridade fiscal ao suspender a isenção, pois presta serviços para os associados, que por sua vez, como permissionários, prestam serviços de taxi a terceiros. Cita trecho de Termo de Credenciamento– TC expedido pela Prefeitura Municipal de São Paulo que lhe autoriza a prestar serviços de radiotáxi no município e no qual consta expressamente que tal credenciamento não lhe autoriza a transportar passageiros. Afirma que o TC está para o Radiotaxi como o alvará de estacionamento (permissão de serviço público) está para o taxista, o primeiro autoriza o serviço de radiocomunicação e o segundo o serviço de transporte. Acrescenta que ao contrário do pensamento do autuante, as associações têm patrimônio e este, dividido em frações, pertencem aos associados, conforme se depreende do Código Civil, artigo 56. Aduz que, o que as associações não possuem é capital social, pois as contribuições dos sócios são vertidas em seu favor por meio de serviços, mas elas podem adquirir bens e formar patrimônio divisível. Disserta sobre as cooperativas, ato cooperativo, e aponta elementos que segundo ele, demonstram não ter natureza de cooperativas. DESPESAS DE LOGÍSTICA Afirma que disponibilizava uma verba, limitada a R$ 3.500,00, para os associados que tivessem despesas trabalhando voluntariamente para a associação. Aponta que tais desembolsos se referiam ao reembolso de despesas que o associado suportou para efetuar o deslocamento em favor da associação. Assevera que a cada deslocamento que o associado faz, a seu serviço, gera despesas com o gasto de combustível, com o desgaste do veículo e ainda um “[...] prejuízo por tomarlhe o tempo em que poderia estar trabalhando na praça para si mesmo.” Afirma que, convencionouse restituir ou antecipar as despesas adotandose como critério único para o reembolso: o valor do custo do quilometro rodado e a despesa com o tempo despendido, o que seria uma indenização. Esclarece que não há um controle rígido sobre essas despesas, bastando ao associado, (...) Afirma que reembolsava, tanto pelo deslocamento do associado, quanto pelo tempo que ele passava atuando em favor da associação, o que lhe impedia de fazer uma ou duas corridas se Fl. 997DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROB ERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 10 estivesse livre. Aduz que, em ambas situações, o critério para reparar o prejuízo do associado era o mesmo: reembolsavase com uma verba no valor dos quilômetros rodados (efetivamente ou potencialmente). Informa que as visitas dos associados em seu favor, eram feitas, dentre outros, na associação: reuniões, fiscalização do serviço e do patrimônio, orientação aos funcionários, aos 48 pontos de táxi/Pontos de Apoio – PA (para dar instruções aos taxistas, para vistoriar os pontos de apoio e a regularidade da fila ou para atender alguma solicitação do PA) e às empresas clientes e futuros clientes (negociação de contratos novos, contratos em andamento, levar boletos bancários, apresentar a fatura dos serviços, solucionar eventual reclamação, negociar a melhora no atendimento), a órgãos públicos (requerer providências e documentos, cumprir exigências ou atender a intimações, atualizar ou renovar registros ou licenciamento), aos prestadores de serviços, tais como, escritórios de contabilidade, advocacia, engenharia de comunicações (reuniões e consultas periódicas, apresentar quinzenalmente documentação para lançamentos e registro contábeis, tratar das defesas e das ações judiciais e questões relacionadas a Anatel). Diz que tais visitas eram diárias, rotineiras e essenciais ao funcionamento da Radiotaxi e eram distribuídas entre vários associados. Informa que qualquer associado poderia fazer tal visita, mas os eleitos para os cargos de conselheiros, de presidente, de tesoureiro e de secretário eram os mais aptos a realizálas, e que cada visita era feita pelo associado com atribuição mais pertinente ao motivo/assunto da visita. Discrimina as atividades desenvolvidas pelos associados eleitos para participar de cargos na associação nessas visitas. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 0252.619 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Recife PE, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço e recolher o produto arrecadado juntamente com as contribuições previdenciárias a seu cargo. AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE FATOS GERADORES. Apresentar GFIP com erros ou omissões não relacionados com fatos geradores de contribuição previdenciária constitui infração à legislação previdenciária. MULTA RETROATIVIDADE. MOMENTO DO CÁLCULO. Fl. 998DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROB ERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.722032/201159 Acórdão n.º 2202003.263 S2C2T2 Fl. 995 11 A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A comparação para determinação da multa mais benéfica apenas pode ser realizada por ocasião do pagamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, onde combate fundamentadamente a decisão de primeira instância, em apertada síntese: (i) Da natureza jurídica da recorrente da condição de associação da recorrente Inexistência de prestação dos serviços dos associados à associação A recorrente é associação civil, reunindo associados do ramo de transporte de passageiros (taxistas autônomos), sem finalidade lucrativa, tendo por objetivo principal a prestação de serviços não onerosos aos seus associados, possibilitandolhes a prestarão de serviços de comum rádio táxi aos passageiros. (...)A recorrente celebra contratos (já acostados aos autos) com pessoas físicas e jurídicas que telefonam para a central de chamadas e solicitam os serviços dos taxistas associados. A recorrente busca o associado mais próximo e lhe encaminha o pedido. Ao final da corrida, o usuário assina um boleto, o qual será reunido com os demais para faturamento ao contratante de forma unificada. A associação recebe o valor total e repassa a cada um dos associados o valor integral que lhe compete em decorrência das "corridas" realizadas para aquele contratante. Portanto, percebese que a recorrente não contrata os serviços dos taxistas associados, mas sim mantém uma estrutura física e humana à disposição dos referidos associados, os quais arcam com todos os custos através do pagamento de mensalidades que independem do fato de haverem prestado ou não serviços a terceiros (ii) Da Legislação Municipal e do Termo de Credenciamento Em verdade, a recorrente apenas atua nas balizas da legislação municipal vigente no Município de São Paulo. (iii) Da ausência de fenomenologia tributária das contribuições previdenciárias Os princípios que regem o direito tributário sujeitamse às limites impostos pela Constituição Federal, a qual delineia a regramatriz de incidência tributária e, nos termos do seu artigo 195, inciso I, alínea "a", permite o nascimento da relação jurídicoobrigacional tãosomente em relação os pagamentos Fl. 999DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROB ERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 12 realizados a terceiros (contribuintes individuais) em decorrência de serviços prestados. Como dito, é absolutamente ilegal e inconstitucional a imputação da sujeição passiva à associação pelo recolhimento da contribuição social denominada quota patronal sobre os rendimentos auferidos pelos associados em decorrência dos serviços prestados por estes a terceiros, considerando' as seguintes premissas elementares (...) (iv) Da improcedência da multa Em virtude da não inclusão dos valores repassados aos taxistas associados na GFIP, foi lavrado o Auto de Infração 37.362.602 9 por haver incorrido a recorrente na infração dos artigos 32, IV e §§ 3o e 5o da Lei 8212/91 combinado com o artigo 225, IV e § 4o do Regulamento da Previdência Social Como base em todos os fundamentos acima expostos, concluise que os valores repassados aos taxistas autônomos associados à recorrente "não constituem fato gerador da contribuição previdenciária, razão pela qual a recorrente não infringiu nenhum dos artigos que constam da capitulação de legal do Auto de Infração atacado. Após, os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROB ERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.722032/201159 Acórdão n.º 2202003.263 S2C2T2 Fl. 996 13 Voto Vencido Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares. DAS QUESTÕES PRELIMINARES. (a) Da regularidade do lançamento Analisemos. Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente contra Acórdão nº 0252.619 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte MG que julgou procedente as Autuações por descumprimento de obrigações: Principal AIOP nº. 37.362.6037 (parte da empresa); e Acessória AIOA nº. 37.362.6029 (CFL68). O Relatório da decisão de primeira instância aponta os Autos de Infração: (i) AIOP nº 37.362.6037, com valor consolidado em 19/12/2011, de R$ 612.119,12, referente à exigência de contribuições destinadas à previdência social inclusive, relativas às competências de 01/2007 a 12/2007, parte da empresa, incidentes sobre pagamentos efetuados a contribuintes individuais. (ii) AIOA nº 37.362.6029, no valor de R$ 60.942,80, lavrado em 20/12/2011, por descumprimento de obrigação acessória por infringência ao que dispunha, na época da infração, a Lei nº 8.212, de 24/7/1991, artigo 32, inciso IV e § 5º, combinado com disposto no Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048, de 6/5/1999, artigo 225, inciso IV e § 4 Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROB ERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 14 (Código de Fundamentação Legal – CFL nº 68). Em obediência ao que dispõe o CTN, artigo 106, inciso II, alínea “c” tais multas foram aplicadas relativamente a erros e omissões nas Guias de recolhimento do FGTS e informações à previdência social – GFIP de 03/2007 e de 08/2007 a 10/2007. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foram lavrados Autos de Infração que, conforme definido nos artigos 460, 467 e 468 da IN RFB n° 971/2009, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela RFB, apuradas mediante procedimento fiscal: Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). IN RFB n° 971/2009 Art. 460. São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: I Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), é o documento declaratório da obrigação, caracterizado como instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário; II Lançamento do Débito Confessado (LDC), é o documento por meio do qual o sujeito passivo confessa os débitos que verifica; III Auto de Infração (AI), é o documento constitutivo de crédito, inclusive relativo à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, lavrado por AFRFB e apurado mediante procedimento de fiscalização; IV – Notificação de Lançamento (NL), é o documento constitutivo de crédito expedido pelo órgão da Administração Tributária; V Débito Confessado em GFIP (DCG), é o documento que registra o débito decorrente de divergência entre os valores recolhidos em documento de arrecadação previdenciária e os declarados em GFIP; e Art. 467. Será lavrado Auto de Infração ou Notificação de Lançamento para constituir o crédito relativo às contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º da Lei nº 11.457, de 2007. Art. 468. A autoridade administrativa competente para a lavratura do Auto de Infração pelo descumprimento de obrigação principal ou acessória, nos termos dos arts. 142 e 196 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), e art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, é o AFRFB que presidir e executar o procedimento fiscal. Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROB ERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.722032/201159 Acórdão n.º 2202003.263 S2C2T2 Fl. 997 15 Parágrafo único. Considerase procedimento fiscal quaisquer das espécies elencadas no art. 7º e seguintes do Decreto nº 70.235, de 1972, observadas as normas específicas da RFB. (grifo nosso) Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991, os artigos 232 e 233 do decreto 3.048/1991, bem como dos artigos 113, 115 e 122 do Código Tributário Nacional. O artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Os arts. 232 e 233, Decreto 3.048/1999: Art. 232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROB ERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 16 legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. O art. 113, CTN, estabelece que: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. O art. 115, CTN, estabelece que: Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. O art. 122, CTN, estabelece que: Art. 122. Sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obrigada às prestações que constituam o seu objeto. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: A autorização por meio da emissão de TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento, bem como a intimação para que o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); c. REFISC – Relatório Fiscal da Infração e da Aplicação da Multa. Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROB ERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.722032/201159 Acórdão n.º 2202003.263 S2C2T2 Fl. 998 17 Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose o AIOP temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Desta forma, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento por preterição aos direitos de defesa, pela imprecisão e erros de capitulação da infração e da multa. (b) Da inconstitucionalidade Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROB ERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 18 “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Ainda, o art. 59, caput, Decreto 7.574/2011; Art.59. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade (Decreto no 70.235, de 1972, art. 26A, com a redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, art. 25). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária: Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DO MÉRITO (i) Da natureza jurídica da recorrente da condição de associação da recorrente Inexistência de prestação dos serviços dos associados à associação Analisemos. Em relação à regularidade do lançamento, este assunto foi debatido no tópico (a), sendo afastada a argumentação da Recorrente. Em relação à inconstitucionalidade, este assunto foi debatido no tópico (b), sendo afastada a argumentação da Recorrente. O contribuinte argumenta que é associação civil, reunindo associados do ramo de transporte de passageiros (taxistas autônomos), sem finalidade lucrativa, tendo por objetivo principal a prestação de serviços não onerosos aos seus associados, possibilitandolhes a prestarão de serviços de comum rádio táxi aos passageiros. Anotese que o contribuinte, quando devidamente intimado pela Auditoria Fiscal, não apresentou as folhas de pagamento dos contribuintes taxistas autônomos tendo em vista o entendimento que a associação não faz pagamento algum aos associados, posto que estes são remunerados pelas empresas tomadoras de serviços, que são os associados a remunerar a associação pagando pelos serviços de radiocomunicação, e que não existe folha de pagamentos para associados. Temos que o conceito de associação está disposto no art. 53, CC/2002: Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROB ERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.722032/201159 Acórdão n.º 2202003.263 S2C2T2 Fl. 999 19 Art. 53. Constituemse as associações pela união de pessoas que se organizem para fins não econômicos. Parágrafo único. Não há, entre os associados, direitos e obrigações recíprocos. Anotese que as associações, conforme o art. 53, CC/2002, são formadas pela união de pessoas, com fins determinados, que não sejam lucrativos. Neste sentido, temse o Enunciado nº 534 da VI Jornada de Direito Civil (realizada nos dias 11 e 12.03.2013): ENUNCIADO 534 – As associações podem desenvolver atividade econômica, desde que não haja finalidade lucrativa. Artigo: 53 do Código Civil Justificativa: Andou mal o legislador ao redigir o caput do art. 53 do Código Civil por ter utilizado o termo genérico “econômicos” em lugar do específico “lucrativos”. A dificuldade está em que o adjetivo “econômico” é palavra polissêmica, ou seja, possuidora de vários significados (econômico pode ser tanto atividade produtiva quanto lucrativa). Dessa forma, as pessoas que entendem ser a atividade econômica sinônimo de atividade produtiva defendem ser descabida a redação do caput do art. 53 do Código Civil por ser pacífico o fato de as associações poderem exercer atividade produtiva. Entendese também que o legislador não acertou ao mencionar o termo genérico “fins não econômicos” para expressar sua espécie “fins não lucrativos. Ainda, o Relatório Fiscal mostra, dentre os motivos da aferição indireta, que durante a fiscalização relativa ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ, constatou se, conforme dispõe o estatuto social do contribuinte, que a Associação Zona Leste Rádio Táxi foi constituída com a finalidade de gerar ganhos aos taxistas autônomos associados, e de administrar/coordenar as atividades econômicas por eles desenvolvidas proporcionandolhes maior número de “corridas”. Constatouse, ainda, que sua atividade é a execução de serviços de Rádio Táxi. Tal circunstância (finalidade econômica) fere o que dispõe o Código Civil, artigo 53. Concordo com a AuditoriaFiscal quando esta afirma que a finalidade econômica do contribuinte se encontra evidenciada em seu estatuto, posto ter sido demonstrado que o objetivo da associação é de ter uma atividade econômica típica de uma empresa de agenciamento e de transporte individual de passageiros por rádio táxi com finalidade de obtenção de remuneração, viola o conceito jurídico de associação do art. 53, CC/2002. Registrese que, neste ponto em que restou demonstrada a violação dos requisitos para o gozo de isenção de impostos previstos no art. 12, § 2º, alíneas “a”, “b” e “d”, Lei 9.532/1997, foi lavrado o Ato Declaratório Executivo da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo – DEFIS/SPO nº 243, de 10/10/2011, na qual se declarou a suspensão da isenção tributária relativamente ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e a contribuição social sobre o lucro líquido. Peço vênia para colacionar a decisão de primeira instância neste ponto de descaracterização fática da forma jurídica de associação utilizada pelo contribuinte, posto que Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROB ERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 20 adotoa pelos mesmos fundamentos, às fls. 902 (numeração do arquivo digital), que mostra que o contribuinte não apresentou qualquer suporte fático para as alegações de que sempre atuou como associação, inclusive apresenta elementos que corroboram a descaracterização do contribuinte como Associação, tais como o fato de que o contribuinte não demonstra que rateava a integralidade do valor recebido de um determinado cliente no mês, em favor dos transportadores autônomos: As alegações do impugnante no sentido de sempre atuou como uma associação, prestando serviços aos associados, estão desamparadas de suporte fático. O impugnante não junta aos autos qualquer documento que demonstre que procedia, conforme afirmado, apenas, repassando, ao associado, seus prepostos e locatários, via rádio/telefone, a demanda do cliente (terceiro) pelo serviço de transporte. A ocorrência de faturamentos (documentos de fls. 398/426) decorrentes de contratos assinados pela associação que, ao contrário do que alega, se comprometia, ela mesma, a prestar os serviços de transporte de pessoas, apenas, usando os veículos dos associados (conforme cópias de contratos de fls. 377/393), reforça a conclusão de que a associação não atuava como simples intermediária na prestação de serviços por transportadores autônomos. O balancete de verificação (juntado às fls. 369/373) demonstra que o contribuinte trata, contabilmente, as receitas auferidas com os transportes de passageiros como se fossem suas, e não dos transportadores autônomos, pois o grupo contábil “4.1.1 – Receitas e contribuições” representa a soma dos valores auferidos com o transporte de passageiros (contabilizados nas contas 4.1.1.01.001 – Prestação de Serviços – Associados, 4.1.1.01.002 –Prestação de Serviços Cartão de Crédito, 4.1.1.01.006 – Prestação de Serviços – Wappa) e das importâncias auferidas com o que são receitas próprias de uma associação (4.1.1.1.01.005 –Mensalidades dos associados). Tais circunstâncias, aliadas ao fato de que o contribuinte não demonstra que rateava a integralidade do valor recebido de um determinado cliente no mês, em favor dos transportadores autônomos (nem sempre um associado, conforme se depreende da leitura dos artigos 2º e 7º do Estatuto Social, à fls. 338/339) que haviam efetivamente realizado o transporte, corroboram o entendimento fiscal de que os transportadores autônomos (inclusive não associados) não recebiam apenas repasse de valores pagos por clientes, mas que eram remunerados pela associação. Tal conclusão é reforçada pelo fato de que o contribuinte também se utilizava do trabalho prestado pelos transportadores autônomos associados em seu favor. Isso é o que se depreende pela leitura de sua impugnação no tópico “DESPESAS DE LOGÍSTICA”. Nesse tópico, o contribuinte não deixa dúvidas de que efetuava pagamentos pelo transporte de documentos, pelo exercício de atividades necessárias ao seu funcionamento, e até mesmo, pelo tempo que um transportador ficava à sua disposição. Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROB ERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.722032/201159 Acórdão n.º 2202003.263 S2C2T2 Fl. 1000 21 Verificase que todas as atividades listadas pelo impugnante como exercidas por esses transportadores autônomos são necessárias ao desenvolvimento do seu objeto social. Percebese, portanto, que o contribuinte seria obrigado a contratar outras pessoas para desempenhar essas mesmas atividades caso não tivesse optado por tomar o serviço dos associados (conforme consta em sua impugnação). Depreendese da leitura da impugnação, que os pagamentos que o contribuinte classifica como reembolso foram efetuados sem qualquer exigência de comprovação de ocorrência das despesas. Assim, em que pesem as alegações e a nomenclatura dada pelo impugnante, esses pagamentos (efetuados em favor de pessoas físicas, transportadores autônomos) configuram remuneração recebida em contraprestação por serviço prestado à associação. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (ii) Da Legislação Municipal e do Termo de Credenciamento Analisemos. A legislação municipal neste ponto de tributação de contribuição social previdenciária não se aplica à discussão pois é competência privativa da União legislar sobre seguridade social, nos termos do art. 22, XXIII, CRFB/1988, sendo que a Lei Orgânica da Seguridade Social é a Lei 8.212/1991 regulamentada pelo Decreto 3.048/1999. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (iii) Da ausência de fenomenologia tributária das contribuições previdenciárias Analisemos. Em relação à inconstitucionalidade, argumento central do contribuinte neste tópico, registrese que tal assunto foi debatido no tópico (b), sendo afastada a argumentação da Recorrente. Em relação à aferição indireta das contribuições lançadas, o Relatório Fiscal, aponta os motivos determinantes para tal, qual seja: Haja vista a área Previdenciária e o anteriormente explanado, a Associação Zona Leste foi intimada a apresentar as folhas de pagamentos dos contribuintes taxistas autônomos para fins de apuração da Parte Patronal devida incidente sobre estes pagamentos. Em resposta por escrito e devidamente assinada, a Associação Zona Leste através de seu Presidente Mauro Jóia Teixeira Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROB ERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 22 Vieira, declara que: a Associação não faz pagamento algum aos associados e que eles são remunerados pelas empresas tomadoras de serviços; são os associados que remuneram a Associação, eles pagam pelos serviços de teleradiocomunicação e não existe folha de pagamentos para associados na Leste Táxi Motivo pelo qual as contribuições foram aferidas com base no Faturamento da Associação Zona Leste .adio Táxi. Outrossim, observemos as regras normativas a respeito do procedimento de aferição indireta, constantes da Lei 8.212/1991, do Decreto 3.048/1999 e da Instrução Normativa MPS/SRP nº 3/2005: Lei 8.212/1991 Art. 33.. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). (...) § 2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (gn) Decreto 3.048/1999 Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos;(gn) (...) §13. Os lançamentos de que trata o inciso II do caput, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo, obrigatoriamente: I atender ao princípio contábil do regime de competência; e Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROB ERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.722032/201159 Acórdão n.º 2202003.263 S2C2T2 Fl. 1001 23 II registrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriodecontribuição, bem como as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. Decreto 3.048/1999 Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Considerase deficiente o documento ou informação Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. (gn) Decreto 3.048/1999 Art. 235. Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, da receita ou do faturamento e do lucro, esta será desconsiderada, sendo apuradas e lançadas de ofício as contribuições devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (gn) Em relação à base de cálculo, devese observar o art. 69, § 2º, IN MPS/SRP nº 3/2005: Art. 69. Entendese por salário de contribuição: (...)§ 2º O salário de contribuição do condutor autônomo de veículo rodoviário (inclusive o taxista), do auxiliar de condutor autônomo e do operador de máquinas, bem como do cooperado filiado à cooperativa de transportadores autônomos, conforme estabelecido no § 4º do art. 201 do RPS, corresponde a vinte por cento do valor bruto auferido pelo frete, carreto, transporte, não se admitindo a dedução de qualquer valor relativo aos dispêndios com combustível e manutenção do veículo, ainda que parcelas a este título figurem discriminadas no documento Neste sentido, o Relatório Fiscal mostra como base de cálculo das contribuições previdenciárias o correspondente a 20% dos valores referentes ao faturamento pela prestação de serviços: 5.1 Considerandose a atividade exercida pela Associação, no ano de 2007, em termos de faturamento pela prestação de serviços conforme balancete em anexo, temos que: Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROB ERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 24 Conta 4.01.01.01.01 Prestação de Serviços AssociadosR$ 7.019.152,71 Conta 4.01.01.01.06 Prestação de Serviços WappaR$ 529.235,37 Conta 4.01.01.01.02 Prestação de Serviços Cartão de CréditoR$ 192.529,02 TotalR$ 7.740.917,10 5.2 WAPPA, de acordo com esclarecimentos prestados pela Associação, é uma empresa que atua no mercado intermediando contratos entre as empresas de rádio táxi e as pessoas que utilizam estes serviços, cobrando para tanto, uma comissão que incide sobre o valor da somatória das corridas. 5.3 De acordo com o art 69, §2° da Instrução Normativa SRP n° 3, de 14/07/2005: §2° O salário de contribuição do condutor autônomo de veículo rodoviário (inclusive o taxista), do auxiliar de condutor autônomo e do operador de máquinas, bem como do cooperado filiado à cooperativa de transportadores autônomos, conforme estabelecido no §4° do art. 201 do RPS, corresponde a vinte por cento do valor bruto auferido pelo frete, carreto, transporte, não se admitindo a dedução de qualquer valor ativo aos dispêndios com combustível e manutenção do veículo, ainda que parcelas a este título figurem discriminadas no documento. 5.4 Motivo pelo qual, consideramos como base de cálculo das contribuições previdenciárias o correspondente a 20% dos valores referentes ao faturamento. Consta em anexo planilha individualizando os valores do faturamento mensalmente, extraída dos arquivos magnéticos apresentados pela empresa. Diante do exposto, não prosperam as alegações da Recorrente. (iv) Da improcedência da multa Analisemos. O contribuinte argumenta, como ponto central, que se os valores repassados aos taxistas autônomos não constituírem fato gerador de contribuição previdenciária deve ser afastada a multa lavrada de descumprimento de obrigação acessória. Em relação à inconstitucionalidade, tal assunto foi debatido no tópico (b), sendo afastada a argumentação da Recorrente. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o contribuinte deixou de declarar os contribuintes individuais taxistas autônomos em GFIP, Código de Fundamentação Legal CFL 68, no período 01/2007 a 12/2007. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inc. IV e §§ 3º e 5º, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, combinado com art. 225, IV e § 4°, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, §5°, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, e Regulamento da Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROB ERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.722032/201159 Acórdão n.º 2202003.263 S2C2T2 Fl. 1002 25 Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 284, inc. II, e art. 373. Portanto, diferentemente do argüido pelo contribuinte, em função do decidido por manter o Auto de Infração de Obrigação Principal, a autuação por descumprimento de obrigação acessória permanece hígida pois o contribuinte deixou de declarar os contribuintes individuais taxistas autônomos em GFIP, Código de Fundamentação Legal CFL 68, no período 01/2007 a 12/2007. Diante do exposto, não prosperam as alegações da Recorrente. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, para NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROB ERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 26 Voto Vencedor Júnia Roberta Gouveia Sampaio Redatora Designada Em que pese a argumentação do I. Relator, em relação ao AIOA nº 37.362.6029 divirjo do mesmo a partir da aplicação retroativa da anistia veiculada na norma da Lei nº 13.097/2015. Antes da apresentação dos autos para julgamento o ordenamento jurídico foi inovado pela Lei 13.097/2015, publicada no DOU em 20.01.2015 com vigência dos artigos 48 a 50, na data de publicação da citada lei. Ocorre que o artigo 49 citado e abaixo reproduzido dá expressa anistia as multas previstas no artigo 32 – A, da Lei 8.212/91. Art. 49. Ficam anistiadas as multas previstas no art. 32A da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, lançadas até a publicação desta Lei, desde que a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, tenha sido apresentada até o último dia do mês subseqüente ao previsto para a entrega. O artigo 32 – A citado acima prevê as seguintes infrações, observese o texto legal transcrito. Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROB ERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.722032/201159 Acórdão n.º 2202003.263 S2C2T2 Fl. 1003 27 Da leitura do texto legal supramencionado verificase que três são as infrações possíveis: (i) apresentar a GFIP com informações incorretas ou omissas, caput do artigo 32 A e parágrafo I; (ii) deixar de apresentar GFIP, caput do artigo 32 A e parágrafo II; (iii) apresentar GFIP fora do prazo, caput do artigo 32 A e parágrafo II; No caso vertente a recorrente foi autuada por ter praticado a conduta a seguir descrita: AIOA nº 37.362.6029, no valor de R$ 60.942,80, lavrado em 20/12/2011, por descumprimento de obrigação acessória por infringência ao que dispunha, na época da infração, a Lei nº 8.212, de 24/7/1991, artigo 32, inciso IV e § 5º, combinado com disposto no Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048, de 6/5/1999, artigo 225, inciso IV e § 4 (Código de Fundamentação Legal – CFL nº 68). Em obediência ao que dispõe o CTN, artigo 106, inciso II, alínea “c” tais multas foram aplicadas relativamente a erros e omissões nas Guias de recolhimento do FGTS e informações à previdência social – GFIP de 03/2007 e de 08/2007 a 10/2007. Com a entrada em vigor do artigo 32 – A como supramencionado, a infração passou a ter essa descrição: deixar a empresa de informar mensalmente a RFB, por intermédio do documentos a que se refere o art. 32, inciso IV, da Lei 8.212, de 24.07.91, os dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse da mesma. Evidenciase, assim, que a infração anterior é idêntica a nova infração, mas apenas com uma outra roupagem, descrição e com pequena alteração da capitulação legal. Desta forma, penso que a multa aplicada nesse auto de infração está abarcada pela anistia concedida pela Lei 13.097/2015, ainda, que tal lei só cite o artigo 32 – A, da Lei 8.212/91 na redação dada pela MP 449/2008 convertida na Lei 11.491/2009, e várias são as razões que me levam a essa conclusão. A uma, porque o artigo 108, I, da Lei 5.172/66 admite o emprego da analogia em matéria tributária, pois como diz o Supremo Tribunal Federal – STF, no AI 835.442 – RJ, 09/04/2013, R. Ministro Luiz Fux. 2. As transcrições revelam similaridade entre este caso e aquele que está com repercussão geral reconhecida. Aplicação das regras de hermenêutica jurídica segundo as quais: Ubi eadem ratio ibi idem jus (onde houver o mesmo fundamento haverá o mesmo direito) e Ubi eadem legis ratio ibi eadem dispositio Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROB ERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 28 (onde há a mesma razão de ser, deve prevalecer a mesma razão de decidir). A duas, porque o contribuinte não se defende do dispositivo legal infringido, mas sim da imputação, que a ele é feita e no caso como demonstrado a imputação é a mesma apenas o dispositivo legal é outro ou foi alterado, observese. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. DIREITO TRIBUTÁRIO.ANULATÓRIA DE DÉBITO. MULTA. APELAÇÃO CONHECIDA PARCIALMENTE. AUSÊNCIA DE ENTREGA DE DCTF'S. OMISSÃO. LANÇAMENTO DE DÉBITO. REGULARIDADE. LEGALIDADE DA EXIGÊNCIA. ARTIGO 115 DO CTN. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. MULTA. VALIDADE. SENTENÇA MANTIDA. 1. A apelação da autora merece ser conhecida apenas em parte, pois, veicula, em suas razões, questão dissociada do quanto decidido ao pugnar pela redução do valor da multa, assunto não ventilado no pedido inicial e que refoge aos limites da lide posta. 2. No caso dos autos, a ação foi ajuizada visando a obter a decretação de nulidade da NFLD que aplicou à autora multa pela falta de entrega de DCTF's, em dado período, bem como para determinar a devolução de qualquer valor indevidamente pago a esse título. 3. O CTN admite, no art. 115, que a lei pode estabelecer, no interesse da administração tributária, obrigações acessórias a serem cumpridas pelo contribuinte no sentido de praticar ou não condutas outras, além da obrigação principal, consistente no dever legal de recolher o tributo devido, uma vez ocorrido o fato gerador dessa obrigação. 4. Em face disso, o Decretolei nº 2.065/1983, no art. 11, impôs ao contribuinte a obrigação de informar ao Fisco, por meio de declaração constante de formulário padronizado, no caso, denominado de DCTF, quanto aos seus créditos ou débitos tributários,sob pena de sujeitarse à multa por informação inexata, incompleta ou omitida. 5.Na verdade, referido dever legal já decorria do disposto no Decretolei nº 1.968/1982, tendo, posteriormente, o Decretolei nº 2.124/1984, autorizado o ministro da Fazenda a eliminar ou instituir outras obrigações acessórias relativas a tributos federais. 6. Verificase, pois, da breve remissão legislativa, que a DCTF não foi instituída por meio da Instrução Normativa nº 73/1994, ou qualquer outra subseqüente, pois, como não poderia deixar de ser, esta apenas baixou normas para esclarecer e orientar os contribuintes quanto ao preenchimento dos formulários com as informações a serem prestadas, inclusive por meio eletrônico. Assim sendo, resta claro que a obrigação de prestar informações ao Fisco, por meio das DCTF's, decorre de lei, não havendo falar em vulneração do princípio da legalidade. 7. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça e desta Corte Regional. 8. No caso dos autos, a notificação delançamento,emitida em 23.09.1998, não registra vícios,falhasou irregularidades, posto que a fiscalização foi minuciosa ao elencar as razões de fato e de direito que ensejaram a lavratura, inclusive com o demonstrativo da apuração do crédito tributário,estando suficientemente motivado a fim de possibilitar a defesa da autora, que não teve dificuldade em impugnar a exigência, não havendo falar ofensa Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROB ERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.722032/201159 Acórdão n.º 2202003.263 S2C2T2 Fl. 1004 29 aos princípios da legalidade, da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, nem tampouco configurado qualquer prejuízo ao contribuinte. 9. Frisese, por relevante no caso, que a indicação da base legal da multa ainda que inadequada, incompleta ou até errônea, não invalida o lançamento quando os fatos estiverem devidamente narrados, pois o contribuinte se defende dos fatos e não da capitulação constante da autuação. Ademais, sequer exige fundamentação exaustiva quando restar claro, como no caso em tela, que a multa imposta decorreu do descumprimento da obrigação acessória consistente na entrega das declarações, portanto, aplicada dentro dos parâmetros legais. 10. Ademais, a autuação fiscal constituiuse em ato administrativo e este goza da presunção de legalidade e veracidade que somente pode ser afastada mediante prova robusta a cargo do administrado, e, no caso, não logrou este provar as suas alegações. 11. Em suma, a prestação de informações ao fisco por meio de DCTF's é dever legal, constituindose em obrigação acessória que, uma vez descumprida, sujeita os omissos ao pagamento de multa, impondose, pois, a manutenção da sentença que julgou improcedente o pedido. 12. Conheço em parte da apelação e na parte conhecida, negolhe provimento. AC 00022008319994036114 AC APELAÇÃO CÍVEL – 786915 JUIZ CONVOCADO VALDECI DOS SANTOS TRF3 TERCEIRA TURMA eDJF3 Judicial 1 DATA:31/08/2012. A três, porque segundo a doutrina citada abaixo a anistia exclui a infração e não a capitulação legal imposta. “A anistia não se confunde com a remissão. Esta pode dispensar o tributo, ao passo que a anistia fiscal é limitada à exclusão das infrações cometidas anteriormente à vigência da lei, que a decreta.” 1 Aliás, é isso que diz o artigo 180, da Lei 5.172/66, a seguir transcrita. Art. 180. A anistia abrange exclusivamente as infrações cometidas anteriormente à vigência da lei que a concede, não se aplicando: A quatro, porque além disso temos que observar o que diz o artigo 112, III e IV, da Lei 5.172/66, ou seja, havendo dúvida quanto a imputabilidade e a natureza da penalidade aplicável, por ser a "anistia perdão da falta, da infração, que impede o surgimento do credito tributário correspondente à multa respectiva" [Hugo de Brito, 2006: 248], devese decidir a favor do contribuinte. 1 Direito Tributário Brasileiro. 7a edição. Rio de Janeiro. 1975, p. 533. Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROB ERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 30 Assim, não há razão jurídica para se aplicar a anistia a uma infração e não a aplicar a infração idêntica, apenas porque o dispositivo legal é outro, ou seja, mudou houve alteração na lei, mas manutenção da infração. Lembro, ainda, que em verdade o dispositivo legal a prevalecer não seria o antigo, artigo 32, IV, §4º, mas sim o artigo 32 – A – I, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009, uma vez que o artigo 106, II, “c”, da Lei 5.172/66 determina a aplicação da legislação que comine penalidade menos severa. CONCLUSÃO Diante do exposto, concluo pela exclusão da tributação incidente no AIOA nº 37.362.6029, em função da anistia da Lei nº 13.097/2015. Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROB ERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 11065.000530/00-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 16 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.672
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter os autos em diligência. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano DAmorim, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Elias Fernandes Eufrásio.
RELATÓRIO
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1801; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2.042 1 2.041 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.000530/0001 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201000.672 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 27 de abril de 2016 Assunto REGIMES ADUANEIROS Recorrente MATRISOLA COMÉRCIO E REPRESENTAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter os autos em diligência. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano DAmorim, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Elias Fernandes Eufrásio. RELATÓRIO A empresa acima identificada recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC. Por bem descrever os fatos, adoto integralmente o relatório componente da decisão recorrida, até então, que transcrevo, a seguir: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 65 .0 00 53 0/ 00 -0 1 Fl. 2042DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 14/05/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 11065.000530/0001 Resolução nº 3201000.672 S3C2T1 Fl. 2.043 2 “Do processo em análise, depreendese que a empresa interessada efetuou importação de “667.500 quilogramas de composto de borracha termoplástica polibutadieno, estereno – TR. Sintético,granulado, não vulcanizado, para fabricação de solados injetados” e “65.000 quilogramas de outros policloretos de vinila plastificado”, com suspensão do pagamento dos tributos exigíveis na importação, assumindo o compromisso de exportar “2.004.525 pares de solados injetados de matérias primas importados”, mediante as Declarações de Importação DI no 001960, 001843, 001757, 002232, 002537, 003186, 004003, 004250, 003171, 004185, 003777, 003847, 006378, 006734, 008468, 009786, 010465, 010381, 011487, 012011, 012311, 97/00426556, 97/00897524, 97/01926218, 97/0216856 2, 97/06244140, 97/06253963, 97/09235729, 97/06186212, 97/04534221 e 97/07682833 (cfe. tabela elaborada pela fiscalização às fls. 28), amparadas pelo Regime Aduaneiro Especial DrawbackSuspensão, tendo em vista a emissão dos Atos Concessórios 075596/0030 (25/01/96), 0755 96/0102 (08/03/96), 075596/0145 (25/03/96), 075596/0153 (22/03/96), 075596/0242 (13/05/96), 075596/0420 (09/08/96), 075596/0439 (09/08/96), 075596/0528 (25/10/96), 31497/0000340 (05/02/97), 0314 97/0001303 (28/04/97), 031497/0001680 (16/05/97) e 31497/0002660 (10/07/97), acostados às fls. 58, 79, 100, 114, 128, 142, 168, 192, 202, 214 e 223, expedidos pela Carteira de Comércio Exterior Cacex do Banco do Brasil S/A em Canoas/RS e Novo Hamburgo/RS, respectivamente. Em 20/08/1999, a interessada protocolizou junto à unidade fiscal jurisdicionante, pedido de nacionalização das mercadorias objeto dos referidos atos concessórios, assumindo a condição de inadimplente, pela não apresentação dos relatórios de comprovação das exportações efetuadas pelas empresas exportadoras dentro dos prazos estipulados pelo DECEX (fls. 34/35). Tendo em vista a espontaneidade da denúncia efetuada pela contribuinte, a repartição fiscal de jurisdição (SAANA/DRF/NHB/RS) apurou e formalizou o crédito tributário decorrente da respectiva inadimplência, mediante a lavratura do “Termo de Ciência de Crédito Tributário” de fls. 36/37, acompanhados dos demonstrativos de fls. 37 a 57. Em agosto de 1999, a SRF, por meio do “Relatório de Comprovação de Drawback” acostados às fls. 62, 82, 104, 118, 132, 146, 162, 171, 195, 205, 216 e 225, é informada, pela autoridade competente para a concessão do regime em tela (Secex/Banco do Brasil), que a empresa autuada não comprovou as exportações dos retromecionados Atos Concessórios, declarando a beneficiária inadimplente. Não se verificando o recolhimento do crédito tributário lavrado na peça fiscal de fls. 36, a autoridade fiscal competente intimou a interessada, mediante “Termo de Intimação” de fls. 29, a apresentar os documentos hábeis que demonstrassem a regularidade fiscal das operações de Drawback em trato, assumidas nos respectivos atos concessórios. Fl. 2043DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 14/05/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 11065.000530/0001 Resolução nº 3201000.672 S3C2T1 Fl. 2.044 3 Em face da não comprovação e alicerçado na infração acima constatada, foram lavrados, em 17/03/2000, pela fiscalização da Delegacia da Receita Federal de Novo Hamburgo, os Autos de Infração, MPF 1010700/00048/99, de fls. 02 a 04 e 16 a 18, integrado pelos demonstrativos de fls. 05 a 15 e 19 a 27 e pelo termo de encerramento de fls. 229/230, para a cobrança do montante integral de R$ 389.353,97, a título de Imposto sobre a Importação e de Imposto sobre Produtos Industrializados, vinculado à importação, ambos acrescidos das multas de ofício de 75%, capituladas no art. 4o, I da Lei no 8.218/91 c/c art. 44, I da Lei no 9.430/96, art. 106, II, “c” da Lei no 5.172/66, além dos juros de mora, calculados à época da lavratura, conforme determinação contida no art. 61, § 3o da Lei no 9.430/96. Cientificada do lançamento em 17/03/2000, a autuada se insurge contra a presente exigência, apresentando a impugnação de fls. 232 a 234, instruída com os documentos de fls. 235 a 1306, solicitando a baixa dos termos de responsabilidade assinados quando das importações em trato, vez que as notas fiscais ora apresentadas demonstram a comprovação do compromisso assumido nos atos concessórios de drawback em trato. Aduz, também, que por motivos alheios a sua vontade não comprovou as exportações compromissadas no prazo de regência, mas que sua responsabilidade deve ser excluída haja vista a denúncia espontânea da infração. Visando subsidiar sua linha de defesa, transcreve excertos das seguintes normas legais e regulamentares: Instrução Normativa SRF no 21, de 13 de março de 1985, Portaria MEFP no 594/92 e o Comunicado DECEX no 21, de 11 de julho de 1997, da SECEX do MICT (MDIC), que publica a Consolidação das Normas do Regime “Drawback”. Por meio do despacho de fls. 1308, o processo nos foi enviado (DRJ/FNS/SC) para prosseguimento e apreciação. Este é o Relatório. Passo a Votar.” O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do Acórdão DRJ/FNS no 3.972, de 16/04/2004, proferida pelos membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 08/03/1996 a 08/10/1997 Ementa: DRAWBACK INTERMEDIÁRIO. DEFINIÇÃO. CONCESSÃO DO REGIME. PROVA. O regime aduaneiro especial de "drawback" intermediário, modalidade suspensão, permite a importação de matériaprima e produtos intermediários para utilização na fabricação de produto intermediário fornecido a empresa industrial exportadora, para emprego na industrialização de produto final destinado à exportação, com suspensão de tributos incidentes na importação. Fl. 2044DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 14/05/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 11065.000530/0001 Resolução nº 3201000.672 S3C2T1 Fl. 2.045 4 Cabe à Secretaria de Comércio Exterior, órgão do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, conceder o benefício do regime suspensivo de “drawback” intermediário, modalidade suspensão. VINCULAÇÃO FÍSICA DAS MERCADORIAS. Nos termos da legislação de regência, o produto beneficiado com suspensão dos tributos com base no regime especial de “drawback” deve ser utilizado na mercadoria a ser exportada. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 08/03/1996 a 08/10/1997 Ementa: RESPONSABILIDADE. INFRAÇÕES FISCAIS. A responsabilidade por infrações independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 08/03/1996 a 08/10/1997 Ementa: DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA. Para que seja caracterizada a denúncia espontânea da infração, é imprescindível que esta seja acompanhada do recolhimento dos tributos devidos pelo contribuinte, antes do início do procedimento fiscal, o que não ocorreu no caso dos autos. Lançamento Procedente.” O julgamento foi no sentido de considerar procedente o lançamento. Inconformado, a recorrente apresenta recurso voluntário, tempestivamente, bem como documentos onde repisa basicamente os termos da impugnação. Verificase que foram apresentados documentos outros, de fls. 1646/1856 em 18/10/2004, portanto, após recurso voluntário. Ou seja, considero que a apresentação de prova documental, como é o caso, não contraria os princípios da legalidade, tampouco da verdade material que prevalecem sobre a formalidade processual. A recorrente alega que requereu a juntada da documentação referida acima, ou melhor, declarações das empresas para as quais vendeu os produtos intermediários, que foram, posteriormente, utilizados na industrialização dos produtos finais exportados (calçados), bem como anexou, laudos técnicos descrevendo o processamento industrial, dos produtos exportados, e que foi utilizado o produto intermediário, na forma do subitem 6.1.II da Consolidação das Normas do regime de drawback, que acompanha o Comunicado Decex de n º 21, de 11/07/97. Desta forma, foi convertido o julgamento em diligência, através da Resolução n° 3021.424, de 06/11/2007, para que a SECEX se pronunciasse sobre o enquadramento ou não no Drawback e se na modalidade intermediário, e em caso positivo, se o regime foi cumprido e em todas as exigências mencionadas acima, se for o caso, observância dos elementos adicionais aos requisitos do cumprimento desse benefício, tendo em vista documentação acostada aos autos, às fls. 1342 a 1638, bem como 1646 a 1856; emitindo, inclusive parecer conclusivo. Resposta da diligência pela Secex e Gecex/BB ao demandado: Encaminhamos cópias dos atos concessórios acima citados e dos respectivos relatórios de "Baixa por Inadimplência". Fl. 2045DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 14/05/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 11065.000530/0001 Resolução nº 3201000.672 S3C2T1 Fl. 2.046 5 2. Informamos que os atos concessórios foram emitidos como drawback suspensão intermediários. 3. A empresa não comprovou as exportações, não apresentou até a data de vencimento do prazo para a baixa, os relatórios que comprovassem o fornecimento à industrial exportadora e da efetiva exportação do produto final. Não apresentou os Relatórios com a listagem dos Registros de Exportação (RE), em cujo campo 24 deveria constar expressamente a participação do fabricanteintermediário e o n° do ato concessório vinculado. Resposta pela fiscalização, nos seguintes termos: Em resposta a diligência solicitada pelo Conselho de Contribuintes, viemos através deste termo nos manifestar sobre a documentação acostada aos autos, As fls. 1342 a 1638, e 1646 a 1856. Esta documentação referese aos Registros de Exportação — RE's, que a Matrisola anexou aos Autos como forma de comprovar seu compromisso de exportação dos Atos Concessórios — AC's. De posse dos RE's informados pelo contribuinte, iniciouse a análise desses RE's com as informações contidas nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal. Com base nesses RE's foi elaborada a tabela de fls. 1973 a 1981. Considerando todos os RE's chegouse a um valor total de 910.652 pares de produtos exportados, com um valor total de $10.441.280,70 dólares. Em relação aos enquadramentos das operações, verificouse que vários RE's possuem enquadramentos diferentes do regime de drawback. Há vários RE's com o enquadramento de Exportação Normal', e Sistema Geral de Preferência SGP 2 . Se esses RE's com enquadramentos divergentes fossem glosados, obterseia a tabela de fls. 1982 a 1989, com um valor total de 492.048 pares de produtos exportados, e com um valor total de $5.616.973,19 dólares. Em busca da informação no campo 24 dos RE's informados pelo contribuinte nos sistemas da Receita Federal, elaborouse a planilha de fls. 1990 a 1995. Essa planilha possui somente os RE's que continham a empresa Matrisola como fabricanteintermediário. Verificase que vários dos RE's possuem apenas a informação do fabricanteintermediário, sem nenhuma menção a que AC estariam vinculados. Os AC's que foram considerados pela fiscalização a época como inadimplentes totais foram os AC de número: 075596/0030, 0755 96/0102, 075596/0145, 075596/0153, 075596/0242, 0755 96/0420, 075596/0439, 075596/0528, 031497/0340, 0314 97/130 3, 031497/1680 e 031497/2660. De acordo com a resposta (fl. 1874) de Welber Cabral, Secretário de Comércio Exterior, os AC's foram emitidos como Drawback Suspensão Intermediário e que todos tiveram "Baixa por Inadimplência". Na resposta da diligência realizada à SECEX, foi anexado ao processo cópia dos atos concessórios (fls. 1885 a 1969), documentos que estavam arquivados no Banco do Brasil. Fl. 2046DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 14/05/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 11065.000530/0001 Resolução nº 3201000.672 S3C2T1 Fl. 2.047 6 Através desses documentos foi possível verificar o prazo de validade dos AC's. Esses prazos foram transcritos na tabela 01 abaixo: AC Prazo de Validade 075596/0030 05/03/1998 075596/0145 22/04/1998 075596/0528 15/07/1998 031497/1303 29/06/1998 031497/1680 09/08/1998 031497/2660 02/10/1998 075596/0102 28/11/1997 031497/0340 20/10/1998 075596/0420 01/09/1998 075596/0153 09/05/1998 075596/0242 18/07/1998 075596/0439 20/10/1998 tabela 01 (Observação da tabela 01 SECEX anexou ao processo cópia dos atos concessórios (fls. 1885 a 1969), documentos que estavam arquivados no Banco do Brasil. Dessa forma, foi possível verificar o prazo de validade dos AC's. ) O Art. 37, da Portaria Secex n°4/97, exige que o RE esteja devidamente vinculado ao AC, e as mercadorias devem ser exportadas dentro do prazo de concessão do regime. Com isso, elaborouse a tabela de fls 1996 a 2000. Nesta tabela selecionouse apenas os RE's informados pelo contribuinte nos quais constavam a informação de que a Matrisola é fabricanteintermediário, e que os AC's objeto da autuação estejam vinculados aos mesmos. Também evidenciouse, nesta tabela, os RE's que foram exportados fora do prazo, de acordo com as informações da tabela 01 acima. Com tais informações, elaborouse a tabela 02 abaixo. Esta tabela contém o n° dos RE's que foram considerados aptos para comprovar a exportação dos produtos vinculados ao respectivo AC, a quantidade total em pares dos produtos exportados nesses RE's, e o valor total em dólares dos RE's. Ac N° de RE's Qde em Pares Valor $ dólar AC 031497/0340 0 0 0 AC 031497/1303 0 0 0 AC 031497/1680 15 27.857 377.370,65 AC 031497/2660 15 50.164 482.858,56 AC 075596/0030 13 27993 321.910,50 AC 075596/0102 0 0 0 AC 075596/0145 8 32.454 400.922,10 AC 075596/0153 0 0 0 tabela 02 Salientese que quase a totalidade dos RE's, considerados na tabela 02, foram retificados após o registro, ou seja, as informações do fabricanteintermediário e do no do AC foram inseridos após a saída das mercadorias do pais. Nas fls. 2001 a 2008 temos as telas de alguns RE's onde demonstram as solicitações de retificação. Com isso encerrase esta manifestação. Foi observada falha processual e encaminhado o processo para que fosse dada ciência, a PGFN do resultado da diligência demandada, através da Resolução 3021.424, proposta anteriormente, em respeito ao princípio do contraditório. O processo digitalizado foi redistribuído e encaminhado a esta Conselheira para prosseguimento. É o relatório. VOTO Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Fl. 2047DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 14/05/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 11065.000530/0001 Resolução nº 3201000.672 S3C2T1 Fl. 2.048 7 O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Foram lavrados os Autos de Infração para a cobrança do montante de R$ 389.353,97, a título de Imposto sobre a Importação e de Imposto sobre Produtos Industrializados, vinculado à importação, ambos acrescidos das multas de ofício de 75%, capituladas no art. 4o, I da Lei no 8.218/91 c/c art. 44, I da Lei no 9.430/96, art. 106, II, “c” da Lei no 5.172/66, além dos juros de mora, calculados à época da lavratura, conforme determinação contida no art. 61, § 3o da Lei no 9.430/96. Como relatado, foi observada falha processual, mas sanada, em relação à ausência da ciência à PGFN do resultado da diligência, acima referida. Da mesma forma, em ponto de votação, novamente, viuse que, o recorrente não teve ciência do resultado da diligência, demanda da Resolução de n° 3021.424 por este Conselho, ou seja, da conclusão elaborada pela fiscalização, conforme, efls. 1979 a 1981 e existia a ressalva na citada Resolução: Ao término, intimese o contribuinte para, querendo, manifestese a respeito, em homenagem ao principio do contraditório, retornando os autos para apreciação deste Conselho. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a Unidade Preparadora dê ciência à recorrente do resultado da diligência acima solicitada, com reabertura de prazo, se for o caso, para possível manifestação, nos termos do que dispõe o Decreto 70.235/72; em respeito ao princípio do contraditório. Por fim, devem os autos retornar a esta turma para prosseguimento no julgamento. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 2048DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 14/05/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA
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