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Numero do processo: 19311.000200/2009-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SIMULAÇÃO.
Uma vez caracterizada a simulação essa situação conduz necessariamente ao preenchimento automático das condições previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964 suficientes para embasar a qualificação da multa de ofício.
ILEGALIDADE OU INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INEXISTÊNCIA.
Salvo nos casos de que trata o artigo 26-A, do Decreto nº 70.235, de 1972, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, não tem competência para conhecer de matéria que sustente a insubsistência do lançamento sob o argumento de que a autuação se deu com base norma inconstitucional ou ilegal.
Numero da decisão: 1402-001.768
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: Frederico Augusto Gomes de Alencar
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. Uma vez caracterizada a simulação essa situação conduz necessariamente ao preenchimento automático das condições previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964 suficientes para embasar a qualificação da multa de ofício. ILEGALIDADE OU INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INEXISTÊNCIA. Salvo nos casos de que trata o artigo 26-A, do Decreto nº 70.235, de 1972, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, não tem competência para conhecer de matéria que sustente a insubsistência do lançamento sob o argumento de que a autuação se deu com base norma inconstitucional ou ilegal.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A nulidade do lançamento somente se dá nos casos previstos no PAF, quando houver prejuízo à defesa ou ocorrer intervenção de servidor ou autoridade sem competência legal para praticar ato ou proferir decisão. Não configura qualquer dessas hipóteses, em especial a preterição do direito de defesa, rechaçamse as alegações do sujeito passivo. SIMULAÇÃO. ALIENAÇÃO DE QUOTAS SOCIAIS. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA ALHEIRA À RELAÇÃO JURÍDICA. INCORPORAÇÃO. Caracteriza simulação a interposição de pessoa jurídica fictícia, sem patrimônio e atividade empresarial, em operação de aquisição de quotas sociais, seguida de incorporação da interposta pessoa, com o intuito de ocultar a transferência gratuita de recursos da Sociedade a seus sócios, reais adquirentes das quotas, e para garantir a dedutibilidade do ágio pago pela própria Sociedade. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005, 2006 PAGAMENTOS EFETUADOS EM FAVOR DOS SÓCIOS ADMINISTRADORES. Os pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, vinculados à operação de aquisição de quotas sociais, em favor dos sócios administradores, configuram acréscimo patrimonial tributado pelo imposto de renda. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 00 02 00 /2 00 9- 23 Fl. 1202DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.203 2 bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer titulo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. Uma vez caracterizada a simulação essa situação conduz necessariamente ao preenchimento automático das condições previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964 suficientes para embasar a qualificação da multa de ofício. ILEGALIDADE OU INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INEXISTÊNCIA. Salvo nos casos de que trata o artigo 26A, do Decreto nº 70.235, de 1972, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, não tem competência para conhecer de matéria que sustente a insubsistência do lançamento sob o argumento de que a autuação se deu com base norma inconstitucional ou ilegal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 1203DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.204 3 Relatório ALESSANDRA ORLANDI BARBOSA MACHADO recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): Tratase de auto de infração à legislação do Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, lavrado em 11/05/2009, para constituição do crédito tributário de R$5.443.637,68, relativo ao principal, multa de ofício de 75% e 150% e juros de mora, por falta de retenção e recolhimento do IRPF, tendo em conta as irregularidades descritas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 864/900, parte integrante da peça acusatória. Transcrevese o excerto relativo à exigência em apreço: Em 07/11/2008 foi iniciada, sob Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 08.1.24.002008010840, fiscalização da contribuinte Alessandra Orlandi Barbosa Machado, CPF nº 137.623.00895, domiciliado à R. Prefeito José Carlos, 750, Jardim Santa Julia, Itupeva, SP. A fiscalização teve por objetivo verificar o cumprimento das obrigações relativas ao IRPF dos exercícios 2006 e 2007, anoscalendário 2005 e 2006, decorrentes de reorganização societária que implicou aumento de participação societária do contribuinte fiscalizado na empresa IFC International Food Company Indústria de Alimentos S.A., CNPJ n° 04.136.746/000188, nova denominação social de Jack Link’s do Brasil Ltda. Foram constatados os fatos narrados a seguir. 1. Introdução Sócios remanescentes da empresa IFC (novo nome da empresa Jack Link's) adquiriram quotas que pertenceram a sócios retirantes. A aquisição, de valor superior ao patrimônio líquido da empresa, foi paga com recursos da própria empresa. Foi concedido empréstimo a empresa investidora, seguido de incorporação sem restituição da quantia emprestada, com assunção de divida remanescente e transferência das quotas as pessoas físicas. Os efeitos tributários são diferentes dos imaginados pelo contribuinte. Nesta introdução será feito um resumo dos principais fatos e das implicações tributárias conforme entendimento da fiscalização. Posteriormente os fatos serão detalhados e qualificados. São partes relacionadas ao negócio: 1. Jack Link's do Brasil Ltda, CNPJ n° 02.473.696/000107, que teve seu nome alterado para IFC International Food Company Indústria de Alimentos SA e a quem chamaremos Jack Link's ou IFC; 2. Jay E. Link Cattle Ranches L.L.C., a quem chamaremos Jay LLC; 3. Troy J. Link Entreprises L.L.C., a quem chamaremos Troy LLC; Fl. 1204DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.205 4 4. José Barbosa Machado Neto, CPF nº 119.417.35860, a quem chamaremos José; 5. Alessandra Orlandi Barbosa Machado, CPF n° 137.623.008 95, a quem chamaremos Alessandra; 6. Eduardo Jacinto Gonçalves, CPF nº 584.241.56820, a quem chamaremos Eduardo; 7. Zest Investimentos, Participações e Negócios Ltda, CNPJ 07.273.468/000107, a quem chamaremos Zest; 8. Links Japan Holdings, K.K., a quem chamaremos Japan. Os cinco antigos sócios da empresa Jack Link's são partes em contrato de Compra e Venda de Quotas. São vendedores Jay LLC e Troy LLC, e compradores José, Alessandra e Eduardo. A venda tem por objeto as quotas de propriedade de Jay LLC e Troy LLC, representativas de 60% do capital da Jack Link's. O contrato de Compra e Venda de Quotas obriga as partes e seus sucessores. Jay LLC e Troy LLC cederam suas quotas à empresa Japan, que passou a ser a vendedora. José e Alessandra constituíram a empresa Zest, integralizando o capital com as quotas da Jack Link's (35% do capital) que lhes pertenciam. A Zest adquiriu as quotas da Jack Link's pertencentes à Japan. Eduardo não adquiriu quotas. A aquisição foi contratada para ser paga em 4 parcelas. A primeira parcela foi financiada pela Jack Link's, que emprestou recursos para a Zest. As parcelas seguintes deveriam ser pagas em 3 anos. A Jack Link's contratou fiança bancária em favor dos vendedores. São garantidores solidários José e Alessandra (então sócios da Zest e não mais sócios da Jack Link's) e Eduardo, que ofereceram ao banco como garantia 100% das quotas da Jack Link's. O capital da Jack Link's por ocasião do contrato de compra e venda de quotas era cerca de 25,6 milhões. Detinha reservas de reavaliação de cerca de 13 milhões e lucros acumulados de 6,5 milhões. O patrimônio líquido era cerca de 45,3 milhões. O preço acertado para 60% das quotas foi de 20 milhões de dólares, que correspondia a cerca de 52 milhões de reais. Além desse valor, consta do contrato ainda o cancelamento de faturas ('acordo invoices': contas a pagar dos sócios retirantes para a Jack Link's) no valor de cerca de 3,1 milhões de reais e a cessão pela Jack Link's de marcas e patentes. A Zest contabilizou ainda como ágio todas as despesas incorridas, pagas com empréstimos da Jack Link's. A Jack Link's transferiu à Zest embalagens no valor de cerca de 4,6 milhões, tendo como contrapartida conta de empréstimo a receber. A Zest contabilizou o valor das embalagens como ágio, em contrapartida a investimentos a pagar. A Zest contabilizou como custo de aquisição cerca de 59,1 milhões de reais, dos quais cerca de 33,7 milhões correspondiam a ágio na aquisição de quotas. As marcas e patentes foram cedidas pela Jack Link's a terceiros. Com a aquisição, a Zest, de propriedade de José e Alessandra, passou a ser possuidora de 95% das quotas da Jack Link's, que teve o nome alterado para IFC. Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.206 5 Um mês após a aquisição das quotas, a Zest foi incorporada pela IFC. No momento da incorporação, a Zest tinha como únicos ativos R$1.000,00 em caixa e o investimento de 95% das quotas da IFC. O patrimônio líquido da Zest era seu capital, integralizado com R$1.000,00 mais 35% das quotas da Jack Link's pelo valor nominal. O passivo exigível correspondia ao custo de aquisição de 60% das quotas da Jack Link's, parte financiado pela Jack Link's, parte a ser paga em parcelas. Com a incorporação, a IFC recepcionou um acervo líquido negativo de cerca de 59,1 milhões, correspondente ao passivo da Zest menos R$1.000,00. Extinguiuse a dívida da Zest para com a IFC, correspondente ao financiamento da lª parcela da compra e das despesas computadas como custo de aquisição de investimento, no valor total de cerca de 23,6 milhões. A IFC assumiu as dívidas da Zest para com a Japan, correspondente às demais parcelas da compra, e com prestadores de serviços relacionados à aquisição, no valor total de cerca de 35,5 milhões de reais. A IFC passou a apresentar em seu balanço, impropriamente, no grupo Patrimônio Líquido, uma conta de titulo 'Outras', no valor negativo de cerca de 25,4 milhões. Esse valor resulta da soma do valor de reserva de ágio de cerca de 33,7 milhões e o valor negativo de cerca de 59,1 milhões relativos ao acervo liquido recebido da ZEST. O Patrimônio Líquido resultante, de cerca de 19,1 milhões, inferior ao capital de 25,6 milhões, só ficou positivo devido à Reserva de Ágio. O ágio ativado gerou benefícios fiscais de 12,5 milhões. A participação societária na IFC passou a ser de 81,434% para José, 13,566% para Alessandra e 5% para Eduardo. Após a incorporação, a IFC baixou faturas a receber no valor de cerca de 3,1 milhões, em contrapartida à conta ágio. No que respeita à aquisição de quotas, a questão central de interesse fiscal é a transferência de recursos da empresa aos sócios. A operação realizada contém, em tese, uma simulação relativa com interposição fictícia de pessoa. O mútuo entre a IFC e a Zest é, em tese, um negócio simulado. O negócio dissimulado é a transferência não onerosa de recursos da IFC para José e Alessandra, estes sim os verdadeiros compradores das quotas. O ilícito societário é a retirada pelos sócios, sem reposição, de recursos da empresa em prejuízo do capital. O ilícito tributário é o não recolhimento de: a) Imposto de Renda Pessoa Física IRPF e Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF incidentes sobre recursos distribuídos além do lucro contábil apurado; b) Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL decorrentes da distribuição disfarçada de lucros (DDL) através da transferência gratuita de ativos (invoices e intangíveis) para os sócios; c) IRPJ e CSLL decorrentes da dedução indevida de despesas de amortização de ágio na aquisição de investimentos, glosa de despesas de juros e variações monetárias ativas e passivas. Para a IFC a desconsideração do ato simulado tem como conseqüência o lançamento de multa isolada pela não retenção de IRRF, a glosa das despesas de amortização de ágio, de juros e Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.207 6 variações monetárias ativas e passivas referentes ao investimento, e o lançamento de IRPJ e CSLL decorrente dessas glosas e da DDL. Constatouse ainda a existência de pagamentos ao sócio, relativos a uso de patentes e não relacionados à aquisição de quotas, sem retenção de IRRF. Também são objeto de lançamento de multa isolada. 2. Atos relativos à fiscalização Inicialmente foram feitas diligência e fiscalização na IFC, além desta fiscalização. Cópias dos documentos obtidos nos procedimentos fiscais foram juntadas ao processo. Os atos relativos à fiscalização desenvolveramse conforme descrito a seguir. a) Atos relativos à diligência na IFC: Em 06/06/2007 foi iniciado procedimento fiscal de diligência junto ao contribuinte com o objetivo de levantar informações sobre alterações societárias de 2002 a 2005 e reavaliação de ativos em 2003. O contribuinte apresentou cópias de diversos documentos juntadas ao processo, relacionadas abaixo: 1. Alterações contratuais da empresa IFC; 2. Contrato social e alterações contratuais da ZEST; 3. Documentos de origem da reserva de reavaliação do intangível e reversão (juntada ao processo cópia de parecer); 4. Demonstrativo do valor do ágio; 5. Folhas do Livro Razão da Zest; 6. Tradução para o português da versão de execução do Contrato de Compra e Venda de Quotas entre, de um lado, Jay E. Link Cattle Ranches, LLC e Troy J. Link Entreprises, LLC, e de outro lado, José Barbosa Machado Neto, Alessandra Orlandi Barbosa Machado e Eduardo Jacinto Gonçalves; 7. Comprovante de pagamento da primeira parcela da dívida; 8. Registros contábeis do ágio na IFC; 9. Registros contábeis de reavaliação de patente e seu estorno; 10. Contrato em inglês de compra de 60% do capital da IFC (parcial); 11. Contrato Social (constituição) da Jack Link's; 12. Comprovante de pagamento da primeira parcela da divida com dados da recebedora; 13. Contrato de mútuo entre Zest e IFC; 14. Contrato de Prestação de Garantia Fidejussória G no 1073/05 de 14/04/2005; 15. Carta de Fiança G1 073/05; 16. Documentos justificando a transferência de recursos referente à primeira parcela à conta de Jay Earl Link. Em 06/12/2007 foi encerrada a diligencia que recolheu cópias de documentos para análise, conforme Termo de Encerramento juntado ao processo. b) Atos relativos à fiscalização na IFC Em 18/02/2008 foi dado inicio à fiscalização do contribuinte, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ do exercício 2006, ano calendário 2005. Em 26/02/2008 o contribuinte informou que não houve aditamento ao contrato de compra e venda e apresentou cópia dos elementos listados abaixo: Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.208 7 1.Livros Razão e Diário da Zest; 2.Comprovantes de pagamentos das 2ª, 3ª e 4ª parcelas do contrato de compra e venda de quotas. Em 10/03/2008 o contribuinte apresentou cópia dos elementos listados abaixo: 1. Anexo 4.8 Relação da propriedade intelectual transferível; 2.Cláusula 4.8 que documenta a cessão dos ativos intangíveis; 3.Contas razão de reserva de reavaliação dos anos 2003 a 2005; 4.Lista de ativos intangíveis em uso (marcas que substituíram as transferidas); 5. Contrato e lista de patentes de terceiros exploradas pela IFC; 6. Cláusula 4.14 e anexo 4.14 que listam embalagens destruídas. Em 04/04/2008 o Termo de Intimação Fiscal n° 0002 solicitou: 1) cópia do termo de acompanhamento de destruição de mercadorias emitido por Auditor Fiscal da Receita Federal, relativo à destruição de embalagens prevista em contrato; 2) cópia dos instrumentos de transferência de marcas e patentes; 3) confirmação de inexistência de aditamento ao contrato; 4) cópia de documento em que as partes compradores e vendedores indicam as demais partes quem serão seus sucessores no negócio; e 5) cópia de laudo de reavaliação das marcas estornadas. Em 11/04/2008 o contribuinte reafirmou que não tem aditamento do contrato de compra e venda de quotas e que não tem termo de acompanhamento de destruição de produtos emitido pela Receita Federal. Apresentou cópia do detalhe de um processo de transferência de marcas no INPI. Informa que no contrato social os sócios são Zest e Link's Japan, e que não existe outro documento que informe sucessão. Informou que essas empresas são citadas no contrato de compra e venda. Entretanto, constatase que o contrato é anterior à criação da Japan e à participação da Zest na IFC, e que nele não existe menção a esses nomes. Em 26/06/2008, ante a informação do contribuinte, datada de 26/02/2008, de que não houve aditamento do contrato de compra e venda, contrariando informações constantes do Contrato de Prestação de Garantia Fidejussória G n° 1073/05 e também da 8ª alteração contratual da IFC, solicitamos emissão de requisição de informação sobre movimentação financeira, requisitando ao Banco ABN AMRO Real S.A. cópia dos documentos relativos ao contrato de prestação de garantia. Em 06/08/2008 e em 24/09/2008 o banco apresentou cópias de documentos diversos, entre os quais 'Release Letter' datada de 20/09/2006 e sua tradução, onde consta item 2.1 que faz referencia ao contrato de aquisição de quotas 'aditado em 18 de abril de 2005 para nele incluir como partes as empresas Zest Investimentos, Participações e Negócios Ltda. e Links Japan Holdings Limited Y.K.'. Em 04/09/2008 o contribuinte tomou ciência do Termo de Retenção n° 0005 e em 27/10/2008 do Termo de Ciência e de continuação de procedimento fiscal nº 0006. Em 07/11/2008 o contribuinte tomou ciência do Termo de Ciência e de continuação de procedimento fiscal n° 0007, que informou a ampliação da fiscalização para os exercícios 2007 e 2008. Em 08/12/2008, o contribuinte tomou ciência do Termo de Retenção n° 0008. Apresentou cópias de documentos e contas de Livro Razão conforme lista abaixo: Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.209 8 Investimentos a pagar 2.2.03.01.02 Investimentos 3.2.01.01.05 Variação Cambial Ativa Juros passivos 6.4.01.01.03 Variação Cambial Passiva 1.5.01.01.01 Incorporação IFC/Zest 1.1.02.04.05 Mútuo entre sócios 2.4.03.01.05 () Saldo Incorporação 2.1.01.01.01 Capital Social Nacional 1.1.01.02.02 Banco Real SA 2.1.02.03.05 Empréstimo de Sócios 1.1.02.04.07 Imobiliz Destinados a Venda 1.3.02.05.01 Imóvel (Chácara) 1.3.02.05.02 Reavaliação da Chácara Instrumento particular de mútuo entre os sócios e a IFC; Contrato particular de cessão e transferência de direitos e obrigações sobre imóvel para liquidação de mútuo; 1.3.04.02.02 () Amortização Ágio Planilhas relativas ao ágio; Contrato de fiança e memorando de entendimento, onde consta proibição de distribuição de dividendos; Em 12/12/2008 foi lavrado Termo de Retenção n° 0009 e em 17/12/2008 o Termo de Retenção n° 0010. Em 23/12/2008 foi dada ciência do Termo de Intimação Fiscal n° 0011, que solicitou demonstrativo de pagamentos das despesas com carta de fiança no valor de R$ 725.349,21 e demonstrativo de valores residuais das marcas e patentes transferidas para os antigos sócios. Informase ao contribuinte que foi constatado que esses valores não foram baixados da contabilidade. Em 12/01/2009 o contribuinte apresentou os elementos solicitados na intimação n° 0011. Em 12/02/2009 foi dada ciência do Termo de Ciência e de Continuação do Procedimento Fiscal n° 0012, de mesma data. Em 08/04/2009 foi dada ciência do Termo de Intimação Fiscal n° 0013, que solicitou cópia do aditamento ao contrato de compra e venda de quotas. Em 14/04/2009 recebemos resposta do contribuinte em que informa que a inclusão das empresas Zest e Japan no contrato se deu através de troca de correspondência entre as partes. c) Atos relativos à fiscalização do contribuinte José Barbosa Machado Neto: Em 07/11/2008 foi dada ciência do Termo de Início do Procedimento Fiscal relativo à fiscalização objeto do MPF nº 0812400.2008.01084, conforme Aviso de Recebimento – AR juntado ao processo. Em 09/12/2008 o contribuinte protocolizou resposta ao referido Termo. Informou que ele e sua esposa receberam 24.320.000 quotas da empresa IFC em decorrência da incorporação da empresa ZEST pela IFC; que não apuraram ganho de capital na operação; que a informação da participação na declaração de ajuste traduz o valor nominal das quotas recebidas; que o rendimento correspondente (no seu entender isento) foi informado sob a rubrica ‘acréscimo patrimonial’ e ‘lucros e dividendos recebidos’ por falta de classificação mais Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.210 9 adequada. Informou que a compra da gleba de terras foi paga mediante compensação de crédito. Em 24/12/2008 o contribuinte tomou ciência do Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal nº 0002 e em 28/02/2009 do Termo de número 0003. Em 18/04/2009 o contribuinte tomou ciência do Termo de Intimação Fiscal nº 0004, que solicitou cópia do aditamento ao contrato de compra e venda das quotas da Jack Link’s, datado de 18 de abril de 2005. Até a presente data não recebemos a resposta à intimação. Entretanto, o documento nos foi entregue pela empresa IFC em procedimento fiscal próprio, que juntamos ao processo. 3. FATOS CONSTATADOS Os documentos obtidos na diligência e na fiscalização permitiram constatar os fatos descritos a seguir. Reproduzimos partes dos documentos. Negritamos trechos que julgamos mais relevantes. FATO 1 Em 16/04/1998 é criada a empresa JACK LINK'S DO BRASIL LTDA, com capital de R$35.000,00, sendo seus sócios Alessandra Orlandi Barbosa Machado e José Barbosa Machado Neto. FATO 2 Em 01/06/1998 dáse a primeira alteração contratual na JACK LINK'S, quando ingressa na sociedade Eduardo Jacinto Gonçalves, que recebe quotas cedidas por José, e o capital é aumentado para R$155.000,00. A participação societária passa a ser de 75% para José, 10% para Alessandra e 15% para Eduardo. O item V estabelece que a administração da sociedade caberá aos sócios José e Alessandra, 'em conjunto ou isoladamente, porém unicamente em negócios da sociedade, ficando expressamente proibido o uso em cartas de fianças, abonos, endossos, ou em quaisquer transações alheias e estranhas ao ramo designado neste contrato'. O item VI estabelece que somente os sócios José e Alessandra terão direito a uma retirada mensal a titulo de Pró Labore. FATO 3 Em 08/05/2000 dáse a segunda alteração contratual na JACK LINK'S, quando são admitidas no quadro societário as empresas norte americanas JAY E. LINK CATTLE RANCHES L.L.C. e TROY J. LINK ENTRERPRISES L.L.C., estabelecidas nos endereços P. O. Box 210 e 579, 54859, Minong, Wisconsin, EUA, e representadas por José Barbosa Machado Neto. O ingresso dáse através de cessão de quotas dos antigos sócios. A participação societária passa a ser de 30% para a JAY LLC, 30% para a TROY LLC, 30% para José, 5% para Alessandra e 5% para Eduardo. · item VI altera os objetivos da sociedade 'que passa a explorar o ramo de produção de snack (carne defumada), ficando assim o objeto da sociedade: industrialização, fabricação, comercialização, importação e exportação de produtos alimentícios em geral, innatura, processados ou industrializados, inclusive snack'. · item VIII mantém os administradores, nos termos do item VI da alteração anterior. FATO 4 Em 16/06/2003 dáse a quarta alteração contratual na JACK LINK'S. Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.211 10 A empresa JAY LLC é representada por seu sócio Jay Earl Link, e a empresa TROY LLC é representada por seu sócio Troy John Link Ambos são representados no ato por José Barbosa Machado Neto, procurador de ambas. O capital é aumentado para R$12.000.000,00, com aproveitamento de reservas de lucros acumulados no valor de R$11.045.000,00. A redação do contrato social é adaptada ao novo Código Civil, enquadrandose a sociedade como empresarial do tipo Sociedade Limitada. A cláusula 7ª do contrato social dispõe que ‘é vedado aos sócios caucionar ou, de qualquer forma, penhorar ou onerar suas quotas de capital, no todo ou em parte, salvo em favor do outro sócio'. A cláusula 12 ª dispõe que 'em operações estranhas aos negócios da sociedade e ao objeto social, é vedado aos administradores conceder, em nome da sociedade, fianças, avais ou outras formas de garantias que comprometam a sociedade'. A cláusula 13ª dispõe que os sóciosadministradores (Jose e Alessandra) receberão um valor mensal a titulo de prólabore que será determinado pelos quotistas, por maioria. A cláusula 16ª dispõe que o exercício social coincidirá com o ano civil. A cláusula 17ª dispõe que os sócios, por deliberação da maioria do capital, poderão antecipar a distribuição de lucros, baseada nos balanços que venham a ser levantados em períodos extraordinários. Os lucros serão partilhados aos sócios na proporção de suas quotas no capital social. A cláusula 19ª dispõe que 'o sócio que desejar alienar suas quotas de capital, no todo ou em parte, a qualquer titulo, deverá comunicar os demais sócios sua intenção, por escrito, indicando o nome do pretendente e o valor ajustado da alienação'. 'No prazo de 30 (trinta) dias a contar do recebimento da notificação, os demais sócios poderão exercer o direito de preferencia para a aquisição das quotas ofertadas, na proporção de sua participação no capital social, nas mesmas condições'. A cláusula 22ª dispõe que os casos omissos no contrato serão regulados pelo capitulo IV Da Sociedade Limitada, do Código Civil, (artigos 1052 a 1087) e legislação pertinente, e subsidiariamente pelas normas das sociedades anônimas. FATO 5 Em 09/03/2004 dáse a quinta alteração contratual na JACK LINK'S. O capital é aumentado para R$25.600.000,00, com aproveitamento de reservas de lucros acumulados no valor de R$14.400.000,00. FATO 6 Em 21/07/2004 dáse a constituição da empresa ZEST. São sócios a empresa SHAMA e Jose. O capital social é de R$1.000,00. A participação da SHAMA é de 99,9% e a de Jose de 0,1%. O objeto social é a participação como acionista ou quotista em outras sociedades de qualquer natureza, no Brasil e/ou no exterior; a exploração de atividades imobiliárias, incluindo corretagem; a administração de móveis e imóveis próprios. FATO 7 Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.212 11 Em 29/09/2004 dáse a sexta alteração contratual na JACK LINK'S, quando os sócios deliberam readaptar a redação do Contrato Social as normas do novo Código Civil. É acrescentado à cláusula 17ª, §3°, que 'a menos que seja estipulada quantia superior, a Sociedade devera distribuir lucros obrigatórios aos sócios no valor de 25% (vinte e cinco por cento) do lucro liquido, consoante estabelecido no artigo 202, §2°, da Lei 6.404/76'. FATO 8 Em 02/01/2005 é celebrado contrato de mútuo entre JACK LINK'S, mutuante, e ZEST, mutuária. A cláusula 21 dispõe: 'Os empréstimos feitos pela MUTUANTE deverão ser liquidados em ate 180 (cento e oitenta) dias contados a partir da data de cada desembolso, pela MUTUÁRIA sempre que esta liquidação for requerida pelos primeiros, independente de qualquer outra condição'. A cláusula 31 dispõe: ‘Sobre os recursos emprestados pela MUTUANTE à MUTUÁRIA, em conjunto ou individualmente, a MUTUANTE cobrará juros da MUTUÁRIA desde o momento do empréstimo ate o dia de sua devolução. Estes juros serão apurados e pagos no dia do pagamento ou liquidação do principal pela MUTUANTE e deverão refletir no mínimo o custo médio que a MUTUANTE eventualmente teve para captar recursos equivalentes de instituições financeiras durante o prazo dos empréstimos... FATO 9 Em 16/03/2005 é assinado CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE QUOTAS tendo de um lado Jay LLC e Troy LLC, em conjunto declarados 'vendedores' e de outro lado Jose, Alessandra e Eduardo, em conjunto declarados 'compradores'. Participam como intervenientes JACK LINK'S (chamada de Sociedade), Jay Earl Link e Troy John Link. Lêse nos considerandos que os 'Vendedores desejam vender aos compradores, e os Compradores desejam comprar dos Vendedores, todas as Quotas' da JACK LINK'S que os vendedores possuem (folha 10 da tradução do documento). A definição de 'Curso normal de Negócio Provisório' a folha 16 da tradução do contrato, prevê, no item (vii), a não adoção de qualquer fusão ou reorganização envolvendo a Jack Link's, salvo o disposto na cláusula 8.9, que trata de Reestruturação Corporativa de compradores e de vendedores e que já prevê que ambos agirão de boa fé para implementar as reestruturações. A folha 11 da tradução traz definição de 'coligada': significará, a respeito de qualquer outra Pessoa que, direta ou indiretamente, seja Controlada, Controle ou esteja sob o Controle comum da referida Pessoa. Existem no contrato definições de controle, partes, pessoa, subsidiárias. Em diversas cláusulas as condições estabelecidas obrigam as partes e suas coligadas ou subsidiárias. Assim por exemplo, a definição de 'Informações Confidenciais' à folha 13 da tradução refere se à Jack Link's, aos quotistas, suas coligadas e subsidiárias. A cláusula 1.2.5 (folha 25 da tradução) dispõe que 'Uima referência a qualquer parte deste Contrato ou a qualquer outro contrato ou documento incluirão os sucessores e cessionários autorizados da referida parte'. Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.213 12 A cláusula 1.2.6 dispõe que 'Qualquer referência a Sociedade neste Contrato, compreenderá as respectivas Coligadas e/ou Subsidiárias da Sociedade, a menos que expressamente indicado ao contrário'. A cláusula 2.2 trata do preço de compra, estipulado em vinte milhões de dólares americanos. Serão pagas uma parcela inicial de 6,75 milhões na data de encerramento do contrato, uma parcela de 5 milhões em 330 dias, outra parcela de 5 milhões em mais 360 dias e outra de 3,35 milhões em mais 360 dias, conforme clausula 2.3. A clausula 2.3.5 dispõe que os vendedores entregarão aos compradores a cada parcela um documento contendo os cálculos feitos pelos vendedores dos impostos sobre ganho de capital devidos pelos vendedores no Brasil (Declaração de Ganho de Capital). A clausula 3.2 Entregas pelos Compradores dispõe que os compradores entregarão garantia 'abrangendo totalmente (i) todos e qualquer pagamentos relacionados às Prestações do Preço de Compra até o pagamento integral das mesmas pelos Compradores aos Vendedores, e (ii) o valor total de juro para efetuar os referidos pagamentos (a `Garantia)'. O item (e) da cláusula 3.2 dispõe que no encerramento os compradores entregarão (i) instrumentos de cessão relacionados à cessão e transferência pelos Compradores e/ou Sociedade aos Vendedores ... de toda Propriedade Intelectual Transferível relacionada no Anexo 4.8...' e (ii) o respectivo certificado de registro emitido pelo INPI. O item (i) dispõe que no encerramento 'considerando que o Preço de Compra represente o valor justo, razoável e adequado para liquidar de forma incondicional e irrevogável tanto o Valor da Divida dos Vendedores quanto o Valor da Divida dos Compradores, que forem existentes reciprocamente entre os Compradores, Vendedores e a Sociedade, conforme mencionado nos Anexos 5.6 e 4.10... '. O item (a) da cláusula 3.3 Entregas pelos Vendedores repete o texto acima. A Seção 2.2 Nenhum outro valor, do Anexo 3.2 (i) Formulário de Contrato Quitação (folha 102 da tradução), dispõe que 'Exceto quanto ao Valor da Dívida das Vendedoras (conforme definido abaixo) relacionado no Anexo B ao presente instrumento, não há outros valores devidos (sejam devidos atualmente ou a se tornarem devidos futuramente) pela Empresa e/ou as Vendedoras as Compradoras na data do presente instrumento'. A cláusula 4.1 dispõe que 'Cada um dos compradores possui plenos poderes e autoridade para assinar e cumprir este Contrato e efetuar todas as Transações estabelecidas no presente, bem como cumprir todas as obrigações assumidas nos termos deste documento, tendo tomado todas as medidas necessárias para autorizar sua assinatura. Nenhuma outra medida será necessária para autorizar a assinatura e a conformidade com este Contrato por cada um dos Compradores'. A cláusula 5.6 Dívida Pendente dos Vendedores dispõe que 'O Anexo 5.6 especifica uma relação de divida pendente possuída pelos Vendedores a Sociedade e/ou pelos Vendedores aos Compradores, condicionadas ocorrência do Fechamento (o `Montante da Divida dos Vendedores). A cláusula 6.4 dispõe que as partes 'concordam a: a) dentro de um (I) ano a partir da data deste, alienar inteiramente de todos os Itens de Embalagem; e (b) ...fornecer evidências satisfatórias aos Vendedores, a Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.214 13 seu exclusivo critério, que (i) todos os Itens de Embalagem foram inteiramente alienados pela Sociedade; e (ii) todos os custos, honorários e despesas relacionados com esta Cláusula 6.4 foram exclusivamente suportados pelos Compradores e/ou pela Sociedade'. FATO 10 Em 22/03/2005 dáse a primeira alteração contratual da empresa ZEST, com a retirada da sócia SHAMA e cessão de suas quotas para José e Alessandra. A participação de José passa a ser 95% e a de Alessandra 5%. FATO 11 Em 05/04/2005, correspondência assinada por José, Alessandra e Eduardo comunica aos vendedores a substituição dos signatários pela Zest como compradora das quotas, conforme cópia apresentada em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 0013. FATO 12 Em 11/04/2005 dáse a segunda alteração contratual da empresa ZEST, com aumento de capital de R$1.000,00 para R$8.961.000,00, com a subscrição e integralização de capital através da transferência de quotas que os sócios detinham na JACK LINK'S. Estabeleceuse que a integralização de capital deveria ser realizada até 31/05/2005. A participação de José passa a ser 85,72% e a de Alessandra 14,28%. FATO 13 Em 12/04/2005 dáse a sétima alteração contratual da JACK LINK'S, ocorrendo a transferência de quotas dos sócios para empresas constituídas por esses mesmos sócios. Os sócios José e Alessandra 'cedem e transferem a totalidade de suas quotas representativas do capital social da Sociedade como integralizado ao capital social da sociedade ZEST INVESTIMENTOS, PARTICIPAÇÕES E NEGÓCIOS LTDA'. Os sócios JAY LLC e TROY LLC 'em decorrência de reorganização societária ocorrida no exterior, cedem e transferem a totalidade de suas quotas representativas do capital social da Sociedade à sociedade LINKS JAPAN HOLDINGS, KK'. A participação societária passa a ser de 60% para a LINKS JAPAN, 35% para a ZEST e 5% para Eduardo. Os administradores, agora não sócios, continuam sendo José e Alessandra. FATO 14 Em 14/04/2005, documento interno enviado pelo Banco Real intitulado ‘Solicitação de Operação Específica', contendo aprovação dos executivos do banco ao Contrato de Garantia Fidejussória, estabelece as Garantias a serem exigidas para assinatura do contrato. Lêse na terceira página do documento, no subtítulo 'Garantias conforme abaixo', item 6: 'Proibição de distribuição de dividendos durante todo o período de operação'. O texto é repetido no documento seguinte, que tem como referência 'Proposta n°. 2004/2.387.853 Aprovada nas seguintes condições: A proibição consta também à folha 5 de documento emitido pelo Banco Real com titulo Memorando de Entendimento sobre Fiança de Longo Prazo para:', subtítulo 'Obrigações nãopecuniárias', apresentado fiscalização pelo contribuinte após nossa visita à empresa em 08/12/2008. FATO 15 Em 14/04/2005 é assinado Contrato de Prestação de Garantia Fidejussória G N° 1073/05, entre ABN AMRO (BANCO) e JACK LINK'S (CLIENTE), tendo José, Alessandra e Eduardo como Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.215 14 intervenientes solidários. O beneficiário é a LINKS JAPAN, o afiançado é a ZEST, o objeto da fiança é 'garantir o cumprimento das obrigações de pagamento das parcelas do preço de compra estabelecido na Cláusula 2.3.1, letras (b), (c) e (d) do 'Contrato de Compra e Venda de Quotas' firmado em 16 de março de 2005 e seu aditamento a ser firmado, limitada a responsabilidade do BANCO à quantia em moeda corrente nacional equivalente a US$ 14.655.000,00...'. No item V GARANTIAS, quadro Descrição das Garantias, consta subitem '5. Penhor da totalidade das quotas representando o capital social do CLIENTE a ser constituído dentro do prazo de quinze (15) dias contados da data de emissão da FIANÇA;'. Nas cláusulas contratuais, o item 1.1 declara que o Contrato de Compra e Venda é o ‘único documento comprobatório do objeto da Fiança'. O item 1.1.1 obriga a IFC a entregar ao banco cópia autenticada do aditamento do contrato. O item 3 estabelece que 'Na hipótese de o BANCO vir a ser chamado para satisfazer, total ou parcialmente, a FIANÇA prestada (PEDIDO DO BENEFICIÁRIO), fica desde já pactuado que o BANCO não se encontra, para realizar o pagamento abonado, sujeito a nenhuma comunicação prévia do ou para o CLIENTE, bem como o BANCO não está sujeito à verificação da legitimidade do PEDIDO DO BENEFICIÁRIO, tendo em vista que a FIANÇA é prestada em caráter incondicional'. O item 4 dispõe que a IFC obrigase perante o BANCO a: 'a) reembolsar o BANCO, independentemente de qualquer questionamento, no prazo de 24 (vinte e quatro) horas contadas do recebimento de solicitação do BANCO nesse sentido de quaisquer pagamentos efetuados pelo BANCO ao BENEFICIÁRIO...'; ‘b) efetuar ao BANCO o pagamento de todos e quaisquer valores que sejam devidos pelo CLIENTE ao BANCO de acordo com este contrato'. O item 5 dispõe sobre custos adicionais (juros, comissões, multa) a serem arcados pela IFC `no caso de mora e/ou inadimplemento, por parte do CLIENTE e/ou dos INTERVENIENTES GARANTIDORES SOLIDÁRIOS, de qualquer obrigação por eles assumida perante o BANCO por força deste contrato...'. O item 13.1 dispõe que o CLIENTE obrigase também: 'a) a informar imediatamente o BANCO de qualquer negociação que possa resultar em qualquer alteração de sua atual composição acionária, imediatamente após o inicio da referida negociação; b) informar o BANCO bem como obter a sua anuência prévia e por escrito acerca de qualquer negociação que possa resultar em aquisição, pelo CLIENTE, de participação no capital social de outras empresas, imediatamente após o inicio da referida negociação; c) informar o BANCO bem como obter a sua anuência prévia e por escrito de qualquer negociação com BENEFICIÁRIO que possa resultar em novação do BENEFICIÁRIO ao CLIENTE,' O item 16, obrigações especiais do cliente, dispõe: '16. A contar da data de assinatura deste Contrato e ate que todos os valores devidos ao BANCO tenham sido pagos, o CLIENTE e os Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.216 15 INTERVENIENTES GARANTIDORES SOLIDÁRIOS individualmente obrigamse relativamente ao CLIENTE: (i) Veracidade das Declarações e Efetividade das Garantias. Tomar todas as providências e atitudes necessárias para que, durante todo prazo do Contrato e ate que suas obrigações dele decorrentes tenham sido totalmente liquidadas, todas as declarações por ela prestadas permaneçam verdadeiras e precisas bem como as garantias por ela prestadas permaneçam integras e em vigor; e (viii) Não Contratação/Concessão de Mútuos. Não contratará ou concederá mútuos de ou a favor de controladas, coligadas e/ou sócios bem como terceiros, exceto relativamente ao mútuo a ser concedido a favor do AFIANÇADO para efetuar o pagamento do prego de compra estabelecido no Contrato de compra e Venda de Quotas referido no item IV do preambulo; e (ix) Pagamento de Dividendos. Limitar o pagamento dos dividendos líquidos eventualmente apurados do seu lucro liquido, aplicandose tal limitação também ao eventual pagamento de juros sobre o capital próprio; (x) Redução do capital social. Não reduzirá tampouco permitirá a redução do capital social por retirada dos sóciosquotistas; e (xii) NãoAlteração do Controle Acionário. Não alterar bem como não permitir alteração do controle acionário doCLIENTE que importe em uma alteração equivalente do controle societário do CLIENTE; e' FATO 16 Ate 18/04/2005 a JACK LINK'S emprestou R$25.372.643,00 a ZEST, conforme lançamentos contábeis em Livro Diário da Zest. FATO 17 Em 18/04/2005 dáse a oitava alteração contratual na JACK LINK'S, quando se dá a transferência das quotas da sócia LINKS JAPAN para ZEST. A participação societária passa a ser de 95% para a ZEST e 5% para Eduardo. A transação se dá 'pelo preço estipulado no Contrato de Compra de Quotas, assinado pelas partes em 16 de março de 2005, aditado em 18 de abril de 2005'. O sócio Eduardo Jacinto Gonçalves declara que foram atendidas as exigências para o exercício do direito de preferência estipulado no Contrato Social e renuncia a ele. A sociedade passa a se chamar IFC International Food Company Indústria de Alimentos Ltda. FATO 18 Em 25/04/2005 é assinado 'Termo de Prestação de Garantia Penhor de Quotas N° 1073/05', em que figura como contratante a IFC e como garantidores a Zest e Eduardo. Dispõe o item 3: 'Integrarão a garantia ora constituída os dividendos atribuídos as quotas empenhadas, bem como aquelas quotas que vierem ser atribuídas em decorrência do pagamento de bonificações, ou resultantes de desdobramentos.' Dispõe o item 8: 'Integrarão a garantia todos os rendimentos ou vantagens que forem atribuídos as quotas empenhadas, respectivos rendimentos e quaisquer outros bens eventualmente adquiridos com o produto da realização da garantia prestada'. FATO 19 Em 25/04/2005 dáse a nona alteração contratual na IFC. Os sócios quotistas ZEST e Eduardo empenham cada uma de suas quotas 'em favor do Banco ABN AMRO Real S.A., de acordo com os termos e Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.217 16 condições estabelecidos no Termo de Prestação de Garantia Penhor de Quotas n° 1073/05', firmado em 14/04/2005. É acrescentado o parágrafo 3º à cláusula 5ª do contrato social informando que as quotas foram empenhadas em favor do Banco ABN AMRO Real S.A. FATO 20 Em 31/05/2005 o balanço patrimonial da ZEST constante da DIPJ de incorporação apresenta 33,7 milhões de ágio. Inclui como custo do investimento as despesas incorridas para aquisição até aquela data. FATO 21 Em 29/06/2005 dáse a décima alteração contratual na IFC. A Sociedade e a ZEST decidiram em 26/06/2005 pela junção das duas empresas, com a incorporação da ZEST pela Sociedade. O Protocolo e Justificação de Incorporação ('Protocolo’), parte integrante da 10ª alteração do contrato social, estipula os termos e as condições da operação de incorporação. O 'Protocolo' foi elaborado com base em ‘Laudo de Avaliação Contábil do Patrimônio Liquido' da ZEST. Lêse no Protocolo, no item 1. JUSTIFICATIVA: • 'os sócios da ZEST INVESTIMENTOS e IFC concluíram que não se justifica mais a manutenção da ZEST INVESTIMENTOS como sociedade independente, tendo decidido promover a reunião dos patrimônios por meio da incorporação da ZEST INVESTIMENTOS pela IFC; ' • 'as administrações da ZEST INVESTIMENTOS e da IFC entendem que esta proposta atende plenamente aos interesses de ambas as sociedades'. Já no item III. DO ACERVO INCORPORADO E SUA AVALIAÇÃO, lemos: 'Para a realização da presente operação, está sendo adotado o critério de avaliação do patrimônio liquido contábil da ZEST INVESTIMENTOS, conforme faculta o artigo 8° da Lei 6.404/76, com base no balanço patrimonial levantado em 31 de maio de 2005, que é considerada a database da operação. As variações patrimoniais posteriores à database acima estipulada constituirão resultados da IFC e serão por esta escrituradas, efetuandose os competentes lançamentos contábeis nos seus livros.' 'Assim, por meio da opera cão de incorporação, a IFC absorverá a totalidade do patrimônio liquido da ZEST INVESTIMENTOS, no valor de R$8.961.000,00 • No item VI. OUTRAS CONDIÇÕES, lemos: 'A IFC sucederá a ZEST INVESTIMENTOS em todos os direitos e obrigações relacionados ao patrimônio incorporado, nos termos do artigo 227 da Lei 6.404/76'. Já no 'LAUDO DE AVALIAÇÃO CONTÁBIL DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO' da Zest Investimentos, lemos no item 7. CONCLUSÃO: 'Em decorrência do trabalho realizado concluímos que o valor contábil correspondente ao acervo da INCORPORADA, avaliado na database de 31 de maio de 2005, de acordo com as práticas de contabilidade emanadas da legislação societária brasileira, valor contábil este a ser vertido para fins de incorporação ao capital da INCORPORADORA, nos termos do 'Protocolo e Justificação de Incorporação da Zest Investimentos, Participações e Negócios Ltda pela Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.218 17 IFC – International Food Company Indústria de Alimentos Ltda', datado de junho de 2005, monta em R$8.961.000,00...'. A cláusula 5ª da alteração do contrato social dispõe que ‘Por meio da operação de incorporação mencionada nos itens 1 e 2 anteriores, a Sociedade absorverá a totalidade do patrimônio liquido da ZEST INVESTIMENTOS, no montante de R$8.961.000,00...'. A cláusula 7ª dispõe que ‘Por meio da já destacada operação de incorporação, a Sociedade absorve a totalidade do acervo líquido incorporado, anteriormente pertencente à ZEST INVESTIMENTOS, tudo conforme estabelecido no Protocolo'. A cláusula 8ª dispõe que 'Fica estabelecido, ainda, que a opera cão de incorporação da ZEST INVESTIMENTOS acarretará a manutenção do capital social atual da IFC, nos termos previstos no item V do Protocolo, no valor de R$25.600.000,00 ...' Após a incorporação o Patrimônio Liquido da IFC declarado em DIPJ passa a ser de R$20.138.866,27, e portanto inferior ao Capital. A participação societária passa a ser de 81,434% para Jose, 13,566% para Alessandra e 5% para Eduardo. FATO 22 Em 29/06/2005 dáse a terceira alteração contratual da empresa ZEST, quando a empresa é declarada extinta, tendo como sucessora a IFC. Lêse no Protocolo, item III. DO ACERVO INCORPORADO E SUA AVALIAÇÃO: 'Para a realização da presente operação, está sendo adotado o critério de avaliação do patrimônio liquido contábil da ZEST INVESTIMENTOS, conforme faculta o artigo 8° da Lei 6.404/76, com base no balanço patrimonial levantado em 31 de maio de 2005, que é considerada a database da operação. As variações patrimoniais posteriores à database acima estipulada constituirão resultados da IFC e serão por esta escrituradas, efetuandose os competentes lançamentos contábeis nos seus livros'. 'Assim, por meio da operação de incorporação, a IFC absorverá a totalidade do patrimônio liquido da ZEST INVESTIMENTOS, no valor de R$8.961.000,00...'. No item VI. OUTRAS CONDIÇÕES lêse que: 'A IFC sucederá a ZEST INVESTIMENTOS em todos os direitos e obrigações relacionados ao patrimônio incorporado, nos termos do artigo 227 da Lei 6.404/76'. 'A IFC promoverá todos os atos necessários para a averbação da sucessão dos bens incorporados'. O Laudo de Avaliação Contábil do Patrimônio Liquido concluiu que o valor contábil do acervo da incorporada era de R$8.961.000,00. Após a incorporação da Zest, a IFC apresenta Capital de R$25.600.000,00 e Patrimônio Liquido de R$20.138.866,27, conforme Balancete Consolidado Parcial do período 01/05/2005 a 31/05/2005. FATO 23 Em 31/10/2005 a IFC baixa de seu ativo contas a receber no valor de R$3.192.298,52, referente a acordo invoices na aquisição das quotas, lançando a contrapartida diretamente à conta ágio na aquisição de investimento. As amortizações, que vinham sendo feitas no valor mensal de R$280.547,65, passam a ser de R$307.150,13. Ou seja, a empresa está amortizando o ágio em 10 anos. Até 31/10/2005 considerou ágio de R$33.735.392,81, que é o valor determinado na incorporação. Então, passou a considerar ágio de Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.219 18 R$36.858.015,98, acrescentando os recebíveis baixados, exceto variação cambial referente a carta de fiança (planilha do contribuinte 'Demonstrativo do Cálculo do Ágio Estimado). FATO 24 Em 01/01/2006 dáse a décima segunda alteração contratual na IFC, que delibera sobre sua transformação em sociedade anônima. As quotas são canceladas e substituídas por ações de mesmo valor. FATO 25 Em 31/01/2007 é realizada Assembléia Geral Extraordinária que, entre outros, altera disposição sobre criação de ações preferenciais com direito a voto e decide aumentar o capital da companhia. As novas ações preferenciais serão resgatáveis em 31/01/2012, garantindo uma taxa interna de retorno anual de 22,5% sobre o preço de emissão. O capital será aumentado de R$25.600.000,00 para R$29.344.478,00, por meio de uma emissão de 3.744.478 ações preferenciais com direito a voto, resgatáveis e conversíveis em ações ordinárias, no valor total de R$44.610.300,00, sendo que desse valor R$3.744.478,00 são destinados à formação do capital social e R$40.865.822,00 para a criação de Reserva de Ágio. FATO 26 Em 23/02/2007 é realizada Assembléia Geral Extraordinária que delibera aumentar o capital de R$29.344.478,00 para R$31.840.796,00, por meio de uma emissão de 2.496.318 ações preferenciais com direito a voto, resgatáveis e conversíveis em ações ordinárias, no valor total de R$29.072.400,00, sendo que desse valor R$2.496.318,00 são destinados à formação do capital social e R$26.848.160,00 para a criação de Reserva de Ágio. 4. QUALIFICAÇÃO DOS FATOS José e Alessandra pretenderam adquirir quotas. Sem dispor dos recursos necessários, pretenderam utilizar recursos da própria empresa. O negócio de aquisição de quotas contém um mútuo realizado entre IFC e Zest que é, em tese, uma simulação relativa com interposição fictícia de pessoa. O ato simulado é o empréstimo de recursos da IFC para a Zest. O ato dissimulado é a transferência não onerosa de recursos da IFC para José e Alessandra. A simulação foi realizada para fornecer os recursos necessários à aquisição das quotas realizada por José e Alessandra, verdadeiros adquirentes das quotas. 4.1 MOTIVOS PARA SIMULAR Identificamos motivos de ordem societária e tributária, interligados e indissociáveis, que explicam, em tese, o interesse das partes na simulação. 4.1.1. MOTIVOS DE ORDEM SOCIETARIA: Um primeiro motivo da simulação é a transferência patrimonial, da empresa para sócios, de recursos em valor superior às reservas, ao capital e ao próprio patrimônio liquido, proibida pela legislação societária. Para argumentar, tomaremos como base o balanço patrimonial da empresa em 31/03/2005, último mês antes da assinatura do contrato de compra e venda. A ordem de grandeza dos números não muda e não invalida o raciocínio aqui apresentado se fosse considerado outro mês qualquer. Fl. 1219DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.220 19 Em 31/03/2005 a Jack Link's apresentava o seguinte balancete resumido (balancete escriturado em diário): ATIVO PASSIVO Ativo Circulante 24.841.052 Passivo Circulante 22.404.962 Realizável LP 585.922 Exigível LP 24.597.694 Permanente 63.863.421 Patrimônio Líquido Capital Social 25.600.000 Reservas Reaval. 13.218.952 Reservas Lucros 7.523 Lucros Acumulados 6.570.402 45.396.877 TOTAL ATIVO 89.290.39 TOTAL PASSIVO 92.399.533 Obs.: o balancete de março/2005 escriturado em diário apresenta Passivo superior ao Ativo. O demonstrativo apresentado pelo contribuinte informa contas de Reservas no valor de R$16.687.739 e Patrimônio Liquido de R$42.287.739. Para efeito de demonstrar nossas conclusões adotamos o valor escriturado. O valor da compra (sem contar despesas, perdão de dívida e outros) de 20 milhões de dólares, à taxa de 2,6157 vigente em 18/04/2005, data de fechamento do negócio, correspondia a R$52.314.000,00, claramente superior às reservas e lucros acumulados, e a todo o patrimônio liquido da empresa. Existem três formas de sócios adquirirem quotas com recursos da própria empresa: 1) A empresa comprar suas próprias quotas para manutenção em tesouraria e posterior alienação aos sócios. Não existe impedimento legal para uma sociedade limitada adquirir suas próprias quotas para manutenção em tesouraria. O Novo Código Civil (NCC), Lei n° 10.406/2002, não contem regras nesse sentido. O permissivo legal consta do artigo 30 da Lei n° 6.404/76, que rege as sociedades por ações. A cláusula 22ª do contrato social consolidado, objeto da 4ª alteração contratual da Jack Link's, de 16/06/2003, dispõe que os casos omissos no contrato social serão regulados pelo capitulo Da Sociedade Limitada, do Código Civil, (artigos 1052 a 1087) e legislação pertinente, e subsidiariamente pelas normas das sociedades anônimas (Fato 4). As alterações contratuais posteriores, até a transformação em sociedade anônima, mantiveram essa cláusula. Ocorre que, nos termos da alínea b) do artigo 30 da Lei n° 6.404/76, a aquisição de ações para manutenção em tesouraria só é permitida 'desde que até o valor do saldo de lucros ou reservas, exceto a legal; e sem diminuição do capital social, ou por doação'. Ainda que não constasse do contrato social a regula cão subsidiária pela Lei da Sociedades Anônimas, ainda assim a limitação de seu artigo 30 deveria ser respeitada. O capital social é mecanismo de garantia de credores, conceito básico e fundamental do direito societário. A validade da aquisição de quotas pela própria empresa sempre dependerá da existência de lucros acumulados e/ou reservas disponíveis que dêem suporte à aquisição. Portanto, dispondo de lucros e reservas de lucros de cerca de 19,7 milhões e PL de 45,3 milhões, a compra pela empresa de suas próprias quotas aos valores contratados de 52 milhões seria uma transação ilícita. Fl. 1220DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.221 20 2) A empresa entregar recursos aos sócios para eles comprarem as quotas. A redução do ativo teria como contrapartida uma redução do Patrimônio Liquido. O artigo n° 1.059 do NCC limita a entrega de recursos financeiros da sociedade limitada aos sócios, dispondo que estes 'serão obrigados à reposição dos lucros e das quantias retiradas, a qualquer titulo, ainda que autorizados pelo contrato, quando tais lucros ou quantia se distribuírem com prejuízo do capital'. Mais uma vez verificase a impossibilidade da transferência patrimonial. Considerando o patrimônio liquido existente (cerca de 45,3 milhões), a distribuição dos recursos necessários à aquisição (cerca de 52 milhões) sem previsão de reposição implicaria reduzir o capital a zero e ainda registrar uma conta que retrataria um patrimônio liquido negativo. Do mesmo modo que na forma de aquisição anterior, a transação seria ilícita. 3) A empresa emprestar dinheiro aos sócios. Não haveria transferência patrimonial da empresa para os sócios. Os sócios não incorporariam ao seu patrimônio parte do patrimônio da empresa, pois restaria a obrigação de pagar. O empréstimo poderia ser pago pelos sócios no futuro, com rendimentos recebidos da empresa na forma de lucros distribuídos. A desvantagem é que os sócios poderiam não receber os lucros esperados. Os lucros previstos poderiam não ocorrer, e caso a empresa admitisse novos sócios, os lucros seriam distribuídos entre mais pessoas. Concluímos que, neste caso, a única forma legal dos sócios adquirirem as quotas com recursos da empresa seria através de empréstimo concedido pela empresa, com reposição dos recursos pelos sócios. Como o resultado dos atos praticados não é esse, concluise que essa não era uma opção desejada. No caso, houve contratação de mútuo, houve fornecimento de recursos, mas não houve reposição dos recursos emprestados. O negócio foi realizado de forma a tornar definitiva e sem ônus para os sócios uma transferência de recursos que deveria ter sido a titulo de empréstimo com reposição dos recursos emprestados. 4.1.2. MOTIVOS DE ORDEM TRIBUTÁRIA: Um segundo motivo para simulação é a obtenção de economia tributária no valor de cerca de 26 milhões de reais relativos a: a) Imposto de Renda Pessoa Física incidente sobre rendimentos tributáveis recebidos pelos sócios: a.1) Caso a Jack Link's entregasse aos sócios os recursos financeiros necessários à aquisição das quotas e quitação dos invoices, o rendimento dos sócios seria tributável. A lei isenta do imposto de renda lucros e dividendos pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real quando calculados com base nos resultados apurados, conforme artigos 39, inc. XXIX, e 654 do Decreto n° 3.000/99 (RIR/99). Uma vez que os rendimentos distribuídos ultrapassariam em muito os lucros apurados pela contabilidade, e não sendo contemplados nas hipóteses de isenção dos artigos 39 a 42 do RIR/99, incidiriam os artigos 37 e 38 do RIR/99. O valor de IRPF estimado seria de cerca de 15,8 milhões, considerando alíquota de 27,5% da tabela progressiva Fl. 1221DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.222 21 incidindo sobre o valor de aquisição atribuído pelo contribuinte exceto embalagens. (Lei 7713, art 30, § 4º; IN SRF n° 15/2001, art.5°, §§ 7° e 8°). a.2) Caso a Jack Link's comprasse as quotas sem ter lucros e reservas para tanto e as entregasse aos sócios, o beneficio dos sócios seria rendimento tributável, incidindo os artigos 37, 38 e 55 inciso IV do RIR/99 (rendimentos recebidos na forma de bens ou direitos). O beneficio dos sócios seria idêntico aos custos de aquisição contabilizados pela empresa. O valor de IRPF estimado seria igualmente de cerca de 15,8 milhões. Em ambos os casos ‘a.1’ e ‘a.2’ a empresa cometeria ilícito societário. Os atos seriam nulos e o beneficio dos sócios seria rendimento tributável decorrente de transação ilícita e percebido com infração à lei, incidindo os artigos 37, 38, e 55 inciso X do RIR/99. O beneficio dos sócios seria idêntico aos custos de aquisição arcados pela empresa. O valor de IRPF seria igualmente de cerca de 15,8 milhões. a.3) Se o negócio simulado fosse válido, José e Alessandra, que possuíam quotas da Zest no valor de 8,96 milhões, receberiam quotas da IFC no valor nominal de 24,32 milhões. Seriam beneficiados pelo negócio realizado pelas empresas, uma vez que, na relação de troca estabelecida, as novas participações têm valor maior que o custo da participação societária originária. Esse benefício constitui ganho de capital tributável previsto no artigo 117 do RIR/99 (alienação de ações; ações recebidas em valor superior as entregues; conforme Parecer Normativo CST n° 39 de 1981). Entretanto aqui não haveria um custo de aquisição de quotas registrado pela IFC. O valor do rendimento seria igual ao valor nominal das quotas recebidas (24,32) menos o custo da participação societária originária (8,96), resultando 15,36 milhões. Incidindo alíquota de 15%, o imposto devido seria cerca de 2,3 milhões. Portanto, se o negócio simulado fosse válido e os sócios recolhessem o IRPF no valor de 2,3 milhões incidentes sobre o negócio simulado, e uma vez que as alternativas possíveis teriam um custo tributário de 15,8 milhões, haveria uma economia tributária de 13,5 milhões de IRPF. b) Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido decorrente da dedução de despesas de amortização de ágio na aquisição de investimento: Essa economia decorre de permissivo legal do artigo 386 do RIR/99, aplicável unicamente nas incorporações de investida por investidora, ou viceversa, nos casos em que o investimento foi adquirido com ágio cujo fundamento econômico seja o valor de rentabilidade com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros. Essa economia não seria possível caso a aquisição se desse diretamente pelas pessoas físicas ou pela própria pessoa jurídica. Se o negócio simulado fosse válido, ao final o ágio pago na aquisição das quotas permaneceria na empresa, sob a forma de ativo diferido, tendo como contrapartida a reserva de ágio. Poderia ser amortizado em até cinco anos, e a despesa de amortização seria dedutível na apuração do IRPJ e CSLL, trazendo economia tributária de 34% sobre o ágio pago, igual a cerca de 12,5 milhões de reais. 4.2 RELAÇÃO DE TROCA NA INCORPORAÇÃO Na incorporação as quotas da empresa incorporada são extintas. Ao entregarem quotas da empresa a ser extinta, seus sócios estão na verdade entregando o acervo (bens, direitos e obrigações) que estas Fl. 1222DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.223 22 quotas representam. Esse acervo normalmente irá aumentar o acervo da incorporadora, que aumentará seu capital na mesma medida. O balanço de incorporação da ZEST em 31/05/2005 apresentava os seguintes valores: Ativo Circulante 1.000,00 Financiamentos CP 13.209.449,60 Participações IFC 34.332.643,00 Outros 725.349,21 Ágio Inv. IFC 33.735.392,81 Financiamentos LP 21.579.525,00 Créditos P. ligadas 23.593.712,00 Capital 8.961.000,00 Total 68.069.035,81 Total 68.069.035,81 O Protocolo, no item 'III Do acervo incorporado e sua avaliação', informa que 'está sendo adotado o critério de avaliação do patrimônio liquido contábil' da ZEST e que a IFC absorverá a totalidade do Patrimônio Liquido. Já o item VI fala em 'direitos e obrigações relacionados com o patrimônio incorporado' (Fato 21). O laudo de avaliação conclui que 'o valor contábil correspondente ao acervo da INCORPORADA ... a ser vertido para fins de incorporação ao capital da INCORPORADORA' é de R$8.961.000,00. Tanto o laudo quanto o protocolo não utilizam o termo 'acervo líquido', referindose apenas a acervo e patrimônio liquido. Apenas na 10ª alteração do contrato social encontramos referência a essa distinção entre patrimônio líquido e acervo líquido, onde a cláusula 5ª informa que 'a Sociedade absorverá a totalidade do patrimônio liquido da ZEST INVESTIMENTOS, no montante de R$8.961.000,00' e a cláusula 7ª informa que 'a Sociedade absorve a totalidade do acervo liquido incorporado', sem entretanto especificar o valor (Fato 21). O Patrimônio Líquido corresponde à diferença entre Ativo e Passivo. No caso, o Patrimônio Líquido da ZEST tem o valor do seu capital. Entretanto, é o acervo líquido transferido que permite visualizar a relação de troca estabelecida entre as partes. O acervo líquido corresponde ao valor dos bens e direitos, líquidos das obrigações, efetivamente transferidos da incorporada à incorporadora. Corresponde à riqueza efetivamente acrescida ao patrimônio da incorporadora. O capital da incorporadora será aumentado na medida dessa riqueza acrescida. Na operação de incorporação em que não existe participação de uma empresa em outra, o valor do acervo líquido é igual ao valor do patrimônio líquido da incorporada. Já no caso em que a incorporada detém participação na incorporadora, o acervo líquido corresponde à diferença entre ativo e passivo da incorporada, reduzido ainda do valor dessa participação. A participação não é transferida de uma empresa para outra. Ocorre que o custo dessa participação societária é registrado em balanço segregado em investimento e ágio. Embora sejam duas contas, ambas representam o mesmo investimento. Da mesma forma que a participação da incorporada na incorporadora não faz parte do acervo liquido transferido, também o ágio não faz parte do acervo liquido transferido. O ágio contabilizado na incorporadora como ativo diferido terá como contrapartida uma conta credora de reserva de ágio, distinta e segregada da contrapartida do acervo líquido, e não poderá ser utilizada para aumentar o capital da empresa. (IN SRF 11/99). Fl. 1223DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.224 23 Verificase então que o acervo líquido recebido pela IFC tem o valor negativo de R$59.107.035,81, que corresponde às dívidas assumidas pela ZEST para aquisição das quotas, menos R$1.000,00 em caixa. Por outro lado, como não houve redução nem aumento de capital da incorporadora, a IFC nada exigiu para se compensar da recepção desse acervo negativo. A incorporação realizada pela IFC, que no dizer do Protocolo e Justificação de Incorporação 'atende plenamente aos interesses de ambas as sociedades' (Fato 21), resultou na assunção das dívidas da investidora ZEST, no valor de R$59.108.035,81, dos quais R$23.593.712,00 correspondem as dívidas da ZEST para com a própria IFC que se tornaram irrecuperáveis, e R$35.514.323,81 correspondem as dívidas da ZEST para com a Japan e fornecedores. O que a IFC fez foi simplesmente assumir o passivo da ZEST, contraído na única transação da vida dessa empresa. Na relação de troca estabelecida na incorporação, a Zest entregou uma dívida líquida de R$59.107.035,81, e as 24.320.000 quotas da IFC antes pertencentes à Zest foram transferidas para José e Alessandra, os verdadeiros e únicos beneficiados na transação. Quem lê apenas os contratos sociais e o laudo de avaliação da Zest, imagina que a IFC incorporou ativos de R$8.961.000,00. Quem analisa a contabilidade das empresas, constata que a IFC incorporou dívidas de R$59.107.035,81. O balanço patrimonial do contribuinte não retrata de forma transparente a operação realizada. Na verdade, esconde a assunção da dívida dos sócios. Suas contas patrimoniais apresentam sob título 'Outras' o valor negativo de R$25.372.643,00, que resulta da soma do valor de reserva de ágio de R$33.735.392,81, e do valor negativo de R$59.107.035,81 relativos ao acervo líquido recebido da ZEST e uma diferença indevida de R$1.000,00 relativa à conta caixa da Zest. Os valores de reserva de ágio e acervo líquido deveriam aparecer segregados no patrimônio líquido, conforme Instrução Normativa SRF n° 11/1999. Verificase ainda que o Patrimônio Líquido apenas ficou positivo no valor de R$20.138.866,27 devido à reserva de ágio. Se excluída a reserva, o PL resultaria R$13.596.526,54 negativos. Concluise que: 1) a IFC assumiu o prejuízo pelo não recebimento do empréstimo concedido e ainda o saldo devedor da dívida assumida pela Zest; 2) não é verdadeira a afirmação de que a incorporação da ZEST atende aos interesses da IFC; 3) um dos objetivos de se concretizar a aquisição de quotas através da Zest era adicionar um valor (Reserva de Ágio) ao Patrimônio Líquido para que este não ficasse negativo. (...) 4.4 CONDIÇÕES DOS CONTRATOS A substituição dos compradores signatários do contrato de compra e venda de quotas pela Zest foi comunicada aos vendedores em correspondência de 05/04/2005 assinada por José, Alessandra e Eduardo (fato 11). Verificase no item 3 do documento que os compradores estavam em processo de reestruturação corporativa que envolveria a transferência das quotas dos compradores para uma afiliada dos compradores e que essa afiliada se tornaria a única proprietária de todas as quotas Fl. 1224DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.225 24 representativas da participação dos compradores na Jack Link's. Essa afiliada era a Zest. Entretanto, a transferência de quotas ocorreu em 12/04/2005 apenas com o aumento de capital da Zest pelos seus antigos sócios, José e Alessandra. Eduardo não ingressou na sociedade (fato 13), ficando portanto excluído da aquisição. A renúncia de Eduardo à aquisição ocorreu em 18/04/2005 (fato 16). O contrato de mútuo (Fato 8), onde a Jack Link's é mutuante e a Zest é mutuária, estabelecia que 'os empréstimos feitos pela MUTUANTE deverão ser liquidados em até 180 (cento e oitenta) dias contados a partir da data de cada desembolso, pela MUTUÁRIA sempre que esta liquidação for requerida pelos primeiros, independente de qualquer outra condição'. Portanto, o contrato estabelece prazo mínimo para pagamento de mútuo, mas não estabelece prazo máximo. A data final do pagamento seria determinada a critério da IFC, controlada por José e Alessandra. O contrato de compra e venda de quotas (Fato 9) estabelecia o preço a ser pago de vinte milhões de dólares, equivalente a cerca de 52 milhões de reais. A Zest claramente não tinha essa quantia, dai o contrato de mútuo. A razão do mútuo é exclusivamente o financiamento da aquisição. De fato, a única operação realizada pela Zest foi essa aquisição, e todos os custos incorridos pela empresa foram pagos com recursos do mútuo desde janeiro/2005 e motivados pela aquisição e considerados ágio. Já o contrato de garantia (Fato 15) dispunha que a IFC 'Não contratará ou concederá mútuos de ou a favor de controladas, coligadas e/ou sócios bem como terceiros, exceto relativamente ao mútuo a ser concedido a favor do AFIANÇADO para efetuar o pagamento do prego de compra estabelecido no Contrato de compra e Venda de Quotas referido no item IV do preâmbulo'. Constatase que desde o início estava definido que a compra das quotas seria feita pela Zest e totalmente paga com recursos da IFC e que a reposição do empréstimo ficaria a critério de José e Alessandra. O contrato de garantia contém o item 16, de obrigações especiais, em que o CLIENTE e os INTERVENIENTES GARANTIDORES SOLIDÁRIOS individualmente obrigamse relativamente ao CLIENTE...' É o banco exigindo garantias para conceder a carta de fiança. Ocorre que cliente é a IFC e intervenientes são as pessoas físicas. A Zest, que é a controladora da IFC, não é chamada pelo banco para garantir os atos da IFC (efetividade das garantias, ausência de ônus, não contratação de divida, não contratação de mútuo, não pagamento de dividendos). São os garantidores solidários que obrigamse a cumprir a garantia de penhora de quotas que pertencem a Zest, e não a própria Zest. Constatase que o próprio banco desconsiderou a Zest como controladora da IFC e compradora das quotas. A Zest era uma empresa de participações, cujo único investimento era a participação na IFC. Logo, os lucros distribuídos pela IFC constituiriam sua única receita. Entretanto, o contrato de garantia estipulava outra restrição à IFG: ‘Limitar o pagamento dos dividendos líquidos eventualmente apurados Fl. 1225DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.226 25 do seu lucro líquido, aplicandose tal limitação também ao eventual pagamento de juros sobre o capital próprio'. O texto não especifica a quanto estaria limitado o pagamento de dividendos. O contrato social da Jack Link's estabelecia dividendo mínimo de 25% do lucro (Fato 7). Documentos enviados pelo Banco Real (Fatos 14 e 18) estabelecem as condições para assinatura do contrato de garantia, incluindo 'Proibição de distribuição de dividendos durante todo o período de operação' e penhorando os dividendos atribuíveis as quotas. E de fato não houve distribuição de dividendos no período. Concluise, portanto que limitar o pagamento significa não distribuir dividendos. Essa cláusula retira da Zest durante a duração do contrato de garantia sua única fonte de receita, que lhe permitiria amortizar a dívida. Entretanto, essa cláusula não é motivo relevante para a incorporação da Zest, uma vez que os sócios poderiam renunciar a seu direito de receber 95% dos lucros passíveis de distribuição em troca da amortização da dívida. Da mesma forma, a cláusula do contrato de garantia que não permitia a redução do capital também não é motivo relevante para a incorporação. A redução do capital em si não é relevante para o banco, pois receberia todas as quotas da empresa como garantia. Seria indiferente a quantidade ou o valor das quotas. O que interessa é ter garantia de 100% do patrimônio da empresa, que esse patrimônio não se reduziria, que não haveria redução de capital por retirada de sócios após a realização do negócio. O banco aceitou a relação de troca na incorporação. Entendemos que se as proibições de distribuição de dividendos e de redução de capital fossem motivos relevantes para a incorporação que se seguiu, os sócios teriam obrigação de recusar essas cláusulas. Isso porque a incorporação com recepção das dívidas da Zest, sem compensação pelo ônus, teria o mesmo efeito de distribuição de recursos aos sócios e implicaria fraude à lei. Sendo o contrato de garantia parte integrante do contrato de compra e venda de quotas, não se trata de fato superveniente. Se essas cláusulas foram aceitas é porque não afetavam os planos das partes. Uma vez que o mútuo tinha prazo indeterminado, a não amortização da dívida poderia continuar indefinidamente. Se existisse a intenção de quitar o empréstimo com dividendos recebidos da IFC pela Zest, o tempo de duração do contrato de mútuo seria o necessário para a IFC gerar recursos para o pagamento do restante da aquisição (2ª , 3ª e 4ª parcelas) e distribuição de dividendos equivalentes ao custo de aquisição das quotas. Por outro lado, a demora na incorporação da Zest acarretaria a demora no aproveitamento da amortização do ágio. O contrato de garantia continha restrição de 'Não alterar bem como não permitir alteração do controle acionário do CLIENTE que importe em uma alteração equivalente do controle societário do CLIENTE' (Fato 15). Controle acionário é participação direta (art 116 da Lei das SA); controle societário pode ser participação indireta. A cláusula previa que a Zest deixaria de ser controladora direta, mas a participação de José e Alessandra continuaria sendo de 95% do capital. Concluise que já estava previsto que a incorporação da Zest ocorreria ainda durante a vigência do contrato de garantia, e antes Fl. 1226DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.227 26 mesmo de obter os recursos necessários para honrar seus compromissos. Resulta da incorporação em 31/05/2005, anterior ao pagamento das 2ª e 3ª parcelas, que o ágio começou a ser amortizado antes mesmo do pagamento total da aquisição. (...) 4.6 SEPARAÇÃO PATRIMONIAL Os atos praticados são gravíssimos. É legalmente impossível retirar de uma empresa recursos superiores ao seu patrimônio liquido. Conceito básico e fundamental da economia moderna é o de separação patrimonial entre pessoa jurídica e seus sócios. Edmar Oliveira Andrade Filho, em Sociedade de Responsabilidade Limitada, ed. Quartier Latin, 2004, bem coloca a questão: 'A criação de uma personalidade jurídica pressupõe a existência de um patrimônio que será a ela afetado. Esse patrimônio, antes pertencente aos membros da sociedade, é posto a serviço desta, debaixo de um complexo de relações que se formam entre a pessoa jurídica e seus membros, para cumprir uma função específica e determinada. Nas sociedades empresárias, o fim determinado é a exploração de atividade econômica e a apuração de um resultado que será repartido entre os sócios'. (pág. 35) 'Nas sociedades empresárias, a transferência patrimonial é feita, via de regra, a tíitulo de contribuição para o capital social da pessoa jurídica'. (pág. 36) ‘Feita a separação do patrimônio, os bens e direitos transferidos em pagamento da subscrição do capital passam para a esfera de poder da pessoa jurídica, que sobre eles adquire direitos de proprietário, isto é, adquire poderes de disposição, fruição e gozo e de ação erga omnes, inclusive contra os sócios. Portanto, os membros da pessoa coletiva que entregam bens em pagamento de capital não o fazem para formar condomínio juntamente com a sociedade já que não têm poderes de disposição sobre aqueles bens ...'(pág. 36) 'A possibilidade de criação de personalidades jurídicas e de realizar a separação patrimonial tem uma contrapartida: a responsabilidade'. (pág. 36) 'A noção de 'responsabilidade' tem íntima conexão com a idéia de ‘separação patrimonial' antes exposta. A separação só tem sentido se o patrimônio a ser separado o for para a realização de alguma finalidade, uma das quais é a criação de um centro de responsabilidade limitada. A mais importante conseqüência dessa separação é a possibilidade de criação de sociedades (e empresas) com limitação da responsabilidade dos sócios, nas hipóteses e condições previstas no ordenamento jurídico. Quando os sócios elegem constituir uma sociedade de responsabilidade limitada, eles criam um patrimônio social que, em princípio, responderá sozinho pelas dívidas da sociedade. Pela autoatribuição de uma responsabilidade limitada, os subscritores de quotas de uma sociedade empresária indicam o montante de bens que pretendem afetar a uma atividade econômica, de modo que preestabelecem o montante do que, em última instância, estão dispostos a perder. O índice desse montante é o valor do capital social, ou seja, o valor do capital social ‘manifesta o risco que os sócios assumem', ou o que é o mesmo , 'as perdas a que se sujeitam no exercício da atividade empresarial'. Assim, por intermédio desse mecanismo, os subscritores transferem uma parte dos riscos da atividade empresarial a terceiros que vierem a contratar com a sociedade constituída. Por tais razões, a possibilidade de separação e afetação de uma parcela patrimonial a um negócio, representa, de certa maneira, um privilégio'. (pág. 38, 39). Fl. 1227DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.228 27 'Ora, a diminuição do capital real implica retirar garantias de credores que têm no capital um relativo mecanismo de garantia'. (pág. 119) A equação básica contábil 'ATIVO = PASSIVO + PATRIMÔNIO LIQUIDO' bem expressa a separação patrimonial. A transferência de recursos do ativo para os sócios pode ocorrer em contrapartida a uma redução do passivo (pagamento de exigível), ou pela substituição por outra conta de ativo (por exemplo, empréstimo a receber) ou pela redução do Patrimônio Liquido em conta de Capital ou de Reservas. A transferência patrimonial realizada é legalmente impossível. O negócio realizado simplesmente criou um 'buraco' no Patrimônio Líquido, uma conta negativa que pelo cálculo do contribuinte deveria ter sido contabilizada no valor de R$59.107.035,81. Enquanto essa conta existir, haverá prejuízo na garantia de terceiros. Aqueles que contratarem com a sociedade, que assumirem parte dos riscos da atividade empresarial da IFC, estarão menos amparados, em benefício dos sócios que retiraram recursos da empresa. E como será coberto esse 'buraco'? Eventual compensação com lucros acumulados implicará apropriação de lucros pertencentes potencialmente aos acionistas minoritários, que não receberam os benefícios do negócio. Constatase nas demonstrações financeiras da IFC informadas nas DIPJ que, ainda em dezembro de 2007, constava de seu patrimônio líquido a conta negativa decorrente da incorporação da Zest. Constatase assim a definitividade da transferência patrimonial para José e Alessandra. 4.7 INTERPOSIÇÃO FICTÍCIA Entendemos que os quatro contratos realizados (de compra e venda de quotas, de mútuo, de garantia e de incorporação) constituem um negócio cuja causa é a aquisição de quotas por José e Alessandra com recursos retirados gratuitamente da empresa IFC com economia tributária. A causa pode ser declarada textualmente ou não. O componente de aquisição de quotas está declarado no contrato de compra e venda. O componente de pagamento com recursos da IFC está declarado no contrato de garantia. O componente de transferência de recursos não onerosa aos sócios, não declarada textualmente, está evidenciado pela interligação dos contratos e pela função da incorporação no negócio. A incorporação transfere o ônus do custo da aquisição totalmente para a IFC e o bônus das quotas adquiridas totalmente para José e Alessandra. Se houvesse intenção de repor os recursos emprestados, a relação de troca da incorporação seria estabelecida em bases eqüitativas, com a IFC recebendo dos sócios ativos que a compensassem do ônus assumido, ainda que para recebimento futuro (por exemplo, capital a integralizar no valor da conta negativa de patrimônio líquido recepcionada). Como não há bem transferido para a incorporadora na incorporação, e o pagamento da aquisição independia da situação financeira da Zest, pois seria financiada pela IFC, a incorporação, nos moldes em que realizada, só se justifica devido à causa que identificamos no negócio: 1) aproveitamento do ágio; 2) transmissão não onerosa das quotas aos sócios com economia tributária. Entendemos que a causa do negócio é ilícita porque implica retirada de recursos da IFC em beneficio dos sócios José e Alessandra em valor superior ao Patrimônio Liquido da IFC. Fl. 1228DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.229 28 O objetivo do planejamento, no caso, foi contornar essa ilicitude através de negócio jurídico indireto. 4.7.1 Inexistência de negócio jurídico indireto Entendemos que o negócio indireto não pode substituir negócio direto proibido por lei (transferência patrimonial maior que o patrimônio líquido). No caso, constatase de plano a incompatibilidade do negócio jurídico adotado para transferência de recursos (mútuo) com o objetivo pretendido de transferência gratuita. No negócio indireto, a causa pretendida é diferente da causa do negócio típico escolhido, mas o negócio substituto é verdadeiramente realizado, cumprindo as características de sua tipicidade. Por exemplo, alguém que não podendo doar, vende por valor simbólico. Através da venda atinge os fins da doação. Mas a venda é efetivamente realizada, há transferência de coisa em troca de recursos. Aqui, pretendese transferir recursos graciosamente utilizando contrato de mútuo, cuja definição legal exige a devolução, na mesma qualidade e quantidade, do bem fungível entregue (art. 586 do NCC). A incompatibilidade entre mútuo e transferência gratuita pode ser vencida pela interposição de pessoa, que deve ser real. Se a IFC emprestasse à Zest, a Zest restituísse os recursos à IFC e depois transferisse as quotas a José e Alessandra de forma eqüitativa, a interposição teria sido real, teria havido negócio indireto: teriam sido utilizados recursos da IFC, o mútuo efetivamente se realizaria com a reposição dos recursos, e a transferência seria não onerosa para José e Alessandra. A incorporação contratada pela Zest, da forma como foi feita, impediu a realização efetiva do contrato de mútuo, pois a IFC não recebeu de volta os recursos fornecidos. Portanto, a Zest não se submeteu à disciplina jurídica do contrato de mútuo e não existiu negócio indireto. Entendemos que se a incorporação decorresse de contingências externas à empresa, teria havido simplesmente fraude à lei societária, que não exige intencionalidade. A simples ocorrência por meios indiretos de resultado que a lei proíbe (a retirada de recursos da IFC em benefício dos sócios em valor superior ao Patrimônio Líquido) torna o negócio nulo (art. 166, inc. VI do NCC). Entretanto, entendemos que a incorporação da Zest faz parte de um conjunto préordenado de atos jurídicos, intencional, e que nunca houve intenção de restituir a IFC o valor emprestado. Se houvesse intenção de restituição, a relação de troca na incorporação teria sido eqüitativa, com a IFC recebendo ativos dos sócios para compensar as dívidas assumidas e impedir a conta negativa do patrimônio líquido. José e Alessandra obtiveram benefícios de R$74.646.420,01, conforme demonstrado ao final do item 4. Aumentaram seu patrimônio no valor de R$53.359.767,59 (custo total de aquisição das quotas) em detrimento dos sócios minoritários e da segurança dos que transacionaram com a empresa. Se os atos praticados fossem válidos teriam obtido economia tributária de R$21.286.652,82 (amortização do ágio e redução do imposto de renda ao ganho de capital). Não foi a sorte que os premiou. Foi o planejamento que lhes permitiu alcançar tais benefícios. 4.7.2 Pacto Simulatório Fl. 1229DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.230 29 É possível identificar no mútuo e nos atos realizados a existência, em tese, de um pacto simulatório entre José e Alessandra (interponentes), a Zest (interposta) e a IFC. O acordo tripartite no mútuo é óbvio, na medida em que as empresas que o contrataram representavam interesses das mesmas pessoas. Os fatos se sucederam na seguinte ordem: contrato de mútuo (Fato 8), contrato de compra e venda (Fato 9), comunicação que a Zest efetuaria a compra (fato 11), reorganização societária com entrada da Japan e Zest na IFC (Fato 13), contrato de garantia (Fato 15), transação das quotas (Fato 17) e incorporação da Zest (fato 21). A utilização de recursos da IFC é o motivo do mútuo; a participação da Zest na compra foi comunicada aos vendedores pelos sócios; ao contratar a incorporação a Zest não se submeteu à disciplina jurídica do contrato de mútuo e transferiu um ônus à IFC em beneficio dos sócios. Todos os atos estavam previstos ou indicados nos contratos assinados. Portanto, existe um préordenamento dos atos, consensual entre as partes (José e Alessandra, Zest e IFC) e desde 02/01/2005, indicando que José e Alessandra comprariam as quotas com recursos fornecidos pela IFC, que a compra seria formalizada pela Zest e que as quotas adquiridas seriam transferidas aos sócios pela incorporação da Zest. 4.7.3 Ato simulado José Beleza dos Santos, em A Simulação em Direito Civil, Ed. Lejus, 1999, faz distinção entre interposição fictícia e interposição real. O texto apresenta aspectos relevantes que ajudam a identificar a ocorrência de interposição fictícia: 'O intermediário real procede como verdadeiro outorgante no negócio jurídico, diz Ferrara, a relação em vez de se estabelecer entre as partes estabelecese entre três pessoas, ocupando o interposto a posição intermédia para receber e tornar a transferir ou para obrigarse e ser exonerado. O efeito último do negócio realizarse6 entre os interessados, mas antes é necessário que passe pela pessoa interposta que, transitória mas necessariamente, deve adquirir para o seu patrimônio a propriedade ou os créditos transmitidos pelo contrato e sujeitarse à responsabilidade e débitos correlativos'. 'Na interposição fictícia a intervenção do intermediário portanto, meramente aparente; na interposição real é verdadeira e efetiva; na interposição fictícia há necessariamente um conluio entre os diretamente interessados e o intermediário, porque aqueles são os reais outorgantes e este só com o seu nome colabora nos atos realizados; pelo contrário, a interposição real exclui a existência desse conluio, e exige apenas o acordo quanto à mediação real do intermediário entre uma das partes que é o interponente e a pessoa interposta. Na interposição fictícia, desfeita a simulação, aparecem os reais outorgantes no ato jurídico e é apenas à capacidade destes e à suas vontades que se deve atender; na interposição real, como o intermediário foi parte nos atos em que interveio, há que atender também à sua capacidade e vontade para determinar a eficácia dos negócios jurídicos em que foi outorgante'. Haveria interposição real, licita, se a Zest tivesse restituído os recursos a IFC, e se a relação de troca na incorporação tivesse ocorrido em bases eqüitativas, e não com a assunção de dividas pela IFC sem nenhuma contrapartida. Em tese existe interposição fictícia de pessoa no contrato de mútuo entre IFC e Zest porque: Fl. 1230DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.231 30 a) a Zest não se sujeitou à responsabilidade e débitos decorrentes do negócio, nem jamais houve pretensão de que o fizesse; a Zest contratou a incorporação antes de repor o mútuo e pagar as dívidas assumidas; contrato de mútuo foi motivado pela compra contratada por José e Alessandra; havia previsão no contrato de garantia de que o valor total das quotas adquiridas seria pago com recursos fornecidos pela IFC e de que o controle acionário da IFC seria substituído sem alteração do controle societário; com a incorporação encerrouse o mútuo e a própria Zest; b) a intervenção da Zest é aparente na medida em que era controlada pelas pessoas que controlavam também a IFC e que ao final receberam as quotas cuja aquisição motivou os empréstimos; o contrato de compra e venda se deu entre José e Alessandra e os vendedores; José e Alessandra comunicaram aos vendedores que a compra seria realizada pela Zest; A Zest não tinha recursos para a compra; contrato de garantia permitia alteração de controle acionário da IFC (participação direta, art. 116 da Lei da SA) se mantido o controle societário (participação indireta), já prevendo que ocorreria a transmissão das quotas para José e Alessandra via incorporação; a incorporação fatalmente teria que ocorrer antes da admissão de novos sócios/acionistas, pois se assim não fosse estes poderiam demandar contra a incorporação (artigo 117, §1 °, incisos 'b' e ‘f’ da lei das SA); a incorporação da Zest ocorreu durante a vigência do contrato, e, portanto antes do pagamento das 2a e 3ª parcelas; próprio banco nem considerou a Zest como controladora e compradora verdadeira das quotas da IFC; não houve efetiva entrega de recursos da Zest na aquisição; negócio realizado fraudou lei proibitiva; c) existe acordo entre as partes, José e Alessandra (interponentes), Zest (interposta) e IFC porque: José e Alessandra são compradores no contrato de aquisição de quotas; José e Alessandra comunicam aos vendedores que a compra seria realizada pela Zest; José e Alessandra são partes ou intervenientes em todos os contratos; José e Alessandra são controladores, sócios e administradores das empresas Zest e IFC e, portanto os atos das empresas refletem a vontade das mesmas pessoas; O motivo do mútuo é fornecer recursos para a aquisição das quotas; Os motivos da aquisição de quotas pela Zest são o aproveitamento do ágio, a transmissão dos custos para a IFC e a transmissão das quotas para os sócios José e Alessandra; não há interesse negocial da Zest nos atos praticados; Os únicos beneficiários são José e Alessandra; d) não existe capacidade e vontade da Zest para determinar a eficácia do negócio jurídico, na medida em que não tem capacidade Fl. 1231DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.232 31 financeira nem atividade geradora de lucros para honrar os compromissos que assumiu; e) desfeita a simulação, verificase que apenas é atendida a vontade de José e Alessandra, destinatários finais das quotas adquiridas com os recursos do mútuo e únicos beneficiários das transações realizadas em prejuízo da sociedade investida e do sócio minoritário (participação de 5% nas perdas); não existe interesse negocial da Zest nos atos praticados, uma vez que ela não tem capacidade financeira, não tem atividade econômica além da aquisição realizada, é encerrada por incorporação ao final do negócio; não existe interesse negocial da IFC nos atos praticados, uma vez que ao final apenas assume os custos da transação, não recebendo nenhuma compensação pelos mesmos; os sócios promoveram uma transferência patrimonial ilícita da empresa para si no valor de R$53.359.767,19, superior ao patrimônio líquido; os sócios obtiveram benefício tributário de R$21.286.652,82, dos quais R$11.411.458,94 referemse a tributos não recolhidos e R$9.875.193,88 a obrigações criadas para o Estado (dedutibilidade do ágio); os sócios quase triplicaram sua participação na empresa desembolsando apenas R$1.000,00 na constituição da Zest; a recepção pela IFC do acervo líquido negativo e a entrega das quotas a José e Alessandra revela os verdadeiros interessados no negócio. A prova definitiva da, em tese, interposição fictícia é a falta de capacidade econômica da Zest, aliada ao não pagamento do empréstimo e o fato de o acervo líquido transferido na incorporação ser o valor da dívida de aquisição das quotas. Mostra que a Zest apenas emprestou seu nome para intermediar uma transação em benefício dos sócios administradores. Também não é verdadeira a afirmação de que a incorporação da ZEST atende aos interesses da IFC. Os fatos constatados, em tese, permitem enquadrar a aquisição realizada na previsão do artigo 167, §1º, incisos I e II da Lei n° 10.406/2002 (Novo Código Civil), implicando o lançamento previsto no art. 149, inc. VII da Lei n° 5.172/66 (CTN). 4.7.4 Ato dissimulado O ato dissimulado é a transferência gratuita a José e Alessandra dos recursos necessários à aquisição das quotas. O empréstimo não é uma simulação absoluta e contamina os outros atos. Se fosse simulação absoluta, não teria havido negócio algum e não teria saído dinheiro da IFC. Entretanto saíram recursos da IFC, pessoas foram beneficiadas e, portanto algum negócio houve. A participação da Zest no conjunto de atos praticados, se válida, permitiria: a) viabilizar o empréstimo simulado; b) viabilizar a aquisição de quotas pela Zest; c) aproveitar o beneficio fiscal do ágio; d) tornar o patrimônio líquido positivo; e) obter economia fiscal de IRPF incidente sobre o ganho das pessoas físicas, transformando o ganho da tabela progressiva (27,5%) em ganho de capital (15%), conforme descrito no item 4.1.2. a 3 anterior; e f) legitimar ato nulo praticado. Fl. 1232DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.233 32 Afastado o empréstimo, afastase também a aquisição de quotas pela Zest. Se ela nada pagou, nem ficou com o produto da compra, então ela não realizou o negócio jurídico de compra e venda contratado por José e Alessandra. Portanto afastase também o benefício fiscal do ágio; não existe Reserva de ágio a contabilizar no patrimônio líquido, que no cálculo do contribuinte deve ser reduzido ao valor negativo de cerca de 13,5 milhões; não existe ativo diferido a amortizar; as despesas de amortização do ágio não são dedutíveis. Cabe perguntar se a participação que a Zest detinha na IFC, decorrente do aumento do capital, permitiria alcançar os resultados e) e f) citados. Afastar o empréstimo não quer dizer que o negócio dissimulado é a aquisição de quotas pela IFC e sua posterior distribuição aos sócios, via incorporação da Zest ou diretamente. A aquisição das quotas pela IFC seria ato nulo conforme art. 30 da Lei 6.404/76 c/c art. 166, II do NCC. Entender que seria possível transferir quotas adquiridas ilegalmente aos sócios via incorporação seria legitimar o ato nulo praticado e prestigiar a ilegalidade, principalmente tendo em conta que os objetivos dos atos têm também natureza tributária (mudança da alíquota de 27,5% para 15%). A transferência das quotas da IFC aos sócios via incorporação da Zest seria também um ato simulado. Uma das funções da Zest no negócio foi tornar positivo o patrimônio líquido via adição da Reserva de Ágio. O único negócio/investimento realizado pela Zest foi a aquisição de quotas da IFC contratada por José e Alessandra, com recursos recepcionados em empréstimo que demonstramos ser, em tese, simulado. Excluída a aquisição decorrente do empréstimo simulado, a Zest não cumpriu seu objeto social de aquisição de investimentos. Portanto sua participação como investidora da IFC é totalmente artificial. Sua incorporação nada acrescentaria ao patrimônio da IFC e seria apenas um veiculo para fraudar a lei societária e transformar IRPF da tabela progressiva em ganho de capital. Também a transferência das quotas diretamente da IFC aos sócios seria motivo de desconsideração porque a aquisição seria ato nulo. Uma vez que falamos em interposição fictícia de pessoa, devese descobrir quem é o interponente, a pessoa a quem a Zest substituiu. Uma vez que a simulação é uma declaração enganosa de vontade, devese descobrir qual é a vontade verdadeira. Entendemos que os interponentes são José e Alessandra e que a vontade verdadeira é a transferência gratuita a José e Alessandra dos recursos e conseqüente aquisição das quotas por José e Alessandra porque: 1) o contrato de compra e venda de quotas foi assinado por José e Alessandra. Os atos que se seguiram ao contrato foram pré ordenados para atingir a finalidade da aquisição. Assim, a entrada da Zest na IFC e o mútuo são elementos da aquisição de quotas. José e Alessandra aparecem como partes ou intervenientes em todos os contratos; 2) José e Alessandra comunicaram aos vendedores que a compra seria finalizada pela Zest e que suas quotas seriam entregues à Zest. Portanto, a Zest substituiu José e Alessandra na aquisição; 3) a decisão de investimento é uma decisão do investidor e não da empresa investida. É o dono que manda na propriedade, e não a propriedade que manda no dono. Admitir que o interponente é a Fl. 1233DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.234 33 IFC seria admitir que a IFC decidiu ser investida da Zest, sendo que a Zest ingressou na sociedade ao recepcionar quotas entregues pelos sócios em aumento de capital; 4) quando a empresa investida atua, ela realiza a vontade de seu investidor. Os atos praticados pela Zest e IFC visam atender a vontade de seus investidores José e Alessandra; 5) a causa confere unicidade aos atos praticados. Quando da assinatura do contrato de compra e venda a Zest não era sócia da Jack Link's. A participação da Zest na Jack Link's e sua posterior incorporação fazem parte da simulação para tornar o patrimônio líquido positivo e obter economia tributária, e igualmente devem ser afastadas. Não tem sentido imaginar que os atos praticados têm uma parte dolosa (o mútuo) e uma parte inocente (a transferência das quotas); 6) Se José e Alessandra tivessem adquirido as quotas diretamente, teriam efetuado os dispêndios que a empresa efetuou, registrando a aquisição em seu patrimônio pelo regime de caixa. Se a aquisição fosse feita pela IFC o regime adotado seria de competência. O regime de caixa traz um custo tributário menor que o regime de competência porque exclui as variações cambiais, que no caso representaram ganho tributável líquido de R$6.332.443,62; 7) A única forma lícita de aquisição das quotas com recursos da IFC seria através de empréstimo da IFC aos sócios. A simulação buscou alcançar transferência definitiva de recursos. A conclusão lógica é que os recursos para aquisição das quotas foram transferidos da IFC para José e Alessandra e que a aquisição das quotas foi feita por José e Alessandra. O demonstrativo abaixo apresenta os benefícios dos sócios com a simulação: Valor Contratado 52.314.000,00 Variação cambial do investimento (6.245.901,35) Juros Pagos 1.789.509,10 Pagamento aos vendedores 47.857.607,75 Despesas Incorridas Carta Fiança 958.327,09 Variação cambial fiança (86.542,27) Serviços 1.145.003,99 Despesas em beneficio dos sócios 2.016.788,81 TOTAL DOS PAGAMENTOS 49.874.396,16 Distribuição Disfarçada de Lucros Acordo Invoices 3.192.298,52 Valor residual intangíveis 293.072,51 Total DDL 3.485.371,03 Benefícios do custo de aquisição 53.359.767,19 Economia Fiscal de amortização do ágio calculado (34% x 29.044.687,68) 9.875.193,88 IRPF (0,275 x total dos pagam) 13.715.458,94 () IRPF s/ ganho de capital (0,15 x 15.360.000,00) 2.304.000,00 Imposto de Renda não recolhido 11.411.458,94 Benefícios Tributários 21.286.652,82 TOTAL DO BENEFÍCIO 74.646.420,01 5. CONCLUSÃO Fl. 1234DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.235 34 Antes da assinatura do contrato de compra e venda de quotas (Fato 3), José possuía 30% das quotas da Jack Link's e Alessandra possuía 5%. A participação relativa de cada cônjuge nas quotas da Jack Link's pertencentes ao casal era respectivamente de 85,714% (30/35) e 14,286% (5/35). Após a 2ª alteração contratual da Zest (Fato 11), o contribuinte José Barbosa Machado Neto passou a deter 85,72% das quotas da Zest, e sua esposa passou a deter 14,28%. Após a incorporação da Zest pela IFC (Fato 20), o contribuinte passou a deter 81,434% das quotas da IFC, e sua esposa passou a deter 13,566%. Juntos, o casal passou a deter 95% das quotas da IFC. A participação relativa de cada cônjuge nas quotas da IFC pertencentes ao casal não foi alterada (81,434 = 85,72% x 95, e 13,566 = 14,28% x 95). Portanto, a sócia Alessandra Orlandi Barbosa Machado foi beneficiada com 14,28% dos pagamentos efetuados pela IFC para aquisição das quotas. a) Implicação tributária da desconsideração dos atos simulados Alessandra beneficiouse dos custos arcados pela IFC, conforme planilha "Pagamentos realizados em benefício da sócia Alessandra" anexa, onde os custos estão discriminados conforme registrados em conta Empréstimo de Sócios da empresa Zest e parcelas pagas pela IFC após a incorporação. Esses pagamentos constituem distribuição de recursos ao sócio em valor superior ao lucro apurado pela contabilidade. Portanto, não se incluem na isenção prevista no artigo 39, inc. XXIX, e 654 do RIR/99. O aumento da riqueza da sócia, embora realizado em contrapartida a uma diminuição da riqueza da empresa, constitui rendimento tributável, conforme disposto na Lei 7.713/88, art 30, §4°; Decreto 3.000/99 RIR arts 37 e 38; e IN SRF n° 15/2001, art 5, §§ 7° e 8°. Tratandose de fraude a lei societária com utilização, em tese, de simulação, incide o artigo 55, inciso X do RIR/99. Está sujeito à retenção na fonte, conforme arts 620 e 639 do RIR/99. Não houve retenção na fonte, como se verifica na DIRF emitida pela IFC juntada ao processo. Efetuamos o lançamento do IRPF incidente sobre os rendimentos omitidos, aplicando a multa qualificada de 150% prevista no artigo 44 da Lei n° 9.760/96, em virtude da prática, em tese, de simulação. Tendo em vista os valores mensais das retiradas individuais da sócia (DIRF juntada ao processo) a aplicação da tabela progressiva do imposto dáse pela alíquota de 27,5%. Encerramos nesta data a ação fiscal levada a efeito no sujeito passivo acima identificado tendo sido verificado, por amostragem, o cumprimento das obrigações tributárias relativas ao IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA nos anoscalendário de 2005 e 2006, onde foram constatadas as irregularidades mencionadas nos Demonstrativos de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal dos Autos de Infração Lavrados e neste Termo. Da referida ação fiscal foi apurado o Crédito Tributário abaixo descrito. CRÉDITO TRIBUTÁRIO APURADO: Imposto de Renda Pessoa Física R$5.443.637,68 Serão formalizados três processos: a) de lançamento tributário; b) de Fl. 1235DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.236 35 representação fiscal para fins penais, tendo em vista a prática, em tese, de simulação; e c) de Arrolamento de Bens, tendo em vista o valor da autuação superar 30% do patrimônio conhecido do sujeito passivo. E, para constar e surtir os efeitos legais, lavramos o presente Termo, em 03 (três) vias de igual forma e teor, assinado pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil e pelo contribuinte/preposto, que neste ato recebe uma das vias. Cientificada do lançamento, em 18/05/2009, a contribuinte protocolizou a impugnação de fls. 913/962, em 17/06/2009, alegando em sua defesa, basicamente, as mesmas razões de fato e de direito apresentadas em relação aos lançamentos de IRPJ e CSLL (Processo nº 19311.000203/200967), lavrados em face dos mesmos elementos de prova, e abaixo reproduzidas. Preliminares Invoca a necessidade de apensamento aos presentes autos dos processos n° 19311.000202/200912 (Matéria: Multa Isolada IRRF; Interessado: IFC), 19311.000201/200978 (Matéria: IRPF; Interessado: José Barbosa Machado Neto) e 19311.000200/200923 (Matéria: IRPF; Interessado: Alessandra Orlandi Barbosa Machado), tendo em conta a identidade dos fundamentos fáticos e jurídicos das diversas autuações. Requer a nulidade das autuações, em razão da ausência de previsão legal a amparar o procedimento adotado pela fiscalização de desconsideração do negócio jurídico praticado pela Impugnante. Segundo a defesa, o Parágrafo único do art. 116 do CTN, dispositivo que ampara a desconsideração, pelas autoridades fiscais, dos atos ou negócios jurídicos, seria norma de eficácia limitada, dependente de outro instrumento legal para que pudesse produzir efeitos. Mérito No mérito, defende a existência de propósito negocial, afirmando que toda a operação encontravase devidamente justificada, sem qualquer desvio ou ocultação do real objetivo. E explica: 38. Com efeito, no decorrer do ano de 2004, a Impugmante passou a enfrentar uma série de dificuldades nas negociações com seu único cliente, envolvendo o preço dos produtos produzidos, aumento de sua área de atuação dentre outros fatores. 39. Referidas dificuldades originaramse em virtude do fato de seu único cliente ser, também, seu sócio majoritário, na medida em que os Sr. Jay E. Link e Troy J. Link eram os detentores e distribuidores exclusivos da marca Jack Link's. 40. A manutenção das condições impostas pelo único cliente da Impugnante passou a impossibilitar o crescimento da empresa, na medida em que esta estaria impossibilitada de expandir seus negócios, ficando atrelada por prazo indeterminado às negociações com um único cliente, que importaria em sensível redução de sua lucratividade em virtude de preços e condições impostas, o que levaria a Impugnante a passar a ser uma mera coadjuvante na cadeia de produção dos produtos Jack Link's. Assim a retirada dos sócios Jay E. Link e Troy J. Link foi apresentada como a solução para os problemas enfrentados pela empresa, o que garantiria maior liberdade de negociação dos produtos e possibilidade de expansão de seu campo de atuação no mercado. Nesse sentido, os sócios remanescentes teriam dado inicio às negociações para a aquisição das quotas representativas de 60% (sessenta por cento) do capital da empresa. Diz que teria sido efetivada pesquisa para levantamento dos recursos necessários e elaborado laudo de avaliação das quotas, o qual teria Fl. 1236DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.237 36 concluído pelo valor de mercado de 30 milhões de dólares em 16/03/2005. Diante das dificuldades enfrentadas para levantamento dos recursos necessários pelas pessoas físicas junto às instituições financeiras, fato que teria levado à desistência do Sr. Eduardo em adquirir as quotas dos sócios retirantes, a única alternativa teria sido a captação de recursos por meio de investimento decorrente de ingresso de novo sócio na IFC. E explica: 52. Para tanto, admitindo a possibilidade de ingresso de novo sócio, investidor, para viabilizar a aquisição das quotas em questão, por razões de ordem negocial, o Sr. José Barbosa e Sra. Alessandra Orlandi resolveram criar uma estrutura societária que permitisse a entrada de novos sócios, por meio de integralização de capital com recursos financeiros, e que, ao mesmo tempo, viabilizasse a preservação do valor de mercado de suas participações societárias, mesmo com diluição destas últimas, haja vista a diferença entre o valor patrimonial da IFC, com base em registros contábeis, e o seu valor de mercado. 53. Para tanto, o Sr. José Barbosa e Sra. Alessandra Orlandi decidiram utilizar a ZEST Investimentos, Participações e Negócios Ltda., pessoa jurídica constituída em julho de 2004, e que, naquele momento, tinha como sócios SHAMA Investimentos, Participações e Negócios Ltda. e o Sr. José Barbosa Machado Neto. A intenção, portanto, era transferir, a titulo de integralização de capital da ZEST, a participação societária que detinham na IFC, como de fato foi feito, e posteriormente, por meio de solicitação, que foi tacitamente aceita, na medida em que nunca se opuseram, habilitar a ZEST a exercer o direito de aquisição da participação dos vendedores na IFC, de maneira a viabilizar a entrada dos novos sócios, agora, diretamente na ZEST e, indiretamente, na IFC. 54. Com a estrutura apresentada acima montada, o próximo passo seria transformar a ZEST em Sociedade Anônima e fazer uma chamada de capital com ágio a ser integralizada totalmente pelos novos sócios investidores, que contribuiriam para integralização de capital os recursos necessários para aquisição das quotas da IFC dos Vendedores. 55. Ocorre que, às vésperas da concretização do negócio, o investidor que seria admitido como novo sócio da ZEST, fornecendo os recursos necessários para a aquisição das quotas, impôs uma série de novas condições que inviabilizaria a aquisição como planejada. 56. Em virtude das exigências realizadas pelo provável novo sócio da ZEST, não foi finalizada a operação de aumento de capital da ZEST com subscrição e integralização de capital pelo novo investidor, o que acarretou conseqüências quase que irremediáveis a todo processo de aquisição das quotas dos Srs. Jay E. Link e Troy J. Link. 57. Tendo em vista a proximidade da concretização da venda, com o pagamento da primeira parcela, a já demonstrada impossibilidade, inclusive agravada pela urgência de captação de recursos perante as Instituições Financeiras, o Sr. José Barbosa e a Sra. Alessandra Orlandi foram compelidos a fazer uso da única solução que a atual conjuntura possibilitaria, a saber, captação de recursos, por meio de mútuo, diretamente da empresa Jack Link's. Explica que a IFC possuía recursos disponíveis e sua transferência a titulo de empréstimo aos sócios configuravase plenamente legal. Da mesma forma, haveria propósito negocial e ausência de desvio ou ocultação de outra operação na incorporação da ZEST (investidora) pela IFC (investida). Em suas palavras: 62. Referida incorporação teve por razão a desnecessidade de manutenção da estrutura societária resultante da operação anterior, Fl. 1237DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.238 37 na medida em que, conforme demonstrado acima, a aquisição das quotas pela ZEST decorreu do fato de esta estrutura ter sido considerada a que melhor poderia atender à necessidade de captação de recursos com terceiros (novos sócios), bem como à preservação do valor de mercado da participação remanescente do Sr. José Barbosa e da Sra. Alessandra Orlandi, a despeito de sua eventual diluição, sendo certo que, diante dos novos fatos ocorridos (novas exigências por parte do potencial novo sócio) a não efetivação de admissão de novo sócio tornou desnecessária a manutenção de referida estrutura societária. Diz que esta justificativa integra o Protocolo e Justificação de Incorporação, parte integrante da 10ª alteração do contrato social. Contesta a imputação de simulação, na medida em que a intenção da empresa não foi enganar o fisco ou fraudar a Lei, e ocultar o fato jurídico tributário. Também afirma não ter havido transmissão de direitos a pessoas diversas das contratantes, qualquer declaração cláusula ou condição não verdadeira, ou documentos antedatados ou pósdatados. Em suma, como todas as operações praticadas teriam observado os preceitos constitucionais e legais, não apresentando qualquer conteúdo irreal ou falso, não teriam sido preenchidos os requisitos do art. 167 do Código Civil — Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002, que suportariam a qualificação da operação como simulada. Justificadas as operações de constituição e de incorporação da ZEST, defende não ser possível a imputação de simulação. Em suas palavras: 83. Assim sendo, é inconteste que, ao contrário do Sr. Fiscal, nunca houve a simulação de 'empréstimo de recursos da IFC para a ZEST', tampouco a dissimulação de ‘transferência não onerosa de recursos da IFC para Jose e Alessandra' e, se não houve tais irregularidades na operação, a desconsideração do negócio praticado é descabida. Contradita as afirmações da fiscalização de que o mútuo seria uma operação simulada, por ter prazo indeterminado, tendo em conta que à luz do Código Civil, a ausência de prazo expresso não tornaria o contrato irregular, nem permitiria a presunção de ausência de intenção de devolução dos recursos. Alega ainda que a empresa sempre teria dado publicidade de seus atos, tanto que teria encaminhado correspondência aos vendedores das quotas, informando que a aquisição se daria por intermédio da ZEST. Não aceita a argumentação do Fisco de que "já estava previsto que a incorporação da ZEST ocorreria ainda durante a vigência do contrato de garantia, e antes mesmo de obter os recursos necessários para honrar seus compromissos ". Reitera que a intenção da empresa não teria sido ocultar o fato jurídico tributário, mas criar condições com a retirada dos sócios Jay E. Link e Troy E Link, para exercer suas atividades em condições mais competitivas. Defendese com base nos preceitos constitucionais, regentes da atividade econômica de valorização do trabalho e da livre iniciativa. Aduz ainda que se houve propósito negocial/substrato econômico na operação praticada, não pode ser desconsiderado o negócio, e que de acordo com o art. 170 da Constituição Federal — CF, "o contribuinte não é obrigado, de acordo com a legislação pátria, a exercer suas atividades optando pelo modo mais oneroso ". Não acata assim a imputação de abuso de direito ou a utilização da teoria do "propósito negocial", "segundo a qual o Fisco não estaria obrigado a aceitar os efeitos fiscais que decorreriam dos atos utilizados sem fins civis ou Fl. 1238DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.239 38 comerciais, mas exclusivamente com o objetivo de obter vantagem fiscal". E assevera: 98. Isto porque, estão devidamente justificados os seguintes atos: a existência da ZEST e seu propósito negocial; a necessidade da aquisição das quotas da Impugnante por meio dessa pessoa jurídica; a ausência da razão de existir da ZEST diante do não ingresso de recursos pelos potenciais investidores; a incorporação da ZEST pela IFC. No caso do abuso de direito, "deveria ser demonstrado que a Impugnante teria se utilizado de formas jurídicas anormais, insólitas ou inadequadas, com o único fim de obter vantagem fiscal". Conclui dai que os lançamentos estariam amparados em presunções para caracterização dos atos como simulados ou dissimulados, tendo em conta que não preenchidos os requisitos previstos na legislação de regência: (i) o intuito do agente de fraudar a Lei ou enganar o Fisco; (ii) a existência de negócio que aparente conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas realmente intencionadas; (iii) a existência de negócio com dados irreais ou falsos; e (iv) instrumentos particulares antedatados ou pósdatados. Referese ainda ao Parecer dos Auditores Independentes, relativo ao anocalendário de 2005, a corroborar que as operações estariam devidamente justificadas, com a aprovação das demonstrações financeiras. Em suas palavras: 108. Verificase, assim que, diante da existência de propósito negocial, bem como da legitimidade de todos os atos praticados, fato corroborado pelo Parecer fornecido pelos Auditores Independentes, é evidente a inexistência de qualquer fundamento que possa legitimar a alegação de simulação por parte da D. Fiscalização. Questiona, nos seguintes termos, a autuação com base em operação presumida pela fiscalização: (...) poderia o Sr. Fiscal ter considerado que o ato simulado seria 'o empréstimo de recursos da IFC para a ZEST' e o ato dissimulado 'a transferencia não onerosa de recursos da IFC para José e Alessandra", recompondo e qualificando a operação, estabelecendo o possível fato gerador ocorrido com base nas próprias presunções? Como não admite a presunção como meio de prova do fato jurídico tributário, em face do principio da estrita legalidade que rege o sistema tributário nacional, argumenta: 128. Assim, o lançamento pautado em presunções não pode prosperar, eis que meras presunções, interpretações, conclusões, são elementos insuficientes para caracterizar a ocorrência do fato gerador e, em decorrência, sujeitar a Impugnante ao recolhimento de exação tributária apurada ao arrepio da Lei. Assevera ainda que "não se pode ter por legítimo o ato do Sr. Fiscal de desconsiderar a operação praticada pela Impugnante com o único intuito de que haja o recolhimento de tributos". Ainda que houvesse simulação e a fiscalização pudesse desconsiderar o ato praticado, defende que "não se pode ter por legítima sua presunção de que houve, no caso, 'mútuo realizado entre IFC e ZEST que é, em tese, uma simulação relativa com interposição fictícia de pessoa' ": 132. Conforme mencionado, não é dado ao D. Fiscal a discricionariedade de, a seu bel prazer, recortar os fatos e adequálos às hipóteses de incidência previstas, mormente quando o intuito é, única e exclusivamente, aumentar a arrecadação. Fl. 1239DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.240 39 Em seu entender o Fisco não poderia desconsiderar uma operação legítima, praticada pelo contribuinte, por entendêla como a solução mais eficiente, do ponto de vista econômico e empresarial, apenas porque, para o Fisco, seria melhor que o contribuinte tivesse praticado uma outra operação que garantisse maior arrecadação aos cofres públicos. Admitida a ocorrência de simulação, no caso, no máximo teria havido um mútuo entre a IFC e os Srs. José e Alessandra, uma vez que, conforme reconhecido pela própria fiscalização, seriam ilícitas as outras duas formas de aquisição de quotas pelos sócios com recursos da empresa (alienação de ações em tesouraria e entrega de recursos aos sócios). Tal opção teria sido desconsiderada pela fiscalização, com base na presunção de que esta não seria "uma opção desejada", porque "embora tenha havido a contratação do mútuo, o fornecimento dos recursos, 'não houve reposição dos recursos emprestados'". Defende a legitimidade da operação praticada, e conclui: 142. (...) Assim sendo, se a operação inicialmente praticada era legitima, por óbvio que não existiria registro de reposição dos recursos emprestados por parte dos sócios. 143. Esta seria (e foi) uma situação criada apenas por decorrência lógica da desconsideração da operação inicialmente praticada. 144. De se apontar, inclusive que o Sr. Fiscal considera dispensável a existência da ZEST na operação de aquisição das quotas da Impugnante por José e Alessandra, entendendo, inclusive, que constitui um ato simulado, por que considera que o mútuo foi realizado entre IFC e ZEST, e não entre IFC e José e Alessandra se, frisese, esta é uma operação legal? Assevera afronta ao art. 112 do CTN quando o Fisco desconsidera a operação praticada, e presume como verdadeira a conduta mais gravosa, principalmente quando a suposta vontade da Impugnante poderia ter sido enquadrada em outra operação legal, mais benéfica. Reputa ilegítimas as presunções da fiscalização de interposição fictícia de pessoa, e de que a vontade verdadeira do negócio seria a transferência gratuita dos recursos a José e Alessandra para aquisição das quotas dos sócios retirantes. E pontua: 149. Ao que tudo indica, deixou o D. Fiscal de considerar que a 'verdadeira' operação seria o mútuo entre a Impugnante e seus sócios, em razão dos efeitos tributários que decorrem de tal operação, com o que não podemos concordar, seja em razão do artigo 112 do Código Tributário Nacional, seja em razão do uso indevido da presunção in casu, tendo em vista que, a seu bel prazer, entendeu o Fiscal que o mútuo entre a Impugnante e seus sócios 'lido era uma opção desejada'. Acrescenta ainda que: 150. (...) o fato de não ter o registro da reposição de valores não é justificativa hábil para consignar que esta não seria a operação praticada, pois este registro somente não existe porque o negócio praticado, no entender da Impugnante, era legitimo, e este não seria um efeito dele decorrente. Enfim, é no mínimo ilógico justificar a falta de adoção de uma determinada atitude por parte dos sócios da IFC, tendo como base para referida justificação uma situação jurídica decorrente de uma operação tida como simulada e, portanto, desconsiderada. No entender da defesa, se considerada simulada a operação, a Impugnante deveria ter sido intimada a retificar seus registros fiscais para retratar essa nova realidade (mútuo realizado entre a Impugnante e seus sócios). Fundamentase na intimação fiscal para retificação dos registros do Lalur, em função das autuações, para advogar: Fl. 1240DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.241 40 153. Ora, se em razão da nova realidade apresentada pelo Fisco a Impugnante deveria retificar seus livros fiscais, por óbvio que, desconsiderada a operação, pode ser autorizada a retificar seus registros contábeis para adequálos à nova realidade decorrente do julgamento da presente manifestação — mútuo entre a Impugnante e seus sócios. Da aplicação da multa qualificada pela fraude Assevera que dada a inexistência dos débitos de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF e a validade formal e material das operações, indevida a aplicação da multa qualificada. Em suas palavras: 168. No presente caso, não foi possível à D. Fiscalização infirmar a validade, regularidade e eficácia dos atos praticados, na medida em que estes se revestiram de todas as exigências legais. 169. Desta forma, caso a D. Fiscalização verificasse a alteração do saldo negativo, deveria esta, se for o caso, exigir da Impugnante o valor do suposto débito que tenha sido indevidamente compensado com o saldo negativo inexistente, mas nunca proceder à exigência de IRPJ e CSLL que são comprovadamente indevidos em virtude do recolhimento a maior no decorrer do anocalendário. 170. Apenas a simulação absoluta demonstraria o dolo dos agentes em fraudar a Administração Tributária; a simulação relativa não visaria a fraude, na medida em que não busca o ilícito, sendo eventuais feitos dela decorrentes apenas conseqüências normais previstas e autorizadas pela legislação, não havendo que se falar em intuito de fraude. 171. Neste sentido, ainda que se pudesse admitir que o real objetivo da operação foi diverso do aparente, sendo a simulação relativa, não haveria que se falar em presunção de fraude. Deveria, portanto, a D. Fiscalização ter comprovado de forma cabal que os atos praticados seriam ilícitos, pois é seu o ônus da prova, nos termos do artigo 333 do Código de Processo Civil. Conclui que a imputação de fraude estaria respaldada também em meras presunções, não havendo prova do dolo da empresa ou de que os atos teriam sido praticados com objetivo de fraudar a Administração Tributária. Ademais, todos os atos teriam sido levados a registro nos órgãos competentes e informados à Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB, com a contabilização das operações. Novamente faz remissão ao art. 112 do CTN para concluir: 179. Neste sentido, não havendo comprovação do evidente intuito de fraude, os fatos devem ser analisados de maneira mais favorável à Impugnante, aplicandose dentre as possíveis penalidades, a de menor gradação, restando, portanto, afastada a aplicação qualificada de 150%, devendo incidir apenas a multa de oficio de 75%. DO CARÁTER CONFISCATÓRIO DAS MULTAS EXIGIDAS As multas aplicadas afrontariam o principio do nãoconfisco. Em suas palavras: 186. A multa tem caráter nitidamente punitivo e não pode ser aplicada arbitrariamente, com evidente descompasso com a infração supostamente cometida. É imprescindível, nesses casos, que haja uma nítida correlação entre a infração cometida e a penalidade imposta, sob pena de anulação da multa lavrada, dada a sua patente abusividade, além da evidente afronta ao principio da vedação ao confisco, bem como ao direito de propriedade, constitucionalmente previstos (...) Faz remissão à doutrina e à jurisprudência, para ao final, requerer a redução para 20% (vinte por cento) das multas aplicadas com base nos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Fl. 1241DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.242 41 Contesta a legalidade e a constitucionalidade da cobrança dos juros de mora com base na variação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — Selic. Com fundamento no principio da verdade material, protesta por todos os meios de prova em direito admitidos.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 05 27.075 (fls. 1.0261.086) de 07/10/2009, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006,2007 Nulidade. Falta de Lei Ordinária. Desconsideração de Negócio Jurídico. Simulação. De acordo com os preceitos do art. 149, VII, do CTN, o lançamento deve ser efetuado pela autoridade administrativa, quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em beneficio daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação. Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, deve a autoridade fiscal proceder ao competente lançamento dos efeitos tributários dos atos que o sujeito passivo pretendeu, dolosamente ocultar, por meio da simulação. Comprovada a simulação, prescindível o procedimento de desconsideração de negócio jurídico. Simulação. Alienação de Quotas Sociais. Interposição de Pessoa. Incorporação. Caracteriza simulação a interposição de pessoa jurídica fictícia, sem patrimônio e atividade empresarial, em operação de aquisição de quotas sociais, seguida de incorporação da interposta pessoa, com o intuito de ocultar a transferência gratuita de recursos da Sociedade a seus sócios, reais adquirentes das quotas, e para garantir a dedutibilidade do ágio pago pela própria Sociedade. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005, 2006 Fato Gerador. Pagamentos Efetuados Em Favor dos Sócios Administradores. Os pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, vinculados à operação de aquisição de quotas sociais, em favor dos sócios administradores, configuram acréscimo patrimonial tributado pelo imposto de renda. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de Fl. 1242DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.243 42 percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer titulo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006, 2007 Multa Qualificada. Fraude. Simulação. Provada que a simulação na operação de aquisição das quotas sociais, por interposta pessoa, seguida de incorporação desta Ultima, visou impedir ou retardar, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência de diversos fatos geradores, suas naturezas ou circunstâncias materiais, e das condições pessoais dos contribuintes, suscetíveis de afetar as obrigações e os créditos tributários correspondentes, cabível a aplicação da multa qualificada. Constitucionalidade de Lei. Competência do Órgão Administrativo de Julgamento. O julgamento administrativo está estruturado como uma atividade de controle interno dos atos praticados pela administração tributária, sob o prisma da legalidade, não podendo negar os efeitos de. lei vigente, pelo que estaria o Tribunal Administrativo indevidamente substituindo o legislador e usurpando a competência privativa atribuída ao Poder Judiciário.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 17/11/2009 (A.R. de fl. 1.089) a interessada interpôs recurso voluntário em 16/12/2009 (fls. 1.0941.151) onde repisa os argumentos apresentados em sua impugnação. É o relatório. Fl. 1243DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.244 43 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Salientese que todas as razões de defesa apresentadas quanto as preliminares e ao mérito da presente exigência já foram apreciadas por esta Turma no âmbito do Processo n° 19311.000203/200967, impondose adotar as mesmas razões de decidir ali consubstanciadas e abaixo reproduzidas: Da preliminar de nulidade do lançamento suscitada Não vislumbro a preliminar de nulidade suscitada. Inicialmente, cabe esclarecer que, no âmbito do processo administrativo fiscal, as hipóteses de nulidade são taxativamente previstas nos arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (Grifouse). Nesses termos, o cerceamento do direito de defesa somente pode ser cogitado em face de despachos e decisões. Sendo o auto de infração um ato administrativo, a declaração de nulidade somente pode ser suscitada em caso de lavratura por pessoa incompetente. Possíveis irregularidades, incorreções e omissões cometidas no auto de infração não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Nesse sentido, não há que se falar em nulidade dos lançamentos, por falta de Lei ordinária a disciplinar a desconsideração do negócio jurídico supostamente praticado pela contribuinte, prevista no Parágrafo único do art. 116 do CTN, porque a fundamentação dos lançamentos é de que os atos teriam sido praticados com simulação. De acordo com os preceitos do art. 149, VII, do CTN, o lançamento deve ser efetuado pela autoridade administrativa, quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação. Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, deve a autoridade fiscal proceder ao competente lançamento dos efeitos Fl. 1244DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.245 44 tributários dos atos que o sujeito passivo pretendeu, dolosamente ocultar, por meio da simulação. Oportuno esclarecer que, após o inicio do procedimento fiscal, incabível a intimação da empresa para retificação de sua escrituração contábil e fiscal de forma a adequála aos fatos efetivamente ocorridos, mas ocultados ou dissimulados pela prática da simulação. Nos termos do § 10 do art. 7° do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, o inicio do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Diante do exposto, rejeito a preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente. Do mérito Quanto ao mérito, adoto os fundamentos da decisão recorrida, na forma a seguir apresentada, por entender que bem enfrentaram a questão. Centramse as autuações ora discutidas na caracterização como simuladas das operações de alienação de 60% (sessenta por cento) das quotas da IFC para a Zest, pessoa jurídica considerada fictícia, sem patrimônio e atividade empresarial, com o intuito de ocultar a transferência gratuita de recursos da IFC aos sócios, reais adquirentes das quotas, ou para garantir a fruição de benefícios fiscais (amortização de ágio) pela própria IFC. Nessa esteira, cumpre transcrever os preceitos contidos no Código Civil — Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002, a respeito da invalidade ou nulidade dos negócios jurídicos e definidores da simulação: CAPÍTULO V Da Invalidade do Negócio Jurídico Art. 166. É nulo o negócio jurídico quando: I celebrado por pessoa absolutamente incapaz; II for ilícito, impossível ou indeterminável o seu objeto; III o motivo determinante, comum a ambas as partes, for ilícito; IV não revestir a forma prescrita em lei; V for preterida alguma solenidade que a lei considere essencial para a sua validade; VI tiver por objetivo fraudar lei imperativa; VII a lei taxativamente o declarar nulo, ou proibirlhe a prática, sem cominar sanção. Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: Fl. 1245DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.246 45 I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados. Relevante assinalar que, nos termos da legislação em vigor, a nulidade do negócio jurídico simulado não é afastada pelo fato de os responsáveis haverem escriturado, apresentado a documentação de suporte e dado publicidade aos atos praticados com simulação. Na verdade, a escrituração, a apresentação de documentação e a publicidade da alteração dos contratos sociais, mediante o competente registro na Junta Comercial, decorrem de imposições legais, e não tem o condão de afastar a caracterização da simulação porventura ocorrida. Ademais, infundada a alegação da defesa de que a prova da simulação foi feita a partir de presunções. Conforme oportunamente explicitado, as provas dos autos corroboram que a ZEST, não tinha e não teve qualquer atividade operacional, mas apenas supostamente integrou: (i) uma operação de aquisição de quotas, sem que tal fato constasse do contrato que respalda a operação, e sem que tivesse capacidade econômica e financeira para tanto; e (ii) uma operação de incorporação, a redundar na completa assunção pela IFC do ônus da aquisição das quotas, e na possibilidade de dedução do ágio pago pela incorporada. A imputação de simulação não se fez com base em presunção, mas a partir da documentação que instrui os autos. No caso em apreço, as provas dos autos vêm confirmar que a operação de alienação das quotas deuse, na forma do contrato de fls. 189/330, entre os sócios estrangeiros, na qualidade de vendedores, e os sócios José Barbosa Machado Neto e Alessandra Orlandi Barbosa Machado, na qualidade de compradores, podendo ser consideradas como simuladas todas as operações formalizadas para ocultar tal fato, tais como: (i) o contrato de mútuo entre a ZEST — pessoa jurídica sem patrimônio e sem atividade empresarial — e a IFC, para transferir os recursos necessários ao pagamento da 1a parcela do contrato de aquisição das quotas; (ii) a aquisição das quotas pela ZEST, na medida em que todos os recursos utilizados pertenciam ao patrimônio da IFC; e finalmente, (iii) a incorporação da ZEST pela IFC, mediante a qual a IFC sucedeu a ZEST em todas as obrigações remanescentes do contrato de aquisição das quotas. Ressaltese que o rigor formal do extenso contrato de fls. 189/330, entre os sócios estrangeiros, na qualidade de vendedores, e os sócios José Barbosa Machado Neto e Alessandra Orlandi Barbosa Machado, não se repetiu na oportunidade do simulado aditamento. Conforme reconhecido expressamente na resposta à intimação de fls. 803/804: "A inclusão das empresas Zest Investimentos, Participações e Negócios Ltda. e a Links Japan Holdings, KK. (Links Japan) como personagens do negócio formalizado pelo 'Quota Sale Agreement' firmado em 16 de maio de 2005 não se deu através de aditamento deste contrato, mas sim mediante trocas de correspondências Fl. 1246DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.247 46 entre as partes, conforme sistemática prevista nas cláusulas 8.9.1. e 8.9.2. do Quota Sale Agreement" "As correspondências que formalizaram o acima exposto são datadas respectivamente de 04 de abril de 2005 (ZEST) e 18 de abril de 2005 (Links Japan), e suas cópias estão sendo anexadas ao final deste documento". De fato da Cláusula 8.9.2 do contrato as fls. 249 consta que: "8.9.2. Caso os Compradores decidirem a conduzir uma reestruturação corporativa que possa envolver a transferência de suas quotas na Sociedade dos Compradores a uma ou a mais Afiliadas dos Compradores antes da Data de Fechamento, os Compradores deverão pontualmente avisar os Vendedores por escrito a respeito de tal assunto. Mediante tal aviso, os Vendedores e os Compradores pelo presente concordam em agir de boaf6 para pontual e mutuamente implementar tal transferência por meio de (a) pontualmente entregar todos os documentos exigidos pela respectiva Parte e (b) firmar e arquivar junto à JUCESP o aditamento correspondente aos estatutos sociais da Sociedade em não mais de cinco (5) Dias Úteis antes da Data de Fechamento. Os Compradores pelo presente reconhecem, declaram e concordam que todas e quaisquer obrigações, efeitos e Contingências diretas que possam diretamente surgir a qualquer momento a partir da reestruturação corporativa mencionada nesta Cláusula 8.92. deverão ser suportadas exclusivamente pelos Compradores". Primeiramente, cumpre observar que a transferência de quotas a que se refere a Cláusula 8.9.2 diz respeito as quotas da própria Jack Link's detidas pelos compradores, e não propriamente à substituição dos compradores como partes do Contrato. Ademais, mediante tal aditamento a ZEST teria sido simplesmente incluída no contrato, não havendo qualquer referência à substituição dos adquirentes envolvidos no contrato de fls. 189/330. Inferese ainda das expressas cláusulas do contrato que a inclusão da ZEST como parte do contrato em nada teria alterado os direitos e deveres pactuados, ou seja, a sua inclusão não teria afetado a relação obrigacional firmada entre as partes originais do contrato, pelo que se confirma a mera interposição de pessoa jurídica. Consta às fls. 456/462 o Instrumento Particular de Mútuo entre a Jack Link's, na qualidade de mutuante, e a ZEST, na qualidade de mutuária, subscrito pelo Sr. José Barbosa Machado Neto, na qualidade de representante legal da mutuante, e pela Sra. Alessandra Orlandi Barbosa Machado, na qualidade de representante da mutuária. Apenas com estes dados já é possível inferir a dificuldade de distinguir os reais interesses das pessoas físicas e jurídicas envolvidas na operação, na medida em que os subscritores do denominado contrato de mútuo são as mesmas pessoas físicas beneficiárias das operações de aquisição de quotas sob suspeita. Mais ainda. Verificase na documentação apresentada, principalmente na escrituração do Livro Razão de fls. 185/188, que a mutuária (ZEST) não detinha qualquer patrimônio e não desempenhava qualquer atividade operacional, até o recebimento de recursos suficientes para pagamento da 1ª parcela relativa à aquisição das quotas dos sócios estrangeiros, em 18/04/2005. E também não desempenhou qualquer atividade até a sua incorporação pela IFC, menos de dois meses depois, em 31/05/2005. Fl. 1247DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.248 47 De acordo com o Anexo I ao contrato de mútuo, de fls. 458/462, até mesmo as despesas necessárias para viabilizar a aquisição da participação societária — serviços advocatícios (Emerenciano, Baggio e Associados), de avaliação econômicofinanceira com emissão de laudo (Setape) e de traduções (Ana Luiza Barbieri) —, segundo o demonstrativo de fls. 335 e o Livro Razão de fls. 185/188, teriam sido custeadas com recursos advindos da Jack Link's. Tais fatos somente corroboram que a ZEST era apenas uma "casca", sem qualquer conteúdo patrimonial e empresarial, essencial para ser reconhecida como uma pessoa jurídica com vontade e interesse próprios, distintos da vontade e do interesse de seus sócios. E nem se fale de sua existência efêmera a comprovar a falta de propósito negocial para sua constituição. Reiterese: o propósito seria única e exclusivamente a sua utilização como interposta pessoa, para ocultar a transferência gratuita de recursos da IFC aos sócios, reais adquirentes das quotas, ou para garantir a fruição de benefícios fiscais (amortização de ágio) pela própria IFC. Entretanto, mais relevante que todos os aspectos já acima levantados a respeito da fragilidade das provas apresentadas para corroborar a existência de um efetivo contrato de mútuo entre pessoas jurídicas, com vontades e interesses distintos e definidos, foi a operação de incorporação da ZEST (mutuária) pela IFC (mutuante), ocorrida logo no mês seguinte à aquisição das quotas, com a conseqüente extinção das obrigações decorrentes do mútuo devido à confusão, e a assunção pela IFC do passivo remanescente relativo à aquisição das quotas. Na verdade, a incorporação propiciou o alcance do real objetivo pretendido desde o inicio do contrato: (i) a transferência da titularidade das quotas adquiridas para os sócios José Barbosa Machado Neto e Alessandra Orlandi Barbosa Machado; e (ii) a assunção definitiva de todas as dívidas decorrentes do contrato de aquisição das quotas pela IFC, tendo em conta a impossibilidade de recuperação do valor mutuado, devido à extinção por confusão, e à assunção pela IFC do passivo da ZEST junto ao alienante das quotas. Diante de tais fatos, tem razão a fiscalização, quando afirma que o contrato de mútuo em discussão seria fruto de simulação. Cumpre reconhecer: aparentou conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferiram, ou transmitiram. No caso, se o contrato fosse válido, a ZEST, na qualidade de mutuária, teria o direito de receber os recursos disponibilizados, e a IFC, na qualidade de mutuante, teria o direito de ver restituído o valor mutuado. De um lado, o Aviso de Lançamento de fls. 529 confirma que os recursos utilizados para pagamento da primeira parcela do contrato de aquisição das quotas (R$ 17.525.025,00), sequer passaram pela titularidade da ZEST. A Jack Link's providenciou diretamente o pagamento com recursos de sua própria conta corrente. Um procedimento em princípio inocente, mas que revela que os recursos não foram sequer disponibilizados à ZEST de forma incondicionada, mas completamente vinculados à operação de aquisição das quotas. De outro, a subseqüente incorporação da mutuária extinguiu definitivamente o direito de a IFC (mutuante) ter restituído o valor emprestado, revelando a real natureza da operação: a transferência sem ônus ou gratuita de recursos ao Sr. José Barbosa Machado Neto e à Sra. Alessandra Orlandi Barbosa Machado, reais adquirentes das quotas da IFC. Nesse contexto, ainda se tem o agravante de, em função da incorporação, a IFC haver também assumido, integralmente, as demais obrigações decorrentes do contrato de aquisição das quotas que foram parar nas mãos dos sócios. Fl. 1248DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.249 48 Diante das formas adotadas para a operação, ainda que se possa aventar que o pagamento efetuado pela Jack Link's ao alienante das quotas teria sido efetuado por conta e ordem da ZEST, o fato relevante é que a IFC, com a subseqüente operação de incorporação da ZEST, teria aberto mão do direito a ver restituído o valor mutuado, e pior, assumido totalmente a dívida pela aquisição das quotas, completamente sem ônus, para os reais adquirentes. Por sua vez, a questão do prazo indeterminado, apesar de ser um indício a comprometer um dos requisitos essenciais à exigibilidade das obrigações decorrentes do contrato de mútuo, tornase irrelevante, tendo em conta que a sucessiva operação de incorporação da mutuária teria propiciado a extinção de todas as obrigações contraídas, antes mesmo que estas se tornassem exigíveis. Enganase a Recorrente quanto à possibilidade de se considerar as operações realizadas como um mútuo entre a IFC (mutuante) e seus sócios administradores (mutuária), porque não há nos autos qualquer elemento a demonstrar que os pretensos mutuários teriam assumido qualquer divida com a Sociedade em função da operação. A documentação que integra os autos prova o contrário: que todos os ônus da aquisição das quotas foram assumidos pela própria Jack Link's (IFC). Completamente improfícua também a alegação de afronta ao art. 112 do CTN, porque o Fisco desconsiderou as operações simuladas, para imputar às operações assim ocultadas ou dissimuladas os efeitos tributários cabíveis. Registrese apenas que não há qualquer dúvida quanto: à capitulação legal, à natureza ou às circunstâncias materiais dos fatos ocultados/dissimulados, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos, à autoria, imputabilidade, ou punibilidade, e à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. O Contrato de Prestação de Garantia Fidejussória de fls. 463/478 também corrobora que a interposição da ZEST, no negócio da aquisição das quotas da IFC, era mesmo uma simulação. Destaquese que a garantia do pagamento do preço das quotas, em favor do alienante (Link's Japan Holding, KK), mais uma vez, foi prestada pela própria Jack Link's, que se obrigava a reembolsar o Banco de quaisquer pagamentos efetuados à Link's Japan, correspondentes às obrigações contidas no contrato de compra e venda de quotas. DAS ALTERAÇÕES DO CONTRATO SOCIAL DA JACK LINK'S (ATUAL IFC) É na Sétima Alteração do Contrato Social, datada de 12/04/2005 (fls. 97/103), que se iniciam as operações em discussão, a registrar a deliberação de transferência de quotas dos sócios José Barbosa Machado Neto e Alessandra Orlandi Barbosa Machado, para integralização do capital social da ZEST Investimentos, Participações e Negócios Ltda., e conseqüente ingresso desta última no quadro societário da Jack Link's do Brasil Ltda. Da mesma forma, os sócios estrangeiros Jay E. Link Cattle Ranches L.L.C. e Troy J. Link Enterprises L.L.C, cedem e transferem as suas quotas para Link's Japan Holdings, K.K. Conseqüentemente, o quadro societário da Jack Link's teria sido assim alterado: Link's Japan Holdings, K.K., com 60% das quotas; ZEST Investimentos, Participações e Negócios Ltda., com 35% das quotas; e Eduardo Jacinto Gonçalves, com 5% das quotas. Relevante assinalar que, apesar de haverem se retirado da sociedade, os Srs. José Barbosa Machado Neto e Alessandra Orlandi Barbosa Machado prosseguiram na administração do empreendimento, conforme Cláusula II — Da Administração. Fl. 1249DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.250 49 Dias depois, a Oitava Alteração do Contrato Social, datada de 18/04/2005 (fls. 104/109) formaliza a transferência de 60% das quotas, pertencentes it Link's Japan para ZEST, com a retirada da Link's Japan da sociedade, ficando assim a composição societária da Jack Link's: ZEST Investimentos, Participações e Negócios Ltda., com 95% das quotas; e Eduardo Jacinto Gonçalves, com 5% das quotas. Foi procedida também a alteração da razão social da empresa para IFC — International Food Company Indústria de Alimentos Ltda., tendo permanecido como administradores os Srs. José Barbosa Machado Neto e Alessandra O. Barbosa Machado. Logo em seguida, na Nona Alteração Contratual, datada de 25/04/2005 (fls. 110/113), é registrado o penhor de todas as quotas sociais da IFC, detidas pela ZEST (95%) e pelo Sr. Eduardo Jacinto Gonçalves (5%), em favor do Banco ABN AMRO Real S.A., conforme Termo de prestação de Garantia — Penhor de Quotas n° 1073/05. A Cláusula 5ª do Contrato Social foi alterada para constar: Parágrafo 3° De acordo com o Termo de Prestação de Garantia — Penhor de Quotas n° 1073/05, firmado em 14 de abril de 2005 pelos sócios quotistas e pelo Banco ABN AMRO Real S.A., 24.320.000 (...) quotas da Sociedade, de titularidade da sócia quotista ZEST Investimentos, Participações e Negócios Ltda. e 1.280.000 (...) quotas da Sociedade, de titularidade do sócio quotista Eduardo Jacinto Gonçalves, em conjunto representando a totalidade do capital social da Sociedade, foram empenhadas em favor do Banco ABN AMRO Real S.A. A 10ª Alteração do Contrato Social, de 29/06/2005 (fls. 115/120), consigna a incorporação da ZEST pela IFC, com a aprovação do Protocolo e Justificação de Incorporação, elaborado com base no Laudo de Avaliação Contábil do Patrimônio Liquido da ZEST, em 31/05/2005. E, conforme assinalado pela fiscalização, consta que mediante tal operação, a Sociedade absorverá a totalidade do patrimônio liquido da ZEST INVESTIMENTOS, no montante de R$ 8.961.000,00 (...). E ainda que a operação de incorporação da ZEST INVESTIMENTOS acarretará a manutenção do capital social atual da IFC (...), com o reingresso dos sócios José Barbosa Machado Neto e Alessandra Orlandi Barbosa Machado e a seguinte composição societária da IFC: José Barbosa Machado Neto, com 81% das quotas; Alessandra Orlandi Barbosa Machado, com 14% das quotas; e Eduardo Jacinto Gonçalves, com 5% das quotas. DAS ALTERAÇÕES DO CONTRATO SOCIAL DA ZEST As fls. 152/158 consta o Contrato Social de Constituição da ZEST Investimentos, Participações e Negócios Ltda., datado de 21/07/2004, para participar como acionista ou quotista em outras sociedades, explorar atividades imobiliárias, incluindo corretagem, e administrar móveis e imóveis próprios, com capital social de R$ 1.000,00 assim distribuído: Shama Investimentos, Participações e Negócios Ltda, com 99,90% das quotas; e José Barbosa Machado Neto, com 0,1% das quotas. A ZEST também seria administrada por José Barbosa Machado Neto e Alessandra O. Barbosa Machado, sócios da SHAMA. Na lª Alteração do Contrato Social, de 22/03/2005 (fls. 159/161), é formalizada a cessão e transferência das 999 quotas de titularidade da SHAMA para José Barbosa Machado Neto e Alessandra Orlandi Barbosa Machado, ficando a composição Fl. 1250DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.251 50 societária assim discriminada: José Barbosa Machado Neto, com 95% das quotas; e Alessandra O. Barbosa Machado, com 5% das quotas. É na 2ª Alteração do Contrato Social de 11/04/2005 (fls. 163/165), que se encontra formalizado o aumento do capital social para R$ 8.961.000,00, com a conferência de 8.960.000 quotas totalmente subscritas e integralizadas da empresa Jack Link's do Brasil Ltda. pelos sócios José Barbosa Machado Neto (7.680.000 quotas) e Alessandra Orlandi Barbosa Machado (1.280.000 quotas). Como as quotas cedidas constituíam a totalidade da participação dos sócios na empresa Jack Link's, a cessão representou a retirada deles do quadro societário, com o ingresso da ZEST. O quadro societário da ZEST com o aumento de capital ficou assim discriminado: José Barbosa Machado Neto, com 85,72% das quotas; e Alessandra Orlandi Barbosa Machado, com 14,28% das quotas. Às fls. 167/175, consta o Laudo de Avaliação Contábil do Patrimônio Líquido da ZEST, em 31/05/2005, datado de 29/06/2005, para fins de incorporação empresa IFC, com a seguinte conclusão: 7. CONCLUSÃO Em decorrência do trabalho realizado, concluímos que o valor contábil correspondente ao acervo da INCORPORADA, avaliado na database de 31 de maio de 2005, de acordo com as práticas de contabilidade emanadas da legislação societária brasileira, valor contábil este a ser vertido para fins de incorporação ao capital da INCORPORADORA, nos termos do Protocolo e Justificação de Incorporação da ZEST Investimentos, Participações e Negócios Ltda. pela IFC — International Food Company Indústria de Alimentos Ltda., datado de 29 de junho de 2005, monta em R$ 8.961.000,00 (...) Todavia, relevante assinalar que, junto ao laudo, não há nenhum anexo a demonstrar os elementos patrimoniais que teriam integrado a determinação do valor contábil do acervo líquido objeto de incorporação, sequer o balanço patrimonial de 31/05/2005 que teria servido de base à apuração. No Protocolo e Justificação de Incorporação da ZEST pela IFC, de 29/06/2005, de fls. 170/175, consta que: "por meio da incorporação, a IFC absorverá a totalidade do Patrimônio Liquido da ZEST INVESTIMENTOS, no valor de R$ 8.961.000,00"; "em decorrência da incorporação da ZEST INVESTIMENTOS e, como conseqüência da substituição das participações atuais dos sócios da ZEST INVESTIMENTOS, o capital social da IFC permanecerá no montante de R$ 25.600.000,00 (..), com suas respectivas quotas sociais divididas entre os sócios da ZEST INVESTIMENTOS, Srs. José Barbosa Machado Neto e Alessandra Orlandi Barbosa Machado, bem como ao sócio remanescente da IFC, Sr. Eduardo Jacinto Gonçalves, as seguintes proporções: Sócios Quotas Valor José Barbosa Machado Neto 20.847.104 R$ 20.847.104,00 Alessandra Orlandi Barbosa Machado 3.472.896 R$ 3.472.896,00 Eduardo Jacinto Gonçalves 1.280.000 R$ 1.280.000,00 25.600.000 R$ 25.600.000,00 Fl. 1251DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.252 51 Na 3ª Alteração do Contrato Social de 29/06/2005 (fls. 176/178) é finalmente aprovada a incorporação da ZEST pela IFC, e declarada extinta a ZEST, "ficando a IFC sua sucessora em todos os direitos e obrigações, a título universal e para todos os fins de direito". DA DOCUMENTAÇÃO RELATIVA À INCORPORAÇÃO DA ZEST PELA JACK LINK'S (ATUAL IFC) Na seqüência, encontrase juntada aos autos cópia apenas da capa do "Laudo de Avaliação Contábil do Patrimônio Liquido — ZEST Investimentos, Participações e Negócios Ltda. — DataBase em 31 de maio de 2005" fls. 179. Em seguida, foram juntadas cópias dos Parecer de revisão do Balancete da Jack Link's, encerrado em 31 de agosto de 2003, elaborado por empresa de Auditoria Independente (fls. 180/183), no qual foi destacado que: (3) Embora a legislação tributária brasileira permita a contabilização da reavaliação de marcas e patentes, descrita na nota explicativa número 5, essa sistemática contraria as Normas e Procedimentos Contábeis geralmente usados e empregados no pais, divulgadas pelo Instituto Brasileiro dos Auditores Independentes — IBRACON e aprovadas pela Comissão de Valores Mobiliários — CVM, que preceituam que as reavaliações sejam restritas somente a bens tangíveis do ativo imobilizado. Às fls. 184 tem a cópia do Balancete Patrimonial Resumido da Jack Link's em 31/03/2005, que também não tem a ver, nem com o laudo de avaliação do patrimônio da ZEST de 31/05/2005, e nem com o Parecer dos Auditores Independentes do patrimônio da Jack Link's de 31/08/2003. Aparentemente, tal Balancete vem elucidar as condições patrimoniais da IFC, para fins de cálculo do ágio incidente sobre a alienação de 60% quotas dos sócios estrangeiros para os sócios brasileiros, José Barbosa Machado Neto e Alessandra Orlandi Barbosa Machado, conforme demonstrativo abaixo, conforme abaixo: ATIVO PASSIVO Ativo Circulante 24.841.052,00 Passivo Circulante 22.404.962,00 Realizável a LP 585.922,00 Exigível a LP 24.597.694,00 Permanente 63.863.421,00 Patrimônio Líquido Capital Social 25.600.000,00 Reservas 16.687.739,00 42.287.739,00 TOTAL DO ATIVO 89.290.395,00 TOTAL DO PASSIVO 89.290.395,00 DEMONSTRATIVO DO CÁLCULO DO ÁGIO ESTIMADO 1. DEMONSTRAÇÃO DO CÁLCULO DA PARTICIPAÇÃO ADQUIRIDA SEGUNDO O MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL Fl. 1252DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.253 52 Patrimônio Liquido Contábil R$ 42.287.739,00 ( x ) % da Participação Adquirida 60% ( = ) Valor em Reais da Participação Adquirida conforme método da equivalência patrimonial R$ 25.372.643,00 2. VALOR DO CUSTO DE AQUISIÇÃO DA PARTICIPAÇÃO Valor do Custo das Cotas US$ 20.000.000,00 ( x ) Cotação do US$ em 18/04/2005 2,6157 ( = ) Valor das Cotas R$ 52.314.000,00 ( + ) Valor das Demais Despesas Diretas com Aquisição Serviços 1.145.003,99 Lançamento Estoque 4.690.705,13 Ref Acordo Invoices em aberto aquisição empresa 3.192.298,52 Variação Cambial Ref Pagtos Carta Fiança (69.675,35) Comissão sobre Carta Fiança 958.327,09 9.916.659,38 ( = ) Total do Custo de Aquisição 62.230.659,39 3. VALOR DO ÁGIO CALCULADO EM R$ (2) — (1) 36.858.015,98 Reiterese: não foi juntado aos autos o Balanço Patrimonial da ZEST de 31 de maio de 2005, que teria amparado o Laudo de Avaliação e o Protocolo e Justificação, utilizados como documentação de suporte da operação de incorporação, e que teria concluído pela existência de um acervo líquido a ser incorporado de R$ 8.961.000,00. DA ESCRITURAÇÃO DA ZEST As fls. 185/188 foram juntadas cópias da escrituração do Razão da ZEST desde a integralização do capital no valor de R$ 1.000,00, em 01/01/2005, até o encerramento das contas por incorporação à IFC, em 31/05/2005, a denotar a fugacidade e a falta de propósito negocial do suposto empreendimento. No Ativo, na conta Caixa 11010103, a entrada de recursos, afora a integralização do capital de R$ 1.000,00, teve por origem escritural empréstimos de sócios, para pagamento de notas fiscais designadas por nomes de pessoas físicas ("Ana Luiza Barbieri, Emerenciano) ou jurídicas (Setape Assessoria Econômica, Transarc Translation). Segundo o demonstrativo de fls. 335 e o Anexo I ao contrato de mútuo, de fls. 458/462, tais despesas referirseiam a serviços advocatícios (Emerenciano, Baggio e Associados), de avaliação econômicofinanceira com emissão de laudo (Setape) e de traduções (Ana Luiza Barbieri), contratados para viabilizar a aquisição da participação societária, e custeados com recursos da Jack Link's (IFC). Relevante destacar que na conta Caixa, afora as despesas acima, não consta da escrituração qualquer outra operação distinta do empréstimo recebido da Jack Link's (IFC), no valor de R$ 17.525.025,00, totalmente utilizado no pagamento da lª parcela de compra das quotas da mutuante (Jack Link's). Ainda no Ativo, a conta Participação Societária 13010203 registra a aquisição das quotas da Jack Link's, por integralização de aumento de capital, no valor de R$ 8.960.000,00, e por aquisição das quotas dos sócios estrangeiros, no valor de R$ 25.372.643,00, totalizando R$ 34.332.643,00. De acordo com os demonstrativos elaborados pela empresa, e juntados às fls. 184, R$ 25.372.643,00 referese ao valor da participação adquirida (60%) avaliada pelo método da equivalência patrimonial. Fl. 1253DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.254 53 Na seqüência, na conta Ágio 13010204, constam lançamentos de notas fiscais em favor das mesmas pessoas físicas e empresas referidas na conta Caixa, aquisição de seguro, carta fiança, empréstimo de sócio ref perda de estoque e o ágio propriamente dito na aquisição do investimento no valor de R$ 26.941.356,60, que representa justamente a diferença entre o valor de aquisição e o valor das quotas pelo método da equivalência patrimonial (R$ 52.314.000,00 — R$ 25.372.643,00), sem a consideração das demais despesas, cf. demonstrado As fls. 184. Por outro lado, no Passivo, temse a conta Fornecedor 21010102 registra apenas a carta fiança e seus pagamentos. A seguir vem a conta Empréstimo de Sócios 21020301, na qual constam: (i) todos os suprimentos de numerários debitados em Caixa para fazer face ao pagamento das notas fiscais em favor das pessoas fisicas e empresas já acima referidas; (ii) o empréstimo da Jack Link's no valor de R$ 17.525.025,00, para pagamento da l a parcela relativa à aquisição das quotas dos sócios retirantes; e (iii) as contrapartidas das aquisições de seguro e de empréstimo de sócio ref perda de estoque. Em seguida, ainda no Passivo, estranhamente, consta uma conta denominada Investimentos 21030101, na qual foram registrados: a débito, o valor da lª parcela paga, relativo à aquisição das quotas de R$ 17.525.025,00; e a crédito, o preço das quotas adquiridas de R$ 52.313.999,60: parte como empréstimo de R$ 25.372.643,00 (valor das quotas pelo método da equivalência patrimonial), e parte a titulo de ágio na aquisição de investimento de R$ 26.941.356,60, já acima explicado. O valor não pago relativo à aquisição das quotas de R$ 34.788.974,60, foi transferido por incorporação para o Passivo da IFC. Finalmente, no Patrimônio Liquido, conta Capital Social 24010103, não se encontra regularmente registrada a operação de integralização do aumento de capital no valor de R$ 8.960.000,00, registrada em 14/04/2005, tendo por contrapartida débito na conta Participação Societária 13010203. De acordo com os contratos sociais da ZEST, tal aumento de capital deuse justamente com as quotas detidas pelos sócios José Barbosa Machado Neto e Alessandra O. Barbosa Machado (35%) na Jack Link's. Da escrituração apresentada, consta ainda a conta 29010101 Incorporação ZEST/IFC, na qual se verifica que o único Ativo, de fato, transferido para a IFC foi o valor de R$ 1.000,00 constante do Caixa da empresa. Por sua vez, o valor de R$ 34.332.643,00 representa a soma dos valores patrimoniais das quotas da IFC detidas pela ZEST de R$ 8.960.000,00 (35% das quotas) e R$ 25.332.643,00 (60% das quotas), e o valor de R$ 33.735.392,81, corresponde ao escriturado na ZEST como ágio calculado na aquisição das quotas dos sócios estrangeiros. O art. 224 da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976 Lei das Sociedades por Ações, ao disciplinar a elaboração do protocolo nas operações societárias de incorporação, fusão e cisão, explicitou a necessidade de que fosse expressamente consignada a solução a ser adotada quanto As ações ou quotas do capital de uma das sociedades possuídas por outra. E a seguinte a redação do dispositivo in verbis: Protocolo Art. 224. As condições da incorporação, fusão ou cisão com incorporação em sociedade existente constarão de protocolo Fl. 1254DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.255 54 firmado pelos órgãos de administração ou sócios das sociedades interessadas, que incluirá: (...) IV a solução a ser adotada quanto as ações ou quotas do capital de uma das sociedades possuídas por outra; (...) Na verdade, há restrições expressas, na legislação societária, em relação companhia negociar com as próprias ações, conforme as expressas disposições do art. 30 da LSA: Negociação com as Próprias Ações Art. 30. A companhia não poderá negociar com as próprias ações. § 1° Nessa proibição não se compreendem: a) as operações de resgate, reembolso ou amortização previstas em lei; b) a aquisição, para permanência em tesouraria ou cancelamento, desde que até o valor do saldo de lucros ou reservas, exceto a legal, e sem diminuição do capital social, ou por doação; c) a alienação das ações adquiridas nos termos da alínea b e mantidas em tesouraria; d) a compra quando, resolvida a redução do capital mediante restituição, em dinheiro, de parte do valor das ações, o prep destas em bolsa for inferior ou igual à importância que deve ser restituida. Desta forma, a única possibilidade de verter para o patrimônio da IFC (incorporadora) as quotas da própria IFC detidas pela ZEST (incorporada) seria mediante a sua manutenção na conta ações em tesouraria na incorporadora. Todavia, compulsando o protocolo de Incorporação de fls. 170/175, verificase não haver qualquer disposição expressa quanto destinação das quotas do capital da IFC (incorporadora e investida) detidas pela ZEST (incorporada e investidora). Consta apenas que com a incorporação da ZEST não haveria aumento de capital da IFC, mas apenas substituição das quotas da ZEST, detidas pelos sócios da ZEST, pelas quotas da IFC. Diante da omissão, podese concluir que 95% das quotas da IFC detidas pela ZEST, após a aquisição das quotas dos sócios estrangeiros, foram extintas em decorrência da operação de incorporação da ZEST, pelo que não há que se falar que tais valores possam integrar o acervo liquido vertido por meio da incorporação. De qualquer forma, ainda que as quotas da IFC tivessem sido transferidas para o patrimônio da IFC, tendo em conta as expressas disposições do art. 182 da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976, deveriam ter sido contabilizadas como valores redutores do patrimônio liquido da incorporadora: Art. 182. Omissis Fl. 1255DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.256 55 § 5° As ações em tesouraria deverão ser destacadas no balanço como dedução da conta do patrimônio liquido que registrar a origem dos recursos aplicados na sua aquisição. No que tange ao valor de R$ 33.735.392,81 correspondente ao ágio calculado na aquisição das quotas dos sócios estrangeiros, a transferência para fins de dedutibilidade do ágio a ser amortizado pela incorporadora é garantida pelas disposições dos arts. 7°, III, e 8°, "h" da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997: Art. 7o A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (...) III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do §2º do art. 20 do Decretolei nº 1.598, de 1977 [valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros], nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei n°9.718, de 1998) IV Omissis (.) Art. 8° O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) Omissis; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Nos termos da legislação posta, a pessoa jurídica que absorver, em virtude de incorporação (IFC), patrimônio de outra (ZEST) que seja detentora de participação societária na incorporadora adquirida com ágio, apurado sob o fundamento econômico de rentabilidade futura, poderá amortizar o valor do ágio, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração. Conforme a Instrução Normativa SRF n° 11 de 10 de fevereiro de 1999 disciplinadora do beneficio fiscal (DOU 12/02/1999), o valor da reserva de ágio, registrada no patrimônio liquido da incorporadora, deveria ter por contrapartida a conta do ativo diferido. Todavia, como bem assinalado pela fiscalização, o valor da reserva de ágio não integra e não se confunde com o acervo líquido recebido em função da incorporação. Na verdade, tem razão a fiscalização: nem o valor do investimento da ZEST na IFC, nem o valor do ágio pago na aquisição de tal investimento, poderiam ter integrado o valor do acervo líquido transferido por incorporação para a IFC, porque o investimento na Fl. 1256DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.257 56 incorporadora (IFC), detido pela incorporada (Zest), não pode subsistir a operação de incorporação no patrimônio da incorporadora. Em outras palavras: o investimento na IFC não constitui elemento patrimonial passível de ser incorporado pela própria IFC. Por sua vez, no que tange ao Passivo da ZEST vertido à IFC por incorporação, teriam sido efetivamente transferidos os seguintes valores: R$ 725.349,21 decorrente da carta fiança; e R$ 34.788.974,60 que representam as obrigações relativas às demais parcelas devidas pela aquisição das quotas da IFC dos sócios estrangeiros. No que tange ao Passivo correspondente ao empréstimo efetuado pela IFC, para que a ZEST pudesse proceder a aquisição das quotas detidas pelos sócios estrangeiros, no valor total de R$ 17.525.025,00, e ao valor de R$ 4.690.705,13, registrado como empréstimo de sócio ref. a perda de estoque, valores consignados como emprestados pela própria IFC, também não poderiam ser transferidos, por incorporação, tendo em conta a extinção das obrigações, dada a confusão entre devedor e credor da obrigação. Conseqüentemente, não deveriam também integrar o acervo vertido. Conforme visto acima, tendo em conta que o único Ativo passível de transferência para a IFC seria o saldo da conta Caixa, no valor de R$ 1.000,00, e as obrigações do Passivo relativas as aquisições das quotas da IFC, no valor total de R$ 35.514.323,81 (R$725.349,21 + R$34.788.974,60), cumpre ratificar a conclusão da fiscalização de que o Laudo de Avaliação Contábil do Patrimônio Líquido da ZEST, em 31/05/2005, datado de 29/06/2005, para fins de incorporação a empresa IFC, encontrase completamente destituído de fundamentos contábeis, ao atribuir ao acervo da ZEST (incorporada) o valor de R$ 8.961.000,00, conforme se verifica as fls. 187/188 nas cópias do Livro Razão apresentado. É inegável que o acervo líquido transferido para a IFC, por incorporação, foi negativo, confirmandose a conclusão da fiscalização de que as sucessivas operações de reorganização societária (a interposição da ZEST, na operação de aquisição das quotas da IFC; seguida da incorporação da interposta pessoa pela própria IFC) foram utilizadas, artificiosamente, para ocultar a assunção pela IFC das dívidas contraídas na aquisição das quotas pelos sócios, e para criar condições para a dedutibilidade do ágio pago na mesma operação. Por oportuno, registrese que a transferência de acervo líquido negativo se confirma nas Demonstrações das Mutações do Patrimônio Liquido de fls. 1.025, elaboradas pela empresa de Auditoria Independente. Conforme se observa o valor negativo de R$ 18.445.000,00 da conta "Lucros (Prejuízos) Acumulados", no Balanço Patrimonial de 31/12/2005 (fls. 1023), explicase devido ao cômputo do "Saldo Incorporação", no valor negativo de R$ 25.373.000,00. Nas Notas Explicativas do Parecer da Auditoria Independente consta ainda que: 15. PATRIMÔNIO LÍQUIDO c) Ajustes de Incorporação: Os quotistas da Sociedade, conforme Ata da Assembléia Extraordinária, aprovaram a incorporação da totalidade do patrimônio de sua controladora Zest Investimentos, Participações e Negócios Ltda., concluída em 18 de abril de 2005, sem que naquela data tivesse sido efetuada redução de capital social, o que originou um ajuste devedor na rubrica de lucros acumulados no montante de Fl. 1257DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.258 57 R$ 25.373 mil. A redução do capital social, para absorção de parte do ajuste devedor mencionado, será efetuada no primeiro semestre de 2006, através de ajustes aos atos societários originalmente emitidos quando da aprovação da incorporação. Conforme esclarecido pela fiscalização, o valor negativo de 25,4 milhões de reais computado no Patrimônio Liquido da IFC seria resultante da soma dos valores transferidos relativos à reserva de ágio de 33,7 milhões e ao passivo de 59,1 milhões. Observouse ainda que apesar da reserva de ágio transferida, a incorporação teria implicado a redução do patrimônio líquido da incorporadora a valores inferiores ao capital social, fato também confirmado no Balanço Patrimonial de fls. 1023 elaborado pela empresa de Auditoria Independente. Na verdade, como também assinalado pelo agente fiscal, se não fosse a possibilidade de constituição da reserva de ágio, com a assunção de todas as dividas da aquisição das quotas pelos sócios o patrimônio líquido da incorporadora (IFC) resultaria negativo em R$ 13.596.526,54. Na verdade, tal fato ocorreu porque, como bem observou a fiscalização, o valor do contrato de alienação das quotas de R$ 52.314.000,00 — sem se considerar as outras rubricas que também teriam integrado a transação (acordo invoices, embalagens e demais despesas incorridas) —, era superior ao valor do patrimônio liquido da IFC, em 31/03/2005, calculado em R$ 45.396.877,00. Todavia, de todos os problemas envolvidos nas sucessivas operações societárias sob apreciação, este não é de maior relevância. Diante da escrituração do Livro Razão apresentada — resumida a 4 folhas — que contém todas as operações realizadas pela ZEST evidenciase a constituição de pessoa jurídica, sem patrimônio ou qualquer atividade empresarial, com o único e exclusivo intuito de ser utilizada, como interposta pessoa, na aquisição de quotas sociais, com recursos da própria investida, pelos sócios de empresa. Tenta a contribuinte demonstrar a existência de propósito negocial nas operações societárias implementadas para a aquisição de 60% (sessenta por centos) das quotas da empresa Jack Link's (atual IFC) pelos sócios remanescentes, Sr. José Barbosa e Sra. Alessandra Orlandi. Todavia, o fato de a operação se justificar pelas necessidades de mercado, não tem relevância para a solução do caso, porque o problema não se localiza propriamente na causa da alienação das quotas, mas na forma como esta alienação foi implementada, mediante a constituição e incorporação de uma pessoa jurídica (ZEST), sem qualquer atividade empresarial, para reduzir a carga tributária incidente sobre a operação. Da mesma forma, os preceitos constitucionais de valorização do trabalho e da livre iniciativa, regentes da atividade econômica, não estão postos para amparar a utilização em operações societárias e intersociedades de simulacros de empresas, constituídas ou utilizadas, para reduzir a carga tributária ou para ocultar a transferência de recursos sem qualquer ônus aos sócios. Apesar de ser permitido ao contribuinte optar pela forma negocial menos onerosa, é proibido operar com simulação, nos exatos termos do art. 167 do Código Civil — Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Caracteriza simulação a interposição de pessoa jurídica, sem atividade operacional e sem capacidade econômica e financeira, na operação de aquisição de quotas, e sua posterior incorporação, para fins de ocultar a transferência de Fl. 1258DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.259 58 recursos não onerosa da empresa para os sócios, e permitir a dedutibilidade do ágio pago na operação. A seqüência de atos negociais praticados pode, sim, ser caracterizada como anormal, insólita ou inadequada. Por outro lado, pretende a Recorrente explicar a inclusão da ZEST na operação, devido à não concretização do aumento de capital, que seria subscrito e integralizado por novo sócio, e permitiria a capitalização da ZEST, para fazer face a aquisição das quotas da Jack Link's dos sócios estrangeiros. Na verdade, tal justificativa não tem qualquer sentido, na medida em que se não houve a capitalização da ZEST, por ingresso de novo sócio, e não dispunha a ZEST de capacidade econômica ou financeira para a operação, por que utilizála na aquisição das quotas sociais? Segundo a defesa, a não efetivação de admissão de novo sócio teria tornado desnecessária a manutenção de referida estrutura societária, o que teria justificado a sua incorporação. Todavia, cumpre perquirir o porquê da utilização de tal "estrutura societária" na aquisição das quotas, se todos os recursos utilizados na operação advieram da IFC? Na verdade, confirmase, mais uma vez, a simulação, na interposição de pessoa completamente destituída de capacidade econômica e financeira para a participação no negócio. Contrariamente ao afirmado pela defesa, a documentação dos autos corrobora a ocorrência de simulação de 'empréstimo de recursos da IFC para a ZEST', e a dissimulação de ‘transferência não onerosa de recursos da IFC para José e Alessandra', cumprindo ao fisco dar o tratamento tributário adequado as operações dissimuladas/ocultadas pelas formas jurídicas adotadas pela contribuinte. Apesar dos protestos da defesa, é evidente que todas as operações societárias e intersociedades já estavam engendradas desde o contrato de alienação das quotas sociais, subscrito pelos sócios retirantes e pelos sócios adquirentes, uma vez que: (i) não havia, e não há, qualquer justificativa plausível para a interposição, na aquisição das quotas, de uma pessoa jurídica, sem qualquer atividade operacional, e sem capacidade econômica ou financeira, para a operação; (ii) está provado que todos os recursos utilizados na aquisição das quotas pertenciam à IFC; e (iii) as únicas justificativas verificadas para a incorporação da ZEST pela IFC foram a assunção, pela incorporadora, de todas as dívidas decorrentes da aquisição das quotas, e a possibilidade de dedutibilidade do ágio pago na aquisição das quotas. Inócua a invocação do Parecer dos Auditores Independentes de fls. 1.020/1.038, para afastar a imputação de simulação, porque a análise da auditoria se limitou aos negócios na forma como formalizados, sem questionar de sua validade jurídica. Todavia, alguns trechos do Parecer confirmam as conclusões da fiscalização de que a aquisição das quotas foi efetivada, de fato, pelos sócios brasileiros, e que a IFC assumiu todo o passivo da operação: "Em abril de 2005, objetivando permitir que a empresa desenvolvesse novos produtos, entre outros fatores comerciais e estratégicos, os sócios quotistas brasileiros, adquiriram a participação dos sócios quotistas americanos, conforme mencionado na nota explicativa n° 11. (...) Com a aquisição do controle societário pelos sócios administradores brasileiros, a Sociedade teve seu nível de endividamento imediatamente aumentado, já que o montante do passivo decorrente da compra das quotas societárias foi assumido pela IFC, após a Fl. 1259DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.260 59 incorporação da holding que as detinha, gerando a necessidade de obtenção de capital de giro junto a terceiros, visando equacionar seu fluxo de caixa de curto prazo. (...) A Sociedade também está buscando fontes externas de financiamento para atenuar a pressão sobre seu capital de giro. (...) Em uma segunda frente, a Administração contratou consultoria especializada visando a capitalização da Sociedade. 0 plano de ação, de curto e longo prazo, abrangido nesta etapa, tem a intenção de injetar na IFC recursos financeiros necessários para satisfazer as necessidades de capital de giro e investimentos da empresa, resgatando os níveis de endividamento saudáveis mantidos até a necessidade de absorção da divida relacionada à aquisição das quotas dos sócios estrangeiros, (...)" (...) Da omissão de rendimentos Diante dos fatos acima explicitados, retirado o véu da simulação das operações de aquisição das quotas sociais pela a ZEST e da incorporação desta última pela IFC, verificase que os sócios administradores da IFC, Sr. José Barbosa Machado Neto e a Sra. Alessandra Orlandi Barbosa Machado, procederam à aquisição das quotas sociais dos sócios estrangeiros com recursos disponibilizados, sem qualquer ônus, pela IFC, o que inegavelmente caracteriza a hipótese de incidência do Imposto de Renda Pessoa Física — IRPF prevista nos arts. 37 e 38 do RIR/99, abaixo transcritos: TITULO IV RENDIMENTO BRUTO CAPÍTULO I DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 37 Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados (Lei n° 5.172, de 1966, art. 43, incisos 1 e e Lei n° 7.713, de 1988, art. 3°,§ 1°). Parágrafo único. Omissis Art. 38 A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o beneficio do contribuinte por qualquer forma e a qualquer titulo (Lei n2 7.713, de 1988, art. 32, § 42). Parágrafo único. Os rendimentos serão tributados no mês em que forem recebidos, considerado como tal o da entrega de recursos pela fonte pagadora, mesmo mediante depósito em instituição financeira em favor do beneficiário. Salientese que todos os pagamentos efetuados pela IFC em função da aquisição das quotas sociais pela interposta pessoa (ZEST), beneficiaram exclusivamente os Fl. 1260DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.261 60 sócios administradores, e constituemse em rendimentos que deveriam ter sido oferecidos à tributação por configurarem acréscimo patrimonial, sem qualquer ônus para os beneficiários, em função da seqüência de operações simuladas adotadas. Por outro lado, não existe previsão de isenção para os valores distribuídos aos sócios que superarem o valor dos lucros oferecidos à tributação do IRPJ pela pessoa jurídica. Conforme previsto no art. 39, XXIX do RIR199, a isenção de lucros e dividendos distribuídos restringese aos lucros ou dividendos pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas com base no lucro real, presumido ou arbitrado. É a seguinte a redação do dispositivo em comento: CAPÍTULO II RENDIMENTOS ISENTOS OU NÃO TRIBUTÁVEIS Seção I Rendimentos Diversos Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: Lucros e Dividendos Distribuídos (...) XXIX os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado (Lei n2 9.249, de 1995, art. 10); Na fundamentação da exigência, a fiscalização acrescenta ainda as disposições do art. 55, X, do RIR/99, abaixo transcritas: CAPÍTULO III RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS Seção V Outros Rendimentos Art. 55. São também tributáveis (Lei n 2 4.506, de 1964, art. 26, Lei n2 7.713, de 1988, art. 32, § 4s', e Lei n2 9.430, de 1996, arts. 24, § 22, inciso IV, e 70, § 32, inciso I): (...) X os rendimentos derivados de atividades ou transações ilícitas ou percebidos com infração à lei, independentemente das sanções que couberem; Nesse aspecto, também se configura plenamente procedente a exigência na medida em que a fiscalização demonstrou que a simulação teria propiciado a transferência patrimonial, proibida pela legislação societária, da empresa para sócios administradores, de recursos em valores superiores às reservas, ao capital e ao próprio patrimônio liquido, lançando por terra, assim, o conceito básico e fundamental de separação patrimonial entre pessoa jurídica e seus sócios. Da multa qualificada Fl. 1261DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.262 61 No que tange a aplicação da multa de ofício qualificada, entendo que a fiscalização procedeu corretamente. Conforme comprovado nos autos, a sucessão de atos com nítidos propósitos simulatórios por parte da contribuinte, mediante a interposição da ZEST na aquisição das quotas sociais da IFC e de sua subseqüente incorporação pela própria IFC, para favorecer os sócios e garantir a dedutibilidade do ágio na incorporadora, constitui um conjunto robusto que comprova a intenção dolosa da autuada de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. A qualificação da multa de ofício, no caso em exame, encontra perfeito amparo no então vigente artigo 44, inciso II, da Lei n°. 9.430/1996 (atual art. 44, I, c/c § 1°, da Lei n.° 9.430/96, conforme nova redação conferida pela Lei n.° 11.488, de 15 de junho de 2007, resultante da conversão da MP n.° 351/2007), cujo teor é o seguinte: ʺArt. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas I ‑ de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II ‑ de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a)na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano‑calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I ‑ prestar esclarecimentos; II ‑ apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III ‑ apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei Fl. 1262DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.263 62 § 3° Aplicam‑se às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6° da Lei n° 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991. § 4° As disposições deste artigo aplicam‑se, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. § 5o Aplica‑se também a multa de que trata o inciso I do caput sobre I ‑ a parcela do imposto a restituir informado pelo contribuinte, pessoa física, na Declaração de Ajuste Anual, que deixar de ser restituído em razão da constatação de infração à legislação tributária; e II ‑ o valor das deduções e compensações indevidas informadas na Declaração de Ajuste Anual da pessoa físicaʺ. Faz‑se necessário integrar com as previsões dos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/66. Dispõem tais artigos: ʺArt. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I ‑ da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II ‑ das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72.ʺ Verificase que a sonegação, do artigo 71, referese à conduta (comissiva ou omissiva) para impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador ou das condições pessoais da contribuinte. Fraude, do artigo 72, que não se trata de fraude à lei, mas ao Fisco, atua na formação do fato gerador da obrigação tributária principal, impedindo ou retardando sua ocorrência, como, também, depois de formado, modificandoo para reduzir imposto ou diferir seu pagamento. Este é o posicionamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme se depreende do recente julgamento proferido no Acórdão CSRF/0105.643: ʺMULTA QUALIFICADA ‑ Restando configurada a utilização de interpostas pessoas por parte de pessoas físicas e jurídicas interligadas e a manutenção de contas bancárias à margem da escrituração, vislumbra‑se a ocorrência das hipóteses previstas nos artigos 71 e 73 da Lei n° 4.502/66.ʺ Fl. 1263DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.264 63 Assim, também não merece reparos o lançamento no que tange à qualificação da multa de ofício. Da multa de ofício e dos juros de mora calculados à taxa SELIC As exigências da multa de ofício e dos juros de mora calculados à taxa Selic têm amparo na Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e em dispositivos consignados nos autos de infração. Os argumentos conduzidos na peça de defesa são no sentido de atacar as normas que estabeleceram tais exigências, sob o entendimento de que seriam ilegais ou inconstitucionais. Com efeito, apreciações dessa natureza escapam à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar a validade de normas regularmente insertas no ordenamento jurídico, competência esta atribuída em caráter privativo ao Poder Judiciário. Compete à autoridade administrativa tributária observar a legislação nos termos em que editada, em conformidade com o que estatui o art. 142 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN). Há que se consignar, por fim, que a matéria se encontra sumulada no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que estabelece: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Com relação à taxa Selic, também há súmula neste CARF. Transcrevese a Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Descabidos, pois, os argumentos trazidos nesse ponto. CONCLUSÃO Por todo o exposto, VOTO no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 1264DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.000200/200923 Acórdão n.º 1402001.768 S1C4T2 Fl. 1.265 64 Fl. 1265DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10980.000181/2003-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO FORMAL NA DIGITAÇÃO DO ACÓRDÃO. PROCEDÊNCIA.
Havendo erro formal na digitação do acórdão, é cabível a oposição de Embargos de Declaração visando à sua correção.
Embargos acolhidos sem efeitos modificativos do julgado.
Numero da decisão: 2101-002.475
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os conselheiros, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios para re-ratificar o acórdão embargado nº 106-16.765, fazendo constar o seguinte resultado: "ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir da base de cálculo os valores de R$ 28.460,00 referente a férias remuneradas e de R$ 3.790,36 referente a honorários advocatícios, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado"
MARIA CLECI COTI MARTINS - Presidente.
EDUARDO DE SOUZA LEÃO - Relator.
EDITADO EM: 30/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA CLECI COTI MARTINS (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR e EDUARDO DE SOUZA LEÃO.
Nome do relator: EDUARDO DE SOUZA LEAO
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ERRO FORMAL NA DIGITAÇÃO DO ACÓRDÃO. PROCEDÊNCIA. Havendo erro formal na digitação do acórdão, é cabível a oposição de Embargos de Declaração visando à sua correção. Embargos acolhidos sem efeitos modificativos do julgado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os conselheiros, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios para reratificar o acórdão embargado nº 10616.765, fazendo constar o seguinte resultado: "ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir da base de cálculo os valores de R$ 28.460,00 referente a férias remuneradas e de R$ 3.790,36 referente a honorários advocatícios, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado" MARIA CLECI COTI MARTINS Presidente. EDUARDO DE SOUZA LEÃO Relator. EDITADO EM: 30/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA CLECI COTI MARTINS (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR e EDUARDO DE SOUZA LEÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 01 81 /2 00 3- 92 Fl. 221DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 10/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 Relatório Em princípio deve ser ressaltado que a numeração de folhas referidas no presente julgado foi a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional (fl. 209/211) requerendo o ajuste do Acórdão nº 10616.765, que teria apresentado divergência entre as disposições da ementa e os fundamentos do voto. A ilustre Conselheira Ana Neyle Olimpio Holanda, ao tomar conhecimento dos Embargos, reconheceu a desconformidade do dispositivo de julgamento com os fundamentos do voto condutor, e se manifestou pelo acolhimento do Recurso para sanar a contradição ocorrida (fls. 212/214). Desta feita, distribuído o feito para nossa relatoria, coloco em pauta para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO Tratase de Embargos de Declaração em face de Acórdão da 6ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, amparado na existência de divergência no pronunciamento da decisão disposta na ementa do acórdão com os termos do voto condutor. De acordo com o artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), a contradição justificaria a interposição de embargos. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 10/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10980.000181/200392 Acórdão n.º 2101002.475 S2C1T1 Fl. 3 3 "Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma." Analisando as alegações da embargante e contrastandoa com o Acórdão guerreado concluo que há razão na peça recursal, pois se afigura evidente o equívoco na declaração do julgado, com as razões trazidas no voto da Relatora. De todo modo, o caso também se enquadra na simples possibilidade da inexatidão material – erro de escrita – no caso digitação, nos termos do artigo 66 do RICARF, in verbis: "Art. 66. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão serão retificados pelo presidente de turma, mediante requerimento de conselheiro da turma, do Procurador da Fazenda Nacional, do titular da unidade da administração tributária encarregada da execução do acórdão ou do recorrente." Senão vejamos a situação em comento. A conclusão da egrégia 6ª Câmara foi no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. Nas folhas 201 dos autos, nos fundamentos do voto condutor, temos a seguinte conclusão: “Por conseguinte, devem ser excluídas da exação as verbas no total de R$ 28.460,00, referentes a férias não gozadas e pagas em pecúnia.” Mais adiante, nas folhas 203 do processo, ainda no voto condutor, a Relatora explica literalmente: “Na espécie, a comprovação do pagamento dos honorários advocatícios exsurge de fl. 08, demonstrando o desembolso no montante de R$ 25.500,00. O colegiado de primeira instância admitiu a exclusão de somente R$ 21.709,64, com efeito, nessa instância de julgamento devem ser excluídos R$ Fl. 223DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 10/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS 4 3.790,36, referentes àqueles honorários, o que perfaz o total desembolsado pelo recorrente.” Deste modo, resta clara a intenção do julgado em afastar da tributação os valores de R$ 28.460,00, referentes a férias não gozadas e pagas em pecúnia, e de R$ 3.790,36, referentes aos honorários remanescentes da decisão inicial. Contudo, no dispositivo da ementa, restou trazida a seguinte conclusão: “ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir da base de cálculo os valores de R$ 28.460,00 referente a férias remuneradas e de R$ 3.790,36 referente a férias remuneradas e de R$ 3.790,36 referente a honorários advocatícios, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.” (fls. 194) Ora, resta evidente o erro de digitação que trouxe o texto “de R$ 3.790,36 referente a férias remuneradas” em desacordo com o entendimento efetivamente proferido. Assim, em que pese a retificação proposta não alterar em nada o desfecho do processo, entendo que a conclusão da ementa deve ser retificada exclusivamente para consignar que “ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir da base de cálculo os valores de R$ 28.460,00 referente a férias remuneradas e de R$ 3.790,36 referente a honorários advocatícios, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado”. Diante do exposto, voto pelo ACOLHIMENTO dos Embargos de Declaração para reratificar o acórdão embargado. É como voto. Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO Fl. 224DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 10/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10980.000181/200392 Acórdão n.º 2101002.475 S2C1T1 Fl. 4 5 Fl. 225DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 10/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS
score : 1.0
Numero do processo: 10680.012696/00-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3402-000.671
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 2ª Turma / 4ª Câmara, da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, PEDRO SOUSA BISPO (Suplente), FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira NAYRA BASTOS MANATTA.
Relatório
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
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RESOLVEM os membros da 2ª Turma / 4ª Câmara, da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, PEDRO SOUSA BISPO (Suplente), FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira NAYRA BASTOS MANATTA. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .0 12 69 6/ 00 -7 9 Fl. 457DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10680.012696/0079 Resolução nº 3402000.671 S3C4T2 Fl. 844 2 Relatório Tratamse os autos de retorno de diligência proposta pelo Conselheiro Odassi Guerzoni Filho através da Resolução nº 3401000.522, da qual, por brevidade, transcrevo o relatório: A lide, instaurada em face do lançamento de oficio formalizado em 10/10/2000 para a exigência da Cofins dos períodos de apuração compreendidos entre janeiro de 1998 e julho de 2000, basicamente versa sobre qual seria o instituto legal a ser observado para fins da fruição da “isenção” de que trata o § 7o do art. 195, da Constituição Federal, ou seja, se os quesitos elencados pelo artigo 14 do Código Tributário Nacional [ como defende a Recorrente], ou se os quesitos do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991, especialmente no seu inciso II [conforme fundamento do lançamento realizado pelo Fisco]. De se esclarecer que, consoante informação trazida pela autoridade fiscal aos autos, a autuada é uma pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, e cujos objetivos declinados em Estatuto são, em caráter geral, o desenvolvimento e a manutenção das atividades educacionais e de pesquisa no campo das ciências e da tecnologia, e, em caráter particular, a manutenção da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Também esclareceu a fiscalização que lhe foi apresentada a Resolução CNAS nº 103/98, de 15/07/1998, que renovou o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos anteriormente obtido pela entidade. Ainda segundo o Fisco, esse novo Certificado, entretanto, teve validade apenas no período de janeiro de 1995 a dezembro de 1997, o que lhe garantiu durante referido intervalo de tempo a isenção da Cofins, por conta de restar preenchida a condição de beneficente de assistência social, conforme estabelecem o parágrafo 7º do art. 195, da Constituição Federal e o artigo 6º, inciso III, da Lei Complementar nº 70/91. Já, para o período da autuação, aduz a autoridade fiscal, não teria logrado a autuada comprovar a renovação do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, o que não lhe permite seja considerada como uma entidade beneficente de assistência social, nos termos do referido § 7º, do art. 195, da Constituição Federal, do artigo 55, II, da Lei nº 8.212, de 1991, do artigo 6º, inciso III, da Lei Complementar nº 70/91, dos artigos 1º, inciso IV, e 2º, inciso IV do Decreto nº 752/93, do art. 1º da Lei nº 9.732, de 1998, e dos artigos 206, inciso III, e 207 do Decreto 3.048/99. Foram realizadas duas diligências, a partir das quais restou efetivamente comprovado que, ao menos durante o período relacionado ao lançamento de ofício da Cofins, autuada não era portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, de que trata o referido inciso II, do art. 55 da Lei nº 8.212/91, falta essa, portanto, que legitimaria a autuação. Fl. 458DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10680.012696/0079 Resolução nº 3402000.671 S3C4T2 Fl. 845 3 No essencial, é o Relatório. DO JULGAMENTO DE 2ª INSTÂNCIA A decisão de 2ª Instância (fls. 837841 – n.e), de data de 27 de junho 2012, levando em conta o art. 62A do RICARF, votou pelo sobrestamento do julgamento ate ́que o STF decida sobre a inconstitucionalidade ou naõ dos requisitos estabelecidos no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. DA DISTRIBUIÇÃO Retornando o processo de diligência, e ante ao desligamento do Relator original dos quadros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, vieram os autos distribuídos a esse relator por sorteio regularmente realizado, por meio de processo eletrônico numerado – eletronicamente até a folha 842 (oitocentos e quarenta e duas folhas), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 459DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10680.012696/0079 Resolução nº 3402000.671 S3C4T2 Fl. 846 4 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. Retornam os autos de diligência proposta pelo Ilustre Conselheiro Odassi Guerzoni Filho, que determinou o sobrestamento do processo, com fulcro no § 2º do art. 62A do Anexo II do RICARF, até o trânsito em julgado do RE 636.941RS, onde se decidiria sobre a inconstitucionalidade ou não dos requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. Do julgamento proferido pelo Supremo Tribunal Federal no referido Recuso Extraordinário, se extrai que as entidades beneficentes que atenderem aos requistos do referido dispositivo fazem jus a concessão da imunidade do PIS, restando consignado que a pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos os artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. Portanto, uma vez reconhecida a constitucionalidade do referido dispositivo, entendo que a questão posta nos autos cingese à matéria probatória, na medida em que a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento não apreciou todas as provas da recorrente que tinham como objetivo ver reconhecida sua condição de entidade imune. A Recorrente afirma às fls. 799 à 801 – n.e, que apesar de não existir resolução do CNAS deferindo o CEBAS dos períodos de 1998/1999/2000, teve o certificado renovado por força da Medida Provisória nº 446, de 07 de novembro de 2008 a qual dispusera em seu art. 39 que os pedidos de renovação do CEBAS indeferidos pelo CNAS que fossem objeto de recurso e estivessem pendentes de julgamento até a data de edição da MP, considerarseiam deferidos. Assim sendo, posto que seu pedido de reconsideração para renovação do CEBAS estava pendente de julgamento, teria restado deferido o certificado para o período autuado. É de se esclarecer que a própria autoridade fiscal trouxe aos autos a informação de que a recorrente é pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, e cujos objetivos declinados em Estatuto são, em caráter geral, o desenvolvimento e a manutenção das atividades educacionais e de pesquisa no campo das ciências e da tecnologia, e, em caráter particular, a manutenção da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Vejase que, a motivação do afastamento da condição de entidade imune no julgamento da DRJ, foi o fato de que a Recorrente não teria comprovado que era portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, de que trata o referido inciso II, do art. 55 da Lei nº 8.212/91. Todavia, entendo que mera falta de CEBAS não seria por si só suficiente para afastar ou mesmo para deferir a imunidade e, além disso, existem indícios de que a Recorrente teve em 2008 deferido o seu pedido de renovação do CEBAS para o período autuado. Assim sendo, dando cumprimento ao Princípio da Verdade Material que norteia esta instituição, quando do julgamento dos seus recursos, necessária se faz que toda a documentação juntada pelo Recorrente seja devidamente analisada, mesmo que tenha sido apresentada após a apresentação de sua impugnação. Fl. 460DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10680.012696/0079 Resolução nº 3402000.671 S3C4T2 Fl. 847 5 Somente através de diligência, com o fim de análise dos documentos acostados pelo Recorrente, será possível verificar estarem preenchidos ou não os requisitos ensejadores da imunidade pretendida no período autuado. Estas situações podem ser confirmadas pela autoridade julgadora, se entender que tais informações são necessárias para a formação de sua convicção, segundo o art. 29, do DecretoLei nº 70.235/72, verbis: “Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.” Portanto, tenho que as alegações da recorrente somadas com os documentos trazidos no curso do processo servem como “início de prova” desta realidade, de modo que entendo que o processo não se encontra em condições de receber um julgamento justo, pelo que proponho seja o mesmo convertido em diligência, para que a Autoridade Preparadora adote as seguintes providências: 1 – Manifestarse quanto ao cumprimento dos requisitos do art. 14 do CTN, 12 da Lei 9.532/97 e art.55 da Lei nº. 8.212/1991, durante o período autuado; 2 Descrever quais as receitas consideradas pela autoridade lançadora como sendo próprias bem como quais seriam as receitas consideras “nãopróprias” que compuseram o lançamento, fazendoo para todo o período autuado; 3 Oficiar ao Conselho Nacional de Assistência Social solicitando que se manifeste quanto à condição da entidade em questão, quanto à sua natureza de entidade beneficente de assistência social, bem como se preenchia os requisitos para assim ser considerada, nos anoscalendário de 1998/1999/2000; respondendo ainda se existiam, no referido período, razões de fato ou de direito que obstariam a entidade de obter o CEBAS; 4 Após, seja dado vistas do “Relatório Final da Diligência” ao sujeito passivo, para que, querendo, se manifeste no prazo de no mínimo 30 (trinta) dias, retornando os autos para reinclusão em pauta de julgamento neste Conselho. É como voto. (Assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Fl. 461DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720023/2012-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/03/2007
MUDANÇA DE REGIME (VALORES DIFERIDOS). SALDO DA RESERVA DE REAVALIAÇÃO DIFERIDA.
A mudança de regime do lucro real para o presumido não obriga a pessoa jurídica a adicionar à base de cálculo do imposto de renda, correspondente ao primeiro período de apuração no qual houver optado pela tributação com base no lucro presumido, o valor da reserva de reavaliação ainda não realizada.
CSLL. DECORRÊNCIA.
O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica-se à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova.
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 1102-001.103
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso de ofício para negar-lhe provimento, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Alexandre dos Santos Linhares - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES
1.0 = *:*
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camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2007 MUDANÇA DE REGIME (VALORES DIFERIDOS). SALDO DA RESERVA DE REAVALIAÇÃO DIFERIDA. A mudança de regime do lucro real para o presumido não obriga a pessoa jurídica a adicionar à base de cálculo do imposto de renda, correspondente ao primeiro período de apuração no qual houver optado pela tributação com base no lucro presumido, o valor da reserva de reavaliação ainda não realizada. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica-se à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Recurso de ofício negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso de ofício para negar-lhe provimento, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé - Presidente (assinado digitalmente) Francisco Alexandre dos Santos Linhares - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1818; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T2 Fl. 2 1 1 S1C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.720023/201261 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 1102001.103 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 06 de maio de 2014 Matéria IRPJ, CSLL Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado WTORRE SÃO PAULO EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2007 MUDANÇA DE REGIME (VALORES DIFERIDOS). SALDO DA RESERVA DE REAVALIAÇÃO DIFERIDA. A mudança de regime do lucro real para o presumido não obriga a pessoa jurídica a adicionar à base de cálculo do imposto de renda, correspondente ao primeiro período de apuração no qual houver optado pela tributação com base no lucro presumido, o valor da reserva de reavaliação ainda não realizada. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso de ofício para negarlhe provimento, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé Presidente (assinado digitalmente) Francisco Alexandre dos Santos Linhares Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 23 /2 01 2- 61 Fl. 1160DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 1102001.103 S1C1T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Tratase de recurso de ofício interposto pela 5ª Turma da DRJ/SP1, conforme ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2007 MUDANÇA DE REGIME (VALORES DIFERIDOS). SALDO DA RESERVA DE REAVALIAÇÃO DIFERIDA. A mudança de regime do lucro real para o presumido não obriga a pessoa jurídica a adicionar à base de cálculo do imposto de renda, correspondente ao primeiro período de apuração no qual houver optado pela tributação com base no lucro presumido, o valor da reserva de reavaliação ainda não realizada. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica se à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado O auto de infração foi lavrado em 09/02/2012, relativo ao IRPJ e CSLL do anocalendário de 2007, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, em face da verificação de falta de recolhimento sobre ganho de capital incidente sobre o valor da reavaliação de bens integrantes do Ativo Imobilizado, que deveriam ter sido oferecidos quando da mudança do regime de lucro real para lucro presumido. Encontrase às fls. 467 a 490, o Termo de Verificação com o relato dos procedimentos executados pela fiscalização, transcritos a seguir: Para o anocalendário de 2007, o contribuinte WTORRE SÃO PAULO EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA efetuou opção pelo regime de tributação do IR com base no Lucro Presumido conforme Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ n° 1601869 (recibo n° 21.61.53.49.2022), entregue em 30/06/2008. Como visto anteriormente, o sujeito passivo optou pelo regime de lucro presumido para a tributação de suas operações ocorridas durante o anocalendário de 2007. Fl. 1161DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 1102001.103 S1C1T2 Fl. 4 3 Em análise efetuada na escrituração contábil apresentada pelo contribuinte, referente ao anocalendário de 2007, esta fiscalização constatou que a conta contábil "P1418 Reserva de Ativos Próprios", integrante do patrimônio líquido, registrou em 01/01/2007, como saldo inicial, o valor de R$ 165.304.637,03 (cento e sessenta e cinco milhões, trezentos e quatro mil, seiscentos e trinta e sete reais e três centavos), originário dos bens reavaliados em 30/11/2006. Desta forma, este é o valor do saldo existente em 31/12/2006, período em que o contribuinte foi optante do lucro real e que, em decorrência da mudança para o regime de lucro presumido no anocalendário de 2007, deveria ser oferecido à tributação. Verificando a DIPJ Lucro Presumido, do anocalendário de 2007, podemos observar que no 1º trimestre do anocalendário de 2007, nenhum valor foi computado na "Ficha 14A Apuração do Imposto de Renda sobre o Lucro Presumido", mais precisamente, linha 08, campo onde deveriam ser consignados para compor a base de cálculo tributável, os valores relativos a "Realização de Valores cuja Tributação Tenha Sido Diferida" e tampouco foi informado qualquer valor na linha 06 da "Ficha 18A Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido", campo correlato da linha 08. Portanto, ao não adicionar à base de cálculo do IRPJ devido no 1º trimestre de 2007, o valor referente a reavaliação procedida nos bens do seu Ativo Imobilizado, e que estava amparado pelo diferimento em virtude da utilização do regime de tributação pelo lucro real, o contribuinte infringiu o comando legal inserto no art. 54 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, consolidado no art. 520 do RIR/99. Restando incontroverso então, que, no anocalendário de 2007, o contribuinte optou pela tributação com base no regime de apuração pelo Lucro Presumido, a Reserva de Reavaliação, no valor de R$ 165.304.637,03 (cento e sessenta e cinco milhões, trezentos e quatro mil, seiscentos e trinta e sete reais e três centavos) deveria ter sido objeto de realização e computada na base de cálculo da determinação do lucro presumido, o que poderia ser confirmado pelo fisco com as informações que deveriam ser prestadas nas linhas 08 e 06 das Fichas 14A e 18A, respectivamente, da DIPJ do anocalendário de 2007. A autoridade fiscal relata que a matéria objeto da autuação, trata da tributação de saldos, cuja tributação havia sido diferida, em contribuinte que optou pelo regime de tributação pelo lucro presumido. Ou seja, o fato gerador que dá origem ao lançamento não é a realização da reserva de reavaliação. O que de fato enseja o lançamento é a mudança do regime de apuração, onde o contribuinte migra do lucro real para o lucro presumido. Consta ainda no Termo de Verificação Fiscal a atribuição de responsabilidade solidária pelos créditos tributários constituídos à WTORRE PROPERTIES Fl. 1162DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 1102001.103 S1C1T2 Fl. 5 4 S/A, CNPJ 07.875.234/000121, sucessora por cisão parcial do patrimônio da autuada, WTORRE SÃO PAULO EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA, em 30/07/2011, já posteriormente aos fatos geradores sob análise (fls. 485/490). Cientificada do lançamento em 16/03/2012, a empresa autuada, por meio de seu procurador regularmente constituído (fls. 536 e 537), apresentou em 17/04/2012 a impugnação de fls. 494 a 534, acompanhada dos documentos às fls. 535 a 734, assim sintetizada: i. O art. 54 da Lei nº 9.430/96 somente se aplica a valores cuja tributação tenha sido diferida (benefício fiscal), o que não é o caso da Reserva de Reavaliação. A não tributação da Reserva de Reavaliação não resulta de uma norma de diferimento, mas sim da ausência de concretização da própria materialidade do IRPJ e da CSLL; ii. A tributação da Reserva de Reavaliação em virtude da simples mudança do regime de tributação do Lucro Real para o Lucro Presumido é incompatível com o princípio da realização da receita ou do ganho tributável; é incompatível com o conceito legal do "fato gerador" dos tributos sobre a renda, definido como a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda (CTN, art. 43); e é incompatível com o princípio constitucional da capacidade contributiva (CF, art. 145, §1º); iii. A conclusão de que o saldo da Reserva de Reavaliação não pode ser tributado por força da simples mudança do regime tributário da Impugnante do Lucro Real para o Lucro Presumido é também confirmada pelo art. 49 Lei nº 9.959/00, segundo o qual a contrapartida da reavaliação de bens somente poderá ser computada em conta de resultado ou na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL quando ocorrer a "efetiva realização" do bem reavaliado; iv. O art. 54 da Lei nº 9.430/96 foi tacitamente revogado pelo art. 4a da Lei nº 9.959/00, pois esses dispositivos legais são absolutamente incompatíveis; v. O art. 54 da Lei nº 9.430/96 referese apenas à adição de valores à base de cálculo do IRPJ, não tratando da base de cálculo da CSLL; vi. A Impugnante não obteve qualquer vantagem fiscal com a reavaliação dos imóveis, nem foi causado qualquer prejuízo ao Fisco, já que o novo valor atribuído ao imóvel nunca foi utilizado. Com efeito, os imóveis reavaliados foram reclassificados para o circulante e vendidos em anocalendário no qual a Impugnante estava sujeita ao Lucro Presumido, regime no qual o custo dos bens vendidos era totalmente irrelevante; Fl. 1163DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 1102001.103 S1C1T2 Fl. 6 5 vii. A manutenção dos autos de infração resultaria na dupla tributação da mesma valorização patrimonial, uma vez que essa valorização já foi oferecida à tributação pela Impugnante no momento em que os imóveis foram alienados; viii. Mesmo que os autos de infração ora impugnados não sejam integralmente anulados, o que admitimos apenas em exercício de argumentação, deve afastada a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, por falta de previsão legal para a sua aplicação; ix. A WTORRE PROPERTIES não é solidariamente responsável pelos supostos débitos em questão. Ainda que assim não fosse, a responsabilidade não alcançaria as multas impostas e seria proporcional ao valor do patrimônio líquido por ela incorporado, não recaindo sobre a integralidade do débito. Cientificada do lançamento em 21/03/2012, a responsável solidária, por meio de seu procurador regularmente constituído (fls. 773 e 774), apresentou em 20/04/2012 sua impugnação de fls. 735 a 772, acompanhada dos documentos às fls. 773 a 909, na qual alega, em síntese, o seguinte: A mera reavaliação de bens não configura realização da renda para fins tributários, motivo pelo qual não pode ser considerado fato gerador do IRPJ e da CSLL. O registro do valor da Reserva de Reavaliação na Parte B do LALUR é um mero procedimento de controle do contribuinte, para deixar registrada a necessidade de sua tributação em eventual venda/alienação desse ativo (realização). O total equívoco cometido pela Fiscalização ao fundamentar os presentes lançamentos, uma vez que não se verificou no caso o pressuposto para a aplicação do artigo 520 do RIR/99: "valores com tributação diferida" a serem adicionados no momento da mudança do regime do lucro real para o lucro presumido Cita que esse é o entendimento manifestado pela Receita Federal em recente Solução de Consulta proferida pela SRRF09 (nº 56/2012). Mesmo com a mudança do regime de tributação do lucro real para o lucro presumido, o valor da reavaliação continuará sendo controlado pela conta contábil de "Reserva de Reavaliação". Não se verifica, no caso concreto, a presença do "interesse comum", previsto no artigo 124, I, do Código Tributário Nacional, para dar ensejo à eventual responsabilidade solidária A impossibilidade do Lançamento da multa de ofício o art. 132 do CTN responsabiliza a sucessora tão somente pelos tributos devidos pela sucedida, não englobando portanto eventuais multa punitivas. Fl. 1164DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 1102001.103 S1C1T2 Fl. 7 6 O acórdão de 1ª instância (fls. 931/945) julgou pela IMPROCEDÊNCIA do lançamento tributário, conforme fundamentação abaixo: (...) De plano observase que o autuante equivocouse quanto a natureza da Reserva de Reavaliação. A contrapartida da reavaliação de bens do ativo imobilizado, baseada em laudo nos termos do artigo 8º da Lei nº 6.404/1976, não transita pelo lucro liquido apurado pelo contribuinte. É contabilizada diretamente no passivo como Reserva de Reavaliação. O fato de a mesma ser controlada na parte B do LALUR não significa que a receita foi diferida, mesmo porque, enquanto não ocorrer uma das hipóteses previstas no artigo 435 do RIR/1999 não se fala em realização da reserva. A matéria em questão foi objeto da Solução de Consulta SRRF/9º nº 56 de 23/03/2012 (...) O fato de o LALUR não ser obrigatório para a pessoa jurídica que optou pela tributação com base no Lucro Presumido não justifica a imediata realização da Reserva de Reavaliação. Como bem destacou o relator da solução de consulta a mesma Lei que determina a realização da tributação diferida quando da opção pelo lucro presumido (9.430/1996), determina em seu artigo 52 que a pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido somente pode computar no ganho de capital os valores acrescidos em virtude de reavaliação de bens se comprovar que os mesmos foram oferecidos à tributação. Ora, não tem sentido solicitar a comprovação da tributação do valor acrescido a um bem em um artigo e determinar a realização antecipada em outro. Destarte, a mudança de regime do lucro real para o presumido não obriga a pessoa jurídica a adicionar à base de cálculo do imposto de renda, correspondente ao primeiro período de apuração no qual houver optado pela tributação com base no lucro presumido, o valor da reserva de reavaliação ainda não realizada. Devido à proposta de exoneração total do lançamento deixo de me manifestar acerca das alegações apresentadas pela impugnante e responsável solidária. Por superar o valor de alçada, foi interposto o presente recurso de ofício. A Fazenda Nacional apresentou petição denominada de “RAZÕES AO RECURSO DE OFÍCIO”, protocolando com esteio no art. 48, par. 2o do Anexo II do RICARF (previsão para contrarrazões ao recurso voluntário), cujos argumentos às fls. 958/984 estão demonstrados a seguir, literis: Em resumo, como o registro do custo de aquisição dos bens reavaliados passa a registrar a reavaliação sem qualquer Fl. 1165DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 1102001.103 S1C1T2 Fl. 8 7 distinção do custo original, e como o contribuinte não estaria mais obrigado a manter os registros do controle do diferimento dessa tributação na Parte B do LALUR, não seria possível controlar a tributação da reavaliação quando da alienação dos bens no futuro (...) Segundo a Autoridade Julgadora de primeira instância, o artigo 520 do RIR/99 se aplica somente aos casos de diferimento de tributação incidente sobre resultados que transitam pelo lucro líquido apurado pelo contribuinte, não se aplicando, portanto, em situações de não tributação de reavaliação de bem do ativo permanente. Nesse diapasão, a Turma ressaltou que, mesmo não sendo controlado pelo LALUR, o valor da reavaliação não tributada só poderá integrar o custo de aquisição do bem alienado se tiver sido tributado. Portanto, seria infundado o receio de não tributação no futuro da “mais valia” reconhecida. (...) Dessa forma, o objetivo do artigo 520 é assegurar a tributação em face do fato de o contribuinte que opta pelo lucro presumido não ter mais a obrigação de manter a existência do LALUR. E, como a Parte B do LALUR controla os elementos que poderão afetar os resultados de períodos futuros, todos esses elementos devem ser antecipados e tributados quando da opção pelo lucro presumido. (...) A decisão ora recorrida destaca que o receio de não tributação do futuro do valor da reavaliação é injustificado uma vez que, ainda que os bens reavaliados tenham seus custos atualizados, os saldos de Reserva de Reavaliação constante da contabilidade da empresa somente poderão ser considerados como custo se tiverem sido tributados. Portanto, o controle da tributação futura dos referidos saldos seria feito pelo próprio contribuinte ao optar por cancelálos quando da alienação dos bens reavaliados. Diante desse cenário proposto pela decisão recorrida, indaga se: se o contribuinte, antes de alienar o bem reavaliado, lograr cancelar o valor constante dos saldos de Reserva de Reavaliação sem qualquer tributação, e sem cancelar o respectivo montante do custo de aquisição do bem? De acordo com o entendimento da DRJ de São Paulo, caso a hipótese aventada ocorra, o Fisco então não teria como controlar a tributação da reavaliação quando da alienação do bem, haja vista que além da inexistência do LALUR, também não haveria qualquer registro dos saldos na contabilidade da empresa, contudo, o custo de aquisição do bem reavaliado permaneceria atualizado. Portanto, em face do objetivo com o qual foi redigido o artigo 520 do RIR/99 e do entendimento exposto pela decisão recorrida, resta, finalmente, averiguar se a hipótese acima aventada pode ocorrer ou não. Caso seja possível uma empresa cancelar o saldo de Reserva de Reavaliação sem tributálo e sem Fl. 1166DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 1102001.103 S1C1T2 Fl. 9 8 cancelar o respectivo valor do custo de aquisição do bem reavaliado, a aplicação do artigo 520 se mostrará viável e justa. Inúmeras são as possibilidades de uma empresa cancelar contabilmente o saldo de uma Reserva de Reavaliação sem tributálo e sem cancelar o correspondente registro no custo de aquisição do bem reavaliado. Como, a partir da vigência do artigo 4º da Lei nº 9.959/2000, a contrapartida de reavaliação somente é tributada quando da efetiva realização do bem reavaliado, basta à empresa utilizar contabilmente o saldo da reserva para algum fim sem, contudo, realizar o bem reavaliado. Como exemplos dessa manobra contábil, citase a possibilidade de a empresa utilizar o saldo de Reserva de Reavaliação para aumentar o capital social ou amortizar prejuízos acumulados (...) Demonstrase, assim, a possibilidade e a razoabilidade da aplicação do artigo 520 do RIR/99 aos saldos de Reserva de Reavaliação quando uma empresa opta pelo lucro presumido. Como há a possibilidade concreta de a empresa nunca tributar esses saldos com a extinção do LALUR, é justa a tributação desses valores quando da opção pelo novo regime. Tendo em vista que o Acórdão de 1ª instância (fls. 931/945), ora recorrido, julgou improcedente o lançamento por entender que o art. 520 do RIR não se aplicaria ao caso em análise, deixou, por conseguinte, de analisar os demais elementos de fato e de direito trazidos pelo contribuinte e pelo responsável tributável. Diante deste fato, deixo também de transcrever as razões da PFN acerca desses elementos de fato e de direito não abordados pelo acórdão recorrido. O contribuinte apresentou petição às fls. 986 a 1.037 reiterando os mesmos argumentos apresentados na impugnação, requerendo como fato novo o desentranhamento da petição fazendária sob argumento de inexistência de previsão legal no RICARF. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Alexandre dos Santos Linhares. Preenchidos os pressupostos legais de admissão do recurso de ofício, é de se conhecêlo. Antes de adentramos ao mérito do recurso de ofício, surge uma questão preliminar acerca da necessidade ou não de desentranhar as petições protocoladas, tanto pela Fl. 1167DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 1102001.103 S1C1T2 Fl. 10 9 Procuradoria da Fazenda Nacional quanto pelo patrono do contribuinte, após a remessa ex ofício pela Delegacia de Julgamento do Recurso de Ofício, por ausência de previsão legal. Considerando que as petições protocoladas não causaram transtornos ao processo, não prejudicaram o contraditório e não trouxeram documentos novos, então entendo por bem não as desentranhar, haja vista que de alguma forma contribuíram para formação da convicção do relator. Analisando agora o mérito, entendo por negar provimento ao recurso de ofício. A autoridade fiscal relata no Termo de Verificação de fls. 467 a 490 que em contrapartida à reavaliação dos bens integrantes do “Projeto JK” foi constituída no final do anocalendário de 2006, a conta de Reserva de Reavaliação no montante de R$ 165.304.367,03. A quantificação, a legitimidade ou a formação do valor da reserva de reavaliação dos bens do ativo do contribuinte não foi questionado pela autuação, mas somente a falta de oferecimento à tributação desse valor após a mudança de regime do lucro real para o lucro presumido. Logo não se faz necessário analisar os requisitos legais para formação da reserva sob análise. Após discorrer sobre os efeitos contábeis/tributários da reavaliação de bens do Ativo Imobilizado, o autuante conclui que Reserva de Reavaliação corresponde a uma receita diferida e como tal, devido ao fato de o contribuinte ter optado pelo regime de lucro presumido no anocalendário de 2007, deveria ter oferecida à tributação no 1º trimestre de 2007, como determina o artigo 520 do RIR/99: RIR/99 Art. 520. A pessoa jurídica que, até o anocalendário anterior, houver sido tributada com base no lucro real, deverá adicionar à base de cálculo do imposto, correspondente ao primeiro período de apuração no qual houver optado pela tributação com base no lucro presumido, os saldos dos valores cuja tributação havia diferido, controlados na parte "B" do LALUR (Lei nº 9.430, de 1996, art. 54). Asseverou a fiscalização que o fato gerador do lançamento tributário não era a realização da reserva de reavaliação, mas sim a mudança do regime de apuração, conforme trechos do Termo de Verificação Fiscal (fls. 479/480): 49. Verificase neste dispositivo, que o fato gerador que dá origem ao lançamento não é a realização da reserva de reavaliação. O que de fato enseja o lançamento é a mudança do regime de apuração, onde o contribuinte migra do lucro real para o lucro presumido. Logo o ponto nevrálgico da questão remanesce em determinar se os valores contidos nas contas de Reserva de Reavaliação são ou não valores cuja tributação seja diferida. Como bem apontado pela decisão de 1ª Instância, equivocouse a autoridade fiscal acerca da natureza jurídica das “Reservas de Reavaliação”. Fl. 1168DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 1102001.103 S1C1T2 Fl. 11 10 O art. 54 da Lei n.° 9.430/96, que corresponde ao art. 520 do RIR/99, utilizado pela fiscalização para fundamentar a autuação, tem seu âmbito de aplicação restrito a somente aos saldos de valores constantes do LALUR cuja tributação tenha sido diferida. Para se considerar que a tributação tenha sido diferida necessariamente temos que considerar que ocorreu o fato gerador do tributo. Não me parece que a simples Reavaliação de Bens lançada em conta de Reserva se subsuma ao fato gerador do IRPJ, pois a riqueza esperada para fins de materialização da renda tributada somente ocorreria com uma das hipóteses de realização dessa reserva. Nesse sentido é a disposição legal prevista no art. 4° da Lei n.° 9.959, de 27.01.2000, posterior ao art. 54 da Lei n.° 9.430/96, que prescreve expressamente que a contrapartida da reavaliação de bens somente poderá ser computada em conta de resultado ou na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL quando ocorrer a "efetiva realização" do bem reavaliado. A matéria em questão já foi objeto da Solução de Consulta SRRF/9º nº 56 de 23/03/2012, cuja ementa e parte do teor é transcrevida a seguir: MINISTÉRIO DA FAZENDA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 56 de 23 de Marco de 2012 ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ EMENTA: RESERVA DE REAVALIAÇÃO. MUDANÇA DE REGIME. REALIZAÇÃO. LUCRO REAL. LUCRO PRESUMIDO. AJUSTES DE AVALIAÇÃO PATRIMONIAL. A mudança de regime do lucro real para o presumido não obrigada a pessoa jurídica a adicionar à base de cálculo do imposto de renda, correspondente ao primeiro período de apuração no qual houver optado pela tributação com base no lucro presumido, o valor da reserva de reavaliação ainda não realizada. O registro de ajustes de avaliação patrimonial do que trata o § 3º do art. 183 da Lei nº 6.404, de 1976, não deve afetar a base de cálculo do imposto de renda. [...] 10. A primeira pergunta formulada é se a mudança do regime de tributação do lucro real para o lucro presumido obrigaria a pessoa jurídica a adicionar à base de cálculo do imposto de renda o valor correspondente à reserva de reavaliação ainda não realizada. Ou seja, cumpre definir se o artigo a seguir transcrito afeta ou não o valor registrado em reserva de reavaliação: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 54. A pessoa jurídica que, até o anocalendário anterior, houver sido tributada com base no lucro real, deverá adicionar à base de cálculo do imposto de renda, correspondente ao primeiro período de apuração no qual houver optado pela tributação com base no lucro presumido ou for tributada com base no lucro arbitrado, os saldos dos valores cuja tributação Fl. 1169DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 1102001.103 S1C1T2 Fl. 12 11 havia diferido, controlados na parte B do Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR. 11. Para responder a essa questão, é preciso determinar se o valor dessa reserva implica diferimento de tributação passível de controle na parte B do Lalur. 12. Sob o aspecto de aplicação da legislação tributária, o artigo 434 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999, Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, determina que a contrapartida do aumento de valor de bens do ativo permanente, em virtude de reavaliação baseada em laudo, não será computada no lucro real enquanto mantida em conta de reserva de reavaliação, in verbis: Art. 434. A contrapartida do aumento de valor de bens do ativo permanente, em virtude de nova avaliação baseada em laudo nos termos do art. 8º da Lei nº 6.404, de 1976, não será computada no lucro real enquanto mantida em conta de reserva de reavaliação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 35, e Decreto Lei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VI). § 1º O laudo que servir de face base ao registro de reavaliação de bens deve identificar os bens reavaliados pela conta em que estão escriturados e indicar as datas da aquisição e das modificações no seu custo original. § 2º O contribuinte deverá discriminar na reserva de reavaliação os bens reavaliados que a tenham originado, em condições de permitir a determinação do valor realizado em cada período de apuração (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 35, § 2º). § 3º Se a reavaliação não satisfizer aos requisitos deste artigo, será adicionada ao lucro líquido do período de apuração, para efeito de determinar o lucro real (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 43, § 1º, alínea "h" , e Lei nº 154, de 1947, art. 1º). 13. Na reavaliação, abandonase o custo do bem original e utilizase o novo valor econômico do ativo, obtido a partir de um laudo de avaliação. A sua contabilização segue o que determinava o artigo 182, § 3º da Lei 6.404, de 15 de dezembro de 1976, em sua redação original: § 3º Serão classificadas como reservas de reavaliação as contrapartidas de aumentos de valor atribuídos a elementos do ativo em virtude de novas avaliações com base em laudo nos termos do art. 8º, aprovado pela assembleia geral. 14. Assim, a diferença entre o valor do laudo e o constante na contabilidade será debitada no próprio ativo reavaliado, em contrapartida à conta de reserva de reavaliação, do patrimônio líquido, onde será controlada a sua realização. Assim, toda vez que a contabilidade registrar, por exemplo, a realização através de depreciação, idêntico valor da reserva de reavaliação será oferecido à tributação, ou por adição ao lucro líquido ou por reversão para resultado. Fl. 1170DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 1102001.103 S1C1T2 Fl. 13 12 15. É apresentado, a seguir, um exemplo, para facilitar o entendimento dessa metodologia: Uma empresa reavaliou um bem em R$ 10.000,00, elevando seu valor de aquisição para R$ 50.000,00. A depreciação acumulada, na data da reavaliação, era de R$ 20.000,00. O restante da vida útil do bem é de 5 anos. Os lançamentos contábeis e ajustes fiscais decorrentes da reavaliação e da depreciação no primeiro ano são: 1) pela contabilização da reavaliação D Bem C Reserva de Reavaliação R$ 10.000,00 2) pela depreciação no primeiro ano (20%) D Despesas com depreciação C Depreciação acumulada R$ 6.000,00 A despesa com depreciação representa realização parcial (da reavaliação) do bem. Portanto, o valor levado para resultados, decorrente da reavaliação, deve ter seu valor correspondente à reserva de reavaliação oferecido à tributação. Da despesa de depreciação contabilizada, R$ 2.000,00 se verificou em função da reavaliação. Assim, deve ser realizada parte da reserva de reavaliação, em R$ 2.000,00. Esta realização, segundo a legislação tributária, pode ser feita de duas maneiras: a) por reversão da reserva de reavaliação (parcial) ou, b) através de adição ao lucro líquido, transferindose a parte da reserva de reavaliação para uma “reserva livre”. Segundo a letra “a” os lançamentos seriam: D Reserva de Reavaliação C Receitas com reversão de reservas R$ 2.000,00 Optando pela letra “b”, teríamos: D Reserva de Reavaliação C Lucros acumulados R$ 2.000,00 Nesta hipótese, a tributação da reserva é efetuada mediante adição na Parte A do LALUR, de R$ 2.000,00. 16. Conforme se demonstrou acima, em nenhuma das hipóteses ocorre o diferimento através de registro na Parte B do Lalur. Na verdade, apenas quando a reavaliação promove alteração no resultado da empresa, seja pelo registro de depreciação ou pelo custo do bem vendido, deve ser efetuado ajuste de modo a neutralizar os efeitos que a reavaliação poderia provocar no lucro tributável. Assim, se a reavaliação provoca um aumento da despesa, através da depreciação, um valor correspondente é adicionado ao lucro líquido, anulando esse aumento. Essa adição não é necessária quando se adota a metodologia acima descrita na letra “a”, pois nesse caso a receita reconhecida já neutraliza a despesa correspondente. 17. Logo, o fato de a empresa passar a adotar o lucro presumido não a obriga a oferecer a tributação o valor ainda não realizado de reserva de reavaliação, pois não se trata de hipótese de diferimento de tributação controlada na parte B do Lalur, como exige a norma. 18. A correção dessa assertiva é demonstrada pelo seguinte dispositivo da Lei nº 9.430, de 1996: Fl. 1171DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 1102001.103 S1C1T2 Fl. 14 13 Art. 52. Na apuração de ganho de capital de pessoa jurídica tributada pelo lucro presumido ou arbitrado, os valores acrescidos em virtude de reavaliação somente poderão ser computados como parte integrante dos custos de aquisição dos bens e direitos se a empresa comprovar que os valores acrescidos foram computados na determinação da base de cálculo do imposto de renda. 19. Assim, se a empresa tributada pelo lucro presumido efetuar a venda de bem reavaliado, o valor correspondente à parcela ainda não realizada da reserva de reavaliação não poderá ser computada como custo. Essa hipótese só é possível porque a migração do lucro real para o presumido não implica tributação do valor da reserva, conforme se afirmou acima. 15 (...) O fato de o LALUR não ser obrigatório para a pessoa jurídica que optou pela tributação com base no Lucro Presumido não justifica a imediata realização da Reserva de Reavaliação. (grifase) Esse entendimento foi reiterado pela Receita Federal através da Solução de Consulta nº 61, de 11 de abril de 2013, destacandose novamente que a mudança de regime do lucro real para o presumido não obriga a pessoa jurídica a adicionar à base de cálculo do imposto de renda, correspondente ao primeiro período de apuração no qual houver optado pela tributação com base no lucro presumido, o valor da reserva de reavaliação ainda não realizada. SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 61, DE 11 DE ABRIL DE 2013 ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ RESERVA DE REAVALIAÇÃO. MUDANÇA DE REGIME. REALIZAÇÃO. LUCRO REAL. LUCRO PRESUMIDO. A mudança de regime do lucro real para o presumido não obrigada a pessoa jurídica a adicionar à base de cálculo do imposto de renda, correspondente ao primeiro período de apuração no qual houver optado pela tributação com base no lucro presumido, o valor da reserva de reavaliação ainda não realizada. Dispositivos legais: Lei nº 6.404, de 1976, art. 182, §3º; Lei nº 9.430, de 1996, arts. 52 e 54; RIR/99, art. 434 Veja que a mesma Lei que determina a realização da tributação diferida quando da opção pelo lucro presumido (9.430/96), determina em seu art. 52 que a pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido somente pode computar no ganho de capital os valores acrescidos em virtude de reavaliação de bens se comprovar que os mesmos foram oferecidos à tributação. Por esta razão, a mudança de regime do lucro real para o presumido não obriga a pessoa jurídica a adicionar à base de cálculo do imposto de renda, correspondente ao primeiro período de apuração no qual houver optado pela tributação com base no lucro presumido, o valor da reserva de reavaliação ainda não realizada. Ademais, foi demonstrado pelo contribuinte autuado, mediante documentação hábil e idônea, que os imóveis reavaliados foram reclassificados para o ativo Fl. 1172DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16561.720023/201261 Acórdão n.º 1102001.103 S1C1T2 Fl. 15 14 circulante e vendidos no anocalendário no qual a recorrida estava sujeita ao Lucro Presumido, regime no qual o custo dos bens vendidos é irrelevante, importando tão somente a receita bruta auferida (fls. 517 e ss.). Dito isso restou afastado o justo receio, trazido pela douta PFN em sua petição, de não tributação no futuro do valor da reavaliação haja vista não ter mais o controle na parte B do LALUR. Deste modo, por todo exposto, voto no sentido de negar provimento ao presente recurso de ofício, mantendo na íntegra a decisão de 1ª Instância, a qual julgou in totum improcedente o lançamento tributário. É como voto. (assinado digitalmente) Francisco Alexandre dos Santos Linhares Fl. 1173DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 25/09/2014 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 po r JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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Numero do processo: 13710.001703/2002-61
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3802-000.257
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado,
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Adriene Maria de Miranda Veras. Ausênca justificada de Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
RELATÓRIO
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Acordam os membros do colegiado, MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Adriene Maria de Miranda Veras. Ausênca justificada de Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. RELATÓRIO O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, relativo à falta de recolhimento da Contribuição para a COFINS, abrangendo o período de apuração 04/97 (fls. 19/26), no valor de R$ 99.586,39, acrescido de multa de ofício de 75%, no valor de R$ 74.689,79, e juros de mora, calculados até 28/02/2002, no valor de R$ RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 37 10 .0 01 70 3/ 20 02 -6 1 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 0/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13710.001703/200261 Resolução nº 3802000.257 S3TE02 Fl. 112 2 97.066,85, totalizando um crédito tributário apurado de R$ 271.343,03, em decorrência de auditoria interna efetuada pela DEFIS/RJ. Na Descrição dos Fatos (fls. 22/23), consta que a presente exigência originouse de auditoria interna nas DCTF apresentadas pelo sujeito passivo, tendo sido verificada a falta de recolhimento dos valores nelas informados, em razão de inexatidão, não tendo sido confirmada a inclusão do CNPJ do contribuinte no processo judicial vinculado ao débito do período de 04/1997. O enquadramento legal da presente autuação encontrase especificado às fls. 22. A base legal da multa de ofício e dos juros de mora exigidos consta às fls. 24. Não consta data de ciência na consulta ao SUCOP (fl. 49) e a empresa autuada apresentou a impugnação anexada às fls. 03/18, em 19 de abril de 2002, com as alegações abaixo resumidas. O auto de infração é nulo por falta de descrição da consideração do processo judicial nº 95.00145090 como não suficiente à comprovação do direito a compensação, impossibilitando, assim o enfrentamento da questão e a respectiva contrariedade. A impugnante impetrou Mandado de Segurança nº 95.00145090, pleiteando a declaração do direito de compensar parcelas indevidamente pagas ao PIS, com base nos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88. A segurança foi denegada, em primeira instância, porém, em sede de Recurso Especial, o STJ assegurou à impetrante, matriz da ora impugnante, o direito de compensar os pagamentos indevidos de PIS com os débitos vencidos ou vincendos do próprio PIS. A impugnante ingressou com pedido de ressarcimento e de compensação (processo nº 10305.000374/9704) objetivando compensar seus créditos decorrentes de pagamentos indevidos a título da contribuição com os débitos do próprio PIS, com base nos artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430/96. Informa que o processo administrativo nº 10305.000374/9704 está pendente de julgamento. No mérito, o lançamento não pode prosperar em razão da compensação efetuada pela autuada, uma vez que o artigo 66 da Lei nº 8.383/91 lhe atribui o direito subjetivo de compensar o que pagou indevidamente. Acrescenta que não é possível a imposição de multa em caso de sucessão por incorporação e que a multa aplicada tem efeito de confisco. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/RJ 1 no 1249.174, de 28/08/2012, proferida pelos membros da 16ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro 1/RJ, cuja ementa dispõe, verbis: Fl. 112DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 0/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13710.001703/200261 Resolução nº 3802000.257 S3TE02 Fl. 113 3 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/1997 a 30/04/1997 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Inexiste ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório quando a contribuinte demonstra ter pleno conhecimento dos fatos imputados pela fiscalização, bem como da legislação tributária aplicável, exercendo seu direito de defesa de forma ampla na impugnação. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/1997 a 30/04/1997 DCTF REVISÃO INTERNA COMPENSAÇÃO PROCESSO JUDICIAL DE OUTRO CNPJ O contribuinte do PIS é cada ente de uma empresa, matriz ou filial. Não figurando a filial como reclamante em ação judicial, o provimento obtido é inaplicável a esse contribuinte. MULTA DE OFÍCIO RETROATIVIDADE BENÉFICA Em face do princípio da retroatividade benéfica, exonerase a multa de ofício no lançamento decorrente de compensação não comprovada, apurada em declaração prestada pelo sujeito passivo. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. O julgamento foi no sentido de julgar procedente em parte, exonerando a multa de ofício no lançamento decorrente de compensação não comprovada. Ainda insatisfeito, o contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Ressalta em sua defesa que é: nulo o presente lançamento fiscal, na medida em que não descreve ou explica o porquê da consideração do mencionado processo judicial como não comprovante do direito à compensação, impossibilitando, assim, o enfrentamento da questão e a respectiva contrariedade. Ora, é imperioso que a Autoridade Fazendária descreva detalhadamente todas as circunstâncias que envolveram a apuração da matéria tributável, demonstrando a base legal para desconsiderar o mencionado processo judicial. O processo digitalizado foi redistribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o Relatório. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 0/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13710.001703/200261 Resolução nº 3802000.257 S3TE02 Fl. 114 4 VOTO Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Inicialmente, observei que com efeito, concluise no Auto de InfraçãoAnexo I Demonstrativo dos Créditos Vinculados Não Confirmados que limitase o lançamento fiscal a apontar tão somente que se trata de Comp. S/ DARF Reten org publPJU, refefenteao código 8109, indentificando Número de Processo como sendo 9500145090. e afirmando ser Proc.jud de outro CNPJ (quadro OCORRÊNCIA). Em sua defesa, a recorrente explicita que: .... Entretanto, consoante se verifica dos documentos ora juntados, a empresa PENA BRANCA MOAGEM E AVICULTURA, inscrita no CNPJ sob o n° 11.122.256/0009 45, contra a qual o presente lançamento fiscal foi lavrado, é filial da Impetrante do aludido processo judicial (Mandado de Segurança n° 95.00145090), o qual, por sua vez, foi julgado procedente, reconhecendose o direito de compensação dos valores recolhidos indevidamente à título de PIS, fato que é de conhecimento da Administração Fazendária, tendo em vista que a União Federal integrou aludida lide, no polo passivo, atuando até o presente momento, conforme adiante será esclarecido. Ademais, cumpre ressaltar que ingressou com Pedido de Ressarcimento mediante Compensação (Processo n° 10305.000374/9704), em seu nome (CNPJ n° 11.122.256/000945) e de sua matriz (CNPJ n° 11.122.256/000198), objetivando a compensação dos créditos decorrentes de contribuições ao PIS pagas indevidamente, conforme adiante restará demonstrado (doe. anexo). Sendo devido o PIS de acordo com a Lei Complementar n°7/70, especialmente com o parágrafo único do seu artigo 6o , a ora Impugnante, através de sua então Matriz (Pena Branca S.A Moagem e Avicultura), localizada em OlindaPE, impetrou Mandado de Segurança Processo n° 95.00145090, perante o MM. 6a Vara da Justiça Federal em RecifePE, visando garantir seu direito líquido e certo de promover a compensação dos pagamentos indevidos que efetuara. A Segurança foi denegada, em primeira instância, porém, tendo processado o feito em seus devido termos, em sede de Recurso Especial, o Eg. Superior Tribunal de Justiça, assegurou à Impetrante, matriz da ora Impugnante, o direito de compensar os pagamentos indevidos de PIS com os débitos vencidos ou vincendos do próprio PIS. (does. anexos). Ademais, ingressou com Pedido de Ressarcimento mediante Compensação (Processo n° 10305.000374/9704), objetivando compensar seus créditos decorrentes de pagamentos indevidos a título da contribuição ao PIS com os débitos do próprio PIS, e, com base nos artigos 73 e 74 da Lei n° 9.430/96, procedeu a compensação com os demais tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujo procedimento administrativo pende de julgamento junto à Delegacia Fl. 114DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 0/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13710.001703/200261 Resolução nº 3802000.257 S3TE02 Fl. 115 5 da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ, conforme se depreende do "print" de andamento processual emitido pela própria Secretaria da Receita Federal (doe. anexo). .......... Em relação ao processo 10305.000374/974, foi decidido no antigo 2° Conselho de Contribuintes: Ante o exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário para que o montante do crédito tributário seja apurado segundo o determinado pela Lei Complementar n2 7/70, ou seja, na aliquota de 0,75% aplicada sobre o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária até a data do respectivo vencimento. Fica, entretanto, resguardado o direito à Secretaria da Receita Federal no tocante à conferência quanto à certeza e liquidez deitais créditos, visando a competente homologação dos cálculos. Alega a recorrente, que obteve provimento no processo judicial e a mesma protocolou o pedido de restituição/compensação de n° 10305.000374/974 e procedeu as compensações de PIS e Cofins. No entanto, a DRJ entendeu que o processo existe, porém, referese à compensação de débito de Cofins nos períodos de 09/1996, 10/1996, 11/1996 e 02/1997, não constando o débito objeto da presente autuação, portanto, não restando confirmada a compensação trazida. Dessa forma, entendo, que antes de qualquer análise, prudente é anexação por cópia do referido processo 10305.000374/974, bem como da cópia da certidão de objeto e pé do processo judicial de n° 95.00145090, em referência. Em assim sendo, providência realizada, retornem os autos a esta Turma para prosseguimento no julgamento. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 115DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 0/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10314.002799/2010-79
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 22/02/2010
CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA.
É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial.
JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE.
Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem, para fins da incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial. São devidos sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral (Súmula CARF nº 5).
Numero da decisão: 3803-006.561
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração, em não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, e em negar provimento quanto aos juros.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 22/02/2010 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE. Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem, para fins da incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial. São devidos sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral (Súmula CARF nº 5).
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RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 22/02/2010 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontravase suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE. Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem, para fins da incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial. São devidos sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral (Súmula CARF nº 5). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 27 99 /2 01 0- 79 Fl. 324DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração, em não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, e em negar provimento quanto aos juros. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes. Relatório O presente processo é constituído de autos de infração, lavrado para exigência de crédito tributário referente a Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, CofinsImportação e PISImportação, incidentes sobre a importação de equipamentos de procedência estrangeira destinados, conforme declarado pela Interessada, à utilização nas atividades essenciais da entidade. Conforme a descrição dos fatos, os desembaraços das Declarações de Importação (DIs), foram efetuados sem o recolhimento dos tributos incidentes na importação, em cumprimento da decisão nos autos do processo judicial 2004.61.00.0289717, aviado na 22ª Vara Federal de São Paulo, em que foi determinado que se procedesse ao desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas por esta pessoa jurídica. O objeto da ação judicial é a declaração da inexistência da relação jurídico tributária que a obrigue a recolher impostos e contribuições sociais federais devidos na importação, tendo como fundamento a imunidade de que goza em relação aos impostos e isenção às contribuições. Houve decisão favorável ao deferimento de tutela antecipada, e, posteriormente, a confirmação por meio de sentença, sem decisão definitiva transitada em julgado até a data das autuações. Ante este provimento, os autos de infração foram lavrados com o fito de prevenir a decadência, sendo informando que a exigibilidade estava suspensa até a decisão final. Em impugnação apresentada, a Autuada arrazoou, em síntese, que: a) o Auto de Infração é meio que se configura inadequado à constituição do crédito tributário, nas circunstâncias do caso. Se não houve prática de infrações por parte do contribuinte, não se trata o caso de aplicação de penalidade, decorrendo disso que o instrumento jurídico correto é a Notificação de Lançamento; b) os juros moratórios devem ser afastados, pois inexistem os pressupostos de fato que autorizariam a sua imposição; Fl. 325DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.002799/201079 Acórdão n.º 3803006.561 S3TE03 Fl. 325 3 c) é uma entidade de assistência social, que atua na área da saúde, tendo sido declarada de utilidade pública federal, fazendo jus, portanto, à imunidade prevista na Constituição Federal; d) o Ato Declaratório n° 9/06 do Procurador Geral da Fazenda Nacional reconhece a imunidade de entidades como a da Impugnante, encerrando qualquer discussão; Em julgamento da lide, a DRJ/Florianópolis assentou, em síntese, que: a) a interessada indicou na declaração de importação não haver valor de crédito tributário a ser recolhido. O benefício que pleiteou não foi reconhecido pela Autoridade Aduaneira; b) a lavratura de Auto de Infração não pode ser considerada inadequada, visto que sob a ótica da Fazenda a interessada deixou de recolher, por ocasião do registro da declaração de importação, os tributos em questão; c) dos dispositivos do art. 9º e 10º do Decreto n° 70.235/72 tanto a exigência do crédito tributário quanto a aplicação de penalidade isolada podem ser formalizados por Auto de Infração ou Notificação de Lançamento; visto que a redação do dispositivo legal não permite estabelecer limites ao alcance de cada espécie de instrumento para formalização; d) a formalização do presente crédito tributário mediante a lavratura de Auto de Infração assegura maior benefício ao exercício do direito de defesa e do contraditório à Interessada, pois este instrumento possui não apenas a Disposição Legal Infringida, mas a Descrição do Fato; Quanto ao mérito: a) da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade não conheceu do recurso, por ter sido a matéria levada à apreciação do Judiciário, o que implica em renúncia às instâncias administrativas. b) da incidência dos juros de mora no lançamento sustentou que mesmo inexigível o crédito tributário, o prazo de pagamento do tributo não é alterado, prevalecendo tal prazo para fins de sua incidência no caso de decisão judicial final desfavorável ao contribuinte. Considerou que, a rigor, os juros de mora não precisam ser indicados na autuação para serem exigidos, porque, como acessório, seguem o principal. O destaque dos juros de mora incidentes até a data da lavratura da autuação é apenas demonstrativo. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 22/02/2010 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR DECADÊNCIA. FORMALIZAÇÃO CABÍVEL. A discussão da matéria tributável na esfera judicial não elide o dever da autoridade administrativa de constituir o crédito tributário. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo Fl. 326DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 objeto da autuação, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa, porém a matéria divergente terá prosseguimento normal. Cientificada da decisão em 17/10/2013, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário, em 01/11/2013, em que reitera os termos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, dele conheço. Preliminar de Nulidade Auto de Infração como meio inadequado à constituição do crédito tributário A Recorrente apela para a nulidade da constituição do crédito tributário, em virtude de ter sido formalizada por meio de Auto de Infração e não Notificação de Lançamento, uma vez que o crédito constituído encontrase com a exigibilidade suspensa, não tendo cometido qualquer infração à legislação. Vista unicamente sob o seu ângulo, tem razão a Defendente quando afirma não ter cometido infração, considerando que se encontra amparada pelo provimento judicial provisório antecipatório da tutela, obtido em 29//11/2004. Sob o olhar do Fisco, porém, a subsistência da lide, o mérito da controvérsia em aberto e a possibilidade (não importa em que medida) de resultado favorável à Fazenda, são os eventos que motivaram a constituição do crédito tributário. Neste prisma, o campo Descrição dos Fatos do Auto de Infração consigna o registro tanto do fato jurídico tributário como do fato jurídico da ocorrência da infração consistente na falta de recolhimento, ao desamparo da imunidade invocada. 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE II 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE IPI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS IMPORTAÇÃO DI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS/PASEP IMPORTAÇÃO DI 0 importador submeteu a despacho aduaneiro de importação, pleiteando IMUNIDADE TRIBUTARIA para o Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e para as contribuições sociais (PIS e COFINS) incidentes na importação das mercadorias descritas e amparadas pelas declarações de importação no 09/02330394 e 10/12642404 (anexo I). Cumpre observar que a alegada imunidade abrange apenas os impostos sobre patrimônio, renda e serviços das entidades previstas na alínea "c", do inciso VI do art. 150 da Constituição Fl. 327DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.002799/201079 Acórdão n.º 3803006.561 S3TE03 Fl. 326 5 Federal. Este entendimento tem como fundamento o disposto na alínea "a" do inciso III do art. 146 da Constituição Federal, que remete a Lei Complementar a definição das diversas espécies de tributos. Esta definição, por sua vez, é tratada pelo Código Tributário Nacional (aprovado pela Lei no 5.172/66 e recepcionado pelo atual texto constitucional) em seu Titulo III. [...] Além de todo o exposto acerca da não extensão da imunidade constitucional, o importador ao pleitear a imunidade dos tributos não apresentou, no curso do despacho, documentação que atestasse o cumprimento dos requisitos necessários para obtenção da renuncia fiscal dos tributos bem como Certificado de Entidade de Assistência Social válido, documento que atesta seu caráter de assistência social, pleiteando a liberação das mercadorias com base na ação judicial preventiva supracitada. Portanto, entende esta fiscalização que o beneficio fiscal da imunidade não pode ser concedido à autuada. [...] A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei no 9.430/96 não foi aplicada em cumprimento ao disposto no § 1º do artigo 63 do mesmo dispositivo Legal (a Decisão Judicial suspendeu a exigibilidade do crédito tributário em 29/11/2004, anterior ao registro das DI's). O registro do fato jurídico tributário implicou no lançamento, que corresponde ao valor dos tributos que deveriam ter sido recolhidos no desembaraço aduaneiro. O registro do fato jurídico da ocorrência da infração, traz na esteira a sustação do seu efeito que corresponderia à imposição da multa de ofício, em face da tutela antecipada obtida na ação judicial aviada sob o nº 2004.61.00.0289717[1]. Assim, não obstante descrita a infração, o Auto de Infração deixa de fixar apenas a relação jurídica quanto à imposição da penalidade. Dado o contorno sob o qual se lavra Auto de Infração para prevenção de decadência quando sua materialidade encontrase em discussão na esfera judicial e presente a infração, ante o não reconhecimento do direito pleiteado, pela Autoridade aduaneira , podese sustentar que este instrumento não é impróprio para a constituição do crédito tributário, pelo fato de seu conteúdo estar adstrito unicamente ao lançamento. Este entendimento encontrase bem ajustado ao que dispõe o art. 9º do Decreto nº 70.235/72, que não distingue os usos do Auto de Infração e da Notificação de Lançamento seja para tributo ou penalidade, verbis: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Grifos acrescidos) 1 Em cumprimento ao art. 63, § 1º, da Lei nº 9.430/96. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Entre os requisitos obrigatórios do Auto de Infração está a descrição do fato, ausente das exigências para a Notificação de Lançamento, ao tempo em que o seu inciso III aponta para a necessidade de indicação da disposição legal infringida (ainda que na condição de "se for o caso"), denotando que este instrumento pode veicular também penalidade: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A doutrina, por sua vez, apenas identifica o uso indistinto de um ou outro instrumento de que as Administrações Tributárias tem se servido para introduzir suas imposições, tanto tributárias como sancionatórias. Assim, esclarece James Marins: "O auto de infração, no âmbito da Receita Federal e a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), utilizada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), são espécies de documentos fiscais elaborados pela Administração para corporificar atos de imposição. O auto de infração ou a NFLD frequentemente engloba no mesmo suporte físico vários atos impositivos referentes a diversas relações jurídicas, ora não sancionatórias, como o lançamento, ou relações jurídicas sancionatórias, como aplicação de multa por Paulo de Barros Carvalho, na mesma vertente, noticia o uso do auto de infração como peça portadora não só do ato de imposição de penalidade: Em súmula, dois atos administrativos, ambos introdutores de norma individual e concreta no ordenamento positivo: um, de Fl. 329DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.002799/201079 Acórdão n.º 3803006.561 S3TE03 Fl. 327 7 lançamento, produzindo regra cujo antecedente é fato lícito e o consequente uma relação jurídica de tributo; outro, o auto de infração, veiculando u'a norma que tem, no suposto, a descrição de um delito e, no consequente, a instituição de liame jurídico sancionatório, cujo conteúdo da prestação tanto pode ser um valor pecuniário (multa) como uma conduta de fazer ou não fazer. Tudo seria simples, realmente, se o auto de infração apenas conduzisse para o ordenamento a mencionada regra individual e concreta que mencionei. Nem sempre é assim. Que, de vezes, sob a epígrafe "auto de infração", deparamonos com dois atos: um de lançamento, exigindo o tributo devido; outro, de aplicação de penalidade, pela circunstância de o sujeito passivo não ter recolhido, em tempo hábil, a quantia pretendida pela Fazenda. Dáse a conjunção, num único instrumento material, sugerindo até possibilidades híbridas. Mera aparência. Não deixam de ser normas jurídicas distintas postas por expedientes que, por motivos de comodidade administrativa estão reunidas no mesmo suporte físico. Pela frequência com que ocorrem essas conjunções, falam alguns, em "auto de infração" em sentido largo (dois atos no mesmo instante) e "auto de infração"stricto sensu", para denotar a peça portadora de norma individual e concreta de aplicação de penalidade a quem cometeu ilícito tributário. A lição acima destaca a natureza distinta dos atos administrativos do lançamento e da imposição sancionatória e a decorrente autonomia destes. Uma vez autônomos e, via de regra, postos no mesmo instrumento de constituição das exigências, o Auto de Infração, não se deve ver inadequação se vier veicular apenas um desses atos: a formalização da relação jurídica tributária tendente a prevenir decadência, mesmo que inexista a penalidade. Pelo exposto, rejeito a preliminar. Mérito Da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade Travase no processo judicial nº 2004.61.00.0289717 discussão sobre a in/existência de relação jurídica tributária que obrigue a Recorrente ao pagamento de tributos tais como os lançados no presente Auto de Infração , que não estejam classificados no rol dos impostos obre o patrimônio, na acepção restrita que dá a Fazenda a esta classe de tributos. Corroboro o entendimento já assentado na decisão recorrida, segundo o que este debate não pode ser travado no âmbito deste processo administrativo. O provimento que aqui se der ou negar tornarseá sem efeito ante decisão superveniente em rumo diverso no aludido processo. Logo, de raso, devese aplicar a Súmula CARF nº 1, eis que presente a conexão de matérias[2]. 2 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, Fl. 330DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Da incidência dos juros de mora no lançamento Cabe lembrar que o presente processo é dependente da ação nº 2004.61.00.0289717. O provimento judicial definitivo, a seu tempo, deitará por terra este processo. Alternativamente, o desprovimento referenderá a incidência prevenida, suscitará a mora e ensejará a cobrança dos tributos aqui lançados com a inclusão dos juros de mora, com amparo do art. 61, § 3º, cujo lapso de tempo de sua aplicação estenderseá até o mês do pagamento. Uma vez que é vedada a incidência somente da multa de ofício no lançamento para prevenir decadência, os juros podem ser incluídos no lançamento, sem o caráter de ser valor fixo, como o são o principal e a multa. Demais disso, considero que os juros não estão constituídos na data e na linguagem normativa do lançamento, distintamente do que se dá com o principal. Concebo que ao estarem presentes em todo e qualquer lançamento representam o conteúdo declaratório da mora até o momento em que não haja impugnação, para fins da incidência futura, na conformidade com o art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96, quando se tornar eficaz o lançamento, seja com o trânsito em julgado do desprovimento do pedido em ação judicial ou com a definitividade da decisão em processo administrativo. Os juros não estão a incidir (no que entendo ser o melhor sentido jurídico deste verbo), na composição do crédito tributário pelo lançamento, porquanto seu valor não é definitivo, na hipótese de suspensão de exigibilidade, vindo a sêlo somente quando, em tempo futuro, a então Contribuinte vier a ser chamada a efetuar a quitação do crédito lançado. Nesse diapasão, os juros no lançamento são mero indicativo de sua aderência ao principal e do dies a quo do intervalo de tempo até o mês do pagamento, na ocasião da cobrança. Se se pudesse dizer que os juros têm sua constituição efetivada no lançamento, como admitir a sua fluência protraindose no tempo até a quitação do crédito tributário? Por fim, mesmo não estando configurada a mora no momento do lançamento em face da suspensão da exigibilidade , a Súmula CARF nº 5 determina a sua aplicação sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, conquanto presente aquela circunstância, ressalvada apenas a existência de depósito no montante integral. Assim, nada obsta que a sua incidência futura já venha prenunciada no lançamento, não decorrendo da sua natureza peculiar como parte da exigência como acima defendido prejuízo algum à Recorrente. Pedido de intimação no endereço do advogado Quanto a este pedido, no rito do Processo Administrativo Fiscal não há respaldo legal para que a Administração Tributária efetue as intimações na pessoa e no domicílio do advogado constituído pelo contribuinte. Este entendimento é assente nos julgamentos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). O princípio do informalismo é próprio do processo administrativo, e nesse pressuposto os administrados detêm a capacidade de postular, sendo facultativa a representação por advogado. Em observância das disposições do art. art. 23 do Decreto nº 70.235/72, as intimações devem ser feitas diretamente ao administrado, em seu domicílio tributário, não implicando em nulidade do acórdão o desatendimento deste pleito da Contribuinte: Art. 23. Farseá a intimação: sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.002799/201079 Acórdão n.º 3803006.561 S3TE03 Fl. 328 9 I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. [...] § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; III se por meio eletrônico: a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. [grifos aqui] Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; por não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à apreciação do Judiciário, e por negar provimento, quanto à incidência dos juros no lançamento. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 333DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10510.720342/2011-12
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
GLOSA. CRÉDITOS NÃO COMPROVADOS
A compensação sem a devida comprovação dos créditos correspondentes, autoriza a glosa respectiva.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-003.740
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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CRÉDITOS NÃO COMPROVADOS A compensação sem a devida comprovação dos créditos correspondentes, autoriza a glosa respectiva. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 03 42 /2 01 1- 12 Fl. 3451DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10510.720342/201112 Acórdão n.º 2803003.740 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 3452DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10510.720342/201112 Acórdão n.º 2803003.740 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o auto de infração lavrado, referente a contribuições devidas em razão de glosa de compensação nas competências 05, 06, 08, 09, 11 e 13/2007; 04, 05, 07,11 e 13/2008. O r. acórdão – fls 1056 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o auto de infração lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário, alegando, em síntese, o seguinte: · Boa fé da empresa · Analisando a situação real, visualizase que, nos meses supracitados pelo fiscal como compensação indevida, o que ocorreu foi a não utilização total do crédito dos meses anteriores, não restando assim, motivo para configuração de crédito indevido, pois todos os valores resultam em um saldo ao final do ano em positivo, ou seja, saldo credor. · Ressaltase também que, pelo fato do fiscal ter feito o trabalho em amostragem, utilizandose por base os anos de 2007 e 2008, não foi assim, apurado pelo mesmo, créditos do anocalendário 2006, na qual poderia intervir no resultado do ano seguinte, como de fato ocorreu, conforme comprovado através de planilhas anexas. · Consoante demonstrado na planilha de levantamento da situação do ano de 2006 (anexo II), a Recorrente é detentora de saldo de créditos não utilizados no montante de R$ 151.348,76. Desta forma, o valor desse crédito poderia ser utilizado para abater eventuais débitos dos anos em que foi realizado o levantamento da fiscalização (2007 e 2008). · O que ocorreu foi um erro material no momento do preenchimento da GFIP, onde foi lançada a retenção apurada nas notas fiscais referentes ao mês de competência em seu campo real, mas que ao mesmo tempo foi lançado o valor como compensação, sendo que este fato não representou uma utilização de créditos,em duplicidade. · Outro ponto que deve ser tocado é que não deve prevalecer o entendimento do Acórdão recorrido no sentido de que, no caso em apreço, houve perda da espontaneidade da denúncia, em virtude do envio das GFIP's retificadoras ter ocorrido após o início do processo fiscalizatório. · Outrossim, no processo administrativo, não pode o Julgador estar adstrito às provas colhidas nos autos, mas se deve buscar àquelas que Fl. 3453DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10510.720342/201112 Acórdão n.º 2803003.740 S2TE03 Fl. 5 4 não foram colacionadas pelas partes, desde que colhidas de forma lícita. No caso em apreço, a requerente confirma que todas as retificações prestadas foram apresentadas, no entanto, as informações retificadas não foram processadas, o que causou divergência nas informações existentes na empresa e não atualizadas quando da apuração pelo Fiscal que lavrou o Auto de Infração. · Dessa maneira, com base no princípio da verdade material, requer a Recorrente, inclusive, que lhe seja concedido o prazo de 90 dias para juntar aos autos toda a documentação que comprova as alegações aqui formuladas, tais como folhas de pagamento, contratos de prestação de serviços e de contabilidade. Denotese que, para a Administração Pública, mostrase imperioso que se busque a verdade real, mas não simplesmente aquela que se encontra nos documentos colacionados pelas partes no processo. · Requer a abertura de prazo para que sejam apresentadas as retificações anteriormente realizadas, relacionadas às declarações remetidas e não processadas no banco de dados da Secretaria da Receita Federal. É o relatório. Fl. 3454DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10510.720342/201112 Acórdão n.º 2803003.740 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. A recorrente teve glosadas compensações efetuadas nas competências 05, 06, 08, 09, 11 e 13/2007; 04, 05, 07,11 a 13/2008. Informa o relatório fiscal que houve erro na declaração das GFIP´s apresentadas, pois a recorrente informou "nos campos Competência de Início e Competência Final dos créditos das compensações com a mesma competência da GFIP, entretanto, as compensações de contribuições previdenciárias só são permitidas com créditos de competências anteriores". A recorrente reconhece o erro e informa que tentou corrigir, com o envio de novas GFIP´s após o início da ação fiscal. Tais documentos não foram aproveitados em razão do início da ação fiscal, o que afasta a denúncia espontânea conforme art. 138 do CTN: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Percebese assim que a ação da recorrente não é suficiente a afastar o lançamento, por expressa determinação legal. Sobre os créditos não compensados, temos que as GFIPs que informaram a compensação trouxeram a informação nos campos Competência de Início e Competência Final dos créditos das compensações com a mesma competência da GFIP, o que não é possível, pois as compensações só podem ser efetivadas com competências anteriores, conforme IN SRP nº 03/2005. Art. 193. Caso haja pagamento de valores indevidos à Previdência Social, de atualização monetária, de multa ou de juros de mora, é facultado ao sujeito passivo optar pela compensação ou pela formalização do pedido de restituição na forma da Seção II deste Capítulo, observadas, quanto à compensação, as seguintes condições:(Revogado pela IN RFB nº Fl. 3455DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10510.720342/201112 Acórdão n.º 2803003.740 S2TE03 Fl. 7 6 900, de 30 de dezembro de 2008)(Revogado pela Instrução Normativa nº 971, de 13 de novembro de 2009) (...) V a compensação somente poderá ser realizada em recolhimento de importância correspondente a períodos subseqüentes àqueles a que se referem os valores pagos indevidamente (grifamos). O contribuinte não trouxe elementos comprobatórios que demonstrassem qualquer irregularidade no apurado. A r. decisão afirma: Ademais, não foram anexados documentos abonadores dos cálculos da impugnante, como folhas de pagamento, contratos de prestação de serviços e contabilidade. As planilhas com valores de folha apresentadas (fls. 955/998) não substituem a própria folha de pagamento, não detendo tais tabelas força probante. (...) Quanto ao ano de 2006, ou mesmo com relação à 2007 e 2008, caso o contribuinte entenda que há créditos oriundos de retenção não compensados, deve dirigirse ao setor competente da RFB circunscricionante que cuida de pedidos de compensação/restituição, não sendo esta Delegacia competente para apreciação deste pleito em primeira instância. Delimitando o julgamento, estamos a resolver se o recolhimento a maior foi comprovado e se a compensação efetuada seguiu as normas pertinentes, o que efetivamente não foi feito, justificando a glosa efetuada. Igualmente não há que se falar em apuração "por amostragem", pois todas as competências foram devidamente individuadas, detalhando os valores totais apropriados por competência, seja em relação às GPS, seja em relação às retenções e LDC´s. A r. decisão, a título de reforço argumentativo, exemplifica que nas competências 05/2007 e 11/2008, mesmo com a utilização dos documentos acostados pelo contribuinte, não há reparo no lançamento, restando incomprovado qualquer valor de retenção não devidamente apropriado. Finalmente temos que os créditos que justificariam as compensações efetuadas não restaram comprovados, além de que os erros no preenchimento das GFIP´s igualmente inviabilizaria a compensação pleiteada, devendo a r. decisão ser integralmente mantida. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negolhe provimento. Fl. 3456DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10510.720342/201112 Acórdão n.º 2803003.740 S2TE03 Fl. 8 7 assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 3457DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10880.979188/2009-52
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/11/2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ.
Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.560
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 91 88 /2 00 9- 52 Fl. 30DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.979188/200952 Acórdão n.º 3801004.560 S3TE01 Fl. 4 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (fls. 01 e 02) relativa ao pagamento indevido ou maior de PIS/PASEP cód. 8109, no montante de R$ 20,59, ocorrido em 14/11/2002, com débito próprio de PIS cód. 8109. A DCOMP em tela, transmitida pela interessada em 16/11/2005, foi analisada de forma eletrônica pelo sistema de processamento da Receita Federal do Brasil RFB que emitiu o Despacho Decisório de fl. 03, assinado pelo titular da unidade de jurisdição da requerente, que não homologou a compensação declarada por inexistência do crédito. Segundo o Despacho Decisório o pagamento indicado não possui saldo disponível para compensação, visto que foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Inconformado, o contribuinte por meio de seu representante legal, impugnou o despacho decisório manifestando a sua inconformidade às fls. 07, na qual deduz as alegações a seguir discriminadas A requerente tem como objeto social o transporte rodoviário de cargas e na execução desses serviços seus veículos estão sujeitos ao pagamento de pedágio nas diversas estradas brasileiras. Por força do artigo 2o da Lei n° 10.209/2001, o valor do vale pedágio não é considerado receita operacional ou rendimento tributável da empresa não constituindo base de incidência de contribuições social ou previdenciarias. Portanto os valores recebidos a título de pedágio pela Requerente, obrigatoriamente destacados no campo especifico do conhecimento de transporte rodoviário, conforme prevê o § único do mesmo artigo 2o da Lei n° 10.209/2001, não deveriam ter composto a base de cálculo do PIS, COFINS, CSLL e IRPJ. Ocorre que por desconhecimento até então pela Requerente desse fato, os valores relativos ao pedágio vinham sendo considerados como receita da empresa e, conseqüentemente, incluídos na base de calculo de PIS, COFINS, CSLL e IRPJ. Tendo tomado conhecimento da não incidência dos impostos federais sobre os valores recebidos a título de pedágio, a Requerente efetuou levantamento dos valores pagos a maior relativos ao prazo prescricional, e efetuou pedido de restituição conforme PER/DCOMP n° 02925. 82962. 141105. 1.2. 049659, relativo ao período de apuração out/2002. Nesse período, Fl. 31DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.979188/200952 Acórdão n.º 3801004.560 S3TE01 Fl. 5 3 conforme poderá ser constatado pela planilha anexa, foram destacados nos conhecimentos de transporte o valor correspondente a R$ 3.16 7,35,, relativo ao pedágio, valor esse que não deveria ter integrado a base de cálculo do imposto. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 14/11/2002 DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário repisando, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade, solicitando ainda que o julgamento seja transformado em diligência, a fim de que sejam devidamente comprovadas todas as alegações da Recorrente. É o Relatório. Fl. 32DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.979188/200952 Acórdão n.º 3801004.560 S3TE01 Fl. 6 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração do PIS e da Cofins que teriam sido pagos a maior. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. Diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada. Por certo, a análise automática do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior pleiteado em restituição ou utilizado em declaração de compensação é realizada considerando o saldo disponível do pagamento nos sistemas de cobrança, não se verificando efetivamente o mérito da questão, o que será viável somente a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. A recorrente alega que o crédito em debate teve origem na inclusão na base de cálculo de PIS e COFINS de valores recebidos a título de pedágio pela Requerente mas que por força do artigo 2° da Lei n.° 10.209/2001 não é considerado como receita operacional ou rendimento tributável da empresa, não constituindo base de incidência de contribuições sociais ou previdenciárias. De fato, o Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, que regulamenta a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins devidas pelas pessoas jurídicas em geral, previa a exclusão da receita bruta das empresas transportadoras de carga do valor recebido a título de ValePedágio instituído pela Lei nº 10.209, de 2001, in verbis: Art. 34. As empresas transportadoras de carga, para efeito da apuração da base de cálculo das contribuições, podem excluir da receita bruta o valor recebido a título de ValePedágio, quando destacado em campo específico no documento comprobatório do transporte (Lei nº 10.209, de 23 de março de 2001, art. 2º , alterado pelo art. 1º da Lei nº 10.561, de 13 de novembro de 2002). Parágrafo único. As empresas devem manter em boa guarda, à disposição da SRF, os comprovantes de pagamento dos pedágios cujos valores foram excluídos da base de cálculo. No entanto, a Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito ou mesmo cópia dos conhecimentos de transporte, nos quais estivessem destacados os Fl. 33DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.979188/200952 Acórdão n.º 3801004.560 S3TE01 Fl. 7 5 valores recebidos do ValePedágio, conforme prevê o artigo 2° da Lei n.° 10.209/2001. Se limitou, tãosomente, a apresentar uma planilha na qual estaria a relação dos conhecimentos de transporte onde os valores de pedágio foram destacados, porém sem nenhum documento que a embasasse. Apesar da prevalência do princípio da Verdade Material no âmbito do processo administrativo, o pedido de diligência da requerente deveria estar acompanhado dos elementos que pudéssemos considerar como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência dos argumentos apresentados, o que não se verifica no caso em tela. A mera inércia da requerente não pode ser suprida por diligência. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR o pedido de compensação. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 34DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 11444.000393/2010-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2005 a 31/12/2008
LEGITIMIDADE PASSIVA DO MUNICÍPIO
Em se tratando de débitos da Câmara Municipal, a legitimidade para figurar no pólo passivo da relação processual é do Município como ente dotado de personalidade jurídica.
Processo Anulado.
Numero da decisão: 2302-002.959
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em anular o lançamento por vício formal. reconhecendo a ilegitimidade passiva da Câmara Municipal do Município de Julio Mesquita para figurar no pólo passivo da autuação.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Leo Meirelles do Amaral, Bianca Delgado Pinheiro.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2005 a 31/12/2008 LEGITIMIDADE PASSIVA DO MUNICÍPIO Em se tratando de débitos da Câmara Municipal, a legitimidade para figurar no pólo passivo da relação processual é do Município como ente dotado de personalidade jurídica. Processo Anulado.
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decisao_txt : Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em anular o lançamento por vício formal. reconhecendo a ilegitimidade passiva da Câmara Municipal do Município de Julio Mesquita para figurar no pólo passivo da autuação. Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Leo Meirelles do Amaral, Bianca Delgado Pinheiro.
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Processo Anulado. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em anular o lançamento por vício formal. reconhecendo a ilegitimidade passiva da Câmara Municipal do Município de Julio Mesquita para figurar no pólo passivo da autuação. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Leo Meirelles do Amaral, Bianca Delgado Pinheiro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 4. 00 03 93 /2 01 0- 39 Fl. 251DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Relatório Tratase de auto de infração, lavrado em 26/04/2010 e cientificado ao sujeito passivo em 29/04/2010, por infração ao art. 30, inciso I, alínea “a” da Lei 8.212/91, já que deixou de arrecadar, mediante desconto das remunerações recebidas pelos exercentes de mandato eletivo, as contribuições dos segurados, no período de 04/2005 a 12/2008. A multa pela infração praticada é a prevista no Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, em seu art. 283, inciso I, alínea “g”, reajustada na forma do art. 373 do citado Regulamento. Após a apresentação das impugnações por parte do Município e da Câmara Municipal, Acórdão de fls. 73/83, julgou o lançamento procedente. Contra essa decisão, o Sr. Prefeito Municipal apresentou recurso voluntário, por meio do qual alega, em síntese que: a) a nulidade da autuação ante a ilegitimidade da Recorrente e o não cumprimento dos requisitos mínimos para a lavratura do auto de infração uma vez que não consta a fiel descrição do fato infringente; b) a nulidade da autuação e ineficácia do procedimento fiscal porque o auto de infração foi lavrado fora do estabelecimento do contribuinte; c) a desnecessidade de recolhimento das contribuições previdenciárias por parte dos agentes políticos, diante da suspensão determinada pela Resolução nº. 26/2005 do Senado Federal; (d) de acordo com o art. 12, ‘j’ da Lei nº. 8.212/91, é desnecessário o recolhimento das contribuições previdenciárias; d) deve ser considerado como de cinco anos o prazo decadencial para o Fisco Federal constituir o crédito tributário; e) requer a Certidão Positiva com Efeitos de Negativa até a solução final da lide. Também o Sr. Presidente da Câmara Municipal apresentou recurso voluntário, argüindo o que se segue: a) a anulação do auto de infração, ante a ilegitimidade do Recorrente em figurar no pólo passivo da presente demanda, haja vista que sua legitimidade processual se restringe em defender seus interesses institucionais, cabendo ao Município responder pelas dívidas oriundas do não recolhimento das contribuições previdenciárias; Fl. 252DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11444.000393/201039 Acórdão n.º 2302002.959 S2C3T2 Fl. 251 3 b) que não foram atendidos os requisitos mínimos para a lavratura do auto de infração, não constando a fiel descrição do fato infringente; c) a declaração de ineficácia do procedimento fiscal, pois o auto de infração deveria ser lavrado, necessariamente, no local do estabelecimento fiscalizado; d) a desnecessidade de recolhimento das contribuições previdenciárias por parte dos agentes políticos, diante da suspensão determinada pela Resolução nº. 26/2005 do Senado Federal; e) a desnecessidade de recolhimento das contribuições previdenciárias por parte dos agentes políticos, diante da suspensão determinada pela Resolução nº. 26/2005 do Senado Federal; f) de acordo com o art. 12, ‘j’ da Lei nº. 8.212/91 é desnecessário o recolhimento das contribuições previdenciárias; g) que é direito do contribuinte obter a Certidão Positiva com Efeitos de Negativa até a solução final da lide. Este processo é apenso do PAF 11444.000390/201003, que teve Acórdão n.º 2803.818, proferido em 08/06/2011, pela 3ª Turma Especial da 3ª Câmara da Segunda Seção do CARF e foi expedido, conjuntamente, para a origem, mas sem o respectivo Acórdão, pois não foi julgado. Por este motivo, a Seção de Controle e Acompanhamento Tributário em MaríliaSacatEAC2/ SP, retornou o processo ao CARF para as providências cabíveis. Tendo em vista que a relatora do processo principal não desempenha mais o mandato, os processos apensados foram novamente sorteados, em cumprimento ao artigo 49,§9º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria n.º 256/2009: Art. 49. Os processos recebidos pelas Câmaras serão sorteados aos conselheiros (...) § 9° Na hipótese de não recondução, perda ou renúncia a mandato, os processos deverão ser devolvidos no prazo de até 10 (dez) dias, e serão sorteados na reunião que se seguir à devolução. É o relatório Fl. 253DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Os recursos voluntários apresentados cumpriram com o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, devendo ser conhecidos e examinados. Da Preliminar Preliminarmente, argui a recorrente a ilegitimidade para figurar no pólo passivo da presente autuação. Sobre a questão é de se ver que, os municípios são considerados pessoas jurídicas de direito público interno, dotadas de capacidade plena para exercer direitos, contrair obrigações e praticar todos os demais atos próprios, agindo através de seu representante legal, que é o prefeito municipal. Nas relações externas e em juízo , quem responde civilmente pelos débitos contraídos na esfera dos poderes é o Município, que detém capacidade jurídica e legitimidade processual para tanto. O artigo 12, do Código de Processo Civil, assim dispõe: Art. 12. Serão representados em juizo, ativa e passivamente: (.) II o Município, por seu Prefeito ou procurador; Convém ressaltar que o STF já decidiu que, para efeitos de se aferir a legitimidade ad causam, as expressões Município e Prefeitura se equivalem' (RTJ 96/759). A Suprema Corte, ao assim decidir, não se ocupou em eliminar distinções entre a pessoa jurídica "Município" e seu órgão executivo "Prefeitura". Apenas manifestouse no sentido de que as ações movidas contra a Prefeitura Municipal podem e devem ser acolhidas pelo Judiciário, como se intentadas fossem contra o Município, considerando, especialmente, as acepções e empregos terminológicos de uso corrente pela maior parte da população, atendose aos aspectos finalísticos da ação em detrimento de um rigor técnico desprovido de bom senso. No tocante à Câmara Municipal o entendimento é diverso. Tratase de órgão do Município, que exerce as funções legislativas e temse que desprovido de personalidade jurídica. Acerca do assunto ensina o Prof. HELLY LOPES MEIRELES: A Câmara, não sendo pessoa jurídica, não tendo patrimônio próprio, não se vincula perante terceiros, pois que lhe falece competência para exercer direitos de natureza privada e assumir obrigações de ordem patrimonial. ("Direito Administrativo Brasileiro", p. 430) Assim, o sujeito passivo da relação jurídica instaurada com a lavratura da do auto de infração é o Município, porque a Câmara Municipal não pode ser responsável pelos débitos contraídos junto à Seguridade Social, uma vez que é meramente órgão do Município, não possuindo personalidade jurídica para contrair obrigações. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11444.000393/201039 Acórdão n.º 2302002.959 S2C3T2 Fl. 252 5 Os tribunais pátrios também tem se manifestado neste sentido: PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL(IAPAS). EMBARGOS DO DEVEDOR (CAMARA MUNICIPAL). ILEGITIMIDADE ATIVA. REMESSA CONHECIDA E PROVIDA. I PARA PROPOR OU CONTESTAR AÇÃO É NECESSÁRIO LEGITIMIDADE (CPC, ART. 3). CAMARA MUNICIPAL NÃO E PESSOA JURIDICA OU SEQUER GOZA DE CAPACIDADE PROCESSUAL. TRATASE DE MERO ORGÃO DO MUNICÍPIO. ESSE ULTIMO, SIM, QUE E LEGITIMADO ATIVAMENTE PARA AÇÃO INCIDENTE DE EMBARGOS E PASSIVAMENTE PARA A AÇÃO EXECUTIVA (CPC. ART. 12,11). REMESSA CONHECIDA (CPC, ART. 475, II C/ ART. 1 DA LEI N°6.825/80) E PROVIDA. SENTENÇA ANULADA. (REO 90.01. 161673/GO,TRF 1° R., 3° turma, Rel. Juiz Adhemar Maciel, in DJ 10/12/90). Ou, PROCESSO CIVIL. CÂMARA MUNICIPAL. AUSENCIA DE PERSONALIDADE JURIDICA. LEGITIMIDADE ATIVA LIMITADA. A Câmara Municipal, por não ser detentora de personalidade jurídica, somente pode atuar em juízo para garantir a defesa de seus institucionais, não ocorrentes, na espécie. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça. (AMS 1999.01.00.91039981/MG, TRF 10R., 4 0 Turma, Rel. Juiz Mário César Ribeiro, in DJ 05/05/2000). 0 Egrégio Superior Tribunal de Justiça, ao julgar a matéria, assim decidiu: PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO CONTRA CÂMARA MUNICIPAL. I EM NOSSA ORGANIZAÇÃO JURÍDICA, AS CÂMARAS MUNICIPAIS NÃO TÊM PERSONALIDADE JURIDICA. 2 A CAPACIDADE JURIDICA É LIMITADA A DEFENDER INTERESSES INSTITUCIONAIS PROPRIOS E VINCULADOS A SUA INDEPENDENCIA E FUNCIONAMENTO. 3 EXECUTIVO FISCAL PROMOVIDO CONTRA A CÂMARA MUNICIPAL NÃO TEM CONDIÇÕES DE PROSSEGUIR, PELE ABSOLUTA ILEGITIMIDADE DO ENTE PASSIVO DE MANDADO. 4 EXTINÇÃO DO PROCESSO SEM JULGAMENTO DO MÉRITO". (RESP 88856/SP, STJ, Rel. Min. José Delgado, in DJ 19/08/96). Fl. 255DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 0 Egrégio Superior Tribunal de Justiça, ao julgar a matéria, assim decidiu: PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO CONTRA CÂMARA MUNICIPAL. I EM NOSSA ORGANIZAÇÃO JURÍDICA, AS CÂMARAS MUNICIPAIS NÃO TÊM PERSONALIDADE JURIDICA. 2 A CAPACIDADE JURIDICA É LIMITADA A DEFENDER INTERESSES INSTITUCIONAIS PROPRIOS E VINCULADOS A SUA INDEPENDENCIA E FUNCIONAMENTO. 3 EXECUTIVO FISCAL PROMOVIDO CONTRA A CÂMARA MUNICIPAL NÃO TEM CONDIÇÕES DE PROSSEGUIR, PELE ABSOLUTA ILEGITIMIDADE DO ENTE PASSIVO DE MANDADO. 4 EXTINÇÃO DO PROCESSO SEM JULGAMENTO DO MÉRITO". (RESP 88856/SP, STJ, Rel. Min. José Delgado, in DJ 19/08/96). Por todo o exposto, quando a Auditoria Fiscal da Receita Federal do Brasil se desenvolve nos órgãos da administração pública direta, tais como ministérios, assembléias legislativas, câmaras municipais, secretarias e tribunais, a emissão do AI – auto de infração deverá ser feito em nome do ente estatal com a identificação do CNPJ do respectivo órgão, procedendo à identificação do órgão, nos documentos de constituição do crédito após a menção do ente estatal. Entretanto, compulsando os autos, é de se ver que o auto de infração foi lavrado contra a Câmara Municipal, inscrita no CNPJ sob o n° 49.887.540/000128. Assim, muito embora o Município tenha sido notificado do lançamento, inclusive apresentando Impugnação e Recurso Voluntário, ele não foi incluído no pólo passivo da autuação, razão pela qual o lançamento não poderia ter sido promovido contra parte ilegítima. Pelo exposto, voto por anular o lançamento por vício formal. reconhecendo a ilegitimidade passiva da Câmara Municipal do Município de Julio Mesquita para figurar no pólo passivo da autuação. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 256DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11444.000393/201039 Acórdão n.º 2302002.959 S2C3T2 Fl. 253 7 Fl. 257DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10469.904160/2009-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 07 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3402-000.690
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Redator.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
Presidente Substituto
FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA
Relator
EDITADO EM 20/08/2013
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), José Paulo Puiatti (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Redator. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator EDITADO EM 20/08/2013 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), José Paulo Puiatti (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.
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J. MEDEIROS Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Redator. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Presidente Substituto FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA – Relator EDITADO EM 20/08/2013 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), José Paulo Puiatti (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) contra o Acórdão DRJ/RPO nº 1133.622 de 29/04/11 constante de fls. 31/35, e exarado pela da 4ª Turma da DRJ de Recife PE que, por unanimidade de votos, houve por bem “julgar improcedente” a manifestação de inconformidade de fls. 01, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 69 .9 04 16 0/ 20 09 -2 2 Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 30/10/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10469.904160/200922 Resolução nº 3402000.690 S3C4T2 Fl. 3 2 mantendo o r. Despacho Decisório (fls. 02) da DRF de Natal RN, que indeferiu os Pedidos de Restituição/Compensação – PER/DCOMP do PIS/COFINS (fls. 26/29), protocolados em 27/04/2006, relativamente a suposto crédito originário de pagamento indevido ou a maior do código de receita 6912, em razão de erros de calculo o PIS e Cofins sobre o faturamento total cometidos no período de 2005 a 2006, vez que, na verdade, a empresa teria “na sua grande maioria a venda de frutas e verduras, que tem sua alíquota 'reduzida a 0% para o PIS e Cofins quando destinadas ao mercado interno, conforme o art. 28 da Lei 10.865/2004”. Por seu turno a decisão de fls. 31/35, da 4ª Turma da DRJ de Recife PE, houve por bem “julgar improcedente” a manifestação de inconformidade de fls. 01, mantendo o r. Despacho Decisório (fls. 02) da DRF de Natal – RN, aos fundamentos sintetizados em sua ementa exarada nos seguintes termos: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006 DCOMP. ERRO DE FATO EM DCTF. NÃO COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não comprovado o erro de fato no preenchimento da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, com base em documentos hábeis e idôneos, não há que se acatar a retificadora para fins de comprovar a liquidez e certeza do crédito oferecido para a compensação com os débitos indicados na PER/DCOMP eletrônica. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006 PROVAS. As provas devem ser apresentadas na forma e no tempo previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Nas razões de Recurso Voluntário (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) oportunamente apresentadas, a ora Recorrente sustenta que a reforma da r. decisão recorrida e a legitimidade do crédito compensando, tendo em vista: a) que em homenagem ao princípio da verdade material a d. Fiscalização estaria obrigada a certificar a ocorrência do suposto erro cometido na DCTF e homologar a compensação do suposto crédito com os débitos objeto do pedido de compensação, vez que o suposto crédito contra a Fazenda prenderseia a erro na apuração do PIS e da COFINS. É o Relatório. Voto. No presente recurso sob exame oportunamente apresentado, a ora Recorrente sustenta a origem e legitimidade do crédito restituendo líquido contra a Fazenda disponível para compensação nos seguintes termos: “Demonstrando total transparência e sem qualquer nova alegação, apresentamos as cópias das notas fiscais do período a que se refere a compensação, cópia do livro de registro de notas fiscais de saída, o Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 30/10/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10469.904160/200922 Resolução nº 3402000.690 S3C4T2 Fl. 4 3 relatório das vendas feitas no período, por produto e o balancete do mês. No mês de janeiro de 2006 a empresa efetuou de vendas o valor total de R$ 759.345,63 (setecentos e cinquenta e nove mil trezentos e quarenta e cinco reais e sessenta e três centavos), mas o valor das vendas tributadas pelo PIS e COFINS é de apenas R$ 34.574,61 (trinta e quatro mil quinhentos e setenta e quatro reais e sessenta e um centavos).” Embora não se ignore que o artigo 170 do CTN somente autoriza a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, cuja demonstração da liquidez fica a cargo de quem pleiteia o crédito, também não se pode ignorar que a Lei nº 9784/99, que se aplica subsidiariamente ao PAF (cf. Ac. da 1ª Seção do STJ no MS nº 7045DF, Reg. nº 2000/00568074, em sessão de 22/11/2000, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, pub. In DJU de DJ 05/03/01 p. 119; no mesmo sentido cf. AC. da 1ª Turma do STJ no REsp nº 764.111RS, REg. nº 2005/01091363, em sessão de 15/05/07, Rel. Min. LUIZ FUX, publ. in DJU de 12/11/07 p. 160) estabelece expressamente que: “Art. 37. “Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias”. (...) “Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. “Art. 40. Quando dados, atuações ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará arquivamento do processo.” Isto posto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que, depois de confrontar as Notas Fiscais com os registros fiscais da SRFB de recolhimentos e respectivas bases de cálculo efetuados pela Recorrente no período excogitado, com os recolhimentos e bases de cálculo registrados nos livros e documentos fiscais da Recorrente, a d. Fiscalização informe conclusivamente (com demonstrativos) sobre a existência (ou não), a exatidão (ou não), bem como a origem do suposto crédito restituendo líquido contra a Fazenda invocado pela Recorrente, e a sua disponibilidade para a compensação pleiteada no presente processo. É como voto. Sala das Sessões, em 20 de agosto de 2014 Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 30/10/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10469.904160/200922 Resolução nº 3402000.690 S3C4T2 Fl. 5 4 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 30/10/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO
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