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Numero do processo: 10640.003636/2010-10
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. MULTA QUALIFICADA.
Constando dos autos robusto conjunto probatório no sentido de que o profissional de saúde promovia a venda de recibos, tendo sido inclusive denunciado ao Ministério Público, e não comprovando a contribuinte autuada a efetiva prestação e o pagamento dos serviços, mantém-se a qualificação da penalidade
Recurso Especial do Procurador provido
Numero da decisão: 9202-003.938
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões a Conselheira Ana Paula Fernandes.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora.
EDITADO EM: 26/04/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões a Conselheira Ana Paula Fernandes. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora. EDITADO EM: 26/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
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DESPESAS MÉDICAS. MULTA QUALIFICADA. Constando dos autos robusto conjunto probatório no sentido de que o profissional de saúde promovia a venda de recibos, tendo sido inclusive denunciado ao Ministério Público, e não comprovando a contribuinte autuada a efetiva prestação e o pagamento dos serviços, mantémse a qualificação da penalidade Recurso Especial do Procurador provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões a Conselheira Ana Paula Fernandes. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora. EDITADO EM: 26/04/2016 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 36 36 /2 01 0- 10 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratase de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, tendo em vista glosas de despesas médicas, nos anoscalendário de 2005 a 2009. Relativamente aos anos calendário de 2005 e 2008, a multa de ofício foi qualificada, tendo em vista a glosa de despesa com psicólogo com representação ao Ministério Público, sob a acusação de venda de recibos. Em sessão plenária de 14/08/2013, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2802002.467 (fls. 217 a 226), assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 IRPF. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. PRESENÇA DE INDÍCIOS EM DESFAVOR DOS RECIBOS. INTIMAÇÃO FISCAL. ÔNUS DE COMPROVAÇÃO ATRIBUÍDO AO CONTRIBUINTE. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes que desabonam os recibos o que implica inadmitir a dedução por ausência de outros elementos de prova. IRPF. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. REQUISITOS. A falta dos requisitos legais, por si só, justifica a glosa, notadamente quando o recorrente não contrapõe qualquer alegação em relação aos óbices apontados no acórdão recorrido. Nesse sentido, não são hábeis a justificar a dedução documentos que não contenham os requisitos intrínsecos a qualquer recibo, entre os quais identificar quem pagou, quem recebeu, o quanto foi pago e em que data, e os requisitos legais. A falta da identificação do beneficiário do serviço impede que seja verificado se o beneficiário foi o contribuinte ou um dependente seu nos termos do inciso II do §2º do art. 8º da lei 9.250/1995, o que impede que se admita a dedução. Igualmente legítima a glosa na falta de indicação de endereço do emitente ou do seu CPF ou de seu número de registro de classe. IRPF. DESPESAS MÉDICAS. PESSOAS NÃO DEPENDENTES. Despesas com pessoas que não constam do rol de dependentes são indedutíveis. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 10640.003636/201010 Acórdão n.º 9202003.938 CSRFT2 Fl. 265 3 IRPF. DESPESAS MÉDICAS. NÃO COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA DO CONTRIBUINTE. DESQUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. ÔNUS DO FISCO. CONDUTA REITERADA. DOLO NÃO COMPROVADO. Ainda que o contribuinte não tenha se desincumbido do ônus de provar as despesas consignadas em recibos, contra os quais há fortes indícios de inidoneidade, é do Fisco o dever de provar o dolo na conduta do contribuinte, do contrário a multa de ofício, embora cabível, não pode ser aplicada na modalidade qualificada. No caso dos autos, os indícios que desabonam o conjunto dos recibos do psicólogo como um todo não é suficiente, por si só, para comprovar o dolo em relação ao contribuinte individualmente. Na jurisprudência do CARF tem prevalecido o entendimento de que a prática da infração em exercícios seguidos não é suficiente para comprovar o evidente intuito de fraude que justifica a qualificação da multa. Recurso provido em parte." A decisão foi assim resumida: "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para afastar a qualificação da multa de ofício, nos termos do voto do relator. Vencido(s) o Conselheiro(s) Jaci de Assis Júnior." O processo foi encaminhado à PGFN em 23/08/2013 (Despacho de Encaminhamento de fls. 227). De acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a intimação presumida da Fazenda Nacional ocorreu 30 dias após a referida data (22/09/2013) e, em 07/10/2013, foi interposto o Recurso Especial de fls. 228 a 239 (Despacho de Encaminhamento de fls. 240), com fundamento no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF – RICARF, visando rediscutir a desqualificação da multa de ofício. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 27/05/2015 (fls. 241 a 244). No apelo, a Fazenda Nacional alega, em síntese: há necessidade de se analisar a conduta do contribuinte, se de fato ocorreu dano ao erário e se possuía ou devia possuir consciência de que causava o dano; conforme descrito pela autoridade fiscal e confirmado pela DRJ, houve a qualificação da multa, tendo em vista condutas de cunho fraudatório, prática de deduções indevidas de valores da base de cálculo do IRPF, relativos aos anoscalendário 2006 a 2010, ensejando a redução do imposto, sendo conduta reiterada do contribuinte; o sujeito passivo, por sua ação firme, abusiva e sistemática, em burla ao cumprimento da obrigação fiscal, demonstrou conduta consciente que procura e obtém determinado resultado: enriquecimento sem causa; Fl. 266DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 4 embora de difícil comprovação, o intuito doloso denunciase por meio de indícios ou elementos que, analisados isoladamente conduzem a uma interpretação que se afasta da realidade, mas que, por outro lado, se analisados em seu conjunto, demonstram cabalmente o animus doloso de fraudar o fisco; inferese pelos elementos constantes aos autos que a aplicação da multa de ofício de 150% decorreu do evidente intuito de fraudar o Fisco, materializado pela inserção de deduções fictícias em sucessivas declarações, com o objetivo de reduzir o tributo devido e usufruir restituições indevidas. Ao final, a Fazenda Nacional pede o conhecimento do recurso, para reformar o acórdão exarado, restabelecendo a multa de 150%, por se ter configurado a ação dolosa consubstanciada na prática reiterada de omissão de rendimentos. Cientificada, a Contribuinte quedouse silente (fls. 249 a 263). Voto Conselheira MARIA HELENA COTTA CARDOZO O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Não foram oferecidas Contrarrazões. Tratase de qualificação da multa de ofício, quando da glosa de despesas médicas. Conforme o Relatório da Ação Fiscal (fls. 13 a 27), a qualificação foi assim fundamentada: "O procedimento fiscal originouse pela constatação de que o sujeito passivo incluiu, em suas DAA dos exercícios 2006 e 2009, elevadas despesas em nome do psicólogo Carlos Augusto Rezende Araújo, CPF 755.282.47634. Sucede que os recibos emitidos pelo citado profissional são inidôneos, imprestáveis como documentos comprobatórios de despesas dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda. Inidoneidade dos recibos assinados por Carlos Augusto Rezende Araújo: Em 23/09/2010, foi formalizado em nome do psicólogo Carlos Augusto Rezende Araújo, CPF 775.282.47634, o processo de Representação para Fins Penais protocolizado sob o n° 10640.002870/201000, no qual restou demonstrado, por indícios convergentes e provas documentais comprobatórias, a prática fraudulenta de venda e/ou majoração de recibos por parte do citado profissional entre os anos de 2005 e 2009. Vale reproduzir parte do texto da Representação para Fins Penais, acima citada, já encaminhada ao Ministério Público Federal para a apuração do crime de falsidade ideológica. Salientese, por ser pertinente, que nomes e números de CPF foram omitidos tarjados em atendimento à obrigação de preservação do sigilo fiscal: Fl. 267DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 10640.003636/201010 Acórdão n.º 9202003.938 CSRFT2 Fl. 266 5 A seguir, passamos a expor os fatos que, convergentes, comprovam a prática fraudulenta de "fornecimento" de recibos (sejam vendidos, quando o declarante do Imposto de Renda não teve o serviço prestado às vezes, nem mesmo conhecendo o profissional , sejam majorados em seus valores) para dedução de rendimentos, como despesas "médicas", na apuração da base de cálculo do IRPF, levada a efeito pelo profissional referido neste subtítulo. Conforme cópias anexas, o psicólogo Carlos Augusto apresentou Declarações de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física modelo Simplificada, referentes aos exercícios de 2006 e 2007, correspondentes aos anoscalendário 2005 e 2006, com rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas da ordem de R$ 13.185,50 e R$ 11.425,00, respectivamente, nada constando nestas declarações a título de recebimento de pessoas físicas pela prestação de seus serviços e sem qualquer item em sua relação de Bens e Direitos. Desses dados, salientamos dois: 1) a ausência de informação de recebimentos provenientes da prestação de serviço a pessoas físicas; 2) a total falta de bens e direitos declarados. Em relação aos exercícios de 2008, 2009 e 2010, referentes aos anoscalendário de 2007, 2008 e 2009, o contribuinte não apresentou declaração de rendimentos para a Receita Federal. A despeito de tais informações, os sistemas da Receita Federal acusam que o psicólogo Carlos Augusto foi citado como prestador de serviço (a título de "despesas médicas" incorridas) em diversas declarações de pessoas físicas, supostamente usuárias de seus serviços. Tais valores montam em: ANO VALOR (R$) 2005 372.600,00 2006 238.570,00 2007 229.370,00 2008 304.145,00 Intimado, conforme Termo anexo, a esclarecer a questão e a informar se os nomes dos declarantes de seus serviços (constantes das relações anuais de 2005 a 2008, anexas) eram de fato seus clientes, o psicólogo Carlos Augusto confirmou serem corretos e verídicos os dados relacionados, conforme resposta anexa (de 26/04/2010). Posteriormente, em 18/08/2010, ratificou a citada resposta aos AuditoresFiscais signatários desta Representação, que lavraram um Termo de Tomada de Declaração, também anexo. Até esse momento, ainda havia base para supormos que estávamos diante de uma "simples" omissão de rendimentos, conquanto já suspeitássemos da existência de alguma fraude, o Fl. 268DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 6 que mais à frente ficará demonstrado que era o que ocorria (a fraude). Nossas suspeitas se baseavam principalmente nas seguintes análises: a) PATRIMÔNIO INCOMPATÍVEL COM OS SUPOSTOS RENDIMENTOS: Não é habitual uma pessoa perceber um rendimento anual médio de quase R$ 300.000,00 (trezentos mil reais), por 4 anos seguidos, e não possuir nenhum bem ou direito (aplicações financeiras, inclusive). Obs.: Ainda que não declarado, em pesquisas que fizemos junto aos cartórios de registro de imóveis desta cidade, constatamos que o Senhor Carlos Augusto adquiriu, por herança, em 22/04/2003, 1/24 (um vinte e quatro avos) do apartamento n° 203 situado na Avenida Independência, 1.585. A data e a forma de aquisição em nada prejudicam as considerações que fizemos neste item. b) MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA INCOMPATÍVEL COM OS SUPOSTOS RENDIMENTOS: Também não é crível que, nos dias atuais, uma pessoa movimente tamanho montante somente em moeda corrente, não se utilizando de contascorrentes bancárias ou de poupança. O Senhor Carlos Augusto movimentou em instituições financeiras apenas R$ 3.642,05 em 2005, R$ 176,30 em 2006 e R$ 539,45 em 2007; ou seja, menos de 1% (um por cento) dos totais dos valores de recibos que havia fornecido. c) OS SUPOSTOS RENDIMENTOS DO PROFISSIONAL SÃO MUITO SUPERIORES AO QUE SERIA POSSÍVEL OBTER EM UM ANO: Tomemos os dados a seguir para análise. Em documentos anexos (uma resposta ao nosso termo de solicitação de esclarecimentos e um recibo) constam valores das consultas do profissional Carlos Augusto como sendo de R$ 60,00 num e R$ 85,00 noutro. Adotemos para nossa análise o valor de R$ 85,00 por sessão (o maior, a seu favor). Tomemos, ainda, as médias a seguir expostas, constantes do site www.prefeitura.sp.gov.br/arquivos/secretarias/infraestruturaurb ana/tabelas: Média aproximada de domingos (ou sábados) no ano = 52 Média aproximada de feriados em dias úteis = 11 Média aproximada de dias úteis no ano (incluindo os sábados) = 302 Média aproximada de dias úteis no ano (excluindo os sábados) = 250 Então, com tais dados, se o psicólogo Carlos Augusto tivesse mesmo auferido o valor médio de R$ 300.000,00 em um ano com a prestação dos seus serviços a pessoas físicas, ao preço de R$ 85,00 por sessão, isso significaria que ela teria prestado 3.529 atendimentos psicoterápicos em um ano (R$ 300.000,00 / R$ 85,00 sessões). Considerandose que entre um atendimento e outro decorre o tempo médio de 1 hora, então o psicólogo sob Fl. 269DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 10640.003636/201010 Acórdão n.º 9202003.938 CSRFT2 Fl. 267 7 análise teria trabalhado no ano 3.529 horas. Isso significa, com uma medida normal de 8 horas de trabalho por dia, que o Senhor Carlos Augusto teria trabalhado 441 dias em um ano (3.529 / 8), o que seria impossível, já que um ano tem somente 365 dias no total, e 302 dias úteis. Além disso, para os anos de 2005 e 2006, o contribuinte declarou rendimentos oriundos de pessoas jurídicas, às quais, presumese, tenha prestado serviços (e gasto tempo). d) AS QUANTIDADES DE SESSÕES A QUE TERIAM SE SUBMETIDO OS USUÁRIOS DOS RECIBOS SÃO INUSITADAS E NADA RAZOÁVEIS: Os valores dos recibos emitidos pelo psicólogo são, na quase totalidade dos casos, tão elevados que, em alguns desses, demonstra situações inusitadas, senão vejamos: determinado paciente que teria pago R$ 22.000,00 no ano, teria que ter se submetido a sessões em 258 dias, ou seja, todos os dias úteis do ano, excluindo os sábados, domingos e feriados; caso tivesse tido uma sessão por semana, como é o normal em psicoterapias, cada sessão teria lhe custado R$ 458,33 (isso no ano de 2005, quando o salário mínimo nacional estava estabelecido em RS 260,00 até o mês de abril e em R$ 300,00 a partir de maio). e) FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS DESEMBOLSOS POR PARTE DOS QUE SE UTILIZARAM DOS RECIBOS EMITIDOS PELO PSICÓLOGO: Intimados, conforme Termos de Solicitação de Esclarecimentos, anexos, a apresentar os comprovantes dos pagamentos (cópias de cheques, ordens bancárias, recibos de depósitos ou outros meios) que evidenciassem a efetividade da realização das despesas médicas com o profissional, nenhum contribuinte apresentou a comprovação de pagamento por meio de cheque, o que seria usual em se tratando de valores elevados. Não provocaria surpresa alguma se uma pessoa ou outra afirmasse que teria efetuado os seus pagamentos em dinheiro. Isso seria possível. Incrível é, num universo tão grande de contribuintes, nenhum pagamento ter sido efetuado em cheque. Além disso, não foram apresentadas provas de saques de contas correntes ou de poupança em datas e valores compatíveis com os registrados nos recibos. Não bastassem tantas incongruências e evidências da existência de fraude, ao intimarmos os contribuintes que declararam ter pagado valores ao psicólogo sob comento, fomos por alguns destes procurados para nos declararem a inidoneidade dos recibos de que tinham posse. Em anexo, juntamos diversos Termos de Tomada de Declaração nesse sentido. (...) Início da ação fiscal: Em 23/08/2010, foi lavrado o "Termo de Solicitação de Esclarecimentos" (fls. 51), intimando o sujeito passivo a Fl. 270DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 8 apresentar, dentre outros, os originais dos comprovantes das despesas médicas e de instrução relativas aos anos sob fiscalização, bem como documentação comprobatória da efetividade da entrega de recursos para tais despesas (cópias de cheques, transferências bancárias ou extratos bancários de contas correntes contendo saques em datas e valores compatíveis). O termo foi recebido em 30/08/2010 (conforme "AR" de fls. 52). Em resposta, o sujeito passivo entregou cópias de diversos documentos. Todavia, não foram apresentados extratos bancários que pudessem comprovar saques em datas e valores compatíveis com as despesas declaradas." Com efeito, nestas circunstâncias, não há como aceitar a despesa efetuada com o profissional em tela, sem a comprovação do efetivo desembolso do respectivo valor. Ademais, no presente caso, as provas colacionadas pela Fiscalização, inclusive no sentido de que o profissional sequer declarava rendimentos recebidos de pessoas físicas, conduzem à conclusão de que efetivamente as despesas declaradas pela Contribuinte com este profissional foram inexistentes, caracterizandose assim a conduta dolosa. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora Fl. 271DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 10845.725024/2013-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
IMPOSTO DE RENDA. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO MÉDICO EXPEDIDO PELA SECRETARIA DE SAÚDE. DOENÇA RECONHECIDA DESDE 1991. LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. Mesmo que o laudo médico expedido por serviço oficial de município não ateste com absoluta clareza o momento a partir do qual a recorrente inicialmente adquiriu a moléstia grave, este reconhece que ela o possuía desde o ano de 1991, motivo pelo qual deve ser reconhecida a isenção ao pagamento do imposto de renda no período objeto do lançamento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.172
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Ronaldo de Lima Macedo, que negavam provimento ao recurso
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva, Wilson Antonio de Souza Correa, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 IMPOSTO DE RENDA. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO MÉDICO EXPEDIDO PELA SECRETARIA DE SAÚDE. DOENÇA RECONHECIDA DESDE 1991. LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. Mesmo que o laudo médico expedido por serviço oficial de município não ateste com absoluta clareza o momento a partir do qual a recorrente inicialmente adquiriu a moléstia grave, este reconhece que ela o possuía desde o ano de 1991, motivo pelo qual deve ser reconhecida a isenção ao pagamento do imposto de renda no período objeto do lançamento. Recurso Voluntário Provido.
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO MÉDICO EXPEDIDO PELA SECRETARIA DE SAÚDE. DOENÇA RECONHECIDA DESDE 1991. LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. Mesmo que o laudo médico expedido por serviço oficial de município não ateste com absoluta clareza o momento a partir do qual a recorrente inicialmente adquiriu a moléstia grave, este reconhece que ela o possuía desde o ano de 1991, motivo pelo qual deve ser reconhecida a isenção ao pagamento do imposto de renda no período objeto do lançamento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 72 50 24 /2 01 3- 10 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Ronaldo de Lima Macedo, que negavam provimento ao recurso Ronaldo de Lima Macedo Presidente Lourenço Ferreira do Prado – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva, Wilson Antonio de Souza Correa, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10845.725024/201310 Acórdão n.º 2402005.172 S2C4T2 Fl. 247 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por HELENA RUDOLF SAMPAIO, em face de acórdão que entendeu por manter integralmente o lançamento no qual se verificou a ocorrência de infrações relativas a informações prestadas pela contribuinte quanto a rendimentos indevidamente considerados como isentos por moléstia grave e dedução indevida de despesas médicas. Da análise dos autos, verificase que a contribuinte deixou de impugnar o lançamento relativo à dedução de despesas médicas, o fazendo tão somente quanto a necessidade de consideração de ser portadora de moléstia grave, que lhe garante o direito à isenção do imposto de renda. A DRJ, entendeu por afastar o pleito formulado, em razão do fato de que a documentação carreada aos autos pela contribuinte, apesar de comprovar se tratar de pessoa aposentada, não se adequa aos termos da legislação que rege a matéria, pois não há comprovação da existência da doença em documento firmado por serviço médico oficial da União, Estados ou Municípios, no anocalendário objeto da autuação, mas tão somente a partir de 2013. Fora então, interposto o competente recurso voluntário, através do qual sustenta a contribuinte: 1. que é merecedora da isenção do imposto de renda, o que resta comprovado pelo “Receituário” juntado aos autos e emitido pelo Serviço de Saúde da Prefeitura de Santos, no qual o médico responsável certifica que a contribuinte se submeteu a uma operação em novembro de 1991, após ser diagnosticada com Doença de Paget, carcinoma ductal in situ. 2. é equivocado o entendimento do acórdão da DRJ no sentido de que o documento é particular, tendo em vista que o receituário é um documento de uso médico em qualquer unidade de atendimento do país, sendo que este é emitido na forma em que determinado pelos atendimentos médicos, e não da forma pela qual pretende a recorrente; 3. que referido receituário reconhece ser a mesma portadora da doença de paget desde o ano de 1991. Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 4 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. MÉRITO Reitero que no presente caso, a discussão resumese tão somente a avaliar se a condição da recorrente de isenta ao pagamento do imposto de renda, em razão de ser portadora de Câncer maligno de mama, está comprovada nos autos. Com relação ao tema, o artigo 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713, de 1988, com redação dada pelo art. 47, da Lei nº 8.541/92, preceitua o seguinte: “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: .................................................................................................. ....... XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão.” Em complemento, a Instrução Normativa SRF nº 15, de 2001, dispôs sobre o tema da seguinte forma: Fl. 84DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10845.725024/201310 Acórdão n.º 2402005.172 S2C4T2 Fl. 248 5 “Art. 5º Estão isentos ou não se sujeitam ao imposto de renda os seguintes rendimentos: [...] 1º A concessão das isenções de que tratam os incisos XII e XXXV, solicitada a partir de 1º de janeiro de 1996, só pode ser deferida se a doença houver sido reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. § 2º As isenções a que se referem os incisos XII e XXXV aplicam se aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão, quando a doença for preexistente; II do mês da emissão do laudo pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial.” Pois bem, da análise dos autos, verifico que fora carreado às fls. 80, um laudo médico datado de 18/07/2013, emitido pelo Dr. Jorge Bixir Maxta, do Instituto de Previdência Social do Servidores Municipais de Santos, o qual atesta a condição da recorrente de portadora do CID J.44 + C 50.0 (Doença de Paget), para fins da Lei 7.713/88, a partir daquela mesma data. Em seguida, às fls. 81/82 é juntado laudo médico particular do Dr. Danilo Patrão Assis, no qual também é comprovada a condição da recorrente como portadora da moléstia de Paget, laudo este que aponta que o reconhecimento da doença a partir de 1991, quando a recorrente fora submetida a cirurgia para retirada de tumor. Tal relatório fora expedido pelo mesmo médico que, em 1991, fez a cirurgia da recorrente e solicitou a realização de exame anátomopatológico (fls. 81/82), conforme se verifica do RECEITUÀRIO juntado às fls. 56 e fora emitido pela Secretaria de Saúde de Santos na data de 05/02/2013. E o referido receituário, expedido por serviço médico oficial, no caso a Secretaria de Saúde do Município de Santos, reconhece que a recorrente submeteuse a cirurgia no ano de 1991 em decorrência do diagnóstico da doença de Paget. Fato é que referido documento não atesta de forma clara o início do mal do qual a recorrente é portadora, mas reconhece que ela já o possuía no ano de 1991, o que gerou a necessidade da realização da cirurgia. Tal documento, a meu ver, em tendo sido expedido pela Secretaria de Saúde de Santos, é suficiente a demonstrar, sobretudo em conjunto com os demais documentos juntados aos autos, que a autora era portadora da moléstia grave já em Fl. 85DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 6 1991, motivo pelo qual entendo que este se adequa ao disposto no art. 5º, §2º, III, da IN 15/2001. Logo, tenho que no período objeto do lançamento, a recorrente deveria ser considerada como isenta. Ante todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720707/2014-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
BASE DE CÁLCULO DA COFINS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. RECEITAS FINANCEIRAs.
As receitas decorrentes do exercício das atividades empresariais, incluindo as receitas da intermediação financeira, compõem a base de cálculo da Cofins para as instituições financeiras e assemelhadas, nos termos do RE 585.235-1/MG.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
BASE DE CÁLCULO DA COFINS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. RECEITAS FINANCEIRAs.
As receitas decorrentes do exercício das atividades empresariais, incluindo as receitas da intermediação financeira, compõem a base de cálculo da Cofins para as instituições financeiras e assemelhadas, nos termos do RE 585.235-1/MG.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3302-003.239
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá e a Conselheira Lenisa Prado, que davam provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 BASE DE CÁLCULO DA COFINS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. RECEITAS FINANCEIRAs. As receitas decorrentes do exercício das atividades empresariais, incluindo as receitas da intermediação financeira, compõem a base de cálculo da Cofins para as instituições financeiras e assemelhadas, nos termos do RE 585.235-1/MG. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 BASE DE CÁLCULO DA COFINS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. RECEITAS FINANCEIRAs. As receitas decorrentes do exercício das atividades empresariais, incluindo as receitas da intermediação financeira, compõem a base de cálculo da Cofins para as instituições financeiras e assemelhadas, nos termos do RE 585.235-1/MG. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá e a Conselheira Lenisa Prado, que davam provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
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INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. RECEITAS FINANCEIRAs. As receitas decorrentes do exercício das atividades empresariais, incluindo as receitas da intermediação financeira, compõem a base de cálculo da Cofins para as instituições financeiras e assemelhadas, nos termos do RE 585.235 1/MG. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 BASE DE CÁLCULO DA COFINS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. RECEITAS FINANCEIRAs. As receitas decorrentes do exercício das atividades empresariais, incluindo as receitas da intermediação financeira, compõem a base de cálculo da Cofins para as instituições financeiras e assemelhadas, nos termos do RE 585.235 1/MG. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá e a Conselheira Lenisa Prado, que davam provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 07 07 /2 01 4- 05 Fl. 233DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/06 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16327.720707/201405 Acórdão n.º 3302003.239 S3C3T2 Fl. 3 2 Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente processo de Autos de Infração para constituição de créditos tributários relativos ao PIS/Pasep e à Cofins, no período de janeiro a dezembro/2011, relativos à tributação das receitas operacionais, previstas na legislação, exceto a referente às registradas na conta 7.1.7.00.009 – Rendas de Prestação de Serviços, pois já tributadas pela recorrente. Em impugnação a recorrente aduziu: 1. Ofensa à coisa julgada obtida nos autos do Recurso Extraordinário nº 405.5686 (Mandado de Segurança nº 99.00223080); 2. Que o faturamento à luz da coisa julgada obtida restringese à receita bruta da venda de bens e serviços e para as instituições financeiras corresponde às tarifas bancárias e taxas de administração de fundos, e não às receitas oriundas da intermediação financeira, como spread bancário; 3. O descabimento da multa de ofício de 75% em vista do disposto no §2º do artigo 63 da Lei nº 9.430/96 e por ter caráter confiscatório. A Terceira Turma da DRJ em Belém proferiu o Acórdão nº 0131077, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 PIS/PASEP INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. RECEITAS FINANCEIRAS. INCIDÊNCIA. A inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718, de 1998, não afeta a inclusão das receitas financeiras auferidas por instituições financeiras no conceito de faturamento para fins de incidência da contribuição para o PIS. MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A incidência de multa de ofício de 75% encontra supedâneo na legislação vigente, não possuindo a autoridade administrativa Fl. 234DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/06 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16327.720707/201405 Acórdão n.º 3302003.239 S3C3T2 Fl. 4 3 atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos que integram a legislação tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 COFINS. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. RECEITAS FINANCEIRAS. INCIDÊNCIA. A inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718, de 1998, não afeta a inclusão das receitas financeiras auferidas por instituições financeiras no conceito de faturamento para fins de incidência da COFINS. MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A incidência de multa de ofício de 75% encontra supedâneo na legislação vigente, não possuindo a autoridade administrativa atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos que integram a legislação tributária. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as razões aduzidas na impugnação, além de alegar que a decisão a ser proferida no RE 609.096 não produzirá efeitos sobre o objeto da autuação, conforme Parecer Jurídico juntado na peça recursal. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso interposto atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O argumento central da recorrente referese à observância da coisa julgada no autos do Recurso Extraordinário nº 405.5686 (Mandado de Segurança nº 99.00223080). Tal recurso foi interposto pela recorrente em face de acórdão proferido no Mandado de Segurança, que decidira pela constitucionalidade do §1º do artigo 3º e do artigo 8º, caput, da Lei nº 9.718/1998. O recurso extraordinário sustentou a inconstitucionalidade dos artigos mencionados. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/06 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16327.720707/201405 Acórdão n.º 3302003.239 S3C3T2 Fl. 5 4 A decisão, transitada em julgado em 01/03/2006, possuiu o seguinte conteúdo (efls. 109/111): "O acórdão recorrido, em mandado de segurança, decidiu pela constitucionalidade do art. 3º, § 1º, e do art. 8º, caput, da Lei 9.718/98, que dispõe sobre as contribuições para o PIS e COFINS. Rejeitaramse os embargos de declaração opostos. Daí, o RE, interposto pelas contribuintes, sustentandose, em síntese, a inconstitucionalidade dos arts. 3º, § 1º, e 8º, caput e § 1º, da Lei 9.718/98. Admitido o recurso, subiram os autos. Decido. Em 09.11.2005, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, ao apreciar os Recursos Extraordinários 346.084/PR, Relator p/ o acórdão o Sr. Ministro Marco Aurélio, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Relator o Sr. Ministro Marco Aurélio, conheceu dos recursos e deulhes parcial provimento para declarar a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, vencidos parcialmente os Srs. Ministros Cezar Peluso e Celso de Mello, que davam interpretação conforme ao caput do art. 3º. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 336.134/RS, Relator o Sr. Ministro Ilmar Galvão, decidiu pela constitucionalidade do art. 8º e § 1º da Lei 9.718/98, no que toca à majoração da alíquota de 2% para 3% e tendo em vista a compensação de até um terço com a contribuição sobre o lucro líquido CSLL, quando o contribuinte registrar lucro no exercício, o que se afirmava ofensiva ao princípio da isonomia (“DJ” de 16.5.2003). Certo é que citada majoração há de ser observada, entretanto, tendo em consideração a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. É dizer, a majoração da alíquota ocorrerá, apenas, relativamente às bases de cálculo inscritas no art. 2º da Lei Complementar 70, de 1991. Nestes termos, forte nos precedentes, dou provimento, em parte, ao recurso (CPC, art. 557, § 1ºA). Sem honorários (Súmula 512STF)” Verificase que a decisão referendou o entendimento esposado nos leading cases, reafirmando a inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. Destarte, impende discorrer sobre o alcance das decisões proferidas nos RREE nº 346.084/PR; nº 357.950/RS; nº 358.273/RS; e nº 390.840/MG, para verificar a ocorrência ou não de ofensa à coisa julgada. Passase à análise dos leading cases. No julgamento do RE 390.840/MG, o voto do Ministro relator Marco Aurélio concluiu, de forma genérica, que considerase “receita bruta ou faturamento o que decorra quer Fl. 236DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/06 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16327.720707/201405 Acórdão n.º 3302003.239 S3C3T2 Fl. 6 5 da venda de mercadorias, quer da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa”. Por sua vez, o Ministro Cezar Peluso, em votovista, considerou faturamento “entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas”, constituindo a base de cálculo da contribuição e concluiu seu voto nos seguintes termos: “Por todo o exposto, julgo inconstitucional o §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”... Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe dar interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que , a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais.” O Ministro Peluso, em esclarecimentos, enfatizou: “Sr. Presidente, gostaria de enfatizar meu ponto de vista, para que não fique nenhuma dúvida ao propósito. Quando me referi ao conceito construído sobretudo no RE 150.755, sob a expressão "receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviço", quis significar que tal conceito está ligado à idéia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas. Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de "receita bruta igual a faturamento" . Em debates, transcrevemse algumas passagens: MIN. MARCO AURÉLIO (RELATOR): “Presidente, na condição de relator, permitame aos colegas escancarar a questão versada neste processo. Houve a edição da Lei 9.718/98, sob a égide da Carta da redação anterior a Emenda Constitucional nº. 20. O artigo 3º, cabeça, dessa lei preceituou algo que se mostrou consentâneo com o Diploma Maior: “art. 3º. O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde a receita bruta da pessoa jurídica.” O Tribunal estabeleceu a sinonímia “faturamento/receita bruta”, conforme decisão proferida na ADC nº 11/DF – receita bruta evidentemente apanhando a atividade precípua da empresa. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/06 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16327.720707/201405 Acórdão n.º 3302003.239 S3C3T2 Fl. 7 6 O SR. MINISTRO CARLOS BRITO – Receita operacional. O SR. MINISTRO MARCO AURELIO (RELATOR) – Operacional. (...)” Por seu turno, o Ministro Carlos Britto assentou: “Por isso estou insistindo na sinonímia “faturamento” e “receita operacional”, exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorram da razão social da empresa, da sua finalidade institucional. Logo, receita operacional é receita bruta de tais vendas, mas não incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimentos de aplicações financeiras, indenizações, etc” Cumpre observar que, de forma geral, restou assentada a sinonímia entre faturamento e receita bruta, abrangendo o produto das atividades típicas no dizer do Ministro Cezar Peluso, ou a atividade precípua da empresa, expressão utilizada pelo Ministro Marco Aurélio, ou ainda, os ingressos que decorram da razão social da empresa, termos utilizados pelo Ministro Carlos Britto. Mencionase, corroborando tal assertiva, o julgamento do agravo regimental no RE 400.4798/RJ, que questionava, dentre outros, a inclusão dos prêmios de seguros recebidos na base de cálculo da COFINS, no qual o Ministro Peluso confirmou a jurisprudência da Suprema Corte ao proferir voto nos seguintes termos: “Seja qual for a classificação que se dê às receitas oriundas dos contratos de seguro, denominados prêmios, o certo é que tal não implica na sua exclusão da base de incidência das contribuições para o PIS e COFINS, mormente após a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98 dada pelo Plenário do STF. É que, conforme expressamente fundamentado na decisão agravada, o conceito de receita bruta sujeita à exação tributária em comento envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais.” (grifo não original) Por fim, o alcance do termo faturamento ou receita bruta abarcando a atividade empresarial típica restou assente no RE 585.2351/MG, no qual reconheceuse a repercussão geral do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, e reafirmouse a jurisprudência consolidada pela Corte Suprema nos leading cases. Transcrevese a ementa: EMENTA. RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/06 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16327.720707/201405 Acórdão n.º 3302003.239 S3C3T2 Fl. 8 7 Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, sob a Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes, na conformidade da ata de julgamento e das notas taquigráficas, por unanimidade, em resolver questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Brasília, 10 de setembro de 2008 Ministro Cezar Peluso Relator No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou: “1. O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais....”(grifei) Salientase, ainda, que a incidência de PIS e Cofins, especificamente, sobre as receitas financeiras das instituições financeiras está sendo julgada no RE 609.096/RS, no qual foi reconhecida a repercussão geral do tema, em 03/03/2011, o que implica reconhecer que a matéria não foi objeto dos julgamentos dos RREE nº 346.084/PR; nº 357.950/RS; nº 358.273/RS; e nº 390.840/MG e, conseqüentemente, ainda não foi decidida pela Suprema Corte. Frisese que no AG.REG. no AG.REG. no RE 582.258 /MG, o Ministro relator Ricardo Lewandowski, em 06/04/2010, esclareceu que a inclusão das receitas Fl. 239DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/06 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16327.720707/201405 Acórdão n.º 3302003.239 S3C3T2 Fl. 9 8 financeiras auferidas pelas instituições financeiras não se confundiam com o debate acerca da inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, conforme se depreende da ementa a seguir: EMENTA: CONSTITUCIONAL. LEGISLAÇÃO APLICADA APÓS O RECONHECIMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO SUPREMO. INCLUSÃO DAS RECEITAS FINANCEIRAS AUFERIDAS POR INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO. MATÉRIA ESPECÍFICA NÃO PREQUESTIONADA. DECISÃO DE RECONSIDERAÇÃO QUE ALTERA O CONTEÚDO DECISÓRIO E CONTRARIA AS RAZÕES DE DECIDIR DA DECISÃO RECONSIDERADA. REABERTURA DE PRAZO PARA RECORRER. AGRAVO IMPROVIDO. I O STF não tem competência para determinar, de imediato, a aplicação de eventual comando legal em substituição de lei ou ato normativo considerado inconstitucional. II A discussão sobre a inclusão das receitas financeiras auferidas por instituições financeiras no conceito de faturamento para fins de incidência da COFINS não se confunde com o debate envolvendo a constitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/989. Ausência de prequestionamento da primeira matéria, que impossibilita a análise do recurso quanto ao ponto. III Alteração da parte dispositiva de decisão, de forma a contrair ou exceder os fundamentos mantidos na decisão modificada, não configura mera correção de erro de fato, mas caracteriza nova decisão, a justificar a reabertura do prazo para recurso. IV Agravo regimental improvido.” Destarte, entendo que a declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 nos leading cases não afastou a tributação sobre as receitas oriundas do exercício das atividades empresarias típicas da base de cálculo do PIS e da COFINS, reconhecida no RE 585.2351/MG, o qual reafirmou a sujeição das receitas oriundas das atividades empresariais à incidência das contribuições. Ressaltese que a repercussão geral reconhecida no referido RE implica sua reprodução nos julgamentos administrativos no âmbito do CARF, conforme disposto no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Além disso, resta claro que o próprio STF entende que o tema específico relativo à tributação das receitas financeiras auferidas pelas instituições financeiras não foi objeto do debate sobre a inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998 travado nos leading cases, mas, pelo contrário, é tema específico do RE 609.096, submetido à repercussão geral. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/06 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16327.720707/201405 Acórdão n.º 3302003.239 S3C3T2 Fl. 10 9 De outro giro, a partir das decisões do STF, o Parecer PGFN/CAT nº 2.773/2007 abordou o conceito de serviços para as instituições financeiras e seguradoras, cujos argumentos transcrevo abaixo: “9. Com efeito o enquadramento da atividade de bancos e de seguros no setor terciário da economia (serviços) é contemplado no Acordo Geral sobre Comércio de Serviços (GATS), firmado durante a rodada de negociações multilaterais promovidas no âmbito de Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio 1994 (GATT 1994) – Rodada Uruguai, promulgada pelo Decreto nº 1.355, de 30 de dezembro de 1994. ... 31. Recentemente, o STF, ao julgar a ADI nº 2591, entendeu por submeter tais atividades à disciplina do Código de Defesa do Consumidor, em face do disposto no §2º do art. 3º da Lei 8.078, de 1990, que delimita o serviço como “qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista”. Tal decisão prestigiou a doutrina de Nelson Nery Junior, que consignou in verbis:” Todas as operações e contratos bancários se encontram sob o regime jurídico do CDC”, em detrimento daqueles que não entendem que tais serviços se submetam ao regime jurídico do CDC. 32. Dessa forma, fica claro que a atividade bancária é constituída por serviços que são disponibilizados aos clientes, dentre os quais se inclui a intermediação financeira. Efetivamente, o ponto fundamental do presente trabalho é possuir a clara avaliação do que se pode considerar serviço para fins tributários. Assim, o conceito de serviço, deve ser considerado sob o “contexto sistemático da Constituição”, que “leva à conclusão de que o conceito constitucional de serviço não coincide com o emergente da acepção comum, ordinária, desse vocábulo”. Foi Alfredo Augusto Becker – apoiado em Pontes de Miranda – quem melhor mostrou que a norma jurídica como que “deturpa” ou “deforma” os fatos, do mundo, ao erigi los em fatos jurídicos”.1 Ainda, segundo Aires Barreto, “serviço tributável é o desempenho de atividade economicamente apreciável, produtiva de utilidade para outrem, porém sem subordinação, sob regime de direito privado, com fito de remuneração”.2 33. Com efeito, o conceito de serviços não se limita àqueles assim caracterizados na legislação e na doutrina especificamente bancárias, na qual as atividades da instituições financeiras, em geral, discriminadas entre operações bancárias (em síntese, relacionadas à intermediação financeira) e serviços bancários (estes, em síntese, relacionados à prestação direta de 1 Barreto, Aires F. in ISS – Atividades‑Meio e Serviço‑Fim. Revista Dialética de Direito Tributário, p. 78, nº 5, fevereiro, 1996, citado por Karla Patrícia de Castro Almeida ‑ Direito Tributário – Estudos em Homenagem a Hugo de Brito Machado, Fortaleza, Imprensa Universitária, 2003, p. 160. 2 Op. Cit., p. 160. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/06 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16327.720707/201405 Acórdão n.º 3302003.239 S3C3T2 Fl. 11 10 serviços pelas instituições a seus usuários, clientes ou não, e normalmente remunerados sob a forma de tarifas). 35. Tal conceito (de serviços) compreende a totalidade das atividades desenvolvidas pelas instituições financeiras em torno do seu objeto social legalmente tipificado – ou seja, compreendendo tanto as “operações” quanto os “serviços” bancários/financeiros, como caracterizado no item 5 do Anexo sobre Serviços Financeiros do Acordo Geral sobre Comércio de Serviços (GATS), firmado na Rodada Uruguai do GATT (1994) e promulgado pelo Decreto nº 1.355, de 30 de dezembro de 1994. (...) 50. Nesse passo, temos que a natureza jurídica dos serviços de intermediação financeira não é diferente da natureza jurídica de quaisquer outros serviços colocados, pelas instituições financeiras, à disposição de seus clientes. Ontologicamente a única diferença é a forma como se aufere a receita proveniente de tais serviços. 51. De fato, a receita auferida pelos serviços de fornecimento de talão de cheques, extratos, compensação de cheques, etc., é proveniente de pagamentos diretos feitos pelos clientes (por meio do débito automático de tarifas correspondentes nas contas de depósito dos mesmos). Por outro lado, as receitas provenientes dos serviços de intermediação ou aplicação de recursos são decorrentes exatamente de tais transações, ou seja, correspondem à diferença apurada entre os valores originariamente aplicados, o seu rendimento, e o valor que contratualmente deve ser devolvido ao aplicador ao final da operação, o que se convencionou chamar de spread, como já demonstrado. (...) 66. Em face dos argumentos acima expendidos, concluise que: (...) f) no caso da COFINS o conceito de receita bruta é o contido no art. 2º da LC nº 70, de 1991, isto é, as receitas advindas da venda de mercadorias e da prestação de serviços; g) no caso do PIS o conceito de receita bruta é o contido no art. 1º da Lei nº 9.701, de 1998; h) serviços para as instituições financeiras abarcam as receitas advindas da cobrança de tarifas (serviços bancários) e das operações bancárias (intermediação financeira); i) serviços para as seguradoras abarcam as receitas advindas do recebimento dos prêmios; (...) Fl. 242DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/06 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16327.720707/201405 Acórdão n.º 3302003.239 S3C3T2 Fl. 12 11 66. Têmse, então, que a natureza das receitas decorrentes das atividades do setor financeiro e de seguros pode ser classificada como serviços para fins tributários, estando sujeita à incidência das contribuições em causa, na forma dos arts. 2º, 3º, caput e nos §§5º e 6º do mesmo artigo, exceto no que diz respeito ao ‘plus’ contido no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, considerado inconstitucional por meio do Recurso Extraordinário 357.9509/RS e dos demais recursos que foram julgados na mesma assentada.” Percebese que as conclusões obtidas no Parecer PGFN/CAT nº 2.773/2007 se coadunam com o entendimento exarado no RE 585.2351/MG, e prestigiam o princípio da universalidade na manutenção da seguridade social (art. 195, caput da Constituição Federal) e da capacidade contributiva (art. 145, §1º da Constituição Federal), revelando, pois, legítimas as incidências de PIS e Cofins sobre as receitas oriundas das atividades empresariais dos contribuintes. Neste sentido, citamse julgados de outras turmas deste Conselho em processos da própria recorrente, a saber: Acórdão nº 3403003.522: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. AUSÊNCIA DE INCLUSÃO NA DISCUSSÃO SOBRE A CONSTITUCIONALIDADE DO § 1o DO ART. 3o DA LEI no 9.718/1998. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP em relação a instituições financeiras, em virtude de sua atividade, é obtida pela aplicação do disposto nos arts. 2o e 3o, caput da Lei no 9.718/1998, aplicadas as exclusões e deduções gerais e específicas previstas nos §§ 5o e 6o do referido art. 3o. A discussão sobre a inclusão das receitas auferidas por instituições financeiras no conceito de faturamento, para fins de incidência da Contribuição para o PIS/PASEP, não se confunde com o debate envolvendo a constitucionalidade do § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/1998, como já reconheceu o STF. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2007 COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. AUSÊNCIA DE INCLUSÃO NA DISCUSSÃO SOBRE A CONSTITUCIONALIDADE DO § 1o DO ART. 3o DA LEI no 9.718/1998. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/06 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16327.720707/201405 Acórdão n.º 3302003.239 S3C3T2 Fl. 13 12 A base de cálculo da COFINS em relação a instituições financeiras, em virtude de sua atividade, é obtida pela aplicação do disposto nos arts. 2o e 3o, caput da Lei no 9.718/1998, aplicadas as exclusões e deduções gerais e específicas previstas nos §§ 5o e 6o do referido art. 3o. A discussão sobre a inclusão das receitas auferidas por instituições financeiras no conceito de faturamento, para fins de incidência da COFINS, não se confunde com o debate envolvendo a constitucionalidade do § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/1998, como já reconheceu o STF. Acórdão nº 3301002.761: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 TEMPESTIVIDADE VÍCIO DE REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL Conhecido o Recurso, uma vez que o vício de representação processual foi sanado em prazo razoável. ASSUNTO: Contribuição para o Programa de integração Social PIS e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS Anoscalendário: 2005, 2006, 2007 e 2008 DESRESPEITO À COISA JULGADA CONCEITO DE FATURAMENTO INCONStITUCIONALIDADE DO § 1° do ART. 3° DA LEI N° 9.718/98 Não houve afronta à coisa julgada inconstitucionalidade da ampliação das bases de cálculo do PIS e da COFINS pelo § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98 pois as receitas financeiras são típicas da atividade fim das instituições financeiras e, portanto, componentes do seu faturamento. FATURAMENTO PARA AS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS RECEITA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS LC 116/03 A tipificação dos bens e serviços foi posta em segundo plano pelo STF, posto que, para ser sofrer a incidência das contribuições, basta que a receita seja decorrente do objeto social da pessoa jurídica. DIREITO À COMPENSAÇÃO DE VALOR RECOLHIDO A MAIOR COM A CONTRIBUIÇÃO DEVIDA Fl. 244DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/06 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16327.720707/201405 Acórdão n.º 3302003.239 S3C3T2 Fl. 14 13 Deve ser admitida a compensação dos valores pagos a maior, à luz do princípio da verdade material, comum ao Procedimento e Processo Administrativo Tributário. MULTA DE OFÍCIO VALORES NÃO DECLARADOS EM DCTF INCONSTITUCIONAL, DADO AO CARÁTER CONFISCATÓRIO Aplicável a multa de ofício sobre os valores apurados no curso da ação fiscal, não declarados na DCTF. Não compete ao CARF pronunciarse sobre inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito tributário Mantido em Parte Citase, também, decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF – que negou provimento a recurso especial do contribuinte no Acórdão nº 9303002.934, processo 10675.720829/201023, julgado em 04/06/2014, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2004 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Concluise, portanto, que as receitas decorrentes das atividades empresariais típicas das instituições financeiras se sujeitam à incidência do Pis e da Cofins. Quanto à aplicação da multa de ofício, deixo de conhecer o argumento relativo ao caráter confiscatório, por implicar a inconstitucionalidade do artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, o que não pode ser suscitado no âmbito deste Conselho, a teor da Súmula CARF nº 02. Afasto, ainda, a aplicação do artigo 63 da Lei nº 9.430/1996, por entender não haver suspensão da exigibilidade em relação ao crédito lançado, pelas razões já expostas anteriormente sobre o alcance da coisa julgada obtida pela recorrente. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/06 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16327.720707/201405 Acórdão n.º 3302003.239 S3C3T2 Fl. 15 14 Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 246DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/06 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 11516.002226/2007-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3202-000.127
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
RESOLVEM os membros do colegiado, por voto de qualidade, sobrestar o processo. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Junior e Adriene Maria de Miranda Veras.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Adriene Maria de Miranda Veras.
Nome do relator: Não se aplica
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HABILITAÇÃO DE CRÉDITO DECORRENTE DE DECISÃO JUDICIAL CUMULADO COM PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. Recorrente ASB PARTICIPAÇÕES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, RESOLVEM os membros do colegiado, por voto de qualidade, sobrestar o processo. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Junior e Adriene Maria de Miranda Veras. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Adriene Maria de Miranda Veras. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “Trata o presente processo de pedido de habilitação de crédito reconhecido em ação judicial, seguido da apresentação de Declarações de Compensação DCOMP destinadas compensação de parte daquele crédito com débitos da contribuinte. Na ação judicial, a contribuinte buscava o reconhecimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da COFINS trazida pela Lei n. ° 9.718/1998, com o fim de ver afastadas da incidência desta contribuição social as receitas financeiras que obtinha com suas atividades de factoring. No provimento judicial, houve a declaração da inconstitucionalidade da referida majoração, o que se deu com base no expurgo do parágrafo 1º do artigo 3º da Lei n.° 9.718/1998. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .0 02 22 6/ 20 07 -3 6 Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.002226/200736 Resolução nº 3202000.127 S3C2T2 Fl. 1.131 2 Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal em Florianópolis/SC pela não homologação das compensações (Despacho Decisório juntado às folhas 173 a 178), fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado. Como afirma a autoridade fiscal, a decisão judicial, ao reconhecer a inconstitucionalidade do parágrafo 1. 0 do artigo 3.° da Lei n.° 9.718/1998, o fez sem prejuízo da validade do caput do referido artigo e dos demais dispositivos da Lei n. ° 9.718/1998. Assim, a partir de 01/02/1999, a tributação a titulo de COFINS deveria ser efetuada sobre a receita bruta ou faturamento da empresa, compreendendo os valores obtidos na venda de mercadorias, na venda de mercadorias e serviços e na venda de serviços, não se considerando as receitas de natureza diversa da atividade da empresa. Nestes termos, como a contribuinte exerce as atividades de crédito, financiamento e investimento atividades estas próprias de uma empresa financeira , sua receita para fins de incidência da COFINS incluiria as receitas financeiras, o que tornaria inexistente o crédito pleiteado no presente processo, posto que composto de valores que teriam sido indevidamente recolhidos em face da inclusão, na base de cálculo da contribuição, das retromencionadas receitas financeiras. Irresignada com a não homologação de suas compensações, encaminhou a contribuinte, por meio de seu procurador mandato à folha 200 , a manifestação de inconformidade às folhas 194 a 199, na qual afirma que o despacho decisório da DRF/Florianópolis/SC busca reformar o que foi decidido no acórdão da decisão judicial. Entende que a autoridade fiscal, ao trazer à baila as definições de receita bruta pautadas no artigo 184 da Lei n. ° 6.404/1976 e na Circular n.° 1.237/1987 do Banco Central do Brasil, afrontou a decisão do Tribunal Regional Federal, que já havia decidido qual o conceito de receita bruta a ser utilizado. Alega que, enquanto a decisão judicial estabelece que "o conceito de receita bruta ou faturamento deve ser entendido como o que decorrer da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços ou venda de serviços. Receitas de naturezas diversas não podem integrar a base de cálculo da contribuição em comento", a autoridade fiscal afirma que "as receitas oriundas do exercício da sua atividade, incluise, por conseqüência, as receitas financeiras", o que evidenciaria que a DRF/Florianópolis/SC estaria pretendendo reformar o decisum judicial. Segue afirmando que, entre a decisão de primeira instância e a decisão do TRF esta prolatada em face da remessa oficial , só houve modificação em relação ao reconhecimento da prescrição das parcelas recolhidas anteriormente a 28/08/2001 (pelo acatamento da aplicação, in casu, do artigo 3.° da Lei Complementar n.° 118/2005), tendo sido integralmente mantida a decisão no que se refere à base de cálculo da COFINS. Defende que com o expurgo do parágrafo 1. 0 do artigo 3.° da Lei n.° 9.718/1998 pelo Poder Judiciário, restou afastada a aplicação da Lei n. ° 9.718/1998 para a cobrança da COFINS, com a conseqüente determinação da aplicação da legislação anterior, a Lei Complementar n.° 70/1991, ato legal este que expressamente comanda que as instituições financeiras não estão sujeitas àquela contribuição. Por fim, alega que a autoridade fiscal teria cometido mais um equívoco ao eleger a receita operacional como fato gerador da COFINS, já que o nosso direito positivo não traria tal comando. Em resumo, a contribuinte pede a reforma do despacho decisório, em face de que se contrapõe aos termos da decisão judicial transitada em julgado e se funda em fato gerador não previsto em lei.” Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.002226/200736 Resolução nº 3202000.127 S3C2T2 Fl. 1.132 3 A DRJFlorianópolis/SC julgou improcedente a manifestação de inconformidade (fls.222/227), não reconhecendo o direito creditório pleiteado, nos termos da ementa adiante trasncrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO PAR. 1.° DO ART. 3.° DA LEI N.° 9.718/1998. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. A declaração de inconstitucionalidade do parágrafo 1º do artigo 3.° da Lei n.° 9.718/1998, não prejudica a aplicação do caput do referido artigo e dos demais dispositivos da Lei n.° 9.718/1998. Assim, a partir de 01/02/1999, a tributação a título de COFINS deve ser efetuada sobre a receita bruta ou faturamento da empresa, compreendendo os valores obtidos na venda de mercadorias, na venda de mercadorias e serviços e na venda de serviços, não se considerando as receitas de natureza diversa da atividade da empresa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário perante este Colegiado (fls. 237/248), alegando, em síntese: que a interpretação dada pela decisão recorrida à sentença transitada em julgado agride o vernáculo; que a sentença definiu que a legislação aplicável ao caso é aquela anterior à Lei nº. 9.718/98, qual seja, a Lei Complementar n° 70/91; já o acórdão recorrido pretende a aplicação da Lei nº. 9.718/98, apenas alterandolhe o significado das palavras; e que pretender que receita de natureza diversa da venda de mercadorias, mercadorias e serviços ou serviços seja fato gerador da COFINS é uma violação evidente da coisa julgada. Ao final, requereu a reforma da decisão recorrida, com a homologação da compensações efetuadas. Em sessão realizada em 25/10/2012, esta Turma julgadora decidiu converter o julgamento em diligência, para que fosse esclarecida a natureza das receitas financeiras que compunham o crédito pretendido pela contribuinte, bem como fosse esclarecido se a contribuinte exercia atividades de factoring e se as receitas auferidas se constituíam na diferença auferida entre o valor de aquisição e o valor de face dos títulos/direitos adquiridos pela interessada. Cumprida a diligência requerida, foi expedida a Informação Fiscal nº. 16/2013, constante às fls. 1.074/1.077. Sobre o resultado da diligência manifestouse a contribuinte, às fls. 1.105/1.118. Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.002226/200736 Resolução nº 3202000.127 S3C2T2 Fl. 1.133 4 É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. Primeiramente, é de se esclarecer que, como resultado da diligência requerida por esta Turma, restou firmado que, diferentemente do alegado pela decisão administrativa de primeira instância, a contribuinte não realizou qualquer operação de factoring no período que ora se analisa (do ano de 2002 ao ano de 2006), conforme consta da Informação Fiscal nº. 16/2013 (fls. 1.074/1.077). Vejase: “ (...) Respondendo objetivamente ao questionamento do CARF, não foram encontradas evidências de operações de factoring por parte do contribuinte nos anos examinados. As DIPJs contidas no sistema identificam uma sociedade de crédito, financiamento e investimento cujas receitas advêm de empréstimos, financiamentos, aplicações financeiras e, a partir de 2005, também da prestação de serviços. A escrituração contábil espelha essa realidade. No balanço de dezembro/05, a conta de Ativo 1.6.1.20.00 ("empréstimos") indica que a grande maioria dos recursos da empresa estava aplicada na concessão de empréstimos pessoais, algumas vezes garantidos por veículos. As constatações obtidas pelo exame dos assentamentos contábeis do ano de 2005 também valem para os outros períodos analisados. Nos anos verificados, a empresa estava autorizada pelo Banco Central a trabalhar com carteiras de crédito imobiliário e de crédito, financiamento e investimento (Certificado de Autorização nº 59987370000197, de 31/01/91, dado ao então Banco ASB S.A.). Sua natureza jurídica era, pois, de instituição financeira, não de empresa de factoring, cuja natureza é, reconhecidamente, mercantil.” A questão a ser dirimida nesta lide, portanto, diz respeito ao exato alcance do Acórdão, transitado em julgado em 04/06/2007, proferido pelo TRF/4ª Região, quando da remessa ex officio nos autos do Mandado de Segurança nº 2006.72.00.0094854/SC (fls. 213/219). O cumprimento da decisão judicial em si não é a razão do litígio, vez que ambas as partes concordam que o Acórdão transitado em julgado deve ser cumprido. O que se mostra divergente é a interpretação do comando proferido naquela decisão. Defende a autoridade julgadora de primeira instância, bem como a autoridade fiscal, que o julgado teria apenas afastado a aplicação do dispositivo o qual considerou inconstitucional, ou seja, o §1º do art. 3º da Lei nº. 9.718/98, restando incólumes as disposições do caput e do §2º do mesmo artigo, o que autorizaria o entendimento de que a base de cálculo da COFINS seria a receita operacional bruta, ou seja, estariam aí inclusas as receitas auferidas relativas às atividadesfim da contribuinte, o que importaria na inclusão das receitas financeiras auferidas pelas instituições financeiras. Por outro lado, alega a recorrente que tal interpretação estaria a infringir a coisa julgada, visto que a sentença proferida em primeira instância, corroborada pela 1ª Turma do TRF/4ª Região nesta parte, teria determinado a aplicação da legislação anterior à Lei nº. Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.002226/200736 Resolução nº 3202000.127 S3C2T2 Fl. 1.134 5 9.718/98, qual seria, a Lei Complementar nº. 70/1991, a qual determina que a Cofins deve incidir sobre o faturamento mensal, considerado este como a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Quanto à matéria, temse que o voto condutor do referido Acórdão transitado em julgado é taxativo ao afirmar que o conceito de receita bruta ou faturamento deve ser entendido como o que decorrer da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços ou da venda de serviços, conforme consta, inclusive, da ementa do referido julgado. Vejase: COFINS. PRESCRIÇÃO. LC Nº. 118/2005. ALTERAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. O disposto no artigo 3º da LC nº. 118/2005 se aplica tãosomente às ações ajuizadas a partir de 09 de junho de 2005, já que não pode ser considerado interpretativo, mas, ao contrário, vai de encontro à construção jurisprudencial pacífica sobre o tema da prescrição havida até a publicação desse normativo. Tendo a ação sido ajuizada em 28 de agosto de 2006, posteriormente à entrada em vigos da Lei Complementar nº. 118/2005, restam prescritas as parcelas anteriores a 28 de agosto de 2001. O Supremo Tribunal Federal entendeu que o §1º do artigo 3º da Lei nº. 9.718, alterando as Leis Complementares nºs 07 e 70, ampliou a base de cálculo da contribuição criando nova fonte de custeio da seguridade, o que somente pode ser feito por meio de lei complementar, nos termo do parágrafo 4º do artigo 195 do texto constitucional. O conceito de receita bruta ou faturamento deve ser entendido como o que decorrer da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços ou da venda de serviços. Receitas de naturezas diversas não podem integrar a base de cálculo da contribuição em comento. Não se diga que a edição da emenda constitucional nº. 20 convalidou a Lei nº. 9.718/98. Isso porque tratase de lei com vício de origem, ao contrário do que ocorre com as normas anteriores ao novo diploma constitucional que por ele são recepcionadas. (grifo não constante do original) Se é certo que a referida decisão judicial definiu o que deve ser considerado como faturamento, para fins de tributação da Cofins, também é certo que não definiu o que deve ser considerado como “venda de serviços” ou “venda de mercadorias” quando se trata de uma instituição financeira. Tal questão, que, vista de relance, poderia parecer ser de simples solução, mostrase, de fato, de extrema complexidade, em razão do caráter peculiar de que se revestem as receitas financeiras auferidas pelas instituições financeiras, que desenvolvem atividades distintas das empresas comerciais e, por tal razão, não podem ser a estas equiparadas, como bem salientou o TRF/3ª Região, quando do julgamento da Apelação Cível nos autos do processo nº 002662053.2006.4.03.6100/SP. Vejase: MANDADO DE SEGURANÇA. TRIBUTÁRIO. PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. CONCEITO DE FATURAMENTO. LEI N. 9.718/1998, ART. 3º, § 1º. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. PRESCRIÇÃO. Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.002226/200736 Resolução nº 3202000.127 S3C2T2 Fl. 1.135 6 1. A teor do disposto no art. 14, § 1º, da Lei nº 12.016/2009 (antigo art. 12, § único, da Lei nº 1.533/1951), a sentença concessiva da segurança sujeitase ao duplo grau de jurisdição obrigatório. 2. Firmouse o entendimento segundo o qual, anteriormente à vigência da Lei complementar nº 118/2005, ou seja, antes de 09/06/2005, o prazo prescricional para restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação é de 10 (dez) anos, contados da data do pagamento indevido, devendo ser aplicadas as disposições da indigitada norma que, a teor do seu artigo 3º, prevê o prazo prescricional quinquenal , tãosomente aos feitos ajuizados após a respectiva vigência. 3. Em que pese o reconhecimento, pelo Supremo Tribunal Federal, no Recurso Extraordinário 346.084/PR, da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998 (publicação em 28.11.98), o fato é que o conceito de faturamento das instituições financeiras continuou ausente nos demais parágrafos do apontado dispositivo, inclusive nos §§ 5º e 6º, que disciplinam especificamente o recolhimento do PIS e da COFINS por aquele tipo de contribuinte. 4. Instituições financeiras são aquelas que visam a captação, a intermediação e a aplicação de recursos financeiros. Pareceme acertado considerar que as receitas financeiras estão incluídas na receita operacional bruta de bancos e entidades equiparadas, dadas as profundas inovações pelas quais o sistema financeiro mundial vem passando desde a década de 1970, com tendência, inclusive, para o que se chama de "universalização dos bancos". 5. Os beneficiários dessa situação, que o próprio Kafka, em sua criação literária de uma sociedade totalitária e impessoal, teria sido incapaz de imaginar, são os bancos e os investidores financeiros externos e internos, que se alimentam dos serviços da dívida pública brasileira, sob beneplácito da política econômica. Tudo isso se passa, porém, sob o disfarce de duas necessidades: acumular reservas para evitar a valorização do Real, de modo a não desestimular as exportações; e enxugar a expansão dos meios de pagamento de modo a conter pressões inflacionárias. 6. Neste cenário, parece claro que, para as instituições financeiras, aplicar seus recursos em títulos públicos, no mercado de derivativos e em outras formas de investimento passou a ser parte de uma estratégia comercial, como forma de adaptação ao mercado financeiro mundial. 7. Para o faturamento dos bancos e similares, as receitas financeiras tornaramse tão ou mais importantes do que as operações convencionais de captação e intermediação de crédito. Enquanto para as empresas comuns as aplicações financeiras são uma garantia contra a desvalorização da moeda ou forma de angariar recursos adicionais, para as instituições financeiras elas consistem numa opção mercadológica de obter maiores lucros com os recursos disponíveis. Assim, estando inseridas na atividadefim dos bancos, não há como ignorar que as receitas financeiras também integram o seu faturamento e, nesta condição, devem ser incluídas na base de cálculo da COFINS . Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.002226/200736 Resolução nº 3202000.127 S3C2T2 Fl. 1.136 7 8. Não vislumbro inconstitucionalidade da Lei 9.718/98 na parte em que cuida da matéria referente ao faturamento ou receita bruta das instituições financeiras e entidades equiparadas. Diante da imposição legal da COFINS às instituições financeiras, por força da Lei 9.718/98, fica derrogada a isenção anteriormente prevista no parágrafo único do art. 11 da Lei Complementar 70/91, até mesmo porque não há exigência constitucional de lei complementar para disciplinar esta matéria, conforme pacífica jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. 9. Apelação da União e remessa oficial, tida como ocorrida, providas. Recurso adesivo improvido. (3ª Turma. Rel. Rubens Calixto. Julgamento em 20/07/2012) (grifo não constante do original) Tanto assim o é que o tema encontrase sob a análise do Supremo Tribunal Federal, o qual decidiu pela sua repercussão geral nos autos do Recurso Extraordinário nº 609.096, leading case do tema sob o número 372, conforme consulta formulada no site do STF. A confirmar o sobrestamento dos processos judiciais sobre o tema, o despacho decisório do Min. Ricardo Lewandowski, em 10/06/2011, no RE 609.096 (consulta ao site do STF, com negrito ora acrescentado): Federação Brasileira dos Bancos – FEBRABAN requer seu ingresso neste recurso extraordinário na condição de amicus curiae, bem como “a suspensão de todos os processos que tramitam em primeiro e segundo graus de jurisdição, que versem sobre a questão constitucional debatida nestes autos” (fl. 666). No caso, tratase de recursos extraordinários interpostos pela União e pelo Ministério Público Federal contra acórdão que entendeu que as receitas financeiras das instituições financeiras não se enquadram no conceito de faturamento para fins de incidência da COFINS e da contribuição para o PIS. Esta Corte reconheceu a existência de repercussão geral do tema versado neste recurso. Transcrevo a ementa: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. COFINS E CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. INCIDÊNCIA. RECEITAS FINANCEIRAS DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. CONCEITO DE FATURAMENTO. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL” (fl. 1.054). É o breve relatório. Decido. De acordo com o § 6º do art. 543A do Código de Processo Civil: “O Relator poderá admitir, na análise da repercussão geral, a manifestação de terceiros, subscrita por procurador habilitado, nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal”. Por sua vez, o § 2º do art. 323 do RISTF assim disciplinou a matéria: Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.002226/200736 Resolução nº 3202000.127 S3C2T2 Fl. 1.137 8 “Mediante decisão irrecorrível, poderá o(a) Relator(a) admitir de ofício ou a requerimento, em prazo que fixar, a manifestação de terceiros, subscrita por procurador habilitado, sobre a questão da repercussão geral”. A esse respeito, assim se manifestou o eminente Min. Celso de Mello, Relator, no julgamento da ADI 3.045/DF: “a intervenção do amicus curiae, para legitimarse, deve apoiarse em razões que tornem desejável e útil a sua atuação processual na causa, em ordem a proporcionar meios que viabilizem uma adequada resolução do litígio constitucional”. Verifico que a requerente atende aos requisitos necessários para participar desta ação na qualidade de amicus curiae. Quanto ao pedido de suspensão dos processos que tratam da mesma matéria versada nesses autos que tramitam em primeiro e segundo graus, entendo que não merece acolhida. É que os arts. 543B do CPC e 328 do RISTF tratam do sobrestamento de recursos extraordinários interpostos em razão do reconhecimento da repercussão geral da matéria neles discutida, e não de ações que ainda não se encontram nessa fase processual. Além disso, uma vez que esta Corte já reconheceu a repercussão geral da matéria aqui debatida, os recursos extraordinários que versam sobre o mesmo assunto ficarão sobrestados, na origem, por força do próprio art. 543B do CPC. Isso posto, defiro o pedido de ingresso da FEBRABAN na qualidade de amicus curiae e indefiro o pedido de suspensão requerido. Por sua vez, temse que o Regimento Interno do CARF, em seu anexo II, determina o sobrestamento para a hipótese em tela, na forma do § 2º do art. 62A, que dispõe o seguinte: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Por fim, observese que a base de cálculo da Cofins em relação às instituições financeiras, tendo como fundamento a definição de faturamento constante da Lei Complementar nº. 70/91, também é objeto dos Embargos de Declaração no RE nº 400479, com julgamento afetado ao Plenário do STF. Referindose a este Extraordinário (no qual não foi Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.002226/200736 Resolução nº 3202000.127 S3C2T2 Fl. 1.138 9 decidida repercussão geral), a Min. Carmen Lúcia prolatou a seguinte decisão, antes de decidida a repercussão geral no RE nº 609096 (Agravo Regimental no RE 574902, decisão monocrática em 07/12/2010): DESPACHO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E À COFINS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. CONCEITO DE FATURAMENTO. ART. 195, INC. I, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA (REDAÇÃO ORIGINÁRIA). PENDENTE DE JULGAMENTO O RECURSO EXTRAORDINÁRIO 400.479. IDENTIDADE DE MATÉRIA. RECURSO SOBRESTADO. 1. Discutese no recurso extraordinário, entre outros temas, a sujeição da Instituição financeira Recorrente à incidência da contribuição ao PIS e à COFINS, tendo como base de cálculo o faturamento definido na Lei Complementar 70/91. 2. A matéria em debate também é objeto do Recurso Extraordinário n. 400.479, Relator o Ministro Cezar Peluso, cujo julgamento está em curso no Plenário deste Supremo Tribunal. Nele será definido o conceito de faturamento previsto no art. 195, inc. I, da Constituição da República (redação originária). Ainda que o processo afetado ao Plenário tenha como parte uma seguradora, ficou claro no voto do Relator que a tese definida por este Supremo Tribunal repercutirá na forma de tributação das instituições financeiras. Nos termos do voto do Relator: “o que se estaria a esclarecer seria apenas a submissão de determinadas receitas, independentemente do setor de atuação empresarial, a um conceito bastante claro de faturamento, sem retroceder à inconstitucional ampliação da base de cálculo promovida pela Lei 9.718/98” (Informativo n. 556). 3. Pelo exposto, determino o sobrestamento deste feito até o julgamento dos Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Recurso Extraordinário n. 400.479. (grifo não constante do original) Diante desse quadro, impõese o sobrestamento do presente julgamento, e com isso não vislumbro qualquer ofensa à coisa julgada, visto que, no meu entendimento, considerar que as receitas financeiras não se incluem na base de cálculo da Cofins, pretendendose, assim, o cumprimento da decisão judicial, importaria em dizer que preditas receitas, no caso das instituições financeiras, não são receitas decorrentes da prestação de serviços, o que extrapolaria, em verdade, a coisa julgada formada. Assim, diante do exposto, com fundamento no §2º do art. 62A do Anexo II do RICARF, voto por SOBRESTAR O PRESENTE JULGAMENTO, até decisão ulterior definitiva do STF acerca da definição da base de cálculo das instituições financeiras, quando excluído o alargamento estabelecido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Alerto à Secretaria da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF que o presente processo somente deverá retornar a esta Turma, para julgamento, após o trânsito em julgado da decisão prolatada pelo Colendo Superior Tribunal Federal. Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.002226/200736 Resolução nº 3202000.127 S3C2T2 Fl. 1.139 10 É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 15224.000541/2006-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 29/03/2006
IMPORTAÇÃO. EXTRAVIO DE MERCADORIAS. RESPONSABILIDADE PELOS TRIBUTOS E MULTAS. TRANSPORTADOR. CABIMENTO.
A verificação do extravio de mercadoria importada, devidamente apurado em procedimento próprio, acarreta a responsabilidade do transportador pelos tributos devidos e multas administrativas correspondentes, quando detectada a descarga de volumes avariados, com indícios de violação ou divergências entre o peso/dimensão em relação ao manifesto de carga ou documento equivalente.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-003.124
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Houve sustentação oral do advogado Douglas S. A. Domingues, OAB/RJ nº 198.453.
Robson José Bayerl Presidente substituto e relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Waltamir Barreiros, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Houve sustentação oral do advogado Douglas S. A. Domingues, OAB/RJ nº 198.453. Robson José Bayerl Presidente substituto e relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Waltamir Barreiros, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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EXTRAVIO DE MERCADORIAS. RESPONSABILIDADE PELOS TRIBUTOS E MULTAS. TRANSPORTADOR. CABIMENTO. A verificação do extravio de mercadoria importada, devidamente apurado em procedimento próprio, acarreta a responsabilidade do transportador pelos tributos devidos e multas administrativas correspondentes, quando detectada a descarga de volumes avariados, com indícios de violação ou divergências entre o peso/dimensão em relação ao manifesto de carga ou documento equivalente. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Houve sustentação oral do advogado Douglas S. A. Domingues, OAB/RJ nº 198.453. Robson José Bayerl – Presidente substituto e relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Waltamir Barreiros, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 22 4. 00 05 41 /2 00 6- 84Fl. 148DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL 2 Relatório Cuidase de auto de infração para exigência dos tributos e multas devidos pelo extravio de mercadoria apurado em procedimento de Vistoria Aduaneira, cuja descrição dos fatos tomo por empréstimo da decisão de piso, verbis: “Na descrição dos fatos (fl. 03), o autuante informa que a empresa Nokia do Brasil Tecnologia Ltda, solicitou à fiscalização aduaneira, por meio do processo administrativo nº 15224.000375/200616, a realização de Vistoria Aduaneira referente à carga amparada pelo conhecimento aéreo 549.1155.0980MIA14037882, que, por ocasião do armazenamento, havia sido registrada pelo depositário no Sistema Integrado de Gerência do Manifesto, do Trânsito e do Armazenamento (Mantra), com as avarias: "A" divergência de peso e "C" amassado, informação avalizada pelo transportador na ocasião, e que os registros do peso bruto da mercadoria feitos no mesmo sistema pelo transportador e depositário são divergentes, o primeiro informou 1.345,0 kg, conforme o constante no conhecimento aéreo, enquanto o segundo informou 1.322,0 kg. O fiscal ainda narra que em 29/03/06 compareceram os representantes do importador, do transportador e do depositário à conferência dos volumes armazenados na Infraero e que foi constatado que, dos três volumes da carga, um encontravase intacto e os outros dois com suas respectivas tampas amassadas e quebradas e que, apesar das avarias nestes dois, os três volumes encontravamse devidamente fechados, pregados e lacrados com cintas de metal. O volume que estava intacto, ao ser aberto, continha 14.400 unidades de baterias de lítio, de acordo com a fatura apresentada pelo importador. Os outros dois volumes estavam repletos de sacos de areia de procedência estrangeira quando deveriam conter, segundo a fatura e packing list, o primeiro: 14.400 e o segundo: 20.160 unidades de baterias de lítio, classificadas no código 8507.80.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Apesar de tais volumes estarem com suas respectivas tampas amassadas e quebradas, não foi detectada forma alguma de introdução dos sacos de areia entre os vãos produzidos nos volumes pelas quebras dos mesmos, muito menos havia indícios de que as mercadorias que ali se encontravam terem sido introduzidas nestes volumes no interior do armazém da Infraero.” Em impugnação o contribuinte argumentou que em momento algum fraudou a mercadoria que lhe foi confiada para transporte; que a fatura do cliente, nada obstante descrever a mercadoria que, em tese, fora entregue, não poderia ser tomado como único e exclusivo documento a afirmar a ocorrência do extravio; que não pode ser responsabilizado pelo extravio se este supostamente ocorreu antes da entrega da mercadoria no veículo para transporte; e, que jamais substituiu as mercadorias importadas por sacos de areia, como reconhecido pelo próprio autuante. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 15224.000541/200684 Acórdão n.º 3401003.124 S3C4T1 Fl. 11 3 A DRJ Fortaleza/CE julgou improcedente a impugnação mediante decisão assim ementada: “TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE POR EXTRAVIO. O responsável pelo extravio, identificado pela autoridade aduaneira em regular procedimento formal, deve indenizar a Fazenda Nacional do valor dos tributos que, em consequência, deixarem de ser recolhidos, sendo que, para efeitos fiscais, os transportadores respondem pelo conteúdo dos volumes, quando ficar apurado ter havido, após o embarque, substituição de mercadoria; houver falta de mercadoria em volume descarregado com indícios de violação; o volume for descarregado com peso ou dimensão inferior ao manifesto ou documento de efeito equivalente, ou ainda do conhecimento de carga.” Em recurso voluntário o contribuinte arguiu a impossibilidade de se presumir o extravio da mercadoria identificada pelo conhecimento de carga, ao passo que a mercadoria descrita sequer fora embarcada ou entrara no território nacional;.que não é obrigado a verificar a carga por ocasião de seu embarque, por força do disposto no Decreto nº 5.910/2006; que são inocorrentes os fatos geradores do imposto de importação e multa correspondente, justamente porque as mercadorias nunca ingressaram no território nacional; e, que inexiste norma que atribua a responsabilidade do transportador pelo pagamento do imposto sobre produtos industrializados; É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Preambularmente, registro que o recurso sub examine arregimenta matérias não expressamente deduzidas em impugnação, tais como a inocorrência do fato jurídico imponível dos tributos e multas respectivas, a efetiva entrada da mercadoria descrita no território nacional ou mesmo a atribuição de responsabilidade legal ao transportador, o que vai de encontro às disposições do art. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, a seguir reproduzidos: “Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos Fl. 150DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL 4 quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscá las. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)” (destacado) Acentuese que as alegações carreadas no recurso voluntário eram contemporâneas à apresentação da impugnação, o que implica o necessário reconhecimento de tratarse de matéria incontroversa, nos moldes em que proposta a reclamação inaugural, uma vez que não houve irresignação expressa a seu respeito. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 15224.000541/200684 Acórdão n.º 3401003.124 S3C4T1 Fl. 12 5 O não exercício de uma faculdade processual no momento para tal designado acarreta a perda do direito de exercêla ulteriormente, sendo esse o conceito de preclusão temporal, que se verifica no caso vertente. Por conveniente, dado o aparente formalismo do posicionamento, destaco que o dogma da verdade material não pode ser oposto como salvaguarda ao conhecimento da matéria aventada, haja vista que a ampla defesa deve ser exercida nos exatos limites determinados pela legislação, sob pena de instalarse a balbúrdia. Para a situação em debate, como alhures evidenciado, a incontrovérsia das questões postas apenas em recurso voluntário é determinada textualmente pela redação do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal. Entretanto, ainda que possível ultrapassar tal óbice o que se faz em exclusiva homenagem ao debate, frisese , melhor sorte não albergaria o recorrente. Como bem pontuado pela decisão sob vergasta, a análise dos fatos e a subsunção às normas pertinentes é eminentemente objetivo, devidamente lastreado nas disposições legais. Primeiramente, há que se destacar que em momento algum do procedimento fiscal imputouse ao transportador a autoria da fraude perpetrada, mas tão somente a sua responsabilidade, para efeitos fiscais, pelos tributos devidos e multas correspondentes em relação às mercadorias extraviadas, dadas as circunstâncias apuradas no procedimento de vistoria aduaneira, logo, fora de foco qualquer avaliação axiológica a respeito da idoneidade moral do autuado e de seus prepostos. Na seqüência, diversamente do raciocínio engendrado pelo recorrente, se não há prova cabal do ingresso ou não da mercadoria no território nacional, há presunção legal que estabelece a sua ocorrência, ao prever a legislação aduaneira, em especial os arts. 41 e 60 do DecretoLei nº 37/66, a definição de extravio e a atribuição de responsabilidade do transportador aos casos que enumera, uma vez constatada a sua falta em procedimento próprio, como no caso dos autos, de modo que, diante da presunção legal, invertese o ônus probatório, cabendo à defesa, in casu, a prova do fato modificativo ou extintivo que se contraporia à exigência fiscal, o que não ocorreu. Demais disso, os documentos de fls. 33/35, conhecimentos de transporte, fatura comercial e packing list dão conta que a mercadoria entregue para transporte consistia em baterias de lítio, de modo que, se o transportador não conferiu a mercadoria, como alega, por não lhe ser obrigado, assume todos os ônus e riscos daí decorrentes, na seara tributária, mormente, a responsabilidade pelo crédito tributário correspondente. Correta, portanto, a colocação da decisão de primeira instância quando aduz que a confiança comercial entre o transportador e seu cliente, pelo conteúdo dos volumes entregues, sem a exigência de prévia conferência, é o desdobramento de uma relação jurídica de cunho negocial e, nesta condição, não pode ser oposta à Fazenda Pública como razão para eximirse da responsabilidade tributária conseqüente de extravios de mercadorias importadas objeto daquela mesma relação. Por outro lado, a invocação do Decreto nº 5.910/2006, que promulga a Convenção para a Unificação de Certas Regras Relativas ao Transporte Aéreo Internacional, Fl. 152DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL 6 celebrada em Montreal, em 28 de maio de 1999, como causa para elisão da responsabilidade aqui debatida, mormente quando atribui a responsabilidade pelo conteúdo da carga descrita nos documentos ao expedidor, não encontra guarida na legislação tributária, que possui regra específica acerca do assunto, como exposto anteriormente (arts. 41 e 60 do DL 37/66). Além do que, o Decreto nº 5.910/2006 veicula normas de índole comercial, ostentando, portanto, natureza civil, de maneira que não serve para definição dos efeitos tributários dos fatos que regula, como preconiza o art. 109 do Código Tributário Nacional. Por derradeiro, a incidência dos tributos e multas exigidos está claramente amparada na legislação de regência, a seguir reproduzida: “DL 37/66 Art.1º O Imposto sobre a Importação incide sobre mercadoria estrangeira e tem como fato gerador sua entrada no Território Nacional. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) (...) § 2º Para efeito de ocorrência do fato gerador, considerarseá entrada no Território Nacional a mercadoria que constar como tendo sido importada e cuja falta venha a ser apurada pela autoridade aduaneira. (...) Art.106 Aplicamse as seguintes multas, proporcionais ao valor do imposto incidente sobre a importação da mercadoria ou o que incidiria se não houvesse isenção ou redução: (...) II de 50% (cinqüenta por cento): (...) d) pelo extravio ou falta de mercadoria, inclusive apurado em ato de vistoria aduaneira; Lei nº 4.502/64 Art. 2º Constitui fato gerador do imposto: I quanto aos produtos de procedência estrangeira o respectivo desembaraço aduaneiro; § 3º Para efeito do disposto no inciso I, considerarseá ocorrido o respectivo desembaraço aduaneiro da mercadoria que constar como tendo sido importada e cujo extravio ou avaria venham a ser apurados pela autoridade fiscal, inclusive na hipótese de mercadoria sob regime suspensivo de tributação. (Acrescentado pela Medida Provisória 135/2003 e convalidado pela Lei 10.833/2003) Lei nº 10.865/04 Art. 3º O fato gerador será: Fl. 153DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 15224.000541/200684 Acórdão n.º 3401003.124 S3C4T1 Fl. 13 7 I – a entrada de bens estrangeiros no território nacional; ou (...) § 1º Para efeito do inciso I do caput deste artigo, consideramse entrados no território nacional os bens que constem como tendo sido importados e cujo extravio venha a ser apurado pela administração aduaneira.” Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto. Robson José Bayerl Fl. 154DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL
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Numero do processo: 11251.000041/2009-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/1999
PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA.
Revela-se o direito processual administrativo fiscal refratário ao procedimento que exclua do sujeito passivo o direito ao contraditório e à ampla defesa.
É nula a Decisão de 1ª Instância lavrada sem que tenha sido oportunizado ao sujeito passivo a faculdade de se manifestar a respeito do resultado de Diligência Fiscal utilizada na sua fundamentação.
Processo Anulado
Numero da decisão: 2401-004.008
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em declarar a nulidade da Decisão Administrativa de Primeira Instância, por cerceamento do direito de defesa, com fulcro no art. 59, II, in fine, do Decreto nº 70.235/72, para que se promova a efetiva e formal intimação do Sujeito Passivo a respeito da Informação Fiscal a fls. 142/143, e lhe seja assinalado o prazo normativo para que, assim desejando, possa se manifestar nos autos do processo.
Maria Cleci Coti Martins Presidente-Substituta de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins (Presidente-substituta de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Henrique de Oliveira, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/1999 PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. Revela-se o direito processual administrativo fiscal refratário ao procedimento que exclua do sujeito passivo o direito ao contraditório e à ampla defesa. É nula a Decisão de 1ª Instância lavrada sem que tenha sido oportunizado ao sujeito passivo a faculdade de se manifestar a respeito do resultado de Diligência Fiscal utilizada na sua fundamentação. Processo Anulado
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SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. Revelase o direito processual administrativo fiscal refratário ao procedimento que exclua do sujeito passivo o direito ao contraditório e à ampla defesa. É nula a Decisão de 1ª Instância lavrada sem que tenha sido oportunizado ao sujeito passivo a faculdade de se manifestar a respeito do resultado de Diligência Fiscal utilizada na sua fundamentação. Processo Anulado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em declarar a nulidade da Decisão Administrativa de Primeira Instância, por cerceamento do direito de defesa, com fulcro no art. 59, II, in fine, do Decreto nº 70.235/72, para que se promova a efetiva e formal intimação do Sujeito Passivo a respeito da Informação Fiscal a fls. 142/143, e lhe seja assinalado o prazo normativo para que, assim desejando, possa se manifestar nos autos do processo. Maria Cleci Coti Martins – PresidenteSubstituta de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 25 1. 00 00 41 /2 00 9- 15 Fl. 227DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins (Presidentesubstituta de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Henrique de Oliveira, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000041/200915 Acórdão n.º 2401004.008 S2C4T1 Fl. 227 3 Relatório Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/1999. Data da lavratura da NFLD: 03/11/1999. Data da Ciência da NFLD: 05/11/1999. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela Gerência Executiva do Instituto Nacional do Seguro Social em Guarulhos que julgou procedente em parte a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº 35.039.5144, consistentes em contribuições patronais destinadas ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a Outras Entidades e Fundos, incidentes sobre as remunerações pagas, creditadas ou devidas a segurados empregados e a Segurados Contribuintes Individuais nas competências junho e julho de 1998, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 27/28. Os fatos geradores foram apurados a partir das Folhas de Pagamento da empresa, no período de janeiro a setembro de 1999. Da mesma forma, a empresa também deixou de recolher as Contribuições Sociais a seu cargo incidentes sobre as remunerações dos segurados empresários, sendo a base de cálculo apurada a partir dos registros assentados nas Folhas de Pagamento de pro labore de março a setembro de 1999. Após tomar ciência da autuação, por via postal, em 05/11/1999, a Notificada apresentou impugnação a fls. 39/45. A Seção de Análise de Defesas e Recursos da Gerência de Guarulhos/SP baixou o feito em diligência para que a Autoridade Lançadora se pronunciasse a respeito de questões de fato arguidas pelo Sujeito Passivo em sede de defesa administrativa, conforme Despacho de Diligência a fl. 128. Em atendimento à diligência requestada por meio do Despacho de Diligência acima citado, a Autoridade Lançadora se pronunciou formalmente nos autos a fls. 142/143. A Gerência Executiva do Instituto Nacional do Seguro Social em Guarulhos lavrou Decisão Administrativa aviada na DecisãoNotificação nº 21.025.0/0137/2000, a fls. 155/158, julgando procedente em parte o lançamento, para retificar a base de cálculo na forma proposta pela Fiscalização, em sede de Diligência Fiscal, mantendo o Crédito Tributário na forma exposta no Discriminativo Analítico de Débito Retificado – DADR a fls. 151/154. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 20/11/2000, conforme recibo a fl. 159. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 4 Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 161/174, requerendo a anulação da Decisão de 1ª Instância, em razão de cerceamento de defesa. A Notificada ajuizou a Ação Anulatória nº 2001.61.19.0004854 perante a Justiça Federa da Circunscrição Judiciária de Guarulhos/SP, conforme exordial a fls. 184/194, requerendo a anulação da NFLD ora em debate, ao fundamento de cerceamento de defesa, por não lhe ter sido reaberto prazo para se manifestar nos autos a respeito do resultado da Diligência Fiscal requerida pelo Órgão Fazendário Federal. A citada Ação Anulatória nº 2001.61.19.0004854 foi extinta com fundamento no artigo 267, VIII, do CPC, tendo em vista a desistência da ação por parte da empresa Autora e a não citação do INSS até o requerimento da desistência, conforme Consulta Processual a fl. 202. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000041/200915 Acórdão n.º 2401004.008 S2C4T1 Fl. 228 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 20/11/2000. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 04/12/2000, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DO SANEAMENTO DO PROCESSO. Antes de adentrarmos a cognição meritória urge ser sanada uma irregularidade de cunho eminentemente processual. No curso da instrução do processo, após o oferecimento da impugnação, o feito foi baixado em diligência fiscal para que a Fiscalização se manifestasse a respeito de documentos e de questões de fato arguidas pelo Sujeito Passivo em sede de defesa administrativa, conforme Despacho de Diligência a fl. 128. Em atendimento à diligência requestada por meio do Despacho de Diligência acima citado, a Autoridade Lançadora emitiu Informação Fiscal a fls. 142/143. Do Resultado da Informação Fiscal acima referida, todavia, não foi dada ciência ao Sujeito Passivo, tampouco lhe foi oportunizada a faculdade de aditar a Impugnação ao lançamento, vício processual este que motivou, inclusive, o ajuizamento da Ação Anulatória nº 2001.61.19.0004854, perante a Justiça Federa da Circunscrição Judiciária de Guarulhos/SP, requerendo a anulação da NFLD ora em debate, ao fundamento de cerceamento de defesa, por não lhe ter sido reaberto prazo para se manifestar nos autos a respeito do resultado da Diligência Fiscal requerida pelo Órgão Fazendário Federal. Com efeito, compulsando os autos verificamos não existir qualquer elemento de prova material de que o Notificado houvesse sido intimado da Informação Fiscal a fls. 142/143, tampouco prova de reabertura de prazo para impugnação aos termos de tal Informação Fiscal, sendo certo que as considerações veiculadas em tal documento fiscal Fl. 231DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 6 motivaram a retificação do débito em foco, assim como serviram de suporte à manutenção do Crédito Tributário remanescente. O proferimento de decisões administrativas sem que tenha sido oportunizado ao Contribuinte a faculdade de se manifestar a respeito do resultado do Incidente Processual em questão se configura, ao nosso sentir, hipótese de cerceamento de defesa, uma vez que as argumentações expendidas pela Fiscalização, em sede de Diligência Fiscal, foram assimiladas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância, sem a contradita da parte adversa, e tidas, obviamente, como não contestadas, em flagrante ofensa ao princípio “audiatur et altera pars”. Revelase o Direito Processual Administrativo refratário ao proferimento de Decisões em que reste configurada qualquer modalidade de preterição ao direito de defesa, as quais já nascem sob o estigma da nulidade. Dessarte, se nos afigura ter sido espezinhado o Devido Processo Legal, eis que a Decisão de 1ª Instância foi emitida sem a oportunidade de contradita, por parte do Notificado, aos argumentos expendidos pela Fiscalização em sua Informação Fiscal, acostada aos autos em sede de diligência Fiscal. A situação fática retratada no presente caso, consistente na usurpação do direito ao contraditório, atrai ao feito a incidência do preceito inscrito no inciso II, in fine, do art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. §1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. §2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. §3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Nesse contexto, pautamos pela declaração de nulidade da Decisão Notificação nº 21.025.0/0137/2000, a fls. 155/158, por cerceamento de defesa, com fulcro no art. 59, II, in fine, do Decreto nº 70.235/72, para que se promova a efetiva e formal intimação Fl. 232DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000041/200915 Acórdão n.º 2401004.008 S2C4T1 Fl. 229 7 do Sujeito Passivo acerca do teor da Informação Fiscal a fls. 142/143, e lhe seja assinalado o prazo normativo para que, assim desejando, possa se manifestar nos autos do vertente Processo Administrativo Fiscal a respeito do resultado da Diligência Fiscal acima mencionada. 3. CONCLUSÃO Pelos motivos expendidos, voto por ANULAR a DECISÃO ADMINISTRATIVA DE PRIMEIRA INSTÂNCIA, por cerceamento de defesa, com fulcro no art. 59, II, in fine, do Decreto nº 70.235/72, para que se promova a efetiva e formal intimação do Sujeito Passivo a respeito da Informação Fiscal a fls. 142/143, e lhe seja assinalado o prazo normativo para que, assim desejando, possa se manifestar nos autos do processo. É como voto. Arlindo da Costa e Silva. Relator. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
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Numero do processo: 10580.725915/2010-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do Fato Gerador: 01/10/2006
AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. INCORREÇÕES. LANÇAMENTO PRINCIPAL JULGADO PROCEDENTE. RELAÇÃO DE CONEXÃO E ACESSORIEDADE. NECESSIDADE DE MANUTENÇÃO DA MULTA. Tendo em vista que o presente lançamento é acessório ao processo principal no qual foram julgadas procedentes as contribuições previdenciárias que justificaram a aplicação da multa pelo descumprimento de obrigação acessória, outra não pode ser a conclusão, senão pela manutenção da multa aplicada no presente Auto de Infração
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.131
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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OMISSÃO DE FATOS GERADORES Recorrente OLIVEIRA GIL BRAZ PRESTAÇÕES DE SERVIÇOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do Fato Gerador: 01/10/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. INCORREÇÕES. LANÇAMENTO PRINCIPAL JULGADO PROCEDENTE. RELAÇÃO DE CONEXÃO E ACESSORIEDADE. NECESSIDADE DE MANUTENÇÃO DA MULTA. Tendo em vista que o presente lançamento é acessório ao processo principal no qual foram julgadas procedentes as contribuições previdenciárias que justificaram a aplicação da multa pelo descumprimento de obrigação acessória, outra não pode ser a conclusão, senão pela manutenção da multa aplicada no presente Auto de Infração Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 59 15 /2 01 0- 81 Fl. 205DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10580.725915/201081 Acórdão n.º 2402005.131 S2C4T2 Fl. 248 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por OLIVEIRA GIL BRAZ PRESTAÇÕES DE SERVIÇOS LTDA, em face de acórdão que manteve a integralidade do Auto de Infração 37.255.3869 (CFL 68), lavrado para a cobrança de multa por ter a recorrente apresentado GFIP sem a informação de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. Consta do relatório fiscal que as contribuições não informada foram apurados com base nas folhas de pagamento de empregados, notas fiscais de contribuintes individuais, livro diário e livro razão, os quais continham a remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados empregados e aos segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços, nos Autos de Infração n. 37.262.9300 e do AI nº 37.262.9318. O período do lançamento compreende as competências de 10/2006, tendo sido contribuinte cientificado em 30/06/2010. O fiscal também apontou que ao caso em concreto fora a aplicada a multa de ofício de 75% trazida pela Lei 11.941/09, por ser a mais benéfica nas competências 01/2006, 02/2006, 03/2006, 04/2006, 05/2006, 06/2006, 07/2006, 08/2006, 09/2006, 11/2006, 12/2006 e 13/2006. Tal multa somente não fora mais benéfica na competência de 10/2006, qual fora aplicada a multa de mora de 24% acrescida da multa objeto do presente Auto de Infração. Devidamente intimado do julgamento em primeira instância, a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. a nulidade do Auto de Infração, pois dele não consta a clara e correta fundamentação quanto a motivação da autuação lavrada; 2. que em razão de sua atividade ser a de fornecimento de mãodeobra, a fiscalização deixou de considerar e abater no presente lançamento as retenções sofridas quando dos pagamentos efetuados por seus contratantes; 3. erro na capitulação legal, tendo em vista que a fiscalização aplicou multa com base em legislação revogada; 4. que o fiscal, ao efetuar o lançamento, erroneamente considerou como base de cálculo das contribuições verbas indenizatórias recebidas pelos empregados, a saber, terço de férias, aviso prévio indenizado, horas extras, auxíliocreche, auxíliotransporte, auxílio doença, pagamentos em acordos trabalhistas, auxílio Fl. 207DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 4 educação, participação nos lucros e resultados, diárias de viagens e auxilio alimentação; 5. que a multa aplicada de 112,5% é confiscatória. 6. que a multa aplicada já fora objeto de outros autos de infração; 7. por fim, a não incidência de juros sobre a multa aplicada, ilegalidade da SELIC; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10580.725915/201081 Acórdão n.º 2402005.131 S2C4T2 Fl. 249 5 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. PRELIMINARES Alega a recorrente que o presente lançamento deve ser anulado em razão da ausência de motivação constante no relatório fiscal da infração, que não observou a fiel descrição do fato infringente. Sem razão. Nada mais fez a fiscalização do que aplicar ao caso em concreto a legislação pertinente, atribuindo à recorrente, a responsabilidade pelo pagamento de multa por ter deixado de declarar em GFIP todos os fatos geradores de contribuições a seu cargo, levando a efeito simplesmente aquilo que determinado pela Lei 8.212/91. Assim, uma vez que não houve qualquer transgressão a norma legal em vigor, não há que se reconhecer a nulidade do lançamento. Ao que se depreende do relatório fiscal, verificase ter sido observado o que disposto no art. 142 do CTN a seguir: "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional." Da análise do relatório fiscal de cada um dos Autos de Infração, verificase que estes vieram devidamente acompanhados de todos os anexos do Auto de Infração, sendo deles parte integrante, quando se percebe que todos foram concebidos em total observância às disposições do art. 142 do CTN e 37 da Lei n. 8.212/91, na medida em que todos os fundamentos de fato e de direito que ensejaram a lavratura do Auto e a imposição fiscal restaram devida e precisamente demonstrados esclarecidos, o que proporcionou e garantiu ao contribuinte a clara e inequívoca ciência e materialização da ocorrência do fato gerador da multa e dos valores não recolhidos das contribuições sociais não informadas, conforme também restou decidido pelo acórdão de primeira instância. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 6 Não obstante, no presente caso cumpre apontar que o fiscal autuante foi por demais minucioso em demonstrar toda a fundamentação que levou às conclusões pela necessidade do lançamento. Melhor sorte não aufere o recorrente, quando sustenta a nulidade, em decorrência de erro na fundamentação legal da multa aplicada. Em momento algum fora aplicada qualquer multa com base em legislação revogada. O que fez a fiscalização, a contento, foi dar o devido cumprimento ao que dispõe o art. 106, III, “c” do Código Tributário Nacional, que determina a necessidade de que a imposição das multas o sejam feitas da forma mais benéfica ao contribuinte. Dessa forma, o fiscal comparou qual das multas seria a mais benéfica, e aplicou a legislação que corrobora tais conclusões, baseado em permissivo legal autorizador de referido procedimento. Logo, também não há qualquer nulidade a ser reconhecida sob este aspecto, de modo que rejeito as preliminares. MÉRITO Conforme já relatado, a presente autuação é decorrente da não informação em GFIP dos fatos geradores objeto do AI número 37.262.9300 e do AI nº 37.262.9318, os quais já foram objeto de apreciação por este Eg. Conselho, conforme ementa do julgamento dos autos do processo n. 10580.725913/201092, a seguir transcrita: AI. NORMAS LEGAIS PARA SUA LAVRATURA. OBSERVÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa quando o fiscal efetua o lançamento em observância ao art. 142 do CTN, demonstrando a contento todos os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, garantindo ao contribuinte o seu pleno exercício ao direito de defesa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. RECONHECIMENTO. Conforme previsão constante no artigo 17 do Decreto 70.235/72, deverá o contribuinte suscitar a sua matéria de defesa em sede de impugnação, sendo vedado a inovação de argumentos em sede recursal, que não se contraponham as conclusões do julgamento de primeira instância, em razão da preclusão. INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária. JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Incidem juros legais sobre a multa de ofício aplicada quando do lançamento. Precedentes. SELIC. APLICAÇÃO. LEGALIDADE. Nos termos da Súmula n°. 04 do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Recurso Voluntário Negado. A propósito, cito os argumentos de decidir daquela oportunidade, os quais também adoto no presente caso. Segue a transcrição: Fl. 210DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10580.725915/201081 Acórdão n.º 2402005.131 S2C4T2 Fl. 250 7 " Das alegações da inobservância das retenções e da lançamento efetuado sobre verbas que não devem compor a base de cálculo das contribuições. Tais alegações, por mais que constem no bojo do recurso voluntário apresentado, não foram aduzidas em sede de impugnação por parte da contribuinte, motivo pelo qual entendo que não podem ser conhecidas nesta oportunidade, em razão da ocorrência da preclusão, pois deveria o contribuinte aduzir toda a matéria de defesa em sede de impugnação. A propósito, cito o art. 16 e 17, ambos do Decreto 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: I – a autoridade julgadora a quem é dirigida; II – a qualificação do impugnante; III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta; III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante Ademais, quanto as retenções, a recorrente sequer acostou ao recurso voluntário qualquer documento que, ao menos, sustente as suas alegações. Do caráter confiscatório da multa Quanto ao reconhecimento do caráter confiscatório da multa aplicada, tenho que, tais irresignações não podem ser analisadas por este Conselho, em respeito a competência privativa do Poder Judiciário, já que, o afastamento da aplicação da Legislação referente as contribuições e multas, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, "a" e III, "b" da Constituição Federal, o que é vedado a este Eg. Conselho. Sobre o tema, o CARF consolidou referido entendimento por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Aplicação de Juros Sobre a Multa O assunto já foi objeto de calorosos debates por este Eg. Conselho, de modo que acabou por ser fixada a tese de que a incidência dos juros não é considerada como medida ilegal quando da lavratura do lançamento das contribuições previdenciárias. A propósito, cito o seguinte precedente: Fl. 211DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 8 Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2006 a 30/08/2008 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias. Decadência reconhecida por qualquer das regras do Código Tributário Nacional. PLR PAGA A DIRETORES NÃO EMPREGADOS.IMPETRAÇÃO DE MANDADO DE SEGURANÇA. IDENTIDADE DE OBJETOS. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Tendo em vista que a recorrente impetrou Mandado de Segurança e Ação Ordinária com o mesmo objeto do presente processo administrativo fiscal, pleiteando o reconhecimento da não incidência das contribuições sobre pagamentos creditados a diretores não empregados, é de se reconhecer a renúncia ao contencioso administrativo fiscal. Aplicação da Súmula CARF n. 01. PLR PAGA A SEGURADOS EMPREGADOS. NÃO APRESENTAÇÃO DE MEMÓRIAS DE CÁLCULO DOS VALORES PAGOS. DESCONSIDERAÇÃO DO ACORDO EFETUADO. LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A não apresentação das memórias de cálculo dos valores pagos a título de PLR autoriza que o lançamento das contribuições tidas por devidas seja realizado pela sistemática do arbitramento em conformidade com o art. 33 da Lei 8.212/91, o que não foi observado no presente caso, já que, pela não apresentação, houve a simples descaracterização do acordo levado a efeito pelas partes. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BÔNUS DE CONTRATAÇÃO (HIRING BÔNUS). PAGAMENTO VINCULADO A PERMANÊNCIA DO EMPREGADO NA EMPRESA E EM SUBSTITUIÇÃO DAS VANTAGENS SALARIAIS DEVIDAS DURANTE O PERÍODO DO LABOR. PARCELA DE NATUREZA SALARIAL. INCIDÊNCIA. Tendo em vista que o pagamento do bônus de contratação se deu de forma a retribuir os trabalhos prestados na empresa contratante, com expressa determinação contratual de que o mesmo substitui e engloba todas as vantagens que o empregado poderia auferir no exercício de suas funções junto ao contratante, além de exigir lhe tempo mínimo de permanência na empresa, é de se reconhecer a natureza salarial da verba, devendo compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias lançadas. INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. Incidem juros sobre a multa de ofício, a serem aplicados após a constituição do crédito. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Acórdão 2401003.708, Rel. Conselheiro Igor Araújo Soares) Juros Selic Por fim, a insurgência acerca da aplicação da taxa SELIC também não merece amparo. A sua aplicação, enquanto juros moratórios e multa aplicadas sobre as contribuições objeto do lançamento, foi efetivada com supedâneo em previsão legal consubstanciada no art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito: Fl. 212DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10580.725915/201081 Acórdão n.º 2402005.131 S2C4T2 Fl. 251 9 Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo reestabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Tal discussão, inclusive, já tendo sido objeto de várias deliberações neste Conselho, resultou no enunciado da Súmula n°. 04 do CARF, confirase: ”Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ” Dessa forma, em se tratando o presente lançamento de obrigação acessória conexa com os autos de infração de obrigação principal, outra conclusão não pode ser adotada, senão pela necessidade de que também seja julgado procedente o lançamento da multa nos autos do presente processo, pelo fato da relação de acessoriedade deste lançamento. Ante todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O
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Numero do processo: 13805.007785/96-71
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 31/01/1993 a 31/12/1994
Ementa.
TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO DE DÉBITO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. RECURSO REPETITIVO. ART. 543-C DO CPC.
O instituto da denúncia espontânea (art. 138 do CTN) não se aplica nos casos de parcelamento de débito tributário.
As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Recurso Especial Provido
Numero da decisão: 9303-004.150
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO DE DÉBITO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. RECURSO REPETITIVO. ART. 543C DO CPC. O instituto da denúncia espontânea (art. 138 do CTN) não se aplica nos casos de parcelamento de débito tributário. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Recurso Especial Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 5. 00 77 85 /9 6- 71 Fl. 549DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Para elucidar os fatos ocorridos nos autos até a interposição do recurso especial pela Fazenda Pública, transcrevo o relatório do acórdão bombardeado, in verbis:. Contra contribuinte retromencionada foi lavrado o Auto de Infração de fls. 02/10, com exigência tributária relativa à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, nos anos de 1993 a 1994. A fiscalização constatou insuficiência dos recolhimentos da contribuição. Apesar de a contribuinte haver questionado judicialmente o crédito tributário, a sua exigibilidade não se encontrava suspensa. No Termo de Verificação, fl. 26, o agente fiscal informa que a contribuinte solicitou parcelamento do débito por meio do Processo n° 13805.011918/9503, fls 3642, tendo realizado o pagamento de algumas parcelas. Considerando que o pedido de parcelamento fora efetuado no curso da ação fiscal, o auto de infração foi lavrado com a imposição de multa de lançamento de oficio, uma vez que a confissão de divida que caracteriza o pedido de parcelamento não se revestia de espontaneidade. Inconformada com o feito fiscal, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 30/33, na qual alega que a ultima prorrogação da ação fiscal ocorreu em 04/03/1996, reconhecida pela autoridade fiscal. Como o auto de infração fora lavrado somente em 27/06/1996, há mais de 180 dias da Ultima prorrogação, entende que a ação fiscal fora interrompida e que haveria assim readquirido a espontaneidade que o eximiria da multa de lançamento de oficio. A DRJ em Salvador BA apreciou as razões de defesa da contribuinte postas na impugnação e o que mais consta dos autos, decidindo pela procedência em parte, para reduzir a multa aplicada no percentual de 75%, nos termos do Acórdão n° 3.613, de 05 de junho de 2003, assim ementado: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 31/01/1993 a 31/12/1994 Fl. 550DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13805.007785/9671 Acórdão n.º 9303004.150 CSRFT3 Fl. 423 3 Ementa: DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O parcelamento requerido durante a ação fiscal não caracteriza a denúncia espontânea que eximiria o sujeito passivo da aplicação de penalidades. MULTA DE OFICIO. REDUÇÃO PARA 75%. A norma que reduziu o percentual da multa de lançamento de oficio para 75% tem aplicação retroativa aos atos não definitivamente julgados. Lançamento Procedente em Parte". A contribuinte, irresignada com a decisão que lhe foi desfavorável, interpôs recurso a este Segundo Conselho de Contribuintes, alegando em síntese que a ultima prorrogação se deu em 06/05/1996, depois de ultrapassado os 60 (sessenta) dias da anterior que foi em 04/03/1996, tendo então readquirido a espontaneidade. Aduz ainda que a multa aplicada está prescrita por ter transcorrido mais de 11 (onze) anos da lavratura do auto de infração. A Segunda Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, deu provimento ao recurso, nos termos do Acórdão nº 20219.455, de 05 de novembro de 2008, cuja ementa abaixo reproduzo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/01/1993 a 31/12/1994 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ESPONTANEIDADE READQUIRIDA POR FALTA DA LAVRATURA DE TERMO DE CONTINUIDADE DA AÇÃO FISCAL. A falta de documento formal lavrado pelo Fisco no curso de ação fiscal em intervalo superior a sessenta dias possibilita ao contribuinte a reaquisição da espontaneidade. No caso de parcelamento, implica afastamento da exigência confessada. Recurso provido. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou recurso especial de divergência, no qual alega, em brevíssima síntese, que: ....houve interstício superior a sessenta dias entre os Termos de Prosseguimento de Ação Fiscal de 04/03/1996 e 06/05/1996, o que resulta fatalmente na aplicação do art. 7º, do Decreto nº 70.235/72, no que tange ao restabelecimento da espontaneidade pelo contribuinte. Ocorre, no entanto, que a regra foi aplicada com efeitos retroativos, na medida em que o pedido de parcelamento deuse em 14/12/1995, data em que não havia espontaneidade a possibilitar o parcelamento e, por conseqüência, não poderia ensejar a exclusão da multa... O recurso teve seguimento nos termos do despacho nº 330000.085, de 25 de maio de 2011. Fl. 551DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 O sujeito passivo apresentou contrarrazões ao recurso da Fazenda Pública às fls. 486/500 (numeração eletrônica). É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar. A questão central da lide diz respeito à possibilidade de imposição de multa sobre os valores objeto de parcelamento apresentado no curso da ação fiscal, em vista de posterior restabelecimento da espontaneidade, conferindo ao instituto efeitos ex tunc. Preliminarmente, é de suma importância ressaltar que o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o recurso especial nº 1.102.577DF, definiu que o instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional não se aplica aos casos de parcelamento de débito tributário. Nas razões de decidir do referido recurso, foi citado voto da Primeira Seção, de relatoria do saudoso Ministro Franciulli Netto, que passo a transcrever, verbis: O instituto da denúncia espontânea da infração constituise num favor legal, uma forma de estímulo ao contribuinte, para que regularize sua situação perante o fisco, procedendo, quando for o caso, ao pagamento do tributo, antes do procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração. Nos casos em que há parcelamento do débito tributário, não deve ser aplicado o benefício da denúncia espontânea da infração, visto que o cumprimento da obrigação foi desmembrado, e só será quitada quando satisfeito integralmente o crédito. O parcelamento, pois, não é pagamento, e a este não substitui, mesmo porque não há a presunção de que, pagas algumas parcelas, as demais igualmente serão adimplidas, nos termos do artigo art. 158, I, do mencionado Codex.(negrito nosso) Esse parece o entendimento mais consentâneo com a sistemática do Código Tributário Nacional, que determina, para afastar a responsabilidade do contribuinte, que haja o pagamento do devido, apto a reparar a delonga do contribuinte. Nesse sentido o enunciado da Súmula n. 208 do extinto Tribunal Federal de Recursos: “a simples confissão de dívida, acompanhada do seu pedido de parcelamento, não configura denúncia espontânea”. A Lei Complementar n. 104, de 10 de janeiro de 2001, que acresceu ao Código Tributário Nacional, dentre outras Fl. 552DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13805.007785/9671 Acórdão n.º 9303004.150 CSRFT3 Fl. 424 5 disposições, o artigo 155A, veio em reforço ao entendimento ora esposado, ao estabelecer, em seu § 1º, que “salvo disposição de lei contrário, o parcelamento do crédito tributário não exclui a incidência de juros e multas”. No mesmo sentido e também transcrito no voto: TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL AGRAVO REGIMENTAL DENÚNCIA ESPONTÂNEA PARCELAMENTO AÇÃO AJUIZADA ANTES DA VIGÊNCIA DA LC 104/2001 ART. 462 DO CPC CONSIDERAÇÃO DO DIREITO NOVO. 1. A superveniência do direito novo é circunstância a ser considerada pelo julgador em qualquer fase ou instância processual, principalmente nas instâncias ordinárias, razão pela qual é irrelevante o ajuizamento da demanda antes do advento do novo art. 155A do CTN. Precedentes. 2. O pagamento parcelado não viabiliza a exclusão das multas moratórias ou punitivas pela denúncia espontânea. Precedentes. (grifo nosso) 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 989.026/ES, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/12/2008, DJe 17/02/2009). O Ministro Herman Benjamin termina o voto com os seguintes dizeres: Como visto, o STJ consolidou o entendimento de que o instituto da denúncia espontânea (art. 138 do CTN) não se aplica às hipóteses de parcelamento do débito tributário. Por fim, por se tratar de recurso submetido ao regime do art. 543C do CPC, determino a adoção das providências relativas à Resolução 8/2008 do STJ, inclusive a comunicação aos Presidentes de todos os TRFs. Consoante noção cediça, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça na sistemática prevista pelo artigos 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Por fim, deixo de apreciar a possibilidade de atribuir efeitos ex tunc ao instituto da denúncia espontânea, no caso de restabelecimento da espontaneidade, uma vez que o próprio instituto não se aplica aos casos de parcelamento, nos termos do recurso repetitivo do STJ acima mencionado. Portanto, por força regimental, dou provimento ao recurso especial da Fazenda nacional para restabelecer a aplicação da multa de 75%. Sala das Sessões, em 07/06/2016 Fl. 553DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 Gilson Macedo Rosenburg Filho. Fl. 554DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 13971.000101/00-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1991, 1995, 1996, 1997
APRECIAÇÃO EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. INSTAURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA E PRONUNCIAMENTO DA PRIMEIRA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO. NECESSIDADE.
Ausente pronunciamento da Turma Julgadora de primeira instância, não cabe ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais conhecer recurso voluntário. Na hipótese, os autos devem retornar à instância a quo para que sejam avaliados os pressupostos de admissibilidade do documento que supostamente instaurou a fase litigiosa, apreciando-o, se for o caso.
Numero da decisão: 1301-002.002
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER o recurso, e, por maioria, determinar o envio dos autos à Delegacia da Receita Federal de Julgamento para apreciação da manifestação de inconformidade, vencido o Conselheiro Flávio Franco Correa que pronunciou-se pelo encaminhamento dos autos à Delegacia da Receita Federal de origem. Fez sustentação oral a Sra. Andrea de Toledo, OAB nº 115.022.
Wilson Fernandes Guimarães
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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INSTAURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA E PRONUNCIAMENTO DA PRIMEIRA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO. NECESSIDADE. Ausente pronunciamento da Turma Julgadora de primeira instância, não cabe ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais conhecer recurso voluntário. Na hipótese, os autos devem retornar à instância a quo para que sejam avaliados os pressupostos de admissibilidade do documento que supostamente instaurou a fase litigiosa, apreciandoo, se for o caso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER o recurso, e, por maioria, determinar o envio dos autos à Delegacia da Receita Federal de Julgamento para apreciação da manifestação de inconformidade, vencido o Conselheiro Flávio Franco Correa que pronunciouse pelo encaminhamento dos autos à Delegacia da Receita Federal de origem. Fez sustentação oral a Sra. Andrea de Toledo, OAB nº 115.022. Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 01 01 /0 0- 64 Fl. 366DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13971.000101/0064 Acórdão n.º 1301002.002 S1C3T1 Fl. 367 2 Relatório Cuida o presente processo de PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO (fls. 01/05), protocolizados no ano de 1999, em que o crédito indicado para o encontro de contas é de TITULARIDADE DE TERCEIRO. Conforme DESPACHO de fls. 11, o presente processo foi encaminhado à Delegacia da Receita Federal em São Paulo para que fosse apreciado em conjunto com o de nº 13811.002062/9985, que tinha por objeto a análise acerca da procedência do crédito apontado para compensação neste processo. Às fls. 13/20, consta cópia DESPACHO DECISÓRIO emitido nos autos do citado processo nº 13811.002062/9985, datado de 31/08/2007, por meio do qual Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo (Derat/SPO): i) INDEFERIU o PEDIDO DE RESTITUIÇÃO; e ii) INDEFERIU os PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO do crédito apontado no referido processo com DÉBITOS DE TERCEIROS. A Delegacia da Receita Federal em Blumenau, unidade administrativa de domicílio da requerente, emitiu COMUNICADO, fls. 29, em 07/11/2007, por meio do qual: a) encaminhou cópia da decisão prolatada pela Derat/SPO acerca do pedido formalizado por SID MICROELETRÔNICA nos autos do processo administrativo nº 13811.002062/9985, acima referenciado; b) esclareceu que, como o crédito não foi reconhecido, os pedidos de compensação a ele vinculados foram indeferidos (inclusive o veiculado por meio do presente processo); e c) encaminhou CARTA DE COBRANÇA. Cientificada, em 07/11/2007, do COMUNICADO acima mencionado, a RIGESA, amparandose nas disposições do art. 2º, inciso IV e X e do art. 9º, inciso II, da Lei n.° 9.784 de 29 de janeiro de 1.999, e, ainda, dos arts. 14 e 15 do Decreto n.° 70.235/72, apresentou MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE em 04/12/2007, fls. 63/84, por meio da qual alegou, entre outras razões, que, uma vez indeferido o crédito objeto do presente processo administrativo, emergiria para ela, na qualidade de interessado, o direito ao contraditório e ampla defesa. Em 27/12/2008, a Delegacia da Receita Federal em Blumenau, Santa Catarina, emitiu o documento denominado COMUNICADO DE ENVIO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS PARA A PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL, fls. 144, do qual releva reproduzir os seguintes fragmentos: Sr. Contribuinte, cm 07/11/2007 lhe foi dada ciência, na figura de procurador devidamente identificado, do insucesso em relação a pretensão de compensação Fl. 367DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13971.000101/0064 Acórdão n.º 1301002.002 S1C3T1 Fl. 368 3 tributária de débitos seus com supostos créditos de SID MICROELETRÔNICA S/A, que foi manifestada por V. Sª. no presente processo. Aguardamos o prazo que lhe foi oferecido para o pagamento dos créditos tributários objeto das compensações infrutíferas, porém não houve pagamento da divida. Em vez disto, recebemos cm 04/12/2007 sua "manifestação dc inconformidade" na qual pretende que aos pedidos de compensação analisados no curso do presente processo fossem atribuídos os efeitos jurídicos da "Declaração de Compensação" instituída pela MP 66/2002, convertida na Lei 10.637/2002, a qual alterou o art. 74 da Lei 9.430/96. Ocorre que os pedidos analisados neste processo não se enquadram na figura jurídica "Declaração de Compensação". Vejamos o que reza o caput do art. 74 da Lei 9.430/96, cuja redação foi dada pela Lei 10.637/2002: ... Como se vê a Declaração de Compensação tem lugar quando um único indivíduo é devedor e credor de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, agora Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). De forma que o parágrafo quarto do referido art. 74 da Lei 9.430/96 ao dispor que os pedidos de compensação pendentes de análise pela autoridade administrativa passariam a ser considerados Declaração de Compensação, é dispositivo que alcança somente os Pedidos de Compensação pendentes que obedeçam aos requisitos legais da Declaração de Compensação, entre eles o fato de que o detentor do crédito a ser oposto à RFB deve ser também o sujeito passivo dos débitos objeto da Declaração de Compensação. Isso posto, informamos que nesta data, como já lhe havia sido informado, os créditos tributários controlados no processo administrativo em epígrafe foram encaminhados à Procuradoria da Fazenda Nacional para Inscrição em Dívida Ativa da União. Os débitos foram inscritos em Dívida Ativa da União, conforme DESPACHO e TERMOS de fls. 147/153, datados de 07/01/2008. Às fls. 155, consta registro, em 01/07/2008, da impetração de MANDADO DE SEGURANÇA (MS), e, às fls. 156, foi anexado cópia de MEMORANDO de 10/07/2008, encaminhado pela Delegacia da Receita Federal em Blumenau à Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional, por meio do qual afirmase que está sendo encaminhada cópia de decisão proferida no MS nº 2008.72.05.0018133/SC e são prestadas as seguintes informações: deferimento de liminar; concessão de efeito suspensivo ao "recurso" administrativo impetrado pela contribuinte; e sobrestamento da execução fiscal. Às fls. 158/162 consta cópia da decisão proferida pelo Juiz Federal Substituto da 2ª Vara Federal de Blumenau em 08/07/2008, cuja parte dispositiva transcrevo abaixo. Ante o exposto, DEFIRO A LIMINAR (art. 7°, II, da Lei n° 1.533/51) para: a) determinar que a autoridade coatora encaminhe o recurso da impetrante ao Conselho de Contribuintes, ressalvada existência de outro óbice e b) suspender a exigibilidade do crédito tributário objeto do PA 13971.000101/0064 e da execução fiscal 2008.72.05.0012362 , (art. 151 II do CTN) até decisão final na esfera administrativa. Fl. 368DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13971.000101/0064 Acórdão n.º 1301002.002 S1C3T1 Fl. 369 4 Às fls. 184/202 identificase documento denominado RECURSO VOLUNTÁRIO, protocolizado na Delegacia da Receita Federal em Blumenau em 01/02/2008, por meio do qual a contribuinte, alegando que a Manifestação de Inconformidade não foi recepcionada pelo "Orgão Julgador", traz razões no sentido de contestar o que alega ter sido o fundamento para tal decisão, qual seja, o "fato de que o pedido de compensação, por ser derivado de um crédito de terceiro, não teria sido transformado em Declaração de Compensação, e que, portanto, o ora recorrente não teria direito à manifestação de inconformidade trazida pelo §11 do art. 74 da Lei n.° 9.430/96". Às fls. 203/verso, consta DESPACHO/DECISÃO, datado de 22/09/2008, em que Juiz Federal da 2ª Vara Federal de Blumenau informa que o "Delegado da Receita Federal do Brasil em Blumenau deverá, no prazo de 48 (quarenta e oito) horas, comprovar documentalmente que promoveu o encaminhamento do recurso da impetrante ao Conselho de Contribuintes" Em 26/09/2008, a Delegacia da Receita Federal em Blumenau encaminhou ao SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES cópia do "recurso voluntário" em referência (fls. 204/verso). É o Relatório. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13971.000101/0064 Acórdão n.º 1301002.002 S1C3T1 Fl. 370 5 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Aprecio, inicialmente, as circunstâncias em virtude das quais o "recurso" apresentado pela requerente foi encaminhado a essa instância julgadora. Trata o presente processo de PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO (fls. 01/05), em que o crédito indicado para o encontro de contas é de titularidade da pessoa jurídica SID MICROELETRÔNICA S/A. À época em que a compensação tributária em referência era autorizada, o seu disciplinamento era dado pela Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997. Abaixo, as disposições do referido ato normativo relacionadas com a COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO DE UM CONTRIBUINTE COM DÉBITO DE OUTRO. [...] Art. 15. A parcela do crédito a ser restituído ou ressarcido a um contribuinte, que exceder o total de seus débitos, inclusive os que houverem sido parcelados, poderá ser utilizada para a compensação com débitos de outro contribuinte, inclusive se parcelado. § 1º A compensação de que trata este artigo será efetuada a requerimento dos contribuintes titulares do crédito e do débito, formalizado por meio do formulário "Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros", de que trata o Anexo IV. § 2º Se os contribuintes estiverem sob jurisdição de DRF ou IRFA diferentes, o formulário a que se refere o parágrafo anterior deverá ser preenchido em duas vias, devendo cada contribuinte protocolizar uma via na DRF ou IRFA de sua jurisdição. § 3º Na hipótese do parágrafo anterior, a via do Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros, entregue à DRF ou IRFA da jurisdição do contribuinte titular do débito terá caráter exclusivo de comunicado. § 4º Na hipótese do § 2º, a competência para analisar o pleito, efetuar a compensação e adotar os procedimentos internos de que trata o § 2º do art. 13 é da DRF ou IRFA da jurisdição do contribuinte titular do crédito. § 5º Nas compensações de que trata este artigo, o Documento Comprobatório de Compensação de que trata o Anexo V será emitido em duas vias, devendo ser entregue uma via para cada contribuinte. § 6º A utilização de crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, para compensação, somente poderá ser efetuada após atendido o disposto no art. 17. Observase, portanto, que: Fl. 370DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13971.000101/0064 Acórdão n.º 1301002.002 S1C3T1 Fl. 371 6 a) a compensação em questão deveria ser requerida pelos contribuintes titulares do crédito e do débito e formalizada por meio do formulário PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITO DE TERCEIROS; b) no caso em que os contribuintes estivessem sob jurisdição de Delegacias da Receita Federal distintas, o formulário acima referenciado deveria ser preenchido em duas vias, e cada contribuinte deveria protocolizar uma via na Delegacia da Receita Federal de sua jurisdição; c) a via do formulário entregue à Delegacia da Receita Federal da jurisdição do contribuinte titular do DÉBITO tinha caráter exclusivo de COMUNICADO; d) a competência para analisar o pleito, efetuar a compensação e adotar os procedimentos internos correspondentes era da Delegacia da Receita Federal da jurisdição do TITULAR DO CRÉDITO. No caso vertente, extraise dos autos do processo administrativo nº 13811.002062/9985, apenso ao presente, as seguintes informações: i) embora também tenha protocolado um PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, a detentora do crédito, SID MICROELETRÔNICA S/A, domiciliada em SÃO PAULO, protocolou, no período de agosto a novembro de 1999, PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITO DE TERCEIROS; ii) os TERCEIROS titulares de DÉBITOS foram: RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS, CNPJ Nº 45.989.050/000181, domiciliada em VALINHOS, SÃO PAULO; RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS, CNPJ Nº 45.989.050/001820, estabelecimento localizado em BLUMENAU, SANTA CATARINA, e, RIGESA DO NORDESTE S/A, CNPJ Nº 00.310.707/000102, domiciliada em PACAJUS, Ceará; iii) referidos PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO foram protocolizados em unidades administrativas vinculadas à Delegacia da Receita Federal em São Paulo, unidade de jurisdição da pessoa jurídica detentora do CRÉDITO, ou seja, em conformidade com as disposições da IN SRF nº 21, de 1997; iv) a Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo (Derat/SPO), apreciando o PEDIDO DE RESTITUIÇÃO protocolizado e os PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO a ele vinculados, não reconheceu o direito creditório pleiteado (despacho decisório, fls. 299/306 do citado processo nº 13811.002062/9985); v) a Derat/SPO cientificou a detentora do crédito em 1º de outubro de 2007, SID MICROELETRÔNICA S/A, do Despacho Decisório acima mencionado (fls. 309); vi) em 06 de novembro de 2007, RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS, CNPJ Nº 45.989.050/000181, assinalando ser domiciliada na cidade de CAMPINAS, SÃO PAULO, e colocandose na posição de INTERESSADA, apresentou petição à Derat/SPO objetivando ser cientificada de todos os atos processuais e decisões relacionados aos pedidos de compensação (fls. 314/315); Fl. 371DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13971.000101/0064 Acórdão n.º 1301002.002 S1C3T1 Fl. 372 7 vii) em 28 de novembro de 2007, RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS, CNPJ Nº 45.989.050/000181, protocolizou na Delegacia da Receita Federal em Campinas MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE (fls. 357/379); viii) constatase, às fls. 421 dos autos, que a Delegacia da Receita Federal em Campinas, por meio de intimação datada de 25 de outubro de 2007, cientificou a RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS do Despacho Decisório emitido pela Derat/SPO, momento em que a intimou a recolher os débitos cujas compensações não haviam sido homologadas; ix) às fls. 436/442, consta o acórdão nº 1619.205, de 28 de outubro de 2008, prolatado pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal em São Paulo, do qual releva extrair, do Relatório ali contido, os seguintes fragmentos: Trata o presente feito de Pedido de Restituição (fl. 01) protocolizado em 10/08/1999, de valores pagos a titulo de CSLL por empresa por ela incorporada STC Telecomunicações Ltda. — CNPJ 57.043.036/000170, referentes aos anos calendário 1990, 1994, 1995 e 1996, no valor de R$ 3.818.319,02, em razão de ação judicial transitada em julgado no processo judicial n° 90.00.035325. ... Por meio do Despacho Decisório de fls. 299/306 proferido pela DERAT/SPO/DIORT, datado de 31/08/2007, foi indeferido o pedido e, assim, não homologada as compensações solicitadas em razão de não ter o contribuinte comprovando se possuía titulo judicial referente à Ação Ordinária n° 90.00.035325 e se o referido titulo se encontraria em fase de execução ou se já teria sido executado. O contribuinte foi cientificado por via postal, conforme AR de fls. 309v em 01/10/2007 e não apresentou manifestação de inconformidade contra a repetição do indébito e conseqüente indeferimento do pedido da autorização de compensação. Em fls. 357/379, consta petição endereçada ao Delegado desta DRJ/SPOI, datada de 28/11/2007, pela empresa Rigesa, Celulose, Papel e Embalagens Ltda., insurgindose contra a cobrança dos seus débitos em aberto, formalizada pela Intimação 10.830/SEORT/DRJ/CPS/1611/2007 (cópia em fls. 421), datada de 25/10/2007, no seguinte teor: ... As alegações apresentadas pela Rigesa, Celulose, Papel e Embalagens Ltda., na petição de fls. 357/379 podem ser assim sintetizadas: em face da Intimação 10.830/SEORT/DRPCPS/1611/2007, recebida pela Rigesa, Celulose, Papel e Embalagens Ltda., em 01/11/2007, restaria clara a pertinência da presente Manifestação de Inconformidade, vez que a própria intimação fiscal fora construída sob a égide do art. 17 da Lei n°10.833/03. considerando que a própria autoridade fiscal houve por intimar esta contribuinte aqui Manifestante, com base no art. 17 da Lei no 10.833/93, que alterou o art. 74 da Lei no 9.430/96, e levando em consideração que a referida norma outorga direito à Manifestação de Inconformidade em caso da não homologação do pedido de compensação (hoje declaração de compensação), emerge para esta contribuinte, na condição de sujeito passivo da obrigação fiscal, o Fl. 372DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13971.000101/0064 Acórdão n.º 1301002.002 S1C3T1 Fl. 373 8 direito à ampla defesa e ao contraditório, aqui sob a pele da Manifestação de Inconformidade. o interessado teria direito à ampla e irrestrita defesa nos termos do inciso II, do art. 90 da Lei n° 9.784/1999, bem assim em face dos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório e do devido processo legal. teria ocorrido a homologação tácita do pedido de restituição, por força do art. 74, §§4° e 5°, da Lei n° 9.430/96. o direito aos créditos solicitados no PA n° 13811.002062/9984 seria líquido e certo, pois uma vez que não haveria a necessidade da instauração de fase executiva em processo em que se declara a inexistência de relação jurídica, não se haveria que se falar em comprovação de desistência da referida ação. a multa que está sendo exigida da Rigesa, Celulose, Papel e Embalagens Ltda. seria indevida, e a aplicação da taxa SELIC no cômputo dos juros morat6rios seria ilegal. seria necessário o lançamento de oficio para a cobrança dos débitos em aberto e não simplesmente exigilos mediante simples carta de cobrança. seria ilegal qualquer exigência de créditos tributários já extintos em face da decadência, visto que as compensações que foram indeferidas, ou seja, não homologadas, e que deram azo à malsinada cobrança de valores supostamente devidos, datam de agosto de 1999 a março de 2000. Após desenvolver suas teses de defesa a Rigesa, Celulose, Papel e Embalagens Ltda. apresentou pedido formulado em fls. 379 e abaixo transcrito: a) conhecer da presente Manifestação de Inconformidade, e recebêla no efeito suspensivo, conforme autoriza o art. 74, §§ 9° e 11º da Lei n° 9.430/96, c/c art, 151, inciso III do CTN; b) julgar a mesma totalmente procedente, de modo que as compensações praticadas sejam todas homologadas em razão do §§ 4° e 5° do art. 74 da Lei n°9.430/96; c) que caso o pedido na alínea 'b' acima não seja atendido, que seja afastada a exigência de comprovação da não interposição de execução de sentença dos autos da ação declaratória de inexistência de relação jurídica autuada sob o n° 90.00.035325, e, por conseguinte, que as compensações praticadas sejam homologadas. Ou ainda, assim, não se entendendo, que todos os atos e procedimentos sejam anulados em face da falta de intimação da interessada, aqui Manifestante; d) que caso o pedido na alínea "c" acima não seja atendido, que ao menos, os valores exigidos sejam declarados extintos, seja pela falta de lançamento de oficio, seja pelos efeitos irradiados da decadência; e) que uma vez não atendida um dos pedidos elaborados entre as alíneas `b' a 'd' acima, que, ao menos seja afastada a exigência da multa e dos juros visto que totalmente ilegais; f) determinar que a Secretaria da Receita Federal do Brasil proceda às devidas e necessárias anotações em seus registros e arquivos magnéticos, afim de que não figure como 'pendência' e/ou inadimplência desta Manifestante, o crédito Fl. 373DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13971.000101/0064 Acórdão n.º 1301002.002 S1C3T1 Fl. 374 9 tributário ora questionado, de modo a permitir a rápida obtenção da CND — Certidão Negativa de Débitos de Tributos e Contribuições Federais, bem como que seja adotado o endereço constante na primeira página desta peça para fins de intimação referente a este processo; g) determinar a realização de diligência fiscal, a fim de comprovar a veracidade e/ou existência dos documentos ora juntados e outros que se tornem necessários, tudo em homenagem ao principio da verdade real, bem como visando um melhor convencimento da Vossa Senhoria, caso entenda conveniente e necessário. x) no acórdão acima mencionado, a 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal em São Paulo decidiu não acolher a Manifestação de Inconformidade apresentada por RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA., servindose, para tanto, dos seguintes fundamentos: nos termos do § 3º do art. 15 da Instrução Normativa SRF nº 21/97, o pedido de compensação apresentado na Delegacia da Receita Federal de jurisdição do titular do débito terá caráter exclusivo de comunicado, demandando, assim, atos de mero controle administrativo; diversamente, os pedidos de restituição e pedidos de compensação com débitos próprios são convertidos em Declarações de Compensação, submetendose ao rito processual previsto no Decreto 70.235/72; os pedidos de compensação de crédito próprio com débito de terceiros, apresentados em conformidade com a IN SRF n° 21/97, pendentes de compensação em 01/10/2002, não foram convertidos em Declaração de Compensação, haja vista o disposto no caput do art. 74 da Lei nº 9.430/96; embora o § 4° do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, incluído pela Lei n° 10.637/2002, autorize a conversão de pedidos de compensação, pendentes de apreciação pela autoridade administrativa, em Declaração de Compensação (DCOMP), "há que se coadunar o parágrafo mencionado, com o caput do artigo, do qual se extrai que nem todos os pedidos de compensação se convolaram em DCOMP, mas tãosomente aqueles que possibilitassem a compensação com débitos próprios"; extraise de tal entendimento que, independentemente do resultado da apreciação do direito creditório indicado, não há que se falar em homologação tácita de pedidos de compensação de créditos próprios com débitos de terceiros; não compete à Delegacia da Receita Federal de Julgamento a apreciação de contestação relativa ao não acolhimento da compensação em questão, sendo aplicável no caso o rito previsto na Lei 9.784/99, que rege o processo administrativo no âmbito federal, que não prevê a suspensão da exigibilidade dos débitos em aberto; a pessoa jurídica SID MICROELETRÔNICA S/A foi cientificada em 01/10/2007 do despacho decisório que não reconheceu o seu direito creditório, mas não apresentou manifestação de inconformidade; Fl. 374DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13971.000101/0064 Acórdão n.º 1301002.002 S1C3T1 Fl. 375 10 a Delegacia da Receita Federal de Julgamento não detém competência para apreciar a petição apresentada pela pessoa jurídica RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA; no caso de pedido de compensação de débito de terceiros, as normas legais que dispõem sobre essa forma de extinção do crédito tributário não previram a contestação da não homologação da compensação de crédito não pertencente ao próprio contribuinte; no que diz respeito à eventual irregularidade na cobrança, cabe ao contribuinte a interposição de "recurso hierárquico", "dirigido à autoridade que proferiu a decisão, a qual, se não a reconsiderar no prazo de cinco dias, o encaminhará à autoridade superior", nos termos do artigo 56 da Lei n° 9.784/99; xi) às fls. 443/446, constam: intimação de ciência à pessoa jurídica SID MICROELETRÔNICA LTDA, datada de 09/02/2009; ciência por EDITAL, cuja desafixação foi promovida em 30/04/2009; e despacho de arquivamento do processo. É importante salientar que o acórdão nº 1619.205, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, registra que o presente processo encontravase apensado ao de nº 13811.002062/9985. Pelo que se pode supor, o presente processo foi formalizado a partir da apresentação, pelo estabelecimento da pessoa jurídica RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA localizado em BLUMENAU, de PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. Verifico que, não obstante o fato de os pedidos terem sido apresentados em órgão subordinado à então Delegacia da Receita Federal em São Paulo, o processo foi formalizado pela Delegacia da Receita Federal em BLUMENAU, SANTA CATARINA, em 09/02/2000, unidade de jurisdição da requerente, titular do DÉBITO. Formalizado o processo administrativo, a Delegacia da Receita Federal em Blumenau o encaminhou à Delegacia da Receita Federal São Paulo, que limitouse a anexar o Despacho Decisório exarado no processo nº 13811.002062/9985, restituindo os autos à unidade de jurisdição da requerente (DRF Blumenau). A requerente, então, cientificada do Despacho Decisório acima mencionado e recebendo a CARTA DE COBRANÇA decorrente da não homologação das compensações pleiteadas, apresentou o documento de fls. 63/84, ao qual deu o título de MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. Diante das normas que regulavam a COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO DE UM CONTRIBUINTE COM DÉBITO DE OUTRO, que, repisese, atribuíam à Delegacia da Receita Federal de jurisdição do detentor do CRÉDITO a competência para apreciar o pleito, a Delegacia da Receita Federal em BLUMENAU não conheceu a "manifestação de inconformidade" apresentada pela requerente, comunicandoa acerca do envio dos débitos à Procuradoria da Fazenda Nacional, para fins de inscrição em dívida ativa. Promovida a inscrição dos débitos em dívida ativa, ela foi sobrestada em virtude da impetração de Mandado de Segurança por parte da contribuinte (MS nº 2008.72.05.0018133/SC). Fl. 375DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13971.000101/0064 Acórdão n.º 1301002.002 S1C3T1 Fl. 376 11 Assim, embora entenda que a controvérsia instaurada no presente processo já foi apreciada nos autos do processo administrativo nº 13811.002062/9985, mas, considerando que em consulta ao sítio do Superior Tribunal de Justiça o decidido no MS nº 2008.72.05.0018133/SC não foi objeto de reforma, conduzo meu voto no sentido de: i) não conhecer o "recurso voluntário" de fls. 184/202, eis que ausente pronunciamento da autoridade julgadora de primeira instância; e ii) restituir os autos à Delegacia da Receita Federal de origem para que os encaminhe à Delegacia da Receita Federal de Julgamento competente para que ela, aferindo o atendimento aos pressupostos de admissibilidade, aprecie, se for o caso, o documento de fls. 63/84. "documento assinado digitalmente" Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 376DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 16306.000068/2011-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 20 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1301-000.345
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. documento assinado digitalmente Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 06 .0 00 06 8/ 20 11 -5 5 Fl. 245DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16306.000068/201155 Resolução nº 1301000.345 S1C3T1 Fl. 246 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação, por meio da qual a contribuinte pretende compensar SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA, relativo ao ano calendário de 2005, com débito de sua titularidade. Sirvome de fragmentos do Relatório constante na decisão de primeiro grau para descrever os fatos e as razões trazidas pela requerente em sede de Manifestação de Inconformidade. [...] Por intermédio do despacho decisório de fl. 54, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada na PER/Dcomp sob exame, em razão de que as estimativas que teriam sido liquidadas por compensação, período de fevereiro de 2005, não foram confirmadas, pois a compensação indicada não foi homologada. Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 99, na qual alega, em síntese que existência de despacho decisório denegando a compensação da estimativa não determina a impossibilidade de sua compensação. A apresentação de impugnação naquele feito tem efeito suspensivo até a existência de decisão definitiva, nos termos de legislação que cita. Ao final pede o reconhecimento da compensação, com o consequente cancelamento da suposta dívida e requer que todas as intimações e notificações relativas às decisões proferidas neste processo sejam encaminhadas aos Drs. Ronaldo Rayes, OAB/SP 114.521, e João Paulo Fogaça de Almeida Fagundes, OAB/SP 154.384, ambos com escritório na cidade de São Paulo, na Rua Libero Badaró, n° 425, 11º andar, bem como sejam enviadas cópias reprográficas para a Manifestante, no endereço supra transcrito. A 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, São Paulo, apreciando as razões trazidas pela defesa, decidiu, por meio do acórdão nº 14 48.079, de 19 de dezembro de 2013, pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. O referido julgado restou assim ementado: SALDO NEGATIVO. PROVA DO INDÉBITO. O reconhecimento de direito creditório a título de saldo negativo reclama efetividade no pagamento ou compensação das antecipações calculadas por estimativa ou das retenções na fonte pagadora, a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções e a comprovação contábil e fiscal do valor do tributo apurado no ano calendário. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16306.000068/201155 Resolução nº 1301000.345 S1C3T1 Fl. 247 3 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Às fls. 200/205, foi juntado o recurso voluntário protocolizado em 17 de junho de 2015, por meio do qual a contribuinte traz considerações acerca da existência de compensações pendentes de apreciação definitiva que interferem na análise do presente do processo, motivo pelo qual requer, de forma alternativa, a suspensão do julgamento até que referidas compensações sejam definitivamente analisadas. É o Relatório. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16306.000068/201155 Resolução nº 1301000.345 S1C3T1 Fl. 248 4 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Cuida a lide de Declaração de Compensação, por meio da qual a contribuinte pretende compensar SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA, relativo ao ano calendário de 2005, com débito de sua titularidade. Extraio do Despacho Decisório de fls. 87/93 as seguintes informações: i) o montante do SALDO NEGATIVO DE IRPJ indicado para compensação foi de R$ 7.346.281,04; ii) para fins de determinação desse saldo negativo, foram considerados, entre outros, os seguintes montantes: RETENÇÕES NA FONTE................................................................R$ 426.089,86 RETENÇÕES NA FONTE POR ÓRGÃOS PÚBLICOS.................R$ 306,23 ESTIMATIVAS.................................................................................R$ 66.648.772,63 iii) das parcelas acima indicadas, foram confirmados os seguintes montantes: RETENÇÕES NA FONTE.................................................................R$ 1.334.961,30 ESTIMATIVAS .................................................................................R$ 52.475.656,25 iii) diante das alterações promovidas nas parcelas integrantes do crédito, a Delegacia da Receita Federal apurou, ao invés de saldo negativo, um imposto a pagar de R$ 5.918.270,13. A Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte, como já visto, foi considerada IMPROCEDENTE. Relativamente às antecipações obrigatórias (estimativas), supostamente extintas por compensação e que não foram confirmadas, a Recorrente argumenta que a apreciação dos pedidos correspondentes encontramse pendentes de decisão definitiva, eis que objeto de contestação nos autos dos processos administrativos nºs 10880.721506/201021 e 10880.913972/201112. De fato, conforme item 17 do Despacho Decisório de fls. 87/93, a parte das estimativas que foram extintas por meio de compensação com saldos negativos de períodos anteriores, no montante de R$ 12.703.284,17, encontramse sendo discutidas nos autos dos processos administrativos nºs 10880.721506/201021 (R$ 4.115.328,35) e 10880.913972/2011 12 (R$ 8.587.955,82). Diante do exposto, conduzo meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem, após a prolação de decisões administrativas irreformáveis nos processos nºs 10880.721506/201021 e 10880.913972/201112, encaminhe o Fl. 248DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16306.000068/201155 Resolução nº 1301000.345 S1C3T1 Fl. 249 5 presente processo a este Colegiado para prosseguimento do julgamento, momento em que deverá anexar referidas decisões. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 249DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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