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Numero do processo: 10314.008148/2004-44
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 29/05/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. SITUAÇÕES FÁTICAS DIFERENTES. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO CARACTERIZADA. NÃO CONHECIMENTO.
A divergência jurisprudencial que autoriza a interposição de recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF caracteriza-se quando, em situações semelhantes, são adotadas soluções divergentes por colegiados diferentes, em face do mesmo arcabouço normativo.
Numero da decisão: 9303-005.282
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que conheceram do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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II/IPI Recorrente LEVEL 3 COMUNICAÇÕES DO BRASIL LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 29/05/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. SITUAÇÕES FÁTICAS DIFERENTES. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO CARACTERIZADA. NÃO CONHECIMENTO. A divergência jurisprudencial que autoriza a interposição de recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF caracterizase quando, em situações semelhantes, são adotadas soluções divergentes por colegiados diferentes, em face do mesmo arcabouço normativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que conheceram do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 81 48 /2 00 4- 44 Fl. 1048DF CARF MF Processo nº 10314.008148/200444 Acórdão n.º 9303005.282 CSRFT3 Fl. 1.048 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte LEVEL 3 COMUNICAÇÕES DO BRASIL LTDA (fls. 901 a 925) com fulcro nos artigos 67 e seguintes, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma parcial do Acórdão nº 3102001.928 (fls. 784 a 793), proferido pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 18 de março de 2015, no sentido de dar parcial provimento ao recurso de ofício, tendo recebido a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 18/06/2001 a 22/06/2001 REGIME DE ORIGEM. MERCADORIA. PRODUÇÃO. INSUMO. AQUISIÇÃO. ESTADO NÃO MEMBRO. CERTIFICADO DE ORIGEM. DECLARAÇÃO DE NECESSIDADE. REGULAMENTAÇÃO. NECESSIDADE. É ineficaz, até que seja regulamentado, o dispositivo legal previsto no Decreto n° 5.455/05, que incorpora ao ordenamento jurídico nacional a Decisão n° 01/04 do Conselho do Mercado Comum (ALADI 44° Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica n° 18), prevendo a utilização de materiais não originários dos Estados Partes, mediante a apresentação de Declaração de Necessidade junto ao correspondente Certificado de Origem. DESPACHO DE IMPORTAÇÃO. PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. SOLICITAÇÃO NÃO RECONHECIDA. PRODUTO CORRETA E SUFICIENTEMENTE DESCRITO. AUSÊNCIA DE INTUITO DOLOSO OU MÁ FÉ. INFRAÇÃO POR DECLARAÇÃO INEXATA OU FALTA DE PAGAMENTO. INOCORRÊNCIA. A solicitação de preferência percentual negociada em acordo internacional feita no despacho de importação e considerada incabível não constitui infração punível com a multa prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário, e não se constate intuito doloso ou má fé por parte do declarante. Fl. 1049DF CARF MF Processo nº 10314.008148/200444 Acórdão n.º 9303005.282 CSRFT3 Fl. 1.049 3 Recurso de Ofício Provido em Parte Adotase o relatório da decisão recorrida, com os acréscimos devidos, para retratar o desenrolar do presente feito, in verbis: [...] A interessada, por intermédio das DI’s relacionada às fls. 03 dos autos, importou Cabos de fibras ópticas monomodo LEAF(NZDF), tipo ducto 48 fibras, código ADF(ZN) 2Y 4 X 12 e 10/125, classificado na TEC no código 8544.70.10, procedentes da Argentina e solicitou redução de alíquota prevista no acordo tarifário no âmbito do Acordo de Complementação Econômica nº 18, entre Brasil e Argentina (Dec. 550/92). De acordo com informações contidas no processo nº 1018.002302/200288, anexo a este processo, o Departamento de Negociações Internacionais (DEINT) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior denunciou que os cabos de fibras ópticas, classificados no código NCM 8544.70.10, elaborados a partir da fibra especial NZDF, procedente da Argentina, não cumpriam o requisito específico de origem no Regime de origem do Mercosul. Às fls. 3 dos autos do processo nº 1018.002302/200288, a COANA recomendou a revisão das declarações de importação relacionadas às fls. 1 do mesmo processo, visando determinar que os Certificados de Origem estavam acompanhados da imprescindível declaração de necessidade, procedendo, se necessário, ao correspondente lançamento dos créditos tributários decorrentes. A fiscalização, em ato de revisão aduaneira, verificou que o fabricante, localizado na Argentina, utilizou fibras ópticas de produção americana (EUA) e reduziu o percentual mínimo (60%) de valor agregado aceitável para caracterizar origem do produto. Isto contrariou o estabelecido no XXII Protocolo Adicional ao ACE nº 18 e no qual admitese que uma das atividades produtivas seja realizada por terceiros, desde que efetuada em um dos EstadosParte. Em razão dos Certificados de Origem que ampararam as referidas importações estarem desacompanhados das Declarações de Necessidade (termos dos parágrafos 2º, 3º e 4º, do artigo 5º do Capítulo III, do Anexo I, ao VIII Protocolo Adicional ao ACE nº 18), não expressam a verdade material dos produtos importados, e assim, não são documentos hábeis para amparar o pedido de benefício fiscal de redução da alíquota do imposto de importação. Assim, foi lavrado o competente auto de infração, para exigência da diferença de tributos, acréscimos legais e multa de ofício. Cientificada em 18/10/2004 (fls. 1), a interessada apresentou impugnação em 16/11/2004 (fls. 56/75). Onde alega que: Fl. 1050DF CARF MF Processo nº 10314.008148/200444 Acórdão n.º 9303005.282 CSRFT3 Fl. 1.050 4 • A requerente efetuou importações de cabos de fibra ótica de empresa de sediada na Argentina, gozando do tratamento tarifário preferencial nos termos do artigo 2º do Anexo ao Decreto nº 550, de 27/05/1992. • Esclarece que o Regulamento de Origem do Mercosul, previsto no Oitavo Protocolo Adicional ao ACE nº 18 e internalizado no Brasil por intermédio do Decreto nº 1568/95 é a norma que regula o controle de procedência dos produtos nas operações realizadas no âmbito do Mercosul. O Protocolo, nos artigos 4º e 5º do seu Anexo I, estabeleceu critérios para situações excepcionais, nas quais é permitida a utilização de materiais não originários de Estados membros do Mercosul. • Alega que a exportadora Argentina (Corning Cable Systems Argentina S.A) em função de limitações decorrentes de especificações técnicas, requereu ao Governo Argentino que fossem adotadas as disposições do Regime de origem do Mercosul, permitindo que cabos de fibra óptica que pretendia exportar para a Requerente, mesmo que produzidos com materiais não originários do Mercosul, recebessem tratamento tarifário preferencial. • O Governo Argentino, reconhecendo que a obtenção da fibra utilizada na fabricação dos cabos não poderia ser realizada na Argentina e em nenhum dos países do Mercosul, em razão de especificações técnicas informadas pela exportadora e ratificadas por consultas realizadas com entidades vinculadas à produção e comercialização deste tipo de bens, considerou procedente o pedido formulado pela Corning Cable Systems Argentina S.A. • Assim, o Governo Argentino, por meio da Secretaria de Industria y Comercio do Ministério de Economia, em 28.12.2000 expediu DECLARAÇÕES DE NECESSIDADE destinadas à Câmara de Comercio, Indústria y Produccion de la Republica Argentina. • Além de emitir as declarações de necessidade, o Governo Argentino, em cumprimento aos termos do Protocolo, comunicou à Comissão de Comércio do Mercosul e às autoridades brasileiras o tratamento excepcional atribuído aos cabos de fibra óptica exportados pela Corning Cable Systems Argentina S.A. para a requerente. • Assim, comprovado o cumprimento integral dos termos do artigo 5º do anexo I o Protocolo, afirma que os Certificados de Origem garantem o tratamento preferencial nas importações realizadas em junho de 2001, evidenciando a total improcedência do auto. • Alega também que as normas relativas ao processo aduaneiro de investigação de origem, nos termos da IN 149/02 não foram observadas, violando Tratados Internacionais firmados pelo Brasil e à própria IN 149/02. • Afirma que o auto de infração é conflitante ao admitir que os despachos de importação foram instruídos com Certificados de Origem desacompanhados da declaração de necessidade, e depois alegar que as importações foram efetivadas sem o amparo de Certificado de Origem. • Destaca que no momento da importação nada foi oposto contra os Certificados de Origem que acompanham as mercadorias, nem tampouco contra a possibilidade de concessão de tratamento preferencial tarifário aos cabos de fibra ótica provenientes da Argentina. Assim, mesmo que por Fl. 1051DF CARF MF Processo nº 10314.008148/200444 Acórdão n.º 9303005.282 CSRFT3 Fl. 1.051 5 omissão, naquele momento a SRF reconheceu a regularidade dos Certificados de Origem. • Não se pode admitir que, passados três anos, a SRF possa modificar o critério jurídico na verificação do Certificado de Origem, que é um erro de direito. • Insurgese também contra aplicação: • Da multa proporcional de 75% sobre o imposto supostamente recolhido a menor, por configurar situação abusiva, além de confiscatória; • Da multa proporcional de 20%, por não haver mora; • Dos juros de mora com taxa SELIC, sob pena de violação do artigo 150 do CTN. Ao final requer que o auto seja julgado improcedente. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Assunto: Imposto sobre a Importação II Período de apuração: 18/06/2001 a 22/06/2001 Ementa: CERTIFICADO DE ORIGEM amparado por DECLARAÇÃO DE NECESSIDADE. A contribuinte apresentou em sua impugnação as declarações de necessidade que amparam o cumprimento de requisito específico estabelecido no Regime de Origem do Mercosul. Tendo exonerado crédito tributário em valor superior ao limite de alçada, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo –II recorreu de ofício da decisão tomada. De uma primeira análise, em detrimento do entendimento defendido pelo Relator do processo, o julgamento foi convertido em diligência para que fossem tomadas as mesmas providências adotadas em caso idêntico, Recurso Voluntário n° 137474. Requereuse à Unidade da RFB responsável pelo preparo do processo a obtenção de manifestação da CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira acerca da eficácia dos documentos apresentados no intuito de suprir a não apresentação de declaração de necessidade por ocasião do despacho. Adicionalmente, o mesmo questionamento deveria ser feito ao Departamento de Negociações Internacionais. Após o cumprimento da diligencia, deveria ser franqueada oportunidade para que o sujeito passivo, no prazo de 30 dias, se manifeste acerca da documentação acostada. Se assim entendesse, a autoridade preparadora poderia se manifestar sobre os documentos, assim como sobre as ponderações do sujeito passivo eventualmente apresentadas. Fl. 1052DF CARF MF Processo nº 10314.008148/200444 Acórdão n.º 9303005.282 CSRFT3 Fl. 1.052 6 Atendida a diligência, o processo retorna a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para decisão final. Como o Relator original não mais compõe a Turma, fui designado, por sorteio, para relatar. É o relatório. [...] Sobreveio decisão de parcial provimento do recurso de ofício, nos termos do Acórdão nº 3102001.928 (fls. 784 a 793), proferido pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 18 de março de 2015, ora recorrido, para restabelecer a exigência dos tributos e manter a exoneração do crédito tributário na fração que corresponde à multa de 75% (setenta e cinco por cento) por declaração inexata/falta de pagamento. No ensejo, a Contribuinte interpôs o presente recurso especial de divergência (fls. 901 a 925), insurgindose quanto a dois pontos: (a) possibilidade de inovação do lançamento no curso do processo administrativo; e (b) irretroatividade do Decreto nº 5.455/2005. Para embasar a sua pretensão, trouxe como paradigmas os acórdãos nºs 201 81.241 e CSRF/0104.535; e 0203.351, respectivamente. Nos termos do despacho s/nº, de 18 de março de 2016 (fls. 1.008 a 1.010), confirmado em sede de reexame de admissibilidade (fls. 1.011 a 1.012), foi dado seguimento parcial ao recurso especial da Contribuinte, tão somente com relação à possibilidade de inovação do lançamento no curso do processo administrativo. A matéria relativa à irretroatividade do Decreto nº 5.455/2005 não foi conhecida por ausência de prequestionamento, consoante art. 67, §5º do RICARF. Em suas razões recursais, na matéria em que admitido o apelo especial, o Sujeito Passivo aduz que: (a) Em junho de 2001, efetuou diversas importações de cabos de fibra ótica de empresa sediada na Argentina, gozando do tratamento tarifário preferencial inerente às importações provenientes de Estados Membros do Mercado Comum do Sul (“Mercosul”), com aplicação da alíquota zero do imposto de importação, consoante art. 2º do Anexo ao Decreto nº 550/1992, o qual internalizou em nosso ordenamento jurídico o Acordo de Alcance Parcial de Complementação Econômica nº 18, entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai (ACE nº 18); Fl. 1053DF CARF MF Processo nº 10314.008148/200444 Acórdão n.º 9303005.282 CSRFT3 Fl. 1.053 7 (b) Foi autuada em outubro de 2004, em razão de supostas irregularidades nas referidas importações – consistentes na ausência de apresentação da Declaração de Necessidade que justificasse o regime tarifário preferencial, para exigência do imposto de importação e do IPI vinculado; (c) A matéria tratada no recurso especial é essencialmente aquela regulamentada pelos artigos 146 a 149 do Código Tributário Nacional, os quais dispõem sobre a possibilidade de revisão e modificação do lançamento tributário; (d) Anexadas à impugnação as Declarações de Necessidade emitidas pelo Governo Argentino, plenamente atendida a condição imposta pela Fiscalização para fruição do regime tarifário preferencial, sendo inconteste que o único fundamento sobre o qual estava fundado o Auto de Infração era a ausência das citadas Declarações, sendo indevido trazer a investigação de sua eficácia para o presente processo como forma de retificar eventual equívoco cometido pela Fiscalização ao lavrar o AI; (e) a discussão central, portanto, é a possibilidade de as Autoridades Julgadoras inovarem o critério jurídico utilizado para fundamentar o Auto de Infração que deu origem ao presente processo, trazendo a Contribuinte argumentação quanto ao ato jurídico perfeito; à incompatibilidade do fundamento da infração com a matéria ora examinada e a eventual modificação introduzida por decisão administrativa, para embasar o seu pleito; (f) ao final, requer seja provido o presente recurso especial e declarada a improcedência do lançamento em questão. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 1.024 a 1.036) postulando, preliminarmente, o não conhecimento do recurso especial e, no mérito, a sua negativa de provimento. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 1054DF CARF MF Processo nº 10314.008148/200444 Acórdão n.º 9303005.282 CSRFT3 Fl. 1.054 8 Voto Vencido Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte atende aos pressupostos de admissibilidade constantes do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. A Procuradoria da Fazenda Nacional, em sede de contrarrazões, sustenta o não conhecimento do recurso especial da Contribuinte em razão da ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e aqueles indicados como paradigmas. Verificase ser improcedente referida alegação. Isso porque, tanto na decisão recorrida quanto nos julgados paradigmáticos, discutese a possibilidade de alteração/inovação do fundamento jurídico do lançamento tributário no curso do processo administrativo. No caso dos autos, o critério jurídico utilizado para o lançamento tributário foi a ausência de Declaração de Necessidade para justificar o regime tarifário preferencial, conforme consignado no auto de infração: "[...] entendemos que os Certificados de Origem que instruíram os despachos aduaneiros sob exame fiscal, estando desacompanhados da Declaração de Necessidade [....] não expressam a verdade material dos produtos importados, e assim, não são documentos hábeis para amparar o pedido de benefício fiscal de redução da alíquota do Imposto de Importação para 0% [...]". Em razão de ter sido lavrada a autuação em razão da ausência dos documentos, a Contribuinte juntou com a impugnação as Declarações de Necessidade emitidas pelo Governo Argentino, atendendo a condição imposta para a fruição do regime tarifário preferencial. Nessa esteira, decidiu a DRJ por considerar improcedente o lançamento tributário face a apresentação dos documentos. Em sede de julgamento do recurso de ofício, posteriormente à manifestação da COANA e do DEINT sobre a eficácia dos documentos apresentados pelo Sujeito Passivo em sua impugnação, sobreveio o Acórdão nº 3102001.928, restabelecendo parcialmente a Fl. 1055DF CARF MF Processo nº 10314.008148/200444 Acórdão n.º 9303005.282 CSRFT3 Fl. 1.055 9 autuação, sob os fundamentos de (a) não ter havido a modificação de ato jurídico perfeito e (b) ausência de incompatibilidade entre o critério jurídico utilizado no auto de infração e a posterior análise acerca da ineficácia das declarações de necessidade. Tal posicionamento foi confirmado pelo Despacho s/nº. de 15/09/2015, que rejeitou os embargos de declaração da Contribuinte. Portanto, limitandose a discussão do recurso especial à impossibilidade de a Autoridade Julgadora inovar no critério jurídico e na motivação do lançamento, a Recorrente indicou como paradigmas julgados que refletem tal entendimento. Entendese que as situações fáticas se assemelham, pois tanto no acórdão recorrido quanto naqueles tidos por paradigmáticos, houve uma alteração do critério jurídico do lançamento no curso do processo administrativo fiscal. Essa é a conclusão extraída da leitura das ementas dos paradigmas: Acórdão 20181.241 COFINS. NORMAS PROCESSUAIS. Impossibilidade de o órgão julgador aperfeiçoar lançamento desbordando de sua competência. Auto de infração decorrente de auditoria interna na DCTF, por conta de processo judicial de outro CNPJ. Tendo sido comprovada a regularidade e existência de medida judicial, elidindo a motivação do lançamento, este deve ser cancelado. Acórdão CSRF/0104.535 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA — Na apreciação de recurso especial de divergência a Câmara deve cingirse à matéria de direito em litígio e de eventuais preliminares. Inadmissível o aperfeiçoamento ou inovação do lançamento, ainda que estes não importem em agravamento da exigência, mas caracterizam mudança de critérios jurídicos do lançamento. (grifouse) Fl. 1056DF CARF MF Processo nº 10314.008148/200444 Acórdão n.º 9303005.282 CSRFT3 Fl. 1.056 10 Deve, portanto, ter seguimento o recurso especial. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Redator designado Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, tenho posicionamento divergente em relação às suas conclusões. A relatora entendeu pelo conhecimento do recurso com a seguinte análise: "tanto na decisão recorrida quanto nos julgados paradigmáticos, discutese a possibilidade de alteração/inovação do fundamento jurídico do lançamento tributário no curso do processo administrativo". O fato de existir nos acórdãos recorrido e nos paradigmas discussão sobre a possibilidade de alteração ou inovação do critério jurídico não é suficiente, por si só, para comprovar a divergência de entendimento na aplicação da legislação. Para tanto é necessário que referidos acórdãos tenham se debruçado sobre fatos que se assemelham e tenham chegado a conclusão distintas. Como veremos a seguir, há uma distância enorme entre as situações comparadas, que não permite o conhecimento do recurso, pois os acórdãos paradigmas trataram de situações fáticas distintas do presente processo. Vejamos o que dispõe o Regimento Interno do CARF, art. 67 do anexo II da Portaria MF nº 343/2015: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Fl. 1057DF CARF MF Processo nº 10314.008148/200444 Acórdão n.º 9303005.282 CSRFT3 Fl. 1.057 11 § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. (...) § 6º Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até 2 (duas) decisões divergentes por matéria. Da leitura do dispositivo normativo, evidenciase que para que exista a divergência de interpretação da legislação tributária, os fatos ocorridos entre os acórdãos, recorrido e paradigmas, devem ter alguma semelhança entre si, o que definitivamente não ocorre no presente caso. Portanto temos que revisitar os fatos constantes nos referidos acórdãos no sentido de identificar os pontos que permitissem a comparação. No acórdão recorrido, depreendese da descrição dos fatos que o auto de infração tem fundamento em dois pontos: · o produto importado não atendeu o requisito específico de origem para as fibras ópticas, de acordo com o previsto na legislação vigente à época VIII Protocolo Adicional ao ACE nº 18; · os Certificados de Origem que instruíram os despachos aduaneiros estavam desacompanhados da Declaração de Necessidade, não constituindo, assim, documentos hábeis para amparar o pedido de redução da alíquota do Imposto de Importação para 0%. Considerase que as importações foram efetuadas sem o amparo de certificado de origem, o que implica a exigência do tributo. Em resumo, o auto de infração foi lavrado porque: 1) a mercadoria importada não atendia o requisito específico de origem para fibra óptica e 2) não foi apresentado qualquer documento que permitisse ao importador se beneficiar de alíquota 0%. Na fase preparatória para a autuação, o importador foi intimado a comprovar seu direito ao tratamento preferencial. Foram apresentados apenas os certificados de origem não foi apresentado qualquer documento a título de declaração de necessidade. Assim, o auto de infração é perfeito diante dos elementos que foram disponibilizados para a fiscalização. Naquele momento não cabia à fiscalização discutir a validade ou eficácia de uma declaração de necessidade, pois ela sequer havia sido apresentada. Fl. 1058DF CARF MF Processo nº 10314.008148/200444 Acórdão n.º 9303005.282 CSRFT3 Fl. 1.058 12 A discussão sobre a validade do documento apresentado pelo importador como sendo a Declaração de Necessidade surge em fase de impugnação e somente é abordada a partir da decisão de 1ª instância. Uma vez que não se encontra nenhum defeito no auto de infração, a discussão que se iniciou a partir da DRJ foi: 1) se a apresentação tardia de uma declaração de necessidade supriria sua falta no despacho aduaneiro, com a consequente anulação do lançamento; e 2) se o documento apresentado pelo importador era uma declaração de necessidade válida, eficaz. Por sua vez, o acórdão recorrido responde à discussão que se iniciou na DRJ em sentido contrário, afirmando não ser eficaz o documento apresentado, o que confirma o fundamento do auto de infração, sem qualquer divergência, alteração ou aprimoramento do lançamento. Em sentido oposto, os acórdãos paradigma tratam de situações em que a decisão promoveu mudança de critério jurídico no lançamento. No primeiro paradigma, a fiscalização lavrou o auto porque não identificou o contribuinte como parte do processo judicial informado em DCTF, processo esse que daria direito a crédito. A decisão de 1ª instância foi anulada por ter fundamento na análise do mérito do processo judicial, depois de constatado equívoco da fiscalização: o contribuinte era, de fato, parte no processo judicial. Há aqui uma clara alteração de critério jurídico: o fundamento do auto de infração foi alterado de ausência de processo judicial para sentença desfavorável em processo judicial, ou seja, houve mudança no fundamento do auto de infração pela instância julgadora. No segundo paradigma, temos o lançamento de IRPF a partir de arbitramento pela Caixa Econômica Federal do valor do imóvel vendido, uma vez que a fiscalização decidiu desconsiderar o valor declarado da transação. O acórdão foi reformado por ter decidido que a autuação deveria adotar o valor do imóvel informado na declaração, o que não foi aceito na CSRF por ser considerado mudança no critério jurídico do lançamento – mudança da base de cálculo. Como demonstrado, nada se assemelha nos conteúdos decisórios entre os paradigmas e o acórdão recorrido. É patente a falta de semelhança das situações fáticas e a ausência de divergência jurisprudencial. Fl. 1059DF CARF MF Processo nº 10314.008148/200444 Acórdão n.º 9303005.282 CSRFT3 Fl. 1.059 13 Diante do exposto, voto por não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 1060DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13889.000063/88-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 02 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2201-000.261
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
Assinado digitalmente
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Presidente. Assinado digitalmente Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Cuidase de Pedido de Reconsideração de fls. 54/62 interposto em face do acórdão nº 10224.165, datado de 25/07/1989, proferido pela 2ª Câmara do Primeiro Conselho RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 89 .0 00 06 3/ 88 -9 3 Fl. 118DF CARF MF Processo nº 13889.000063/8893 Resolução nº 2201000.261 S2C2T1 Fl. 119 2 de Contribuintes (fls. 43/47), que negou provimento ao recurso voluntário do contribuinte e manteve o lançamento de Imposto de Renda na Fonte IRF de fls. 07/08, lavrado em 27/05/1988, relativo ao anocalendário 1984. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de Cz$ 2.710.624,68 (dois milhões, setecentos e dez mil, seiscentos e vinte e quatro cruzados e sessenta e oito centavos), já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e a correspondente multa. De acordo com a descrição dos fatos de fl. 07, o presente auto foi lavrado para exigir do .contribuinte o IMPOSTO DE RENDA NA FONTE,.que.deixou de ser recolhido aos cofres da Fazenda. Nacional,. em decorrência da omissão de receitas e redução do lucro líquido, considerando o respectivo valor como lucros automaticamente distribuídos aos sócios da Pessoa Jurídica, sujeitandose à tributação exclusivamente na fonte à alíquota de 25%, nos termos do art. 645 do RIR/80 (aprovado pelo Decreto nº 8.5450/80) e art. 82 do Decretolei nº 2.065/83. Quando do julgamento do recurso Voluntário de fls. 26/33, a Conselho de Contribuintes negou provimento ao apelo da contribuinte (fls. 43/47). Inconformada, a RECORRENTE apresentou Pedido de Reconsideração, com fundamento no art. 37, §3º, II, do Decreto nº 70.235/72, solicitando a paralisação deste processo até o julgamento do Pedido de Reconsideração apresentado no processo relativo ao IRPJ (nº 13889.000061/8868). Anexou a cópia do Pedido de Reconsideração apresentado no processo matriz (fls. 56/62). Referidos Pedidos de Reconsideração foram indeferidos, pois o art. 2º do Decreto nº 75.445/75 não mais permitiu a admissão de pedido de reconsideração de julgamento dos Conselhos de Contribuintes. No entanto, o RECORRENTE obteve medida judicial (transitada em julgado), proferida em autos de Mandado de Segurança nº 90.00313473 (fls. 85/94), em que foi concedida a segurança pleiteada “para o fim de determinar à autoridade impetrada que processe o pedido de reconsideração formulado pelos impetrantes, suspendendose a exigibilidade dos créditos tributários consubstanciados nos respectivos autos de infração até a apreciação, no mérito, do referido pedido de reconsideração”. A sentença foi acostada às fls. 95/98. Após o trânsito em julgado da sentença, foram canceladas as CDAs relativas aos débitos e os autos do processo foram encaminhados para este CARF para apreciação do Pedido de Reconsideração da contribuinte. É o relatório. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 13889.000063/8893 Resolução nº 2201000.261 S2C2T1 Fl. 120 3 Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Relator Mediante análise inicial do auto de infração, verificouse que o presente processo envolvia questão relativa a Imposto de Renda Fonte, a qual, a despeito estar embasado em legislação bastante antiga (da década de 1980), seria matéria de competência desta Seção. No entanto, após se debruçar sobre o Pedido de Reconsideração, intrigou o fato de a RECORRENTE afirmar que o presente lançamento é reflexo do Auto de Infração de IRPJ nº 13889.000061/8868, razão pela qual requereu fosse paralisado o presente feito até definição do dissídio instaurado no processo matriz (IRPJ). Referido fato gerou dúvida acerca da competência desta Seção em razão da matéria. Após análise mais detida do auto de infração, foi possível constatar na descrição dos fatos e enquadramento legal (fl. 07) que o presente processo tem por objeto "o Imposto de Renda na Fonte (...) apurado em Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (...)". Quando do julgamento do Recurso Voluntário da RECORRENTE, o Conselho de Contribuintes, ao negar provimento ao apelo da contribuinte (fls. 43/47), proferiu acórdão com a seguinte ementa: IMPOSTO DE RENDA FONTE DECORRÊNCIA Tratandose de lançamento reflexivo, a decisão proferida no processo matriz se projeta no julgamento do processo decorrente recomendando o mesmo tratamento, dada a intima relação de causa e efeito. Recurso a que se nega provimento. Assim, entendo que o presente lançamento é ato reflexo do lançamento de IRPJ objeto do processo nº 13889.000061/8868. O contribuinte reconhece tal fato em todas as suas peças de defesa, ao requerer que o presente processo aguardasse a decisão do processo matriz. Sendo assim, entendo que presente o processo não é de competência desta turma julgadora, mas sim da Primeira Seção de Julgamento, conforme art. 2º, IV, do Anexo II do RICARF: Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: (...) IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 120DF CARF MF Processo nº 13889.000063/8893 Resolução nº 2201000.261 S2C2T1 Fl. 121 4 Conclusão Desta feita, voto pela conversão em diligência, devendo o presente processo ser encaminhado para a Secretaria da 2ª Câmara da 2ª Seção, a fim de promover a anexação deste feito ao processo nº 13889.000061/8868, que tem por objeto a cobrança de crédito de IRPJ, uma vez que o imposto de renda fonte objeto deste auto de infração decorre de fiscalização reflexa. Assinado digitalmente Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 121DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.004987/2006-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/08/2001 a 31/12/2001
RECURSO VOLUNTÁRIO. PEDIDO DE DESISTÊNCIA.
Não deve ser conhecido o recurso voluntário que foi objeto de pedido de desistência.
CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MEDIDA JUDICIAL SUSPENSIVA.
A suspensão da exigibilidade do crédito tributário na forma do art. 151 do CTN não obsta o lançamento de ofício.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-003.131
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 31/08/2001 a 31/12/2001 RECURSO VOLUNTÁRIO. PEDIDO DE DESISTÊNCIA. Não deve ser conhecido o recurso voluntário que foi objeto de pedido de desistência. CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MEDIDA JUDICIAL SUSPENSIVA. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário na forma do art. 151 do CTN não obsta o lançamento de ofício. Recurso Voluntário Negado.
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PEDIDO DE DESISTÊNCIA. Não deve ser conhecido o recurso voluntário que foi objeto de pedido de desistência. CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MEDIDA JUDICIAL SUSPENSIVA. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário na forma do art. 151 do CTN não obsta o lançamento de ofício. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Presidente substituto e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 49 87 /2 00 6- 17 Fl. 353DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. Trata se de Auto de Infração lavrado em 20/06/2006, fls. 07/09, para exigir a contribuição para o financiamento da Seguridade Social COFINS, assim como os respectivos juros de mora e multa de ofício de 75%, no valor total de R$ 4.165.327,50, tendo em vista ausência de recolhimento dessas contribuições nos períodos de apuração de agosto de 2001, setembro de 2001, outubro de 2001, novembro de 2001 e dezembro de 2001. De acordo com a Fiscalização, o contribuinte declarou nas DCTFs concernentes como "saldo a pagar" apenas o valor de R$3.838,31 em outubro de 2001, e que teria parcialmente extinto o declarado mediante pagamento em agosto e dezembro de 2001 de R$ 15.014,36 e R$ 328.372,82, respectivamente; o restante, segundo as DCTFs teria sido compensado com créditos vinculados outras compensações e deduções conforme processo/DCOMP 13003.000314/200113, sendo, entretanto, tal compensação, não aceita pela DRF de Porto Alegre. A DRJ de Florianópolis também se posicionou em vista da Manifestação de Inconformidade interposta pelo contribuinte, confirmando ser vedada a compensação de tributo que o sujeito passivo deva à União com crédito adquirido de terceiro. Desse modo, inferese que os débitos de PIS, COFINS e IPI, que seriam extintos por compensação, com créditos adquiridos pela Synteko da empresa Mc Kinlay, não estariam legalmente lançados, a despeito de serem informados em DCTF. A fiscalização constituiu o crédito com exigibilidade suspensa, dada a medida liminar exarada nos autos do Mandado de Segurança 2006.71.00.0171937 que determinou à autoridade impetrada se abster de exigir os créditos tributários vinculados ao processo administrativo n° 13003.000314/200113, enquanto pendente de julgamento em instância administrativa. Os enquadramentos legais das irregularidades apuradas, bem assim dos acréscimos legais, estão discriminados nos dispositivos das fls. 09 e 11. Regularmente cientificado, em 26/06/2006, conforme consta do auto de infração, fls. 06 e 08, o autuado apresentou impugnação tempestiva em 25/07/2006, fls. 71/90, subscrita por procuradores devidamente habilitados nos autos (instrumento de mandato na fls. 91), na qual, após breve resumo dos fatos, alega que: Fl. 354DF CARF MF Processo nº 11080.004987/200617 Acórdão n.º 3201003.131 S3C2T1 Fl. 3 3 a) os créditos tributários encontramse com a sua exigibilidade suspensa, nos termos do inciso III, do art. 151, do CTN, em razão do pedido de restituição formalizado no processo administrativo n° 13003.314/200113, no qual promove compensações dos respectivos créditos com débitos de PIS, COFINS e IPI, dentre os quais se incluem os débitos objeto da presente autuação; b) tais créditos são originários da cessão de direitos realizada entre o impugnante e a empresa Mc Kinlay S.A, nos autos do processo n° 97.001.25440, sendo essa realizada por escritura pública, do qual a União Federal foi devidamente cientificada, tendo ocorrido a transferência do pólo ativo da ação, por decisão judicial transitada em julgado; c) a Delegacia da Receita Federal em Porto AlegreDRF/ POA, não reconheceu o referido direito creditório, deixando, por conseqüência, de homologar as respectivas compensações, ensejando a apresentação de manifestação de inconformidade, cujo julgamento em 07/10/2005, manteve a decisão proferida pela DRF/POA; d) interpôs recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, o qual encontrase pendente de julgamento, estando suspensa a exigibilidade do crédito na forma do art. 151, III, do CTN, c/c o § 11 do art. 74, da Lei 9.430/96; e) também está suspensa da exigibilidade do crédito tributário por força de concessão de medida liminar em mandado de segurança, sendo o lançamento consubstanciado no auto de infração absolutamente improcedente, por ter sido lavrado na fluência de prazo que suspendeu a exigibilidade do crédito tributário, não podendo a administração praticar quaisquer atos tendentes ou que culminem na exigência do referido crédito. f) que informou os valores autuados pelo fisco através de Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF, encontrandose os créditos tributários já constituídos por auto lançamento confissão de dívida, sendo inadmissível a constituição de crédito através do lançamento de ofício, por gerar duplicidade de cobrança que é vedada pela Carta Magna; g) a cobrança da multa de ofício é indevida, porque fundamentada no inciso I do art. 44, da Lei n° 9.430/96, que diz não ser aplicável no presente caso, pois não praticou quaisquer das situações nele descrita, a saber, deixar de pagar tributo, pagar fora do prazo sem os acréscimos moratórios, deixar de apresentar declaração ou fazêla de forma inexata. Cita ainda o § 2, do art. 5, do Decreto n° 2.124/84, que determina, no caso de não pagamento de débitos declarados em DCTF, o que diz não ter ocorrido no caso em tela, ser cabível somente correção monetária, juros de mora e multa de 20% (vinte por cento) sobre o valor do débito. h) De último modo, ainda argumenta que deve ser desconstituído o presente auto de infração, uma vez que os débitos neste consubstanciados estão extintos, mediante compensação, nos termos do inciso II, do art. 156 do CTN. Alega que, não tendo sido proferida decisão administrativa definitiva nos autos do Processo Administrativo n° 13003000.314/200113, os referido Fl. 355DF CARF MF 4 débitos encontramse extintos por compensação, pela presunção legal do § 2o , do artigo 74, da Lei n° 9.430/96. Ao final, requer a desconstituição do lançamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento decidiu pelo provimento parcial da impugnação, exonerando parcialmente a multa de ofício. Quanto à exigência do principal, dos juros de mora e do restante da multa de ofício, atinente aos valores não declarados, manteve o lançamento. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/08/2001 a 31/12/2001 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DUPLICIDADE. Não há duplicidade de lançamento quando o Auto de Infração formaliza a exigência de tributo declarado em DCTFs. MULTA APLICÁVEL NA COBRANÇA DE DÉBITOS DECLARADOS. Os débitos declarados em DCTF e não pagos no vencimento devem ser exigidos com juros e multa de mora. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Cientificada, a empresa interpôs recurso voluntário onde repisa as alegações apresentadas na impugnação. A extinta Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara ao analisar o recurso voluntário, entendeu que a decisão do presente processo deveria aguardar a decisão administrativa do Processo nº 13003.000314/200113, que controla o pedido de compensação, cuja não homologação dos pedidos de compensação deram origem ao presente lançamento. Assim, a turma converteu o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem aguardasse a decisão final do Processo Administrativo nº 13003.000314/200113, que aguardava decisão de embargos declaratórios opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional Os processo retornou ao CARF com a informação que os embargos da Procuradoria da Fazenda Nacional não foram acolhidos e que a Recorrente protocolou pedido de desistência do julgamento no Processo. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Nos termos do relatório, o presente processo trata de exigência de débitos que foram compensados a partir de pedidos de compensação controlados no Processo Fl. 356DF CARF MF Processo nº 11080.004987/200617 Acórdão n.º 3201003.131 S3C2T1 Fl. 4 5 13003.000314/200113. Ao apreciar o julgamento a turma decidiu por determinar converter o julgamento em diligência parar que a Unidade de Origem aguardasse o julgamento final daquele processo, tendo em vista que a decisão daquele processo teria implicação direta na exigência dos créditos controlados no presente processo O processo retornou de diligência com a informação da Unidade de Origem, que o contribuinte desistiu do processo, conforme consta de petição apresentada no Processo 13003.000314/200113, transcrita abaixo. Ref.: Processo Administrativo n° 13003000.314/200113 GPC QUÍMICA S.A., já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, vem, por sua advogada infra assinada, expor, para ao final, requerer o que segue. 1. Tratase de pedido de restituição e compensação de créditos adquiridos da Mc Kinlay S.A., através de contrato de cessão de créditos, com débitos de PIS, COFINS e IPI, referentes aos períodos de apuração de agosto a dezembro de 2001, janeiro e abril de 2002. 2. Ocorre que a 1ª Câmara do E. 3° Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, através do Acórdão n° 30134.371, deferiu o pedido de restituição formulado pela ora Requerente, reconhecendo o seu direito creditório, mas indeferiu os pedidos de compensação acima mencionados. 3. Ressaltese, por oportuno, que a ora Requerente, inclusive, incluiu os débitos objeto dos pedidos de compensação em questão no Programa de Recuperação Fiscal instituído pela Lei no 11.941/09 c/c a Lei 112 12.865/2013 (REFIS IV). 4. Considerando que o pedido de restituição visava, tão somente, a compensação do respectivo direito creditório com os débitos indicados pela ora Requerente, o mesmo perdeu o seu objeto. 5. Diante disso, a ora Requerente vem, pela presente, desistir expressamente do pedido de restituição formulado nestes autos. Em sede preliminar a Recorrente pede a anulação do lançamento alegando a existência de medida judicial. Entendo não assistir razão ao recurso. O art. 151 do Código Tributário Nacional determina a suspensão da exigibilidade do crédito tributário com liminar ou depósito judicial, entretanto, não obsta o lançamento pelo Fisco. A suspensão prevista no art. 151 e a medida judicial obtida pela Recorrente impede a fazenda pública de adotar medidas coercitivas para exigir do sujeito passivo o cumprimento da obrigação tributária, não impedindo o lançamento para constituição do crédito tributário ainda não constituído. A decisão judicial liminar no Mandado de Segurança nº 2006.71.00.0017193, decidiu que não caberia ao juízo impedir a autoridade administrativo de praticar o ato vinculado do lançamento, determinando que eventual auto de infração lavrado contra a impetrante tivesse sua exigibilidade suspensa até a decisão administrativa definitiva. Fl. 357DF CARF MF 6 Em que pese observar que a autoridade coatora, na decisão administrativa que indeferiu os pedidos de compensação, desconsiderou os fatos de que os créditos que o impetrante afirma possuir são também administrados pela Receita Federal, e de que os pedidos foram feitos quando ainda em vigor a redação original do art. 74 da Lei n" 9.430/96, que não explicitava a impossibilidade de compensação com créditos de terceiros, tanto que foi editada a Instrução Normativa n° 21/97, que permitia textualmente tal pleito, havendo, neste aspecto, fumaça do bom direito, tenho que não cabe ao juiz impedir a autoridade administrativa de praticar o ato vinculado do lançamento. DEFIRO, por isso, EM PARTE, a liminar, determinando à autoridade coatora que eventual auto de infração lavrado contra o impetrante faça a ressalva de suspensão da exigibilidade do respectivo crédito, até decisão administrativa definitiva e/ou ulterior deliberação deste juízo, (grifei) Intimemse. Porto Alegre, 08 de julho de 2006. " A decisão liminar foi confirmada pela decisão definitiva de 1ª instância. E de se concluir que aos recursos interpostos administrativamente pela impetrante, aplicase a disciplina dos parágrafos 9º, 10 e 11, do artigo 74, da Lei 9.430/96. Estes dispositivos permitem a apresentação de manifestação de inconformidade, contra a decisão que não homologa compensação, de recurso ao conselho de contribuintes, contra a decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade e estatui, ainda, que o manejo destes instrumentos recursais dá ensejo à suspensão da exigibilidade do tributo questionado, nos termos do art. 151, inciso 111, do Código Tributário Nacional. Todavia, conforme já explicitado quando da análise do pedido liminar, tal constatação somente diz respeito à exigibilidade do crédito, não cabendo ao juiz impedir a autoridade administrativa de praticar o ato vinculado do lançamento, (grifei) Ante o exposto, CONCEDO PARCIALMENTE A SEGURANÇA para, confirmando a liminar, determinar à autoridade impetrada que se abstenha de exigir os créditos tributários vinculados ao processo administrativo n" 1300.000.314/200113, enquanto pendente de julgamento em instância administrativa, em conformidade com o art. 74 da Lei n° 9.430/96, c/c art. 151, III, do CTN. " A luz da decisão judicial, a analise da alegação que a DCTF seria constituição de dívida, enfrenta uma circunstância nos autos que impede a aplicação da regra geral de constituição de dívida a partir da informação em DCTF, pois, a medida liminar judicial afirma a impossibilidade da RFB adotar medidas coercitivas, entretanto, deixa explicito que a RFB poderá adotar as medidas necessárias ao lançamento fiscal. Portanto, o lançamento fiscal controlado no presente processo tornase uma medida para assegurar o débito Fl. 358DF CARF MF Processo nº 11080.004987/200617 Acórdão n.º 3201003.131 S3C2T1 Fl. 5 7 fiscal no caso da decisão judicial não ser favorável à Recorrente, pois, o prazo decadencial não se suspende ou interrompe e não existindo a constituição do crédito tributário objeto de discussão judicial, fica a autoridade fiscal obrigada a adotar todas as condutas necessárias à constituição do crédito, que deverá ser registrado com a exigibilidade suspensa até que se resolva a discussão na esfera administrativa. Neste diapasão, agiu dentro das normas legais a autoridade autuante ao realizar o lançamento com a exigibilidade suspensa. Entretanto, considerando a desistência apresentada pela Recorrente no Processo nº 13003.000314/200113 e a possibilidade dos débitos controlados no presente processo já estarem inscritos em dívida ativa, a Unidade de Origem deverá adotar as medidas necessárias para evitar a cobrança em duplicidade dos débitos. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Fl. 359DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16832.001182/2009-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/12/2005
PEDIDO DE PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA DO RECURSO. NÃO CONHECIMENTO.
No caso de pedido de parcelamento, restará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, impondo-se o seu não conhecimento.
Numero da decisão: 2402-005.917
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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DESISTÊNCIA DO RECURSO. NÃO CONHECIMENTO. No caso de pedido de parcelamento, restará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, impondose o seu não conhecimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 83 2. 00 11 82 /2 00 9- 20 Fl. 250DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Bianca Felícia Rothschild. Fl. 251DF CARF MF Processo nº 16832.001182/200920 Acórdão n.º 2402005.917 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I – DRJ/RJ1 (166/180) que considerou improcedente impugnação em face de auto de infração (AI Debcad 37.257.6036 – CFL 68 – fl. 4), com fulcro no art. 32, IV, §§ 3º e 5º da Lei 8212/1991 c/c art. 225, IV, e § 4º do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3048/1999. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração (fl. 04), o crédito lançado tem origem na constatação de que a empresa informou em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP valores de remuneração de segurados empregados muito inferiores àqueles constantes de suas folhas de pagamentos. Consta do Relatório Fiscal de Aplicação da Multa e das tabelas anexas (fls. 5 e 10/13), os valores que, segundo a autoridade autuante, deixaram de ser declarado, por competência, bem como o detalhamento do cálculo da multa aplicada. Por bem retratar as razões trazidas na impugnação (fls. 140/146), adotase o relatório contido no Acórdão nº 1249.588, da 14ª Turma da DRJ/RJ1: 4. Notificada do Auto de Infração em 21/12/2009, vide fl. 03 do eprocesso, a interessada apresentou impugnação em 21/01/2010, às fls. 140/146 do eprocesso, juntando comprovantes de capacidade postulatória, estatuto, atas de assembléias, planilha comparativa do cálculo da multa e cópia da folha de rosto do Auto de Infração, às fls. 147/164 do eprocesso. Em sua defesa: 4.1. Pede seja declarada a nulidade do auto de infração, uma vez que fundamentado em dispositivo legal (art. 32, § 5º da Lei 8212/91) já revogado (pelo art. 26 da Lei 11.941/2009). 4.2. Alternativamente, pede a retificação do lançamento, em obediência ao artigo 106, II, “c” os CTN (retroatividade benigna), apresentando como fundamento planilha comparativa entre os valores de multa apurados de acordo com a sistemática anterior, empregada na autuação, e aqueles apurados pelo critério do artigo 32A da Lei 8.212/91 (nos termos da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009), em que demonstra que o critério atual lhe é mais benéfico em todas as competências. 4.3. Pede fazer prova de suas alegações por todos os meios admitidos em direito, tais como documental, testemunhal, expedição de ofícios e pericial. 4.4. Pede sejam as futuras intimações efetuadas em nome e endereço de seus patronos, Dra. Paula Assis de Miranda Ribeiro OAB/ RJ 161.140/ OAB/DF 5.623 e Dr. Gustavo Fernandes de Carvalho OAB/ RJ 123.451, no endereço Praia de Botafogo, 228, 402, Ala “A”, Botafogo, Rio de Janeiro RJ, CEP 22.250040. A DRJ/RJ1 julgou a impugnação improcedente, nos termos da decisão assim ementada: Fl. 252DF CARF MF 4 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÕES À PREVIDÊNCIA SOCIAL. Apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme o art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.528/97, configura descumprimento de dever jurídico tributário instrumental, sujeito à lavratura de Auto de Infração. INAPLICABILIDADE DA RETROATIVIDADE BENIGNA AO CASO CONCRETO. Aplicase a lei nova ao ato ou fato pretérito ainda pendente de julgamento, apenas quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática, acorde o art. 106, II, c do CTN. Inexiste retroatividade benigna quando, comparada a lei atual e a vigente à época da infração, resta evidente que o critério de cálculo dos valores lançados é mais benéfico ao contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão de piso, a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 211 a 218), no qual repisa os argumentos da impugnação, trazendo jurisprudência administrativa acerca da nulidade de auto de infração que não tenha cumprido os requisitos previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, além de decisão deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF que impõe a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN, para o recálculo da multa decorrente das penalidades por descumprimento das obrigações previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212/1991. É o relatório. Fl. 253DF CARF MF Processo nº 16832.001182/200920 Acórdão n.º 2402005.917 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho – Relator Consta do Processo nº 12326.006718/201004 (fl. 3), apenso ao que ora se analisa, manifestação expressa de desistência da impugnação (e, por conseguinte do recurso voluntário) ao auto de infração objeto do presente processo, em vista da solicitação de parcelamento junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil, com base na Lei nº 11.941/2009. A esse respeito, dispõem os §§ 1º, 2º e 3º do art. 78 do Anexo II do RICARF: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. (Grifos nossos) [...] Assim, por virtude da informada desistência por solicitação de parcelamento administrativo, o contribuinte agiu de forma a reconhecer expressa e irrevogavelmente a procedência do lançamento em questão, motivo pelo qual não mais subsiste o interesse processual da parte ao julgamento do presente recurso voluntário. Pelas razões acima expostas voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 254DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.007910/2008-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
DECADÊNCIA.
Havendo pagamento, ainda que parcial, comprovado nos autos, mesmo após o efeito vinculativo (Art. 62, Anexo II, Ricarf) do RESP 973.733 do STJ em sede de recurso repetitivo, aplica-se o Art. 150, §4.º, do CTN.
CERCEAMENTO DE DEFESA. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL.
Rejeita-se a alegação de preterição do direito de defesa fundada em pretensa ausência, desconhecimento ou expiração do prazo do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), porque não constituir requisito de validade do lançamento.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
CRÉDITO INDEVIDO. ÔNUS DA PROVA DA FISCALIZAÇÃO. ART 142 DO CTN.
Por mais que o lançamento trate de crédito, sendo lançamento de ofício com a devida lavratura de auto de infração, o ônus da prova é da fiscalização em demonstrar a inexistência de origem do crédito, para concluir que o contribuinte aproveitou crédito de forma indevida. O ônus da prova da fiscalização tem disposição expressa no Art. 142 do CTN.
Numero da decisão: 3201-002.983
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral, pela Recorrente, a Advogada Lilianne Patricia Lima, OAB/DF nº 31.749.
(assinatura digital)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira, Renato Vieira de Avila.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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Havendo pagamento, ainda que parcial, comprovado nos autos, mesmo após o efeito vinculativo (Art. 62, Anexo II, Ricarf) do RESP 973.733 do STJ em sede de recurso repetitivo, aplicase o Art. 150, §4.º, do CTN. CERCEAMENTO DE DEFESA. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Rejeitase a alegação de preterição do direito de defesa fundada em pretensa ausência, desconhecimento ou expiração do prazo do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), porque não constituir requisito de validade do lançamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 CRÉDITO INDEVIDO. ÔNUS DA PROVA DA FISCALIZAÇÃO. ART 142 DO CTN. Por mais que o lançamento trate de crédito, sendo lançamento de ofício com a devida lavratura de auto de infração, o ônus da prova é da fiscalização em demonstrar a inexistência de origem do crédito, para concluir que o contribuinte aproveitou crédito de forma indevida. O ônus da prova da fiscalização tem disposição expressa no Art. 142 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral, pela Recorrente, a Advogada Lilianne Patricia Lima, OAB/DF nº 31.749. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 79 10 /2 00 8- 15 Fl. 1172DF CARF MF 2 (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira, Renato Vieira de Avila. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 1034 em face da decisão de primeira instância da DRJ/BA de fls. 1011 que manteve o parcialmente lançamento de IPI, diante de indícios de tomada indevida de crédito sob a rubrica "outros créditos". A autoridade lavrou o Auto de Infração de IPI às fls. 640 e o TVF às fls. 623. Como é de costume desta Turma de julgamento a transcrição do relatório do Acórdão de primeira instância, segue para apreciação conforme fls. 1011 apontadas acima: “Tratase de Auto de Infração (fls.640/643) e Demonstrativos (fls.633/639), lavrado contra a contribuinte acima identificada, que pretende a cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, no valor do principal de R$1.926.458,98, acrescido da multa de ofício e dos juros de mora, totalizando o crédito tributário no valor de R$4.798.156,88, conforme descrito no Relatório de Ação Fiscal, fls.623/630 e Planilha de recálculo do Livro de apuração do IPI (fls.631/632 e 631/632). Consta no relatório fiscal, ora sintetizado que: • a empresa não recolheu o imposto por se utilizar de créditos indevidos, tendo resultado saldo devedor após a reconstituição da escrita no ano de 2003; • nos anos base de 2003 e 2004 centrou a fiscalização na análise do item “outros créditos”; • a empresa foi solicitada a comprovar o crédito escriturado (21/11/2007 Termo de Início de Fiscalização), mas, até 19/03/2008, somente entregou parte da documentação. Tendo sido lavrado novo termo de prosseguimento de fiscalização, a empresa apresentou cópias do LRAIPI em 16/06/2008, bem como o demonstrativo da rubrica “outros créditos”, mas novamente, sem se fazer acompanhar dos documentos hábeis, ficando prejudicada a comprovação dos lançamentos efetuados; • posteriormente, em 24/11/2008, a empresa apresentou demonstrativo do crédito do ano de 2003, cópias autenticadas do Fl. 1173DF CARF MF Processo nº 19515.007910/200815 Acórdão n.º 3201002.983 S3C2T1 Fl. 1.173 3 LRAIPI, dos anos de 2003 e 2004, justificativas dos clientes do mês calendário de janeiro de 2003 declarando o não aproveitamento do crédito sacado em notas fiscais emitidas pela Siemens em decorrência de erro de classificação fiscal e autorizando a emissora do documento a estornar o débito e conseqüentemente creditarse daquelas diferenças – art.166 do Código Tributário Nacional; • a carta da Volkswagen – notas de débito, que entre outros detalhes estampa a assertiva “valor cobrado a maior em S/N Fiscal supra”, em nenhuma referência sobre a origem da informação a não ser pelo número do débito, demonstra ser este um documento de controle interno da empresa, documentos não hábil para comprovação pretendida, além de cópia do registro de entradas, que registrou o evento da entrada das mercadorias; • no caso dos outros clientes, além da carta que autoriza a Siemens Ltda a utilizar o crédito nela assinalado, acompanha demonstrativo de “controle interno da própria autorizada” sobre a própria “nota de crédito”, documentos insuficientes para abonar o crédito. O enquadramento legal prevê infração aos artigos: 34, inciso II, 122, 127 130, 199, 200, incisos IV e 202, inciso III, do Decreto n°4.544/02 (RIPI/02), art.80, inciso I, da Lei nº4.502, de 1964, com redação dada pelo art.45 da Lei nº9.430, de 1996. Cientificada do lançamento, em 09/12/2008, fl.641 e 645, a interessada apresenta a impugnação de folhas 646/672, em 08/01/2009, sendo essas as suas razões de defesa: • a fiscalização iniciou em 21/11/2007 e, até 16/07/2008, apresentou diversos documentos que haviam sido pedidos de maneira genérica. A autoridade fiscal não especificou quais documentos seriam necessários para comprovar o crédito lançado sob a rubrica “outros créditos”; • o novo termo de intimação fiscal datado de 11/11/2008 também não especificou a documentação hábil para comprovar os créditos lançados sob a rubrica “outros créditos”. Mesmo considerando as dificuldades temporais, haja vista que o prazo concedido para apresentação dos documentos foi de 15 dias, a impugnante realizou todos os esforços no sentido de atender a referida intimação fiscal; • após o cumprimento da intimação, o auditor lavrou o auto de infração, sob o argumento de que a empresa não logrou comprovar satisfatoriamente o crédito lançado, vindo a listar quais os documentos que entendia satisfatórios e que poderiam ter sido apresentados tanto por parte do cliente quanto pela empresa autuada tão somente após a lavratura do auto de infração, o que demonstra arbitrariedade, restando clara a precariedade do lançamento, na medida em que a autoridade fiscal, cuja função é a busca pela verdade material, limitouse a rejeitar os documentos apresentados pela impugnante; Fl. 1174DF CARF MF 4 • o ato vinculado, o procedimento fiscal, deve obedecer a legislação tributária, art.2º da Portaria nº40.66, de 2 de maio de 2007, sendo a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, a maneira eficaz de conferir legitimidade ao procedimento de fiscalização. O prazo de validade do MPF é de 120 dias prorrogáveis (art.12, I e 13 da Portaria nº4.066, de 2011). O MPF foi emitido em 21/11/2007 e prorrogado em 19/03/2008, mas após essa data não mais houve qualquer prorrogação e tendo o auto de infração sido lavrado em 09/12/2008 o ato foi inconstitucional e ilegal, discricionário; • o auto de infração foi lavrado sem ao menos uma investigação em busca da verdade material pois somente após sua lavratura a contribuinte tomou conhecimento de quase os documentos seriam hábeis a comprovar o direito ao crédito; • conforme doutrina que transcreve, cabe a administração comprovar de forma inequívoca os fatos que alega, cabendo no ato do lançamento ao cumprimento do que dispõe o art.142 do CTN; • na hipótese do auto de infração não ser insubsistente requer que seja decretada a decadência, e extinção do crédito tributário nos termos do art.156, inciso VII, do CTN, assinalando o prazo decadencial inserto no art.150, §4º do CTN, para qualquer obrigação tributária cuja fato gerador tenha ocorrido antes de 09/12/2003, uma vez que a ciência do lançamento se deu em 09/12/2008; • na forma do art.165, II do CTN c/c art.207 do RIPI/2002 nos casos de pagamento a maior cabe a devolução a contribuinte, independente de requerimento e assim lançou em “outros créditos” no LRAIPI os valores de IPI indevidamente destacados no documentos fiscal de forma a compensálos com o saldo devedor do período, e conforme dispõe o art.166 do CTN e art.7º da IN SRF Nº 600, de 28 de dezembro de 2005, informou aos destinatários das mercadorias o erro cometido no documento fiscal, mediante nota de débitos dos destinatários; • no decorrer da fiscalização informou o procedimento adotado e apresentou por amostragem os documentos mencionados, mas, a autoridade ignorou o procedimento adotado e a autorização dada pelo destinatário para permitir a restituição do imposto indevidamente destacado, e lavrou o auto de infração; • junta a presente impugnação: notas fiscais de venda de mercadorias com destaque a maior do IPI em razão de erro na classificação fiscal (doc.04); notas fiscais de débito emitidas pelos destinatários das mercadorias com a indicação do valor do IPI destacado indevidamente (doc.05); declaração dos destinatários das mercadorias informando que não foi realizado o creditamento do IPI lançado a maior nos documentos fiscais; • o auditor pretende cobrar o IPI em relação ao 2º decêndio de dezembro de 2003 no valor de R$1.161.016,55, mas o valor apurado seria R$1.156.009,32, mas o saldo devedor apurado ao final do 2º decêndio de 2003 foi evidentemente liquidado pela impugnante em 30/12/2003 por meio do DARF (doc.08) Fl. 1175DF CARF MF Processo nº 19515.007910/200815 Acórdão n.º 3201002.983 S3C2T1 Fl. 1.174 5 em valor superior ao lançado no LRAIPI de R$1.157.676,52, desta forma não há dúvida de que cabe exclusão ao menos do valor R$1.157.676,52, parcela esta que é pelo menos 60% do lançamento; • requer a precariedade do lançamento, exclusão do período autuado alcançado pelo prazo de decadência, revisão do imposto cobrado em relação ao 2º decêndio de 2003, tendo em vista o pagamento de R$1.157.676,52, excluída a taxa de juros, protesta por posterior juntada de documentos que possam provar o alegado.” Este Acórdão de primeira instância da DRJ/BA de fls. 1011 foi publicado com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. Na ausência de prova nos autos que permita confirmar a legitimidade e a liquidez do crédito, este deve ser glosado, cabendo a exigência dos valores apurados de IPI não lançados e não recolhidos. CRÉDITO TRIBUTÁRIO PAGO, MAS NÃO CONFESSADO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Na ocorrência de crédito tributário espontaneamente recolhido, mas sem que tenha havido sua confissão em DCTF, deve ser ele constituído de ofício, em sua totalidade, exonerandose a empresa da multa de ofício proporcional à parcela paga. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Inexistindo pagamento da contribuição apurada, o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário se extingue no prazo de cinco anos contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado." Ao apreciar o Recurso Voluntário, esta Turma de julgamento determinou a seguinte Resolução em fls. 1089: "Diante do exposto, voto pela CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA do presente processo, para que a unidade de origem informe a este colegiado se a recorrente efetuou ou não recolhimentos, mesmo que parciais, referentes ao IPI devido nos períodos de apuração que abarcam o presente lançamento. Realizada a diligência, deverá ser dado vista à recorrente e à PGFN para, em tendo interesse, manifestaremse no prazo de 30 dias. Concluídos os procedimentos, devem os autos retornar a este Colegiado para se prosseguir com o julgamento da lide." Fl. 1176DF CARF MF 6 Após o cumprimento da diligência o contribuinte apresentou manifestação em fls. 1124 e a União confirmou a existência dos recolhimentos em fls. 1161. A decisão, em relação ao crédito exonerado, foi submetida a Recurso de Ofício ao CARF, mas de acordo com a Portaria MF 63/17, já não mais atende ao valor de alçada. Portanto, não há como considerar o Recurso de Ofício. Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. Os autos foram distribuídos para este Conselheiro e pautados para julgamento. Relatório proferido. Voto Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este Voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, merece conhecimento o tempestivo Recurso Voluntário. Houve Recurso de Ofício do valor exonerado, mas de acordo com a Súmula CARF nº 103, "para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância" e, sendo o limite de alçada um valor maior que o exonerado neste caso, conforme Portaria 63 de 2017, este não deve ser conhecido. Segue o print screen da tabela apresentada pela DRJ/BA em fls. 1021: A DRJ/BA apresentou o seguinte dispositivo em fls. 1021: "Diante do exposto, voto por acatar parcialmente a preliminar de decadência e rejeitar as demais preliminares argüidas e, no mérito, julgar procedente em parte o lançamento de Fl. 1177DF CARF MF Processo nº 19515.007910/200815 Acórdão n.º 3201002.983 S3C2T1 Fl. 1.175 7 ofício, mantendose parcialmente o crédito tributário lançado, conforme Tabela I. Ressaltese que deve a autoridade competente providenciar a devida alocação do valor pago ao crédito tributário constituído no 2º decêndio de dezembro/2003." DA DECADÊNCIA. O contribuinte alegou a decadência dos tributos anteriores a 09/12/2003, em razão da aplicação do disposto no Art. 150, §4.º do CTN e considerada a data da ciência do auto de infração ocorrida em 09/12/2008, ou seja, cinco anos de interregno entre o fato gerador e a data da ciência do lançamento. Após a validade do Resp. STJ 973.733, em sede de recurso repetitivo, em função do disposto no Art. 62, Anexo II, do regimento interno deste Conselho, as decisões do STJ em sede de recurso repetitivo são obrigatórias aos Conselheiros. Assim, diante do exposto na decisão deste Resp. STJ 973.733, surgiram dúvidas a respeito da aplicação do termo inicial de contagem do prazo decadencial para os tributo sujeitos ao lançamento por homologação, se originariam do fato gerador ou do primeiro dia útil do exercício seguinte, representados pelos Art. 150, §4.º e 173, respectivamente, do CTN. Posto isto, foi aqui relatado que esta Turma de julgamento converteu o julgamento em diligência em fls 1089 para que fosse verificada a existência de pagamento do IPI dentro do período do lançamento, para subsidiar a aplicação do termo inicial do prazo de contagem da decadência, se do fato gerador ou não, uma vez que o a decisão do RESP STJ 973.733, teria vinculado a existência de pagamento parcial dentro do período autuado à aplicação do marco inicial com base no fato gerador. O retorno da diligência confirmou a existência de pagamentos em fls 1101 e seguintes, o contribuinte apresentou manifestação em fls. 1124 e a União confirmou a existência dos recolhimentos em fls. 1161. Portanto, merece provimento a alegação do contribuinte no tópico da decadência, para que sejam considerados extintos, nos moldes do Art. 156, V, do CTN, os lançamentos anteriores a 09/12/2003. Restaram não decaídos o 2.º e 3.º decêndio de dezembro de 2003, situação que motiva a análise das preliminares a seguir. DAS PRELIMINARES. Fl. 1178DF CARF MF 8 O contribuinte alegou também que a ausência do correto prazo do MPF acarretou a ilegalidade do lançamento. Neste aspecto a razão não acompanha o contribuinte. Não é uma máxima a premissa de que ausência, falha, vício, desconhecimento ou expiração do prazo no MPF jamais poderia ter força para atingir a validade do lançamento. O contribuinte alegou a existência de vícios na fiscalização porque tem direitos que devem ser observados a qualquer momento, em qualquer processo, de modo que, mesmo diante do principio da instrumentalidade das formas processuais, não é adequado deixar de observar alguns direitos invioláveis. Contudo, no presente processo, não há razão para o reconhecimento da nulidade do lançamento em razão de vícios no MPF, pois conforme disposições do procedimento administrativo fiscal (Decreto 70.235/72), a análise da matéria deve ser priorizada à análise da formalidade, em benefício da solução da lide. Mas em preliminar de Recurso Voluntário, o contribuinte também alegou o descumprimento do Art. 142 do CTN, em razão da fiscalização não ter comprovado ou descrito os fatos, motivos e razões pelas quais os créditos tomados sobre a rubrica "outros créditos" seriam indevidos. Além desta alegação preliminar, o contribuinte demonstrou que a fiscalização somente exigiu os documentos que seriam "suficientes" para comprovar o crédito no momento da conclusão da fiscalização e na lavratura do auto de infração. Este documentos seriam os mencionados no TVF em fls. fls 627, conforme segue: "A por parte do cliente: A.l cópia autenticada da notafiscal de vendas recebida com carimbo de comprovação da efetiva entrada dos produtos em seu estabelecimento industrial, na qual jaz o valor do EPI "sacado" pelo emissor do documento; A. 2 cópias autenticadas das páginas do livro de entradas e de apuração do IPI (do cliente) nas quais foram perpetuados os eventos de entradas; A. 3 cópias autenticadas das páginas do livro de saídas e de apuração do IPI (do cliente) nas quais foram perpetuados os eventos de saídas, sendo que, no caso específico do D?I: cópia autenticada da página onde o outorgante (cliente Siemens) registrou o "estorno" do crédito; A. 4 cópias dos registros desse documentos nos livros contábeis, onde se comprove o real pagamento (ônus financeiro) cometido a favor de Siemens Ltda, com cópia de duplicata quitada e extrato bancário, se for o caso, para efetivar a referida assunção. B por parte do beneficiado pelo crédito: B.l cópias autenticadas das páginas do livro de saídas e de apuração do IPI (do cliente) nas quais foram perpetuados os eventos de saídas; B.2 cópias autenticadas das páginas do livro de entradas e de apuração do IPI (do cliente) nas quais foram perpetuados os eventos de entradas , sendo que, no caso específico do EPI: cópia Fl. 1179DF CARF MF Processo nº 19515.007910/200815 Acórdão n.º 3201002.983 S3C2T1 Fl. 1.176 9 autenticada da página do LAIPI onde o contribuinte, Siemens Ltda. registrou, de forma indelével e precisa, o "crédito recebido; B.3 cópias das páginas dos livros contábeis onde o beneficiado com o crédito tenha registrado, de forma inequívoca, os valores recebidos dos clientes outorgantes; B.4 cópias de outros documentos que comprovem o recebimento dos valores, bem como seus respectivos registros contábeis e fiscais." Realmente, no início a fiscalização se limitou a exigir e analisar o demonstrativo analítico dos créditos tomados sob a rubrica "outros créditos" e o livro de apuração do IPI. As Notas Fiscais com destaque do IPI pago a mais, apresentadas pelo contribuinte (doc. 04 da impugnação), e as declarações de clientes que autorizaram o aproveitamento dos créditos foram desconsideradas. Assim como, somente na conclusão dos trabalhos e na lavratura do Auto de Infração, a fiscalização exigiu do contribuinte documentos que somente poderiam resultar de uma fiscalização (que não compete ao contribuinte), como os livros de entrada e saída e livro de apuração de IPI dos clientes, documentos de sigilo fiscal e de mercado. Por não aceitar os documentos do contribuinte e por não pesquisar e portanto não identificar os pagamentos do IPI no sistema da Receita Federal, concluiu que a tomada de crédito foi indevida. Conclusão que realmente não satisfaz a pretensão da legalidade, consubstanciada no sistema tributário nacional. Conforme voto vencedor do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, no Acórdão 9303002.141, a Lei não determinou que o terceiro comprove que não se utilizou do crédito, conforme segue: "O Código Tributário Nacional, exige que, no caso de 4restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro, o requerente demonstre ter assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a repetir o indébito. No caso sob exame, é incontroverso que houve a transferência do encargo, visto que o imposto fora destacado nas notas de vendas. Assim, resta a segunda opção qual seja, a demonstração de que a requerente estava expressamente autorizada pelos adquirentes dos produtos (terceiros a quem foi transferido o encargo do imposto) a repetir o indébito. Dos autos constam que parte dos adquirentes do açúcar deram a autorização expressa, mas em relação à outra parte, não há prova de que isso ocorreu. Por conseguinte, somente em relação a uma parcela da restituição pretendida é que a contribuinte demonstrou atender às condições estabelecidas no art. 166 do CTN para fazer jus à repetição do indébito. Fl. 1180DF CARF MF 10 Assim, a solução é por demais simples, na parte em que houve o atendimento das condições retromencionada, devese restituir o imposto pago a maior ou indevidamente, e, na parte em que tais condições não foram atendidas, não há como deferir a repetição pretendida pelo sujeito passivo. Registrese, por oportuno, que a Lei exige que o postulante à restituição demonstre estar autorizado pelo terceiro que suportou o encargo tributário, mas não impõe que este ( o terceiro) comprove que não se utilizou do crédito do imposto destacado nas notas. Ora se a lei não exigiu, não cabe ao intérprete fazêlo. Com essas considerações, conheço do recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional, e, no mérito, doulhe provimento parcial para deferir apenas a restituição que o sujeito passiva tenha feito prova, nos autos, do atendimento das condições estabelecidas no art. 166 do CTN." Assim, qualquer dúvida a respeito do pagamento do IPI, se foi a maior ou não, se foi utilizado pelo cliente ou não ou se realmente foi destacado a maior na Nota Fiscal, seja por erro na classificação ou no preço do produto, deveria ser comprovada mediante fiscalização específica. Em prática, não se contesta a possibilidade do contribuinte tomar créditos de IPI em sua escrita fiscal, quando ao adquirente foi suportada a transferência dos encargos financeiros. O contribuinte, em analogia, invocou a possibilidade de realizar inclusive a restituição/compensação do IPI destacado, independentemente de requerimento à autoridade competente, por disposição expressa no Art. 2071 do RIPI/02. Em prática, sendo incontroverso o pagamento do IPI, como é neste caso, o destaque nas Notas Fiscais juntadas aos autos (Doc. 04 da Impugnação), concretiza a transferência dos encargos, situação que somada à autorização do cliente para o aproveitamento dos créditos, resultam na legalidade da operação praticada pelo contribuinte, ao tomar crédito do IPI sob a rubrica "outros créditos". Este entendimento encontra fundamento expresso no Art. 166 do CTN2. Sendo esta uma lide originada de um lançamento de oficio e não de uma solicitação de ressarcimento/compensação, conforme Auto de Infração de fls. 640, é certo que o ônus da prova é da fiscalização, como disposto no Art. 142 do CTN. Logo, a razão está com o contribuinte ao alegar que a fiscalização deveria ter considerado os elementos e documentos apresentados, assim como deveria ter comprovado a 1 Art. 207. Nos casos de pagamento indevido ou a maior do imposto, inclusive quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o valor correspondente poderá ser utilizado, mediante compensação, para pagamentos de débitos do imposto do próprio sujeito passivo, correspondentes a períodos subseqüentes, independentemente de requerimento (Lei nº 5.172, de 1966, art. 165, Lei nº 8.383, de 1991, art. 66, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 73). § 1º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição (Lei nº 8.383, de 1991, art. 66, § 2º). § 2º Parte legítima para efetuar a compensação ou pleitear a restituição é o sujeito passivo que comprove haver efetuado o pagamento indevido, ou a maior. 2 Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla. Fl. 1181DF CARF MF Processo nº 19515.007910/200815 Acórdão n.º 3201002.983 S3C2T1 Fl. 1.177 11 origem indevida do crédito ou a falta de pagamento do IPI, seja por fiscalização nos clientes do contribuinte, seja por consulta às informações internas da Receita Federal. CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, votase para que seja DADO PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, reconhecendo a decadência, exonerando a matéria de fundo do lançamento (em razão dos documentos que deveriam ter sido considerados porque presumemse idôneos, não havendo nenhuma mácula comprovada contra estes) e mantendo somente o lançamento para a constituição dos débitos não confessados, com a devida alocação dos valores comprovadamente pagos. Voto proferido. (assinatura digital) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 1182DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.006201/2005-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Data do fato gerador: 01/01/2002
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. REQUISITOS PARA NÃO INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL.
A partir do exercício 2001, para fins de redução do valor devido de ITR, é indispensável a comprovação do protocolo do Ato Declaratório Ambiental protocolado junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis .- IBAMA.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. COMPROVAÇÃO DE ÁREAS E VALORES DECLARADOS. NECESSIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. POSSIBILIDADE.
Cabe ao Fisco, ao revisar as declarações prestadas pelo sujeito passivo, verificar os dados delas constantes. Havendo necessidade, o contribuinte deve ser intimado a comprovar as informações prestados, e em não o fazendo, cabe ao Fisco glosar os dados não comprovados, invertendo o ônus da prova.
Numero da decisão: 2201-003.774
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, e José Alfredo Duarte Filho. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Redator designado
EDITADO EM: 17/07/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Data do fato gerador: 01/01/2002 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. REQUISITOS PARA NÃO INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. A partir do exercício 2001, para fins de redução do valor devido de ITR, é indispensável a comprovação do protocolo do Ato Declaratório Ambiental protocolado junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis .- IBAMA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. COMPROVAÇÃO DE ÁREAS E VALORES DECLARADOS. NECESSIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. POSSIBILIDADE. Cabe ao Fisco, ao revisar as declarações prestadas pelo sujeito passivo, verificar os dados delas constantes. Havendo necessidade, o contribuinte deve ser intimado a comprovar as informações prestados, e em não o fazendo, cabe ao Fisco glosar os dados não comprovados, invertendo o ônus da prova.
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ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. REQUISITOS PARA NÃO INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. A partir do exercício 2001, para fins de redução do valor devido de ITR, é indispensável a comprovação do protocolo do Ato Declaratório Ambiental protocolado junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis . IBAMA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. COMPROVAÇÃO DE ÁREAS E VALORES DECLARADOS. NECESSIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. POSSIBILIDADE. Cabe ao Fisco, ao revisar as declarações prestadas pelo sujeito passivo, verificar os dados delas constantes. Havendo necessidade, o contribuinte deve ser intimado a comprovar as informações prestados, e em não o fazendo, cabe ao Fisco glosar os dados não comprovados, invertendo o ônus da prova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, e José Alfredo Duarte Filho. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 62 01 /2 00 5- 96 Fl. 227DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Redator designado EDITADO EM: 17/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra a decisão de primeiro grau que manteve o crédito tributário constituído por meio de auto de infração (folhas 07 do processo digitalizado), referente ao imposto territorial rural suplementar lançado de ofício. . Os motivos ensejadores do lançamento tributário se encontram no Relatório Fiscal (fls 9). Foi constituído um crédito tributário de R$ 673.828,42 referente ao imposto (R$ 290.043,23). juros de mora (R$ 166.252,77), e multa de ofício (R$ 217.532,42), atualizados até dezembro de 2005. O crédito constituído referese ao fato gerador ocorrido em 01/01/2002 e se aperfeiçoou com a ciência pessoal do contribuinte em 15 de dezembroo de 2005 (AR fls. 24). Irresignado, o contribuinte apresenta, tempestivamente, impugnação ao lançamento (fls. 30), em 13 de janeiro de 2006. A 1ª Turma da DRJ em Campo Grande/MS, em 26 de janeiro de 2007, nega procedência à impugnação apresentada, proferindo a decisão consubstanciada no Acórdão de Impugnação 0411.326 (fls 103). Tal decisão restou assim ementada: "ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL É necessário que o contribuinte protocolize o ADA no Ibama ou em órgãos ambientais estaduais delegados por meio de convêncio, no prazo de até 6 meses, contato a partir do término do prazo fixado para a entrega da declaração, para que as áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada possam ser excluídas da incidência do ITR. VALOR DA TERRA NUA O valor da terra nua, apurado pela fiscalização, em procedimento de ofício nos termos do art. 14 da Lei nº 9393/96, não é passível de alteração, quando o contribuinte não apresentar elementos de convicção que justifiquem reconhecer valor menor. ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10183.006201/200596 Acórdão n.º 2201003.774 S2C2T1 Fl. 228 3 A área utilizada com exploração extrativa é comprovada com plano de manejo sustentado devidamente aprovado pelo Ibama desde que o cronograma esteja sendo cumprido. Lançamento Procedente" O acórdão cuja ementa reproduzimos, tem o seguinte relatório, que adoto por sua clareza e precisão (fls 105): De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 06/07, foi glosada a área de utilização limitada informada na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial DITR (DIAC/DIAT), em virtude do não cumprimento dos requisitos estabelecidos na lei para sua exclusão da incidência do imposto. Também foi glosada a área utilizada na exploração extrativa, por falta de comprovação com plano de manejo sustentado devidamente aprovado pelo Ibama. 3.As alterações no cálculo do imposto estão demonstradas à fl. 02. As glosas efetuadas culminaram com a redução do grau de utilização de 100,0% para 6,9%, com a conseqüente alteração da alíquota aplicável do imposto, de 0,45% para 20,00%, conforme a tabela mencionada no art. 11 da Lei n° 9.393/96. Conseqüentemente, a área tributável aumentou de 3.396,0 ha para 19.977,0 ha.Sendo o Valor da Terra Nua declarado substituído pelo Valor da Terra Nua constante do SIPT. 4.O interessado apresentou impugnação tempestivamente, fls. 28/43, onde aduz, que: Recebeu o Auto de Infração pelo correio, onde consta intimação para efetuar o pagamento do ITR, mais juros e multa de mora no total de R$ 673.828,42; Na Descrição dos Fatos constou apuração de infração intitulada falta de recolhimento do ITR, relativas às áreas declaradas de Preservação Permanente e Utilização Limitada/reserva legal e do valor da Terra Nua; Não foi apresentado Laudo elaborado por profissional habilitado bem como o ADA para comprovar a área de preservação permanente existente no imóvel; Não ficou comprovada também a área de utilização limitada mediante averbação na matrícula do imóvel, conforme determina a lei; Com respeito ao valor da terra nua declarado não foi apresentado o Laudo de Avaliação de Imóveis Rurais, conforme o art. 14, § Io da Lei 9393/96, razão pela qual o VTN declarado foi substituído pelo Valor da Terra Nua constante do SIPT; A exigência do ADA é uma formalidade dispensável pela legislação fiscal em vigor, havendo outras provas que podem ser aceitas pela administração, como por exemplo, averbação na matrícula do imóvel; Transcreveu o § 7o, do art. 10 da Lei 9.393/1996, com redação dada pela Medida Provisória 2.16667, de 24/08/2001 para justificar a não obrigatoriedade de prévia comprovação das áreas isentas; Fl. 229DF CARF MF 4 Citou, ainda, várias ementas de Acórdãos do Conselho de Contribuintes; Discorda do VTN apurado no lançamento porque ficou acima do preço de mercado; Possui área de exploração extrativa autorizada pelo Ibama; Por fim, requer seja desconsiderada a retificação de ofício da DITR/2001 e, conseqüentemente do lançamento. Instruiu os autos, com a documentação de fts. 44/66, constando entre outros documentos, cópias das matrículas do imóvel e escrituras públicas." Ciente da decisão que contrariou seus interesses, em 09 de março de 2007 ( AR fls. 122), o Contribuinte apresenta recurso voluntário em 09 de abril seguinte (fls. 124), do qual constam, em regra, os mesmos argumentos. Em 21 de maio de 2009, apreciando o apelo interposto, a 1ª Turma da 2ª Câmara da 3ª Seção deste Colegiado, resolve converter o julgamento em diligência para que (fls. 164): Por meio de informação fiscal (fls. 224) a SECAT/DRF em Campo Grande/MT, em 04/07/2016, responde, fundamentadamente, ao questionamento formulado. Reproduzo a conclusão: "Portanto, não restam dúvidas de que, de fato, o imóvel denominado Fazenda Vale do Guariba, cadastrado na RFB sob o NIRF 0.731.1915 e no INCRA sob o nº 901.016.023.6475, com 19.977,0 hectares, tem como registro imobiliários as matrículas nº 34.544 e 34.545, ambas do RGI do 6º Ofício de Cuiabá/MT." (destaquei) Por sorteio eletrônico, o presente processo foi para mim distribuído, em razão do Relator originário não mais pertencer ao colegiado. É o relatório do necessário. Voto Vencido Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10183.006201/200596 Acórdão n.º 2201003.774 S2C2T1 Fl. 229 5 Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Relator O recurso é tempestivo. Passo a apreciálo na ordem de suas alegações. Antes, porém, necessário apontar que, em face da inequívoca resposta dada à diligência determinada, consoante o relatado, tornase despiciendo qualquer comentário a respeito do tema. Voltando ao apelo, argumenta o Recorrente às folhas 125 que: "O autuante cometeu uma série do que prefere o impetrante chamar de equívocos por descuido, que embora culminassem ilegitimidade e ilegalidade, classificaos o impetrante de meros erros que são sujeitos à falibilidade humana, resultaram no julgamento parcial e discricionário. Basta que os senhores Membros do Conselho de Contribuintes examinem as peças da informação fiscal, os documentos apresentados na impugnação e o julgamento de modo cristalino, os erros cometidos, as más interpretações das leis e as razões do impetrante. Que referente à Área de Preservação Permanente não houve apresentação do Laudo elaborado por Engenheiro ou Florestal, informando às áreas que se enquadram no art. 2o da Lei 4771/65 (redação dada pelo art. Io da Lei 7803/89), conforme art. 10, § Io, inciso II, letra 'a' da Lei 9393/96, sendo desconsiderado o valor declarado, como também a não comprovação da solicitação de emissão do Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA, conforme Lei n°. 6.938, de 31 de agosto de 1981, com a redação dada pela Lei n°. 10.165, de 27 de dezembro de 2000, em data anterior a 31 de março de 2001, conforme art. 17, inciso II da Instrução Normativa SRF n°. 60/2001 (no 73/2000) (10, § 4o, inciso II da Instrução Normativa SRF n°. 41 com a redação dada pela Instrução Normativa SRF n°. 67/1997), sendo desconsiderado o valor declarado. Em relação à área de utilização limitada não foi apresentada a documentação probatória da reserva em cartório de registro de imóveis, à margem da matrícula do imóvel, conforme art. 10, § Io, inciso II, letra 'a' da Lei 9393/96, e art. 16, § 2o da Lei 4771/65 (redação dada pelo art. 1 o da Lei 7803/89), em data anterior à do fato gerador do ITR, conforme art. 12, § 1 o do Decreto 4.382/02, sendo desconsiderado o valor declarado e também a não comprovação da solicitação de emissão do Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA, conforme Lei n°. 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 170, § 5o, com a redação dada pelo art. I o da Lei 10165, de 27 de dezembro de 2000, errí'data anterior a 31 de março de 2001, conforme art. 17, inciso II da Instrução Normativa SRF n°. 60/2001 (n°. 73/2000) (10, § 4o, inciso II da Instrução Normativa SRF n°. 43/1997, com redação dada pela Instrução Normativa SRF n°. 67/1997), sendo desconsiderado o valor declarado. O que se nota é que a glosa das áreas de 600,0 hectares declarada como área de preservação permanente e a de Fl. 231DF CARF MF 6 15.981,0 hectares como área de utilização limitada, ocorreu tão somente em razão da falta de apresentação do ADA, que segundo o auditor autuante, seria uma das exigências para que o benefício da isenção fosse aceito, conforme legislação fiscal exposta nos autos. Tratase, portanto, de formalidade dispensável pela própria legislação fiscal em vigor, pois existem outras provas que podem ser aceitas pela Administração, das quais, averbação da área à margem da matrícula do imóvel na data da ocorrência do fato gerador, requisito este, que no caso em questão, foi devidamente cumprido, conforme demonstra as matrículas 34.544 e 34.545 do Cartório de Registro de Imóveis da Terceira Circunscrição Imobiliária de Cuiabá Mato Grosso. Com efeito, o art. 8° da Lei 9.960, de 28/01/2000, que introduziu nova redação à Lei 6.938, de 31/08/1981, dispõe que a utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é opcional, e se após vistoria, for constada divergência, será lavrado novo ADA e os dados efetivamente levantados serão enviados à Secretaria da Receita Federal para providências, "in verbis": (...)" Após, discorre sobre a legislação aplicável e menciona jurisprudência do STJ e deste próprio Conselho Administrativo sobre a desnecessidade de apresentação do ADA. A decisão recorrida assim se pronunciou sobre o tema (fls. 111): "Com base nos dispositivos expostos, fica claro que, para fins de exclusão da área de utilização limitada, da incidência do ITR, é obrigatória a protocolização do ADA, junto ao IBAMA, ou órgão conveniado, no prazo para isso fixado. Salientese que, embora o Regulamento tenha sido editado no ano de 2002, apenas consolidou a legislação vigente à época de sua edição, normatizando alguns de seus pontos, sem inovar na exigência, sendo, na matéria em apreço, aplicável para o lançamento do ITR do exercício considerado. Da mesma forma, a Solução de Consulta, datada de 2003, é igualmente aplicável. Assim, no lançamento por homologação, cabe ao sujeito passivo apurar o imposto e proceder ao seu pagamento, sem prévio exame da autoridade fiscal. Até que decorra o prazo decadencial, pode essa autoridade examinar as informações que embasaram o lançamento. Apresentandose tal situação, o contribuinte deverá comprovar o que foi declarado, e tal comprovação deve basearse em documentos, única maneira de trazer para o processo fiscal as características do imóvel que influenciaram na determinação do imposto. No presente processo o contribuinte foi intimado a apresentar os documentos exigidos para gozo da isenção relativa à área de interesse ambiental de utilização limitada, área utilizada com atividade extrativa e valor da terra nua. Porém, não houve atendimento à intimação fiscal, os valores referentes a esses itens foram desconsiderados e o valor da terra nua declarado substituído pelo constante no SIPT. Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10183.006201/200596 Acórdão n.º 2201003.774 S2C2T1 Fl. 230 7 Na fase impugnatória, o contribuinte juntou cópia das matrículas do imóvel de n° 34.544 e 34.545, onde consta a averbação de 15.981,6 hectares como de utilização limitada. Porém não foi apresentado Ato Declaratório Ambiental (ADA) do Ibama, ou de outro órgão conveniado. Documento este exigido para efeito de exclusão do ITR (Portaria Ibama n° 162, de 1997)." (destaques não constam da decisão de piso) Do exposto, verifico que a controvérsia se instaura no tocante à área averbada na matrícula do imóvel como sendo de utilização limitada Manutenção de Floresta Limitada quanto à necessidade de apresentação do ADA perante a autoridade ambiental competente, IBAMA ou, por força de convênio, órgão estadual de controle ambiental. Segundo a decisão de piso, por força de vários atos integrantes da legislação tributária, tal apresentação é imprescindível para a fruição do benefício fiscal, ou seja, a não incidência do ITR sobre a área constante da matrícula do imóvel. Recordemos a Lei nº 9393/96, na redação vigente à época dos fatos geradores: "Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; (...)" (destaques não constam do texto legal) Vejamos a redação da Lei nº 4.771/65, no ponto que nos interessa: "Art. 16. As florestas de domínio privado, não sujeitas ao regime de utilização limitada e ressalvadas as de preservação permanente, previstas nos artigos 2° e 3° desta lei, são suscetíveis de exploração, obedecidas as seguintes restrições: Fl. 233DF CARF MF 8 (...) § 2º A reserva legal, assim entendida a área de , no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área." (destaques não constam do texto legal) Observo a ausência de determinação legal, no texto reproduzido e vigente à época dos fatos, sobre a necessidade do ADA. Não desconheço que a previsão legal sobre a exigência de tal informação para o órgão de controle ambiental, hoje se encontra previsto em lei (Lei nº 6.938/81, com a redação da Lei 10.165/00), lei ambiental se diga, mas de forma expressa como condição para a fruição do favor tributário. "Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere ocaputdeste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória." (novamente destaquei) Porém, é inegável que tal exigência só passa a existir a partir de 2001, posto que a publicação da lei se dá nos últimos dias de dezembro de 2000. Tratase de imposto cujo fato gerador se dá em 01 de janeiro de 2002. Não obstante a novidade, que ao meu ver, ofende o princípio da segurança jurídica, fundante em matéria tributária, é inegável que no caso em apreço, a exigência se torna totalmente despicienda. Explico. É cediço que a imprescindibilidade do ADA se pauta na necessidade que o Estado tem de conhecendo o meio ambiente e a destinação que se quer dar a ele proteger o interesse comum, tão determinante em matérias ambientais. Logo, precisa o Estado, por meio de seus órgão de controle, da informação sobre os locais onde se deve e portanto se favorece a proteção dos recursos naturais. De tal constatação, surge a interpretação finalística da exigência da Lei 6938/91: se o sujeito passivo opta por reservar parte de sua propriedade para a preservação do meio ambiente, seja por força de lei, seja por faculdade, ele tem o direito de afastar a incidência tributária sobre tal porção de área rural, tendo para tanto, que cumprir dois requisitos: averbação de tal decisão na matrícula do imóvel e cientificação de tal situação para o órgão ambiental. Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10183.006201/200596 Acórdão n.º 2201003.774 S2C2T1 Fl. 231 9 Tal constatação me move no sentido de dar razão ao contribuinte no caso 'in concreto'. Recordemos o texto da escritura pública que instaurou a limitação ao uso da propriedade rural (fls. 54): Reproduzo, pela sua importância em minha decisão e com o perdão da repetição, o texto inicial da averbação acima reproduzida: "Conforme Termo de Retificação de Averbação da Reserva Legal, termo nº 0410/2004, expedido aos 02062004, processo nº 6117/2003, datado de 23/10/2003, celebrado entre o proprietário deste imóvel, Sr JOSÉ JAIR MARTINS DA COSTA, brasileiro, casado,(...) e a Fundação Estadual do Meio Ambiente, FEMA, representada pelo Secretário Estadual do Meio Ambiente, Presidente do FEMAMT, Moacir Pires de Miranda Filho, (...) fica retificado, o Termo celebrado em 30/04/1998, averbado sob nº 15 desta matrícula, (...)" Ora, para a instituição da utilização limitada da propriedade, foi firmado um termo entre a Fundação Estadual do Meio Ambiente e o contribuinte, que expressamente, prevê que não pode haver qualquer tipo de exploração sem a autorização do órgão competente. Ressalto que verifico, averbado sob no 14 da mesma matrícula, Termo de Responsabilidade de Manutenção de Floresta Manejada, TRMFM, datado de 15/06/97, firmado com o Superintendente do IBAMA em Mato Grosso. Flagrante a desnecessidade do ADA em tal situação. O Estado tem a informação necessária para permitir seu poder/dever de fiscalização. Digo mais, o Estado, por meio do órgão competente, expressamente autorizou tal limitação de utilização da propriedade. Não há como se exigir a novidade imposta pela Lei nº 6.938/81, com a novel redação dada pela Lei nº 10.165/00, dias após sua publicação, quando a finalidade da Lei já estava contemplada no caso concreto. Não se pode olvidar que a antiga redação da Lei nº 6.938/81, dada pela Lei nº 9.960/00, expressamente dizia ser a utilização do ADA para efeitos de redução de valor a pagar de ITR era opcional. Fl. 235DF CARF MF 10 O contribuinte não merece tal surpresa. Não em prazo tão curto. Do exposto, voto por dar provimento ao recurso nessa parte. Prosseguindo com sua oposição ao lançamento e por via de consequência à decisão de piso, alega o recorrente (fls. 131): "No que diz respeito à valoração da Terra Nua não foi apresentado Laudo de Avaliação de Imóveis Rurais, conforme NBR 8799 da ABNT, sendo, conforme art. 14, § I o da Lei 9393/96, substituído o Valor da Terra Nua por Hectare Declarado pelo Valor da Terra Nua por Hectare constante no SIPT (Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal). O impetrante por não concordar com a alteração e inconformado com o valor, apresenta as escrituras anexas visando à comprovação do preço de mercado de terras. O impetrante no preenchimento da declaração do Imposto Territorial Rural ITR obedeceu exatamente às exigências legais, contidas na Lei n°. 9.393/1996, art. 8o, § 2o, que assim dispõe: "Art. 8o: O contribuinte do ITR entregará, obrigatoriamente, em cada ano, o Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT, correspondente a cada imóvel, observadas datas e condições fixadas pela Secretaria da Receita Federal. Par. 2o: O VTN refletirá o preço de mercado de terras, apurado em 1" de janeiro do ano a que se referir o DIAT, e será considerado autoavaliação da terra nua a preço de mercado." Diante dos fatos, o impetrante discorda do VTN apurado pelo Auditor Fiscal, uma vez que este ficou muito acima do preço de mercado, tanto é que anexou as escrituras à impugnação visando a comprovação do preço de mercado das terras" No tocante ao ponto, assim se pronunciou o voto condutor da decisão recorrida (fls. 129): "O procedimento utilizado pela fiscalização para apuração do Valor da Terra Nua, VTN, com base nos valores constantes em sistema da Secretaria da Receita Federal, encontra amparo no art. 14 da Lei n.° 9.393/1996, já mencionado. O valor do SIPT só é utilizado quando após intimado, o contribuinte não apresenta elementos suficientes para comprovar o valor por ele declarado, da mesma forma que tal valor fica sujeito à revisão quando o contribuinte não comprovar que seu imóvel possui características que o distingam dos demais imóveis do mesmo município. Não há como modificar o VTN porque, apesar de intimado, o interessado não apresentou Laudo Técnico, não usou desta prerrogativa legal que lhe permitiria reduzir o VTN atribuído a sua propriedade. Apresentou cópia de escrituras públicas às fls. 52/65, porém, tais documentos por si só, não são suficientes para alterar considerado no lançamento de ofício, pois não possuem elementos de convicção que justifiquem reconhecer valor menor. Cabe salientar que o VTN considerado no lançamento pode ser revisto pela autoridade administrativa com base em laudo técnico elaborado por Engenheiro Civil, Florestal ou Agrônomo, acompanhado de cópia de Anotação de Responsabilidade Técnica ART, devidamente registrada no Conselho Regional de Engenharia, Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10183.006201/200596 Acórdão n.º 2201003.774 S2C2T1 Fl. 232 11 Arquitetura e Agronomia CREA, e que demonstre o atendimento das normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, através da explicitação dos métodos avaliatórios e fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel e dos bens nele incorporados. A título de referência, para justificar as avaliações, poderão ser apresentados anúncios em jornais, revistas, folhetos de publicação geral, que tenham divulgado is, os levantamentos de valores efetuados pela prefeitura são para base de cálculo de tributo diverso ao do ITR. Acertada a decisão de piso. Como bem mencionado, a comprovação do valor de mercado da terra nua com preceitua a legislação mencionada pelo recorrente em seu apelo é ônus do sujeito passivo, posto que a declaração relativa ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural é ato unilateral por ele praticado. Assim, a comprovação das informações inseridas na declaração do ITR é ônus do Recorrente, não cabendo à Administração Tributária tal encargo. A requisição de informações efetuada pela Autoridade Fiscal, não atendida, realmente inverte o ônus da prova. Recordemos, a lógica presente na ação fiscal. O Fisco, buscando verificar a correção das declarações prestadas pelo sujeito passivo, intima o contribuinte a comprovar as informações relativas ao cálculo do imposto sobre a propriedade rural. A ausência da comprovação, segundo a legislação tributária, enseja o lançamento. No processo administrativo fiscal instaurado pela impugnação, o Contribuinte deve comprovar suas alegações. Observase no presente caso, que o Recorrente não o fez no procedimento inquisitório fiscalizatório e tampouco apresentou as provas no processo administrativo tributário instaurado com a impugnação ao lançamento. Recurso voluntário negado nesta parte. Nada mais constando do apelo, passo à conclusão do voto. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para determinar a exclusão da área tributável das áreas de reserva legal e de utilização limitada, no total de 16.581,0 ha. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Relator Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Redator designado. Ao mesmo tempo em que rendo minhas homenagens ao Ilustre Relator, ouso discordar de suas conclusões exclusivamente em relação à procedência da exigência de apresentação pelo contribuinte de Ato Declaratório Ambiental protocolado junto ao IBAMA. Fl. 237DF CARF MF 12 Para demonstrar o motivo de tal divergência de opinião, necessário rememorar alguns preceitos legais e normativos correlatos, naturalmente, acompanhados das considerações que permitam evidenciar a interpretação dada à norma e em que circunstâncias esta se contrapõe à opinião expressa pelo Relator. Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996 Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. (...) § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; Notase que a apuração e o pagamento do ITR é obrigação do próprio contribuinte, o que deve ser feito nos prazos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal e está sujeita a homologação posterior, situação típica dos lançamentos por homologação. Além disso, o texto legal é claro ao excluir do campo de incidência do tributo rural as áreas de preservação permanente e de reserva legal. Em relação ao gozo do benefício isentivo, assim dispõe a Lei nº 6.938/81: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (...) § 5o Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do IBAMA, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. O texto acima evidencia uma atuação conjunta de órgãos autônomos no sentido de manter o controle em relação à desoneração tributária. Ademais, prevê a necessidade de pagamento de uma taxa de vistoria, a qual, em sendo realizada, e não se confirmando a existência das áreas excluídas de tributação, poderá ensejar o lançamento de ofício do tributo, sendo inequívoco que o ADA é obrigatório para aqueles que desejam se beneficiar da redução do tributo devido a título de ITR. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10183.006201/200596 Acórdão n.º 2201003.774 S2C2T1 Fl. 233 13 Em relação ao exercício em discussão, a Instrução Normativa SRF nº 187, de 06 de agosto de 2002, estabeleceu que a Declaração do Imposto sobre a Propriedade Rural deveria ser apresentadas até 30 de setembro de 2002. Além disso, dispôs: Art. 13. O contribuinte deverá providenciar o Ato Declaratório Ambiental (ADA) a que se refere o art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), no prazo de seis meses, contado do término do prazo fixado para a entrega da DITR, estabelecido no art. 3º, se: I o imóvel rural teve alterada a área de interesse ambiental em relação à área declarada no ano anterior; II o imóvel rural estiver sendo declarado pela primeira vez. Portanto, embora o fato gerador do ITR, neste caso, tenha ocorrido em 01/01/2002, somente em 30 de setembro de 2002 o contribuinte precisaria apresentar sua DITR, e ainda dispunha de prazo para providenciar o protocolo do ADA junto ao Ibama até o final do mês de março de 2003. Portanto, não identifico na situação posta qualquer surpresa para o contribuinte que pudesse ofender o Princípio da Segurança Jurídica ou corroborar a conclusão do Ilustre Relator de que a novidade introduzida pelo art. 17O da Lei 6.938/81, com a redação dada pela Lei nº 10.165/00, não poderia ser exigida dias após a sua publicação. Como seu viu, o comendo legal em questão data de mais de um ano antes do fato gerador, tendo o contribuinte, ainda, a partir do nascimento da obrigação tributária principal, um prazo de um ano e três meses para providenciar o protocolo do documento junto ao órgão ambiental. Tempo mais do que suficiente para tal. Por outro lado, o fato do contribuinte ter averbado, à margem da escritura do imóvel, área de reserva legal, mediante termo firmado com Fundação Estadual do Meio Ambiente, ou mesmo Termo de Responsabilidade de Manutenção de Floresta Manejada, firmado com o IBAMA, não afasta a obrigação de promover o protocolo do Ato Declaratório Ambiental, que, como já expresso acima, configura instrumento eleito pelo legislador para controle, integração de órgãos e fonte de custeio da atividade de vistoria, questões absolutamente indispensáveis ao acompanhamento do cumprimento dos preceitos da legislação relativos à limitação da utilização de tais áreas, bem assim da correção no gozo da benesse fiscal. O entendimento expresso pelo voto do Relator, segundo o qual, em razão das averbações citadas no parágrafo precedente, seria flagrante a desnecessidade do ADA, já que . o Estado tem a informação necessária para permitir seu poder/dever de fiscalização, importaria acreditar na existência de uma estrutura administrativa própria e eficiente de controle de todas as áreas de utilização limitada e de preservação permanente averbadas à margem das matrículas no Registro de Imóveis para todos as propriedades rurais do país. Existindo ou não tal estrutura, o fato é que o legislador estabeleceu a forma que entendeu adequada para promover tal controle e fiscalização, não sendo possível a este Fl. 239DF CARF MF 14 Conselho deixar de aplicar comando legal válido e vigente apenas pela convicção de que tal atividade poderia ser levada a termo de outra forma. Vejamos o que dispõe o a lei 5.172/66 ( CTN) Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. (...) Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Pelos comandos acima, a interpretação da legislação tributária que outorga isenção deve se dar de forma literal. Ademais, no exercício de sua competência privativa, a Autoridade Administrativa está obrigada a constituir o crédito tributário, mediante lançamento, sempre que, analisando o caso concreto de forma vinculada à legislação, identificar infração a lei ou a ato normativo tributário. Não há esforço interpretativo que, a partir da literalidade da frase "a utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória", possa ser capaz de concluir pela desnecessidade da obrigação imposta pelo legislador. É entendimento corrente neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, com o advento da lei 6.938/81, com a redação dada pela Lei nº 10.165/00, é obrigatória a apresentação do ADA protocolado junto ao IBAMA. Situação diversa da verificada em períodos anteriores ao ano de 2001, como se depreende da Súmula Carf. nº 41, segundo a qual, “a não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000”. No caso em tela, o que se vê é a utilização da função extrafiscal do tributo, mediante sua aplicação como instrumento de política ambiental, estimulando a preservação ou recuperação da fauna e da flora em contrapartida a uma redução do valor devido a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Contudo, a legislação impõe requisitos para gozo de tais benefícios, os quais variam de acordo com a natureza de cada hipótese de exclusão do campo de incidência do tributo e das limitações que cada situação impõe ao direito de propriedade. Portanto, não tendo o contribuinte cumprido as formalidades impostas pela legislação para fins de fruição do direito à isenção e considerando a limitação disposta no art. 111, inciso II da Lei 5.172/66(CTN), pela qual se conclui que as normas reguladoras das matérias que tratam de isenção não comportam interpretação ampliativa, entendo acertada a Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10183.006201/200596 Acórdão n.º 2201003.774 S2C2T1 Fl. 234 15 decisão de primeira instância que manteve o lançamento por entender indispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental. Pelo quê nego provimento ao recurso na parte relacionada à exclusão das Áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada. Conclusão Tendo em vista tudo que consta nos autos, bem assim na descrição e fundamentos legais acima expostos, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Redator designado. Fl. 241DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.728464/2013-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. CONTRADITÓRIO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
A impugnação formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar instaura a fase litigiosa e garante o contraditório e a ampla defesa no âmbito administrativo.
É vedado ao julgador administrativo afastar a aplicação de norma vigente sob a alegação de inconstitucionalidades ou violação aos princípios constitucionais.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SAT. INCRA. SEBRAE. SÚMULA CARF Nº 2.
Escapa do âmbito administrativo o afastamento de dispositivos legais em plena vigência por força de arguição de ilegalidades ou inconstitucionalidade. Todas as contribuições lançadas - notadamente aquelas devidas pela empresa à Seguridade Social decorrente do Seguro Acidente do Trabalho e aquelas destinadas às outras entidades ou fundos - encontram supedâneo legal em conformidade com o anexo de fundamentos legais do débito, peça integrante da autuação fiscal.
ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS. MULTA. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4
Consectários legais cobrados nas formas da legislação de regência possuem respaldo legal e não podem ser afastados no âmbito da Administração Tributária sob o argumento de ferimento a princípios constitucionais.
Possui respaldo legal a utilização da taxa SELIC para fixação dos juros moratórios em créditos tributários recolhidos com atraso aos cofres públicos
Numero da decisão: 2301-005.091
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por não conhecer o recurso voluntário quanto às alegações de inconstitucionalidade e, nas demais questões, por conhecê-lo e negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Fábio Piovesan Bozza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (suplente), Fabio Piovesan Bozza, João Mauricio Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros da Silveira (suplente), Wesley Rocha, Thiago Duca Amoni (suplente), Andrea Brose Adolfo (presidente em exercício).
Nome do relator: FABIO PIOVESAN BOZZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. CONTRADITÓRIO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. A impugnação formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar instaura a fase litigiosa e garante o contraditório e a ampla defesa no âmbito administrativo. É vedado ao julgador administrativo afastar a aplicação de norma vigente sob a alegação de inconstitucionalidades ou violação aos princípios constitucionais. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SAT. INCRA. SEBRAE. SÚMULA CARF Nº 2. Escapa do âmbito administrativo o afastamento de dispositivos legais em plena vigência por força de arguição de ilegalidades ou inconstitucionalidade. Todas as contribuições lançadas - notadamente aquelas devidas pela empresa à Seguridade Social decorrente do Seguro Acidente do Trabalho e aquelas destinadas às outras entidades ou fundos - encontram supedâneo legal em conformidade com o anexo de fundamentos legais do débito, peça integrante da autuação fiscal. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS. MULTA. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4 Consectários legais cobrados nas formas da legislação de regência possuem respaldo legal e não podem ser afastados no âmbito da Administração Tributária sob o argumento de ferimento a princípios constitucionais. Possui respaldo legal a utilização da taxa SELIC para fixação dos juros moratórios em créditos tributários recolhidos com atraso aos cofres públicos
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PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. CONTRADITÓRIO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. A impugnação formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar instaura a fase litigiosa e garante o contraditório e a ampla defesa no âmbito administrativo. É vedado ao julgador administrativo afastar a aplicação de norma vigente sob a alegação de inconstitucionalidades ou violação aos princípios constitucionais. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SAT. INCRA. SEBRAE. SÚMULA CARF Nº 2. Escapa do âmbito administrativo o afastamento de dispositivos legais em plena vigência por força de arguição de ilegalidades ou inconstitucionalidade. Todas as contribuições lançadas notadamente aquelas devidas pela empresa à Seguridade Social decorrente do Seguro Acidente do Trabalho e aquelas destinadas às outras entidades ou fundos encontram supedâneo legal em conformidade com o anexo de fundamentos legais do débito, peça integrante da autuação fiscal. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS. MULTA. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4 Consectários legais cobrados nas formas da legislação de regência possuem respaldo legal e não podem ser afastados no âmbito da Administração Tributária sob o argumento de ferimento a princípios constitucionais. Possui respaldo legal a utilização da taxa SELIC para fixação dos juros moratórios em créditos tributários recolhidos com atraso aos cofres públicos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 84 64 /2 01 3- 87 Fl. 730DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por não conhecer o recurso voluntário quanto às alegações de inconstitucionalidade e, nas demais questões, por conhecêlo e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Fábio Piovesan Bozza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (suplente), Fabio Piovesan Bozza, João Mauricio Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros da Silveira (suplente), Wesley Rocha, Thiago Duca Amoni (suplente), Andrea Brose Adolfo (presidente em exercício). Relatório Conselheiro Relator Fábio Piovesan Bozza Tratase de recurso voluntário interposto por UNIRB – Unidades de Ensino Superior da Bahia Ltda. contra o acórdão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário lançado. De acordo com o relatório fiscal (efls. 50), o lançamento fiscal tem por objetivo a cobrança de contribuições previdenciárias patronal, dos segurados e de terceiros (salárioeducação, INCRA, SESC e SEBRAE) sobre diferenças de remuneração apuradas na comparação entre os valores constantes da RAIS e da DIRF e os valores declarados em GFIP, relativamente a competências ocorridas em 2009 e 2010. O lançamento foi arbitrado, por aferição indireta, em vista da falta de disponibilização dos arquivos digitais das folhas de pagamento. Tal irregularidade, somada à apresentação de GFIP com informações incorretas ou omitidas e à falta de exibição de livro ou documento sem as formalidades legais exigidas, geraram a lavratura de autos de infração para a exigência de multa por descumprimento de obrigação acessória. A falta de atendimento às intimações fiscais resultou a exigência de multa de ofício agravada sobre os créditos tributários constituídos, elevandoa de 75% para 112,5%. A ciência da autuação ocorreu em 08/11/2013. Fl. 731DF CARF MF Processo nº 10580.728464/201387 Acórdão n.º 2301005.091 S2C3T1 Fl. 3 3 Irresignada, a Recorrente apresentou impugnação, a qual foi julgada improcedente pela DRJ/Ribeirão Preto. A ementa do acórdão encontrase assim redigida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria para a qual não haja contestação expressa do contribuinte, consolidandose na via administrativa. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. CONTRADITÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADES. A impugnação formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar instaura a fase litigiosa e garante o contraditório e a ampla defesa no âmbito administrativo. É vedado ao julgador administrativo afastar a aplicação de norma vigente sob a alegação de inconstitucionalidades ou violação aos princípios constitucionais. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LEGALIDADE. CONSTITUCIONALIDADE. SAT. INCRA. SEBRAE. Escapa do âmbito administrativo o afastamento de dispositivos legais em plena vigência por força de argüição de ilegalidades ou inconstitucionalidade. Todas as contribuições lançadas – notadamente aquelas devidas pela empresa à Seguridade Social decorrente do Seguro Acidente do Trabalho e aquelas destinadas às outras entidades ou fundos encontram supedâneo legal em conformidade com o anexo de fundamentos legais do débito, peça integrante da autuação fiscal. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. DESVINCULAÇÃO. As decisões judiciais e administrativas somente vinculam os julgadores de 1ª instância nas situações expressamente previstas na legislação. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS. MULTA. LEGALIDADE. Consectários legais cobrados nas formas da legislação de regência Administração Tributária sob o argumento de ferimento a princípios constitucionais. Possui respaldo legal a utilização da taxa SELIC para fixação dos juros moratórios em créditos tributários recolhidos com atraso aos cofres públicos Impugnação Improcedente Fl. 732DF CARF MF 4 Crédito Tributário Mantido Ainda irresignada, a Recorrente apresenta recurso voluntário, reafirmando, em essência, os argumentos já desenvolvidos na impugnação: (a) nulidade do lançamento por cerceamento de defesa, em virtude de imprecisão da capitalização legal; (b) nulidade do lançamento por desrespeito aos princípios da ampla defesa e do contraditório, ao não possibilitar a correção das falhas na contabilidade, previamente à entrega da documentação solicitada; (c) a exigência de crédito tributário e de multas com caráter confiscatório; (d) a exigência de contribuição ao SAT, sem determinar os contornos do que seja “atividade preponderante” ou “risco leve, médio ou grave”, em afronta ao princípio da legalidade; (e) a exigência das contribuições ao INCRA e ao SEBRAE também afronta princípios constitucionais, especialmente o princípio da legalidade; (f) inaplicabilidade da taxa Selic como índice de juros de mora; É o relatório. Voto Conselheiro Relator Fábio Piovesan Bozza A intimação do acórdão de primeira instância ocorreu em 14/05/2015 e o recurso voluntário foi interposto em 28/05/2015. Por ser tempestivo e por cumprir com as formalidades legais, dele tomo conhecimento. Ao tomar como base os argumentos de defesa já apresentados na impugnação, verificase que a Recorrente não inova, em essência, nas razões do recurso voluntário. Exceção talvez seja a alegação de nulidade do lançamento por desrespeito aos princípios da ampla defesa e do contraditório, ao não possibilitar a correção das falhas na contabilidade, previamente à entrega da documentação solicitada pela fiscalização. Mas melhor sorte não assiste à Recorrente. Além de se manter inerte às solicitações contidas no (i) Termo de Início de Procedimento Fiscal, de 06/02/2013, (ii) ao Termo de Intimação Fiscal nº 01/2013, de 19/04/2013, (iii) ao Termo de Intimação Fiscal nº 02/2013, de 18/06/2013, (iv) ao Termo de Intimação Fiscal nº 03/2013, de 19/08/2013, (v) ao Termo de Ciência da Continuidade do Procedimento Fiscal nº 01, de 18/10/2013 – fatos que motivaram a imputação de multa agravada – o pedido da Recorrente não encontra respaldo constitucional ou legal, devendo ser rejeitado. Quanto aos demais argumentos do recurso voluntário, faço minhas as palavras do iminente relator do acórdão recorrido, e transcrevo seu voto na íntegra. Fl. 733DF CARF MF Processo nº 10580.728464/201387 Acórdão n.º 2301005.091 S2C3T1 Fl. 4 5 Voto A impugnação é tempestiva e dotada dos demais requisitos de admissibilidade necessários à sua apreciação. Os argumentos nela exarados, entretanto, não são suficientes para afastar os lançamentos fiscais. Preambularmente frisese que matérias não expressamente contestadas na Impugnação consolidamse na esfera administrativa, por força do contido no art. 581 do Decreto nº 7.574/2011, que regulamenta o processo de determinação e exigência dos créditos tributários da União (PAF). No caso, tal premissa aplicase, em especial, aos lançamentos em torno das obrigações acessórias inadimplidas, cujas multas isoladas não foram especificamente contestadas pelo sujeito passivo. O contribuinte alega, em preliminares, eventual nulidade dos lançamentos em decorrência de suposta omissão fiscal no tocante à fundamentação legal e a descrição da hipótese de incidência das imposições tributárias. Os fatos não lhe dão razão, entretanto. Todas as peças processuais são mais que satisfatórias no sentido de informar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, determinar a sujeição passiva e aplicar as penalidades cabíveis. Compõem os AutosdeInfração diversos anexos que cumprem com esse desiderato, inclusive o Relatório Fiscal e o anexo de Fundamentos Legais do Débito, de sorte que em momento algum podemos falar em obscuridade nas imputações questionadas. As obrigações tributárias principais são decorrentes das divergências entre os valores que o contribuinte ofereceu à tributação, mediante suas declarações dos fatos geradores das contribuições previdenciárias em GFIP, e aquilo por ele também declarado nas Relações Anuais de Informações Sociais (RAIS) e em suas Declarações sobre o Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF). Ora, intimado a apresentar a documentação hábil e idônea para verificação das bases efetivamente imponíveis – quais sejam seus livros contábeis e suas folhas de pagamento – o contribuinte abstevese de fazêlo, sujeitandose, por decorrência, ao lançamento arbitrado em suas basesdecálculo, na forma detalhada do Anexo 1 ao Relatório Fiscal, que traz a remuneração declarada para cada um dos segurados envolvidos, levandose em conta aqueles instrumentos declaratórios e a imposição tributária pela diferença entre elas, considerada base decálculo omitida. Concernente às obrigações de fazer que redundaram nas autuações por descumprimento de obrigação acessória, o relato fiscal é minudente em circunstanciálas e farto em trazer os Fl. 734DF CARF MF 6 dispositivos legais em que se firmou, sejam os dispositivos legais infringidos, seja a capitulação legal da multa cominada. Afastese, portanto, a preliminar suscitada. No mérito, suas argüições limitamse a postular ilegalidades/inconstitucionalidades diversas. Estariam inquinadas, no seu entender, a contribuição previdenciária destinada ao Seguro Acidente do Trabalho, bem como aquelas devidas às entidades terceiras do INCRA e do SEBRAE. Ocorre que todas as exações em comento encontramse fundadas em dispositivos legais em plena vigência, no ordenamento jurídico pátrio, consoante normas relacionadas no anexo de Fundamentos Legais do Débito. Isto posto consignese que considerações da ordem de inconstitucionalidades/ilegalidades diversas não encontram na sede administrativa seu mais adequado foro de discussão, já que não é dado ao julgador administrativo afastar a aplicação de comando legal vigente sob tais alegações ex vi do art. 592 do Decreto nº 7.574/2011 que regulamenta o processo de determinação e exigência dos créditos tributários da União. Também mencionese que o contribuinte apontou diversas jurisprudências como sustentáculo de suas argüições. Ocorre que toda a jurisprudência e doutrina trazida aos autos pelo contribuinte somente vinculam os julgadores de 1ª instância nas situações expressamente previstas na legislação. Sendo assim, quanto às decisões trazidas aos autos, é de se observar o disposto no artigo 472, do Código de Processo Civil, o qual estabelece que a “sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros...”. Não sendo parte nos litígios objetos dos acórdãos, a interessada não pode usufruir os efeitos das sentenças ali prolatadas, posto que os efeitos são “inter partes” e não “erga omnes”. Assim dispõe o Decreto n° 73.529, de 21 de janeiro de 1974: Art. 1° É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais contrárias à orientação estabelecida para a administração direta e autárquica em atos de caráter normativo ordinário. Art. 2° Observados os requisitos legais e regulamentares, as decisões judiciais a que se refere o art. 1° produzirão efeitos apenas em relação às partes que integram o processo judicial e com estrita observância do conteúdo dos julgados. Portanto, as decisões do Poder Judiciário, mesmo que reiteradas, não têm efeito vinculante em relação às decisões proferidas pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. A Administração Pública está pautada pelo princípio da legalidade, que significa que o administrador público está, em toda a sua atividade funcional, sujeito aos mandamentos da lei e às exigências do bem comum, e deles não Fl. 735DF CARF MF Processo nº 10580.728464/201387 Acórdão n.º 2301005.091 S2C3T1 Fl. 5 7 pode se afastar ou desviar, sob pena de praticar ato inválido e exporse a responsabilidade disciplinar. Cumpre acrescentar que mesmo as decisões administrativas, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Destarte, não podem ser estendidas genericamente a outros casos, e somente se aplicam à questão em análise e vinculando as partes envolvidas naqueles litígios. Assim determina o inciso II do art. 100 do Código Tributário Nacional: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos :(...) II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa. (grifouse) Por fim, no que tange aos consectários legais aplicados – multa de ofício, agravada, e juros de mora, à taxa SELIC – também estes encontram respaldo legal, obedecidas a legislação de regência disposta naquele mesmo anexo de fundamentos legais, agora atinente aos acréscimos legais. Ora, ao não efetuar o recolhimento das contribuições sociais devidas dentro do prazo legalmente previsto a empresa está sujeita ao pagamento dos consectários legais, ou seja, os acréscimos utilizados para a recomposição financeira do valor devido. Os juros incidem quando da falta de recolhimento em época própria e se constituem em verdadeira indenização a ser paga pelo contribuinte, em virtude da disponibilidade financeira indevida, obtida ao não recolher a contribuição devida. Já a multa é decorrente do inadimplemento fiscal e independe da intenção do agente ou responsável, ex vi do artigo 1363 do Código Tributário Nacional. Também não há falarse em multa excessiva ou confiscatória. A multa moratória tem a função de desestimular o administrado na adoção de atos que impliquem o não recolhimento do tributo, bem como a de compensar os danos causados pela demora no recolhimento. No caso das contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, justificase o percentual das multas aplicadas em razão da função social dessas contribuições, bem como da sua relevância para toda a sociedade, na medida em que custeiam os benefícios concedidos aos segurados da Previdência Social. Olhando com os olhos de ver, avulta que os Princípios Constitucionais realçados pelo sujeito passivo são dirigidos, sem sombra de dúvida, aos membros políticos do Congresso Nacional, como vetores a serem seguidos no processo de Fl. 736DF CARF MF 8 gestação de normas matrizes de cunho tributário, não ecoando nos corredores do Poder Executivo, cujos servidores subordinamse ao principio da atividade vinculada aos ditames da lei, dele não podendo se descuidar, sob pena de responsabilidade funcional. Isto posto e considerandose tudo o mais que dos autos consta, VOTO IMPROCEDENTE a impugnação apresentada para manter, em suas integralidades, os créditos tributários aqui constituídos. Por fim, menciono algumas súmulas deste CARF e julgados proferidos pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em regime de repercussão geral ou de recurso repetitivo, aplicáveis ao presente caso e de observância obrigatória por estes conselheiros: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Recurso extraordinário. 2. Tributário. 3. Contribuição para o SEBRAE. Desnecessidade de lei complementar. 4. Contribuição para o SEBRAE. Tributo destinado a viabilizar a promoção do desenvolvimento das micro e pequenas empresas. Natureza jurídica: contribuição de intervenção no domínio econômico. 5. Desnecessidade de instituição por lei complementar. Inexistência de vício formal na instituição da contribuição para o SEBRAE mediante lei ordinária. 6. Intervenção no domínio econômico. É válida a cobrança do tributo independentemente de contraprestação direta em favor do contribuinte. 7. Recurso extraordinário não provido. 8. Acórdão recorrido mantido quanto aos honorários fixados. STF, Pleno, RE 635.682, repercussão geral, julgado em 25/04/2013 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. ADICIONAL DE 0,2%. NÃO EXTINÇÃO PELAS LEIS 7.787/89, 8.212/91 E 8.213/91. LEGITIMIDADE. 1. A exegese PósPositivista, imposta pelo atual estágio da ciência jurídica, impõe na análise da legislação infraconstitucional o crivo da principiologia da Carta Maior, que lhe revela a denominada “vontade constitucional”, cunhada por Konrad Hesse na justificativa da força normativa da Constituição. Fl. 737DF CARF MF Processo nº 10580.728464/201387 Acórdão n.º 2301005.091 S2C3T1 Fl. 6 9 2. Sob esse ângulo, assume relevo a colocação topográfica da matéria constitucional no afã de aferir a que vetor principiológico pertence, para que, observando o princípio maior, a partir dele, transitar pelos princípios específicos, até o alcance da norma infraconstitucional. 3. A Política Agrária encartase na Ordem Econômica (art. 184 da CF/1988) por isso que a exação que lhe custeia tem inequívoca natureza de Contribuição de Intervenção Estatal no Domínio Econômico, coexistente com a Ordem Social, onde se insere a Seguridade Social custeada pela contribuição que lhe ostenta o mesmo nomen juris. 4. A hermenêutica, que fornece os critérios ora eleitos, revela que a contribuição para o Incra e a Contribuição para a Seguridade Social são amazonicamente distintas, e a fortiori, infungíveis para fins de compensação tributária. 5. A natureza tributária das contribuições sobre as quais gravita o thema iudicandum, impõe ao aplicador da lei a obediência aos cânones constitucionais e complementares atinentes ao sistema tributário. 6. O princípio da legalidade, aplicável in casu, indica que não há tributo sem lei que o institua, bem como não há exclusão tributária sem obediência à legalidade (art. 150, I da CF/1988 c.c art. 97 do CTN). 7. A evolução histórica legislativa das contribuições rurais denota que o Funrural (Prorural) fez as vezes da seguridade do homem do campo até o advento da Carta neoliberal de 1988, por isso que, inaugurada a solidariedade genérica entre os mais diversos segmentos da atividade econômica e social, aquela exação restou extinta pela Lei 7.787/89. 8. Diversamente, sob o pálio da interpretação histórica, restou hígida a contribuição para o Incra cujo desígnio em nada se equipara à contribuição securitária social. 9. Consequentemente, resta inequívoca dessa evolução, constante do teor do voto, que: (a) a Lei 7.787/89 só suprimiu a parcela de custeio do Prorural; (b) a Previdência Rural só foi extinta pela Lei 8.213, de 24 de julho de 1991, com a unificação dos regimes de previdência; (c) entretanto, a parcela de 0,2% (zero vírgula dois por cento) – destinada ao Incra – não foi extinta pela Lei 7.787/89 e tampouco pela Lei 8.213/91, como vinha sendo proclamado pela jurisprudência desta Corte. 10. Sob essa ótica, à míngua de revogação expressa e inconciliável a adoção da revogação tácita por incompatibilidade, porquanto distintas as razões que ditaram as exações sub judice, ressoa inequívoca a conclusão de que resta hígida a contribuição para o Incra. 11. Interpretação que se coaduna não só com a literalidade e a história da exação, como também converge para a aplicação Fl. 738DF CARF MF 10 axiológica do Direito no caso concreto, viabilizando as promessas constitucionais pétreas e que distinguem o ideário da nossa nação, qual o de constituir uma sociedade justa e solidária, com erradicação das desigualdades regionais. 12. Recursos especiais do Incra e do INSS providos. STJ, RESP 977.058, recurso repetitivo, julgado em 22/10/2008 Conclusão Por todo o exposto, voto por não conhecer o recurso voluntário quanto às alegações de inconstitucionalidade e, nas demais questões, por conhecêlo, mas lhe negar provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Fábio Piovesan Bozza – Relator Fl. 739DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12689.001549/2007-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2004 a 30/09/2007
VALOR ADUANEIRO. ACORDO DE VALORAÇÃO ADUANEIRA. COMPOSIÇÃO DO VALOR ADUANEIRO.
O valor aduaneiro de mercadorias importadas é determinado em conformidade com o Acordo de Valoração Aduaneira (AVA/GATT) e o integram, independentemente do método de valoração utilizado, o custo do seguro da mercadoria.
MULTA DE OFÍCIO. BOA-FÉ.
A multa de 75% foi aplicada na hipótese em conformidade com o art. 44, I, da Lei n.º 9.430/96, em razão do lançamento de ofício por falta de pagamento dos tributos, inexistindo qualquer previsão normativa de redução ou afastamento desta multa por boa-fé. A intenção somente poderá influir na majoração desta multa na forma do §1º deste dispositivo.
MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA, DESPROPORCIONAL E AUSÊNCIA DE RAZOABILIDADE. SÚMULA CARF N.º 2
Em conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.352
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/2004 a 30/09/2007 VALOR ADUANEIRO. ACORDO DE VALORAÇÃO ADUANEIRA. COMPOSIÇÃO DO VALOR ADUANEIRO. O valor aduaneiro de mercadorias importadas é determinado em conformidade com o Acordo de Valoração Aduaneira (AVA/GATT) e o integram, independentemente do método de valoração utilizado, o custo do seguro da mercadoria. MULTA DE OFÍCIO. BOA-FÉ. A multa de 75% foi aplicada na hipótese em conformidade com o art. 44, I, da Lei n.º 9.430/96, em razão do lançamento de ofício por falta de pagamento dos tributos, inexistindo qualquer previsão normativa de redução ou afastamento desta multa por boa-fé. A intenção somente poderá influir na majoração desta multa na forma do §1º deste dispositivo. MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA, DESPROPORCIONAL E AUSÊNCIA DE RAZOABILIDADE. SÚMULA CARF N.º 2 Em conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado.
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MULTA DE OFÍCIO. Recorrente AULIK INDUSTRIA E COMERCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2004 a 30/09/2007 VALOR ADUANEIRO. ACORDO DE VALORAÇÃO ADUANEIRA. COMPOSIÇÃO DO VALOR ADUANEIRO. O valor aduaneiro de mercadorias importadas é determinado em conformidade com o Acordo de Valoração Aduaneira (AVA/GATT) e o integram, independentemente do método de valoração utilizado, o custo do seguro da mercadoria. MULTA DE OFÍCIO. BOAFÉ. A multa de 75% foi aplicada na hipótese em conformidade com o art. 44, I, da Lei n.º 9.430/96, em razão do lançamento de ofício por falta de pagamento dos tributos, inexistindo qualquer previsão normativa de redução ou afastamento desta multa por boafé. A intenção somente poderá influir na majoração desta multa na forma do §1º deste dispositivo. MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA, DESPROPORCIONAL E AUSÊNCIA DE RAZOABILIDADE. SÚMULA CARF N.º 2 Em conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 68 9. 00 15 49 /2 00 7- 93 Fl. 640DF CARF MF 2 (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (Assinado com certificado digital) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Por trazer uma clara síntese do processo até a interposição da Impugnação Administrativa, peço vênia para adotar o relatório do Acórdão 0737.576 da 1ª Turma da DRJ de Florianópolis: "Trata o presente processo de autos de infração lavrados para exigência de crédito tributário no valor de R$ 96.603,07 referente a Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, PIS/Pasepimportação, Cofinsimportação, multas de ofício e juros de mora. Depreendese da descrição dos fatos do Relatório de Fiscalização que a interessada promoveu despachos de importação no período fiscalizado, entre fevereiro de 2004 e setembro de 2007. Iniciado o procedimento fiscal, a interessada foi intimada a apresentar documentos e esclarecimentos sobre as importações. Em resposta informou que não contratava seguro para as mercadorias que importou. Verificado que havia registro de pagamento a empresa seguradora, essa foi intimada e apresentou informações sobre os valores pagos pela interessada a título de seguros internacionais das mercadorias importadas, separados por Declaração de Importação. Assim, considerando que o valor do seguro internacional das mercadorias compõe o valor aduaneiro sobre o qual incide a tributação, os valores dos tributos foram recalculados e as diferenças lançadas nos autos de infração em apreço, acrescidas de multas de ofício e juros de mora. Cientificada das exigências que lhe são impostas, a interessada apresentou impugnação na qual alega, em síntese, que: Há nulidade do auto de infração em razão de a fiscalização ter utilizado base de cálculo equivocada, pois o valor do seguro considerado inclui o custo das mercadorias importadas, o frete, despesas, lucro esperado e impostos, conforme “item 02” da apólice de seguro. A fiscalização somou todos esses valores e calculou com sendo 0,11% o valor do seguro a ser incluído no valor aduaneiro. A multa aplicada tem caráter confiscatório, atentando contra a Constituição Federal, não se admitindo que mero erro de cálculo possa ser penalizado dessa forma. Requer seja reconhecida a insubsistência do auto de infração ou, alternativamente, revisto o percentual da multa lançada. Fl. 641DF CARF MF Processo nº 12689.001549/200793 Acórdão n.º 3402004.352 S3C4T2 Fl. 641 3 Convertido o processo em diligência, a interessada foi intimada e apresentou o documento de folhas 565/566. É o relatório." (efl. 569 grifei) Os argumentos da Impugnação foram julgados integralmente improcedentes, conforme ementa abaixo reproduzida: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2004 a 30/09/2007 VALOR ADUANEIRO. ACORDO DE VALORAÇÃO ADUANEIRA. COMPOSIÇÃO DO VALOR ADUANEIRO. O valor aduaneiro de mercadorias importadas é determinado em conformidade com o Acordo de Valoração Aduaneira (AVA/GATT) e o integram, independentemente do método de valoração utilizado, o custo de transporte internacional, os gastos relativos à carga, manuseio e descarga associados a esse transporte e o custo do seguro da mercadoria durante as operações antes referidas. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO. A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" (efl. 568) Cientificado desta decisão em 13/07/2015, a empresa apresentou Recurso Voluntário em 12/08/2015, alegando, em síntese: (i) que não deve ser incluído o custo do seguro das mercadorias importadas; (ii) a multa aplicada é confiscatória, desproporcional e irrazoável; e (iii) presunção de boa fé da Recorrente por ter atendido todas as determinações fiscais. Em seguida, os autos foram direcionados para este Conselho. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne Conheço do Recurso Voluntário por tempestivo, adentrando em suas razões. Afirma a Recorrente que a Administração deve presumir a boa fé do contribuinte, especialmente considerando o fato que sempre atendeu as intimações. Contudo, a alegação foi feita de forma genérica, sem sequer afirmar se seria para afastar somente a penalidade ou igualmente os valores tributários exigidos. Pelo raciocínio delineado nos fatos, denotase que a Recorrente pretendeu desenvolver esse argumento para afastar a penalidade aplicada. Fl. 642DF CARF MF 4 Entretanto, a multa de 75% foi aplicada na hipótese em conformidade com o art. 44, I, da Lei n.º 9.430/96, em razão do lançamento de ofício por falta de pagamento dos tributos, inexistindo qualquer previsão normativa de redução ou afastamento desta multa por boafé. Tratase de multa pelo não pagamento dos tributos, dotada de natureza objetiva, sendo que para ser aplicada basta a confirmação da irregularidade (não pagamento do tributo), independentemente da intenção do agente. A intenção dolosa do agente, com uma conduta fraudulenta, por exemplo, somente irá influir na majoração desta multa na forma do §1º deste dispositivo, mas não para reduzila. Ainda quanto à multa, a Recorrente sustenta ainda que ela seja afastada por violar princípios constitucionais, em especial da impossibilidade do confisco, da proporcionalidade e da razoabilidade. Entretanto, descabida a análise por este CARF desta argumentação, vez que este órgão não é competente para se manifestar acerca da constitucionalidade do art. 44, I, da Lei n.º 9.430/96, que prevê a referida multa. Estando este dispositivo legal em plena vigência, descabe a este colegiado manifestarse acerca de sua constitucionalidade. Esta matéria se encontra sumulada por este CARF, na Súmula CARF n.º 2 que expressa que "o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Assim, em razão da incompetência deste Conselho, nego provimento quanto ao argumento relativo à confiscatoriedade e desproporcionalidade da multa de ofício. Quanto à base de cálculo, ainda que o Recorrente não tenha trazido quais argumentos respaldariam seu direito em sua peça recursal, ela afirma nos fatos que estaria reiterando sua inconformidade quanto à base de cálculo dos tributos autuados, que não deveriam incluir o valor do seguro. Afirma que: "6. O credor tributário, ao cobrar a diferença relacionada ao seguro somou todos os encargos, ou seja, valor principal, frete, lucro esperado, II, IPI, ICMS, PIS, COFINS, PASEP), além de aplicar a multa. A cobrança do encargo, na forma do art. 75 do DECRETO 4543, deveria se dar sobre o valor do frete e seguro, não sobre todos os demais encargos. 7. Ainda, unilateralmente, o credor apurou valores e aplicou o percentual de 0,11% da importância assegurada; porém, o fato gerador do imposto de importação é a entrada de produtos no país e o cálculo deve se dar por alíquota específica, ou ad valores. No último caso deveria se dar pelo valor aduaneiro, não fixado unilateralmente. E este valor inclui custos efetivos como mercadoria, frete e seguro, não demais tributos e encargos." (efls. 599) Considerando a ausência de precisão da alegação trazida no Recurso Voluntário, avaliei a alegação desenvolvida na Impugnação. Naquela oportunidade, sustentou a Recorrente a impossibilidade de incluir o custo do seguro por ser matematicamente impossível: "Todavia, para a realização do cálculo do valor do custo do aludido seguro, a r. Fiscalização partiu de urna premissa falaciosa: entendeu que esse custo se daria de acordo com o valor das importâncias seguras pela Impugnante! A r. Fiscalização, ao verificar a Apólice de Seguro contratada pela Impugnante, mais precisamente, o Item 02 dessa Apólice, verificou que a importância segura pela Impugnante correspondia aos (1) custo das mercadorias por ela importadas; (2) frete, (3) despesas (10% do custo + frete), (4) lucro esperado (20% do custo + Fl. 643DF CARF MF Processo nº 12689.001549/200793 Acórdão n.º 3402004.352 S3C4T2 Fl. 642 5 frete + despesas) e (5) impostos (sic) (II, IPI, ICMS, PIS, COFINS, PASEP) — Doc. 02. Sem considerar a impossibilidade da utilização dessas importâncias para o calculo efetivo do custo do seguro das mercadorias importadas pela lmpugnante, fato é que a r. Fiscalização procedeu ao somatório dos valores, aplicando sobre o resultado o correspondente a 0,11%, cujo produto considerou como sendo o custo do aludido seguro. (...) Da verificação dos cálculos realizados pela r. Fiscalização observase uma incongruência lógica. Isso porque, considerando que: ▪ O VALOR DO CUSTO DO SEGURO DAS MERCADORIAS IMPORTADAS — TAL COMO PRETENDE A R. FISCALIZAÇÃO — DEPENDE DO VALOR DOS TRIBUTOS INCIDENTES NA OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO; ▪ O VALOR DOS TRIBUTOS INCIDENTES NA OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO DEPENDE DA APURAÇÃO DA BASE DE CALCULO; E ▪ POR SUA VEZ, A APURAÇÃO DA ALUDIDA BASE DE CALCULO DEPENDE, INCLUSIVE, PELO VALOR DO CUSTO DO ALUDIDO SEGURO, ▪ CONCLUSÃO LÓGICA QUE SE CHEGA É QUE ESSE CALCULO, MATEMATICAMENTE, NUNCA SERA POSSÍVEL DE SER EFETUADO, TENDO EM VISTA QUE HA DUAS VARIAVEIS DEPENDENTES ENTRE SI! Em outras palavras, a r. Fiscalização buscou apurar o custo do seguro em comento, por meio de um cálculo equivocado, posto que ele — considerando a premissa falaciosa adotada pela r. Fiscalização — depende, inclusive, dos valores dos tributos incidentes na operação de importação." (efls.504/506) Entretanto, como bem desenvolvido pela decisão recorrida, o valor do seguro deve ser incluída na base de cálculo do imposto de importação, em conformidade com o AVA/GATT. Adoto aqui as razões de decidir trazida pela decisão recorrida, à luz do art. 50, §1º, do Decreto n.º 70.235/72: "Como se verifica do relatado, a interessada importou mercadorias estrangeiras, sendo que, ao registrar as Declarações de Importação correspondentes, deixou de informar o valor do seguro pago. Instaurado procedimento fiscal, a interessada apresentou tabela com os valores pagos a título de seguro, relativos a cada uma das Declarações de Importação, ainda que somente depois de a fiscalização ter comprovado que, de fato, haviam pagamentos a esse título, inicialmente negados pela fiscalizada. Assim, a fiscalização realizou o ajuste nos valores aduaneiros de cada mercadoria importada, incluindo o valor do seguro respectivo, e lavrou o auto de infração em apreço para exigência das diferenças de tributos não pagos, acrescidos de multa de ofício e juros de mora. (...) O valor aduaneiro adotado pelo País é aquele estabelecido conforme Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio 1994, conhecido como Acordo de Valoração Aduaneira – AVA/GATT, aprovado pelo Decreto Legislativo nº 30, de 1994, e promulgado pelo Decreto nº 1.355, de 1994. Referido Acordo estabelece em seu artigo 8, in verbis: (...) Regulamentando a matéria, o Decreto nº 4.543/2002, vigente à data das importações em apreço, assim dispôs, in verbis: (...) Fl. 644DF CARF MF 6 Para disciplinar os procedimentos a serem adotados para a determinação do valor aduaneiro das mercadorias a Instrução Normativa SRF nº 327, de 09/05/2003, assim estabeleceu, in verbis: (...) Inferese dos dispositivos transcritos que, compõem o valor aduaneiro da mercadoria, resumidamente, o custo da mercadoria; o custo com o transporte internacional até o ponto de descarga ou até o local onde se realizam os procedimentos aduaneiros; o custo com despesas de carga, descarga e manuseio até esses pontos; e o custo com o seguro da mercadoria durante as operações de transporte internacional, carga, descarga e manuseio até os locais antes referidos. No presente caso, a fiscalização, ao verificar que os valores referentes aos custos com o seguro das mercadorias não haviam sido declarados pela interessada e, portanto, não compuseram os valores aduaneiros, recompôs os valores aduaneiros respectivos, acrescentando o valor pago pelo seguro e lançou os valores das diferenças apuradas, considerando que houve alteração na base de cálculo dos tributos incidentes. A contrariedade da impugnante se baseia no argumento de que o valor do seguro acrescentado pela fiscalização para compor o valor aduaneiro das mercadorias incluía, além do valor referente ao custo das mercadorias aqueles valores referentes ao frete, às despesas, aos lucros esperados e ao valor de impostos e, portanto, seria indevido. À impugnante não cabe razão. De acordo com a apólice de seguro apresentada (fls. 402 a ), tratase de seguro de “transportes internacionais – importação” que abrange o transporte marítimo, terrestre e aéreo internacionais de mercadorias estrangeiras. O “item 3” (fl. 402) do documento é expresso ao afirmar no “Objeto do Seguro”: “A presente apólice cobre as mercadorias que vierem a ser importadas, inerentes ao ramo de atividade do segurado, acondicionadas em Caixas de madeira ou papelão, e/ou em embalagens apropriadas, paletizadas ou não e dentro de Container ou não, quando viagem Marítima, consistindo principalmente de: Mini Sistems, Compact Disc e Rádios, Maquinas e/ou equipamentos industriais destinados ao ativo fixo; (sic)” (sublinha acrescida) Assim, o fato de terem sido incluídos nos valores a serem cobertos pelo seguro outros que não somente o custo efetivo das mercadorias, em nada afasta a constatação de que o objeto do seguro eram as mercadorias importadas durante o transporte internacional, tanto que todas as verbas a serem indenizadas em caso de sinistro são a elas referentes. De fácil compreensão o fato de que as verbas somente seriam indenizadas no caso de sinistro referente às mercadorias no curso do transporte internacional, pois não haveria nenhum sentido em se falar em frete, despesas, lucros esperados ou valor de impostos caso não se relacionassem às mercadorias transportadas. Não se pode confundir, como quer a impugnante, o objeto do seguro, que no caso são as mercadorias importadas, com os valores a serem indenizados pela seguradora, que no caso incluem outros que não somente o custo efetivo das mercadorias importadas. Portanto, não resta dúvida de que o seguro contratado e pago se referia às mercadorias importadas durante o transporte internacional dessas, fato que se subsume perfeitamente à hipótese prevista na norma inciso III do art. 77 do Decreto nº 4.543/2002 e inciso III do art. 4º da IN SRF nº 327/2003. Concluise, portanto, pela procedência da inclusão do seguro contratado na composição do valor aduaneiro das mercadorias importadas, como realizado pela fiscalização." (efls. 570/574 grifei) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Fl. 645DF CARF MF Processo nº 12689.001549/200793 Acórdão n.º 3402004.352 S3C4T2 Fl. 643 7 Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora Fl. 646DF CARF MF
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Numero do processo: 10860.904339/2011-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. ANULAÇÃO. POSSIBILIDADE. PRAZO REVISIONAL. OBSERVÂNCIA.
O despacho decisório eletrônico, como espécie de ato administrativo vinculado, deve ser revisado e anulado quando constatados vícios de legalidade que o invalidem, mormente aqueles decorrentes de prestação de informações inverídicas ou equivocadas em declarações obrigatórias - base dos procedimentos automáticos -, desde que observado o prazo de 05 (cinco) anos previsto no art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96, não representando qualquer vilipêndio a direito adquirido do sujeito passivo, porque dos atos nulos não irradiam quaisquer efeitos, como sedimentado na Súmula STF nº 473.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
IPI. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE MATÉRIA-PRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E EMBALAGENS ISENTOS. ZONA FRANCA DE MANAUS. DIREITO DE CRÉDITO. INEXISTÊNCIA.
A sistemática de apuração não cumulativa do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, ressalvada a previsão em lei, tem como pressuposto a exigência do tributo na etapa imediatamente anterior, para abatimento com o valor devido na operação seguinte, não bastando a mera incidência jurídica, de forma tal que as aquisições isentas de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, mesmo que oriundas da Zona Franca de Manaus, não garantem crédito de IPI, por ausência de previsão legal específica.
SISTEMA EQUIVALENTE AO REGISTRO DE ENTRADAS E REGISTRO DE CONTROLE DA PRODUÇÃO E DO ESTOQUE. ARTIGO 388 DO RIPI/2002. LÍNGUA ESTRANGEIRA (INGLESA). AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO PREJUÍZO À PERFEITA APURAÇÃO DO ESTOQUE PERMANENTE.
Pela própria natureza do sistema de controle alternativo de estoque de que trata do artigo 388 do Regulamento do IPI de 2002, as informações mais importantes a serem lidas e examinadas pelo auditor fiscal são relativas a números (código da TIPI, alíquota do imposto, quantidade etc) ou palavras cujo idioma é indiferente (identificação do produto, especificação da unidade como quilograma, litro, etc), sendo certo que as palavras em língua estrangeira devem aparecer intitulando quadros e colunas, de forma repetitiva, o que, em princípio, não se traduz em dificuldade de compreensão e de fiscalizar os dados nela contidos.
Não merece prosperar a acusação genérica de que o sistema de controle alternativo utilizado pelo contribuinte não é adequado e hábil ao controle de mercadorias, em razão de adotar língua estrangeira, devendo haver demonstração concreta de dificuldades na fiscalização.
Numero da decisão: 3401-003.879
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, da seguinte forma: (a) por voto de qualidade, para reconhecer não ter havido homologação expressa, no caso, vencidos o relator e os Conselheiros André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco; e (b) por maioria de votos, para (b1) manter as glosas, no que se refere a créditos decorrentes de aquisições da Zona Franca de Manaus, vencido o relator e os Conselheiros André Henrique Lemos e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco; e (b2) afastar as glosas de créditos por Devolução ou Retorno de produtos, em razão do sistema de controle alternativo ao Registro de Entradas e Registro de Controle da Produção e do Estoque adotado pela recorrente, vencidos o Conselheiros Robson José Bayerl e Fenelon Moscoso de Almeida. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Robson José Bayerl.
ROSALDO TREVISAN (PRESIDENTE) - Presidente.
AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA - Relator.
ROBSON JOSÉ BAYERL - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. ANULAÇÃO. POSSIBILIDADE. PRAZO REVISIONAL. OBSERVÂNCIA. O despacho decisório eletrônico, como espécie de ato administrativo vinculado, deve ser revisado e anulado quando constatados vícios de legalidade que o invalidem, mormente aqueles decorrentes de prestação de informações inverídicas ou equivocadas em declarações obrigatórias - base dos procedimentos automáticos -, desde que observado o prazo de 05 (cinco) anos previsto no art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96, não representando qualquer vilipêndio a direito adquirido do sujeito passivo, porque dos atos nulos não irradiam quaisquer efeitos, como sedimentado na Súmula STF nº 473. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 IPI. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE MATÉRIA-PRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E EMBALAGENS ISENTOS. ZONA FRANCA DE MANAUS. DIREITO DE CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. A sistemática de apuração não cumulativa do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, ressalvada a previsão em lei, tem como pressuposto a exigência do tributo na etapa imediatamente anterior, para abatimento com o valor devido na operação seguinte, não bastando a mera incidência jurídica, de forma tal que as aquisições isentas de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, mesmo que oriundas da Zona Franca de Manaus, não garantem crédito de IPI, por ausência de previsão legal específica. SISTEMA EQUIVALENTE AO REGISTRO DE ENTRADAS E REGISTRO DE CONTROLE DA PRODUÇÃO E DO ESTOQUE. ARTIGO 388 DO RIPI/2002. LÍNGUA ESTRANGEIRA (INGLESA). AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO PREJUÍZO À PERFEITA APURAÇÃO DO ESTOQUE PERMANENTE. Pela própria natureza do sistema de controle alternativo de estoque de que trata do artigo 388 do Regulamento do IPI de 2002, as informações mais importantes a serem lidas e examinadas pelo auditor fiscal são relativas a números (código da TIPI, alíquota do imposto, quantidade etc) ou palavras cujo idioma é indiferente (identificação do produto, especificação da unidade como quilograma, litro, etc), sendo certo que as palavras em língua estrangeira devem aparecer intitulando quadros e colunas, de forma repetitiva, o que, em princípio, não se traduz em dificuldade de compreensão e de fiscalizar os dados nela contidos. Não merece prosperar a acusação genérica de que o sistema de controle alternativo utilizado pelo contribuinte não é adequado e hábil ao controle de mercadorias, em razão de adotar língua estrangeira, devendo haver demonstração concreta de dificuldades na fiscalização.
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ANULAÇÃO. POSSIBILIDADE. PRAZO REVISIONAL. OBSERVÂNCIA. O despacho decisório eletrônico, como espécie de ato administrativo vinculado, deve ser revisado e anulado quando constatados vícios de legalidade que o invalidem, mormente aqueles decorrentes de prestação de informações inverídicas ou equivocadas em declarações obrigatórias base dos procedimentos automáticos , desde que observado o prazo de 05 (cinco) anos previsto no art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96, não representando qualquer vilipêndio a direito adquirido do sujeito passivo, porque dos atos nulos não irradiam quaisquer efeitos, como sedimentado na Súmula STF nº 473. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 IPI. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE MATÉRIAPRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E EMBALAGENS ISENTOS. ZONA FRANCA DE MANAUS. DIREITO DE CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. A sistemática de apuração não cumulativa do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, ressalvada a previsão em lei, tem como pressuposto a exigência do tributo na etapa imediatamente anterior, para abatimento com o valor devido na operação seguinte, não bastando a mera incidência jurídica, de forma tal que as aquisições isentas de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, mesmo que oriundas da Zona Franca de Manaus, não garantem crédito de IPI, por ausência de previsão legal específica. SISTEMA EQUIVALENTE AO REGISTRO DE ENTRADAS E REGISTRO DE CONTROLE DA PRODUÇÃO E DO ESTOQUE. ARTIGO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 90 43 39 /2 01 1- 71 Fl. 1911DF CARF MF 2 388 DO RIPI/2002. LÍNGUA ESTRANGEIRA (INGLESA). AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO PREJUÍZO À PERFEITA APURAÇÃO DO ESTOQUE PERMANENTE. Pela própria natureza do sistema de controle alternativo de estoque de que trata do artigo 388 do Regulamento do IPI de 2002, as informações mais importantes a serem lidas e examinadas pelo auditor fiscal são relativas a números (código da TIPI, alíquota do imposto, quantidade etc) ou palavras cujo idioma é indiferente (identificação do produto, especificação da unidade como quilograma, litro, etc), sendo certo que as palavras em língua estrangeira devem aparecer intitulando quadros e colunas, de forma repetitiva, o que, em princípio, não se traduz em dificuldade de compreensão e de fiscalizar os dados nela contidos. Não merece prosperar a acusação genérica de que o sistema de controle alternativo utilizado pelo contribuinte não é adequado e hábil ao controle de mercadorias, em razão de adotar língua estrangeira, devendo haver demonstração concreta de dificuldades na fiscalização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, da seguinte forma: (a) por voto de qualidade, para reconhecer não ter havido homologação expressa, no caso, vencidos o relator e os Conselheiros André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco; e (b) por maioria de votos, para (b1) manter as glosas, no que se refere a créditos decorrentes de aquisições da Zona Franca de Manaus, vencido o relator e os Conselheiros André Henrique Lemos e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco; e (b2) afastar as glosas de créditos por Devolução ou Retorno de produtos, em razão do sistema de controle alternativo ao Registro de Entradas e Registro de Controle da Produção e do Estoque adotado pela recorrente, vencidos o Conselheiros Robson José Bayerl e Fenelon Moscoso de Almeida. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Robson José Bayerl. ROSALDO TREVISAN (PRESIDENTE) Presidente. AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA Relator. ROBSON JOSÉ BAYERL Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Fl. 1912DF CARF MF Processo nº 10860.904339/201171 Acórdão n.º 3401003.879 S3C4T1 Fl. 1.912 3 Relatório O processo administrativo ora em julgamento decorre de Pedido de Ressarcimento de Saldo Credor do Imposto sobre Produtos Industrializados (“IPI”) relativo ao 2º Trimestre do ano de 2008, no valor de R$ 18.659.803,04. Conforme despacho decisório de fls. 1.406 e seguintes, foi anulado o ato decisório anterior, resultante tratamento eletrônico no âmbito do Sistema de Controle de Créditos e Compensações, com fundamento na Lei nº 9.784/1999, e deferido parcialmente o pedido do contribuinte, para reconhecer direito creditório no valor de R$15.942.879,51 e glosar o valor de R$2.716.923,53. Os motivos da glosa constam no Relatório Fiscal de fls. 1.339 e seguintes e estão colocados abaixo: a) créditos indevidos decorrentes da aquisição de insumos isentos provenientes da Zona Franca de Manaus; b) créditos indevidos ante a ausência de Registro de Controle da Produção e do Estoque ou seu equivalente, relativos a inúmeras operações de retorno de mercadorias (devolução de vendas/revendas, devolução de mercadorias para substituição em garantia etc); Após ter sido cientificada dessa decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente, em 26/03/2014, pela 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto SP ("DRJ”), em acórdão que possui a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DESONERADAS. O princípio da nãocumulatividade do IPI é implementado por meio da escrita fiscal, com crédito do valor do imposto efetivamente pago na operação anterior e débito do valor devido nas operações posteriores. Assim, o direito ao crédito do IPI condicionase a que as aquisições de insumos utilizados no processo de industrialização tenham sido efetivamente oneradas pelo imposto. CRÉDITOS. DEVOLUÇÕES OU RETORNOS. É permitido ao estabelecimento industrial creditarse do imposto relativo a produtos tributados recebidos em devolução ou retorno, desde que mantenha escrituração e controles que lhe permitam comprovar sua condição de detentor de tal direito. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 1913DF CARF MF 4 Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos que integram a legislação tributária. ATO ADMINISTRATIVO. ANULAÇÃO. Um ato decisório exarado ao arrepio de ditames legais quanto a direito creditório é passível de anulação, com a prolação de novo ato decisório antes do transcurso do prazo decadencial e o conseqüente saneamento da ilegalidade. PEDIDO DE APRESENTAÇÃO DE PROVAS ADICIONAIS. PRECLUSÃO TEMPORAL. Tendo em vista a superveniência da preclusão temporal, é rejeitado o pedido de apresentação de provas suplementares, pois o momento propício para a defesa cabal é o da oferta da peça de defesa". O contribuinte, ora Recorrente, foi cientificado dessa decisão em 12/05/2014, conforme documento de fls. 1580, apresentando tempestivo Recurso Voluntário, em 11/06/2014 (fls. 1582), no qual requer a reforma ou a nulidade da decisão recorrida, pelas seguintes alegações: (i) impossibilidade de retificação do ato decisório anterior que havia homologado todas as declarações de compensação da Recorrente; (ii) haveria decadência do direito do Fisco de reclamar alegadas irregularidades referentes a fatos geradores ocorridos no segundo trimestre de 2008, tendo em vista que a Recorrente foi cientificada do despacho decisório que não reconheceu o crédito por ela pleiteado no dia 16/07/2012; (iii) não haveria restrições ao crédito de IPI decorrente de aquisições de insumos provenientes da Zona Franca de Manaus; e (iv) a Recorrente alega que possuiria sistema permanente de controle de estoques alternativo ao Registro de Controle da Produção e Estoque apto a demonstrar de forma quantitativa a movimentação de estoques; nesse tópico, ainda pede que seja reconhecida a nulidade da decisão recorrida, pois ao apreciar a matéria, justifica o manutenção do indeferimento do pedido por motivos adicionais e estranhos ao que teria sido apontado no despacho decisório. Em seguida, os autos foram remetidos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ("CARF") e distribuídos à minha relatoria. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Augusto Fiel Jorge d' Oliveira O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento, para que o Colegiado aprecie as matérias a seguir. Fl. 1914DF CARF MF Processo nº 10860.904339/201171 Acórdão n.º 3401003.879 S3C4T1 Fl. 1.913 5 Da anulação do despacho decisório e da alegada decadência A Recorrente defende a impossibilidade de retificação do ato decisório anterior que havia homologado todas as declarações de compensação da Recorrente e que haveria decadência do direito do Fisco de reclamar alegadas irregularidades referentes a fatos geradores ocorridos no segundo trimestre de 2008, tendo em vista que a Recorrente foi cientificada do despacho decisório apenas no dia 16/07/2012. Quanto à primeira alegação, a Administração Pública poderá desfazer seus atos por revogação, por uma reavaliação de conveniência e oportunidade do ato, ou por anulação/invalidação, quando detectar alguma ilegalidade. Já o Poder Judiciário só poderá extinguir o ato administrativo quando constatar alguma ilegalidade. O ato decisório que trata de um pedido de ressarcimento com uma declaração de compensação é um dos tipos de ato administrativo, descrito na doutrina de Themístocles Brandão Cavalcanti, conforme a seguir: "[Decisões administrativas] são atos de autoridades administrativas sobre matéria sujeita à sua apreciação, geralmente matéria controvertida em processo administrativo. É o mesmo que despacho. Por esse meio, em questões administrativas e em quaisquer papéis, se concede ou nega um pedido. É a forma de manifestação da vontade do Estado, mas sobre matéria específica, sujeito ao seu conhecimento. É precedida geralmente da apuração de fatos e circunstâncias que orientem o pronunciamento da autoridade e delas pode caber recurso hierárquico para instância administrativa superior. Devem as decisões administrativas ser motivadas e fundadas em lei e para a sua eficácia e execução publicadas ou notificadas aos interessados".1 (grifos nossos) Pelas próprias características do ato decisório, não é um ato motivado por questões de conveniência e oportunidade, devendo a Administração Pública aceitar ou rejeitar o direito de crédito, à luz do ordenamento jurídico. Logo, o despacho decisório que retificou o ato decisório anterior, na realidade, promoveu a sua anulação, o que teria sido feito com fundamento no disposto na primeira parte do Súmula STF nº 473 e artigo 53, da Lei nº 9.784/1999, que determinam: "A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos". Essa hipótese, de anulação de um ato administrativo dito vinculado, como expõe Diego de Figueiredo Moreira Neto, ocorre "quando inexistem os elementos essenciais dos atos administrativos competência, finalidade, forma, motivo e objeto como quando não se apresentam conforme as prescrições paradigmais definidas pela ordem jurídica"2. Portanto, 1 Teoria dos Atos Administrativos. Editora Revista dos Tribunais. São Paulo. 1973. p. 137. 2 Curso de Direito Administrativo. Parte Introdutória, Parte Geral e Parte Especial. Editora Forense. Rio de Janeiro. 2009. 15ª Edição. p. 224. Fl. 1915DF CARF MF 6 a ilegalidade que se busca corrigir diz respeito aos elementos do ato administrativo, como eventual inexistência de determinado elemento ou a sua desconformidade com a Lei. Por esse motivo, impedese ressalvar que, muito embora a Administração tenha o dever de invalidar os atos praticados de forma contrária ao ordenamento jurídico, é vedada a ela a invalidade de atos, no curso do processo administrativo, por mera mudança de orientação ou entendimento jurídico a respeito de determinada matéria, tendo em conta o disposto no artigo 2º, parágrafo único, XIII, da Lei nº 9.784/1999: "Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação". Nesse sentido, é a doutrina de Alexandre Santos de Aragão, que afirma: "A simples mudança na interpretação jurídica eventualmente adotada pela Administração Pública não pode levar à invalidação de atos administrativos já praticados. Notese, entretanto, que estamos tratando, aqui, de simples mudanças de orientação a partir de pontos de vista plausíveis, mas diferentes, tão comuns no Direito, mas não de mudanças de interpretação que signifiquem, na verdade, correções de ilegalidades"3. No caso ora em análise, a decisão recorrida parece afastar a hipótese de aplicação retroativa de nova interpretação, expondo a forma como tal ato decisório é exarado, sem que exista intervenção humana, o que levou o pedido a ser efetivamente examinado em momento posterior, conforme abaixo: "O tratamento de PER/DCOMP, no âmbito do SCC, é eletrônico e automático e segue alguns parâmetros. Foi exarada decisão, em 03/01/2012, com o reconhecimento parcial do direito creditório e a homologação das compensações declaradas até o limite do direito creditório reconhecido. Em ação fiscal encetada posteriormente, conforme o relatório fiscal constante do processo, foi constatado que parte dos créditos reconhecidos é indevida, segundo as provas dos autos. Assim, foi proferido o Despacho Decisório de 12/07/2013, com a anulação do ato decisório anterior (a revisão de ofício é aludida no novo ato decisório, com base na Lei nº 9.784, de 1999, art. 56)". Esse tipo de procedimento já foi objeto de análise no âmbito da Receita Federal e foi por ela validado, ao expor entendimento no sentido de ser possível a retificação de despacho decisório, mesmo que em prejuízo do contribuinte, salvaguardando apenas o direito do contribuinte de se opor a tal revisão, mediante o manejo dos recurso cabíveis. É o que prevê o Parecer Normativo Cosit nº 8/2014: "57. Este posicionamento, todavia, não deve ser aplicado para os casos de reconhecimento de direito creditório e de homologação de compensação alterados em virtude de revisão de ofício do despacho decisório que, mais do que simplesmente afastar a possibilidade de alterar ato primeiro já emitido, tenha implicado prejuízo ao contribuinte. Aí, em atenção ao princípio constitucional do devido processo legal e seus corolários – do contraditório e 3 Curso de Direito Administrativo. Editora Forense. Rio de Janeiro. 2012. p. 166. Fl. 1916DF CARF MF Processo nº 10860.904339/201171 Acórdão n.º 3401003.879 S3C4T1 Fl. 1.914 7 da ampla defesa –, deve ser concedido o prazo de trinta dias para o sujeito passivo apresentar manifestação de inconformidade e, sendo o caso, recurso voluntário, no rito processual do Decreto nº 70.235, de 1972, enquadrandose o débito objeto da compensação no disposto no inciso III do art. 151 do CTN. 58. O prejuízo aqui tratado abarca, inclusive, a inovação ou alteração dos fundamentos que embasaram a decisão anterior, devolvendose ao sujeito passivo, com a ciência da decisão revisora, o prazo para interpor manifestação de inconformidade no concernente à matéria modificada". Sobre o tema, há que se observar que o despacho decisório que trata da homologação de crédito tributário é lavrado, nos dias de hoje, a partir de um trabalho substancialmente eletrônico, com pouca ou nenhuma intervenção humana, tendo em vista que "atendendo ao princípio da eficiência, as PERDCOMPs são processadas eletronicamente visando atender ao contribuinte agilmente e, para atingir tal fim, a busca da certeza e liquidez do crédito se dá, num primeiro momento, pelo cruzamento das informações prestadas pelo próprio interessado à SRF, ou seja, confrontandose o direito creditório pedido com os dados fornecidos pelo interessado na PERDCOMP", como exposto no Acórdão n. 1453.004, da Segunda Turma da DRJ/RPO. É dizer. A análise que no passado era feita exclusivamente por ação humana, nos dias de hoje, é realizada com o auxílio de computadores e sistemas que permitem uma maior eficiência e produtividade nas tarefas da Administração Fiscal. Tal fato leva os contribuintes a questionarem a validade de tais despachos decisórios, argumentando que são nulos, por violação ao direito de defesa, já tendo esse Colegiado a oportunidade de reconhecer a validade de tais despachos decisórios eletrônicos, pois, apesar de sucintos e objetivos, eles se revestem de todos os elementos prescritos na Lei para um ato decisório ou decisão administrativa, sendo devidamente fundamentados e expondo a base legal que ampara o seu exame e conclusão. (Acórdão n. 3401003.340, de 25.01.2017; decisão unânime) Assim, do mesmo modo que ao despacho decisório eletrônico é reconhecido o status de uma decisão administrativa que bem examina o direito de crédito do contribuinte e denega fundamentadamente uma não homologação, não havendo que se falar em sua nulidade, entendo que não cabe à Receita diminuir o exame e conclusão performados por atos dessa natureza em situação oposta, quando homologam uma declaração de compensação, para justificar uma posterior revisão. Então, dúvidas não podem existir que, de fato, a declaração de compensação apresentada pelo contribuinte foi examinada à luz da legislação aplicável e das informações que a Receita entendeu como necessárias e suficientes para emitir uma decisão, no caso, pela homologação da compensação. Além disso, uma decisão que reconhece o direito de crédito e homologa a declaração de compensação realizada, extingue o crédito tributário, nos termos do artigo 156, inciso II, do CTN, e artigo 74, parágrafo 2, da Lei nº 9.430/1996, devendo essa decisão ser considerada perfeita e acabada, introduzida no ordenamento jurídico e apta a produzir efeitos no ordenamento jurídico, a partir de sua publicação ou ciência da parte interessada. Fl. 1917DF CARF MF 8 Sobre a vigência do ato administrativo, a exteriorização do ato administrativo pela sua publicação ou notificação ao interessado decorre da prevalência da teoria da publicidade frente à teoria da assinatura, como explica Odete Medauar: "De acordo com a primeira, os atos administrativos entram em vigor na data de assinatura. Para a segunda, o início de vigência depende da publicidade do ato, no sentido de divulgação publicação, notificação, intimação, ciência e não da assinatura, geralmente anterior. Na realidade, antes da divulgação o texto aparece como simples projeto, pronto para entrar em vigor se o agente assim o decidir, pois em princípio não é obrigado a ordenar a publicação de ato já assinado, podendo mesmo sustála, no caso de mudança de circunstâncias ou de nova apreciação do assunto. A teoria da publicidade revelase mais adequada à características do ato administrativo, de modo geral. Para provocar repercussão no mundo jurídico a decisão da Administração deve ser exteriorizada mediante os meios de publicidade. A publicidade do ato, ponto relevante da forma, tem por finalidade introduzilo na ordem jurídica. A entrada em vigor, a partir da qual podem decorrer direitos, obrigações, faculdades, subordinase a condições de publicidade posteriores à assinatura, como, por exemplo: a inserção no jornal oficial, afixação em local de fácil acesso, notificação pessoal, ciência no próprio expediente".4 Com isso, com a publicação ou intimação do contribuinte de um ato decisório que expressamente homologa uma compensação declarada pelo contribuinte, reconhecendo a extinção do crédito tributário e a inexistência de relação jurídica entre contribuinte e Fazenda em relação ao crédito tributário compensado, há um esgotamento dos efeitos jurídicos produzidos pelo ato decisório, que se revela um ato consumado, assim como é uma desapropriação já paga pelo Poder Público e que se encerrou por completo, ambos não passíveis de revisão. Isso porque a extinção do crédito tributário e a inexistência de relação jurídica não mais dependem de qualquer condição resolutória ou de uma revisão de ofício mediante recurso voluntário, como ocorre em decisões administrativas em processos que decorrem de lançamento. Dessa maneira, entendo incabível uma nova avaliação da Administração para, a partir de um novo entendimento ou nova leitura da legislação de regência sobre o direito de crédito aplicado aos fatos que lhe foram colocados, dentro de um mesmo processo administrativo, fazer ressurgir um crédito tributário já extinto pela compensação. Nesse sentido, já decidiu a Primeira Seção de Julgamento do CARF, em acórdão que possui a seguinte ementa: "Uma vez publicado um Despacho Decisório que homologa totalmente a compensação, extinguindo, portanto, o crédito tributário por inteiro, não é possível voltar atrás para publicar um novo Despacho Decisório que homologa apenas parte da compensação e extingue, então, apenas parcialmente o crédito tributário. Havendo publicação de homologação de compensação, extinto está o crédito e preclusa qualquer nova tentativa de examinálo, salvo no caso de nulidade do primeiro Despacho Decisório. É, portanto, nulo o segundo Despacho Decisório". (Acórdão n. 1401001.487; Data da sessão: 19/01/2016; Relator: Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes; Voto Vencedor: Marcos de Aguiar Villas Boas) 4 Direito Administrativo Moderno. 8ª Edição. Editora Revista do Tribunais. São Paulo. 2004. p. 165. Fl. 1918DF CARF MF Processo nº 10860.904339/201171 Acórdão n.º 3401003.879 S3C4T1 Fl. 1.915 9 No Poder Judiciário, o Tribunal Regional Federal da 5ª Região, por decisão unânime, afastou a possibilidade de revisão de decisão que homologa declaração de compensação, o que só poderia ser realizado pela Receita Federal em hipóteses de erro de fato, falsidade e omissão, como ocorre em hipóteses de fraude, pois, em tais casos, penso eu, já não se estaria diante de uma mera mudança de entendimento, mas de uma ilegalidade que afeta os próprios elementos do ato administrativo. A seguir, a ementa do acórdão, de relatoria do Desembargador Paulo Roberto de Oliveira Lima: "TRIBUTÁRIO. AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA PELO FISCO. REVISÃO DE LANÇAMENTO EX OFFICIO. ERRO DE FATO. ÔNUS DA PROVA. IMPROVIMENTO DO APELO E DO REEXAME. 1. Caso em que a empresa requerera e obtivera, em 2.10.2008, compensação de débitos tributários com créditos que possuía, originários do Imposto Sobre Produtos Industrializados IPI, direito reconhecido pelo Despacho Decisório nº 460/2008. Não obstante, findou surpreendida, já em 16.4.2013, por novo Despacho Decisório (nº 49/2013), que anulou, de ofício, a decisão anterior, afastando a compensação e formalizando a inscrição em dívida ativa do crédito anteriormente extinto. 2. Não pode o Fisco, depois de homologada a compensação promovida pelo contribuinte, vir a promover revisão ex offício do ato, anulandoo, se não comprovado o alegado erro de fato. 3. Sabese que a homologação expressa do pedido de compensação equivale ao lançamento; logo, em consonância com o art. 149 do CTN, sua revisão somente é autorizada se presente na declaração do contribuinte, v.g., erro de fato, falsidade e omissão. Contudo, no caso, a Fazenda Nacional não se desincumbiu de comprovar nos autos qualquer equívoco nos dados informados pela demandante, capaz de alterar/anular o Despacho Decisório que homologara a compensação. 4. Apelação e remessa oficial improvidas". (Processo: 08031184720134058300, Desembargador Federal Paulo Roberto de Oliveira Lima, Segunda Turma, Julgamento: 03/03/2015) Ante o exposto, considerando que a Recorrente foi devidamente cientificada, inclusive, apresentando Manifestação de Inconformidade, o despacho decisório ingressou no ordenamento jurídico e estabeleceu uma relação jurídica entre as partes, pela extinção do crédito tributário, entendo que o segundo despacho decisório que anulou o primeiro deve ser considerado nulo, motivo pelo qual acolho a preliminar suscitada pela Recorrente. Ultrapassa a nulidade do segundo despacho decisório e assumindoo como válido, quanto à segunda alegação, no sentido de que teria ocorrido decadência, em razão do transcurso de prazo superior a 5 (cinco) anos entre os fatos geradores ocorridos no segundo trimestre de 2008 e ciência da Recorrente, que se deu em 16/07/2012, na realidade, em se tratando de um pedido de ressarcimento cumulado com declarações de compensação, a Recorrente parece querer que se reconheça a homologação tácita das compensações declaradas. Fl. 1919DF CARF MF 10 Segundo o artigo 74, parágrafo 5º, da Lei nº 9.430/1996: "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação". (grifos nossos) Portanto, em compensações declaradas, o termo inicial da contagem do prazo qüinqüenal da homologação tácita é a data de transmissão ou apresentação da declaração de compensação e não a data de ocorrência de referência do saldo credor de IPI. A decisão recorrida rejeitou essa alegação da Recorrente, expondo o que segue: "O Despacho Decisório fora proferido em 12/07/2013 e a respectiva ciência ocorreu em 16/07/2013. O primeiro PER/DCOMP com compensação declarada (nº 27026.85487.310708.1.3.017339) fora transmitido em 31/07/2008. Por conseguinte, o novel ato decisório veio a lume antes do transcurso do prazo qüinqüenal de homologação tácita (decadência). Somente o PER/DCOMP nº 15923.91877.300908.1.3.010199, com transmissão em 30/09/2008, teve homologação parcial em virtude da glosa de créditos, conforme o demonstrativo de compensação às fls. 1.402/1.405". (grifos nossos) Assim, a Receita Federal teria até o dia 30/09/2013 para cientificar a Recorrente da não homologação das declarações de compensação em referência, o que, de fato, ocorreu, pois a Recorrente foi cientificada da última decisão no dia 16/07/2012, não havendo que se falar em reconhecimento homologação tácita das compensações declaradas. Direito de crédito de IPI decorrente da aquisição de insumos isentos de fornecedores localizados na Zona Franca de Manaus A questão que se coloca nesses autos é se, à luz do ordenamento jurídico vigente, a Recorrente faz jus ao direito de crédito de IPI decorrente de operações de aquisição de insumos oriundos da Zona Franca de Manaus. Impende esclarecer que não há qualquer questionamento quanto à isenção fruída pelos fornecedores da Recorrente, tendo a Fiscalização se voltado apenas contra o direito de crédito de IPI escriturado pela Recorrente. Também, apesar de a Recorrente mencionar, em seu Recurso Voluntário, o artigo 237 do Regulamento do IPI, em nenhum momento a Recorrente afirma, muito menos, apresenta notas fiscais e outros documentos comprobatórios, no sentido de que as aquisições se deram com amparo no artigo 6º, parágrafo 1º, do Decreto Lei nº 1.435/1975, dispositivo que prevê o direito de crédito em operações específicas. Desse modo, a discussão se cinge à análise do direito de crédito em aquisições de insumos isentos da Zona Franca de Manaus, considerando a isenção na saída do fornecedor como válida e diferente da isenção prevista no artigo 6º, do DecretoLei nº 1.435/1975. A Constituição da República prevê, em seu artigo 153, parágrafo 3, inciso II, que o IPI será "será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores" (grifos nossos). Já com relação ao Imposto sobre Fl. 1920DF CARF MF Processo nº 10860.904339/201171 Acórdão n.º 3401003.879 S3C4T1 Fl. 1.916 11 Circulação de Mercadorias e sobre prestações de Serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação ("ICMS"), a não cumulatividade encontra assento constitucional no artigo 155, parágrafo 2º, inciso I, da Constituição da República, que determina que o ICMS "será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal" (grifos nossos). Porém, em relação ao ICMS, de forma diversa do que ocorre com o IPI, há uma ressalva expressa ao direito de crédito em relação à isenção, pois, de acordo com o artigo 155, parágrafo 2º, inciso II, da Constituição da República, "II a isenção ou nãoincidência, salvo determinação em contrário da legislação: a) não implicará crédito para compensação com o montante devido nas operações ou prestações seguintes; b) acarretará a anulação do crédito relativo às operações anteriores". Essa ressalva vem de antes da Constituição de 1988, mais precisamente, decorre da Emenda Constitucional nº 23/1983, conhecida como "Emenda Passos Porto", e alterou unicamente a disciplina de créditos e débitos do ICMS, para transformar o que era regra direito de crédito nas aquisições isentas em exceção, mantendo incólume a disciplina de créditos e débitos referente ao IPI. Nas palavras do Ministro Marco Aurélio: "Deuse a transformação da regra em exceção, como disse: a isenção ou a não incidência implicará crédito e estou modificando a ordem das expressões "não implicará" é a regra "crédito de imposto para abatimento daquele incidente nas operações seguintes, salvo determinação em contrário da legislação". O crédito, portanto, tãosomente no tocante ao ICM, só poderia decorrer de disposição legal. Houve modificação, em si, quanto ao IPI? Não. O IPI continuou com o mesmo tratamento que conduziu esta Corte a assentar uma jurisprudência tranquilíssima no sentido do direito ao crédito. Não houve mudança. A Emenda Constitucional nº 23 apenas alterou o preceito da Carta então em vigor que regulava o ICM"5. Como se verifica, existia uma jurisprudência firme, no sentido de que a aquisição de insumo isento gerava direito de crédito de IPI, com fundamento direto no princípio constitucional da nãocumulatividade do IPI, previsto no artigo 153, parágrafo 3º inciso II, da Constituição da República, considerando ainda que o legislador constituinte quando pretendeu ressalvar esse direito em relação à isenção, o teria feito de forma expressa, como se deu em relação ao ICMS. Entretanto, no ano de 2007, houve uma guinada no entendimento do Supremo Tribunal Federal ("STF"), por ocasião dos Recursos Extraordinários nº 353.657/PR e nº 370.682/SC, passando o STF a não reconhecer o direito de crédito de IPI não somente nas aquisições isentas, mas também nas aquisições sujeitas à alíquota zero e não tributadas, conforme ementas de julgados a seguir: "IPI INSUMO ALÍQUOTA ZERO AUSÊNCIA DE DIREITO AO CREDITAMENTO. Conforme disposto no inciso II do § 3º do artigo 153 da Constituição Federal, observase o princípio da nãocumulatividade 5 RE 212.4842. Data de Julgamento: 05/03/98. Fl. 1921DF CARF MF 12 compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores, ante o que não se pode cogitar de direito a crédito quando o insumo entra na indústria considerada a alíquota zero. (...) (RE 353.657, Rel. Min. Marco Aurélio, Tribunal Pleno, DJe 7.3.2008) ***** "Recurso extraordinário. Tributário. 2. IPI. Crédito Presumido. Insumos sujeitos à alíquota zero ou não tributados. Inexistência. 3. Os princípios da nãocumulatividade e da seletividade não ensejam direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero. 4. Recurso extraordinário provido". (RE 370682, Rel. Min. Ilmar Galvão, Relator(a) p/ Acórdão: Min. Gilmar Mendes, Tribunal Pleno, DJe 19.12.2007) Essa jurisprudência foi reafirmada no ano de 2015, em processo de relatoria do Ministro Gilmar Mendes, em que foi reconhecida a repercussão geral do tema, em decisão que possui a ementa a seguir: "Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Tributário. Aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero. 3. Creditamento de IPI. Impossibilidade. 4. Os princípios da não cumulatividade e da seletividade, previstos no art. 153, § 3º, I e II, da Constituição Federal, não asseguram direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero. Precedentes. 5. Recurso não provido. Reafirmação de jurisprudência". (RE 398365 RG, Relator: Min. Gilmar Mendes, julgado em 27/08/2015) Com base nesse entendimento do STF, a Fazenda Nacional defende a impossibilidade de os contribuintes escriturarem crédito de IPI em decorrência de aquisições isentas de insumos provenientes da Zona Franca de Manaus. Segundo a Fazenda, tal como decidido pelo STF, o princípio constitucional da não cumulatividade não albergaria o direito de crédito em aquisições isentas, sendo necessário para o surgimento do direito de crédito que a operação anterior esteja sujeita ao efetivo pagamento do IPI. Portanto, a ausência de direito de crédito nas aquisições isentas da Zona Franca de Manaus teria como fundamento o artigo 153, parágrafo 3, inciso II, da Constituição da República. Além disso, os defensores dessa corrente, muitas vezes, apontam o artigo 150, parágrafo 6ª, da Constituição da República6, como um fundamento adicional para não se reconhecer o direito de crédito em tais situações, pois esse dispositivo constitucional exigiria lei específica para a concessão do direito de crédito. No CARF, o entendimento quanto à matéria também vacilou, ao longo dos anos, seguindo as oscilações ocorridas no âmbito do Poder Judiciário. No ano passado, a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais teve a oportunidade de apreciar novamente a matéria, firmando o entendimento, por maioria de votos, favorável à tese da Fazenda Nacional, em decisão que possui a seguinte ementa: Ementa: 6 Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) § 6º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g. Fl. 1922DF CARF MF Processo nº 10860.904339/201171 Acórdão n.º 3401003.879 S3C4T1 Fl. 1.917 13 "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 IPI. CRÉDITOS DE PRODUTOS ISENTOS. AMAZÔNIA OCIDENTAL. ZFM. IMPOSSIBILIDADE. Em regra, é inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos isentos, não tributados ou sujeitos a alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. A apropriação de crédito ficto ou presumido de IPI depende de autorização de lei específica a teor do que dispõe o § 6º do art. 150 da CF, o que não acontece no caso dos produtos adquiridos da ZFM e da Amazônia Ocidental, uma vez que não satisfizeram as condições estabelecidas no art. 82, inc. III do RIPI/2002". (Acórdão nº 9303004.205; Sessão de 09/08/2016; Relatora: Vanessa Marini Cecconello; Redator Designado: Andrada Márcio Canuto) Trecho do Voto Vencedor: "Como a sistemática da nãocumulatividade não dá direito à apropriação de crédito de IPI em entradas de insumos não tributados por tal imposto, este creditamento só poderá ser admitido quando autorizado por lei específica, pois a Constituição Federal proíbe expressamente a concessão de crédito presumido ou ficto, sem lei que autorize, conforme dispõe o §6º do art. 150 da CF, situação que se harmoniza com a opção do constituinte pelo sistema de crédito para efetivação do princípio da nãocumulatividade. (...) Desta forma, para que haja o direito ao crédito de IPI na aquisição de insumos desonerados, a título de crédito presumido, fazse necessário lei específica nesse sentido. Por esta razão que, o Regulamento de IPI de 2002, em seu art. 175, estabeleceu o benefício de creditamento ficto de IPI, como se devido fosse, nas aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, de fornecedores situados na Zona Franca de Manaus, apenas quando da ocorrência de isenção prevista no inciso III do art. 82 do RIPI/2002". Contudo, a situação jurídica da Zona Franca de Manaus é peculiar, de modo que não se pode olhar para as aquisições de insumos isentos daquela região do país e de seus efeitos, no que dizem respeito à tributação do IPI, da mesmo forma que se olha para as demais aquisições isentas de insumos. Tanto é assim que o Ministro Marco Aurélio deixou claro, no julgamento dos Embargos de Declaração no Recurso Extraordinário nº 566.819 que naquele recurso não se estava em jogo situação jurídica regida "por legislação especial acerca da Zona Franca de Manaus", a indicar que, não se poderia aplicar diretamente, sem um detido exame de todos os nuances envolvidos, a tese firmada pelo STF quanto à generalidade dos casos de aquisições isentas às aquisições isentas da Zona Franca de Manaus. Como bem observado em seu Voto, nos debates ocorridos em sessão de julgamento, após o Ministro Marco Aurélio fazer essa ressalva, também a Ministra Cármen Lúcia admitiu, dizendo "o caso da Zona Franca, por exemplo, que aí é outra coisa". Fl. 1923DF CARF MF 14 Aliás, os precedentes do STF que firmaram a tese pela ausência de direito à crédito de IPI nas aquisições de insumos isentos não tinham como origem fornecedores localizados na Zona Franca de Manaus. Portanto, é inegável a particularidade existente quanto ao regime jurídico das aquisições de insumos isentos daquela região, para efeito de direito de crédito de IPI, o que decorre da realidade histórica, geográfica, econômica e social da Região Norte do país, que desde a Constituição de 1946 (artigo 199) merece atenção especial dos Poderes Legislativo e Executivo, com vistas ao seu desenvolvimento, proteção e integração ao território nacional. Em 1953, foi editada a Lei nº 1.806/1953, que dispôs sobre o Plano de Valorização Econômica da Amazônia, criou a superintendência da sua execução e deu outras providências. Após, veio a Lei nº 3.173/1957, que cria uma zona franca na cidade de Manaus. Em seguida, a Lei nº 5.173/1966, que tratou do Plano de Valorização Econômica da Amazônia, extinguiu a Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia (SPVEA) e criou a Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM). Finalmente, foi editado o DecretoLei nº 288/1967, que regula a Zona Franca de Manaus e, em seu artigo 9º, confere a isenção de IPI da qual se discute a possibilidade de gerar direito de crédito para o adquirente, nos seguintes termos: "Art. 9° Estão isentas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) todas as mercadorias produzidas na Zona Franca de Manaus, quer se destinem ao seu consumo interno, quer à comercialização em qualquer ponto do Território Nacional". Essa isenção, e aqui começa a distinção que é necessária ser feita, não é uma isenção de natureza fiscal, portanto, não é regida diretamente pelo artigo 176 e seguintes do Código Tributário Nacional. É uma isenção de natureza extrafiscal que tem como fundamento de validade o artigo 43, parágrafo 2º, inciso III, da Constituição da República, in verbis: "Art. 43. Para efeitos administrativos, a União poderá articular sua ação em um mesmo complexo geoeconômico e social, visando a seu desenvolvimento e à redução das desigualdades regionais. § 1º Lei complementar disporá sobre: I as condições para integração de regiões em desenvolvimento; II a composição dos organismos regionais que executarão, na forma da lei, os planos regionais, integrantes dos planos nacionais de desenvolvimento econômico e social, aprovados juntamente com estes. § 2º Os incentivos regionais compreenderão, além de outros, na forma da lei: (...) III isenções, reduções ou diferimento temporário de tributos federais devidos por pessoas físicas ou jurídicas". (grifos nossos) Na realidade, tratase de uma isenção de incentivo regional que tem matriz na própria Constituição, não se sujeitando, portanto, ao requisito de estar prevista em lei específica, tal como determina o artigo 150, parágrafo 6º, da Constituição da República. É da Fl. 1924DF CARF MF Processo nº 10860.904339/201171 Acórdão n.º 3401003.879 S3C4T1 Fl. 1.918 15 própria Constituição que essa isenção emana, com o objetivo de efetivar os objetivos fundamentais da República, listados no artigo 3º, da Constituição7. Além disso, o regime jurídico aplicável à Zona Franca de Manaus foi expressamente recepcionado pela Constituição de 1988, que no artigo 40 do ADCT afirma: "Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Parágrafo único. Somente por lei federal podem ser modificados os critérios que disciplinaram ou venham a disciplinar a aprovação dos projetos na Zona Franca de Manaus". E, depois, as Emendas Constitucionais de nº 42/2003 e 83/2014, incluíram os artigos 92 e 92A, para ampliar o prazo previsto no artigo 40 do ADCT, primeiro, por mais 10 (dez) anos, e depois, por mais 50 (cinquenta) anos, o que resulta na manutenção da Zona Franca até o ano de 2073. Sobre esse ponto, a Ministra Carmen Lúcia já teve a oportunidade de afirmar: "Para preservar o projeto desenvolvimentista concebido sob a vigência da ordem de 1967 para a região setentrional do país, o poder constituinte originário tornou expressa a manutenção, por tempo determinado, da disciplina jurídica existente, afirmando a finalidade de apoio ou fomento para a criação de um centro industrial, comercial e agropecuário na região da Zona Franca de Manaus. O quadro normativo préconstitucional de incentivo fiscal à Zona Franca de Manaus foi alçada à estatura constitucional pelo art. 40 do ADCT, adquirindo, por força dessa regra transitória, natureza de imunidade tributária". (ADI nº 310; julgada em 19/02/2014) Portanto, a isenção e demais benefícios fiscais da Zona Franca de Manaus possuem estatura constitucional, com fundamento de validade nos artigos 43, parágrafo 2º, III, da Constituição da República e artigos 40, 92 e 92A, do ADCT. Agora, com relação à isenção de IPI, a sua particularidade reside justamente na necessidade de estar acompanhada do direito de crédito do adquirente para que tenha efetividade, devendose, portanto, fazer a distinção e afastar a aplicação da jurisprudência que se firmou para a generalidade dos casos. Como mencionado, o objetivo da isenção é extrafiscal, no sentido de estimular a instalação de um pólo industrial na região, ocupála para garantir a segurança nacional e a proteção da Floresta Amazônica e de toda a sua biodiversidade, gerar desenvolvimento econômico e social na região, diminuir a pobreza e fazer a integração dessa região com o restante do país. Porém, nesse caso, se a isenção não andar junta, de mãos dadas, com o direito de crédito, perdese o benefício almejado. A única forma da isenção ser efetiva é acompanhada do direito de crédito. 7 Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: I construir uma sociedade livre, justa e solidária; II garantir o desenvolvimento nacional; III erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; IV promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. Fl. 1925DF CARF MF 16 Para ilustrar, peço vênia para tomar emprestado o exemplo singelo, porém, interessante, levantado pelo Ministro Luís Roberto Barroso, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 592.891, que será novamente mencionado adiante. A situação hipotética colocada é a seguinte: uma indústria em São Paulo, capital, tem a opção de comprar ordinariamente um determinado insumo que custa sem o IPI $100. De um fornecedor localizado em Santo André, SP, incide IPI no valor de $20, o que resulta em um custo total de R$120, com a possibilidade de crédito de $20. Portanto, um custo efetivo de $100. Já o fornecedor localizado na Zona Franca de Manaus está beneficiado pela isenção, portanto, $0 (zero) a título de IPI. Admitindose que a isenção não gera direito de crédito ao adquirente, os dois fornecedores ofertariam o insumo a um mesmo custo à indústria de São Paulo, capital, pelo valor de $100, sendo a única vantagem de se comprar na Zona Franca de Manaus um diferimento no desembolso do IPI. Enquanto ao se comprar do fornecedor de Santo André, SP, a indústria deverá desembolsar o IPI de forma imediata, na compra de fornecedor da Zona Franca de Manaus, a indústria só teria que fazer o desembolso na operação seguinte. A pergunta que deve ser feita é se esse mero diferimento seria incentivo suficiente para que se adquira insumos na Zona Franca de Manaus ou para que determinada empresa se instale na Zona Franca e tenha condições de oferecer com competitividade seus produtos no mercado. A resposta é não. Nesse cenário, as empresas localizadas na Zona Franca de Manaus perdem, por completo, qualquer atratividade, levando em consideração que elas já largam em desvantagem e nunca conseguiriam ter o mesmo preço sem IPI de uma empresa localizada, por exemplo, em Santo André, SP, em razão de custos de logística, como frete e seguros no transporte. Enquanto a distância entre Manaus e São Paulo, capital, gira em torno de 4.000km, a depender do trajeto, a distância entre Santo André e São Paulo, capital, é de 20km. Mas não é só. A distância do mercado consumidor é apenas uma entre as diversas dificuldades enfrentadas por aqueles que empreendem naquela região, existindo inúmeros desafios a serem enfrentados na instalação e desenvolvimento de um projeto industrial naquela parte do país, como dificuldades para obtenção de mãodeobra especializada, de fornecedores de bens e serviços etc. Por todas essas dificuldades e tendo em vista os objetivos fundamentais da República, arrolados no artigo 3º, da Constituição, é que um plano de desenvolvimento para a região foi concebido, vem sendo pensado, aprimorado e implementado por todas essas décadas. Portanto, a isenção sem que venha acompanhada do direito de crédito, perde se, por completo, e o direito de crédito existe justamente para, em conjunto com outros incentivos, anular esse custo de logística e tentar colocar as empresas lá localizadas em grau de competitividade com empresas localizadas em outros lugares do país. Não por outro motivo, o Ministro Marco Aurélio, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 212.4842, afirmou: “não podemos confundir isenção com diferimento, nem agasalhar uma óptica que importe reconhecerse a possibilidade de o Estado dar com uma das mãos e retirar com a outra”. Nessa linha de entendimento, oportuno citar o alentado voto do Juiz Federal Roberto Jeuken, no julgamento da Apelação em Mandado de Segurança nº 1999.61.00.014490 0, pela 3ª Turma do Tribunal Regional da 3ª Região: “De fato, as isenções de produtos oriundos das chamadas zonas livre de comércio, qualificamse como um incentivo regional assegurado diretamente Fl. 1926DF CARF MF Processo nº 10860.904339/201171 Acórdão n.º 3401003.879 S3C4T1 Fl. 1.919 17 no corpo da lei maior, conforme se depreende da análise do art. 43 e § 2º, não obstante a necessidade da lei instituidora, inclusive porque a opção poderá se dar em face dos outros benefícios assegurados no mesmo preceptivo, esmaecendose, portanto as objeções que pudessem ser opostas em face do art. 150, § 6° da mesma, na redação conferida pela EC. 03, de 17.03.93. Não se cuida portanto de desoneração emergida da vontade discricionária do legislador ordinário, com fundamento direto nas raias do art. 176 do CTN, onde a previsão do art. 150 § 6º opera seus efeitos e sim de outorga derivada daquele assento constitucional, desde a promulgação do vigente ordenamento, revestindose assim de igual estatura e de maior antigüidade em relação a exigência contida neste outro cânone magno.(...) Portanto, poderá ser afirmado que a migração destas isenções para o âmbito da lei maior, confere as mesmas, relevo superior ao já desfrutado no âmbito do parágrafo único do artigo 176 do CTN, onde dotada de características especiais, frente as demais normas isentivas, fundadas no seu caput.. Tal peculiaridade coloca estas desonerações de caráter regional, por força daquele preceito, no mesmo patamar constitucional da incumulatividade, em ordem a que a desconsideração dos créditos dela advindos, substanciaria a prática de dar com uma mão e tirar com a outra (voto do Ministro Marco Aurélio no RE 212.484), não admitida no Excelso Pretório. (...) Contudo, naqueles casos onde a outorga deita lastro no art. 43 da lei maior, a atuação legislativa processase no patamar da própria Constituição, e em sede privativa da União, a qual tem dentre suas elevadas funções, a de promover a unidade nacional através do desenvolvimento regional. Portanto, neste contexto, o direito ao crédito emerge das próprias finalidades que estão subjacentes a este especial atuar, proporcionando a efetividade do benefício. De sorte que, no caso, o direito ao crédito é o discrímen que qualifica a utilização destes créditos e não aquele direito fundado tão somente na primeira parte do inciso II do art. 153, §3º (será nãocumulativo) então erigido ao patamar de um princípio absoluto, intocável e balizador da compensação que efetivarseá ao em olvido a técnica indicada na mesma sede e no mesmo dispositivo, porém considerada como de uma categoria, mera regra de aplicação de um princípio maior, a ser ajustada consoante farto entendimento doutrinário pátrio, para contemplar crédito de imposto e não imposto pago. Portanto, no caso daquelas isenções concedidas as empresas situadas na Zona Franca de Manaus, a exemplo do que também ocorreria nas chamadas Zonas Livres de Comércio, é preciso ter presente que a desoneração tem objetivos de desenvolvimento regional, colaborando de molde a baratear a aquisição dos insumos, e a obtenção de preço final mais competitivo, nos produtos resultantes do processo de industrialização, na medida em que o adquirente não precisa pagar o valor do imposto. Fl. 1927DF CARF MF 18 De fato, se as empresas, adquirindo o produto intermediário a preços mais vantajosos, não pudessem creditarse do montante que seria devido à título de IPI, que se erigia no diferencial que motivara a aquisição de empresa situada em local distante, se tomado em conta as regiões sul e sudeste, por certo ela acabaria mudando de fornecedor, tendo em vista outras indústrias do mesmo ramo, situadas na mesma região, barateando o transporte. Portanto, a finalidade buscada com a isenção, barateamento do custo de produção, restaria frustrado e aquelas empresas lá situadas, que fizeram elevados investimentos para iniciar a produção em locais que no muito das vezes, além de distantes, são inóspitos e não possuem mão de obra qualificada, não iriam adiante”. (grifos nossos) Verificase, por conseguinte, que a isenção deve estar acompanhada do direito de crédito, sob pena de se tornar inócua, não atingindo as finalidades para as quais foi instituída, tornando letra morta todo o regime jurídico cuidadosamente editado com esse objetivo e os dispositivos constitucionais que o recepcionaram e lhe deram vida longa até 2076. Além disso, nesse caso, a não aceitação do direito de crédito implica a transformação da figura da isenção e uma figura de mero diferimento que, muito embora seja uma espécie de benefício fiscal, não foi aquele escolhido pelo legislador para o atingimento do fim por ele pretendido. Observem que o legislador possui, nos termos do artigo 43, parágrafo 2º, inciso III, da Constituição da República, três instrumentos para atingir o desenvolvimento e reduzir as desigualdades regionais: a isenção, a redução de tributos e o diferimento de tributos. Ao ter escolhido a isenção, que é o maior incentivo possível e adequado ao atingimento dos fins almejados, não se pode interpretar a sua aplicação, de um modo que a torne ineficaz, esvaziada, com a mesma força de um benefício de diferimento que é uma mera alteração no prazo de pagamento do tributo ou na data de ocorrência do fato gerador , justamente o menor incentivo, a arma de menor calibre, dentre os que poderia o legislador se utilizar. E o único modo de a isenção ser plena, na sistemática própria do IPI, é que venha acompanhada do respectivo direito de crédito. Portanto, ante o exposto, podese concluir que: (i) a isenção do artigo 9º DecretoLei nº 288/1967 se qualifica como uma isenção para incentivo regional e tem fundamento direto no artigo 43, parágrafo 2º, inciso III, da Constituição da República, sendo recepcionada na ordem constitucional vigente, conforme artigos 40, 92 e 92A, do ADCT; (ii) não tem como fundamento legal, dessa forma, no artigo 176 e seguintes do CTN, não se sujeitando, assim, ao disposto no artigo 150, parágrafo 6º, da Constituição da República; (iii) nesse caso, a outorga de isenção para incentivo regional só é eficaz e produzirá os efeitos pretendidos, atingindo os fins para os quais foi concebida, se acompanhada do direito de crédito, que não tem como fundamento o princípio da não cumulatividade previsto no artigo 153, parágrafo 3º, inciso II, da Constituição da República, mas encontra fundamento de validade de igual estatura, qual seja, o no artigo 43, parágrafo 2º, inciso III, da Constituição da República, considerandose ainda a especial posição que ocupa a Zona Franca de Manaus e seu regimento jurídico no ordenamento jurídico pátrio. Por fim, cabe ressaltar que esse entendimento está em linha com as manifestações do Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.819, no qual a Ministra Relatora Rosa Weber já proferiu seu voto, reconhecendo o direito de crédito nas aquisições de insumos isentos provenientes da Zona Franca de Manaus, sendo seguida pelos Ministros Edson Fachin e Luís Roberto Barroso. Fl. 1928DF CARF MF Processo nº 10860.904339/201171 Acórdão n.º 3401003.879 S3C4T1 Fl. 1.920 19 Todavia, o julgamento foi interrompido com um pedido de vistas do Ministro Teori Zavascki, que expôs que seu entendimento até o início do julgamento era pelo não reconhecimento do direito de crédito, mas que, diante dos debates, havia pensado ser mais prudente pedir vistas para aprofundar seus estudos sobre a matéria. A grande preocupação que o Ministro Teori Zavascki externou dizia respeito ao fundamento para amparar o direito de crédito, já que o direito de crédito no caso não possuía assento no princípio da não cumulatividade, artigo 153, parágrafo 3º, inciso II, da Constituição da República, sendo certo que o artigo 43, parágrafo 2º, inciso III, da Constituição da República, prevê apenas a isenção e não a isenção acompanhada pelo direito de crédito. Com relação a esse ponto, na linha do que já se expôs, acredito que o direito de crédito tenha fundamento no próprio artigo 43, parágrafo 2º, inciso III, da Constituição da República e artigo 9º, do DecretoLei nº 288/1967, pois essa isenção, para ser efetiva e atingir o seu objetivo de incentivo regional, deve obrigatoriamente estar acompanhada do direito de crédito. Por esse motivo, quando, anos mais tarde, o legislador tratou de projetos específicos para produção de “produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária” e outorgou a isenção na saída dos produtos da Zona Franca de Manaus, ele deixou claro que aquela isenção era acompanhada do direito de crédito (artigo 6, caput, e parágrafo 1º, do Decreto nº 1.435/1975), não havendo razões para se impor tratamento diferenciado para um e outro caso. Além disso, à época da edição da legislação que inseriu a isenção que está a se tratar, o entendimento era firme no sentido de que, ao determinar a isenção em uma operação, a operação seguinte fruiria direito de crédito de IPI, pois, como lembrado pelo Ministro Marco Aurélio no julgamento do RE nº 212.4842, até determinado momento, a "jurisprudência tranquilíssima no sentido do direito ao crédito". Assim, o emprego de uma interpretação histórica, levando em conta a intenção original do legislador e a norma que se extraía da legislação à época e que foi considerada por aqueles que se instalaram na região setentrional, também levaria a essa conclusão. Ademais, o direito de crédito guarda ainda fundamento nos artigos que alçaram o regime jurídico da Zona Franca de Manaus à estatura constitucional, artigos 40, 92 e 92A do ADCT, que indicam e garantem uma proteção e irredutibilidade de direitos que visem o desenvolvimento e proteção da Zona Franca de Manaus. Pelo exposto, entendo que o Recorrente tem direito de crédito de IPI sobre as aquisições de insumos isentas oriundas da Zona Franca de Manaus, motivo pelo qual o pedido de ressarcimento formulado merece ser deferido, homologandose as compensações correspondentes. Créditos por Devolução ou Retorno de produtos e sistema equivalente ao Registro de Entradas e Registro de Controle da Produção e do Estoque Nesse tópico, a Fiscalização reconhece que há direito de crédito relativo a produtos tributados recebidos em devolução, porém, "condicionado à comprovação inequívoca de que a mercadoria retornou entrou nos estoques do Contribuinte e, teve, posteriormente, saída tributada", na esteira do procedimento e requisitos previstos no artigo 167 e seguintes do Regulamento do IPI de 2002. Fl. 1929DF CARF MF 20 Porém, a Fiscalização glosou tais créditos, sob o entendimento de que a Recorrente não teria atendido a um dos requisitos desse procedimento, o previsto no artigo 169, inciso II, b, do Regulamento do IPI de 2002, abaixo transcrito: “Art. 169. O direito ao crédito do imposto ficará condicionado ao cumprimento das seguintes exigências ( Lei nº 4.502, de 1964, art. 27, § 4º): (...) II pelo estabelecimento que receber o produto em devolução: (...) b) escrituração das notas fiscais recebidas, nos livros Registro de Entradas e Registro de Controle da Produção e do Estoque ou em sistema equivalente nos termos do art. 388”; (grifos nossos) De acordo com a Fiscalização, a Recorrente não disporia de sistema alternativo ao Registro de Entradas e Registro de Controle da Produção e do Estoque que fosse adequado e hábil ao controle de mercadorias, tal como determina o artigo 388 do Regulamento do IPI, in verbis: “Art. 388. O estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, e o comercial atacadista, que possuir controle quantitativo de produtos que permita perfeita apuração do estoque permanente, poderá optar pela utilização desse controle, em substituição ao livro Registro de Controle da Produção e do Estoque, observado o seguinte: I o estabelecimento fica obrigado a apresentar, quando solicitado, aos Fiscos Federal e Estadual, o controle substitutivo; II para a obtenção de dados destinados ao preenchimento do documento de prestação de informações, o estabelecimento industrial, ou a ele equiparado, poderá adaptar, aos seus modelos, colunas para indicação do valor do produto e do imposto, tanto na entrada quanto na saída; e III o formulário adotado fica dispensado de prévia autenticação”. (grifos nossos) Isso porque o sistema de controle da Recorrente adotava o inglês e não o português como língua. Ressaltese que esse foi o único motivo apontado pela Fiscalização para não aceitar o sistema adotado pela Recorrente e, por consequência, glosar os créditos escriturados, como se verifica do trecho do Termo de Verificação Fiscal, já transcrito linhas acima, no relatório deste Acórdão. Por sua vez, o acórdão recorrido manteve o lançamento nessa parte, pelos seguintes fundamentos: “Logo, o direito ao creditamento em questão não decorre imediatamente do registro isolado, no Livro de Registro de Entradas, do retorno dos produtos ao estabelecimento industrial. E, quanto ao documento em língua inglesa denominado “Stock History”, mesmo quando afastados os óbices normativos e a perplexidade diante da manutenção e exibição à Administração Tributária Brasileira, pelo contribuinte, de registros que não se encontram grafados em vernáculo, verificase que o referido documento não exibe, induvidosamente, os mesmos elementos do livro a que pretende substituir e nem representa um controle quantitativo de produtos que permita a perfeita apuração do estoque permanente e de seu fluxo, o mesmo se dando em relação às folhas avulsas (“fichas”) cujos exemplares acompanham a impugnação, as quais não são Fl. 1930DF CARF MF Processo nº 10860.904339/201171 Acórdão n.º 3401003.879 S3C4T1 Fl. 1.921 21 impressas com os mesmos elementos do livro substituído, não são numeradas tipograficamente e muito menos exibem autenticação do Fisco Estadual ou da Junta Comercial (...), não podendo ser reputadas, à evidência, como “sistema de controle” do fluxo de envio e retorno de mercadorias”. Diante dos termos da decisão recorrida, a Recorrente pede que seja reconhecida a sua nulidade, pois ao apreciar a matéria, mantém o lançamento apresentando motivos adicionais e estranhos ao que teria sido apontado no Auto de Infração. Além disso, a Recorrente defende que possuiria sistema permanente de controle de estoques alternativo ao Registro de Controle da Produção e Estoque apto a demonstrar de forma quantitativa a movimentação de estoques. Para tanto, acosta aos autos documento intitulado “Termo de Constatação” elaborado por firma de auditoria independente que atesta que examinou minuciosamente o sistema utilizado pela Recorrente no período de janeiro de 2006 a dezembro de 2009 e que tal sistema “possibilita a apuração quantitativa permanente do estoque e de seu fluxo, bem como possibilitam o rastreamento e controle quantitativo das suas saídas (vendas e/ou revenda de mercadoria e devoluções de venda de mercadoria”. Além disso, aduz a Recorrente que as informações em “língua inglesa” são mínimas e não são fundamentais para a compreensão das informações apresentadas, tendo em vista que o objeto de análise consiste na correlação entre números, datas e códigos de identificação de cada produto. Quanto ao pedido de nulidade, há que se concordar com a Recorrente quando alega que a decisão recorrida acaba mantendo a autuação por outros fundamentos que não os expostos para fundamentar o lançamento. Se acusação do lançamento é que o controle alternativo utilizado pela Recorrente é imprestável, pois o sistema de controle quantitativo de produtos adota como idioma o inglês, deve a autoridade julgadora decidir nos limites da acusação, a partir da qual a lide foi instaurada. Desse modo, não pode a autoridade julgadora manter o lançamento, sob o argumento de que aceita o idioma inglês no controle alternativo, porém, o sistema ainda assim é imprestável, não atende ao artigo 388 do Regulamento do IPI, pois os registros nele feitos não têm como observar os requisitos previstos para o Registro de Controle da Produção e do Estoque que pretende substituir, em violação ao disposto nos artigos 383 a 386, do Regulamento do IPI. Tal julgamento levaria a uma alteração no critério jurídico do lançamento, vedada pelo artigo 146, do CTN. Entretanto, o pedido deve ser rejeitado, tendo em vista que, diferente do que alega a Recorrente, a decisão recorrida não tangencia a apreciação quanto à possibilidade de utilização de idioma estrangeiro no sistema de controle alternativo, mas, a meu ver, afasta essa hipótese, apesar de dar mais ênfase na manutenção do lançamento a fundamentos inovadores e adicionais ao que foi apresentado na autuação. Com relação à utilização de língua estrangeira em sistemas do contribuinte que devem atender também aos propósitos de fiscalização da Receita Federal, o CARF já decidiu que "a forma de apresentação dos registros e arquivos em meio magnético a que estão obrigadas as pessoas jurídicas por força do disposto no artigo 11 da Lei 8.218/91 é aquela definida no ADE COFIS nº 15/2001, que, como se viu, não faz qualquer referência à língua em que as mercadorias devem ser descritas", em acórdão que possui a seguinte ementa: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Fl. 1931DF CARF MF 22 Exercício: 2005 ARQUIVOS DIGITAIS. DADOS EM IDIOMA ESTRANGEIRO. CONTEÚDO DAS INFORMAÇÕES PRESTADAS. INFRAÇÃO QUANTO À FORMA. INOCORRÊNCIA. Os arquivos digitais e sistemas das pessoas jurídicas que utilizam sistema de processamento eletrônico de dados devem observar, quanto à forma, as disposições contidas no ADE COFIS nº 15/2001. O fato de as informações estarem em língua estrangeira não constitui infração pelo não atendimento da forma de apresentação dos registros e respectivos arquivos. Recurso de Ofício Negado" (Acórdão nº 3102001.641; 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária; Sessão de 23/10/2012; Relator: Conselheiro Ricardo Paulo Rosa Relator; decisão unânime) No caso específico do sistema de controle alternativo aqui discutido, o CARF também já teve a oportunidade de examinar a sua adequação às normas de regência, em processo da própria Recorrente que tratava de pedido de ressarcimento de IPI do período de apuração relativo ao quarto trimestre de 2006, quando, conforme “Termo de Constatação” acostado pela Recorrente, o sistema adotado era o mesmo que o adotado no período do lançamento ora em julgamento. Na sessão de julgamento do dia 14/10/2014, a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara afastou a glosa de créditos em razão de o sistema utilizar a língua inglesa, pelas seguintes razões, expostas no voto do Conselheiro Relator Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto: “A recorrente apresenta inúmeros elementos, com telas do sistema e descrições do funcionamento do mesmo, que demonstram que o seu sistema de controle estaria apto para comprovar o seu direito creditório. A fiscalização, contudo, não aceitou o sistema pois o mesmo utilizaria o idioma inglês, o que o tornaria inábil para este fim. Neste ponto, verificando os documentos trazidos aos autos, constatase que o sistema foi desenvolvido na língua inglesa. Não se trata, contudo, de um documento complexo, redigido em uma língua obscura, mas sim de um software que, assim como tantos outros, utiliza o idioma inglês. Verificase ainda que as informações dos documentos fiscais são apresentadas conforme constam nestes documentos, e que por meio dele é possível a apuração do estoque permanente, o que permite a análise da veracidade dos créditos pleiteados. Desta forma, constatado que a recorrente possui sistema de controle quantitativo de produtos que permite a apuração do seu estoque permanente, não se mostra correta a glosa de seus créditos referentes a estornos de saídas em razão de retorno à produção própria e revendas referentes aos CFOPs 1.201/2.201/2/1.202/2.202/1.949/2.949, devendo a autoridade fiscal verificar a regularidade dos créditos pleiteados pela recorrente por meio da análise dos dados contidos no sistema por ela utilizado”. (grifos nossos) (Acórdão nº 3201001.767; decisão unânime) Fl. 1932DF CARF MF Processo nº 10860.904339/201171 Acórdão n.º 3401003.879 S3C4T1 Fl. 1.922 23 Ao se examinar as telas do sistema juntadas pela Recorrente em seu Recurso Voluntário, verificase que são pertinentes as conclusões a que chegou a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, no Acórdão nº 3201001.767: não se trata de um documento complexo, mas sim de um software que possui sua versão na língua inglesa. Além disso, pela própria natureza do sistema de controle alternativo de estoque de que trata do artigo 388 do Regulamento do IPI de 2002, as informações mais importantes a serem lidas e examinadas pelo auditor fiscal são relativas a números (código da TIPI, alíquota do imposto, quantidade etc) ou palavras cujo idioma é indiferente (identificação do produto, especificação da unidade como quilograma, litro, etc), sendo certo que as palavras em língua estrangeira devem aparecer intitulando quadros e colunas, de forma repetitiva, o que, em princípio, não se traduz em dificuldade de compreensão e de fiscalizar os dados nela contidos. Nesse sentido, impende destacar que a Fiscalização em nenhum momento apresenta uma dificuldade concreta na leitura do sistema da Recorrente, fazendo uma acusação genérica de impossibilidade de aceitação do sistema, por utilizar a língua inglesa, deixando, portanto, de apontar, de forma direta de que modo a língua inglesa impede a "perfeita apuração do estoque permanente". Ante o exposto, considerando que a glosa do direito de crédito tem como fundamento exclusivo a adoção da língua inglesa e que não restou demonstrado pela Fiscalização que tal particularidade impede que o sistema “permita perfeita apuração do estoque permanente”, proponho ao Colegiado superar esse óbice e determinar que a autoridade fiscal verifique a regularidade dos créditos pleiteados pela Recorrente pelo exame dos dados contidos no sistema da Recorrente. Conclusão Pelo exposto, proponho ao Colegiado conhecer e dar provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer a preliminar de nulidade do segundo despacho decisório exarado e, no mérito, para superar os motivos da glosa dos créditos e determinar que a autoridade fiscal verifique a regularidade dos créditos pleiteados pela Recorrente, quantificandoos e homologandose as compensações correspondentes. Augusto Fiel Jorge d' Oliveira Relator Fl. 1933DF CARF MF 24 Voto Vencedor Conselheiro Robson José Bayerl, Redator designado A designação para redigir o voto vencedor abarca a possibilidade de revisão do despacho decisório de homologação de compensação, dentro do prazo qüinqüenal estabelecido no art. 74 da Lei nº 9.430/96, e o direito ao crédito presumido (ficto) de IPI pelas aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem da Zona Franca de Manaus ZFM. Concernente à possibilidade de revisão de despacho decisório homologatório de compensação, apesar de concordar com boa parte das premissas adotados pelo i. Relator, divirjo, principalmente, quanto à conclusão apresentada e passo a justificar o posicionamento. Indubitável que o despacho decisório em comento classificase como espécie do gênero ato administrativo, cuja natureza é de ato vinculado, como se extrai do art. 3º do Código Tributário Nacional. Qualificandose como ato administrativo vinculado, afastase a possibilidade de revisão por razões de conveniência e/ou oportunidade, típicos dos atos discricionários, de maneira que o desfazimento do ato eivado de vício configura anulação, ou, nas palavras de José dos Santos Carvalho Filho8, “invalidação”, termo que, a meu ver, melhor se amolda à situação. Como aduzido no voto vencido, a Administração Pública pode rever seus atos quando inquinados de vício de legalidade, ex vi do art. 53 da Lei nº 9.784/99, também pacífico na jurisprudência pátria, consoante Súmula STF nº 473. Da mesma forma, entende José dos Santos Carvalho Filho que esses defeitos são verificáveis nos elementos do ato administrativo – competência, finalidade, forma, motivo e objeto. No caso vertente, a falha constatada residiria no fato que, tratandose de despacho decisório eletrônico, resultado de verificações automáticas realizadas nos sistemas da RFB, a partir do cruzamento de informações prestadas pelo próprio contribuinte, sem qualquer intervenção humana, verificouse, após sua prolação, em procedimento fiscal, a improcedência de determinados direitos de crédito lançados na escrita fiscal do sujeito passivo e indicados nas declarações enviadas. A inserção de dados inconsistentes culminou com a prolação de um despacho decisório claramente insubsistente. O vício de legalidade está no elemento “motivo”, em virtude de uma razão equivocada para sua prolação, consubstanciada na homologação de uma compensação cujo direito creditório, em procedimento fiscal, mostrouse indevido. Ou seja, qualificase como um erro de fato e que, nessa condição, sem maiores debates, admite sua revisão, como demonstrado no precedente judicial citado pelo próprio voto vencido. 8 Manual de direito administrativo. 19ª edição, revista, ampliada e atualizada. Ed. Lumen Juris: Rio de Janeiro, 2008. Págs. 140/149 Fl. 1934DF CARF MF Processo nº 10860.904339/201171 Acórdão n.º 3401003.879 S3C4T1 Fl. 1.923 25 A medida encontraria amparo, ainda, analogicamente, aos casos de revisão de ofício do lançamento catalogados no Código Tributário Nacional, quando comprovado erro na prestação de informações constantes de declarações obrigatórios – art. 149, IV e VIII. A declaração de invalidade do ato administrativo defeituoso é dever da Administração Pública, encontrando seu limite no decurso do prazo, a teor do art. 54 da Lei nº 9.784/99. No caso dos autos, o prazo para homologação da compensação, coincidentemente também de 05 (cinco) anos, consoante art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96, foi plenamente observado. O ato administrativo ilegal, ainda que formalmente acabado, dentro do prazo revisional, deve ser anulado, não gerando qualquer efeito jurídico, como assentado na predita Súmula STF nº 473: “A Administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogálos, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial” (destacado) Por essa razão, o fato da homologação da compensação extinguir o crédito tributário não é circunstância especialíssima que impeça a revisão do despacho decisório inválido, isso porque dos atos administrativos nulos não se originam quaisquer direitos em favor do administrado. Em face de todo o exposto, obedecidos os requisitos revisionais, não vislumbro qualquer falha ou vedação no ato de anulação no despacho decisório defeituoso, como se verifica nesses autos. Na seqüência, passo ao exame do direito de crédito de IPI pelas aquisições isentas de matériasprimas, materiais intermediários e de embalagem da Zona Franca de Manaus – ZFM. Nesse diapasão, temse que a não cumulatividade do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI vem fixada no art. 153, § 3º, II da CF/88, como princípio vetor do tributo, nos seguintes termos: “Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: I importação de produtos estrangeiros; II exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados; III renda e proventos de qualquer natureza; IV produtos industrializados; V operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários; VI propriedade territorial rural; VII grandes fortunas, nos termos de lei complementar. Fl. 1935DF CARF MF 26 § 1º É facultado ao Poder Executivo, atendidas as condições e os limites estabelecidos em lei, alterar as alíquotas dos impostos enumerados nos incisos I, II, IV e V. (...) § 3º O imposto previsto no inciso IV: I será seletivo, em função da essencialidade do produto; II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; III não incidirá sobre produtos industrializados destinados ao exterior. IV terá reduzido seu impacto sobre a aquisição de bens de capital pelo contribuinte do imposto, na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003)” (destaquei) Como se observa do preceptivo em destaque, a apuração não cumulativa do IPI, que ora interessa, se dá pelo abatimento do valor cobrado nas aquisições e o valor devido pela saída do produto tributado, de modo que é pressuposto inarredável para o direito ao creditamento, na etapa seguinte do ciclo produtivo, que tenha havido cobrança de imposto na etapa imediatamente anterior e não a mera incidência tributária. Neste sentido a redação do art. 49 do Código Tributário Nacional: “Art. 49. O imposto é nãocumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Parágrafo único. O saldo verificado, em determinado período, em favor do contribuinte transferese para o período ou períodos seguintes.” A própria norma legal impositiva do imposto em comento, Lei nº 4.502/64, de maneira transversa, sinaliza nessa direção, quando determina que seja estornado o crédito do imposto relativo aos insumos empregados na fabricação de produtos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, nestes termos: “Art. 25. A importância a recolher será o montante do imposto relativo aos produtos saídos do estabelecimento, em cada mês, diminuído do montante do imposto relativo aos produtos nele entrados, no mesmo período, obedecidas as especificações e normas que o regulamento estabelecer. (Redação dada pelo DecretoLei nº 1.136, de 1970) § 1º O direito de dedução só é aplicável aos casos em que os produtos entrados se destinem à comercialização, industrialização ou acondicionamento e desde que os mesmos produtos ou os que resultarem do processo industrial sejam tributados na saída do estabelecimento. (Redação dada pelo DecretoLei nº 1.136, de 1970) § 2º (Revogado pelo DecretoLei nº 2.433, de 1988) Fl. 1936DF CARF MF Processo nº 10860.904339/201171 Acórdão n.º 3401003.879 S3C4T1 Fl. 1.924 27 § 3º. O Regulamento disporá sobre a anulação do crédito ou o restabelecimento do débito correspondente ao imposto deduzido, nos casos em que os produtos adquiridos saiam do estabelecimento com isenção do tributo ou os resultantes da industrialização estejam sujeitos à alíquota zero, não estejam tributados ou gozem de isenção, ainda que esta seja decorrente de uma operação no mercado interno equiparada a exportação, ressalvados os casos expressamente contemplados em lei. (Redação dada pela Lei nº 7.798, de 1989)” Com efeito, se se deveria estornar o crédito efetivo pela aquisição tributada de matériaprima, produto intermediário e material embalagem aplicados na industrialização de produtos que não sofriam a incidência do tributo, lato senso, com mais razão ainda na hipótese em que a própria aquisição do insumo já ocorresse de forma desonerada do imposto, raciocínio não prejudicado pelo advento do art. 11 da Lei nº 9.779/99. Como se observa dos textos legais, é condição sine qua non para aproveitamento dos créditos de IPI, pela sistemática de apuração não cumulativa, a efetiva cobrança do imposto na aquisição, aqui entendida na acepção de exigir, fazer com que seja pago, e não simplesmente que incida a norma tributária, de modo que a isenção, a não tributação ou a sujeição à alíquota zero, não garantem direito de crédito pela sistemática não cumulativa de apuração do IPI. Essa é a orientação contemporânea do Supremo Tribunal Federal, fixada no RE 398.365/RS, e também no CARF, como exposto no voto vencido, a partir da análise histórica da jurisprudência pátria acerca do tema. Abro um parêntese apenas para dissentir da afirmação que era firme a jurisprudência do STF, desde a promulgação da CF/88, no sentido de admitir o crédito presumido pelas aquisições isentas de IPI, ante a inexistência de vedação constitucional semelhante àquela prevista para o ICMS (art. 155, § 2º, II, “a”), ao passo que esse entendimento somente se sedimentou com a decisão prolatada no RE 212.484/RS, em 05/03/98. Tocante à apropriação do crédito presumido de IPI pelas aquisições de insumos, isentas, provenientes da ZFM, especificamente, a questão está afetada à sistemática da repercussão geral no RE 592.891/SP, porém, pendente de decisão de mérito. Portanto, inexiste qualquer precedente judicial, com força vinculante, que submeta este tribunal administrativo a conferir o direito de crédito em debate, a teor do art. 62 do RICARF/15 (Portaria MF 343/2015) e 26A do Decreto nº 70.235/72. Respeitante ao exame históricoeconômico da criação da ZFM engendrado pelo i. Relator, como fundamento para o reconhecimento do direito de crédito, entendo que as razões ali arroladas não são suficientes para garantir o pretendido creditamento, uma vez que não há, na legislação de regência daquela área, qualquer dispositivo que estipule o direito vindicado. Consoante art. 150, § 6º da CF/88, qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só pode ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias taxativamente enumeradas ou o Fl. 1937DF CARF MF 28 correspondente tributo ou contribuição, de sorte que o reconhecimento do crédito ficto pelas aquisições de insumos isentas da ZFM, a meu sentir, viola o texto constitucional. Mesmo a alegação de pretensa extrafiscalidade da isenção sub examine não se apresenta como fundamento ao deferimento do crédito, isto porque a envergadura constitucional da ZFM, como elemento catalisador do desenvolvimento econômico e social da região amazônica, não arrima essa conclusão, porquanto os incentivos fiscais criados pelo DL 288/67 e legislação correlata, como instrumentos para alcance daquele objetivo, não elencam esse crédito presumido (ou ficto, como preferem alguns) dentre eles. Com efeito, quando assim o quis, o legislador textualmente implementou crédito dessa natureza, como ocorreu no art. 6º, § 1º do DecretoLei nº 1.435/75, verbis: “Art 6º Ficam isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos localizados na área definida pelo § 4º do art. 1º do Decretolei nº 291, de 28 de fevereiro de 1967. § 1º Os produtos a que se refere o ‘caput’ deste artigo gerarão crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados, calculado como se devido fosse, sempre que empregados como matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem, na industrialização, em qualquer ponto do território nacional, de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do referido imposto. § 2º Os incentivos fiscais previstos neste artigo aplicamse, exclusivamente, aos produtos elaborados por estabelecimentos industriais cujos projetos tenham sido aprovados pela SUFRAMA.” Outrossim, não se pode olvidar que os benefícios fiscais da ZFM não se limitam à isenção do IPI pelas saídas de produtos industrializados para outros ponto do território nacional, mas se estendem à isenção pelas aquisições de insumos, por parte de empresas localizadas na ZFM, de qualquer parte do território nacional ou mesmo do exterior, com garantia de isenção, também, do Imposto de Importação respectivo. Essas medidas necessariamente redundam em desoneração tributária de toda a cadeia produtiva, com claros ganhos de produtividade para empresas instaladas na área de abrangência da ZFM, daí porque a análise de cunho econômico não pode ser, com o devido respeito, simplista, como no exemplo proposto pelo voto vencido, sem considerar todas as demais variáveis. Outrossim, aspectos de natureza econômica, ao menos em sede contenciosa administrativa, não servem de sustentáculo à concessão do crédito postulado. Mesmo porque, se enveredarmos por essa trilha, algumas situações reais constatadas causariam espécie e obnubilariam o pretenso direito creditório arguido, como se verifica, p.e., nesse mesmo processo, relativo a pedido de ressarcimento, onde a apropriação de créditos pelas aquisições isentas da ZFM resultou em elevação do saldo credor apurado e requerido, de maneira que a União foi instada a devolver, sob forma de ressarcimento, valores que nunca adentraram os cofres públicos. Ou seja, pretendese o ressarcimento ou devolução do que nunca foi pago, por força da isenção, o que, a meu sentir, carece de lógica jurídica. Fl. 1938DF CARF MF Processo nº 10860.904339/201171 Acórdão n.º 3401003.879 S3C4T1 Fl. 1.925 29 Demais disso, os ganhos decorrentes desses incentivos regionais poderiam ser qualificados também como financeiros, pela ótica da ausência de desembolso por parte dos adquirentes, acarretada pela desoneração, dos tributos incidentes diretamente sobre as aquisições. Por esse ângulo, perde força o argumento de necessidade de reconhecimento do direito de crédito como forma de não equiparálo a mero diferimento, como anotado no voto vencido, isso porque, a análise conjuntural exige a avaliação de todas as variantes econômicas, aí incluída a integralidade dos incentivos da ZFM, e não apenas a isenção do IPI pelas saídas de produtos industrializados, isoladamente. Não se pode perder de vista, ainda, que o princípio da seletividade interfere nessa equação, ao estabelecer alíquotas distintas para os produtos, em função da sua essencialidade, ao invés de uma alíquota linear ou única, o que resulta na possibilidade de, em certa etapa do ciclo produtivo, posterior àquela beneficiada com isenção, que incida uma alíquota menor que as etapas anteriores ou até mesmo uma alíquota zero, profligando qualquer possibilidade de se verificar diferimento do tributo. Noutro giro, reconhecer o crédito presumido/ficto pelas aquisições isentas de matériaprima, produto intermediário e embalagens da ZFM equivale, por via oblíqua, a investir o julgador administrativo em legislador ordinário, ao passo que, como enfadonhamente repetido, não existe qualquer dispositivo que, explícita ou implicitamente, confira o direito de crédito ora altercado, seja pela leitura do art. 43, § 2º da CF/88, seja pelos arts. 40, 92 e 92A do ADCT. Por esse motivo, compartilho a mesma perspectiva do saudoso Min. Teori Albino Zavascki, citado pelo i. Relator, segundo o qual, mesmo tomando o art. 43, § 2º da CF/88 como lastro constitucional para as vantagens fiscais atribuídas à ZFM, de modo a pretensamente afastar o art. 153, § 3º e sua regulação ordinária do princípio da não cumulatividade, o seu texto prevê tãosomente que os incentivos regionais compreenderão, dentre outros, isenções, reduções ou diferimento de tributos, nada mencionando sobre créditos presumidos ou fictos. Notese que a própria dicção do sobredito artigo, consubstanciado na expressão “dentre outros”, conduziria à possibilidade de criação do indigitado direito de crédito, ao estabelecer que os incentivos regionais não se limitam àqueles catalogados, todavia é mister do legislador ordinário a sua implementação, não do julgador administrativo. Em apertada síntese: a apropriação de créditos pelas aquisições isentas de insumos da Zona Franca de Manaus carece de respaldo legal, devendo ser mantida a glosa realizada pelas autoridades fiscais. Com essas considerações, voto por negar provimento à impossibilidade de anulação do despacho decisório eletrônico e ao direito de creditamento de IPI por aquisições isentas, mesmo que originárias da Zona Franca de Manaus – ZFM. Robson José Bayerl Fl. 1939DF CARF MF 30 Fl. 1940DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.905782/2012-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
COFINS. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL.
Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF.
Numero da decisão: 3401-003.941
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, acolhendo a informação prestada em diligência.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2007 COFINS. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL. Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, acolhendo a informação prestada em diligência. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL. Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, acolhendo a informação prestada em diligência. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 57 82 /2 01 2- 70 Fl. 288DF CARF MF 2 Relatório Versa o presente sobre PER/DCOMP utilizando créditos de COFINS, no valor total de R$ 29.786,88. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação não foi homologada, visto que o pagamento foi localizado, mas integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Cientificada da decisão de piso, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, basicamente, que: (a) o crédito se refere a COFINSimportação de serviços recolhida indevidamente, e que a informação de que o valor foi utilizado integralmente para quitar débito da empresa se deve a ter sido originalmente informado em DCTF valor igual ao total do recolhimento; (b) que foi retificada a DCTF, após o despacho decisório, sendo que o valor não era devido por tratarse de remessa ao exterior em pagamento de licença de uso de marca, a título de royalties, não caracterizando contrapartida de serviços provenientes do exterior, conforme Solução de Consulta RFB no 263/2011; e (c) a DCTF retificadora não foi recepcionada pela RFB tendo em vista ter se esgotado o prazo de cinco anos para a apresentação. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob o fundamento de carência probatória a cargo do postulante, que não apresenta contrato que discrimine os royalties dos serviços técnicos e de assistência técnica, de forma individualizada, e de que a prazo para retificação de DCTF já havia se esgotado quando da apresentação de declaração retificadora pela empresa. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, afirmando que: (a) celebrou contrato exclusivamente referente a licenciamento para uso de marcas, não envolvendo a importação de quaisquer serviços conexos, e que em 52 despachos decisórios distintos, a autoridade administrativa não homologou as compensações, por simples cotejo com DCTF, e que a DRJ manteve a decisão sob os fundamentos de ausência de apresentação de contrato e de retificação extemporânea de DCTF; (b) há necessidade de reunião dos 52 processos conexos para julgamento conjunto; (c) deve o CARF receber de ofício a DCTF retificadora, em nome da verdade material; e (d) o crédito foi documentalmente comprovado, figurando no contrato celebrado, anexado aos autos, que o objeto é exclusivamente o licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos, aplicandose ao caso o entendimento externado na Solução de Divergência no 11, da COSIT, como tem entendido o CARF em casos materialmente e faticamente idênticos (Acórdão no 3801001.813). No CARF, o julgamento foi convertido em diligência por meio da Resolução no 3803000.493, para que a autoridade local da RFB informasse “...acerca dos valores devidos pela recorrente na data de transmissão da DComp, bem assim se o valor reconhecido a título de direito creditório (original ou atualizado) é o bastante para solver os débitos existentes nessa data, mediante o confrontamento de valores ou, informar acerca da diferença encontrada” (sic). Em resposta a fiscalização informa que o pagamento objeto do direito creditório não se encontra disponível, uma vez que utilizado para quitação de débito declarado em DCTF, e que, relativamente ao confronto de valores, restou demonstrado “... ser bastante o valor do pagamento pleiteado nestes autos para extinção do débito declarado pela Fl. 289DF CARF MF Processo nº 13603.905782/201270 Acórdão n.º 3401003.941 S3C4T1 Fl. 277 3 contribuinte por meio de compensação”, não havendo necessidade de se dar ciência ao contribuinte da informação. O processo foi a mim distribuído, mediante sorteio, em maio de 2017. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O cumprimento dos requisitos formais de admissibilidade já foi verificado na conversão em diligência, passandose, então, aqui, à análise de mérito. De fato, não se tem dúvidas de que, ao tempo da análise massiva, por sistema informatizado, das DCOMP apresentadas, os débitos declarados em DCTF correspondiam aos pagamentos efetuados, ainda que estes fossem eventualmente indevidos. Daí os despachos decisórios eletrônicos, limitados a cotejamento entre dados declarados em DCOMP e DCTF, e pagamentos efetuados com DARF, terem sido pelo indeferimento. No entanto, também não se tem dúvidas de que a empresa já entendia, na data de protocolo dos PER/DCOMP, serem indevidos os pagamentos efetuados, independente de ter ou não retificado as respectivas DCTF. Não há que se falar, assim, em decurso de prazo para repetir o indébito, visto que os PER/DCOMP foram transmitidos dentro do prazo regular para repetição. Após o indeferimento eletrônico da compensação é que a empresa esclarece que a DCTF foi preenchida erroneamente, tentando retificála (sem sucesso em função de trava temporal no sistema informatizado), e explica que o indébito decorre de serem os pagamentos referentes a COFINSserviços incabíveis pelo fato de se estar tratando, no caso, exclusivamente de licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos. No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Esse tratamento massivo é efetivo quando as informações prestadas nas declarações do contribuinte são consistentes. Se há uma declaração do contribuinte (v.g. DCTF) indicando determinado valor, e ele efetivamente recolheu tal valor, o sistema certamente indicará que o pagamento foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Houvesse o contribuinte retificado a DCTF anteriormente ao despacho decisório eletrônico, reduzindo o valor a recolher a título da contribuição, provavelmente não estaríamos diante de um contencioso gerado em tratamento massivo. A detecção da irregularidade na forma massiva, em processos como o presente, começa, assim, com a falha do contribuinte, ao não retificar a DCTF, corrigindo o valor a recolher, tornandoo diferente do (inferior ao) efetivamente pago. Esse erro (ausência de retificação da DCTF) provavelmente seria percebido se a análise inicial empreendida no despacho decisório fosse individualizada/manual (humana). Fl. 290DF CARF MF 4 Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, é na manifestação de inconformidade que o contribuinte é chamado a detalhar a origem de seu crédito, reunindo a documentação necessária a provar a sua liquidez e certeza. Enquanto na solicitação eletrônica de compensação bastava um preenchimento de formulário DCOMP (e o sistema informatizado checaria eventuais inconsistências), na manifestação de inconformidade é preciso fazer efetiva prova documental da liquidez e da certeza do crédito. E isso muitas vezes não é assimilado pelo sujeito passivo, que acaba utilizando a manifestação de inconformidade tãosomente para indicar porque entende ser o valor indevido, sem amparo documental justificativo (ou com amparo documental deficiente). O julgador de primeira instância também tem um papel especial diante de despachos decisórios eletrônicos, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado em DCTF com o pago, pois tem o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Nesse contexto, relevante passa a ser a questão probatória no julgamento da manifestação de inconformidade, pois incumbe ao postulante da compensação a prova da existência e da liquidez do crédito. Configurase, assim, uma das três situações a seguir: (a) efetuada a prova, cabível a compensação (mesmo diante da ausência de DCTF retificadora, como tem reiteradamente decidido este CARF); (b) não havendo na manifestação de inconformidade a apresentação de documentos que atestem um mínimo de liquidez e certeza no direito creditório, incabível acatarse o pleito; e, por fim, (c) havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála (destacandose que não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante). Em sede de recurso voluntário, igualmente estreito é o leque de opções. E agregase um limitador adicional: a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. No presente processo, o julgador de primeira instância não motiva o indeferimento somente na ausência de retificação da DCTF, mas também na ausência de prova do alegado, por não apresentação de contrato. Diante da ausência de amparo documental para a compensação pleiteada, chegase à situação descrita acima como “b”. Contudo, no julgamento inicial efetuado por este CARF, que resultou na baixa em diligência, concluiuse pela ocorrência da situação “c”, diante dos documentos apresentados em sede de recurso voluntário. Entendeu assim, este colegiado, naquele julgamento, que o comando do art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972 seria inaplicável ao caso, e que diante da verossimilhança em relação a alegações e documentos apresentados, a unidade local deveria se manifestar. E a informação da unidade local da RFB, em sede de diligência, atesta que os valores recolhidos são suficientes para saldar os débitos indicados em DCOMP, entendendo a fiscalização, inclusive que, diante do exposto, não haveria necessidade de se dar ciência ao contribuinte da informação, apesar de ainda estarem os pagamentos alocados à DCTF original. Resta pouco, assim, a discutir no presente processo, visto que o único obstáculo que remanesce é a ausência de retificação da DCTF, ainda que comprovado o direito Fl. 291DF CARF MF Processo nº 13603.905782/201270 Acórdão n.º 3401003.941 S3C4T1 Fl. 278 5 de crédito, como se atesta na conversão em diligência, mediante o respectivo contrato, acompanhado da invoice correspondente. Atribuir à retificação formal de DCTF importância superior à comprovação do efetivo direito de crédito é típico das máquinas, na análise massiva, mas não do julgador, humano, que deve ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Como atesta a Solução de Divergência COSIT no 11/2011: “Não haverá incidência da CofinsImportação sobre o valor pago a título de Royalties, se o contrato discriminar os valores dos Royalties, dos serviços técnicos e da assistência técnica de forma individualizada. Neste caso, a contribuição sobre a importação incidirá apenas sobre os valores dos serviços conexos contratados. Porém, se o contrato não for suficientemente claro para individualizar estes componentes, o valor total deverá ser considerado referente a serviços e sofrer a incidência da mencionada contribuição.” (grifo nosso) E a cópia do contrato de licença apresentada e analisada, e de seus adendos, atesta que o contrato se refere “exclusivamente a licenciamento de uso de marcas”, não tratando de serviços. Assim, é indevida a COFINS, não havendo qualquer manifestação em sentido contrário pela própria unidade diligenciante. Aliás, efetivamente apreciou turma especial do CARF assunto idêntico, no Acórdão no 3801001.813, de 23/04/2013, acordando unanimemente pela não incidência de COFINSserviços em caso de contrato de “knowhow” que não engloba prestação de serviços: “CONTRATO DE “KNOW HOW”. REMESSAS AO EXTERIOR RELATIVAS A ROYALTIES E DIREITOS PELO USO DE MARCAS E TRANSFERÊNCIA DE CONHECIMENTO E TECNOLOGIA. NÃO INCIDÊNCIA DA COFINS IMPORTAÇÃO. Uma vez discriminados os valores dos Royalties dos demais serviços, de forma individualizada, não incidirá a COFINSImportação.” Há ainda outros precedentes recentes e unânimes deste tribunal, no mesmo sentido, e com características adicionais em comum com o presente processo: “NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não é nulo o despacho decisório que se fundamenta no cotejo entre documentos apontados como origem do crédito (DARF) e nas declarações apresentadas que demonstram o direito creditório (DCTF). APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE. DEMONSTRAÇÃO DE INDÍCIO DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO. VERDADE MATERIAL. Indícios de provas apresentadas anteriormente à prolação do despacho decisório que denegou a homologação da compensação, consubstanciados na apresentação de DARF de pagamento e DCTF retificadora, ratificam os argumentos do contribuinte Fl. 292DF CARF MF 6 quanto ao seu direito creditório. Inexiste norma que condiciona a apresentação de declaração de compensação à prévia retificação de DCTF, bem como ausente comando legal impeditivo de sua retificação enquanto não decidida a homologação da declaração. ROYALTIES. REMUNERAÇÃO EXCLUSIVA PELO USO DE LICENÇA E TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. INEXISTÊNCIA DE SERVIÇOS CONEXOS. NÃO INCIDÊNCIA DE PIS/COFINSIMPORTAÇÃO. A disponibilização de "informações técnicas" e "assistência técnica", por intermédio de entrega de dados e outros documentos pela licenciadora estrangeira, para utilização na fabricação de produtos licenciados no País, não configura prestação de serviços conexos ao licenciamento para efeitos de incidência de Contribuições para o PIS/Pasepimportação e Cofinsimportação. À luz do contrato de licenciamento e dos efetivos pagamentos realizados ao exterior, não incidem as Contribuições para o PIS/Pasepimportação e Cofins importação, pois tais pagamentos, cujos cálculos baseiamse nas vendas líquidas de produtos licenciados, referemse, exclusivamente, à remuneração contratual pela transferência de tecnologia, com natureza jurídica de royalties. (grifo nosso) (Acórdãos no 3201002.404 a 420, Rel. Cons. Windereley Morais pereira, sessão de 28 set. 2016) Deve, então, ser acolhido o pleito da empresa, removido o derradeiro obstáculo indevido ao reconhecimento do direito creditício e à compensação. Resta, por fim, tecer comentários sobre o pleito da recorrente para análise conjunta dos 52 processos referentes a suas DCOMP, visto que este relator recebeu, em sorteio, apenas 44 dos referidos processos. Em nome da verdade material, efetuei consulta ao sistema eprocessos, sobre a situação dos oito processos restantes, verificando o que se resume na tabela abaixo: N. do processo Situação atual Observações 13603.905762/201207 CARF – “Distribuir/Sortear” (indevidamente) Julgamento convertido em diligência, nas mesmas circunstâncias do presente, mas ainda não enviado à unidade local, para diligência, tendo em vista necessidade de saneamento (erro na anexação do arquivo contendo a Resolução de conversão em diligência). 13603.905764/201298 Idem Idem 13603.905772/201234 Idem Idem 13603.905785/201211 Idem Idem 13603.905790/201216 Idem Idem Fl. 293DF CARF MF Processo nº 13603.905782/201270 Acórdão n.º 3401003.941 S3C4T1 Fl. 279 7 13603.905775/201278 CARF – SEDIS/GECAP – Verificar Processo Processo sequer apreciado pelo CARF ainda, nem para converter o julgamento em diligência. 13603.905793/201250 Idem Idem 13603.905794/201202 Idem Idem Assim, há efetivamente apenas 44 processos maduros para julgamento, visto que os 8 restantes, por falhas processuais (5 deles com juntada incorreta de arquivos e 3 com pendência de verificação de procedimentos pelo setor competente do CARF) acabaram não chegando à unidade local, para realização da diligência. E os 44 processos, prontos para julgamento, serão efetivamente julgados conjuntamente, nesta sessão. Pelo exposto, e acolhendo a informação prestada em sede de diligência, voto por dar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 294DF CARF MF
score : 1.0
