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Numero do processo: 16327.001631/2010-83
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. FACULDADE SUJEITA AO REGIME DE COMPETÊNCIA E A CRITÉRIOS TEMPORAIS. DEDUÇÃO EM EXERCÍCIOS POSTERIORES. VEDAÇÃO.
1- O pagamento ou crédito de juros sobre capital próprio a acionista ou sócio representa faculdade concedida em lei, que deve ser exercida em razão do regime de competência. Incabível a deliberação de juros sobre capital próprio em relação a exercícios anteriores ao da deliberação, posto que os princípios contábeis, a legislação tributária e a societária rejeitam tal procedimento, seja pela ofensa ao regime de competência, seja pela apropriação de despesas em exercício distinto daquele que as ensejou.
2- As despesas de Juros com Capital Próprio devem ser confrontadas com as receitas que formam o lucro do período, ou seja, tem que estar correlacionadas com as receitas obtidas no período que se deu a utilização do capital dos sócios, no período em que esse capital permaneceu investido na sociedade.
3- A aplicação de uma taxa de juros que é definida para um determinado período de um determinado ano, e seu rateio proporcional ao número de dias que o capital dos sócios ficou em poder da empresa, configuram importante referencial para a identificação do período a que corresponde a despesa de juros, e, conseqüentemente, para o registro dessa despesa pelo regime de competência,
4- Não existe a possibilidade de uma conta de despesa ou de receita conservar seus saldos para exercícios futuros. Em outros termos, apurado o resultado, o que era receita deixa de sê-lo e também o que era despesa deixa de sê-lo. Apenas as contas patrimoniais mantém seus saldos de um ano para outro. os JCPs podem passar de um exercício para o outro, desde que devidamente incorrida e escriturada a despesa dos JCPs no exercício em que o capital dos sócios foi utilizado pela empresa, com a constituição do passivo correspondente.
5- O caso aqui não é de mera inexatidão da escrituração de receita/despesa quanto ao período de apuração ou de simples aproveitamento extemporâneo de uma despesa verdadeira, que já existia em momento anterior. O que o contribuinte pretendeu foi "criar" em 2006 despesas de juros no ano de 2005, despesas que corresponderiam à remuneração do capital dos sócios que foi disponibilizado para a empresa naquele período passado e que estariam correlacionadas às receitas e aos resultados daquele ano já devidamente encerrado. Isso não é possível porque subverte toda a lógica não apenas do princípio da competência, mas da própria contabilidade.
Contribuição Social sobre o lucro líquido - CSLL
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Estende-se ao lançamento decorrente, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 9101-002.778
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Cristiane Silva Costa, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araújo.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Flávio Neto - Relator
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BANCO VOTORANTIM S/A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. FACULDADE SUJEITA AO REGIME DE COMPETÊNCIA E A CRITÉRIOS TEMPORAIS. DEDUÇÃO EM EXERCÍCIOS POSTERIORES. VEDAÇÃO. 1 O pagamento ou crédito de juros sobre capital próprio a acionista ou sócio representa faculdade concedida em lei, que deve ser exercida em razão do regime de competência. Incabível a deliberação de juros sobre capital próprio em relação a exercícios anteriores ao da deliberação, posto que os princípios contábeis, a legislação tributária e a societária rejeitam tal procedimento, seja pela ofensa ao regime de competência, seja pela apropriação de despesas em exercício distinto daquele que as ensejou. 2 As despesas de Juros com Capital Próprio devem ser confrontadas com as receitas que formam o lucro do período, ou seja, tem que estar correlacionadas com as receitas obtidas no período que se deu a utilização do capital dos sócios, no período em que esse capital permaneceu investido na sociedade. 3 A aplicação de uma taxa de juros que é definida para um determinado período de um determinado ano, e seu rateio proporcional ao número de dias que o capital dos sócios ficou em poder da empresa, configuram importante referencial para a identificação do período a que corresponde a despesa de juros, e, conseqüentemente, para o registro dessa despesa pelo regime de competência, 4 Não existe a possibilidade de uma conta de despesa ou de receita conservar seus saldos para exercícios futuros. Em outros termos, apurado o resultado, o que era receita deixa de sêlo e também o que era despesa deixa de sêlo. Apenas as contas patrimoniais mantém seus saldos de um ano para outro. os JCPs podem passar de um exercício para o outro, desde que devidamente incorrida e escriturada a despesa dos JCPs no exercício em que o capital dos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 16 31 /2 01 0- 83 Fl. 857DF CARF MF Processo nº 16327.001631/201083 Acórdão n.º 9101002.778 CSRFT1 Fl. 858 2 sócios foi utilizado pela empresa, com a constituição do passivo correspondente. 5 O caso aqui não é de mera inexatidão da escrituração de receita/despesa quanto ao período de apuração ou de simples aproveitamento extemporâneo de uma despesa verdadeira, que já existia em momento anterior. 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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Cristiane Silva Costa, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Luiz Flávio Neto Relator (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Fl. 858DF CARF MF Processo nº 16327.001631/201083 Acórdão n.º 9101002.778 CSRFT1 Fl. 859 3 Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (doravante “PFN” (doravante “PFN” ou “recorrente”), em que é recorrido BANCO VOTORANTIM S/A (doravante “contribuinte” ou “recorrido”), em face do acórdão nº 1401000.902 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela então 1a Turma Ordinária, 4a Câmara, 1a Seção (doravante “Turma a quo”). Após ter a sua impugnação administrativa julgada improcedente pela DRJ, o contribuinte interpôs recurso voluntário, o qual foi provido pela Turma a quo, em decisão assim ementada (efls. 766 e seg): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 Ementa: JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO DEDUTIBILIDADE LIMITE TEMPORAL O perí́odo de competência, para efeito de dedutibilidade dos juros sobre capital próprio da base de cálculo do imposto de renda, é aquele em que há deliberação de órgão ou pessoa competente sobre o seu pagamento ou crédito. Inclusive, a remuneracã̧o do capital próprio pode tomar por base o valor existente em períodos pretéritos, desde que respeitado os critérios e limites de dedutibilidade previstos em lei na data da deliberação do pagamento ou creditamento. RENÚNCIA. NECESSIDADE DE INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. Não há previsão legal sobre a configuração de renúncia de direito no caso de ausen̂cia da deliberação do pagamento dos JCP. A renúncia de direitos deve ser interpretada de forma restrita, não devendo o silen̂cio do acionista ser interpretado como ato volitivo de abdicação de direito, gerando efeitos tributários. LANÇAMENTO DECORRENTE CSLL Tratandose de lançamento reflexo, a solução dada ao lançamento matriz é aplicável, no que couber, ao lançamento decorrente, quando não houver fatos novos a ensejar decisão diversa, ante a íntima relacã̧o de causa e efeito que os vincula. A PFN interpôs recurso especial (efls. 786 e seg.), o qual foi integralmente admitido (efls. 813 e seg.) quanto ao tema do “período de competência para dedutibilidade dos juros sobre capital próprio da base de cálculo do IRPJ e CSLL”. Fl. 859DF CARF MF Processo nº 16327.001631/201083 Acórdão n.º 9101002.778 CSRFT1 Fl. 860 4 A contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial (efls. 2160 e seg.), colacionando argumentos para a manutenção da decisão recorrida e pugnando, inclusive, pelo não conhecimento do recurso especial. Concluise, com isso, o relatório. Fl. 860DF CARF MF Processo nº 16327.001631/201083 Acórdão n.º 9101002.778 CSRFT1 Fl. 861 5 Voto Vencido Conselheiro Luís Flávio Neto, relator Não assiste razão ao contribuinte quando pugna pelo não conhecimento do recurso especial da PFN, sob o fundamento de não ter sido demonstrado analiticamente a divergência jurisprudencial. Em seu recurso especial, a PFN apresentou analiticamente argumentos para a demonstração da divergência jurisprudencial arguida, cumprindo com o que requer o art. 67 do RICARF. Compreendo que o despacho de admissibilidade bem analisou os requisitos de admissibilidade, não merecendo reparos. Adentro, portanto, no mérito do recurso. 1. O conceito de “Juros sobre Capital Próprio” (“JCP”). O JCP corresponde a um mecanismo de integração adotado pelo legislador brasileiro. Por meio dele, buscase amenizar o desestímulo reconhecido pela Ciência Econômica causado pela dupla tributação da renda, em que há tributação do lucro empresarial tanto na órbita da pessoa jurídica quanto nas mãos de seus sócios (pessoas físicas ou jurídicas)1, bem como induzir a preferência ao investimento de capital próprio dos sócios (participações permanentes) e não à capitalização da companhia com recursos de terceiros (“alavancagem”). Por se tratar de medida com reflexo em políticas econômicas amplas, cabe a cada Estado decidir, por meio de seus agentes competentes, qual método de integração será adotado para a tributação da renda da pessoa jurídica e de seus sócios ou, ainda, se não irá adotar algum deles. Assim, por exemplo, podem as leis de um país tributar apenas as pessoas físicas, deixando as pessoas jurídicas na zona de não incidência tributária. Outros, por sua vez, podem tributar a renda em ambos os níveis, mas conceder aos sócios o direito ao crédito do imposto pago pela pessoa jurídica. O certo é que os métodos de integração podem ser os mais variados. O Brasil adota em especial dois métodos de integração, vocacionados a amenizar ou afastar o indesejado fenômeno da dupla tributação da renda: ‐ Dividendos: Os lucros da empresa devem ser tributados no âmbito da pessoa jurídica, com alíquotas de IRPJ e CSL próximas a 34%. Por sua vez, os lucros distribuídos sob a forma de dividendos, observadas as regras vigentes, não devem ser tributados nas mãos dos sócios que os recebem e nem são 1 Remonta aos primeiros registros de tributação da renda de pessoas jurídicas a preocupação dos Estados com a adoção de mecanismos de integração entre a empresa e os sócios, a fim de que a mesma renda não fosse duplamente tributada. Ocorre que o interesse arrecadatório do Estado é garantido não quando se arrecada muito de uma vez só, mas sim com a continuidade da atividade empresarial, que gere lucros perenes sujeitos à tributação razoável. Como a tributação do lucro empresarial tanto nas mãos da pessoa jurídica quanto na pessoa física de seus sócios pode gerar desestímulo à constituição e condução dos negócios por meio de pessoas jurídicas, à geração de emprego e ao desenvolvimento, os métodos de integração compõem as políticas econômicas dos Estados. Nesse sentido, vide: SANTOS, Ramon Tomazela. Aspectos controvertidos atuais dos juros sobre capital próprio (JCP): o impacto das mutações no patrimônio líquido, o pagamento acumulado e a sua qualificação nos acordos de bitributação, in Revista Dialética de Direito Tributário n. 214. São Paulo : Dialética, 2013, p. 109 e seg. Fl. 861DF CARF MF Processo nº 16327.001631/201083 Acórdão n.º 9101002.778 CSRFT1 Fl. 862 6 dedutíveis para as empresas que os distribuem. Nesse caso, o método de integração consiste na isenção dos dividendos recebidos por quotistas ou acionistas. ‐ JCP: Os lucros da empresa devem ser tributados no âmbito da pessoa jurídica, com alíquotas de IRPJ e CSL próximas a 34%. O JCP pago ou creditado pela pessoa jurídica aos seus sócios poderá ser deduzida de seu lucro líquido, de forma a neutralizar proporcionalmente a tributação de IRPJ e CSL sobre tais porções. O JCP recebido pelo sócio, por sua vez, está sujeito ao imposto de renda, retido na fonte, à alíquota de 15% (tributação definitiva para as pessoas físicas e mera antecipação para as pessoas jurídicas). Tal como o regime de tributação dos dividendos, o JCP corresponde a um mecanismo de integração da empresa com o sócio, prescrito pelo legislador brasileiro para amenizar a dupla tributação nefasta à livre iniciativa e ao desenvolvimento econômico. A adoção pelo legislador brasileiro do JCP como método de integração tem o claro propósito de induzir o investimento e a manutenção de capital investido em pessoas jurídicas nacionais. Sob a perspectiva da empresa, há o incentivo à capitação de recursos dos sócios e não de terceiros, já que a remuneração de ambos se tornou igualmente dedutível. Somese a isso outras vantagens do JCP, a exemplo do fato de que a capitação de recursos dos sócios não influencia no nível de endividamento da companhia, bem como que estes são remunerados por índice geralmente menor que o de mercado, qual seja, a Taxa de Juros de Longo Prazo (doravante “TJLP”). 2. A norma de dedutibilidade de JCP pago ou creditado. Caso se adote o sentido estrito da expressão “planejamento tributário”2, o tema “JCP” estará fora dessa matéria. Ocorre que a regra expressa pelo art. 9o da Lei n. 9.249/95 está situada, em termos estritos, entre as “economias de opção” ou “opções fiscais”. Nas chamadas opções fiscais, o sistema jurídico tributário oferece ao contribuinte mais de uma sistemática para que submeta os seus signos de riqueza à tributação: é garantida ao contribuinte a liberdade para optar pelo caminho que lhe parecer mais adequado, seja por praticidade ou por lhe proporcionar menor ônus tributário. Explorando o exemplo da DIRPF3, com opção pela sistemática simplificada ou completa, verificase que o legislador prescreveu ao contribuinte uma fórmula procedimental básica a ser seguida pela pessoa física: no programa de computador fornecido pela Receita Federal, o contribuinte deve pura e simplesmente optar pelo modelo simplificado ou completo. O programa de computador calcula para o contribuinte qual opção lhe trará o 2 Em meio às muitas divergências que o tema suscita na doutrina nacional, alguns autores incluem no conceito de planejamento tributário a utilização de opções fiscais e de normas tributárias indutoras, já que o contribuinte, ao praticar os referidos atos, certamente teria realizado prévio estudo, planejandoos. Nesse sentido, vide: ANDRADE FILHO, Edmar Oliveira. Planejamento tributário. São Paulo : Saraiva, 2009, p. 02. Outros, por sua vez, as excluem “do âmbito do planejamento, pois correspondem a escolhas que o ordenamento positivo coloca à disposição do contribuinte, abrindo expressamente a possibilidade de escolha” Nesse sentido, vide: GRECO, Marco Aurélio. Planejamento tributário. São Paulo : Dialética, 2008, p. 100. BARRETO, Paulo Ayres. Elisão tributária limites normativos. Tese apresentada ao concurso de livre docência do Departamento de Direito Econômico e Financeiro da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. São Paulo : USP, 2008, p. 240. 3 DIRPF Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física. Fl. 862DF CARF MF Processo nº 16327.001631/201083 Acórdão n.º 9101002.778 CSRFT1 Fl. 863 7 menor custo de IRPF e, caso se opte pelo modelo mais oneroso, o sistema não prossegue até que o contribuinte confirme estar certo de que realmente irá optar por pagar mais (mensagem semelhante não aparece caso o contribuinte opte pelo caminho mais natural de poupar despesas tributárias). Neste exemplo, não estaria o contribuinte realizando um “planejamento tributário”, mas algo não apenas tolerado como regulado e incentivado pelo legislador: “opções fiscais” ou “economias de opção”. Outra economia de opção conhecida consiste nos regimes de tributação da renda pelo “lucro real”, “lucro presumido” ou, ainda, SIMPLES NACIONAL. Nestes, o legislador oferece caminhos diversos que podem ser adotados pelos contribuintes e que podem apresentar elevada variação na obrigação tributária que a União seria legitimada a exigir. A escolha de um desses caminhos, por si só, não corresponde a um planejamento tributário em sentido estrito, mas uma mera opção fiscal. O que se dá com o regime jurídico do JCP não é diferente. A norma jurídica, construída a partir do art. 9o, da Lei n. 9.249/95, estabelece uma opção à pessoa jurídica, que poderá destinar uma parte de seus lucros aos seus sócios qualificandoos como “JCP” e não como “dividendos“. O mesmo dispositivo prescreve as duas consequências jurídicotributárias do pagamento ou creditamento de JCP: (i) a pessoa jurídica que realiza o pagamento ou creditamento do JCP poderá deduzílo diretamente à conta de lucros acumulados da companhia, com a proporcional redução da base de cálculo do IRPJ e da CSL; (ii) a parte beneficiária do JCP (sócio da pessoa jurídica) está sujeita à tributação de imposto de renda, com retenção pela fonte pagadora à alíquota de 15% na data de seu pagamento ou creditamento. A norma prescreve uma fórmula de cálculo, com limites quantitativo e temporal. Há também um outro fator temporal prescrito pela Lei n. 9.249/95, mas que não se refere ou mesmo interfere no cálculo do JCP. Tratase da tutela do momento em que o JCP se torna dedutível à pessoa jurídica e tributável do sócio. O legislador foi claro e expresso em relação a esses elementos dessa fórmula, não autorizando a dedutibilidade de valores que com eles não se coadunem. Por outro lado, a clareza e o modo expresso com que o legislador tratou a questão também conferem segurança jurídica ao contribuinte, que encontra na lei ordinária a moldura dentro da qual o seu agir estará em conformidade com a economia de opção que lhe foi outorgada. Assim, se por um lado não é possível exigir do particular o cumprimento de requisitos ou a observância de limites não requeridos pelo legislador, por outro deve ser exigido do contribuinte o efetivo cumprimento dos aludidos fatores prescritos em lei. Aludidos elementos serão analisados mais detidamente nos tópicos “3” e “4” da presente declaração de voto. A base jurídica para a apuração e identificação das consequências tributárias do JCP consiste no art. 9o da Lei 9.249, de 26.12.1995, que passou por alterações em 1996 (Lei 9.430/96), 2014 (Lei 12.973/14) e 2015 (Medida Provisória nº 694, de 30.09.2015, não convertida em lei até essa data). No presente caso, os lançamentos tributários se reportam ao período de 2006, quando foram pagos JCP calculados acumuladamente em relação aos anos anteriores. Dessa forma, interessa à solução dessa contenda a seguinte redação da Lei 9.249/95, art. 9o: Fl. 863DF CARF MF Processo nº 16327.001631/201083 Acórdão n.º 9101002.778 CSRFT1 Fl. 864 8 Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. § 1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados.4 § 2º Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito ao beneficiário. § 3º O imposto retido na fonte será considerado: I antecipação do devido na declaração de rendimentos, no caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real; II tributação definitiva, no caso de beneficiário pessoa física ou pessoa jurídica não tributada com base no lucro real, inclusive isenta, ressalvado o disposto no § 4º; § 4º (Revogado pela Lei nº 9.430, de 1996) § 5º No caso de beneficiário sociedade civil de prestação de serviços, submetida ao regime de tributação de que trata o art. 1º do DecretoLei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987, o imposto poderá ser compensado com o retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos sócios beneficiários. § 6º No caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o imposto de que trata o § 2º poderá ainda ser compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. § 7º O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo do disposto no § 2º. § 8º Para os fins de cálculo da remuneração prevista neste artigo, não será considerado o valor de reserva de reavaliação de bens ou direitos da pessoa jurídica, exceto se esta for adicionada na determinação da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido. 4 Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996. Em seu original: “§ 1º. O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados”. Fl. 864DF CARF MF Processo nº 16327.001631/201083 Acórdão n.º 9101002.778 CSRFT1 Fl. 865 9 § 9º. (Revogado pela Lei nº 9.430, de 1996) § 10. (Revogado pela Lei nº 9.430, de 1996) 3. A fórmula de cálculo do JCP. A pessoa jurídica optante pelo lucro real poderá destinar aos seus acionistas ou quotistas JCP calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da TJLP (art. 9o, caput, da Lei n. 9.249/95). Como limites quantitativos à dedutibilidade do JCP, o seu valor deve ficar adstrito a um dos seguintes montantes: (i) 50% do lucro líquido do período em que for realizado o seu pagamento/crédito ou; (ii) 50% dos lucros acumulados e das reservas de lucros de períodos anteriores (art. 9o, § 1º, da Lei n. 9.249/95). Notese que a norma traz uma única limitação temporal, ao prescrever que o JCP deverá ser dedutível apenas sobre o período que o acionista manteve o seu capital investido na pessoa jurídica, devendo o seu cálculo ser realizado “pro rata dia”. Desse modo, o JCP “deverá ser calculado com base na TJLP do espaço temporal de manutenção, na pessoa jurídica, do capital próprio a ser remunerado, ou seja, aplicada a taxa sobre o respectivo patrimônio líquido, proporcionalmente aos respectivos dias, ou seja, ‘pro rata die’ para mais ou para menos, descontada apenas a reserva de reavaliação ainda não tributada” 5. Podese cogitar, por exemplo, que um particular, em 20X2, realize investimento em uma companhia que tenha deliberado e pago JCP pela última vez em 20X0. Caso a assembleia delibere, em 20X4, que serão pagos JCP aos acionistas sobre o capital mantido naquela sociedade desde o último pagamento realizado, o particular em questão não faria jus a qualquer valor atinente ao ano de 20X1, pois não manteve capital investido na sociedade nesse período. No caso, a regra expressa no art. 9o da Lei 9.249/95 apresenta dois efeitos: ‐ limita o pagamento de JCP à proporção temporal (“pro rata dia”) de manutenção do capital investido na pessoa jurídica. O particular, no exemplo citado, estaria limitado a receber JCP em relação aos anos de 20X2, 20X3 e 20X4. ‐ garante ao particular o direito receber JCP sobre todo o período (“pro rata dia”) que mantiver capital investido na pessoa jurídica, caso assim delibere a assembleia geral. O particular, no exemplo citado, teria garantido o direito de receber JCP em relação aos anos de 20X2, 20X3 e 20X4, submetendose, naturalmente ao imposto de renda na fonte, à alíquota de 15%, sobre todo o período. Como decorrência dessa delimitação temporal, se houver deliberação da assembleia geral, o investidor poderá ser remunerado por JCP em relação ao todo o período que mantiver o seu capital investido na pessoa jurídica, mas nem um dia a mais do que isso. Fl. 865DF CARF MF Processo nº 16327.001631/201083 Acórdão n.º 9101002.778 CSRFT1 Fl. 866 10 4. O momento em que o JCP se torna dedutível à pessoa jurídica e tributável do sócio: “regime de competência” e “regime de caixa”. No âmbito contábil, a adoção do regime de competência corresponde a um princípio fundamental de contabilidade. Notese o que prescreve o art. 177 da Lei n. 6.404/76: Art. 177. A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. (grifos acrescidos) O legislador foi enfático, pois entre os “princípios de contabilidade geralmente aceitos” (ou “princípios fundamentais de contabilidade”6) está justamente o princípio da competência. A adoção de tais princípios contábeis como regra geral para a apuração do resultado das companhias também foi prescrita pelo art. 187 da Lei n. 6.404/76: Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: (...) § 1º Na determinação do resultado do exercício serão computados: a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; e b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos. A Resolução CFC n. 750/93 também exprimiu ser decorrência necessária do princípio da competência a adoção do método (ou “princípio”) do confronto das receitas e despesas, como se observa do art. 9o da aludida norma contábil: Art. 9º. As receitas e as despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrerem, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, independentemente de recebimento ou pagamento. § 1º O Princípio da COMPETÊNCIA determina quando as alterações no ativo ou no passivo resultam em aumento ou diminuição no patrimônio líquido, estabelecendo diretrizes para classificação das mutações patrimoniais, resultantes da observância do Princípio da OPORTUNIDADE. § 2º O reconhecimento simultâneo das receitas e despesas, quando correlatas, é conseqüência natural do respeito ao período em que ocorrer sua geração. 5 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Juros sobre o Capital Próprio – momento de dedução da despesa, in Revista de Direito Tributário Atual n. 28. São Paulo : IBDT/Dialética, 2012, p. 318. 6 Vide: OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Fundamentos do imposto de renda. São Paulo : Quartier Latin, 2008, p. 1038 e seg. Fl. 866DF CARF MF Processo nº 16327.001631/201083 Acórdão n.º 9101002.778 CSRFT1 Fl. 867 11 Com as alterações introduzidas pela Resolução CFC n. 1.282/10, o aludido dispositivo passou a constar com outra redação, sem alterar em nada o princípio do emparelhamento das receitas e despesas. Como nem poderia ser diferente, a norma contábil reafirma o método do emparelhamento de receitas e despesas como pressuposto para a concretização do princípio da competência: Art. 9º. O Princípio da Competência determina que os efeitos das transações e outros eventos sejam reconhecidos nos períodos a que se referem, independentemente do recebimento ou pagamento. Parágrafo único. O Princípio da Competência pressupõe a simultaneidade da confrontação de receitas e de despesas correlatas. ELISEU MARTINS, ERNESTO RUBENS GELBCKE, ARIOSVALDO DOS SANTOS e SÉRGIO DE IUDÍCIBUS7 lecionam que, no regime de competência, “as receitas e despesas são apropriadas ao período em função de sua ocorrência e da vinculação da despesa à receita, independentemente de seus reflexos no caixa”. Para fins exclusivamente contábeis (e não tributários), apontam que a “Lei das Sociedades por Ações não admite exceções”. Noutro diapasão, no âmbito do Direito tributário, especialmente no que se refere à tributação da renda, o regime de caixa e o regime de competência convivem harmonicamente. Ou seja, para fins tributários, o legislador pode adotar tanto o regime de caixa quanto o regime de competência para a tributação da renda. Ocorre que Código Tributário Nacional (doravante “CTN”), ao exercer a competência atribuída ao legislador complementar pelo art. 146 da Constituição Federal, conferiu ao legislador ordinário a possibilidade de tributar a renda das pessoas físicas e jurídicas pelo regime de caixa ou pelo regime de competência. É o que se observa de seu art. 43: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Embora não seja ponto livre de debates doutrinários, é possível afirmar ser razoavelmente difundida a ideia de que a “aquisição da disponibilidade econômica”, referida no caput do art. 43 do CTN, corresponde ao “regime de caixa”, enquanto que a “aquisição da disponibilidade jurídica” conduz ao “regime de competência”. Nesse seguir, o legislador ordinário possui competência para adotar o regime de competência ou o regime de caixa no exercício de seu poder para tributar a renda. O legislador tributário possui, assim, autonomia em relação ao princípio contábil da 7 MARTINS, Eliseu; GELBCKE, Ernesto Rubens; SANTOS, Ariosvaldo dos; IUDÍCIBUS, Sérgio de. Manual de Contabilidade Societária da FIPECAFI. São Paulo : Atlas, 2013, p. 4. Fl. 867DF CARF MF Processo nº 16327.001631/201083 Acórdão n.º 9101002.778 CSRFT1 Fl. 868 12 competência, podendo adotálo (como o faz, em geral), afastálo (com a adoção do regime de caixa) ou, ainda, adequálo para as suas necessidades. A sua autonomia em relação à contabilidade permite ao legislador tributário não apenas adotar regime diverso ao regime de competência, de forma a tributar a renda apenas conforme o regime de caixa. O legislador também pode, por exemplo, adotar o regime de competência com ajustes, atribuindolhe feições diversas das verificadas exclusivamente sob a perspectiva contábil. Ocorre que, em relação a tal aspecto, o legislador encontra limites apenas na Constituição Federal e no CTN. Para a tutela do JCP, o legislador se valeu de tal autonomia, do seguinte modo: ‐ O legislador elegeu o JCP não como uma despesa propriamente dita, a qual pressupõe, para a sua dedutibilidade, contribuição para a manutenção das atividades da pessoa jurídica. Tratase de forma de remuneração do capital próprio investido pelos sócios na pessoa jurídica, dedutível, portanto, diretamente dos lucros desta, não se sujeitando às regras ordinárias aplicáveis às despesas em geral; ‐ O legislador elegeu o efetivo pagamento como evento relevante para a incidência da norma tributária de JCP (Lei n. 9.249/95, art. 9o, caput). Assim, o nascimento do direito à dedutibilidade do JCP pago e a obrigação tributária do sócio que o recebe se dá, nessa hipótese, pelo regime de caixa. A adoção do referido regime será analisada com mais detalhes no subtópico “4.1” abaixo; ‐ O legislador também elegeu o creditamento como evento relevante para a incidência da norma tributária de JCP (Lei n. 9.249/95, art. 9o, caput). Assim, o nascimento do direito à dedutibilidade da empresa que credita o JCP e a obrigação tributária do sócio que é creditado se dá, nessa hipótese, por um regime de competência, embora com distinções relevantes em relação ao princípio contábil da competência. A adoção do referido regime será analisada com mais detalhes no subtópico “4.2” abaixo; Os referidos regimes foram adotados pelo legislador tributário para estabelecer o período a que pertencem os JCP, isto é, quando estes podem ser deduzidos. No entanto – e isso é decisivo para a solução do presente caso – o legislador não se baseou nos aludidos regimes para a composição da fórmula de cálculo do JCP a ser pago ou creditado. Significa dizer que o fato do JCP passar a ser dedutível no momento em que apurado pelo regime de caixa ou de competência em nada interfere no seu montante ou em seu cálculo sobre exercícios anteriores. 4.1. O reconhecimento do JCP pelo regime de caixa: a hipótese de efetivo pagamento aos sócios. O legislador ordinário tradicionalmente tributa as pessoas físicas pelo regime de caixa e as pessoas jurídicas pelo regime de competência. No entanto, embora o regime de competência seja a regra para a tributação da renda das pessoas jurídicas, há uma série de exceções. Fl. 868DF CARF MF Processo nº 16327.001631/201083 Acórdão n.º 9101002.778 CSRFT1 Fl. 869 13 Entre outros exemplos, é possível verificar que, na sistemática de tributação da renda pelo lucro presumido, o regime de caixa é uma opção em relação ao regime de competência. Muitas pessoas jurídicas podem, anualmente, manifestar a sua opção pela tributação conforme o regime de caixa, excepcionando a regra geral do regime de competência. O regime de apuração adotado (caixa ou competência) deverá ser consistente em relação ao IRPJ, à CSL, à contribuição ao PIS e à COFINS durante todo o exercício fiscal atinente à opção.8 Entre as empresas tributadas pelo lucro real, o pagamento de JCP corresponde precisamente a uma hipótese em que o regime de competência pode dar lugar à adoção do regime de caixa para a apuração deste evento relevante ao IRPJ e à CSL. O art. 9o da Lei 9.249/95 prevê, para que a dedutibilidade do JCP seja regida pelo regime de caixa, dois fatos que devem estar necessariamente presentes: ‐ 1o fato: A deliberação da assembleia geral da companhia para que seja pago JCP aos acionistas, a partir do que este se considera “incorrido”, pois, a partir daí, os acionistas passam a ter direito ao pagamento ou creditamento de tais valores. Pelo regime de competência, aplicável em geral, seria desde já possível à pessoa jurídica deduzir aludidas despesas incorridas. A Lei n. 9.249/95, contudo, não autoriza a dedutibilidade do JCP meramente incorrido, exigindo o aperfeiçoamento do pagamento. ‐ 2o fato: O efetivo pagamento individualizado ao acionista nos moldes decididos na assembleia antecedente. Com o efetivo pagamento, evento típico do regime de caixa, a Lei n. 9.249/95 autoriza a dedutibilidade do JCP, o que não é permitido antes de tal evento. Desse modo, não vige na legislação do imposto de renda um regime de competência absoluto e inarredável. O JCP é apenas mais uma exceção àquela regra geral. E o JCP é, ele próprio, algo excepcional. Tratase de elemento enunciado no ordenamento jurídico em 1995 e com raros paralelos na legislação estrangeira (ao que parece, apenas a Bélgica apresenta instituto semelhante). O seu arranjo foi introduzido pelo legislador em meio a esse seu caráter excepcional, sendo compreensível a adoção, portanto, de exceção à regra do regime de competência. 4.2. O reconhecimento do JCP pelo regime de competência: a hipótese de creditamento aos sócios. Conforme o princípio da competência, as mutações positivas e negativas devem ser apropriadas ao patrimônio da entidade, respectivamente, conforme a aquisição dos respectivos direitos (receitas e rendimentos) ou incorrimento das obrigações (custos, despesas e perdas).9 Assim, a receita deve ser reconhecida no período em que vier a ser obtido o título jurídico que lhe dê suporte em caráter definitivo e incondicional, independentemente do seu 8 Vide: Solução de Divergência COSIT n. 37, de 5.12.2013. 9 Nesse sentido, vide: OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Juros sobre o Capital Próprio – momento de dedução da despesa, in Revista de Direito Tributário Atual n. 28. São Paulo : IBDT/Dialética, 2012, p. 318 e seg. Fl. 869DF CARF MF Processo nº 16327.001631/201083 Acórdão n.º 9101002.778 CSRFT1 Fl. 870 14 recebimento, enquanto que a despesa será apropriada no período em que for exigível o cumprimento da obrigação correspondente, independentemente do seu pagamento. Notese que, nos termos do Parecer Normativo CST 110/71, conforme o regime de competência, “permitese deduzir do lucro das pessoas jurídicas, para efeito do Imposto de Renda, as despesas pagas ou incorridas no anobase da declaração de rendimentos, entendendose por incorridas as que embora realizadas e quantificadas não tenham sido pagas”. A noção de despesa incorrida é, portanto, fundamental à apuração do lucro real pelo regime de competência: devese considerar como dedutível da base de cálculo do IRPJ e da CSL as despesas que, independentemente de efetivo fluxo financeiro ou sacrifício para o seu adimplemento, possam ser consideradas como incorridas, ou seja, que já tenham caráter definitivo e incondicional, podendo ser juridicamente exigido pela parte credora. A sistemática adotada para o JCP não abriu um capítulo a parte à forma de apuração das despesas, pois de despesa não se trata. Tratase de forma de remuneração do capital próprio investido pelos sócios na pessoa jurídica, dedutível diretamente dos lucros desta e com regime próprio de apuração, não se sujeitando às regras ordinárias aplicáveis às despesas em geral. O art. 9o da Lei n. 9.249/95, além da possibilidade de adoção do regime de caixa para a dedutibilidade do JCP (subtópico “4.1”), também previu a adoção do regime de competência, embora com distinções relevantes em relação ao princípio contábil da competência: ‐ 1o fato: A deliberação da assembleia geral da companhia para que sejam pagos JCP aos acionistas, a partir do que já se poderia considerar a despesa como incorrida, já que, apenas a partir daí, os acionistas passam a ter direito ao recebimento de tais valores. Pelo regime de competência “puro” aplicável às despesas em geral, já seria possível à pessoa jurídica deduzílas quando incorridas. A Lei n. 9.249/95, contudo, não autoriza a dedutibilidade do JCP meramente incorrido, exigindo, ao menos, o aperfeiçoamento de seu “creditamento”. ‐ 2o fato: efetivo crédito individualizado ao acionista nos moldes decididos na assembleia antecedente. A Lei n. 9.249/95 deslocou o evento relevante para o regime de competência, que geralmente poderia ser considerado como a assembleia geral de deliberação que tornou juridicamente obrigatório e incondicional o seu pagamento, para o momento do efetivo creditamento individualizado do JCP ao sócio. A questão é bem observada pela doutrina, como se observa deste trabalho acadêmico de RICARDO MARIZ DE OLIVEIRA10: “Realmente, apesar de a obrigação já ter sido constituída desde a deliberação, o parágrafo 1o do art. 9o da Lei 9.249 somente permite a dedução fiscal a partir do momento em que ela for cumprida no âmbito do direito privado mediante a efetivação do 10 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Juros sobre o Capital Próprio – momento de dedução da despesa, in Revista de Direito Tributário Atual n. 28. São Paulo : IBDT/Dialética, 2012, p. 324. Fl. 870DF CARF MF Processo nº 16327.001631/201083 Acórdão n.º 9101002.778 CSRFT1 Fl. 871 15 pagamento ou do crédito em conta individualizada do sócio ou acionista. Isso explica porque o regime de competência se constitui na regra geral acima descrita, mas nosso sistema legal relativo ao IRPJ e à CSL contém várias regras relacionadas à dedutibilidade de determinadas despesas ou custos, as quais estão inseridas no ordenamento jurídico a par da regra geral do regime de competência, sendo que algumas delas excepcionam, condicionam ou complementam tal norma geral. Assim, ao lado das regras que existem para declarar a indedutibilidade de determinadas despesas ou custos, ou para limitar o valor dedutível, ou para condicionar a dedução a esta ou àquela circunstância, há outras que, excepcionalmente, estabelecem o momento da dedução em momento distinto daquele em que o encargo já está incorrido.” O que se conclui é que o legislador não incorporou em sua integralidade o princípio contábil da competência, pois, conforme este, os valores em questão já deveriam ser reconhecidos desde a realização da assembleia geral da companhia em que o pagamento do JCP fosse aprovado. Tratase de um regime de competência ajustado. Assim, a Lei n. 9.249/95 adotou o regime de caixa e um regime de competência ajustado para estabelecer o momento em que o JCP se torna dedutível à empresa e o respectivo rendimento tributável em relação aos sócios. Significa dizer que o JCP pertence ao período em que o seu pagamento ou creditamento primeiro ocorrer. 5. A contabilidade: relevância para a apuração do JCP, com possíveis ajustes determinados pela lei fiscal; irrelevância para a tutela jurídicotributária das consequências fiscais do JCP pago ou creditado. Na sistemática do lucro real, a base de cálculo adotada pelo legislador corresponde ao “lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas” por lei. E o lucro líquido será apurado “com observância das disposições das leis comerciais”, ou seja, a partir da contabilidade da pessoa jurídica.11 Para a solução do recurso especial ora em análise, é necessário verificar e distinguir a relevância da contabilidade para a apuração do JCP e para a delimitação da incidência da norma de dedutibilidade do JCP. Há um íntimo relacionamento entre as searas contábil e tributária, marcada por uma recente revolução. Durante décadas, a contabilidade brasileira esteve vinculada às necessidades da legislação do imposto de renda, o que não ocorre mais desde a edição da Lei n. 11.638/2007. A importante missão da contabilidade de informar usuários internos e externos à entidade é atualmente cumprida com a adoção de padrões internacionais e não da legislação tributária. 11 Decreto 3000/00 (Regulamento do Imposto de Renda), art. 247; DecretoLei no 1.598, de 1977, art. 6; Lei no 8.981, de 1995, art. 37, §1. Fl. 871DF CARF MF Processo nº 16327.001631/201083 Acórdão n.º 9101002.778 CSRFT1 Fl. 872 16 Ao se reportar à “promulgação das Leis n. 11.638/07 e 11.941/09 (MP 449/08) e a independência da contabilidade brasileira”, os autores do Manual de Contabilidade Societária da FIPECAFI, ELISEU MARTINS, ERNESTO RUBENS GELBCKE, ARIOSVALDO DOS SANTOS e SÉRGIO DE IUDÍCIBUS12, trazem mensagem bastante esclarecedora: “A partir dessas legislações passou a ser possível praticarse, de fato, Contabilidade no Brasil sem influências diretas ou indiretas de natureza fiscal, com a Secretaria da Receita Federal Brasileira passando a ser enorme parceira da evolução contábil. De agora em diante, trabalham juntas, as normas contábeis e as normas fiscais, cada um seguindo o seu caminho. Nenhuma norma contábil nova, convergente às internacionais, provoca qualquer efeito tributário, aumentando ou reduzindo tributos, sem que haja uma outra norma de natureza fiscal para fazêlo; não saindo essa nova norma tributária, prevalece o que existia anteriormente (até o final de 2013 ainda prevalecem as do final de 2007). Por outro lado, se o Fisco determinar uma nova forma de apropriação de receita ou despesa para fins próprios, isso não tem automática aplicação na Contabilidade, sem que saia uma nova norma contábil. E todas essas diferenças são controladas no Lalur, agora ELalur, no FCont etc. Devemos, os Contabilistas brasileiros, aplaudir estes momentos históricos que estamos vivendo e aproveitar para fazer valer a grande utilidade da nossa profissão: a de ajudar no processo de controle e no bem informar.” Até 2007, receitas e receitas seriam reconhecidas pela contabilidade de maneira formalística (forma jurídica sobre a substância), em obediência à legislação tributária ou à normas de Direito privado. Naquele estágio, a contabilidade estava presa às amarras do Direito tributário; mas o Direito tributário jamais teve amarras involuntárias nas normas contábeis. É premissa fundamental que a resposta para “o que gera o dever de pagar tributos” não pode ser construída imediatamente com base na contabilidade. A análise de relatórios financeiros, pura e simples, não é conclusiva para a definição do quantum debeatur. A decisão sobre “o que gera o dever de pagar tributos” e, ainda, “quanto deve ser pago”, demanda, no regime democrático brasileiro, a decisão do legislador competente. Os eventos contábeis adquirem importância para o Direito tributário na medida em que são acolhidos pelo legislador tributário competente. Também é preciso ter claro que não há comunicação necessária e indissociável entre a contabilidade e o Direito tributário. O legislador tributário pode, inclusive, se valer de conceitos próprios para capturar signos presuntivos de riqueza passíveis de tributação. Uma “receita” ou “despesa”, para fins societários e contábeis, pode não ter o mesmo sentido e tratamento para fins fiscais. Assim, tal como convergências conceituais da contabilidade e do Direito tributário podem ser facilmente encontradas no que tange ao IRPJ e à CSL, também não há dificuldade para se encontrar divergências, sem que isso represente qualquer ruído sistêmico. 12 MARTINS, Eliseu; GELBCKE, Ernesto Rubens; SANTOS, Ariosvaldo dos; IUDÍCIBUS, Sérgio de. Manual de Contabilidade Societária da FIPECAFI. São Paulo : Atlas, 2013, p. 21. Fl. 872DF CARF MF Processo nº 16327.001631/201083 Acórdão n.º 9101002.778 CSRFT1 Fl. 873 17 Nem a contabilidade e nem o Direito tributário ignoram tais possibilidades, antes as têm como naturais, de forma que cada qual possui as suas próprias soluções. Notese que, desde as Leis 11.638/07 e 11.941/09, a contabilidade brasileira ganhou independência em relação Direito tributário, mas este permanece, tal como antes, autônomo em relação àquela. A relação do Direito tributário com a contabilidade é de simbiose, quase parasitária, pois o legislador tributário se aproveita apenas daquilo que lhe interessa. O que não há, tal como nunca houve, é sujeição compulsória do legislador tributário às normas contábeis. No presente caso, o legislador tributário prevê que a contabilidade possui relevância para a apuração do JCP, com possíveis ajustes determinados pela lei fiscal para a deflagração das consequências tributárias. Tratase de um bom exemplo que o legislador tributário, no pleno exercício de suas funções e dentro dos limites que lhe são imanentes, selecionou da contabilidade apenas aquilo que lhe interessou para a mensuração do JCP. A relevância da contabilidade para a apuração do JCP passível de dedução fiscal será tanto maior quanto a evidenciação, reconhecimento e mensuração contábeis se derem em consonância com a fórmula adotada no art. 9o da Lei n. 9.249/95. Quanto mais a contabilidade se afastar dessa fórmula, menos relevante será para a aplicação da norma de dedutibilidade do JCP pago ou creditado. Por sua vez, é necessário reconhecer que as normas contábeis são irrelevantes para a tutela jurídicotributária das consequências fiscais do JCP pago ou creditado. Ainda que o princípio contábil da competência possa orientar a escrituração contábil do JCP de uma determinada forma, isso em nada influencia para que se deflagre a sua dedutibilidade fiscal. Importa unicamente que se cumpram os elementos tal qual prescritos no art. 9o da Lei 9.249/95. Prova disso é que a legislação tributária prevê a solução a ser adotada caso a contabilidade reconheça um determinado JCP que, para fins tributários, (ainda) não possa ser considerado dedutível da base de cálculo do IRPJ e da CSL. Com a aplicação cumulativa do art. 9o e do art. 13, I, da Lei 9.249/95, na hipótese da contabilidade, por hipótese, evidenciar o JCP no ato da assembleia que determinar o seu pagamento, este deverá ser considerado, para fins fiscais, como mera provisão indedutível, devendo ser adicionada ao lucro líquido do período para apuração do lucro tributável respectivo. No futuro, quando de fato se concretizar o pagamento/creditamento individualizado exigido para fins de dedutibilidade fiscal, este será realizado a débito da provisão e não do lucro líquido desse período.13 Dessa forma, cumprese o disposto no art. 6o do Decretolei 1.598/7714. 5. O vício imputado pela fiscalização para a glosa da dedução de JCP efetivamente pagos aos acionistas. No presente caso, a autuação fiscal em discussão decorreu de pagamentos/creditamentos efetivamente realizados pelo contribuinte, a título de JCP, no ano de 13 Nesse sentido, vide: OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Juros sobre o Capital Próprio – momento de dedução da despesa, in Revista de Direito Tributário Atual n. 28. São Paulo : IBDT/Dialética, 2012, p. 3256. 14 Decretolei 1.598/77, art 6º. Lucro real é o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária. (…) § 4º Os valores que, por competirem a outro períodobase, forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados ao lucro líquido do exercício, ou dele excluídos, serão, na determinação do lucro real do período competente, excluídos do lucro líquido ou a ele adicionados, respectivamente. Fl. 873DF CARF MF Processo nº 16327.001631/201083 Acórdão n.º 9101002.778 CSRFT1 Fl. 874 18 2006, em que parte deste foi calculado tomandose por base os exercícios anteriores. A autoridade fiscal assim descreveu os fatos (efl. 16 e seg.): "Assim, o contribuinte, embora tenha contabilizado despesa com JCP no montante de R$486.950.000,00 no ano de 2006, a parte dedutível na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL é de R$ 353.671.215,74, uma vez que a lei tributária instituiu um limite quanto a dedutibilidade de valores "para efeitos da apuração do lucro reaF, como veremos adiante." Não há, contudo, qualquer vício na conduta praticada pelo contribuinte. 5.1. O pagamento ou creditamento de JCP acumuladamente, com base em exercícios anteriores. O investimento no capital social de pessoas jurídicas é, por definição, uma “participação permanente”15, o que evidencia uma noção de continuidade, perenidade. Embora o liame societário em questão possa ser extinto (realização do investimento), há expectativa de que o período de permanência do capital investido pelo acionista ou cotista perdure por mais de um exercício. Ao tutelar a remuneração do capital próprio investido pelos sócios (detentores dessa participação permanente), o legislador tributário precisou considerar tais fatores. O legislador precisou considerar tanto o pressuposto da continuidade do investimento mantido pelo sócio no capital social da pessoa jurídica investida, quanto a possibilidade legal de extinção desse liame societário a qualquer tempo. Quanto à possibilidade de extinção desse liame societário, o legislador prescreveu a única limitação temporal atinente ao JCP, analisada no tópico “3” acima: somente será considerado dedutível o JCP calculado sobre o período em que o sócio manteve o seu capital investido na pessoa jurídica, devendo, assim, ser calculado “pro rata dia”. Por sua vez, tendo em vista que o período de permanência do capital investido pelo sócio tende a perdurar por mais de um exercício, o legislador, de forma bastante técnica, prescreveu que o limite quantitativo aplicável (vide tópico “3” acima) pode ser tanto de 50% do lucro liquido do exercício, como de 50% dos lucros acumulados ou reservas de lucros, que se reportam justamente aos anos anteriores. Daí a correta assertiva doutrinaria de que, “não fosse assim, ou seja, fossem os JCP vinculados em seu cálculo exclusivamente aos presente períodobase, a lei teria limitado o seu valor apenas à metade do lucro líquido deste período”16. 15 Vide Lei n. 6.404/74, art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo. (…) III em investimentos: as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa; 16 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Juros sobre o Capital Próprio – momento de dedução da despesa, in Revista de Direito Tributário Atual n. 28. São Paulo : IBDT/Dialética, 2012, p. 334. No mesmo sentido, vide: SANTOS, Ramon Tomazela. Aspectos controvertidos atuais dos juros sobre capital próprio (JCP): o impacto das mutações no patrimônio líquido, o pagamento acumulado e a sua qualificação nos acordos de bitributação, in Revista Dialética de Direito Tributário n. 214. São Paulo : Dialética, 2013, p. 114115. Fl. 874DF CARF MF Processo nº 16327.001631/201083 Acórdão n.º 9101002.778 CSRFT1 Fl. 875 19 Assim fez o legislador, ao prescrever que o efetivo pagamento ou crédito do JCP fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução desses juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes o JCP a ser pago ou creditado (Lei 9.249/95, art. 9o, § 1). Além disso, prescreveu expressamente o legislador (Lei 9.249/95, art. 9o): § 7º. O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo do disposto no § 2º. O dispositivo da Lei das S.A., a que faz referência a Lei 9.249/95, segue transcrito: Art. 20217. Os acionistas têm direito de receber como dividendo obrigatório, em cada exercício, a parcela dos lucros estabelecida no estatuto ou, se este for omisso, a importância determinada de acordo com as seguintes normas: I metade do lucro líquido do exercício diminuído ou acrescido dos seguintes valores: a) importância destinada à constituição da reserva legal (art. 193); e b) importância destinada à formação da reserva para contingências (art. 195) e reversão da mesma reserva formada em exercícios anteriores; II o pagamento do dividendo determinado nos termos do inciso I poderá ser limitado ao montante do lucro líquido do exercício que tiver sido realizado, desde que a diferença seja registrada como reserva de lucros a realizar (art. 197); III os lucros registrados na reserva de lucros a realizar, quando realizados e se não tiverem sido absorvidos por prejuízos em exercícios subsequentes, deverão ser acrescidos ao primeiro dividendo declarado após a realização. (...) Conforme a norma societária, os acionistas têm direito a receber dividendo obrigatório, em cada exercício, equivalente à parcela dos lucros estabelecida no estatuto ou, se este for omisso, em conformidade com as regras estabelecidas em lei. Entre essas regras, prevê o legislador societário que os valores registrados em reservas de lucros ou lucros acumulados 17 Em sua redação original, alterada pela Lei nº 10.303, de 2001, o caput e os seus incisos I, II e III possuíam a redação a seguir: “Art. 202. Os acionistas têm direito de receber como dividendo obrigatório, em cada exercício, a parcela dos lucros estabelecida no estatuto, ou, se este for omisso, metade do lucro líquido do exercício diminuído ou acrescido dos seguintes valores: I quota destinada à constituição da reserva legal (artigo 193); II importância destinada à formação de reservas para contingências (artigo 195), e reversão das mesmas reservas formadas em exercícios anteriores; III lucros a realizar transferidos para a respectiva reserva (artigo 197), e lucros anteriormente registrados nessa reserva que tenham sido realizados no exercício.” Fl. 875DF CARF MF Processo nº 16327.001631/201083 Acórdão n.º 9101002.778 CSRFT1 Fl. 876 20 de exercícios anteriores devem, após a sua realização, ser distribuídos na primeira oportunidade a título de dividendos. O legislador tributário fez remissão expressa à lei societária, atraindo para o âmbito do JCP a norma societária originalmente aplicável apenas aos dividendos. Diante da referida remissão legal, constróise norma segundo a qual os lucros registrados na reserva de lucros a realizar, quando realizados e se não tiverem sido absorvidos por prejuízos em exercícios subsequentes, deverão ser acrescidos ao primeiro dividendo declarado após a realização, podendo, ainda, ser destinados ao pagamento de juros sobre capital próprio. O legislador tributário prescreveu que o JCP, por também ter a natureza de distribuição de resultados, poderá ser pago no lugar dos dividendos obrigatórios referidos pelo art. 202 da Lei 6.404/76, destinando, inclusive, 50% dos valores registrados em reservas de lucros ou lucros acumulados de exercícios anteriores. Por remissão expressa na Lei n. 9.249/95, o legislador, que é uno, prescreve que até 50% das reservas de lucros ou lucros acumulados referidos pela Lei das S.A. podem: (i) servir de limite para o cálculo do JCP, coerentemente com a possibilidade de cálculo deste em relação aos períodos anteriores (Lei 9.249/95, art. 9, § 1º) e, ainda; (ii) servir de fonte de recursos para o pagamento do JCP, que de outra forma se prestariam apenas à distribuição de dividendos (Lei n. 9.249/95, art. 9o, § 7º). A norma prescrita pela Lei n. 9.249/95 é clara. O legislador não apenas permitiu o pagamento de JCP relativos a períodos anteriores, como também editou mais do que um parágrafo para regular a utilização de reservas de lucros ou lucros acumulados de períodos anteriores para o cálculo e fonte de recursos. Dessa forma, o auto de infração lavrado em face do contribuinte padece de vício insanável quanto à compreensão da norma de dedutibilidade do JCP. A aplicação equivocada do art. 9o da Lei n. 9.249/95 conduziu a fiscalização ao equívoco de restringir a dedutibilidade desses valores, não obstante a assembleia geral ter deliberado o pagamento de JCP relacionados aos anos anteriores e tais valores tenham, de fato, sido efetivamente pagos ou creditados aos acionistas. 5.2. A equivocada qualificação do JCP como "despesa": ausência de impedimento à dedutibilidade de despesas de exercícios anteriores. Não se pode deixar de observar que sequer a equivocada qualificação do JCP como tendo natureza de juros comuns e, assim, como despesa, justificaria a glosa atinente aos exercícios anteriores.18 Ocorre que a relevância da autonomia e independência dos exercícios restou enfraquecida desde os idos de 1978, quando da introdução do Decretolei 1.598 ao sistema jurídico brasileiro. Até esse marco jurídico, as despesas atinentes a um exercício realmente não 18 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Juros sobre o Capital Próprio – momento de dedução da despesa, in Revista de Direito Tributário Atual n. 28. São Paulo : IBDT/Dialética, 2012, p. 334. Fl. 876DF CARF MF Processo nº 16327.001631/201083 Acórdão n.º 9101002.778 CSRFT1 Fl. 877 21 poderiam ser deduzidas em outro, qualquer que fosse o motivo. O Decretolei 1.598, contudo, expressamente passou a autorizar deduções extemporâneas, como se observa de seu art. 6º: Art 6º Lucro real é o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária. § 1º O lucro líquido do exercício é a soma algébrica de lucro operacional (art. 11), dos resultados não operacionais, do saldo da conta de correção monetária (art. 51) e das participações, e deverá ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial. § 2º Na determinação do lucro real serão adicionados ao lucro líquido do exercício: a) os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação tributária, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real; b) os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores não incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação tributária, devam ser computados na determinação do lucro real. § 3º Na determinação do lucro real poderão ser excluídos do lucro líquido do exercício: a) os valores cuja dedução seja autorizada pela legislação tributária e que não tenham sido computados na apuração do lucro líquido do exercício; b) os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação tributária, não sejam computados no lucro real; c) os prejuízos de exercícios anteriores, observado o disposto no artigo 64. § 4º Os valores que, por competirem a outro períodobase, forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados ao lucro líquido do exercício, ou dele excluídos, serão, na determinação do lucro real do período competente, excluídos do lucro líquido ou a ele adicionados, respectivamente. § 5º A inexatidão quanto ao períodobase de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, correção monetária ou multa, se dela resultar: a) a postergação do pagamento do imposto para exercício posterior ao em que seria devido; ou b) a redução indevida do lucro real em qualquer períodobase. Fl. 877DF CARF MF Processo nº 16327.001631/201083 Acórdão n.º 9101002.778 CSRFT1 Fl. 878 22 § 6º O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao períodobase de competência de receitas, rendimentos ou deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período base a que o contribuinte tiver direito em decorrência da aplicação do disposto no § 4º. § 7º O disposto nos §§ 4º e 6º não exclui a cobrança de correção monetária e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência. Em seu art. 273, o RIR/99 incorporou tais normas, que permitem ao contribuinte a dedutibilidade de despesas pertencentes a períodos de apuração anteriores e que não tenham sido, conforme o regime de competência, apropriados no momento oportuno: Seção VIII Inobservância do Regime de Competência Art. 273. A inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, atualização monetária, quando for o caso, ou multa, se dela resultar (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 5º): I a postergação do pagamento do imposto para período de apuração posterior ao em que seria devido; ou II a redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração. § 1º O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao período de apuração de competência de receitas, rendimentos ou deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período de apuração a que o contribuinte tiver direito em decorrência da aplicação do disposto no § 2º do art. 247 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 6º). § 2º O disposto no parágrafo anterior e no § 2º do art. 247 não exclui a cobrança de atualização monetária, quando for o caso, multa de mora e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 7º, e DecretoLei nº 1.967, de 23 de novembro de 1982, art. 16) Nesse cenário, realmente a glosa empreendida pela fiscalização não possui fundamento legal de validade, devendo ser afasta, reconhecendose, assim, aa dedutibilidade do JCP pago ou creditado acumuladamente, com base em exercícios. Fl. 878DF CARF MF Processo nº 16327.001631/201083 Acórdão n.º 9101002.778 CSRFT1 Fl. 879 23 5.3. A compatibilidade do art. 29, da IN 11/96, com a Lei 9.249/95. Embora seja fonte secundária do Direito tributário, é oportuno observar o que diz a Instrução Normativa n. 11, de 21.02.1996, especialmente o seu art. 29: Art. 29. Para efeito de apuração do lucro real, observado o regime de competência, poderão ser deduzidos os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração de capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio liquido e limitados à variação pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP). § 1º À opção da pessoa jurídica, o valor dos juros a que se refere este artigo poderá ser incorporado ao capital social ou mantido em conta de reserva destinada a aumento de capital. § 2º Para os fins do cálculo da remuneração prevista neste artigo, não será considerado, salvo se adicionado ao lucro líquido para determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, valor: a) da reserva de reavalição de bens e direitos da pessoa jurídica; b) da reserva especial de trata o art. 428 do RIR/94; c) da reserva de reavaliação capitalizada nos termos dos arts. 384 e 385 do RIR/94, em relação às parcelas não realizadas. § 3º O valor do juros pagos ou creditados, ainda que capitalizados, não poderá exceder, para efeitos de dedutibilidade como despesa financeira, a cinqüenta por cento de um dos seguintes valores: a) do lucro líquido correspondente ao períodobase do pagamento ou crédito dos juros, antes da provisão para o imposto de renda e da dedução dos referidos juros; ou b) dos saldos de lucros acumulados de períodos anteriores. § 4º Os juros a que se refere este artigo, inclusive quando exercida a opção de que trata o § 1º ou quando imputados aos dividendos, auferidos por beneficiário pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no: a) lucro real, serão registrados em conta de receita financeira e integrarão lucro real e a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro; b) lucro presumido ou arbitrado, serão computados na determinação da base de cálculo do adicional do imposto. § 5º Os juros serão computados nos balanços de suspensão ou redução (art. 10). Fl. 879DF CARF MF Processo nº 16327.001631/201083 Acórdão n.º 9101002.778 CSRFT1 Fl. 880 24 § 6º Os juros remuneratórios ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito. § 7º O imposto de renda incidente na fonte: a) no caso de beneficiário pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real, será considerado antecipação do devido na declaração de rendimentos ou compensado com o que houver retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração do capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. b) será considerado definitivo, no caso de beneficiário pessoa física ou pessoa jurídica não submetida ao regime de tributação com base no lucro real, inclusive isenta; c) no caso de beneficiária sociedade civil de prestação de serviços, submetida ao regime de tributação de que trata o art. 1º do Decretolei nº 2.397, de 1987, poderá ser compensado com o retido por ocasião do pagamento de rendimentos a seus sócios ; d) deverá ser pago até o terceiro dia útil da semana subsequente à do pagamento ou crédito dos juros. § 8º A pessoa jurídica que exercer a opção de que trata o § 1º assumirá o ônus do imposto incidente na fonte sobre os juros. § 9º O valor do imposto será determinado sem o reajuste da respectiva base de cálculo e não será dedutível para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro. § 10. O imposto incidente na fonte, assumido pela pessoa jurídica, será recolhido no prazo de quinze dias contados do encerramento do períodobase em que tenha ocorrido a dedução dos juros, sendo considerado: a) definitivo, nos casos de beneficiário pessoa física ou jurídica não submetida ao regime de tributação com base no lucro real, inclusive isentas; b) como antecipação do devido na declaração, no caso de beneficiário pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real. § 11. Na hipótese da alínea "b" do § anterior, a pessoa jurídica beneficiária deverá registrar, como receita financeira, o valor dos juros capitalizados que lhe couber e o do imposto de renda na fonte a compensar. § 12. O valor do imposto registrado como receita poderá ser excluído do lucro líquido para determinação do lucro real. Fl. 880DF CARF MF Processo nº 16327.001631/201083 Acórdão n.º 9101002.778 CSRFT1 Fl. 881 25 Logo em seu caput, o art. 29 fez referência à observância do regime de competência, o que pode ter dado origem a uma série de confusões e à questão ora submetida a esta CSRF. Ocorre que alguns compreendem que desse dispositivo que o JCP pago ou creditado, para fins de dedutibilidade do IRPJ e da CSL, apenas poderia tomar com base o capital mantido pelo acionista na mesma competência em que o pagamento ou credito tenha sido realizado. No entanto, não se trata de interpretação exclusiva que possa ser obtida imediatamente dos elementos textuais do art. 29, da IN 11/96. Pelo contrário, RAMON TOMAZELA SANTOS19 bem explicitou interpretação coerentemente obtida do aludido dispositivo, in verbis: “Na prática, significa dizer que a dedução da despesa deve ocorrer no momento em que a pessoa jurídica efetuar o pagamento do JCP em favor do sócio ou acionista, em caráter definitivo e incondicional, ainda que a deliberação societária determine que o prazo de cômputo deve abranger lapso temporal superior a um anocalendário, com o objetivo de remunerar o capital investido pelo sócio ou acionistas em períodos pretéritos.” A questão deve ser solucionada com vistas ao tema das fontes do Direito tributário: instruções normativas correspondem a fontes secundárias, do Direito, cuja função subalterna é de apenas explicitar normas enunciadas por fontes primárias, entres as quais tem destaque a lei ordinária. Assim, a interpretação do art. 29, da IN 11/96, deverá ser empreendida de tal forma que este seja consentâneo com a norma veiculada pelo art. 9o da Lei n. 9.249/95. Ocorre que, como se viu no subtópico “5.1”, o art. 9o da Lei n. 9.249/95 legitima o pagamento ou creditamento de JCP acumuladamente, com base em exercícios anteriores. O legislador não se baseou no regime de caixa ou de competência para a composição da fórmula de cálculo do JCP a ser pago ou creditado, mas apenas para marcar o momento em que este passa a ser dedutível. 5.4. Jurisprudência do STJ sobre o objeto do recurso especial em análise. A Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça analisou recurso especial aparentemente com o mesmo objeto do recurso administrativo ora em análise. A r. decisão restou assim ementada: MANDADO DE SEGURANÇA. DEDUÇÃO. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO DISTRIBUÍDOS AOS SÓCIOS/ACIONISTAS. BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL. EXERCÍCIOS ANTERIORES. POSSIBILIDADE. I Discutese, nos presentes autos, o direito ao reconhecimento da dedução dos juros sobre capital próprio transferidos a seus acionistas, quando da apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL no anocalendário de 2002, relativo aos anoscalendários 19 SANTOS, Ramon Tomazela. Aspectos controvertidos atuais dos juros sobre capital próprio (JCP): o impacto das mutações no patrimônio líquido, o pagamento acumulado e a sua qualificação nos acordos de bitributação, in Revista Dialética de Direito Tributário n. 214. São Paulo : Dialética, 2013, p. 109 e seg. Fl. 881DF CARF MF Processo nº 16327.001631/201083 Acórdão n.º 9101002.778 CSRFT1 Fl. 882 26 de 1997 a 2000, sem que seja observado o regime de competência. II A legislação não impõe que a dedução dos juros sobre capital próprio deva ser feita no mesmo exercíciofinanceiro em que realizado o lucro da empresa. Ao contrário, permite que ela ocorra em anocalendário futuro, quando efetivamente ocorrer a realização do pagamento. III Tal conduta se dá em consonância com o regime de caixa, em que haverá permissão da efetivação dos dividendos quando esses foram de fato despendidos, não importando a época em que ocorrer, mesmo que seja em exercício distinto ao da apuração. IV "O entendimento preconizado pelo Fisco obrigaria as empresas a promover o creditamento dos juros a seus acionistas no mesmo exercício em que apurado o lucro, impondo ao contribuinte, de forma oblíqua, a época em que se deveria dar o exercício da prerrogativa concedida pela Lei 6.404/1976". V Recurso especial improvido. (STJ, REsp 1086752/PR, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/02/2009, DJe 11/03/2009) Em seu voto, o i. Min. FRANCISCO FALCÃO consignou ser aplicável ao JCP o regime de caixa e não o regime de competência, como se observa do seguinte trecho: “Com efeito, a legislação não impõe que a dedução dos juros sobre capital próprio deva ser feita no mesmo exercício financeiro em que realizado o lucro da empresa. Ao contrário, permite que ela ocorra em anocalendário futuro, quando efetivamente ocorrer a realização do pagamento. Tal conduta se dá em consonância com o regime de caixa, em que haverá permissão da efetivação dos dividendos quando esses foram despendidos, não importando a época em que ocorrer, mesmo que seja em exercício distinto ao da apuração”. Conforme exposto nesta declaração de voto, me alinho à conclusão dos Ministros da Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça do STJ, no sentido de que “a legislação não impõe que a dedução dos juros sobre capital próprio deva ser feita no mesmo exercíciofinanceiro em que realizado o lucro da empresa”. No entanto, permissa venia, a r. decisão parece ter analisado apenas a hipótese em que há efetivo pagamento de JCP, em que o regime de caixa foi realmente acolhido pelo legislador. Conforme os fundamentos expostos no tópico “4.2” acima, o legislador tributário também elegeu o creditamento da JCP como elemento temporal para que este se torne dedutível, o que remete, então, a um regime de competência ajustado. Dessa ressalva decorre que a assertiva do i. Min. FRANCISCO FALCÃO deve, permissa venia, ser complementada do seguinte modo: “Ao contrário, permite que ela ocorra Fl. 882DF CARF MF Processo nº 16327.001631/201083 Acórdão n.º 9101002.778 CSRFT1 Fl. 883 27 em anocalendário futuro, quando efetivamente ocorrer a realização do pagamento” ou creditamento. 6. Conclusão. Por todo o exposto, voto por CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Fl. 883DF CARF MF Processo nº 16327.001631/201083 Acórdão n.º 9101002.778 CSRFT1 Fl. 884 28 Voto Vencedor Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Redator designado Inicialmente registro minha concordância com o nobre Conselheiro Relator a respeito da improcedência das alegações de não conhecimento do recurso especial apresentadas pela contribuinte recorrida. O que a recorrida identifica como matérias autônomas individualmente contestadas pela Fazenda Nacional ("tese do ato jurídico perfeito" e "tese da renúncia tácita") nada mais são do que argumentos manejados pela PGFN na apreciação da única matéria sob discussão nesta fase processual: a dedutibilidade de despesas decorrentes do pagamento de Juros sobre Capital Próprio (JCPs) calculados com base no Patrimônio Líquido de exercícios anteriores. O seguimento dado ao recurso especial no que diz respeito à matéria principal (não contestado pela contrarrazoante) devolve de forma plena a apreciação do tema a esta 1º Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Assim, tornase irrelevante, ao final, se cada argumento que interessa à discussão foi ou não objeto de comprovação, de forma individualizada, de existência de divergência jurisprudencial. Dito isso, declaro que compartilho do entendimento do i. Conselheiro Relator pelo conhecimento do recurso especial, por entender preenchidos os requisitos de admissibilidade. Passo ao mérito, onde exponho o que entendo ser o melhor entendimento a respeito do tema sob julgamento, divergindo da tese brilhantemente defendida pelo Conselheiro Relator. O presente processo tem por objeto lançamento a título de IRPJ e CSLL apurados em relação ao ajuste anual do anocalendário de 2006 (Lucro Real). As exigências, como se sabe, decorreram da glosa de despesas com pagamento de Juros sobre Capital Próprio referentes a períodos anteriores (anocalendário 2005). O lançamento foi mantido pela decisão de primeira instância administrativa. Já a decisão de segunda instância administrativa (acórdão ora recorrido), entendeu que era indevida a glosa de despesas com pagamento de JCPs referentes a períodos anteriores e cancelou as respectivas exigências de IRPJ e CSLL. Nesta fase de recurso especial, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aponta divergência jurisprudencial em relação ao entendimento do acórdão recorrido acerca da glosa das despesas com pagamento de Juros sobre Capital Próprio referente a períodos anteriores. Ao final do recurso, a Fazenda Nacional pede que seja negada a possibilidade de dedução dos JCPs registrados no anocalendário de 2006, calculados mediante a aplicação da TJLP sobre contas de patrimônio líquido de anos anteriores. Fl. 884DF CARF MF Processo nº 16327.001631/201083 Acórdão n.º 9101002.778 CSRFT1 Fl. 885 29 O dispositivo legal que dá ensejo à referida divergência jurisprudencial é o art. 9º, caput e §1º, da Lei nº 9.249, de 26/12/1995. Transcrevoo integralmente com a redação vigente à época dos fatos objeto da lide: Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. § 1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. (Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) § 2º Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito ao beneficiário. § 3º O imposto retido na fonte será considerado: I antecipação do devido na declaração de rendimentos, no caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real; II tributação definitiva, no caso de beneficiário pessoa física ou pessoa jurídica não tributada com base no lucro real, inclusive isenta, ressalvado o disposto no § 4º; (...) § 5º No caso de beneficiário sociedade civil de prestação de serviços, submetida ao regime de tributação de que trata o art. 1º do DecretoLei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987, o imposto poderá ser compensado com o retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos sócios beneficiários. § 6º No caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o imposto de que trata o § 2º poderá ainda ser compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. § 7º O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo do disposto no § 2º. § 8º Para os fins de cálculo da remuneração prevista neste artigo, não será considerado o valor de reserva de reavaliação de bens ou direitos da pessoa jurídica, exceto se esta for adicionada na determinação da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido. Entendo que assiste razão à recorrente, pelos motivos que passo a expor. Fl. 885DF CARF MF Processo nº 16327.001631/201083 Acórdão n.º 9101002.778 CSRFT1 Fl. 886 30 DA NATUREZA JURÍDICA DOS JCPS Primeiramente, é importante apontar algumas características dos JCPs. Cito inicialmente duas características essenciais da natureza jurídica dos Juros sobre Capital Próprio: a) a primeira é que visam à REMUNERAÇÃO DOS SÓCIOS; e b) a segunda é que são JUROS (como o próprio nome os qualifica). Constatase, com isso, que as quantias que os sócios recebem a título de remuneração do capital próprio não podem se confundir com o patrimônio da entidade. Assim, para estar de acordo com a real natureza jurídica, os JCPs somente podem ser entendidos como elementos que não venham a se integrar ao patrimônio da sociedade (consistindo numa rubrica redutora do mesmo), ou seja, não podem estar em contas redutoras dos lucros acumulados, das reservas de lucros ou de outras contas do patrimônio líquido. Portanto, na apuração do lucro líquido do exercício, os valores destinados aos sócios como remuneração do capital devem compor o lucro contábil da entidade; o que implica, necessariamente, em reconhecêlos como integrantes do resultado do exercício da sociedade, ou, seja, assumindo a natureza de DESPESA, não se admitindo que sejam incorridos apenas no momento em que sejam decididas as destinações dos lucros. Entender diferentemente seria negar validade ao princípio da entidade, que veda confundir o patrimônio dos sócios com o patrimônio da sociedade, bem como permitir o enriquecimento dos sócios em detrimento da empresa. Confirase o que diz a Resolução nº 750, de 29/12/1993, do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), sobre o princípio da entidade: CAPÍTULO I DOS PRINCÍPIOS E DE SUA OBSERVÂNCIA Art. 1º Constituem PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DE CONTABILIDADE (PFC) os enunciados por esta Resolução. §1º A observância dos Princípios Fundamentais de Contabilidade é obrigatória no exercício da profissão e constitui condição de legitimidade das Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC). §2º Na aplicação dos Princípios Fundamentais de Contabilidade há situações concretas e a essência das transações deve prevalecer sobre seus aspectos formais. CAPÍTULO II DA CONCEITUAÇÃO, DA AMPLITUDE E DA ENUMERAÇÃO (...) SEÇÃO I O PRINCÍPIO DA ENTIDADE Art. 4º O Princípio da ENTIDADE reconhece o Patrimônio como objeto da Contabilidade e afirma a autonomia patrimonial, a necessidade da diferenciação de um Patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, independentemente de pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma sociedade ou instituição de qualquer natureza ou finalidade, com ou sem fins lucrativos. Por conseqüência, nesta acepção, o Patrimônio Fl. 886DF CARF MF Processo nº 16327.001631/201083 Acórdão n.º 9101002.778 CSRFT1 Fl. 887 31 não se confunde com aqueles dos seus sócios ou proprietários, no caso de sociedade ou instituição. Parágrafo único – O PATRIMÔNIO pertence à ENTIDADE, mas a recíproca não é verdadeira. A soma ou agregação contábil de patrimônios autônomos não resulta em nova ENTIDADE, mas numa unidade de natureza econômicocontábil. Deste Princípio Fundamental da Contabilidade (PFC) societária saltam conceitos como o de autonomia patrimonial e o de diferenciação de um patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, além da evidente e contundente conseqüência: "o patrimônio não se confunde com aqueles dos seus sócios ou proprietários, no caso de sociedade ou instituição". Assim, para que esse PFC seja observado, é de rigor que o incorrimento dos JCPs não se dê na integração do patrimônio da sociedade; devendo os Juros sobre Capital Próprio, inevitavelmente, transitar pelo resultado da sociedade como despesa. O CFC, considerando a conveniência de um maior esclarecimento sobre o conteúdo e abrangência dos PFCs, emitiu a Resolução nº 774, de 16/12/1994, dando interpretação à Resolução CFC nº 750/1993, por meio de um apêndice. Sobre o princípio da entidade foi melhor detalhada a questão da autonomia patrimonial: "2.1.1 – A autonomia patrimonial O cerne do Princípio da ENTIDADE está na autonomia do patrimônio a ela pertencente. O Princípio em exame afirma que o patrimônio deve revestirse do atributo de autonomia em relação a todos os outros Patrimônios existentes, pertencendo a uma Entidade, no sentido de sujeito suscetível à aquisição de direitos e obrigações. A autonomia tem por corolário o fato de que o patrimônio de uma Entidade jamais pode confundirse com aqueles dos seus sócios ou proprietários. Por conseqüência, a Entidade poderá ser desde uma pessoa física, ou qualquer tipo de sociedade, instituição ou mesmo conjuntos de pessoas, tais como: famílias; empresas; governos, nas diferentes esferas do poder; sociedades beneficentes, religiosa, culturais, esportivas, de lazer, técnicas; sociedades cooperativas; fundos de investimento e outras modalidades afins. No caso de sociedades, não importa que sejam sociedades de fato ou que estejam revestidas de forma jurídica, embora esta última circunstância seja a mais usual. O Patrimônio, na sua condição de objeto da Contabilidade, é, no mínimo, aquele juridicamente formalizado como pertencente à Entidade, com ajustes quantitativos e qualitativos realizados em Fl. 887DF CARF MF Processo nº 16327.001631/201083 Acórdão n.º 9101002.778 CSRFT1 Fl. 888 32 consonância com os princípios da própria Contabilidade. A garantia jurídica da propriedade, embora por vezes suscite interrogações de parte daqueles que não situam a autonomia patrimonial no cerne do Princípio da Entidade, é indissociável desse princípio, pois é a única forma de caracterização do direito ao exercício de poder sobre o mesmo Patrimônio, válida perante terceiros. Cumpre ressaltar que, sem autonomia patrimonial fundada na propriedade, os demais Princípios Fundamentais perdem o seu sentido, pois passariam a referirse a um universo de limites imprecisos. A autonomia patrimonial apresenta sentido unívoco. Por conseqüência, o patrimônio pode ser decomposto em partes segundo os mais variados critérios, tanto em termos quantitativos quanto qualitativos. Mas nenhuma classificação, mesmo que dirigida sob ótica setorial, resultará em novas Entidades. Carece, pois, de sentido, a idéia de que as divisões ou departamentos de uma Entidade possam constituir novas Entidades, ou “microentidades”, precisamente por que sempre lhes faltará o atributo da autonomia. A única circunstância em que poderá surgir nova Entidade, será aquela em que a propriedade de parte do patrimônio de uma Entidade, for transferida para outra unidade, eventualmente até criada naquele momento. Mas, no caso, teremos um novo patrimônio autônomo, pertencente a outra Entidade. Na contabilidade aplicada, especialmente nas áreas de custos e de orçamento, trabalhase, muitas vezes, com controles divisionais, que podem ser extraordinariamente úteis, porém não significam a criação de novas Entidades, precisamente pela ausência de autonomia patrimonial." Da interpretação autêntica do princípio da entidade, percebese que o cerne deste está na autonomia patrimonial, que está indissociavelmente ligado à garantia jurídica da propriedade, como "única forma de caracterização do direito ao exercício de poder sobre o mesmo patrimônio, válida perante terceiros". Daí se conclui que terceiros (a exemplo dos sócios) não podem dispor livremente (fora das formas jurídicas concebidas para a correta disposição) do patrimônio da sociedade, que detém autonomia patrimonial e garantia jurídica de sua propriedade. Portanto, para que haja o respeito à autonomia patrimonial da sociedade e de forma a respeitar o seu direito de propriedade, os JCPs devem passar pelo resultado da sociedade no momento do reconhecimento da despesa do exercício, e não serem incorridos a partir do seu patrimônio já formado. Deste raciocínio, verifico mais uma característica essencial da natureza jurídica do JCPs: transitam pelo resultado por serem despesas, sendo deduzidas para formação20 do lucro líquido do exercício. Ademais, essa característica está de acordo com o fato de os Juros sobre Capital Próprio serem Juros, pois os outros tipos de juros sempre são despesas para quem os deve. 20 Todos os interessados na escrituração da sociedade, sejam os clientes, os fornecedores, os sócios/acionistas, a própria sociedade, tem direito a evidenciação desse fato. Fl. 888DF CARF MF Processo nº 16327.001631/201083 Acórdão n.º 9101002.778 CSRFT1 Fl. 889 33 Esta característica já foi sabiamente identificada no Acórdão do Processo nº 13888.721267/201290, da lavra da Conselheira Edeli Pereira Bessa: "Assim, embora os juros sobre o capital próprio apresentem alguma semelhança com o tratamento societário conferido aos dividendos, consoante alegado pela contribuinte em sua impugnação, há uma diferença essencial entre eles: os juros sobre o capital próprio representam o custo do capital investido pelos sócios e, portanto, despesa da pessoa jurídica, ao passo que os dividendos correspondem a distribuição do resultado. Como despesa, conceitualmente os juros sobre o capital próprio antecedem a apuração do lucro contábil. O crédito ou pagamento futuro de juros sobre o capital próprio, portanto, exige o seu prévio provisionamento, de modo a reduzir o lucro do período. Se desta forma não se procede, o resultado do período, majorado pela ausência daquela dedução, passa a ter o status de lucro a ser destinado nos termos do art. 192 da Lei nº 6.404/76. Ainda que os limites legais de dedutibilidade tenham em conta as reservas de lucros e lucros acumulados, a fixação de tais limites tem por objetivo apenas evitar a descapitalização da pessoa jurídica com a remuneração dos sócios, e não evidencia, por si só, que valores já destinados a reservas de lucros e lucros acumulados possam ter sua natureza revertida, por deliberação futura, de lucro para despesa. Vejase que a referida provisão, com vistas a reduzir o lucro do período ao qual competiriam os juros, não resulta em despesa dedutível na medida em que a legislação exige deliberação e individualização do pagamento ou crédito dos juros sobre o capital próprio. Mas é essencial para evitar que tais valores integrem o lucro e sejam destinados a outro fim. Em suma, cabe à sociedade decidir como remunerar o capital investido pelos sócios: por meio de juros ou de lucros. E esta decisão deve ser tomada antes da destinação do lucro líquido do exercício, na forma do art. 192 da Lei nº 6.404/76. Ultrapassado este momento, sem o prévio provisionamento dos juros, a deliberação de seu pagamento futuro, associada ao crédito ou pagamento individualizado, não é suficiente para constituir, neste segundo momento, despesa dedutível na apuração do IRPJ e da CSLL, como defende a recorrente." Ainda que não seja causa do fato de os JCPs serem despesas, mas conseqüência disso, o que concorda com a realidade dos outros tipos de juros, constatase que, para aqueles que recebem JCPs, estes são considerados receitas e assim tributados. Tudo isso apenas confirma o acerto na consideração dos JCPs como despesas, despesas financeiras, despesas com pagamento de juros. Um corolário imediato da característica essencial dos Juros sobre Capital Próprio SEREM JUROS é que: para haver juros, há de haver empréstimo ou financiamento de algo. E esse algo, no caso dos JCPs, é o capital dos sócios, ou seja, há de ocorrer "empréstimo" do capital dos sócios. Fl. 889DF CARF MF Processo nº 16327.001631/201083 Acórdão n.º 9101002.778 CSRFT1 Fl. 890 34 Digo isso porque é comum que as abordagens sobre esse tema façam analogia entre os Juros sobre Capital Próprio (pagos aos sócios) e os juros pagos a terceiros por empréstimos contraídos pela empresa. Essa analogia faz sentido na medida em que: a integralização do capital da pessoa jurídica se dá pela transferência de capital dos sócios para a empresa; a empresa realiza suas atividades com esse capital dos sócios que foi para ela transferido/disponibilizado; o patrimônio líquido da pessoa jurídica representa "dívida" desta para com os sócios (por isso, aliás, o PL figura na coluna do passivo). Mas a "dívida" que motiva o pagamento de JCPs também guarda diferenças com as dívidas que fundamentam o pagamento de juros por empréstimos contraídos com terceiros, especialmente no que diz respeito aos índices de remuneração do capital "emprestado" e às condições para a sua dedutibilidade, que são fixadas em lei e não em um contrato de empréstimo tomado, por exemplo, junto a uma instituição financeira. De acordo com o art. 9º da Lei nº 9.249/1995, o índice de remuneração do capital admitido para fins de dedução na apuração do lucro real é a Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP, definida especificamente para o período em que o capital dos sócios ficou à disposição da empresa. Vale registrar que a TJLP é definida por períodos trimestrais, e que o dispositivo legal acima referido estabelece que essa taxa deve ser aplicada "pro rata die", ou seja, proporcionalmente aos dias em que o capital dos sócios ficou em poder da empresa. A aplicação de uma taxa de juros que é definida para um determinado período de um certo ano e seu rateio proporcional ao número de dias pelos quais o capital dos sócios ficou em poder da empresa configuram importante referencial para a identificação do período a que corresponde a despesa de juros e, conseqüentemente, para o registro dessa despesa pelo regime de competência, que é a matéria examinada adiante. DO TRATAMENTO SOCIETÁRIO DAS DESPESAS (DE JCPS) Pois bem, uma vez sedimentado que os JCPs transitam pelo resultado como despesas, há que perquirir qual o tratamento específico dado pela legislação a essas despesas. Consultandose a legislação societária, constatase que, de fato, não há nenhum tipo de tratamento específico às despesas de JCPs. Em assim sendo, frente a esse vazio normativo da legislação comercial, concluo que elas entram nas regras gerais de tratamento de despesas. Como bem sabido, despesa é um item do resultado do exercício. Apurado o resultado do exercício a partir das receitas e das despesas, estas são encerradas e as contas contábeis onde são registradas são zeradas ao final do exercício. Não existe a possibilidade de uma conta de despesa ou de receita conservar seus saldos para exercícios futuros. Em outros termos, apurado o resultado, o que era receita deixa de sêlo e também o que era despesa deixa de sêlo. Apenas as contas patrimoniais têm influência de um ano para outro. As contas de resultado de um exercício não podem influenciar anos subseqüentes. É um pilar essencial que as contas de resultado iniciamse e extinguemse dentro de um mesmo exercício. Fl. 890DF CARF MF Processo nº 16327.001631/201083 Acórdão n.º 9101002.778 CSRFT1 Fl. 891 35 É o que se deduz do art. 187 da Lei nº 6.404, de 15/12/1976, que dispõe sobre as Sociedades por Ações (S.A.): Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: I a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; II a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; III as despesas com as vendas, as despesas financeiras, deduzidas das receitas, as despesas gerais e administrativas, e outras despesas operacionais; IV o lucro ou prejuízo operacional, as receitas e despesas não operacionais; (Redação dada pela Lei nº 9.249, de 1995) V o resultado do exercício antes do Imposto sobre a Renda e a provisão para o imposto; VI as participações de debêntures, empregados, administradores e partes beneficiárias, e as contribuições para instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados; VII o lucro ou prejuízo líquido do exercício e o seu montante por ação do capital social. § 1º Na determinação do resultado do exercício serão computados: a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; e b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos. (grifouse) Uma despesa, para ser deduzida do resultado societário de outro exercício, necessita de autorização legal nesse sentido que venha a ser uma exceção ao §1º do art. 187 da Lei das S.A.. O conceito de exercício é precisamente definido pela legislação societária e, conforme o art. 175 da Lei das S.A., bem delimitado temporalmente (tendo duração de um ano), sem possibilidade de alteração desse período (exceto nos casos especiais relacionados no parágrafo único deste mesmo artigo); apenas a data de término pode ser alterada. SEÇÃO I Exercício Social Art. 175. O exercício social terá duração de 1 (um) ano e a data do término será fixada no estatuto. Parágrafo único. Na constituição da companhia e nos casos de alteração estatutária o exercício social poderá ter duração diversa. Fl. 891DF CARF MF Processo nº 16327.001631/201083 Acórdão n.º 9101002.778 CSRFT1 Fl. 892 36 Ademais, o conceito de exercício é tão caro para a legislação societária que os próprios conceitos de resultado e de lucro líquido estão sobre eles assentados. É o que se infere da leitura dos arts. 176, 189 e 191 da Lei nº 6.404/1976. DO REGIME DE COMPETÊNCIA A Lei das Sociedades por Ações estabeleceu como regra de observância obrigatória o regime de competência, através de seu art. 177, a seguir transcrito: Escrituração Art. 177. A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. § 1º As demonstrações financeiras do exercício em que houver modificação de métodos ou critérios contábeis, de efeitos relevantes, deverão indicála em nota e ressaltar esses efeitos. (...) (grifouse) Desta imposição legal, verificase que as mutações patrimoniais da sociedade estão vinculadas ao regime de competência. Essa é a regra geral da Lei das S.A., e não é somente a regra geral, é a regra para a totalidade dos casos; pois, na legislação societária, não foi normatizada nenhuma exceção. E, onde não há exceção, na ausência de disposição expressa em contrário, a regra se aplica. Como não foi criada para as despesas de Juros com Capital Próprio nenhuma exceção à aplicação do regime de competência, concluise que elas estão submetidas a esse regime. Não há necessidade de disposição expressa na Lei das S.A. que preveja especificamente para as despesas de JCPs que elas devam atender ao regime de competência. Quando se fala em regime de competência, um outro conceito é interno a este, qual seja, o conceito de exercício social (tratado no tópico anterior). Assim, regime de competência depende de exercício social, ou seja, é função deste. Em outras palavras, mudou se o exercício social, mudouse o regime de competência; não se pode, portanto, construir um conceito de regime de competência dissociado de exercício social. Ademais, regime de competência é um instituto jurídico tradicional, de definição bem precisa e sobre o qual a legislação fiscal pôde estruturar a tributação no tempo. Confirase as disposições do art. 9º da Resolução CFC nº 750/93: SEÇÃO VI O PRINCÍPIO DA COMPETÊNCIA Art. 9º As receitas e as despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrerem, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, independentemente de recebimento ou pagamento. § 1º O Princípio da COMPETÊNCIA determina quando as alterações no ativo ou no passivo resultam em aumento ou Fl. 892DF CARF MF Processo nº 16327.001631/201083 Acórdão n.º 9101002.778 CSRFT1 Fl. 893 37 diminuição no patrimônio líquido, estabelecendo diretrizes para classificação das mutações patrimoniais, resultantes da observância do Princípio da OPORTUNIDADE. § 2º O reconhecimento simultâneo das receitas e despesas, quando correlatas, é conseqüência natural do respeito ao período em que ocorrer sua geração. (...) (grifouse) O regime de competência apresenta o seguinte elemento chave: o correlacionamento simultâneo entre as receitas e as despesas (também entendido como princípio do confronto das despesas com as receitas e com os períodos contábeis). A concretização do regime de competência para as despesas consiste no seu reconhecimento no momento em que incorridas, não estando relacionado (sendo o reconhecimento independente) a recebimentos ou pagamentos. Sobre essa realidade não preciso muito discorrer, sendo suficiente a lição da FIPECAFI21, em seu Manual22: "3.1.5.4 O PRINCÍPIO DO CONFRONTO DAS DESPESAS COM AS RECEITAS E COM OS PERÍODOS CONTÁBEIS ENUNCIADO: "Toda despesa diretamente delineável com as receitas reconhecidas em determinado período, com as mesmas deverá ser confrontada; os consumos ou sacrifícios de ativos (atuais ou futuros), realizados em determinado período e que não puderam ser associados à receita do período nem às dos períodos futuros, deverão ser descarregados como despesa do período em que ocorrerem..." É importante notar que a base do confronto não está relacionada ao montante dos recursos efetivamente recebido em dinheiro ou pago, no período, mas às receitas reconhecidas (ganhas), nas bases já mencionadas, e às despesas incorridas (consumidas) no período. Assim, podemos consumir ativos pagos no mesmo período ou adquiridos em períodos anteriores. Pode ocorrer o caso de sacrifícios de ativos, no esforço de propiciar receita, cujos desembolsos efetivos somente irão ocorrer em outro exercício, ou de se incorrer em despesas a serem desembolsadas posteriormente (sacrifício de ativo no futuro, ativo esse que pode nem existir hoje). Todas as despesas e perdas ocorridas em determinado período deverão ser confrontadas com as receitas reconhecidas nesse mesmo período ou a ele atribuídas, havendo alguns casos especiais: 21 FIPECAFI = Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras, FEA/USP. 22 Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações (aplicável às demais sociedades). IUDÍCIBUS, Sérgio; MARTINS, Eliseu; GELBCKE, Ernesto Rubens. São Paulo: Editora Atlas S.A. 6a Edição, pgs. 64 e 65. Fl. 893DF CARF MF Processo nº 16327.001631/201083 Acórdão n.º 9101002.778 CSRFT1 Fl. 894 38 a) os gastos de períodos em que a entidade é total ou parcialmente préoperacional. São normalmente ativados para amortização como despesa a partir do exercício em que a entidade, ou a parte do ativo, começar a gerar receitas; b) a parcela dos gastos dos departamentos de pesquisa e desenvolvimento que superar o montante necessário para manter o setor em funcionamento, independentemente do número de projetos em execução. (Esses últimos gastos incluem os salários fixos dos pesquisadores e as depreciações dos equipamentos permanentes.) Todo o gasto incremental necessário para determinado projeto poderá ser ativado e, quando o projeto iniciar a geração de receitas, amortizado contra as receitas. Os gastos diferidos que não vierem a gerar receitas deverão ter seus valores específicos descarregados como perda no período em que se caracterizar a impossibilidade da geração de receita ou o fracasso ou desmobilização do projeto. Os gastos com propaganda e promoção de venda, mesmo institucional, deverão ser considerados como despesas dos períodos em que ocorrerem. Somente um motivo muito forte e preponderante pode fazer com que um gasto deixe de ser considerado como despesa do período, ou através do confronto direto com a receita ou com o período. Se somos conservadores no reconhecimento da receita, devemos sêlo, em sentido oposto, com a atribuição de despesas. Os juros e encargos financeiros decorrentes da obtenção de recursos para construção ou financiamento de ativos de longo prazo de maturação ou construção somente poderão ser ativados durante o período préoperacional. Entretanto, seu montante deverá ser contabilizado em conta específica de ativo a ser amortizada a partir do exercício em que o ativo entrar em operação. As demais despesas financeiras serão apropriadas aos períodos em que foram incorridas." Alguns pontos devem ficar bastante sedimentados, quais sejam: a) a base de confronto não está relacionada aos recursos pagos; b) as despesas financeiras devem ser apropriadas no período em que incorridas, excetuadose os casos de despesas préoperacionais (aqui inaplicável); e c) somente em situações extremamente especiais (como as mencionadas na lição, entre as quais não se enquadra a encontrada no presente processo), autorizase a quebra da consideração da despesa do período através do confronto direto com a receita do período. Bem fixadas essas premissas, a aplicação ao caso concreto leva a constatar que as despesas de Juros com Capital Próprio devem ser confrontadas com as receitas que formam o lucro do período, ou seja, têm que estar correlacionadas com as receitas obtidas no período em que se deu a utilização do capital dos sócios, isto é, no período pelo qual esse capital permaneceu investido na sociedade. Fl. 894DF CARF MF Processo nº 16327.001631/201083 Acórdão n.º 9101002.778 CSRFT1 Fl. 895 39 Assim, andou bem o voto vencedor do Acórdão nº 120100.348, de 11/11/2010, da lavra do Conselheiro Marcelo Cuba Netto, ao dizer: "(...) a pessoa jurídica deverá reconhecer a despesa ao longo do tempo em que empregado o capital objeto da remuneração." Também acertado o voto condutor do Acórdão n° 1201000.857, do mesmo Conselheiro, de 10/09/2013: "(...) a despesa com juros deve ser apropriada nos mesmos períodos em que a pessoa jurídica empregou o capital no desenvolvimento de suas atividades." Daí então se conclui que o incorrimento das despesas deve se dar no exercício do auferimento das receitas (geradas pelo uso do capital) que vão formar o resultado do mesmo exercício, que, em sendo positivo, será chamado de lucro líquido do período. Sendo certo que as despesas devem estar correlacionadas com as receitas do mesmo exercício, questionase: o que as despesas de JCPs de um exercício têm a ver com as receitas do exercício anterior ou de dois, três, quatro ou cinco anos anteriores? Pareceme que nada. De fato, as despesas de JCPs só guardam alguma correlação com as receitas que formam o lucro líquido do mesmo exercício, pois é neste período que o capital próprio foi empregado para geração de receitas (e, conseqüentemente, de lucro). Portanto, a eventual realização de assembléia que determine pagamento de JCPs não consegue atender ao regime de competência, primeiro porque se utilizou do principal fator que este regime teve o cuidado de absolutamente afastar (qual seja, o pagamento); depois porque a data de assembléia não representa duração de utilização, pela sociedade, do capital que lhe foi disponibilizado pelos sócios; e, por fim, esta data não é tempo de geração de receitas, para fins de confrontação. Não é correto entender que o incorrimento da despesa é o momento do pagamento (seja o determinado no estatuto ou contrato social; seja o deliberado em assembléia, seja o decidido pela administração, no silêncio destes). Nada mais contrário ao regime de competência, no qual o tempo do pagamento é totalmente irrelevante para o reconhecimento das despesas. Sabendose que o incorrimento das despesas se dá no exercício da aplicação do capital investido pelos sócios/acionistas na sociedade (período durante qual a empresa usufrui do capital), ou, ainda, no exercício em que há correlação com as receitas correspondentes, é elementar ver que a data de assembleia geral que delibere sobre pagamento de JCPs não tem o condão de modificar a data do incorrimento das despesas de JCPs. Não obstante tudo o que se disse, é muito importante deixar claro que é possível fazer incorrer as despesas de JCPs de um exercício, relativamente ao capital disponibilizado naquele período, e não efetuar pagamento algum (assim não haverá lançamento do caixa/banco contra despesas). Neste caso, o que deve ser feito é a constituição da OBRIGAÇÃO/DÍVIDA DE PAGAR JCPs, que formará uma dívida da sociedade para com os Fl. 895DF CARF MF Processo nº 16327.001631/201083 Acórdão n.º 9101002.778 CSRFT1 Fl. 896 40 sócios (sendo registrada no passivo), de forma que esse DEVER da empresa fique evidenciado. Isso está perfeitamente de acordo com o regime de competência. O tempo da constituição da obrigação de pagar juros é simultâneo ao do incorrimento das despesas, pois essa obrigação é a contrapartida contábil (para atender método das partidas dobradas) do registro das despesas incorridas. E essa obrigação pode ser conservada ao longo de vários exercícios (ou seja, num exercício poderá haver passivos de JCPs de exercícios anteriores), sem que se aponte qualquer inobservância ao regime de competência. Dessa forma, quando se der o pagamento, satisfeita será a dívida, sem qualquer vinculação com as despesas de JCPs incorridas no exercício em que houver o pagamento. Esses fatos serão relevantes mais à frente, para a interpretação da norma fiscal: o art. 9º da Lei nº 9.249/1995. DA EXISTÊNCIA, OU NÃO, DO DIREITO DE FAZER INCORRER EM EXERCÍCIOS SUBSEQÜENTES DESPESAS DE EXERCÍCIOS ANTERIORES NÃO INCORRIDAS Analiso agora se as despesas de JCPs que deixaram de ser incorridas em exercícios anteriores, deixando de ir ao respectivo resultado, podem ser incorridas em períodos posteriores. Ou, ainda, se a sociedade adquiriu, frente à legislação societária, o direito de deduzir, do lucro líquido, a despesa incorrida com a manutenção do capital dos sócios na sociedade em anos anteriores (embora não tenha deliberado sobre isso no momento adequado). Como visto no tópico anterior, as despesas de JCPs, por não serem exceção ao regime de competência, são despesas padrão: devem ser levadas ao resultado quando incorridas (ao tempo em que o sócio disponibilizou o capital para a empresa) e independem do pagamento para sua dedução na contabilidade societária. Assim, a despesa é incorrida pela manutenção do capital dos sócios na empresa durante o exercício em que o resultado é apurado. Se a despesa for incorrida em exercício diferente daquele durante o qual o capital a ela vinculado esteve disponibilizado, então essa despesa não estará mais vinculada ao capital do exercício anterior, mas sim ao capital do exercício em curso; havendo, portanto, flagrante desrespeito à regra do confronto, e, conseqüentemente, ao regime de competência. A lei societária delimita temporalmente o direito de fazer incorrer despesas: o exercício social definido no art. 175 da Lei das S.A.. Não existe direito de fazer incorrer despesa de exercícios anteriores (art. 187, III e IV e §1º, "b" da Lei nº 6.404/1976), assim como não há, por observância do regime de competência, direito de postergação de despesas para exercícios seguintes. Ademais, as despesas de exercícios anteriores que deveriam ter lá sofrido seu incorrimento não podem ser incorridas em exercícios futuros também por força do disposto no art. 186, §1º, da Lei nº 6.404/1976: Art. 186. (...) (...) Fl. 896DF CARF MF Processo nº 16327.001631/201083 Acórdão n.º 9101002.778 CSRFT1 Fl. 897 41 § 1º Como ajustes de exercícios anteriores serão considerados apenas os decorrentes de efeitos da mudança de critério contábil, ou da retificação de erro imputável a determinado exercício anterior, e que não possam ser atribuídos a fatos subseqüentes. (...) Observese que o caso concreto não pode ser enquadrado como uma das hipóteses que permitem ajustes referentes a exercícios anteriores, uma vez que não houve mudança de critério contábil ou retificação de erro imputável a determinado exercício anterior. Pelo exposto, concluo que não há direito algum23 a fazer incorrer em exercícios subseqüentes despesas de exercícios anteriores não incorridas, ou seja, inexiste direito da sociedade a deduzir do lucro líquido do ano despesas de JCPs que deixaram de ser incorridas em anos anteriores, tanto por contrariedade ao art. 177 (regime de competência) como por não se enquadrar no art. 186, §1º, e no art. 187, III e IV e §1º, "b", todos da Lei nº 6.404/1976 (Lei das S.A). O art. 192 da Lei das S.A. também auxilia na compreensão do problema: Proposta de Destinação do Lucro Art. 192. Juntamente com as demonstrações financeiras do exercício, os órgãos da administração da companhia apresentarão à assembléiageral ordinária, observado o disposto nos artigos 193 a 203 e no estatuto, proposta sobre a destinação a ser dada ao lucro líquido do exercício. A destinação do lucro é uma decisão submetida, ao final de cada exercício, à assembléia de sócios/acionistas. E estes devem estar atentos aos itens de custos e despesas que acabam por reduzir seus lucros. Talvez daí tenha vindo a forma tão restrita como a Lei das S.A. tratou a questão da possibilidade de despesas de um exercícios afetarem o resultado de outro: a apuração do lucro líquido, com a consequente destinação dos lucros e impactos em todos os exercícios futuros, afeta direitos de todos os sócios/acionistas. Uma despesa que deixe de ser incorrida em um exercício e que pretensamente venha a ser ratificada em outro exercício pode acabar por reduzir o lucro de um quadro de sócios/acionistas diferente do quadro de sócios/acionistas do exercício em que a despesa não foi considerada, prejudicando uns em detrimento dos outros; e, inevitavelmente, influenciando o valor das ações. Esta consideração apenas não seria válida se a estrutura societária se mantivesse intacta durante os cinco anos ou mais, o que é muito improvável em se tratando de sociedade de capital aberto, ainda mais se considerarmos que a norma em debate é aplicável aos mais diferentes setores da economia. Tal fato representa mais um problema para a tese de que "despesas" que poderiam/deveriam ter reduzido o lucro do anocalendário de 2005 (se tivessem efetivamente existido naquela época) podem ser computadas como tal no anocalendário de 2006. 23 O direito somente é adquirido se estiver de acordo com ordenamento jurídico, o que não se deu. Fl. 897DF CARF MF Processo nº 16327.001631/201083 Acórdão n.º 9101002.778 CSRFT1 Fl. 898 42 DA INTERPRETAÇÃO DO ART. 9º DA LEI Nº 9.429/1995 O art. 9º da Lei nº 9.429/1995 não modifica nada que esteja assentado na legislação comercial/societária. Pelo contrário, ele deve ser interpretado de forma a se harmonizar com os princípios e regras gerais dessa legislação. A referida norma legal apenas concedeu autorização de dedutibilidade do lucro real para as despesas incorridas24 e pagas, não incluindo nesse tratamento as despesas pagas e não incorridas. Este último caso seria o das despesas que deixaram de ser incorridas no exercício anterior (poderiam, à época, ser despesas), mas, nesse exercício, não são despesas, nem conservam a capacidade de serem incorridas. Na óptica da analogia que se fez com os empréstimos de modo geral como fundamento para pagamento de juros, registrese que a empresa não sofre limitação de valor na dedução, do lucro líquido do exercício, de despesas de JCPs. Ou seja, para a legislação societária, não há qualquer restrição de valor, daí porque o capital pode ser disponibilizado para a empresa a taxas maiores do que a TJLP. Já no âmbito fiscal não se pode dizer o mesmo. As despesas de JCPs do exercício devem observar conjuntamente os limites do caput e do §1º do art. 9º da Lei nº 9.429/1995 e o excesso dessas despesas deve ser estornado, em obediência ao art. 6º, §2º, "a", do DecretoLei nº 1.598, de 26/12/1977. Conforme visto nos parágrafos anteriores, os JCPs podem passar de um exercício para o outro, desde que devidamente incorrida e escriturada a despesa dos JCPs no exercício em que o capital dos sócios foi utilizado pela empresa e devidamente constituída e escriturada (no passivo) a corresponde dívida/obrigação de pagálos. Foi visto que essa forma de agir não contraria o regime de competência. A dúvida surge em relação a saber se este procedimento prejudica a norma do ponto de vista fiscal, o que demanda análise. A expressão utilizada pelo art. 9º da Lei nº 9.429/1995 não foi "despesa de juros pagos ou creditados", mas apenas "juros pagos ou creditados". Assim, não se pode limitar esse artigo de forma a permitir apenas a dedução de despesas incorridas no exercício e pagas no mesmo exercício. Os "juros" podem ser entendidos como "despesa de juros" ou como "obrigações/dívidas25 de juros". Assim, podese falar em direito à dedução dos juros pagos, seja por conta do pagamento das despesas de JCPs do exercício, seja pelo pagamento de dívida relativa a JCPs que tiveram suas despesas incorridas em exercícios anteriores. Essa segunda hipótese não impossibilita a dedução da despesa. Observese que o art. 9º da Lei nº 9.429/1995 não traz, propriamente, restrição temporal, mas apenas uma restrição material. Explico: para que os JCPs sejam pagos, é necessário que os JCPs a serem pagos existam; caso contrário estarseia pagando outra coisa indedutível que não JCPs (como foi o caso que resultou na autuação em julgamento). Ou, ainda, hão de existir as despesas de JCPs do exercício (que serão pagas no exercício, o que dispensa a necessidade da constituir obrigação de pagar) ou a obrigação de pagar JCPs constituída em razão de as despesas de juros relativas a exercícios anteriores não terem sido pagas nos exercícios em que incorridas. 24 Porque se não forem incorridas sequer despesas serão. 25 Ou juros a pagar. Fl. 898DF CARF MF Processo nº 16327.001631/201083 Acórdão n.º 9101002.778 CSRFT1 Fl. 899 43 Não obstante, ainda que a norma fiscal não vede a dedução, do lucro real, dos valores pagos para extinguir a dívida relativas a JCPs de exercícios anteriores, também o montante pago daí originado está submetido aos dois limites (o do caput e o do §1º) do art. 9º da Lei nº 9.429/1995. Ademais, tendo em vista serem os limites direcionados para os "juros" (assim entendido o gênero, do qual as despesas e as obrigações seriam espécies), então este limite deve ser compartilhado (ou seja, os valores devem ser somados) entre o total das despesas pagas de JCPs do exercício e o total dos pagamentos para quitar as dívidas de JCPs de exercício anteriores, estando o excesso submetido ao art. 6º, §2º, "a", do DecretoLei nº 1.598/1977. No caso dos autos, não havia dívidas/obrigações da sociedade de pagar JCPs vinculadas a despesas de JCPs incorridas em exercícios anteriores (ausência de passivo). Estas dívidas inexistiam, em virtude de não terem sido constituídas pela falta do incorrimento, nos exercícios anteriores, das despesas de JCPs, resultando em desobediência ao art. 177 (regime de competência) e ao art. 186, §1º, da Lei das S.A. Assim, o que foi estornado sequer pode ser chamado de Juros sobre Capital Próprio (pois não era baixa de passivo de JCPs, nem tampouco despesas de JCPs já que estas são somente as incorridas no exercício). A Instrução Normativa (IN) SRF nº 11, de 21/02/1996, ao tratar dos Juros sobre Capital Próprio, trouxe o caput do art. 29 com a seguinte redação: Art. 29. Para efeito de apuração do lucro real, observado o regime de competência, poderão ser deduzidos os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. (grifouse) Comparandose o texto do caput do art. 29 da IN SRF nº 11/1996 com o caput do art. 9º da Lei nº 9.249/1995, observase que foi incluída a expressão "observado o regime de competência". Surgiram questionamentos a respeito da legalidade do caput do citado art. 29, em razão da presença desta expressão em sua redação. A legalidade da inclusão da expressão me parece tão obvia que, para defendêla, entendo que a leitura do dispositivo sem a expressão atacada é suficiente para verificar que não haverá nenhuma modificação de aplicação do caput do art. 29 da IN SRF nº 11/1996, ou seja, com ou sem a expressão incluída o artigo tem a mesma efetividade. É fato que não é a citada expressão que impõe a observância do regime de competência, nem para a legislação societária, tampouco para a legislação fiscal. Como ficou cristalino na análise do art. 177 da Lei das S.A., o regime de competência é dever legal, é regra geral, sem exceção para a legislação societária e com poucas e expressas exceções para a legislação fiscal (entre as quais os JCP não se encontram). Fl. 899DF CARF MF Processo nº 16327.001631/201083 Acórdão n.º 9101002.778 CSRFT1 Fl. 900 44 As exceções não podem ser presumidas e a regra geral não tem que ser expressamente repetida em todos os dispositivos específicos. Assim, não há qualquer ilegalidade no caput do art. 29 da IN SRF nº 11/1996. Finalmente, registro que não entendo ser adequado tratar a questão sob a perspectiva de que houve renúncia ou decadência de direito pelo contribuinte. Tendo em vista que tanto a renúncia quanto a decadência tratam de formas que impedem o exercício de um direito (esta por implicar na caducidade do direito por perda do prazo de sua duração e aquela por perda do direito pela manifestação de não exercêlo), entendo por bem tratálas em conjunto. No âmbito tributário, a meu ver, o que ocorreu foi ausência de atendimento de requisito para gozo de benefício fiscal, mas não de ordem temporal e sim material: não existiam JCPs para serem pagos! Deuse a situação de ausência de juros (seja por ausência de despesa, já que a despesa só pode ser do exercício; seja por ausência de sua conversão em obrigação de pagar JCPs). Ou seja, não houve o incorrimento da despesa com JCPs e a conseqüente constituição da obrigação de pagálos, o que permitiria, no caso de pagamento ou crédito, o enquadramento no benefício fiscal de dedutibilidade do lucro real. O que foi pago, embora tenha sido denominado de "a título de JCP" não corresponde à satisfação (por meio de pagamento ou crédito) de obrigações com despesas incorridas de JCPs. Portanto, não há que se cogitar de renúncia no âmbito tributário. Se não são atendidos os requisitos para usufruto de um benefício fiscal, isso não implica em concluir que houve renúncia ao mesmo, mas apenas que sequer existe a capacidade de renunciálo. Mesmo que haja a renúncia, esta não produz efeito algum, já que o direito não poderia ser usufruído caso a renúncia não tivesse existido. Ainda que fosse caso de aplicação dos institutos jurídicos da renúncia ou da decadência, esta se daria no âmbito societário e não no âmbito fiscal. Seria, assim, renúncia/perda de prazo de fazer incorrer a despesa de JCPs na lei societária, ou ainda, do direito de deduzir do lucro líquido (e não do lucro real) essa despesa incorrida em exercícios anteriores. Ocorre que o pressuposto lógico para aplicação dos institutos da renúncia e da decadência é haver a existência de algum direito. O problema é que não há direito dos sócios de exigir os juros sobre o capital próprio, tampouco há obrigação da sociedade, quando da ausência da deliberação, de fazêlos incorrer. A simples manutenção do capital na empresa não pode ser presumida como intenção de receber JCPs e não constitui uma obrigação da sociedade de remunerar os sócios através de JCPs. A mera permanência do capital dos sócios na empresa não pode, na ausência de ficções legais (a exemplo de presunção) ou de manifestação de vontade, ser juridicamente associado a uma forma específica de remuneração do capital. Caso se aceitasse a existência do "direito" de fazer incorrer, em exercícios subseqüentes, despesas de exercícios anteriores não incorridas, aí sim a discussão teria algum sentido, já que não houve renuncia (não existiu manifestação de vontade em não fazer) ou decadência (não há prazo que fulmine tal direito). Fl. 900DF CARF MF Processo nº 16327.001631/201083 Acórdão n.º 9101002.778 CSRFT1 Fl. 901 45 Mas já se verificou que esse direito não existe, pois somente poderia se sustentar se as prescrições da própria legislação societária tivessem sido observadas e não houvesse aplicação de nenhuma das suas vedações. Como se viu anteriormente, o art. 177, o art. 186, §1º, e o art. 187, III e IV e §1º, "b", da Lei das S.A. não foram respeitados. A sociedade não observou o regime de competência (ausência de correlação despesareceita/capital), bem como não teve sua conduta enquadrada entre as possibilidades de ajustes extemporâneos. Aqui, a situação é de não cumprimento de obrigação: ao não fazer da forma correta, surge a vedação de fazer. Não é que o regime de competência disponha sobre prazo decadencial do direito de deduzir do lucro líquido despesas não incorridas em anos anteriores ou permita essa dedução desde que esse direito não tenha sido renunciado. Na verdade, o regime de competência simplesmente não permite26 a dedução do lucro líquido de despesas não incorridas em anos anteriores, ou seja, esse direito sequer existe, ainda mais quando não há autorização para fazer incorrer a despesa. Como esse assunto já foi suficientemente explorado em tópicos anteriores, entendo não ser preciso dizer mais. Concluo, portanto, que, na ausência de direito a deduzir do lucro líquido despesas de JCPs que deveriam ter sido incorridas em anos anteriores, simplesmente não há que se falar nos institutos jurídicos da renúncia ou da decadência, por falta do pressuposto básico dos mesmos. Na esteira de tudo o que já foi dito, também é importante registrar que não se aplicam aqui as regras que tratam dos casos em que o "cômputo" de uma receita ou de uma despesa se dá em período distinto daquele em que esses eventos efetivamente ocorreram. São improcedentes os argumentos que tentam caracterizar o "incorrimento extemporâneo" das despesas atinentes a JCPs como mera postergação de despesas, com antecipação de imposto. Segundo tal tese, o Fisco não sofreria nenhum prejuízo em decorrência de condutas como a analisada nos presentes autos, razão pela qual seria descabida a correspondente lavratura de autos de infração. Só se poderia aceitar a ideia de simples postergação de despesa se os pressupostos para sua existência estivessem presentes nos anos anteriores, o que, como visto, não ocorreu. Se a despesa nem chegou a existir no passado, não há como defender que o que está ocorrendo é apenas o seu cômputo em período de apuração posterior. O caso aqui não é de mera inexatidão da escrituração de receita/despesa quanto ao período de apuração ou de simples aproveitamento extemporâneo de uma despesa verdadeira, que já existia em momento anterior. O que o contribuinte pretendeu foi "criar" em 2006 despesas de juros no ano de 2005, despesas que corresponderiam à remuneração do capital dos sócios que foi disponibilizado para a empresa naquele período passado e que estariam correlacionadas às receitas e aos resultados daquele ano já devidamente encerrado. Isso realmente não é possível porque subverte toda a lógica não apenas do princípio da competência, mas da própria contabilidade. 26 Exceto os decorrentes de efeitos da mudança de critério contábil, ou da retificação de erro imputável a determinado exercício anterior, e que não possam ser atribuídos a fatos subseqüentes. Fl. 901DF CARF MF Processo nº 16327.001631/201083 Acórdão n.º 9101002.778 CSRFT1 Fl. 902 46 Apenas para encerrar a discussão, analiso qual o direito que nasce com a deliberação decorrente da assembléia geral relativa ao pagamento ou crédito de JCPs. Certamente dessa deliberação nasce um direito, para os sócios, de receber os valores a eles creditados, bem como nasce um dever para a sociedade de pagálos ou creditá los. Mas como esses valores não podem corresponder à conversão de obrigações anteriores de JCPs, já que não houve incorrimento de despesas de JCPs nos anos anteriores, resta apenas a alternativa de reclassificar o que está denominado de pagamento a título de JCPs, para registro de algum tipo de direito da sociedade para com os sócios, como distribuição de dividendos, etc. Diante de todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 902DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.908078/2009-81
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APRESENTAÇÃO DE NOVOS ELEMENTOS DE PROVA APÓS A APRECIAÇÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. POSSIBILIDADE.
Novos elementos de prova apresentados no âmbito do recurso voluntário, após o julgamento de primeira instância administrativa, podem excepcionalmente ser apreciados nos casos em que fique prejudicado o amplo direito de defesa do contribuinte ou em benefício do princípio da verdade material. Situação que se apresenta comum quando o indeferimento da compensação é efetuado por meio de despacho decisório eletrônico no qual não são apresentados ao contribuinte orientações completas quanto aos documentos necessários à comprovação do direito de crédito.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-005.085
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise do mérito do recurso voluntário, afastando a preclusão.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio Cesar Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise do mérito do recurso voluntário, afastando a preclusão. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio Cesar Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1910; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10166.908078/200981 Recurso nº 1 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303005.085 – 3ª Turma Sessão de 16 de maio de 2017 Matéria PRECLUSÃO DA APRESENTAÇÃO DE PROVAS Recorrente BAR E WISKERIA BRASÍLIA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APRESENTAÇÃO DE NOVOS ELEMENTOS DE PROVA APÓS A APRECIAÇÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. POSSIBILIDADE. Novos elementos de prova apresentados no âmbito do recurso voluntário, após o julgamento de primeira instância administrativa, podem excepcionalmente ser apreciados nos casos em que fique prejudicado o amplo direito de defesa do contribuinte ou em benefício do princípio da verdade material. Situação que se apresenta comum quando o indeferimento da compensação é efetuado por meio de despacho decisório eletrônico no qual não são apresentados ao contribuinte orientações completas quanto aos documentos necessários à comprovação do direito de crédito. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise do mérito do recurso voluntário, afastando a preclusão. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio Cesar Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 80 78 /2 00 9- 81 Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10166.908078/200981 Acórdão n.º 9303005.085 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte contra o Acórdão nº 3803003.615, o qual possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desprovidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A PRETENSÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê lo posteriormente, observadas as ressalvas legais. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessária à comprovação dos créditos alegados. A divergência suscitada no recurso especial centrase na possibilidade de apresentação de provas já no âmbito do recurso voluntário. O Recurso especial foi admitido conforme Despacho de Admissibilidade constante do presente processo. Contrarrazões foram apresentadas pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Defende o não conhecimento do recurso especial em face da divergência fática entre o acórdão recorrido e os paradigmas e pede a manutenção da decisão recorrida. É o relatório. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10166.908078/200981 Acórdão n.º 9303005.085 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.080, de 16/05/2017, proferido no julgamento do processo 10166.908081/200903, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.080): "Conhecimento do Recurso Especial A Fazenda Nacional, em contrarrazões, pede o não conhecimento do recurso especial do contribuinte alegando que não fora comprovada a divergência jurisprudencial. Afirma que, muito embora os acórdãos paradigmas tenham tratado da matéria relativa ao momento de produção da prova no âmbito do processo administrativo fiscal, fizeramno em contexto fático e jurídico distintos, já que o acórdão recorrido tratava de análise de DCOMP e os paradigmas tratavam de lançamento de ofício, o primeiro Notificação de Lançamento (NFLD) de Contribuição Previdenciária e o segundo Notificação de Lançamento do IRPF. Alega ser fundamental no caso o fato de que nos processos de compensação a produção da prova é essencialmente de responsabilidade do interessado, sendo que nos processos de lançamento de ofício o ônus da prova é do Fisco. Embora reconheça como razoável a argumentação, penso que o que se está a discutir é a possibilidade de análise da prova pela instância julgadora, quando ela é apresentada somente quando da interposição do recurso voluntário. Nesta concepção, na minha opinião, as situações fáticas igualam se. Pois estamos tratando da mesma norma legal, qual seja o art. 16 do Decreto nº 70.235/72, e a norma não diferencia se o processo é de impugnação ou de manifestação de inconformidade. Em ambos os casos, a análise literal da norma somente permite a apresentação dos elementos de prova no prazo para apresentação da impugnação ou da manifestação de inconformidade. Sendo certo que em ambas situações podem ocorrer a necessidade eventual da complementação da prova em face do julgamento de primeira instância administrativa. De forma, que convalido o entendimento exarado no despacho de exame de admissibilidade do recurso especial, por entender que foi demonstrada a divergência jurisprudencial e o recurso especial deve ser conhecido. Mérito Como relatado o acórdão recorrido não conheceu dos documentos apresentados pelo contribuinte somente por ocasião da apresentação do recurso voluntário em face da aplicação do disposto no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10166.908078/200981 Acórdão n.º 9303005.085 CSRFT3 Fl. 5 4 (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...) Importante então relembrarmos os fatos constantes do presente processo. O contribuinte apresentou PER/DCOMP com a intenção de compensar indébitos, que entendia estarem comprovados, com créditos tributários de sua responsabilidade. Posteriormente, cerca de três anos após a entrega do PER/DCOMP, recebeu Despacho Decisório eletrônico com a seguinte fundamentação: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 30/06/2009. " Veja que se trata de uma fundamentação bastante resumida e cujo entendimento de seu inteiro alcance merece esclarecimentos adicionais. Em sua manifestação de inconformidade, também bastante resumida, o recorrente informa que foi orientado pelo Plantão Fiscal da Receita Federal que tal fato ocorrera por falta da retificação de sua DCTF. Entendera assim o contribuinte que a apresentação da DCTF retificadora seria suficiente para a conclusão de sua compensação e tal entendimento está expressamente relatado na sua manifestação de inconformidade. No item 5 e 6 de sua manifestação de inconformidade assim se pronunciou: (...) 5. Se necessário a apresentação de outros documentos ou mesmo tomar outras providencias estaremos a inteira disposição para cumprir a pendências que porventura houver. 6. O contato é com o senhor EULER, fone 33473277. (...) Apresentou junto com sua Manifestação de Inconformidade cópia do recibo de entrega da DCTF retificadora, espelho do DARF do suposto pagamento a maior, cópia dos PER/DCOMP, além de seus documentos de identificação. Veio então o Acórdão da DRJ/Brasília julgando a Manifestação de Inconformidade improcedente por insuficiência de provas, Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10166.908078/200981 Acórdão n.º 9303005.085 CSRFT3 Fl. 6 5 sendo que a DCTF retificadora não seria suficiente para tal e que o ônus da prova é do contribuinte que pleiteia a compensação. Cientificado desta decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual renova as argumentações quanto ao seu direito de crédito e apresenta novos documentos que entende ser suficientes para demonstrar a correção de seu procedimento de compensação. Como já vimos, o acórdão recorrido considerou preclusa a apresentação destes novos documentos e negou provimento ao recurso. O transcrito § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, estabelece que as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. A regra é clara e bastante justificável à medida em que atende à necessidade de que o processo administrativo tenha sua marcha uniforme para frente e exigindo aos administrados o cumprimento de prazos, permitindo a solução de conflitos em consonância com a desejada celeridade processual. De fato, não é razoável que se permita a apresentação de elementos de prova em qualquer fase recursal a critério do administrado. Mas comungo da ideia de que este critério não seja absoluto a ponto de colidir com outros princípios caros ao processo administrativo, a exemplo dos princípios da formalidade moderada, da ampla defesa e da verdade material. No presente caso, além de estar cerceando o direito de defesa do contribuinte, à medida em que a descrição dos fatos no despacho decisório não é clara o suficiente, poderá estar havendo restrição à aplicação da verdade material à medida em que aqueles documentos apresentados poderem revestirse de elementos suficientes para a confirmação da existência do direito de compensação do contribuinte. Semelhante raciocínio foi apresentado em voto do exconselheiro Belchior Melo de Sousa no acórdão nº 3803004.325, de 27/06/2013, o qual transcrevo parcialmente, por concordar inteiramente com suas conclusões (grifos meus). O litígio decorrente da apreciação das compensações declaradas passou a ser submetido ao rito do Processo Administrativo Fiscal, regido pelo Decreto nº 70.235/72, a partir da data publicação da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003 (convertida na Lei nº 10.833/2003). Assim, a princípio deve o litigante submeterse à observância do art. 16, § 4º, que trata do momento processual de apresentação das provas como sendo o da manifestação de inconformidade, ou, ainda, até a decisão de primeira instância, autorizado pelo órgão julgador. É consabido que a norma legal do art. 16, § 4º, citado, tem sua aplicação originária ao processo de determinação e exigência de crédito tributário, cujos fatos imputados ao fiscalizado devem ser respaldados pela provas levantadas e apresentadas pelo fisco no procedimento inquisitório do lançamento. É exigência, ainda, desse feito que os fatos de que é acusado o autuado estejam pontual e claramente descritos. Este modelo de ação tem por fim permitir o exercício da ampla defesa do contribuinte, sob amparo de garantia constitucional. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10166.908078/200981 Acórdão n.º 9303005.085 CSRFT3 Fl. 7 6 Este rito foi tomado por empréstimo para reger o procedimento administrativo de apreciação da compensação tributária, como acima referido (MP 135/2003), logo após a inauguração do seu novel regime pela MP nº 66, de 29 de agosto de 2002 (convertida na Lei nº 10.637/2002). A análise da compensação operada pelo contribuinte da qual resulta o despacho decisório, bem poderia conformarse ao mesmo modelo do procedimento de determinação e exigência de crédito tributário, caso fosse precedido de Termo de Verificação Fiscal, em procedimento manual, em que ficassem evidenciados os erros em que incorrera o contribuinte e a forma e providências necessárias que deveria suprir para elidir a apuração fiscal. É evidente que o despacho decisório eletrônico não cumpre esse desiderato, sendo sintética a formatação da decisão e o teor da sua intimação para a apresentação de defesa, não fornece ao contribuinte todos os elementos de que deve o interessado valerse, e exigíveis pela Administração, para subsidiála. Somente na decisão de primeira instância é que o julgador levanta a exigência das provas, por vezes apenas de forma genérica, diferentemente do que se deu no acórdão ora recorrido, que especificou ser este respaldo a escrita contábil/fiscal. Desse modo, o art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72 deve ser interpretado com parcimônia para este modelo de rito processual administrativo, sobretudo quando o conteúdo da sua letra “c” permite o enquadramento desta situação, quando sobreleva o risco de cerceamento da ampla defesa do contribuinte, quando irrelevase o princípio da verdade material, que informa o PAF, e o da moralidade, que rege os atos da Administração, a impedir a exigência tributo já quitado ou não repetir o indébito. De fato, o contribuinte trouxe em sua manifestação de inconformidade os documentos de que dispunha naquele momento e que entendia aptos a comprovar seu direito, requerendo a posterior juntada de novas provas, acaso se fizessem necessárias. E, não tendo o julgador a quo reconhecido naqueles documentos a necessária força probante, trouxe o contribuinte novas provas para reforçar o seu direito, de modo que, no caso concreto, a apresentação das provas no recurso voluntário é resultado da marcha natural do processo, sendo razoável sua admissão. Notese que as provas apresentadas no âmbito do recurso voluntário, são notas fiscais e o balancete contábil do período em discussão, as quais demonstrariam supostamente o seu direito creditório. Justamente os supostos documentos que a decisão da DRJ entendeu estarem faltando para a possível comprovação do indébito. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial do contribuinte determinando o retorno dos autos à instância a quo para análise do mérito do recurso voluntário, afastando a prejudicial de preclusão das provas apresentadas." Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10166.908078/200981 Acórdão n.º 9303005.085 CSRFT3 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do contribuinte e, no mérito, doulhe provimento, determinando o retorno dos autos à instância a quo para análise do mérito do recurso voluntário, afastando a prejudicial de preclusão das provas. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 97DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10835.720085/2005-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 2005
EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL. ERRO DE CÁLCULO.
Ao se constatar inexatidão material devida a erro de cálculo no acórdão embargado, devem ser acolhidos os embargos inominados para correção.
Numero da decisão: 1301-002.406
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos inominados para sanar inexatidão material devida a erro de cálculo, com o que fica rerratificado o Acórdão nº 1301-002.150, de 04/10/2016, reconhecendo direito creditório em favor da interessada, passível de restituição, no montante de R$ 7.868,87.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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INEXATIDÃO MATERIAL. ERRO DE CÁLCULO. Ao se constatar inexatidão material devida a erro de cálculo no acórdão embargado, devem ser acolhidos os embargos inominados para correção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos inominados para sanar inexatidão material devida a erro de cálculo, com o que fica rerratificado o Acórdão nº 1301002.150, de 04/10/2016, reconhecendo direito creditório em favor da interessada, passível de restituição, no montante de R$ 7.868,87. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 72 00 85 /2 00 5- 08 Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10835.720085/200508 Acórdão n.º 1301002.406 S1C3T1 Fl. 259 2 Trata o presente processo de Embargos Inominados (fl. 251) opostos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Presidente Prudente SP contra o Acórdão nº 1301 002.150, de 04/10/2016, desta 1ª Turma da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls. 233), por meio do qual o colegiado, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer crédito passível de restituição no montante de R$ 8.115,94, ocasião em que foi adotada a seguinte ementa (no que interessa aos presentes embargos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2005 SOCIEDADES COOPERATIVAS. NÃO INCIDÊNCIA. O resultado positivo obtido pelas sociedades cooperativas nas operações realizadas com seus cooperados não integra a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. [...] A decisão aplicou, ao caso, a Súmula CARF nº 831 e, com isso, todo o valor retido pelas fontes pagadoras foi tido como direito creditório passível de restituição. Confirase o seguinte excerto do voto condutor do acórdão embargado: [...] Esse entendimento, no entanto, se revela contrário à retromencionada Súmula CARF nº 83. Não havendo nos autos qualquer questionamento sobre a natureza dos atos praticados pela cooperativa, tenho que os resultados positivos por ela apurados devem ser tidos como decorrentes de atos cooperativos, do que decorre a não incidência da CSLL sobre esses resultados. Não havendo débito de CSLL, a integralidade do valor retido a esse título é passível de restituição. O próximo passo é quantificar a retenção sofrida. Como se viu, as retenções foram feitas por três diferentes fontes pagadoras, de modo globalizado, abrangendo CSLL, PIS e COFINS. Para o código de retenção 5952, a Instrução Normativa SRF nº 381/2003 assim dispõe: Art. 2º O valor da CSLL, da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, de que trata o art. 1º, será determinado mediante a aplicação, sobre o montante a ser pago, do percentual total de 4,65%, (quatro inteiros e sessenta e cinco centésimos por cento), correspondente à soma das alíquotas de 1% (um por cento), 3% (três por cento) e 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento), respectivamente, e recolhido mediante o código de arrecadação 5952. 1 Súmula CARF nº 83: O resultado positivo obtido pelas sociedades cooperativas nas operações realizadas com seus cooperados não integra a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, mesmo antes da vigência do art. 39 da Lei no 10.865, de 2004. Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10835.720085/200508 Acórdão n.º 1301002.406 S1C3T1 Fl. 260 3 Por sua vez, para o código de retenção 8863, a Instrução Normativa SRF nº 306/2003 traz em seu anexo a seguinte partição: IR: 0,0%; CSLL: 1,0%; COFINS: 3,0%; PIS/PASEP: 0,65%; TOTAL: 4, 65%. Em ambos os casos, portanto, o valor retido a título de CSLL deve obedecer à proporção de 1/4,65 = 0,215054 ou 21,5054% do montante retido. Em sua DIPJ (fls. 117/118), a interessada discrimina a CSLL retida por entidade da administração pública federal (linha 17/49), no valor de R$ 4.233,76. Essa rubrica corresponde ao código de retenção 8863, e o extrato da DIRF apresentada pela fonte pagadora se encontra à fl. 17. O total da retenção (CSLL + COFINS + PIS) é de R$ 19.683,93. Aplicandose a esse valor a relação percentual anteriormente demonstrada (21,5054%), chegase à CSLL retida de R$ 4.233,76, exatamente o valor constante da DIPJ. Ainda na DIPJ (fls. 117/118) a interessada discrimina a CSLL retida por outras pessoas jurídicas (linha 17/47), no valor de R$ 3.882,17. Essa rubrica corresponde ao código de retenção 5952, para o qual houve duas retenções. O extrato da DIRF de fl. 18 (apresentada pela fonte pagadora Churrascaria Esteio Ltda.) traz um total de retenção (CSLL + COFINS + PIS) de R$ 3.695,98. Aplicandose a esse valor a relação percentual anteriormente demonstrada (21,5054%), chegase à CSLL retida de R$ 794,83. O extrato da DIRF de fl. 19 (apresentada pela fonte pagadora Maximeat Alimentos Ltda.) traz um total de retenção (CSLL + COFINS + PIS) de R$ 5.681,93. Aplicandose a esse valor a relação percentual anteriormente demonstrada (21,5054%), chegase à CSLL retida de R$ 1.203,40. Aqui, o valor declarado em DIRF pela fonte pagadora é divergente daquele que consta do Comprovante Anual de Retenção de CSLL, Cofins e PIS/PASEP (fl. 16), fornecido à interessada pela mesma fonte. Nesse último documento, constam retenções totalizando R$ 14.356,17, conduzindo a uma retenção de CSLL no valor de R$ 3.087,35. Ao confrontar o Comprovante de fl. 16 com o extrato da DIRF de fl. 19, observase que a diferença reside nos meses de outubro, novembro e dezembro. Para esses três meses, constam valores pagos e retenções no documento de fl. 16, mas nada no documento de fl. 19. Ao examinar as notas fiscais de serviços de fls. 33/50, emitidas pela interessada tendo como tomadora dos serviços a Maximeat Alimentos Ltda., encontro notas fiscais correspondentes a todo o período, tanto os meses em que há coincidências entre os documentos de fls. 16 e 19 quanto os meses de outubro, novembro e dezembro. Penso que a interessada apresentou o documento obrigatório (Comprovante Anual de Retenção de CSLL, Cofins e PIS/PASEP), fornecido pela fonte pagadora, e, adicionalmente, apresentou cópias das notas fiscais, de sua emissão, cujos valores coincidem com aqueles do comprovante de fl. 16. Por esse motivo, diante da divergência entre os dois documentos, considero correto o de fl. 16. Com isso, considero a retenção por essa fonte pagadora, a título de CSLL, no montante de R$ 3.087,35. O total comprovado de retenção na fonte, a titulo de CSLL, é, pois, de R$ 8.115,94 (= R$ 4.233,76 + R$ 794,83 + R$ 3.087,35). No que toca a essa contribuição (CSLL), voto por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer direito creditório, passível de restituição, no montante de R$ 8.115,94. A Fazenda Nacional foi cientificada dessa decisão e não apresentou recurso (fl. 247). Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10835.720085/200508 Acórdão n.º 1301002.406 S1C3T1 Fl. 261 4 O processo retornou à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Presidente Prudente SP, unidade da RFB responsável pela preparação do presente processo, com a finalidade de cientificar o contribuinte da referida decisão. Antes da ciência do contribuinte, aquela DRF apontou alegado erro de apuração no crédito reconhecido ao contribuinte, nos termos do despacho de fl. 251. O embargante afirma que o crédito reconhecido de CSLL foi apurado com base nas notas fiscais juntadas nas fls. 33/50, cujo montante atinge o valor de R$ 13.207,56. Todavia, a decisão recorrida teria adotado o valor de R$ 14.356,17, o que coincidiria com o comprovante de rendimentos juntado pelo contribuinte (fl. 16). Transcrevese trecho dos embargos (fl. 252): 6. Embora a decisão mencione que o valor informado no comprovante de folha 16 coincide com a cópia das notas fiscais juntadas as folhas 33 a 50, o somatório total das retenções sofridas pela interessada nas notas fiscais soma a quantia de R$ 13.207,56, diferentemente do valor de R$ 14.356,17, considerado pelo CARF e demonstrado no comprovante de folha 16. Esta é a alegada inexatidão material a ser apreciada por este Colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e de erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão são admissíveis na qualidade de embargos inominados, nos termos do referido artigo 65 do Anexo II do RICARF, abaixo transcrito: Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. Nestes termos, conheço dos embargos e passo a aprecialos. Assiste razão à embargante. De fato, ao somar os valores das notas fiscais emitidas pela interessada (fls. 33 a 51) para Maximeat Alimentos chegase a valor diferente daquele que consta no Comprovante Anual de Retenção de CSLL, PIS e COFINS (fl. 16). O quadro abaixo reproduz e totaliza os valores que constam das notas fiscais: Data Valor Retenção Fl. NF Valor Mês Retenção Mês 03/05/2004 12.309,90 572,41 33 3062 12.309,90 572,41 01/06/2004 21.690,03 1.008,59 34 3171 21.690,03 1.008,59 01/07/2004 28.136,70 1.308,36 35 3287 28.136,70 1.308,36 02/08/2004 30.822,08 1.433,23 36 3316 30.822,08 1.433,23 01/09/2004 17.775,86 826,58 37 3338 Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10835.720085/200508 Acórdão n.º 1301002.406 S1C3T1 Fl. 262 5 Data Valor Retenção Fl. NF Valor Mês Retenção Mês 01/09/2004 9.605,07 446,64 38 3339 01/09/2004 5.821,32 270,69 39 3340 33.202,25 1.543,91 01/10/2004 13.256,30 616,43 40 3364 01/10/2004 7.106,46 330,15 41 3365 01/10/2004 23.392,14 1.087,73 42 3368 43.754,90 2.034,31 01/11/2004 24.832,09 1.154,69 43 3389 01/11/2004 7.619,39 354,30 44 3390 01/11/2004 12.597,36 585,78 45 3391 01/11/2004 7.080,64 329,25 46 3392 52.129,48 2.424,02 01/12/2004 30.739,59 1.429,39 47 3341 01/12/2004 9.134,98 424,78 48 3412 01/12/2004 15.088,05 701,59 49 3414 01/12/2004 7.025,35 326,68 50 3415 61.987,97 2.882,44 TOTAL 284.033,31 13.207,27 284.033,31 13.207,27 Observese que o total das retenções (CSLL + PIS + COFINS) comprovadas pelas notas fiscais de emissão da própria interessada é de R$ 13.207,27, enquanto que na DIRF apresentada pela fonte pagadora Maximeat Alimentos (fl. 19) consta um total de R$ 5.681,93 e no Comprovante Anual de Retenção (fl. 16) consta R$ 14.356,17. Considerandose a legibilidade apenas parcial do documento de fl. 16, e aplicando o mesmo critério da decisão embargada, há de ser reconhecido como comprovadas as retenções (CSLL + PIS + COFINS) sofridas no montante de R$ 13.207,27. Considerandose o percentual de 21,5054%, demonstrado no acórdão embargado à fl. 238, a retenção de CSLL para essa fonte pagadora deve ser de R$ 2.840,28. Refazendo agora as contas da fl. 239 para totalizar o direito creditório reconhecido em favor da interessada: O total comprovado de retenção na fonte, a título de CSLL, é, pois, de R$ 7.868,87 (=R$ 4.233,76 + R$ 796,83 + R$ 2.840,28). Em conclusão, voto por acolher os presentes embargos para sanar inexatidão material devida a erro de cálculo, com o que fica rerratificado o Acórdão nº 1301002.150, de 04/10/2016, reconhecendo direito creditório em favor da interessada, passível de restituição, no montante de R$ 7.868,87. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 262DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.900268/2014-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 23/11/2011
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.
Numero da decisão: 3401-003.672
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 23/11/2011 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.
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CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 02 68 /2 01 4- 61 Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13888.900268/201461 Acórdão n.º 3401003.672 S3C4T1 Fl. 3 2 Versam os autos sobre PER/DCOMP cujo direito creditório alegado seria oriundo de recolhimento indevido do IPI, a ser compensado com débito de tributo administrado pela RFB. O despacho decisório não homologou a compensação em razão do recolhimento indevido já ter sido integralmente quitado com outros débitos do contribuinte. O contribuinte apresentou tempestivamente sua manifestação de inconformidade, arguindo várias nulidades, mormente que o aludido Despacho não teria fundamentação, teria se desviado de sua finalidade e lhe causado cerceamento de defesa. Sobreveio decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, na qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa possui o seguinte teor: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 23/11/2011 NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte interpôs tempestivamente o seu recurso voluntário, asseverando que a decisão não levou em consideração, nas razões de decidir a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, impedindo que a Recorrente apresentasse defesa, bem como demonstrasse a existência do crédito, requerendo a nulidade da decisão, vez que não lhe foi oportunizado conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada. É o relatório. Voto Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13888.900268/201461 Acórdão n.º 3401003.672 S3C4T1 Fl. 4 3 Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.652, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.900243/201467, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.652): Como se viu do relatório, o presente recurso voluntário visa a nulidade da decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, entendendo que esta não restou motivada, implicando seu cerceamento de defesa. Não merece prosperar as alegações da Recorrente. A uma, disse o Despacho Decisório: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A duas, mencionou expressamente a decisão de piso que a Recorrente não trouxe qualquer prova (DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI), indício ou justificativa que permitisse comprovar o alegado recolhimento indevido. A propósito, merece destaque parte do voto do e. relator: Inicialmente vale verificar o que consta no Despacho Decisório, devidamente assinado pela autoridade competente: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ou seja, o alegado pagamento indevido não foi restituído porque já tinha sido utilizado para quitar outros débitos. Com efeito, se há erro nos arquivos da Receita, bastaria o interessado juntar a idônea e hábil documentação contraditória (DARF, DCTF e Livro de Apuração e Registro do IPI), até em homenagem o princípio da verdade material tanto invocado, sendo que, se tratam de declarações e livros cuja boa guarda e apresentação imediata estão legalmente determinadas. A manifestação do interessado não traz qualquer prova, indício ou mesmo justificativa que permita comprovar o alegado Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13888.900268/201461 Acórdão n.º 3401003.672 S3C4T1 Fl. 5 4 recolhimento indevido, limitandose, tão somente a colecionar julgados e doutrinas sobre nulidades. Considerando que nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, consta que os valores recolhidos no indigitado DARF já foram utilizados para quitar outros débitos e nada o contribuinte a isto contrapõe, não há o que reconsiderar ou anular, sendo que não se justifica a falta de apresentação de documentos que provassem seu direito creditório, na medida que a alegação de cerceamento da defesa não se sustenta. A três, vêse que a decisão fora motivada, embora cingiramse as assertivas da Recorrente apenas e tão somente na juntada da DCOMP, informando que detinha um crédito de IPI, oriundo de pagamento indevido, o qual seria compensado com débitos da COFINS. A quatro, temse que, sobrevindo a decisão da manifestação de inconformidade, deveria a Recorrente fazer prova deste suposto pagamento indevido ou a maior do IPI, conforme determinava o artigo 333 do CPC, vigente à época ademais, como ressalvada pela decisão da DRJ , porém, quedou silente a contribuinterecorrente. A quinto, o processo há de vir devidamente instruído para que o Colegiado possa apreciálo, de modo que, diante da ausência de qualquer prova, a conclusão que se chega é que a decisão de piso não merece reparos. Não maiores ilações a serem feitas e diante da ausência de provas, voto em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 66DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11843.000651/2008-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IRRELEVÂNCIA DO FATO ALEGADO COMO CAUSA.
Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa pela falta de juntada aos autos de DCOMP manual, quando, a despeito da alegação de que tal documento não teria sido assinado por representante legal da autuada, constata-se que o fato que motivou a aplicação da sanção do § 4º do artigo 18 da Lei nº 10.833/2003 restringe-se à apresentação de DCOMP eletrônica com vistas à compensação entre débitos tributários e créditos fundados em Título da Dívida Agrária. Assim, a irrelevância da DCOMP manual, no caso concreto, impede que a ausência desse documento induza à nulidade da decisão recorrida.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
MULTA. COMPENSAÇÃO COM TÍTULOS DA DÍVIDA AGRÁRIA.
A entrega de DCOMP com vistas à compensação entre débitos tributários e créditos fundados em Títulos da Dívida Agrária é causa para a aplicação da multa fixada pelo artigo 18, § 4º, da Lei nº 10.833/2003.
MULTA. COMPENSAÇÃO COM TÍTULO DA DÍVIDA AGRÁRIA. PARCELAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. AFASTAMENTO DA RESPONSABILIDADE. IMPROCEDÊNCIA.
No que toca ao requerido afastamento da multa isolada em função do parcelamento dos débitos indevidamente compensados, deve-se esclarecer que o § 4º do artigo 18 da Lei nº 10.833/2003 não prevê a exclusão da responsabilidade do contribuinte que, já tendo ingressado com DCOMP, nos casos que correspondam à hipótese de compensação não declarada do inciso II do § 12 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, posteriormente consiga parcelar aqueles débitos.
Numero da decisão: 1301-002.276
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto.
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IRRELEVÂNCIA DO FATO ALEGADO COMO CAUSA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa pela falta de juntada aos autos de DCOMP manual, quando, a despeito da alegação de que tal documento não teria sido assinado por representante legal da autuada, constata-se que o fato que motivou a aplicação da sanção do § 4º do artigo 18 da Lei nº 10.833/2003 restringe-se à apresentação de DCOMP eletrônica com vistas à compensação entre débitos tributários e créditos fundados em Título da Dívida Agrária. Assim, a irrelevância da DCOMP manual, no caso concreto, impede que a ausência desse documento induza à nulidade da decisão recorrida. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008 MULTA. COMPENSAÇÃO COM TÍTULOS DA DÍVIDA AGRÁRIA. A entrega de DCOMP com vistas à compensação entre débitos tributários e créditos fundados em Títulos da Dívida Agrária é causa para a aplicação da multa fixada pelo artigo 18, § 4º, da Lei nº 10.833/2003. MULTA. COMPENSAÇÃO COM TÍTULO DA DÍVIDA AGRÁRIA. PARCELAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. AFASTAMENTO DA RESPONSABILIDADE. IMPROCEDÊNCIA. No que toca ao requerido afastamento da multa isolada em função do parcelamento dos débitos indevidamente compensados, deve-se esclarecer que o § 4º do artigo 18 da Lei nº 10.833/2003 não prevê a exclusão da responsabilidade do contribuinte que, já tendo ingressado com DCOMP, nos casos que correspondam à hipótese de compensação não declarada do inciso II do § 12 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, posteriormente consiga parcelar aqueles débitos.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IRRELEVÂNCIA DO FATO ALEGADO COMO CAUSA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa pela falta de juntada aos autos de DCOMP manual, quando, a despeito da alegação de que tal documento não teria sido assinado por representante legal da autuada, constatase que o fato que motivou a aplicação da sanção do § 4º do artigo 18 da Lei nº 10.833/2003 restringese à apresentação de DCOMP eletrônica com vistas à compensação entre débitos tributários e créditos fundados em Título da Dívida Agrária. Assim, a irrelevância da DCOMP manual, no caso concreto, impede que a ausência desse documento induza à nulidade da decisão recorrida. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 MULTA. COMPENSAÇÃO COM TÍTULOS DA DÍVIDA AGRÁRIA. A entrega de DCOMP com vistas à compensação entre débitos tributários e créditos fundados em Títulos da Dívida Agrária é causa para a aplicação da multa fixada pelo artigo 18, § 4º, da Lei nº 10.833/2003. MULTA. COMPENSAÇÃO COM TÍTULO DA DÍVIDA AGRÁRIA. PARCELAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. AFASTAMENTO DA RESPONSABILIDADE. IMPROCEDÊNCIA. No que toca ao requerido afastamento da multa isolada em função do parcelamento dos débitos indevidamente compensados, devese esclarecer que o § 4º do artigo 18 da Lei nº 10.833/2003 não prevê a exclusão da responsabilidade do contribuinte que, já tendo ingressado com DCOMP, nos casos que correspondam à hipótese de compensação não declarada do inciso AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 84 3. 00 06 51 /2 00 8- 60 Fl. 329DF CARF MF Processo nº 11843.000651/200860 Acórdão n.º 1301002.276 S1C3T1 Fl. 330 2 II do § 12 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, posteriormente consiga parcelar aqueles débitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Relatório Retornam os presentes autos da unidade preparadora, após a execução das diligências determinadas pela Resolução nº 1301000.350, expedida por esta Turma em sessão de julgamento do dia 08/06/2016. Naquela oportunidade, consignouse o seguinte relatório: “Extraise do presente processo administrativo que, em desfavor da ora recorrente, foi lavrado auto de infração relativo à multa isolada, em virtude da apresentação de declaração de compensação entre tributos por ela devidos, referentes a diversos períodos de apuração, e créditos de natureza não tributária, representados por títulos da dívida agrária (fls. 08 a 12). Consta do Relatório Fiscal de folha 11, a seguinte fundamentação: “[...]O contribuinte acima identificado, (sic) apresentou a Declaração de Compensação (DCOMP) n° 05149.04191.180908.1.3.047020, em 18/09/2008, mediante o sistema PER/DCOMP, na qual solicita a compensação de débitos próprios com créditos oriundos de Títulos da Dívida Agrária. O citado PER/DCOMP foi baixado para controle manual no processo n° 11843.000629/200810, resultando no Despacho Decisório DRF/PAL n° 472, de 28 de novembro de 2008, cuja cópia passa a fazer parte integrante do presente auto de infração. No referido Despacho Decisório a compensação foi considerada "não declarada", em virtude da incidência em três hipóteses de Fl. 330DF CARF MF Processo nº 11843.000651/200860 Acórdão n.º 1301002.276 S1C3T1 Fl. 331 3 vedação contidas no §° 12 do Artigo 74 da Lei n° 9.430/96, ensejando, assim, a aplicação de multa isolada de 75%(setenta e cinco por cento) sobre o valor total dos débitos indevidamente compensados, nos termos do Artigo 18 da Lei n° 10.833/2003. [...]Devidamente cientificada da imputação fiscal, a contribuinte apresentou Impugnação (fls. 63 a 66), alegando em síntese, a nulidade do auto de infração eis que a intimação foi realizada, em 16/02/2009, por aposição de assinatura no corpo do auto de infração não seria válida.” No mérito, defendeu que os pedidos de compensação não são de seu conhecimento, pois somente tomou ciência da acusação no recebimento do auto de infração. Assim, assinalou que não lhe cabe a responsabilidade pela falsidade de declaração, ao mesmo tempo em que requereu o cancelamento do lançamento efetuado, quer pela preliminar arguida, quer pelas razões de fato e de direito aduzidas, diante do descompasso entre a autuação fiscal e o ordenamento jurídico em vigor. A 4ª Turma da DRJ em Brasília/DF, nos termos do relatório e voto de folhas 72 a 77, julgou procedente a exigência fiscal, afastando a preliminar, reconheceu a validade da multa aplicada. Interpôsse Recurso Voluntário (fls. 84/94), invocandose, em preliminar, a nulidade do lançamento por força da inexistência, nos autos, da Declaração de Compensação (DCOMP), um dos elementos indispensáveis à própria aplicação da multa isolada, considerando a assertiva, constante do acórdão recorrido, de que teria sido preenchida pelo representante legal da Recorrente. Por conseguinte, perante a fragilidade probatória insiste que não seria possível decisão distinta da anulação do auto de infração . No mesmo tom, pugna pelo reconhecimento da nulidade do processo, porquanto restaram feridos, dentre outros princípios estabelecidos na Lei nº 9.784, de 1999, e na própria Constituição da República, o do contraditório e da ampla defesa. Isso porque não existe no processo, conforme acima afirmado, um dos principais documentos para a lavratura do auto de infração, qual seja, a precitada DCOMP. Assim, a recorrente teria ficado impedida de verificar a autenticidade da prova em alusão, cerceandolhe o direito de defesa. Avançando, explicita que, empreendendo agora diligências para esclarecer os fatos, obtivera cópia da referida DCOMP (fl. 98), o que lhe possibilitou verificar que, supostamente, teria sido preenchida e firmada pelo representante legal, senhor Alberto de Deus Guerra, ao que parece em 16 de setembro de 2008, na cidade de Nova Iguaçu, no Estado do Rio de Janeiro, onde, também, foi protocolada (processo n° 10735.003870/200865, na DRF/NIU/PROTRJ, fls. 125/135). Contudo, manifesta que o senhor Alberto de Deus Guerra, com 86 (oitenta e seis) anos, jamais esteve em Nova Iguaçu e nunca preencheu ou assinou a referida DCOMP. Em seguida, anota que a falsificação da assinatura do senhor Alberto de Deus Guerra, na aludida DCOMP, pode ser percebida a olho nu. Entretanto, esclarece que, para dirimir qualquer dúvida, solicitara ao senhor Maurício José da Cunha, perito criminal federal, professor da Academia Nacional de Polícia do Departamento de Polícia Federal, exdiretor do Instituto Nacional de Criminalística, aposentado, a realização de exame grafotécnico da referida DCOMP (100/105), que apresenta erros grosseiros, a exemplo dos seguintes: i) o município de Arapoema não se localiza no Estado Rio de Janeiro; ii) não constam a origem e o valor do crédito Fl. 331DF CARF MF Processo nº 11843.000651/200860 Acórdão n.º 1301002.276 S1C3T1 Fl. 332 4 utilizado; iii) fazse menção ao código de receita 6109 (inexistente), para fins de compensação do débito. Tais indícios teriam permitido ao perito a conclusão de que, em razão da falsidade da DCOMP, não há como se comprovar a prática do ilícito prevista no artigo 18 da Lei n° 10.833/2003, o que traz a reboque a improcedência do lançamento da multa isolada. (grifos não constam do original) Além dos fatos supramencionados, também salienta que, de acordo com o Relatório Fiscal às fls. 11, o crédito fora constituído em decorrência da apresentação da DCOMP n° 05149.04191.180908.1.3.047020 (fls. 17/23), em 18/09/2008, pela qual solicitara a compensação de débitos próprios com créditos de Títulos da Dívida Agrária. Relata, ainda, que a citada DCOMP fora baixada para controle manual no processo nº 11843.000629/200810, resultando no Despacho Decisório DRF/PAL n° 472, de 2008, às fls. 137/142, que considerou a compensação "não declarada" em virtude da incidência em três hipóteses de vedação contidas no artigo 74, § 12, da Lei n° 9.430, de 1996, dando ensejo à aplicação da multa isolada de 75% (setenta e cinco por cento) sobre o valor total dos débitos indevidamente compensados, nos termos do artigo 18 da Lei n° 10.833/2003. No passo seguinte, elucida que, no citado processo n° 11843.00629/200810, o pedido fora instruído com a DCOMP gerada por meio digital, datada de 18/09/2008, e com a Declaração de Compensação manual entregue em Nova Iguaçu no dia 16/09/2008. Diz a Recorrente que, no precitado Despacho Decisório DRF/PAL n° 472, os julgadores esclareceram que, na DCOMP 05149.04191.180908.1.3.047020, há a informação de que o crédito indevido ou a maior estava discriminado no processo n° 10735.003870/200865, formalizado na DRF/NOVA IGUAÇU/RJ, em 17/09/2008, no qual o contribuinte teria apresentado formulário de Declaração de Compensação constante do Anexo IV da instrução Normativa n° 600/05. Contudo, a Declaração de Compensação manual entregue na Receita Federal em Nova Iguaçu, geradora do processo n° 10735.003870/200865, assim que recebida na DRFPALSAORTTO, deu origem ao processo n° 11843.000629/2008 10 e a outro Despacho Decisório DRF/PAL N° 470, de 2008 às fls. 147/152, emitido dois dias antes do Despacho Decisório DRF/PAL n° 472/2008. Expõe a Recorrente, que, surpreendentemente, ao contrário do que concluíram no Despacho Decisório DRF/PAL n° 472, os mesmos auditores, Edmar Batista da Costa e Ricardo Gomes Cirino, e o mesmo Delegado da Receita Federal do Brasil de Palmas/TO, Rodrigo de Almeida Accioly, decidiram, no Despacho Decisório DRF/PAL nº 470, que: “... na declaração apresentada, o contribuinte informou no campo Débitos Compensados o Código da Receita 6109, sendo este código inexistente, logo não há débito tributário a ser compensado ... tendo em vista que a Lei 9.430/96 dispõe que na Declaração de Compensação deverão ser informados os respectivos débitos, resta prejudicada a aplicação de multa isolada sobre o valor do débito indevidamente compensado (...)". Diante disso, discorre que há duas decisões, diametralmente opostas, proferidas pelos mesmos julgadores, para única questão. (grifos não constam do original) Comenta que sua estranheza se justifica, ao analisar a malsinada DCOMP e constatar que se tratava de documento falso, inapto para gerar o pedido de compensação, eis que, à luz do Despacho Decisório DRF/PAL n° 470, o débito era Fl. 332DF CARF MF Processo nº 11843.000651/200860 Acórdão n.º 1301002.276 S1C3T1 Fl. 333 5 inexistente, não obstante a falsidade tão gritante a ponto de declarar um débito de R$ 13 milhões, muito superior ao débito efetivamente existente. Em suma, assevera que não eram de seu conhecimento os pedidos de compensação, motivo por que não deveriam incidirlhe as consequências da responsabilização por quaisquer falhas, menos ainda pela falsidade de uma declaração inexistente. Frisa, por fim, que teria requerido e obtido o parcelamento do débito objeto do pedido de compensação, conforme fls. 153/159, o que inviabilizaria a multa aplicada, em face da ausência de dolo. Nesses termos, pronuncia que não cabe a imposição da multa prevista no artigo 18 da Lei nº 10.833/2003, pois não ocorreu a exigência prevista na parte final do dispositivo, mesmo porque quem preencheu e assinou a DCOMP não é nunca foi seu representante legal, o que obsta que se lhe impute qualquer falsidade. (grifos não constam do original) Retorna o processo retorna a este Colegiado depois da realização da diligência proposta pelo anterior Relator. Na precedente ocasião, aprovouse a descida dos autos à DRF de origem para manifestação da autoridade local sobre a prova pericial produzida pela Recorrente, consistente no laudo pericial subscrito por perito criminal federal já aposentado, o qual concluíra, de maneira assertiva e induvidosa, que a dita DCOMP não apresenta nenhuma assinatura autêntica do senhor Alberto de Deus Guerra. Em atendimento, a autoridade local presta as seguintes informações, às fls. 229/234: a) "Da Alegação de Desconhecimento da Compensação Por meio da Dcomp nº 05149.04191.180908.1.3.047020, foram declarados como compensados débitos existentes e de titularidade da interessada. De fato, os de código 293200, IRRFLançamento de Ofício (fls. 19 a 21) estavam controlados no PAF nº 10746.001571/200352. Já os débitos de PIS e Cofins de dezembro/07 foram confessados pela própria interessada, na DCTF do 2º semestre de 2007 (fls. 215/219). Ou seja, quem preencheu a Dcomp nº 05149.04191.180908.1.3.047020 pretendeu compensar débitos existentes e de titularidade da interessada. E esta assume ser titular dos débitos, tanto que optou por parcelálos, ao tomar ciência do Despacho Decisório DRF/Plm nº 472, de 2008, que desconsiderou o encontro de contas na Dcomp eletrônica. (grifos não constam do original) A indicação, na Dcomp eletrônica, de débitos existentes e que realmente são de titularidade da interessada, bem como o pedido para parcelálos, após desconsideração do encontro de contas, já é motivo suficiente para derrubar a argumentação da recorrente de que desconhecia a compensação. (grifos não constam do original) Mas para reforçar a certeza de que a recorrente conhecia a compensação, notase que a DCTF nº 100.2007.2008.2090301142, relativa ao 2º semestre de 2007 (fls. 215/219), ao vincular aos débitos de PIS e Cofins de dezembro de 2007 créditos de compensação pagamento indevido ou a Fl. 333DF CARF MF Processo nº 11843.000651/200860 Acórdão n.º 1301002.276 S1C3T1 Fl. 334 6 maior, expressamente cita a Dcomp nº 05149.04191.180908.1.3.047020 (fls. 218/219). Referida DCTF foi preenchida pelo sr. José Dourado de Sousa, CPF nº 165.107.04153 (fl. 217). Tratase de alguém que, até hoje, merece plena confiança da interessada, pois continua transmitindo inúmeras declarações da recorrente , tais como DCTF, Dirf e DIPJ , conforme tela de consulta ao sistema ReceitanetLog, especificamente os registros nºs 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 14, 15, 16 e 18 (fls.. 220/225). (grifos não constam do original) Enfim, a recorrente, ao contrário do alegado, conhecia a compensação efetuada por meio da Dcomp nº 05149.04191.180908.1.3.047020; que é a declaração que deu origem ao Auto de Infração, contestado por meio do recurso voluntário em apreço. (grifos não constam do original) Suprarreferida Dcomp eletrônica expressamente indica que o crédito fora informado (tivera origem) no PAF nº 10735.003870/200865, no qual tratada a Dcomp manual. Portanto, é certo que quem preencheu a Dcomp eletrônica tinha pleno conhecimento da Dcomp manual. E como a recorrente sabia da Dcomp eletrônica, significa que também conhecia a Dcomp manual." (grifos não constam do original) b) "Das Alegações de Fajutice da Dcomp Manual e de Falsidade de Assinatura do Representante Legal da Interessada E por que a Dcomp eletrônica faz expressa referência ao processo administrativo em que constava a Dcomp manual? É uma forma de driblar os controles da RFB, permitindo à interessada transmitir uma Dcomp eletrônica em desacordo com as normas que regem a compensação. (grifos não constam do original) Com efeito, o programa Perdcomp exige que se demonstre o crédito na Dcomp que se está gerando. Há que ser um crédito válido, conforme as normas que regem o instituto da compensação. Por isso, impede seja transmitida Dcomp eletrônica cujo crédito seja vedado por lei, como é o caso do crédito em título público. Nada obstante, o programa Perdcomp admite que o contribuinte crie uma Dcomp apenas informado um número de processo, cujo assunto seja restituição ou compensação. Afinal, o crédito estaria demonstrado no processo. Nessa hipótese, inexiste crítica à legitimidade do crédito. (grifos não constam do original) A interessada usou dessa brecha, apresentando uma Dcomp manual na DRF em Nova Iguaçu e obtendo um número de processo (PAF nº 10735.003780/200865). A Dcomp manual foi apresentada em 17/09/2008 e, no dia seguinte, em 18/09/2008, transmitiu a Dcomp eletrônica, na qual compensados débitos existentes e de sua titularidade. (grifos não constam do original) Fl. 334DF CARF MF Processo nº 11843.000651/200860 Acórdão n.º 1301002.276 S1C3T1 Fl. 335 7 Como a Dcomp manual era mero subterfúgio para se transmitir a Dcomp eletrônica, com crédito vedado, pôde ser elaborada com pouco capricho e de modo que, se algo malograsse, a interessada poderia alegar que era fajuta. (grifos não constam do original) De fato, em sua defesa, a recorrente arguiu que a Dcomp manual contém erros grosseiros, como a sede da empresa em ArapoemaRJ; débito inexistente e de valor estratosférico. Notase que a fajutice não poderia ser escancarada, sob pena de a DRF em Nova Iguaçu impedir o protocolo. Tanto que a Dcomp manual veio acompanhada de outros documentos da recorrente, que emprestaram legitimidade ao conjunto, tais como: Escritura Pública de Cessão e Transferência de Direitos Creditórios, referente a 39.285 TDA's; documentos de identidade e CPF do sr. Alberto de Deus Guerra, além de contrato social. Com isso, foi possível formalizar o PAF nº 10735.003780/200865, o qual foi usado para transmitir a Dcomp eletrônica usando crédito vedado. (grifos não constam do original) Quanto à alegação de falsidade da assinatura, pouco importa se procede ou não. A intenção era efetuar compensação com crédito vedado. A Dcomp manual serviu apenas para obterse um número de processo (PAF nº 10735.003780/200865), o qual permitiu transmitir a Dcomp eletrônica, compensando débitos existentes, de titularidade da interessada. A recorrente conhecia as compensações efetuadas mediante a Dcomp eletrônica e a Dcomp manual. Só a atuação da RFB foi capaz de obstar a ilegal pretensão dela." (grifos não constam do original) c) "Da Alegação de Inaplicação da Parte Final do Artigo 18 da Lei nº 10.833, de 2003 A recorrente equivocouse ao concluir que “não há como impor a multa prevista no artigo 18 da Lei 10.833/03, porquanto não ocorre a exigência prevista na parte final do referido dispositivo legal” (grifos nossos). Com efeito, a multa foi aplicada no percentual de 75%, que corresponde à parte inicial parágrafo 4º do artigo 18 da Lei nº 10.833, de 200311, que trata da incidência de multa isolada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do parágrafo 12 do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, as quais incluem crédito em título público. A parte final trata da duplicação do percentual, que iria para 150%, no caso de evidente intuito de fraude. Mas, como dito, a fiscalização aplicou a multa no percentual de 75%, cujo fundamento é a mera subsunção da conduta à parte inicial do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, inocorrendo agravamento em função de fraude ou de falsidade de declaração." (grifos não constam do original) d) "Da Alegação de Inaplicação da Multa Isolada em Função do Parcelamento dos Débitos Indevidamente Compensados Fl. 335DF CARF MF Processo nº 11843.000651/200860 Acórdão n.º 1301002.276 S1C3T1 Fl. 336 8 Refutase o argumento da recorrente de que seria indevida a multa isolada, porque parcelara os débitos indevidamente compensados, o que afastaria a infração, eis que ausente a intenção dolosa de evitar, protelar ou reduzir o valor do montante do débito. Como dito pouco acima, a multa jamais teve por fundamento a “intenção dolosa de evitar, protelar ou reduzir o valor do montante do débito”, o que importaria aplicação do percentual de 150%. Cuidase, isso sim, de duas obrigações (pagar os débitos relacionados na Dcomp eletrônica e quitar a multa isolada) que, de início, eram principal e acessória, mas que, com o parcelamento, tornaramse independentes e autônomas entre si. Com efeito, o Despacho Decisório n° 472, de 2008, no PAF n° 11843.00629/200810, impôs duas exigências distintas: a cobrança dos débitos cuja compensação foi considerada não declarada, com base no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, e a aplicação da multa isolada por uso de crédito vedado, com espeque no parágrafo 4º do artigo 18 da Lei nº 10.833, de 2003. A obrigação de pagar os débitos indevidamente compensados era principal frente à obrigação acessória de pagar a multa isolada por uso de crédito vedado. Assim, a invalidação da primeira acarretaria a da segunda, mas não o contrário. (grifos não constam do original) Só que a interessada aceitou a legitimidade da obrigação principal, ao optar por parcelar os débitos indevidamente compensados. Afastada a hipótese de invalidação da obrigação principal, a obrigação acessória tornouse autônoma em relação àquela. Por conseguinte, a forma como liquidados os débitos indevidamente compensados (parcelamento) em nada afeta o dever de pagar a multa isolada por uso de crédito vedado. Enfim, improcede a alegação da recorrente de que seria indevida a multa isolada, porque parcelara os débitos indevidamente compensados. A uma, porque ora alguma a multa teve por fundamento a “intenção dolosa de evitar, protelar ou reduzir o valor do montante do débito”. A duas, porque com referido parcelamento, desfezse a hierarquia entre a obrigação principal de pagar os débitos indevidamente compensados e a obrigação acessória de pagar a multa isolada por uso de crédito vedado, tal que a forma de liquidar uma das obrigações nada interfere na outra." e) "Da Alegação de Decisões Contraditórias Por fim, improcede o argumento da recorrente de que a DRF Palmas elaborou duas decisões opostas, sobre a mesma questão. Com efeito, o Despacho DRFPlm nº 470, 2008, no PAF nº 10735.003870/200865, ao examinar a Dcomp manual apresentada na DRF em Nova Iguaçu, considerou não declarada Fl. 336DF CARF MF Processo nº 11843.000651/200860 Acórdão n.º 1301002.276 S1C3T1 Fl. 337 9 a compensação, porque efetuada com crédito em TDA. Mas deixou de cobrar o débito e de aplicar a multa isolada, porque o débito nela informado era inexistente. Ora, como dito, a Dcomp manual era fajuta; só foi apresentada para, com o número de processo obtido, permitir transmitir uma Dcomp eletrônica. (grifos não constam do original) Já o Despacho Decisório DRFPlm n° 472, de 2008, no PAF n° 11843.00629/200810, ao examinar a Dcomp eletrônica nº 05149.04191.180908.1.3.047020, também considerou não declarada a compensação, porque efetuada com crédito em TDA. Os débitos compensados, todavia, eram existentes e de titularidade da interessada, ao passo que o encontro de contas estava sujeito à homologação tácita no prazo de 5 (cinco) anos. Assim, foi determinada a cobrança dos débitos indevidamente compensados, bem como a aplicação da multa isolada. (grifos não constam do original) Para compensações distintas (Dcomp manual no PAF nº 10735.003870/200865 e Dcomp eletrônica no PAF n° 11843.00629/200810), decisões diferentes (Despacho DRFPlm nº 470, de 2008, e Despacho Decisório n° 472, de 2008), com determinações e fundamentos específicos (sem cobrança de débitos e sem multa isolada por ineficácia da compensação; e cobrança dos débitos indevidamente compensados e aplicação de multa isolada por força do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, e do parágrafo 4º do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003). Portanto, também refutada a alegação da recorrente de contradição nas decisões, pois cada qual cuidou de compensação específica." (grifos não constam do original) f) "Considerações Finais Foram apresentadas duas compensações em nome da interessada, a Dcomp eletrônica nº 05149.04191.180908.1.3.04 7020, da qual se originou o auto de infração formalizado neste PAF nº 11843.000651/200860, e a Dcomp manual, apresentada na DRF em Nova Iguaçu, que deu origem ao PAF nº 10735.003870/200865. Ao contrário do alegado, a recorrente conhecia ambas compensações, tanto a efetuada pela Dcomp eletrônica, quanto pela Dcomp manual. Afinal, os débitos na Dcomp eletrônica eram existentes e de titularidade da interessada, que os parcelou, sem qualquer objeção, ao ser cientificado do Despacho Decisório DRFPlm nº 472, de 2008. Ademais, a Dcomp eletrônica foi expressamente referenciada na DCTF do 2º semestre de 2007, a qual foi preenchida pelo sr. José Dourado de Sousa, CPF nº 165.107.04153, que até hoje merece plena confiança da interessada, pois continua transmitindo inúmeras declarações da recorrente, tais como DCTF, Dirf e DIPJ. Também conhecia a Dcomp manual, já que esta foi explicitamente citada na Dcomp eletrônica. Fl. 337DF CARF MF Processo nº 11843.000651/200860 Acórdão n.º 1301002.276 S1C3T1 Fl. 338 10 Os sistemas da RFB impedem a transmissão de Dcomp eletrônica com crédito vedado na norma, como é o caso do TDA (título público). Para burlar esse controle, a interessada informou na Dcomp eletrônica que o crédito adviria do PAF nº 10735.003780/200865, no qual formalizada a Dcomp manual. Como esta era mero pretexto para se transmitir a Dcomp eletrônica, com crédito vedado, foi elaborada com pouco capricho, tanto que a recorrente alegou que se tratava de declaração fajuta e que a assinatura do representante legal era falsa. Tudo parte do contexto de driblar os controles da RFB. Por isso, pouco importa se a Dcomp manual contém erros grosseiros ou se é falsa a assinatura; afinal, o intento da interessada foi apenas efetuar compensação com crédito vedado pela norma. Equivocouse a recorrente ao alegar que “não há como impor a multa prevista no artigo 18 da Lei 10.833/03, porquanto não ocorre a exigência prevista na parte final do referido dispositivo legal” (grifos nossos). A parte final trata da duplicação do percentual, que iria para 150%, no caso de evidente intuito de fraude; o que sequer foi cogitado pela fiscalização. Com efeito, a multa foi aplicada no percentual de 75%, pela mera subsunção da conduta (compensação com crédito em título público) ao disposto no parágrafo 4º do artigo 18 da Lei nº 10.833, de 2003, parte inicial, combinado com o inciso II do parágrafo 12 do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Refutase o argumento da recorrente de que seria indevida a multa isolada, porque parcelara os débitos indevidamente compensados, eis que ausente a intenção dolosa de evitar, protelar ou reduzir o valor do montante do débito. A uma, porque ora alguma a multa teve por fundamento a “intenção dolosa de evitar, protelar ou reduzir o valor do montante do débito”. A duas, porque com referido parcelamento, desfezse a hierarquia entre a obrigação principal de pagar os débitos indevidamente compensados e a obrigação acessória de pagar a multa isolada por uso de crédito vedado, tal que a forma de liquidar uma das obrigações nada interfere na outra. Por fim, improcede o argumento da recorrente de que a DRF Palmas elaborou duas decisões opostas, parte inicial, combinado com o inciso II do parágrafo 12 do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Refutase o argumento da recorrente de que seria indevida a multa isolada, porque parcelara os débitos indevidamente compensados, eis que ausente a intenção dolosa de evitar, protelar ou reduzir o valor do montante do débito. A uma, porque ora alguma a multa teve por fundamento a “intenção dolosa de evitar, protelar ou reduzir o valor do montante do débito”. A duas, porque com referido parcelamento, desfezse a hierarquia entre a obrigação principal de pagar os débitos indevidamente compensados e a obrigação acessória de pagar a multa isolada por uso de crédito vedado, tal que a forma de liquidar uma das obrigações nada interfere na outra." Fl. 338DF CARF MF Processo nº 11843.000651/200860 Acórdão n.º 1301002.276 S1C3T1 Fl. 339 11 É o relatório.” Coubeme a relatoria do julgamento do recurso voluntário, na sessão de julgamento de 08/06/2016. Naquela ocasião, aduzi as razões abaixo, na fundamentação do voto que proferi: “Desceu o presente processo para cumprir diligência no órgão de origem, em cumprimento à Resolução nº 1301000.20239 (fls. 190 a 195). Na sessão em que fora aprovada a proposta de remessa do feito para a oitiva da autoridade fiscal que efetuou o lançamento, previamente deliberouse favoravelmente à admissibilidade do Recurso, uma vez satisfeitos os pressupostos legais. Na mesma ocasião, decidiu se sobre a nulidade suscitada por ausência de juntada aos autos da DCOMP constante do processo nº 10735.003870/200865. A tal respeito, decidiuse no sentido de que não houve prejuízo para a defesa. A DCOMP supracitada, apresentada em formulário, é chamada, aqui, de DCOMP manual, para distinguila da DCOMP eletrônica, de nº 05149.04191.180908.1.3.047020, que ingressou nos sistemas eletrônicos de controle da Receita Federal pelo programa PER/DCOMP. O processo nº 10735.003870/200865 foi aberto para a efetivação de uma compensação entre créditos fundados em Títulos da Dívida Agrária (TDA) e débito tributário referente ao código 6109, que não existe, informado na DCOMP manual. A DCOMP eletrônica, por sua vez, é aquela por meio da qual intentouse o encontro de contas entre débitos tributários e um suposto crédito que estaria controlado no processo nº 10735.003870/200865, isto é, crédito fundado em TDA, também. Portanto, o crédito fundado em TDA está relacionado diretamente à compensação com débito informado na DCOMP manual, constante do processo nº 10735.003870/200865, no qual também se juntou a escritura pública de cessão do crédito relativo ao TDA, conforme explica a autoridade fiscal à fl. 231. Já que tal escritura de cessão do crédito em TDA está inserida nesse processo, e como a Recorrente também desejava compensar esse crédito com outros débitos tributários mediante DCOMP eletrônica, deveria informar – e informou em campo próprio desse documento, o número do processo nº 10735.003870/200865, para fazer referência ao "lugar" onde o Fisco poderia verificar a certeza e a liquidez do crédito. A Recorrente alegou que a DCOMP manual não fora preenchida e assinada por seu representante legal. Mais grave ainda, reputa que a assinatura do senhor Alberto de Deus Guerra, na dita DCOMP, seria falsa. Para tanto, junta laudo de exame grafotécnico, às fls. 101/105, subscrito por perito criminal federal aposentado, exdiretor do Departamento de Criminalística, o qual concluiu, de maneira assertiva e induvidosa, que a dita declaração de compensação não apresenta assinatura autêntica do senhor Alberto de Deus Guerra. O Relator, da vez passada, propôs a diligência realizada, depois de acolher a recomendação do referido perito, quando este manifestou que, para evitar a perda da paridade entre a Recorrente e o Fisco, deverseia, de rigor, ouvir a autoridade fiscal sobre a prova pericial que fora produzida. Ao cumprir a diligência sobre o ponto específico que fora detalhado pelo Relator, a autoridade fiscal teceu a seguinte explicação: Fl. 339DF CARF MF Processo nº 11843.000651/200860 Acórdão n.º 1301002.276 S1C3T1 Fl. 340 12 "O programa Perdcomp exige que se demonstre o crédito na Dcomp que se está gerando. Há que ser um crédito válido, conforme as normas que regem o instituto da compensação. Por isso, impede seja transmitida Dcomp eletrônica cujo crédito seja vedado por lei, como é o caso do crédito em título público. Nada obstante, o programa Perdcomp admite que o contribuinte crie uma Dcomp apenas informado um número de processo, cujo assunto seja restituição ou compensação. Afinal, o crédito estaria demonstrado no processo. Nessa hipótese, inexiste crítica à legitimidade do crédito. A interessada usou dessa brecha, apresentando uma Dcomp manual na DRF em Nova Iguaçu e obtendo um número de processo (PAF nº 10735.003780/200865). A Dcomp manual foi apresentada em 17/09/2008 e, no dia seguinte, em 18/09/2008, transmitiu a Dcomp eletrônica, na qual compensados débitos existentes e de sua titularidade. Como a Dcomp manual era mero subterfúgio para se transmitir a Dcomp eletrônica, com crédito vedado, pôde ser elaborada com pouco capricho e de modo que, se algo malograsse, a interessada poderia alegar que era fajuta. De fato, em sua defesa, a recorrente arguiu que a Dcomp manual contém erros grosseiros, como a sede da empresa em ArapoemaRJ; débito inexistente e de valor estratosférico. Notase que a fajutice não poderia ser escancarada, sob pena de a DRF em Nova Iguaçu impedir o protocolo. Tanto que a Dcomp manual veio acompanhada de outros documentos da recorrente, que emprestaram legitimidade ao conjunto, tais como: Escritura Pública de Cessão e Transferência de Direitos Creditórios, referente a 39.285 TDA's; documentos de identidade e CPF do sr. Alberto de Deus Guerra, além de contrato social9. Com isso, foi possível formalizar o PAF nº 10735.003780/2008 65, o qual foi usado para transmitir a Dcomp eletrônica usando crédito vedado. Quanto à alegação de falsidade da assinatura, pouco importa se procede ou não . A intenção era efetuar compensação com crédito vedado. A Dcomp manual serviu apenas para obter se um número de processo (PAF nº 10735.003780/200865), o qual permitiu transmitir a Dcomp eletrônica, compensando débitos existentes, de titularidade da interessada. A recorrente conhecia as compensações efetuadas mediante a Dcomp eletrônica e a Dcomp manual. Só a atuação da RFB foi capaz de obstar a ilegal pretensão dela." Diante disso, reparo que a autoridade fiscal deixou de juntar os documentos abaixo, inseridos no processo nº 10735.003780/200865, que parecem ter força bastante para afastar a alegação de falsidade: a) escritura pública de cessão e transferência de direitos creditórios, referente a 39.285 TDA b) documentos de identidade e CPF do sr. Alberto de Deus Guerra; c) contrato social da Recorrente. Fl. 340DF CARF MF Processo nº 11843.000651/200860 Acórdão n.º 1301002.276 S1C3T1 Fl. 341 13 Por conseguinte, proponho que se converta o julgamento em diligência, descendose os autos para a autoridade fiscal juntar os elementos mencionados no parágrafo anterior, tecendo os esclarecimentos que julgar necessários e, ao fim, que se intime a Recorrente a apresentar, querendo, argumentos de fato e de direito em contestação às conclusões da diligência ora determinada, bem como em relação aos seguintes itens da Informação Fiscal Saort/DRF/PLM nº 53, de 17 de junho de 2015, às fls 226/234: 1) “Da alegação de desconhecimento da Compensação”; b) “Das alegações de fajutice da DCOMP manual e da falsidade de assinatura do representante legal da interessada”. Em face do exposto, os autos novamente desceram à unidade preparadora, nos termos da já comentada Resolução nº 1301000.350, para a realização das diligências mencionadas no último parágrafo da transcrição acima. Em cumprimento à determinação suprarreferida, a unidade preparadora juntou aos autos os documentos de fls. 270/302, além de ter intimado a recorrente, conforme fl. 305, a apresentar “argumentos de fato e de direito em contestação às conclusões da diligência determinada naquela Resolução, bem como em relação aos seguintes itens da Informação Fiscal Saort/DRF/PLM nº 53, de 17 de junho de 2015, às fls. 226/234: 1) “Da alegação de desconhecimento da Compensação”; b) “Das alegações de fajutice da DCOMP manual e da falsidade de assinatura do representante legal da interessada”. Aproveitando a oportunidade do contraditório, Guerra Agropecuária apresentou o arrazoado de fls. 307/315, em atenção à antedita intimação, dessa feita reunindo os seguintes argumentos adicionais: “Não merece prosperar a tese da Autoridade Fiscal, pois até a presente data não enfrentou o nó górdio de todo o presente Procedimento Administrativo Fiscal, qual seja, se a presente DCOMP manual, marco inicial da compensação, é, ou não, fajuta, e, via de consequência, se possui validade jurídica para respaldar o pedido de compensação. Aqui, apresentase a principal questão submetida aos d. fiscais que é sobre a produção de efeitos de um ato eivado de nulidades. A presente questão, como afirmado, é o cerne de todo o PAF, pois conforme a Resolução n° 1301000.20239 de 2015 (fls. 190 a 195), a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, ao converter em diligência o julgamento do recurso voluntário, determinou, de forma categórica, fosse respondido o seguinte questionamento: “Qual é a posição da Autoridade Fiscal sobre a validade da assinatura constante na DCOMP manual? ”. Isso porque, como poderia uma DCOMP inválida produzir efeitos? Contudo, saindo pela tangente, ao responder o supratranscrito questionamento em sua contradita (fls. 231), num esvaziamento singular, o Auditor Fiscal afirma, in verbis: “Quanto a alegação de falsidade da assinatura, pouco importa se procede ou não.”. Ora nobre Julgadores, como não adentrar no mérito dos efeitos de um documento que o próprio fisco entendeu inválido, desconsiderar, assim, sua falsidade, e pior, afirmar não se importar se o ato é ou não válido. Como não importa? Tanto importa que esse Conselho fez o questionamento de forma clara e objetiva. [...] Fl. 341DF CARF MF Processo nº 11843.000651/200860 Acórdão n.º 1301002.276 S1C3T1 Fl. 342 14 No presente caso, é de ver que ausente a manifestação livre de vontade, o ato (DCOMP manual) é inválido de pleno direito. Assim, ao não entrar no mérito dos efeitos produzidos por um ato absolutamente nulo, o Auditor simplesmente entendeu que um documento NULO teria o condão de produzir efeitos no mundo normativo, contradizendo doutrina basilar de Caio Mário da Silva Pereira3 que ao abordar sobre os efeitos da nulidade e a anulabilidade afirma que “o ato nulo de pleno direito é frustro nos seus resultados, nenhum efeito produzindo: quod nullum est nullum producit effectum”. Logo, tal informação não pode ser desconsiderada, pois a referida DCOMP manual (nula de pleno direito) foi o instrumento que inseriu no campo normativo e administrativo a suposta compensação tributária. E tanto não pode ser desconsiderada que esse C. Conselho, de forma bastante percuciente, fez o questionamento acima transcrito. E, para criar um campo de legalidade sobre a referida multa, o Auditor pressupõe a convicção de que quem transmitiu a DCOMP eletrônica estaria ciente da DCOMP manual, sem, contudo, apresentar nenhum tipo de prova do alegado. Ora, é impossível afirmar que a referência de um número de PAF na transmissão da DCOMP eletrônica é suficiente para conhecer o inteiro teor da DCOMP manual inserida no referido PAF. A alegação de conhecimento da DCOMP manual não merece sequer prosperar, notadamente porque o conhecimento da mesma só seria possível mediante ciência do PAF 11843.000629/200810, datado de 28/11/2008, ou seja, dois meses após a apresentação da DCOMP eletrônica. As declarações do Fisco vão de encontro com a ratificação do entendimento doutrinário e jurisprudencial consolidado pelo Decreto 70.235/72, que rege o processo administrativo tributário da União, em seu artigo 59, § 1º, in verbis; [...] É notório que no caso em tela a falsificação da DCOMP manual, já atestada pelo próprio órgão fazendário em seu Despacho Decisório DRFB/PAL nº 470, prejudica todos os atos posteriores, sendo de pleno direito a declaração de nulidade da PERDCOMP eletrônica baseada em ato nulo, o que, por implicação, acaba contaminando o lançamento da presente Multa de Ofício. Portanto, a argumentação da Autoridade Fiscal “cai por terra”, pois, como exaustivamente afirmado e demonstrado, a DCOMP manual, nula de pleno direito, eis que obscenamente falsificada, não era de conhecimento do Contribuinte. De outra sorte, não merece também prosperar o argumento de que a DCOMP manual foi o instrumento utilizado, diante da brecha do sistema da Receita, para se operar uma suposta tentativa de fraude por meio da DCOMP eletrônica. Em primeiro lugar, foi minuciosamente demonstrado, inclusive por meio de perícia técnica, que a fraude não fora cometida pelo Contribuinte. Segundo ponto, conforme afirmado acima, o conhecimento da DCOMP manual só seria possível mediante ciência do PAF 11843.000629/200810, datado de 28/11/2008, ou seja, dois meses após a apresentação da DCOMP eletrônica. Terceiro, porque tendo a DCOMP eletrônica se originado na DCOMP manual, conforme afirma o Auditor em suas ilações, não haveria como aquela subsistir, eis que contaminada em sua origem por Fl. 342DF CARF MF Processo nº 11843.000651/200860 Acórdão n.º 1301002.276 S1C3T1 Fl. 343 15 um documento nulo de pleno direito, conforme afirma a própria Receita no Despacho nº. 470.” (grifos no original) É o relatório. Voto Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. O presente recurso já foi admitido para julgamento no dia 06/05/2014, às fls. 194. Assim se resumem os fatos narrados pela acusação: 1) lavrouse auto de infração em nome da recorrente para cobrança de multa isolada, em razão da apresentação de declaração de compensação entre tributos por ela devidos, referentes a diversos períodos de apuração, e créditos de natureza não tributária, representados por títulos da dívida agrária; 2) isto é, a recorrente apresentou a Declaração de Compensação (DCOMP) n° 05149.04191.180908.1.3.047020, em 18/09/2008, mediante o sistema PER/DCOMP, por meio da qual pretendeu a compensação de débitos próprios com créditos oriundos de Títulos da Dívida Agrária; 3) citada DCOMP foi baixada para controle manual no processo n° 11843.000629/200810, resultando no Despacho Decisório DRF/PAL n° 472, de 28 de novembro de 2008; 4) no referido Despacho Decisório, a compensação foi considerada "não declarada" por incidir em três hipóteses de vedação contidas no § 12 do Artigo 74 da Lei n° 9.430/96, o que deu causa à aplicação de multa isolada de 75% (setenta e cinco por cento) sobre o valor total dos débitos indevidamente compensados, nos termos do Artigo 18 da Lei n° 10.833/2003; 5) no precitado Despacho Decisório DRF/PAL n° 472/2008, consta que, na DCOMP 05149.04191.180908.1.3.047020, há a informação de que o crédito indevido ou a maior estava discriminado no processo n° 10735.003870/200865, formalizado na DRF/NOVA IGUAÇU/RJ, em 17/09/2008, no qual o contribuinte apresentou formulário de Declaração de Compensação constante do Anexo IV da instrução Normativa n° 600/05 (DCOMP manual); Fl. 343DF CARF MF Processo nº 11843.000651/200860 Acórdão n.º 1301002.276 S1C3T1 Fl. 344 16 6) por meio da DCOMP manual acima, a recorrente indicou crédito fundado em Título da Dívida Agrária para compensar débito inexistente. Para o controle dessa compensação, abriuse o processo n° 10735.003870/200865, justamente aquele que a recorrente apontou na DCOMP nº 05149.04191.180908.1.3.047020. No recurso voluntário, aludese, em preliminar, à nulidade do lançamento por força da inexistência, nos autos, da DCOMP manual, um dos elementos indispensáveis à própria aplicação da multa isolada, considerando a assertiva, constante do acórdão recorrido, de que teria sido preenchida pelo representante legal da recorrente. Nesse sentido, em face dessa alegada deficiência probatória, a recorrente salienta que não cabe decisão distinta da anulação do auto de infração . No mesmo tom, pugna pelo reconhecimento da nulidade do processo, ao argumento de que restaram feridos, dentre outros princípios estabelecidos na Lei nº 9.784/1999 e na própria Constituição da República, o do contraditório e da ampla defesa. Isso porque não existe nos autos, conforme acima explicado, um dos principais documentos para a lavratura do auto de infração: a precitada DCOMP. Por isso, a recorrente sustenta que teria ficado impedida de verificar a autenticidade da prova em alusão, cerceandolhe o direito de defesa. No entanto, reparase que a imposição da multa por meio do auto de infração contestado se apoia no relatório fiscal às fls. 11/12 e no Despacho Decisório DRF/PAL nº 472/2008, às fls. 02/07, os quais, em momento algum, fazem referência ao fato de que a DCOMP teria sido preenchida por representante legal da recorrente. Nesses documentos, constatase que a sanção aplicada decorreu da tentativa de compensar débitos tributários efetivos com créditos fundados em Título da Dívida Agrária. Vale dizer, o nome de quem preencheu o formulário da DCOMP manual altera ou reduz em nada o que foi decidido. Assim, inferese que é irrelevante a ausência da DCOMP manual, motivo por que não pode ser acolhida como causa de nulidade da decisão recorrida. No mérito, a recorrente manifesta que empreendeu diligências para esclarecer os fatos, daí obtendo cópia da DCOMP manual com a assinatura de Alberto de Deus Guerra. Essa DCOMP está inserida no processo nº 10735.003870/200865, aberto na DRF/Nova Iguaçu, onde o suposto signatário jamais esteve. A esse respeito, a recorrente assinala que a falsificação da assinatura de Alberto de Deus Guerra, na aludida DCOMP, pode ser percebida a olho nu. A despeito disso, para dirimir as dúvidas, solicitou os préstimos de perito criminal federal já aposentado, professor da Academia Nacional de Polícia do Departamento de Polícia Federal, exdiretor do Instituto Nacional de Criminalística, requerendolhe a realização de exame grafotécnico na referida DCOMP (fls. 100/105), que apresenta erros grosseiros, a exemplo dos seguintes: i) o município de Arapoema não se localiza no Estado Rio de Janeiro; ii) não constam a origem e o valor do crédito utilizado; iii) fazse menção ao código de receita 6109 (inexistente), para fins de compensação do débito. Tais indícios teriam permitido ao perito a conclusão de que não há como comprovar a prática do ilícito prevista no artigo 18 da Lei n° 10.833/2003, o que traria a reboque a improcedência do lançamento da multa isolada. Entretanto, não obstante a alegação de que Alberto Guerra não assinou a DCOMP manual inserida nos autos do processo 10735.003870/200865, afora os demais indícios apontados pela própria recorrente para a assertiva de que tal DCOMP é falsa, é certo, Fl. 344DF CARF MF Processo nº 11843.000651/200860 Acórdão n.º 1301002.276 S1C3T1 Fl. 345 17 porém, que não se vê uma linha sequer da defesa com o repúdio à veracidade da DCOMP nº 05149.04191.180908.1.3.047020, na qual o responsável por seu preenchimento, Alberto de Deus Guerra, de acordo com fl. 15/16, registrou que o crédito derivado de pagamento indevido ou a maior estava sob o controle do processo nº 10735.003870/200865, justamente aquele que fora aberto pela DRF/Nova Iguaçu para acolher a DCOMP manual aqui comentada. Acrescentese, ainda no mesmo tópico, que a DCOMP manual em lume ingressou no processo nº 10735.003870/200865 acompanhada de outros documentos da recorrente, tais como cópia da Escritura Pública de Cessão e Transferência de Direitos Creditórios, referente a 39.285 TDA's, e cópias de documentos de identidade e CPF de Alberto de Deus Guerra e do contrato social da recorrente. E mais: a autoridade local foi precisa ao pronunciar que, por meio da DCOMP nº 05149.04191.180908.1.3.047020, intentouse a compensação de débitos existentes e de titularidade da recorrente. Com efeito, na citada DCOMP eletrônica foram relacionados débitos de IRRF – Lançamento de Ofício, código de receita 293200, controlados no processo administrativo nº 10746.001571/200352, conforme fls. 17/23. Já os débitos de PIS/PASEP (código de receita 810902) e COFINS (código de receita 217201), referentes ao período de apuração de dezembro de 2007, também inseridos na DCOMP eletrônica nº 05149.04191.180908.1.3.047020, foram declarados pela recorrente em DCTF, de acordo com fls. 218/219. Alerta a delegacia de origem para o fato de que essa DCTF foi transmitida por José Dourado de Souza, CPF nº 165.107.04153 (fl. 217), que deve gozar de toda a confiança da recorrente, pois, em nome desta, transmitiu várias declarações de DCTF, DIRF e DIPJ, a teor da tela de consulta ao sistema ReceitanetLog, especificamente os registros nº 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 14, 15, 16 e 18 (fls.. 220/225). Além disso, a recorrente confessa que optou pelo parcelamento dos débitos não compensados, ao tomar ciência do Despacho Decisório DRF/Plm nº 472/2008, que negou a homologação do pretendido encontro de contas entre os débitos constantes da DCOMP nº 05149.04191.180908.1.3.047020 e os suposto crédito originário do processo nº 10735.003870/200865. Todos os elementos fáticos arrolados no parágrafo precedente tornam o laudo pericial irrelevante. Nesse cenário, afirmase peremptoriamente que a recorrente preencheu a DCOMP nº 05149.04191.180908.1.3.047020, que é a declaração que deu origem ao auto de infração contestado. Tal DCOMP eletrônica expressamente indica que o crédito informado era controlado pelo processo nº 10735.003870/200865, que fora aberto para o devido tratamento da DCOMP manual. Portanto, sendo irretorquível que a recorrente preencheu a DCOMP eletrônica, e, de fato, não existe sequer uma sombra de dúvida sobre isso, de imediato se conclui que a DCOMP manual não lhe era estranha. Em tais circunstâncias, verificase a justa adequação entre a conduta praticada pelo contribuinte e o § 4º do artigo 18 da Lei nº 10.833/2003 c/c alíneas “c” e “e” do inciso II do § 12 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, verbis: a) Lei nº 10.833/2003: “Art. 18. Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 345DF CARF MF Processo nº 11843.000651/200860 Acórdão n.º 1301002.276 S1C3T1 Fl. 346 18 [...] 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1o, quando for o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)” b) Lei nº 9.430/1996: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] II em que o crédito: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) a) seja de terceiros; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) b) refirase a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1o do DecretoLei no 491, de 5 de março de 1969; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) c) refirase a título público; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004)” O § 4º do artigo 18 da Lei nº 10.833/2003, com a redação dada pela Lei nº 11.058/2007, determina a imposição da multa isolada no percentual do inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, ou duplicada, na forma de seu § 1º, quando for o caso, calculada sobre o pretendido proveito econômico (que se traduz pelo valor do débito indevidamente compensado), em caso de compensação não declarada que corresponder, por adequação típica, a quaisquer das hipóteses do inciso II do § 12 do artigo 74 da precitada Lei nº 9.430/1996. Fl. 346DF CARF MF Processo nº 11843.000651/200860 Acórdão n.º 1301002.276 S1C3T1 Fl. 347 19 Nesses termos, revelase impossível a aplicação da sanção ora em relevo à compensação pretendida com a entrega da DCOMP manual tratada no processo nº 10735.003870/200865, tendo em conta que, por esse meio, o declarante não manejou débito existente para ser levado ao encontro de contas. Por conseguinte, não há que se falar em conclusões distintas para casos iguais, já que a DCOMP manual não abarcava débito real, ao passo que, pela DCOMP eletrônica, a recorrente introduziu débitos efetivos para serem levados ao confronto com créditos fundados em Título da Dívida Agrária. No que toca ao requerido afastamento da multa isolada em função do parcelamento dos débitos indevidamente compensados, devese esclarecer que o § 4º do artigo 18 da Lei nº 10.833/2003 não prevê a exclusão da responsabilidade do contribuinte que, já tendo ingressado com DCOMP, nos casos que correspondam à hipótese de compensação não declarada do inciso II do § 12 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, posteriormente consiga parcelar aqueles débitos. Por fim, em atenção ao argumento de que a multa isolada deve ser afastada pela ausência de dolo, é necessário destacar que o Fisco levou em conta a ausência do elemento subjetivo, na aplicação da multa isolada de que trata o § 4º do artigo 18 da Lei nº 10.833/2003. Como é cediço, esse dispositivo remete a multa isolada ao percentual do inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, em caso de compensação não declarada regulada pelo inciso II do § 12 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996. No entanto, o § 4º do artigo 18 da Lei nº 9.430/1996 duplica o percentual da multa, se o contribuinte praticar sonegação, fraude ou conluio, previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, nos casos de compensação não declarada regulada pelo já mencionado inciso II do § 12 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996. Em suma, o percentual da multa em questão é de 75%, fixada pelo inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, ou de 150%, em caso de sonegação, fraude ou conluio. In casu, o Fisco aplicou a multa no percentual de 75%, uma vez ausente o dolo. Vale lembrar que, em consonância com o artigo 136 do CTN, a responsabilidade por infrações da legislação tributária, salvo disposição de lei em contrário, independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Diante disso, dêse o necessário destaque ao fato de que o § 4º do artigo 18 da Lei nº 10.833/2003 atende à ressalva autorizada pelo artigo 136 do CTN, considerando que a sanção estipulada pelo citado dispositivo está sujeita à gradação em função da ausência ou da presença de dolo. No caso concreto, a ausência de indicação do dolo conduz à aplicação da multa de 75%. Em face de todos os argumentos de fato e de direito ora reunidos, proponho NEGAR provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator Fl. 347DF CARF MF Processo nº 11843.000651/200860 Acórdão n.º 1301002.276 S1C3T1 Fl. 348 20 Fl. 348DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10540.720632/2014-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2010, 2011, 2012
UTILIZAÇÃO DA TAXA SELIC.
A taxa Selic é índice adequado para atualização dos débitos tributário. Súmula Carf. Nº 4.
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Não há nulidade do Auto de Infração quando revestido de todas as formalidades legais, e quando todas as infrações apontadas são fundamentadas juridicamente e os cálculos detalhados são cientificados ao contribuinte, oportunizando o contraditório e a ampla defesa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-002.639
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira- Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Mércia Helena Trajano Amorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcelo Giovani Vieira (suplente convocado), Tatiana Josefovicz Belisário, Cássio Schappo.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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A taxa Selic é índice adequado para atualização dos débitos tributário. Súmula Carf. Nº 4. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não há nulidade do Auto de Infração quando revestido de todas as formalidades legais, e quando todas as infrações apontadas são fundamentadas juridicamente e os cálculos detalhados são cientificados ao contribuinte, oportunizando o contraditório e a ampla defesa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Mércia AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 72 06 32 /2 01 4- 43 Fl. 759DF CARF MF 2 Helena Trajano Amorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcelo Giovani Vieira (suplente convocado), Tatiana Josefovicz Belisário, Cássio Schappo. Relatório Transcrevo trecho do relatório do acórdão recorrido: Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, para exigência do Pasep devido nos períodos de apuração 01/2010 a 12/2012, totalizando um crédito no valor de R$ 747.797,32, com multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até 05/2014, sendo R$ 376.937,65 correspondentes à contribuição (fls. 03 a 11). No Termo de Verificação Fiscal de fls. 12 a 15, a autoridade fiscal informa que: ∙ No curso do procedimento fiscal, o contribuinte apresentou Demonstrativos Mensais de Receitas e informou que não houve transferências de recursos a outras entidades públicas; ∙ Foram consideradas, para efeito de dedução do Pasep a recolher, as informações constantes de DCTF, limitadas aos valores pagos por meio de DARF. Não houve parcelamento para os anos fiscalizados; ∙ A base de cálculo do Pasep foi apurada pelo somatório dos valores escriturados nas contas Receitas Correntes e Transferências de Capital, encontrados nos demonstrativos mensais de receita apresentados; ∙ Foram deduzidas da base de cálculo as transferências de recursos da Complementação da União ao Fundeb, escrituradas na conta 1.7.24.02.00, extraídas dos demonstrativos, de acordo com a Solução de Divergência nº 2/2009; ∙ O Pasep devido foi apurado à alíquota de 1%, deduzindose deste valor as retenções das transferências de receitas, apuradas no sítio do Banco do Brasil, e também os valores declarados em DCTF, limitados àqueles constantes dos sistemas da RFB referentes a pagamento de DARF. O contribuinte foi cientificado do lançamento em 22/05/2014 (fl. 703), apresentando impugnação tempestiva em 20/06/2014 (fls. 709 a 720), com as seguintes alegações: ∙ Preliminarmente, o contribuinte alega a nulidade do lançamento, considerando que os relatórios apresentados não trazem qualquer referência ao levantamento das diferenças de acréscimos legais; Fl. 760DF CARF MF Processo nº 10540.720632/201443 Acórdão n.º 3201002.639 S3C2T1 Fl. 760 3 ∙ Tais omissões geram violações aos princípios da motivação, do devido processo legal, da ampla defesa, do contraditório e da segurança jurídica; ∙ Diante da ausência de motivação e fundamentação do ato administrativo em relação ao levantamento do suposto débito de Pasep, gerando cerceamento de defesa do contribuinte, requer a nulidade do lançamento; ∙ O valor total do lançamento é abusivo e irreal, já que calculado a partir de critérios inaceitáveis e ilegais; ∙ A Fiscalização, a partir de uma verificação sumária dos balancetes, considerou Receita Corrente Líquida recurso de complementação do Fundeb e de outras entidades de direito público, verbas estas que não são base de cálculo da contribuição; ∙ Sobre tais valores acrescentou juros Selic, isto é, com base na TRD, ou seja, os mesmos cobrados pela agiotagem bancária; ∙ Os juros cobrados são descabidos, em muitas situações superando o valor do principal; ∙ A RFB também insiste em manter um sistema de superposição de valores inaceitável, pois, além de atualizar o valor principal pela UFIR, acresce juros moratórios e inclui parcela denominada “juros Selic”; ∙ Quanto à aplicação da taxa Selic aos créditos tributários, existem diversos julgados no STJ que vêm declarando a inconstitucionalidade e ilegalidade deste encargo; ∙ A ausência de disciplina legal da forma de cálculo da Selic no seu diploma instituidor fere o princípio da legalidade, não se podendo permitir que tal questão seja relegada a um decreto do Executivo, despido de controle pelos representantes do Legislativo; ∙ Além disso, o próprio CTN limita a aplicação de juros em 1%, índice inferior à Selic; ∙ Citase jurisprudência judicial acerca da questão; ∙ Assim, resta demonstrada a impossibilidade da aplicação da taxa Selic aos créditos tributários discutidos.” A DRJ negou provimento à impugnação. Reproduzo a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS DE MORA TAXA SELIC A partir de 01/04/95 os juros de mora equivalem à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Fl. 761DF CARF MF 4 LANÇAMENTO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NULIDADE NÃO OCORRÊNCIA Não se caracteriza o cerceamento ao direito de defesa do contribuinte, quando constam no lançamento todos os elementos relacionados no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, com a clara descrição dos fatos que deram origem à exigência, não se verificando, da mesma forma, a ocorrência de nenhuma das hipóteses previstas no art. 59 daquela norma. PASEP PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO BASE DE CÁLCULO A base de cálculo do PASEP devido pelas pessoas jurídicas de direito público interno é a totalidade das receitas correntes arrecadadas, deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas, e das transferências correntes e de capital recebidas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado, o contribuinte apresenta Recurso Voluntário no qual reapresenta suas argumentações quanto à nulidade, por falta de motivação, e quanto à utilização da taxa Selic para atualização do lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e veicula matéria de competência desta Turma, pelo que deve ser conhecido. Preliminar Em preliminar, a recorrente pede pela nulidade do Auto de Infração por falta de motivação e fundamentação. A alegação não procede. Conforme relatado, o Pasep foi apurado com base na contabilidade da Prefeitura, deduzidos a retenção na fonte e os valores declarados em DCTF. Os valores que restaram não confessados foram lançados de ofício, nos termos do art. 1421 do CTN. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 762DF CARF MF Processo nº 10540.720632/201443 Acórdão n.º 3201002.639 S3C2T1 Fl. 761 5 Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Foram apontados os enquadramentos legais tanto da exigência principal (fl. 5) quanto dos acréscimos legais (fl. 10). A nulidade, no PAF, está prevista no artigo 59 do Decreto 70.235/72. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Uma vez que há Relatório Fiscal minucioso (fls. 12/15), os cálculos são detalhados (fls. 16/18), e todos os fundamentos jurídicos devidamente consignados, e ainda, que tudo foi cientificado ao contribuinte e este intimado para, em 30 dias, recolher, parcelar ou impugnar a exigência, não há como prosperar a alegação de falta de motivação e fundamentação, que pudesse macular seu direito de defesa. Portanto, afasto a preliminar suscitada. Mérito No mérito, o contribuinte apresenta diversos argumentos, doutrina e jurisprudência acerca do que entende ser a ilegalidade da utilização da Selic para atualizar o valor do principal. Todavia, tal tema encontrase pacificado no âmbito do Carf, com a Súmula nº 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. De acordo com o art. 722 do Anexo II do Regimento Interno do Carf – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, as súmulas Carf são vinculantes para os colegiados. Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Portanto, voto pela rejeição da preliminar, e, no mérito, por negar provimento ao Recurso Voluntário. Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator Fl. 763DF CARF MF 6 Fl. 764DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10940.904571/2012-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/04/2008
ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO
O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de restituição/compensação deve ser mantido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.432
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2008 a 30/04/2008 ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de restituição/compensação deve ser mantido. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2017-07-13T19:22:14Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-07-13T19:22:14Z; Last-Modified: 2017-07-13T19:22:14Z; dcterms:modified: 2017-07-13T19:22:14Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2017-07-13T19:22:14Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-07-13T19:22:14Z; meta:save-date: 2017-07-13T19:22:14Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-07-13T19:22:14Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-07-13T19:22:14Z; created: 2017-07-13T19:22:14Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2017-07-13T19:22:14Z; pdf:charsPerPage: 1694; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-07-13T19:22:14Z | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10940.904571/201209 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.432 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de junho de 2017 Matéria PERDCOMP. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente PARIZOTTO & CIA. LTDA. EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2008 a 30/04/2008 ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de restituição/compensação deve ser mantido. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Tratase o presente processo de Declaração de Compensação – DCOMP, com base em suposto crédito de contribuição social (PIS/Cofins), sendo que a DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico não homologando a compensação, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 45 71 /2 01 2- 09 Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10940.904571/201209 Acórdão n.º 3302004.432 S3C3T2 Fl. 3 2 pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, conforme relatado na decisão recorrida, alegando, em síntese: "Inicialmente, contextualiza a existência de seu direito creditório nos seguintes termos: 01. DOS FATOS ... A contribuinte é tributada pelo imposto de renda com base no lucro presumido. Por isso, permanece sujeita à sistemática cumulativa de tributação do PIS e da COFINS estabelecida na Lei n° 9.718/1998, mesmo com entrada em vigor, respectivamente, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, que introduziram modificações na legislação das referidas contribuições (sistemática nãocumulativa). A Recorrente é uma sociedade empresária limitada, cujo objeto social se resume no comércio de gêneros alimentícios naturais e industrializados, artigos de vestuário, utilidades domésticas e eletrodomésticas, bebidas, refrigerantes, produtos de limpeza, higiene pessoal, carnes e derivados, conforme comprova a inclusa cópia do seu contrato social (Doc. 02). Dentre os produtos comercializados em seu estabelecimento, há alguns que estão sujeitos a incidência do PIS/COFINS à alíquota zero, como por exemplo: a) Farinha de trigo: Lei n° 10.925/2004, art. I o , XIV; b) Leite fluido pasteurizado ou industrializado: Lei n° 10.925/2004, art. I, XI; c) Feijão comum, arroz e farinhas, sêmolas e pós de sagu ou das raízes ou tubérculos: Lei n° 10.925/2004, art. I, V; d) Farinha, grumos e sêmolas, grãos esmagados ou em flocos, de milho: Lei n° 10.925/2004, art. 1º, IX; e) Produtos hortícolas, frutas e ovos: Lei n° 10.865/2004, art. 8° , § 12, X e art. 28, III; f) Gás natural liqüefeito: Lei n° 10.865/2004, art. 8º , § 12, IX e XVI; g) Água, refrigerante, cerveja sem álcool e cerveja de malte: Lei n° 10.833/2003, art. 50, I; h) Produtos farmacêuticos e produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal: Lei n° 10.147/2000, Art. 2°. A Contribuinte tributou indevidamente PIS e COFINS nas saídas dos produtos acima listados, majorando a base de incidência das contribuições e aumentando o valor a ser recolhido mensalmente. Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10940.904571/201209 Acórdão n.º 3302004.432 S3C3T2 Fl. 4 3 Alega ter retificado as informações prestadas em Dacon e DCTF anteriormente à formalização do pedido de restituição e implementação da compensação. Cita legislação que ampara seu direito de restituição e compensação. Cita ainda jurisprudência administrativa que vêm entendendo ser necessária a reforma da decisão para desconsiderar a alocação de valores maiores do que os efetivamente utilizados. Prossegue: Ficou evidente que a Contribuinte efetuou pagamento a maior e detém o crédito solicitado. Ao que tudo indica, ocorreu apenas equívoco no momento do processamento das informações na Receita Federal. Por certo, a DCTF e a DACON retificadoras não foram processadas juntamente com a PER/DCOMP, apontando assim divergências, que motivaram o Despacho Decisório expedido eletronicamente, indeferindo a pretensão da Contribuinte. Todas as informações prestadas pelo contribuinte devem ser analisadas e processadas pelo Fisco antes de se efetuar o lançamento de eventuais débitos. No caso vertente, é imperativo que a autoridade administrativa de primeira instância analise previamente o direito creditório declarado para só depois proferir decisão, propiciando adequado contraditório. A própria Receita Federal reconhece que pode ser exigida a apresentação de elementos que comprovem o direito creditório do contribuinte, em normas expedidas pelo órgão, como é o caso da Instrução Normativa n° 900/2008, pelo seu art. 65, vejamos: ... Diante dos fatos acima expostos, percebese que a Recorrente faz juz ao crédito decorrente de pagamento a maior de COFINS [...] Para demonstrar o seu direito, junta em anexo (Doc. 11) os demonstrativos dos produtos excluídos da base de cálculo de incidência da COFINS [...], em face da tributação à alíquota zero. Desta forma, requer a Contribuinte que o Despacho Decisório [...] seja cancelado, por ter suprimido a análise em primeira instância do direito creditório declarado. Requer também que, a declaração de compensação [...] seja homologada, tendo em vista que a Recorrente é detentora do crédito utilizado para amparála. Requer ainda que, o crédito declarado e compensado seja analisado com base nos documentos probatórios juntados a presente manifestação de inconformidade. Caso a Delegacia de Julgamento entenda não serem suficientes para efetuar a análise, que o processo seja baixado em diligência à origem, na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ponta Grossa PR, para que a Contribuinte seja intimada a apresentar novos documentos que se façam necessários, de acordo com o art. 65 da IN 900/2008. Requer, por fim, que quaisquer intimações relativos a atos e termos do presente processo recaiam na pessoa do subscritor da presente Manifestação de Inconformidade, mandatário da Contribuinte, devidamente habilitado nos autos, pessoalmente, ou pela via postal, no endereço constante do mandato, a fim de que não haja prejuízo para a Contribuinte. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10940.904571/201209 Acórdão n.º 3302004.432 S3C3T2 Fl. 5 4 A DRJ julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, por entender que o contribuinte não comprovou documentalmente a origem dos créditos que alegou possuir, nos termos do Acórdão 14 052.245. Intimada de decisão piso, a Recorrente interpôs tempestivamente recurso voluntário, alegando, em síntese: (i) nulidade da decisão recorrida, por alteração do critério jurídico; e (ii) a falta de retificação de outras declarações não são hábeis a fazer com que o crédito deixe de existir. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.411, de 29 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10940.901106/201216, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.411): "I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 01.09.2014 (fls.127) e protocolou Recurso Voluntário em 16.09.2014 (fls. 131141), dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Nulidade da decisão recorrido mudança de critério jurídico Segundo a Recorrente houve mudança de critério jurídico por parte da Turma Julgadora "a quo", na medida em que Despacho Decisório não homologou as compensações apresentadas pela Recorrente pelo fato de que todos os DARF’s haviam sido integralmente utilizados para extinguir débitos (não havia saldo “em aberto”), ao passo que a decisão recorrida motivou a glosa pelo fato de não haver apoio legal (produtos que são tributados) e nem documental (ausência de apresentação de documentos). Sobre mudança de critério jurídico, vale transcrever os ensinamentos do i. professor Hugo Brito de Machado Machado que, com a clarividência que lhe é peculiar expõe seu entendimento sobre o tema: 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10940.904571/201209 Acórdão n.º 3302004.432 S3C3T2 Fl. 6 5 Há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa simplesmente muda de interpretação, substitui uma interpretação por outra, sem que se possa dizer que qualquer das duas seja incorreta. Também há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa, tendo adotado uma entre várias alternativas expressamente admitidas em lei, na feitura do lançamento, depois pretende alterar esse lançamento, mediante a escolha de outra das alternativas admitidas e que enseja a determinação de um crédito tributário em valor diverso, geralmente mais elevado (Hugo de Brito Machado, Curso de Direito Tributário, 12ª edição, Malheiros, 1997, p 123) No presente caso, entendo que não houve mudança de critério jurídico, na medida em que tanto a autoridade julgadora quanto a fiscalização analisaram a origem do crédito com base nos fatos e fundamentos apresentados pela Recorrente. Com efeito, a fiscalização indeferiu o pedido formulado pela Recorrente baseada nos dados informados na DCTF e DACON originariamente apresentadas, sendo que, naquela oportunidade foi constatada a ausência de saldo em aberto. Tanto é que própria Recorrente, após ser cientificada do despacho decisório e reconhecer o equivoco cometido, procedeu a retificação de suas declarações e pleiteou o reconhecimento do crédito em sede de manifestação de inconformidade. Nesse contexto, coube à autoridade julgador analisar o direito da Recorrente com base nos novos fatos e fundamentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, justificando, assim, a alteração dos fundamentos para manter o indeferimento do pedido de compensação, sem que isso acarrete em mudança de critério jurídico. Assim, afasto a preliminar de nulidade suscita pela Recorrente. III Mérito Neste ponto, sustenta a Recorrente (i) que com a retificação das declarações restaram sanados os motivos da glosa fiscal, com o que só por esta razão devem ser homologadas as declarações de compensação; (ii) que o direito à compensação decorre da existência do crédito e de sua titularidade e não do preenchimento do pedido pelo qual se requer a compensação ou pela retificação de outras declarações; (iii) que a retificação de declarações da empresa não é condição para homologação ou não das compensações, pois o direito creditório da Recorrente existe; e (iv) que autoridade julgadora deve sempre e obrigatoriamente verificar aquilo que é realmente verdadeiro para desvelar o direito da Recorrente, devendo proferir decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, isso em atenção ao princípio da verdade real. Inicialmente, é imperioso destacar que a decisão recorrida não desconsiderou as retificações realizados pela Recorrente para manter o indeferimento do pedido de compensação, sendo que o fundamento utilizado pela fiscalização foi apenas a ausência de comprovação documental da origem do crédito. Sobre isso, destaco trecho da decisão de piso: Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10940.904571/201209 Acórdão n.º 3302004.432 S3C3T2 Fl. 7 6 Oportuno ainda esclarecer que a simples retificação dessas declarações não é hábil à comprovação do crédito pretendido, devendo estar acompanhada dos documentos fiscais e contábeis pertinentes. Assim, a questão envolvendo a retificação da DCTF, não foi o fundamento utilizado pela autoridade julgadora para afastar o direito ao crédito, sendo que ela própria (autoridade julgadora), admitiu que tal procedimento pode ser superado com a apresentação de provas capazes de comprovar a existência de erro na apuração contábil/fiscal e consequentemente do pagamento indevido ou a maior alegado pelo contribuinte. No presente caso, a Recorrente não trouxe aos autos documentos necessários e substanciais à comprovar suas alegações e demonstrar a origem do crédito apresentado no PER/DCOMP nº 21879.54431.120609.1.3.042690, alegando, pura e simplesmente que o citado pedido referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão de ter considerado equivocadamente na base de cálculo das contribuições receitas sujeitas à alíquota zero. Com efeito, o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC2). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o indeferindo do crédito é medida que se impõe. Nesse sentido: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...)" (Processo n.º 11516.721501/201443. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifei) Pertinente destacar a lição do professor Hugo de Brito Machado, a respeito da divisão do ônus da prova: No processo tributário fiscal para apuração e exigência do crédito tributário, ou procedimento administrativo de lançamento tributário, autor é o Fisco. A ele, portanto, incumbe o ônus de provar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária que 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10940.904571/201209 Acórdão n.º 3302004.432 S3C3T2 Fl. 8 7 serve de suporte à exigência do crédito que está a constituir. Na linguagem do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus do fato constitutivo de seu direito (Código de Processo Civil, art.333, I). Se o contribuinte, ao impugnar a exigência, em vez de negar o fato gerador do tributo, alega ser imune, ou isento, ou haver sido, no todo ou em parte, desconstituída a situação de fato geradora da obrigação tributária, ou ainda, já haver pago o tributo, é seu ônus de provar o que alegou. A imunidade, como isenção, impedem o nascimento da obrigação tributária. São, na linguagem do Código de Processo Civil, fatos impeditivos do direito do Fisco. A desconstituição, parcial ou total, do fato gerador do tributo, é fato modificativo ou extintivo, e o pagamento é fato extintivo do direito do Fisco. Deve ser comprovado, portanto, pelo contribuinte, que assume no processo administrativo de determinação e exigência do tributo posição equivalente a do réu no processo civil”. (original não destacado)3 Somase a isso, que a escrituração somente faz prova a favor do sujeito passivo se acompanhada por documentos hábeis à comprovar a origem do crédito pleiteado, conforme previsão contida no artigo 26, do Decreto nº 7574/20114. IV Conclusão Diante do exposto, considerando que a Recorrente não comprovou a origem do crédito, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente e a Recorrente não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède 3 Mandado de Segurança em Matéria Tributária, 3. ed., São Paulo: Dialética, 1998, p.252. 4 Art. 26. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 9o, § 1o). Fl. 185DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16404.720072/2014-78
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ITR. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. LEGALIDADE
A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu inadimplemento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic.
Numero da decisão: 9202-005.577
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 ITR. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. LEGALIDADE A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu inadimplemento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic.
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EM LIQUIDAÇÃO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 ITR. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. LEGALIDADE A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu inadimplemento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 40 4. 72 00 72 /2 01 4- 78 Fl. 676DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de NFLD (fls. 22/26) relativo ao Imposto Territorial Rural – ITR do imóvel denominado Fazenda Presidente, com área de 2.015,8 ha (NIRF 5.626.2701), localizado no município de Castro/PR, relativo ao exercício 2005, por meio do qual se exige crédito tributário no valor de R$ 645.337,52, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Essa NFLD gerou, inicialmente, o processo 10940.720010/200945, que já está inscrito em dívida ativa, tendo em vista que restou para julgamento nesse atual processo, apenas a diferença da forma de cobrança dos juros da multa de ofício, isto é, taxa Selic ou 1% ao mês. Consta na Discrição dos Fatos, que, inicialmente, com a finalidade de viabilizar a análise dos dados declarados nos exercícios de 2003 a 2006, especificamente o Valor da Terra Nua VTN, o declarante foi intimado a apresentar diversos documentos comprobatórios, os quais, com base na legislação pertinente, foram listados, detalhadamente, no Termo de Intimação de fls. 01 e 02. Entre os mesmos constavam: Laudo Técnico de Avaliação, elaborado com atendimento aos requisitos das Normas Técnicas NBR 14.6533, da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica ART, demonstrando os métodos de avaliação e fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel, com Grau 2 de fundamentação mínima, entre outros. Foi informado, inclusive, que na falta de atendimento à intimação poderia ser efetuado o lançamento de oficio, com o arbitramento do VTN com base nas informações do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal SIPT, conforme a legislação, sendo relacionados os preços por hectare de terras para o município do imóvel, respectivamente para cada exercício. Com a carta de fls. 08 e 09 foi encaminhada a documentação de fls. 10 a 16, composta por procuração, Escritura de Dação em Pagamento relativa à aquisição do imóvel e, a matrícula do imóvel, no qual consta a averbação da referida escritura de dação em pagamento. Na carta foram relacionados os documentos encaminhados, sendo ressaltado que de sua análise não se poderia constatar a efetiva propriedade do imóvel, uma vez que pairam, ainda, dúvidas quanto ao real direito de propriedade; quanto aos demais documentos solicitados na intimação foi requerida dilação de prazo para atendimento. Posteriormente, com a carta de fls. 17 e 18, datada de 23/12/2008, foi explicado que a propriedade das terras decorreu da dação em pagamento, realizada com o intuito de quitação de dívida de antigo cliente, e que, após verificações realizadas, constataram se vícios de nulidade na dação em pagamento, o que prejudicaria a propriedade do contribuinte Fl. 677DF CARF MF Processo nº 16404.720072/201478 Acórdão n.º 9202005.577 CSRFT2 Fl. 3 3 em relação às terras e, por conseqüência, a sujeição passiva quanto ao ITR. Foi frisado o início das providências tendentes à anulação da dação em pagamento, conforme se verifica pela análise da Notificação Extrajudicial que anexou, a qual foi juntada das fls. 19 a 21, datada, também, de 23/12/2008. No Termo de Verificação Fiscal foi explicado da intimação, dos documentos encaminhados e da análise dos mesmos. Com relação à alegação dos vícios de nulidade na aquisição do imóvel constante da carta, através da escritura pública e da matrícula do imóvel, documentos hábeis para fazer prova da propriedade, foi verificado que o imóvel havia sido adquirido regularmente no ano de 2001 e que o contribuinte não juntou nenhum documento capaz de provar a falsidade ou a nulidade desses documentos cartoriais. Embora houver passado mais de sete anos da dação em pagamento, em todo esse tempo não se tomou nenhuma providência para anulação da transação, senão uma apressada notificação com data de 23/12/2008, Assim, diante da não apresentação do laudo técnico com o VTN ou documento equivalente, a fiscalização procedeu ao arbitramento com base na tabela do SIPT, alimentado com os preços médios divulgados anualmente pela Secretaria Estadual de Agricultura do Paraná para o município de localização do imóvel. Procedida a mencionada alteração, bem como dos demais dados conseqüentes, foi lavrada a NL, cuja ciência foi dada ao interessado em 10/02/2009, fl. 27. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS julgado a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. No Acórdão de Recurso Voluntário, o Colegiado, por unanimidade de votos, afastou as preliminares suscitadas e, no mérito, deu provimento parcial ao recurso para reconhecer que sobre a multa de ofício proporcional devem incidir juros de mora à taxa de 1% ao mês. Portanto, em sessão plenária de 18/04/2013, deuse provimento parcial ao recurso, prolatandose o Acórdão nº 2102002.537, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO ELETRÔNICA. AUSÊNCIA DE ASSINATURA DA AUTORIDADE AUTUANTE. As notificações de lançamento expedidas eletronicamente prescindem de assinatura do chefe do órgão expedidor. Ainda que a notificação de lançamento não seja emitida eletronicamente, a falta da assinatura não pode ensejar a nulidade do lançamento, salvo se o contribuinte demonstrar o prejuízo causado pela ausência de assinatura. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Fl. 678DF CARF MF 4 Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 11 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. ITR. SUJEIÇÃO PASSIVA. PROPRIETÁRIO DE IMÓVEL RURAL. É sujeito passivo do ITR o contribuinte que consta como proprietário no registro cartorário competente, mormente quando faz a apresentação da DITR, na qualidade de proprietário do imóvel rural e não junta aos autos comprovação de solicitação de cancelamento ou retificação do correspondente registro imobiliário. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. LAUDO DE AVALIAÇÃO. O arbitramento do VTN, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o contribuinte deixar de comprovar o VTN informado na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR). por meio de laudo de avaliação, elaborado nos termos da NBRABNT 146533. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO VINCULADA AO TRIBUTO LANÇADO. PERCENTUAL DO ART. 161, § 1º, DO CTN. Sobre a multa de ofício lançada juntamente com o tributo ou contribuição, não paga no vencimento, incidem juros de mora de 1% (um por cento) ao mês, nos termos do art. 161 do Código Tributário Nacional. JUROS DE MORA. TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) Recurso Voluntário Provido em Parte O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 25/11/2013 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 17/12/2013, Recurso Especial. Em seu recurso visa a reforma do acórdão atacado e o restabelecimento da incidência da taxa Selic sobre o crédito tributário decorrente da multa de ofício, nos termos do art. 61, §3º, da Lei nº 9.430/96. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho s/nº, da 1ª Câmara, de 21/03/2014. Em seu recurso, a Recorrente traz as seguintes alegações: Fl. 679DF CARF MF Processo nº 16404.720072/201478 Acórdão n.º 9202005.577 CSRFT2 Fl. 4 5 § que o cerne da controvérsia reside apenas na taxa de juros aplicável ao crédito tributário decorrente da multa de ofício, se no percentual de 1% previsto no art. 161, §1º, do CTN, ou a Taxa Selic, conforme determina o art. 61, §3º, da Lei nº 9.430/96. § que, nos termos do art. 113, §1º, do CTN, a obrigação tributária principal “surge com a ocorrência do fato gerador” e “tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária”; e que o art. 39 do CTN estabelece que “o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta” , deixando claro, portanto, que a multa de ofício (penalidade pecuniária), prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, integra o crédito tributário. § que o art. 61, §3º, da Lei nº 9.430/96, estabelece que sobre os débitos decorrentes de tributos e contribuições sociais administrados pela Receita Federal incidirão juros de calculados à Taxa Selic, verbis: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. [...] § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Art. 5º (...) § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. § que a divergência sobre a aplicabilidade da Taxa Selic sobre a multa de ofício a título de juros de mora se dá, primordialmente, acerca do que se entende por “débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”. § que o art. 61, caput, e §3º, da Lei nº 9.430/96 utilizam, respectivamente, as expressões “débitos para com a União” e “débitos a que se refere este artigo”; e que assim, é importante definir a que “débitos” se referem esses diplomas legais. § que, com a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal surge o direito subjetivo público do sujeito ativo (União) a receber o Fl. 680DF CARF MF 6 crédito tributário e o respectivo dever do sujeito passivo (devedor) de pagálo no prazo previsto na legislação específica; e uma vez não pago o tributo no prazo estipulado legalmente, o Fisco efetuará o lançamento do crédito tributário, expressão que abrange o tributo e os acréscimos legais (multa e juros); e que, portanto, os débitos a que se referem o art. 61, caput, e seu §3º da Lei nº 9.430/96 são os créditos tributários devidos à União e não somente o valor do tributo; e assim, os juros incidirão sobre o principal e a multa de ofício aplicada. § que a Lei nº 9.430/96 dispôs de modo diverso do § 1º do art. 161 do CTN e expressamente mandou aplicar aos créditos tributários da União a “taxa a que se refere o §3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento”, que é a taxa SELIC. § que, assim, não restam dúvidas que os juros incidentes sobre a multa de ofício devem ser calculados com base na taxa SELIC, conforme reiterada jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Cientificado do Acórdão nº 2102002.537, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN, em 25/07/2014, o contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 681DF CARF MF Processo nº 16404.720072/201478 Acórdão n.º 9202005.577 CSRFT2 Fl. 5 7 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, fls. 660. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do mérito A questão objeto do recurso referese, basicamente, à incidência de juros de mora sobre multa de ofício, tendo em vista que o acórdão recorrido concluiu que sobre a multa de ofício proporcional devem incidir juros de mora, apurados à razão de 1% ao mês. Por outro lado, os paradigmas entenderam que seria aplicável a Taxa SELIC no cálculo dos juros sobre a multa de ofício. Juros sobre multa de ofício Ao contrário do que encaminhou o colegiado a quo, a aplicação de juros sobre multa de ofício é devida, na medida em que a penalidade compõe o crédito apurado. De acordo com o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN é autorizada a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. Fazendo parte do crédito juntamente com o tributo, devem ser aplicados à multa, os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. Conforme mencionado acima o art. 161 do CTN, respalda a exigência de juros sobre multa na medida que a multa compõe o credito tributário, conforme transcrito abaixo: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.” Dessa forma, após o lançamento fiscal, incide juros não apenas sobre o principal (tributo devido), como também sobre a multa aplicada, que em conjunto compõem o Fl. 682DF CARF MF 8 crédito tributário. Não há como imaginar que após o lançamento, não mais haveria qualquer espécie de ajuste nesse valor, o que acabaria or beneficiar os contribuintes em débito. Contudo, da leitura do §1º do referido dispositivo, outra dúvida passa a assolar os julgamentos. No caso, qual a o percentual da multa aser aplicado: 1% ao mês, conforme entendeu o acórdão recorrido, ou a taxa SELIC? Entendo que a interpretação mais acertada, parte da leitura do próprio dispositivo, senão vejamos: "§ 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês." Ou seja, em existindo legislação especifica que disponha de forma diversa, não há de se aplicar o percentual de 1%. NO caso, o dispositivo que respalda a aplicação d ataxa SELIC é o art. 43 da Lei 9430/96, que assim dispõe: "Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." (grifei) Sendo que o referido §3º do art. 5º, assim dispõe: "§ 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento." Aliás, nesse sentido, já se manifestou esta CSRF, em diversas outras oportunidades, como no processo 10.768.010559/200119, Acordão 920201.806 de 24 de outubro de 2011, cuja ementa transcrevo a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano calendário:1997 JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO APLICABILIDADE. O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo Recurso especial negado. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região. Recurso Especial Negado. A matéria sob exame pode ser dividida em duas questões, que se completam. Fl. 683DF CARF MF Processo nº 16404.720072/201478 Acórdão n.º 9202005.577 CSRFT2 Fl. 6 9 A primeira, diz respeito à própria possibilidade genérica da incidência de juros sobre a multa, e centrase na interpretação do artigo 161 do CTN; a segunda questão envolve a discussão sobre a existência ou não de previsão legal para a exigência de juros sobre a multa, cobrados com base na taxa Selic. Sobre a incidência de juros de mora o citado art. 161 do CTN prevê o seguinte: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.” Inicialmente entendo que o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. Ou seja, tanto a multa como o tributo compõem o crédito tributário, devendolhes ser aplicado os mesmos procedimentos e os mesmos critérios de cobrança, devendo, portanto, sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Ademais, não haveria porque o valor da multa permanecer congelado no tempo. Por seu turno o § 1.º do art. 161 do CTN, ao prever os juros moratórios incidentes sobre os créditos não satisfeitos no vencimento, estipula taxa de 1% ao mês, não dispondo a lei de modo diverso. Abriu, dessa forma, possibilidade ao legislador ordinário tratar da matéria, o que introduz a segunda questão: a da existência ou não de lei prevendo a incidência de juros sobre a multa de oficio com base na taxa Selic. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa. Confirase in verbis: "Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." (grifei) Fl. 684DF CARF MF 10 Esse entendimento se coaduna com a Súmula nº 45 do extinto Tribunal Federal de Recursos, que já previa a correção monetária da multa: "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justificase a sua aplicação sobre a multa. Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região: “TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. REPETIÇÃO. JUROS SOBRE A MULTA. POSSIBILIDADE. ART. 113, § 3º, CTN. LEI Nº 9.430/96. PREVISÃO LEGAL. 1. Por força do artigo 113, § 3º, do CTN, tanto à multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo. 2. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, que pode, inclusive, ser lançada isoladamente. 3. Segundo o Enunciado nº 45 da Súmula do extinto TFR "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." 4. Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justificase a sua aplicação sobre a multa.” (APELAÇÃO CÍVEL Nº 2005.72.01.0000311/ SC, Relator: Desembargador Federal Dirceu de Almeida Soares) “TRIBUTÁRIO. ART. 43 DA LEI 9.430/96. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS MORATÓRIOS. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a exigência fiscal consistente na incidência de juros moratórios sobre multa de ofício aplicada ao contribuinte. Inteligência do artigo 43 da Lei 9.430/96 c/c art. 113, § 3, do CTN. 2. Improvida a apelação.” (APELAÇÃO CÍVEL Nº 2004.70.00.0263869/ PR, Relator: Juiz Federal Décio José da Silva). Destarte, entendo que é legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Conforme descrito acima, os juros de mora sobre a multa são devidos em função do § 3º do art. 113 do CTN, pois tanto a multa quanto o tributo compõe o crédito tributário. Esse entendimento encontra precedentes da 2ª Turma da CSRF: Acórdão nº 920201.806 e Acórdão nº 920201.991. Fl. 685DF CARF MF Processo nº 16404.720072/201478 Acórdão n.º 9202005.577 CSRFT2 Fl. 7 11 Destacase ainda que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu a legalidade dos juros de mora sobre a multa de oficio (AgRg no REsp 1.1335.688/PR; REsp 1.129.990PR; REsp 834.681MG). Entendo aplicável a incidência de juros sobre a multa de ofício, adotando os precedentes citados como fundamento para decidir, razão pela qual dou provimento ao Resp da Fazenda Nacional. Conclusão Face o exposto, CONHEÇO DO recurso Especial da Fazenda Nacional, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 686DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.901245/2011-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO
Não pode ser homologada uma compensação, cujos créditos não foram comprovados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.473
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente COMERCIAL PARISENTI LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO Não pode ser homologada uma compensação, cujos créditos não foram comprovados. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação DCOMP, apresentada pela contribuinte acima qualificada Em análise da compensação intentada, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC decidiu não homologála em razão de que o valor recolhido via DARF, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 12 45 /2 01 1- 49 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10925.901245/201149 Acórdão n.º 3301003.473 S3C3T1 Fl. 3 2 indicado como fonte do crédito contra a Fazenda Nacional, já havia sido integralmente utilizado para o pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos valores informados no PER/DCOMP. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, na qual defende, inicialmente, que os débitos exigidos não compensados devem ficar com a exigibilidade suspensa em razão da apresentação da manifestação de inconformidade. Quanto ao mérito, a contribuinte alega, em síntese, que apurou créditos, passíveis de compensação, oriundos do recolhimento indevido de tributos, uma vez reconhecido seu direito de recolher as contribuições – PIS e Cofins – nos moldes previstos no artigo 3º, §2º, inciso III, da Lei nº 9.718/98. A DRJ em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 07030.871. O fundamento adotado foi o de que, quando a compensação declarada pelo sujeito passivo está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, em que alega o seguinte: a) que o débito, cuja compensação não foi homologada, deve permanecer com a exigibilidade suspensa, em razão da apresentação do recurso voluntário; b) que não há dispositivo legal que vede a compensação de tributos, nos casos em que a DCTF retificadora, em que foi demonstrada a existência do pagamento indevido, tenha sido apresentada após a transmissão da Declaração de Compensação (DCOMP); e c) que a multa de ofício de 150% cobrada da Recorrente não se aplica a compensações indevidas e que não poderia ser superior a 20%, além de afrontar os princípios da proporcionalidade e finalidade dos atos da administração pública e a própria Consituição Federal, em razão de seu caráter confiscatório. Em relação à alegação mencionada na letra "c", cumpre destacar que o débito, cuja compensação não foi homologada, está sendo cobrado, acrescido de multa de mora de 20% e não de multa de ofício de 150%, além de juros Selic. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.444, de Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10925.901245/201149 Acórdão n.º 3301003.473 S3C3T1 Fl. 4 3 27 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10925.901334/201276, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.444): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Tratase de Despacho Decisório que não homologou compensação pleiteada por meio de DCOMP, em razão de o alegado pagamento a maior não constar nos registros da Receita Federal do Brasil (RFB). Nos autos, encontramse a DCOMP, o Despacho Decisório e extratos da RFB, contendo detalhamento da compensação e histórico da transmissão da DCOMP. Não há cópias de Declarações de Débitos e Créditos Federais Tributários Federais (DCTF). Na manifestação de inconformidade, a Recorrente informou que efetuara pagamentos a maior e apresentou as bases legais que dariam suporte à compensação. Nada dispôs sobre a DCTF original, na qual teria sido incluído o DARF indicado na DCOMP como fonte do crédito (pagamento a maior), e tampouco se fora retificada. Também não carreou aos autos cópias de DCTF. A DRJ (fls. 37 a 40) ratificou o Despacho Decisório, sob a alegação de que na data da protocolização da DCOMP, a DCTF que constava no banco de dados da RFB não indicava a existência de crédito, consistente em pagamento a maior de tributo. E que uma DCTF retificadora somente pode suportar uma compensação, cuja DCOMP tenha sido apresentada na mesma data ou posteriormente. No recurso voluntário, foram apresentados os seguintes argumentos para sustentar a compensação: a) que o débito cuja compensação não foi homologada deve permanecer com a exigibilidade suspensa, em razão de apresentação do recurso voluntário; b) que não há dispositivo legal que vede a compensação de tributos, nos casos em que a DCTF retificadora, em que foi demonstrada a existência do pagamento indevido, tenha sido apresentada após a transmissão da Declaração de Compensação (DCOMP); e c) que a multa de ofício de 150% cobrada da Recorrente não se aplica a compensações indevidas e que não poderia ser superior a 20%, além de afrontar os princípios da proporcionalidade e finalidade dos atos da administração pública e a própria Constituição Federal, em razão de seu caráter confiscatório. Em relação à letra "a", nada há que se falar, pois nenhuma controvérsia há sobre a questão: o inc. III do art. 151 da Lei n° 5.172/66 (Código tributário Nacional CTN) dispõe que a apresentação de recurso, nos termos das normas que regulam o processo administrativo, suspende a exigibilidade do crédito tributário. O disposto na letra "c" também não merece comentários, haja vista que não houve lançamento de ofício e, por conseguinte, multa dele derivada. O débito originalmente compensado com o crédito não comprovado está sendo cobrado com o acréscimo de multa de mora de 20% e juros Selic. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10925.901245/201149 Acórdão n.º 3301003.473 S3C3T1 Fl. 5 4 Finalmente, sobre o tema central, a adequação ou não da compensação realizada, parcialmente tratada pela Recorrente na letra "b", voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Não resta dúvida acerca da possibilidade legal defendida pela Recorrente de compensar tributos pagos a maior com débitos tributários. Também não me oporia a legitimar a compensação pretendida, pelo simples fato de que a DCTF retificadora, com indicação do pagamento a maior, tivesse sido apresentada após a protocolização da DCOMP, desde que restasse comprovado que o crédito tributário já existia à época da liquidação do débito tributário. Com efeito, regra geral, a compensação é possível até mesmo se o crédito tiver surgido após o vencimento do débito, desde que a este sejam acrescidos os devidos encargos moratórios. Porém, no caso em tela, não se encontram os elementos probatórios essenciais à confirmação do crédito, quais sejam: a DCTF retificadora propriamente dita e a demonstração do cálculo do débito e sua comparação com o DARF pago, indicando o pagamento a maior. Temos apenas as alegações da Recorrente de que retificara a DCTF e que detinha o crédito. Alegações, contudo, desacompanhadas das devidas comprovações. Desta forma, não me resta alternativa que não a de negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não se encontram os elementos probatórios essenciais à confirmação do crédito, quais sejam: a DCTF retificadora propriamente dita e a demonstração do cálculo do débito e sua comparação com o DARF pago, indicando o pagamento a maior. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 65DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.723814/2014-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
DIRPF. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA/RIR 1999.
Todas as deduções na base de cálculo do imposto previstas pela legislação estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°).
DESPESAS MÉDICAS.
Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a despesas médicas efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea. (Lei nº 9.250/1995, art. 8º, inc. II, § 2º).
O recibo emitido por profissional da área de saúde, com observação das exigências estipuladas no artigo 80 do Regulamento do Imposto de Renda - RIR/1999, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, via de regra faz prova da despesa pleiteada como dedução na declaração de ajuste anual do imposto de renda, salvo quando, a juízo da Autoridade Lançadora, haja razões para que se apresentem documentos complementares, como dispõe o artigo 73 do mesmo Decreto.
A fiscalização pode exigir a comprovação do efetivo pagamento da despesa e, não o fazendo, o contribuinte fica sujeito à glosa da dedução.
Numero da decisão: 2202-003.922
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente
(assinado digitalmente)
Cecilia Dutra Pillar - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: CECILIA DUTRA PILLAR
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DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA/RIR 1999. Todas as deduções na base de cálculo do imposto previstas pela legislação estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). DESPESAS MÉDICAS. Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a despesas médicas efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea. (Lei nº 9.250/1995, art. 8º, inc. II, § 2º). 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 38 14 /2 01 4- 33 Fl. 118DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas (fls. 67/73), decorrente de revisão da Declaração de Ajuste Anual do IRPF do exercício de 2012, ano calendário de 2011, em que foram glosados valores indevidamente deduzidos a título de dependentes (falta de comprovação de que a filha Laura Lyrio Gonçalves é universitária) e de despesas médicas relativas a tratamento da filha Laura e do próprio declarante, informadas como pagas a: 1) Flávia Lyrio Gonçalves (fonoaudióloga), no valor de R$ 7.600,00, tendo como beneficiário do tratamento o declarante; 2) Daniela Lyrio Gonçalves (fisioterapeuta), no valor de R$ 5.600,00, tendo como beneficiário do tratamento o declarante; 3) Flávia Lyrio Gonçalves, no valor de R$ 5.703,00, tendo como beneficiária do tratamento Laura Lyrio Gonçalves e, 4) Daniela Lyrio Gonçalves, no valor de R$ 3.580,00, tendo como beneficiária do tratamento Laura Lyrio Gonçalves. A Notificação de Lançamento assim fundamenta estas glosas: Os comprovantes de transferências bancárias apresentados possuem valores completamente divergentes em relação aos recibos apresentados. Dessa forma, não é possível concluir que as transferências se referem aos pagamentos dos serviços prestados. Além disso, no caso das despesas médicas da dependente, a glosa foi efetuada também porque a dependente foi glosada. Foi apresentada impugnação tempestiva e parcial, tendo o interessado acolhido as glosas com relação à dependente e respectivas despesas médicas e contestado a não aceitação dos pagamentos referentes aos recibos de R$ 13.200,00, justificando que a falta de coincidência dos valores e datas dos recibos com as transferências bancárias, deveuse a acordo de pagamentos com as profissionais em consequência de sua precária situação financeira à época, pois discutia na Justiça do Trabalho, processo que veio a ser encerrado em agosto de 2012. A 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG), julgou improcedente a impugnação, conforme acórdão de fls. 84/87, Fl. 119DF CARF MF Processo nº 13888.723814/201433 Acórdão n.º 2202003.922 S2C2T2 Fl. 119 3 mantendo a glosa das despesas médicas haja vista que o interessado não demonstrou que os serviços foram realizados e que por eles pagou o valor de R$ 13.200,00 no ano calendário de 2011. No corpo da decisão consta: Analisando a documentação apresentada pelo impugnante, verificase que não há conciliação entre os valores e as datas constantes dos recibos e os valores e datas referentes às transferências bancárias constantes destes autos. Quanto aos argumentos do interessado em relação a essas “divergências”, nada foi apresentado para corroborálos. Oportuno citar que, em pesquisas efetuados nos sistemas informatizados da RFB, constatouse que Flávia Lyrio Gonçalves e Daniela Lyrio Gonçalves são filhas de Irany Lyrio Gonçalves, CPF 006.376.99807, que foi informada na DAA do contribuinte como sua esposa. Acrescentese que consta também desses sistemas que Flávia e Daniela informaram residir no mesmo endereço do contribuinte (Rua Mário Loredello, 101, apt. 121, Vila Monteiro, Piracicaba/SP). Cabe salientar que o endereço de Flávia e de Daniela não foi informado nos recibos apresentados. Cientificado dessa decisão por via postal em 23/06/2015 (A.R. de fls. 92), o interessado interpôs Recurso Voluntário em 13/07/2015 (fls. 94), insurgindose contra a afirmação da decisão recorrida de que as profissionais residem no mesmo endereço do declarante, dizendo estar anexando comprovantes de residência e endereços das clínicas onde foi atendido. Diz juntar laudo médico que comprova estar acometido de um problema de divertículo faringoesofágico desde 2009. Faz conjecturações de cunho pessoal. Anexou às fls. 103/106, faturas da empresa NET Serviços de Comunicação S/A e da empresa Telefônica Brasil S/A, em nome da Dra. Daniela, para provar o endereço; às fls. 107/108, laudos de exames endoscópicos realizados em 03/09/2014, com conclusão: "Tratase de paciente portador de divertículo faringoesofágico (Zenker) e gastrite leve" e em 01/10/2014, com a conclusão: "divertículo de Zenker, realizada a diverticulotomia endoscópica"; às fls. 109, fotos de prontuário e de cartão de apresentação da Dra. Flávia. É o Relatório. Voto Conselheira Cecilia Dutra Pillar Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais formalidades legais, portanto dele conheço. O presente recurso resumese à controvérsia acerca da não aceitação de comprovantes de despesas médicas no valor de R$ 13.200,00. A autoridade lançadora motivou as glosas das despesas médicas na falta de comprovação dos efetivos desembolsos dos pagamentos, uma vez que as transferências bancárias apresentadas não guardam coincidência de datas e valores com os recibos médicos. Fl. 120DF CARF MF 4 O contribuinte juntou à sua impugnação doze recibos médicos de cada profissional (24 no total) e os comprovantes de depósitos/transferências bancárias realizados ao longo do ano de 2011 àquelas profissionais. Em sua decisão, a DRJ não aceitou as despesas pois o interessado nada comprova com relação à acusação fiscal de não haver conciliação entre os valores e as datas dos recibos e das transferências bancárias apresentadas. Traz ainda novo fato qual seja: que em consulta aos sistemas informatizados da RFB foi constatado que Flávia Lyrio Gonçalves e Daniela Lyrio Gonçalves são filhas do declarante, informaram à RFB que residem no mesmo endereço do contribuinte e também que nos recibos apresentados não foi informado o endereço de nenhuma das profissionais. Concluiu pela manutenção da glosa por não restar demonstrado que os serviços foram realizados e que tenha havido o efetivo pagamento. O recurso do interessado se resumiu o informar que as profissionais trabalham em consultórios instalados em endereços diversos e que foi diagnosticado com divertículo faringoesofágico, anexando documentos referentes a exame e procedimento médico realizados em 2014 que não comprovam a necessidade ou indicação de tratamento fonoaudiológico e fisioterápico no ano de 2011. Nada alega com relação à falta de comprovação do efetivo desembolso dos pagamentos. Entendo que, em sede de julgamento da impugnação, descabem novas exigências. No caso, ao trazer novos argumentos para manter as glosas, apontando inclusive falhas nos comprovantes de pagamento não levantadas pela fiscalização (autoridade responsável pela lavratura da Notificação de lançamento), a autoridade julgadora extrapolou de suas competências. Ao levantar dúvidas a respeito dos comprovantes apresentados, a autoridade julgadora, se entendesse necessária a confirmação por meio de cruzamento complementar de informações, exames ou qualquer outro elemento a corroborar a necessidade e efetividade dos serviços prestados pelos profissionais, poderia ter requerido à Autoridade Fiscal que, em procedimento de diligência, intimasse o declarante a apresentálos, mas isso não correu. Assim, neste ponto, a decisão de primeira instância careceu de motivação. Atendome exclusivamente à controvérsia, no que diz respeito à falta de comprovação dos efetivos pagamentos das despesas, o interessado nada argumenta nem comprova em sede de recurso, motivo pelo qual devem ser mantidas as glosas. Assim, pela falta de efetividade da comprovação da despesa, nos termos exigidos pela Autoridade Fiscal, entendo que deva ser mantida a glosa efetuada. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Relatora Fl. 121DF CARF MF Processo nº 13888.723814/201433 Acórdão n.º 2202003.922 S2C2T2 Fl. 120 5 Fl. 122DF CARF MF
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