Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,988)
- Primeira Turma Ordinária (16,488)
- Primeira Turma Ordinária (16,445)
- Primeira Turma Ordinária (16,296)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,295)
- Segunda Turma Ordinária d (16,013)
- Segunda Turma Ordinária d (14,536)
- Primeira Turma Ordinária (13,108)
- Primeira Turma Ordinária (12,545)
- Segunda Turma Ordinária d (12,534)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,508)
- Quarta Câmara (85,777)
- Terceira Câmara (68,236)
- Segunda Câmara (57,099)
- Primeira Câmara (21,379)
- 3ª SEÇÃO (16,295)
- 2ª SEÇÃO (11,352)
- 1ª SEÇÃO (6,877)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,096)
- Segunda Seção de Julgamen (115,765)
- Primeira Seção de Julgame (77,654)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,120)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,458)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,581)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,272)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,108)
- HELCIO LAFETA REIS (3,896)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,936)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,840)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,683)
- WILDERSON BOTTO (2,674)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,662)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (19,340)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 13706.000005/2003-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 1999
COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Cabe ao contribuinte efetivamente comprovar, nos termos e prazos da legislação de regência, a liquidez e certeza dos créditos que pretende compensar. A ausência de comprovação afasta o direito creditório pleiteado.
COMPENSAÇÃO. OPÇÃO DO CONTRIBUINTE. INEXISTÊNCIA DE ERRO DE FATO.
A compensação de créditos é uma faculdade do contribuinte e o seu não exercício ao tempo da apresentação da DIPJ deve ser entendido como opção pela não compensação do prejuízo fiscal no ano-base, o que, a priori, não pode ser considerado como erro de fato.
Numero da decisão: 1201-001.106
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado e João Carlos de Lima Júnior, que davam provimento parcial para reconhecer os créditos oriundos de IRRF da prestação de serviços dos anos-calendário de 2000 e 2001 e os créditos de IRRF oriundos de aplicação financeira dos anos-calendário de 2000 e 2001, com exceção dos retidos pelo Sudameris e pela Privainvest.
(documento assinado digitalmente)
RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO Presidente
(documento assinado digitalmente)
ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araujo, Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201410
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 1999 COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Cabe ao contribuinte efetivamente comprovar, nos termos e prazos da legislação de regência, a liquidez e certeza dos créditos que pretende compensar. A ausência de comprovação afasta o direito creditório pleiteado. COMPENSAÇÃO. OPÇÃO DO CONTRIBUINTE. INEXISTÊNCIA DE ERRO DE FATO. A compensação de créditos é uma faculdade do contribuinte e o seu não exercício ao tempo da apresentação da DIPJ deve ser entendido como opção pela não compensação do prejuízo fiscal no ano-base, o que, a priori, não pode ser considerado como erro de fato.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 13706.000005/2003-98
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5443635
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1201-001.106
nome_arquivo_s : Decisao_13706000005200398.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
nome_arquivo_pdf_s : 13706000005200398_5443635.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado e João Carlos de Lima Júnior, que davam provimento parcial para reconhecer os créditos oriundos de IRRF da prestação de serviços dos anos-calendário de 2000 e 2001 e os créditos de IRRF oriundos de aplicação financeira dos anos-calendário de 2000 e 2001, com exceção dos retidos pelo Sudameris e pela Privainvest. (documento assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO Presidente (documento assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araujo, Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior e Luis Fabiano Alves Penteado.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
id : 5870027
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047705257771008
conteudo_txt : Metadados => date: 2015-02-18T17:21:23Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2015-02-18T17:21:23Z; Last-Modified: 2015-02-18T17:21:23Z; dcterms:modified: 2015-02-18T17:21:23Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:2f8629a8-917b-46f0-b5f3-189f3cf49005; Last-Save-Date: 2015-02-18T17:21:23Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2015-02-18T17:21:23Z; meta:save-date: 2015-02-18T17:21:23Z; pdf:encrypted: true; modified: 2015-02-18T17:21:23Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2015-02-18T17:21:23Z; created: 2015-02-18T17:21:23Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; Creation-Date: 2015-02-18T17:21:23Z; pdf:charsPerPage: 2220; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2015-02-18T17:21:23Z | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13706.000005/200398 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201001.106 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de outubro de 2014 Matéria Compensação Recorrente TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1999 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. A decadência do direito de constituir créditos não impede a atividade fiscalizadora da administração tributária, que poderá analisar fatos e declarações de períodos já decaídos, a fim de apurar a liquidez e certeza dos créditos pleiteados ao tempo das compensações declaradas. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 1999 COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Cabe ao contribuinte efetivamente comprovar, nos termos e prazos da legislação de regência, a liquidez e certeza dos créditos que pretende compensar. A ausência de comprovação afasta o direito creditório pleiteado. COMPENSAÇÃO. OPÇÃO DO CONTRIBUINTE. INEXISTÊNCIA DE ERRO DE FATO. A compensação de créditos é uma faculdade do contribuinte e o seu não exercício ao tempo da apresentação da DIPJ deve ser entendido como opção pela não compensação do prejuízo fiscal no anobase, o que, a priori, não pode ser considerado como erro de fato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado e João Carlos de Lima Júnior, que davam provimento parcial para reconhecer os créditos oriundos de IRRF da prestação de serviços dos anoscalendário de 2000 e 2001 e os créditos de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 00 05 /2 00 3- 98 Fl. 1952DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13706.000005/200398 Acórdão n.º 1201001.106 S1C2T1 Fl. 3 2 IRRF oriundos de aplicação financeira dos anoscalendário de 2000 e 2001, com exceção dos retidos pelo Sudameris e pela Privainvest. (documento assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO – Presidente (documento assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araujo, Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Tratase de Declarações de Compensação apresentadas pela interessada decorrentes de saldos negativos de IRPJ apurados nos anoscalendário de 1999 a 2001, cujos valores, respectivamente, seriam de R$ 375.304,78, R$ 8.616.657,55 e R$ 8.946.646,05. Diversos processos foram apensados ao presente, em razão de cuidarem do mesmo crédito pleiteado nos autos. A DERAT do Rio de Janeiro, ao cotejar as informações constantes na DIPJ apresentadas para os anoscalendário de 1999 a 2001 com as Declarações de Imposto de Renda Retida na Fonte – DIRF dos mesmos períodos, nas quais a interessada figurou como beneficiária de rendimentos, verificou as seguintes divergências: 1. Quanto ao anocalendário de 1999, apesar das informações da DCOMP de que haveria crédito a compensar, na linha 18 da Ficha 13A da respectiva DIPJ, fls. 48, consta que o saldo a pagar de IRPJ naquele ano foi igual a zero; 2. Quanto ao anocalendário de 2000, foram entregues duas DIPJ, sendo que na última Declaração entregue o valor do IRRF deduzido na apuração do saldo negativo do IRPJ, na Ficha 12A, fls. 51, é superior àquele que consta das DIRFs acima mencionadas, fls. 52/65; 3. Quanto ao anocalendário de 2001, foram entregues três DIPJ, sendo que na última Declaração o valor do IRRF deduzido na apuração do saldo negativo de IRPJ, Ficha 12A, fls. Fl. 1953DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13706.000005/200398 Acórdão n.º 1201001.106 S1C2T1 Fl. 4 3 68, também é muito superior àquele que consta das DIRFs acima mencionadas, fls. 69/83. Em razão disso e da ausência de quaisquer documentos capazes de comprovar os créditos, foram solicitadas diligências no Contribuinte. As conclusões apresentadas pela autoridade diligenciante foram consideradas insuficientes para a identificação dos saldos negativos e dos rendimentos auferidos pela interessada, o que permitiria constatar o efetivo valor de IRRF que poderia ser deduzido na apuração do IRPJ dos períodos, de forma que foi solicitada nova diligência, no intuito de que tais dúvidas fossem esclarecidas. A Delegacia de Fiscalização do Rio de Janeiro, em resposta à nova solicitação, informou o seguinte: a) que a interessada apresentou valores efetivamente mantidos em sua escrita contábil; b) que apresentou vasta documentação fiscal que justifica aqueles valores; c) que a interessada retificou intempestivamente as Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ relativas aos anoscalendário de 1999 e 2000, para alterar a apuração do saldo de IRPJ a compensar; d) que os valores de IRRF sobre aplicações financeiras, a despeito de não representarem os valores informados em DIRF, representam os lançamentos apurados em observância ao regime de competência, de acordo com os demonstrativos apresentados; e) que os valores de IRRF sobre as receitas de serviços, ao contrário do relativo a aplicações financeiras, são apropriados por regime de caixa, na medida do recebimento das receitas; e f) que os documentos apresentados pela interessada são os que constam dos quatro anexos a este processo, cujas páginas foram numeradas de 01 a 744, sendo que as páginas 742 e 743 representam o índice desses anexos. O Parecer Conclusivo n. 181/2007, de fls. 666, ao analisar os documentos apresentados e cotejálos com a legislação de regência, decidiu: 1. NÃO RECONHECER o Direito Creditório relativo aos saldos negativos de IRPJ e de CSLL do anocalendário de 1999; 2. RECONHECER parcialmente o Direito Creditório relativamente aos saldos negativos de IRPJ apurados ao final dos anoscalendário de 2000 e 2001, nos valores originais de, respectivamente, R$ 5.647.246,14 (Cinco milhões seiscentos e quarenta e sete mil duzentos e quarenta e seis reais e quatorze centavos) e R$ 7.500.949,35 (Sete milhões quinhentos mil Fl. 1954DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13706.000005/200398 Acórdão n.º 1201001.106 S1C2T1 Fl. 5 4 novecentos e quarenta e nove reais e trinta e cinco centavos), mais acréscimos legais cabíveis; 3. HOMOLOGAR as Declarações de Compensação até o limite do Crédito Reconhecido. Inconformada com a decisão, a interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 797/805), requerendo a homologação das compensações efetuadas com os créditos em discussão e alegou, em síntese, o seguinte. Relativamente ao anocalendário de 1999: a) que é inquestionável a confirmação da base de cálculo informada em sua DIPJ e das antecipações decorrentes do imposto de renda retido na fonte, os quais sequer foram contestados. b) que o posicionamento do Fisco de fazer prevalecer a DIPJ original eivada de erro sobre a DIPJ retificadora, que visava adequar as informações contidas na escrituração contábil e fiscal, apegase a critérios formais e atenta contra os princípios da legalidade, da verdade material, da boafé na instrução do procedimento fiscal e da proibição de enriquecimento ilícito do Estado. c) que não se trata de retificação extemporânea, pois já se tinha conhecimento do crédito, com base na Declaração de Compensação enviada dentro do prazo; prestouse a retificação a evitar divergências entre a DIPJ e as declarações de compensação; a declaração retificadora do anocalendário de 1999 não constitui o direito creditório, visando unicamente declarar, em conformidade com os créditos informados nas declarações de compensação, uma realidade préexistente, qual seja, a ocorrência de antecipações do imposto e contribuição social em valor superior ao devido, conforme apurado ao final daquele anocalendário. d) que o fisco deveria, de oficio, efetuar a retificação, nos termos estabelecidos no art. 147, § 2o do CTN, haja vista que possuía a DIPJ original do anocalendário de 1999, que apresentava divergências em relação às declarações de compensação. e) que, ainda que se entendesse que a DIPJ é que configuraria o pedido de compensação, mesmo assim, teria direito ao crédito postulado, já que a retificação da declaração deuse em 2006, em relação ao saldo negativo, de 1999; que o direito creditório nasceu com as antecipações havidas naquele ano, superiores ao imposto apurado ao final do exercício (foi apurado prejuízo fiscal, ou seja, base negativa do imposto, de modo que todas as antecipações convertemse em crédito a seu favor no final do ano); segundo consolidada jurisprudência do STJ, o exercício do direito creditório não estava alcançado pela caducidade quando da retificação da DIPJ; que o prazo para o exercício da compensação deve ter como termo inicial o momento da homologação tácita daqueles pagamentos, pois o STJ já se manifestou no sentido de que para fatos anteriores à entrada em Fl. 1955DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13706.000005/200398 Acórdão n.º 1201001.106 S1C2T1 Fl. 6 5 vigor da Lei Complementar n° 118/05, prevalece a tese dos cinco mais cinco. Relativamente aos anoscalendário de 2000 e 2001: Das disposições sobre o IR Fonte incidente sobre prestação de serviços. a) que inexiste obrigação de aproveitar o crédito de IRRF no momento da emissão da nota fiscal de prestação de serviços; que é facultado realizar o aproveitamento como dedução na apuração anual; que o art. 231, III, do RIR/1999 impossibilita apenas que o aproveitamento do IR Fonte se dê em relação às receitas não computadas na determinação do lucro real, o que não ocorreu. b) que, faturada a receita, não há a obrigação de aproveitamento imediato do IRRF correspondente, podendo este ser deduzido do IRPJ a pagar no momento do efetivo auferimento da receita. c) que faturou (emitiu notas fiscais); que, em seguida, computou a receita no anocalendário de emissão da correspondente nota fiscal e o destinou corretamente à tributação; que postergou o aproveitamento do IR Fonte em períodos subsequentes; que é faculdade exercitar o direito segundo sua conveniência, desde que não atingida pela decadência. Das disposições sobre o IR Fonte incidente sobre as aplicações financeiras. a) que a autoridade fiscal confirmou a existência de crédito, no anocalendário de 2000, em valor superior ao aproveitado em sua DIPJ, atingindo a monta de R$ 659.694,05 (R$ 5.115.247,80 R$ 4.455.553,75); que tais valores deverão ser utilizados para a compensação dos débitos relacionados nos presentes autos, devendo ser acrescidos, após atualização de juros Selic, ao saldo negativo do anocalendário de 2001. b) que tais valores superiores geraram crédito mais do que suficiente para cobrir os valores não acatados de IRRF incidente sobre aplicações financeiras para o anocalendário de 2001, no montante de R$ 434.724,98 (R$ 7.163.065 951 R$ 6.728.340,53); que restou demonstrado que as diferenças apontadas pelo Fisco quanto ao aproveitamento dos valores retidos na fonte sobre aplicações financeiras não causaram prejuízos ao erário. Em sessão de 13 de fevereiro de 2008, a 7a Turma da Delegacia de Julgamento do Rio de Janeiro indeferiu, por unanimidade, a manifestação de inconformidade. As ementas a seguir traduzem o teor da decisão proferida naquela instância: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999, 2000, 2001. Fl. 1956DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13706.000005/200398 Acórdão n.º 1201001.106 S1C2T1 Fl. 7 6 JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. A prova documental deverá ser apresentada na impugnação (manifestação de inconformidade), precluindo o direito do interessado em fazêlo em outro momento processual, a menos que o interessado demonstre, com fundamentos, a impossibilidade de apresentação por motivo de força maior; refirase a fato ou direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. DIREITO CREDITÓRIO. Incumbe ao interessado a demonstração, com documentação comprobatória, da existência do crédito, líquido e certo, que alega possuir junto à Fazenda Nacional (art. 170 do Código Tributário Nacional). SALDO ANUAL DE IRPJ. APURAÇÃO. DEDUÇÃO DO IRRF. FACULDADE. OPÇÃO. FORA DO PRAZO. NÃO RECONHECIMENTO. A dedução do imposto de renda retido na fonte, facultada pelo art. 2o, § 4o, inciso III, da Lei n° 9.430/1996 (art. 231, inciso III, do Regulamento do Imposto de Renda/1999), na apuração do saldo anual de IRPJ, deve ser exercida na DIPJ dentro do prazo legal, não devendo ser reconhecida a dedução de IRRF efetuada extemporaneamente. SALDO ANUAL DE IRPJ. APURAÇÃO. DEDUÇÃO DO IRRF SOBRE RECEITAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. RECEITAS COMPUTADAS NO LUCRO REAL (FATURADAS). Segundo dispõe o art. 2o, § 4o, inciso III, da Lei n° 9.430/1996 (art. 231, inciso III, do Regulamento do Imposto de Renda/1999), só podem ser deduzidos os IRRF's incidentes sobre receitas computadas (auferidas, faturadas) na determinação do lucro real (regime de competência), não existindo previsão legal para a dedução pelo regime de caixa (receitas recebidas). SALDO ANUAL DE IRPJ. DEDUÇÃO DO IRRF SOBRE RECEITAS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. INFORME DE RENDIMENTOS. RETENÇÃO. NÃO COMPROVADO. Não restando provada, por meio de documentação comprobatória (informe de rendimentos, DIRF etc.), a retenção do IRRF, descabe o reconhecimento do crédito pleiteado, por falta de liquidez e certeza. DIREITO CREDITÓRIO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. NÃO COMPROVADO. O interessado não comprovou os saldos negativos de IRPJ (créditos) apurados no final dos períodos. Assim, não restando documentalmente comprovada, pelo interessado, a liquidez e certeza dos créditos pleiteados, não deve ser reconhecido o direito creditório. Fl. 1957DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13706.000005/200398 Acórdão n.º 1201001.106 S1C2T1 Fl. 8 7 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LíQUIDO – CSLL Anocalendário: 1999 DIREITO CREDITÓRIO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. NÃO COMPROVADO. O interessado não comprovou o saldo negativo de CSLL (crédito) apurado no final do período. Assim, não restando documentalmente comprovada, pelo interessado, a liquidez e certeza do crédito pleiteado, não deve ser reconhecido o direito creditório. Com a ciência da decisão, a interessada interpôs Recurso Voluntário, no qual reproduz, basicamente, os argumentos de mérito aduzidos na manifestação de inconformidade e acrescenta preliminar pugnando pela decadência do direito da Fazenda de refazer a apuração do IRPJ dos anoscalendário de 1999 a 2001. Não foram acostados aos autos quaisquer documentos ou comprovantes quando da interposição do recurso. Os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida – Relator O recurso foi apresentado de forma tempestiva e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. Como a Recorrente aduziu, além das questões de mérito apreciadas na decisão recorrida, preliminar quanto aos procedimentos adotados pela fiscalização, faremos a análise tópica das alegações. 1. Preliminar de decadência Quanto à questão preliminar de decadência, entendo que não assiste razão à Recorrente. Isso porque pareceme incontroverso que a decadência atinge apenas o direito de o Fisco constituir créditos depois do transcurso do prazo de cinco anos previsto no Código Tributário Nacional, contados de acordo com a modalidade de lançamento típica de cada figura impositiva. Fl. 1958DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13706.000005/200398 Acórdão n.º 1201001.106 S1C2T1 Fl. 9 8 Nesse sentido, embora seja automático o entendimento de que, no presente caso, não havia mais a possibilidade de constituição de créditos tributários para os fatos jurídicos relativos aos anoscalendário de 1999 a 2001, também não resta dúvida de que a fiscalização possui o direito de apurar as origens dos valores pleiteados na compensação, no intuito de verificar sua procedência e a efetiva existência dos saldos negativos porventura disponíveis naqueles períodos. Assim, entendo que a decadência do direito de constituir créditos não impede a atividade fiscalizadora da administração tributária, que poderá analisar fatos e declarações de períodos já decaídos, a fim de apurar a liquidez e certeza dos créditos pleiteados ao tempo das compensações declaradas. Inexiste na legislação tributária comando impeditivo de tal procedimento, que deve ser levado a cabo sempre que remanesça dúvida quanto à origem dos créditos, até porque o princípio da verdade material, tão caro ao processo administrativo, certamente opera nos dois sentidos, tanto para demonstrar o direito dos contribuintes quanto para garantir ao Fisco o exercício de suas prerrogativas. Ademais, a própria argumentação sobre a decadência do direito do Fisco de apurar a existência e veracidade dos saldos negativos colide com a sua linha de defesa na questão de mérito, pois é certo que a Recorrente pugna, justamente, pela tempestividade das retificações de suas declarações, que foram realizadas em 2006, para corrigir supostos erros relativos ao anocalendário de 1999. Faltalhe, neste ponto, coerência argumentativa. Afasto, portanto, a preliminar de decadência aduzida pela Recorrente. 2. Quanto às questões de mérito No mérito, a discussão dos autos se resume à existência dos créditos pleiteados pela Recorrente, bem assim aos valores porventura compensáveis. Isso porque o Código Tributário Nacional determina, no artigo 170, que somente serão compensáveis os créditos líquidos e certos: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Temos, portanto, que é dever do contribuinte comprovar a existência de liquidez e certeza dos créditos pleiteados. Conforme demonstrado na decisão recorrida, o Contribuinte, quando dos trabalhos de diligência, apresentou valores inferiores àqueles declarados, de sorte que os registros contábeis demonstrariam, para cada exercício sob análise, as seguintes divergências: 1. Com relação ao anocalendário de 1999, créditos no valor global de R$ 304.469,68 (R$ 109.139,79 referentes ao IRRF Fl. 1959DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13706.000005/200398 Acórdão n.º 1201001.106 S1C2T1 Fl. 10 9 sobre prestação de serviços e R$ 195.329,89 referentes ao IRRF sobre aplicações financeiras), e não R$ 375.304,78; 2. Com relação ao anocalendário de 2000, créditos no valor global de R$ 6.709.224,91 (R$ 2.253.671,16 referentes ao IRRF sobre prestação de serviços e R$ 4.455.553,75 referentes ao IRRF sobre aplicações financeiras), e não R$ 8.616.657,55; 3 Com relação ao ano calendário de 2001, créditos no valor global de R$ 7.963.191 979 (R$ 800.126,28 referentes ao IRRF sobre prestação de serviços, e R$ 7.163.065,51 referentes ao IRRF sobre aplicações financeiras), e não R$ 8.946.646,05. Nesse sentido, a decisão recorrida partiu da premissa de que não devem ser considerados os valores a maior dos saldos negativos de IRPJ informados às fls. 08 do processo eletrônico. Quanto à possibilidade de dedução do imposto de renda retido na fonte do IRPJ a pagar, a autorização consta do artigo 2o, § 4o, inciso III, da Lei n. 9.430/1996, reproduzido no artigo 231, III do RIR/99: Art. 231. Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor (Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º, §4º): (...) III do imposto pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; Por força desse dispositivo, nos casos em que houve dedução do imposto de renda retido na fonte e, ao término do exercício, saldo negativo de IRPJ, este último poderá ser objeto de restituição ou compensação, nos termos do artigo 6o, § 2o, da Lei n. 9.430/96. Igual raciocínio se aplica para a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), em razão do artigo 28 do mesmo diploma legal. Pois bem, com base nas premissas legais apresentadas, cabenos analisar, à luz dos fatos e documentos trazidos aos autos, se a Recorrente efetivamente comprovou, nos termos e prazos da legislação de regência, a liquidez e certeza dos créditos que pretende compensar, circunstâncias que serão verificadas por período, conforme segue. 2.1. Anocalendário de 1999 – Saldo Negativo de IRPJ e Base Negativa de CSLL Com relação ao saldo negativo deste período, o argumento utilizado pela autoridade administrativa para o não reconhecimento do direito creditório foi a opção do contribuinte em não utilizar a faculdade conferida pelo artigo 2o, §4o, inciso III, da Lei n. 9.430/96. Nesse sentido, foi desconsiderada a DIPJ retificadora apresentada pela empresa, em 23 de novembro de 2006, com fundamento na Solução Interna n. 21/2005 da CoordenadoriaGeral de Tributação da Receita Federal – COSIT, entendimento que foi Fl. 1960DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13706.000005/200398 Acórdão n.º 1201001.106 S1C2T1 Fl. 11 10 corroborado na decisão recorrida, por força da vinculação obrigatória da DRJ ao entendimento expresso em atos normativos, decorrente do artigo 7o da Portaria MF n. 58/2006. Por seu turno, a Recorrente alega que o Fisco deveria fazer a compensação de ofício, pois a Receita Federal deveria cotejar as Declarações de Compensação apresentadas com a DIPJ de 1999, que possuía erros de preenchimento. Ante o fato de que só podem ser compensados créditos líquidos e certos, pareceme claro que o Fisco realmente não poderia aceitar as compensações com base em declarações da interessada apresentadas com erro. Isso nos leva à DIPJ retificadora apresentada em 2006, pela qual a interessada buscou, nas suas palavras, corrigir as diferenças em relação às Declarações de Compensação já entregues. A possibilidade de retificação da DIPJ está prevista no artigo 832 do Regulamento do Imposto de Renda, nos seguintes termos: Art. 832. A autoridade administrativa poderá autorizar a retificação da declaração de rendimentos, quando comprovado erro nela contido, desde que sem interrupção do pagamento do saldo do imposto e antes de iniciado o processo de lançamento de ofício (DecretoLei nº 1.967, de 1982, art. 21, e DecretoLei nº1.968, de 23 de novembro de 1982, art. 6º). Parágrafo único. A retificação prevista neste artigo será feita por processo sumário, mediante a apresentação de nova declaração de rendimentos, mantidos os mesmos prazos de vencimento do imposto. (grifamos) A redação é clara no sentido de admitir a correção nos casos de erro na declaração, o que não se configura no caso sob análise. Afinal, percebese que a compensação é uma faculdade do contribuinte e o seu não exercício ao tempo da apresentação da DIPJ deve ser entendido como opção pela não compensação do prejuízo fiscal no anobase, o que, a priori, não pode ser considerado como erro de fato. Igual raciocínio se aplica à CSLL. Este Conselho já se manifestou em tal sentido, como, por exemplo, no Acórdão nº 10513.190/2000, a seguir transcrito: RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO Incabível a retificação da declaração de rendimentos para modificar a compensação de prejuízo não exercida na época própria, pois o não exercício desta opção não se caracteriza como erro de fato. Existem, ainda, decisões da Receita Federal que, na esteira dos comandos normativos, reproduzem esse entendimento, como no caso da Solução de Consulta n. 66/2010, da 10a Região Fiscal: EMENTA: LUCRO REAL. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. RETIFICAÇÃO DE DIPJ. Inexiste a faculdade de o contribuinte compensar prejuízos fiscais retroativamente, quando não haja erro de fato cabalmente demonstrado, pois a opção de abater prejuízos fiscais é definitiva. Somente é admissível a retificação Fl. 1961DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13706.000005/200398 Acórdão n.º 1201001.106 S1C2T1 Fl. 12 11 da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) quando seja comprovado erro de preenchimento com documentos contábeis e fiscais capazes de demonstrar de forma inequívoca a sua ocorrência. Provimento judicial conferindo determinado direito temporário (e não previsto em lei) ao contribuinte de compensar a totalidade de seus prejuízos fiscais não pode ser equiparado a erro de fato. Portanto, parecenos incontroverso que, nos termos apresentados, a DIPJ retificadora, apresentada em 2006, não deve ser considerada. Contudo, poderseia ainda argumentar, em homenagem ao princípio da verdade material, que o contribuinte teria o direito, antes do prazo legal, de perceber seu equívoco e retificálo mediante nova declaração. Ocorre que essa possibilidade não se aplica ao caso em tela, visto que a interessada apresentou a retificadora depois de transcorrido o prazo fatal de cinco anos, circunstância que, no meu entender, fulmina sua pretensão. O raciocínio é simples: quando, ao apresentar suas declarações de compensação, a interessada deveria comprovar o direito líquido e certo aos montantes pleiteados. Todavia, sua DIPJ não indicava tais valores, de forma que as compensações realmente não poderiam ser homologadas. Assim, vencido o prazo de cinco anos sem qualquer retificação, nem o princípio da verdade material poderia mais socorrêla, posto que encerrada qualquer possibilidade de alteração dos valores declarados. Nem se há de falar em prazo para repetição de indébito (com a consequente aplicação da tese dos cinco mais cinco admitida pelo STJ), pois se trata de não exercício de uma faculdade pelo Contribuinte, e não de valores supostamente pagos a maior. Como a interessada teve o direito e a oportunidade de exercer a opção e não o fez, nem tampouco retificou sua declaração dentro do prazo de cinco anos, tornase definitiva sua declaração, com todos os efeitos daí decorrentes. Justamente em função disso a declaração retificadora consta como “retida” nos sistemas de controle da Receita Federal, visto que apresentada fora do prazo, como destacado pela decisão de 1a instância. Ademais, a análise dos autos também evidencia que a interessada sequer comprovou a liquidez e certeza dos créditos, circunstância que foi percebida pela decisão recorrida: Nos esclarecimentos prestados pelo interessado, em resposta à diligência da DEFIC/RJ, às fls. 163/168, este afirma, expressamente (fl. 164), que observou a ausência de diversos outros clientes que efetuaram pagamentos no mês de dezembro de 1999 e que não constam nas DIRFs correspondentes. São eles, Telecomunicações de Sergipe, Telecomunicações do Rio Grande do Norte, Telecomunicações de Alagoas, Telecomunicações do Piauí, Telecomunicações do Pará, Telecomunicações do Amapá, Telecomunicações do Amazonas, Telecomunicações de Roraima, Telecomunicações do Rio de Janeiro, totalizando R$ 10.778.734,12 o que resultaria no IRRF de R$ 161.681,01. Fl. 1962DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13706.000005/200398 Acórdão n.º 1201001.106 S1C2T1 Fl. 13 12 As DIRFs das "Teles" que constam nos autos, referentes ao ano calendário 1999 (fls. 6491652), não se referem às "Teles" mencionadas acima. Também não constam nos autos informes destas "Teles" sobre o montante de imposto de renda retido na fonte no anocalendário de 1999 sobre as receitas de serviços prestados pelo interessado. Ou seja, não está provada com documentação comprobatória a retenção dos IRRFs referentes a estas "Teles". Sendo assim, por falta de liquidez e certeza, descabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Outro exemplo: No Anexo I, à fl. 42, o interessado informa os impostos de renda retidos sobre as receitas de aplicação financeira efetuadas no Banco Real, no anocalendário de 1999 (maio a dezembro de 1999), no total de R$ 195.329,50. Todavia, os documentos juntados pelo interessado para sustentar (extratos consolidados fls. 43/47 no Anexo I) tais retenções são, tão somente, de abril e dezembro/ 1999, e não comprovam o montante informado. Portanto, ainda que se aceitasse, sob o prisma estritamente jurídico, a possibilidade de retificação posterior a cinco anos, as provas trazidas aos autos não são suficientes para demonstrar o direito pleiteado. No mesmo sentido, o interessado também não apresentou comprovantes que justificassem a base negativa de CSLL relativa a 1999, no valor de R$ 773,30. Como demonstrado pela autoridade administrativa, o interessado apenas realizou um pagamento a título de estimativas de CSLL no valor de R$ 11,06 (fl. 607), que, entretanto, não foi abatido no cálculo do saldo anual de CSLL (fls. 611), ou seja, também não foi exercida a opção tempestiva facultada pelos artigos 2o e 28 da Lei n. 9.430/96. Aquela autoridade verificou, ainda, que não constam das DIRFs apresentadas retenções a esse título por parte de órgãos públicos. Ante o exposto, entendo que não há reparos a fazer na decisão de 1a instância, que não reconheceu o direito creditório nem homologou as correspondentes compensações. 2.2. Anoscalendário de 2000 e 2001 – Saldo Negativo de IRPJ e Base Negativa de CSLL Para esses períodos houve reconhecimento parcial do direito creditório pleiteado pela interessada já no despacho decisório. A parte não reconhecida foi objeto de impugnação e apreciação pela decisão recorrida e os saldos negativos questionados decorrem de IRRF sobre receitas de prestação de serviços e receitas de aplicações financeiras. Conforme quadro elaborado pela Delegacia de Julgamento, os créditos não reconhecidos até aquela decisão eram: Fl. 1963DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13706.000005/200398 Acórdão n.º 1201001.106 S1C2T1 Fl. 14 13 IRRF sobre receitas de prestação de serviços IRRF sobre receitas de aplicação financeira Total do crédito não reconhecido – objeto de julgamento Anocalendário 2000 R$ 1.061.978,77 0,00 R$ 1.061.978,77 Anocalendário 2001 R$ 27.517,46 R$ 434.724,98 R$ 462.242,44 A Recorrente alega que não há obrigação de aproveitar o crédito de IRRF quando da emissão da nota fiscal de prestação de serviços e que o artigo 231, III, do Regulamento do Imposto sobre a Renda impediria, apenas, o aproveitamento do IRRF em relação às despesas não computadas no lucro real. Nesse contexto, afirma que faturou a receita, com a emissão das notas fiscais e computou a receita no anocalendário de emissão, postergando o aproveitamento para períodos subsequentes, direito que poderia ser exercido desde que não atingido pela decadência. Ocorre que a leitura do dispositivo legal nos indica, sem margem para dúvidas, que a dedução do IRRF diz respeito às receitas efetivamente computadas na apuração do lucro real, o que exige, por decorrência lógica, que a opção seja efetuada no próprio ano calendário, por força da expressão “para efeito do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado”, que obviamente indica o momento e a eficácia da opção. Diz o artigo 2o, § 4o, inciso III, da Lei n. 9.430/1996 (artigo 231, III, do RIR/99): Art. 231. Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor (Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º, §4º): (...) III do imposto pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; Somese ao comando acima o fato de que o regime de tributação das pessoas jurídicas submetidas ao lucro real deve seguir o princípio da competência e parecenos evidente que a sistemática adotada pela Recorrente, de optar pelo momento de seu efetivo recebimento (regime de caixa) não possui fundamento legal, razão pela qual a decisão recorrida não merece reparos. No que tange aos créditos relativos às aplicações financeiras, cujo montante sob discussão era de R$ 434.724,98, a Delegacia de Julgamento, ante o argumento trazido pela interessada de que os valores que poderiam ser aproveitados eram superiores ao debatido, pois corresponderiam a R$ 659.694,05, decidiu que não caberia, no âmbito da manifestação de inconformidade, a apreciação de novos valores, não declarados para compensação, conforme excerto a seguir transcrito: Fl. 1964DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13706.000005/200398 Acórdão n.º 1201001.106 S1C2T1 Fl. 15 14 A alegação do interessado de que deveria ser aproveitado o valor de IRRF superior ao declarado na DIPJ, na monta de R$ 659.694,05 (R$ 5.115.247,80 R$ 4.455.553,75), não tem fundamento legal. Cabe esclarecer que a decisão a quo que concedeu R$ 4.455.553,75 se amparou no valor pleiteado pelo interessado para o anocalendário de 2000. Os órgãos administrativos, no que tange ao reconhecimento de direito creditório, para fins de restituição/compensação de tributos, estão adstritos aos pedidos ou declarações hábeis do interessado, apresentados nos ternos da legislação vigente (art. 895 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999). Descabe pleitear novos valores na manifestação de inconformidade. Portanto, descabe o aproveitamento desta diferença de R$ 659.694,05. Do mesmo modo, ao contrário do que alega o interessado, esta diferença de R$ 659.694,05 também não deve ser acrescida ao saldo negativo do anocalendário de 2001, sendo irrelevante se tal diferença cobre os valores não acatados de IRRF incidente sobre aplicações financeiras para o anocalendário de 2001, no montante de R$ 434.724,98. Isto porque, como já foi relatado anteriormente, não há previsão legal para que se postergue o aproveitamento do IRRF para períodos subseqüentes, tendo em vista o disposto no § 4o, inciso III, do art. 2o da Lei n° 9.430/1996. Além do mais, como bem percebido pela autoridade administrativa a quo – Diort/Derat/DRF – Rio de Janeiro (RJ), os valores de IRRF informados pelo interessado como tendo sido retidos pela fonte pagadora Sudameris S/A e Privainvest Participações, no ano de 2001, não estão comprovados. Com relação ao Sudameris S/A, as retenções na fonte informadas pelo interessado (fl. 511 do Anexo III), não estão comprovadas pelos informes de rendimentos juntados (fls. 513/520 do Anexo III) e não constam da Dirf apresentada (fl. 630 do presente processo). Com relação ao Privainvest Participações, as retenções informadas pelo interessado (fl. 650 do Anexo IV), não estão comprovadas por informes de rendimentos e nem por Dirf. (grifamos) Como se trata de matéria de fato, corretamente apreciada na decisão recorrida e que para contraposição exigiria comprovação hábil e idônea, quiçá mediante a apresentação de novos documentos ou provas, que não foram trazidos no recurso voluntário, confirmo e mantenho o entendimento esposado naquela instância de julgamento, no sentido de que não há liquidez e certeza acerca dos créditos pleiteados pela interessada. Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso e, no mérito, NEGOLHE provimento, mantendo integralmente a decisão recorrida. É como voto. Fl. 1965DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13706.000005/200398 Acórdão n.º 1201001.106 S1C2T1 Fl. 16 15 (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator Fl. 1966DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 15868.000025/2011-41
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. CARÊNCIA PROBATÓRIA.
Em pedido de ressarcimento cabe ao contribuinte fazer prova de seu crédito, assim como evidenciar documentalmente o seu direito, circunstância que não se desincumbiu a Recorrente.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL.
O princípio da verdade material sujeita-se naturalmente ao devido processo legal, traduzindo-se no conjunto fático-probatório a ser buscado nos autos do processo, de maneira a evidenciar, com maior precisão possível, a realidade de uma dada situação constante nesse mesmo processo, de maneira que a decisão final seja a mais justa possível.
Pelo princípio da verdade material constitui dever da Recorrente, no âmbito do devido processo legal, fazer prova efetiva de suas alegações, inclusive porque, em processos de crédito é do contribuinte o ônus da prova e não da Fazenda Nacional.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3403-003.474
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do Relatório e do Voto que fazem parte integrante do presente. A Conselheira Mônica Monteiro Garcia de Los Rios participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Alexandre Kern.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).
Nome do relator: LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201412
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. CARÊNCIA PROBATÓRIA. Em pedido de ressarcimento cabe ao contribuinte fazer prova de seu crédito, assim como evidenciar documentalmente o seu direito, circunstância que não se desincumbiu a Recorrente. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O princípio da verdade material sujeita-se naturalmente ao devido processo legal, traduzindo-se no conjunto fático-probatório a ser buscado nos autos do processo, de maneira a evidenciar, com maior precisão possível, a realidade de uma dada situação constante nesse mesmo processo, de maneira que a decisão final seja a mais justa possível. Pelo princípio da verdade material constitui dever da Recorrente, no âmbito do devido processo legal, fazer prova efetiva de suas alegações, inclusive porque, em processos de crédito é do contribuinte o ônus da prova e não da Fazenda Nacional. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 15868.000025/2011-41
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5428301
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3403-003.474
nome_arquivo_s : Decisao_15868000025201141.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA
nome_arquivo_pdf_s : 15868000025201141_5428301.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do Relatório e do Voto que fazem parte integrante do presente. A Conselheira Mônica Monteiro Garcia de Los Rios participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Alexandre Kern. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).
dt_sessao_tdt : Fri Dec 12 00:00:00 UTC 2014
id : 5822454
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:36:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047705264062464
conteudo_txt : Metadados => date: 2015-01-14T23:44:04Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2015-01-14T23:44:04Z; Last-Modified: 2015-01-14T23:44:04Z; dcterms:modified: 2015-01-14T23:44:04Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:852697cb-37d8-466c-b576-efb3f9c96d8f; Last-Save-Date: 2015-01-14T23:44:04Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2015-01-14T23:44:04Z; meta:save-date: 2015-01-14T23:44:04Z; pdf:encrypted: true; modified: 2015-01-14T23:44:04Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2015-01-14T23:44:04Z; created: 2015-01-14T23:44:04Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2015-01-14T23:44:04Z; pdf:charsPerPage: 2067; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2015-01-14T23:44:04Z | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 11 1 10 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15868.000025/201141 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403003.474 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 12 de dezembro de 2014 Matéria PEDIDO DE RESSARCIMENTO COFINS Recorrente TINTO HOLDING LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. CARÊNCIA PROBATÓRIA. Em pedido de ressarcimento cabe ao contribuinte fazer prova de seu crédito, assim como evidenciar documentalmente o seu direito, circunstância que não se desincumbiu a Recorrente. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O princípio da verdade material sujeitase naturalmente ao devido processo legal, traduzindose no conjunto fáticoprobatório a ser buscado nos autos do processo, de maneira a evidenciar, com maior precisão possível, a realidade de uma dada situação constante nesse mesmo processo, de maneira que a decisão final seja a mais justa possível. Pelo princípio da verdade material constitui dever da Recorrente, no âmbito do devido processo legal, fazer prova efetiva de suas alegações, inclusive porque, em processos de crédito é do contribuinte o ônus da prova e não da Fazenda Nacional. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do Relatório e do Voto que fazem parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 00 00 25 /2 01 1- 41 Fl. 295DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 2 integrante do presente. A Conselheira Mônica Monteiro Garcia de Los Rios participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Alexandre Kern. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator). Relatório Tratase de Pedido de ressarcimento de Crédito da COFINS apurados no 2º Trimestre de 2007, nos termos da Lei nº 10.833/2003, no valor de R$ 31.054.384,28. Realizados os procedimentos fiscais, concluiu a DRF que o sujeito passivo não possui os créditos calculados sobre os valores que foram por ele informados nas fichas 06A, 06B, 16A e 16B dos DACONs de abril a setembro de 2007. Consequentemente, foi realizada uma apuração dos créditos a que tem direito com base nos arquivos digitais dos registros fiscais e contábeis apresentados pelo próprio sujeito passivo, que foram demonstrados nas planilhas já mencionadas e nos DACONs completos elaborados pela fiscalização Realizadas as verificações fiscais determinadas pelo MPF 08.1.90.002011 022590 (Regional), concluíram a análise dos 2º e 3º trimestres de 2007 com a lavratura dos autos de infração (Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins), que estão consubstanciados no processo administrativo DIGITAL nº 15868.720110/201120. No Termo de Verificação Fiscal às fls. 60/75 resta claro que o contribuinte não forneceu a memória de cálculo da apuração dos créditos descontados, fornecendo à fiscalização planilhas que eram meras cópias dos DACON. O contribuinte foi intimado por diversas vezes a apresentar a documentação referente aos créditos, não tendo atendido a nenhuma delas; foi então lavrado Auto de Infração contra a empresa (nº do processo 15868.720110/2011). A DRF de Araçatuba emitiu uma informação fiscal no qual entendeu que não existe crédito a ser ressarcido para o contribuinte, tendo inclusive procedido o lançamento da Cofins devida no trimestre. Com fundamento neste posicionamento, o despacho decisório foi indeferido o ressarcimento de COFINS, não sendo homologada as compensações. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 15868.000025/201141 Acórdão n.º 3403003.474 S3C4T3 Fl. 12 3 O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, em que alega o exposto a seguir: I – Alegação dos fatos: O indeferimento do Pedido de Ressarcimento foi efetuado pela Delegacia Especial de Administração Tributária em São Paulo – DERAT/SPO, tendo sido baseado no trabalho da Delegacia da Receita Federal de Araçatuba acerca da liquidez e certeza do Crédito pleiteado, em conformidade com o MPFF nº 8.1.90.0020 I022590 (fls. 222) que transferiu temporariamente a competência da DERATSP para a DRF/Araçatuba. II – Direito: O Despacho Decisório também deve ser cancelado por ter sido emitido após o encerramento da fase instrutória de apuração do ressarcimento, sem intimação do contribuinte, desrespeitando a formalidade prescrita no art. 44 da Lei nº 9.784/99, procedimento essencial a sua validade; O dispositivo citado garante a recorrente o direito de se manifestar, no prazo de 10 dias da instrução realizada pela fiscalização, especialmente para fazer suas observações e apresentar razões para garantir a apreciação do seu pedido de ressarcimento; A fiscalização agiu sem razoabilidade e contrariando diversos dispositivos legais, entre os quais os arts. 2º e 3º da Lei nº 9.784/99; Reitera sua intenção de apresentar todos os documentos fiscais e esclarecimentos que se fizerem necessários, estando os mesmos já à disposição da fiscalização no seu estabelecimento e que suportará consideráveis prejuízos por ter considerado o recebimento do direito creditório na definição do preço de exportação das mercadorias que foram exportadas; Considerando as flagrantes demonstrações da existência das operações, a motivação do indeferimento não tem previsão legal; Sendo a Recorrente uma das maiores empresas do setor do agronegócio brasileiro, como poderia a fiscalização entender que não teria nenhum crédito da contribuição para a COFINS no período do 2º Trimestre de 2007? ; Pelo entendimento dos AFRFs a Recorrente não teria nenhum direito e como isto pode ser admitido como válido considerando a impossibilidade da Recorrente exercer sua atividade sem adquirir insumos e serviços que garantem direito ao crédito; Tais fatos demonstram a falta de razoabilidade do posicionamento dos AFRFs porque simplesmente negaram tais fatos de forma integral, algo que contraria a razoabilidade das coisas e até todos os documentos que foram apresentados pela Impugnante; Considerando isto, jamais poderia ter sido indeferido o Pedido de Ressarcimento, porque a fiscalização deveria ter continuado com as diligências no estabelecimento da Recorrente; Fl. 297DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 4 O Despacho Decisório merece ser cancelado por ter sido lavrado com base em um levantamento fiscal precário, por ter entre outros motivos, desconsiderado todos os documentos da Recorrente; Como poderia ter o seu pedido de ressarcimento totalmente desconsiderado pelos AFRFs sem uma justificativa plausível e demonstração da totalidade dos créditos não serem legítimos? ; Com fundamento no Princípio da Verdade Material, a Recorrente apresenta alguns documentos que comprovam o seu direito creditório e regularidade de suas operações, bem como requer diligência e perícia para que seja apurado a existência do seu direito creditório; Em sua Manifestação de Inconformidade juntou documentos que comprovariam seu direito creditório, sendo que os demais documentos estão à disposição em seu estabelecimento. Deve ser considerado por este juízo que a Impugnante possui direito ao Crédito da contribuição para a COFINS por adquirir insumos tributados no mercado interno, como pode ser verificado na Planilha de Apuração anexa cujo resultado remonta R$ 32.635.609,90. A Recorrente também tem o direito ao ressarcimento com a incidência da SELIC, da data do protocolo do Pedido de Ressarcimento até o seu efetivo ressarcimento e/ou compensação, por ser um índice de atualização monetária; O despacho decisório também deve ser reformado porque não homologou as compensações que já haviam sido homologadas tacitamente nos termos do artigo 74, §5º da Lei nº 9.430/96. III – Perícia: O contribuinte solicita a realização de perícias e diligências para serem constatadas por este juízo, a existência do direito creditório pleiteado administrativamente. Formula quesitos e nomeia o perito; No acórdão da DRJ, esta aduz que a empresa, na tentativa de anular o Despacho Decisório o contribuinte insurgese contra o fato de não ter sido intimado acerca do fim da fase instrutória para assim se manifestar sobre as conclusões da fiscalização. Explica que, ao longo do procedimento fiscal, o contribuinte é intimado a apresentar documentação fiscal e contábil, informações suplementares, planilhas de cálculo, entre outras informações, não tendo ele portanto sofrido qualquer cerceamento de defesa. Analisandose o Processo nº 15868.720110/201120 referente ao Auto de Infração lavrado em decorrência do trabalho de verificação das Bases de Cálculo da COFINS e do PIS no ano de 2007, com o objetivo de apurar a veracidade dos valores apresentados em Pedidos de Ressarcimento de créditos referentes aos 2º e 3º trimestres, podemos concluir que a fiscalização foi bastante diligente na busca da verdade material, sendo claro que por diversas vezes intimou a empresa. Os argumentos de nulidade do Despacho Decisório bem como do Procedimento Fiscal soam como procrastinatórios, segundo a DRF, tendo em vista serem de Fl. 298DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 15868.000025/201141 Acórdão n.º 3403003.474 S3C4T3 Fl. 13 5 uma fragilidade incompreensível, já que pela simples leitura do processo do Auto de Infração caem por terra os argumentos tão imponentemente defendidos, como pôde ser observado até agora. No curso da ação fiscal, em relação aos 2º e 3º trimestres de 2007, o contribuinte foi intimado em 09/09/2011, por via postal, a apresentar elementos e informações. Não sendo atendida, a fiscalização compareceu ao estabelecimento do contribuinte em 28/09/2011, reiterando o que já havia sido solicitado. No lugar da memória de cálculo dos créditos o contribuinte apresentou planilhas que não demonstravam os insumos considerados nem a forma de apuração dos valores apresentados nos DACON, levando a fiscalização a concluir pela imprestabilidade do material apresentado. A Recorrente se insurge também contra a motivação do indeferimento apresentada no Despacho Decisório, que segundo ela, não possui previsão legal, entendendo que só é possível ocorrer o indeferimento se o contribuinte não possuir efetivamente direito ao Ressarcimento, o que não ocorreu no caso em tela pelo fato de as operações estarem flagrantemente demonstradas, bem como a Recorrente ser uma das maiores empresas do agronegócio brasileiro, não sendo possível entender como a fiscalização concluiu pela existência parcial dos créditos utilizados pela Recorrente na apuração da COFINS do 2º trimestre de 2007, como se a empresa não adquirisse insumos para a sua produção. O que ocorreu foi uma nova apuração; a fiscalização opinou pelo reconhecimento de R$ 31.054.384,28, que foram descontados da COFINS apurada no período, no valor de R$ 49.414.514,99, não havendo portanto créditos passiveis de ressarcimento. No que concerne à alegação de que seria impossível exercer suas atividades sem adquirir insumos, o indeferimento é devido não pelo fato de que a empresa não adquiriu insumos, e sim porque as aquisições não foram comprovadas. Portanto, o fato de os créditos não terem sido atestados pela fiscalização e o lançamento do crédito tributário efetuado, não implica a conclusão de que as operações não aconteceram, mas sim que a requerente não logrou comprovar que as operações ocorreram da forma por ela declarada no DACON e se deram origem a créditos da contribuição na forma por ela considerada. Vale frisar que nem na Impugnação do Auto de Infração, nem nesta Manifestação de Inconformidade o contribuinte trouxe aos Autos qualquer documentação capaz de comprovas que teria créditos no montante que alega. Quanto ao fato de pleitear a incidência da taxa SELIC nos valores porventura ressarcidos, cabe informar que a SELIC não incide como atualização monetária nos casos de ressarcimento, conforme previsto no art. 72, §5º, I da Instrução Normativa nº 900. A perícia solicitada foi indeferida, haja vista ser considerada pela DRJ desnecessária, por entender dispensável tal ato para o deslinde do presente julgamento. A perícia somente se justifica quando a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes. Quanto à alegação de que os documentos comprobatórios estão à disposição da fiscalização nas dependências da empresa e que não foram anexados por serem em grande volume, não foi considerada; no curso da ação fiscal, o contribuinte poderia ter apresentado os cálculos dos créditos descontados e demais documentos em meio magnético. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 6 A contribuinte não comprovou a apuração dos créditos a serem descontados, gastando a maior parte de sua argumentação, tanto na Impugnação quanto nesta Manifestação de Inconformidade com demonstração de possíveis nulidades, ora do Procedimento Fiscal ora do Despacho Decisório nele baseado, sem entretanto, lograr êxito em suas explanações. Em relação ao pedido de suspensão dos débitos informados nas Declarações de Compensação deste processo, até o término da lide, isso já ocorre no momento do protocolo da Manifestação de Inconformidade, em consonância com o disposto no § 4º do art. 66 da Instrução Normativa RFB nº 900 de 2008. Diante de tais fatos, não se catam os argumentos apresentados, de forma que não há qualquer reparo a ser efetuado, nem como não cabe proceder a presente Manifestação de Inconformidade. A recorrente apresentou Recurso Voluntário, em que repete as alegações constantes em sua Manifestação de Inconformidade. Quanto ao indeferimento do pedido de perícia, aduz a empresa que, como demonstrado em sua Manifestação de Inconformidade, estão presentes todas as razões para que tais providências fossem realizadas antes do julgamento da Manifestação, mormente pela quantidade de documentos envolvidos e pela disponibilidade dos mesmo no estabelecimento. Aduz que, caso não seja acatado tal pedido, estará sendo negado à ela indevidamente o direito ao ressarcimento da Cofins, pois a perícia seria o suporte documental para seu reconhecimento. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista, O Recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. Conforme registrado no Relatório, o presente processo iniciouse pela impulsão da própria Recorrente, mediante formulação de Pedido de Ressarcimento da COFINS relativa ao segundo trimestre de 2007. As autoridades fazendárias analisaram o pleito da Recorrente e concluíram que ela não possuída o crédito pleiteado, visto que no período o seu crédito da COFINS teria sido insuficiente para cobrir os seus débitos. Foi expedido Mandado de Procedimento Fiscal, conforme se verifica às fls. 222, para verificação do PIS e da COFINS no ano de 2007 e do IRPJ e CSL no ano de 2006. Especificamente no que se refere ao PIS e COFINS e aos inúmeros pedidos de ressarcimento solicitados pela Recorrente, não posso deixar de chamar a atenção para o documento de fls. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 15868.000025/201141 Acórdão n.º 3403003.474 S3C4T3 Fl. 14 7 224/227, em que consta um Termo de Embaraço a Fiscalização, devidamente lavrado, documentando que a Recorrente, apesar de intimada a apresentar a documentação relativa ao seu pedido de crédito, quedouse inerte e, por essa razão, a Fiscalização realizou intimação presencial da Recorrente, para a entrega da documentação, a qual não foi atendida. No Despacho Decisório de fls. 150/154, verificase que com base no MPF, a DRF de Araçatuba analisou a apuração da Recorrente, de modo a emitir juízo sobre o seu pedido de ressarcimento, tenho, em realidade, reconhecido crédito de R$ 37.485.909,99, crédito este insuficiente para permitir o ressarcimento, visto que os débitos da Recorrente montavam R$ 49.414.514,99: 4. Com base nesse MPF o crédito em questão foi analisado pela Seção de Fiscalização da DRF Araçatuba, que em sua informação fiscal (fls. 60 a 75) opinou pelo reconhecimento ao contribuinte do crédito no montante de R$ 37.485.909,99 (trinta e sete milhões, quatrocentos e oitenta e cinco mil, novecentos e nove reais e noventa e nove centavos), antes do desconto da Cofins devida no período, que monta R$ 49.414.514,99 (quarenta e nove milhões, quatrocentos e quatorze mil, quinhentos e quatorze reais e noventa e nove centavos). 5. Assim, a SAFISAraçatuba não apurou crédito a ser ressarcido para o contribuinte, tendo inclusive procedido ao lançamento da Cofins devida no trimestre, tendo em vista que o crédito de Cofins nãocumulativo apurado foi menor do que a Cofins devida (fls. 76 a 83). O crédito apurado e os débitos mês a mês são os seguintes: Mas tal informação assume maior relevância porque as Autoridades Fazendárias, a par de indeferirem o pedido de ressarcimento efetuado, realizaram o lançamento da COFINS devida, dando origem ao processo nº 15868.720110/201120, com a apresentação de impugnação por parte da Recorrente e da JBS S.A., identificada como solidária nos autos, em razão de operação societária em que teria sucedido a Recorrente. Tais impugnações foram julgadas improcedentes pela DRJ de Ribeirão Preto, conforme se verifica às fls. 228/248 dos autos, sendo que o aludido processo guarda relação com a negativa de ressarcimento ora discutida. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 8 De qualquer forma, retornando aos presentes autos, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade em que não se preocupou propriamente em demonstrar a existência de crédito para os seu ressarcimento, olvidando, ao que parece, que o processo administrativo é governado pelo império dos fatos. Acostou documentos parcos sem fazer a correlação entre eles e seu direito, preferindo trilhar caminho de bradar incessantemente pela nulidade do despacho decisório, por inúmeros motivos, e no mérito reiterando o seu pedido de ressarcimento, fundado no porte da pessoa jurídica e em suposta desídia da Autoridade Fazendária. Tais argumentos foram reiterados em seu Recurso Voluntário, não tendo a Recorrente se manifestado sobre o mencionado Termo de Embaraço à Fiscalização, de tal maneira que, antes de ingressar nas preliminares da Recorrente, pertine observar que ela não realizou nenhuma prova nos presentes autos, não tendo se desincumbido de seu ônus probatório. Sobre esse último ponto, julgo importante mencionar, mais uma vez, que em hipóteses que o contribuinte formula direito de crédito, e.g., compensação, ressarcimento, é dele o ônus de fazer prova do direito que alega possuir, devendo, pois, acostar documentação bastantes para suportar o seu pedido, conforme, aliás, vem decidindo reiteradamente o CARF a respeito desse tema. Isso significa dizer que, se realmente as Autoridades Fazendárias, não tenham incidido em equívoco de ordem formal ou material, conforme o caso, capaz de gerar nulidade, de fato, a Recorrente não demonstrou que a Decisão de primeira instância acerca de seu pedido de ressarcimento deve ser modificada. A Recorrente alegou, em síntese: (i) indeferimento de seu pedido de perícia e diligência e nulidade pela falta de apreciação de questão relevante; (ii) falta de intimação da Recorrente para se manifestar sobre o fim da instrução; (iii) falta de legislação garantindo o indeferimento de pedido de ressarcimento; (iv) incorreta e inexistente motivação; (v) levantamento fiscal precário; (vi) cerceamento ao direito de defesa; (vii) princípio da verdade material. Diante da natureza de seus argumentos, eles serão abordados em conjunto no presente voto. Ora, como observado anteriormente, a Autoridade Fazendária não está obrigada a simplesmente acatar pedidos de diligência formulados pela Recorrente, pois a prova Fl. 302DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 15868.000025/201141 Acórdão n.º 3403003.474 S3C4T3 Fl. 15 9 no processo administrativo tributário é preponderantemente documental, sendo que a Recorrente sequer se preocupou em juntar documentos para fundamentar o seu pedido. Tal assertiva adquire maior intensidade em processo administrativo, em que o dever probante cabe ao contribuinte, de modo que a Autoridade Fazendária não está obrigada a movimentar desnecessária e excessivamente a máquina administrativa, despendendo recursos, para fazer prova que seria de obrigação do próprio contribuinte. O princípio da verdade material, diferentemente do alegado pela Recorrente, realmente obriga as partes e os julgadores a se aterem às provas constantes no processo, tendo suas raízes fincadas na fria realidade dos fatos constantes no processo. Em meu pensar a verdade material sujeitase naturalmente ao devido processo legal, traduzindose no conjunto fáticoprobatório a ser buscado nos autos do processo, de maneira a evidenciar, com maior precisão possível, a realidade de uma dada situação constante nesse mesmo processo, de maneira que a decisão final seja a mais justa possível. Por essa simples razão que defendo que o processo administrativo é marcado pelo monopólio dos fatos, pois esses fatos, a serem descritos pela autoridade fazendária, e que se subsumem à legislação em vigor no País, são essenciais para a solução da controvérsia travada entre a Fazenda e o contribuinte. Nesse sentido, pelo princípio da verdade material constitui dever da Recorrente, no âmbito do devido processo legal, fazer prova efetiva de suas alegações, inclusive porque, reitero, em processos de crédito é do contribuinte o ônus da prova e não da Fazenda Nacional. Por essa mesma razão não merecem crédito as vazias alegações de que o levantamento fiscal realizado foi precário, não apenas porque a Recorrente não fez nenhuma prova a seu favor, como também porque as Autoridades Fazendárias analisaram a apuração da Recorrente, tanto que efetuaram o lançamento da COFINS devida no período, pois da verificação surgiu a conclusão que a Recorrente não detinha créditos ressarcíveis, mas sim débitos a serem exigidos. A Recorrente ainda ventilou cerceamento ao seu direito de defesa, mas não apontou especificamente qual a razão cerceadora, pois ela teve a oportunidade de se insurgir contra o Despacho Decisório e contra a Decisão de Primeira Instância, nesse processo que tramitou regularmente, sem que dela tenha sido sacado qualquer direito relacionado ao contraditório e sua ampla defesa. A alegação de que deveria ter sido intimada após a fase instrutória não merece guarida, constituindo manifesto equívoco da Recorrente, uma vez que não se trata de fase instrutória, mas sim fiscalizatória, quando a Recorrente formula um pedido de crédito e a Autoridade Fazendária tem o poderdever de analisálo. Aliás, o contencioso administrativo propriamente dito, não se inicia com o pedido de ressarcimento, mas sim com após a Decisão proferida pelo Fisco, negando o pleito ou o acatando parcialmente, que o contribuinte, diante de tal pretensão resistida, decide se insurgir conta a decisão. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 10 Portanto, a Autoridade Fazendária, no exercício da Fiscalização, não está obrigada a intimar a Recorrente para se manifestar sobre suas conclusões parciais ou sobre o resultado final, mas sim intimar o contribuinte, ao final, sobre o teor de sua Decisão após o final do processo fiscalizatório, que, no presente caso, consistiu justamente no Despacho Decisório, sendo que a Recorrente foi regularmente intimada da Decisão. A alegada nulidade pela ausência de apreciação de questão relevante, reiterada pela argumentação de que a motivação seria incorreta ou inexistente. De pronto, salta aos olhos a contrariedade dos argumentos, sob o ponto de vista lógico, pois se a motivação inexiste ela não pode ser qualificada como incorreta. E a motivação do Despacho Decisório é o próprio pedido de ressarcimento formulado pela Recorrente, pois é ele que dá início a análise, pela Administração, do objeto do direito creditório pleiteado, que foi, como não poderia deixar de ser, pormenorizadamente verificado pelas Autoridades Fazendárias que concluíram, de maneira fundamentada, que não haveria crédito a ressarcir. Nessa linha de raciocínio, frágil a alegação acerca da motivação e da não apreciação de tal argumento, sendo que sobre esse aspecto cabe ressaltar que a Autoridade Julgadora não está obrigada a analisar um a um os argumentos da Recorrente, sendo obrigatório que fundamente corretamente a sua decisão. Ou seja, a Decisão restou devidamente fundamentada, sendo objeto de prévia análise das Autoridades Fazendárias, em que a Recorrente em nada contribuiu ao deslinde da questão, tendo inclusive embaraçado a Fiscalização, não havendo que se falar, em nenhuma hipótese, de ausência de motivação da Decisão que negou o ressarcimento. E por fim, sobre a alegação de inexistência de legislação que autoriza a negativa do pedido de ressarcimento, esse julgador acredita que a Recorrente, de fato, se excedeu, vez que à Fazenda Nacional cabe avaliar se o pedido não se trata de um mandamento cogente, uma ordem foi formulado em conformidade com a legislação e possui suporte fático, para ser deferido. Em suma, os frágeis argumentos da Recorrente, que não se preocupou em fazer prova em seu favor, merecem ser afastados, pelas razões acima descritas, que me levam a concordar com a Decisão de primeira instância que acertadamente os qualificou como meramente procrastinatórios. Ante o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Fl. 304DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 15868.000025/201141 Acórdão n.º 3403003.474 S3C4T3 Fl. 16 11 Fl. 305DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA
score : 1.0
Numero do processo: 10480.733493/2013-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2011
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. FALTA DE APRECIAÇÃO DA PROVA DOS AUTOS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
É nula, por cerceamento do direito de defesa, a decisão que, pretextando motivo falso, deixa de apreciar prova carreada aos autos ainda no momento processual adequado.
Decisão Anulada
Aguardando Nova Decisão
Numero da decisão: 3402-002.707
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em anular a decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa, para que uma nova decisão seja proferida, apreciando o laudo técnico apresentado na impugnação, naquilo que pertine à etapa industrial do processo produtivo. Vencida a Relatora. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Alexandre Kern.
Fez sustentação oral:Dr. Ivo de Oliveira Lima - OAB/PE nº 25263
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern Presidente em exercício e redator designado
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula Relatora
Participaram ainda do julgamento os conselheiros João Carlos Cassuli Júnior, Fenelon Moscoso de Almeida, Ricardo Vieira de Carvalho Fernandes e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2011 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. FALTA DE APRECIAÇÃO DA PROVA DOS AUTOS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. É nula, por cerceamento do direito de defesa, a decisão que, pretextando motivo falso, deixa de apreciar prova carreada aos autos ainda no momento processual adequado. Decisão Anulada Aguardando Nova Decisão
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10480.733493/2013-99
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5446018
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3402-002.707
nome_arquivo_s : Decisao_10480733493201399.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
nome_arquivo_pdf_s : 10480733493201399_5446018.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em anular a decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa, para que uma nova decisão seja proferida, apreciando o laudo técnico apresentado na impugnação, naquilo que pertine à etapa industrial do processo produtivo. Vencida a Relatora. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Alexandre Kern. Fez sustentação oral:Dr. Ivo de Oliveira Lima - OAB/PE nº 25263 (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente em exercício e redator designado (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram ainda do julgamento os conselheiros João Carlos Cassuli Júnior, Fenelon Moscoso de Almeida, Ricardo Vieira de Carvalho Fernandes e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
id : 5874378
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047705269305344
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 26; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2063; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 3.946 1 3.945 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.733493/201399 Recurso nº 10.480.733493201399 Voluntário Acórdão nº 3402002.707 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de março de 2015 Matéria IPI AUTO DE INFRAÇÃO CRÉDITO PRESUMIDO Recorrente USINA UNIÃO E INDÚSTRIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2011 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. FALTA DE APRECIAÇÃO DA PROVA DOS AUTOS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. É nula, por cerceamento do direito de defesa, a decisão que, pretextando motivo falso, deixa de apreciar prova carreada aos autos ainda no momento processual adequado. Decisão Anulada Aguardando Nova Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em anular a decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa, para que uma nova decisão seja proferida, apreciando o laudo técnico apresentado na impugnação, naquilo que pertine à etapa industrial do processo produtivo. Vencida a Relatora. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Alexandre Kern. Fez sustentação oral:Dr. Ivo de Oliveira Lima OAB/PE nº 25263 (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Presidente em exercício e redator designado (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula – Relatora Participaram ainda do julgamento os conselheiros João Carlos Cassuli Júnior, Fenelon Moscoso de Almeida, Ricardo Vieira de Carvalho Fernandes e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 73 34 93 /2 01 3- 99 Fl. 3946DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Belém/PA que julgou improcedente a impugnação interposta contra o lançamento de Imposto sobre Produtos Industrializados, multa e juros, referente aos períodos de apuração de dezembro de 2008 a dezembro de 2011, no montante total de R$ 16.140.976,13, consolidado até outubro de 2013. Por retratar os fatos que sucederam no processo até a apresentação da impugnação, adotase aqui o relatório da decisão recorrida, que abaixo se transcreve: (...) A unidade de origem emitiu o Termo de Informação Fiscal, fls. 33/45, do qual consta que foram encontradas as seguintes irregularidades: item 1.1 Inexistência do direito ao crédito do IPI pela entrada de materiais de consumo e bens do ativo imobilizado; item 1.2 Inexistência do direito ao crédito do IPI pela entrada de materiais de consumo adquiridos de comerciantes atacadistas, lançados no RAIPI a título de “outros créditos”e item 1.3 Impossibilidade de aproveitamento de créditos do IPI decorrente de compras para a comercialização CFOP 1102 e 2102. Cientificado em 11 de novembro de 2013, fl. 1164, o contribuinte apresentou em 09 de dezembro de 2013, a impugnação parcial dos itens 1.1 e 1.2 do Termo de Informação Fiscal, fls. 3625/3653, na qual alega: “(...) há itens em relação aos quais a Impugnante creditouse do IPI pago na aquisição e que reconhece não serem consumidos no processo produtivo (glosados nos itens 1.1 e 1.2 do TIF) – doc.5. Em relação a estes, a Impugnante informa que solicitou o parcelamento. O critério utilizado pela Impugnante para definir os valores glosados e não contestados (doc. 5) tomou por base o laudo expedido pela UFRPE (doc.6) que analisou, em detalhes, o processo produtivo da impugnante” Discorre posteriormente sobre o desenho constitucional e legal da não cumulatividade do IPI. Em seguida, argumenta a complexidade de definir o processo produtivo de uma empresa e requer a realização de prova pericial. Argumenta que há vício no lançamento por incerteza quanto ao processo produtivo: “Consoante Termo de Informação Fiscal, constam apenas conceitos gerais, partindo de premissas gerais restritivas, acerca da não cumulatividade, citando exemplos de créditos grosseiramente ilegítimos, sem, no entanto, enfrentar o processo produtivo da impugnante e identificar, em detalhe, dentre os itens do qual se creditava e que foram glosados, aqueles que compunham e os que não compunham o processo produtivo”. Fl. 3947DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10480.733493/201399 Acórdão n.º 3402002.707 S3C4T2 Fl. 3.947 3 Apresenta Laudo Técnico emitido pela Universidade Federal de Pernambuco, a fim de identificar, dentro os itens que adquire, aqueles que se qualificam no conceito de insumos e permite a compensação do IPI pago na aquisição com o IPI devido na saída do produto industrializado. Alega que aplicou na íntegra a conclusão do laudo elaborada pela UFRPE. Em relação aos insumos adquiridos de atacadistas, sustenta que deve reconhecer o direito ao crédito daqueles que são consumidos no processo produtivo e que foram detalhados no laudo emitido pela UFRPE. Sobre os itens que, segundo a fiscalização, não dariam direito ao crédito, por serem adquiridos com suspensão do imposto, argumenta, repisese, que utilizou o laudo da UFRPE. Defende que o crédito de insumo adquirido de atacadista que foi lançado extemporaneamente, do qual foi atribuída correção monetária, foi em razão de se manter o poder aquisitivo da moeda. Destaca ainda, que a aplicação de juros de mora é diferente da aplicação de correção monetária. Aduz ser ilegítima a aplicação da multa de ofício por incompetência da autoridade lançadora. Alega ainda que, a multa punitiva, no caso de 75%, tem por objetivo punir uma infração e que esta deve observar a dosimetria da pena e esclarece: “Mesmo porque o que realmente era devido e, embora tenha decorrido de erro, não havia dúvida razoável, a Impugnante recolheu com a multa majorada. O que resta, então, decorre de uma discussão legítima, amparada, digase de passagem, por laudo da Universidade Federal Rural de Pernambuco, de forma que nada justifica a aplicação indistinta de uma multa tão gravosa, chegando às raias do confisco (o que é vedado selo art. 150, IV, da Constituição Federal)” Insurgese sobre a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Diante do exposto REQUER: “Ante o exposto, a Impugnante pede que sejam acolhidos os argumentos defendidos no decorrer da sua defesa para, julgando improcedente a acusação fiscal, anular o Auto de Infração impugnado”. “Pede, sucessivamente, que seja afastada ou reduzida a multa de ofício e, em qualquer caso que os juros de mora sejam aplicados apenas em relação ao principal”. “Por fim, a Impugnante pede que seja atribuída à legislação a interpretação que lhe for mais favorável em obediência ao art. 112 do CTN”. “A Impugnante, sabedora que o julgamento pautase no livre convencimento de V. Sa, mas no interesse da verdade material, Fl. 3948DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 4 colocase ao inteiro dispor desse colegiado para apresentar, em eventual perícia ou diligência que seja designada, os documentos e outros subsídios necessários à apuração da (im)procedência do lançamento”. Carreia aos autos decisões administrativas e judiciais. À fl. 1189 consta o Termo de Transferência do Crédito Tributário onde foi transferida a parte não impugnada deste processo para o processo 10480.734.974/201311. É o relatório. (...) Mediante o Acórdão nº 0129.368, de 10 de junho de 2014, a 3ª Turma da DRJ/Belém, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação da contribuinte, conforme ementa abaixo transcrita: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2011 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. PAF. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. REQUISITOS. Consideramse não formulados os pedidos de perícia ou diligência que deixem de atender aos requisitos previstos no art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/1972, também se fazendo incabível sua realização quando reputados incabíveis. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2011 CRÉDITO . INSUMOS. Somente geram direito ao crédito do imposto os materiais que se enquadrem no conceito jurídico de insumo, ou seja, aqueles que se desgastem ou sejam consumidos mediante contato físico direto com o produto em fabricação. AQUISIÇÃO COM SUSPENSÃO DO IMPOSTO. NÃO GERA CRÉDITO. As aquisições com suspensão do IPI de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagens, não geram ao adquirente qualquer direito de apropriação de créditos, por não haver pagamento do imposto por parte do estabelecimento Fl. 3949DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10480.733493/201399 Acórdão n.º 3402002.707 S3C4T2 Fl. 3.948 5 industrial (fornecedor das matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagens) nessas operações. MULTA DE OFÍCIO. DOSIMETRIA. DETERMINAÇÃO LEGAL. CONFISCO. INOCORRÊNCIA. Não constitui violação ao princípio constitucional da vedação ao confisco a incidência de multa de ofício prevista em lei sobre o recolhimento em atraso de contribuições previdenciárias objeto de lançamento de ofício. Compete à autoridade fiscal, em respeito ao princípio da legalidade, obedecer ao ordenamento das normas legais de regência. A decisão de primeira instância, rejeitou a preliminar de nulidade do lançamento, tendo em vista que o auto de infração contém as condições necessárias para produzir o efeito que lhe compete, tendo sido os atos e termos lavrados por pessoa competente, dentro da estrita legalidade, e com a garantia ao direito de defesa; bem como indeferiu os pedidos de perícia e diligência por incabíveis. No mérito, a decisão decorrida: i) confirmou todas as glosas dos créditos do IPI relativos aos itens que não tinham participação direta no processo produtivo; ii) reputou correto o não reconhecimento do crédito em relação às aquisições havidas junto a comerciantes atacadistas não contribuintes do IPI; e iii) confirmou a reconstituição da escrita fiscal efetuada pela autoridade fiscal, em relação as notas fiscais adquiridas com suspensão do IPI, cujos produtos também não estavam enquadrados no conceito de insumo, pois o direito ao crédito pressupõe a existência de um valor pago na operação anterior. Por fim, a decisão de primeira instância também manteve a multa de ofício e os juros de mora, em atenção ao princípio da legalidade e à proibição aos órgãos administrativos de afastar a aplicação de lei vigente. A contribuinte foi regularmente cientificada do Acórdão da DRJ/Belém, por meio eletrônico, mediante consulta do arquivo correspondente no sistema eprocesso efetuada em 25/07/2014. Em 26/08/2014, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), alegando, em síntese, que: a. Do cerceamento do amplo direito de defesa: O auto de infração foi lavrado de maneira viciada, pois o autuante desconhecia o processo produtivo da Recorrente. O Laudo, elaborado pela UFRPE, deixa claro que a fiscalização efetuou a glosa de insumos utilizados no processo produtivo que obedecem as condições impostas pela legislação do IPI para gerar créditos à Recorrente. A DRJ/BEL simplesmente não analisou os argumentos postos pela Recorrente, sob fundamento de que o Auto de Infração foi lavrado por autoridade competente e dentro da legalidade. Para rejeitar a utilização do Laudo, a DRJ justificou que ele se propunha apenas a analisar a atividade agrícola, sendo que o mesmo contém a análise tanto da parte agrícola quanto da parte industrial. Contudo, o órgão julgador simplesmente desprezou o Laudo na parte industrial, numa clara afronta ao amplo direito de defesa da Recorrente. Fl. 3950DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 6 b. Desenho constitucional e legal da não cumulatividade do IPI: O auto de infração, nos termos em que foi lavrado, afronta a não cumulatividade do IPI, que tem sua matriz no art. 153, IV e § 3o da Carta Magna. De forma que, a não cumulatividade do IPI será operacionalizada compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas operações anteriores. No mesmo sentido está o art. 49 do CTN. Embora o art. 49 do CTN faça alusão à lei (ordinária), a mesma não pode, em absoluto, criar mecanismo tendente a mitigar a não cumulatividade tal como desenhada na Constituição Federal e repetida na lei complementar. Devese interpretar os dispositivos legais e regulamentares da seguinte forma: é permitindo o crédito dos insumos (no conceito amplo) que forem consumidos no processo produtivo, qualificandose como tais (insumos em conceito amplo) os produtos adquiridos com tributação do IPI que, integrandose ou não ao novo produto, forem consumidos no processo produtivo, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. O desafio, portanto, é identificar os insumos adquiridos com tributação pelo IPI, que foram consumidos no processo produtivo e que compuseram o custo de produção. Isso porque, a teor do que decidiu o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, "A análise do direito ao crédito deve atentar para as características específicas da atividade produtiva do contribuinte" (Acórdão 3403001274). c. Critérios para identificação do processo produtivo e dos produtos nele consumidos prova pericial: A decisão fundamentou algo que não foi expressamente requerido em sede de Impugnação. Sobre a questão da perícia, a decisão negou o suposto pleito, isso em razão de que entendeu que não houve o preenchimento dos requisitos legais para que fosse possível a determinação da prova pericial. Em que pesem os argumentos traçados na decisão ora recorrida, a Recorrente não formulou pedido de perícia, pois trouxe ao conhecimento da autoridade julgadora o estudo elaborado pela Universidade Federal Rural de Pernambuco UFRPE. A Recorrente reitera no Recurso Voluntário a questão posta na Impugnação: caso este órgão julgador entenda necessário, que determine a realização de perícia ou de diligência para determinar os insumos utilizados no processo produtivo da Recorrente. d. Vício no lançamento por incerteza quanto ao processo produtivo: O lançamento fiscal contém vício, eis que, no Termo de Informação Fiscal, apenas constam argumentos jurídicos quanto a não cumulatividade do IPI, com exemplos que demonstrariam a ilegitimidade dos créditos tomados. O lançamento foi considerado válido pela autoridade de primeira instância simplesmente pelo fato de que houve a análise de notas fiscais e livro de IPI, de informações prestadas pela Recorrente, de demonstrativos e de termo de informação. A Autoridade Lançadora não se aprofundou no exame do processo produtivo da Recorrente, limitandose a analisar a escrita do IPI e os documentos que lhe davam suporte, analisandoos do ponto de vista jurídico, fato que ensejou as divergências apuradas e que implica improcedência do lançamento, consoante precedentes citados. e. Ocorrência de incoerência no Auto de Infração Glosa de insumos que foram reconhecidos como passíveis de gerar crédito pela própria fiscalização: Fl. 3951DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10480.733493/201399 Acórdão n.º 3402002.707 S3C4T2 Fl. 3.949 7 Há, na auditoria, itens glosados e não glosados com funções semelhantes, mudando apenas a nomenclatura e a etapa no processo produtivo em que o insumo é desgastado. A decisão da DRJ deixou de analisar esse ponto de similaridade dos itens glosados e não glosados pela fiscalização. E a ausência de enfrentamento da presente questão torna nula a decisão. f. Do laudo técnico emitido pela UFRPE acerca do processo produtivo da Recorrente: Sob a argumentação de que o estudo não se propunha a identificar os insumos de um processo produtivo, o julgador de primeira instância rejeitou o Laudo, ficando patente que pretendeu fazer prevalecer o seu entendimento sobre os esclarecimentos técnicos emitidos no citado Laudo, e assim, deixou de acatálo. O fato de a Recorrente ter juntado uma Relação de insumos utilizados no processo produtivo em que constavam apenas 40 insumos, foi em face de ter sido instada a falar sobre os PRINCIPAIS insumos e não TODOS os insumos, o que torna sem sentido a afirmação efetuada pela instância julgadora às fls. 3.868 dos autos. Caso o Laudo da UFRPE tivesse sido analisado devidamente, acarretaria a consequente improcedência da glosa dos insumos nos termos efetuados pela fiscalização. Nesse sentido, a Recorrente pede desde já que acaso esta Turma Julgadora entenda por superar o vício antes apresentado, que no mérito acate o Laudo da UFRPE, que se encontra nos autos, e reconheça a improcedência da glosa daqueles insumos nele constantes. Para esclarecer toda a situação a Recorrente apresentou Laudo Técnico obtido junto à Universidade Federal Rural de Pernambuco UFRPE, a fim de identificar, dentre os itens que compra, aqueles que se qualificam no conceito de insumos e permite a compensação do IPI pago na aquisição com o IPI devido na saída do produto industrializado. Nos termos do art. 30 do Decreto 70.235/72, o laudo emitido por um órgão federal deverá ser observado pela autoridade julgadora nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência. De toda forma, para que não seja classificada como genérica a sua defesa, a Recorrente apresenta, nesse momento, considerações acerca de itens referidos pela fiscalização em seu Termo de Informação Fiscal que não dariam direito a crédito e que, na verdade, enquadramse, em tudo, no conceito de insumos; de forma que a glosa viola a não cumulatividade constitucional do IPI. Tomese, como exemplo, a MEMBRANA FILTRANTE P/ FILTRO MFC 150, que tem por função filtrar o resíduo do decantador, separando o Caldo filtrado da Torta. Esse produto é desgastado diretamente no processo produtivo pela pressão e vazão do produto a ser filtrado (caldo da canadeaçúcar). Esse item é, sem dúvida, essencial ao processo produtivo. Ele é necessário para filtração do lodo e recuperação de açúcares e tem duração média de 06 meses. Temse, ainda, como exemplo, o ROTOR BOMBA CENTURY BCV 80/315 INOX. Esse item é essencial para o processo, porque fica dentro dos tanques e permite impulsionar o caldo no processo produtivo, e se desgasta pela corrosão e abrasão devido ao contato com o caldo. A essencialidade desse item está justamente no impulso do caldo para a tubulação Fl. 3952DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 8 Finalmente, citase como exemplo a CHAPA ASTM A36 DE 5/8", que é a chapa da esteira de cana e sofre corrosão pelo contato com a canadeaçúcar e o caldo num prazo de até 06 meses. É igualmente essencial no transporte da canadeaçúcar e da cana durante processo produtivo (entre as máquinas). Todos os itens citados de forma exemplificativa, que são consumidos no processo produtivo e que, pelo tempo do desgaste, não são ativáveis, justificam, nos termos da não cumulatividade constitucional que é própria do IPI, o direito ao crédito em relação às aquisições. Oportuno transcrever, e é corroído em até 06 meses. Nesse sentido estão os precedentes citados no recurso. Sem contar que os itens perdem suas propriedades físicoquímicas que invariavelmente se incorporam ao produto. Tanto que há regras sanitárias acerca dos limites de ferro que podem estar contidos no produto final. Isso ocorre justamente, utilizando os exemplos acima, pelo fato de o "rotor da bomba" ou de a "camisa moenda" se desgastarem no processo produtivo. Dessa forma, impõese o cancelamento do Auto de Infração na parte impugnada para reconhecer o direito ao creditamento do IPI, afastando a glosa no que tange aos insumos (assim qualificados) que a Universidade Federal Rural de Pernambuco, no laudo técnico, atestou fazerem parte do processo produtivo. g. Dos créditos de atacadistas: A decisão recorrida entende pela impossibilidade de aproveitamento de créditos de IPI nas aquisições de comerciante atacadista, e para tanto aponta o art. 6º do Decretolei 400/68. Afirma que será possível a apropriação de créditos quando os insumos tenham se sujeitado à tributação do IPI, bem como que as aquisições sejam efetuadas de comerciante atacadista não contribuinte do imposto. Tal fato é inconteste! A decisão, em verdade, nega o direito de aproveitamento de créditos pelo fato de entender que não se enquadram no conceito de matéria prima ou produto intermediário as aquisições realizadas. No entanto, como já demonstrado em tópico anterior, a análise técnica/científica que deve ser considerada para averiguação daquilo que é consumido ou incorporado no processo de produção deve ser realizada por entidade com o devido conhecimento do processo produtivo, e não simplesmente pelo Fiscal. Assim, deve ser reformada a decisão recorrida, para reconhecer a possibilidade de creditamento dos insumos constantes do Laudo Técnico, mesmo que tenham sido adquiridos de atacadistas. h. Ilegitimidade da multa de ofício: Por força do art. 142 do CTN, a Autoridade Lançadora não tem competência para impor multa. Sua competência restringese a propor a aplicação de multa. Já por isso, impõese o seu afastamento. É necessária a individualização da pena, em obediência aos princípios da proporcionalidade e da isonomia, sendo que, não existindo na Lei 4.502/64 elementos para tanto, essa individualização deve ser feita de acordo com a equidade, tal como dispõe o art. 108, IV c/c art. 112, ambos do CTN. Não se diga, de outro lado, que o julgador administrativo não pode deixar de aplicar o art. 80 da Lei 4.502/64, porque não é isso o que se pretende. O que se quer é a aplicação conjunta daquele dispositivo com os arts. 108, V, e 112 ambos do CTN c/c art. 5º, XLVI da Constituição Federal. Fl. 3953DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10480.733493/201399 Acórdão n.º 3402002.707 S3C4T2 Fl. 3.950 9 Mesmo porque o que realmente era devido e, embora tenha decorrido de erro, a Recorrente recolheu com a multa majorada. O que resta, então, decorre de uma discussão legítima, amparada por laudo da Universidade Federal Rural de Pernambuco, de forma que nada justifica a aplicação indistinta de uma multa tão gravosa, o que é vedado pelo art. 150, IV, da Constituição Federal). E não se diga que a vedação ao confisco não se aplica à multa porque, a bem da verdade, embora o texto constitucional mencione apenas "tributos", a orientação acolhida pela jurisprudência do Supremo Tribunal Federa confere leitura extensiva ao artigo 150, inciso IV, da Constituição, a fim de aplicálo também às multas. i. Não incidência de juros de mora sobre a multa aplicada: Nos termos do art. 61 da Lei n. 9.430/96, somente são admitidos os acréscimos moratórios referentes aos débitos "decorrentes de tributos e contribuições", mas não sobre as penalidades pecuniárias. Assim, na remota hipótese do Auto de Infração ser mantido, não poderão incidir juros SELIC sobre a multa de ofício na cobrança do crédito tributário. O § 3º do Art. 61 estabelece, de forma clara, que "sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão os juros de mora". Ora, cabe agora ao intérprete analisar quais são "os débitos a que se refere este artigo". Ora, a resposta está no Art. 61, onde se afirma que "Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições", ou seja, somente os débitos de tributos e contribuições podem sofrer a incidência de juros. O único pressuposto da cobrança dos juros decorre da não transferência voluntária e dentro do prazo legal do capital do contribuinte aos cofres públicos. Excetuandose essa situação, qualquer incidência de juros revelase abusiva e arbitrária, por ausência de seu pressuposto de fato, qual seja, a reposição do capital. Portanto, os juros não podem incidir sobre a multa, já que essa penalidade não retrata obrigação principal, mas sim encargo que se agrega ao valor da dívida, como forma de punir o sujeito passivo infrator. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme constam nos autos, houve parcelamento parcial dos débitos do presente processo. Por ocasião da impugnação, informou a ora recorrente que: a) a impugnação era parcial em relação às glosas dos itens I.1 e I.2 do Termo de Informação Fiscal; b) as glosas por ela admitidas que foram objeto de parcelamento seriam aquelas constantes nas planilhas juntadas (doc. 05 e doc. 07). No recurso voluntário foram contestadas as glosas na mesma extensão da impugnação. De forma que integram ainda a lide do presente processo parte das glosas não admitidas pela recorrente constantes nos itens I.1 e I.2 do Termo de Informação Fiscal. Fl. 3954DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 10 No Termo de Informação Fiscal essas glosas foram, em essência, assim motivadas: I.1 INEXISTÊNCIA DO DIREITO AO CRÉDITO DO IPI PELA ENTRADA DE MATERIAIS DE CONSUMO E DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO: (...) Assim sendo, nos termos dos Pareceres retrocitados [Parecer Normativo CST nº 65/1979 e Parecer Normativo 181/74] e em consonância com o RIPI, geram direito ao crédito, além das matériasprimas, produtos intermediários “strictosensu” e material de embalagem que se integram ao produto final, quaisquer outros bens – desde que não contabilizados pelo contribuinte em seu ativo permanente – que se consumam por decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, ou viceversa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, restando definitivamente excluídos aqueles que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização. Posta a legislação tributária aplicável, verificase que os itens descritos nas notas fiscais tais como: arame, prego, tinta, solvente, chapa, fita isolante, interruptor, peças para lancha, rolamentos, telha de alumínio, silicone, parafuso, farol, mouse para computador, alicate, pneu, pilha recarregável constantes da planilha “DEMONSTRATIVO DAS NOTAS FISCAIS DE ENTRADAS COM GLOSAS DE CRÉDITOS BÁSICOS DE IPI”, em anexo, não poderiam ser considerados como matériaprima para os produtos fabricados pelo contribuinte, eis que, por evidente, não se incorporam a tais produtos. Também é facilmente verificável que esses itens não constituem material de embalagem. Quanto a serem produtos intermediários, também não podem ser assim considerados, por não estar caracterizada a “ação diretamente exercida pelo insumo sobre o produto em fabricação ou deste sobre aquele” (relembrese que o fiscalizado é produtor de açúcar e álcool). Esses itens são, in facto, material de consumo ou peças de reposição das máquinas e equipamentos da empresa, não ensejando o direito ao crédito do IPI. Com efeito, os créditos identificados como indevidos encontram se relacionados na planilha “DEMONSTRATIVO DAS NOTAS FISCAIS DE ENTRADAS COM GLOSAS DE CRÉDITOS DE IPI“, em anexo. Por via de conseqüência, procedemos à reconstituição da escrita fiscal do IPI, onde glosamos os valores constantes da planilha citada no parágrafo precedente, conforme se verifica da “Planilha de Reconstituição da Escrita Fiscal do IPI, na coluna “Glosas efetuadas – de créditos básicos”. Fl. 3955DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10480.733493/201399 Acórdão n.º 3402002.707 S3C4T2 Fl. 3.951 11 I.2 INEXISTÊNCIA DO DIREITO AO CRÉDITO DO IPI PELA ENTRADA DE MATERIAIS DE CONSUMO ADQUIRIDOS DE COMERCIANTES ATACADISTAS, LANÇADOS NO RAIPI A TÍTULO DE “OUTROS CRÉDITOS” (...) O art. 6º do DecretoLei nº 400, de 1968, dispõe que “o imposto relativo à matériaprima, produto intermediário e material de embalagem e acondicionamento, adquirido de comerciante atacadista, será calculado pelo contribuinte adquirente, para efeito de crédito, mediante a aplicação da alíquota a que estiver sujeito o produto sobre 50% (cinqüenta por cento)do seu valor constante da nota fiscal”. Porquanto, é certo que o legislador previu a possibilidade de créditos serem calculados pelo industrial adquirente, relativamente às compras de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos de comerciante atacadista, não contribuinte do imposto. Todavia, analisando as imagens das notas fiscais apresentadas, por amostragem, observamos que NÃO se trata de insumos, mas de bens de consumo, peças de reposição, bens do ativo imobilizado etc, a exemplo de PNEU, CÂMERA DE AR, RETENTOR, VENTILADOR, TINTA, AVENTAL, PARAFUSO, ALICATE, GARRAFA TÉRMICA, PAPEL ETC. Ressaltese que identificamos, dentre as notas fiscais apresentadas pela Usina União, como se emitidas fossem de comerciantes atacadistas (não contribuintes do imposto), notas fiscais emitidas por estabelecimentos industriais, com a suspensão de que trata o art. 44 do RIPI/2002 (art 46 do RIPI/2010). Nestas operações, independentemente do tipo de produto adquirido, não há que se falar em qualquer espécie de crédito de IPI, posto que foram adquiridos com SUSPENSÃO do IPI. Com efeito, pelos mesmos motivos fáticos e jurídicos já exarados no item I.1 deste Termo Fiscal, procedemos à reconstituição da escrita fiscal do IPI, onde glosamos os valores lançados no RAIPI a título de “004 – outros créditos” , conforme se verifica da “Planilha de Reconstituição da Escrita Fiscal do IPI, na coluna “Glosas efetuadas – de outros créditos”. Registrese, que devido ao grande volume de notas fiscais apresentadas, sem qualquer planilha relacionandoas, digitalizadas, anexamos algumas delas, por amostragem, onde se verifica até comprovante de pagamento de salários. Passo à análise das preliminares do recurso voluntário. Fl. 3956DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 12 Alegou, a recorrente, em preliminares, nulidades da autuação e da decisão recorrida em face de cerceamento do direito de defesa e incoerência nas glosas. Não se pode dizer que teria havido cerceamento do direito de defesa na autuação, a qual motivou adequadamente as glosas constantes no "Demonstrativo das Notas Fiscais de Entrada com glosas de créditos básicos de IPI" (fls. 278/1023), com todos os fatos e fundamentos no Termo de Informação Fiscal, conforme ilustra o trecho acima transcrito dos itens I.1 e I.2, e detalhou em planilha a reconstituição da escrita do IPI. No procedimento fiscal que deu origem ao lançamento houve análise das notas fiscais, do livro RAIPI e das informações prestadas pela Recorrente, inclusive a relação dos principais insumos adquiridos e utilizados no seu processo de industrialização, que ela apresentou em resposta à intimação. O processo produtivo da recorrente foi considerado na medida em que era necessário, segundo o entendimento da fiscalização, para a análise dos créditos utilizados pela recorrente. Certamente que a fiscalização balizouse no processo produtivo da recorrente para avaliar os bens como materiais de consumo, peças de reposição de máquinas e equipamentos ou bens do ativo imobilizado que não gerariam o direito ao crédito. O auto de infração contém a descrição dos fatos e a subsunção ao enquadramento legal e foi instruído com os elementos de prova pertinentes, em conformidade com o disposto no art. 142 do CTN, possibilitando à recorrente o exercício do contraditório e da ampla defesa no âmbito administrativo. Com efeito, caberia à recorrente, por ocasião da impugnação, comprovar a eventual existência de elemento modificativo ou extintivo na autuação, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 333, II do Código de Processo Civil. O fato de as glosas terem sido feitas de forma agrupada, em face do grande volume de dados, não representa qualquer óbice à recorrente para produzir a argumentação contrária, acompanhada da produção pertinente de provas, relativamente a cada insumo ou a grupo de insumos para os quais entendia que os créditos pertinentes deviam ser reconhecidos. Também não houve cerceamento do direito de defesa na decisão de primeira instância, que continha todos os fatos e fundamentos para julgar improcedente a impugnação da ora recorrente. O fato de o julgador da DRJ não ter considerado, motivadamente, o Laudo em sua decisão, não a inquina de nulidade, eis que cada órgão julgador age, dentro da sua esfera de competência, segundo o princípio da livre persuasão racional. Com relação à preliminar de incoerência de algumas glosas citadas, alegou a recorrente que existiriam itens glosados e não glosados com funções semelhantes, mudando apenas a nomenclatura e a etapa no processo produtivo em que o insumo é desgastado. No entanto, não se discute no presente processo o que não foi objeto de lançamento, tais como os itens que não foram objeto de glosa. O que interessa ao litígio em andamento é a legitimidade das glosas efetuadas de que trata o processo, eis que, sendo legítimas, mesmo se houvesse a eventual incoerência no sentido alegado não seria o caso de cancelálas. Nesse aspecto, vale ressaltar que a recorrente nada aduziu materialmente, além da nulidade da autuação, que desabonasse a legitimidade das glosas que originaram o presente auto de infração. No mais, a indignação da recorrente diz respeito, em verdade, ao próprio mérito do recurso voluntário. Fl. 3957DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10480.733493/201399 Acórdão n.º 3402002.707 S3C4T2 Fl. 3.952 13 Pelo exposto acima, voto no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas pela recorrente. Passo, então, à análise do mérito do recurso voluntário. A recorrente não apresentou pedido expresso de realização de perícia ou de diligência no recurso voluntário, admitindo também não têlo feito na impugnação, não obstante a negativa de pedido nesse sentido pelo julgador de primeira instância. No entanto, manifestouse nesse aspecto da seguinte forma: " (...) a Recorrente reitera neste Recurso a questão posta na Impugnação: caso este órgão julgador entenda necessário, que determine a realização de perícia ou de diligência para determinar os insumos utilizados no processo produtivo da Recorrente". Nessa questão, conforme restará mais evidente da análise do mérito abaixo, entendo que o presente processo está pronto para julgamento, eis que, para as questões aqui controversas, não se exige conhecimento técnico ou exame de provas que já não estejam nos autos. Vale dizer que, para a maioria das questões colocadas, será necessária apenas interpretação jurídica, mas caso haja necessidade de informação técnica acerca do processo produtivo da recorrente, o Laudo apresentado pela impugnante poderá ser considerado. Assim, em conformidade ao disposto nos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/72, entendo prescindível a realização de perícia ou diligência no presente processo: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Analisemos as alegações de mérito do recurso voluntário na forma como nele foram divididas as matérias. Desenho constitucional e legal da não cumulatividade do IPI: Discorre a recorrente sobre a previsão constitucional da não cumulatividade do IPI, aduzindo que se deve interpretar os dispositivos legais e regulamentares, de forma a permitir o crédito dos insumos no conceito amplo, qualificandoos como aqueles que, integrandose ou não ao novo produto, forem consumidos no processo produtivo, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. De forma que, a seu ver, o desafio seria identificar os insumos adquiridos com tributação pelo IPI, que foram consumidos no processo produtivo e que compuseram o custo de produção, eis que a teor do que já decidiu o CARF, no Acórdão nº 3403001271, "A análise do direito ao crédito deve atentar para as características específicas da atividade produtiva do contribuinte". Fl. 3958DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 14 Primeiramente, cabe a ressalva que o Acórdão acima mencionado não trata análise de crédito básico do IPI, mas das contribuições do PIS e da Cofins não cumulativas, para as quais, como é consabido, o conceito de insumo é bastante diverso, baseado em outra legislação. Não obstante a técnica da não cumulatividade do IPI tenha amparo no art. 153, §3° da Constituição Federal, esse dispositivo, por si só, não assegura o direito ao crédito do IPI sobre os produtos adquiridos, havendo a necessidade de lei, regulamento e normas complementares (art. 100 do CTN) que tragam as condições e as formas para que esse crédito possa ser aproveitado pelo contribuinte. Nesse sentido já foi decidido no Acórdão nº 3302 002.127 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, j. 22/05/2013, Rel. Gileno Gurjão Barreto. Nesse contexto é que dispõe o art. 226, I do Regulamento do IPI/2010, e dispunha o art. 164, I do RIPI/2002, vigente à época de parte dos fatos geradores, que os estabelecimentos industriais e os que lhe são equiparados podem creditarse do imposto relativo às matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de fabricação, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. Também os Pareceres Normativos CST nº 65/79 e nº 181/74, parcialmente transcritos abaixo, que são atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas, nos termos do art. 100, I do CTN, auxiliam na determinação do sentido e alcance das normas legais e do regulamento acerca de quais insumos ensejam aproveitamento de créditos do IPI: [Parecer Normativo CST nº 65/79] 1 Em estudo o inciso I do artigo 66 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto nº 83.263, de 9 de março de 1979 (RIPI/79). 2 O artigo 25 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, com a redação que lhe foi dada pela alteração 8ª do artigo 2º do Decretolei nº 34, de 18 de novembro de 1966, repetida “ipsis verbis” pelo artigo 1º do Decretolei nº 1.136, de 7 de setembro de 1970, dispõe: ‘Art. 25 A importância a recolher será o montante do imposto relativo aos produtos saídos do estabelecimento, em cada mês, diminuindo do montante do imposto relativo aos produtos nele entrados no mesmo período, obedecidas as especificações e normas que o regulamento estabelecer’. Como se vê, tratase de norma não autoaplicável, de vez que ficou atribuído ao regulamento especificar os produtos entrados que geram o direito à subtração do montante de IPI a recolher. 3 Diante disto, ressaltese serem ‘ex nunc’ os efeitos decorrentes da entrada em vigência do inciso I do artigo 66 do RIPI/79, ou seja, usando da atribuição que lhe foi conferida em lei, o novo Regulamento estabeleceu as normas e especificações que a partir daquela data passaram a reger a matéria, não se tratando, como há quem entenda, de disposição interpretativa e, por via de conseqüência, retroativa, somente sendo, portanto, Fl. 3959DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10480.733493/201399 Acórdão n.º 3402002.707 S3C4T2 Fl. 3.953 15 aplicável a norma em análise, a seguir transcrita, aos fatos ocorridos a partir da vigência do RIPI/79: ‘Art. 66 Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502/64 arts. 25 a 30 e Decretolei nº 3.466, art. 2º, alt. 8ª): I do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo se, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente.’ 4 Notese que o dispositivo está subdividido em duas partes, a primeira referindose às matériasprimas, aos produtos intermediários e ao material de embalagem; a segunda relacionada às matérias primas e aos produtos intermediários que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização. 4.1 Observese, ainda, que enquanto na primeira parte da norma ‘matériasprimas’ e ‘produtos intermediários’ são empregados ‘stricto sensu’, a segunda usa tais expressões em seu sentido lato: quaisquer bens que, embora não se integrando ao produto em fabricação se consumam na operação de industrialização. 4.2 Assim, somente geram direito ao crédito os produtos que se integrem ao novo produto fabricado e os que, embora não se integrando, sejam consumidos no processo de fabricação, ficando definitivamente excluídos aqueles que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização. 5 No que diz respeito à primeira parte da norma, que se refere a matériasprimas e produtos intermediários ‘stricto sensu’, ou seja, bem dos quais, através de quaisquer das operações de industrialização enumeradas no Regulamento, resulta diretamente um novo produto, tais como, exemplificadamente, a madeira com relação a um móvel ou o papel com referência a um livro, nada há que se comentar de vez que o direito ao crédito, diferentemente do que ocorre com os referidos na segunda parte, além de não se vincular a qualquer requisito, não sofreu alteração com relação aos dispositivos constantes dos regulamentos anteriores. 6 Todavia, relativamente aos produtos referidos na segunda parte, matériasprimas e produtos intermediários entendidos em sentido amplo, ou seja, aqueles que embora não sofram as referidas operações são nelas utilizados, se consumindo em virtude do contato físico com o produto em fabricação, tais como lixas, lâminas de serra e catalisadores, além da ressalva de não gerarem o direito se compreendidos no ativo permanente, exige se uma série de considerações. Fl. 3960DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 16 6.1 Há quem entenda, tendo em vista tal ressalva (não gerarem direito ao crédito os produtos compreendidos entre os bens do ativo permanente), que automaticamente gerariam o direito ao crédito os produtos não inseridos naquele grupo de contas, ou seja, que a norma em questão teria adotado como critério distintivo, para efeito de admitir ou não o crédito, o tratamento contábil emprestado ao bem. 6.2 Entretanto, uma simples exegese lógica do dispositivo já demonstra a improcedência do argumento, uma vez que, consoante regra fundamental de lógica formal, de uma premissa negativa (os produtos ativados permanentemente não geram o direito) somente concluise por uma negativa, não podendo, portanto, em função de tal premissa, ser afirmativa a conclusão, ou seja, no caso, a de que os bens não ativados permanentemente geram o direito de crédito. (...) 10 Resumese, portanto, o problema na determinação do que se deve entender como produtos ‘que embora não se integrando no novo produto, forem consumidos, no processo de industrialização’, para efeito de reconhecimento ou não do direito ao crédito. 10.1 Como o texto fala em ‘incluindose entre as matérias primas e os produtos intermediários’, é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matériasprimas e os produtos intermediários ‘stricto sensu’, semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto de fabricação, ou por este diretamente sofrida. 10.2 A expressão ‘consumidos’ sobretudo levandose em conta que as restrições ‘imediata e integralmente’, constantes do dispositivo correspondente do Regulamento anterior, foram omitidas, há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo. 11 Em resumo, geram o direito ao crédito, alem dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários, “stricto senso”, material de embalagens), quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação; ou viceversa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam, em face dos princípios contábeis geralmente aceitos, ser incluídos no ativo permanente. (grifos desta Relatora) [Parecer Normativo nº 181/1974] (...) Fl. 3961DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10480.733493/201399 Acórdão n.º 3402002.707 S3C4T2 Fl. 3.954 17 13 Por outro lado, ressalvados os casos de incentivos expressamente previstos em lei, não geram direito ao crédito do imposto os produtos incorporados às instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas equipamentos e ferramentas, mesmo que se desgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização, bem como os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos, inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento. Entre outros, são produtos dessa natureza: limas, rebolos, lâmina de serra, mandris, brocas, tijolos refratários usados em fornos de fusão de metais, tintas e lubrificantes empregados na manutenção de máquinas e equipamentos etc.” (grifos da Relatora) Assim, em consonância aos dispositivos e atos normativos acima mencionados, o aproveitamento do crédito de IPI relativo aos insumos que não integram o produto pressupõe o consumo, ou seja, o desgaste de forma imediata (direta) e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização e que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa. De forma que não há como acolher a pretensão da recorrente de ter reconhecido o direito ao crédito do IPI sobre todos os insumos (no conceito amplo) que forem consumidos no processo produtivo, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente, eis que não há direito ao creditamento nas hipóteses em que ocorre apenas o desgaste indireto no processo produtivo. Neste mesmo sentido decidiu o Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo (REsp nº 1.075.508), cujos termos vincula este colegiado consoante regra contida no art. 62 A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de recursos Fiscais, RICARF (Anexo II à Portaria MF n. 256, de 2009, alterada pela Portaria MF n. 586, de 2010),que assim prescreve: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. O RECURSO ESPECIAL Nº 1.075.508 SC (2008/01532905), representativo de controvérsias, nos termos do artigo 543C do CPC, traz a seguinte ementa: EMENTA PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E AO USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. RATIO ESSENDI DOS DECRETOS 4.544/2002 E 2.637/98. 1. A aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa ou de insumos que não se incorporam ao produto final ou cujo desgaste não ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização não gera direito a creditamento de IPI, consoante a ratio essendi do artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (Precedentes das Turmas de Direito Fl. 3962DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 18 Público: AgRg no REsp 1.082.522/SP, Rel.Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 16.12.2008, DJe 04.02.2009; AgRg no REsp 1.063.630/RJ, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 16.09.2008, DJe 29.09.2008; REsp 886.249/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.09.2007, DJ 15.10.2007; REsp 608.181/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 06.10.2005, DJ 27.03.2006; e REsp 497.187/SC, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 17.06.2003, DJ 08.09.2003). 2. Deveras, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditarse do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose ‘aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente’. 3. In casu, consoante assente na instância ordinária, cuidase de estabelecimento industrial que adquire produtos ‘que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final’, razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Nesta esteira, em julgamento anterior deste Conselho Administrativo, no Acórdão nº 3302002.475, da 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária desta Terceira Seção de Julgamento, cuja ementa segue abaixo, foi adotado o entendimento do referido Recurso Especial: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 CRÉDITOS DE IPI. PRODUÇÃO DE CANADEAÇÚCAR E DERIVADOS. O conceito de insumo para industrialização, não é largo o bastante para abranger os insumos utilizados no cultivo de cana deaçúcar. O cultivo da canadeaçúcar é processo de produção típico da agricultura, e não da atividade industrial. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. DESGASTE INDIRETO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO DE IPI. RECURSO REPETITIVO STJ. Fl. 3963DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10480.733493/201399 Acórdão n.º 3402002.707 S3C4T2 Fl. 3.955 19 Os produtos intermediários que geram direito de crédito de IPI, nos termos do REsp nº 1.075.508, julgado em sede de recurso repetitivo, são aqueles que são consumidos ou sofrem desgaste de forma imediata e integral no processo produtivo, sendo incabível quanto aos valores do IPI pagos quando da aquisição de máquinas, equipamentos, suas partes e peças, combustível empregado em máquinas e equipamentos, bem como quando da aquisição de produtos cujo desgaste se dê apenas de forma indireta. Recurso Voluntário Negado. Do laudo técnico emitido pela UFRPE acerca do processo produtivo da Recorrente: A fim de esclarecer o conteúdo do Laudo apresentado pela recorrente por ocasião da apresentação da impugnação, importa destacar os seguintes trechos: (...) A Usina União e Indústria S.A, com endereço no Engenho Bonfim, s/n zona rural Primavera/PE, CNPJ n° 10.204.485/000199, solicitou à Universidade Federal Rural de Pernambuco Estação Experimental de CanadeAçúcar do Carpina, um Laudo Técnico com os seguintes objetivos: (i) entendimento do processo produtivo do açúcar e (ii) identificação dos materiais consumidos nesse processo. As análises consideraram o conceito de uma unidade fabril agroindustrial que difere significativamente quando comparado a uma unidade fabril industrial por abrangência de operações, principalmente relacionada à produção da matéria prima básica, no caso especifico a canadeaçúcar. (...) Foram realizadas visitas a unidade industrial da empresa para entendimento de seu processo produtivo e identificação do respectivo consumo de materiais, sendo que o fluxograma desse processo está apresentado no "ANEXO I FLUXOGRAMA DO PROCESSO PRODUTIVO" dessa carta, que como já dito anteriormente, caracterizase por um processo de produção agroindustrial. Adicionalmente foi coletado material para elaboração de uma descrição ilustrada do processo produtivo do açúcar com a finalidade de melhor entendimento e visualização das etapas desse processo, que se encontra representada no ANEXO II "DESCRIÇÃO DO PROCESSO PRODUTIVO COM ILUSTRAÇÕES" Após a análise do processo produtivo, foram verificados, a partir de uma relação de materiais fornecida pela Usina União Fl. 3964DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 20 e Indústria S.A., aqueles que fazem parte desse processo, por meio das seguintes etapas: 1. Analise da relação recebida da Usina dos materiais consumidos na produção agroindustrial. Essa relação encontrase no: "ANEXO III RELAÇÃO DE MATERIAIS RECEBIDOS DA USINA"; 2. Discussões e entrevistas com os técnicos de manutenção e de produção agrícola e industrial a fim de segregar os materiais consumidos nesse processo daqueles destinados a atividades marginais ao processo ou mesmo não vinculados à produção do açúcar; 3. Elaboração de relação contendo os itens que foram classificados como essenciais para o processo produtivo, sendo essa denominada como "ANEXO IV RELAÇÃO DOS ITENS DO PROCESSO PRODUTIVO"; 4. Com o objetivo de evidenciar de forma detalhada: (i) função do item no processo de produção e o (ii) tipo de desgaste, foram realizadas pesquisas adicionais com os mesmos técnicos, com base em amostragem dos itens; 5. O resultado da análise dessa amostragem foi denominado como "ANEXO V PESQUISA COM ITENS DO PROCESSO PRODUTIVO"; e Os fatores determinantes para a identificação dos insumos consumidos no processo produtivo consideraram a natureza específica dos materiais e seu uso corrente. 6. Os fatores determinantes para a identificação dos insumos consumidos no processo produtivo consideraram a natureza específica dos materiais e seu uso corrente. (...) ANÁLISE DO PROCESSO PRODUTIVO E CONSUMO DE MATERIAIS A análise do processo produtivo da Usina União e Indústria S.A. e seu respectivo consumo de materiais foi realizado conforme as seguintes fases de produção do açúcar: 1. Agrícola; 2. CCT Corte, carregamento e Transporte da Canadeaçúcar; 3. Recepção da canadeaçúcar; 4. Preparo da canadeaçúcar; 5. Moagem; 6. Tratamento do caldo; 7. Preparo do açúcar; 8. Ensacamento e empacotamento do açúcar; 9. Geração de vapor; e Fl. 3965DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10480.733493/201399 Acórdão n.º 3402002.707 S3C4T2 Fl. 3.956 21 10. Produção de peças (...) Conforme se depreende da leitura dos trechos acima, e já tinha observado o julgador de primeira instância, o Laudo inclui no processo produtivo também a parte agrícola. No entanto, o processo que envolve o cultivo da canadeaçúcar, não se enquadra no conceito de industrialização estabelecido pelo art. 4º do RIPI/2002 e do RIPI/2010. Nesse sentido, não ensejam direito a crédito os insumos da parte agrícola, conforme já decidido no Acórdão nº 3102000.887, da 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, assim ementado: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/2002 RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS DE IPI. PRODUÇÃO DE CANADEAÇÚCAR E DERIVADOS. O conceito de insumo para industrialização, não é largo o bastante para abranger os insumos utilizados no cultivo de cana deaçúcar. Ocorre que o cultivo da canadeaçúcar é processo de produção típico da agricultura, e não da atividade industrial. Recurso voluntário conhecido, mas desprovido. Crédito tributário negado. Requer a recorrente que esta Turma julgadora utilize o Laudo apresentado com a impugnação para a análise das glosas efetuadas pela fiscalização, esclarecendo que agiu em conformidade com o referido Laudo, tendo acatado (não impugnado e parcelado) os itens que não estão contemplados no Laudo como integrantes do processo produtivo. Embora não conste no recurso voluntário e na impugnação as específicas glosas contestadas pela recorrente, há uma relação de itens do processo produtivo no Anexo V do Laudo. Na análise desse Anexo V, que contém a "PESQUISA COM ITENS DO PROCESSO PRODUTIVO", há o código do produto, sua descrição, função e descritivo do desgaste, verificamos que: i) Tratamse, em grande parte, de tubos, válvulas, parafusos, vigas, chapas, cantoneiras, acoplamentos, bombas e rotores. A maioria dos desgastes referidos são apenas indiretos nesses equipamentos ou componentes, como por exemplo, os desgaste decorrentes de: "processo corrosivo com abrasão devido a contato com a massa do açúcar", "pelo uso e desgaste do equipamento", "por corrosão devido a contato com produtos químicos", "processo corrosivo com abrasão devido a contato com a cana e o caldo", "por fadiga devido a esforço mecânico" e "devido ao contato com o caldo quente". Conforme já exposto neste voto, inclusive sob o respaldo de recurso repetitivo, esse tipo de desgaste indireto não dá direito ao aproveitamento ao crédito do IPI. ii) Além disso, alguns itens são da fase agrícola do processo produtivo e não geram direito a crédito também por este motivo, como, por exemplo, o item 520027512, descrito como "manta asfáltica para revestimento de canal de irrigação" que tem a função de Fl. 3966DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 22 "transportar vinhaça e água para irrigação da cana". Para alguns itens também não se pode avaliar, pela função e tipo de desgaste, se o bem seria para a fase agrícola ou industrial, como, por exemplo, o item 520001581, descrito como "facão c/cabo longo de 14", com a função de "corte de canadeaçúcar". iii) Quanto a dois produtos químicos, os itens 5.2.0.000034 e 5.2.0.016757, considerando a função bactericida descrita, poderiam ser consumidos em contato direto com o caldo do açúcar em fabricação, integrando o produto final, entretanto, no cotejo desses produtos no Demonstrativo de glosas da fiscalização, verificase que foram adquiridos também "para industrialização ou produção rural". De forma que não se pode descartar, pelo que constam nos autos, que tais produtos poderiam também ter alguma aplicação na parte agrícola do processo produtivo, que não enseja o creditamento. iv) Também o mesmo ocorre para o "Papel Kraft" (item 5.2.0.024010) e o "Cordão"(item 5.2.0.003300), que teriam função de material de embalagem e costura do saco do açúcar, respectivamente, entretanto, consta no Demonstrativo de Glosas que foram comprados também "para industrialização ou produção rural". v) Os demais itens são materiais de consumo que também não dão direito ao crédito como insumo do IPI, por não se caracterizarem como bens que são consumidos em contato direto com o produto em fabricação. Assim, considerando que, o recorrente tem o ônus da prova do elemento modificativo da autuação, entendo que, o Laudo apresentado na impugnação não se caracteriza como prova suficiente a reverter as glosas efetuadas pela fiscalização. Prossegue a recorrente, para que não seja classificada como genérica a sua defesa, com a apresentação de considerações acerca de itens referidos pela fiscalização em seu Termo de Informação Fiscal, que dariam, a seu ver, direito a crédito: i) A MEMBRANA FILTRANTE P/ FILTRO MFC 150, que tem por função filtrar o resíduo do decantador, separando o Caldo filtrado da Torta, cujo desgaste ocorre diretamente no processo produtivo pela pressão e vazão do produto a ser filtrado (caldo da canadeaçúcar). ii) O ROTOR BOMBA CENTURY BCV 80/315 INOX, item essencial para o processo porque fica dentro dos tanques e permite impulsionar o caldo no processo produtivo, e se desgasta pela corrosão e abrasão devido ao contato com o caldo. iii) A CHAPA ASTM A36 DE 5/8", que é a chapa da esteira de cana e sofre corrosão pelo contato com a canadeaçúcar e o caldo num prazo de até 06 meses, sendo igualmente essencial no transporte da canadeaçúcar e da cana durante processo produtivo (entre as máquinas). Aduz a recorrente, que esses produtos são consumidos no processo produtivo e que, pelo tempo do desgaste, não são ativáveis, justificam, nos termos da não cumulatividade constitucional que é própria do IPI, o direito ao crédito em relação às aquisições, sem contar que os itens perdem suas propriedades físicoquímicas que invariavelmente se incorporam ao produto. Conforme já esclarecido neste Voto, adotase aqui o entendimento do Recurso Especial nº 1.075.508SC, sob a sistemática do art. 543C do CPC, no sentido de que esses equipamentos e componentes não se integram fisicamente ao produto final e nem se desgastam por ação direta, sofrendo apenas desgaste indireto no processo produtivo, o que não Fl. 3967DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10480.733493/201399 Acórdão n.º 3402002.707 S3C4T2 Fl. 3.957 23 enseja o creditamento do IPI como insumos. De forma que deve ser mantida a exigência fiscal também nesta parte. Dos créditos de atacadistas: Neste tópico do recurso voluntário, insiste ainda a recorrente na possibilidade de creditamento dos insumos constantes no Laudo Técnico, mesmo que tenham sido adquiridos de atacadistas, entretanto, conforme já analisado neste voto, os itens que constam relacionados no anexo ao Laudo não ensejam o creditamento do IPI. Ilegitimidade da multa de ofício: Alega a recorrente que, por força do art. 142 do CTN, a autoridade lançadora não tem competência para impor multa, mas só para propor a aplicação de multa, no que está correta. No entanto, a fiscalização não impôs a multa, mas formalizou a respectiva exigência fiscal no auto de infração com a garantia do devido processo legal à recorrente. Não há que se falar em aplicação da equidade ou da interpretação mais favorável, como quer a recorrente, nos termos do art. 108, IV e 112 do CTN, eis que não paira qualquer dúvida da aplicação ou da interpretação do art. 80, caput da Lei nº 4.502/64, que prevê a multa de ofício sobre o valor do imposto não recolhido. Quanto à alegação de que a multa seria manifestamente confiscatória e, portanto, inconstitucional, eis que toma como montante o valor da própria mercadoria, dela não se pode tomar conhecimento. No caso, verificar a eventual existência de confisco seria equivalente a reconhecer a inconstitucionalidade da multa, o que é vedado a este Conselho, salvo nas hipóteses do art. 62, parágrafo único do seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda (MF) nº 256/2009. No âmbito do processo administrativo fiscal, por força do caput do art. 59 do Decreto no 7.574/2011, é expressamente vedado afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade. Assim, afasto a alegação da recorrente de confisco da multa. O entendimento no sentido de que descabe ao julgador administrativo examinar alegação de inconstitucionalidade consta, inclusive, da Súmula no 2 do Carf, aprovada pelo Pleno e pelas Turmas da CSRF, nas sessões realizadas em 8 de dezembro de 2009 e 29 de novembro de 2010, divulgada pela Portaria Carf no 52, de 2010: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ACÓRDÃOS PARADIGMAS Acórdão nº 10194.876, de 25/02/2005 Acórdão nº 10321568, de 18/03/2004 Acórdão nº 10514586, de 11/08/2004 Acórdão nº 10806035, de 14/03/2000 Acórdão nº 10246146, de 15/10/2003 Acórdão nº 20309298, de 05/11/2003 Acórdão nº 20177691, de 16/06/2004 Acórdão nº 20215674, de 06/07/2004 Acórdão nº 20178180, de 27/01/2005 Acórdão nº 20400115, de 17/05/2005 Fl. 3968DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 24 Não incidência de juros de mora sobre a multa aplicada: Por fim, quanto à insurgência relativa a incidência de juros de mora sobre a multa aplicada, há que se esclarecer que os juros de mora são devidos, nos termos do art. 61, caput e §3° da Lei nº 9.430/96, sobre os "débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal" não pagos no prazo previsto, incidindo, portanto, também sobre a multa de ofício. Por todo o exposto, meu voto é no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Voto Vencedor Conselheiro Alexandre Kern Redator designado. Conforme relatado, o recorrente infirma a decisão recorrida, que teria cerceado seu direito de defesa, ao refutar integralmente o laudo técnico apresentado, sob a alegação de que o mesmo se propunha a analisar apenas a fase agrícola do processo produtivo, ao passo que o parecer abordaria também a fase industrial. Pede a decretação da nulidade da decisão da 3ª Turma da DRJ/BEL. O autuado, enquanto impugnante, referiu laudo técnico anexado aos autos (Doc. 6, fls. 2.946 a 2.973), emitido pela Universidade Federal Rural de Pernambuco – UFRPE, explicando que adotou integralmente suas conclusões, a ponto de não impugnar as glosas dos itens que não foram contemplados no parecer como integrantes do processo produtivo. Nesse sentido, invocou o art. 30 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 PAF, e pediu que o Colegiado a quo também o adotasse em seus aspectos técnicos. Analisando o pleito, o voto condutor da decisão recorrida assentou (fls. 3.867 e 3.868): Ao proceder a leitura do laudo elaborado pela Universidade Federal de Pernambuco destacamos alguns trechos: Na introdução: “As análises consideraram o conceito de uma unidade fabril agroindustrial que difere significativamente quando comparado a uma unidade fabril industrial por abrangência de operações, principalmente relacionada à produção da matériaprima básica, no caso especifico a canadeaçúcar” (...) Na Analise do Processo Produtivo de consumo de materiais: 1. Agrícola 2. CCT Corte, carregamento e Transporte da CanadeAçúcar. (...) Nas Considerações finais: Fl. 3969DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10480.733493/201399 Acórdão n.º 3402002.707 S3C4T2 Fl. 3.958 25 “No processo produtivo da Usina União e Indústria S.A. a atividade rural de produção da canadeaçúcar é parte essencial do procedimento de fabricação de açúcar”; Observase nos trechos extraídos do citado Laudo que foi elaborado desde o cultivo de cana de açúcar. Contudo, o cultivo de canadeaçúcar não se enquadra no conceito de industrialização estabelecido pelo art. 4º do RIPI/2002 e RIPI/2010. Assim, por se tratar de atividade agrícola, excluem se os insumos e defensivos de uso agrícola, os lubrificantes e combustíveis utilizados na atividade agrícola, e as peças e materiais utilizados na manutenção de máquinas agrícolas e caminhões utilizados na lavoura. Resta suficientemente óbvio, portanto, que o Laudo apresentado, não se propõe a identificar os insumos de um processo produtivo nos termos da legislação do IPI. Compulsando o referido laudo, já no capítulo inicial que descreve a metodologia empregada no estudo, verifico que quedou assentado que foram realizadas visitas à unidade industrial da empresa para entendimento de seu processo produtivo e identificação do respectivo consumo de materiais (fl. 2.947). Ademais, a análise dos matérias que compõem o processo produtivo (caracterizado como agroindustrial) desenvolveuse segundo as seguintes etapas: 1. Analise da relação recebida da Usina dos materiais consumidos na produção agroindustrial. Essa relação encontrase no: "ANEXO III RELAÇÃO DE MATERIAIS RECEBIDOS DA USINA"; 2. Discussões e entrevistas com os técnicos de manutenção e de produção agrícola e industrial a fim de segregar os materiais consumidos nesse processo daqueles destinados a atividades marginais ao processo ou mesmo não vinculados à produção do açúcar; 3. Elaboração de relação contendo os itens que foram classificados como essenciais para o processo produtivo, sendo essa denominada como "ANEXO IV RELAÇÃO DOS ITENS DO PROCESSO PRODUTIVO"; 4. Com o objetivo de evidenciar de forma detalhada: (i) função do item no processo de produção e o (ii) tipo de desgaste, foram realizadas pesquisas adicionais com os mesmos técnicos, com base em amostragem dos itens; 5. O resultado da análise dessa amostragem foi denominado como "ANEXO V PESQUISA COM ITENS DO PROCESSO PRODUTIVO"; e 6. Os fatores determinantes para a identificação dos insumos consumidos no processo produtivo consideraram a natureza específica dos materiais e seu uso corrente. Mas adiante, o laudo enumera as fases do processo de fabricação do açúcar: 1. Agrícola; Fl. 3970DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 26 2. CCT – Corte, carregamento e transporte da canadeaçúcar; 3. Recepção da canadeaçúcar; 4. Preparo da canadeaçúcar; 5. Moagem; 6. Tratamento do caldo; 7. Preparo do açúcar; 8. Ensacamento e empacotamento do açúcar; 9. Geração de vapor; e 10. Produção de peças Basta uma rápida recapitulação do que dispõe o art. 4º do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, aprovado pelo Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002 – RIPI/2002, e se concluirá que o laudo também abordou aspectos relacionados com a fase industrial da produção de açúcar. Nesse sentido, a rejeição do parecer sob o argumento de que se analisava exclusivamente o cultivo da canadeaçúcar, como fez o voto condutor da decisão recorrida, acabou por cercear o direito de defesa do autuado, enquanto impugnante. Nesse sentido, julgo que se deve acolher a preliminar argüida, para anular o Acórdão DRJ/BEL3ª Turma n° 0129.368, de 10 de junho de 2014, para que uma nova decisão seja proferida, em que se enfrente o laudo técnico de fls. 2.946 a 2.973, no que diz respeito aos seus aspectos técnicos referentes à etapa industrial do processo produtivo de fabricação do açúcar, bem como todas as provas e alegações apresentadas até o momento processual da impugnação. É como voto. Sala de sessões, em 19 de março de 2015 Redator designado Fl. 3971DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003673/2009-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
TRANSFERÊNCIA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. POSSIBILIDADE.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a transferência do sigilo bancário às autoridades e agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. INTIMAÇÃO.
Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede a lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996.
A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 2202-003.022
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da infração o valor de R$ 821.110,24.
Assinado digitalmente
ANTONIO LOPO MARTINEZ - Presidente.
Assinado digitalmente
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA, DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada) e RAFAEL PANDOLFO.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 TRANSFERÊNCIA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. POSSIBILIDADE. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a transferência do sigilo bancário às autoridades e agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. INTIMAÇÃO. Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede a lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 19515.003673/2009-96
anomes_publicacao_s : 201504
conteudo_id_s : 5450461
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2202-003.022
nome_arquivo_s : Decisao_19515003673200996.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
nome_arquivo_pdf_s : 19515003673200996_5450461.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da infração o valor de R$ 821.110,24. Assinado digitalmente ANTONIO LOPO MARTINEZ - Presidente. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA, DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada) e RAFAEL PANDOLFO.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
id : 5886645
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047705289228288
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2271; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 414 1 413 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.003673/200996 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.022 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de março de 2015 Matéria IRPF Depósitos bancários Recorrente JOSÉ ROBERTO SILVEIRA BRAZÃO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 TRANSFERÊNCIA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. POSSIBILIDADE. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a transferência do sigilo bancário às autoridades e agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. INTIMAÇÃO. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede a lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 36 73 /2 00 9- 96 Fl. 414DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da infração o valor de R$ 821.110,24. Assinado digitalmente ANTONIO LOPO MARTINEZ Presidente. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA, DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada) e RAFAEL PANDOLFO. Relatório Foi lavrado Auto de Infração contra o contribuinte JOSÉ ROBERTO SILVEIRA BRAZÃO (fls. 152 a 159), com o lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física, relativo ao anocalendário de 2005, no valor de R$ 796.984,48, multa de ofício de R$ 597.738,36 e juros de mora de R$ 309.628,47, calculados até 31/08/2009, referente à infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, com base na Lei nº 9.430/96. Por meio do Termo de Início de Fiscalização, o contribuinte foi intimado a apresentar os extratos bancários (fls. 03 e 04), tendo os apresentado dentro do prazo estipulado. Após análise dos extratos bancários, ele foi intimado a comprovar a origem dos recursos creditados em suas contas bancárias, por intermédio do Termo de Intimação Fiscal n° 01/2009 (fls. 112 a 117), lavrado em 09/02/2009, com ciência por via postal em 13/02/2009 (fl. 118). Por esse termo, o contribuinte foi cientificado do procedimento de lançamento de ofício, a título de omissão de rendimentos, dos valores cuja origem não fosse comprovada, conforme disposto no artigo 42 da Lei 9.430/96. Em 01/04/2009, o contribuinte apresentou documentação comprobatória de venda e compra de imóvel, conforme indicado no Termo de Comparecimento por ele assinado naquela data (fl. 119). Ainda em 01/04/2009, foi lavrado o Termo de Constatação Fiscal 01/2009 (fls. 128 a 130), com ciência pessoal do contribuinte, consignando que não foram apresentados os documentos que comprovassem a origem de todos os recursos creditados nas contas bancárias do Banco Itaú e Banco Santander do anocalendário 2005 em seu nome, conforme planilhas anexas ao referido Termo. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.003673/200996 Acórdão n.º 2202003.022 S2C2T2 Fl. 415 3 Em 06/04/2009, lavrouse o Termo de Constatação fiscal 02/2009 (fls. 131 a 132), com ciência em 13/04/2009 (fl. 134), esclarecendo que foram considerados como depósitos de origem comprovada os valores de R$ 81.600,00 (09/2005) e R$ 18.400,00 (12/2005), relacionados à transação imobiliária documentada, ambos creditados na conta do Banco Sudameris. O contribuinte apresentou resposta em 19/08/2008 (fl. 133) com algumas explicações sobre créditos em suas contas bancárias. Foi então lavrado o Auto de Infração (fls. 152 a 159) com o lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física, relativo ao anocalendário de 2005, referente à infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, com base na Lei nº 9.430/96. O Termo de Verificação Fiscal encontrase às fls. 145 a 151. O contribuinte impugnou o lançamento (fls. 166 a 196) alegando, em síntese: cerceamento de defesa, por falta de emissão de Termo de Intimação próprio, com identificação individualizada dos depósitos; a intimação foi genérica e não foram informadas as possíveis exclusões das transferências entre as contas; as contas mantidas junto às instituições financeiras eram em conjunto com sua esposa, Sra. Miriam Gambette Brazão, a qual não foi intimada para justificar os depósitos; o AuditorFiscal não obedeceu aos Princípios do Dever de Investigação e da Verdade Material, uma vez que, antes de proceder ao lançamento do crédito tributário, não investigou as atividades do contribuinte, de modo a identificar aquelas que guardam relação com as normas tributárias; o fiscalizado várias vezes informou, verbalmente, à autoridade fiscal que os créditos apontados pela fiscalização decorriam de uma movimentação de entradas e saídas do mesmo dinheiro, uma vez que praticava o desconto de cheques de pequenos comerciantes que vendiam a prazo e não tinham capital de giro, recebendo em troca um "spread". Apresenta na impugnação oposta o rol de pessoas jurídicas com as quais operou em 2005 (fl. 186); ao proceder ao lançamento do crédito tributário a partir dos depósitos bancários, a fiscalização deixou de observar os princípios da razoabilidade e da materialidade, presentes no artigo 6º , § 6º , da Lei n° 8.021/1990, que estabelece a escolha de modalidade de arbitramento que mais favorecer o contribuinte. A 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II (DRJ/SP2) julgou improcedente a impugnação. A ementa do Acórdão foi assim redigida: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2005 NULIDADE . INOCORRÊNCIA . Não se cogita a nulidade processual, nem a nulidade do ato administrativo de lançamento quando o lançamento de ofício atende aos requisitos legais e os autos não apresentam as causas apontadas no artigo 59 do Decreto n° 70.235/1.972. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL . A emissão regular de intimações, bem como os esclarecimentos e elementos de prova solicitados, demonstram a observância do princípio da verdade material e o cumprimento do dever de investigação por parte da autoridade fiscal. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Durante a ação fiscal vige o princípio inquisitório. Somente na fase litigiosa, iniciada por impugnação válida, há que se falar em contraditório e ampla defesa, assegurados no presente caso. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS A não comprovação, mediante documentação hábil e idônea, da origem de recursos creditados em contas bancárias ou de investimentos, remete à presunção legal de omissão de rendimentos e autoriza o lançamento do imposto correspondente, conforme dispõe a Lei n° 9.430 / 1996. ÔNUS DA PROVA. PRESUNÇÃO LEGAL. Quando se tratar de presunções legais, cabe ao contribuinte o ônus de produzir provas hábeis e irrefutáveis da nãoocorrência da infração. TITULARES DE CONTA CONJUNTA. INTIMAÇÃO. Devem ser intimados para informar a origem e a titularidade dos depósitos bancários, os titulares de conta conjunta que não sejam dependentes entre si e apresentam declaração do Imposto de Renda em separado. PESSOA FÍSICA. EQUIPARAÇÃO À PESSOA JURÍDICA. Somente é conceituada como empresa individual e equiparada à pessoa jurídica a pessoa física que, comprovadamente, atenda os requisitos exigidos pela legislação de regência. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EXTENSÃO. As decisões judiciais, a exceção daquelas proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade de normas legais, e as administrativas não têm caráter de norma geral, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão àquela, objeto da decisão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão em 24 de outubro de 2011 (fl. 218/v), o contribuinte interpôs recurso voluntário em 9 de novembro de 2011 (fls. 348 a 392), no qual, além de repisar os argumentos da impugnação, alega que ocorreu violação do seu sigilo bancário sem autorização judicial, acarretando total nulidade da fiscalização. Ao final, requer preliminarmente a nulidade da exigência e, no mérito, o cancelamento total da exação. Protesta pela apresentação de memorial descritivo e sustentação oral. Voto Fl. 417DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.003673/200996 Acórdão n.º 2202003.022 S2C2T2 Fl. 416 5 Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e merece ser conhecido. Tratase de Auto de Infração que imputou ao contribuinte a infração de omissão de rendimentos caracterizado por depósitos bancários com origem não comprovada, cujo lançamento foi realizado com base no art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos, determinando que estão sujeitos ao lançamento de ofício os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física, regularmente intimada, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. Da preliminar de nulidade por violação do sigilo bancário A Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, assim dispõe: Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. [...] § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: I – a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II – o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III – o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV – a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V – a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI – a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. [...] Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Fl. 418DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Em havendo procedimento fiscal em curso, é lícito às autoridades fiscais requisitar das instituições financeiras informações relativas a contas de depósitos e de aplicações financeiras do contribuinte sob fiscalização, sempre que estas forem indispensáveis. Assim, resta claro que a Receita Federal do Brasil possui permissão legal para acessar os dados bancários do contribuinte sob ação fiscal. Ressaltese que o próprio contribuinte apresentou os seus extratos bancários, em atendimento à intimação. Assim, não houve necessidade de emissão de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), solicitando às instituições financeiras os dados bancários. Dessa forma, no presente caso, não há nenhuma ilicitude nas provas obtidas mediante a transferência de sigilo bancário para a Receita Federal do Brasil. Esse é o posicionamento que vem sendo acolhido pelas turmas do CARF, conforme abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. [...] (Acórdão nº 2202002.629, Rel. Rafael Pandolfo. Redator designado: Antonio Lopo Martinez). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 [...] REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. POSSIBILIDADE. Havendo procedimento fiscal em curso, os agentes fiscais tributários poderão requisitar das instituições financeiras registros e informações relativos a contas de depósitos e de investimentos do contribuinte sob fiscalização, sempre que essa providência seja considerada indispensável por autoridade administrativa competente. [...] (Acórdão nº 2102002.964, Rel. Núbia Matos Moura). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. REQUISIÇÃO ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. HIPÓTESE. As informações, referentes à movimentação bancária do contribuinte, podem ser obtidas pelo Fisco junto às instituições financeiras, no âmbito de procedimento de fiscalização em curso, quando ocorrer, dentre outros, o não fornecimento, pelo sujeito passivo, de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou Fl. 419DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.003673/200996 Acórdão n.º 2202003.022 S2C2T2 Fl. 417 7 atividade, próprios ou de terceiros, quando regularmente intimado. (Acórdão nº 2201002.291, Rel. Nathalia Mesquita Ceia). Preliminar de nulidade por cerceamento ao direito de defesa O recorrente alega cerceamento de defesa, por falta de emissão de Termo de Intimação próprio, com identificação individualizada dos depósitos. Afirma que a intimação foi genérica e não foram informadas as possíveis exclusões das transferências entre as contas. Contudo, não assiste razão ao recorrente, pois ele foi devidamente intimado a comprovar a origem dos recursos creditados em sua contas bancárias, por intermédio do Termo de Intimação Fiscal n° 01/2009 (fls. 112 a 117), lavrado em 09/02/2009, com ciência por via postal em 13/02/2009 (fl. 118), o qual relaciona, de forma individual, todos os créditos que devem ter a sua origem comprovada (fls. 113 a 115). O fato de os termos seguintes terem apresentado os valores dos créditos agrupados por mês não causou nenhum prejuízo a sua defesa, posto que estavam todos eles discriminados no Termo de Intimação Fiscal n° 01/2009, do qual ele teve ciência. Assim, estão satisfeitos os requisitos da Lei nº 9.430/96, que dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Também se encontram preenchidos os preceitos estabelecidos no artigo 142 do CTN, bem como não se identificou violação das disposições contidas nos artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72. CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Decreto 70.235/72: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; Fl. 420DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. [...] Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) O Auto de Infração foi lavrado por servidor competente, o sujeito passivo foi devidamente qualificado, foram mencionados os dispositivos legais infringidos e as penalidades aplicáveis, foram discriminados os valores da exigência fiscal, assim como o conteúdo da autuação está especificado no Termo de Verificação Fiscal. Em resumo, encontramse satisfeitos todos os requisitos legais, razão pela qual não se acolhe essa preliminar de nulidade. Da falta de intimação dos cotitulares da conta conjunta Compulsando os autos, observase que as contas nºs 0077/686004 e 0735/119877, ambas do Banco Itaú, são contas conjuntas, cujo cotitular não foi intimado para comprovar a origem dos depósitos nelas efetuados, contrariando entendimento já consolidado na Súmula CARF nº 29, de caráter vinculante. Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Embora o contribuinte afirme que essa conta era mantida em conjunto com sua esposa, a Sra. Miriam Gambette Brazão, que consta como sua dependente na Declaração de Ajuste Anual do exercício de 2006, esse fato não desobriga a autoridade fiscal de intimar a co titular a prestar esclarecimentos sobre a origem dos recursos utilizados nos depósitos bancários. Assim, devem ser excluídos da tributação os seguintes valores mensais referentes aos créditos efetuados nas contas bancárias mantidas junto ao Banco Itaú, em reais: Mês/Ano Conta 119877 Conta 686004 Total 01/2005 33.618,00 37.660,00 71.278,00 02/2005 21.906,20 64.593,00 86.499,20 Fl. 421DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.003673/200996 Acórdão n.º 2202003.022 S2C2T2 Fl. 418 9 03/2005 44.793,50 46.802,00 91.595,50 04/2005 24.647,00 49.743,00 74.390,00 05/2005 31.563,00 62.795,50 94.358,50 06/2005 30.909,50 32.073,50 62.983,00 07/2005 31.394,00 23.189,00 54.583,00 08/2005 12.072,47 63.589,67 75.662,14 09/2005 35.914,12 21.555,99 57.470,11 10/2005 2.560,00 38.055,46 40.615,46 11/2005 20.559,50 19.460,50 40.020,00 12/2005 69.090,33 2.565,00 71.655,33 TOTAL 359.027,62 462.082,62 821.110,24 Em relação às contas nº 0009/0030330360 (contacorrente e poupança), junto ao Banco Sudameris, não consta dos autos de que ela seja uma conta conjunta como defende o contribuinte. Ele próprio afirma, em declaração à fl. 136, que não possui nenhuma conta conjunta naquela instituição. Por essa razão, não há nenhuma ilegalidade no lançamento em relação a essas contas, no que toca à falta de intimação dos cotitulares, por se tratar de contas individuais. Depósitos bancários Aduz o recorrente que o AuditorFiscal não obedeceu aos Princípios do Dever de Investigação e da Verdade Material, uma vez que não investigou as atividades do contribuinte, antes de efetuar o lançamento tributário. Afirma que várias vezes informou, verbalmente, à autoridade fiscal que os créditos apontados pela fiscalização decorriam de uma movimentação de entradas e saídas do mesmo dinheiro, uma vez que praticava o desconto de cheques de pequenos comerciantes que vendiam a prazo e não tinham capital de giro, recebendo em troca um "spread". No decorrer do procedimento, o contribuinte não logrou comprovar as suas alegações de que a sua movimentação bancária era proveniente de uma atividade negocial de desconto de cheques de pequenos comerciantes. Em seu recurso, ele apresenta algumas tabelas e gráficos com o intuito de demonstrar uma regularidade de valores entre créditos e débitos que seriam indícios que a movimentação financeira é típica de operação comercial. Afirma que “Este fato identifica movimentos que não são de características de pessoas físicas e sim de jurídica”. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 Ressaltese que a exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar individualizadamente a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase, portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Medida Provisória nº 1.5637, de 1997) (Vide Lei nº 9.481, de 1997) § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002. No presente caso, verificase que o contribuinte não logrou comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, os valores creditados em suas contas bancárias, ficando apenas nas alegações sem provas. Dessa forma, deve ser mantido o lançamento fiscal relativo à infração de omissão de rendimentos caracterizado por depósitos bancários com origem não Fl. 423DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.003673/200996 Acórdão n.º 2202003.022 S2C2T2 Fl. 419 11 comprovada, com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96, em relação às contas bancárias nº 0009/0030330360 (contacorrente e poupança), junto ao Banco Sudameris, de caráter individual (não conjunta). Ante o exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário para excluir da tributação os valores dos créditos efetuados nas contas bancárias nºs 0077/686004 e 0735/119877, mantidas junto ao Banco Itaú, no total de R$ 821.110,24. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 424DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 12448.724782/2012-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2007, 2008
LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL.
Aplica-se ao lançamento tido como reflexo as mesmas razões de decidir do lançamento matriz, em razão de sua íntima relação de causa e efeito, na medida em que não há fatos ou elementos novos a ensejar conclusões diversas.
Recursos de Ofício e Voluntário Negados.
1. O direito à contabilização do ágio não pode ser confundido com o direito à sua amortização.
2. Em regra, o ágio efetivamente pago - em operação entre empresas não ligadas e calcadas em laudo que comprove a expectativa de rentabilidade futura - deve compor o custo do investimento, sendo dedutível somente no momento da alienação de tal investimento (inteligência do art. 426 do RIR/99).
3. A exceção trazida pelo caput do art. 386, e seu inciso III, pressupõe uma efetiva reestruturação societária na qual a investidora absorve parcela do patrimônio da investida, ou vice-versa (§6º, II). A operacionalização de tal reestruturação de forma artificial, calcada em operações meramente formais e com fins unicamente tributários mediante utilização de empresas veículo, não possui o condão de alterar a verdade dos fatos, de modo a transformar o que deveria ser contabilizado como custo do investimento em amortização de ágio.
3. A amortização do ágio oriundo de operações societárias, para ser eficaz perante o Fisco, deve decorrer de atos efetivamente existentes, e não apenas artificiais e formalmente revelados em documentação ou na escrituração mercantil ou fiscal.
4. Nesse cenário, o ágio artificialmente transferido não pode ser utilizado para redução da base de cálculo de tributos.
5. A utilização de sociedade veículo, de curta duração, constitui prova da artificialidade daquela sociedade e das operações nas quais ela tomou parte, notadamente, no caso concreto, a transferência do ágio ao real investidor para fins de amortização.
Numero da decisão: 1402-001.949
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Paulo Roberto Cortez, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Joselaine Boeira Zatorre. Ausente, justificadamente, a Conselheira Cristiane Silva Costa. Participou do julgamento a Conselheira Joselaine Boeira Zatorre.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cristiane Silva Costa, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2007, 2008 LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. Aplica-se ao lançamento tido como reflexo as mesmas razões de decidir do lançamento matriz, em razão de sua íntima relação de causa e efeito, na medida em que não há fatos ou elementos novos a ensejar conclusões diversas. Recursos de Ofício e Voluntário Negados. 1. O direito à contabilização do ágio não pode ser confundido com o direito à sua amortização. 2. Em regra, o ágio efetivamente pago - em operação entre empresas não ligadas e calcadas em laudo que comprove a expectativa de rentabilidade futura - deve compor o custo do investimento, sendo dedutível somente no momento da alienação de tal investimento (inteligência do art. 426 do RIR/99). 3. A exceção trazida pelo caput do art. 386, e seu inciso III, pressupõe uma efetiva reestruturação societária na qual a investidora absorve parcela do patrimônio da investida, ou vice-versa (§6º, II). A operacionalização de tal reestruturação de forma artificial, calcada em operações meramente formais e com fins unicamente tributários mediante utilização de empresas veículo, não possui o condão de alterar a verdade dos fatos, de modo a transformar o que deveria ser contabilizado como custo do investimento em amortização de ágio. 3. A amortização do ágio oriundo de operações societárias, para ser eficaz perante o Fisco, deve decorrer de atos efetivamente existentes, e não apenas artificiais e formalmente revelados em documentação ou na escrituração mercantil ou fiscal. 4. Nesse cenário, o ágio artificialmente transferido não pode ser utilizado para redução da base de cálculo de tributos. 5. A utilização de sociedade veículo, de curta duração, constitui prova da artificialidade daquela sociedade e das operações nas quais ela tomou parte, notadamente, no caso concreto, a transferência do ágio ao real investidor para fins de amortização.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 08 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 12448.724782/2012-48
anomes_publicacao_s : 201504
conteudo_id_s : 5453624
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 08 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1402-001.949
nome_arquivo_s : Decisao_12448724782201248.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
nome_arquivo_pdf_s : 12448724782201248_5453624.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Paulo Roberto Cortez, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Joselaine Boeira Zatorre. Ausente, justificadamente, a Conselheira Cristiane Silva Costa. Participou do julgamento a Conselheira Joselaine Boeira Zatorre. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cristiane Silva Costa, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
id : 5890384
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047705294471168
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 34; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2229; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 981 1 980 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12448.724782/201248 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1402001.949 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de março de 2015 Matéria AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO Recorrentes ECISA PARTICIPAÇÕES LTDA. FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008 PROVA. REORGANIZAÇÕES QUE LEVAM AO MESMO RESULTADO TRIBUTÁRIO. CORRELAÇÃO DE LICITUDES. INEXISTÊNCIA. O simples fato de existir uma reorganização societária lícita que não utiliza empresa veículo não fundamenta adequadamente a conclusão de que outra forma de reorganização é lícita ou ilícita, utilize ela ou não aquele tipo de empresa, chegue ou não ao mesmo resultado tributário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 PROVISÃO PARA PERDAS EM INVESTIMENTOS E SUA REVERSÃO. Comprovado na impugnação, com confirmação em diligência efetuada, que as provisões para perdas em investimentos foram neutras relativamente à apuração da base de cálculo do IRPJ, e que as suas reversões só também ficaram neutras com as exclusões efetuadas pelo contribuinte, cancelase a glosa destas exclusões. IRPJ/CSLL. UTILIZAÇÃO DE SOCIEDADE VEÍCULO. REESTRUTURAÇÃO SOCIETÁRIA. ÁGIO TRANSFERIDO. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO INDEVIDA. 1. O direito à contabilização do ágio não pode ser confundido com o direito à sua amortização. 2. Em regra, o ágio efetivamente pago em operação entre empresas não ligadas e calcadas em laudo que comprove a expectativa de rentabilidade futura deve compor o custo do investimento, sendo dedutível somente no momento da alienação de tal investimento (inteligência do art. 426 do RIR/99). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 47 82 /2 01 2- 48 Fl. 981DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 12448.724782/201248 Acórdão n.º 1402001.949 S1C4T2 Fl. 982 2 3. A exceção trazida pelo caput do art. 386, e seu inciso III, pressupõe uma efetiva reestruturação societária na qual a investidora absorve parcela do patrimônio da investida, ou viceversa (§6º, II). A operacionalização de tal reestruturação de forma artificial, calcada em operações meramente formais e com fins unicamente tributários mediante utilização de “empresas veículo”, não possui o condão de alterar a verdade dos fatos, de modo a transformar o que deveria ser contabilizado como custo do investimento em amortização de ágio. 3. A amortização do ágio oriundo de operações societárias, para ser eficaz perante o Fisco, deve decorrer de atos efetivamente existentes, e não apenas artificiais e formalmente revelados em documentação ou na escrituração mercantil ou fiscal. 4. Nesse cenário, o ágio artificialmente transferido não pode ser utilizado para redução da base de cálculo de tributos. 5. A utilização de sociedade veículo, de curta duração, constitui prova da artificialidade daquela sociedade e das operações nas quais ela tomou parte, notadamente, no caso concreto, a transferência do ágio ao real investidor para fins de amortização. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007, 2008 LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. Aplicase ao lançamento tido como reflexo as mesmas razões de decidir do lançamento matriz, em razão de sua íntima relação de causa e efeito, na medida em que não há fatos ou elementos novos a ensejar conclusões diversas. Recursos de Ofício e Voluntário Negados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Paulo Roberto Cortez, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Joselaine Boeira Zatorre. Ausente, justificadamente, a Conselheira Cristiane Silva Costa. Participou do julgamento a Conselheira Joselaine Boeira Zatorre. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Fl. 982DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 12448.724782/201248 Acórdão n.º 1402001.949 S1C4T2 Fl. 983 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cristiane Silva Costa, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez. Fl. 983DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 12448.724782/201248 Acórdão n.º 1402001.949 S1C4T2 Fl. 984 4 Relatório ECISA PARTICIPAÇÕES LTDA. recorre a este Conselho, com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 12.55.143 da 9ª Turma da Delegacia de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ que julgou procedente em parte a impugnação apresentada. Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto excertos do relatório da decisão recorrida, complementandoo ao final: Tratase dos Autos de Infração do IRPJ (fls. 510 a 527) e da CSLL (fls. 528 a 539), lavrados pela DRF – Rio de Janeiro I em 17/04/2012, com ciência da Interessada em 20/04/2012 (fl. 510 e fl. 528), por meio dos quais, para fatos geradores que teriam ocorrido em 30/06/2007, 30/09/2007, 31/12/2007, 31/03/2008, 30/06/2008, 30/09/2008 e 31/12/2008, foi apurado o seguinte crédito tributário: Demonstrativo do Crédito Tributário em R$ Auto de Infração IRPJ Auto de Infração CSLL Total Principal 8.165.976,14 2.809.764,31 10.975.740,45 Multa de 75% 6.124.482,11 2.107.323,24 8.231.805,35 Juros de Mora calculados até 04/2012 3.524.123,02 1.217.887,65 4.742.010,67 Valor do Crédito Tributário Apurado 17.814.581,27 6.134.975,20 23.949.556,47 2. Na Descrição dos Fatos dos Autos de Infração do IRPJ, verificase que foram apuradas as seguintes infrações: [...] 3. Do Termo de Constatação Fiscal de fls. 504 a 507, com anexos de fls. 508 a 509, extraí o seguinte: Fl. 984DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 12448.724782/201248 Acórdão n.º 1402001.949 S1C4T2 Fl. 985 5 Fl. 985DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 12448.724782/201248 Acórdão n.º 1402001.949 S1C4T2 Fl. 986 6 [...] Fl. 986DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 12448.724782/201248 Acórdão n.º 1402001.949 S1C4T2 Fl. 987 7 [...] 4. Inconformada, a Interessada apresentou, em 21/05/2012 (carimbo de fl. 627), a Impugnação de fls. 627 a 656, com anexos de fls. 657 a 703, da qual extraí o seguinte: [...] Fl. 987DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 12448.724782/201248 Acórdão n.º 1402001.949 S1C4T2 Fl. 988 8 Fl. 988DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 12448.724782/201248 Acórdão n.º 1402001.949 S1C4T2 Fl. 989 9 [...] Fl. 989DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 12448.724782/201248 Acórdão n.º 1402001.949 S1C4T2 Fl. 990 10 [...] Fl. 990DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 12448.724782/201248 Acórdão n.º 1402001.949 S1C4T2 Fl. 991 11 [o Recorrente passa a discorrer sobre a evolução da legislação e a amortização do ágio, concluindo ser infundada a exação fiscal...] [...] Fl. 991DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 12448.724782/201248 Acórdão n.º 1402001.949 S1C4T2 Fl. 992 12 Fl. 992DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 12448.724782/201248 Acórdão n.º 1402001.949 S1C4T2 Fl. 993 13 6. DAS EXCLUSÕES EFETUADAS PELA IMPUGNANTE A TÍTULO DE REVERSÃO DE PROVISÃO PARA PERDA NA REALIZAÇÃO DE INVESTIMENTOS [...] 5. Às fls. 705 a 722, encontrase Extrato do Processo de 22/05/2012, o qual já leva em consideração o pagamento efetuado pela Interessada da matéria não impugnada. 6. Em 18/06/2012, o processo foi encaminhado para esta DRJ (fl. 724). 7. Em 25/09/2012, por meio da Resolução nº 12000.146, esta 9ª Turma converteu o julgamento em diligência (fls. 725 a 744). Da referida Resolução, extraí o seguinte: (...) Fl. 993DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 12448.724782/201248 Acórdão n.º 1402001.949 S1C4T2 Fl. 994 14 Fl. 994DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 12448.724782/201248 Acórdão n.º 1402001.949 S1C4T2 Fl. 995 15 Fl. 995DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 12448.724782/201248 Acórdão n.º 1402001.949 S1C4T2 Fl. 996 16 Fl. 996DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 12448.724782/201248 Acórdão n.º 1402001.949 S1C4T2 Fl. 997 17 Fl. 997DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 12448.724782/201248 Acórdão n.º 1402001.949 S1C4T2 Fl. 998 18 Fl. 998DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 12448.724782/201248 Acórdão n.º 1402001.949 S1C4T2 Fl. 999 19 [...] Requereuse, então, realização de diligência a respeito das discrepâncias apresentadas em relação às provisões e suas possíveis reversões. [...] 8. Às fls. 747 a 748 temse a Intimação efetuada em decorrência da diligência, e as fls. 749 a 754, com anexos de fls. 755 a 792, a resposta da Interessada. 9. Como resultado da diligência, o Auditor Fiscal Diligenciante (que foi o próprio Autuante) apresentou o Relatório Fiscal de fl. 795, a seguir reproduzido: [relatório concluindo que: "As receitas decorrentes das reversões de provisões para perdas, nos valores de [...] foram devidamente declaradas na rubrica "Outras receitas não operacionais" dos respectivos trimestres (ficha 06 A linha 44) na DIPJ 2008 [...] o saldo obtido com a exclusão dos montantes não litigiosos do total das "outras exclusões" declaradas na DIPJ, é coincidente com os das reversões de provisões dos dois trimestres, o que indica que elas compõem as referidas rubricas". 10. A Interessada tomou ciência do Relatório Fiscal da diligência em 05/03/2013 (AR de fl. 793), mas não quis aditar razões de defesa relacionadas ao resultado da diligência (vide item 05 da petição da Interessada de fls. 800 a 802). 11. Em 02/04/2013, o processo foi encaminhado para esta DRJ. Em análise da impugnação apresentada, a 9ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro/DRJI julgoua parcialmente procedente, exonerando o crédito tributário concernente às exclusões do lucro real e da base de cálculo da CSLL, uma vez que restou comprovado que se tratavam de exclusões que visavam a anular no resultado fiscal receitas advindas de reversão de provisão, a qual, quando de sua constituição, não gerou qualquer efeito fiscal. Em razão do montante de tributos exonerado, recorreuse de ofício ao CARF. O contribuinte foi cientificado da decisão em 06 de junho de 2013, conforme aviso de recebimento de fl. 897, apresentando em 04 de julho de 2013 o recurso voluntário de fls. 902935. Em síntese, além de reforçar todos os argumentos expendidos em sua impugnação à respeito da suposta dedutibilidade do ágio quando preenchidos três requisitos ( i o efetivo Fl. 999DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 12448.724782/201248 Acórdão n.º 1402001.949 S1C4T2 Fl. 1000 20 pagamento do custo total de aquisição, inclusive o ágio; ii a realização das operações originais entre partes não ligadas; iii seja demonstrada a lisura na avaliação da empresa adquirida, bem como a expectativa de rentabilidade futura), aduziu ainda que: concordou com parte do lançamento realizado (glosa de R$ 4.950.215,06), efetuando o pagamento de IRPJ e CSLL referente à parte incontroversa dos autos no prazo de apresentação da impugnação, acrescida de taxa juros (Selic) e multa de ofício de 37,5% (multa de ofício aplicada foi de 75%, com a redução de 50% a que faria jus por ter realizado o pagamento no prazo para apresentação de impugnação); a decisão recorrida, ao dar provimento parcial à impugnação, fez constar que “declara como não impugnados os montantes de R$ 1.052.990,91 e R$ 381.236,73, acrescidos de multa de 75% e juros de mora”; alega, contudo, que os referidos juros de mora e também a multa não seriam mais devidos em razão do pagamento já realizado. Nesse ponto, requer que não seja cobrada do crédito tributário correspondente; o valor por ela recolhido superaria o indicado no cálculo realizado pela DRJ, uma vez que esta levou em conta os saldos de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL, enquanto ela não o teria feito em razão de as autoridades fiscais já terem se utilizado de tais montantes exigidos não só nestes autos, mas também decorrentes de outras infrações supostamente cometidas nos mesmos períodos das exclusões (todas já impugnadas); requereu, assim, que caso seja considerado correto o cálculo realizado pela DRJ, e houvesse manutenção do restante do crédito tributário em litígio, fosse utilizado seu suposto recolhimento a maior para quitação parcial da dívida, mediante imputação; ainda na hipótese de ser mantida exigência, e caso seja considerado correto o cálculo realizado no acórdão recorrido, que o prejuízo fiscal e a base negativa de CSLL correspondentes sejam utilizados para reduzir o crédito tributário remanescente; por fim, caso o crédito tributário seja cancelado, alternativamente reconheçase o direito de reaver os valores supostamente recolhidos a maior ou sejam recompostos os saldos de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL então utilizados nos cálculos efetuados pelo acórdão guerreado. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões de fls. 969979 requerendo que seja negado provimento ao recurso voluntário. Em suma, além de ratificar os argumentos da decisão recorrida quanto à artificialidade das operações mediante uso de sociedade veículo com o único intuito de viabilizar a amortização do ágio, já que a aquisição real das ações com ágio teria sido realizada por BR MALLS – que jamais veio a incorporar a recorrente, condição imposta pelo art. 386 do RIR/99 para amortização do ágio por rentabilidade futura , alega que Não há nos autos laudo que comprove o fundamento e o valor do ágio contabilizado por ocasião das operações de aquisição de participações societária da BR MALLS utilizandose da LICIA como veículo. A contemporaneidade do laudo às operações que fundamenta é requisito lógico formal do aproveitamento de eventual ágio pago. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões de fls. 969 979. Em resumo, ataca a amortização do ágio mediante utilização de empresa veículo em Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 12448.724782/201248 Acórdão n.º 1402001.949 S1C4T2 Fl. 1001 21 operação sem qualquer propósito negocial distinto do próprio objetivo de reduzir a carga tributária da recorrente. É o relatório. Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 12448.724782/201248 Acórdão n.º 1402001.949 S1C4T2 Fl. 1002 22 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. 1. ADMISSIBILIDADE O recurso de ofício foi interposto em razão da exoneração de tributo e/ou multa em valor superior a R$ 1.000.000,00 (m milhão de reais). Assim, nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, restam preenchidos os pressupostos para sua admissibilidade. Dele, portanto, conheço. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. Passo à análise dos recursos. 2. RECURSO DE OFÍCIO A questão controvertida é relativamente simples. A autoridade fiscal intimou o contribuinte a demonstrar e comprovar com documentação pertinente determinadas exclusões do lucro real e da base de cálculo da CSLL. No decorrer do procedimento fiscal o contribuinte não apresentou qualquer explicação sobre tais exclusões, tampouco os documentos comprobatórios de tais operações. Ato contínuo, a autoridade fiscal glosou tais exclusões, recompondo o lucro real e a base de cálculo da CSLL. Em sede de impugnação, sobre a matéria, o contribuinte explanou que tais exclusões visavam a anular o efeito de receitas reconhecidas em razão de reversões de provisões que, quando de sua constituição, não teriam tido qualquer efeito sobre as bases de cálculo de IRPJ e CSLL. O julgamento foi então convertido em diligência a fim de que a unidade de origem verificasse se as alegações apresentadas pelo contribuinte, e supostamente amparadas por cópias de lançamentos contábeis, de fato se confirmariam. De acordo com a autoridade fiscal responsável pela diligência – frisase, a mesma que lavrou os autos de infração , de fato, as exclusões referiam à anulação de receitas provenientes de reversão de provisões não dedutíveis. Diante de tal fato, a decisão recorrida deu provimento parcial à impugnação, cancelando o crédito tributário correspondente. Ora, diante de tais fatos, não mais resta controvérsia a ser dirimida, pois autoridade lançadora, turma julgadora de primeira e contribuinte concordam que tais exclusões das bases de cálculo do IRPJ e CSLL encontram amparo na legislação. E tal concordância se embasa no disposto no art. 392, inciso II, do RIR/99, assim vazado: Art. 392. Serão computadas na determinação do lucro operacional: Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 12448.724782/201248 Acórdão n.º 1402001.949 S1C4T2 Fl. 1003 23 [...] II as recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões, quando dedutíveis; [grifo nosso] Da leitura do art. 392 do RIR/99 extraise que devem ser computadas ao lucro real as reversões de provisões dedutíveis, implicando que, a contrario sensu, não deverão ser computadas ao lucro real as reversões de provisões indedutíveis, tal qual o fato retratado nos autos e objeto do recurso ora analisado. Assim sendo, voto por negar provimento ao recurso de ofício. 3. RECURSO VOLUNTÁRIO 3.1 QUESTÕES ATINENTES AO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Em primeiro lugar, analisamse questões preliminares atinentes ao cumprimento da decisão recorrida. Conforme relatado, o recorrente concordou com parte do lançamento realizado (glosa de R$ 4.950.215,06), efetuando o pagamento de IRPJ e CSLL referente à parte incontroversa dos autos no prazo de apresentação da impugnação, acrescida de taxa juros (Selic) e multa de ofício de 37,5% (multa de ofício aplicada foi de 75%, com a redução de 50% a que faria jus por ter realizado o pagamento no prazo para apresentação de impugnação). O recorrente argumenta que a decisão recorrida, ao dar provimento parcial à impugnação, fez constar que “declara como não impugnados os montantes de R$ 1.052.990,91 e R$ 381.236,73, acrescidos de multa de 75% e juros de mora”. Alega, contudo, que os referidos juros de mora e também a multa não seriam mais devidos em razão do pagamento já realizado. Nesse ponto, requer que não seja cobrada do crédito tributário correspondente. Não há dúvidas de que o contribuinte faz jus à redução de multa (de 75% para 37,5%) em relação aos valores recolhidos antes do prazo de apresentação para impugnação. O que a decisão da DRJ enfatizou foi o valor crédito tributário lançado de ofício, (tributo acrescido de multa de 75% e juros de mora) não foi impugnado, implicando a definitividade do crédito tributário correspondente. Não se extrai de tal decisão que não será levada em consideração o pagamento já realizado, inclusive no tocante à redução de multa correspondente. Tratase, na realidade, de dúvida atinente à execução do acórdão recorrido, matéria de responsabilidade da unidade preparadora. De toda forma, se ainda não realizado, deve a unidade de origem proceder à alocação dos valores correspondentes, observando a redução de multa a que o recorrente faz jus por ter recolhido parcela do crédito lançado de ofício antes do prazo para apresentação de impugnação. Discorre ainda o recorrente sobre suposto pagamento a maior da parcela de crédito incontroverso. Isso porque não teria levado em consideração os saldos de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL considerados nos cálculos elaborados pela primeira instância. Ao final requereu: que caso seja considerado correto o cálculo realizado pela DRJ, e houvesse manutenção do restante do crédito tributário em litígio, fosse utilizado seu suposto recolhimento a maior para quitação parcial da dívida, mediante imputação; Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 12448.724782/201248 Acórdão n.º 1402001.949 S1C4T2 Fl. 1004 24 ainda na hipótese de ser mantida exigência, e caso seja considerado correto o cálculo realizado no acórdão recorrido, que o prejuízo fiscal e a base negativa de CSLL correspondentes sejam utilizados para reduzir o crédito tributário remanescente. Entendo correto o procedimento adotado tanto pela DRJ quanto pela autoridade lançadora. Vejase que às fls. 513, 523, 532 e 547 consideraramse os prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL nos lançamentos referentes ao 2º trimestre de 2007 e terceiro trimestre de 2008. Tendo o recorrente recolhido valor maior que o débito que entende devido, deverá decidir qual o destino a ser dado a tal recolhimento, quer mediante pedido de compensação quer por meio de pedido de alocação de pagamentos à autoridade responsável pelo cumprimento da decisão administrativa definitiva dos presentes autos. 3.2 ÁGIO A exigência diz respeito à dedutibilidade de ágio pago por BR MALLS Participações S.A. (BR MALLS) quando da aquisição de participações societárias nas empresas ECISA Participações Ltda (ECISAPAR), DYLPAR Participações S.A. (DYLPAR) e ECISA – Engenharia, Comércio e Indústria S.A (ECISAENG). De acordo com a autoridade fiscal, BR MALLS ao invés de realizar uma aquisição direta das referidas participações societárias, optou pela via do artificialismo, visando exclusivamente à economia tributária. Nesse sentido, a BR MALLS teria se utilizado da empresa veículo LICIA Participações Ltda. No que atine à LICIA, cumpre ressaltar que ela fora constituída em fevereiro de 2005, com capital social de apenas R$ 1.500,00, mantendose inerte por pouco mais de um ano até as operações que se descreve a seguir. Em 20/10/2006, os dois sócios pessoas físicas da LICIA cedem suas quotas para BR MALLS, que realizou aportes de capital nos valores, em números redondos, de R$ 192 milhões e R$ 174 milhões, em 10/11/2006 e 20/12/2006, respectivamente. Tais recursos se prestaram à aquisição, pela BR MALLS, tendo a LICIA como intermediária, das participações na ECISAPAR, DYLPAR e ECISAENG. Essas aquisições significaram a contabilização de ágio na LICIA no valor de R$ 58 milhões (ágio ECISAPAR), de R$ 63 milhões (ágio ECISAENG) e de R$ 32 milhões (ágio DYLPAR). É importante ressaltar que as aquisições ocorreram em novembro e dezembro de 2006, sendo que ainda no final de dezembro de 2006 a DYLPAR e a LICIA foram cindidas em as respectivas parcelas foram incorporadas por ECISAPAR e ECISAENG. De relevo ainda ressaltar que a BR MALLS havia adquirido o controle anteriormente da ECISAPAR e da ECISAENG, por intermédio da LICIA. Ato contínuo, a ECISAPAR (Contribuinte Recorrente) incorpora sua acionista controladora, a empresa veículo LICIA, e passa a amortizar o ágio nela registrado, que, digase de passagem, era fundado na expectativa de rentabilidade dela própria ECISAPAR, portanto, ágio de si mesma. Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 12448.724782/201248 Acórdão n.º 1402001.949 S1C4T2 Fl. 1005 25 A respeito de tais operações, alega a recorrente que esta Egrégia Turma teria entendimento no sentido de que, a amortização do ágio pago com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, com fulcro no art. 7º, inciso III da Lei nº. 9.532/97, deve atender, inicialmente, a 3 (três) premissas básicas, quais sejam: o efetivo pagamento do custo total de aquisição, inclusive o ágio; a realização das operações originais entre partes não ligadas; seja demonstrada a lisura na avaliação da empresa adquirida, bem como a expectativa de rentabilidade futura. No presente caso, a seu ver, essas premissas básicas foram cumpridas. Discordo de tal entendimento. Desde o julgamento do processo nº 16561.720026/201113 (“Caso Bunge” – acórdão nº 1402001.460), no qual fui designado redator do voto vencedor, esta turma, ainda que por voto de qualidade, alterou seu posicionamento. Fixouse o entendimento de que, em regra, o ágio efetivamente pago em operação entre empresas não ligadas e calcadas em laudo que comprove a expectativa de rentabilidade futura deve compor o custo do investimento, sendo dedutível somente no momento da alienação de tal investimento (inteligência do art. 426 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99). Por decorrência, incluiuse nova premissa para que a amortização do ágio por rentabilidade futura fosse possível, qual seja, a extinção do investimento em razão da absorção do patrimônio da investidora pela investida, ou viceversa, conforme prevê o art. 386, e seu inciso III, do RIR/99. Naquele caso a hipótese ainda tratava da utilização de empresa veículo cujo único objetivo foi possibilitar, mediante reestruturação societária meramente artificial e formal, a amortização do ágio. No presente caso, para seu deslinde, basta a análise de elemento fundamental para que o ágio pudesse ser amortizado, qual seja, que investida e investidora passassem a ser uma única pessoa jurídica, o que jamais ocorreu no caso concreto. Reproduzo, assim, as mesmas razões expostas em voto no acórdão nº 1402 001.460. Entende o I. Relator que a utilização de empresas veículos, por si só, não é suficiente para determinar os efeitos fiscais de determinada operação. Embora concorde que não se pode determinar a existência de patologia fiscal simplesmente pela utilização de empresas veículos, no caso concreto, não me resta qualquer sombra de dúvida que as operações, da forma como foram arquitetadas, visaram a driblar a legislação de regência, buscando posicionar a Recorrente artificialmente perante as normas que permitem a amortização do ágio em operações societárias. Não se pode confundir o direito a contabilização do ágio com as condições para amortização em termos fiscais. Vejamos, com base no Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99), a legislação que rege a matéria: Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 12448.724782/201248 Acórdão n.º 1402001.949 S1C4T2 Fl. 1006 26 Amortização do Ágio ou Deságio Art.391. As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o art. 385 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no art. 426 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 25, e DecretoLei nº1.730, de 1979, art. 1º, inciso III). Parágrafo único. Concomitantemente com a amortização, na escrituração comercial, do ágio ou deságio a que se refere este artigo, será mantido controle, no LALUR, para efeito de determinação do ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento (art. 426). [grifo nosso] Avaliado pelo Valor de Patrimônio Líquido Art.426. O valor contábil para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 384), será a soma algébrica dos seguintes valores (DecretoLei nº1.598, de 1977, art. 33, e DecretoLei nº1.730, de 1979, art. 1º, inciso V): Ivalor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; IIágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real; IIIprovisão para perdas que tiver sido computada, como dedução, na determinação do lucro real, observado o disposto no parágrafo único do artigo anterior. [grifos nossos] Constatase, assim, que, em regra geral, o ágio deverá ser ativado e utilizado como custo somente no momento da alienação do investimento, obviamente se essa vier a ocorrer, o que, frisese, não há qualquer notícia de que tais alienações tenham ocorrido no caso concreto. Nesse sentido, compulsando os autos, percebese claramente que os investimentos realizados, e adquiridos com ágio, comporiam o ativo da Recorrente, provavelmente, por tempo indeterminado, haja vista a continuidade das operações antes realizadas pelas investidas em novas empresas, segregadas de acordo com o ramo de atividade a que se dedicavam e, ao que tudo indica, ainda se dedicam, com exceção da hipótese de fechamento de capital. A artificialidade da operação foi justamente buscar o contorno de tais normas imperativas, que impunham a ativação do ágio, buscando posicionar a Recorrente diante de normas de contorno, quais sejam, o art. 386, III, e seu § 6º, II, do RIR/99, transcritas a seguir, mediante operações societárias meramente com fins fiscais: Art.386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): [...] III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do §2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; [...] Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 12448.724782/201248 Acórdão n.º 1402001.949 S1C4T2 Fl. 1007 27 §6º O disposto neste artigo aplicase, inclusive, quando (Lei nº 9.532, de 1997, art. 8º): [...] II a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. [grifos nossos] Isso porque o fato de a formação do ágio ter cumprido os requisitos legais estabelecidos, em especial aqueles em que essa turma firmou entendimento necessários (o efetivo pagamento do custo total de aquisição, inclusive o ágio; a realização das operações originais entre partes não ligadas; seja demonstrada a lisura na avaliação da empresa adquirida, bem como a expectativa de rentabilidade futura), não possui o condão de permitir que a regra geral seja desrespeitada, qual seja, o ágio deverá compor o custo do investimento para fins de apuração de ganho de capital em eventual alienação (inteligência do art. 391 c/c art. 426, II, ambos do RIR/99). Nessa senda, para que o ágio com fundamento em rentabilidade futura possa compor o resultado do período, o regulamento do imposto de renda impõe ou a alienação do investimento – nesse caso, na forma de custo de aquisição , ou mediante amortização, desde que haja incorporação, fusão ou cisão entre investidora e investida (art. 386, caput e inciso III), ainda que de forma reversa (art. 386, § 6º, II). A artificialidade da operação está, justamente, no passo intermediário utilizado pela Recorrente a fim de que o ágio, que deveria compor o custo do investimento, que talvez nunca seja alienado, pudesse ser amortizado: a criação de empresas veículos, a fim de que pudesse ser realizada uma operação de reestruturação com incorporação reversa permitindo, no entender da Recorrente, o início da amortização dos valores de ágio. Deuse, assim, a denominada “transferência de ágio”. Com efeito, mostrase falacioso o argumento de que o ágio seria amortizado de qualquer modo, pois, conforme já repisado, os investimentos mantiveramse inerte na real adquirente (Recorrente), e, as operações a que diziam respeito os investimentos, permaneceram segregadas nas empresas operacionais, o que inviabilizaria por completo qualquer forma de transferência do ágio para o resultado fiscal (com a ressalva feita quanto à operação de fechamento de capital). Não há dúvida que a pessoa jurídica que, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, absorver patrimônio de outra pessoa jurídica que dela detenha participação societária adquirida com ágio, cujo fundamento seja a rentabilidade futura, poderá amortizálo nos balanços correspondentes à apuração do lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração, pois assim possibilita o art. 386 do RIR/99. De igual forma, não se pode olvidar que o contribuinte tem o direito de estruturar o seu negócio de maneira que melhor lhe convém, com vistas à redução de custos e despesas, inclusive à redução dos tributos, sem que isso implique, necessariamente, qualquer ilegalidade. Entretanto, o que não se admite atualmente é que os atos e negócios praticados se baseiem numa aparente legalidade, sem qualquer finalidade empresarial ou negocial, para disfarçar o real objetivo da operação, quando unicamente almeje reduzir o pagamento de tributos. Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 12448.724782/201248 Acórdão n.º 1402001.949 S1C4T2 Fl. 1008 28 Nesse sentido, colacionamse a seguir os ensinamentos de Marco Aurélio Greco1: ... a pergunta que se põe é: admitida a existência do direito de o contribuinte organizar a sua vida, este direito pode ser utilizado sem quaisquer restrições? Ou seja, tal direito é ilimitado? Todo e qualquer “planejamento” é admissível? Minha resposta é negativa. (pág. 190) Ou seja, cumpre analisar o tema do planejamento tributário não apenas sob a ótica das formas jurídicas admissíveis, mas também sob o ângulo da sua utilização concreta, do seu funcionamento e dos resultados que geram à luz dos valores básicos de igualdade, solidariedade social e justiça. (pág. 202) [...] com o advento do Código Civil de 2002 a questão ficou solucionada, pois seu artigo 187 é expresso ao prever que o abuso de direito configura ato ilícito: Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercêlo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes. (pág. 206) No Brasil, entendo que esta possibilidade de recusa de tutela ao ato abusivo (mesmo antes do Código Civil de 2002) encontra base no ordenamento positivo, por decorrer dos princípios consagrados na Constituição de 1988 e da natureza da figura. Porém, a atitude do Fisco no sentido de desqualificar e requalificar os negócios privados somente poderá ocorrer se puder demonstrar de forma inequívoca que o ato foi abusivo porque sua única ou principal finalidade foi conduzir a um menor pagamento de imposto. Esta conclusão resulta da conjugação dos vários princípios acima expostos e de uma mudança de postura na concepção do fenômeno tributário que não deve mais ser visto como simples agressão ao patrimônio individual, mas como instrumento ligado ao princípio da solidariedade social. (pág. 208) Em suma, não há dúvida de que o contribuinte tem o direito, encartado na Constituição Federal, de organizar sua vida da maneira que melhor julgar. Porém, o exercício deste direito supõe a existência de causas reais que levem a tal atitude. A autoorganização com a finalidade predominante de pagar menos imposto configura abuso de direito, além de poder configurar algum outro tipo de patologia do negócio jurídico, como, por exemplo, a fraude à lei. (pág. 228) Notase, assim, que o direito ao planejamento tributário não pode ser absoluto, há que haver uma conformação entre a existência do direito e o modo como se exerceu esse direito, sob pena de incorrerse em abuso de direito. 1 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. São Paulo: Dialética, 2011, p. 198208. Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 12448.724782/201248 Acórdão n.º 1402001.949 S1C4T2 Fl. 1009 29 Ricardo Lobo Torres, a esse respeito, esclarece que “a proibição da elisão abusiva no campo tributário nada mais é que a especificação do princípio geral, jurídico e moral, da vedação do abuso de direito”.2 A tributação, historicamente, sempre contou com a rejeição do povo. Esse o motivo em função do qual foi fixada, em 1215, a limitação à tributação pela lei. Na Inglaterra de então, os barões e os religiosos procuraram conter o arbítrio do Rei, fixando que não haveria tributação sem lei que a estabelecesse. Mais adiante, a Constituição NorteAmericana de 1787 e a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789 reprisaram a limitação. Essa perspectiva, entretanto, sofreu alteração ao longo do tempo. Hoje, a tributação não é mais uma concessão da sociedade em favor do Estado, mas um instrumento da sociedade que tem por finalidade manter uma máquina pública estruturada em favor da própria sociedade. Esse é o sentido do dever fundamental do indivíduo de recolher os tributos devidos. Confirase, a respeito, o pensamento de Klaus Tipke (“Justiça Fiscal e Princípio da Capacidade Contributiva”, Douglas Yamashita, São Paulo, Malheiros, 2002, pág. 13): O dever de pagar impostos é um dever fundamental. O imposto não é meramente um sacrifício, mas sim uma contribuição necessária para que o Estado possa cumprir suas tarefas no interesse do proveitoso convívio de todos os cidadãos. O Direito tributário de um Estado de Direito não é Direito técnico de conteúdo qualquer, mas ramo jurídico orientado por valores. O direito Tributário afeta não só a relação cidadão/Estado, mas também a relação dos cidadãos uns com os outros. É um direito da coletividade. A Constituição Federal de 1988 caminhou no sentido defendido por Tipke, quando afirma no seu art. 1º que a República Federativa do Brasil constituise em Estado Democrático de Direito e estipula como seus fundamentos a soberania, a cidadania, a dignidade da pessoa humana, os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa e o pluralismo político. A atividade produtiva deve cumprir o seu papel social de importância ao desenvolvimento do país e de fonte de manutenção dos membros da sociedade, mas sem que se sobreponha à cidadania e a dignidade humana. O art. 3º da Constituição estipula como objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, a garantia do desenvolvimento nacional, a erradicação da pobreza e a marginalização e a redução das desigualdades sociais e regionais e a promoção do bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. Para o atingimento desses objetivos é de suma importância os recursos oriundos da tributação, daí que não se pode admitir o planejamento tributário lastreado exclusivamente na liberdade negocial e no respeito às formas, mas com mascaramento dos atos e negócios praticados para disfarçar o real objetivo da operação, unicamente para se esquivar do pagamento dos tributos. O pagamento de tributos é a contrapartida à proteção estatal que cada cidadão aspira. Ele tem muita importância para a coletividade e, por isso, pode ser exigido. Não se pode ter uma fixação por direitos, sob o aspecto individualista, esquecendose dos deveres, que 2 LOBO TORRES, Ricardo. Planejamento Tributário. Elisão abusiva e evasão fiscal. Rio de Janeiro: Elsevier, 2012, p. 20. Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 12448.724782/201248 Acórdão n.º 1402001.949 S1C4T2 Fl. 1010 30 também são importantes e que cada cidadão deve cumprir em função da posição que ocupa na sociedade. Cabível assentar, também, que a orientação constitucional e jurisprudencial antes referida não representa novidade em termos internacionais. Nos Estados Unidos da América, meca do capitalismo e do liberalismo, a Suprema Corte, ao apreciar o caso Gregory v. Helvering, já em 1935, reconheceu o direito de planejamento do contribuinte, mas afastou a licitude de operações societárias nas quais presente choque entre a realidade e o artifício formal. Daquele julgado, que tratou de pretensa operação societária isenta do imposto de renda, colhese o seguinte excerto da decisão (“Interpretação Econômica do Direito Tributário: o caso Gregory v. Helvering e as doutrinas do propósito negocial (business purpose) e da substância sobre a forma (substance over form)”, Arnaldo Sampaio de Moraes Godoy, Revista Fórum de Direito Tributário, Belo Horizonte, nº 43, págs. 55 a 62): Nessas circunstâncias, os fatos falam por eles mesmos e permitem apenas uma única interpretação. O único empreendimento, embora conduzido nos termos do item “b” da seção 112, fora de fato uma forma elaborada e errônea de transposição simulada como reorganização societária, e nada mais. A regra que exclui de consideração o motivo da elisão fiscal não guarda pertinência com a situação presente, porquanto a transação em sua essência não é alcançada pela intenção pura da lei. Sustentarse de outro modo seria uma exaltação do artifício em desfavor da realidade, bem como retirar da previsão legal em questão qualquer propósito sério. É mantido o julgamento de segunda instância. Marco Aurélio Greco assevera ainda que “nem tudo o que é lícito é o honesto” e que o “o ordenamento jurídico não se resume à legalidade; ele contempla também mecanismos em última análise de neutralização de esperteza”, fazendo parte daquilo que Tércio Sampaio Ferraz Júnior denomina de regras de calibração do ordenamento. Ou seja, os textos legais dão as peças do sistema jurídico, mas para que funcionem coordenadamente precisam ser calibradas, ajustadas. 3 (grifo nosso) Sobre o tema, Ricardo Lobo Torres conclui que No direito tributário o mais importante para a Administração é requalificar o ato abusivo, sem anulálo em suas consequências no plano das relações comerciais ou trabalhistas.[...] Na elisão, afinal de contas, ocorre um abuso na subsunção do fato à norma tributária; como lembra Paul Kirchhof, a elisão é sempre uma subsunção malograda [...] Cabe à Administração Tributária, conseguintemente, corrigir a subsunção malograda, requalificando o fato de acordo com a interpretação correta da regra de incidência. 4 Discorrendo sobre o tema planejamento tributário, Greco assim se manifesta: 3 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. São Paulo: Dialética, 2011, p. 231. 4 LOBO TORRES, Ricardo. Planejamento Tributário. Elisão abusiva e evasão fiscal. Rio de Janeiro: Elsevier, 2012, p. 25. Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 12448.724782/201248 Acórdão n.º 1402001.949 S1C4T2 Fl. 1011 31 Recordando: na primeira fase, predomina a liberdade do contribuinte de agir antes do fato gerador e mediante atos lícitos, salvo simulação; na segunda fase do ainda predomina a liberdade de agir antes do fato gerador e mediante atos lícitos, porém nela o planejamento é contaminado não apenas pela simulação, mas também pelas outras patologias do negócio jurídico, como o abuso de direito e a fraude à lei. Na terceira fase, acrescentase um outro ingrediente que é o princípio da capacidade contributiva que – por ser um princípio constitucional tributário – acaba por eliminar o predomínio da liberdade, para temperála com a solidariedade social inerente à capacidade contributiva. 5 (grifo nosso) Salienta ainda o doutrinador que a capacidade contributiva é uma norma programática “possuindo caráter positivo em todos os momentos da atividade de concreção dos preceitos constitucionais: legislação, execução e jurisdição. É a afirmação de que a eficácia jurídica alcança os intérpretes e aplicadores do Direito e não apenas o legislador” 6. (grifo nosso) Acrescenta ainda que se trata de instrumentos de controle do abuso de direito, fraude à lei e outras patologias dos negócios jurídicos, uma vez que negariam a eficácia de regramentos constitucionais.7 O Supremo Tribunal Federal já vêm se manifestando nesse sentido, como é possível observar no voto do Ministro Carlos Velloso no julgamento do RE nº 227.8321 DJ de 28.06.2002), cujo excerto transcrevese a seguir: [...] a interpretação puramente literal e isolada do §3º do art. 155 da Constituição Federal levaria ao absurdo, conforme linhas atrás registramos, de ficarem excepcionadas do princípio inscrito no art. 195, caput, da mesma Carta – “a seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei...” – empresas de grande porte, as empresas de mineração, as distribuidoras de derivados de petróleo, as distribuidoras de eletricidade e as que executam serviços de telecomunicações – o que não se coaduna com o sistema da Constituição, e ofensiva, tal modo de interpretar isoladamente o § 3º do art. 155, a princípios constitucionais outros, como o da igualdade (C.F., artigo 5º e artigo 150, II) e da capacidade contributiva. A respeito da colisão entre liberdade de iniciativa e solidariedade, Greco, em excepcional análise sobre o tema, conclui: [...] quando se diz que é preciso tributar segundo a capacidade contributiva, também é preciso ponderar não ser adequado transformar a capacidade contributiva num valor absoluto que atropele a legalidade e a tipicidade. [...] Minha concepção ideológica é de que sempre haverá de ponderar os dois conjuntos de valores; ou seja, para mim o ponto de partida é o de que ambos devem estar sentados à mesa 5 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. São Paulo: Dialética, 2011, p. 319. 6 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. São Paulo: Dialética, 2011, p. 343. 7 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. São Paulo: Dialética, 2011, p. 344. Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 12448.724782/201248 Acórdão n.º 1402001.949 S1C4T2 Fl. 1012 32 para dialogar. Vale dizer, não é a rigor um “ponto” de partida, mas uma “dualidade” de partida. Não há caso que não envolva dois tipos de valores. Isso está escrito com todas as letras no artigo 3º, I, da Constituição de 1988 – quando formula os objetivos do Estado brasileiro – ao estabelecer que um deles é o de construir uma sociedade livre, justa e solidária. Formulação linguística muito feliz, pois coloca numa ponta a liberdade (típica do Estado de Direito) e, na outra ponta, a solidariedade (típica do Estado Social) e entre elas a justiça que resultará da ponderação das duas. Ou seja, só vamos ter justiça se e quando houver ponderação entre os valores liberdade e solidariedade. 8 (grifo nosso) Portanto, o procedimento adotado pela autoridade fiscal encontrase em total sintonia com os princípios da legalidade e da livre iniciativa, encontrando eco não só na doutrina, mas também na jurisprudência, inclusive do Pretório Excelso. Também não há que se falar em desconsideração da personalidade jurídica ou de atos jurídicos. O que houve, na prática, foi uma requalificação dos atos realizados pelo contribuinte, prática adotada como regra de calibração do sistema (conforme Tércio Sampaio Ferraz Júnior), ou de “neutralização de esperteza”, nas palavras de Marco Aurélio Greco. No caso concreto, ressaltam aos olhos o posicionamento artificial da Recorrente em face das leis de regência de cunhos societário e fiscal. A estrutura negocial montada pela Recorrente caracteriza o que a doutrina denomina de “operação estruturada em sequência”. Greco9 trata o tema com a maestria peculiar: Operação Estruturada em Sequência Sob esta denominação estão as step transactions, vale dizer, aquelas sequências de etapas em que cada uma corresponde a um tipo de ato ou deliberação societária ou negocial encadeado com o subsequente para obter determinado efeito fiscal mais vantajoso. Neste caso, cada etapa só tem sentido se existir a que lhe antecede e se for deflagrada a que lhe sucede. Uma operação estruturada indica a existência de um objetivo único, predeterminado à realização de todo o conjunto. E mais, indica a existência de uma causa jurídica única que informa todo o conjunto. Neste casos, cumpre examinar se há motivos autônomos, ou não, pois se estes inexistirem, o fato a ser enquadrado é o conjunto e não cada uma das etapas. (p. 462) Uso de Sociedades [...] o elemento relevante quando estamos perante uma pessoa jurídica não é apenas a sua existência formal (no registro competente etc.); tão importante ou até mais – em matéria tributária – é a identificação do empreendimento que justifica sua existência. A criação de uma pessoa jurídica tem sentido na 8 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. São Paulo: Dialética, 2011, p. 5354. 9 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. São Paulo: Dialética, 2011, p. 462476. Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 12448.724782/201248 Acórdão n.º 1402001.949 S1C4T2 Fl. 1013 33 medida em que corresponda à vestimenta jurídica de determinado empreendimento econômico ou profissional. A ideia de empresa é o núcleo a ser perquirido. (vide a importância que o Código Civil dá à noção de empresa – artigos 966 e segs.). (p. 468/469) Conduit companies A primeira situação a observar é das chamadas conduit companies (empresasveículos ou de passagem) em que uma pessoa jurídica é criadas apenas para servir como canal de passagem de um patrimônio ou de dinheiro sem que tenha efetivamente outra função dentro do contexto. (p. 470) Deslocamento da Base Tributável Outro aspecto a ser considerado é o do deslocamento da base tributável para sociedades que se encontrem em situação tributariamente mais favorável. O deslocamento de base tributária para outra pessoa jurídica que se encontra em regime tributário comparativamente mais vantajoso é elemento que merece especial atenção; aliás, já foi objeto de exame pelo antigo Tribunal Federal de Recursos ao ensejo da mencionada Apelação Cível nº 115.478RS (julgada em 18.02.87, Rel. Min. Américo Luz). Neste processo, além de outras considerações, encontrase no relatório do acórdão o seguinte aspecto: “O que existiu foi na realidade transferência de receita representada pela diferença de preços nas transações entre a autora e as demais empresas, pois a receita que não se realizou foi realizada pelas demais empresas, ainda que sob regime de determinação diferente.” Este é o ponto a considerar, pois – dependendo das circunstâncias do caso concreto – pode configurar fraude à lei tributária. (p. 475/476) (grifos nossos) Salientase que sem a utilização das denominadas “empresas veículo” não haveria amortização do ágio, pois tais valores deveriam compor o custo do investimento, conforme já abordado. Nesse contexto, é de pouco relevo se as “empresas veículos” efetivamente operavam, ou se suas existências foram efêmeras. O importante para a caracterização como conduit company foi a efemeridade de suas participações no negócio, em si. Em curto lapso, simplesmente por sua interposição em negócio jurídico, foi capaz de causar efeitos tributários, não em si mesma, mas na pessoa jurídica que efetivamente ocupava um dos polos da operação negocial perpetrada. Conforme se observa, os pontos destacados por Greco ressaltam aos olhos no caso concreto, pois as operações perpetradas pela Recorrente foram estruturadas em sequência, sem qualquer propósito negocial que não seja a mera economia tributária. Ou seja, utilizouse de sociedades de passagem a fim de que a mais valia na aquisição de ações contabilizada como ágio e que deveria compor o custo do investimento para fins de apuração de ganho de capital , após imediata incorporação reversa entre investida e investidora (empresa veículo), se Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 12448.724782/201248 Acórdão n.º 1402001.949 S1C4T2 Fl. 1014 34 transformasse em despesa dedutível na Recorrente mediante transferência do ágio a ser amortizado. Assim, considerandose que a real operação foi a aquisição das ações de ECISAPAR por BRMALLS e tais empresas jamais chegaram a tornarse uma única mediante incorporação ou fusão, não houve a ocorrência da extinção do investimento apta a permitir que o ágio pago na aquisição das ações pudesse ser amortizado, devendo tal valor compor o custo de aquisição das ações de ECISAPAR em eventual futura alienação de tais ações por parte de BRMALLS. A respeito dos argumentos trazidos pelo patrono do recorrente em sede de sustentação oral a respeito da necessidade de capitalização de LICIA para obtenção de empréstimos bancários, ainda que compusesse seu recurso voluntário, o que não ocorre, não seria elemento apto a justificar a criação de LICIA, de modo a demonstrar a existência de propósito negocial distinto da mera economia tributária, pois não há qualquer elemento que demonstre que tais empréstimos não poderiam ter sido tomados pela própria BRMALLS. Por esses motivos, nego provimento ao recurso voluntário. 4. CONCLUSÃO Isso posto, voto por negar provimento aos recursos de ofício e voluntário. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10945.721261/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2007, 2008
IMPEDIMENTO. SUSPEIÇÃO. ELEMENTOS DE SUPORTE PARA A IMPUTAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
Não se identificando nos autos elementos capazes de indicar que o agente fiscal integrante de equipe designada para promover a ação fiscal, estaria impedido ou sujeito à suspeição, descabe falar em nulidade do feito administrativo.
OMISSÃO DE RECEITAS. ALUGUÉIS. PROCEDÊNCIA.
Restando comprovado nos autos o efetivo recebimento de receita de aluguéis e, por outro lado, a ausência de oferecimento à tributação dos correspondentes valores, há de se manter as exigências formalizadas com base na imputação de omissão de receitas.
GANHO DE CAPITAL. INSUFICIÊNCIA.
Denota insuficiência de tributação a título de GANHO DE CAPITAL a inclusão no custo do bem objeto de alienação de valores que com ele não guardam relação. De igual forma, dispêndios promovidos em data posterior à referida alienação.
Numero da decisão: 1301-001.605
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de nulidade de suspeição, vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior (Relator) e Carlos Augusto de Andrade Jenier. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães
Redator designado
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201408
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2007, 2008 IMPEDIMENTO. SUSPEIÇÃO. ELEMENTOS DE SUPORTE PARA A IMPUTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Não se identificando nos autos elementos capazes de indicar que o agente fiscal integrante de equipe designada para promover a ação fiscal, estaria impedido ou sujeito à suspeição, descabe falar em nulidade do feito administrativo. OMISSÃO DE RECEITAS. ALUGUÉIS. PROCEDÊNCIA. Restando comprovado nos autos o efetivo recebimento de receita de aluguéis e, por outro lado, a ausência de oferecimento à tributação dos correspondentes valores, há de se manter as exigências formalizadas com base na imputação de omissão de receitas. GANHO DE CAPITAL. INSUFICIÊNCIA. Denota insuficiência de tributação a título de GANHO DE CAPITAL a inclusão no custo do bem objeto de alienação de valores que com ele não guardam relação. De igual forma, dispêndios promovidos em data posterior à referida alienação.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10945.721261/2011-11
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5448235
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1301-001.605
nome_arquivo_s : Decisao_10945721261201111.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 10945721261201111_5448235.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de nulidade de suspeição, vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior (Relator) e Carlos Augusto de Andrade Jenier. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Redator designado Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
id : 5879429
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047705339559936
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 28; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2409; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 820 1 819 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10945.721261/201111 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.605 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de agosto de 2014 Matéria IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS. Recorrente JOTA ELE CONSTRUÇÕES CIVIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2007, 2008 IMPEDIMENTO. SUSPEIÇÃO. ELEMENTOS DE SUPORTE PARA A IMPUTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Não se identificando nos autos elementos capazes de indicar que o agente fiscal integrante de equipe designada para promover a ação fiscal, estaria impedido ou sujeito à suspeição, descabe falar em nulidade do feito administrativo. OMISSÃO DE RECEITAS. ALUGUÉIS. PROCEDÊNCIA. Restando comprovado nos autos o efetivo recebimento de receita de aluguéis e, por outro lado, a ausência de oferecimento à tributação dos correspondentes valores, há de se manter as exigências formalizadas com base na imputação de omissão de receitas. GANHO DE CAPITAL. INSUFICIÊNCIA. Denota insuficiência de tributação a título de GANHO DE CAPITAL a inclusão no custo do bem objeto de alienação de valores que com ele não guardam relação. De igual forma, dispêndios promovidos em data posterior à referida alienação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de nulidade de suspeição, vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior (Relator) e Carlos Augusto de Andrade Jenier. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 72 12 61 /2 01 1- 11 Fl. 820DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10945.721261/201111 Acórdão n.º 1301001.605 S1C3T1 Fl. 821 2 (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Redator designado Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 821DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10945.721261/201111 Acórdão n.º 1301001.605 S1C3T1 Fl. 822 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, contra decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ em Curitiba/PR. Depreendese do presente processo administrativo que em desfavor da ora recorrente foram lavrados autos de infração de IRPJ e reflexos, dos anoscalendário 2006 e 2007 (fls. 199/223), acrescidos de multa de lançamento de ofício, além dos encargos legais. Segundo consta dos autos, o lançamento resultou de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias da recorrente, apurandose as infrações relatadas no Termo de Verificação Fiscal (fls. 187/198) resumidas em: i) omissão de receitas da atividade – Omissão de receitas de aluguéis: nos períodos de 12/2006, 03/2007 e 12/2007. Enquadramento legal no art. 528 do RIR/1999. Multa de 75%; ii) ganhos de capital: no período de 12/2007. Enquadramento legal no art. 521 do RIR/1999. Multa de 75%. Devidamente cientificada (fl. 227), a contribuinte apresentou Impugnação (fls. 232/246), acompanhada de documentos (fls. 247/634), alegando em síntese a suspeição da autoridade lançadora e a consequente nulidade dos autos de infração, dando conta de que a Sra. Lorete Berlanda, Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela condução da fiscalização e pela constituição do crédito tributário, não poderia ser a responsável pela condução dos trabalhos. Neste contexto de suspeição, aduziu a recorrente que teve sua sede transferida de Foz do Iguaçu/PR para Curitiba (PR) em 25/11/2010, nos termos da Quadragésima Alteração Contratual (fls. 35/37), porém no Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização n° 09.1.01.002011001899, expedido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba/PR em 01/03/2011, no qual já consta como domicílio da empresa o endereço de sua sede em Curitiba (PR), foram designados para realizar a ação fiscal Auditores Fiscais lotados na Delegacia da Receita Federal em Foz do Iguaçu/PR. Diante disso, arrazoou que a fiscalização de empresa sediada em Curitiba se deu em Foz do Iguaçu, mas nunca soube a justificativa para este fato, sendo a situação tão inusitada que, além deste auto de infração, da ação fiscal instaurada também resultou o crédito tributário contido no processo n° 10945.721263/201119, sendo que enquanto naquele feito a defesa deve ser protocolada em Foz do Iguaçu, neste o protocolo precisou se dar em Curitiba, destacando que a aquela ação fiscal permaneceria em aberto com relação aos anoscalendário 2008, 2009 e 2010, também pela Delegacia da Receita em Foz do Iguaçu. Acrescentou que situação mais grave do que essa, que macularse ia o procedimento fiscal e, consequentemente, inquinaria de nulidade o crédito tributário em apreço, devese ao fato de a Sra. Lorete Berlanda, Auditora Fiscal que comandou a fiscalização, jamais poderia ter atuado em caso envolvendoa, eis que ela, recorrente, é sócia ostensiva da Sociedade em Conta de Participação SCP denominada CATARATAS JL SHOPPING, conforme contrato anexo (doc. n° 02) e que fez parte desta SCP, desde o ano de 2005, a empresa Cataratas Incorporadora e Administradora de Shopping Centers S.A., CNPJ n° Fl. 822DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10945.721261/201111 Acórdão n.º 1301001.605 S1C3T1 Fl. 823 4 02.065.080/000199, nos termos do contrato anexo (doc. n° 02), que tinha como uma de suas sócias exatamente a Sra. Lorete Berlanda, CPF n°524.562.50915. Aduziu ainda que os fatos ocorridos em tal SCP foram, inclusive, investigados na ação fiscal que resultou nos lançamentos aqui tratados, dando conta de que, após uma difícil negociação, a Sra. Lorete Berlanda alienou sua participação na referida SCP para o Sr. João Luiz Felix, sócio majoritário da ora recorrente. Seguiuse informando que a Auditora Fiscal deixou o empreendimento em 06/11/2008, de acordo com o Termo de Transferência de Ações anexo (doc. n° 02), recebendo pelas ações vendidas a importância de R$ 27.862,80, em 13/11/2008, nos termos do documento de transferência bancária (doc. n° 02) e, considerando tais fatos, entende ser evidente a suspeição da Sra. Lorete Berlanda para realizar ação fiscal contra a Jota Ele Construções Civis Ltda., inclusive fora de seu domicílio tributário, que desde meados de 2010 é Curitiba/PR, nos termos dos artigos 18, 19 e 20 da Lei n° 9.784/99, além do art. 37 da CF e conclui que a flagrante afronta ao princípio constitucional da impessoalidade é causa de suspeição da Auditora Fiscal Sra. Lorete Berlanda para comandar ação fiscal em face da impugnante, o que torna nulos os autos de infração em tela, lavrados por ela, requerendo, destarte, a declaração desta nulidade. Quanto ao item “OMISSÃO DE RECEITAS DE ALUGUÉIS”, afirmou a recorrente que a SCP Cascavel JL Shopping, tributada pelo lucro presumido, adotou o regime de caixa, o que significaria dizer que só haverá incidência tributária no momento do efetivo recebimento de numerário ou do efetivo ingresso de receita tributável. Aludiu o disposto no art. 38 do RIR/99, e assevera que tal critério também é aplicável às pessoas jurídicas, sendo que ela recorrente jamais recebeu as receitas de aluguéis identificadas pela autoridade fiscal, ficou apenas com a expectativa de direito, com a pretensão de receber seus créditos, justificando que os negócios mencionados pela Fiscalização envolveram apenas permutas, sem acréscimo patrimonial para a empresa, devendose destacar que as benfeitorias recebidas como contrapartida dos créditos de aluguéis foram imediatamente destruídas pelos inquilinos que ocuparam os imóveis em momento posterior, ponderando que, pela inexistência de incremento no patrimônio da empresa não ocorreu omissão de receitas de aluguéis e os lançamentos do IRPJ e reflexos são improcedentes. Acrescentou ainda, que os valores mencionados nos distratos e considerados como receita omitida pela fiscalização são compostos, além de aluguéis, por despesas de condomínio e pelo fundo de promoção, conforme está expresso nos referidos documentos. Também neste aspecto o trabalho da autoridade lançadora seria falho, na medida em que se as chamadas receitas de aluguéis estão sujeitas à tributação, segundo a premissa que ela adotou, certamente o reembolso de despesas de condomínio e de fundo de promoção não estão. Defendeu que do valor de R$ 33.784,13, tributado no 4º trimestre de 2006, R$ 1.940,40 referemse ao fundo de promoção e R$ 4.427,36 e R$ 221,37 (totalizando R$ 4.648,73) são despesas de condomínio, conforme demonstrativo anexado, ou seja, a incorreção do lançamento seria demonstrada, neste ponto, pela equivocada base de cálculo das exigências, que seria de R$ 27.195,00 (R$ 33.784,13 R$ 6.589,13). Relativamente à receita de R$ 96.949,99, tributada no 1º trimestre de 2007, segundo a contribuinte R$ 11.184,06 seriam relativos ao fundo de promoção e R$ 14.786,16 e R$ 739,30 (totalizando R$ 15.525,46) despesas de condomínio, conforme demonstrativo Fl. 823DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10945.721261/201111 Acórdão n.º 1301001.605 S1C3T1 Fl. 824 5 anexado, ou seja, a base de cálculo dos lançamentos seria de R$ 70.240,47 (R$ 96.949,99 R$ 26.709,52), o que igualmente comprovaria a precariedade do trabalho fiscal. Concluiu que inexistiu omissão de receitas de aluguéis ou que o trabalho da autoridade fiscal estava incorreto, de modo que os autos de infração seriam improcedentes. Quanto ao item relativos à “OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL”, contestou a ocorrência da infração, cuja base de cálculo é R$ 1.212.679,20 e que tem como causa a redução do custo de aquisição considerado pela recorrente para apuração do ganho de capital decorrente da alienação de 90% do Cascavel JL Shopping (a diminuição do custo foi de R$ 17.021.577,53 para R$ 15.808.898,33). Afirmouse ainda, que a diminuição do custo de aquisição do imóvel e a consequente apuração de omissão de ganho de capital estão completamente equivocadas, pois nenhum dos dois motivos relacionados pela autoridade fiscal para constituir o crédito tributário encontra sustentação na legislação ou na verdade dos fatos, aludindo o art. 410 do RIR/99, anotando que, entre outros custos, as despesas com construção de imóvel devem ser levadas em consideração pela empresa para apuração de eventual lucro (ganho de capital) quando de sua alienação, sendo que, no regime do lucro presumido, os períodos de apuração são trimestrais e se encerram em 31/03, 30/06, 30/09 e 31/12 de cada anocalendário, sendo que os ganhos de capital somamse à base de cálculo presumida do IRPJ e da CSLL. No mais, com base nos artigos 516, § 5º, 518 e 521, do RIR/99, explicou que para chegar ao custo de aquisição do bem e confrontálo com o valor de alienação, levou em consideração todas as despesas efetivamente incorridas pela SCP Cascavel JL Shopping até 31/12 e que estão devidamente contabilizadas em livros próprios desta empresa, de sorte que nada seria mais lógico e de acordo com a determinação legal, já que o 4º trimestre de 2007 se encerrou em 31/12 daquele ano, aduzindo que a autoridade lançadora aceitou apenas as despesas contabilizadas até 13/11/2007, data da escritura pública de alienação e que o parâmetro utilizado pela fiscalização não encontra sequer respaldo na legislação, já que o trimestre da venda só se encerrou em 31/12/2007 e a SCP continuou tendo diversos custos com o imóvel vendido, todos devidamente comprovados. Os dispêndios foram simplesmente ignorados pela autoridade autuante, sendo que todos os comprovantes (notas fiscais) estão em nome da Jota Ele Construções Civis Ltda. Argumentou que tais despesas, se não podem fazer parte do custo de aquisição do bem alienado, evidentemente precisam ser consideradas na apuração do lucro real da empresa Jota Ele Construções Civis Ltda. (sócia ostensiva da SCP), pois são plenamente dedutíveis, nos termos do artigo 299 do RIR/99 e destacou que todas as despesas, sem exceção, são necessárias, usuais ou normais e foram efetivamente pagas, destacando que em nenhum momento a autoridade lançadora fez menção a eventual inidoneidade dos documentos ou à materialidade dos custos. Com o objetivo de ilustrar as provas dos custos não admitidos, anexou algumas das respectivas notas fiscais de bens/serviços adquiridos e defendeu que não se pode admitir que as despesas de R$ 1.212.679,20 sejam completamente desprezadas, tanto na SCP (para apuração do ganho de capital do imóvel vendido matéria discutida nestes autos) como na sócia ostensiva Jota Ele Construções Civis Ltda. (para apuração do lucro real do exercício 2008 matéria do processo n° 10945.721263/201119, no qual, de forma completamente equivocada, a autoridade lançadora apurou um lucro de R$ 7.317.741,47 relativamente ao anocalendário 2007. Fl. 824DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10945.721261/201111 Acórdão n.º 1301001.605 S1C3T1 Fl. 825 6 No mais, solicitou que acaso não fosse cancelada a exigência, com o acatamento da importância de R$ 1.212.679,20 como custo de aquisição do imóvel vendido, tal valor deveria ser levado em consideração como despesa dedutível para apuração dos tributos eventualmente devidos naquele caso para o anocalendário 2007 e pugnou pelo julgamento conjunto/simultâneo deste feito com o processo n° 10945.721263/201119, inclusive porque ambos os casos tiveram origem em única ação fiscal. Esclareceu que muitos dos custos desprezados referemse a despesas contraídas em data anterior a 13/11/2007, mas que em razão do trâmite interno da documentação na empresa, só foram contabilizados em momento posterior e que encontramse nesta situação diversas notas fiscais, relacionadas uma a uma na planilha que também instrui a defesa, com identificação do fornecedor, do número da nota fiscal, da data de sua emissão e de sua contabilização, além do respectivo valor, cujas despesas totalizam R$ 190.389,43. Mesmo pela premissa adotada pela fiscalização, tal importância deveria ser agregada ao custo do bem alienado, reduzindo, consequentemente, o ganho de capital. Acrescentou que seguindo o critério equivocadamente adotado pela Fiscalização, com relação ao valor do FGTS, ao invés de R$ 165.846,67 o saldo da conta contábil 4.1.1.1.0010 em 13/11/2007 era de R$ 169.539,60 (fls. 160), o que reduz o ganho de capital em R$ 3.692,93. Assim, se o posicionamento da autoridade lançadora estivesse correto, apenas com estas alterações o ganho de capital sofreria redução para R$ 1.018.596,84. Enfatizou que a alienação envolveu um lote urbano medindo 8.690,00 m2, com edificação comercial (shopping center) em alvenaria medindo 26.444,70 m2, com benfeitorias, além de uma edificação comercial (shopping center) medindo 1.069,45 m2, conforme escritura pública. Quando tal documento menciona benfeitorias, ele quer dizer que fizeram parte da compra e venda os bens contabilizados nas contas "1.4.2.1.0001 máquinas e equipamentos", "1.4.2.3.001 veículos", "1.4.2.4.001 móveis e utensílios" e "1.4.2.7.0001 equipamentos de CPD". Ponderou que a incorreta definição dos bens alienados no referido documento não pode se sobrepor à verdade real, segundo a qual a venda de tais ativos fez parte do negócio em referência e que estaria diligenciando para comprovar essa assertiva, sendo que os valores relativos a tais contas também devem compor o custo de aquisição do imóvel alienado. Concluiu que o lançamento é improcedente com relação à suposta omissão de ganhos de capital, e requereu a decretação de nulidade dos lançamentos em apreço, em razão da suspeição da Auditora Fiscal, e quanto ao mérito, fosse reconhecida a improcedência dos autos de infração, pois inexistiram omissões de receitas de aluguéis ou de ganhos de capital. Protesta pela produção de todas as provas em direito admitidas necessárias para o deslinde da questão. Às fls. 638/641, consta petição protocolada pelo contribuinte em 06/03/2012, endereçado ao Delegado da DRF/Foz do Iguaçu, pela qual pugna pelo imediato encerramento da ação fiscal, seja em razão do domicílio fiscal da empresa, que desde 25/11/2010 é Curitiba (PR), seja pela suspeição da Sra. Lorete Berlanda, Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela fiscalização. Apresenta razões em teor similar à arguição de suspeição, sendo o dito pleito indeferido. Fl. 825DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10945.721261/201111 Acórdão n.º 1301001.605 S1C3T1 Fl. 826 7 Aa 2ª Turma da DRJ em Curitiba/PR, nos termos do acórdão e voto de folhas 646 em diante, julgou o lançamento parcialmente procedente, ficando assim ementada a decisão: [...] ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007 NULIDADE. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. DRF DE JURISDIÇÃO DIVERSA DA DO CONTRIBUINTE. VALIDADE. É valido o lançamento formalizado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo, eis que não há, propriamente, um direito do contribuinte em ser fiscalizado somente por determinada Delegacia, já que a competência é da RFB como um todo. IMPEDIMENTO. SUSPEIÇÃO. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA DO AUTUANTE. NÃO CARACTERIZAÇÃO. O servidor deve declararse impedido, por motivo de interesse direto, participação processual ou litígio com o interessado, ou suspeito, em caso de amizade ou inimizade notória, sendo descabida a arguição de suspeição somente pelo fato de o autuante ter tido participação societária em empresa ligada ao contribuinte. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 SCP. EQUIPARAÇÃO À PESSOA JURÍDICA. APURAÇÃO DO RESULTADO. ESCRITURAÇÃO. As sociedades em conta de participação (SCP) são equiparadas, pela legislação tributária, às pessoas jurídicas, e podem optar pelo lucro presumido, independentemente do regime adotado pelo sócio ostensivo, devendo efetuar os recolhimentos em nome deste, mediante DARF específico, sendo que a escrituração pode ser feita tanto em livros contábeis próprios quanto nos do sócio ostensivo, neste caso, desde que de forma destacada, sobretudo quanto à apuração dos resultados e do lucro real. LUCRO PRESUMIDO. SCP. FATO GERADOR DO IRPJ. PROVENTOS DE QUALQUER NATUREZA. RECEITA DE ALUGUEIS. RECEBIMENTO EM BENFEITORIAS. Fl. 826DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10945.721261/201111 Acórdão n.º 1301001.605 S1C3T1 Fl. 827 8 O fato gerador do IRPJ alcança os proventos de qualquer natureza que venham a acrescer o patrimônio do contribuinte, independentemente da forma de percepção, sendo irrelevante que o recebimento tenha sido materializado mediante a permanência de máquinas de ar condicionado e outras benfeitorias, a título de pagamento de aluguéis em atraso. LUCRO PRESUMIDO. SCP. GANHO DE CAPITAL. VENDA DE IMÓVEL. COMPOSIÇÃO DO CUSTO. DESPESAS INCORRIDAS APÓS A ALIENAÇÃO. GLOSA. VALORES CONTABILIZADOS EM ATRASO. REDUÇÃO DO LANÇAMENTO. No lucro presumido, o ganho de capital nas alienações de bens do ativo permanente corresponde à diferença positiva verificada entre o valor da alienação e o respectivo valor contábil, sendo correta a glosa dos dispêndios supostamente incorridos com o bem alienado, ocorridos em data posterior à venda, devendo ser aceitos os valores comprovados por notas fiscais emitidas anteriormente àquela data, mas contabilizados em atraso. PIS. COFINS. CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplicase ao lançamento reflexo alusivo ao PIS, Cofins e CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte [...] Devidamente cientificada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando seus argumentos e pugnando por provimento. É o relatório. Fl. 827DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10945.721261/201111 Acórdão n.º 1301001.605 S1C3T1 Fl. 828 9 Voto Vencido Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Relator. O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Conquanto haja requerimento expresso da contribuinte no sentido de que o presente feito seja julgado em conjunto com o processo administrativo nº 10945.721263/2011 19, tal providência afigurase inviável na medida em que, desafortunadamente, o dito processo já foi julgado. Registrese ainda, que não apenas no PA nº 10945.721263/201119, mas também no de nº 10945.721137/201237, figurei com relator dos Recursos Voluntários e em ambos, assim como neste, afigurouse estranhável atuação da Fiscalização Tributária no que toca à condução dos trabalhos pela auditora fiscal em questão. Sendo assim, tal como o fiz naquelas oportunidades, ainda que minha proposta de voto não tenha prosperado, entendo presente a nulidade e configurada, à saciedade, a suspeição da autora do feito, de sorte que a contribuinte insurgese contra a atuação da Sra. Lorete Berlanda na condução dos trabalhos de Fiscalização que redundaram nos autos de infração ora analisados, porquanto ela, Sra. Lorete, Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil, teria mantido relação comercial, inclusive de sociedade em determinado empreendimento, com a ora recorrente. I – PRELIMINAR DE NULIDADE – SUSPEIÇÃO DA AUTORIDADE LANÇADORA Sustenta a contribuinte que reforçaria a suspeição e incompetência da autoridade autuante, que figurou durante toda a fiscalização, da qual sobreveio o lançamento de outros autos de infração, o fato de que teve sua sede transferida de Foz do Iguaçu (PR) para Curitiba (PR) em 25/11/2010, porém o MPF em questão, expedido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba (PR) em 01/03/2011 e onde já consta como domicílio da empresa o endereço de sua sede em Curitiba (PR), foram designados para realizar a ação fiscal Auditores Fiscais lotados na Delegacia da Receita Federal em Foz do Iguaçu/PR, situação que revelaria ainda mais a suspeição que permeia a condução dos trabalhos fiscalizatórios. Porém, o cerne da alegação de suspeição/incompetência da Autoridade Fiscalizadora, dáse ao revelar o fato de que a empresa Jota Ele Construções Civis Ltda. (recorrente) é sócia ostensiva da Sociedade em Conta de Participação SCP denominada CATARATAS JL SHOPPING, e que fez parte desta SCP, desde o ano de 2005, a empresa CATARATAS INCORPORADORA E ADMINISTRADORA DE SHOPPING CENTERS S.A., CNPJ n° 02.065.080/000199, que tinha como uma de suas sócias exatamente a Sra. Lorete Berlanda, sendo que os fatos ocorridos em tal SCP foram, inclusive, investigados na mesma ação fiscal. Fl. 828DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10945.721261/201111 Acórdão n.º 1301001.605 S1C3T1 Fl. 829 10 Segundo o arrazoando da contribuinte, em razão da participação comum nesta sociedade, seu sócio João Luiz Felix e a Sra. Lorete Berlanda, estabeleceram contato e participaram juntos de reuniões da empresa Cataratas Incorporadora e Administradora de Shopping Centers S.A., conforme ilustram as atas das assembleias ocorridas em 18/06/2002 e em 09/05/2008. A questão da suspeição, aliás, é tema sobre o qual a contribuinte tem se debatido desde que iniciados os trabalhos de fiscalização e diante dos aventados fatos, defende a contribuinte ser evidente a suspeição da Sra. Lorete Berlanda para realizar ação fiscal contra a Jota Ele Construções Civis Ltda., ainda mais, fora de seu domicílio tributário, reputando nulos os autos de infração em tela. Rememorados os fatos articulados na preliminar de nulidade, assento que a questão merece detida reflexão. Reflexão, aliás, que me parece ter sido prescindida pela decisão recorrida ao diminuir os efeitos das sérias alegações trazidas pela contribuinte. Digo isso não para desqualificar o enfretamento originário, tampouco para refutar por completo suas conclusões. Proclamo, antes disso, que a questão extrapola os limites da aplicação da Súmula CARF nº 27, de inegável efeito, o argumento do desrespeito ao domicílio fiscal da contribuinte não foi arguido isoladamente, ao contrário, serviu para sustentar a tese da suspeição da Autoridade Administrativa, que a despeito de lotada em domicílio fiscal diverso daquele da contribuinte, reconhecido no próprio MPF, ficou encarregada de presidir os trabalhos de auditoria levados a efeito em contribuinte com a qual manteve relações que no mínimo podem ser consideras de proximidade incompatível com o ato de fiscalizar. Diante disso, reconheço o teor da Súmula CARF nº 27, segundo a qual “é válido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo”, entretanto, não me parece que o caso apresentado seja de mera incongruência de domicílio fiscal do autuado e do fiscal que conduziu os trabalhos, tampouco é essa a alegação da recorrente, razão pela qual, a questão do domicílio tributário há de ser analisada juntamente com os demais argumentos, sem com isso, negarse o conteúdo sumulado já referido, entendendo apenas, insuficiente para o deslinde da questão. Como já referi acima, o ponto central da arguição da recorrente passa pelo fato de a empresa Jota Ele Construções Civis Ltda., ora recorrente, ser sócia ostensiva da Sociedade em Conta de Participação SCP denominada CATARATAS JL SHOPPING, que foi também fiscalizada e autuada pela mesma auditora, sendo que fez parte desta SCP, desde o ano de 2005, a empresa CATARATAS INCORPORADORA E ADMINISTRADORA DE SHOPPING CENTERS S.A., CNPJ n° 02.065.080/000199, que tinha como uma de suas sócias justamente a Sra. Lorete Berlanda. Necessário depreender se desta relação, inegavelmente havida entre a contribuinte e a Autoridade lançadora, sobreveio mesmo a nulidade invocada pela recorrente. Neste propósito de enfretamento, assinalo ser no mínimo estranhável o expediente adotado pela Autoridade lançadora, de sentirse apta e desimpedida para comandar ação fiscal contra empresa com a qual manteve relação de proximidade, volto a dizer, no mínimo estranhável, como também é estranhável que mesmo diante da alegação neste processo administrativo, a mesma autoridade administrativa tenha lavrado outros tantos autos de Fl. 829DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10945.721261/201111 Acórdão n.º 1301001.605 S1C3T1 Fl. 830 11 infração relacionados. Pareceme igualmente pouco acertada a decisão do Sr. Delegado da Receita Federal do Brasil em Foz do Iguaçu, considerarse satisfeito com as justificativas da senhora Lorete, mantendoa à frente da indigitada fiscalização. Tais decisões pessoais, ao que me é dado observar, internalizaram no processo administrativo ora apreciado e naquele referido acima, situações que seriam, a rigor, facilmente evitadas, bastando que os trabalhos fossem desempenhados por autoridade sobre a qual não pairasse qualquer controvérsia. Digo isso não para lançar, necessariamente, dúvida acerca da idoneidade da autoridade que conduziu os trabalhos, aliás, nem mesmo a contribuinte o fez. O que se deve ter em mente, contudo, é que o tumulto processual e prejuízos materiais advindos da permanência da Sra. Lorete prescindem de qualquer alegação de dolo ou máfé de sua parte. A questão que se coloca diz com os requisitos de validade do ato administrativo, espécie do qual faz parte o ato de lançamento. Ou seja, não se está a perquirir nem mesmo eventual prejuízo à contribuinte, pois o que se ventila é uma situação de pessoalidade mantida entre o agente estatal, encarregado do poder fiscalizatório e sancionatório, e o contribuinte sujeitado ao juízo, motivado que seja, deste mesmo agente estatal. Não me parece congruente com o sistema jurídico vigente semelhante relação de pessoalidade. Não é aceitável que a fiscalização fique a cargo de quem manteve relações tão próximas, ainda que despidas de qualquer pecha, tendo a Sra. Lorete negociado ações, figurado no quadro acionário de terceira empresa, que foi sócia oculta em Sociedade em Conta de Participação, da qual foi sócia ostensiva a própria recorrente, me parece inegável sua suspeição para atuar neste feito. A mera narrativa dos fatos já revela a relação aproximada, sendo despiciendo até mesmo aventarse o inegável privilégio advindo do conhecimento dos fatos e rotinas da contribuinte, dos quais seguramente dispunha a Autoridade, e que por si só maculam o procedimento fiscalizatório. Não se coaduna à inarredável impessoalidade do ato administrativo, grafada no artigo 37 da Constituição da República, tampouco à necessária higidez e transparência no processo administrativo fiscal, a conduta da Autoridade autuante. Não sobram dúvidas, tendo ela, Autoridade, sido sócia da recorrente, ainda que por intermédio de terceira pessoa jurídica, em empreendimento auditado, inclusive, tinha inequívoco interesse na matéria, a revelar o impedimento grafado no artigo 18, inciso I, da Lei nº 9.784/99. Assentado o impedimento da Autoridade autuante, oriundo de sua relação pessoal com a contribuinte, e tendo o resultado de sua atuação redundado em autos de infração, me parece que a decretação da nulidade do ato administrativo se impõe. E impõese justamente porque acoimado, como já adiantei acima, em um de seus atributos de validade. Sendo assim, mesmo que vislumbre que a hipótese dos autos redunda na incompetência da autoridade administrativa para lavrar os autos de infração, verifico que a nulidade nem mesmo precisaria satisfazer uma das hipóteses do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, eis que o ato administrativo, desatendendo a regra maior do artigo 37 da CF, não reúne os atributos necessários ao plano eficacial, ou seja, dada a pessoalidade verificada, não pode o lançamento irradiar efeitos como ato administrativo que é. Fl. 830DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10945.721261/201111 Acórdão n.º 1301001.605 S1C3T1 Fl. 831 12 Acato, em conclusão, a preliminar de nulidade formulada pela contribuinte, e o faço para os fins de reconhecer a nulidade advinda do caráter pessoal da atuação da Autoridade lançadora, declarando nulos os autos de infração. II – DO MÉRITO Considerada a preliminar acima enfrentada, atinente à suspeição e/ou incompetência da Autoridade autuante, a rigor nem mesmo se deveria proceder à análise material das imputações contidas no bojo do presente processo, contudo, tendo em vista que no processos administrativos nº 10945.721263/201119 e nº 10945.721137/201237, minha proposta de voto, no tocante à nulidade, ficou vencida, entendo oportuno apreciarse o mérito de maneira sucessiva, sem com isso, sopesar ou amenizar a nulidade antes proclamada. Especificamente quanto ao mérito das imputações, temse que a Fiscalização detectou duas infrações nos resultados da Sociedade em Conta de Participação: i) omissão de receitas de aluguéis; ii) diferença de ganho de capital, sendo tais itens objetos do enfretamento abaixo. II.1 – Da omissão de receitas de aluguéis No que toca a este item da autuação, temse que a Fiscalização apurou omissão de receitas referentes a aluguéis, dispondose assim no Termo de Verificação Fiscal de folhas 190 em diante: [...] 18. Do exposto acima, verificase que foi contabilizado em 30/07/2007, extemporaneamente, um saldo de alugueis a receber, no valor de R$ 251.590,822, o qual havia disso integralmente pago pelos locatários, nas datas de assinatura dos distratos, conforme relacionados acima, por meio de benfeitorias que permaneceram nas lojas. [...] 19. Ocorre que, conforme se pode observar nos lançamentos acima descritos, em nenhum momento os valores referentes aos alugueis recebidos transitaram em conta de receita, seja no momento em que houve o seu lançamento a débito na conta “1.2.2.1.0001 – Aluguéis a Receber” (fl.54), no dia 31/07/2007, seja no momento em que foram contabilizados os pagamentos (lançamentos a crédito da referida conta), nos meses de setembro e outubro de 2007, e muito menos no momento em que foram assinados os distratos, que são as datas em que os aluguéis foram efetivamente recebidos. 20. Dessa forma, concluise que a SCP não reconheceu como receitas tais pagamentos realizados em forma de benfeitorias nas lojas. Verificouse também que não houve a apuração e nem recolhimento dos tributos devidos sobre essas receitas (IRPJ E CASSL – lucro presumido. PIS e COFINS). 21. Considerando que, em relação às operações de SCP, o sujeito passivo optou pela tributação pelo regime do lucro presumido e o reconhecimento das receitas pelo regime de caixa, a fiscalização efetua o lançamento de ofício do IRPJ – lucro Fl. 831DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10945.721261/201111 Acórdão n.º 1301001.605 S1C3T1 Fl. 832 13 presumido e reflexos (CSLL, PIS e COFINS), os quais incidem sobre os valores relacionados abaixo, a título de omissão de receitas decorrentes de aluguéis recebidos, nas seguintes datas de fato gerador: [...] 22. Em razão do prazo decadencial, não são efetuados os lançamentos de ofício dos tributos incidentes sobre os valores de R$ 10.458,16 (FG: 18/06/2006) e R$ 56.335,65 (FG: 05/07/2006). [...] A contribuinte, por sua vez, tem defendido que jamais recebeu as receitas de aluguéis identificadas pela autoridade fiscal, ficou apenas com a expectativa de direito, com a pretensão de receber seus créditos, justificando que os negócios mencionados pela Fiscalização envolveram apenas permutas, sem acréscimo patrimonial para a empresa, e que as benfeitorias recebidas como contrapartida dos créditos de aluguéis foram imediatamente destruídas pelos inquilinos que ocuparam os imóveis em momento posterior, ponderando que, pela inexistência de incremento no patrimônio da empresa não ocorreu omissão de receitas de aluguéis e os lançamentos do IRPJ e reflexos são improcedentes. Também tem argumentado, a recorrente, que os valores mencionados nos distratos e considerados como receita omitida pela fiscalização são compostos, além de aluguéis, por despesas de condomínio e pelo fundo de promoção, conforme está expresso nos referidos documentos e que o trabalho da autoridade lançadora seria falho, na medida em que se as chamadas receitas de aluguéis estão sujeitas à tributação, segundo a premissa que ela adotou, certamente o reembolso de despesas de condomínio e de fundo de promoção não estão. Defendeu assim, que do valor de R$ 33.784,13, tributado no 4º trimestre de 2006, R$ 1.940,40 referemse ao fundo de promoção e R$ 4.427,36 e R$ 221,37 (totalizando R$ 4.648,73) são despesas de condomínio, conforme demonstrativo anexado, ou seja, a incorreção do lançamento seria demonstrada, neste ponto, pela equivocada base de cálculo das exigências, que seria de R$ 27.195,00 (R$ 33.784,13 R$ 6.589,13). Relativamente à receita de R$ 96.949,99, tributada no 1º trimestre de 2007, segundo a contribuinte R$ 11.184,06 seriam relativos ao fundo de promoção e R$ 14.786,16 e R$ 739,30 (totalizando R$ 15.525,46) despesas de condomínio, conforme demonstrativo anexado, ou seja, a base de cálculo dos lançamentos seria de R$ 70.240,47 (R$ 96.949,99 R$ 26.709,52), o que igualmente comprovaria a precariedade do trabalho fiscal. Como se observa do trecho transcrito do TVF, a Fiscalização analisou a conta de ativo “1.2.2.1.0001 – Aluguéis a Receber”, à folha 14 do Livro Razão de 2007 da SCP (fl. 54), em que consta o registro de lançamento a débito, em data de 31/07/2007, no valor de R$ 251.590,82, e a crédito na conta de ativo realizável a longo prazo “1.2.1.1.0002 – Jota Ele Imobiliária e Administradora Ltda.”, sendo que a Fiscalização apurou que não haveria nenhuma contabilização de saldo de aluguéis a receber. Segundo constatou a Fiscalização, em setembro e outubro de 2007, o saldo de R$ 251.590,82 da conta “1.2.2.1.0001 – Aluguéis a Receber” foi zerado mediante cinco lançamentos a crédito, fazendo referências a benfeitorias e a distratos celebrados com os locatários inadimplentes, sendo que tais lançamentos tiveram como contrapartidas débitos na conta transitória “4.1.1.1.0045 – Benfeitorias – Lojas”, conforme folha 200 do Livro Razão (fl. Fl. 832DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10945.721261/201111 Acórdão n.º 1301001.605 S1C3T1 Fl. 833 14 56), sendo que o saldo de R$ 251.590,82 da dita conta (fl. 57) foi integralmente transferido para a conta “1.4.1.1.0001 – Cascavel JL Shopping” (fl. 58), que espelhava uma conta de investimentos do ativo permanente. É indiscutível nos autos, portanto, relativamente aos aluguéis inadimplidos na época dos seus vencimentos, que os valores foram, a posteriori, quitados pelos Locatários, tanto é assim, que a própria recorrente anuiu assinando os distratos, recebendo como pagamento as máquinas de ar condicionado, e demais benfeitorias. Ou seja, a Fiscalização, ao analisar os documentos encaminhados juntamente com a resposta (fls. 70/77) anotou que foram celebrados distratos de locação, nos quais se verifica que os locatários quitaram, na data de sua assinatura, os valores de alugueis devidos com a permanência de máquinas de ar condicionado e outras benfeitorias nas lojas. Se a contribuinte ou seus locatários supervenientes utilizaram ou não as máquinas e as ditas benfeitorias, é fato que desinteressa por completo ao deslinde do feito, não sendo legítimo concluir, contudo, que tenha assinado os distratos e ainda assim considere que inadimplidos os aluguéis e não oferecidas as receitas à tributação. Devese dar razão à decisão recorrida ao afirmar que na espécie a recorrente recebeu os aluguéis em atraso, nas datas dos distratos arrolados, sem oferecêlas à tributação, situação que justifica a exigência, de ofício, dos tributos a eles correspondentes, o que foi efetuado para os três últimos recebimentos, já que os dois primeiros foram atingidos pela decadência. Com essas considerações, se vencido na preliminar de nulidade, voto por manter hígidas as conclusões da decisão recorrida quanto a este item da autuação. II.2 – Omissão de receitas ganho de capital Quanto a este item da autuação, temse que a Fiscalização utilizouse de base de cálculo no montante de R$ 1.212.679,20, fruto da redução do custo de aquisição considerado pela recorrente para apuração do ganho de capital decorrente da alienação de 90% do Cascavel JL Shopping (a diminuição promovida pela Fiscalização deslocou o custo de R$ 17.021.577,53 para R$ 15.808.898,33). Com a diminuição do custo de aquisição do imóvel, tevese a redundante apuração de omissão de ganho de capital. Observese as ponderações da Fiscalização contidas no TVF a partir da folha 193: [...] 30. Observese também que foram incluídos, na composição do custo de R$ R$ 17.021.577,53, os valores referentes à baixa de 90% do valor contabilizado nas contas “1.4.2.1.0001 – máquinas e equipamentos” (R$ 35.175,15), “1.4.2.3.001 – veículos” (R$ 5.400,00) “1.4.2.7.001 – móveis e utensílios” (R$ 95.069,22) e “1.4.2.7.0001 – equipamentos de CPD” (R$ 26.167,80), deduzidas de suas respectivas depreciações. Tratam se de inclusões indevidas no custo da alienação, isto porque, conforme observado nos parágrafos 25 e 26 acima, o único objeto da alienação do ativo imobilizado foi tão somente 90% do imóvel descrito na escritura pública de compra e venda, que Fl. 833DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10945.721261/201111 Acórdão n.º 1301001.605 S1C3T1 Fl. 834 15 corresponde ao ativo contabilizado na conta “1.4.1.1.0001 – cscavel JL Shoping” (fl. 58). Acaso outros itens do ativo imobilizado tivessem sido objetos do negócio, os valores de suas alienações representariam omissões de receita, já que não computados na receita total declaradas (R$ 24.624.000,00). Por isso, a fiscalização efetua a glosa desses valores e suas respectivas depreciações da composição do custo do imóvel alienado. [...] A contribuinte argumenta que estaria incorreta a redução do custo de aquisição e não haveria a consequente omissão de receitas na apuração do ganho de capital, aludindo o art. 410 do RIR/99, anotando que entre outros custos, as despesas com construção de imóvel devem ser levadas em consideração pela empresa para apuração de eventual lucro (ganho de capital) quando de sua alienação, eis que no regime do lucro presumido, os períodos de apuração são trimestrais e se encerram em 31/03, 30/06, 30/09 e 31/12 de cada ano calendário, sendo que os ganhos de capital somamse à base de cálculo presumida do IRPJ e da CSLL. Reputase ainda, que para chegarse ao custo de aquisição do bem e confrontálo com o valor de alienação, levou em consideração todas as despesas efetivamente incorridas pela SCP Cascavel JL Shopping até 31/12 e que estão devidamente contabilizadas em livros próprios, já que o 4º trimestre de 2007 se encerrou em 31/12 daquele ano e que a Fiscalização aceitou apenas as despesas contabilizadas até 13/11/2007, data da escritura pública de alienação, porém, o trimestre da venda só se encerrou em 31/12/2007 e a SCP continuou tendo diversos custos com o imóvel vendido, todos devidamente comprovados. Aduz a recorrente que os dispêndios foram simplesmente ignorados pela autoridade autuante, sendo que todos os comprovantes (notas fiscais) estão em nome da Jota Ele Construções Civis Ltda. A decisão recorrida, por seu turno, em análise da impugnação apresentada, aceitou como acréscimo ao custo de aquisição o valor de R$ 272.220,88, ao fundamento de que a recorrente suportou tais despesas em momento anterior à alienação (13/11/2007) tendo apenas escriturado em momento posterior, de sorte que a base de cálculo da infração foi reajustada para R$ 967.680,41. Neste item da imputação, mesmo que vencido na preliminar de nulidade, entendo que a decisão recorrida merece ser reformada e a autuação julgada insubsistente. Não vejo acerto no raciocínio da Fiscalização ao adotar como marco final da apuração dos custos do empreendimento, para fins de apurarse o ganho de capital, a data da celebração da escritura de compra e venda. Com efeito, a Fiscalização não glosou, materialmente as despesas, tampouco comprovou que a à época da celebração da escritura o empreendimento estava acabado, ao contrário disso, simplesmente ignorou as despesas para os fins de reajustar o custo do empreendimento, desprezando despesas contabilizadas de maneira hígida na contabilidade da SCP, todas em nome da sócia ostensiva. Fl. 834DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10945.721261/201111 Acórdão n.º 1301001.605 S1C3T1 Fl. 835 16 Não há como dar suporte à exigência, bem descreveu a contribuinte que para chegarse ao custo de aquisição do bem e confrontálo com o valor de alienação, levou em consideração todas as despesas efetivamente incorridas pela SCP Cascavel JL Shopping até 31/12, despesas que estão devidamente contabilizadas em livros próprios, não sendo legítimo, a fiscalização aceitar apenas as despesas contabilizadas até 13/11/2007. Sendo assim, na hipótese de não ser acatada a nulidade, impõese a reforma da decisão recorrida quanto a este item da imputação fiscal. III – CONCLUSÃO Em vista de todo o exposto, voto no sentido de ACATAR a preliminar de suspeição/incompetência da autoridade administrativa, julgando nulos os atos administrativos de lançamento. Alternativamente, se vencido quanto à preliminar, voto no sentido de DAR PARCIAL provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a autuação relativa à omissão de receitas de aluguéis, e afastando a exigência relativa à omissão de receitas de ganho de capital. Sala das Sessões, em 26 de agosto de 2014. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Fl. 835DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10945.721261/201111 Acórdão n.º 1301001.605 S1C3T1 Fl. 836 17 Voto Vencedor Em que pese os densos argumentos trazidos pelo Ilustre Conselheiro Relator, o Colegiado decidiu de forma diversa. Cuida o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS), relativas aos anoscalendário de 2006 e 2007, formalizadas em razão da imputação das seguintes infrações: i) omissão de receitas da atividade – Omissão de receitas de aluguéis: nos períodos de 12/2006, 03/2007 e 12/2007; e ii) insuficiência de tributação de ganho de capital no período de 12/2007. Cumpre registrar que o presente pronunciamento alcança tão somente as matérias em relação as quais o Conselheiro relator ficou vencido1, quais sejam: a) nulidade dos lançamentos em razão de suspeição da Auditora Fiscal da Receita Federal Lorete Berlanda; e b) insuficiência de tributação de GANHO DE CAPITAL. Tomando por base a mesma ordem utilizada pelo Relator em seu pronunciamento, discorro, a seguir, sobre as razões que levaram o Colegiado a divergir do entendimento ali esposado. Suspeição/Incompetência da Autoridade Administrativa Assinala o Ilustre Conselheiro Relator: Sustenta a contribuinte que reforçaria a suspeição e incompetência da autoridade autuante, que figurou durante toda a fiscalização, da qual sobreveio o lançamento de outros autos de infração, o fato de que teve sua sede transferida de Foz do Iguaçu (PR) para Curitiba (PR) em 25/11/2010, porém o MPF em questão, expedido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba (PR) em 01/03/2011 e onde já consta como domicílio da empresa o endereço de sua sede em Curitiba (PR), foram designados para realizar a ação fiscal Auditores Fiscais lotados na Delegacia da Receita Federal em Foz do Iguaçu/PR, situação que revelaria ainda mais a suspeição que permeia a condução dos trabalhos fiscalizatórios. Porém, o cerne da alegação de suspeição/incompetência da Autoridade Fiscalizadora, dáse ao revelar o fato de que a empresa Jota Ele Construções Civis Ltda. (recorrente) é sócia ostensiva da Sociedade em Conta de Participação SCP denominada CATARATAS JL SHOPPING, e que fez parte desta SCP, desde o ano de 2005, a empresa CATARATAS INCORPORADORA E ADMINISTRADORA DE SHOPPING CENTERS S.A., CNPJ n° 02.065.080/000199, que tinha como uma de suas sócias exatamente a Sra. Lorete Berlanda, sendo que os fatos ocorridos em tal SCP foram, inclusive, investigados na mesma ação fiscal. Segundo o arrazoando da contribuinte, em razão da participação comum nesta sociedade, seu sócio João Luiz Felix e a Sra. Lorete Berlanda, estabeleceram contato 1 Relativamente à omissão de receitas de aluguéis, o Ilustre Relator julgou procedente a imputação feita pela Fiscalização. Fl. 836DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10945.721261/201111 Acórdão n.º 1301001.605 S1C3T1 Fl. 837 18 e participaram juntos de reuniões da empresa Cataratas Incorporadora e Administradora de Shopping Centers S.A., conforme ilustram as atas das assembléias ocorridas em 18/06/2002 e em 09/05/2008. A questão da suspeição, aliás, é tema sobre o qual a contribuinte tem se debatido desde que iniciados os trabalhos de fiscalização e diante dos aventados fatos, defende a contribuinte ser evidente a suspeição da Sra. Lorete Berlanda para realizar ação fiscal contra a Jota Ele Construções Civis Ltda., ainda mais, fora de seu domicílio tributário, reputando nulos os autos de infração em tela. Rememorados os fatos articulados na preliminar de nulidade, assento que a questão merece detida reflexão. Reflexão, aliás, que me parece ter sido prescindida pela decisão recorrida ao diminuir os efeitos das sérias alegações trazidas pela contribuinte. Digo isso não para desqualificar o enfretamento originário, tampouco para refutar por completo suas conclusões. Proclamo, antes disso, que a questão extrapola os limites da aplicação da Súmula CARF nº 27, de inegável efeito, o argumento do desrespeito ao domicílio fiscal da contribuinte não foi arguido isoladamente, ao contrário, serviu para sustentar a tese da suspeição da Autoridade Administrativa, que a despeito de lotada em domicílio fiscal diverso daquele da contribuinte, reconhecido no próprio MPF, ficou encarregada de presidir os trabalhos de auditoria levados a efeito em contribuinte com a qual manteve relações que no mínimo podem ser consideras de proximidade incompatível com o ato de fiscalizar. Diante disso, reconheço o teor da Súmula CARF nº 27, segundo a qual “é válido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo”, entretanto, não me parece que o caso apresentado seja de mera incongruência de domicílio fiscal do autuado e do fiscal que conduziu os trabalhos, tampouco é essa a alegação da recorrente, razão pela qual, a questão do domicílio tributário há de ser analisada juntamente com os demais argumentos, sem com isso, negarse o conteúdo sumulado já referido, entendendo apenas, insuficiente para o deslinde da questão. Como já referi acima, o ponto central da arguição da recorrente passa pelo fato de a empresa Jota Ele Construções Civis Ltda., ora recorrente, ser sócia ostensiva da Sociedade em Conta de Participação SCP denominada CATARATAS JL SHOPPING, que foi também fiscalizada e autuada pela mesma auditora, sendo que fez parte desta SCP, desde o ano de 2005, a empresa CATARATAS INCORPORADORA E ADMINISTRADORA DE SHOPPING CENTERS S.A., CNPJ n° 02.065.080/000199, que tinha como uma de suas sócias justamente a Sra. Lorete Berlanda. Necessário depreender se desta relação, inegavelmente havida entre a contribuinte e a Autoridade lançadora, sobreveio mesmo a nulidade invocada pela recorrente. Neste propósito de enfretamento, assinalo ser no mínimo estranhável o expediente adotado pela Autoridade lançadora, de sentirse apta e desimpedida para comandar ação fiscal contra empresa com a qual manteve relação de proximidade, volto a dizer, no mínimo estranhável, como também é estranhável que mesmo diante da alegação neste processo administrativo, a mesma autoridade administrativa tenha lavrado outros tantos autos de infração relacionados. Pareceme igualmente pouco acertada a decisão do Sr. Delegado da Receita Federal do Brasil em Foz do Iguaçu, considerarse satisfeito com as justificativas da senhora Lorete, mantendoa à frente da indigitada fiscalização. Fl. 837DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10945.721261/201111 Acórdão n.º 1301001.605 S1C3T1 Fl. 838 19 Tais decisões pessoais, ao que me é dado observar, internalizaram no processo administrativo ora apreciado e naquele referido acima, situações que seriam, a rigor, facilmente evitadas, bastando que os trabalhos fossem desempenhados por autoridade sobre a qual não pairasse qualquer controvérsia. Digo isso não para lançar, necessariamente, dúvida acerca da idoneidade da autoridade que conduziu os trabalhos, aliás, nem mesmo a contribuinte o fez. O que se deve ter em mente, contudo, é que o tumulto processual e prejuízos materiais advindos da permanência da Sra. Lorete prescindem de qualquer alegação de dolo ou máfé de sua parte. A questão que se coloca diz com os requisitos de validade do ato administrativo, espécie do qual faz parte o ato de lançamento. Ou seja, não se está a perquirir nem mesmo eventual prejuízo à contribuinte, pois o que se ventila é uma situação de pessoalidade mantida entre o agente estatal, encarregado do poder fiscalizatório e sancionatório, e o contribuinte sujeitado ao juízo, motivado que seja, deste mesmo agente estatal. Não me parece congruente com o sistema jurídico vigente semelhante relação de pessoalidade. Não é aceitável que a fiscalização fique a cargo de quem manteve relações tão próximas, ainda que despidas de qualquer pecha, tendo a Sra. Lorete negociado ações, figurado no quadro acionário de terceira empresa, que foi sócia oculta em Sociedade em Conta de Participação, da qual foi sócia ostensiva a própria recorrente, me parece inegável sua suspeição para atuar neste feito. A mera narrativa dos fatos já revela a relação aproximada, sendo despiciendo até mesmo aventarse o inegável privilégio advindo do conhecimento dos fatos e rotinas da contribuinte, dos quais seguramente dispunha a Autoridade, e que por si só maculam o procedimento fiscalizatório. Não se coaduna à inarredável impessoalidade do ato administrativo, grafada no artigo 37 da Constituição da República, tampouco à necessária higidez e transparência no processo administrativo fiscal, a conduta da Autoridade autuante. Não sobram dúvidas, tendo ela, Autoridade, sido sócia da recorrente, ainda que por intermédio de terceira pessoa jurídica, em empreendimento auditado, inclusive, tinha inequívoco interesse na matéria, a revelar o impedimento grafado no artigo 18, inciso I, da Lei nº 9.784/99. Assentado o impedimento da Autoridade autuante, oriundo de sua relação pessoal com a contribuinte, e tendo o resultado de sua atuação redundado em autos de infração, me parece que a decretação da nulidade do ato administrativo se impõe. E impõese justamente porque acoimado, como já adiantei acima, em um de seus atributos de validade. Sendo assim, mesmo que vislumbre que a hipótese dos autos redunda na incompetência da autoridade administrativa para lavrar os autos de infração, verifico que a nulidade nem mesmo precisaria satisfazer uma das hipóteses do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, eis que o ato administrativo, desatendendo a regra maior do artigo 37 da CF, não reúne os atributos necessários ao plano eficacial, ou seja, dada a pessoalidade verificada, não pode o lançamento irradiar efeitos como ato administrativo que é. Acato, em conclusão, a preliminar de nulidade formulada pela contribuinte, e o faço para os fins de reconhecer a nulidade advinda do caráter pessoal da atuação da Autoridade lançadora, declarando nulos os autos de infração. Fl. 838DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10945.721261/201111 Acórdão n.º 1301001.605 S1C3T1 Fl. 839 20 A questão da alegada suspeição da Auditora Fiscal da Receita Federal já foi objeto de apreciação por ocasião do julgamento do processo nº 10945.721263/201119 (acórdão nº 1301001.379, de 11 de fevereiro de 2014). Na ocasião, a exemplo do ocorrido na apreciação da matéria por meio do presente processo, decidiu o Colegiado pela rejeição da nulidade arguida. Sirvome, pois, do pronunciamento feito no citado processo nº 10945.721263/201119. Com o devido respeito, as peças reunidas ao processo não conduzem à conclusão estampada no referido pronunciamento, senão vejamos: a) a Auditora Fiscal da Receita Federal Lorete Berlanda, contra a qual insurgese a Recorrente alegando ser ela suspeita para “comandar” a ação fiscal, não era, nos termos da informação consignada no documento de fls. 1.568/1.571, a única responsável pela citada ação fiscal e não exerceu cargo de comando no procedimento; b) a ação fiscal em referência, diferentemente do sustentado na peça recursal, foi lastreada em Mandado de Procedimento Fiscal emitido pelo Superintendente Regional da Receita Federal (MPF REGIONAL2), revelandose assim absolutamente regular do ponto de vista dos controles administrativos da Receita Federal; c) a referida auditora deteve, no período de 1993 a 2008, juntamente com outras cento e trinta pessoas, ações da pessoa jurídica CATARATA CIA SHOPPING que, a partir de 2005, passou a ser SÓCIA OCULTA da Sociedade em Conta Participação CATARATAS JL SHOPPING, da qual a fiscalizada era SÓCIA OSTENSIVA; d) a Auditora Fiscal deixou o empreendimento em 06 de novembro de 2008, recebendo pelas ações vendidas o montante de R$ 27.862,80, em 13 de novembro do mesmo ano; e) a alienação das ações por parte da Auditora Fiscal para o Sr. JOÃO LUIZ FÉLIX foi efetuada em operação normal, sendo certo que, se algum desentendimento tivesse ocorrido, o negócio não teria sido realizado; f) a Auditora Fiscal Lorete Berlanda afirmou que nunca teve contato com o Sr. JOÃO LUIZ FÉLIX, seja pessoalmente, seja por meio de telefone, e que todas as tratativas relacionadas à alienação das suas ações foram conduzidas pelo contador da CATARATA CIA SHOPPING. É esse, portanto, o contexto em que a ação fiscal empreendida contra a contribuinte foi instaurada. Embora a Recorrente faça menção à “UMA DIFÍCIL NEGOCIAÇÃO ENTRE AS PARTES”, não colaciona aos autos um único elemento capaz de confirmar o que alega, e mais, não traz qualquer tipo de esclarecimento acerca dos fatos que permitiriam caracterizar a negociação como difícil. 2 Tratandose de procedimento em relação à empresa domiciliada em jurisdição distinta da dos Agentes Fiscais mas dentro da mesma Região Fiscal, foi necessária a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal Regional, cuja autoridade outorgante é o Superintendente da Receita Federal. Fl. 839DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10945.721261/201111 Acórdão n.º 1301001.605 S1C3T1 Fl. 840 21 Inexiste, pois, no processo, elementos que permitam concluir pela ocorrência de desavença ou pelo surgimento de inimizade notória entre a agente fiscal e o sócio da fiscalizada, assim como também não consta dos autos qualquer indicativo de conduta abusiva, improbidade ou cometimento de irregularidade por parte dela na execução do procedimento fiscalizatório, procedimento este que não foi efetivado sob o comando da Sra. Lorete Berlanda, mas, sim, sob a supervisão do Auditor Fiscal RAFAEL GARDOLINSK VENSON. Não existe nos autos, também, um único elemento capaz de indicar que a autuante tenha agido com arbitrariedade ou que tenha feito uso de qualquer informação que só poderia ter sido obtida em razão dos relacionamentos citados pela Recorrente. Com a devida vênia, arguir suspeição pelo fato de a agente fiscal, cumprindo com o seu dever legal, promover o lançamento, ato que é bom destacar, absolutamente vinculado, com certeza é argumento que não merece ser acolhido. Peço licença ao Ilustre Relator para, em sentido diverso ao por ele esposado, registrar que qualificações do tipo “estranhável”, “relação de proximidade”, “tumulto processual”, “prejuízos materiais”, “situação de pessoalidade”, na circunstância em que não restam devidamente comprovadas por meio de atos ou fatos que as justifiquem, revelamse absolutamente inócuas. No que diz respeito ao fato de a ação fiscal ter sido autorizada pelo denominado Mandado de Procedimento Regional, cabe esclarecer adicionalmente que o procedimento foi direcionado para Equipe de Acompanhamento de Maiores Contribuintes (EQMAC), conforme registro feito nos Termos lavrados, o que possivelmente explica a designação de agentes fiscais lotados e em exercício em unidade administrativa de jurisdição diversa da do domicílio da fiscalizada. A decisão do Colegiado, relativamente ao presente item, dirigiuse no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade sustentada pela Recorrente. Ganho de capital Relativamente a essa matéria, o Ilustre Relator declina o seguinte entendimento, in verbis: Quanto a este item da autuação, temse que a Fiscalização utilizouse de base de cálculo no montante de R$ 1.212.679,20, fruto da redução do custo de aquisição considerado pela recorrente para apuração do ganho de capital decorrente da alienação de 90% do Cascavel JL Shopping (a diminuição promovida pela Fiscalização deslocou o custo de R$ 17.021.577,53 para R$ 15.808.898,33). Com a diminuição do custo de aquisição do imóvel, tevese a redundante apuração de omissão de ganho de capital. Observese as ponderações da Fiscalização contidas no TVF a partir da folha 193: [...] 30. Observese também que foram incluídos, na composição do custo de R$ R$ 17.021.577,53, os valores referentes à baixa de 90% do valor contabilizado nas contas “1.4.2.1.0001 – máquinas e equipamentos” (R$ 35.175,15), “1.4.2.3.001 – veículos” (R$ 5.400,00) “1.4.2.7.001 – móveis e utensílios” (R$ 95.069,22) e Fl. 840DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10945.721261/201111 Acórdão n.º 1301001.605 S1C3T1 Fl. 841 22 “1.4.2.7.0001 – equipamentos de CPD” (R$ 26.167,80), deduzidas de suas respectivas depreciações. Tratamse de inclusões indevidas no custo da alienação, isto porque, conforme observado nos parágrafos 25 e 26 acima, o único objeto da alienação do ativo imobilizado foi tão somente 90% do imóvel descrito na escritura pública de compra e venda, que corresponde ao ativo contabilizado na conta “1.4.1.1.0001 – cascavel JL Shoping” (fl. 58). Acaso outros itens do ativo imobilizado tivessem sido objetos do negócio, os valores de suas alienações representariam omissões de receita, já que não computados na receita total declaradas (R$ 24.624.000,00). Por isso, a fiscalização efetua a glosa desses valores e suas respectivas depreciações da composição do custo do imóvel alienado. [...] A contribuinte argumenta que estaria incorreta a redução do custo de aquisição e não haveria a consequente omissão de receitas na apuração do ganho de capital, aludindo o art. 410 do RIR/99, anotando que entre outros custos, as despesas com construção de imóvel devem ser levadas em consideração pela empresa para apuração de eventual lucro (ganho de capital) quando de sua alienação, eis que no regime do lucro presumido, os períodos de apuração são trimestrais e se encerram em 31/03, 30/06, 30/09 e 31/12 de cada anocalendário, sendo que os ganhos de capital somamse à base de cálculo presumida do IRPJ e da CSLL. Reputase ainda, que para chegarse ao custo de aquisição do bem e confrontálo com o valor de alienação, levou em consideração todas as despesas efetivamente incorridas pela SCP Cascavel JL Shopping até 31/12 e que estão devidamente contabilizadas em livros próprios, já que o 4º trimestre de 2007 se encerrou em 31/12 daquele ano e que a Fiscalização aceitou apenas as despesas contabilizadas até 13/11/2007, data da escritura pública de alienação, porém, o trimestre da venda só se encerrou em 31/12/2007 e a SCP continuou tendo diversos custos com o imóvel vendido, todos devidamente comprovados. Aduz a recorrente que os dispêndios foram simplesmente ignorados pela autoridade autuante, sendo que todos os comprovantes (notas fiscais) estão em nome da Jota Ele Construções Civis Ltda. A decisão recorrida, por seu turno, em análise da impugnação apresentada, aceitou como acréscimo ao custo de aquisição o valor de R$ 272.220,88, ao fundamento de que a recorrente suportou tais despesas em momento anterior à alienação (13/11/2007) tendo apenas escriturado em momento posterior, de sorte que a base de cálculo da infração foi reajustada para R$ 967.680,41. Neste item da imputação, mesmo que vencido na preliminar de nulidade, entendo que a decisão recorrida merece ser reformada e a autuação julgada insubsistente. Não vejo acerto no raciocínio da Fiscalização ao adotar como marco final da apuração dos custos do empreendimento, para fins de apurarse o ganho de capital, a data da celebração da escritura de compra e venda. Com efeito, a Fiscalização não glosou, materialmente as despesas, tampouco comprovou que a à época da celebração da escritura o empreendimento estava acabado, ao contrário disso, simplesmente ignorou as despesas para os fins de reajustar o custo do empreendimento, desprezando despesas contabilizadas de maneira hígida na contabilidade da SCP, todas em nome da sócia ostensiva. Fl. 841DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10945.721261/201111 Acórdão n.º 1301001.605 S1C3T1 Fl. 842 23 Não há como dar suporte à exigência, bem descreveu a contribuinte que para chegarse ao custo de aquisição do bem e confrontálo com o valor de alienação, levou em consideração todas as despesas efetivamente incorridas pela SCP Cascavel JL Shopping até 31/12, despesas que estão devidamente contabilizadas em livros próprios, não sendo legítimo, a fiscalização aceitar apenas as despesas contabilizadas até 13/11/2007. Sendo assim, na hipótese de não ser acatada a nulidade, impõese a reforma da decisão recorrida quanto a este item da imputação fiscal. (GRIFEI) Com o devido respeito, a conclusão esposada pelo Ilustre Conselheiro Relator revelase equivocada, pois, no caso, não se trata apenas de adoção de marco final para apuração dos custos do empreendimento, mas, também, de apropriação como custo do bem alienado dispêndios que com ele não guardam qualquer relação. Não obstante, ainda que assim fosse, isto é, se estivéssemos diante, tão somente, de redução de custo em razão da apropriação de valores em data posterior à alienação, a providência revelarseia procedente, eis que, ressalvada comprovação documental acerca da responsabilidade pelo dispêndio, não se pode admitir que custos incorridos após a alienação do bem possam ser computados na apuração do ganho de capital desse referido bem. A apreciação feita em primeira instância revela com clareza solar as impropriedades cometidas pela Recorrente na apuração do Ganho de Capital em questão, razão pela qual transcrevo fragmentos do voto condutor da decisão ali exarada. [...] 46. A segunda infração incorrida pela SCP referese ao ganho de capital obtido na alienação de 90% de imóvel, descrito como um lote urbano com 8.690,00m2 com benfeitorias constantes de uma edificação comercial (shopping center) em alvenaria medindo 26.444,70 m2 situada na Av. Toledo, 432, e uma edificação comercial (shopping center) em alvenaria medindo 1.069,45m2, situada no mesmo endereço, pelo preço de R$ 24.624.000,00. O imóvel foi alienado para as empresas Send Empreendimentos e Participações Ltda – CNPJ 02.001.679/000169 e Post Scriptum Empreendimentos Imobiliários Ltda – CNPJ 09.081.710/000168, na proporção de 85,50% e 4,50%, respectivamente, conforme escritura pública, cópia às fls. 78/85. Consta que o valor foi integralmente pago na data de assinatura do contrato (13/11/2007), em dinheiro, mediante transferência bancária, pelo qual a vendedora declarou haver recebido e dado quitação, transmitindo às compradoras todos os direitos de propriedade da parte alienada do imóvel. 47. Na contabilidade da SCP, essa operação foi registrada como receita não operacional, no valor de R$ 24.624.000,00, conforme folha 327 do Livro Diário em dez/2007, à fl. 86. O ganho de capital decorrente dessa operação foi oferecido à tributação, com base de cálculo apurada pelo contribuinte no valor de R$ 7.602.422,47, o que corresponde a um custo atribuído ao bem alienado de R$ 17.021.577,53, conforme demonstrativos de fls. 87/89. 48. A fiscalização questionou a formação desse custo, apurado na conta “3.6.1.1.0001 – Custo Por Venda Imobilizado” do Livro Razão de 2007 da SCP, anexada à fl. 90, abaixo resumida. ... Fl. 842DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10945.721261/201111 Acórdão n.º 1301001.605 S1C3T1 Fl. 843 24 49. O lançamento de R$ 16.200.034,43 teve como contrapartida a baixa de 90% do valor do imóvel do ativo permanente da SCP, na conta “1.4.1.1.0001 Cascavel JL Shopping” do Livro Razão de 2007 da SCP, à fl. 58, abaixo resumida: ... 50. Foram levantados os seguintes questionamentos: • i) lançamento no valor de R$ 710.917,92, que entra na composição do custo de R$ 17.021.577,53, no dia 31/12/2007, ou seja, em data posterior à da alienação do imóvel (13/11/2007); • ii) inclusão, na composição do custo de R$ 17.021.577,53, de valores referentes à baixa de 90% do valor contabilizado nas contas “1.4.2.1.0001máquinas e equipamentos” (R$ 35.175,15), “1.4.2.3.0001 – veículos” (R$ 5.400,00), “1.4.2.4.0001 móveis e utensílios” (R$ 95.069,22) e “1.4.2.7.0001 equipamentos de CPD” (R$ 26.167,80), deduzidas de suas respectivas depreciações; • iii) lançamentos nos valores de R$ 238.336,03, de 30/09/2007, R$ 471.165,43, de 31/10/2007, e R$ 445.128,95, de 30/11/2007, os quais despertam atenção por serem valores muito superiores aos normalmente lançados nos meses anteriores, já que estes não chegavam ao valor de R$10 mil. 51. Com respeito ao item ii), a autoridade fiscal concluiu que se tratava de inclusões indevidas no custo da alienação, tendo em vista que o único objeto da alienação do ativo imobilizado foi tão somente 90% do imóvel descrito na escritura pública de compra e venda, que corresponde ao ativo contabilizado na conta “1.4.1.1.0001 – Cascavel JL Shopping” (fl. 58). De fato, conforme observou a fiscalização, na referida escritura, às fls. 78/85, consta somente a transferência de 90% do imóvel (lote urbano com 8.690,00m2 com benfeitorias constantes de uma edificação comercial em alvenaria medindo 26.444,70 m2 situada na Av. Toledo, 432, e uma edificação comercial em alvenaria medindo 1.069,45m2, situada no mesmo endereço, pelo preço de R$ 24.624.000,00). Não consta a transferência de outro item do ativo imobilizado, além desse imóvel, de forma que agiu corretamente o autuante, ao glosar os valores de R$ 35.175,15 (conta máquinas e equipamentos), R$ 5.400,00 (conta veículos), R$ 95.069,22 (conta móveis e utensílios), e R$ 26.167,80 (conta equipamentos de CPD), deduzidas de suas respectivas depreciações. (GRIFEI) 52. Relativamente ao item iii), a fiscalização averiguou que os três lançamentos citados (R$ 238.336,03, R$ 471.165,43 e R$ 445.128,95), a débito no ativo imobilizado, decorreram de supostos materiais aplicados e benfeitorias realizadas no imóvel. O primeiro lançamento foi acatado pelo auditor fiscal, que concluiu corresponder ao valor de R$ 251.590,82 relativo aos lançamentos extemporâneos dos valores das máquinas de ar condicionado e outras benfeitorias recebidas como pagamento de alugueis, formalizados mediante distratos com os locatários inadimplentes, os quais foram objeto da infração analisada anteriormente. Os outros dois lançamentos, que totalizam R$ 916.294,38, decorriam de despesas cujas notas fiscais foram emitidas após a data de transferência do imóvel (13/11/2007). 53. Diante dessas inconsistências, através do Termo de Intimação de fl. 59, o contribuinte foi instado a prestar os seguintes esclarecimentos: • 5) Informar por que o valor do investimento escriturado na conta “14110001 – Cascavel JL Shopping” foi majorado em R$ 916.294,38 nos meses de novembro e Fl. 843DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10945.721261/201111 Acórdão n.º 1301001.605 S1C3T1 Fl. 844 25 dezembro/2010, mediante alocação de custos, sendo que 90% do Shopping de Cascavel foi alienado em 13.11.2007 à Send Empreendimentos e Participações que desde então passou a ser a nova administradora do shopping • 6) Informar por que na apuração do ganho de capital na alienação de 90% do investimento “Cascavel JL Shopping” na conta “36110001 – Custo por Venda Imobilizado, foi atribuído como custo aplicado no mês o valor de R$ 710.917,92, uma vez que o investimento foi alienado em 13.11.2007; • 7) Apresentar todas as notas fiscais de valor superior a R$ 5.000,00 escrituradas no período de 01/10/2007 a 31/12/2007 escrituradas nas contas “Materiais Aplicados” e “Serviços de Terceiros”, uma vez que tais custos repercutiram no valor do Investimento alienado. 54. Atendendo ao solicitado, o contribuinte respondeu, à fl. 65, nos seguintes termos: • Em relação ao Item 05 – o valor aplicado no custo da obra no valor de R$ 916.294,38, referente aos meses de 10/2007 e 11/2007, mesmo tendo sido vendido 90% do empreendimento, a responsabilidade de conclusão dos serviços foram da sócia ostensiva JOTA ELE CONSTRUÇÕES CIVIS LTDA; • Em relação ao Item 06, no mês 12/2007 foi aplicado o valor de R$ 789.908,80, onde foi incorporado 90% no valor de R$ 710.917,92 – Custo do Empreendimento já vendido e 10% no valor de R$ 78.990,88 como investimento da sócia ostensiva; • Em relação ao Item 07 – segue cópia das Notas Fiscais cfe relação anexa, superior a R$5.000,00 no período de 01/10/2007 a 31/12/2007, do Cascavel JL Shopping; 55. A partir desses esclarecimentos, a fiscalização constatou que a obra mencionada no item 5 correspondia à execução do serviço de reforma de 1.734,12m2 do imóvel do shopping e sua ampliação em mais 706,94m2, totalizando 2.441,06m2 de área para a instalação das Lojas Renner (1ª etapa da obra) e mais 5.724m2 de área de garagem (2ª etapa da obra), conforme contrato de prestação de serviços às fls. 91 a 94, firmado entre a Jota Ele e a Send, cujo valor total da execução é de R$ 7.200.000,00 (sete milhões e duzentos mil reais), na mesma data em que houve a alienação de 90% do imóvel do shopping, ou seja, em 13/11/2007. Sendo assim, as justificativas apresentadas não foram acatadas pela autoridade fiscal, já que as despesas foram efetuadas pela Jota Ele, e não pela SCP, e em datas posteriores à alienação do imóvel. A primeira parte da execução da referida obra foi concluída, tendo a Jota Ele recebido da Send o valor de R$ 4.500.000,00, que foi escriturado como receita na contabilidade daquela. A propósito, tal rendimento foi objeto de auto de infração, constante do processo administrativo n° 10945.721263/201119, que está sendo julgado concomitantemente com o presente. 56. Similarmente, as explicações dadas ao valor de R$ 710.917,92 (item 6 da intimação) também não convenceram, pelos mesmos motivos, quais sejam: i) despesas efetuadas pela Jota Ele e não pela SCP; ii) despesas incorridas posteriormente à alienação do bem objeto do ganho de capital em questão. 57. Quanto ao item 7, após analisar, por amostragem, as notas fiscais apresentadas pelo contribuinte, a fiscalização detectou que grande parte dos materiais e serviços foram destinados para outras obras de construção civil, executadas pelo sujeito passivo, localizadas em outras regiões do país, sem qualquer Fl. 844DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10945.721261/201111 Acórdão n.º 1301001.605 S1C3T1 Fl. 845 26 relação com a reforma do imóvel do Cascavel JL Shopping. Entre essas obras estavam o edifício Porto Genova (em CuritibaPR,conforme fls. 103, 105, 107); o prédio do Tribunal de Contas de Pernambuco (em RecifePE, conforme fls. 118, 126, 130, 131, 133 a 136, 138, 140, 142 e 144); e outros endereços fora de Cascavel (em CuritibaPR ou RecifePE, conforme fls. 99, 102, 104, 144, 146, 148 e 150). Constaram também notas fiscais de fornecedores localizados fora do estado do Paraná sem o carimbo da fiscalização estadual do ICMS deste estado, indicando que a mercadoria não podia ter sido destinada a Cascavel (fl 96, 98, 99, 101). 58. A partir desse quadro probatório, a fiscalização, acertadamente, procedeu à glosa de: i) custos relativos a bens estranhos ao imóvel alienado (máquinas e equipamentos, móveis e utensílios, equipamentos de CPD, com respectivas depreciações), conforme anteriormente mencionado; e ii) custos escriturados após a data de alienação do imóvel (13/11/2007). Quanto ao segundo item, a glosa foi efetuada em cima das contas analíticas do Livro Razão (fls. 159/186), com destaque para os valores glosados. Os resultados foram compilados na tabela do TVF, à fl. 197. O custo de 90% do imóvel foi corrigido de R$ 17.021.577,53 para R$ 15.808.898,33, resultando numa diferença de ganho de capital de R$ 1.212.679,20, que foi a base da autuação. 59. Na impugnação, o contribuinte, citando o art. 410 do RIR/99, alega que, entre outros custos, as despesas com construção de imóvel devem ser levadas em consideração pela empresa para apuração de eventual lucro (ganho de capital) quando de sua alienação. Ela contesta a decisão da autoridade fiscal de aceitar despesas somente até 13/11/2007, dado que o 4° trimestre de 2007 encerrouse em 31/12 daquele ano, e alega que todas as despesas efetivamente incorridas pela SCP Cascavel JL Shopping estão devidamente contabilizadas em livros próprios desta empresa. 60. O art. 410 do RIR/99, abaixo transcrito, dispõe sobre o custo de imóveis para contribuinte que explora operações envolvendo esse tipo de bem, pelo regime do lucro real, que não é o caso presente, já que a SCP Cascavel JL Shopping é optante do lucro presumido. A disciplina legal do ganho de capital, decorrente de alienação de bens do ativo permanente, pelo lucro presumido, é a do art. 521, §1° do mesmo regulamento, que dispõe que a base de cálculo do ganho de capital é a diferença entre o valor da alienação e o respectivo valor contábil. Esse artigo não conceitua o que seja “valor contábil”, sendo razoável, portanto, tomar de empréstimo o disposto no art. 418, §1°, situado no capítulo do lucro real do RIR/99. Analisemos os dispositivos citados: ... 61. Valor contábil, portanto, é aquele que consta na contabilidade da empresa, deduzidos da depreciação, amortização ou exaustão. Em se tratando de imóveis, o valor contábil inclui os custos de quaisquer obras ou melhoramentos (art. 410). Releva frisar, contudo, que o fato de determinada despesa ou custo estar contabilizada, não autoriza, por si só, sua utilização na formação do valor contábil, para fins de apuração do ganho de capital. A autoridade fiscal não está obrigada a aceitar todos os registros contábeis, já que é seu dever, no procedimento de fiscalização, constatar que os dados escriturados refletem os fatos da realidade. Caso contrário, temse um custo ou despesa fictícia, relativa a operação que, ou era inexistente, ou ocorreu em condições diversas em relação ao que foi registrado. 62. No caso concreto, é inequívoco que a SCP Cascavel JL Shopping alienou o imóvel em 13/11/2007, conforme escritura pública (fls. 78/85), tendo recebido o valor integral nessa mesma data de assinatura do contrato, em dinheiro, mediante Fl. 845DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10945.721261/201111 Acórdão n.º 1301001.605 S1C3T1 Fl. 846 27 transferência bancária, pelo qual a vendedora declarou haver recebido e dado quitação, transmitindo às compradoras todos os direitos de propriedade da parte alienada do imóvel. A partir dessa premissa, não é mais cabível argumentar que os custos ou despesas ocorridas posteriormente a essa data tenham sido incorridas à cargo da SCP, porque esta já não era mais proprietária do bem. Além disso, há contradição quando a impugnante afirma que todas as despesas foram efetivamente incorridas pela SCP Cascavel JL Shopping e devidamente contabilizadas, quando, no curso da ação fiscal, ela respondeu que o valor de R$ 916.294,38 referiase a serviços de reforma, sob responsabilidade da Jota Ele. Como se não bastasse, foi verificado, mediante análise por amostragem de notas fiscais, que boa parte desses gastos sequer foram empregados na referida obra. Assim, as glosas procedem, na medida em que as provas indicam que os custos/despesas não foram incorridas pela fiscalizada, mas sim por sua sócia ostensiva, sendo que boa parte delas sequer foram aplicadas no bem em análise. 63. A litigante pede que, se as despesas não podem fazer parte do custo de aquisição do bem alienado, devem ser consideradas na apuração do lucro real da empresa Jota Ele Construções Civis Ltda, pois são plenamente dedutíveis, nos termos do artigo 299 do RIR/99, já que necessárias, usuais ou normais e foram efetivamente pagas. Para tanto, anexa algumas das respectivas notas fiscais de bens/serviços adquiridos (doc. n° 05). O pleito deve ser indeferido, já que os presentes lançamentos dizem respeito aos resultados apurados pela SCP Cascavel JL Shopping, os quais devem ser contabilizados separadamente dos do sócio ostensivo, conforme o já comentado art. 254 do RIR/99. Como a Jota Ele foi também autuada, no processo administrativo n° 10945.721263/201119, essa discussão será analisada naqueles devidos autos, os quais estão sendo julgados concomitantente ao presente, conforme inclusive solicitou o contribuinte. 64. A impugnante alega também que muitos dos custos desprezados referemse a despesas contraídas em data anterior à data de 13/11/2007, mas que em razão do trâmite interno da documentação na empresa, só foram contabilizados em momento posterior. Junta diversas notas fiscais (doc. n° 06), relacionadas uma a uma na planilha que também instrui a defesa (doc. n° 06), cujas despesas totalizam R$ 190.389,43. 65. Nessa questão, assiste razão ao contribuinte. Às fls. 276/634, foram juntadas na peça de defesa cópias de notas fiscais emitidas por fornecedores da Jota Ele, relativas a despesas escrituradas nas contas analíticas do Livro Razão (fls. 159/186), as quais foram objeto de glosa pela fiscalização. De fato, foi verificado que boa parte dessas notas fiscais foram emitidas em data anterior à alienação do imóvel (13/11/2007) e escrituradas em data posterior. Esses valores serão considerados na presente decisão, para efeito de correção da base de cálculo do ganho de capital, até mesmo por uma questão de coerência com o critério adotado pela autoridade fiscal. Alguns desses documentos, entretanto, possuem data de emissão posterior a 13/11/2007, e outros não foram objeto de glosa, o que impede a dedução. A seguir são relacionadas as notas fiscais que estão sendo aceitas, que totalizam R$ 272.220,88. Observese que a impugnante fez menção a um total de R$ 190.389,43, que referese à planilha de fls. 536/537, a qual resume as notas fiscais cuja cópias foram anexadas às fls. 538 e seguintes. Por outro lado, a interessada juntou ainda as notas de fls. 276/535, que também referemse a despesas glosadas. Ao final do voto, temse o demonstrativo dos valores mantidos nos lançamentos. (GRIFEI) ... Fl. 846DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10945.721261/201111 Acórdão n.º 1301001.605 S1C3T1 Fl. 847 28 66. Finalmente, quanto à glosa de custos relativos a bens estranhos ao imóvel alienado (máquinas e equipamentos, móveis e utensílios, equipamentos de CPD, com respectivas depreciações), a litigante alega que a escritura pública menciona benfeitorias, que incluiria os bens contabilizados nas contas "1.4.2.1.0001 máquinas e equipamentos", "1.4.2.3.001 veículos", "1.4.2.4.001 móveis e utensílios" e "1.4.2.7.0001 equipamentos de CPD". Argumenta que a incorreta definição dos bens alienados no referido documento não poderia sobreporse à verdade real. Acrescenta que está diligenciando junto à compradora no sentido de comprovar essa assertiva. O pleito não procede, já que, conforme detalhado pela fiscalização, a escritura somente faz menção à alienação de imóvel; e ainda que tenha havido benfeitorias, estas se caracterizam por se agregar à construção, e não se confundem com os itens citados, que são partes destacadas, que constituem outros bens do ativo permanente, tanto assim que foram contabilizadas em contas separadas. 67. Em conclusão, considero procedente a exigência relativa ao ganho de capital, salvo quanto às despesas reconhecidas, decisão esta que se aplica também á CSLL, eis que decorrente dos mesmos fatos. Na seqüência, temse os demonstrativos da correção da base de cálculo da presente infração. Irretocável, aos olhos da Turma Julgadora, o decidido em primeira instância, cabendo registro, inclusive, acerca da excelência da análise promovida pelo relator da instância a quo. Assim, decidiu o Colegiado, pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de nulidade argüida, e, apreciando o mérito da controvérsia, por maioria, negar provimento ao recurso. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Redator Fl. 847DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 14770.720017/2012-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3201-000.507
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência a fim de que unidade preparadora proceda a análise dos pedidos de compensação constantes dos processos administrativos nº 19647.005952/2006-46 e 19647.002455/2006-96 verificando se foram objeto de parcelamento e se houve a desistência antes da formalização dos despachos decisórios, a luz dos documentos apresentados no recurso voluntário (fls. 59 a 61), elaborando relatório sobre os fatos apurados.
Joel Miyazaki - Presidente.
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Adriene Maria de Miranda Veras e Daniel Mariz Gudino
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201412
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 14770.720017/2012-12
anomes_publicacao_s : 201504
conteudo_id_s : 5454736
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3201-000.507
nome_arquivo_s : Decisao_14770720017201212.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : Não se aplica
nome_arquivo_pdf_s : 14770720017201212_5454736.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência a fim de que unidade preparadora proceda a análise dos pedidos de compensação constantes dos processos administrativos nº 19647.005952/2006-46 e 19647.002455/2006-96 verificando se foram objeto de parcelamento e se houve a desistência antes da formalização dos despachos decisórios, a luz dos documentos apresentados no recurso voluntário (fls. 59 a 61), elaborando relatório sobre os fatos apurados. Joel Miyazaki - Presidente. Winderley Morais Pereira - Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Adriene Maria de Miranda Veras e Daniel Mariz Gudino
dt_sessao_tdt : Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
id : 5892828
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047705362628608
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1746; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 115 1 114 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14770.720017/201212 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201000.507 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 11 de dezembro de 2014 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente MERCOFRICON S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência a fim de que unidade preparadora proceda a análise dos pedidos de compensação constantes dos processos administrativos nº 19647.005952/200646 e 19647.002455/200696 verificando se foram objeto de parcelamento e se houve a desistência antes da formalização dos despachos decisórios, a luz dos documentos apresentados no recurso voluntário (fls. 59 a 61), elaborando relatório sobre os fatos apurados. Joel Miyazaki Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Adriene Maria de Miranda Veras e Daniel Mariz Gudino Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 47 70 .7 20 01 7/ 20 12 -1 2 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 14770.720017/201212 Resolução nº 3201000.507 S3C2T1 Fl. 116 2 "Foi lavrado o auto de infração, objeto do presente processo, para lançar contra a empresa contribuinte identificada em epígrafe a multa isolada, no valor de R$ 5.995.138,33 (Cinco milhões, novecentos e noventa e cinco mil, cento e trinta e oito reais e trinta e três centavos), prevista no art.18, § da Lei 10.833/03, c/a redação dada pelas Leis nº 11.051/2004, 11.196/05, 11.488/2007, MP nº 351/2007 e MP nº 472, de 15/12/2009, consoante com os termos previstos na IN SRF nº 900/2008, art.34, §3º, I, e art.39, caput e § 6º, I. A autuada apresentou declarações de compensação com pedido de homologação dessas compensações de débitos próprios com créditos de terceiro (COLÔNIA AGROINDUSTRIAL LTDA, CNPJ/MF nº 70.064.134/000151) entre xx.yy.AA e xx.yy.AA. Os supostos créditos do terceiro (COLÔNIA AGROINDUSTRIAL) foram objeto de declarações de compensação apresentadas ao fisco, com as quais a interessada identificada em epígrafe pretendeu compensar indevidamente débitos tributários seus com suposto crédito daquele terceiro, decorrente de decisão judicial não transitada em julgado. As compensações pretendidas representam infringência à legislação regente, em face do disposto na Lei 9.430/96, art.74, §12, “a” e “d”, c/a redação dada pela Lei 11.051/2004. As compensações, relacionadas nos PER/DCOMP indicados no auto de infração (fls.7/8), foram consideradas não declaradas através de Despachos Decisórios DRF/REC/IPI proferidos respectivamente em 01/06/2010, no processo nº 19647.005952/200646 (houve pedido de ressarcimento anteriormente através do processo nº 10480.005921/0318), em 07/06/2010, no processo nº 14766.000231/201056 e, em 12/08/2010, no processo nº 19647.005276/200872. Determinouse que fossem consideradas não declaradas as compensações pretendidas especificadas e que fossem tomadas as providências cabíveis para eventual lançamento do crédito tributário que não houvesse sido previamente declarado ao fisco, bem como para aplicação da penalidade pertinente pela compensação indevida. Nos termos da legislação regente, o sujeito passivo que apurar crédito passível de restituição ou ressarcimento, relativo a tributo administrado pela Receita Federal, poderá utilizálo na compensação apenas de débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados por aquele órgão; devendo ser considerada não declarada a compensação nas hipóteses descritas no §12 do art.74 da Lei 9.430/96 c/a redação da Lei 11.051/2004, dentre as quais aquela em que o crédito apresentado para compensação seja de terceiro, bem como quando se trate de crédito decorrente de decisão judicial não transitada em julgado. As infrações constatadas são passíveis de penalidade, multa de 75% sobre o valor do tributo indevidamente compensado, nos termos previstos nas normas enumeradas no primeiro parágrafo deste relatório. O lançamento foi cientificada à autuada, Mercofricon S/A, em 01.10.2010, e a impugnação foi apresentada tempestivamente em Fl. 116DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 14770.720017/201212 Resolução nº 3201000.507 S3C2T1 Fl. 117 3 03.11.2010 (nos dias 1 e 2 de novembro de 2010 não houve funcionamento normal da repartição fiscal, conforme Portaria RFB nº 834/2009, fls.298), com as seguintes alegações principais: 1. Estabelece o inciso I do art.7º do decreto nº 70.235/72 que o procedimento fiscal tem inicio com o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto.(Grifos da impugnante). No relato dos fatos, pela autoridade fiscal, restou esclarecido que em todas as compensações, à intimação da impugnante da condição de terem sido as compensações consideradas não declaradas antecedeuse um parcelamento com a confissão de dívida. 2. Nos processos nº 14766.000231/201056, 19647.005952/200646 e 19647.005276/200872, as compensações foram consideradas não declaradas em 07/06/2010, 01/06/2010 e 12/08/2010, respectivamente, mas o contribuinte já havia desistido espontaneamente das compensações, realizando o parcelamento dos débitos em 30/11/2009, conforme requerimento de parcelamento nos termos da MP nº 470, documento anexo. 3. Já nos processos nº 19647.001480/200652, 19647.007599/200639 e 19647.002455/200696, consoante Recibo de Confirmação de Negociação de Pedido de Parcelamento nº 00002520571, fls.331/332, os débitos relativos a esses processos foram parcelados em 13/03/2008, muito tempo antes de o contribuinte ser intimado da decisão que considerou as compensações não declaradas, incidindo da mesma forma o instituto da denúncia espontânea. 4. Segundo estabelece o art.138, do CTN, a denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros, exclui a responsabilidade pela infração. Tal exclusão elide o pagamento quer da multa de mora quer da multa dita isolada. 5. A Jurisprudência Administrativa Federal é uníssona no sentido de que improcede o lançamento do tributo e das multas de ofício e isolada, quando o contribuinte adere a parcelamento antes do início do procedimento fiscal, ou seja, quando ainda está espontâneo. Em apoio ao seu argumento, transcreve as ementas referentes ao acórdão 20309721, nº 10806.937, e a Decisão 5.796, proferida pela DRJ/Campinas/3ª Turma, em 21.01.2004. 6. Por outro lado, ante o disposto no §1º do art. 155A, do CTN, não há que se alegar a impossibilidade de reconhecer a configuração da denúncia espontânea. Isso em face da cláusula do § 1º (“Salvo disposição de lei em contrário, o parcelamento ... não exclui a incidência de juros e multas”), e por ter aderido, ainda quando estava espontâneo, ao parcelamento instituído pela MP 470, de 2009 (ver transcrição do art.3º). Consoante comprova o requerimento do parcelamento já referido, a ora impugnante parcelou, em 12 prestações mensais, o seu débito e usufruiu das reduções ali previstas (quanto a multas e juros incidentes sobre os tributos devidos). Fl. 117DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 14770.720017/201212 Resolução nº 3201000.507 S3C2T1 Fl. 118 4 Requer a improcedência do auto de infração, diante da espontaneidade da ora impugnante quando da prévia confissão dos débitos apontados e seu correspondente parcelamento." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento decidiu pela procedência parcial da impugnação, considerando que parte dos pedidos de compensações foram objeto de desistência, nos termos alegados pela Recorrente. A decisão da DRJ foi assim ementada: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 01/06/2010, 07/06/2010, 12/08/2010 COMPENSAÇÃO COM CRÉDITO DE TERCEIRO. HIPÓTESE INFRACIONAL PASSÍVEL DE MULTA ISOLADA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DO ART.138 DO CTN. A partir da previsão legal da hipótese de ser considerada não declarada a compensação em que o crédito seja de terceiro, também foi alterada a redação dada ao art.18 da Lei 10.833/2003, e seus parágrafos, prescrevendose à referida hipótese infracional a cominação de multa isolada. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. PARCELAMENTO DE PARTE DOS DÉBITOS. DESISTÊNCIA DA COMPENSAÇÃO ANTES DA CIÊNCIA DA DECISÃO ADMINISTRATIVA. ARREPENDIMENTO EFICAZ. Para uma parte dos débitos focados caracterizouse a desistência da compensação apresentada, em face de expressa confissão dos débitos tributários para fins do seu parcelamento, antes que a ora impugnante fosse cientificada da decisão administrativa exarada para considerar não declaradas as compensações inicialmente pretendidas. Apenas para essa parte dos débitos não se consumou o resultado infracional que o lançamento pretendeu penalizar. O lançamento da multa isolada foi procedente em parte. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" Cientificada, a empresa interpôs recurso voluntário, repisando alegações constantes da impugnação e afirmando que diferente do entendimento adotado no acórdão da primeira instância, todos os pedidos de compensação foram objeto de desistência e não somente parte deles. Tendo a parte exonerada, superado o limite de alçada, foi apresentado pela turma julgadora o competente recurso de ofício. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 14770.720017/201212 Resolução nº 3201000.507 S3C2T1 Fl. 119 5 A discussão presente no processo trata da questão puramente fática. A Recorrente alega que todos os pedidos de compensação que deram sustentação a aplicação da multa isolada, foram objeto de desistência em momento anterior ao inícios da fiscalização da Receita Federal e que a autoridade de piso considerou somente parte das desistências. Consultando os autos verificase em diversos momentos do Recurso Voluntário que a Recorrente busca fazer prova das desistências que não teriam sido consideradas pela decisão de primeira instância. O principio da verdade material e da ampla defesa são intrínsecos ao Processo Administrativo Fiscal e em que pese o fato, do seu informalismo contido, estes corolários não podem ser afastados, devendo pelo contrário, ser privilegiados, visto que, qualquer discussão administrativa que seja maculada, por procedimentos processuais questionáveis, pode vir no futuro a ser objeto de novas discussões, o que sem dúvida, afasta um dos grandes benefícios do processo administrativo, que busca abreviar a solução do litígios a contento das partes. Portanto, mais uma vez, considerando a manutenção da ampla defesa, entendo que devese analisar as informações e os documentos fiscais apresentados em momento posterior a decisão da primeira instância. Diante do exposto e buscando a verdade material dos fatos, voto no sentido de converter o julgamento em diligência a fim de que unidade preparadora proceda a análise dos pedidos de compensação constantes dos processos administrativos nº 19647.005952/200646 e 19647.002455/200696 verificando se foram objeto de parcelamento e se houve a desistência antes da formalização dos despachos decisórios, a luz dos documentos apresentados no recurso voluntário (fls. 59 a 61), elaborando relatório sobre os fatos apurados. Concluída tais verificações, deverá ser franqueado o prazo de 30 dias para manifestação da recorrente e, findo tal prazo, devolver os autos para prosseguimento do julgamento. Winderley Morais Pereira Fl. 119DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11040.720639/2013-88
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a fiscalização na verificação do cumprimento da obrigação principal.
ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. OBRIGATORIEDADE DE ELABORAÇÃO. EMPRESA EM GERAL.
A empresa está obrigada à escrituração da contabilidade, sendo dispensada apenas a empresa que se enquadre em situação específica prevista em lei.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DAS FOLHAS DE PAGAMENTO.
As empresas devem manter a disposição da fiscalização os documentos comprobatórios do cumprimento de suas obrigações tributárias, tais como folhas de pagamento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-004.211
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Ricardo Magaldi Messetti, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a fiscalização na verificação do cumprimento da obrigação principal. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. OBRIGATORIEDADE DE ELABORAÇÃO. EMPRESA EM GERAL. A empresa está obrigada à escrituração da contabilidade, sendo dispensada apenas a empresa que se enquadre em situação específica prevista em lei. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DAS FOLHAS DE PAGAMENTO. As empresas devem manter a disposição da fiscalização os documentos comprobatórios do cumprimento de suas obrigações tributárias, tais como folhas de pagamento. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 11040.720639/2013-88
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5442481
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2803-004.211
nome_arquivo_s : Decisao_11040720639201388.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
nome_arquivo_pdf_s : 11040720639201388_5442481.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Ricardo Magaldi Messetti, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
id : 5863878
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047705365774336
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1918; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 61 1 60 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11040.720639/201388 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803004.211 – 3ª Turma Especial Sessão de 12 de março de 2015 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS EM GERAL Recorrente JARBAS JESUS TEIXEIRA MARTINS ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a fiscalização na verificação do cumprimento da obrigação principal. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. OBRIGATORIEDADE DE ELABORAÇÃO. EMPRESA EM GERAL. A empresa está obrigada à escrituração da contabilidade, sendo dispensada apenas a empresa que se enquadre em situação específica prevista em lei. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DAS FOLHAS DE PAGAMENTO. As empresas devem manter a disposição da fiscalização os documentos comprobatórios do cumprimento de suas obrigações tributárias, tais como folhas de pagamento. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 72 06 39 /2 01 3- 88 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11040.720639/201388 Acórdão n.º 2803004.211 S2TE03 Fl. 62 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Ricardo Magaldi Messetti, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11040.720639/201388 Acórdão n.º 2803004.211 S2TE03 Fl. 63 3 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de crédito constituído (DEBCAD n 51.029.9792) contra a empresa acima identificada, por ter deixado de apresentar à fiscalização os documentos solicitados através de Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, infringindo assim, o disposto no artigo 33, 2 e 3 , da Lei 8.212/91, combinado com os artigos 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. No Relatório Fiscal de fls. 5/8, a autoridade lançadora esclarece que o contribuinte deixou de apresentar os Livros Diário e/ou Caixa do ano de 2010, além das folhas de pagamento de todo o período fiscalizado: 01/2009 a 12/2011. Em decorrência da infração praticada, foi aplicada a multa prevista nos artigos 92 e 102, da Lei 8.212/91 e nos artigos 283, inciso II, j e 373, do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. DA CIÊNCIA O contribuinte foi cientificado da autuação fiscal, apresentando impugnação. A Decisão da 11ª Turma da DRJ/RJ1 negou provimento à impugnação, mantendo o crédito tributário. O contribuinte foi cientificado da decisão, apresentando recurso voluntário, alegando em síntese: é empresa individual desobrigada de escrituração de livro caixa e diário; a exigência do livro é indevida conforme Resolução CGSN nº 10, de 28/06/07, que dispunha que o empresário individual ficava dispensado da apresentação dos livros, fazendo comprovação da receita bruta mediante apresentação do registro de vendas ou de prestação de serviços. A Resolução CGSN nº 10 vigorou até dezembro de 2009, quando foi revogada pela Resolução CGSN nº 94, que limitou a receita bruta anual até sessenta mil reais (art. 65). A limitação não pode ser aceita, pois contraria o código civil (art. 1.179, § 2o – é dispensado de apresentação dos livros contábeis o pequeno empresário a que se refere o art. 970); por fim, requer a anulação da autuação fiscal. É o relatório. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11040.720639/201388 Acórdão n.º 2803004.211 S2TE03 Fl. 64 4 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pelo qual será apreciado. O contribuinte deixou de apresentar os Livros Diário e/ou Caixa do ano de 2010, além das folhas de pagamento de todo o período fiscalizado: 01/2009 a 12/2011. Desse modo, infringiu o disposto no artigo 33, 2 e 3 , da Lei 8.212/91, combinado com os artigos 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Em decorrência da infração praticada, foi aplicada a multa prevista nos artigos 92 e 102, da Lei 8.212/91 e nos artigos 283, inciso II, j e 373, do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. A decisão recorrida, fls. 36/41, se manifestou pela manutenção da autuação fiscal pelas seguintes razões: a) a legislação atual estipula que não existe a obrigatoriedade de elaboração da contabilidade para as empresas individuais que auferissem receita bruta anual até o limite de R$ 36.000,00, sendo esse limite aumentado para R$ 60.000,00, por força da edição da Lei complementar 139/2011, e que estejam enquadradas como MEI – Microempreendedor Individual, registradas sob a égide da Lei Complementar 128/2008; b) tais empresas não estão obrigadas a possuir os Livros Razão e Diário com balanço e contabilidade propriamente dita. Esse entendimento é baseado no Código Civil de 2002 art. 1.179, 2 e art. 970, bem como nos art. 68 e 18A, 1 , da Lei Complementar 123/2006; c) o contribuinte precisa demonstrar que a sua receita bruta anual está dentro dos limites legais, e que não está impedido de optar pela sistemática do Simples Nacional, o que não foi observado pelo contribuinte; d) não é possível verificar nos autos qualquer documento que comprovasse que o contribuinte no período da infração (ano de 2010) tinha auferido receita bruta dentro do limite previsto na Lei Complementar 123/2006; e) o contribuinte foi excluído do Simples Nacional através do ADE n 01/2013, que gerou efeitos a partir de 01/01/2008, por ter deixado de escriturar o Livro Caixa, o que torna incontestável a sua obrigatoriedade em apresentar seus livros contábeis no período da infração, porquanto não estava mais incluído no Simples Nacional, não restando qualquer dúvida acerca da improcedência dos argumentos da impugnante; Fl. 64DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11040.720639/201388 Acórdão n.º 2803004.211 S2TE03 Fl. 65 5 f) a empresa teve aproximadamente 4 (quatro) meses para apresentar suas folhas de pagamento, o que seria um tempo razoável considerando que é sua obrigação manter toda a documentação à disposição da fiscalização, nos termos do 5 do art. 225, do Decreto 3.048/99. Como se pode notar dos autos e da decisão recorrida, que os argumentos do contribuinte trazidos no recurso voluntário são os mesmos da impugnação, que já foram apreciados pela decisão recorrida. Não houve fato novo. A decisão recorrida demonstrou os motivos e fundamentos da manutenção da autuação fiscal, dos quais o relator do recurso voluntário acompanha a tese da decisão recorrida. Os fatos geradores expressamente não contestados serão considerados não impugnados, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72, permanecendo válidos para a autuação fiscal em epígrafe. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a fiscalização na verificação do cumprimento da obrigação principal. Assim sendo, não comprovada a apresentação dos Livros Diário e/ou Caixa do ano de 2010, e as folhas de pagamento do período 01/2009 a 12/2011, a autuação fiscal deve ser mantida. O crédito tributário encontrase revestido das formalidades legais do art. 142 e § único, e arts. 97 e 115, todos do CTN, com a descrição da infração e dispositivo legal infringido, o valor da multa aplicada e sua fundamentação legal, período apurado, relatório fiscal da infração e da aplicação da multa, a Instrução para o Contribuinte – IPC, e demais informações constantes dos autos, bem como, lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, consoante o artigo 33 da Lei 8.212/91. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 65DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11040.720639/201388 Acórdão n.º 2803004.211 S2TE03 Fl. 66 6 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 15889.000150/2008-16
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004,2005
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Trata-se de omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, apresenta os extratos e não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas operações.
Numero da decisão: 1803-002.359
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva- Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Meigan Sack Rodrigues - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Antônio Marcos Serravalle Santos, Henrique Heiji Erbano, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur Jose Andre Neto e Meigan Sack Rodrigues.
Nome do relator: MEIGAN SACK RODRIGUES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201409
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004,2005 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Trata-se de omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, apresenta os extratos e não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas operações.
turma_s : Terceira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 02 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 15889.000150/2008-16
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5434693
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 02 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1803-002.359
nome_arquivo_s : Decisao_15889000150200816.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : MEIGAN SACK RODRIGUES
nome_arquivo_pdf_s : 15889000150200816_5434693.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva- Presidente. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Antônio Marcos Serravalle Santos, Henrique Heiji Erbano, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur Jose Andre Neto e Meigan Sack Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
id : 5837774
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:37:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047705367871488
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1701; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 111 1 110 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15889.000150/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803002.359 – 3ª Turma Especial Sessão de 23 de setembro de 2014 Matéria IRPJ Recorrente ANSANELLO & NEUBERN LOTERIA LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004,2005 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Tratase de omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, apresenta os extratos e não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente. (Assinado Digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 9. 00 01 50 /2 00 8- 16 Fl. 1171DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/02/201 5 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15889.000150/200816 Acórdão n.º 1803002.359 S1TE03 Fl. 112 2 Meigan Sack Rodrigues Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Antônio Marcos Serravalle Santos, Henrique Heiji Erbano, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur Jose Andre Neto e Meigan Sack Rodrigues. Relatório Tratase, o presente feito, de auto de infração para cobrança de IRPJ Simples, PIS Simples, CSLL Simples, COFINS Simples e INSS Simples, acrescido de juros de mora e multa de ofício de 75%, relativo aos anos calendários de 2004 e 2005, em decorrência de omissão de rendimentos por depósitos bancários não escriturados e insuficiência de recolhimentos em razão da mudança de faixa das alíquotas provocada pela inclusão da receita omitida. A empresa foi intimada a apresentar cópia do instrumento de constituição e das alterações da sociedade; livro caixa e/ou diário e razão com o registro das operações realizadas nos anoscalendário de 2003 a 2005; informação, por escrito, de qual regime (competência/caixa) foi adotado para determinar os valores dos tributos e contribuições administrados pela SRFB devidos nos anoscalendário de 2003 a 2005; extrato com o registro das operações realizadas nos anoscalendário de 2003 a 2005 geradoras da retenção da CPMF nos valos relacionados pelas instituições financeiras relacionadas (Caixa Econômica Federal, Banco Nossa Caixa S/A e Banco ABN AMRO Real S.A). Contudo, não tendo a empresa recorrente atendido à intimação no prazo, foram requisitadas informações às instituições financeiras, tendo o Banco ABN AMRO Real S.A. apresentado os extratos de fls. 79/130 relativos a Conta n° 47335503 Agência 0051; o Banco Nossa Caixa S/A apresentou os extratos das contas n° 04.001.11588, 04.001.14374 e 09.001.11589, todas da Agência 04251 (fls. 138/181) e Caixa Econômica Federal apresentou os extratos de fls. 225/954 relativos às contas n°003.000017801e 034.000017801 e 043.005000604, todas da Agência 0290. Da análise dos extratos, a autoridade fiscalizadora tratou de excluir os valores cujo histórico indica tratarse de estorno, empréstimos, transferência entre contas, bem como aqueles cujas datas e valores são coincidentes com saques e/ou cheques compensados de outra conta. Concluiu que restaram não justificados os relacionados em anexo denominado "EXTRATO DE CREDITO A examinar/Comprovar. A empresa recorrente foi intimada a comprovar, mediante apresentação de documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados nas operações que resultaram nos créditos em conta mantida junto às instituições financeiras, nos valores e datas Fl. 1172DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/02/201 5 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15889.000150/200816 Acórdão n.º 1803002.359 S1TE03 Fl. 113 3 relacionados no demonstrativo denominado “EXTRATO DE CRÉDITO — A examinar/ comprovar", em anexo (fls. 980/1027). A empresa recorrente apresenta explicações nas quais refere que na época dos fatos era gerida pelas antigas sócias e que em contato com estas, argumentaram que os depósitos mais altos eram decorrentes de empréstimos, visto a empresa passar por dificuldade, além dos roubos constantes, cheques devolvidos e falta no caixa. Relata as dificuldades, bem como as altas prestações dos empréstimos realizados. Porém, autoridade fiscalizadora entendeu que os depósitos não foram justificados e que a empresa também não logrou apresentar os livros contábeis e fiscais solicitados, razão pela qual lavrou os autos de infração. Em ato continuo, intimou a empresa para apresentar impugnação. Devidamente cientificada dos autos, a empresa apresentou suas razões de impugnação, de forma tempestiva, alegando que quase a totalidade senão a totalidade dos ingressos questionados, cuja conclusão conduziu à relativa presunção de omissão de receitas, podem ser comprovados através de documentação hábil e idônea, porém em virtude da alteração do quadro societário da pessoa jurídica, com mudança inclusive em sua razão social, parte das comprovações não foi obtida até a presente data, razão pela qual pugnou pela aplicação do art. 3°, inciso III da Lei n° 9.784/99. A empresa recorrente elenca alguns depósitos e os justifica como decorrente de empréstimos junto à Caixa Econômica Federal, Nossa Caixa e Banco GE, como valores relativos à remuneração de serviços bancários pagos pela Caixa Econômica Federal à lotérica. Refere que há valores de suprimento de caixa efetuado pelos sócios na lotérica, conforme disponibilidade econômica decorrente de alienação de propriedade rural e os identifica. Ainda, a empresa recorrente busca explicar parte dos valores da seguinte forma: “ Passando por sérias dificuldades financeiras, o antigo proprietário da ora Impugnante aproveitandose da condição de lotérico apto a realizar transações bancárias e as facilidades dai decorrentes, próprias da especificidade do ramo de atividade desenvolvido , efetuava os referidos depósitos sempre que havia necessidades eminentes de caixa na conta corrente da empresa. A própria sigla da operação desnuda a natureza da mesma, já que o histórico "Dep. Lot." é utilizado exclusivamente em transações bancárias quando realizadas por lotéricos.” Explica que há o pagamento do fundo de comércio feito pelo atual proprietário da empresa recorrente, conforme recibo anexado ao feito. De igual modo, refere que há depósitos cuja origem é o pagamento pela venda da empresa recorrente e junta recibo firmado de 13.09.2005. Prossegue mencionando que os valores referentes a empréstimo efetuado pela empresa “Vídeo Locadora Rossi Pipino Ltda”, junto à Caixa Econômica Federal, no valor Fl. 1173DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/02/201 5 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15889.000150/200816 Acórdão n.º 1803002.359 S1TE03 Fl. 114 4 global de R$ 85.000,00, foi repassado em parte à Impugnante. Tudo conforme comprovante em anexo. No mérito, a empresa recorrente aduz que inobstante a documentação apresentada e aquela que aguarda o fornecimento pelas instituições financeiras, entende que o lançamento lastreado em presunção de omissão de receitas por débitos bancários de origem não comprovada padece de sérios vícios de legalidade, quanto mais quando aplicado às empresas optantes pelo Simples. Adentra ao tema referindo a necessidade de aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda e proventos de qualquer natureza e que o simples depósito em conta corrente não é pressuposto suficiente para a ocorrência do fato gerador do imposto de renda. Refere que à luz do art. 43 do CTN, é defeso ao fisco exigir tributo de contribuinte sem a demonstração cabal de que os créditos e depósitos apurados em sua movimentação bancária deram origem a uma disponibilidade econômica, jurídica ou de renda, a um enriquecimento do contribuinte, traduzido em um aumento de seu patrimônio, riqueza nova ou em efetiva disponibilidade financeira. Salienta que a tributação isolada dos créditos e/ou depósitos bancários desvirtua o conceito de renda, bem como vai de encontro ao disposto no art. 110 do CTN e violenta o princípio da capacidade contributiva. Acrescenta que a legislação tributária, ao dispor sobre a tributação das empresas optantes pelo SIMPLES, não obriga a vinculação de cada cheque recebido ou emitido com a operação que lhe deu causa, capazes de identificar a origem dos recursos depositados. Somente com o advento dessa obrigatoriedade é possível exigir a identificação da origem de cada depósito bancário. Cita legislação. Alega, neste contexto, que a ação fiscal não considerou os saldos de caixa em cada mês, que serviram para depósitos nos meses seguintes. Igualmente não promoveu qualquer dedução ocasionada pelos descontos de cheques efetuados nas instituições financeiras, perfeitamente identificados pelos históricos lançados nos extratos e que no demonstrativo de fl.133, o volume de recursos computadas as receitas declaradas e as pretensamente omitidas, ultrapassam o valor total dos depósitos nos meses de outubro e novembro de 2005, fator determinante de seu aproveitamento em períodos posteriores. Relativamente a exigência das contribuições ao PIS, COFINS, INSS, IPI e CSLL, alegou que é importante observar que o art.18, da Lei n° 9.317/96, não pressupõe relações de causa e efeito e, não estando prevista nas respectivas legislações a presunção de omissão de rendimentos apurada com base em depósitos bancários, não há que cogitar de sua aplicação. Por fim, afere a recorrente que a situação caracterizadora não está suficientemente demonstrada e comprovada nos autos, carecendo de documentos representativos dos pagamentos, e também de investigações adicionais capazes de suprir a ausência dos elementos pertinentes a sua forma. Assim, improcedente a presunção, bem como computada as origens comprovadas no item "1", não haverá de prevalecer a elevação dos percentuais aplicáveis sobre a receita bruta. A autoridade julgadora de primeira instância entendeu por bem manter o lançamento parcialmente. Refere que parte dos depósitos bancários não teve a sua origem identificada, nem comprovada pela contribuinte, apesar de ter sido intimada a fazêlo. Com efeito, tais valores foram levados à tributação com fundamento no art. 42 da Lei nº 9.430, de Fl. 1174DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/02/201 5 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15889.000150/200816 Acórdão n.º 1803002.359 S1TE03 Fl. 115 5 1996. E esclarece que a autuação do IRPJ Simples teve como base legal, entre outros, o art. 24 da Lei 9249/95 e que mesmo a empresa esteja inscrita no Simples, resta obrigada a manter sob guarda a prova das operações realizadas. Cita legislação a respeito. Em ato contínuo, o julgador a quo afere que mesmo optante pelo Simples, a empresa recorrente está sob a égide da legislação que oportuniza a presunção de omissão por depósito bancário, invertendo o ônus da prova, cumprindo à empresa demonstrar a origem, através de documentação hábil e idônea. Conclui salientando que a existência de depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada é, por si só, nos anoscalendário fiscalizados, hipótese presuntiva de omissão de receitas, cabendo ao sujeito passivo a prova em contrário. Não o fazendo a fiscalizada, é lícito concluir que se tratam de receitas tributáveis não incorporadas àquelas registradas na escrituração. Cita doutrina a respeito e entendimento do CARF. Quanto ao mérito da demanda, o julgador afere que na peça impugnatória a recorrente relacionou alguns valores alegando que à vista dos documentos de fls. 1093/1109 e de muitos outros que seriam ainda juntados aos autos deveriam ser excluídos da relação de depósitos de origem não comprovada e passou a análise de cada item. Concluiu que alguns depósitos foram justificados, razão pela qual excluiu da demanda. No caso vertente a contribuinte tentou justificar o depósito de RS 30.000,00 alegando que o depósito referese ao pagamento do fundo de comércio feito pelo atual proprietário da Impugnante. Tratase de uma transação suscetível de tributação e não há nos autos qualquer evidência de que tenha sido oferecida à tributação o ganho de capital decorrente dessa transação. Portanto, mesmo que seja verdadeira a afirmação da contribuinte de que se trata de um ingresso decorrente da venda de fundo de comércio, não pode, nessa fase, a autoridade autuante, nem a autoridade julgadora, efetuar a reclassificação dos rendimentos como determinado pelo art. 42, §2º, da Lei nº 9.430, de 1996, devendo o sujeito passivo submeterse à presunção legal do art. 42. Em ato contínuo, o julgador a quo aduz que a empresa recorrente limitase a alegar, mas não junta documentação comprobatória sob o argumento de que as instituições bancárias não forneceram em tempo hábil, razão pela qual está esperando ainda. Atenta o julgador que não basta questionar graciosamente os argumentos do fisco, deve a recorrente rebater de forma coerente e com meios de provas idôneos e cita o art. 15 do Decreto 70235/72. Salienta, de igual modo, que apesar das oportunidades em todas as fases do processo, a recorrente não trouxe aos autos prova da origem dos valores depositados em sua conta corrente, o que respalda o procedimento fiscal, pois entende configurada a materialização da hipótese legal. Atenta que por diversas vezes a recorrente alegou que irá ainda apresentar documentos que não foram disponibilizados pelas instituições financeiras e esclarece que nos termos do §4° do art.16 do Decreto 70.235/72, o deferimento da juntada de prova posterior à impugnação depende de ficar demonstrada uma das circunstâncias estabelecidas no referido dispositivo. Prossegue aduzindo que não merece procedência a alegação da empresa recorrente no sentido de que a ação fiscal não considerou os saldos de caixa em cada mês que serviram para depósitos nos meses seguintes. Isso porque afere que a recorrente pretende aplicar uma metodologia semelhante à utilizada quando se tratada apuração de omissão de rendimentos com base em acréscimo patrimonial a descoberto. Nesse sentido, esclarece que acréscimo patrimonial a descoberto e depósitos bancários de origem não comprovada são Fl. 1175DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/02/201 5 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15889.000150/200816 Acórdão n.º 1803002.359 S1TE03 Fl. 116 6 formas distintas de apuração de omissão de rendimentos, que não se confundem. Na primeira, a matéria tributável é apurada pelo confronto, mensal, entre as mutações patrimoniais e os rendimentos auferidos, enquanto que, na segunda, presumese omitido todo depósito bancário não justificado pelo contribuinte, que é o caso dos autos. Ademais, frisa que o único valor a ser excluído da base de cálculo dos tributos e contribuições é o de R$ 14.175,09, relativamente ao mês de novembro de 2004, por tratarse de empréstimo obtido. E quanto à alegação referente ao art.18 da Lei n°. 9.317/96, de que a exigência das contribuições ao PIS, COFINS, INSS, IPI e CSLL, não pressupõe relações de causa e efeito e, não estando prevista nas respectivas legislações a presunção de omissão de rendimentos apurada com base em depósitos bancários, não há que cogitar de sua aplicação, expõe o julgador de primeira instância que o Simples é um regime tributário diferenciado, simplificado e favorecido, aplicável às pessoas jurídicas consideradas como microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP), nos termos definidos na Lei n° 9.317/96 e alterações subsequentes, criado em cumprimento ao que determina o disposto no art. 179 da Constituição Federal de 1988. Constituise, assim, numa forma simplificada e unificada de recolhimento de tributos, por meio da aplicação de percentuais favorecidos e progressivos, incidentes sobre uma única base de cálculo, a receita bruta – ver art. 5° da Lei nº 9.317/1996. Completa referindo que a receita bruta está bem definida no §2° da Lei do Simples. Cita legislação pertinente. Frisa ser totalmente improcedentes as alegações da recorrente, já que a base de cálculo dos tributos e as alíquotas estão perfeitamente definidas na legislação do Simples e estas foram corretamente aplicadas. As pessoas jurídicas optantes do SIMPLES deverão calcular e recolher o valor correspondente aos tributos e contribuições acima referenciados, com base na receita bruta, conforme Lei nº 9.317 de 1996 e legislação superveniente, inclusive quando os valores objeto de lançamento tenham decorrido de omissão de receita ou de diferenças apuradas a menor entre os valores apurados e os recolhidos/pagos. Quanto à insuficiência de recolhimento, enfatiza o julgador que em razão da mudança de faixas de receita bruta acumulada, provocadas pela constatação de omissão de receita, os valores declarados pela recorrente sofreram mudanças de alíquotas, gerando insuficiência de recolhimento, sendo exigidas de ofício. Mas, atenta para o fato de que os valores recolhidos foram considerados na apuração. Devidamente cientificada, a empresa recorrente apresenta suas razões, em seara de recurso voluntário, de forma tempestiva, alegando, em apertada síntese, a quebra do sigilo bancário, referindo ter ferido princípios constitucionais. Ainda, refere que já tendo o judiciário se manifestado quanto a inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário, não pode ser objeto de autuação, sendo nulo o auto de infração baseado nesses dados. Cita art. 62 do Regimento do CARF. No mérito contrapõese à exigência de identidade de data valor nas justificativas apresentadas, referindo que tal imposição, extrapola o comando legal. Embasa suas argumentações no princípio da razoabilidade. Cita jurisprudência deste Egrégio Conselho. É o relatório. Fl. 1176DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/02/201 5 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15889.000150/200816 Acórdão n.º 1803002.359 S1TE03 Fl. 117 7 Voto Conselheira Meigan Sack Rodrigues. O Recurso Voluntário preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Tratase, o presente feito, de auto de infração para cobrança de IRPJ Simples, PIS Simples, CSLL Simples, COFINS Simples e INSS Simples, acrescido de juros de mora e multa de ofício de 75%, relativo aos anos calendários de 2004 e 2005, em decorrência de omissão de rendimentos por depósitos bancários não escriturados e insuficiência de recolhimentos em razão da mudança de faixa das alíquotas provocada pela inclusão da receita omitida. A empresa recorrente, já em seara de impugnação, junta parcos documentos, referentes a alguns depósitos, justificando a origem dos valores. Estes foram considerados pela autoridade julgadora a quo. Contudo, em toda a sua defesa, a recorrente alega apenas a dificuldade de juntar a documentação comprobatória, em razão das instituições financeiras não terem entregado a mesma. Mas, passada a oportunidade de juntar ao feito, já na ocasião da elaboração das razões de recurso voluntários, temse que a empresa recorrente restringese apenas às argumentações de mérito, sem novamente juntar ao feito tal documentação. Alega de igual modo que a imposição constante no auto fere princípios constitucionais e vai de encontro com ditames legais. Ocorre que essa esfera administrativa não é a esfera competente para discutir e decidir sobre a constitucionalidade de lei, sobre o desrespeito aos princípios constitucionais, posto serem matérias reservadas exclusivamente ao Poder Judiciário. Nesse sentido, citase Súmula Carf n. 02: “O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).” Já quanto ao mérito da demanda, matéria alegada em seara de recurso voluntário, temse que a empresa, embora tenha passado por dificuldades que culminaram com a venda da mesma, mudança de sócios, em nada justifica a origem dos valores que passaram à margem da contabilidade da empresa. Ademais, sabido que uma empresa não é vendida e tão pouco comprada sem o levantamento dos débitos, dos créditos, dos valores de tributos devidos ou pagos. Assim, nítido é que a empresa recorrente não ofereceu a documentação que justificava a origem dos depósitos em sua conta bancária e que dissonava com o que foi declarado, tal como determinado no art. 42 da Lei 9.430/96. A empresa recorrente não logrou juntar nenhum documento que comprovasse a origem dos valores, cingindose às explicações de que os mesmos são frutos do seu objeto de contrato social, ou seja, de que se trata de valores advindos da sua atividade, mas não conjuga a documentação pertinente. E quanto à discussão a respeito da presunção, disposta na norma, temse que a omissão de rendimentos por depósitos bancários é considerada, dentro do ordenamento jurídico pátrio, uma presunção, necessitando de sua comprovação. Ocorre que essa Fl. 1177DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/02/201 5 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15889.000150/200816 Acórdão n.º 1803002.359 S1TE03 Fl. 118 8 comprovação, em se tratando de depósitos bancários, invertese, devendo a recorrente demonstrar, com identidade de data e valor, a origem dos valores, tal como referido acima. Ademais, ainda que se trate de uma presunção, de igual modo cumpre à empresa, interessada em demonstrar que não se encontrar em situação de devedora dos seus tributos, comprovar que os depósitos não se tratavam de renda omitida, já que a norma, nesse caso específico, determina a inversão em favor da fiscalização, impondo a conduta demonstrativa à recorrente, tal com já referido. Nesse sentido, importa citar jurisprudência corroborando o entendimento: “DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LANÇAMENTO. É regular o procedimento de fiscalização que verifica incompatibilidade entre os registros efetuados no Livro Caixa do contribuinte, e aqueles informados ao fisco, e a movimentação financeira espelhada nos extratos bancários. Em constatando relevante disparidade e não justificando, o contribuinte, a origem dos créditos bancários, especificamente, é lícito proceder ao lançamento por presunção de receita omitida, com Mero no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. DEPÓSITO BANCÁRIO. PROVA. Não pode o contribuinte, pessoa jurídica, pretender que se admita, para provar a origem dos créditos bancários individualizados, o total do rendimento bruto do sócio, informado em DIRPF, sem provar, com documentação hábil, a efetiva transferência de valores nas datas dos créditos. (Processo n. 11543.003273/200427, Acórdão: 19100.079, Ministério da Fazenda, 1° Conselho de Contribuintes, 1ª Turma Especial, 29.01.2009, Relatora Ana de Barros Fernandes)” Ainda, no que tange à alegação de quebra de sigilo bancário, importa frisar que a discussão pende de decisão definitiva, pelo plenário do STF. Assim, tomando em conta que a decisão ainda não foi proferida, restando entendimentos para todos os lados, a jurisprudência colacionada não se aplica a esse caso concreto, tão pouco se subsume no disciplinado pelo Regimento do CARF. Nesse contexto não resta outra alternativa, senão manter o auto de infração na sua integralidade. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues – Conselheira Fl. 1178DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/02/201 5 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15889.000150/200816 Acórdão n.º 1803002.359 S1TE03 Fl. 119 9 Fl. 1179DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/02/201 5 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 10820.001447/2007-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2401-000.449
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201501
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10820.001447/2007-81
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5436439
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2401-000.449
nome_arquivo_s : Decisao_10820001447200781.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10820001447200781_5436439.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
id : 5842855
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:37:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047705371017216
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1342; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 621 1 620 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10820.001447/200781 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2401000.449 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 21 de janeiro de 2015 Assunto DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente BERTIN LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Presidente em Exercício Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 20 .0 01 44 7/ 20 07 -8 1 Fl. 622DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10820.001447/200781 Resolução nº 2401000.449 S2C4T1 Fl. 622 2 Relatório BERTIN LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da então Secretaria da Receita Previdenciária em Araçatuba/SP, DN nº 21.421.01079/2006, às fls. 480/498, que julgou procedente a autuação fiscal lavrada contra a empresa, nos termos do artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, por ter apresentado GFIP’s com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, em relação ao período de 08/2001 a 05/2005, conforme Relatório Fiscal da Infração, às fls. 30/38, e demais documentos constantes dos autos. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 14/10/2005, nos moldes do artigo 293 do RPS, contra a contribuinte acima identificada, constituindose multa no valor consignado na folha de rosto da autuação, calculada com base nos artigos 284, inciso II, e 373, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, c/c artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91. De acordo com o Relatório Fiscal, a presente autuação foi lavrada em virtude de a recorrente ter deixado de informar em GFIP’s os valores correspondentes à comercialização de produtos rurais adquiridos de produtores pessoas físicas, bem como as importâncias mensais da receita bruta proveniente da comercialização da produção da contribuinte na condição de Agroindústria, cujas respectivas contribuições (obrigação principal) foram lançadas nos autos da NFLD n° 35.865.8527 – Processo n° 10820.001387/200704 e NFLD n° 35.865.8551, respectivamente. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 508/530, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, suscita a impossibilidade da lavratura do presente auto de infração, tendo em vista sentença exarada nos autos da AMS no 2000.61.00.0000013, afastando a obrigação de a contribuinte proceder à retenção e recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a comercialização da produção rural adquirida de pessoas físicas, não havendo, portanto, que se falar em infração por deixar de informar tais tributos em GFIP's. Requer seja anulado o presente lançamento diante da existência de outros autos de infração escorados nos mesmos fatos apurados nesta autuação em verdadeiro bis in idem, notadamente os Autos de Infração n°s 35.865.8497 e 35.373.8913. Acrescenta que as NFLDs n°s 35.865.8527 e 35.865.8535, bem como a da Contribuição para a Agroindústria NFLD n° 35.865.8551, na condição de obrigações principais, incorporam as supostas infrações incorridas em face de pretensos descumprimentos de obrigações acessórias, baseando nos mesmos fatos. Pugna pela nulidade do feito, em razão de vícios nos Mandados de Procedimento Fiscal – MPF’s emitidos em face da fiscalizada, os quais foram não permitiam a Fl. 623DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10820.001447/200781 Resolução nº 2401000.449 S2C4T1 Fl. 623 3 fiscalização dos tributos lançados, alem de serem prorrogados indevidamente, sem a observância aos prazos constantes da legislação de regência e ausente a devida ciência da contribuinte, ensejando a lavratura da Notificação fora do prazo do respectivo documento, o que a torna nula. Ainda em sede de preliminar, pretende a contribuinte seja decretada a nulidade do feito, por entender que a ação fiscal fora desenvolvida em local diverso da sede da empresa, situada no Município de São Paulo, Capital, inscrita no CNPJ n° 01.597.168/000199, o que maculou a competência dos fiscais autuantes em proceder o lançamento que ora se contesta. Acrescenta que o fato de o estabelecimento autuado ser o centralizador da empresa, não desloca sua sede, sobretudo quando referida centralização apenas resulta a obrigação de serem mantidos neste local a documentação suficiente integral de todos os estabelecimentos da empresa, nos termos do artigo 743 da IN SRP n° 03/2005. Defende que a sujeição passiva deverá recair sobre o estabelecimento sede da empresa representado pelo seu domicílio fiscal, in casu, localizado no Município de São Paulo, capital. Suscita, ainda, a nulidade do feito, aduzindo para tanto que o fiscal autuante não detinha competência para lavrar a presente autuação, por não estar lotado em uma Delegacia da Receita Federal do Brasil – Previdenciária. Após breve relato das fases e fatos ocorridos no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra a exigência consubstanciada na peça vestibular do feito, aduzindo para tanto não ser devida a contribuição previdenciária incidente sobre a comercialização da produção rural adquirida de pessoas físicas, diante de sua inconstitucionalidade, como fora devidamente reconhecido nos autos do processo judicial acima citado. Igualmente, assevera não ser devida a contribuição previdenciária incidente sobre a receita bruta da agroindústria, porquanto não se enquadra como tal, não havendo se falar em descumprimento de obrigação acessória pertinente à referida contribuição. Assim, explicita que por não existir obrigação tributária de efetuar pagamento de contribuições sobre tais valores, da mesma forma, inexiste obrigação de fornecer os dados a eles relacionados para a SRP, porque isto somente seria necessário caso possuíssem a natureza de valores integrantes da base de cálculo das contribuições devidas. Contrapõese à multa aplicada, por entender não haver reincidência passível de suportar o cálculo procedido pela fiscalização ao lançar a penalidade, sobretudo em razão de os diversos Autos de Infração citados pela autoridade lançadora terem sido baixados por DN ou por liquidação, não se prestando, assim, a amparar a reincidência admitida. Aduz, ainda, que a penalidade aplicada, mesmo que procedente, não observou o limite imposto pela legislação de regência, mais precisamente artigos 283, caput, 290, inciso V, e 292, inciso IV, do Decreto n° 3.048/99, no valor de R$ 63.617,35, impondo seja estabelecida essa importância como limite da multa. Fl. 624DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10820.001447/200781 Resolução nº 2401000.449 S2C4T1 Fl. 624 4 Conclui opondose ao cálculo da multa levando em consideração a totalidade dos empregados da empresa, quando o correto seria admitir tão somente o número dos funcionários dos estabelecimentos que não prestaram as informações. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 625DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10820.001447/200781 Resolução nº 2401000.449 S2C4T1 Fl. 625 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Não obstante as razões de fato e de direito ofertadas pela contribuinte durante todo processo administrativo fiscal, especialmente no seu recurso voluntário, há nos autos questão preliminar, prejudicando, dessa forma, a análise do mérito da demanda nesta oportunidade, senão vejamos. Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, a presente autuação foi lavrada em virtude de a recorrente ter apresentado GFIP’s com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, deixando de informar as contribuições previdenciárias elencadas no Relatório Fiscal de Infração, relativamente ao período de 08/2001 a 05/2005. Com mais especificidade, a presente autuação foi lavrada em virtude de a recorrente ter deixado de informar em GFIP’s os valores correspondentes à comercialização de produtos rurais adquiridos de produtores pessoas físicas, bem como as importâncias mensais da receita bruta proveniente da comercialização da produção da contribuinte na condição de Agroindústria, cujas respectivas contribuições (obrigação principal) foram lançadas nos autos da NFLD n° 35.865.8527 – Processo n° 10820.001387/200704 e NFLD n° 35.865.8551, respectivamente. Nesse contexto, a contribuinte fora autuada, com fundamento no artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei 8.212/91, ensejando a aplicação da multa calculada com arrimo no artigo 284, inciso II, do RPS, que assim prescrevem: “Lei 8.212/91 Art. 32. A empresa também é obrigada: [...]IV – informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. [...]§ 5° A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior.” “Regulamento da Previdência Social Art. 284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: [...]II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das Fl. 626DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10820.001447/200781 Resolução nº 2401000.449 S2C4T1 Fl. 626 6 contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção ou substituição, quando se tratar de infração cometida por pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social em gozo de isenção das contribuições previdenciárias ou por empresa cujas contribuições incidentes sobre os respectivos fatos geradores tenham sido substituídas por outras;” Destarte, a NFLD n° 35.865.8527 – Processo n° 10820.001387/200704, já fora submetida a julgamento, tendo a egrégia 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, em 25/09/2009, por maioria de votos, dado provimento ao recurso da contribuinte, o fazendo sob a égide dos fundamentos consubstanciados no Acórdão nº 240100.673. Por outro lado, não se tem conhecimento do julgamento e/ou andamento da NFLD n° 35.865.8551, igualmente correlata à presente autuação. Aliás, sequer conseguimos identificar qual o número do processo administrativo pertinente à aludida notificação, se fora objeto de julgamento em primeira instância, eventual resultado, ou mesmo se interpôs recurso voluntário, de maneira a saber qual a situação do crédito tributário ali consignado. Observese, que somente após o julgamento das NFLD's encimadas, onde foram lançadas as contribuições previdenciárias incidentes sobre a comercialização de produtos rurais adquiridos de produtores pessoas físicas, bem como as importâncias mensais da receita bruta proveniente da comercialização da produção da contribuinte na condição de Agroindústria, é que se poderá inferir com a segurança que o caso exige, ter deixado a contribuinte de informar ao INSS aqueles fatos geradores. Dessa forma, existindo tais notificações, essas, por guardarem íntima relação de causa e efeito com a presente autuação, deverão ser julgadas primeiramente, para que, somente assim, reste corroborado o entendimento da fiscalização constante deste lançamento. E, se assim já tiver ocorrido, com o trânsito em julgado de eventual decisão exarada naqueles autos e a correspondente definitividade do crédito tributário, confirmando a procedência ou não da exigência fiscal, mister ter conhecimento e confirmação desta informação. Em adendo, como nos autos do processo ainda se faz referência a outras notificações fiscais, requer seja informado pela fiscalização se, de fato, há mais NFLD's correlatas com a presente autuação, com o respectivo número do processo e andamento. Nesse diapasão, VOTO NO SENTIDO DE CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, sobrestando o exame meritório do presente Auto de Infração, para que a fiscalização informe o andamento das NFLD's encimadas, bem como se ocorrera a constituição definitiva do crédito tributário lançado naqueles autos, parcial ou totalmente, face o nexo de causa e efeito que os vincula. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 627DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
score : 1.0
