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Numero do processo: 10680.915595/2009-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/12/2002
Ementa:
COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTOS INDEVIDOS DE COFINS. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO.
É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art. 170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o afirmado erro na valoração dos créditos.
Numero da decisão: 3301-002.039
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, à unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente.
BERNARDO MOTTA MOREIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Real e Bernardo Motta Moreira.
Nome do relator: BERNARDO MOTTA MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 Ementa: COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTOS INDEVIDOS DE COFINS. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO. É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art. 170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o afirmado erro na valoração dos créditos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1692; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 81 1 80 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.915595/200998 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301002.039 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de setembro de 2013 Matéria Compensação Recorrente Hospital Mater Dei S/A Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/12/2002 Ementa: COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTOS INDEVIDOS DE COFINS. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO. É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art. 170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o afirmado erro na valoração dos créditos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, à unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. BERNARDO MOTTA MOREIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Real e Bernardo Motta Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 55 95 /2 00 9- 98 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 23/10/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Relatório Versa o presente litígio sobre Declaração de Compensação, objetivando compensação de valor recolhido a maior a título de COFINS. O despacho eletrônico não homologou o pedido de compensação sob o fundamento de que o valor do DARF em referência teria sido integralmente utilizado para quitação de débitos da Recorrente, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Na manifestação de inconformidade apresentada, a ora Recorrente afirmou o seu direito creditório, que teria lastro no art. 74 e parágrafos da Lei n. 9430/96, bem como não estar enquadrada em nenhuma das hipóteses de vedação para a compensação. Acostou à manifestação cópias de documentos relativos à representação, do DARF e cópia do despacho decisório. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade, entendendo intempestiva a retificação da DCTF, além de que não teriam sido apresentadas quaisquer outras provas do direito creditório. No recurso voluntário, a Recorrente argumentou que: i. o seu direito creditório decorreria da inclusão indevida na base de cálculo de PIS e COFINS valores de medicamentos sujeitos à alíquota 0%; ii. que a DCTF retificadora teria sido aceita e processada pelos sistemas da Receita Federal do Brasil; iii. que a Lei 9.430/96 não faz quaisquer restrições à compensação, que tem natureza declaratória; iv. que o modo de processamento eletrônico da compensação obsta que sejam juntados documentos comprobatórios ao pedido, devendo o contribuinte ser intimado para comprovar o crédito, antes de seu indeferimento; v. o fato de o débito ter sido declarado em DCTF não exime o Fisco da obrigação de realizar procedimento fiscalizatório, para verificação de eventuais irregularidades e , assim, promover o lançamento de ofício; vi. não pode prevalecer o lançamento de ofício, sem prévia comprovação de inexistência de indébito. Ademais, discorre sobre a indevida inclusão na base de cálculo de valores relativos a venda de medicamentos, tributados à alíquota 0%, acostando aos autos planilha demonstrativa da recomposição da base de cálculo dos tributos, no período compreendido entre 2001 e 2006. Requer, assim, a procedência do recurso voluntário ou, subsidiariamente, a nulidade de decisão de 1ª instância, por ser configurar a DCTF retificadora prova indiciária do direito creditório. É o relatório. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 23/10/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10680.915595/200998 Acórdão n.º 3301002.039 S3C3T1 Fl. 82 3 Voto Conselheiro Bernardo Motta Moreira O presente recurso voluntário preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. O cerne controvérsia dos autos gravita em torno da comprovação do direito creditório. Destarte, embora o principal fundamento da improcedência da manifestação de inconformidade tenha sido a retificação extemporânea da DCTF, o fato é que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem relativizando esse entendimento, quando demonstrado pelo contribuinte, que o seu direito creditório é líquido e certo, tudo em homenagem ao Princípio da Verdade Material. Nesse sentido, há diversos julgados, tais como: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DCTF. RETIFICAÇÃO CONSIDERADA NÃO ESPONTÂNEA EM PROCESSO ANTERIOR. VERDADE MATERIAL. DCTF retificadora apresentada de forma não espontânea, em virtude de transmissão efetivada após a ciência de despacho decisório de não homologação de compensação, que não reconhecer o direito creditório alegado, viabiliza compensações posteriores, relativas a esse mesmo crédito se for comprovada através dos documentos fiscais competentes em virtude do princípio da verdade material. DÉBITOS CONFESSADOS. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE ESCRITA FISCAL. COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Eventual retificação dos valores confessados em DCTF deve ter por fundamento, como no caso, os dados da escrita fiscal do contribuinte, para a comprovação da existência de direito creditório decorrente de pagamento indevido (Acórdão 130201.015– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária) Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2004 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 23/10/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. A simples retificação, desacompanhada de suporte probatório, não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (Acórdão3802001.550– 2ª Turma Especial) Observese que para que seja aceito o direito creditório, ainda que a DCTF não tenha sido retificada espontaneamente, deve ser comprovado de maneira cabal o direito creditório, mediante a comprovação de erro no preenchimento de DCTF pela apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, acompanhada por documentos que a embasam. É dizer, planilha confeccionada pela empresa, desacompanhada de quaisquer outros documentos, não se prestam à finalidade almejada. Aliás, a consulta ao banco de dados da jurisprudência deste Conselho, demonstra que há diversos pedidos de compensação da Recorrente, que foram denegados pela ausência de prova, como os Acórdãos 3802001.602, 3801001.660, 3801001.659, 3802 001.598, 3802001.599, 3802001.593, entre outros. Não procede a argumentação da Recorrente no sentido de que haveria a obrigação do Fisco em comprovar a inexistência de indébito, pois não se está diante de lançamento de ofício. Destarte, nos processos administrativos originados de decisões que não homologam declarações de compensação, o conflito originarseá do não reconhecimento da relação de débito do Fisco e, por conseguinte, da não extinção da relação de seu crédito, pois na compensação concorrem duas relações jurídicas de cargas opostas – relação jurídica da obrigação tributária a relação de indébito do Fisco – que, combinadas, se anulam. A Medida Provisória nº 135, de 2003, convertida na Lei nº 10.833, de 2003, alterou a redação do art. 74 da Lei n° 9.430/96, para aplicar às situações de nãohomologação da compensação o rito do processo administrativo fiscal federal, prescrevendo que a manifestação de inconformidade é o veículo introdutor de conflito, no âmbito da jurisdição administrativa. O contencioso administrativo originado da impugnação ao lançamento de ofício não se confunde com aquele decorrente de manifestação de inconformidade da decisão que não homologa o direito creditório nas compensações efetuadas pelo contribuinte. Com efeito, na impugnação o contribuinte visa a desconstituir o lançamento tributário, ato jurídico produzido pelo Fisco, nos termos do art. 142 do CTN, ao passo que no caso da compensação, o marco inicial do contencioso é declaração produzida pelo próprio contribuinte, que constitui a relação de indébito do Fisco (pagamento indevido) e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, que fica sujeita a posterior homologação, i.e., submetese ao poderdever da Administração de verificação de sua regularidade. Por essa razão, é ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art. 170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a não – homologação dos créditos. Outrossim, não pode pretender o contribuinte, que seja subvertido o contencioso administrativo, para que este opere como órgão de auditoria. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 23/10/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10680.915595/200998 Acórdão n.º 3301002.039 S3C3T1 Fl. 83 5 A despeito do Princípio da Verdade Material ser importante vetor do processo administrativo fiscal, não pode ser aplicado sem base empírica, ou seja, à míngua das provas competentes para constituir juridicamente o fato afirmado pela Recorrente, pois a “verdade” deve ser encontrada nos autos. Nesse contexto, esse Conselho vem admitido a relativização da preclusão na apresentação de provas, sob o lastro do Princípio Verdade Material, porém, frisese, sempre quando o contribuinte logre trazer aos autos, ainda que intempestivamente, elementos probatórios que espelhem o direito afirmado. Verificase que a inércia da Recorrente, que detém o ônus da prova para comprovar a liquidez e certeza do direito creditório, é determinante do não reconhecimento do direito creditório reivindicado. Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Bernardo Motta Moreira Relator Fl. 85DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 23/10/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10120.012611/2009-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
IRPF. RENDIMENTOS DE ANISTIADO POLÍTICO. ISENÇÃO. A isenção prevista na Lei da Anistia (Lei nº 10.559/2002) para o imposto de renda não se transfere aos sucessores.
RETENÇÃO NA FONTE. Tendo sido considerado no cálculo do tributo devido o valor integral declarado e pago a título de imposto de renda na fonte (antecipação), não há que se falar em bis in idem.
IRPF. COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL. A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o imposto sobre a renda.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-002.159
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Eivanice Canário da Silva.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 IRPF. RENDIMENTOS DE ANISTIADO POLÍTICO. ISENÇÃO. A isenção prevista na Lei da Anistia (Lei nº 10.559/2002) para o imposto de renda não se transfere aos sucessores. RETENÇÃO NA FONTE. Tendo sido considerado no cálculo do tributo devido o valor integral declarado e pago a título de imposto de renda na fonte (antecipação), não há que se falar em bis in idem. IRPF. COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL. A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o imposto sobre a renda. Recurso negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Eivanice Canário da Silva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1713; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 96 1 95 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.012611/200934 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2101002.159 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de abril de 2013 Matéria IRPF Recorrente ELSE FRIDA ESCHER DE BRITO GUIMARÃES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 IRPF. RENDIMENTOS DE ANISTIADO POLÍTICO. ISENÇÃO. A isenção prevista na Lei da Anistia (Lei nº 10.559/2002) para o imposto de renda não se transfere aos sucessores. RETENÇÃO NA FONTE. Tendo sido considerado no cálculo do tributo devido o valor integral declarado e pago a título de imposto de renda na fonte (antecipação), não há que se falar em bis in idem. IRPF. COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL. A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o imposto sobre a renda. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 01 26 11 /2 00 9- 34 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10120.012611/200934 Acórdão n.º 2101002.159 S2C1T1 Fl. 97 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Eivanice Canário da Silva. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 70/81) interposto em 11 de julho de 2012 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) (fls. 54/60), do qual a Recorrente teve ciência em 13 de junho de 2012 (fls. 67/68), que, por unanimidade de votos, julgou procedente a notificação de lançamento de fls. 06/09, lavrada em 23 de novembro de 2009, em decorrência de omissão de rendimentos do trabalho, verificada no anocalendário de 2008. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. As aposentadorias, pensões ou proventos de qualquer natureza percebidos pelos anistiados políticos, civis ou militares, a partir de 29 de agosto de 2002 são isentos do Imposto de Renda, desde que o beneficiário tenha solicitado, mediante requerimento ao Ministério da Justiça, a sua substituição pelo regime de reparação econômica previsto na Lei nº 10.559/2002. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. Os efeitos das decisões judiciais, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, possuem como pressuposto a existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade da lei que esteja em litígio e, ainda assim, de ato específico do Secretário da Receita Federal. Não estando enquadradas nesta hipótese, as sentenças judiciais só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” (fl. 54). Não se conformando, a Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 70/81), pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o lançamento. É o relatório. Voto Fl. 97DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10120.012611/200934 Acórdão n.º 2101002.159 S2C1T1 Fl. 98 3 Conselheiro ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Tratase de discussão acerca do reconhecimento de isenção do IRPF sobre a pensão de 50% que a interessada percebe pelo óbito de seu esposo, exfuncionário da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás, o qual foi declarado anistiado político post mortem pela Resolução n° 008/03, de 14 de fevereiro de 2003, da Comissão Especial da Anistia, da Secretaria de Segurança Pública e Justiça do Estado de Goiás, instituída pela Lei n° 14.067, de 26 de dezembro de 2001, regulamentada pelo Decreto n° 5.563, de 8 de março de 2002, conforme Processo n° 140670253. Pois bem, a Lei nº 10.559, de 13/11/02, ao regulamentar o art. 8º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, estabeleceu o Regime do Anistiado Político, garantindo diversos direitos, dentre estes o direito à reparação econômica de caráter indenizatório: “Art. 1o. O Regime do Anistiado Político compreende os seguintes direitos: (...) II reparação econômica, de caráter indenizatório, em prestação única ou em prestação mensal, permanente e continuada, asseguradas a readmissão ou a promoção na inatividade, nas condições estabelecidas no caput e nos §§ 1o. e 5o. do art. 8o. do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias”. Melhor detalhando o referido inciso II do artigo 1º, temos o artigo 3º da referida lei, dispondo genericamente sobre a referida reparação econômica de caráter indenizatório, o artigo 4º tratando da reparação em prestação única e os artigos 5º ao 8º disciplinando a reparação em prestação mensal e continuada. É dentro desse capítulo da lei que se situa o artigo 9º, que prevê a não incidência da contribuição previdenciária e do imposto de renda sobre os valores pagos a título de reparação econômica de caráter indenizatório (prestação única ou mensal e continuada): “Art. 9o. Os valores pagos por anistia não poderão ser objeto de contribuição ao INSS, a caixas de assistência ou fundos de pensão ou previdência, nem objeto de ressarcimento por estes de suas responsabilidades estatutárias. Parágrafo único. Os valores pagos a título de indenização a anistiados políticos são isentos do Imposto de Renda.” Assim, verificase que a isenção aplicase exclusivamente aos proventos e pensões excepcionais, recebidos em decorrência do reconhecimento da condição de anistiado político. Realmente, o entendimento do Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que a Lei n. 10.559/02 estabeleceu, em seu art. 19, o pagamento de aposentadoria ou pensão excepcional relativa aos já anistiados políticos, sem solução de continuidade, até a sua substituição pelo regime de prestação mensal, permanente e continuada, instituído pela legislação em referência: Fl. 98DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10120.012611/200934 Acórdão n.º 2101002.159 S2C1T1 Fl. 99 4 “Art. 19. O pagamento de aposentadoria ou pensão excepcional relativa aos já anistiados políticos, que vem sendo efetuado pelo INSS e demais entidades públicas, bem como por empresas, mediante convênio com o referido instituto, será mantido, sem solução de continuidade, até a sua substituição pelo regime de prestação mensal, permanente e continuada, instituído por esta Lei, obedecido o que determina o art. 11. Parágrafo único. Os recursos necessários ao pagamento das reparações econômicas de caráter indenizatório terão rubrica própria no Orçamento Geral da União e serão determinados pelo Ministério da Justiça, com destinação específica para civis (Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão) e militares (Ministério da Defesa).” E, nesse sentido, firmou o entendimento de que os anistiados políticos, civis ou militares, anteriores à Lei n.º 10.559/2002 têm direito ao benefício fiscal previsto no art. 9º, parágrafo único da referida lei, em relação ao pagamento de aposentadoria/pensão excepcional, cujo dispositivo fora regulamentado pelo Decreto nº 4.897/2003 (A título exemplificativo, entre outros: STJ, MS 15.461/DF, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/11/2010, DJe 19/11/2010; STJ, MS 10.894/DF, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 14/04/2010, DJe 20/04/2010). No mesmo sentido, já decidiu este Tribunal Administrativo, consoante se depreende dos seguintes julgados: “ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF. Exercício: 2003. RENDIMENTOS DE ANISTIADO POLÍTICO. ISENÇÃO. Os rendimentos recebidos pelos anistiados políticos, nos termos da Lei nº 10.559, de 2002, são isentos do imposto de renda apenas a partir de 29 de agosto de 2002. RENDIMENTOS DE ANISTIADO POLÍTICO. ISENÇÃO. A isenção do imposto de renda dos rendimentos relacionados no § 1º do Decreto nº 4.897/03 não está condicionada a prévio requerimento de substituição do pagamento daqueles rendimentos pelo regime de prestação mensal, permanente e continuada, instituído pela Lei nº 10.559/2002.” (CARF, 2ª Seção, 1ª Turma Especial, Acórdão 280101.531, j. em 14/04/2011) * * * “ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF. Exercício: 2003. RENDIMENTOS DE ANISTIADO POLÍTICO. ISENÇÃO. Os rendimentos recebidos pelos anistiados políticos, nos termos da Lei nº 10.559, de 2002, são isentos do imposto de renda a partir de 29 de agosto de 2002. RENDIMENTOS DE ANISTIADO POLÍTICO. ISENÇÃO. A isenção do imposto de renda dos rendimentos relacionados § 1º do art. 1º do Decreto nº 4.897/03 não está condicionada a prévio requerimento de substituição do pagamento daqueles rendimentos pelo regime de prestação mensal, permanente e continuada, instituído pela Lei nº 10.559/2002.” (CARF, 2ª Seção, 1ª Turma Especial, Acórdão 280101.600, j. em 13/05/2011) Fl. 99DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10120.012611/200934 Acórdão n.º 2101002.159 S2C1T1 Fl. 100 5 * * * “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF. Exercício: 2004. PENSÃO MILITAR. ANISTIADO POLÍTICO. ISENÇÃO. Nos termos do item 1 da Exposição de Motivos n° 197 do Ministério da Justiça, de 08/12/2003, a isenção do IRPF dos anistiados políticos independe da análise do requerimento de substituição pelo regime de reparação econômica pelo Ministério da Justiça.” (CARF 2a. Seção, 1a. Turma Especial, Acórdão 280101.344, j. em 07/02/2011) Corrobora com este entendimento o parecer da AGU assim ementado: “PARECER Nº AGU/PBB01/2008 PROCESSO: 00400.007148/200828 INTERESSADOS: ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e Ministério da Defesa. ASSUNTO: Divergência de interpretação quanto ao alcance da isenção de imposto de renda concedida aos anistiados políticos, nos termos dos artigos 9º e 19, da Lei nº 10.559/2002, regulamentada pelo Decreto n.º 4.897/2003. Ementa: Inteligência dos artigos 9º e 19, da Lei nº 10.559/02, regulamentada pelo Decreto nº 4.897/03. Incidência das isenções do imposto de renda e da contribuição previdenciária nos proventos e pensões excepcionais que vêm sendo pagos aos anistiados políticos da Lei nº 6.683/79 e da EC 26/85, a partir de 29/08/2002.” Todavia, na hipótese dos autos não se trata de discussão acerca da incidência tributária sobre a reparação econômica única ou em prestação mensal e continuada ou, ainda, de pensão de já anistiado político nos termos da Lei n.º 6.683/79 e da EC 26/85. Nos presentes autos pretende a Recorrente o reconhecimento de isenção tributária incidente sobre a aposentadoria por invalidez obtida por seu cônjuge, sem qualquer relação com a condição de anistiado, e que atualmente é recebida pela Recorrente em razão do falecimento daquele. Tal fato pode ser depreendido com nitidez do Parecer da Procuradoria Geral da Assembléia Legislativa de Goiás acostado aos autos do Processo 10120.010732/200941 (também julgado nesta data), no qual se afirma que: “No caso especifico ora analisado, o exservidor desta Casa, Haroldo de Brito Guimarães foi anistiado post mortem, e em razão disso foi atribuída à sua sucessora legal, ora Requerente, pela Resolução n° 008/03, uma pensão especial no valor de R$ 6.000,00, e sobre a qual não incide os descontos de imposto de renda e contribuição previdenciária, nos termos das Leis suso referidas. No entanto, recebe ainda, o valor de 50% da pensão referente aos proventos de seu falecido Marido, no valor de RS 7.765,83 (contracheque junto doc. 08), aposentado como servidor público, pois o mesmo era Procurador Jurídico da Assembléia Legislativa do Estado de Goiás.(...) Seus proventos normais de aposentadoria são de origem estatutária e não se enquadram no conceito de reparação econômica de caráter indenizatório, mas sim de verba remuneratória, e está sujeita à incidência normal de imposto de renda e contribuição previdenciária.” (fl. 22) Fl. 100DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10120.012611/200934 Acórdão n.º 2101002.159 S2C1T1 Fl. 101 6 No mesmo sentido, o próprio recurso voluntário contém afirmação no sentido de que: “A pensão que percebe é por morte, desvinculada de qualquer caráter indenizatório ou reparação econômica, nos termos da lei antiga e da lei nova” (fl. 74). E, em relação à matéria específica, entendo que a Lei da Anistia apenas reconheceu a não tributação, pelo seu caráter indenizatório, dos valores recebidos em razão do reconhecimento da condição de anistiado, ou seja, dos valores recebidos a título de reparação econômica (seja em prestação única seja em prestação mensal e continuada) ou aos já anistiados políticos nos termos das outras Leis de Anistia. Aliás, a esse respeito, cabível até mesmo a discussão se se trataria de isenção concedida por parte do legislador ou se aplicável o fenômeno da não incidência pura e simples. Por outro lado, no tocante às aposentadorias regularmente concedidas e sem qualquer vinculação à condição de anistiado não vislumbro na referida Lei nº 10.559, de 13/11/02 (especialmente nos artigos 1º, II, e 3º a 9º) a previsão legal de que estas aposentadorias seriam, agora sim, isentas. E a despeito de a aposentadoria/pensão excepcional de anistiado se aproximar, no seu regime jurídico, aos benefícios previdenciários, eles não se confundem, pois possuem pressupostos diversos, quais sejam, a perseguição política no primeiro caso e o risco social no segundo. A Constituição da República é expressa ao exigir lei em sentido formal e material para conceder isenção de tributo instituído por lei, in verbis: “Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) § 6.º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g.” Portanto, entendo que a isenção (ou não incidência) que atinge a reparação econômica de natureza indenizatória percebida pelo anistiado político não pode ser estendida à aposentadoria regularmente concedida nos termos do regulamento geral de previdência, sem relação com a condição de anistiado, por ausência de previsão legal para tanto. Ademais, ainda que assim não fosse, percebese que a Lei n.º 10.559/2002 restringiu a isenção aos próprios anistiados que possuem o direito à reparação econômica de caráter indenizatório, ou seja, a isenção somente se aplica aos valores “pagos a anistiados políticos”, não se transferindo o benefício fiscal , portanto, aos seus dependentes "no caso de falecimento do anistiado político". Realmente, apesar de existir o direito à transferência do direito à reparação econômica aos dependentes, verificase que o artigo 13 da Lei n.º 10.559/2002 não prevê a isenção dos valores recebidos por transferência: “Art. 13. No caso de falecimento do anistiado político, o direito à reparação econômica transferese aos seus dependentes, observados os critérios fixados nos regimes jurídicos dos servidores civis e militares da União.” Fl. 101DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10120.012611/200934 Acórdão n.º 2101002.159 S2C1T1 Fl. 102 7 No mesmo sentido, o Decreto n.º 4.897, de 25 de novembro de 2003, que veio regulamentar o parágrafo único do art. 9º da Lei nº 10.559, de 13 de novembro de 2002, também menciona a isenção somente dos valores pagos “a anistiados políticos”, não mencionando os sucessores: “Art. 1º. Os valores pagos a título de indenização a anistiados políticos são isentos do Imposto de Renda, nos termos do parágrafo único do art. 9º da Lei n.º 10.559, de 13 de novembro de 2002. 1º. O disposto no caput inclui as aposentadorias, pensões ou proventos de qualquer natureza pagos aos já anistiados políticos, civis ou militares, nos termos do art. 19 da Lei nº 10.559, de 2002. 2º Caso seja indeferida a substituição de regime prevista no art. 19 da Lei no 10.559, de 2002, a fonte pagadora deverá efetuar a retenção retroativa do imposto devido até o total pagamento do valor pendente, observado o limite de trinta por cento do valor líquido da aposentadoria ou pensão. Art. 2º O disposto neste Decreto produz efeitos a partir de 29 de agosto de 2002, nos termos do art. 106, inciso I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional. Parágrafo único. Eventual restituição do Imposto de Renda já pago até a publicação deste Decreto efetivarseá após deferimento da substituição de regime prevista no art. 19 da Lei nº 10.559, de 2002.” Portanto, a isenção fiscal é aplicável tão somente para os valores pagos diretamente ao anistiado político (tendo em vista possuírem nítido caráter indenizatório, em razão dos prejuízos causados à pessoa do anistiado), isenção esta que perde o sentido quando se transfere a reparação econômica aos dependentes. No tocante à alegação de suposto bis in idem em razão dos rendimentos já terem sido tributados na fonte, fato é que a Recorrente em sua declaração efetivamente utilizou o total de R$ 11.267,67, a título de Imposto de Renda na Fonte Antecipação, para reduzir a sua base tributável (fls. 33 e 38 dos autos). E, no cálculo do lançamento tributário, também foi respeitada a dedução integral do referido Imposto Retido na Fonte Antecipação no valor de R$ 11.267,67, não tendo sido, portanto, glosado qualquer valor a título de imposto pago, para o cálculo do imposto devido (fl. 9). Nesse sentido, não se verificou a alegada dupla imposição sobre os rendimentos percebidos pela Recorrente, relembrandose, outrossim, que já foi considerado, na primeira instância, o recolhimento do tributo realizado pela Recorrente. Por fim, alega a Recorrente que a Receita Federal não teria legitimidade para a cobrança do imposto de renda ora discutido, em razão do quanto disposto no artigo 157, I da Constituição. Vejase a redação do referido dispositivo: “Art. 157. Pertencem aos Estados e ao Distrito Federal: I o produto da arrecadação do imposto da União sobre renda e proventos de qualquer natureza, incidente na fonte, sobre rendimentos pagos, a qualquer título, por eles, suas autarquias e pelas fundações que instituírem e mantiverem;” Fl. 102DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10120.012611/200934 Acórdão n.º 2101002.159 S2C1T1 Fl. 103 8 Data venia, como cediço, o aludido dispositivo não tem o significado pretendido pela Recorrente, uma vez que a repartição das receitas tributárias não se confunde, em hipótese alguma, com o exercício da competência tributária, sendo essas duas formas distintas utilizadas pelo Constituinte para garantir a autonomia e o recebimento de recursos pelos entes da Federação. Nesse sentido, cumpre salientar que o referido dispositivo está na Seção “DA REPARTIÇÃO DAS RECEITAS TRIBUTÁRIAS” exatamente por tratar da necessidade de repartição posterior das receitas arrecadadas pela União com os Estados e o Distrito Federal. E, para que exista referida partilha de receitas, pressupõese, logicamente, que em momento anterior ocorra a arrecadação do imposto por parte desta. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 103DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 17460.000075/2007-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2402-000.391
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Declarou-se impedido o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Relatório
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Declarouse impedido o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 74 60 .0 00 07 5/ 20 07 -5 1 Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 03/12/20 13 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17460.000075/200751 Resolução nº 2402000.391 S2C4T2 Fl. 1.184 2 Relatório Tratase de auto de infração constituído em 16/01/2007 para exigir a contribuição social previdenciária adicional para custeio da aposentadoria especial de que trata o art. 382 da IN SRP nº 03/2005, relativamente ao período de 10/2003 a 06/2005. Foram arroladas como responsáveis solidárias as empresas (fls. 368/407): Holding Inepar Administração e Participações S.A., Inepar S.A. Indústria e Construções, Inepar Equipamentos e Montagens S.A., Iesa Óleo e Gás S.A., Inepar Energia S.A., Inepar Investment S.A., Penta Participações e Investimentos Ltda., Itaguaí Energia S.A., Inepar Telecomunicações S.A., Inepar Argentinas S.R.L, Inepar Trading S.A., Ibrafem Estruturas Metálicas S.A., Sadafem Equipamentos e Montagens S.A. A Iesa Projetos Equipamentos e Montagens S.A. interpôs impugnação (fls. 408/464) pleiteando pela total insubsistência da autuação. As empresas Sadefem Equipamentos e Montagens S.A., Inepar S.A. Indústria e Construções, Inepar Equipamentos e Montagens S.A., Iesa Óleo e Gás S.A., Inepar Argentina S.R.L., Inepar – Administração e Participações S.A., Inepar Energia S.A., Inepar Investment S.A., Inepar Trading S.A. e Ibrafem Estruturas Metálicas S.A. apresentaram impugnação pleiteando pela extinção da responsabilidade solidária (fls. 465/). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (fls. 730/732) determinou a realização de diligência para que fosse realizada a intimação da Petróleo Brasileiro S.A. – Petrobrás, bem como para que a autoridade fiscal indicasse de forma clara e detalhada quais foram os motivos que ensejaram o lançamento por arbitramento, assim como os critérios utilizados. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Araraquara/SP apresentou Relatório Fiscal Complementar (fls. 768/783) consignando que o arbitramento foi instaurado com base na identificação de cargos expostos a agentes nocivos através da documentação apresentada pela empresa. O contribuinte e os responsáveis solidários foram notificados da diligência (fls. 784/833). A Inepar Equipamentos e Montagens S.A., Iesa Óleo e Gás S.A., Inepar Indústria e Construções, Inepar Administração e Participações S.A., Inepar Energia S.A., Inepar Investment S.A., Inepar Trading S.A., Inepar Argentina S.R.L e Sadefem Equipamentos e Montagens S.A. apresentaram manifestação (fls. 862/877) pleiteando pela extinção da responsabilidade solidária. A Petrobrás apresentou impugnação (fls. 878/888) pleiteando pela extinção da responsabilidade solidária. A Iesa – Projetos Equipamentos e Montagens S.A. (fls. 985/925) se manifestou no sentido de que o auto de infração não coincide com a verdade material, devendo o lançamento ser anulado, bem como que a responsabilidade solidária atribuída às demais empresas deve ser afastada. Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 03/12/20 13 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17460.000075/200751 Resolução nº 2402000.391 S2C4T2 Fl. 1.185 3 A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP julgou o lançamento parcialmente procedente (fls. 952/983), sob o entendimento de que: (i) a empresa Ibrafem Estruturas Metálicas S.A. deve ser excluída do polo passivo e a empresa Sadefem Equipamentos e Montagens S.A. deve permanecer no polo passivo apenas no período de 01/12/2004 a 15/02/2005; (ii) o arbitramento inverte o ônus da prova; (iii) não ficou caracterizado cerceamento ao direito de defesa; (iv) alegações desprovidas de documentação não tem o condão de invalidar o lançamento; (v) os julgadores administrativos não têm competência para se manifestar sobre inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo; (vi) a prova documental deve ser apresentada na impugnação e não há previsão legal para realização de prova testemunhal e sustentação oral; (vii) o pedido de perícia só pode ser atendido quando preenchidos os requisitos estabelecidos na norma; (viii) aplicase a taxa SELIC como forma de atualização dos créditos tributários; (ix) a multa incide apenas sobre o valor principal e não sobre os juros; (x) não há previsão legal para a realização de dupla visita; (xi) caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estiverem sob a direção, controle ou administração de uma delas. A empresa Sadefem Equipamentos e Montagens S.A. interpôs recurso voluntário (fls. 1014/1032) alegando que é controlada pela Ibrafem Estruturas Metálicas S.A., não tendo esta empresa qualquer participação de outra empresa que possua ligação com a Iesa – Projetos Equipamentos e Montagens S.A. ou com o Grupo Inepar. Pleiteou também pela inconstitucionalidade do art. 30 da Lei nº 8.212/91. As empresas Inepar Trading S.A., Inepar Argentina S.R.L., Inepar Equipamento e Montagens S.A., Inepar Investment S.A., Inepar Administração e Participações S.A., Inepar S.A. Indústria e Construções, Iesa Óleo e Gás S.A., Inepar Energia S.A., apresentaram recursos voluntários (fls. 1034/1136) alegando que inexiste grupo econômico, pois não foi verificada a situação prevista no art. 265 da Lei nº 6.404/64, que os seus controles independem da Iesa Projetos e Montagens, e que a cobrança seria nula por não terem sido observados os requisitos legais para sua cientificação quanto à responsabilidade pelo crédito tributário. A Petrobrás apresentou recurso voluntário (fls. 1137/1145) alegando que deve ser afastada a responsabilidade solidária. A devedora principal, Iesa Projetos Equipamentos e Montagens S.A, apresentou em sessão protocolo de interposição de recurso voluntário. É o relatório. Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 03/12/20 13 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17460.000075/200751 Resolução nº 2402000.391 S2C4T2 Fl. 1.186 4 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Antes de analisar as razões recursais, cabe destacar que, embora não constasse dos autos recurso voluntário do contribuinte principal da obrigação, este, durante a sessão de julgamento, apresentou protocolo comprovando ter interposto tempestivamente seu recurso voluntário. Assim, antes de analisar as razões trazidas pelas empresas tidas como responsáveis solidárias que, no caso, estão delimitadas pela formação ou não de grupo econômico para fins de responsabilidade tributária, é necessário que sejam devolvidos os autos à DRFB para que se pronuncie sobre o documento juntado. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência nos termos acima e, após, seja oportunizado ao recorrente o direito de manifestação no prazo de 30 dias. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 03/12/20 13 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10945.721240/2011-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
NULIDADE. LANÇAMENTO APERFEIÇOADO EM DILIGÊNCIA. VALIDADE PARCIAL. As omissões que resultem em prejuízo ao sujeito passivo, quando este não lhes der causa, podem ser sanadas com reabertura do prazo para impugnação, desde que não transcorrido o prazo decadencial para revisão do lançamento. DECADÊNCIA. MATÉRIA DECIDIDA NO RITO DOS RECURSOS REPETITIVOS. OBSERVÂNCIA. OBRIGATORIEDADE. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. APLICAÇÃO DO ART. 150 DO CTN. NECESSIDADE DE CONDUTA A SER HOMOLOGADA. O fato de o tributo sujeitar-se a lançamento por homologação não é suficiente para, em caso de ausência de dolo, fraude ou simulação, tomar-se o encerramento do período de apuração como termo inicial da contagem do prazo decadencial. CONDUTA A SER HOMOLOGADA. Além do pagamento antecipado e da declaração prévia do débito, sujeita-se à homologação em 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, a informação prestada, pelo sujeito passivo, de que não apurou base tributável no período.
RESULTADOS DE ATOS NÃO COOPERATIVOS. CRITÉRIO DE RATEIO. Os custos indiretos e as despesas ou encargos comuns devem ser rateados proporcionalmente às receitas de atos cooperativos e não cooperativos. NORMAS COMPLEMENTARES. PARECER NORMATIVO. Constitui norma complementar de direito tributário parecer normativo publicado no Diário Oficial da União que, no silêncio da lei, e sem contrariar seus fundamentos, estabelece critério de apuração a ser observado por todas as sociedades cooperativas.
RECEITAS FINANCEIRAS. VINCULAÇÃO A EXPORTAÇÕES. INDÍCIOS DE OPERAÇÕES DE COBERTURA. Os ganhos líquidos em bolsa e os rendimentos em operações de swap podem resultar de contratos com natureza de hedge e uma vez agregados às operações de exportação somente podem ser atribuídos exclusivamente a resultados com não cooperados se demonstrado que outra seria a finalidade da aplicação financeira. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. RATEIO. As receitas de exportação não podem ser classificadas exclusivamente como operações com associados quando a cooperativa recebe produtos de cooperados e de terceiros.
ANTECIPAÇÕES. DEDUÇÃO NO AJUSTE ANUAL. GLOSAS INJUSTIFICADAS. Ausente justificativa para a dedução de apenas parte das antecipações nos cálculos do tributo devido, deve ser admitida a dedução integral dos valores originalmente informados em DIPJ.
DESPESAS DE ASSESSORIA EDUCATIVA. Ausente prova em contrário, as despesas de assessoria educativa integram o conceito de prestação de assistência que impede a dedução destes valores na determinação do resultado de atos cooperativos. Contudo, não desconstituída a alegação da contribuinte de que os gastos beneficiaram associados e não associados, a despesa deve ser rateada, segundo os critérios fiscais, para dedução parcial do resultado de atos não cooperativos.
Numero da decisão: 1101-001.013
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em: 1) por voto de qualidade, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário quanto à argüição de nulidade do lançamento, para afastar a parcela da exigência do ano-calendário 2006 vinculada à motivação acrescentada em 01/09/2012, vencidos os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, Manoel Mota Fonseca e José Ricardo da Silva, que davam total provimento; 2) por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao critério de rateio, vencidos os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, Manoel Mota Fonseca e José Ricardo da Silva, que davam provimento; 3) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, em relação ao rateio das receitas financeiras e de exportação, também afastando a exigência de adicional sobre a parcela do lucro tributável resultante das receitas financeiras, votando pelas conclusões os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, e José Ricardo da Silva; 4) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para que as deduções informadas na DIPJ sejam integralmente utilizadas no cálculo do IRPJ devido nos anos-calendário 2006 e 2008; e 5) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente às despesas de assistência educativa, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior fez declaração de voto quanto aos itens 1 e 2.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Manoel Mota Fonseca.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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LANÇAMENTO APERFEIÇOADO EM DILIGÊNCIA. VALIDADE PARCIAL. As omissões que resultem em prejuízo ao sujeito passivo, quando este não lhes der causa, podem ser sanadas com reabertura do prazo para impugnação, desde que não transcorrido o prazo decadencial para revisão do lançamento. DECADÊNCIA. MATÉRIA DECIDIDA NO RITO DOS RECURSOS REPETITIVOS. OBSERVÂNCIA. OBRIGATORIEDADE. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. APLICAÇÃO DO ART. 150 DO CTN. NECESSIDADE DE CONDUTA A SER HOMOLOGADA. O fato de o tributo sujeitarse a lançamento por homologação não é suficiente para, em caso de ausência de dolo, fraude ou simulação, tomarse o encerramento do período de apuração como termo inicial da contagem do prazo decadencial. CONDUTA A SER HOMOLOGADA. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 72 12 40 /2 01 1- 04 Fl. 2070DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.721240/201104 Acórdão n.º 1101001.013 S1C1T1 Fl. 3 2 RECEITAS FINANCEIRAS. VINCULAÇÃO A EXPORTAÇÕES. INDÍCIOS DE OPERAÇÕES DE COBERTURA. Os ganhos líquidos em bolsa e os rendimentos em operações de swap podem resultar de contratos com natureza de hedge e uma vez agregados às operações de exportação somente podem ser atribuídos exclusivamente a resultados com não cooperados se demonstrado que outra seria a finalidade da aplicação financeira. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. 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Acordam os membros do colegiado em: 1) por voto de qualidade, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário quanto à argüição de nulidade do lançamento, para afastar a parcela da exigência do anocalendário 2006 vinculada à motivação acrescentada em 01/09/2012, vencidos os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, Manoel Mota Fonseca e José Ricardo da Silva, que davam total provimento; 2) por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao critério de rateio, vencidos os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, Manoel Mota Fonseca e José Ricardo da Silva, que davam provimento; 3) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, em relação ao rateio das receitas financeiras e de exportação, também afastando a exigência de adicional sobre a parcela do lucro tributável resultante das receitas financeiras, votando pelas conclusões os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, e José Ricardo da Silva; 4) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para que as deduções informadas na DIPJ sejam integralmente utilizadas no cálculo do IRPJ devido nos anoscalendário 2006 e 2008; e 5) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente às despesas de assistência educativa, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior fez declaração de voto quanto aos itens 1 e 2. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. Fl. 2071DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.721240/201104 Acórdão n.º 1101001.013 S1C1T1 Fl. 4 3 (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Manoel Mota Fonseca. Fl. 2072DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.721240/201104 Acórdão n.º 1101001.013 S1C1T1 Fl. 5 4 Relatório COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL LAR, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba/PR que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 12/12/2011, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 23.429.642,30. O Termo de Verificação Fiscal de fls. 1116/1125 principia enunciando que a autuada promoveu exclusões de resultados com atos cooperativos superiores a 100% do resultado apurado nos anoscalendário 2006 a 2008. Além disso, auferiu significativos rendimentos com aplicações financeiras, que seriam tributáveis na forma da Súmula nº 262 do Superior Tribunal de Justiça. Na seqüência dos fatos, destacando o tratamento diferenciado que deve ser dado ao ato cooperativo, e citando os arts. 79, 85, 86, 88 e 111 da Lei nº 5.764/71, bem como os arts. 182 e 183 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000/99 RIR/99, a autoridade fiscal afirmou a necessidade de segregação das operações com cooperados daquelas com não cooperados, como também expresso na Norma Brasileira de Contabilidade Técnica nº 10.8, aprovada pela Resolução CFC nº 920/2001, e no Parecer Normativo CST nº 73/75. E, analisando os cálculos dos rateios e segregação do ato cooperativo do resultado não cooperativo, constatou que o contribuinte utilizou indevidamente como base para rateio das receitas e despesas indiretas o resultado bruto de cada produto (vendas deduzidas de devoluções e custos), no lugar de proporcionalizálas em razão das receitas totais de vendas para cada produto, consoante orienta o item 6 do Parecer Normativo CST nº 73/75. Observou que no cálculo efetuado pelo contribuinte os valores negativos foram somados à base para rateio pelo seu módulo. E as receitas e despesas “diretas” e “indiretas” descritas no relatório CT0231 (fls. 894 a 968) foram rateadas para todos os produtos proporcionalmente ao resultado bruto. Afirma inviável este critério porque foram rateados supostos resultados sem haver vendas, cujos valores foram alocados sem critério como ato não cooperativo. O fiscal autuante, assim produziu novos cálculos, alterando o percentual aplicável às receitas e despesas indiretas, e apurando lucro tributável nos períodos fiscalizados de 2006 a 2008. No anocalendário 2006 admitiu a compensação de prejuízo fiscal acumulado no valor de R$ 599.111,64, bem como fez os ajustes necessários em relação a prejuízo fiscal não operacional. Em todos os períodos também aproveitou as antecipações e o IRRF para reduzir os tributos devidos. Impugnando a exigência, a contribuinte observou que os cálculos da Fiscalização resultaram em apurações de lucro líquido semelhantes àquelas por ela escrituradas e destacou ser inadmissível que no anocalendário 2006, quando apurado lucro líquido de R$ 4.997.909,00, sua base tributável fosse R$ 10.236.144,72. Defendeu a forma de segregação do resultado por ela adotada; opôsse à tributação de rendimentos decorrentes de operações de Fl. 2073DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.721240/201104 Acórdão n.º 1101001.013 S1C1T1 Fl. 6 5 swap e mercado a termo com finalidade de hedge; pleiteou a dedução de base de cálculo negativa apurada em 2004, bem como a aplicação de alíquota de 15% sobre operações cujo código de receita é 5557; e apontou retificações a serem feitas nos valores “a compensar” considerados no lançamento. A autoridade julgadora de 1a instância encaminhou os autos em diligência, por ela assim relatada: Visando a completa elucidação do processo, os autos foram devolvidos à DRF Foz do Iguaçu para que, em sede de Pedido de Diligência, a autoridade lançadora confirmasse (fls. 1558/1559): a) os motivos e critérios utilizados nas glosas efetuadas nos relatórios do contribuinte denominados CT0231, relacionadas às fls. 1088, 1099 e 1110; b) se os lançamentos tiveram a influência de algum resultado de aplicação financeira ou de receitas com derivativos cambiais no mercado a termo; e, c) se os lançamentos tiveram por base alguma operação com código de receita 5557. Em resposta a esse pedido, a DRF Foz do Iguaçu complementou algumas informações prestadas no TVF e prestou os esclarecimentos solicitados. No que se refere aos motivos das glosas efetuadas nos relatórios denominados CT0231, informou que o contribuinte atribuiu a totalidade da receita de exportação à conta de associados, o que não se justifica, uma vez que a segregação das receitas entre sócios e terceiros decorrentes da venda de produtos se dá pela entrada, de modo que as receitas de exportação deveriam ser incluídas no saldo de receitas a ratear por produto. Em razão disso, a fiscalização ajustou o saldo das receitas de associados, subtraindo delas os respectivos valores de receitas de exportação. Ocorre que parte dessa receita de exportação, na realidade, corresponde a ganhos líquidos de aplicações financeiras, sobre os quais há incidência do imposto de renda de acordo com a Súmula nº 262 do STJ, uma vez que não são decorrentes de atos cooperativos típicos, na forma descrita no art. 79 da Lei nº 5.764, de 1971, pois que resultantes de negócios realizados entre a cooperativa e as instituições financeiras. Por essa razão, essa parcela foi somada às Receitas de Terceiros. Já com relação às receitas não operacionais, esclareceu que a cooperativa segregouas indevidamente entre cooperados e terceiros, entretanto, os resultados das operações eventuais devem ser integralmente tributados, segundo descreve o item 4 do Parecer CST nº 73 de 1975. Em razão disso, coube reparo à segregação efetuada pela cooperativa, de modo que a fiscalização excluiu os valores de “Receitas não Operacional Associados”, alocandoos em “Receitas não Operacional Terceiros” para a tributação cabível. Da mesma forma, as despesas não operacionais foram consideradas integralmente como “Despesas não Operacionais Terceiros”. Quanto aos ajustes feitos pela fiscalização relativos à transferência de parte do “Saldo de Despesas a Ratear” para “Despesas de Associados”, informou que estes decorrem das despesas de Assistência Técnica, Educacional e Social, informadas nos relatórios RCTDEMC01 (fls. 1693 a 1756), apresentados pela contribuinte em anexo à resposta de fl. 17. Relata que a fiscalização, no Termo de Intimação de fl. 20, questionou o motivo pelo qual essas não foram lançadas contra o Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social – Fates, tendo o interessado respondido que tais despesas não ocorreram somente com sócios e funcionários. Entretanto, como não era possível segregar essas despesas e como o estatuto da Cooperativa não prevê a aplicação de recursos Fl. 2074DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.721240/201104 Acórdão n.º 1101001.013 S1C1T1 Fl. 7 6 em eventos para comunidades de não associados, a fiscalização procedeu ao ajuste da conta de Despesas de Associados, transferindo para ela os valores que foram contabilizados a título de despesas com Assistência Técnica, Educacional e Social e que foram levados indevidamente ao Saldo de Despesas a Ratear. No tocante a operações com código de receita 5557, esclareceu que esse código se refere a “ganhos líquidos em operações em bolsa e assemelhados”, motivo pelo qual tais receitas se incluem dentre aquelas tributadas pelo Fisco como ganhos líquidos em aplicações financeiras, situação citada anteriormente na Informação Fiscal em questão. Cientificada dessa informação fiscal, a contribuinte complementou suas razões de defesa, apontando a nulidade do lançamento em razão da falta de clareza nos procedimentos e critérios adotados pela fiscalização, revelada nos esclarecimentos posteriormente prestados. Além disso, a exigência seria nula porque decorrente da glosa de exclusões indevidamente informadas no LALUR, mas vinculada, no lançamento, à conduta de “resultados operacionais não declarados”. Insistiu na caracterização das operações de swap e de mercado a termo como auxiliares do ato cooperado. Mas, caso elas sejam interpretadas como aplicações financeiras, defendeu que os valores aplicados são oriundos de atos cooperativos. Subsidiariamente requereu sua tributação na forma do art. 2o, inciso II da Lei nº 11.033/2004. Por fim, questionou também a glosa de despesas com assessoria educativa, afirmando nulo o lançamento, bem como ilegais os motivos adotados pela Fiscalização. A Turma Julgadora rejeitou estes argumentos aduzindo que: · Os esclarecimentos prestados em sede de diligência não alteraram a base legal, nem o valor do lançamento, e uma vez tendo sido reaberto o prazo de defesa, não se verificou qualquer prejuízo que pudesse ensejar a nulidade do lançamento; · A imprecisão na acusação fiscal, ao indicar no Auto de Infração a constatação de resultados operacionais não declarados, não invalida o lançamento, na medida em que o Termo de Verificação Fiscal permite ao autuado compreender perfeitamente as razões do lançamento; · O resultado total do anocalendário 2006 foi inferior à base tributável do lançamento porque a contribuinte apurou prejuízo nas operações com associados; · Na medida em que a NBC T nº 10, a Lei nº 5.764/71 e o RIR/99 não definem a forma de segregação das receitas decorrentes de atos cooperativos e não cooperativos para fins de tributação, o Parecer Normativo CST nº 73/75 externa a interpretação da RFB sobre o assunto e, como ato administrativo, deve ser observado pelos julgadores administrativos; · ... as aplicações financeiras, ainda que não tenham finalidade especulativa e sejam realizadas com a nobre missão de proteger a pessoa jurídica da variação do dólar, refletindo atos de boa administração, não contam com previsão de isenção ou imunidade. A lei somente confere isenção aos atos cooperativos, e as operações financeiras em questão foram praticadas com não cooperados e não estão elencadas entre os objetivos sociais da Cooperativa. Neste sentido seria o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, consoante ementas de julgados transcritas; Fl. 2075DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.721240/201104 Acórdão n.º 1101001.013 S1C1T1 Fl. 8 7 · A base de cálculo negativa de CSLL apurada no anocalendário 2004 foi integralmente consumida no lançamento de que trata o processo administrativo nº 10945.001526/201081, mantido em 1a instância de julgamento e que aguarda apreciação no CARF; · Os resultados de operações financeiras de renda variável já foram computados de forma líquida no resultado do período, e sobre este incidiu a alíquota de 15% pretendida pela recorrente; · As antecipações consideradas pela Fiscalização foram confirmadas nos sistemas informatizados da RFB, e a mera existência de valores maiores informados em DIPJ não autoriza sua dedução complementar no lançamento, até porque no anocalendario 2007 a dedução feita pela Fiscalização foi superior ao apontado pela contribuinte. Ausente prova de valores desconsiderados pela Fiscalização, não há reparos ao lançamento; · As despesas com Assessoria Educativa somente poderiam reduzir em maior parcela o montante tributável se demonstrado que todo o valor beneficiou terceiros. Cientificada da decisão de primeira instância em 06/11/2012 (fl. 2003), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 05/12/2012 (fls. 2005/2067). Entende demonstrada a violação ao art. 142 do CTN, na medida em que os julgadores de 1a instância foram incapazes de compreender o auto de infração e exigiram informações complementares, consoante excertos que destaca no pedido de diligência. A autoridade fiscal, por sua vez, complementou e ajustou o lançamento, inclusive se contradizendo quando reconheceu que o relatório CT0281 também fora objeto de glosa, embora reconhecido no Termo de Verificação Fiscal que seus valores haviam sido integralmente aproveitados. Quanto à participação das receitas financeiras, seus efeitos somente foram conhecidos após a referida diligência. Assim, inexistindo clareza na apuração da matéria tributável e do fato gerador nem no modo de apuração/quantificação do montante do tributo devido, os quais somente foram explicitados após a impugnação, há manifesto cerceamento de defesa e violação à ampla defesa. Tratase, assim, de vício material que impõe a declaração de nulidade do lançamento. Reputa improcedente a afirmação da autoridade julgadora de que o Termo de Verificação Fiscal permite ao contribuinte compreender perfeitamente as razões do lançamento, pois referido documento em momento algum se reporta a glosa de exclusões, a ajuste no relatório CT0281, a ajustes nas receitas de terceiros com adição das receitas decorrentes de operações swap e mercado a termo, e a glosa de despesas com assessoria educativa. Entende que não poderia ficar a mercê das maiores arbitrariedades por parte da fiscalização, as quais sempre poderiam ser sanadas em momento posterior, e reportase a julgados administrativos que afirmam o cerceamento ao direito de defesa em circunstâncias semelhantes. Ainda, a autoridade julgadora de 1a instância, embora reconhecendo que o auto de infração não veicula a real descrição da razão do lançamento, sustenta que o Termo de Verificação Fiscal supriria esta falha, em que pese os vícios acima relatados. Diz não possuir os mesmos conhecimentos técnicos dos julgadores, que também não compreenderam o Fl. 2076DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.721240/201104 Acórdão n.º 1101001.013 S1C1T1 Fl. 9 8 lançamento, e questiona a postura da Turma Julgadora de primeira instância, que acabou por convalidar violações inadmissíveis às garantias do devido processo legal e ampla defesa. Reportase a outros julgados administrativos que afirmam nulo o lançamento que contenha falha na descrição do fato, por ofensa ao art. 10, inciso III, do Decreto nº 70.235/72. Reafirma a incongruência nos cálculos do resultado do anocalendário 2006, acrescentando que o resultado com associados, quando negativo, não compõe o lucro líquido, e que o resultado tributável é somente o resultado não operacional e não o lucro real. Entende que a Turma Julgadora atuou como legislador quando asseverou que o IRPJ incide apenas sobre a parcela positiva do lucro obtido com o resultado de terceiros. Diz que no lançamento foi utilizado o valor do lucro operacional como base de cálculo do lançamento, quando sabidamente a legislação vigente impõe a apuração do lucro real. Assim, as divergências apuradas pela Fiscalização deveriam fazer referência à parte contábil ou extracontábil, em conformidade com o que dispõe a legislação, como inclusive ressaltado no próprio Parecer PGFN/CRF nº 439/90, citado na decisão recorrida. Seria contraditória a decisão que mantém o lançamento calcado no lucro operacional, ao passo que concorda inexistir divergência quanto à apuração do lucro líquido. Acrescenta que a manutenção do lançamento com base no Parecer Normativo CST nº 73/75 ignora sua revogação tácita pelo DecretoLei nº 1.598/77, dada a alteração por este promovida no lucro operacional, de modo a considerar, por exemplo, receitas financeiras que ali não eram computadas. Cogita, inclusive, que em razão destas alterações o referido Parecer não é disponibilizado para consulta. Por estas razões, reitera o pedido de inexigibilidade de quaisquer valores no anocalendário 2006. Defende os critérios de segregação adotados, porque em conformidade com a Lei nº 5.174/71, com o RIR/99 e com o item 10.8.4 da NBC 10.8. Entende que o Parecer Normativo CST nº 73/75, caso ainda vigente, somente vincularia os servidores da Receita Federal, e ressalta que em momento algum pediu a declaração de sua ilegalidade, mas apenas afirmou que ele não teria força cogente. O Fisco não poderia desconsiderar a segregação operada pelo contribuinte, sob pena de arbitrariedade, visto que a própria autoridade julgadora reconhece que nem a lei, nem o RIR/99, estabelecem critérios diversos daqueles por ela empregados. Como o critério imposto pelo Parecer Normativo CST nº 73/75 é mais oneroso, haveria evidente ofensa ao princípio da legalidade estrita. Reproduzindo os dispositivos legais e normativos pertinentes, frisa que atendeu à exigência de contabilização em separado dos resultados das operações com não associados, e assim apurou o resultado positivo das operações e atividades estranhas à sua finalidade. Em seu entendimento, se o Poder Legislativo e o Poder Regulamentar não vislumbraram necessário estabelecer regras específicas e mais minuciosas para a segregação dos resultados de ato não cooperativo, não pode a Administração, por conta própria, estabelecer exigências e desconsiderar a atividade do contribuinte que agiu em conformidade com a lei e com o regulamento. Fl. 2077DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.721240/201104 Acórdão n.º 1101001.013 S1C1T1 Fl. 10 9 Transcreve doutrina em reforço ao entendimento de que os pareceres normativos somente vinculam os subalternos da autoridade que o aprovou. Ademais, a falta de publicidade do Parecer Normativo CST nº 73/75 já impediria sua validade. Reportase a texto do “Perguntas e Respostas” da Receita Federal que, embora citando o referido Parecer, não impõe a observância dos critérios ali expostos. E transcreve jurisprudência administrativa contrária à imposição de obrigações aos contribuintes estabelecida em norma interna da Administração sem o correspondente suporte em diploma legal. Complementa que o Parecer CST nº 73/75 não foi recepcionado pela Constituição Federal de 1988, por veicular critério mais restritivo, com inspiração totalmente contrária ao espírito cooperativista instaurado na ordem jurídica vigente. O critério adotado pela recorrente não violou qualquer norma legal, é mais favorável à Cooperativa, e seu abandono resulta em exigência que comprometerá gravemente a saúde financeira da entidade. Subsidiariamente observa que as receitas financeiras deveriam ser retiradas do lucro operacional, visto que na vigência do RIR/66 este tipo de receita não integrava o lucro operacional, e esta foi a base de cálculo adotada no lançamento. Defende a razoabilidade do critério adotado pela cooperativa, porque leva em consideração o custo de cada produto. Na medida em que para produtos com maior margem são despendidos maiores esforços, também maiores são os custos diretos e indiretos nestes casos. As receitas indiretas também manteriam maior correlação ao resultado bruto de cada produto, pois um produto com baixa margem de lucro, por certo, gera pouco ou nenhum excedente financeiro e, portanto, gera pouco ou nenhum recurso para aplicações financeiras, quer seja em instituição financeira ou para financiar associados. O contrário ocorre com produtos altamente lucrativos, em razão do maior excedente financeiro. Opõese à aplicação da Súmula STJ nº 262, pois os valores que são assegurados em hedge pertencem, efetivamente, aos cooperados, e inexiste o caráter especulativo presumido pela referida Súmula. Reportandose aos esclarecimentos prestados pela Fiscalização em diligência, diz inexistir fundamento legal para segregar os ganhos líquidos de swap e de mercado a termo das receitas de exportação, dado que eles foram promovidos com finalidade de hedge. Ademais, seu Estatuto Social, ao contrário do que argumentou a decisão recorrida, prevê a obrigação da cooperativa assim proceder. Cita os precedentes que ensejaram a Súmula STJ nº 262 para firmar que ali somente se tratava de aplicações financeiras de natureza especulativa. Transcreve doutrina acerca da necessidade das operações de cobertura, e conclui observando que estas operações sequer promovem efetiva alteração positiva no resultado do exercício, motivo, inclusive, dos questionamentos acerca da constitucionalidade do art. 5o da Lei nº 9.779/99 que determina a incidência do imposto de renda sobre os resultados financeiros destes contratos. Transcreve outro excerto doutrinário para concluir que as operações de swap e de mercado a termo enquadramse no conceito de negócio auxiliar do ato cooperado, sobre o qual não incidem o IR e a CSLL. E enfatiza a cláusula de seu Estatuto Social que lhe obriga a contratar seguro para diminuir os riscos na exportação, dos produtos dos associados, Fl. 2078DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.721240/201104 Acórdão n.º 1101001.013 S1C1T1 Fl. 11 10 inclusive assegurandolhes adequado canal de colocação dos produtos no mercado internacional. Aborda a classificação doutrinária dos negócios cooperativos, transcreve jurisprudência a respeito, e ressalta o reconhecimento de que tais contratos são negócios jurídicos necessários à boa administração da Cooperativa. Subsidiariamente argumenta que a jurisprudência administrativa reconhece os resultados de aplicações financeiras como ato cooperativo. E complementa que o art. 43 do CTN somente admite a incidência sobre o resultado líquido, com conseqüente dedução das despesas financeiras de sua base de cálculo. Observa, por fim, que a incidência nestes autos não se limita à alíquota de 15%, como dito na decisão recorrida, mas também incorpora o adicional de 10%. Com referência aos valores a compensar, aduz que a glosa promovida pela Fiscalização, em relação aos valores deduzidos em DIPJ, não foi justificada, com evidente cerceamento ao seu direito de defesa. De outro lado, os valores deduzidos em 2006 a título de IRRF poderiam ser facilmente confirmados nos sistemas informatizados da Receita Federal, e o art. 37 da Lei nº 9.784/99 impõe ao agente público agir de ofício em tais condições. Por fim, pede o cancelamento integral da glosa de despesas com assessoria educativa, porque não apontada no Termo de Verificação Fiscal. De outro lado, o remanejamento feito pela Fiscalização é ilegal, porque os valores destinados ao FATES somente podem ser empregados em atividades relacionadas à prestação de assistência a seus colaboradores, e inclusive neste sentido é a determinação de seu Estatuto Social. Questiona, assim, a pretensão de tributar a Cooperativa que vai além do que a lei cooperativista lhe obriga e fornece treinamento e formação para um público mais abrangente do que as previsões de dispêndio do FATES, dado que o investimento em formação cooperativista é uma das missões que a Recorrente mais preza e, como não se conduz pela ótica empresarial da otimização do lucro a todo custo, via de regra, oferece formação em temas cooperativistas para a comunidade em geral, às expensas das receitas correntes. Em 03/10/2013 a contribuinte apresentou razões finais, acompanhadas de Parecer Técnico elaborado por Nelson Lósso Filho e Diná Sampaio Faria Gasparini. Em sua petição, a recorrente reitera a ausência de subsunção dos fatos à norma e o erro na capitulação legal, dada a exígua descrição contida no Auto de Infração e o fato de ela não possuir qualquer relação com o Termo de Verificação Fiscal. Somente com a Informação Fiscal lavrada no curso da diligência requerida pela autoridade julgadora de 1a instância, os ajustes promovidos teriam chegado ao seu conhecimento. Enfatiza a ausência dos dispositivos normativos infringidos e que a própria DRJ reconheceu que o auto de infração não representava a real descrição da razão do lançamento. Pede, assim, a declaração de nulidade do lançamento por inobservância do art. 142 do CTN, invocando o princípio da legalidade. Na seqüência, reportase ao cerceamento do direito de defesa por ausência de motivação do lançamento e da ausência de demonstração dos parâmetros utilizados para a apuração da base de cálculo, observando que o lançamento inicialmente apenas apontava erro na apuração do percentual utilizado no rateio das receitas e despesas indiretas, e que a falta de Fl. 2079DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.721240/201104 Acórdão n.º 1101001.013 S1C1T1 Fl. 12 11 clareza nos procedimentos e critérios utilizados para a constituição do crédito tributário restou patente com a conversão do julgamento de 1a instância em diligência e com os esclarecimentos prestados pela Fiscalização. Invoca as garantias constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, bem como o art. 37 da Constituição Federal, acrescentando que mesmo após a prestação de informações a nulidade não foi suprida, porque os esclarecimentos prestados não constavam do lançamento original. Em suas palavras: 43. Assim, resta flagrante a ofensa a diversos princípios que informam a atividade administrativa, bem como os demais dispositivos constitucionais referenciados e ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional, quando não relatou, de forma correta e precisa, e mesmo omitiu, qual teria sido a infração que praticada pela Recorrente, não demonstrou o critério jurídico adotado para fins de apuração da base de cálculo e, por óbvio, tampouco junto provas da conduta supostamente irregular, limitandose a citar os artigos 249 e 250 do RIR/99 e artigos 2o e 3o, da Lei nº 7.689/88. Discorda da decisão recorrida que, frente à motivação contraditória e incompleta no Termo de Verificação Fiscal, manteve o lançamento como realizado. E observa que a alteração do lançamento somente é possível dentro do prazo decadencial, e na forma o art. 149 do CTN, que não cogita da possibilidade da retificação de critérios jurídicos/materiais do lançamento. Observa que alterações de critério jurídico somente poderiam se verificar mediante Termo de Retificação e Ratificação, e invoca o art. 41 do Decreto nº 7.574/2011, que exige a lavratura de lançamento complementar, sob pena de se fazer ou permitir fazer o absolutamente inaceitável, e que efetivamente já ocorreu, qual seja, a alteração do lançamento objeto destes autos, no curso do próprio processo administrativo em sede de julgamento. Cita julgados administrativos contrários à alteração de critério jurídico do lançamento. Argúi a decadência do direito de lançar crédito tributário relativo ao ano calendário de 2006, em razão de alteração de ofício do lançamento realizada em 17/08/2012, aduzindo que a alteração de ofício de quaisquer dos requisitos do lançamento contidos no art. 142 do CTN caracteriza um novo lançamento, o qual não poderia se verificar depois de transcorrido o prazo previsto no art. 150, §4o do CTN, mormente tendo em conta a existência de pagamento parcial do tributo lançado. Reitera a nulidade do lançamento por ausência e vício de fundamento legal que lhe suporte, reportandose à não incidência de tributos sobre os resultados de atos cooperativos e afirmando que os procedimentos adotados pela Recorrente para a segregação das receitas e despesas indiretas estão rigorosamente de acordo com a legislação de regência. Novamente menciona que houve considerável avanço no entendimento do que seja “ato cooperado” depois da edição do Parecer Normativo CST nº 73/75, e que este foi editado antes da Lei das S/A e do Decretolei nº 1.598/77. Complementa que: 83. Hoje, diante da expressividade que as cooperativas possuem no mercado e dos custos que compõe cada mercadoria vendida, principalmente em razão das inúmeras alterações na legislação tributária, é impossível se pensar no rateio das receitas e despesas indiretas sem considerar custos e até devoluções. 84. Se o rateio dessas receitas tem como objetivo justamente chegar ao valor que será atribuído a cada produto na apuração do seu resultado líquido tributável, nada Fl. 2080DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.721240/201104 Acórdão n.º 1101001.013 S1C1T1 Fl. 13 12 mais justo que se parta do resultado bruto de cada produto, retirandose dele os custos diretos, as devoluções e cancelamentos. Isso porque, se partirmos da receita bruta, que inclui os custos diretos do produto, o percentual encontrado estará distorcido, já que nele estarão valores referentes a custos e até devoluções, que não devem ser considerados para fins de rateio da participação de determinado produto na receita da sociedade cooperativa. Como se pode dizer que o percentual de rateio de uma receita ou despesa indireta foi aumentado em razão de ter sido considerado para fins de cálculo o custo do produto? Se assim fosse, esse percentual não reflete a real participação do produto no resultado da sociedade e se estará tributando, muitas vezes, receitas não tributáveis, receitas de associados. Reportase ao parecer técnico juntado, destacando sua conclusão de que não deve ser engessada a cooperativa pelo cálculo de rateio com base na receita bruta, tendo a mesma adotado um método consistente e uniforme. Observa que a lei e o regulamento são omissos quanto a esta matéria e que o Parecer Normativo exige o que a lei não exigiu. Diz ter observando as normas contábeis acerca da segregação de resultado dos atos não cooperados, cita lições de Eliseu Martins acerca de rateio de custos indiretos e do grau de subjetivismo presente em qualquer forma de rateio, bem como da necessidade de se promover o rateio segundo os critérios julgados mais adequados para relacionálos aos produtos em função dos fatores mais relevantes que se conseguir, especialmente tendo em conta as características especiais do próprio processo de produção. Cita o Parecer Normativo COSIT nº 5/94 acerca da natureza dos pareceres normativos, os quais somente seriam vinculantes quando em conformidade com a lei. Restringe a discussão à imposição de um parecer que inova, impondo um critério de rateio de receitas e despesas de modo arbitrário, sob o mero julgamento da sua conveniência. Observa que sendo mero uso do poder de emitir interpretações normativas vinculantes pela Administração, deveria, ao menos, seguir os limites impostos pela lei, mas nunca ampliálos. E conclui que suposta lacuna legal não poderia ser sanada por parecer normativo. Invoca os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade para afastar a exigência de crédito tributário em face de sujeito passivo que promoveu o rateio sem distorções, e reportase a julgados administrativos em favor de seu entendimento. Ainda, aponta erro na metodologia do lançamento, na medida em que o Parecer Normativo CST nº 73/75 não cogita da segregação analítica “por produto”. Reporta se às conclusões do parecer técnico apresentado no sentido de que a fiscalização deixou de efetuar o cálculo sintético, por totais, da relação percentual entre cada uma das duas receitas, com os associados e com os não associados, em relação ao total da receita bruta. Cita também erro na base de cálculo, porque a exigência deveria ter se lastreado em arbitramento dos lucros, vez que na Informação Fiscal, a autoridade lançadora afirma diversas vezes que a Recorrente utilizou valores distorcidos para fins de apuração dos atos com associados e com terceiros e que haveria incongruências na contabilidade da Recorrente e ausência de informações na DIPJ. Ademais, o parecer técnico enunciaria vários custos e despesas considerados indiretos, mas que, por sua natureza, poderiam ser facilmente classificados como encargos diretos e alocados às receitas com associados e não associados. Entende ser evidente o erro da metodologia de cálculo utilizada para o lançamento, vez que a Douta Autoridade Fiscal ratifica muitos dos supostos erros cometidos pela Recorrente e acaba por apurar, ainda com critérios mais equivocados ou incertos, base Fl. 2081DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.721240/201104 Acórdão n.º 1101001.013 S1C1T1 Fl. 14 13 de cálculo, por óbvio, incorreta. Verificadas consideráveis divergências entre os valores escriturados e os declarados, caberia, como método de autuação, o arbitramento dos lucros. Reportase ao art. 530, incisos II, alínea b do RIR/99, diz que houve verdadeira desconsideração de sua escrita para fins de aferição do lucro tributável. Por fim, diz indevida a multa, porque também indevido o principal, e se opõe à aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício. O parecer técnico, por sua vez, expressa as seguintes respostas aos quesitos apresentados: Quesito 1: A utilização do resultado bruto (lucro bruto) como base de rateio dos custos e despesas indiretas para imputação ao resultado dos atos cooperativos e não cooperativos, é admitida pelas regras contábeis? Como se verifica na fundamentação apresentada, o método de rateio de despesas indiretas adotado pela empresa encontra respaldo nas normas de contabilidade, assegurando certeza quanto à conclusão dele decorrente. O item 06 do Parecer normativo CST n° 73/1975, indicado como sustentação do auto de infração pelo Fisco, deve ser aplicado como opção de rateio de custos e despesas indiretas somente quando restar impossível a alocação direta desses desembolsos na apuração dos resultados com associados e não associados, como também na ausência de critério de rateio uniforme no tempo. A utilização pela empresa de outro critério de rateio que não aquele sugerido pelo supra citado parecer, desde que justificado, é acatada pelas norma contábeis. Desta forma, este item 06 não é para todos os casos um imperativo absoluto. Quesito 2: O Parecer Normativo CST n° 73/1975 pode ser considerado como norma legal para exigência lançada no auto de infração? O Parecer Normativo CST n° 73/1975 não pode ser considerado como norma para sustentar a exigência consubstanciada no auto de infração. Regra geral, a edição de um parecer normativo é resultante de determinadas soluções de consultas apresentadas pelos contribuintes à Receita Federal do Brasil, a fim de dirimir dúvidas a respeito da matéria em análise. Pareceres Normativos são recomendações, orientações, do Fisco a respeito de matéria que gerou dúvidas aos contribuintes quanto a procedimento tributário, não podendo ser sustentáculo para exigência de impostos, mormente quando não há discrepância no critério de rateio aplicado pela pessoa jurídica. Mera orientação não se confunde com exigência legal. Quesito 3: A aplicação dos critérios sugeridos pelo Parecer Normativo CST n° 73/1975 a fato ocorrido mais de trinta anos após a sua edição reflete a conjuntura econômica e tributária para a qual foi editado? O critério de rateio de despesas e custos indiretos sugeridos pelo Parecer Normativo CST n° 73/1975 reflete o momento econômico/tributário acontecido no ano de 1975, ou melhor, antes dele, já que qualquer parecer normativo é resultado de consultas anteriores e formação de convicção. Traduz mais a situação fiscal dos anos 1960 ou final dos anos 1950, com toda conjuntura altamente centralizada e um mercado interno incipiente, no qual as cooperativas não tinham a pujança que Fl. 2082DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.721240/201104 Acórdão n.º 1101001.013 S1C1T1 Fl. 15 14 alcançaram nos anos 2000 e sem a diversidade de despesas e encargos existentes à época da autuação, 2006 a 2008. No caso em voga, não deve ser engessada a cooperativa pelo cálculo de rateio com base na receita bruta, tendo a mesma adotado um método consistente e uniforme. Quesito 4: A metodologia aplicada pela Fiscalização para determinar os percentuais de rateio das despesas indiretas, ao considerar a receita bruta de cada produto individualmente, numa abordagem analítica, seguiu os ditames do Parecer Normativo CST n° 73/1975? A fiscalização não adotou os critérios determinados pelo Parecer Normativo CST n° 73/1975. Este, em seu item 06, prescrevia que no caso da impossibilidade de se alocar os custos e despesas diretamente à receita bruta oriunda de cada atividade, com associados e não associados, deveria ser efetuada a apuração de percentual de rateio para a distribuição dos custos e despesas indiretas, tendo por base a receita de cada atividade em relação à receita bruta total. A fiscalização deixou de efetuar o cálculo sintético, por totais, da relação percentual entre cada uma das duas receitas, com os associados e com os não associados, em relação ao total da receita bruta. O Fisco calculou o resultado de cada produto vendido, uma gama enorme de produtos, em procedimento analítico da questão, contrariando os ditames contidos no Parecer Normativo que sustentou a exigência fiscal. Pela análise das tabelas elaboradas pelo autuante, verificamos que foi apurado por produto vendido, um a um, o percentual da receita individual em relação à receita bruta total. Em seguida, esse percentual por produto foi aplicado sobre o total das despesas e custos indiretos a ratear. O montante de despesa indireta por produto foi, então, computado, de ofício, na apuração dos resultados com associados e não associados. [...] Quesito 5: Com fulcro na escrituração contábil, podese afirmar que está correta a classificação dos custos e despesas indiretas adotada pela empresa? Analisando a escrituração contábil da cooperativa, verificamos a existência de incorreção na classificação dos custos e despesas indiretas, tendo a pessoa jurídica incluído no rol de indiretos montantes que nitidamente podem ser identificados como encargos diretos, por terem características que possibilitam a alocação diretamente às receitas com associados ou não associados. Como exemplo, tomemos o ano de 2006. Os custos e despesas indiretas sujeitos a rateio, após os ajustes efetuados pela fiscalização, foram da monta de R$ 183.932.647,86, total constante da tabela 07 Rateio das Despesas Indiretas e Demais Receitas, elaborada pelo Fisco. Segundo as memórias de cálculo fornecidas pela consulente, os custos e despesas indiretas no ano de 2006 foram os seguintes: [...] Saltam aos olhos as incongruências cometidas pela cooperativa, corroboradas pela fiscalização, que em momento algum questionou a identificação das despesas e custos indiretos listados pela pessoa jurídica. Fl. 2083DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.721240/201104 Acórdão n.º 1101001.013 S1C1T1 Fl. 16 15 Diversas despesas consideradas como indiretas pela cooperativa, indicadas no quadro anteriormente transcrito, podem ser imputadas com facilidade às receitas correspondentes, não necessitando da insegurança da aplicação de percentual de rateio. Dentre todos os custos considerados incorretamente como indiretos, o que mais se destaca é o ICMS Incidente Sobre Vendas, no valor de R$ 27.590.145,75. Isto porque é um tributo correlacionado às vendas, o que possibilitaria imputar diretamente tal gasto às receitas oriundas de atos com associados ou atos com não associados. De um total de R$ 184.055.334,72, que a pessoa jurídica considerou como custo ou despesa indiretos, o montante de R$124.091.186,70 poderia ter sido classificado como direto, não se sujeitando a rateio, o que corresponde a 67,42% do total da base de rateio no ano de 2006. No quadro a seguir, constam a descrição e os valores de cada gasto considerado indevidamente pela pessoa jurídica como indireto e rateado para o resultado com associados e não associados. [...] Já quanto à identificação de receitas com associados e não associados, o Fisco quedouse silente, acatando, com pequenos ajustes, os números apresentados pela cooperativa. Assim se manifesta o autuante no Termo de Verificação Fiscal: [...] As inconsistências na identificação dos custos e despesas indiretos, bem como na distinção entre receitas com associados e não associados, aconteceram em todos os períodos fiscalizados, 2006, 2007 e 2008. Quesito 6: A cooperativa considerou incorretamente como indiretas despesas e custos que são relacionados diretamente às receitas com não associados? Em todos os períodos auditados, 2006, 2007 e 2008, a empresa classificou um grande número de contas como representativas de custos e despesas indiretas, sujeitando seus saldos finais a rateio, quando deveria imputar seus montantes diretamente às receitas correspondentes, com associados e com não associados. Quesito 7: O Fisco efetuou a tributação tomando por base valor incorreto do total das despesas indiretas? Ao fazer apenas pequenos ajustes nas bases de rateio de despesas, a fiscalização utilizou como ponto de partida para imputação entre associados e não associados montantes incorretos de gastos indiretos, tornando assim viciada toda a sua apuração. Fl. 2084DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.721240/201104 Acórdão n.º 1101001.013 S1C1T1 Fl. 17 16 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Preliminarmente a recorrente argúi a nulidade do lançamento, por ofensa ao art. 142 do CTN, na medida em que a própria autoridade julgadora de 1a instância foi incapaz de compreender o auto de infração e exigiu informações complementares à autoridade lançadora, a qual ajustou o lançamento com base em ao menos um argumento contrário ao que havia justificado o lançamento original. Por sua vez, a repercussão das receitas financeiras no lançamento somente foi conhecida após a diligência. O exame dos autos evidencia que, para além do esclarecimento do fato de que as exclusões do resultado cooperativo superaram o resultado do exercício (fls. 10/16 e 17), a autoridade lançadora analisou os comprovantes utilizados na escrituração das contas de Exportação, item 26 dos relatórios CT0231, bem como teve em consideração a Relação de contas incluídas nos saldos de receitas e despesas a ratear nos relatórios “CT0231”, formulando extenso questionário de esclarecimentos relativos aos relatórios “CT0271” e “CT0281” utilizados pela Cooperativa para cálculo das operações com terceiros, o qual ensejou respostas da fiscalizada (fls. 14/16, 18/19, 20/28, 30/31). Assim, a partir da Memória de Cálculo das Operações com Terceiros (fls. 894/968) e dos esclarecimentos obtidos, a autoridade fiscal formulou novas tabelas de rateio (fls. 1021/1063), determinando o resultado tributável nos períodos fiscalizados. Quanto às receitas financeiras, no início do Termo fez referências à Súmula nº 262 do STJ e às informações contidas em DIRF acerca de rendimentos daquela natureza, e tendo em conta que os resultados dessas aplicações financeiras foram excluídos do resultado fiscal, junto à exclusão do ato cooperativo, justificou que estes aspectos teriam motivado o procedimento fiscal. Impugnada a exigência, a autoridade julgadora de 1a instância assim fez consignar no despacho que converteu o julgamento em diligência: 3. Num primeiro momento, a leitura desse TVF dá a entender que o único motivo do lançamento seria o erro na apuração do percentual utilizado no rateio das receitas e despesas indiretas. Entretanto, foram feitos alguns ajustes nas receitas e despesas indiretas apontadas pelo contribuinte (fls. 1088, 1099 e 1110) que não foram explicitados no TVF. Por exemplo: no anocalendário de 2006 (fl. 1088), as exportações deixaram de ser consideradas Receitas de Associados (R$6.875.747,93), sendo distribuídas entre Receitas de Terceiros e Receitas a Ratear. Não ficou claro nem o motivo da glosa, nem o critério utilizado para a distribuição das exportações entre as Receitas de Terceiros e as Receitas a Ratear. Pelo lado das despesas, o valor de R$320.142,78, que constava como Despesa Não Operacional, foi integralmente somado às Despesas de Terceiros sem qualquer justificativa no TVF, o que diminuiu o Saldo de Despesas a Ratear. 4. Por outro lado, na impugnação, o contribuinte relata que o item 3 do Termo de Verificação fiscal consignou que "são tributáveis os rendimentos de aplicações financeiras realizadas pela Cooperativa. ‘Súmula 262 do STJ: Incide o imposto de Fl. 2085DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.721240/201104 Acórdão n.º 1101001.013 S1C1T1 Fl. 18 17 renda sobre o resultado das aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas’". Ressalta, porém, que não conseguiu constatar no Auto de Infração quais os reflexos financeiros que esse tópico imprimiu ao lançamento mas, mesmo assim, impugnou a exigência nessa parte. No TVF, o trecho relativo ao procedimento fiscal não menciona nada, mas o Assunto do Termo cita "Falta de inclusão no resultado cooperativo das receitas com derivativos cambiais no mercado a termo", o que justifica a dúvida sobre o reflexo dessas receitas nos ajustes realizados e, consequentemente, no lançamento. Desta forma, além de referências aos questionamentos acerca de operações sob o código de receita 5557, a autoridade julgadora requereu manifestação da autoridade lançadora, de modo a complementar o Termo de Verificação Fiscal com a justificativa para cada glosa realizada e informando, principalmente: a) os motivos e critérios utilizados nas glosas efetuadas nos relatórios do contribuinte denominados CT0231, relacionadas às fls. 1088, 1099 e 1110; b) se os lançamentos tiveram a influência de algum resultado de aplicação financeira ou de receitas com derivativos cambiais no mercado a termo. Na Informação Fiscal de fls. 1774/1783, a autoridade lançadora preliminarmente afirmou necessário retificar e complementar os itens 19, 21(a) e 21(c) do TVF, quanto à informação de que foram utilizados pela fiscalização os mesmos dados apresentados pela contribuinte nos relatórios CT0281 (fls. 930 a 968). Indicou, assim, a correção procedida em estoques iniciais dos produtos cuja segregação do ato cooperativo foi realizado pela entrada, bem como nos percentuais do ato cooperativo dos produtos “851 Alimentos Lar MS”, “852 Alimentos Lar SP” e “853 Alimentos Lar RS” e nos resultados brutos dos produtos “832 Supermercados” e “833 Gas. e Cigarros”, justificando a razão dos ajustes. Além disso, quanto ao relatório CT0231, observou que a contribuinte atribuiu a totalidade da receita de exportação (linha 26) à conta de associados (A), o que não se justifica uma vez que a segregação das receitas decorrentes de produtos entre sócios e terceiros se dá pela entrada, de modo que as receitas de exportação haveriam de ser incluídas no saldo de receitas a ratear por produto. Em razão disso, a fiscalização ajustou o saldo das receitas de associados, conforme apresentado nos quadros acima, subtraindo delas os respectivos valores de receitas de exportação dos anoscalendário de 2006 (R$ 6.875.747,93), 2007 (R$ 14.944.489,54) e 2008 (R$ 24.866.961,54). Destacou, ainda, que parte da receita de exportação correspondia a ganhos líquidos de aplicações financeiras, justificando sua segregação para tributação. Também esclareceu acerca do indevido rateio de resultados não operacionais, passando a alocálos integralmente no resultado tributável. E justificou a transferência de despesas a ratear para despesas de associados, referentes à Assistência Técnica, Educacional e Social. Por fim, informou que glosou exclusões do lucro real por falta de comprovação durante o procedimento fiscal. Ao final, ressaltou que as retificações informadas e os esclarecimentos feitos não produzem qualquer alteração nos valores apresentados nos demonstrativos e planilhas que acompanharam o Auto de Infração e também não causam qualquer modificação nos valores dos créditos lançados de ofício e nem na fundamentação legal da autuação fiscal. A contribuinte foi cientificada desta informação fiscal em 01/09/2012 (fl. 1784). E embora a Fiscalização, de fato, não tenha alterado o crédito tributário exigido ou sua Fl. 2086DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.721240/201104 Acórdão n.º 1101001.013 S1C1T1 Fl. 19 18 fundamentação legal, houve evidente acréscimo na descrição dos fatos, de modo a justificar a desconsideração de procedimentos adotados pela contribuinte para apuração de sua base tributável. É certo que a Fiscalização originalmente formulou planilhas de cálculo e permitiu ao sujeito passivo identificar, mediante comparação com suas memórias de cálculo, quais itens foram alterados, ensejando maior base tributável nos períodos fiscalizados. Porém, a única justificativa apresentada no auto de infração, para estas retificações, foi a inobservância dos critérios de rateio expressos no item 6 do Parecer Normativo CST nº 73/75. Nem mesmo o entendimento de que seriam integralmente tributáveis os ganhos líquidos em operações financeiras foi exposto como motivação do lançamento, mas sim como motivação do procedimento fiscal. Tanto assim é que na Informação Fiscal, além de fazer referência à Súmula STJ nº 262, a autoridade fiscal também invoca o art. 79 da Lei nº 5.764/71. Assim, tem razão a recorrente quando afirma que os julgadores de 1a instância foram incapazes de compreender o auto de infração e exigiram informações complementares, bem como que a autoridade fiscal, ao promover a complementação, se contradisse reconhecendo que o relatório CT0281 também fora objeto de glosa. Igualmente correto é o entendimento de que inexistindo clareza na apuração da matéria tributável e do fato gerador nem no modo de apuração/quantificação do montante do tributo devido, os quais somente foram explicitados após a impugnação, há manifesto cerceamento de defesa e violação à ampla defesa. Todavia, este vício material não impõe, necessariamente a declaração de nulidade do lançamento. Isto porque o lançamento não é imutável depois de formalizado. O Decreto nº 70.235/72 autoriza seu ajuste com devolução do prazo de impugnação ao sujeito passivo: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) O Decreto nº 7.574/2011, por sua vez, ao regulamentar o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União, assim tratou da matéria: Art.41. Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões, de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será efetuado lançamento complementar por meio da lavratura de auto de infração complementar ou de emissão de notificação de lançamento complementar, específicos em relação à matéria modificada (Decreto no 70.235, de 1972, art. 18, § 3o, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o). § 1o O lançamento complementar será formalizado nos casos: Fl. 2087DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.721240/201104 Acórdão n.º 1101001.013 S1C1T1 Fl. 20 19 I em que seja aferível, a partir da descrição dos fatos e dos demais documentos produzidos na ação fiscal, que o autuante, no momento da formalização da exigência: a) apurou incorretamente a base de cálculo do crédito tributário; ou b) não incluiu na determinação do crédito tributário matéria devidamente identificada; ou II em que forem constatados fatos novos, subtraídos ao conhecimento da autoridade lançadora quando da ação fiscal e relacionados aos fatos geradores objeto da autuação, que impliquem agravamento da exigência inicial. § 2o O auto de infração ou a notificação de lançamento de que trata o caput terá o objetivo de: I complementar o lançamento original; ou II substituir, total ou parcialmente, o lançamento original nos casos em que a apuração do quantum devido, em face da legislação tributária aplicável, não puder ser efetuada sem a inclusão da matéria anteriormente lançada. §3o Será concedido prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência complementar, para a apresentação de impugnação apenas no concernente à matéria modificada. §4o O auto de infração ou a notificação de lançamento de que trata o caput devem ser objeto do mesmo processo em que for tratado o auto de infração ou a notificação de lançamento complementados. §5o O julgamento dos litígios instaurados no âmbito do processo referido no § 4o será objeto de um único acórdão. No presente caso, não houve apuração incorreta de base de cálculo, falta de inclusão de matéria devidamente identificada no lançamento original, ou constatação de fatos novos subtraídos ao conhecimento da autoridade lançadora. De outro lado, também não se pode dizer, como fez a recorrente, que ela ficou a mercê das maiores arbitrariedades por parte da fiscalização, as quais sempre poderiam ser sanadas em momento posterior, pois a autoridade fiscal desenvolveu extensa análise da apuração fiscal da contribuinte, e expôs o resultado que entendia tributável, apenas omitindo a exposição de determinados critérios adotados nesta operação. E o fato de a omissão quanto aos procedimentos adotados para quantificação da base tributável não ser mencionada no art. 41 do Decreto nº 7.574/2011, não significa que está vedado o seu saneamento, mas apenas que é desnecessária a lavratura de um auto de infração complementar para tanto. Para expor de forma mais clara o ocorrido, tomese como exemplo a apuração do sujeito passivo em 2008. A teor do documento de fl. 968, o resultado do exercício corresponderia a R$ 45.237.588,97, sendo R$ 46.325.187,63 atribuído a sócios, e a diferença negativa de R$ 1.087.598,66 resultante de operações com terceiros. Já segundo os cálculos da Fiscalização, finalizados à fl. 1112, aquele mesmo resultado deveria ser distribuído entre as parcelas de R$ 24.941.089,97, atribuída a sócios, e de R$ 19.374.937,82, esta somada ao resultado não operacional (R$ 921.561,18) para representar o resultado em operações com terceiros (R$ 20.296.499,00), o qual ainda foi ajustado por adições e exclusões para ensejar a base tributável pelo IRPJ de R$ 20.589.803,00, e pela CSLL de R$ 20.400.913,00 (fl. 1113). Fl. 2088DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.721240/201104 Acórdão n.º 1101001.013 S1C1T1 Fl. 21 20 A apuração da contribuinte está evidenciada nos esclarecimentos acerca dos relatórios CT0231, CT0271 e CT0281, finalizados com a demonstração acima indicada (fl. 968 para o anocalendário 2008). Consta, ali, que para cada produto, as vendas reduzidas pelas devoluções, e somadas às receitas indiretas correspondentes ao produto, assim como os custos somados às despesas indiretas correspondentes ao produto, são rateados entre sócios e terceiros de acordo com o percentual de entrada dos produtos (no caso de produtos em formação, insumos básicos e outros, o rateio se deu pelo percentual de saída dos produtos). A estes resultados são somadas as demais receitas diretas e deduzidas as despesas diretas associadas àquele produto. A associação das receitas e despesas diretas e indiretas ao produto é feita mediante rateio de acordo com a participação do resultado bruto do produto no resultado bruto total da cooperativa. O relatório CT0271 expressa o rateio, para cada produto, das receitas e despesas diretas e indiretas. Vejase, a título de exemplo, o que se extrai do referido relatório relativamente ao produto “701 SOJA E DERIVADOS”, cujo resultado bruto (vendas reduzidas por devoluções e custo), no valor de R$ 65.619.293,49, representaria 22,601% do total de R$ 290.344.219,33, conforme indicado às fls. 921/929: Resultado Bruto 65.619.293,49 Receitas indiretas 9.881.507,65 22,601% 2.233.319,54 Receitas diretas sócios 38.340.008,68 22,601% 8.665.225,36 Receitas diretas terceiros 2.714.057,15 22,601% 613.404,06 Despesas indiretas (291.184.346,13) 22,601% (65.810.574,07) Despesas diretas sócios 2.231.717,07 22,601% 504.390,37 Despesas diretas terceiros (7.625.734,38) 22,601% (1.723.492,23) Resultado 10.101.566,53 O relatório seguinte (CT0281) permite afirmar que são diretas as receitas ou despesas atribuíveis especificamente a sócios ou terceiros, e indiretas aquelas comuns a ambos. Estas últimas são, assim, somadas ao resultado bruto para serem rateadas entre sócios e terceiros, de acordo com o percentual identificado a partir do total de entradas no período. Aos valores rateados são adicionadas ou subtraídas as receitas e despesas diretas de sócios e terceiros, identificadas pelo rateio anterior. O cálculo referente ao produto “701 SOJA E DERIVADOS” no ano calendário 2008, extraído do relatório de fls. 956/967, pode ser assim resumido: Produto 701 Soja e Derivados Total Sócios Terceiros Resultado bruto 65.619.293,49 52.147.652,54 79,47% 13.471.640,95 20,53% Receitas indiretas 9.881.507,65 22,601% 2.233.319,54 1.774.819,04 79,47% 458.500,50 20,53% Despesas indiretas (291.184.346,13) 22,601% (65.810.574,07) (52.299.663,21) 79,47% (13.510.910,86) 20,53% Receitas diretas sócios 38.340.008,68 22,601% 8.665.225,36 8.665.225,36 100% Receitas diretas terceiros 2.714.057,15 22,601% 613.404,06 613.404,06 100% Despesas diretas sócios 2.231.717,07 22,601% 504.390,37 504.390,37 100% Despesas diretas terceiros (7.625.734,38) 22,601% (1.723.492,23) (1.723.492,23) 100% Resultado 10.792.424,10 (690.857,57) A discordância expressa pela Fiscalização no momento da lavratura do auto de infração resultaria, no item em comento, apenas na alteração do percentual de 22,601% para 31,507%, como indicado à fl. 1106, tendo em conta a participação da receita decorrente do produto “701 SOJA E DERIVADOS” na receita total do período. Para além disso, como já dito, a Fiscalização apenas fez uma introdução acerca da tributação de receitas financeiras, sem Fl. 2089DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.721240/201104 Acórdão n.º 1101001.013 S1C1T1 Fl. 22 21 expressar qual conseqüência teria atribuído a estes resultados, bem como mencionou alguns desvios nas operações com aves e derivados em comparação a resultados com granja. Concluiu, assim, que uma vez que as receitas e despesas indiretas foram segregadas de forma incorreta, foi efetuada a revisão dos cálculos da segregação dos resultados para rateio das receitas e despesas indiretas com base nas receitas auferidas na venda de cada um dos produtos, utilizando os mesmos dados de vendas, custos e percentuais do ato cooperativo, seja na entrada ou saída, apresentados pelo contribuinte nos relatórios CT0271 e CT0281 (fls. 894 a 968). A mudança no rateio se deu no percentual aplicável às receitas e despesas indiretas). Caso o trabalho fiscal tivesse se restringido à alteração do coeficiente de rateio das receitas e despesas indiretas, o cálculo da Fiscalização apresentaria os seguintes resultados para produto “701 SOJA E DERIVADOS”, no que tange ao anocalendário 2008: Produto 701 Soja e Derivados Total Sócios Terceiros Resultado bruto 65.619.293,49 52.147.652,54 79,47% 13.471.640,95 20,53% Receitas indiretas 9.881.507,65 31,507% 3.113.366,62 2.474.192,45 79,47% 639.174,17 20,53% Despesas indiretas (291.184.346,13) 31,507% (91.743.451,94) (72.908.521,25) 79,47% (18.834.930,68) 20,53% Receitas diretas sócios 38.340.008,68 31,507% 12.079.786,53 12.079.786,53 100% Receitas diretas terceiros 2.714.057,15 31,507% 855.117,99 855.117,99 100% Despesas diretas sócios 2.231.717,07 31,507% 703.147,10 703.147,10 100% Despesas diretas terceiros (7.625.734,38) 31,507% (2.402.640,13) (2.402.640,13) 100% Resultado (5.503.742,64) (6.271.637,71) Todavia, como se vê à fl. 1111, além de uma divergência no percentual atribuído a sócios para este produto que poderia decorrer de erro de digitação (a Fiscalização indicou 79,77%, e não 79,47% como apurou a contribuinte), motivando a alteração da distribuição do resultado bruto indicado na primeira linha do cálculo acima, a autoridade fiscal alterou outros elementos do cálculo, haja vista ter apurado resultados negativos de R$ 8.966.916,13 com sócios e de R$ 2.808.556,51 com terceiros. Ao final, também atribuiu os resultados não operacionais integralmente a operações com terceiros, e promoveu ajustes de adições e exclusões para apuração do lucro tributável. O seguinte excerto do Termo de Verificação Fiscal dava indícios das possíveis razões para parte destas divergências: c) Para rateio das “outras receitas” e despesas indiretas, expostas na tabela RESUMO DE AJUSTES AO RELATÓRIO CT0231, foi utilizado o percentual de rateio exposto na tabela 06 e o resultado encontrado informado na tabela 07. Para os casos em que não foi possível segregar as receitas ou despesas para sócios ou terceiros (colunas D, E, F e G) foi utilizado o percentual do ato cooperativo informado pelo contribuinte no relatório CT0281; A mencionada “tabela 07”, em seu resumo, permite inferir que receitas e despesas a ratear teriam sido reclassificadas, deslocandose receitas atribuídas a associados para terceiros, e despesas atribuídas a terceiros para associados: Fl. 2090DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.721240/201104 Acórdão n.º 1101001.013 S1C1T1 Fl. 23 22 E, de fato, tomandose os valores indicados na coluna “saldo”, acima, como referências para o rateio segundo o novo coeficiente estipulado pela Fiscalização, revelamse os resultados apurados pela Fiscalização: Produto 701 Soja e Derivados Total Sócios Terceiros Resultado bruto 65.619.293,49 52.344.510,42 79,77% 13.274.783,07 20,23% Receitas indiretas 27.573.049,65 31,507% 8.687.451,11 6.929.979,75 79,77% 1.757.471,36 20,23% Despesas indiretas (291.095.336,23) 31,507% (91.715.516,95) (73.161.467,87) 79,77% (18.554.049,08) 20,23% Receitas diretas sócios 13.473.047,14 31,507% 4.244.958,02 4.244.958,02 100% Receitas diretas terceiros 9.889.476,69 31,507% 3.115.881,14 3.115.881,14 100% Despesas diretas sócios 2.142.707,17 31,507% 675.103,55 675.103,55 100% Despesas diretas terceiros (7.625.734,38) 31,507% (2.402.643,00) (2.402.643,00) 100% Resultado (8.966.916,13) (2.808.556,51) A atribuição de receitas e despesas não operacionais exclusivamente a terceiros não repercutiu na individualização dos cálculos por produto, mas sim na sua adição, pelo valor líquido (R$ 1.394.275,47 – R$ 472.714,29 = R$ 921.561,18) ao resultado em operações com terceiros, como mencionado no início da abordagem dos cálculos da Fiscalização no anocalendário 2008. Daí a conversão do julgamento de 1a instância e os esclarecimentos prestados pela Fiscalização no sentido de que ajustara informações constantes no relatórios CT0281 e CT0231, quais sejam: · Percentual do ato cooperativo, em razão da correção dos estoques iniciais dos produtos cuja segregação do ato cooperativo foi realizado pela entrada, bem como de outros produtos que estavam em desacordo com a escrituração contábil, a evidenciar que a alteração de 79,47% para 79,77% no produto “701 SOJA E DERIVADOS” não decorreria de erro de digitação; · Resultado bruto de produtos cujos custos foram alocados incorretamente pela contribuinte; · Reclassificação das receitas de exportação, inicialmente atribuídas apenas a associados, atribuindo parte dela (correspondente a receitas de aplicações financeiras) a receitas exclusivamente de terceiros, e outra parte a receitas a ratear entre associados e terceiros; Fl. 2091DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.721240/201104 Acórdão n.º 1101001.013 S1C1T1 Fl. 24 23 · Atribuição dos resultados não operacionais exclusivamente a terceiros; · Reclassificação das despesas de Assistência Técnica, Educacional e Social para despesas exclusivamente de associadas, retirandoas do grupo de despesas a ratear. Estas as justificativas, portanto, para a Fiscalização ter originalmente individualizado os resultados de cada produto operado pela cooperativa, segregando o resultado bruto (receitas diminuídas de devoluções e do custo) segundo o percentual de entrada ou saída (ajustado em alguns casos), e a ele somando as receitas rateadas e subtraindo as despesas rateadas, mas aí tendo em conta o percentual de rateio apurado para cada produto a partir da receita total, bem como os valores totais de receitas e despesas a ratear ajustados pelas razões antes expostas. Além disso, depois de apurar o resultado com terceiros no valor de R$ 19.374.937,82, ao qual foi somado o resultado não operacional (R$ 921.561,18) pelas razões expostas na diligência, a autoridade fiscal considerou os ajustes fiscais ao lucro tributável originalmente escriturados pelo sujeito passivo, relativamente aos quais também esclareceu, em diligência, ter promovido glosas de exclusões nos anoscalendário 2007 e 2008, mantendo inalteradas as adições nos períodos fiscalizados. Nestes termos, a autoridade fiscal reconheceu a omissão na acusação inicial acerca das justificativas expostas na Informação Fiscal, e para integrálas ao Termo de Verificação Fiscal, produziu novo ato administrativo cientificado à interessada, permitindolhe manifestarse contra estes acréscimos, e ter sua defesa apreciada pela autoridade julgadora de 1a instância e renovada perante este Conselho. Ao assim proceder, a autoridade fiscal não desenvolveu novas análises acerca da matéria tributável, mas tão só expôs a motivação que orientou seus cálculos. Esta, inclusive, a razão de não ter sido alterado o crédito tributário exigido. De fato, ao contrário do que sugeriu a recorrente em sustentação oral, a autoridade fiscal não procurou justificativas que resultassem nos cálculos originalmente expressos, mas sim detalhou os procedimentos desde antes adotados para reconstituir a apuração do sujeito passivo e determinar o valor tributável no período. Em verdade, a providência adotada pela autoridade lançadora mais se aproxima do disposto no art. 60 do Decreto nº 70.235/72, que integra a abordagem deste diploma legal acerca das nulidades no processo administrativo fiscal: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. Fl. 2092DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.721240/201104 Acórdão n.º 1101001.013 S1C1T1 Fl. 25 24 § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Nestes termos, não se tratando de ato praticado por autoridade incompetente, nem de decisão proferida com cerceamento ao direito de defesa, as demais irregularidades, incorreções e omissões podem ser sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo e influírem na solução do litígio, como no presente caso. E, para sanar o prejuízo ao sujeito passivo, a regularização da omissão deve ser promovida com reabertura do prazo de defesa, como aqui se fez. Por oportuno destaquese que embora a Informação Fiscal não tenha expressamente fixado o prazo para complementação das razões de defesa pela interessada, esta manifestouse nos autos e questionou os argumentos somente então apresentados pela Fiscalização, tendo sua defesa apreciada pela autoridade julgadora de 1a instância. De outro lado, porém, não se pode negar que o lançamento original, com deficiência na descrição dos fatos, não se sustentaria relativamente às alterações promovidas na apuração da contribuinte e não justificadas pela autoridade lançadora. É exigência do Decreto nº 70.235/72, em seu art. 10, inciso III, que a determinação da exigência esteja associada à correspondente descrição dos fatos, aí incluídas, também, as constatações acerca das irregularidades praticadas pela contribuinte. E, ao deixar de assim proceder, a autoridade lançadora não se desincumbe integralmente do que lhe impõe o Código Tributário Nacional: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Ocorre que o Código Tributário Nacional assim disciplina a possibilidade de revisão da apuração do sujeito passivo: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. A contribuinte, por sua vez, apresentou tempestivamente as DIPJ informando a apuração de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL ao longo dos anoscalendário 2006 a Fl. 2093DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.721240/201104 Acórdão n.º 1101001.013 S1C1T1 Fl. 26 25 2008 (fls. 325/661), de modo que o Fisco teria apenas 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador para evitar que esta apuração restasse homologada tacitamente. Desta forma, o lançamento originalmente cientificado à interessada em 12/12/2011 impediu a homologação tácita da apuração da contribuinte apenas em relação à determinação do critério de rateio apurado a partir do resultado bruto, e não das receitas totais de vendas de cada produto. As demais irregularidades, cientificadas de forma válida à interessada apenas em 01/09/2012, não poderiam mais justificar a retificação do resultado apurado pelo sujeito passivo no anocalendário 2006, visto que já transcorridos 5 (cinco) anos a partir de 31/12/2006 (data do fato gerador na apuração anual, conforme opção dos sujeito passivo). Esclareçase que esta conclusão é afetada pelas disposições do Regimento Interno do CARF, alterado por meio da Portaria MF nº 586/2010, para passar a conter, em seu Anexo II, o seguinte artigo: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. E, relativamente à contagem do prazo decadencial na forma do art. 150, do CTN, o Superior Tribunal de Justiça já havia decidido, na sistemática prevista pelo art. 543C do Código de Processo Civil, o que assim foi ementado no acórdão proferido nos autos do REsp nº 973.733/SC, publicado em 18/09/2009: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL.ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). Fl. 2094DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.721240/201104 Acórdão n.º 1101001.013 S1C1T1 Fl. 27 26 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Extraise deste julgado que o fato de o tributo sujeitarse a lançamento por homologação não é suficiente para, em caso de ausência de dolo, fraude ou simulação, tomar se o encerramento do período de apuração como termo inicial da contagem do prazo decadencial de 5 (cinco) anos. Resta claro, a partir da ementa transcrita, que é necessário haver uma conduta objetiva a ser homologada, sob pena de a contagem do prazo decadencial ser orientada pelo disposto no art. 173 do CTN. E tal conduta, como já se infere a partir do item 1 da referida ementa, não seria apenas o pagamento antecipado, mas também a declaração prévia do débito. Relevante notar, porém, que, no caso apreciado pelo Superior Tribunal de Justiça, a discussão central prendiase ao argumento da recorrente (Instituto Nacional de Seguridade Social – INSS) de que o prazo para constituição do crédito tributário seria de 10 (dez) anos, contandose 5 (cinco) anos a partir do encerramento do prazo de homologação previsto no art. 150, §4o do CTN, como antes já havia decidido aquele Tribunal. Por esta razão, os fundamentos do voto condutor mais se dirigiram a registrar a inadmissibilidade da aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, §4o, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal. Em conseqüência não há, naquele julgado, maior aprofundamento acerca do que seria objeto de homologação tácita na forma do art. 150 do CTN, permitindose aqui a livre convicção acerca de sua definição. Importa assim, ter em conta a peculiaridade das obrigações acessórias impostas aos contribuintes, dentre os quais se insere a recorrente, ao optarem pela apuração do lucro real anual. Cumprelhes: escriturar contabilmente suas operações, apurar mensalmente a necessidade de recolher antecipações (estimativas), apurar o resultado do exercício em seus Fl. 2095DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.721240/201104 Acórdão n.º 1101001.013 S1C1T1 Fl. 28 27 livros contábeis, promover ajustes previstos em lei (adições, exclusões e compensações) para determinar o lucro real no Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR ou a base de cálculo da CSLL em outros demonstrativos, aplicar sobre estes as alíquotas correspondentes e do resultado deduzir as parcelas previstas na legislação, recolher o tributo eventualmente apurado, declarálo em DCTF e, no exercício subsequente, informar esta apuração em DIPJ. No cumprimento destas obrigações acessórias, pode o sujeito passivo não chegar, em sua apuração, a base de cálculo sujeita à incidência tributária, não só porque seu resultado do exercício já foi negativo ou igual a zero, como também porque os ajustes ao lucro líquido contábil geraram resultado igual a zero ou prejuízo fiscal/base de cálculo negativa da CSLL. Neste caso, é possível que apenas em razão do menor sucesso em suas atividades, o sujeito passivo não recolha tributo, nada tenha a declarar em DCTF, e apenas informe ao Fisco sua apuração no momento da entrega da DIPJ. Em tais condições, o sujeito passivo não se enquadra em uma hipótese na qual a lei não prevê o pagamento antecipado da exação, nem mesmo naquela onde, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre. E isto porque há uma situação intermediária na qual a lei prevê o pagamento antecipado da exação, mas admite que ele não seja feito se a apuração do sujeito passivo disto o dispensar. E, para esta hipótese intermediária, não se pode negar que o prazo previsto no art. 150 do CTN também seja aplicável. Acrescentese, ainda, que no presente caso a recorrente apresenta também retenções sofridas ao longo do anocalendário 2006, que ensejaram a formação de saldo negativo de IRPJ naquele período. Registrese, por fim, que o art. 149, inciso IX, do CTN autoriza a revisão de ofício do lançamento quando comprovada omissão, pela autoridade lançadora, de ato ou formalidade especial, mas traz o destaque, em seu parágrafo único, de que a revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Assim, a complementação das razões que motivam o lançamento, essenciais para sua regular formalização, somente poderia ensejar conseqüências tributárias ao sujeito passivo se cientificadas a ele antes do transcurso do prazo decadencial. Por todo o exposto, encerrado o período de apuração em 31/12/2006, tinha o Fisco a possibilidade de constituir o crédito tributário não recolhido até 31/12/2011, devendo ser declarada a decadência do crédito tributário cuja motivação somente foi cientificada à contribuinte em 01/09/2012. Quanto aos demais períodos de apuração, encerrados em 31/12/2007 e 31/12/2008, o lançamento integrado pelas razões cientificadas à contribuinte em 01/09/2012 está validamente formalizado. O presente voto, portanto, é no sentido de ACOLHER PARCIALMENTE a argüição de nulidade do lançamento, para afastar a parcela da exigência do anocalendário 2006 vinculada à motivação acrescentada apenas em 01/09/2012, na medida em que lançamento original não foi validamente fundamentado e o transcurso do prazo decadencial impediu a regularização desta omissão. Adentrando ao mérito, a recorrente alega ser incongruente a apuração de lucro líquido de R$ 4.997.909,00 no anocalendário 2006, do qual ainda seriam excluídos os resultados isentos, e a imputação, no lançamento, de lucro tributável de R$ 10.236.144,72. Fl. 2096DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.721240/201104 Acórdão n.º 1101001.013 S1C1T1 Fl. 29 28 Contudo, a explicação desta ocorrência é simples, e já foi dada pela autoridade julgadora de 1a instância: o resultado com cooperados, no período em referência, passou a ser negativo (R$ 5.127.157,20), assim como o foi o resultado não operacional de R$ 111.078,12. Estes valores, somados ao resultado de atos com não cooperados (R$ 10.236.144,72) ensejou o lucro líquido consolidado de R$ 4.997.909,40. Notese, porém, que o acolhimento parcial da preliminar de nulidade do saneamento promovido durante a conversão do julgamento de 1a instância em diligência ensejará a reconstituição desta apuração do anocalendário 2006. Deverá a autoridade administrativa responsável pela liquidação do presente julgado refazer os cálculos da base tributável considerando apenas a alteração do coeficiente de rateio das receitas e despesas indiretas, justificada no Termo de Verificação Fiscal. As demais alterações decorrentes de reclassificação das receitas e despesas passíveis de rateio entre associados e terceiros, a alteração do coeficiente de rateio a partir das entradas ou saídas e a atribuição do resultado não operacional exclusivamente a operações com terceiros deverão ser desconsideradas, visto que sua motivação somente foi expressa depois de transcorrido o prazo decadencial. E, subsistindo nestes cálculos a apuração de resultado em operações com terceiros superior ao lucro líquido do anocalendário, a justificativa para a apuração de resultados positivos em operações com terceiros superior ao resultado total da cooperativa é a mesma: resultado negativo de operações com associados. Da mesma forma que o lucro líquido do período foi, na escrituração original da contribuinte, convertido do valor positivo de R$ 4.997.909,00 para prejuízo fiscal de R$ 10.406.843,00 mediante a exclusão de R$ 15.509.895,00 decorrente de resultados não tributáveis de sociedades cooperativas (fl. 1202), a apuração de um resultado negativo em atos cooperativos enseja adição àquele lucro líquido, resultando em lucro real superior ao lucro líquido do período. A recorrente assevera que o resultado com associados, quando negativo, não compõe o lucro líquido. Mais à frente, reputa equivocado o entendimento de que se o lucro das atividades com os cooperados é isento, o correspondente prejuízo seria indedutível para a apuração da base de cálculo do IRPJ. Contudo, não arremata suas alegações, de forma que não é possível afirmar, com certeza, qual seria sua pretensão com estas referências. Caso sua pretensão seja, eventualmente, defender que o resultado negativo apurado em atos cooperativos prestase como redutor do resultado apurado em atos não cooperativos, cumpre responderlhe que o art. 3o da Lei nº 5.764/71, ao estabelecer que o contrato de sociedade cooperativa é celebrado sem objetivo de lucro, revela hipótese de não incidência do IRPJ e da CSLL (Súmula CARF nº 83), suficiente para distinguir por completo os resultados daí decorrentes daqueles provenientes de atos não cooperativos. Assim, quando o art. 111 da Lei nº 5.764/71 estabelece que serão considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações com não cooperados, temse em conta a apuração em separado destes valores, independentemente de qual for o resultado em operações com cooperados. Colhese do recurso voluntário, também, a afirmação de que o resultado tributável é somente o resultado não operacional e não o lucro real, e talvez aqui se verifique uma confusão de conceitos, compreensível no âmbito das sociedades cooperativas, nas quais os resultados com não cooperados podem ser interpretados, genericamente, como resultados não operacionais, restringindose para as transações com cooperados a classificação dos resultados como operacionais. Já no âmbito contábil e na generalidade da incidência dos tributos sobre a renda, resultados não operacionais são aqueles que não decorrem da atividade fim da pessoa jurídica, como por exemplo os decorrentes de venda de imobilizado, ou de outras operações Fl. 2097DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.721240/201104 Acórdão n.º 1101001.013 S1C1T1 Fl. 30 29 com itens do ativo permanente. Assim, sob a ótica da Lei nº 5.764/71, é possível afirmar que somente os resultados não operacionais das sociedades cooperativas são tributáveis. Contudo, a apuração dos resultados de atos não cooperativos poderá revelar parcelas classificáveis, segundo as normas contábeis e tributárias, como operacionais ou não operacionais, ambas tributáveis porque integrantes do lucro líquido resultante de atos não cooperados. Mais à frente, diz a recorrente que conforme se verifica no Auto de Infração, foi utilizado o valor do lucro operacional como base de cálculo do lançamento, quando sabidamente a legislação vigente impõe a apuração do lucro real. Como já dito, a Lei nº 5.764/71 estabelece em seu art. 111 que serão considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações com não cooperados, resultado que, como demonstrado, pode ser considerado não operacional na ótica das sociedades cooperativas, ou operacional na ótica tributária. Por sua vez, o Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/99 – RIR/99 estabelece nos seguintes termos esta incidência: Art. 183. As sociedades cooperativas que obedecerem ao disposto na legislação específica pagarão o imposto calculado sobre os resultados positivos das operações e atividades estranhas à sua finalidade, tais como (Lei nº 5.764, de 1971, arts. 85, 86, 88 e 111, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 2º): I de comercialização ou industrialização, pelas cooperativas agropecuárias ou de pesca, de produtos adquiridos de não associados, agricultores, pecuaristas ou pescadores, para completar lotes destinados ao cumprimento de contratos ou para suprir capacidade ociosa de suas instalações industriais; II de fornecimento de bens ou serviços a não associados, para atender aos objetivos sociais; III de participação em sociedades não cooperativas, públicas ou privadas, para atendimento de objetivos acessórios ou complementares. (negrejouse) Por certo, a incidência do IRPJ se faz, em regra, a partir do lucro real, mas sem se olvidar que este nada mais é do que o lucro líquido ajustado, na forma do RIR/99: Conceito de Lucro Líquido Art. 248. O lucro líquido do período de apuração é a soma algébrica do lucro operacional (Capítulo V), dos resultados não operacionais (Capítulo VII), e das participações, e deverá ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 1º, Lei nº 7.450, de 1985, art. 18, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 4º). SEÇÃO IV Ajustes do Lucro Líquido Adições Art. 249. Na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 2º): I os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real; Fl. 2098DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.721240/201104 Acórdão n.º 1101001.013 S1C1T1 Fl. 31 30 II os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores não incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, devam ser computados na determinação do lucro real. Parágrafo único. Incluemse nas adições de que trata este artigo: [...] Exclusões e Compensações Art. 250. Na determinação do lucro real, poderão ser excluídos do lucro líquido do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 3º): I os valores cuja dedução seja autorizada por este Decreto e que não tenham sido computados na apuração do lucro líquido do período de apuração; II os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, não sejam computados no lucro real; III o prejuízo fiscal apurado em períodos de apuração anteriores, limitada a compensação a trinta por cento do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas neste Decreto, desde que a pessoa jurídica mantenha os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do prejuízo fiscal utilizado para compensação, observado o disposto nos arts. 509 a 515 (Lei nº 9.065, de 1995, art. 15 e parágrafo único). Parágrafo único. Também poderão ser excluídos: [...] De forma semelhante se verifica a apuração da base de cálculo da CSLL na forma da Lei nº 7.689/88: Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. § 1º Para efeito do disposto neste artigo: a) será considerado o resultado do períodobase encerrado em 31 de dezembro de cada ano; b) no caso de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividades, a base de cálculo é o resultado apurado no respectivo balanço; c ) o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 1 adição do resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 2 adição do valor de reserva de reavaliação, baixada durante o períodobase, cuja contrapartida não tenha sido computada no resultado do períodobase; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 3 adição do valor das provisões não dedutíveis da determinação do lucro real, exceto a provisão para o Imposto de Renda; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 4 exclusão do resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 5 exclusão dos lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Incluído pela Lei nº 8.034, de 1990) Fl. 2099DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.721240/201104 Acórdão n.º 1101001.013 S1C1T1 Fl. 32 31 6 exclusão do valor, corrigido monetariamente, das provisões adicionadas na forma do item 3, que tenham sido baixadas no curso de períodobase. (Incluído pela Lei nº 8.034, de 1990) Frente a este contexto, nenhuma irregularidade existiria na classificação do resultado decorrente de atos não cooperados como base imponível do IRPJ e da CSLL, na medida em que este resultado revela o lucro líquido do período naquele segmento de atividade da cooperativa. Se eventuais exclusões ou compensações fossem desconsideradas pela Fiscalização, bastaria sua demonstração para que elas fossem acolhidas como redutoras da base de cálculo autuada no curso do contencioso administrativo. De toda sorte, cabe destacar que a autoridade lançadora ajustou o lucro líquido apurado com as adições e exclusões escrituradas que reputou admissíveis, restando claro no confronto entre a base de tributável informada nos autos de infração (fls. 1066 e 1073) e o resultado final expresso nas planilhas de fl. 1090, 1101 e 1113, que foi adotado o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões como base imponível do lançamento. Ressaltese que para o anocalendário 2006, a autoridade lançadora destaca na Informação Fiscal que não foram feitos ajustes nos valores das adições e das exclusões ao Lucro Real. Nestes termos, a única justificativa que embasaria as alegações da recorrente no sentido de que a Fiscalização não apurou o lucro real seria o título atribuído à infração na descrição dos fatos que integra os autos de infração: resultados operacionais não declarados. Porém, este título que não pode ser dissociado de sua descrição, qual seja: valor correspondente ao lucro operacional escriturado e não declarado, conforme Termo de Verificação Fiscal que faz parte indissociável do presente Auto, termo este que descreve os procedimentos fiscais e é instruído com as planilhas de cálculo antes referidas, sendo totalmente imprópria a afirmação da recorrente no sentido de que não se encontra no Auto de Infração, pelo menos de forma clara, quais são as divergências na parte contábil (lucro líquido) ou da parte extracontábil (lucro real) que concorreram para o lançamento. Os pontos de divergência da Fiscalização restaram plenamente esclarecidos depois da complementação promovida em diligência, e inclusive foram enfrentados pela interessada, como se verá adiante. Apenas na parte em que este esclarecimento se fez tardiamente, as correspondentes alterações serão desconsideradas, recompondose a apuração do período apenas com os efeitos da alteração do coeficiente de rateio de receitas e despesas indiretas, como decidido em preliminar. Quanto à ausência dos dispositivos normativos infringidos, mencionada na petição de 03/10/2013, cabe esclarecer que os autos de infração indicam como enquadramento legal os arts. 249, 250 e 926 do RIR/99 e o art. 2o e §§ da Lei nº 7.689/88, sendo que os dois primeiros dispositivos do RIR/99 e o artigo da Lei nº 7.689/88 evidenciam a incidência do IRPJ e da CSLL sobre o lucro líquido ajustado pelas adições, exclusões e compensações, como antes transcrito, e o art. 926 do RIR/99 determina a lavratura de auto de infração quando constatadas infrações à legislação tributária. A imputação, portanto, é coerente com a detalhada descrição da apuração fiscal contida no Termo de Verificação Fiscal e nas planilhas que o instruem, complementada na Informação Fiscal. Redirecionando seus argumentos, a interessada diz que ignorando completamente a apuração com base no lucro real, o lançamento foi mantido com base no Parecer Normativo CST 73/75. Isto porque referido Parecer seria anterior ao Decretolei nº 1.598/77, e estaria tacitamente revogado por ser incompatível com as alterações ocorridas nas normas legais posteriores. Fl. 2100DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.721240/201104 Acórdão n.º 1101001.013 S1C1T1 Fl. 33 32 Importa, inicialmente, ter em conta o que diz a questionada interpretação veiculada no Parecer Normativo CST nº73/75: 1. Consultase sobre a forma de apuração dos resultados das operações que as sociedades cooperativas realizem com terceiros, consoante faculdade outorgada pelos arts. 85, 86 e 88 da Lei nº 5.764, de 16/12/71, a seguir transcritos: [...] 2. Situase a dúvida no fato de ter a referida lei considerado como renda tributária tais resultados, conforme dispõe o seu art. 111. , verbis: [...] 3. O Parecer Normativo CST nº 155/73 já interpretou os dispositivos legais acima transcritos, menos quanto à forma de apuração dos resultados das operações com terceiros, objeto deste Parecer. [...] 4. Passemos à apuração dos resultados das cooperativas, para os efeitos fiscais. Não oferece dificuldades o cômputo, em separado, dos resultados líquidos das transações eventuais, assim considerados, inclusive, os derivados de participações societárias. Tais resultados devem ser oferecidos à tributação, integralmente. 5. Também não oferece dificuldades a apuração, em separado, das receitas das atividades inerentes às cooperativas e das provenientes das operações com terceiros. Contudo, para se chegar aos resultados operacionais correspondentes a cada uma das espécies de receitas em questão, deverseia atribuir a uma e outra, separadamente, os respectivos custos, despesas e encargos. Ora, se é relativamente fácil imputar os custos diretos pertinentes a cada uma das mencionadas espécies de receitas, nem sempre ocorre o mesmo com relação à apropriação dos custos indiretos e demais despesas e encargos comuns às atividades próprias e às operações com os não associados. 6. Nessas condições, devem ser apuradas em separado as receitas das atividades próprias das cooperativas e as receitas derivadas das operações por elas realizadas com terceiros. Igualmente computados em separado os custos diretos, e imputados às receitas com as quais guardam correlação. A partir daí, e desde que impossível destacar os custos e encargos indiretos de cada uma das duas espécies de receitas, devem eles ser apropriados proporcionalmente ao valor das duas receitas brutas. Conseqüentemente, o lucro operacional a ser considerado para efeito de tributação corresponderá ao resultado da receita derivada das operações efetuadas com terceiros, diminuída dos custos diretos pertinentes, e, ainda, do valor dos custos e encargos, indiretos proporcionalmente relacionado com o perceptual que as receitas oriundas das operações com terceiros representem sobre o total das receitas operacionais. Feitos os cálculos nos termos descritos, ao lucro operacional que resultar sujeito à tributação serão acrescidos os resultados líquidos das transações eventuais. (negrejouse) A Lei nº 5.764/71 determina a tributação dos resultados positivos obtidos em resultados não cooperados, e o Parecer Normativo CST nº 73/75 simplesmente estabelece um critério de rateio de custos e encargos indiretos, normalmente aplicados indistintamente para prática de atos cooperados e não cooperados. Revela, assim, um meio para apuração do lucro líquido, sendo certo que o Decretolei nº 1.598/77 não produziu qualquer alteração neste âmbito, mas apenas se prestou a exigir a indicação, em ajustes ao lucro líquido, das parcelas que, computadas no lucro contábil, não poderiam afetar o lucro tributável. A recorrente exemplifica que as receitas financeiras não eram computadas na apuração do lucro operacional, que passou a ser incluído por força do Decreto Lei Fl. 2101DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.721240/201104 Acórdão n.º 1101001.013 S1C1T1 Fl. 34 33 1.598/77. Talvez a recorrente esteja se reportando ao que foi assim disposto no Decretolei nº 1.598/77: Receitas e despesas financeiras Art 17 Os juros, o desconto, a correção monetária prefixada, o lucro na operação de reporte e o prêmio de resgate de títulos ou debêntures, ganhos pelo contribuinte, serão incluídos no lucro operacional e, quando derivados de operações ou títulos com vencimento posterior ao encerramento do exercício social, poderão ser rateados pelos períodos a que competirem. Parágrafo único Os juros pagos ou incorridos pelo contribuinte são dedutíveis como custo ou despesa operacional, observadas as seguintes normas: a) os juros pagos antecipadamente, os descontos de títulos de crédito, a correção monetária prefixada e o deságio concedido na colocação de debêntures ou títulos de crédito deverão ser apropriados, pro rata tempore, nos exercícios sociais a que competirem; b) os juros de empréstimos contraídos para financiar a aquisição ou construção de bens do ativo permanente, incorridos durante as fases de construção e pré operacional, podem ser registrados no ativo diferido, para serem amortizados. Variações monetárias Art 18 Deverão ser incluídas no lucro operacional as contrapartidas das variações monetárias, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis, por disposição legal ou contratual, dos direitos de crédito do contribuinte, assim como os ganhos cambiais e monetários realizados no pagamento de obrigações. Parágrafo único As contrapartidas de variações monetárias de obrigações e as perdas cambiais e monetárias na realização de créditos poderão ser deduzidas para efeito de determinar o lucro operacional. E, se assim for, atribui equivocado efeito ao referido ato legal, que nada mais fez do que espelhar o regime de competência contábil para reconhecimento de receitas financeiras. Suas inovações limitamse a admitir, no âmbito fiscal, a antecipação de receitas que possam competir a períodos futuros, e a restringir a dedutibilidade de juros que, em determinadas circunstâncias, seriam passíveis de contabilização como despesas. É certo que o Decretolei nº 1.598/77 afeta o resultado tributável decorrente de atos não cooperados, à semelhança do ocorrido com as demais pessoas jurídicas sujeitas ou optantes pelo lucro real. Mas isto apenas para lhes impor a escrituração do Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR, de modo a nele indicar os valores que não devam ser registrados na escrituração comercial e que influenciem a apuração do resultado tributável. Receitas, custos e encargos indiretos integram a essência da apuração contábil do lucro, de modo que o critério de rateio estabelecido pelo Parecer Normativo CST nº 73/75 em nada foi alterado pela legislação apontada pela recorrente. Finalizando este conjunto de questionamentos, a recorrente pede que seja retificado o lançamento com relação ao anobase de 2006, declarando a inexigibilidade de quaisquer valores a título de IRPJ e de CSLL. Evidenciada a possibilidade de os resultados de atos não cooperativos serem positivos e superiores ao resultado líquido consolidado de todas as operações da sociedade cooperativa, e refutados os demais argumentos teóricos aventados pela recorrente, a exigência subsiste incólume, até aqui, apenas ressalvandose a parcela anulada em preliminar. Fl. 2102DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.721240/201104 Acórdão n.º 1101001.013 S1C1T1 Fl. 35 34 Passase, então, aos demais argumentos de mérito da recorrente. Assevera arbitrária a conduta fiscal que desconsidera os procedimentos por ela adotados, em conformidade com o art. 87 da Lei nº 5.764/71, art. 183, inciso I e II do RIR/99 e o item 10.8.4 da NBC 10.8, aprovada pelo Conselho Federal de Contabilidade. Entende que o Parecer Normativo CST nº 73/75 só vincula os servidores da Receita Federal e, porque não sustentado em lei, a cooperativa poderia segregar os resultados dos atos não cooperados observando os critérios estabelecidos na lei. Destaca que como a própria decisão recorrida assevera, os arts. 87 da Lei nº 5.764, de 1971, e 183, incisos I e II, do RIR/99, apenas traçam linhas genéricas sobre o tema, em nada servido à definição quanto à forma de segregação de receitas decorrentes de atos cooperativos e não cooperativos para fins de tributação. E assim afirma ilegal o parecer normativo que, aproveitandose do silêncio regulamentar, estabeleceu critério muito mais oneroso ao contribuinte, impondolhe um aumento insuportável da carga tributária. Acrescenta que a Fiscalização não discordou do procedimento por ela realizado para contabilizar separadamente os resultados das operações com não associados e que, no mais, apurou o resultado positivo das operações e atividades estranhas à sua finalidade, como exige o RIR/99, promovendo demonstração segregada do resultado como determina a Resolução CFC nº 920/01. Daí a ofensa ao art. 5o, inciso II e art. 150, inciso I, ambos da Constituição Federal. A recorrente classifica o parecer normativo como norma de procedimento interno, e reafirma com amparo na doutrina que atos desta espécie somente vinculam os servidores públicos. Primeiramente é preciso ter em conta que o critério adotado no Parecer Normativo CST nº 73/75 não pode ser classificado como mais ou menos oneroso, na medida em que inúmeras variáveis interferem no cálculo do resultado do período, bem como diferentes contextos poderão se apresentar conforme o volume de atividades da cooperativa. Aliás, nem mesmo no presente caso é possível afirmar que a adoção do critério fixado no Parecer Normativo CST nº 73/75 tenha ensejado maior base tributável nas operações da cooperativa, haja vista os demais questionamentos em relação a diversos outros aspectos da apuração da contribuinte, esclarecidos por ocasião da Informação Fiscal lavrada em razão da conversão do julgamento de 1a instância em diligência. Certamente as cooperativas, atualmente, são entidades muito mais complexas que as existentes nas décadas de 60 e 70. Mas as justificativas apresentadas pela recorrente não demonstram, materialmente, porque o rateio com base apenas nas receitas seria menos qualificado que o rateio com base no lucro bruto. Diz somente que seria justo excluir da receita bruta os custos diretos, devoluções e cancelamentos, sem esclarecer o porquê. O parecer técnico apresentado em 03/10/2013 não auxilia nesta compreensão. Depois de demonstrar o contexto histórico no qual o Parecer Normativo CST nº 73/75 foi editado, do crescimento das atividades das cooperativas e da necessidade de critérios técnicos escolhidos e determinados por profissionais conhecedores dos processos produtivos, com a citação de doutrina acerca da subjetividade presente nesta avaliação, referido parecer expressa que: Fl. 2103DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.721240/201104 Acórdão n.º 1101001.013 S1C1T1 Fl. 36 35 Se, naquela época, receita bruta poderia ser um parâmetro confiável, hoje a receita líquida refletiria muito melhor o ganho proporcionado por cada uma das atividades. Mais apurado ainda seria o parâmetro que distribuísse as despesas em função do lucro bruto de cada atividade, como o fez a Cooperativa Lar. Isso, se mantido critério único, posto que já vimos a necessidade de adoção de critérios técnicos racionais e consistentes estabelecidos pela própria entidade. Em sua petição, a recorrente diz que se o rateio dessas receitas tem como objetivo justamente chegar ao valor que será atribuído a cada produto na apuração do resultado líquido tributável, nada mais justo que se parta do resultado bruto de cada produto, retirandose dele os custos diretos, as devoluções e cancelamentos. Quanto às devoluções, a explicação seria óbvia: receitas que não se materializaram não poderiam orientar o rateio de receitas e despesas indiretas. Porém, notase que a própria Fiscalização reconheceu este fato, quando adotou como referência para os novos coeficientes de rateio, expressos nas Tabelas 06 do Termo de Verificação Fiscal, os valores indicados pela contribuinte no item 2 das planilhas CT0271, descrito como VENDAS () DEVOLUÇÕES TOTAIS. Aliás, de outra forma não poderia ter procedido, na medida em que, a teor do art. 224 do RIR/99, a receita bruta não é integrada pelas vendas canceladas. Já quanto à dedução dos custos diretos, nada especificamente é apresentado. Por sua vez, a definição pelo Parecer Normativo CST nº 73/75 de um critério uniforme acerca da matéria operou em favor da isonomia e da segurança jurídica, obrigando os agentes fiscais a observálo e também assegurando o mesmo tratamento tributário a todos os contribuintes em condições semelhantes. Neste sentido, inclusive, são as lições de Hugo de Brito Machado (in Curso de Direito Tributário, São Paulo: Malheiro Editores, 20a edição, p. 82): As leis apresentam sempre certa margem para dúvidas razoáveis por parte do intérprete, especialmente em razão da inevitável vaguidade dos conceitos utilizados. Por isto as normas complementares são de grande utilidade. Com elas a autoridade administrativa assegura tratamento uniforme aos contribuintes, afastando a possibilidade de interpretações diferentes por parte de seus agentes. Referido autor defende que as normas complementares não se limitam a produzir efeitos relativamente aos funcionários, no âmbito interno das repartições, mas sim se aplicam à relação fiscocontribuinte, desde que se limitem a completar, sem inovar ou modificar o texto legal. E, expressamente menciona os pareceres normativos como incluídos na categoria de decisões administrativas a que a lei atribua eficácia normativa, vez que emitidos pela Coordenação do Sistema de Tributação do Ministério da Fazenda, órgão incumbido de unificar a interpretação da legislação tributária, mediante solução de consultas (op. cit., p. 81). O próprio Parecer Normativo COSIT nº 5/94 segue esta linha, em pontos distintos daqueles invocados pela interessada: Examinamse, nesta oportunidade, o Parecer Normativo e o Ato Declaratório Normativo no que concerne ao aspecto relativo ao momento a partir do qual tem início a produção dos efeitos que lhes são próprios. 2. A necessidade de proceder a uma definição objetiva a tal respeito impõese em razão do entendimento, ora emergente, segundo o qual, por serem, aqueles dois instrumentos, atos de natureza normativa, estariam aptos a produzir, tão somente, Fl. 2104DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.721240/201104 Acórdão n.º 1101001.013 S1C1T1 Fl. 37 36 efeitos "exnunc", ou seja, a partir de sua publicação, vedada, em conseqüência, sua aplicação retroativa. 3. Inicialmente, é de toda conveniência ter presentes os motivos que presidiram a instituição do Parecer Normativo e do Ato Declaratório Normativo, como primeiro passo para a adequada compreensão de sua natureza e de seus efeitos jurídicos. 4. O Decreto nº 63.659, de 20/11/68, transformou a DireçãoGeral da Fazenda Nacional na atual Secretaria da Receita Federal (art. 1º), dotada de estrutura básica sistêmica (art. 4º), com a extinção dos antigos Departamentos de Rendas Internas, de Rendas Aduaneiras, do Imposto de Renda e de Arrecadação (art. 6º) e com a redistribuição, por ato do Ministro da Fazenda, dos respectivos serviços aos órgãos integrantes da nova estrutura (art. 8º). 5. Tendo em vista a criação da Secretaria da Receita Federal, pelo mencionado Decreto nº 63.659/68, e a edição de seu Regimento Interno pela Portaria nº GB18, de 23/01/69, centralizando na Coordenação do Sistema de Tributação o exercício da atividade de interpretação da legislação fiscal, foi expedida a Instrução Normativa nº 9, de 06/10/69, que revogou "as decisões proferidas em processos de consulta até a publicação deste ato, por autoridades subordinadas, inclusive as exaradas pelos Diretores e chefes de repartições dos extintos Departamentos de Rendas Internas, do Imposto de Renda e Rendas Aduaneiras". 6. A revogação de decisões operada pela IN nº 9/69 teve por propósito "evitar divergências de orientação e tratamento diferente de situações idênticas nas consultas formuladas pelos contribuintes", expressão textual constante do preâmbulo da Instrução Normativa nº 26, de 25.05.70, que "Estabelece normas sobre as decisões proferidas pelos órgãos da Secretaria da Receita Federal, em consultas formuladas sobre a interpretação da legislação tributária". 7. Com vistas à implementação do objetivo de uniformizar a interpretação da legislação tributária no âmbito da Secretaria da Receita Federal, que era, em última análise, o que colimava a IN nº 9/69, estabeleceu, a referida IN nº 26/70, que nenhum órgão da mesma Secretaria poderia proferir decisões em consultas sobre aquela interpretação sem prévia orientação da Coordenação do Sistema de Tributação, a qual seria prestada sob a forma de Parecer Normativo. 8. Observese, a respeito que, posteriormente, o Decreto nº 70.235, de 06/03/72, ao disciplinar o processo de consulta, incorporou a norma da IN nº 26/70, a que se fez referência no item precedente, dandolhe, inclusive, maior abrangência, na medida em que estabeleceu, em seu art. 54, inciso I, alínea "a", que a decisão de primeira instância no referido processo, de competência dos Superintendentes da Receita Federal, deveria atender à orientação emanada dos atos normativos da Coordenação do Sistema de Tributação. 9. Quanto ao Ato Declaratório Normativo, a possibilidade de sua expedição encontrase prevista no item II da Instrução Normativa SRF nº 034, de 18/09/74, para o caso em que a consulta versar sobre matéria que já tenha sido objeto de decisão por parte da Coordenação do Sistema de Tributação, cabendolhe prestar orientação destinada a explicitar o entendimento dos dispositivos envolvidos. 10. Esclareçase, neste ponto, que, muito embora o item II da IN nº 034/74 se tenha referido ao instrumento por ele criado como "ato declaratório", devese considerar que todos os atos da espécie, expedidos por esta Coordenação (hoje Coordenação Geral do Sistema de Tributação), o foram, invariavelmente, sob a denominação de "Ato Declaratório (Normativo)", dado que, em razão de sua natureza, achamse eles compreendidos entre os atos normativos de que trata o retromencionado art. 54, inciso I, alínea "a", do Decreto nº 70.235/72. Fl. 2105DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.721240/201104 Acórdão n.º 1101001.013 S1C1T1 Fl. 38 37 11. Indubitavelmente, o Parecer Normativo e o Ato Declaratório Normativo possuem em comum, essencialmente, a característica de serem, ambos, instrumentos através dos quais se veicula a interpretação adotada pela Secretária da Receita Federal no tocante a matéria atinente aos tributos por ela administrados. 12. Por serem de caráter interpretativo, reportamse a normas integrantes da legislação tributária a eles preexistentes, limitandose a explicitarlhes o sentido e a fixar, em relação a elas, o entendimento da administração tributária. 13. Muito embora se incluam entre os atos normativos, o Parecer Normativo e o Ato Declaratório Normativo não possuem, todavia, natureza de ato constitutivo, uma vez que não se revestem do poder de criar, modificar ou extinguir relações jurídico tributárias, em razão, precisamente, de seu caráter meramente interpretativo. 14. Como se sabe, os atos constitutivos produzem efeitos "ex nunc", daí por que o Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 25/10/66) estatui, em seu art. 105, que "A legislação tributária aplicase imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes....", numa reafirmação do princípio de que a regra, no tocante a atos de natureza constitutiva, é a irretroatividade. O mesmo Código, entretanto, em seu art. 106, inciso I, contém norma excepcionante a esse respeito, por força da qual a lei, quando expressamente interpretativa, deve aplicarse a ato ou fato pretérito em qualquer caso. 15. A hipótese de retroatividade contemplada pelo art. 106, I, do CTN, como se evidencia, é calcada, exatamente, na circunstância de que o ato interpretativo, ainda que a nível de lei que é o ato constitutivo por excelência , há que, face ao objetivo a que visa atingir, necessariamente reportarse, em termos de aplicação, à data em que o ato interpretado começou a produzir efeitos, sendo, portanto, sua eficácia, "extunc". 16. Por não se caracterizarem, pois, como atos constitutivos, o Parecer Normativo e o Ato Declaratório Normativo, por via de conseqüência, possuem natureza declaratória não sendo demasiado lembrar que é da essência dos atos declaratórios a produção de efeitos retroativos , salientandose, por oportuno, que sua normatividade, por tal razão, tem por fundamento não o poder de criar norma, que não possuem, mas, sim, o poder vinculante do entendimento interpretativo neles expresso, o qual, aliás, é próprio dos atos praticados pela autoridade administrativa no uso de suas atribuições legais. 17. À vista do exposto, resulta, em síntese, que: a) o Parecer Normativo e o Ato Declaratório Normativo não possuem natureza constitutiva; b) como atos interpretativos que são, não têm o poder de instituir normas, limitandose a explicitar o sentido e o alcance das normas integrantes dos atos constitutivos que interpretam; c) por possuírem natureza declaratória, sua eficácia retroage ao momento em que a norma por eles interpretada começou a produzir efeitos; d) sua normatividade fundase no poder vinculante do entendimento neles expresso em relação aos órgãos da administração tributária e aos sujeitos passivos alcançados pela orientação que propiciam. Nestes termos, o art. 54 do Decreto nº 70.235/72, em sua redação original, atribuiu eficácia normativa aos atos emitidos pela Coordenação do Sistema de Tributação, vinculando os órgãos da administração tributária e os sujeitos passivos alcançados pela orientação que propiciavam. E, na medida em que esta orientação, no caso dos Pareceres Normativos, era exteriorizada em relação à matéria, e não como resposta a consulta específica Fl. 2106DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.721240/201104 Acórdão n.º 1101001.013 S1C1T1 Fl. 39 38 de um sujeito passivo, todos aqueles que se encontravam na situação ali tratada vinculavamse ao entendimento expresso. Assim, e especialmente por não contrariar a lei e uniformizar o critério de rateio de custos e despesas indiretos incorridos por sociedades cooperativas que realizem atos cooperativos e não cooperativos, o Parecer Normativo CST nº 73/75 tem força normativa com fundamento no art. 100, inciso II do Código Tributário Nacional. Vejase que, como bem destacado no parecer técnico apresentado em 03/10/2013, qualquer critério de rateio de custos carrega, em si, certo grau de subjetivismo. Tal circunstância, porém, somente autorizaria a cooperativa a escolher o critério que julgasse mais adequado no silêncio da legislação tributária. Na medida em que o Parecer Normativo CST nº 73/75, na lacuna da lei, estabeleceu um critério que não pode ser qualificado, em sua essência, como inválido, sua aplicação deve ser observada por todas as cooperativas. Quanto à falta de publicidade do referido ato normativo, sua publicação no Diário Oficial da União verificouse em 11/08/1975, e seu conteúdo orienta o repertório de Perguntas e Respostas publicado anualmente pela Secretaria da Receita Federal. De fato, em consulta ao documento divulgado para orientar o preenchimento da DIPJ no primeiro ano calendário aqui autuado (2006), ainda disponível no sítio da Receita Federal da Internet (http://www.receita.fazenda.gov.br/Publico/Perguntao/DIPJ2007/PergRespDIPJ2007.pdf), temse no Capítulo XVIII – Sociedades Cooperativas: 018 Como será determinada a base de cálculo do imposto de renda pessoa jurídica das sociedades cooperativas com regime de tributação pelo lucro real? A base de cálculo será determinada segundo a escrituração que apresente destaque das receitas tributáveis e dos correspondentes custos, despesas e encargos. Na falta de escrituração adequada, o lucro será arbitrado conforme regras aplicáveis às demais pessoas jurídicas. No cálculo do Lucro Real deverão ser adotados os seguintes procedimentos: a) apuramse as receitas das atividades das cooperativas e as receitas derivadas das operações com nãoassociados, separadamente; b) apuramse, também separadamente, os custos diretos e imputamse esses custos às receitas com as quais tenham correlação; c) apropriamse os custos indiretos e as despesas e encargos comuns às duas espécies de receitas, proporcionalmente ao valor de cada uma, desde que seja impossível separar objetivamente, o que pertence a cada espécie de receita. Exemplo: Receitas: Provenientes de atos cooperativos........................ R$8.600.000,00 Provenientes de operações com não associados.. R$5.400.000,00 Total........................................................................ R$14.000.000,00 Custos diretos: Das receitas de atos cooperativos.......................... R$4.200.000,00 Das receitas de operações com não associados.... R$2.200.000,00 Total....................................................................... R$6.400.000,00 Fl. 2107DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.721240/201104 Acórdão n.º 1101001.013 S1C1T1 Fl. 40 39 Custos indiretos, despesas e encargos comuns..... R$4.400.000,00 Partindo desses dados, temos: 1) Rateio proporcional dos custos indiretos, despesas e encargos comuns às duas espécies de receita: parcela proporcional às receitas de atos cooperativos: (R$4.400.000,00 x R$5.400.000,00) / R$14.000.000,00 = R$1.697.142,86 parcela proporcional às receitas de operações com não associados: (R$4.400.000,00 x R$8.600.000,00) / R$14.000.000,00 = R$2.702.857,14 2) Apuração do resultado operacional correspondente aos atos cooperativos: Receitas de atos cooperativos........................................ R$8.600.000,00 () Custos diretos das receitas de atos cooperativos.... (R$4.200.000,00) () Custos indiretos, despesas e encargos comuns....... (R$2.702.857,14) = Lucro operacional (atos cooperativos).................... R$1.697.142,86 3) Apuração do resultado operacional correspondente às operações com não associados: Receitas de operações com não associados.......... R$5.400.000,00 () Custos diretos dessas receitas........................... (R$2.200.000,00) () Custos indiretos, despesas e encargos comuns. (R$1.697.142,86) = Lucro operacional (não associados).................... R$1.502.857,14 Normativo: RIR/1999, art. 529 e segs; PN CST nº 73, de 1975. Impróprias, assim, as referências feitas pela interessada à omissão em outras publicações elaboradas pela Receita Federal, bem como inaplicável se mostra a jurisprudência por ela invocada, reportandose a atos normativos sem amparo legal. Ainda: 1) quanto à alegada perda de vigência do Parecer Normativo CST nº 73/75, porque ditado sob a égide do RIR/66 e antes da nova ordem constitucional, já restou demonstrada a singeleza de seus termos e sua eficácia no âmbito da apuração do lucro líquido contábil, mostrandose irrelevantes as alterações posteriores da legislação tributária; 2) quanto à imposição constitucional de que se dê adequado tratamento tributário ao ato cooperativo, não há como classificar de prejudicial um ato normativo que, suprindo lacuna legal, estabelece critério razoável e uniforme a ser observado por todos os contribuintes em situações semelhantes; 3) quanto à razoabilidade do critério adotado, porque proporcional ao resultado da atividade, estas justificativas deixam de ter relevo quando se conclui que o Parecer Normativo CST nº 73/75, no contexto em que publicado, deve também ser observado pelos administrados. Por fim, em sua petição de 03/10/2013 a recorrente argumenta que a autoridade fiscal não observou estritamente o Parecer Normativo CST nº 73/75, bem como não notou erros cometidos pela contribuinte que ensejariam o arbitramento dos lucros. A inobservância do Parecer Normativo CST nº 73/75 decorreria da segregação analítica “por produto”, diversamente do cálculo sintético estipulado no ato Fl. 2108DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.721240/201104 Acórdão n.º 1101001.013 S1C1T1 Fl. 41 40 normativo. No parecer técnico apresentado em 03/10/2013, reportandose ao exemplo prático veiculado no repertório de Perguntas e Respostas publicado anualmente pela Secretaria da Receita Federal, os pareceristas afirmam que o auditor elaborou suas planilhas levando em conta, individualmente, cada produto vendido, não seguindo a orientação do parecer normativo. Este preconiza a observação dos totais de receita bruta oriunda das atividades com associados e não associados, com o cálculo de apenas dois percentuais para a distribuição e alocação dos gastos indiretos. Porém, é compreensível a tolerância do agente fiscal com o procedimento adotado pela contribuinte, porque o critério estabelecido normativamente, neste ponto, claramente não tinha em conta a complexidade de atividades múltiplas exercidas por cooperativas, como no presente caso. Para maior clareza, novamente transcrevese os termos do Parecer Normativo CST nº 73/75 neste ponto específico: 6. Nessas condições, devem ser apuradas em separado as receitas das atividades próprias das cooperativas e as receitas derivadas das operações por elas realizadas com terceiros. Igualmente computados em separado os custos diretos, e imputados às receitas com as quais guardam correlação. A partir daí, e desde que impossível destacar os custos e encargos indiretos de cada uma das duas espécies de receitas, devem eles ser apropriados proporcionalmente ao valor das duas receitas brutas. Conseqüentemente, o lucro operacional a ser considerado para efeito de tributação corresponderá ao resultado da receita derivada das operações efetuadas com terceiros, diminuída dos custos diretos pertinentes, e, ainda, do valor dos custos e encargos, indiretos proporcionalmente relacionado com o perceptual que as receitas oriundas das operações com terceiros representem sobre o total das receitas operacionais. Feitos os cálculos nos termos descritos, ao lucro operacional que resultar sujeito à tributação serão acrescidos os resultados líquidos das transações eventuais. (negrejouse) Aqui, como demonstrado concretamente na abordagem da preliminar no início deste voto, a cooperativa operava com produtos apenas revendidos e com outros submetidos a transformação, de modo que no primeiro caso os resultados de associados e terceiros eram identificados em razão da entrada dos produtos, ao passo que no segundo caso a atribuição dos resultados a associados e terceiros tinha em conta a saída dos produtos. Em tais condições, indispensável se mostrava o cálculo dos resultados individualizado por produto, sob pena de não ser possível, ao final, estabelecer um critério único para identificação das receitas e custos diretos em operações com associados e terceiros. Desta forma, embora segregando a apuração por produto, os cálculos da contribuinte observaram as linhas gerais do parecer, porque identificadas as receitas e custos diretos de cada produto de modo a distinguilas como decorrentes de operações com associados e terceiros. Contudo, como, na seqüência, a contribuinte rateou as receitas e custos/despesas/encargos indiretos em razão do lucro bruto de cada produto, e não proporcionalmente à receita bruta destes, necessário e pertinente se fez o ajuste procedido pela Fiscalização. Por fim, a recorrente traz, no parecer técnico apresentado em 03/10/2013, a existência de outras irregularidades em sua escrituração que, em seu entender, imporiam a adoção do arbitramento como forma de apuração da base tributável no período. Diz que custos Fl. 2109DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.721240/201104 Acórdão n.º 1101001.013 S1C1T1 Fl. 42 41 e despesas diretamente relacionados com operações de associados ou de terceiros foram indevidamente classificados como indiretos, e assim rateados. Tomando como exemplo as demonstrações referentes ao anocalendário 2006, relaciona os itens que compõem o total de custos e despesas indiretas, agrupados em “Despesas Conselho de Adm e Fiscal”, “Despesas com Pessoal”, “Despesas Operacionais”, ‘Despesas com Vendas”, “Despesas Tributárias”, “Impostos Incidentes sobre Vendas”, “Despesas Financeiras” e “Despesas com Vendas Mercado Externo”. Observa que nestes grupos diversas despesas poderiam ser imputadas com facilidade às receitas correspondentes, não necessitando da insegurança da aplicação de percentual de rateio. Dentre eles, destaca o ICMS Incidente Sobre Vendas, no valor de R$ 27.590.145,75, que por manter relação com as vendas poderia ser imputado diretamente às receitas oriundas de atos com associados ou atos com não associados. A este item agrega outros correspondentes a comissões, publicidade, tributos, fretes, títulos incobráveis, variação cambial, descontos concedidos, estadias, dentre outros, que totalizariam R$124.091.186,70, ou seja, 67,42% do total da base de rateio no ano de 2006. A partir destas informações, o parecer técnico expressa a conclusão de que a empresa classificou um grande número de contas como representativas de custos e despesas indiretas, sujeitando seus saldos finais a rateio, quando deveria imputar seus montantes diretamente às receitas correspondentes, com associados e com não associados. Todavia, a irregularidade assim aventada somente autorizaria o arbitramento dos lucros se demonstrado o efeito prático do rateio destes valores na proporção da participação da receita bruta no total de receita do período, ou imputados diretamente como custos em operações com associados e terceiros. Especificamente no que tange ao ICMS incidente sobre vendas pouca variação seria esperada, na medida em que este valor é proporcional à receita bruta, e este é o critério que aqui se reputa válido, ao contrário das premissas do parecer que admite o rateio com base no lucro bruto, de cada produto. Quanto aos demais itens, a argumentação da contribuinte extrai conseqüências dos registros que normalmente são vinculados às contas contábeis mencionadas, sem evidenciar seu real conteúdo, e sem cogitar das dificuldades que poderiam se verificar para atribuir, diretamente, por exemplo, custos de fretes ou de variação cambial decorrentes de operações que reunissem produtos de associados e de terceiros. Para além disso, cumpre recordar que a Fiscalização apresentou extenso questionário de esclarecimentos relativos aos relatórios “CT0271” e “CT0281” utilizados pela Cooperativa para cálculo das operações com terceiros, o qual ensejou respostas da fiscalizada (fls. 14/16, 18/19, 20/28, 30/31), evidenciando o controle por ela mantido em suas atividades, inclusive de modo a permitir que aspectos pontuais de sua apuração fossem desqualificados pela Fiscalização, circunstância completamente distinta daquela que o legislador cogitou ao estabelecer o arbitramento dos lucros nos casos em que a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para, no caso, determinar o lucro real. Vejase que a tributação sob a sistemática do lucro real não tem como pressuposto uma escrituração contábil plenamente regular e subsiste mesmo na presença de irregularidades, desde que estas não tornem a escrituração imprestável ou impossibilitem a identificação da movimentação bancária. Fl. 2110DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.721240/201104 Acórdão n.º 1101001.013 S1C1T1 Fl. 43 42 Isto porque a desclassificação da escrituração da contribuinte, para fins de arbitramento do lucro, por se tratar de medida extrema, só é admissível se a Fiscalização possuir motivos fáticos suficientes para tanto. Neste sentido se orienta a jurisprudência deste Conselho: OMISSÃO DE RECEITAS Tratandose de medida extrema, o arbitramento do lucro somente se justifica quando a escrituração contábil mantida pelo sujeito passivo contiver erros ou deficiências que a tornem imprestável para determinação do lucro real. Omissão no registro de receitas, principalmente quando apuradas as irregularidades e quantificado o montante desviado do giro normal, constituem fatos que não se enquadram nas hipóteses descritas pelos artigos 399 e 400 do RIR/80. (Acórdão nº 10184.644/93) ARBITRAMENTO DO LUCRO A do arbitramento é medida extrema e só deve ser utilizado como último recurso, por ausência absoluta de outro elemento que aplicação tenha mais condições de aproximarse do lucro real. É imprescindível por parte do fisco a abertura formal de prazo para apresentarse a documentação que a elidiria. Recurso provido. (Acórdão nº 10317.316/96) IRPJ ARBITRAMENTO ADMISSIBILIDADE – O arbitramento de lucros é medida extrema, cuja admissibilidade está vinculada à abertura de prazo razoável para regularização ou apresentação da escrita. Não procede lançamento efetuado sem a observação dessa premissa. Recurso provido. (Acórdão nº 10318.452/97) IRPJ ARBITRAMENTO DE LUCROS A desclassificação da escrita e o conseqüente arbitramento de lucros somente se legitima na ausência de elementos concretos que permitam a apuração do lucro real da empresa. Recurso provido. (Acórdão nº 1056.518) ARBITRAMENTO DE LUCROS Não deve prevalecer o arbitramento dos lucros se não está bem demonstrada a inexistência ou a imprestabilidade da escrita contábil. Recurso provido. (Acórdão nº 1057.025) ARBITRAMENTO DO LUCRO Tratase de mero instrumento que objetiva determinar o lucro tributável, sem qualquer conotação penal, por se tratar de medida extrema, somente se justifica quando impraticável o aproveitamento da escrita. (Acórdão nº 1053.510) IRPJ ARBITRAMENTO MOVIMENTO BANCÁRIO NÃO ESCRITURADO X REGISTROS DE CAIXA DESCLASSIFICAÇÃO DA ESCRITA A desclassificação de escrita, para fins de arbitramento do lucro pelo Imposto de Renda, somente pode ocorrer na impossibilidade de apuração do lucro real da empresa. No caso dos autos, o fisco tinha plenas condições de apurar a matéria tributável, diante os levantamentos por ele feitos, sem necessidade de desclassificar a escrita. (Acórdão nº CSRF/011.819) Assim, o arbitramento se dá quando a escrituração apresenta deficiências absolutamente incontornáveis, que exijam uma nova forma de apuração de resultados, com vistas a viabilizar a incidência do IRPJ e da CSLL. Se somente uma escrituração contábil plenamente regular permitisse a tributação na sistemática do lucro real, qualquer omissão de receita ou mesmo a classificação incorreta de custos ou despesas seria motivo suficiente para a desclassificação da escrita. Portanto, se outras incorreções de menor representatividade se verificaram na apuração do sujeito passivo, mas não foram identificadas pela Fiscalização, tal não se mostra suficiente para viciar a apuração, e poderia, no máximo, ensejar eventual revisão nos cálculos Fl. 2111DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.721240/201104 Acórdão n.º 1101001.013 S1C1T1 Fl. 44 43 recompostos segundo os parâmetros fiscais, mas desde que efetivamente demonstrada sua repercussão na base tributável pela contribuinte. Por todo o exposto, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao critério de rateio recomposto pela autoridade lançadora. Conseqüência disto é que a única exigência subsistente para o anocalendário 2006, após a apreciação da preliminar de nulidade, deve ser mantida. Já para os anos calendários 2007 e 2008, esta é a primeira infração mantida, e as demais serão apreciadas adiante. Passando à tributação das receitas financeiras, a recorrente defende que a observância do Parecer Normativo CST nº 73/75 impõe a aplicação das regras vigentes à época de sua edição, que determinava a exclusão do lucro operacional de toda e qualquer receita financeira (art. 154 a 156 do RIR/66). Tal argumento, porém, é irrelevante, porque as receitas financeiras permanecem integrando o lucro líquido, quer como receitas operacionais ou não operacionais. E, na medida em que as receitas estão sendo aqui tributadas porque não inseridas no conceito de ato cooperativo, sua classificação como não operacional, em verdade, reforçaria a acusação fiscal. Já quanto à classificação das receitas resultantes das operações de swap e de mercado a termo com finalidade de hedge, teria razão a contribuinte, caso se admita que os valores que são assegurados no hedge pertencem, efetivamente aos cooperados. Isto porque operações realizadas com finalidade de hedge não têm caráter especulativo, mas sim prestam se a reduzir os riscos da atividade negocial. E todos aqueles que operam com exportações correm o risco da flutuação do câmbio, podendo beneficiarse com variações cambiais ativas, ou ser prejudicado sensivelmente por variações cambiais passivas. Assim, a contratação da posição oposta assegura a neutralidade dos efeitos do câmbio no resultado, impedindo, inclusive, que a matéria seja analisada apenas sob a ótica dos ganhos líquidos obtidos nestes investimentos. Em suporte a estas afirmações reproduzse as lições de Elidie Palma Bifano, in O Mercado Financeiro e o Imposto sobre a Renda (São Paulo: Quartier Latin, 2a edição atualizada e ampliada, 2011, p. 331333): 2. O HEDGE588 E SEUS INSTRUMENTOS 2.1. Generalidades A atividade negocial se sujeita a riscos variados e o administrador de empresa, por força da tarefa que lhe foi delegada por lei e pelos sócios, deve estar atento e precaverse. O mercado desenvolveu diversos instrumentos, cujo objetivo é dar proteção à empresa, evitando ou minimizando a concretização de riscos. Os riscos a que a empresa se expõe dependem do mercado onde opera, mas, também, de seu relacionamento com o mundo, hoje dito global. Os principais riscos, facilmente identificáveis em qualquer empresa, em qualquer país, são: (i) de crédito, (ü) de taxas de câmbio; (m) de preços. Considerando esses riscos, o administrador adota medidas com o fito de reduzilos ou eliminálos, tomando posição inversa àquela que assumiu na sociedade: vai ao mercado e adquire contratos, em posição inversa àqueles contratos da sociedade que julga representativos de risco. Com isso conseguirá neutralizar ou, no mínimo, reduzir os riscos da volatilidade dos elementos que informam os negócios que desenvolve. Ao adquirir contratos com o objetivo de protegerse, o administrador da sociedade munese de instrumentos, no Fl. 2112DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.721240/201104 Acórdão n.º 1101001.013 S1C1T1 Fl. 45 44 linguajar do mercado, com a finalidade de hedge (proteção)589. O contrato com finalidade de proteção inserese nos mercados futuros, pois objetiva reduzir ou eliminar riscos que possam vir a concretizarse e esse é, certamente, o mais importante referencial desse tipo de negócio: o risco é, sempre, futuro. As operações, desenvolvidas pelos interessados em obter proteção para direitos ou obrigações, no mercado, são denominadas derivativos, pois derivam de um direito ou obrigação, não necessariamente registrado como ativo ou passivo financeiro (de risco) mantidos pelo investidor590 e enquadrados como instrumentos financeiros. Os instrumentos financeiros caracterizados como derivativos não implicam saída de recursos, no momento em que as partes negociam, pois não há investimento inicial de caixa: "apostase" em determinado índice, valor mobiliário, preço, evento, inclusive da natureza591, e similares, que garantam a proteção pretendida. Os envolvidos no negócio sempre estão em posições opostas, pois se um ganha o outro perde. Somente por ocasião da liquidação da obrigação, por aquele que a assumiu contratualmente, é que existe movimentação de recursos que sempre ocorre por diferença entre o que se "apostou" e o que se deve pagar. A CVM592 definiu, pela primeira vez, os instrumentos financeiros como ativos ou passivos financeiros representados por disponibilidades, contratos do mercado financeiro, participações societárias, dentre outros, que correspondem a um ativo ou passivo financeiro em outra sociedade593. As operações financeiras mais comuns, desenvolvidas com a finalidade de hedge, em bolsa são a futuro, swap e opções. Além das operações de bolsa, podem ser contratados instrumentos financeiros, derivativos, sempre com a finalidade de hedge, com instituições financeiras para tanto autorizadas, em mercado dito de balcão, com registro em entidades específicas que não a bolsa ou, até, entre particulares. Dentre esses contratos envolvendo instrumentos financeiros fora de bolsa, com a finalidade de proteção, sobreleva o contrato de swap, já referido, resolvido pelo pagamento da diferença ao final de um certo período. Essa troca permite minimizar riscos relacionados a certos mercados sujeitos à volatilidade. O CPC adotou essa mesma definição como se observa de seus pronunciamentos 38 e 39 que tratam, respectivamente, do reconhecimento/mensuração e da apresentação dos instrumentos financeiros. As operações com a finalidade de hedge, ou simplesmente de cobertura, realizadas no País ou no exterior, em bolsa ou em mercado de balcão, desde que registradas nos termos da lei, desfrutam de tratamento diferenciado em matéria tributária. Mais à frente, a mesma autora aborda as possibilidades de hedge operacional e especulativo, mas, no presente caso, a autoridade fiscal intimou a contribuinte a prestar esclarecimentos sobre os valores contabilizados, e houve a apresentação, por amostragem, de fichas de liquidação de operações de derivativos, termos de moeda e extratos de liquidação (fls. 17/19). Posteriormente foram exigidos os demais documentos da conta Exportação, visto que os lançamentos seguem padrões diferentes nessa conta (fls. 20/28), apresentados às fls. 30/297. E, ao complementar os esclarecimentos acerca dos procedimentos adotados para cálculo da exigência, a autoridade fiscal fez duas anotações em relação às operações: 1) que as receitas de exportação não poderiam ser atribuídas exclusivamente a cooperados, porque a segregação das receitas era feita em razão das entradas, e estas incluíam terceiros; 2) que a parcela das receitas de exportação correspondente a ganhos líquidos em operações financeiras, como informado pela contribuinte à fl. 17, não caracterizavam atos cooperativos típicos porque realizados entre a cooperativa e as instituições financeiras. Fl. 2113DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.721240/201104 Acórdão n.º 1101001.013 S1C1T1 Fl. 46 45 A prática de um ato entre a cooperativa e terceiros não pode ser a razão para classificálo como não cooperativo. Custos e despesas indiretas incorridos recorrentemente são decorrentes de operações entre cooperativa e terceiros, e nem por isso seus efeitos deixam de se verificar na proporção das receitas decorrentes de atos cooperados. Se as receitas financeiras integradas à receita de exportação decorrem, efetivamente, de contratos com finalidade de hedge operacional, como deixam a entender documentos às fls. 30/297 que denotam ordens de compra e de venda de dólares a termo, e a Fiscalização nada opôs a este fato, tais valores devem permanecer integrados às receitas de exportação, submetendose ao rateio em razão da justificativa citada no item “1” acima, não questionada pela contribuinte, exceto na preliminar de nulidade acolhida parcialmente apenas em face da exigência no anocalendário 2006. Vejase, inclusive, que ao promover o rateio das receitas de exportação, integradas pelas receitas financeiras decorrentes de operações de hedge, a autoridade lançadora está observando a tributação do resultado líquido, na medida em que as despesas financeiras também estão sendo rateadas entre as operações com cooperados e não cooperados. Esclareçase, ainda, que, ao contrário do que sustentou a recorrente, as receitas de exportação, decotadas das receitas financeiras, não foram atribuídas exclusivamente a operações com terceiros. Somente as receitas financeiras foram classificadas como operações com terceiros, ao passo que as receitas de exportação foram deslocadas do conjunto atribuído exclusivamente a associados para serem rateadas entre terceiros e associados conforme o percentual aplicável aos produtos operados pela cooperativa. Para que fique claro, tomese novamente a apuração do produto “701 SOJA E DERIVADOS”, no anocalendário 2008. Como antes demonstrado, a apuração original da contribuinte evidenciava que o resultado bruto (vendas reduzidas por devoluções e custo), no valor de R$ 65.619.293,49, representaria 22,601% do total de R$ 290.344.219,33, e com base naquele percentual foram distribuídas as demais receitas e despesas, conforme indicado às fls. 921/929: Resultado Bruto 65.619.293,49 Receitas indiretas 9.881.507,65 22,601% 2.233.319,54 Receitas diretas sócios 38.340.008,68 22,601% 8.665.225,36 Receitas diretas terceiros 2.714.057,15 22,601% 613.404,06 Despesas indiretas (291.184.346,13) 22,601% (65.810.574,07) Despesas diretas sócios 2.231.717,07 22,601% 504.390,37 Despesas diretas terceiros (7.625.734,38) 22,601% (1.723.492,23) Resultado 10.101.566,53 O cálculo completo do rateio referente ao produto “701 SOJA E DERIVADOS” no anocalendário 2008, extraído do relatório de fls. 956/967, foi assim resumido neste voto: Produto 701 Soja e Derivados Total Sócios Terceiros Resultado bruto 65.619.293,49 52.147.652,54 79,47% 13.471.640,95 20,53% Receitas indiretas 9.881.507,65 22,601% 2.233.319,54 1.774.819,04 79,47% 458.500,50 20,53% Despesas indiretas (291.184.346,13) 22,601% (65.810.574,07) (52.299.663,21) 79,47% (13.510.910,86) 20,53% Receitas diretas sócios 38.340.008,68 22,601% 8.665.225,36 8.665.225,36 100% Receitas diretas terceiros 2.714.057,15 22,601% 613.404,06 613.404,06 100% Despesas diretas sócios 2.231.717,07 22,601% 504.390,37 504.390,37 100% Despesas diretas terceiros (7.625.734,38) 22,601% (1.723.492,23) (1.723.492,23) 100% Resultado 10.792.424,10 (690.857,57) Fl. 2114DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.721240/201104 Acórdão n.º 1101001.013 S1C1T1 Fl. 47 46 Além da discordância expressa pela Fiscalização acerca da alteração do percentual de 22,601% para 31,507%, como indicado à fl. 1106, a autoridade fiscal também apresentou, no curso da diligência fiscal, justificativas para ter alterado o percentual atribuído a sócios para este produto (79,77%, e não 79,47% como apurou a contribuinte), e realocou receitas e despesas para rateio exclusivo entre associados, terceiros ou entre ambos, conforme registros na coluna “ajuste” da “tabela 07”: As receitas de exportação correspondem ao montante de R$ 24.866.961,54 excluído do conjunto de “receitas de associados” no anocalendário 2008. Tal providência decorre da acusação fiscal no sentido de que estes valores deveriam ser rateados entre associados e terceiros, em razão da natureza da entrada dos produtos. Na seqüência, este valor é distribuído entre as parcelas de R$ 7.175.419,54 como receitas exclusivamente de terceiros, e de R$ 17.691.542,00 como receitas a ratear entre terceiros e associados. O quadro seguinte deixa claro que a parcela de R$ 17.691.542,00, somada ao valor original de receitas a ratear de R$ 9.881.507,65, totalizou R$ 27.573.049,65, e foi distribuída entre sócios e terceiros, de acordo com o percentual de entrada do produto sob análise (no caso, 79,77% para associados e 20,23% para terceiros). Diversamente, as receitas financeiras de R$ 7.175.419,54, somadas às demais receitas de terceiros (R$ 2.714.057,15) e totalizando R$ 9.889.476,69, são atribuídas exclusivamente a terceiros. Destacase mediante sombreamento os cálculos da Fiscalização que evidenciam tais constatações: Produto 701 Soja e Derivados Total Sócios Terceiros Resultado bruto 65.619.293,49 52.344.510,42 79,77% 13.274.783,07 20,23% Receitas indiretas 27.573.049,65 31,507% 8.687.451,11 6.929.979,75 79,77% 1.757.471,36 20,23% Despesas indiretas (291.095.336,23) 31,507% (91.715.516,95) (73.161.467,87) 79,77% (18.554.049,08) 20,23% Receitas diretas sócios 13.473.047,14 31,507% 4.244.958,02 4.244.958,02 100% Receitas diretas terceiros 9.889.476,69 31,507% 3.115.881,14 3.115.881,14 100% Despesas diretas sócios 2.142.707,17 31,507% 675.103,55 675.103,55 100% Despesas diretas terceiros (7.625.734,38) 31,507% (2.402.643,00) (2.402.643,00) 100% Resultado (8.966.916,13) (2.808.556,51) Na primeira linha destacada, onde estão incluídas as receitas de exportação, os valores são atribuídos a sócios e terceiros. Na segunda linha destacada, onde estão incluídas as receitas financeiras, os valores são atribuídos exclusivamente a terceiros. Portanto, a Fiscalização adotou procedimentos distintos para estas duas espécies de receitas: destacou a parcela de R$ 7.175.419,54 como receitas atribuíveis exclusivamente a terceiros por se Fl. 2115DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.721240/201104 Acórdão n.º 1101001.013 S1C1T1 Fl. 48 47 tratarem de receitas financeiras, ao passo que as demais receitas de exportação (R$ 17.691.542,00) foram rateadas entre sócios e terceiros. Assim, a conclusão do presente voto é no sentido de que tanto as receitas de exportação, como as receitas financeiras, devem receber o mesmo tratamento, sujeitandose a rateio entre sócios e terceiros, de acordo com o percentual de entrada dos produtos. A recorrente ainda defende a exclusão da aplicação do adicional de 10% sobre as receitas financeiras vinculadas ao código de arrecadação 5557. Questionada a este respeito, a autoridade lançadora assim se manifestou na Informação Fiscal (fls. 1779/1780): As receitas financeiras registradas indevidamente como “receitas de exportação” (linha 26) foram levadas ao resultado de operações com associados. Essas receitas de aplicações financeiras estão relacionadas nas tabelas abaixo e devem ser segregadas para a tributação cabível. Dessa forma, foram feitos os ajustes nas receitas de terceiros, com a adição de R$ 2.343.430,01, em 2006, R$ 4.943.500,01, em 2007, e de R$ 7.175.419,54, em 2008. O restante das receitas de exportação foi acrescentado ao saldo das receitas a ratear, conforme esclarecido no item 23 acima. Vale informar que o código de receita 5557 corresponde aos “ganhos líquidos em operações em bolsas e assemelhados” e o código 5273 corresponde a “operações de swap (art. 74, Lei 8.981/95)”. E, nas tabelas apresentadas na seqüência, a autoridade fiscal indica que, nos anoscalendário 2007 e 2008 para os quais este questionamento ainda tem pertinência, alguns rendimentos foram classificados sob o código 5273, e outros sob o código 5557. Por sua vez, a Lei nº 11.033/2004 invocada pela interessada assim dispõe: Art. 1o Os rendimentos de que trata o art. 5o da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, relativamente às aplicações e operações realizadas a partir de 1o de janeiro de 2005, sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte, às seguintes alíquotas: I 22,5% (vinte e dois inteiros e cinco décimos por cento), em aplicações com prazo de até 180 (cento e oitenta) dias; II 20% (vinte por cento), em aplicações com prazo de 181 (cento e oitenta e um) dias até 360 (trezentos e sessenta) dias; III 17,5% (dezessete inteiros e cinco décimos por cento), em aplicações com prazo de 361 (trezentos e sessenta e um) dias até 720 (setecentos e vinte) dias; IV 15% (quinze por cento), em aplicações com prazo acima de 720 (setecentos e vinte) dias. § 1o No caso de aplicações existentes em 31 de dezembro de 2004: [...] § 2o No caso dos fundos de investimentos, será observado o seguinte: [...] § 5o Consideramse incluídos entre os rendimentos referidos pelo art. 5o da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, os predeterminados obtidos em operações conjugadas, realizadas nos mercados de opções de compra e de venda em bolsas de valores, de mercadorias e de futuros (box), no mercado a termo nas bolsas de valores, de mercadorias e de futuros, em operações de venda coberta e sem ajustes diários, e no mercado de balcão. Fl. 2116DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.721240/201104 Acórdão n.º 1101001.013 S1C1T1 Fl. 49 48 [...] Art. 2o O disposto no art. 1o desta Lei não se aplica aos ganhos líquidos auferidos em operações realizadas em bolsas de valores, de mercadorias, de futuros, e assemelhadas, inclusive day trade, que permanecem sujeitos à legislação vigente e serão tributados às seguintes alíquotas: I 20% (vinte por cento), no caso de operação day trade; II 15% (quinze por cento), nas demais hipóteses. § 1o As operações a que se refere o caput deste artigo, exceto day trade, sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte, à alíquota de 0,005% (cinco milésimos por cento) sobre os seguintes valores: I nos mercados futuros, a soma algébrica dos ajustes diários, se positiva, apurada por ocasião do encerramento da posição, antecipadamente ou no seu vencimento; II nos mercados de opções, o resultado, se positivo, da soma algébrica dos prêmios pagos e recebidos no mesmo dia; III nos contratos a termo: a) quando houver a previsão de entrega do ativo objeto na data do seu vencimento, a diferença, se positiva, entre o preço a termo e o preço à vista na data da liquidação; b) com liquidação exclusivamente financeira, o valor da liquidação financeira previsto no contrato; IV nos mercados à vista, o valor da alienação, nas operações com ações, ouro ativo financeiro e outros valores mobiliários neles negociados. [...] § 7o O valor do imposto retido na fonte a que se refere o § 1o deste artigo poderá ser: I deduzido do imposto sobre ganhos líquidos apurados no mês; II compensado com o imposto incidente sobre ganhos líquidos apurados nos meses subseqüentes; III compensado na declaração de ajuste se, após a dedução de que tratam os incisos I e II deste parágrafo, houver saldo de imposto retido; IV compensado com o imposto devido sobre o ganho de capital na alienação de ações. [...] (negrejouse) A classificação das receitas financeiras como decorrentes de operações de swap poderia afastar a aplicação do invocado art. 2o, inciso II da Lei nº 11.033/2004, na medida em que elas estariam enquadradas na hipótese do art. 1o da mesma lei, consoante interpretação expressa por Elidie Palma Bifano (op. cit. p. 347348): As operações de swap, como já analisado, são representadas por contratos que envolvem a troca, entre partes, de ativos financeiros. O contrato de swap, como todos os contratos diferenciais, não exige capital inicial investido a ser remunerado, tampouco que as partes detenham as propriedades dos ativos aos quais o seu negócio se referencia, e, por fim, por ocasião da sua liquidação, basta às partes se comporem pelo fluxo de caixa, sem entrega de ativos. A tributação expressa dos rendimentos decorrentes dos contratos de swap remonta à L. 8.981/95, art. 74, que determinou fosse o resultado positivo auferido na liquidação do contrato, tributado pelo IR; a dedução das perdas foi autorizada apenas para operações registradas Fl. 2117DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.721240/201104 Acórdão n.º 1101001.013 S1C1T1 Fl. 50 49 nos termos da legislação vigente. Essa disposição mantevese pela L. 9.532/97, art. 36, que, entretanto, determinou fossem tais rendimentos tributados de forma idêntica aos auferidos em renda fixa, trabalhando com conceitos de tributação admitidos no sistema, pois somente reconhecia a incidência tributária na liquidação do contrato, momento em que as partes têm condição de determinar, se, efetivamente, auferiram renda na operação. Com a edição da L. 9.779/99, art. 5°, passaram a ser tributados na fonte os rendimentos auferidos em operação de swap, independentemente de o contribuinte já ter tributado eventuais ajustes do contrato em regime de competência, o que gerava retenção indevida de imposto já pago609. A L. 11.033/04, atualmente aplicável à matéria, inovou o cenário jurídico ao introduzir, para as operações de swap610, que já se submetiam ao regime das operações de renda fixa, também a aplicação das alíquotas decrescentes em função do seu prazo de duração, variando de 22,5% a 15%, incidentes na fonte sobre os rendimentos auferidos por pessoas jurídicas e físicas. A base de cálculo é o resultado positivo auferido na liquidação do contrato, inclusive na sua cessão. Observese que o resultado de um contrato de swap é o ganho líquido, que só pode ser conhecido e disponibilizado ao término do prazo de maturação do negócio. Apesar dessa determinação, é interessante observar que a lei, de forma indireta, considera essa operação como de renda variável, embora lhe atribua o regime legal de renda fixa611. (negrejouse) Todavia, a autoridade lançadora não desfez a vinculação contábil, promovida pela fiscalizada, entre as exportações e as receitas financeiras em debate. Apenas esclareceu acerca dos diferentes códigos de retenção utilizados pelas instituições financeiras, de modo que não há como refutar as alegações da contribuinte de que suas operações teriam finalidade de hedge, e assim poderiam se vincular a mercado futuro, cuja finalidade é, justamente, reduzir ou distribuir o risco de perdas entre os agentes econômicos, especialmente naqueles mercados sujeitos à volatilidade por razões variadas (oscilação de preços, moedas e índices, oscilações políticas e riscos de crédito, dentre outras), nas palavras de Elidie Palma Bifano (op. cit., p. 328). Por tais razões, não há fundamento fático e legal suficiente para sustentar a aplicação do adicional de 10% sobre a parcela do lucro decorrente da parcela das receitas financeiras que, reintegradas às exportações, restarem atribuídas aos resultados de atos não cooperativos. Por estas razões, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reintegrar as receitas financeiras nos valores de R$ 4.943.500,01 e de R$ 7.175.419,54 às receitas de exportação dos anoscalendário 2007 e 2008, submetendo as receitas financeiras juntamente com às receitas de exportação a rateio entre associados e terceiros, de acordo com o percentual de entrada dos produtos, bem como afastando a exigência de adicional sobre a parcela do lucro tributável resultante das receitas financeiras. A recorrente aponta, ainda, erro no valor dos saldos a compensar relativos aos anosbase de 2006 e 2008, pois os valores utilizados no lançamento seriam inferiores aos indicados na DIPJ. Na medida em que inexiste justificativa para as reduções promovidas, haveria ofensa ao devido processo legal quando a autoridade julgadora lhe impõe o dever de provar os valores não admitidos pelo Fisco. Ademais, na medida em que as informações do anocalendário 2006 corresponderiam apenas a IRRF, o Fisco poderia obtêlas consoante determina o art. 37 da Lei nº 9.784/99. Fl. 2118DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.721240/201104 Acórdão n.º 1101001.013 S1C1T1 Fl. 51 50 A autoridade lançadora fez constar no Termo de Verificação Fiscal que: na apuração do imposto de renda devido, houve aproveitamento do imposto recolhido por antecipação e também do imposto retido na fonte, para todos os anoscalendário sob ação fiscal, conforme demonstrado nas tabelas 08, em anexo. As Tabelas 08 expressam, para cada anocalendário fiscalizado, o cálculo do resultado cooperativo e não cooperativo, sendo este último somado ao resultado não operacional e ajustado por adições e exclusões para apuração do lucro real, eventualmente reduzido por compensação de prejuízo, e depois submetido às alíquotas de IRPJ e adicional, para apuração do imposto total devido, do qual são deduzidas as antecipações por seu valor total, sem qualquer anotação acerca da origem da informação (fls. 1090 e 1113). Estas parcelas são transportadas para o auto de infração com a descrição antecipações na forma de pagamento e imposto retido na fonte (fls. 1067 e 1069). Por fim, na Informação Fiscal de fls. 1774/1783, a autoridade lançadora não faz qualquer acréscimo a estas considerações. Às fls. 662/688 e 728/760 a autoridade lançadora juntou as informações prestadas pelas fontes pagadoras em DIRF nos anoscalendário de 2006 e 2008, as quais individualizam rendimentos e retenções sob diferentes códigos de retenção, e não permitem inferir que parcela poderia ter sido desconsiderada pelo fiscal autuante em suas análises. A DIPJ do anocalendário 2006 indica dedução de IRRF no valor de R$ 659.263,61 (fl. 335), mas a autoridade fiscal compensou no lançamento apenas a parcela de R$ 552.780,23 (fl. 1067). A DIPJ do anocalendário 2008 indica dedução de IRRF no valor de R$ 1.208.991,00 e de estimativas no valor de R$ 1.233.647,00 (fl. 552), mas a autoridade fiscal compensou no lançamento apenas a parcela de R$ 2.378.290,96 (fl. 1069). Assim, ausente justificativa para a redução dos valores a deduzir originalmente utilizados pela contribuinte, deve ser DADO PROVIMENTO ao recurso voluntário para que as deduções informadas na DIPJ sejam integralmente utilizadas no cálculo do IRPJ devido nos anoscalendário 2006 e 2008. Finalizando o debate, a recorrente se opõe às providências fiscais relativamente às despesas com Assessoria Educativa – FATES. Inicialmente argumenta que as justificativas para o procedimento fiscal somente foram apresentadas por ocasião da conversão do julgamento em diligência mas, como já justificado, este fato somente enseja a exclusão das inovações promovidas em relação ao anocalendário 2006. Assim, cumpre apreciar as demais razões oferecidas pela interessada relativamente aos efeitos deste item da defesa nas exigências dos anoscalendário 2007 e 2008. A autoridade lançadora discordou da segregação desta despesa, atribuindo seu valor integralmente ao grupo de despesas com associados. Desta forma, os resultados com não associados não puderam ser reduzidos na forma pretendida pela interessada. A contribuinte foi questionada, durante o procedimento fiscal, a esclarecer a razão de as despesas não terem sido lançadas contra o Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social (FATES), descrito no art. 53 do Estatuto da Cooperativa. Em resposta, esclareceu tratarse de despesas gerais nos eventos de Associados, de Funcionários, Comunidades em geral de Associados e não Associados, nas Associações dos Funcionários de cada Filial da Cooperativa e do Centro de Treinamento, conforme consta na Política própria Fl. 2119DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.721240/201104 Acórdão n.º 1101001.013 S1C1T1 Fl. 52 51 do sistema de gestão da Empresa. Entendeu ter ficado evidenciado que as despesas desta Assessoria não são utilizadas somente para Sócios e Funcionários. Argumentou a Fiscalização que: 30. Não procede a justificativa apresentada pela contribuinte, uma vez que o FATES somente pode ser utilizado para prestação de assistência aos associados, seus familiares e, quando previsto nos estatutos, aos empregados da cooperativa. No Estatuto da cooperativa, art. 53, consta previsão de prestação de assistência também aos empregados da cooperativa com recursos do FATES. No entanto, a resposta revela que esses recursos também foram empregados nos eventos das comunidades em geral de não associados, situação que não está prevista no Estatuto e nem está amparada na Lei 5.764/71, art. 28, inciso II. Não houve segregação dos dispêndios com recursos do FATES empregados em eventos com não associados, de modo que não é possível quantificálos. Além disso, importa verificar que a cooperativa contabilizou as despesas com Assessoria Educativa como despesas correntes, o que não é correto. Essas despesas deveriam ter sido creditadas diretamente ao FATES, conta do Patrimônio Líquido criada com esta finalidade específica. Assim, a fiscalização procedeu ao ajuste da conta de Despesas de Associados, transferindo para essa conta os valores que foram contabilizados a título de despesas com Assistência Técnica, Educacional e Social e que foram levados indevidamente ao Saldo de Despesas a Ratear. A recorrente reputa evidente desvio de finalidade a pretensão do fisco, de que a cooperativa venha a usar recursos daquele fundo para as atividades educacionais de seus colaboradores e comunidade em geral, na medida em que o art. 28, inciso II da Lei nº 5.764/71 limita a utilização do FATES para prestação de assistência aos associados, seus familiares e, quando previsto nos estatutos, aos empregados da cooperativa. Defende que prestação de assistência não se confunde com assessoria educativa, enfatiza o valor que a entidade atribui à formação em temas cooperativistas para a comunidade em geral, e menciona o altíssimo ônus probatório por parte da cooperativa para proceder conforme o entendimento fiscal. A autoridade lançadora não nega a possibilidade de os gastos com assistência educativa terem beneficiado empregados, e para negar a dedução de qualquer parcela da despesa recorda que despesas desta natureza deveriam ser creditadas diretamente em conta de patrimônio líquido. De outro lado, a recorrente apenas alega, sem provar, que as despesas de assistência educativa não integrariam o conceito genérico de assistência aos associados referido no art. 28, inciso II da Lei nº 5.764/71. A defesa, porém, tem razão quanto à relevância do ônus probatório que lhe seria imposto para segregar despesas decorrentes de eventos que se prestassem à assessoria de cooperados, empregados, seus familiares e comunidade em geral. Por esta razão, a legislação admite o rateio dos itens que revelem gastos indistintamente aplicados com associados e não associados. Apenas que este rateio não pode ensejar, no que tange à parcela que couber à assistência com associados, a redução do resultado dos atos cooperativos, na medida em que a Lei nº 5.764/71 determina que estes valores sejam lançados contra a conta de patrimônio líquido que representa a reserva de FATES. Assim, as despesas com assistência educativa não podem ser deduzidas na apuração do resultado do ato cooperativo, como fez a Fiscalização, e seu saldo deve ser rateado, na forma do Parecer Normativo CST nº 73/75, de modo que apenas a parcela que corresponder aos atos não cooperativos possa reduzir o resultado tributável do período. Fl. 2120DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.721240/201104 Acórdão n.º 1101001.013 S1C1T1 Fl. 53 52 Por estas razões, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para admitir que as despesas de assistência educativa reduzam o resultado de atos não cooperativos, mas apenas no valor segregado a partir dos critérios de rateio adotados pela Fiscalização para as demais despesas do período fiscalizado. Encerrando este voto, cumpre apenas registrar que a contribuinte nada opôs objetivamente aos demais ajustes promovidos pela Fiscalização, em suas apurações, quais sejam: retificação dos percentuais de ato cooperativo em razão de ajustes de estoques iniciais e de correção dos valores transpostos para relatório CT 0281com relação aos produtos “851 Alimentos Lar MS”, “852 Alimentos Lar SP” e “853 Alimentos Lar RS”; ajuste nos valores dos resultados brutos dos produtos “832 Supermercados” e “833 Gas. e Cigarros”; atribuição integral do resultado não operacional ao resultado com não associados; e glosa de exclusões do lucro real. Assim, admitida a complementação do lançamento pela Informação Fiscal de fls. 1774/1783 relativamente às exigências dos anoscalendário 2007 e 2008, nestes períodos restam mantidos os efeitos dos referidos ajustes. Diante de todo o exposto, o presente voto é no sentido de ACOLHER PARCIALMENTE a preliminar de nulidade e, no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, devendo a exigência ser recalculada segundo os critérios estabelecidos neste voto, quais sejam: · No anocalendário 2006, limitar as alterações promovidas na apuração da contribuinte à recomposição do rateio de receitas/custos/despesas indiretos segundo os coeficientes apurados pela Fiscalização em relação à receita bruta, e não de acordo com o resultado bruto, como fez a contribuinte, inclusive admitindo integralmente as deduções informadas na apuração do IRPJ originalmente declarada pela contribuinte; · Nos anoscalendário 2007 e 2008, além da recomposição do rateio de receitas/custos/despesas indiretos: o Reintegrar as receitas financeiras às receitas de exportação e rateálas entre os resultados com associados e terceiros, tendo em conta os percentuais de entrada dos produtos; o Excluir da incidência do adicional de imposto de renda a parcela do lucro tributável resultante das receitas financeiras atribuídas a resultados com terceiros; o Admitir integralmente as deduções informadas em DIPJ pela pessoa jurídica para cálculo do IRPJ devido no ajuste anual; o Ratear as despesas de assistência educativa entre associados e terceiros, admitindo a parcela atribuída a estes últimos como redutora do lucro tributável; e Fl. 2121DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.721240/201104 Acórdão n.º 1101001.013 S1C1T1 Fl. 54 53 o Manter as demais alterações promovidas na apuração da contribuinte e por ela não questionadas. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Conselheira Declaração de Voto Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR A presente declaração de voto está circunscrita a dois temas. O primeiro deles é relativo à possibilidade de a fiscalização, após determinação da DRJ, sanear o lançamento tributário e constituir outro em seu lugar. O segundo é relativo ao erro de metodologia cometido pela fiscalização. Em relação ao primeiro tema, da análise do Termo de Verificação Fiscal e do próprio Auto de Infração lavrado, é possível constatar que a fiscalização contesta os critérios utilizados pelo Recorrente na apropriação das despesas indiretas decorrentes das atividades com associados e não associados. Questionouse o critério de proporcionalização entre atos cooperados e não cooperados eleito pelo contribuinte. Havia ainda alguma referência à necessidade de adição, à base tributável como atos não cooperados, de receitas financeiras, sem que nenhuma acusação específica nesse sentido tenha constado do Termo de Verificação Fiscal. Pois bem, intimado acerca da acusação fiscal, o contribuinte efetua uma série de apontamentos que evidenciam que a acusação fiscal não teria se resumido exclusivamente à alteração de critérios de rateio de despesas e receitas, mas sim a inúmeros outros ajustes que, por não estarem descritos, não puderam ser compreendidos. Por sua vez, a DRJ, lucidamente, por também não entender ao certo a acusação fiscal, mormente frente aos expressivos ajustes efetuados pela fiscalização, questiona frontalmente o fiscal autuante e determina que se esclareça qual de fato é a infração cometida pelo contribuinte que teria levado a autuação. Ato contínuo, a Autoridade Fiscal, em cumprimento à determinação da DRJ, passa a relatar fatos que, segundo sua justificativa, seriam infrações à legislação tributária e deveriam ser objeto de autuação fiscal. Nesse ponto, vale destacar que a despeito dos esclarecimentos prestados, não houve nenhuma alteração de valores. O que parece ter ocorrido é que, em momento muito posterior ao lançamento, já quando do julgamento, a fiscalização, em resposta à diligência, justifica a glosa de algumas exclusões efetuadas pelo contribuinte em Fl. 2122DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.721240/201104 Acórdão n.º 1101001.013 S1C1T1 Fl. 55 54 relação a provisão para devedores duvidosos, a glosa de despesas com assessoria educativa, a reclassificação do resultado de algumas atividades não operacionais, alteração nos controles de estoque, alteração de resultados de algumas atividades e adição de receitas financeiras ao resultado, entre outros pontos não relacionados ao critério de proporcionalização, e que chegaram em valores muito próximos ao crédito tributário constituído anteriormente. Ocorre que o lançamento teve por motivo exclusivamente o critério de proporcionalização e não os demais itens apontados em resposta à diligência determinada. Tais lançamentos careceriam de novo auto de infração, ou no mínimo careceriam da alteração do auto de infração anterior. Do teor dos ajustes que foram efetuados em resposta a diligência determinada pela DRJ, fica evidente que no presente caso havia a obrigatoriedade de confecção de novo lançamento, específico para os itens ditos complementares, com a abertura de prazo para defesa e submetido a todas as implicações inerentes ao lançamento fiscal. Justifica a seguir que não se trata de lançamento complementar, posto que não se acrescentou crédito tributário. Mas, ainda que se tratasse e, partindo dessa premissa, não foram respeitados os procedimentos e a forma para tanto. No presente caso a situação é ainda mais grave, posto que se os lançamentos ditos complementares já faziam parte da composição da base de cálculo do lançamento originário, fatalmente deveria ter havido o cancelamento do lançamento anterior e a elaboração de um novo lançamento para todos os itens de acusação, nos termos do inciso II, §2º do artigo 41 do Decreto nº 7574/2011, in verbis: “Art. 41. Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões, de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será efetuado lançamento complementar por meio da lavratura de auto de infração complementar ou de emissão de notificação de lançamento complementar, específicos em relação à matéria modificada (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 18, § 3o, com a redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993, art. 1o). § 1o O lançamento complementar será formalizado nos casos: I em que seja aferível, a partir da descrição dos fatos e dos demais documentos produzidos na ação fiscal, que o autuante, no momento da formalização da exigência: a) apurou incorretamente a base de cálculo do crédito tributário; ou b) não incluiu na determinação do crédito tributário matéria devidamente identificada; ou II em que forem constatados fatos novos, subtraídos ao conhecimento da autoridade lançadora quando da ação fiscal e relacionados aos fatos geradores objeto da autuação, que impliquem agravamento da exigência inicial. § 2o O auto de infração ou a notificação de lançamento de que trata o caput terá o objetivo de: I complementar o lançamento original; ou II substituir, total ou parcialmente, o lançamento original nos casos em que a apuração do quantum devido, em face da legislação tributária aplicável, não puder ser efetuada sem a inclusão da matéria anteriormente lançada. Fl. 2123DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.721240/201104 Acórdão n.º 1101001.013 S1C1T1 Fl. 56 55 § 3o Será concedido prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência complementar, para a apresentação de impugnação apenas no concernente à matéria modificada. § 4o O auto de infração ou a notificação de lançamento de que trata o caput devem ser objeto do mesmo processo em que for tratado o auto de infração ou a notificação de lançamento complementados. § 5o O julgamento dos litígios instaurados no âmbito do processo referido no § 4o será objeto de um único acórdão.“ Deveras, da leitura do dispositivo legal retro citado fica evidente que a complementação pretendida nos presentes autos deveria ter sido promovida mediante a elaboração de um novo lançamento, já que foi alterado o fundamento da própria base de lançamento em julgamento. Mas nada disso foi feito, tampouco foi concedido, por exemplo, prazo para quitação com redução de multa etc. Como se não bastasse, entendo que houve complementação do lançamento apenas quanto aos motivos, sem a correta observância do disposto no Decreto que regulamenta o processo administrativo fiscal. A rigor, tentouse equiparar a tardia apresentação de fundamentação legal para o lançamento a um lançamento complementar, o que não é legítimo e não é o caso. No meu sentir não é crível que se entenda que a resposta à diligência da DRJ possa ser entendida como lançamento complementar, mas sim o reconhecimento da deficiência do lançamento então em julgamento. Não há dúvida de que houve, a bem da verdade, substancial alteração da fundamentação legal no curso do lançamento. A fundamentação legal do lançamento levado a efeito estava somente nas convicções do fiscal autuante, jamais externadas no Termo de Verificação Fiscal e, portanto, impossíveis de serem consideradas. Com a devida vênia, entendo que a manutenção de autuações nessas condições afronta a legislação pertinente ao tema, sobretudo o artigo 59 do Decreto nº 70.235/72 e artigos 12 e 39 do Decreto nº 7574/2011, vez que não houve evidentemente a devida acusação fiscal. Esse procedimento é de todo rechaçado no âmbito desse CARF: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — LANÇAMENTO DE OFÍCIO NORMAS PROCESSUAIS —AUSÊNCIA DE CORRELAÇÃO ENTRE A DESCRIÇÃO DOS FATOS E O ENQUADRAMENTO LEGAL — NULIDADE — O ato de lançamento padecerá de vicio insanável quando o motivo de fato não coincidir com o motivo legal invocado, decretandose a nulidade do ato viciado com conseqüência jurídica dessa falta de correspondência entre o motivo (fatos que originaram a ação administrativa) do Auto de Infração e da norma dita como violada em sua motivação. (Acórdão nº 9101001.384 – Sessão de 06/2012 – Relator José Ricardo da Silva) Além dos pontos até aqui tratados, divergi também em relação à metodologia de cálculo utilizada pela fiscalização e que implicou em vício de ordem material nesse lançamento. Do relato da infração, inclusive essa foi a única infração que foi suficientemente descrita no TVF, sustentando a fiscalização que o Recorrente não teria Fl. 2124DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.721240/201104 Acórdão n.º 1101001.013 S1C1T1 Fl. 57 56 observado corretamente os critérios estabelecidos no Parecer Normativo CST n° 73, de 1975, para o rateio de despesas indiretas dentre atos cooperados e atos não cooperados. Aludido parecer determina que as receitas devem ser classificadas entre aquelas decorrentes das atividades “cooperativas” e aquelas decorrentes de atividades “não cooperativas”. Em relação à apropriação das despesas e custos indiretos o citado Parecer Normativo aduz que o critério correto para efetuar o rateio de despesas indiretas deve ser baseado na proporção existente entre receita bruta de atividade cooperada e não cooperada. Ainda, a apropriação das despesas e custos indiretos deve se dar de forma sintética, considerando apenas o critério de atos cooperados e não cooperados. A despeito da convicção da fiscalização no sentido de que o critério contido no Parecer Normativo CST n° 73 de 1975 é o único possível para a apropriação das despesas e custos indiretos, a análise da metodologia da autuação revela que a fiscalização também não observou tal critério. Ora, ou o critério é aquele estabelecido pelo Parecer Normativo ou não é. Nessa medida, se o critério do Parecer não é observado objetivamente, por que aceitar o critério da fiscalização em detrimento do critério do contribuinte? Se a Lei não veda o critério eleito pelo contribuinte e a própria fiscalização conserva as linhas mestras desse mesmo critério, qual é o fundamento para que se determine a elaboração de coeficiente diverso daquele encontrado pelo contribuinte? Como sustentar o fundamento do lançamento como sendo a obrigação de observar o disposto no Parecer Normativo CST n° 73 de 1975 se a própria Autoridade Fiscal autuante não respeitou tal sistemática? Sobre a fiscalização não ter observado o critério do Parecer Normativo CST n° 73 de 1975, ficou claro quando do julgamento, que seguiu a fiscalização o critério analítico para o rateio dos resultados entre atos cooperados e atos não cooperados, ao passo que o Parecer Normativo citado determina que esse rateio se dê pelo critério sintético, in verbis: “(...) Nessas condições, devem ser apuradas em separado as receitas das atividades próprias das cooperativas e as receitas derivadas das operações por ela realizadas com terceiros. Igualmente computados em separado os custos diretos, e imputados às receitas com as quais guardam correlação. A partir daí, e desde que impossível destacar os custos e encargos indiretos de cada uma das duas espécies de receitas, devem eles ser apropriados proporcionalmente ao valor das duas receitas brutas. Consequentemente, o lucro operacional a ser considerado para efeito de tributação corresponderá ao resultado da receita derivada das operações efetuadas com terceiros, diminuída dos custos diretos pertinentes, e, ainda, do valor dos custos e encargos, indiretos, proporcionalmente relacionado com o percentual que as receitas oriundas das operações com terceiros representem sobre o total das receitas operacionais. Feitos os cálculos nos termos descritos, ao lucro operacional que resultar sujeito à tributação serão acrescidos os resultados líquidos das transações eventuais”.(Parecer Normativo) Tal fato fica muito claro mediante a consulta das tabelas acostadas ao Auto de Infração pela fiscalização em que há a segregação dos resultados por critério diverso daquele determinado no mencionado Parecer. Dessa forma, entendo que, partindo da premissa utilizada pela própria fiscalização, é impossível superar a preliminar suscitada de erro de metodologia, fato que também leva ao reconhecimento de nulidade material do lançamento e, consequentemente, ao seu cancelamento. Fl. 2125DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10945.721240/201104 Acórdão n.º 1101001.013 S1C1T1 Fl. 58 57 Destarte, ouso divergir do voto da ilustre Conselheira Relatora e voto por reconhecer a existência de nulidade material decorrente da absolta ausência de fundamentação legal para o lançamento, bem como reconhecer a nulidade material decorrente do erro na metodologia de lançamento em decorrência da inobservância do disposto no Parecer Normativo CST n° 73 de 1975 e, nessa medida, cancelar integralmente a autuação. (documento assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Conselheiro Fl. 2126DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Ass inado digitalmente em 04/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10715.006155/2009-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005
REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, E DO DL 37/1966 (IN/SRF nºs. 28/1994 E 510/2005). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE.
A expressão imediatamente após, constante da vigência original do art. 37 da IN SRF n.º 28/1994, traduz subjetividade e não se constitui em prazo certo e induvidoso para o cumprimento da obrigação de registro dos dados de embarque na exportação. Para os efeitos dessa obrigação, a multa que lhe corresponde, instituída no art. 107, IV, e do Decreto-lei no 37/1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003, começou a ser passível de aplicação somente em relação a fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF n.º 510/2005 entrou em vigor e fixou prazo certo para o registro desses dados no Siscomex.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 3202-000.998
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Fez sustentação oral, pela recorrente, a advogada Vanessa Ferraz Coutinho, OAB/RJ nº. 134.407.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, E DO DL 37/1966 (IN/SRF nºs. 28/1994 E 510/2005). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. A expressão imediatamente após, constante da vigência original do art. 37 da IN SRF n.º 28/1994, traduz subjetividade e não se constitui em prazo certo e induvidoso para o cumprimento da obrigação de registro dos dados de embarque na exportação. Para os efeitos dessa obrigação, a multa que lhe corresponde, instituída no art. 107, IV, e do Decreto-lei no 37/1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003, começou a ser passível de aplicação somente em relação a fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF n.º 510/2005 entrou em vigor e fixou prazo certo para o registro desses dados no Siscomex. Recurso Voluntário provido.
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MULTA DO ART. 107, IV, “E” DO DL 37/1966 (IN/SRF nºs. 28/1994 E 510/2005). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. A expressão “imediatamente após”, constante da vigência original do art. 37 da IN SRF n.º 28/1994, traduz subjetividade e não se constitui em prazo certo e induvidoso para o cumprimento da obrigação de registro dos dados de embarque na exportação. Para os efeitos dessa obrigação, a multa que lhe corresponde, instituída no art. 107, IV, “e” do Decretolei no 37/1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003, começou a ser passível de aplicação somente em relação a fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF n.º 510/2005 entrou em vigor e fixou prazo certo para o registro desses dados no Siscomex. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou se impedido. Fez sustentação oral, pela recorrente, a advogada Vanessa Ferraz Coutinho, OAB/RJ nº. 134.407. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 61 55 /2 00 9- 01 Fl. 202DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Contra a contribuinte acima qualificada, lavrouse auto de infração formalizando a exigência de multa de ofício isolada, no valor total de R$ 65.000,00, com origem em transportes de carga realizados em janeiro de 2005. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Tratam os autos da exigência, no valor de R$ 65.000,00, consubstanciada no auto de infração de fls. 01 a 11, referente A multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veiculo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do Decretolei 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/03 e nas Instruções Normativas 28 e 510, expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil em 1994 e 2005, respectivamente. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal, a autuada não registrou no prazo os dados de embarque referentes aos transportes internacionais realizados em dezembro de 2004 no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro ALF/GIG, concernentes As cargas amparadas nas declarações de exportação DDE's listadas no demonstrativo "AUTO DE INFRAÇÃO n° 0717700/00/00264/09", descumprindo, por conseguinte, a obrigação acessória de que trata o artigo 37 da IN/SRF 28/1994, alterado pelo artigo 1° da IN/SRF 510/2005, uma vez que o inciso II do artigo 39 da citada IN/SRF 28/1994 considera intempestivo o registro dos dados de embarque efetuado pelo transportador em prazo superior a dois dias. Não se conformando com a exigência à qual foi intimada, a autuada apresentou impugnação As fls. 16 a 34, acompanhada dos documentos de fls. 35 a 45, para aduzir que (i) a multa aplicada não corresponde A infração supostamente praticada, o que torna nulo o auto de infração por cerceamento do direito de defesa da impugnante; (ii) conforme a Solução de Consulta 215, de 16.08.2004, os dados de embarque referentes As mercadorias embarcadas em 02.12.2004, 03.12.2004, 09.12.2004 e 31.12.2004, foram tempestivamente informados no Siscomex; (iii) que por razão de natureza econômica é inviável a manutenção de pessoal especializado para, tão somente, efetuar a inserção de dados no Siscomex relativamente aos embarques de mercadorias ocorridos nas sextasfeiras, sábados e domingos ou na véspera de feriado; (iv) a penalidade aplicação contraria aos princípios da proporcionalidade, da razoabilidade e da isonomia, uma vez que seu valor não leva em consideração a quantidade de registros informados fora de tempo, além de ser muito superior ao valor da multa por embaraço fiscalização, que além de considerar o valor aduaneiro da mercadoria, somente é Fl. 203DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10715.006155/200901 Acórdão n.º 3202000.998 S3C2T2 Fl. 203 3 aplicável quando constatado o dolo especifico; (v) o diminuto lapso temporal verificado não trouxe qualquer prejuízo ao fisco; (vi) o artigo 107, inciso IV, alínea "e", do Decretolei 37/1966 não se aplica ao caso sob exame porque foram inseridas informações referentes às mercadorias no Siscomex, conforme determina a Receita Federal; (vii) o SiscomexExportação considera como novas as averbações retificadas por conta de divergência de informação, sendo que para fins de contagem do prazo o sistema informatizado levou em consideração somente o registro dos dados de embarque retificados, em prejuízo da transportadora aérea. Do exposto, requer a nulidade do auto de infração e, por conseguinte, a desconstituição do crédito lançado. Novamente a autuada comparece aos autos, As fls. 47 a 53, para, em apertada síntese, dar noticia de que "a Secretaria da Receita Federal do Brasil expediu, em 13.12.2010, a Instrução Normativa n°1096 que, em seu art. 1°, alterou a redação do art. 37 da Instrução Normativa n° 28/94, para determinar que o transportador deverá registrar no Siscomex os dados de embarque de mercadorias no prazo de 07 dias, contados da data de respectivo embarque", e que "0 Código Tributário Nacional dispõe, em seu art. 106, II, que a lei nova que deixe de definir determinada conduta como infração aplicase imediatamente aos atos não definitivamente julgados". Dessa forma, "não há dúvida quanto 21 aplicação retroativa da Instrução Normativa n° 1.096/2010, eis que a Secretaria da Receita Federal do Brasil deixou de definir como infração a inserção de dados no Siscomex realizada anteriormente ao prazo de 07 dias data de embarque". Do exposto, "requer seja declarada a nulidade absoluta do presente auto de infração, ou, alternativamente, caso assim não entenda, (...) requer sejam excluídos da presente cobrança as multas referentes aos embarques tempestivamente informados". Observese, por fim, que ao presente processo foi juntado, por anexação, o processo 10715.001260/201161. É o relatório. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC julgou improcedente a impugnação, proferindo o Acórdão DRJ/FNS n.º 07 25.431, de 05/08/2011 (fls. 76/82), em decisão assim ementada: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI TRIBUTÁRIA. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 A lei tributária, em sentido amplo, que comina penalidade aplicase a ato ou fato pretérito não definitivamente julgado quando for mais benéfica ao sujeito passivo. PRESTAÇÃO EXTEMPORÂNEA DOS DADOS DE EMBARQUE. A partir da vigência da Medida Provisória 135/03, a prestação extemporânea da informação dos dados de embarque por parte do transportador ou de seu agente é infração tipificada no artigo 107, inciso IV, alínea "e" do Decretolei 37/66, com redação do artigo 61 da citada MP, posteriormente convertida na Lei 10.833/03. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Irresignada, a interessada apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 88/136. De todas as razões de defesa, reproduzemse apenas as seguintes, porque suficientes para o deslinde do litígio: A Instrução Normativa SRF n° 510, de 2005 não gerou, de forma alguma, qualquer interpretação mais benéfica à Recorrente, sendo impossível, portanto, sua aplicação aos fatos geradores ocorridos anteriormente ao início de sua vigência, por força do disposto no art. 106 do Código Tributário Nacional. A redação original do art. 37 da IN nº 28, de 1994 não previa prazo específico para a inserção dos dados no sistema. Os embarques foram realizados 11 (onze) meses antes de publicada a referida norma. Quando ocorrido o suposto fato gerador, o art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994 vigorava com sua redação original, que não determinava um prazo específico para inserção dos dados. Este prazo de dois dias foi inserido pela Instrução Normativa SRF n° 510, de 2005, que entrou em vigor em 15 de fevereiro de 2005, data bem posterior aos embarques realizados e objeto de autuação neste processo. O processo foi distribuído a este Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A matéria, que em várias oportunidades já foi objeto de deliberação anterior por esta Turma Ordinária, diz com a penalidade isolada aplica em face do atraso na prestação de informações, no Siscomex, sobre o embarque de mercadorias exportadas. Considerando que, no caso dos autos, os embarques se deram em janeiro de 2005, quando ainda vigente a Instrução Normativa SRF n.º 28, de 1994, adoto como razão de decidir, por identidade de motivos, o voto proferido pelo então Conselheiro José Luís Novo Rossari, nos autos do processo administrativo nº. 10715.004710/200952 (Acórdão CARF/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária nº. 320200.359), que a seguir transcrevo: Fl. 205DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10715.006155/200901 Acórdão n.º 3202000.998 S3C2T2 Fl. 204 5 A lide respeita à exigência feita pelo Fisco da multa prevista no art. 107, IV, “e”, do Decretolei no 37/1966, na redação que lhe deu o art. 77 da Lei no 10.833/2003, em razão de a recorrente ter registrado no Siscomex após o prazo de 2 (dois) dias fixado no art. 37 da IN SRF no 28/1994, com a redação dada pelo art. 1º da IN SRF no 510/2005, os dados de embarque de mercadorias em despachos de exportação. Para melhor compreensão a respeito da matéria, cumpre sejam transcritas as normas legais e administrativas pertinentes aos fatos. A Instrução Normativa SRF no 28, de 27/4/1994, estabeleceu em seus arts. 37, caput, e 44 que, verbis: “Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. (destaquei) Art. 44. O descumprimento, pelo transportador, do disposto nos arts. 37, 41 e § 3o do art. 42 desta Instrução Normativa constitui embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, sujeitando o infrator ao pagamento da multa prevista no art. 107 do Decreto lei no 37/66 com a redação do art. 5o do Decretolei no 751, de 10 de agosto de 1969, sem prejuízo de sanções de caráter administrativo cabíveis.” O art. 107 do Decretolei no 37/1966, na redação do art. 5o do Decretolei no 751/1969, citado na transcrição acima, assim dispunha originalmente, tendo sido alterado apenas no tocante à atualização do valor da multa (última atualização constante do art. 646, I, do Decreto no 4.543/2002 – Regulamento Aduaneiro), verbis: “Art. 107 Aplicamse, ainda, as seguintes multas: I de 103,56 (cento e três reais e cinquenta e seis centavos) a quem, por qualquer meio ou forma, desacatar agente do Fisco, embaraçar, dificultar ou impedir sua ação fiscalizadora; (...)” (destaquei) O caput do art. 37 antes transcrito foi alterado pelo art. 1o da IN SRF no 510, de 14/2/2005, que lhe deu a seguinte redação, verbis: "Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque.” (destaquei) No caso ora sob exame, o Fisco aplicou à empresa transportadora a multa específica prevista no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei no 37, de 1966, com a nova redação que lhe foi dada pelo art. 61 da Medida Provisória no 135, de 30/10/2003 Fl. 206DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 (DOU de 31/10/2003), que veio a ser convertido no art. 77 da Lei no 10.833, de 29/12/2003, que estabeleceu, verbis: “Art. 77. Os arts. 1o, 17, 36, 37, 50, 104, 107 e 169 do Decreto Lei no 37, de 18 de novembro de 1966, passam a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (...) "Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não apresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e (...)” Feitas essas transcrições, impõese ressaltar que na vigência da IN SRF no 28/1994 a inobservância da obrigação estabelecida no seu art. 37 era entendida pela SRF como caracterizadora de embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, conforme disposto em seu art. 44. No entanto, a partir da superveniência da Medida Provisória no 135/2003, convertida na Lei no 10.833/2003, foi estabelecida para o transportador a obrigação de “prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas”, como se verifica da redação retrotranscrita, emprestada ao art. 37 do Decretolei no 37/1966 pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003. Destarte, com a entrada em vigor dessa nova norma legal, o descumprimento da obrigação de prestar à SRF, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, passou a ser cominada com a multa de R$ 5.000,00 prevista no inciso IV, “e”, do art. 107 do Decretolei no 37/1966, e não mais aquela prevista por embaraço, que veio a ser tipificada no inciso IV, “c”. Para a caracterização de ilícito sujeito à aplicação da referida multa, há que ser apurado o descumprimento da obrigação, o Fl. 207DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10715.006155/200901 Acórdão n.º 3202000.998 S3C2T2 Fl. 205 7 que implica, no caso, a inobservância de prazo fixado pela SRF para a apresentação dos dados relativos ao embarque. Verificase que, por ocasião dos fatos que geraram a aplicação das multas, vigia a redação original do art. 37 da IN SRF no 28/1994, que estabelecia que a obrigação devia ser satisfeita “imediatamente após realizado o embarque da mercadoria”. Ora, temse por evidente que, por não conter regramento certo e inequívoco que permita seu cumprimento sem a permanência de dúvidas, a imposição normativa constante desse ato administrativo é destituída de força cogente para a finalidade a que se propõe, de imposição de penalidade. Com efeito, não é próprio dos diplomas pátrios norma semelhante que tenha fixado prazo não revestido de certeza e não expresso em quantidade certa. A respeito, vêse que o Código Civil (Lei no 10.406, de 2002) refere a prazos em horas, dias, meses e anos (arts. 132 et alia), o que traduz quantificação em números certos e induvidosos. Também a Lei no 9.784, de 1999, que dispõe sobre o processo administrativo, expressa prazos em dias, meses e anos (art. 66), revelando quantificação certa. O Decreto no 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, estabelece todos os seus prazos em dias, também com quantificação certa. A matéria deve ser tratada com rigor ainda mais acentuado em se tratando de norma tributáriapenal, que deve obedecer ao princípio insculpido no art. 97, inciso V do CTN, devendo o elaborador usar, em sua redação legislativa, dos cuidados básicos pertinentes à matéria, de forma a evitar o surgimento de dúvidas e questionamentos elementares que venham a permitir a aplicação das regras mais benéficas ao autuado, previstas no art. 112 desse mesmo Código. O caso em exame é exemplo da falta desse cuidado, ao apontar prazo incerto para o cumprimento de norma, visto que “imediatamente após” não pode ser considerado como um prazo regulamentar. Daí que, na vigência original da IN SRF no 28/1994, não havia norma que impusesse prazo para que as empresas aéreas procedessem ao registro no Siscomex, visto que a expressão “imediatamente após” não se traduz em prazo certo para o cumprimento de obrigação. Resta acrescentar, por oportuno, que a interpretação dada a essa expressão pela Notícia Siscomex no 105/1994, no sentido de que deve ser entendida como “em até 24 horas da data do efetivo embarque da mercadoria”, não tem base legal para os efeitos da lide, visto não estar compreendida entre os atos normativos de que trata o art. 100 do CTN. Tratase, no caso, de veiculação destinada à orientação do Fisco e dos usuários do Siscomex, mas sem que possua as características essenciais de ato normativo, razão pela qual sequer foi referida na autuação. De outra parte, também cumpre acrescentar que o art. 37 da IN SRF no 28/1994 foi objeto de nova alteração pela IN RFB no 1.096, de 13/12/2010, que aumentou o prazo para a Fl. 208DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 8 apresentação de dados pertinentes ao embarque para 7 (sete) dias. Ressaltese que esse ato normativo continua fazendo em seu art. 44 remissão ao art. 37, de forma a tratar a infração como de embaraço, o que bem demonstra a falta de atenção à legislação vigente, que desde a Medida Provisória no 135/2003 tem tipificação legal distinta. Retornando à lide, resta que, em não havendo regra fixadora de prazo para que se implementasse a eficácia do art. 37 do Decretolei no 37/1966, na redação que lhe deu a Lei no 10.833/2003, por ocasião de sua publicação, há que se concluir que o primeiro ato administrativo que veio a disciplinar esse artigo foi a IN SRF no 510, de 14/2/2005, antes transcrita, que em seu art. 1o alterou a redação do art. 37 da IN SRF no 28/1994, de forma a fixar o prazo de 2 (dois) dias para o registro dos dados pertinentes ao embarque. Desse modo, há que se concluir que a multa objeto de lide somente tem aplicação nos casos em que a inobservância da prestação de informações refirase a fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e produziu efeitos. Como os fatos que originaram este processo ocorreram entre 3/8 e 15/8/2004, quando ainda não existia essa Instrução Normativa, são descabidas a sua arguição e a sua trazida ao mundo jurídico, de forma a alicerçar a caracterização de infrações e a legitimar a cominação de penalidades que lhe correspondam. Nesse sentido as regras estabelecidas pelo art. 150, III, “a”, da Constituição Federal e pelo art. 2o, parágrafo único, XIII, da Lei no 9.784, de 1999, que rege o processo administrativo. Assim, como o art. 37 da IN/SRF nº. 28, de 1994, vigente à época dos fatos, estabeleceu prazo indefinido para o registro dos dados de embarque no Siscomex, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 209DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 11020.720162/2012-98
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 31/03/2007 a 31/12/2010
PIS E COFINS. AUTO DE INFRAÇÃO. PROCEDIMENTO DECORRENTE DE OUTRO, RELATIVO À LEGISLAÇÃO DO IRPJ. COMPETÊNCIA REGIMENTAL PARA O JULGAMENTO. PRIMEIRA SEÇÃO.
É da Primeira Seção do Carf a competência do julgamento de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que verse sobre a aplicação da legislação de PIS/Pasep e de Cofins, quando se tratar de procedimento cuja exigência esteja lastreada em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ.
Incompetência regimental para o julgamento.
Numero da decisão: 3401-002.132
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso em face da competência regimental para tanto ser da Primeira Seção de Julgamento do Carf.
Júlio César Alves Ramos - Presidente
Odassi Guerzoni Filho - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça.
Nome do relator: ODASSI GUERZONI FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/03/2007 a 31/12/2010 PIS E COFINS. AUTO DE INFRAÇÃO. PROCEDIMENTO DECORRENTE DE OUTRO, RELATIVO À LEGISLAÇÃO DO IRPJ. COMPETÊNCIA REGIMENTAL PARA O JULGAMENTO. PRIMEIRA SEÇÃO. É da Primeira Seção do Carf a competência do julgamento de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que verse sobre a aplicação da legislação de PIS/Pasep e de Cofins, quando se tratar de procedimento cuja exigência esteja lastreada em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ. Incompetência regimental para o julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso em face da competência regimental para tanto ser da Primeira Seção de Julgamento do Carf. Júlio César Alves Ramos Presidente Odassi Guerzoni Filho Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 01 62 /2 01 2- 98 Fl. 3963DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/201 3 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Tratase de auto de infração lavrado em 30/1/2012 para a exigência de PIS/Pasep e de Cofins, ambos na vigência do regime da nãocumulatividade, dos períodos de apuração compreendidos entre março de 2007 e dezembro de 2010, acrescido da multa de oficio de 150% e com a elaboração de Representação Fiscal para Fins Penais pela caracterização de fraude e sonegação. Esclarece o Fisco em seu relatório que o procedimento fiscal decorreu de outro realizado nos anos de 2007 e 2009, que culminou com a lavratura de auto de infração de IRPJ e de CSLL por meio do processo administrativo nº 11020.003592/201080. Os débitos dessas contribuições exsurgiram a partir da glosa dos créditos da nãocumulatividade aproveitados pela autuada para reduzir o valor devido em cada período de apuração. Essa glosa, por sua vez, decorreu da desconsideração pelo Fisco da existência de uma Sociedade em Conta de Participação (SCP) na qual a autuada alega ser o sócio oculto, de modo que, para a autoridade fiscal, as operações entre ela e o sócio ostensivo dessa SCP, a Polyaromas Preparados e Extratos Ltda., empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, tiveram como único objetivo, na verdade, a economia de tributos, tanto na seara do IRPJ, quanto nas do PIS/Pasep e da Cofins. Destacando o disposto no artigo 991 da Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil), que regula as sociedades em conta de participação, a fiscalização apontou justamente o seu descumprimento por parte da autuada e pelo sócio ostensivo que estaria caracterizado na cláusula segunda do contrato particular que constituiu a SCP, segundo a qual a sócia participante – a autuada – se obrigou a contribuir para a realização do negócio objeto do contrato com o montante de R$ 2.000,00 e com o compromisso de adquirir da sócia ostensiva os kits (extrato e concentrado para refrigerantes) a serem utilizados na produção do refrigerante que fabrica. No parágrafo primeiro desta cláusula consta que a contribuição da sócia ostensiva consistiria na organização das atividades da SCP e no fornecimento dos kits a serem adquiridos pela sócia participante. Afirma a fiscalização que a situação dos autos assemelhase a uma espécie de “preço de transferência”, onde duas pessoas ligadas – a SCP de um lado e, de outro, a fiscalizada, única cliente da Polyaromas – firmaram, na verdade, um contrato de compra e venda, adotando um “custo ficto” nessas operações, o que resultou em favor desta na “fabricação” de créditos de PIS/Pasep e da Cofins. A partir da constatação de que o valor dos “lucros distribuídos” pela SCP à sua sócia oculta – a autuada – corresponderiam a “exatos 65%” (sessenta e cinco por cento) do valor de cada duplicata paga, desta para aquela [por conta das aquisições das matérias primas empregadas na fabricação de bebidas], a fiscalização concluiu que isso seria uma “simulação” de modo a propiciar aumento fictício nos custos e na “fabricação” de créditos inexistentes de PIS/Pasep e de Cofins. Atribuiu aos sócios da autuada, Luisinho Panizzon, Gelson Panizzon e Gilmar Panizzon, a condição de sujeitos passivos solidários, invocando, para tanto, o disposto Fl. 3964DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/201 3 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11020.720162/201298 Acórdão n.º 3401002.132 S3C4T1 Fl. 3.963 3 nos artigos 135, inciso III e 137, inciso I, ambos do Código Tributário Nacional. Lavrou para cada um dos sócios o Termo de Sujeição Passiva Solidária. Por considerar que os fatos imputados à autuada subsumirseiam ao disposto nos artigos 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, aplicou a multa de oficio no percentual de 150%, a teor do disposto no parágrafo 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Os três sujeitos passivos para os quais foi feita a responsabilização solidária apresentaram individualmente suas impugnações, nas quais, em apertada síntese, alegaram: que o devido processo legal não teria sido observado para a sua inclusão como coresponsável, vez que fora somente citado no relatório fiscal, ou seja, não houve lançamento tributário em seu nome, de modo que nada haveria a ser exigido; que não estaria comprovada nos autos a responsabilidade solidária dos imputados; que o auto de infração fora encaminhado sem qualquer documentação, sem apontar fatos concretos e documentais que comprovassem a vinculação direta com o fato gerador dos tributos ora exigidos; que, não obstante, não existe qualquer situação que configure o interesse comum na constituição do fato gerador nos créditos tributários exigidos; que as condições para o enquadramento dos fatos no inciso III do art. 135 do CTN não se confirmaram. Na Impugnação, a autuada, inicialmente, argumentou não existir qualquer vedação em lei no sentido de impedir a associação entre pequenos produtores de refrigerantes, como no caso, em que se visou simplesmente a facilitação da fabricação, da aquisição, comercialização, distribuição, logística e redução de custos de extratos de refrigerantes, os chamados kits. Alegou que não teria havido o descumprimento do disposto no artigo 991 do Código Civil porquanto, primeiro, não há nele vedação à participação do sócio participante no objeto social da SCP; segundo, a autuada não praticou atos ligados ao objeto social da SCP; terceiro, a aquisição dos kits não é objeto da SCP; quarto, o fornecimento dos kits não se deu de forma exclusiva à autuada, ms, sim, também, para outras empresas participantes da associação de empresas. Quanto à imputação da simulação, a Impugnante argumentou que a fiscalização apenas a presumiu, sem trazer para os autos qualquer prova no sentido de que os preços praticados eram fictos e superiores aos praticados pelo mercado (sequer teria havido uma diligência, uma pesquisa, um ofício visando se averiguar junto à Suframa ou mesmo junto à Polyaromas, o preço médio praticado pelo mercado com a venda de tais kits), bem como de que não existiriam as condições em que foi concebida a SCP, isto é, ela existia de fato, produzia os extratos e os vendia, recebendo a paga por essas operações e declarava e recolhia seus tributos ao Fisco federal. Neste ponto, a autuada trouxe informações que teriam sido obtidas junto ao Sistema de Indicadores Industriais do Pólo Industrial de Manaus, dando conta de que o valor dos kits variava entre R$ 100,00 e R$ 130,00 e que a autuada os adquirira por R$ 100,00. Em relação aos juros aplicados, considerou indevida a utilização da taxa Selic, visto que, nos termos do § 1º do art. 161 do CTN, o percentual máximo admissível seria o de 1% ao mês. Em relação à multa de oficio de 150%, a Impugnante argumentou que a fiscalização não demonstrou claramente em qual dos artigos da Lei nº 4.502, de 1964, teria Fl. 3965DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/201 3 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 sido enquadrada a infração; limitouse ela apenas a dizer que teria havido a prática dos artigos 72 e 73, o que imporia na sua redução ao patamar de 75%. Além disso, a autuada teria agido de forma transparente e não teve por intenção alguma em praticar conduta dolosa ou fraudulenta, estando seus atos devidamente amparados pela legislação. Considera também que o percentual de 150% adotado para a aplicação da multa de oficio constituise num verdadeiro confisco. Por fim, insurgiuse contra a cobrança de juros de mora sobre o valor da multa de oficio lançada, por falta de previsão legal. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto AlegreRS manteve integralmente o lançamento em decisão cujos excertos reproduzo abaixo: INSUMOS. SIMULAÇÃO. GLOSA. É procedente a glosa de insumos cuja inexistência foi comprovada em auditoria fiscal. MULTA QUALIFICADA. Caracterizado o evidente intuito de fraude, em face de criação de empresa ficta, visando apenas a redução de tributo e a utilização indevida de insumos, deve ser aplicada a multa qualificada. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Aplicamse juros de mora por percentuais equivalentes à taxa SELIC por expressa previsão legal, sendo que os órgãos administrativos não podem se furtar de sua aplicação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido No Recurso Voluntário a Recorrente repetiu a mesma argumentação de sua peça impugnatória, inovando apenas em relação a um pedido de diligência, de forma a se atestar a inexistência do superfaturamento alegado pela fiscalização na comercialização dos kits. É o Relatório. Fl. 3966DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/201 3 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11020.720162/201298 Acórdão n.º 3401002.132 S3C4T1 Fl. 3.964 5 Voto Conselheiro Odassi Guerzoni Filho O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais quesitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. O procedimento fiscal decorre de outro – competência da 1ª Seção Do Relatório Fiscal de fls. 3.719/3.747, onde estão descritos os fatos que dão suporte à presente autuação, retirei os seguintes excertos: [...] 4. Em decorrência de levantamentos efetuados em procedimento fiscal realizado no sujeito passivo em tela referente aos anos de 2007 a 2009, formalizado no processo 11020.003592/201080, constatouse que o contribuinte simulou custos dos insumos, mediante aumento fictício, via compras realizadas pela figura societária criada entre a fiscalizada e a empresa Polyaromas Preparados e Extratos Ltda. 5. Como tais aquisições influenciam na apuração do IPI, do PIS e da COFINS, esta fiscalização tem por objetivo verificar se os simulados custos também foram utilizados para gerar créditos desses tributos. [...] 25. Da análise dos documentos apresentados durante a fiscalização, acumulouse evidências suficientes para se afirmar que simulada SCP tratavase de um ajuste entre as sócias com o propósito de planejamento tributário, conforme detalhado no Relatório da Auditoria Fiscal do processo 11020.003592/201080, que dado sua clareza e objetividade utilizamos para demonstrar tal operação, conforme segue. [...] 59. A tributação da SCP foi realizada sob o regime do lucro presumido, por exemplo, o IRPJ deuse à alíquota de 15%, mais acréscimo de 10%, quando cabível, sobre uma base de cálculo de 8% da Receita Bruta (RB), ou seja, no máximo, 2% da RB. 60. Todavia, valendose da possibilidade legal [...], distribuíram resultados pelo lucro contábil (ou melhor dizendo, pela simples utilização de um percentual de 65% sobre o valor comercializado entre a SCP e a sócia participante). 61. A vantagem tributária de que se valeram as empresas é perceptível pelos resultados. Por exemplo, em 2007, pelo regime de apuração adotado para fins tributários (LUCRO PRESUMIDO), poderiam distribuir R$ 362.723,09 (...), mas, pelo regime supostamente adotado para ‘distribuir lucros’ (simplesmente 65% das vendas), a soma é de R$ 1.945.000,00 (...). Fl. 3967DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/201 3 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 62. Além de receber esse ‘lucro’ isento, utilizouo para gerar indevidamente crédito de PIS/COFINS os quais foram utilizados para abater os débitos devidos dessas contribuições. [...] 71. Desta forma, em que pese o regime de tributação adotado pela fiscalizada, glosamos a parcela de custo que se conclui simulada, tabela 3, consequentemente os créditos de PIS/COFINS utilizados indevidamente em resultantes dos simulados custos, no montante consolidado [...]. (sic) Resumindo o teor desses excertos, temse que a fiscalização considerou como “simulada” parte da operação de compra e venda dos extratos e concentrados, por entender que o valor recebido pela autuada imediatamente após o pagamento das duplicatas correspondentes às aquisições das matériasprimas, não se tratava de “lucros distribuídos”, mas, sim, de “custos fictícios”. Tomando por exemplo a NF nº 110, de 27/02/2008, emitida pela Polyaromas para a autuada, no valor de R$ 150.000,00, em que aquela “devolveu”, sob a forma de “distribuição de lucros” a importância de R$ 97.500,00 (65%), a fiscalização entendeu que, na verdade, o desembolso efetivo por parte da autuada [a título de aquisição de insumos] teria ocorrido no montante de apenas R$ 52.500,00 [R$ 150.000,00 – R$ 97.500,00]. Então, para fins de apuração do IRPJ, o Fisco considerou como custo os R$ 52.500,00, glosando os R$ 97.500,00, e, da mesma forma, para fins de apuração dos créditos da nãocumulatividade de PIS/Pasep e de Cofins, admitiu somente os mesmos R$ 52.500,00, consequentemente, glosando R$ 97.500,00. Entendo, pois, que competência para o julgamento do presente processo é da Primeira Seção, visto que os fatos que ensejaram os dois autos de infração de PIS/Pasep e de Cofins deste processo são exatamente os mesmos que configuraram a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ e da CSLL, cujos respectivos lançamentos se deram no referido processo nº 11020.003592/201080. Isso, não obstante as autuações do IRPJ e da CSLL refiramse aos anos calendários de 2007 a 2009 e os do PIS/Pasep e da Cofins aos períodos de apuração compreendidos entre 2007 a 2010. Tal situação é aquela tratada pelo inciso IV do art. 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256, de 23/06/2009, com as alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21/12/2010, segundo a qual, cabe à Primeira Seção processar e julgar Recurso Voluntário de decisão de primeira instância que verse sobre aplicação de legislação dos demais tributos, quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ. Pelo exposto, voto por remeter o presente processo a julgamento na Primeira Seção de Julgamento do Carf, que, inclusive, já proferiu decisão acerca do referido processo nº 11020.003592/201080. Odassi Guerzoni Filho Relator Fl. 3968DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/201 3 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11020.720162/201298 Acórdão n.º 3401002.132 S3C4T1 Fl. 3.965 7 Fl. 3969DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/201 3 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 19515.002441/2010-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
PEDIDO DE REINCLUSÃO NO SIMPLES. EMPRESA AUTUADA ANTES QUE A AUTORIDADE DEFERISSE O PEDIDO. CONTROVÉRSIA QUANTO À FORMA DE TRIBUTAÇÃO, ISTO É, SE LUCRO REAL, PRESUMIDO OU SIMPLES. ANÁLISE DOS EFEITOS DO PEDIDO DE REINCLUSÃO NO SIMPLES.
O pedido de reinclusão no SIMPLES, enquanto não deferido, não se constitui em meio apto a garantir a tributação com base no SIMPLES. No entanto, se deferido, seus efeitos e eficácia retroagem à data indicada no requerimento de reinclusão conferindo validade e eficácia aos autos praticados em tal época, quer digam respeito ao recolhimento dos tributos com base nesta sistemática, quer se refiram a lançamentos de ofício exigindo crédito tributário com base no SIMPLES.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-001.542
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 PEDIDO DE REINCLUSÃO NO SIMPLES. EMPRESA AUTUADA ANTES QUE A AUTORIDADE DEFERISSE O PEDIDO. CONTROVÉRSIA QUANTO À FORMA DE TRIBUTAÇÃO, ISTO É, SE LUCRO REAL, PRESUMIDO OU SIMPLES. ANÁLISE DOS EFEITOS DO PEDIDO DE REINCLUSÃO NO SIMPLES. O pedido de reinclusão no SIMPLES, enquanto não deferido, não se constitui em meio apto a garantir a tributação com base no SIMPLES. No entanto, se deferido, seus efeitos e eficácia retroagem à data indicada no requerimento de reinclusão conferindo validade e eficácia aos autos praticados em tal época, quer digam respeito ao recolhimento dos tributos com base nesta sistemática, quer se refiram a lançamentos de ofício exigindo crédito tributário com base no SIMPLES. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 PEDIDO DE REINCLUSÃO NO SIMPLES. EMPRESA AUTUADA ANTES QUE A AUTORIDADE DEFERISSE O PEDIDO. CONTROVÉRSIA QUANTO À FORMA DE TRIBUTAÇÃO, ISTO É, SE LUCRO REAL, PRESUMIDO OU SIMPLES. ANÁLISE DOS EFEITOS DO PEDIDO DE REINCLUSÃO NO SIMPLES. O pedido de reinclusão no SIMPLES, enquanto não deferido, não se constitui em meio apto a garantir a tributação com base no SIMPLES. No entanto, se deferido, seus efeitos e eficácia retroagem à data indicada no requerimento de reinclusão conferindo validade e eficácia aos autos praticados em tal época, quer digam respeito ao recolhimento dos tributos com base nesta sistemática, quer se refiram a lançamentos de ofício exigindo crédito tributário com base no SIMPLES. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 24 41 /2 01 0- 54 Fl. 445DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002441/201054 Acórdão n.º 1402001.542 S1C4T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002441/201054 Acórdão n.º 1402001.542 S1C4T2 Fl. 4 3 Relatório A presente autuação diz respeito aos anoscalendário de 2006, lavrada em face da empresa antes nominada que no anocalendário em questão entregou DIPS. O auto de infração de fls. 221 e seguintes, com multa de 75%, lavrado em 12/08/2010, encontrase acompanhado do termo de verificação fiscal de fls. 184 e seguintes, foi notificado à recorrente em 12/08/2010 (fl. 222), exigindo IRPJ, CLSS, PIS, COFINS, e INSS pela sistemática do SIMPLES, em face de omissão de receita caracterizada entre os valores declarados à Receita e as informações constantes das GIAS do ICMS, confome demonstrativo existente à fl. 186. Os tributos acima indicados foram exigidos com base em apuração mensal, conforme previa a Lei nº 9.317, de 1996. A autuação, conforme indicado à fl. 233 e seguintes, está relacionada a duas infrações, a saber: a) diferença de base de cálculo, conforme termo de verificação fiscal e insuficiência de recolhimento, pois constatada omissão, em relação aos valores declarados, houve diferença em face da alteração da alíquota que à época aumentava no decorrer do ano de forma proporcional ao aumento de receita. Notificada, a parte interessada apresentou a impugnação de fls. 260 e seguintes, alegando em síntese: a) Não há como admitir seja a impugnante autuada, com base no Simples Nacional, se desde 01 de janeiro de 2003 foi declarada sua exclusão por Ato Declaratório Executivo, DERAT/SPO n° 576.227, de 02 de agosto de 2004; b) Se não bastasse a formal exclusão acima referida, que por si só já demonstra a nulidade deste Auto de Infração, é fato que a Lei 9.317 de 1996, em especial em seu artigo 16 determina a sujeição das empresas excluídas do Simples Nacional às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Em defesa de sua tese, a recorrente transcreve a seguinte passagem do acórdão 10708.199, julgado na sessão de 10 de agosto de 2005, pela Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, em que foi relator o ilustre Conselheiro Luiz Martins Valero: "Relatório: (....) 2 Foi emitido o Ato Declaratório Executivo DRF/REC N° 111, de 21/10/2003, à fl. 57, procedendo a exclusão da contribuinte do SIMPLES com efeitos a partir de 01/01/2000, de acordo com o inciso IV do art. 15 da Lei n° 9.317/1996. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002441/201054 Acórdão n.º 1402001.542 S1C4T2 Fl. 5 4 Neste ponto é importante ressaltar a legislação que rege a matéria referente à exclusão de ofício e destacar o §3° do art. 15, abaixo, que determina o meio para se efetuar esta exclusão, ou seja, através de ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte. Portanto ao contrário do afirmado, à fl. 241 no penúltimo parágrafo, pela impugnante o ato próprio para exclusão de oficio do sistema unificado, determinado na legislação, é o Ato Declaratório Executivo. Quanto ao efeito da exclusão cabe citar o art. 15, inciso IV da Lei n° 9.317/1996 que determina que o efeito da exclusão será a partir do ano calendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite de microempresa, ou seja, como a contribuinte ultrapassou este limite no ano de 1999, a partir de 01/01/2000 já não poderia optar pelo sistema nesta condição. (...) Assim, a partir de 01/01/2000 a contribuinte estava sujeita a tributação como as demais pessoas jurídicas, pois foi excluída do sistema simplificado, como verificado anteriormente o ato de exclusão foi efetuado dentro dos ditames legais, portanto não há que se falar em nulidade deste ato e muito menos em nulidade dos autos de infração do presente processo lavrados também de acordo com a legislação vigente. Para a lavratura dos autos de infração do presente processo foram cumpridos todos os requisitos determinados no art. 10 do Decreto n° 70.235/1972 e artigo 142 do CTN. Também é importante ressaltar que a contribuinte requer genericamente a nulidade dos autos de infração do presente processo sem citar especificamente os vícios do procedimento fiscal.” Em defesa de sua tese, a recorrente formula e responde as seguintes perguntas: 1) A empresa estava formalmente excluída do SIMPLES em 2006? SIM 2) Existem outras normas de tributação previstas em lei e aplicáveis às demais pessoas jurídicas que não estão enquadradas no Simples Nacional? SIM 3) É nulo o auto de infração que utiliza a forma de tributação tributação prevista ao Simples Nacional à empresa excluída do Sistema integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples)? SIM Por fim, ainda destaca a recorrente: Se a empresa, mesmo excluída do Simples Nacional, conforme demonstramos, REALIZOU RECOLHIMENTO COM BASE NESTAS ALÍQUOTAS, DEVE O FISCO REALIZAR SEU OFÍCIO E AUTUÁLA POR INFRAÇÃO, MAS NÃO COMO OPTANTE DO SIMPLES NACIONAL. (grifos no original) Fl. 448DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002441/201054 Acórdão n.º 1402001.542 S1C4T2 Fl. 6 5 Na versão da recorrente, não se pode considerar o fato gerador mutável pelo fato desta ter solicitado sua reinclusão no SIMPLES, com data retroativa, se na data da autuação a autoridade competente ainda não havia deferido tal pedido. A DRJ julgou procedente o lançamento, sendo que desta decisão a parte interessada apresentou recurso alicerçado nos pontos acima destacados, requerendo a nulidade da autuação. É o relatório. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002441/201054 Acórdão n.º 1402001.542 S1C4T2 Fl. 7 6 Voto Conselheiro MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Relator O recurso utilizado pela recorrente encontrase previsto no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, está devidamente fundamentado e foi interposto por parte legítima que pretende ver a decisão da DRJ reformada. Assim, preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço e passo ao exame do mérito. O lançamento, no caso em questão, efetivado em 12/08/2010, deuse com base na sistemática do SIMPLES, referente ao anocalendário de 2006, com fatos geradores mensais, utilizando como base de cálculo a receita bruta e alíquotas as que se encontravam vigentes à época, isto é, as indicadas na Lei nº 9.317, de 1996. Do acórdão recorrido colho as seguintes informações e conclusão da autoridade julgadora: por intermédio do Ato Declaratório Executivo DERAT/SPO nº 576.227, de 02/08/2004, fls. 321, foi a empresa excluída do Simples Federal a partir de 01/01/2003; a referida exclusão teve por supedâneo a previsão estampada na Lei nº 9.317/96, art. 9º, IX1 (sic); em 24/10/2007, a Autuada/Impugnante, sob o nº 18186.003950/200713, protocolou processo com pedido de inclusão com data retroativa que, conforme fls. 326 e 328, restou deferido (DESPACHO DECISÓRIO SIMPLES FEDERAL Nº 050/2010), retroagindo à data de 28/01/19992. consoante expressado no corpo do citado Despacho Decisório Simples Federal nº 050/2010, nos anos calendário de 2005, 2006 e 2007 (1º semestre), a Insurgente apresentou suas declarações na modalidade da sistemática do SIMPLES (PJSI), bem como efetuou os respectivos recolhimentos sob o código 6106, atinente, igualmente, a tal sistema diferenciado de tributação. 1 IX cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do art. 2 º. 2 O ato declaratório de fl. 324 de exclusão do SIMPLES registra que a empresa fez sua opção em 28/01/1999 e foi excluída em agosto de 2004, com efeitos a partir de 01/01/2003. Assim, o pedido de reinclusão no SIMPLES, ao meu sentir, só pode darse a contar da exclusão em 2003 e não na data da primeira opção feita em 1999, cujos efeitos permaneceram até 01/01/2003. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002441/201054 Acórdão n.º 1402001.542 S1C4T2 Fl. 8 7 “Diante do raciocínio brevemente articulado, forçoso concluir que a lavratura do contestado AI (12/08/2010) se deu em data anterior ao supracitado Despacho Decisório (05/10/2010) que, no entanto, considerou a Impugnante reincluída no SIMPLES Federal desde 1999.” A questão a ser solucionada pode ser resumida numa frase, qual seja: Como tributar a pessoa jurídica que foi excluída do SIMPLES, há vários anos, pediu seu reingresso de forma retroativa, sendo que na época da autuação a autoridade competente ainda não tinha se manifestado acerca do requerimento de reinclusão? Apesar de aparentemente simples, o processo, em face dos fundamentos constantes do recurso, exige resposta a algumas questões. Inicialmente e sem prejuízo da conclusão abaixo, entendo que a validade do ato administrativo é ditada pelas condições existentes na data em que é praticado. Se, por exemplo, em determinado período de apuração o sujeito passivo compensa prejuízo fiscal em limite superior a 30% (trinta por cento) de que trata o artigo 15 da Lei nº 9.065, de 1995, não será pelo fato de, em período posterior, compensar prejuízo inferior ao limite aqui indicado que irá ter convalidado o excesso verificado na compensação anterior. Assim o é porque os atos jurídicos se regem pela lei da época em que ocorreram. A norma a aplicar é aquela que está em vigor à data da prática do ato. Também não discordo da afirmação da recorrente quando menciona que “se a empresa, mesmo excluída do Simples Nacional, realizar recolhimentos com base nestas alíquotas, deve o fisco realizar seu ofício e autuála por infração, mas não como optante do simples nacional.” Porém, esta premissa é verdadeira se não existir outro ato jurídico com aptidão para desfazer e/ou restabelecer a inclusão no SIMPLES. Se a empresa foi excluída do SIMPLES, enquanto guardar tal condição, a exigência dos créditos tributários deve darse de forma normal. Ainda que não existisse o artigo 16 da Lei 9.317, de 1996 dispondo, que “a pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarse à, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas”, isto seria decorrência da própria lógica jurídica. Retomando a primeira indagação, qual seja, como tributar a pessoa jurídica que foi excluída do SIMPLES, há vários anos, pediu seu reingresso de forma retroativa, sendo que na época da autuação a autoridade competente ainda não tinha se manifestado acerca do requerimento de reinclusão, penso que a controvérsia é solucionada tendo os seguintes parâmetros: os efeitos da exclusão do SIMPLES e sua permanência no tempo; efeitos do pedido de inclusão no SIMPLES, enquanto a autoridade fiscal não se manifestar? Quando o pedido de reinclusão produz efeitos: (quando formulado ou quando deferido, retroagindo seus efeitos à data em que é requerido? Fl. 451DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002441/201054 Acórdão n.º 1402001.542 S1C4T2 Fl. 9 8 No que diz respeito aos efeitos da exclusão do SIMPLES, ultrapassado, no ano imediatamente anterior, o limite da receita prevista no art. 13, § 2º, da lei vigente à época, a exclusão operavase de ofício, nos termos do artigo 14, I, da citada Lei nº 9.317, de 1996, passando a tributação a darse de forma normal, isto é, pelo lucro real, presumido ou arbitrado nas hipóteses previstas em lei. Nas hipóteses de exclusão por situação prevista no artigo 9º, IX, da Lei nº 9.317, de 1996, situação verificada nos autos, os efeitos da exclusão retroagem à data em que se efetivou a infração. Assim, ainda que o Ato Declaratório, no caso em questão, tenha sido publicado em 02/08/2004, os efeitos operaramse a partir de 01/01/2003 e permanecem em vigor até que um segundo ato jurídico possua aptidão para alterar tal situação jurídica. Efeitos do pedido de reinclusão no SIMPLES, enquanto a autoridade fiscal não se manifestar O documento de fls. 325, cuja data não identifiquei, dá conta que a empresa autuada requereu sua reinclusão no SIMPLES, de forma retroativa. Na descrição não há indicação da extensão da retroatividade. Diante do fato da empresa ter feito opção em 28/01/1999 (fl. 324), e excluída em agosto de 2004, com efeitos a partir de 01/01/2003, a conclusão a que se chega é que tal pedido tinha por objeto retroagir à data em que se operou os efeitos da exclusão (01/01/2003). Isto, ao meu sentir, tornase mais evidente na medida em que a empresa, no anocalendário de 2005, apresentou DIPJ com base no SIMPLES. Tal fato REVELA intenção inequívoca de aderir ao Simples no citado período de apuração. O pedido de reinclusão no SIMPLES, enquanto não deferido, não se constitui em meio apto a garantir a tributação com base no SIMPLES. No entanto, se deferido, seus efeitos e eficácia retroagem à data indicada no requerimento de reinclusão. Quando o pedido de reinclusão produz efeitos (quando formulado ou quando deferido, retroagindo seus efeitos à data em que é requerido)? Nos termos da Lei nº 9.317, de 1996, que foi substituída pela Lei Complementar nº 123, de 1996, que regulamentavam a matéria na data dos fatos geradores, a pessoa jurídica que materialmente vinha entregando sua declaração, apurando e pagando os tributos com base no SIMPLES, sem se dar conta que por uma razão ou outra tinha sido excluída, podia formular pedido de reinclusão com data retroativa. Tal possibilidade tinha por finalidade regularizar situação pretérita. Quando à indagação em relação ao momento em que o pedido de reinclusão produz efeitos, entendo que os efeitos do pedido, se deferido, retroagem à data indicada no requerimento que solicitou a reinclusão. No caso concreto, caso a autoridade competente não tivesse deferido a inclusão no SIMPLES o auto de infração seria insubsistente. No entanto, deferido o pedido os efeitos retroagem ao passado conferindo validade e eficácia aos autos praticados em tal época, quer o recolhimento dos tributos com base nesta sistemática, quer as autuações fiscais também efetivadas com base nesta forma de tributação. Fl. 452DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.002441/201054 Acórdão n.º 1402001.542 S1C4T2 Fl. 10 9 ISSO POSTO, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA Fl. 453DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 30/01/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 11618.003264/2007-68
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
INDENIZAÇÃO POR ACIDENTE DE TRABALHO. PENSÃO VITALÍCIA. ISENÇÃO.
Toda e qualquer indenização por acidente de trabalho percebida por pessoa física é isenta do imposto de renda. A conversão da reparação por danos materiais em pensão vitalícia não causa a mudança da natureza indenizatória da verba decorrente de indenização por acidente de trabalho.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.305
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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PENSÃO VITALÍCIA. ISENÇÃO. Toda e qualquer indenização por acidente de trabalho percebida por pessoa física é isenta do imposto de renda. A conversão da reparação por danos materiais em pensão vitalícia não causa a mudança da natureza indenizatória da verba decorrente de indenização por acidente de trabalho. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 8. 00 32 64 /2 00 7- 68 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 02/12/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11618.003264/200768 Acórdão n.º 2801003.305 S2TE01 Fl. 90 2 Trata o presente processo de notificação de lançamento que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio do qual se exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 2.931,73, referente ao exercício de 2005, a título de imposto (R$ 1.422,55), acrescido da multa de ofício equivalente a 75% do valor do tributo apurado (R$ 1.066,91), além dos juros de mora (R$ 442,27). O lançamento é decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Em sua impugnação, o contribuinte alegou, em síntese, que foi aposentado por invalidez decorrente de acidente de trabalho e que os rendimento auferidos no ano calendário de 2004, junto a SAELPA S/A, CNPJ 09.095.183/000140, no valor de R$ 14.296,64, são isentos, porquanto provenientes da pensão vitalícia arbitrada a titulo de indenização por danos materiais decorrente de acidente de trabalho, conforme sentença judicial prolatada nos autos da ação de trabalho em anexo. A 1ª Turma da DRJ/REC/PE julgou improcedente a impugnação, conforme Acórdão de fls. 58/63, que restou assim ementado: OMISSÃO DE RENDIMENTOS BASE EM DIRF. RENDIMENTOS RECEBIDOS POR PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. Somente são isentos de tributação apenas os rendimentos relativos à aposentadoria, reforma ou pensão, recebidos por portador de doença grave devidamente comprovada em laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. RETIFICAÇÃO APÓS O INÍCIO DE PROCEDIMENTO FISCAL NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A retificação não será aceita quando for apresentada durante o procedimento fiscal, visto que excluída a espontaneidade do sujeito passivo. Regularmente cientificado daquele Acórdão em 11/05/2010 (fl. 66), o interessado interpôs recurso voluntário de fls. 72/75, em 10/06/2010. Em sua defesa, repete os argumentos da impugnação. Conforme Resolução nº 2801000.081 (fls. 74/81), o julgamento foi convertido em diligência para que a fonte pagadora Sociedade Anônima Eletrificação Paraiba SAELPA S/A, CNPJ 09.095.183/000140, fosse intimada a informar: · Se o contribuinte Isaías Pessoa de Araújo era funcionário da empresa, no anocalendário de 2004; · Qual a natureza dos rendimentos que lhe foram pagos neste período, considerando o montante de rendimentos tributáveis informados na DIRF (R$ 14.296,64); Fl. 90DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 02/12/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11618.003264/200768 Acórdão n.º 2801003.305 S2TE01 Fl. 91 3 · Se, no anocalendário de 2004, foram pagos ao contribuinte rendimentos de pensão em cumprimento de decisão judicial. Cumprida a referida diligência, conforme documento de fl. 87, os autos retornaram ao atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para prosseguimento. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Trata o processo de lançamento de imposto de renda de pessoa física decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos pelo contribuinte da fonte pagadora Sociedade Anônima Eletrificação Paraiba SAELPA S/A, CNPJ 09.095.183/000140, no valor de R$ 14.296,64. O recorrente sustenta que tais rendimentos são isentos, porquanto provenientes da pensão vitalícia arbitrada a titulo de indenização por danos materiais decorrente de acidente de trabalho, conforme sentença judicial em anexo, haja vista que ele foi aposentado por invalidez decorrente de acidente de trabalho. Consta dos autos, à fl. 14, a Declaração do Instituto Nacional do Seguro Social que atesta que o contribuinte é titular do Aposentadoria por Invalidez Acidentária, E/NB 92/109.603.3914 desde 01/12/1999. Às fls. 21/31, foi juntada cópia da Sentença prolatata nos Autos nº 20020000263042, que cuida de ação de indenização por perdas e danos materiais c/c reparação de danos morais ajuizada pelo contribuinte contra SAELPA Sociedade Anônima de Eletrificação da Paraíba, tendo em vista que, no dia 12/05/1999, ele foi vítima de acidente de trabalho, ocorrido nas dependências de uma das subestações de energia elétrica da ré, consistente em descarga elétrica de 13,8 KV, que lhe deixou como sequela, queimaduras e cicatrizes em quase 50% do corpo, bem como a amputação no 1/3 superior do braço e do dedo mínimo do pé esquerdo, além de trombose venosa profunda do membro inferior esquerdo. A conclusão da referida decisão segue transcrita: “Pelo exposto e por tudo mais que consta dos autos, JULGO PROCEDENTE o pedido exordial, condenando a Saelpa — Sociedade Anônima de Eletrificação da Paraíba ao pagamento: 1. Pelos danos materiais, a pensão acima especificada, além das despesas médicohospitalares, todas as cirurgias reparadoras e prótese para substituição do membro superior direito; Fl. 91DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 02/12/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11618.003264/200768 Acórdão n.º 2801003.305 S2TE01 Fl. 92 4 2. Pelos danos morais, a quantia de R$ 150.000,00 (cento e cinqüenta mil reais), observandose que "a satisfação de um dano moral deve ser paga de uma só vez, de imediato" (STJ – lª T. REsp. Rel. Astor Rocha j. 20.03.95 RSTJ 76/257), ao autor Isaías Pessoa de Araújo, devidamente atualizada à época da execução.” Conforme relatado, o julgamento do presente processo foi convertido em diligência para que a fonte pagadora Sociedade Anônima Eletrificação Paraiba SAELPA S/A, CNPJ 09.095.183/000140, fosse intimada a informar: · Se o contribuinte Isaías Pessoa de Araújo era funcionário da empresa, no anocalendário de 2004; · Qual a natureza dos rendimentos que lhe foram pagos neste período, considerando o montante de rendimentos tributáveis informados na DIRF (R$ 14.296,64); · Se, no anocalendário de 2004, foram pagos ao contribuinte rendimentos de pensão em cumprimento de decisão judicial constante dos Autos nº 20020000263042 do Tribunal da Justiça do Estado do Paraíba. Em resposta, à fl. 87, a referida fonte pagadora informou que: “O senhor Isaias Pessoa de Araújo, inscrito no CPF sob o n° 339.762.79404, trabalhou nesta empresa de 16/11/1984 a 01/12/1999, quando se aposentou por invalidez. Os rendimentos que lhe foram pagos em 2004 são oriundos de pensão mensal vitalícia estabelecida em decisão judicial no processo n°. 20020000263042 do Tribunal de Justiça do Estado da Paraíba.” Verificase, portanto, que os rendimentos tidos como omitidos são verbas decorrentes de indenização por acidente de trabalho. A teor do art. 6º, inciso IV, da Lei 7.713/88, toda e qualquer indenização por acidente de trabalho percebida por pessoa física é isenta do imposto de renda. Aliás, importa ressaltar que a indenização e os proventos de aposentadoria ou reforma recebidos em decorrência de acidente de trabalho são isentos do imposto de renda. Já, a pensão paga em decorrência de falecimento por acidente de trabalho, que não é o caso dos autos, é tributável.(Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, art. 6º, incisos IV e XIV). Desta forma, se a verba tem natureza indenizatória, seja danos materiais ou sua conversão em pensão vitalícia, entendo que são rendimentos isentos. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 92DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 02/12/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11618.003264/200768 Acórdão n.º 2801003.305 S2TE01 Fl. 93 5 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 02/12/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 18471.001612/2006-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONDIÇÃO PARA DEFINIÇÃO DO TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL.
A teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial no 973.733 - SC, sujeito ao regime do art. 543-C do Código de Processo Civil, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado do tributo ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, o prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I, do CTN.
Somente nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4o, do CTN).
DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
O Imposto de Renda Pessoa Física é tributo sujeito ao lançamento por homologação e, portanto, nos casos de rendimentos submetidos a tributação no ajuste anual, o direito da Fazenda constituir o crédito tributário decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador, que se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, desde tenha havido pagamento antecipado do tributo e não seja constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações
Numero da decisão: 2202-002.489
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência o valor de R$ 57.382,86.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente ).
(Assinado digitalmente)
Pedro Anan Junior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente), Pedro Anan Junior, Marcio De Lacerda Martins, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Fabio Brun Goldschmidt).
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONDIÇÃO PARA DEFINIÇÃO DO TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. A teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial no 973.733 SC, sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado do tributo ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, o prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I, do CTN. Somente nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4o, do CTN). DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O Imposto de Renda Pessoa Física é tributo sujeito ao lançamento por homologação e, portanto, nos casos de rendimentos submetidos a tributação no ajuste anual, o direito da Fazenda constituir o crédito tributário decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador, que se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, desde tenha havido pagamento antecipado do tributo e não seja constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 16 12 /2 00 6- 32 Fl. 319DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 2 documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência o valor de R$ 57.382,86. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente ). (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior– Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente), Pedro Anan Junior, Marcio De Lacerda Martins, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Fabio Brun Goldschmidt). Fl. 320DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 18471.001612/200632 Acórdão n.º 2202002.489 S2C2T2 Fl. 292 3 Relatório Em 24/07/2006 o Contribuinte tomou ciência do Termo de Início de Fiscalização de fls. 8 a 10 e foi intimado a apresentar documentação hábil comprobatória relativa aos anoscalendário de 2001 a 2003. Em 14/08/2006, o Interessado foi novamente intimado a apresentar a documentação solicitada relativa aos anoscalendário de 2001, 2002 e 2003 (fi. 12). Em resposta, o Contribuinte juntou os esclarecimentos de fls. 13 a 16. Em 29/08/2006 (fl. 48), o Interessado, por intermédio de seu procurador, foi cientificado do Termo de Intimação Fiscal n° 2 de fls. 17 e 18 e apresentou a resposta de fls. 19 a 22. O Contribuinte foi sucessivamente cientificado dos Termos de Intimação n° 3 (fls. 23 e 24), n° 4 (fls. 28 a 30) e n° 5 (fls. 34 e 35), tendo apresentado as informações de fls. 25 a 27, 31 a 33 e 36. Posteriormente, foi dada ciência do Termo de Intimação, Ciência e Constatação de n° 6 (fls. 37 a 40), do Termo de Intimação n° 7 (fls. 41 a 50), do Termo de Intimação n° 8 (fl. 51 e 52) e do Termo de Intimação n° 9 (fls. 53 e 54), em que foi solicitada, dentre outros elementos, a apresentação dos extratos bancários de contas de titularidade do Contribuinte nos anoscalendário de 2001, 2002 e 2003. Em resposta, o Contribuinte prestou os esclarecimentos de fls. 55 a 58 e juntou os documentos de fls. 59 a 69, sem contudo, apresentar os extratos de suas contas bancárias. Em virtude disso, com fulcro no art. 6o da Lei Complementar n° 105, de 2001, a Fiscalização requisitou, às instituições bancárias/financeiras em que o Contribuinte mantinha conta corrente e/ou aplicações financeiras, informações sobre a movimentação financeira do Contribuinte, nos anoscalendário em questão. Em 15/12/2006 (fl. 235), o Contribuinte foi cientificado do Termo de Verificação de fls. 214 a 225 e do Auto de Infração de fls. 226 a 230, em que foram descritas as seguintes infrações: 1) OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras situadas no país, no anocalendário de 2001, não tendo o Contribuinte comprovado, após ter sido regularmente intimado, por meio de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Termo de Verificação de fls. 214 a 225. Enquadramento Legal: art. 849 do RIR/1999, art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, art. 4o da Lei n° 9.481, de 1997, art. I o da Lei n° 9.887, de 1999; 2) OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS NO EXTERIOR COM ORIGEM NÃO COMPROVADA omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida no exterior, no anocalendário de 2001, não tendo o Contribuinte comprovado, após ter sido regularmente intimado, por meio de documentação hábil e idônea, a origem e os Fl. 321DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 4 ingressos dos recursos utilizados nessas operações, conforme Termo de Verificação de fls. 214 a 225. Enquadramento Legal: art. 849 do RIR/1999, art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, art. 4o da Lei n° 9.481, de 1997, art. I o da Lei n° 9.887, de 1999. Sobre o imposto apurado, no valor de R$ 636.544,86, foram aplicados multa de 75% e juros de mora regulamentares, com fulcro nos dispositivos legais de fl. 230, perfazendo um total de R$ 1.617.014,90. Em 12/01/2007, o Interessado apresentou a impugnação de fls. 235 a 249. A Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil do Rio de Janeiro, ao analisar a impugnação deu provimento parcial conforme ementa da decisão abaixo transcrita acórdão 1327.820, de 25 de janeiro de 2010: ASSUNTO : I MPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 ALEGAÇÃO DE DECADÊNCIA O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PEDIDO DE PRODUÇÃO DE NOVAS PROVAS Deve ser indeferido o pedido de produção de novas provas, quando for prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada, contendo o processo os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. EXTRATOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS . Sem os extratos da conta bancária, não é possível se provar a ocorrência do próprio depósito e, conseqüentemente, aplicarse a presunção do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 18471.001612/200632 Acórdão n.º 2202002.489 S2C2T2 Fl. 293 5 Devidamente cientificado dessa decisão, o contribuinte apresenta tempestivamente recurso voluntário, onde reitera os argumentos da impugnação. É o relatório. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 6 Voto Conselheiro Pedro Anan Junior O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Antes de analisar o mérito, devemos analisar a preliminar de decadência suscitada pelo Recorrente. DECADÊNCIA Inicialmente, há que se fazer algumas considerações acerca do prazo decadência a ser aplicado aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Com a devida vênia daqueles que pensam diferente, encontra pacificado neste Conselho o entendimento, ao qual me filio, de que o Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF é um tributo sujeito ao lançamento por homologação, ou seja, aquele em que a lei determina que o sujeito passivo, interpretando a legislação aplicável, apure o montante tributável e efetue o recolhimento do imposto devido, sem prévio exame da autoridade administrativa, conforme definição contida no caput do art. 150 do Código Tributário Nacional – CTN, tendo sua decadência regrada, em princípio, pelo § 4o deste mesmo artigo (cinco anos contados da data do fato gerador), independentemente de haver ou não pagamento do tributo. O referido dispositivo legal exclui do seu escopo expressamente apenas os casos em que for constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, aplicandose, nessa hipótese, a regra geral prevista no art. 173 do CTN, inciso I (cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado). Entretanto, com o advento da Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009), os julgados no âmbito deste Tribunal deverão observar o disposto nas decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, devido a inclusão do art. 62A, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 18471.001612/200632 Acórdão n.º 2202002.489 S2C2T2 Fl. 294 7 § 1o Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. {1} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. No que diz respeito ao prazo decadencial para constituição do crédito tributário, assim se pronunciou o Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial no 973.733 – SC, de 12/08/2009, de relatoria do Ministro Luiz Fux, submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução no 8/08 do STJ: EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à Fl. 325DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 8 ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Depreendese, assim, que nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado do tributo ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, o prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I, do CTN, considerandose que “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível. Posteriormente, acolhendo os embargos de declaração oposto pela Fazenda Nacional no Agravo Regimental no Recurso Especial no 674.497/PR (2004/01099782), julgado em 09/02/2010, a Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, assim se manifestou: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART.173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1o a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1o 1.1995, expirandose em 1o 1.2000. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 18471.001612/200632 Acórdão n.º 2202002.489 S2C2T2 Fl. 295 9 Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. O relator, Ministro Mauro Campbell Marques, esclarece no voto condutor que: Do acurado reexame dos autos, verifico que razão assiste à embargante. Sobre o tema, a Primeira Seção desta Corte, utilizandose da sistemática prevista no art. 543C do CPC, introduzido no ordenamento jurídico pátrio por meio da Lei dos Recursos Repetitivos, ao julgar o REsp 973.733/SC, Rel Min. Luiz Fux (j. 12.8.2009), reiterou o entendimento no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação não declarado e inadimplido, como o caso dos autos, o Fisco dispõe de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado para a constituição do crédito tributário, nos termos do art. 173, I, do CTN. Somente nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). [...] Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. Concluise, assim, que a aplicação do prazo decadencial previsto art. 150, §4o, do CTN passou a ter uma condição adicional, qual seja, a existência de pagamento antecipado de tributo. Inexistindo pagamento antecipado, deslocase o prazo decadencial para o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” (art. 173, inciso I), restando claro que, nos casos de fatos geradores ocorridos no dia 31 de dezembro de cada ano, o lançamento só poderá ser efetuado no ano seguinte. Retornando ao caso em concreto, tratase de lançamento referente ao ano calendário 2001 em que foi apurada omissão de rendimentos, infração sujeita ao imposto apurado na declaração de ajuste anual, cujo fato gerador se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, cuja ciência do lançamento ocorreu em 15 de dezembro de 2006. Para o anocalendário 2001, o prazo decadencial começou a fluir em 31.12.2001, de modo que o lançamento poderia ter sido formalizado até 31.12.2006 (cinco anos da data do fato gerador). Assim, visto que o presente Auto de Infração foi cientificado pessoalmente ao contribuinte em 15/12/2007, ainda não já havia decaído o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 10 Desta forma, rejeito a preliminar de decadência suscitada pelo Recorrente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS – DEPÓSITO BANCÁRIO O auto de infração elaborado pela autoridade lançadora teve como base o artigo 42, caput e §§ 1º e 2º, da Lei nº 9.430, de 1996: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos.” Nos termos da referida norma legal presumese omissão de rendimentos sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. No presente caso foi comprovado através de documentação e provas que a Contribuinte é titular das contas bancária, sendo que o lançamento foi efetuado a partir da presunção relativa de omissão de rendimentos calcada em depósitos bancários de origem não demonstrada, nos termos artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Houve demonstração por parte da Contribuinte através de provas hábeis, de parte das origens dos valores depositados na sua conta bancária, que foi devidamente reconhecido pela DRJ em sua decisão. Entendo que devemos excluir da tributação, os valores decorrrentes do trabalho assalariado do Recorrente, que foram depositados pela Cia. Nacional de Abastecimento, o qual foram devidamente comprovados no valor total de R$ 57.382,86. Em relação aos valores apontados na conta do Unibanco 820.0564 entendo que o Recorrente não conseguiu demonstrar que os valores não devam ser tributados. Desta forma verificase que os demais depósitos bancários que formaram a base de cálculo do auto de infração são valores que foram movimentados e não foram oferecidos a tributação, não havendo nenhuma evidência de que alguma dessas importâncias foram Fl. 328DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 18471.001612/200632 Acórdão n.º 2202002.489 S2C2T2 Fl. 296 11 declaradas pela Contribuinte ou têm natureza isenta, uma vez que a Contribuinte não conseguiu comprovar a origem dos referidos depósitos. Podemos concluir que o Contribuinte não conseguiu demonstrar que não houve omissão de rendimentos, pois não apresentou nenhum documento ou prova que comprovariam que os depósitos efetuados em sua conta bancária possuíam origem isenta ou já submetida à tributação. Alega que os valores objeto do auto de infração não são de sua titularidade mas sim de terceiros. Desta forma, é devida a presente tributação com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo Recorrente.. Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar de decadência suscitada pelo recorrente, e no mérito dar provimento parcial ao recurso para excluir da tributação do valor de R$ 57.382,86. (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 329DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10660.000333/2009-65
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2801-000.280
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Relatório
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF por meio do qual se exige crédito tributário no valor de R$ 23.070,38, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. O crédito tributário foi constituído em razão de ter sido verificado, na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, exercício 2003, dedução indevida de despesas médicas. Segundo a Autoridade lançadora, “Devidamente intimado o contribuinte não apresentou qualquer documento para comprovar as despesas médicas declaradas no montante de R$ 35.770,40. Assim, tais despesas foram glosadas e o valor da dedução a esse título foi RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 60 .0 00 33 3/ 20 09 -6 5 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10660.000333/200965 Resolução nº 2801000.280 S2TE01 Fl. 65 2 alterado para R$ 0,00 (zero)” (Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, à fl. 12 deste processo digital). O contribuinte apresentou a impugnação de fls. 2/8 deste processo digital, que foi julgada procedente em parte pela 8ª Turma da DRJ/BHE. Os julgadores da instância de piso entenderam que o “montante de despesas médicas dedutíveis correto é de R$ 6.676,92, obtido pela soma dos valores pagos aos Planos de Saúde "Bradesco Saúde", "Santa Casa Saúde" e "UNIMED Belo Horizonte", cuja comprovação foi feita por meio dos documentos de fls. 24, 26 e 28, tendo sido excluído, entretanto, o valor de R$ 1.388.48, relativo à participação da esposa do declarante no Plano de Saúde Bradesco, tendo em vista que consta à fl. 79 a informação de entrega de sua declaração de ajuste anual em separado, razão pela qual não pode figurar como dependente do sujeito passivo e, em conseqüência, ser utilizada qualquer dedução em seu nome, na declaração do Impugnante”. As demais glosas de despesas médicas foram mantidas. Cientificado da decisão de primeira instância em 24/03/2011 (fl. 95 deste processo digital), o Interessado interpôs, em 13/04/2011, o recurso de fl. 96/100, acompanhado dos documentos de fls. 104/126. Na peça recursal aduz, em síntese, que: A inversão do ônus da prova aventada pelo acórdão de origem não possui embasamento legal. O Recorrente apresentou recibos válidos comprovando que os serviços médicos foram prestados e os respectivos valores pagos. Somente no caso de existirem indícios de irregularidade é que se poderia cogitar da inversão do ônus da prova, sendo que tais indícios nunca existiram. Seria necessário que a Fiscalização intimasse também os médicos para prestarem informações, e, caso se promovesse a glosa, esses médicos deveriam ser informados para excluir tais receitas de suas declarações, o que jamais ocorreu. Em virtude de tal ilegalidade, todo o procedimento deve ser anulado, sob pena de exigência de tributo em duplicidade. Com relação ao Dr. Paulo César de Carvalho Ribeiro apresentase declaração do próprio médico informando que os recibos apresentados referemse a tratamentos do Recorrente. Já a psicóloga Yuska Bambirra se apresentou, à época do tratamento, como profissional plenamente capacitada para a realização das sessões psicológicas, não tendo o Recorrente exigido a apresentação de inscrição no Conselho Regional de Psicologia, o que, inclusive, não é prática comum na relação entre médico e paciente. No que tange aos valores de sessão psicológica indicados no acórdão de origem fica patente o absoluto desconhecimento dos ilustres julgadores acerca do mercado médico nacional. O preço de uma sessão de psicologia varia de acordo com a formação, experiência e competência do profissional, e não em virtude de tabelas. Para comprovação do efetivo pagamento das despesas, juntamse extratos bancários e cópias de cheque através dos quais fica evidente que os gastos foram integralmente suportados pelo Recorrente. Ao final, requer seja reconhecida a insubsistência do lançamento fiscal, cancelandose o Auto de Infração dele decorrente. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10660.000333/200965 Resolução nº 2801000.280 S2TE01 Fl. 66 3 Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. Colhese, na decisão recorrida, o seguinte excerto do voto condutor: Assim, ainda que em princípio seja admitido como prova de pagamentos os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado, existindo dúvida quanto à materialidade do pagamento efetuado pelo sujeito passivo (ônus financeiro) e/ou quanto à efetividade do serviço prestado pelo profissional e/ou quanto ao beneficiário dos tratamentos, a Administração Tributária está autorizada a solicitar outros elementos de prova ao sujeito passivo. A dedução de despesas médicas e odontológicas na declaração do contribuinte, portanto, está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados. Registrese que em defesa do interesse público, entendese que, para gozar as deduções com despesas médicas, não basta ao contribuinte a disponibilidade de recibos e declarações, cabendo a este, se questionado pela Autoridade Administrativa, comprovar, de forma objetiva a prestação do serviço médico e o efetivo desembolso. Ressaltese que o Impugnante teve oportunidade de comprovar os gastos com as despesas médicas por ocasião do recebimento da intimação bem como do Auto de Infração, não tendo, entretanto, apresentado qualquer cópia de cheques nominativos ou extratos bancários capazes de demonstrar a compatibilidade de datas e valores de eventuais saques efetuados em relação aos recibos apresentados. Comungo do entendimento dos ilustres julgadores da instância de piso no sentido de que a Administração Tributária pode exigir que o Interessado comprove a prestação dos serviços ou o efetivo pagamento das despesas médicas realizadas, quando a Autoridade fiscal assim entender necessário, na linha do disposto no art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, cujo teor é o seguinte: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). Observo, no entanto, que tal faculdade deve ser concretizada por meio de um ato cuja materialização se dá com a lavratura de um termo, isto é, de um documento no qual está expressa a pretensão da Administração, de modo que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionandolhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. No caso concreto, não consta dos autos qualquer documento que comprove que a Autoridade lançadora tenha intimado o contribuinte a comprovar a efetiva prestação dos serviços ou o efetivo pagamento das despesas médicas realizadas. Nesse contexto, sou pela conversão do presente julgamento em diligência a fim de que a DRF de origem junte aos autos o Termo que intimou o contribuinte a comprovar a Fl. 67DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10660.000333/200965 Resolução nº 2801000.280 S2TE01 Fl. 67 4 efetiva prestação dos serviços ou o efetivo pagamento das despesas médicas glosadas, bem como a prova da ciência ao contribuinte. Após a providência mencionada, o contribuinte deve ser intimado para, caso queira, apresentar novas alegações circunscritas ao fato objeto da presente Resolução. De seguida, os autos deverão retornar a este Conselho para a conclusão do julgamento. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 68DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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