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Numero do processo: 11610.020648/2002-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2002 a 31/08/2002
DIREITO CREDITÓRIO. RECONHECIMENTO. ÔNUS DA PROVA.
Nos pedidos de compensação de tributos é do contribuinte o ônus de provar os fatos constitutivos do direito creditório pleiteado. Prescrição contida no artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, aplicado supletivamente ao PAF (Decreto No. 70.235/72).
O contribuinte deve demonstrar, clara e objetivamente, com base em provas, suas alegações de modo a evidenciar e corroborar o direito pretendido e não tentar transferir ao Fisco este ônus processual. Atribuir à fiscalização este dever é subverter as atribuições das partes na relação processual. Não cabe ao Fisco, e muito menos às instâncias julgadoras, suprir deficiências probatórias da parte autora.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação, nos termos do que dispõe o artigo 170 do Código Tributário Nacional.
APLICAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS.
Não cabe a órgão administrativo apreciar arguição de inconstitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Súmula CARF nº 02.
Numero da decisão: 3202-001.621
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso; na parte conhecida, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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COMPENSAÇÃO Recorrente CONSTRUDECOR S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2002 a 31/08/2002 DIREITO CREDITÓRIO. RECONHECIMENTO. ÔNUS DA PROVA. Nos pedidos de compensação de tributos é do contribuinte o ônus de provar os fatos constitutivos do direito creditório pleiteado. Prescrição contida no artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, aplicado supletivamente ao PAF (Decreto No. 70.235/72). O contribuinte deve demonstrar, clara e objetivamente, com base em provas, suas alegações de modo a evidenciar e corroborar o direito pretendido e não tentar transferir ao Fisco este ônus processual. Atribuir à fiscalização este dever é subverter as atribuições das partes na relação processual. Não cabe ao Fisco, e muito menos às instâncias julgadoras, suprir deficiências probatórias da parte autora. COMPENSAÇÃO. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 02 06 48 /2 00 2- 19 Fl. 180DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11610.020648/200219 Acórdão n.º 3202001.621 S3C2T2 Fl. 181 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso; na parte conhecida, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama. Relatório O presente processo trata de declaração de compensação, protocolizada em 14/11/2002, onde o contribuinte pretende compensar valores da Cofins supostamente pagos a maior ou indevidamente no período de apuração julho/2002 e agosto/2002, no montante de R$ 152.033,06, com débitos da mesma contribuição devidas no mês de setembro/2002 (efolhas 1/79). Para elucidar os fatos ocorridos transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Relatório 4. Trata o presente processo de declarações de compensação, no qual o interessado pretende compensar créditos referentes aos períodos de apuração 07/2002 e 08/2002 da COFINS, que teriam sido recolhidos indevidamente. 5. Diante das lacunas identificadas na instrução processual, a Autoridade Fiscal intimou o contribuinte para que fossem apresentados os seguintes elementos, fls. 29/30: a) Planilha demonstrativa da origem do crédito vinculado à compensação pretendida, assinada pelo representante legal da empresa; b) Cópias autenticadas dos livros fiscais, destacando a escrituração dos lançamentos vinculados aos créditos colimados; c) Declaração do contabilista responsável, estabelecendo que os lançamentos contábeis efetuados no livro Razão representam fielmente os efetuados no livro Diário. 6. Como resposta, foram anexados ao processo os documentos de fls. 32/36, quais sejam: a declaração requerida no item "c" da intimação; o demonstrativo de crédito tributário e cópias autenticadas do livro Razão, fls. 34/36. Em 04/12/2006, o sujeito passivo foi intimado a apresentar a fundamentação legal, a base de cálculo e alíquota utilizados no cálculo do pretenso crédito da COFINS, que, em tese, teria sido recolhido a maior ou indevidamente, fl. 37. Findo o prazo da intimação, o requerente se manteve inerte, o que ocasionou a não homologação da declaração de compensação, por meio do despacho decisório de fls. 40/42; 7. Inconformado com despacho decisório que não homologou sua declaração de compensação, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade (fls. 44/49), no qual argumenta, em síntese, que: Fl. 181DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11610.020648/200219 Acórdão n.º 3202001.621 S3C2T2 Fl. 182 3 7.1. 0 despacho decisório está incorreto, pois a autoridade a quo mencionou, na parte superior das fls. 02/03, um número de processo diferente do processo ora analisado e foi conferido o direito à apresentação de recurso à Delegacia de Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, quando o certo seria para a Delegacia de Receita de Julgamento São Paulo I. 8. 0 prazo de apresentação dos documentos se encerrava no dia 11/12/2006 e não em 10/12/2006, como mencionado no item 05 do despacho decisório. Afirma ter se apresentado na Repartição Fiscal dia 12/12/2002, quando foi informado que havia expirado o seu prazo e que só restava a espera pela decisão. 9. Terminou a petição requerendo que seja integralmente anulado o despacho decisório objeto da manifestação, com abertura de novo prazo para apresentação de documentos. 10. É o relatório.. A 6ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo proferiu o Acórdão nº 1613.534, em 21 de maio de 2007 (efolhas nº 112/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2002 a 31/08/2002 COFINS Declaração de Compensação. NULIDADE As argüições de nulidade só prevalecem se enquadradas nas hipóteses previstas na lei. IMPUGNAÇÃO A peça recursal deve estar acompanhada da documentação que sustente a tese defendida. Solicitação Indeferida A interessada regularmente cientificada do Acórdão proferido, em 16/08/2007 (efolhas 120/121), interpôs Recurso Voluntário em 17/09/2007 (efls. 122/ss), onde repisa os argumentos trazidos na impugnação. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Em preliminares a Recorrente alega que houve violação ao “princípio da instrumentalidade”, em razão de as intimações nº 890/2007 e 1314/2007 terem se referido ao processo nº 13811.001342/200214 e não ao processo nº 11610.020648/200219, de modo que tal fato teria gerado “transtorno” ao Recorrente, que “não estava segura do que realmente se tratava”. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11610.020648/200219 Acórdão n.º 3202001.621 S3C2T2 Fl. 183 4 A preliminar suscitada não merece ser acolhida. Não houve cerceamento do direito de defesa da Recorrente, que o exerceu em sua plenitude. O mero erro de digitação dos números dos processos em nada obstaculizou o conhecimento dos fatos pela Recorrente. Ela tomou ciência do inteiro teor das citadas intimações, que foram devidamente encaminhadas ao seu domicílio fiscal. Ademais, os documentos necessários à comprovação do suposto direito de compensação pleiteado pela Recorrente foram solicitados através dos Termos de Intimação Fiscal nº 280/2006 (efl. 60/64) e nº 411/2006 (efl. 76/78), que não contém qualquer irregularidade, os quais não foram atendidos a contento. No mérito, como relatado, a decisão recorrida indeferiu a declaração de compensação solicitada em decorrência da ausência de certeza e liquidez do suposto crédito reclamado, pelo fato da Recorrente não ter apresentado os documentos probantes de seu direito, quando regularmente intimada para fazêlo por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 411/2006, conforme trecho do voto vencedor abaixo transcrito: Voltando ao processo, na manifestação de inconformidade, não foi aduzido nenhum elemento probatório que comprovasse, de forma peremptória, o comparecimento do requerente repartição fiscal, no dia por ele mencionado, para sanear as lacunas processuais. Desta forma, não vejo razões para reformar a decisão da Autoridade Preparadora, tendo em vista que o despacho decisório foi proferido por autoridade competente, não foi prejudicado o direito a ampla defesa e não ficou comprovado o atendimento, mesmo que intempestivo, da intimação n°411/2006 de fl. 37. A ausência de elementos probantes para demonstrar os créditos pleiteados também já havia sido declinada no Despacho Decisório (efolha 2), verbis: 2. O requerente instrui o pedido com a documentação, que se compõe basicamente da declaração de compensação (fl. 01), do RG e CPF do diretor (fl. 03), da ata de reunião do conselho de administração (fl. 04) e da ata da assembleia geral extraordinária (fls. 09 a 26). 3. Em 10/10/06 o contribuinte foi intimado (fls. 29 a 30) a apresentar documentos solicitados no prazo de 20 dias, tendo recebido a intimação desta equipe em 03/11/06 (fl. 31). Os documentos apresentados, anexados às fls. 32 a 36, não comprovaram a origem do crédito de Cofins alegado pelo contribuinte. 4. Devido à insuficiência de informações, o contribuinte foi reintimado (fl. 37) em 27/11/06, tendo recebido a intimação desta equipe em 04/12/06 (fl. 38). Ao contribuinte foi oferecido um prazo de 07 dias para a apresentação dos documentos solicitados, e lhe foi dado ciência que o seu não cumprimento implicaria no indeferimento do presente processo conforme art. 40 da Lei no 9.784, de 29 de Janeiro de 1999: (...) 5. O prazo para a apresentação dos documentos expirouse em 10.12.2006, sem que o contribuinte se manifestasse. O não cumprimento da intimação prejudicou a análise do processo, (...) Com efeito, compulsandose os autos verificase não existir qualquer elemento probante capaz de demonstrar a existência dos alegados créditos. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11610.020648/200219 Acórdão n.º 3202001.621 S3C2T2 Fl. 184 5 A Recorrente faz extensa explanação quanto a matérias diversas, entretanto, não apresenta elementos probantes necessários e suficientes para demonstrar concretamente os supostos direitos de créditos alegados. Como muito bem destacado no voto condutor da decisão administrativa de primeira instância, a causa de indeferimento do seu pedido de compensação foi insuficiência na comprovação do crédito para compensar com o débito informado, mesmo após ter sido regularmente intimada para fazêlo pela autoridade fiscal (Termo de Intimação Fiscal nº 411/2006 /efl. 76/78). Em nosso ordenamento jurídico, como prescreve o artigo 333, do CPC – Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo tributário, o ônus da prova incumbe ao autor quanto à existência de fato constitutivo de seu direito. Este artigo estabeleceu um regramento, destinado ao julgador, possibilitando que possa tomar uma decisão em desfavor daquela parte que não desempenhou bem a sua função de provar. Em reforço a este dispositivo, o artigo 396 do CPC impõe a exigência da devida instrução do pedido, verbis: Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provarlhe as alegações. No mesmo sentido, o artigo 28 do Decreto nº 7.574/2011 (que regulamenta o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União) informa caber ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A Recorrente deveria comprovar suas alegações, com base em documentos e livros fiscais, de modo a evidenciar e corroborar o direito pretendido e não tentar transferir ao Fisco o dever de comprovar as suas alegações (da Recorrente). Atribuir ao Fisco este dever é subverter as atribuições das partes na relação processual. Não cabe ao Fisco, e muito menos às instâncias julgadoras, suprir deficiências probatórias da parte/autora. Quanto às alegações de inconstitucionalidade e de ofensa a princípio constitucionais, entendo que o Contencioso Administrativo não é a instância competente para a discussão destas matérias. Nesta esfera se faz o controle da legalidade na aplicação da legislação tributária aos casos concretos, sem adentrar no mérito de eventuais inconstitucionalidades de leis regularmente editadas segundo o processo legislativo, tarefa essa reservada constitucionalmente ao Poder Judiciário (artigo 102 da CF/88). Este Colegiado pode reconhecer apenas inconstitucionalidades já declaradas, definitivamente, pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal, ou nas demais situações expressamente previstas nos termos do art. 26A do Decreto nº 70.235/1972, com a redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.941/2009, condições que não se apresentam no presente caso. Neste sentido, inclusive, foi aprovada a Súmula CARF nº 02, verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Destarte, em face da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, nos termos do artigo 170/CTN, conheceuse em parte do recurso; na parte conhecida, rejeitouse a preliminar suscitada e, no mérito, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11610.020648/200219 Acórdão n.º 3202001.621 S3C2T2 Fl. 185 6 Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 185DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10909.001104/2007-46
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DE ALÍQUOTAS VIGENTES A ÉPOCA EM QUE OS VALORES DEVERIAM TER SIDO ADIMPLIDOS,
O RE 614.406/RS, julgado sob o rito do art. 543-B do CPC, consolidou o entendimento de que a aplicação irrestrita do regime previsto na norma do art. 12 da Lei nº 7.713/88 implica em tratamento desigual aos contribuintes. Assim, ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas, o dimensionamento da obrigação tributária deve observar o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anos-calendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade. O art. 62-A do Regimento Interno do CARF torna obrigatória a aplicação deste entendimento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-004.039
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Eivanice Canario da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: Relator
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RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DE ALÍQUOTAS VIGENTES A ÉPOCA EM QUE OS VALORES DEVERIAM TER SIDO ADIMPLIDOS, O RE 614.406/RS, julgado sob o rito do art. 543B do CPC, consolidou o entendimento de que a aplicação irrestrita do regime previsto na norma do art. 12 da Lei nº 7.713/88 implica em tratamento desigual aos contribuintes. Assim, ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas, o dimensionamento da obrigação tributária deve observar o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anoscalendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade. O art. 62A do Regimento Interno do CARF torna obrigatória a aplicação deste entendimento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 11 04 /2 00 7- 46 Fl. 652DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/03/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10909.001104/200746 Acórdão n.º 2801004.039 S2TE01 Fl. 653 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Eivanice Canario da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Inicialmente, do julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), fls. 106/114, destaco a ementa do acórdão recorrido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DECISÃO JUDICIAL. FATO GERADOR. REGIME DE CAIXA. A tributação das pessoas físicas obedece ao regime de caixa, razão pela qual os rendimentos recebidos acumuladamente, referentes a anos anteriores e recebidos por força de decisão judicial, devem ser oferecidos à tributação quando da ocorrência do fato gerador, ou seja, da efetiva percepção. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. JUROS E ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. DECISÃO JUDICIAL. O imposto sobre a renda, no caso de rendimentos recebidos acumuladamente, incide inclusive sobre juros e atualização monetária, não se confundindo a espécie presente nos autos com "juros e indenizações por lucros cessantes". ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e judiciais não constituem normas gerais, não podendo seus julgados serem aproveitados em qualquer outra ocorrência, senão naquela objeto da decisão. Lançamento Procedente Fl. 653DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/03/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10909.001104/200746 Acórdão n.º 2801004.039 S2TE01 Fl. 654 3 Ainda, em sede de Recurso nesse Conselho, foi proferida Resolução, para realização de diligência (fls. 136/141), onde extraímos: 2) Além disso, tratandose de rendimento acumulado, determino, ainda, que a autoridade preparadora tome as providências necessárias para refazer o cálculo do imposto devido pelo recorrente de acordo com as disposições do Parecer PGFN/CRJ7N2 287, de 10 de fevereiro de 2009. O novo cálculo do crédito tributário devido deverá ser demonstrado em relatório circunstanciado, que deve ser cientificado ao recorrente, para que se manifeste, se assim o desejar, no prazo de 30 dias. Por fim, após cumpridas as diligências acima requeridas, seja elaborado Relatório Fiscal de Conclusões pela Delegacia da Receita Federal de origem deste processo e, em seguida, retornem os autos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para análise e julgamento. Quando os autos retornaram ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, foi sobrestado o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§1º e 2º do Regimento do CARF, conforme Resolução de fls. 647/649, tendo em vista que a constitucionalidade da regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC. Com a revogação dos §§1º e 2º do art. 62A do Regimento do CARF, conforme Portaria nº 545 de 18 de novembro de 2013, publicada no DOU de 20 de novembro de 2013, o recurso voluntário foi incluído em pauta para julgamento. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o Relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Cingese o litígio ao lançamento de omissão de rendimentos recebidos acumuladamente a título de benefício previdenciário em decorrência de ação judicial, cuja tributação ocorreu sob a regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. A constitucionalidade da utilização do art. 12 da Lei nº 7.713/88 para a cobrança do IRPF incidente sobre rendimentos recebidos de forma acumulada – através da aplicação da alíquota vigente no momento do pagamento sobre o total recebido – teve sua repercussão geral admitida pelo STF no âmbito do RE nº 614.406/RS. Fl. 654DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/03/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10909.001104/200746 Acórdão n.º 2801004.039 S2TE01 Fl. 655 4 O julgamento do referido Recurso Extraordinário (transitado em julgado em 09/12/2014) manteve a declaração de inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88 reconhecida pelo TRF da 4ª Região. A decisão foi assentada no fundamento de que ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas (nascimento da obrigação tributária), é necessário, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, que o dimensionamento da obrigação tributária observe o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anoscalendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, e não o foram. O julgamento recebeu a seguinte ementa: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos.(RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27112014) O entendimento da Suprema Corte, em sede de repercussão geral, é de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, conforme disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, assim descrito: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, considerando que o lançamento foi amparado na interpretação jurídica do art. 12 da Lei nº 7.713/88 que foi declarado inconstitucional pelo STF, é de se reconhecer que houve um vício material no lançamento, que utilizou bases de cálculo, alíquotas e fundamentos legais distintos daqueles que deveriam ter utilizados, de acordo com o Supremo Tribunal Federal. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 655DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/03/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10909.001104/200746 Acórdão n.º 2801004.039 S2TE01 Fl. 656 5 Fl. 656DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/03/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 12898.001992/2009-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. VERIFICAÇÃO DE PAGAMENTO. DECADÊNCIA.
Em face da decisão contida no REsp nº 973.333-SC, decidido na sistemática dos recursos repetitivos, verificada a existência de pagamentos para os correspondentes tributos/períodos, o prazo decadencial para o lançamento de ofício é contado a partir da data da ocorrência dos respectivos fatos geradores.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 1102-001.294
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Jackson Mitsui, Marcelo Baeta Ippolito e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. VERIFICAÇÃO DE PAGAMENTO. DECADÊNCIA. Em face da decisão contida no REsp nº 973.333-SC, decidido na sistemática dos recursos repetitivos, verificada a existência de pagamentos para os correspondentes tributos/períodos, o prazo decadencial para o lançamento de ofício é contado a partir da data da ocorrência dos respectivos fatos geradores. Recurso de Ofício Negado
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Reflexos. Decadência. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado NZA TRANSPORTES LTDA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. VERIFICAÇÃO DE PAGAMENTO. DECADÊNCIA. Em face da decisão contida no REsp nº 973.333SC, decidido na sistemática dos recursos repetitivos, verificada a existência de pagamentos para os correspondentes tributos/períodos, o prazo decadencial para o lançamento de ofício é contado a partir da data da ocorrência dos respectivos fatos geradores. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 19 92 /2 00 9- 61 Fl. 403DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 12898.001992/200961 Acórdão n.º 1102001.294 S1C1T2 Fl. 404 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Jackson Mitsui, Marcelo Baeta Ippolito e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Inicialmente, esclareço que todas as indicações de folhas inseridas neste relatório e no subsequente voto dizem respeito à numeração do processo em papel que foi digitalizado para o sistema eProcesso. Tratase de recurso de ofício contra acórdão proferido pela DRJ/Rio de Janeiro I que concluiu pela procedência parcial dos lançamentos efetuados. Os créditos tributários lançados, no âmbito da Defis/RJ, referentes ao IRPJ e reflexos, devidos no período de apuração correspondente ao anocalendário de 2004, totalizaram o valor de R$ 5.670.432,51. A autuação promoveu o arbitramento do lucro considerando a omissão de receitas com base em depósitos bancários não comprovados e as receitas declaradas de prestação de serviços. A multa de ofício aplicada foi de 75%. A ciência da autuação, conforme indicado no AR (fls. 213), deuse em 30/10/2009. Motivada pela constatação de decadência, a 15ª Turma da já referida DRJ/Rio de Janeiro I, proferiu o Acórdão nº 12039.639, de 18 de agosto de 2011, por meio do qual exonerou parte dos créditos tributários lançados nos seguintes termos: c) Pelo voto de qualidade, JULGAR PROCEDENTE, EM PARTE, o lançamento relativo ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, cancelando, de oficio, a parcela da exigência relativa ao 1° trimestre de 2004, por se tratar de período alcançado pela decadência Vencidos os julgadores Ricardo Araújo de Oliveira e Elizeu da Silva Marinho, que afastavam a exigência também em relação ao 2° e 3° trimestres de 2004, por entenderem tratarse de períodos de apuração igualmente atingidos pela decadência; d) Pelo voto de qualidade, JULGAR PROCEDENTE, EM PARTE, o lançamento relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL, cancelando, de oficio, a parcela da exigência relativa ao 1° trimestre de 2004, por se tratar de período alcançado pela decadência Vencidos os julgadores Ricardo Araújo de Oliveira e Elizeu da Silva Marinho, que afastavam a exigência também em relação ao 2° e 3° trimestres de 2004, por entenderem tratarse de períodos de apuração igualmente atingidos pela decadência; e) Pelo voto de qualidade, JULGAR PROCEDENTE, EM PARTE, o lançamento relativo à Contribuição para o PIS/PASEP, cancelando, de oficio, a parcela da exigência relativa aos meses de janeiro a agosto de 2004, por se tratar de períodos alcançados pela decadência Vencidos os julgadores Ricardo Araújo de Oliveira Fl. 404DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 12898.001992/200961 Acórdão n.º 1102001.294 S1C1T2 Fl. 405 3 e Elizeu da Silva Marinho, que afastavam a exigência também em relação ao mês de setembro de 2004, por entenderem tratarse de período de apuração igualmente atingido pela decadência; f) Pelo voto de qualidade, JULGAR PROCEDENTE, EM PARTE, o lançamento relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, cancelando, de oficio, a parcela da exigência relativa aos meses de janeiro a junho, bem assim agosto de 2004, por se tratar de períodos alcançados pela decadência Vencidos os julgadores Ricardo Ara* de Oliveira e Elizeu da Silva Marinho, que afastavam a exigência também em relação ao meses de julho e setembro de 2004, por entenderem tratarse de períodos de apuração igualmente atingidos pela decadência. No que interessa, assim figurou a ementa do referido julgado: DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Na modalidade de lançamento por homologação, em que o sujeito passivo antecipa o recolhimento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese no prazo de cinco anos, a contar da data de ocorrência do fato gerador. O voto condutor da decisão recorrida suscitou a decadência de ofício para os tributos e períodos acima referidos com base na constatação da seguinte situação relativa aos pagamentos: Tributo P.A. Pagamento (R$) Data Confirmação 1º Trim 2004 18.590,88 30/04/2004 Fls. 307 e 308 2º Trim 2004 Não localizado 3º Trim 2004 Não localizado IRPJ 4º Trim 2004 Não localizado Tributo P.A. Pagamento (R$) Data Confirmação 1º Trim 2004 11.154,53 30/04/2004 Fls. 309 e 310 2º Trim 2004 Não localizado 3º Trim 2004 Não localizado CSLL 4º Trim 2004 Não localizado Fl. 405DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 12898.001992/200961 Acórdão n.º 1102001.294 S1C1T2 Fl. 406 4 Tributo P.A. Pagamento (R$) Data Confirmação 01/2004 979,13 13/02/2004 Fls. 311 e 313 02/2004 228,72 18/03/2004 Fls. 311 e 314 03/2004 2.078,90 15/04/2004 Fls. 311 e 315 04/2004 1.047,47 19/05/2004 Fls. 311 e 316 05/2004 550,88 15/06/2004 Fls. 311 e 317 06/2004 431,44 15/07/2004 Fls. 311 e 318 07/2004 229,22 13/08/2004 Fls. 311 e 319 08/2004 174,53 15/09/2004 Fls. 312 e 320 09/2004 Não localizado 10/2004 Não localizado 11/2004 Não localizado PIS 12/2004 Não localizado Tributo P.A. Pagamento (R$) Data Confirmação 01/2004 4.519,05 13/02/2004 Fls. 321 e 323 02/2004 1.055,61 18/03/2004 Fls. 321 e 324 03/2004 9.594,90 15/04/2004 Fls. 321 e 325 04/2004 4.834,49 19/05/2004 Fls. 321 e 326 05/2004 2.542,50 15/06/2004 Fls. 321 e 327 06/2004 1.991,25 15/07/2004 Fls. 321 e 328 07/2004 Não localizado 08/2004 805,50 15/09/2004 Fls. 321 e 329 09/2004 Não localizado 10/2004 Não localizado 11/2004 Não localizado COFINS 12/2004 Não localizado Fl. 406DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 12898.001992/200961 Acórdão n.º 1102001.294 S1C1T2 Fl. 407 5 A interessada não exerceu sua faculdade de apresentar recurso voluntário. É a síntese do necessário. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregório, Relator O valor do crédito tributário exonerado pela decisão de primeira instância supera aquele previsto no artigo 2º da Portaria MF nº 375/2001, com o valor alterado pela Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008 (tributos e encargos de multa superior a R$ 1.000.000,00), motivo pelo qual o recurso de ofício interposto deve ser conhecido. No que concerne ao tema da decadência, a matéria está disciplinada no § 4º do artigo 150 do CTN, verbis: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (grifei) (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifei) Com efeito, entendo que a “atividade” exercida pelo sujeito passivo obrigado a antecipar o pagamento é a característica marcante dessa modalidade de lançamento chamado “por homologação”. Assim, o que se homologa é a atividade concernente à apuração de eventual crédito tributário sujeito à extinção. Independe, portanto, da existência de efetivo pagamento, até porque muita das vezes ele poderá não ser necessário, seja porque não é apurado crédito tributário ou porque existe crédito a favor do sujeito passivo que poderá ser aproveitado numa compensação. Nesse sentido, qualquer que seja o tributo, se ele for sujeito a essa sistemática denominada “lançamento por homologação”, o prazo decadencial de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, para a homologação da atividade de apuração do Fl. 407DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 12898.001992/200961 Acórdão n.º 1102001.294 S1C1T2 Fl. 408 6 crédito tributário efetivada pelo sujeito passivo, corresponderia ao mesmo prazo que dispõe o Fisco para o lançamento de ofício de eventuais diferenças não pagas e/ou declaradas. Porém, constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a ressalva é expressa. Nessa hipótese, a regra do prazo decadencial para o Fisco efetuar o lançamento de ofício deslocase para aquela prevista no artigo 173, I, do CTN, qual seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Confirase: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Para os fatos geradores ocorridos durante um determinado anocalendário, esse prazo inicial é contado a partir de 1º de janeiro do ano seguinte. Contudo, quanto aos fatos geradores ocorridos em 31 de dezembro, o primeiro dia em que o lançamento pode ser efetuado é justamente o dia 1º de janeiro do ano seguinte. Portanto, nesses casos, o prazo inicial passa a ser contado a partir de 1º de janeiro do ano subsequente. No entanto, esse meu entendimento não pode prevalecer neste julgamento. Isso porque o artigo 62A do Anexo II do RICARF dispõe que as decisões proferidas pelo STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, devem ser reproduzidos nos julgamentos do CARF. Vejase seu teor: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. A questão da decadência foi objeto de decisão do STJ, na referida sistemática, no REsp nº 973.333SC, com a relatoria do Ministro Luiz Fux. Foi o seguinte a ementa dessa decisão: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, Fl. 408DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 12898.001992/200961 Acórdão n.º 1102001.294 S1C1T2 Fl. 409 7 DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733 SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) Fl. 409DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 12898.001992/200961 Acórdão n.º 1102001.294 S1C1T2 Fl. 410 8 Portanto, o início do prazo decadencial para o Fisco promover o lançamento de ofício, nos casos de tributos sujeitos à sistemática dos denominados “lançamentos por homologação”, restou assim configurado: 1. Se ocorrer dolo, fraude ou simulação: primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (artigo 173, I, do CTN) 2. Se não ocorrer dolo, fraude ou simulação: a. Se houver pagamento (ou declaração): data da ocorrência do fato gerador (artigo 150, § 4º, do CTN) b. Se não houver pagamento (ou declaração): primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (artigo 173, I, do CTN) Voltando ao presente caso, importa notar que não houve constatação de dolo, fraude ou simulação. Portanto, se tiver havido pagamento do tributo no respectivo período de apuração, devese aplicar ao caso a hipótese do artigo 150, § 4º. Caso contrário, a hipótese a ser aplicada é a do artigo 173, I. Destarte, verifico que a instância a quo afastou o lançamento para os tributos/períodos nos quais apurou ter existido o pagamento. Isso porque, em todos estes casos, a ciência do lançamento, qual seja, em 30/10/2009, ocorreu após o decurso de cinco anos da ocorrência dos respectivos fatos geradores. Para os demais casos, nos quais não localizou o pagamento, manteve o lançamento, eis que a regra a aplicar é a do artigo 173, I, ou seja, o prazo de cinco anos foi obedecido porque é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. Estão corretas, portanto, as exonerações promovidas pela decisão recorrida. Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de negar provimento ao recurso necessário. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 410DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 12898.001992/200961 Acórdão n.º 1102001.294 S1C1T2 Fl. 411 9 Fl. 411DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/02/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME
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Numero do processo: 16327.721743/2011-35
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2006 a 30/11/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. SALÁRIO INDIRETO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. APLICAÇÃO ARTIGO 150, § 4o, DO CTN. SÚMULA CARF No 99. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.
O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos REs nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, aplicou-se o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, eis que restou comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, por tratar-se de salário indireto, tendo a contribuinte efetuado o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal), na esteira da jurisprudência consolidada neste Colegiado, consagrada pela Súmula CARF nº 99, aprovada no Pleno da CSRF, datado de 09/12/2013.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-003.584
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator
EDITADO EM: 11/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Tereza Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2006 a 30/11/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. SALÁRIO INDIRETO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. APLICAÇÃO ARTIGO 150, § 4o, DO CTN. SÚMULA CARF No 99. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos REs nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, aplicou-se o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, eis que restou comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, por tratar-se de salário indireto, tendo a contribuinte efetuado o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal), na esteira da jurisprudência consolidada neste Colegiado, consagrada pela Súmula CARF nº 99, aprovada no Pleno da CSRF, datado de 09/12/2013. Recurso especial negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator EDITADO EM: 11/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Tereza Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2188; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1.579 1 1.578 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16327.721743/201135 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202003.584 – 2ª Turma Sessão de 03 de março de 2015 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS SALÁRIO INDIRETO DECADÊNCIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BANCO DAYCOVAL S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2006 a 30/11/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. SALÁRIO INDIRETO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. APLICAÇÃO ARTIGO 150, § 4o, DO CTN. SÚMULA CARF No 99. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, aplicouse o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, eis que restou comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, por tratarse de salário indireto, tendo a contribuinte efetuado o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal), na esteira da jurisprudência consolidada neste Colegiado, consagrada pela Súmula CARF nº 99, aprovada no Pleno da CSRF, datado de 09/12/2013. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 17 43 /2 01 1- 35 Fl. 1579DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RYCARDO HENRIQUE MAG ALHAES DE OLIVEIRA 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 11/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Tereza Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Relatório BANCO DAYCOVAL S/A, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, teve contra si lavrados lançamentos fiscais, em 20/12/2011 (AR efl. 300), exigindolhe crédito tributário referente às contribuições previdenciárias devidas e não recolhidas pela autuada, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, em relação ao período de 03/2006 a 12/2008, conforme Termo de Verificação Fiscal, às fls. 202/218, e demais documentos que instruem o processo, consubstanciados nos seguintes Autos de Infração: 1) AIOP n° 37.346.3006 – Contribuições Sociais relativas à parte da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho; 2) AIOP n° 37.346.3014 – Contribuições Sociais relativas à parte destinada a Terceiros; 3) AIOA n° 37.346.2999 – Auto de Infração Código 68 – Multa por descumprimento de obrigação acessória, aplicada nos termos do artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, por ter apresentado GFIP’s com omissões e/ou incorreções correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias; De conformidade com o Termo de Verificação Fiscal, as remunerações a segurados empregados consistiram de créditos em cartões emitidos por empresas contratadas para prestação de serviços de marketing de incentivo. Os valores foram obtidos com base nas notas fiscais emitidas pelas prestadoras de serviço, de onde apurouse o total líquido repassado aos segurados correspondente a diferença entre o total da fatura e os custos do serviço prestado. Quanto aos contribuintes individuais, as bases apuradas corresponderam à diferença entre os pagamentos constantes das Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF e as remunerações declaradas nas GFIP. Fl. 1580DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RYCARDO HENRIQUE MAG ALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 16327.721743/201135 Acórdão n.º 9202003.584 CSRFT2 Fl. 1.580 3 Após regular processamento, interposto recurso voluntário à Segunda Seção de Julgamento do CARF contra decisão da 14a Turma da DRJ em São Paulo/SP I, Acórdão n° 1638.656/2012, às efls. 1.252/1.279, que julgou procedentes os lançamentos fiscais em referência, a egrégia 1ª Turma Ordinária da 4a Câmara, em 17/04/2013, por maioria de votos, achou por bem conhecer do Recurso da contribuinte e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, o fazendo sob a égide dos fundamentos consubstanciados no Acórdão nº 2401002.963, com sua ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2006 a 31/12/2008 PAGAMENTOS DE PRÊMIOS MEDIANTE CARTÕES ELETRÔNICOS DE BÔNUS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Os valores pagos a titulo de prêmio de incentivo à produtividade integram o saláriodecontribuição, pois não se incluem nas hipóteses de isenção contempladas no §9° do art. 28 da Lei 8.212/91. PAGAMENTO DE COMISSÕES A PESSOAS FÍSICAS SEM VÍNCULO DE EMPREGO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. O pagamento de comissões a contribuintes individuais sujeitase a incidência de contribuições sociais. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, após o seu vencimento, está prevista pelos artigos 43 e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2006 a 31/12/2008 PRAZO DECADENCIAL. CONCLUSÃO ACERCA DE ANTECIPAÇÃO DE RECOLHIMENTO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Quando se conclui, com esteio nos elementos constantes dos autos,que houve antecipação de pagamento das contribuições, aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Fl. 1581DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RYCARDO HENRIQUE MAG ALHAES DE OLIVEIRA 4 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/03/2006 a 31/12/2008 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. RELAÇÃO DE VÍNCULOS. A relação apresentada no anexo “Relatório de Vínculos” não tem como escopo incluir os administradores da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, apenas lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da Administração, representantes legais ou não do sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo, sua qualificação e período de atuação. Recurso Voluntário Provido em Parte.” Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às efls. 1.394/1.414, com arrimo no artigo 67 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, alegando ter contrariado entendimento levado a efeito pelas demais Câmaras/Turmas dos Conselhos de Contribuintes/CARF e, bem assim, da Câmara Superior de Recursos Fiscais a respeito das mesmas matérias, conforme se extrai dos Acórdãos nºs 230100.158, 240201.634 (Necessidade antecipação pagamento Decadência), 20177.572, 9202002.012 (ônus da comprovação pagamento), impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovadas as divergências arguidas. Sustenta que a jurisprudência deste Colegiado, corroborada pelo entendimento adotado pelo Superior Tribunal de Justiça, impõe que a aplicação do prazo decadencial inserido no artigo 150, § 4º, do CTN, pressupõe a antecipação de pagamento, ainda que parcialmente, o que deve ser verificado por rubrica e não admitindo o salário como um todo. Contrapõese ao Acórdão recorrido, por entender que o artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, estaria dispondo sobre prazo para o ato de “homologação” de um procedimento do contribuinte, e não sobre o prazo para lançamento. Assevera que inexistindo recolhimento, ou seja, antecipação de pagamento não há o que se homologar, não estando o lançamento de ofício previsto no artigo 150, § 4º, do CTN, mas, sim, no artigo 173, inciso I, daquele Diploma legal, conforme doutrina transcrita na peça recursal. Acrescenta que o ônus de comprovar a existência de eventual pagamento é do contribuinte, nos termos do artigo 16, inciso III, do DecretoLei n° 70.235/72, c/c artigo 333, inciso I, do CPC. E, na falta de demonstração do efetivo recolhimento, aplicase a regra do artigo 173, I do CTN para a análise da decadência, ao contrário do que restou assentado no Acórdão recorrido. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, entendeu por bem admitir em parte o Recurso Especial da Procuradoria, Fl. 1582DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RYCARDO HENRIQUE MAG ALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 16327.721743/201135 Acórdão n.º 9202003.584 CSRFT2 Fl. 1.581 5 somente em relação à necessidade de antecipação de pagamento para decadência, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido divergiu do entendimento consubstanciados nos paradigmas a respeito da mesma matéria, consoante se positiva do Despacho nº 2400644/2013, às efls. 1.456/1.460, ratificado pelo Despacho nº 2400955R/2013, de efls. 1.461. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, a contribuinte apresentou suas contrarrazões, às efls. 1.515/1.522, corroborando os fundamentos de fato e de direito do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção, sobretudo quando inobservados os pressupostos de conhecimento da peça recursal. É o relatório. Fl. 1583DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RYCARDO HENRIQUE MAG ALHAES DE OLIVEIRA 6 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 4ª Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF a divergência suscitada, somente em relação à necessidade de antecipação de pagamento para decadência, conheço do Recurso Especial da Procuradoria e passo à análise das razões recursais. Consoante se positiva dos elementos que instruem o processo, notadamente Termo de Verificação Fiscal, nos presentes autos de infração exigese as contribuições previdenciárias referentes à parte da empresa, do SAT e as destinadas a Terceiros, incidentes sobre a remuneração os segurados empregados e contribuintes individuais, em relação ao período de 03/2006 a 12/2008. Com mais especificidade, as remunerações a segurados empregados consistiram de créditos em cartões emitidos por empresas contratadas para prestação de serviços de marketing de incentivo. Os valores foram obtidos com base nas notas fiscais emitidas pelas prestadoras de serviço, de onde apurouse o total líquido repassado aos segurados correspondente a diferença entre o total da fatura e os custos do serviço prestado. No que tange aos contribuintes individuais, as bases apuradas corresponderam à diferença entre os pagamentos constantes das Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF e as remunerações declaradas nas GFIP. Por sua vez, ao analisar a demanda, a Turma recorrida entendeu por bem decretar a improcedência parcial do feito, acolhendo a decadência de parte do crédito tributário, relativamente às competências anteriores à 11/2006, inclusive, nos termos do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, razão do insurgimento da Procuradoria da Fazenda Nacional. Inconformada, a Procuradoria da Fazenda Nacional opôs o presente Recurso Especial, suscitando que o Acórdão guerreado malferiu entendimento levado a efeito pelas demais Câmaras/Turmas dos Conselhos de Contribuintes/CARF e, bem assim, da Câmara Superior de Recursos Fiscais a respeito da mesma matéria, conforme se extrai dos Acórdãos paradigmas nºs 230100.158, 240201.634, devendo ser conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada a divergência arguida. Pretende a Procuradoria da Fazenda Nacional, em síntese, a reforma do Acórdão recorrido, aduzindo, em síntese, que as razões de decidir do Acórdão recorrido contrariaram a legislação de regência, notadamente os artigos 150, § 4°, e 173, inciso I, do Código Tributário Nacional e, bem assim a jurisprudência deste Colegiado e do Superior Tribunal de Justiça a propósito da matéria, a qual exige a existência de recolhimentos, ou seja, a antecipação de pagamento para que se aplique o prazo decadencial do artigo 150, § 4º, do CTN, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, impondo a adoção dos ditames do artigo 173, inciso I, uma vez que inexistindo autolançamento do contribuinte, com antecipação de pagamento, não há o que se homologar. Fl. 1584DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RYCARDO HENRIQUE MAG ALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 16327.721743/201135 Acórdão n.º 9202003.584 CSRFT2 Fl. 1.582 7 A fazer prevalecer sua pretensão, sustenta que a constatação de pagamento, para fins de aplicação do prazo decadencial, deve ser verificado por rubrica e não admitindo o salário como um todo, ao contrário do entendimento estampado no Acórdão guerreado. Em que pesem os argumentos da recorrente, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Da simples análise dos autos, concluise que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. O exame dessa matéria impõe sejam levadas a efeito algumas considerações, senão vejamos. O artigo 45, inciso I, da Lei nº 8.212/91, estabelece prazo decadencial de 10 (dez) anos para a apuração e constituição das contribuições previdenciárias, como segue: “Art. 45 – O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; [...]” Por outro lado, o Código Tributário Nacional em seu artigo 173, caput, e inciso I, determina que o prazo para se constituir crédito tributário é de 05 (cinco) anos, contados do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado, in verbis: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [...]” Com mais especificidade, o artigo 150, § 4º, do CTN, contempla a decadência para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos seguintes termos: “Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Fl. 1585DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RYCARDO HENRIQUE MAG ALHAES DE OLIVEIRA 8 O núcleo da questão reside exatamente nesses três artigos, ou seja, qual deles deve prevalecer para as contribuições previdenciárias, tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Ocorre que, após muitas discussões a respeito do tema, o Supremo Tribunal Federal, em 11/06/2008, ao julgar os RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, por unanimidade de votos, declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante nº 08, abaixo transcrita, rechaçando de uma vez por todas a pretensão do Fisco: “Súmula nº 08: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” Registrese, ainda, que na mesma Sessão Plenária, o STF achou por bem modular os efeitos da declaração de inconstitucionalidade em comento, estabelecendo, em suma, que somente não retroagem à data da edição da Lei em relação a pedido de restituição judicial ou administrativo formulado posteriormente à 11/06/2008, concedendo, por conseguinte, efeito ex tunc para os créditos pendentes de julgamentos e/ou que não tenham sido objeto de execução fiscal. Consoante se positiva da análise dos autos, a controvérsia a respeito do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias, após a aprovação/edição da Súmula Vinculante nº 08, passou a se limitar a aplicação dos artigos 150, § 4º, ou 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar, resumidamente, as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destacase o lançamento de ofício ou direto, previsto no artigo 149 do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades fazendárias. Dessa forma, estando as contribuições previdenciárias sujeitas ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levandose em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4º, do Código Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Fl. 1586DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RYCARDO HENRIQUE MAG ALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 16327.721743/201135 Acórdão n.º 9202003.584 CSRFT2 Fl. 1.583 9 Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza tão somente pelo pagamento. Ao contrário, tratase, em verdade, de um procedimento complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não. Observese, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei. E, esta, em momento algum afirma que assim o é tão somente quando houver pagamento. Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não tem nada a recolher, ou mesmo quando encontrase beneficiado por isenções e/ou imunidades, onde, em que pese haver o dever de elaborar declarações pertinentes, informando os fatos geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do tributo em razão de uma benesse fiscal? Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, proceder à análise das informações prestadas pelo contribuinte homologandoas ou não, quando inexistir concordância. Neste último caso, promover o lançamento de ofício da importância que imputar devida. Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, o qual dispôs expressamente os casos em que referido prazo deslocarseá para o artigo 173, inciso I, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação específica contempla a aplicação de outro prazo decadencial, afastandose a regra do artigo 150, § 4º. Como se constata, a toda evidência, a contagem do lapso temporal em comento independe de pagamento. Ou seja, comprovandose que o contribuinte deixou efetuar o recolhimento dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizandose de instrumentos ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema. Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicarseia o artigo 150, § 4º, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de antecipação de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de ofício, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso I. Ressaltase, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente à apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em “homologação”. Afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, por entender que as contribuições previdenciárias devem observância ao prazo decadencial do artigo 150, § 4o, do Fl. 1587DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RYCARDO HENRIQUE MAG ALHAES DE OLIVEIRA 10 Códex Tributário, independentemente de antecipação de pagamento, salvo quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o certo é que a partir da alteração do Regimento Interno do CARF (artigo 62A), introduzida pela Portaria MF nº 586/2010, os julgadores deste Colegiado estão obrigados a “reproduzir” as decisões do STJ tomadas por recurso repetitivo, razão pela qual deixaremos de abordar aludida discussão, mantendo a tese que a aplicação do dispositivo legal retro depende da existência de recolhimentos do mesmo tributo no período objeto do lançamento, na forma decidida por aquele Tribunal Superior nos autos do Resp n° 973.733/SC, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Fl. 1588DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RYCARDO HENRIQUE MAG ALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 16327.721743/201135 Acórdão n.º 9202003.584 CSRFT2 Fl. 1.584 11 Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Na esteira desse raciocínio, uma vez delimitado pelo STJ e, bem assim, pelo Regimento Interno do CARF que nos lançamentos por homologação a antecipação de pagamento é indispensável à aplicação do instituto da decadência, nos cabe tão somente nos quedar a aludida conclusão e constatar ou não a sua ocorrência. Entrementes, a controvérsia em relação a referido tema encontrase distante de remansoso desfecho, se fixando agora em determinar o que pode ser considerado como antecipação de pagamento nas contribuições previdenciárias, sobretudo em face das diversas modalidades e/ou procedimentos adotados por ocasião do lançamento fiscal. In casu, porém, despiciendas maiores elucubrações a propósito da matéria, uma vez que a simples análise dos autos nos leva a concluir pela existência de antecipação de pagamento, por tratase em parte de salário indireto, portanto, diferenças de contribuições, eis que a contribuinte promoveu o recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal), fato relevante para a aplicação do instituto, nos termos da decisão do STJ acima ementada, a qual estamos obrigados a observar. Aliás, o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em Sessão realizada em 09/12/2013, afastou qualquer dúvida quanto ao tema, determinando que tratandose de tributação sobre salário indireto, impõese à adoção do prazo decadencial inscrito no artigo 150, § 4º, do CTN, como se verifica da Súmula CARF nº 99, aprovada naquela oportunidade, com o seguinte Enunciado: “Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.” Fl. 1589DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RYCARDO HENRIQUE MAG ALHAES DE OLIVEIRA 12 Assim, é de manter a ordem legal no sentido de adotar o prazo decadencial inscrito no artigo 150, § 4o, do Código Tributário Nacional, em face do recolhimento parcial das contribuições previdenciárias ora lançadas. Destarte, tendo a fiscalização constituído o crédito previdenciário em 20/12/2011, com a devida ciência da contribuinte constante do Aviso de RecebimentoAR, de efl. 300, a exigência fiscal resta parcialmente fulminada pela decadência, relativamente aos fatos geradores ocorridos no período de 03/2006 a 11/2006, os quais se encontram fora do prazo decadencial inscrito no dispositivo legal supra, impondo seja decretada a improcedência parcial do feito. Dessa forma, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento parcial ao recurso voluntário da contribuinte, na forma decidida pela 1a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão recorrido em consonância com as normas que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA E NEGAR LHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 1590DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RYCARDO HENRIQUE MAG ALHAES DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 19515.004390/2010-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
SIGILO BANCÁRIO. ACESSO A INFORMAÇÕES FINANCEIRAS NA POSSE DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL.
A Autoridade Tributária pode, com base na LC nº 105 de 2001, à vista de procedimento fiscal instaurado e presente a indispensabilidade do exame de informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, solicitar destas referidas informações, prescindindo-se da intervenção do Poder Judiciário.
IRPF. DECADÊNCIA.
Em havendo pagamento antecipado de imposto, a regra de contagem do prazo decadencial aplicável é do art. 150, § 4º do CTN.
IRPF. ÔNUS DA PROVA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. SÚMULA Nº 26 DO CARF.
Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de rendimentos, justificando-se sua tributação a esse título.
MULTA ISOLADA DO CARNÊ-LEÃO E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA.
Em relação aos fatos geradores acorridos até o ano-calendário de 2006, a aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo.
MULTA QUALIFICADA. IMPUTAÇÃO GENÉRICA. IMPOSSIBILIDADE.
Na forma do art. 142 do Código Tributário Nacional, a imputação de penalidade é ato administrativo vinculado, competindo a Autoridade Lançadora apresentar a conduta, identificar o tipo, motivando-o de forma a estabelecer o nexo causal entre a conduta e o delito, subsumindo a conduta ao tipo legal. Em inexistindo a motivação para aplicação da multa qualificada, a mesma deve ser afastada.
Numero da decisão: 2201-002.669
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa isolada do carnê-leão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício, e desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora.
EDITADO EM: 16/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH e NATHALIA MESQUITA CEIA.
Nome do relator: NATHALIA MESQUITA CEIA
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ACESSO A INFORMAÇÕES FINANCEIRAS NA POSSE DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. A Autoridade Tributária pode, com base na LC nº 105 de 2001, à vista de procedimento fiscal instaurado e presente a indispensabilidade do exame de informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, solicitar destas referidas informações, prescindindose da intervenção do Poder Judiciário. IRPF. DECADÊNCIA. Em havendo pagamento antecipado de imposto, a regra de contagem do prazo decadencial aplicável é do art. 150, § 4º do CTN. IRPF. ÔNUS DA PROVA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. SÚMULA Nº 26 DO CARF. Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de rendimentos, justificando se sua tributação a esse título. MULTA ISOLADA DO CARNÊLEÃO E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. Em relação aos fatos geradores acorridos até o anocalendário de 2006, a aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. MULTA QUALIFICADA. IMPUTAÇÃO GENÉRICA. IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 43 90 /2 01 0- 03 Fl. 818DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Na forma do art. 142 do Código Tributário Nacional, a imputação de penalidade é ato administrativo vinculado, competindo a Autoridade Lançadora apresentar a conduta, identificar o tipo, motivandoo de forma a estabelecer o nexo causal entre a conduta e o delito, subsumindo a conduta ao tipo legal. Em inexistindo a motivação para aplicação da multa qualificada, a mesma deve ser afastada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa isolada do carnêleão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício, e desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA Relatora. EDITADO EM: 16/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH e NATHALIA MESQUITA CEIA. Relatório Pelo Auto de Infração, de fls. 521 e seguintes, lavrado em 07/12/2010, exigese da Contribuinte SONIA MARCIA HASE DE ALMEIDA BAPTISTA o montante de R$ 225.580,85 de imposto sobre a renda da pessoa física (IRPF), R$226.958,90 de multa de ofício e qualificada, R$ 36.683,69 de multa isolada e R$ 112.925,76 de juros de mora, totalizando um crédito tributário de R$ 602.149,20 (atualizado até a data da autuação), referente ao ano calendário de 2005, decorrente de: (i) Omissão de Rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoa física sujeitos ao CarnêLeão e (ii) Omissão de Rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. A qualificação da multa de ofício foi imputada em relação à infração de omissão de rendimento de trabalho sem vínculo empregatício. O Termo de Verificação Fiscal (TVF), de fls. 496 e seguintes, relata: · Em 19/02/2010 foi aberta diligência para verificar se parte dos valores depositados em contas conjuntas eram provenientes dos rendimentos da Contribuinte. Fl. 819DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 19515.004390/201003 Acórdão n.º 2201002.669 S2C2T1 Fl. 3 3 · A Contribuinte preencheu a planilha e juntou documentos que justificaram parte dos depósitos nestas contas correntes, sendo provenientes de transferência, entre contas correntes ou de saques judiciais que foram repassados para clientes. Alegou que, sendo advogada, os saques judiciais eram depositados em sua conta corrente e posteriormente repassados aos clientes. Para justificar suas alegações juntou as guias de levantamento judiciais, contrato com os clientes e recibos de pagamento onde foram repassados os valores dos saques judiciais, descontados os honorários. Foram analisados os documentos juntamente com a planilha e constatado que alguns documentos não conferiam com o preenchimento da planilha ou os valores justificados pela Contribuinte não guardavam relação com os documentos correspondentes. Os valores cujas justificativas tinha embasamento através de documentos consistentes foram excluídos da “Planilha de Movimentação Financeira”. · Em relação aos créditos remanescentes, não houve comprovação da origem dos recursos, posto que não foi apresentada documentação hábil e idônea para justificála ou ficou comprovado a omissão de rendimentos (honorários), comprovados pelos contratos de prestação de serviços com os clientes. · Foi aberta fiscalização perante o Sr. Joaquim de Almeida Baptista baseado na informação de que não havia como discriminar os honorários depositados nas contas correntes da Contribuinte, sendo que os dois eram coparticipantes dos rendimentos e gastos. Em resposta a intimação esclareceu que as instituições com as quais transacionou foram as mesmas que Dra. Sonia Marcia Hase de Almeida (Contribuinte) e que quanto a proporcionalidade dos recursos transitados nas contas correntes mantidas em conjunto eram comuns não havendo como discriminálos. Acresceu que todos os ganhos elencados na Planilha de Movimentação Financeira são decorrentes de ganhos de serviços profissionais da pessoa física e não óbitos da conta da pessoa jurídica. Pondera que da Planilha de Movimentação Financeira todos os valores elencados, pagos pelos Poderes Públicos foram objeto de retenção de renda na fonte, em favor da própria entidade que pagou a verba e que com relação às desapropriações, de acordo com a lei, não há incidência de IR. · Tendo em vista as declarações de que os recursos transitados nas contas correntes pertenceram aos dois contribuintes e que eram coparticipantes dos rendimentos e gastos, o valor dos rendimentos ou receitas foram imputados a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas. Os ganhos provenientes de serviços profissionais pagos pelo Poder Público foram excluídos. Os honorários contratuais não tiveram retenção, razão pela qual permaneceram como parte integrante na totalização dos rendimentos. Com relação à imunidade de impostos em ações de desapropriação, a autoridade fiscal fez a seguinte distinção: a desapropriação está protegida pela legislação em caso de verbas indenizatórias; por outro lado os honorários estabelecidos pelo Poder Judiciário fazem parte, como parcela integrante, da indenização e o pagamento deles recai sobre o Poder Público quando incidem em culpa. Já os honorários contratuais, um valor ou um percentual sobre o valor da causa, é descontado quando do levantamento da guia de Levantamento Judicial, independente daquele honorário indicado pelo Poder Judiciário. Logo, quem está isento é o cliente desapropriado, das verbas recebidas em caráter indenizatórias e não os advogados com relação aos honorários recebidos. · Os valores informados na DIRPF/06 (ano calendário 2005) como rendimentos recebidos de pessoa física também estão sujeitos ao recolhimento mensal do imposto e pela ausência de pagamento mensal do imposto, incidente sobre essa omissão, foi aplicada multa isolada. Fl. 820DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 A Contribuinte tomou ciência da autuação no corpo do próprio Auto de Infração, em 10/12/2010, apresentando Impugnação em 23/12/2010, acostada às fls. 536 e seguintes, aduzindo: · Quebra de Sigilo Bancário Assevera que o procedimento fiscal teria violado sua intimidade e privacidade. Isso porque os dados bancários relevariam traços ou elementos da vida privada de qualquer indivíduo. Conclui que o sigilo bancário seria uma espécie do direito à privacidade. Invoca que o inciso XII do art. 5º da CRFB/88, a despeito de tratar do “sigilo de dados”, abarcaria a proteção de informações bancárias, já que estas não deixam de ser dados. Conclui, então, que o sigilo bancário estaria sob a proteção do disposto nos incisos X e XII do art. º da CRFB/88. · Apuração da Base de Cálculo Afirma que a autoridade fiscal, conforme requerimento feito durante o procedimento fiscal, por ambos os cônjuges, deveria ter descontado os valores declarados nas DIRPFs dos dois. Tais valores deveriam, então, ser somados e divididos por dois, tal qual o que foi feito em relação aos depósitos de origem não comprovada, resultando num abatimento de R$ 258.364,033 para cada cônjuge. Afirma que os valores a título de IRRF não teriam sido objeto de análise pela autoridade fiscal. Assevera que na planilha fornecida pelo DER – Departamento de Estradas e Rodagem, o recolhimento do IRRF foi de R$ 57.110,88. Ademais, pondera que efetuou recolhimentos de R$ 1.191,00, R$ 1.273,25 e R$ 1.088,66. · Ilegitimidade Passiva Aduz que há valores que pertencem exclusivamente ao Sr. Joaquim (excônjuge) conforme constaria na planilha de movimentação financeira. Na sessão do dia 25/11/2011, a 8ª Turma do DRJ/SP2, pelo Acórdão nº 17 55.585, de fls. 729 e seguintes, julgou a Impugnação improcedente nos seguintes termos: DADOS BANCÁRIOS. SIGILO. TRANSFERENCIA. PROVAS ILÍCITAS. NULIDADE. INEXISTENCIA. A obtenção de dados bancários, de acordo com o rito procedimental previsto em lei, não configura quebra de sigilo a ensejar nulidade de lançamento, mas tãosomente sua transferência à autoridade fazendária, sobre tudo quando fornecidos pelo próprio contribuinte. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A partir de 1º de janeiro de 1997, com a entrada em vigor da Lei 9.430 de 1996, consideramse rendimentos omitidos autorizando o lançamento do imposto correspondente os depósitos junto a instituições financeiras quando o contribuinte, após regularmente intimado, não lograr êxito em comprovar mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados. A Contribuinte foi notificada da decisão em 29/04/2013, conforme AR de fls. 771, apresentando Recurso Voluntário em 17/05/2013, às fls. 772 e seguintes, reafirmando os fundamentos da Impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Nathália Mesquita Ceia. O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 821DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 19515.004390/201003 Acórdão n.º 2201002.669 S2C2T1 Fl. 4 5 I. DAS PRELIMINARES I.1. Da Quebra do Sigilo Bancário Inicialmente argumenta que a autuação é baseada em extratos bancários que a Contribuinte se viu compelida a entregar à fiscalização para não sofrer a sanção de agravamento da multa de ofício em até metade, na forma do art. §2º do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Uma vez que os referidos extratos são protegidos pelo sigilo fiscal, requer o reconhecimento da nulidade do lançamento diante da utilização de prova ilícita, na forma do art. 5º. LVI da CRFB/88. Cita jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) quanto à vedação de quebra de sigilo bancário sem prévia autorização judicial e, assim, conclui que o Acórdão recorrido olvidou de considerar, que na hipótese se aplica sim a exceção do inciso I, §6º, do art. 26A do Decreto nº 70.235/72 e do inciso I, parágrafo único, do art. 62 do Regimento do CARF, que estabelece que no âmbito do processo administrativo fiscal, os órgãos de julgamento devem aplicar a decisão do STF que por decisão plenária declarou inconstitucionalidade da norma. Urge esclarecer que a quebra do sigilo bancário ocorre quando o Poder Público, diante do não oferecimento espontâneo do indivíduo, requer diretamente à instituição financeira a entrega da movimentação financeira de determinado indivíduo. A requisição direta, sem prévia autorização judicial, pelo Poder Executivo já era prevista no art. 197, II do Código Tributário Nacional (CTN), que determina que mediante intimação os bancos são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: Código Tributário Nacional Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: (...) II os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras; Entretanto, somente com a edição da Lei Complementar nº 105/01, regulamentada pelo Decreto nº 3.724/01 foi autorizado à Receita Federal proceder à quebra do sigilo bancário no âmbito do processo administrativo fiscal, sem prévia autorização judicial, junto às instituições financeiras: Lei Complementar 105/01 Art. 1ºAs instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e Fl. 822DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. A legislação é clara ao descrever que a quebra do sigilo bancário pela Autoridade Fazendária ocorre quando esta adquire diretamente das instituições financeiras as informações quanto à movimentação financeira de terceiro. Ora, uma vez que a documentação foi obtida mediante entrega por parte da Contribuinte, inexiste materialidade para configuração da quebra do sigilo bancário. A argumentação de que se sentiu compelida a entregar os extratos bancários para não sofrer a incidência da multa qualificada (art. 44, §2º da Lei nº 9.430/96) não vicia o processo administrativo ou transmuta a espontaneidade por parte da Contribuinte na entrega dos extratos bancários. Não há como considerar ilegal o cumprimento de determinação legal por parte da Administração Tributária, em face de sua atividade plenamente vinculada na forma do art. 3º e art. 142 parágrafo único do CTN. Os demais argumentos quanto à inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário e a consequente aplicação do inciso I, §6º, do art. 26A do Decreto nº 70.235/72 e do inciso I, parágrafo único, do art. 62 do Regimento do CARF diante do RE 389.808 restam prejudicados diante da ausência de quebra de sigilo bancário. Ademais, ainda que os extratos bancários tivessem sido obtidos diretamente das instituições financeiras, não estaria configurada a hipótese de violação de seu sigilo bancário, diante do permissivo legal trazido pela Lei Complementar nº 105/01. A Contribuinte colaciona decisão do STF no RE 389.808/PR destacando que a o afastamento do sigilo bancário por parte da Receita Federal sem prévia autorização judicial conflita com a Carta da República. Destacase que a referida decisão foi proferida em sede de controle difuso da constitucionalidade e não em sede de controle concentrado, procedimento legislativo negativo, logo a Lei Complementar nº 105/01 continua em vigor e com eficácia plena. Cabe observar que a matéria está em sede de recurso repetitivo no STF no RE 601.314/SP, Min. Ricardo Lewandowski, pendente de julgamento e sem efeito suspensivo. Assim, até a manifestação do STF em sede de Recurso Repetitivo ou em controle concentrado, a quebra do sigilo bancário com base no art. 6º da Lei Complementar nº 105/01, sem prévia autorização judicial não fere o ordenamento jurídico pátrio. A Contribuinte procede uma leitura simplista do inciso I, §6º, do art. 26A do Decreto nº 70.235/72 e do inciso I, parágrafo único, do art. 62 do Regimento do CARF para inferir que “pouco importa se foi proferida inter partes, (...) bastando que exista uma decisão proferida pelo Plenário do Supremo declarando inconstitucional a norma”. A referida interpretação vai de encontro ao conteúdo normativo do próprio caput do art. 26A, e não possui amparo no ordenamento jurídico pátrio diante da estruturação controle repressivo da constitucionalidade onde a atividade legislativa negativa somente ocorre na hipótese de controle concentrado de constitucionalidade. Fl. 823DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 19515.004390/201003 Acórdão n.º 2201002.669 S2C2T1 Fl. 5 7 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; Neste diapasão a Administração Tributária jungida ao princípio da legalidade em sua atividade administrativa plenamente vinculada de cobrança do crédito tributário (art. 3º do CTN), não pode, sob pena de responsabilidade funcional, eximirse de aplicar o art. 6º da Lei Complementar nº 105/01 que se encontra vigente e eficaz. Preliminar rejeitada. I.2. Ausência de Motivação A Contribuinte requer também que seja declarada a nulidade do lançamento por falta de motivação na intimação datada de 12/01/2010, sendo nulos todos os demais atos decorrentes deste. Afirma que na intimação datada de 12/01/2010 dirigida à Contribuinte, consta mera intimação para esta apresentar documentos e comprovantes de todos os depósitos efetuados nas contas correntes indicadas, não havendo qualquer motivação para embasar ato desta gravidade. A argumentação da Contribuinte carece de base fática. O Termo de Intimação para Apresentação de Documentos, de fls. 77, datado de 12/01/2010 aponta como motivação a requisição de documentos para o procedimento de fiscalização instaurado para apuração do IRPF ano calendário 2005, na forma do Mandado de Procedimento Fiscal, com respaldo legal nos art. 904, 911 e 927do RIR/99. Confirase: No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita federal do Brasil AFRFB, em cumprimento à determinação do Mandado de Procedimento Fiscal Eletrônico, cujo código de acesso encontrase abaixo descrito e nos termos do art.s 904, 911 e 927 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 (decreto nº. 3.000/99), lavramos o presente Termo de intimação para Apresentação de Documentos junto ao contribuinte acima identificado(...), referentes ao(s) seguinte(s) Tributo(s)/Contribuição(ões) e Período(s): TRIBUTO: Imposto sobre a Renda Pessoa Física – IRPF PERÍODO(S) 01/01/2005 a 31/12/2005” A motivação presente no Termo de Intimação para Apresentação de Documentos de fls. 77, em conjunto com o Mandado de Procedimento Fiscal dá amplo conhecimento à Contribuinte do motivo para solicitação da documentação que pode se insurgir quanto a requisições de apresentação de documentos que fujam a apuração do IRPF para o ano calendário de 2005. Fl. 824DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 Preliminar rejeitada. I.3. Da Decadência A Contribuinte requer o reconhecimento da decadência, uma vez que o Fisco tinha o prazo de 02 anos e meio a contar da ciência do fato gerador para constituir o crédito tributário pelo lançamento. Não merece amparo o pleito da Contribuinte. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário pela legislação brasileira é de cinco anos, na forma dos art. 150, §4º ou art. 173, ambos do Código Tributário Nacional. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: Considerando como cenário mais favorável à Contribuinte para contagem do prazo decadencial seria a utilização do disposto art. 150, §4º do CTN. Nesta hipótese, mais favorável, terseia o início do prazo decadencial em 01/01/2006 e o termo final no dia 31/12/2010. Uma vez que a Contribuinte tomou ciência do Auto de Infração em 10/12/2010, podese constatar que o crédito encontrase regularmente constituído. Preliminar rejeitada. II. DO MÉRITO II.1. Da Omissão de Rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoa física sujeitos a carnêleão a) Valores Lançados Que não Pertencem à Contribuinte A Contribuinte aduz que nem todos os rendimentos constam em seu nome. Assim, embora tenha declarado que os rendimentos eram comuns, nos lançamentos os valores teriam que ser individualizados, porquanto as guias de levantamentos e as quantias levantadas eram feitas, no nome exclusivo do Dr. Joaquim de Almeida Baptista, pouquíssimas quantias foram recebidas em seu nome, e como conclusão, sua DIRPF/06, teve como base as quantias menores recebidas pela Contribuinte dos rendimentos comuns. Logo, uma vez que a maioria dos rendimentos são depósitos judiciais levantados em nome do Dr. Joaquim de Almeida Baptista, tais lançamentos não devem compor seu lançamento, pois não lhe pertencem. Fl. 825DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 19515.004390/201003 Acórdão n.º 2201002.669 S2C2T1 Fl. 6 9 O Termo de Verificação Fiscal às fls. 489/499 relata que em 14/07/2010 foi lavrado Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (fls. 132) onde foi solicitado declaração assinada conjuntamente pela Contribuinte e S. Joaquim, discriminando a quem se referem os rendimentos depositados nas contas correntes. Em resposta, a Contribuinte haveria afirmado que os honorários depositados nas contas correntes pertenciam aos dois CPFs e não teria como discriminar a quem se referiam. Nesta senda a Autoridade Lançadora concluiu: Conforme dispõe o art. 42 da Lei nº. 9.430/96, abaixo transcrita, a fiscalizada incorreu em duas infrações: 1.1.01.02.01: omissão de rendimentos de origem comprovada; 1.1.01.20.01: omissão de rendimentos de origem não comprovada proveniente de depósito bancário. (...) Dos valores demonstrados na Planilha acima, dividimos por dois, conforme determina o §6º do art. 42 da Lei nº. 9.430/96, baseada nas declarações feitas pelos dois contribuintes de que os rendimentos na época eram indivisíveis. Do resultado dessa divisão foram abatidos da infração 1.1.01.20.01, os valores que já haviam sido declarados na Declaração de Imposto de Renda, (...)” Notese que a Autoridade Lançadora somente imputou à Contribuinte 50% dos depósitos judiciais e o restante ao seu, então, consorte (Sr. Joaquim), pois a Contribuinte informa durante o processo de fiscalização que os valores são comuns a ambos, não havendo como segregar. Inicialmente, destacase serem contraditórias as afirmações da Contribuinte de fls. 799 afirmando que “datíssima vênia embora tenha a recorrente esclarecido ser rendimento comum” com a afirmação de fls. 802/803 de que “a maioria dos rendimentos, conforme comprovados através dos documentos ora juntados, são depósitos judiciais levantados em nome de Joaquim de Almeida Baptista (atuação individual do advogado) e não em nome da recorrente. Pertencem, exclusivamente, ao Sr. Joaquim de Almeida Baptista, os quais foram repassados aos clientes e devidamente comprovados no processo de autuação”. Conforme retirado do Termo de Verificação Fiscal a presente autuação teve por base rendimentos, que a Contribuinte confessou e confessa, no próprio Recurso Voluntário, serem comuns ao Dr. Joaquim de Almeida Baptista. Logo, não se acolhe a afirmação isolada e contraditória de que os valores não são comuns, mas sim exclusivos do Sr. Joaquim de Almeida Baptista. Apontase também ser incoerente a argumentação da Contribuinte, em reconhecer que os rendimentos são comuns, mas não lhe pertencem, pois os pagamentos foram efetuados em nome do Dr. Joaquim de Almeida Baptista. Fato importante para aferição da incidência do Imposto de Renda Pessoa Física é a disponibilidade econômica e jurídica da renda, conforme determinação do art. 2º do Decreto nº. 3.000/99: Art. 2º. As pessoas físicas domiciliadas ou residentes no Brasil, titulares de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza, inclusive rendimentos e ganhos de capital, são contribuintes do imposto de renda, sem distinção da nacionalidade, sexo, idade, estado civil ou profissão. Fl. 826DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 A Contribuinte declara expressamente que os valores recebidos pelo Sr. Joaquim de Almeida Baptista eram comuns ao casal, confessando, assim, que possuía a disponibilidade jurídica dos honorários pagos ao seu, então, consorte. Os depósitos eram efetuados em conta conjunta do casal, demonstrando que a Contribuinte tinha inclusive a disponibilidade econômica. Desta feita, uma vez demonstrado que a Contribuinte possuía tanto a disponibilidade econômica, quanto a disponibilidade jurídica dos honorários levantados em nome do Dr. Joaquim de Almeida Baptista, irrelevante para fins de tributação sobre a renda se o pagamento foi feito apenas em nome de seu, então, consorte, os referidos depósitos representam rendimento da recorrente bem como do Dr. Joaquim de Almeida Baptista. Neste contexto não acolhe o pleito da Contribuinte para exclusão dos depósitos especificados às 799 a 802 do Recurso Voluntário. b) Do Recolhimento do IRRF A Contribuinte alega que dos valores declarados na DIRPF/06 (ano calendário 2005) foram recolhidos o IRRF às entidades pagadoras e esses recolhimentos não foram objeto de análise pela auditoria fiscal. Aponta que o Acórdão recorrido enfatiza que uma das guias recolhidas, a da Sra. Nancy Shimoi, no valor de R$ 993,77 não se consegue aferir se é referente aos pagamentos do DER. Neste contexto afirma que o recolhimento do Imposto de Renda se refere ao levantamento de quantia repassadas à Sra. Nancy Shimoi, mulher de Sr. Teruo Shimoi, de Ação de Desapropriação que tramita perante o juízo da Comarca de Suzano, juntando extrato do processo, onde consta o nome do Sr. Teruno Shimoi como requerido, e a Contribuinte como patrona. A Contribuinte aponta que além do recolhimento do Imposto de Renda da Sra. Nancy Shimoi, também juntou planilha fornecida pelo DER – Departamento de Estradas e Rodagem, dos depósitos judiciais onde foi feito o recolhimento do IRRF no valor de R$ 57.110,88. Requerendo assim a inclusão do referido valor para abatimento do imposto a recolher. Na forma do arts. 5º e 11 da Lei nº 8.134/90 somente o imposto retido do contribuinte ou pago pelo mesmo é passível de dedução. Acrescentese que o inciso II do art. 11 do referido diploma legal aponta ainda que a dedução só é passível de valor retido na fonte durante o anobase, correspondente a rendimentos incluídos na base de cálculo: Art. 5° Salvo disposição em contrário, o imposto retido na fonte (art. 3°) ou pago pelo contribuinte (art. 4°), será considerado redução do apurado na forma do art. 11, inciso I. Parágrafo único. Pagamentos não obrigatórios do imposto, efetuados durante o ano base, não poderão ser deduzidos do imposto apurado na declaração (art. 11, I). Art. 11. O saldo do imposto a pagar ou a restituir na declaração anual (art. 9°) será determinado com observância das seguintes normas: I será apurado o imposto progressivo mediante aplicação da tabela (art. 12) sobre a base de cálculo (art. 10); Fl. 827DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 19515.004390/201003 Acórdão n.º 2201002.669 S2C2T1 Fl. 7 11 II será deduzido o valor original, excluída a correção monetária do imposto pago ou retido na fonte durante o anobase, correspondente a rendimentos incluídos na base de cálculo (art. 10); Inicialmente, cabe apontar que o Atestado de Rendimentos Pagos – Ano Base 2005 emitido pelo DER tem por beneficiário o Dr. Joaquim Almeida Baptista. Logo, na forma da legislação aplicável não é possível que a Contribuinte deduza de seu imposto a recolher IRRF de terceiro. A Contribuinte não produz prova de que os rendimentos do Atestado de Rendimentos Pagos – Ano Base 2005 emitido pelo DER, são rendimentos em comum ao casal. A Contribuinte, mesmo após ponderação da 8ª Turma do DRJ/SP2 não produziu qualquer prova neste sentido. Ademais, ainda que se houvesse prova neste sentido, a Contribuinte somente faria justa 50% do IRRF para dedução de seu Imposto de Renda a recolher, visto que os 50% restantes deveriam que ter ser lavados a apuração do IRPF do Dr. Joaquim Almeida Baptista. Além disso, a planilha de fls. 696 do DER não é suficiente para comprovar que os rendimentos ali declarados são rendimentos do Dr. Joaquim Almeida Baptista, com a consequente retenção do seu respectivo IRRF. Assim, para que fossem considerados tais valores em eventual apuração, deveria a Contribuinte ter comprovado quanto do valor total lhe restou a título de honorários, tal qual o fez com relação a diversos dos depósitos nas contas bancárias. Quanto aos IRRF do Atestado de Rendimentos Pagos – Ano Base 2006 (fls. 701), 2007 (fls. 698), 2008 (fls. 699), 2009 (fls. 700) emitidos pelo DER em nome da Contribuinte, acompanhase o entendimento da 8ª Turma do DRJ/SP2 quanto à impossibilidade de utilização de IRRF de outros períodos para o período de 01/01/2005 a 31/12/2005, diante da redação de clareza hialina do inciso II do art. 11 da Lei nº 8.134/90 vetando. Diante do exposto, não acolho o pleito da Contribuinte para reduzir do imposto devido imposto de renda retido na fonte de terceiros e de outros períodos. II.2. Da Omissão de Rendimento por Depósito Bancário de Origem não Comprovada A partir da produção de efeitos o art. 42 da Lei nº 9.430/96 passa a caracterizar como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantido junto à instituição financeira, em relação às quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 828DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 12 Compete à Autoridade Fiscal comprovar a existência do fato jurídico (depósito bancário), requisito atendido pela Fiscalização através dos dados bancários da Contribuinte. Uma vez atendida a comprovação da existência de depósitos bancários com origem não comprovada, presunção criada pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96 em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem), espelha omissão de receitas, justificandose sua tributação a esse título. Tratase, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. Até a presente data a Contribuinte não apresentou provas quanto à origem dos depósitos mantendose o lançamento 002 Depósitos Bancários de Origem não Comprovada. As contas bancárias objeto da presente infração possuem como titulares a Contribuinte e o Dr. Joaquim Almeida Baptista, assim aplicável a determinação do §6º do art. 42 da Lei nº 9.430/96 onde, na hipótese de contas mantidas em conjunto, cujas declarações de rendimentos tenham sido apresentadas em separado o valor dos rendimentos devem ser imputado a cada titular mediante a divisão entre o total de rendimentos e os dois titulares da conta: § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. A Contribuinte afirma que a autoridade fiscal, conforme requerimento feito durante o procedimento fiscal, por ambos os cônjuges, deveria ter descontado os valores declarados nas DIRPFs dos dois. Tais valores deveriam ser somados e divididos por dois, tal qual o que foi feito em relação aos depósitos de origem não comprovada, resultando num abatimento de R$ 258.364,033 para cada cônjuge. Ao meu sentir, improcede a argumentação da Contribuinte, visto que não se está apurando, em conjunto, os rendimentos dela e do Dr. Joaquim de Almeida Baptista. Em razão do não exercício da opção de tributação em conjunta na forma do art. 8º do Decreto nº 3.000/99, a presente apuração é feita em separado: Art. 8º Os cônjuges poderão optar pela tributação em conjunto de seus rendimentos, inclusive quando provenientes de bens gravados com cláusula de incomunicabilidade ou inalienabilidade, da atividade rural e das pensões de que tiverem gozo privativo. § 1º O imposto pago ou retido na fonte sobre os rendimentos do outro cônjuge, incluídos na declaração, poderá ser compensado pelo declarante. O fato de existirem rendimentos comuns a ambos, não transmuta a apuração e tributação do IRPF de forma segregada. O presente Procedimento Administrativo Fiscal (PAF) apura a existência de rendimentos em comum. Os rendimentos comuns foram apurados e divididos paritariamente para ambos os cônjuges, para somente então serem levados para sua apuração individual. Fl. 829DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 19515.004390/201003 Acórdão n.º 2201002.669 S2C2T1 Fl. 8 13 II.3. Da Multa Isolada A Contribuinte requer a exclusão da multa isolada visto que a jurisprudência do CARF tem se posicionado quanto à impossibilidade de concomitância da aplicação da multa isolada com a multa de oficio. O fundamento da multa isolada encontrase no inciso II do art. 44 da Lei nº. 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) (...) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). Tratase de norma sancionatória que se destina a punir infração substancial, ou seja, falta de pagamento ou pagamento a menor da estimativa mensal. Entretanto, a questão que se insere é a sobreposição entre as bases de calculo da multa isolada e da multa de oficio quando da apuração do IRPF. A multa isolada pela falta de pagamento ou pagamento a menor da estimativa mensal é devida e calculada sobre a obrigação principal até então apurada – Imposto não recolhido. O mesmo ocorre com a multa de ofício que companha o lançamento referente à totalidade ou diferença de tributo que deixou de ser constituído pelo contribuinte, ao final do ano calendário. Há identidade quanto ao critério pessoal e material de ambas as normas sancionatórias, pois ambas alcançam o contribuinte – sujeito passivo – e têm por critério material o descumprimento da relação jurídica que determina o recolhimento integral do tributo devido. A referida identidade é facilmente verificada no presente Auto de Infração ao confrontarmos, às fls. 518, os montantes da coluna “Base Decl. Mensal, Diferença apurada, deduções (mensais)” que darão origem a base de cálculo para aplicação da multa, com os valores constantes às fls. 523 da coluna “Valor Tributável ou Imposto” sobre o qual incidirá a multa de oficio. Logo, inevitável concluir que impor sanção pelo não recolhimento do tributo apurado conforme lançamento de ofício que apura IRPF devidos ao final do ano calendário e impor sanção pelo não recolhimento ou recolhimento a menor das antecipações devidas, Fl. 830DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 14 relativamente aos mesmos tributos, é penalizar o mesmo contribuinte duas vezes por deixado de recolher integralmente o tributo devido. Portanto, nestes casos, entendo que uma penalidade é excludente a outra. Acrescentese que o recolhimento do imposto de renda mensal por estimativa configura antecipação do tributo que será apurado no encerramento do ano calendário. Assim, encerrado o exercício fiscal, fazse o imposto recolhido no ano calendário consolidarse face o imposto apurado no exercício em torno de uma única realidade, qual seja, a ocorrência do fato gerador do imposto de renda ocorrido em 31 de dezembro de cada ano. Logo, não seria possível aplicar a multa isolada pelo descumprimento de obrigação acessória quando, em verdade, essa obrigação acessória converteuse em obrigação principal ao final do ano calendário, pela superveniência do fato gerador do imposto de renda. Diante do exposto, a infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de oficio e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte, já que ambas as penalidades estão relacionas ao descumprimento de obrigação principal que, por sua vez, consubstanciase no recolhimento de tributo. Em que pese a disposição acima ser meu entendimento, a presente Turma vota por outros fundamentos em razão da multa isolada do carnêleão para fatos geradores anteriores ao anocalendário de 2006, inclusive. No que toca à exigência concomitante da multa de ofício e da multa isolada, decorrente do mesmo fato (omissão de rendimentos recebidos de pessoa física e falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão), os membros da presente Turma pensam não ser possível cumular as referidas penalidades, pois até a vigência da Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007, não havia previsão legal para a essa incidência cumulativa. Esse entendimento é pacifico neste Órgão, consoante a ementa da CSRF: MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO – CONCOMITÂNCIA – MESMA BASE DE CÁLCULO – A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo.” (Câmara Superior do Conselho de Contribuintes / Primeira turma, Processo 10510.000679/200219, Acórdão n° 0104.987, julgado em 15/06/2004). Assim, em relação aos anoscalendário 2005 e 2006, devese excluir da exigência a multa isolada do carnêleão. II.4. Da Multa de Ofício Qualificada Verificouse que para a infração 001 Rendimentos Recebidos de Pessoas Físicas sujeitos a CarnêLeão o Auto de Infração aplicou a multa de ofício qualificada em 150%. O Auto de Infração, às fls. 521, não fez qualquer referência ao art. 44, §1º da Lei nº 9.430/96, bem como qualquer referência aos art. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Na leitura do Termo de Verificação Fiscal, de fls. 496 e seguintes, da mesma forma não há qualquer referência aos dispositivos legais supramencionados. Não se cogita aqui mero erro de capitulação ou ausência de capitulação, visto que o Termo de Verificação Fiscal Fl. 831DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 19515.004390/201003 Acórdão n.º 2201002.669 S2C2T1 Fl. 9 15 não descreveu qualquer conduta da Contribuinte no intuito de subsunção aos tipos de fraude, conluio ou simulação. A conduta do Auditor Fiscal passa ao largo da determinação contida no parágrafo único do art. 142 do CTN que determina que compete ao Auditor Fiscal promover não só a verificação do fato gerador em todos os seus aspectos, mas também propor a aplicação da penalidade cabível. Logo, compete a Autoridade Lançadora apresentar o fato identificar o delito, motivandoo de forma a estabelecer o nexo causal entre o fato e o delito, subsumindo a conduta ao tipo legal. Conforme demonstrado pelos preceitos legais susomencionados a imputação de uma penalidade é ato administrativo plenamente vinculado. Assim, compete ao Auditor Fiscal, na formação do ato, atender a todos os seus elementos, em especial a sua motivação, que no caso em tela é vinculada, descrever a conduta da Contribuinte que se subsume em um dos tipos descritos nos art. 71, 72, e 73 da Lei nº. 4.502/64. Ou seja, sendo o lançamento ato administrativo vinculado, a Administração ao praticálo deve indicar expressamente os motivos que lhe deram ensejo para possibilitar a apreciação, em cada caso concreto, do efetivo cumprimento das normas legais. Como ensina o ilustre jurista Hely Lopes Meirelles, “em tais casos, a ação administrativa está bitolada estritamente pela lei ou pelo regulamento, impondo ao administrador a obrigação de demonstrar a conformação de sua atividade com todos os pressupostos de direito e de fato que condicionam a eficácia e validade do ato” (in Direito Administrativo Brasileiro 14ª Edição, pg. 175). E assim é porque somente através da indicação da motivação é que se torna possível o efetivo controle da legalidade do ato administrativo, no caso, o enquadramento da penalidade, bem como o exercício pelo autuado do amplo direito de defesa, que lhe é assegurado. Desta feita, face à ausência de motivação, afastase a qualificação da multa de ofício, reduzindo ao percentual de 75% em relação à infração 001. Conclusão Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para excluir do lançamento a multa isolada e desqualificar a multa de ofício imputada ao item 001 do Auto de Infração reduzindoa ao percentual de 75%. Assinado Digitalmente Nathália Mesquita Ceia Fl. 832DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 16 Fl. 833DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10510.002604/2008-50
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2003
HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DE COMPENSAÇÃO PLEITEADA. DIFERENÇA PASSÍVEL DE COBRANÇA JÁ RECOLHIDA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Não se conhece de Recurso Voluntário interposto em decorrência de homologação parcial de compensação pleiteada, quando a diferença passível de cobrança já tiver sido recolhida antes mesmo da emissão do respectivo despacho decisório.
Numero da decisão: 1803-002.490
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Arthur José André Neto.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2003 HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DE COMPENSAÇÃO PLEITEADA. DIFERENÇA PASSÍVEL DE COBRANÇA JÁ RECOLHIDA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Não se conhece de Recurso Voluntário interposto em decorrência de homologação parcial de compensação pleiteada, quando a diferença passível de cobrança já tiver sido recolhida antes mesmo da emissão do respectivo despacho decisório. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 26 04 /2 00 8- 50 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10510.002604/200850 Acórdão n.º 1803002.490 S1TE03 Fl. 146 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Arthur José André Neto. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10510.002604/200850 Acórdão n.º 1803002.490 S1TE03 Fl. 147 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 85verso e 86): Trata o presente de Manifestação de Inconformidade apresentada contra decisão proferida pela DRF de Aracaju, que, através de Despacho Decisório Eletrônico emitido pela sua titular, homologou apenas parcialmente o pedido de compensação declarado através do PER/DCOMP nº 16207.96716.060704.1.3.04 7249, transmitido em 06/07/2004. O citado pedido de compensação objetivava quitar parcialmente a estimativa mensal do IRPJ do mês de março de 2002, no valor de R$ 72.328,27. O contribuinte declarou seu débito, incluindo, como acréscimo moratório, apenas os juros, excluindo do montante devido o valor correspondente à multa de mora. O direito creditório do contribuinte foi devidamente reconhecido, mas em razão da imputação proporcional, o valor acatado revelouse insuficiente para quitar os débitos informados na PER/DCOMP, restando um saldo a pagar de R$ 8.953,75 cuja quitação ocorreu em 23/04/2008 através de DARF, que após a inclusão dos acréscimos moratórios, atingiu o valor de R$ 19.263,23 (fl. 80). Em sua defesa, o Contribuinte, juntando decisões do STJ, da Câmara Superior de Recursos Fiscais e do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, pede a “reforma do despacho decisório recorrido”, alegando que “o instituto da Denúncia Espontânea, previsto no art. 138 do CTN, afasta a aplicação de multa na hipótese de pagamento integral acrescido de juros de mora, antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização”. Aduz que, “ainda que não fosse hipótese de denúncia espontânea, em se tratando de valor relativo a débito de IRPJ, tributo sujeito ao lançamento por homologação, em julho de 2007, findou o prazo decadencial de 05 anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador (31/07/2002) para constituir o crédito em questão, nos termos do art. 142, parágrafo único, e 150, § 4º, do CTN”. Alega também, que o “valor jamais poderia estar sendo cobrado da forma arbitrária e ilegal como se apresenta no presente caso. Deveras, é cediço que a constituição ou formalização do crédito tributário se dá exclusivamente com o lançamento de ofício, nos termos do disposto no art. 142. Notase, portanto, que o Código Tributário Nacional não hesitou em expressamente consignar o lançamento de ofício como uma atividade privativa, vinculada e obrigatória do Poder Administrativo, não podendo, de forma alguma, ser substituído por mero despacho decisório proferido nos autos de um processo administrativo”. Conclui pedindo a homologação integral do pedido de compensação e a restituição do valor de R$ 19.236,23, acrescidos de juros de mora, recolhido pela Requerente mediante DARF em 23/04/2008, além da produção de todas as provas admitidas em direito, inclusive a juntada de novos documentos. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 85): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 159DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10510.002604/200850 Acórdão n.º 1803002.490 S1TE03 Fl. 148 4 Anocalendário: 2002 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. BENEFÍCIOS. PAGAMENTO A DESTEMPO O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 RECOLHIMENTOS EM ATRASO. MULTA DE MORA. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso. COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, até a data da entrega da DCOMP. Solicitação Indeferida 3. Cientificada da referida decisão em 23/10/2008 (fls. 90), a tempo, em 24/11/2008 (segundafeira), apresenta a interessada Recurso de fls. 93 a 114, instruído com os documentos de fls. 115 a 143, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos e aduzindo mais os seguintes: a) que a decisão recorrida parte do pressuposto equivocado de que a denúncia espontânea, nos termos do artigo 138 do CTN, aplicase apenas às hipóteses de responsabilidade decorrente de ato infracional, entre as quais não se incluiria a multa de mora, cuja natureza seria meramente indenizatória, compensatória pelo atraso no pagamento; e b) que essa equivocada conclusão já se encontra amplamente superada pela doutrina e jurisprudência pátrias. Em mesa para julgamento. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10510.002604/200850 Acórdão n.º 1803002.490 S1TE03 Fl. 149 5 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator 4. Por ocasião de sua Manifestação de Inconformidade, em 06/06/2008, a Recorrente esclareceu o seguinte (fls. 15): Ressaltase que, em face da necessidade de obter a Certidão Positiva com Efeitos de Negativa para o exercício regular de sua atividade, a Requerente foi obrigada a efetuar, em 23/04/2008, o pagamento da “suposta” multa de mora no valor de R$ 19.236,23 (dezenove mil, duzentos e trinta e seis reais e vinte e três centavos Doc. 06), pois referido valor se encontrava em aberto perante a Secretaria da Receita Federal, sem que ainda tivesse dado (sic) a oportunidade de apresentação de manifestação de inconformidade pela Requerente. 5. Dessa forma, pleiteou, naquela ocasião (fls. 25): b) a restituição do valor de R$ 19.236,23 (dezenove mil, duzentos e trinta e seis reais e vinte e três centavos), acrescido de juros de mora, recolhido pela Requerente mediante DARF, em 23/04/2008, referente ao “suposto” débito de multa de mora incidente no principal do IRPJ de março/2002. 6. Anotase, por oportuno, que referido pleito se repete na peça recursal (fls. 113, alínea “b”). 7. Conforme se observa, estáse diante de novo pedido (pedido de restituição), diverso do anterior (declaração de compensação – fls. 2) este, prejudicado pelo pagamento da diferença passível de cobrança pela homologação parcial da compensação requerida , a demandar, por tempestivo aquele pleito, novo procedimento administrativo. 8. Não pode, por outro lado, esta instância administrativa se pronunciar a respeito desse novo pedido, sob pena de usurpação da competência originária da DRF local. 9. Dessa forma, deve a repartição de origem proceder à abertura de novo processo desta vez de restituição , instruindoo com a Manifestação de Inconformidade, aqui apresentada, e com os respectivos documentos a ela juntados, e dar regular seguimento a esses autos formados, com a análise da pertinência da alegação de denúncia espontânea, em face do entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) a esse respeito, proferido na Sistemática de Recursos Repetitivos (REsp 1.149.022SP), e da Nota Técnica Cosit nº 1, de 2012, item 18. 10. Por conseguinte, não se conhece de Recurso Voluntário interposto em decorrência de homologação parcial de compensação pleiteada, quando a diferença passível de cobrança já tiver sido recolhida antes mesmo da emissão do respectivo despacho decisório. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10510.002604/200850 Acórdão n.º 1803002.490 S1TE03 Fl. 150 6 Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NÃO CONHECER DO RECURSO, por falta de objeto Deve, porém, a repartição de origem, proceder à abertura de novo processo desta vez de restituição , instruindoo com a Manifestação de Inconformidade, aqui apresentada, e com os respectivos documentos a ela juntados, e dar regular seguimento a esses autos formados, com a análise da pertinência da alegação de denúncia espontânea, em face do entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) a esse respeito, proferido na Sistemática de Recursos Repetitivos (REsp 1.149.022SP), e da Nota Técnica Cosit nº 1, de 2012, item 18. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 162DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 18471.001576/2008-79
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. APLICABILIDADE. ART. 31 DA LEI 8.212/91 - REDAÇÃO DA ÉPOCA DO LANÇAMENTO.PAGAMENTO TOTAL NA PRESTADORA.INEXISTÊNCIA DE DÉBITO A APURAR.
O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Doutra banda, se comprovado que a prestadora adimpliu de forma total com sua folha de pagamento, não há parcela a ser imputado débito solidário.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2803-004.055
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I- Em preliminar, por voto de qualidade, a Turma decidiu que o atual julgador do feito não se vincula a pedido de diligência feito por outro julgador, tal fato não encontra respaldo legal, além de se configurar inversão da lógica normal de julgamento. II- por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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APLICABILIDADE. ART. 31 DA LEI 8.212/91 REDAÇÃO DA ÉPOCA DO LANÇAMENTO.PAGAMENTO TOTAL NA PRESTADORA.INEXISTÊNCIA DE DÉBITO A APURAR. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãode obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Doutra banda, se comprovado que a prestadora adimpliu de forma total com sua folha de pagamento, não há parcela a ser imputado débito solidário. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I Em preliminar, por voto de qualidade, a Turma decidiu que o atual julgador do feito não se vincula a pedido de diligência feito por outro julgador, tal fato não encontra respaldo legal, além de se configurar inversão da lógica normal de julgamento. II por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 15 76 /2 00 8- 79 Fl. 324DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 18471.001576/200879 Acórdão n.º 2803004.055 S2TE03 Fl. 3 2 assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 18471.001576/200879 Acórdão n.º 2803004.055 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a notificação fiscal lavrada, referente a contribuições apurados com base no instituto da responsabilidade solidária, decorrente da execução de contrato de cessão de mãodeobra , de acordo com o art. 3 1 , d a Lei n 2 8.212/91 , deixando de ser apresentada, pela empresa tomadora dos serviços, folhas de pagamento específicas da mãodeobra cedida e os respectivos comprovantes de recolhimento. Reproduzo excerto do relatório da r. decisão, que bem esclarece a situação posta. 7. O Lançamento foi julgado PROCEDENTE através da Decisão Notificação nº 17.401.4/0731/2003, de 15/08/2003, fls. 72/77. Devidamente notificada a PETROBRAS em 04/09/2003 (fls. 78) e a INCAPI, notificada por edital, publicado em 17/10/2003 (fls. 79) . 8. A PETROBRAS apresentou Recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS, em 30/09/2003 (fls. 82/86), sendo que a empresa contratada não apresentou recurso. 9. Após a elaboração das ContraRazões, às fls. 91/93, o processo foi encaminhado ao CRPS. 10. A 2ª Câmara de Julgamento do CRPS, através Acórdão 0001115, de 28/06/2004 (fls. 95/102), decidiu anular a Decisão Notificação – DN, determinando que o INSS apresentasse elementos, com base na contabilidade do contribuinte, que justificasse o procedimento adotado e, que fossem utilizados outros meios para localizar o contribuinte (prestador de serviços) tais como diligência junto à Receita Federal, Junta Comercial, Secretaria da Fazenda Estadual, Cadastro do ISS etc, utilizando inclusive edital na praça de localização do mesmo, pois entendeu que o INSS não se esforçou para localizá lo, já que publicou edital de citação em praça diversa da do contribuinte. 11. Inconformada com a Decisão, considerando que não houve vício insanável que acarretasse a nulidade da DN, o INSS interpôs Pedido de Revisão do Acórdão (fls. 103/108). 12. As empresas interessadas foram devidamente comunicadas do Acórdão assim como do Pedido de Revisão (fls. 109 e 116), sendo concedido às mesmas, prazo para manifestação, o que acarretou o pronunciamento da PETROBRAS (fls. 111/114). 13. O Pedido de Revisão NÃO FOI CONHECIDO pela 2ª Câmara de Julgamento, conforme Acórdão nº 0000708, de 27/05/2005, sob a alegação de que divergência de entendimento Fl. 326DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 18471.001576/200879 Acórdão n.º 2803004.055 S2TE03 Fl. 5 4 não é causa para revisão de julgados deste conselho (fls. 119/123) O r. acórdão – fls 243 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo a Notificação lavrada. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário, alegando, em síntese, o seguinte: · É importante mencionar que a NFLD ora atacada não faz qualquer menção, seja no seu relatório; seja nos seus fundamentos, onde estaria caracterizada a responsabilidade tributária da ora Recorrente. Limita se apenas a mencionar o objeto contratual, deixando, contudo, de apontar onde estaria consubstanciada a cessão de mãodeobra, necessária para ensejar a lavratura da indigitada NFLD. Notese que esse objeto faz expressa menção a um serviço específico e não indica qualquer tipo de "cessão". · Além disso, a Fiscalização, no relatório "Fundamentos Legais do Débito", se restringiu a apontar diversos dispositivos, deixando de elaborar uma argumentação lógica e de correlação entre os fatos que, pretensamente, ensejaram a lavratura da NFLD e os fundamentos, legais e normativos, em que se apoiaram. · Da irretroatividade da aplicação do Enunciado 30 do CRPS. Processo Administrativo Fiscal Art. 2°, XIII, da Lei 9.784/99. · Do descumprimento da Decisão do CRPS.Anulação da DN e realização de diligência fiscal suplementar para evitar duplo pagamento. · Inexistência da "cessão de mãodeobra" Ausência de fato gerador que justifique a exação, carece a NFLD de requisito formal necessário, eis que a Fiscalização não especificou onde estaria devidamente caracterizada essa hipotética cessão de mãodeobra, ocorrida naquele contrato. · Não houve um serviço contínuo, com a colocação de empregados / segurados à disposição da Recorrente, de modo a configurar uma cessão de mãodeobra, e, por via de conseqüência, ensejar a responsabilidade tributária. É o caso do contrato firmado entre a Recorrente e a contratada, que versou sobre uma prestação de serviços específica, com direção e coordenação exclusivas da contratada e dentro dos estreitos limites do objeto, com a execução do serviço pelo todo (não o fornecimento de mãodeobra) e com prazo para consecução. · Impõese dizer que é inegável a existência da previsão de solidariedade passiva na Lei; mas, importante aqui ressaltar, é que essa solidariedade pressupõe a configuração prévia da dívida ou da obrigação, a fim de que o credor possa imputála a um dos devedores solidários. Essa previsão legal, porém, não conferiu à Autarquia competência para presumir que o contribuinte originário não efetivou Fl. 327DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 18471.001576/200879 Acórdão n.º 2803004.055 S2TE03 Fl. 6 5 os recolhimentos e, diretamente, cobrar do devedor solidário um crédito ainda não configurado em face do devedor originário. · Exclusão dos responsáveis legais. · Irregularidade na base de cálculo aplicada · Necessidades de diligências complementares. Está comprovado que a Fiscalização se absteve de cumprir o que foi determinado pelo CRPS, deixando de promover a diligência fiscal diretamente na contabilidade da empresa contratada. · Requer primeiramente, constatada a ocorrência de erro formal em sua lavratura, a Recorrente requer a V.Sa. o cancelamento da Notificação Fiscal em epígrafe, tendo em vista a nulidade acima apontada. Requer, também, a reapreciação dos documentos acostados aos autos, com a sua detida análise e, se ainda assim permanecer o entendimento de que a documentação não se presta para elidir o lançamento, requer a esse Douto Conselho que determine a baixa dos autos para a imediata realização das diligências determinadas no Acórdão proferido pela 2a Câmara do CRPS. · Sendo assim, nos termos da fundamentação aduzida acima, onde restou demonstrado que não há como prosperar o entendimento contido no Auto de Infração e no Acórdão em referência, a Recorrente requer a esse Douto Órgão Julgador que conheça e, ao final, dê provimento ao presente recurso, extinguindo integralmente o lançamento tributário, para todos os fins de direito. · Aproveita e reitera todos os termos de sua defesa, como se aqui os mesmos estivessem transcritos, protestando, ainda, pela juntada de documentação superveniente, caso necessário se faça para demonstrar o direito da Recorrente, bem como pela produção de todos os meios de prova em Direito admitidos, em especial a técnica pericial, se necessário for. · Por fim, requer também a imediata exclusão dos nomes dos diretores, sócios e demais responsáveis legais da Recorrente do pólo passivo das presentes autuações. É o relatório. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 18471.001576/200879 Acórdão n.º 2803004.055 S2TE03 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. DA EXCLUSÃO DOS SÓCIOS DOS RELATÓRIOS CORESP E VÍNCULOS Os relatórios CORESP RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS e VÍNCULOS RELAÇÃO DE VÍNCULOS trazem os responsáveis pela administração da empresa, com sua respectiva qualificação e período de atuação. Os referidos relatórios foram lavrados em consonância com a legislação vigente, não tendo que se falar em retificação dos mesmos. Acrescentese que a presença nos referidos relatórios não implica em automática sanção, pois apenas sintetizam informações que constam dos registros públicos de constituição da própria empresa, disponíveis a qualquer cidadão. A responsabilidade pelos débitos apurados, até o presente momento, é somente da empresa autuada. DA DECISÃO DO CRPS O acórdão do CRPS traz o seguinte: Assim entendo que o INSS deve apresentar elementos, com base na contabilidade do contribuinte, que justifique o procedimento adotado ... CONCLUSÃO: Pelo exposto voto no sentido de anular a decisãonotificação 17.401.4/0731/2003, fls. 66/71, determinando que seja observado o que foi exposto no voto acima. Percebese que não há determinação de diligência alguma, e nem poderia, pois diligência é cabível para instrução processual, quando o julgador entende que necessita de novos esclarecimentos para formar seu juízo acerca do que debatido. Dessa feita, sempre os procedimentos diligentes PRECEDERÃO a decisão da turma. Se uma decisão é tomada – caso dos autos, fica patente que não há que se falar em diligência para instruir o processo, pois seu objetivo, trazer esclarecimentos ao julgador para sua decisão, esvaiuse. Existe, isso sim uma genérica orientação para se evitar duplicidade de cobrança. Assim sendo, não há que se falar em descumprimento de diligência, uma vez que sequer há determinação desta. Para esgotar a discussão, vejamos a legislação pertinente. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 18471.001576/200879 Acórdão n.º 2803004.055 S2TE03 Fl. 8 7 O regimento interno do CRPS bem esclarece a função da diligência – Portaria 88/2004: Art. 12. Incumbe ao conselheiro relator das Câmaras e Juntas: I presidir e acompanhar a instrução do processo no âmbito do Colegiado, inclusive requisitando diligência preliminar, até sua inclusão em pauta; Nessa linha a portaria RFB 1687/14 Art. 3º Para os fins desta Portaria, entendese por procedimento fiscal: ... II de diligência: ações que tenham por objeto a coleta de informações ou outros elementos de interesse da administração tributária, inclusive para atender exigência de instrução processual. Regimento interno do CARF Art. 18 I determinar, de ofício, diligência para suprir deficiências de instrução de processo; Fica assim patente que as diligências se referem à instrução processual, e se fazem necessárias quando o julgador necessita de outros elementos para firmar sua convicção. A diligência é do julgador do feito. Caso haja mudança de relator, o novo julgador tem total liberdade para apreciação das provas, podendo assim entender desnecessárias diligências já requeridas caso as provas presentes se mostrem suficientes, no seu entender. Apenas a título de argumentação, não há como uma autoridade julgadora se vincular a necessidade de instrução processual determinada por outra instância julgadora, não apenas por flagrante infração à lei, mas também por clara violação ao princípio da convicção do relator do feito, este sim deve apreciar as provas e determinar se o processo esta ou não pronto para julgamento. Vejamos o decreto 70.235/72 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 330DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 18471.001576/200879 Acórdão n.º 2803004.055 S2TE03 Fl. 9 8 SEÇÃO VI Do Julgamento em Primeira Instância Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Fica assim demonstrado que o atual julgador do feito não se vincula a pedido de diligência feito por outro julgador, tal fato não encontra respaldo legal, além de se configurar inversão da lógica normal de julgamento. DA AUTUAÇÃO O relatório fiscal informa se tratar de autuação em razão de solidariedade entre contratante e contratado, por conta do contrato 110.2.049.985 firmado com INCAPI ELÉTRICA E INSTRUMENTAÇÃO LTDA, mediante cessão de mão de obra, para serviços de escavação de valas, instalação de válvulas, montagem de tubulação, pintura, demolição de concreto, remoção entulho, etc... Dessa feita, não há como acolher o argumento de obscuridade no relatório, que aponta o contrato a que diz respeito e as atividades envolvidas, inclusive a própria defesa apresentada demonstra total conhecimento da matéria. A atividade descrita por certo se enquadra no conceito de cessãodemão de obra, registrese que a recorrente faz genérica defesa sem se reportar diretamente ao enquadramento da atividade desenvolvida por INCAPI ELÉTRICA. Sobre eventual pagamento em duplicidade ou sobre obrigação extinta, houve diligência de fls 48 e ss informando que a documentação apresentada não altera o débito pois se refere a todos os empregados da empresa e não apenas os que prestaram serviço à Petrobrás. Discordo da conclusão da diligência, pois se a documentação se refere a todos os empregados da empresa INCAPI, e existe GRPS confirmando o pagamento total fls 43, tenho que não há que se falar em fato gerador sujeito à imputação solidária, apontando a improcedência da autuação. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, doulhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 18471.001576/200879 Acórdão n.º 2803004.055 S2TE03 Fl. 10 9 Fl. 332DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
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Numero do processo: 37376.001287/2006-31
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 06 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/1999 a 31/12/2005
SALÁRIO INDIRETO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO - PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDÊNCIÁRIA. JUROS SELIC. INCOSTITUCIONALIDADE DE LEI. DECLARAÇÃO. VEDAÇÃO. DECADÊNCIA
1- De acordo com o artigo 34 da Lei n° 8212/91, as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas elo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal e lançamento, pagas com atraso ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia -SELIC incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável.
2- A teor do disposto no art. 49 do Regimento Interno deste Conselho é vedado ao Conselho afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto sob o fundamento de inconstitucionalidade, sem que tenham sido assim declaradas pelos órgãos competentes. A matéria encontra-se sumulada, de acordo com a Súmula n° 2 do 2º Conselho de
Contribuintes.
3-Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n°s 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria.
Termo inicial: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial, (CTN, ART. 150, §4°).
No caso, trata-se de tributo sujeito a lançamento por Homologação e houve antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art. 150, § 4 ° do CTN
2-Nos termos do artigo 28, inciso I, da Lei n° 8.212/91, c/c artigo 457, § Iº, da CLT, integra o salário de contribuição, a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título aos segurados empregados, objetivando retribuir o trabalho.
A verba paga pela empresa aos segurados empregados por intermédio de programa de incentivo, administrativo pela empresa INCENTIVE HOUSE é fato gerador de contribuição previdenciária.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 2401-000.120
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos, em declarar a decadência das contribuições apuradas até a competência 11/2000; II) Por maioria de votos, em declarar a decadência das
contribuições apuradas até a competência 11/2001. Vencidas as Conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Bernadete de Oliveira Barros e Ana Maria Bandeira, que votaram por declarar a decadência das. contribuições apuradas até à competência 11/2000; e III) Por unanimidade de votos: a) em rejeitar a preliminar de nulidade; e b) no mérito, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: Cleusa Vieira de Souza
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Numero do processo: 10283.900008/2010-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005
DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM.
Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.497
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 00 08 /2 01 0- 82 Fl. 345DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de compensação de débitos próprios com crédito oriundo de pagamento a maior de Imposto de Importação – II e de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, com origem no período de 08/05/2001 a 12/12/2005. A compensação não foi homologada, ao fundamento de que o DARF a indicado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Alegado pela contribuinte o cometimento de um equívoco no preenchimento do DARF, os autos foram baixados em diligência pela DRJ, quando se constatou que o presente processo é conexo ao de nº 10283.007613/200604, por meio do qual se requereu a restituição do crédito que se pretende compensar. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o argumento de inexistência do direito creditório objeto do processo nº 10283.007613/200604. No prazo legal, a contribuinte apresentou recurso voluntário, cujas razões de defesa não serão relatadas em vista do que se passa a expor no voto. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP objetivando a compensação de débito próprio com crédito oriundo de pagamento indevido de II e de IPI vinculado que são objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604. Como o direito à restituição foi negado, também aqui negouse o direito à compensação. Contudo, nesta mesma sessão de julgamento consideraramse indevidas as razões adotadas pela DRF de origem, e mantidas pela instância de piso, para denegar o pedido de restituição, motivo pelo qual determinouse que os autos do processo administrativo n.º 10283.007613/200604 devem retornar à DRF para que, ultrapassada a questão decidida no julgamento, estime os valores a serem restituídos. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que a DRF de origem, após a análise do direito creditório objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604, profira nova decisão quanto ao pedido de compensação. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.900008/201082 Acórdão n.º 3202001.496 S3C2T2 Fl. 346 3 É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 347DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 10932.720148/2012-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
PREMIAÇÃO DE INCENTIVO. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. NATUREZA REMUNERATÓRIA. INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA DA EXAÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
As premiações de produtividade devem ser compreendidas no conceito de remuneração de contribuintes individuais, integrando, para efeito de incidência de contribuições previdenciárias, o salário de contribuição de ambos os tipos de segurados.
DÚVIDAS SOBRE AS CIRCUNSTÂNCIAS MATERIAIS DO FATO. INTERPRETAÇÃO MAIS FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE.
Em conformidade com o art. 112 do CTN, a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos.
NORMAS GERAIS. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTAS. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, deve-se comparar as penalidades sofridas, a(s) antiga(s) em comparação com a(s) determinada(s) pela nova legislação.
Numero da decisão: 2301-004.239
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, no lançamento da contribuição do segurado, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao recurso, nas demais razões da recorrente, nos termos do voto do Relator; II) Por voto de qualidade: a) em manter a multa aplicada, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente. Redator: Marcelo Oliveira. Sustentação oral: Maurício Pernambuco. OAB: 170.872/SP.
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - RELATORRelator.
EDITADO EM: 15/01/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, ANDREA BROSE ADOLFO, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANO GONZALES SILVERIO
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PREMIAÇÃO DE INCENTIVO. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. NATUREZA REMUNERATÓRIA. INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA DA EXAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. As premiações de produtividade devem ser compreendidas no conceito de remuneração de contribuintes individuais, integrando, para efeito de incidência de contribuições previdenciárias, o salário de contribuição de ambos os tipos de segurados. DÚVIDAS SOBRE AS CIRCUNSTÂNCIAS MATERIAIS DO FATO. INTERPRETAÇÃO MAIS FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. Em conformidade com o art. 112 do CTN, a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos. NORMAS GERAIS. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTAS. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, deve-se comparar as penalidades sofridas, a(s) antiga(s) em comparação com a(s) determinada(s) pela nova legislação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, no lançamento da contribuição do segurado, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao recurso, nas demais razões da recorrente, nos termos do voto do Relator; II) Por voto de qualidade: a) em manter a multa aplicada, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente. Redator: Marcelo Oliveira. Sustentação oral: Maurício Pernambuco. OAB: 170.872/SP. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA - Presidente. (assinado digitalmente) MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - RELATORRelator. EDITADO EM: 15/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, ANDREA BROSE ADOLFO, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANO GONZALES SILVERIO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PREMIAÇÃO DE INCENTIVO. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. NATUREZA REMUNERATÓRIA. INTEGRAÇÃO AO SALÁRIODE CONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA DA EXAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. As premiações de produtividade devem ser compreendidas no conceito de remuneração de contribuintes individuais, integrando, para efeito de incidência de contribuições previdenciárias, o salário de contribuição de ambos os tipos de segurados. DÚVIDAS SOBRE AS CIRCUNSTÂNCIAS MATERIAIS DO FATO. INTERPRETAÇÃO MAIS FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. Em conformidade com o art. 112 do CTN, a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos. NORMAS GERAIS. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTAS. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplica se a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, devese comparar as penalidades sofridas, a(s) antiga(s) em comparação com a(s) determinada(s) pela nova legislação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 72 01 48 /2 01 2- 49 Fl. 585DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, no lançamento da contribuição do segurado, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao recurso, nas demais razões da recorrente, nos termos do voto do Relator; II) Por voto de qualidade: a) em manter a multa aplicada, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente. Redator: Marcelo Oliveira. Sustentação oral: Maurício Pernambuco. OAB: 170.872/SP. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente. (assinado digitalmente) MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR RELATORRelator. EDITADO EM: 15/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, ANDREA BROSE ADOLFO, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANO GONZALES SILVERIO Relatório Adoto o relatório constante do decisum recorrido [fls. 533 e ss]: Depreendese do Termo de Constatação Fiscal que o processo administrativo de nº 10932.720148/201249, compreende os seguintes Autos de Infração: nº 37.391.5985 referese a contribuições correspondentes à parte da empresa, sobre pagamentos de valores, por meio de premiação intitulada "Programa de Premiação para os Vendedores da Rede de Concessionárias", a segurados contribuintes individuais, para o período de 01/2008 a 09/2008, 11/208 e 12/2008 e, nº 37.391.6000 referese a contribuições correspondentes à parte dos segurados, sobre pagamentos de valores, por meio de premiação intitulada "Programa de Premiação para os Vendedores da Rede de Concessionárias", a segurados contribuintes individuais, para o período de 01/2008 a 09/2008, 11/208 e 12/2008. Fl. 586DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10932.720148/201249 Acórdão n.º 2301004.239 S2C3T1 Fl. 586 3 A autoridade fiscal esclarece, inicialmente, que de acordo com as informações prestadas pela Mercedes – Benz em DIRF dos anos calendário de 2008 a 2011 elaborou uma relação de beneficiários declarados no código 0588 – Rendimentos do Trabalho sem Vinculo Empregatício e constatou diferenças entre esses valores e os declarados na GFIP. Desse modo solicitou esclarecimentos à empresa que se pronunciou nos seguintes termos: Em 02/04/2012 e em 27/04/2012, a empresa prestou esclarecimentos quanto às diferenças apontadas entre a DIRF e a GFIP. Justificou com base em 3 fundamentos distintos, sendo um deles referente ao descasamento entre o regime de reconhecimento do crédito das remunerações para fins do Imposto sobre a Renda retido na Fonte daquele previsto para as Contribuições Sociais (fatos geradores do ano anterior declarados em GFIP nesse ano e pago no ano seguinte e, conseqüentemente, declarados em DIRF nesse ano seguinte), gerando a divergência. Outro fato diz respeito a pagamentos efetuados por meio de opção de ações (stock options), que originou lançamento por meio dos processos n° 10932.720149/201293 e n° 10932.720152/201215. O terceiro fato diz respeito a pagamento a beneficiários por meio de premiação, objeto do presente auto de infração e do auto de infração cujo processo é o de n° 10932.720151/201262. O contribuinte esclarece, ainda, que esta situação (pagamento de premiação não declarado em GFIP) engloba todos os casos constantes nas listas anexas aos termos lavrados em 08/02/2012 e em 04/04/2012 que não os justificados como descasamento entre o regime de reconhecimento do crédito das remunerações, e pagamentos efetuados por meio de opção de ações stock options. Sendo assim, fazse a indicação dos valores por exclusão dos expressamente mencionados. Esta fiscalização, portanto, já possui esta relação de beneficiários, mostrada na Tabela 1 em anexo intitulada "Programa de Premiação para os Vendedores da Rede de Concessionárias anoscalendário de 2008". Da análise dessas explicações a autoridade fiscal destaca o seguinte: Na resposta da empresa em 02/04/2012 e em 27/04/2012, destacamos os seguintes tópicos: "visando estimular as vendas dos veículos de sua marca, a Notificada instituiu programa de premiação dos vendedores que trabalham na rede de concessionárias." Fl. 587DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 4 Estes programas consistem no pagamento de prêmios aos vendedores, conforme a performance de vendas atingidas. ... Vale destacar também que todas essas campanhas de marketing são criadas e administradas por uma empresa do setor, especialmente contratada para desenvolver estas atividades. ...para viabilizar estes pagamentos, as concessionárias reportam à empresa de marketing contratada para administrar o pagamento de tais benefícios, quem e quais foram os volumes negociados por determinados vendedores. Esta empresa realiza os pagamentos, sendo posteriormente reembolsada pela Notificada." O contribuinte, em 02/04/2012, apresentou os Programas de Premiação dos Vendedores da rede de concessionárias, contendo as regras dos referidos programas: Campanha PROCAMINHONEIRO período de 2006; Campanha Multiplique Prêmios com Rodobens Consórcio período de 2007; Ação Cooperada Sprinter 2008 Setembro e Outubro; Ação Sprinter 2008 Novembro; Ação Sprinter 2008 Dezembro; Ação Relâmpago Caminhões 2008 Dezembro; Ação Especial de Vendas Sprinter 2009 Novembro e; h)Ação Especial de Vendas Sprinter 2009 Dezembro. O contribuinte deixou de apresentar, portanto, os Programas relativos aos anos de 2010 e 2011. (...) Do exame dos Programas de Premiação dos Vendedores e das explicações solicitadas à empresa a autoridade fiscal resume a motivação do lançamento: (...) Conforme alega o contribuinte, visando estimular as vendas dos veículos de sua marca, foram instituídos programas de premiação dos vendedores que trabalham na rede de concessionárias. Este programa consiste no pagamento de prêmios aos vendedores, conforme a performance das vendas atingida. O programa é administrado pela empresa terceirizada Mark Up Participações e Promoções Ltda, que faz os repasses dos prêmios aos vendedores da rede concessionária. Esta empresa, sendo a responsável pela administração dos programas de premiação, Fl. 588DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10932.720148/201249 Acórdão n.º 2301004.239 S2C3T1 Fl. 587 5 efetua os pagamentos aos vendedores e é reembolsada por isso. O contribuinte alega que os pagamentos não compõem a base de cálculo da contribuição previdenciária, conforme respostas da empresa em 02/04/2012 e em 27/04/2012: "E é justamente a esta figura, marketing de incentivo com não funcionários, que estamos lidando no presente caso. Por esta razão a premiação paga não foi incluída em GFIP. Não se trata de remuneração, mas sim de uma premiação que não decorre de qualquer relação contratual ou trabalhista direta entre a Notificada e os premiados. Não há relação direta entre referidos vendedores e a Notificada. Eles não lhe prestam qualquer serviço e não se estabelece qualquer relação contratual ou de emprego. Estamos diante de uma promessa de recompensa que não se confunde com uma relação de trabalho (empregado ou autônomo)." "O fato de se ter optado pela rubrica 0588 decorre da inexistência de uma específica para o pagamento da hipótese sob análise." Desse ponto em diante a fiscalização passa a descrever pormenorizadamente em que base se deram os pagamentos tirando inclusive informações no site da empresa intermediária MARK UP, das Notas Fiscais emitidas e dos Contratos de Prestação de Serviços e Outras Avenças Programa de Relacionamento Mercedes – Benz –Multiclube e a MARK UP Participações e Promoções Ltda. Acrescenta que os fatos geradores das contribuições lançadas foram os pagamentos de valores, por meio de programa de premiação, valores esses declarados nas DIRF dos anos calendário 2008 a 2011 como base de cálculo do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF. Os beneficiários foram indicados pela empresa, conforme resposta da empresa em 02/04/2012 e em 27/04/2012, e declarados no código 0588 Rendimentos do Trabalho sem Vínculo Empregatício. E quanto à relação considerada existente (e caracterizada) entre o contribuinte e aqueles que, no final das contas, foram os prestadores de serviços e beneficiários dos créditos recebidos, como se trata de pagamentos realizados “a equipe de vendas dos concessionários” e como os pagamentos foram feitos às pessoas Fl. 589DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 6 físicas destas “equipes” tais pessoas físicas (contratados, empregados ou administradores de terceiros – as concessionárias) foram considerados como prestadores de serviço do tipo “contribuintes individuais”. Quanto a constituição do crédito tributário a autoridade fiscal discrimina a forma e critérios a adotadas no que concerne às multas aplicadas, aponta os documentos onde consta as alíquotas aplicadas e relaciona os respectivos levantamentos Regularmente cientificado o sujeito passivo apresenta impugnação para as duas autuações (37.391.5985 e 37.391.6000) relatando em primeiro, o motivo e os termos em que foi lançada a exigência fiscal, entendendo que a imposição decorre de equivocada interpretação dos fatos e da legislação que rege a matéria. A seguir argumenta preliminarmente que quanto as divergências constatadas (entre a DIRF e a GFIP ) as mesmas tem origem em premiações pagas pela impugnante aos vendedores da rede de concessionárias da marca Mercedes – Benz e que os mesmos mantêm relação de emprego exclusiva com as concessionárias de veículos da marca ( meras lojas revendedoras), razão pela qual as premiações não foram incluídas na GFIP. No mérito, delineia os aspectos constitucionais das contribuições sociais sobre a Folha de Salários afirmando que estariam ausentes na interpretação da autoridade fiscal quaisquer dos elementos que fixariam a incidência da contribuição previdenciária: relação de emprego e trabalho e remuneração de trabalho prestado. Transcreve os artigos 12, 22 e 28 da Lei 8.212/91, a fundamentar o caráter normativo da contribuição previdenciária do contribuinte individual para perguntar ao fim da explanação se, à relação existente entre a impugnante e os vendedores das concessionárias, podese aplicar esses conceitos. Traça as linhas gerais em que se realizaram os programas de premiação, explicando que firmou contratos de prestação de serviços com empresas interpostas e especializadas em campanhas de relacionamento promocionais e de incentivo objetivando estimular o alcance de metas mediante a premiação dos participantes, podendo destinarse tanto ao publico interno, como para funcionários e equipes de outras empresas, como na hipótese em estudo. Esclarece que os valores dos prêmios eram pagos pela MARK UP aos beneficiários e reembolsados pela Impugnante, que identificava tais premiações individualizadamente em DIRF e submetia tais valores ao Imposto sobre a Renda Retida na Fonte. Vê como impossível a exigência de contribuições previdenciárias, tanto as patronais como as dos segurados em relação aos valores recebidos no âmbito do programa de premiação, por inexistir, em suas palavras, caráter contraprestativo, vez que se está diante de uma promessa de pagamento futuro de um prêmio às pessoas que atingirem um resultado previamente estipulado no programa durante o Fl. 590DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10932.720148/201249 Acórdão n.º 2301004.239 S2C3T1 Fl. 588 7 período de campanha especifica, nos termos exatos do que determina o artigo 854 do Código Civil. Entende que as duas das características de trabalho autônomo: onerosidade e pessoalidade não estão presentes nas campanhas de incentivo de vendas, razão pela qual, é inviável o enquadramento desses pagamentos como sendo de trabalho autônomo. Inexiste ainda a ratificar esse entendimento o “risco da atividade”, uma vez que compete às concessionárias o pagamento de salário pela relação de trabalho, entre eles, existente. Complementa as razões de defesa, explicando que não existe outro código de receita que melhor se ajuste aos pagamentos decorrentes de premiação no âmbito de programas de incentivos de vendas, do que aquele 0588 Rendimentos do Trabalho sem Vínculo Empregatício . Ademais pelas razões já expostas, tais valores não teriam necessidade de ser declarados em GFIP, afinal não se constituem em rendimento de trabalho. Informa que em decisão, ainda não definitiva, proferida pela Terceira Vara Federal de São Bernardo, em Ação Anulatória movida pela Impugnante em face da União para discutir crédito de idêntica natureza, foi reconhecida a não incidência das contribuições previdenciárias sobre os pagamentos de premiação. Por derradeiro e pelas razões expostas, requer seja julgada procedente a Impugnação e cancelados os lançamentos representados pelos Autos de Infração nº 37.391.5985 e nº 37.391.6000. Em 20 de junho 2013, a 9ª Turma da DRJ/CPS julgou procedente a autuação: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRÊMIO DE PRODUTIVIDADE. FATO GERADOR DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Integra o salário de contribuição o pagamento de prêmios a contribuintes individuais vendedores da rede de concessionárias por intermédio de empresa interposta , vez que visam retribuir o trabalho conforme o art. 28, III, da Lei nº 8.212/91 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O Sujeito Passivo foi cientificado do decisum em 23/07/2013, tendo interposto tempestivamente o Recurso Voluntário em 13/08/2013 [fls. 548 e ss]. Em resumo, reitera os argumentos da impugnação. É o relatório. Fl. 591DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 8 Voto Vencido Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior Relator Sendo tempestivo o Recurso Voluntário, passo ao exame das questões preliminares e, posteriormente, ao mérito. I INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES SOBRE AS PREMIAÇÕES DE INCENTIVO A Recorrente argumenta basicamente que as divergências constatadas pela fiscalização foram originadas em premiações estabelecidas em programas administrados por uma empresa terceirizada de publicidade e marketing, denominada Mark UP Participações e Promoções Ltda., e pagas a pessoas físicas não vinculadas à MercedesBenz, por serem funcionários de sua rede de concessionárias, não lhe prestando qualquer serviço, não se estabelecendo, portanto, qualquer relação contratual, de emprego ou de serviço e sequer fática. Por isso a premiação não foi incluída em GFIP, o que deu origem às diferenças apontadas pela fiscalização. Salienta que a eventualidade característica desses prêmios faz com se subordinem ao figurino legal descrito na Lei nº 8.212/91 como “ganhos eventuais”, excluídos das imposições previdenciárias por previsão expressa do art. 28, § 9º, alínea “e”, item 7, o que imporia o reconhecimento da improcedência dos lançamentos formalizados a esse título. O inconformismo da Recorrente centrase, portanto, nos predicativos habitualidade e liberalidade, que, a seu ver, adjetivariam as premiações pagas por intermédio dos cartões de incentivo, retirandolhes qualquer vocação remuneratória. Além disso, assevera a Recorrente que “estes vendedores mantêm relação de emprego com as concessionárias da marca MercedesBenz e que tais concessionárias não possuem relação patrimonial/societária com a Recorrente”[fls. 550]. Tais alegativas, no entanto, não possuem o condão de infirmar a regularidade do lançamento posto em exame. Para justificar essa conclusão permitome uma breve digressão sobre o tema dos prêmios pagos por ocasião de campanhas de “marketing de incentivo”. Valhome, para esse mister, das preleções de certa doutrina ainda incipiente, mas em defesa da qual se têm associados nomes com alguma proeminência no cenário do direito previdenciário, dentre os quais o de Wagner Balera1, que se aventura a reconhecer nas premiações de incentivo a categoria civilista da promessa de recompensa, preconizada nos arts. 854 e seguintes do Código Civil. Essa doutrina apregoa que o “marketing de incentivo”, como método de exortação de produtividade, é hoje uma exigência mercadológica inarredável, utilizada “para estimular e/ou motivar equipes internas, distribuidores e revendedores a atingirem objetivos e 1 Balera, Wagner; Kerbauy, Luis Rodrigues. Marketing de incentivo e contribuição ao INSS. Artigo Publicado na edição de 09.02.2007 do Valor Econômico, Legislação e Tributos, p. E2. Disponível em: <http://www2.senado.gov.br/bdsf/bitstream/id/77668/1/noticia.htm>. Acesso em: 23. 05. 2008. Fl. 592DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10932.720148/201249 Acórdão n.º 2301004.239 S2C3T1 Fl. 589 9 metas estabelecidas, oferecendo premiação e reconhecimento para as melhores performances2”. Na instituição desses programas motivacionais e de suas premiações não haveria, segundo essa tese, um acordo entre as vontades da empresa e do empregado ou do colaborador, mas tão somente uma promessa de pagamento futuro, condicionada ao cumprimento de certas condições regulamentares. Essa promessa não se integraria ao contrato de trabalho, mas se sustentaria como uma figura obrigacional autônoma, oriunda de um ato unilateral da empresa, cujo adimplemento seria garantido pelo art. 854 do Código Civil, que tem o seguinte teor: “Art. 854. Aquele que, por anúncios públicos, se comprometer a recompensar, ou gratificar, a quem preencha certa condição, ou desempenhe certo serviço, contrai obrigação de cumprir o prometido.” O enquadramento da campanha de motivação no conceito de promessa de recompensa, contudo, estaria subordinado ao atendimento de certas exigências de forma, sem o que não seria possível retirar da premiação sua carga salarial. Dentre as condições a serem observadas, estariam a elaboração de um regulamento com a descrição detalhada do plano de incentivo, a ser publicado e colocado à disposição de todos os participantes da campanha. Wagner Balera e Luis Rodrigues Kerbauy identificam quatro elementos mínimos à caracterização das campanhas motivacionais como promessa de recompensa: “Somente com a fixação de parâmetros claramente definidos e do mais amplo acesso de todos os possíveis participantes às regras adrede estipuladas será possível a caracterização da verdadeira natureza, desvinculada do conceito de remuneração. São, portanto, elementos mínimos comuns às diversas campanhas: a) públicoalvo; b) condicão; c) termo; d) premiação. A seleção do grupo deve estar baseada exclusivamente em critérios objetivos, relevantes para o funcionamento da campanha, que prestigiem as finalidades pretendidas com a implantação do programa. A condição, critério a ser nitidamente especificado na campanha, lhe confere caráter condicional, somente aperfeiçoandose o negócio jurídico quando preenchidos os parâmetros específicos, divulgados previamente na campanha. Temse, ainda, que a proposta de atuação encontrase demarcada pela sua natureza excepcional, de sorte que o programa de incentivo deve ter duração limitada e periodicidade eventual. Tratase, deste modo, de sazonal situação com fixação de prazos para que os interessados manifestem sua intenção de participar da disputa bem como mediante estipulação do momento em que será considerada implementada a condição.” 2 Fregonesi Júnior, Moacir. Aspectos FiscaisPrevidenciários do Marketing de Incentivo. Disponível em: <http://www.cbsg.com.br/resultado_publicacoes.php?action=2&tipo=3>. Acesso em: 23.05.2008. Fl. 593DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 10 Moacir Fregonesi Júnior3 sublinha ainda um outro aspecto fundamental, referente aos efetivos beneficiários das campanhas motivacionais. Para ele, o pagamento de recompensa não pode ser estendido indiscriminadamente a todos os funcionários e colaboradores da empresa promovedora da campanha de marketing, devendo ser reservado somente àqueles participantes que obtiverem os desempenhos mais destacados. A propósito, convém transcrever algumas de suas ponderações: “Por fim, entre as características apontadas acima, dissemos que, no marketing de incentivo, premiase o desempenho alcançado pelo participante (alínea iv). Na realidade, em geral, premiase o melhor ou melhores desempenho(s) alcançado(s) pelo(s) participante(s) entre todos os envolvidos, segundo as metas estipuladas. Em outras palavras, não se trata de premiar distintamente todos os participantes, segundo o desempenho que cada um teve. Em regra, somente os participantes de melhor desempenho são premiados, o que financeiramente justifica, aliás, a utilização desse tipo de campanha de marketing (custo de campanha x resultados obtidos). Daí porque campanhas de marketing de incentivo serem muitas vezes chamadas de concurso gincana ou promoção.” Ao discorrer sobre a natureza jurídica da premiação de incentivo, distinguindoa das gorjetas, das gratificações e das comissões, o mencionado articulista reitera a advertência antes feita sobre o número de participantes a serem efetivamente contemplados, obtemperando o seguinte: “Além disso, a premiação dessas campanhas normalmente não se vincula apenas à consecução de uma meta préestabelecida (a concretização de um determinado volume de vendas ou faturamento, por exemplo) pelos participantes. Tratase, na verdade, de uma promessa de pagamento futura àquele que, de acordo com seu desempenho, obtiver melhor colocação entre todos os participantes em um dado período, de acordo com os critérios de classificação previamente estabelecidos. Assim, os pagamentos em questão, antes de representar retribuição direta pelas metas alcançadas, são de fato uma recompensa pelo implemento de duas condições conjuntas: (i) a classificação do participante segundo os critérios de desempenho previstos; e (ii) sua colocação entre os primeiros de todos os participantes da campanha.” A limitação do pagamento da premiação de incentivo apenas aos primeiros colocados da campanha/concurso é traço característico que irá individualizar as premiações como verdadeiras promessas de recompensa, desvinculandoas, definitivamente, do brio remuneratório geralmente atribuído pela doutrina aos prêmios. As anotações de Maucir Fregonesi Júnior são, mais uma vez, de grande valor elucidativo: “Do mesmo modo, tais promessas de pagamento também não se enquadram perfeitamente no conceito de comissão, pois inexiste 3 Fregonesi Júnior, Moacir. Aspectos FiscaisPrevidenciários do Marketing de Incentivo. Disponível em: <http://www.cbsg.com.br/resultado_publicacoes.php?action=2&tipo=3>. Acesso em: 23.05.2008. Fl. 594DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10932.720148/201249 Acórdão n.º 2301004.239 S2C3T1 Fl. 590 11 retribuição automática do participante pelo desempenho que alcançou no decorrer da campanha. O desempenho é sim fundamental, mas para classificálo em um ranking que abrange todos os participantes, de acordo com critérios de apuração estabelecidos, para que apenas os primeiros colocados sejam elegíveis à premiação. Assim, na hipótese sob análise, seria comissão se todos os participantes que tivessem tido algum desempenho de venda do produto incentivado, por exemplo, recebessem um tipo de retribuição ao final da campanha, ainda que de forma escalonada, segundo faixas distintas de vendas.” Como se vê, mesmo para essa doutrina as premiações de incentivo somente se afastaram da fisionomia salarial quando administradas de acordo com um regulamento detalhado, de publicação obrigatória, segundo o qual apenas um seleto grupo de funcionários ou colaboradores fará jus a uma bonificação excepcional após o atingimento de uma determinada meta de produtividade. Deveras, esse modelo de premiação é bem diverso daquele que está retratado nos autos. Isso porque os anexos acostados ao Relatório Fiscal de revelam que os prêmios pagos pela Recorrente totalizavam somas significativas, distribuídas a um número também expressivo de contribuintes individuais vinculados à empresa. Não há, portanto, como reconhecerlhes a natureza de promessa de recompensa, que poderia colocálos a salvo da exigência dos recolhimentos previdenciários. Evidente, portanto, que não se trata de distribuição de premiação eventual, mas de pagamento de caráter remuneratório, que se formalizou impropriamente, por intermédio de “prêmio”, escriturados sob a rubrica contábil de pagamento a terceiros ou de despesa com campanhas de publicidade, a dificultar sobremaneira a fiscalização dos valores transferidos como premiação. Para além dessas observações, para as quais tomei de subsídio a doutrina antes sintetizada, convém retificar certa distorção interpretativa que tem sido invocada por contribuintes que pretendem, à luz do critério da habitualidade, desconstituir lançamentos previdenciários efetuados sobre essas premiações de incentivo. Isso porque, de acordo com as alegações da Recorrente, a base de cálculo para a exação previdenciária seria integrada apenas por verbas remuneratórias concedidas com habitualidade, eximindose dela, por correspondência, os ganhos não habituais. Nesse diapasão, para incidir contribuição previdenciária o pagamento feito pelas empresas deveria reunir, a um só tempo, o qualificativo remuneratório e o habitual. Advirtase, contudo, que essa não é a exegese correta a ser extraída da legislação previdenciária. Com efeito, os arts. 22, I e 28, I, da Lei nº 8.212/91 preconizam o seguinte: “Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I – 20% (vinte por cento) sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma Fl. 595DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 12 de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;” Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I – para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;” Depreendese da leitura dos dispositivos que o texto legal não cuidou de instituir a habitualidade como uma condicionante indispensável à caracterização das parcelas de natureza salarial sobre as quais incidirá a contribuição a cargo da empresa. Pelo contrário. A mensagem legal é muito mais abrangente. Quis o legislador dizer que mesmo os ganhos auferidos sob a forma de utilidades, desde que habituais, integram o conceito de remuneração. Não se objetivou, com essa especificação, excluir do conceito de remuneração as parcelas pecuniárias não habituais. A variação linguística assumida pelo enunciado tem o propósito de ampliar a hipótese de incidência da exação – abarcando também os ganhos consubstanciados em utilidades –, e não de restringíla às remunerações pagas com habitualidade. Por isso empregouse o advérbio “inclusive” na fórmula legal. A norma se antecipou a uma possível controvérsia sobre a natureza remuneratória de determinados pagamentos e lhes reconheceu esse caráter de forma explícita e bastante clara. Não é diferente a leitura que se deve fazer do inciso III do art. 22 e do inciso III do art. 28 da Lei de Custeio, quando disciplinam que: “Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: ... III – vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: ... Fl. 596DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10932.720148/201249 Acórdão n.º 2301004.239 S2C3T1 Fl. 591 13 III – para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o ;” As restrições à incidência da contribuição previdenciária devida pelas empressas em ambos os casos são unicamente aquelas elencadas na norma do art. 28, § 9º, alínea “e”, da Lei nº 8.212/91, dentre às quais a do item 7, que assim dispôe: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: ... § 9º. Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ... e) as importâncias: ... 7 – recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário;” Todavia, os ganhos eventuais enunciados na regra isentiva detalhada acima devem ser interpretados de forma estrita, por imposição do art. 111 do CTN, segundo o qual: “Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I – suspensão ou exclusão do crédito tributário; II – outorga de isenção; III – dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessória.” Isso quer dizer que mesmo os ganhos eventuais devem ser considerados na base de cálculo das contribuições previdenciárias, salvo quando evidentemente esporádicos – recebido uma única vez no ano ou semestralmente, em épocas variáveis – ou quando expressamente desvinculados da remuneração dos empregados/contribuintes individuais, é dizer, quando alijados do saláriodecontribuição por explícita disposição legal, o que não ocorre na espécie, em que a natureza remuneratória dos prêmios de incentivo é bastante manifesta, tendo em vista a freqüência com que foram pagos. Na verdade, as premiações motivacionais, notadamente quando pagas mediante cartões de incentivo, somente poderiam ser excluídas do âmbito de incidência das Fl. 597DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 14 contribuições previdenciárias se houvesse regramento legal a fixar limites e exigências formais para seu pagamento, de forma a permitir a sua fiscalização pelas autoridades previdenciárias e fiscais, inibindose com isso uma via convidativa para práticas sonegatórias. É o que se sucede, por exemplo, com as bonificações recebidas pelos segurados empregados a título de participação nos lucros das empresas. Somente os pagamentos que se façam nos moldes preconizados na Lei n 10.101/00, que resultou da conversão da MP n 1.98277/00, é que estarão isentos da incidência das imposições previdenciárias, nos termos do art. 28, § 9º, alínea “e”, item “j”, da Lei nº 8.212/91. Descumpridas as exigências enunciadas em lei, deverão ser constituídos os créditos sobre as verbas de premiação como se fossem parcelas remuneratórias comuns. Verifico que sobre o tema das premiações de incentivo há, inclusive, projeto de lei (PL nº 6746/20064 de autoria do falecido deputado Júlio Redecker) em processamento na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados. A finalidade do projeto é justamente a criação de um regime legal diferenciado apto a desonerar o pagamento de premiações concedidas por empresas públicas ou privadas numa tríplice perspectiva (fiscal previdenciáriatrabalhista). O texto original do Projeto de Lei nº 6746/2006 cuidou justamente de alinhavar formalidades e limites para permitir a desoneração dessas parcelas sem prejudicar a arrecadação fiscal e previdenciária. Avultam, por exemplo, as disposições contidas nos artigos 1º, 2º e 5º do PL 6746/2006, que peço vênia para transcrever: “Art. 1º Os valores espontaneamente pagos pelas pessoas jurídicas a título de prêmio por desempenho pessoal em projetos e metas préestabelecidos, não serão considerados salário para qualquer efeito e não integrarão a base de cálculo de encargos trabalhistas ou sociais, para incidência de contribuições previdenciárias ou do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Art. 2º Considerase prêmio por desempenho os valores não pecuniários concedidos ao beneficiário individual ou em grupo que se destine a proporcionar aumento de produtividade, eficiência, qualidade ou quantidade de bens e serviços produzidos, vendidos ou prestados pela pessoa jurídica concedente de acordo com metas ou projetos previamente definidos, observadas as demais exigência contidas na presente Lei. ... Art. 5º Os valores referentes à premiação de que trata esta lei apenas gozarão do respectivo regime se não excederem 20% (vinte por cento) do valor total da remuneração anual ou vencimentos anuais percebidos pelos seus beneficiários pessoas físicas empregados do setor público ou privado, limitado a 100 (cem) salários mínimos anuais.” 4 Projeto de Lei nº 6746/2006. Disponível em: <http://www.abdir.com.br/pj_lei/pl_abdir_4_1_07_1.pdf>. Acesso em: 23.05.2008. Fl. 598DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10932.720148/201249 Acórdão n.º 2301004.239 S2C3T1 Fl. 592 15 O teor deste Projeto de Lei é um exemplo de que a desoneração dos pagamentos de premiações, ainda fora da realidade jurídicopositiva brasileira, deverá ser implementada com temperança (apenas sobre valores não pecuniários, desde que não excedam a 100 salários mínimos anuais), após amplo debate políticolegislativo. Evidenciase, portanto, que a controvérsia sobre a incidência de contribuições previdenciárias sobre pagamentos de premiações motivacionais derivadas da prática do “marketing de incentivo”, conquanto instigante, envolve questões de renúncia fiscal cuja apreciação refoge aos limites da quadratura institucional cometida a este Conselho. Acertada, portanto, a NFLD que reconheceu o brio remuneratório das premiações recebidas pelos segurados empregados “prêmios”, fazendo incidir sobre elas as exações previdenciárias de estilo. Como bem apontou o decisum recorrido, somente aumenta sua produtividade a pessoa que já produz, e no caso essa produção relacionase ao serviço prestado à impugnante em razão do contrato avençado. Assim, o próprio contrato visando ao aumento da produtividade em questão, com relação à venda dos produtos e/ou serviços fabricados e/ou distribuídos pela impugnante, pelos gerentes, vendedores, supervisores ou assistentes demonstra a relação fática e contratual da prestação dos serviços. Como bem mencionou a fiscalização em seu Termo de Verificação e Constatação Fiscal a respeito das obrigações em relação à contratação feita pela impugnante, é obrigação da empresa contratada Mark Up “utilizarse das quantias que lhe forem disponibilizadas pela MBBRAS, para pagamento das premiações aos respectivos beneficiários, única e exclusivamente para a mencionada finalidade, observando ela, MARK UP, rigorosamente os prazos e condições estabelecidas pela MBBRAS,..."(não negritado originalmente). Como se vê, a Recorrente ao disponibilizar o pagamento das premiações aos beneficiários, impõe prazos e condições por ela estabelecidos, enquanto tomadora dos serviços prestados pelos vendedores, a fim de remunerálos. Foi perfeitamente demonstrada pela fiscalização a existência da prestação de serviço em questão, conforme descrição feita no Termo de Verificação, e documentos juntados, como contratos, notas fiscais de serviço, e valores declarados em DIRF. Enfim, independentemente da existência de declaração em DIRF, houve, conforme constatado, o pagamento de valores a contribuintes individuais pela retribuição de serviços prestados à Recorrente, o que caracteriza fato gerador de contribuições previdenciárias, sendo correto, portanto, o lançamento feito pela fiscalização. Diante da regularidade do lançamento que constituí referidos créditos previdenciários, vislumbrase a ocorrência de comportamento a ser sancionado com as cominações do art. 34 da Lei nº 8.212/91, não havendo que se falar em nulidade da imposição de multa. Faço afastadas, portanto, as alegações que pretendiam ver excluídas do lançamento presentemente examinado as contribuições previdenciárias do art. 22, I e III e do art. 34, todos da Lei nº 8.212/91. Fl. 599DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 16 II – DEBCAD n. 37.391.5985 Conforme descrito no Relatório, o AI acima numerado referese a contribuições correspondentes à parte da empresa, sobre pagamentos de valores, por meio de premiação intitulada "Programa de Premiação para os Vendedores da Rede de Concessionárias", a segurados contribuintes individuais, para o período de 01/2008 a 09/2008, 11/208 e 12/2008. Em atenção à fundamentação apresentada, não há qualquer eiva na autuação. III – DEBCAD n. 37.391.6000 Referese a contribuições correspondentes à parte dos segurados, sobre pagamentos de valores, por meio de premiação intitulada "Programa de Premiação para os Vendedores da Rede de Concessionárias", a segurados contribuintes individuais, para o período de 01/2008 a 09/2008, 11/208 e 12/2008. Tendo a fiscalização apurado que foram pagas verbas remuneratórias, estas deveriam compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias na parte da empresa. A parte do empregado, trabalhador avulso e contribuinte individual, diferentemente da parte da empresa, está submetida ao teto do salário de contribuição. Assim, não é possível concluirmos, genericamente, que houve omissão da empresa na obrigação de arrecadar a contribuição, pois os beneficiários dos prêmios poderiam já estar contribuindo pelo teto. Não havendo nos autos um demonstrativo das remunerações individuais, o lançamento carece de motivação fática, remanescendo a incerteza. Em caso de dúvida em relação às circunstâncias materiais do fato, em conformidade com o art. 112 do CTN, a legislação tributária deve ser interpretada de maneira mais favorável ao acusado. Tal entendimento já foi manifestado por esta Turma, conforme se observa abaixo: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/06/2004 a 31/03/2005 DÚVIDAS SOBRE AS CIRCUNSTÂNCIAS MATERIAIS DO FATO. INTERPRETAÇÃO MAIS FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. Em conformidade com o art. 112 do CTN, a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos. Recurso Voluntário Provido. [Ac. 2301002.066. Conselheiro Relator: Mauro José Silva] Portanto, a presente autuação não deve prevalecer. IV – MULTA Fl. 600DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10932.720148/201249 Acórdão n.º 2301004.239 S2C3T1 Fl. 593 17 Para o período anterior à vigência da MP 449/08 deve ser aplicada tão somente a multa moratória limita a 20%. Segundo as novas disposições legais, a multa de mora que antes respeitava a gradação prevista na redação original do artigo 35, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, passou a ser prevista no caput desse mesmo artigo, mas agora limitada a 20% (vinte por cento), uma vez que submetida às disposições do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Incabível a comparação da multa prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212/91, já que este dispositivo veicula multa de ofício, a qual não existia na legislação previdenciária à época do lançamento e, de acordo com o 106 do Código Tributário Nacional deve ser verificado o fato punido. Ora se o fato “atraso” aqui apurado era punido com multa moratória, consequentemente, com a alteração da ordem jurídica, só pode lhe ser aplicada, se for o caso, a novel multa moratória, prevista no caput do artigo 35 caput acima citado. Em princípio houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. DISPOSITIVO Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER o recurso voluntário e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para: (i) excluir AI DEBCAD n. 37.391.6000 contribuições correspondentes à parte dos segurados; (ii) nas competências anteriores à vigência da MP nº 449/08 seja a plicada a multa prevista no artigo 35 caput da Lei 8.212/91. É como voto. Manoel Coelho Arruda Júnior Relator Fl. 601DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 18 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira, redator designado. Com todo respeito ao nobre relator, divirjo de sua conclusão quanto à multa, acompanhando suas conclusões nas demais questões. Em casos como esse – em que a legislação foi alterada, com novos cálculos e forma de aplicação de penalidades – o Código Tributário Nacional (CTN), determina que a legislação deve retroagir. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: ... c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar, nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Para tanto, devemos comparar as penalidades aplicadas antes da alteração legislativa com a imposta atualmente. A Lei 8.212/1991 trazia a seguinte redação quando tratava de multas: Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: Fl. 602DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10932.720148/201249 Acórdão n.º 2301004.239 S2C3T1 Fl. 594 19 a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado Fl. 603DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 20 dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Com a edição da Medida Provisória 449/2008 ocorreram mudanças na legislação que trata sobre multas, com o surgimento de dois artigos: Lei 8.212/1991: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). ... Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Ocorre que o nobre relator não comparou as penalidades, antigas e novas, quando os mesmos fatos jurídicos forem verificados pelo Fisco (falta de pagamento ou recolhimento, falta de declaração e declaração inexata). O relator comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício, com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora. Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser Fl. 604DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10932.720148/201249 Acórdão n.º 2301004.239 S2C3T1 Fl. 595 21 relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: ... II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício, como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício. É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício. Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não têm caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria verificar as penalidades que o sujeito passivo sofreu na legislação anterior (créditos incluídos em autuações por descumprimento de obrigação acessória, nos casos de falta de declaração e/ou apresentação de declaração inexata, e por descumprimento de obrigação principal, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento), com as penalidades determinadas atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em autuações por descumprimento de obrigação acessória, nos casos Fl. 605DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 22 de falta de declaração e/ou apresentação de declaração inexata, e por descumprimento de obrigação principal, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento). Conseqüentemente, divirjo do relator e voto pela negativa de provimento do recurso nesta questão, para a manutenção da multa aplicada, pois o cálculo que irá definir se a legislação atual irá retroagir, ou não, como ocorre de ofício pela autoridade executora do acórdão, só deve ocorrer no momento da execução do julgado, conforme determinado pela legislação atual. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, acompanho o relator em seu voto, exceto quanto à questão da multa, em que nego provimento ao recurso do sujeito passivo, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 606DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA
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