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Numero do processo: 10882.903357/2008-82
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002
Ementa:
NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. PROVAS.
Não cabe à Administração empreender esforços probatórios devidos pelo Contribuinte, uma vez que, de seu dever exercitá-los por se tratar de recuperação de créditos por ele pleiteados não presentes nos autos provas de internação na Zona Franca de Manaus. O não acatamento da indevida pretensão não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-002.510
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Joel Miyazaki e Otacílio Dantas Cartaxo votaram pelas conclusões. O Conselheiro Henrique Pinheiro Torres apresentará declaração de voto.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. PROVAS. Não cabe à Administração empreender esforços probatórios devidos pelo Contribuinte, uma vez que, de seu dever exercitálos por se tratar de recuperação de créditos por ele pleiteados não presentes nos autos provas de internação na Zona Franca de Manaus. O não acatamento da indevida pretensão não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Joel Miyazaki e Otacílio Dantas Cartaxo votaram pelas conclusões. O Conselheiro Henrique Pinheiro Torres apresentará declaração de voto. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 33 57 /2 00 8- 82 Fl. 181DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.903357/200882 Acórdão n.º 9303002.510 CSRFT3 Fl. 182 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório A ora Recorrente, irresignada com a decisão proferida pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, com ementa dotada dos seguintes termos, NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, mesmo em seus arquivos internos, má instrução probatória realizada pelo contribuinte. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do decretolei nº 288/67. (grifado) interpõe Recurso Especial, com exame de admissibilidade favorável nº 3400 00.143, sob os argumentos de que tal decisão não pode ser mantida em razão da existência de julgados contrários ao entendimento articulado, no sentido de ser possível a utilização de crédito de PIS e COFINS após o anocalendário de 2000 e, inclusive, que determinam à DRF de origem realizar diligências para comprovar a veracidade do crédito. Reverbera também a impertinência do prejuízo decorrente do fato de despacho eletrônico que não cuidou de averiguar a existência ou não de crédito nas operações com empresas da ZFM/ALC mesmo tendo ela apresentado documentação contábil idônea com informes do conteúdo de notas fiscais comprovadoras da operação de comercialização de produtos. Indica como relevante que o “procedimento de PER/DCOMP não é suficiente para demonstrar o crédito tributário, e, justamente para isso, é que se aguarda a instauração de processo administrativo tributário.” Continua elencando os seguintes aspectos: “incabível a restrição do crédito com base na Medida Provisória nº 2.15835/2001, tendo em vista que todas as remessas a empresas localizadas na Zona Franca de Manaus são equiparadas a exportação, sendo patente a isenção da operação tributário quanto as contribuição de PIS e COFINS; o entendimento do Douto Relator, e acolhido por sua maioria na Douta 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, não pode ser Fl. 182DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.903357/200882 Acórdão n.º 9303002.510 CSRFT3 Fl. 183 3 ratificado por não ter respaldo com o ordenamento jurídico e com o que vem sendo decidido por este Egrégio Conselho. Ou seja, não é imbróglio da Recorrente a alegação de ter direito a compensar o crédito de PIS e COFINS, pois as compradoras de seus produtos se localizavam na ZFM, logo é pertinente a aplicação da isenção da não – incidência desta contribuição, em razão da equiparação destas remessas à exportação; após julho de 2004, a legislação expressamente prevê alíquota zero para estas contribuições nas vendas de mercadorias realizadas com pessoas jurídicas situadas na Zona Franca de Manaus por equiparação à exportação; há precariedade no v. acórdão, em razão de não ter respeitado o princípio da busca pela verdade material, tanto é verdade, que aproveita a oportunidade para trazer à baila julgado paradigma que determina a necessidade da DRF fazer diligência para aferir o direito creditório; importante se faz reparar o artigo 1º do Decreto nº 2.346/97, o qual prevê que os atos da Administração Pública devem se pautar pelas orientações dos Tribunais Superiores, o que foi desconsiderado pela DRJ/CPS.” Registra excertos do acórdão recorrido: “Analisadas pela DRJ Campinas, as manifestações não foram acolhidas, ainda que tenha sido reconhecido que a empresa àquela altura já retificara a DCTF, pondoas em conformidade com as compensações pretendidas. Para não reconhecer o direito creditório, a DRJ ratificou o entendimento administrativo, do Parecer nº 1.789/2002, de que até o período de apuração dezembro de 20000 não há qualquer ato que conceda isenção a tais vendas ou qualquer outra forma de desoneração. No entender da administração, apenas no período compreendido entre 22 de dezembro de 20000 e 25 de julho de 2004 há isenção quando as vendas para a ZFM se enquadrem, ademais, nas disposições dos incisos IV, VI, VIII ou IX da Medida Provisória 2.037 e suas reedições. A partir de 26 de julho de 2004, passou a haver desoneração, sob a forma de redução a zero das alíquotas, para toda e qualquer venda realizada para aquela região, mesmo que não enquadrada nas disposições acima. Destarte, continua o Relator, para os recolhimentos relativos a fatos geradores ocorridos até 21 de dezembro de 200000 afirmou não haver o direito alegado. Para os recolhimentos relativos ao período compreendido entre 22 de dezembro de 20000 e 26 de julho de 2004 afirmou que caberia à empresa provar que as vendas se enquadram nas disposições acima o que, sozinha, a planilha juntada não consegue fazer. Para recolhimentos posteriores a julho de 2004 afirmou não ter a empresa juntado qualquer elemento comprobatório de sue direito, como lhe competia, nem mesmo a mencionada planilha.” Fl. 183DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.903357/200882 Acórdão n.º 9303002.510 CSRFT3 Fl. 184 4 Destaca a impropriedade do comportamento da DRJ, uma vez que, pelo princípio da prudência, não determinou diligências para averiguar a ocorrência de remessas aos estabelecimentos localizados na ZFM, e que apesar de confirmar a existência de crédito, o mesmo não restou comprovado pela ora Recorrente, tudo sob o pálio de não considerar pertinente a substituição do contribuinte no que tange a uma instrução probatória. O acórdão recorrido registra que existem casos em que a Administração possa suprir a ausência de um dado documento cuja apresentação deveria ter sido promovida pela parte desde que o documento em questão esteja na posse da administração e seja difícil ou impossível apresentação tempestiva pela parte, como por exemplo, nos casos de DARF´s e declarações entregues. Alega que muito embora tais argumentos sejam dignos de consideração, não há como concordar com eles, uma vez que, em nenhum momento, a ora Recorrente foi intimada a apresentar documentos que a Fiscalização entenderia pertinentes para comprovar os créditos declarados nas DCOMP´s. Transcreve excerto do acórdão referente ao Recurso Voluntário nº 145.668, verbis: “Em face do exposto, voto pelo provimento parcial do presente recurso voluntário reconhecendo à recorrente o direito de repetir/compensar os indébitos decorrentes das contribuições para o PIS e COFINS apuradas e pagas sobre receitas de vendas de mercadorias efetuadas para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, no período de 22.12.2000 a 31.12.2003, que comprovadamente foram internalizada naquela zona franca, cabendo a DRF de origem exigir a documentação necessária à comprovação das internações bem como a apuração dos valores a serem repetidos/compensados.” Diz que essa decisão demonstra a divergência analítica, fazendo com que este Conselho conviva com opiniões diferentes. Por essas razões, argumenta que o acórdão recorrido deve ser reformado para que o processo baixe em diligência, a fim de que seja intimada a Recorrente para apresentação de toda a documentação para o fim de homologação do crédito pleiteado, até mesmo porque nunca existiu oportunidade para exibição de documentos, uma vez que o crédito tributário foi indeferido por meio de despacho decisório eletrônico. Transcreve vários trechos de acórdãos deste Conselho que contemplam abordagens sobre os princípios da verdade material e da oficialidade. Afirma novamente que o objetivo deste Recurso é a reforma do acórdão recorrido para que sejam homologados todos os pedidos de compensação realizados com créditos de 2000 a 2005. Ainda transcreve parte do acórdão recorrido para provar a existência de entendimento diferente em outra Turma e Câmara da 3ª Seção, verbis: “Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava se referindo, genericamente, às venda à AFM, ou, mais claramente, está ela a dizer Fl. 184DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.903357/200882 Acórdão n.º 9303002.510 CSRFT3 Fl. 185 5 que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na AFM não se equipara “a exportação de mercadorias para o exterior” de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior, está simplesmente delimitadolhe o alcance como compete aos parágrafos. Tal reconhecimento deve ficar claro, não implica que após deixar o parágrafo (a partir de 22 de dezembro de 2000) tenha passado a existir a isenção pretendida. Para que isenção haja, já o disse, é preciso que ato legal a explicite, visto que só o decretolei 288 não basta. Mas tampouco há isenção apena porque a compradora lá esteja. Nos recursos ora em exame que abrangem aquele período, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante nos acórdãos que o analisam de que “haveria direito” no período de 22 de dezembro de 20000 a 25 de julho de 2004, mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há direito na forma requerida.” Destaca que a equiparação à exportação dos atos de comércio praticados com a Zona Franca de Manaus impede a existência do acórdão recorrido. Rechaça a alegação de imbróglio feita no Recurso Voluntário, uma vez que o mesmo registrou a existência de direito creditório no período após 2000. Transcreve ainda excertos do acórdão paradigma nº 330100.311, confirmando a tese da ora Recorrente, verbis: “ As receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços e/ou de serviços para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus para consumo e/ou industrialização, realizadas até a data de 21.12.2000 estavam sujeitas à Cofins, tornandose isenta dessa contribuição somente a partir de 22.12.2000. REPETIÇÃO. DCOMP. HOMOLOGAÇÃO As contribuições para o PIS e COFINS apuradas e pagas sobre as receitas de vendas de mercadorias e serviços para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, referente ao período de 22.12.2000 a 31.12.2001, constituem indébitos tributários passíveis de restituição e/ou compensação, cabendo à autoridade administrativa competente homologar a compensação dos débitos fiscais declarados até o limite do montante do crédito financeiro apurado.” Alega que essa decisão fornece suporte para justificar a procedências de suas razões uma vez que a partir de 22.12.2000 foram consideradas isentas as remessas para estabelecimentos localizados na ZFM, referentemente as contribuições para o PIS e COFINS. Tece considerações sobre o posicionamento hierárquico da Lei nº 5.172/66 (CTN) como lei complementar e acrescenta que qualquer alteração em seu conteúdo somente será plausível se acontecer por via de norma situada no mesmo nível do CTN, como é o caso do Ato Complementar nº 35/67 – publicado na mesma data do DecretoLei nº 288/67 – cujo § 2º, inciso II, do art. 7º assim preleciona: “§ 2º Para os efeitos de aplicação do disposto neste artigo, além da mercadoria objeto de operação de exportação, considerase destinada ao exterior a remetida: Fl. 185DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.903357/200882 Acórdão n.º 9303002.510 CSRFT3 Fl. 186 6 II – aos armazéns gerais alfandegados, entrepostos aduaneiros e zonas francas; Assim, argumenta que nenhuma lei ordinária ou ato administrativo do Poder Executivo poderá alterar uma lei complementar. Considera que o conteúdo do art. 7º do Ato Complementar nº 35/67 destina se às exportações porque, confirmando a imunidade nas exportações para o antigo ICM, conforme já previa o § 5º, do art. 24, da Constituição de 1967, estende a mesma imunidade nas exportações para o IPI e insere no mundo jurídico uma nova situação quando concede tratamento fiscal igualitário a exportação para as remessas de mercadorias para as zonas francas. Transcreve excerto do voto do Ministro Sepúlveda Pertence em Medida Cautelar concedida na ADin nº 3101 (DJ 16.04.1993), verbis: “A plausibilidade da arguição suscitada faz relevante a questão constitucional proposta. Certo, ao esforço de demonstração da invalidade nas normas questionadas, fezse necessário seu cotejo com preceitos subconstitucionais: em particular, o artigo 4º do DecretoLei nº 288/67 (...), e o artigo 49 do mesmo diploma (...); o art. 5º da Lei Complementar nº 4/69, que manteve em vigor, dandolhe hierarquia complementar, o referido artigo 4º, do DL 288/67”. Conclui enfatizando que todas as vendas para empresas situadas n Zona Franca de Manaus caracterizam exportações para fins fiscais e devem ter o mesmo tratamento tributário na conformidade do entendimento dos Tribunais Superiores, e registra – entre outras – algumas considerações finais: “È dever da Administração Pública perquirir, aferir, buscar a verdade material, ou seja, deve a Fiscalização exigir a documentação necessária à comprovação das internações bem como a apuração dos valores a serem repetidos/compensados. Deste modo, a Recorrente acredita que este entendimento é o mais adequado ao caso em comento do que o exposto no v. acórdão vergastado, isto porque, a Recorrente não pode ter o seu direito tolhido, tão somente, porque em nenhum momento foi intimada a apresentar documentação. (...) As planilhas juntadas são documentos idôneos até prova em contrário, desta feita, é necessário que esta Colenda Câmara reforme o v. acórdão guerreado, a fim de que seja concedido à Recorrente utilizarse de seu crédito para compensálo com os débitos pretendidos;” Por fim articula os pedidos: “ a) seja reconhecido integralmente o crédito tributário, pois a partir de 22.12.2000 ficou expressamente determinado que não incidiria PIS e COFINS, pois tais receitas não devem ter incidência de tais contribuições pois as remessas a ZFM são equiparadas a exportação; Fl. 186DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.903357/200882 Acórdão n.º 9303002.510 CSRFT3 Fl. 187 7 (...) d) com supedêneo no v. acórdão paradigmático, seja determinada diligências no processo administrativo para que a fiscalização efetivamente investigue a existência do crédito tributário, por meio da documentação juntada aos autos e por meio de outros documentos fiscais e contábeis necessários para formar a sua convicção.” Contrarrazões articuladas pela Fazenda Nacional inicia por dizer que a pretensão da Contribuinte para que a fiscalização produza as provas que a ela caberia realizar é improcedente, em razão do que preleciona o art. 333 do CPC que incumbe o ônus da prova ao autor. Afirma que esse dispositivo aplicado ao contexto da compensação tributária confirma a atribuição do contribuinte quanto à produção de prova da certeza e liquidez do crédito que alega ter perante o Fisco, cabendo a este último, uma vez provado o crédito se não homologálo, provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo daquele. Continua alegando que no campo da compensação deve o contribuinte provar a existência de crédito líquido e certo declarado e que, quando não se desincumbe da efetivação dessa prova, fica impedido por direito de exigir que a autoridade fiscal demonstre qualquer elemento contrário à pretensão. Oferece lição da jurista Fabiana Del Padre Tomé, sobre o ônus da prova no processo administrativo fiscal, verbis: “O direito à produção probatória decorre da liberdade que tem a parte de argumentar e demonstrar a veracidade de suas alegações, objetivando convencer o julgador. Visto por outro ângulo, o direito à prova implica a existência de ônus segundo o qual determinado sujeito do processo tem a incumbência de comprovar os fatos por ele alegados, sob pena de não o fazendo, ver frustrada a pretendida aplicação do direito material. Desse modo, a prova dos fatos constitutivos cabe a quem pretenda o nascimento da relação jurídica, enquanto a dos extintivos, impeditivos ou modificativos compete a quem os alega.” Insiste declarando que qualquer exceção à regra geral deve constar em texto de lei, como, por exemplo, presente no Direito do Consumidor, não cabendo à autoridade julgadora promovêla com base em juízo de equidade. Oferece destaque ao fato de somente com o oferecimento de manifestação de inconformidade, instauradora do litígio, é que a Administração terá oportunidade de conhecer os motivos do contribuinte, examinálos e homologar ou não a compensação comunicada e, se nela não se encontrarem presentes as provas que caberia apresentar, sem dúvidas, não será possível reconhecer qualquer nulidade de decisão desconhecendo o direito creditório pretendido. Discorre sobre a legislação que cuida do PIS e da COFINS relativamente à exportação para o exterior para defender a inexistência da isenção pretendida pela ora Recorrente e menciona o art. 2º da Lei nº 10.996/2004, que reduziu a 0 (zero) as alíquotas das Contribuição ao PIS/COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas Fl. 187DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.903357/200882 Acórdão n.º 9303002.510 CSRFT3 Fl. 188 8 ao consumo ou à industrialização na ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora desse ambiente, para argumentar que se antes existisse isenção, não haveria necessidade de novo instrumento normativo para instituíla. Alega também que as principais normas isencionais existentes são as do art. 150 da Constituição e dos arts. 111, 176 e 177 do CTN, que se fundamentam no princípio de ser a isenção uma exceção feita expressamente à regra jurídica de tributação, tornando, por essa razão, interpretação muito restritiva e, portanto, somente diante de hipóteses clara e explicitamente consagradas pelo legislador é que o favor tributário da isenção se materializa. Para tanto, transcreve diversos precedentes judiciais sobre a exigência de interpretação literal e restritiva da norma isencional. Discorre ainda sobre a ausência de norma isentiva para o tema ora em discussão e rebate a pretensão do que denominou de isenção indireta, porque não prevista em lei e, portanto, não se coadunando com as características do instituto tributário, tal como fixadas pela ordem jurídica em vigor. Chama a baila o fato de que as contribuições para a seguridade social não podem ser, in casu, isencionadas, sob pena de afronta ao art. 195 da CF/88 que determina ser ela financiada por toda a sociedade e transcreve excerto do Informativo STF nº 155. Rebate a possibilidade de aplicação do DecretoLei nº 288/67 ao presente caso, uma vez que o seu artigo 4º é claro ao afirmar que os efeitos fiscais à vista dos quais estabelece a equiparação das vendas à ZFM à exportação para o estrangeiro, são, exclusivamente, aqueles vigentes à época da edição dessa norma. Por conseguinte, continua, como na data do DecretoLei não existia isenção da COFINS e do PIS porque não insculpidos no mundo jurídico, não é plausível pretender a extensão da isenção a essas Contribuições Sociais, tudo também em homenagem a interpretação restritiva das regras sobre isenção, como já mencionado. Alega também que o art. 177 do CTN veda o alcance da isenção a tributos instituídos posteriormente a concessão, salvo disposição de lei em contrário. Transcreve lição da professora Mizabel Derzi, “O CTN não diz expressamente, nem ALIOMAR BALEEIRO ressalta, mas parece evidente que o art. 177 é inteiramente aplicável, com as restrições nele registradas, às isenções incondicionais, concedidas por prazo indeterminado. Essas são inteiramente revogáveis exatamente porque concedidas como favorecimento ou renúncia.” Diz ainda inexistir dúvidas de que o benefício não pode ser estendido às remessas de produtos à ZFM, pelo simples fato de não haver sido contemplado no objetivo da norma e assim, caso se faça a interpretação em sentido contrário estaria este Conselho criando norma isentiva sem supedâneo legal. Conclui pelo afastamento da hipótese de isenção das Contribuições para o PIS e COFINS e, em razão disto, pela manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.903357/200882 Acórdão n.º 9303002.510 CSRFT3 Fl. 189 9 Voto Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Relator O Recurso preenche condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. As vertentes do presente litígio a serem examinadas dizem respeito a existência ou não de comprovação pela ora Recorrente dos atos negociais levados a efeito com a Zona Franca de Manaus e se tais atos, quanto ao PIS e a COFINS, estariam contidos na abrangência de isenção. Quanto a primeira vertente, ao compulsar os autos constato, no texto da Manifestação de Inconformidade, que a ora Recorrente apresentou à Secretaria da Receita Federal do Brasil Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), não homologado por inexistência de crédito tributário. O Despacho Decisório Eletrônico de não homologação tem o seguinte conteúdo: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” No Recurso Voluntário a ora Recorrente informa que anexou à Manifestação de Inconformidade já mencionada, relação das notas fiscais que compõem o crédito tributário e alega também que se tivesse sido intimada para apresentar outros documentos certamente a glosa da compensação não teria ocorrido. De todos sabido, inicialmente, que a obrigação de provar cabe ao Fisco quando materializa lançamento tributário identificando o fato gerador e o montante do tributo devido. Do mesmo modo, cabe – exclusivamente – ao Contribuinte quando na busca de ser ressarcido por tributo pago indevidamente ou em montante maior do que o devido, ofertar as provas necessárias e suficientes à liquidez e certeza de seus créditos. De primevo, a mim parece que uma simples relação contendo as operações com a ZFM representadas por números de notas fiscais, com CNPJ´s e Inscrição Estadual e ainda o crédito apurado, não substitui a prova da internalização dos produtos, nem as cópias de balancetes, livros diário e razão, onde as receitas de vendas estratificariam, sem dúvidas, a confirmação das operações efetivadas. O julgamento administrativo deve ter como norte o Princípio da Verdade Material. É certo, com isto não se está querendo dizer que o processo administrativo claudicará quando o dever de provar cabível ao Contribuinte não for exercitado. De todos sabido que as declarações de compensação não comportam espaço para as provas do Contribuinte relativamente a seus créditos, somente é possível o Fl. 189DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.903357/200882 Acórdão n.º 9303002.510 CSRFT3 Fl. 190 10 conhecimento pelo Fisco relativamente ao fato de existir ou não, débitos. A partir daí, do levantamento da conta corrente do Contribuinte, a administração pode examinar o conteúdo do direito pleiteado seguindo as normas de regência. In casu, não havia registro de créditos disponíveis no ambiente da Administração. Por outro lado, espaço suficiente houve nos autos para produção de informações elucidativas quanto à internação dos produtos na ZFM pela ora Recorrente, principalmente a partir da oferta feita por ela da Manifestação de Inconformidade provocada pela não homologação de seus créditos. Não localizei ferimento aos princípios do contraditório e da ampla defesa neste processo, até mesmo porque inocorreu restrição à produção de provas. Mesmo que o instituto da preclusão quanto à juntada de documentos tenha que ser respeitado quando o sujeito passivo não protestar na impugnação ou manifestação de inconformidade, pela juntada posterior e nem apresentar justificativa legal para tanto, exceção poderá ocorrer na presença de força maior ou argumentos supervenientes, aspectos esses não produzidos nos autos. Indo agora para a vertente segunda de que as vendas para a ZFM se equiparam à exportação para o estrangeiro, para mim indiscutível que as receitas decorrentes de exportação não têm incidência das contribuições sociais de intervenção no domínio econômico de que trata o art. 149 da CF/88, uma vez que, observandose as regras estatuídas pelo art. 7º da LC 70/91 e pelo art. 5º da Lei nº 10.637, concluise que as vendas à Zona Franca de Manaus são equiparadas às exportações, conforme pacificação jurisprudencial do E. STJ a exemplo do Ag 1.295.452/DF, REsp. 817.847 SC, REsp.653.975/RS, entre outras. Portanto, não vislumbro procedência em se considerar as operações de vendas exclusivamente vinculadas ao que prelecionam os incisos IV, VI, VIII ou IX da MP 2037, constatando se a atividade da empresa compradora tem inscrição no Registro Especial Brasileiro para embarcações; seja comercial exportadora inscrita na SECEX; seja trading company ou ship´s Chandler, ao contrário, inclinome aos que entendem que toda e qualquer empresa que efetue vendas para a ZFM estará efetuando exportação. De outra banda, filiome ao entendimento do Ministro Teori Albino Zavascki quando do REsp. 1084.380/RS, em 29.03.09, pontuou: “Nos termos do art. 40 do ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT, da Constituição de 1988, a Zona Franca de Manaus ficou mantida “com suas características de área de livre comercio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, por 25 ano, a partir da promulgação da Constituição”. Ora, entre as “características” que tipificam a ZAFM destacase esta de que trata o art. 4º do Decreto Lei 288/67, segundo o qual “a exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na ZFM, ou reexportação pra o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro”. Portanto, durante o período previsto no art. 40 do ADCT e enquanto não alterado ou revogado o art. 4º so SL Fl. 190DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.903357/200882 Acórdão n.º 9303002.510 CSRFT3 Fl. 191 11 288/67, há de se considerar que, conceitualmente, as exportações para a ZFM são, para efeitos fiscais, exportações para o exterior. Logo, a isenção relativa à COFINS e ao PIS é extensiva à mercadoria destinada à ZF. O DL 288/67 é originalmente um decretolei, porém está sendo considerado pelos doutrinadores após a EC 1/69 como tendo eficácia de lei complementar uma vez que cuida de matéria tributária que atinge todos os entes federativos. Foi, portanto, esse dispositivo recepcionado pela Constituição de 1988 e constitucionalizados seus dispositivos, atingindo efeitos até 2013 e tendo seus comandos elastecidos pela EC 42/66 até 2023. Para os que argumentam que somente os tributos existentes na época da edição do DL 288/67 aproveitariam a isenção, vem a Medida Cautelar em ADI 23489, não acatando tal argumento, determinando que novos tributos encontravamse abrangidos pelo artigo 40 do ADCT que foi criado para tornar diferenciado o ambiente jurídico da ZFM e teve seu prazo de vigência alterado pela EC 42 até 2023. Em razão do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto em face de não terem sido processadas as necessárias comprovações relativas ao crédito pretendido pela Recorrente. Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva Declaração de Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres A presente declaração de voto fazse necessária em razão de haver concordância no resultado do julgamento, mas divergências inconciliáveis nas razões de decidir. A teor do relatado, duas sãos as questões trazidas a debate: a ausência de lastro probatório mínimo a referendar o pedido de restituição formulado; e, ii) o próprio mérito do pleito, consistente na repetição de PIS/Cofins incidentes sobre as vendas a empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, que a recorrente defende estar amparada por isenção fiscal. Inicialmente, deve ser enfrentada a questão referente ao ônus da prova. A recorrente defende em seu especial que o Fisco não envidou todos os esforços no sentido de transparecer a realidade dos fatos, de forma a possibilitar a constatação da ocorrência Fl. 191DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.903357/200882 Acórdão n.º 9303002.510 CSRFT3 Fl. 192 12 ou não do direito do crédito pleiteado pela Recorrente. Ainda segundo a defesa, é certo o dever da Fiscalização, da DRJ diligenciar para requerer toda documentação necessária, a fim de buscar a realidade dos fatos e, se o caso, decidir em prol da Recorrente. Esta questão de a quem pertence o ônus da prova é muito bem definida no Código de Processo Civil, mais precisamente no art. 333 que assevera: Art. 333 O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Na realidade, esse artigo nada mais representa do que a positivação do princípio geral de direito, segundo o qual, o ônus da prova recai sobre aquele que alega. Desde Roma já se conhecia esse princípio, verbalizado no brocardo, alegar e não provar é o mesmo que não alegar. A síntese da distribuição do ônus da prova é muito fácil de compreender: todo aquele que demandar alguém tem o dever de provar o direito objeto de sua demanda. No caso de auto de infração, cabe ao Fisco demonstrar as razões de fato e de direito que embasam a acusação fiscal. De outro lado, nos pedidos de repetição de indébito, incumbe ao sujeito passivo a prova do pagamento indevido ou a maior que o devido. Sobre a necessidade de as partes produzirem as provas necessárias à formação da convicção do julgador, preciosas as palavras do Conselheiro Gilson Rosenburg Filho, em julgamento de caso análogo ao aqui em debate. “Um dos principais objetivos do direito é fazer prevalecer a justiça. Para que uma decisão seja justa, é relevante que os fatos estejam provados a fim de que o julgador possa estar convencido da sua ocorrência. A certeza vai se formando através dos elementos da ocorrência do fato que são colocados pelas partes interessadas na solução da lide. Mas não basta ter certeza, o julgador tem que estar convencido para que sua visão do fato esteja a mais próxima possível da verdade. Como o julgador sempre tem que decidir, ele deve ter bom senso na busca pela verdade, evitando a obsessão que pode prejudicar a justiça célere. Mas a impossibilidade de conhecer a verdade absoluta não significa que ela deixe de ser perseguida como um relevante objetivo da atividade probatória. A verdade encontra se ligada à prova, pois é por meio desta que se torna possível afirmar idéias verdadeiras, adquirir a evidência da verdade, ou certificarse de sua exatidão jurídica. Ao direito somente é possível conhecer a verdade por meio das provas. Posto isto, concluímos que a finalidade imediata da prova é reconstruir os fatos relevantes para o processo e a mediata é formar a convicção do julgador. Os fatos não vêm simplesmente prontos, tendo que ser construídos no processo, pelas partes e pelo julgador. Após a montagem desse quebracabeça, a decisão se dará com base na valoração das provas que permitirá o Fl. 192DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.903357/200882 Acórdão n.º 9303002.510 CSRFT3 Fl. 193 13 convencimento da autoridade julgadora. Assim, a importância da prova para uma decisão justa vem do fato dela dar verossimilhança às circunstâncias a ponto de formar a convicção do julgador.” Em outro giro, ao contrário do que quer fazer parecer a defesa, o princípio da verdade material não é remédio para todos os males processuais; não serve para inverter o ônus da prova, tampouco dispensa o demandante de provar o direito alegado. Na realidade, a verdade material contrapõese ao formalismo exacerbado, presente no Processo civil, mas, de maneira alguma, priva o procedimento administrativo das necessárias formalidades. Tampouco altera o papel a ser desempenhado pelas partes. Daí se dizer que no Processo Administrativo Fiscal convivem harmonicamente os princípios da verdade material e da formalidade moderada. De sorte que se busque a verdade real, mas preservando as normas processuais que asseguram a segurança, a celeridade, a eficiência e o bom andamento do processo. Releva ainda transcrever excerto do acórdão recorrido, para arrimar este voto. Sem esquecer as devidas homenagens, com a palavra o Nobre Relator, o Conselheiro Júlio César Alves Ramos: “Não considero caber à Administração a instrução probatória em substituição ao contribuinte nem é isso o que esta Casa tem reconhecido, como postula o recurso. Realmente, há decisões que determinam que a Administração supra a ausência de um dado documento cuja apresentação deveria ter sido promovida pela parte. Mas tal entendimento não tem o alcance pretendido na defesa. Limitase ele aos casos em que o próprio documento já esteja de posse da administração e tenha sido difícil ou impossível à parte sua apresentação tempestiva. Isso se dá, por exemplo, com documentos tais como DARF e declarações entregues. Nesses termos, descabível indeferir uma compensação que aponte com clareza o recolhimento indevido (data, código de recolhimento) simplesmente porque a empresa não tenha juntado sua cópia nos autos, o mesmo se passando com a DCTF ou a DIPJ comprovadamente entregues. Aqui, diferentemente, o que se tem é a necessidade, no entender da instância de piso, de apurar se as vendas alegadas se enquadram nas disposições dos incisos IV, VI, VIII ou IX da MP 2037. Tal apuração passa pela constatação da atividade da empresa compradora e dos requisitos postos na legislação: inscrição no REB, ser comercial exportadora inscrita na SECEX, ser trading company ou ser ship’s Chandler. Nenhum deles se encontra expresso em qualquer documento interno em posse da SRF. Por fim, quanto ao período em que, sem qualquer condição, não deveria ter sido recolhido PIS nem COFINS sobre tais vendas – a partir de julho de 2004 – a empresa nada juntou nos autos que comprovasse as vendas alegadas. O recurso alega que a DRJ estaria obrigada, ainda assim, a promover as diligências que pudessem permitir a ela, recorrente, apresentar suas provas. Não está. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.903357/200882 Acórdão n.º 9303002.510 CSRFT3 Fl. 194 14 De fato, ausente por completo a prova quando primeiramente se defende a empresa, o máximo que temos admitido é a apresentação da mesma em grau de recurso. Notese que, ao fazêlo, ultrapassase a letra fria do decreto 70.235 que a exige, impreterivelmente no momento da apresentação da “impugnação”. Só o fazemos, pois, em respeito ao princípio da verdade material, quando o elemento probante trazido extemporaneamente tem a força de desconstituir lançamento que houver sido mantido pela sua ausência. Do contrário, estarseia a afrontar o princípio constitucional da legalidade. Novamente não é o que se passa aqui. A empresa não aproveitou a oportunidade de coligir e apresentar a prova faltante. Pelo contrário, limitase a postular que a decisão seria nula porque não determinara a DRJ as diligências que a poderiam provar. Ocorre que as diligências previstas no Decreto 70.235 a isso não se destinam. Deveras, elas objetivam apenas permitir a formação da convicção do julgador quando os elementos presentes nos autos não sejam suficientes. Nesse sentido, houvesse a empresa trazido aos autos alguma “prova”, a exemplo da planilha elaborada para o outro período, que constituísse ao menos indício de que as vendas realmente ocorreram, justificarseia um exame mais detalhado. Como já dito, neste último período nada há. Rejeito, por isso, as alegações de nulidade contra a decisão atacada e passo ao mérito.” Diante de todo o exposto, entendo ser totalmente descabida a pretensão da recorrente no sentido de se baixar os autos ao órgão de origem, com a determinação de que a Fiscalização seja instada a apontar, pormenorizadamente, quais documentos a demandante deveria apresentar para provar o seu direito. A ausência da prova do direito alegado, por si só, autoriza o indeferimento da pretensão da recorrente, e por conseguinte, torna prejudicada a análise do mérito do direito pleiteado. Em relação à isenção da contribuição sobre as remessas para a ZFM, essa matéria sequer poderia ser enfrentada por este colegiado, haja vista que não houve prova de tais remessas. Todavia, como o relator enfrentou a matéria – isenção das contribuições nas vendas para a Zona Franca Manaus – trazendo argumentos com os quais não posso concordar, passo a expor o meu posicionamento sobre o tema. Inicialmente verificase que o sujeito passivo defende a isenção sob alegação de que tais vendas equivaleriam, para todos os efeitos, à exportação para exterior; de outro, a Fazenda Nacional entende que tais receitas devem compor a base de cálculo dessas contribuições, como determina a legislação de regência desses tributos. A meu sentir, razão não assiste à recorrente, pois a pretendida isenção, veiculada no DecretoLei nº 288/1967, não poderia alcançar os tributos ora em análise, posto Fl. 194DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.903357/200882 Acórdão n.º 9303002.510 CSRFT3 Fl. 195 15 que, norma inserta no CTN, mais precisamente no inciso II do 1art. 177, veda, expressamente, a extensão de isenções a tributos instituídos posteriormente à sua concessão, o que é, absolutamente, o caso dos autos. Demais disso, o caput do art. 176 do CTN exige que a lei concessiva de isenção especifique quais os tributos a que se aplica, e sendo o caso, o prazo de sua duração. Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Parágrafo único. A isenção pode ser restrita a determinada região do território da entidade tributante, em função de condições a ela peculiares. Ora, por razões óbvias, o citado decretolei não poderia fazer referência a essas contribuições, visto que elas ainda não existiam à data da edição desse ato legal. Aliás, à época dos fatos objeto destes autos, não havia qualquer dispositivo legal concedendo isenção ou exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins no tocante às receitas de vendas para adquirentes situados na Zona Franca de Manaus. Desta feita, não há como conceder o benefício pleiteado. Observese, por oportuno que a regra é a incidência dessas contribuições sobre todas as receitas componentes do faturamento das pessoas jurídicas, sendo exceção a não incidência, exclusões de base de cálculo ou isenções. Demais disso, como é de sabença geral, as exceções devem vir expressa na lei, e nenhuma lei, até a data dos fatos, dispôs sobre qualquer isenção ou exclusão dessas receitas da base de cálculo das contribuições em foco. Essas as razões pelas quais nego provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres 1 Art. 177. Salvo disposição de lei em contrário, a isenção não é extensiva: I .................................................................. II aos tributos instituídos posteriormente à sua concessão. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 10980.907828/2009-02
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.616
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
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BANCO MULTIPLO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 07 82 8/ 20 09 -0 2 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 15/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10980.907828/200902 Resolução nº 3801000.616 S3TE01 Fl. 86 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Tratase de Manifestação de Inconformidade apresentada em face do Despacho Decisório, pelo qual a DRF Curitiba não reconheceu o direito creditório pleiteado no valor de R$ 27.208,83, relativo a pagamento a maior de Cofins, 7987, no valor de R$ 1.880.711,60, efetuado em 15/10/2001, pelo CNPJ 33.852.567/000145, empresa incorporada pela declarante (CNPJ 01.701.201/000189) da Dcomp em epígrafe. Em razão de não ter sido confirmado o evento de sucessão entre a declarante e a detentora do crédito discriminado na DCOMP de n° 36776.91528.150805.1.3.043093 não se homologou a compensação pleiteada. Cientificada em 02/04/2009, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade em 04/05/2009, alegando, em síntese, o seguinte. Diz que o Despacho Decisório está equivocado. Reconhece que a “a empresa, de fato, no momento da utilização dos créditos ainda não tinha regularizado a situação da incorporação junto à Receita Federal”. Aduz que “o referido registro de incorporação não ocorreu no momento adequado em virtude da quantidade de débitos que a empresa Banco HSBC S/A possuía os quais não estavam com a sua exigibilidade suspensa, o que, por sua vez, impedia a emissão de CND”. Afirma que somente em março de 2009 conseguiu obter a CND da empresa, regularizando, então, a situação da incorporação da empresa Banco HSBC S/A pelo HSBC Bank Brasil S/A. Sustenta que essa mera formalidade não deve ser considerada como “impedimento para que não seja considerado a existência de crédito, e consequentemente sua utilização pela empresa incorporadora”. Diz que em nome do princípio da verdade material a Administração não pode agir baseada apenas em presunções. Diz que no caso em tela, há comprovação da ocorrência da incorporação, conforme os documentos que anexou. Requer que a homologação da compensação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR), às fls. 22/25, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 15/10/2001 DCOMP. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o DARF indicado na DCOMP como origem do crédito está totalmente utilizado para quitar débito confessado em DCTF a compensação não pode ser homologada. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 15/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10980.907828/200902 Resolução nº 3801000.616 S3TE01 Fl. 87 3 Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 29 a 39, alegando, em síntese, que · A não homologação da compensação se deu por não ter sido vislumbrado a ocorrência de sucessão entre o detentor do crédito e a Recorrente, o que restou modificado pelo v. acórdão recorrido; · Tendo em vista que a não homologação do crédito sob a alegação da sua inexistência consiste em fato novo, trazido aos autos apenas pelo v. acórdão recorrido, fazse necessário a juntada de novos documentos para comprovar a existência do crédito, procedimento este autorizado pelo art. 16, III, § 4o, 'c' do Decreto n° 70.235/1972; · No anocalendário de 2001, o Banco HSBC S.A., incorporado pela ora Recorrente, apurou e recolheu regularmente a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS sobre o seu faturamento, sendo que para a competência de setembro de 2001, apurou o valor de R$ 1.853.502,77 a recolher, conforme se verifica em sua DIPJ 2002 (anocalendário 2001), o que pode ser verificado também na Memória de Cálculo da Apuração da COFINS do ano de 2001; · Eventual equívoco no cumprimento de obrigação acessória não tem o condão de invalidar o legítimo crédito de COFINS ora evidenciado e comprovado, tecendo ainda considerações sobre o princípio da verdade material e colacionando precedentes; · Requer a reforma da r. decisão recorrida para o fim de homologar a compensação declarada, bem como determinar a RFB que proceda a retificação de ofício da DCTF do 3o trimestre de 2001. É o relatório. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 15/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10980.907828/200902 Resolução nº 3801000.616 S3TE01 Fl. 88 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração da COFINS pelo Banco HSBC S.A., incorporado pela ora Recorrente, referente ao mês de setembro/2001, que teria sido paga a maior. Alega ainda que a empresa incorporada detentora do crédito efetuou erroneamente o lançamento referente à esse débito na DCTF do 3o trimestre de 2001, conforme cópia às fls. 73 e que a apuração correta estaria refletida na DIPJ 2002 (ano calendário 2001), conforme cópia às fls. 59/67. Conforme Despacho Decisório de fls. 58, a compensação declarada foi não homologada sob a fundamentação de não confirmação do evento de sucessão que legitimaria eventual utilização de crédito da empresa Banco HSBC S/A pela requerente HSBC Bank Brasil S/ª A Turma de Julgamento de 1ª Instância reconheceu o evento sucessório, no entanto não homologou a compensação pois o direito creditório não existiria porque os pagamentos constantes do pedido estariam todos vinculados a débitos em DCTF. Apesar das alegações da recorrente e a correspondente documentação comprobatória terem sido apresentadas apenas em sede de Recurso Voluntário, o que, em tese, estaria atingida pela preclusão consumativa, prevista no § 4º do art. 16 do PAF, entendo que estes devem ser aceitos, com respaldo na alínea “c” do § 4º art. 16 do PAF, quando destinemse a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, in verbis: § 4.º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (...) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Ressalvese que a alegação de erro na apuração dos débitos que teriam dado ensejo ao crédito de pagamento indevido ou a maior não foram acompanhadas na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, sob a alegação de que a recorrente estaria impossibilitada de fazêlo por já ter transcorrido mais de 5 anos desde a data da sua transmissão eletrônica. Entendo que a falta de apresentação de DCTF retificadora, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte, por se tratar de prova indiciária, não excluiria o direito da recorrente à repetição do indébito, nos termos do art. 165 do CTN, caso acompanhado de documentos comprobatórios, o que inclusive poderia acarretar em eventual retificação de ofício. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 15/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10980.907828/200902 Resolução nº 3801000.616 S3TE01 Fl. 89 5 Segundo consta na DCTF, às fls. 73, foi apurado um débito de COFINS, período de apuração de setembro/2001, no montante de R$ 1.880.711,60, recolhido em 15/10/2001, conforme cópia de Comprovante de Arrecadação à fl. 71. No entanto, o valor apurado na DIPJ 2002 (anocalendário 2001) referente à COFINS nesse mesmo período foi no montante de R$ 1.853.502,77, conforme cópia às fls. 60/67. Essa apuração também está refletida no demonstrativo contábil apresentado à fl. 69. Em confronto com o valor recolhido daria ensejo a um pagamento a maior no montante de R$ 27.208,83. Este foi o valor do crédito informado no PERDCOMP e utilizado para compensação com débito de COFINS, às fls 75/80. Desse modo, devem ser considerados como elemento de prova os documentos comprobatórios apresentados, os quais, em tese, ratificam os argumentos apresentados. Em que pese o direito da interessada do exame dos elementos comprobatórios, constata se que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar o valor correto da COFINS referente ao período de apuração em discussão e o conseqüente direito creditório advindo do pagamento a maior. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) apure o valor devido a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) pelo CNPJ 33.852.567/000145, empresa incorporada pela declarante (CNPJ 01.701.201/000189), período de apuração de setembro/2001, origem do crédito informado no PERDCOMP e utilizado para compensação, com base nos documentos acostados aos autos e na escrituração fiscal e contábil; b) cientifique a interessada quanto ao teor dos cálculos para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. É assim que voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 89DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 15/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 16004.001749/2008-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006
DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO LEGAL.
Caracteriza omissão de receita decorrente de presunção legal a ausência de comprovação da origem de depósitos mantidos em conta corrente bancária.
LUCRO. ARBITRAMENTO. ESCRITURAÇÃO. VÍCIOS.
MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. AUSÊNCIA.
Sujeita-se ao arbitramento de lucro o contribuinte que apresentar autoridade tributária escrituração contendo vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive a bancária.
PRESUNÇÃO JURIS TANTUM. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. FATO INDICIÁRIO. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO.
A presunção legal juris tantum inverte o ônus da prova e dispensa a autoridade lançadora de provar que o fato indiciário corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimentos, cabendo ao Fisco apenas demonstrar a ocorrência do fato indiciário e ao contribuinte cumpre comprovar que o fato presumido inexistiu na situação concreta.
Numero da decisão: 1401-000.934
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, negar provimento ao recurso, nos seguintes termos: I) Por unanimidade de votos, negar provimento quanto ao crédito tributário; II) por maioria de votos, negar provimento quanto à responsabilidade tributária solidária. Vencido o Conselheiro Maurício (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Maurício Pereira Faro Relator
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: MAURICIO PEREIRA FARO
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006 DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO LEGAL. Caracteriza omissão de receita decorrente de presunção legal a ausência de comprovação da origem de depósitos mantidos em conta corrente bancária. LUCRO. ARBITRAMENTO. ESCRITURAÇÃO. VÍCIOS. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. AUSÊNCIA. Sujeita-se ao arbitramento de lucro o contribuinte que apresentar autoridade tributária escrituração contendo vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive a bancária. PRESUNÇÃO JURIS TANTUM. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. FATO INDICIÁRIO. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. A presunção legal juris tantum inverte o ônus da prova e dispensa a autoridade lançadora de provar que o fato indiciário corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimentos, cabendo ao Fisco apenas demonstrar a ocorrência do fato indiciário e ao contribuinte cumpre comprovar que o fato presumido inexistiu na situação concreta.
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decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, negar provimento ao recurso, nos seguintes termos: I) Por unanimidade de votos, negar provimento quanto ao crédito tributário; II) por maioria de votos, negar provimento quanto à responsabilidade tributária solidária. Vencido o Conselheiro Maurício (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Maurício Pereira Faro Relator (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva.
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OMISSÃO DE RECEITA. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO LEGAL. Caracteriza omissão de receita decorrente de presunção legal a ausência de comprovação da origem de depósitos mantidos em conta corrente bancária. LUCRO. ARBITRAMENTO. ESCRITURAÇÃO. VÍCIOS. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. AUSÊNCIA. Sujeitase ao arbitramento de lucro o contribuinte que apresentar autoridade tributária escrituração contendo vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive a bancária. PRESUNÇÃO JURIS TANTUM. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. FATO INDICIÁRIO. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. A presunção legal juris tantum inverte o ônus da prova e dispensa a autoridade lançadora de provar que o fato indiciário corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimentos, cabendo ao Fisco apenas demonstrar a ocorrência do fato indiciário e ao contribuinte cumpre comprovar que o fato presumido inexistiu na situação concreta. ACORDAM os membros do Colegiado, negar provimento ao recurso, nos seguintes termos: I) Por unanimidade de votos, negar provimento quanto ao crédito tributário; II) por maioria de votos, negar provimento quanto à responsabilidade tributária solidária. Vencido o Conselheiro Maurício (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 17 49 /2 00 8- 30 Fl. 3187DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16004.001749/200830 Acórdão n.º 1401000.934 S1C4T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Maurício Pereira Faro – Relator (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 3188DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16004.001749/200830 Acórdão n.º 1401000.934 S1C4T1 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão proferido pelo órgão julgador a quo que julgou que julgou procedente o auto de infração. Por descrever os fatos com riqueza de detalhes, adoto e transcrevo o relatório elaborado pela DRJ: No âmbito do procedimento instituído pelo Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n. 0810700.2008.03699 contra a contribuinte acima identificada foi lavrado auto de infração que lhe exigiu Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), acrescidos de juros de mora e multa de oficio qualificada e majorada, cuja capitulação legal achase descrita nos termos de apuração respectivos (fls. 102/212). Segundo assentado no Termo de Descrição Fatos (fls. 04/101), a partir de procedimentos fiscais executados em desfavor de pessoas fisicas e sociedades empresárias envolvidas em esquema de sonegação fiscal, lançaramse tributos que não foram carreados aos cofres públicos em vista de inexistir patrimônio para suportar os encargos, o que denotava a existência de interpostas pessoas com a finalidade de sonegação de tributos. Em vista da dificuldade de identificar os verdadeiros envolvidos na prática dos ilícitos foi solicitado o apoio da Policia Federal de Jales (SP) para aprofundamento das Investigações. Constatouse a existência de organização criminosa criada com o objetivo de fraudar a administração tributária, eximindo os efetivos titulares do pagamento de tributos e contribuições sociais, para tanto valendose de interpostas pessoas, que movimentaram vultosas quantias de recursos na rede bancária. Constam dos autos as decisões da Justiça Federal — 24a Subseção Judiciária do Estado de Sao Paulo, proferidas nos autos dos processos 2007.61.24.0002606 e 2008.61.24.000214 3/1, que tramitaram em segredo de justiça e deferiram a quebra do sigilo bancário de pessoas físicas e jurídicas, dentre as quais encontrase a contribuinte, Classicouros, Marlene Aparecida Paludetto Junqueira, Antonio Carlos Gissi e Maria Clarete Preti Gissi ,relativas ao período de 2002 até 2006 (fls. 223/232, 239/242). Em face disso, deflagrouse no dia 05/10/2006 a denominada Operação Grandes Lagos da qual resultaram 109 p' 'risões Fl. 3189DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16004.001749/200830 Acórdão n.º 1401000.934 S1C4T1 Fl. 5 4 temporárias e 28 prisões preventivas, com a quebra do sigilo bancário de todos envolvidos e a determinação para que as instituições financeiras fornecessem diretamente à Secretaria da Receita Federal as informações solicitadas por meio de Requisição de Movimentação Financeira (RMF). Antes de principiar a descrever o que ocorreu em relação 6. contribuinte, é importante destacar que no âmbito dos procedimentos fiscais deflagrados convencionouse denominar noteira a empresa juridicamente constituída que se presta a fornecer notas fiscais "frias" a terceiros interessados como se fosse a real vendedora/compradora de gado e dos produtos resultantes de seu abate. Relativamente à contribuinte, que exerce atividades no ramo da indústria e comércio de couros, constatouse que utilizava notas fiscais "frias" das empresas noteiras Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo e Tradição Comércio de Couros Ltda. Para acobertar suas transações, além de utilizar contas correntes particulares de seus sócios e de um exfuncionário e esposa para realizar transações mercantis. A fiscalização constatou que no inicio do ano de 1998 a contribuinte iniciou processo de desligamento da maioria de seus colaboradores, que migraram para a empresa Classicouros Serviços Ltda., estabelecida no mesmo endereço e que de fato desempenhava as mesmas atividades da Curtidora Catanduva, ocupando suas instalações, máquinas e equipamentos, sem ter contabilizado qualquer pagamento pelo uso das máquinas e dos equipamentos. Ambos sócios, senhores Antonio Carlos Gissi e Paulo Sérgio Afonso são exfuncionários da Curtidora Catanduva As atividades relacionadas com recursos humanos das duas empresas tem como responsável a mesma pessoa, senhor Francisco de Braz Sangalli, que ate o final de novembro de 1998 compunha o quadro de funcionários da Curtidora Catanduva e a partir de 01/12/1998 passou para a Classicouros, utilizando as mesmas instalações. Conforme registrado no termo "os documentos colhidos no curso da fiscalização evidenciaram que a Curtidora e a Classicouros são como uma só. Não há dúvidas de que ambas pertençam aos mesmos sócios, Marlene Aparecida Paludetto Junqueira e José Carlos Paludetto Junqueira, proprietários da Curtidora Catanduva Ltda.", circunstância que tem reforço na decisão prolatada pela 2' Vara da Justiça do Trabalho de Catanduva, SP, no processo n. 1013/019, que reconheceu haver solidariedade entre ambas decorrente da estreita ligação e do aproveitamento comum dos mesmos funcionários. Em reforço da existência do estreito vinculo entre a Curtidora e a Classicouros, a autoridade fiscal relacionou tributos apurados pela Classicouros e pagos/debitados em contas de depósitos Fl. 3190DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16004.001749/200830 Acórdão n.º 1401000.934 S1C4T1 Fl. 6 5 mantidas pela sóciaproprietária da Curtidora, senhora Marlene Aparecida Paludetto Junqueira (fls. 2143/2213). Acerca da Classicouros Serviços Ltda., consta do referido termo que o fato de ela se localizar no mesmo endereço da contribuinte; de seus sócios terem sido funcionários da Curtidora; de a declaração firmada pelo senhor Francisco Braz Sangalli noticiando a existência de negócios em comum entre ambas; da prática de negócios com as noteiras Tradição Comércio de Couros Ltda. e Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda.; de os pagamentos de contas da contribuinte e da Classicouros terem sido feitos com recursos oriundos de contas dos sócios, além da similitude das atividades, possibilitaram concluir que tanto a contribuinte quanto a Classicouros são como uma só empresa. A autoridade fiscal consignou que Antonio Carlos Gissi e Paulo Sérgio Afonso emprestaram seu nome para a constituição da Classicouros e movimentarem contas bancárias no interesse da Curtidora Catanduva e de seus sócios; registrou também que Maria Clarete Preti Gissi, esposa de Antonio Carlos Gissi emprestou seu nome para que a Curtidora movimentasse contas bancárias. Registra o Termo de Descrição dos fatos a existência de duas empresas note iras, integrantes do esquema, a saber, Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda., CNPJ 68.195.072/000175 e Tradição Comércio de Couros Ltda., CNPJ 04.066.540/000129, cuja função era a de emitir notas fiscais "frias" para acobertar operações de compra de gado e venda de carne realizadas por terceiros, ocultando os verdadeiros operadores sem despertar suspeitas sobre seu verdadeiro faturamento. A primeira delas pertence a Valder Antonio Alves, conhecido por Macauba, que também é proprietário da FriNorte Comércio e Distribuidora de Carnes Ltda.,outra empresa noteira. A segunda está registrada em nome de Joesio Pereira de Oliveira; tem como principais clientes a contribuinte e a Classicouros. Além de emitir notas "frias" tinha por prática a abertura de contas bancárias em seu nome e emissão de mandato para que terceiros movimentassem tais contas. Em face da retenção de vários documentos efetuada na Tradição, dentre os quais notas fiscais da Curtidora Catanduva e da Classicouros, comprovouse que ela era utilizada para acobertar as operações da contribuinte e da Classicouros. Integram os autos diversos depoimentos prestados à Policia Federal que informam sobre as atividades ilícitas praticadas (fls. 393/438). Dentre eles vale destacar as declarações feitas por Ana Claudia Valente Fioravante, á. época dos fatos funcionária da Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda., nas quais consta a existência de relação de códigos de clientes (compradores de notas) da distribuidora e dos frigoríficos onde eram realizados os abates. A declarante afirmou que a listagem de clientes corresponde à situação de fato, ou seja, os códigos Fl. 3191DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16004.001749/200830 Acórdão n.º 1401000.934 S1C4T1 Fl. 7 6 constantes da lista eram os mesmos que ela utilizava na confecção dos documentos fiscais. Além disso, afirma textualmente que também tirou nota para a Curtidora Catanduva cujo contato era feito diretamente pelo seu patrão, Macauba. Iniciados os procedimentos de fiscalização e intimada a apresentar contrato social, livros e documentos relativos à escrituração fiscal e contábil, descritos no termo de fls. 452/453, a contribuinte apresentou os Livros de Registro de Entradas e Saídas, de Apuração de ICMS, de Apuração de IPI, de Registro de Documentos Fiscais e de Termos de Ocorrência. Quanto aos Livros Razão, Diário e documentos relativos à escrituração contábil e fiscal, informou que se encontravam em poder do Fisco Estadual. Alegou não possuir livros auxiliares de escrituração, tampouco de apuração de ISS; quanto ao Livro de Apuração do Lucro Real declarou que deixava de apresentar por ser optante pelo lucro presumido (fls. 452/455). De posse dos documentos apresentados, a fiscalização procedeu ao cotejo entre o que constava deles e o que havia sido lançado nas Declarações de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) e as Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) e constatou que os valores informados A. administração tributária guardavam consonância com o que havia sido contabilizado. A partir dai procedeuse ao confronto da movimentação financeira dos sócios com o que fora lançado nas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Física (DIRPF) e constatouse desproporção entre as importâncias movimentadas e o que fora informado nas declarações. Isto posto, deflagrouse procedimento de fiscalização em desfavor de Marlene Aparecida Paludetto Junqueira, sócia da Curtidora Catanduva Ltda., que fora intimada a apresentar extratos de movimentação bancária, cópias de cheques além de outros documentos que pudessem ser ateis (fls. 734/740). Em vista de que a intimada apresentou argumentos evasivos o outro sócio da Curtidora Catanduva Ltda., José Carlos Paludetto Junqueira, fora intimado a apresentar extratos de contas de poupança e a comprovar, mediante documentação idônea, a origem dos recursos que ingressaram nas respectivas contas (fls. 761/762). Posteriormente a Curtidora Catanduva fora intimada a reconstituir os livros contábeis ou o Livro Caixa abrangendo todas operações, inclusive a movimentação bancária e a comprovar a origem dos recursos financeiros que ingressaram nas respectivas contas. A intimada respondeu que a) algumas contas eram pessoais de Marlene Aparecida Paludetto Junqueira; b) as contas movimentadas por Marlene e José Carlos eram utilizadas para pagamento de despesas da Curtidora, cujas operações estavam registradas nos livros contábeis em poder da fiscalização; c) que as contas Fl. 3192DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16004.001749/200830 Acórdão n.º 1401000.934 S1C4T1 Fl. 8 7 movimentadas por Antonio Carlos Gissi e sua esposa Maria Clarete eram pessoais e os valores utilizados para pagamentos despesas eram empréstimos com posterior devolução, e, d) que todos os livros fiscais e contábeis da Curtidora estavam em poder da fiscalização. Cada uma das respostas apresentadas pela contribuinte teve considerações declinadas pela fiscalização, sendo relevante a que registrou que a contribuinte não apresentou os livros escriturados diariamente, com lançamentos individualizados, tal como determina o art. 258, § 1º, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR), circunstância que tornou a escrituração imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, e o lucro real. Constatouse, também, que a Curtidora Catanduva utilizou contas correntes de seus sócios, da Classicouros Serviços Ltda., de Antonio Carlos Gissi e de Maria Clarete Preti Gissi para realizar operações comerciais, que foram confirmadas por diversas pessoas que receberam cheques/transferências, conforme descrição nas fls. 19/21. Tais fatos, segundo registrou a autoridade fiscal, caracterizam descumprimento da diretiva instituída pelo Conselho Federal de Contabilidade, veiculado na Resolução n. 750, de 1993, art. 4°, que estabelece como um dos Princípios Fundamentais da Contabilidade o Principio da Entidade, segundo o qual as pessoas jurídicas têm existência distinta da de seus membros. Assim, o Patrimônio, objeto da Contabilidade, não se confunde com o de seus sócios ou proprietários, no caso de sociedade ou instituição. Segundo a fiscalização, do cotejo entre o que fora declarado em DIPJ pela Curtidora e a Classicouros com a sorna do que' fora declarado com os créditos bancários lançados na conta dos sócios a Curtidora Catanduva deixou de oferecer 6. tributação aproximadamente 65% de suas receitas, ressalvandose que tampouco as pessoas físicas ofereceram os respectivos valores à tributação (fl. 22). As importâncias que transitaram nas contas de depósitos bancários das pessoas fisicas ligadas A. contribuinte, que a fiscalização considerou omissão de receita, encontramse sintetizadas no demonstrativo de fl. 23 e descritas analiticamente no relatório de fls. 23/92, totalizando R$16.450.812,85. Por entender que com o uso de notas fiscais "frias" de empresas note iras e a utilização das contas dos sócios a contribuinte teve a intenção manifesta de omitir suas transações comerciais e seus rendimentos, concluiu a autoridade fiscal pela aplicação da multa qualificada, com base nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/1964, e também pela tipificação do crime de sonegação fiscal, definido na Lei n. 4.729/1965 e posteriormente na Lei n. 8.137/1990. Fl. 3193DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16004.001749/200830 Acórdão n.º 1401000.934 S1C4T1 Fl. 9 8 Em vista de que os registros contábeis apresentados pela contribuinte não obedeceram â. diretiva que estabelece lançamentos diários, além da ausência de detalhamento da movimentação financeira, inclusive a bancária, que não se prestou a identificar os beneficiários, seu lucro foi arbitrado com base no art. 530, II, "a" e "h" do RIR. Em desfavor das pessoas físicas de Marlene Aparecida Paludetto Junqueira, José Carlos Paludetto Junqueira e Antonio Carlos Gissi foi atribuída responsabilidade solidária sob o fundamento de que utilizaram suas contas de depósitos como "caixa 2" da Curtidora Catanduva, com a materialização de interesse comum nas situações que constituíram os respectivos fatos geradores, conforme Termos de Sujeição Passiva Solidária anexados sob fls. 213/218. Ao final, a autoridade fiscal observou que: os Documentos de Arrecadação de Receitas Federais (Darf) do Simples pagos pelo contribuinte foram desmembrados e os valores correspondentes ao IRPJ/CSLL/PIS/Cofins foram abatidos da base de cálculo dos respectivos tributos reclamados no auto de infração, conforme demonstrativo de fls. 2877/2884; com base nos Livros Razão da Curtidora Catanduva Ltda., separaramse as vendas das prestações de serviço e aplicaram se as aliquotas correspondentes a estas operações (8% e 32%), conforme fls. 2881/2884; nos extratos bancários foram expurgados lançamentos a crédito que denotassem possíveis transações particulares da pessoa fisica. Apenas os créditos (depósitos/transferências/TED, etc.) oriundos das atividades da pessoa jurídica foram mantidos. Intimados da imposição tributária, a contribuinte e os responsáveis tributários ingressaram com a impugnação de fls. 2917/2924, com alegação de que: embora genericamente a movimentação bancária das pessoas físicas tivesse sido atribuída à Curtidora Catanduva Ltda. a fiscalização reconheceu que as contas n.394332269, 269740 e 487458, da titularidade de Marlene Aparecida Paludetto Junqueira, eram utilizadas no exclusivo interesse dela própria; a fiscalização reconheceu que as contas movimentadas conjuntamente por Marlene e José Carlos eram utilizadas para pagamento de despesas da Curtidora e registradas nos livros contábeis; caberia à fiscalização identificar o que é vinculado à pessoa jurídica e o que é vinculado às pessoas fisicas; não foi dado direito de defesa a Antonio Carlos Gissi, que não foi intimado a prestar esclarecimentos sobre a parte de sua movimentação financeira atribuída Curtidora; a conta Fl. 3194DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16004.001749/200830 Acórdão n.º 1401000.934 S1C4T1 Fl. 10 9 bancária pertence a ele e eventual lançamento deveria ser feito na pessoa física; quanto à Classicouros, a movimentação bancária pertence a ela e se houve omissão de receita, ela que deve responder; se a administração conhece a receita não pode arbitrar em suposições; inexiste prática de ato em excesso ou desvio de poderes apto a ensejar a imputada responsabilidade tributária. Ao final, propugnou pela exclusão da responsabilidade solidária das pessoas físicas e para que seja considerada improcedente a imposição tributária. Analisando a questão entendeu o órgão julgador a quo, por julgar parcialmente procedente o auto de infração, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006 DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO LEGAL. Caracteriza omissão de receita decorrente de presunção legal a ausência de comprovação da origem de depósitos mantidos em conta corrente bancária. LUCRO. ARBITRAMENTO. ESCRITURAÇÃO. VÍCIOS. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. AUSÊNCIA. Sujeitase ao arbitramento de lucro o contribuinte que apresentar autoridade tributária escrituração contendo vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive a bancária. PRESUNÇÃO JURIS TANTUM. INVERSÃO DO ONUS DA PROVA. FATO INDICIÁRIO. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. A presunção legal juris tantum inverte o ônus da prova e dispensa a autoridade lançadora de provar que o fato indiciário corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimentos, cabendo ao Fisco apenas demonstrar a ocorrência do fato indiciário e ao contribuinte cumpre comprovar que o fato presumido inexistiu na situação concreta. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. Para caracterizar a solidariedade prevista no art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional, é necessária a existência de interesse comum entre o contribuinte e o responsável na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL. PIS. COFINS. Tratandose de exigências reflexas de tributos e/ou contribuições que têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto sobre a renda Fl. 3195DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16004.001749/200830 Acórdão n.º 1401000.934 S1C4T1 Fl. 11 10 de pessoa jurídica (IRPJ), a decisão de mérito prolatada no processo principal constitui prejulgado da decisão dos processos decorrentes. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido Fl. 3196DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16004.001749/200830 Acórdão n.º 1401000.934 S1C4T1 Fl. 12 11 Voto Vencido Conselheiro Relator Maurício Pereira Faro Tratase de analisar lançamento referente ao IRPJ e reflexos, cujo substrato decorre de omissão de receitas, apurada a partir de depósitos bancários sem origem justificada, cuja importância total serviu de base para arbitramento do lucro, em face de que a escrita fiscal apresentada pela contribuinte não se prestou a identificar a movimentação financeira, inclusive a bancária. E importante ressaltar que o procedimento fiscal iniciouse depois de se constatar a prática de crimes contra a ordem tributária, após investigações que contaram com o apoio da Policia Federal no âmbito da operação que envolveu frigoríficos estabelecidos no interior do Estado de São Paulo, que deflagraram a denominada operação Grandes Lagos, da qual resultaram 109 prisões temporárias e 28 prisões preventivas. A partir dai, a Justiça Federal autorizou a quebra do sigilo bancário de todas pessoas fisicas e jurídicas envolvidas, ai incluídas as pessoas a que se refere o presente processo. A conclusão manifestada no recurso voluntário, no sentido de que todas operações da Curtidora Catanduva foram registradas em sua escrita e o que não fora contabilizado não lhe pertencia não merece prosperar. Ao reconhecer que a movimentação nas contas de depósitos referidas pela impugnante efetivamente diziam respeito à senhora Marlene Aparecida Paludetto Junqueira a fiscalização afastou as respectivas importâncias do campo da ação fiscal e, consequentemente, da imposição tributária. No que diz respeito à utilização das contas de depósitos em nome de Marlene e José Carlos, para pagamento de compromissos em nome da Curtidora, é importante observar que além deles a Classicouros Serviços Ltda., Antonio Carlos Gissi e sua esposa Maria Clarete Preti Gissi também movimentaram recursos financeiros de interesse da Curtidora em contas individuais mantidas em bancos, conforme restou sobejamente demonstrado pelas informações prestadas por diversas empresas intimadas pela fiscalização. Em todas ficou claro que a condução dos negócios estava a cargo da contribuinte, conforme demonstrado no item 12 do termo de constatação (fls. 19/22). Nesse diapasão, o argumento de que o senhor Antonio Carlos Gissi e a Classicouros não foram intimados a se manifestar é inócua pois ficou caracterizado que não só eles como os demais, relacionados no quadro de fl. 23, figuraram como interpostas pessoas com a finalidade de atender aos interesses da autuada. Por consequência, a titularidade dos recursos pertence à contribuinte; não àqueles terceiros. Assim, se havia qualquer justificativa de origem dos recursos, a contribuinte é quem deveria fazêla. Dos depósitos bancários e do arbitramento Fl. 3197DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16004.001749/200830 Acórdão n.º 1401000.934 S1C4T1 Fl. 13 12 Considerando que a matéria tributável fora obtida a partir de presunção, baseada em depósitos bancários cuja origem não fora comprovada, conforme consta dos autos, cabe aqui um breve comentário a respeito da distinção entre indicio e presunção legal e dos reflexos desta diferenciação sobre a caracterização do fato gerador do tributo. Sendo o lançamento tributário resultante do exercício da atividade administrativa, ele está subordinado aos princípios da legalidade e da tipicidade, só sendo possível, em conseqüência, exigirse tributo quando expressamente autorizado por lei. Desta forma, quando a incidência do tributo resultar de presunções erigidas pela norma legal, os resultados podem e devem constituir a base imponivel da exação. Nesse sentido, o auto de infração, como a peça acusatória do processo administrativo, deve trazer, necessariamente, todos os elementos de prova a embasar a exigência fiscal, ou, então, fundamentarse em presunção legalmente autorizada, cabendo, neste caso, ao autuado, ilidir a imputação por meio de prova hábil e idônea. Em vista de que a Recorrente embora intimada, não apresentou escrituração regular ou livros fiscais exigidos pela legislação, quando instada a fazêlo, procedeu a autoridade fiscal ao arbitramento do lucro, em conformidade com o permissivo insculpido no art. 530 do RIR/2000. É importante ressaltar que na adoção da sistemática de arbitramento do resultado a autoridade fiscal pode se utilizar não só do método previsto no art. 284 do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto n. 3000, de 1999 (RIR/1999), como de outro que sirva aos mesmos propósitos quando constatado que o contribuinte valeuse de artificios com vistas a frustrar a apuração do resultado efetivo. E, no caso presente, entendo que a caracterização do artificio utilizado reside no fato de a contribuinte ter apresentado Livro Caixa escriturado com lançamentos mensais, ausência na identificação de beneficiários e falta de detalhamento da movimentação financeira. Tal sistemática consubstanciase em prerrogativa que permite A autoridade fiscal, presuntivamente, apurar resultado econômico sempre que o contribuinte deixar de apresentar os livros e documentos da escrituração comercial, quando instado a fazêlo. É a forma encontrada pelo legislador para estimar a base imponivel na situação em que outra modalidade (lucro real ou presumido) não seja possível de se aferir. Da sujeição passiva No que tange à imputação de responsabilidade solidária aos sócios CARLOS PALUDETTO JUNQUEIRA e MARLENE APARECIDA PALUDETTO JUNQUEIRA, cumpre reconhecer que não existe na legislação tributária hipótese de atribuição direta de responsabilidade solidária aos sócios administradores das pessoas jurídicas. Isso porque, o r. acórdão proferido pelo órgão julgador a quo fundamentou a manutenção dos sócios no pólo passivo no fato de que os mesmos tem “interesse comum encontrase caracterizado pela circunstância de deterem poder de mando na sociedade empresária, conforme assentado na cláusula 5ª do Contrato Social (fls. 2931). Portanto as decisões tomadas partiam deles. 0 interesse comum na situação que constituiu o fato gerador achase materializado na participação societária. Afinal, eventual ganho da sociedade empresária repercute direta ou indiretamente no patrimônio dos sócios. Diretamente, por via da distribuição Fl. 3198DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16004.001749/200830 Acórdão n.º 1401000.934 S1C4T1 Fl. 14 13 de lucros; indiretamente pela valorização patrimonial na sociedade, o que, em termos absolutos, incrementa a participação dos sócios.” Da leitura do referido trecho, resta claro que o fundamento para a imputação de responsabilidade solidária dos sócios reside no fato de que os mesmos teriam ingerência nas decisões da empresa e que aufeririam os resultados em razão da distribuição de dividendos. Nos termos da legislação em vigor, tanto nos casos do art. 124, como dos arts. 135 e 137, todos do CTN, há necessidade de comprovação de fato jurídico tributário, distinto da ocorrência do fato gerador, capaz de permitir a inclusão dos sócios e/ou administradores no pólo passivo da relação jurídica tributária. Dessa forma, deveria a fiscalização ter constituído o fato jurídico tributário relativo ao interesse comum entre a pessoa jurídica e seus sóciosadministradores, ou ter indicado a previsão legal específica em que os administradores, simplesmente pelo fato de serem administradores, poderiam responder pelo crédito tributário devido pela pessoa jurídica. Acrescentese que em se tratando de atribuição de responsabilidade tributária solidária com base no interesse comum, deveria a fiscalização ter constituído tal fato jurídico, mediante a competente descrição dos fatos, corroborada pelas provas cabíveis. Dessa forma, afasto a imputação da responsabilidade tributária. Ante o exposto, dou parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a responsabilidade tributária dos sócios Carlos Paludetto Junqueira e Marlene Aparecida Paludetto Junqueira. (assinado digitalmente) Relator Maurício Pereira Faro Relator Fl. 3199DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16004.001749/200830 Acórdão n.º 1401000.934 S1C4T1 Fl. 15 14 Voto Vencedor Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Fui designado para redigir o presente voto vencedor tão somente em relação à responsabilidade tributária dos sócios Carlos Paludetto Junqueira e Marlene Aparecida Paludetto Junqueira. O ilustre Relator considerou indevida a imputação de responsabilidade solidária aos sócios da pessoa jurídica, diante da suposta ausência “de comprovação de fato jurídico tributário, distinto da ocorrência do fato gerador, capaz de permitir a inclusão dos sócios e/ou administradores no pólo passivo da relação jurídica tributária”. Com a devida vênia, discordo desse entendimento. Para o deslinde da presente questão, considero importante analisar as constatações das autoridades autuantes acerca da responsabilidade solidária dos sócios da pessoa jurídica, extraídas do Termo de Descrição dos Fatos, fls. 9899: [...] o artigo 124, inciso I, do mesmo diploma legal, prescreve: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Conforme exaustivamente comprovado neste Termo, a Sra. Marlene Aparecida Paludetto Junqueira, o Sr. José Carlos Paludetto Junqueira e o Sr. Antonio Carlos Gissi forneceram suas contas correntes para que a Curtidora Catanduva Ltda. realizasse inúmeras transações comerciais, como pagamento a fornecedores, compras de equipamentos, compras de insumos, pagamento de despesas, pagamentos de tributos etc. Agindo assim, a Curtidora Catanduva Ltda. desrespeitou o principio contábil da Entidade (Resolução no 750 do Conselho Federal de Contabilidade, publicada no D.O.U. de 31/12/1993), que reconhece o Patrimônio como objeto da Contabilidade e afirma a autonomia patrimonial, a necessidade da diferenciação de um Patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, independentemente de pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma sociedade ou instituição de qualquer natureza ou finalidade, com ou sem fins lucrativos. Por conseqüência, nesta acepção, o patrimônio não se confunde com aqueles dos seus sócios ou proprietários, no caso de sociedade ou instituição. As contas das pessoas físicas dos sócios serviram de "Caixa 2" da Curtidora Catanduva Ltda. e foram utilizadas para ocultar as operações mercantis da pessoa jurídica e dificultar a Fl. 3200DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16004.001749/200830 Acórdão n.º 1401000.934 S1C4T1 Fl. 16 15 detecção pelo fisco de sua verdadeira movimentação financeira A lucratividade obtida foi em, prol da empresa e seus sócios, não existindo dúvidas sobre o evidente interesse comum. Dolosamente, as pessoas que tiveram tal interesse impediram o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, e agindo assim incorreram na prática de sonegação fiscal. Concluise, portanto, que os sócios da Curtidora Catanduva Ltda., Sra. Marlene Aparecida Paludetto Junqueira e Sr. José Carlos Paludetto Junqueira, e o sócio da Classicouros Serviços Ltda., Sr. Antonio Carlos Gissi tiveram interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias tratadas no presente termo, sendo, portanto, solidariamente obrigados ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária, de acordo com os artigos 121 e 124, inciso I, do CTN. Como facilmente se percebe, no presente caso houve, claramente, “a comprovação de fato jurídico tributário, distinto da ocorrência do fato gerador, capaz de permitir a inclusão dos sócios e/ou administradores no pólo passivo da relação jurídica tributária”. Tal fato é suficiente para configurar a hipótese de responsabilidade solidária do sócios da pessoa jurídica, conforme entendimento manifestado pelo próprio Conselheiro Relator (v. fls. 13) do presente Acórdão. Os elementos constantes dos autos comprovam, à exaustão, que as contas das pessoas físicas dos sócios foram utilizadas para movimentar o "Caixa 2" da Curtidora Catanduva Ltda.. Em outras palavras, as contas correntes de titularidade dos sócios foram utilizadas para ocultar as operações mercantis da pessoa jurídica e dificultar a detecção pelo fisco de sua verdadeira movimentação financeira Por óbvio, o lucro obtido indevidamente, decorrente da sonegação de tributos e contribuições federais, reverteuse em favor da pessoa jurídica e também em favor das pessoas físicas dos sócios, não existindo dúvidas sobre o evidente interesse comum de ambos nestas operações delituosas, conforme previsto no art. 124, I do CTN. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a responsabilidade tributária dos sócios Carlos Paludetto Junqueira e Marlene Aparecida Paludetto Junqueira. É como voto. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos – Redator Designado Fl. 3201DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 16004.001749/200830 Acórdão n.º 1401000.934 S1C4T1 Fl. 17 16 Fl. 3202DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO
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Numero do processo: 10120.912151/2009-46
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/12/2004
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA.
A síntese da distribuição do ônus da prova é muito fácil de compreender. Todo aquele que demandar alguém tem o dever de provar o direito objeto de sua demanda. No caso de auto de infração, cabe ao Fisco demonstrar as razões de fato e de direito que embasam a acusação fiscal. De outro lado, nos pedidos de repetição de indébito, incumbe ao sujeito passivo a prova do pagamento indevido ou a maior que o devido. À mingua de prova do direito alegado, deve-se de indeferir o direito pleiteado.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-002.557
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente Henrique Pinheiro Torres - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2004 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. A síntese da distribuição do ônus da prova é muito fácil de compreender. Todo aquele que demandar alguém tem o dever de provar o direito objeto de sua demanda. No caso de auto de infração, cabe ao Fisco demonstrar as razões de fato e de direito que embasam a acusação fiscal. De outro lado, nos pedidos de repetição de indébito, incumbe ao sujeito passivo a prova do pagamento indevido ou a maior que o devido. À mingua de prova do direito alegado, devese de indeferir o direito pleiteado. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 91 21 51 /2 00 9- 46 Fl. 197DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.912151/200946 Acórdão n.º 9303002.557 CSRFT3 Fl. 198 2 Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de Declaração de Compensação transmitida pela Contribuinte com amparo em suposto pagamento a maior do PIS. A unidade de origem indeferiu o pleito. Fundamentou que o pagamento informado como efetuado a maior encontravase integralmente utilizado na amortização de débito da contribuinte. A identificação do pagamento, bem como sua utilização na amortização de débito da contribuinte, foram informadas em demonstrativo que acompanha o Despacho Decisório. A contribuinte contestou a decisão proferida no Despacho Decisório, esclarecendo que na data do envio do PER/DCOMP ainda não havia transmitido a DCTF retificadora, que aponta a existência do crédito oriundo do pagamento a maior. Informou que esta providência teria sido tomada em 27 de maio de 2009 e anexou as vias referentes aos créditos, juntamente com o recibo de entrega da DCTF retificadora. A DRJ em Brasília (DF) julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório pleiteado. Ao recurso voluntário interposto foi negado provimento, nos termos do Acórdão 3801001.576, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/2004 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2004 PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deverá ser apresentada com a manifestação de inconformidade, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF). Recurso Voluntário Negado. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.912151/200946 Acórdão n.º 9303002.557 CSRFT3 Fl. 199 3 Inconformado, o sujeito passivo apresenta recurso especial, onde, em apertada síntese, reedita os mesmos argumentos expendidos no recurso especial. O especial do sujeito passivo foi por mim admitido. Regularmente cientificada do apelo do sujeito passivo, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, defendendo a manutenção do acórdão vergastado, pois, segundo entende, uma vez não comprovada nos autos a existência de direito creditório líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Pública, passível de compensação, não há o que ser reconsiderado na decisão dada pela autoridade administrativa. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, dele conheço. A teor do relatado, a questão trazida a debate gira em torno da questão do ônus da prova do direito pleiteado, e tem como pano de fundo o princípio da verdade material, a preclusão para apresentação de prova, e, também, o alcance da retificação da DCTF, se suficiente para demonstrar o direito pleiteado. A recorrente defende que, em face do princípio da verdade material, a qualquer tempo pode trazer novas provas, e que a Fazenda Nacional não deve ficar adstrita às provas trazidas pelas partes, devendo fazer perícias e realizar diligências para descobrir a verdade dos fatos. Inicialmente, devese perquerir a quem incumbe o ônus da prova. A resposta a essa questão encontrase muito bem definida no Código de Processo Civil, mais precisamente no art. 333 que assevera: Art. 333 O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Na realidade, esse artigo nada mais representa do que a positivação do princípio geral de direito, segundo o qual, o ônus da prova recai sobre aquele que alega. Desde Roma já se conhecia esse princípio, verbalizado no brocardo, alegar e não provar é o mesmo que não alegar. A síntese da distribuição do ônus da prova,é muito fácil de compreender: todo aquele que demandar alguém tem o dever de provar o direito objeto de sua demanda. No caso de auto de infração, cabe ao Fisco demonstrar as razões de fato e de direito que embasam a acusação fiscal. De outro lado, nos pedidos de repetição de indébito, incumbe ao sujeito passivo a prova do pagamento indevido ou a maior que o devido. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.912151/200946 Acórdão n.º 9303002.557 CSRFT3 Fl. 200 4 Sobre a necessidade de as partes produzirem as provas necessárias à formação da convicção do julgador, preciosas as palavras do Conselheiro Gilson Rosenburg Filho, em julgamento de caso análogo ao aqui em debate. “Um dos principais objetivos do direito é fazer prevalecer a justiça. Para que uma decisão seja justa, é relevante que os fatos estejam provados a fim de que o julgador possa estar convencido da sua ocorrência. A certeza vai se formando através dos elementos da ocorrência do fato que são colocados pelas partes interessadas na solução da lide. Mas não basta ter certeza, o julgador tem que estar convencido para que sua visão do fato esteja a mais próxima possível da verdade. Como o julgador sempre tem que decidir, ele deve ter bom senso na busca pela verdade, evitando a obsessão que pode prejudicar a justiça célere. Mas a impossibilidade de conhecer a verdade absoluta não significa que ela deixe de ser perseguida como um relevante objetivo da atividade probatória. A verdade encontra se ligada à prova, pois é por meio desta que se torna possível afirmar idéias verdadeiras, adquirir a evidência da verdade, ou certificarse de sua exatidão jurídica. Ao direito somente é possível conhecer a verdade por meio das provas. Posto isto, concluímos que a finalidade imediata da prova é reconstruir os fatos relevantes para o processo e a mediata é formar a convicção do julgador. Os fatos não vêm simplesmente prontos, tendo que ser construídos no processo, pelas partes e pelo julgador. Após a montagem desse quebracabeça, a decisão se dará com base na valoração das provas que permitirá o convencimento da autoridade julgadora. Assim, a importância da prova para uma decisão justa vem do fato dela dar verossimilhança às circunstâncias a ponto de formar a convicção do julgador.” Em outro giro, ao contrário do que quer fazer parecer a defesa, o princípio da verdade material não é remédio para todos os males processuais; não serve para inverter o ônus da prova, tampouco dispensa o demandante de provar o direito alegado. Na realidade, a verdade material contrapõese ao formalismo exacerbado, presente no Processo Civil, mas, de maneira alguma, priva o procedimento administrativo das necessárias formalidades. Tampouco altera o papel a ser desempenhado pelas partes. Daí se dizer que no Processo Administrativo Fiscal convivem harmonicamente os princípios da verdade material e da formalidade moderada. De sorte que se busque a verdade real, mas preservando as normas processuais que asseguram a segurança, a celeridade, a eficiência e o bom andamento do processo. Outro ponto que merece ser visitado é o do momento oportuno para a prática dos atos processuais pelas partes. Primeiramente, devese responder à questão processual, qual seja, a da aplicabilidade ou não, nas instâncias administrativas, das preclusões consumativa, e, também, da temporal. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.912151/200946 Acórdão n.º 9303002.557 CSRFT3 Fl. 201 5 O processo é o meio pelo qual o indivíduo busca resolver determinado conflito de interesses. Existem situações que podem comprometer o andamento processual, como, por exemplo, a perda do prazo da apresentação de recurso, a não compatibilidade de um ato processual com outro já existente, ou até, a repetição de um ato já praticado. Para que esses tipos de irregularidades não ocorram, temse o instituto chamado preclusão. A doutrina, em sua grande maioria, baseada nas lições de Giuseppe Chiovenda, classifica a preclusão como sendo a perda da faculdade de praticar determinado ato processual. Segundo LUIZ GUILHERME MARINONI, “... a preclusão consiste – fazendose um paralelo com figuras do direito material, como a prescrição e a decadência – na perda de “direitos processuais”, que pode decorrer de várias causas. Assim como acontece com o direito material, também no processo a relação jurídica estabelecida entre os sujeitos processuais pode levar à extinção de direitos processuais, o que acontece, digase, tão freqüentemente quanto em relações jurídicas de direito material. A preclusão é o resultado dessa extinção, e é precisamente o elemento (aliado à ordem legal dos atos, estabelecida na lei) responsável pelo avanço da tramitação processual.” (MARINONI, Luiz Guilherme. Manual do Processo de Conhecimento, cit., p. 665.) Diversos são os artigos do Código de Processo Civil que tratam desse instituto, a exemplo dos arts. 1831 e 2452 A preclusão pode ser temporal, lógica e ou consumativa, e, ainda a pro judicato. Diante dessas considerações, podemos conceituar a preclusão como sendo a extinção do direito processual em virtude do decurso do prazo (preclusão temporal); da prática incompatível com aquele que é facultado pela lei (preclusão lógica); e da própria prática do ato facultado pela lei (preclusão consumativa). Considerase, assim, que a natureza jurídica da preclusão seja um mero efeito jurídico. A preclusão temporal é a extinção da faculdade de praticar um determinado ato processual em razão de haver exaurido o prazo fixado na lei. Como exemplo, podese citar a não apresentação da impugnação de lançamento no prazo de 30 dias a contar da ciência do lançamento tributário. Assim, a peça impugnatória não poderá ser apresentada no trigésimo primeiro dia, visto que já ocorreu a preclusão. O já citado art. 183 do Código de Processo Civil menciona justamente tal conseqüência, evitando que a parte pratique um ato processual após aquele prazo fixado na lei. Isso seria uma forma de evitar a demora do processo, respeitando, assim, o Princípio da Celeridade Processual. A preclusão lógica é a extinção da faculdade de praticar um determinado ato processual em virtude da não compatibilidade de um ato com outro já realizado. Por exemplo: o sujeito passivo, ao ser notificado do lançamento fiscal, faz a confissão da dívida e entra com pedido de parcelamento do débito, logicamente, concordou com o lançamento fiscal. Em seguida, impugna esse lançamento. Ora, se concordou com a dívida e entrou com o pedido de parcelamento do débito, com que finalidade impugna a exigência fiscal? Como o próprio nome já diz, a lógica seria a não impugnação. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.912151/200946 Acórdão n.º 9303002.557 CSRFT3 Fl. 202 6 Já a preclusão consumativa é a extinção da faculdade de praticar um determinado ato processual em razão de já haver ocorrido a oportunidade para tanto. Por exemplo: o autuado apresentou a impugnação de lançamento no vigésimo nono dia. No dia seguinte, viu que se esquecera de mencionar um fato e tenta apresentar aditar a impugnação. Tal aditamento não poderá ser praticado em virtude da já apresentada impugnação anterior. Uma vez praticado o ato processual, não poderá ser mais uma vez oferecido, haja vista a existência do instituto da preclusão consumativa. Esta preclusão decorre do princípio da eventualidade, positivado no art. 3003 do CPC. Por esse princípio, o momento processual oportuno para apresentação de TODA matéria de defesa, circunscrevese ao prazo de apresentação, no processo administrativo fiscal, da impugnação de lançamento. O Princípio da Eventualidade deve ser observado pelo autuado, quando da apresentação de sua impugnação, pois, caso não alegue TODA matéria de defesa em tal ocasião, ocorrerá a denominada preclusão consumativa, ou seja, não lhe será lícito, após o prazo de apresentação de contestação, alegar matéria que deveria ter alegado na impugnação45. Anotese, por oportuno, que o princípio da eventualidade deve ser interpretado com o princípio da impugnação específica, enunciado no art. 302 do CPC. Por tal princípio, caberá ao acusado impugnar todos os fatos, um a um, aduzidos pelo Autor. Sobre aquele não impugnado incidirão os efeitos da revelia, e, por conseguinte, o ônus processual respectivo. Convém consignar o escólio dos ilustres juristas 6Nelson Nery Júnior e Rosa Maria Andrade Nery, ao tecer considerações acerca do instituto da preclusão consumativa, ao comentarem o artigo 183 do Código de Processo Civil. Vejamos: 4. Preclusão consumativa. Dizse consumativa a preclusão, quando a perda da faculdade de praticar o ato processual decorre do fato de já haver ocorrido a oportunidade para tanto, isto é, de o ato já haver sido praticado e, portanto, não pode tornar a sêlo. Exemplos: a) se a parte apelou no 3º dia do prazo, já exerceu a faculdade, de sorte que não poderá mais recorrer ou completar seu recurso, mesmo que ainda não se tenha esgotado o prazo de 15 dias; b) se o réu contestou no 10º dia de prazo, não pode reconvir, ainda que dentro do prazo da resposta, porque a reconvenção deve ser ajuizada simultaneamente com a contestação (CPC 299): apresentada esta, a oportunidade para ajuizar reconvenção já terá ocorrido; c) se a parte recorreu no 10º dia do prazo, já exerceu a faculdade de modo que não poderá efetuar posteriormente o preparo, pois a lei exige que este seja feito juntamente com a interposição do recurso (CPC 511). Normalmente a preclusão consumativa ocorre quando se trata de ato complexo, isto é, de mais de um ato processual que devam ser praticados simultaneamente, na mesma oportunidade. De todo o exposto, podese concluir que a preclusão pode ser conceituada como a perda da faculdade de praticar determinado ato processual. Assim, um dos efeitos desse instituto será justamente a extinção do direito de praticar o ato processual, funcionando como força motriz que impulsiona o processo ao seu destino final, que é o provimento jurisdicional. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.912151/200946 Acórdão n.º 9303002.557 CSRFT3 Fl. 203 7 A grande importância, pois, da preclusão no ordenamento jurídico brasileiro, é evitar que os atos processuais sejam feitos fora dos prazos previstos na lei; que sejam incompatíveis com outros atos já existentes; e que sejam repetidos de forma indevida. Após essa breve explanação sobre o instituto da preclusão e dos princípios da eventualidade e da impugnação específica, voltemos aos autos. Como relatado pela decisão recorrida, foi identificado pelos sistemas de processamento de dados da RFB que o crédito que o sujeito passivo pretendia compensar nestes autos havia sido utilizado para pagamento de outro débito e PER/DCOMP, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação objeto da atual lide. Em razão dessa constatação, foi emitido despacho decisório no sentido de não homologar a compensação aqui em debate. Após ser cientificado da denegação de seu pleito compensatório é que o sujeito passivo apresentou DCTF retificadora, pertinente ao crédito do suposto pagamento a maior. A meu sentir, o momento próprio para o sujeito passivo demonstrar o crédito passível de repetição era o do ato de protocolização do pedido, pois, ao autor cabe demonstrar os fatos constitutivos de seu direito, não o fazendo no momento apropriado, preclui do direito de o fazer. Poderseia até admitir que o fizesse posteriormente ao protocolo do pedido, mas não após a decisão. Repare que a fase instrutória, onde devem ser produzidas as provas, em todos os ramos processuais, tanto administrativo quanto judicial, dáse antes da decisão ou da sentença. isso porque, como dito linhas acima, as partes têm o momento certo para praticar seus atos processuais sobre pena de preclusão, que funciona como força motriz que impulsiona o processo ao seu destino final, evitando que os atos processuais sejam feitos fora dos prazos previstos na lei; que sejam incompatíveis com outros atos já existentes; e que sejam repetidos de forma indevida. Ora, no caso sob exame, incorreuse em duas preclusões: a consumativa, pois ao apresentar o pedido, a recorrente exauriu sua participação nesta fase processual. Por conseguinte não poderia mais revisitála, ainda que para carrear provas aos autos; e a temporal, haja vista que a retificadora da DCTF que poderia representar indício do direito pleiteado, só foi apresentada após a fase instrutória. Sobre o tema o Superior Tribunal de Justiça, tratando de matéria processual análoga, posicionouse da seguinte forma: “Preclusão Consumativa. Complementação do recurso. Ao interpor recurso, a parte pratica ato processual, pelo qual consuma o seu direito de recorrer e antecipa o dias ad quem do prazo recursal (caso o recurso não tenha sido interposto no último dia do prazo). Por conseqüência, não pode, posteriormente, ‘complementar’ o recurso, ‘aditálo’, ou ‘corrigilo’, pois já se operou a preclusão consumativa (STJRT 745/197).” (Destaques no original).7 Repisese que as alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituise em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não o sendo praticado no tempo certo, surge para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de o fazer posteriormente, pois nesta hipótese, operase o fenômeno denominado de preclusão, isto porque, o processo é um caminhar para frente, não se admitindo, em regra, realização de instrução probatória tardia, pertinente a fases já ultrapassadas. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.912151/200946 Acórdão n.º 9303002.557 CSRFT3 Fl. 204 8 Por derradeiro, mas não menos importante, devese perquirir sobre os efeitos da declaração retificadora da DCTF, apresentada a destempo pelo sujeito passivo. A retificadora, regra geral, tem o efeito de substituir a declaração original, quando apresentada ao tempo de produzir os efeitos que dela se espera. Todavia, como todo e qualquer declaração, precisa ser calçada em provas que lhe confira legitimidade e verossimilhança. O que não é o caso dos autos, pois além haver sido apresentada após o despacho decisório haver apontado a ausência de crédito a compensar, pois o suposto indébito havia sido alocado para extinguir outro débito declarado pelo sujeito passivo, a retificadora não veio arrimada em documento fiscal ou contábil referente ao fato gerador (auferimento de receita) do seu pretenso crédito. Assim, como bem se consignou no acórdão recorrido, a simples apresentação de uma declaração retificadora não produz os efeitos pretendidos pela interessada, visto que seu crédito não goza de liquidez e certeza. Registrese, por oportuno, que a recorrente teve oportunidade de comprovar o seu direito creditório, mas não o fez, limitandose a apresentar demonstrativo da compensação, uma demonstração de resultado para efeito de suspensão/redução de IRPJ/CSLL, período base de 01/01/2005 a 31/10/2005, e o Livro Diário do período de apuração de outubro de 2005. Releva ainda transcrever excerto do acórdão recorrido, para arrimar este voto. Sem esquecer as devidas homenagens, com a palavra o Nobre Relator, o Conselheiro Flávio de Castro Pontes: “Destaco que os lançamentos colacionados no Livro Diário não fazem quaisquer referências à composição da base de cálculo do período de apuração do suposto pagamento a maior. Os lançamentos referemse à apropriação dos créditos no mês outubro de 2005. Destarte, verificase que a recorrente não apresentou qualquer documento fiscal ou contábil referente ao fato gerador (auferimento de receita) do seu pretenso crédito, de sorte que o pedido de compensação nos moldes requeridos não deve ser homologado. Com efeito, a simples apresentação de uma declaração retificadora não produz os efeitos pretendidos pela interessada, visto que seu crédito não goza de liquidez e certeza. Convém ressaltar que não há óbice legal para a retificação da DCTF após a emissão do despacho decisório, porém a simples retificação deste documento não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. Além do mais, o art. 333 do Código de Processo Civil preceitua que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito. Ora, tendo alegado que efetuou pagamento a maior de Contribuição, a recorrente tinha por obrigação legal de colacionar ao processo administrativo os respectivos documentos comprobatórios que sustentariam seu direito. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.912151/200946 Acórdão n.º 9303002.557 CSRFT3 Fl. 205 9 Pertinente é a colocação de Luiz Guilherme Marinoni e Sérgio Cruz Arenhart sobre o ônus da prova in Manual do processo de conhecimento. 5 ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2006, p. 271: A produção de prova não é um comportamento necessário para o julgamento favorável. Na verdade, o ônus da prova indica que a parte que não produzir prova se sujeitará ao risco de um julgamento desfavorável. Ou seja, o descumprimento desse ônus não implica, necessariamente, um resultado desfavorável, mas no aumento do risco de um julgamento contrário [...](grifo do original) Consignese que o artigo 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para a compensação que o crédito seja líquido e certo, in verbis: ‘Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda.’ (grifouse) No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo, pois a requerente não o comprovou por meio de provas documentais hábeis, em especial, demonstração da base de cálculo do período de apuração em que se apurou, em tese, um pagamento a maior. É preciso insistir no fato de que a simples retificação de DCTFs é insuficiente para se comprovar o direito creditório. Quanto ao princípio da verdade material, é importante salientar que o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, estabelece que a prova documental tem que ser apresentada na impugnação, salvo os casos expressos abaixo mencionados: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refira se a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Assim sendo, a lei estabelece o momento de apresentação da prova documental, qual seja, a interposição da manifestação de inconformidade. In casu, a recorrente não alegou uma das exceções do aludido dispositivo, portanto precluiu o seu direito de produção de prova documental. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.912151/200946 Acórdão n.º 9303002.557 CSRFT3 Fl. 206 10 A propósito, Maria Teresa Martinez López e Marcela Cheffer Bianchini no artigo Aspectos Polêmicos sobre o Momento de Apresentação da Prova no Processo Administrativo Fiscal Federal em A Prova no Processo Tributário – São Paulo: Dialética, 2010, p. 51, esclarecem: (...) O devido processo legal manifesta princípios outros além do da verdade material. O processo requer andamento, desenvolvimento, marcha e conclusão. A segurança e a observância das regras previamente estabelecidas para a solução das lides constituem valores igualmente relevantes no processo. E, neste contexto, o instituto da preclusão passa a ser figura indispensável ao devido processo legal, e de modo algum se revela incompatível com o Estado de Direito ou com o direito de ampla defesa ou com a busca pela verdade material. O artigo 16 do PAF, em seu parágrafo 4º, estabelece limitações à atividade probatória do administrado ao determinar que a prova documental deve ser apresentada com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que restar demonstrada a impossibilidade de sua apresentação por motivo de força maior ou referirse a fato ou direito superveniente.(grifouse) Em remate, o direito creditório não restou comprovado”. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Fl. 206DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 13976.000411/2001-17
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001
Crédito Presumido de IPI - Industrialização por encomenda; e atualização Selic.
INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA.
A matéria-prima, o produto intermediário e o material de embalagem industrializados por encomenda, quando utilizados em produtos que vierem a ser exportados pelo industrial, encomendante desses insumos, integram a base de cálculo do crédito presumido e, conseqüentemente, devem ser a ela incorporado o custo do beneficiamento e, também, o da mão-de-obra paga ao executor da encomenda.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. SELIC.
No ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). Recurso do Sujeito Passivo parcialmente Provido.
Recursos Especiais do Procurador Negado e do Contribuinte Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-002.747
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado: I) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencido o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que dava provimento parcial; e II) por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial do sujeito passivo para reconhecer a incidência da Selic sobre a parte do crédito com oposição injustificada quanto ao ressarcimento pela Receita Federal do Brasil.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Joel Miyazaki.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 Crédito Presumido de IPI - Industrialização por encomenda; e atualização Selic. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. A matéria-prima, o produto intermediário e o material de embalagem industrializados por encomenda, quando utilizados em produtos que vierem a ser exportados pelo industrial, encomendante desses insumos, integram a base de cálculo do crédito presumido e, conseqüentemente, devem ser a ela incorporado o custo do beneficiamento e, também, o da mão-de-obra paga ao executor da encomenda. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. SELIC. No ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). Recurso do Sujeito Passivo parcialmente Provido. Recursos Especiais do Procurador Negado e do Contribuinte Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2183; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 432 1 431 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13976.000411/200117 Recurso nº 231.471 Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9303002.747 – 3ª Turma Sessão de 14 de novembro de 2013 Matéria Crédito Presumido de IPI Industrialização por encomenda e atualização Selic Recorrentes FAZENDA NACIONAL BUDDEMEYER S/A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 Crédito Presumido de IPI Industrialização por encomenda; e atualização Selic. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. A matériaprima, o produto intermediário e o material de embalagem industrializados por encomenda, quando utilizados em produtos que vierem a ser exportados pelo industrial, encomendante desses insumos, integram a base de cálculo do crédito presumido e, conseqüentemente, devem ser a ela incorporado o custo do beneficiamento e, também, o da mãodeobra paga ao executor da encomenda. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. SELIC. No ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). Recurso do Sujeito Passivo parcialmente Provido. Recursos Especiais do Procurador Negado e do Contribuinte Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 6. 00 04 11 /2 00 1- 17 Fl. 463DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Acordam os membros do Colegiado: I) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencido o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que dava provimento parcial; e II) por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial do sujeito passivo para reconhecer a incidência da Selic sobre a parte do crédito com oposição injustificada quanto ao ressarcimento pela Receita Federal do Brasil. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Joel Miyazaki. Relatório Os fatos foram assim descritos no relatório do acórdão recorrido: Tratase de pedido de ressarcimento do crédito presumido de IPI instituído pela Lei n° 9.363/96. 0 pedido foi indeferido pela DRF de origem sob o argumento de que se tratava de aquisições de produtos que não correspondem ao conceito de matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem da legislação do IPI; em especifico, energia elétrica, combustíveis e outros materiais. Também porque incluía parcela decorrente da aplicação de juros selic sobre o valor original do pedido, descabida por falta de previsão legal. Inconformada, a empresa recorre a este Conselho reiterando o seu ponto de vista de que a legislação referente ao beneficio já evoluiu no sentido de considerar possível a inclusão dos bens glosados pelo fisco, isto é, combustíveis (inclusive o material, chamado de maravalha, utilizado para aquecimento das caldeiras), energia elétrica, bem como dos "serviços" de industrialização adquiridos pelo produtorexportador. Quanto à incidência de juros calculados taxa Selic, entende que se trata de mera correção monetária, a qual, segundo pacifica jurisprudência, independe de expressa previsão legal. Julgando o feito, a Câmara recorrida deu provimento parcial ao recurso voluntário, em acórdão assim ementado: Fl. 464DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13976.000411/200117 Acórdão n.º 9303002.747 CSRFT3 Fl. 433 3 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. Descabe a inclusão na base de calculo do beneficio de artigos que não se subsumem no conceito de matéria prima produto intermediário ou material de embalagem nos termos da legislação do IPI, a exemplo de energia elétrica e combustíveis. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. Cabível a inclusão da base de cálculo do beneficio das matérias primas submetidas na industrialização por terceiros, desde que estas, após retornadas, sejam empregadas como matériaprima no produto exportado. Recurso provido em parte. Inconformada, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional apresentou recurso especial, pugnando pela não inclusão, na base de cálculo do crédito presumido, dos valores referente às matériasprimas industrializadas por encomenda. O recurso foi admitido, nos termos do despacho de fl. 333. Cientificado do acórdão e, também, do despacho de admissibilidade do recurso da Fazenda Nacional, o Sujeito Passivo apresentou contrarrazões ao apelo fazendário, e, também, recurso especial, onde defendeu a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido, dos dispêndio com energia e elétrica e combustíveis. Além disso, postulou a incidência de Selic sobre os créditos a ressarcir. Por meio do despacho de fls. 417/418 o recurso do sujeito Passivo foi admitido apenas parcialmente, mais precisamente, quanto à incidência da Selic sobre os valores a ressarcir.. Contrarrazões a esse recurso vieram às fls. 421 a 428 . É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator Inicialmente, passo a examinar o recurso da Fazenda Nacional, que é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser conhecido. A teor do relatado, o inconformismo da Fazenda Nacional diz respeito à inclusão, na base de cálculo do crédito presumido, dos valores referente às matériasprimas industrializadas por encomenda. Fl. 465DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 Na Antiga Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por diversas vezes, votei no sentido de permitirse a inclusão na base de cálculo do crédito presumido do custo de beneficiamento e de mãodeobra empregada na industrialização efetuada por terceiros (industrialização por encomenda), quando estes fossem utilizados pelo industrial exportador como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagens na fabricação de produtos por ele exportado. Posteriormente, com a mudança na composição do Colegiado aderi à tese contrária, e assim continuei votando até a última sessão de julgamento deste Colegiado. Todavia, essa tese tornouse minoritária, já que a maioria filiase à posição do Conselheiro Júlio César Alves Ramos, que, com argumentos sólidos e consistentes defende o direito ao creditamento referente às matériasprimas industrializadas por encomenda, quando esses insumos são utilizados na produção de mercadorias a serem exportadas pelo encomendante. De outro lado, pelo princípio da colegialidade, a decisão é do órgão colegiado, e não monocrática. Isso reclama de seus membros parcimônia na hora de manter posições pessoais em oposição à jurisprudência remansosa da Corte. Nesse caso, é perfeitamente cabível ressalvarse a posição pessoal e acompanharse a da maioria. O que faço aqui. Assim, ressalvo o entendimento de que, na industrialização por encomenda, na égide da lei 9.363/1996, não há direito a crédito presumido referente as matériasprimas industrializadas por terceiros por encomenda do industrial exportador, mas como essa posição é minoritária, passo a adotar a majoritária, defendida pelo Conselheiro Júlio César Alves Ramos, que, com os agradecimentos de estilo, transcrevo como fundamento deste voto. ......................................................................................................... Mas se assim o é, entendo eu, impossível afastar o entendimento esposado pelo douto Ministro Luiz Fux no julgamento já aludido. É que lá deixou ele assentado: Incumbiume o i. Presidente da redação do acórdão no atinente à industrialização por encomenda, visto ter a maioria divergido do entendimento esposado pelo n. relator. Conforme se observa de seu voto, três são os fundamentos para que ele entenda que o valor pago pelo industrialexportador não pode ser computado na base de cálculo do benefício fiscal instituído pela Lei 9.363/96. Em primeiro lugar porque a interpretação daquela norma haveria de ser restritiva por envolver renúncia de receita fiscal. Ocorre que ele não explicita o comando legal que dá suporte à sua conclusão e, por isso, começo daí minha divergência. É que, a contrário senso, se lê no artigo 111 do CTN: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Fl. 466DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13976.000411/200117 Acórdão n.º 9303002.747 CSRFT3 Fl. 434 5 Destarte, a se entender que essa seria sua fundamentação, necessário se faz enquadrar o benefício em tela como hipótese de suspensão ou de exclusão do crédito tributário, dado que não se trata nem de isenção de tributo nem de autorização para não cumprimento de obrigações acessórias. Não considero, no entanto, que os créditos presumidos em geral, e o da Lei 9.363 em particular, assim se possam definir. Com efeito, o mesmo CTN que a todos nós vincula, estabelece as hipóteses de exclusão de crédito tributário em seu art. 175: Art. 175. Excluem o crédito tributário: I a isenção; II a anistia. Parágrafo único. A exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela conseqüente. E como a isenção já havia sido destacadamente mencionada no art. 111 entendo que os dois dispositivos lidos conjugadamente impõem a interpretação restritiva ou literal apenas à anistia, à suspensão de crédito tributário e à dispensa de obrigações acessórias. Não me parece que o crédito presumido se inclua em qualquer dessas situações. Assim, ainda que fosse necessário dar uma interpretação “ampliativa” ao comando inserto na Lei 9.363/96 considero que nada o impede. Sequer há tal necessidade, porém. É que o segundo fundamento do dr. Rodrigo é a premissa de que o valor aqui discutido não se enquadra como “valor de aquisição”, ou seja, decorrente de uma operação de compra e venda, como exigido pela Lei, mas sim de um pagamento por uma prestação de serviço. A essa premissa também não adiro. Em primeiro lugar porque a própria legislação do IPI, única ao que eu saiba que cuida da figura da industrialização por encomenda mediante a remessa de insumos por parte do encomendante, é clara em caracterizála como uma operação de “industrialização parcial” sujeita ao IPI. E dessa imposição não exclui nem mesmo os casos em que o executor da encomenda não agrega nenhum insumo por si adquirido. Isto é, mesmo nesta última hipótese, em que se poderia legitimamente pretender sua equiparação a mera prestação de serviço, a obrigação relativa ao IPI é mantida. E, no meu entender, ainda quando sujeita ao ISS. Deixemos por enquanto essa hipótese de lado, dado que é mister reconhecer não ser ela a regra. De fato, na maior parte das vezes em que um industrial recorre à industrialização por encomenda o faz por não reunir condições técnicas de realizar Fl. 467DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 internamente tais operações, seja por falta de pessoal capacitado, seja por não possuir o equipamento adequado. A opção não está, assim, vinculada ao aproveitamento de um possível benefício fiscal. Está ligada, isto sim, à racionalidade econômica. Em outras palavras, ela decorre de uma decisão econômica de não verticalizar o processo produtivo, criando internamente uma linha ou divisão para realizar a operação em tela, seja porque infreqüente, seja porque é mais barato realizá la fora. Posta essa diferente premissa, o fato é que o item em discussão (couro, no caso concreto) só assume a condição de matéria prima para o postulante do benefício (fabricante de calçado) após ter sido submetida a essa industrialização parcial adicional. Antes, matéria prima ainda não é. Essa conclusão, a meu ver, se impõe pela própria definição de matéria prima tantas vezes por nós repetida: item que é utilizado no processo produtivo e aí é integral e imediatamente consumido, incorporandose fisicamente ao item fabricado. Ora, se no estado em que inicialmente adquirido o item não pode ainda participar do processo fabril do postulante, como pode ser, desde logo, considerado matéria prima? Só o é, a meu sentir, após submetido àquele tratamento adicional. E, como já disse, mesmo a interpretação literal do texto normativo permite sua inclusão nesse caso. Deveras, dispõem os arts. 1º e 2º da Lei 9.363: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 2o A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador A meu ver, pois, o “valor total” a que se refere a lei tem de corresponder àquele que a empresa desembolsou para contar em seu estabelecimento com um item que empregará efetivamente na produção do produto a exportar. Vale repetir que esse acréscimo de valor – correspondente à aqui discutida “industrialização adicional” – inclui, no mais das vezes, não apenas despesas com mão de obra, mas também, e Fl. 468DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13976.000411/200117 Acórdão n.º 9303002.747 CSRFT3 Fl. 435 7 com destaque, depreciação de ativo fixo não existente no estabelecimento do encomendante, e, no mínimo, o lucro daquele que realiza a operação. A presença dessa última parcela é, por si só, suficiente para não fazer sentido pressupor – ao menos como regra – que um dado estabelecimento capaz de realizála internamente “opte” por contratála a terceiros e pagar mais por isso. De todo modo, admitindo que na maior parte das vezes há mesmo outros itens compondo o “preço dos serviços prestados”, a restrição proposta pelo dr. Rodrigo, pareceme, não os alcançaria. De fato, quanto a eles, a meu sentir, não há como dizer que não ocorra uma operação comercial. A celeuma, pois, vêse restrita às despesas com mãodeobra. De fato, em outros processos ela vem expressa em votos da primeira instância e em relatórios de verificação fiscal elaborados pelas autoridades incumbidas dos trabalhos fiscais. E pode ser resumida assim: se o postulante houvesse internalizado a operação, não haveria crédito presumido sobre essa parcela. Por “analogia” (ou “isonomia” ou “justiça fiscal” ou qualquer coisa semelhante) também não deveria haver se ele a “externaliza”. Como já repeti, a validade do argumento tem como condições necessárias que 1) o postulante ao crédito presumido possa fazer internamente a operação; 2) o valor pago ao executor se resuma ao da mãodeobra empregada. Essa segunda condição só seria válida na ausência de qualquer capital. Do contrário, haverá, pelo menos, o “custo do capital” empregado, entendido como a sua depreciação mais lucro. Em outras palavras, apenas se fosse contratado algum(ns) trabalhador(es), sem qualquer equipamento, para “prestar o serviço”. Admitindo que isso fosse mesmo possível (e valesse a pena, do ponto de vista econômico) o argumento ganharia força pela nossa jurisprudência que limitava o incentivo às “aquisições realizadas a contribuintes dos tributos a ressarcir”. Desnecessário dizer que ela já não mais se sustenta em face das reiteradas decisões do STJ em sentido contrário. De modo que, aclarados devidamente os contornos da restrição cogitada pelo dr. Rodrigo, acredito que a questão somente se coloca se: 1) houver uma contratação apenas de “serviços” de industrialização e 2) ela se der junto a pessoas físicas que não empreguem qualquer insumo ou equipamento nessa prestação. Não é sequer necessário aqui adentrála: no presente processo (e acredito que em todos que venhamos a examinar) muito longe estamos dessa situação. Aqui se pagou a outra empresa para transformar couro cru em couro wet blue, o que requer o emprego de equipamentos específicos e pessoal especializado. Fl. 469DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 Despiciendo dizer, sobre o valor pago incidiram integralmente as contribuições que se quer ressarcir. E, por fim, não foi sequer questionado pela fiscalização que o couro wet blue recebido é empregado, como matériaprima, nos calçados fabricados. Essa é, em verdade, a única restrição que faço: dado que a lei fala em matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, não haveria tal possibilidade de inclusão se os materiais recebidos fossem exportados no mesmo estado. De fato, já tivemos oportunidade de examinar caso em que a “fábrica” de calçados, de fábrica não tinha mais nada, “terceirizada” que fora toda a produção. Ela se limitava a exportar o produto pronto, assim recebido dos executores. Nessa hipótese, entendo eu, não há benefício algum. Mas aqui, ao contrário, a empresa emprega o couro beneficiado na efetiva fabricação dos calçados que exporta. Não vejo motivos então para que se exclua a parcela do beneficiamento realizado. Não muda essa minha conclusão o terceiro argumento do n. relator. É ele o fato de a Lei 10.276 ter expressamente autorizado a inclusão dessa parcela que não consta expressamente da Lei 9.363. A conclusão foi: se a partir daí pode, é porque antes não podia. Com a devida vênia, entendo que as regras de hermenêutica consagradas não permitem essa ilação. De fato, não faz sentido (lógico) deduzir uma proibição em uma lei porque de outra tal proibição não conste. A não ser que a nova lei esteja regulando a mesma matéria. Como se sabe, a Lei 10.276 institui uma forma alternativa de cálculo do benefício, como reconhece o relator. Assim, dela tudo o que decorre é que na sistemática por ela introduzida, pode; nada se pode inferir quanto à outra modalidade de que ela não trata e cuja legislação cabe interpretar. Com essas considerações, manteve a maioria o deferimento da parcela que a douta PFN pretendia fosse excluída. Essa situação é, precisamente, a dos autos, adotandose pois a posição acima transcrita, devese negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. No tocante ao recurso do sujeito passivo, na parte admitida, incidência Selic sobre os valores a ressarcir, Nessa questão da incidência de Selic sobre ressarcimento, o meu entendimento é no sentido contrário à pretensão do sujeito passivo. Todavia, com a alteração regimental, que acrescentou o art. 62A ao Regimento Interno do Carf, as decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos devem ser observados no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Assim, se a matéria foi julgada pelo STJ, em sede de recurso repetitivo, a decisão de lá deve ser adotada aqui, independentemente de convicções pessoais dos julgadores. Fl. 470DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13976.000411/200117 Acórdão n.º 9303002.747 CSRFT3 Fl. 436 9 Essa é justamente a hipótese dos autos, em que o STJ1, no REsp 993.164/MG, julgado em sede de recurso repetitivo versando sobre matéria idêntica à do recurso ora sob exame, decidiu que, REsp 993164/MG RECURSO ESPECIAL2007/02311873 Relator(a) Ministro LUIZ FUX (1122) Órgão Julgador S1 PRIMEIRA SEÇÃO Data do Julgamento 13/12/2010 Ementa PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no 1 REsp 993164/MG Fl. 471DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 10 mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos Fl. 472DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13976.000411/200117 Acórdão n.º 9303002.747 CSRFT3 Fl. 437 11 limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon,Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido Fl. 473DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 12 confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Acórdão Vistos, relatados e discutidos estes autos, os Ministros da PRIMEIRA SEÇÃO do Superior Tribunal de Justiça acordam, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, dar provimento ao recurso especial da Empresa e negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Castro Meira, Arnaldo Esteves Lima, Humberto Martins, Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Cesar Asfor Rocha e Hamilton Carvalhido votaram com o Sr. Ministro Relator. No caso sob exame, houve oposição administrativa indevida da Fazenda Nacional, ao negar crédito que, posteriormente, foram reconhecido por seus órgãos de julgamento. Desta feita, no tocante a esses créditos, devese aplicar o repetitivo acima transcrito para reconhecer o direito à incidência da atualização pela Selic dos valores a ressarcir que foram indeferidos pela Receita Federal, mas que foram reconhecidos pelas instâncias Fl. 474DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13976.000411/200117 Acórdão n.º 9303002.747 CSRFT3 Fl. 438 13 julgadoras administrativas. Para os créditos pleiteados em que não houve oposição indevida por parte da Fazenda Nacional, não há direito à incidência de atualização monetária. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional, e dar provimento parcial ao recurso do sujeito passivo para reconhecer a incidência da Selic sobre os valores passíveis de ressarcimento, mas que foram objeto de oposição administrativa por parte da Receita Federal do Brasil. Henrique Pinheiro Torres Fl. 475DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10384.720260/2007-76
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Sat Aug 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO.
O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2801-003.154
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer o Valor da Terra Nua - VTN declarado, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em Exercício
Assinado digitalmente
José Valdemir da Silva - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Pschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: JOSE VALDEMIR DA SILVA
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ARBITRAMENTO. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer o Valor da Terra Nua VTN declarado, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em Exercício Assinado digitalmente José Valdemir da Silva Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Pschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Márcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 72 02 60 /2 00 7- 76 Fl. 168DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/20 13 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10384.720260/200776 Acórdão n.º 2801003.154 S2TE01 Fl. 160 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ/REC. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado o Auto de Infração de fls 01 a 04,no qual é cobrado o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, exercício 2004, relativo ao imóvel denominado “Ffazenda Imaculada Conceição”, localizado no município de Pilar/AL, com área total de 200 há, cadastrado na RFB sob o n. 3.188.5829, no valor de R$ 16.712,50 ( dezesseis mil, setecentos e doze reais e cinqüenta centavos ) acrescido de multa de lançamento de ofício e de juros de mora, calculados até 10.11.2009, perfazendo um crédito tributário total de R$ 40.579,61 ( quarenta mil, quinhentos e setenta e nove reais e sessenta e um centavos ). Foi enviado Termo de Intimação Fiscal n. 04401/00020/2009 emitido em 17.08.2009, fls 13/14, solicitando esclarecimentos e documentos para comprovação de valores declarados na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR/2004. Em 29.09.2009 foi emitido novo Termo de Intimação Fiscal, fls. 16/18. A contribuinte tomou ciência em 09.10.2009 conforme cópia do Aviso de Recebimento – AR fl. 19. No procedimento de análise e verificação das informações declaradas na DITR/2004 e dos documentos coletados no curso da ação fiscal, conforme Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido ITR, fl. 03, a fiscalização: alterou o Valor Total do Imóvel; alterou o valor da Terra Nuna O Auto de infração foi postado nos correios tendo a contribuinte tomado ciência em 23.11.2009, pelo AR RF850911766BR, fl. 21. Não concordando com a exigência a contribuinte apresentou impugnação de fls. 23/24, em 17.12.2009, fl. 23, alegando em síntese: I. É proprietária do imóvel rural Fazenda Imaculada Conceição, com área total de 200,0 há, Nirf n. 3.188.5829; II o imóvel é arrendado a sra. Ana Paula Francisca da Silva CPF 008.029.76417, conseqüentemente não temos acompanhamento direto de administração do imóvel, sabemos que não justifica o não atendimento no prazo concedido; Fl. 169DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/20 13 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10384.720260/200776 Acórdão n.º 2801003.154 S2TE01 Fl. 161 3 III solicita seja concedido novo prazo para apresentar a documentação solicitada e o Laudo Agronômico. A impugnação foi julgada Improcedente, conforme Acórdão de fls.( 93/111 ), que restou assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR Exercício: 2005 MATÉRIA NÃO CONTESTADA VALOR TOTAL DO IMÓVEL VALOR DA TERRA NUA Reputase não impugnada a matéria quando verificada a ausência de nexo entre a defesa apresentada e o fato gerador do lançamento apontado na peça fiscal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de 1a instância em 15.01.2010 (fl. 92), o interessado, representado por seu inventariante, apresentou recurso em 12.02.2010 ( fls.93/111 ), acompanhado de Laudo Complementar às ( fls.112/156 ). Em sua defesa, argumentou, em síntese o seguinte: Cabimento da Apresentação de Laudo Técnico Complementar com fulcro no § 40 do art. 16 do Dec.70235172, art. 5o da Constituição Federal como também o inciso III, do art. 3o da Lei 9.784/99. Apreciação da Prova Material e principio da instrumentalidade na fase recursal processualista com fundamento no Processo Administrativo Fiscal. Argüiu em Preliminar a Nulidade do Lançamento fiscal. Citou a Norma Brasileira ABNT NBR 14.6533, editada em 31/05/2004, somente foi dotada de eficácia jurídica a partir de 30/06/2004, consoante nela expresso, não podendo servir de referência ou mesmo atingir o ITR concernente ao ano calendário de 2002, exercício de 2003, retroativamente, haja vista a observância ao princípio da irretroatividade tributária prevista no art. 150, 111, 'a', CF/88, eis que o fato gerador do ITR ocorreu anteriormente à edição da norma em questão. Como visto, encontrase registrado na norma da ABNT NBR 14.65331/2004, que a elaboração de laudo técnico de constatação para fins tributários deve ser enquadrada, no mínimo, no grau 1 de fundamentação, bem assim que a obrigatoriedade das informações exigidas encontramse no grau II de fundamentação e, não no grau I, consoante pretendeu Fl. 170DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/20 13 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10384.720260/200776 Acórdão n.º 2801003.154 S2TE01 Fl. 162 4 condicionar a eficácia do laudo técnico de avaliação. Este é mais um erro a consubstanciar o enquadramento legal constante da fundamentação da notificação de lançamento. Por entender ser no mínimo incompatível os motivos aduzidos pelas autoridades administrativas tanto na construção da notificação de lançamento quanto no acórdão recorrido, para infirmar os argumentos técnico expendidos no laudo de avaliação nos exercícios de 2003, 2004 e 2005, respectivamente; considerandose os imbróglios demonstrados, a título de preliminar, é que se requer dessa Colenda Corte a NULIDADE da Notificação de Lançamento e da decisão de primeira instância, inclusive, por erro de imperfeição formal. No mérito Afirmou o voto condutor do acórdão recorrido que o auto de infração lavrado teve por objeto a alteração do Valor da Terra Nua declarado, posteriormente substituído por outro fixado pela SRFB para o exercício de 2003, conforme previsto no art. 14, caput, da Lei 9.393196, segundo os dados contidos no SIPT, na forma prevista na lei.. O valor base do VTN originariamente encontrado no laudo de avaliação além de representar o valor médio de preço de mercado (R$ 30,00), ainda reflete o valor contido na avaliação dos bens imóveis inventariados pela Fazenda Pública Estadual (60162), donde consta expressamente que de acordo com "lastro em fundamentada pesquisa de mercado e em parâmetros imobiliários de Pede seja acatado os valores médios encontrados no primeiro laudo, de R$ 30,00/ha., no laudo complementar de R$ 33,23/ha., na avaliação de bens imóveis pela Fazenda Pública Estadual de R$ 30,20, guardam coerência entre si, sendo todos esses valores inferiores àquele proposto pelo Recorrente por ocasião da impugnação de R$ 54,46/ha. Por derradeiro requer: a) Declarar, em caráter preliminar, a NULIDADE da Notificação de Lançamento, posto que instruída com base em Norma Técnica da ABTN NBR n° 14.653312004, ainda não vigente à época da ocorrência do fato gerador do ITR/2005, portanto por afronta ao princípio constitucional da irretroatividade; b) Não sendo este o entendimento profligado por esse d Juízo, requer, no mérito, a reforma da decisão de primeira instância, prolatada pelo Acórdão n° 1128.610, de 23/11/2109; c) Protesta provar o alegado por todos os meios admitidos em direito, especialmente por meio documental. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/20 13 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10384.720260/200776 Acórdão n.º 2801003.154 S2TE01 Fl. 163 5 Ao final requer o provimento do recurso interposto para que seja declarado o Valor da Terra Nua — VTN, conforme levantado no Laudo Técnico de Avaliação apresentado. É o relatório. Voto Conselheiro José Valdemir da Silva Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Deixo de apreciar a presente nulidade suscitada, nos termos do art. 59, § 3o, da Lei 8748/1993, por si vislumbrar, no mérito, decisão favorável ao recorrente. O Laudo Complementar apresentado com a peças recursal não é apto a comprovar o VTN, mormente considerando que os elementos amostrais referemse a exercícios diversos do autuado. Cuida o presente lançamento de alteração do Valor da Terra Nua declarado pelo contribuinte por valor apurado com base no Sistema de Preços de Terra – SIPT, uma vez que não foi aceito o Laudo de Avaliação apresentado pela contribuinte por não atender aos requisitos da NBR. Inicialmente, é importante trazer à colação o disposto na Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, art. 14, § 1º, in verbis: Lei nº 9.393/96 Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Por sua vez, à época da edição da Lei nº 9.393, de 1996, a Lei nº 8.629, de 1993, art. 12, §1º, inciso II estabelecia: Lei nº 8.629/93 Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/20 13 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10384.720260/200776 Acórdão n.º 2801003.154 S2TE01 Fl. 164 6 § 1º A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacidade potencial da terra; c) dimensão do imóvel. § 2º Os dados referentes ao preço das benfeitorias e do hectare da terra nua a serem indenizados serão levantados junto às Prefeituras Municipais, órgãos estaduais encarregados de avaliação imobiliária, quando houver, Tabelionatos e Cartórios de Registro de Imóveis, e através de pesquisa de mercado. Registrese que a partir de 2001, a redação do art. 12 da Lei nº 8.629 passou a ser a seguinte: Lei nº 8.629/93 Art.12.Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: (Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) Ilocalização do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) IIaptidão agrícola; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) IIIdimensão do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) IVárea ocupada e ancianidade das posses; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) Vfuncionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) §1oVerificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, procederseá à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendose o preço da terra a ser indenizado em TDA. (Redação dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) §2oIntegram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de Fl. 173DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/20 13 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10384.720260/200776 Acórdão n.º 2801003.154 S2TE01 Fl. 165 7 mercado do imóvel. (Redação dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) §3oO Laudo de Avaliação será subscrito por Engenheiro Agrônomo com registro de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, respondendo o subscritor, civil, penal e administrativamente, pela super avaliação comprovada ou fraude na identificação das informações. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001 Ante à legislação supramencionada, depreendese que, nos casos de subavaliação do VTN, o lançamento de ofício deve considerar as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Convém destacar que o art. 8o , parágrafo 2o, da Lei n. 9.393/96, estabelece que o Valor da Terra Nua – VTN deve refletir necessariamente o preço de mercado do imóvel, apurado no 1o de janeiro do ano que se referir o DIAT. Ocorre que, no presente caso, o VTN extraído do SIPT para o exercício em análise e o município de localização do imóvel não decorre de levantamentos efetuados pelas Secretarias de Agriculturas. Limitase ao VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas, haja vista a consulta a tela SIPT ( fl.42 ). Assim, tal valor não permite a generalização no tocante ao critério da capacidade potencial da terra, não sendo apto a justificar o arbitramento, portanto inadmissível o VTN por aptidão agrícola. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso para restabelecer o VTN declarado. Assinado digitalmente José Valdemir da Silva Fl. 174DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/20 13 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA
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Numero do processo: 13984.720242/2009-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR. NOTIFICAÇÃO DO CONTRIBUINTE - ENVIO PELO CORREIO COM AR. RECEBIMENTO POR PESSOA IDENTIFICADA. REGULARIDADE.
O fato da carta de intimação (AR) ter sido recebida por pessoa diversa e não diretamente pelo contribuinte, não invalida o ato, bastando que a carta tenha sido entregue no endereço informado pelo próprio contribuinte, com a devida assinatura do responsável pelo recebimento da correspondência.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.
Prevalece a Declaração de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - DITR elaborada pelo próprio contribuinte, a qual não foi retificada. Portanto, é de ser desconsiderado o laudo técnico acostado posteriormente.
ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO.
Faz-se necessário que sejam declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual.
ÁREA DE RESERVA LEGAL.
É exigência legal que esteja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no Cartório de registro competente, a fim de lhe dar publicidade.
ÁREA DE SERVIDÃO FLORESTAL.
É indispensável que seja averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, em relação a qual o proprietário voluntariamente renuncia, em caráter permanente ou temporário, a direitos de supressão ou exploração da vegetação nativa
VALOR DA TERRA NUA. RATIFICAÇÃO DO VALOR ATRIBUÍDO NO TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL. CABIMENTO.
O laudo técnico elaborado por profissional habilitado que optou por adotar o valor da terra nua atribuído pelo Fisco no Termo de Intimação Fiscal, prevalece sobre a DITR, tendo em vista que foi acostado pelo próprio contribuinte.
Recurso Negado
Numero da decisão: 2102-002.757
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Eivanice Canário da Silva, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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NOTIFICAÇÃO DO CONTRIBUINTE ENVIO PELO CORREIO COM AR. RECEBIMENTO POR PESSOA IDENTIFICADA. REGULARIDADE. O fato da carta de intimação (AR) ter sido recebida por pessoa diversa e não diretamente pelo contribuinte, não invalida o ato, bastando que a carta tenha sido entregue no endereço informado pelo próprio contribuinte, com a devida assinatura do responsável pelo recebimento da correspondência. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Prevalece a Declaração de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural DITR elaborada pelo próprio contribuinte, a qual não foi retificada. Portanto, é de ser desconsiderado o laudo técnico acostado posteriormente. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. Fazse necessário que sejam declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual. ÁREA DE RESERVA LEGAL. É exigência legal que esteja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no Cartório de registro competente, a fim de lhe dar publicidade. ÁREA DE SERVIDÃO FLORESTAL. É indispensável que seja averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, em relação a qual o proprietário voluntariamente renuncia, em caráter permanente ou temporário, a direitos de supressão ou exploração da vegetação nativa VALOR DA TERRA NUA. RATIFICAÇÃO DO VALOR ATRIBUÍDO NO TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL. CABIMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 72 02 42 /2 00 9- 85 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 O laudo técnico elaborado por profissional habilitado que optou por adotar o valor da terra nua atribuído pelo Fisco no Termo de Intimação Fiscal, prevalece sobre a DITR, tendo em vista que foi acostado pelo próprio contribuinte. Recurso Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Jose Raimundo Tosta Santos Presidente (Assinado digitalmente) Alice Grecchi – Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Eivanice Canário da Silva, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório DO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FISCAL Tratase de processo de autuação contra o contribuinte acima qualificado, para cobrança de Imposto sobre a Propriedade Rural – ITR, exercício 2004, no qual, o interessado foi intimado do início do procedimento fiscal, através do Termo de intimação Fiscal n° 09205/00017/2009 (fls. 10/12), em 05/10/2009 (fl. 13), para comprovação dos dados informados na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR, e para juntar a matrícula atualizada do registro imobiliário ou, em caso de posse, documento que comprove a posse e a inexistência de registro de imóvel rural, bem como, juntar documentos referentes à declaração do ITR dos exercícios 2004, 2005, 2006 e 2007. Contra o interessado supra foi lavrada a Notificação de Lançamento e respectivos demonstrativos de fls. 01/05, por meio do qual fora exigido o pagamento do ITR do Exercício 2004, acrescido de juros moratórios e multa de ofício, totalizando o crédito tributário de R$ 12.571,67, relativo ao imóvel rural denominado Fazenda Santana, com área de 1.007,0 ha., NIRF 0.969.3858, localizado no município de Lages/SC. Constou da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal a citação da fundamentação legal que amparou o lançamento e as seguintes informações, em suma: que, após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou o Valor da Terra Nua declarado por Fl. 103DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13984.720242/200985 Acórdão n.º 2102002.757 S2C1T2 Fl. 103 3 meio de Laudo de Avaliação do Imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, razão pela qual o VTN foi alterado com base em informações do Sistema de Preços de Terra SIPT; que, em atendimento à intimação fiscal, o contribuinte apresentou laudo de avaliação no qual constou opção por adotar o VTN indicado no Termo de Intimação Fiscal, sob a justificativa de que a escolha do valor se deu por orientação da Auditora Fiscal, sendo que essa nega ter dado tal orientação, por caber ao contribuinte justificar o VTN utilizado na DITR apresentada; que, quanto às informações fornecidas no Resultado da Avaliação, não cabe isenção de áreas não pleiteadas anteriormente pelo contribuinte, posto que, ainda que fosse cabível, para comprovar as áreas de preservação permanente, interesse ecológico e servidão florestal deveria ser apresentado, entre outros documentos, o ADA protocolizado no prazo legal junto ao Ibama; e que, conforme documentação apresentada, foi considerado o valor de R$ 1.800/ha., extraído do SIPT, e alterada a área total do imóvel para 1.007,0 ha. Instruíram o lançamento os documentos de fls. 06/51. No presente processo os valores declarados e as retificações de ofício da declaração do ITR de 2004 constam em fls 04. Em fls. 20/49, o contribuinte acostou um LAUDO COMPLETO DE AVALIAÇÃO DO VALOR DA TERRA NUA, no qual para o ano de 2004, especificamente em fls. 39 traz o VTN idêntico ao apurado pelo Fisco. Os valores declarados, retificados de ofício e constantes do laudo apresentam o seguinte histórico: ITR 2004 Declarado, fl. 08 Retificação de ofício Laudo, fl. 39 01 Área Total do Imóvel 1.013,0 ha 1.007,0 ha 1.007,017 ha 02 Área de Preservação Permanente 13,0 ha 13,0 ha 56,42 ha 03 – Área de Reserva Legal 0,0 ha 0,0 ha 0,0 ha Área de int. Eco. e de Ser. Florestal 0,0 ha 0,0 ha 201,40 ha 04 – Área Tributável 1.000,0 ha 994,0 ha 749,20 ha 05– Área Ocupada com Benfeitorias 10,0 ha 10,0 ha 10,21 ha 06 – Área Aproveitável 990,0 ha 984,0 ha 738,99 ha Valor da Terra Nua R$ 64.000,00 R$ 1.812.600,00 R$ 1.812.630,60 16 Valor da Terra Nua Tributável R$ 63.174,40 R$1.789.036,20 R$ 370.857,37 As divergências entre o laudo e a retificação de ofício estão centralizadas na descrição das áreas, no entanto as áreas declaradas pelo contribuinte e retificadas pelo Fisco, beneficiam aquele. DA IMPUGNAÇÃO Inconformado com o lançamento lavrado pelo fisco, o contribuinte interpôs impugnação em 12/01/2010 (fls. 55/57), acompanhada dos documentos de fls. 59 e seguintes. Em síntese, sustentou que o levantamento topográfico georreferenciado efetuado no imóvel a partir de 2007 confirma que 60% do terreno está ocupado com áreas de preservação permanente e adensamento de vegetação nativa, mantidos há mais de 20 anos, o que demonstra que antes do Exercício de 2004, a propriedade já possuía esses recursos naturais preservados, até porque eles não se formam em poucos anos; e, por haver uma defasagem do exercício de 2004 para a data de início do levantamento topográfico em 2007 as informações disponibilizadas à SRF não estavam atualizadas. Alegou que não apresentou o ADA por falta de informação sobre o assunto, diante de pouca divulgação no meio rural, e em maio/2006, recebeu Notificação do IBAMA que não continha em sua descrição solicitação desse documento, porém, visando regularizar a Fl. 104DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 situação perante esse órgão, encaminhou para protocolo os ADAs referentes aos anos de 2002 à 2006; Referiu as seguintes razões para a anulação do lançamento: a garantia de que no Exercício de 2004 a propriedade possuía as Áreas de Preservação Permanente e Adensamentos de Vegetação Nativa muito semelhantes à condição atual, conforme laudo de avaliação do VTN e mapa georreferenciado, bem como que o imóvel, com mais de 60% de sua área coberta de mata nativa e situado próximo do município de Lages/SC, presta vários serviços ambientais para a continuidade da sobrevivência humana com qualidade de vida, quais sejam, produção de água, manutenção de biodiversidade e captura de gás carbônico. Requereu que fosse declarada a anulação total do lançamento, sob o fundamento que no exercício de 2004 a propriedade rural em questão apresentavase com a ocupação e uso do solo referente às Áreas de Preservação Permanente APP e Adensamentos de Vegetação Nativa muito semelhante a condição atual, confirmada, segundo o Recorrente, pela apresentação do mapa georreferenciado e A.R.T. (2007). DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A Turma de primeira instância ao examinar a impugnação do contribuinte proferiu a seguinte decisão (excertos), fls. 68/73: [...] O contribuinte não discordou expressamente da alteração do VTN do imóvel feita no lançamento de ofício, tendo apenas apresentado argumentos visando demonstrar que mais de 60% de seu imóvel se refere a áreas de preservação permanente e vegetação nativa e que não apresentou o ADA por falta de informação sobre o assunto, fatos que justificariam a anulação do lançamento. [...] Na DITR/2004 processada foi declarada como área isenta apenas a de preservação permanente de 13,0 ha. No Laudo de Avaliação citado constou informação sobre existência no imóvel nos anosbase 2004, 2005 e 2006 de Área de Preservação Permanente de 56,42 ha. e Área de Interesse Ecológico e Servidão Florestal de 201,40 ha., sendo que essa foi informada como de reserva legal para o anobase 2007. No documento de fls. 61, intitulado Ato Declaratório Ambiental 2004, protocolado junto ao Ibama em 08/01/2010, constou informação sobre existência no imóvel de APP de 43,62 ha. e Área de Reserva Legal de 201,00 ha. No Mapa de fls. 64, elaborado em setembro/2006, constou informação sobre existência no imóvel de APP de 43,13 ha. e não constou informação sobre área de reserva legal. [...] Não é impossível que no cumprimento de sua obrigação legal o contribuinte venha a equivocarse e fornecer dados que não condizem com a realidade de seu imóvel, porém, nessa situação, cabe a ele apresentar comprovação dos erros cometidos em sua declaração, visando a retificação dos dados considerados no lançamento. A autoridade julgadora pode autorizar a alteração de dados declarados quando restar comprovado o erro no preenchimento da declaração e a alteração pretendida não Fl. 105DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13984.720242/200985 Acórdão n.º 2102002.757 S2C1T2 Fl. 104 5 resultar em agravamento da exigência inicial, mesmo que o dado que se pretenda corrigir não tenha sido objeto de alteração no procedimento de ofício. [...] Ressalto, ainda, que o imóvel foi tributado pela alíquota mínima, posto que foram aceitos todos os dados declarados na DITR/2004 quanto à distribuição das áreas do imóvel. Por todo o exposto, voto no sentido de julgar improcedente a impugnação apresentada, mantendo o crédito tributado exigido. DAS RAZÕES RECURSAIS O contribuinte foi cientificado do Acórdão n° 0425.904 da 1ª Turma da DRJ/CGE em 26/10/2011 (fl. 76). Sobreveio Recurso Voluntário em 21/11/2011 (fls. 91/100), que, em síntese, reprisou as alegações da impugnação. No mérito, acrescentou que não poderia ser alterado o valor do imposto devido, porque o percentual de exclusão para efeito da apuração do valor tributável, em nada foi alterado, em razão do imóvel ter aproveitamento total, e o que não está ocupado com florestamento, está ocupado com mata nativa. Referiu que a inexistência do ADA anteriormente à fiscalização, não tem o condão de justificar o procedimento fiscalizatório, isso porque, segundo o Recorrente, o referido documento é objeto da competência das leis ambientais, e o ITR é de competência das leis tributárias, com finalidades distintas e exclusivas. Ratificou que o imóvel objeto do lançamento tem 60% de cobertura florestal nativa, secular, e que o Recorrente faz questão de preservar, sendo que onde não tem mata nativa ou florestamento destinado à exploração de madeira, há pequenas partes do solo formadas por banhados, lagoas, sangas grotas, morros de pedra, que de alguma forma beneficiam a preservação da fauna e das fontes naturais de água. Colacionou jurisprudências no sentido que não há lei que obrigue o contribuinte a apresentar o ADA e Registro em Cartório das reservas referentes à preservação do meio ambiente para fins tributários. Insurgiuse acerca da apresentação de fichas de vacinas e notas fiscais de aquisição de vacinas para comprovação de áreas ocupadas por pastagens, sob a alegação que o Estado de Santa Catarina, está há anos livre da febre aftosa sem vacinação, bem como que outras vacinas necessárias à preservação da saúde dos animais não tem exigência legal, sendo que o Recorrente adquireas quando necessário. Sustentou por fim, nulidade da intimação, em razão do contribuinte ser absolutamente incapaz e representado por curador, bem como sustentou que foi juntado o mandado de averbação do termo de curado por ocasião dos esclarecimentos da fl. 50, e alegou erro na apuração do imposto devido, em decorrência da isenção tributária das áreas de preservação permanente e reserva legal. Requereu a anulação da intimação, com a consequente anulação do lançamento. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado possui todos os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. Em que pese o Recorrente tenha sustentado nulidade da intimação como alegação de mérito, passo à analisála como preliminar. O fato da carta de intimação (AR) ter sido recebida por pessoa diversa e não diretamente pelo contribuinte, não invalida o ato, bastando que a carta tenha sido entregue no endereço informado pelo próprio contribuinte, com a devida assinatura do responsável pelo recebimento da correspondência, por analogia ao art. 8º, II , Lei 6.830/80. Ainda, verificase que não ocorreu cerceamento de defesa, pois os esclarecimentos ao termo de intimação fiscal (fl. 50), bem como a impugnação (fl. 55/57) e o recurso voluntário (fls. 91/100), foram apresentados tempestivamente por pessoa legítima, qual seja, o contribuinte, devidamente assistido por seu curador, Marco Antonio Arruda. Ademais, o Código Tributário Nacional, dispõe em seu art. 126, que a capacidade passiva tributária independe da capacidade civil das pessoas naturais, assim, não padece de qualquer vício a intimação, tampouco o lançamento realizado pela autoridade fiscal. No mérito, o presente recurso se cinge à controvérsia dos requisitos para a exclusão de Áreas de Preservação Permanente, Reserva Legal, Interesse Ecológico e Servidão Florestal, da base de cálculo do ITR. A fim de um melhor entendimento da matéria, se faz necessária a transcrição do art. 10, III, da Lei 9.393/97, que define a base de cálculo do ITR, qual seja o Valor da Terra Nua e Valor da Terra Nua não Tributável: Art. 10 [...] III VTNt, o valor da terra nua tributável, obtido pela multiplicação do VTN pelo quociente entre a área tributável e a área total; O valor da Terra Nua, por sua vez, também é definido no mesmo artigo: 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; Fl. 107DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13984.720242/200985 Acórdão n.º 2102002.757 S2C1T2 Fl. 105 7 d) florestas plantadas; A área tributável segue a mesma disciplina e encontrase definida no mesmo diploma legal: II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei 4771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei 7803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão ambiental; (Redação dada pela Lei 12651, de 2012). e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração;(Incluído pela Lei 11428, de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei 11727, de 2008) O Valor da Terra Nua deve ser combinado com o grau de utilização para a apuração da alíquota aplicável, na tabela progressiva. No caso em questão, existem algumas discussões: a) exigência de ADA; e b) não incidência de ITR sobre determinadas áreas (Áreas de Preservação Permanente, Reserva Legal, Interesse Ecológico e Servidão Florestal). A partir da alteração promovida pela Lei nº 10.165/00, a entrega do ADA tem sido exigida como requisito à redução de imposto a pagar. Para que se compreenda adequadamente a alteração normativa e seu reflexo sistemático dentro do ordenamento, é preciso que se observe que o ADA é um ato unilateral elaborado pelo contribuinte, que não tem condão de constituir juridicamente as situações nele descritas. Em outros termos, a mera inserção de área de preservação permanente no respectivo campo possui evidente eficácia declaratória da sua existência, que poderá ser confrontada com a descrição contida em laudo técnico – documento elaborado por terceiro que corroborará a situação inserida no ADA. Contudo, em que pese esta relatora entenda que o ADA não é exigência necessária para a constituição da Área de Preservação Permanente, prevalece a Declaração de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR, exercício 2004 (fls. 06/09), na qual o contribuinte declarou 13,00/ha de Área de Preservação Permanente, sem que tenha retificado a sua declaração posteriormente. Portanto, o laudo técnico elaborado em 2009 (fls. 20/42) retroativo aos anosbase 2004 à 2007, no qual constam 56,42 ha, divergindo inclusive do ADA, Fl. 108DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 8 protocolado em 08/01/2010, referente ao ano de 2004, que consta uma A.P.P. de 43,62689 ha. Assim, visto as informações desencontradas, não podem prevalecer sobre a declaração do próprio contribuinte, que constou área expressivamente inferior de A.P.P, ou seja, de 13 ha aceita pelo Fisco. Constatase ainda, que o ADA consiste em dados e informações diversas da DITR/2004, e inclusive, demonstra Área de Reserva Legal, que anteriormente não foi declarada por aquele, compreendida em 201/ha. No entanto, o que se vislumbra, é que a área apontada como de Reserva Legal no ADA, está expressa em Áreas de Interesse Ecológico e Servidão Florestal, conforme se depreende do laudo técnico (fl. 20 a 42). Ainda que houvesse Área Reserva Legal, conforme descrito no ADA, que repiso, é um ato unilateral, este não persistiria, tendo em vista que não foi declarada na DITR/2004, tampouco constou expressamente no laudo técnico, não cabendo isenção de áreas não pleiteadas anteriormente pelo contribuinte. Ademais, é exigência legal que a Área de Reserva Legal esteja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no Cartório de registro competente, a fim de dar publicidade à área aproveitável do imóvel. A averbação no registro de imóveis não se trata tão somente de matéria de prova acerca da configuração da área de reserva legal ou, ainda, de obrigação acessória a ser cumprida pelo contribuinte, pelo contrário, tratase de ato constitutivo da própria área de reserva legal, documento que cria um registro público da sua existência e faz surgir uma obrigação real de preservação. Outrossim, em julgamento recente (EREsp 1027051 – 26/08/2013), a 1ª Seção do STJ, pacificou o entendimento das turmas de direito público, no sentido que a isenção do Imposto Territorial Rural – ITR, vale tão somente para as Áreas de Reserva Legal registradas na matrícula do imóvel, sob o fundamento que a União e os Municípios possam fiscalizar os contribuintes que declaram ter áreas de reserva legal dentro da propriedade para aproveitamento do benefício fiscal. Quanto às Áreas de Interesse Ecológico, fazse necessário que sejam declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, que sejam: I – destinadas à proteção dos ecossistemas, que ampliem as restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e de reserva legal; e II – comprovadamente imprestáveis para a atividade rural. Para efeito de exclusão do ITR, apenas será aceita como área de interesse ecológico a área declarada em caráter específico para determinada área da propriedade particular. Não sendo aceita a área declarada em caráter geral. Portanto, se o imóvel rural estiver dentro de área declarada em caráter geral como de interesse ecológico, é necessário também o reconhecimento específico de órgão competente federal ou estadual para a área da propriedade particular. (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º , II, “b” e “c”; RITR/2002, art. 15; IN SRF nº 256, de 2002, art. 14). No que tange às Áreas de Servidão Florestal, é indispensável que sejam averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, nas quais o proprietário voluntariamente renuncia, em caráter permanente ou temporário, a direitos de supressão ou exploração da vegetação nativa, localizadas fora das áreas de reserva legal e de preservação permanente. (Lei nº 4.771, de 1965, art. 44A, acrescentado pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001, art. 2º; RITR/2002, art. 14; IN SRF nº 256, de 2002, art. 13). A par das considerações acima expostas, verificamse exigências específicas para as Áreas de Reserva Legal, Interesse Ecológico e Servidão Florestal, as quais não foram devidamente cumpridas pelo contribuinte. Portanto, não podem prevalecer para efeitos de Fl. 109DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13984.720242/200985 Acórdão n.º 2102002.757 S2C1T2 Fl. 106 9 isenção do Imposto Territorial Rural àquelas áreas, inclusive porque não foram declaradas pelo contribuinte na DITR, exercício 2004, e tampouco retificadas posteriormente. Passo a analisar o arbitramento do Valor da Terra Nua – VTN, da propriedade do contribuinte. Verificase que o laudo técnico elaborado por profissional habilitado, optou por adotar o VTN de R$ 1.800,00 (fl. 35 e/ou 39), informado no Termo de Intimação Fiscal (fl. 11), e utilizado na Notificação de Lançamento de fl. 01/03. Assim, considerando que o laudo técnico ratificou o valor arbitrado pela autoridade fiscal, com base nas informações do Sistema de Preços de Terra – SIPT da RFB, deixo de considerar o valor declarado pelo contribuinte na DITR/2004, que consta o valor de R$ 63,17 (fl. 08), tendo em vista que o laudo foi acostado pelo próprio contribuinte. Ante o exposto, rejeito a preliminar e no mérito NEGO PROVIMENTO ao recurso. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 110DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10980.003750/2007-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
ANISTIADO POLÍTICO. RENDIMENTOS DECORRENTES DA LEI Nº 11.255, DE 1995, DO ESTADO DO PARANÁ.
Os rendimentos recebidos em decorrência do disposto na Lei nº 11.255, de 1995, do Estado do Paraná, constitui rendimento tributável, posto que tais valores não estão albergados pela isenção concedida pelo art. 9º, parágrafo único, da Lei nº Lei nº 10.559, de 2002.
Embargos Acolhidos e Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-002.725
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos inominados e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 21/10/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Eivanice Canário da Silva, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
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RENDIMENTOS DECORRENTES DA LEI Nº 11.255, DE 1995, DO ESTADO DO PARANÁ. Os rendimentos recebidos em decorrência do disposto na Lei nº 11.255, de 1995, do Estado do Paraná, constitui rendimento tributável, posto que tais valores não estão albergados pela isenção concedida pelo art. 9º, parágrafo único, da Lei nº Lei nº 10.559, de 2002. Embargos Acolhidos e Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos inominados e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 21/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Eivanice Canário da Silva, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 37 50 /2 00 7- 85 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.003750/200785 Acórdão n.º 2102002.725 S2C1T2 Fl. 92 2 Relatório Contra CLAIR DA FLORA MARTINS foi lavrado Auto de Infração, fls. 17/21, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2005, exercício 2006, no valor total de R$ 21.263,69, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 30/03/2007. As infrações apuradas pela autoridade fiscal foram: (i) omissão de rendimentos de aluguel recebido de Vivo S/A, no valor de R$ 11.337,88 e (ii) omissão de rendimentos recebidos a título de ação por danos morais, do Governo do Estado do Paraná, em abril de 2005, no valor de R$ 30.000,00. Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, fls. 26, onde reconhece a omissão de rendimentos de aluguéis e afirma que a indenização de R$ 30.000,00, é rendimento isento e não tributável, posto que recebido a título de anistia segundo a Lei n 11.225, de 1995, e no Decreto n 4.502, de 2005, do Estado do Paraná. A autoridade julgadora de primeira instância julgou procedente o lançamento, considerando não impugnada a infração de omissão de rendimentos de aluguéis, conforme Acórdão DRJ/CTA n 0623.526, de 25/08/2009, fls. 53/55. Cientificada da decisão de primeira instância, por via postal, em 28/09/2009, Aviso de Recebimento (AR), fls. 59, a contribuinte apresentou, em 29/10/2009, recurso voluntário, fls. 60/62, no qual insiste na tese de que os rendimentos, recebidos em decorrência de ação por danos morais, são isentos e não tributáveis. Em sessão plenária realizada em 13/05/2011 esta Turma não conheceu do recurso por perempto, conforme Acórdão nº 210201.314, fls. 64/66, da qual a contribuinte foi cientificada em 06/09/2011, conforme AR, fls. 70. Em 20/09/2011, a contribuinte apresentou recurso especial, fls 73/74, onde afirma que o recurso voluntário foi tempestivo, dado que apresentado em 28/10/2009 e não em 29/10/2009, conforme consignado no Acórdão nº 210201.314, de 13/05/2011. Ato contínuo, houve por parte desta Turma a apresentação de embargos, fls. 89/90, onde foi reconhecido erro na contagem do prazo para a apresentação do recurso e, nesta conformidade, os autos foram encaminhados para esta relatora com o objetivo de apreciação dos embargos interpostos. É o Relatório. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.003750/200785 Acórdão n.º 2102002.725 S2C1T2 Fl. 93 3 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora De imediato, cumpre dizer que devese acolher os embargos inominados, nos termos do disposto no art. 66 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 junho de 2009, a seguir transcrito: Art. 66. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão serão retificados pelo presidente de turma, mediante requerimento de conselheiro da turma, do Procurador da Fazenda Nacional, do titular da unidade da administração tributária encarregada da execução do acórdão ou do recorrente. § 1° Será rejeitado de plano, por despacho irrecorrível do presidente, o requerimento que não demonstrar com precisão a inexatidão ou o erro. § 2° Caso o presidente entenda necessário, preliminarmente, será ouvido o conselheiro relator, ou outro designado, na impossibilidade daquele, que poderá propor que a matéria seja submetida à deliberação da turma. § 3° Do despacho que indeferir requerimento previsto no caput, darseá ciência ao requerente Nessa conformidade, passase a análise da tempestividade do recurso voluntário. A contribuinte foi cientificada da decisão de primeira instância, por via postal, em 28/09/2009, Aviso de Recebimento (AR), fls. 59, e apresentou o recurso voluntário em 28/10/2009, fls. 61. Temse, portanto, que o recurso voluntário é tempestivo, de modo que deve ser conhecido. Cuidase de omissão de rendimentos recebidos do Governo do Estado do Paraná, no valor de R$ 30.000,00, que a contribuinte afirma serem isentos em decorrência do disposto no art. 9º, parágrafo único, Lei nº 10.559, de 13 de novembro de 2002. O § 6º do art. 150 da Constituição Federal de 1988, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 17 de março de 1993, assim dispõe: § 6º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativas a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no artigo 155, § 2º, XII, g. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.003750/200785 Acórdão n.º 2102002.725 S2C1T2 Fl. 94 4 Por sua vez, o Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966) ao tratar das isenções, assim determina: Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Portanto, verificase, de pronto, que isenção é sempre decorrente de lei específica, sendo certo que os rendimentos recebidos por anistiados políticos têm o mesmo tratamento tributário dos demais rendimentos, ou seja, submetemse às regras da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com as alterações posteriores. Com o advento da Lei nº 10.559, de 2002, que regulamenta o art. 8º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT, estabelecendo o Regime do Anistiado Político, foi garantido ao anistiado político, entre outros direitos, o da reparação econômica, de caráter indenizatório, em prestação única ou em prestação mensal, permanente e continuada (art. 1º, II), bem assim, dispôs que os valores pagos a título de indenização são isentos do imposto de renda (art. 9º, parágrafo único). Ocorre que o Regime do Anistiado Político, previsto na Lei nº 10.559, de 2002, somente compreende a reparação econômica, de caráter indenizatório, em prestação única ou em prestação mensal, permanente e continuada, asseguradas a readmissão ou a promoção na inatividade, nas condições estabelecidas no caput e nos §§ 1oe 5odo art. 8odo Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. Ou seja, o Regime do Anistiado Político somente aplicase aos servidores públicos civis e aos empregados em todos os níveis de governo ou em suas fundações, empresas públicas ou empresas mistas sob controle estatal, exceto nos Ministérios militares. No presente caso, a indenização recebida pela contribuinte decorre da Lei nº 11.255, de 1995, do Estado do Paraná, sendo certo que tal dispositivo legal, autoriza o pagamento de indenização às pessoas detidas sob a acusação de terem participado de atividades políticas e que comprovadamente tenham sofrido sevícias que deixaram comprometimento físico ou psicológicos. Vêse, portanto, que a lei estadual é mais ampla que o Regime do Anistiado Político, não se restringindo apenas aos servidores públicos civis e aos empregados em todos os níveis de governo ou fundações. Logo, os valores recebidos em decorrência da Lei nº 11.255, de 1995, do Estado do Paraná, não estão albergados pela isenção concedida pelo art. 9º, parágrafo único, da Lei nº 10.559, de 2002. Nestes termos, há de se concluir que os rendimentos recebidos pela contribuinte em decorrência do disposto na Lei nº 11.255, de 1995, do Estado do Paraná, constitui rendimento tributável, por inexistir dispositivo legal concedendo a isenção. Ante o exposto, voto por acolher os embargos de declaração inominados e NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 94DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.003750/200785 Acórdão n.º 2102002.725 S2C1T2 Fl. 95 5 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 13808.000862/2002-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1996
RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. DIFERENÇAS APURADAS. REGIME DE COMPETÊNCIA. RENDIMENTOS DE ANO ANTERIOR. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Mantém-se o lançamento relativo a omissão de receitas financeiras, apuradas com base nos Informativos de Rendimentos Anuais/DIRFs se a recorrente não comprova que os valores que deixaram de ser reconhecidos contabilmente no ano-calendário sob exame foram tributados no ano-calendário anterior pelo regime de competência.
Numero da decisão: 1302-001.260
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Relator.
- Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1996 RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. DIFERENÇAS APURADAS. REGIME DE COMPETÊNCIA. RENDIMENTOS DE ANO ANTERIOR. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Mantémse o lançamento relativo a omissão de receitas financeiras, apuradas com base nos Informativos de Rendimentos Anuais/DIRF’s se a recorrente não comprova que os valores que deixaram de ser reconhecidos contabilmente no anocalendário sob exame foram tributados no ano calendário anterior pelo regime de competência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Relator. Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 08 62 /2 00 2- 69 Fl. 449DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 13808.000862/200269 Acórdão n.º 1302001.260 S1C3T2 Fl. 450 2 Relatório ALMAP/BBDO COMUNICAÇÕES LTDA, já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 1612.977, de 05 de abril de 2007, da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. A recorrente foi cientificada do auto de infração relativo ao IRPJ e CSLL, no valor de R$ 212.538,50. A autuação se refere a diferenças apuradas em procedimento interno de revisão de declaração (malha fiscal), relativas a receitas de aplicações financeiras do ano calendário 1996 que não teriam sido integralmente oferecidas à tributação. As diferenças lançadas tomaram por base os valores contabilizados pela interessada e informado em sua DIPJ e os valores informados em DIRF pelas fontes pagadoras. Irresignada, impugnou tempestivamente o lançamento, instaurando a fase litigiosa do presente processo administrativo fiscal. Suas alegações foram sintetizadas no acórdão recorrido, nos seguintes termos: 03. O contribuinte foi cientificado dos teores dos mencionados Autos de Infração em 19/04/2002 e, com os mesmos não se conformando, em 17/05/2002, através de seus representantes legais (fls. 77), impugnouos, apresentando duas peças de semelhantes teores (fls. 69/124 e 125/180), alegando, em síntese, que: 03.01. o procedimento fiscal apurou suposta omissão de receitas financeiras, num total de R$ 310.572,41, em razão de divergências entre os valores informados pela Impugnante e aqueles prestados em DIRFs pelas instituições financeiras com as quais opera; 03.02. todavia, o lançamento baseouse, exclusivamente, nos conteúdos das DIRFs, não tendo, o autuante, se preocupado em examinar os informativos mensais de IRRF/Receitas Financeiras, fornecidos pelos Bancos, ou mesmo as apurações feitas pela Reqte. com base em seus livros, papéis e documentos contábeis. Ao assim proceder, o fisco incorreu em erros que elevam a receita liquida da empresa, como será demonstrado, de forma que a pretensão fiscal não poderá prosperar; 03.03. no decorrer do anocalendário de 1996, a lmpugnante auferiu receitas financeiras liquidas na ordem de R$ 2.069.668,14, conforme informado na DIPJ respectiva (ficha 06, linha 07), das quais a parcela de R$ 1.698.798,04 correspondeu a rendimentos decorrentes de investimentos financeiros (Renda de Títulos), valor esse contabilizado com base nas informações mensais prestadas pelos Bancos Ita´ú, Mercantil e Bradesco, ao longo do ano (cf. doc. 5). 03.03.01. por sua vez, o levantamento levado a efeito pelo fisco, aponta uma receita, a tal titulo, no importe de R$ 2.009.370,45, importância essa baseada em informações extraídas em DIRFs entregues pelos Bancos; 03.04. a diferença existente entre ambos os valores — apontada como omitida pela Impugnante — decorre de dois simples fatores: (i) divergências entre os Relatórios Mensais e os Anuais, fornecidos pelos Bancos A lmpugnante e; (ii) divergências entre aqueles últimos, e as DIRFs apresentadas pelos Bancos à SRF; Fl. 450DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 13808.000862/200269 Acórdão n.º 1302001.260 S1C3T2 Fl. 451 3 03.04.01. exemplifica, em relação ao mês de abril/1996 e, quanto ao Banco Mercantil S/A que, o valor informado pela mencionada instituição à lmpugnante, como rendimentos financeiros, totalizou R$ 83.351,45 (parcela essa integrante dos R$ 1.698.798,04 declarados); por outro lado, o Relatório Anual informa, para o mesmo mês, a importância de R$ 40.050,87, importância essa não contabilizada pela interessada, visto que a mesma procedera às devidas escriturações, com base nos informativos mensais, recebidos ao longo do ano; 03.04.02. ao contrário, entretanto, do acima informado, ainda em relação ao citado mês, o valor constante da DIRF, apresentada pelo Banco, dá conta que os rendimentos auferidos totalizaram R$ 76.910,87, valor este do qual a lmpugnante somente tomou conhecimento através do Auto de Infração, já que baseado nas importâncias informadas em DIRF; 03.05. tais divergências, portanto, decorrem de erros das referidas instituições financeiras, não tendo havido qualquer omissão de receitas por parte da interessada, mas, sim, prestação de informações equivocadas tanto 5 Reqte. como à Secretaria da Receita Federal. Tratase de erro material, que não tem o condão de gerar exigências contra a lmpugnante, visto que os únicos responsáveis foram os Bancos, ao fornecerem informações inconsistentes; 03.05.01. e, ainda que se considerem corretas as informações constantes nas DIRFs, somente a titulo de argumentação, há que se considerar a existência de crédito tributário a favor da Reqte., em razão da diferença de IRRF apurado sobre a base de cálculo maior das DIRFs e aquelas informadas mês a mês à Reqte.; 03.06. tais questões devem ser submetidas à prova e, para tanto, sob pena de cerceamento de defesa, a lmpugnante protesta pela realização de perícia contábil, juntando documentos e formulando quesitos específicos (fls. 76), com o propósito de demonstrar a ocorrência de erros nas DIRFs e, ainda assim não sendo entendido, que a Reqte. Possui crédito de IRRF, que deve ser abatido contra o crédito pretendido pela presente autuação. 03.07. Diante do exposto, requer a peticionária seja o Auto de Infração cancelado de plano em sua totalidade, porque fundado em erro que distorceu a base de cálculo do Imposto de Renda (IR). Na pior das hipóteses, em atenção ao principio da eventualidade, requer seja recalculada o valor da autuação, dele abatendose o valor do crédito do IRRF acima referido. 4. As fls. 76, conforme acima, formula os quesitos a serem respondidos e atinentes à perícia requerida. Em 17/09/2002 (fls. 184/187) pleiteia a juntada do resultado da prova produzida, sob a forma de LAUDO PERICIAL CONTABIL em anexo....(fls. 188/202 e respectivos anexos, de fls. 203/271). A 4ª Turma da DRJ em São Paulo I / SP analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1612.977, de 05 de abril de 2007, considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: OMISSÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS. DIVERGÊNCIAS ENTRE OS VALORES CONSTANTES DE DIRFS E AQUELES CONTABILIZADOS PELO CONTRIBUINTE. EQUÍVOCOS ENTRE AS DIRFS E OS INFORMES DE RENDIMENTOS PRESTADOS PELAS MESMAS INSTITUIÇÕES. PARCELAS DOS RENDIMENTOS CORRESPONDENTES A ANO CALENDÁRIO ANTERIOR. NÃO COMPROVAÇÃO. VALORES BASEADOS NOS INFORMES DE RENDIMENTOS Fl. 451DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 13808.000862/200269 Acórdão n.º 1302001.260 S1C3T2 Fl. 452 4 RESPECTIVOS. Correto considerarse como receitas financeiras omitidas, a diferença entre os valores apontados em DIRFs e aqueles levados escrituração pelo contribuinte, baseados, estes, em informes prestados pelas mesmas instituições que fornecera aqueles, sem qualquer comprovação da ocorrência de equívocos entre ambos elementos, por parte da interessada. Quanto às alegações no sentido de que parcelas dos rendimentos corresponderiam a anocalendário anterior, restou incomprovada a contabilização dos mesmos, em obediência ao denominado regime de competência. Há que ser exonerada, entretanto, da base de cálculo do lançamento, a diferença entre os valores informados em DIRFs e aqueles constantes dos respectivos Informes de Rendimentos, quando estes são inferiores àqueles. Lançamento Procedente em Parte Ciente da decisão de primeira instância em 29/05/2008, conforme Aviso de Recebimento à fl. 283/v, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 25/06/2008 conforme carimbo de recepção à folha 287. No recurso interposto a recorrente reitera os argumentos trazidos em sua impugnação, aduzindo, ainda, em síntese que: a) a decisão recorrida acolheu parcialmente a sua impugnação, "exonerando se da sua base de cálculo a importância de R$ 4.114,76, proveniente da diferença entre os valores informados em DIRFs, por parte das fontes pagadoras dos rendimentos (e pela fiscalização utilizados), e aqueles trazidos pelos Informes de Rendimentos, entregues pelas mesmas instituições pagadoras, à interessada"; b) Que apesar da prova pericial apresentada pela recorrente, a decisão recorrida entendeu não teria havido a devida comprovação da tributação de parte dos rendimentos financeiros no ano de 1995, que e o ano anterior ao período considerado nas autuações fiscais; c) Que a decisão é contrária a prova dos autos, pois as diferenças apuradas, conforme demonstrado, decorrem do fato de que interessada apropriou os rendimentos de aplicações financeiras pelo regime de competência enquanto que ass DIRF’s apresentadas pelas fontes pagadoras usaram o regime de caixa; d) Que apesar de já constar dos autos o Laudo Contábil apresentado em 17/09/2002 requer a juntada de novo Laudo de Revisão Contábil e seus respectivos anexos como contraprova à decisão recorrida; e) Que o Laudo de Revisão Contábil, confirmando as conclusões do Laudo anterior, “demonstrou que parte das receitas de aplicações financeiras da Recte. foi tributada pelo IRPJ e CSL no períodobase de 1995 (competência) e parte em 1996, quando do resgate da aplicação financeira (recebimento). Em outras palavras, os rendimentos do período de 1995 foram contabilizados e tributados no período de 1995. O mesmo ocorreu com os rendimentos de 1996”. Fl. 452DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 13808.000862/200269 Acórdão n.º 1302001.260 S1C3T2 Fl. 453 5 f) Que não houve nenhuma omissão de receitas, mas prestação de informações incorretas pelos bancos na DIRF e que tal erro não tem o condão de gerar exigência de crédito tributário contra a recorrente. g) Que, na hipótese de serem consideradas corretas as informações prestadas na DIRF , em atenção ao princípio da eventualidade, requer que se considere a existência de crédito tributário em favor da recorrente, em razão da diferença de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF apurado sobre a base de cálculo maior constante das DIRF’s e aquelas informadas mês a mês à recorrente. Pede ao final o provimento do recurso. Em 02/09/2010, ao apreciar o recurso voluntário, esta turma julgadora determinou a conversão do julgamento em diligência, por meio da Resolução nº 130200.052, proferida nos seguintes termos: Entendo que o processo não se encontra em condições de julgamento por este colegiado. A decisão recorrida afirma: 08.01.01. embora tenha, também, se reportado a que, por ocasião da contabilização de tais receitas, o fez em obediência ao princípio da competência, baseada que fora em extratos mensais fornecidos pelas respectivas fontes pagadoras, nada traz aos autos, nesse sentido, a lhe dar o devido suporte a tais alegações. Tal fato se concretizaria com a apresentação das devidas provas, ou seja, os mencionados extratos bancários, de maneira a comprovar que a apropriação (a escrituração) de tais valores estaria escudada em informes prestados pelas respectivas fontes; ao assim não proceder, o contribuinte, simplesmente, mantevese no campo das meras alegações, sem nada comprovar quanto a eventual ocorrência de equívoco trazido pela acusação fiscal, que, repitase, fundarase nos valores contidos em DIRFs prestadas pelas elencadas instituições; 08.02. por igual, o contribuinte alega que, dentre as informações prestadas pelas respectivas fontes pagadoras, através das DIRFs respectivas, parte dos valores ali constantes referemse a rendimentos auferidos no decorrer do anocalendário de 1995 e que, apesar disso, fizeramse constar de maneira englobada (conjuntamente com as informações relativas ao anocalendário 1996) em tais declarações, sem, portanto, o devido destaque de quais parcelas corresponderiam a cada um dos anoscalendário; Em sede de recurso voluntário a recorrente traz elementos que fazem seus argumentos passíveis de serem confirmados. A regra de apresentação de documentos que embasem a defesa na impugnação tem de ser mitigada quando, no caso concreto, surgem questionamentos que podem ser esclarecidos com uma melhor análise dos lançamentos contábeis da recorrente. Além disso, a tese defendida pela recorrente, de que parte da receita financeira teria sido reconhecida e tributada no ano de 1995, respeitando o regime de competência, tem sido comprovada em diversos casos analisados por este colegiado. Fl. 453DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 13808.000862/200269 Acórdão n.º 1302001.260 S1C3T2 Fl. 454 6 Diante do exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a autoridade lançadora verifique: os valores de receita financeira identificados pela fiscalização como omitidos pela recorrente em 1996, foram adicionados à base de cálculo do IRPJ e da CSLL em 1995; em caso positivo, estas receitas financeiras deveriam ter sido reconhecidas em 1995? Após a diligência, que se dê ciência à recorrente para manifestação. Encaminhados os autos à unidade preparadora, a autoridade fiscal responsável pelas diligências determinadas, após solicitar diversos documentos à interessada, elaborou Relatório Fiscal (fls. 403/404), onde descreve as providências adotadas e as suas conclusões: 1 Que intimou a interessada a apresentar os Livros Diário e Razão, Balancetes de Verificação mensais e anual analíticos e documentos comprobatórios relativos aos rendimentos financeiros declarados, dos anos de 1995 e 1996; 2 Que a interessada apresentou apenas os livros contábeis do ano de 1996 e cópia de extrato para simples conferência do Banco Bradesco, do ano de 1996 e cópias dos informes de rendimentos financeiros que já constam dos autos; 3 Que a interessada não apresentou nenhum documento novo que possibilitasse elaborar um demonstrativo com vistas a atender o pleito deste colegiado; 4 Que analisando os lançamento efetuados na conta “805.0056 – Renda de Títulos” constatou a existência de apropriações de receitas, acompanhadas de estornos de outras apropriações feitas, deduzindo que o contribuinte pode ter adotado o procedimento de contabilizar os rendimentos acumulados até determinado mês, estornando os valores acumulados até o mês anterior ; 5 Que, concluindo que tal procedimento poderia ir ao encontro das alegações da interessada, intimoua a apresentar os documentos comprobatórios e a demonstrar analiticamente as contrapartidas de alguns lançamentos de estorno de apropriações de receitas financeiras; 6 Que esgotado o prazo a interessada não logrou êxito em apresentar os documentos nem a demonstrar as contrapartidas dos lançamentos de estornos efetuados; 7 Que o objetivo da diligência era identificar o total de rendimentos recebidos no ano de 1996 que já teriam sido tributados em 1995, conforme alegação da interessada e que, para tanto, necessitaria, além dos livros contábeis, de documentos de resgates de aplicações no ano de 1996 onde identificasse a data de aplicação e as respectivas taxas de juros; 8 Que apesar das intimações solicitando tais documentos não teve acesso a nenhum documento que desse suporte às alegações da interessada; 9 Que devido a falta de apresentação dos documentos pela interessada não conseguiu comprovar o montante das parcelas já tributadas em 1995. Fl. 454DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 13808.000862/200269 Acórdão n.º 1302001.260 S1C3T2 Fl. 455 7 A interessada foi cientificada do Relatório Fiscal em 04/05/2012, apresentando a manifestação em 15/05/2012 (fls. 405/410), na qual rebate as conclusões da autoridade fiscal diligenciante, afirmando em síntese que: A) Que está equivocado o Sr. Agente Fiscal ao concluir que, por falta de apresentação de documentos por parte do contribuinte não conseguiu comprovar o montante das parcelas já tributadas no ano de 1995, isto porque tal comprovação pode ser feita a partir dos informes de rendimentos que já foram apresentados nos autos, não havendo a necessidade de juntada de mais documentos; B) Que a recorrente trouxe ao autos Laudo Pericial complementar demonstrando, principalmente a partir dos informes de rendimentos fornecidos pelos Bancos, que houve tributação de receitas financeiras no ano de 1995 , além de 1996; C) Que no presente caso, existe uma particularidade que permite a segregação das competências das receitas de aplicações financeiras nos anos de 1995 e 1996, pois até 31/12/1995 a alíquota do IRRF sobre aplicações financeiras era de 10% e a partir de 01/01/1996 a alíquota passou a ser de 15%, conforme a Lei nº 9.249/1995; D) Que na diligência apresentou grande parte dos documentos solicitados, mas que não conseguiu localizar nos seus arquivos todos os extratos mensais de aplicações financeiras e por se tratar de fatos ocorridos há mais de 15 anos não conseguiu obter cópias dos documentos junto aos bancos; E) De qualquer forma entende que não precisaria apresentar tais extratos mensais, vez que os valores tributados nos anos de 1995 e 1996 podem ser encontrados nos Informes de Rendimentos Anuais já apresentados, conforme demonstrado no Laudo Contábil apresentado; F) Que o valor total dos rendimentos auferidos pela recorrente no ano de 1995 e 1996, conforme apurou o Laudo Complementar, com base nos Informe de Rendimentos, foi de R$ 2.009.221,96, muito próximo do valor de R$ 2.009.370,45 apontado pelo Fisco, com base nas DIRF’s, com uma diferença de apenas R$ 148,49. Ao final requer o cancelamento integral das exigências, nos termos reclamados no recurso voluntário. É o Relatório. Fl. 455DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 13808.000862/200269 Acórdão n.º 1302001.260 S1C3T2 Fl. 456 8 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais. Assim, dele conheço. O litígio em pauta versa sobre diferença de Rendimentos de Aplicações Financeiras apuradas pelo Fisco mediante o confronto entre os valores informados nas DIRF’s pelas instituições financeiras e os valores contabilizados pela recorrente e declarados em sua DIPJ. A alegação principal da recorrente é a de que tal diferença decorre do regime de apropriação por ela adotado (competência) na apropriação das receitas em contraponto ao regime de caixa que teria sido adotado pelos bancos em suas informações na DIRF. Como a recorrente já teria apropriado parte dessa receita no ano de 1995, a diferença apontada pelo Fisco estaria justificada pela divergência entre os regimes adotados no reconhecimento das receitas. O acórdão de primeiro grau acolheu parcialmente as alegações da recorrente ao determinar que os valores dos rendimentos fossem apurados com base nos Informes de Rendimentos Anuais fornecidos pelas instituições financeiras e apresentados pela recorrente, exonerando parte do crédito. Não acolheu, todavia, o argumento principal da recorrente de que parte desses rendimentos foram tributados no anocalendário de 1995, em obediência ao regime de competência. No recurso voluntário, a recorrente repete os argumentos trazidos na impugnação e traz aos autos Laudo Contábil complementar, no qual procura demonstrar que parte das receitas creditadas em 1996 já teriam sido tributadas em 1995, o que explicaria quase integralmente as diferenças apuradas pelo Fisco. Este colegiado houve por bem converter o julgamento em diligência com vistas a buscar elementos que pudessem comprovar que parte dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras (nos informes anuais e nas DIRF’s) pertenciam e foram de fato tributados no anocalendário: 1995. Ocorre que a recorrente não apresentou nenhum elemento novo à autoridade fiscal diligenciante, solicitados com o fito de verificar o reconhecimento e efetiva tributação de parte dessas receitas no ano de 1995, conforme alega a interessada. Nem mesmo os livros contábeis e balancetes do ano de 1995, que poderiam registrar o reconhecimento dessas receitas foram apresentados à autoridade responsável pelas diligências. Assim, a d. autoridade fiscal diligenciante concluiu as diligencias sem conseguir apurar se existiam valores efetivamente tributados no anocalendário: 1995 incluídos nos rendimentos creditados em 1996 e informado pelas fontes pagadoras. Fl. 456DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 13808.000862/200269 Acórdão n.º 1302001.260 S1C3T2 Fl. 457 9 A recorrente, por sua vez, questionou as conclusões da autoridade fiscal responsável pelas diligências asseverando que os documentos solicitados eram desnecessários ao deslinde do caso, pois é perfeitamente possível apurar os valores tributados no ano de 1995, conforme ficou demonstrado no Laudo Contábil complementar apresentado no recurso. Alega que o simples fato de ter havido modificação legal na alíquota do IRRF de 10% para 15% entre os anos de 1995 e 1996 é suficiente para permitir a identificação dos montantes tributados em cada anocalendário, com base apenas nos Informes de Rendimentos Anuais que já constavam dos autos. Com a devida vênia, penso que as alegações da recorrente foram consideradas razoáveis por este colegiado de tal forma a admitir a realização de diligências com vistas a confirmação dos cálculos por ela apresentados nos Laudos Contábeis. Não obstante, referidos laudos não se constituem provas por si mesmos. Até poderiam ajudar no deslinde da controvérsia se suportados por documentos hábeis a comprovar as suas conclusões, como cópias dos extratos mensais de aplicações financeiras e os registros contábeis dessas aplicações e dos rendimentos reconhecidos desde o ano de 1995. A alegação da recorrente de que não localizou os documentos bancários em seus arquivos não encontra respaldo no dever de guarda dos livros e demais elementos que compõem a escrituração, previstos na legislação do Imposto de Renda (arts. 264 e 923 do Regulamento do Imposto de Renda – Decreto nº 3000/1999). A não apresentação desses elementos impede que se comprove a alegação da recorrente. Assim, ganham força probatória os Informe de Rendimentos Anuais entregues pelas fontes pagadora e juntados aos autos pela própria recorrente, uma vez emitidos em conformidade com o disposto no art. 941 do RIR/99. Se a recorrente havia constatado qualquer divergência entre os valores informados mensalmente pelas instituições financeiras e os informes de rendimentos anuais tinha o dever de cautela de apurar junto às instituições os motivos das divergências e, se fosse o caso, solicitar a correção da informação e, ainda, de guardar os documentos que ampararam o reconhecimento contábil das receitas. Pelo exposto, não tenho reparos à decisão de primeiro grau que entendeu que as diferenças deveriam ser apuradas com base nos informes de rendimentos anuais apresentados pela recorrente e não pelos dados da DIRF, em caso de divergência em favor da recorrente. No que tange ao pedido eventual feito pela recorrente de que se considere a existência de crédito tributário em eu favor, em razão da diferença de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF apurado sobre a base de cálculo maior constante das DIRF’s e aquelas a ela informadas mês a mês, não encontro nos autos tais diferenças favoráveis à recorrente. Pelo contrário. De acordo com as planilhas apresentadas pela recorrente em sua resposta à solicitação feita em diligência fiscal (fls. 27/33), esta contabilizou Rendimentos de Aplicações Financeiras no valor de R$ 1.698.798,04 e IRRF no valor de R$ 307.380,35. Fl. 457DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 13808.000862/200269 Acórdão n.º 1302001.260 S1C3T2 Fl. 458 10 Por outro lado, o total de IRRF computado nos Informes de Rendimentos Anuais emitidos pelas fontes pagadoras, consolidado na tabela constante do item 08 do acórdão de primeiro grau (fls.278) é de R$ 279.551,06. Assim, se existe alguma diferença, pelo que consta dos autos, esta seria favorável ao Fisco que, no entanto, não considerou tal situação no lançamento, que foi realizado em procedimento de revisão interna (Malha Fiscal). Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Sala de sessões em, 03 de dezembro de 2013. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Fl. 458DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10166.008308/2008-20
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. CRUZAMENTO COM A DIRF.
Mantém-se a exigência quando os documentos acostados aos autos não são suficientes para afastar a caracterização de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, identificada a partir de DIRF apresentada pela fonte pagadora.
GLOSA. DEDUÇÃO. IRRF.
Mantém-se a glosa de dedução de IRRF quando o contribuinte não provar que realizou tais pagamentos, ou que a fonte pagadora reteve os valores referentes, ou quando os valores aproveitados se referirem a imposto retido na fonte sobre o décimo terceiro salário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.368
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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CRUZAMENTO COM A DIRF. Mantémse a exigência quando os documentos acostados aos autos não são suficientes para afastar a caracterização de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, identificada a partir de DIRF apresentada pela fonte pagadora. GLOSA. DEDUÇÃO. IRRF. Mantémse a glosa de dedução de IRRF quando o contribuinte não provar que realizou tais pagamentos, ou que a fonte pagadora reteve os valores referentes, ou quando os valores aproveitados se referirem a imposto retido na fonte sobre o décimo terceiro salário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 83 08 /2 00 8- 20 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/ 01/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10166.008308/200820 Acórdão n.º 2801003.368 S2TE01 Fl. 127 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 3ª Turma da DRJ/BSB (Fls. 83), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Contra o contribuinte em epígrafe foi emitida Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF, referente ao exercício 2005, anocalendário 2004, por Auditor Fiscal da Receita Federal, da DRF/BrasíliaDF. Após a revisão da Declaração foram apurados os seguintes valores (fls. 58): Demonstrativo do Crédito Tributário Cód. DARF Valores imposto de Renda Pessoa Física Suplementar (sujeito à multa de ofício) 2904 200,72 Multa de Ofício (passível de redução) 150,54 Juros de Mora (calculado até 31/10/2007) 71,83 Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar (sujeito à multa de mora) 0211 370,97 Multa de Mora (não passível de redução) 74,19 Juros de Mora (calculado até 31/10/2007) 132,77 Valor do Crédito Tributário Apurado 1.001,02 O lançamento acima foi decorrente da(s) seguinte(s) infração(ões): Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica. Da análise das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil constatouse omissão de rendimentos do trabalho, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$1.342,98, recebido(s) da(s) fonte(s) pagadora(s) relacionada(s) abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF sobre os rendimentos omitidos no valor de R$0,00. • CNPJ 00.359.877/000173 Terracap. Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF. Da análise das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse a compensação indevida do Imposto de Renda Retido na Fonte, no valor de R$682,60. • CNPJ 00.359.877/000173 Terracap. O contribuinte apresenta impugnação (fls. 01/16), na qual, em síntese, expõe os motivos de fato e de direito que se seguem: Fl. 127DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/ 01/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10166.008308/200820 Acórdão n.º 2801003.368 S2TE01 Fl. 128 3 Está equivocada a Notificação de Lançamento, tendo em vista que o IRRF declarado é o correto, e não o informado em DIRF. Ainda em 2005, dirigiuse ao Núcleo de Recursos Humanos da Terracap para informar que o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte fornecido estava errado, porque não espelhava os diversos contracheques recebidos durante o ano. Provavelmente, havia um erro no programa de computador, no que tange à totalização dos dados do ano 2004. Além disso, a fonte pagadora se esqueceu de incluir, nos totais dos campos "rendimentos" e "imposto retido na fonte", os honorários advocatícios sucumbenciais, que o contribuinte, como Advogado da Terracap, recebeu ao longo do ano 2004, pagos pela Terracap. Observese que na comparação com os valores mensais dos contracheques, não se justificam os equivocados valores R$80.022,79 para o campo "Total de Rendimentos", muito menos de R$11.101,63 para o campo "imposto de renda retido na fonte". Apesar da sua reclamação, a fonte pagadora não deu solução ao problema. Os contracheques espelham com veracidade o ocorrido, em termos de pagamentos de salários e retenção de IRRF ao longo do ano 2004, e declarados na declaração de ajuste anual 2005. A sua declaração de IR espelhou a situação fática verdadeira, de acordo com os valores que constam dos contracheques recebidos ao longo do ano 2004. A planilha de levantamento mensal anexa retrata esta afirmativa. Uma acurada visualização dos documentos anexos teria levado a uma decisão diversa do indeferimento da SRL apresentada. A análise das informações vertidas na SRL pode anular o lançamento efetuado. Lista a documentação apresentada perante a SRF com sua SRL. Detalha, mês a mês, os valores dos rendimentos auferidos e o IRRF respectivo. Não admira que a complexidade de cálculos tivesse ocasionado a emissão de Comprovante de Rendimentos com sérias discrepâncias. Vale analisar o seguinte: se no mês de março/2004, a fonte pagadora colocou, no contracheque, um valor de honorários advocatícios sucumbenciais, isso significa que ela fazia o Fl. 128DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/ 01/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10166.008308/200820 Acórdão n.º 2801003.368 S2TE01 Fl. 129 4 controle desse item que constituía rendimento do contribuinte, e tinha a obrigação de recolher o IRRF. Portanto, como a fonte pagadora não incluiu, no Comprovante de Rendimentos, os rendimentos e os IRRF dos outros meses em que pagou a este contribuinte? Deveria têlo feito, obrigatoriamente. Por essas e outras é que o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte estava inconsistente, e daí porque o contribuinte baseouse nos contracheques, bem como nos processos administrativos. Por conta de uma multa teratológica, é o cúmulo do absurdo ser injustamente apenado agora. Enumera a base legal referenciada no procedimento fiscal. Requer sejam determinadas diligências, no sentido de que seja conferida a documentação apresentada, junto à fonte pagadora, para comprovação de sua autenticidade, de modo que não reste cerceada a sua defesa. Transcreve legislação (Decreto n° 3.000/1999). Requer o cancelamento débito fiscal. Passo adiante, a 3ª Turma da DRJ/BSB entendeu por bem julgar a Impugnação Improcedente, em decisão que restou assim ementada: OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Verificado que os rendimentos tributáveis auferidos pelo contribuinte não foram integralmente oferecidos à tributação na Declaração de Imposto de Renda, mantémse o lançamento. DEDUÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. Se o contribuinte não comprovar, com documentação hábil e idônea, que foi feita, pela fonte pagadora, a retenção do Imposto no valor informado na Declaração, mantémse a glosa. Cientificado em 12/07/2011 (Fls. 93), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 20/07/2011 (fls. 94 e 107), reforçando os argumentos apresentados quando da impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/ 01/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10166.008308/200820 Acórdão n.º 2801003.368 S2TE01 Fl. 130 5 Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Trata o recurso de combater a decisão da DRJ que manteve a glosa de IRRF e a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Mantém o contribuinte, no seu recurso voluntário, as mesma argumentações da impugnação. Quanto ao IRRF, observo que o contribuinte alega que sofreu a retenção na fonte do valor de R$11.784,23, como declarado, e apresenta documentos comprobatórios. Realmente tal valor foi efetivamente retido pela fonte pagadora. Ocorre que o valor de R$682,56, retido pela fonte pagadora, se refere a IRRF sobre o 13 salário. Neste caso, como bem explicado no acórdão recorrido, a tributação é exclusiva na fonte e, por esta razão, o tributo não pode ser aproveitado na Declaração de Ajuste do contribuinte. Razão pela qual deve ser mantida a glosa do IRRF. Quanto a omissão de rendimentos, adoto integralmente as razões de decidir da DRJ; in verbis: No tocante aos rendimentos tributáveis, como já apontado, o impugnante apresentou contracheques e diversos relatórios mensais, onde estão enumerados os nomes daqueles que receberam honorários e os respectivos descontos (fls. 35/47). Verificase que estão presentes os contracheques de todos os meses do ano, contudo, deixou de apresentar as Relações dos Honorários de Sucumbência relativas aos meses de janeiro, fevereiro, agosto e outubro, apresentando tãosomente as dos meses restantes. Se não auferiu o total dos rendimentos indicados pela fonte pagadora, já que os contracheques foram apresentados, o nome do ora impugnante ou não constaria das Relações supracitadas naqueles meses (janeiro, fevereiro, agosto e outubro), ou seus rendimentos nelas estariam zerados, porém, tal comprovação, que foi adequadamente feita para todos outros meses, não ocorreu nos outros. Por óbvio, não se está exigindo do contribuinte prova negativa impossível de ser feita, vez que demonstrou que tais documentos faltantes poderiam ter sido perfeitamente juntados. Impende deixar em relevo que o total do IRRF indicado pela fonte pagadora em DIRF, R$11.101,63, maior que o contido nos documentos acostados pelo contribuinte (R$11.013,85), não está inteiramente contido nos contracheques e Relações apresentados.(pág. 88 dos autos) Fl. 130DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/ 01/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10166.008308/200820 Acórdão n.º 2801003.368 S2TE01 Fl. 131 6 Cumpre destacar que apesar do alerta da DRJ, o contribuinte, em seu recurso voluntário, nada acrescentou aos seus argumentos iniciais. Deve pois prevalecer a verdade material fornecida via DIRF, apresentada pela fonte pagadora. Assim, não havendo prova de retificação da DIRF, é dever manter integralmente o lançamento. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 131DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/ 01/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN
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