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Numero do processo: 11610.006411/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2102-000.184
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para juntada aos autos da DIRPF do contribuinte do exercício de
2005.
Nome do relator: João Bellini Júnior - Redator ad hoc
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(assinado digitalmente) João Bellini Júnior Redator ad hoc (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente da 2ª Seção do CARF EDITADO EM: 27/08/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos (Presidente da Turma por ocasião do julgamento), Rubens Mauricio Carvalho, Atilio Pitarelli (relator à época do julgamento), Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Alice Grecchi. RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário em face do Acórdão 17-39.533, exarado pela 10ª Turma da DRJ em São Paulo II (fls. 50 a 55 – numeração dos autos eletrônicos). Fl. 117DF CARF MF Impresso em 29/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/08/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11610.006411/2008-11 Resolução nº 2102-000.184 S2-C1T2 Fl. 118 2 A notificação de lançamento (fls. 10 a 16), informa que o contribuinte, intimado a comprovar as deduções pleiteadas na declaração de ajuste anual, não atendeu à intimação, pelo que foi glosado o valor de R$31.370,85. Em sua impugnação, o contribuinte afirma que entregou cópia da documentação comprobatória de suas despesas, sem que o conjunto probatório tenha sido analisado. Apresentou documentos que, no seu entender, comprovam a totalidade das despesas que deduziu em sua declaração de ajuste anual. A DRJ julgou a impugnação improcedente, em acórdão que recebeu as seguintes ementas: DESPESAS MÉDICAS. GLOSA O direito a dedução é condicionado a comprovação dos requisitos exigidos na legislação.. PREVIDÊNCIA PRIVADA/FAPI. GLOSA. O direito a dedução é condicionado a comprovação dos requisitos exigidos na legislação. A ciência dessa decisão ocorreu em 29/09/2010 (aviso de recebimento, fl. 58). Em 28/10/2010 foi apresentado recurso voluntário (fls. 61 a 62), no qual o contribuinte afirma, em síntese, ter juntados aos autos provas de todas as despesas declaradas. O pedido consiste no provimento do recurso voluntário com o cancelamento do crédito tributário. O processo foi distribuído para este conselheiro ad hoc em 19/06/2015 (fl. 116), em face do conselheiro relator Atílio Pitarelli não fazer mais parte deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o relatório. VOTO Primeiramente, consigno que não participei das discussões das quais decorre esta Resolução. Recebi aos autos, na qualidade de redator ad hoc, tão-somente para dar curso ao processo. Entendeu por bem a Turma, para embasar a decisão a ser proferida, em “converter o julgamento em diligência, para juntada aos autos da DIRPF do contribuinte do exercício de 2005”. Cumprida a diligência, terá curso o julgamento. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Redator ad hoc Fl. 118DF CARF MF Impresso em 29/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/08/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10166.901787/2013-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 21 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1302-000.404
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, vencido o Relator Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior, sendo designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Relator
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Redatora designada
Participaram do julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, vencido o Relator Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior, sendo designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Relator (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Redatora designada Participaram do julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio.
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, vencido o Relator Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior, sendo designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Redatora designada Participaram do julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .9 01 78 7/ 20 13 -1 2 Fl. 1141DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10166.901787/201312 Resolução nº 1302000.404 S1C3T2 Fl. 1.097 2 RELATÓRIO Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 0127.684 da 1ª Turma da DRJ/BEL, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2012 SALDO NEGATIVO. RETENÇÕES. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não tendo sido apresentados documentos hábeis e idôneos para comprovar as retenções glosadas, estas devem ser mantidas. CRÉDITOS. DIFERENÇAS. INSIGNIFICÂNCIA. As diferenças inexpressivas de créditos devem ser ignoradas em razão do princípio da insignificância e da economia processual Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Não Reconhecido Vale a transcrição da seguinte tabela constante do Despacho Decisório a fls. 118: PARC. CRÉDITO RETENÇÕES FONTE PAGAMENTOS ESTIM.COMP.SNPA SOMA PARC.CRED. PER/DCOMP 670.097.528,83 121.563.197,81 151.737.581,69 943.398.308,33 CONFIRMADAS 515.349.766,73 121.563.197,80 151.737.581,69 788.650.546,22 Como se verifica, não foram confirmadas retenções na fonte no total de R$ 154.747.762,10 (diferença entre R$ 670.097.528,83 e R$ 515.349.766,73). Assim, como o IRPJ devido no AC2008 montava R$ 891.604.883,43 e o valor confirmado do crédito relativo a retenções e pagamentos de IR totalizou R$ 788.650.546,22, o Despacho Decisório terminou por: a) não homologar o crédito relativo ao SNIRPJ/AC2008 no valor de R$ 51.793.424.90 (diferença entre R$ 943.398.308,33 e R$ 891.604.883,43), pleiteado pela recorrente na na PER/DCOMP nº 32332.05613.211010.1.7.029034; e b) concluir que havia um débito de IRPJ em virtude de compensação indevida no montante de R$ 55.515.093,05 (diferença entre R$ 891.604.883,43 e R$ 788.650.546,22) Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10166.901787/201312 Resolução nº 1302000.404 S1C3T2 Fl. 1.098 3 Por sua vez, o voto condutor do acórdão recorrido assim fundamentou a decisão: “O cerne do litígio gira em torno do reconhecimento de parcela das retenções de IRRF, código de receita 3426 (Rendimentos de capital, aplicações financeiras de renda fixa, exceto fundos de investimento), nos termos do quadro Parcelas Confirmadas Parcialmente ou Não Confirmadas, exposto no relatório. A recorrente não apresentou qualquer argumentação ou documentação comprobatória a respeito da suposta retenção efetuada pelo CNPJ 02.474.103/000119, não reconhecida no despacho decisório. Pelo que, a tem se como matéria não impugnada. No tange às retenções não confirmadas, relativas aos CPNJ 02.328.280/0001 97 e 23.274.194/000119, a recorrente alega sua irrelevância. De fato, os valores não confirmados para esses CNPJ são irrelevantes e devem ser ignorados em razão do princípio da insignificância e da economia processual. No que se refere às retenções efetuadas pelos CNPJ 02.341.467/000120, 15.413.826/000150, 07.282.377/000120, 07.297.359/000111, 61.416.244/000144 e 77.882.504/000107, a recorrente buscar comprovar sua materialidade com base exclusiva nos Comprovantes de Rendimentos e de Retenções apresentados às folhas 55, 57, 110, 112, 114 e 116. O Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte é o instrumento hábil para comprovação das retenções efetuadas pelas pessoas jurídicas sobre os pagamentos efetuados a outras pessoas jurídicas, nos termos dos artigos 941 e 943, §2º, do RIR/99. Entretanto não há como se aferir a legitimidade dos comprovantes apresentados. É que estes se encontram desprovidos da assinatura do representante da fonte pagadora responsável pela informação. Dessa forma, não há como servilos de contraprova às informações prestadas pelas próprias fontes pagadoras nas DIRF. Pelo que, acatase como valores efetivamente retidos aqueles contidos na base de dados da RFB (Sistema DIRF) Em relação à retenção efetuada pelo CNPJ 30.822.936/000169, a recorrente busca comprovála por meio dos “extratos bancários”, supostamente emitidos pela fonte pagadora, e do extrato da conta nº 1124120501 do razão da recorrente. Ocorre que, estes documentos não são hábeis para comprovar a retenção. O primeiro (extrato bancário) por não identificar corretamente a instituição financeira e o titular das aplicações financeiras, menos ainda assegurar sua legitimidade. O segundo por não possuir força probatória para comprovação da retenção, eis que de lavra do próprio reclamante dos créditos. Por fim, quanto à retenção efetuada pelo CNPJ 49.313.653/000110, a recorrente tenta comprovar a retenção através do extrato de DIRF de fl. 108. Entretanto as informações constantes do extrato de DIRF apresentado são inverídicas. É que esta não consta como beneficiária da DIRF entregue pela fonte pagadora. Ver impressão da consulta aos sistemas internos da RFB, a seguir. .................................................................................................................. Observese ainda, que os valores encontrados nos sistemas internos da RFB foram exatamente os mesmos identificados no despacho decisório (fls. 160166). Do direito creditório A confirmação, neste julgamento, das retenções efetuadas sob os CNPJ 02.328.280/000197 e 23.274.194/000119, no valor de R$ 0,02 cada, não assegura o direito creditório da recorrente, eis que o IRPJ apurado na DIPJ Fl. 1143DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10166.901787/201312 Resolução nº 1302000.404 S1C3T2 Fl. 1.099 4 (R$ 891.604.883,43) é superior à soma das parcelas confirmadas até o julgamento (R$ 788.650.546,22+ R$ 0,04 = R$ 788.650.546,26). Da conclusão Ante tudo exposto, voto no sentido de: 1. Reconhecer as parcelas de crédito de IR, no valor total de R$ 788.650.546,26, incluso o valor já reconhecido pela unidade de origem; 2. Não reconhecer o direito creditório da recorrente; 3. Julgar a Manifestação de Inconformidade parcialmente procedente.” A contribuinte foi cientificada da decisão recorrida em 14/02/2014 (cf. AR a fls. 182) e interpôs recurso voluntário em 18/03/2014 (doc. a fls. 184 e segs.), no qual alega as seguintes razões de defesa: “Reafirmese que a fiscalização desprezou completamente a documentação comprobatória da regularidade apresentada pela Eletrobrás, fez tábula rasa dos esclarecimentos prestados e considerou divergências formais que poderiam ser facilmente identificadas através dos sistemas internos da Receita Federal. Entretanto, para comprovar a legitimidade das compensações efetuadas a recorrente junta o Comprovante Anual da Retenção efetuada referente e o Extrato de Fontes Pagadoras, extraídos do “eCAC”, só agora obtidos pela Eletrobrás relativo às fontes abaixo identificadas: CNPJ Nome Código IRRF Valor – DIPJ PerDcomp IRRF – Valor confirmado IRRF – Valor não confirmado 02.341.46 7/000120 Amazon Distribuidora de Energia S/A 3426 7.422.298,57 7.422.298,57 30.822.93 6/000169 BB Adm. de Ativos Distr. Títulos de Valores Mobiliários S/A 3426 146.320.504,93 146.320.504,93 Em relação ao CNPJ 02.341.467/000120, IRRF no valor de 7.422.298,57, restou esclarecido que por erro da fonte pagadora, constou no informe de rendimento do CNPJ 00.357.038/000116 (Eletronorte) e não o CNPJ da Eletrobrás 00.001.180/000126. Em suma, houve um erro formal na transcrição da numeração. Conforme comprova o documento em anexo, devidamente assinado pela fonte pagadora, documento hábil para comprovar a retenção efetuada na forma do art. 941 e 943 § 2 do RIR/99, o valor de R$ 7.422.298,57 foi corretamente retido pela Amazonas Distribuidora de Energia (Anexo I). Relativamente ao CNPJ 30.822.936/000169, referese a IRRF sobre aplicações financeiras do Banco do Brasil (BB Adm. de Ativos Distr. Títulos Fl. 1144DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10166.901787/201312 Resolução nº 1302000.404 S1C3T2 Fl. 1.100 5 de Valores Mobiliários S/A) no ano base de 2008, cujo montante no valor declarado e contabilizado foi de 146.320.504,93, amplamente comprovado através dos extratos bancários das contas e Fichas do Razão da Conta Contábil nº 1124120501. Neste sentido, além dos documentos já acostados aos autos, para comprovar a legitimadade do seu crédito e a regularidade da compensação, a Recorrente, nesta oportunidade, junta a Relação de rendimentos e Imposto Sobre a Renda retido por Fonte Pagadora extraído do “eCAC”. .................................................................................. Entretanto, cabe ressaltar que a Eletrobrás é responsável pela gestão de recursos setoriais, representados pela Reserva Global de Reversão – RGR, Conta de Desenvolvimento Energético –CDE, Utilização de Bem Público – UBP e Conta Consumo de Combustível – CCC. Estes fundos financiam programas do Governo Federal de universalização de acesso à energia elétrica, de eficiência na iluminação pública, de incentivos às fontes alternativas de energia elétrica , de conservação de energia elétrica e a aquisição de combustíveis fósseis utilizados nos sistemas isolados de geração de energia elétrica, cujas movimentações financeiras não afetam o resultado da Companhia. Daí a razão da divergência entre o valor retido R$ 254.498.650,62 e o valor utilizado pela Eletrobrás na compensação R$ 146.320.504,93. Cabe ainda esclarecer que o BB Gestão de Recursos Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. (CNPJ 30.822.936/000169), na qualidade de responsável tributário, recolhe os tributos ao fisco em nome dos CNPJ’s: 00.000.000/436992 e 04.857.792/000176 (informados pela Fonte Pagadora, conforme Anexo II). Os informes de rendimentos em anexo, fornecidos pelo Banco do Brasil, relativos a 2008, separados por trimestre, demonstram a regularidade das compensações efetuadas e dos créditos utilizados pela Recorrente. Anexo III. .............................................................................................................. Face a todo o exposto, a Eletrobrás pede e espera seja conhecido e provido o presente recurso voluntário, para o fim de ser reformado o r. Acórdão recorrido, a fim de serem homologadas as compensações efetivadas e confirmar as parcelas de composição do crédito informado nos Per/Dcomps nºs 39499.35826.081111.1.1.3.028062, 32332.5613.211010.1.7.02029034 e 199928.08277.180810.1.3.029017 ou, ao menos, confirmar as parcelas de R$ 7.422.298,57 e R$ 146.320.504,93, vez que tais valores foram retidos, conforme restou demonstrado.” Na Sessão de Julgamento de 3 de fevereiro de 2015, esta Turma converteu o julgamento em diligência, nos seguintes termos: “De plano, já me manifesto pela necessidade de se converter o julgamento em diligência, para que: Fl. 1145DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10166.901787/201312 Resolução nº 1302000.404 S1C3T2 Fl. 1.101 6 a) a Unidade Preparadora, tomando as providências que se fizerem necessárias, ateste a autenticidade dos documentos juntados pela recorrente, ou seja: o Comprovante Anual da Retenção e o Extrato de Fontes Pagadoras, extraídos do “eCAC” (doc. a fls. 224); os extratos obtidos no Banco do Brasil BB Adm. de Ativos Distr. Títulos de Valores Mobiliários S/A (doc. a fls. 225 a 236); e o informe de rendimento emitido pela Amazonas Distribuidora de Energia (doc. a fls. 123). b) a Unidade Preparadora intime a recorrente a: b.1) apresentar documentação que comprove que a movimentação financeira na agência/conta nº 1755/6079 é vinculada à CDE; a de nº 1755/420115 à UBP; e de nº 1755/601123 à RGR; e c) demonstrar com apoio em sua escrituração contábil, cujas cópias das páginas referidas devem ser juntadas aos autos, que os rendimentos produzidos pelas aplicações financeiras a que se referem os extratos a fls. 225 a 236 foram lançados a conta de resultado e, consequentemente, oferecidos à tributação. Assim, voto por converter o julgamento em diligência, para que a Unidade Preparadora adote as providências acima tratadas, ressaltando que deve ser dada ciência à recorrente do relatório final de diligência, concedendolhe prazo razoável para se manifestar nos autos.” Em resposta a diligência, a DRF/BSB lavrou a Informação Fiscal nº 768 a fls. 575, na qual assim se manifesta: “5. Inicialmente, o Carf pede que se ateste a autenticidade dos seguintes documentos, juntados aos autos pela Interessada por ocasião do recurso: a) “Comprovante Anual da Retenção e o Extrato de Fontes Pagadoras, extraídos do “eCAC” (doc. a fls. 224)”; b) “extratos obtidos no Banco do Brasil BB Adm. de Ativos Distr. Títulos de Valores Mobiliários S/A (doc. a fls. 225 a 236)”; c) “informe de rendimento emitido pela Amazonas Distribuidora de Energia (doc. a fls. 223)”. 6. Quanto ao item “a”, por meio de consulta ao sistema informatizado de controle da Dirf, confirmase a relação de fls. 224, de acordo com o extrato juntado ao processo em fls. 455/531. 7. Quanto ao item “b”, a Tabela 1 (fls. 532) sintetiza as informações relevantes dos extratos de fls. 225/236. Constatase que tais rendimentos e retenções foram declarados em Dirf, conforme extrato juntado aos autos em fls. 533/534. Além disso, visando complementar as informações disponíveis, a fonte retentora BB Gestão de Recursos – Fl. 1146DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10166.901787/201312 Resolução nº 1302000.404 S1C3T2 Fl. 1.102 7 DTVM S/A foi intimada a comprovar a veracidade dos dados constantes dos extratos, conforme termo de intimação nº 458/2015, parte do dossiê nº 10010.000327/071542 e juntado a este processo em fls. 535. 8. Em sua resposta ao citado termo de intimação (vide fls. 20/41 do dossiê nº 10010.000327/071542, vinculado ao presente processo), a BB DTVM S/A apresentou: i) comprovantes de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte, cujos valores coincidem com os valores declarados em Dirf; ii) documentos de arrecadação de IRRF (código de receita 6800) para o anocalendário de 2008, os quais foram arrolados na Tabela A adiante. 9. Comparandose os valores de IRRF recolhidos pela BB DTVM S/A (extratos de pagamentos em fls. 536/571) com o extrato da Dirf em fls. 533/534, verificase que todos os valores do imposto retido declarados em Dirf foram recolhidos, no que respeita ao Fundo/Clube de CNPJ nº 04.857.792/000176. No tocante ao Fundo/Clube de CNPJ nº 06.004.195/000124, nada se pode afirmar, pois, não foram apresentados os documentos de arrecadação correspondentes ao IRRF de valor R$ 1.481.612,93, não obstante o comprovante de rendimentos em fls. 27 do referido dossiê. 10. Ademais, a Eletrobrás foi intimada, em 13/05/2015, a apresentar os elementos a que se refere os itens “b” e “c” do parágrafo 1 desta Informação, conforme termo de intimação nº 304/2015 (fls. 249). 11. Em sua resposta (fls. 252/453), a Interessada apresentou justificativas sobre as razões pelas quais as movimentações financeiras dos fundos setoriais RGR, CDE e UBP “não afetam o resultado da Companhia, tendo suas respectivas contabilizações escrituradas de forma independente da Eletrobrás”, razão pela qual ela não se apropria do IRRF, de modo que o valor utilizado na compensação é menor que o valor relacionado na Tabela A. Para comprovar a afirmação, a Interessada apresentou textos legais (fls. 257/335), contas do Razão dos três fundos (fls. 337/350) e extratos bancários (fls. 351/453) vinculando a agência/conta ao respectivo fundo, conforme solicitado pelo Carf. (...) 12. Quanto ao item “c” do parágrafo 5, no que se refere ao informe de rendimentos emitido pela Amazonas Distribuidora de Energia (fls. 223), CNPJ nº 02.341.467/000120, verificase, em primeiro lugar, que os valores de retenção informados, sob o código de receita 3426, não foram confirmados em Dirf, conforme mostra telas de consulta ao sistema em fls. 572/573. 13. Diante disso, a fonte pagadora foi intimada (termo de intimação nº 459/2015, fls. 574, parte do dossiê nº 10010.000346/071579, que se encontra vinculado ao presente processo) a confirmar a veracidade das informações constantes no respectivo comprovante anual de retenção Fl. 1147DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10166.901787/201312 Resolução nº 1302000.404 S1C3T2 Fl. 1.103 8 apresentado pela beneficiária Eletrobrás. Entretanto, a fonte pagadora não ofereceu resposta no prazo estipulado na intimação, de modo que nada se pode afirmar acerca dos supostos valores por ela retidos, permanecendo a incerteza quanto à veracidade do comprovante de fls. 223.” Tendo tomado ciência da Informação Fiscal retro citada, a recorrente assim se manifestou (a fls. 582 e segs): “Em resposta a Informação Fiscal nº 768/2015/DIORT/DRF/BSB relativo ao Processo 10166.901787/201312, informamos que visando atender a presente notificação solicitamos a empresa Amazonas Distribuidora de Energia CNPJ 02.341.467/000120 documentos que comprovem a veracidade do Informe de Rendimentos fornecido pela mesma referente as retenções na fonte no ano de 2008 – código 3426, conforme declarado na DIPJ 2009 ano calendário 2008. Anexamos a presente os documentos fornecidos pela Amazonas Energia: Recibo de entrega de DIRF retificadora transmitida em 12/07/2012 no programa DIRF/2010 referente ano calendário 2008; Extrato emitido no site da RFB da DIRF 2009 ano calendário 2008 recebida e aceita em 12/07/2012; Informe de Rendimentos 2008 em nome de Centrais Elétricas Brasileiras S/A CNPJ 00.001.180/000126; Arquivos Digitais com extenção .DEC e .REC da DIRF retificadora 2009 ano calendário 2008.”. É o relatório. Fl. 1148DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10166.901787/201312 Resolução nº 1302000.404 S1C3T2 Fl. 1.104 9 VOTO VENCIDO Conselheiro ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por mandatário com poderes para tal, conforme procuração a fls. 193 e segs., razão pela qual dele conheço. COMPROVANTES SEM ASSINATURA No que se refere às retenções efetuadas pelos CNPJ 15.413.826/000150, 07.282.377/000120, 07.297.359/000111, 61.416.244/000144 e 77.882.504/000107, a decisão recorrida negou provimento ao recurso, por sustentar que os Comprovantes de Rendimentos e de Retenções apresentados a fls. 57, 110, 112, 114 e 116 se encontram desprovidos da assinatura do representante da fonte pagadora responsável pela informação. Conforme informado no rodapé dos comprovantes de rendimentos acima referidos, salvo no que se refere ao de fls. 57, são todos eles modelos aprovados pela IN SRF 119/2000, cujos arts. 1º e 8º assim versam: “Art. 1º Aprovar o modelo anexo de Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte a ser utilizado pelas pessoas jurídicas que tiverem efetuado pagamento ou crédito de rendimentos, a outras pessoas jurídicas, sujeitos à retenção do imposto de renda na fonte. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos rendimentos de aplicações financeiras, que seguirão normas específicas, nem aos juros sobre o capital próprio pagos ou creditados a pessoas jurídicas. (...) Art. 6º A fonte pagadora que optar pela emissão do comprovante por meio de processamento automático de dados poderá adotar modelo diferente do estabelecido, desde que contenha todas as informações nele previstas, dispensada assinatura ou chancela mecânica.”. Incialmente, ressalto que o texto do art. 6º não é dos mais elucidativos, pois, por uma interpretação literal, concluirseia que a assinatura só seria exigida quando se utilizasse o modelo aprovado na IN, o qual tinha o campo para assinatura. O mais importante, porém, é que os comprovantes a fls. 57, 114 e 116 têm por objeto rendimentos em aplicações financeiras em renda fixa, o que importa em dizer que tais formulários eram impróprios, pois as fontes pagadoras deveriam ter entregue Informe de Rendimentos Financeiros conforme disposto na IN SRF 698/2006, se não vejamos o que dispõe o seu art. 1º: Art. 1º As instituições financeiras, as sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, as sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários, as sociedades seguradoras, as entidades de previdência complementar, as sociedades de capitalização, a pessoa jurídica que, atuando por conta e ordem de cliente, intermediar recursos para aplicações em fundos Fl. 1149DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10166.901787/201312 Resolução nº 1302000.404 S1C3T2 Fl. 1.105 10 de investimento administrados por outra pessoa jurídica e as demais fontes pagadoras deverão fornecer a seus clientes, pessoas físicas e jurídicas, Informe de Rendimentos Financeiros, conforme o disposto nesta Instrução Normativa. Cabe salientar que a IN SRF 698/2006 estabeleceu modelo de informe de rendimento apenas quando o beneficiário fosse pessoa física, sendo que o modelo estabelecido no Anexo I da referida instrução não tinha o campo para a assinatura do responsável pelas informções. Se observarmos as fontes pagadoras nos aludidos comprovantes de rendimentos são empresa do setor elétrico que estariam pagando à recorrente rendimentos de aplicação financeira em renda fixa. Assim, o que se conclui é que a utilização do modelo de comprovante de rendimento aprovado pela IN 119/2000 não seria, de plano, ilégitimo, já que a IN 689 não aprovou qualquer modelo quando o beneficiário fosse pessoa jurídica, exigindo apenas o seguinte: “Art. 2º O Informe de Rendimentos Financeiros deverá ser: (...) II no caso de beneficiário pessoa jurídica, relativo a cada trimestre do anocalendário e fornecido, em uma única via, até o último dia útil do segundo decêndio subseqüente a cada trimestre do anocalendário. Art. 3º No caso de beneficiário pessoa jurídica, titular de quaisquer aplicações financeiras de renda fixa, bem como de depósitos de poupança, de quotas de fundos de investimento e de aplicações de swap, a fonte pagadora deverá discriminar, por mês, os rendimentos tributados, correspondentes ao rendimento bruto deduzido o IOF, e o respectivo imposto de renda retido na fonte. Parágrafo único. O disposto no caput aplicase aos casos de operações de mútuo entre pessoas jurídicas sujeitas à retenção do imposto de renda na fonte, inclusive quando a operação for realizada entre empresas controladoras, controladas, coligadas e interligadas.”. Ora, os comprovantes de rendimentos em tela não são relativos a cada trimestre, conforme determina a IN 689, mas anuais, embora discriminem os rendimentos tributados por mês, conforme exigido pela mesma instrução. Assim, a falta de assinatura não seria óbice à aceitação de informes de rendimentos financeiros, porém, no caso em tela, é sim um indício contrário ao pleito da recorrente o fato de ter sido apresentado em um modelo que tinha o campo para a assinatura e não ter sido assinado. É certo que isso, por si só, não seria razão para rejeitálos, mas, quando se verifica que não foram entregues DIRFs relativas a tais rendimentos financeiros, além do fato de o contribuinte não ter trazido provas das operações de renda fixa contratadas com as empresas do setor elétrico que figuram como fonte pagadora e nem ter provado que houve o oferecimento de tais receitas à tributação, tudo isso leva a conclusão que tais comprovantes a fls. 57, 114 e 116 são inidôneos para provar o direito creditório da recorrente. Com relação aos comprovantes de rendimentos a fls. 110 (retenção efetuada pelo CNPJ 07.282.377/000120, Caiua Distribuição de Energia S/A, no valor de R$ 32.043,56) e 112 (retenção efetuada pelo CNPJ 07.297.359/000111, Empresa de Distibuição de Energia Fl. 1150DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10166.901787/201312 Resolução nº 1302000.404 S1C3T2 Fl. 1.106 11 Vale Parapanema S/A, no valor de R$ 27.734,86), os IRRFs ali declarados já tinham sido confirmados pelo Despacho Decisório, conforme coluna de valor confirmado na tabela a fls. 121, sendo que a relação de rendimentos e IRRF a fls. 224 só veio confirmar tais valores, razão pela qual não há reparo a serem feitos na decisão recorrida, com relação a esse ponto. RETENÇÃO PELA MANAUS ENERGIA S/A Com relação especificamente às retenções efetuadas pelos CNPJ 02.341.467/000120, cujo Comprovante Anual de Retenção do IRPJ sem assinatura consta a fls. 55 (cópia também a fls. 223), a Informação Fiscal nº 768 declara que os valores de retenção informados, sob o código de receita 3426, não foram confirmados em Dirf (telas a fls. 572/573) e que, por isso, a fonte pagadora, Manaus Energia S/A, foi intimada (termo a fls. 574) a confirmar a veracidade das informações constantes no respectivo comprovante anual de retenção, mas que não ofereceu resposta no prazo estipulado na intimação, de modo que nada se pode afirmar acerca dos supostos valores por ela retidos, permanecendo a incerteza quanto à veracidade do comprovante de fls. 223. Vale aqui ressaltar que o aludido comprovante de rendimento a fls. 55 é o modelo aprovado pela IN SRF 480/2004, cujo art. 31 assim dispunha; “Art. 31. O órgão ou a entidade que efetuar a retenção deverá fornecer, à pessoa jurídica beneficiária do pagamento, comprovante anual de retenção, até o último dia útil de fevereiro do ano subseqüente, podendo ser disponibilizado em meio eletrônico, conforme modelo constante do Anexo V, informando, relativamente a cada mês em que houver sido efetuado o pagamento, os códigos de retenção, os valores pagos e os valores retidos. § 1º Como forma alternativa de comprovação da retenção, poderá o órgão ou a entidade fornecer ao beneficiário do pagamento cópia do Darf, desde que este contenha a base de cálculo correspondente ao fornecimento dos bens ou da prestação dos serviços. § 2º Anualmente, até o último dia útil de fevereiro do ano subseqüente, os órgãos ou as entidades que efetuarem a retenção de que trata esta Instrução Normativa deverão apresentar, à unidade local da SRF, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), nela discriminando, mensalmente, o somatório dos valores pagos e o total retido, por contribuinte e por código de recolhimento. Como se vê, o modelo de comprovante de rendimento criado pela IN SRF 480/04 exigia assinatura do responsável pelas informações, razão pela qual não se pode, in casu, sequer dizer que tal questão seria despicienda. Por sua vez, a recorrente, ao ser intimada a se manifestar sobre a referida Informação Fiscal, informou que solicitou e obteve os documentos comprobatórios da Manaus Energia S/A, entre eles o Recibo de entrega e o extrato da DIRF retificadora transmitida em 12/07/2012 no programa DIRF/2010 referente ano calendário 2008. Ora, tal DIRF nada prova, pois como informado pelo autoridade diligenciada, a recorrente não consta como beneficiária de pagamento em tal DIRF, como prova as telas de consulta a fls. 572 e 573. Fl. 1151DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10166.901787/201312 Resolução nº 1302000.404 S1C3T2 Fl. 1.107 12 Assim, um comprovante de rendimentos sem assinatura e a ausência do nome da recorrente como beneficiário de pagamento na DIRF entregue pela fonte pagadora não autoriza o reconhecimento da retenção pleiteada pela recorrente. COMPROVAÇÃO POR EXTRATOS BANCÁRIOS Em relação à retenção efetuada pelo CNPJ 30.822.936/000169, a recorrente buscou comprovála por meio dos “extratos bancários” e pelo o extrato da conta nº 1124120501 do razão da recorrente. A decisão recorrida entendeu que estes documentos não eram hábeis para comprovar a retenção, sob o fundamento de que o extrato bancário, por não identificar corretamente a instituição financeira e o titular das aplicações financeiras, menos ainda assegurar sua legitimidade; já o razão da recorrente, por não possuir força probatória para comprovação da retenção. Ocorre que, em resposta a primeira diligência, a DRF/BSB verificou que tais rendimentos e retenções foram declarados em Dirf, conforme extrato juntado aos autos em fls. 533/534. Não obstante, foi solicitado na mesma diligência que a recorrente demonstrasse com apoio em sua escrituração contábil, cujas cópias das páginas referidas deveriam ser juntadas aos autos, que os rendimentos produzidos pelas aplicações financeiras a que se referem os extratos a fls. 225 a 236 foram lançados a conta de resultado e, consequentemente, oferecidos à tributação. Ora, a recorrente não logrou cumprir com tal item da diligência, pois limitouse a juntar aos autos os documentos de fls. 336 e segs., os quais não são hábeis a provar que os rendimentos relativos ao IRRF pleiteado pela recorrente foram oferecidos a tributação, como também não são os documentos a fls. 98/100, juntados pela recorrente quando da apresentação da manifestação de inconformidade. Cabe ressaltar que a prova contábil é feita pela demonstração baseada na escrituração e em documentos que a lastreia, ainda que por amostragem, algo que a recorrente sequer tentou fazer, pois se limitou a juntar, aos autos, planilhas que sequer podese saber se foram extraídas efetivamente da sua escrituração contábil ou elaboradas ah doc para sustentar a sua defesa. Por essa razão, voto no sentido de não reconhecer o crédito de IRRF no montante de R$ 146.320.504,93. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 1152DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10166.901787/201312 Resolução nº 1302000.404 S1C3T2 Fl. 1.108 13 VOTO VENCEDOR Conselheira EDELI PEREIRA BESSA O quadro abaixo resume o litígio verificado na comprovação das retenções que integram o saldo negativo de IRPJ apurado pela contribuinte no anocalendário 2008: Inicialmente no que se refere aos comprovantes de retenção sem assinatura, importa observar que a Instrução Normativa SRF nº 119/2000 assim disciplinou a expedição dos comprovantes de retenção: Art. 1º Aprovar o modelo anexo de Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte a ser utilizado pelas pessoas jurídicas que tiverem efetuado pagamento ou crédito de rendimentos, a outras pessoas jurídicas, sujeitos à retenção do imposto de renda na fonte. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos rendimentos de aplicações financeiras, que seguirão normas específicas, nem aos juros sobre o capital próprio pagos ou creditados a pessoas jurídicas. Art. 2º A fonte pagadora deverá fornecer, à pessoa jurídica beneficiária, comprovante de retenção do imposto de renda que indique: I o nome empresarial e o número de inscrição completo (com 14 dígitos) no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) da fonte pagadora e do beneficiário; II o mês da ocorrência do fato gerador e os valores em reais, inclusive centavos, do rendimento bruto e do imposto de renda retido; III o código utilizado no DARF (com 4 dígitos) e a descrição do rendimento. Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica com filiais, as informações relativas ao nome empresarial e ao Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), a que se refere o inciso I, a serem informadas no Comprovante, serão as do estabelecimento matriz. CNPJ da Fonte Pagadora Código de Receita Valor PER/DCOMP Confirmado Despacho Decisório Litígio Análise DRJ 02.328.280/000197 3426 694.181,49 694.181,47 0,02 Reconhecido por irrelevância 02.341.467/000120 3426 7.422.298,57 0 7.422.298,57 Comprovante de retenção sem assinatura 02.474.103/000119 3426 1.901.980,73 1.831.843,60 70.137,13 Não consta prova ou justificativa 07.282.377/000120 3426 32.365,61 32.043,56 322,05 Comprovante de retenção sem assinatura 07.297.359/000111 3426 28.003,52 27.734,86 268,66 Comprovante de retenção sem assinatura 15.413.826/000150 3426 906.711,00 0 906.711,00 Comprovante de retenção sem assinatura 23.274.194/000119 3426 9.273.801,36 9.273.801,34 0,02 Reconhecido por irrelevância 30.822.936/000169 3426 146.320.504,93 0 146.320.504,93 Extratos bancários e contábeis 49.313.653/000110 3426 27.408,43 0 27.408,43 DIRF não confirmada nos sistemas da RFB 61.416.244/000144 3426 6.479,97 6.415,78 64,19 Comprovante de retenção sem assinatura 77.882.504/000107 3426 7.338,24 7.291,14 47,10 Comprovante de retenção sem assinatura Total 166.621.073,85 11.873.311,75 154.747.762,10 Fl. 1153DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10166.901787/201312 Resolução nº 1302000.404 S1C3T2 Fl. 1.109 14 Art. 3º As informações prestadas no Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte Pessoa Jurídica deverão ser discriminadas na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF. Art. 4º O Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte Pessoa Jurídica será utilizado para comprovar o imposto de renda retido na fonte a ser deduzido ou compensado pela beneficiária dos rendimentos ou a ela restituído. Art. 5º O Comprovante deverá ser impresso na cor preta, em papel branco, no formato 210 x 297 mm, com as características do modelo anexo a esta Instrução, devendo conter, no rodapé, o nome e o número do Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica CNPJ da empresa que os imprimir. Parágrafo único. A impressão e a comercialização do comprovante independerá de autorização. Art. 6º A fonte pagadora que optar pela emissão do comprovante por meio de processamento automático de dados poderá adotar modelo diferente do estabelecido, desde que contenha todas as informações nele previstas, dispensada assinatura ou chancela mecânica. Art. 7º O comprovante de que trata esta Instrução Normativa deverá ser fornecido, em uma única via, até o último dia útil do mês de fevereiro do anocalendário subseqüente àquele a que se referirem os rendimentos informados. (negrejouse) [...] No mesmo sentido, o Anexo I da Instrução Normativa SRF nº 698/2006, que regrou a emissão de comprovantes de rendimentos decorrentes de aplicações financeiras nos termos abaixo, também não trouxe campo para assinatura do emitente: Art. 1º As instituições financeiras, as sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, as sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários, as sociedades seguradoras, as entidades de previdência complementar, as sociedades de capitalização, a pessoa jurídica que, atuando por conta e ordem de cliente, intermediar recursos para aplicações em fundos de investimento administrados por outra pessoa jurídica e as demais fontes pagadoras deverão fornecer a seus clientes, pessoas físicas e jurídicas, Informe de Rendimentos Financeiros, conforme o disposto nesta Instrução Normativa. Art. 2º O Informe de Rendimentos Financeiros deverá ser: I no caso de beneficiário pessoa física, relativo ao anocalendário e fornecido, em uma única via, até o último dia útil do mês de fevereiro do anocalendário subseqüente; II no caso de beneficiário pessoa jurídica, relativo a cada trimestre do anocalendário e fornecido, em uma única via, até o último dia útil do segundo decêndio subseqüente a cada trimestre do anocalendário. § 1º Para os clientes que possuam endereço eletrônico ou utilizem Internet Banking ou Office Banking, é permitida a disponibilização dos Informes de Rendimentos Financeiros por meio da Internet ou outros meios eletrônicos. [...] § 2º Fica dispensado o fornecimento do Informe de Rendimentos Financeiros: I a que se refere o inciso I do caput, nos casos em que os saldos de contascorrentes, de poupança, dos créditos em trânsito e das demais aplicações financeiras, assim como o total anual dos rendimentos, à exceção daqueles provenientes de previdência complementar, Fundo de Aposentadoria Programada Individual (Fapi), Plano Gerador Fl. 1154DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10166.901787/201312 Resolução nº 1302000.404 S1C3T2 Fl. 1.110 15 de Benefício Livre (PGBL) e Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL), forem de valores individuais iguais ou inferiores a R$ 140,00 (cento e quarenta reais); II a que se refere o inciso II do caput, quando a fonte pagadora fornecer, mensalmente, comprovante contendo as informações previstas nesta Instrução Normativa; e [...] Art. 3º No caso de beneficiário pessoa jurídica, titular de quaisquer aplicações financeiras de renda fixa, bem como de depósitos de poupança, de quotas de fundos de investimento e de aplicações de swap, a fonte pagadora deverá discriminar, por mês, os rendimentos tributados, correspondentes ao rendimento bruto deduzido o IOF, e o respectivo imposto de renda retido na fonte. Parágrafo único. O disposto no caput aplicase aos casos de operações de mútuo entre pessoas jurídicas sujeitas à retenção do imposto de renda na fonte, inclusive quando a operação for realizada entre empresas controladoras, controladas, coligadas e interligadas. Nestes termos, foi dispensada a assinatura ou chancela mecânica em comprovantes de retenção emitidos por meio de processamento automático de dados, e admitida sua substituição por documento disponibilizado por meio eletrônico ao beneficiário. No presente caso, nos documentos de fls. 55, 57, 110, 112, 114 e 116 nada foi consignado no campo de assinatura. Porém, o fato é que na maior parte deles as fontes pagadoras informaram, em DIRF, retenções distintas daquelas consignadas nos comprovantes apresentados, circunstância em que caberia à contribuinte esclarecer as divergências existentes. Abordando individualmente as retenções em debate, temse: · Fonte pagadora nº 02.341.467/000120: em recurso voluntário a contribuinte juntou novo comprovante, agora assinado (fl. 223). No curso da diligência requerida para apreciação do recurso voluntário, verificouse que tal valor não foi informado em DIRF e, intimada a confirmar os valores retidos, a fonte pagadora não se manifestou. Cientificada destas providências, a contribuinte apresentou a petição de fl. 583, na qual diz anexar recibo de entrega da DIRF entregue por aquela fonte pagadora e os arquivos digitais correspondentes. Somente consta dos autos o recibo e a reprodução de parte da DIRF retificadora apresentada por esta fonte pagadora em 12/07/2012, que indica retenções referentes a 1.001 beneficiários pessoa jurídica e que seria o mesmo documento acessado pela autoridade fiscal, conforme extrato de fls. 572/573, sem nada identificar em relação aos CNPJ matriz e filial da contribuinte. Ocorre que, como se vê do documento de fl. 223, a fonte pagadora nele indicou, com erro, o CNPJ da contribuinte, fazendo constar 00.001.180/000126 e não 01.001.180/000126, erro que eventualmente pode ter sido reproduzido em DIRF. Ante a ausência de qualquer esclarecimento acerca da juntada dos arquivos digitais referidos pela contribuinte em sua manifestação de fls. 582 e seguintes, e a anexação parcial da DIRF entregue por aquela fonte pagadora, necessário se faz nova conversão do julgamento em diligência para avaliação do eventual erro acima identificado. · Fonte pagadora nº 02.474.103/000119: a retenção admitida no despacho decisório (R$ 1.831.843,60) corresponde àquela indicada nas informações de DIRF juntadas ao recurso voluntário e nada mais foi juntado pelo contribuinte para validar a parcela remanescente de R$ 70.137,13; Fl. 1155DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10166.901787/201312 Resolução nº 1302000.404 S1C3T2 Fl. 1.111 16 · Fonte pagadora nº 07.282.377/000120: a retenção admitida no despacho decisório (R$ 32.043,56) corresponde àquela indicada nas informações de DIRF juntadas ao recurso voluntário e nada mais foi juntado pelo contribuinte para validar a parcela remanescente de R$ 322,05, subsistindo dúvida acerca da validade do conteúdo do comprovante de retenção de fl. 110; · Fonte pagadora nº 07.297.359/000111: a retenção admitida no despacho decisório (R$ 27.734,86) corresponde àquela indicada nas informações de DIRF juntadas ao recurso voluntário e nada mais foi juntado pelo contribuinte para validar a parcela remanescente de R$ 268,66, subsistindo dúvida acerca da validade do conteúdo do comprovante de retenção de fl. 112; · Fonte pagadora nº 15.413.826/000150: não consta qualquer retenção acerca desta fonte pagadora nas informações de DIRF juntadas ao recurso voluntário e a contribuinte nada mais apresentou ou alegou para infirmar a incerteza resultante do comprovante de retenção apresentado sem assinatura e que não encontra correspondência em DIRF, mormente tendo em conta que a retenção representa, no caso, montante relevante de R$ 906.711,00. Porém, verificase no comprovante de retenção de fl. 57 que o CNPJ da contribuinte também foi indicado com erro, ali constando 00.001.180/000126 e não 01.001.180/000126, assim também demandando diligência como explicitado no primeiro tópico acima; · Fonte pagadora nº 49.313.653/000110: não consta qualquer retenção acerca desta fonte pagadora nas informações de DIRF juntadas ao recurso voluntário, mas observase que em manifestação de inconformidade a contribuinte juntou extrato de DIRF referindo o valor de R$ 27.408,43, no qual a fonte pagadora também teria indicado, com erro, seu CNPJ, ali constando 00.001.180/000126 e não 01.001.180/000126, de modo a também demandar diligência como explicitado no primeiro tópico R$ 27.408,43; · Fonte pagadora nº 61.416.244/000144: a retenção admitida no despacho decisório (R$ 6.415,78) corresponde àquela indicada nas informações de DIRF juntadas ao recurso voluntário e nada mais foi juntado pelo contribuinte para validar a parcela remanescente de R$ 64,19, subsistindo dúvida acerca da validade do conteúdo do comprovante de retenção de fl. 114; · Fonte pagadora nº 77.882.504/000107: a retenção admitida no despacho decisório (R$ 7.291,14) corresponde àquela indicada nas informações de DIRF juntadas ao recurso voluntário e nada mais foi juntado pelo contribuinte para validar a parcela remanescente de R$ 47,10; · Fonte pagadora nº 30.822.936/000169: no extrato do "Sistema Dirf" apresentado em recurso voluntário constou, em razão de DIRF apresentada em 10/01/2014, retenções promovidas por BB Adm. de Ativos Distr. Titulos e Valores Mobiliários S/A no valor de R$ 254.498.650,62, superior àquela aproveitada pela contribuinte no valor de R$ 146.320.504,93. A recorrente esclareceu que a fonte pagadora havia informado a retenção vinculada ao CNPJ de sua filial, e que as retenções não aproveitadas corresponderiam a rendimentos que não afetam seu resultado por caberem a fundos por ela geridos. Questionada em diligência acerca do oferecimento à tributação das receitas correspondentes, a contribuinte informou que não contabilizava as movimentações financeiras dos recursos atribuídos aos fundos por ela geridos, e juntou extratos contábeis acerca dos valores contabilizados por serem Fl. 1156DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10166.901787/201312 Resolução nº 1302000.404 S1C3T2 Fl. 1.112 17 de sua titularidade, que aparentam indicar o reconhecimento de receitas nos montantes de R$ 710.227.375,06, R$ 10.976.349,41 e R$ 28.362.203,58, ao passo que o extrato DIRF à fl. 224 totalizou em R$ 1.583.295.430,56 os rendimentos do anocalendário 2008. A autoridade fiscal encarregada da diligência não se manifestou acerca dos elementos apresentados e, notificada da informação fiscal, a contribuinte não trouxe outros esclarecimentos. Considerando a necessidade de conversão do julgamento em diligência em razão dos demais aspectos acima mencionados, a contribuinte também deve ser intimada a demonstrar à autoridade fiscal, mediante apresentação dos razões contábeis, as receitas financeiras computadas no lucro contábil do anocalendário 2008, detalhando suas origens e evidenciando em qual linha da DIPJ tal valor foi informado como integrante do lucro real. A contribuinte deve, ainda, informar como estabeleceu a correspondência entre tais rendimentos e as retenções aproveitadas na apuração do saldo negativo em debate. Por tais razões, o presente voto é no sentido de CONVERTER o julgamento em diligência para verificação de eventual erro na informação do CNPJ da contribuinte nas DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras CNPJ mº 02.341.467/000120, 15.413.826/000150 e 49.313.653/000110, bem como para as providências acima indicadas relativamente aos rendimentos e retenções vinculados à fonte pagadora nº 30.822.936/000169. Ao final dos trabalhos a autoridade fiscal deve produzir relatório circunstanciado, descrevendo suas análises e conclusões daí resultantes, dele cientificando a interessada, com reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para complementação de suas razões de defesa. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Redatora designada. Fl. 1157DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 10980.726601/2011-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. REMUNERAÇÃO DE CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. PRESUNÇÃO COMUM.
Demonstrada a inviabilidade de se comprovar o fato gerador pelos meios diretos de apuração, é permitido, à fiscalização, lançar mão da presunção comum, desde que comprove o fato indiciário e demonstre a causalidade normativa que o vincula ao fato gerador.
É da empresa omissa o ônus de afastar a natureza contraprestativa dos pagamentos feitos a pessoas físicas sem vínculo empregatício, identificados em seus extratos bancários, considerando que tais pagamentos são, ordinariamente, contraprestações por serviços prestados à empresa.
Na ausência de norma instituindo presunção legal, a omissão da empresa em apresentar seus documentos não é suficiente para afastar o ônus do Fisco em comprovar que os pagamentos com beneficiários não identificados, extraídos dos extratos bancários da empresa, constituem remunerações a pessoas físicas por serviços prestados à empresa.
A omissão da empresa em apresentar seus documentos não é suficiente para afastar o ônus do Fisco em comprovar que os pagamentos feitos a pessoas jurídicas, extraídos dos extratos bancários da empresa, constituem remunerações indiretas dos sócios.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-004.374
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
João Bellini Júnior- Presidente.
Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Nathalia Correia Pompeu, Luciana de Souza Espíndola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. REMUNERAÇÃO DE CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. PRESUNÇÃO COMUM. Demonstrada a inviabilidade de se comprovar o fato gerador pelos meios diretos de apuração, é permitido, à fiscalização, lançar mão da presunção comum, desde que comprove o fato indiciário e demonstre a causalidade normativa que o vincula ao fato gerador. É da empresa omissa o ônus de afastar a natureza contraprestativa dos pagamentos feitos a pessoas físicas sem vínculo empregatício, identificados em seus extratos bancários, considerando que tais pagamentos são, ordinariamente, contraprestações por serviços prestados à empresa. Na ausência de norma instituindo presunção legal, a omissão da empresa em apresentar seus documentos não é suficiente para afastar o ônus do Fisco em comprovar que os pagamentos com beneficiários não identificados, extraídos dos extratos bancários da empresa, constituem remunerações a pessoas físicas por serviços prestados à empresa. A omissão da empresa em apresentar seus documentos não é suficiente para afastar o ônus do Fisco em comprovar que os pagamentos feitos a pessoas jurídicas, extraídos dos extratos bancários da empresa, constituem remunerações indiretas dos sócios. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. João Bellini Júnior- Presidente. Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Nathalia Correia Pompeu, Luciana de Souza Espíndola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva.
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GFIP: OMISSÃO DE FATOS GERADORES Recorrente TS CURSOS PREPARATÓRIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. REMUNERAÇÃO DE CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. PRESUNÇÃO COMUM. Demonstrada a inviabilidade de se comprovar o fato gerador pelos meios diretos de apuração, é permitido, à fiscalização, lançar mão da presunção comum, desde que comprove o fato indiciário e demonstre a causalidade normativa que o vincula ao fato gerador. É da empresa omissa o ônus de afastar a natureza contraprestativa dos pagamentos feitos a pessoas físicas sem vínculo empregatício, identificados em seus extratos bancários, considerando que tais pagamentos são, ordinariamente, contraprestações por serviços prestados à empresa. Na ausência de norma instituindo presunção legal, a omissão da empresa em apresentar seus documentos não é suficiente para afastar o ônus do Fisco em comprovar que os pagamentos com beneficiários não identificados, extraídos dos extratos bancários da empresa, constituem remunerações a pessoas físicas por serviços prestados à empresa. A omissão da empresa em apresentar seus documentos não é suficiente para afastar o ônus do Fisco em comprovar que os pagamentos feitos a pessoas jurídicas, extraídos dos extratos bancários da empresa, constituem remunerações indiretas dos sócios. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 66 01 /2 01 1- 74 Fl. 1591DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. João Bellini Júnior Presidente. Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Nathalia Correia Pompeu, Luciana de Souza Espíndola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva. Fl. 1592DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10980.726601/201174 Acórdão n.º 2301004.374 S2C3T1 Fl. 1.592 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por TS CURSOS PREPARATÓRIOS LTDA, em face do Acórdão n.º 0641.052, da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) Curitiba, fl. 15581565, com ciência ao sujeito passivo em 26/07/2013, fls. 166167, que julgou improcedente a impugnação apresentada contra os Autos de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Auto de Infração de Obrigação Acessória (AIOA) abaixo identificados: 1) AIOP Debcad nº 37.345.2730: referente à exigência de contribuições devidas à Seguridade Social, parte da empresa. 2) AIOP Debcad n° 37.345.2748: referente à exigência das contribuições devidas à Seguridade Social, pelos contribuintes individuais, de responsabilidade da empresa por substituição tributária. 3) AIOA Debcad n° 37.345.2721 (Código de Fundamentação Legal CFL 68): lavrado por falta de informação, em GFIP, dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, com infringência à Lei nº 8.212, de 24/7/1991, artigo 32, inciso IV, § 5º. De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 3741, e anexos, o fundamento fático jurídico que ensejou a lavratura dos autos de infração é a remuneração paga aos segurados contribuintes individuais, que prestaram serviços à empresa, bem como os pagamentos indiretos feitos aos administradores da empresa, no período de 01/2006 a 12/2008. A fiscalização afirmou que a empresa contrata pessoas físicas sem vínculo empregatício, para a execução de sua atividadefim, que é a prestação de cursos preparatórios para vestibular e concursos públicos, cursos de língua estrangeira, aperfeiçoamento profissional e agenciamento e treinamento de mão de obra. A empresa deixou de apresentar, à fiscalização, as folhas de pagamento, os livros contábeis e os comprovantes de pagamentos por ela feitos a pessoas físicas sem vínculo empregatício e a pessoas jurídicas, identificados em extratos bancários. O lançamento foi então feito pela técnica do arbitramento, considerandose como base de cálculo as movimentações financeiras da empresa extraídas dos extratos bancários, identificadas nas planilhas de fls. 49122 (prestadores de serviços em geral) e fls. 123135 (administradores). O sujeito passivo foi intimado dos autos de infração em 15/12/2011, fls. 295. Inconformada, a autuada apresentou impugnação contendo os seguintes pontos controvertidos: a) a maior parte dos lançamentos bancários considerados como base de cálculo das contribuições referese a pagamento feito a pessoa jurídica (fornecedores de materiais, empresas terceirizadas, despesas de telefone, energia, etc), b) o § 3º do art. 33 da Lei 8.212/91 não cria a presunção de que, na falta de comprovação do sujeito passivo, considerase Fl. 1593DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 4 salário qualquer saída de recursos da empresa; c) a fiscalização não se desincumbiu de provar a natureza salarial das saídas de recursos. A DRJ julgou a impugnação improcedente, com base no fundamento de que são elementos suficientes para autorizar o arbitramento das contribuições previdenciárias, e a inversão do ônus da prova, a omissão do sujeito passivo em apresentar seus documentos fiscais e contábeis, sua conduta de deixar de esclarecer a natureza das movimentações bancárias, deixar de informar, em GFIP, todos os pagamentos feitos aos trabalhadores autônomos que lhe prestam serviços, cuja mão de obra é intensiva na sua atividade empresarial de ensino e educação. Além disso, argumentou que os extratos bancários constituem indícios suficientes da ocorrência do fato gerador, e que a autuada deixou de apresentar provas em sentido contrário. Em 08/08/2013, a interessada, representada por advogado qualificado nos autos, interpôs recurso, f. 15451555, reiterando, na íntegra, os pedidos e os fundamentos apresentados na impugnação. Em seguida, os autos foram enviados a este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 1594DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10980.726601/201174 Acórdão n.º 2301004.374 S2C3T1 Fl. 1.593 5 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora Conheço do recurso por estarem presentes os requisitos de admissibilidade. Prova do Fato Gerador. Presunção. Arbitramento No processo administrativo tributário, em regra, o ônus da prova recai sobre quem dela se aproveita, nos termos do art. 333 do CPC1, cabendo ao órgão lançador a prova da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, e, ao contribuinte, a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda. Quando o fato gerador é ocultado pelo sujeito passivo, ao deixar de apresentar documentos à fiscalização, ou quando os documentos apresentados não merecem fé, a autoridade fiscal pode se valer da presunção comum para comprovar o fato imponível, amparada no art. 335 do CPC: Art. 335. Em falta de normas jurídicas particulares, o juiz aplicará as regras de experiência comum subministradas pela observação do que ordinariamente acontece e ainda as regras da experiência técnica, ressalvado, quanto a esta, o exame pericial. As presunções podem ser classificadas em duas espécies: a) comum, hominis ou humana e b) legal ou iuris. Para a doutrina tradicional, a presunção comum constitui resultado de um processo lógico, mediante o qual, do fato conhecido, cuja existência é certa, inferese o fato desconhecido ou duvidoso, cuja existência é provável, ao passo que a presunção legal é norma jurídica que estatui a verdade deôntica de um fato desconhecido com base em outro fato conhecido2. É possível delimitar diferenças na distribuição do ônus da prova em função da classificação da presunção, conforme posicionamento de Marcos Vinícius Neder3: Se a lei tributária institui presunções para facilitar a atuação do Estado no seu dever de comprovar o ilícito, há a inversão do ônus da prova sobre o fato presumido. O artigo 281 do 1 Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. 2 HARET, Florence Cronemberger. Presunções em direito tributário: teoria e prática. 2010. Tese (Doutorado em Direito Econômico e Financeiro) Faculdade de Direito, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2010. Disponível em: <http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2133/tde28012011090558/>. Acesso em: 20141024. 3 NEDER, Marcos Vinícius. Aspectos Formais e Materiais no Direito Probatório. A prova no processo tributário. Coordenadores Marcos Vinícius Neder, Eurico Marcos Diniz de Santi, Maria Rita Ferragut. São Paulo: Dialética, 2010, p. 2021. Fl. 1595DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 6 Regulamento do Imposto de Renda, de 1999, por exemplo, estabelece a presunção relativa de omissão de receita na hipótese de se constatar saldo credor de caixa na escrituração do contribuinte. Assim, basta ao auditor demonstrar a existência desse saldo credor (fato indiciário) para que se infira omissão de receita (fato presumido). ... Por outro lado, se a acusação se baseia exclusivamente numa presunção simples, extraída da experiência ou de um raciocínio indutivo decorrente da observação de outros fatos, há necessidade de se coletar um conjunto probatório que permita o convencimento do julgador. Nessa hipótese, não há inversão do ônus da prova e cumpre ao autor da exigência fiscal a justificação da vinculação entre o fato presuntivo e o presumido. Em suma, na presunção legal, é a lei tributária, com a finalidade de facilitar a atuação do Estado no seu dever de comprovar o ilícito, que define o consequente (fato presuntivo), cabendo ao agente fiscal comprovar apenas que o antecedente ocorreu (fato indiciário). Já na presunção comum, o agente fiscal, além de comprovar o fato indiciário, deve demonstrar a vinculação entre este e o fato presuntivo (causalidade normativa4), e este vínculo deve ser relevante o suficiente para se reconhecer a ocorrência do fato gerador. Vêse que o ônus da prova do fato gerador é do fisco, ainda que o faça por meios indiretos. Comprovado o fato gerador, por presunção ou não, inexistindo meios diretos de apuração da base de cálculo do tributo, à autoridade administrativa cabe arbitrar o valor devido, conforme autoriza o art. 148 do CTN e, no caso das contribuições previdenciárias, art. 33, §§ 3º e 6º da Lei 8.212/91, passando para o sujeito passivo o ônus da prova em contrário: CTN Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Lei 8.212/91 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título 4 Maria Rita Ferragut ensina que a causalidade normativa estabelece que "dado o antecedente, deveser o consequente". (FERRAGUT, Maria Rita. Presunções: Meio de Prova do Fato Gerador? in A Prova no processo tributário, Coordenadores: Marcos Vinicius Neder, Eurico Marcos Diniz de Santi, Maria Rita Ferragut. São Paulo: Dialética, 2010.), p. 115. Fl. 1596DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10980.726601/201174 Acórdão n.º 2301004.374 S2C3T1 Fl. 1.594 7 de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). ... § 3ª Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). ... § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Esses dispositivos legais, nas hipóteses neles previstas, transferem ao sujeito passivo o ônus de provar que o valor do tributo arbitrado pelo Fisco não corresponde ao valor real. Não vejo, nessas normas, fundamento legal para se transferir, ao sujeito passivo, o ônus da prova da ocorrência do fato gerador, que é, em regra, do Fisco, nem autorização para que o Fisco adote como fato gerador qualquer fato econômico, sem demonstrar a ligação entre eles. O arbitramento não é instrumento de sanção ao sujeito passivo não cumpridor do seu dever de colaboração com o Fisco, o que compete às multas impostas em razão da conduta infratora. Tanto que, ao se arbitrar o valor da base de cálculo do tributo, devem ser utilizados parâmetros razoáveis, compatíveis com a realidade. No caso concreto, o agente fiscal identificou que a Recorrente presta serviços de cursos preparatórios para vestibular e concursos públicos, cursos de língua estrangeira, aperfeiçoamento profissional e agenciamento e treinamento de mão de obra e concluiu que ela contrata pessoas físicas sem vínculo empregatício para execução de suas atividades. Essa assertiva não foi contestada pela Recorrente, portanto, tratase de ponto incontroverso. A contratação das pessoas físicas sem vínculo empregatício não foi informada em GFIP, e a empresa foi então intimada a apresentar as folhas de pagamento e os livros contemplando os valores pagos, devidos ou creditados a esses profissionais, mas deixou de atender a intimação, inviabilizando a obtenção da prova direta dos fatos geradores de contribuições previdenciárias e das respectivas bases de cálculo. A fiscalização identificou, na movimentação bancária obtida dos extratos bancários requisitados às instituições financeiras, diversos pagamentos tendo por beneficiários sócios e outras pessoas físicas sem vínculo empregatício, além de pessoas jurídicas e demais beneficiários não identificados. Fl. 1597DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 8 Aplicando o raciocínio presuntivo comum, a autoridade lançadora concluiu, primeiro, que os lançamentos bancários relativos a pagamentos feitos às pessoas físicas e a alguns beneficiários não identificados, são pagamentos feitos a trabalhadores autônomos ou eventuais (contribuintes individuais) em razão de serviços prestados à empresa; segundo, que os pagamentos feitos a pessoas jurídicas e a alguns beneficiários não identificados constituem remunerações indiretas/benefícios indiretos pagos aos sócios. Por fim, classificou todos esses lançamentos bancários, individualizados nas planilhas de fls. 49135, como fatos geradores de contribuições previdenciárias, adotando o valor total como base de cálculo do tributo. Com relação às transações bancárias relativas aos pagamentos feitos a pessoas físicas sem vínculo empregatício, entendo que o vínculo jurídico existente entre os pagamentos e os serviços prestados à Recorrente é evidenciado pela necessidade de contratação de profissionais autônomos e eventuais, para a execução das atividades do empreendimento, além do que, pelas regras da experiência, pagamentos feitos nessas condições possuem caráter remuneratório. Com relação às transações bancárias relativas aos pagamentos feitos diretamente aos sócios, o vínculo jurídico existente entre esses pagamentos e os serviços prestados à Recorrente decorre da própria condição de sócio, e, pelas regras da experiência, esses pagamentos também possuem caráter contraprestativo. Essas operações são relevantes, para fins previdenciários, pois a prestação de serviço remunerado, por sócio e demais pessoas físicas sem vínculo empregatício, é fato gerador de contribuições previdenciárias, a cargo da empresa5 e a cargo dos segurados contribuintes individuais, devidas pela empresa na condição de responsável por substituição6. Portanto, a Recorrente, apesar de intimada, deixou de esclarecer, à fiscalização, a natureza dos pagamentos feitos aos sócios e às demais pessoas físicas sem vínculo empregatício, logo, diante da sua omissão, e da demonstração, pelo agente fiscal, da existência de todos os elementos necessários ao reconhecimento do fato gerador (fato indiciário, causalidade normativa e materialidade do fato presuntivo), passa a ser da Recorrente a prova de que esses pagamentos não possuem natureza contraprestativa. Quanto aos pagamentos feitos aos beneficiários não identificados, a fiscalização deixou de mencionar fatos, ainda que indiciários, capazes de vincular os pagamentos à contratação de trabalhadores pessoas físicas. Seria pertinente demonstrar, por exemplo, que a Recorrente tinha necessidade de contratar muitos trabalhadores, que ela não possuía um quadro de empregados compatível com o volume e a natureza de suas atividades, que ela pagou os beneficiários não identificados nas mesmas datas e em valores compatíveis com os pagamentos feitos às pessoas físicas identificadas, dentre outros. Sem qualquer elemento adicional, e sem que a lei estipule presunção legal, não é possível afirmar que os pagamentos feitos a beneficiários não identificados constituem pagamentos a pessoas físicas por serviços prestados à empresa. 5 Lei 8.212/91 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: ... III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). 6 Lei 10.666/2003 (redação vigente à época dos fatos geradores) Art. 4o Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia dois do mês seguinte ao da competência. Fl. 1598DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10980.726601/201174 Acórdão n.º 2301004.374 S2C3T1 Fl. 1.595 9 O mesmo ocorre em relação aos pagamentos feitos a pessoas jurídicas, os quais não foram vinculados à aquisição de utilidades destinadas aos sócios, seja por qualquer elemento de prova, ainda que indiciária. Em suma, o lançamento é válido na parte relativa aos pagamentos feitos a pessoas físicas e inválido na parte relativa aos pagamentos feitos a pessoas jurídicas e aos pagamentos feitos a beneficiários não identificados. Conclusão Com base no exposto, voto por CONHECER DO RECURSO e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que sejam excluídos, da base de cálculo, os valores referentes a pagamentos feitos a pessoas jurídicas e aos pagamentos cujos beneficiários não estão identificados. Luciana de Souza Espíndola Reis Fl. 1599DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR
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Numero do processo: 10711.006547/2004-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/11/1994 a 31/07/2003
Transitada em julgado a sentença que resolve o mérito da questão de ser Taxa (espécie tributária) o valor pago pela Recorrente ao Fundo de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento das Atividades de Fiscalização (FUNDAF), presumem-se deduzidas e repelidas todas as alegações e defesas que poderiam haver sido opostas à pretensão da Recorrente para reconhecer a aplicabilidade da coisa julgada formada em ação própria.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 3402-002.975
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para reconhecer estar superada a discussão da natureza tributária da taxa da FUNDAF, também, por reconhecer a aplicabilidade da coisa julgada formada na ação própria e determinar o retorno do processo a DRJ para análise e julgamento dos demais pressupostos a restituição requerida pela Recorrente.
ANTONIO CARLOS ATULIM
Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para reconhecer estar superada a discussão da natureza tributária da taxa da FUNDAF, também, por reconhecer a aplicabilidade da coisa julgada formada na ação própria e determinar o retorno do processo a DRJ para análise e julgamento dos demais pressupostos a restituição requerida pela Recorrente. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para reconhecer estar superada a discussão da natureza tributária da taxa da FUNDAF, também, por reconhecer a aplicabilidade da coisa julgada formada na ação própria e determinar o retorno do processo a DRJ para análise e julgamento dos demais pressupostos a restituição requerida pela Recorrente. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 65 47 /2 00 4- 98 Fl. 898DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22 /03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 2 Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Complementando, novamente o relatório de fls. 559 a 566 do então Conselheiro Tarásio Campelo Borges e o meu em fls. , em 22/07/2014 a extinta 1ª Turma da 1ª Câmara da 3ª Seção acordou em baixar o processo novamente em diligência para que a Procuradoria da Fazenda Nacional em definitivo se manifestasse a respeito dos documentos acostados aos autos e finalmente a PFN insistiu que a cobrança da taxa FUNDAF é devida e que logo não deve ser restituída. Voltando esse processo a essa relatoria, a Recorrente em início de 2016 informa que, em 23/10/2015, transitou em julgado decisão proferida pelo C.STF, nos autos do processo nº 002427505.2004.4.02.5101, movido pela Recorrente em face da União Federal, reconhecendo, em caráter definitivo, a inexistência de relação jurídicotributária que a obriga ao recolhimento da Contribuição ao FUNDAF, em razão das inconstitucionalidades e ilegalidades que permeiam a instituição e a arrecadação da exação, haja vista que está possui natureza tributária. A Recorrente, junta todos os documentos pertinentes a comprovação de suas informações. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro, Conforme inicialmente relatado, tratase de Recurso Voluntário, tempestivo, contra acórdão unânime da Primeira Turma da DRJ Florianópolis/SC de fls. 315 a 320 (volume II), que indeferiu o pleito de restituição de direito creditório da contribuição para o Fundo Especial de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento das Atividades de Fiscalização (FUNDAF) do período de novembro 1994 a julho 2003, recolhida para o ressarcimento de despesas administrativas com serviços de fiscalização aduaneira em terminal retroportuário alfandegado (TRA). A Recorrente sempre sustentou que a contribuição para o fundo especial instituído pelo Decretolei 1.437, de 17 de dezembro de 1975, artigo 6º, estabelecida pelo Secretário da Receita Federal com base no artigo 566 do RA 1985, que regulamenta o artigo 22 do Decretolei 1.455, de 7 de abril de 1976, tem natureza tributária mas “tal gravame não se mostra adequado ao Sistema Jurídico Positivo, pois apresenta vícios de ilegalidade e de inconstitucionalidade”, porque “ instituída por pessoa incompetente, por veículo inadequado principalmente, no artigo 150, inciso I, da Constituição da República e nos artigos 3º, 4º e 97, inciso IV, do Código Tributário Nacional. Fl. 899DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22 /03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 10711.006547/200498 Acórdão n.º 3402002.975 S3C4T2 Fl. 3 3 No entanto, a autoridade julgadora administrativa recorrida entendeuse impedida de enveredar em seara que trata da inconstitucionalidade das normas legais e da ilegalidade dos atos administrativos e normativos. Tão pouco entendeu que as diversas decisões proferidas no âmbito do Terceiro Conselho de Contribuintes, não fazem normas a serem observadas em sede de julgamento de primeira instância administrativa. No mais, para afastar a pretensão da Recorrente, entenderam aquele órgão de julgamento que a natureza jurídica da FUNDAF não é tributária, seja do ponto de vista jurídico ou teórico, mas prestações de caráter contratual. A Procuradoria da Fazenda Nacional, chamada a se manifestar por duas vezes através de resoluções desse colegiado, na última vez afirmou que as decisões judiciais juntadas pela Recorrente (folhas 453 a 506, 508 a 558 e 620 a 638) que acataram o argumento de ilegalidade daquele encargo sob o fundamento que este encargo possui natureza de taxa, não tem como parte de nenhum dos processos a recorrente. Também, a PGFN afirmou que a natureza do FUNDAF é objeto de discussão no judiciário e não existe qualquer manifestação vinculante sobre o tema por parte dos tribunais superiores e defende que aquele encargo se caracteriza como mero encargo do contrato firmado pelo particular com a administração. Entretanto, a existência da Ação Declaratória em face da União Federal movida pela Recorrente (petição inicial e todo o andamento do processo até o seu transito em julgado juntados aos autos, analisados no eprocesso por essa relatora), dão conta que estão superadas todas as questões da natureza jurídica tributária da contribuição da FUNDAF como taxa, uma espécie de tributo e sua exigência, com base, exclusivamente, em critérios preconizados em atos do Poder Executivo, revestese de ilegalidade em ação própria da Recorrente, com trânsito em julgado no STF. Contudo é imperioso destacar, também, que o Parecer PGFN/COCAT nº 2, de 02/01/2013, item 56, que determina que: “A decisão judicial de mérito passada em julgado tem como atributos especiais a indiscutibilidade, a imutabilidade e a coercibilidade, o que obriga o seu cumprimento pela autoridade administrativa, ainda que exista acórdão do CARF em sentido contrário. ” Isto posto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para determinar o retorno dos autos a DRJ para que a mesma análise e julgue os demais pressupostos ao pleito de restituição do contribuinte. É como voto. Relatora Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro Fl. 900DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22 /03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 4 Fl. 901DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22 /03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000455/2007-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002
DECADÊNCIA. MULTA REGULAMENTAR. DCTF
O prazo decadencial para lançamento da multa regulamentar pelo não entrega ou entrega deficiente da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF, segue a regra do tributo a que se refere, aplicando-se destarte a regra do art. 173, I do CTN. Como não há auto-lançamento, não há como se falar na aplicação do art. 150 do CTN.
Súmula CARF Nº 104
Numero da decisão: 1301-001.925
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao Recurso de Ofício, e, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Gilberto Baptista que cancelava a multa isolada.
(documento assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Hélio Eduardo de Paiva Araújo - Relator.
EDITADO EM: 27/01/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado) Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Gilberto Baptista (suplente convocado) e Wilson Fernandes Guimarães.
Nome do relator: HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002 DECADÊNCIA. MULTA REGULAMENTAR. DCTF O prazo decadencial para lançamento da multa regulamentar pelo não entrega ou entrega deficiente da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF, segue a regra do tributo a que se refere, aplicando-se destarte a regra do art. 173, I do CTN. Como não há auto-lançamento, não há como se falar na aplicação do art. 150 do CTN. Súmula CARF Nº 104
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MULTA ISOLADA. Lançamento de multa isolada por falta ou insuficiência de recolhimento de estimativa de IRPJ ou de CSLL submetese ao prazo decadencial previsto no art. 173, inciso I, do CTN. Súmula CARF Nº 104 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002 DECADÊNCIA. MULTA REGULAMENTAR. DCTF O prazo decadencial para lançamento da multa regulamentar pelo não entrega ou entrega deficiente da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, segue a regra do tributo a que se refere, aplicandose destarte a regra do art. 173, I do CTN. Como não há autolançamento, não há como se falar na aplicação do art. 150 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao Recurso de Ofício, e, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Gilberto Baptista que cancelava a multa isolada. (documento assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 04 55 /2 00 7- 38 Fl. 2259DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES 2 (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator. EDITADO EM: 27/01/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado) Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Gilberto Baptista (suplente convocado) e Wilson Fernandes Guimarães. Fl. 2260DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 14041.000455/200738 Acórdão n.º 1301001.925 S1C3T1 Fl. 2.260 3 Relatório CASA DA MOEDA DO BRASIL CMB, já qualificada nos autos, recorre da decisão proferida pela 2a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) DRJ/BSB, que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade para também manter em parte o crédito tributário exigido através do lançamento de ofício. Consta da decisão recorrida o seguinte relato, do qual ora me valho: Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra a pessoa jurídica identificada no preâmbulo, para exigência de multa isolada e de multa regulamentar, no total de R$ 918.128,99, decorrentes de falta de recolhimento da CSLL sobre a base de cálculo estimada e de inexatidão na DCTF entregue à Receita Federal (RFB), atinentes ao ano calendário de 2002. Consoante o Termo de Verificação Fiscal, parte integrante do auto de infração, o lançamento decorreu de procedimento de revisão interna de declaração para a verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte, tendo sido verificado que a interessada, apesar de ter apurado CSLL a pagar, conforme consta da DIPJ correspondente, não efetuou o respectivo pagamento e tampouco informou tais valores em DCTF. Nesse mesmo documento, a Fiscalização registrou que a requerente foi intimada a prestar esclarecimentos quanto às divergências encontradas, porém não foi atendida em virtude de a autuada ter mudado a sede sem providenciar a alteração no cadastro da RFB, motivo pelo qual a intimação retornou. Cientificado do lançamento em 24/07/2007, o contribuinte apresentou impugnação em 21/08/2007, informando, de início, as peculiaridades relativas à localização da Casa da Moeda do Brasil em razão do disposto em sua Lei de criação, de nº 5.895/73. Quanto ao mérito, alegou que a Casa da Moeda acumulou créditos tributários referentes a pagamentos realizados por estimativa nos exercícios de 1993, 1994 e 1995, e créditos decorrentes de retenções na fonte efetuadas por órgãos públicos, a partir de 1997, os quais teriam sido utilizados para quitar a contribuição devida no anocalendário de 2002. O processo foi então remetido à DRF Brasília, em 18/12/2008, para que, em procedimento de diligência, fosse confirmado o direito alegado pelo contribuinte, verbis: "Considerando que os créditos informados pelo contribuinte na fase impugnatória são referentes a outros exercícios, não sendo possível a esta instância julgadora verificar, a partir dos elementos dos autos, a efetiva existência dos alegados créditos, bem como a disponibilidade dos mesmos para compensação no anocalendário 2002, objeto de autuação fiscal, proponho o retorno dos autos à autoridade lançadora, DRF/Brasília, para a realização de diligência fiscal a fim de comprovar: Fl. 2261DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES 4 1. A existência dos alegados créditos decorrentes de recolhimentos a maior realizados desde os exercícios de 1993, 1994 e 1995, referentes a pagamentos realizados por estimativa nos referidos exercícios, bem como dos créditos por retenções na fonte efetuadas por órgãos públicos a partir de 1997, informados pelo contribuinte em sua impugnação; 2. A efetiva disponibilidade de tais créditos para compensação na DIPJ2003, certificandose, com base em seus registros contábeis/fiscais, que não houve a utilização dos referidos valores em outras compensações. Em atenção a tal solicitação, procedeu a DRF Brasília à investigação correspondente, tendo sido consignado na Informação Fiscal, constante das fls. 665 a 671 (numeração do processo digital), o que segue: “Dando início à diligência demandada, em 01/09/2010 intimouse a interessada a prestar os esclarecimentos mencionados alhures por meio do Termo de Intimação 0126/2010, fl. 477. Como não houve resposta, o contribuinte foi re intimado, por meio do Termo de Reintimação 0181/2010, à fl. 478, em 01/12/2010. Em resposta, o contribuinte apresentou as seguintes informações: Impressos intitulados “ANALÍTICO DE CONTAS”, juntamente com balancetes patrimoniais e impressos da escrituração do SIAFI de 1999 a 2009, fls. 521 a 592, DIPJ 93 a 95, fl. 596 a 631 e uma planilha resumo intitulada DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL S/ LUCRO LÍQUIDO, fl. 480. Os livros diário e razão solicitados não constavam da documentação recebida. [...] A partir das novas documentações apresentadas foi possível perceber algumas divergências, a saber: O somatório mensal dos valores recolhidos, segundo o DEMONSTRATIVO DA ORIGEM DOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS diverge do total dos DARFs apresentados (...) O DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL S/LUCRO LÍQUIDO, fl. 480, apresenta supostos créditos em meses em que não há recolhimento do referido tributo. Além disso, os valores mensalmente recolhidos não coincidem com os créditos alegados, constantes do DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL S/ LUCRO LÍQUIDO, (...) [...] Por todo o exposto, ainda que todas as informações apresentadas pelo contribuinte não divergissem ou que todas as planilhas elaboradas guardassem fidelidade entre si, ainda assim, sem a escrituração contábil, seria improvável a concessão do direito, que precisa ser provado pela forma determinada em Lei. Dessa forma, impossível a essa atividade de fiscalização comprovar, a partir de informações desencontradas e sem analisar a escrituração contábil, a existência de direito creditório em favor da interessada, tampouco determinar algum valor que pudesse ser utilizado em futuras compensações.(g.n.)” Tendo sido concluído o procedimento de diligência, com conclusão desfavorável ao contribuinte, os autos foram remetidos a esta DRJ, para prosseguimento. Entretanto, em atenção ao princípio do contraditório e da ampla defesa, o processo foi enviado à unidade de origem para dar ciência à autuada da conclusão da diligência e reabrir o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação. Cientificada do resultado da diligência em 04/07/2011, a interessada apresentou nova impugnação em 02/08/2011, alegando, entre outras questões, a Fl. 2262DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 14041.000455/200738 Acórdão n.º 1301001.925 S1C3T1 Fl. 2.261 5 isenção de tributos federais concedida pela Lei nº 5.895/73, mencionando também a Nota COFIS nº 00042/2005 e os Pareceres PGFN/CAT nº 907/2005 e PGNF/CAT nº 2.338/2007. Destacase que a requerente não contestou a conclusão da fiscalização quanto à impossibilidade de se verificar a existência do crédito alegado, em vista da não apresentação da escrituração contábil e da prestação de informações desencontradas. No tocante à alegação da isenção relativa às receitas decorrentes do exercício de atividades monopolizadas, a impugnante apresenta uma possível inclusão, no auto de infração, de valores isentos, mas não identifica tais quantias e tampouco as comprova. Em atenção ao princípio da verdade material, foi proposto que este processo fosse devolvido ao órgão preparador, nos termos do que dispõe o art. 18 do Decreto nº 70.235/72, para que o contribuinte prestasse os esclarecimentos necessários, abaixo detalhados: 1. Elaborar demonstrativo que evidencie as receitas consideradas por ele isentas, juntando os documentos hábeis e idôneos que comprovem sua alegação; 2. Comprovar que seus registros contábeis respaldam a segregação dos montantes informados no demonstrativo anteriormente citado como sendo decorrentes do exercício de atividade monopolizada passível de isenção tributária; 3. Elaborar demonstrativos com a apuração dos tributos devidos em decorrência do expurgo dos valores considerados como isentos de tributação, por período de apuração. De posse das informações prestadas pelo contribuinte, deverá a Fiscalização confrontar e ratificar os dados, bem como verificar a repercussão do resultado da diligência no auto de infração lavrado, com a conseqüente demonstração do valor realmente devido a título de estimativa de CSLL relativa ao anocalendário de 2002, bem como eventual alteração nos valores lançados em decorrência da inexatidão na DCTF entregue à Receita Federal, atinente a esse mesmo anocalendário. Após conclusão dos trabalhos de diligência, esta turma devolveu os autos à DRF de Brasília para que a fiscalização elaborasse um relatório conclusivo a respeito da repercussão nos tributos devidos, por período, decorrentes da atividade isenta. Como resultado desta nova diligência a autoridade diligenciante concluiu: “Assim, elaborouse o demonstrativo constante do Anexo I ao presente relatório, que apresenta o cálculo dos valores da multa isolada e da multa regulamentar após a exclusão das receitas monopolizadas assim consideradas por esta DRF/Brasília quando da análise objeto da já mencionada primeira diligência sobre o assunto (fls. 1923 a 1934) na determinação das bases de cálculo estimadas da CSLL no anocalendário de 2002. Cabe também registrar que as antecipações (retenções na fonte) consideradas por esta Fiscalização no cálculo da CSLL a pagar foram aquelas efetivamente informadas na Ficha 16 da DIPJ 2003, vez que essa questão já fora objeto de diligência anterior neste mesmo processo, encontrandose, portanto, superada. Finalmente, para fins de comparação, também foi elaborado o demonstrativo constante do Anexo II ao presente relatório, que apresenta, a partir dos dados constantes do demonstrativo apresentado pela empresa à fl. 2004, o cálculo original Fl. 2263DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES 6 do auto de infração (sem a exclusão das receitas monopolizadas) com pequena variação em relação ao valor da multa regulamentar referente ao mês de janeiro/2002..” A impugnante devidamente cientificada manifestouse (resumo): Devemos esclarecer, que a Casa da Moeda do Brasil em ocasiões passadas declarou em defesa apensada aos referidos processos, ter cometido engano no preenchimento da DIPJ 2003/2002, no IRPJ (Ficha 12A linha 16) na CSLL (Ficha 17 linha 38), onde ambas deveriam constar o valor igual a (ZERO), fato que mesmo excluindose os valores dessas linhas a Casa da Moeda ainda assim, continuaria com Crédito Tributário de IRPJ e CSLL. Com o advento do último Parecer PGFN/CAT/N° 1.409/2009, enviado à Secretaria da Receita Federal do Brasil em 22 de Junho de 2009, o colegiado da Casa da Moeda do Brasil, passou a utilizarse da Imunidade Fiscal de suas Receitas consideradas Monopolizadas (Lei nº 5.895 de 19 de Junho de 1973). Nesta ocasião, já não havia possibilidade de retroagir à 2002, para fazer valer a exclusão do "Lucro Real", a parcela das Receitas consideradas Monopolizadas, ou seja, não tributáveis. QUANTO AO ANEXO I DO RELATÓRIO DE DILIGÊNCIA FISCAL Processo n" 14041000456/200782 (IRPJ) Processo n" 14041.000455/200738 (CSLL) Os relatórios foram elaborados em duas versões, considerando as exclusões das Receitas consideradas Monopolizadas, e outra não considerando as Receitas Monopolizadas. Os relatórios somente se retrataram aos cálculos baseados nas Fichas 11 Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa, e Ficha 16 Cálculo da Contribuição sobre o Lucro Líquido por Estimativa. É fato, que os Cálculos somente contemplam as Receitas auferidas nos meses de Janeiro à Dezembro por Estimativa, e, que na ocasião, em alguns meses do período foram apontados Débitos de Impostos, porém, em ocasiões em que a Casa da Moeda se manifestou, relativamente aos Processos em questão ficou registrado, que os Débitos teriam sido compensados com Créditos de Exercícios Anteriores. É fato que, quando da ocorrência dos Débitos citados, ficou reconhecido pela própria Casa da Moeda, constante nos Processos, que no momento das compensações dos Débitos, careceram o cumprimento das Obrigações Acessórias (DCTF/PER/DCOMP). Diante do exposto, desejamos registrar nosso "MANIFESTO", com todo respeito, para que seja levado em consideração, que a DIPJ 2003/2002 em sua Ficha 9A é que determina a "DEMONSTRAÇÃO DO LUCRO REAL", base para o cálculo e Apuração dos Impostos Devidos, Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Se levarmos em consideração que a DIPJ 2003/2002, não está contemplando as EXCLUSÕES DAS RECEITAS MONOPOLIZADAS, e caso, aplicarmos as devidas exclusões das Receitas Monopolizadas do Lucro Real, certamente a Casa da Moeda do Brasil, passará a apresentar "SALDOS CREDORES" na Apuração dos Impostos de Imposto de Renda e Contribuição Social, não havendo Imposto a Recolher. Fl. 2264DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 14041.000455/200738 Acórdão n.º 1301001.925 S1C3T1 Fl. 2.262 7 É importante registrar que, os princípios da legalidade e verdade material autorizam a retificação da declaração original a qualquer momento, principalmente quando for comprovada a existência de erro de direito ou de fato. A 2ª Turma da DRJ/BSB, analisou os argumentos apresentados pela impugnante, proferindo decisão para julgar parcialmente procedente sua manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2002 ATIVIDADES MONOPOLIZADAS OU DELAS DECORRENTES. EXCLUSIVIDADE. FABRICAÇÃO DE PAPEL MOEDA E MOEDA METÁLICA. IMPRESSÃO DE SELOS POSTAIS E FISCAIS FEDERAIS. NÃO INCIDÊNCIA. A Casa da Moeda do Brasil, empresa pública de direito privado vinculada ao Ministério da Fazenda, exerce a fabricação de papel moeda e moeda metálica e a impressão de selos postais e fiscais federais e títulos da dívida pública federal. São atividades monopolizadas, caracterizadas como serviço público próprio, de prestação obrigatória e exclusiva do Estado, razão pela qual se encontram albergadas por isenção de tributos federais referente ao patrimônio, à renda e aos serviços vinculados. A ora recorrente, devidamente cientificada do acórdão recorrido, apresenta recurso voluntário tempestivo, onde repisa os argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, enfatizando que os lançamentos de ofício quanto às multas isoladas e regulamentar estão fulminados pela decadência uma vez que tais fatos geradores têm bases mensais. É o relatório. Fl. 2265DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES 8 Voto Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo RECURSO DE OFÍCIO Quanto à admissibilidade do recurso de ofício, devese ressaltar o teor do art. 1º da Portaria MF nº 3, de 03/01/2008, publicada no DOU de 07/01/2008, a seguir transcrito: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). No caso em tela, ao somar os valores correspondentes a tributo e multa afastados em primeira instância (fl. 1648), verifico que superam o limite de um milhão de reais, estabelecido pela norma em referência. Portanto, o recurso de ofício é cabível, e dele conheço. Quanto ao mérito, verificase que a autoridade julgadora em primeira instância constatou erro nos cálculos efetuados pela autoridade lançadora, no que tange à determinação da CSLL devida, pelo que reduziu a exigência ao valor que entendeu correto. Para maior clareza, transcrevo o excerto da decisão recorrida: Depois das diligências, permanece como matéria litigiosa a análise das receitas isentas auferidas pela impugnante no desempenho de suas atividades. Sobre o assunto, vale transcrever os artigos 1º, 2º e 11 da Lei nº 5.895, de 1973: “Art . 1º Fica o Poder Executivo autorizado a transformar a autarquia Casa da Moeda em empresa pública, sob a denominação de "Casa da Moeda do Brasil," dotada de personalidade jurídica de direito privado, com patrimônio próprio e autonomia administrativa, vinculada ao Ministério da Fazenda. (...) Art . 2º A Casa da Moeda do Brasil terá por finalidade, em caráter de exclusividade, a fabricação de papel moeda e moeda metálica e a impressão de selos postais e fiscais federais e títulos da dívida pública federal. Parágrafo único. Sem prejuízo do disposto neste artigo a Casa da Moeda do Brasil poderá exercer outras atividades compatíveis com suas atividades industriais. Art . 11. No que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços vinculados as suas atividades monopolizadas ou delas decorrentes, a Casa da Moeda do Brasil goza de isenção de tributos federais.” Fl. 2266DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 14041.000455/200738 Acórdão n.º 1301001.925 S1C3T1 Fl. 2.263 9 Constatase que a isenção de tributos federais referente ao patrimônio, à renda e aos serviços vinculados aplicase às atividades monopolizadas ou delas decorrentes, e que a impugnante exerce, em caráter de exclusividade, a fabricação de papel moeda e moeda metálica e a impressão de selos postais e fiscais federais e títulos da dívida pública federal. Sobre o assunto, já se manifestou a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional – PGFN por meio dos Pareceres PGFN/CAT nº 907/2005 e PGFN/CAT nº 2.338/2007, no sentido de ratificar a isenção para as atividades monopolizadas ou dela decorrentes referentes ao patrimônio, à renda e aos serviços vinculados e esclarecer que a alusão aos tributos federais abrangeria também o PIS e a COFINS. Em ato mais recente, no Parecer PGFN/CAT nº 1409, de 2009, a PGFN foi provocada pela Receita Federal para que fosse retificado o Parecer PGFN/CAT/nº 2.338/2007 com o intuito de prevalecer "o não reconhecimento da isenção pretendida pela Casa da Moeda do Brasil e, por conseguinte, para concluir que as receitas decorrentes das atividades monopolizadas desenvolvidas pela Casa da Moeda do Brasil estariam sujeitas à tributação: IRPJ. CSLL, PISPasep e COFINS”. Contudo, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional – PGFN manteve o entendimento já exposto nos pareceres anteriores. Dessa forma, quanto às atribuições da Casa da Moeda do Brasil, que fabrica papel moeda e moeda metálica e a impressão de selos postais e fiscais federais e títulos da divida pública federal, observase que na realidade, além da previsão legal de Isenção nos artigos 1º, 2º e 11 da Lei nº 5.895, de 1973, tratamse na realidade de serviços que deveriam ser prestado diretamente pela União, contudo, a União delegou à Casa da Moeda do Brasil. Este fato, a delegação, em absoluto, não tem o condão de tirar o caráter imune de tais serviços. Em suma, se a não incidência aqui pleiteada não fosse reconhecida, a União cobraria tributos de serviços prestados dela mesma, ou melhor, se ela prestasse diretamente, não cobraria, mas pelo fato da Casa da Moeda do Brasil, não ser mais Autarquia seria cobrado o tributo. Ora, a imunidade recíproca visa assegurar que as atividades públicas que sirvam de meio de ação dos entes federados no exercício de suas obrigações não tenham a eficiência comprometida em decorrência da tributação, ela não é um privilégio dos entes, ela nem é um privilégio dos serviços prestados, mas é simplesmente uma decorrência da forma do estado Brasileiro, que é a federação; pois, se fossemos um Estado unitário não seria preciso este tipo de imunidade. Diante dessa realidade, cabe ser observado, no caso concreto, qual a parcela das receitas auferidas pela impugnante seriam enquadradas como decorrentes de atividade imune, e nesse contexto, a análise dos autos permite constatar que, o resultado da diligência encaminhada por esta 2ª Turma constante na tabela anexo I de fl. 2.134 é o que se deve acatar. Não faço reparos ao quanto decidido em primeira instância. Com efeito, a autoridade lançadora olvidouse de excluir das bases de cálculo da CSLL devida por estimativa as receitas isentas do contribuinte. Com isso, os valores de CSLL Estimativa passaram a ser somente um percentual sobre as receitas tributadas, excluindose as receitas isentas. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Fl. 2267DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES 10 RECURSO VOLUNTÁRIO A contribuinte foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/BSB e intimada por decurso de prazo em 29/01/2014 (fl. 2170), e apresentou em 10/02/2014, recurso voluntário e demais documentos, juntados às fls. 2172/2252. Uma vez atendidos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, e sendo o mesmo tempestivo, dele conheço. Nos presentes autos exigese a multa isolada relativa às estimativas de CSLL não recolhidas em 2002 e descumprimento de obrigação acessória relativa ao preenchimento da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF. Originalmente, todos os meses do anocalendário 2002 sofreram a incidência da multa isolada, bem como por entrega incompleta das DCTFs, sendolhe aplicado a multa isolada de 50% sobre a CSLL a pagar e a multa regulamentar de 20% sobre a mesma CSLL devida. Após a discussão sobre eventuais receitas isentas do contribuinte (tratadas no Recurso de Ofício), sendo tais receitas isentas reconhecidas pela DRJ/BSB, constatouse que o contribuinte só tinha CSLL a pagar no mês de Janeiro de 2002, portanto mantevese as multas (isolada e regulamentar) somente sobre este período, nos valores de R$ 15.041,60 e R$ 6.016,64. Contudo, em seu recurso voluntário o contribuinte se insurge contra a pretensão do fisco, alegando, preliminarmente, que o direito de lançar havia decaído, nos termos do Art. 150, § 4º do CTN, uma vez que estamos diante de fatos geradores ocorridos em 31/01/2002 (estimativa mensal) e 15/05/2002 (DCTF 1º Tri) e que a ciência do lançamento de ofício somente ocorreu em 24/07/2007. Concordo com o argumento da recorrente! A aplicação da multa decorre do descumprimento do dever jurídico de recolher total ou parcialmente as antecipações do imposto de renda a título de estimativa. O legislador entendeu que a irregularidade seria passível de imposição da multa na modalidade isolada, sem cobrança do principal. Tal fato se justifica por não existir ainda a certeza do resultado do ajuste quando então será apurado o imposto efetivamente devido no período. Por outro lado, a aplicação isolada não desvincula a multa do tributo, ainda que a título de antecipação. Feita a opção pela apuração anual, a lei define o fato gerador mensal da estimativa que, inclusive, quando não recolhida no prazo sujeitase à multa já no mês seguinte ao vencimento. Sob esse prisma, a multa isolada decorrente de estimativa do imposto de renda ou da contribuição social não recolhida ou recolhida a menor submetese à regra decadencial daquele imposto a qual, na remansosa jurisprudência deste Colegiado, está definida no § 4º, do art. 150, do CTN, com prazo qüinqüenal contado a partir do fato gerador. No entender deste julgador, o fato gerador da estimativa mensal, ocorre ao final de cada mês calendário, pois, como dito alhures, caso não efetue as antecipações mensais, estará o contribuinte em mora, sujeito à multa e juros, ao final de cada mês calendário. Porém, ainda que o meu entendimento seja o dito acima, esta matéria (decadência das estimativas mensais), foi objeto de Súmula deste Colegiado, qual seja, a Súmula CARF nº 104, abaixo transcrita: Fl. 2268DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 14041.000455/200738 Acórdão n.º 1301001.925 S1C3T1 Fl. 2.264 11 Súmula CARF nº 104 – Lançamento de multa isolada por falta ou insuficiência de recolhimento de estimativa de IRPJ ou de CSLL submetese ao prazo decadencial previsto no art. 173, inciso I, do CTN. As súmulas CARF são de observância obrigatória por este Colegiado, por força do art. 45 do Anexo II do Regimento Interno em vigor, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes. Como a ciência da autuação ocorreu em 24/07/2007, não há como se falar em caducidade para o lançamento de ofício relativo ao mês de Janeiro de 2002. Quanto à DCTF, nos termos da Instrução Normativa nº 126/1998, a mesma deveria ter sido entregue até o último dia útil da primeira quinzena do segunda mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores. Contudo, para os casos de multas regulamentares por falta ou deficiência na entrega de declarações acessórias, neste caso a DCTF, como não há como se falar em tributo sujeito à homologação, entendo que o lançamento também se submete ao prazo decadencial previso no art. 173, inciso I, do CTN. Assim, o lançamento de multa regulamentar pela deficiência na entrega da referida DCTF em 27/07/2007 não estaria fulminado pela decadência, haja vista a aplicação do artigo 173, I do CTN. DIANTE DO EXPOSTO, oriento meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Sala de sessões, 22 de janeiro de 2016. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator Fl. 2269DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES
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Numero do processo: 18471.002941/2002-77
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998, 1999
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. REGIMENTO INTERNO. NÃO PREENCHIMENTO DE REQUISITOS. NÃO CONHECIMENTO.
Recurso de cognição estrita, os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão conviver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma. Contradição prevista na legislação processual refere-se aos fundamentos adotados pelo voto, ou seja, o cotejo encontra limites no corpo da decisão, numa acepção endógena. Elementos exógenos, como as razões apresentadas por uma das partes, por outras decisões anteriores, ou pela peça acusatória, encontram-se fora do alcance da admissibilidade.
Numero da decisão: 9101-002.177
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer os embargos, vencidos os Conselheiros Luís Flávio Neto (Relator) e Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro André Mendes de Moura.
(Assinatura Digital)
Conselheiro CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(Assinatura Digital)
Conselheiro LUÍS FLÁVIO NETO - Relator.
(Assinatura Digital)
Conselheiro ANDRÉ MENDES DE MOURA - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRÉ MENDES DE MOURA, LÍVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente) e CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998, 1999 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. REGIMENTO INTERNO. NÃO PREENCHIMENTO DE REQUISITOS. NÃO CONHECIMENTO. Recurso de cognição estrita, os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão conviver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Contradição prevista na legislação processual referese aos fundamentos adotados pelo voto, ou seja, o cotejo encontra limites no corpo da decisão, numa acepção endógena. Elementos exógenos, como as razões apresentadas por uma das partes, por outras decisões anteriores, ou pela peça acusatória, encontramse fora do alcance da admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer os embargos, vencidos os Conselheiros Luís Flávio Neto (Relator) e Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro André Mendes de Moura. (Assinatura Digital) Conselheiro CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 29 41 /2 00 2- 77 Fl. 1432DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 24/02/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digi talmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 18471.002941/200277 Acórdão n.º 9101002.177 CSRFT1 Fl. 1.433 2 (Assinatura Digital) Conselheiro LUÍS FLÁVIO NETO Relator. (Assinatura Digital) Conselheiro ANDRÉ MENDES DE MOURA Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRÉ MENDES DE MOURA, LÍVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (VicePresidente) e CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente). Relatório Tratamse de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO opostos pelo contribuinte em face do acórdão n 9101000.869, proferido na sessão de 23.02.11, pela Primeira Turma desta CSRF, no julgamento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Na linha com o que aduz o Embargante, o AIIM que deu origem ao contencioso administrativo foi lavrado em 06.12.2002. O AIIM possui diversos itens. Contudo, no que é pertinente à matéria subjacente aos embargos de declaração ora em análise, assim afirmou a autoridade fiscal responsável pela sua lavratura: "1.2. DAS CONCLUSÕES DA FISCALIZAÇÃO A análise conjugada dos fatos acima descritos revelam operações financeiras circulares, somente possíveis entre empresas de um mesmo Grupo Econômico, com o objetivo específico de, através de atos jurídicos, registros e classificações contábeis, evitar a incidência do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Em suma, tratase de capital de risco próprio travestido de capital de empréstimo (debentures) visando reduzir a base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Tal conclusão ficará melhor clarificada nos comentários a seguir apresentados. (...) 1.4) EFEITOS FISCAIS E FUNDAMENTAÇÃO LEGAL Diante das constatações feitas pela fiscalização, foram identificados os seguintes efeitos fiscais: • Glosa da apropriação das despesas financeiras, a t í t u lo de variação monetária em decorrência da correção das debêntures pelo IPGM; • Glosa da dedução da participação das debêntures em 1998 ( 9 8 % do lucro líquido apurado ); Fundamentação Legal • Artigo 242 do RIR/94, artigo 299 do RIR/99, artigos 4, 5 e 36 da Lei Fl. 1433DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 24/02/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digi talmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 18471.002941/200277 Acórdão n.º 9101002.177 CSRFT1 Fl. 1.434 3 n° 9.249/95, artigos 116 e 118 da Lei n° 5.172/66 (CTN) artigos 1°, parágrafo 1°, 145 e inciso I I , 150, da CF." No que é pertinente à matéria subjacente aos embargos de declaração ora em análise, DRJ decidiu o quanto ementado a seguir: "EMISSÃO DE DEBÊNTURES Pela leitura do item 1 do Termo de Esclarecimento e Constatação Fiscal (fls. 184/193), constatase que a fiscalização considerou que o aporte de capital realizado na empresa, no valor de R$ 34.000.000,00, teve por origem recursos próprios e não recursos de terceiros originados por empréstimo decorrentes de emissão de debêntures, invocando os artigos 116 e 118 do CTN como fundamento de sua conclusão. O contribuinte contesta a descaracterização do procedimento de emissão de debêntures, afirmando que se trata de planejamento tributário legitimamente articulado e que todos os mecanismos jurídicos utilizados para a captação de recursos por meio da emissão de debêntures obedeceram às formalidades legais, não houve qualquer violação à legislação tributária, não existindo qualquer desvio de finalidade ou método abusivo. Destarte, o cerne do presente litígio reside em apreciar se os mecanismos jurídicos empregados pelo contribuinte para fazer o aporte de capital, no valor de R$ 34.000.000,00, são válidos e eficazes ou se tratam de atos simulados. Inicialmente, cabe tecer algumas considerações sobre simulação, que no direito brasileiro o seu conceito encontrase positivado no artigo 102 do Código Civil de 1916, vigente à época (reproduzido no § I o do art. 167 da Lei n° 10.406, de 11 de janeiro de 2002), que dispõe: "Art. 102. Haverá simulação nos atos jurídicos em geral: 1 quando aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas das a quem realmente se conferem, ou transmitem; II quando contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; IIIquando os instrumentos particulares forem antedatados, ou pósdatados." (...) O procedimento adotado pelo contribuinte teve por escopo deixar de pagar tributos, como ele mesmo se vangloria em sua defesa, pois ao emitir debêntures com participação no lucro de 98%, o seu lucro fica sujeito à tributação apenas na parcela de 2% e, ainda, computa atualizações monetárias passivas incidentes sobre o valor das debêntures emitidas, deduzindo este valor na apuração do lucro líquido, fato que causa prejuízo ao fisco, devendo ser afastado esse procedimento e considerado, para efeitos de tributação a situação do fato real, qual seja, o aporte de capital no valor de R$ 34.000.000,00, representado pela integralização de capital pelos sócios da empresa. Diante do todo exposto, concluo pela procedência do lançamento que considerou indedutíveis, para efeito de apuração do lucro líquido, tanto as variações monetárias passivas calculados sobre o valor das debêntures, como as despesas relativas a remuneração das debêntures pagas aos debenturistas." Fl. 1434DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 24/02/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digi talmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 18471.002941/200277 Acórdão n.º 9101002.177 CSRFT1 Fl. 1.435 4 (grifos acrescidos ao original) Diante da decisão da DRJ, foi interposto recurso voluntário pelo contribuinte. Novamente no que é pertinente à matéria subjacente aos embargos de declaração ora em análise, a Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes decidiu o quanto ementado: "IRPJ/CSLL PARTICIPAÇÕES DE DEBÊNTURES DEDUTIBILIDADE ANOSCALENDÁRIO DE 1998 E 1999 Não estando provado nos autos que o negócio jurídico foi simulado ou engendrado com fraude à lei e, principalmente, não restando claro que os recursos ingressados na sociedade pertenciam aos sócios, as participações de debêntures, regularmente registradas e emitidas, reduzem o lucro líquido do exercício, por expressa previsão legal. Sendo capital financeiro, a remuneração das debêntures participativas não gozam do status de lucro distribuídos a que se refere o art. 10 da Lei n° 9.249/95." (grifos acrescidos ao original) A proclamação de resultado de julgamento do recurso voluntário, que será relevante para a análise dos presentes embargos de declaração, foi assim redigido: "Vistos, relatados e discutidos o.s presentes autos de recurso interposto por VASCO DA GAMA LICENCIAMENTOS S/A., atual CRISCO EMPREENDIMENTOS S/A. ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, afastar as preliminares de intempestividade e de inadmissibilidade do recurso e por unanimidade de votos, considerar prejudicada a preliminar de mudança de critério jurídico em face da decisão de mérito. E, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, quanto à glosa de despesas decorrentes da amortização das debêntures, glosas de variações monetárias passivas e de participações não dedutíveis e da omissão de variação monetária passiva, vencidos os Conselheiros Marcos Vinícius Neder de Lima e Albertina Silva Santos de Lima, que mantinham a exigência e, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, quanto às glosas de despesas e omissão de receitas de rendas a apropriar e, também, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, em relação a remessa de juros. O Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima fará declaração de voto." (grifos acrescidos ao original) Notese que, em seu recurso voluntário, o contribuinte argüiu preliminar de nulidade da decisão proferida pela DRJ, em razão da mudança de critério jurídico atinente à alegação de simulação, que não foi adotado como fundamento para a lavratura do AIIM originário. No entanto, diante do julgamento de mérito favorável ao contribuinte, tal questão, como se observa, foi considerada prejudicada pela Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. Nesse seguir, com a constatação da inexistência de qualquer ato simulatório presente no caso, a aludida Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes expôs: "A acusação central de que os recursos captados não são de terceiros, mas sim de capital próprio não tem sustentação fática. A fiscalização não conseguiu Fl. 1435DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 24/02/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digi talmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 18471.002941/200277 Acórdão n.º 9101002.177 CSRFT1 Fl. 1.436 5 mostrar que a emissão das debêntures não foi efetiva, tampouco logrou demonstrar que o recurso aportado não teve essa origem. Pelo contrário, a Recorrente provou que os recursos captados são originários dos subscritores das debêntures. (...) Quanto à tentativa dos julgadores de primeiro grau de imprimir novo embasamento jurídico ao lançamento me parece equivocado. Desnecessário teorizar acerca dos conceitos de simulação ou dissimulação, já esgotados pelos julgadores de primeiro grau e explicitados à exaustão pela recorrente. São lições por demais conhecidas deste Colegiado. De simulação não se trata, os atos foram registrados e declarados tal como praticados e queridos. Poderseia cogitar de fraude à lei, argumento da Procuradoria da Fazenda Nacional defendido na sustentação oral que fez o seu ilustre representante. Consoante a boa doutrina, a fraude à lei em matéria tributária ocorre quando o contribuinte se afasta de regime tributário mais gravoso por descumprimento indireto de regra imperativa de direito privado, na composição do ato ou negócio jurídico. Como dito antes, não há norma cogente que proíba, na atividade então desenvolvida pela recorrente, a composição do capital majoritariamente com recursos de terceiros. E mais, a norma permissiva utilizada pela recorrente para se capitalizar com emissão de debêntures está em pleno vigor. Não vejo, portanto, como sustentar a glosa efetuada pelo fisco do valor das participações em debêntures, nem a glosa da correção monetária do passivo nos valores de R$ 128.351,40, no anocalendário de 1998 e R$ 6.858.103,65, no anocalendário de 1999." (grifos acrescidos ao original) A Fazenda Nacional, então, interpôs recurso especial com fulcro no Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, vigente à época, com fundamento em decisão não unânime proferida pela Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. Nesse seguir, no que é pertinente à matéria dos embargos de declaração ora em análise, esta Primeira Turma da CSRF decidiu o quanto ementado a seguir: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1998, 1999 Ementa: REMUNERAÇÃO DE DEBÊNTURES SIMULAÇÃO NÃO DEDUÇÃO DO LUCRO REAL Se a emissão das debêntures não foi efetiva, restando manifesto o motivo simulatório de, por meio da emissão das debêntures e apropriação dos respectivos juros, originar despesas dedutíveis, essas devem ser consideradas como indedutíveis do lucro real. Revelada a simulação, não pode prevalecer a aplicação do art. 430 do RIR/94, atual art. 462 do RIR/99, que autoriza a dedução, na apuração do lucro líquido do períodobase, das participações nos lucros da pessoa jurídica asseguradas a debêntures de sua emissão. Este dispositivo se aplica à verdade declarada, mas não à verdade real apurada, que prevalece sobre aquela." (grifos acrescidos ao original) Intimado do referido acórdão, o contribuinte opôs os embargos de declaração ora em análise. Os seguintes trechos dos embargos de declaração deixam claro o seu objeto: Fl. 1436DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 24/02/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digi talmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 18471.002941/200277 Acórdão n.º 9101002.177 CSRFT1 Fl. 1.437 6 "3. A ementa do Acórdão embargado não deixa, pois, margem para dúvidas que o Relator considerou haver simulação na operação de emissão de debêntures e, por esse motivo, negou aplicação à disposição legal que assegurava a dedutibilidade plena da remuneração devida pela EMBARGANTE aos debenturistas. 4. Ocorre que o voto do Relator é intrinsecamente contraditório, eis que, como se verá, ao longo do Relatório fica evidenciado que a acusação de simulação não foi formulada como fundamento do auto de infração, não foi sequer ventilada pelo voto vencido do Acórdão n.° 10708.029, nem invocada no recurso especial da Fazenda Nacional. 5. A contradição mais se alastra, resvalando na zona cinzenta da obscuridade, quando o Relator, ao desenvolver os fundamentos para restabelecer a glosa de indedutibilidade da remuneração das debêntures, formula em seu Voto uma ambígua acusação de motivação fiscal / simulação da operação autuada. 6. Está precisamente na ambiguidade dos fundamentos invocados no Voto do Relator a raiz da contradição do Acórdão ora embargado. 7. Ora, não se pode concluir, sem cair em contradição, pelo provimento do recurso especial com fundamento em simulação quando tal acusação não foi sequer formulada pelo órgão de lançamento e, por isso mesmo, o particular não teve ao longo do processo oportunidade de se defender contra a mesma; não se pode concluir, sem cair em contradição, pelo provimento do recurso especial com fundamento em simulação quando o voto do Relator não questiona a validade jurídica da operação autuada, alegando que a pretensa motivação fiscal revelaria um "artificialismo"." (grifos acrescidos ao original) O embargante dá destaque à declaração de voto vencido, da lavra da i. Conselheira Suzy Gomes Hoffman, atinente exatamente à questão ora em análise: "E, ainda, quanto ao voto vencedor prolatado por esta Colenda 1a Turma da CSRF, gostaria de consignar que o Douto Relator, Conselheiro Alexandre da Fonte, motiva o seu voto na existência de simulação. Ocorre que não poderia ter sido tratado desta forma, uma vez que a simulação não constou do lançamento tributário como bem indicado pelo Voto Vencedor do Acórdão recorrido, o que foi objeto, inclusive, de pedido de nulidade do Acórdão da DRJ, pela parte ora Recorrida e esta questão da nulidade foi ultrapassada pelo Acórdão ora recorrido, porque, ao final o processo foi decidido favoravelmente ao contribuinte. Entendo que ao fundamentar o seu voto em simulação, sem que houvesse tal fundamento no lançamento, inovouo, e, desta maneira, violou o devido processo legal e alterou o critério jurídico do lançamento." (grifos acrescidos ao original) Nesse seguir, o contribuinte formula o seguinte pedido em seus embargos de declaração: "Requer, assim, a EMBARGANTE sejam conhecidos os presentes embargos de declaração e providos para reconhecer a contradição do Acórdão n.° 9101 000.869, restaurandose o Acórdão n.° 10708.029 na parte em que cancelou a glosa de indedutibilidade das participações nos lucros e correção monetária das debêntures." Fl. 1437DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 24/02/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digi talmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 18471.002941/200277 Acórdão n.º 9101002.177 CSRFT1 Fl. 1.438 7 Em despacho de 23.02.2015, os embargos de declaração foram admitidos pela então relatora, i. Conselheira Karem Jureidini Dias e, na sequência, pela presidência desta Turma de Julgamento. Em seu despacho de admissibilidade, a i. Conselheira expôs: "Alega a Embargante que houve contradição entre o voto do Conselheiro Relator e o Auto de Infração, visto que neste último o Contribuinte não foi acusado de ter praticado ato de simulação. Assevera, ainda, que não lhe foi concedido o direito de defesa, uma vez que o Recurso Especial do procurador não apresentava tal argumento. Nesse sentido, o acórdão embargado teria, portanto, inovado ao manter o lançamento com base na simulação, que não foi motivo nem para o Auto de Infração, tampouco foi objeto de Recurso Especial. De fato, verifico que no Auto de Infração (fls. 204 a 227) não houve menção de que o contribuinte teria praticado simulação, o que é comprovado, inclusive, pelas multas exigidas (todas de 75%). Verifico também que a premissa de simulação só foi suscitada pela decisão da DRJ (Acórdão nº 3.466/2003, fls. 669 a 716), equívoco este que já havia sido corrigido pelo Acórdão nº 107 08.029 do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes." Com isso, concluise o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luís Flávio Neto, relator. Os embargos de declaração opostos pelo contribuinte cumprem com o requisito da tempestividade e os demais requisitos de admissibilidade, por isso devem ser conhecidos. No caso, compreendo que também devem ser providos os referidos embargos de declaração. O trecho a seguir foi colhido do voto do i. Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, relator do acórdão do recurso especial ora embargado: Apesar de a emissão e subscrição das debêntures terem atendido, no caso, a todos os requisitos formais exigidos pela legislação comercial aplicável, entendo estarmos diante de hipótese em que se revela a artificialidade da transação, realizada com objetivos meramente de redução da carga tributária. (...) No caso concreto, o motivo simulatório é manifesto: por meio da emissão das debêntures e apropriação dos respectivos juros (simulados) pela contribuinte (que, destaco, nunca foram de fato pagos), originar despesas dedutíveis do lucro real. Revelada esta simulação, não pode prevalecer a aplicação ao caso do art. 430 do RIR/94, atual art. 462 do RIR/99, que autoriza a dedução, na apuração do lucro líquido do períodobase, das participações nos lucros da pessoa jurídica Fl. 1438DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 24/02/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digi talmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 18471.002941/200277 Acórdão n.º 9101002.177 CSRFT1 Fl. 1.439 8 asseguradas a debêntures de sua emissão. Este dispositivo se aplica à verdade declarada, mas não à verdade real apurada, que prevalece sobre aquela. Compreendo que há, no caso, indevida alteração do critério jurídico que vinha sendo adotado durante todo o processo administrativo. Ocorre que, como restou formalizado no acórdão recorrido, por meio declaração de voto vencido, da lavra da i. Conselheira Suzy Gomes Hoffman, ao fundamentar a lavratura do AIIM, o agente fiscal não constatou a prática de simulação. Como se observou no relatório acima, sequer há referência no AIIM ao instituto da simulação ou a dispositivos legais que lhe tutelam no Direito brasileiro. Como fundamento para a autuação atinente à glosa de despesas com o pagamento de debêntures, o AIIM indica os seguintes fundamentos: "Artigo 242 do RIR/94, artigo 299 do RIR/99, artigos 4, 5 e 36 da Lei n° 9.249/95, artigos 116 e 118 da Lei n° 5.172/66 (CTN) artigos 1°, parágrafo 1°, 145 e inciso I I , 150, da CF." A DRJ, por sua vez, inovou e alterou o critério jurídico adotado no lançamento, imputando ao contribuinte a prática de simulação. O contribuinte, então, se voltou contra essa alteração de critério jurídico conduzida pela DRJ em seu recurso voluntário. No âmbito do antigo Conselho de Contribuintes, então, foram analisados os fundamentos diretamente adotados pelo agente fiscal na lavratura do AIIM, concluindose pela validade da operação realizada e pela inexistência de atos simulatórios. Pela análise do mérito favorável ao contribuinte, a nulidade da decisão proferida pela DRJ, pela alteração de critério jurídico do lançamento, por consequência, foi julgada prejudicada. Verificase que há indevida instabilidade no critério jurídico adotado para a cobrança do tributo no decorrer deste processo administrativo. Além disso, ao adotar a simulação como fundamento para o julgamento do recurso especial, acabou o acórdão embargado por consumar contradição ou mesmo obscuridade. Há uma contradição e obscuridade em relação a elementos externos acórdão embargado: questões de fato assentadas pela Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, para as quais não caberia reanálise pela CSRF apontam justamente para o sentido oposto da decisão, qual seja, a inexistência de simulação. Ocorre que não compete à CSRF o reexame dos fatos e a requalificação, mas sim estabilizar a aplicação do direito às situações fáticas estabelecidas pelos acórdãos recorridos. Embora seja discutível a oposição de embargos de declaração em face do aludido vício externo, a contradição e obscuridade passou também a ser um vício que contamina internamente o acórdão ora embargado. Ocorre que a declaração de voto da i. Conselheira Suzy Gomes Hoffman que indubitavelmente compõe o acórdão do recurso especial integrou ao aludido acórdão os fatores contraditórios à decisão então adotada pela maioria, que a obscureceram. Nesse contexto, voto no sentido de dar provimento aos embargos de declaração opostos pelo contribuinte, com efeitos infringentes, de modo a sanar a contradição, Fl. 1439DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 24/02/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digi talmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 18471.002941/200277 Acórdão n.º 9101002.177 CSRFT1 Fl. 1.440 9 ou mesmo obscuridade no acórdão embargado e, assim, manter a decisão da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes assim ementada: IRPJ/CSLL PARTICIPAÇÕES DE DEBÊNTURES DEDUTIBILIDADE ANOSCALENDÁRIO DE 1998 E 1999 Não estando provado nos autos que o negócio jurídico foi simulado ou engendrado com fraude à lei e, principalmente, não restando claro que os recursos ingressados na sociedade pertenciam aos sócios, as participações de debêntures, regularmente registradas e emitidas, reduzem o lucro líquido do exercício, por expressa previsão legal. Sendo capital financeiro, a remuneração das debêntures participativas não gozam do status de lucro distribuídos a que se refere o art. 10 da Lei n° 9.249/95. É como voto. Conselheiro Luís Flávio Neto Relator Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura, Redator Designado. Não obstante as considerações do I. Relator, tão bem expostas ao Colegiado, peço vênia para divergir quanto à admissibilidade dos embargos de declaração. Entendeu o relator que o recurso deveria ser conhecido, posição da qual discordo. O embargante protesta sobre ocorrência de contradição entre o voto do relator do acórdão embargado e o auto de infração. Isso porque a decisão da CSRF utilizou como fundamento a prática de simulação, argumento que não foi mencionado pela acusação fiscal. Assim, teria ocorrido, primeiro, inovação no critério jurídico, e segundo, cerceamento de defesa, vez que o assunto não foi trazido pelo recurso especial interposto pela PGFN. A admissibilidade de qualquer recurso constituise em questão de ordem processual. Recurso de cognição estrita, os embargos de declaração são cabíveis, nos termos do art. 65 do Anexo II do RICARF, quando o acórdão conviver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. No caso em análise, não há nenhuma contradição entre a decisão proferida pelo colegiado e os seus fundamentos. Pelo contrário, mostrase o acórdão coerente e lógico. A hipótese aventada pelo embargante procura origem nos fundamentos do auto de infração para apontar contradição com as razões apresentadas pela decisão da turma colegiada. Ora, a contradição prevista na legislação referese aos fundamentos adotados no voto vencedor, ou seja, o cotejo encontra limites no corpo da decisão, numa acepção endógena. Elementos exógenos, como as razões apresentadas por uma das partes, por outras Fl. 1440DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 24/02/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digi talmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 18471.002941/200277 Acórdão n.º 9101002.177 CSRFT1 Fl. 1.441 10 decisões anteriores, ou pela peça acusatória, estão fora do alcance da verificação da contradição suscitada. Tal entendimento encontra ressonância na doutrina de Luís Eduardo Simardi Fernandes1, que, inclusive, faz referência a Pontes de Miranda e ao Ministro Sepúlveda Pertence: De outra parte, importante salientar que a contradição há que estar contida na própria decisão. Ou seja, as proposições entre si inconciliáveis devem estar presentes no corpo da decisão a embargar. Contradição entre a decisão e peças dos autos ou entre o pronunciamento e manifestações ou decisões anteriores do magistrado não dá ensejo aos embargos de declaração. A propósito, ao comentar o art. 535 do estatuto processual, afirmava Pontes de Miranda que "a contradição tem de ser no tocante ao acórdão e o que se julgara e não entre o acórdão e o que tinha de ser base do julgamento diante de alguma peça dos autos". A necessidade de que a contradição esteja contida dentro da decisão é também reconhecida pelo Ministro Sepúlveda Pertence, que, na condição de relator dos EDcl em RE 174.144 9/RS, afirmou que "a contradição que dá margem aos embargos declaratórios é a que se estabelece entre os termos da própria decisão judicial fundamentação e dispositivo , e não a que porventura exista entre ela e o ordenamento jurídico". Abrir nova discussão, para constatar se houve ou não inovação por parte da decisão da CSRF em adotar como fundamento a simulação, é revisitar o mérito do julgado. Sequer há que se falar que teria a recorrente se surpreendido com o argumento, vez que a simulação já havia sido utilizada na fundamentação da decisão proferida pela primeira instância (DRJ). Notase claramente que vem o recorrente utilizarse dos embargos de declaração para buscar uma revisão no mérito do que já foi devidamente analisado pelo colegiado. Ocorre que tal pretensão não se mostra possível na via admitida pelos embargos de declaração, cujo cabimento é adstrito a erros in procedendo. Diante de todo o exposto, voto do sentido de não conhecer os embargos de declaração interpostos pela contribuinte. Assinado Digitalmente André Mendes de Moura 1 FERNANDES, Luís Eduardo Simardi. Embargos de Declaração: efeitos infringentes, prequestionamento e outros aspectos polêmicos 2ª ed. rev atual. e ampl. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2008. p. 96 e segs. Fl. 1441DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 24/02/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digi talmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 18471.002941/200277 Acórdão n.º 9101002.177 CSRFT1 Fl. 1.442 11 Fl. 1442DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 24/02/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digi talmente em 03/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10980.725705/2010-81
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, cabível a aplicação retroativa do art. 35-A da Lei nº 8.212, de 1991, incluído pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que se trata, neste dispositivo, de penalidade única combinando as duas condutas.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.786
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez, que negavam provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator
EDITADO EM: 19/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, cabível a aplicação retroativa do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, incluído pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que se trata, neste dispositivo, de penalidade única combinando as duas condutas. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez, que negavam provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 57 05 /2 01 0- 81 Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10980.725705/201081 Acórdão n.º 9202003.786 CSRFT2 Fl. 1.062 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator EDITADO EM: 19/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Trata o presente processo de auto de infração, às efls. 02 a 60, com relatório fiscal às efls. 403 a 412, relativo às Contribuições Previdenciárias dos segurados, contribuintes individuais. Há no relatório fiscal, referência ao auto de infração relativo a preenchimento de Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP sem declaração de todos os valores pagos, em razão da não informação das remunerações pagas a transportadores rodoviários autônomos contribuintes individuais , sob DEBCAD n° 37.221.7621, formando o processo n° 10980.725707/201070. Em sua impugnação, às efls. 931 a 941, a empresa, que atua no ramo de transporte rodoviário de cargas secas e granel, contestou o auto de infração. A 5ª Turma da DRJ/CTA considerou improcedente a impugnação, por unanimidade, conforme disposto no acórdão n° 0634.720 de 02/12/2011, às efls. 960 a 970, mantendo a integralidade do crédito lançado. Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário, às efls. 972 a 983, no qual argumenta, em síntese: falta de clareza na fundamentação da infração que não permitiria plena defesa; a subcontratação de outras empresas para realização dos transportes faz com estas sejam obrigadas à retenção das contribuições previdenciárias, já que os representantes por elas enviados são seus funcionários e não da recorrente; e ainda que mantida a multa aplicada, não caberia a incidência de juros de mora sobre essa exação. O recurso voluntário foi apreciado pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 18/09/2012, pelo acórdão 2301003.043, às efls. 1003/1017, que tem a seguinte ementa: Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10980.725705/201081 Acórdão n.º 9202003.786 CSRFT2 Fl. 1.063 3 INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição indireta quando, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, invertendose o ônus da prova para o contribuinte. Os transportadores autônomos se enquadram na categoria de contribuintes individuais, regida pelo art. 22, III, da Lei 8.212, de 1991. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Relativamente às matérias recorridas, houve manutenção unânime do entendimento da DRJ. Contudo, foi modificada de ofício, pela maioria, a multa aplicada no auto de infração. Tal modificação se daria em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, em face de alteração que, a partir das mudanças trazida pela Lei n° 11.941 de 27 de maio de 2009 ao art. 35 da Lei n° 8.212/1991, tornou mais benéfica a aplicação da penalidade por mora disposta no § 2° do art. 61 da Lei n° 9.430/1996 (limitado a 20%), do que a anteriormente aplicável (podendo chegar até 100%). O entendimento exarado é de que fosse aplicada a multa do art. 61 da Lei n° 9.430/1996 até novembro de 2008, caso essa seja mais benéfica à contribuinte. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência RE, às efls. 1018 a 1029, em 26/11/2013, entendendo que o acórdão recorrido merece ser reformado. Tal entendimento seria suportado pelos acórdãos paradigmas: 230100283 e 240100120. Em suma, afirma que o art. 35 da Lei n° 8.212/1991, com a redação conferida pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, seria aplicável em casos nos quais os contribuintes realizassem pagamento do tributo devido de forma espontânea, mas extemporânea. Em casos onde inexistisse o recolhimento espontâneo, como no caso em questão, caberia o lançamento de ofício do tributo, com a multa de ofício prevista no art. 44 da Lei n° 9.460/1996, conforme prevista no art. 35A da Lei n° 8.121/1991. Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10980.725705/201081 Acórdão n.º 9202003.786 CSRFT2 Fl. 1.064 4 Por fim, salienta ainda que, com base na IN RFB n° 971 de 13/11/2009, relativamente aos fatos ocorridos até 30/11/2008, há que se comparar: a) o somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212/1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941/2009, com as aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da mesma lei, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; com b) a multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei n° 8.212/1991, acrescido pela Lei n° 11.941/2009. A partir dessa comparação, por aplicação do art. 106, inc. II, alínea “c” do CTN, aplicase a penalidade mais benéfica à contribuinte. Pelas razões expostas, o Procurador pleiteou o provimento do RE para que se reforme o acórdão recorrido o acórdão recorrido. O Presidende da 3ª Câmara da Segunda seção de Julgamento do CARF através do Despacho n° 2300876/2013, às efls. 1030 a 1034, deu seguimento ao RE por entender preenchidos os requisitos legais para sua admissibilidade em 16/12/2013. Cientificada do resultado do julgamento de seu recurso voluntário e do prosseguimento do RE da Fazenda em 06/04/2015 (efl. 1038), a contribuinte não apresentou contrarrazões no prazo previsto no art. 69 do RICARF. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Para fins de contextualização, cumpre aqui referir que: 1 tratase de Auto de Infração por descumprimento de obrigação principal; 2 esse Auto de Infração, para fins de cálculo de multa, está relacionado a outro, do processo n° 10980.725707/201070, que trata de multa por falta de declaração em GFIP dos fatos geradores ocorridos; 3 ambos os processos são oriundos do mesmo procedimento fiscal; e 4 o lançamento da multa por falta de declaração em GFIP somente foi realizado para os períodos em que seu valor, somado ao da multa prevista no art. 35 da Lei n° 8.212, de 1991, com a redação anterior à Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, resultasse em montante inferior àquele previsto no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10980.725705/201081 Acórdão n.º 9202003.786 CSRFT2 Fl. 1.065 5 Pois bem, na decisão recorrida, foi determinada a aplicação da multa do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 1996, comparandoa com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei nº 8.212, de 1991, aplicandose a mais benéfica à contribuinte. Ou seja, na prática, estabelecendo um teto de 20% àquela penalidade. Mais especificamente, os artigos da Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações da Lei n° 9.528, de 10 de dezembro de 1997, que orientaram o Auto de Infração e a NFLD tinham a seguinte redação: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciárias e outras informações de interesse do INSS. (...) §4º. A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo. (...) § 7º. A multa de que trata o § 4º sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue. (...) Art. 35. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de abril de 1997, sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (...) II. para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10980.725705/201081 Acórdão n.º 9202003.786 CSRFT2 Fl. 1.066 6 c)vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social – CRP; d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa.” A propósito, cumpre observar que o entendimento desta CSRF é no sentido de que, embora a antiga redação supra dos artigos 32 e 35 da Lei nº 8.212, de 1991, não contivesse a expressão “lançamento de ofício”, uma vez que tais penalidades fossem exigidas por meio de Auto de Infração, não haveria dúvidas acerca de sua natureza material de multas de ofício. Por sua vez, as alterações promovidas pela Lei nº 11.941, de 2009, nos artigos 32 e 35, da Lei nº 8.212, de 1991, no sentido de uniformizar os procedimentos de constituição e exigência dos créditos tributários, sejam estes previdenciários ou não, foram as seguintes: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (...) § 2o A declaração de que trata o inciso IV do caput deste artigo constitui instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (...) Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10980.725705/201081 Acórdão n.º 9202003.786 CSRFT2 Fl. 1.067 7 ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (...) Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei n 9.430, de 27 de dezembro de 1996. E o art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, por sua vez, assim estabelece: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (grifei). A propósito, agora centrandose no cerne do litígio, ou seja, na análise de aplicação da retroatividade benéfica prevista pelo art. 106, II do CTN propugnada pelo recorrido, alinhome aqui integralmente ao ilustre voto vencedor da ConselheiraRelatora Maria Helena Cotta Cardozo, no âmbito do Acórdão 9202003.039, proferido por esta mesma 2a. Turma na sessão de 12 de fevereiro de 2014 e que sentencia: “Resta perquirir se as alterações posteriores à autuação, implementadas pela Lei nº 11.941, de 2009, representariam a exigência de penalidade mais benéfica ao Contribuinte, hipótese que autorizaria a sua aplicação retroativa, a teor do art. 106, II, do CTN. Para tanto, porém, é necessário que se estabeleça a exata correlação entre as multas anteriormente previstas e aquelas estabelecidas pela Lei nº 11.941, de 2009, a ver se efetivamente seria o caso, e em que condições aplicarseia a retroatividade benigna. Destarte, a despeito das alegações da Contribuinte, em sede de contrarrazões, resta claro que, com o advento da Lei nº 11.941, de 2009, o lançamento de ofício, envolvendo a exigência de contribuições previdenciárias, bem como a verificação de falta de declaração do respectivo fato Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10980.725705/201081 Acórdão n.º 9202003.786 CSRFT2 Fl. 1.068 8 gerador em GFIP, como ocorreu no presente caso, sujeita o Contribuinte a uma única multa, no percentual de 75%, sobre a totalidade ou diferença da contribuição, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Com efeito, a interpretação sistemática da legislação tributária não admite a instituição, em um mesmo ordenamento jurídico, de duas penalidades para a mesma conduta, o que autoriza a interpretação no sentido de que as penalidades previstas no art. 32A não são aplicáveis às situações em que se verifica a falta de declaração/declaração inexata, combinada com a falta de recolhimento da contribuição previdenciária, eis que tal conduta está claramente tipificada no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996.” A partir do acima disposto, entendo, novamente em linha com a conclusão da relatora no âmbito do Acórdão acima, que em situações como a do presente feito, devase comparar, para fins de apuração da situação mais benéfica para a Contribuinte: a) a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de contribuição, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996 com b) a soma das duas multas, aplicadas na NFLD e no Auto de Infração correspondente, respectivamente determinadas na forma dos arts. 35, inciso II e 32, inciso IV, ambos da antiga redação da Lei nº 8.212, de 1991 (antes da alteração trazida pela Lei nº 11.941, de 2009) e igualmente possuidoras de natureza de multa de ofício. Aliás, esta é a disposição do art. 476A da IN RFB n° 971 de 13 de novembro de 2009, com a redação dada pela IN RFB 1.027 de 22 de abril de 2010. Entendo assim, com a devida vênia à posição expressa no vergastado, que, no presente caso, a propugnada comparação da multa prevista no artigo 61 da Lei no 9.430, de 1996 com a multa aplicável com base na redação anterior do artigo 35 da Lei no 8.212, de 1991 (presente no crédito lançado neste processo) é inapropriada para fins determinação da multa mais benéfica aplicável. Analisandose o relatório fiscal do processo n° 10980.725707/201070, fruto do mesmo procedimento fiscal, nas suas efls. 778 a 782 e no seu Anexo II às efls. 1216 e 1217 (também daqueles autos), podese observar que, no tocante às contribuições previdenciárias, houve a aplicação da referida IN RFB n° 971 de 2009. Assim, só restaram no AI aqui discutido os valores de multas lançadas sobre bases de cálculo da contribuições dos segurados não pagas, que excederam à penalidade pela falta de declaração, mas iguais ou inferiores a 75%. Destarte, voto no sentido de conhecer do recurso especial de divergência do Procurador da Fazenda Nacional e darlhe provimento para que seja aplicada a multa conforme calculada no lançamento. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10980.725705/201081 Acórdão n.º 9202003.786 CSRFT2 Fl. 1.069 9 Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO
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Numero do processo: 13971.900699/2008-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3101-000.290
Decisão: Por unanimidade de votos, converteu-se o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: JOSÉ HENRIQUE MAURI - Redator designado ad hoc
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Por unanimidade de votos, converteu-se o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da Relatora. HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente. JOSÉ HENRIQUE MAURI - Redator designado ad hoc. EDITADO EM: 30/06/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo, e Henrique Pinheiro Torres (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida (fls. 99): Fl. 161DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 08/10/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 08/10/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digit almente em 09/10/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13971.900699/2008-30 Resolução nº 3101-000.290 S3-C1T1 Fl. 107 2 Trata o presente processo de Declaração de Compensação - DCOMP, transmitida em 22/03/2004, por meio da qual a contribuinte, acima identificada, intenta compensar débito apurado com créditos relativos a recolhimento efetuado a maior a título de Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS, com apuração em 15/03/2004. Na apreciação do pleito, manifestou-se a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC pela não homologação da compensação (Despacho Decisório juntado aos autos), fazendo-o com base na constatação da inexistência do crédito informado, pois o valor do "DARF discriminado no PER/DCOMP" havia sido "integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada com a não homologação de sua compensação, encaminhou a contribuinte manifestação de inconformidade, onde narra que: apurou para o 1° trimestre de 2004 valor devido de PIS no montante de R$44.462,66, conforme demonstrado em DACON, em anexo; efetuou o recolhimento correspondente no valor de R$45.112,89, resultando em um pagamento a maior de R$650,23; a DCTF originalmente enviada em 14/05/2004, o foi com incorreção, tendo sido retificada em 09/06/2008, informando o valor correto da contribuição devida no referido mês. Conclui que, com a retificação da DCTF, pode-se aferir que o crédito decorrente de pagamento de PIS, referente a 02/2004, encontrava-se disponível na data do envio da DCOMP. Como questão de direito coloca que, ante os documentos trazidos, há que se considerar, em nome do Princípio da Verdade Material, como o valor correto da contribuição devida naquele mês o que consta do DACON, considerando que esta declaração contém as informações relativas a apuração deste, apesar de na DCTF constar valor incorreto, o qual deu causa A não homologação da compensação efetuada. Pugna pelo reconhecimento do crédito decorrente de pagamento a maior, homologação da compensação e o cancelamento do Despacho Decisório. A DRJ competente manteve o indeferimento do pleito e o contribuinte recorreu a este Conselho. Voto Conselheiro José Henrique Mauri – redator ad hoc Por intermédio do Despacho de fls. 160, nos termos da disposição do art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, incumbiu-me o Presidente da Turma a formalizar a Resolução 3101-000.290, não entregue pela relatora original, Conselheira Vanessa Albuquerque Valente, que não integra mais nenhum dos colegiados do CARF. Desta forma, a elaboração deste voto deve refletir a posição adotada pela relatora original e pelos demais integrantes do colegiado. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 08/10/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 08/10/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digit almente em 09/10/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13971.900699/2008-30 Resolução nº 3101-000.290 S3-C1T1 Fl. 108 3 O presente processo não se encontra em condições de ser julgado por esse colegiado, tendo em vista a insuficiência de seu conjunto probatório. Diante disso, converto o julgamento do recurso voluntário em diligência para que a autoridade lançadora apresente um demonstrativo de apuração com a inequívoca identificação do valor devido das contribuições, a partir da escrita contábil e fiscal da recorrente, de forma a confirmar os valores declarados na DACON e na DCTF. Após a manifestação da DRF, deverá ser intimado o contribuinte para, querendo, manifestar-se no prazo de 30 (trinta) dias, com posterior retorno dos autos para julgamento. E essas são as considerações possíveis para suprir a inexistência do voto. José Henrique Mauri – Redator ad hoc Fl. 163DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 08/10/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 08/10/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digit almente em 09/10/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10860.720541/2014-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2009 a 31/12/2009
DILIGÊNCIAS.
Indefere-se o pedido de diligência quando a providência seja prescindível ao deslinde das controvérsias e quando se destine a suprir o ônus da prova das partes.
ÔNUS DA PROVA.
Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos da pretensão fazendária.
SETOR AUTOMOTIVO. SUSPENSÃO. PEÇAS E COMPONENTES DESTINADOS À INDÚSTRIA DE AUTOPROPULSADOS.
É vedado ao estabelecimento industrial apropriarse de créditos de IPI decorrentes da aquisição de componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças dos produtos autopropulsados classificados nas posições 84.29, 84.32, 84.33, 87.01 a 87.06 e 87.11 da TIPI, que deveriam ter saído do estabelecimento fornecedor com a suspensão do imposto.
DEVOLUÇÕES E RETORNOS DE PRODUTOS. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DAS NOTAS FISCAIS. LIVRO REGISTRO DA PRODUÇÃO E DO ESTOQUE OU SISTEMA EQUIVALENTE. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
O aproveitamento de créditos de IPI relativos a devoluções e retornos de produtos tributados está condicionado à comprovação de escrituração do Livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque ou de sistema de controle equivalente.
CRÉDITO PRESUMIDO. IPI. FRETE.
O direito ao crédito presumido de IPI relativamente à parcela do frete está condicionado à comprovação de que esse foi efetivamente cobrado juntamente com o preço dos produtos vendidos.
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO.
Não incidem juros de mora sobre a multa de ofício, por carência de fundamento legal expresso.
Recurso Voluntário parcialmente provido
Numero da decisão: 3402-002.928
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, deu-se provimento parcial ao recurso (i) para excluir os juros de mora sobre a multa de ofício na fase de liquidação administrativa deste julgado. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula; e (ii) para negar provimento quanto às demais matérias. Vencida a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro, que deu provimento para reverter as glosas dos créditos sobre produtos recebidos com suspensão, créditos por devolução e créditos presumidos sobre fretes. Vencidos os Conselheiros Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto quanto aos créditos por devolução e sobre fretes.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2009 a 31/12/2009 DILIGÊNCIAS. Indefere-se o pedido de diligência quando a providência seja prescindível ao deslinde das controvérsias e quando se destine a suprir o ônus da prova das partes. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos da pretensão fazendária. SETOR AUTOMOTIVO. SUSPENSÃO. PEÇAS E COMPONENTES DESTINADOS À INDÚSTRIA DE AUTOPROPULSADOS. É vedado ao estabelecimento industrial apropriarse de créditos de IPI decorrentes da aquisição de componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças dos produtos autopropulsados classificados nas posições 84.29, 84.32, 84.33, 87.01 a 87.06 e 87.11 da TIPI, que deveriam ter saído do estabelecimento fornecedor com a suspensão do imposto. DEVOLUÇÕES E RETORNOS DE PRODUTOS. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DAS NOTAS FISCAIS. LIVRO REGISTRO DA PRODUÇÃO E DO ESTOQUE OU SISTEMA EQUIVALENTE. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento de créditos de IPI relativos a devoluções e retornos de produtos tributados está condicionado à comprovação de escrituração do Livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque ou de sistema de controle equivalente. CRÉDITO PRESUMIDO. IPI. FRETE. O direito ao crédito presumido de IPI relativamente à parcela do frete está condicionado à comprovação de que esse foi efetivamente cobrado juntamente com o preço dos produtos vendidos. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Não incidem juros de mora sobre a multa de ofício, por carência de fundamento legal expresso. Recurso Voluntário parcialmente provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, deu-se provimento parcial ao recurso (i) para excluir os juros de mora sobre a multa de ofício na fase de liquidação administrativa deste julgado. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula; e (ii) para negar provimento quanto às demais matérias. Vencida a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro, que deu provimento para reverter as glosas dos créditos sobre produtos recebidos com suspensão, créditos por devolução e créditos presumidos sobre fretes. Vencidos os Conselheiros Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto quanto aos créditos por devolução e sobre fretes. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Indeferese o pedido de diligência quando a providência seja prescindível ao deslinde das controvérsias e quando se destine a suprir o ônus da prova das partes. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos da pretensão fazendária. SETOR AUTOMOTIVO. SUSPENSÃO. PEÇAS E COMPONENTES DESTINADOS À INDÚSTRIA DE AUTOPROPULSADOS. É vedado ao estabelecimento industrial apropriarse de créditos de IPI decorrentes da aquisição de componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças dos produtos autopropulsados classificados nas posições 84.29, 84.32, 84.33, 87.01 a 87.06 e 87.11 da TIPI, que deveriam ter saído do estabelecimento fornecedor com a suspensão do imposto. DEVOLUÇÕES E RETORNOS DE PRODUTOS. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DAS NOTAS FISCAIS. LIVRO REGISTRO DA PRODUÇÃO E DO ESTOQUE OU SISTEMA EQUIVALENTE. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento de créditos de IPI relativos a devoluções e retornos de produtos tributados está condicionado à comprovação de escrituração do Livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque ou de sistema de controle equivalente. CRÉDITO PRESUMIDO. IPI. FRETE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 72 05 41 /2 01 4- 95 Fl. 13103DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/02/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 O direito ao crédito presumido de IPI relativamente à parcela do frete está condicionado à comprovação de que esse foi efetivamente cobrado juntamente com o preço dos produtos vendidos. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Não incidem juros de mora sobre a multa de ofício, por carência de fundamento legal expresso. Recurso Voluntário parcialmente provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, deuse provimento parcial ao recurso (i) para excluir os juros de mora sobre a multa de ofício na fase de liquidação administrativa deste julgado. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula; e (ii) para negar provimento quanto às demais matérias. Vencida a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro, que deu provimento para reverter as glosas dos créditos sobre produtos recebidos com suspensão, créditos por devolução e créditos presumidos sobre fretes. Vencidos os Conselheiros Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto quanto aos créditos por devolução e sobre fretes. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de auto de infração com ciência pessoal do contribuinte em 29/04/2014 lavrado para exigir o crédito tributário relativo ao IPI, multa de ofício e juros de mora, em razão da falta de recolhimento do imposto detectada após a glosa de créditos indevidos. Segundo a informação fiscal de fls. 13/35, o contribuinte: a) Aproveitou de forma indevida o crédito sobre aquisições de componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças de produtos autopropulsados, cuja saída deveria ter ocorrido com suspensão, conforme art. 5º da Lei nº 9.826/99, com a redação do art. 4º da Lei nº 10.485/2002, bem como sobre aquisições de materiais empregados na manutenção de máquinas e equipamentos que não se enquadram no conceito de matériasprimas ou produtos intermediários; b) Aproveitou indevidamente os créditos por devolução ou retorno de produtos, em razão de não possuir o Livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque ou sistema de controle equivalente; e Fl. 13104DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/02/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10860.720541/201495 Acórdão n.º 3402002.928 S3C4T2 Fl. 3 3 c) Aproveitou indevidamente o crédito presumido sobre fretes, com base no art. 56 da MP nº 2.15835/2001, pois não comprovou que os fretes foram cobrados juntamente com o preço dos produtos vendidos. Em sede de impugnação o contribuinte alegou, em síntese, o seguinte: 1) Somente são alcançadas pela suspensão as aquisições de produtos autopropulsados classificados nas posições da NCM 84.29; 8432; 84.33; 87.01 a 87.06; e 87.11. As demais posições citadas pela fiscalização não estão albergadas pela suspensão do IPI o que lhe garante o direito ao crédito na entrada. Além disso, o procedimento do contribuinte não gerou prejuízo aos cofres públicos porque o imposto foi destacado e pago pelo fornecedor. As aquisições da empresa Rio Negro Com. Ind. de Aço S/A não se referem a partes e peças de produtos autopropulsados, não se enquadrando no art. 5º da Lei nº 9.826/99. No que concerne aos créditos tomados sobre lubrificantes e chapas de aço, alegou que eles se enquadram no Parecer Normativo CST nº 65/79; 3) Quanto aos créditos por devolução ou retorno, a legislação permite ao contribuinte optar pelo método de controle quantitativo da produção e do estoque. O conjunto de documentos apresentados no curso da fiscalização atende à exigência legal e comprova o retorno dos bens anteriormente vendidos ao estoque, conforme exemplo citado no corpo da impugnação; 4) A ausência de destaque do valor do frete nas notas fiscais de venda não é motivo suficiente para obstar a fruição do crédito presumido. O regime especial de apuração do crédito presumido não exige a inclusão da totalidade dos valores no preço do produto, mas apenas que o frete seja cobrado do adquirente. E no caso a impugnante comprovou por meio de lançamentos contábeis que houve cobrança do frete na operação de venda dos veículos; 5) É incabível a futura incidência de juros de mora sobre a multa de ofício; 6) Solicitou diligência e formulou quesitos. Por meio do Acórdão nº 52.474, de 30 de outubro de 2014, a 3ª Turma da DRJ Porto Alegre julgou a impugnação improcedente. Foi rejeitado o pedido de diligência, pois o ônus de apresentar as provas dos fatos alegados em contraposição à autuação fiscal era do contribuinte. No que concerne à suspensão de partes e peças destinadas a veículos autopropulsados, ficou decidido que a suspensão é compulsória e atinge todas a partes e peças independentemente da posição em que sejam classificadas. As posições citadas pela defesa e mencionadas na lei não se referem às partes e peças, mas sim aos veículos autopropulsados aos quais elas são destinadas. Quanto aos lubrificantes utilizados nas máquinas e equipamentos industriais, ficou decidido que embora sejam consumidos no processo produtivo, não se enquadram no Parecer Normativo CST nº 65/79, pois não se consomem em contato direito com o produto em fabricação. Quanto aos créditos por devolução ou retorno, ficou decido que as planilhas apresentadas pelo contribuinte não podem ser consideradas equivalentes ao Livro Modelo 3 porque não comprovam a reincorporação dos produtos retornados ao estoque. No que concerne ao crédito presumido, ficou decidido que a legislação exige que o valor do frete seja destacado a fim de que o pagamento do mesmo possa ser comprovado, sob pena de transformar em letra morta o art. 1º, II, b, do art. 56 da MP nº 2.15835/2001. Foi mantida a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Fl. 13105DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/02/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Regularmente notificado daquele Acórdão em 07/11/2014, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário de fls. 10240/10271, em 08/12/2014, no qual reprisou as alegações de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. DDOO PPEEDDIIDDOO DDEE DDIILLIIGGÊÊNNCCIIAA Preliminarmente cumpreme indeferir o pedido de diligência, pois o esclarecimento dos quesitos formulados dependem exclusivamente do contribuinte apresentar as provas dos fatos que alega e de cumprir as obrigações acessórias que lhe são impostas pela legislação. Não se olvide de que o art. 16, III, do Decreto nº 70.235/72 estabelece que a impugnação ao lançamento deve ser específica e vir acompanhada das provas dos fatos que o contribuinte alegar. Sendo assim, valhome do disposto no art. 18 e 28, parte final, do Decreto nº 70.235/72 para indeferir o pedido de diligência por considerar a providência desnecessária e também em razão do ônus da prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos da pretensão fazendária caber ao contribuinte. PPRROODDUUTTOOSS QQUUEE DDEEVVEERRIIAAMM TTEERR SSIIDDOO AADDQQUUIIRRIIDDOOSS CCOOMM SSUUSSPPEENNSSÃÃOO:: Esta questão já foi enfrentada e decidida por este colegiado na assentada do dia 26 de janeiro de 2016, que culminou no Acórdão nº 3402002.856. Desse modo, com as homenagens de praxe à ilustre Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, tomo por empréstimo os argumentos por ela lançados na fundamentação daquele julgado, in verbis: "(...) Nesta parte, sustenta a recorrente que o regime da suspensão teria sido aplicado indevidamente, vez que seriam aplicáveis somente às posições da TIPI especificadas no art. 5º da Lei nº 9.826/99 e não aos produtos adquiridos por ela, vinculados às posições 3926, 7007, 7210, 7215, 7320, 7325, 8512, 8539 e 8708. No entanto, não lhe assiste razão. A leitura do art. 5º da Lei nº 9.826/99, abaixo transcrito, não deixa margem à dúvida de que as posições tarifárias mencionadas no dispositivo referemse aos produtos autopropulsados, os quais devem ser objeto de aquisição com suspensão do imposto: Art.5º Os componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças dos produtos autopropulsados classificados nas posições 84.29, 84.32, 84.33, 87.01 a 87.06 e 87.11, da TIPI, sairão com suspensão do IPI do estabelecimento industrial.(RedaçãodadapelaLeinº10.485,de2002) Fl. 13106DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/02/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10860.720541/201495 Acórdão n.º 3402002.928 S3C4T2 Fl. 4 5 § 1º Os componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças, referidos no caput, de origem estrangeira, serão desembaraçados com suspensão do IPI quando importados diretamente por estabelecimento industrial. (Redação dada pela Leinº10.485,de2002) §2º A suspensão de que trata este artigo é condicionada a que o produto, inclusive importado, seja destinado a emprego, pelo estabelecimento industrial adquirente: (RedaçãodadapelaLeinº 10.485,de2002) I na produção de componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes ou peças dos produtos autopropulsados; (Incluído pela Lei nº 10.485,de 2002) II na montagem dos produtos autopropulsados classificados nas posições 84.29, 84.32, 84.33, 87.01, 87.02, 87.03, 87.05, 87.06 e 87.11, e nos códigos 8704.10.00, 8704.2 e 8704.3, da TIPI.(Incluído pela Lei nº 10.485, de2002) § 3º A suspensão do imposto não impede a manutenção e a utilização dos créditos do IPI pelo respectivo estabelecimento industrial.(Redação dada pela Lei nº 10.485,de2002) § 4º Nas notas fiscais relativas às saídas referidas no caput deverá constar a expressão ‘Saída com suspensão doIPI’ com a especificação do dispositivo legal correspondente, vedado o registro do imposto nas referidas notas. (Incluído pela Lei nº 10.485,de 2002) [Grifos da Conselheira Relatora] Conforme se vê no § 4º acima, é obrigatória a saída do produto com suspensão do tributo do estabelecimento fornecedor, sendo expressamente "vedado o registro do imposto nas referidas notas". Desta forma, tendo sido as notas fiscais emitidas pelo fornecedor da recorrente em desconformidade com a determinação legal, com o destaque do IPI, quando deveria esse tributo estar suspenso, pretende agora a recorrente sanear o equívoco com a aplicação do princípio da não cumulatividade, nos termos do art. 49 do CTN, o que, certamente, não encontra abrigo no nosso sistema jurídico. Por certo, a técnica da não cumulatividade seria aplicável na hipótese em que o IPI fosse devido e cobrado na operação anterior, nos termos do art. 153, IV e § 3° da Constituição Federal, "compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores”, não sendo o caso dos autos em que, não obstante, o destaque indevido do IPI na nota fiscal de aquisição emitida pelo fornecedor, o produto deveria ter saído do seu estabelecimento com suspensão do referido tributo. Entretanto, isso não significa que esteja havendo desrespeito ao princípio da não cumulatividade, como quer fazer crer a recorrente, mas tãosomente a não realização do mecanismo, por ausência de geração de crédito legítimo na operação anterior. (...)" É inconcebível que uma empresa do porte da Volkswagen do Brasil venha à presença deste colegiado tentar justificar a tomada indevida desses créditos com a alegação de Fl. 13107DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/02/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 que o procedimento não acarretou prejuízo ao fisco, pelo fato de o imposto ter sido destacado na nota fiscal de aquisição, pois um erro não pode justificar o outro. Se o imposto foi destacado indevidamente nas notas fiscais de aquisição, cabia à Volkswagen a obrigação legal de ter comunicado o fato aos fornecedores, a fim de que estes retificassem as suas notas fiscais, a teor do que estabelece o art. 266, § 1º, do RIPI/2002: Art. 266. Os fabricantes, comerciantes e depositários que receberem ou adquirirem para industrialização, comércio ou depósito, ou para emprego ou utilização nos respectivos estabelecimentos, produtos tributados ou isentos, deverão examinar se eles se acham devidamente rotulados ou marcados ou, ainda, selados se estiverem sujeitos ao selo de controle, bem assim se estão acompanhados dos documentos exigidos e se estes satisfazem a todas as prescrições deste Regulamento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 62). § 1º Verificada qualquer irregularidade, os interessados comunicarão por escrito o fato ao remetente da mercadoria, dentro de oito dias, contados do seu recebimento, ou antes do início do seu consumo, ou venda, se o início se verificar em prazo menor, conservando em seu arquivo, cópia do documento com prova de seu recebimento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 62, § 1º). § 2º a 4º Omissis... Portanto, o fato de o imposto ter sido destacado indevidamente nas notas fiscais de aquisição, não justifica o aproveitamento do crédito pela Volkwagen do Brasil, devendo ser mantida a glosa nos moldes efetuados pela fiscalização. No que tange ao crédito tomado sobre as aquisições de lubrificantes, verifica se que a fiscalização constatou que os produtos são classificados sob o código 3403.19.00 que alberga lubrificantes empregados na manutenção de máquinas e equipamentos. Em sede de recurso a defesa confirmou que se tratam de lubrificantes empregados no seu processo produtivo, conforme o seguinte excerto extraído da fl. 10251: "(...) (...)" O art. 164, I, do RIPI/2002 estabelece que o estabelecimento industrial pode se creditar do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagens, incluídos aqueles produtos que embora não se integrando ao produto em fabricação, forem consumidos no processo de industrialização. Embora o referido dispositivo regulamentar aparentemente conceda o direito de crédito de IPI sobre qualquer produto intermediário empregado no processo produtivo, tem prevalecido o entendimento estampado no PN CST nº 65/79, segundo o qual somente geram Fl. 13108DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/02/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10860.720541/201495 Acórdão n.º 3402002.928 S3C4T2 Fl. 5 7 direito ao crédito os produtos intermediários que se assemelhem às matériasprimas, ou seja, aqueles que se consumam ou que percam suas propriedades físicas ou químicas em contado físico direto com o produto em fabricação. Ora, se é incontroverso nos autos que os lubrificantes foram empregados na manutenção de bens de produção da recorrente, então é óbvio que esses produtos não se desgastaram, nem se consumiram e nem perderam suas propriedades físicas em decorrência direta de contato físico com o produto em fabricação, devendo ser mantida a glosa efetuada pelo fisco. DDOOSS CCRRÉÉDDIITTOOSS PPOORR DDEEVVOOLLUUÇÇÃÃOO OOUU RREETTOORRNNOO Essa questão também é idêntica à enfrentada pelo colegiado no Acórdão 3402002.856. O contribuinte foi intimado pelo fisco a apresentar o Livro modelo 3 ou controle equivalente, tendo apresentado uma planilha denominada "controle alternativo de produção e estoque" a qual não foi aceita pela fiscalização como sendo um sistema equivalente ao Livro modelo 3, uma vez que delas não constavam as notas fiscais de devolução e retorno. Desse modo, valhome mais uma vez dos fundamentos lançados pela ilustre Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula no Acórdão 3402002.856, in verbis: Na impugnação e no recurso voluntário, a recorrente sustentou a legitimidade do seu controle de produção e estoque, eis que, a seu ver, pela análise das informações constantes das notas fiscais, livros Registros de Entrada e Saída e registros contábeis,poderseia concluir que teria havido, de fato, a reintegração ao estoque produtivo do seu estabelecimento, esclarecendo que: o chassi do veículo permitiria a identificação do produto vendido e depois devolvido produto a produto; as notas fiscais de venda e de devolução possibilitariam a individualização do débito na venda e do crédito na devolução documento a documento; os seus registros nos livros de Saídas e de Entradas permitiriam a individualização do montante do débito na venda e do crédito na devolução. Acredita a recorrente que o conjunto de documentos por ela apresentado seria como um controle equivalente ao Livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque, conforme trecho transcrito abaixo extraído do recurso voluntário: (...) Ora, Ilustres Conselheiros, a não aceitação dos documentos apresentados pela Recorrente pela suposta ausência de prova de efetiva reincorporação dos veículos ao estoque produtivo não deve prosperar. Notase, portanto, que, de fato, o conjunto de documentos apresentados pela Recorrente no curso do procedimento fiscalizatório, ora reproduzido, apresentase como controle equivalente ao Livro de Registro de Controle da Produção e Estoque, pois apto a demonstrar a mesma situação fática e documental que estaria ali registrada. (...) Em verdade, a recorrente não contestou a alegação da fiscalização de que as planilhas apresentadas como um sistema alternativo de controle de estoque não apresentavam o registro das notas fiscais de devolução e retorno, conforme exige o art. 169, II, "b" do RIPI/2002, que é uma das condições para fruição do direito ao Fl. 13109DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/02/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 crédito decorrente do retorno ou devolução; tendo apenas a recorrente tentado comprovar, com alguns exemplos de produtos devolvidos, que esses teriamse reintegrado ao seu estoque produtivo, mediante a análise dos lançamentos contábeis correspondentes. Embora a recorrente possa, eventualmente, comprovar cada item devolvido ou retornado ao estoque por outros meios de prova, deixou de fazer a escrituração das notas fiscais no livro Registro de Controle da Produção e do Estoque ou em sistema equivalente, que é uma das exigências dispostas no Regulamento do IPI para o direito ao crédito decorrente da devolução ou retorno. Conforme registrou Antonio Bezerra Neto (Coords. PEIXOTO, Marcelo Magalhães; DOMINGO, Luiz Roberto. Regulamento do IPI: imposto sobre produtos industrializados: anotado e comentado. SãoPaulo: MPed., 2008, p.329), em comentário ao art. 167 do RIPI 2002, o exercício do direito ao crédito por devolução ou retorno de mercadorias está condicionado ao cumprimento da referida obrigação acessória, não sendo suficiente os lançamentos correspondentes nos livros de entradas, de saídas, diário e razão: (...) Cabe ainda registrar que os elementos indicando operação de devolução ou retorno das notas fiscais de saída do estabelecimento e de devolução (ou de entrada), assim como os correspondentes registros nos livros de entradas, de saídas, diário e razão, à evidência, não se identificam com quaisquer sistemas de controle de produção e de estoque, que é meio essencial para desvendar a articulação entre as matériasprimas e de produto acabado indispensável para garantir que os produtos decorrentes de devoluções ou retornos de fato reintegraram ao estoque. Outra não foi a razão da escolha pelo regulamento da aludida obrigação acessória para integrar o conjunto de provas autorizadas na lei para o exercício do direito ao crédito por devolução ou retorno de mercadorias. (...) Nesse mesmo sentido, foi o voto do Relator Antônio Bueno Ribeiro do Segundo Conselho de Contribuintes, no processo n° 13807.013218/9902, Acórdão n°: 202 15.642, julgado em 16/06/2004: (...) Assim é que a norma regulamentar (RIPI/82, art.86, à época dos fatos) [norma que prosseguiu vigente no RIPI/2002] dispõe que o direito ao crédito do imposto está condicionado ao cumprimento de determinados procedimentos, dentre outros o de registrar as devoluções ou retornos no Livro de Registro de Controle de Produção e do Estoque (modelo 3), facultado a adoção de fichas substitutivas (art. 281) ou de equivalente sistema de controle da produção e do estoque (art.283). Esse registro, como salientado pela decisão recorrida, é elemento essencial para a comprovação da reinclusão no estoque do produto devolvido ao estabelecimento, de sorte a prevenir possíveis simulações de devolução. Nos autos a Recorrente considera que a não escrituração do livro modelo 3 e as outras impropriedades assinaladas pela fiscalização acerca do documentário fiscal atinente às indigitadas devoluções como mera infrações formais incapazes de obstar o direito ao crédito expresso no art.84 do RIM/82, em consonância com o princípio da não cumulatividade que informa o IPI. Demais disso enfatiza que o conjunto de elementos que conseguiu reunir e anexou à Fl. 13110DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/02/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10860.720541/201495 Acórdão n.º 3402002.928 S3C4T2 Fl. 6 9 impugnação (fls.197/596) se revela consistente para provar as operações de devolução e retorno de mercadorias e apresenta cumprimento a requisitos formais suficientes à manutenção do crédito de IPI discutido, servindo de sistema de controle da produção e do estoque equivalente àquele do livro modelo 3, o que se alinharia à jurisprudência deste Conselho no sentido de admitir a comprovação das devoluções de mercadorias por meios alternativos (Acórdão CSRF/02 0.818; Acórdãos n's 62.129/84 e 20208.872). De pronto cabe registrar que tais elementos indicando por operação de devolução ou retorno as notas fiscais de saída do estabelecimento e de devolução (ou de entrada),assim como os correspondentes registros nos livros de entradas, de saídas, diário e razão, à evidência, não se identificam com quaisquer sistemas de controle de produção e de estoque, que, repitase, é meio essencial e expedito para desvendar a articulação entre as movimentações de matériasprimas e de produto acabado indispensável para garantir que os produtos decorrentes de devoluções ou retornos de fato reintegraram ao estoque. Outra não foi a razão da escolha pelo regulamento da aludida obrigação acessória para integrar o conjunto de provas autorizadas na lei para o exercício do direito ao crédito por devolução ou retorno de mercadorias. (...) Com esses mesmos fundamentos, deve ser mantida a glosa dos créditos por devolução ou retorno no âmbito deste processo. DDOO CCRRÉÉDDIITTOO PPRREESSUUMMIIDDOO SSOOBBRREE FFRREETTEE A fiscalização glosou o crédito presumido previsto no art. 56 da MP nº 2.158 35/2001 porque o contribuinte não comprovou que o valor do frete foi efetivamente cobrado junto com o preço dos produtos vendidos. A controvérsia aqui instaurada é idêntica àquela que foi decidida no Acórdão 3402002.856. Sendo assim, mais uma vez, recorro às razões de decidir da Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, as quais são totalmente aplicáveis ao caso concreto, in verbis: "(...) Conforme consta na Informação Fiscal que integra o auto de infração, tendo em vista a falta de destaque do valor do frete nas notas fiscais de saída dos produtos vendidos, a contribuinte foi intimada a comprovar com documentação hábil que, efetivamente, cobrou o frete dos adquirentes nas correspondentes operações, em conformidade com o art. 56 da Medida Provisória nº 2.158/2001: Art. 56. Fica instituído regime especial de apuração do IPI, relativamente à parcela do frete cobrado pela prestação do serviço de transporte dos produtos classificados nos códigos 8433.53.00, 8433.59.1, 8701.10.00, 8701.30.00, 8701.90.00, 8702.10.00 Ex 01, 8702.90.90 Ex 01, 8703, 8704.2, 8704.3 e 87.06.00.20, da TIPI, nos termos e condições a serem estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. §1º O regime especial: Fl. 13111DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/02/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 I consistirá de crédito presumido do IPI em montante equivalente a três por cento do valor do imposto destacado na nota fiscal; II será concedido mediante opção e sob condição de que os serviços de transporte, cumulativamente: a) sejam executados ou contratados exclusivamente por estabelecimento industrial; b) sejam cobrados juntamente com o preço dos produtos referidos no caput deste artigo, nas operações de saída do estabelecimento industrial; (Redação dada pela Lei nº 11.827, de 2008) c) compreendam a totalidade do trajeto, no País, desde o estabelecimento industrial até o local de entrega do produto ao adquirente. (...) Em resposta, a contribuinte não apresentou a documentação solicitada, declarando que, no ano de 2009, ela contratou e assumiu o ônus da contratação do frete dos veículos novos vendidos, computando o gasto com o frete no preço do veículo vendido, na condição de venda CIF, deixando transparente ao adquirente do veículo que o frete está incluso no valor do produto. Levantou a fiscalização, nos espelhos das notas fiscais eletrônicas de vendas dos veículos, a indicação do frete como "zero", constando que o mesmo seria por conta do emitente. Assim, concluiu a fiscalização que o frete não foi cobrado juntamente com o preço dos produtos, restando caracterizado o descumprimento de condição do regime especial e a consequente falta de recolhimento do IPI. Na decisão recorrida a autuação foi mantida nesta parte, sob a seguinte conclusão: (...) Conforme se verifica nas cópias de notas fiscais juntadas aos autos, não há nenhum destaque do valor do frete nas notas fiscais de venda emitidas, nem foi apresentado qualquer documento que comprovasse o pagamento específico do frete. (Limitouse a impugnante a apresentar cópia de folhas do Livro Registro de Saídas e telas de sistema informatizado não revestido de requisitos legais para lograr poder probatório). Assim, considerandose inadmissível a tese de que bastava o frete estar incluído na composição do preço para fazer jus ao crédito presumido, e considerandose que a impugnante não logrou comprovar o destaque e o pagamento do frete, conclui se que foi correta a glosa dos créditos efetuada pela fiscalização. (...) No recurso voluntário, alega a recorrente, em síntese, que: i) a legislação do IPI não obriga o destaque do valor do frete na nota fiscal, o que se confirma com manifestações da RFB em soluções de consulta; ii) a possibilidade de se admitir o crédito presumido sobre frete executado por frota própria (sem preço de pagamento) também infirma a obrigação de destaque do frete; iii) independentemente do método de custeio adotado pelas empresas, as despesas comerciais (ou de vendas) são Fl. 13112DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/02/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10860.720541/201495 Acórdão n.º 3402002.928 S3C4T2 Fl. 7 11 consideradas na determinação do preço de venda dos produtos/serviços; (...) e v) escriturou a receita sobre o frete de maneira segregada na contabilidade (exemplos nos anexos 13 e 14). Como se verifica da autuação, o entendimento da fiscalização é de que o destaque do valor do frete na nota fiscal embora seja desejável, não é requisito essencial para a fruição do regime especial de apuração do IPI relativamente à parcela do frete cobrado pela prestação do serviço de transporte, tanto que, não obstante a falta desse destaque, foi oferecida oportunidade à contribuinte, mediante intimação, para comprovação de que o frete foi, efetivamente, cobrado juntamente com o preço dos produtos vendidos, conforme trecho abaixo da Informação Fiscal: (...) Temos, então, que a condição sine qua non do benefício é que, no preço da operação, esteja incluído o frete pago pelo Adquirente. Melhormente, para que não pairem dúvidas, o valor do transporte da mercadoria deve estar explicitamente indicado na Nota Fiscal no campo que lhe é atribuído. Se assim não ocorrer, que seja, então, comprovado por vias terceiras que, efetivamente, o Adquirente pagou o frete referente ao veículo de sua aquisição e, por conseguinte, que tal valor compôs a base de cálculo do tributo industrial. Esta é a condição para a fruição do favor fiscal, repetindo, que: "... serviços de transporte... sejam cobrados juntamente com o preço dos produtos..." Por intermédio do item 1 do Termo de Início de Fiscalização, ANEXO A, solicitamos o seguinte: (...) deve a Empresa comprovar, com documentação hábil (nota fiscal de saída, registro contábil/fiscal da cobrança, memória de cálculo, etc) que demonstre cabal e inequivocamente que, nas vendas que proporcionaram a fruição de tal benefício, cobrou dos Adquirentes os fretes a elas correspondentes. (...) [grifosdaRelatora] No entanto, como já dito, a contribuinte não apresentou a referida comprovação à fiscalização. (...) Também as telas do seu sistema contábil informatizado, sem estarem revestidas das formalidades legais, nada comprovam. Como se sabe, as telas de sistema interno de contabilidade não substituem a apresentação dos livros obrigatórios pela legislação contábil e fiscal na parte em que se faz necessária a comprovação de lançamentos contábeis específicos. Ademais, a ocorrência dos fatos contábeis alegados de vem ser comprovadas com documentos hábeis e idôneos,como notas fiscais de serviços, comprovantes da efetividade do pagamento e outros. O fato de, eventualmente, as despesas comerciais (ou de vendas) das empresas em geral serem consideradas na determinação do preço de venda dos produtos/serviços, nada diz sobre as operações de venda sob análise, para as quais a recorrente não logrou êxito em demonstrar que o valor do frete foi cobrado juntamente com o preço do produto, conforme prevê o art. 56 da Medida Provisória nº 2.158/2001. Fl. 13113DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/02/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 De forma que, por essas razões, entendo que a exigência fiscal deve ser mantida também na parte do crédito presumido sobre o frete. (...)" DDAA IINNCCIIDDÊÊNNCCIIAA DDOOSS JJUURROOSS DDEE MMOORRAA SSOOBBRREE AA MMUULLTTAA DDEE OOFFÍÍCCIIOO Essa questão já foi enfrentada por este colegiado em inúmeros julgados, entre os quais o Acórdão 3403002.367, de 24 de julho de 2013, relatado pelo Conselheiro Rosaldo Trevisan, a quem peço licença para adotar seus fundamentos, in verbis: (...) O assunto seria aparentemente resolvido pela Súmula nº 4 do CARF: “Súmula CARF n° 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais” (grifo nosso) Contudo, resta a dúvida se a expressão “débitos tributários” abarca as penalidades, ou apenas os tributos. Verificando os acórdãos que serviram de fundamento à edição da Súmula, não se responde a questão, pois tais julgados se concentram na possibilidade de utilização da Taxa SELIC. Seguese então, para o art. 161 do Código Tributário Nacional, que dispõe: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.”(grifo nosso) As multas são inequivocamente penalidades. Assim, restaria ilógica a leitura de que a expressão créditos ao início do caput abarca as penalidades. Tal exegese equivaleria a sustentar que: “os tributos e multas cabíveis não integralmente pagos no vencimento serão acrescidos de juros, sem prejuízos da aplicação das multas cabíveis”. A Lei nº 9.430/1996, por sua vez, dispõe, em seu art. 61, que: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Fl. 13114DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/02/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10860.720541/201495 Acórdão n.º 3402002.928 S3C4T2 Fl. 8 13 § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Novamente ilógico interpretar que a expressão “débitos” ao início do caput abarca as multas de ofício. Se abarcasse, sobre elas deveria incidir a multa de mora, conforme o final do comando do caput. Mais recentemente tratouse do tema nos arts. 29 e 30 da Lei nº 10.522/2002: “Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1o de janeiro de 1997. § 1° A partir de 1o de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. § 2° Para fins de inscrição dos débitos referidos neste artigo em Dívida Ativa da União, deverá ser informado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional o valor originário dos mesmos, na moeda vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação. § 3° Observado o disposto neste artigo, bem assim a atualização efetuada para o ano de 2000, nos termos do art. 75 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fica extinta a Unidade de Referência Fiscal – Ufir, instituída pelo art. 1o da Lei no 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1o de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento.” (grifo nosso) Fl. 13115DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/02/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 14 Vejase que ainda não se aclara a questão, pois se trata da aplicação de juros sobre os “débitos” referidos no art. 29, e a expressão designada para a apuração posterior a 1997 é "créditos". Bem parece que o legislador confundiu os termos, e quis empregar débito por crédito (e viceversa), mas tal raciocínio, ancorado em uma entre duas leituras possíveis do dispositivo, revelase insuficiente para impor o ônus ao contribuinte. Não se tem dúvidas que o valor das multas também deveria ser atualizado, sob pena de a penalidade tornarse pouco efetiva ou até inócua ao fim do processo. Mas o legislador não estabeleceu expressamente isso. Pela carência de base legal, então, entendese pelo não cabimento da aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, na linha que já vem sendo adotada por esta Turma. Pelo exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, reconhecendo, para efeitos de execução do presente acórdão pela unidade local, que não incidem juros de mora sobre o valor da multa de ofício. Rosaldo Trevisan" Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência o crédito tributário decorrente da incidência da taxa Selic sobre a multa de ofício na fase de liquidação administrativa deste julgado. Antonio Carlos Atulim Fl. 13116DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/02/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 11251.000055/2009-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2001 a 31/10/2003
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RETENÇÃO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO.
O instituto da retenção de que trata o art. 31 da lei nº 8.212/91, na redação dada pela lei nº 9.711/98, configura-se como hipótese legal de substituição tributária, na qual a empresa contratante assume o papel do responsável tributário pela arrecadação e recolhimento antecipados do tributo em nome da empresa prestadora - a contribuinte de fato -, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou que tenha arrecadado em desacordo com a lei.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO MEDIANTE DAÇÃO EM PAGAMENTO EM TÍTULOS DA PREFEITURA DO DISTRITO FEDERAL. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA.
Inexiste previsão legislativa para a extinção de Crédito Tributário mediante dação em pagamento em títulos prescritos emitidos pela Prefeitura do Districto Federal. O art. 167, XI, da CF/88 estabelece vedação expressa de utilização dos recursos provenientes das contribuições previdenciárias para a realização de despesas distintas do pagamento de benefícios do regime geral de previdência social.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE ATO NORMATIVO. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE JURIDICA.
Escapa à competência dos Órgãos Colegiados de Julgamento em Instância Administrativa a declaração, bem como o reconhecimento, de inconstitucionalidade de leis tributárias, eis que tal atribuição foi reservada, com exclusividade, pela Constituição Federal, ao Poder Judiciário.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA E JUROS MORATÓRIOS. LEGALIDADE.
O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.528/97, e de multa moratória na gradação detalhada pelo art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, todos de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-004.017
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Maria Cleci Coti Martins Presidente-Substituta de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins (Presidente-substituta de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Henrique de Oliveira, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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RETENÇÃO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO. O instituto da retenção de que trata o art. 31 da lei nº 8.212/91, na redação dada pela lei nº 9.711/98, configurase como hipótese legal de substituição tributária, na qual a empresa contratante assume o papel do responsável tributário pela arrecadação e recolhimento antecipados do tributo em nome da empresa prestadora a contribuinte de fato , não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou que tenha arrecadado em desacordo com a lei. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO MEDIANTE DAÇÃO EM PAGAMENTO EM TÍTULOS DA PREFEITURA DO DISTRITO FEDERAL. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA. Inexiste previsão legislativa para a extinção de Crédito Tributário mediante dação em pagamento em títulos prescritos emitidos pela Prefeitura do Districto Federal. O art. 167, XI, da CF/88 estabelece vedação expressa de utilização dos recursos provenientes das contribuições previdenciárias para a realização de despesas distintas do pagamento de benefícios do regime geral de previdência social. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE ATO NORMATIVO. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE JURIDICA. Escapa à competência dos Órgãos Colegiados de Julgamento em Instância Administrativa a declaração, bem como o reconhecimento, de inconstitucionalidade de leis tributárias, eis que tal atribuição foi reservada, com exclusividade, pela Constituição Federal, ao Poder Judiciário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 25 1. 00 00 55 /2 00 9- 21 Fl. 252DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA E JUROS MORATÓRIOS. LEGALIDADE. O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.528/97, e de multa moratória na gradação detalhada pelo art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, todos de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Maria Cleci Coti Martins – PresidenteSubstituta de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins (Presidentesubstituta de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Henrique de Oliveira, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000055/200921 Acórdão n.º 2401004.017 S2C4T1 Fl. 253 3 Relatório Período de apuração: 01/12/2001 a 31/10/2003 Data da lavratura da NFLD: 25/02/2004. Data da Ciência da NFLD: 01/03/2004. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela Gerência Executiva do Instituto Nacional do Seguro Social em Guarulhos que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº 35.545.0054, consistente em contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa, arrecadadas mediante retenção de 11% incidente sobre o valor bruto das notas fiscais de serviços prestados mediante cessão de mão de obra, nas competências de dezembro/2001 a outubro/2003, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 38/40. Relata a Autoridade Lançadora que o débito constante na presente NFLD corresponde aos valores retidos pela empresa Notificada, na condição de Tomadora de Serviços de limpeza e conservação prestados mediante Cessão de MãodeObra, referentes à retenção de 11% destacados nas Notas Fiscais de Serviço emitidas pelas prestadoras de Serviços, conforme discriminado no Relatório de Fatos Geradores, a fls. 21/23. De acordo com o Relatório Fiscal, a Notificada pretendeu, unilateralmente, quitar as contribuições previdenciárias relativas às competências de 12/2001 a 10/2003, utilizandose do instituto da dação em pagamento de títulos da dívida pública, emitidos no início do século passado, pela “Prefeitura do Districto Federal”. A alegada “dação em pagamento” deuse por ato unilateral da empresa, sem amparo em lei autorizadora. Consta dos autos que, em 30/01/2004, a empresa protocolizou expediente, sob n° 35412.000111/200491, a fls. 59/76, na Agência Moji das Cruzes da Previdência Social comunicando o procedimento da operação ora em foco, apresentando não somente cópias dos Títulos de empréstimo, como também, as GPS pagas em 23/01/2004, com as deduções da pretendida “dação em pagamento”. Nesse contexto, acompanhando o entendimento exarado no Despacho promanado da Procuradoria Geral Federal Especializada – INSS, a fls. 80/84, que rechaçou a possibilidade jurídica de se efetuar a extinção do Crédito Tributário em questão mediante dação em pagamento com títulos da Divida Pública emitidos pela Prefeitura do Distrito Federal, a Fiscalização procedeu ao lançamento das Contribuições Previdenciárias devidas e não recolhidas. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 4 Os valores das contribuições retidas dos segurados e não recolhidas, objeto do vertente lançamento, foram extraídos dos fatos geradores declarados pela própria empresa em suas GFIP. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o Sujeito Passivo apresentou contestação administrativa em face do lançamento, nos termos da Impugnação a fls. 69/87. A Seção de Análise de Defesas e Recursos do Instituto Nacional do Seguro Social em Guarulhos/SP lavrou Decisão Administrativa aviada na DecisãoNotificação nº 21.4254/093/2004, a fls. 170/174, julgando procedente o lançamento e mantendo o Crédito Tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 12/05/2004, conforme Aviso de Recebimento a fl. 176. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 178/196, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos: · O Recorrente discorre acerca da lisura dos títulos da dívida pública interna e externa do Brasil e de princípios constitucionais para, ao fim, concluir pela legalidade da dação em pagamento; · Que o relatório da agente fiscal que autuou a empresa em decorrência de valores retidos por empresa tomadora de serviços mediante seção de mão deobra (referente a retenção de 11% destacados em notas fiscais emitidas pela prestadora de serviços no período 01/2002 a 02/2002, 04/2002 a 12/2002, 04/2003 a 10/2003), com o devido acatamento, foram pagos através de dação em pagamento, eis que os referidos títulos são públicos e admitem a compensação ou dação com débitos fiscais em apreço; · Que a multa e os juros contidos na presente NFLD, diante da sua exagerada fixação, ferem todos os ditames de ordem constitucional; Ao fim, requer a declaração de improcedência da NFLD. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000055/200921 Acórdão n.º 2401004.017 S2C4T1 Fl. 254 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 12/05/2004. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 14/06/2004, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto, conforme Resolução 154/INSS/DCPRES, de 08/06/2004, que suspendeu o prazo para interposição de recursos no período de paralização dos servidores. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. Ante a inexistência de questões preliminares a serem dirimidas, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 2.1. DA DAÇÃO EM PAGAMENTO. O Recorrente discorre acerca da lisura dos títulos da dívida pública interna e externa do Brasil e de princípios constitucionais para, ao fim, concluir pela legalidade da dação em pagamento. Aduz que o relatório da agente fiscal que autuou a empresa em decorrência de valores retidos por empresa tomadora de serviços mediante seção de mãodeobra (referente a retenção de 11% destacados em notas fiscais emitidas pela prestadora de serviços no período 01/2002 a 02/2002, 04/2002 a 12/2002, 04/2003 a 10/2003), com o devido acatamento, foram Fl. 256DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 6 pagos através de dação em pagamento, eis que os referidos títulos são públicos e admitem a compensação ou dação com débitos fiscais em apreço. Mas há, todavia, impossibilidades jurídicas que impedem a modalidade de extinção do Crédito Tributário eleita pelo Recorrente. Com efeito, as modalidades de extinção do Crédito Tributário encontramse taxativamente previstas no art. 156 do CTN. Código Tributário Nacional Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; II a compensação; III a transação; IV remissão; V a prescrição e a decadência; VI a conversão de depósito em renda; VII o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º; VIII a consignação em pagamento, nos termos do disposto no § 2º do artigo 164; IX a decisão administrativa irreformável, assim entendida a definitiva na órbita administrativa, que não mais possa ser objeto de ação anulatória; X a decisão judicial passada em julgado. XI – a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições estabelecidas em lei. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Parágrafo único. A lei disporá quanto aos efeitos da extinção total ou parcial do crédito sobre a ulterior verificação da irregularidade da sua constituição, observado o disposto nos artigos 144 e 149. De fato, o inciso XI do citado art. 156 do CTN prevê a modalidade de extinção de Crédito Tributário mediante a dação em pagamento, mas tão somente, em bens imóveis, e, mesmo nesses casos, na forma e nas condições a serem estabelecidas em lei ordinária, inexistindo qualquer viés de possibilidade para a dação em pagamento em títulos prescritos da Prefeitura do Districto Federal. Ademais, no que pertine às contribuições previdenciárias, existe ainda um empecilho constitucional insculpido no inciso XI do art. 167 da CF/88 o qual veda, expressamente, a utilização dos recursos provenientes das contribuições sociais de que trata o art. 195, I, a, e II, para a realização de despesas distintas do pagamento de benefícios do regime geral de previdência social de que trata o art. 201, ali incluídas, por obvio, as despesas de quitação/resgate de títulos emitidos pela Prefeitura do Districto Federal. Constituição da República Federativa do Brasil Art. 167. São vedados: (...) XI a utilização dos recursos provenientes das contribuições sociais de que trata o art. 195, I, a, e II, para a realização de despesas Fl. 257DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000055/200921 Acórdão n.º 2401004.017 S2C4T1 Fl. 255 7 distintas do pagamento de benefícios do regime geral de previdência social de que trata o art. 201. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20/98) (...) Nessa perspectiva, ante a inexistência de previsão legislativa para a extinção de Crédito Tributário mediante dação em pagamento em títulos prescritos emitidos pela Prefeitura do Districto Federal, e máxime pela expressa vedação constitucional de se utilizar os recursos provenientes das contribuições previdenciárias para a realização de despesas distintas do pagamento de benefícios do regime geral de previdência social, não há como acatar a regularidade e a lisura do procedimento levado a efeito pelo Autuado, permanecendo ainda devidas as Contribuições Previdenciárias correspondentes aos valores declarados pelo Autuado como supostamente extintos pela impossível dação em pagamento. Procedente, portanto, o lançamento levado a efeito pela Autoridade Fiscal. Quanto à procedência ou não da Representação Fiscal para Fins Penais, o exame das alegações atravessadas pelo Recorrente esbarra no óbice da Súmula 28 do CARF, de observância obrigatória, que exclui a competência deste Conselho para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. 2.2. DOS JUROS E MULTA Alega o Recorrente que a multa e os juros contidos na presente NFLD, diante da sua exagerada fixação, ferem todos os ditames de ordem constitucional. Examinando os termos e condições do lançamento em apreço verificamos que os juros de mora houveramse por aplicados de acordo com o art. 34 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei 9.528/97, vigente à data dos fatos geradores, conforme indicado no relatório intitulado FLD – Fundamentos Legais do Débito, a fl. 25, tópico “Acréscimos legais – juros”. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Fl. 258DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 8 Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (redação dada pela Lei nº 9.528/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. De outro eito, a multa moratória se houve por aplicada em conformidade com os incisos II e III do art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, vigente à data dos fatos geradores, conforme indicado no relatório intitulado FLD – Fundamentos Legais do Débito, a fl. 25, tópico “Acréscimos legais – Multa”, e quantificados na página 01/02 do relatório “IPC – Instruções Para o Contribuinte”, a fl. 05. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) (...) II Para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. §2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não Fl. 259DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000055/200921 Acórdão n.º 2401004.017 S2C4T1 Fl. 256 9 incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o §1º deste artigo. §4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) Como se vê, tanto a multa quanto os juros de mora houveramse por aplicados em estreita consonância com os ditames estabelecidos na Lei de Custeio da Seguridade Social. Mostrase alvissareiro trazer à balha que todo ato normativo oriundo do Poder Legislativo ingressa no Ordenamento Jurídico com presunção relativa de conformidade com a Constituição. Dessarte, uma vez promulgada e sancionada a lei, esta passa a desfrutar de presunção iuris tantum de constitucionalidade, a qual somente pode ser infirmada pela declaração em sentido contrário proferida pelo órgão jurisdicional competente. Segundo Luís Roberto Barroso (in Interpretação e aplicação da Constituição: fundamentos de uma dogmática constitucional transformadora. 7ª ed. rev. São Paulo, Saraiva, 2009, p. 193), “O princípio da presunção de constitucionalidade dos atos do Poder Público, notadamente das leis, é uma decorrência do princípio geral da separação dos Poderes e funciona como fator de autolimitação da atividade do Judiciário, que, em reverência à atuação dos demais Poderes, somente deve invalidarlhes os atos diante de casos de inconstitucionalidade flagrante e incontestável”. É imperioso destacar, de forma a nocautear qualquer dúvida porventura ainda renitente, que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou de atos administrativos insertas no Ordenamento Jurídico constituise prerrogativa outorgada pela Constituição Federal exclusivamente ao Poder Judiciário, não podendo os agentes da Administração Pública imiscuíremse ex proprio motu nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste. Chamamos a atenção do Leitor para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço não teve, ainda, a sua constitucionalidade abatida pelos órgãos judiciários competentes, produzindo, portanto, todos os efeitos jurídicos que lhe são de estilo. Nesse contexto, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições sociais e seus acréscimos legais ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a Fl. 260DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 10 inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Autuante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. De plano, devese atentar que o Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, dispõe expressamente em seu art. 26A ser vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo nas hipóteses em que os citados diplomas legislativos tenham sido declarados inconstitucionais por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) Ademais, perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11251.000055/200921 Acórdão n.º 2401004.017 S2C4T1 Fl. 257 11 Revelase pertinente salientar que é vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, do Ministério da Fazenda. Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73/93. Desbastada nesses talhes a escultura jurídica, impedido se encontra este Colegiado de apreciar tais alegações e propalar as declarações de inconstitucionalidade pleiteadas pelo Recorrente, atividade essa que somente poderia aflorar no Poder Judiciário. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva. Relator. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 12 Fl. 263DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
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