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Numero do processo: 15504.018031/2008-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2006
AUSÊNCIA DE CONTESTAÇÃO SOBRE O FATO TRIBUTÁRIO QUE GEROU O LANÇAMENTO. PRECLUSÃO. ARTIGO 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Na hipótese em que não há impugnação no recurso voluntário quanto ao descumprimento da obrigação que ensejou o lançamento, a matéria resta preclusa, não mais suscetível de apreciação nesta instância administrativa de julgamento.
PRAZO DECADENCIAL.
O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é o regido pelo Código Tributário Nacional, nos termos da Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal.
Salvo fraude, dolo ou simulação, havendo antecipação de pagamento, o prazo decadencial inicia-se a partir da ocorrência do fato gerador; caso contrário, a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso representativo de controvérsia, de reprodução obrigatória pelo CARF.
MULTA DE MORA E DE OFÍCIO. OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS E ACESSÓRIAS. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÍGNA. ART. 106, II, c do CTN. MP 449/08.
Aplica-se aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/08 o artigo 106, inciso II, "c" do CTN.
Para a apuração da multa mais benéfica ao contribuinte, deve-se comparar a legislação anterior e a atual tendo-se em conta cada espécie de infração, uma vez que a própria Lei nº 8.212/91 assim procede e é clara ao estabelecer penas distintas para o descumprimento das obrigações principais declaradas e pagas com atraso, para as obrigações principais lançadas de ofício e para o descumprimento de obrigações acessórias.
Tratando-se de lançamento de créditos tributários relativos a fatos geradores anteriores à MP nº 449/08, para fins de observância do princípio da retroatividade benigna constante do art. 106, II, c do CTN, havendo inscrição em dívida ativa e sua execução judicial, a multa aplicada nos termos do art. 35, III, c e d da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei nº 9.876/99, deve se limitar ao percentual de 75%, conforme previsão constante da atual regra do art. 35-A da Lei nº 8.212/91, que remete ao art. 44, I da Lei n° 9.430/96.
CONTRATO DE LICENÇA DE USO DE MARCA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. NÃO INCIDÊNCIA.
O que enseja a responsabilidade por sucessão é a aquisição de estabelecimento para a continuação da exploração da atividade comercial, industrial ou profissional, e não apenas o arrendamento ou locação de parte dele. Inteligência do art. 133 do CTN.
AQUISIÇÃO DE ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL POR ENTIDADE IMUNE - TRESPASSE. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA POR SUCESSÃO. ART. 133, II DO CTN. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS.
Eventual imunidade a que faça jus o responsável tributário não alcança as operações realizadas pelo contribuinte, a quem efetivamente se referem os fatos jurídicos tributários.
EXCLUSÃO DOS REPRESENTANTES LEGAIS DA RELAÇÃO DE COOBRIGADOS.
Não há atribuição de responsabilidade às pessoas relacionadas nos relatórios Relatório de Representantes Legais - REPLEG e Vínculos - Relação de Vínculos, mas tão somente qualificação para fins cadastrais. Matéria que não comporta discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, a teor da Súmula CARF nº 88.
MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. SÚMULACARFN°02.
A análise de eventual caráter confiscatório da penalidade aplicada envolve a aferição de compatibilidade com a Constituição Federal da legislação tributária que fundamentou a autuação, o que é vedado a este tribunal, conformeSúmulaCARF nº2.
JUROS MORATÓRIOS. CORREÇÃO PELA SELIC. SÚMULA CARF Nº 04.
É entendimento pacífico neste tribunal, constante da Súmula CARF nº 4, que os juros moratórios devidos sobre os débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal são corrigidos pela taxa SELIC.
Numero da decisão: 2402-006.553
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, vencido o conselheiro Denny Medeiros da Silveira que conheceu; e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Renata Toratti Cassini - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho (presidente da turma), Denny Medeiros, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci (vice-presidente), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: RENATA TORATTI CASSINI
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E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2006 AUSÊNCIA DE CONTESTAÇÃO SOBRE O FATO TRIBUTÁRIO QUE GEROU O LANÇAMENTO. PRECLUSÃO. ARTIGO 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Na hipótese em que não há impugnação no recurso voluntário quanto ao descumprimento da obrigação que ensejou o lançamento, a matéria resta preclusa, não mais suscetível de apreciação nesta instância administrativa de julgamento. PRAZO DECADENCIAL. O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é o regido pelo Código Tributário Nacional, nos termos da Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal. Salvo fraude, dolo ou simulação, havendo antecipação de pagamento, o prazo decadencial iniciase a partir da ocorrência do fato gerador; caso contrário, a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso representativo de controvérsia, de reprodução obrigatória pelo CARF. MULTA DE MORA E DE OFÍCIO. OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS E ACESSÓRIAS. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÍGNA. ART. 106, II, “c” do CTN. MP 449/08. Aplicase aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/08 o artigo 106, inciso II, "c" do CTN. Para a apuração da multa mais benéfica ao contribuinte, devese comparar a legislação anterior e a atual tendose em conta cada espécie de infração, uma vez que a própria Lei nº 8.212/91 assim procede e é clara ao estabelecer penas distintas para o descumprimento das obrigações principais declaradas e pagas com atraso, para as obrigações principais lançadas de ofício e para o descumprimento de obrigações acessórias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 80 31 /2 00 8- 89 Fl. 1177DF CARF MF Processo nº 15504.018031/200889 Acórdão n.º 2402006.553 S2C4T2 Fl. 1.178 2 Tratandose de lançamento de créditos tributários relativos a fatos geradores anteriores à MP nº 449/08, para fins de observância do princípio da retroatividade benigna constante do art. 106, II, “c” do CTN, havendo inscrição em dívida ativa e sua execução judicial, a multa aplicada nos termos do art. 35, III, “c” e “d” da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei nº 9.876/99, deve se limitar ao percentual de 75%, conforme previsão constante da atual regra do art. 35A da Lei nº 8.212/91, que remete ao art. 44, I da Lei n° 9.430/96. CONTRATO DE LICENÇA DE USO DE MARCA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. NÃO INCIDÊNCIA. O que enseja a responsabilidade por sucessão é a aquisição de estabelecimento para a continuação da exploração da atividade comercial, industrial ou profissional, e não apenas o arrendamento ou locação de parte dele. Inteligência do art. 133 do CTN. AQUISIÇÃO DE ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL POR ENTIDADE IMUNE TRESPASSE. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA POR SUCESSÃO. ART. 133, II DO CTN. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS. Eventual imunidade a que faça jus o responsável tributário não alcança as operações realizadas pelo contribuinte, a quem efetivamente se referem os fatos jurídicos tributários. EXCLUSÃO DOS REPRESENTANTES LEGAIS DA RELAÇÃO DE COOBRIGADOS. Não há atribuição de responsabilidade às pessoas relacionadas nos relatórios “Relatório de Representantes Legais REPLEG” e “Vínculos Relação de Vínculos”, mas tão somente qualificação para fins cadastrais. Matéria que não comporta discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, a teor da Súmula CARF nº 88. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. SÚMULACARFN°02. A análise de eventual caráter confiscatório da penalidade aplicada envolve a aferição de compatibilidade com a Constituição Federal da legislação tributária que fundamentou a autuação, o que é vedado a este tribunal, conformeSúmulaCARF nº2. JUROS MORATÓRIOS. CORREÇÃO PELA SELIC. SÚMULA CARF Nº 04. É entendimento pacífico neste tribunal, constante da Súmula CARF nº 4, que os juros moratórios devidos sobre os débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal são corrigidos pela taxa SELIC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, vencido o conselheiro Denny Medeiros da Silveira que conheceu; e, no mérito, por unanimidade de votos, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Fl. 1178DF CARF MF Processo nº 15504.018031/200889 Acórdão n.º 2402006.553 S2C4T2 Fl. 1.179 3 Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho (presidente da turma), Denny Medeiros, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci (vicepresidente), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 0228.202, da 7ª Turma da DRJ de Belo Horizonte (fls. 970/993), que julgou improcedente as impugnações apresentadas contra o Auto de Infração DEBCAB nº 37.052.8239. De acordo com o relatório fiscal de fls. 56/76, o crédito lançado diz respeito à contribuição destinada à Seguridade Social incidente sobre a remuneração paga a segurados empregados e contribuintes individuais no período de 09/2003 a 09/2006, conforme segue: a) PAT (Programa de Alimentação do Trabalhador) – período de 09/2003 a 09/2006: a autuada PROMOVE SERVIÇOS EDUCACIONAIS LTDA. não comprovou sua adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador, do Ministério do Trabalho e Emprego. Por conta disso, os valores destinados ao pagamento das notas fiscais emitidas pela empresa VR Vale Ltda. ficam sujeitos à incidência de contribuição previdenciária, nos termos do art. 28, § 9º, alínea “c” da Lei 8.212/91 e do art. 214, § 9º, item III do Dec. 3.048/99; b) RPA – contribuição Contribuinte Individual – período de 01/2005 a 06/2006: tratase de valores de contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações auferidas por contribuintes individuais pelo exercício de atividade por conta própria nas dependências da empresa. O crédito tributário foi constituído no montante de R$ 46.706,37 (quarenta e seis mil e setecentos e seis reais e trinta e sete centavos). De acordo com a fiscalização, ficou constatado o interesse comum entre as empresas Educação Infantil e Ensino Fundamental Savassi Ltda., CNPJ 05.385.879/0000150; Educação Infantil e Ensino Fundamental Pampulha Ltda., CNPJ 05.401.768/000190; Pampulha Ensino Fundamental Ltda., CNPJ 06.001.557/000123; Educação Infantil e Ensino Fundamental Mangabeiras Ltda., CNPJ 05.401.766/000100; Educação Infantil e Ensino Fundamental Sete Lagoas Ltda., CNPJ 05.392.395/000139; Mangabeiras Ensino Fundamental Ltda., CNPJ 06.001.546/000143; Colégio Sete Lagoas Ensino Fundamental Ltda., CNPJ 04.901.337/000120; Centro Mineiro de Ensino Superior CEMES Ltda., CNPJ 02.636.995/000107; Promove Participações Ltda., CNPJ 05.376.569/000170; Promove Serviços Educacionais Ltda., CNPJ 05.376.559/000134; Promove Cursos Livres e Mercantil, CNPJ 42.975.896/000174, Magle Edição Comércio e Fl. 1179DF CARF MF Processo nº 15504.018031/200889 Acórdão n.º 2402006.553 S2C4T2 Fl. 1.180 4 Distribuição de Livros Ltda., CNPJ 05.399.437/000163 e Sociedade Educacional Sistema Ltda., CNPJ 23.840.945/000117 e, uma vez configurada a sujeição passiva entre elas, foram emitidos os respectivos TERMOS DE SUJEIÇÃO PASSIVA. Informa, ainda, o auditor, que a SOEBRAS Associação Educativa do Brasil, CNPJ 22.669.915/000127, foi eleita responsável subsidiária, nos termos do art. 133 do CTN, por ter adquirido do grupo PROMOVE o direito de uso da marca PROMOVE a 1º/11/2006 por meio de contrato particular de "Licença de Uso da Marca", continuando a explorar a antiga atividade econômica da autuada. Para o exercício dessas atividades, a adquirente inscreveu novos estabelecimentos no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas e manteve o mesmo endereço e CNAE da cedente (fls. 76). Em segundo ato, a SOEBRAS, por meio de “Contrato Particular de Alienação de Estabelecimento Empresarial — TRESPASSE”, adquiriu das empresas do grupo PROMOVE todo o complexo de bens organizados para exercício da atividade até então por elas desenvolvida, composto da titularidade do estabelecimento empresarial, “incluindo ativo e passivo (inclusive para os termos do art. 133 do Código Tributário Nacional e Art. 11º e 448 da Consolidação das Leis do Trabalho), bem como a propriedade de todos os seus elementos corpóreos e incorpóreos, imóveis, móveis, e semoventes e afins (...)”. (fls. 78) Em que pese essa alienação, informa o auditor que a autuada PROMOVE SERVIÇOS EDUCACIONAIS LTDA. não procedeu às devidas anotações nos Órgãos Oficiais de Registro, não arquivando na JUCEMG nenhuma alteração contratual de dissolução ou liquidação. Registra, também, que a autuada não cumpriu as obrigações junto à administração tributária, permanecendo ativa no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas. Após ciência do auto de infração, aos 12/11/2008, a autuada PROMOVE SERVIÇOS EDUCACIONAIS LTDA. apresentou defesa juntamente com as empresas Promove Participações Ltda., Sociedade Educacional Sistema Ltda., Centro Mineiro de Ensino Superior CEMES Ltda., Colégio Sete Lagoas Ensino Fundamental Ltda., Educação Infantil e Ensino Fundamental Savassi S/C Ltda., Educação Infantil e Ensino Fundamental Pampulha Ltda., Pampulha Ensino Fundamental Ltda., Educação Infantil e Ensino Fundamental Sete Lagoas Ltda., Educação Infantil e Ensino Fundamental Mangabeiras Ltda., Magle Edição Comércio e Distribuição de Livros Ltda., Promove Cursos Livres e Mercantil Ltda., Mangabeiras Ensino Fundamental Ltda. e, também, com os sócios Luiz Magno da Silva Saramago, Hélio Soares Bazzoni, Bosco Fontoura, Paulo Estevam da Silva Bastos, José Alyrio Bicalho Mourdo e o contador Carlos Alberto Moreira, alegando, em síntese: a) ILEGITIMIDADE DOS CORRESPONSÁVEIS: a inclusão dos representantes legais como corresponsáveis não merece prosperar, uma vez que não foram provados os motivos justificadores da coobrigação. As pessoas jurídicas e físicas discriminadas na Relação de Vínculo não foram notificadas, o que não é permitido pelo ordenamento jurídico. Não houve, no caso, a comprovação de que os representantes legais agiram com excesso de mandato; b) DUPLICIDADE DE LANÇAMENTOS E COBRANÇAS RELATIVAS AO PAT: alegam os impugnantes que a multiplicidade de cobrança e o ímpeto da fiscalização em multar o contribuinte geraram duplicidade de exigências, pois como comprovam os Relatórios de Lançamento, foram também lançados no auto de infração 37.052.8220 (PAF 15504.018030/200834), valores a título de PAT — alimentação. Assim, devem ser excluídas do lançamento as parcelas relativas a tal rubrica; Fl. 1180DF CARF MF Processo nº 15504.018031/200889 Acórdão n.º 2402006.553 S2C4T2 Fl. 1.181 5 c) PRESCRIÇÃO: são indevidos os lançamentos, multas e juros relativos a supostas infrações apuradas em período anterior a 20/10/2003, por estarem prescritos; d) Que a manutenção do auto de infração configura cerceamento de defesa e ofensa ao artigo 5°, LV, da CF/88. A autuação não atende aos princípios básicos inerentes à Administração Pública, previstos na Lei nº 9.784/99, pois quando da auditoria realizada, o auditor poderia ter alertado a empresa acerca dos eventuais problemas, a exemplo da apresentação de documentos/dados faltantes, conferindolhe a oportunidade de regularizar a situação antes da autuação. Que o Relatório Fiscal da aplicação da multa é nulo por não observar as determinações contidas no art. 243 do Regulamento da Previdência Social. O art. 244 do mesmo Regulamento só teria eficácia se o próprio contribuinte tivesse apurado e confessado sua dívida. O Decreto 3048/99, no artigo 245, confirma a tese de que não pode haver, simultaneamente, uma notificação de lançamento e uma confissão de dívida, prevalecendo a que foi realizada em momento anterior. e) MULTA EXCESSIVA. EFEITO CONFISCATÓRIO. AFRONTA AO ARTIGO 150 DA CF/88. ERRÔNEA IMPOSIÇÃO DE MULTA E JUROS: em face da impossibilidade de se aferirem valores, a multa aplicada tem efeito de confisco, o que é vedado pela Constituição Federal, além de ser absurda e excessiva, razão pela qual ficam expressamente impugnados os lançamentos de multas e juros, mesmo porque, em sua maioria, foram objeto de outros Autos de Infração; f) INOCORRÊNCIA DE INFRAÇÃO CRIMINAL: não houve, em momento algum, por parte da autuada, omissão de fatos, dados e documentos, pelo que impugna a eventual configuração de crime, nos moldes do art. 337A do Código Penal; g) FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO SEM INSCRIÇÃO NO PAT: o art. 7º, XXVI, da CF/88 reconhece as convenções e acordos coletivos de trabalho. Portanto, é ilegítima, ilegal e inconstitucional a exigência de contribuição social sobre o fornecimento de alimentação a empregados, já que prevista em convenção coletiva como verba indenizatória, nos mesmos moldes do PAT. h) Que a inscrição no PAT é mera formalidade e, por tal motivo, não pode servir como fundamento para a aplicação de penalidade; i) Requereram, por fim, a improcedência da autuação. A SOEBRAS Associação Educativa do Brasil, por sua vez, na condição de responsável subsidiária pelo crédito tributário, impugnou o lançamento arguindo, em síntese: a) Que arrendou, a 1º/11/2006, a utilização da marca "Promove" em troca do pagamento de quantia em dinheiro para o Grupo "Promove". b) Que o Grupo Promove mantém suas atividades empresariais normais, tanto que possui as unidades Mangabeiras, Pampulha, Núcleo e Supletivo; c) Que a Promove e a SOEBRAS são empresas distintas, com sócios distintos, personalidades jurídicas próprias, independentes e atuam cada qual em seus objetivos sociais, não se podendo falar em sujeição passiva subsidiária; Fl. 1181DF CARF MF Processo nº 15504.018031/200889 Acórdão n.º 2402006.553 S2C4T2 Fl. 1.182 6 d) Que goza de isenção/imunidade tributária, por ser entidade beneficente de assistência social; e) Que pelo simples fato de ter arrendado a marca não pode ser responsabilizada pelas obrigações da empresa cedente; f) Que o arrendamento ocorreu no final de 2006 e a autuação compreendeu as competências a partir de 2003; g) Que as diversas alterações ocorridas no sistema de entrega de dados, como envio das GFIPs, por exemplo, causaram certa confusão e desconhecimento técnico, o que não pode ser considerado má fé. Entende que não pode ser punida sem ter concorrido para a prática de ato ilícito; h) Que a SOEBRAS apresentou pedidos de parcelamento de débitos protocolados aos 15/10/2007, pelo que requereu seja transferido todo o passivo fiscal para o CNPJ 22.669.915/000127, permitindo a sua inclusão nos parcelamentos já solicitados; i) Finalmente, requereu a insubsistência do Mandado de Procedimento Fiscal, o não reconhecimento da sujeição passiva subsidiária, a anulação do procedimento e o reconhecimento da imunidade tributária da SOEBRAS. A DRJ julgou a impugnação improcedente e manteve o crédito tributário integralmente, em julgado assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS. A empresa deverá recolher a contribuição do segurado bem como a contribuição a seu cargo incidente sobre a remuneração paga aos trabalhadores a seu serviço no prazo legal. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em decadência quando ainda não transcorrido o prazo legal para a Seguridade Social constituir seus créditos. POLO PASSIVO. COOBRIGADOS. No polo passivo estão incluídas as pessoas jurídicas responsáveis pelo pagamento do crédito lançado, contribuinte e componentes do mesmo grupo econômico, por solidariedade. MULTA. JUROS. INCIDÊNCIA. ARGÜIÇÃO DE CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. Sobre as contribuições sociais em atraso incidem juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, aplicados sobre o valor atualizado, e multa de mora, de caráter irrelevável. A alegação de que a Fl. 1182DF CARF MF Processo nº 15504.018031/200889 Acórdão n.º 2402006.553 S2C4T2 Fl. 1.183 7 multa em face de seu elevado valor é confiscat6ria não pode ser discutida nesta esfera de julgamento, pois se trata de exigência fundada em legislação vigente, a qual este julgador está vinculado. REPRESENTAÇÃO FISCAL. Ê obrigação legal do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil a formalização de Representação Fiscal para Fins Penais sempre que, no exercício de suas funções, constatar a ocorrência, em tese, de crime contra a Seguridade Social. ALIMENTAÇÃO. NÃO INSCRIÇÃO NO PAT. Integram o saláriodecontribuição as parcelas pagas a funcionários a titulo de AuxilioAlimentação cujo programa não tenha sido aprovado pelo Ministério do Trabalho. JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRAZOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. AQUISIÇÃO DE ESTABELECIMENTO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer titulo, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato. IMPUGNAÇÃO Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. Tendo a autoridade fiscal observado o cumprimento dos requisitos legais indispensáveis A validade do lançamento do credito tributário, eventuais questionamentos acerca da emissão ou execução do MPF, por constituir essencialmente um instrumento de controle administrativo, não importam em nulidade do procedimento fiscal. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. MOMENTO DO CALCULO. A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua pratica. A comparação para determinação da multa mais benéfica deverá ser feita por ocasião do pagamento ou do parcelamento do débito. Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 1183DF CARF MF Processo nº 15504.018031/200889 Acórdão n.º 2402006.553 S2C4T2 Fl. 1.184 8 O sujeito passivo PROMOVE SERVIÇOS EDUCACIONAIS LTDA. e os responsáveis solidários do grupo Promove, bem como a empresa SOEBRAS foram notificados do acórdão e, tempestivamente, apresentaram Recurso Voluntário único (fls. 1096/1138) aos 23/02/2011 aduzindo, em breve síntese: a) decadência dos créditos tributários referentes ao período anterior a 20/10/2003, uma vez que a Administração Pública tem o direito de constituir o crédito tributário no prazo de 5 (cinco) anos, consoante Súmula Vinculante STF nº 08/2009 e art. 144 do CTN; b) considerando o advento da MP 449/2008, convertida na Lei nº 11. 941/09, deve ser aplicada a penalidade menos severa aos Recorrentes, conforme dispõe o art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. Ademais, não houve fundamentação legal para a incidência da penalidade, o que acarreta a nulidade do auto de infração; c) ilegitimidade da SOEBRAS para figurar como devedora das dívidas contraídas pelo grupo "Promove" pela mera utilização da marca em decorrência de contrato de licença de uso de marca, dado que não existe previsão legal de que o uso da marca acarreta responsabilidade por débitos tributários; d) exclusão dos sócios e do contador das empresas do grupo Promove da relação de coobrigados; e) redução dos juros e da multa aplicados, em respeito ao mandamento inserto no art. 150, IV da CF/88, c/c o art. 1º da Lei 9.784/99, por ter efeito confiscatório; f) a imunidade tributária da SOEBRÁS atinge o contrato de TRESPASSE realizado com o grupo Promove. Não houve contrarrazões. Encaminhados os autos a este Conselho para julgamento do recurso, constatou a então relatora que havia notícia de que a Promove Serviços Educacionais Ltda. teria optado por aderir ao parcelamento de todos os débitos junto à PGFN e à Receita Federal, nos termos da Lei nº 11.941/09 (fls. 1152). Nesse contexto, o julgamento foi convertido em diligência para que o Fisco informasse se os débitos em discussão foram objeto de parcelamento pelo contribuinte ou pelos demais responsáveis (solidários ou subsidiários) (fls. 1157), restando, por fim, esclarecido que “o débito controlado por meio do presente do processo não foi incluído em parcelamento, pois a opção do contribuinte pela modalidade da LEI 11.941RFBPREVART.1º encontrase cancelada devido à não apresentação de informações de consolidação, conforme §3º do art.15 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6/2009”. É o relatório. Fl. 1184DF CARF MF Processo nº 15504.018031/200889 Acórdão n.º 2402006.553 S2C4T2 Fl. 1.185 9 Voto Conselheira Renata Toratti Cassini – Relatora. Na interposição do presente recurso, foram observados os pressupostos gerais de admissibilidade, pelo que dele conheço. DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA A SER JULGADA Como relatado, o auto de infração tem por objeto o lançamento de contribuições à Seguridade Social incidentes sobre valores pagos aos segurados empregados a título de “valerefeição” sem que a autuada comprovasse sua adesão ao Programa de Alimentação do TrabalhadorPAT e de contribuições previdenciárias sobre as remunerações auferidas por contribuintes individuais pelo exercício de atividade por conta própria na empresa autuada no período de setembro/2003 a setembro/2006. Inicialmente, convém anotar que, diferentemente do que ocorreu em sede das impugnações apresentadas em primeira instância de julgamento, os fatos geradores dos créditos tributários não foram objeto de impugnação no Recurso Voluntário ora sob análise. Sobre o assunto, dispõe o art. 17 do Decreto nº 70.235/72: “Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” O novo Código de Processo Civil, em seu art. 1002, disciplina o tema da seguinte maneira: “Art. 1002. A decisão pode ser impugnada no todo ou em parte.” Em comentário a esse dispositivo, ensina Nelson Nery Junior: “4. Recurso parcial. O recurso de apenas parte da decisão significa aquiescência da parte não impugnada. O recorrente concordou com parte da sentença, tanto assim que recorreu apenas da parte com a qual não se conformou (...).” (NERY JUNIOR, Nelson; NERY, Rosa Maria de Andrade. Comentários ao Código de Processo Civil. Novo CPC. Lei 13.105/2005. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2015. p. 2030, nota 4 ao artigo 1002.) Tratase, portanto, de matéria preclusa, não mais suscetível de apreciação nesta instância administrativa de julgamento. Nesse sentido, precedente da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Sessão de Julgamento deste Tribunal (acórdão nº 3401004.360): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 1185DF CARF MF Processo nº 15504.018031/200889 Acórdão n.º 2402006.553 S2C4T2 Fl. 1.186 10 Período de apuração: 31/01/2009 a 30/04/2010 CONTRIBUIÇÃO AO PIS/COFINS. OMISSÃO DE RECEITAS. AUSÊNCIA DE CONTESTAÇÃO SOBRE MATÉRIA. PRECLUSÃO. ARTIGO 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Na hipótese em que não há impugnação no Recurso Voluntário quanto aos valores apontados pela Fiscalização como sujeitos à tributação pelas contribuições, operase a preclusão, tornandose definitiva a matéria, por força do artigo 17 do Decreto nº 70.235/1972. (...). (destacamos) Feita essa observação inicial, passase a análise dos argumentos apresentados pelos Recorrentes no Recurso Voluntário: PRELIMINAR DE MÉRITO DECADÊNCIA Em breves linhas, os Recorrentes argumentam que o período anterior a 20/10/2003 foi atingido pela decadência, uma vez que o prazo decadencial para a Administração Pública constituir o crédito tributário é de 5 anos. Acrescem, ainda, que em conformidade com a Súmula Vinculante STF 08/2009, “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam da prescrição e decadência do crédito tributário” e que segundo dispõe o art. 144, “caput”, do CTN, “O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada”. Assim, concluem que se a autuação se deu aos 23/10/2008, teriam sido atingidos pela decadência do direito de lançar os créditos tributários compreendidos entre janeiro e julho de 2003. Sem razão os Recorrentes, no entanto. Com efeito, os prazos extintivos do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário estão disciplinados nos artigos 150, § 4º e 173, I do Código Tributário Nacional, cuja incidência no caso concreto depende do comportamento do sujeito passivo em relação ao cumprimento de obrigação tributária que lhe compete. Segundo o § 4º do art. 150 do CTN: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Fl. 1186DF CARF MF Processo nº 15504.018031/200889 Acórdão n.º 2402006.553 S2C4T2 Fl. 1.187 11 O art. 173, I, do CTN, por sua vez, dispõe que: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...).” Comungando esses dois dispositivos, temse que havendo antecipação do pagamento do tributo pelo sujeito passivo, incide a regra § 4º do art. 150 do CTN, no que diz respeito à contagem do prazo decadencial para a constituição do crédito tributário pela Fazenda Pública, exceto se constatada fraude, dolo ou simulação por parte do sujeito passivo, hipótese em que o prazo para a constituição do crédito tributário contarseá a partir a ocorrência do fato gerador. Por outro lado, não havendo antecipação do pagamento do tributo pelo sujeito passivo, ou sendo constatados fraude, dolo ou simulação, incide, então, a regra do art. 173, I do CTN, e o termo inicial do prazo decadencial para a constituição do crédito tributário será “o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. Este é o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de julgamento de recurso representativo de controvérsia no procedimento do art. 543C do CPC/73 (recursos repetitivos), que deve ser reproduzido por este Conselho, conforme determina o art. 62, § 2º do RICARF (Portaria MF nº 343 de 09/07/15). E nesse sentido há farta jurisprudência deste tribunal. Citamos, abaixo, ilustrativamente, precedente deste colegiado (acórdão nº 2402004.293): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2000 a 30/09/2008 PRAZO DECADENCIAL. O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é o regido pelo Código Tributário Nacional, nos termos da Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal. Salvo fraude, dolo ou simulação, havendo antecipação de pagamento, o prazo decadencial iniciase a partir da ocorrência do fato gerador, caso contrário, a partir do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, de reprodução obrigatória pelo CARF. (...).(destacamos) No presente caso, em que não houve pagamento do tributo, tampouco declaração em GFIP, aplicase o art. 173, I do CTN na contagem do prazo decadencial do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário pelo lançamento. Não houve, portanto, decadência em relação ao período questionado. Fl. 1187DF CARF MF Processo nº 15504.018031/200889 Acórdão n.º 2402006.553 S2C4T2 Fl. 1.188 12 ILEGALIDADE DA COBRANÇA DA MULTA – AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL – NECESSIDADE DE APLICAÇÃO DA PENALIDADE MAIS BENÉFICA Alegam os recorrentes que foi aplicada multa, no valor de R$ 460.865,46 (quatrocentos e sessenta mil reais e oitocentos e sessenta e cinco mil e quarenta e seis centavos) sem nenhum fundamento legal e que, ademais, o dispositivo que embasou a aplicação da penalidade foi revogado pela Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, sendo que, portanto, em se tratando de penalidades, impõese a observância do art. 106, III, “c” do CTN, segundo o qual a lei se aplica ao ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa do que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. Assim, defende a incidência, na espécie, do art. 32A da Lei nº 8.212/91, penalidade, em tese, menos severa ao contribuinte que, portanto, deve ser aplicada ao caso concreto. Inicialmente, esclareçase que os recorrentes certamente cometeram algum engano ao afirmarem que houve aplicação de penalidade no importe de R$ 460.865,46 (quatrocentos e sessenta mil reais e oitocentos e sessenta e cinco mil e quarenta e seis centavos). Com efeito, analisando o auto de infração, constatase que o valor total do crédito tributário lançado é de R$ 46.706,37 (quarenta e seis mil e setecentos e seis reais e trinta e sete centavos), assim distribuídos (fls. 04): Valor atualizado R$ 25.152.96 Multa R$ 7.545,89 Juros R$ 14.007,52 Total R$ 46.706,37 Em passagem alguma do auto de infração há menção ao referido valor de R$ 460.865,46 ou a qualquer outro de tamanha expressão, o que nos faz crer que, provavelmente, os recorrentes laboraram em erro no que diz respeito a este aspecto do recurso, motivo pelo qual consideraremos as razões aduzidas tendo em conta a multa efetivamente imposta pela autoridade fiscal. Nessa linha, não assiste razão aos recorrentes no que concerne às suas alegações quanto à ausência de fundamentação legal da multa imposta pela autoridade fiscal. Analisandose o auto de infração, verificase que dele faz parte integrante o anexo “FLD – FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO”, no qual estão discriminados, de maneira pormenorizada, os fundamentos legais da autuação, inclusive da multa aplicada, conforme imagem reproduzida abaixo (fls. 44): Fl. 1188DF CARF MF Processo nº 15504.018031/200889 Acórdão n.º 2402006.553 S2C4T2 Fl. 1.189 13 Deste excerto do documento, extraise que o dispositivo legal no qual a autoridade fiscal fundamentou a aplicação da multa ao contribuinte foi o art. 35 da Lei nº 8.212/91, com redação da Lei nº 9.876/99, mais precisamente o seu inciso II, c.c. art. 239, III, “b” do Decreto nº 3.048/99, com redação do Decreto nº 3.265/99. Esse fato também se extrai com clareza do anexo “IPC – Instruções para o contribuinte” (fls. 06), que traz as instruções ao contribuinte para pagamento ou parcelamento do débito ou, ainda, para apresentação de impugnação, e no qual constam os percentuais de variação do valor da penalidade, tal como disciplinado no art. 35, II da Lei nº 8.212/91, conforme abaixo reproduzido: Sem razão, portanto, os recorrentes, quando alegam que não houve fundamentação legal para a aplicação da multa o que, consequentemente, implicaria em nulidade da autuação. Já no que diz respeito à necessidade de aplicação da penalidade mais benéfica ao contribuinte, a teor do que dispõe o art. 106, II, “c” do CTN, entendo que também não assiste razão aos recorrentes. Fl. 1189DF CARF MF Processo nº 15504.018031/200889 Acórdão n.º 2402006.553 S2C4T2 Fl. 1.190 14 Como já mencionado, o fundamento legal da incidência da multa no caso é o art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com redação da Lei nº 9.876/99, dispositivo legal vigente à época da ocorrência do fato gerador, segundo o qual: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II – para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) setenta por cento, se houve parcelamento; c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (destacamos) Argumentam os recorrentes que com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.491/09, esse dispositivo legal foi revogado, devendo ser aplicado ao caso, a partir de então, o art. 32A, da Lei nº 8.212/91, que prevê, em tese, penalidade menos severa ao contribuinte, conforme abaixo: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou Fl. 1190DF CARF MF Processo nº 15504.018031/200889 Acórdão n.º 2402006.553 S2C4T2 Fl. 1.191 15 II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. Realmente, a MP nº 449/2008 alterou a sistemática das multas. Antes de sua entrada em vigor, o descumprimento das obrigações principais declaradas em GFIP, mas pagas em atraso, era sancionado com multa variável entre 8% a 20%, de acordo com o art. 35, I da Lei nº 8.212/91; as obrigações que não tinham sido lançadas em GFIP, cujos lançamentos se deram de ofício pela autoridade fiscal (como no caso dos autos), eram punidas com a multa variável entre 24% e 50%, nos termos do art. 35, II; e na hipótese de os créditos serem incluídos em dívida ativa, a multa aplicável era de 60% a 100%, conforme o inciso III. Com a entrada em vigor da MP nº 449/2008, a multa pelo pagamento em atraso das obrigações já declaradas, anteriormente prevista no art. 35, I da Lei nº 8.212/91, passou a ser de 0,33% ao dia, limitada a 20%, conforme o atual art. 35, “caput”, da mesma lei, que faz remissão ao art. 61, da Lei nº 9.430/96. Já para as obrigações lançadas de ofício, como é o caso dos autos, a multa, antes prevista no art. 35, II, da mesma Lei nº 8.212/91, passou a ser no percentual fixo de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e de declaração inexata, conforme art. 35A da Lei nº 8.212/91, que faz remissão ao art. 44, I, da Lei nº 9.430/96. No que diz respeito às obrigações acessórias, cujas multas vinham previstas no art. 32, §§ 4º, 5º e 6º, da Lei nº 8.212/91, a partir da entrada em vigor da MP nº 449/2008, houve revogação desses dispositivos, passando a multa, a partir de então, a ser disciplinada pelo art. 32A da mesma Lei, em “R$ 20,00 (vinte reais) para o grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas” e “de 2% ao mês calendário ou fração incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento)”. Desse modo, para a apuração da multa mais benéfica ao contribuinte, levandose em conta o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, II “c” do CTN, devese comparar a legislação anterior e atual tendose em conta cada espécie de infração, uma vez que a própria Lei nº 8.212/91 assim procede e é clara ao estabelecer penas distintas para o descumprimento das obrigações principais declaradas e pagas com atraso (multa do art. 35, “caput”), para as obrigações principais lançadas de ofício (multa de ofício do art. 35A) e para o descumprimento de obrigações acessórias (multa do art. 32A). Pois bem. O que pretendem os recorrentes no recurso voluntário é a incidência, no presente caso, à luz do princípio da retroatividade benigna do art. 106, II, “c” do CTN, da nova disciplina para a aplicação de multa incidente para o descumprimento de obrigações acessórias, conforme art. 32A da Lei nº 8.212/91, alegando que essa disciplina lhes é mais benéfica do que a anterior, do art. 35, II, dessa mesma Lei, com redação da Lei nº 9.786/99, vigente à época da autuação, o que, tecnicamente, está incorreto, uma vez que se trata de dispositivos legais que cominam penalidades a modalidades de infrações distintas. Com efeito, o novo dispositivo vigente a partir da MP nº 449/08, que rege a aplicação da multa ao presente caso e que deve ser comparado com o art. 35 da Lei nº 8.212/91 Fl. 1191DF CARF MF Processo nº 15504.018031/200889 Acórdão n.º 2402006.553 S2C4T2 Fl. 1.192 16 para aferição da penalidade mais benigna ao contribuinte é o art. 35A da Lei nº 8.212/91, que faz remissão ao art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, e que prevê multa no percentual fixo de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Assim, a pretensão do recorrente de aplicação ao presente caso do art. 32A da Lei nº 8.212/91 não é admissível, devendo ser comparado com o art. 35, II, na redação anterior à MP 449/08, que embasou a aplicação da multa questionada, o art. 35 A, posterior à vigência dessa MP, o que nos leva a concluir que a penalidade aplicada já é a mais benéfica ao contribuinte. ILEGITIMIDADE DA SOEBRAS PARA FIGURAR COMO DEVEDORA DAS DÍVIDAS CONTRAÍDAS PELO GRUPO "PROMOVE" PELA MERA UTILIZAÇÃO DA MARCA EM CONTRATO DE LICENÇA DE USO DE MARCA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA DA SOEBRÁS ATINGE O CONTRATO DE TRESPASSE REALIZADO COM O GRUPO PROMOVE Embora os itens (i) ilegitimidade da SOEBRAS para figurar como devedora das dívidas do grupo “Promove” pela mera utilização da marca por meio de contrato de licença de uso e (ii) imunidade tributária da SOEBRAS sobre o contrato de TRESPASSE celebrado com o grupo “Promove” tenham sido deduzidos em tópicos distintos, procederemos à sua análise de forma conjunta por se tratar de assuntos correlacionados. Alegam os recorrentes que a SOEBRAS, como entidade sem fins lucrativos, autonomia, e personalidade jurídica própria, arrendou o uso da marca “Promove” mediante contraprestação de determinada quantia em dinheiro. Esclarecem que mencionado negócio jurídico, que nada mais é do que a utilização por terceiros de um sinal visual que distingue um produto ou serviço dos demais concorrentes em troca de uma contraprestação, é admitido pela Lei de Propriedade Industrial (Lei nº 9.279/96), e se trata da licença de uso de marca, prevista nos arts. 130, II e 139 daquela mesma Lei: Art. 130. Ao titular da marca ou ao depositante é ainda assegurado o direito de: I ceder seu registro ou pedido de registro; II licenciar seu uso; III zelar pela sua integridade material ou reputação. Art. 139. O titular de registro ou o depositante de pedido de registro poderá celebrar contrato de licença para uso da marca, sem prejuízo de seu direito de exercer controle efetivo sobre as especificações, natureza e qualidade dos respectivos produtos ou serviços. Parágrafo único. O licenciado poderá ser investido pelo titular de todos os poderes para agir em defesa da marca, sem prejuízo dos seus próprios direitos. Pois bem. Dispõe o art. 133, do CTN: Fl. 1192DF CARF MF Processo nº 15504.018031/200889 Acórdão n.º 2402006.553 S2C4T2 Fl. 1.193 17 Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato: I integralmente, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade; II subsidiariamente com o alienante, se este prosseguir na exploração ou iniciar dentro de seis meses a contar da data da alienação, nova atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão. (...) Da leitura “a contrario sensu” do dispositivo legal em tela, extraise que o que gera a responsabilidade por sucessão é a aquisição de estabelecimento para a continuação da exploração da atividade comercial, industrial ou profissional, e não apenas o arrendamento ou locação de parte dele, como, por exemplo, o arrendamento apenas do uso da marca. A esse respeito, ensina a doutrina que: Ora, nitidamente, claramente, evidentemente, o art. 133 não disciplinou cessões temporárias de direitos. Disciplinou aquisições. Disciplinou contratos de compra e venda. Não disciplinou transferência temporária de direitos de uso, revistase da forma que se revestir (locação, arrendamento, “leasing”, usufruto temporário). É de se lembrar que, na cessão temporária de direitos de uso, a propriedade continua inteiramente do cedente; a “nua propriedade”, vale dizer, a substância do direito de propriedade, por titulação definitiva, não se transfere. O art. 133 do CTN, portanto, não se aplica à cessão temporária de direitos, por não caracterizar uma aquisição de bens e não ser possível utilizarse a integração analógica para alargar o campo de imposição tributária. (GANDRA, Ives Gandra da Silva. A SUCESSÃO TRIBUTÁRIA DO ARTIGO 133 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL NÃO ABRANGE CESSÃO TEMPORÁRIA DE DIREITO DE USO DE MARCA – INTELIGÊNCIA DO REFERIDO DISPOSITIVO – PARECER. Revista Dialética de Direito Tributário, n. 146, nov. 2007, p. 126136). Assim, têm razão os recorrentes quando argumentam que à SOEBRAS não pode ser imputada responsabilidade pelos débitos tributários do grupo “Promove” exclusivamente em face do contrato de licença de uso de marca que aquela empresa com este celebrou. Ocorre que, como os próprios recorrentes noticiam em seu recurso, confirmando o que já havia sido apontado pela autoridade fiscal no auto de infração, inicialmente a SOEBRAS adquiriu das empresas “Promove” o direito de uso da marca, conforme contrato particular de “Licença de Uso de Marca” datado de 1º/11/2006 (fls. 76). Posteriormente, em segundo ato, a SOEBRAS, por “Contrato Particular de Alienação de Estabelecimento Empresarial – TRESPASSE”, adquiriu das empresas do Grupo “Promove” todo o complexo de bens organizados para o exercício da atividade empresarial, composto da titularidade do estabelecimento empresarial e de “todos os direitos, incluindo ativo e passivo (inclusive do art. 133 do Código Tributário Nacional e Art. 11º e 448 da Fl. 1193DF CARF MF Processo nº 15504.018031/200889 Acórdão n.º 2402006.553 S2C4T2 Fl. 1.194 18 Consolidação das Leis do Trabalho), bem como a propriedade de todos os seus elementos corpóreos e incorpóreos, imóveis, móveis e semoventes e afins (...)”. (fls. 78) Ora, houve, então, neste momento, exatamente a “aquisição” a que fez referência o prof. Ives Gandra no trecho do parecer, transcrito linhas acima, e que enseja a incidência da responsabilidade tributária por sucessão de empresas disciplinada no art. 133 do CTN. O mesmo professor esclarece, ainda, que para fins de incidência do art. 133 do CTN “O que importa considerar é o tipo de operação que gera a sucessão tributária, ou seja, a aquisição de fundo de comércio ou de estabelecimento profissional, comercial ou industrial” (op. cit.) (grifos originais). Pois bem. Os próprios recorrentes estão de acordo com a sua responsabilidade quanto aos débitos tributários do Grupo “Promove” decorrentes do contrato de TRESPASSE ao afirmarem que “Certo é que as dívidas contraídas pelo grupo “`Promove” foram sucedidas à SOEBRAS por ocasião do contrato realizado, assim como por disposições legais: art. 121 e 133 do CTN e Código Civil, art. 1146...” (fls. 1128). No entanto, para elidir essa responsabilidade, argumentam que gozam de imunidade tributária, nos termos do art. 150, VI, “c” da CF/88, segundo o qual: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) VI instituir impostos sobre: a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; (...) Melhor sorte não assiste o recorrente no que diz respeito a essa questão. Inicialmente, a regra de imunidade contida no dispositivo constitucional acima transcrito, como deixa evidente a sua redação, aplicase exclusivamente a impostos. A regra constitucional que prevê imunidade para contribuições previdenciárias é aquela prevista no art. 195, §7º da CF/88, que, embora fale em isenção, trata, em verdade, de imunidade, e dispõe que: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais. (...) Fl. 1194DF CARF MF Processo nº 15504.018031/200889 Acórdão n.º 2402006.553 S2C4T2 Fl. 1.195 19 § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. (destacamos) (...) Seja como for, independentemente da norma constitucional de regência, ocorre que, a par, também, de discussões acerca do preenchimento dos requisitos legais pela SOEBRAS para que esteja no gozo legítimo de tal benefício constitucional, ainda que se considere se tratar de entidade legitimamente imune à incidência de contribuições previdenciárias, não se pode acolher a imunidade da empresa no presente caso uma vez que o objeto do auto de infração são contribuições previdenciárias devidas por segurados empregados e contribuintes individuais, conforme disposto no art. 20 da Lei nº 8.212/90, portanto, não alcançadas pela imunidade tributária. Nesse sentido, precedente deste colegiado, cuja ementa transcrevemos abaixo (acórdão nº 2402005.906): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 PEDIDO DE PERÍCIA. REJEIÇÃO DEVIDAMENTE FUNDAMENTADA PELA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Concluindo fundamentadamente ser desnecessária a realização de perícia, a decisão de primeira instância atuou nos estritos termos dos arts. 18, 28 e 29 do Decreto 70.235/72, não havendo falar em nulidade pela rejeição do pleito. SÚMULA CARF Nº 106. Caracterizada a ocorrência de apropriação indébita de contribuições previdenciárias descontadas de segurados empregados e/ou contribuintes individuais, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS. EMPREGADOR. De acordo com o disposto nos arts. 20, 21 e 30 da Lei nº 8.212/91, o empregador, independentemente de seu eventual direito à imunidade ou isenção, está obrigado a arrecadar e recolher as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais. SÚMULA CARF Nº 28. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Pedimos vênia para nos valer, por extremamente elucidativo, de trecho do referido julgado: Ainda que a contribuinte preenchesse os requisitos na legislação de regência para o gozo dos benefícios isentivos, não estaria desobrigada de efetuar o recolhimento dos valores lançados, correspondentes às contribuições devidas pelos segurados empregados e contribuintes individuais, as quais se regem pelos arts. 20 e 21 da Lei nº 8.212/91. Fl. 1195DF CARF MF Processo nº 15504.018031/200889 Acórdão n.º 2402006.553 S2C4T2 Fl. 1.196 20 Para essas contribuições, independentemente de ser ou não entidade imune, deveria ter a recorrente efetuado o respectivo desconto da remuneração paga e repassado os valores pertinentes à previdência social, consoante regram os arts. 30 e 33 da Lei nº 8.212/91. Não o fazendo, conforme verificado pela autoridade lançadora mediante o cotejo das declarações e folhas de pagamento, persiste a imputação fiscal no particular, à míngua de razões de fato e de direito aptas a ensejar sua reforma. Somese a isso o fato de que o sujeito passivo principal da obrigação tributária, ou seja, quem praticou o fato gerador do tributo lançado, foi a empresa Promove Serviços Educacionais Ltda. À SOEBRAS foi atribuída apenas responsabilidade subsidiária pelo débito tributário daquela primeira, nos termos do art. 133, II do CTN. E, com razão a decisão recorrida quando ressalta que não há previsão legal que autorize a extensão àquela dos benefícios desta, se provada, de fato, a condição de imunidade. Este, aliás, é também o entendimento do Supremo Tribunal Federal, no sentido de que a imunidade tributária não alcança o responsável ou substituto tributário: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. ENTIDADE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL EDUCAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS. INAPLICABILIDADE ÀS HIPÓTESES DE RESPONSABILIDADE OU SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. IMPOSTO SOBRE OPERAÇÃO DE CIRCULAÇÃO DE MERCARODIAS – ICM/ICMS. LANÇAMENTO FUNDADO NA RESPONSABILIDADE DO SERVIÇO SOCIAL DA INDÚSTRIA – SESI PELO RECOLHIMENTO DE TRIBUTO INCIDENTE SOBRE A VENDA DE MERCADORIA ADQUIRIDA PELA ENTIDADE. PRODUTORVENDEDOR CONTRIBUINTE DO TRIBUTO. TRIBUTAÇÃO SUJEITA A DIFERIMENTO. Recurso extraordinário interposto de acórdão que considerou válida a responsabilidade tributária do Serviço Social da Indústria – SESI pelo recolhimento de ICMS devido em operação de circulação de mercadorias, sob o regime de diferimento. Alegada violação do art. 150, IV, c da Constituição, que dispõe sobre imunidade das entidades assistenciais sem fins lucrativos. A responsabilidade ou a substituição tributária não alteram as premissas centrais da tributação, cuja regramatriz continua a incidir sobre a operação realizada pelo contribuinte. Portanto, a imunidade tributária não afeta, tãosomente por si, a relação de responsabilidade tributária ou de substituição e não exonera o responsável tributário ou o substituto. Recurso tributário conhecido, mas ao qual se nega provimento.(destacamos) (RE 202.9874/SP, rel. Min. Joaquim Barbosa, 2ª Turma, v.u., j.30/06/09, DJe 24/09/09) À vista do exposto a imunidade tributária da SOEBRAS não atinge o passivo tributário do grupo Promove, pelo qual é responsável subsidiário, conforme art. 133, II do CTN, em decorrência da celebração do contrato de trespasse. EXCLUSÃO DOS SÓCIOS E DO CONTADOR DAS EMPRESAS DO GRUPO PROMOVE DA RELAÇÃO DE COOBRIGADOS Fl. 1196DF CARF MF Processo nº 15504.018031/200889 Acórdão n.º 2402006.553 S2C4T2 Fl. 1.197 21 Requerem, ainda, os recorrentes, a exclusão da relação de coobrigados do auto de infração dos sócios Luiz Magno da Silva Saramago, Hélio Soares Bazzoni, João Bosco Fontoura, Paulo Estevam da Silva Bastos, José Alyrio Bicalho Mourdo, do contador Carlos Alberto Moreira e de Alexia Aparecida Andrade Freitas e de Carlos Alberto Moreira. Argumentam que conforme já decidido pelo Superior Tribunal de Justiça, “o mero inadimplemento da obrigação de pagar tributo não constitui infração legal capaz de ensejar a responsabilização dos sócios pelas dívidas tributárias da pessoa jurídica” (REsp 987.991/MG). Desse modo, o inadimplemento não legitima a cobrança do débito tributário das pessoas físicas dos sócios. Entendo que a pretensão dos recorrentes não deve ser acolhida. Com efeito, o “Relatório de Representantes Legais – REPLEG”, parte integrante do auto de infração (fls. 46), traz esclarecimento expresso no sentido de que “Este relatório lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação”. O relatório “Vínculos – Relação de Vínculos”, por sua vez, também traz expressamente a finalidade à qual se destina, qual seja: “Este relatório lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente”. Não há atribuição de responsabilidade às pessoas ali relacionadas, mas apenas qualificação. Assim, parecenos que sequer há pretensão efetiva a ser deduzida nesta seara pelos recorrentes e, consequentemente, não há o que prover quanto a este aspecto. Nesse sentido, é a Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. JUROS E MULTA APLICADOS EFEITO CONFISCATÓRIO Por fim, requerem os recorrentes a redução da multa e juros aplicados, ao argumento de que infringem o mandamento inserto no art. 150, IV da CF/88, c/c art. 1º da Lei 9.784/99, qual seja o princípio da vedação ao confisco. A análise de eventual caráter confiscatório da penalidade envolve a aferição de compatibilidade com a Constituição Federal da legislação tributária que fundamentou a autuação, o que é vedado a este tribunal, conforme Súmula CARF nº 2, segundo a qual “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Fl. 1197DF CARF MF Processo nº 15504.018031/200889 Acórdão n.º 2402006.553 S2C4T2 Fl. 1.198 22 Sobre os juros moratórios, também é entendimento pacífico neste tribunal, constante da Súmula CARF nº 4, que os juros moratórios devidos sobre os débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal são corrigidos pela taxa SELIC, tendo sido essa a taxa aplicada para a correção do débito aplicada pela autoridade fiscal. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. CONCLUSÃO À vista de todo o exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. Deixo de apreciar a pretensão de exclusão da relação de coobrigados em relação a Alexia Aparecia Andrade Freitas e Carlos Alberto Moreira por não estarem representados nos autos por profissional habilitado, não sendo lícito aos recorrentes deduzirem pedido em nome de terceiros. É como voto. Renata Toratti Cassini Relatora Fl. 1198DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13984.900197/2008-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Exercício: 2004
DESISTÊNCIA DCOMP- INDEFERIMENTO
Pedido de desistência de compensação formulado após a data de ciência da decisão administrativa não homologatória há de ser indeferido.
Numero da decisão: 1402-003.193
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Exercício: 2004 DESISTÊNCIA DCOMP INDEFERIMENTO Pedido de desistência de compensação formulado após a data de ciência da decisão administrativa não homologatória há de ser indeferido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 90 01 97 /2 00 8- 60 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13984.900197/200860 Acórdão n.º 1402003.193 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de DCOMP transmitida pela contribuinte ante pagamento indevido ou a maior um Darf Simples que, no entanto, não foi homologada sob o fundamento de que o pagamento encontrase completamente utilizado, vinculado a débito também de código de receita 6106 e mesmo período de apuração, tornandoo indisponível para qualquer outra utilização. Cientificada do feito fiscal a contribuinte encaminhou manifestação de inconformidade, na qual alega que apresentou a declaração de compensação indevidamente, uma vez que era optante pelo Simples no período a que se referem os débitos incluídos na DComp. Nesse sentido, afirma que não existe valor a ser compensado, e nem motivo para apresentar a declaração de compensação, "uma vez que os tributos que ali se pedia compensação não eram devidos". Com base nessas alegações, a contribuinte requer o cancelamento da DComp apresentada, "por tratarse apenas de um engano fortuito, sem qualquer objetivo de ludibriar o fisco, sendo este perfeitamente justificado frente ao grande número de obrigações acessórias que os contribuintes de maneira geral tem para cumprimento com o Fisco". Em julgamento a DRJ julgou por improcedente a manifestação de inconformidade sob o entendimento de que o pagamento indevido já fora integralmente utilizado. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.180, de 16/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13984.900120/2008 90, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.180): "1. DA ADMISSIBILIDADE: O Recurso Voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade ao que merece ser processado. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13984.900197/200860 Acórdão n.º 1402003.193 S1C4T2 Fl. 4 3 2. DO MÉRITO: Conforme consta da decisão da DRJ o pagamento levado como crédito na DCOMP foi totalmente utilizado em face de vinculação a débito declarado pela contribuinte. E contra esse fato a contribuinte não apresenta qualquer oposição. Em sede da manifestação de inconformidade a contribuinte apenas alega que a apresentação da DComp em exame decorreu de engano, razão pela qual requer seu cancelamento. A legislação tributária então regente não respalda o requerimento da contribuinte com destaque para o que previa Instrução Normativa SRF n 600, de 28 de dezembro de 2005, que, em seu art. 62 assim estabelecia: Desistência de Pedido de Restituição, de Pedido de Ressarcimento e de Compensação Art. 62. A desistência do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo ,mediante a apresentação à SRF do Pedido de Cancelamento gerado a partir do Programa PER/DCOMY ou, na hipótese de utilização de formulário (papel), mediante a apresentação de requerimento à SRF, o qual somente será deferido caso o Pedido de Restituicdo, o Pedido de Ressarcimento ou a compensacdo se encontre pendente de decisão administrativa ti data da apresentação do Pedido de Cancelamento ou do requerimento. Parágrafo único. 0 pedido de cancelamento da Declaração de Compensação será indeferido quando formalizado após intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação. (destaques acrescidos) Há que se ressaltar que, na Instrução Normativa RFB n. 1717, de 30 de dezembro de 2017, atualmente em plena vigência, há disposição idêntica. Ante o exposto, considerando que o pedido de desistência da compensação foi formulado após a data de ciência da decisão administrativa que não a homologou, de se indeferir o requerimento da contribuinte. Uma vez indeferido o pedido de cancelamento da DComp, cumpre analisar o motivo apresentado para não homologar a compensação pleiteada, principalmente em face da alegação da contribuinte de que, no período a que se referem os débitos incluídos na DComp, era optante pelo Simples. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13984.900197/200860 Acórdão n.º 1402003.193 S1C4T2 Fl. 5 4 Nesse cenário, a principio, seriam insubsistentes os débitos com código do Simples Federal relativos a períodos posteriores A data de inicio dos efeitos da exclusão do regime simplificado, conforme essa Turma de Julgamento tem reiteradamente se manifestado. Com isso, inexistiria a utilização do pagamento apresentada no Despacho Decisório como motivo para não reconhecer o direito creditório da contribuinte. Diante do exposto, considerando que a DComp não pode ser cancelada, voto por manter a decisão proferida pela DRJ. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 59DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.938368/2011-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/08/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de restituição. Além disso, é indispensável a retificação da DCTF.
Numero da decisão: 3401-005.276
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da Turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente da Turma), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lázaro Antônio Souza Soares.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de restituição. Além disso, é indispensável a retificação da DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da Turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente da Turma), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lázaro Antônio Souza Soares. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 83 68 /2 01 1- 71 Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10980.938368/201171 Acórdão n.º 3401005.276 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Cuida o presente processo de Pedido de Restituição referente a Pagamento Indevido ou a Maior de contribuição para o COFINS, solicitado através do PER/DCOMP. O Interessado foi cientificado de que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O Interessado apresentou Manifestação de Inconformidade, onde sustenta que o Despacho Decisório deixou de analisar a questão principal do Pedido de Restituição apresentado, qual seja, a restituição dos valores recolhidos indevidamente a título de contribuição para o COFINSem face da inconstitucionalidade da Lei nº 9718/98, uma vez que a referida contribuição incidiu sobre Receitas Financeiras e Outras Receitas. A DRJ/BHE, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, constatando que não houve omissão do Despacho Decisório quanto ao mérito da demanda, uma vez que a fundamentação para o indeferimento do Pedido de Restituição indica que o Darf foi utilizado integralmente para fazer face a débito confessado pelo contribuinte em DCTF. Informa também que, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Porém, na situação dos autos, o contribuinte não apresentou nenhuma prova de que, na apuração de COFINSdo período analisado, incluiu receitas financeiras ou outras receitas indevidamente na base de cálculo, de forma a caracterizar o pagamento indevido ou a maior de tributo. Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, no qual repisa toda a argumentação já exposta na sua Manifestação de Inconformidade sobre a inconstitucionalidade do art. 3º, §1°, da Lei n° 9.718/98, que alargou a base de cálculo do PIS e da Cofins. No entanto, desta feita requer a juntada de demonstrativos e documentos contábeis, os quais alega fazerem prova do pagamento indevido ou a maior de tributo, pedindo sua apreciação em respeito ao Princípio da Verdade Material. Em anexo, apresentou duas planilhas de cálculo do valor original do PIS e da Cofins, comprovantes de pagamento dos DARF's e folhas do seu Livro Razão. É o relatório. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10980.938368/201171 Acórdão n.º 3401005.276 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.257, de 27 de agosto de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.938340/201133, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401005.257): "O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conheci mento. Passo a analisar, a seguir, os temas questionados pelo Recorrente. Pretende o contribuinte seja reconhecido seu direito de creditarse do valor de R$ 568,44, objeto de Pedido de Restituição referente a Pagamento Indevido ou a Maior de contribuição para o PIS/Pasep, solicitado através de PER/DCOMP. A DRJ/BHE julgou sua Manisfestação de Inconformidade improcedente, pois o contribuinte não apresentou nenhuma prova de que, na apuração de PIS/Pasep do período analisado, incluiu receitas financeiras ou outras receitas indevidamente na base de cálculo, de forma a caracterizar o pagamento indevido ou a maior de tributo. No seu Recurso Voluntário, o contribuinte busca corrigir esta deficiência probatória, anexando duas planilhas de cálculo do valor original do PIS e da Cofins, comprovantes de pagamento dos DARF's e folhas do seu Livro Razão. Contudo, entendo que ainda sim não restou comprovado o alegado pagamento a maior. Isto porque o Recorrente não fez prova do valor que deveria ter sido recolhido, no período, a título de contribuição para o PIS/Pasep. Com efeito, a indicação de rubricas contábeis com receitas financeiras e outras receitas, as quais, no entendimento do Recorrente, deveriam estar excluídas da base de cálculo das contribuições, não significa que tais valores foram efetivamente computados no cálculo inicial. Nos pedidos de restituição de tributos pagos indevidamente ou a maior, é necessário que o contribuinte apresente toda sua escrituração fiscal referente ao período para que nova apuração seja realizada, a fim de ser cotejada com a Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10980.938368/201171 Acórdão n.º 3401005.276 S3C4T1 Fl. 5 4 apuração inicial e assim verificar eventuais excessos ou déficits. Com os documentos apresentados, não é possível sequer comprovar que as receitas elencadas na planilha foram realmente incluídas no cálculo inicial (que resultou na apuração de R$ 15.058,00). Apesar de ter anexado uma planilha com a memória de cálculo das contribuições, o Recorrente não apresentou as rubricas contábeis, constantes do Livro Razão, que pudessem comprovar o valor total das receitas sobre as devem incidir as alíquotas das contribuições. Ao invés, anexou apenas as folhas do Razão com as receitas financeiras que deveriam ser excluídas do cálculo. Observese que até mesmo as receitas de exportação, que foram originalmente excluídas, também deveriam ser conferidas através dos registros contábeis. Em suma, deveria ser feita uma nova apuração das contribuições, o que restou inviabilizado pela ausência da documentação contábil necessária. O art. 170 da Lei nº 5.172/66 (CTN) determina a necessidade de liquidez e certeza do crédito. Apesar de se referir literalmente à compensação, obviamente aplicase também à restituição: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Nos pedidos de compensação ou de restituição, o ônus de comprovar a liquidez e certeza do crédito pleiteado permanece a cargo do contribuinte, conforme art. 373 do Código de Processo Civil de 2015: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Além disso, pelo quanto exposto no Despacho Decisório, verifico que a alocação integral do DARF para quitação de débito do contribuinte indica que, ao tempo da sua emissão, a DCTF que continha este débito não havia sido retificada. O Recorrente não apresentou qualquer prova de que, mesmo a destempo, tenha feito tal retificação. Nos termos do Parecer COSIT nº 02, de 2015, a retificação da DCTF é imprescindível para comprovação do pagamento indevido ou a maior. Por tudo quanto exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10980.938368/201171 Acórdão n.º 3401005.276 S3C4T1 Fl. 6 5 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.901216/2009-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO.
A comprovação de certeza e liquidez do crédito se dá com a apresentação de documentação hábil e idônea, que comprove os valores informados na DIPJ e na escrituração contábil. Não se presta como prova as declarações elaboradas pelo próprio interessado no pleito. Inexistindo a demonstração do direito ao crédito, não se homologa a compensação pretendida.
Numero da decisão: 1302-003.061
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Bárbara Santos Guedes, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A comprovação de certeza e liquidez do crédito se dá com a apresentação de documentação hábil e idônea, que comprove os valores informados na DIPJ e na escrituração contábil. Não se presta como prova as declarações elaboradas pelo próprio interessado no pleito. Inexistindo a demonstração do direito ao crédito, não se homologa a compensação pretendida.
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PAGAMENTO INDEVIDO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A comprovação de certeza e liquidez do crédito se dá com a apresentação de documentação hábil e idônea, que comprove os valores informados na DIPJ e na escrituração contábil. Não se presta como prova as declarações elaboradas pelo próprio interessado no pleito. Inexistindo a demonstração do direito ao crédito, não se homologa a compensação pretendida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Bárbara Santos Guedes, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 12 16 /2 00 9- 26 Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10880.901216/200926 Acórdão n.º 1302003.061 S1C3T2 Fl. 3 2 Trata de recurso voluntário apresentado em face ao Acórdão nº 1635.195, da 5ª Turma da DRJ/SP1, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da recorrente, com a seguinte ementa: ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 26/04/2007 DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A simples alegação da contribuinte de que teria efetuado recolhimento a maior que o devido, sem apresentar justificativa e muito menos juntar aos autos documentos comprobatórios, não é suficiente para desconstituir a confissão do débito em DCTF, que presumese líquido e certo, e caracterizar a ocorrência de pagamento a maior. A recorrente apresentou Declaração de Compensação na qual pretende compensar pagamento indevido/a maior de IRPJ. A declaração não foi homologada pela DERAT/São Paulo, pois o pagamento estava integralmente utilizado para quitação de débito da recorrente, não restando crédito disponível para compensação de débitos informados na DCOMP. Na manifestação de inconformidade, foi alegado que o crédito existe pelo fato de o contribuinte ter recolhido, de forma indevida, valor maior de IRPJ apurado no 1º trimestre de 2007, conforme demonstra a DIPJ/2008, os comprovantes de pagamento e a DCTF apresentada. O acórdão da DRJ/SP1 não acatou as alegações, pois o DARF indicado como origem do crédito corresponde exatamente ao débito confessado da DCTF, inexistindo, a principio, pagamento indevido. A DIPJ/2008 e a DCTF retificadora, esta última apresentada após a ciência da decisão da DERAT/São Paulo, não seriam suficientes para comprovação do recolhimento a maior. Da análise das declarações, verificouse que, na DIPJ/2008, a base de cálculo do tributo foi apurado com a aplicação do percentual de 8%, enquanto que na DCTF original foi aplicado o percentual de 32%. Entretanto, não foi apresentado nenhuma documentação que pudesse demonstrar a natureza das atividades da empresa, sendo que em seu contrato social constam, como objeto social, as seguintes atividades: (1) administração de bens próprios, (2) participação em empreendimentos imobiliários e (3) a participação em outras sociedades como sócia ou acionista. A ciência do Acórdão da DRJ ocorreu em 03/02/2012, e o recurso voluntário foi apresentado em 01/03/2012, com as seguintes alegações: afirma que os documentos apresentados na manifestação de inconformidade demonstram e esclarecem a atividade por ela exercida, de empreendimentos imobiliários, e os motivos que a levaram ao cálculo da base de cálculo do tributo, adotando o percentual de 8% em vez de 32 %. pelo Princípio da Verdade Material, é oportuno esclarecer que a recorrente atua no ramo de empreendimentos imobiliários e tem sua tributação na forma do Lucro Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10880.901216/200926 Acórdão n.º 1302003.061 S1C3T2 Fl. 4 3 Presumido, aplicando sobre as receitas tributáveis decorrentes das vendas de imóveis próprios o percentual de 8% para apurar a base de cálculo dos tributos. em 2007 obteve receitas oriundas exclusivamente da venda de imóveis próprios, ensejando a aplicação do percentual de 8%, nos termos do artigo 15, caput, c/c §4º da Lei nº 9.249/95, bem como do artigo 3º, §7º da IN SRF n° 93/97. houve erro de fato no cálculo de IRPJ da recorrente no período de 2007, com a utilização de alíquota de 32%, que acabou interferindo diretamente no valor final do tributo, resultando em recolhimento a maior. andou mal a decisão recorrida quando da avaliação do contrato social, pois não se trata da simples leitura para deduzir a atividade da recorrente como colocado, mas sim da leitura aliada à atividade e cálculos do tributo, devidamente demonstrado na DIPJ. demonstrada a atividade exercida pela recorrente, não se pode utilizar de presunção para tributar o sujeito passivo, nos termos do artigo 118, caput, c/c inciso II do CTN. agiu de boa fé, fornecendo todos os elementos para análise e devida homologação da compensação, inclusive cuidando de retificar a DCTF para que não pairassem dúvidas quanto aos valores corretos dos tributos. a DCTF, como instrumento de confissão de dívida, comporta prova em contrário, sob pena de a Administração Pública locupletarse à custa do sujeito passivo. o artigo 16 da Lei nº 9.779/99 delega à SRF a competência para dispor sobre obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições, tendo por finalidade amenizar o rigor da norma invocada, haja vista as inúmeras situações que podem levar o contribuinte a ter o seu débito declarado de maneira incorreta, em virtude de erro de fato que, via de conseqüência, pode acarretar indevida confissão de débito tributário por erro na declaração. não pode prevalecer o entendimento de que a DCTF apresentada, com erro, constitui confissão absoluta de dívida. restou demonstrado que houve erro de fato na DCTF original, com o preenchimento de IRPJ com valor superior ao que de fato e de direito era devido, ao aplicar a alíquota de 32% em vez de 8%. a MP nº 2.18849/2001, em seu artigo 18, permite a retificação das declarações dos tributos administrados pela SRF, nas hipóteses permitidas, possuindo a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. ao tempo da publicação do Despacho Decisório denegatório, estava vigente IN SRF nº 974/2009, que dispunha em seu artigo 9º, § 3º, sobre a possibilidade de retificação de DCTF nos casos em que houvesse prova inequívoca do erro de fato da DCTF. nestes termos, não há como subsistir o entendimento posto no acórdão recorrido no sentido de que a DCTF apresentada após o início de qualquer procedimento fiscal não produz efeitos. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10880.901216/200926 Acórdão n.º 1302003.061 S1C3T2 Fl. 5 4 a decisão recorrida incorreu em contradição quando afirmou que débito espontaneamente confessado em DCTF tem presunção de liquidez e certeza, mas que poderia ser desconstituído se apresentadas provas contundentes de que a verdade material é outra. ocorre que as provas foram apresentadas juntamente com a manifestação de inconformidade, mas que a turma da DRJ/SP1, ausente o Princípio da Razoabilidade, entendeu que não surtiram seus efeitos jurídicos característicos e válidas, razão pela qual deve ser reformado acórdão recorrido. consta no acórdão recorrido que, nos termos do artigo 16, §4º do Decreto nº 70.235/72, a prova documental deve ser apresentada junto com a manifestação de inconformidade, fato que ocorreu com a apresentação da DIPJ/2008, DCTF e pagamentos, que dão suporte ao direito creditório a que faz jus, sempre agindo de boafé, não podendo ser penalizada tendo indeferido seu pedido de compensação. Junto com o recurso voluntário, a recorrente apresentou o Livro Diário e o Laudo de Avaliação de Créditos. É o relatório. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10880.901216/200926 Acórdão n.º 1302003.061 S1C3T2 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.057, de 17/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.681715/2009 91, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.057): O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Assim dele eu conheço. A lide neste processo se concentra na questão da prova da atividade exercida pela recorrente. Isto porque não há dúvidas que, no caso do Lucro Presumido, a alíquota a ser aplicada para determinação da base de cálculo dos tributos é de 8% quando a receita financeira decorre da exploração de atividades imobiliárias relativas a loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda, bem como a venda de imóveis construídos ou adquiridos para a revenda, quando decorrente da comercialização de imóveis e for apurada por meio de índices ou coeficientes previstos em contrato. (artigo 15, §4º da Lei nº 9.249/95, incluído pela Lei nº 11.196/2005) A recorrente afirma que incorreu em erro de fato no preenchimento da DCTF original quando aplicou o percentual de 32% sobre a receita bruta para determinar o lucro presumido, base de cálculo dos tributos. Aduz que sua receita decorre exclusivamente da atividade de venda de imóveis próprios, ensejando a aplicação do percentual de 8%. E entende que a comprovação do erro de fato se deu com a apresentação, junto com a manifestação de inconformidade, da DIPJ/2008, das DCTF retificadas e dos pagamentos. Aduz que faltou razoabilidade por parte da 5ª Turma da DRJ quando da análise dos citados documentos. Na apresentação do recurso voluntário, além das declarações já mencionadas, a recorrente apresentou cópia do Livro Diário Geral de Contabilidade e Laudo de Avaliação de Créditos. Passo a me pronunciar. Discordo da recorrente quando alega que faltou razoabilidade quando análise dos documentos. Como bem ressaltou o voto condutor da decisão recorrida, não há qualquer explicação quanto aos valores discrepantes informados entre a Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10880.901216/200926 Acórdão n.º 1302003.061 S1C3T2 Fl. 7 6 DCTF original e a DIPJ/2008. E esta explicação era devida, já que, de acordo com o contrato social, a recorrente exerce 3 (três) atividades econômicas, sendo que nem todas permitem a aplicação do percentual de 8% sobre a receita bruta. De fato, as atividades que constam no contrato social seriam: (1) a administração de bens próprios; (2) a participação em empreendimentos imobiliários; e (3) a participação em outras sociedades como sócia ou acionista. A recorrente informa, na DIPJ/2008, como Código da Atividade Econômica (CNAE fiscal) o 64.620/00 Holdings de Instituições não financeiras. Para tessas atividades econômicas o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta, para determinação da base de cálculo dos tributos, é de 32%. A exceção poderia ser, talvez, a participação em empreendimentos imobiliários, para a qual a recorrente deveria comprovar a venda de imóveis próprios. As declarações fiscais apresentadas DIPJ/2008 e DCTF retificadas, são suficientes para comprovar que as receitas decorrem exclusivamente da atividade de venda de imóveis próprios ? Entendo que não, uma vez que as declarações são preenchidas pela própria recorrente, que é parte interessada na presente demanda, fato enfraquece a força probante dos documentos. É preciso esclarecer que as declarações devem refletir a escrituração do contribuinte, seus registros contábeis e resultados apurados. O artigo 923 do RIR/99 dispõe que a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. E é com base neste artigo que devemos analisar se o Livro Diário Geral e o Laudo de Avaliação de Créditos, apresentados juntamente com o recurso voluntário, seriam suficientes para comprovar que a totalidade da receita auferida no anocalendário de 2007 seria exclusivamente decorrente de venda de imóveis próprios. O Laudo de Avaliação de Crédito tão somente descreve as atividades da recorrente, afirmando que, de acordo com sua operação de administração e vendas de bens próprios, tem a opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido. Consta a afirmação de que a empresa utilizou indevidamente o coeficiente de 32%. Ao final, elabora uma tabela com os valores que teria a compensar: Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10880.901216/200926 Acórdão n.º 1302003.061 S1C3T2 Fl. 8 7 Ocorre que, ainda que o laudo tenha sido elaborado por contador, a afirmação sem a devida comprovação não faz prova a favor do pleito. Estão ausentes os documentos que comprovem que as receitas são decorrentes exclusivamente da venda de imóveis próprios. O mesmo raciocínio se aplica ao Livro Diário Geral. Em pese a tentativa de demonstrar que as receitas seriam todas decorrentes de vendas, considerando os históricos dos lançamentos contábeis "venda de unidades" em destaque, faltou a comprovação com documentação hábil, requisito necessário nos termos do artigo 923 do RIR/99. É preciso lembrar que a aplicação do percentual de 8% será sobre a comercialização de imóveis e for apurada por meio de índices ou coeficientes previstos em contrato (§4º do artigo 15 da Lei nº 9.249/95). Na ausência destes elementos, entendo que não houve a prova de que a receita teria origem exclusivamente na venda de imóveis próprios, não sendo possível afirmar que a alíquota a ser aplicada, para determinação da base tributável dos tributos, seria de 8%. Nestes termos, não é possível reconhecer o direito creditório pela ausência de certeza e liquidez, nos termos do artigo 170 do CTN, motivo pelo qual a decisão recorrida deve ser mantido. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 134DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.012009/2008-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SIMPLES NACIONAL – EXCLUSÃO – DÉBITOS VENCIDOS E NÃO PAGOS – Nos termos da Lei Complementar 123/06, artigos 17, V, 30, II e
31, VI, a empresa que possui débitos perante a fazenda nacional devidos e não pagos não pode permanecer no regime SIMPLES e está correta nos termos da Lei a exclusão procedida pelo ADE DRF/POA 125072/08.
Numero da decisão: 1302-000.753
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que deste formam parte integrante.
Nome do relator: LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que deste formam parte integrante. “documento assinado digitalmente” MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. “documento assinado digitalmente” LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA Relatora. Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello(presidente), Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Wilson Fernandes Guimarães, Eduardo de Andrade, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Daniel Salgueiro da Silva, ausente momentaneamente justificadamente Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Fl. 51DF CARF MF Emitido em 21/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGU, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGU 2 Em 10/09/2008 a contribuinte foi intimada do Ato Declaratório Executivo DRF/POA N° 125072, excluindoa do regime SIMPLES em razão da existência de dívidas. Em sua manifestação de inconformidade de 08/10/2008, afirma a interessada ter devidamente parcelado ou pagado referidos débitos junto à administração federal, na medida do que sua capacidade financeira lhe permite. Às folhas 21 a 35, a autoridade fiscal demonstrou a existência de débitos pendentes e não pagos pela contribuinte no prazo legal disponível para sua regularização e manutenção no regime SIMPLES. Em 17/06/2010 a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de POA proferiu sua decisão julgando improcedente a manifestação de inconformidade. A DRJ fundamentou sua decisão no inciso V do art. 17 da Lei Complementar n° 123/2006 e entendeu que a contribuinte possuía débitos vencidos de 10/2003 a 12/2006, não regularizados no prazo legal. Esclareceu que, nos termos da Lei, a contribuinte não pode continuar no regime SIMPLES nessa situação. Ciente da decisão em 28/07/2010, a empresa apresentou recurso voluntário em 20/08/2010 informando que não pode pagar mais do que R$ 70,00 por mês de parcelamento e que está irregular a exclusão da contribuinte do SIMPLES desde 01/01/2009 já que ela é optante desde julho de 2007 e apresentou inconformidade ao ADE em 10/09/2008. É o relatório. Voto Conselheira Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. Às folhas 28 e seguintes constam diversos débitos da contribuinte vencidos entre 10/2003 e 12/2006 e não pagos. Nessa hipótese, dispõe o artigo 17, V da Lei Complementar 123/06 combinado com o artigo 30, II da mesma Lei, que a empresa não pode optar pelo SIMPLES. Mais ainda nos termos do artigo 31, IV da mesma Lei, caso ela opte pelo SIMPLES, deverá ser excluída de ofício pela autoridade fiscal competente, a partir do primeiro dia útil do anocalendário subseqüente à ciência do ADE que fundamenta tal exclusão. Como a ciência do ADE deuse em 10/09/2008, a exclusão do SIMPLES deve operar efeitos a partir de 01/01/2009 sendo plenamente legal e válida. A interessada alega que não dispõe dos recursos necessários para pagar a dívida tributária ou a parcelar e que não tem como arcar com tributos pelo lucro real/presumido. Nos termos dos artigos 172, 175, 180, 181, 182 do Código Tributário Nacional, apenas a Lei pode reduzir ou dispensar o pagamento de imposto, juros ou multa. Também apenas a Lei pode dispor sobre as condições de pagamento e parcelamento do tributo. Não cabe a esta autoridade julgadora conceder parcelamentos ou reduções de dívida tributária sem lei que o estabeleça. Nesse sentido, entendo correto e válido nos termos da Lei o Ato Declaratório Executivo DRF/POA N° 125072/08 e por isso não vejo suporte jurídico para provimento aos pleitos da empresa. Nesses termos, nego provimento ao recurso voluntário. Fl. 52DF CARF MF Emitido em 21/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGU, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGU Processo nº 11080.012009/200801 Acórdão n.º 1302000.753 S1C3T2 Fl. 48 3 É como voto. “documento assinado digitalmente” Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira Relatora Fl. 53DF CARF MF Emitido em 21/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGU, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGU
score : 1.0
Numero do processo: 10872.720283/2015-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012, 2013
INOVAÇÃO QUANTO AO FUNDAMENTO DA AUTUAÇÃO. PRETERIÇÃO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO.
A decisão administrativa deve-se referir necessariamente quanto às razões de defesa declinadas pelo Impugnante.
A decisão a quo incorreu em nulidade por omitir-se quanto aos argumentos da defesa, em clara inovação quanto ao fundamento da autuação e prejuízo ao direito de defesa da Recorrente, razão pela qual deve ser decretada nula.
Numero da decisão: 1402-003.344
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar o Acórdão de 1ª Instância e determinar a remessa dos autos para que seja proferida nova decisão, conforme definido no voto condutor do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente
(assinado digitalmente)
Evandro Correa Dias - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: EVANDRO CORREA DIAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010, 2011, 2012, 2013 INOVAÇÃO QUANTO AO FUNDAMENTO DA AUTUAÇÃO. PRETERIÇÃO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO. A decisão administrativa deve-se referir necessariamente quanto às razões de defesa declinadas pelo Impugnante. A decisão a quo incorreu em nulidade por omitir-se quanto aos argumentos da defesa, em clara inovação quanto ao fundamento da autuação e prejuízo ao direito de defesa da Recorrente, razão pela qual deve ser decretada nula.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 35; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1420; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1.001 1 1.000 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10872.720283/201599 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1402003.344 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de agosto de 2018 Matéria GLOSA DE DESPESAS Recorrentes PRIME CONSULTORIA E PARTICIPACOES LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010, 2011, 2012, 2013 INOVAÇÃO QUANTO AO FUNDAMENTO DA AUTUAÇÃO. PRETERIÇÃO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO. A decisão administrativa devese referir necessariamente quanto às razões de defesa declinadas pelo Impugnante. A decisão a quo incorreu em nulidade por omitirse quanto aos argumentos da defesa, em clara inovação quanto ao fundamento da autuação e prejuízo ao direito de defesa da Recorrente, razão pela qual deve ser decretada nula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar o Acórdão de 1ª Instância e determinar a remessa dos autos para que seja proferida nova decisão, conforme definido no voto condutor do relator. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 2. 72 02 83 /2 01 5- 99 Fl. 1001DF CARF MF Processo nº 10872.720283/201599 Acórdão n.º 1402003.344 S1C4T2 Fl. 1.002 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Fl. 1002DF CARF MF Processo nº 10872.720283/201599 Acórdão n.º 1402003.344 S1C4T2 Fl. 1.003 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário e Recurso de Ofício interpostos em face de decisão proferida pela 15ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ), que julgou Procedente em Parte a Impugnação do contribuinte em epígrafe, doravante denominado de recorrente. O caso foi relatado pela instância a quo, nos seguintes termos: "Trata o presente processo de Auto de Infração de IRPJ e CSLL, lavrado em 15/12/2015, referente aos anos de 2010 a 2013, constituindo crédito tributário total nos seguintes montantes (fls. 369 e ss.): Conforme consta no Contrato Social, a interessada tem por objeto social (i) a elaboração de estudos, análises e consultoria em geral, (ii) a aquisição de bens e direitos, bem como a realização de negócios financeiros; (iii) a participação em consórcios e em outras sociedades, como consorciada, sócia, quotista ou acionista (fls. 162 e ss). No Termo de Verificação Fiscal (TVF – fls. 360368), parte integrante do Auto de Infração, a autoridade fiscal relata que intimou a empresa a apresentar documentação comprobatória dos valores informados nas seguintes linhas das DIPJs dos anos de 2010 a 2013: “Outras Receitas Financeiras”, “Outras Despesas Financeiras” e “Outras Despesas não Fl. 1003DF CARF MF Processo nº 10872.720283/201599 Acórdão n.º 1402003.344 S1C4T2 Fl. 1.004 4 Relacionadas nas Linhas Anteriores” da Ficha 06 A (Demonstração do Resultado); “Valores Mobiliários” da Ficha 36 A (Ativo – Balanço Patrimonial); e “Outras Contas” da Ficha 37 A (Passivo – Balanço Patrimonial). Em resposta, a interessada apresentou os Razões Contábeis das contas Títulos de Renda Fixa, Outras Despesas Operacionais, Outras Contas a Pagar, Certificado de Depósito Bancário, Títulos de Renda Fixa – Bradesco, Fundo de Renda Fixa – Opportunity, Opportunity Top DI, TG Fundo de Investimento em Cotas de Fundo de Investimentos Multimercado, Fundos de Renda Fixa – BNY Mellon e TF Fundo de Investimento em Cotas de Fundo de Investimentos Multimercado. Destaca o Auditor Fiscal que, segundo informou o contribuinte, todos os itens relacionados com a conta “Outras Despesas Operacionais” foram contabilizados conforme “Agency Agreement”, documento de fls. 213264. Diante disso, emitiu nova intimação solicitando que o contribuinte apresentasse a justificativa pormenorizada do lançamento a título de Outras Despesas Operacionais indicando os pontos do “Agency Agreement” que utilizaram para embasar tais registros contábeis e fiscais. Atendendo a intimação, a empresa se limitou a responder que o “lançamento a título de outras Despesas Operacionais foi embasado na cláusula 1 do “Contrato de Agência””. Analisando os documentos contábilfiscais, o autuante observou que: 19. A fiscalizada, após reconhecer as receitas financeiras anuais de R$15.978.933,98 (AC2010), R$21.946.502,38 (AC2011), R$20.001.506,47 (AC2012) e R$22.371.319,05 (AC2013), seja por intermédio do item 23 da Ficha 06A, seja por meio das contas contábeis 3.1.2.1.0.00.0010 (AC2010), 3.1.2.1.0.00.012 0 e 3.1.2.1.0.00.0209 (AC2011), 3.1.2.1.0.00.0209 e 3.1.2.1.0.00.0230 (AC2012) e 3.1.2.1.0.00.0230 (AC2013) que ao final dos respectivos exercícios sociais foram encerradas em contrapartida de resultado, conforme razões das citadas contas, utilizouse de despesas ditas operacionais, registradas na conta contábil 4.1.9.0.0.00.0994, com o único objetivo de "zerar" o resultado a ser obtido pela mesma. 20. A fiscalizada buscou comprovar a despesa supostamente realizada, apresentando tão somente a indicação da cláusula 01 do contrato realizado entre as partes integrantes do já acima mencionado "Contrato de Agência", reproduzida a seguir: "1. Nomeação do Agente 1.1 Os Principais neste ato nomeiam o Agente como seu representante exclusivo para coletar o Valor e distribuílo para beneficio dos Principais, de acordo com os termos e condições aqui estabelecidos; Fl. 1004DF CARF MF Processo nº 10872.720283/201599 Acórdão n.º 1402003.344 S1C4T2 Fl. 1.005 5 1.1.1 As partes neste ato concordam que o Agente pode transferir, a seu critério, a qualquer terceiro (o "Agente Designado") todo e qualquer direito e /ou obrigação que surja de ou em relação a este Contrato, ao dar um aviso prévio por escrito aos principais. Em tal caso, (i) o Agente Designado substituirá o Agente para todos fins deste con trato e será considerado como uma parte do mesmo sob os mesmos termos e condições aplicáveis ao Agente, e (ii) referências feitas ao Agente neste serão consideradas com referências feitas ao Agente Designado. 1.2 O Agente agirá com o devido cuidado e envidará seus melhores esforços para realizar as obrigações aqui estabelecidas, sujeitas aos termos e condições do Contrato de Pagamento 1.3 O Agente não será proibido de agir como representante, distribuídos, vendedor, entre outros, de qualquer pessoa física ou jurídica. O Agente buscará com diligência coletar o valor em nome dos Principais, realizando, entre outros serviços a que se faz referência neste, o seguinte: (i) mediante solicitação por escrito dos Principais, informálos dos desenvolvimentos a respeito da coleta do Valor e do desempenho dos serviços de acordo com este; (ii) mediante solicitação por escrito dos Principais, ajudá los a agir com intermediários para responder a agências reguladoras e entidades governamentais; e (iii) participar que qualquer reunião que possa ser necessária com a Telemar, os Principais e/ou qualquer banco ou entidade que possa estar engajada no processo." Fica evidente que não restou demonstrada a realização de tais despesas devido ao fato de a mesma sequer ter incorrido e tão pouco paga. E mesmo que houvesse incorrido, podese afirmar que não se enquadrariam como essencial para o funcionamento da sociedade, e tampouco caracterizada como "usual, costumeira ou ordinária dentro da acepção de habitualidade na espécie do negócio". Observe ainda que no Diário dos anos de 2010 a 2013 não há registros de despesas operacionais usuais tais como energia elétrica, água, telefonia, informática, sem as quais nenhuma empresa é capaz de operar nem mesmo aquelas relacionadas a serviços contábeis, de administração, informática, contas a receber, contas a pagar, tesouraria, financeiro, contabilidade, fiscal, tributário, recursos humanos ou jurídico o que demonstra a redução quase que integral das receitas auferidas com a dita despesa operacional calcada na cláusula 1 do "Contrato de Agência", excetuandose algumas irrelevantes despesas relacionadas a Manutenção de C/C e outras relacionadas a Registros em Cartórios. 23. Portanto, não restou outra opção a esta fiscalização senão efetuar a GLOSA DAS DESPESAS embasadas pela fiscalizada Fl. 1005DF CARF MF Processo nº 10872.720283/201599 Acórdão n.º 1402003.344 S1C4T2 Fl. 1.006 6 na Cláusula 1 do "Contrato de Agência", tomando por base a evidente e total falta de fundamentação legal que sustente tais despesas como operacionais, nem tampouco como dedutíveis na apuração do lucro contábil e fiscal. 24. Isto posto, a fiscalização apurou as despesas objeto de glosa tendo por base os registros contábeis constantes do Razão da Conta 4.1.9.0.0.00.0994 Outras Despesas Operacionais individualizados por período de apuração conforme tabela abaixo: Período de Apuração Glosa 31/12/2010 15.978.733,38 31/12/2011 21.946.502,38 31/12/2012 20.001.506,47 31/12/2013 22.371.319,05 Com isso, a autoridade fiscal procedeu ao lançamento de ofício dos créditos tributários em litígio. Cientificado da autuação em 28/12/2015, o interessado apresentou, em 26/01/2016, impugnação com as seguintes alegações (fls. 420 e ss.). Inicialmente, a fim de facilitar a compreensão dos fatos, a impugnante apresentou alguns esclarecimentos quanto à origem do Agency Agreement (Contrato de Agência que justifica as despesas glosadas) e ao contexto da fiscalização em tela. Informa que em 2008 a Telemar iniciou tratativas para a aquisição do controle da Brasil Telecom S.A. (“Brasil Telecom”), o qual vinha sendo objeto de acirradas disputas judiciais. Explica que a Telemar pretendia, por diversos motivos, que fossem encerradas todas as disputas judiciais existentes que pudessem eventualmente prejudicar a aquisição do controle, bem como evitar disputas futuras relacionadas a fatos ocorridos durante a tomada de controle da Brasil Telecom pelos Fundos de Pensão e Citibank. Com isso, em 25/04/2008, firmou contrato com pessoas físicas e jurídicas que eram partes nas disputas existentes, bem como com outras partes que, por segurança, entendia que deveriam fazer parte do acordo (fls. 586 e ss.). Por esse Acordo, a Telemar se comprometeu a pagar indenização no valor de R$ 139.270,000,00 em benefício de 22 partes (denominadas “Partes Opportunity”), sendo este montante referente à “indenização” de parcela dos danos sofridos pelas Partes Opportunity em decorrência dos atos lesivos praticados por diversas pessoas físicas e jurídicas durante a tentativa de tomada de controle da Brasil Telecom. Fl. 1006DF CARF MF Processo nº 10872.720283/201599 Acórdão n.º 1402003.344 S1C4T2 Fl. 1.007 7 Em contrapartida, as “Partes Opportunity” se comprometeram a encerrar, de imediato e de forma definitiva, todas as suas disputas e litígios, no Brasil e no exterior, relacionados direta ou indiretamente a gestão e o controle do Grupo Brasil Telecom. Tendo em conta que não havia tempo nem subsídios suficientes para apuração da extensão dos danos causados a cada uma das partes signatárias, nem mesmo quais destas partes efetivamente fariam jus à “indenização”, foi decidido em comum acordo que o pagamento seria feito em favor de um terceiro, na condição de depositário, o qual custodiaria os recursos e os entregaria posteriormente aos beneficiários. A definição dos beneficiários e o valor a ser pago a cada um seriam definidos por árbitro escolhidos pelas “Partes Opportunity”. Assim, as “Partes Opportunity” nomearam a impugnante como agente de recebimento e custódia do valor pago pela Telemar, através da celebração de um contrato oneroso (Agency Agreement), pelo qual a defendente faz jus a uma remuneração de U$ 250,000.00 pelos serviços prestados . Conforme consta no Agency Agreement, a remuneração será paga após a distribuição dos valores aos respectivos beneficiários, dependendo, portanto, da decisão do árbitro para tal fim. A defesa destaca o item 2.3 que estabelece que, entre a data de recebimento do valor pago pela Telemar e a data de entrega destes valores aos beneficiários, o Agente (impugnante) deverá, a seu critério, administrar e investir os recursos sem limitação de qualquer natureza a respeito dos riscos e/ou tipo de investimento a ser realizado, sendo que qualquer valor acumulado deve ser usado para proveito único dos beneficiários e será distribuído a eles de acordo com as proporções determinadas na Decisão do Árbitro. Deste modo, considerando que não fora realizada a arbitragem, os recursos financeiros permaneceram sob a custódia da interessada, e, pelas aplicações financeiras realizadas, geraram rendimentos financeiros. Neste aspecto, explica a contabilização desta operação e apresenta os seguintes argumentos de defesa: 12. Como os rendimentos incidentes sobre os montantes custodiados são integralmente devidos aos respectivos beneficiários, a Defendente os registra contabilmente da seguinte forma (cópias do livro razão anexas – doc. 04): lança os valores (brutos) dos rendimentos em conta de ativo, que tem por contrapartida o lançamento das respectivas receitas em conta de resultado; e ato contínuo, registra a sua obrigação contratual de entregar tais recursos a terceiros mediante o lançamento dos exatos Fl. 1007DF CARF MF Processo nº 10872.720283/201599 Acórdão n.º 1402003.344 S1C4T2 Fl. 1.008 8 valores dos rendimento em conta de passivo. Esse lançamento tem por contrapartida o registro de tais montantes como despesas em conta de resultado (conta contábil 4.1.9.0.0.00.099 4 – outras despesas operacionais). 13. Por certo, os valores dos rendimentos, assim como o montante principal coletado, representam obrigações da Defendente com terceiros e, portanto, não devem impactar o seu resultado. 14. Não obstante, a fiscalização glosou as despesas lançadas na conta contábil 4.1.9.0.0.00.0994 – outras despesas operacionais – sob o argumento de não ter sido comprovado tratarse de despesas incorridas, necessárias e usuais. 15. E assim, ao glosar as despesas correspondentes à obrigação de entregar os rendimentos dos recursos custodiados a terceiros, a fiscalização acabou por atribuir à Defendente lucros anuais irreais e notoriamente não auferidos, correspondentes, exatamente, à integralidade dos rendimentos dos recursos custodiados. 16. Por não caberem à Defendente, os rendimentos dos recursos custodiados não acrescem seu o patrimônio e, por conseguinte, não integram o resultado dos exercícios autuados a justificar a exigência de IRPJ e CSLL. 17. Como é de se esperar em negócios dessa natureza, a Defendente, na qualidade de mera depositária de recursos de terceiros, não faz jus aos rendimento incidentes sobre os recursos custodiados e deverá distribuílos, após a determinação em arbitramento do valor atribuível a cada beneficiário, conforme estabelecido na Cláusula 2.3.1 do “Agency Agreement”. 18. Assim, os valores lançados na conta contábil 4.1.9.0.0.00.0994 – outras despesas operacionais devem ser integralmente deduzidos na apuração do lucro real da Defendente, na medida em que (i) são necessários ao cumprimento de contrato oneroso firmado pela sociedade no desenvolvimento de suas atividades econômicas (e, portanto, necessários à obtenção das suas receitas); (ii) são usuais ao tipo de negócio firmado; e (iii) foram efetivamente incorridos, já que são definitivamente devidos a terceiros. Ainda em relação ao histórico sobre o recebimento dos valores sob custódia, aduz que houve procedimento fiscal que culminou em auto de infração contra Daniel Valente Dantas (um dos signatários do Acordo com a Telemar e um dos Principais no Agency Agreement) no montante de R$ 107.367.902,13, a título de IRPF, como devedor principal, e, todas as demais partes signatárias como devedores solidários. Fl. 1008DF CARF MF Processo nº 10872.720283/201599 Acórdão n.º 1402003.344 S1C4T2 Fl. 1.009 9 Neste Auto de Infração, a conclusão foi que os valores custodiados pela PRIME CONSULTORIA já pertenciam aos seus beneficiários que fazem parte do Grupo Opportunity desde 25/04/2008, quando o pagamento foi realizado pela TELEMAR na conta corrente da empresa PRIME CONSULTORIA. Argumenta que este Auto de Infração reconheceu que a Defendente era mera depositária dos recursos. Acrescenta que na fundamentação que ensejou os lançamentos naquela fiscalização, a autoridade fiscal buscou desconstruir os efeitos da condição suspensiva pactuada, defendendo que os recursos já pertenciam aos beneficiários e deveriam ter sido tributados por esses. No entanto, relata que, em sede de recurso, a 7ª Turma da DRJ/RJ julgou integralmente improcedente o Auto de Infração (fls. 653 e ss), reconhecendo (i) a inocorrência de fato gerador “enquanto não determinada a proporção que caberá a cada uma das partes que se beneficiará do pagamento efetuado pela Telemar, o que a princípio ocorrerá somente depois de encerrado o processo de arbitragem”, e (ii) a inexistência de solidariedade entre as Partes Opportunity, pois “no caso dos autos (...) resta claro que nesse momento não se cogita comunhão de interesses” Ademais, o referido Colegiado reconheceu a obrigação da Defendente em entregar os recursos aos beneficiários ao destacar que o grupo de beneficiários dos recursos (Principais) tem a disponibilidade jurídica sobre os recursos custodiados. Contudo, em relação a cada um dos componentes deste grupo, há apenas um direito a crédito que, pela ausência de definição do montante que cabe a cada um, faltalhes a certeza e liquidez. Informa que a 1ª Turma da 2ª Câmara do CARF manteve a decisão de 1ª instância, negando provimento ao recurso de ofício (fls. 682 e ss). Alega ainda que despesas incorridas são aquelas de competência do período de apuração, tenham sido pagas ou não, e, segundo o PN CST nº 58/1977, a obrigação de pagar determinada despesa nasce quando, em face da relação jurídica que lhe deu causa, já se verificaram todos os pressupostos materiais que a tornaram incondicional, independentemente do momento ajustado para pagálas. Adicionalmente, cita o PN CST nº 07/76 que define despesas incorridas como aquelas relacionadas a uma contraprestação de serviços ou obrigação contratual que, embora caracterizadas e quantificadas no períodobase, nele não tenham sido pagas, por isso figura o valor respectivo no passível exigível da empresa. E prossegue: 79. Portanto, o que importa para caracterizar uma despesa como efetivamente incorrida não é o seu pagamento, mas sim a Fl. 1009DF CARF MF Processo nº 10872.720283/201599 Acórdão n.º 1402003.344 S1C4T2 Fl. 1.010 10 obrigação contratual de sua adimplência de forma definitiva – isto é, independentemente de evento futuro e incerto. 80. No caso dos autos, o Agency Agreement, em sua Cláusula 2.3.1, é expresso em determinar que a totalidade dos rendimentos incidentes sobre os recursos custodiados será distribuída aos beneficiários (Principais), na proporção a ser definida por uma decisão de um árbitrio quanto à parcela que caberá a cada um. 81. A indefinição do percentual dos recursos custodiados e respectivos rendimentos que caberá a cada signatário do Agency Agreement (credores da obrigação da Defendente) – que depende da Decisão do Árbitro – não afeta a obrigação da Defendente, que é certa e definitiva e correspondente ao seu montante integral (principal + juros – comissão). 82. A entrega desses recursos a terceiros corresponde a uma obrigação contratual definitiva para a Defendente, pois, qualquer que seja o resultado da Decisão do Árbitro, os valores não lhe caberão. 83. Esses valores representam, portanto, despesas (a) resultantes de obrigação contratual certa, visto que o contrato determina de forma inequívoca que a Defendente entregue o referido montante a terceiros (Cláusula 2.3.1); (b) quantificáveis, uma vez que dizem respeito aos rendimentos do montante custodiado; e (c) devidas a credores identificados no Agency Agreement (Principais). 84. A contabilização dessas despesas em contrapartida aos lançamentos correspondentes no passivo decorre também da obediência aos princípios fundamentais da contabilidade. 85. O princípio da competência, previsto na Resolução CFC nº 750/93, estabelece que “os efeitos das transações e outros eventos sejam reconhecidos nos períodos a que se referem, independentemente do recebimento ou pagamento” (art. 9º, ´caput´), pressupondose “a simultaneidade da confrontação de receitas e de despesas correlatas” (art. 9º p. único). 86. Pela análise do “Agency Agreement”, contrato que deu origem às despesas glosadas pela fiscalização, verificase que os rendimentos registrados pela Defendente como receitas auferidas nos períodos tinham, por contrapartida, a obrigação certa e determinada de entrega da integralidade dos recursos a terceiros. 87. Portanto, tratandose de obrigação líquida e certa, perfeitamente quantificável, a respectiva despesa deve ser considerada incorrida e o respectivo valor lançado em conta de passivo, sob pena de registrarse uma evolução patrimonial indevida e irreal, em completa afronta aos princípios fundamentais de contabilidade. Fl. 1010DF CARF MF Processo nº 10872.720283/201599 Acórdão n.º 1402003.344 S1C4T2 Fl. 1.011 11 Assegura que as despesas glosadas foram necessárias ao cumprimento do contrato oneroso firmada pelo interessado no desempenho de suas atividades econômicas, no caso, pela prestação de serviços como agente de recebimento e custódia de recursos financeiros. Enfatiza que a contraprestação pelos serviços prestados se refere à comissão, não tendo, portanto, nenhuma relação com os rendimentos financeiros decorrentes da aplicação do valor custodiado, os quais não pertencem à interessada. Insta que, considerar estes valores como renda auferida pela impugnante, seria contrariar todo o conteúdo econômico do negócio jurídico contratado no “Agency Agreement”. Logo, assevera que tais rendimentos, por não gerarem nenhum acréscimo patrimonial à interessada, não podem amparar a exigência de IRPJ e CSLL. Deste modo, seja pela efetiva dedutibilidade das despesas correspondentes aos rendimentos incidentes sobre os recursos custodiados, seja pela exclusão dos próprios rendimentos dos recursos de terceiros da receita bruta da Defendente, o fato é que tais valores não podem ser tributados pelo IRPJ e pela CSLL, seja a que título for. Argumenta ainda que o auto de infração incorreu em vício material insanável ao desconsiderar os valores de IRRF retidos e recolhidos pelas instituições financeiras sobre os rendimentos dos recursos custodiados; deduzindo apenas os seguintes montantes: Tal vício se deu pela ausência da devida apuração do crédito tributável, desrespeitando o disposto no art. 142 do CTN, gerando, consequentemente, a impossibilidade da manutenção do ato administrativo, o qual deve ser cancelado. Assim requer sejam julgados integralmente improcedentes os autos de infração. Caso este Colegiado não entenda pelo cancelamento do lançamento, defende a necessidade de recomposição dos créditos tributários apurados para que sejam integralmente deduzidos os valores de IRRF antecipados nos períodos Fl. 1011DF CARF MF Processo nº 10872.720283/201599 Acórdão n.º 1402003.344 S1C4T2 Fl. 1.012 12 autuados; e, ainda, o afastamento da exigência de juros de mora sobre a multa de ofício lançada, em razão do disposto no art. 161 do CTN, conforme já decidido pela 1ª Turma da Càmara Superior de Recursos Fiscais no julgamento do recurso especial interposto nos autos do processo administrativo nº 10680.002472/200723. É o relatório. " Da Decisão da DRJ Na seqüência, complementase o relatório o relatório do Acórdão de Impugnação nº 12086.249 15ª Turma da DRJ/RJO, que julgou Parcialmente Procedente a Impugnação do contribuinte, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011, 2012, 2013 GLOSA DE DESPESAS. Mantémse a glosa dos valores deduzidos indevidamente do lucro líquido, os quais não possuem natureza e características de despesa e são baseados em justificativas incongruentes, contrárias inclusive ao procedimento adotado pelo contribuinte na apuração do Imposto de Renda. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APROVEITAMENTO DO SALDO NEGATIVO DE IRPJ. O Saldo Negativo de IRPJ que não houver sido objeto de Pedido de Restituição ou Declaração de Compensação poderá ser deduzido do imposto de renda devido, em eventual lançamento de ofício. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2010, 2011, 2012, 2013 CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. As normas fiscais que disciplinam a exigência de IRPJ aplicamse à CSLL reflexa, no que cabíveis. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010, 2011, 2012, 2013 JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício é considerada débito para com a União decorrente de tributos e contribuições administrados pela SRF, para fins de aplicação do art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/1996. Sendo assim, configurase regular a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício a partir de seu vencimento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" O Acórdão da DRJ/RJ deu provimento parcial à impugnação da Interessada, para julgar procedente em parte o lançamento contra ela efetuado, considerando, afinal, Fl. 1012DF CARF MF Processo nº 10872.720283/201599 Acórdão n.º 1402003.344 S1C4T2 Fl. 1.013 13 devidos os valores constantes do quadro demonstrativo abaixo, acrescidos de multa de ofício de 75% e juros de mora. IRPJ CSLL Ano Valor Lançado Valor Exonerado Valor Mantido Valor Lançado Valor Exonerado Valor Mantido 2010 R$ 3.970.184,07 R$ R$ 3.970.184,07 R$ 1.137.913,10 R$ R$ 1.137.913,10 2011 R$ 5.458.960,14 R$ R$ 5.458.960,14 R$ 1.964.106,17 R$ R$ 1.964.106,17 2012 R$ 4.976.114,14 R$ 2.646.208,24 R$ 2.329.905,90 R$ 1.799.826,94 R$ R$ 1.799.826,94 2013 R$ 5.567.697,66 R$ 2.726.450,75 R$ 2.841.246,91 R$ 2.012.286,60 R$ R$ 2.012.286,60 TOTAL R$ 19.972.956,01 R$ 5.372.658,99 R$ 14.600.297,02 R$ 6.914.132,81 R$ R$ 6.914.132,81 O Presidente da Turma, recorreu de ofício da referida decisão, em obediência ao disposto no art. 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/1972 (com redação dada pela Lei nº 9.532/1997), tendo em vista que crédito tributário exonerado excede o limite de R$ 2.500.000,00 definido na Portaria MF nº 63, de 09/02/2017. Transcrevese a seguir o teor dos principais trechos do voto do relator ,que foi acompanhado por unanimidade, por serem importantes em suas conclusões. · Analisando o Contrato de Agência (Agency Agreement), percebo que, diferentemente do que alega o impugnante, o interessado não é um mero depositário que tem sob seu resguardo bens de terceiros. No caso, houve a transferência de titularidade de bens, portanto, o impugnante passou a ser titular dos bens que estão sob sua tutela. · De igual modo, o interessado não figura no Agency Agreement apenas como um administrador de bens de terceiros, como em um fundo de investimentos, no qual o administrador investe os recursos financeiros dos cotistas; pois tem em sua posse e administra os valores que estão sob sua própria titularidade. · No contrato em questão não há nem mesmo beneficiário(s) efetivo(s), mas tãosomente um grupo de pessoas (físicas e jurídicas), destituído de personalidade jurídica, do qual será(ão) apontado(s) o(s) beneficiário(s) efetivo(s) após a concretização de uma condição. · A condição posta, é a designação de um árbitro que irá apurar qual(is) destas pessoas pertencentes ao grupo deverá(ão) receber alguma parcela do montante pago pela Telemar, quantificando o valor específico para cada beneficiário efetivo. Frisese que esta condição não ocorreu. Portanto, apenas após a implementação desta condição, haverá a constituição do(s) beneficiário(s) efetivo(s). · O instituidor deste contrato, é o mesmo grupo de pessoas que figura como destinatário dos recursos, logo, tanto o instituidor como o destinatário não possuem personalidade jurídica. · Há que se dizer que o Auto de Infração não trata de omissão de rendimentos ou algo semelhante, mas sim de glosa de despesas pois não restou demonstrada a realização de tais despesas devido ao fato de a mesma sequer ter incorrido e tão pouco paga. Fl. 1013DF CARF MF Processo nº 10872.720283/201599 Acórdão n.º 1402003.344 S1C4T2 Fl. 1.014 14 · A autoridade fiscal apontou a ausência de registros de despesas operacionais no Livro Diário dos anos de 2010 a 2013, excetuandose algumas irrelevantes despesas relacionadas a Manutenção de C/C e outras relacionadas a Registros de Cartórios. · Ao ser intimado a apresentar justificativa pormenorizada do lançamento a título de Outras Despesas Operacionais, a empresa se limitou a responder que o “lançamento a título de outras Despesas Operacionais foi embasado na cláusula 1 do “Contrato de Agência””. · A cláusula 1 do referido contrato, já transcrito no relatório, trata, junto com o item 2.3, do papel a ser desempenhado pelo agente (interessado) no negócio firmado, no entanto, em nada demonstra ou esclarece como os rendimentos financeiros podem corresponder a despesas operacionais. Estes não possuem natureza e/ou características de despesas, e não houve nenhum dispêndio pelo impugnante neste sentido que pudesse sustentar tais deduções no resultado. · Pois bem, no caso em análise, como já visto, o interessado pleiteou restituição integral dos saldos negativos de IRPJ de 2010 e 2011, logo, verificase que tais pedidos inviabilizam o aproveitamento de qualquer parcela do saldo negativo no lançamento de ofício. · Quanto aos anos de 2012 e 2013, foi realizada pesquisa nos sistemas da RFB não sendo encontrado nenhum Pedido de Restituição ou Declaração de Compensação de Saldo Negativo de IRPJ; portanto, caberia o aproveitamento destes créditos pela autoridade fiscal na apuração do imposto de renda. · Decorre assim das expressas disposições legais que o crédito tributário não integralmente pago no vencimento deve ser acrescido de juros de mora, e crédito tributário é definido como aquele decorrente da obrigação principal , que tem por objeto não apenas o pagamento do tributo , mas também da penalidade pecuniária . Do Recurso Voluntário Inconformado com a decisão, a Recorrente interpôs recurso voluntário, no qual apresenta as seguintes razões, em síntese, para a reforma do Acórdão de 1ª Instância: (i) Preliminarmente, incorreu em nulidade por omitirse quanto aos argumentos da defesa, limitandose a questões irrelevantes para a conclusão acerca da dedutibilidade das despesas glosadas, em clara inovação quanto ao fundamento da autuação e prejuízo ao direito de defesa da Recorrente, querendo fazer crer ao leitor menos atento, trataremse de despesas dissociadas a uma prestação de serviços efetivamente contratada; Fl. 1014DF CARF MF Processo nº 10872.720283/201599 Acórdão n.º 1402003.344 S1C4T2 Fl. 1.015 15 (ii) No mérito, · as despesas registradas pela Recorrente foram incorridas, necessárias e usuais, e devem ser integralmente deduzidas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, sob pena de exigência desses tributos sobre montantes que representam obrigações e não renda ou acréscimo patrimonial de qualquer natureza; · a autuação deve ser cancelada por ausência de correta apuração do crédito tributário em decorrência da desconsideração de valores recolhidos a título de IRRF; · ainda que não acolhidos os fundamentos precedentes o que se admite apenas para fins de argumentação devem ser deduzidos do lançamento os valores de IRRF referentes ao ano de 2011; · caso mantida qualquer parcela da autuação, não é cabível a exigência de juros sobre multa de ofício; e finalmente não deve ser dado provimento ao recurso de ofício interposto. A recorrente apresenta os seguintes fatos e argumentos para sustentar a reforma da decisão a quo: Preliminarmente (a) Da nulidade da decisão recorrida 30. A autuação exige IRPJ e CSLL decorrente da glosa de despesas operacionais que correspondem ao montante dos rendimentos financeiros sobre os valores custodiados pela Recorrente, que, nos termos do Agency Agreement, são devidos a terceiros. 31. Como fundamento para autuar, a autoridade sustenta não ter ficado comprovada a realização de tais despesas devido ao fato de a mesma sequer ter sido incorrida, paga e enquadrada como essencial para o funcionamento da sociedade (cf. item 21 do auto de infração). 32. O auditor fiscal, ao assim proceder, atribui à Recorrente, por via oblíqua, a integralidade dos rendimentos financeiros sobre os recursos dos quais é depositária, desconsiderando o Agency Agreement e o propósito negocial da transação. 33. A Recorrente comprovou tratarse de despesas incorridas, usuais e necessárias, que devem ser integralmente deduzidas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, sob pena de exigência desses tributos sobre montantes que representam obrigações da empresa e não renda ou acréscimo patrimonial de qualquer natureza, ao arrepio do art. 43 do CTN. A decisão de primeira instância resumiuse a afirmar que a Recorrente é a titular dos valores e os Fl. 1015DF CARF MF Processo nº 10872.720283/201599 Acórdão n.º 1402003.344 S1C4T2 Fl. 1.016 16 ofereceu à tributação, sem base e de forma contrária ao Agency Agreement e aos registros efetuados pela Recorrente: "Refriso que o contribuinte não é mero depositário de recursos de terceiros, pois houve a transferência de titularidade destes recursos, a qual, inclusive, permitiu que adotasse o procedimento de oferecer estes rendimentos à tributação na apuração de resultado e aproveitar as respectivas retenções na formação dos saldos negativos. Portanto, procedem as glosas de despesas efetuadas." 34. A decisão recorrida, além de adotar premissa equivocada, não se refere às razões da defesa apresentada quanto à presença dos requisitos de dedutibilidade das despesas, nem, tampouco, quanto à inexistência de acréscimo ao patrimônio da Recorrente. 35. Não é sequer possível compreender o motivo pelo qual a decisão recorrida concluiu pela manutenção da glosa das despesas lançadas na contabilidade da Recorrente. 36. O art. 31 do Decreto n.° 70.235/1972, que regula o processo administrativo tributário federal, dispõe exatamente sobre o que deverá conter a decisão administrativa, sendo expresso quanto à necessária referência às razões de defesa declinadas pelo Impugnante. Vejase: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências, (grifos nossos) 37. Considerando que a decisão recorrida deixou de se manifestar quanto à presença dos requisitos de dedutibilidade das despesas e à ausência de acréscimo patrimonial sujeito ao IRPJ e CSLL matéria de defesa aduzida em sede de impugnação notadamente há violação ao referido artigo 31. 38. Em verdade, a decisão recorrida limitouse a trazer um novo fundamento para a autuação a suposta transferência de titularidade dos recursos creditados pela Telemar para a Recorrente , que em nada se relaciona com a discussão travada nos autos. 39. Se antes o fundamento da autuação era a indedutibilidade das despesas, agora, passase a alegar que os recursos creditados pela Telemar seriam de titularidade da Recorrente enquanto não realizada a arbitragem. 40. Ora, ainda que tivesse havido a transferência da titularidade dos recursos para a Recorrente, a obrigação desta em pagar a integralidade dos rendimentos incidentes sobre tais recursos a terceiros determina o cômputo destes montantes em seu passivo, como despesas. Tal valor não representa qualquer acréscimo ao patrimônio da Recorrente a ser tributado pelo IRPJ e pela CSLL. Fl. 1016DF CARF MF Processo nº 10872.720283/201599 Acórdão n.º 1402003.344 S1C4T2 Fl. 1.017 17 41. Tais omissões e inovações impedem o conhecimento dos motivos que levaram a autoridade a rejeitar a impugnação e dificultam a elaboração deste recurso, afrontando o devido processo legal e ocasionando a supressão de instância. Assim, deve ser decreta nula a decisão de primeira instância, nos termos do artigo 59 do Decreto n.° 70.235/1972 . 42. O Código de Processo Civil, de aplicação subsidiária e supletiva ao processo administrativo tributário , esclarece em seus artigos 141 e 492 que o julgador decidirá o mérito da demanda nos limites propostos pelas partes, sendo vedado conhecer de questões não suscitadas, assim como é vedado ao juiz proferir decisão com natureza diversa da pedida ou com objeto diverso do demandado. 43. O Professor Eurico Marcos Diniz de Santi leciona que não é possível a revisão/correção do lançamento, exceto nas hipóteses do artigo 149, do Código Tributário Nacional, inaplicáveis no caso em tela. 44. E não poderia ser diferente, já que o lançamento, como ato administrativo de constituição do crédito tributário (CTN, artigo 142), compete à autoridade administrativa autuante e não à julgadora, a quem compete decidir sobre o lançamento realizado, e não o modificar. 45. A modificação do fundamento da autuação pela decisão de primeira instância administrativa representaria, pois, supressão de instância e violação ao princípio do duplo grau de jurisdição, além de violação ao referido artigo 142 do CTN. 46. A jurisprudência do CARF consagra tal entendimento e reconhece que há inovação do lançamento quando o julgador altera a matéria fática e os fundamentos jurídicos da autuação o que não é cabível no processo administrativo fiscal. 47. Portanto ao deixar de se manifestar a respeito das razões de defesa e inovar sobre os fundamentos da autuação, a decisão recorrida preteriu o direito de defesa da Recorrente, razão pela qual deve ser decretada nula nos termos do artigo 59 Decreto n. 70.235/1972. Do Mérito (a) Do equívoco da decisão recorrida quanto à titularidade dos recursos creditados pela Telemar 48. As partes Principais no Agency Agreement celebraram Acordo com a Telemar — do qual a Recorrente não era parte — no qual lhes ficou acordado um pagamento no valor de R$ 139.270.000,00, a título de indenização'. 49. A Recorrente foi nomeada pelas referidas Partes Opportunity como o agente de recebimento e custódia dos valores, nos termos do Agency Agreement, cujo objeto está definido em sua cláusula 1. Fl. 1017DF CARF MF Processo nº 10872.720283/201599 Acórdão n.º 1402003.344 S1C4T2 Fl. 1.018 18 50. O montante creditado pela Telemar tem como destinatárias as Partes Opportunity do Acordo (do qual a Recorrente não participou), as quais contrataram os serviços da Recorrente por como agente de recebimento e custódia dos recursos. 51. No Primeiro Auto de Infração, o Sr. Wesley da Silva Rezende Filho alegou que os valores custodiados pela Recorrente já pertenciam aos seus destinatários desde a data do crédito efetuado pela Telemar. 52. Ou seja, o Primeiro Auto de Infração reconheceu que a Recorrente era mera custodiante dos recursos creditados pela Telemar (embora tenha equivocadamente desconsiderado a condição suspensiva pactuada). 53. Exatamente por estar somente sob a custódia provisória da Recorrente, o valor recebido foi lançado integralmente em conta de ativo (Bancos) contra conta de passivo (contas a pagar). Não sendo uma receita da Recorrente, este montante (principal) não transitou, como jamais deveria ter transitado, em seu resultado. 54. Este fato não foi questionado pela fiscalização, seja no Primeiro Auto de Infração, seja na autuação ora combatida. 55. A efetiva transferência ou não da titularidade desse montante é irrelevante para o fundamento da autuação: a suposta indedutibilidade das despesas lançadas. O que importa para a discussão em questão — definição do eventual lucro tributável pelo IRPJ e pela CSLL— é que a Recorrente não faz jus aos rendimentos em questão, tendo a obrigação inconteste de creditálos àqueles que farão jus à indenização. (b) Da Dedutibilidade das Despesas Incorridas Aplicabilidade do Artigo 299, do RIR/99 57. O cerne das autuações fiscais é a glosa das despesas lançadas na conta n° 4.1.9.0.0.00.0994, por supostamente não atenderem aos requisitos previstos no art. 299, do RIR/99 e corresponderem a lucros passíveis de tributação pelo IRPJ e pela CSLL, quando, na verdade, correspondem a despesas necessárias, usuais e incorridas. 58. Conforme já amplamente comprovado na Impugnação apresentada, os valores lançados na referida conta n° 4.1.9.0.0.00.0994, referemse ao reconhecimento da contrapartida do aumento de uma obrigação relacionada a uma prestação de serviços legitimamente contrata, e assim sendo, são despesas efetivamente necessárias, usuais e incorridas. 59. Aliás, a decisão recorrida claramente confunde o tratamento dos recursos creditados pela Telemar com o tratamento dos rendimentos incidentes sobre tais recursos. Fl. 1018DF CARF MF Processo nº 10872.720283/201599 Acórdão n.º 1402003.344 S1C4T2 Fl. 1.019 19 60. Conforme exposto nos Fatos desta peça (Item II), a Recorrente tem a obrigação de aplicar os recursos creditados pela Telemar e mantidos sob a sua custódia e qualquer valor obtido na aplicação será integralmente dos Principais, na proporção a ser designada pela Decisão do Árbitro. A cláusula 2.3.1 do Agency Agreement é categórica neste sentido e não deixa qualquer margem para interpretação em sentido diverso. 61. É inconteste que o montante principal creditado pela Telemar não representa, como jamais representará, uma receita da Recorrente. Este valor foi lançado contabilmente como ativo, porquanto fora recebido em custódia, tendo por contrapartida direta o lançamento em conta de passivo, já que deve a Recorrente restituílo àqueles que farão jus à indenização. Representam um aumento na conta de ativo. Porém, dado ao fato de a Recorrente ter por obrigação contratual a restituição dos recursos atualizados pelo mesmo montante dos juros por esta obtidos, há um aumento no passivo. Tais lançamentos, em decorrência das boas práticas contábeis, transitam pelo resultado (porém com neutralidade, sem acrescer ou reduzir o patrimônio, por óbvio). 62. No caso dos autos, a obrigação da Recorrente em creditar a terceiros a integralidade dos rendimentos incidentes sobre os recursos custodiados é líquida e certa,e independe de qualquer condição. 63. Portanto, tratandose de obrigação líquida e certa, perfeitamente quantificável, a respectiva despesa deve ser considerada incorrida, sob pena de registrarse uma evolução patrimonial indevida e irreal. 64. Glosar o cômputo das despesas correspondentes a esses rendimentos significa, ao fim e ao cabo, conferir à Recorrente a integralidade dos rendimentos incidentes sobre os recursos custodiados (além da remuneração que faz jus pelo serviço prestado), o que é completamente equivocado e não se justifica sob qualquer análise jurídica ou econômica. 65. As despesas lançadas na referida conta n° 4.1.9.0.0.00.0994 são comprovadamente incorridas, necessárias e usuais e devem ser deduzidas na apuração do lucro real tributado pelo IRPJ e pela CSLL. 66. Em termos práticos, a contabilização dos rendimentos em questão pode ser ilustrada da seguinte forma: Fl. 1019DF CARF MF Processo nº 10872.720283/201599 Acórdão n.º 1402003.344 S1C4T2 Fl. 1.020 20 67. É improcedente a glosa das despesas lançadas e a exigência de IRPJ e CSLL sobre os rendimentos incidentes sobre os recursos custodiados pela Recorrente, diante da: (i) inexistência de acréscimo patrimonial a ser tributado; e (ii) caracterização dos requisitos de dedutibilidade dos valores em questão. 68. O artigo 43 do CTN estabelece que o fato gerador do imposto de renda consiste na aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda, que acresça o patrimônio do contribuinte. 69. Inclusive, o acórdão da 7a Turma da DRJ/RJ1, que julgou improcedente o Primeiro Auto de Infração, afirmou com propriedade que "para exigir o tributo é ônus do Fisco comprovar a aquisição de disponibilidade ou proventos, que tenham resultado ao beneficiário um acréscimo do patrimônio economicamente avaliável" (fls. 23 do acórdão). Na lição de Paulo Caliendo, há que se aferir a disponibilidade econômica de riquezas, de forma definitiva, para que se verifique o fato gerador do imposto de renda. 70. No mesmo sentido, Roque Antonio Carrazza esclarece que "nem todo dinheiro que ingressa no universo da disponibilidade financeira do contribuinte integra a base de cálculo do IR, mas única e exclusivamente os aportes de recursos que vão engrossar, com uma conotação de permanência, o patrimônio de quem os recebêla. Fl. 1020DF CARF MF Processo nº 10872.720283/201599 Acórdão n.º 1402003.344 S1C4T2 Fl. 1.021 21 71. Apenas os recursos que ingressarem o patrimônio do contribuinte de modo a acrescêlo de forma definitiva, livre de ônus ou limitações, serão tributados pelo imposto de renda. 72. Mary Elbe Queiroz pontua que "Em consonância com o texto constitucional, os vocábulos "renda" e "proventos" somente poderão ser entendidos como valores que efetivamente acrescem o patrimônio das pessoas. O vocábulo "acréscimo" deverá ser visualizado com o significado de ser um plus auferido que resulte riqueza nova e em aumento do patrimônio já existe". 73. No caso de pessoa jurídica, a apuração do acréscimo patrimonial sobre o qual incidirá o IRPJ é realizada pelo cômputo dos ingressos econômicos ('inputs'), deduzidos das despesas necessárias à sua obtenção ('putputs'). Este foi o mecanismo instituído pela legislação ordinária, em consonância com o artigo 43 do CTN. 74. José Luiz Bulhões Pedreira já há muito esclareceu que o fato gerador do imposto de renda somente abrange aquilo que resulta para a pessoa (contribuinte) da atividade produtiva. 75. Os rendimentos incidentes sobre os recursos custodiados pela Recorrente definitivamente não caracterizam produto de sua atividade produtiva ou acrescem o seu patrimônio, na medida que serão destinados, por obrigação contratual, a terceiro a ser indicado em arbitragem, conforme exposto nos Fatos desta peça (Item II). A cláusula 2.3.1 do Agency Agreement' é categórica neste sentido. 76. A Recorrente tem obrigação contratual de creditar os rendimentos financeiros sobre os recursos custodiados àqueles que receberão a indenização. Essa obrigação é incorrida no exato momento em que os recursos ingressam nas contas de sua titularidade. 77. Assim, quando são creditados os rendimentos nas contas da Recorrente, esta reconhece, ao mesmo tempo: (i) um ativo e um passivo; assim como (ii) uma receita e uma despesa. 78. Por não caberem à Recorrente, tais rendimentos geram resultado nulo, sem impactar o seu patrimônio. 79. Estando a Recorrente obrigada a entregar a terceiros o valor principal custodiado e seus rendimentos, tais rendimentos acrescem o seu passivo e, por contrapartida, são registrados na conta contábil de despesa 4.1.9.0.0.00.0994. 80. As despesas lançadas na referida conta são incorridas, necessárias e usuais e devem ser deduzidas na apuração do lucro real tributado pelo IRPJ e pela CSLL. 81. A Receita Federal do Brasil define despesas incorridas como: "(...) aquelas de competência do período de apuração, relativas a bens empregados Fl. 1021DF CARF MF Processo nº 10872.720283/201599 Acórdão n.º 1402003.344 S1C4T2 Fl. 1.022 22 ou serviços consumidos nas transações ou operações exigidas pela atividade da empresa, tenham sido pagas ou não. De acordo com o PN CST n° 58, de 1977, a obrigação de pagar determinada despesa (enquadrável como operacional) nasce quando, em face da relação jurídica que lhe deu causa, já se verificaram todos os pressupostos materiais que a tornaram incondicional, vale dizer, exigível independentemente de qualquer prestação por parte do respectivo credor. Despesas incorridas são, portanto, aquelas em relação às quais, embora nascida a obrigação correspondente, o momento ajustado para pagálas, ou seu vencimento, ou outra circunstância qualquer, determinam que o respectivo pagamento venha a ocorrer em período subseqüente" 82. O Parecer Normativo CST n° 110/71 define despesas incorridas como as que, embora realizadas e quantificadas, não tenham sido pagas. Já o Parecer Normativo CST n° 07/76 as define como aquelas relacionadas a uma contraprestação de serviços ou obrigação contratual que, embora caracterizadas e quantificadas no períodobase, nele não tenham sido pagas, por isso figura o valor respectivo no passível exigível da empresa. 83. O que importa para caracterizar uma despesa como efetivamente incorrida é a obrigação contratual de sua adimplência de forma definitiva e incondicional — isto é, independentemente de evento futuro e incerto — embora o seu pagamento venha a ocorrer em período posterior, por qualquer circunstância. 84. A obrigação da Recorrente em creditar a terceiros a integralidade dos rendimentos incidentes sobre os recursos custodiados é certa e independe de qualquer condição. A Cláusula 2.3.1 do Agency Agreement determina que a totalidade dos rendimentos sobre os recursos custodiados será distribuída àqueles que farão jus à indenização (Principais), conforme determinado em arbitragem. Não há qualquer margem para a interpretação de que tais rendimentos caibam à Recorrente. 85. A única indefinição reside na proporção de tais recursos que caberá a cada um dos Principais, signatários do Agency Agreement, mas tal indefinição — o que depende da decisão da arbitragem — não afeta a obrigação da Recorrente em pagar tais recursos a terceiros. Ao contrário, tratase de evento certo a ser cumprido no tempo e norteia a obrigação contratual assumida pela recorrente, para a qual é remunerada. 86. A Recorrente está obrigada contratualmente a entregar os recursos, qualquer que seja a decisão da arbitragem. 87. Esses valores representam, portanto, despesas (a) resultantes de obrigação contratual certa; (b) quantificáveis, uma vez que dizem respeito aos rendimentos do montante custodiado; e (c) devidas a credores identificados no Agency Agreement (Principais), logo, deverão ser consideradas incorridas e o respectivo valor lançado em conta de passivo, sob pena de registrarse uma evolução patrimonial indevida e irreal. Fl. 1022DF CARF MF Processo nº 10872.720283/201599 Acórdão n.º 1402003.344 S1C4T2 Fl. 1.023 23 88. Alfredo Augusto Becker alerta para o risco de que a impossibilidade de levar a efeito deduções da base de cálculo acabe por desnaturar o imposto de renda, transmutandoo em um tributo sobre atos jurídicos. 89. O princípio da competência, previsto na Resolução CFC n° 750/93, estabelece que "os efeitos das transações e outros eventos sejam reconhecidos nos períodos a que se referem, independentemente do recebimento ou pagamento" (art. 9º, 'caput'), pressupondose "a simultaneidade da confrontação de receitas e de despesas correlatas" (art. 9º p. único). 90. Demonstrado tratarse de despesas efetivamente incorridas, cumpre demonstrar serem estas também necessárias e usuais, conceitos estes estabelecidos no Parecer Normativo n° 32/81 da seguinte forma: "Segundo o conceito legal transcrito, o gasto é necessário quando essencial a qualquer transação ou operação exigida pela exploração das atividades, principais ou acessórias, que estejam vinculadas com as fontes produtoras de rendimentos. Por outro lado, despesa normal é aquela que se verifica comumente no tipo de operação ou transação efetuada e que, na realização do negócio, se apresenta de forma usual, costumeira ou ordinária. O requisito de usualidade deve ser interpretado na acepção de habitual na espécie de negócio." 91. Bulhões Pedreira destaca que "A despesa é necessária desde que paga ou incorrida para realizar qualquer negócio exigido pela atividade do contribuinte", bem como que despesa normal é a usual, costumeira ou ordinária no tipo de negócios do contribuinte. O requisito legal não é que seja usualmente paga pelo contribuinte: pode ser excepcional ou esporádica na experiência do contribuinte, desde que possa ser considerada como usual ou normal do tipo de seus negócios, operações ou atividades. 92. Na lição de Ricardo Mariz de Oliveira": "Podese dizer (...) que uma despesa é necessária quando ela for inerente à atividade da empresa ou à sua fonte produtora, ou for dela decorrente, ou com ela for relacionada, ou surgir em virtude da simples existência da empresa e do papel social que ela desempenha (...).Por isso mesmo, a lei vincula a dedutibilidade à existência de uma relação entre as despesas e as atividades da empresa ou a sua fonte produtora. Estabelecida (...) dessa relação (...) a despesa será por todos reconhecida como necessária, independentemente do que qualquer um pense ou possa pensar, ache ou possa achar, quanto à sua conveniência ou por comparação com qualquer outro referencial de apreciação." 93. Esse CARF pactua do mesmo entendimento para fins de dedução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL: "IRPJ DESPESAS DESNECESSÁRIAS MERA LIBERALIDADE INDEDUTIBILIDADE OCORRÊNCIA PRINCÍPIOS O gasto é necessário quando essencial a qualquer transação ou operação exigida pela exploração das atividades empresariais, acessórias ou principais, e desde que estejam tais atividades , vinculadas às fontes produtoras dos rendimentos." "RECURSO EX OFFICIO DESPESAS OPERACIONAIS — GLOSA DE DESPESAS CONSIDERADAS DESNECESSÁRIAS — As despesas efetivamente suportadas pela pessoa jurídica, que guardem conexão com as atividades por ela desenvolvidas, Fl. 1023DF CARF MF Processo nº 10872.720283/201599 Acórdão n.º 1402003.344 S1C4T2 Fl. 1.024 24 sendo usuais e normais devem ser consideradas dedutíveis para efeito de se determinar o lucro tributável" 94. As despesas glosadas no caso concreto atendem a esses requisitos, pois são inerentes ao cumprimento do contrato oneroso firmado pela Recorrente no desempenho de suas atividades econômicas. 95. A Recorrente está vinculada ao Agency Agreement, que dispõe sobre a arrecadação da indenização creditada pela Telemar, guarda e investimento dos referidos valores, e distribuição do montante integral custodiado e seus rendimentos aos reais destinatários da indenização, conforme definido em arbitragem. 96. O objetivo econômico da Recorrente na celebração do Agency Agreement foi prestar serviços de custódia de recursos mediante comissão no valor de US$ 250.000,00. E, para o devido cumprimento do contrato, a Recorrente deve custodiar e investir os recursos creditados pela Telemar, e, ao final da arbitragem, entregalos aos seus credores, acrescidos dos rendimentos de sua aplicação. 97. As despesas são também usuais, na medida em que um contrato de custódia ou depósito é remunerado por comissão, cabendo aos titulares dos valores principais os rendimentos incidentes sobre os recursos custodiados. 98. Portanto, merece reforma a decisão recorrida, para que sejam integralmente canceladas as autuações fiscais de IRPJ e CSLL ora combatidas. (c) Da Falta de Dedução dos valores de IRRF no lançamento 99. A fiscalização adicionou as despesas glosadas ao lucro real e ao resultado ajustado dos períodos, recompondo as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. 100. Todavia, deixou de considerar os valores de IRRF deduzidos pelas instituições financeiras sobre os rendimentos apurados nos períodos, o que constitui vício material do auto de infração ante a violação ao art. 142 do CTN. 101. A Recorrente lançou devidamente em suas DIPJs os valores de IRRF: Fl. 1024DF CARF MF Processo nº 10872.720283/201599 Acórdão n.º 1402003.344 S1C4T2 Fl. 1.025 25 102. Os valores de IRRF lançados nas DIPJs dos períodos foram comprovados à fiscalização mediante a apresentação de extratos emitidos pelas fontes pagadoras e extrato comprobatório emitido pela RFB . 103. Foi esclarecido, em resposta a Termo de Intimação, que o saldo negativo apurado no ano de 2010 fora objeto de pedido de restituição, então pendente de análise , e que nenhum pedido de restituição havia sido apresentado em relação aos demais períodos até então. 104. Na apuração do IRPJ a pagar, devem ser deduzidos os valores de IRRF verificados no período, conforme determina o artigo 2o, § 4o da Lei n° 9.430/96 , logo, a fiscalização deveria ter deduzido os montantes integrais de IRRF comprovados para a apuração do IRPJ a pagar em cada ano, ao menos em relação aos anos de 2011, 2012 e 2013. Não o tendo, a autuação incorreu em erro material na apuração do IRPJ devido em tais exercícios. 105. A decisão recorrida deduziu os valores de IRRF relativos aos anos de 2012 e 2013, pois o IRRF de 2011 teria sido incluído no pedido de restituição de saldo negativo, apresentado em dezembro de 2016 pela Recorrente (ainda pendente de análise doe. 04), motivo pelo qual não caberia a sua dedução. Tal entendimento não deve prosperar pois: (i) a constituição do crédito tributário de IRPJ está eivada de vício material insanável, sendo nula, por afronta ao artigo 142 do CTN; e (ii) o pedido de restituição do saldo negativo de 2011 foi efetuado após a autuação para evitar a prescrição, o que não elide o equívoco da fiscalização em desconsiderar o valor. Ainda que se desconsiderasse a nulidade do lançamento o que se admite apenas para fins de argumentação caberia a dedução do valor no lançamento efetuado e o indeferimento parcial do pedido de restituição, até o limite do saldo negativo ajustado pelo lançamento. 106. O lançamento do crédito tributário é o procedimento pelo qual é verificada a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinada a matéria tributável, calculado o montante do tributo devido, identificado o sujeito passivo e, sendo o caso, proposta a penalidade cabível, consoante o artigo 142 do CTN. 107. A regra contida no artigo 142 do CTN é inequívoca. Verificar significa provar a verdade, investigar a verdade, comprovar a exatidão. Com isso, temos que cabe ao sujeito ativo no lançamento determinar a matéria tributável e calcular o montante do tributo devido, conformandoo por inteiro e com precisão. 108. Também nesse sentido, o artigo 10 do Decreto n° 70.235/72 é categórico em afirmar ser requisito indispensável do auto de infração a determinação da exigência nele contida. Fl. 1025DF CARF MF Processo nº 10872.720283/201599 Acórdão n.º 1402003.344 S1C4T2 Fl. 1.026 26 109. Sobre a violação aos requisitos formais estabelecidos no artigo 10 do Decreto n° 70.235/72, merecem destaque as considerações de A. A. Contreiras de Carvalho. 110. Em caso de erro no cálculo do tributo devido, não haverá exata determinação da exigência e assim, não se aperfeiçoam todos os requisitos essenciais ao lançamento contidos no artigo 142 do CTN e no artigo 10 do Decreto n° 70.235/72. 111. O CARF já reconheceu a nulidade da autuação de IRPJ pelo fato de a autoridade administrativa ignorar recolhimentos de IRRF comprovados durante o curso da fiscalização, como no caso em análise. 112. Quanto ao pedido subsidiário de recomposição dos créditos tributários apurados para que fossem integralmente deduzidos os valores de IRRF antecipados nos períodos autuados, a decisão recorrida afastou o pedido em relação aos anos de 2010 e 2011, que teriam sido objeto de pedidos de restituição que chegarão ao mesmo resultado, podendo o contribuinte também realizálos em relação aos valores dos anos de 2012 e 2013. 113. A decisão recorrida afirma que o pedido de restituição tem a mesma conseqüência em relação ao pedido de recomposição dos créditos tributários, podendo o contribuinte também realizar o pedido de restituição em relação aos valores apurados nos anos de 2012 e 2013. 114. Ao assim afirmar a autoridade administrativa incorre em grave erro, tendo em vista que as conseqüências da recomposição e da restituição são diferentes para o contribuinte: havendo recomposição, os montantes de multa de ofício e juros lançados são cancelados na mesma proporção. 115. Já no caso da restituição, a Recorrente será obrigada a suportar quantias maiores de juros e multas por equívoco imputável somente a autoridade fiscal que não abateu os créditos de IRRF que deveriam ter sido, conforme reconhecido pela própria decisão recorrida em relação aos períodos de 2012 e 2013. 116. Em seguida, a decisão recorrida conclui que como a Recorrente já teria pleiteado a restituição integral dos saldos negativos de 2010 e 2011, tais pedidos inviabilizariam o aproveitamento de qualquer parcela do IRRF no lançamento de ofício. 117. Esta afirmação não merece prosperar, notadamente no que se refere ao ano de 2011, cujo pedido de restituição foi apresentado apenas após a lavratura da autuação combatida, para evitar os efeitos da prescrição, e pende de análise (doe. 04). 118. Exceto no caso de a restituição pleiteada já ter sido creditada à Recorrente (o que efetivamente ocorreu em relação ao ano de 2010), a mera apresentação do pedido não altera a necessidade de que, quando do lançamento do auto de infração impugnado, a autoridade fiscal proceda à Fl. 1026DF CARF MF Processo nº 10872.720283/201599 Acórdão n.º 1402003.344 S1C4T2 Fl. 1.027 27 correta apuração do IRPJ devido, com a indispensável dedução dos valores recolhidos a título de IRRF. 119. Mesmo que a restituição do saldo negativo já tivesse sido requerida por ocasião da autuação o que não é o caso , caberia à autoridade administrativa efetuar a recomposição do crédito e informar à autoridade responsável pela análise do pedido de restituição de que os valores foram parcialmente utilizados no lançamento de ofício. 120. Nem se diga que, uma vez apresentado o pedido, não caberia mais a retificação da autuação, por risco de cômputo em duplicidade dos valores recolhidos a título de IRRF no ano. 121. A Receita Federal do Brasil utiliza sistema informatizados que permitem a análise quanto a utilização em duplicidade do crédito que se pretende restituir/compensar. Confirase o posicionamento do CARF e das DRJ a respeito: RESTITUIÇÃO DEDUÇÃO VALORES JÁ RESTITUÍDOS. Na apuração do valor do imposto a restituir, computados todos os rendimentos tributáveis auferidos pelo contribuinte, deduzse, da quantia a restituir, valor anteriormente já restituído ao contribuinte. (Acórdão n° 10246.733, Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, Sessão do dia 14.04.2005) EMENTA: IRPJ. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. PRESCRIÇÃO. O direito à restituição do indébito se extingue após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da extinção do crédito tributário. Em se tratando de saldos negativos do IRPJ e da CSLL o termo inicial para contagem do prazo é mês subseqüente à entrega da declaração. Os recolhimentos que não correspondam às parcelas da estimativa apuradas no curso do anocalendário devem ser tratados como recolhimento indevido, iniciando a contagem do prazo da data do pagamento. IRPJ. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. UTILIZAÇÃO EM COMPENSAÇÕES ANTERIORES. Demonstrado que os saldos negativos utilizados na compensação em exame já foram utilizados em compensações anteriores, incabível a restituição/compensação dos valores já utilizados. (...). (ACÓRDÃO N° 1014266 de 31 de Outubro de 2007, 1a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre) 122. A restituição, ademais, somente é efetuada no caso de ausência de débitos do sujeito passivo, conforme artigo 61 da Instrução Normativa n° 1.300/2012. Para que o pedido de restituição seja homologado, a autoridade administrativa deve verificar se o contribuinte não possui débitos em aberto. Não há risco de que seja efetuada a restituição integral do saldo negativo, desconsiderandose a autuação lavrada, logo, não é admissível a manutenção do lançamento de crédito tributário de IRPJ ao arrepio da lei, sem a regular dedução do valor do IRRF recolhido em cada exercício. Fl. 1027DF CARF MF Processo nº 10872.720283/201599 Acórdão n.º 1402003.344 S1C4T2 Fl. 1.028 28 123. E, também pelos motivos expostos neste tópico, não há como ser acolhido o Recurso de Ofício interposto em relação à redução dos lançamentos de IRPJ dos anos de 2012 e 2013 em razão do cômputo dos valores já recolhidos naqueles períodos a título de IRRF. Havendo a comprovação da antecipação do imposto por retenções no curso da fiscalização como ocorreu no caso é imperioso o cancelamento da autuação, ao menos até o limite dos recolhimentos demonstrados. 124. Resta inequívoco o vício material do auto de infração que não apurou corretamente o crédito devido em clara afronta ao art. 142, do CTN. E, na remota hipótese de não ser reconhecido o vício do auto de infração, devese ser retificada a autuação para a dedução dos valores retidos a título de IRRF no ano de 2011, tendo em vista que o pedido de restituição foi apresentado após a autuação e não foi creditado qualquer valor à Recorrente. (d) Da Inexigibilidade de Juros sobre a Multa de Ofício 126. Caso os lançamentos sejam mantidos, ainda que parcialmente, não devem ser aplicados juros de mora sobre a multa de ofício, por ausência de fundamentação legal. 127. A decisão sustenta a incidência dos juros de mora sob a alegação de que o artigo 61, da Lei n° 9.430/1996, que faz referência à incidência de juros sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, também se aplica à multa de ofício. 128. Tal interpretação não merece prosperar, pois a Câmara Superior de Recursos Fiscais sedimentou o entendimento de que a expressão "os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal" do artigo 61, da Lei n° 9.430/1996, não alcança a multa de ofício, visto que esta não decorre de tributos e contribuições, mas sim da penalidade do artigo 44, da Lei n° 9.430/96, imposta como punição pelo não pagamento dos tributos e contribuições nos prazos previstos em lei. 129. Nesse sentido, voto da Conselheira Relatora Karem Jureidini Dias, condutor do acórdão n° 9101 00.722. 130. Portanto, diferentemente do alegado na decisão recorrida, a correta interpretação a ser conferida ao artigo 61 da Lei n° 9.430/96 não fundamenta a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada, devendo ser reformada a decisão recorrida para afastar tal cobrança. Por fim a Recorrente apresentou os seguintes requerimentos: 131. Por todo o exposto, requer a Recorrente seja dado total provimento a este Recurso Voluntário e negado provimento ao Recurso de Ofício Fl. 1028DF CARF MF Processo nº 10872.720283/201599 Acórdão n.º 1402003.344 S1C4T2 Fl. 1.029 29 interposto, julgandose integralmente improcedentes os autos de infração de IRPJ e CSLL lavrados no processo administrativo em referência, cancelando se os créditos tributários neles lançados. 132. Caso não se entenda pelo cancelamento integral das autuações, em decorrência do princípio da eventualidade, requer: (i) sejam recalculados os débitos IRPJ para a devida dedução dos valores de IRRF apurados nos anos de 2011,2012 e 2013; e (ii) seja afastada a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício lançada. Fl. 1029DF CARF MF Processo nº 10872.720283/201599 Acórdão n.º 1402003.344 S1C4T2 Fl. 1.030 30 Voto Conselheiro Evandro Correa Dias, Relator. Os recursos de ofício e voluntário atendem aos pressupostos de admissibilidade, pelo que deles se toma conhecimento. Esclarecese que afastase a jurisprudência e a doutrina citadas pela recorrente, pois esta não vinculam a Autoridade Julgadora em sua decisão. Preliminar Da alegação de inovação na decisão de 1ª Instância A Recorrente alega que "ao deixar de se manifestar a respeito das razões de defesa e inovar sobre os fundamentos da autuação, a decisão recorrida preteriu o direito de defesa da Recorrente, razão pela qual deve ser decretada nula nos termos do artigo 59 Decreto n. 70.235/1972." Trazse, em preliminar, a alegação que o acórdão da 15ª Turma da DRJ/RJO é insubsistente, pois incorreu em nulidade por omitirse quanto aos argumentos da defesa, limitandose a questões irrelevantes para a conclusão acerca da dedutibilidade das despesas glosadas, em clara inovação quanto ao fundamento da autuação e prejuízo ao direito de defesa da Recorrente, querendo fazer crer ao leitor menos atento, trataremse de despesas dissociadas a uma prestação de serviços efetivamente contratada; Verificase que, através da análise do voto condutor da decisão a quo, que o fundamento para negar provimento à impugnação foi de que "o interessado não é um mero depositário que tem sob seu resguardo bens de terceiros. No caso, houve a transferência de titularidade de bens, portanto, o impugnante passou a ser titular dos bens que estão sob sua tutela". Transcrevese os demais trechos da decisão nesse sentido: "De igual modo, o interessado não figura no Agency Agreement apenas como um administrador de bens de terceiros, como em um fundo de investimentos, no qual o administrador investe os recursos financeiros dos cotistas; pois tem em sua posse e administra os valores que estão sob sua própria titularidade. Ademais, cabe dizer que no contrato em questão não há nem mesmo beneficiário(s) efetivo(s), mas tãosomente um grupo de pessoas (físicas e jurídicas), destituído de personalidade jurídica, do qual será(ão) apontado(s) o(s) beneficiário(s) efetivo(s) após a concretização de uma condição. A condição posta, é a designação de um árbitro que irá apurar qual(is) destas pessoas pertencentes ao grupo deverá(ão) receber alguma parcela do montante pago pela Telemar, quantificando o valor específico para cada beneficiário efetivo. Frisese que esta condição não ocorreu. Fl. 1030DF CARF MF Processo nº 10872.720283/201599 Acórdão n.º 1402003.344 S1C4T2 Fl. 1.031 31 Portanto, apenas após a implementação desta condição, haverá a constituição do(s) beneficiário(s) efetivo(s). Acrescento que o instituidor deste contrato, é o mesmo grupo de pessoas que figura como destinatário dos recursos, logo, tanto o instituidor como o destinatário não possuem personalidade jurídica. Ressalto que, embora o interessado tenha apresentado argumentos no sentido de que tais rendimentos financeiros não lhe pertencem, procedeu de forma contrária ao alegado, visto que não somente ofereceu tais rendimentos à tributação, conforme consta em DIPJ, como também deduziu as retenções de imposto de renda destes rendimentos na apuração do IR, apurando saldo negativo de IRPJ em todos os períodos sob análise. Destaco que o interessado solicitou a restituição dos saldos negativos dos anos de 2010 e 2011, através dos Per/dcomps nº 03239.45885.281015.1.2.02 5101 e nº 37703.20996.261216.1.2.024000, sendo que o pleito relativo ao ano de 2010 foi deferido, com a restituição já efetivada." Percebese que no voto condutor da decisão de 1ª Instância, relatase que o auto de infração trata de glosa de despesas pois não restou demonstrada a realização de tais despesas devido ao fato de a mesma sequer ter incorrido e tão pouco paga. Contudo não é desenvolvida uma argumentação sobre este fundamento, conforme os seguintes trechos: "Há que se dizer que o Auto de Infração não trata de omissão de rendimentos ou algo semelhante, mas sim de glosa de despesas pois não restou demonstrada a realização de tais despesas devido ao fato de a mesma sequer ter incorrido e tão pouco paga. A autoridade fiscal apontou a ausência de registros de despesas operacionais no Livro Diário dos anos de 2010 a 2013, excetuandose algumas irrelevantes despesas relacionadas a Manutenção de C/C e outras relacionadas a Registros de Cartórios. Ao ser intimado a apresentar justificativa pormenorizada do lançamento a título de Outras Despesas Operacionais, a empresa se limitou a responder que o “lançamento a título de outras Despesas Operacionais foi embasado na cláusula 1 do “Contrato de Agência””. A cláusula 1 do referido contrato, já transcrito no relatório, trata, junto com o item 2.3, do papel a ser desempenhado pelo agente (interessado) no negócio firmado, no entanto, em nada demonstra ou esclarece como os rendimentos financeiros podem corresponder a despesas operacionais. Estes não possuem natureza e/ou características de despesas, e não houve nenhum dispêndio pelo impugnante neste sentido que pudesse sustentar tais deduções no resultado. Quanto a este ponto, a defesa argumenta: 13. Por certo, os valores dos rendimentos, assim como o montante principal coletado, representam obrigações da Fl. 1031DF CARF MF Processo nº 10872.720283/201599 Acórdão n.º 1402003.344 S1C4T2 Fl. 1.032 32 Defendente com terceiros e, portanto, não devem impactar o seu resultado. No entanto, como já exposto, ofereceu os rendimentos à tributação aproveitandose das retenções de IR destes rendimentos para a formação de saldo negativo de IRPJ em todos os anos aqui tratados." Ressaltase que a fundamentação para decidir sobre a glosa de despesas efetuadas foi que o contribuinte não é mero depositário de recursos de terceiros, pois houve a transferência de titularidade destes recursos, conforme seguintes trechos da decisão: "Refriso que o contribuinte não é mero depositário de recursos de terceiros, pois houve a transferência de titularidade destes recursos, a qual, inclusive, permitiu que adotasse o procedimento de oferecer estes rendimentos à tributação na apuração de resultado e aproveitar as respectivas retenções na formação dos saldos negativos. Portanto, procedem as glosas de despesas efetuadas." Feita a análise dos argumentos da decisão, passase a apreciar os argumentos da Recorrente. A Recorrente alega que a decisão recorrida limitouse a trazer um novo fundamento para a autuação a suposta transferência de titularidade dos recursos creditados pela Telemar para a Recorrente , que em nada se relaciona com a discussão travada nos autos. Notase que o argumento de que o contribuinte não é mero depositário de recursos de terceiros, em princípio, não se caracteriza como inovação, pois foi trazido em resposta à argumentação da própria recorrente, conforme verificase no item 8 da Impugnação, colacionado a seguir: Verificase que a decisão recorrida não se refere às razões da defesa apresentada quanto à presença dos requisitos de dedutibilidade das despesas, nem, tampouco, quanto à inexistência de acréscimo ao patrimônio da Recorrente. Contudo, o fato da decisão não se manifestar sobre presença dos requisitos de dedutibilidade das despesas e à ausência de acréscimo patrimonial sujeito ao IRPJ e CSLL matéria de defesa aduzida em sede de impugnação não configura violação ao referido artigo 31 do Decreto n.° 70.235/1972, pois o julgador precisa enfrentar apenas as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão, conforme o Superior Tribunal de Justiça que interpretou o art. 489, § 1º, IV, do CPC, o qual regula a necessidade de fundamentação das decisões judiciais pelos juízes. O Superior Tribunal de Justiça interpretou que, mesmo após a vigência do CPC/2015, não cabem embargos de declaração contra decisão que não se pronuncie sobre argumento incapaz de infirmar a conclusão adotada. Afirmou, ainda, que “o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado Fl. 1032DF CARF MF Processo nº 10872.720283/201599 Acórdão n.º 1402003.344 S1C4T2 Fl. 1.033 33 motivo suficiente para proferir a decisão”. Vejamos a ementa do acórdão, no ponto que interessa: “O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida.” Percebese ainda, que o próprio julgado afirma taxativamente que art. 489, § 1º, do CPC/2015 veio confirmar o entendimento do STJ, consolidado há anos, de que o julgador precisa enfrentar apenas as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão. A Recorrente alega que "não é sequer possível compreender o motivo pelo qual a decisão recorrida concluiu pela manutenção da glosa das despesas lançadas na contabilidade da Recorrente". Verificase, pela simples leitura do Acórdão de Impugnação, o motivo pelo qual a decisão recorrida concluiu pela manutenção da glosa das despesas lançadas na contabilidade da Recorrente, conforme reproduzido a seguir: A recorrente alega que como fundamento para autuar, a autoridade sustenta não ter ficado comprovada a realização de tais despesas devido ao fato de a mesma sequer ter sido incorrida, paga e enquadrada como essencial para o funcionamento da sociedade. Enquanto que a decisão de primeira instância resumiuse a afirmar que a Recorrente é a titular dos valores e os ofereceu à tributação, sem base e de forma contrária ao Agency Agreement e aos registros efetuados pela Recorrente. O fundamento do Auto de Infração, conforme Termo de Verificação Fiscal, foi que "não restou demonstrada a realização de tais despesas devido ao fato de a mesma sequer ter incorrido e tão pouco paga. E mesmo que houvesse incorrido, podese afirmar que não se enquadrariam como essencial para o funcionamento da sociedade, e tampouco caracterizada como "usual, costumeira ou ordinária dentro da acepção de habitualidade na espécie do negócio". A decisão a quo teve como fundamento que o contribuinte não é mero depositário de recursos de terceiros, pois houve a transferência de titularidade destes recursos, a qual, inclusive, permitiu que adotasse o procedimento de oferecer estes rendimentos à tributação na apuração de resultado e aproveitar as respectivas retenções na formação dos saldos negativos. Embora na decisão de 1ª Instância, relatase que o auto de infração trata de glosa de despesas pois não restou demonstrada a realização de tais despesas devido ao fato de a Fl. 1033DF CARF MF Processo nº 10872.720283/201599 Acórdão n.º 1402003.344 S1C4T2 Fl. 1.034 34 mesma sequer ter incorrido e tão pouco paga, percebese que não é desenvolvida uma argumentação sobre este fundamento na manutenção dos lançamentos. O art. 31 do Decreto n.° 70.235/1972 dispõe sobre o que deverá conter a decisão administrativa, sendo expresso quanto à necessária referência às razões de defesa declinadas pelo Impugnante. Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. Portando, entendese que assiste razão à Recorrente quanto à alegação que o acórdão da 15a Turma da DRJ/RJO incorreu em nulidade por omitirse quanto aos argumentos da defesa, limitandose ao argumento que o contribuinte não é mero depositário de recursos de terceiros, em clara inovação quanto ao fundamento da autuação e prejuízo ao direito de defesa do contribuinte. Concluise que a decisão recorrida preteriu o direito de defesa da Recorrente, razão pela qual deve ser decretada nula nos termos do artigo 59, inciso II, do Decreto n. 70.235/1972. Art. 59. São nulos: [...] II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (grifo nosso). § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. O colegiado dessa turma deverá declarar a nulidade nos termos do art. 61 do Decreto n. 70.235/1972. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Fl. 1034DF CARF MF Processo nº 10872.720283/201599 Acórdão n.º 1402003.344 S1C4T2 Fl. 1.035 35 Conclusão Do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar o Acórdão de 1ª Instância e determinar a remessa dos autos para que seja proferida nova decisão. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Fl. 1035DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10469.722218/2016-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 63.
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
JUSTIÇA ESTADUAL. SERVIDOR PÚBLICO.
Compete à Justiça Estadual o julgamento de causas que envolvem a discussão sobre retenção e restituição de imposto de renda, incidente sobre os rendimentos pagos a servidores públicos estaduais.
Numero da decisão: 2401-005.750
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para considerar isento apenas o rendimento recebido do IPERN.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2014 IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 63. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. JUSTIÇA ESTADUAL. SERVIDOR PÚBLICO. Compete à Justiça Estadual o julgamento de causas que envolvem a discussão sobre retenção e restituição de imposto de renda, incidente sobre os rendimentos pagos a servidores públicos estaduais.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para considerar isento apenas o rendimento recebido do IPERN. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite.
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ISENÇÃO. Recorrente MARIA GERNIRA MEDEIROS DE MOURA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2014 IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 63. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. JUSTIÇA ESTADUAL. SERVIDOR PÚBLICO. Compete à Justiça Estadual o julgamento de causas que envolvem a discussão sobre retenção e restituição de imposto de renda, incidente sobre os rendimentos pagos a servidores públicos estaduais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para considerar isento apenas o rendimento recebido do IPERN. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 22 18 /2 01 6- 41 Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10469.722218/201641 Acórdão n.º 2401005.750 S2C4T1 Fl. 142 2 Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite. Relatório Tratase de notificação de lançamento de imposto de renda pessoa física IRPF, fls. 56/61, decorrente de revisão da Declaração de Ajuste Anual (DAA) anocalendário 2014, que alterou o valor do Imposto de Renda a restituir de R$ 65.966,85 para imposto suplementar de R$ 4.469,26, sujeito à multa de ofício, em virtude de omissão de rendimentos excedentes ao limite de isenção para declarantes com 65 anos ou mais e rendimentos indevidamente considerados como isentos por moléstia grave. Consta da descrição dos fatos que a contribuinte omitiu rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 333.275,36, indevidamente declarados como isentos, em razão do contribuinte não ter comprovado ser portador de moléstia considerada grave para fins de isenção do imposto de renda. Em impugnação apresentada às fls. 2/3, o contribuinte alega, em síntese: · Preliminarmente requer que seja anulada a cobrança a ela atribuída e restituído todo o valor pago/recolhido no ano de 2013, por ser portadora de cardiopatia grave. · No mérito, que seja confirmada a decisão judicial, nos termos da isenção prevista no art. 6º, XIV, da Lei nº 7.713/1988. A DRJ/POA, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário, conforme acórdão 1060.139 de fls. 75/80, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA, REFORMA OU PENSÃO. LAUDO MÉDICO OFICIAL. A isenção para portadores de moléstia grave deve ser reconhecida quando o contribuinte comprova que os valores recebidos possuam natureza de rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão e que foram recebidos por portador de moléstia grave tipificada no texto legal e reconhecida por meio de laudo médico oficial. RETENÇÃO NA FONTE DO IRPF. DECISÃO JUDICIAL PROFERIDA POR TRIBUNAL DE JUSTIÇA ESTADUAL. EFEITOS DA DECISÃO. Embora pertença aos Estados o produto da arrecadação do imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos por Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10469.722218/201641 Acórdão n.º 2401005.750 S2C4T1 Fl. 143 3 eles pagos, a qualquer título, compete à União cobrar o mencionado tributo. O modelo constitucional de repartição de receitas tributárias não retira a legitimidade da União para figurar no polo passivo da ação declaratória de reconhecimento do direito da autora à isenção do IRRF. Para que uma ação judicial produza efeitos em relação à União, pessoa jurídica competente para instituir o imposto de renda, há de ser proposta, necessariamente, perante a Justiça Federal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Consta do voto do acórdão de impugnação: Para que uma ação judicial produza efeitos em relação à União, pessoa jurídica competente para instituir o imposto de renda, nos moldes do art. 153, III, da Carta Magna, há de ser proposta, necessariamente, perante a Justiça Federal, em observância ao art. 109, I, da Constituição, e nunca apenas contra terceiros, no caso o Estado do Rio Grande do Norte. Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar: I as causas em que a União, entidade autárquica ou empresa pública federal forem interessadas na condição de autoras, rés, assistentes ou oponentes, exceto as de falência, as de acidentes de trabalho e as sujeitas à Justiça Eleitoral e à Justiça do Trabalho; (...) Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: (...) III renda e proventos de qualquer natureza; (...) Importante registrar que embora pertença aos Estados o produto da arrecadação do imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos pagos, a qualquer título, a seus servidores e empregados, sob a fiel reprodução do art. 157, I, da Constituição, compete à União cobrar o mencionado tributo. [...] A mencionada norma – art. 157, I, aliás, não retira a legitimidade da União para figurar no pólo passivo acerca da ação declaratória de reconhecimento do direito da autora à isenção do IRRF. Somente a pessoa jurídica de direito público Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10469.722218/201641 Acórdão n.º 2401005.750 S2C4T1 Fl. 144 4 que tem competência para instituir o tributo detém, também, o poder de isentálo. Ademais, cabe esclarecer que apesar de pertencer aos Estados o produto da arrecadação do imposto de renda sobre os rendimentos por eles pagos, a incorporação definitiva da receita de retenção pelos mesmos só ocorre após a devida comunicação à Receita Federal do Brasil do total dos rendimentos brutos pagos no mês anterior e o montante do imposto retido. É a inteligência do §2º do art. 18 do Decreto Lei nº 1.089/70. [...] Diante do exposto, entendo que a sentença proferida contra o Estado do Rio Grande do Norte não alcança a Fazenda Nacional, razão pela qual não há óbice a que se considere os rendimentos auferidos do IPERN como rendimentos tributáveis. Frisese que, conforme constou da notificação de lançamento, a contribuinte deixou de apresentar laudo médico oficial que comprovasse a moléstia apontada, requisito indispensável ao reconhecimento da isenção pela RFB. Quando à omissão de rendimentos excedente ao limite de isenção para declarantes com 65 anos ou mais, ressaltese que não houve qualquer contestação expressa por parte da contribuinte, devendo ser mantido o lançamento. Cientificado do Acórdão em 27/9/17 (cópia de Aviso de Recebimento AR de fl. 129), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 18/10/17, fls. 85/88, no qual apresenta novamente os argumentos apresentados na impugnação e acrescenta, em síntese: Diz que de posse da decisão judicial que lhe concedeu a isenção desde 05/2010, foi orientada por servidor da RFB a entregar as declarações retificadoras para receber a restituição. Ao contrário do que foi orientada, ela foi cobrada através de DARFs como se tivesse sonegado, sem que o órgão observasse que ela tinha pago os mesmos, estando em dia com seus tributos. Diz que requereu a restituição judicialmente do anocalendário 2010 e para os anoscalendário 2011, 2012, 2013 e 2014, requereu na RFB. Requer o cumprimento da decisão judicial para que lhe sejam restituídos os valores do imposto de renda retido na fonte bem como os pagamentos efetuados através de DARF. Cita trechos do acórdão do TJRN no sentido de considerar prescindível o laudo pericial de serviço médico oficial. Requer sejam reconhecidos os pagamentos efetuados por meio de DARF. Acrescenta que para o IPERN já está isenta e já foram retificadas suas declarações pelo SARH. Que está esperando apenas a RFB liberar para que sejam feitas suas Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10469.722218/201641 Acórdão n.º 2401005.750 S2C4T1 Fl. 145 5 declarações retificadoras. Que não solicitará a isenção dos valores recebidos do INSS, que serão tributados normalmente. Solicita a restituição do imposto. É o relatório. Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. ISENÇÃO Quanto a isenção, assim dispõe o CTN: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: [...] II outorga de isenção; [...] Sobre o gozo da isenção do imposto sobre a renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, a Lei 7.713/88 determina que: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: [...] XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; No mesmo sentido, o Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/99), Decreto 3.000/99, assim dispõe: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: [...] XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10469.722218/201641 Acórdão n.º 2401005.750 S2C4T1 Fl. 146 6 decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XXI, e Lei nº 8.541, de 1992, art. 47); [...] XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); [...] § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. § 6º As isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII também se aplicam à complementação de aposentadoria, reforma ou pensão. Sendo assim, verificase que para a fruição da isenção, exigese o preenchimento cumulativo de três requisitos: a) que o rendimento seja proveniente de aposentadoria, reforma ou pensão; b) que o rendimento seja recebido por portador de moléstia grave relacionada em lei; e Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10469.722218/201641 Acórdão n.º 2401005.750 S2C4T1 Fl. 147 7 c) que a moléstia seja comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Acrescentese a isso o enunciado da Súmula Carf nº 63, aprovada em 29/11/10: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. (grifo nosso) No presente caso, conforme ressaltado no acórdão recorrido, o contribuinte deixou de apresentar laudo médico oficial que comprovasse a moléstia apontada. Poderia ter a recorrente providenciado o Laudo Pericial e anexado aos autos, entretanto, nem por ocasião da apresentação da defesa, nem do recurso, apresentou referido laudo. Pelo contrário, no recurso afirmou, conforme destacado no relatório acima, que "não solicitará a isenção dos valores recebidos do INSS, que serão tributados normalmente". Conforme comprovantes de rendimentos apresentados, fls. 12/14, a contribuinte possui rendimentos de três fontes pagadoras: INSS aposentadoria por tempo de contribuição, INSS pensão por morte e IPERN pensão por morte. Quanto ao rendimento recebido do IPERN, temse que: A CR/88, art. 157, I, dispõe que: Art. 157. Pertencem aos Estados e ao Distrito Federal: I o produto da arrecadação do imposto da União sobre renda e proventos de qualquer natureza, incidente na fonte, sobre rendimentos pagos, a qualquer título, por eles, suas autarquias e pelas fundações que instituírem e mantiverem; A Súmula 447 do STJ assim determina: Os Estados e o Distrito Federal são partes legítimas na ação de restituição de imposto de renda retido na fonte proposta por seus servidores. Conforme noticiado em 28/12/12, no site do STF: O Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu, por meio do Plenário Virtual, a existência de repercussão geral no tema tratado no Recurso Extraordinário (RE) 684169, que trata da competência para julgamento de causas que envolvem a discussão sobre retenção e restituição de imposto de renda, incidente sobre os rendimentos pagos a servidores públicos estaduais. No mérito, foi reafirmada a jurisprudência da Corte no sentido de que não há interesse da União na hipótese, sendo, portanto, competência da Justiça estadual o julgamento de tais Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10469.722218/201641 Acórdão n.º 2401005.750 S2C4T1 Fl. 148 8 casos. (disponível em http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteu do=227571) No presente caso, conforme Acórdão proferido pelo TJRN, cujas partes são a contribuinte e o Estado do Rio Grande no Norte, fls. 30/36, reconheceuse a isenção do imposto de renda incidente sobre o rendimento recebido do IPERN (pensão por morte) desde 05/2010. Tal decisão somente vincula as partes e nos seus exatos limites, não podendo ser oposta à União para fins de concessão da isenção para outros rendimentos que não sejam os recebidos pelo IPERN. Talvez por isso, no recurso, afirmouse que não se solicita a isenção dos valores recebidos do INSS. Sendo assim, deve ser obedecido o comando do acórdão proferido pelo TJRN, órgão competente para julgar as causas que envolvem a discussão sobre retenção e restituição do imposto de renda, para considerar isento o rendimento recebido do IPERN. CONCLUSÃO Voto por conhecer do recurso, dandolhe provimento parcial para considerar isento apenas o rendimento recebido do IPERN. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 148DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.725774/2010-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
AUSÊNCIA OU DEFICIÊNCIA DA DESCRIÇÃO DOS FATOS E DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. INOCORRÊNCIA.
Afasta-se a nulidade argüida uma vez presentes no Auto de Infração a descrição dos fatos que justifique o lançamento e a capitulação legal que lhe dá sustentação.
ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos constitutivos, modificativos e extintivos do direito alegado.
NOTAS FISCAIS PRESUMIDAS INIDÔNEAS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA INIDONEIDADE. GLOSA INDEVIDA DO CRÉDITO.
A nota fiscal é, até prova em contrário, o documento hábil para comprovar a efetividade da transação, cabendo à fiscalização o ônus de demonstrar sua inidoneidade. Descumprida essa premissa, a glosa do crédito fundado em nota fiscal é indevida.
ERRO DE FATO. ESTORNO DE DEVOLUÇÃO DE INSUMOS. INEXISTÊNCIA.
Verificado o estorno das devoluções de insumos inicialmente glosadas pela fiscalização, há que se revisar a glosa e excluir o valor correspondente do montante lançado de ofício.
ERRO DE FATO. NOTAS FISCAIS SEM DESTAQUE DO IMPOSTO. INEXISTÊNCIA.
Verificado o efetivo destaque do imposto nas notas fiscais e a correspondente escrituração do débito lançado pela fiscalização com fundamento na ausência de destaque e de escrituração, há que se revisar o lançamento para excluir o valor correspondente do crédito tributário apurado.
Numero da decisão: 3301-005.004
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 AUSÊNCIA OU DEFICIÊNCIA DA DESCRIÇÃO DOS FATOS E DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. INOCORRÊNCIA. Afasta-se a nulidade argüida uma vez presentes no Auto de Infração a descrição dos fatos que justifique o lançamento e a capitulação legal que lhe dá sustentação. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos constitutivos, modificativos e extintivos do direito alegado. NOTAS FISCAIS PRESUMIDAS INIDÔNEAS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA INIDONEIDADE. GLOSA INDEVIDA DO CRÉDITO. A nota fiscal é, até prova em contrário, o documento hábil para comprovar a efetividade da transação, cabendo à fiscalização o ônus de demonstrar sua inidoneidade. Descumprida essa premissa, a glosa do crédito fundado em nota fiscal é indevida. ERRO DE FATO. ESTORNO DE DEVOLUÇÃO DE INSUMOS. INEXISTÊNCIA. Verificado o estorno das devoluções de insumos inicialmente glosadas pela fiscalização, há que se revisar a glosa e excluir o valor correspondente do montante lançado de ofício. ERRO DE FATO. NOTAS FISCAIS SEM DESTAQUE DO IMPOSTO. INEXISTÊNCIA. Verificado o efetivo destaque do imposto nas notas fiscais e a correspondente escrituração do débito lançado pela fiscalização com fundamento na ausência de destaque e de escrituração, há que se revisar o lançamento para excluir o valor correspondente do crédito tributário apurado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1687; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 11.296 1 11.295 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.725774/201094 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 3301005.004 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de agosto de 2018 Matéria AUTO DE INFRACAO PROG. ASSIST. SERV. PUBLICO (PASEP) Recorrente BONYPLUS INDUSTRIA E COMERCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE COSMÉTICOS LTDA E FAZENDA NACIONAL Recorrida ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 AUSÊNCIA OU DEFICIÊNCIA DA DESCRIÇÃO DOS FATOS E DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. INOCORRÊNCIA. Afastase a nulidade argüida uma vez presentes no Auto de Infração a descrição dos fatos que justifique o lançamento e a capitulação legal que lhe dá sustentação. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos constitutivos, modificativos e extintivos do direito alegado. NOTAS FISCAIS PRESUMIDAS INIDÔNEAS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA INIDONEIDADE. GLOSA INDEVIDA DO CRÉDITO. A nota fiscal é, até prova em contrário, o documento hábil para comprovar a efetividade da transação, cabendo à fiscalização o ônus de demonstrar sua inidoneidade. Descumprida essa premissa, a glosa do crédito fundado em nota fiscal é indevida. ERRO DE FATO. ESTORNO DE DEVOLUÇÃO DE INSUMOS. INEXISTÊNCIA. Verificado o estorno das devoluções de insumos inicialmente glosadas pela fiscalização, há que se revisar a glosa e excluir o valor correspondente do montante lançado de ofício. ERRO DE FATO. NOTAS FISCAIS SEM DESTAQUE DO IMPOSTO. INEXISTÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 57 74 /2 01 0- 94 Fl. 2552DF CARF MF Processo nº 10980.725774/201094 Acórdão n.º 3301005.004 S3C3T1 Fl. 11.297 2 Verificado o efetivo destaque do imposto nas notas fiscais e a correspondente escrituração do débito lançado pela fiscalização com fundamento na ausência de destaque e de escrituração, há que se revisar o lançamento para excluir o valor correspondente do crédito tributário apurado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante da Resolução nº 3301000.254 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária (fl. elaborado pela decisão recorrida, Acórdão nº 0118.625 3aTurma da DRJ/BEL (fls. 2393 e seguintes): Tratase de exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), formalizada no Auto de Infração de fls. 002/052, cientificado pessoalmente ao representante legal da contribuinte em 14/12/2010 (fl. 004) totalizando o crédito tributário de R$ 14.101.481,91, inclusos multas e juros de mora. Segundo o exposto no Termo de Descrição dos Fatos e Encerramento da Ação Fiscal (fls. 0243/053), na execução de procedimento de fiscalização no estabelecimento filial da contribuinte, CNPJ nº 82.566.340/000220, referente ao período de janeiro a dezembro de 2006, iniciado em 29/03/2010, foram identificadas as seguintes situações que ensejaram os lançamentos por meio do auto de infração originário do presente processo: créditos de IPI por aquisições de insumos não comprovadas; Fl. 2553DF CARF MF Processo nº 10980.725774/201094 Acórdão n.º 3301005.004 S3C3T1 Fl. 11.298 3 devoluções de insumos sem o estorno do crédito de IPI correspondente; IPI não destacado em Notas Fiscais de saída e não escriturado; e débitos de IPI não recolhidos. A fundamentação legal para o lançamento consta dos autos às fls. 006, 008, 010 e 021. Inconformada com a autuação, a contribuinte, por intermédio de seu representante legal, protocolizou, em 13/11/2011, a tempestiva impugnação de fls. 2176/2202 e documentos anexos aduzindo em sua defesa as razões que se seguem. 1. Preliminarmente, pugna pela nulidade do Auto de Infração em face de divergências entre as exigências descritas no corpo principal do Auto de Infração e aquelas relacionadas no seu complemento denominado “Termo de Descrição dos Fatos e Encerramento da Ação Fiscal”, em virtude da falta de clareza na descrição dos fatos e na determinação das exigências e respectivos fundamentos legais, aplicandose o disposto nos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235/1972 e no artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal. Aponta que a primeira relação descreve apenas três situações e a segunda descreve quatro e que não há como identificar ou estabelecer uma correspondência inequívoca entre tais elementos, restando dúvidas insuperáveis que impedem a apropriada elaboração da defesa. Especificamente, argumenta que: os itens 001 do Auto de Infração e 4.2.2 do “Termo”, apesar de associados ao mesmo valor apurado de R$ 232.662,39, não se correspondem plenamente, pois se referem a fundamentos diferentes: o item 001 trata de utilização indevida de isenção, enquanto que o item 4.2.2 trata de ausência de lançamento de IPI em notas fiscais com determinados CFOPs; e o item 4.1.1 do “Termo” referese a glosa de créditos relativos a insumos, no valor total de R$ 2.485.368,95, sendo que não há correspondência desse item com qualquer dos itens do Auto de Infração. 2. Refuta o item 001 do Auto de Infração em virtude de não haver qualquer menção a utilização indevida de isenção no “Termo”. Cita intimação havida para que fossem identificados fornecedores e destinatários localizados na Zona Franca de Manaus, a qual teria sido devidamente atendida pela impugnante. Exclui a possibilidade de identificação desse item com aquele de mesmo valor presente no “Termo” (item 4.2.2), pois esse se trata de ausência de destaque em nota fiscal e não de isenção indevida. 3. Identifica a correspondência entre o item 002 do Auto de Infração e o item 4.2.3 do “Termo”, que se referem ao imposto caracterizado pela fiscalização como destacado em nota fiscal e Fl. 2554DF CARF MF Processo nº 10980.725774/201094 Acórdão n.º 3301005.004 S3C3T1 Fl. 11.299 4 não recolhido nem declarado em DCTF, no montante de R$ 6.146.361,17. Esclarece que esse valor corresponde, na verdade, à soma do valor lançado e declarado em DCTF (R$ 3.660.992,00) com o valor dos créditos que foram glosados pela fiscalização (R$ 2.485.368,95) e registrados no item 4.1.1 do “Termo”. Alega novamente a nulidade do Auto de Infração, apontando a divergência entre a descrição dos itens, pois o item 002 não se refere a glosas, mas apenas ao imposto apurado e não recolhido. Informa que a suposta falta de declaração em DCTF decorreu de lapso no seu preenchimento, que indicou o CNPJ da matriz, 82.566.340/000149, ao invés do da filial, 82.566.340/000220, e que tal equívoco foi devidamente retificado e informado à fiscalização, o que não poderia ter sido por ela desconsiderado e que caracterizaria a boafé da contribuinte. Ressalta que a autonomia dos estabelecimentos não interfere na unicidade da pessoa jurídica, impedindo a cobrança de um estabelecimento pelo imposto já pago, incorretamente, por outra unidade da mesma empresa e obrigandose esse último a pedir a restituição. 4. Insurgese contra a glosa de créditos associados a insumos devolvidos correspondente ao item 003 do Auto de Infração, afirmando que todos os créditos associados a devoluções foram devidamente estornados, conforme o Livro Registro de Apuração do IPI. Levanta a hipótese da conclusão da fiscalização ter decorrido unicamente dos erros existentes nas informações apresentadas nos arquivos magnéticos. Afirma, ainda, que a fiscalização teria aplicado equivocadamente a alíquota de 22% referente às saídas, ao invés da alíquota dos insumos, na apuração do crédito do imposto a ser estornado, o que também teria decorrido dos erros dos arquivos magnéticos. Pugna pela baixa em diligência para comprovação de seus argumentos e conseqüente exclusão das glosas efetuadas. 5. Contesta a glosa de todos os créditos de insumos do período, correspondente ao item 4.1.1 do “Termo”, no valor de R$ 2.485.368,95, em face dos estreitos limites utilizados na amostragem e dos elementos exigidos para a comprovação das entradas. Rejeita a representatividade da amostragem por ter abrangido apenas dois fornecedores e dois meses do ano de 2006 para permitir a conclusão de falta de comprovação para todas as aquisições de 2006. Refuta a necessidade de apresentação simultânea dos contratos de compra e venda e das transferência de recursos para os fornecedores para quitação das aquisições, na ausência do Livro Modelo 3 de Controle da Produção e do Estoque, pois as principais informações constantes dos arquivos magnéticos estavam corretas e atestariam a regularidade das operações. Afirma não terem sido apresentados pela fiscalização indícios de que as operações poderiam não ter ocorrido na Fl. 2555DF CARF MF Processo nº 10980.725774/201094 Acórdão n.º 3301005.004 S3C3T1 Fl. 11.300 5 realidade. Discorda da não aceitação de declarações de quitação firmadas pela própria credora como prova de pagamento das aquisições. Alega que não é necessária a existência de contrato escrito entre empresas para que se realizem operações comerciais entre elas, bem como que o pagamento do fornecimento de insumos pode se dar por sistemáticas do tipo contacorrente, nas quais os pagamentos ficam dissociados das operações individualmente consideradas e daí a apresentação de declaração da credora como prova de quitação. Cita os artigos 183 e 482 do Código Civil. Justifica as quitações por meio de depósitos efetuados por terceiros afirmando que nesses casos a quitação se deu pela remessa de recursos de devedores da impugnante. Portanto, a quitação de todas as operações teria sido comprovada por documentos hábeis. Ainda, a glosa de todos os créditos implicaria em considerar que não teria havido aquisição de insumos ou matérias primas em 2006, o que seria absurdo e levaria a concluir que não teria havido industrialização nesse ano e, portanto, não haveria débito de IPI a considerar. Ressalva que compete à fiscalização o ônus da prova, conforme o art. 142 do CTN, não se aplicando o princípio da inversão do ônus da prova por se tratar de imputação de fraude, e que sequer foi aplicada a multa agravada que corresponderia à identificação de irregularidades na documentação ou nas operações realizadas. Pugna pela baixa em diligência e eventual perícia, para a qual já apresenta quesitos e indica perito, a fim de comprovar suas alegações. 6. Contrapõese ao lançamento registrado no item 4.2.2 do “Termo”, referente a ausência de destaque nas notas fiscais de saída e erro na escrituração, no valor de R$ 232.663,31, por entender inexistirem elementos para o lançamento efetuado pela fiscalização. Para o CFOP referente a venda da produção do estabelecimento, afirma que todos os destaques foram realizados e os valores incluídos no débito ao final do mês. No caso do CFOP relativo a remessa em bonificação, doação ou brinde, alega que ou se referem de fato a mercadorias referentes a brindes, conforme comprovam as notas fiscais que anexa, discordando da descaracterização efetuada pela fiscalização, ou a produtos cujo IPI foi devidamente destacado. Quanto aos demais CFOPs, afirma que os lançamentos correspondente estão também equivocados, porém que uma defesa mais específica resta prejudicada em virtude de ser o “Termo” confuso e lacunoso em relação a esse fatos. Pugna pela baixa em diligência para comprovação de suas alegações. Finaliza pedindo o acolhimento da preliminar de nulidade, o deferimento da baixa em diligência e da prova pericial requeridas e, no mérito, o julgamento pela procedência para a desconstituição, total ou parcial, do crédito tributário. Fl. 2556DF CARF MF Processo nº 10980.725774/201094 Acórdão n.º 3301005.004 S3C3T1 Fl. 11.301 6 A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP considerou a impugnação procedente em parte, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 NULIDADES. AUSÊNCIA OU DEFICIÊNCIA DA DESCRIÇÃO DOS FATOS E DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. INOCORRÊNCIA. Afastase a nulidade argüida uma vez presentes no Auto de Infração a descrição dos fatos que justifique o lançamento e a capitulação legal que lhe dá sustentação. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos constitutivos, modificativos e extintivos do direito alegado. NOTAS FISCAIS PRESUMIDAS INIDÔNEAS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA INIDONEIDADE. GLOSA INDEVIDA DO CRÉDITO. A nota fiscal é, até prova em contrário, o documento hábil para comprovar a efetividade da transação, cabendo à fiscalização o ônus de demonstrar sua inidoneidade. Descumprida essa premissa, a glosa do crédito fundado em nota fiscal é indevida. ERRO DE FATO. ESTORNO DE DEVOLUÇÃO DE INSUMOS. INEXISTÊNCIA. Verificado o estorno das devoluções de insumos inicialmente glosadas pela fiscalização, há que se revisar a glosa e excluir o valor correspondente do montante lançado de ofício. ERRO DE FATO. NOTAS FISCAIS SEM DESTAQUE DO IMPOSTO. INEXISTÊNCIA. Verificado o efetivo destaque do imposto nas notas fiscais e a correspondente escrituração do débito lançado pela fiscalização com fundamento na ausência de destaque e de escrituração, há que se revisar o lançamento para excluir o valor correspondente do crédito tributário apurado. PERÍCIA PRESCINDÍVEL. DESCABIMENTO. Perícia e diligência prescindíveis na apreciação da lide devem ser indeferidas pelo órgão julgador de primeira instância administrativa. Impugnação Procedente em Parte A maior parte do auto de infração foi cancelada pela DRJ, havendo o recurso de ofício necessário ao CARF. No recurso voluntário apresentado em relação ao único item do auto de infração mantido, a contribuinte Fl. 2557DF CARF MF Processo nº 10980.725774/201094 Acórdão n.º 3301005.004 S3C3T1 Fl. 11.302 7 não alegou nulidade e nem solicitou novamente a realização de diligência, mas, no mérito, repetiu os argumentos da impugnação. Na análise do Recurso Voluntário pela 3ª Câmara / 3ª Turma Ordinária da Terceira Secão, decidiuse por maioria de votos, por meio da Resolução nº 3301000.254 (fls. 2393 e seguintes), converter o julgamento da lide em diligência. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira Relatora. Os recursos de ofício e voluntário são tempestivos e atendem aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso deles tomo conhecimento. A lide cingese a exigência de IPI com os seguintes fundamentos: créditos de IPI por aquisições de insumos não comprovadas; b) devoluções de insumos sem o estorno do crédito de IPI correspondente; c) IPI não destacado em Notas Fiscais de saída e não escriturado; e d) débitos de IPI não recolhidos. Constam da Resolução nº 3301000.254 as seguintes observações: A contribuinte reconhece a procedência do crédito tributário, requerendo apenas a possibilidade de aproveitamento de eventuais declarações e compensações feitas em nome da matriz, quando, na verdade, deveriam ser feitos pela filial. O acórdão recorrido traz que a contribuinte alega ter retificado as declarações de forma a associar os débitos e créditos à filial, porém não apresenta comprovação disso. O voto condutor do acórdão recorrido traz que, a consulta aos sistemas da RFB realizada em 23/08/2011, revelou que as DCTFs ativas existentes para a contribuinte, entregues em 26/04/2010, apresentam valores de IPI somente associados à matriz. Assim, não havia nos autos elementos que permitissem desvincular eventuais compensações e pagamentos dos débitos declarados para a matriz e considerálos como meios de quitação para os débitos da filial lançados no presente processo. Mesmo após tomar ciência do acórdão recorrido, a contribuinte não apresentou prova de que retificou suas DCTFs para realizar a vinculação dos débitos pagos e compensados com a filial. Também não acrescentou nenhuma prova adicional ao processo. No recurso voluntário, a recorrente apenas repetiu os argumentos da impugnação. Fl. 2558DF CARF MF Processo nº 10980.725774/201094 Acórdão n.º 3301005.004 S3C3T1 Fl. 11.303 8 Tratase de um auto de infração, em que o ônus da prova recai sobre a administração tributária, mas, entendo que cabe a recorrente carrear aos autos as provas de que o auto de infração deveria ser cancelado. A fiscalização provou que não havia o recolhimento devido pela filial, portanto, cabia a recorrente desconstituir a prova trazida pela fiscalização. O acórdão recorrido afirma que existe um débito regularmente declarado em DCTF para a matriz e a contribuinte não tomou a iniciativa de retificar a referida declaração para que os registros fiquem de acordo com o que alega. O débito declarado em DCTF tem natureza de dívida confessada e como tal não pode ser desconstituído ou desconsiderado sem que haja fundamentos para isso. Em adendo, os próprios valores declarados na matriz não se encontram quitados, conforme as informações constantes da própria DCTF, identificandose, em cada período de apuração, apenas pequenos pagamentos residuais declarados, mas não comprovados pela contribuinte, em regra no valor de 1% do débito. Concordo com o acórdão recorrido que caberia a recorrente provar que não existem os débitos declarados para a matriz e que ainda estão assim registrados na DCTF ativa, bem como provar o pagamento correspondente a esses valores e que pretende que sejam revertidos para a quitação do débito da filial. O acórdão recorrido aduz que, caso a recorrente entenda que tenha havido algum pagamento indevido em nome de outro estabelecimento da mesma empresa, será possível o pedido de restituição de indébito desses valores, onde terá nova oportunidade para comprovar os fatos alegados. Entretanto, não concordo que sugerir a possibilidade de pedido de restituição seja o procedimento adequado. Entendo que o mais correto é sabermos se os valores escriturados na matriz e na filial foram pagos, mesmo que haja um erro de declaração do contribuinte ao informar na DCTF da matriz débitos que deveriam ter sido declarados para a filial e que foram pagos. Assim, na Resolução nº 3301000.254 (fls. 2393 e seguintes), que converteu o julgamento da lide em diligência, foram indicadas as questões a serem esclarecidas nos seguintes termos: Portanto, não há outra alternativa a não ser solicitar diligência à Delegacia da Receita Federal de circunscrição do contribuinte para que seja informado: a) Se os valores escriturados confirmam as compensações e os pagamentos dos débitos declarados para a matriz, mas que são meios de quitação para os débitos da filial lançados no presente processo; Fl. 2559DF CARF MF Processo nº 10980.725774/201094 Acórdão n.º 3301005.004 S3C3T1 Fl. 11.304 9 b) Se a recorrente já retificou suas DCTFs, corrigindo os erros alegados; Posteriormente, que se cientifique o contribuinte sobre o resultado da diligência, para que, se assim desejar, apresente no prazo legal de 30 (trinta) dias, manifestação, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/11; Na diligência, conforme Informação Fiscal às fls. 2542/2543, as observações foram: No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, e com base no art. 94, e seu parágrafo único, e art. 95, ambos da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964; e de acordo com os arts. 383, 386, 389, 394, 509, 511 e 513, do Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010, o Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, dando prosseguimento execução à referida diligência, constatouse que a situação descrita no acórdão recorrido permanece: não houve retificação de DCTF pela recorrente, apesar de alegado que teria retificado as declarações de forma a associar os débitos e créditos à filial, sendo que as DCTFs ativas existentes para a contribuinte, apresentam valores de IPI somente associados à matriz (inscrita no CNPJ sob o nº 82.566.340/000149). Igualmente, resta sem quitação os próprios valores declarados na matriz, identificandose, em cada período de apuração, apenas pequenos pagamentos residuais em regra no valor de 1% do débito, conforme tabela com dados relativos dos Darf´s existentes em nome da matriz (inscrita no CNPJ sob o nº 82.566.340/0001 49). Para a filial, sujeito passivo do Auto de Infração em julgamento, sequer a qualquer recolhimento de valor de IPI. Dessarte, considerando que a Recorrente não logrou, na diligência, comprovar o fundamento de suas alegações, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Em relação ao Recurso de Ofício, cumpre mencionar que a decisão de piso foi favorável ao contribuinte no que concerne à glosa de créditos por suposta falta de comprovação (fl. 2505 e seguintes). Entendeuse na decisão recorrida que a Recorrente comprovou devidamente seu crédito mediante nota fiscal, nos seguintes termos: Os dispositivos do RAIPI/2002 transcritos regulam o direito ao crédito do imposto relativo aos insumos adquiridos para emprego na industrialização (art. 164) e estabelecem que o referido crédito deve ser escriturado pelo beneficiário no livro fiscal à vista do documento que lhe confira legitimidade (art. 190). Por outro lado, os artigos 122 e 123 estatuem que o documento que, em Fl. 2560DF CARF MF Processo nº 10980.725774/201094 Acórdão n.º 3301005.004 S3C3T1 Fl. 11.305 10 conjunto com o pagamento antecipado do imposto e a devida comunicação à Administração Tributária, materializa o lançamento por homologação, realizado por iniciativa do sujeito passivo, é a nota fiscal, quando se trata de contribuinte habitual do imposto e não for caso de desembaraço aduaneiro. Logo, a nota fiscal é o documento que confere legitimidade ao crédito do imposto relativo ao insumo para que seja devidamente escriturado e utilizado pelo adquirente. Assim, presumese idônea a nota fiscal que apresenta os elementos essenciais previstos nas normas e somente poderá ser desconsiderada como prova do crédito escriturado mediante caracterização de sua inidoneidade. Por seu turno, a inidoneidade da nota fiscal será comprovada pela verificação de alguma das hipóteses dos artigos 322 e 353 do RAIPI/2002, anteriormente transcritos. (...) Em resumo, a questão gira em torno da atribuição do ônus da prova. Nesse caso, a existência das notas fiscais fundamentando a escrituração dos créditos implica na atribuição do ônus da prova à fiscalização, que não logrou trazer aos autos elementos positivos de prova da inocorrência das aquisições, pautandose exclusivamente em indícios negativos relativos (não apresentação do livro ou de contratos de compra e venda e não apresentação de documentos hábeis para a quitação de parte das aquisições). Logo, não restou comprovado não terem ocorrido as aquisições da amostra ou serem inidôneas as notas fiscais apresentadas. Propõese adotar o entendimento da decisão recorrida nesta questão. Ainda considerando o Recurso de Ofício, a decisão de piso também julgou procedente a impugnação de eventuais créditos não estornados, nos seguintes termos: Portanto, considerando que a fiscalização baseou seu levantamento nos arquivos magnéticos, os quais continham erros em relação aos documentos dos autos, e que esses documentos corroboram as alegações da contribuinte de que as devoluções foram devidamente escrituradas e os créditos estornados, há que se considerar procedente a impugnação quanto a eventuais créditos não estornados. Propõese também adotar esse entendimento. A decisão de piso considerou procedente também a impugnação quanto ao imposto não destacado: A parcela do lançamento referente ao imposto supostamente não destacado nas notas fiscais de saída também não merece prosperar. Fl. 2561DF CARF MF Processo nº 10980.725774/201094 Acórdão n.º 3301005.004 S3C3T1 Fl. 11.306 11 A fiscalização efetuou o levantamento a partir das informações disponíveis nos arquivos magnéticos entregues pela empresa. No entanto, esses arquivos apresentavam uma série de incorreções, o que repercutiu no levantamento efetuado. Dessa forma, a contribuinte sustenta que os lançamentos não tem fundamento material, pois os fatos não ocorreram na forma descrita nos arquivos magnéticos. Ressalva também que era do conhecimento da fiscalização a fragilidade das informações contidas nos arquivos, que a contribuinte afirma decorrerem da falta de tempo hábil para a elaboração de uma versão consistente dos mesmos. (...) No caso do imposto supostamente não destacado, observase que o lançamento decorreu unicamente dos erros existentes nas informações dos arquivos magnéticos, pois o mero confronto dessas informações com as notas fiscais correspondentes apontam as evidentes divergências e inconsistências que invalidam o lançamento. Assim, os elementos a serem confrontados são a relação das notas fiscais com falta de destaque do imposto elaborada pela fiscalização e que serviu de base para o lançamento (fls. 1768/2165) e as notas fiscais reproduzidas nos autos às fls. 2228/2480. Desse confronto, observamse as situações a seguir descritas. 1. Saídas de materiais típicos de prêmios e brindes, não integrantes da linha de produtos industrializados pela contribuinte, como TVs, bicicletas, frigobares e DVDs. Exemplo: NF 3555 (fl. 2228). 2. Saídas de materiais tipicamente empregados em divulgação e propaganda, não integrantes da linha de produtos industrializados pela contribuinte, como banners, posters, estrutura metálica de suporte e acessórios para propaganda. Exemplo: NFs 2262, 2306, 2941 (fls. 2229, 2232, 2324). 3. Saídas de produtos com suspensão de IPI fundada em Portaria SUFRAMA. Exemplos: NFs 2796 e 2798 (fls. 2280 e 2283). 4. Saídas de produtos com indicação e destaque do IPI, de acordo com a alíquota de cada produto, variando de 0% a 22%. Exemplo: NFs 2305, 2937, 2978, 3050 e 3180 (fls. 2231, 2323, 2330, 2239 e 2361). Todas as situações identificadas em um confronto entre as informações dos arquivos magnéticos e o conteúdo das notas fiscais apontam para uma incorreção dos arquivos e uma presumível regularidade dessas situações, com o correspondente destaque do imposto quando devido. Propõese também neste item adotar o entendimento constante da decisão recorrida. Fl. 2562DF CARF MF Processo nº 10980.725774/201094 Acórdão n.º 3301005.004 S3C3T1 Fl. 11.307 12 Diante do exposto, proponho manter integralmente a decisão recorrida, nos termos do § 1° do art. 50 da Lei n° 9.784/98 e do § 3° da Portaria MF n° 343/15 (RICARF), e voto por negar provimento ao Recurso Voluntário e negar provimento ao Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira. Fl. 2563DF CARF MF
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Numero do processo: 11686.000373/2008-09
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 30/04/2005 a 30/06/2005
NÃO CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL.
Não se conhece de recurso especial quando o acórdão recorrido assenta-se em dois fundamentos autônomos e a parte traz divergência jurisprudencial somente com relação a um deles. Assim, o recurso especial não pode ser conhecido quanto à possibilidade de apresentação de provas posteriormente à impugnação.
INSUMOS. FRETES PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS.
Os valores decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática não-cumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em despesas na operação de vendas. O direito ao crédito encontra amparo, ainda, no art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.637/02, que contemplam a expressão "frete na operação de venda".
Numero da decisão: 9303-007.104
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto ao direito de crédito das contribuições sobre fretes contratados na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Demes Brito e Rodrigo da Costa Pôssas.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CRÉDITO. FRETE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. Recorrente YARA BRASIL FERTILIZANTES S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 30/04/2005 a 30/06/2005 NÃO CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. Não se conhece de recurso especial quando o acórdão recorrido assentase em dois fundamentos autônomos e a parte traz divergência jurisprudencial somente com relação a um deles. Assim, o recurso especial não pode ser conhecido quanto à possibilidade de apresentação de provas posteriormente à impugnação. INSUMOS. FRETES PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. Os valores decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática nãocumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em despesas na operação de vendas. O direito ao crédito encontra amparo, ainda, no art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.637/02, que contemplam a expressão "frete na operação de venda". Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto ao direito de crédito das contribuições sobre fretes contratados na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Demes Brito e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 6. 00 03 73 /2 00 8- 09 Fl. 598DF CARF MF Processo nº 11686.000373/200809 Acórdão n.º 9303007.104 CSRFT3 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte YARA BRASIL FERTILIZANTES S.A. com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, buscando a reforma do Acórdão nº 3403002.008, proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF. Na parte de interesse ao presente julgamento, o colegiado a quo não reconheceu o direito de aproveitamento de créditos da contribuição sobre despesas com fretes para transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. A Contribuinte interpôs recurso especial alegando divergência jurisprudencial quanto a três matérias: (a) aproveitamento de créditos de PIS e COFINS não cumulativos sobre fretes entre unidades da própria empresa de produtos acabados; (b) aplicação do entendimento mais favorável ao Contribuinte, nos termos do art. 112 do Código Tributário Nacional CTN; e (c) realização de diligência e possibilidade de juntada de novos documentos e elaboração de laudo técnico após a apresentação do recurso em primeira instância. Para comprovar o dissenso, colacionou como paradigmas os seguintes acórdãos, respectivamente: (a) 3401002.075 e 340203.148; (b) 3302002.930; e (c) 3402002.906. No primeiro exame de admissibilidade foi dado seguimento parcial ao recurso, tão somente quanto à possibilidade de aproveitamento de créditos de PIS e COFINS sobre fretes de produtos acabados entre unidades da empresa, consoante despacho de admissibilidade do então Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento. Com a interposição de agravo pelo Sujeito Passivo, também foi dado seguimento ao tema relativo à possibilidade de apresentação de provas após o recurso à primeira instância, tudo nos termos do despacho do Presidente da Terceira Turma da CSRF, que acolheu o agravo nessa parte. Portanto, as matérias suscitadas no recurso especial da Contribuinte, que foram admitidas e serão objeto de análise por este Colegiado, referemse à possibilidade de aproveitamento de créditos de PIS e COFINS decorrentes de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa e à apresentação de provas após o recurso à primeira instância. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o Relatório. Fl. 599DF CARF MF Processo nº 11686.000373/200809 Acórdão n.º 9303007.104 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.070, de 11/07/2018, proferido no julgamento do processo 11080.002375/200924, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.070): "Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela contribuinte YARA BRASIL FERTILIZANTES S.A. é tempestivo, restando analisarse o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. As matérias enfrentadas pela Recorrente em sede de apelo especial são referentes à: (a) possibilidade de apresentação de provas após o recurso na primeira instância; e (b) o reconhecimento do direito aos créditos de PIS e COFINS nãocumulativos oriundos de fretes entre estabelecimentos da mesma empresa, tendo sido admitida a discussão apenas em relação aos produtos acabados. 1. Apresentação de provas Para análise da admissibilidade do recurso especial quanto ao pleito de apresentação de provas após o recurso na primeira instância, importa trazer breve retrospecto da lide. A contenda administrativa originouse de pedido de ressarcimento de saldo credor acumulado da contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativo, do segundo e terceiro trimestres de 2007, em razão da sua atividade exportadora. Em procedimento fiscal efetuado para confirmação da existência dos referidos créditos, a Autoridade Fiscal concluiu ser parcialmente procedente o pleito, pois (a) teria havido a transferência onerosa a terceiros de créditos de ICMS acumulados na escrita fiscal, sem oferecimento dos valores recebidos à tributação; e (b) a Contribuinte apropriouse de créditos sobre os dispêndios da contratação de frete entre estabelecimentos da própria empresa, com inobservância do art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03, que concede o direito ao crédito somente com relação ao frete pago na operação de venda. A conclusão da Fiscalização pela glosa parcial do pedido de restituição restou formalizada por meio de despacho decisório (fl. 26), contra o qual se insurgiu a empresa por meio de manifestação de inconformidade (fls. 36 a 55), esclarecendo que: não houve transferência onerosa de créditos de ICMS a terceiros, mas sim é beneficiária de contrato celebrado com a Secretaria da Fazenda do Rio Grande do Sul, tendo incentivo fiscal estadual consistente no crédito presumido equivalente a 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto incidente sobre as operações interestaduais envolvendo fertilizantes de fabricação própria; além disso, colacionando aos autos planilha demonstrativa, sustentou serem as remessas realizadas entre seus diversos estabelecimentos do País, em sua imensa maioria, de Fl. 600DF CARF MF Processo nº 11686.000373/200809 Acórdão n.º 9303007.104 CSRFT3 Fl. 5 4 produtos semielaborados, com processo industrial concluído na unidade de destino, sendo que há apenas uma pequena parcela de transferência de produtos acabados. Defende a existência ao crédito nas duas hipóteses de frete. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão nº 1025.008 2ª Turma da DRJ/POA, de 30 de abril de 2010 (fls. 72 a 75), ensejando a interposição de recurso voluntário (fls. 78 a 101). Na sessão de 03 de junho de 2011, o julgamento do recurso foi convertido em solicitação de diligência ao órgão de origem, consoante Resolução nº 3403000.208 (fls. 199 a 202), solicitando que: (a) trouxesse aos autos elementos documentais, dentre aqueles já colhidos no momento do procedimento fiscal, para comprovar a existência e os montantes das supostas operações de cessão de créditos de ICMS a terceiros; e (b) informasse sobre a possibilidade de segregar, dentre os fretes contratados pela Recorrente para transporte de itens entre suas próprias unidades, aqueles que tinham por objeto a remessa de produtos acabados e aqueles que envolveram itens em fabricação. Após a determinação da diligência, o processo assim se desenrolou: [...] Em resposta à diligência, o órgão de origem elaborou “Termo de Comunicação e Ciência”, por meio do qual (i) diz não ser possível segregar os fretes contratados pela recorrente conforme solicitado pelo CARF e (ii) afirma que, em verdade, não houve cessão de créditos de ICMS a terceiros, mas sim – como reclamara a recorrente – apropriação de crédito presumido deste imposto. Intimado deste despacho, o recorrente manifestase, trazendo aos autos planilhas demonstrativas dos fretes de matériasprimas e de produtos acabados. Por sua vez, o órgão de origem elabora o “Termo de Comunicação e Ciência 2”, através do qual, em síntese, reitera que as planilhas inicialmente fornecidas pelo recorrente não eram capazes de segregar os fretes, porém aquelas trazidas aos autos apenas após a diligência o fazem. Conclui, por fim, que a contratação de frete para transporte de itens entre unidades do próprio sujeito passivo (seja de matériasprimas, embalagens ou produtos acabados) não gera direito ao crédito do tributo, por ausência de previsão legal. Intimado deste segundo Termo de Comunicação, a recorrente novamente manifesta se para argumentar que a eventual manutenção do despacho decisório com fundamento em suposta sujeição da subvenção recebida à tributação importaria inadmissível modificação da acusação fiscal – construída sob a premissa de que a recorrente cedera créditos de ICMS – com prejuízo ao direito de defesa e ao contraditório. [...] (grifouse) Retornados os autos ao CARF para análise do recurso voluntário, foi proferido o Acórdão nº 3403001.994 (fls. 289 a 297) proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 21 de março de 2013, ora recorrido, que lhe deu parcial provimento apenas para afastar a glosa dos créditos de PIS nãocumulativo sobre os valores decorrentes das transferências onerosas de créditos de ICMS a terceiros. Por outro lado, indeferiu os pedidos da Recorrente quanto à pretensão de créditos decorrentes da contratação de frete para transporte de itens entre unidades do próprio Sujeito Passivo, seja de matériasprimas e de materiais de embalagem, seja de produtos acabados, sob dois fundamentos: (a) com as provas constantes nos autos quando determinada a realização de diligência não era possível desmembrar do total de fretes, aqueles que tivessem por objeto o transporte de itens em fabricação; e (b) as planilhas unilateralmente formuladas pelos contribuintes não são meios aptos a demonstrar a invalidade de glosas efetuadas. Fl. 601DF CARF MF Processo nº 11686.000373/200809 Acórdão n.º 9303007.104 CSRFT3 Fl. 6 5 Para clareza da assertiva, extraise trecho do acórdão recorrido que trata da matéria: [...] Dito isso, remanesce pendente a análise do direito à apropriação de créditos da contribuição ao PIS, na hipótese de fretes realizados entre estabelecimentos da própria pessoa jurídica recorrente para transporte seja de matériasprimas e de materiais de embalagem, seja de produtos acabados. Quando da conversão do julgamento em diligência, esta Turma expressamente consignou que a medida não se prestaria “a corrigir a incompetência da parte a quem a lei atribui o ônus da prova”, determinando que o órgão de origem se limitasse a juntar aos autos “via impressa dos elementos documentais, dentre aqueles já obtidos junto à recorrente no curso da fiscalização”, capazes de segregar do total de fretes em questão, aqueles que tivessem por objeto o transporte de itens ainda em fabricação. Pois em resposta à diligência, o órgão de origem foi assertivo em afirmar que as provas até então coligidas aos autos não lhe permitiam proceder ao desmembramento. E a separação, a meu ver, seria fundamental à melhor aplicação ao caso do disposto nas Leis nº. 10.637/02 e 10.833/03. E por que? Porque na sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os dispêndios da pessoa jurídica com a contratação de frete pode se situar em três diferentes posições: (a) se na operação de venda, constituirá hipótese específica de creditamento, referida pelo art. 3º, inciso IX; (b) se associado à compra de matériasprimas, materiais de embalagem ou produtos intermediários, integrará o custo de aquisição e, por este motivo, dará direito de crédito em razão do previsto no artigo 3o, inciso I; e (c) finalmente, se respeitar ao trânsito de produtos inacabados entre unidades fabris do próprio contribuinte, será catalogável como custo de produção (RIR, art. 290) e, portanto, como insumo para os fins do inciso II do mesmo artigo 3º. De seu turno, o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte somente do ponto de vista logístico ou geográfico pode ser compreendido como etapa da futura operação de venda. Juridicamente falando não o é e, a meu ver, não se enquadra dentre as hipóteses legais em que o creditamento é concedido. Afirma a origem que, dos documentos constantes dos autos até a interposição do voluntário não lhe é possível fazer a segregação em comento. E mesmo que admitíssemos aqui o exame do material extemporaneamente trazido pela recorrente, já na oportunidade em que se manifestou sobre o relatório da diligência, a ele não se pode atribuir valor probatório. Tratase, com efeito, de uma planilha gerencial, unilateralmente confeccionada e sem comprovação de respaldarse em documentos ou na escrita contábil da pessoa jurídica. Portanto, dois fundamentos alicerçam a conclusão de que deve ser mantida a glosa sobre os créditos de PIS referentes aos fretes contratados entre os estabelecimentos do recorrente: (i) havia expressa vedação à formalização de novas provas, cabendo o contribuinte têlas trazido desde a manifestação de inconformidade, o que – frisese – não foi feito e (ii) planilhas unilateralmente formuladas pelos contribuintes não são meios aptos a demonstrar a invalidade de glosas efetuadas. Por todo o exposto, voto pelo provimento parcial do recurso voluntário para reconhecer a insubsistência das glosas efetuadas na origem com fundamento na não sujeição ao tributo de valores supostamente auferidos em razão da cessão de saldos de ICMS a terceiros e, nesta parte, deferir o ressarcimento pretendido. [...] Fl. 602DF CARF MF Processo nº 11686.000373/200809 Acórdão n.º 9303007.104 CSRFT3 Fl. 7 6 Da fundamentação do acórdão recorrido, depreendese que foram dois os argumentos utilizados para o indeferimento do pedido de juntada de provas após o recurso em primeira instância: (a) a impossibilidade de juntada de novas provas; e (b) ainda que fossem admitidas, as planilhas produzidas unilateralmente pela Contribuinte e juntadas aos autos não têm valor probatório. Tratase de dois argumentos autônomos e cada um deles suficiente, por si só, para manutenção da decisão proferida pelo Colegiado a quo. A Recorrente, por sua vez, ao se insurgir quanto à juntada de provas, enfrentou e comprovou a divergência jurisprudencial tão somente com relação ao primeiro argumento: a (im)possibilidade de juntada de provas após o recurso em primeira instância. No acórdão paradigma nº 3402002.906 a discussão centrase nesse argumento, tanto que naquele caso houve a determinação de realização de diligência semelhante ao caso dos autos que culminou com a elaboração de um Laudo Técnico. Havendo dois fundamentos autônomos e não sendo atacados os dois, não deve ter prosseguimento o recurso especial com relação a essa matéria. Nesse sentido, é a Súmula nº 283 do Supremo Tribunal Federal: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles". Portanto, não se conhece do recurso especial da Contribuinte com relação a essa matéria. 2 Do Direito ao Crédito de PIS e COFINS nãocumulativos de Produtos Acabados Com relação ao direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, temse que a divergência foi devidamente comprovada, devendo ter prosseguimento o apelo especial. A priori, explicitase o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrarse à análise dos itens individualmente. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autorizase a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda.1 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] Fl. 603DF CARF MF Processo nº 11686.000373/200809 Acórdão n.º 9303007.104 CSRFT3 Fl. 8 7 O princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, consignandose a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhandose ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximandose da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entendese igualmente impróprio para conceituar insumos adotarse o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/200672, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de tornála inócua e de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (grifouse) Fl. 604DF CARF MF Processo nº 11686.000373/200809 Acórdão n.º 9303007.104 CSRFT3 Fl. 9 8 As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecerse o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processos, no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de Fl. 605DF CARF MF Processo nº 11686.000373/200809 Acórdão n.º 9303007.104 CSRFT3 Fl. 10 9 produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial Fl. 606DF CARF MF Processo nº 11686.000373/200809 Acórdão n.º 9303007.104 CSRFT3 Fl. 11 10 e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifouse) Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Ainda, no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema foi recentemente julgado pela sistemática dos recursos repetitivos nos autos do recurso especial nº 1.221.170 PR, no sentido de reconhecer a ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério da essencialidade ou relevância para o processo produtivo na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime nãocumulativo. Até a presente data da sessão de julgamento desse processo não houve o trânsito em julgado do acórdão do recurso especial nº 1.221.170PR pela sistemática dos recursos repetitivos, pois pendente de julgamento de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional. Fazse a ressalva do entendimento desta Conselheira, que não é o da maioria do Colegiado, que conforme previsão contida no art. 62, §2º do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os conselheiros já estão obrigados a reproduzir referida decisão. Assim, os valores decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática nãocumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em despesas na operação de vendas. O direito ao crédito encontra amparo no art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.637/02, que contemplam a expressão "frete na operação de venda". No caso dos autos, conforme afirmado pela Contribuinte e não contestado pela Fiscalização, está consolidado que os fretes entre os estabelecimentos da empresa são de matériaprima e uma pequena parte de produtos acabados, defendendo serem ambos passíveis de créditos, em consonância com o acórdão colacionado como paradigma (nºs 3401002.075 e 340203.148). A partir da descrição da atividade da Recorrente na peça do apelo especial, é possível chegarse a melhor compreensão quanto à essencialidade/pertinência do frete entre estabelecimentos, tanto de matériasprimas quanto de produtos acabados, para o seu processo produtivo. Reproduzemse os argumentos constantes às fls. 385 a 387, in verbis: [...] Vejase que no caso em comento os fretes praticados durante o processo produtivo são os seguintes: 1.Frete com a aquisição de matériaprima para fabricar fertilizantes (exemplo nitrogênio, fósforo e potássio); Fl. 607DF CARF MF Processo nº 11686.000373/200809 Acórdão n.º 9303007.104 CSRFT3 Fl. 12 11 2. Remessa para industrialização da matériaprima; 3. Frete do produto até outro estabelecimento da Recorrente para armazenagem e venda final. Ou seja, os produtos da Recorrente como condição para bem desempenharem sua função, são higroscópicos e, portanto, com absorção de umidade apresentam perda de suas plenas qualidades em período relativamente curto (cerca de 18 a 24 meses), não sendo adequado armazenálos por longo tempo. Por isso, é possível afirmar que, tal como ocorre no acórdão paradigma, o caso da Recorrente possui peculiaridades que fazem com que o seu processo produtivo não termine na fábrica, mas somente quando o produto industrializado acabado é entregue ao produtor rural, destinatário final, em condições aptas para uso na lavoura. Para minimizar a deterioração na qualidade e para evitar problemas de segurança no transporte, devese prestar atenção tanto às propriedades iniciais do fertilizante quanto aos procedimentos corretos de manuseio do fertilizante. O manuseio e o transporte correto do fertilizante devem ser baseados nas condições climáticas, no tipo de fertilizante e na forma como é expedido (granel ou sacos): [...] No caso em tela, a Recorrente possui sede em Porto Alegre e unidades em vários Estados da federação, existindo em determinados casos (embora muito menos usual do que a remessa de matéria prima) a remessa de produtos acabados destinados à venda. Isso é fácil de compreender: a unidade de Porto Alegre, por exemplo, pode ter em estoque determinado produto vendido pela unidade de Imperatriz, no interior do Maranhão. A fim de atender à demanda que lhe foi encaminhada, não se deve exigir que a empresa produza, no Maranhão, o fertilizante de que já dispõe estocado no Rio Grande do Sul, já que, como narrado linhas acima, o fertilizante se deteriora rapidamente com o passar do tempo, devendo sempre ser comercializado o produto que se encontra há mais tempo em estoque. Mas ao transportar a mercadoria até suas unidades pelo país, a contribuinte gasta um considerável montante em frete. Porém, se os bens transportados já estão destinados à venda, esse frete também deve estar sujeito aos créditos de PIS e de COFINS previstos nos artigos 3º, IX e 15, II da Lei nº 10.833/03, pois há apenas um deslocamento do trajeto que seria realizado originalmente, caso o produto saísse do estabelecimento industrial de Porto Alegre e fosse transferido diretamente ao comprador. [...] Nesse sentido, esse 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais proferiu os Acórdãos nºs 9303004.673, de 16 de fevereiro de 2017, de relatoria da nobre Conselheira Érika Costa Camargos Autran; e 9303005.156, de 17 de maio de 2017, cuja relatoria foi da ilustre Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Os julgados foram assim ementados: Acórdão n.º 9303004.673 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 28/02/2005 DECADÊNCIA. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação, ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre. Fl. 608DF CARF MF Processo nº 11686.000373/200809 Acórdão n.º 9303007.104 CSRFT3 Fl. 13 12 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2005 CREDITAMENTO DECORRENTE DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. POSSIBILIDADE, INDEPENDENTEMENTE DO RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PELOS FORNECEDORES, MAS DESDE QUE COMPROVADO O PAGAMENTO DAS TRANSAÇÕES E A CORRESPONDENTE ENTREGA DAS MERCADORIAS. Realidade em que as aquisições do sujeito passivo estão sujeitas à apuração de crédito básico pela aquisição de insumos previsto no artigo 3°, inciso II, da Lei n° 10.637/02. Direito o qual deverá ser reconhecido uma vez evidenciado nos autos, independentemente do recolhimento da contribuição por parte dos fornecedores, a anotação, no corpo das notas fiscais de entrada, de que as correspondentes operações estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS. associado à comprovação do pagamento das transações e da entrega das mercadorias, o que afasta as conseqüências decorrentes da eventual inidoneidade dos fornecedores. nos termos do artigo 82 da Lei n° 9.430/96. CRÉDITOS BÁSICOS. DESPESAS COM FRETES. As despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte, pagas e/ ou creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos básicos de PIS, passiveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2005 CREDITAMENTO DECORRENTE DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. POSSIBILIDADE, INDEPENDENTEMENTE DO RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PELOS FORNECEDORES, MAS DESDE QUE COMPROVADO O PAGAMENTO DAS TRANSAÇÕES E A CORRESPONDENTE ENTREGA DAS MERCADORIAS. Realidade em que as aquisições do sujeito passivo estão sujeitas à apuração de crédito básico pela aquisição de insumos previsto no artigo 3°, inciso II, da Lei n° 10.637/02. Direito o qual deverá ser reconhecido uma vez evidenciado nos autos, independentemente do recolhimento da contribuição por parte dos fornecedores, a anotação, no corpo das notas fiscais de entrada, de que as correspondentes operações estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS. associado à comprovação do pagamento das transações e da entrega das mercadorias, o que afasta as conseqüências decorrentes da eventual inidoneidade dos fornecedores. nos termos do artigo 82 da Lei n° 9.430/96. CRÉDITOS BÁSICOS. DESPESAS COM FRETES. As despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte, pagas e/ ou creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos básicos de Cofins, a partir da competência de fevereiro de 2004, passiveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação. Recurso Especial do Procurador negado Recurso Especial do Contribuinte negado Fl. 609DF CARF MF Processo nº 11686.000373/200809 Acórdão n.º 9303007.104 CSRFT3 Fl. 14 13 Acórdão n.º 9303005.156 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIASPRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS Os fretes na transferência de matériasprimas entre estabelecimentos, essenciais para a atividade do sujeito passivo, eis que vinculados com as etapas de industrialização do produto e seu objeto social, devem ser enquadrados como insumos, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso II, da Lei 10.637/02. Cabe ainda refletir que tais custos nada diferem daqueles relacionados às máquinas de esteiras que levam a matériaprima de um lado para o outro na fábrica para a continuidade da produção/industrialização/beneficiamento de determinada mercadoria/produto. PIS. COFINS. CRÉDITO. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO OU ADQUIRIDOS COM SUSPENSÃO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para aproveitamento dos créditos sobre os serviços de fretes utilizados na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao PIS e a Cofins. (grifouse) Pela argumentação exposta, há de ser reformado o acórdão recorrido e reconhecido o direito ao crédito com relação às despesas de frete de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. 3 Dispositivo Diante do exposto, o Recurso Especial da Contribuinte é conhecido somente em parte quanto à possibilidade de creditamento de PIS nãocumulativo na contratação de frete de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, e, no mérito, dáse provimento ao recurso para ser reconhecido o direito ao crédito de PIS nãocumulativo das despesas de frete de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi Fl. 610DF CARF MF Processo nº 11686.000373/200809 Acórdão n.º 9303007.104 CSRFT3 Fl. 15 14 conhecido em parte e, na parte conhecida, o colegiado deulhe provimento para reconhecer o direito ao crédito da contribuição sobre as despesas com frete de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 611DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.915354/2009-49
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2005
PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO INFORMADO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE. SÚMULA N.º 84 DO CARF. NULIDADE DO ACÓRDÃO.
O crédito informado no PER/DCOMP, por tratar-se de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, pode ser objeto de compensação, não sendo apenas utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Nos termos da Súmula CARF n.º 84, o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
Não sendo analisado a contento o direito creditório do contribuinte, especialmente por ter se firmado posição precedente baseada em argumento superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, já constante de verbete sumular, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento.
Recurso Voluntário Provido Parcialmente
Aguardando Nova Decisão
Numero da decisão: 1002-000.406
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, e declarar a nulidade da decisão de primeiro grau do contencioso administrativo fiscal, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira nova decisão.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2005 PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO INFORMADO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE. SÚMULA N.º 84 DO CARF. NULIDADE DO ACÓRDÃO. O crédito informado no PER/DCOMP, por tratar-se de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, pode ser objeto de compensação, não sendo apenas utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Nos termos da Súmula CARF n.º 84, o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Não sendo analisado a contento o direito creditório do contribuinte, especialmente por ter se firmado posição precedente baseada em argumento superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, já constante de verbete sumular, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Recurso Voluntário Provido Parcialmente Aguardando Nova Decisão
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PER/DCOMP. CRÉDITO INFORMADO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE. SÚMULA N.º 84 DO CARF. NULIDADE DO ACÓRDÃO. O crédito informado no PER/DCOMP, por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, pode ser objeto de compensação, não sendo apenas utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Nos termos da Súmula CARF n.º 84, o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Não sendo analisado a contento o direito creditório do contribuinte, especialmente por ter se firmado posição precedente baseada em argumento superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, já constante de verbete sumular, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Recurso Voluntário Provido Parcialmente Aguardando Nova Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 53 54 /2 00 9- 49 Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10680.915354/200949 Acórdão n.º 1002000.406 S1C0T2 Fl. 88 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, e declarar a nulidade da decisão de primeiro grau do contencioso administrativo fiscal, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira nova decisão. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 61/74) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 52/55), proferida em sessão de 09 de agosto de 2011, consubstanciada no Acórdão n.º 0233.903, da 2.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG (DRJ/BHE), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 02/07) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido em 20/04/2009 (efl. 17), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 06328.39457.291206.1.3.049037, transmitido em 29/12/2006, e não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o direito creditório, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2005 Declaração de Compensação Estimativa Mensal Paga a Maior. Segundo as normas infralegais de regência, no caso de pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual, o valor pago indevidamente ou a maior a titulo de estimativas mensais somente poderá ser utilizado na dedução do IRPJ devido ao final do respectivo período de apuração ou para compor o saldo negativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10680.915354/200949 Acórdão n.º 1002000.406 S1C0T2 Fl. 89 3 O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório n.º rastreamento 831642085 emitido eletronicamente em 20/04/2009 (fl. 16) [efl. 17], referente ao PER/DCOMP n.º 06328.39457.291206.1.3.04 9037 (doc. de fls. 17/23) [efls. 18/24]. A Declaração de Compensação foi gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório, correspondente a Pagamento Indevido ou a Maior de IRPJ, recolhido em 31/01/2005 e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP (folha 22) [efl. 23]. Das análises processadas foi constatado que a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando credito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei n.º 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório em 29 de abril de 2009, conforme doc. de fl. 49 [efl. 50], o interessado apresenta manifestação de inconformidade de fls. 01/06 [efls. 02/07], protocolada em 29 de maio de 2009, argumentando que: apurou a estimativa de IRPJ do mês de dezembro de 2004, no montante de R$ 21.736,97, em 31/01/2005 efetuou o recolhimento por meio de DARF e entregou a Declaração de Débitos e Créditos Tributários DCTF correspondente, referente ao 4.º trimestre de 2004. constatou erro na base de cálculo do imposto de renda, não apurando montante a pagar a título de estimativa de IRPJ referente ao mês de dezembro de 2004, o que gerou o recolhimento a maior de R$ 21.736,97. destaca que os valores apurados estão de acordo com a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) 2005, anocalendário 2004. em decorrência da não homologação da presente Declaração de Compensação, está sendo exigido o principal do tributo não compensado, além de multa e juros. em razão de erro na apuração da IRPJ de estimativa mensal referente ao mês de dezembro de 2004 foi recolhido a maior o valor de R$ 21.736,97, que se transformou em crédito passível de compensação via PER/DCOMP. em 19/05/2009, retificou a DCTF do 4.º trimestre de 2004, demonstrando que não houve apuração de IRPJ para o período de dezembro de 2004. ocorreu no caso mero desencontro de informações e a possível não análise por parte da autoridade fiscal dos dados apresentados na DIPJ 2005. demonstrada a existência do crédito originário de pagamento indevido, requer a reforma do Despacho Decisório Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10680.915354/200949 Acórdão n.º 1002000.406 S1C0T2 Fl. 90 4 para que sejam homologadas as compensações realizadas com base nesse crédito, afastandose, a exigência do tributo, objeto de compensação realizada no PER/DCOMP n.º 06328.39457.291206.1.3.049037 (doc. de fls. 17/23) [efls. 18/24]. por fim, caso se mantenha a decisão de não homologar a compensação em discussão requer seja preservado o direito à restituição do indébito tributário, tendo em vista que a Declaração de Compensação e a presente impugnação, tempestivamente apresentadas, são provas do cumprimento do prazo prescricional de 05 anos previsto no art. 168 do (Código Tributário Nacional Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966). se o Despacho Decisório não for reformado, considera resguardado seu direito de contestação na esfera judicial em até dois anos contados da decisão administrativa que denegar a compensação por força do art. 169 do CTN. O Despacho Decisório informa que o limite do crédito analisado, para fins de restituição, era da ordem de R$ 21.736,97, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão, o qual seria utilizado para efetivar a compensação, no entanto, analisadas as informações prestadas na declaração, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP. Informase, outrossim, que, a partir das características do DARF discriminado no próprio PER/DCOMP, foi localizado pagamento integralmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, de modo a não mais haver crédito disponível para utilizar em operação de compensação, pelo que o débito informado para compensar não foi quitado, isto é, não foi compensado. Temse o seguinte quadro sintético no Despacho Decisório: Características do DARF discriminado no PER/DCOMP Período de Apuração (PA) Código de Receita Valor total do DARF Data de Arrecadação 31/12/2004 2362 R$ 21.736,97 31/01/2005 Utilização dos Pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP Número do Pagamento Valor Original Total Processo (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) Valor Original Utilizado 1760129011 R$ 21.736,97 DB: cód 2362 PA 31/12/2004 R$ 21.736,97 Valor Total R$ 21.736,97 Débitos indevidamente compensados, para pagamento até 31/04/2009 Principal: R$ 17.367,19 Multa: R$ 3.473,43 Juros: R$ 12.165,71 A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, mantendose o não reconhecimento do crédito e, por conseguinte, não homologando a compensação, eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae: A matéria em questão cingese à manifestação de inconformidade do contribuinte, em face da não homologação da Declaração de Compensação de fls. 17/23 [efls. 18/24] por inexistência de crédito disponível para a compensação Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10680.915354/200949 Acórdão n.º 1002000.406 S1C0T2 Fl. 91 5 declarada no PER/DcomP, uma vez que o pagamento realizado estava alocado a débito declarado em DCTF. Em síntese a manifestante alega que errou na apuração do imposto de renda do mês de dezembro de 2004, entregando a DIPJ/2005 com o valor correto e que em 19/05/2009 retificou a DCTF do trimestre correspondente (após a ciência do Despacho Decisório ocorrida em 29/04/2009). Quanto ao mérito, mesmo que se confirme a diferença entre o valor do débito de estimativa de IRPJ e o respectivo recolhimento, não se pode homologar a compensação pretendida na DCOMP objeto deste processo. No presente caso, para o pagamento apontado como indevido, recolhido em 31/01/2005, com código de receita 2362 (antecipação mensal por estimativa), deve ser observada a vedação estabelecida em norma para os contribuintes tributados pelo lucro real anual, inserida pelo art. 10 da Instrução Normativa n.º 460, de 18 de outubro de 2004, abaixo transcrito (essa redação foi reproduzida, posteriormente, no art. 10 da Instrução Normativa SRF n.º 600, de 28 de dezembro de 2005, que a sucedeu): (...). Sendo assim, não há como homologar a compensação declarada, tendo como crédito, a título de pagamento indevido ou a maior, valor de estimativa mensal de IRPJ, que somente pode ser utilizado na dedução do IRPJ devido ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo do período. Ressaltese, ainda, que os julgadores da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) encontramse vinculados, não somente às leis vigentes, como também a atos administrativos e normativos expedidos pelo órgão. Nesse sentido, a Portaria MF n.º 341, de 12 de julho de 2011, estabelece, em seu art. 7.º, que o julgador da DRJ deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei n.º 8.112, de 1990, bem assim o entendimento da SRF expresso em atos normativos. Quanto à suspensão da exigibilidade do crédito tributário respectivo, na forma do art. 151, inciso III, do CTN o direito está assegurado como prescreve o § 11 do art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996: (...). (...) Ante o exposto e o contido nos autos deste procedimento administrativo fiscal, reconheço por tempestiva e Improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, para não reconhecer o crédito postulado pelo contribuinte. Como se vê a DRJ esclarece que, em verdade, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que, segundo a primeira instância, o recolhimento somente poderia ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período, razão pela qual o juízo a quo manteve a não homologação da compensação, não sendo extinto o débito indicado para compensar. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10680.915354/200949 Acórdão n.º 1002000.406 S1C0T2 Fl. 92 6 No recurso voluntário, em síntese, o contribuinte, pessoa jurídica tributada pelo lucro real, reitera os termos da impugnação. Também, requer que as intimações sejam efetivadas em nome de seus advogados, sob pena de nulidade. Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 16/11/2011, quartafeira, efls. 56 e 59/60, e protocolo em 16/12/2011, efl. 61), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Apreciação de requerimento antecedente a análise do mérito Primeiramente, no que tange ao requerimento de intimação diretamente aos patronos do contribuinte, indefiro o pleito, uma vez que nos termos do art. 23 do Decreto n.º 70.235, de 1972, a intimação dos atos administrativos deve ser feita ao sujeito passivo e, quando postal, será dirigida ao domicílio por ele eleito observandose o endereço cadastro nos sistemas da Administração Tributária, sendo inviável o pleito de que as intimações sejam dirigidas ao patrono do contribuinte. Demais disto, se o contribuinte tiver aderido ao domicílio tributário eletrônico a intimação será realizada diretamente no sistema eletrônico. Mérito Quanto ao mérito, observo nulidade no acórdão vergastado, inclusive seguindo os precedentes constantes dos Acórdãos ns.º 1302002.855 e 1302002.866, ambos de 13/06/2018, bem como o Precedente deste Colegiado da 2.ª Turma Extraordinária, da sessão de 09 de agosto de 2018, Acórdão n.º 1002000.359. Explico. Trata o presente caso de pedido de restituição (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10680.915354/200949 Acórdão n.º 1002000.406 S1C0T2 Fl. 93 7 com pedido de declaração de compensação, na qual o contribuinte confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. Pois bem. No caso em comento, entendendo possuir crédito, decorrente de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, o contribuinte transmitiu PER/DCOMP objetivando a extinção das obrigações por força do instituto da compensação. No entanto, o despacho decisório negou o direito creditório e, em especial, a DRJ manteve a não homologação, sob o fundamento de que as estimativas pagas a maior só poderiam ser utilizadas na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Desta forma, em verdade, com tal conclusão, o direito creditório não chegou a ser efetivamente analisado e, neste sentido, a decisão da DRJ não se aprofundou acerca do crédito, o que, no meu entender e seguindo os precedentes anteriormente citados, ocasiona a nulidade da decisão da primeira instância recursal. Vejase que nos precedentes citados as conclusões foram as mesmas: Acórdão n.º 1302002.866 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 28/12/2006 COMPENSAÇÃO ESTIMATIVAS. POSSIBILIDADE. NULIDADE ACÓRDÃO Nos termos da súmula 84 do CARF, é possível a compensação de estimativas pagas indevidamente ou a maior. Não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob o argumento já superado pelo CARF, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10680.915354/200949 Acórdão n.º 1002000.406 S1C0T2 Fl. 94 8 Acórdão n.º 1302002.855 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 08/08/2006 COMPENSAÇÃO ESTIMATIVAS. POSSIBILIDADE. NULIDADE ACÓRDÃO Nos termos da súmula 84 do CARF, é possível a compensação de estimativas pagas indevidamente ou a maior. Não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob o argumento já superado pelo CARF, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Acórdão n.º 1002000.359 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL AnoCalendário: 2004 PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO INFORMADO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE. SÚMULA N.º 84 DO CARF. NULIDADE DO ACÓRDÃO. O crédito informado no PER/DCOMP, por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, pode ser objeto de compensação, não sendo apenas utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Nos termos da Súmula CARF n.º 84, o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob argumento superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já constante de verbete sumular, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Recurso Voluntário Provido Parcialmente Aguardando Nova Decisão Efetivamente, nos termos da Súmula CARF n.º 84, a última instância recursal já pacificou entendimento no sentido de que "o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação." O enunciado sumular acima transcrito foi confeccionado a partir dos seguintes paradigmas: Acórdão n.º 120100.404, de 23/2/2011; Acórdão n.º 120200.458, de 24/1/2011; Acórdão n.º 110100.330, de 09/7/2010; Acórdão n.º 910100.406, de 02/10/2009; Acórdão n.º 10515.943, de 17/8/2006. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10680.915354/200949 Acórdão n.º 1002000.406 S1C0T2 Fl. 95 9 Ressaltese, ademais, que o art. 10 da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRF) n.º 600, de 2005 (originalmente constante no art. 10 da IN SRF n.º 460, de 2004), que proibia expressamente a compensação da estimativa fiscal nos termos defendidos pelo despacho decisório e pela decisão recorrida, foi posteriormente revogado pela Instrução Normativa SRF n.º 900, de 2008, que não trouxe igual disciplina proibitiva, inexistindo, para o contexto destes autos, dúvidas quanto a possibilidade de utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de estimativa fiscal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real. No mais, destacando que o fato discutido nos autos é a não homologação da compensação do débito de estimativa mensal, declarada em PER/DCOMP, entendo por bem destacar que o art. 6.º da Lei n.º 13.670, de 30 de maio de 2018, que deu nova redação ao inciso IX do § 3.º do art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, para estabelecer que não poderão ser objeto de compensação os débitos relativos ao recolhimento mensal por estimativa do IRPJ e da CSLL, não é aplicável na regulamentação das Declarações de Compensação transmitidas antes da publicação da referida nova lei, na forma do art. 11, inciso II, da Lei n.º 13.670, de 30 de maio de 2018. Além disto, como consta daqueles precedentes citados no início deste voto, a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil, através da Divisão de Tributação da 9.ª Região Fiscal da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 9.ª Região Fiscal, já se posicionou no sentido de admitir o procedimento adotado pela recorrente, por meio da Solução de Consulta n.º 285 SRRF/9.ª RF/Disit, de 17 de julho de 2009, eis a ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. (...) A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeito à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei n.º 9.430, de 1996, arts. 2.º e 6.º; Lei n.º 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF n.º 3, de 2000; IN RFB n.º 900, de 2008, arts. 2.º a 4.º e 34. Acrescentese, outrossim, que a CoordenaçãoGeral de Tributação, da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovou a Solução de Consulta COSIT n.º 19, de 05 de dezembro de 2011, apreciando indagação interna relacionada ao mesmo objeto ora em discussão, tendo concluído que: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB n.º 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10680.915354/200949 Acórdão n.º 1002000.406 S1C0T2 Fl. 96 10 Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1.º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF n.º 460, de 2004, e IN SRF n.º 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB n.º 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1.º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF n.º 460, de 2004, e IN SRF n.º 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2.º e 74; IN SRF n.º 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF n.º 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB n.º 900, de 30 de dezembro de 2008. Portanto, não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob argumento superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já constante de verbete sumular, concluo que é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Destaquese que se o entendimento deflagrado para não homologação da compensação estava equivocado, conforme enunciado sumular do CARF, então, efetivamente, não houve uma exauriente análise da legitimidade do direito creditório indicado no PER/DCOMP, pelo que se dá provimento parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade de se compensar pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais, reformandose o acórdão neste ponto, devendo a DRJ proceder a análise do direito creditório. Aliás, a DRJ pode, inclusive de ofício, independentemente de requerimento expresso do sujeito passivo, na forma do art. 18 do Decreto n.º 70.235, de 1972, determinar a realização de diligências para aferir a autenticidade, ou não, do crédito declarado pelo contribuinte. Considerando o até aqui esposado e reconhecendo a possibilidade de se compensar o pagamento indevido ou a maior das estimativas, entendo pela nulidade do julgamento da DRJ, devendo ser proferida nova decisão. Dispositivo Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, em lhe dar provimento parcial para anular o acórdão proferido, determinando o retorno dos autos à instância a quo para que esta análise o direito creditório do Recorrente, podendo, inclusive, Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10680.915354/200949 Acórdão n.º 1002000.406 S1C0T2 Fl. 97 11 determinar a realização de diligências, em busca da verdade material, para um melhor entendimento do crédito indicado no pedido de compensação. Quanto ao requerimento de intimação diretamente aos patronos do contribuinte, indefiro o pleito, com fulcro no art. 23 do Decreto n.º 70.235, de 1972. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 122DF CARF MF
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