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Numero do processo: 10166.723112/2010-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008
PRELIMINAR. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA.
As alegações de nulidade são improcedentes quando a autuação se efetivou dentro dos estritos limites legais e foi facultado ao sujeito passivo o exercício do contraditório e da ampla defesa. Cabe ao contribuinte instruir o processo com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa.
PERÍCIA. INDEFERIMENTO.
Indefere-se pedido de perícia genérico e sem a identificação profissional de seu perito.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA.
Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações.
MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE.
A multa de ofício, prevista na legislação de regência é de aplicação obrigatória nos casos de exigência de imposto decorrente de lançamento de ofício, não podendo a autoridade administrativa furtar-se à sua aplicação.
Numero da decisão: 2402-006.204
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira De Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. As alegações de nulidade são improcedentes quando a autuação se efetivou dentro dos estritos limites legais e foi facultado ao sujeito passivo o exercício do contraditório e da ampla defesa. Cabe ao contribuinte instruir o processo com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese pedido de perícia genérico e sem a identificação profissional de seu perito. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações. MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. A multa de ofício, prevista na legislação de regência é de aplicação obrigatória nos casos de exigência de imposto decorrente de lançamento de ofício, não podendo a autoridade administrativa furtarse à sua aplicação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 31 12 /2 01 0- 83 Fl. 1558DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Mario Pereira De Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 1559DF CARF MF Processo nº 10166.723112/201083 Acórdão n.º 2402006.204 S2C4T2 Fl. 1.559 3 Relatório Temse Recurso Voluntário de fls. 1.473 usque 1.482, tomado contra Acórdão de fls. 1447/1462, advindo da 7ª Turma de Julgamento da DRJ/BHE que, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada, reduzindo o valor do imposto devido. Está assim lançado o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), anoscalendário 2005, 2006, 2007 e 2008, formalizada por meio do Auto de Infração (AI) de fls. 2/30, lavrado em 20/12/2010, no montante de R$180.775,20, sendo R$85.565,65 de imposto de renda (código 2904), R$64.174,21 de multa aplicada e R$31.035,34 de juros de mora, calculados até 30/11/2010. Segundo consta no Auto de Infração, a exigência é decorrente da constatação das seguintes infrações: a) omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de imóveis (R$41.818,50 em 30/6/2008 e R$36.025,31 em 30/9/2008); b) omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada (R$132.905,24 em 2005, R$85.235,90 em 2006, R$26.197,69 em 2007 e R$54.491,27 em 2008). Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 14/24), a autoridade tributária relata: I Contexto: o Mandado de Procedimento Fiscal nº 01.1.01.002010 004421, relativo ao IRPF dos anoscalendário 2005 a 2008, foi expedido em decorrência de procedimento de diligência fiscal para coletar informações e documentos destinados a subsidiar procedimento de fiscalização na Mega Construções e Terraplanagem Ltda, CNPJ 06.298.773/000182. – Procedimento fiscal: pelo depoimento prestado pelo contribuinte, no tocante a essa empresa, foi proposta e aprovada a abertura dessa ação fiscal. Este, sem ter procuração, firmou contrato de prestação de serviços em nome da Mega Construções. Foi constatado que o contribuinte tinha uma movimentação bancária muito superior aos valores informados em suas Declarações de Ajuste Anual (DAAs); em 5/5/2010, foi intimado (Termo de Início de Fiscalização) a comprovar no prazo de vinte dias úteis, a contar da ciência, mediante documentação hábil ou idônea, Fl. 1560DF CARF MF 4 a origem dos recursos creditados em suas contas bancárias; em 11/5/2010, comunicou o afastamento de suas atividades habituais para a realização de cirurgia, solicitando a prorrogação do prazo por mais trinta dias para apresentar os extratos bancários; em 12/6/2010, foi concedido o prazo solicitado, reiterando se as exigências do Termo de Início de Fiscalização, informandoos acerca do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001; em 1/7/2010, solicitou nova dilação de prazo, alegando motivo de saúde; considerando as discrepâncias dos valores depositados e as receitas declaradas; a confirmação de que assinara contratos de prestação de serviços terceirizados em nome da Mega Construções e Terraplenagem Ltda, sem ter procuração; as evidentes omissões de rendimentos relativos a prestações de serviço terceirizados (é engenheiro civil); a alegação de problema de saúde para prorrogar a prestação de informações exigidas pelo fisco para identificação dos beneficiários de elevada movimentação bancária; a iminente decadência do prazo para exame dos rendimentos das pessoas físicas relativo ao anocalendário 2005; e o necessário exame da movimentação bancária efetuada nesses anoscalendário, objetivando apurar a utilização de Notas Fiscais da Mega Construções e outras para sonegação de rendimentos, soliciTouse a emissão de MPF Extensivo para a Requisição de Informações sobre a Movimentação Financeira (RMF) em papel e em meio magnéticos, indispensável para a continuidade da ação fiscal; entre 26/7/2010 e 17/8/2010, os bancos GE Capital, de Brasília, Bradesco e Caixa Econômica Federal, apresentaram informações e/ou extratos bancários; em 23/8/2010, o contribuinte encaminhou a documentação solicitada para comprovar a origem dos recursos creditados em suas contas bancárias. – Da autuação: com base nos créditos efetuados nas contas bancárias do contribuinte, excetuandose os rendimentos informados nas Dirfs e nas DAAs dos exercícios 2006 a 2009, efetuouse o lançamento do IRPF. Salientase que o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 dispõe que caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 1561DF CARF MF Processo nº 10166.723112/201083 Acórdão n.º 2402006.204 S2C4T2 Fl. 1.560 5 – omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos em 13/8/2007, foi apurado Ganho de Capital (Gcap) sobre R$13.658,25 na venda de imóvel oriundo de espólio de Maximiliano Schhlischka, CPF 011.377.19672, creditado em conta de nº 007202, agência 6244, Banco ItaúUnibanco. Esse valor fica isento do imposto de renda sobre Gcap tendo em vista o inciso II do art. 22 da Lei nº 9.250/1995; em 26/6/2008, foi apurado Gcap sobre R$45.000,00 referente a venda de imóvel oriundo do espólio. Considerando o redutor de R$3.181,50 estabelecido na Lei nº 11.196/2005, tributouse o valor de R$41.818,50; em 30/9/2008, foi apurado Gcap sobre R$80.000,00 referente a imóveis vendidos a José Amauri Borges de Oliveira, CPF 517.475.02634, construídos no terreno localizado na Rua Piaui, 1321, Bairro Santa Maria, Uberaba, MG. A venda foi averbada no 1º Ofício de Registro de Imóveis de Uberaba, a saber: a) nº R250.060, protocolo nº 155.809, de 31/10/2008; b) nº R250.063, protocolo nº 155.359, de 14/10/2008; c) nº R250.064, protocolo nº 155.363, de 14/10/2008; d) nº R250.066, protocolo nº 155.371, de 14/10/2008; o contribuinte, apesar de reiteradamente intimado a comprovar quanto aos custos na edificação dessas unidades habitacionais, conforme disposto nos arts. 39 e 40 da Lei nº 11.196/2005, nada apresentou; em 18/10/2006, havia sido registrado na 2ª Vara de Família e Sucessões da Comarca de Uberaba/MG, a aquisição, pelo contribuinte, da parcela de 23,214% do terreno situado na Rua Piaui em Uberaba; esse imóvel, no valor de R$185.717,42, foi registrado no Cartório de Imóvel sob o nº 44.133, percentagem de 23,214% para o contribuinte. Considerando o valor adquirido de R$43.112,44 (= R$185.717,42 x 23,214%) e o valor de R$862,25 (= R$3.714,35 x 23,214%) do ITBI, deduziuse o valor de R$43.974,69 (R$43.112,44 + R$862,25) dos R$80.000,00 recebidos, apurandose o valor tributável de R$36.025,31. – omissão de rendimentos omissão de rendimentos apurados pelos créditos bancários efetuados e confrontados com os comprovantes apresentados pelo contribuinte no decorrer da ação fiscal, sendo R$132.905,24 referente ao anocalendário 2005, R$85.235,90 referente ao ano calendário 2006, R$26.197,69 referente ao anocalendáro 2007 e Fl. 1562DF CARF MF 6 R$52.491,27 referente ao anocalendário 2008. O Anexos de fls. 27/37 trazem a discriminação desses valores por conta bancária e data (“Anexo ao Auto de Infração – Diferença Apurada”). Cientificado em 20/12/2010 (fls. 554), o contribuinte apresentou impugnação em 19/1/2011 (fls. 560/569), acompanhada dos documentos de fls. 570/1166, alegando, em síntese, que: a auditoria não lhe concedeu prazo razoável para atendimento das intimações, o que tornou impossível responder às intimações fiscais de forma consubstanciada, como pretendeu a fiscalização; intimado a comprovar o custo do imóvel alienado, solicitou dilação do prazo. No entanto, sem nenhuma manifestação prévia, seja pelo deferimento ou pelo indeferimento de seu pedido, o auditor lavrou o AI, o que torna nula a autuação realizada mediante a concessão de prazos ínfimos. Prazo exíguo para atender diversas intimações fiscais é causa de nulidade procedimental, conforme entendimento jurisprudencial; no presente caso, não lhe foi concedido prazo razoável para apresentar os comprovantes das despesas requisitadas. Junta, parcialmente, os comprovantes, esclarecendo que, quando da declaração da nulidade da autuação e da intimação para complementação, terá condições de entregar à RFB todos os comprovantes, em ordem cronológica, afastando assim a alegação de Gcap (Doc. 02); a concessão de prazo mínimo para atendimento a requisições e a própria lavratura do AI ofendem o contraditório e a ampla defesa (CF, art. 5º, incisos LIV e LV), em especial porque um dos aspectos considerados no lançamento foi a suposta omissão de Gcap obtido com a alienação de bens e direitos (medida realizada por arbitramento); ante o exposto, requer que a nulidade apontada seja declarada; ultrapassada, eventualmente, a preliminar de nulidade suscitada, no mérito, a autuação também não se sustenta; a auditoria optou pelo lançamento de ofício sob a modalidade do arbitramento, baseandose em mera presunção, o que não serve de suporte ao AI. O art. 113 do CTN exige identificação, “in concreto” do fato gerador para legitimar o lançamento. A existência do fato jurídico é pressuposto necessário da própria existência do fato gerador, sendo inadmissível a realização de lançamento tributário com base em presunções, sob pena o olvidar o princípio da tipicidade; Fl. 1563DF CARF MF Processo nº 10166.723112/201083 Acórdão n.º 2402006.204 S2C4T2 Fl. 1.561 7 a apuração do imposto e de contribuições com base em movimento bancário, apenas, não serve para sustentar a alegada presunção de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária. Tal circunstância não se presta à correta identificação do fato gerador de tributos, não trazendo a necessária certeza da ocorrência (efetiva) da obrigação principal. A jurisprudência é sempre no sentido de ser impossível se constituir crédito tributário com base em mera constatação de depósitos bancários; é sabido que profissionais de engenharia muitas vezes administram recursos de terceiros (donos das obras), recebendo destes quantias destinadas a terceiros, a quem devem efetuar pagamentos em nome daqueles (efetivos contratantes). A existência de depósitos bancários não traduz, necessariamente, no descumprimento de obrigações tributárias, uma vez que a mera administração de recursos de terceiros afasta a inteligência de pretenso ganho material a ensejar a tributação; atentese, ainda, que parte dos créditos referese a empréstimos contraídos com terceiros, conforme comprovam as declarações de Róbson Villaça de Oliveira e Rita de Cássia Fonseca Garcez; diversas operações consideradas como omissão de rendimento tributários são transferências de dinheiro entre contas de sua titularidade, desconsideração da retenção na fonte ou mesmo erro material no momento da elaboração do demonstrativo oficial. Essas operações, se tributadas, representam bis in idem; considerando todas as imperfeições, apresenta novo demonstrativo: Fato gerador Valor tributável ou imposto Valor correto [...] 31/05/2005 750,96 250,96 [...] 31/05/2005 10.420,00 5.920,00 [...] 31/01/2006 25.225,06 3.625,05 28/02/2006 6.581,06 5.781,00 31/03/2006 17.150,00 11.150,00 também foram considerados como base de cálculo os valores tomados em empréstimo com Róbson Villaça de Oliveira e Rita de Cássia Fonseca Garcez, conforme declarações idôneas apresentadas, quantias essas que não traduzem acréscimo Fl. 1564DF CARF MF 8 patrimonial a justificar a incidência de IRPF (R$30.500,00). Foi ainda apropriado como renda tributável o valor de recebimento de venda de veículo, com déficit do Banco GE (R$24.500,00); não tendo havido a correta identificação da ocorrência da obrigação principal, mediante a instrução, pela fiscalização, de documentos idôneos aptos a confirmar o acréscimo patrimonial, devese julgar procedente a impugnação para afastar a tributação; a multa aplicada assumiu efeito confiscatório, o que é vedado a teor do art. 150, inciso IV da CF. A jurisprudência tem o mesmo entendimento; na eventualidade de não se declarar a nulidade da autuação e de se ultrapassar os óbices levantados, requer seja julgada procedente esta impugnação para derrubar, ainda que em parte, o presente AI; protesta pela ampla produção de provas, especialmente pela realização de perícia, se necessário for, para apurar as incorreções acima apontadas quanto à autuação; requer que todas as intimações e notificações sejam encaminhadas ao endereço impresso no rodapé da impugnação. Em 16/2/2011, o contribuinte, por meio de procurador (fls.11), apresentou os documentos de fls. 1173/1440. Em sua petição de fls. 1173 requer a juntada de documentação complementar que seria relativa ao custo da obra. Em seu apelo, reagita o recorrente a preliminar de cerceamento de defesa, uma vez que os prazos para o atendimento das intimações fiscais teriam sido exíguos diante da quantidade de documentos e esclarecimentos requisitados ao contribuinte. Além disso, aponta que os períodos eram antigos, necessitando de mais tempo para o cumprimento do que determinado. Ressalta que foi acometido de doença e, portanto, fez o pedido de dilação de prazo de boafé, alegando que não desejou postergar a apresentação dos documentos solicitados. Aduz que, sem qualquer manifestação prévia acerca do pedido de dilação, o i. Fiscal resolveu lavrar o auto de infração, afastando do contribuinte o direito à ampla defesa. Além disso, aponta que os documentos entregues juntamente com sua impugnação sequer foram analisados. A seu ver, os comprovantes anexados quando do protocolo de sua peça de bloqueio seriam suficientes para afastar o lançamento. Ainda em tal tópico atenta que o contribuinte não teria o “dever de apresentar planilha demonstrando a vinculação dos documentos ao custo dos imóveis alienados, mas o Fisco tem o dever de analisar os documentos entregues” (fls. 1.478). Reprisa ainda que houve indeferimento injustificado do pedido de perícia, sendo que seria “evidente a necessidade intervenção de peritos” para que fossem comprovadas ou não as omissões alegadas pelo i. fiscal, estando presente a necessidade de apresentação de expert bem como de quesitos e não o indeferimento arbitrário como realizado pela d. DRJ. Assim, requer a declaração de cerceamento de defesa, seja pelo indeferimento injustificado da produção de provas essenciais, seja pela não análise dos documentos apresentados. Fl. 1565DF CARF MF Processo nº 10166.723112/201083 Acórdão n.º 2402006.204 S2C4T2 Fl. 1.562 9 Em seguida, assinala que a apuração de imposto com base apenas em movimentações bancárias (depósitos bancários), não seria causa suficiente para que haja constituição de crédito tributário, juntando julgado do Superior Tribunal de Justiça para defender sua tese. Anota, nesse sentido, que, como é profissional de engenharia, administra diversos recursos dos donos das obras, recebendo quantias destinadas a terceiros, a quem deve fazer pagamentos, e, portanto, tais depósitos não podem ser alvo de tributação, uma vez que não traduziriam renda ou patrimônio do contribuinte, mas mera gestão de recursos de terceiro. Sublinha que foi comprovado “inequivocamente” (fls. 1480), que o valor de R$ 67.390,00 é referente a depósitos realizados como empréstimos pelos Srs. Robson Villaça de Oliveira Rita Cássia Fonseca Garcez, não podendo, igualmente, tal montante ser tributado pelo IRPF. Arrola que as declarações juntadas pelo contribuinte foram afastadas pela Autoridade Administrativa sem motive aparente ou indícios de falsidade ou inexatidão de tais informações. Assesta não existiu correta identificação da ocorrência de fato gerador capaz de ensejar a autuação do contribuinte por cometimento de infração consubstanciado em omissões de ganho de capital e de rendimentos, devendo ser julgado improcedente o que remanescente do Auto de Infração. Atesta, por derradeiro, que a multa de ofício aplicada tem claro caráter de confisco, eis que os valores apurados pela Autoridade resultaram no lançamento de multa em valor excessivo (R$ 58.669,69), sendo tal valor praticamente o que foi apurado a titulo de tributo devido, sendo, portanto, desproporcional, atentando diretamente contra o patrimônio do contribuinte. Expõe que, diante do excesso decorrente da tributação em valor exorbitante, inclusive em função da multa em percentual exagerado, requer seja julgado procedente o presente recurso por violação do art. 150, IV, da Constituição a República ou, alternativamente que se reduza a penalidade imposta. É o relatório. Fl. 1566DF CARF MF 10 Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator 1. Admissibilidade. O Recurso é tempestivo e, em conformidade com o disposto no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e alterações, atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual voto por dele conhecer. 2. Alegações Preliminares. O recorrente reprisa inconformidade contida na peça inaugural de resistência onde sustenta que em razão da exigüidade de prazos concedidos, seu direito de ampla defesa e contraditório restou cerceado. Quanto à tal preliminar, temse que ela não merece guarida. Isso porque, foi oportunizado ao Contribuinte, mais de uma vez, a possibilidade de coligir os documentos de sua defesa, sem a necessidade dos pedidos de dilação efetuados, uma vez que, mesmo após a apresentação da Impugnação, ou ainda quando do apelo a este e. Conselho, poderseia juntar aqueles documentos que julgasse indispensáveis à sua defesa, justificando a impossibilidade de obtêlos no ato da impugnação por estarem em poder de terceiros, como alega, mas não o fez. Há que se sublinhar que não há no auto de infração qualquer arbitrariedade, como lança o contribuinte às fls. 1470, eis que o próprio teve a oportunidade de defenderse, pessoalmente frisese, como demonstra a Declaração feita nestes autos (fls. 68). Não há que se falar, nessa esteira, em qualquer retirada de direitos fundamentais e processuais do contribuinte, eis que, em todo momento, a razoabilidade administrativa esteve presente, sendo aberta, repriso, inúmeras oportunidades para que o sujeito passivo se pronunciasse e demonstrasse o seu direito. Outrossim, os prazos concedidos foram até mesmo superiores aos previstos em lei, evidenciando grande boa vontade do il. Auditor fiscal em investigar a verdade material no presente caso, compreendendo as dificuldades alegadas pelo contribuinte. Ainda neste tópico, argumenta o contribuinte que não houve análise dos documentos por ele carreados ao processo, por terem sido entregues “sem qualquer tipo de organização”. Tal afirmação também se afasta da realidade, uma vez que todos os documentos por ele coligidos foram devidamente analisados, incluindo aqueles que sequer tem ligação com os fatos narrados no Auto de Infração ou tem encadeamento com o crédito perseguido, tais como conta de telefone móvel (fls. 729 e 1286) e notas fiscais variadas, tal como as juntadas às fls. 822 e 951. Quanto ao pedido de perícia, há que se ter em mente que um pedido genérico, sem indicação do perito ou sequer especificar quais pontos seriam esclarecidos pelo expert, deve ser considerada como não realizada, nos termos previstos no §1º do Art. 16 do Decreto 70.235/71: "Art. 16. A impugnação mencionará: Fl. 1567DF CARF MF Processo nº 10166.723112/201083 Acórdão n.º 2402006.204 S2C4T2 Fl. 1.563 11 [...]IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...]§ 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)" Ainda que o Recorrente houvesse formulado o Requerimento na forma posta na legislação tributária, no caso concreto, não existe a mais diáfana sombra de dúvidas acerca da desnecessidade da realização de prova pericial, uma vez que a simples comparação de documentos comprova ou não a omissão de ganho de capital, sem que haja a indispensabilidade última de conhecimento técnico especializado para tal análise. Trabalho esse que poderia facilmente ser feito pelo Contribuinte ou seu contador. Logo, as peremptórias não se sustentam. 3. Questões de Mérito No mérito, assinala o Recorrente que o imposto lançado com base apenas em movimento bancário não serve para sustentar a presunção de omissão de rendimentos, bem como que apenas administra recursos de terceiros, não seria fato gerador do tributo. Uma vez mais, as alegações não estão calcadas na legislação tributária pertinente, não merecendo prosperar. De inicio, quanto aos depósitos bancários tomados para dar azo ao lançamento em razão de valores não identificados, vale reprisar aquilo que a decisão recorrida já registrou. O procedimento está previsto em lei, assim como a forma pela qual o contribuinte pode ilidir a presunção de que tais valores são rendimentos omitidos. Tratase do disposto no Art. 42 da Lei nº 9.430/96: "Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Fl. 1568DF CARF MF 12 § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Medida Provisória nº 1.5637, de 1997) (Vide Lei nº 9.481, de 1997) § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002)" A simples análise dos documentos torna evidente que não houve, como acena o apelante, “comprovação inequívoca” quanto os depósitos realizados como empréstimos ao Sr. Róbson Villaça de Oliveira e Rina Cássia Fonseca Garcez. Houve apenas a juntada de declarações feitas a próprio punho, declarações essas que não produzem efeitos a terceiros, documentos que não podem ser considerados como hábeis e idôneos para afastar a presunção que se constitui com o lançamento. Tais empréstimos não fazem prova de sua existência, de modo que o suplicante furtase de dever que lhe incumbe legalmente, que é o de provar fato "impeditivo, modificativo ou extintivo” (art. 373, II do CPC) do direito fazendário. Vêse, pois, que a Lei não põe em favor do sujeito passivo a mera referência, ponderação ou declaração, mas, em verdade, põe como elemento essencial a prova cabal daquilo que alega e, conforme previsto no dispositivo anteriormente transcrito, provando a origem de depósito por depósito identificado em suas contas bancárias e tidos por omitidos gerando presente lançamento. Com efeito, tais alegações acabam por ser despidas do mínimo suporte probatório, de modo que não restam dúvidas sobre o acerto da decisão de piso. Quanto ao alegado efeito confiscatório da multa de ofício, não há acolher o argumento. A multa atribuída à infração tributária é exatamente aquela determinada pela Lei, não podendo o i. fiscal subtraíla pura e simplesmente por ter “resultado alto”. No caso sub examinen, a multa de 75% não soa desarrazoada, não havendo justificativa para afastar sua imposição. Efeito confiscatório seria o caso de impor ao contribuinte multas no patamar de 150% ou 300%, como já ocorrera no passado e restou afastado pela Corte Suprema (v.g., RE 833.106). Fl. 1569DF CARF MF Processo nº 10166.723112/201083 Acórdão n.º 2402006.204 S2C4T2 Fl. 1.564 13 No mais, nada aporta o recurso, seja no campo dos fatos, seja no do direito, de suficientemente forte a reformar a decisão recorrida. Conclusão À conta do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 1570DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.902822/2010-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
Pagamento Indevido. Direito de Crédito. ônus da Prova.
Nos pedidos de restituição e nos casos de declaração de compensação, o ônus da prova do indébito é do contribuinte.
Numero da decisão: 1301-003.238
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. Nos pedidos de restituição e nos casos de declaração de compensação, o ônus da prova do indébito é do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 28 22 /2 01 0- 79 Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10840.902822/201079 Acórdão n.º 1301003.238 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso interposto por HOSPITAL SÃO FRANCISCO SOCIEDADE EMPRESÁRIA LIMITADA, pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra a decisão da DRJ, que negou provimento à manifestação de inconformidade da recorrente, mantendo o despacho decisório da DRF Ribeirão Preto. No referido despacho decisório, a autoridade administrativa não reconheceu a existência do crédito pleiteado pela recorrente e, assim, deixou de homologar a compensação declarada em dcomp. A decisão fundouse no argumento de que, embora tendo sido encontrado o DARF, o pagamento já estava inteiramente utilizado para quitar outro débito da própria recorrente, não remanescendo qualquer valor. Na manifestação de inconformidade, a recorrente alegou que, em procedimento de auditoria interna, constatouse a ocorrência de recolhimento de tributo superior ao devido, em face da majoração da base de cálculo. Tal fato deu ensejo à compensação realizada em dcomp. A DRJ, entretanto, alegando que o direito não tinha sido demonstrado e que não havia certeza, nem liquidez do crédito pleiteado, negou provimento à manifestação de inconformidade. Não resignada, a contribuinte interpôs recurso, trazendo os mesmos argumentos expostos perante o órgão de primeira instância. Reiterou que a causa do indébito foi erro na base de cálculo do IRPJ: "... em procedimento de auditoria e verificação interna da apuração dos tributos, constatouse que o Recorrente recolheu a maior o tributo em questão, face a majoração da base de cálculo. Este fato ensejou a compensação realizada via PER/DCOMP ( ...), visando a quitação dos débitos do IRPJ vincendo." Frisou a recorrente que o direito estaria comprovado pelas declarações retificadoras, que, para todos os fins, substituem as originais. Aduziu que, se as declarações retificadoras tivessem sido analisadas, não existiria motivo para não se homologar a compensação. Com esses fundamentos, pugnou pela reforma da decisão recorrida, para reconhecer o direito ao crédito e homologar a compensação. Subsidiariamente, requereu a conversão do julgamento em diligência, para exame dos documentos contábeis que acompanham o recurso. É o relatório. Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10840.902822/201079 Acórdão n.º 1301003.238 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.234, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10840.903677/2009 18, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O crédito analisado no processo paradigma referese a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, relativo ao período de apuração de maio/2006. No presente processo, o direito creditório analisado tem como origem pagamento indevido ou a maior do IRPJ, referente ao período de apuração de 31/05/2006. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.234): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. A controvérsia gira em torno da existência do direito creditório oriundo de pagamento parcialmente indevido de IRPJ apurado por estimativa mensal. A DRFRibeirão Preto não homologou a compensação porque o pagamento se encontrava inteiramente alocado a um débito declarado pela própria recorrente. A DRJ, por sua vez, negou provimento à manifestação de inconformidade por falta de comprovação do direito. Nos pedidos de restituição e nas compensações, cumpre ao contribuinte, em primeiro lugar, fazer prova do pagamento, vale dizer, demonstrar que o dinheiro entrou nos cofres públicos. Depois, tem de provar que esse pagamento se fez em desacordo com a legislação aplicável, ou seja, provar que houve erro na apuração do tributo, ou provar que o contribuinte não era o devedor, ou que o Fisco não era o credor. O contribuinte não precisa provar que pagou por erro, nem que o erro era escusável. Basta demonstrar que o pagamento se fez em desacordo com a legislação. No caso em exame, a recorrente limitouse a afirmar que o indébito decorreu de "majoração da base de cálculo". Essa expressão é vaga e comporta inúmeras situações. Pode ser a inclusão de receitas isentas ou imunes, de receitas já tributadas ou passíveis de diferimento; pode ser o registro de meros ingressos de caixa como sendo valor tributável. O erro também pode advir da falta de registro de despesas dedutíveis, além de Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10840.902822/201079 Acórdão n.º 1301003.238 S1C3T1 Fl. 5 4 toda sorte de equívocos referentes aos ajustes ao lucro líquido. Em suma, as possibilidade são tantas, que dizer apenas que houve majoração indevida da base de cálculo é quase o mesmo que não dizer nada. Diante dessa imprecisão, tornase ocioso qualquer exame de livros fiscais e contábeis, bem como a determinação de qualquer tipo de diligência, em face da impossibilidade de delimitar o objeto a ser examinado. Ressaltese que a retificação da DCTF, ou de qualquer outra declaração pelo próprio contribuinte, depois de ter sido intimado do despacho decisório, não vale como prova do pretenso direito creditório. Na situação em análise, não há sequer a descrição do fato de que teria se originado o crédito pretendido. A regra básica, em matéria de prova, é a de que aquele que alega o fato tem o ônus de proválo. Portanto, se no auto de infração o ônus da prova é da autoridade fiscal, nos pedidos de restituição e nas compensações o ônus de provar o indébito é daquele que bate às portas do Fisco, reivindicando o direito. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 292DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.944155/2008-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
IRPJ. Lucro Presumido. Coeficiente de Presunção. Serviço de Empreitada com Fornecimento de Materiais.
É de 8% o coeficiente de presunção aplicável às receitas oriundas da execução de contratos de empreitada com fornecimento de materiais.
Numero da decisão: 1301-003.149
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à aplicação do coeficiente de presunção de lucro de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rotschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1675; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.944155/200819 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1301003.149 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de junho de 2018 Matéria IRPJ COEFICIENTE DE PRESUNÇÃO Recorrente MENG ENGENHARIA COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE PRESUNÇÃO. SERVIÇO DE EMPREITADA COM FORNECIMENTO DE MATERIAIS. É de 8% o coeficiente de presunção aplicável às receitas oriundas da execução de contratos de empreitada com fornecimento de materiais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à aplicação do coeficiente de presunção de lucro de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rotschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 94 41 55 /2 00 8- 19 Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10880.944155/200819 Acórdão n.º 1301003.149 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso interposto por MENG ENGENHARIA COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA., já qualificada nos autos, contra a decisão da DRJ que, negando provimento à manifestação de inconformidade apresentada pela recorrente, manteve o despacho decisório da DeratSP, em que a autoridade administrativa não reconhecia o direito creditório pleiteado e, assim, deixou de homologar a compensação formalizada em declaração compensação dcomp. A recorrente alega ser empresa do ramo de construção civil. Grande parte de suas receitas advém de contratos com a Administração Pública. Por força de tais contratos, se obrigou, juntamente com a prestação de serviços, a fornecer materiais. O mesmo se deu em relação aos serviços prestados a particulares. No período em questão, a recorrente apurou o IRPJ com base no lucro presumido, adotando 32% como coeficiente de presunção. Mais tarde, tomou conhecimento de que, respondendo a diversas consultas, a Receita Federal do Brasil RFB havia manifestado entendimento no sentido da aplicação do coeficiente de 8%, quando o serviço de empreitada fosse prestado com fornecimento de materiais. Diante disso, a recorrente recalculou o IRPJ devido, retificou a DIPJ e apresentou declaração de compensação dcomp. A Derat, embora acusando a existência do pagamento indicado como indevido, assinalou que parte dele já havia sido utilizada para quitação de débitos da contribuinte, e assim homologou parcialmente a compensação. MENG ENGENHARIA COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA. se insurgiu contra o despacho decisório em manifestação de inconformidade, à qual a DRJ negou provimento, por falta de prova dos fatos alegados, já que não teriam sido apresentadas a escrita comercial e a fiscal do período, nem os livros Diário e Razão, além da movimentação comercial, contratos de prestação de serviços e todas as notas fiscais emitidas, a fim de que se pudesse verificar se foram auferidas receitas sujeitas ao coeficiente de 8%. Foi interposto recurso. A recorrente, em preliminar, arguiu homologação tácita do crédito, porquanto o Fisco, dentro do prazo legal, não examinou os recolhimentos e as informações prestadas nas declarações. No mérito, afirmou ter consultado formalmente a RFB sobre a matéria, obtendo resposta por meio da Solução de Consulta SRRF/8ª RF/DISIT nº 186, cuja ementa tinha a seguinte dicção: Para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda apurado com base no lucro presumido, aplicase o percentual de oito por cento sobre a receita bruta decorrente tão somente da prestação de serviços de construção civil por empreitada com fornecimento de materiais. Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10880.944155/200819 Acórdão n.º 1301003.149 S1C3T1 Fl. 4 3 Disse que a DRJ, em respeito ao princípio da verdade material, deveria ter determinado o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que fosse realizada diligência, dando oportunidade à recorrente de comprovar, mediante a apresentação de documentos, o direito pleiteado. Aduziu que, ao prestar os serviços de construção civil, fornecera materiais, especialmente na execução dos contratos com a Administração Pública. Por isso, faria jus ao coeficiente de 8% na apuração do lucro presumido. Afirmou ter juntado laudo, produzido por peritos por ela contratados, com a finalidade de comprovar o fornecimento de materiais. Ao final, pediu a realização de perícia, formulando desde logo os quesitos e indicando o perito. Com essas alegações, pugnou pelo reconhecimento do direito e a subsequente homologação das compensações. É o relatório. Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10880.944155/200819 Acórdão n.º 1301003.149 S1C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.124, de 12/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.904015/2008 08, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.124): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. De início, cumpre rejeitar a preliminar de homologação tácita e de decadência. No caso, não ocorreu decadência, porque esta extingue o direito de constituir crédito tributário, mas não impede a verificação de fatos de que decorra direito creditório pleiteado pelo contribuinte. Da mesma forma, não ocorreu homologação tácita, uma vez que a homologação tácita se dá com o decurso do prazo de cinco da transmissão da dcomp, tornando definitiva a compensação declarada. No caso em exame, porém, o despacho decisório foi proferido dentro do prazo legal. No mérito, a questão gira em torno de saber qual o coeficiente aplicável às receitas auferidas pela recorrente, na apuração do lucro presumido, se 8% ou 32%. Para tanto, é necessário verificar se os serviços de empreitada prestados pela recorrente envolviam fornecimento de materiais, bem como verificar qual a participação dessas receitas na receita bruta total auferida no período. No Ato Declaratório Normativo Cosit nº 6, de 13 de janeiro de 1997, a Receita Federal já havia se posicionado acerca do coeficiente de presunção aplicável aos casos de empreitada com fornecimento de materiais. Confirase: O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o art. 147, inciso III, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda nº 606, de 03 de setembro de 1992, e tendo em vista o disposto no art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e no art. 3º da IN SRF nº 11, de 21 de fevereiro de 1996, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10880.944155/200819 Acórdão n.º 1301003.149 S1C3T1 Fl. 6 5 Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que: I Na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; (g.n.) b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mão de obra, ou seja, sem o emprego de materiais.(g.n.) II As pessoas jurídicas enquadradas no inciso I, letra "a", deste Ato Normativo, não poderão optar pela tributação com base no lucro presumido. O entendimento, quanto à aplicação do coeficiente de 8%, foi ratificado pela recente Instrução Normativa RFB nº 1.700/2017: Art. 33. A base de cálculo do IRPJ, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta definida pelo art. 26, auferida na atividade, deduzida das devoluções, das vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos. § 1º Nas seguintes atividades o percentual de determinação da base de cálculo do IRPJ de que trata o caput será de: I 1,6% (um inteiro e seis décimos por cento) sobre a receita bruta auferida na revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural; II 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida: a) na prestação de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, fisioterapia e terapia ocupacional, fonoaudiologia, patologia clínica, imagenologia, radiologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, exames por métodos gráficos, procedimentos endoscópicos, radioterapia, quimioterapia, diálise e oxigenoterapia hiperbárica, desde que a prestadora desses serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa); b) na prestação de serviços de transporte de carga; c) nas atividades imobiliárias relativas a desmembramento ou loteamento de terrenos, Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10880.944155/200819 Acórdão n.º 1301003.149 S1C3T1 Fl. 7 6 incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda e a venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda; e d) na atividade de construção por empreitada com emprego de todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra; (g.n.) (...) Art. 215. O lucro presumido será determinado mediante aplicação dos percentuais de que tratam o caput e os §§ 1º e 2º do art. 33 sobre a receita bruta definida pelo art. 26, relativa a cada atividade, auferida em cada período de apuração trimestral, deduzida das devoluções e vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos.http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/ anexoOutros.action?idArquivoBinario=0 Portanto, diante da interpretação adotada pela RFB, deve ser reconhecido à recorrente o direito de aplicação do percentual de 8% na apuração do lucro presumido, limitandose às receitas oriundas da execução de contratos de empreitada pelos quais a recorrente se obrigou a fornecer materiais em qualquer quantidade, já que esse era o entendimento da Receita Federal ao tempo dos fatos. As receitas oriundas dos demais serviços ficam sujeitas ao coeficiente de 32%. Por último, cumpre ressaltar que a Solução de Consulta Cosit nº 8/2014 deixa claro que, até 2004, o entendimento oficial era no sentido de que o coeficiente de 8% aplicavase às receitas de construção por empreitada, com emprego de materiais em qualquer quantidade. Embora a Receita Federal tenha modificado o entendimento, a nova interpretação não tem aplicação retroativa, como deixa claro o inciso XIII, do parágrafo único do art. 2º da Lei nº 9.784/1999: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (...) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação. (g.n.) Conclusão Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10880.944155/200819 Acórdão n.º 1301003.149 S1C3T1 Fl. 8 7 Pelo exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito ao coeficiente de presunção de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais. Os autos devem retornar à unidade de origem para retomar a análise do direito creditório, observando o disposto no art. 15, § 2º, da Lei nº 9.249/1995. À unidade de origem cabe realizar a verificação das receitas que se enquadrem nessa condição, observando, como limite máximo para o direito creditório, o valor informado na dcomp. Definido o valor do crédito, devem ser homologadas as compensações até esse limite. Na verificação, a autoridade fiscal poderá adotar os métodos usualmente empregados na fiscalização, inclusive a verificação por amostragem, se entender cabível." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à aplicação do coeficiente de presunção de lucro de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 292DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10073.720755/2017-81
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2015
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-000.536
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 07 55 /2 01 7- 81 Fl. 67DF CARF MF 2 Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2015, anocalendário de 2014, por meio do qual foram glosadas despesas médicas no valor total de R$ 79.692,77, por falta de comprovação de documental suficiente para ratificação da ocorrência da despesa, de acordo com a fiscalização, gerando assim um imposto de renda suplementar de R$ 10.233,31, mais juros e multa de ofício. Conforme consta na Escritura de Nomeação de Inventariante (fls. 12/15), o contribuinte faleceu em 14/07/2014. A inventariante foi cientificada da notificação e apresentou impugnação de fls 08 e ss, juntando documentos para evidenciar o pagamento das despesas. Alega, em síntese, que se trata de despesa incorrida junto a Santa Casa de Misericórdia, consigna a anexação dos documentos probatórios correspondentes e requer o acolhimento da impugnação. A DRJ Rio de Janeiro, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que os comprovantes fornecidos e juntados ao processo pelo Contribuinte não comprovam a despesa (pagamento em espécie). Em sede de Recurso Voluntário, junta a contribuinte (inventariante) todos os demais documentos necessários para comprovar o quanto alegado, além de NOTA FISCAL eletrônica emitida pela Santa Casa, comprovante o montante pago, além de declaração emitida pela empresa, contendo todos os detalhes e informações exigidas. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10073.720755/201781 Acórdão n.º 2001000.536 S2C0T1 Fl. 3 3 a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” A Recorrente apresentou os documentos necessários a comprovar as despesas médicas incorridas pelo falecido relativos a tratamento médico . A decisão de primeira instancia sustentou que a Recorrente não comprovou as despesas médicas , nos seguintes termos: “[...] Então, importa que fique bem esclarecido que não se trata aqui de estar duvidando do contribuinte ou qualquer outra pura e simples objeção, mas sim está se seguindo à risca o que a legislação impõe a todos os servidores investidos na figura da autoridade tributária que neste caso é o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil. É regra geral no direito que o ônus da prova cabe a quem alega. Entretanto,a lei também pode determinar a quem caiba a incumbência de provar determinado fato.. É o que ocorre no caso das deduções. O art. 11, § 3º do DecretoLei nº 5.844, de 1943 (art. 73 do RIR/99), acima transcrito, estabeleceu expressamente que os contribuintes podem ser instados a comproválas ou justificálas, deslocandose o ônus probatório. A inversão legal do ônus da prova, do fisco para os contribuintes, transfere para esses a obrigação de comprovação e justificação das deduções; não o fazendo, sofrem as conseqüências legais, ou seja, o não cabimento das deduções, por falta de comprovação e justificação. Também importa dizer que o ônus de provar significa trazer elementos que não deixem qualquer dúvida quanto ao fato questionado. Fl. 69DF CARF MF 4 Nesse contexto, cabe ao fisco, por imposição legal, tomar as cautelas necessárias a preservar o interesse público implícito na defesa da correta apuração do tributo. À autoridade fiscal compete investigar, diligenciar, demonstrar e provar a ocorrência ou não do fato tributário, observando os princípios do devido processo legal, da verdade material, do contraditório e da ampla defesa. Ao sujeito passivo, cabe, por meio dos elementos que demonstrem a efetividade do direito alegado, apresentar provas hábeis e suficientes para afastar a imputação da irregularidade apontada. Tendo em vista as dúvidas suscitadas pela autoridade fiscal, caberia à impugnante provar que realmente efetuou o pagamento das despesas declaradas para que ficasse caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução, mormente se considerado o alto valor glosado. Assim, deve ser mantida a glosa e voto pela improcedência da impugnação, mantendo integralmente o crédito tributário. [...]” No caso concreto, demonstrase, ao longo do processo, que a autoridade fiscal entende que a documentação apresentada não foi suficiente para comprovar que as despesas médicas apresentadas são próprias, eis que não estaria claro nos documentos apresentados. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10073.720755/201781 Acórdão n.º 2001000.536 S2C0T1 Fl. 4 5 A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se no quanto exposto pelo Contribuinte, ou seja, de que a despesa incorreu de fato (evidenciada através dos comprovantes juntados ao processo NOTA fiscal e declaração), entendo que deve ser dado provimento ao recurso . CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para acatar as despesas médicas acima mencionadas. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 71DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.720013/2007-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/01/2007
CONCOMITÂNCIA. AUSÊNCIA. NULIDADE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.
Inexistindo concomitância entre o processo administrativo e o judicial, deve ser anulada a decisão recorrida, para que seja analisada a questão de mérito, sob pena de supressão de instância. A teor da Súmula CARF nº 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura de ação judicial pelo sujeito passivo com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Decisão Recorrida Nula.
Numero da decisão: 3402-005.374
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para anular a decisão recorrida em face da inexistência de concomitância, com o retorno dos autos à DRJ/SPO para apreciação dos argumentos de mérito trazidos na Impugnação.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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AUSÊNCIA. Recorrente BURIGOTTO S A INDUSTRIA E COMERCIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/01/2007 CONCOMITÂNCIA. AUSÊNCIA. NULIDADE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Inexistindo concomitância entre o processo administrativo e o judicial, deve ser anulada a decisão recorrida, para que seja analisada a questão de mérito, sob pena de supressão de instância. A teor da Súmula CARF nº 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura de ação judicial pelo sujeito passivo com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Decisão Recorrida Nula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para anular a decisão recorrida em face da inexistência de concomitância, com o retorno dos autos à DRJ/SPO para apreciação dos argumentos de mérito trazidos na Impugnação. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 00 13 /2 00 7- 67 Fl. 280DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). Relatório Por bem sintetizar o processo, peço vênia para transcrever o relatório do Acórdão n.º 1641.515 da 24ª Turma da DRJ/SP1: "Trata o presente processo de Auto de Infração (fls. 02/18) formalizado para exigência da multa prevista no art. 633, inciso I, do Decreto nº. 4.543/2002, correspondente a cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço arbitrado, relativamente às mercadorias importadas por meio da Declaração de Importação (DI) nº. 07/01268667, registrada em 30/01/2007, perfazendo o valor total de R$ 127.269,11. Referidas mercadorias foram objeto de procedimento especial de controle aduaneiro, em razão do baixo preço declarado, o que motivou sua parametrização para o canal cinza de conferência aduaneira. No curso do procedimento fiscal, apurouse que a importadora deixou de declarar a vinculação existente com o exportador. Ademais, a fiscalização considerou insuficientes as respostas apresentadas no sentido de comprovar a veracidade dos valores transacionados, uma vez que a importadora limitouse a alegar (i) impossibilidade de formação de valores, já que não revende o material, mas o emprega na manufatura de produtos; (ii) como não produz os tecidos, não obtém dados de custo; (iii) essas sucatas foram avaliadas internamente pelo exportador ao custo de 5 a 10% do valor do custo de aquisição. Com base em ato de verificação física e laudo técnico elaborado pela ABIT – Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção, afirma a fiscalização que os produtos importados, tecidos e malhas em sua maioria, foram fabricados a partir do entrelaçamento de tramas e urdumes de fios tintos de poliéster, poliamida e algodão, com titulagens comerciais, em padronagem de sarja e tafetá, resinados e com gramatura dentro da média comercializada, o que lhes confere características bastante comuns, cujos preços das matériasprimas são bem definidos no mercado. Segundo a fiscalização, a expressão SUCATAS foi utilizada indevidamente pela interessada, com o objetivo de induzir em erro quanto ao valor declarado. Esclarece que “SUCATAS, segundo o conceito contábil predominante, são consideradas sobras ou resíduos que emergem da produção que, em estado normal ou com defeitos, não têm mercado garantido de comercialização e sua venda, portanto, é bastante incerta, não se podendo estabelecer, a priori, se ela ocorrerá ou não. Entretanto, o que foi verificado em ato de verificação física é que tratamse de tecidos e malhas de valor comercial, com preço e mercado bastante definidos, apresentandose em estado e condições normais aos praticados no setor têxtil. Concluindo que o efeito pretendido do interessado foi a importação de matéria prima, porém descrito com preço de sucata”. Como resultado, e com base na comparação dos preços praticados na importação de produtos similares e na valoração realizada pela ABIT, a fiscalização entendeu pela impossibilidade de apuração do preço efetivamente praticado, procedendo ao arbitramento de valores, nos termos do art. 84, inciso II, alíneas “b” e “c”, do Regulamento Aduaneiro, esclarecendo que: (i) para as mercadorias da adição 01, foi utilizado o método da mercadoria idêntica e a própria declaração do importador Fl. 281DF CARF MF Processo nº 10865.720013/200767 Acórdão n.º 3402005.374 S3C4T2 Fl. 281 3 que a mercadoria foi avaliada de 5 a 10% do valor real; (ii) para a valoração das malhas e tecidos da adição 02, foi utilizado o estudo solicitado à ABIT. Por derradeiro, observa o fisco que: (i) cominase também a pena de perdimento às mercadorias, uma vez que o auto de perdimento independe do lançamento ou não do auto de crédito, nos termos do art. 634, incido I, do Decreto nº 4.543/02; (ii) para a incidência da multa em questão, é indiferente se o contribuinte agiu ou não com má fé, nos termos do art. 136 do CTN e ADI SRF 17/04. Cientificada do lançamento em 10/07/2007 (fl. 03), a contribuinte apresentou impugnação, em 08/08/2007, juntada às fls. 184 e seguintes, alegando, em síntese, que: (a) preliminarmente, alega cerceamento ao seu direito de defesa pelo fato de a autoridade fiscal haver indicado vários dispositivos legais, observando que o auto de infração deve descrever os fatos com suficiente especificidade, de modo a delimitar o objeto da controvérsia e permitir a plenitude da defesa. Ressalva que a pena de perdimento não poderia ser objeto do presente, pois requereria auto e procedimento distinto, havendo, inclusive, impedimento (§ único, artigo 634, RA) — de natureza lógica — em se impor ambas penalidades. Desta forma, em que pese a nulidade apontada, a discussão se restringirá a imposição da penalidade constante no artigo 633, inciso I, do Decreto 4.543/02; (b) no mérito, declara que não houve em momento algum a intenção de induzir a fiscalização em erro, pois se manifestou diversas vezes no sentido de esclarecer que as mercadorias correspondem a sucatas (cujo conceito é subjetivo) e que, portanto, o valor declarado está correto; (c) cita jurisprudência do STF no sentido de que se deve respeitar o conceito genuíno e puro das palavras, para concluir pelo caráter subjetivo da expressão “sucata”, pois determinada coisa/produto pode ser sem préstimo, sem utilidade, sem serventia para determinada pessoa e não o ser para outra; (d) no caso dos produtos em questão, os quais decorrem de sobras do processo de fabricação (carrinhos de bebê e acessórios) da exportadora, os mesmos não mais têm para esta qualquer utilidade ou serventia, em razão de novas tendências de mercado (moda). Esclarece que o mercado externo é altamente competitivo e utilizar tecidos cujas estampas e cores estejam ultrapassadas (“fora de moda”), acarretaria imenso prejuízo à empresa, pois, certamente, os produtos fabricados seriam de difícil ou mesmo improvável comercialização; (e) sendo assim, os tecidos de estampas e cores que não correspondem às atuais tendências, ao invés de serem imediatamente descartados, foram encaminhados para sua coligada no Brasil, a fim de que esta possa verificar se os mesmos se coadunam com os interesses do mercado brasileiro e, caso negativo, providenciar outra destinação aos mesmos (ex.: inutilização, doação etc). Aduz que os tecidos objetos da controvérsia se encontravam parados no estoque da empresaexportadora, no mínimo desde 2005, conforme demonstram os documentos anexos (doc. 03); (f) depreendese que embora a autoridade fiscal considere que é entendido como sucata, contabilmente, as sobras da produção em ESTADO NORMAL (ou seja, sem defeitos conforme é o caso), bem como que o preço estipulado na fatura invoice efetivamente corresponderia a preço de sucata, houve a descaracterização dos produtos como "sucata", fundamentandose no fato de estarem os tecidos, única e exclusivamente, em estado e condições normais. Assim, se constata a contrariedade no exposto pelo mesmo quanto ao que deva ser considerado como sucata, pois embora diga que poderiam ser enquadradas nestes termos as sobras de produção em estado normal, mais adiante descaracteriza as mesmas como tal, por estarem em estado normal; (g) de qualquer forma, estando a fiscalização embasada em mera dúvida, não há que se pretender atribuir conduta fraudulenta à impugnante, pois, mesmo que a Fl. 282DF CARF MF 4 autoridade fiscal estivesse com a razão, no sentido de as mercadorias não serem sucatas, o que se cogita por mera argumentação, estaríamos diante de erro escusável (boafé), sendo que a classificação fiscal inadequada pode ser corrigida quando do despacho aduaneiro, podendo eventual diferença de tributo ser objeto de lançamento suplementar, não havendo que se falar em qualquer dano ao Erário; (h) é notória a natureza desproporcional e confiscatória da multa aplicada, pois não guarda relação com o valor do benefício imputado, sendo competência do julgador administrativo apreciar a constitucionalidade das normas; (i) requer, ao final, o cancelamento da autuação ou, caso assim não se entenda, então que seja revista a base de cálculo da multa aplicada, por ser medida de justiça. Por meio de expediente datado de 05/10/2007 (fl. 216), a Alfândega do Aeroporto Internacional de Viracopos encaminhou a esta Delegacia de Julgamento, cópia da petição inicial da ação de Mandado de Segurança nº 2007.61.05.0114562, impetrada pela impugnante, em trâmite na 8ª Vara Federal de Campinas (fls. 217/239). Em 06/03/2008, foi recebida petição de lavra da impugnante (fls. 240/241), em que comunica que, à época da impugnação, não havia qualquer Auto de Perdimento lavrado, e que o mesmo fora efetivamente aplicado pelo Processo nº 19482.000046/200766. Acrescenta que a autoridade fiscal “segurou” a lavratura do Auto de Perdimento, apenas para não incorrer na vedação expressa pelo § único do art. 634. Diante desse contexto, alega que o presente Auto de Crédito não pode prevalecer, sob pena de confisco, bem como manifesta afronta aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. Todos os números de folhas citados neste acórdão são os atribuídos pelo “eprocesso”. É o relatório." (efls. 261/263 grifei) Uma vez impetrado o referido Mandado de Segurança, a Impugnação apresentada não foi conhecida pelo referido acórdão, ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/01/2007 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. O recurso ao Poder Judiciário para discussão de matéria coincidente com aquela objeto do lançamento de ofício, antes ou após a lavratura do Auto de Infração, importa na renúncia de discutir a matéria objeto da ação judicial na esfera administrativa, uma vez que as decisões judiciais se sobrepõem às administrativas, sendo analisados apenas os argumentos não levados à apreciação judicial. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido" (efl. 260) Intimada desta decisão em 28/11/2012 (efl. 268), a empresa apresentou Recurso Voluntário em 18/12/2012 (efls. 270/274) sustentando a ausência de concomitância na hipótese vez que "em nenhum momento foi requerido na ação mandamental o cancelamento do presente auto de crédito, ao contrário, foi manifestado que a existência deste impedia a manutenção do auto de perdimento" (efl. 273). Em seguida os autos foram direcionados a este Conselho. É o relatório. Voto Fl. 283DF CARF MF Processo nº 10865.720013/200767 Acórdão n.º 3402005.374 S3C4T2 Fl. 282 5 Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne O Recurso Voluntário é tempestivo, adentrando em suas razões. Como relatado, entendeu a decisão recorrida pela configuração da concomitância da discussão travada no presente processo com aquela traçada no Mandado de Segurança n.º 2007.61.05.0114562, impetrado junto à 8ª Vara Federal de Campinas. Para uma melhor compreensão do problema posto sob análise deste Colegiado, especialmente em face do pedido genérico formulado pela empresa no Mandado de Segurança como veremos adiante, importante fazer um breve esclarecimento quanto ao objeto do presente processo administrativo e o objeto da ação judicial. Em razão da empresa ter considerado que as mercadorias por ela importadas por meio da Declaração de Importação (DI) nº. 07/01268667 seriam "Sucatas", a fiscalização trouxe um robusto conjunto probatório para demonstrar que, na verdade, seriam mercadorias (tecidos) passíveis de serem utilizados pela empresa em sua produção. Com isso, a fiscalização evidenciou a falsidade ideológica das faturas, por trazerem preços muito inferiores aos valores de mercado, e demonstrou a ocorrência de dano ao erário, com a aplicação de duas infrações distintas: (i) multa de 100% da diferença entre o preço declarado e o preço arbitrado, objeto do presente processo, de natureza administrativa (art. 88, parágrafo único, da Medida Provisória nº 215835/2001; art. 633, I, do Regulamento Aduaneiro/2002); e (ii) pena de perdimento das mercadorias, objeto do processo n.º 19482.000046/200766 (art. 105, VI, do DecretoLei nº 37/1966; art. 23, IV e § 1º, do DecretoLei nº 1455/1976 e art. 618, VI, do RA/2002). Para a discussão da multa do item (i) a empresa apresentou a Impugnação Administrativa sustentando, em síntese: (a) preliminarmente, o cerceamento do direito de defesa pelo fato de a autoridade fiscal haver indicado vários dispositivos legais, sem identificar especificamente qual a penalidade aplicada no caso e por indicar conjuntamente no Auto de Infração a aplicação de pena de perdimento; (b) no mérito (b.1) o valor das mercadorias declarado estaria correto, face a subjetividade do conceito de "sucata" adotado pela empresa controladora no exterior, vez que as mercadorias estavam no estoque da empresa na Itália por mais de 2 (dois) anos; (b.2) a impossibilidade de se atribuir conduta fraudulenta à empresa, pois, ainda que as mercadorias não sejam sucatas, ela agiu com boafé (erro escusável), sendo que eventual diferença de tributo poderia ser objeto de lançamento suplementar, não havendo que se falar em dano ao Erário; (b.3) a desproporcionalidade e confiscatoriedade da multa aplicada por não guardar relação com o valor do benefício imputado. Por sua vez, visando a célere liberação das mercadorias apreendidas no processo n.º 19482.000046/200766, posteriormente objeto da aplicação da pena de perdimento naquele mesmo processo indicada no item (ii) acima, a empresa impetrou o já mencionado Mandado de Segurança n.º 2007.61.05.0114562. Com efeito, o ato coator contra o qual a Fl. 284DF CARF MF 6 empresa se insurge naquele processo é o "AUTO DE INFRAÇÃO E TERMOS DE APREENSÃO E GUARDA FISCAL N.° 0817700/00034/28 — PROCESSO 19482 000.046/200766" (efl. 220). Para respaldar o seu pleito, a empresa trouxe as mesmas alegações de mérito da Impugnação apresentada neste processo sintetizadas no item (b.1) acima, sustentando que o valor das mercadorias declarado estaria correto, e sustentou a impossibilidade da cobrança conjunta da pena de perdimento e da multa aplicada no presente processo. Contudo, ainda que de forma confusa, a leitura da inicial do Mandado de Segurança e de seu pedido evidencia que a discussão naquela ação se refere apenas à infração da pena de perdimento imposta, inexistindo um pedido que poderia implicar no cancelamento desta autuação. Vejamos por trechos da inicial da referida ação judicial, acostada nos presentes autos às efls. 217/239: ü Trecho dos fatos: "Contudo, em que pese o acima exposto quanto à confusão do que o mesmo considera sucata, bem como com relação à manifestação expressa de que o valor declarado corresponderia ao valor, de sucata, após o procedimento de apuração e formação de seu convencimento, o Impetrado, arbitrando o "preço praticado" e, defendendo existir fraude de documento (em razão da dúvida quanto As informações declaradas na fatura e DI.), aplicou multa de 100% (cem por cento) sobre a diferença do valor declarado e o valor por ele arbitrado (inciso I; artigo 633 do Decreto 4.543/02 — Regulamento Aduaneiro), por meio do AI n° 10865.720.013/200767, de 10/07/2007. Ocorre que, se não bastasse o descabimento da sanção acima, bem como a notória natureza confiscatória da mesma, cujo lançamento se encontra pendente de apreciação de Recurso Administrativo interposto (em 08/08/2007), o Impetrado, em 13/08/2007, lavrou AUTO DE INFRAÇÃO E TERMOS DE APREENSÃO E GUARDA FISCAL N.° 0817700/00034/28 — PROCESSO 19482000.046/200766 (doc. 04), embasado em mera Norma de Execução, objetivando a aplicação da pena de perdimento da mercadoria. Sendo assim, constatase o notório abuso de autoridade pelo Impetrado, tendo em vista que a discussão se restringe a divergência relativa ao enquadramento das mercadorias como sucatas e, em conseqüência, ao valor da operação, sendo desproporcional as pretensas imputações de fraude, dolo, máfé por parte da Impetrante, tendo em vista que a mesma é empresa idônea, cumpridora de suas obrigações para com a sociedade e com o fisco, existindo, ainda, impedimento constante no próprio Regulamento Aduaneiro quanto à aplicação de ambas as sanções (multa de 100% + pena de perdimento) § único, artigo 634." (efl. 220 grifei) ü Trechos dos fundamentos jurídicos da discussão: "(ii) DO CONCEITO E UTILIZAÇÃO DO TERMO SUCATA. Defende o Impetrado que o preço declarado estaria muito abaixo de mercado (subfaturado), tendo em vista que o produto iMportado não corresponderia ao descrito . na Fatura Invoice (desclassificação dos produtos pelo mesmo). Tal assertiva se deve ao fato do Impetrado discordai . "do tratamento conferido às mercadorias em questão, pelo uso inadequado da expressão SUCATAS, com objetivo de induzir a fiscalização ao erro em relação ao valor declarado". Denotase claramente do acima exposto que a autoridade coatora imputa a utilização inadequada do termo "sucata", bem como atribui a ora Impetrante a conduta intencional de induzir a fiscalização a erro quanto ao valor declarado (máfé)" (efl. 224 grifei) Fl. 285DF CARF MF Processo nº 10865.720013/200767 Acórdão n.º 3402005.374 S3C4T2 Fl. 283 7 "(iii) DA PENA DE PERDIMENTO. Toda penalidade possui caráter punitivo e é utilizada como meio de desestimular condutas indesejadas; contudo, o poder de impor penalidades não é ilimitado e absoluto, ao contrário, deve guardar estrita relação com a suposta falta. No presente caso, a falta seria o recolhimento a menor dos tributos incidentes sobre a operação, pois o valor correspondente a estes seria o suposto "proveito" obtido pela Impetrante. Todavia, verificase que o Impetrado pretende, além da imposição da penalidade correspondente a multa de 100% (cem por cento) sobre a diferença entre o preço declarado e o preço arbitrado, aplicar a pena de perdimento das mercadorias, com fundamento nos incisos VI e VII do artigo 105. db DecretoLei no 37166, inciso IV do artigo 23 do DecretoLei n.° 1455/76, incisos VI e ,VII do artigo . 618 do Regulamento Aduaneiro e Norma de Execução COANA n.° 9/06. (...) Depreendese do disposto pelos artigos anteriormente citados que para ser aplicada a pena de perdimento, com fulcro nos mesmos, seria necessária caracterização do dolo do agente. Tal exigência se abstrai em razão dos verbos falsificar" e "adulterar" que integram o ilícito administrativo, sendo tal exigência inerente ao núcleo do tipo. Assim, há necessidade da intenção dolosa do importador (não bastando, portanto, a mera dúvida) para a aludida tipificação, mesmo nas hipóteses em que o processo de valoração chegue a outro valor que não o declarado. Desta forma, o dano ao Erário não se baseia na mera sonegação de tributos, ao contrário, requer um ânimo de burlar a fiscalização mediante falsificação, adulteração de documentos, etc. Sendo assim, a aplicação da pena de perdimento das mercadorias decorrente de falsidade documental, em virtude apenas de eventual constatação de subfaturamento, é medida excessivamente gravosa c destoa da tipificação sancionatória que exige a participação efetiva e dolosa do agente. (...) Sendo assim, tendo a empresa classificado as mercadorias em perfeita consonância com o sentido vernacular e contábil atribuído às mesmas (e, portanto, certa da legalidade de sua conduta), atribuindo valor compatível com esta classificação; eventual descaracterização, decorrente de entendimento diverso por parte do Impetrado, seria passível apenas, na mais otimista das hipóteses, de desencadear a instauração de procedimento de valoração aduaneira, com exigência do depósito da diferença dos tributos, mas não a retenção da mercadoria e conseqüente pena de perdimento. Ressaltase, ainda, que o Regulamento Aduaneiro já prevê uma multa especifica para a hipótese de subfaturamento, conforme segue: (...) Conforme anteriormente exposto, referida penalidade já foi aplicada em face da Impetrante, por meio do A.I. 10865.720.013/200767, em 10/07/2007, em decorrência desta mesma DI.. Todavia, defende o Impetrado que a penalidade constante no artigo 633 (multa de 100%) não exclui a pena de perdimento, manifestando às fls. 17: "o auto de perdimento independe do lançamento ou não do auto de crédito, ou seja, sendo lavrado o auto da multa do art. 633, I, cominase também a pena de perdimento da mercadoria". (...) Sendo assim, verificase que o Impetrado analisa o inciso I do artigo supra, sem se atentar ao disposto pelo seu parágrafo único, malferindo o escopo da norma, pois, obviamente, cumular ambas as sanções (que se' encontram entre as penalidades Fl. 286DF CARF MF 8 de maior gravidade) configuraria confisco, em manifesta afronta aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade, etc. Ainda, não há que se alegar, eventualmente, que o impedimento constante no parágrafo único do artigo 634 é meramente temporal, pois faltaria razão lógica para se pretender que a autoridade, após o devido processo de formação de seu juizo de convencimento, entendendo ser aplicável a pena de perdimento, não o fizesse imediatamente, aplicando simplesmente a multa de 100% e, após "aguardar um tempo", aplicasse a pena de perdimento da mercadoria, em razão de, por óbvio, se a tivesse aplicado no momento da finalização de seu juizo de convencimento, teria ocorrido impedimento para a aplicação da sanção de 100%. Assim, tendo o Impetrado (após o exercício de suas atividades fiscalizatórias e, consequentemente, depois de formado seu juizo de convencimento), não haver aplicado a pena de perdimento naquela oportunidade, mas optado por aplicar a sanção de 100% sobre a diferença imputada, não há que se pretender, nesta oportunidade, aplicar a pena de perdimento, cumulando ambas as sanções, em notória natureza confiscatória, malferindo o escopo da norma. O parágrafo único ao impor que a multa de 100% sobre a diferença entre o valor declarado e o arbitrado (art. 633, I, R.A.) somente pode ser lançada antes da pena de perdimento, decorre do fato de que a penalidade correspondente a esta é a mais grave a ser imposta aos contribuintes e, justamente por possuir esta natureza, se aplicada, exclui qualquer outra." ü Pedido "Portanto, Douto Julgador, resta evidente a relevância dos fundamentos da impetração da presente medida e do ato impugnado, o que justifica concessão da liminar que ora se requer nos termos do artigo 7°, inciso II, da Lei 1.533/51, pois se não concedida nesse momento, restará ineficaz a ordem judicial se concedida a final, no sentido de: a) Autorizar a imediata liberação das mercadorias de propriedade da empresa Impetrante — D.I. n.° 07/01268667, e, após, seja CONCEDIDO em definitivo o presente, pelos seus próprios fundamentos, por ser medida de JUSTIÇA!; b) a notificação do Impetrado INSPETOR DA ALFÂNDEGA NO AEROPORTO INTERNACIONAL DE VIRACOPOS — CAMPINAS ou quem liar As vezes na coação ora impugnada, no endereço constante do preâmbulo, para que, querendo, apresente as devidas informações, dentro do interregno legal, corn as pronunciações de estilo; c) Colher o sempre brilhante parecer do Ilustríssimo Representante do Ministério Público Federal." Observase que a empresa não requereu em seu pedido o cancelamento da exigência da multa objeto do presente processo, tão somente da pena de perdimento aplicada e a necessidade da liberação das mercadorias. Tal como indicou a r. decisão recorrida e como visto, efetivamente a argumentação desenvolvida na Impugnação foi coincidente com aquela desenvolvida na ação judicial, vez que a causa fática para a aplicação das duas infrações foi a mesma (subvaloração de mercadorias e a falsidade das faturas emitidas). Contudo, tratandose de infrações autônomas, e uma vez que foi levada à apreciação do judiciário o cancelamento apenas da infração de pena de perdimento, necessário que seja analisado no presente processo os argumentos de mérito suscitados pela empresa especificamente quanto a infração de multa (item b acima). Desta forma, não se vislumbra na hipótese a existência de concomitância indicada pela r. decisão recorrida. Isso porque o objeto do presente processo administrativo Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10865.720013/200767 Acórdão n.º 3402005.374 S3C4T2 Fl. 284 9 (requisitos de aplicação da multa de subvaloração do art. 633, I, do RA/2002) não foi objeto de apreciação pelo judiciário, não cabendo se falar em concomitância na forma do art. 87 do Decreto n° 7.574/2011 e da Súmula CARF n.º 1: Decreto 7.574/2011 "Art. 87. A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas (Lei no 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único). Parágrafo único. O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada." (grifei) Súmula CARF nº 1 "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." (grifei) Assim, afastada a existência de concomitância levantada pela decisão de primeira instância, que não analisou os argumentos de mérito trazidos em sede de Impugnação sintetizados no item b acima, o processo deve retornar à autoridade julgadora para manifestação sobre o mérito, sob pena de supressão de instância, conforme entendimento desta turma (vide, por exemplo, o Acórdão n.º 3402004.603, de minha relatoria) e deste E. CARF: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/1989 a 31/05/1991 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. Inexistindo concomitância entre o processo administrativo e o judicial, deve ser anulada a decisão recorrida, para que seja analisada a questão de mérito, sob pena de supressão de instância. Recurso Voluntário Provido em Parte." (Número do Processo 10580.013421/9911 Sessão 25/06/2013. Relator Nilton Luiz Bartoli, Nº Acórdão 3201001.392 Unânime grifei) "Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/01/2002 NÃO HÁ CONCOMITÂNCIA DE OBJETO ENTRE ESTE PROCESSO E AÇÃO JUDICIAL ANTERIOR. Não se caracterizou a concomitância de objeto com processo judicial nem tampouco se pode afirmar que o objeto do presente processo coincida com a questão efetivamente enfrentada pelo Judiciário, que se restringiu exclusivamente a conceder liminar para liberação da mercadoria importada sem constrangimento por parte do fisco. A lide administrativa foi iniciada dois anos depois de haver sido encerrada sem julgamento do mérito a ação mandamental cuja sentença transitada em julgado apenas confirmou a liminar liberatória da mercadoria importada e homologou a expressa desistência do autor quanto aos demais pedidos inicialmente apresentados para que fossem apreciados administrativamente. Fl. 288DF CARF MF 10 SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA DE JULGAMENTO. A indevida negativa de conhecimento do mérito pela instância julgadora a quo representa empecilho à ampla defesa e negação de garantia do contribuinte ao duplo grau de jurisdição. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. Deve ser anulada a decisão recorrida por cerceamento ao direito de defesa, devendo ser a devolução integral da matéria de mérito à apreciação da Delegacia de Julgamento competente. Processo Anulado" (Número do Processo 10907.000672/200235 Data da Sessão 16/10/2007 Relator Zenaldo Loibman Nº Acórdão 30334.758 Unânime grifei) "(...) NÃO HÁ CONCOMITÂNCIA ENTRE O PROCESSO JUDICIAL E O ADMINISTRATIVO. Tratase de empresa exclusivamente prestadora de serviços; a interessada não comprovou a afirmação de que auferiu receita de venda de mercadorias, ao contrário, nas suas declarações DIRPJ de 1990 a 1993 indicou apenas receitas de prestação de serviços, confirmadas nas cópias do Livro de Registro de Serviços Prestados. O objeto da ação judicial movida pelo sinduscon, e transitada em julgado em 1994, é o pedido de aplicação da alíquota de 0,5% para as empresas exclusivamente prestadoras de serviços, enquanto o processo administrativo tem por objeto o pedido de compensação. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. O pedido não foi julgado. O processo deve retornar à primeira instância para que julgue o mérito da compensação requerida. ANULADA A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA." (Número do Processo 14052.003131/9310 Data da Sessão 18/03/2004 Relator Zenaldo Loibman Nº Acórdão 30331.320 Unânime grifei) Aqui faço duas observações que entendo ser relevantes Primeiramente quanto a extensão da nulidade: observase que o argumento de nulidade trazido preliminarmente na Impugnação (item a indicado acima) já foi devidamente enfrentado pela decisão recorrida e não foi objeto do Recurso Voluntário ora sob análise, que restringiu sua inconformidade à ausência de concomitância. Como consta da r. decisão: "A leitura do Termo de Verificação e Descrição dos Fatos (fls. 07/18), demonstra, todavia, que os fatos que suscitaram a autuação foram suficiente e claramente descritos, bem como que a sanção aplicada neste processo tratase da multa prevista no art. 633, I, do Decreto nº 4.543/2002. Logo, sem razão a impugnante, pelo que reputamos superada a preliminar arguida." (efl. 264 grifei) Desta forma, a nulidade se restringe à análise de mérito do item b acima. Além disso, a meu ver, para garantir a coerência das decisões tomadas em face do mesmo sujeito, seria importante que o convencimento do julgador administrativo considerasse a decisão já tomada pelo Poder Judiciário quanto ao item (b.1) da defesa sintetizado acima (natureza da Sucata), vez que já apreciado naquela seara exatamente em razão da análise da validade da pena de perdimento. Como se observa do extrato de andamento do processo1, atualmente, após negativa de seguimento do Recurso Especial interposto pelo contribuinte, foi mantido o 1 Disponível em http://web.trf3.jus.br/consultas/Internet/ConsultaProcessual/Processo?NumeroProcesso=200761050114562. Acesso em 06/06/2018 Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10865.720013/200767 Acórdão n.º 3402005.374 S3C4T2 Fl. 285 11 acórdão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região que negou provimento ao agravo interposto pela empresa em face da decisão monocrática que negou provimento à Apelação da empresa, ainda pendente de trânsito em julgado, ementado nos seguintes termos: "PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO. ARTIGO 557, § 1º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. ARGUMENTOS QUE NÃO ABALAM A FUNDAMENTAÇÃO E A CONCLUSÃO EXARADAS NA DECISÃO VERGASTADA. AGRAVO LEGAL IMPROVIDO. 1. AGRAVO interposto por BURIGOTTO S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO, contra decisão monocrática proferida por este Relator que negou seguimento à apelação interposta em face de sentença (fls. 340/343) proferida pelo Juízo da 8ª Vara Federal de Campinas/SP que denegou a segurança pleiteada. 2. Os argumentos apresentados no agravo não abalam a fundamentação e a conclusão exaradas na decisão vergastada, a qual esgotou todos os argumentos deduzidos nas razões recursais. 3. Os elementos constantes dos autos demonstram que os valores informados nos documentos necessários ao desembaraço das mercadorias mais de 22.000 kg de tecidos e laminados plásticos são menores do que o valor efetivo das mesmas, sendo que atribuirlhes a definição de sucata só seria possível após análise quanto à possibilidade de sua aceitação no mercado brasileiro. Nos termos do Termo de Verificação e Descrição dos Fatos, confeccionado no âmbito da Receita Federal, as mercadorias apreendidas são constituídas de "tecidos e malhas de valor comercial, com preço e mercado bastante definidos, apresentandose em estado e condições normais aos praticados no setor têxtil", concluindo, assim, "que o efeito pretendido do interessado foi a importação de matériaprima, porém descrito com preço de sucata". A impetrante/agravante ressalta que pertencia ao mesmo grupo econômico da exportadora, logo, partilham dos mesmos interesses de mercado. Se a importação ocorreu com vistas à utilização da mercadoria para produção no Brasil, não se pode aquiescer com a atribuição à mercadoria da qualidade de sucata. Além disso, a própria empresa impetrante afirma expressamente que importou as mercadorias no propósito de utilizálas na fabricação de uma linha especial de produtos com edição limitada, ou seja, a BURIGOTTO tinha ciência de que os tecidos e laminados importados lhe serviriam como matériaprima e, ainda assim, atribuiu às mercadorias, indevidamente, o valor de sucata. 4. A decisão atacada demonstrou que está em sintonia com o entendimento desta Egrégia Corte (AMS 00017842220074036119, SEXTA TURMA, Desembargador Federal MAIRAN MAIA, j. 8/11/2012, eDJF3 22/11/2012), no que concerne à aplicação cumulativa de 2 (duas) penalidades, ambas bem fundamentadas, tendo em vista que decorreram de 2 (duas) infrações distintas, uma de natureza administrativa (pena de multa: artigo 88, § único, da Medida Provisória nº 2158 35/2001; artigo 633, I, do Regulamento Aduaneiro) e outra definida como dano ao erário (pena de perdimento: artigo 105, VI, do DecretoLei nº 37/1966; artigo 23, IV e § 1º, do DecretoLei nº 1455/1976 e artigo 618, VI, do Regulamento Aduaneiro), para as quais foram determinadas sanções diferentes. 5. Agravo legal improvido." (TRF3, 6ª Turma, Acórdão 11416/2014 Agravo Legal em Apelação Cível 2007.61.05.0114562/SP Relator Desembargador Federal Johonsom Di Salvo. DJe nº 122/2014, 15/07/2014 grifei) Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para anular a decisão recorrida em face da inexistência de concomitância, com o retorno dos autos à DRJ/SPO para apreciação dos argumentos de mérito trazidos na Impugnação. Fl. 290DF CARF MF 12 É como voto. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne. Fl. 291DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.920519/2009-48
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 14/12/2005
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comprová-lo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais.
Numero da decisão: 9303-006.956
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
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ÔNUS DA PROVA. Recorrente TIM CELULAR S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/12/2005 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comproválo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 05 19 /2 00 9- 48 Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10880.920519/200948 Acórdão n.º 9303006.956 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão nº 3803006.316, proferido pela Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que negou provimento ao recurso voluntário. O Contribuinte interpôs Recurso Especial suscitando divergência quanto ao entendimento da decisão recorrida de que a comprovação do erro, com a respectiva juntada de documentação comprobatória, após o despacho decisório que indeferiu a compensação, deve ser feita no momento da manifestação de inconformidade/impugnação. Visando comprovar o dissenso apresentou o acórdão de número 330201.406. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido, conforme despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção do CARF. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões defendendo o não provimento do recurso especial do contribuinte. É o relatório, em síntese. Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10880.920519/200948 Acórdão n.º 9303006.956 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.937, de 13/06/2018, proferido no julgamento do processo 10880.679890/200919, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.937): "Da Admissibilidade O Recurso Especial do Contribuinte é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade integral do recurso conforme despacho fls. 273 a 275. Do Mérito A questão trazida a debate em Recurso Especial versa sobre o entendimento se a DCTF retificadora, após o despacho decisório comprova o direito creditório. Ou seja, a questão de mérito se restringe à certeza e liquidez do crédito. Segundo o despacho decisório eletrônico, cientificado pela contribuinte em 5/11/2009, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento declarado no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da contribuinte. Segundo o consta nos autos, a contribuinte limitase alegar a existência de erro de preenchimento, erro nos cálculos de apuração de tributo, erro no pagamento em DARF. Verificase também que a contribuinte apenas trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório, do PER/DCOMP, do comprovante de arrecadação e da DCTF retificadora transmitida em 2 de dezembro de 2009, após a ciência do despacho decisório, documentos esses insuficientes à plena comprovação do indébito reclamado, dado que desacompanhados de elementos da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. No caso dos autos, embora tenha sido apresentada a DCTF retificadora, a principal fundamentação do acórdão recorrido depreendese pela ausência de comprovação da certeza e liquidez dos créditos tributários, pela falta de apresentação de outros documentos fiscais e contábeis da empresa, que comprovaria seu direito creditório, conforme abaixo: (....) Conforme se verifica do relatório supra, a compensação declarada por meio de PER/DCOMP não foi homologada pela repartição de origem pelo fato de que o crédito pleiteado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10880.920519/200948 Acórdão n.º 9303006.956 CSRFT3 Fl. 5 4 contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ São Paulo I/SP, em razão da falta de comprovação do alegado erro ocorrido no preenchido da DCTF. Para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido No que tange ao material probatório do seu direito, o contribuinte trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários, do despacho decisório, do PER/DCOMP, do comprovante de arrecadação e da DCTF retificadora transmitida em 2 de dezembro de 2009, após a ciência do despacho decisório, documentos esses insuficientes à plena comprovação do indébito reclamado, dado que desacompanhados de elementos da escrituração contábil fiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Nenhum documento, por mais precário que fosse, foi trazido aos autos para se comprovarem as remessas ao exterior de royalties pela cessão de direitos de uso de programas de computador, bem como pela contraprestação de serviços técnicos e administrativos. Nada há nos autos que demonstre esses fatos alegados pelo Recorrente. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrasse em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do presente processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão à alegada violação do princípio. Quanto a esse tema, compartilho do entendimento exposto no voto trazido pela ilustre Conselheira Vanessa Marini Cecconello, no Acordão n.º 9303005.469, a qual peço licença para transcrever e, por se tratar de fatos similares, adoto seus fundamentos como minhas razões de decidir no presente processo: (...) a. Possibilidade de apreciação e deferimento do pedido de compensação independentemente da apresentação de DCTF retificadora A compensação de créditos decorrentes do pagamento indevido ou a maior é prevista no art. 74 da Lei nº 9.430, e regulamentada por meio da IN RFB nº 1.300/2012. Indispensável à homologação do pedido de compensação é a existência de crédito líquido e certo do Contribuinte, bem como esteja devidamente demonstrado nos autos do processo administrativo. No recurso especial, a Contribuinte insurgese face à não homologação de seu pedido de compensação, alegando ser dispensável a apresentação de DCTF retificadora para tanto. De fato, o crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nasce com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior. Portanto, a apresentação da DCTF retificadora não é requisito indispensável à homologação da compensação, mas a certeza e liquidez do indébito tributário deve restar comprovada por outros meios nos autos do processo administrativo. Nesse sentido, é o Parecer Cosit nº 02/2015, de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10880.920519/200948 Acórdão n.º 9303006.956 CSRFT3 Fl. 6 5 “NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10880.920519/200948 Acórdão n.º 9303006.956 CSRFT3 Fl. 7 6 Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442. No caso dos autos, da fundamentação do acórdão recorrido depreendese ser este o entendimento explicitado naquela ocasião pelo Colegiado a quo, não tendo sido homologada a compensação, embora também não apresentada a DCTF retificadora, mas sim e principalmente pela ausência de comprovação da certeza e liquidez dos créditos tributários, por meio de outros documentos fiscais e contábeis da empresa. Por estas razões, não pode ser acolhido o pleito da Recorrente de serem homologadas as compensações. b. Ônus da prova para comprovação da certeza e liquidez do crédito Pelo princípio da verdade material, norteador do processo administrativo, o julgador tem o poderdever de buscar o esclarecimento dos fatos, adotando providências no sentido de conduzir o processo à busca da verdade real dos fatos. No entanto, o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Dentro do princípio da cooperação no processo, mudança significativa introduzida pelo Novo Código de Processo Civil, as partes envolvidas na lide podem solicitar provas e buscálas, sendo concebido o processo para todos os envolvidos, inclusive o juiz da causa. No entanto, não se pode interpretar referida diretriz como total transferência do ônus probatório. No caso em exame, com a manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, limitouse a contribuinte a juntar a DCTF e DACON, não trazendo quaisquer outros elementos de prova que comprovem a certeza e liquidez do crédito tributário. Portanto, nesse caso, não cabe se falar em ônus do julgador em solicitar providências complementares, pois sequer foram juntados documentos fiscais e contábeis, de sua posse, para início dessa comprovação. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial do Sujeito Passivo. Vale ressaltar ainda, que aqui não estamos tratando de compensação não homologada pela falta da retificação da DCTF. Nestes casos, entendo que, quando esta é suprida pelo Contribuinte na apresentação da manifestação de inconformidade, constituindose em primeiro indício de prova da certeza e liquidez do crédito tributário, devendo então ensejar nova análise do pedido de compensação pela Autoridade Fiscal. Assim, nestes caso, mediante a apresentação da DCTF retificadora, que substitui a original, quando da apresentação da manifestação de inconformidade, cabível oportunizar ao Contribuinte a apresentação de provas quanto à certeza e liquidez do crédito tributário, por meio de documentos contábeis e fiscais. Ou seja, entendo que não há óbice, portanto, à apresentação da DCTF retificadora e sua aceitação após a prolação do despacho decisório. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10880.920519/200948 Acórdão n.º 9303006.956 CSRFT3 Fl. 8 7 No entanto, apresentação de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de reverter a não homologação da compensação. No caso em exame, o Contribuinte limitouse a trazer aos autos apenas cópias de documentos societários, do despacho decisório, do PER/DCOMP, do comprovante de arrecadação e da DCTF retificadora transmitida em 2 de dezembro de 2009, após a ciência do despacho decisório, documentos esses insuficientes à plena comprovação do indébito reclamado, dado que desacompanhados de elementos da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Nenhum documento, por mais precário que fosse, foi trazido aos autos para se comprovarem as remessas ao exterior de royalties pela cessão de direitos de uso de programas de computador, bem como pela contraprestação de serviços técnicos e administrativos. Diante do exposto, negase provimento ao Recurso Especial do Contribuinte." Ressaltese que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte também não juntou aos autos nenhum documento hábil a comprovar o direito creditório alegado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 218DF CARF MF
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Numero do processo: 10909.721591/2014-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Ano-calendário: 2011, 2012
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. DEVIDO PROCESSO LEGAL. NULIDADE DE ATOS PROCESSUAIS
Uma vez que a empresa indicada como responsável solidária não foi regularmente cientificada do auto de infração, devem ser declarados nulos todos os atos posteriores por preterição do direito de defesa, a luz do artigo 59, inciso II, do Decreto 70235/72.
PAF. DEVIDO PROCESSO LEGAL. JULGAMENTO CONJUNTO. PLURALIDADE DE SUJEITOS
Deve ser declarada a nulidade do acórdão recorrido por necessidade de realização de julgamento conjunto das impugnações interpostas pelos sujeitos passivos. Inteligência do caput do art.3º e § 2º do art.7º da Portaria SRF nº 2.284/2010 e art.59, inciso II, do Decreto 70235/72.
Decisão Recorrida Nula
Aguardando Nova Decisão
Numero da decisão: 3402-005.336
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em reconhecer a nulidade de todas as decisões proferidas no presente processo, de primeira e segunda instâncias, em razão do vício na ciência da empresa FALLS do Auto de Infração, determinando o retorno dos autos para a unidade julgadora de primeira instância para novo julgamento conjunto das Impugnações da PAN ASIA e a FALLS.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Ano-calendário: 2011, 2012 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. DEVIDO PROCESSO LEGAL. NULIDADE DE ATOS PROCESSUAIS Uma vez que a empresa indicada como responsável solidária não foi regularmente cientificada do auto de infração, devem ser declarados nulos todos os atos posteriores por preterição do direito de defesa, a luz do artigo 59, inciso II, do Decreto 70235/72. PAF. DEVIDO PROCESSO LEGAL. JULGAMENTO CONJUNTO. PLURALIDADE DE SUJEITOS Deve ser declarada a nulidade do acórdão recorrido por necessidade de realização de julgamento conjunto das impugnações interpostas pelos sujeitos passivos. Inteligência do caput do art.3º e § 2º do art.7º da Portaria SRF nº 2.284/2010 e art.59, inciso II, do Decreto 70235/72. Decisão Recorrida Nula Aguardando Nova Decisão
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AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. DEVIDO PROCESSO LEGAL. NULIDADE DE ATOS PROCESSUAIS Uma vez que a empresa indicada como responsável solidária não foi regularmente cientificada do auto de infração, devem ser declarados nulos todos os atos posteriores por preterição do direito de defesa, a luz do artigo 59, inciso II, do Decreto 70235/72. PAF. DEVIDO PROCESSO LEGAL. JULGAMENTO CONJUNTO. PLURALIDADE DE SUJEITOS Deve ser declarada a nulidade do acórdão recorrido por necessidade de realização de julgamento conjunto das impugnações interpostas pelos sujeitos passivos. Inteligência do caput do art.3º e § 2º do art.7º da Portaria SRF nº 2.284/2010 e art.59, inciso II, do Decreto 70235/72. Decisão Recorrida Nula Aguardando Nova Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em reconhecer a nulidade de todas as decisões proferidas no presente processo, de primeira e segunda instâncias, em razão do vício na ciência da empresa FALLS do Auto de Infração, determinando o retorno dos autos para a unidade julgadora de primeira instância para novo julgamento conjunto das Impugnações da PAN ASIA e a FALLS. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 72 15 91 /2 01 4- 96 Fl. 931DF CARF MF 2 Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida com os devidos acréscimos: O presente auto de infração trata de procedimento de fiscalização que concluiu pela prática de interposição fraudulenta na importação. Conforme DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL, fls. 25 e seguintes e ainda nos termos do RELATÓRIO DE ENCERRAMENTO DE PROCEDIMENTO ESPECIAL DE CONTROLE ADUANEIRO que embasou o PAF 12457.732731/201281, fl. 33, a fiscalização aponta a empresa FALLS TRIGO IMP E EXP LTDA, CNPJ 12.058.776/0001 41, como real adquirente das mercadorias importadas de forma interposta pela empresa PAN ASIA TRADING IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, CNPJ 10.213.525/000240. Nesses termos a fiscalização aplicou à empresa PAN ASIA e à autuada solidária FALLS TRIGO, a pena de perdimento prevista no art. 23, V, § 1° do Decretolei n°1.455/76. Pelo consumo da mercadoria o perdimento foi convertido em multa nos termos do art. 23, V, § 2° do Decretolei n°1.455/76. A autuação totalizou o valor de R$ 8.898.757,90. Intimada do Auto de Infração em 04/07/2014 (fl. 139), a autuada PAN ASIA apresentou impugnação e documentos em 06/08/2014, juntados às fls. 143 e seguintes. Referida impugnação foi julgada improcedente pelo Acórdão n° 1666.817 24ª Turma da DRJ/SPO em 18/03/2015 (fl. 324). A interessada PAN ASIA interpôs recurso voluntário ao CARF. Fl. 932DF CARF MF Processo nº 10909.721591/201496 Acórdão n.º 3402005.336 S3C4T2 Fl. 932 3 Através do Acórdão n° 3402003.008 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária de 26/04/2016, foi negado provimento ao recurso voluntário (fl. 399). Em 02/06/2016 a interessada PAN ASIA interpôs recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais (fl. 433). Em 21/06/2016 o CARF nega seguimento ao recurso especial (fl. 536). Dessa forma, ocorreu o trânsito em julgado na esfera administrativa e os créditos lançados foram encaminhados para inscrição em Dívida Ativa (fl. 556). Nesse momento a responsável solidária na autuação, FALLS TRIGO IMP E EXP LTDA, CNPJ 12.058.776/000141, ajuizou Ação Declaratória n° 5006580 93.2016.4.04.7002 na 1ª Vara da Justiça Federal de Foz do Iguaçu, alegando a nulidade da cobrança por falta de regular intimação do Auto de Infração. Através da manifestação de fl. 642 e seguintes, a Procuradoria da Fazenda Nacional no Paraná reconhece a procedência do pedido relativo à nulidade e determina a intimação da Alfândega da Receita Federal do Brasil de Itajaí/SC para reabertura do prazo de impugnação da responsável solidária FALLS TRIGO. Através do COMUNICADO n° 36/2016SARAC/ALF/ITJ a empresa FALLS TRIGO foi informada da reabertura do prazo para impugnação ao Auto de Infração (fl. 565). Intimada do Auto de Infração em 16/11/2016 (fl. 571), a responsável solidária FALLS TRIGO apresentou impugnação e documentos em 16/12/2016, juntados às fls. 575 e seguintes, alegando em síntese: 1. Alega preliminarmente a nulidade do Auto de Infração por vício material no lançamento caracterizado pela deficiência da intimação. Alega que a fiscalização ocorreu integralmente à sua revelia. Alega que a intimação do Auto de Infração ocorreu em endereço que já não era mais o domicílio fiscal da impugnante à época. Alega que ato contínuo, em sem qualquer nova diligência, a impugnante foi intimada do Auto de Infração por editais. Cita o art. 23 do PAF. Afirma que a intimação por edital é método de exceção. Cita jurisprudência administrativa e judicial sobre o Fl. 933DF CARF MF 4 tema. Afirma que o novo endereço da impugnante constava dos bancos de dados da Receita Federal. Alega que o vício na intimação gera nulidade insanável do ato. Cita o art. 10 do PAF. Cita jurisprudência administrativa sobre o tema. Alega assim a nulidade da segunda intimação do Auto de Infração por ter ocorrido em momento inadequado tendo a impugnante tolhido seu direito de exercer o contraditório e a ampla defesa. Alega que já decorreram todas as fases do processo administrativo sendo o lançamento mantido. Afirma que tal reabertura de prazo é ilegal pois os acórdãos já estabilizados de forma alguma serão alterados. Afirma a ocorrência de preclusão processual. Cita os arts. 17, 42, 81 e 54 do PAF. Afirma que já passaram todos os prazos para manifestação da impugnante. Cita a Portaria RFB n° 2.281/2010 que trata das situações nas quais há pluralidade de sujeitos passivos na autuação. Cita o art. 5°, LV da CF. Cita doutrina e jurisprudência sobre o tema. 2. Reafirma a necessidade de afastamento da responsabilidade solidária, pela nulidade da nova intimação na atual fase processual. 3. Alega a inaplicabilidade do art. 689, § 1° do Decreto n° 6.759/09 ao presente caso. Alega que nenhum dos incisos do art. 689 do RA de 2009 prevê a ocultação do real importador como situação de Dano ao Erário. 4. Alega a decadência parcial do lançamento tributário. Afirma que a penalidade imposta não possui natureza tributária, não se aplicando as regras de decadência previstas no CTN. Afirma ser aplicável no caso concreto a regra do art. 139 do Decretolei n° 37/66. Pleiteia a aplicação subsidiária do §4° do art. 150 do CTN. 5. Alega que a presunção de interposição só pode ocorrer nas hipóteses previstas na norma. Cita jurisprudência administrativa sobre o tema. Afirma que nas demais hipóteses é necessária a prova do dolo de fraudar. Alega que cabe à fiscalização provar a conduta fraudulenta nos termos do art. 72 da Lei n° 4.502/64. Cita Fl. 934DF CARF MF Processo nº 10909.721591/201496 Acórdão n.º 3402005.336 S3C4T2 Fl. 933 5 doutrina sobre o tema. Alega que a fiscalização não comprovou a falta de recursos de PAN ASIA para realizar as importações. Cita os acórdãos da DRJ e do CARF já proferidos no processo. Afirma que tanto PAN ASIA como FALLS TRIGO estavam habilitadas no RADAR para operar no comércio exterior. Afirma não haver ilícito nessa condição. Afirma não haver ilegalidade no aproveitamento do crédito fiscal do ICMS no Estado de Santa Catarina. Afirma que o volume de compras realizado pela impugnante junto à PAN ASIA não prova qualquer fraude. Alega que a fiscalização não demonstrou qualquer anormalidade no preço de venda de PAN ASIA. Afirma que a fiscalização analisou um conjunto de importações e extrapolou suas conclusões para todas as importações aqui autuadas. Afirma que a utilização dos mesmos despachantes para as cargas vendidas pela PAN ASIA à impugnante poderia decorrer de indicação desta à primeira. Afirma que nem sempre as datas de importação e venda das mercadorias à impugnante eram contínuas. Afirma que os modelos de faturas, as faturas em nome de PAN ASIA, as licenças de importação e demais documentos foram encaminhados pela PAN ASIA para a impugnante para fins de acompanhamento apenas. Afirma que as mensagens relativas ao envio de faturas e LI’s da impugnante para PAN ASIA foram mal interpretadas como sendo a participação direta da impugnante na negociação de exportação. Afirma que a troca de mensagens entre o despachante Sr. Leonço e a impugnante referiase a importação própria desta e não de PAN ASIA. Afirma também que as conversas entre o Sr. Leonço e o Sr. Gustavo Zuzulich não se referiam a importações da PAN ASIA. Afirma que as mensagens relativas ao Sr. Nilo não se relacionam com as compras feitas pela impugnante da empresa PAN ASIA. Afirma que as mensagens entre o Sr. Nilo e o Sr. Maycon apenas demonstram haver relação comercial entre a impugnante e a PAN ASIA, mas não provam a fraude. Afirma que as mensagens relativas ao fechamento de câmbio não possuem relação com a Fl. 935DF CARF MF 6 impugnante. Afirma que a planilha indicando o capital de PAN ASIA que está “fora”, com valores relativos à impugnante, não comprova que são valores relativos a adiantamento de câmbio. Afirma que existem outras empresas na planilha de devedores da PAN ASIA que não foram fiscalizadas. Afirma que o email relativo aos valores de comissão pagos por caminhão de farinha não é conclusivo para provar a interposição de PAN ASIA nas importações da impugnante. Reafirma que não houve comprovação de dolo da impugnante em fraudar as operações de comércio exterior. Afirma que não se pode presumir que PAN ASIA não possuía área de armazenamento no Paraná para atender a seus clientes no estado. 6. Afirma que a pena de perdimento do art. 23, V do Decretolei n° 1.455/76 depende de prova de Dano ao Erário. Cita jurisprudência sobre pena de perdimento. Alega que todos os tributos foram recolhidos. 7. Requer, por fim, que sejam acolhidas as preliminares e/ou seja julgado improcedente no mérito o presente auto de infração. Ato contínuo, a DRJSÃO PAULO (SP) julgou a Impugnação do contribuinte nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre a Importação II Anocalendário: 2011, 2012 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. A interposição fraudulenta na importação caracteriza a penalidade prevista no art. 23, V, § 1° do Decretolei n°1.455/76. DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. CASO DE FRAUDE, DOLO E SIMULAÇÃO. INICIO DO PRAZO: 1° DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO FATO GERADOR. A regra é a contagem do início do prazo de decadência, nos casos de lançamento por homologação, a partir do fato gerador: art. 150, caput, do CTN. Entretanto, o § 4° do art. 150 faz ressalva para os casos de dolo, fraude e simulação. Nesses casos, o início do prazo é o 1° dia do exercício seguinte ao fato gerador (art. 173, I, CTN) Impugnação Improcedente.. Fl. 936DF CARF MF Processo nº 10909.721591/201496 Acórdão n.º 3402005.336 S3C4T2 Fl. 934 7 Em seguida, devidamente notificada, a empresa Moinho Falls Trigo Ltda interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. Neste Recurso, a Empresa repisou os mesmos argumentos apresentados na sua Impugnação quanto a agressão ao seu direito de defesa devido a nulidade declarada judicialmente da ciência do auto de infração e, quanto ao mérito, utilizandose dos mesmos fundamentos, solicitou que seja reconhecida por este Colegiado a inexistência de interposição fraudulenta e o conseqüente afastamento da sua responsabilidade solidária no presente auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Sousa Bispo O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. Trata o presente processo de lançamento de pena de perdimento convertida em multa pecuniária. A acusação fiscal que gerou o lançamento é de importação de mercadoria com ocultação do real adquirente, mediante interposição fraudulenta comprovada na operação de comércio exterior, restando caracterizada a infração de Dano ao Erário, na forma prevista no inciso V e §§ 1º e 3º do art. 23 do DecretoLei n.º 1.455/76. No lançamento fiscal a Autoridade Aduaneira concluiu, de acordo com as provas coletadas, que a empresa Pan Asia foi utilizada como interposta pessoa com o fim de ocultar nas importações a empresa Moinho Falls, que seria a real importadora das mercadorias. Antes do julgamento do processo, mister se faz expor alguns fatos relevantes ocorridos no seu trâmite que serão fundamentais para se chegar a melhor solução para a lide. Conforme consignado no relatório acima, o presente caso já foi objeto de julgamento administrativo nas turmas do DRJ e no CARF de forma definitiva quanto as alegações da empresa PAN ASIA TRADING IMP E EXP LTDA (Recorrente) e a MOINHO FALLS TRIGO LTDA (Revel no processo). O lançamento foi integralmente mantido nas instâncias adimistrativas. Após o trânsito em julgado, os créditos lançados foram encaminhados para inscrição em Dívida Ativa. Ocorre que, segundo informa a Recorrente, somente tomou conhecimento do lançamento fiscal quando os débitos foram inscritos em dívida ativa, uma vez que vinha sendo intimada de todos os atos do processo, incluindo a ciência do auto de infração, em endereço diverso daquele constante no seu cadastro da Secretaria da Receita Federal, fato que ensejou o uso indevido de edital como forma de ciência dos atos do processo. Constatando tal situação, a Empresa ajuizou a Ação Declaratória n° 500658093.2016.4.04.7002 na 1ª Vara da Justiça Federal de Foz do Iguaçu, alegando a Fl. 937DF CARF MF 8 nulidade da cobrança por falta de regular intimação do Auto de Infração. Na referida ação, a Moinho Falls obteve a declaração de nulidade da sua ciência do lançamento, tendo em vista os fatos relatados. A DRF de origem, visando cumprir a decisão judicial, por meio do COMUNICADO n° 36/2016SARAC/ALF/ITJ, efetuou nova ciência do lançamento fiscal à empresa MOINHO FALLS TRIGO, comunicando a reabertura do prazo para impugnação ao Auto de Infração. A empresa, depois de devidamente notificada em data anterior àquela limite para a decadência do crédito tributário, apresentou Impugnação à DRJ, na qual visou a nulidade do lançamento fiscal em sede preliminar por preterição do seu direito de defesa e, no mérito. com argumentos e provas que supostamente infirmariam a acusação de ocorrência de interposição fraudulenta. A DRJ, no novo acórdão, analisou as argumentações apresentadas pela Moinho Falls e concluiu, em suma, quanto a preliminar de nulidade argüida por vício na intimação original e também na segunda intimação, que não há qualquer disposição legal que obrigue a intimação simultânea dos responsáveis solidários no crédito tributário. Tais intimações são feitas como prevenção à decadência, e podem ocorrer em momentos temporais distintos. Tampouco existe qualquer disposição legal prevendo a nulidade do lançamento quando o processo se encontra em fases processuais distintas para cada coresponsável. Mesmo porque a todos é oferecida a condição de exercer plenamente seu direto de defesa, e esse direito exercido por um dos responsáveis prescinde do mesmo exercício realizado pelos demais responsáveis. Dando continuidade à sua fundamentação, a autoridade julgadora de primeira instância afirma que a primeira intimação já teve sua nulidade constatada judicialmente, e a segunda intimação foi regularmente realizada dentro do prazo decadencial. Arremata o julgador afirmando que não tem sentido a alegação de que já ocorrera a estabilização dos acórdãos sobre o tema, visto que esses produzem efeitos apenas em relação à autuada PAN ASIA, e não em relação à impugnante FALLS TRIGO, que passa a ter seus argumentos de defesa analisados neste acórdão. Tal situação também não se configura como espécie de preclusão, visto que FALLS TRIGO terá todos os prazos processuais à sua disposição para exercer plenamente seu direito de ampla defesa. Conclui o Julgador que inexiste amparo para qualquer alegação de nulidade decorrente dessa segunda intimação. A Recorrente, por sua vez, insurgiuse contra tal conclusão afirmando que a ausência de intimação no momento adequado do auto de infração lhe causou grande prejuízo ao contraditório e ampla defesa, devendo ser o lançamento fiscal declarado nulo e/ou a sua reponsabilidade solidária ser excluída. Afirma ainda a Recorrente que nessa fase processual, na qual o processo se encontra definitivamente julgado na instância administrativa, as decisões dos julgadores já se encontram perfeitamente estabilizadas e que de forma alguma serão alteradas em novo julgamento sobre as suas argumentações, sendo ilegal e incabível a tentativa da SRF regularizar um vício processual, por meio de nova ciência, a fim de manter integralmente o lançamento em desfavor da Recorrente. Fl. 938DF CARF MF Processo nº 10909.721591/201496 Acórdão n.º 3402005.336 S3C4T2 Fl. 935 9 Nesse sentido, afirma que a decisão recorrida, embora composta de um total de 40 folhas, foi dedicada a análise efetiva das suas argumentações menos de 10 folhas, limitandose a repetir trechos da decisão anteriormente proferida. Isso demonstra de forma cabal e irrefutável que, apesar de pretender dar ares de legalidade ao procedimento, a mera reabertura do prazo para apresentação de defesa jamais poderia garantir à ora Recorrente a análise imparcial das argumentações por ela aduzidas, posto que já foram proferidas as decisões por todas as instâncias administrativas, sem que a Recorrente pudesse se manifestar no momento adequado. Observase que a nulidade processual de cerceamento do direito de defesa suscitada pela Recorrente tem caráter prejudicial à análise do mérito, devendo por isso ser analisada de forma antecedente. De acordo com os elementos constantes dos autos, identificase que houve de fato um prejuízo ao contraditório e ao direito de ampla defesa da Recorrente pela falta de ciência regular do auto de infração lavrado, no qual foi considerada responsável solidária e real importadora. A ciência do auto de infração da MOINHO FALLS já foi declarada nula pela justiça federal em decisão de primeira instância no sentido de que fosse efetuada nova ciência do lançamento a empresa, nos seguintes termos: SENTENÇA Tratase de Procedimento Comum intentado por FALLS TRIGO IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA em face da UNIÃO FAZENDA NACIONAL, pretendendo a declaração de nulidade do Processo Administrativo Fiscal n.º 10909.721591/201496 desde a intimação da ciência do auto de infração. A União, devidamente citada, reconheceu o pedido inicial, concordando com a nulidade da citação (evento 33). Defendeu, no entanto, que quem deu causa à ação foi a própria autora, que deixou de se manifestar sobre a nulidade na primeira oportunidade que teve. Os autos vieram conclusos para sentença. Decido. Ante o reconhecimento da procedência do pedido pela parte ré, inexiste controvérsia a ser dirimida, impondose a extinção do processo, com resolução de mérito, fundada no artigo 487, III, 'a' do Código de Processo Civil. Indefiro, no entanto, o pedido para que a autora seja condenada em honorários, visto que não há prova suficiente nos autos de que tenha dado causa à distribuição da presente demanda. Fl. 939DF CARF MF 10 Posteriormente, a existência de vício processual na ciência do auto de infração também foi reconhecida pela administração tributária. A nulidade no processo administrativofiscal é regulado pelo art. 59, do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Sendo incontroverso nos autos que ocorreu o vício na ciência do auto de infração, fazse necessário reconhecer que este também prejudica os atos posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência, em consonância com o estabelecido no § 1º, do art.59, do Decreto nº 70.235/72. Ao meu sentir, a existência do vício processual identificado nos autos contaminou os julgamentos originários de primeira instância e segunda instância porque não contou com a participação de um dos acusados e este não teve a oportunidade de apresentar recurso contra o lançamento, em afronta ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, conforme prevê o art. 59, II, do Decreto no 70.235/72. A nulidade das decisões anteriormente proferidas com preterição do direito de defesa é absoluta, uma vez que configura violação aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa. Dessa forma, no entendimento desse Relator, a nulidade identificada nos autos não pode ser suprida por julgamento novo somente com as alegações da Recorrente, como afirma o acórdão recorrido. Devese rejulgar toda a matéria em análise conjunta das alegações e provas apresentadas por ambas as envolvidas (PAN ASIA e FALLS TRIGO). Vale ressaltar também que a responsabilidade tributária atribuída na fase inquisitorial de constituição do crédito tributário faz surgir a condição de sujeito passivo, por força do art.121, parágrafo único, II, do CTN, e, nessa condição, é essencial a sua intimação para participar do Processo Administrativo Fiscal (PAF), de acordo com o previsto no inciso V do art. 10, do decreto 70.235/72, in verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: ... Fl. 940DF CARF MF Processo nº 10909.721591/201496 Acórdão n.º 3402005.336 S3C4T2 Fl. 936 11 V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; Ademais, a Portaria SRF nº 2.284/2010, que dispõe sobre os procedimentos a serem adotados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil quando da constatação de pluralidade de sujeitos passivos de uma mesma obrigação tributária, determina a ciência de ambos os sujeitos passivos e encaminhamento para julgamento conjunto após transcorrido o prazo para apresentação de impugnação ou recurso para todos os autuados ou impugnantes, conforme a seguir transcrito: Art. 2º Os Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil, na formalização da exigência, deverão, sempre que, no procedimento de constituição do crédito tributário, identificarem hipóteses de pluralidade de sujeitos passivos, reunir as provas necessárias para a caracterização dos responsáveis pela satisfação do crédito tributário lançado. § 1º A autuação deverá conter a descrição dos fatos e o enquadramento legal das infrações apuradas e do vínculo de responsabilidade. § 2º Na hipótese de que trata o caput, não será exigido Mandado de Procedimento Fiscal para os responsáveis. Art. 3º Todos os autuados deverão ser cientificados do auto de infração, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação. Parágrafo único. Na hipótese do caput, o prazo para impugnação é contado, para cada sujeito passivo, a partir da data em que tiver sido cientificado do lançamento. (...) Art. 7º A impugnação tempestiva apresentada por um dos autuados suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação aos demais. § 1º O disposto neste artigo não se aplica na hipótese em que a impugnação versar exclusivamente sobre o vínculo de responsabilidade, caso em que só produzirá efeitos em relação ao impugnante. § 2º Os autos somente serão encaminhados para julgamento depois de transcorrido o prazo para apresentação de impugnação ou recurso para todos os autuados ou impugnantes, conforme o caso. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (negritos nossos) Fl. 941DF CARF MF 12 Depreendese dos dispositivos destacados que se fazem necessários a ciência e o julgamento conjunto da impugnação ou recurso de todos os autuados. Portanto, o vício no tocante à ciência do auto de infração acarretou incontestável prejuízo à Recorrente, contaminando todos os atos posteriores dele decorrentes, incluindo as decisões anteriormente prolatadas pela DRJ e CARF sem a oportunidade de participação da Responsável Solidária. Portanto, entendo como inválidas as decisões proferidas pelos órgãos julgadores administrativos antes da intimação regular de todos os sujeitos passivos do lançamento, por ofensa a garantia do contraditório e ampla defesa. Nessa mesma direção, tem sido o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais em casos de falta de intimação da decisão de primeira instância a um dos responsáveis solidários que contamina os atos posteriores, por preterição do direito de defesa, levando a nulidade do acórdão proferido pelo CARF na câmara baixa e a necessidade de novo julgamento com relação a todos os responsáveis solidários. A seguir, transcrevese trecho do voto da Conselheira Relatora Susy Gomes Hoffmann representativo desse entendimento em julgamento de Recurso Especial, proferido no acórdão nº 302126104 de 13 de novembro de 2007: Na esteira do julgado acima citado entendo que também no presente caso houve descumprimento de formalidade essencial ao desenrolar do processo administrativo qual seja a intimação da decisão de primeira instância administrativa a uma das empresas que formam o pólo passivo da obrigação tributária instaurada por meio do auto de infração objeto do processo. Entendo que a ausência de tal intimação impediu a obediência ao princípio da ampla defesa e tal fato enquadra o presente caso na previsão do inciso II do artigo 59 do Decreto 70235/72, tomando nula a decisão de segunda instância administrativa. Assim, não há como julgar o Recurso Especial ora interposto posto que necessária que seja, nesta oportunidade, declarada a nulidade do processo a partir do ato formal de ciência da decisão de primeira instância pelo sujeito passivo COIMEX, inclusive. Transcrevese outras ementas de alguns julgados que consolidam a mesma posição em casos semelhantes ao ora analisado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 08/04/1994 a 15/12/1994 NULIDADE. ART. 59,11, DO DECRETO 70.235/72. Há que ser declarada a nulidade do processo a partir do ato formal de ciência da decisão de primeira instância pelo sujeito passivo, a luz do artigo 59, inciso II, do Decreto 70235/72, tornando nula a decisão de segunda instância administrativa, em obediência ao principio constitucional de ampla defesa. Processo Anulado. (CSRF, Conselheira Relatora Nanci Gama, Acórdão nº 03 06.245, de 08 de dezembro de 2008) Fl. 942DF CARF MF Processo nº 10909.721591/201496 Acórdão n.º 3402005.336 S3C4T2 Fl. 937 13 PAF. DEVIDO PROCESSO LEGAL Tendo em vista que a empresa indicada como responsável solidária não foi cientificada da decisão de primeira instância, deve ser declarada a nulidade do acórdão, por preterição do direito de defesa. Processo anulado a partir da decisão de primeira instância, inclusive. Preliminar de nulidade dos atos processuais acolhida. (CSRF, Conselheira Relatora Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro, Acórdão CSRF/0305.556, 13 de novembro de 2007) Diante do exposto, voto no sentido de reconhecer a nulidade de todas as decisões proferidas no presente processo, de primeira e segunda instâncias, em razão do vício na ciência da empresa FALLS do auto de infração, determinando o retorno dos autos para a unidade julgadora de primeira instância para novo julgamento conjunto das impugnações da PAN ASIA e FALLS. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator Fl. 943DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.911519/2010-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.659
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Rodolfo Tsuboi e Valcir Gassen,
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Winderley Morais Pereira Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Rodolfo Tsuboi e Valcir Gassen, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 11 51 9/ 20 10 -6 2 Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10980.911519/201062 Resolução nº 3301000.659 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório de Cofins por suposto pagamento indevido ou a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. A DRF, no despacho decisório, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pelo contribuinte, não restando crédito disponível para restituição ou compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, o Pedido de Restituição foi indeferido e a compensação declarada não foi homologada, conforme o caso. Cientificada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade cuja argumentação é a seguir resumida. Sustenta que é uma instituição de educação sem fins lucrativos e, nos termos do art. 14, X da MP nº 2.15835, de 2001, estaria isenta da Cofins. Argumenta que tal dispositivo estabelece que tal isenção se dá, a partir de 01/02/1999, para as receitas relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13, o qual, por sua vez, referese às “instituições de educação e de assistência social” arroladas no art. 12 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Afirma que se encaixa nos requisitos legais, uma vez que: (a) não remunera, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; (b) aplica integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; e (c) assegura a destinação de seu patrimônio à outra instituição congênere, em caso de extinção. Anexa o seu Estatuto Social para provar o alegado. Relativamente à expressão “atividade própria” (art. 14, X, da MP 2.158/35), argumenta que deve ser entendida como aquela atividade regular e relativa à natureza essencial da entidade. Sustenta que ‘própria’ é toda a atividade prevista em seu estatuto, ou na lei, já que conexa à própria existência da pessoa jurídica. Assim, assevera que “a existência de finalidade lucrativa não devia ser vinculada à gratuidade ou não dos serviços prestados ou à forma de obtenção da receita, nas, sim, à forma como ela é aplicada. Caso constitua objetivo da instituição exercer atividade educacional sem fins lucrativos, ainda que o serviço seja prestado mediante o pagamento de mensalidade ou retribuições, a receita obtida com as mensalidades constitui receita própria de sua atividade e, desta forma, estaria isenta da Cofins.” Afirma, outrossim, que os princípios da legalidade e da legalidade tributária impede o Fisco de exigir tributo que não está previsto em lei, acrescentando que a lei, nesse caso, prevê expressamente uma isenção. Portanto, em seu entendimento, não há “espaço para que atos normativos como, por exemplo, decretos, instruções normativas, atos interpretatórios ou declaratórios criem qualquer redução ou limitação à isenção de Cofins prevista nos artigos 13 e 14 da MP 2.15835/ 01”. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10980.911519/201062 Resolução nº 3301000.659 S3C3T1 Fl. 4 3 No seguimento, tece comentários sobre o instituto da compensação para afirmar que “tendo a instituição recolhido o tributo de forma indevida tem direito à restituição/compensação”. Em razão do alegado, requer a restituição e homologação da compensação pleiteada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório, julgando improcedente a manifestação de inconformidade. Cientificada da decisão da DRJ, foi interposto recurso voluntário repisando os argumentos já apresentados na manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.653, de 24 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.934785/200920, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3301000.653): "A teor do relatado, a discussão no presente processo trata da isenção a ser aplicada as instituições de educação e sem fins lucrativos, previsto no art. 14, X da MP 2.15835/2001. Consultando os autos não é possível identificar quais são as receitas que a Recorrente considerou como isentas para justificar o seu direito creditório. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, a fim de que a Unidade de Origem intime a Recorrente para que no prazo de 30 (trinta) dias prorrogável uma vez por igual período, detalhar de forma pormenorizada quais são as receitas que aplicou a isenção prevista no art. 14, X da MP 2.15835/2001. A Unidade de Origem, se julgar necessário, poderá manifestarse quanto as informações apresentadas, inclusive fazendo as diligências e intimações que julgar necessárias. Concluída a diligência, os autos deverão ser devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. " Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10980.911519/201062 Resolução nº 3301000.659 S3C3T1 Fl. 5 4 Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência a fim de que a Unidade de Origem intime a Recorrente para que no prazo de 30 (trinta) dias prorrogável uma vez por igual período, detalhar de forma pormenorizada quais são as receitas que aplicou a isenção prevista no art. 14, X da MP 2.158 35/2001. A Unidade de Origem, se julgar necessário, poderá manifestarse quanto as informações apresentadas, inclusive fazendo as diligências e intimações que julgar necessárias. Concluída a diligência, os autos deverão ser devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 97DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.660341/2012-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.743
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 03 41 /2 01 2- 76 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660341/201276 Acórdão n.º 3401004.743 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660341/201276 Acórdão n.º 3401004.743 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660341/201276 Acórdão n.º 3401004.743 S3C4T1 Fl. 5 4 crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660341/201276 Acórdão n.º 3401004.743 S3C4T1 Fl. 6 5 onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660341/201276 Acórdão n.º 3401004.743 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.660341/201276 Acórdão n.º 3401004.743 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.724660/2011-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/11/2006 a 31/12/2007
CONJUNTO DE MOLAS PARA COLCHÕES. PRODUTO DENOMINADO MOLEJO. PARTES DE COLCHÕES.
Conjunto de molas para colchões reunidas por molas espirais de fios de aço, comercialmente denominado Molejo, classifica-se no Código Tarifário 7326.20.00.
Numero da decisão: 3201-003.936
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso. Vencido o conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, que lhe dava provimento.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza- Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/11/2006 a 31/12/2007 CONJUNTO DE MOLAS PARA COLCHÕES. PRODUTO DENOMINADO MOLEJO. PARTES DE COLCHÕES. Conjunto de molas para colchões reunidas por molas espirais de fios de aço, comercialmente denominado Molejo, classifica-se no Código Tarifário 7326.20.00.
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PRODUTO DENOMINADO MOLEJO. PARTES DE COLCHÕES. Conjunto de molas para colchões reunidas por molas espirais de fios de aço, comercialmente denominado Molejo, classificase no Código Tarifário 7326.20.00. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso. Vencido o conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, que lhe dava provimento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 46 60 /2 01 1- 43 Fl. 445DF CARF MF Processo nº 10855.724660/201143 Acórdão n.º 3201003.936 S3C2T1 Fl. 446 2 Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: "Tratase de lançamentos de oficio, fls. 03/04, lavrado contra a contribuinte acima identificada, com a exigência do crédito tributário do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, no valor total de R$ 7.329.752,94, incluídos multa proporcional, multa IPI não lançado com cobertura de crédito e juros de mora, calculados até 12/2011. Na Descrição dos Fatos, fls. 05/06, o autuante relata que no procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias constatou falta de lançamento de imposto por ter o estabelecimento industrial ou equiparado a industrial promovido a saída de produtos tributados, com falta, insuficiência de lançamento de imposto, por erro de classificação fiscal e/ou erro. Consta do termo de verificação e encerramento de ação fiscal, fls. 1308/1312, que: > A ação fiscal foi decorrente de representação por utilização de classificação fiscal indevida apurada em procedimento de diligencia de análise de Per/Dcomp; > O contribuinte adotou classificação fiscal incorreta em toda uma série de produtos produzidos a partir de fios de arame de aço. Os produtos descritos genericamente como “MOLEJO” e “ALMOFADA”, bem como outros produtos para confecção de colchões e almofadas para sofás e poltronas classificados, pelo contribuinte, no código 9404.29.00 descrito como “COLCHÕES DE OUTRAS MATÉRIAS” (que não borracha alveolar ou de plásticos alveolares, mesmo recobertos – descrito no subitem anterior 21.00) e cuja alíquota de IPI é zero; > A simples observação dos produtos mostra claramente que não se tratam de colchões ou almofadas e sim de artefatos de arames (fios) de aço (vendidos à empresas de fabricação de colchões, como se observa nas notas de saída), que ainda precisam de tratamento industrial para se tornarem colchões e que são compostos exclusivamente de fios de aço, exceção dos molejos cujas molas são encapsuladas umas às outras através dessas cápsulas de “não tecidos”, formando um “molejo” que possui características próprias e pouco distintas dos demais molejos, mas que são essencialmente iguais e não se enquadram na classificação pretendida, pois não se tratam de colchões; > Verificouse, em relação aos débitos, que diversos itens produzidos e designados genericamente como "MOLEJOS", "ALMOFADAS", "BORDA", "MAQUETE", dentre outros, foram classificados erroneamente no código NCM 9404.29.00, com Fl. 446DF CARF MF Processo nº 10855.724660/201143 Acórdão n.º 3201003.936 S3C2T1 Fl. 447 3 alíquota 0%. Assim, a fiscalização os reclassificou na posição 7326.20.00, com alíquota de 5%. Também foram reclassificados no código 3926.30.00 itens denominados "FIXADOR PLÁSTICO PARA MOLAS", antes classificados pelo contribuinte no código 9404.29.00. O código 3926.30.00 designa as Guarnições para móveis, carroçarias ou semelhantes e tem tributação definida em 5%; > A análise dos produtos produzidos pela LEGGETT E PLATT, de acordo com relação fornecida pelo contribuinte, em meio magnético, permitiu à fiscalização lançar a tributação utilizando o CFOP e classificação fiscal lançada na contabilidade, pois a empresa não produz mercadorias com alíquota zero e todos os produtos enquadrados na classificação pretendida (9404.29.00) pelo contribuinte são na realidade produtos classificados na posição 7326.20.00, cuja alíquota do IPI é de 5%. Todas as operações nos códigos de comercialização tributáveis foram reclassificadas e tributadas conforme planilhas anexas, aumentando os valores de IPI apurados e lançados mês a mês; > a fiscalização observou que o contribuinte não estornava os créditos de entrada dos produtos destacados em notas fiscais com operações de perda, furto ou deterioração de mercadorias e, por conseqüência, a saída destas mercadorias foi tributada, fazendo parte do anexo de débitos adicionados à sua escrita de IPI; > O saldo credor do primeiro período anterior é o apurado pela fiscalização é o valor lançado pelo contribuinte em seu livro registro de apuração do IPI, sendo que os valores foram realizados levandose em conta os saldos lançados no livro RAIPI do contribuinte. Cientificada da exigência fiscal em 26/12/2011, a autuada apresentou, em 24/01/2012, impugnação às fls. 218 a 240, alegando em síntese que: > O auto de infração contém competência manifestamente decaída. O direito de constituição do crédito tributário por parte do Fisco, decai após 5 anos a contar da data de emissão do documento da ciência da lavratura do auto de infração que ocorreu em 23/12/2011 e, retroagindo 05 (cinco) anos o período de 30.11.2006 referenciado pelo Fiscal resta decaído segundo o artigo 188 do Regulamento do IPI; > A questão em tela somente pode ser disciplinada pelo art. 150, § 4° do CTN, que é o único aplicável à espécie, pois não se trata de qualquer agravante de dolo, fraude ou simulação; > Não há que se falar na utilização do artigo 173, I do CTN, pois o mesmo somente pode ser utilizado para os tributos considerados diretos, ou seja, aqueles não sujeitos ao lançamento por homologação; > O período de 30.11.2006 não poderia ter sido referenciado no Auto de infração já que se encontra decaído segundo o art. 188 Fl. 447DF CARF MF Processo nº 10855.724660/201143 Acórdão n.º 3201003.936 S3C2T1 Fl. 448 4 do RIPI, devendo, preliminarmente a autuação ser julgada improcedente quanto à cobrança do referido período; > A empresa discorda da classificação adotado pelo auto de infração, pois o produto denominado comercialmente de “molejo” é a parte essencial do colchão; todas as características de um colchão dependem exclusivamente do tipo de conjunto de molejos que nele é utilizado; > O auditor fiscal não utilizou corretamente a RGI “2a” que determinaria a classificação do produto como colchão inacabado ou incompleto, pois o molejo contém ‘no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado”; > O auditor fiscal também não considerou as notas explicativas da posição 9404 (B) que afirma que deverão ser incluídos nessa posição os colchões “cuja característica essencial seja estarem providos de molas”; > Sendo assim, o "molejo" contém um sistema de molas bastante complexo que é, como afirma a nota da posição 9404, característica essencial do colchão, sendo suficiente para classificar o "molejo" como colchão inacabado ou incompleto; > Voltando a RGI 2a, o produto inacabado deve ser classificado na posição do produto acabado quando contém suas características essenciais. Assim, a correta classificação do molejo é no código 9404.29.00, sendo inconsistente o auto de infração lavrado pelo auditor fiscal. Anexa Laudo do IPT, encomendado pela empresa, para demonstrar as características técnicas do produto; > Por fim, requer que sejam integralmente acolhidos os argumentos aduzidos, tanto em sede de preliminar, quanto de mérito, para determinar o cancelamento do lançamento fiscal." A decisão recorrida julgou improcedente a impugnação e apresenta a seguinte ementa: "ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/11/2006 a 31/12/2007 DECADÊNCIA. Nos lançamentos por homologação, havendo ausência de pagamento, o prazo de decadência é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. Conjunto de molas de colchão unidas por molas espirais, de fios de aço, para colchões, comercialmente denominado de “Molejo”, classificase no código 7326.20.00, com suporte nas Fl. 448DF CARF MF Processo nº 10855.724660/201143 Acórdão n.º 3201003.936 S3C2T1 Fl. 449 5 Regras Gerais para Interpretação RGI 1, 3 e 6 e Nota 2 do Capítulo 73 da TIPI. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" O recurso voluntário da recorrente foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: (i) que a posição 73.26 adotada pelo Fisco é residual, genérica e ampla, pois ela reúne de forma heterogênea todas as "simples peças de aço", cada uma delas totalmente distintas entre si, tais como: ferraduras, arco para pipas, dedais, escadas, ratoeiras, gaiolas, anéis para focinhos de animais, cofres para jóias, cigarreiras, etc; (ii) por sua vez, a posição 94.04 é restrita, específica, direcionada para artigos de cama e produtos destinados ao repouso humano, tais como colchões, sacos de dormir, edredões, travesseiros, suporte elásticos para camas, etc.; (iii) as mercadorias que produz podem ser definidas como "suportes elásticos metálicos para camas", constituídos por "uma armação de madeira ou de metal, com molas ou por uma tela ou rede de fios de aço"; (iv) consta na descrição 9404, de forma expressa e inequívoca, que "as simples telas ou redes metálicas de fios de aço, sem armação, incluemse na posição 73.14, logo as redes de fios de aço com armação, não se incluem na posição 7314; (v) a própria Secretaria da Receita Federal, ao regulamentar a matéria por intermédio da IN/SRF n° 807/08, já determinou que os "suportes elásticos metálicos para camas" constituída por uma "tela ou rede de fios de aço com armação devem ser classificadas na posição 94.04; (vi) que pelo caput da Regra 2 do Sistema Harmonizado as referências a um artigo em determinada posição (neste caso, na posição 94.04.2 colchões) abrange este mesmo artigo (colchões), ainda que ele se mostre incompleto ou inacabado, como é o caso das suas mercadorias produzidas; (vii) está demonstrado que as mercadorias produzidas apresentam todas as características essenciais de um colchão, pois reúnem as mesmas formas, tamanhos, funções, peso, utilidade, dimensões, aparência e finalidades de um colchão; (viii) seria incongruente concluir que as ratoeiras ou as gaiolas são mais parecidas com as mercadorias que a a recorrente produz do que os suportes elásticos para camas produzidos com fios de aço com armação; (ix) não há qualquer outra classificação possível mais próxima a do colchão para as mercadorias que a recorrente produz, uma vez que possuem todos os caracteres de um colchão praticamente acabado; (x) o Laudo Técnico elaborado pelo IPT concluiu, após estudos das mercadorias fabricadas pela recorrente, que a única classificação possível para elas são as contidas na posição 94.04; Fl. 449DF CARF MF Processo nº 10855.724660/201143 Acórdão n.º 3201003.936 S3C2T1 Fl. 450 6 (xi) mesmo que as mercadorias não possam ser classificadas como um colchão propriamente dito, uma vez que lhe faltaria o revestimento, fato esse que impediria a sua precisa e exata classificação fiscal na posição 9404.20, exclusiva dos colchões, tais mercadorias seriam a da posição 9404, destinada aos "OUTROS", produtos da mesma família; (xii) as Soluções de Consulta que constam na decisão recorrida não se aplicam às mercadorias produzidas pela recorrida; e (xiii) que por ser de natureza interpretativa, a Instrução Normativa RFB n° 807/08, de acordo com o art. 106, inc. I do CTN tem aplicação retroativa, não podendo prevalecer a alegação de que não vigia à época; Pede, ao final, o provimento do recurso interposto. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Relator Como visto a controvérsia reside se as mercadorias chamadas como conjunto de molas de colchão unidas por molas espirais, de fios de aço, para colchões, comercialmente denominado de “Molejo” produzidas pela recorrente estão corretamente classificadas sob o código 9404.29.00 ou se a classificação a ser adotada é a pretendida pela fiscalização, qual seja, a do código 7326.20.00. A matéria já foi objeto de apreciação por parte deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por ocasião do julgamento do processo n° 10855.725260/201236, em que é parte a recorrente, cuja conclusão filiome. Em referido processo, a decisão, por unanimidade de votos, foi no sentido de considerar que o conjunto de molas de colchão unidas por molas espirais, de fios de aço, para colchões, comercialmente denominado de “Molejo” deve ser classificado no código 7326.20.00, como se depreende da ementa a seguir reproduzida: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2008, 2009, 2010 APURAÇÃO DO IMPOSTO. ESCRITA FISCAL. RECONSTITUIÇÃO. No cálculo do valor do tributo devido deve ser considerado como saldo inicial o valor apurado pela Fiscalização Federal em procedimento regular de revisão dos lançamentos escriturados pelo contribuinte. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Fl. 450DF CARF MF Processo nº 10855.724660/201143 Acórdão n.º 3201003.936 S3C2T1 Fl. 451 7 Exercício: 2008, 2009, 2010 CONJUNTO DE MOLAS PARA COLCHÕES. PRODUTO DENOMINADO MOLEJO. PARTES DE COLCHÕES. Conjunto de molas para colchões reunidas por molas espirais de fios de aço, comercialmente denominado Molejo, classificase no Código Tarifário 7326.20. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido" (Processo 10855.725260/201236; Acórdão 3102002.346; Relator Conselheiro Ricardo Paulo Rosa; sessão de 28/01/2025) Do voto do conselheiro relator, reproduzo os seguintes excertos: "A questão que se apresenta em relação a correta classificação das mercadorias vendidas pela Recorrente, está, a meu ver, muito mais afeta à identificação e qualificação do produto em si do que propriamente à aplicação das regras de classificação tarifária. Com efeito, se o produto vendido pela empresa for identificado e reconhecido por quem esteja imbuído da função de classificar como uma parte de colchão, creio que menores dúvidas haverá de que a classificação escolhida pela Fiscalização Federal está correta. É possível dizer isso por várias razões. Primeiro, a Posição escolhida pela empresa (9404) não contempla as partes de colchão e tampouco as Notas da Seção XX e do Capítulo 94 indicam que essas partes devam classificar se com os artefatos ali especificados. Depois, temse que as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado NESH, nas Considerações Gerais do Capítulo 94, informam que, nele, se classificam apenas as partes dos produtos das Posições 9401 a 9403 e 9405, dentre as quais, como é possível perceber, não se inclui a Posição sugerida pela parte, a 9404. No outro vértice está a Posição/Código escolhido pelo Fisco: 7326.20.00. O texto da Posição 7326 e desdobramentos é o seguinte. 73.26 Outras obras de ferro ou aço. 7326.1 Simplesmente forjadas ou estampadas: 7326.11 Esferas e artefatos semelhantes, para moinhos 7326.19 Outras 7326.20 Obras de fios de ferro ou aço 7326.90 Outras Algumas considerações são feitas nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado NESH a respeito das mercadorias classificadas na Posição 7326. Fl. 451DF CARF MF Processo nº 10855.724660/201143 Acórdão n.º 3201003.936 S3C2T1 Fl. 452 8 Classificamse nesta posição as obras de ferro ou aço, obtidas por trabalho de forja ou estampagem, corte ou embutidura ou por outros trabalhos tais como dobragem, reunião, soldadura, trabalho de torno, brocagem ou perfuração, não especificadas quer nas posições precedentes do presente Capítulo, quer na Nota 1 da Seção XV, quer nos Capítulos 82 ou 83, quer ainda em qualquer outra parte da Nomenclatura. (...) A presente posição não inclui as obras forjadas que consistam em artefatos compreendidos em outras posições da Nomenclatura (partes reconhecíveis de máquinas ou de aparelhos, por exemplo), nem as obras forjadas não acabadas que exijam um trabalho suplementar mas que apresentem as características essenciais de artefatos acabados. Da intelecção das disposições transcritas, decorre que o produto em exame, conhecido como molejo, estaria fora da Posição 7326 se pudesse ser enquadrado em alguma das circunstâncias especificadas a seguir (listadas uma a uma, ainda que aparentemente reproduzam regra já especificada em item anterior da lista): 1 ter sido especificado em posições precedente do próprio Capítulo 73; 2 ter sido especificado na Nota 1 da Seção XV; 3 ter sido especificado nos Capítulos 82 ou 83; 4 ter sido especificado em qualquer outra parte da Nomenclatura; 5 ser uma obra forjada identificada como um artefato compreendidos em outras posições da Nomenclatura (partes reconhecíveis de máquinas ou de aparelhos, por exemplo); 6 ser uma obra forjada não acabada, que exija um trabalho suplementar, mas que apresente as características essenciais de artefatos acabados compreendidos em outras posições da Nomenclatura. Salvo melhor juízo, o produto em questão não está contemplado por nenhuma das hipóteses acima listadas. Não é especificado em nenhuma posição precedente do próprio Capítulo 73 nem na Nota 1 da Seção XV nem nos Capítulos 82 ou 83, não é especificado em qualquer outra parte da Nomenclatura e não é uma obra forjada, acabada ou não, identificada como um artefato compreendidos em outras posições da Nomenclatura, acabada ou não. Por tudo isso, uma vez que o produto em exame seja identificado e reconhecido como uma parte do colchão, indubitavelmente sua classificação será feita no Código Tarifário escolhido pelo Fisco: outras obras de ferro ou aço (73.26), que não sejam Fl. 452DF CARF MF Processo nº 10855.724660/201143 Acórdão n.º 3201003.936 S3C2T1 Fl. 453 9 simplesmente forjadas ou estampadas. Obras de fios de ferro ou aço (7326.20). Esclarecido a razão pela qual considero que a identificação do Produto denominado Molejo como sendo apenas uma parte do produto final remete à sua classificação na NCM escolhida pelo Fisco 7326.20, cumpre retomar a questão abordada à inicial, com vistas a decidir sobre a possibilidade de que o Produto seja identificado como um colchão incompleto ou inacabado, o que, por aplicação da Regra Geral nº 2 "a"1 de interpretação do Sistema Harmonizado, conduziria à classificação escolhida pelo contribuinte. A Regra traduzse na determinação de que um artigo seja classificado na sua posição mesmo que incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. É de se admitir, tratase de uma regra de conteúdo pesadamente subjetivo. Decidir se um produto já é ou ainda é ele quando determinadas partes lhe faltam, tratase de uma avaliação que, pelo menos até certo ponto, vai depender preponderantemente da opinião pessoal que tem decide. Quanto a isso, peço licença para dizer que, na minha opinião, o critério utilizado pelos AuditoresFiscais autuantes na tomada de decisão a esse respeito não está correto. Com efeito, o fato de não ser possível dormir sobre o molejo, a meu sentir, não remete, por isso só, à compreensão de que ele não possua as características essenciais de um colchão. Um veículo sem rodas, por certo, deve ser classificado como um veículo, mesmo que não possa circular. Outros tantos outros exemplos do tipo podem ser dados. De fato, o que deve guiar o classificador a um ou a outro posicionamento a respeito do assunto é a impressão que se possa extrair do quadro. Voltando ao veículo. Se lhe retirarmos, além das rodas, também os vidros, creio que a maior parte das pessoas ainda reconheceria ali um veículo. Se lhe retirarmos, além das rodas e dos vidros, os bancos, acho que, ainda assim, haveria de ser considerado um veículo. Contudo, uma vez que, além das rodas, dos vidros, dos bancos, fosse também retirado o motor, quero crer que poucos ainda enxergariam naquela carcaça um veículo. 1 2. a) Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar. Fl. 453DF CARF MF Processo nº 10855.724660/201143 Acórdão n.º 3201003.936 S3C2T1 Fl. 454 10 No caso concreto, o fato é que, particularmente, não consigo enxergar no Molejo um colchão. Ainda que possa ser a parte mais complexa, elaborada ou mesmo onerosa do conjunto, não vejo nele as características essenciais do artigo completo ou acabado. Aproveitando o exemplo que vinha até aqui adotando, ainda que o motor fosse a parte mais importante e cara de um veículo, ele, sozinho, jamais seria classificado como veículo. E que se diga, pareceme que quanto menos complexo seja o produto, mais imprescindíveis lhes são cada uma de suas partes. Basta que se retire as pernas de uma mesa, para que se enxergue ali não mais do que o tampo. Dificilmente alguém lhe definiria como sendo uma mesa inacabada. Corroboram esse entendimento diversas Soluções de Consulta proferidas no âmbito da Secretaria da Receita Federal. SRRF/10ªRF/Diana nº 26, de 11 de março de 2003. "2. A base de mola é uma parte do colchão de molas. Os colchões de mola estão abrangidos pelo texto da posição 9404: 9404 SUPORTES ELÁSTICOS PARA CAMAS; COLCHÕES, EDREDÕES, ALMOFADAS, PUFES, TRAVESSEIROS E ARTIGOS SEMELHANTES, EQUIPADOS COM MOLAS OU GUARNECIDOS INTERIORMENTE DE QUAISQUER MATÉRIAS, COMPREENDENDO ESSES ARTIGOS DE BORRACHA ALVEOLAR OU DE PLÁSTICOS ALVEOLARES, MESMO RECOBERTOS 3. Entretanto, verificase que o texto dessa posição não autoriza que as partes de colchão devam ser também classificadas nessa posição. 3.1 Tampouco existe Nota da Seção XX (Mercadorias e produtos diversos) ou Nota do Capítulo 94 (... Colchões, almofadas e semelhantes; ...) estabelecendo que as partes reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinadas aos artefatos da posição 9404 classificamse com estas últimas. 3.2 Também as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), aprovadas pelo Decreto nº 435, de 28 de janeiro de 1992 e com seu texto consolidado pela Instrução Normativa SRF nº 157, de 10 de maio de 2002 (Diário Oficial da União de 1º de julho de 2002), nas Considerações Gerais do Capítulo 94 (página 1901), informa que esse Capítulo cobre apenas as partes dos produtos das posições 9401 a 9403 e 9405. 3.3 Portanto, incabível classificar a base de mola, que é parte de colchão, na pretendida posição 9404. 4. Devido a inexistência na Nomenclatura de posição específica para o produto em análise, então o mesmo deve ser classificado pelo regime da matéria constitutiva, ou seja, na posição 7326, como "Outra obra de ferro ou aço". Fl. 454DF CARF MF Processo nº 10855.724660/201143 Acórdão n.º 3201003.936 S3C2T1 Fl. 455 11 4.1 De acordo com a Nota 2 do Capítulo 73, para os fins desse Capítulo, consideramse fios os produtos obtidos a quente ou a frio, cujo corte transversal, qualquer que seja a sua forma, não exceda 16mm na sua maior dimensão. 4.2 No âmbito da posição 7326, as obras de fios classificamse na subposição 7326.20." SRRF/10ªRF/Diana nº 26, de 11 de março de 2003 "2. Classificamse na posição 9404, textualmente, dentre outros artigos, os colchões equipados com molas ou guarnecidos interiormente de quaisquer matérias, compreendendo esses artigos de borracha alveolar ou de plásticos alveolares, mesmo recobertos. 2.1 – Segundo as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), aprovadas pelo Decreto nº 435, de 28 de janeiro de 1992 e com seu texto consolidado pela Instrução Normativa SRF nº 157, de 10 de maio de 2002 (Diário Oficial da União – DOU de 1º de julho de 2002), e alterações posteriores, relativas ao Capítulo 94, o mesmo cobre apenas as partes dos produtos das posições 9401 a 9403 e 9405. 2.2 – Assim, as partes dos produtos da posição 9404, mesmo que sejam reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinadas a esses produtos, não se classificam na posição 9404, mas de acordo com sua matéria constitutiva. 3. O aço é o material constituinte das estruturas de molas, para colchões, e como obra de aço, portanto, deve ser classificada a estrutura para colchões. 3.1 – De acordo com as NESH relativas à posição 7326 nela classificamse “as obras de ferro ou aço, obtidas por trabalho de forja ou estampagem, corte ou embutidura ou por outros trabalhos tais como dobragem, reunião, soldadura, trabalho de torno, brocagem ou perfuração, não especificadas quer nas posições precedentes do presente Capítulo, quer na Nota 1 da Seção XV, quer nos Capítulos 82 ou 83, quer ainda em qualquer outra parte da Nomenclatura”. 3.2 – Por essa razão, a estrutura de molas de aço, para colchões, classificase na referida posição 7326, tendo por base a Regra Geral Interpretativa nº 1 (RGI1) do Sistema Harmonizado (SH). Esta posição assim se desdobra em suas subposições: 7326.1 Simplesmente forjadas ou estampadas 7326.20 Obras de fios de ferro ou aço 7326.90 Outras 4. A Nota 2 do Capítulo 73 estabelece que “para os fins do presente Capítulo, consideramse fios os produtos obtidos a Fl. 455DF CARF MF Processo nº 10855.724660/201143 Acórdão n.º 3201003.936 S3C2T1 Fl. 456 12 quente ou a frio, cujo corte transversal, qualquer que seja a sua forma, não exceda 16mm na sua maior dimensão.” 4.1 – Como tanto as molas quanto a borda da estrutura são fabricadas em fios de diâmetro inferior aos 16mm previstos pela Nota citada, seguese que a mercadoria sob exame classificase na subposição 7326.20, como obra de fios de aço, por aplicação da RGI6 do SH. 5. Como a subposição 7326.20 não se desdobra em itens, concluise que o produto sob consulta classificase no código 7326.20.00." SRRF/6ªRF/Diana n° 1 de 26 de janeiro de 2009; "2. O Decreto 97.409/88 promulgou a Convenção Internacional sobre o “Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias”, ou simplesmente, “Sistema Harmonizado”, que em seu art. 1º, define o mesmo como sendo “a Nomenclatura compreendendo as posições e subposições e respectivos códigos numéricos, as notas de Seção, de Capítulo e de Subposição, bem como as Regras Gerais para a Interpretação do Sistema Harmonizado”. 3. O Decreto 6.006 de 28 de dezembro de 2006 aprovou a Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI, estabelecendo também, que a “NCM constitui a Nomenclatura Brasileira de Mercadorias baseada no Sistema Harmonizado (NBM/SH)”. 4. Diz a Regra Geral n.º 1 para a Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI(SH)1), que “para os efeitos legais a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas outras regras gerais”. A posição 73.26 contempla em seu texto as “outras obras de ferro ou aço”, estando aí incluídas, segundo esclarecimentos das NESH desta posição, as obras de ferro ou aço, inclusive os artefatos de fio, não especificados em qualquer outra parte da Nomenclatura. Vejamos o que dizem as NESH, a este respeito: “Classificamse nesta posição as obras de ferro ou aço, obtidas por trabalho de forja ou estampagem, corte ou embutidura ou por outros trabalhos tais como dobragem, reunião, soldadura, trabalho de torno, brocagem ou perfuração, não especificadas quer nas posições precedentes do presente Capítulo, quer na Nota 1 da Seção XV, quer nos Capítulos 82 ou 83, quer ainda em qualquer outra parte da Nomenclatura. Incluemse na presente posição, entre outros: 1) (...) Fl. 456DF CARF MF Processo nº 10855.724660/201143 Acórdão n.º 3201003.936 S3C2T1 Fl. 457 13 2) Os artefatos de fio, tais como armadilhas, alçapões, ratoeiras, gaiolas, atilhos para forragens, feixes e semelhantes, aros para pneus, fios para liços de tecelagem formados por dois fios justapostos e soldados um ao outro, anéis para focinhos de animais, ganchos metálicos para suportes elásticos de camas, ganchos para açougue, ganchos para ardósias e semelhantes, bem como os cestos para papéis. (...). Grifei. Portanto, o molejo para colchão classificase na referida posição 73.26, por ser um artefato em fios de aço, nos termos das Notas Explicativas citadas e por não estar especificado em nenhuma outra parte da nomenclatura. 4.1 A posição 73.20 citada, trata das molas de uso geral, o que não é o caso do molejo consultado, no que concorda a consulente. 4.2 Quanto à posição 94.04 pretendida, ela não é adequada, pois não contempla esta parte do colchão. O uso da RGI2a alegandose que o molejo tem as características essenciais do colchão e portanto deve ser classificado como tal, também não procede. A Norma ABNT NBR 15413, que regula o assunto, assim define Colchão de Mola: “bem de consumo durável, para o repouso humano, constituído por quatro principais componentes: molejo, isolante, estofamento e revestimento.” Grifei. O molejo é apenas uma das quatro principais partes do colchão de mola, não se entendendo adequado o uso da RGI2a para justificar a classificação do mesmo, na posição 94.04, como colchão. 4.4 Neste sentido e em consonância com a nossa análise, verificamos a existência das seguintes decisões: “Código: 7326.20.00 Tabela: TIPI Decreto nº 4.542/02 Ato: SC SRRF 10ª RF nº 36/03, DOU de 07/04/03 Conjunto de molas de colchão unidas por molas espirais, de fios de aço, para colchões, comercialmente denominado "Base de molas." “Código: 7326.20.00 Tabela: TIPI Decreto nº 4.542/02 Ato: SC SRRF 6ª RF nº 20/0, DOU de 13/11/06 Estrutura flexível em aço, para colchões, fabricada a partir de arames com dimensões inferiores a 16 mm, composta por molas bicônicas ligadas por meio de molas espirais, com borda também em aço, no entorno superior e inferior, denominada “molejo para colchão”, ou ainda “colchão sem revestimento”. “Código: 7326.20 Fl. 457DF CARF MF Processo nº 10855.724660/201143 Acórdão n.º 3201003.936 S3C2T1 Fl. 458 14 Tabela: SH OMA Ato: IN SRF nº 873/08, DOU de 28/08/2008 Conjuntos de molas espirais (carcaças metálicas) para colchões.” 4.5 Verificase, que a última decisão transcrita, faz parte dos Pareceres de Classificação aprovados pelo Comitê do Sistema Harmonizado da Organização Mundial das Alfândegas (OMA), e que conforme art. 2º da Instrução Normativa RFB nº 873, de 26 de agosto de 2008, os mesmos deverão ser adotados como elemento subsidiário fundamental para a classificação de mercadorias com características similares às neles contidas. 5. A posição 73.26 se desdobra em três subposições de 1º nível. Por se tratar de obra de fios de aço, a subposição correta, para o produto é a 7326.20 “obras de fios de ferro ou aço”, por força da RGI6." Ainda mais, o Comitê do Sistema Harmonizado da Organização Mundial das Aduanas, em Parecer internalizado pela Instrução Normativa nº 873/08, classificou o produto em exame no Código determinado pelo Fisco. Sendo o Brasil, representado pela Receita Federal do Brasil e pelo Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior, membro da Organização Mundial das Aduanas, Órgão que visa a implementação de medidas que assegurem e facilitem o fluxo do comércio internacional, modernizando e reorganizando normas, procedimentos e estrutura ligados ao controle aduaneiro, melhor que este Tribunal Administrativo possa fazer a opção pela classificação fiscal escolhida por quem centraliza as decisões tomadas no intento de padronizar as práticas do comércio internacional." Consigno excertos da decisão proferida pelo Conselho de Contribuintes do Estado de Minas Gerais, também envolvendo a recorrente, proferida no processo PTA/AI 01.00018275662, em que se discutia a alíquota de ICMS, em que restou consignado que a classificação fiscal correta a ser adotada é a elencada pela fiscalização. "Frisese que a Solução de Consulta nº 1 de 26/01/09 da SRRF/6ª RF/Diana da Receita Federal do Brasil e o Anexo Único da Instrução Normativa nº 281 também da Receita Federal do Brasil, anexados ao processo, às fls. 846/905, deixam clara a classificação de Conjuntos de molas espirais (carcaças metálicas) para colchões como sendo NCM/TIPI 7326.20. Destaquese que tal Anexo Único consiste em lista numérica, ordenada por posições e subposições do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias (Sistema Harmonizado), dos Pareceres de Classificação adotados pela Organização Mundial das Alfândegas (OMA) sendo legislação tributária complementar em relação à Classificação Fiscal de Mercadorias. (...) Fl. 458DF CARF MF Processo nº 10855.724660/201143 Acórdão n.º 3201003.936 S3C2T1 Fl. 459 15 Quanto à afirmativa de que as consultas colacionadas pela Fiscalização datam de 2006 e que os seus entendimentos foram superados quando da entrada em vigor da IN nº 807/08 da Receita Federal, a simples análise dos autos derruba a tese, visto que foram anexadas duas consultas do ano de 2006 (consultas nº 20 e nº 69) e, em 2009, às fls. 823, a Solução de Consulta nº 1 de 26 de janeiro de 2009 (vide sua publicação em cópia do Diário Oficial da União de 31/05/10 anexada aos autos). Portanto, não houve mudança no entendimento do assunto pela Receita Federal do Brasil entre os anos de 2006 e 2009." (Acórdão 20.260/13/2ª, de 22/10/2013) Cito, ainda, que o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, por intermédio do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia INMETRO, através da Portaria n° 52 de 01 de fevereiro de 2016, aprovou o Regulamento Técnico da Qualidade para Colchões de Molas, que aperfeiçoa os requisitos, de cumprimento obrigatório, referentes ao desempenho do produto. Em referida portaria, consta a definição do molejo como sendo: "2.12 Molejo: armação de molas que compõe o colchão de molas, podendo ter função estrutural ou de conforto." Por sua vez, o colchão de molas é definido como sendo: "2.3 Colchão de molas: bem de consumo durável, destinado ao repouso humano, constituído, pelo menos, por molejo, isolante, estofamento e revestimento." Por mais este argumento, entendo não haver dúvidas de que o molejo é parte do colchão de molas, e assim o sendo, sua classificação fiscal deve ser a escolhida pelo Fisco (outras obras de ferro ou aço (73.26), que não sejam simplesmente forjadas ou estampadas. Obras de fios de ferro ou aço (7326.20). Assim, a estrutura de molas de aço, para colchões, classificase na referida posição 7326.20.00 Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Fl. 459DF CARF MF
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