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Numero do processo: 16327.002325/99-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Apr 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/10/1989 a 31/03/1992
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF. PEDIDO EFETUADO ANTES DA ENTRADA EM VIGOR DA LEI COMPLEMENTAR N° 118/05. PRAZO DE 10 ANOS, CONTADOS DO PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Segundo o entendimento do STF, no caso de pedido de restituição de tributo sujeito a lançamento por homologação efetuado antes da entrada em vigor da Lei Complementar n° 118/05, deve-se aplicar o prazo de dez anos, contados a partir do pagamento indevido. Aplicação do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 3401-002.501
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, deu-se provimento parcial ao recurso nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
JULIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente.
(assinado digitalmente)
FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonca, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Fernando Marques Cleto Duarte e Angela Sartori.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/10/1989 a 31/03/1992 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF. PEDIDO EFETUADO ANTES DA ENTRADA EM VIGOR DA LEI COMPLEMENTAR N° 118/05. PRAZO DE 10 ANOS, CONTADOS DO PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Segundo o entendimento do STF, no caso de pedido de restituição de tributo sujeito a lançamento por homologação efetuado antes da entrada em vigor da Lei Complementar n° 118/05, deve-se aplicar o prazo de dez anos, contados a partir do pagamento indevido. Aplicação do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
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PRAZO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF. PEDIDO EFETUADO ANTES DA ENTRADA EM VIGOR DA LEI COMPLEMENTAR N° 118/05. PRAZO DE 10 ANOS, CONTADOS DO PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Segundo o entendimento do STF, no caso de pedido de restituição de tributo sujeito a lançamento por homologação efetuado antes da entrada em vigor da Lei Complementar n° 118/05, devese aplicar o prazo de dez anos, contados a partir do pagamento indevido. Aplicação do artigo 62A do Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, deuse provimento parcial ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) JULIO CESAR ALVES RAMOS Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 23 25 /9 9- 33 Fl. 1440DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 3 1/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonca, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Fernando Marques Cleto Duarte e Angela Sartori. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por CONCÓRDIA S/A CORRETORA DE VALORES MOBILIÁRIOS em face de acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP), que, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação constante da manifestação de inconformidade. Cingese a controvérsia no pedido de restituição e consequente compensação de valores pagos pela contribuinte, a partir de 1989, a titulo de Contribuição ao Finsocial. O argumento da contribuinte é de que houve recolhimentos se deram de formar a maior do que o devido, segundo as diretrizes das Leis nº. 7.787/89, 7.894/89 e 8.147/90. O pedido de restituição foi elaborado em 30.09.1999, conforme formulário de fl. 01. Já a pretensão de compensação foi deduzida por meio da petição de fls. 02. A auditoria fiscal indeferiu o pedido, conforme Despacho Decisório de fls. 74, sob o argumento de que houve o decurso do prazo para postular a restituição dos valores, pelo que a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade às fls. 80/84. O acórdão da decisão de primeira instância, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, restou lavrado com a seguinte ementa: “Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/10/1989 a 31/03/1992 Ementa: FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO. EXTINÇÃO DO DIREITO. O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da extinção do crédito tributário que, in casu, ocorre pelo pagamento da contribuição. Solicitação Indeferida.” Intimada da decisão da instância a quo, em 17.01.2005, conforme faz prova o Aviso de Recebimento da ECT de fls. 98, a Recorrente interpôs, tempestivamente, o Recurso Voluntário de fls. 104/110. Em seu recurso, a contribuinte menciona que, ao contrário do decidido pela DRJ, o prazo para realizar pedido de restituição iniciase na data da homologação tácita do pagamento realizado, ou seja, após 05 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador em decorrência da homologação tácita, e não no momento do pagamento. Fl. 1441DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 3 1/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 16327.002325/9933 Acórdão n.º 3401002.501 S3C4T1 Fl. 1.441 3 Sustenta que no caso é perfeitamente possível se aplicar a tese “5 + 5”, consagrada nos tribunais pátrios para a restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Para sedimentar sua tese, traz à colação excertos da jurisprudência do extinto Segundo Conselho dos Contribuintes. Ao final, requer seja seu recurso provido para o fim de anular a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP), bem como para que se reconheça seu direito à restituição e à compensação pleiteadas, com a correta atualização dos valores de que trata este processo. Não tendo havido contrarrazões por parte da Fazenda Nacional, os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgado do Recurso Voluntário. Por derradeiro, ressaltase a incorreção quanto à numeração de páginas virtual do presente processo. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Cleto Marques Duarte DA ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado pela contribuinte é tempestivo e presente estão os demais requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual conheço do recurso voluntário. DA DECADÊNCIA No acórdão recorrido, entendeuse consumado o direito da contribuinte à restituição do FINSOCIAL indevido, sobre o fundamento de que o termo inicial do prazo é a data do fato gerador. O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n° 1.002.932SP, sob o procedimento dos recursos repetitivos, ao enfrentar o quanto disposto pela Lei Complementar n° 118/05, fixou o entendimento de que, relativamente aos pagamentos indevidos efetuados anteriormente à Lei Complementar n° 118/05, o prazo prescricional para a restituição do indébito permanece regido pela tese dos “cinco mais cinco”, isto é, pelo prazo de dez anos, limitado, porém, a cinco anos contados a partir da vigência daquela lei complementar. O termo inicial, assim, para o STJ, é o pagamento indevido, observandose o prazo de dez anos, desde que não sobeje cinco anos a contar da entrada em vigor da lei complementar n° 118/05. Fl. 1442DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 3 1/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 4 O Supremo Tribunal Federal, de outro lado, enfrentando o tema, decidiu, em recente decisão, no âmbito do Recurso Extraordinário 566.621RS, no seguinte sentido: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Decidiuse, na Suprema Corte, portanto, que o prazo reduzido, de cinco anos a contar do pagamento indevido, fixado na Lei Complementar n° 118/05, somente se aplica às ações propostas após o decurso da vacatio legis, de 120, da referida lei complementar. Até então, todas as ações se submetem ao prazo de dez anos, conforme o entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça. Ressaltese bem a diversidade de entendimentos estabelecidos no âmbito do Supremo Tribunal Federal e no âmbito do Superior Tribunal de Justiça. Fl. 1443DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 3 1/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 16327.002325/9933 Acórdão n.º 3401002.501 S3C4T1 Fl. 1.442 5 Para o STJ, o prazo de dez anos persiste, aos indébitos anteriores à Lei Complementar n° 118/2005, mas limitados aos cincos anos, para o período transcorrido posteriormente à sua entrada em vigor. Para o STF, o prazo de dez anos, contados a partir do pagamento, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase aos pedidos realizados até o término da vacatio legis da Lei Complementar n° 118/2005. A partir da sua efetiva entrada em vigor, incide o prazo de cinco anos para os pedidos de restituição então promovidos. O Regimento Interno do CARF estabelece, em seu artigo 62A, que: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Por óbvio que, sendo o STF o órgão máximo do Poder Judiciário, a quem cabe dar a última palavra, no que tange à interpretação das normas do direito positivo brasileiro, havendo divergência de entendimentos, sobre uma mesma matéria, em relação ao STJ, a decisão daquele tribunal é a que deve prevalecer, valendo ressaltar que a decisão do STF fora proferida nos termos do artigo 543B, §3°, do CPC. Desta forma, e por força do quanto disposto no artigo 62A, do Regimento Interno do CARF, devese ter que o prazo para o pedido de restituição efetuado antes da entrada em vigor da Lei Complementar n° 118/05, tem como termo inicial a data do pagamento indevido (mesmo nas hipóteses de inconstitucionalidade do tributo), findando após dez anos. No presente caso, o pedido de restituição foi efetuado em 30 de setembro de 1.999. Aplicandose o prazo decenal, nos termos da decisão do STF, revelase óbvio que não se encontrava prescrita pretensão do contribuinte à restituição do indébito, tendo em vista que os pagamentos indevidos foram efetuados no período de 01/10/1989 a 31/03/1992. CONCLUSÃO Diante do exposto, conheço do recurso da contribuinte para, no mérito, dar lhe parcial provimento, determinando o retorno dos autos à DRF de origem para a análise do pedido de restituição, tendo em vista a não caracterização da decadência. (assinado digitalmente) Fernando Marques Cleto Duarte – Relator Fl. 1444DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 3 1/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 6 Fl. 1445DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 3 1/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
score : 1.0
Numero do processo: 10580.002413/2003-50
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ESTORNO DO CRÉDITO. NECESSIDADE.
O estorno do crédito objeto de pedido de ressarcimento é uma decorrência lógica da opção do contribuinte mudar a destinação do crédito. Formulado o pedido de ressarcimento, deve o contribuinte efetuar o estorno do valor correspondente na escrita fiscal.
ÔNUS DA PROVA.
Tratando-se de pedido de ressarcimento, cabe ao contribuinte o ônus da prova do estorno do crédito na escrita fiscal.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3403-002.811
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. O Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz votou pelas conclusões.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ESTORNO DO CRÉDITO. NECESSIDADE. O estorno do crédito objeto de pedido de ressarcimento é uma decorrência lógica da opção do contribuinte mudar a destinação do crédito. Formulado o pedido de ressarcimento, deve o contribuinte efetuar o estorno do valor correspondente na escrita fiscal. ÔNUS DA PROVA. Tratando-se de pedido de ressarcimento, cabe ao contribuinte o ônus da prova do estorno do crédito na escrita fiscal. Recurso voluntário negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1721; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 3 1 2 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.002413/200350 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403002.811 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 27 de fevereiro de 2014 Matéria RESSARCIMENTO DE IPI Recorrente BOM BRASIL ÓLEO DE MAMONA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ESTORNO DO CRÉDITO. NECESSIDADE. O estorno do crédito objeto de pedido de ressarcimento é uma decorrência lógica da opção do contribuinte mudar a destinação do crédito. Formulado o pedido de ressarcimento, deve o contribuinte efetuar o estorno do valor correspondente na escrita fiscal. ÔNUS DA PROVA. Tratandose de pedido de ressarcimento, cabe ao contribuinte o ônus da prova do estorno do crédito na escrita fiscal. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. O Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz votou pelas conclusões. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 24 13 /2 00 3- 50 Fl. 555DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de IPI formalizado em 31/03/2003, relativo ao 2º Trimestre de 2001, no valor de R$ 53.149,17, englobando, segundo o contribuinte, crédito presumido de IPI e créditos incentivados do art. 3º da Lei nº 8.402/92, cumulado com declaração de compensação. Em 21/05/2003 o contribuinte apresentou Decomp retificadora em formulário de papel (fl. 291), alterando os débitos a serem compensados. Foram apresentadas outras declarações de compensação eletrônicas vinculadas ao crédito pleiteado neste processo. Durante o procedimento de diligência fiscal, o contribuinte apresentou Decomp retificador em formulário de papel (fl. 304), com alterações no demonstrativo de créditos: o trimestre de apuração foi alterado para 1º Trimestre de 2001 e a composição dos créditos passou a totalizar R$ 86.766,14. Por meio do despacho decisório de fls. 460 a 467, notificado ao contribuinte em 18/03/2008 (fl. 468) a compensação não foi homologada. Não foi admitida a retificadora de fl. 304, sob o argumento de que não havia inexatidão material a ser retificada, uma vez que os valores pleiteados estavam de acordo com o livro de apuração de IPI. O despacho decisório se refere à decomp de fl. 291, na qual o contribuinte pleiteou R$ 22.749,50 de saldo credor do IPI relativo ao 2º Trimestre de 2001 e R$ 30.399,67 de crédito presumido de IPI, escriturado no 2º Trimestre de 2001, mas referente ao 1º Trimestre de 2001. Entretanto, o direito de crédito foi negado porque o contribuinte não efetuou o estorno do pedido de ressarcimento na escrita fiscal. Em sede de impugnação o contribuinte alegou, em síntese, o seguinte: 1) é evidente o direito do contribuinte ao ressarcimento, fundamentado nos dispositivos legais da Lei nº 9.779, de 1999, art. 11 e Lei nº 9.363, de 1996, art.1º, tendo sido indeferido seu pedido em razão de suposta falta de estorno dos valores compensados, o que segundo a autoridade julgadora, faz supor o uso em duplicidade do crédito; 2) a simples análise dos livros fiscais da requerente (doc.02) demonstra que as argumentações das autoridades estão equivocadas, já que efetuou os estornos devidos à medida em que utilizava os créditos via compensação; 3) de fato não efetuou o estorno no momento do protocolo do pedido de ressarcimento, pois tal não era obrigatório, conforme demonstrado, mas a análise dos livros fiscais deixa claro que o estorno foi feito no momento da utilização dos créditos, para compensação, sem qualquer uso em duplicidade, realizada no 3º decêndio de fevereiro/2003, conforme fl.18, no valor de R$ 59.278,74; 4) ademais, a IN SRF nº 21, de 1997, vigente à época do pedido, não previa expressamente, como inclusive afirmou a autoridade julgadora em seu despacho decisório, a necessidade do estorno dos valores do IPI solicitado em pedido de ressarcimento, e por esta razão não pode o despacho decisório prosperar; 5) a análise da documentação apresentada pela requerente comprova sua regularidade fiscal e contábil, principalmente quanto aos créditos aqui pleiteados, tendo a fiscalização desconsiderado a realidade dos fatos; 6) a não apreciação de documentos juntados aos autos depois da impugnação tempestiva e antes da decisão, fere o princípio da verdade com ofensa ao princípio da ampla defesa, assim requer a reforma do despacho decisório e concedido o pleito da interessada. Por meio do Acórdão 31.874, de 06 de março de 2013, a 4ª Turma da DRJ Salvador julgou a manifestação de inconformidade improcedente. A turma de julgamento modificou o despacho decisório para acolher a decomp retificadora de fl. 304, na qual o contribuinte pleiteia o ressarcimento de R$ 86.766,14 sob o argumento de inexistência de Fl. 556DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10580.002413/200350 Acórdão n.º 3403002.811 S3C4T3 Fl. 4 3 impedimento à sua apresentação. Contudo, o indeferimento do direito de crédito pleiteado foi mantido, porque, para este trimestre, o contribuinte não comprovou que fez o estorno nem na época do pedido de ressarcimento e nem nas datas em que efetuou a compensação. Foi indeferido o valor do ressarcimento de R$ 86.766,14, por falta de estorno na escrita e mantida a não homologação da decomp retificadora de fl. 294. Regularmente notificado do acórdão de primeira instância em 14/03/2013 (fl. 529), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 12/04/2013. Alegou, em síntese, que tem direito ao ressarcimento dos créditos pleiteados e que a simples análise dos livros de IPI anexos à manifestação de inconformidade apresentada anteriormente, demonstra que os estornos foram efetuados à medida em que se utilizava dos créditos via compensação. Disse que para este processo o valor de R$ 59.278,74 foi estornado no 3º decêndio de fevereiro de 2003. O que a autoridade julgadora poderia dizer é que o estorno não foi feito na data de protocolo do pedido ( o que não era obrigatório, segundo a IN SRF 21/97), mas jamais poderia dizer que a recorrente não fez estorno algum. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento de fl. 01 totaliza R$ 53.149,17, sendo composto de R$ 22.749,50 a título de saldo credor da escrita relativo ao 2º Trimestre de 2001 e de R$ 30.399,67 de crédito presumido de IPI relativo ao 1º Trimestre de 2001, mas escriturado no 2º Trimestre de 2001. Já o débito a compensar foi retificado pelo contribuinte à fl. 291 e tal retificação foi aceita pela autoridade administrativa. Tratase de um débito de IRPJ código de arrecadação 2362 do período de apuração fevereiro de 2003 com vencimento em 31/03/2003 no valor de R$ 52.506,31. Assim, os débitos a compensar discriminados na fl. 01 do processo, foram substituídos pelo débito de IRPJ código 2362 (estimativa) da competência 02/2003 com vencimento em 31/03/2003. O contribuinte alegou que sob a égide da IN 21/97 não estava obrigado a efetuar o estorno no mesmo trimestre em que o pedido de ressarcimento era formalizado, mas que esses estornos foram efetuados à medida em que o crédito era utilizado em compensação. A título de comprovação do alegado, o contribuinte juntou com a manifestação de inconformidade a cópia do livro de apuração de IPI (fl. 501) na qual se verificam os seguintes estornos relativos às compensações efetuadas dos seguintes tributos: Compensação IRRF 4º semana fev/03...................................................195,00; Compensação parte do IRPJ jan/03 no valor de R$ 75.599,58.........59.278,74; Fl. 557DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Compensação CSL jan/03.................................................................56.399,96; Compensação parte do IRPJ jan/03 no valor de R$ 75.599,58.........16.320,84. Conforme bem apontou o acórdão de primeira instância, o contribuinte não comprovou que efetuou o estorno do valor utilizado em compensação nem na data de protocolo do pedido de ressarcimento relativo ao 2º Trimestre de 2001 e nem na data em que efetuou a compensação, pois a folha do livro de apuração do IPI juntada com a manifestação de inconformidade não se refere à compensação do IRPJ estimativa 02/2003 pleiteada à fl. 291. Cabe esclarecer que os contribuintes nunca estiveram dispensados de fazer o estorno do crédito solicitado em pedido de ressarcimento. Esse estorno é uma decorrência lógica da mudança da destinação do crédito. Isto porque enquanto permanece no livro, o crédito de IPI é destinado unicamente ao abatimento dos saldos devedores do próprio imposto. No momento em que o contribuinte muda essa destinação para ressarcimento em dinheiro ou compensação com outros tributos, o valor objeto dessa mudança deve ser estornado do livro, a fim de que não haja aproveitamento em duplicidade da mesma quantia. E o correto é efetuar o estorno no momento em que o contribuinte opta por mudar a destinação do crédito, ou seja, no trimestre em que for protocolado o pedido de ressarcimento. Embora o procedimento correto seja efetuar o estorno no momento em que o contribuinte opta por mudar a destinação do crédito, ou seja, no momento em que formaliza o pedido de ressarcimento, diante do silêncio da IN 21/97, poderseia admitir o estorno no momento da utilização do crédito em compensação. Entretanto, conforme restou demonstrado acima, o contribuinte não conseguiu comprovar que efetuou o estorno da quantia que pretendia utilizar na compensação informada à fl. 291. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Fl. 558DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10930.904553/2012-38
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/08/2010
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso.
PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
Numero da decisão: 3803-004.903
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/08/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
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GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/08/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da DCOMP transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/08/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 45 53 /2 01 2- 38 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte, em que pretende compensar apontado crédito de natureza tributária para com débito por ele apurado, ambos indicados em PER/DCOMP (efl 2/6), referente aos períodos e valores ali descritos e analisados no bojo deste processo. O pagamento foi identificado, mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho Decisório, dessa forma, o direito creditório não foi reconhecido e a compensação declarada resultou não homologada. Intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, o contribuinte manifestou a sua inconformidade tempestivamente, argumentando o que se segue: a) Afirma seu direito ao recebimento do recurso, bem assim o regular processamento dos autos para julgamento pelo órgão competente; b) Alega que o despacho decisório está eivado de nulidades, pois não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade de crédito e não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) Alega não ter meio de se defender por desconhecimento da indisponibilidade e que o despacho decisório não dispõe de qualquer esclarecimento, inclusive em relação ao significado de “disponibilidade de crédito”, o que lhe parece se tratar do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o Crédito declarado em DCTF. Não restando crédito disponível para ser restituído; d) Alega o cerceamento ao seu direito de ampla defesa, pois não foi intimado a fazer os esclarecimentos necessários e a autoridade administrativa não motivou sua decisão, a qual não passou pelo crivo de um Auditor Fiscal para confirmar a suposta indisponibilidade, dessa forma a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, sendo assim o crédito sequer foi apreciado; e) Afirma, quanto ao mérito, que utilizou de valores que indevidamente integravam a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior; f) Alega que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904553/201238 Acórdão n.º 3803004.903 S3TE03 Fl. 11 3 A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, ementando sua decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...] NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. A ausência de pedido de esclarecimentos na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. COFINS. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. Aplicase a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, pois a decisão foi em Recurso Extraordinário e não em ADIN, só aproveitando, por isso, às partes envolvidas, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, por meio do qual repete os argumentos expostos em manifestação de inconformidade, chegando a afirmar tratarse de um acórdão eletrônico, à semelhança do despacho decisório, sem que tenha sido submetido ao crivo de um auditor fiscal/colegiado para analisar essas situações. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Dos pedidos de nulidade. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 O contribuinte defende a nulidade do despacho decisório e do acórdão da DRJ por falta de motivação de seus atos, o que impossibilitou sua defesa. Entendemos que não seja obrigatória, na fundamentação do despacho decisório, a indicação expressa dos dispositivos legais e constitucionais em que se sustenta, desde que haja consonância dos argumentos utilizados com a jurisprudência e com o ordenamento jurídico vigente. Ressaltamos que o despacho decisório é processado de forma eletrônica, realizando o encontro dos valores constantes no sistema da Receita Federal do Brasil RFB. Como confessado pelo próprio contribuinte sua DCTF do período estava erroneamente preenchida, e esta informação estava inserida no sistema da RFB, ou seja, de fato o contribuinte não possuía créditos a serem ressarcidos no confronto dos valores declarados como devidos (DCTF) e daqueles que efetivamente foram recolhidos (DARF). As principais nulidades no processo administrativo fiscal estão disciplinadas nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.2351, de 1972, não identificamos nenhuma das hipóteses de nulidade presente no despacho decisório, muito menos ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, tanto que o recorrente pode fazer sua defesa de forma ampla e teve a oportunidade de provar seu direito creditório em pelo menos duas oportunidades distintas, uma quando da manifestação de inconformidade e outra quando interpôs recurso voluntário. O Despacho Decisório aponta como enquadramento legal os artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96. Tanto o artigo 170 do CTN quanto o 74 da Lei 9.430/96, reforçam o direito do contribuinte em compensar os seus débitos com crédito líquidos e certos, fica claro que a liquidez e certeza do crédito tributário é que ficou comprometida ante as informações prestadas pelo contribuinte, em especial no confronto da DCTF com o DARF recolhido, portanto, entendemos que não há que se falar em nulidade do Despacho Decisório por falta de fundamentação. Da mesma sorte, não identificamos qualquer hipótese de nulidade no acórdão proferido pela DRJ. A manifestação de inconformidade foi devidamente submetida ao crivo de um colegiado que fundamentou coerentemente sua decisão com base no Decreto 70.235, de 1972, além de trazer decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de Contribuintes. Dessa forma a recorrente poderia usufruir do direito ao contraditório e à ampla defesa. Não identificamos qualquer cerceamento à defesa do contribuinte. Mérito e comprovação do crédito. 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904553/201238 Acórdão n.º 3803004.903 S3TE03 Fl. 12 5 As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” O recorrente afirma que utilizou de valores que indevidamente integraram a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior. Apesar de se referir a algumas teses de forma genérica, o contribuinte não expôs com exatidão quais delas teria usado para justificar a redução da base de cálculo. Muito menos demonstrou quais os valores que acredita não integrarem a referida base de cálculo, o que de fato impede a análise dos argumentos expostos e não prova a disponibilidade de crédito. Na mesma esteira, admitindose por hipótese, o direito subjetivo do contribuinte, o que não é o caso, mais uma barreira se ergueria em desfavor da requerente, qual seja, a absoluta falta de provas da existência do crédito requerido. O inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que as provas que justifiquem as alegações do contribuinte devem ser trazidas na impugnação. Não há nos autos qualquer elemento de prova que ateste o crédito pretendido, não identificamos Notas Fiscais, Escrita Fiscal, Escrita Contábil, Livro de Apuração, Livro Diário, Livro Razão, planilhas demonstrativas, ou qualquer outro documento que possibilite, minimamente que seja, a sua aferição. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 330 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Quem alegou a existência de crédito foi o contribuinte, portanto, cabe a este provar o alegado crédito e não transferir tal ônus para a RFB. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, entretanto, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos. Não há como deferir o pedido do contribuinte por produção de provas posteriores a este ato, por absoluta falta de previsão legal. Conclusão. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e no mérito NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904553/201238 Acórdão n.º 3803004.903 S3TE03 Fl. 13 7 João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 10314.003897/98-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 19/09/1995, 20/09/1995
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE IMPEDIMENTO À COMPENSAÇÃO. PENDÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA EM 1/10/2002. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
O pedido de compensação, formulado em conformidade com a legislação vigente, que, em 1º de outubro de 2002, encontrava-se pendente de decisão administrativa, automaticamente, converteu-se em declaração de compensação desde a data do seu protocolo.
COMPENSAÇÃO. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO CONVERTIDO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO APÓS CINCO ANOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. EXTINÇÃO DO DÉBITO COMPENSADO. OCORRÊNCIA.
A compensação objeto de pedido de compensaçao convertido em declaração de compensação não analisado pela autoridade competente da Secretaria da Receia Federal do Brasil (RFB) dentro do prazo 5 (cinco) anos, contado da data do protocolo do pedido, considera-se homologada tacitamente e, em consequência, extinto o débito compensado.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3102-002.163
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral o Dr. Mário Junqueira Franco Júnior, OAB/SP 140.284.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Paulo Puiatti, Andréa Medrado Darzé e Adriana Oliveira e Ribeiro. A Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro participou do julgamento em substituição à Conselheira Nanci Gama, ausente, momentaneamente.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 19/09/1995, 20/09/1995 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE IMPEDIMENTO À COMPENSAÇÃO. PENDÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA EM 1/10/2002. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. O pedido de compensação, formulado em conformidade com a legislação vigente, que, em 1º de outubro de 2002, encontravase pendente de decisão administrativa, automaticamente, converteuse em declaração de compensação desde a data do seu protocolo. COMPENSAÇÃO. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO CONVERTIDO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO APÓS CINCO ANOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. EXTINÇÃO DO DÉBITO COMPENSADO. OCORRÊNCIA. A compensação objeto de pedido de compensaçao convertido em declaração de compensação não analisado pela autoridade competente da Secretaria da Receia Federal do Brasil (RFB) dentro do prazo 5 (cinco) anos, contado da data do protocolo do pedido, considerase homologada tacitamente e, em consequência, extinto o débito compensado. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral o Dr. Mário Junqueira Franco Júnior, OAB/SP 140.284. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 38 97 /9 8- 11 Fl. 582DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por RICARDO PAULO ROS A 2 (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Paulo Puiatti, Andréa Medrado Darzé e Adriana Oliveira e Ribeiro. A Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro participou do julgamento em substituição à Conselheira Nanci Gama, ausente, momentaneamente. Relatório Tratase do Despacho Decisório SAORT/IRF/SPO nº 55, de 24 de junho de 2013 (fls. 464/466) que indeferiu pedido de restituição relativo ao Imposto de Importação (II), ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e acrésimos legais (juros e multa moratórios), referentes a pagamentos indevidos, realizados no desembaraço aduaneiro de mercadorias beneficiadas com alíquota zero, por meio das DIs 138708/95 e 375569/95, e DCIs 8454/95 e 5673/95, utilizado na compensação do IPPJ do mês março de 1997, conforme discriminado nos Pedidos de Restituição e Compensação de fls. 3 e 38 do processo nº 13804.000641/9775, a este apensado por meio do Termo de fl. 447. O indeferimento do crédito pleiteado foi baseado (i) na Informação Fiscal de fl. 110, integrante do processo nº 13804.000641/9775, que considerou improcedente a compensação do IRPJ pleiteada pela interessada, por inexistência do crédito informado; e (ii) na decisão final, proferida pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) por meio do Acórdão nº 930302.008 (fls. 431/440), que manteve a cobrança do crédito tributário objeto das autuações que deram origem aos presentes autos. Inconformada, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 469/484, em que alegou: a) quando iniciados os processos de despacho aduaneiro, as autoridades efetuaram a reclassificação das mercadorias, enquadrandoas em códigos diferentes, sob a alegação de que o benefício fiscal concedido restringia se à importação de máquinas e não de peças de máquinas; b) embora não concordasse, optou em recolher os impostos exigidos na ocasião, ainda que certa de sua inexigibilidade; c) somente depois de ter sido compelida recolher o montante exigido pela autoridade aduaneira, sobreveio o ofício Secex nº 276, de 19/12/95, mediante a Portaria MF nº 26/97, decorrente de pedido de esclarecimentos apresentado pela recorrente, o qual asseverou que as mercadorias importadas enquadravamse na classificação trazida pela Portaria MF 215/95, restabelecendose a redução das alíquotas inicialmente pleiteadas; Fl. 583DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10314.003897/9811 Acórdão n.º 3102002.163 S3C1T2 Fl. 101 3 d) dessa forma, após a publicação da Portaria MF 26/97, não pairando dúvida no sentido de que os equipamentos importados estavam contemplados na isenção concedida, em 25/04/97, apresentou Pedido de Compensação de débito de IRPJ, pedido de apuração 03/97, utilizandose os valores recolhidos para liberação das mercadorias; e) referido pedido de compensação, deu origem ao Processo Administrativo nº 13804.000641/9775 e ensejou a revisão formal das DIs 375.569 e 138.7087; f) a revisão formal das DIs resultou a lavratura de Auto de Infração para constituição de crédito tributário, que deu origem a este processo; g) cientificada da atuação, a ora recorrente apresentou impugnação e Recurso Voluntário, que foram julgados procedentes apenas em parte, sendo mantido pelo CARF; h) a despeito da decisão definitiva do CARF no sentido de que a recorrente não fazia jus ao benefício do “Ex Tarifário”, o indeferimento dos Pedidos de Restituição e Compensação, apresentados pela recorrente no processo nº 13804.000641/9775 (apensado), não merece prosperar; i) a compensação realizada pela recorrente em 1997, quando do Despacho Decisório ora rebatido, já estava homologada tacitamente; j) a Lei 10.637/02, ao introduzir no ordenamento jurídico a figura da Declaração de Compensação, houve por bem cuidar da conversão de todos os Pedidos de Compensação então existente em Declarações de Compensação, nos termos do § 4º do artigo 74 da Lei 9.430/96, incluído pelo artigo 49 da Lei 10.637/02; k) tendo em vista que o citado artigo da Lei 10.637/02 entrou em vigência em 01/10/2002, conforme disposto no artigo 68, inciso I, desta mesma lei, os Pedidos de Compensação pendentes de análise em tal data, sem exceção, consideramse Declarações de Compensação, o que incluía o Pedido de Compensação apresentado pela recorrente em 25/04/1997; l) as Declarações de Compensação, embora sejam consideradas confissões de dívida, sujeitamse à homologação tácita, de forma que, na hipótese de inexistir manifestação do Fisco acerca da compensação declarada pelo contribuinte no prazo de cinco anos, ocorre a sua homologação tácita, resolvendose a condição resolutória para extinção do crédito tributário; m) cabia ao Fisco, quando da revisão das DIs, intimar a recorrente não apenas do lançamento ocorrido, como também do indeferimento da compensação realizada, a fim de que de ambas as decisões a empresa se defendesse; n) de forma alguma, poderia a análise da compensação restar sobrestada até final decisão definitiva quanto ao Auto de Infração, sem que qualquer notícia fosse dada a recorrente, que acreditava, dado ao disposto no artigo Fl. 584DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por RICARDO PAULO ROS A 4 74, § 5º, da Lei 9.430/96, ter ocorrido, como de fato ocorreu, a homologação tácita da compensação por ela realizada em 25/04/1997; o) ainda que se entenda não ter ocorrido a homologação tácita da compensação realizada, o que se admitia apenas argumentar, era necessário o reconhecimento do crédito do IPI recolhido maior pela recorrente, quanto à DI nº 138.708; e p) na remota hipótese de não ser reconhecida a homologação tácita, requer seja reconhecido o crédito de IPI do qual a recorrente era detentora, no montante de R$ 25.715,25 (principal) homologandose a compensação realizada até o referido valor. Sobreveio a decisão de primeiro grau (fls. 530/539), em que, por unanimidade de votos, a manifestação de inconformidade foi julgada procedente em parte, para, em face do não reconhecimento da ocorrência da alegada homologação tácita, reconhecer o direito da recorrente de compensar apenas o valor do IPI pago a maior na Declaração de Importação (DI) de nº 138.708. O referido julgado ficou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 19/09/1995, 20/09/1995 Ementa COMPENSAÇÃO O procedimento de compensação de créditos com débitos referentes a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal só se torna possível quando há liquidez e certeza de ambos. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Em 30/9/2013, a interessada foi cientificada da referida decisão. Irresignada, em 25/10/2013, apresentou o recurso voluntário de fls. 544/560, em que reafirmou os argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Previamente, é oportuno esclarecer que o Despacho Decisório em questão trata da análise dos Pedidos de Compensação e de Restituição de fls. 3 e 38, o primeiro, protocolado em 25/4/1997, foi colacionado aos autos do processo nº 13804.000641/9775, a este apensado, cuja análise ficou sobrestada até a decisão final proferida neste processo, em conformidade com os despachos de fls. 114/115, proferidos no citado processo, que foi a este apensado, em 21/12/2012, por meio do Termo de Apensação de fl. 447. Fl. 585DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10314.003897/9811 Acórdão n.º 3102002.163 S3C1T2 Fl. 102 5 No recurso em apreço, alegou a recorrente que os referidos Pedidos de Restuição e Compensação foram convertidos em Declaração de Compensação (DComp) e, nesta condição, a compensação fora tacitamente homologada antes da ciência do Despacho Decisório em apreço, o que ocorrera em somente em 3/7/2013 (fls. 467/468). Com efeito, na vigência da redação originária do art. 741 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e da Instrução Normativa SRF nº 21, de 10 de março de 1997, a compensação a requerimento era realizada mediante apresentação de pedido de restituição ou ressarcimento acompanhado de pedido de compensação. Essa sistemática vigeu até 1/10/2002, quando entrou em vigor o regime de compensação declarada, introduzida pelo artigo 49 da Lei nº 10.637, de 2002, e que deu nova redação ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, que foi regulamentada, inicialmente, pela Instrução Normativa SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002. Neste novo regime, a compensação passou a ser realizada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, apenas de declaração de compensação, em que prestada as informações tanto dos créditos utilizados quanto dos débitos compensados. Além disso, a compensação passou a ser um procedimento de extinção do crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação por parte da autoridade competente da Receita Federal. De acordo com a nova legislação, a compensação declarada passou a ser um procedimento autônomo, realizado por iniciativa do contribuinte, mediante apresentação de um único documento, a declaração de compensação. Tratase, portanto, de procedimento em que não há necessidade de apresentação de pedido de restituição ou ressarcimento e a principal análise recai sobre a regularidade da extinção dos débitos compensados, que depende da comprovação da existência dos requisitos da certeza e liquidez do crédito utilizado. Na transição do velho para o novo regime de compensação, os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa, em 1/10/2002, receberam tratamento especial, isto é, todos eles, por vontade do legislador, foram transformados em declaração de compensação, desde a data do protocolo. Em consequência, também passaram a ser submetidos ao novo procedimento de homologação aplicáveis às declarações de compensação apresentadas a partir da vigência da novel legislação e sujeitos aos mesmos efeitos jurídico do novo regime de compensação, conforme expressamente estabeleceu o § 4º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a nova redação da Lei nº10.637, de 2002, que segue transcrito: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão 1 "Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração." Fl. 586DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por RICARDO PAULO ROS A 6 informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] (grifos não originais). No âmbito administrativo, a conversão dos pedidos de compensação em declaração de compensação foi, inicialmente, regulamentada no arts. 64, 70 e 732 da Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004. Atualmente, a matéria encontrase disciplinada no art. 97, 98 e 107 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, a seguir transcritos: Art. 97. Os pedidos de compensação que, em 1º de outubro de 2002, encontravamse pendentes de decisão pela autoridade administrativa da RFB serão considerados Declaração de Compensação, para efeitos do previsto no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos pedidos de compensação pendentes de apreciação em 1º de outubro de 2002 que têm por objeto créditos de terceiros, "créditoprêmio" instituído pelo art. 1º do DecretoLei nº 491, de 1969, título público, crédito decorrente de decisão judicial não transitada em julgado e crédito que não se refira a tributos administrados pela RFB. (grifos não originais) Art. 98. A data de início da contagem do prazo previsto no § 2º do art. 44, na hipótese de pedido de compensação convertido em Declaração de Compensação, é a data da protocolização do pedido na RFB. Art. 107. Considerase pendente de decisão administrativa, para fins do disposto nos arts. 88, 93 e 97, a Declaração de Compensação, o pedido de restituição, de ressarcimento ou de reembolso, em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pelo titular da DRF, Derat, Demac/RJ, Deinf, IRF ou ALF competente para 2 "Art. 64. Serão considerados Declaração de Compensação, para os efeitos previstos no art. 74 da Lei nº9.430, de 1996, com a redação determinada pelo art. 49 da Lei nº 10.637, de 2002, e pelo art. 17 da Lei n° 10.833, de 2003, os pedidos de compensação que, em 1ºde outubro de 2002, encontravamse pendentes de decisão pela autoridade administrativa da SRF. Art. 70. A data de início da contagem do prazo previsto no § 2º do art. 29, na hipótese de pedido de compensação convertido em Declaração de Compensação, é a data da protocolização do pedido na SRF. Art. 73. Considerase pendente de decisão administrativa, para fins do disposto nos arts. 56, 61 e 64, a Declaração de Compensação, o Pedido de Restituição ou o Pedido de Ressarcimento em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pelo titular da DRF, Derat, Deinf, IRFClasse Especial ou ALF competente para decidir sobre a compensação, a restituição ou o ressarcimento." Fl. 587DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10314.003897/9811 Acórdão n.º 3102002.163 S3C1T2 Fl. 103 7 decidir sobre a compensação, a restituição, o ressarcimento ou o reembolso. No caso em tela, como não há provas nos autos de que havia quaisquer dos impedimentos estabelecidos no parágrafo único do art. 97 em destaque, logo, em 1/10/2002, o referido Pedido Compensação, que se encontrava pendente de decisão administrativa, automaticamente converteuse em declaração de compensação, por força do disposto no § 4º do art. 74 da Lei 9.430/96, combinado com art. 97 da citada Instrução Normativa. No caso, como o citado Pedido Compensação foi protocolado em 25/4/1997 e o Despacho Decisório, que deu origem a controvérsia em apreço (fls. 464/466), foi proferido em 24/6/2013 e cientificado a recorrente em 3/7/2013, quando, inequivocamente, já havia transcorrido o prazo quinquenal, fixado no § 5º do art. 74 da Lei 9.430/96. Com base nessas considerações, fica demonstrado que, na data em que prolatado o Despacho Decisório em comento, a compensação pleiteada pela recorrente já se encontrava tacitamente homologada, portanto, sem efeito o referido Despacho Decisório no que tange ao procedimento de compensação em referência. Por todo o exposto, votase por DAR PROVIMENTO ao recurso, para considerar tacitamente homologada a compensação informada no Pedido de Compensação de fl. 3 do processo nº 13804.000641/9775, que se encontra a este apensado. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 588DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por RICARDO PAULO ROS A
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Numero do processo: 10860.720255/2010-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2202-000.573
Decisão: Vistos, relatos e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Conselheiro Relator.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente
(Assinado digitalmente)
Rafael Pandolfo Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez (Presidente), Marcio De Lacerda Martins (Suplente Convocado), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Marco Aurelio De Oliveira Barbosa (Suplente Convocado), e Fabio Brun Goldschmidt.
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Conselheiro Relator. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo – Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez (Presidente), Marcio De Lacerda Martins (Suplente Convocado), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Marco Aurelio De Oliveira Barbosa (Suplente Convocado), e Fabio Brun Goldschmidt. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 60 .7 20 25 5/ 20 10 -0 4 Fl. 486DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10860.720255/201004 Resolução nº 2202000.573 S2C2T2 Fl. 487 2 Relatório 1 Procedimento de Fiscalização A DITR do recorrente incidiu em Malha Fiscal nos parâmetros: Áreas Não Tributáveis e Cálculo do Valor da Terra Nua VTN. Em 22/03/10 o recorrente foi intimado (fls. 1113) a apresentar os seguintes documentos: a) identificação do contribuinte; b) matrícula atualizada do registro imobiliário ou, em caso de posse, documento que comprovasse a posse e a inexistência de registro de imóvel rural; c) CCIR do INCRA; d) referentes às DITR/2005, 2006 e 2007: (i) ADA requerido dentro do prazo legal junto ao Ibama; (ii) laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo/florestal acompanhado de ART registrado no CREA que comprovasse as APP’s declaradas, identificando o imóvel rural e detalhando a localização e dimensão dessas áreas, previstas no termos das alíneas “a” até “h” do art. 2º da Lei nº 4.771/65, e que identificasse a localização do imóvel através de um conjunto de coordenadas geográficas definidoras dos vértices de seu perímetro, preferivelmente georeferenciadas ao sistema geodésico brasileiro; (iii) certidão de órgão público competente, caso o imóvel ou parte dele estivesse inserido em área declarada como APP, nos termos do art. 3º da Lei nº 4.771/65, acompanhado do ato do poder público que assim a declarou; (iv) ato específico de órgão competente federal ou estadual, caso o imóvel ou parte dele fosse declarado como área de interesse ecológico, que ampliem as restrições de uso para as APP’s e reserva legal; (v) ato específico de órgão competente federal ou estadual que tenha declarado a área do imóvel como área de interesse ecológico, comprovadamente imprestável para a atividade rural; e) referentes à comprovação do VTN: laudo de avaliação do VTN do imóvel emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, conforme estabelecido na NRB 14.653 da ABNT com grau de fundamentação e precisão II, acompanhado de ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados e planilhas de cálculo, preferivelmente pelo método comparativo direto de dados de mercado, ou, alternativamente, o contribuinte poderia se valer de avaliação efetuada pelas Fazendas Públicas Estaduais (exatorias) ou Municipais, assim como aquelas efetuadas pela Emater, apresentando os métodos de avaliação e as fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel, os valores deveriam comprovar o VTN na data de 01/01/05, a preço de mercado. A fiscalização salientou que a falta de comprovação do VTN declarado ensejaria o seu arbitramento com base nas informações do SIPT da RFB, nos termos do art. 14 da Lei nº 9.393/96: VTN/ha do município de localização do imóvel para 01/01/05 no valor de R$ 6.452,64 (cultura/lavoura), R$ 3.232,86 (pastagem/pecuária), R$ 2.542,70 (terra de campo ou reflorestamento) e R$ 2.052,34 (campos); para 01/01/06 no valor de R$ 8.898,07 (cultura/lavoura – solos superiores planos), R$ 6.234,81 (cultura/lavoura – solos regulares planos ou acidentados), R$ 4.375,30 (pastagem/pecuária), R$ 3.052,34 (terras de campo ou reflorestamento) e R$ 2.517,22 (campos); para 01/01/07 no valor de R$ 7.176,31 (pastagem/pecuária), R$ 9.779,61 (cultura/lavoura – solos superiores planos), R$ 10.192,84 (cultura/lavoura – solos regulares planos ou acidentados), R$ 3.780,99 (campos) e R$ 4.386,52 (terra de campo ou reflorestamento). Fl. 487DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10860.720255/201004 Resolução nº 2202000.573 S2C2T2 Fl. 488 3 Em 07/04/10 foi concedida prorrogação do prazo, por 30 dias, para a apresentação de documentos referentes à Declaração do ITR dos exercícios 2005 a 2007 por parte do recorrente (fl. 17). O recorrente apresentou, em 06/05/10, os seguintes documentos: a) identificação do contribuinte (fls. 2324); b) certidão de óbito (fl. 25); c) identificação do representante legal inventariante (fls. 2627); d) termo de inventariante (fl. 28); e) escritura e matrícula do imóvel (fls. 2933); f) certificado de cadastro de imóvel rural – CCIR (fl. 34); g) ADA 2007 (fl.35); h) Planta de Levantamento Ambiental e ART (fls. 3839 e fl. 81); i) Memorial Descritivo (fls. 4145); j) Requerimento de Certidão do Instituto Floresta – Protocolo (fls. 4648); k) Decreto Estadual nº 10.251/77 (fls. 4950); l) Decreto Estadual nº 49.215/04 (fls. 5157); m) Laudo de Avaliação da Terra Nua (fls. 5880) Na oportunidade, o recorrente destacou que: a) os trabalhos de campo só foram realizados em 2007, o que só então possibilitou a declaração do ADA a partir desse ano; b) foram utilizadas as informações do ADA de 2007 para as declarações de ITR de 2005 e 2006, já que as bases legais ambientais que dão suporte a esse trabalho são anteriores aos exercícios mencionados; c) foi requerida a emissão de certidão que comprova que o imóvel está inserido em área de interesse ecológico e de preservação permanente, Parque Estadual da Serra do Mar, em 04/05/10 junto ao Instituto Florestal (fls. 2021). 2 Notificação do Lançamento Em 04/10/10, a autoridade administrativa efetuou lançamento de ofício (fls. 01 08), embasado na falta de comprovação das informações contidas na DITR/2007. Dentre as informações não comprovadas pelo recorrente, a autoridade fiscal ressaltou as seguintes: a) a isenção da área de preservação permanente no imóvel rural, pois o recorrente não apresentou: (i) laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo/florestal, acompanhado ART registrada no CREA que comprovasse as APP’s; (ii) certidão de órgão público competente acompanhado de ato do poder público que declarou a área como APP; b) a isenção da área declarada a título de interesse ecológico no imóvel rural, pois o recorrente não apresentou: (i) ato específico do órgão competente Fl. 488DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10860.720255/201004 Resolução nº 2202000.573 S2C2T2 Fl. 489 4 federal ou estadual que ampliasse as restrições de uso para as APP’s e Reserva Legal; (ii) ato específico do órgão competente federal ou estadual que tenha declarado área do imóvel como área de interesse ecológico, comprovadamente imprestável para a atividade rural; c) o valor da terra nua declarado, pois o não consta do laudo apresentado pelo contribuinte a identificação dos dados de mercado, nem as planilhas de cálculo. No laudo consta somente uma tabela discriminando valores para os anos de 2007 a 2010, não tendo sido apresentada nenhuma fundamentação nem grau de precisão II, com anotação de responsabilidade técnica ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados e suas planilhas de cálculo o que não levou à convicção do valor atribuído ao imóvel na DIRT/2006. Foi utilizado o VTN para o exercício 2007, de R$ 3.780,99/ha, perfazendo um total de R$ 6.5444.893,69. O total do crédito tributário constituído foi de R$ 1.158.565,77, incluídos imposto suplementar apurado, multa de ofício de 75% e juros moratórios. 3 Impugnação Indignado com a autuação, o recorrente apresentou impugnação (fls. 84122) tempestiva esgrimindo os seguintes argumentos: a) a nulidade da autuação, pois não há descrição dos fatos que fundamentem a autuação quanto à imposição da multa de ofício, nem dos dispositivos legais que a lastreiam, ou ainda da penalidade aplicável, restando impossível ao contribuinte tomar conhecimento de sua suposta conduta ilícita quanto à legislação tributária. Esse vício importa em afronta ao que dispõe o art. 10, III e IV, do Decreto nº 70.235/72; b) o laudo ambiental elaborado pelo engenheiro agrônomo, devidamente instruído com ART, satisfaz as condições de prova técnica suficiente a comprovar as alegações feitas; c) a gleba objeto da incidência do ITR é composta por 1.016,90 ha de Floresta Nativa Ombrófila Densa, 71,20 ha de Floresta Nativa de Transição Restinga Encosta, 442 ha de Floresta Nativa de Restinga, 93,30 ha de Mangue e 70,10 ha de Área Antropizada. Da extensão total da gleba, constatouse através do laudo técnico que, aproximadamente 988 ha da área estão insertos dentro do Parque Estadual da Serra do Mar, o que representa cerca de 58,32% da área; d) conforme consta do laudo técnico, na composição vegetal da gleba foi constatada a existência de diversas situações que a legislação (arts. 2º e 3º do Código Florestal) define como sendo APP, independentemente de quaisquer atos do poder público, cuja soma tem a extensão de 1.141,20 ha e representa, aproximadamente, 67,37% da extensão total da área: (i) 12,5 ha de nascente ou olhos d’água – área de preservação permanente (art. 11, “c”, da Lei nº 9.393/96); (ii) 83,60 ha de rios e suas faixas de proteção – área de preservação permanente (art. 11, “a” e incisos, da Lei nº 9.393/96); (iii) 409,30 ha de topos de morro – área de preservação permanente (art. 11, “d”, da Lei nº 9.393/96); (iv) 93,3 ha de áreas de mangue – área de preservação Fl. 489DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10860.720255/201004 Resolução nº 2202000.573 S2C2T2 Fl. 490 5 permanente (art. 11, “b” e incisos da Lei nº 9.393/96); e (v) 442,50 ha de floresta de restinga – área de preservação permanente (art. 11, “f”, da Lei nº 9.393/96); e) a regra da isenção tributária do ITR tem expressa previsão legal de suas hipóteses, cabendo ao contribuinte comprovar sua ocorrência por meio idôneo, que no caso se apresenta pelo laudo técnico definindo as áreas de preservação permanente e de interesse ecológico, o que independe da apresentação do ADA; f) conforme dispõe o art. 10, § 1º, II, “e” são áreas não tributáveis, para efeito de incidência do ITR, as áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração. Tal previsão legal se coadune com as informações trazidas pelo laudo técnico acerca da vegetação florestal nativa encontrada na gleba que atesta a existência de: (i) 1.016,90 ha de floresta nativa ombrófila densa em estágio avançado de regeneração; e (ii) 71,20 ha de floresta nativa de transição restinga encosta em estágio avançado de regeneração. g) em se tratando de áreas que se encontram no Bioma Mata Atlântica, como é o caso da gleba objeto do lançamento, o Governo Federal instituiu o Decreto nº 750/93 criou restrições específicas para as áreas de Mata Atlântica, vedando quase que totalmente qualquer tipo de atividade exploratória ou extrativista dessas áreas. Além do mais, da análise sistemática do Código Florestal, arts. 2º e 3º, forçoso se reconhecer que as áreas constantes do Bioma Mata Atlântica são APP’s; h) o laudo técnico atesta que aproximadamente 998 ha do imóvel sobrepõese ao Parque Estadual da Serra do Mar, o equivalente a 58,32% da área total da gleba. A vegetação sobreposta pelo Parque é composta por Floresta Nativa Ombrófila Densa e em estado avançado de regeneração, nela, nos termos do art. 10, §1º, II, “e”, da Lei nº 9.393/96, não há incidência do ITR; i) há declaração lavrada pela Fundação para a Conservação e a Produção Florestal do Estado de São Paulo – órgão vinculado à Secretaria Estadual do Meio Ambiente – no sentido de que a área sobrepõe aproximadamente 1.003 ha ao Parque Estadual da Serra do Mar; j) a Lei nº 9.985/00, que instituiu o Sistema Nacional da Unidade de Conservação – SNUC, em seu arts. 7º, I, e 8º, III, define os parques estaduais como áreas de proteção integral que têm por escopo precípuo a preservação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica. O Decreto Estadual que instituiu o Parque Estadual da Serra do Mar como meio de proteger a fauna e a flora locais é ato do Poder Público legítimo para declarar o Parque como APP; k) a legislação do ITR, ao elencar suas hipóteses de não incidência, dispõe expressamente que o tributo não incidirá nas áreas de interesse ecológico, que podem ser definidas como meio de extensão das medidas de proteção imposta às APP’s; Fl. 490DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10860.720255/201004 Resolução nº 2202000.573 S2C2T2 Fl. 491 6 l) o ADA tem por escopo fornecer ao órgão ambiental subsídios para que pratique os atos necessários à preservação, impor a sua apresentação como condição essencial ao reconhecimento da regra de não incidência tributária é desvirtuar a função e a natureza jurídica do ato; m) o valor atribuído à terra pela fiscalização foi de R$ 2.517,22/ha, valor muito superior ao verificado pelo laudo técnico juntado aos autos. Ademais, o VTN atribuído pela autoridade fiscal não foi acompanhado dos dados constantes do SIPIT, nem informa sobre ter havido qualquer procedimento fiscalizatório in loco no imóvel, assim o descumprimento de preceitos expressamente determinados pela lei que permitem a retificação do VTN pelo fisco torna nulo o procedimento; n) não pode ser admitida a simples alegação de que o laudo técnico apresentado pelo contribuinte deve ser desconsiderado por carecer de critérios técnicos sem que se apresente as fontes, e que se dê publicidade aos dados que lastrearam o cálculo feito através do SIPIT; o) parte da área do recorrente encontrase abaixo dos limites do Parque Estadual da Serra do Mar, como perímetro urbano, classificada como zonas urbanas Z6 (zona incompatível com o turismo) e Z10 (zona dos bairros internos, destinada à expansão urbana dos bairros Sertão do Quina, Fundos da Maranduva, Corcovado e Taquaral) com 657,67 ha. Essa área urbana é tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico CONDEPHAAT. Sendo, portanto, a área sujeito ao lançamento do IPTU pelo Município; p) conforme se observa do laudo técnico, a área sem vegetação, sobre a qual haveria incidência do ITR, tem a extensão de 70,10 ha, equivalente ao percentual de 4,14% da área total. Considerando a área de 70,10 ha, a alíquota do ITR aplicável, nos termos do anexo à Lei nº 9.393/96, é aquela prevista para as áreas de perímetro entre 50 ha a 200 ha, com Grau de Utilização de até 30%, que impõe uma alíquota de 2% sobre o VTN; O recorrente requereu a produção de prova técnica pericial, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, em razão da complexidade técnica de definir cada uma das características ambientais encontradas na gleba, bem como de dimensionar a área urbanizada, e ainda valorar o VTN à época dos lançamentos. Indicou como perito técnico o Engenheiro Agrônomo Nirceu Eduardo Vicente (fl. 123). Anexos à impugnação, foram juntados os seguintes documentos: a) notificação de lançamento (fls. 124127); b) matrícula do imóvel (fls. 132133); c) laudo técnico ambiental acompanhado de ART e mapa (fls. 134148); d) declaração da Fundação para a Conservação e a Produção Floresta do Estado de São Paulo (fl. 149); Fl. 491DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10860.720255/201004 Resolução nº 2202000.573 S2C2T2 Fl. 492 7 e) ADA/2007 (fl. 150); f) laudo VTN acompanhado de ART (fls. 151181); g) Lei Municipal nº 711/84 (fls. 187215); h) Resolução nº 40/85 (fls. 216224); i) declaração da Prefeitura Municipal da Estância Balneária de Ubatuba – SP (fl. 225); j) mapa (fls. 226227); 4 Acórdão de Impugnação A impugnação foi julgada improcedente pela 1ª Turma da DRJ/CGE, por unanimidade (fls. 247258), mantido o crédito tributário exigido. Os fundamentos foram os seguintes: a) a improcedência e a carência de fundamentação legal do pedido de nulidade do lançamento, pois a Notificação de Lançamento foi lavrada em observâncias aos requisitos legais estabelecidos no art. 11 do Decreto nº 70.235/72, identificando as irregularidades apuradas e motivando cada alteração efetuada na DIRT/2007 de forma clara e em consonância com a ampla defesa e o contraditório, além disso, o contribuinte tomou ciência da notificação de lançamento e exerceu, dentro do prazo, o seu direito de defesa; b) não cabe discussão da constitucionalidade de lei em sede administrativa conforme estabelece o caput do art. 26A do Decreto nº 70.235/72; c) a perícia não se faz necessária no processo, o ônus da prova documental deve ser do contribuinte, a realização de perícia somente se justifica se o exame das provas apresentadas não puder ser realizado pelo julgador em razão de sua complexidade e/ou da necessidade de conhecimentos técnicos específicos. No caso, a perícia visa apenas suprimir material probatório, que deveria ser apresentado pelo interessado para comprovação dos fatos alegados em sua defesa, vez que cabe a ele o ônus da prova. A apresentação de provas pelo contribuinte deve ser feita no momento da impugnação, sendo possível a junta posterior de documentos; d) na instância administrativa prevalece o entendimento de que a dispensa de comprovação relativa às áreas de interesse ambiental (art. 10, § 7º, da Lei nº 9.393/96), diz respeito apenas à dispensa de comprovação da efetiva existência de tais áreas no imóvel quando da entrega da declaração, não dispensando o contribuinte de, uma vez sob procedimento administrativo de fiscalização, comprovar com documentos hábeis o cumprimento de exigências legais previstas na legislação ambiental e tributária para justificar a exclusão das áreas ambientais por ele declaradas de incidência do ITR; Fl. 492DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10860.720255/201004 Resolução nº 2202000.573 S2C2T2 Fl. 493 8 e) as ementas do CARF não afetam o lançamento, pois esses julgados não possuem efeitos vinculante, nem constituem normas complementares da legislação tributária, porquanto não existe lei que lhes confira efetividade de caráter normativo. Já as jurisprudências dos Tribunais Superiores citadas na impugnação apenas aproveitam às partes integrantes das lides, nos limites dos julgados, em conformidade com o art. 472 do Código de Processo Civil. Não tendo o contribuinte comprovado ter sido parte em ação judicial transitada em julgado e cuja decisão lhe tenha sido favorável quanto à matéria impugnada, não cabe à autoridade administrativa absterse de cumprir a legislação; f) para beneficiarse da redução do ITR deve o contribuinte apresentar o ADA protocolizado tempestivamente no Ibama. No caso, o ADA foi protocolizado no Ibama em 31/09/07, após o prazo previsto na Instrução Normativa Ibama nº 76/05; g) quanto à área de interesse ecológico, o contribuinte não apresentou ato específico do órgão competente federal ou estatual para comprovar que o imóvel, ou parte dele, foi declarado de interesse ecológico, ampliando as restrições de uso para as APP’s e reserva legal, ou ato específico do órgão competente federal ou estadual que tenha declarado a área como tal, e comprovadamente imprestável para a atividade rural. Ademais, o ADA é intempestivo para o exercício; h) as áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, não averbadas como reserva legal ou não enquadradas nas outras definições de áreas afastadas da tributação, somente foram afastadas da tributação pelo ITR com o advento da Lei nº 11.428/06. Referidas áreas estão isentas a partir do Exercício 2007, desde que apresentado ADA protocolado tempestivamente no Ibama; i) não há justificativa para reconhecer que as áreas ocupadas com vegetação primária existente na Mata Atlântica, indicadas no Decreto nº 750/93, estavam isentas de ITR antes da Lei nº 11.428/06. Por isso, as áreas informadas a esse título na documentação apresentada pelo contribuinte somente serão aceitas no lançamento relativo ao exercício 2007 desde que sejam reconhecidas mediante ADA protocolizado tempestivamente junto ao Ibama; j) a alegação de que o imóvel ou parte dele encontrase inserido no Bioma Mata Atlântica sendo APP, não é suficiente para comprovar a isenção; k) o fato de imóvel rural, com posse e domínio útil privados, encontrarse dentro dos limites da área do Parque Estadual não caracteriza condição suficiente para a imunidade/isenção do ITR deste; l) a alíquota de cálculo considerada no lançamento foi a mesma informada pelo contribuinte por não ter declarado nenhuma atividade rural no imóvel; m) o procedimento utilizado pela fiscalização para a apuração do VTN, com base nos valores constantes em sistema da Receita Federal, encontra amparo Fl. 493DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10860.720255/201004 Resolução nº 2202000.573 S2C2T2 Fl. 494 9 no art. 14 da Lei nº 9.393/96. O valor do SIPT só é utilizado quando, após intimado, o contribuinte não apresenta elementos suficientes para comprovar o valor por ele declarado, da mesma forma, o valor apurado pela fiscalização fica sujeito a revisão quando o contribuinte comprova o VTN efetivo de seu imóvel; n) o VTN por hectare utilizado para o cálculo do imposto foi extraído do SIPT, conforme consulta à fl. 15, para o exercício 2007, e referese ao menor valor por aptidão agrícola conforme ali previsto; o) o laudo técnico apresentado pelo recorrente não será aceito como grau de fundamentação e precisão II, por apresentar algumas inconsistências como (i) a avaliação do imóvel não se refere a 01/01/07; (ii) consta a data de elaboração do laudo 05/11/10; (iii) não foi usado o número mínimo de 5 dados de mercado efetivamente utilizados (transações efetivas), necessárias para a caracterização do laudo como fundamentação e precisão II, conforme determina o item 9.2.3.5, letra “b”, da NRB 14.6533 da ABNT, tendo sido utilizadas apenas opiniões da Imobiliária SATEPE (Engenharia de Avaliações), anexas ao laudo apresentado. Os dados de mercado coletado (no mínimo cinco) devem, ainda, se referir à data do fato gerador do ITR (01/01/07); p) da análise da documentação apresentada pelo contribuinte, não há como vincular a parte da área do imóvel em que ocorreu a expansão urbana, pois as fichas estão em nome de diversos proprietários, sem especificação da área que deu origem aos terrenos ali especificados; 5 Recurso Voluntário Notificado da decisão em 24/04/12, o recorrente, não satisfeito com o resultado do julgamento, interpôs recurso voluntário (fls. 377428 do eprocesso) em 24/05/12, repisando as alegações da impugnação, acrescentando os seguintes argumentos: a) a nulidade em decorrência da ausência da correta identificação e assinatura da autoridade fiscal. Não há, na notificação de lançamento, a assinatura do Delegado da RFB, Dr. Hailton de Paula, autoridade fiscal responsável pela notificação, ademais, na notificação consta como sua matrícula o número 00017080, todavia, em consulta ao site governamental “Portal da Transparência”, vêse o mesmo funcionário público com o número de matrícula 00096702; b) a incidência da Súmula nº 21 do CARF; c) a dispensa da instauração do MPF como instrumento de constituição do crédito, implica em flagrante violação à legislação que rege o procedimento administrativo fiscal, impondo a nulidade por vício procedimental insanável; d) o lançamento decorreu da suposta constatação de infração à legislação tributária após análise das informações prestadas pelo recorrente, enquadrandose no § 2º, do art. 2º, da Instrução Normativa RFB nº 958/09, que prevê que em tal situação, será lavrado o competente auto de infração. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10860.720255/201004 Resolução nº 2202000.573 S2C2T2 Fl. 495 10 Em violação ao dispositivo regulamente, foi lavrado, erroneamente, notificação de lançamento, constituindo vício procedimental; e) ausência de comunicação o encerramento da fase instrutória do processo. Tal conduta incorre em violação ao procedimento administrativo, e macula o direito ao contraditório e à ampla defesa do contribuinte, pois é seu direito, encerrada a instrução, manifestarse no prazo de 10 dias, conforme disposto no art. da Lei nº 9.784/99; f) o entendimento exarado no v. acórdão quanto à produção de prova pericial não se coadune com os fundamentos que rechaçaram os documentos produzidos pelo recorrente, de modo que viola, por via obliqua, o exercício do direito constitucional à ampla defesa; g) a incoerência nos fundamentos do indeferimento da prova pericial atenta contra certos princípios da administração pública (princípios da razoabilidade, proporcionalidade, e do interesse público) garantidos pela Constituição e também expressos no art. 2º da Lei nº 9.784/99; h) a fundamentação da autoridade julgadora para manter o lançamento tributário, tal como originariamente lavrado, foi unicamente a de que não foi apresentado o ADA tempestivamente e nos termos da legislação tributária, o que configura modalidade oblíqua do cerceamento do direito à ampla defesa da recorrente; i) a legislação que institui o ADA, não definiu prazo legal para sua apresentação, sendo certo que a única menção a prazo consta do art. 9º, I. § 3º, da IN SRF nº 256/02, assim, o ADA é mera obrigação acessória que não traz como consequente normativo a incidência ou mensuração do valor do ITR; j) os laudos técnicos e documentos públicos demonstram, inequivocamente, as áreas em que não houve incidência do ITR, e devem ser reconhecidas como meios idôneos de prova; k) conforme se depreende do laudo técnico, e da planta de detalhamento da área, a gleba objeto da incidência do ITR, cuja extensão total é de 1.694,00 ha, é composta pela seguinte vegetação e topografia: (i) a cota de altura mais alta da gleba (100 m), o equivalente a 1.016,90 há, é composta de Floresta Nativa Ombrófila Densa em estágio avançado de regeneração; (ii) na área coberta pela Floresta Nativa, que de per si é isenta da incidência do ITR, estão inseridas na mesma APP’s: 366,39 ha de APP – Topo do Morro; 12,50 ha APP – Nascente do Rio; 101,45 ha de APP – de Curso de Rio; (iii) sobrepostos às áreas cobertas pela Floresta Nativa e as APP’s, 1.003 ha de extensão da propriedade estão inseridos no Parque Estadual da Serra do Mar, sendo que este, por força de expressa disposição legal, goza de especial proteção ambiental, e configurase área com limitação administrativa total e, portanto, imprestável para qualquer atividade; (iv) na cola abaixo da área supra descrita, a propriedade é composta por 71,20 ha de Floresta Nativa de Transição Restinga/Encosta em Estágio Avançado de Regeneração, dos quais 8,89 ha são APP – de Curso de Rio, além de 93,30 ha de mangue, Fl. 495DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10860.720255/201004 Resolução nº 2202000.573 S2C2T2 Fl. 496 11 também legalmente definido como APP (grande parte dessa área tem lançamento de IPTU, conforme documento oficial da Prefeitura Municipal de Ubatuba, o que afasta a incidência do ITR); (v) a área remanescente, que totaliza 53,66 ha, foi transformada em perímetro urbano do município, estando, portanto, totalmente abarcada pela incidência do IPTU, conforme documento oficial da Prefeitura Municipal de Ubatuba, o que afasta a incidência do ITR; (vi) a parte mais baixa da gleba existem 93,30 ha de mangue, que também são consideradas APP’s. l) a área, em sua totalidade, sofre restrições legais e administrativas, não tendo aproveitamento para o contribuinte, o que impõe a não incidência do ITR; m) ao contrário do que consta no acórdão recorrido, a empresa que elaborou o laudo de avaliação de fls. 152/183, Setape Engenharia de Avaliações é especializada em avaliações imobiliárias, amplamente conhecida no mercado, com sede em São Paulo e filial no Rio de Janeiro, e cuja higidez no procedimento e metodologia de avaliação constante do laudo é inequívoca, logo, verificase o equívoco da autoridade julgadora ao informar que a empresa que elaborou o laudo é “apenas uma imobiliária”; Em anexo foram juntados os seguintes documentos: a) impresso do “Portal da Transparência” (fl. 429 do eprocesso); b) relatório fotográfico complementar ao laudo técnico (fls. 431444 do e processo); c) foto aerofotogamétrica da gleba (fls. 447448 do eprocesso); d) notificação de lançamento do exercício 1997 (fls. 450454); e) certidão nº 292/2012, emitida em 10/05/12 pela Prefeitura Municipal da Estância Balneária de Ubatuba (fls. 455475 do eprocesso); f) Decreto nº 750/93 (fls. 476 do eprocesso); É o relatório. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10860.720255/201004 Resolução nº 2202000.573 S2C2T2 Fl. 497 12 Voto Conselheiro Rafael Pandolfo O presente recurso voluntário reúne todos os requisitos de admissibilidade exigidos pelo Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual deve ser conhecido. Inicialmente, ressalto que o acórdão recorrido é sentado em dois fundamentos: a) a ausência do ADA; b) sobreposição de áreas. Proponho, portanto, que primeiro seja enfrentada a questão do ADA e, posteriormente, a sobreposição das áreas. 1 Do ADA O recorrente aduz fazer jus a exclusão de parte da base de cálculo do ITR2007 em decorrência da existência, em seu imóvel, de APP, Área de Interesse Ecológico, Área de Floresta e Zona Urbana. Para tanto, apresenta: a) ADA 2007 requerido junto ao IBAMA em 30/11/07 (fl. 35); b) declaração da Fundação para a Conservação e a Produção Floresta do Estado de São Paulo atestando que 1003 ha do imóvel encontrase inserido nos limites do Parque Estadual da Serra do Mar (fl. 149); c) Laudo Técnico Ambiental, acompanho de ART do engenheiro responsável, mencionando a extensão das APP’s e das Áreas de Floresta do Imóvel; d) mapas. Todavia, a autoridade julgadora de Primeira Instância entendeu que devido à ausência de ADA tempestivo, o recorrente não faria jus a quaisquer das áreas pleiteadas por ele, independente da documentação apresentada aos autos: “(...) Por outro lado, é necessário destacar que se o contribuinte pretende se beneficiar da redução do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR deve apresentar o Ato Declaratório Ambiental – ADA protocolizado tempestivamente no Ibama. A base legal para apresentação do ADA está disposta no art. 17O, § 1º, da Lei nº 6.938, de 1981, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 2000. O prazo para a entrega do ADA, de acordo com o art. 9º da Instrução Normativa Ibama nº 76, de 31 de outubro de 2005, é de 1º de janeiro a 31 de setembro do exercício de 2007. No presente caso, o ADA constante dos autos foi protocolizado no Ibama em 30/11/2007, ou seja, após o prazo previsto na Instrução Normativa ora mencionada. Quanto à área de interesse ecológico o contribuinte não apresentou Ato Específico do órgão competente federal ou estadual, para comprovar que o imóvel ou parte dele tenha sido declarado de interesse ecológico, que ampliem as restrições de uso para as áreas de preservação permanente e reserva legal ou Ato Específico de órgão competente federal ou estadual que tenha declarado a área como tal, comprovadamente imprestável para a atividade rural. Além do que, conforme já visto anteriormente, o Ato Declaratório Ambiental é intempestivo para o exercício. As áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, não averbadas como Fl. 497DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10860.720255/201004 Resolução nº 2202000.573 S2C2T2 Fl. 498 13 reserva legal ou não enquadradas em outras definições de áreas afastadas da tributação, somente foram afastadas da tributação pelo ITR com o advento da Lei nº 11.428, de 2006, que acrescentou a alínea “e” ao art. 10, parágrafo 1º, inciso II, da Lei nº 9.393, de 1996. Referidas áreas estão isentas a partir do Exercício2007, desde que apresentado ADA protocolado tempestivamente no Ibama. Portanto, não há justificativa para se reconhecer que as áreas ocupadas com vegetação primária existente na Mata Atlântica, indicadas no Decreto nº 750, estavam isentas de ITR antes da alteração do artigo citado. Por isso, as áreas informadas a esse título na documentação apresentada (sic) pelo contribuinte somente serão aceitas no lançamento relativo ao exercício de 2007 desde que sejam reconhecidas mediante Ato Declaratório Ambiental – ADA protocolizado tempestivamente junto ao Ibama.(...)” Como mencionado, o ADA apresentado pelo contribuinte encontravase intempestivo, pois protocolizado junto ao Ibama 60 dias após o prazo legal. A partir da alteração promovida pela Lei nº 10.165/00, a entrega da ADA tem sido exigida como requisito à redução de imposto a pagar. Para que se compreenda adequadamente a alteração normativa e seu reflexo sistemático dentro do ordenamento, é preciso que se observe que o ADA é um ato unilateral elaborado pelo contribuinte, que não tem condão de constituir juridicamente as situações nele descritas. Noutros termos, a mera inserção de área de reserva legal no respectivo campo possui evidente eficácia declaratória da sua existência, que poderá ser confrontada com a descrição contida em laudo técnico – documento elaborado por terceiro que corroborará a situação inserida no ADA. Contudo, a prova de existência de área inexplorada no imóvel do recorrente, deságua na análise do Decreto nº 10.251/77 que institui o Parque Estadual da Serra do Mar e que em seu art. 1º prevê que: “Fica criado o Parque Estadual da Serra do Mar com a finalidade de assegurar integral proteção à flora, à fauna, às belezas naturais, bem como para garantir sua utilização a objetivos educacionais, recreativos e científicos.”, e é corroborada pela declaração da Fundação para a Conservação e a Produção Floresta do Estado de São Paulo que atesta que 1003 ha do imóvel encontrase inserido nos limites do Parque Estadual da Serra do Mar, isto é, não podendo ser explorado, pois necessária sua integral proteção, do qual o ADA é mera presunção. Seria ilógico exigirse o atendimento de requisito ligado à presunção quando o fato por ela presumido resta comprovado. A compreensão de que a exigência de ADA pode se sobrepor à realidade acobertada por prova mais eficaz e menos restritiva é incompatível com o princípio da proporcionalidade (subprincípio da necessidade). Sobre a interação entre os subprincípios da necessidade e da adequação, versa o Ministro Gilmar Mendes: O subprincípio da adequação (Geeignetheit) exige que as medidas interventivas adotadas mostremse aptas a atingir os objetivos pretendidos. O subprincípio da necessidade (Notwendigkeit oder Erforderlichkeit) significa que nenhum meio menos gravoso para o indivíduo revelarseia igualmente eficaz na consecução dos objetivos pretendidos. Em outros termos, o meio não será necessário se o objetivo almejado puder ser alcançado com a adoção de medida que se revele a um só tempo adequada e menos onerosa. Ressaltese que, na prática, Fl. 498DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10860.720255/201004 Resolução nº 2202000.573 S2C2T2 Fl. 499 14 adequação e necessidade não têm o mesmo peso ou relevância no juízo de ponderação. Assim, apenas o que é adequado pode ser necessário, mas o que é necessário não pode ser inadequado. Pieroth e Schlink ressaltam que a prova da necessidade tem maior relevância do que o teste da adequação. Positivo o teste da necessidade, não há de ser negativo o teste da adequação. Por outro lado, se o teste quanto à necessidade revelarse negativo, o resultado positivo do teste de adequação não mais poderá afetar o resultado definitivo ou final. (MENDES, Gilmar. O princípio da proporcionalidade na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal: novas leituras. Revista Diálogo Jurídico, Salvador, CAJ Centro de Atualização Jurídica, v. 1, nº. 5, agosto, 2001. Disponível em: <http://www.direitopublico.com.br>. Acesso em: 02 de março de 2012.) Ademais, a própria Lei nº 9.784/99, em seu art. 2º, parágrafo único, inciso VI, explicita o princípio da informalidade, ou do formalismo valorativo: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; A exigência do ADA, nos casos em que o laudo confirma a área de preservação permanente, área de floresta e área de interesse ecológico, representa exacerbado formalismo na aplicação do enunciado trazido pela Lei nº 10.165/00. Ou seja, a observância do requisito remanesce impávida desde que a finalidade por ele materializada não seja atingida por outro meio, mais seguro aos próprios interesses fazendários, como o laudo, conclusão reforçada pela alteração normativa engendrada pela Medida Provisória nº 2.16667/01, Diploma que introduziu o §7º ao art. 10 da Lei nº 9.393/96, abaixo transcrito: §7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. Ademais, existe jurisprudência da 1ª Turma Ordinária, da Segunda Câmara, da Segunda Seção deste Conselho que embasa tal entendimento: ÁREA DE RESERVA LEGAL COMPROVAÇÃO. A averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, faz prova da existência da área de Fl. 499DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10860.720255/201004 Resolução nº 2202000.573 S2C2T2 Fl. 500 15 reserva legal, independentemente da apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA). (CARF. 2ª Seção. 2ª Câmara. 1ª Turma Ordinária. Ac. 2201002.091. Rel. Gustavo Lian Haddad. Julg. em 17/04/13) Com base no acima exposto, entendo que deve ser afastada a decisão da DRJ, em decorrência da existência de provas que apontam para a existência de áreas de preservação permanente, área de floresta e área de interesse ecológico, sendo a exigência de ADA, formalismo exacerbado. 2 Da Sobreposição de Áreas e da Necessária Diligência O deslinde do presente processo depende da resolução de dois pontos: a) glosa de Áreas de Preservação Permanente; b) glosa da Área de Interesse Ecológico. Das alegações prestadas pelo recorrente e pela documentação acostada aos autos (DIAT, Declaração do Município de São Paulo e Laudo Técnico), temse que o imóvel, que possui 1.731 ha, seria composto da seguinte forma: DIAT ADA 2007 Município SP Laudo Técnico Área de Interesse Ecológico (Serra do Mar) 1.532 ha 1.615 ha 1.003 ha sobre o Parque Estadual da Serra do Mar APP 84,54 ha 84,54 ha 698,7 ha Área de Floresta 1.530,6 ha Área Tributável 114,6 Somandose as diversas áreas de proteção ambiental, encontrase um valor superior ao total da extensão da área, o que torna evidente a existência de sobreposição entre elas, motivo pelo qual somente com a análise dos mapas acostados ao laudo seria possível identificar qual exatamente a extensão das áreas abarcadas por restrições ambientais passíveis de isenção do ITR. Contudo, ao compulsar os autos é possível verificar que os três mapas anexos à impugnação, e que se referem às “Áreas de Preservação Permanente”, à “Cobertura Florestal Nativa” e ao “Parque Estadual da Serra do Mar”, estão incompletos. Ainda, o mapa é necessário à verificação das supostas áreas urbanizadas, e da incidência, ou não do IPTU ao caso. Sendo assim, entendo por bem converter este julgamento em diligência, solicitando à Secretaria desta Turma que envie cópia integral do mapa existente nos autos físicos deste processo, para que seja possível dar resolução à lide. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Fl. 500DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10860.720255/201004 Resolução nº 2202000.573 S2C2T2 Fl. 501 16 Fl. 501DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 13898.000203/2002-61
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 16 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3403-000.551
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de IPI protocolado em 05/02/2002, relativo ao 4º Trimestre de 2001, com fulcro no art. 11 da Lei nº 9.779/99. Ao pedido de ressarcimento foram vinculados os pedidos de compensação de fls. 62 a 74, apresentados entre 15/02/2002 e 20/08/2002. Por meio do despacho decisório de fls. 390 a 392, notificados pessoalmente ao contribuinte em 25/05/2007 (fls. 390 e 391), a autoridade administrativa reconheceu em parte do direito de crédito e homologou parcialmente a compensação declarada. Do valor pleiteado originalmente (R$ 1.070.000,00) foi reconhecido o direito a R$ 965.665,53. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 98 .0 00 20 3/ 20 02 -6 1 Fl. 569DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13898.000203/200261 Resolução nº 3403000.551 S3C4T3 Fl. 3 2 A fiscalização efetuou os seguintes ajustes no crédito do contribuinte: 1) foi glosado o valor de R$ 69.451,20 relativo ao crédito presumido do 4º trim/2001, em razão da apuração ter sido feita pela filial e não de modo centralizado pelo estabelecimento matriz (art. 15, II, da Lei nº 9.779/99); 2) foi deduzido do crédito pleiteado, o valor de R$ 345.446,21 relativo aos débitos de IPI apurados no trimestre; e 3) o pedido de ressarcimento no valor de R$ 1.070.000,00 excedia em R$ 34.883,27 o valor do saldo credor do trimestre (R$ 1.035.116,73), mesmo antes dos ajustes efetuados nos itens 1 e 2. Em sede de manifestação de inconformidade, o contribuinte alegou, em síntese, o seguinte: 1) ilegalidade da glosa de R$ 34.883,27, pois existe um crédito no valor de R$ 41.040,02, relativo a "outros créditos", que não foi considerado pela fiscalização. Alegou cerceamento de defesa; 2) ainda com relação à parcela de R$ 34.883,27 dos créditos considerada não ressarcível, embora a defesa entenda que não é possível identificar exatamente quais os créditos que foram glosados, o contribuinte pretende demonstrar a validade de todos os créditos incluídos nos R$ 41.040,02 correspondentes aos “outros créditos”, e o faz discorrendo sobre a natureza das operações correspondentes a cada grupo de CFOPs abrangido. Dessa forma, os CFOPs 1.99 e 2.99 referemse a entradas de mercadorias a título de amostra ou bonificação utilizadas como insumos na industrialização de produtos isentos ou tributados pela alíquota zero, e os créditos correspondentes devem ser admitidos por não caberem restrições infraconstitucionais à nãocumulatividade do IPI; os CFOPs 1.31, 1.32, 2.31 e 2.32 referemse a devolução de vendas, cujos créditos correspondentes são previstos no art. 150 do Decreto 2.637/1998; os CFOPs 1.21 e 1.22 referemse a créditos relativos a transferência de mercadorias entre estabelecimentos da requerente, previsto no art. 147, X, do Decreto 2.637/1998; e o CFOP 3.11 trata de compras para industrialização, que estariam por definição cobertos pelo objetivo da nãocumulatividade. Traz doutrina no sentido de não se admitir restrições à nãocumulatividade do IPI; 3) no que tange à glosa do crédito presumido, alegou que o que importa é a existência do crédito e não a forma de apuração. O crédito foi comprovado pela documentação apresentada ao fisco e em homenagem ao princípio da verdade material deveria ter sido considerado, independentemente de qual estabelecimento o apurou. Por meio do Acórdão 37.063, de 27 de março de 2012, a 8ª Turma da DRJ Ribeirão Preto julgou a manifestação de inconformidade improcedente, em julgado que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO CENTRALIZADA. OBRIGATORIEDADE. A partir do primeiro trimestre de 1999, o crédito presumido do IPI deve ser, obrigatoriamente, apurado de forma centralizada no estabelecimento matriz. TRANSFERÊNCIA DE CREDITO PRESUMIDO DE IPI. VEDAÇÃO AO RESSARCIMENTO. O crédito presumido de IPI, transferido da matriz para a filial, somente pode ser utilizado no abatimento de débitos do imposto em conta gráfica, vedado seu ressarcimento. PROVAS. OPORTUNIDADE Com a impugnação ocorre a oportunidade da apresentação de provas, precluindo o direito de o impugnante apresentálas em outro momento processual. Fl. 570DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13898.000203/200261 Resolução nº 3403000.551 S3C4T3 Fl. 4 3 COMUNICAÇÃO DOS ATOS PROCESSUAIS. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO DO SUJEITO PASSIVO. As notificações e intimações devem ser enviadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Regularmente notificado do acórdão de primeira instância em 24/05/2013 (fl. 479), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 27/09/2013 (fl. 504) alegando, em síntese, o seguinte: 1) nulidade da notificação por decurso de prazo do acórdão de primeira instância, efetuada em 24/05/2013, devendo prevalecer a data em que a autoridade administrativa deu vista dos autos ao contribuinte na sede da repartição fiscal (16/09/2013). A defesa alega, em síntese, deficiência técnica no sistema da Receita Federal. Disse que embora tenha recebido pela via eletrônica a notificação informando a existência de documentos para sua ciência em processo digital no "ecac", o processo não se encontrava e ainda não se encontra disponível para consulta por meio da opção "Processos Digitais Consulta Comunicados/Intimações". Juntou cópias das telas do "e cac" de fls. 552 a 557 para comprovar a alegação; 2) ao preencher a DCTF do 4º Trimestre de 2001, a empresa informou a apuração do crédito presumido pela sistemática da Lei nº 9.363/96 para o ano de 2002. Entretanto, em momento posterior, retificou essa DCTF alterando a opção para o regime alternativo da Lei nº 10.276/2001. Assim, ao preencher a DCTF do 3º Trimestre de 2002, a empresa informou corretamente a opção pelo regime alternativo da Lei nº 10.276/2001; 3) ainda que tivesse optado pelo regime da Lei nº 9.363/96, na época da opção (4º Trim de 2001) não havia regulamentação que vedasse a alteração do regime de apuração do crédito presumido, o que só passou a existir com o advento do art. 2º da IN 420/2004; 4) mesmo que superada a argumentação contida nos itens anteriores, o contribuinte tem direito de incluir o custo da industrialização por encomenda e a energia elétrica no cálculo do crédito presumido, pois são insumos indispensáveis ao seu processo produtivo. Finalizou sua defesa requerendo o reconhecimento da totalidade do crédito pleiteado, a juntada de provas e demais documentos que se fizerem necessários e o envio da correspondência ao endereço indicado na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O problema reside na aferição da tempestividade do recurso voluntário. Muito embora os documentos de fls. 552 a 557 nada comprovem acerca da alegada "deficiência técnica", que teria impossibilitado o acesso da recorrente ao conteúdo do Acórdão de primeira instância, fui convencido pelo colegiado a converter o julgamento em diligência, pois realmente é difícil para o contribuinte fazer a prova de um fato negativo, ou seja, de um fato que segundo ele não teria ocorrido. Fl. 571DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13898.000203/200261 Resolução nº 3403000.551 S3C4T3 Fl. 5 4 A recorrente nega a ciência em 24/05/2013 (por decurso de prazo) do Acórdão 37.063, de 27/03/2012, da 8ª Turma da DRJ/RPO, pois, segundo a defesa, o processo não estava disponível para visualização por meio do "ecac" na época em que a notificação eletrônica foi recebida (fls. 513 a 520 do recurso voluntário). Portanto, o fato positivo a ser comprovado pela repartição fiscal é que o Acórdão 37.063, de 27/03/2012, estava disponível para consulta por parte do contribuinte no "ecac" a partir do dia 09/05/2013, conforme nos dá conta o termo de fl. 479. Com essas considerações, voto no sentido de que o julgamento seja convertido em diligência, a fim de que a autoridade administrativa esclareça de forma conclusiva os seguintes quesitos: 1) Qual a data a partir da qual a imagem do Acórdão 37.063, de 27/03/2012, da 8ª Turma da DRJ/RPO, tornouse disponível para visualização do contribuinte por meio do "e cac"?; 2) Qual a data em que o contribuinte visualizou, por meio do "ecac", a imagem do Acórdão 37.063, de 27/03/2012?; 3) Qual a data em que o contribuinte visualizou, por meio do "ecac", a imagem da intimação da carta de cobrança de fls. 482 a 488?; 4) Se o Acórdão 37.063, de 27/03/2012, da 8ª Turma da DRJ/RPO não estava disponível para visualização por parte do contribuinte, esclarecer qual foi a deficiência técnica que impediu a visualização; 5) Indicar conclusivamente a data em que o contribuinte tomou conhecimento do inteiro teor do Acórdão 37.063, de 27/03/2012, da 8ª Turma da DRJ/RPO; 6) A autoridade administrativa deverá elaborar termo conclusivo das averiguações e juntar aos autos os documentos comprobatórios de todos os fatos que forem constatados, tais como telas do sistema, telas de log do sistema e telas do histórico do sistema, se existirem, tudo com o objetivo de comprovar inequivocamente a data a partir da qual a imagem do acórdão de primeira instância tornouse disponível no "ecac" para ser visualizada pelo contribuinte; 7) A autoridade administrativa deverá dar cumprimento ao art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/2011, ou seja, deverá dar ciência ao contribuinte do termo e dos demais documentos mencionados no item 6, concedendolhe prazo de trinta dias para manifestação. A notificação poderá ser efetuada, a critério da autoridade administrativa, por qualquer das formas previstas no art. 23 do Decreto nº 70.235/72. Atendida a diligência acima solicitada o processo deverá retornar a este colegiado para prosseguimento. Antonio Carlos Atulim Fl. 572DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10783.720072/2007-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). Por se tratar de áreas que independem do reconhecimento do Poder Público para a exclusão da base tributável, desnecessária a apresentação de ADA para o reconhecimento de APP declarada em DITR.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2101-002.391
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a Área de Preservação Permanente de 183,8 hectares, nos termos do voto do relator.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Eivanice Canario da Silva, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa (Relator), Alexandre Naoki Nishioka e Celia Maria de Souza Murphy .
Nome do relator: GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA
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ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). Por se tratar de áreas que independem do reconhecimento do Poder Público para a exclusão da base tributável, desnecessária a apresentação de ADA para o reconhecimento de APP declarada em DITR. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a Área de Preservação Permanente de 183,8 hectares, nos termos do voto do relator. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Eivanice Canario da Silva, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa (Relator), Alexandre Naoki Nishioka e Celia Maria de Souza Murphy . AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 00 72 /2 00 7- 45 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls.108/116) interposto em 22 de dezembro de 2009 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) (fls.96/101), do qual o Recorrente teve ciência em 26 de novembro de 2009, fls.106, que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento de fls. 51/54, oriundo da Notificação de Lançamento emitida em 12 de novembro de 2007, alusivo à cobrança de Imposto Territorial Rural – ITR, resultante da glosa de área de preservação permanente e, ainda, de arbitramento de VTN, sendo constituído um crédito tributário de R$ 21.649,53, mais cominações legais. A decisão teve exarada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 DAS AREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE As Áreas de preservação permanente, para fins de exclusão de tributação, devem constar de Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado tempestivamente no IBAMA. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 108/116), alegando em síntese, que no âmbito do artigo 1º, da Lei nº 9.393/1996, ou mesmo do Código Florestal (Lei nº 4.771/1995), não se vislumbra fundamento que validem os atos normativos da Administração Pública, quanto à exigência, como obrigação acessória, de apresentação do Ato Declaratório Ambiental – ADA, expedido pelo IBAMA, para que a APP declarada seja excluída da base de incidência do ITR. É o relatório. Voto Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10783.720072/200745 Acórdão n.º 2101002.391 S2C1T1 Fl. 127 3 Cingese a controvérsia quanto a não apresentação do ADA, objetivando a exclusão da área de preservação permanente da base de calculo do ITR. Vejamse os seguintes dispositivos extraídos da Lei nº 9.393/96: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei no 12.651, de 25 de maio de 2012 b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão ambiental; e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (...) § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. O artigo 17O da Lei nº 6.938/81, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 10.165/2000, passou a prever que: Fl. 128DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) Grifo nosso. Percebese que a apresentação do ADA pelo contribuinte ao IBAMA ou órgão conveniado – até que haja uma vistoria pelo órgão competente e a ratificação ou retificação das declarações ali contidas – restringese a informações prestadas pelo próprio contribuinte ao órgão ambiental acerca da existência de áreas que possuem algum interesse ecológico. Tenho que o § 1º do art. 17O instituiu a obrigatoriedade apenas para situações em que o benefício de redução do ITR ocorra com base no ADA, ou seja, depende do reconhecimento ou declaração por ato do Poder Público. Assim, é de se entender que o ADA apresentado tempestivamente tem a função de inverter o ônus da prova, passando este a ser do Fisco a partir da sua entrega. Caso não ocorra o protocolo tempestivo do referido documento, pode o contribuinte se valer de outros meios de prova visando à fruição da redução da base de cálculo do ITR. Compulsandose os autos observase que o contribuinte apresentou: a) ADA posterior ao exercício de 2004 (fls.40); b) Laudo por profissional habilitado (fls. 79/82); c) Relatório de Vistoria Técnica para fins de regularização de Reserva Particular do Patrimônio Natural – IBAMA (fls.28/36); d) Título de Reconhecimento de Reserva do Patrimônio Natural expedido pelo IBAMA (fls.39); Relativamente à comprovação das áreas de interesse ambiental, transcrevese a seguinte resposta à questão nº 40 constante no link “Respostas às Perguntas mais frequentes sobre o ADA”, extraída no sítio do IBAMA – www.ibama.gov.br (Serviços Online): 40 Que documentação pode ser exigida para comprovar a existência das áreas de interesse ambiental? Fl. 129DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10783.720072/200745 Acórdão n.º 2101002.391 S2C1T1 Fl. 128 5 ∙ Ato do Chefe do Poder Executivo declarando as áreas cobertas com florestas ou outras formas de vegetação como Área de Preservação Permanente, conforme dispõe o 'Código Florestal' (Lei 12.651/12) em seu artigo 6º; ∙ Laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, que especifique e discrimine as Áreas de Interesse Ambiental (Área de Preservação Permanente; Área de Reserva Legal; Reserva Particular do Patrimônio Natural; Área de Declarado Interesse Ecológico; Área de Servidão Florestal ou de Servidão Ambiental; Áreas Cobertas por Floresta Nativa; Áreas Alagadas para fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas); ∙ Laudo de vistoria técnica do IBAMA relativo à área de interesse ambiental; ∙ Certidão do IBAMA ou de outro órgão de preservação ambiental (órgão estadual de meio ambiente OEMA) referente às Áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada; ∙ Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Reserva Legal; ∙ Termo de Responsabilidade de Averbação da Área de Reserva Legal (TRARL) ou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC); ∙ Declaração de interesse ecológico de área imprestável, bem como, de áreas de proteção dos ecossistemas (Ato do Órgão competente, federal ou estadual Ato do Poder Público – para áreas de declarado interesse ecológico): Se houver uma área no imóvel rural que sirva para a proteção dos ecossistemas e que não seja útil para a agricultura ou pecuária, pode ser solicitada ao órgão ambiental federal ou estadual a vistoria e a declaração daquela como uma Área de Interesse Ecológico. ∙ Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Servidão Florestal ou de Servidão Ambiental; ∙ Portaria do IBAMA de reconhecimento da Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN); ∙ Ato Declaratório Ambiental – ADA e o comprovante da entrega do mesmo. Observase que a própria Administração Pública entende que o ADA tem efeito meramente declaratório, não sendo o único documento comprobatório da área de preservação permanente, podendo ser levando em conta, dentre outros, laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, que especifique e discrimine a área de interesse ambiental. Tenho que o conjunto probatório apensado aos autos são documentos hábeis para justificar a exclusão da pretendida área de preservação permanente do ITR/2004. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 Não sem razão que em outro processo do mesmo contribuinte, de nº 15586.000381/200664, alusivo ao ITR exercício de 2002, cujo acórdão exarado recebeu o nº 2201001.666, de relatoria do conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa, o recorrente teve provido o recurso voluntário. Ressaltese que o contribuinte, nesta fase recursal, a exemplo da impugnação apresentada na instância à quo, não fez qualquer contestação quanto ao VTN, também objeto da peça básica. Pelo exposto, dou provimento ao recurso para reconhecer a Área de Preservação Permanente de 183,8 hectares. Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Relator Fl. 131DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 13830.722239/2012-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2008
ÁREA UTILIZADA COM PRODUTOS VEGETAIS. PROVA EFICAZ. Constituem provas eficazes da área utilizada com produtos vegetais as notas fiscais vinculadas ao estabelecimento fiscalizado, referentes à comercialização ou à transferência da produção agrícola.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 2202-002.588
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente em Exercício e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente Convocada).
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente em Exercício e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente Convocada).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2008 ÁREA UTILIZADA COM PRODUTOS VEGETAIS. PROVA EFICAZ. Constituem provas eficazes da área utilizada com produtos vegetais as notas fiscais vinculadas ao estabelecimento fiscalizado, referentes à comercialização ou à transferência da produção agrícola. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente em Exercício e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente Convocada). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 72 22 39 /2 01 2- 55 Fl. 796DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 10/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Relatório Em desfavor da contribuinte, NOVA AMÉRICA TERRAS LTDA., foi emitida a Notificação de Lançamento de fls. 03 a 07, por meio do qual se exigiu o pagamento do ITR do Exercício 2008, acrescido de juros moratórios e multa de ofício, totalizando o crédito tributário de R$ 8.133.075,60, relativo ao imóvel rural “Fazenda São José”, com área de 6.740,7 ha, NIRF 0.727.1220, localizado no município de Paraguaçu Paulista/SP. Constou da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal a citação da fundamentação legal que amparou o lançamento e as seguintes informações, em suma: que, após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou as áreas efetivamente utilizadas para plantação com produtos vegetais e pastagens bem como deixou de comprovar o Valor da Terra Nua, razão pela qual esses itens foram alterados e efetuado o lançamento de ofício com base no art. 10 § 1º inciso I e art. 14 da Lei nº 9.393/1996. Cientificada do lançamento, por via postal, em 27/09/2012, conforme AR de fl. 282, a interessada apresenta impugnação de fls. 284 a 295, em 26/10/2012, onde alega, basicamente, que a área do imóvel correspondente a 5.880,6 ha, no ano de 2007, era utilizada com cultura de canadeaçúcar, conforme Contrato de Parceria firmado com a empresa Nova América Agrícola Ltda., e para justificar apresenta, nos autos, cópia do Instrumento Particular de Parceria Agrícola, Notas Fiscais de Entrada, Notas Fiscais de Saída de mercadorias, Laudo Agronômico de Comprovação da Exploração do Imóvel Rural; a área de 465,8 ha era utilizada com pecuária de acordo com o Contrato de Arrendamento firmado com Jorge Serodio, para a qual apresenta Demonstrativo do Movimento de Gado, entre outros documentos, que comprovam a altíssima produtividade do imóvel; concorda com o valor da terra nua considerado pela autoridade fiscal de R$ 3.000,00 por hectare; por último, requer perícia técnica, juntada de novos documentos e cancelamento da notificação de lançamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campo Grande/MS, julgou o lançamento procedente em parte nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2008 Áreas de Produtos Vegetais/Pastagens. O contrato de parceria agrícola por si só não é suficiente para comprovar a exploração do imóvel, sendo necessário também que as Notas Fiscais de produtor, de insumos, certificado de depósito, entre outros documentos, emitidos em nome do parceiro outorgado tenham vínculo com o imóvel em questão. Matéria Não Impugnada Valor da Terra Nua. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, conforme legislação processual. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido Fl. 797DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 10/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13830.722239/201255 Acórdão n.º 2202002.588 S2C2T2 Fl. 3 3 A autoridade de primeira instância entendeu por bem restabelecer a área de pastagens, tendo em vista o Demonstrativo do Movimento de Gado, à fl. 542 e Laudo Técnico de Comprovação de Exploração do Imóvel comprovam a área de pastagens e a quantidade de animais apascentados nela em 2007. Portanto, cabe restabelecer a glosa da área de pastagens efetuada pela fiscalização com respaldo na documentação citada, o que consequentemente altera o grau de utilização de 0,0% para 7,0%, mas a alíquota de cálculo e o crédito tributário permanecem inalterados. No que se refere ao Valor da Terra Nua, a autoridade afirmou que a mesma concordou com o valor lançado tendo em vista ter sido expressamente questionada essa parte do lançamento. Insatisfeita a contribuinte apresenta Recurso Voluntário onde reitera os argumentos da impugnação. Destaquese os seguintes pontos: que o fazenda objeto da autuação agora pertence a AGROTERRENAS S/A TERRAS, isso por força do processo de cisão da empresa então chamada de NOVA AMERICA S/A – TERRAS pelo que, imperioso a retificação de polo. que restou demonstrado através do Comprovantes de Inscrição e Situação Cadastral que a Recorrente tem sua sede na Rodovia Miguel Deliberador, SP 421, Km 68, em Paraguaçu Paulista, justamente dentro da denominada Fazenda São José. que no instrumento particular de parceria agrícola restou comprovado que embora a parceria do recorrente aponte com exatidão suas inscrições legais consignou como sede como sendo na “Fazenda San Martin” ao invés na “Fazenda São José”, flagrante erro material, jamais antes detectado. que a autoridade julgadora não apreciou com o devido cuidado a documentação apresentada que comprovam a produtividade da Fazenda São José, assinalado em relatório próprio a efetiva quantidade de cana de açúcar apontada em cada nota fiscal e que teve sua produção na chamada Fazenda São José; que várias notas fiscais referemse a fazenda São Jose atestando a inquestionável produtividade do respectivo imóvel; que o Laudo técnico agronômico de comprovação de exploração do imóvel Fazenda São Jose trazido aos autos comprovam de forma categórica a utilização da área em questão. Esta Turma decidiu converter o processo em diligência para obter provas adicionais da produção vegetal. O recorrente apresenta documentos adicionais com os quais almeja comprovar definitivamente a produção vegetal na Fazenda São José. É o relatório. Fl. 798DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 10/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. A questão fundamental é a demonstração pelo recorrente da área de produção vegetal. Diante das provas que vieram com a resolução, entendo que está comprovada à área de produção vegetal. Acolho também os argumentos do recorrente no que toca a que as notas fiscais, embora consignadas em nome da Fazenda San Martin, referemse na realidade a Fazenda São José. Ante ao exposto, voto por dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 799DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 10/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10580.011774/2007-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2001
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I.
AFERIÇÃO INDIRETA
Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, a fiscalização deverá inscrever de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário.
ÓRGÃO PÚBLICO SERVIDOR NÃO EFETIVO
O servidor não efetivo deve, obrigatoriamente, contribuir para o Regime Geral de Previdência Social - RGPS.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA
Em virtude do disposto no art. 17 do Decreto n º 70.235 de 1972 somente será conhecida a matéria expressamente impugnada.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-003.028
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir do lançamento os valores relativos aos servidores abrangidos pelo Regime Próprio de Previdência Social, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. AFERIÇÃO INDIRETA Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, a fiscalização deverá inscrever de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário. ÓRGÃO PÚBLICO SERVIDOR NÃO EFETIVO O servidor não efetivo deve, obrigatoriamente, contribuir para o Regime Geral de Previdência Social RGPS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Em virtude do disposto no art. 17 do Decreto n º 70.235 de 1972 somente será conhecida a matéria expressamente impugnada. Recurso Voluntário Provido em Parte Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir do lançamento os valores relativos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 01 17 74 /2 00 7- 11 Fl. 2008DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 aos servidores abrangidos pelo Regime Próprio de Previdência Social, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro. Fl. 2009DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.011774/200711 Acórdão n.º 2302003.028 S2C3T2 Fl. 2.009 3 Relatório A Notificação Fiscal de Lançamento de Débito foi lavrada em 22/06/2004 e cientificada ao sujeito passivo, através de registro postal em 01/07/2004, referindose às contribuições patronais incidentes sobre a remuneração dos contribuintes individuais e dos servidores efetivos, estáveis e contratados que prestaram serviço ao Município nas competências de 01/1999 a 06/2001. O relatório fiscal de fls. 64/66 traz que o gestor do município não apresentou documentos referentes ao edital de homologação do resultado de concurso público e portarias de nomeação de servidores efetivos, se existentes, bem como não apresentou as folhas de pagamento dos servidores efetivos, estáveis e contratados, como solicitado em ação fiscal. Ao não apresentar os documentos sujeitouse à lavratura do pertinente auto de infração por descumprimento de obrigação acessória. Aduz o relatório, que o crédito foi levantado com base nos documentos e relatórios elaborados pelo Tribunal de Contas do Município. Na impugnação o notificado alega a nulidade do lançamento porque não foram identificados os segurados cujas remunerações serviram de base para o lançamento; que os fatos geradores não foram identificados; que os relatórios do Tribunal de Contas do Município não são documentos hábeis para se efetivar o levantamento dos salários de contribuição e entre outras alegações que os fatos geradores não foram devidamente identificados. Às fls. 852/859, DecisãoNotificação pugnou pela manutenção do crédito como lançado. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, reiterando as razões expostas na peça de defesa e ratificando que não foi buscada a verdade material; que deve ser reconhecida a decadência qüinqüenal; que lhe deve ser concedido prazo para a busca e apresentação dos documentos solicitados; que mediante a realização de concurso público, alguns servidores constantes do lançamento estão abrangidos por Regime Próprio de Previdência Social, que houve cerceamento de defesa e por fim, requer que seja provido o recurso e decretada a nulidade do lançamento. Às fls. 886/888, o Serviço de Análise e Defesa de Recursos solicitou a realização de diligência para que fosse apurada a verdade material e solicitados e examinados os documentos normais, como folhas e recibos de pagamento, balancetes, processos, etc. E, que fossem juntadas cópias dos relatórios elaborados pelo TCM, para que se pudesse vislumbrar a composição dos valores lançados. Às fls. 950, foi juntada planilha com valores que deveriam ser excluídos do lançamento, por se referirem a servidores estáveis abrangidos por Regime Próprio de Previdência Social. Às folhas 966/981, foi juntado o DDAR – Discriminativo do Débito Fl. 2010DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Retificado e às fls. 982/983, Informação Fiscal que retifica o crédito lançado para excluir os servidores ocupantes de cargos efetivos, juntando cópias dos relatórios do TCM de 10/1999 a 06/2001, para confirmar os valores contidos na NFLD. O Serviço de Fiscalização se manifesta às fls. 987/988 para esclarecer como foram obtidas as bases de cálculo lançadas a partir dos documentos do TCM e diz que o levantamento foi efetuado por aferição indireta, cuja fundamentação legal não constou dos Fundamentos Legais do Débito, tampouco do Relatório Fiscal, devendo , por este motivo, ser elaborado Relatório Fiscal Complementar. Às fls. 989, o Fisco elaborou o Relatório Fiscal Complementar trazendo a fundamentação legal que sustentou o lançamento por aferição indireta. O Município foi cientificado deste relatório complementar e do resultado da diligência, através do Aviso de Recebimento de fls. 1000, mas não se manifestou. É o relatório. Fl. 2011DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.011774/200711 Acórdão n.º 2302003.028 S2C3T2 Fl. 2.010 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, devendo ser conhecido e examinado. Das Preliminares No que se refere à decadência, não merece prosperar a alegação da recorrente, posto que o lançamento referese às competências de 01/1999 a 06/2001, e foi cientificado ao sujeito passivo em 01/07/2004. Embora nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, tenha declarado inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editado a Súmula Vinculante n° 08, as competências compreendidas no presente levantamento não se encontram atingidas pela decadência, senão vejamos: Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação Fl. 2012DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Entretanto, é de se ver que as contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o do Código Tributário Nacional, em havendo o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Porém, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. No caso presente, compulsando os autos, não se vislumbra a ocorrência de recolhimentos parciais, devendo ser aplicada a regra contida no artigo 173, I do Código Tributário Nacional, onde o período lançado não se encontra abrangido pelo instituto da decadência: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. No que se refere à preliminar de nulidade do lançamento pela não individualização dos segurados, das bases de cálculo e das alíquotas aplicadas, bem como pela não apuração da verdade material, também entendo que não possui razão a recorrente. As nulidades absolutas no processo administrativo estão previstas no art. 59 do Decreto n º 70.235 de 1972, nestas palavras: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 2013DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.011774/200711 Acórdão n.º 2302003.028 S2C3T2 Fl. 2.011 7 II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Fora das hipóteses do art. 59 do Decreto n º 70.235, as demais irregularidades serão sanadas apenas se resultarem prejuízo ao sujeito passivo, e desde que tenham sido argüidas pelo sujeito passivo, pois caso contrário haverá preclusão, na forma do art. 17 do Decreto n º 70.235. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Conforme previsto no art. 61 do Decreto n º 70.235, a nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Assim, pode o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais como órgão julgador da legitimidade do lançamento fiscal reconhecer a nulidade absoluta. Contudo no caso em exame, foi comandada diligência fiscal para esclarecer aspectos do lançamento como a inclusão de servidores abrangidos por regime próprio de previdência social e a falta de fundamentação legal, no relatório fiscal, que sustentasse o lançamento por aferição indireta, matérias que se mostraram procedentes nas alegações do recorrente. Com efeito, o crédito foi retificado para excluir do lançamento os servidores abrigados no regime próprio, conforme relação apresentada pela própria recorrente, fls.889/950 e foi elaborado relatório complementar com a fundamentação legal que permitiu a aferição indireta das bases de cálculo levantadas pelo fisco, frente a não apresentação das folhas de pagamento e demais documentos solicitados em termo próprio quando do início da ação fiscal, o que inclusive, ocasionou a lavratura do pertinente auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, DEBCAD 35.727.4997, cuja cópia se encontra anexada aos autos, fls.140. No presente caso, as contribuições lançadas foram aferidas indiretamente, com base nos elementos que dispunha a fiscalização, os relatórios fornecidos pelo Tribunal de Contas do Município. A forma como os valores foram levantados e o que foi considerado como base de cálculo consta do relatório fiscal e do relatório complementar que foram entregues á recorrente, com abertura de prazo para manifestação. Fl. 2014DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 A contribuição previdenciária é espécie tributária cuja modalidade de lançamento é denominada por homologação ou autolançamento, com previsão legal no art. 150 do Código Tributário Nacional. Nessa modalidade, a lei atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, competindo a esta, posteriormente, conferir o procedimento e homologálo. No âmbito da Receita Federal do Brasil, o AuditorFiscal examina diretamente documentos, livros contábeis e fiscais, bem como outros elementos subsidiários, e, com estes elementos postos a sua disposição, verifica se o lançamento foi corretamente efetuado pelo contribuinte, homologandoo. Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, o auditor deverá inscrever de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário. A prerrogativa de arrecadar e fiscalizar as contribuições previdenciárias, bem como, aferir indiretamente a contribuição previdenciária devida e lançála de ofício, encontra embasamento legal no art. 148 do CTN, do qual o art. 33, §§ 3º, 4º e 6º da Lei n 8.212/91 são corolários: CTN "Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou em consideração, o valor ou preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial." Lei 8.212/91 "Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "d" e "e" do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação alterada pela Lei nº 10.256/01) (...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. § 4º Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode Fl. 2015DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.011774/200711 Acórdão n.º 2302003.028 S2C3T2 Fl. 2.012 9 ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário. (...) §6 Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, o faturamento e o lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário." Assim, o lançamento está suportado nos dispositivos legais e regulamentares acima transcritos, que autorizam a fiscalização a proceder ao arbitramento da base de cálculo e lançamento de ofício dos valores devidos em caso de recusa ou sonegação de documentos por parte do contribuinte, ou sua apresentação deficiente, atendendo o lançamento constitutivo do crédito previdenciário ao contido no artigo 142 da Lei n° 5.172/66 Código Tributário Nacional e aos pressupostos estabelecidos nos artigo 33 e 37 da Lei n° 8.212/91. Da mesma forma não prospera a argumentação de desrespeito ao Código Tributário Nacional, visto que, o art. 142 do CTN atribui competência privativa à autoridade administrativa para constituir os créditos, observandose as exigências de especificação do fato gerador, da matéria tributável, calculandose o montante devido e corretamente identificando se o sujeito passivo da obrigação. Todas as exigências foram atendidas pela autoridade notificante, a saber: ocorrência do fato gerador : pagamento de remuneração aos segurados empregados e contribuintes individuais; matéria tributável : a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais que constituem base de incidência da contribuição previdenciária, por determinação legal, artigo 28, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, e art. 22, III, da Lei n.º 8.212/91, na redação da Lei n.º 9.876/99; calcular o montante devido : o que está contido no Discriminativo Analítico do Débito, por competência,fls. 04/19, Discriminativo Sintético do Débito, fls. 20/23 e no Discriminativo Analítico do Débito Retificado, fls.966/981; identificar o sujeito passivo da obrigação: o município está devidamente identificado às fls. 01, da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito e seus responsáveis contam das fls. 64, na Relação de CoResponsáveis. De todos os documentos foram entregues as 2ªs. vias para o recorrente. Portanto, o direito à ampla defesa e ao contraditório, assegurado pela Constituição Federal, não foi maculado em razão do levantamento ter sido efetuado por aferição indireta, com respaldo da legislação vigente, uma vez que a recorrente não disponibilizou ao fisco os documentos solicitados para exame. Ainda, foi dada ciência à recorrente de quais elementos foram tomados por base para o lançamento do débito e como foi Fl. 2016DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 realizado o levantamento. Ademais, as matérias alegadas pelo contribuinte em sede de defesa e recurso, que se mostraram procedentes foram acatadas pelo Fisco e retificaram o valo lançado. Preleciona Hugo de Brito Machado in Mandado de Segurança em Matéria Tributária, Ed. Revista dos Tribunais, 1995, pág. 304: Os conceitos de contraditório, e de ampla defesa, são interligados, até porque o contraditório é, de certa forma, um meio, ou um instrumento inerente à ampla defesa. Por contraditório entendese a garantia de que nenhum decisão ocorrerá sem a manifestação dos que são parte no conflito. No processo administrativo fiscal a garantia do contraditório quer dizer que o contribuinte tem direito de manifestarse sobre toda e qualquer afirmação dos agentes do fisco, antes da decisão. E também que os agentes do fisco devem ser ouvidos sobre a defesa oferecida pelo contribuinte. .......................................................................................... A ampla defesa quer dizer que o contribuinte não pode ter contra ele constituído um crédito tributário sem que lhe seja assegurada oportunidade para demonstrar que o mesmo é indevido. A ampla defesa quer dizer que o contribuinte não pode ter contra ele constituído um crédito tributário sem que lhe seja assegurada oportunidade para demonstrar que o mesmo é indevido. Assim,o cerceamento de defesa e a violação ao princípio do contraditório e ao princípio da ampla defesa não restaram caracterizados, pois, o interessado apresentou impugnação e recurso à notificação lavrada, tendo sido cientificado de todos os atos que permearam o andamento do presente processo administrativo. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. Do Mérito O lançamento referese às contribuições previdenciárias devidas e incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais que prestaram serviço à recorrente e a matéria controversa cingiuse apenas aos servidores estáveis que encontravamse albergados no Regime Próprio de Previdência do Município, os quais foram retirados do lançamento, conforme diligência solicitada pela primeira instância. Os demais segurados, cujas remunerações constam desta notificação, são aqueles não detentores de cargos efetivos, para os quais se aplica o Regime Geral de Previdência Social – RGPS, consoante o disposto no artigo 13 da Lei n.º 8.212/91: Art.13 O servidor civil ocupante de cargo efetivo ou o militar da união, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, bem como o das respectivas autarquias e fundações, são excluídos do Regime Geral da Previdência Social consubstanciado nesta Lei, dedes que amparados por regime próprio de previdência social Fl. 2017DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.011774/200711 Acórdão n.º 2302003.028 S2C3T2 Fl. 2.013 11 Após a promulgação da Emenda Constitucional n.º 20 de 16 de dezembro de 1998, somente os servidores titulares de cargo efetivo podem integrar os regimes próprios, conforme o caput do artigo 40 da Constituição Federal: Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. Redação dada ao artigo pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98: A Emenda Constitucional n° 20, deu nova redação ao art. 195 da Constituição Federal, prevendo na alínea "a" do inciso I, a contribuição a cargo do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer titulo, à pessoa física que lhes preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. Assim, a partir da Emenda Constitucional n° 20, o texto constitucional prevê a contribuição da entidade equiparada à empresa sobre a remuneração de qualquer pessoa física que lhe preste serviço. Por isso, a criação da contribuição previdenciária sobre a remuneração dos agentes políticos passou a ser matéria de lei ordinária, para o que serviu a Lei n.º 10.887 de 18/06/2004, com vigência a partir da competência 09/2004. A citada lei não foi enquinada de inconstitucionalidade, permanecendo válida e amparando o lançamento constante da presente notificação. O lançamento em questão abrange apenas período posterior à Emenda Constitucional n.º 20/98, e referese exclusivamente a servidores públicos não efetivos, que compulsoriamente estão vinculados ao Regime Geral de Previdência Social. Desta forma, não há reparos a serem feitos no restante do crédito lançado., em virtude do disposto no art. 17 do Decreto n º 70.235 de 1972, onde somente será conhecida a matéria expressamente impugnada: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Pelo exposto, Voto pelo provimento parcial do recurso para excluir do lançamento os valores relativos aos servidores abrangidos pelo Regime Próprio de Previdência Social, como constante do Discriminativo Analítico do Débito Retificado, fls. 966/981. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 2018DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 Fl. 2019DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 14041.000201/2009-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/1999
LANÇAMENTO. OCORRÊNCIA DA FALTA DE CLAREZA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DOS REQUISITOS DA AUTUAÇÃO. NULIDADE.
A auditoria fiscal deve lançar a obrigação tributária com a discriminação clara e precisa dos seus dos motivos fáticos, sob pena de cerceamento de defesa e consequentemente nulidade.
É nulo o lançamento efetuado se não há a demonstração de todos os requisitos que levaram ao Fisco a considerar a data inicial em que se torna definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado.
AUSÊNCIA DE DETERMINAÇÃO DOS MOTIVOS FÁTICOS E JURÍDICOS DO LANÇAMENTO FISCAL. VÍCIO MATERIAL. OCORRÊNCIA.
A determinação dos motivos fáticos e jurídicos constitui elemento material/intrínseco do lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. A falta desses motivos constitui ofensa aos elementos substanciais do lançamento, razão pelo qual deve ser reconhecida sua nulidade, por vício material.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-003.911
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do lançamento por vício material por falta de elementos comprobatórios da ciência do resultado do julgamento que declarou a nulidade por vício formal, nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes que votou pela inexistência de decadência.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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COTA DOS SEGURADOS Recorrente VIA ENGENHARIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/1999 LANÇAMENTO. OCORRÊNCIA DA FALTA DE CLAREZA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DOS REQUISITOS DA AUTUAÇÃO. NULIDADE. A auditoria fiscal deve lançar a obrigação tributária com a discriminação clara e precisa dos seus dos motivos fáticos, sob pena de cerceamento de defesa e consequentemente nulidade. É nulo o lançamento efetuado se não há a demonstração de todos os requisitos que levaram ao Fisco a considerar a data inicial em que se torna definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. AUSÊNCIA DE DETERMINAÇÃO DOS MOTIVOS FÁTICOS E JURÍDICOS DO LANÇAMENTO FISCAL. VÍCIO MATERIAL. OCORRÊNCIA. A determinação dos motivos fáticos e jurídicos constitui elemento material/intrínseco do lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. A falta desses motivos constitui ofensa aos elementos substanciais do lançamento, razão pelo qual deve ser reconhecida sua nulidade, por vício material. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 02 01 /2 00 9- 81 Fl. 238DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do lançamento por vício material por falta de elementos comprobatórios da ciência do resultado do julgamento que declarou a nulidade por vício formal, nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes que votou pela inexistência de decadência. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000201/200981 Acórdão n.º 2402003.911 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, relativa à parcela desses segurados não descontada e não recolhida em época própria, referente ao período de 01/1999 a 02/1999. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 20/28), este lançamento foi efetuado em decorrência da anulação das NFLD’s nº 35.019.6095 e 35.019.6087 pelo Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS). A Recorrente interpôs impugnação (fls. 46/78) requerendo a total improcedência do lançamento. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Brasília/DF – por meio do Acórdão no 0343.889 da 7a Turma da DRJ/BSB (fls. 80/93) – considerou o lançamento fiscal procedente em parte, uma vez que foi declarada a exclusão dos valores apurados na competência 02/1999, em decorrência da não aplicação da solidariedade a partir de 02/1999 nos serviços de construção civil por empreitada parcial, e entendeu que: (i) na hipótese de lançamento substitutivo, o prazo decadencial é de 5 anos a contar da decisão definitiva que anulou o lançamento anterior; (ii) as decisões administrativas só são validas a partir da ciência do interessado; (iii) as duas empresas respondem solidariamente e sem benefício de ordem; (iv) é regular a notificação somente em face da Via Engenharia; (v) a Recorrente poderia ter elidido a sua responsabilidade, apresentando documentos, como não o fez, é correta a aplicação da aferição indireta; (vi) é devida a multa incidente sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas; e (vii) as decisões colacionadas não constituem normas complementares de direito tributário. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 96/109) argumentando que: (i) o prazo decadencial contase 5 anos após a lavratura do acórdão que anulou os lançamentos anteriores por vício formal; (ii) o crédito já decaiu para o legítimo contribuinte; (iii) a autoridade tributária arbitrou quem seria o responsável pelo tributo e discricionariamente perdoou o contribuinte; e (iv) a Recorrente não é responsável solidário, não devendo sofrer a incidência da multa. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Brasília/DF informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento (fls. 110/111). É o relatório. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. A Recorrente deixou de pagar as contribuições previdenciárias referentes às competências 01/1999 a 02/1999. No presente caso, ocorreu um novo lançamento em decorrência de ter sido anulado o lançamento fiscal anterior por conter vício formal, este foi veiculado por meio das NFLD’s n°s 35.019.6095 e 35.019.6087. Assim, a regra prevista no art. 173, II, do Código Tributário Nacional (CTN) concede ao Fisco um prazo de 5 (cinco) anos, da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulada o lançamento anterior, para que o crédito seja constituído por meio de lançamento substitutivo. Código Tributário Nacional (CTN) – Lei 5.172/1966: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (g.n.) Cumpre esclarecer que, para o lançamento de ofício, o crédito tributário é considerado definitivamente constituído com a regular ciência da decisão definitiva, momento em que não pode mais o lançamento ser contestado na esfera da Administração. Observase que a definitividade das decisões que anularam as NFLD’s n°s 35.019.6095 e 35.019.6087 deverá levar em consideração a regra estampada no artigo 42 do Decreto 70.235/1972, Lei do Processo Administrativo Fiscal (PAF), in verbis: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; (g.n.) III de instância especial. Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de oficio. Dessa regra estatuída acima, percebese que as decisões de segunda instância das quais não caibam mais recursos, ou transcorrido o prazo de sua interposição, são Fl. 241DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000201/200981 Acórdão n.º 2402003.911 S2C4T2 Fl. 4 5 definitivas. Com isso, a partir do momento em que não for mais cabível qualquer recurso ou tendo ocorrido o exaurimento das vias recursais, as decisões de segunda instância no âmbito do processo administrativo federal transitam em julgado e geram a coisa julgada formal administrativa, que é o impedimento de modificação da decisão por qualquer meio processual dentro do processo em que foi proferida, também chamada de preclusão máxima administrativa. Essas decisões são atos administrativos, e, portanto, estão sujeitas aos princípios e atributos inerentes ao regime jurídico público administrativo, seja em relação aos seus efeitos, seja em relação à sua validade. Nos termos do artigo 37 da Constituição Federal, constatase que o princípio da publicidade deverá ser observado por toda a Administração Pública, incluindo a Administração Tributária. A Lei 9.784/1999, diploma que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, explicita como critério de observância obrigatória a “divulgação oficial dos atos administrativos, ressalvadas as hipóteses de sigilo previstas na Constituição” (art. 2o, parágrafo único, inciso V). Ainda nos termos dos artigos 26 e 28 dessa Lei 9.784/1999, a intimação de decisões proferidas no âmbito administrativo tributário é obrigatória e será realizada pelo órgão competente em que tramita o processo administrativo. Lei 9.784/1999: Art. 26. O órgão competente perante o qual tramita o processo administrativo determinará a intimação do interessado para ciência de decisão ou a efetivação de diligências. ......................................................................................................... Art. 28. Devem ser objeto de intimação os atos do processo que resultem para o interessado em imposição de deveres, ônus, sanções ou restrição ao exercício de direitos e atividades e os atos de outra natureza, de seu interesse. O art. 23 do Decreto 70.235/1972 prevê como modalidades de intimação das decisões proferidas no âmbito do contencioso administrativo tributário a pessoal, por via postal e por meio eletrônico. E, essas modalidades de intimação são materializadas ou realizadas no momento em que ocorrer a ciência do sujeito passivo, nos termos do parágrafo 2° desse mesmo artigo retromencionado. Decreto 70.235/1972: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 242DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005)Art. 23. Farseá a intimação: (...) (g.n.) (...) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei 9.532, de 1997) III se por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) No mesmo sentido dispunha o art. 34 da Portaria MPS no 520/2004 que a intimação dos atos processuais seria realizada por ciência no processo, via postal com aviso de recebimento, telegrama ou outro meio que assegure a certeza da ciência do interessado. Portaria MINISTRO DE ESTADO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL MPS nº 520 de 19.05.2004, publicada no D.O.U.: 20.05.2004 Das Intimações Art. 34. A intimação dos atos processuais será efetuada por ciência no processo, via postal com aviso de recebimento, telegrama ou outro meio que assegure a certeza da ciência do interessado, sem sujeição a ordem de preferência. § 1º Quando frustrados os meios indicados no caput deste artigo, a intimação será efetuada por meio de edital e também no caso de interessados indeterminados, desconhecidos ou com domicílio indefinido. § 2º As intimações serão nulas quando feitas sem observância das prescrições legais, mas o comparecimento do administrado supre sua falta ou irregularidade. § 3º Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; Fl. 243DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000201/200981 Acórdão n.º 2402003.911 S2C4T2 Fl. 5 7 II nos demais casos do caput, na data do recebimento ou, se omitida a data, quinze dias após a data da postagem da intimação, se utilizada a via postal, ou da expedição se outro for o meio; III quinze dias após a publicação ou afixação do edital, se este for o meio utilizado. a) o edital será publicado, uma única vez, em órgão de imprensa oficial ou afixado em dependência franqueada ao público do órgão encarregado da intimação; b) a afixação e a retirada do edital deverá ser certificada nos autos pelo chefe do órgão encarregado da intimação. § 4º No caso de solidariedade, o prazo será contado a partir da ciência da intimação do último coobrigado. Nesse contexto, as decisões proferidas em processo administrativo, tributários ou não, têm a publicidade como um requisito de validade e de produção de seus efeitos. A rigor, não se pode dizer sequer que o ato administrativo já esteja inteiramente formado (perfeito) enquanto não ocorrer a sua publicidade prevista na lei, que no presente caso será no momento em que o sujeito passivo tomar ciência da decisão proferida pela Corte Administrativa (na época o Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS). Para que o ato administrativo, veiculado por meio do acórdão que anulou o lançamento fiscal anterior, tornese perfeito e eficaz, é necessário ele completar o seu ciclo de formação, este será ocasionado no momento em que percorrer todas as fases necessárias para sua produção. Com isso, no âmbito do contencioso administrativo fiscal, a ciência ao sujeito passivo também será uma dessas fases de formação da decisão proferida em segunda instância, pois esta decisão é simplesmente um ato administrativo que produzirá efeitos na esfera do administrado (Recorrente). Essa ciência ao sujeito passivo da decisão proferida em segunda instância fará com que tal lançamento produza os seus efeitos previstos na legislação tributária. É bom esclarecer que a publicidade do ato administrativo é diferente de sua publicação. Esta é a divulgação do ato por meios oficiais, exemplo Diário Oficial da União; ou seja, a publicação tratase de uma forma de publicidade. Assim, a publicidade da decisão de segunda instância não se esgota apenas em se publicarem os atos no órgão oficial, também será imprescindível uma publicidade restrita, sendo que esta acontecerá com a ciência do interessado (sujeito passivo) da decisão proferida pela Corte Administrativa. Com isso, entendese que a decisão de segunda instância, proferida no âmbito do contencioso administrativo federal, somente será válida, perfeita e eficaz após a sua cientificação ao sujeito passivo da obrigação tributária, tornandose nesse momento uma decisão definitiva, eis que não pode ser dado o atributo de definitividade a um ato administrativo que sequer cumpriu todos os requisitos de validade previstos na legislação. Assim, a data de início da contagem do prazo decadencial estampada no artigo 173, II, do CTN é a data da cientificação ao sujeito passivo da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores (NFLD’s n°s 35.019.6095 e 35.019.6087). Fl. 244DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Constatase que a ciência do lançamento substitutivo, ora analisado, ocorreu em 18/02/2009 – conforme Aviso de Recebimento (AR) de fl. 03 –, e os documentos acostados aos autos, pelo Fisco e pela Recorrente, não apontam a data exata da cientificação ao sujeito passivo das decisões de nulidade por vício formal – proferidas em 31/10/2003. Com isso, não constam dos autos elementos probatórios suficientes para a averiguação se o lançamento fiscal substitutivo está em consonância com o prazo legal de 5 (cinco) anos previsto no art. 173, II, do CTN. Como esse tributo era sujeito a lançamento de ofício, o Fisco tinha 5 anos para fazer o lançamento, contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado, conforme prevê o art. 173, inciso II, do CTN. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (g.n.) Em outras palavras, não constam dos autos elementos probatórios suficientes para estabelecer o termo inicial do prazo decadencial para que a Fazenda Pública fizesse o lançamento do tributo. Logo, essa data do termo inicial é importante para averiguar a decadência, que é uma causa de extinção do crédito tributário (art. 156, V, do CTN), ou para averiguar se o prazo se encerrou sem que houvesse o lançamento fiscal. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) V a prescrição e a decadência; Desse modo, percebese que o Fisco deixou de fundamentar o termo inicial do prazo decadencial, fato imprescindível para que ele realizasse o lançamento do tributo, no Relatório Fiscal, acompanhado de seus anexos, e nas oportunidades concedidas pelo órgão julgador no âmbito administrativo, eis que nestes documentos não há as circunstâncias de fato e de direito que justifiquem a imposição fiscal, de modo a garantir ao sujeito passivo o pleno exercício de seu direito de defesa, dandolhe ciência daquilo que se deve defender. O lançamento fiscal deve ser convincentemente motivado – de forma concisa, clara e congruente –, indicando, com base nos elementos da escrituração contábil ou outros elementos fáticos, a existência da materialidade do lançamento fiscal. A auditoria fiscal não deverá se basear em raciocínio jurídico incorreto para realizar o lançamento fiscal, mas resultar de fatos concretos encontrados durante a auditoria fiscal e aplicação da legislação pertinente. No caso concreto, faltou a configuração a data do termo inicial para averiguar a decadência, que é uma causa de extinção do crédito tributário (art. 156, V, do CTN), ou para averiguar se o prazo se encerrou sem que houvesse o lançamento fiscal, já que se tratava de lançamento substitutivo. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000201/200981 Acórdão n.º 2402003.911 S2C4T2 Fl. 6 9 O trabalho de auditoria fiscal deverá demonstrar, com clareza e precisão, os motivos da lavratura da exigência tributária. Isso está em consonância com o art. 50 da Lei 9.784/1999, que estabelece a exigência de motivação como condição de validade do ato, bem como §1o do mesmo artigo que exige motivação clara, explícita e congruente. Lei 9.784/1999– diploma que estabelece as regras no âmbito do processo administrativo federal: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; (...) §1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou garantia dos interessados. Claro é que esses requisitos são exigidos pela legislação para que se cumpra a determinação presente na Lei Magna de observação à garantia constitucional da ampla defesa e do contraditório. Constituição Federal de 1988: Art. 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Não há como ter acesso à defesa e, consequentemente, contraditar a infração imputada à Recorrente, sem que todos os requisitos estejam presentes no procedimento de auditoria fiscal realizado pelo Fisco, seja no Relatório Fiscal ou Relatório Complementar, seja em outros documentos inseridos nos autos. Diante dos relatos delineados anteriormente, está claro que faltam requisitos para a validade da presente autuação, requisitos estes que são necessários para o exercício da ampla defesa e do contraditório da Recorrente. Logo, restou prejudicado o direito de defesa da Recorrente, pois foi lhe imputada autuação sem a descrição clara e precisa da motivação fática e jurídica. Sobre o vício praticado entendo ser o mesmo de natureza material, pois o Fisco delineou uma motivação fática e jurídica de forma equivocada do contexto evidenciado nos autos e na escrituração contábil da Recorrente, ensejando um lançamento que, conquanto identifique a infração imputada, não atende de forma adequada a determinação da sua exigência nos termos da legislação previdenciária. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Tal vício material está nitidamente constatado no momento em que o Fisco no Relatório Fiscal um motivo fático de forma inadequada com o pressuposto de direito, caracterizando uma motivação insuficiente. Isso está em consonância com o estabelecido pelo art. 142 do CTN. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (g.n.) Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Mesmo entendimento previsto no art. 59, II, do Decreto 70.235/1972, que enseja a nulidade dos atos manifestado pelo Fisco com preterição do direito de defesa da Recorrente. Decreto 70.235/1972: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. (g.n.) Quando a fiscalização não observa na sua atividade os elementos intrínsecos do lançamento (no caso, a motivação fática e jurídica da incidência da lei), ela certamente estará infringindo a disposição legal pertinente (seja aquela aplicável à incidência da lei, ou à determinação da matéria tributável), importando na existência de um vício material. Nesse sentido, leciona Leandro Paulsen1: “Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da lei.” Vejase, assim, que a ocorrência do vício material está diretamente ligada com a deformidade do conteúdo do lançamento, que acaba por exigir indevidamente tributos do sujeito passivo, em ofensa, inclusive, ao princípio da legalidade, situação inaceitável nas relações do Fisco com o contribuinte. Nesse sentido, vejamos os efeitos resultantes das alterações promovidas pelo lançamento superveniente, este CARF assim se posicionou: 1 Paulsen, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado. Editora: ESMAFE, 2010. p. 1194. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000201/200981 Acórdão n.º 2402003.911 S2C4T2 Fl. 7 11 “VÍCIO MATERIAL Havendo alteração de qualquer elemento inerente ao fato gerador, à obrigação tributária, à matéria tributável, ao montante devido do imposto e ao sujeito passivo, se estará diante de um lançamento autônomo que não se confunde com o lançamento refeito para corrigir vício formal, nos termos previstos no artigo 173, II, do CTN. (...)”. (CARF, 1° Conselho, 2ª Câmara, Relator José Raimundo Tosta Santos, Acórdão n° 10247829, Sessão de 16/08/2006) (g.n.) Nessa mesma linha de entendimento, cabe destacar trecho do voto proferido pelo i. Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, que verificou a indevida aplicação do vício formal e externou seu entendimento para que fosse reconhecido o vício material do lançamento. Vejase: “Em suma, entendo que o vício formal pressupõe que novo lançamento, se viabilizado, não poderá ultrapassar os limites estabelecidos no lançamento primitivo, relativamente aos seus elementos estruturais, substanciais. No presente caso, um novo lançamento forçosamente modificará a base imponível, com óbvios reflexos no cálculo do montante do tributo devido, (...)" (CARF, 1ª Conselho, 7ª Câmara, Relator Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Acórdão nº 10706.757, Sessão de 22/08/2002) (g.n.) Por todo o exposto, em preliminar declaro a nulidade do lançamento fiscal, restando prejudicado as demais preliminares e o exame de mérito. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO, reconhecendo a nulidade do presente lançamento por vício material, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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