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Numero do processo: 11030.904379/2012-30
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/09/2003
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.193
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/09/2003 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/2003 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 43 79 /2 01 2- 30 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904379/201230 Acórdão n.º 3801003.193 S3TE01 Fl. 87 2 Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904379/201230 Acórdão n.º 3801003.193 S3TE01 Fl. 88 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a restituir o crédito nele declarado em razão de pagamento indevido ou a maior de Cofins, relativo ao fato gerador de 30/09/2003. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico no qual indefere a restituição pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito(s) do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, tendo sido cientificado em 23/01/2013 (fl. 8), o contribuinte apresentou, em 20/02/2013, a manifestação de inconformidade de fls. 11/21, com os argumentos a seguir sintetizados. Informa que pediu a restituição dos valores pagos a maior a título de Cofins, uma vez que foram pagos sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Traz entendimentos doutrinários e jurisprudência dos tribunais acerca do conceito de faturamento, o qual entende não abarcar o conceito de “ingresso”. O ICMS seria mero ingresso na escrituração contábil das empresas, para posterior destinação ao Fisco, terceiro titular de tais valores. Cita o recurso extraordinário nº 240785, que se encontra em fase decisória no STF, outros excertos doutrinários e princípios constitucionais, discorrendo acerca da impossibilidade de inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, visto que não representa riqueza do contribuinte, não fazendo parte da receita ou do faturamento. Por fim, requer seja deferido o seu pedido de restituição, tendo em vista ser inconstitucional a cobrança do PIS/Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, e que os créditos sejam acrescidos de juros Selic, desde o seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/2003 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904379/201230 Acórdão n.º 3801003.193 S3TE01 Fl. 89 4 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Cofins apuradas pelos regimes cumulativo e nãocumulativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual repisa os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904379/201230 Acórdão n.º 3801003.193 S3TE01 Fl. 90 5 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o objetivo é confirmar a existência de indébito tributário, confrontando informações das declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o mérito da questão, o que somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Foi o que sucedeu no recurso apresentado, no qual a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, que previam o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também Fl. 90DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904379/201230 Acórdão n.º 3801003.193 S3TE01 Fl. 91 6 sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria sendo calculado “por dentro”, ou seja, o montante do próprio imposto está incluído na sua base de cálculo, nos termos do art. 13, §1º, inciso I da LC 87/96, integrando assim a receita bruta ou faturamento, que é base de cálculo das contribuições, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal para tanto. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a partir da Lei 10.637, de 2002, e à Cofins, a partir da Lei 10.833, de 2003, para aquelas empresas sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das referidas contribuições, estas passaram a ter como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, ,porém não trazendo qualquer disposição que se refira à possibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo. O inciso VII do art. 1º das retrocitadas leis, incluído pela Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009, prevê apenas a exclusão das receitas decorrentes de transferência onerosa de créditos acumulados de ICMS originados de operações de exportação. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), que foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, Fl. 91DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904379/201230 Acórdão n.º 3801003.193 S3TE01 Fl. 92 7 DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. Ocorre ainda que eventuais alegações acerca de inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros. Assim, diante do exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 92DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI
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Numero do processo: 13884.900364/2009-81
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003
BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS A TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE.
O inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718 não teve eficácia em seu período de vigência. Inexiste permissivo legal para exclusão da base de cálculo tributável dos valores faturados repassados a terceiros.
Numero da decisão: 3803-005.712
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS A TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. O inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718 não teve eficácia em seu período de vigência. Inexiste permissivo legal para exclusão da base de cálculo tributável dos valores faturados repassados a terceiros.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos que tenha alegado em seu favor. Na falta de provas o direito creditório deve ser negado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS A TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. O inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718 não teve eficácia em seu período de vigência. Inexiste permissivo legal para exclusão da base de cálculo tributável dos valores faturados repassados a terceiros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 03 64 /2 00 9- 81 Fl. 51DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Tratase de PER/DCOMP, através do qual Loja do Pintor Tintas e Materiais para Construção busca compensar crédito de COFINS referente ao período de apuração março de 2003, no valor original de R$ 8.517,65, com débitos de PIS/PASEP e de COFINS que totalizam o mesmo valor. A DRF em São José dos Campos/SP através de despacho decisório eletrônico não homologou o pedido do sujeito passivo sob o argumento de que localizou o pagamento indicado, contudo, o mesmo estava totalmente alocado para pagamento de outros débitos do contribuinte, não restando saldo suficiente para a compensação requerida. Irresignado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, por meio da qual alega que: a) realizou pagamento indevido a maior, pois não considerou os termos do § 2º, do inciso III, do artigo 3º, da Lei 9.718/98 (inferese tratar do inciso III do § 2º do artigo 3º da Lei 9.718/98) quando apurou a base de cálculo das contribuições; b) o crédito foi devidamente apurado e compensado na forma da legislação em vigor; c) o único fundamento para a glosa das compensações efetuadas pela recorrente é uma pretensa inexistência de créditos; d) sequer foi solicitado ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não a existência e suficiência do crédito; e) a autoridade fiscal teria acesso às planilhas de apuração e poderia verificar a regularidade do encontro de contas efetuado se tivesse solicitado ao contribuinte a prova dos créditos; f) o despacho decisório deve ser anulado, determinando que a autoridade efetue as diligências para comprovar a origem e existência do crédito utilizado; ou, que seja logo homologada a compensação declarada. Ao final pede deferimento da manifestação de inconformidade. A 3ª Turma da DRJ/CPS julgou improcedente a manifestação de inconformidade afirmando que: Fl. 52DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13884.900364/200981 Acórdão n.º 3803005.712 S3TE03 Fl. 11 3 a) o contribuinte é responsável pelas informações sobre os créditos e os débitos em DCOMP, cabendo a autoridade tributária a sua necessária verificação e validação; b) o despacho decisório foi emitido corretamente, pois foi baseado nas informações prestadas pelo contribuinte para a administração tributária; c) é indevido o crédito reclamado, pois o dispositivo legal invocado pelo interessado quedouse inaplicável, por falta de regulamentação, até sua formal revogação; d) a não homologação da compensação declarada foi baseada nas informações declaradas pelo contribuinte, dispensando, a priori, o aprofundamento das investigações; e) não há motivos que justifiquem a realização de diligências ou a anulação do despacho; f) o contribuinte não conseguiu provar a existência de direito creditório capaz de suportar a compensação declarada. Inconformado, o sujeito passivo protocolou Recurso Voluntário, onde alega: a) a não localização dos darfs, por si só, não pode gerar a não homologação da compensação, pois os valores indicados à compensação foram resultados de uma análise contábil e fiscal realizada por empresa contratada que identificou os créditos fiscais passíveis de compensação com tributos, estando as informações e documentos de posse da mesma; b) a ausência de norma regulamentadora não pode prejudicar o contribuinte pela omissão do Poder Executivo, principalmente porque não poderia contrariar o dispositivo, mas apenas explicitálo; Ao final requer o acolhimento do recurso para determinar a apresentação dos documentos à comprovar o crédito, que estão em poder de escritório que realizou o levantamento dos créditos fiscais para então julgar a homologação ou não da compensação. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira – Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Percebese que a lide se restringe a dois pontos: a) a comprovação do crédito, bem como o momento de apresentação das provas; e b) a possibilidade de creditamento com base no do inciso III do § 2º do artigo 3º da Lei 9.718/98. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 Da comprovação do crédito. As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430/96. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, o interessado deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” A defesa não trouxe nenhuma prova na qual pudesse sustentar a existência do direito creditório pretendido, limitase a informar que os cálculos foram feitos por empresa contratada e pede para que seja determinada a apresentação dos documentos em posse desse terceiro. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 333 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13884.900364/200981 Acórdão n.º 3803005.712 S3TE03 Fl. 12 5 Pelo exposto é fácil concluir que a alegação do recorrente de que não pode apresentar as provas porque estariam em posse de terceiro não deve prosperar, por que lhe compete o ônus de provar suas alegações. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, contudo, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos, como escrita fiscal, escrita contábil, planilhas de cálculo e outras informações e documentos que a recorrente poderia ter trazido em sua defesa. Da impossibilidade de creditamento A insuficiente comprovação por parte do contribuinte é bastante para impossibilitar o creditamento, mas vale abordar o ponto que se refere ao inciso III do § 2º do artigo 3º da Lei 9.718/98, citase: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: [...] Fl. 55DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (Grifo Nosso) A interpretação literal da norma acima transcrita revela que é necessária norma regulamentadora, expedida pelo Poder Executivo, para que se possa excluir da base de cálculo as receitas transferidas para outra pessoa jurídica. O legislador tem a possibilidade de outorgar o poder e condicionar a eficácia das normas a atos do Poder Executivo. Nesse caso o chefe do Poder Executivo estava no direito, inclusive, de negar eficácia à norma e assim o fez por meio de medida provisória. Verificase que nunca houve norma regulamentadora de tal dispositivo até o momento de sua revogação por meio de medida provisória. Essa situação, diferentemente do alegado pelo contribuinte, impede sua aplicação. O CARF tem acompanhado esse entendimento, inclusive em relação ao mesmo contribuinte no Acórdão nº 340301.086 da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF que foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000 COFINS. LEI Nº 9.718/98. RECEITAS TRANSFERIDAS PARA TERCEIROS.INEFICÁCIA. O inciso III do § 2º do art. 3º, da Lei nº 9.718 ao prever que os “valores que, computados como receita tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentares expedidas pelo Poder Executivo", embora vigente temporariamente, não logrou eficácia no ordenamento em face de sua revogação pelo art. 47, inciso IV, da MP nº 199118 antes de qualquer iniciativa regulamentar. Recurso Voluntário Negado Logo, o crédito é inexistente por falta de eficácia da norma alegada que permitiria a exclusão de receitas transferidas para terceiros. Conclusão O pleito do contribuinte carece de provas suficientes à comprovação de suas alegações, pois não trouxe aos autos nenhuma prova fiscal e/ou contábil capaz de demonstrar o seu direito creditório. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13884.900364/200981 Acórdão n.º 3803005.712 S3TE03 Fl. 13 7 Ainda que trouxesse robusta documentação probatória, entendemos que o crédito pleiteado é inexistente, uma vez que a norma autorizadora não chegou a ser regulamentada e, consequentemente, nunca foi eficaz. Pelo exposto voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso e por NÃO RECONHECER o direito creditório pretendido. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 11060.000414/2003-00
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002
IRPF. MULTAS ISOLADA E DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE.
Improcedente a exigência de multa isolada com base na falta de recolhimento do Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF devido a título de carnê-leão, quando cumulada com a multa de ofício decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, uma vez possuírem bases de cálculo idênticas.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-003.163
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator
EDITADO EM: 14/05/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002 IRPF. MULTAS ISOLADA E DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE. Improcedente a exigência de multa isolada com base na falta de recolhimento do Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF devido a título de carnê-leão, quando cumulada com a multa de ofício decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, uma vez possuírem bases de cálculo idênticas. Recurso especial negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator EDITADO EM: 14/05/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
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MULTAS ISOLADA E DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE. Improcedente a exigência de multa isolada com base na falta de recolhimento do Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física IRPF devido a título de carnê leão, quando cumulada com a multa de ofício decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, uma vez possuírem bases de cálculo idênticas. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 04 14 /2 00 3- 00 Fl. 464DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/06/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 14/05/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Relatório JOSÉ LUIZ MARQUES FERNANDES, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já devidamente qualificado nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 24/03/2003 (AR fl. 401), exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas e glosa de dedução de despesas de Livro Caixa, bem como multa exigida isoladamente pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de Carnê Leão, em relação aos exercícios 1999, 2000, 2001, 2002, conforme peça inaugural do feito, às fls. 03/22, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário a então Terceira Seção de Julgamento do CARF contra Decisão da 2a Turma da DRJ em Santa Maria/RS, consubstanciada no Acórdão nº 5.596/2006, às fls. 415/418, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 1ª TO da 4a Câmara, em 01/06/2009, por maioria de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 3401 00.078, sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002 MULTA ISOLADA DO CARNÊLEÃO E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. Incabível a aplicação da multa isolada (art. 44, § Io , inciso III, da Lei n°. 9.430, de 1996), quando em concomitância com a multa de ofício (inciso II do mesmo dispositivo legal), ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo. Fl. 465DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/06/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11060.000414/200300 Acórdão n.º 9202003.163 CSRFT2 Fl. 9 3 Recurso Voluntário Provido.” Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 439/448, com arrimo no artigo 7º, inciso I, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado a legislação de regência, especialmente o artigo 44, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.430/96 (atual artigo 44, inciso II), afrontando, igualmente, a jurisprudência do STJ a respeito do tema. A fazer prevalecer seu entendimento, considera legítima a aplicação cumulativa de duas multas de ofício, não se cogitando em bis in idem, eis que, apesar de incidirem sobre a mesma base de cálculo, decorrem de infrações diversas. Contrapõese ao entendimento inserido no Acórdão recorrido, aduzindo para tanto que não há óbice legal para aplicação ao contribuinte omisso, diante de duas infrações tributárias diversas, de duas penalidades que possuam a mesma base de cálculo, ao contrário do que restou decidido pela Turma a quo, não havendo que se falar em bis in idem, confisco ou excesso punitivo na hipótese dos autos. Alega que a Turma recorrida, ao afastar a aplicação da multa isolada, criou nova hipótese de dispensa de penalidade não prevista na legislação de regência, em total afronta aos preceitos inscritos no artigo 97, inciso VI, do Código Tributário Nacional. Em defesa de sua pretensão, traz à colação doutrina e jurisprudência judicial contemplando a matéria, corroborando o seu entendimento. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 2ª Câmara da 2a SJ do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Procuradoria, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido, em tese, contrariou a legislação tributária, especialmente o artigo 44, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.430/96, conforme Despacho nº 220000.459/2011, às fls. 449/451. Instado a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Procuradoria, o contribuinte não ofereceu suas contrarrazões. É o relatório. Fl. 466DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/06/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 2ª Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF a contrariedade à lei suscitada, conheço do Recurso Especial e passo à análise das razões recursais. Conforme se depreende da análise dos elementos que instruem o processo, a matéria objeto do presente recurso diz respeito a multa isolada, exigida cumulativamente com a multa de ofício, em razão de a contribuinte ter deixado de recolher o IRPF a título de carnê leão, mensalmente, na forma do artigo 44, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.430/96. Em suas razões recursais, pretende a Procuradoria a reforma do Acórdão recorrido, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram os preceitos contidos no artigo 44, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.430/96, afrontando, ainda, a jurisprudência dos Tribunais Superiores. A fazer prevalecer seu entendimento, defende que não há óbice legal para aplicação ao contribuinte omisso, diante de duas infrações tributárias diversas, de duas penalidades que possuam a mesma base de cálculo, ao contrário do que restou decidido pela Turma a quo, não havendo que se falar em bis in idem, confisco ou excesso punitivo na hipótese dos autos. Por derradeiro, assevera que a Turma recorrida, ao afastar a aplicação da multa isolada, criou nova hipótese de dispensa de multa não prevista na legislação de regência, em total afronta aos preceitos inscritos no artigo 97, inciso VI, do Código Tributário Nacional. Em que pesem os argumentos da recorrente, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude. Com efeito, essa Colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais já se manifestou em diversas ocasiões a propósito da matéria, decidindo pela inaplicabilidade da concomitância das multas de ofício e isolada, conforme se extrai do excerto do voto da ilustre Conselheira Leila Maria Scherrer Leitão, acolhido de forma unânime, exarado nos autos do processo nº 10510.000679/200219, Recurso nº 106131.314, o qual peço vênia para transcrever e adotar como razões de decidir, in verbis: “ A matéria ora em discussão decorre dos seguintes fatos: I – “omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício, recebidos de pessoas físicas” sujeitos à antecipação mensal (carnêleão), aplicandose a multa isolada, qualificada, sobre o respectivo imposto, haja vista a ausência da citada antecipação, e II – imposto incidente sobre os mesmos rendimentos, na declaração de ajuste anual e, sobre o imposto assim calculado, incidiu a multa de lançamento de ofício; III – multa isolada e de ofício com mesma base de cálculo. O Colegiado recorrido, à maioria de votos, ao apreciar a matéria, ou seja, multa isolada e multa de ofício sobre a mesma Fl. 467DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/06/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11060.000414/200300 Acórdão n.º 9202003.163 CSRFT2 Fl. 10 5 base de cálculo, manifestouse conforme argumentos a seguir transcritos: “Quanto à multa isolada aplicada por falta do recolhimento do carnêleão, apesar de o contribuinte não ter se insurgido contra ela, deve ser analisada pelo aspecto da legalidade de sua aplicação. A referida multa foi aplicada tomandose como rendimentos sujeitos ao carnêleão os valores de R$ 45.000,00 (setembro de 1998), R$ 64.000,00 (setembro de 1998), R$ 335.974,00 (outubro de 1998) e R$ 4.000,00 (novembro de 1998), sendo que o percentual aplicado a título de multa sobre o valor do imposto correspondente foi de 75% para o primeiro valor, em vista de ter sido declarado como rendimento na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física retificadora, e de 150% nos demais casos. Quanto à multa de 75% calculada a partir do rendimento declarado de R$ 45.000,00, não há reparos a serem feitos na sua aplicação, pois, sendo valor recebido de pessoa física, deveria ter sido recolhido o imposto de renda devido (carnêleão). Porém, quanto às impostas a partir dos demais rendimentos, devem ser afastadas, posto resultarem de uma mesma base de cálculo da multa de ofício capitulada no inciso II, caput do art. 44, da Lei nº 9.430/96. No presente caso, o contribuinte teve lançada a multa de ofício sobre os valores de imposto correspondentes aos rendimentos omitidos e sobre esta mesma base foi autuado com a multa isolada. Isto não ocorreu no que diz respeito ao valor de R$ 45.000,00 informado na Declaração de Ajuste Anual retificadora, a partir do qual se chegou ao valor da multa isolada, pois não foi parâmetro para a aplicação de multa de ofício. O art. 44, da Lei n 9.430/96 assim determina: “Art. 44 – Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I – de setenta e cinco por cento, nos casos de pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II – 150% (cento e cinqüenta por cento), nos casos de evidente intuito de fraude,definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: ... Fl. 468DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/06/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 III – isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei n.º 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; (destaques do original) Conforme o § 1º, as multas de que trata o artigo, ou seja, a de 75% ou a de 150% (dos incisos I e II, do caput), serão exigidas isoladamente no caso especificado no inciso III, porém em hipótese alguma pode haver a aplicação cumulativa, pois desta forma, o contribuinte estaria sendo onerado com o dobro do valor estipulado para a multa, que poderia passar de 75% para 150%, mesmo sem a configuração de evidente intuito de fraude e de 150% para 300%, com a prova da fraude. As duas multas aplicadas o foram sobre uma mesma base de cálculo, o que não é admissível, pois, estarseia punindo duplamente o recorrente por uma mesma infração.” Não vislumbro como discordar do entendimento firmado pela Câmara recorrida em sua decisão, pois a mesma expressa, sem qualquer dúvida, a correta interpretação dos dispositivos legais em questão. Senão vejamos: A Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996, ao tratar do Auto de Infração com tributo e sem tributo dispôs: “Art. 43 – Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente à multa ou juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único – Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês de pagamento. ......................................................................................................... ............... Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a Fl. 469DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/06/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11060.000414/200300 Acórdão n.º 9202003.163 CSRFT2 Fl. 11 7 partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Da análise dos dispositivos legais anteriormente transcritos, é possível se concluir que para aquele contribuinte, submetido a ação fiscal, após o encerramento do anocalendário, que deixou de recolher o “carnêleão” a que estava obrigado, aplicável a multa de forma isolada, bem como os juros de mora limitados entre a data do vencimento da obrigação até a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual. É cristalino o texto ao se referir às normas de constituição de crédito tributário, através de auto de infração sem a exigência de tributo. Do texto legal concluise não haver a possibilidade de cobrança concomitante de multa de lançamento de ofício juntamente com o tributo (normal) e multa de lançamento de ofício isolada sem tributo. Concluise, pois, que se o lançamento do tributo é de ofício, deve ser cobrada a multa de lançamento de ofício juntamente com o tributo (multa de ofício normal), não havendo, nesta hipótese, espaço legal para se incluir a cobrança da multa de lançamento de ofício isolada. De outra forma, para o lançamento da exigência tributária com aplicação de multa isolada, só há espaço legal no caso de infrações não levantadas de ofício, motivo pelo qual o Acórdão recorrido manteve a exigência da multa isolada de 75%. Ou seja, a apresentação espontânea da declaração de ajuste anual com previsão de pagamento de imposto mensal (carnê leão) sem o devido recolhimento é típico à aplicação de multa de lançamento de ofício isolada sem a cobrança do imposto. Em face de todo o exposto, não merece reforma o acórdão guerreado. NEGO provimento ao recurso especial interposto.” Assim, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento parcial ao recurso voluntário da contribuinte, na forma decidida pela 1a TO da 4a Câmara da então 3a SJ do CARF, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 470DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/06/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 Fl. 471DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/06/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10840.000539/96-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 29/02/1992 a 31/12/1993
IPI - CRÉDITO POR DEVOLUÇÃO DE MERCADORIAS - O direito ao crédito decorrente de produtos devolvidos está condicionado às exigências regulamentares previstas no RIPI, entre as quais está a obrigatoriedade de escrituração do Livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque, em conformidade com os requisitos requeridos; somente se dispensa tal requisito legal quando da existência de sistema equivalente, que permita perfeita identificação das operações realizadas
Recurso provido
Numero da decisão: 9303-002.912
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso especial. Vencida a Conselheira Nanci Gama, que negava provimento
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto.
Maria Teresa Martínez López - Relatora.
EDITADO EM: 05/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Ivan Allegretti (Substituto convocado), Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto); e eu, Cleuza Takafuji, Chefe do Serviço de Seção, a fim de ser realizada a presente sessão ordinária. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 29/02/1992 a 31/12/1993 IPI CRÉDITO POR DEVOLUÇÃO DE MERCADORIAS O direito ao crédito decorrente de produtos devolvidos está condicionado às exigências regulamentares previstas no RIPI, entre as quais está a obrigatoriedade de escrituração do Livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque, em conformidade com os requisitos requeridos; somente se dispensa tal requisito legal quando da existência de sistema equivalente, que permita perfeita identificação das operações realizadas Recurso provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso especial. Vencida a Conselheira Nanci Gama, que negava provimento Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto. Maria Teresa Martínez López Relatora. EDITADO EM: 05/05/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 05 39 /9 6- 19 Fl. 785DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 05/ 05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Ivan Allegretti (Substituto convocado), Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto); e eu, Cleuza Takafuji, Chefe do Serviço de Seção, a fim de ser realizada a presente sessão ordinária. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Tratase de análise de recurso especial por contrariedade à lei, interposto pela Fazenda Nacional, contra o Acórdão nº 20178.007, do então Conselho de Contribuintes. Foi proferido voto dando "provimento parcial ao recurso, nos seguintes termos: I) por unanimidade de votos, negouse provimento quanto à saída de amostras grátis, e (I) por maioria de votos, deuse provimento para aceitar os créditos por devolução e o crédito da entrada da devolução do produto substituído". A ementa dessa decisão está assim redigida: IPI. CRÉDITOS POR DEVOLUÇÕES. As operações de devoluções de mercadorias geram direito ao crédito, desde que devidamente comprovadas, seja pela escrituração no Livro Controle de Estoque e Produção ou mediante controles subsidiários. AMOSTRA GRÁTIS. UTILIZAÇÃO INDEVIDA DA SUSPENSÃO PELO REMETENTE DO PRODUTO. Inaceitável a saída de produtos a titulo de "amostra grátis", com suspensão do IPI, sem a observância da legislação pertinente. REMESSA DE NOVO PRODUTO EM GARANTIA. Tratandose de saída de novo produto, a remessa é tributada pelo IPI. Recurso provido em parte. Com base na manifestação proferida pela Conselheira Adriana Gomes Rego Galvão, em sua declaração de voto, entende a União Federal que os documentos apresentados pelo Recorrido não são suficientes para comprovação, bem como, não substituem o Livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque Livro Modelo 3. Sob o entendimento de que o recurso apresentado atende aos requisitos legais, por meio do Despacho nº 201309, deuse seguimento nos seguintes termos: Assim, RECEBO 0 RECURSO interposto pela Procuradora da Fazenda Nacional as fls. 677/680, quanto ao direito aos créditos relativos às devoluções ou ao retorno dos produtos e ao crédito da entrada da devolução de produto substituído/defeituoso. O contribuinte apresentou contrarrazões onde pede a manutenção da decisão recorrida. Alega que: SIC: “ Nada obstante o particular entendimento da conselheira divergente a questão foi sabiamente resolvida pelos demais acompanhando o voto do relator que deixou claro a suficiência de documentos, especialmente o livro de registro de entradas, Fl. 786DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 05/ 05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10840.000539/9619 Acórdão n.º 9303002.912 CSRFT3 Fl. 786 3 entre outros "que demonstram que ditas operações de fato aconteceram” (...) Já no que tange ao direito do contribuinte aos créditos relativos a entrada de mercadorias com defeito ou substituídas, resta esclarecer que apesar da tentativa de aplicação analógica das regras do Direito Processual Civil, aplicadas na esfera judiciária, quanto à delimitação da decisão do pedido, sua aplicação em âmbito administrativo fica sensivelmente prejudicada quando defrontada com os princípios norteadores da Administração Pública. Ademais, o fato do Conselheiro ter mencionado o direito de crédito do contribuinte, não gera nenhum prejuízo ao Erário, uma vez que este direito somente poderá ser convertido em beneficio ao Recorrido após certificação administrativa. Ás fls 56, junta cópia da copia da petição inicial da Ação Declaratória de Inexistência de Relação JurídicoTributária com pedido de antecipação de Tutela e depósito com relação à parte que perdeu no então Conselho de Contribuintes: “Ausência de requisitos para tributação pelo IPI das mercadorias saídas para amostras ou demonstração”. (fl. 59d). Nesse sentido: Requer (judicialmente): a) Seja julgado procedente o pedido de declaração de inexistência de relação jurídica entre a Autora e a União Federal, impossibilitando a cobrança da exação originária do Item Ill do auto de infração e respectivo Processo Administrativo Fiscal nº 10840000.539/9619, na parte discutida nessa ação judicial, pelo reconhecimento da ausência do fato imponível, qual seja a transmissão da propriedade dos bens saídos a titulo de mera demonstração, b) Seja, ainda, julgado procedente o pedido da Autora, uma vez que o recolhimento devido a titulo de (IPI quanto a saída para demonstração arroladas no auto de infração, se concretizou no momento da venda do produto, c) Alternativamente, caso tenha o juízo entendimento diverso e seja mantida a cobrança do imposto, requer a Autora seja determinada a exclusão do montante cobrado os valores correspondentes a aplicação dos juros sobre a multa; (...) É o relatório Voto Conselheira MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ, Relatora O recurso atende aos requisitos legais e dele tomo conhecimento. Discutese quanto ao direito aos créditos relativos às devoluções ou ao retorno dos produtos e ao crédito da entrada da devolução de produto substituído/defeituoso. A decisão recorrida entendeu que pela documentação juntada, especialmente o livro de registro de entradas, entre outros "que demonstram que ditas operações de fato aconteceram.” Fl. 787DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 05/ 05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 Nesse sentido, consta do voto do ilustre relator SÉRGIO GOMES VELLOSO (sic) “Apesar da não escrituração das devoluções no Livro Modelo 3, existem controles outros, Livro Registro de Entradas, que demonstram que ditas operações de fato aconteceram.” E mais adiante (sic) “Portanto, sendo certo que as devoluções de que decorreram os créditos achamse escrituradas no Livro Registro de Entradas, contra o qual não foi oposto qualquer questionamento acerca de sua idoneidade, resta comprovado que as devoluções de fato ocorreram. Logo, a meu ver, a recorrente faz jus aos créditos, sendo, pois, insubsistente a exigência fiscal.” Penso assistir razão à d. fazenda Nacional. Nesse sentido, esclarecedor as palavras da i. conselheira ADRIANA REGO, as quais faço minhas as observações, após compulsar os autos. Os créditos relativos às devoluções ou retorno dos produtos que, de acordo com a Fiscalização, são indevidos em decorrência da não apresentação do livro Modelo 3, ou de sistema de controle equivalente. Muito embora a contribuinte alegue ter apresentado todos os seus controles de devolução ou retorno dos produtos.(notas fiscais, o livro Registro de Entradas, o Livro Registro de Saídas e o de Inventário, e a documentação de fls. 477/497), deixou de apresentar, para fazer jus ao aludido crédito, senão o Livro Modelo 3, pelo menos um controle equivalente. É que a letra do art. 86 do RIPI/82 não pode ser entendida como mero requisito formal, já que somente em observância às condições ali dispostas pode a contribuinte demonstrar de forma cabal que possui o crédito. Em razão do disposto no art. 283 do PIPI/82, a própria jurisprudência admite a dispensa da escrituração do livro de Controle da Produção e Estoque, caso seja adotado sistema equivalente, como alega a recorrente ter procedido. Ocorre que o sistema de controle equivalente deve conter, no mínimo, as mesmas características e dados inerentes ao aludido livro. No tocante as fichas, o regulamento expressamente dispõe no art. 281, verbis: "0 livro poderá, a critério da autoridade competente do fisco estadual, ser substituído por fichas: I— impressas com os mesmos elementos do livro substituído; II — numeradas tipograficamente, de 1 a 999.999; III— prévia e unitariamente autenticadas pelo fisco estadual ou pela Junta Comercial. Parágrafo único Deverá ser visada, pela repartição do fisco estadual, ou pela Junta Comercial, fichaíndice, na qual, observada a ordem numérica crescente, será registrada a utilização de cada ficha." No caso em tela, a autuação se reporta aos fatos geradores compreendidos entre a segunda quinzena de janeiro de 1992 e a segunda quinzena de fevereiro de 1993 e a documentação apresentada não corresponde a fichas, mas tãosomente ao livro de Registro de Entrada e cópias de notas fiscais de devolução. Analisando a mesma, ainda verifico que a cópia do livro se limita ao período de janeiro de 1992 a maio do mesmo ano, que os valores do crédito consignado nas cópias das notas fiscais de devolução sequer coincidem com os valores de crédito glosado (em destaque as Fl. 788DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 05/ 05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10840.000539/9619 Acórdão n.º 9303002.912 CSRFT3 Fl. 787 5 fls. 170/171), e ainda, que dentre estas notas fiscais, há algumas, como as constantes as fls. 485/487, que foram emitidas em 1991, portanto, fora do período fiscalizado. Por estes fatos entendo que, ainda para aqueles que concebem o livro de Registro do Controle da Produção e do Estoque, ou as fichas equivalentes, como mera obrigação acessória, dispensável quando há prova da efetiva devolução, no presente caso, não restou comprovado que de fato houve as devoluções. E justamente por não haver o aludido livro de Registro do Controle da Produção e do Estoque, ou as fichas equivalentes, é que também assiste razão à recorrente, quanto a não concessão do crédito relativamente as entradas dos produtos ditos defeituosos Ora, se a contribuinte não possui um controle necessário para se creditar destas devoluções, não se pode conceder tais créditos. CONCLUSÃO Em razão do todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ Fl. 789DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 05/ 05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 15521.000156/2009-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2005, 2006
OMISSÃO DE RECEITAS. REEMBOLSO DE DESPESAS. CARACTERIZAÇÃO.
Em razão de sua inoponibilidade ao Fisco, desconsidera-se a existência formal de dois contratos distintos (de afretamento e de prestação de serviços), uma vez caracterizada a falta de propósito negocial naquela forma de contratação, em virtude de diversos elementos fáticos que demonstram a realização de uma única prestação de serviço.
A atuação de empresas do mesmo grupo econômico na prestação de serviços a terceiros de forma conjugada e informal, com confusão de bens materiais e humanos, descaracteriza a veracidade do conteúdo do contrato, impondo a tributação dos valores indevidamente classificados como reembolso de despesas.
OMISSÃO DE RECEITAS. AUMENTO DE CAPITAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Uma vez não se sustentando a acusação de simulação fraudulenta que ensejou a qualificação da multa, os documentos apresentados pela Recorrente como justificadores do aumento de capital e reembolso de despesas, não podem ser meramente desconsiderados em sua validade jurídica, a fim de se buscar uma caracterização de suposta receitas omitidas decorrentes de prestação de serviços efetuados no Brasil, ainda que provenientes de recursos ingressados através de remessas recebidas do exterior, regularmente efetuadas através do Banco Central. Assim, é de se aceitar como plenamente válidos os documentos que ensejaram o aumento de capital e o reembolso de despesas.
PIS E COFINS. AUMENTO DE CAPITAL. AFASTADA SUPOSTA OMISSÃO DE RECEITAS A ESSA REMESSA.
Uma vez válida a operação de aumento de capital, por sustentada em documentação hábil e idônea, a justificar tal procedimento, não se pode considerar, a esse título, omissão de receita, que reflete, assim, nas bases de cálculos do PIS e da COFINS, que deve ser expurgada desses valores, por inexistir tal configuração de receita omitida.
MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. CONDUTA DOLOSA. NÃO COMPROVAÇÃO.
A contratação de prestação de serviços em condições econômico-financeiras desiguais, por si só, não configura simulação, por ausência de comprovação da conduta dolosa.
DECADÊNCIA. INÍCIO DA CONTAGEM. DATA DO FATO GERADOR.
A contagem do prazo decadencial dos tributos lançados por homologação obedece à regra do art. 150, §4º, do CTN, iniciando-se a contagem da data do fato gerador, quando não comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos da jurisprudência firmada em recurso repetitivo do STJ.
Numero da decisão: 1202-001.067
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da autuação e, por maioria de votos, em reconhecer a ocorrência da decadência do IRPJ e da CSLL até o terceiro trimestre de 2004 e do PIS e da Cofins até novembro de 2004, vencido o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para excluir da tributação do IRPJ e da CSLL a omissão de receitas originada do aumento de capital, vencidos os Conselheiros Viviane Vidal Wagner (relatora) e Plínio Rodrigues Lima, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso quanto à omissão de receitas originada do reembolso de despesas, vencidos os Conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para excluir da tributação do PIS e da Cofins as omissões de receita originadas do aumento de capital e do reembolso de despesas, vencidos os Conselheiros Viviane Vidal Wagner (relatora) e Plínio Rodrigues Lima e, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso quanto redução da multa de ofício para o percentual de 75%, vencido o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima. Por maioria de votos, em afastar a apreciação ex-officio da incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio, vencido o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima, que entendeu arguída pela Recorrente a não incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio. Designado para redigir o voto vencedor das matérias em que restou vencida a relatora, o Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner Relatora
(assinado digitalmente)
Orlando José Gonçalves Bueno Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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REEMBOLSO DE DESPESAS. CARACTERIZAÇÃO. Em razão de sua inoponibilidade ao Fisco, desconsiderase a existência formal de dois contratos distintos (de afretamento e de prestação de serviços), uma vez caracterizada a falta de propósito negocial naquela forma de contratação, em virtude de diversos elementos fáticos que demonstram a realização de uma única prestação de serviço. A atuação de empresas do mesmo grupo econômico na prestação de serviços a terceiros de forma conjugada e informal, com confusão de bens materiais e humanos, descaracteriza a veracidade do conteúdo do contrato, impondo a tributação dos valores indevidamente classificados como reembolso de despesas. OMISSÃO DE RECEITAS. AUMENTO DE CAPITAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Uma vez não se sustentando a acusação de “simulação fraudulenta” que ensejou a qualificação da multa, os documentos apresentados pela Recorrente como justificadores do aumento de capital e reembolso de despesas, não podem ser meramente desconsiderados em sua validade jurídica, a fim de se buscar uma caracterização de suposta receitas omitidas decorrentes de prestação de serviços efetuados no Brasil, ainda que provenientes de recursos ingressados através de remessas recebidas do exterior, regularmente efetuadas através do Banco Central. Assim, é de se aceitar como plenamente válidos os documentos que ensejaram o aumento de capital e o reembolso de despesas. PIS E COFINS. AUMENTO DE CAPITAL. AFASTADA SUPOSTA OMISSÃO DE RECEITAS A ESSA REMESSA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 52 1. 00 01 56 /2 00 9- 25 Fl. 1701DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUE NO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 15521.000156/200925 Acórdão n.º 1202001.067 S1C2T2 Fl. 3 2 Uma vez válida a operação de aumento de capital, por sustentada em documentação hábil e idônea, a justificar tal procedimento, não se pode considerar, a esse título, omissão de receita, que reflete, assim, nas bases de cálculos do PIS e da COFINS, que deve ser expurgada desses valores, por inexistir tal configuração de receita omitida. MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. CONDUTA DOLOSA. NÃO COMPROVAÇÃO. A contratação de prestação de serviços em condições econômicofinanceiras desiguais, por si só, não configura simulação, por ausência de comprovação da conduta dolosa. DECADÊNCIA. INÍCIO DA CONTAGEM. DATA DO FATO GERADOR. A contagem do prazo decadencial dos tributos lançados por homologação obedece à regra do art. 150, §4º, do CTN, iniciandose a contagem da data do fato gerador, quando não comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos da jurisprudência firmada em recurso repetitivo do STJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da autuação e, por maioria de votos, em reconhecer a ocorrência da decadência do IRPJ e da CSLL até o terceiro trimestre de 2004 e do PIS e da Cofins até novembro de 2004, vencido o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para excluir da tributação do IRPJ e da CSLL a omissão de receitas originada do aumento de capital, vencidos os Conselheiros Viviane Vidal Wagner (relatora) e Plínio Rodrigues Lima, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso quanto à omissão de receitas originada do reembolso de despesas, vencidos os Conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para excluir da tributação do PIS e da Cofins as omissões de receita originadas do aumento de capital e do reembolso de despesas, vencidos os Conselheiros Viviane Vidal Wagner (relatora) e Plínio Rodrigues Lima e, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso quanto redução da multa de ofício para o percentual de 75%, vencido o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima. Por maioria de votos, em afastar a apreciação exofficio da incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio, vencido o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima, que entendeu arguída pela Recorrente a não incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio. Designado para redigir o voto vencedor das matérias em que restou vencida a relatora, o Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner – Relatora (assinado digitalmente) Fl. 1702DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUE NO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 15521.000156/200925 Acórdão n.º 1202001.067 S1C2T2 Fl. 4 3 Orlando José Gonçalves Bueno – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Fl. 1703DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUE NO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 15521.000156/200925 Acórdão n.º 1202001.067 S1C2T2 Fl. 5 4 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte em face de decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação contra os autos de infração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, no valor de R$ 3.532.108,60 (fls. 719/731); Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, no valor de R$ 1.626.524,05 (fls. 732/741); Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, no valor de R$ 1.690.764,84 (fls. 742/753) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, nos valores de R$ 86.040,00 código 2960 e R$ 7.743.477,70 código 5477 (fls. 754/767), todos acrescidos de multa de 150% e juros de mora calculados até 30/11/2009, no montante total de R$ 45.372.783,91. De acordo com o Termo de Verificação de Infração (vol.3, fls. 422/591), a autoridade fiscal adicionou à base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, os recursos ingressados a débito na conta bancos a título de "reembolso de despesas" e que foram lançados a crédito da conta n° 1.12.12.53.0000 (CO 53 MS DRILLING) e o recursos ingressados a título de "aumento de capital", registrado a crédito da conta capital a integralizar, remetidos pela empresa DIAMOND OFFSHORE INTERNATIONAL LIMITED, considerados omissão de receita, nos termos do art. 24 da Lei nº 9.249/95, tendo deduzido os custos lançados a débito na conta n° 1.12.12.0053 (conta corrente intercompanhias). Sob a ótica fiscal e tendo como pontos relevantes: operações entre partes relacionadas; autonomia das operações contratadas; e obrigações das Empresas estrangeiras no País, os fundamentos fáticos da autuação, em síntese, são os seguintes: a PETROBRAS celebrou um contrato de afretamento da plataforma de perfuração de poços de petróleo com empresas estrangeiras indiretamente ligadas à empresa brasileira (fiscalizada) que, por sua vez, celebrou com a PETROBRAS um contrato de prestação de serviços de perfuração de poços de petróleo, assumindo cada uma responsabilidade solidária pela obrigação assumida pela outra, sendo que os serviços de perfuração de poços são prestados através da utilização dos equipamentos (sonda de perfuração) da plataforma afretada; pelo contrato de afretamento a empresa no exterior recebe 90% da soma dos dois contratos firmados, enquanto a empresa sediada no Brasil recebe 10% dos valores pactuados; a divisão da contratação permitiu o escoamento para o exterior da maior parte dos valores envolvidos (90%) sem retenção do imposto de renda na fonte, sob o entendimento de que o afretamento das plataformas seria alcançado pela isenção do art. 1º, inciso I, da Lei n° 9.481/97; apesar da execução dos serviços contratados pela PETROBRÁS envolver altos custos operacionais, a fiscalizada declarava expressivos e sucessivos prejuízos fiscais e praticava atividades com aparência de lucratividade; para cobrir os custos de execução pela fiscalizada, a empresa estrangeira recebia os pagamentos efetuados pela PETROBRÁS em remuneração aos serviços contratados Fl. 1704DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUE NO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 15521.000156/200925 Acórdão n.º 1202001.067 S1C2T2 Fl. 6 5 em contas bancárias no exterior e, em seguida, efetuava transferências bancárias, a partir da mesma conta, para o caixa da fiscalizada, sob a rubrica de “reembolso de custos" e "aumento de capital"; a fiscalizada se creditava dos valores relativos ao IRPJ e CSLL retidos na fonte pela PETROBRÁS quando do pagamento pelos serviços contratados com ela; as empresas estrangeiras e a fiscalizada eram subsidiárias direta ou indiretamente de uma mesma empresa estrangeira (DIAMOND OFFSHORE DRILLING INC (www.diamondoffshore.com). O objeto social da fiscalizada era a “prestação de serviços à indústria petrolífera” e faziam parte do seu quadro societário, a partir da alteração contratual de n° 112, em 02/01/2003: DIAMOND OFFSHORE HOLDING L.L.0 CNPJ N° 05.490.832/000157 (74,75%) e DIAMOND OFFSHORE (BRAZIL) L.L.0 CNPJ N° 05.490.927/000170 (25,25%), ambas situadas no Texas (EUA) e constituídas em 03/12/2002. embora tivesse sido acordado que os custos da operação efetivamente contratados (prestação de serviço de fato), com exceção dos custos com pessoal da fiscalizada e de docagem das plataformas que constaram dos contratos de prestação de serviços, ficariam por conta das empresas estrangeiras responsáveis pelo afretamento, além dos encargos de substituição e reparos de peças e equipamentos para as plataformas, importação de materiais, peças e equipamentos, obtenção de autorizações e licenças nos órgãos governamentais, admissão temporária das plataformas, e etc, estes atos foram executados no Brasil pela fiscalizada através de seus recursos humanos e materiais; o preço acertado, através de taxas diárias de operações, fora ajustado de forma indistinta, sendo considerados afretamento e serviço em um único preço, mas que foi segregado sem nenhum propósito negocial em dois preços: enquanto o contrato de afretamento ficou com 90% da remuneração, o contrato de prestação de serviços ficou com apenas 10%, que representou a receita declarada pela fiscalizada; a PETROBRAS efetuava o pagamento do afretamento através de depósitos em conta bancária no exterior de titularidade da empresa estrangeira DIAMOND OFFSHORE INTERNATIONAL LIMITED, que é uma subsidiária integral da DIAMOND OFFSHORE DRILLING INC., sediada nas Ilhas Cayman e remetia dessa mesma conta bancária no exterior para a conta bancária da Fiscalizada os numerários equivalentes aos custos incorridos pela empresa no Brasil para execução das atividades de perfuração contratadas pela PETROBRÁS; a fiscalizada funcionava de fato como uma filial da DIAMOND OFFSHORE DRILLING INC. no Brasil, apesar de estar formalmente constituída apenas como sua controlada, realizando a título gratuito, sem qualquer contrato escrito ou remuneração e em total subordinação, todas as tarefas que ficaram contratualmente a cargo das empresas estrangeiras responsáveis pelo afretamento, que também são subsidiárias da DIAMOND OFFSHORE DRILLING INC.; a fiscalizada carreava para seus resultados os custos comuns às empresas estrangeiras sem efetuar o rateio dos mesmos, além dos custos que contratualmente estavam estabelecidas como sendo das empresas estrangeiras responsáveis pelo afretamento, apurando prejuízos fiscais; os serviços foram prestados conjuntamente pelas duas empresas contratadas de forma unificada, em busca de um objetivo comum que era a perfuração de poços de petróleo Fl. 1705DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUE NO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 15521.000156/200925 Acórdão n.º 1202001.067 S1C2T2 Fl. 7 6 para a PETROBRAS, caracterizando uma verdadeira confusão patrimonial, a ponto de não se distinguir de forma autônoma o contrato de afretamento do contrato de prestação de serviço; os contratos de afretamento e os contratos de serviço de perfuração foram remunerados obedecendo a uma mesma sistemática (taxas aplicadas sobre horas trabalhadas) constante dos Atestados Diários de Perfuração (ADP), documento único que serve para a remuneração dos dois tipos de contratos; a fiscalizada mantinha em seus quadros de funcionários 10 (dez) gerentes estrangeiros que recebiam remuneração de ambas as empresas e, no Brasil, desempenhavam funções de superintendente ou gerente nas atividades desenvolvidas nas plataformas afretadas, supervisionando de forma indistinta as atividades de gestão náutica ou comercial desempenhadas nas plataformas; a conta corrente intercompanhias mantida pela fiscalizada (conta n° 1.12.12.0053 — CO 53 MS DRILLING), também inclui alguns custos que contratualmente são dela própria; a confusão patrimonial também ficou evidenciada nas multas contratuais previstas pela PETROBRAS de forma idêntica nos dois contratos, e que eram integralmente descontadas nas faturas da fiscalizada, mas depois lançadas a débito da conta n° 1.12.12.0053, permitindo que esta se creditasse quando dos recebimentos dos recursos transferidos pela empresa estrangeira a titulo de "reembolso de despesas"; ocorreu simulação fraudulenta, pela existência de duas situações fáticas: uma aparente – a contratação de duas empresas "distintas" pela PETROBRAS para lhe prestar o afretamento de plataformas de perfuração de poços de petróleo, e outra para lhe prestar serviços de perfuração de poços de petróleo, com a utilização das citadas plataformas; e outra real – uma única prestação de serviços de perfuração de poços de petróleo prestados por duas empresas em conjunto, que pertencem ao mesmo grupo empresarial estrangeiro, sendo uma delas estrangeira e a outra brasileira a fiscalizada, ambas controladas indiretamente pela empresa estrangeira, DIAMOND OFFSHORE DRILLING INC. Com vistas a demonstrar a subordinação da fiscalizada à empresa DIAMOND OFFSHORE e suas repercussões tributárias, a autoridade fiscal efetuou a análise detalhada dos contratos, suas cláusulas e seus anexos, bem como a análise dos recursos humanos utilizados tanto pelas empresas estrangeiras como pela empresa brasileira fiscalizada. Aos autos foram juntados os documentos levantados durante o procedimento fiscal, tendo a autoridade fiscal destacado, dentre outros: contratos sociais das empresas envolvidas e relatórios gerenciais, para comprovar a relação de dependência e subordinação entre elas; contratos de afretamento e dos contratos de prestação de serviços para comprovar que o que se contratava era uma única obrigação de fazer característica de prestação de serviços; folhas de pagamento e livro de registro de funcionários da fiscalizada, além de respostas às intimações, para comprovar que seu corpo funcional não era suficiente para Fl. 1706DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUE NO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 15521.000156/200925 Acórdão n.º 1202001.067 S1C2T2 Fl. 8 7 executar plenamente o serviço de perfuração para o qual foi contratada, e que incluía profissionais especificamente capacitados para a atividade de afretamento; fichas de pagamento das empresas estrangeiras, anexo V dos contratos de afretamento, cópias dos processos de autorização de trabalho estrangeiro obtidos junto ao Ministério do Trabalho e Emprego, as Fichas do Programa Mundial de competência dos profissionais da DIAMOND OFFSHORE DRILLING INC. e respostas das intimações, para comprovar que no corpo funcional das empresas estrangeiras constavam, em sua maioria, profissionais específicos e próprios para a prestação de serviços de perfuração, e não de afretamento; documentos dos procedimentos licitatórios adotados pela PETROBRÁS, para comprovar que não foi realizado procedimento de licitação com a fiscalizada e que o procedimento de segregar a contratação em duas empresas não estava previsto no Edital da Licitação; Atestados Diários de Perfuração (ADP), os Boletins de Medição (BM) e as taxas estabelecidas e aplicadas conforme os Anexos III dos contratos, para comprovar que as duas empresas são remuneradas pela execução de uma única atividade desempenhada, que é a prestação de serviços; cópias do Edital de convite internacional emitido pela PETROBRAS para as empresas estrangeiras e as respostas da PETROBRAS às intimações, para comprovar que as cláusulas contratuais estabelecidas, a formulação da divisão dos contratos e suas formas de remuneração (90% para o afretamento e 10% para os serviços) ocorreu sem nenhum propósito negocial e foi plenamente acatada e aceito pelas contratadas; extratos bancários das contas existentes no exterior, de titularidade da DIAMOND OFFSHORE LIMITED, faturas emitidas pelas empresas estrangeiras e respostas da PETROBRAS às intimações, para comprovar que a origem dos referidos recursos transferidos para a conta bancária da fiscalizada são os próprios pagamentos efetuados pela PETROBRAS para remunerar a empresa estrangeira DIAMOND OFFSHORE NETHERLAND pelo afretamento das plataformas OCEAN CLIPPER, OCEAN YATZY e OCEAN WINNER; lançamentos efetuados pela fiscalizada na conta contábil de reembolso, onde se constatam várias inconsistências em relação à sua natureza, para comprovar que diversos custos eram realizados por conta e ordem da própria fiscalizada e não das empresas estrangeiras; cópias das diversas notas fiscais emitidas por empresas contratadas pela fiscalizada, as Ordens de Compra e as requisições de materiais anexadas às notas fiscais apresentadas, os lançamentos dos citados custos efetuados ora na conta de reembolso e ora em conta de resultado, para comprovar que a fiscalizada utilizava seu pessoal e seu material de forma indistinta para a aquisição dos citados produtos, independente se era dela ou da empresa estrangeira; apuração do resultado do exercício da fiscalizada, sobretudo as contas de despesas utilizadas e os seus lançamentos, para comprovar que o prejuízo apurado pela Fiscalizada se deu de forma intencional, pois considerou como seus alguns custos que Fl. 1707DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUE NO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 15521.000156/200925 Acórdão n.º 1202001.067 S1C2T2 Fl. 9 8 contratualmente foram estabelecidos como sendo das empresas estrangeiras responsáveis pelo afretamento das plataformas; termo de constatação elaborado pela fiscalização a bordo da plataforma OCEAN ALLIANCE, para comprovar o grau de subordinação e vinculação existente entre os funcionários da fiscalizada e os funcionários das empresas estrangeiras durante o exercício das atividades praticadas a bordo das plataformas e a confusão patrimonial existente nas atividades desempenhadas pelos funcionários das citadas empresas; documentos comprovando que o Agente da empresa PETROSERV (agenciadora) foi credenciado para representar a DIAMOND OFFSHORE e não a fiscalizada, e quem realizou o referido credenciamento foi o diretor da DIAMOND; faturas da fiscalizada, para comprovar que as multas contratuais previstas pela PETROBRAS tanto nos "contratos de afretamento" como nos "contratos de serviço" são descontadas integralmente da fiscalizada, sendo lançadas a débito na conta corrente intercompanhias, conforme Livro Razão; lançamentos efetuados na conta corrente intercompanhias e lançamentos efetuados nas contas de resultado, para comprovar a utilização dos mesmos códigos que identificam as plataformas OCEAN WINNER 179.53NN, OCEAN ALLIANCE 163.53NN, OCEAN CLIPPER 150.53NN, OCEAN YATZY 182.53NN, nas duas contas; cláusulas contratuais que tratam da rescisão contratual constante tanto dos contratos de afretamento como os contratos de prestação de serviço, para comprovar que há subordinação da contratação do afretamento das plataformas da DIAMOND OFFSHORE à contratação dos serviços prestados pela fiscalizada de forma exclusiva, haja vista que rescisão de um implica na rescisão do outro e viceversa, sem possibilidade de substituição; e cópia de Termo de Admissão Temporária das plataformas, para comprovar desproporção dos valores pagos a título de simples afretamento. Segundo a autoridade fiscal “os valores constantes da base de cálculo apurada foram retirados da escrita fiscal da Fiscalizada e também das planilhas e extratos bancários contidos nos documentos de prova de n° 114, 115, 116 e 117 que fazem parte do ANEXO XI dos autos e as planilhas apresentadas pela Fiscalizada e que constam do ANEXO XI e que foram consolidadas nas tabelas abaixo:” AN REEMBOLSO DE AUMENTO DE TOTAL 200 R$ 67.506.680,00 R$ 35.205.371,01 R$ 200 5 R$ 59.454.889,45 R$36.770.316,02 R$ 96.225.205,47 A partir dos fatos acima descritos, segundo a autoridade fiscal, ficou caracterizada a infração de omissão de receitas nos anoscalendário 2004 e 2005, submetida à tributação de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Tendo sido constatado que, em tese, ocorreu evasão tributária tipificados nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64 (sonegação fiscal, fraude e conluio) e arts. 1° e 2° da Lei 8.137/90 (crimes contra ordem tributária), houve a qualificação da multa de ofício. De acordo com a acusação, a partir da análise dos resultados e dos contratos, constatouse, que a recorrente aceitou, deliberadamente, contratar com a PETROBRÁS em Fl. 1708DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUE NO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 15521.000156/200925 Acórdão n.º 1202001.067 S1C2T2 Fl. 10 9 condições financeiras e econômicas desfavoráveis, inserindo preços incompatíveis com os custos dos serviços que realizará, a fim de proporcionar à empresa Controladora, com sede nas Ilhas Cayman, a remessa de pagamentos dos afretamentos efetuados pela PETROBRÁS, consistindo a ação fraudulenta na triangulação dos valores pagos pela PETROBRAS à Controladora e que retorna para a Controlada (recorrente). Inconformada, a interessada apresentou impugnação (fls. 785/828), em 02/01/2010, aduzindo as razões de defesa a seguir sintetizadas. Alega, em preliminar, a nulidade do auto de infração em função da atipicidade da conduta atribuída (omissão de receita) e também pela ausência de diploma legal que a fundamente, já que nenhum dos dispositivos que fundamentam o auto de infração trata das hipóteses configuradoras da omissão de receita, as quais estão previstas nos artigos 281, 283 e 287 do RIR/99, sendo que o Termo de Verificação Fiscal não contém a descrição de fato que configure omissão de receita, consoante previsto na legislação. Quanto ao direito, inicialmente, alega a decadência, por ocasião da notificação do lançamento, ocorrido em 23/12/2009, a teor do art. 150, §4° do CTN, considerando que, no ano calendário de 2004 estava sujeita ao regime de apuração pelo lucro real trimestral, quanto ao IRPJ e CSLL, os valores relativos ao primeiro, segundo e terceiro trimestres daquele ano já haviam decaído; e em relação ao PIS e a COFINS, cujo fato gerador é mensal, estariam decaídos os fatos geradores ocorridos até 31/11/2004, pois durante todo o período houve a antecipação do pagamento que se entendia ser o devido. Aponta a licitude dos procedimentos por ela adotados em cumprimento integral das regras previstas no edital de licitação e/ou convite internacional, aduzindo: que a segregação da contratação, pela PETROBRÁS, mediante a celebração de dois contratos (um de afretamento e outro de prestação de serviços de perfuração) não surgiu apenas por ocasião da elaboração de tais contratos, como alega a fiscalização, tratando se de regra prevista nos próprios instrumentos convocatórios das licitações (edital e convite); que, nos termos dos editais e convite, de antemão, era sabido que a PETROBRÁS destinaria 90% (noventa por cento) do preço contratado para pagamento do afretamento e 10% (dez por cento) para a remuneração da prestação de serviço, independentemente da empresa que saísse vencedora do certame; que estabeleciam os editais que "no caso de a Licitante ser uma empresa estrangeira, proprietária e/ou responsável pela Unidade, ela poderá, observado o item 3.1, apresentar proposta em conjunto com uma Licitante brasileira, que atue na área de perfuração de poços de petróleo, com a qual será firmado o contrato de prestação de serviços ficando, ambas, solidariamente responsáveis pelo cumprimento dos contratos", o que, efetivamente, foi feito pela Impugnante, não sendo verdadeira a afirmação de que "o procedimento acima adotado de segregar a contratação em duas empresas não estava previsto no Edital de Licitação"; que os contratos por ela celebrados apenas refletem, com absoluta fidelidade, as regras impostas pela PETROBRÁS e formalizadas nos instrumentos convocatórios e foram elaborados com base nas minutas que o instruíram, unilateralmente elaboradas pela PETROBRÁS; Fl. 1709DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUE NO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 15521.000156/200925 Acórdão n.º 1202001.067 S1C2T2 Fl. 11 10 que não é verdade que "somente no momento da celebração do negócio, após toda a negociação, é que surge o nome da Fiscalizada com a sua indicação para assinatura dos contratos de prestação de serviços”, mesmo porque a participação nas licitações pressupõe o prévio credenciamento do interessado mediante o preenchimento de declaração a ser apresentada conforme modelo constante do próprio edital, o que sempre fez, conforme demonstra através do com o credenciamento relativo ao edital n° 101.0.005.977, que junta aos autos; e que a presunção é de legalidade do instrumento licitatório, de forma que, considerada a validade da licitação, os negócios jurídicos com base nela realizados não podem ser considerados ilícitos, sendo vedado à autoridade fiscal atribuirlhe efeitos diversos para fins tributários. Sustenta que a inclusão de cláusulas que, em princípio, seriam pertinentes a apenas um dos contratos, justificase em função do edital prever a responsabilidade solidária das contratantes pelo cumprimento de ambos (afretamento e prestação de serviços), o que também justifica a presença na plataforma de profissionais das empresas afretadoras especializados em perfuração, bem assim a presença, no seu quadro de empregados, de profissionais habilitados para a atividade de navegação. Aponta a insubsistência da qualificação jurídica atribuída pela fiscalização aos elementos de fato colhidos durante os trabalhos fiscais, aduzindo que, quanto à natureza dos contratos de afretamento e prestação de serviços por ela celebrados, deve ser observada a posição da DRJ em decorrência de autuação anterior, nos autos do processo n° 15521.000031/200571, quando a 5ª Turma, após analisar os mesmos contratos que constituem objeto deste processo, decidiu que se tratava de instrumentos jurídicos distintos, conforme se comprova pelas partes contratantes e pelo objeto contratado, pois, quanto às partes, há os contratos firmados entre a impugnante e a PETROBRÁS, que têm origem em outros distintos, firmados entre as empresas estrangeiras e a PETROBRÁS, e quanto ao objeto, dos primeiros decorre a obrigação, pela autuada, de prestar serviços operacionais à PETROBRÁS, sendo que dos contratos firmados entre a PETROBRÁS e as empresas estrangeiras decorre a obrigação, por parte destas, da cessão da plataforma objeto de afretamento. Diante dessa interpretação dada aos contratos celebrados, não pode a fiscalização atribuirlhes interpretação diversa; visto que a decisão administrativa, que no caso concreto já transitou em julgado, faz coisa julgada para a administração, devendo ser observado o art. 146 do CTN, que somente se permite alteração do critério jurídico utilizado em lançamento anterior em relação a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Quanto às despesas adiantadas pela impugnante por conta e ordem das empresas afretadoras das embarcações, alega: (i) que o fato de não cobrar pelo apoio logístico administrativo e operacional para que os serviços contratados pela PETROBRÁS com a Diamond Offshore pudessem ser executados, não se presta à conclusão de que funciona como uma filial de fato da empresa estrangeira; (ii) que o critério de apropriação de custos e despesa é realizado em estrita conformidade com as obrigações que assumiu no contrato de prestação de serviço celebrado com a PETROBRÁS; Fl. 1710DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUE NO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 15521.000156/200925 Acórdão n.º 1202001.067 S1C2T2 Fl. 12 11 (iii) que na execução da prestação dos serviços para os quais foi contratada, incorre em custos e despesas próprias da referida atividade, as quais, naturalmente, são apropriadas como despesas suas, sendo tais gastos inseridos dentre as suas obrigações, nos termos do contrato com a PETROBRÁS; (iv) que, por outro lado, existem custos e despesas que extrapolam os limites de manutenção e conservação dos equipamentos, os quais elevam a vida útil dos equipamentos ou estão relacionados à própria conservação do navio afretado, e também as despesas relacionadas ao pessoal estrangeiro que não pertence ao seu quadro de empregados, à contratação de seguros, à importação de materiais, peças e equipamentos, à admissão temporária das plataformas, à inscrição no REPETRO, à obtenção das autorizações e licenças para que as embarcações possam operar em território brasileiro, os quais, naturalmente, são inerentes ao afretamento contratado entre as empresas estrangeiras e a PETROBRÁS e, por isso mesmo, tais custos não são por ela suportados; (v) que, por conta da dinâmica própria da atividade de exploração de petróleo, por vezes adianta despesas de responsabilidade da empresa estrangeira (proprietária da embarcação), realizandoas em seu próprio nome, emite a correspondente nota de débito para se reembolsar das despesas incorridas por conta e ordem da empresa estrangeira, sendo posteriormente reembolsada pela empresa estrangeira através de remessas regulares acobertadas por contratos de câmbio devidamente registrado e aprovados pelo Banco Central; (vi) que a questão não é nova, já tendo sido objeto de apreciação pelo Conselho de Contribuintes em julgamento realizado em 17/5/1982, processo da mesma interessada, quando se fixou o critério jurídico a ser adotado no caso concreto: “3. A dedutibilidade é determinada, no caso concreto, pela natureza dos gastos, isto é, autorizase a apropriação como custo e/ou despesa operacional se o dispêndio estiver relacionado com o segundo tipo de despesa enumerado no item 2 retro; enquanto que aqueles desembolsos relacionados com as despesas previstas na primeira categoria (Reposição e Reparos) são de responsabilidade dos proprietários das embarcações e não podem ser aceitos, para efeito de apuração do lucro tributável, se apropriado pela recorrente". Quanto à alegada desproporção entre os valores dos contratos de afretamento e o valor da plataforma afretada, sustenta que o argumento da fiscalização é equivocado por apenas considerar os valores das embarcações declarados nos Termos de Admissão Temporária, ignorando os altíssimos custos inerentes à aquisição, conservação e manutenção das plataformas e dos equipamentos que a integram, sendo que os lucros auferidos com os afretamentos são bastante modestos, o que derrubaria a premissa da fiscalização de que os expressivos valores cobrados só se justificariam se fosse para remunerar a própria atividade de perfuração. Alega que também não procede a afirmação de que as multas contratuais são descontadas integralmente da impugnante, pois essas multas são emitidas em moeda americana e descontadas dos pagamentos efetuados ao exterior. Quanto às premissas e qualificação jurídica dos fatos, conclui: que o entendimento fiscal pressupõe a prática de ato pela própria PETROBRÁS por ocasião da elaboração do edital, com objetivo de lesar, sem motivo aparente, os cofres públicos da União, sua principal acionista, pressupondo também a ilegalidade das Fl. 1711DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUE NO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 15521.000156/200925 Acórdão n.º 1202001.067 S1C2T2 Fl. 13 12 regras estabelecidas nas licitações, apesar de sua validade não ter sido questionada em tempo algum; que acredita ter comprovado, à saciedade, que os valores entrados como reembolso de despesas e aporte de capital de fato tinham essa natureza, não procedendo a sua classificação como parcelas integrantes do seu faturamento; e que o tratamento tributário ao final adotado, que de considerála pessoa jurídica autônoma e independente, como de fato é, revela que a própria fiscalização não acredita no seu argumento de que a mesma seria uma filial de fato da DIAMOND OFFSHORE DRILING INC. Quanto aos lançamentos decorrentes, no caso específico do PIS e da COFINS alega que a solução deve ser outra, mesmo que mantido o lançamento do IRPJ, considerando, em síntese, que os reembolsos de despesas efetuados pelas empresas estrangeiras configuram, quanto muito, seu faturamento, por representarem uma espécie de subcontratação desta, ainda que informal, para viabilizar o cumprimento das obrigações daquelas, sendo este o entendimento que prevaleceu por ocasião do julgamento da impugnação apresentada pela Impugnante no processo n° 15521.000031/200571, em que a DRJ decidiu que tais receitas, por representarem receitas de exportação, são isentas de tributação, nos termos da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Sustenta a inalterabilidade do critério jurídico aplicado em lançamentos anteriores de PIS e Cofins, concluindo que no caso concreto o lançamento não poderia alcançar os anos calendários de 2004 e 2005, pois o critério jurídico ora dotado diverge daquele que orientou as fiscalizações anteriores, contrariando a regra contida no art.146 do CTN, pois o novo critério jurídico só poderia ser aplicado em relação a fato gerador futuro à sua introdução. Alega a inexistência de simulação, sonegação fiscal ou fraude, pois a matéria não envolve um planejamento tributário, como quer fazer crer a fiscalização, sendo inadmissível tentar lhe imputar a responsabilidade por uma estrutura contratual imposta pela PETROBRÁS. Defende o afastamento da imputação de simulação com base no inciso II do artigo 167 do Código Civil, pois, nesse caso, a caracterização da simulação nos negócios jurídicos exige a presença de declaração falsa, confissão, condição ou cláusula não verdadeira, o que no caso não ocorreu tendo em vista que os contratos celebrados guardam fiel observância às minutas que compuseram os editais de licitação e as operações dele decorrentes estão adequadamente registradas nos seus livros contábeis e fiscais, nada está oculto, escondido ou camuflado, sendo que os reembolsos de despesas e os aportes de capital foram objeto de contrato de câmbio regularmente registrados no Banco Central e as despesas que ensejaram os reembolsos encontramse escrituradas em conta própria, permitindo a identificação da sua natureza. Aduz que a contabilização dos "reembolsos de despesas" e do "aumento de capital" não caracterizaram fraude, sendo os reembolsos de despesas plenamente justificáveis, pois, como visto, são de fato inerentes aos afretamentos, ou seja, à atividade das empresas estrangeiras, enquanto os aportes de capital justificamse em razão dos sucessivos prejuízos por ela apurados. Fl. 1712DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUE NO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 15521.000156/200925 Acórdão n.º 1202001.067 S1C2T2 Fl. 14 13 Aponta, ainda, erro no cálculo do montante do tributo, pela diferença a maior de R$ 341.570,06 para o IRPJ e de R$ 36.460,78 para CSSL, conforme demonstrado na planilha que instrui a impugnação, devendo o lançamento, na hipótese de ser mantido, ser retificado. Analisando as razões da impugnação, a 7ª Turma da DRJ/RJI julgou procedente o lançamento, editando a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 PRELIMINAR. ARGUIÇÃO DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa do contribuinte. Descabe a alegação de nulidade quando não existirem atos insanáveis e a autoridade autuante observar os procedimentos previstos na legislação tributária. DECADÊNCIA. IRPJ. SIMULAÇÃO. Estando evidenciada a simulação, para fins de cômputo do prazo decadencial, aplicase a regra do art. 173, inciso I do CTN, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RECEITAS Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. VERDADE MATERIAL demonstrado, durante a fase de execução dos contratos, que o negócio desenvolvido possui aspectos muito diversos quanto ao objeto contratado, devem sofrer tributação as receitas omitidas decorrentes de prestação de serviços efetuados no Brasil, ainda que provenientes de recursos ingressados através de remessas recebidas do exterior, regularmente efetuadas através do Banco Central, porém indevidamente contabilizadas a título de “reembolso de despesas” e “aumento de capital”. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2004, 2005 DOLO. SIMULAÇÃO. MULTA AGRAVADA nas relações jurídicas é conhecido o fenômeno da simulação, onde se pretende dar a aparência de um negócio jurídico contrário à realidade, destinado a provocar uma ilusão no público, seja por não existir negócio de fato, seja por existir um negócio diferente daquele que se aparenta. Comprovada a simulação, cabe o agravamento da penalidade. Fl. 1713DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUE NO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 15521.000156/200925 Acórdão n.º 1202001.067 S1C2T2 Fl. 15 14 ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Descabe a alegação de erro de identificação do sujeito passivo quando as receitas omitidas deveriam compor o faturamento da empresa prestadora de serviços, no caso a autuada. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Anocalendário: 2004, 2005 COFINS/PIS. RECEITA DE SERVIÇOS PRESTADOS AO EXTERIOR. ISENÇÃO. DESCABIMENTO. Comprovado que recursos pretensamente isentos foram percebidos no Brasil, por serviços prestados à Petrobrás, empresa domiciliada no país, descabe aplicação da norma isentiva. LANÇAMENTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL Na ausência de argumentos diferenciados, aplicase ao lançamento decorrente aquilo que restou decidido em relação ao IRPJ. Mantido o lançamento principal igual sorte assiste aos lançamentos reflexos. A intimação dessa decisão foi expedida em 18/08/2010 (fl.1450). O contribuinte solicitou cópia do processo em 09/09/2010 (fl.1455) e, em 15/09/2010, apresentou recurso voluntário ao CARF (fls.14661514), em que repisa os argumentos da impugnação e, ainda, sustenta a reforma da decisão recorrida pelas razões a seguir sintetizadas. Questiona a indevida alteração dos fatos que fundamentaram a constituição do crédito tributário pela DRJ, que, segundo ela, concluiu diferentemente do que consta do Auto de Infração, no sentido de que "... não há como inquinar o procedimento da PETROBRAS de doloso" (fl. 1.442). Assim, uma vez entendido que a PETROBRAS não participou da alegada simulação, decorre necessariamente que os pagamentos por ela efetuados ao exterior de fato eram destinados à remuneração das empresas estrangeiras pelo afretamento regularmente contratado, e não os serviços de perfuração por ela prestados. Aponta a insubsistência da qualificação jurídica atribuída pela fiscalização aos elementos de fato colhidos durante os trabalhos fiscais, esclarecendo que, quanto à natureza dos contratos celebrados segundo a fiscalização a prestadora do serviço seria a empresa estrangeira, entendimento do qual decorre a inexistência de prestação de serviço pela Recorrente. Na impugnação apresentada ficou demonstrado que, nessa hipótese, não haveria objeto para a autuação da Recorrente, já que não seria ela a prestadora do serviço e sobre a mesma não poderia recair a exigência fiscal. Esse argumento não foi refutado pela DRJ que, ao invés disso, passou a afirmar que os pagamentos efetuados pela PETROBRAS ao exterior eram "relativos aos serviços de perfuração de poços de petróleo prestados pela Brasdril" (fls. 1.437). Sobre a alegada desproporção tida por existente entre os valores dos contratos de afretamento e o valor da plataforma afretada, aduz que o argumento decorre de erro elementar de apenas considerar os valores das embarcações declarados nos Termos de Admissão Temporária, ignorando os altíssimos custos inerentes à aquisição, conservação e manutenção das plataformas e dos equipamentos que a integram. Fl. 1714DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUE NO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 15521.000156/200925 Acórdão n.º 1202001.067 S1C2T2 Fl. 16 15 Sustenta a inalterabilidade do critério jurídico aplicado em lançamentos anteriores, visto que o livre convencimento do julgador em sentido diverso do decidido em lançamento anterior, só pode ser aplicado para os fatos geradores futuros, nos termos do art.146 do CTN. Sustenta a inexistência da alegada simulação, sonegação fiscal ou fraude, vez que seguiu fielmente o que estabelecia o contrato com a PETROBRAS, o qual, por sua vez, atendeu integralmente aos termos da minuta que integrou o edital da licitação, não podendo prevalecer a afirmação contida na decisão recorrida, segundo a qual " ... a real prestação de serviço decorrente dos contratos não se deu nos termos ali acordados" (fl.1.446). E, apesar da DRJ ter afastado a participação da PETROBRÁS na alegada simulação, alterando, neste ponto, o quanto apurado e alegado pela fiscalização, o fato é que, conforme já demonstrado, sem a participação da PETROBRAS, o cometimento da infração imputada à Recorrente não seria possível. Aduz, ainda, erro no cálculo do montante do tributo, consoante cálculos por ela elaborados e juntados à impugnação, cujas planilhas demonstram, de forma objetiva, o erro cometido pela fiscalização em que pese, na decisão recorrida, a DRJ simplesmente tenha se recusado a analisar a questão ao argumento de que o contribuinte deixou de apontar a origem das diferenças por si apuradas. A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por seu turno, apresentou contrarrazões (fls.15211562), em que sustenta a procedência do lançamento, em síntese, com base nos seguintes argumentos: (i) inexiste causa de nulidade do auto de infração, o qual contém a descrição dos fatos referentes à omissão direta de receita, enquadrada no art.24 da Lei nº 9.249/95 (art.288 do RIR/99); (ii) em que pese os contratos formais com a PETROBRÁS, as empresas estrangeiras do grupo DIAMOND OFFSHORE eram as reais detentoras dos meios físicos e intelectuais para a prestação do serviço de perfuração de petróleo, e efetivamente prestaram tal serviço por meio do contribuinte autuado, pois este se localizava no Brasil, reembolsandoo das despesas realizadas, sendo essa receita tributável; (iii) eventual presunção de legalidade aplicável aos atos da PETROBRAS, como empresa estatal, não afeta as relações jurídicas tributárias decorrentes de seus atos com terceiros, de acordo com a regra tributária do non olet, prevista no art.118 do CTN, in fine; (iv) foi objeto da autuação o fato de o sujeito passivo ter prestado serviços a uma empresa e não ter submetido à tributação os valores decorrentes dessa atividade, sem importar o conteúdo dos contratos que embasaram a realização desses serviços; (v) da leitura dos contratos de prestação de serviço de perfuração e de afretamento, não é possível verificar a alegada segregação nos serviços contratados. Em que pese a remuneração ser distinta, as duas empresas contratadas eram responsáveis em conjunto pela execução dos serviços, sendo que, como a quase totalidade dos serviços era prestada no Brasil, praticamente todo o contrato foi executado pelo contribuinte autuado; (vi) de acordo com as provas coletadas, a empresa brasileira e as empresas estrangeiras contratadas pela PETROBRAS agiam como se fossem uma só, realizando a Fl. 1715DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUE NO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 15521.000156/200925 Acórdão n.º 1202001.067 S1C2T2 Fl. 17 16 prestação em conjunto dos serviços à PETROBRAS, o que caracterizou confusão entre o contribuinte autuado e suas coligadas estrangeiras. A autuada funcionava como uma verdadeira filial do grupo empresarial DIAMOND OFFSHORE no Brasil, participando ativa e quase que isoladamente na execução dos contratos firmados por esse grupo com a PETROBRAS; (vii) também na contratação dos empregados utilizados na prestação dos serviços a PETROBRAS, o contribuinte autuado e as suas coligadas confundiam suas responsabilidades. (viii) mesmo que ultrapassando aquele percentual de 10% previsto nos contratos, com o retorno dos recursos enviados pela contratante à contratada no exterior, devia o sujeito passivo ter escriturado tais valores como receita (faturamento), afetando, assim, o resultado da empresa, e não como reembolso de custos e despesas e como aumento de capital, os quais não influenciam o cálculo do lucro. (ix) quanto à escrituração dos custos, despesas e receitas decorrentes dos contratos firmados com a PETROBRAS, mais uma vez a confusão se mostra latente, cabendo ressaltar: que o contribuinte autuado prestava todos os serviços de logística, intermediação, internação de produtos, manutenção das embarcações, etc, para a suas coligadas no exterior sem qualquer remuneração (fl. 456), mesmo estes custos importando doze vezes o valor de seu faturamento e registrar prejuízos fiscais ao longo dos anos; e que os valores enviados do exterior (a título de reembolso de custos e despesas e aumento de capital) são exatamente os mesmos que a PETROBRAS pagou às empresas estrangeiras pelo afretamento das plataformas, tendo sido utilizada uma mesma conta bancária no banco JP Morgan Chase Bank de Nova York (fls. 542/543). (x) houve evidente intuito fraudulento na omissão de receitas de forma simulada, nos termos do art. 167, §1º, inciso II, do Código Civil, quando o contribuinte tentou dar uma aparência de legalidade à segregação dos serviços prestados por ele e por suas empresas coligadas à PETROBRAS, registrando a receita a título de reembolso de custos e despesas e de aumento de capital, que não correspondiam à realidade, já que as empresas situadas no exterior prestavam, por meio da empresa localizada no Brasil (contribuinte autuado), um único serviço de perfuração de poços de petróleo com afretamento de plataforma; (xi) a anuência com a remuneração de 10% do contrato com a PETROBRAS, insuficiente até mesmo para pagar a folha de empregados, enquanto as receitas dos contratos de afretamento eram mais do suficiente para a aquisição de novas plataformas caracteriza o evidente intuito doloso do contribuinte; (xii) as operações realizadas com a PETROBRAS e com suas próprias empresas coligadas no exterior não possuíam qualquer propósito negocial e a utilização da mesma conta bancária para receber os valores pagos pela PETROBRAS em razão do contrato de afretamento e remeter os recursos à empresa brasileira reforça ainda mais o evidente intuito fraudulento da operação dentro do grupo econômico; (xiii) não houve decadência, pois, diante do evidente intuito fraudulento na omissão de receita, a contagem do prazo decadencial segue a forma do art. 173, inciso I, do CTN; Fl. 1716DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUE NO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 15521.000156/200925 Acórdão n.º 1202001.067 S1C2T2 Fl. 18 17 (xiv) incide PIS e Cofins sobre a receita omitida, pois, independentemente do que fora decidido no processo nº 15521.000031/200571, a autoridade fiscal demonstrou, neste caso, que os recursos enviados pelas empresas estrangeiras ao contribuinte autuado eram os mesmos que foram enviados pela PETROBRAS às empresas estrangeiras a título de remuneração dos contratos de afretamento, não ocorrendo saída nem entrada de divisas no País; (xv) não houve mudança de critério jurídico relativo a lançamento anterior (processo nº 15521.000031/200571), pois as conclusões diversas de cada uma das decisões decorrem dos diversos conjuntos probatórios coletados em cada processo. É o relatório. Fl. 1717DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUE NO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 15521.000156/200925 Acórdão n.º 1202001.067 S1C2T2 Fl. 19 18 Voto Vencido Conselheira Viviane Vidal Wagner, relatora PRELIMINARES Em face da ausência do aviso de recebimento (AR) comprobatório da ciência da decisão de primeira instância, ora recorrida, a tempestividade do recurso pode ser aferida do lapso menor do que 30 (trinta) dias transcorridos entre a data de expedição da intimação para ciência daquela decisão (18/08/2010, conforme fl.1450) e a data de protocolo do recurso voluntário (15/09/2010, conforme fl.1466). Assim, estando presentes todos os pressupostos recursais, inclusive o temporal, admito recurso e passo a analisálo. A recorrente aponta, preliminarmente, a nulidade do auto de infração em função da atipicidade da conduta imputada a título de omissão de receita e também pela ausência de diploma legal que a fundamente. Do exame dos autos, extraise que a autoridade fiscal enquadrou a omissão verificada na previsão contida no art. 24 da Lei nº 9.249/95, fundamento legal do art. 288 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), que assim dispõe: Art.288. Verificada a omissão de receita, a autoridade determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão (Lei nº 9.249, de 1995, art. 24). Ao contrário do que entende a recorrente, essa situação se distingue da presunção legal, que permite a apuração de omissão de receita de modo indireto, através de indícios previamente definidos, consoante dispõem os arts. 281 a 287 do RIR/99. A situação descrita nos autos foi enquadrada na hipótese de omissão direta, caracterizada pelo recebimento de valores a título de reembolso de despesas e aporte de capital, com indicação do dispositivo legal pertinente (art. 24 da Lei nº 9.249/95). Nesse caso, inexiste causa de nulidade do auto de infração, devendo ser afastada a preliminar apontada pela recorrente. A segunda questão preliminar alegada, referente à decadência de parte dos créditos pela aplicação da regra do art. 150, §4º, do CTN, por depender da definição da presença ou não de simulação ou fraude, será apreciada ao final deste voto. MÉRITO No mérito, o cerne da questão referese à análise da natureza jurídica dos ingressos dos recursos em questão, se a título de reembolso de despesas ou aumento de capital, como contabilizou a recorrente, ou a título de receita tributável, como afirma a fiscalização, ao enquadrála como receita omitida. Fl. 1718DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUE NO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 15521.000156/200925 Acórdão n.º 1202001.067 S1C2T2 Fl. 20 19 Cabe, inicialmente, um breve resumo dos fatos objeto da presente autuação, a partir da leitura do Termo de Verificação Fiscal. A PETROBRÁS contratou, concomitantemente, a recorrente e empresas estrangeiras, todas pertencentes ao grupo empresarial estrangeiro DIAMOND OFFSHORE, para perfurar poços de petróleo no território nacional, com afretamento de plataformas. Segundo a autoridade fiscal, em que pese o contrato firmado com a estatal brasileira prever que 90% dos pagamentos efetuados iriam para as empresas estrangeiras pelo afretamento de suas plataformas, e os 10% restantes à recorrente pelo serviço propriamente dito de perfuração dos poços, a empresa brasileira prestou a quase totalidade dos serviços contratados, inclusive a administração das plataformas, tendo recebido, em contrapartida, além dos 10% da PETROBRÁS, parte dos 90% recebidos por suas coligadas no exterior, por elas repassados a título de reembolso de despesas e aumento de capital, o que foi considerado omissão de receitas para fins de tributação do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Os fundamentos básicos da acusação fiscal, como se depreende dos autos, são a confusão patrimonial entre a fiscalizada e empresas estrangeiras do grupo DIAMOND na execução dos contratos firmados com a PETROBRÁS com vistas à realização de uma única prestação de serviço, o que fora verificado, essencialmente, a partir da natureza complexa e indivisível do contrato, constatada através da análise da forma de contratação e das cláusulas sobre a forma de remuneração, seguros e penalidades, dentre outras, além da utilização aleatória dos recursos humanos e materiais na operacionalização da prestação dos serviços contratados com a recorrente e com as empresas estrangeiras, sem que a fiscalizada tivesse suporte operacional e financeiro para tanto, o que gerou a apuração de prejuízos fiscais ao longo de vários anos. A recorrente refuta as acusações fiscais, consoante se detalhará ao longo deste voto. Cabe observar que, em muitos trechos de sua defesa, a recorrente rebate as conclusões do julgador de primeira instância em relação a aspectos secundários e complementares da acusação fiscal, tais como, quanto à conduta da PETROBRÁS na contratação segregada e quanto à desproporção entre os valores dos contratos de afretamento e o valor da plataforma afretada. Vêse que tais aspectos foram considerados na decisão recorrida de acordo com o peso dado a eles dentro do conjunto de elementos que sustentam o auto de infração, daí, a conclusão da DRJ pela desnecessidade de conversão do julgamento em diligência, com o objetivo de apurar o exato valor de uma plataforma afretada. Já o interesse da PETROBRÁS em realizar a contratação conjunta do afretamento e da prestação de serviços, de forma global, pode ser inferida do documento referente à contratação da plataforma Ocean Alliance (Anexo V, fl.41), não havendo pertinência na investigação de sua conduta para o deslinde do litígio. O ponto fulcral da presente autuação, que apurou omissão de receitas, é a execução dos contratos, em si, e sua respectiva remuneração. Assim, a análise do caso concreto deve se iniciar pela questão da confusão patrimonial entre as envolvidas, de acordo com a acusação fiscal, com a finalidade de executar uma única prestação de serviços: a de perfuração de poços de petróleo com a utilização de plataformas afretadas, em que pese a existência de dois contratos distintos. Fl. 1719DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUE NO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 15521.000156/200925 Acórdão n.º 1202001.067 S1C2T2 Fl. 21 20 Quanto à natureza do contrato de afretamento, cabe repisar o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça, mencionado pela decisão de piso, no Resp nº 1.054.144/ RJ (2008/00977978), que, ao tratar da tributação pelo ISS, bem dimensiona as características do referido contrato, norteando a interpretação a ser aqui desenvolvida, verbis: EMENTA: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. ISS. AFRETAMENTO DE EMBARCAÇÃO. ILEGITIMIDADE DA COBRANÇA. 1. Nos termos do art. 2º da Lei 9.432/97, afretamento a casco nu é o "contrato em virtude do qual o afretador tem a posse, o uso e o controle da embarcação, por tempo determinado, incluindo o direito de designar o comandante e a tripulação" . Afretamento por tempo é o "contrato em virtude do qual o afretador recebe a embarcação armada e tripulada, ou parte dela, para operála por tempo determinado" e afretamento por viagem é o "contrato em virtude do qual o fretador se obriga a colocar o todo ou parte de uma embarcação, com tripulação, à disposição do afretador para efetuar transporte em uma ou mais viagens". 2. No que se refere à primeira espécie — afretamento a caso nu —, na qual se cede apenas o uso da embarcação, a Segunda Turma/STJ, ao apreciar o REsp 792.444/RJ (Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 26.9.2007), entendeu que "para efeitos tributários, os navios devem ser considerados como bens móveis, sob pena de desvirtuaremse institutos de Direito Privado, o que é expressamente vedado pelo art. 110 do CTN". E levando em consideração a orientação do STF no sentido de que é inconstitucional a incidência do ISS sobre a locação de bens móveis (RE 116.121/SP, Tribunal Pleno, Rel. Min. Octavio Gallotti, Rel. p/ acórdão Min. Marco Aurélio, DJ de 25.5.2001), concluiu no sentido de que é ilegítima a incidência do ISS em relação ao afretamento a casco nu. De fato, no contrato em comento há mera locação da embarcação sem prestação de serviço, o que não constitui fato gerador do ISS. 3. No que tange às demais espécies, consignouse no precedente citado que: "Os contratos de afretamento por tempo ou por viagem são complexos porque, além da locação da embarcação, com a transferência do bem, há a prestação de uma diversidade de serviços, dentre os quais se inclui a cessão de mãodeobra", de modo que "não podem ser desmembrados para efeitos fiscais (Precedentes desta Corte) e não são passíveis de tributação pelo ISS porquanto a específica atividade de afretamento não consta da lista anexa ao DL 406/68". Assim, podese afirmar que em tais espécies contratuais (afretamento por tempo e afretamento por viagem) há um misto de locação de bem móvel e prestação de serviço. Contudo, como bem observado no precedente citado, a jurisprudência desta Corte — em hipóteses em que se discutia a incidência do ISS sobre os contratos de franquia, no período anterior à vigência da LC 116/2003 — firmouse no sentido de que não é possível o desmembramento de contratos complexos para efeitos fiscais (REsp 222.246/MG, 1ª Turma, Rel. Min. José Delgado, DJ de 4.9.2000; Resp 189.225/RJ, 2ª Turma, Rel. Min. Francisco Peçanha Martins, DJ de 4.9.2001). 4. Por tais razões, mostrase ilegítima a incidência do ISS sobre o contrato de afretamento de embarcação, em relação às três espécies examinadas. 5. Recurso especial provido. Como se vê, em se tratando de contrato de afretamento por tempo, como é o caso dos autos, a matéria encontrase pacificada no STJ, quanto à impossibilidade de desmembramento desse tipo de contrato para efeitos fiscais, em vista da dificuldade em Fl. 1720DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUE NO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 15521.000156/200925 Acórdão n.º 1202001.067 S1C2T2 Fl. 22 21 distinguir as parcelas correspondentes à locação do bem e à prestação de serviço, por se tratar de contrato de natureza complexa. Desde o marco no tema "planejamento tributário" representado pela obra de Marco Aurélio Greco (Planejamento Tributário, São Paulo, Dialética, 2004), a jurisprudência tem considerado como ponto fulcral da análise do planejamento sua oponibilidade ou inoponibilidade ao fisco. Para fins tributários, a ocorrência de fato gerador independe “da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos”, a teor do art. 118, inciso I, do CTN. No caso concreto, a autoridade fiscal desconsiderou a existência formal de dois contratos distintos (de afretamento e de prestação de serviços), alegando que não houve propósito negocial naquela forma de contratação, em virtude de diversos elementos fáticos que teriam demonstrado a realização de uma única prestação de serviço. O autuante alega ter juntado os documentos dos procedimentos licitatórios adotados pela PETROBRÁS, comprovando que nenhum procedimento de licitação foi realizado com a fiscalizada para a contratação dos serviços a serem prestados por ela e que o procedimento de segregar a contratação em duas empresas não estava previsto no Edital da Licitação. A recorrente defende a licitude dos procedimentos por ela adotados no cumprimento integral das regras previstas no edital de licitação e/ou convite internacional, e que a segregação da contratação, pela PETROBRÁS, mediante a celebração de dois contratos (um de afretamento e outro de prestação de serviços de perfuração) não surgiu apenas por ocasião da elaboração de tais contratos, como alega a fiscalização, mas já estava prevista nos próprios instrumentos convocatórios das licitações (edital e convite). Compulsando os documentos juntados no Anexo V, verificase que, intimada, a PETROBRÁS apresentou “Documentos hábeis e idôneos contendo a caracterização da situação justificadora da contratação direta, a razão da escolha do fornecedor ou prestador do serviço e a justificativa de preço dos contratos citados, conforme prevê o item 2.5 do anexo ao Decreto n° 2.745/1998”. Nos relatórios apresentados, fica claro que a negociação foi feita diretamente com a DIAMOND OFFSHORE, para contratação do afretamento com ela e da prestação de serviços com a BRASDRIL (ora recorrente). Do Convite internacional nº 186.8.019.034, de 22/01/2003 (fls.115 e ss do Anexo V), se extrai a seguinte cláusula: 2.7 As taxas diárias de operação, Ref. 101 das Planilhas de Preços Unitários, deverão ser cotadas observandose o "split" de 90% (noventa por cento) do total, a ser pago em dólares norte americanos (US$), no caso do Contrato de Afretamento da Unidade, e de 10% (dez por cento) do total, a ser pago em Reais (R$), no caso do Contrato de Prestação de Serviços. A taxa cambial a ser utilizada na conversão de US$ para RS, referente aos 10% a serem pagos em Reais, é a taxa de venda do dólar norteamericano de fechamento do Bacen de dois dias úteis anteriores à apresentação da proposta. Fl. 1721DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUE NO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 15521.000156/200925 Acórdão n.º 1202001.067 S1C2T2 Fl. 23 22 Já no Adendo B ao convite internacional, temse a resposta da DIAMOND OFFSHORE, que compreende os seguintes termos: 4. Atenderemos a todas as especificações técnicas do Adendo D e teremos todos os equipamentos e materiais requeridos disponíveis, em perfeitas condições, além de todo o pessoal necessário para iniciar afretamento e os serviços, objeto desta licitação, assim corno a documentação exigida, conforme estipulado neste Convite e seus Adendos. [...] 9. Na hipótese de nossa empresa vir a ser a vencedora da presente licitação, os representantes legais para a assinatura dos Contratos serão: Contrato de Afretamento Empresa: Diamond Offshore Netherlands BV Nomes(s): Mr. Robert G. Blair Cargo(s): Diretor Gerente Contrato de Prestação de Serviços Empresa: Brasdril Sociedade De Perfuracoes Ltda. Nome(s): Mr. Mickey Welch Cargo(s): Area Manager (destaquei) Disso fica claro que a contratação foi feita de forma conjugada com a DIAMOND OFFSHORE e a recorrente, tendo a empresa estrangeira capitaneado todo o procedimento. A par da existência ou não de previsão de segregação dos contratos no edital de licitação, a justificar a formalização de dois contratos (de afretamento e de prestação de serviços) e do papel da PETROBRÁS no quadro fático que se formou, a questão formal da contratação, à qual se apega a recorrente, não é o ponto principal que fundamenta a autuação. No caso concreto, não se trata de desconstituição do negócio jurídico firmado com a PETROBRÁS, mas, sim, de desconsideração dos efeitos tributários desse negócio, que se verificou, na prática, segundo o autuante, não ter ocorrido da forma como contratado. Como o conteúdo formal dos contratos fez parte da construção do raciocínio da autoridade fiscal com vistas à conclusão sobre a confusão patrimonial entre as envolvidas, sua análise se faz imprescindível. A descrição dos contratos consta em detalhes da decisão recorrida, pelo que tomo a liberdade de transcrever o trecho que interessa: Da apreciação dos contratos celebrados entre a Petrobrás e a Brasdril, conforme consta no anexo II, constatase que sua finalidade é a prestação de serviços, com a utilização, conforme o caso, da unidade semisubmersível de posicionamento dinâmico Fl. 1722DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUE NO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 15521.000156/200925 Acórdão n.º 1202001.067 S1C2T2 Fl. 24 23 (plataforma), OCEAN YATZY (fl. 03), OCEAN CLIPPER (fl. 75), OCEAN WINNER (fl. 145) e OCEAN ALLIANCE (fl. 247). O objeto dos contratos é a prestação pela contratada de serviços de perfuração, avaliação, e/ou complementação, “workover” de poços de petróleo e/ou gás, na plataforma continental brasileira, até a profundidade máxima de 6.000 (seis mil) metros, em lâmina d’àgua de até mil (um mil) metros, mediante o uso da unidade (fls. 04 – contrato nº 101.2.011.983). Nos demais contratos (fls. 76, 146 e 248), as condições são análogas. É de se notar que, para prestar os serviços acordados, necessariamente a Brasdril deve se utilizar das correspondentes plataformas (OCEAN YATZY – fl.04, OCEAN CLIPPER fl. 75, OCEAN WINNER fl. 145 e OCEAN ALLIANCE fl. 247). Quanto aos prazos de duração, os mesmos têm respectivamente, 1825 dias (fl. 05 – contrato 101.2.011.983), 1095 dias (fl. 77 – contrato 101.2.03899), 700 dias (fl. 147 – contrato 4600004205) e 1095 dias (fl. 249 – contrato 101.2.024.004). Por seu turno, a Petrobrás também celebrou contratos de afretamento das unidades de posicionamento dinâmico, relativos às plataformas OCEAN YATZY (fl.458), OCEAN CLIPPER (fl. 303), OCEAN WINNER (fl. 377) e OCEAN ALLIANCE (fl. 531), sendo o primeiro e o segundo formalizados com a DIAMOND OFFSHORE DRILING (OVERSEAS), o terceiro com a DIAMOND OFFSHORE NETHERLANDS BV e, o quarto, com a DIAMOND OFFSHORE DRILING (UK) LTD. O objeto de tais contratos é o afretamento das plataformas que serão utilizadas pela Brasdril (prestadora de serviços) conforme fls. 459, 304, 378 e 532, nos mesmos períodos de duração. Deste modo, as obrigações da Brasdril estariam adstritas à prestação de serviço, enquanto que as obrigações das empresas estrangeiras ao fornecimento de plataformas. Consoante a acusação fiscal, a confusão de atribuições se delineia nos próprios contratos, quando a Petrobrás insere no contrato de afretamento uma atividade própria do contrato de prestação de serviços de perfuração, e viceversa, demonstrando a unicidade dos serviços. Concluiu o julgador de primeira instância que, de fato, como indicou o autuante, na relação dos incidentes de execução prevista nos contratos de afretamento (fls. 349/353 – anexo II), só há referência às atividades de perfuração, não havendo qualquer tipo de referência às atividades ou operações próprias do afretamento, tais como, posicionamento, lastreamento e movimentação da plataforma. E no contrato de prestação de serviço, firmado com a ora recorrente, a cláusula 3.23 (fl. 84 – anexo II) trata de atividade referente ao afretamento, nos seguintes termos: "3.23 Arcar com todas as despesas, inclusive óleo diesel e transporte da UNIDADE, para docagens, inclusive aquelas decorrentes de caso fortuito ou força maior, como definido na cláusula décima terceira do CONTRATO" Além disso, verificouse que algumas cláusulas são comuns aos contratos de prestação de serviço e de afretamento, reforçando a tese da fiscalização, como, por exemplo, as cláusulas 3.6.1 (contrato de afretamento – anexo II – fl. 308) e 3.21.1 (contrato de prestação de serviços – anexo II, fl. 84): Fl. 1723DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUE NO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 15521.000156/200925 Acórdão n.º 1202001.067 S1C2T2 Fl. 25 24 "Planejar e conduzir as operações destinadas a evitar e combater erupções de petróleo, gás, incêndios ou outros acidentes, observado o disposto no item 2.4 do Anexo II deste CONTRATO. Embora seja atribuída à CONTRATADA inteira responsabilidade sobre tais operações, fica ela obrigada a discutir com a PETROBRÁS os métodos a serem adotados, buscando a melhor solução operacional." Segundo a autoridade fiscal, a existência de cláusulas vinculadoras das contratadas, além de cláusulas previstas no contrato de afretamento, mas que são executadas pela recorrente demonstram a unicidade dos serviços e a subordinação da recorrente à sua controladora, caracterizando uma relação de matrizfilial. Cabe destacar que as únicas sócias da recorrente são duas subsidiárias da empresa mãe, que são a DIAMOND OFFSHORE HOLDING e a DIAMOND OFFSHORE BRAZIL, consoante o contrato social (fl.62). Visando demonstrar a operação conjunta das contratadas na execução dos contratos, a autoridade fiscal efetuou diligências a bordo da plataforma Ocean Alliance. Assim, também na execução dos contratos, foram constatou evidências práticas da confusão patrimonial e da relação de subordinação entre as empresas, como consta do TVF (fl. 486): “Os recursos humanos utilizados na execução dos serviços demonstram que de fato, as empresas contratadas (estrangeiras e a Fiscalizada) de fato prestam serviço de perfuração de poços de petróleo de forma única e unidas, de maneira que uma se completa com a outra, a estrangeira se encarrega da execução das principais atividades de perfuração e a Fiscalizada se encarrega de complementar a mãodeobra necessária para os serviços contratados, incluindo os serviços de náutica intrínseco ao contrato de afretamento, além de supervisionar e gerenciar todo a atividade desempenhada pelo pessoal embarcado, incluindo no caso os brasileiros do seu corpo funcional e os estrangeiros do corpo funcional das empresas estrangeiras, além de ficar encarregada de prestar todo o apoio logístico operacional e administrativo necessário para a execução das obrigações contratadas pelas empresas estrangeiras no Brasil” (destaquei) Para cada plataforma contratada, a relação de profissionais constante dos contratos de afretamento (Anexo V Relação de Tripulantes) é exatamente igual à relação de profissionais constante dos contratos de prestação de serviço (Anexo V Relação de Profissionais). Quanto a este ponto, a recorrente aduz que a responsabilidade solidária na execução dos serviços contratados e afretamento justifica a existência de profissionais de ambas as áreas nas plataformas e no seu próprio quadro de empregados. Todavia, o que se verifica do conjunto probatório é a existência, não de uma relação solidária, mas de uma relação de subordinação da recorrente em relação à empresa estrangeira, representando sua matriz de fato, especialmente em relação aos supervisores que atuam nas plataformas. Outro exemplo de confusão entre as obrigações contratadas e o descompasso entre a previsão contratual e a realidade dáse no tocante à importação de equipamentos, partes, peças e reposição das plataformas. Embora a obrigação de importar tais equipamentos seja da empresa estrangeira, conforme prevêem os contratos de afretamento das plataformas, na Fl. 1724DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUE NO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 15521.000156/200925 Acórdão n.º 1202001.067 S1C2T2 Fl. 26 25 prática, consoante as Declarações de Importação e demais documentos que lhe acompanham, contidas no anexo XVII, as importações de tais equipamentos são realizados pela recorrente. No TVF (fls.456462), a autoridade fiscal faz um resumo dos questionamentos e respostas dadas pela recorrente às intimações, através das quais, dentre outras, confirma a inexistência de contratos de prestação de serviços com as empresas estrangeiras mencionadas, assim como a inexistência de contrato de prestação de serviços dessa empresa com o responsável pela remessa de recursos financeiros contabilizados como reembolso de custo. Assim, verificase que a recorrente prestava diversos serviços de logística, intermediação, internação de produtos, manutenção de embarcações, dentre outros, para as suas coligadas no exterior sem a previsão de remuneração formal. Todavia, indiretamente, houve remuneração pelos serviços prestados, conforme descrito no TVF, por meio da conta 323.414.206, do Banco JP Morgan Chase Bank de Nova York, de titularidade da DIAMOND OFFSHORE INTERNATIONAL LIMITED, empresa mãe (Anexo I, fls.03/11), através da remessa de recursos a título de "reembolso de despesas" e "aumento de capital". Além dessa empresa não se tratar de acionista da recorrente, o que a autoridade fiscal destaca na transferência dos recursos é que eles têm origem nos pagamentos efetuados pela PETROBRÁS para remunerar os contratos, pois se originam da mesma conta corrente (fls. 542/543). Sobre os aportes enviados pela empresa estrangeira a título de aumento de capital, a autoridade fiscal fez a seguinte análise (fls.545548): 111.3.10.10) CONSIDERAÇÕES A RESPEITO DOS SUCESSIVOS AUMENTOS DE CAPITAL Embora o aumento do capital da Fiscalizada integralizado nos anos fiscalizados (2004 e 2005) tenha sido na casa dos 30 (trinta) milhões de Reais em cada ano, no mesmo período a evolução patrimônio da empresa de 2004 (R$ 3.720.000,20) em relação ao ano de 2004 não passou de R$ 397.724,82, que foi justamente a aquisição dos veículos de passeio de luxo aos quais já iremos nos referir no item abaixo, demonstrando que praticamente todos os recursos que ingressaram no caixa da empresa proveniente do "aumento de capital" realizado, destinouse a custear as atividades operacionais dela, demonstrando de forma inequívoca que os referidos numerários de fato representam faturamento omitido da Fiscalizada, pois não se vislumbrou outro tipo de investimento que justificasse a transferência do numerário que não fosse abastecer o caixa da empresa a fim de solver os seus compromissos assumidos na praça na operacionalização de suas atividades produtivas, mas com a intenção de ocultar a relação de receita e despesa, de fato existente na funcionalidade dos citados numerários. A recorrente sustenta que tais aportes de capital seriam plenamente justificáveis justamente em razão dos sucessivos prejuízos apurados pela Recorrente, não havendo qualquer evidência de que tais valores referemse a faturamento próprio da Recorrente, mas que teriam sido remetidos pela PETROBRAS ao exterior, a outro título, para retornar sob essa rubrica, apenas para não se sujeitar à incidência tributária. Fl. 1725DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUE NO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 15521.000156/200925 Acórdão n.º 1202001.067 S1C2T2 Fl. 27 26 É da fiscalização o ônus de comprovar que nunca houve a intenção de aumentar o capital, e que as remessas tiveram a verdadeira finalidade de reembolsar a empresa brasileira dos custos incorridos em função de assumir serviços que seriam responsabilidade da empresa estrangeira, subtraindo tais aportes do alcance da tributação. Caso isso se verifique, o abuso de direito é evidente e deve ser afastado. Nesse sentido leciona Marco Aurélio Greco (2008, p.203): [...] sempre que o exercício da autoorganização se apoiar em causas reais e não unicamente fiscais, a atividade do contribuinte será irrepreensível e contra ela o Fisco nada poderá objetar, devendo aceitar os efeitos jurídicos dos negócios realizados. [...] No entanto, os negócios jurídicos que não tiverem nenhuma causa real e predominante, a não ser conduzir a um menor imposto, terão sido realizados em desacordo com o perfil objetivo do negócio e, como tal, assumem um caráter abusivo; neste caso, o Fisco a eles pode se opor, desqualificandoos fiscalmente para requalificálos segundo a descrição normativo tributária pertinente à situação que foi encoberta pelo desnaturamento da função objetiva do ato. Ou seja, se o objetivo predominante for a redução da carga tributária, terseá um uso abusivo do direito. No caso concreto, a autoridade fiscal logrou demonstrar, por diversos modos, o motivo predominantemente fiscal da operação que culminou com a remessa a título de “aumento de capital”, a começar pela apuração proposital de prejuízos fiscais, através do cotejo das cláusulas 3.8 e 3.8.1 dos contratos de afretamento das plataformas, celebrado entre as empresas estrangeiras e a PETROBRAS com a interveniência da recorrente: "(.) 3.8 Substituição e Reparos – 0 custo de reposição dos equipamentos, materiais e acessórios necessários ao perfeito funcionamento da UNIDADE, bem como as despesas com reparos de qualquer natureza, correrão por conta da CONTRATADA"(g.n) "3.8.1 – 0 custo de reposição acima referido abrange todas e quaisquer despesas, inclusive impostos e taxas devidos desde a aquisição dos equipamentos, sobressalentes e materiais, até a instalação ou colocação destes na UNIDADE, excetuandose as despesas de transporte entre o porto de operação das embarcações de apoio e a UNIDADE." "3.8.2 – A CONTRATADA observará, para a Admissão Temporária da UNIDADE, bem como para a importação dos equipamentos, materiais e acessórios referidos no item 3.8, as disposições da Instrução Normativa n" 136/87, da Secretaria da Receita Federal." "3.14.2 – A CONTRATADA manterá a seu custo, operadores de rádio, que falem fluentemente português, os quais permanecerão durante 24(vinte e quatro) horas diárias na escuta dos Fl. 1726DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUE NO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 15521.000156/200925 Acórdão n.º 1202001.067 S1C2T2 Fl. 28 27 equipamentos instalados na UNIDADE, quer sejam da PETROBRAS, quer sejam da contratada." "3.14.4 – A CONTRATADA arcará com quaisquer despesas relacionadas com os equipamentos e serviços de telecomunicações, excetuadas as previstas no item 4.7 deste CONTRATO." Diante disso, ficou caracterizado que os custos dos serviços de telecomunicações a bordo, assim como as despesas de substituição e reparos dos equipamentos da plataforma decorrente da prestação de serviços de perfuração ocorreriam por conta das empresas responsáveis pelo afretamento, que são as empresas estrangeiras. Todavia, foi constatado que, na prática, a recorrente registrou diversos desses custos nas suas contas de despesas (contas de resultado de nº 3.70 a 3.76 manutenção de plataforma) contribuindo para a apuração de prejuízo fiscal. Ademais, apontou a autoridade fiscal que algumas taxas alfandegárias incidentes sobre os produtos importados foram lançados na conta de reembolso e outras taxas desses mesmos produtos importados foram lançados em contas de resultado da recorrente, por exemplo, os lançamentos efetuados nas contas N° 3.53.15.1500 0.CLIPPER — OUTROS FRETES, a titulo de capatazia, armazenagem, etc...para liberar matls. (documento n° 103). Concluiu a autoridade fiscal que “os referidos lançamentos foram efetuados sem o devido respaldo contratual, pois estes custos quando expressivos, eram registrados na conta de reembolso, demonstrando a consciência da empresa que estes custos contratualmente eram das empresas estrangeiras, ficando evidenciado o seu real intuito de apurar prejuízos propositais em seus resultados, pois despesas de mesma natureza eram lançados ora na conta corrente intercompanhias (conta n° 1.12.12.005300), ora lançado em conta de resultado, o que contribuía para a formação de prejuízos fiscais [...]”. Segundo ela, com esta prática, a recorrente acabou carreando para o seu resultado os custos decorrentes da importação de produtos para plataformas que ela afirma serem por conta e ordem das empresas estrangeiras. Ademais, a evolução patrimonial da recorrente não atesta a intenção de aumentar o capital, ao contrário, depõe contra a recorrente, na medida em que demonstra que apenas parcela irrisória do montante recebido a título de aumento de capital foi imobilizado. A autoridade fiscal ainda constatou que em todas as contas de despesas levadas ao resultado, com exceção das despesas com pessoal, foram incluídas despesas inerentes às plataformas que acabaram beneficiando também as empresas estrangeiras, sem o rateio de custos, cabendo à recorrente arcar sozinha com os custos comuns às duas empresas de forma integral. A despeito dos seus prejuízos, as despesas com alimentação, transporte, comunicação, além das despesas inerentes a reparos e substituições dos equipamentos da plataforma, e despesas administrativas e de escritório foram inteiramente absorvidos nos resultados da recorrente, sem que a mesma recebesse qualquer tipo de remuneração por isso. O relatório fiscal aponta a prática verificada: Os lançamentos efetuados a débito da conta CO 53 MS DRILLING, destinados a pagar serviços de despachante alfandegário prestados pela empresa EAGLE, CNPJ N° 03.229.138/000740, conforme Notas Fiscais n° 01 e 02, lançadas em 21.01.05, comprovam uma das incoerências Fl. 1727DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUE NO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 15521.000156/200925 Acórdão n.º 1202001.067 S1C2T2 Fl. 29 28 constatadas pela Fiscalização, qual seja, os pagamentos se referem aos serviços de despachante pela importação de produtos do exterior, a principio de conta e ordem das empresas estrangeiras, pois em virtude desse fato eles foram debitados na conta CO 53 MS DRILLING, porém como apontam os documentos de prova, no caso suscitado, os lançamentos efetuados nos dias 21.01.05, conforme a planilha constante do elemento de prova contido no documento n° 111, verificase que algumas taxas incidentes nos mesmos (tais como capatazia, armazenagem, etc...), foram propositalmente lançados em contas de resultado da Fiscalizada, como exemplo, citamos os lançamentos efetuados na referida data nas as contas N° 3.53.15.1500 0.CLIPPER — OUTROS FRETES, a titulo de capatazia, armazenagem, etc.. . para liberar materiais. Com esta prática, a Fiscalizada acaba carreando para o seu resultado, custos decorrentes da importação de produtos para plataformas que assume que por conta e ordem das empresas estrangeiras, haja vista que o custo principal das referidas importações foi lançado na conta CO 53 MS DRILLING. Ou seja, o custo das taxas incidentes na importação de peças e equipamentos para a plataforma é lançado em conta de resultado, enquanto o valor do custo do bem importado é lançado a debito da conta CO 53 MS DRILLING. Observadas as normas contábeis e legais, compete à pessoa jurídica reconhecer as contrapartidas da prestação de serviços como receita (faturamento), ainda que as entradas superem os valores formalmente contratados, de modo a apurar corretamente o resultado tributável. A defesa sustenta que, durante a prestação dos serviços para a qual foi contratada, passou a incorrer em custos e despesas próprios da referida atividade, os quais, naturalmente, foram por ela apropriados. Por outro lado, custos e despesas inerentes ao afretamento foram igualmente incorridos, mas eram estranhos à atividade para a qual foi contratada. Como as proprietárias das embarcações não estavam sediadas no Brasil, as despesas a cargo delas foram realizadas em seu próprio nome apenas para facilitar e agilizar a realização das mesmas. Todavia, embora tenha sido destacado no voto da DRJ, a recorrente, em seu recurso voluntário, não justificou o fato de ter gerido, a título gratuito, recursos da ordem de R$ 102.714.055,01, no ano de 2004 e R$ 96.225.205,47, no ano de 2005 (fl. 561), utilizados para pagamento de despesas que não eram necessárias à consecução das atividades para a qual foi contratada, resultando na apuração de prejuízos fiscais consecutivos. No presente caso, a autoridade fiscal esclareceu (fl.431) que tratou todo o valor ingressado na conta bancos da contribuinte como receita omitida e deduziu os custos lançados a débito na conta n° 1.12.12.0053 (conta corrente intercompanhias), que, segundo a legislação do imposto de renda, foram necessários à manutenção da fonte produtiva, pois foi possível constatar que as referidas transferências tinham como objetivo de fato custear as despesas decorrentes da atividade de prestação de serviços de perfuração de poços de petróleo e gás para o qual as empresas (empresa estrangeira e a contribuinte) foram contratadas pela PETROBRAS, e ainda refez a apuração do lucro realizada pela contribuinte. Fl. 1728DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUE NO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 15521.000156/200925 Acórdão n.º 1202001.067 S1C2T2 Fl. 30 29 Na apuração do lucro real tributável, a autoridade fiscal acrescentou “a soma do resultado obtido na conta corrente intercompanhias, mais a parcela dos valores do faturamento omitidos contabilizado como aumento de capital, mais os créditos de PIS e COFINS utilizados conforme Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 3, de 29 de março de 2007, menos os prejuízos apurados pela Fiscalizada e a compensação do prejuízos acumulados em anos anteriores limitado a 30% conforme previsto na legislação do imposto de renda da pessoa jurídica”. Os custos lançados a débito da conta corrente intercompanhias que não foram deduzidos na apuração do lucro real constam das planilhas 2A e 2B anexadas ao TVF. Para que o presente lançamento fosse desconstituído, caberia à recorrente comprovar, de maneira inequívoca, que os valores recebidos constituíram, de fato, reembolso de despesas por ela incorridas em nome de terceiros. A própria recorrente, ao defender a não incidência do PIS e da Cofins, reconhece que os reembolsos de despesas efetuados pelas empresas estrangeiras poderiam configurar seu faturamento, por representarem uma espécie de subcontratação informal para viabilizar o cumprimento das obrigações assumidas por aquelas empresas. Embora isso não se verifique na prática, haja vista a caracterização de um contrato único, tal alegação demonstra que a recorrente não pode comprovar a prestação de serviços à empresa estrangeira. Diante dos fartos elementos juntados aos autos, a única conclusão possível é que o negócio jurídico contratado com a PETROBRÁS constituiuse de um único serviço de perfuração de poços de petróleo, pelo qual a recorrente foi remunerada, indiretamente, através de sua coligada no exterior, responsável pelo afretamento da plataforma. O exame das provas dos autos demonstra que, de fato, a recorrente a as empresas estrangeiras prestam o serviço de perfuração de poços de petróleo para a PETROBRÁS de forma unificada e com características não de solidariedade, mas de subordinação. Tendo em conta a regra insculpida no art. 118 do CTN, a qual prevê que a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose a validade e eficácia dos atos efetivamente praticados, verificada a falta de contabilização e, consequentemente, de tributação das receitas obtidas pela recorrente em contrapartida aos serviços prestados, cabível o lançamento dos tributos e contribuições devidos sobre a parcela omitida. A recorrente ainda alega que teria havido erro de identificação do sujeito passivo, caso se considere a celebração de um único negócio jurídico, pois a maior receita teria sido destinada à empresa no exterior. Ocorre que, consoante logrou demonstrar a fiscalização, as receitas a título de "reembolso de despesas" e "aumento de capital" foram recebidas pela recorrente em contraprestação aos serviços prestados por ela própria à PETROBRÁS. Sendo suas as receitas, o lançamento foi realizado no sujeito passivo correto. A recorrente aponta, ainda, a insubsistência da qualificação jurídica atribuída pela fiscalização aos elementos de fato colhidos durante os trabalhos fiscais, sustentando a inalterabilidade do critério jurídico aplicado em lançamento anterior, no processo n° 15521.000031/200571. Aduz que deve prevalecer o critério jurídico adotado pela 5ª Turma da Fl. 1729DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUE NO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 15521.000156/200925 Acórdão n.º 1202001.067 S1C2T2 Fl. 31 30 DRJ/RJOII, segundo o qual cada um dos contratos (afretamento e prestação de serviços), embora intimamente relacionados, não se confundem. Da mesma forma, teria sido fixado o critério jurídico de que os reembolsos de despesas encerravam receitas de exportação e que, portanto, não poderiam ser tributadas pelo PIS e pela COFINS, por conta da isenção concedida pela Medida Provisória n° 2.15835/2001. Equivocase a recorrente na alegação supra, haja vista que o julgador administrativo tem a prerrogativa de adotar o livre convencimento motivado, pelo que a interpretação dos fatos demonstrados em determinado processo não vincula outros julgadores à mesma interpretação. Menos ainda, como no caso dos autos, quando a apreciação da realidade ocorre sobre elementos distintos. O que a lei veda é a possibilidade de se alterar o escopo original do lançamento, ensejando o agravamento da exigência, em virtude de mudança de interpretação das regras jurídicas. Diante de todos os elementos descritos anteriormente, verificase que, de fato, a recorrente teve faturamento, em razão da prestação de serviços de perfuração de poços de petróleo para a PETROBRÁS, acima do percentual de 10% (dez por cento) previsto no contrato. Diante disso, não há reparos ao lançamento efetuado nesses termos. De outro lado, a recorrente aduz a não exigência do PIS e da COFINS, ainda que mantido o lançamento do IRPJ, por considerar que os recebimentos da empresa estrangeira seriam receitas de exportação, isentas de tributação daquelas contribuições, nos termos da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001. O art. 14 da referida norma determina o seguinte: Art. 14 Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; § 1° São Isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. Assim, desde 01.02.1999, são isentos do PIS e da COFINS os serviços prestados a pessoa jurídica sediada do exterior, independentemente de serem prestados dentro ou fora do Brasil. A referida isenção, no tocante a COFINS, foi convertida em disposição legal, através da Lei n° 10.833/2003, com redação alterada pela Lei n° 10.865/2004, que assim dispõe: Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; Fl. 1730DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUE NO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 15521.000156/200925 Acórdão n.º 1202001.067 S1C2T2 Fl. 32 31 II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei n°10.865, de 2004) No âmbito do PIS, a referida isenção também foi convertida em disposição legal, através da Lei n° 10.637/2002, com redação alterada pela Lei n° 10.865/2004, que assim dispõe: Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei n°10.865, de 2004) As receitas de exportação decorrem de uma operação pela qual uma pessoa (jurídica ou física), estabelecida no exterior, adquire mercadoria ou se utiliza de serviço fornecido ou prestado por pessoa (física ou jurídica) estabelecida no País. Assim, em face da legislação aplicável para a obtenção da isenção, é necessário, cumulativamente, (i) tratarse de receitas de prestação de serviços prestados a pessoas jurídicas domiciliadas no exterior e (ii) o valor recebido pela empresa prestadora de serviços deve representar ingresso de divisas no Brasil. A primeira condição não é atendida pela recorrente, já que os serviços foram prestados à PETROBRÁS, empresa sediada no Brasil. Tampouco é preenchido o segundo requisito, visto que somente há ingresso de divisas para o País quando a origem de sua fonte localizase no exterior, o que não ocorreu, de fato, em razão de ter sido demonstrado que os recursos se originaram da PETROBRÁS, tendo ocorrido apenas seu reingresso, através da conta bancária no banco JP Morgan Chase Bank de Nova York, pela qual a titular DIAMOND OFFSHORE INTERNATIONAL LTD recebia os pagamentos da PETROBRÁS. Assim, não se aplica a isenção pretendida. Erro no cálculo Quanto ao alegado erro no cálculo do montante do tributo, novamente, no recurso voluntário, a recorrente se limita a apresentar a planilha consoante cálculos por ela elaborados e juntados à impugnação, apesar da decisão da DRJ ter esclarecido que lhe competia o ônus de apontar a origem das diferenças alegadas. De toda a sorte, dada a função de controle do crédito tributário deste colegiado, buscouse verificar a alegação. Comparandose os valores da planilha da recorrente (fl.842) com os valores apurados pelo autuante, verificase que até a coluna BASE REAL, os valores conferem com os da fiscalização (anexo 03 ao auto de infração, fl.681). Da mesma forma, a coluna referente às retenções na fonte (IRRF) conferem com os valores utilizados pela fiscalização, consoante planilha de fl. 718. Dessa forma, não se verifica a diferença apontada pela recorrente na autuação. Fl. 1731DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUE NO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 15521.000156/200925 Acórdão n.º 1202001.067 S1C2T2 Fl. 33 32 Da multa qualificada A autoridade fiscal destacou, no TVF (fls. 469/470), a situação de fato ocorrida, quanto à efetiva representação da DIAMOND no Brasil pela recorrente e a sua verdadeira motivação. Aponta que ocorreu simulação fraudulenta, em suma, pela existência de duas situações fáticas: uma aparente – contratos distintos de afretamento de plataformas de perfuração de poços de petróleo, e outro de prestação de serviços de perfuração de poços de petróleo; e outra real – uma única prestação de serviços de perfuração de poços de petróleo prestados por duas empresas em conjunto, que pertencem ao mesmo grupo econômico, sendo uma delas estrangeira e a outra brasileira (recorrente), ambas controladas indiretamente pela empresa estrangeira, DIAMOND OFFSHORE DRILLING INC. Aduz, ainda, que a recorrente: 1) participou do pacto simulatório apontado, concordando em assumir a condição de interveniente responsável solidária em contratos rotulados de "afretamento" quando de fato estava se contratando uma prestação de serviço; 2) como parte do pacto simulatório, deixou de fazer constar na Declaração apresentada à Secretaria da Receita Federal (DIPJ dos anos 2004 e 2005) (documento n° 125 — Anexo XVII) expressivos valores do seu faturamento correspondentes aos recebimentos dos pagamentos efetuados a ela pela PETROBRAS pelos seus serviços prestados; 3) contabilizou as transferências bancárias acima mencionadas com a denominação de "reembolso de despesas" e "aumento de capital" como forma intencional de camuflar do Fisco as operações tributáveis por ela realizadas; 4) deliberadamente aceitou contratar em condições que lhe são financeira e economicamente desfavoráveis, inserindo em contratos com a PETROBRAS preços incompatíveis com os custos dos serviços que efetivamente presta, em prol de sua controladora estrangeira; 5) apurou prejuízos comprovadamente falaciosos, pois além de contratar com preços irreais junto a PETROBRAS, insere propositalmente em seus resultados custos que comprovadamente estavam previstos nos contratos de afretamento e que deveriam constar da conta de reembolso; 6) perante o setor aduaneiro, através dos documentos obrigatórios, importa materiais, peças e equipamentos para uso nas plataformas afretadas por conta própria, e perante o setor de administração tributária, contabiliza as referidas importações como se fosse realizada por conta de terceiros; 7) o desuso proposital do papel timbrado da DIAMOND OFFSHORE a partir da terceira intimação da Fiscalização e suas inúmeras respostas aos termos de intimação, que, comprovadamente não guardavam semelhança com a verdade dos fatos efetivamente praticados; 8) os atos ilícitos praticados pela Fiscalizada estiveram camuflados em roupagens de suposta legalidade para dificultar a identificação das infrações praticadas. Fl. 1732DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUE NO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 15521.000156/200925 Acórdão n.º 1202001.067 S1C2T2 Fl. 34 33 Segundo a autoridade fiscal,“a simulação apontada se deu na segregação dos contratos, nas cláusulas contratuais, na segregação dos valores dos preços da taxas diárias estabelecidas para a remuneração dos referidos contratos, na transferência dos recursos de conta bancária no exterior e nos prejuízos fiscais apurados pela fiscalizada, e na atuação da Fiscalizada que de fato representou a empresa estrangeira no Pais”. A recorrente sustenta que não houve qualquer planejamento tributário de sua parte, pois apenas se habilitou no processo licitatório, ficando obrigada às regras nele previamente estabelecidas. A qualificação da multa de ofício, a teor do art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, é medida extrema que exige a demonstração do efetivo intuito de fraudar o Fisco. O ônus de provar o evidente intuito doloso é da autoridade fiscal, não competindo ao contribuinte fazer prova contra si mesmo. Do exame dos autos, não restou demonstrada a participação ativa da recorrente na elaboração do contrato firmado com a PETROBRÁS, com o fito de caracterizar situação simulatória, nos termos do art. 167, §1º, do Código Civil Brasileiro. A atuação de empresas do mesmo grupo econômico (DIAMOND e a recorrente) de forma conjugada e informal, com confusão de bens materiais e humanos, como se viu, descaracterizou a veracidade do conteúdo do contrato, impondo a tributação dos valores omitidos. Todavia, essa constatação não implica necessariamente na configuração de conduta dolosa para fins de responsabilização criminal. Embora a recorrente tenha firmado contrato de prestação de serviços em condições econômicofinanceiras desiguais, isso não configura a alegada simulação, da forma como descrito pela autoridade fiscal. Diante da falta de evidência de conduta dolosa, não se justifica o agravamento da penalidade. Da decadência Afastada a incidência de multa qualificada, o prazo decadencial para constituição do crédito tributário contase na forma do art. 150, § 4º, do CTN, haja vista a vinculação deste colegiado à interpretação contida no Resp nº 973.733, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009. Considerandose que a ciência do lançamento ocorreu em 23/12/2009, e tendo em vista que, durante todo o período houve a antecipação do pagamento que se entendia ser o devido, cumpre reconhecer a decadência em relação aos créditos tributários de IRPJ e CSLL relativos ao primeiro, segundo e terceiro trimestres de 2004, e de PIS e COFINS relativos ao período de janeiro a novembro de 2004. Dispositivo Em razão de todo o exposto, conheço do recurso para rejeitar a preliminar de nulidade, reconhecer a decadência dos lançamentos de IRPJ e CSLL até o terceiro trimestre de 2004 e de PIS e COFINS até novembro de 2004, no mérito, dar provimento parcial para reduzir a multa de ofício ao patamar de 75%. Fl. 1733DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUE NO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 15521.000156/200925 Acórdão n.º 1202001.067 S1C2T2 Fl. 35 34 (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 1734DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUE NO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 15521.000156/200925 Acórdão n.º 1202001.067 S1C2T2 Fl. 36 35 Voto Vencedor Conselheiro Orlando Gonçalves Bueno, Redator designado Uma vez designado para lavrar voto vencedor, no que se refere as matérias que a i. relatora foi vencida, quais sejam, omissão de receitas por aumento de capital e reembolso de despesas, para tributação do IRPJ/ CSSL e PIS/COFINS, passase ao entendimento. Mesmo diante a detalhada e bem descrita fundamentação da relatora sobre a caracterização da infração fiscal de omissão de receitas originada do aumento de capital e glosa de despesas, igualmente gerando omissão de receitas, com efeito, importa destacar que as condutas infracionais imputadas ao sujeito passivo receberam tratamento penal tributário qualificado, ou seja, foram consideradas pela fiscalização como operações viciadas por simulação fraudulenta, uma vez supôs que o sujeito passivo queria, de fato, uma situação jurídica e formalizou (“aparentou”) legalmente outra, pelo que se depreende da leitura do Termo de Verificação Fiscal e do voto da i. relatora, nesse sentido. Com a devida vênia da i. relatora, sobre o ponto de vista procedimental e caracterização de acusação material de omissão de receitas por simulação fraudulenta, se verifica uma incoerência da mesma, ao apreciar a qualificação da multa, pelo que se expõe sua fundamentação: Aponta que ocorreu simulação fraudulenta, em suma, pela existência de duas situações fáticas: uma aparente – contratos distintos de afretamento de plataformas de perfuração de poços de petróleo, e outro de prestação de serviços de perfuração de poços de petróleo; e outra real – uma única prestação de serviços de perfuração de poços de petróleo prestados por duas empresas em conjunto, que pertencem ao mesmo grupo econômico, sendo uma delas estrangeira e a outra brasileira (recorrente), ambas controladas indiretamente pela empresa estrangeira, DIAMOND OFFSHORE DRILLING INC. Aduz, ainda, que a recorrente: 1) participou do pacto simulatório apontado, concordando em assumir a condição de interveniente responsável solidária em contratos rotulados de "afretamento" quando de fato estava se contratando uma prestação de serviço; 2) como parte do pacto simulatório, deixou de fazer constar na Declaração apresentada à Secretaria da Receita Federal (DIPJ dos anos 2004 e 2005) (documento n° 125 — Anexo XVII) expressivos valores do seu faturamento correspondentes aos recebimentos dos pagamentos efetuados a ela pela PETROBRAS pelos seus serviços prestados; 3) contabilizou as transferências bancárias acima mencionadas com a denominação de "reembolso de despesas" e "aumento de capital" como forma intencional de camuflar do Fisco as operações tributáveis por ela realizadas; Fl. 1735DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUE NO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 15521.000156/200925 Acórdão n.º 1202001.067 S1C2T2 Fl. 37 36 4) deliberadamente aceitou contratar em condições que lhe são financeira e economicamente desfavoráveis, inserindo em contratos com a PETROBRAS preços incompatíveis com os custos dos serviços que efetivamente presta, em prol de sua controladora estrangeira; 5) apurou prejuízos comprovadamente falaciosos, pois além de contratar com preços irreais junto a PETROBRAS, insere propositalmente em seus resultados custos que comprovadamente estavam previstos nos contratos de afretamento e que deveriam constar da conta de reembolso; 6) perante o setor aduaneiro, através dos documentos obrigatórios, importa materiais, peças e equipamentos para uso nas plataformas afretadas por conta própria, e perante o setor de administração tributária, contabiliza as referidas importações como se fosse realizada por conta de terceiros; 7) o desuso proposital do papel timbrado da DIAMOND OFFSHORE a partir da terceira intimação da Fiscalização e suas inúmeras respostas aos termos de intimação, que, comprovadamente não guardavam semelhança com a verdade dos fatos efetivamente praticados; 8) os atos ilícitos praticados pela Fiscalizada estiveram camuflados em roupagens de suposta legalidade para dificultar a identificação das infrações praticadas. Segundo a autoridade fiscal,“a simulação apontada se deu na segregação dos contratos, nas cláusulas contratuais, na segregação dos valores dos preços da taxas diárias estabelecidas para a remuneração dos referidos contratos, na transferência dos recursos de conta bancária no exterior e nos prejuízos fiscais apurados pela fiscalizada, e na atuação da Fiscalizada que de fato representou a empresa estrangeira no Pais”. A recorrente sustenta que não houve qualquer planejamento tributário de sua parte, pois apenas se habilitou no processo licitatório, ficando obrigada às regras nele previamente estabelecidas. A qualificação da multa de ofício, a teor do art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, é medida extrema que exige a demonstração do efetivo intuito de fraudar o Fisco. O ônus de provar o evidente intuito doloso é da autoridade fiscal, não competindo ao contribuinte fazer prova contra si mesmo. Do exame dos autos, não restou demonstrada a participação ativa da recorrente na elaboração do contrato firmado com a PETROBRÁS, com o fito de caracterizar situação simulatória, nos termos do art. 167, §1º, do Código Civil Brasileiro. A atuação de empresas do mesmo grupo econômico (DIAMOND e a recorrente) de forma conjugada e informal, com confusão de bens materiais e humanos, como se viu, descaracterizou a veracidade do conteúdo do contrato, impondo a tributação dos valores omitidos. Todavia, essa constatação não implica necessariamente na configuração de conduta dolosa para fins de responsabilização criminal. Embora a recorrente tenha firmado contrato de prestação de serviços em condições econômicofinanceiras desiguais, isso não configura a alegada simulação, da forma como descrito pela autoridade fiscal. Fl. 1736DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUE NO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 15521.000156/200925 Acórdão n.º 1202001.067 S1C2T2 Fl. 38 37 Diante da falta de evidência de conduta dolosa, não se justifica o agravamento da penalidade. Ora, se inexiste situação de fato e de direito que justificasse a qualificação da penalidade por “simulação fraudulenta”, salvo melhor juízo, é de se admitir plena validade a documentação contábil, contratual, fiscal e outras que foram exibidas pela Recorrente, cabendo seu reconhecimento para todos os efeitos, inclusive fiscais. Daí a razão da divergência, posto que, da leitura dos fatos descritos, do relatório da i. relatora, evidenciouse que a operação de aumento de capital, e os reembolsos de despesas foram considerados pela autoridade fiscal como fatos simulados, quais sejam, ocultariam a “real” intenção do sujeito passivo na conduta dissimulada de omitir receitas. Se se concluiu que inexiste a alegada simulação, é de se reconhecer que a verdadeira intenção do sujeito passivo foi a que restou comprovada na documentação que suporta o aumento de capital e que efetivamente justificou o procedimento de reembolso de despesas, pelo que não pode ser simplesmente afastada, para efeito de configurar uma suposta omissão de receitas, pela autoridade fiscal. Assim, não pode haver dúvidas quanto a existência real e verdadeira, legalmente válida, e eficaz para produção de todos os efeitos, dos contratos de câmbio, registrados no Banco Central, relativos aos aportes de capital, reconhecido pela própria autoridade fiscal, em seu TVF, a fls. 574, vol. III. Ademais, como assevera a Recorrente, tais contratos fazem parte do Anexo XII, vol. –3 e encontramse todos juntados aos autos, encontrandose, igualmente, no referido Anexo as alterações contratuais relativas ao aumento de capital. No que concerne as despesas reembolsadas também foram objeto de contratos de câmbio, registrados no Banco Central, igualmente juntados no Anexo XII, e instruídas com todos os elementos pertinentes de registros documentais válidos para efeito fiscal. Ademais, por pertinentes, tem cabimento a transcrição de um trecho da decisão proferida pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção (Acórdão nº 1402 001.439), de lavra do Conselheiro Relator Moisés Giacomelli Nunes da Silva, que lá aduziu: “A se considerar reembolso de despesas, há três aspectos que deveriam ter sido considerados: a) se as despesas ocorreram;b) a quem pertenciam; c) quem pagou. Em resposta a estes pressupostos temse que (i) as despesas efetivamente existiram; (ii) foram atribuídas como despesas da empresa estrangeira;(iii) foram quitadas pela autuada que recebeu respectivo reembolso. Quanto ao aspecto da dedutibilidade das referidas despesas, uma vez consideradas pertencentes à empresa estrangeira, tendo a fiscalizada adiantado o pagamento e recebido o reembolso, não houve impacto na apuração do lucro real.” Assim, uma vez válidos os documentos que, em linguagem competente, descreveram os fatos verídicos, inexistiu a omissão de receita quanto ao real aumento de capital e quanto ao reembolso de despesas, razão pela qual também não se pode considerar Fl. 1737DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUE NO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 15521.000156/200925 Acórdão n.º 1202001.067 S1C2T2 Fl. 39 38 omissivo a receita tributável pelo PIS e COFINS, uma vez não configurada a base de cálculo de referidas contribuições, pela mesma motivação ora adotada. Diante do exposto, é de se dar provimento ao recurso para se excluir da tributação do IRPJ CSSL a omissão de receitas originada do aumento de capital e excluir da tributação, por conseguinte, do PIS e da COFINS, as omissões de receita originadas do aumento de capital e do reembolso de despesas. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 1738DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUE NO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER
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Numero do processo: 10530.723117/2009-77
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. DESCRIÇÃO DOS FATOS E CAPITULAÇÃO LEGAL. VÍCIO NÃO CONFIGURADO. PRELIMINAR REJEITADA.
O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.
FURTO OU EXTRAVIO DE LIVROS CONTÁBEIS E FISCAIS. NEGATIVA DE RECONSTITUIÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DOS LIVROS. RECEITA BRUTA CONHECIDA. OMISSÃO DE RECEITAS. ARBITRAMENTO DO LUCRO..
Independentemente da perda da espontaneidade para exclusão da responsabilidade por infração tributária, o evento furto dos livros/documentos fiscais não permite à Contribuinte abandonar a escrita contábil/fiscal, mormente quando existem meios de reconstituição dos livros e de apuração da receita bruta.
É cabível o arbitramento do lucro se a pessoa jurídica, durante a ação fiscal, deixar de exibir a escrituração contábil e fiscal que a ampararia na tributração pelo lucro real ou presumido.
O arbitramento do lucro não se submete a condição, é definitivo.
A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. (Súmula CARF nº 59)
Receita bruta tributável conhecida com base nas declarações de apuração mensal do ICMS, dados fornecidos pelo fisco estadual, por força de Convênio de Cooperação Técnica entre os fiscos estadual e federal.
FATURAMENTO. RECEITA BRUTA DE VENDAS DE MERCADORIAS E SERVIÇOS. ESTABELECIMENTO COMERCIAL DISTRIBUIDOR ATACADISTA (REVENDEDOR). CONTRATO DE DISTRIBUIÇÃO (CC - Lei 10.406/2002, ART. 710).
O contrato de distribuição não se confunde com o contrato de agência.
O contrato de distribuição, celebrado entre a indústria e o revendedor atacadista, caracteriza-se quando o agente tiver à sua disposição a coisa a ser negociada.
Pelo contrato de distribuição, o estabelecimento atacadista (revendedor) assume a responsabilidade do negócio em nome próprio, por sua conta e risco, efetuando operações de compra e venda de conta própria.
Pelo contrato de distribuição, o estabelecimento atacadista (revendedor de mercadorias adquiridas diretamente do estabelecimento industrial) age em nome próprio por sua conta e risco, praticando operações de compra e revenda cuja receita bruta das operarações de venda e revenda é faturamento próprio, receita própria de sua atividade comercial (somatório dos valores das notas fiscais de saídas).
A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (RIR/99, art. 279). Base legal: Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, e Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 12).
Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondente (CTN, art. 123).
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PERÍCIA CONTÁBIL. DESNECESSIDADE PARA RESOLUÇÃO DA LIDE. PEDIDO REJEITADO.
Não constitui cerceamento do direito de defesa o indeferimento do pedido de diligência/perícia contábil considerado desnecessário, prescindível para a resolução da lide.
A perícia técnica não é meio de prova para comprovação de fato que possa ser feito mediante a mera apresentação ou juntada de documentos cuja guarda e conservação compete à contribuinte, mas sim para esclarecimento de pontos duvidosos que exijam conhecimentos especializados.
IRPJ - LUCRO ARBITRADO, CSLL, PIS E COFINS. RECEITA BRUTA. SOMATÓRIO DAS NOTAS FISCAIS DE SAÍDA. EXCLUSÃO DA PARCELA DO DO ICMS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA, NO MÉRITO. FALTA DE COMPETÊNCIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 02).
MULTA DE OFÍCIO DE 75%. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 02).
Numero da decisão: 1802-002.146
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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DESCRIÇÃO DOS FATOS E CAPITULAÇÃO LEGAL. VÍCIO NÃO CONFIGURADO. PRELIMINAR REJEITADA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. FURTO OU EXTRAVIO DE LIVROS CONTÁBEIS E FISCAIS. NEGATIVA DE RECONSTITUIÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DOS LIVROS. RECEITA BRUTA CONHECIDA. OMISSÃO DE RECEITAS. ARBITRAMENTO DO LUCRO.. Independentemente da perda da espontaneidade para exclusão da responsabilidade por infração tributária, o evento furto dos livros/documentos fiscais não permite à Contribuinte abandonar a escrita contábil/fiscal, mormente quando existem meios de reconstituição dos livros e de apuração da receita bruta. É cabível o arbitramento do lucro se a pessoa jurídica, durante a ação fiscal, deixar de exibir a escrituração contábil e fiscal que a ampararia na tributração pelo lucro real ou presumido. O arbitramento do lucro não se submete a condição, é definitivo. A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 31 17 /2 00 9- 77 Fl. 361DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.723117/200977 Acórdão n.º 1802002.146 S1TE02 Fl. 362 2 imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. (Súmula CARF nº 59) Receita bruta tributável conhecida com base nas declarações de apuração mensal do ICMS, dados fornecidos pelo fisco estadual, por força de Convênio de Cooperação Técnica entre os fiscos estadual e federal. FATURAMENTO. RECEITA BRUTA DE VENDAS DE MERCADORIAS E SERVIÇOS. ESTABELECIMENTO COMERCIAL DISTRIBUIDOR ATACADISTA (REVENDEDOR). CONTRATO DE DISTRIBUIÇÃO (CC Lei 10.406/2002, ART. 710). O contrato de distribuição não se confunde com o contrato de agência. O contrato de distribuição, celebrado entre a indústria e o revendedor atacadista, caracterizase quando o agente tiver à sua disposição a coisa a ser negociada. Pelo contrato de distribuição, o estabelecimento atacadista (revendedor) assume a responsabilidade do negócio em nome próprio, por sua conta e risco, efetuando operações de compra e venda de conta própria. Pelo contrato de distribuição, o estabelecimento atacadista (revendedor de mercadorias adquiridas diretamente do estabelecimento industrial) age em nome próprio por sua conta e risco, praticando operações de compra e revenda cuja receita bruta das operarações de venda e revenda é faturamento próprio, receita própria de sua atividade comercial (somatório dos valores das notas fiscais de saídas). A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (RIR/99, art. 279). Base legal: Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12). Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondente (CTN, art. 123). PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PERÍCIA CONTÁBIL. DESNECESSIDADE PARA RESOLUÇÃO DA LIDE. PEDIDO REJEITADO. Não constitui cerceamento do direito de defesa o indeferimento do pedido de diligência/perícia contábil considerado desnecessário, prescindível para a resolução da lide. A perícia técnica não é meio de prova para comprovação de fato que possa ser feito mediante a mera apresentação ou juntada de documentos cuja guarda e conservação compete à contribuinte, mas sim para esclarecimento de pontos duvidosos que exijam conhecimentos especializados. IRPJ LUCRO ARBITRADO, CSLL, PIS E COFINS. RECEITA BRUTA. SOMATÓRIO DAS NOTAS FISCAIS DE SAÍDA. EXCLUSÃO DA PARCELA DO DO ICMS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA, NO MÉRITO. FALTA DE COMPETÊNCIA. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.723117/200977 Acórdão n.º 1802002.146 S1TE02 Fl. 363 3 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 02). MULTA DE OFÍCIO DE 75%. CARÁTER CONFISCATÓRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 02). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.723117/200977 Acórdão n.º 1802002.146 S1TE02 Fl. 364 4 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário (efls. 347/359) contra decisão da 2ª Turma da DRJ/Salvador (efls. 319/335) que julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário objeto dos autos de infração do IRPJ e reflexos, anocalendário 2006. Quanto aos fatos, consta que na DRF/Feira de Santana, em 14/09/2009, foram lavrados pela fiscalização da RFB os Autos de Infração do IRPJ e reflexos (PIS, Cofins, CSLL), anocalendário 2006, pela imputação da infração Omissão de Receitas (efls. 02/38), assim caracterizada no Auto de Infração do IRPJ (lançamento principal), in verbis: (...) Razão do arbitramento no(s) periodo(s): 03/2006 06/2006 09/2006 12/2006. Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que o Contribuinte notificado a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, conforme Termos de Intimação Fiscal em anexo, deixou de apresentálos. Enquadramento Legal: A partir de 01/04/1999 Art. 530, inciso III, do RIR/99. 001 RECEITA OPERACIONAL OMITIDA (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA) REVENDA DE MERCADORIAS. Omissão de receitas da revenda de mercadorias, conforme descrito no TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL, anexo ao presente AUTO DE INFRAÇÃO. (...) Valor tributável da infração: R$ 12.515,096,91, conforme demonstrativo constante do Termo de Verificação Fiscal, parte integrante do Auto de Infração, a seguir transcrito (efls. 39/43): AC 2006 DMA VENDAS REC. BRUTA CONHECIDA JANEIRO 951.986,88 951.986,88 FEVEREIRO 760.258,73 760.258,73 MARÇO 867.271,87 867.271,87 1º TRIMESTRE 2.579.517,48 2.579.517,48 ABRIL 988.806,06 988.806,06 MAIO 1093.511,24 1093.511,24 JUNHO 950.689,80 1093.511,24 2º TRIMESTRE 3.033.007,10 3.033.007,10 JULHO 1.166.407,53 1.166.407,53 Fl. 364DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.723117/200977 Acórdão n.º 1802002.146 S1TE02 Fl. 365 5 AGOSTO 1.191.094,80 1.191.094,80 SETEMBRO 1.196.446,76 1.196.446,76 3º TRIMESTRE 3.553.949,09 3.553.949,09 OUTUBRO 1.064.003,83 1.064.003,83 NOVEMBRO 1.251.342,87 1.251.342,87 DEZEMBRO 1.033.276,44 1.083.276,44 4º TRIMESTRE 3.348.623,14 3.553.949,09 TOTAL 12.515.096,91 12.515.096,91 Obs: (i) Intimada a apresentar os livros contábeis e fiscais do anocalendário 2006, a Contribuinte alegou que foram objeto de furto. Então, foi intimada a reconstruir a escrituração contábil/fiscal, porém deixou de fazêlo; (ii) Em face de Convênio de Cooperação Técnica, a SEFAZ/BA foi instada e repassou à RFB os dados constantes de Declarações de Apuração Mensal do ICMS DMA, informados pela Contribuinte ao fisco da Bahia, quanto ao aniocalendário 2006; (iii) Quanto ao anocalendário 2006, cotejadas as DMA e a DIPJ, a fiscalização constatou que a Contribuinte informou à RFB receita bruta menor, em relação à receita bruta informada ao fisco estadual, imputando a infração Omissão de Receita (lançamento de ofício apenas sobre a diferença de receita bruta omitida), que implicou exigência do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins acerca da diferença de receita bruta, pois foram deduzidos os valores confessados em DCTF desse anocalendário; (iv) Lucro Arbitrado de Ofício (apuração trimestral): foi utilizado o coeficiente de 8% para comércio, acrescido de 20% pelo arbitramento, o que implicou no coeficiente final =9,6%, aplicado sobre a receita bruta trimestral. Do valor do IRPJ apurado de ofício, foi deduzido o valor do imposto confessado em DCTF, implicando lançamento apenas da diferença de principal, com multe ofício e juros de mora; (v) Lançamento reflexos – diferenças de exações fiscais, demonstrativos constantes dos respectivos Autos de Infração e do demonstrativo de cálculo constante do Termo de Verificação Fiscal, parte integrante do lançamento fiscal (fls. 39/43): a) Base de Cálculo da CSLL (apuração trimestral): foi utilizado o coeficiente de 12% sobre a receita bruta trimestral; b) Base de Cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins (apuração mensal): foi utilizada a respectiva receita bruta mensal; c) Do valor da CSLL, PIS e Cofins apurados de ofício, foi deduzido o valor da respectiva Contribuição confessada em DCTF, implicando lançamento apenas da diferença de principal, com multe ofício e juros de mora. Enquadramento legal da infração Omissão de Receitas: RIR/99, arts. 532 e 537. O crédito tributário lançado de ofício, no regime do Lucro Arbitrado, perfaz o montante de R$ 1.143.049,42 para o anocalendário 2006, valor na data da lavratura dos autos de infração, que está assim especificado por exação fiscal: Auto de Infração Principal (diferença) Juros de Mora (calculados até 31/08/2009) Multa de 75% Total IRPJ 197.873,40 65.768,96 148.405,03 412.047,39 PIS 48.039,12 16.511,24 36.029,30 100.579,66 CSLL 79.819,01 26.523,99 59.864,25 166.207,25 Fl. 365DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.723117/200977 Acórdão n.º 1802002.146 S1TE02 Fl. 366 6 Cofins 221.719,46 76.206,12 166.289,54 464.215,12 Total 1.143.049,42 A Contribuinte tomou ciência do lançamento fiscal em 18/09/2009, por via postal – AR (efl. 165); apresentou impugnação em 14/10/2009 (efls.166/177), cujas razões, em síntese, constam do relatório da decisão a quo, o qual, nessa parte, transcrevo (e fls.319/335), in verbis: (...) A contribuinte tomou ciência dos lançamentos em 18/09/2009, impugnandoos em 14/10/2009 por seu procurador, devidamente constituído sob os argumentos expostos a seguir: diante da motivação constante do Termo de Verificação Fiscal observase que o Fiscal Autuante desconsiderou por completo o Princípio da Verdade Material e desqualificou a verdadeira base de cálculo da Impugnante para considerar como tal o somatório da notas fiscais de saída, o que torna os lançamentos nulos; não bastasse isso, vale frisar que houve imputação de multa no percentual de 75% sobre o valor dos tributos supostamente devidos; sendo assim, devese reconhecer a nulidade dos presentes Autos de Infração, tendo em vista que: a) não se levou em consideração o Princípio da Verdade Material, uma vez que não se considerou a realidade das operações da Impugnante, que tem como faturamento/Receita Bruta a Comissão (Desconto) obtido nas Notas Fiscais de Entrada, nos termos dos Contratos de Distribuição firmados com os fabricantes; a.1) quanto à assertiva supra, requer o Impugnante a realização de perícia contábil nas notas fiscais de entrada e de saídas juntadas aos autos, com vistas a confirmar ou não a equivalência dos valores das Notas Fiscais de Entrada e de Saída, bem como a existência de um desconto na Nota Fiscal de entrada, que representa a Receita Bruta da Distribuidora Arruda, nos termos do artigo 16, IV, do Decreto n° 70.235, de 1972; a.2) a realização de diligências, mediante circularização nas empresas fabricantes dos produtos objeto da Distribuição, com vistas a confirmar o tabelamento de preços e que a Arruda é obrigada a vender pelo preço sugerido pela fábrica, nos termos do art. 16. IV, do Decreto n° 70,235, de 1972; b) a multa de 75% imputada tem efeito confiscatório, maculando pelo vício de nulidade todos os Autos de Infração; c) como o AFRF lavrou os Autos de Infração com base em arbitramento, não foi levado em consideração que o ICMS não integra a base de cálculo dos referidos tributos; Fl. 366DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.723117/200977 Acórdão n.º 1802002.146 S1TE02 Fl. 367 7 d) não levou em consideração que a CSLL deve ser calculada pela alíquota de 8%, em face da inconstitucionalidade do adicional de 1% instituído pela MP n° 1.807. I DA INEXISTÊNCIA DE DIVERGÊNCIA RECEITA BRUTA INFORMADA CORRETAMENTE: IA) DA NATUREZA JURÍDICA DO CONTRATO DE DISTRIBUIÇÃO DO CÓDIGO CIVIL: o contrato de distribuição tem definição legal no art. 710 do Código Civil de 2002, que no Capítulo XII traçou as diferenças e semelhanças com o Contrato de Agenciamento; de acordo com o art. 710 "Pelo contrato de agência, uma pessoa assume, em caráter não eventual e sem vínculos de dependência, a obrigação de promover à conta de outra, mediante retribuição, a realização de certos negócios, em zona determinada, caracterizandose a distribuição quando o agente tiver à sua disposição a coisa a ser negociada"; como se vê, o contrato de agência e o de distribuição na definição do Código Civil possuem natureza jurídica semelhante, com a diferença de que a DISTRIBUIÇÃO fica concretizada quando o agente tiver à sua disposição a coisa a ser negociada; nesse sentido, citese o entendimento do Dr. Antonio Felix de Araújo Cintra, citado pelo Dr. Aurélio Araújo Tomaz: Utilizando o nome distribuição, o Código Civil contempla uma nova e diferente figura contratual, que nada mais é do que um desdobramento da relação de agência. A distribuição do Código Civil é contrato de agenciamento de negócios em favor do proponente, com a particularidade de que os bens objeto do agenciamento encontramse na posse do agente, que passa a ser chamado também de distribuidor. Todo o capítulo de agência e distribuição corrobora tal constatação, desde a definição da distribuição como um derivado da agência (art. 710) até as disposições sobre o direito do distribuidor à remuneração por negócios concluídos em sua zona sem sua interferência (art. 714) e direito à indenização no caso de diminuição no atendimento de propostas (art. 715)... sobre o contrato de distribuição, salutar são as palavras da Professora Maria Ivanilde da Rocha Helena Diniz, in verbis: É o acordo em que fabricante, oferecendo vantagens especiais, comprometese a vender, continuadamente, seus produtos ao distribuidor, para revenda em zona determinada. O agente tem, portanto, à sua disposição a coisa a ser renegociada. Uma pessoa assume a obrigação de revender, com exclusividade e por conta própria, mediante retribuição, mercadorias de certo fabricante, em zona determinada." (Código Civil Anotado, Editora Saraiva, 2003, p. 468). Fl. 367DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.723117/200977 Acórdão n.º 1802002.146 S1TE02 Fl. 368 8 transcreve entendimento nesse sentido do Dr. Antonio Felix de Araújo Cintra, citado pelo Dr. Aurélio Araújo Tomaz, como também, da Professora Maria Ivanilde da Rocha Helena Diniz sobre o contrato de distribuição; sem sombra de dúvida que a receita da DISTRIBUIÇÃO não se perfaz com a receita de vendas das mercadorias, mas sim pela remuneração prevista em contrato entre o distribuidor e o fabricante; desse modo, como o contrato de DISTRIBUIÇÃO é definido em lei, não há como descaracterizar o seu conceito para fins de incidência tributária, nos termos do artigo 110 do CTN, o que significa dizer que o contrato de DISTRIBUIÇÃO não pode ser confundido com a compra e posterior revenda de mercadorias, que possui regramento tributário e civil diferente; IIB) DA RECEITA DA IMPUGNANTE COMISSÃO (DESCONTO) E NÃO O SOMATÓRIO DAS NOTAS DE SAÍDA NOTA DE ENTRADA E A NOTA DE SAÍDA EM IGUAIS VALORES: a Distribuidora Arruda é uma empresa que atua no ramo de distribuição de alimentos em geral, que para o exercício de sua atividade é obrigada a firmar contrato de distribuição nos termos que passa a demonstrar: nos contratos de distribuição firmados com as indústrias há uma cláusula padrão que estabelece uma tabela de preços que a Distribuidora Arruda não pode deixar de cumprir sob pena de multa e até mesmo rescisão do Contrato. Todas as vendas são efetuadas pela Arruda nos exatos termos das determinações das Indústrias Fornecedoras; a título de exemplo, segue em anexo, por amostragem, contratos de DISTRIBUIÇÃO (Docs. 05) por meio dos quais se pode comprovar a assertiva supra; a respeito, vale notar as seguintes Cláusulas dos contratos: 01 Contrato NissinAjinomoto Alimentos Ltda (...) CLÁUSULA 1ª – DEFINIÇÕES (...) 3) LISTA DE PREÇO Significa listas fornecidas pela FORNECEDORA à DISTRIBUIDORA periodicamente, mostrando o preço de cada item do PRODUTO. (...) 02 Contrato AJINOMOTO INTERAMERICANA IND. E COM LTDA Fl. 368DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.723117/200977 Acórdão n.º 1802002.146 S1TE02 Fl. 369 9 (...) CLÁUSULA 1ª – DEFINIÇÕES (...) 4) LISTAS DE PREÇO Significam listas fornecidas pela AJINOMOTO à DISTRIBUIDORA periodicamente, mostrando o preço de cada item do produto a ser praticado entre as partes deste contrato; (...) com base na referida Cláusula, a Indústria emitiu uma LISTA DE PREÇOS (Doc. 5) juntada por amostragem, que tabela o preço de venda de todos os produtos da AJINOMOTO pelas suas distribuidoras. Neste mesmo termo, acontece com todos os demais fornecedores, conforme contratos por amostragem anexados; o que se verifica nos contratos de distribuição com fixação de preços é que o real faturamento das Distribuidoras consiste no valor do desconto que é concedido à Distribuidora na nota de aquisição emitida pela fábrica; nas notas fiscais da Ajinomoto há um desconto de 35,5% e de 41,95%; portanto, a Receita Bruta da Distribuidora Arruda é composta pela comissão constituída pelo percentual do desconto previsto em contrato e em nota fiscal para a distribuição dos produtos e não pelo somatório das notas fiscais de saída. A Impugnante atua como mero mediador da operação. (cita ementa de acórdão do CARF acerca da receita bruta base para arbitramento de lucro da empresa que opera com vendas em consignação); em que pese a Distribuidora ser obrigada por Contrato a faturar para os seus clientes pelo valor da LISTA DE PREÇOS em seu nome, o fato é que assim age por conta e ordem do Fabricante Fornecedor, em decorrência de pacto contratual. A receita bruta, portanto, da Arruda, consiste no valor que realmente irá integrar o seu patrimônio (cita ementa de julgado do STJ no sentido de que a base de cálculo do ISS para distribuidor de filmes cinematográficos e vídeotapes é a remuneração efetivamente recebida, ou seja, o saldo entre a quantia recebida do exibidor e aquela entregue ao produtor); B) DA APLICAÇÃO DE MULTA COM EFEITO DE CONFISCO no crédito constituído, o valor da multa no percentual de 75% é muito próximo ao do crédito principal, caracterizando nitidamente o seu caráter confiscatório, tornando letra morta os art. 145, § 1 ° e 150, IV, da Constituição Federal de 1988, o que não pode ser concebido de forma alguma, conforme vasta jurisprudência consolidada pelo Superior Tribunal Federal STF (cita jurisprudência judicial); Fl. 369DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.723117/200977 Acórdão n.º 1802002.146 S1TE02 Fl. 370 10 C) DA ILEGALIDADE/INCONSTITUCIONALIDADE DA INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS, COFINS, CSLL E IRPJ: a parcela relativa ao ICMS integra o valor da mercadoria para fins de sua cobrança do adquirente das mercadorias, no entanto é imediatamente repassado ao Estadomembro. Logo, não há que se falar em faturamento/lucro/renda e conseqüentemente, não há que se falar em parte integrante da base de cálculo do PIS, COFINS, CSLL e IRPJ; não resta dúvida de que a Impugnante está diante de uma nova fonte de custeio para a seguridade social porque a exigência de uma contribuição social a cargo do empregador sobre um imposto estadual não encontra guarida no art. 195, o que só resta remeter par o §4° do art. 195 c/c a primeira parte do inciso I do art. 154, todos da Constituição Federal; concluise que a exigência de qualquer contribuição social ou imposto incidente sobre o ICMS só poderia ser exigida através de uma lei complementar que determinasse expressamente que o referido imposto é base de cálculo das contribuições previdenciárias e de um outro imposto; tanto é verdade que o Supremo Tribunal Federal STF está analisando o Recurso Extraordinário n° 240.785/MG, tendo como Relator o Eminente Ministro Marco Aurélio Mello que proferiu o seu voto a favor dos contribuintes, conforme se depreende da leitura do informativo STF n° 161 transcrito; portanto, é imperioso reconhecer que a inclusão do ICMS na composição da base de cálculo do PIS/COFINS/CSLL/IRPJ fere o entendimento reinante no Supremo Tribunal Federal, acarretando a iliquidez do lançamento; C) DAS DILIGÊNCIAS E DA PERÍCIA caso esta DRJ Salvador não entenda que os Autos são totalmente nulos, que determine realização de diligência para proceder com circularização perante os fabricantes com vistas a confirmar o tabelamento de preços e que a Arruda é obrigada a vender pelo preço sugerido pela fábrica; apesar de não entender necessária, mas caso assim o seja, que determine a realização de perícia (formula dois quesitos e indica o perito). III DA CONCLUSÃO E DO PEDIDO em razão de tudo o que foi demonstrado, pede a anulação/desconstituição total dos Autos de Infração. A DRJ/Salvador, enfrentando as questões suscitadas pela Contribuinte, manteve o lançamento fiscal, conforme Acórdão da 2ª Turma, de 02/12/2009, cuja ementa transcrevo (efls. 319/320), in verbis: Fl. 370DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.723117/200977 Acórdão n.º 1802002.146 S1TE02 Fl. 371 11 (...) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 NULIDADE. Afastase a tese de nulidade do lançamento, quando lavrado por servidor competente e em obediência aos princípios legais que o regem. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. Inócua a argüição de inconstitucionalidade na esfera administrativa visando afastar obrigação tributária regularmente constituída, por transbordar os limites de competência desta esfera o exame da matéria do ponto de vista constitucional. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE APRESENTAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O fato de a pessoa jurídica, sucessivamente intimada, deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da sua escrituração comercial e fiscal, autoriza o arbitramento dos lucros, obedecendo aos critérios estabelecidos na lei. RECEITA BRUTA. DISTRIBUIDOR.. A limitação da autonomia do distribuidor, para negociar, disposta em contrato, não tem o condão de transmutar a atividade de distribuição comercial em simples agenciamento. Portanto, a receita bruta, base de cálculo para a determinação do Lucro Arbitrado, é a receita de revenda dos produtos e não a alegada "remuneração prevista em contrato entre o distribuidor e a fabricante". RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ICMS. Inexiste previsão legal para a exclusão do ICMS da receita bruta, base de cálculo do Lucro Arbitrado. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Contribuição para o PIS/Pasep Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL Fl. 371DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.723117/200977 Acórdão n.º 1802002.146 S1TE02 Fl. 372 12 Os lançamentos decorrentes devem observar o mesmo procedimento adotado no principal, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula CSLL. BASE DE CÁLCULO. Inexiste previsão legal para a exclusão do ICMS da receita bruta sobre a qual vai incidir o coeficiente de determinação da base de cálculo da CSLL devida pelas pessoas jurídicas submetidas à tributação com base no Lucro Arbitrado. PIS E COFINS CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. A exclusão do ICMS na determinação da base de cálculo dessas contribuições é admitida pela legislação de regência somente quando o contribuinte revestirse da condição de substituto tributário. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. O julgador administrativo não pode afastar a aplicação da multa prevista em lei e carece de competência para apreciar questões suscitadas quanto à validade da legislação tributária. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas cumprir a determinação legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (...) O pedido de diligência/perícia técnica, também, foi rejeitado pela decisão a quo, conforme fundamentação constante do seu voto condutor (efl.329), in verbis: (...) Sobre os pedidos de diligência e perícia, da análise dos quesitos propostos pela interessada, verificase que consistem em: circularizar os fabricantes com os quais mantém contratos de distribuição para confirmar o alegado tabelamento de preços; constatar se é verdade que o produto objeto de distribuição é revendido pelo mesmo preço de compra; esclarecer se é verdade que a sua receita bruta se restringe ao percentual de desconto concedido e destacado na nota fiscal de entrada. Tais fatos não requerem realização de diligência, muito menos de perícia, que é um instrumento de produção de provas que visa ao esclarecimento de determinado fato de natureza técnica, por um especialista no assunto, não se justificando a sua realização quando o fato puder ser demonstrado pela simples juntada de documentos por parte do interessado, ou através dos elementos que compõem o processo. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.723117/200977 Acórdão n.º 1802002.146 S1TE02 Fl. 373 13 Ademais, o processo encontrase instruído com todos os elementos necessários à formação da convicção do julgador, inclusive na elucidação dos quesitos propostos pela impugnante, o que torna dispensável a realização de diligência e perícia. Indefiro, portanto, a diligência e perícia requeridas, em conformidade com o art. 18 do Decreto n° 70.235, de 1972 (Processo Administrativo Fiscal PAF). Dessa forma, indefiro os pedidos de diligência e perícia. (...) Ciente desse decisum em 20/03/2010, por via postal AR (efl. 346), a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 29/03/2010 (efls. 347/359), pleiteando a reforma da decisão recorrida, reiterando as mesmas razões já apresentadas na instância a quo: Preliminar de nulidade do lançamento fiscal: que o fisco, quando da lavratura dos autos de infração, não levou em consideração o princípio da verdade material; que a receita bruta da empresa é formada apenas por comissões ou descontos obtidos nas notas fiscais de compra (entradas) e não as vendas – saídas com nota fiscal, em face de contratos de distribuição firmados com fabricantes; Pedido de diligência/pericia contábil: verificar as notas fiscais de compra e saídas, no sentido de comprovar que tem como receita bruta própria apenas os descontos concedidos pelas fábricas nas notas fiscais de compra, já que as saídas (vendas) com nota fiscal são com preços tabelados pelas fábricas; Contrato de distribuição (CC/2002, art. 710): que a Recorrente tem contrato de distribuição com as fábricas fornecedoras das mercadorias que comercializa; que, entretanto, a receita bruta de sua atividade não é o somatório das notas fiscais de vendas (saídas), mas sim apenas os descontos obtidas das fábricas nas notas fiscais de compra (entradas), em face de contrato de distribuição; que informou na DIPJ, como receita própria, apenas as receitas de comissão/descontos obtidos nas notas fiscais de compra; que não há a divergência de receitas apurada pelo fisco (omissão de receitas), pois declarou apenas as receitas (descontos obtidos das fábricas) nas nota fiscais de compra; que a receita bruta da Recorrente é composta pela comissão constituída pelo percentual do desconto previsto em contrato e em nota fiscal para a distribuidora dos produtos e não pelo somatório de valor das notas fiscais de saídas; que embora seja obrigada por contrato a faturar para os seus clientes pelo valor da lista de preços em seu nome (notas fiscais de saídas), o fato é que atua, assim age por conta e ordem do fabricante fornecedor, em face contrato; que a divergência encontrada pelo fisco decorre do fato que na DMA (fisco estadual) a Recorrente é obrigada a informar o valor das notas fiscais de saídas de mercadorias, enquanto na DIPJ (fisco federal) a legislação exige que seja informado o valor da receita bruta; Multa de ofício de 75% caráter confiscatório; Ilegalidade/inconstitucionalidade da inclusão da parcela do ICMS na base de cálculo das contribuições (PIS, Cofins e CSLL) e do IRPJ; Fl. 373DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.723117/200977 Acórdão n.º 1802002.146 S1TE02 Fl. 374 14 Por fim, com base nessas razões, a Recorrente pediu a reforma da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O Recurso Voluntário, por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade, merece ser apreciado. Logo, dele conheço. Conforme relatado, a Contribuinte rebelase contra a exigência de crédito tributário lançado de ofício pelos autos de infração do IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e Cofins), anocalendário 2006, pedindo a reforma da decisão recorrida. NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. DESCRIÇÃO DOS FATOS E CAPITULAÇÃO LEGAL. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. PRELIMINAR REJEITADA. A Recorrente suscitou preliminar de nulidade dos autos de infração, aduzindo, em síntese, que a fiscalização não levou em consideração o Princípio da Verdade Material. Ou seja, que o fisco apurou valor tributável da infração omissão de receitas diversa da realidade das operações comerciais praticadas pela Recorrente. De plano, rejeito a preliminar suscitada. Primeiro, eventual erro de fato ou material no valor tributável da infração imputada, quanto muito, pode implicar a improcedência do lançamento fiscal, mas não sua nulidade, pois referese a máteria de mérito quanto à existência ou não da infração imputada, e que demanda análise probatória. A Recorrente assim, de forma equivocada, pretende discutir matéria de mérito em sede de preliminar. Por oportuno, registrese que as nulidades do lançamento fiscal estão cominadas, previstas, no art. 60 do Decreto nº 70.235/72 (PAF), e dizem respeito à incompetência do agente do fisco e prejuízo ao direito de defesa (cerceamento do direito de defesa) em decorrência de vícios formais no lançamento fiscal, por inobservância do art. 10 do citado PAF e art. 142 do Codigo Tributário Nacional – CTN. Assim, em sede de preliminar devem ser suscitados vícios formais do ato administrativo de lançamento fiscal que impliquem prejuízo ao direito de defesa, como por exemplo, falta ou insuficiente descrição dos fatos e falta de enquadramento legal, que não é o caso dos autos, pois o lançamento fiscal está em consonância com o art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e art. 142 do CTN. Vale dizer, a infração imputada Omissão de Receitas tem descrição completa e precisa dos fatos, demonstrativo de cálculo da matéria tributável, correta capitulação legal e Fl. 374DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.723117/200977 Acórdão n.º 1802002.146 S1TE02 Fl. 375 15 correta identificação do sujeito passivo, conforme art. 10, e seus incisos, do Decreto nº 70.235/72 e art. 142 do Código Tributário Nacional. Como já dito, se a infração imputada “Omissão de Receitas” restou configurada, ou não, é matéria de mérito, que requer análise de elementos de provas; é questão que demanda análise probatória. Não é matéria para ser suscitada, nem enfrentada, em sede de preliminar. O lançamento fiscal quanto muito, na hipótese de falta de comprovação da infração imputada, poderá ser improcedente, mas não nulo. Além disso, o lançamento fiscal foi lavrado por autoridade competente. Assim, diversamente do alegado pela Recorrente, não restou configurado vício formal ou material no lançamento fiscal que pudesse gerar prejuízo à defesa, ou seja, cerceamento do direito de defesa. Logo, não se vislumbra vício algum que pudesse inquinar o lançamento de nulidade. Como dito, o ponto controvertido – valor tributável da infração Omissão de Receitas, será oportunamente apreciado, quando da análise do mérito. Ainda, conforme mansa e pacífica jurisprudência deste Conselho, não sendo hipótese de incompetência do agente para o lançamento fiscal, não sendo hipótese de falta de descrição dos fatos e de falta de capitulação legal, não há que se falar em nulidade do lançamento fiscal. A propósito, transcrevo, nesse sentido, precedentes deste CARF, in verbis: NULIDADE – CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – CAPITULAÇÃO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS INCOMPLETA – IRF – Anos 1991 a 1993 – O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa (Acórdão nº 10417.364, de 22/02/2001, 1º CC). AUTO DE INFRAÇÃO – DISPOSIÇÃO LEGAL INFRINGIDA – O erro no enquadramento legal da infração cometida não acarreta a nulidade do auto de infração quando comprovado, pela judiciosa descrição dos fatos nele contida e a alentada impugnação apresentada pelo contribuinte contra as imputações que lhe foram feitas, que inocorreu preterição do direito de defesa (Acórdão nº 10313.567, DOU de 28/05/1995); PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE DO LANÇAMENTO. A capitulação legal incompleta da infração ou mesmo a sua ausência não acarreta nulidade do auto de infração, quando a descrição dos fatos nele contida é exata, possibilitando ao sujeito passivo defenderse de forma detalhada Fl. 375DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.723117/200977 Acórdão n.º 1802002.146 S1TE02 Fl. 376 16 das imputações que lhe foram feitas (Acórdão 10806.208, sessão de 17/08/2000). NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO – INOCORRÊNCIA. A inclusão desnecessária de um dispositivo legal, além do corretamente apontado para as infrações praticadas, não acarreta a improcedência da ação fiscal. Outrossim, a simples ocorrência de erro de enquadramento legal da infração não é o bastante, por si só, para acarretar a nulidade do lançamento quando, pela judiciosa descrição dos fatos nele contida, venha a permitir ao sujeito passivo, na impugnação, o conhecimento do inteiro teor do ilícito que lhe foi imputado, inclusive os valores e cálculos considerados para determinar a matéria tributável.(Acórdão nº 10417.253, sessão de 10/11/99). AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE CERCEAMENTO DE DEFESA Para que haja nulidade do lançamento é necessário que exista vício formal imprescindível à validade do lançamento. Desta forma, se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, mediante substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa ou por vício formal.(Acórdão nº 10248.141, sessão de 25/01/2007). Ainda, na mesma linha de raciocínio, é o entendimento jurisprudencial da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Ac. CSRF/0103.264, de 19/03/2001 e publicado no DOU em 24/09/2001), verbis: A imperfeição na capitulação legal do lançamento não autoriza, por si só, sua declaração de nulidade, se a acusação fiscal estiver claramente descrita e propiciar ao contribuinte dele se defender amplamente, mormente se este não suscitar e demonstrar o prejuízo sofrido em razão do ato viciado. Como demonstrado, não restou configurado, nem caracterizado, o alegado prejuízo à defesa ou cerceamento de defesa, em relação à infração imputada Omissão de Receitas. Portanto, rejeito a preliminar de nulidade suscitada. FURTO/ROUBO DOS LIVROS CONTÁBEIS/FISCAIS E NEGATIVA DE RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITURAÇÃO. RECEITA BRUTA CONHECIDA. COM BASE NAS DMA FORNECIDAS PELO FISCO ESTADUAL. ARBITRAMENTO DO LUCRO. ANOCALENDÁRIO 2006 No anocalendário 2006, a Recorrente estava submetida ao regime do Lucro Presumido, conforme informado na DIPJ 2007, anocalendário 2006, transmitida em 27/06/2007 (efls. 142/151). Nesse regime de tributação, no anocalendário 2006 a Contribuinte estava obrigada, pelo menos, a manter o Livro Caixa escriturado com toda a movimentação Fl. 376DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.723117/200977 Acórdão n.º 1802002.146 S1TE02 Fl. 377 17 financeira, inclusive bancária, e Livro Registro de Inventário, conforme art. 527, Parágrafo Ùnico, do RIR/99, in verbis: Art.527.A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45): Iescrituração contábil nos termos da legislação comercial; IILivro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário; IIIem boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafoúnico. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária (Lei nº8.981, de 1995, art. 45, parágrafo único). (grifei) Durante o procedimento de fiscalização, a Contribuinte foi intimada a apresentar, em cinco dias úteis, livros e documentos de sua escrituração contábil e fiscal, atinente ao anocalendário 2006, conforme Termo de Início de Fiscalização de 11/05/2009, com ciência em 14/05/2009, via postal (efls. 44/45). No dia 21/05/2009, a Contribuinte procurou a fiscalização da RFB e não apresentou os livros; porém, forneceu cópia do recibo de entrega da DIPJ 2007 (anocalendário 2006) transmissão eletrônica pela internet, de 27/06/2007 (e fls. 74) e cópias dos recibos de entrega transmissão eletrônica pela internet das DCTF dos 1º e 2º semestres/2006 (efls. 75/76) e forneceu ainda cópia de CertidãoOcorrência Policial registrada em 04/04/2009 de arrobamento/furto de objetos do seu estabelecimento comercial nessa data, com Aditamentos de 13/04/2009 e de 20/05/2009. A inclusão de furto dos livros contábeis/fiscais deuse apenas no último Aditamento do B. O, em 20/05/2009 (efls. 77/79), in verbis: (...) ADITAMENTO FEITO EM 20/05/2009, ÀS 11 H 12 MIN, POR JOSE MARCELO MARQUES NOVO O COMUNICANTE COMPARECEU NESTA DELEGACIA ACRESCENTANDO QUE TAMBÉM FORAM SUBTRAÍDOS OS SEGUINTES ITENS: LIVROS DIÁRIO/RAZÃO PERÍODO DE JANEIRO/2003 Á DEZEMBRO/2007; PASTAS CONTENDO DOCUMENTOS CONTABILIZADOS REFERENTES PERÍODO DE JANEIRO/2003 À DEZEMBRO/2007; NOTAS FISCAIS E AUXILIARES REFERENTES PERÍODO DE JANEIRO/2003 À DEZEMBRO/2007; PASTAS COM NOTAS FISCAIS DE SAÍDA REFERENTES PERÍODO DE JANEIRO/2003 À DEZEMBRO/2007; PASTAS CONTENDO DIVERSOS DOCUMENTOS CONTABILIZADOS, EXTRATOS, Fl. 377DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.723117/200977 Acórdão n.º 1802002.146 S1TE02 Fl. 378 18 DUPLICATAS E CONTRACHEQUES REFERENTES PERÍODO DE JANEIRO/2003 À DEZEMBRO/2007. (...) Cabe registrar, a Contribuinte tomou ciência do Termo de Início de Fiscalização em 14/05/2009 (efls. 44/45). De plano, observase que o registro da ocorrência policial, – furto dos Livros da escrituração contábil/fiscal e divulgação do fato, publicação da notícia em jornal de circulação , deuse após essa data de ciência do início da fiscalização, quando já havia perdido a espontaneidade para efeito de exclusão da responsabililidade por infração tributária. Mas, independentemente da perda da espontaneidade, o furto dos livros/documentos fiscais não permite à Contribuinte abandonar a escrita contábil/fiscal, mormente quando existem meios de reconstituição dos livros e de apuração da receita bruta, como no caso do anocalendário 2006, período objeto do lançamento fiscal. Então, a Contribuinte em 26/05/2009 foi intimada novamente para, agora em 20 dias, escriturar e apresentar os livros da escrituração contábil e fiscal (Diário, Razão ou livro Caixa), dessa vez, com a advertência de estar sujeita a arbitramento do lucro, em caso de não atendimento à intimação, ou seja, de não apresentação desses livros à fiscalização da RFB (e fls.80/81). Em 15/06/2009, a Contribuinte entregou à fiscalização expediente (efl. 82/84), informando que estava impossibilitada de apresentação de livros de sua escrituração contábil e fiscal, bem como de fazer a reconstituição da escrituração, pois tais livros, como mencionado, foram objeto de furto em seu estabelecimento, juntando novamente cópia da citada Certidão Boletim de Ocorrência Policial, comunicando a negativa de reconstituição da escrituração nos seguinte termos: (...) II – CASO FURTUITO OU FORÇA MAIOR. FURTO DE LIVROS DA EMPRESA (...) – DESNECESSIDADE DE ESCRITURAÇÃO DOS LIVROS E IMPOSSIBILIDADE DE ARBITRAMENTO De efeito, vale frisar que a Requerente desenvolve atvidade comercial de distribuição de produtos alimentícios em geral, tendo (...) movimentação diária de mercadorias. A apresentação de livros é obrigatória pelo contribuinte. Entretanto, há casos em que o Contribuinte fica impossibilitado por força maior ou caso fortuito, como é o caso de extravio, furto etc de documentos e livros fiscais. No presente caso, o Requerente está impossibilitado de atender à exigência fiscal dentro do prazo e com a exatidão exigida, tendo em vista que todos os livros fiscais do período fiscalizado foram furtados, conforme se comprova pelos documentos no item “I”. Ressaltese que a reconstituição dos livtros demandará tempo e poderá ser prejudicada pela ausência de base de dados que assegure a exatidão e o lançamento de todas as informações contábeis pertinentes. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.723117/200977 Acórdão n.º 1802002.146 S1TE02 Fl. 379 19 Isto porque a Recorrente dependerá da boa vontade dos seus fornecedores no sentido de enviar as Notas Fiscais de Entrada, com vistas a proceder com o registro nos livros de entrada e também da boa vontade dos seus clientes, no que tange ao envio das cópias das Notas Fiscais de Saída com o objetivo de compor o registro de saída das mercadorias nos respectivos livros contábeis. (...) III – CONCLUSÃO Diante do exposto, requer a Recorrente que V. Exa. se digne dar por encerrada a fiscalização em tela pelas seguintes razões: (a) porque os livros fiscais foram extraviados, não sendo possível a escrituração dentro do prazo exigido;(b) porque há outros documentos necessários e suficientes para assegurar a idoneidade dos recolhimentos efetuados pela empresa, tais como DIPJ, (...); (c) porque a jurisprudência entende que as informações prestadas em DIPJ não podem ser refutadas quando não houver o livro contábil obrigatório e necessário à citada conferência. (...) Ainda, cabe destacar que a Contribuinte, nesse mesmo expediente entregue à fiscalização da RFB, comunicando a negativa de reconstituir a escrituração contábil/fiscal do anocalendário 2006, fez longo arrazoado defendendo o encerramento procedimento de fiscalização, argumentando, em síntese: que a existência de cópia da Certidão Policial e de cópia do jornal publicação na imprensa de extrato da ocorrência do furto dos livros contábeis/fiscais , já seriam providências suficientes para afastar a responsabilidade por infração tributária do período fiscalizado; que, nesse caso, o fisco não teria fundamento para questionar a legitimidade dos dados constantes da DIPJ e das DCTF do período fiscalizado ante a impossibilidade de reconstituição da escrita contábil pela Contribuinte; que eventual arbitramento, imputação de infração ou lançamento fiscal seria insubsistente pela inexistência de outros meios para o fisco comprovar que os dados constantes da DIPJ não seriam corretos, citando, nesse sentido, precedente de jurisprudência do TRF/1ª Região. E, por fim, pediu o encerramento do procedimento de fiscalização (efls. 82/88). Diversamente do alegado pela Contribuinte, a pessoa jurídica é obrigada a conservar livros e comprovantes, e fazer a reconstituição de sua escrituração contábil/fiscal, em caso de perda, extavio ou furto de seus livros contábeis e fiscais (RIR/99, art. 264). Além dos mais, diferentemente do entendimento da Contribuinte, no caso havia sim outros meios para o fisco comprovar que os dados constantes da DIPJ não estavam corretos, como por exemplo as DMA que ela própria entregara ao fisco estadual da Bahia. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.723117/200977 Acórdão n.º 1802002.146 S1TE02 Fl. 380 20 Então, foi expedida nova intimação fiscal, ou seja, em 18/06/2009 a Contribuinte tomou ciência de nova intimação fiscal para fazer, proceder a escrituração (reconstituir a escrituração contábil/fiscal) em 10 dias e, sendo o caso, autenticar os livros Diário, Razão ou livro Caixa, conforme Termo de Reintimação (efls 101/102). A Contribuinte não se manifestou. Diante dessa situação, e em face de Convênio de Cooperação técnica, a fiscalização da RFB solicitou à SEFAZ/BA os dados de receita bruta mensal do anocalendário 2006 da Contribuinte e foi atendida, conforme Declaração e Apuração Mensal do ICMS DMA, anocalendário 2006 (efls. 152/163). Cotejando os dados da DIPJ 2007 (anocalendário 2006) e das DMA que a Contribuinte entregara ao fisco da Bahia, a fiscalização da RFB apurou divergência Receita Bruta informada ao fisco federal muito aquém dos valores informados ao fisco estadual, conforme planilha a seguir: AC – 2006 DMA SAÍDA DE MERCADORIAS DIPJ – RECEITA BRUTA JANEIRO 951.986,88 FEVEREIRO 760.258,73 MARÇO 867.271,87 1º TRIMESTRE 2.579.517,48 1.166.526,11 ABRIL 988.806,06 MAIO 1.093.511,24 JUNHO 950.689,80 2ºTRIMESTRE 3.033.007,10 1.154.843,61 JULHO 1.166.407,53 AGOSTO 1.191.094,80 SETEMBRO 1.196.446,76 3º TRIMESTRE 3.553.949,09 1.349.544,91 OUTUBRO 1.064.003,83 NOVEMBRO 1.251.342,87 DEZEMBRO 1.033.276,44 4ºTRIMESTRE 3.348.623,14 1.453.530,20 TOTAL 12.515.096,81 5.124.444,83 Obs: A Contribuinte foi intimada, ciência em 03/07/2009 (efls. 104/105), a justificar a divergência de Receita Bruta apurada, mês a mès para o anocalendário 2006, do demonstrativo acima. Porém, sem fazer a reconstituição dos livros da escrituração, a Contribuinte juntou cópia de documentos, notas fiscais, contratos de distribuição com Fl. 380DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.723117/200977 Acórdão n.º 1802002.146 S1TE02 Fl. 381 21 indústrias forncedoras (efls. 111/136 e 217/233) explicando, em síntese, que, em face de contrato de distribuição com as indústrias fornecedoras, considera como receita bruta própria apenas a diferença entre o somatório das notas fiscais de saídas, menos o valor das compras com desconto, ou seja, que considera como receita bruta própria apenas a margem de lucro nas operações de compra e venda = desconto obtido das empresas fornecedoras nas notas fiscais de compra/entradas. Diante da negativa de reconstituição da escrituração contábil/fiscal por parte da Contribuinte (não apresentação dos livros) e diante da receita bruta conhecida com base em Declaração e Apuração Mensal do ICMS – DMA (apuração de valores de receita bruta diversos da DIPJ, omisão de receitas), não restou à fiscalização da RFB outro caminho que não o Arbitramento do Lucro, para os respectivos trimestres do anocalendário 2006. A propósito, em face dessas vicissitudes ocorridas no curso do procedimento de fiscalização, transcrevo, por fim, a justificação da fiscalização da RFB pelo arbitramento do lucro, conforme Termo de Verificação Fiscal (efls.39/43), parte integrante do lançamento Fiscal, in verbis: (...) Dada a não apresentação dos livros e documentos da escrituração contábil/fiscal do Contribuinte e consideradas as respostas apresentadas pelo mesmo, ante a impossibilidade de se apurar o Lucro Real, necessário se fez então o Arbitramento do Lucro, consoante determinação do artigo 530, incisos III do RIR/99. Ressaltamos que o Contribuinte foi regularmente cientificado, conforme TERMO DEINTIMAÇÃO FISCAL N° 001, acerca da possibilidade de arbitramento dos lucros, caso sua escrita contábil/fiscal não fosse apresentada. Dado que o Contribuinte não apresentou seus livros contábeis/fiscais, o Lucro Arbitrado foi determinado mediante a aplicação, sobre a Receita Bruta Conhecida, dos percentuais de presunção do lucro fixados para o LucroPresumido acrescidos de 20% (vinte por cento), conforme determina o artigo 16 da Lei n° 9.249/95. (...) Portanto, a receita bruta conhecida do anocalendário 2006 (faturamento) é aquela informada pela própria Contribuinte nas DMAICMS (vendas, saídas com nota fiscal), conforme demonstrativo transcrito acima RECEITA BRUTA CONHECIDA COM BASE NAS DMA FORNECIDAS PELO FISCO ESTADDUAL. CONTRATO DE DISTRIBUIÇÃO FIRMADO COM AS INDÚSTRIAS FORNECEDORAS DE MERCADORIAS COMERCIALIZADAS PELA AUTUADA. PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA CONTÁBIL. A Recorrente, assim como já fizera na primeira instância de julgamento, acatou o regime do lucro arbitrado (arbitramento do lucro de ofício) pela não apresentação dos livros contábeis/fiscais, ou seja, não se insurgiu; porém, rebelase, veementemente, contra o Fl. 381DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.723117/200977 Acórdão n.º 1802002.146 S1TE02 Fl. 382 22 valor tributável da infração omissão de receitas receita bruta sobre a qual incidiu o arbitramento do lucro (faturamento, ou seja, somatório das vendas, saídas com nota fiscal). Para a Recorrente o arbitramento do lucro deveria incidir sobre a receita bruta informada na DIPJ e não sobre a receita bruta informada ao fisco estadual da Bahia nas DMA. A irresignação da Recorrente não merece prosperar. A Recorrente é uma empresa distribuidora atacadista que comercializa, revende mercadorias, produtos alimentícios adquiridos diretamente das fábricas fornecedoras, por intermédio de contrato de distribuição. A propósito do objeto social da empresa Recorrente, consta da Cláusula Terceira do Instrumento do Contrato Social – 13ª Alteração Contratual, de 21/07/2003 (efls. 46/73), in verbis: O objetivo da sociedade passa a ser: comércio atacadista de produtos alimentícios e transportes rodoviários de caragas. Em face de contratos de distribuição firmados com as indústrias fornecedoras de produtos alimentícios, a Recorrente alega, sem razão, que tem como receita tributável própria apenas os descontos/comissões obtidos das fábricas nas notas fiscais de compras (entradas), pois, em relação às vendas ou revendas (saídas com nota fiscal), os preços são tabelados pelas indústrias (que a receita própria é a diferença de valor entre a nota fiscal de venda saídas e de compra, ou seja, o desconto obtido na compra). A Recorrente está totalmente equivocada em sua argumentação, chegando a ser risível, tamanha a ingenuidade jurídica. A relação que a Contribuinte tem com as indústrias é de contrato comercial de distribuição, e não de agência. A Contribuinte é um estabelecimento atacadista que compra mercadorias (produtos alimentícios) diretamente das fábricas e os revende com margem de lucro. A margem de lucro é controlada pelas indústrias, em face de contratos de distribuição, mediante fornecimento de tabelas de preços máximos que podem praticados e em face de descontos concedidos diretamente nas notas fiscais de compra da indústria. Pelo contrato de distribuição, a Recorrente deve observar alguns acordos firmados com a indústria fornecedora (v. g., suprir prontamente os clientes de sua região geográfica e fornecer produtos com preços indicados, dados, sugeridos pela indústria), mas que não interferem na sua livre disposição do negócio como agente, ou seja, a Recorrente exerce atividade comercial atacadista em nome próprio por sua conta e risco, e não não por conta e ordem de terceiros. Logo, o estalecimento distribuidor atacadista é um comerciante normal que exerce sua atividade em nome próprio, por sua conta e risco (em conta própria). Nesse sentido, também dispõe o art. 710 do Código Civil, Lei 10.406/2002, in verbis: Fl. 382DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.723117/200977 Acórdão n.º 1802002.146 S1TE02 Fl. 383 23 Art. 710. Pelo contrato de agência, uma pessoa assume, em caráter não eventual e sem vínculos de dependência, a obrigação de promover, à conta de outra, mediante retribuição, a realização de certos negócios, em zona determinada, caracterizandose a distribuição quando o agente tiver à sua disposição a coisa a ser negociada. (grifei) No caso dos autos, a Recorrente é um estabelecimento distribuidor, pois tem a livre disposição da coisa negociada, ou seja, exerce atividade em nome próprio por sua conta e risco, comprando e vendendo mecadoria recebida diretamente da indústria, em face de contrato de distribuição. Vale dizer, a Recorrente tem a plena disposição das mercadorias, pois as adquiri da indústria (operação de compra e venda) e as vende (revende), em nome próprio (operaçoes em conta própria, por sua conta e risco). Nesse sentido, fazem prova as cópias dos instrumentos de contratos de distribuição celebrados com as indústrias pela Contribuinte e as notas fiscais de compra e de vendas, que foram juntados aos autos (efls.111/136 e 217/233). A propósito, apenas a título de exemplo em relação ao Contrato de Distribuição celebarado com a NISSIN –AJINOMOTO, de 22/01/99, nas Cláusulas 2ª e 3ª consta (efl. 218): CLÁUSULA 2ª TERRITÓRIO A DISTRIBUIDORA, por sua conta e risco, revenderá os produtos da FORNECEDORA no TERRITÓRIO sob sua responsabilidade, sem qualquer exclusividade, durante a vigência deste contrato. Parágrafo ùnico. A FORNECEDORA poderá, a qualquer momento, alterar o TERRITÓRIO de atuação da DISTRIBUIDORA, inclusive com redução de área, uma vez contatada qualquer falha na assistência junto aos clientes daquela área. CLÁUSULA 3ª DISTRIBUIÇÃO O relacionamento estabelecido por este contrato entre a FORNECEDORA e a DISTRIBUIDORA não é de outorgante e procuradora, mas o de vendedora e compradora. (...) Como demonstrado, a Recorrente exerce a atividade de distribuição, em nome próprio, por sua conta e risco, tendo a plena disposição da mercadorias, em operação de compra e venda. Assim, todo o seu faturamento com vendas de mercadororias e serviços é receita bruta própria da Recorrente (faturamento bruto próprio). Entendimento diverso seria declarar ao fisco federal, como receita bruta, apenas a margem de lucro (diferença entre valor das vendas e as compras com desconto), o que seria um absurdo! Fl. 383DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.723117/200977 Acórdão n.º 1802002.146 S1TE02 Fl. 384 24 Aliás, a Recorrente informou ao fisco federal na DIPJ apenas a diferença entre o valor das vendas e o valor das compras com desconto. Ora, isso não é receita bruta, mas sim margem de lucro! Por isso, configurase absurda, desproposital, a tese defendida pela Recorrente de que seria receita bruta própria apenas o valor que irá integrar o seu patrimônio. Não há que se confundir receita bruta (faturamento bruto) e lucro. São coisas diversas. Ainda, diversamente do entendimento da Recorrente, o art. 279 do RIR/99 trata da receita bruta (faturamento próprio) como produto da operação de venda de bens e serviços constante das notas fiscais de saída, em operações de conta própria e o resultado auferido nas operações de conta alheia, in verbis: Art. 279. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12). (...) Assim, quanto à determinação da receita bruta tributável do anoalendário 20006 com base nas DMA, não há reparo a fazer no lançamento fiscal. Por conseguinte, diversamente do alegado pela Recorrente, está correto o valor tributável da infração imputada omissão de receitas, pois a receita bruta tributável (valor da infração) é o somatório de valor das notas fiscais de saídas do anocalendário 2006 (faturamento), conforme apurado pela fiscalização da RFB com base nas declarações mensais de apuração do ICMS (DMA). Por fim, pelo fato dos elementos de prova já citados (cópias de notas fiscais de compras, de vendas, cópias de contratos de distribuição) constarem dos autos, sendo suficientes para resolução da lide, para formação do convicção do julgador, entendo despicienda, desnecessária a realização de diligência/perícia técnica para circularizar fornecedores/fabricantes. Nesse sentido, transcrevo predecedentes de jurisprudência deste CARF: PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. DESCABIMENTO Descabe o pedido de diligência quando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção. Por outro lado, as perícias devem limitar se ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal. Assim, a perícia técnica destinase a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitandose ao aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação. (Acórdão CARF nº 2202.000.747, Sessão de 20/09/2010). PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA — A diligência ou perícia não é meio próprio para comprovação de fato que possa ser feita Fl. 384DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.723117/200977 Acórdão n.º 1802002.146 S1TE02 Fl. 385 25 mediante a mera apresentação ou juntada de documentos, cuja guarda e conservação compete à contribuinte, mas sim para esclarecimento de pontos duvidosos que exijam conhecimentos especializados. Tendo a decisão devidamente apreciado o pedido formulado, motivadamente, sendo considerada prescindível, incabível a argüição de nulidade da decisão proferida.(Acordão CC nº 10708.709, Sessão de 17/08/2006). DILIGÊNCIA.. INDEFERIMENTO. Descabe qualquer pedido de diligência estando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção, não podendo este servir para suprir a omissão do contribuinte na produção de provas que ele tinha a obrigação de trazer aos autos.(Acórdão CC nº 10617.219, Sessão de 18/12/2008). PEDIDO DE PERÍCIA TÉCNICA CONTÁBIL. MEIO DE PROVA. DESNECESSÁRIO. INDEFERIMENTO. O pedido de perícia técnica para obter informações que, por integrarem a escrituração, poderiam ter sido apresentadas por iniciativa do sujeito passivo demonstra intenção protelatória e não caracteriza cerceamento do direito de defesa quando indeferido.A autoridade julgadora é livre para formar sua convicção, podendo deferir perícias quando entendêlas necessárias, ou indeferir as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, sem que isto configure preterição do direito de defesa. Por se tratar de prova especial, subordinada os requisitos específicos, a perícia só pode ser admitida, pelo Julgador, quando a apuração do fato litigioso não se puder fazer pelos meios ordinários de convencimento. Somente haverá perícia, portanto, quando o exame do fato probando depender de conhecimentos técnicos ou especiais e essa prova, ainda, tiver utilidade, diante dos elementos disponíveis para exame.(Acórdão CARF nº 1802.000661, Sessão de 03/11/2010). NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. REJEIÇÃO DO PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE PROVA PERICIAL. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. PRELIMINAR REJEITADA A perícia técnica não é meio de prova para comprovação de fato que possa ser feito mediante a mera apresentação ou juntada de documentos cuja guarda e conservação compete à contribuinte, mas sim para esclarecimento de pontos duvidosos que exijam conhecimentos especializados. Tendo a decisão de primeira instância rejeitado, de forma fundamentada, a desnecessidade ou prescindibilidade de realização de perícia técnica na escrituração contábil para a resolução da lide, incabível a arguição de nulidade da decisão proferida.(Acórdão CARF nº 1802.001.355, Sessão de 11/09/2012, Relator Nelso Kichel). PROTESTO GENÉRICO PELA PRODUÇÃO DE PROVAS. PEDIDO REJEITADO. Indeferese o pedido genérico para produção posterior de provas e/ou perícia quando desnecessários para resolução da lide e quando formulado em desacordo com o art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.723117/200977 Acórdão n.º 1802002.146 S1TE02 Fl. 386 26 (Acórdão CARF nº 1802001.339, Sessão de 08/08/2012, Relator Nelso Kichel). PRODUÇÃO DE PROVA. PROTESTO GENÉRICO. INDEFERIMENTO. Indeferese o mero pedido genérico para produção posterior de provas e/ou perícia, principalmente, quando não enquadrado nas hipóteses do art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235/72.(Acórdão nº 280100.982, sessão de 24/09/2010, Relator Antonio de Pádua Athayde Magalhães). PEDIDO DE PERÍCIA. É de ser indeferido o pedido de perícia feito em desacordo com a legislação pertinente, mormente quando os fatos relatados e as provas constantes dos autos são suficientes para o deslinde da matéria. (Acórdão nº 140200.415, sessão de 28/01/2011, Relator Antônio José Praga de Souza). NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. REJEIÇÃO DO PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA FISCAL. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. PRELIMINAR REJEITADA. O indeferimento do pedido de diligência para produção de provas cujo ônus probatório é do contribuinte, e quando restar evidenciado que ele poderia acostar ou juntar aos autos se de fato existissem, não configura cerceamento do direito de defesa. Ainda, não configura cerceamento do direito de defesa o indeferimento do pedido de diligência considerado desnecessário, prescindível à resolução da lide e quando formulado sem atendimento aos requisitos do art. 16 do Decreto n° 70.235/72. (Acórdão CARF nº 1802001.320, Sessão de 07/08/2012, Relator Nelso Kichel) Ademais, ainda como razão decidir pela rejeição do pedido de realização de diligência/perícia técncia, adoto os fundamentos do vonto condutor da decisão recorrida (e fls.329/330), in verbis: (...) Sobre os pedidos de diligência e perícia, da análise dos quesitos propostos pela interessada, verificase que consistem em: circularizar os fabricantes com os quais mantém contratos de distribuição para confirmar o alegado tabelamento de preços; constatar se é verdade que o produto objeto de distribuição é revendido pelo mesmo preço de compra; esclarecer se é verdade que a sua receita bruta se restringe ao percentual de desconto concedido e destacado na nota fiscal de entrada. Tais fatos não requerem realização de diligência, muito menos de perícia, que é um instrumento de produção de provas que visa ao esclarecimento de determinado fato de natureza técnica, por um especialista no assunto, não se justificando a sua realização quando o fato puder ser demonstrado pela simples juntada de documentos por parte do interessado, ou através dos elementos que compõem o processo. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.723117/200977 Acórdão n.º 1802002.146 S1TE02 Fl. 387 27 Ademais, o processo encontrase instruído com todos os elementos necessários à formação da convicção do julgador, inclusive na elucidação dos quesitos propostos pela impugnante, o que torna dispensável a realização de diligência e perícia. Indefiro, portanto, a diligência e perícia requeridas, em conformidade com o art. 18 do Decreto n° 70.235, de 1972 (Processo Administrativo Fiscal PAF). Dessa forma, indefiro os pedidos de diligência e perícia. (...) Por tudo que foi exposto, indefiro, portanto, o pedido de realização de diligência/perícia técnica. Por conseguinte, não há reparo a fazer na decisão recorrida quanto ao valor tributável da infração imputada e quanto à rejeição do pedido de realização de diligência/perícia técnica. APURAÇÃO DO LUCRO ARBITRADO. ANOCALENDÁRIO 2006 O lucro arbitrado de ofício do anocalendário 2006 e o respectivo valor do IRPJ lançado (diferença de imposto) estão apresentados no demonstrativo constante do Termo de Verificação Fiscal (efls. 39/43), e que transcrevo a seguir: AC 2006 DMA VENDAS REC. BRUTA CONHE CIDA LUCRO ARBI TRADO IRPJ ADICIO NAL IRPJ DEVIDO DCTF IRPJ A LANÇAR (diferença) JANEIRO 951.986,88 951.986,88 FEVEREIRO 760.258,73 760.258,73 MARÇO 867.271,87 867.271,87 1º TRIMESTRE 2.579.517,48 2.579.517,48 247.633,68 37.145,05 18.763,37 55.908,42 17.330,52 38.577,90 ABRIL 988.806,06 988.806,06 MAIO 1093.511,24 1093.511,24 JUNHO 950.689,80 1093.511,24 2º TRIMESTRE 3.033.007,10 3.033.007,10 291.168,68 43.675,30 23.116,87 66.792,17 17.096,87 49.695,30 JULHO 1.166.407,53 1.166.407,53 AGOSTO 1.191.094,80 1.191.094,80 SETEMBRO 1.196.446,76 1.196.446,76 3º TRIMESTRE 3.553.949,09 3.553.949,09 341.179,11 51.176,87 28.117,91 79.294,78 20.990,90 58.303,88 OUTUBRO 1.064.003,83 1.064.003,83 NOVEMBRO 1.251.342,87 1.251.342,87 DEZEMBRO 1.033.276,44 1.083.276,44 4º TRIMESTRE 3.348.623,14 3.553.949,09 321.467,82 48.220,17 26.146,78 74.366,96 23.070,60 51.296,35 TOTAL 12.515.096,91 12.515.096,91 180.217,39 96.144,93 276.362,32 78.488,90 197.873,43 Obs: (i) Lucro Arbitrado de Ofício (apuração trimestral): foi utilizado o coeficiente de presunção do lucro de 8% para comércio, acrescido de 20% pelo arbitramento = 9,6%, aplicado sobre a receita bruta conhecida trimestral, com base nas DMAICMS forcedidas pelo fisco estadual da Bahia, em face de Convênio de Cooperação Técncia. Do valor do IRPJ apurado de ofício, foi deduzido o valor do imposto confessado em DCTF, implicando lançamento apenas da diferença de principal, com multa de ofício de 75% e juros de mora. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.723117/200977 Acórdão n.º 1802002.146 S1TE02 Fl. 388 28 No tópico anterior deste voto, foi mantido, no mérito, o valor tributável da infração imputada, ou seja, foi mantida a receita bruta conhecida (faturamento, somatório dos valores das notas fiscais de vendas emitidas pela Recorrente, anocalendário 2006), conforme cópias das DMA fornecidas pelo fisco estadual da Bahia. Não há, também, reparo a fazer no arbitramento do lucro, conforme demonstrado na planilha transcrita acima. Ainda, como razão decidir, adoto os fundamentos do voto condutor da decisão da decisão recorrida (efls.329/330 ), in verbis: (...) Passo a examinar o mérito da tributação do IRPJ, com base no lucro arbitrado, devido à não apresentação dos livros contábeis e fiscais obrigatórios para as empresas optantes pelo lucro presumido, determinado mediante a aplicação do coeficiente de 9,6% sobre a receita bruta conhecida, representada pelos valores das vendas informadas nas DMA, os quais são superiores aos informados na DIPJ/2007. O arbitramento do lucro como forma de determinação da base de cálculo do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas está previsto no art. 44 do Código Tributário Nacional (CTN), e deve ser adotado nas hipóteses definidas no art. 530 do RIR/1999, dentre as quais a do inciso III: o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e Fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527.(grifei) A Impugnante não se insurge contra a forma de apuração da base de cálculo do IRPJ Lucro Arbitrado e, considerando a não apresentação dos livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, de manutenção obrigatória, reiteradamente solicitados durante a ação fiscal, depreendese que o arbitramento do lucro está em conformidade com o art. 530, inciso III, do RIR/1999, pois não é admissível prejuízo à incidência tributária nas hipóteses de descumprimento de requisitos definidos em lei para tributação do lucro real ou lucro presumido (...) Para se chegar ao montante de Lucro Arbitrado sujeito à tributação do IRPJ, aplicouse sobre a receita bruta conhecida, informada na DMA, proveniente da revenda de mercadorias, o percentual de 9,6%, correspondente ao coeficiente de determinação do Lucro Presumido aplicável à receita de revenda de mercadorias (8%), acrescido de 20% (vinte por cento), em consonância com o art. 532 do RIR/1999, que assim dispõe: Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, § 1 1 , quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados Fl. 388DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.723117/200977 Acórdão n.º 1802002.146 S1TE02 Fl. 389 29 no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei n° 9.249, de 1995, art. 16, e Lei n° 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). (grifei) (...) Em relação à questão da receita bruta tributável, extraída das DMA (somatório das notas fiscais de saídas), já foi enfrentada no mérito, alhures. Por fim, apenas para argumentar, o arbitramento de lucro, no caso de não apresentação dos livros contábeis/fiscais, não é penalidade, mais sim forma de apuração (regime de apuração do IRPJ e reflexo CSLL). O lucro arbitrado de ofício não é condicional; é definitivo. Nesse sentido, a matéria já sumulada pelo CARF: Súmula CARF nº 59: A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. Portanto, reiterando mantém se o arbitramento do lucro, conforme efetuado pela fiscalização. Lançamentos reflexos: CSLL, PIS e Cofins: houve lançamento de diferenças dessas exações fiscais, demonstrativos constantes dos respectivos Autos de Infração e do demonstrativo de cálculo constante do Termo de Verificação Fiscal, parte integrante do lançamento fiscal (fls. 39/43), pois foram deduzidos, subtraídos os valores confessados nas respectivas DCTF dos períodos de apuração do anocalendário 2006. lançamento da CSLL: Base de Cálculo da CSLL (apuração trimestral): foi utilizado o coeficiente de 12% sobre a receita bruta trimestral conhecida, extraída das respectivas DMA (receita bruta tributável matéria já enfrentada, no mérito, neste voto). A respeito da alíquota de 9% (nove por cento) utilizada para o cálculo da CSLL, cumpre dizer que foi aplicada por força do art. 37 da Lei n° 10.637, de 2002. Ainda, a alíquota de 9% persiste, foi mantida, pela Lei nº 11.727/2008, de forma definitiva (art. 17, II). lançamento da Contribuição para o PIS e Cofins: Base de Cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins (apuração mensal): foi utilizada a respectiva receita bruta mensal conhecida, com base nas DMA fornecidas pelo fisco estadual da Bahia (receita bruta tributável, matéria já enfrentada alhures, no mérito) Do valor da CSLL, PIS e Cofins apurados de ofício, foi deduzido o valor da respectiva Contribuição confessada em DCTF, implicando lançamento apenas da diferença de principal, com multa ofício de 75% e juros de mora. Portanto, não há reparo a fazer no lançamento de ofício do IRPJ e reflexos e, também, na decisão recorrida. Mantémse a decisão recorrida. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.723117/200977 Acórdão n.º 1802002.146 S1TE02 Fl. 390 30 PARCELA DO ICMS. EXCLUSÃO DA RECEITA BRUTA TRIBUTÁVEL. FALTA DE PREVISÃO LEGAL Anteriormente, já restou enfrentada, no mérito, a questão da receita bruta apurada (conhecida), valor trihutável da infração imputada “omissão de receitas” do ano calendário 2006, com nas DMA. Porém, a Recorrente alega: a) que deveria ser excluído do valor tributável – Receita Bruta – a parcela do ICMS; b) que é ilegal e inconstitucional a cobra do IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e Cofins) sobre a parcela do ICMS. Diversamente do entendimento da Recorrente, o art. 279 do RIR/99, que define a receita bruta, não prevê a exclusão da parcela do ICMS incidente sobre o valor da operação de venda da mercadoria e acerca da operação de prestação de serviços, pois tratase de tributo calculado por “dentro”, ou seja, o valor do ICMS integra o preço de compra ou de venda do bem, mercadoria ou do serviço. Vale esclarecer que somente há previsão legal para a dedução do ICMS quando a base de cálculo do IRPJ é apurada com base no Lucro Real, que não é o caso. Referente à Contribuição para o PIS e à COFINS, como visto, os artigos 10 e 22 do Decreto 4524/2002 definiram claramente a base de cálculo destas contribuições, estabelecendo expressamente as receitas a serem excluídas da base de cálculo. Desse modo, por estrita previsão legal, o ICMS incidente sobre as vendas só pode ser excluído da receita bruta, para fim de determinação da base de cálculo das contribuições em comento, quando o contribuinte for substituto tributário, o que não é o caso da Impugnante, em que o mencionado tributo estadual é cobrado "por dentro", integrando o preço de venda, sendo o ônus assumido integralmente pelo adquirente do produto vendido. As decisões proferidas incidentalmente pelo Supremo Tribunal Federal, em Recursos Extraordinários, a exemplo da citada na impugnação/recurso, aproveitam apenas às partes integrantes daquelas ações judiciais (art. 472 do Código de Processo Civil). A esfera administrativa não é o fórum próprio para a discussão da alegada ilegalidade ou inconstitucionalidade da legislação de regência do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins que não prevê a exclusão da parcela do ICMS da receita bruta, valor tributável por essas exações fiscais. Os órgãos de julgamento administrativo estão vinculados à observância e aplicação da lei vigente que tem presunção de legalidade, legimidade e constitucionalidade, enquanto não revogada por outra lei ou enquanto não retirada doordenamento jurídico ou suspenso seus efeitos erga omens pelo Poder Judiciário. Os julgadores administrativos não podem negar vigência ou deixar de aplicar lei vigente, sob pena de responsabilidade funcional. Na efera admininistrativa, o julgamento pautase na aferição se o ato administrativo de lançamento fiscal observou, foi produzido, conforme a legislação de Fl. 390DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.723117/200977 Acórdão n.º 1802002.146 S1TE02 Fl. 391 31 regência; não há controle de legalidade da lei, mas sim controle de legalidade do ato aministrativo se produzido conforme a lei. No caso, o lançamento foi produzido conforme a lei. A propósito da falta de competência deste Órgão administrativo de julgamento para conhecer, no mérito, de arguição de insconstitucionalidade de lei, a matéria, por pacífica, encontrase sumulada: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A incompetência dos órgãos de julgamento administrativa para conhecer da arguição de inconstitucionalide de lei, por estarem vinculados ao Poder Exectuvo, decorre da própria Constituição Federal que adotou o princípio da unidade de jurisdição, ou seja, o Poder Judiciário tem a competência privativa e a última palavra para conhecer e decidir acerca da ilegalidade ou inconstitucionalidade de lei. Destarte, não conheço, no mérito, da arguição de inconstitucionalidade da lei tributária que não prevê a exclusão da parcela do ICMS da receita bruta. Portanto, deve ser mantida a parcela do ICMS no valor tributável da infração omissão de receitas (receita bruta conhecida, apurada com base nas notas fiscais de saídas, de vendas), anocalendário 2006. APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO DE 75%. DESPROPORCIONAL. CARÁTER CONFISCATÓRIO. FALTA DE COMPETÊNCIA PARA CONHECER, NO MÉRITO, DA ALEGADA INCONSTITUCIONALIDADE A Recorrente argumentou que o valor da multa de ofício aplicada, no percentual de 75% sobre o valor do principal dos tributos objeto da autuação é execessiva, desproporcional ou confiscatória Essa questão da arguição da inconstitucionalidade de lei na órbita administrativa foi abordada anteriormente, ou seja, o CARF não tem competência para pronunciarse, no mérito; é matéria de competência do Poder Judiciário. Súmula CARF nº 02, já transcrita alhures, neste Voto. Ainda, como razão de decidir adoto os mesmos fundamentos do voto condutor da decisão recorrida, que abordou assim a falta de competência do órgão administrativo para conhecer da alegação ou arguição de inconstitucionalidade de lei (e fls.334/335) , in verbis: (...) A Impugnante também se mostra inconformada com a aplicação da multa de ofício, no percentual de 75%, por considerála exigência confiscatória. Os princípios constitucionais devem ser respeitados, mas a sua violação, como já foi dito, não encontra em órgãos administrativos foro de discussão adequado, por lhes faltar Fl. 391DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.723117/200977 Acórdão n.º 1802002.146 S1TE02 Fl. 392 32 competência. A Constituição Federal de 1988 atribuiu ao Poder Judiciário a tarefa de declarar a inconstitucionalidade de norma legal, cabendo à Administração Pública a aplicação das normas como postas no ordenamento, em respeito à presunção de constitucionalidade que as acompanha. A autoridade tributária ao aplicar a multa de ofício em litígio agiu conforme lei vigente Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 44, inciso I de cuja obediência não pode se afastar sob pena de responsabilidade funcional. Dessa forma, demonstrada a existência dos ilícitos apontados nos autos de infração e estando a situação fática apresentada tipificada e enquadrada no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, que a insere no campo das infrações tributárias, sobre os valores dos tributos mantidos devese manter a multa de ofício, no valor de 75%, não se podendo acolher a alegação de confisco. No que diz respeito à jurisprudência trazida aos autos, é de se observar o disposto no artigo 472, do Código de Processo Civil (CPC), o qual determina que "a sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros", donde se conclui que, não sendo parte nos litígios objetos dos acórdãos, a Interessada não pode usufruir os efeitos das sentenças ali prolatadas, posto que são inter partis e não erga omnes. Ademais, os entendimentos jurisprudenciais transcritos pela impugnante tratam de situações diversas da que está em litígio neste processo. Também a doutrina citada pela Impugnante serve apenas como forma de ilustrar e reforçar sua argumentação, não vinculando a administração àquela interpretação, isto porque não têm eficácia normativa. (...) Diante do exposto, deve ser mantida a multa de ofício aplicada no percentual de 75%. Decisão recorrida mantida. LANÇAMENTOS REFLEXOS: CSLL, PIS E COFINS. Tratandose de lançamentos decorrentes, a decisão prolatada no lançamento matriz (IRPJ) é aplicável, no que couber, aos reflexos, em razão da intima relação de causa e efeito que os vincula. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10530.723117/200977 Acórdão n.º 1802002.146 S1TE02 Fl. 393 33 Por tudo que foi exposto, voto para REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 393DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 13888.916053/2011-19
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 31/07/2001
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO MATERIAL NÃO DEMONSTRADO. RECURSO NÃO PROVIDO.
Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, não demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A não comprovação, portanto, do indébito, impede seja reconhecido o direito à restituição pleiteada.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-002.823
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: Francisco José Barroso Rios
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do Fato Gerador: 31/07/2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO MATERIAL NÃO DEMONSTRADO. RECURSO NÃO PROVIDO. Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, não demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A não comprovação, portanto, do indébito, impede seja reconhecido o direito à restituição pleiteada. Recurso a que se nega provimento.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 31/07/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1O DO ARTIGO 3O DA LEI NO 9.718, DE 1998, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC NO 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal. Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 1998. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 31/07/2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO MATERIAL NÃO DEMONSTRADO. RECURSO NÃO PROVIDO. Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, não demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 91 60 53 /2 01 1- 19 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 Tributário Nacional. A não comprovação, portanto, do indébito, impede seja reconhecido o direito à restituição pleiteada. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 4a Turma da DRJ Ribeirão Preto (fls. 28/50 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada em face do indeferimento de restituição no valor de R$ 266,43, referente a suposto recolhimento a maior que o devido de PIS de competência do mês de julho de 2001. A DRF Piracicaba/SP indeferiu o pedido de restituição porque o pagamento supostamente recolhido a maior havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte, não restando, portanto, nenhum saldo disponível para restituição. Inconformada, a interessada aduziu que o crédito decorre do indevido cômputo das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição, isso diante da declarada inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, que previa a incidência da contribuição para o PIS e para a COFINS sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. Ressalta ainda que referido dispositivo fora revogado pelo artigo 79, inciso XII, da Lei nº 11.941/2009. A título comprobatório do direito creditório o sujeito passivo juntou uma planilha discriminando os valores recolhidos a maior em cada período de apuração. A primeira instância não reconheceu o direito creditório com base nos seguintes fundamentos: a) que, diante da não retificação da DCTF, o pagamento estava integralmente vinculado ao débito declarado, de sorte que não havia crédito a ser ressarcido; Fl. 97DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13888.916053/201119 Acórdão n.º 3802002.823 S3TE02 Fl. 85 3 b) que a revogação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo artigo 79, inciso XII, da Lei nº 11.941/09 não tem efeitos retroativos e, portanto, não atinge o período a que se refere o PER/DCOMP em análise; c) que a autoridade administrativa não poderia afastar a norma declarada inconstitucional uma vez que a contribuinte não figurara como postulante nas ações julgadas pelo STF, e que ao referido julgado não fora dado efeito erga omnes; e, d) que o contribuinte não apresentou provas documentais discriminando as receitas financeiras que alegou compor a base de cálculo do tributo no período em questão, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 02/07/2013 (fls. 55 Termo de Ciência por Decurso de Prazo). Inconformado, o sujeito passivo apresentou, em 12/07/2013 (fls. 82), o recurso voluntário de fls. 57/74, onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito sob o argumento de que o STF efetivamente declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, e que isso deveria ser reconhecido pela Administração ainda que tal decisão houvesse sido prolatada no controle difuso. Ressalta que, por força do disposto no artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho, tal entendimento deveria ser reproduzido pelos conselheiros do CARF, uma vez reconhecida a repercussão geral do tema pelo STF. Concernente à produção de provas, ressalta que, juntamente com a manifestação de inconformidade, apresentou a cópia do DARF, a cópia do PER/DCOMP e o demonstrativo do crédito, não havendo que se falar em preclusão do direito de apresentação de prova documental em vista dos princípios da instrumentalidade e da verdade material. Requer, ao final, seja deferida a restituição pleiteada. Além dos documentos acima citados, a suplicante acosta aos autos, às fls. 80/81, cópias das folhas do Livro Razão inerentes à contabilização das receitas financeiras do período. É o relatório. Voto O recurso há que ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Do direito subjetivo arguido A discussão envolve crédito decorrente da declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98. Como se sabe, o § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98 ampliou a base de cálculo do PIS e da COFINS. O aumento da carga tributária daí decorrente foi contestado na justiça, tendo o Poder Judiciário, por diversas vezes, entendido que a amplitude de faturamento referida no artigo 195, inciso I, da Constituição Federal, na redação anterior à Emenda Fl. 98DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 Constitucional – EC nº 20, de 1998, não legitimava a incidência de tais contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pelas empresas contribuintes, advertindo, ainda, que a superveniente promulgação da EC no 20, de 1998, publicada no dia 16 de dezembro de 1998, “não teve o condão de validar a legislação ordinária anterior, que se mostrava originariamente inconstitucional” (Ag.Reg. RE 546.3273/SP, Rel. Min. Celso Mello). Assim, entendeu o Poder Judiciário que o § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718, de 1998, ao alargar o conceito de faturamento, criara exação nova, assunto o qual deveria ter sido objeto de lei complementar, por força do disposto no artigo 195, § 4o, c/c artigo 154, inciso I, da Constituição Federal. Portanto, o alargamento da base de cálculo objeto da Lei no 9.718, de 27/11/1998 (decorrente da conversão da MP no 1.724, de 29/10/1998 – antes, ressaltese, da EC no 20, de 15/12/1998), estava maculado por vício formal de constitucionalidade. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário no 390.840/MG, apreciado pelo pleno em 09/11/2005, decidiu no seguinte sentido (relator Ministro Marco Aurélio): CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE – ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 – EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PIS – RECEITA BRUTA – NOÇÃO – INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. A decisão teve a seguinte votação: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, conheceu do recurso extraordinário e, por maioria, deulhe provimento, em parte, para declarar a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, vencidos, parcialmente, os Senhores Ministros Cezar Peluso e Celso de Mello, que declaravam também a inconstitucionalidade do artigo 8º e, ainda, os Senhores Ministros Eros Grau, Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes e o Presidente (Ministro Nelson Jobim), que negavam provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Senhora Ministra Ellen Gracie Plenário, 09.11.2005. Posteriormente, o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário no 585.235 1/MG, proferido em 10/09/2008 e publicado em 28/11/2008, reconheceu a repercussão geral do tema, conforme ementa do acórdão em tela, que teve a relatoria do Ministro Cezar Peluso: Fl. 99DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13888.916053/201119 Acórdão n.º 3802002.823 S3TE02 Fl. 86 5 EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Especificamente sobre exame de constitucionalidade de norma, o caput do artigo 62 do Anexo II do mesmo Regimento veda “[...] aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”, admitidas, contudo, as exceções elencadas no parágrafo único do referenciado artigo, dentre as quais a de que trata a hipótese objeto de seu inciso I, qual seja, afastar preceito “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal”, como na hipótese presente. Aliás, segundo o artigo 62A do RICARF (inserido pela Portaria MF no 586/2010), As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Além disso, o parágrafo único do artigo 4o do Decreto no 2.346, de 10/10/1997, dispõe que, Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Com a declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, o STF entendeu que o PIS e a COFINS somente poderiam incidir sobre as receitas operacionais das empresas, ou seja, aquelas ligadas às suas atividades principais. Sobre tal dispositivo, vale ressaltar, a título de informação, que o mesmo foi posteriormente revogado pela Lei no 11.941, de 27 de maio de 2009. Consequentemente, não é legítima a exigência da contribuição sobre receitas outras que não as originadas da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, devendo ser excluídos da base de cálculo os montantes decorrentes das rubricas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 19981. 1 Com efeito, referida Emenda Constitucional, como já citado, unificou os conceitos de receita bruta e de faturamento, o que se deu somente após a edição da Lei nº 9.718/98, cujo § 1º do artigo 3º, ampliador do conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, ainda não estava respaldado pelo alicerce constitucional decorrente da reportada EC no 20/98. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 6 Logo, de fato, é indevida, em tese, a exigência do PIS e da COFINS sobre receitas financeiras auferidas pelo sujeito passivo, que tem como atividade principal o “aluguel de imóveis próprios”, código 68.10202, conforme consta na sua ficha cadastral junto ao CNPJ, que está em sintonia com o artigo 3º de seu Estatuto Social, publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo em 12/04/1995 (cópia acostada aos autos). Do direito material É verdade que o sujeito passivo não retificou a DCTF do período nem apresentou, na primeira instância, documentação suficiente para a comprovação do direito creditório reclamado. Com efeito, naquela ocasião trouxe apenas demonstrativo de cálculo do aduzido crédito, além da cópia do DARF com o pagamento do tributo. Agora, além dos documentos acima citados, a suplicante acosta aos autos cópias das folhas do Livro Razão inerentes à contabilização das receitas financeiras do período (ver fls. 80/81). Todavia, permanece sem apresentar a DCTF retificadora, o mesmo podendo ser dito em relação à DIPJ retificadora e ao DACON retificador. Ou seja, mesmo considerando a possibilidade de retificação de ofício da DCTF por parte da autoridade administrativa – acaso demonstrada a legitimidade da correção dos valores declarados –, entendimento que esta Turma tem adotado em muitos de seus julgados, não se pode olvidar da necessidade de apresentação dos documentos comprobatórios do reclamado indébito, dentre os quais o DACON retificador, imprescindível para verificar se, na base de cálculo da contribuição, foram originalmente consideradas as receitas financeiras do sujeito passivo, fonte do direito creditório reclamado. Sem a devida comprovação não há como afirmar que o crédito reclamado é indevido, ainda que admitidas as novas provas acostadas aos autos (Livro Razão) em homenagem ao princípio da efetividade do processo, que tem como norte um processo menos formalista, que deságua na busca pela verdade material. Mas esta há que ser harmonizada com a segurança e a celeridade exigidas nas lides administrativas, não se podendo transferir para o Fisco o ônus de comprovar o direito creditório alegado, que é do sujeito passivo, a teor do disposto no artigo 333, inciso I, do CPC. Portanto, penso que a realidade em exame não se subsume ao direito de que trata o inciso I do artigo 165 do CTN, que possibilita a restituição de tributo recolhido indevidamente, uma vez não demonstrado nos autos o alegado recolhimento indevido, não obstante a legitimidade da tese relacionada à inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada. Sala de Sessões, em 26 de março de 2014. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 101DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13888.916053/201119 Acórdão n.º 3802002.823 S3TE02 Fl. 87 7 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
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Numero do processo: 11065.003649/2007-29
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
BASE DE CÁLCULO. APLICAÇÃO DE DECISÃO INEQUÍVOCA DO STF. POSSIBILIDADE.
Nos termos regimentais, pode-se afastar aplicação de dispositivo de lei que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária do Supremo Tribunal Federal.
É inconstitucional a incidência da contribuição para o financiamento da seguridade social - Cofins sobre os ingressos de valores pertinentes à cessão onerosa de crédito de ICMS decorrentes de exportações de mercadorias para o exterior.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-002.783
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial.
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente Substituto
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyasaki, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 BASE DE CÁLCULO. APLICAÇÃO DE DECISÃO INEQUÍVOCA DO STF. POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, podese afastar aplicação de dispositivo de lei que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária do Supremo Tribunal Federal. É inconstitucional a incidência da contribuição para o financiamento da seguridade social Cofins sobre os ingressos de valores pertinentes à cessão onerosa de crédito de ICMS decorrentes de exportações de mercadorias para o exterior. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial. Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente Substituto Henrique Pinheiro Torres Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 36 49 /2 00 7- 29 Fl. 445DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyasaki, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Os fatos foram assim narrados no acórdão recorrido: Tratase de recurso voluntário tempestivamente ofertado contra decisão que homologou apenas parcialmente compensação comunicada pela empresa. Na Dcomp, eletronicamente transmitida, pretendeuse utilizar o saldo credor da contribuição PIS decorrente da exportação de mercadorias ocorridas no terceiro trimestre de 2007. A fiscalização, no entanto, entendeu que o saldo credor seria menor do que o alegado pela ora recorrente em virtude da não inclusão na base de cálculo da contribuição de parcela que entende ser receita tributável. A parcela discutida se refere à transferência do saldo credor de ICMS apurado em decorrência de operações de exportação imunes de que cuida a Lei Complementar 87. A empresa o utilizou para pagamento de aquisições de mercadorias na forma deferida pelo regulamento estadual do imposto, e entende que não há, na espécie, receita, mas mera mutação patrimonial. Diferentemente, entenderam as autoridades administrativas que intervieram no processo que a operação consiste numa alienação onerosa de um direito e dá surgimento, por isso, a receita. E como não há na legislação de regência (Lei 10.637/2002) hipótese de exclusão dessa parcela, adicionaram na na base de cálculo recompondo o saldo credor do período, do que resultou a redução do direito creditório postulado. De fato, assim restou anotado no relatório da ação fiscal (os negritos são meus): O contribuinte não ofereceu à tributação tais cessões de crédito de ICMS. Tendo em vista que essa operação equiparase a verdadeira alienação de direitos a titulo oneroso, a qual origina receita tributável, deve a mesma compor a base de cálculo do PIS/Pasep, que, conforme o art. 1° da Lei n° 10.637/02, parágrafos 1° e 2°, corresponde à totalidade das receitas auferidas, independentemente da atividade por ela exercida e da classificação contábil adotada para a escrituração de suas receitas. Para o fim de melhor compreendermos seu enquadramento no campo de incidência da contribuição, passamos a discorrer sobre tal operação de forma detalhada. Ao realizarse a aquisição de certo produto sujeito à incidência do ICMS, estáse, em verdade, efetuando duas operações: a compra da mercadoria propriamente dita e a compra do crédito de imposto inerente àquele produto, sobre o qual, inclusive, também é feito creditamento de PIS/Pasep por parte do Fl. 446DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11065.003649/200729 Acórdão n.º 9303002.783 CSRFT3 Fl. 446 3 adquirente. Esse crédito de ICMS originalmente adquirido na operação de compra costuma ser alienado de forma conjunta com a mercadoria que lhe deu origem, compondo a receita obtida na operação e, conseqüentemente, sofre a incidência de PIS/Pasep. Não há, como se sabe, previsão legal para se excluir o ICMS embutido na nota fiscal da base de cálculo da referida contribuição e, no que tange ao cálculo do crédito de PIS/Pasep pelo novo adquirente, poderá ele calculálo sobre o valor, de toda a operação, incluindo o próprio ICMS. Na cessão de créditos de ICMS, há também a alienação do crédito fiscal, porém de forma separada das mercadorias que o originaram. Assim sendo, não há por que dispensar tratamento tributário diferenciado na hipótese de o contribuinte optar por alienar isoladamente o crédito de ICMS a terceiro. Caso tal crédito não sofresse tributação, estarseia proporcionando ao cedente um benefício sem amparo legal, visto que o contribuinte creditouse de PIS/Pasep sobre o mesmo quando de sua aquisição. Ou seja, a incidência da contribuição na cessão a terceiros apenas restabelece o equilíbrio tributário na operação. Convém ressaltarmos que tais valores devem compor a base de cálculo da referida contribuição mesmo na hipótese de não transitarem por conta de resultado, visto que é irrelevante, para fins de apuração do faturamento, a denominação ou classificação contábil das receitas auferidas. O recurso reapresenta a tese de que a operação constitui mera mutação patrimonial, visto que envolve apenas contas patrimoniais sem qualquer interferência no resultado da empresa. E cita decisões do extinto Conselho de Contribuintes que a ratificam. A Câmara a quo negou provimento ao Recurso Voluntário do sujeito passivo, que foi julgado nos termos do Acórdão 340200.951, de 10 de dezembro de 2010 (fls. 212/219), proferido pelos membros da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, e cuja ementa ficou assim redigida: NORMAS REGIMENTAIS. SÚMULA ADMINISTRATIVA. OBRIGATORIEDADE DE ADOÇÃO. Nos termos do § 4o do art. 72 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, é obrigatória a aplicação de entendimento consolidado em Súmula Administrativa dos Conselhos de Contribuintes por ele substituídos. NORMAS PROCESSUAIS. EXAME DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA ADMINISTRATIVA N° 02. Nos termos de Súmula aprovada em sessão plenária datada de 18 de setembro de 2007, "O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a Fl. 447DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 inconstitucionalidade de legislação tributária". NORMAS TRIBUTÁRIAS. PIS. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA DE SALDO CREDOR DE ICMS. Por expressa disposição legal (art. 16 da Lei 11.945/2009) a cessão onerosa de crédito de ICMS decorrente de exportações, autorizada pelo art. 25 da Lei Complementar 87/96, configura receita que deve ser incluída pelo detentor original do crédito na base de cálculo da contribuição devida na forma nãocumulativa até 31 de dezembro de 2008. Cientificada regularmente da decisão, inconformada, a Recorrente interpôs, em 13/07/2011, o Recurso Especial de fls. 232/269, reafirmando as razões de defesa aduzidas na peça impugnatória e requerendo integral provimento do presente Recurso. O Recurso Especial interposto logrou seguimento, nos termos do despacho de fls. 428/429. Contrarrazões da Fazenda Nacional às fls. 431/441. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator A questão que se apresenta a debate cingese em se definir se os ingressos relativos à cessão onerosa de créditos de ICMS decorrentes de operação de exportação são tributáveis pela Cofins. O entendimento pessoal deste relator, por diversas vezes externado neste Colegiado, é no sentido de que tais ingressos representam receita e, como tal, até 1º de janeiro 2009, estavam sujeitos à incidência da Cofins e do PIS. Somente a partir dessa data, por força da norma inserta no art.17, c/c o art. 33, I, “d”, da Lei nº 11.945, de 2009, a referida receita foi expressamente excluída da base de cálculo dessas contribuições. Todavia, esse não é o entendimento do Supremo Tribunal Federal, que, em decisão plenária, à quase unanimidade, vencido apenas o Ministro Dias Toffoli, entendeu que tais ingressos não estão sujeitos à incidência dessas contribuições. Cabe então verificar os efeitos dessa decisão pretoriana sobre a tributação ora em exame. Entendo que o controle concreto de constitucionalidade tem efeito interpartes, não beneficiando nem prejudicando terceiros alheios à lide. Para que produza efeitos erga omnes, é preciso que o Senado Federal edite resolução suspendendo a execução do dispositivo de lei declarado inconstitucional pelo STF. Não desconheço que o Ministro Gilmar Mendes há muito vem defendendo a desnecessidade do ato senatorial para dar efeitos geral às decisões da Corte Maior, mas essa posição ainda não foi positivada no ordenamento jurídico brasileiro, muito embora alguns passos importantes já tenham sido dados, como é o caso da súmula vinculante. De qualquer sorte, a resolução senatorial ainda se faz necessária, para estender efeitos de decisões interpartes a terceiros alheios à demanda. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11065.003649/200729 Acórdão n.º 9303002.783 CSRFT3 Fl. 447 5 De outro lado, o regimento interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais trouxe a possibilidade de se estender as decisões do STF, em controle difuso, aos julgados administrativos, conforme preceitua a Portaria nº 256/2009, Anexo II, art. 62. Este dispositivo reproduz a mesma redação prevista no regimento anterior (art. 49, na redação dada pela Portaria nº 147/2007): É vedado afastar a aplicação de lei, exceto ... “I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. Notese que tal dispositivo cria uma exceção à regra que veda a este Colegiado afastar a aplicação de dispositivo legal, mas exige que a inconstitucionalidade desse dispositivo já tenha sido declarada por decisão definitiva do plenário do STF. Não basta qualquer decisão da Corte Maior. Tem de ser de seu plenário, e, devese entender como definitiva a decisão que passa a nortear a jurisprudência desse tribunal nessa matéria. Em outras palavras, decisão definitiva, na acepção do art. 62 do RICARF, é aquela assentada na Corte. O art. 62A1 do Anexo II ao Regimento Interno do CARF, acrescentado pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, foi mais além. Tornou obrigatória a observância das decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do CPC, no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. O caso dos autos, a meu sentir, amoldase, perfeitamente, à norma inserta nos artigos 62 e 62A mencionados, já que a questão da incidência dessas contribuições sobre os ingressos relativos à cessão onerosa de créditos de ICMS decorrentes de operação de exportação, como dito linhas acima, foi enfrentada pelo plenário do STF no Recurso Extraordinário 606.107 Rio Grande do Sul, na sistemática prevista no Art. 543B do CPC, cujo acórdão foi assim ementado: EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5,869, de 11 de janeiro de de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III – A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos , imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditar. se do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da Fl. 450DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11065.003649/200729 Acórdão n.º 9303002.783 CSRFT3 Fl. 448 7 COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. Aplicandose, pois, ao caso ora em exame, a decisão do STF que julgou inconstitucional a incidência das contribuições sociais sobre os ingressos de valores relativos à cessão onerosa de crédito de ICMS decorrentes de exportações, devese cancelar a exigência da Cofins sobre tais receitas. Por derradeiro, não se pode olvidar que a Constituição é aquilo que o Supremo Tribunal Federal diz que ela é. A interpretação pretoriana deve sempre prevalecer, ainda que com ela não concordemos. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso apresentado pelo sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Fl. 451DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10680.901867/2012-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3202-000.228
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Acompanhou o julgamento o advogado Valter de Souza Lobato, OAB/MG nº 61.186.
Assinado digitalmente
IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA - Presidente.
Assinado digitalmente
TATIANA MIDORI MIGIYAMA - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora).
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ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Acompanhou o julgamento o advogado Valter de Souza Lobato, OAB/MG nº 61.186. Assinado digitalmente IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Presidente. Assinado digitalmente TATIANA MIDORI MIGIYAMA Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 01 86 7/ 20 12 -7 8 Fl. 1145DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901867/201278 Resolução nº 3202000.228 S3C2T2 Fl. 1.146 2 Relatório A SAMARCO MINERAÇÃO S/A apresentou recurso voluntário contra Acórdão nº 0246.019, de 8 de julho de 2013, proferido pela 1ª Turma da DRJ/BHE, que julgou por unanimidade de votos, procedente em parte a manifestação de inconformidade, de sorte a: · Cancelar as glosas efetuadas em relação às despesas com transmissão de energia elétrica, recompondo o crédito, nos valores constantes na planilha nº 15 da fiscalização (fl. 853); e · Cancelar em parte as glosas efetuadas em relação aos bens do ativo imobilizado, recompondo o crédito, nos valores constantes na coluna “Crédito com o Imobilizado” do demonstrativo constante do aditamento da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte; · Ressaltar que a DRF de origem deverá, ainda: (1) proceder à verificação dos pagamentos efetuados, relativos às glosas sobre as quais não houve litígio, conforme item 2 do aditamento apresentado pela reclamante, e efetuar os procedimentos necessários à extinção dos respectivos débitos; e (2) Proceder à recomposição dos créditos passíveis de ressarcimento/compensação, conforme planilhas nºs 26 e 27 da fiscalização, homologando as DCOMPs apresentadas até o limite dos créditos apurados. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida, a qual transcrevo a seguir: “A contribuinte acima identificada apresentou Pedido de Ressarcimento – PER – de crédito de Cofins nãocumulativa – Exportação, relativo ao 4º trimestre de 2008, no valor de R$ 43.137.228,23, com posterior encaminhamento de Declaração(ões) de Compensação – Dcomp – relativa(s) ao mesmo crédito. Os documentos tiveram processamento eletrônico, com intervenção manual do Serviço de Fiscalização da DRF/Belo Horizonte, que procedeu a auditoria para verificação quanto à procedência dos créditos. O crédito foi reconhecido parcialmente, no valor de R$ 34.696.299,52, em face das glosas efetuadas pelo fisco, por entender que tais créditos não estavam em Fl. 1146DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901867/201278 Resolução nº 3202000.228 S3C2T2 Fl. 1.147 3 consonância com o disposto na legislação que rege a matéria. Os dispositivos legais infringidos constam no Relatório Fiscal relativo ao Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 06101002011.014270 (fls. 937/957). Em conseqüência, houve homologação parcial de sua(s) Dcomp, conforme Despacho Decisório com nº de rastreamento 022394358, emitido em 04.05.2012 (fl. 395), do qual a contribuinte tomou ciência em 14.05.2012, conforme tela acostada à fl. 959. Em 13.06.2012, foi protocolizada a manifestação de inconformidade de fls. 02/53 (anexos às fls. 55/394), contendo os elementos que se seguem. TEMPESTIVIDADE Informa sobre as datas de ciência do Despacho Decisório e da apresentação da Manifestação de Inconformidade no prazo de 30 dias. 2. OS PONTOS DISCORDANTES QUANTO AOS CRÉDITOS DE PIS/COFINS. BREVE RELATO DOS FATOS. Nesse item, foram levantados os pontos de discordância em relação ao Relatório da Fiscalização, a seguir sintetizados: a) Que a fiscalização demonstra contradição entre a própria autuação e a sua descrição do objeto social da empresa, posto que diversos créditos glosados são oriundos de autênticos insumos para as atividades ali relacionadas; b) Que a fiscalização deu ao conceito de insumos a mesma interpretação restritiva do IPI, a qual, além de ultrapassada, não consta em lei e ainda fere o princípio da confiança, já que havia uma promessa de que os contribuintes poderiam creditarse de toda despesa e todo custo necessários à sua produção e ao exercício de sua atividade; c) Que alguns produtos foram glosados sob o argumento de que deveriam ter sido contabilizados como bens do ativo imobilizado; d) Que foram glosados produtos adquiridos com alíquota zero, o que, egundo o fisco, estaria impedido pelo § 2º do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003; e) Que a fiscalização entende que a empresa não poderia se creditar dos dispêndios com o uso dos sistemas de conexão e de distribuição de energia, mas apenas com a compra de energia, o que a contribuinte considera um absurdo, já que não se pode dissociar uma coisa da outra e, além disso, segundo ele, haveria dispositivo expresso determinando o creditamento sobre o custo de tal energia; f) Que, apesar de a contribuição para o PIS e a Cofins terem como base a totalidade das receitas, a fiscalização não reconhece a contrapartida (despesas e Fl. 1147DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901867/201278 Resolução nº 3202000.228 S3C2T2 Fl. 1.148 4 custos necessários à consecução das atividades), usando o argumento de que “nem todos os custos, despesas ou encargos incorridos para a consecução do faturamento da empresa geram direitos a créditos, (...)”, glosando itens diversos. Sobre esses itens, discorre, de forma individual, a saber: f.1) Insumos e Serviços Utilizados no Mineroduto – que a fiscalização entende que não se enquadram como insumos os gastos nele empregados, e que se trata de transporte de produto em fase de elaboração, efetuado pela própria empresa, entre seus estabelecimentos, não gerando direito a créditos. Sobre esse entendimento, a contribuinte entende estarem indo de encontro à intenção contida no sistema de não cumulatividade. f.2) Demais Serviços – que os créditos foram glosados por referiremse a gastos com serviços utilizados indiretamente na produção do minério, não se enquadrando no conceito de insumo e que a fiscalização elenca alguns desses serviços, “a título exemplificativo”, conforme se segue: f.2.1) Aluguel de Veículos – que, segundo a fiscalização, não se encontra listado no art. 3º do inciso IV das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Por outro lado, a contribuinte alega que os créditos se referem a equipamentos e máquinas empregados em seu processo produtivo. f.2.2) Locação de dragas, locação de reboque, serviço de rebocador, serviços portuários – que a fiscalização desconsiderou a atividade de administração do porto, constante no objeto social da empresa. Além disso, segundo a reclamante, as dragas são utilizadas na mineração. f.2.3) Serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos – segundo a reclamante, faltaram motivo e motivação para a glosa, cuja fundamentação foi apenas no sentido de não se constituírem insumos. Além disso, alega que tal serviço busca o reaproveitamento do minério e está inserido diretamente no processo produtivo. f.2.4) Serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagem, análises físicas e químicas – que, segundo a fiscalização, são empregados em etapas posteriores ou anteriores ao processo produtivo. A contribuinte, por outro lado, entende que são empregadas ao longo do processo. Além disso, alega que há exigência da legislação ambiental para a contratação desses serviços. f.2.5) Serviços e insumos utilizados na operação, manutenção e conservação das usinas hidrelétricas próprias – que as glosas também foram motivadas com base no conceito de insumo – do qual a reclamante discorda – e devido ao entendimento de que não se tratam de bens e serviços em contato direto com o produto final f.3) Fl. 1148DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901867/201278 Resolução nº 3202000.228 S3C2T2 Fl. 1.149 5 Obras de Construção Civil – que as glosas foram efetuadas por não se amoldarem ao conceito de insumo. Por sua vez, a reclamante sustenta que tais obras se referem a manutenção das barragens, e, portanto, essenciais e intrínsecas ao seu processo produtivo. Resumindo o seu relato, a contribuinte infere que a fiscalização não detalhou os produtos e serviços glosados, nem motivou suas glosas, ferindo o seu direito de defesa. 3. RECONHECIMENTO PARCIAL DA GLOSA. PRODUTOS SUJEITOS A ALÍQUOTA ZERO. EQUÍVOCO GERADO PELO SISTEMA. PAGAMENTO. No que diz respeito às glosas efetuadas sobre produtos adquiridos com alíquota zero, a contribuinte admite que se creditou indevidamente, informando que já procedeu à recomposição da conta gráfica, e que iria recolher o valor devido. 4. DA AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. INSUBSISTÊNCIA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. NECESSIDADE DE CANCELAMENTO DA AUTUAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO SEM DILIGÊNCIAS IN LOCO. Seguindo em sua explanação, a contribuinte afirma que o lançamento está eivado de nulidades, uma vez que a fiscalização se baseou em arquivos eletrônicos, sem proceder a inspeção in loco, e, nesse sentido, segue argumentando sobre a falta de motivação e da apresentação de provas por parte do fisco, e requer a declaração de nulidade do lançamento fiscal. 5. NOTAS INTRODUTÓRIAS. A ATIVIDADE DA REQUERENTE E SEU OBJETO SOCIAL. A PECULIARIDADE DA SUA PLANTA, DESDE A SUA CONCEPÇÃO. No item 5 de sua manifestação de inconformidade, a reclamante faz uma detalhada descrição do objeto social da empresa, do seu processo produtivo e da sua planta integrada. Sobre o seu objeto social, destacase que envolve a pesquisa, lavra de minério em todo o território nacional, industrialização e comercialização de minérios, transporte e navegação no interior do porto, inclusive para terceiros, importação, para seu uso, de equipamentos, peças sobressalentes e matérias primas, produção e distribuição de energia elétrica e comercialização de carvão, podendo ainda participar do capital de outras empresas como acionista ou quotista. Sobre seu processo produtivo, explica que é integrado, da mina ao porto, sendo essa a concepção desde sua origem. Descreve esse processo, desde a lavra, que se dá na unidade de Germano, em Mariana e Ouro Preto (MG), passando pelos processos de separação do rejeito, Fl. 1149DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901867/201278 Resolução nº 3202000.228 S3C2T2 Fl. 1.150 6 moagem, deslamagem, flotação, até o seu transporte, como polpa, para a unidade de Ubu, em Anchieta (ES), por meio de minerodutos, terminando na etapa de pelotização, citando inclusive os diversos produtos utilizados como agentes nesse processo, explicando sua ação. E sobre sua planta integrada, discorre sobre a sua concepção, ressaltando que não se trata de apenas uma empresa de mineração, mas uma empresa que extrai minério e agrega valor ao produto, além de o exportar, daí a necessidade da total integração do seu processo produtivo. Acrescenta, ainda, os efeitos dessa integração nos resultados alcançados pela empresa, ressaltando a sua importância. 6. MÉRITO. NÃO CUMULATIVIDADE PIS/COFINS. A CORRETA INTERPRETAÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS E OS EQUÍVOCOS COMETIDOS PELA FISCALIZAÇÃO. Nesse item, a manifestante inicia com uma longa explanação sobre a legislação relativa ao tema, desde o texto constitucional até a jurisprudência sobre o assunto, incluindose a relação com as legislações do IRPJ e do IPI. A seguir, adentra na questão da interpretação do conceito de insumos, defendendo, a partir dos dispositivos constitucionais e legais, que todo bem ou serviço, que seja necessário à obtenção de receitas pela empresa, deve ser admitido como gerador de crédito de PIS e Cofins. Alega, ainda, em resumo: que a Constituição Federal reservou à lei apenas a definição do setor econômico ao qual se destinaria a nãocumulatividade; que não se pode utilizar, para a nãocumulatividade do PIS e da Cofins, o conceito de insumo que serve para o IPI, dadas as diferenças entre tais tributos, inclusive no que diz respeito aos serviços, não incluídos neste (nesse sentido, cita decisões judiciais que consideram a essencialidade como a condição a ser observada na determinação do conceito); e que, devido às semelhanças do PIS e a Cofins com o IRPJ, o conceito a ser adotado seria o mesmo adotado para esse imposto (citando decisões judiciais e Acórdão do CARF nesse sentido). Cita alguns exemplos do que classifica como “equívocos cometidos pela fiscalização quanto ao conceito de insumos”, qual o dos créditos relativos a gases e combustíveis que a empresa utiliza nos fornos, e os relativos a óleos combustíveis utilizados nos caminhões que transitam na Mina, solicitando que esta DRJ considere insubsistentes a glosas efetuadas ou, caso assim não entenda, que considere os insumos constantes de sua planilha anexa ou, em última instância, que seja feita Fl. 1150DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901867/201278 Resolução nº 3202000.228 S3C2T2 Fl. 1.151 7 prova pericial, a fim de demonstrar que todos os créditos glosados se referem a produtos e serviços essenciais à atividade da empresa e, portanto, legítimos. A partir de então, procede à argumentação sobre a improcedência da glosa para cada tipo de crédito, conforme se segue, de forma resumida. BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS – ATIVO IMOBILIZADO: Em relação às glosas efetuadas por terem sido considerados créditos relativos a bens destinados ao ativo imobilizado, mais uma vez a reclamante alega falta de motivação do lançamento, pela fiscalização. Acusa, ainda, a falta de manifestação da fiscalização sobre a possibilidade de se creditar pro rata, nos termos do inciso VI do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, caso se considere o bem como parte integrante do ativo imobilizado. De acordo com o seu entendimento, se a fiscalização, ao recompor a conta gráfica da empresa, não considerou as parcelas já devidas com base na depreciação, o crédito tributário resultante das glosas caracterizase insubsistente. Em última instância, entende que tal recomposição deva ser feita pela fiscalização, caso não se considere o crédito integralmente. CRÉDITO SOBRE DESPESAS COM ENERGIA ELÉTRICA: Sobre os créditos sobre despesas com energia elétrica, a reclamante insurge contra as glosas efetuadas sobre os insumos e serviços relativos às usinas próprias da empresa e sobre os custos com transmissão e distribuição de energia (encargos denominados TUSD). No caso dos gastos empregados em suas usinas, argumenta que não haveria sentido em a aquisição de energia das concessionárias gerar mais créditos que a autoprodução, uma vez que o Governo Federal incentiva os investimentos com produção de energia elétrica. Acrescenta que a energia elétrica é essencial ao processo produtivo da empresa e ressalta que a nãocumulatividade não é benefício fiscal, mas apenas cumprimento de preceito constitucional, conforme já defendido antes. Quanto aos gastos empregados nos encargos de distribuição, segundo o entendimento da reclamante, estão contidos nos custos incorridos com energia elétrica, nos termos do inciso IX do art. 3º da lei nº 10.637/2002 e do inciso III do art. 3º da Lei nº 10.833/2003. Em defesa do seu entendimento, explica em detalhes o modelo do setor elétrico brasileiro, concluindo que o fato de os custos relativos à distribuição de energia serem cobrados separadamente dos custos com a compra, como é o caso da contribuinte, que se encontra na categoria de consumidor livre, é Fl. 1151DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901867/201278 Resolução nº 3202000.228 S3C2T2 Fl. 1.152 8 irrelevante para a sua classificação como créditos de PIS e Cofins passíveis de aproveitamento. CRÉDITO SOBRE SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS: Sobre as glosas dos créditos relativos a serviços, a reclamante contesta, de forma geral, a sua falta de enquadramento, pela fiscalização, do conceito de insumo, e, a seguir, contesta alguns pontos do relatório em relação a cada serviço. Serviços prestados no mineroduto: Em relação aos serviços prestados no mineroduto, insiste no conceito de planta única de produção, na qual o mineroduto seria apenas uma das etapas, a saber, o ponto de ligação entre os dois estabelecimentos da empresa. Reforça seu entendimento sobre a possibilidade de creditamento desses serviços, com o questionamento “o tributo plurifásico não cumulativo não deve ser neutro? Ora, se a planta de MG pertencesse a uma empresa, o mineroduto a outra e a planta do ES a uma terceira, os custos da primeira planta e do mineroduto seriam passíveis de creditamento pela planta do ES, certo? Se assim o é, a requerente tem direito aos créditos ora vindicados.”. Nesse sentido, segundo afirma, versa Acórdão do CARF, que também transcreve. Aluguel de veículos: Sobre o creditamento dos gastos com aluguel de veículos, argumenta que o contrato também prevê a locação de equipamentos, como caminhões e tratores utilizados na mineração, cujos créditos são os únicos tomados pela empresa e, portanto, dentro da previsão do inciso IV do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Locação de dragas e reboque, serviço de rebocador, serviços portuários: O mesmo argumento é utilizado em relação aos créditos relativos à locação de dragas e reboque e aos serviços de rebocador e portuários. Acrescenta que, nesse item, a legislação sequer fala em insumos, mas simplesmente exige que tais máquinas e equipamentos sejam “aplicados nas atividades da empresa”. Explica a natureza do afretamento, concluindo que nada mais são, em sua essência, que contratos de locação de embarcação, sendo que algumas modalidades (afretamento por viagem e por tempo) possuem um caráter híbrido, pois, nesses casos, está incutido um misto de locação e de prestação de serviço, já que os custos com tripulação, manutenção, abastecimento, etc, correm por conta do fretador e não do contratante (afretador). No sentido de firmar esse entendimento, cita decisão do STJ e consulta à Superintendência Regional da Receita Federal – SRRF da 8ª RF, versando sobre créditos de aluguéis. Por fim, alega que a própria fiscalização Fl. 1152DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901867/201278 Resolução nº 3202000.228 S3C2T2 Fl. 1.153 9 mencionara a administração do porto como uma das atividades da empresa, onde seriam empregadas as dragas cujo crédito fora glosado, e acrescenta que tais dragas também são utilizadas na atividade de mineração, como provam as notas fiscais que listam serviços realizados na unidade de Mariana/MG, de forma que requer a insubsistência das alegações fiscais quanto a este item. Serviços de limpeza. Recolhimento e transporte de rejeitos: Sobre os créditos relativos a serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos, a reclamante afirma que faltou motivo e motivação para as respectivas glosas, uma vez que, segundo afirma, a fiscalização nada diz sobre esses serviços. Assim, entende que poderá ser feita prova pericial, a fim de se comprovar que tais serviços não se tratam de simples limpeza, mas de reaproveitamento de rejeitos, e em obediência aos ditamos ambientais, intrínseco, portanto, ao processo produtivo. Serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagem, análises físicas e químicas: Em relação aos serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagem e análises físicas e químicas, a reclamante, juntando notas fiscais como prova, afirma que mais uma vez a fiscalização teria cometido equívoco, ao afirmar que tais serviços são empregados em etapas posteriores ou anteriores ao processo produtivo propriamente dito. Cita Acórdão, em que o CARF se pronuncia sobre os serviços de terraplanagem, e decisões sobre o entendimento do que seja considerado o processo produtivo, para efeito de beneficiamento do ICMS, argumentando que está pacificado o entendimento de que deva prevalecer o critério da essencialidade na definição dos valores que podem ser creditados. Serviços e insumos utilizados na operação, manutenção e conservação das Usinas Hidrelétricas próprias: No que diz respeito aos créditos relativos a serviços empregados nas usinas hidrelétricas próprias, o argumento é no sentido de que os insumos utilizados na autoprodução de energia também integram o produto final, na mesma linha do que já foi longamente abordado. Obras de construção civil: E, sobre os créditos decorrentes dos serviços denominados “obras de construção civil”, afirma que tais obras se referem a manutenção das barragens essenciais, intrínsecas ao processo produtivo, anexando notas fiscais que, segundo ela, comprovam a natureza dos serviços. Insiste que faltou uma análise in loco, pela fiscalização, e que a simples análise dos contratos já permite se verificar que os Fl. 1153DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901867/201278 Resolução nº 3202000.228 S3C2T2 Fl. 1.154 10 serviços cujo crédito fora glosado são imprescindíveis ao processo produtivo da mineração. 7. DO PEDIDO DE PERÍCIA. Após todos os seus apontamentos e argumentações sobre a improcedência das glosas efetuadas, conforme acima sintetizado, a contribuinte aborda a necessidade de se proceder a prova pericial, dada a complexidade e o volume de informações apresentadas e tendo em vista que as discussões travadas no presente processo dizem respeito à análise do processo produtivo da empresa e aos gastos vinculados à sua atividade, em confronto com os fatos levantados pela autoridade administrativa. Nesse sentido, elenca diversos pontos que, a seu ver, deverão ser resolvidos pela prova pericial, que vão desde a concepção da empresa, em sua origem, até o detalhamento do bens que tiveram seus créditos glosados, indicando, inclusive, um assistente técnico para a solicitada perícia. Entre os pontos levantados, a reclamante questiona: sobre as atividades realizadas pela empresa e sobre como a empresa foi concebida, em sua origem; sobre a existência ou não do direito a determinados créditos; sobre a composição do crédito levantado pela fiscalização; sobre o enquadramento dos encargos de energia elétrica glosados pela fiscalização no conceito de custo da energia; sobre a essencialidade de determinados serviços no processo produtivo da empresa; sobre a abrangência de determinadas rubricas que tiveram seus créditos glosados. Pede, ainda, que sejam relacionados (em planilhas) os itens glosados (bens e serviços), com informações diversas relativas ao produto, sua essencialidade para as atividades da empresa e sobre a possibilidade de dedução de seu custo, para fins de IRPJ e CSLL. 8. DO PEDIDO. Conclui sua manifestação de inconformidade, pedindo que seja reconhecida a insubsistência do Despacho Decisório ora recorrido, com a conseqüente homologação da compensação efetuada e a extinção dos respectivos débitos. Requer, ainda, a juntada posterior dos documentos faltantes da manifestação de inconformidade. 9. ADITAMENTO. Posteriormente, em 17.07.2012, a contribuinte juntou novos documentos (fls. 448/517), solicitando que fossem tomados como “aditamento” às razões apresentadas anteriormente. Fl. 1154DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901867/201278 Resolução nº 3202000.228 S3C2T2 Fl. 1.155 11 Inicialmente, faz um breve relato dos fatos, resumindo os pontos de discordância em relação às glosas efetuadas, já longamente abordados na manifestação de inconformidade original. Sobre a parte da glosa relacionada a produtos sujeitos a alíquota zero, a qual já havia reconhecido inicialmente como devida, acrescenta planilhas, demonstrando os valores em relação ao total do crédito glosado, por trimestre, e detalhando os valores recolhidos com seus acréscimos moratórios, bem como os respectivos comprovantes de pagamento. Quanto aos créditos relativos a aquisições de bens destinados ao ativo imobilizado, repete as alegações iniciais sobre a possibilidade de se creditar parte dos valores, relativa à depreciação dos bens, nos termos § 1º, III e § 14 do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, insistindo no fato de que a fiscalização deveria ter considerado tais créditos e recomposto sua conta, já que procedeu a lançamento tributário. Acrescentou planilhas demonstrativas dos créditos inicialmente aproveitados em relação aos créditos devidos sobre o ativo imobilizado, com as respectivas diferenças apuradas, as quais, segundo entende, devem substituir as glosas efetuadas, além de outros documentos, no sentido de comprovar a procedência desses valores. Embora não conste na manifestação inicial, a reclamante se insurge aqui contra as glosas efetuadas sobre os créditos relativos a óleo combustível. Segundo afirma, esses óleos seriam utilizados tanto para alimentar os fornos de pelotização do minério, quanto para abastecer os caminhões utilizados na mina. Cita Solução de Consulta da SRRF da 10ª RF e decisão do Conselho de Contribuintes de Minas Gerais – CCMG, relativa ao ICMS. Defende que esta DRJ deve julgar “insubsistente o lançamento”, tendo em vista a impossibilidade de se analisar todos os produtos glosados, e deferir a prova pericial, para análise dos julgadores. Conclui, pedindo, mais uma vez, que seja reconhecida a insubsistência do Despacho Decisório ora recorrido, com a conseqüente homologação da compensação efetuada e a extinção dos respectivos débitos, além de requerer a reformulação do crédito tributário cobrado, considerandose o pagamento parcial, conforme comprovado. E, mais uma vez, requer a juntada posterior de quaisquer documentos que se façam necessários ao julgamento. 10. DILIGÊNCIA. Em 11.03.2013, esta DRJ emitiu Resolução, convertendo o julgamento em diligência, a fim de que fossem verificadas a origem e as utilizações das máquinas e Fl. 1155DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901867/201278 Resolução nº 3202000.228 S3C2T2 Fl. 1.156 12 equipamentos que tiveram seus créditos glosados, e a conseqüente possibilidade de descontos dos créditos relativos aos respectivos encargos com depreciação. Para a realização da diligência, o Serviço de Fiscalização da DRF de Belo Horizonte procedeu à abertura do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 0610100.2013 004204, intimando a contribuinte, em 16.04.2013, a apresentar a documentação necessária, a qual foi apresentada em 07.05.2013. Após a análise da documentação apresentada, a Fiscalização emitiu, em 20.05.2013, Relatório Fiscal, com as conclusões abaixo transcritas, em resposta aos questionamentos desta DRJ: 1. As máquinas e equipamentos foram adquiridos de pessoas jurídicas e foram utilizadas na produção de bens destinados à venda e/ou prestação de serviços, conforme determinam a legislação de regência; 2. Ratificamos a veracidade dos cálculos juntados aos autos na manifestação de inconformidade de 17/07/2012, relativamente aos valores de créditos do PIS/Pasep e da Cofins nãocumulativos calculados sobre os encargos de depreciação dos bens do ativo imobilizado que foram objetos de glosas por esta fiscalização, conforme determinado nos dispositivos legais pertinentes à matéria (art. 3º, § 14, art. 15 II, da Lei nº 10.833/2003, cujo § 14 foi incluído pelo art. 21 da Lei nº 10.865/2004; art. 1º da Lei nº 11.774/2008). Em 22.05.2013, a contribuinte tomou ciência do Relatório Fiscal, com o resultado da diligência, não apresentando, no prazo que lhe foi facultado, quaisquer outros questionamentos. É o relatório.” A DRJ, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento tributário em acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ATIVO IMOBILIZADO. Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os encargos de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos de pessoa jurídica e utilizados na produção de bens destinados à venda. Fl. 1156DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901867/201278 Resolução nº 3202000.228 S3C2T2 Fl. 1.157 13 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. SERVIÇOS RELACIONADOS À USINA. Não geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com serviços relacionados à manutenção de máquinas e equipamentos da usina, por não se classificarem como insumos na produção de minério. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ENERGIA ELÉTRICA. Na apuração da Contribuição para o PIS e da Cofins nãocumulativas, podem ser descontados créditos das despesas e custos relativos à energia elétrica adquirida de pessoa jurídica domiciliada no país, incluindose os gastos com transmissão e distribuição de energia elétrica produzida pelo contribuinte ou adquirida de terceiros. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. MINERODUTO. Não geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com serviços relacionados a mineroduto, por não se classificarem como insumos na produção de minério. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ALUGUEL DE VEÍCULOS. Não geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com aluguel de veículos, por falta de previsão legal, e nem os gastos com aluguel de máquinas e equipamentos, que não sejam comprovadamente empregados na produção de minério. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. LOCAÇÃO DE DRAGAS, LOCAÇÃO DE REBOQUE, SERVIÇO DE REBOCADOR, SERVIÇOS PORTUÁRIOS. Não geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com locações, por falta de previsão legal, nem os serviços relacionados ao porto, que não sejam comprovadamente empregados na atividade de navegação, por não se classificarem como insumos na produção de minério. Não se pode considerar o simples fato de uma determinada atividade constar no objeto social da empresa suficiente para que todo e qualquer serviço relacionado diretamente Fl. 1157DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901867/201278 Resolução nº 3202000.228 S3C2T2 Fl. 1.158 14 a essa atividade tenha seus créditos descontados do valor devido pela empresa. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. SERVIÇOS DE LIMPEZA, RECOLHIMENTO E TRANSPORTE DE REJEITOS. Não geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com serviços que não são comprovadamente empregados diretamente na produção de minério. SERVIÇOS DE TOPOGRAFIA, OPERAÇÕES DE EFLUENTES, SERVIÇOS DE DRENAGEM, ANÁLISES FÍSICAS E QUÍMICAS Não geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com serviços que não são empregados diretamente na produção de minério. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. SERVIÇOS RELACIONADOS À MANUTENÇÃO CIVIL. Os gastos com serviços empregados em edificações somente podem gerar crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins, apuradas de forma nãocumulativa, em relação aos respectivos encargos com depreciação e amortização. Não se enquadram como insumo, para efeito de gerarem direito a crédito, os gastos com serviços que não são empregados diretamente na produção de minério. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. COMBUSTÍVEIS. Na apuração da Contribuição para o PIS e da Cofins nãocumulativas, podem ser descontados créditos relativos aos gastos com combustível consumido nos fornos no processo produtivo, mas não podem ser descontados os relativos ao combustível consumido nos veículos utilizados na mina. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte” Cientificado do referido acórdão em 4 de outubro de 2013, a interessada apresentou recurso voluntário em 17 de outubro de 2013, pleiteando o provimento integral do presente recurso, a fim de que seja parcialmente reformado o acórdão da DRJ para, de forma sucessiva: · Decretar a insubsistência do despacho decisório, porque não houve inspeção in loco para constatar se os produtos e serviços se aplicam no Fl. 1158DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901867/201278 Resolução nº 3202000.228 S3C2T2 Fl. 1.159 15 processo produtivo da Recorrente; o ato administrativo do lançamento não tem a correta motivação, o que impede o direito de defesa pela recorrente e não pode a Fiscalização elencar os produtos e serviços apenas de maneira exemplificativa, pois novamente fere o direito de defesa da recorrente; · Ad argumentandum, se assim não entender, devem os autos serem baixados em diligência para que a Receita Federal do Brasil informe, detalhadamente, como se deu a reformulação do crédito tributário, uma vez que a ausência da memória de cálculo impede que a recorrente verifique a exatidão dos números apontados como remanescentes do crédito tributário. Além disso, deverão ser descontados todos os combustíveis que participam do processo produtivo (com base na planilha elaborada pela fiscalização) a fim de que se dê efetividade à decisão da DRJ. · Ainda de forma sucessiva, a decisão recorrida merece ser anulada, retornando os autos à origem para elaboração da prova pericial ou, se assim não entender, que esta prova se realize por determinação da segunda instância administrativa. Ad argumentandum, se por absurdo o CARF não entender pela nulidade da decisão recorrida pela não realização da prova pericial ou pela impossibilidade de realização desta, por estarem os autos em segunda instância administrativa, requer sejam os autos baixados em diligência para que a fiscalização responda aos quesitos acima mencionados, concedendo vista a recorrente para que também se manifeste sobre a apuração da fiscalização; · No mérito, merece ser reconhecida a insubsistência do Despacho Decisório ora recorrido, com a reforma parcial da decisão recorrida e conseqüente homologação da compensação ora pleiteada e extinção dos débitos fiscais nelas compensados, pois todos os produtos elencados são consumidos no processo produtivo, sendo essencial a este; todos os serviços são utilizados diretamente no processo produtivo, assim, em homenagem a não cumulatividade e aos precedentes administrativos e judiciais existentes, o creditamento deve ser mantido. É o relatório. Fl. 1159DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901867/201278 Resolução nº 3202000.228 S3C2T2 Fl. 1.160 16 Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora Da admissibilidade Por conter matéria desta E. Turma da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 4 de outubro de 2013, apresentando a recorrente recurso voluntário em 17 de outubro de 2013. Depreendendose da análise dos processos vêse que a lide em comento envolve a liquidez e a certeza do crédito de PIS e COFINS constituído pela recorrente decorrente de vários eventos. Quanto ao conceito de Insumos, primeiramente, descreve a recorrente as atividades vinculadas ao seu objeto social, trazendo, entre outros, o objeto que consta de seu estatuto social: “[...] pesquisa, lavra de minério em todo o território nacional, industrialização e comercialização de minérios, transporte e navegação no interior do porto, inclusive para terceiros, importação para seu uso, de equipamentos, peças sobressalentes e matérias primas, produção e distribuição de energia elétrica e comercialização de carvão, podendo ainda participar do capital de outras empresas como acionistas ou quotista.” Descreve, assim, que a Samarco, quanto: 1. ao Objeto Social: · Detém a tecnologia e as instalações necessárias à extração de minério, seu beneficiamento, pelotização e embarque; · Por meio de permanente evolução técnica, extrai minério de baixo teor de ferro e o converte em produto de alta qualidade para a siderurgia, de forma rentável e competitiva; · O principal produto da empresa é a pelota de minério de ferro; Fl. 1160DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901867/201278 Resolução nº 3202000.228 S3C2T2 Fl. 1.161 17 · Para atender às exigências dos clientes em escala global, produz e comercializa um número considerável de diferentes tipos de pelotas; · Esta flexibilidade engloba demandas específicas, conforme o tipo de tecnologia de redução adotada pelo cliente, seja altoforno ou redução direta; · A pelota de minério de ferro, dentre as matériasprimas utilizadas na fabricação do aço, é um dos insumos de qualidade bem determinada, que garante aos processos de redução direta e altoforno elevada produtividade e estabilidade; 2. Ao Processo Produtivo da Samarco: · Executa três atividades principais, quais sejam, extração do minério de ferro (lavra), beneficiamento e pelotização do minério e exportação das pelotas; Sendo: 1ª Etapa – processo de tratamento de minério bruto (objeto da lavra): o minério lavrado passa por uma instalação de peneiramento e britagem a seco. Esse minério alimenta os prémoinhos que alimentarão os moinhos primários. 2ª Etapa – processo de concentração do teor do minério de ferro: Após esta etapa, a polpa é deslamada na ciclonagem. O material é alimentado no circuito de flotação em coluna. Posteriormente, a polpa alimenta os espessadores. 3ª Etapa – processo de bombeamento do concentrado para a Usina: A polpa é transferida para os tanques de estocagem para, então, ser bombeada pelo mineroduto até as usinas de pelotização em Ubu. 4ª Etapa – processo de preparação do minério concentrado: A polpa recebida passa por diversas etapas de preparação do minério, sendo elas: torre de recebimento, espessamento, tanques homogeneidade, filtragem, roller press e área de insumos (mistura). 5ª Etapa – processo de adição de insumos e formação das pelotas: Após receber as adições de insumos (carvão, calcário e aglomerante) o minério segue para os discos pelotizadores, onde se inicia Fl. 1161DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901867/201278 Resolução nº 3202000.228 S3C2T2 Fl. 1.162 18 a formação das pelotas cruas. Ao serem descarregadas dos discos, as pelotas cruas passam por um processo de classificação nas mesas de rolos, sendo posteriormente reclassificadas na alimentação do forno de endurecimento. 6ª Etapa – processo de separação das pelotas e embarque para exportação: após a etapa de queima das pelotas, as mesmas passam por um conjunto de peneiras que separam as pelotas. As pelotas são empilhadas no pátio e posteriormente recuperada para o embarque. 3. À concepção de planta integrada: · Possui um processo de produção integrado, da mina ao porto, que garante alta eficiência produtiva e baixos custos operacionais; · A planta demonstra que a Samarco foi concebida para ser não somente uma empresa de mineração, mas uma empresa que extrai o minério, passando este por um processo produtivo que agrega valor ao produto, uma empresa exportadora – o que justifica o processo produtivo ser integrado – de Minas Gerais (onde está a matéria prima) ao Espírito Santo (onde se encontra o porto); · A integração das plantas de MG e do ES busca maximizar o processo produtivo, agregar valor ao minério e deixar o produto pronto para ser exportado; · A existência de atividades portuárias visa exatamente dar cabo da última etapa de sua concepção de sua atividade: a exportação. Descritas todas as etapas de produção e justificação da adoção da planta para observância do objeto social da Samarco, passa a discorrer sobre o conceito de insumos. O que, quanto a esse tema, traz a recorrente que: · O texto constitucional não trouxe qualquer condicionante para aplicação da não cumulatividade; · Mesmo que se aceite as limitações constantes nos textos legais, o conceito de insumo não poderia ser amesquinhado com a analogia ao IPI, posto que as contribuições têm espectro amplo; Fl. 1162DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901867/201278 Resolução nº 3202000.228 S3C2T2 Fl. 1.163 19 · A Fiscalização desconsiderou o conceito restritivo trazido pela própria RFB. Com efeito, traz que com o advento da EC 42/2003, a faceta exclusiva da não cumulatividade aos tributos plurifásicos foi modificada, tendo sido acrescentado o parágrafo 12 ao art. 195 da CF/88: “Art. 195(...) § 12 A Lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b, e IV do caput serão não cumulativas.” Aduz que o § 12 do art. 195 da CF, não obstante tenha deixado ao alvedrio do legislador ordinário definir quais seriam os setores abrangidos pela não cumulatividade, nada dispôs sobre os contornos desta sistemática não cumulativa imposta (extensão e efeitos do creditamento), sendo certo que a definição da não cumulatividade aplicável defluiria da própria natureza do fato imponível destas contribuições, em muito divergente da materialidade dos demais tributos não cumulativos. Em face da amplitude da materialidade dos tributos incidentes sobre a receita, desenvolve a recorrente que o cumprimento da não cumulatividade deveria necessariamente partir da premissa de que a efetiva depuração da base de cálculo das contribuições ocorre tão somente quando creditadas todas as despesas incorridas para a formação da receita, sempre que tais despesas forem efetivamente suportadas pelo contribuinte e se mostrarem necessárias à atividade produtiva do contribuinte. Assim, define a recorrente que certo é que a Constituição não outorgou poderes ao legislador infraconstitucional para definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, conclui que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pelo contribuinte. Sempre que estas se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Neste sentido, a recorrente destaca o duplo caráter da essencialidade discutida de natureza ontológica e jurídica. Traz ainda: Fl. 1163DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901867/201278 Resolução nº 3202000.228 S3C2T2 Fl. 1.164 20 · as premissas que devem ser fixadas para a análise da repercussão da não cumulatividade sobre a apuração da base tributável do PIS e a COFINS; · que a não cumulatividade estabelecida para o PIS e a COFINS possui suas bases nos art. 195 e foi instituída de forma ampla, visando o afastamento da sobreposição tributária; · que, assim, a observância ao preceito da não cumulatividade deve levar em consideração a própria natureza do fato gerador da obrigação tributária e a amplitude da base de incidência econômica de modo a possibilitar a efetiva depuração de base, afastando a incidência em cascata da tributação, premissa maior da adoção da sistemática não cumulativa em qualquer espécie tributária; o que, portanto, devese reconhecer a possibilidade de creditamento de todas as despesas que se mostrem necessárias à atividade produtiva do contribuinte e que tenham constituído receita de outras pessoas jurídicas em razão do produto ou serviços adquiridos, evitandose a sobreposição tributária; · a impossibilidade de se aplicar, por analogia, as regras atinentes à não cumulatividade dos demais tributos plurifásicos (IPI e ICMS) ao regime de não cumulatividade imposto pela CF ao PIS e a COFINS – o que afasta a possibilidade de se restringir o direito de creditamento ao que, na sistemática dos impostos, denominase crédito físico, pois as despesas que afetam a receita tributável do contribuinte não necessariamente se relacionam ou integram o produto final no processo produtivo; · as disposições das Leis 10.637/02 e 10.833/03 regulam a sistemática do creditamento do PIS e da COFINS; Não obstante a posterior constitucionalização da não cumulatividade atrelada as contribuições e a amplitude do alcance do texto constitucional, a RFB passou a adotar uma interpretação restritiva das legislações, entendendo que o conceito de insumos deveria buscar o conceito do IPI; · O que, enfatiza que, de acordo com a RFB, a CF teria conferido a lei ordinária poderes para delimitar os contornos de uma não cumulatividade que a própria CF não limitou. Fl. 1164DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901867/201278 Resolução nº 3202000.228 S3C2T2 Fl. 1.165 21 Dessa forma, conclui a recorrente que se torna necessário afastar qualquer espécie de interpretação que vislumbre o estabelecimento de critério restritivo para apuração de créditos e extensivo para apuração da base de cálculo das contribuições, pelo que, em face da elevação da não cumulatividade do PIS e da Cofins à esfera constitucional, não restam dúvidas de que o rol de dispêndios ensejadores de créditos constante dos arts. 3º da Lei 10.637/02 e 3º da Lei 10.833/03, possui caráter meramente exemplificativo, sendo restritivas apenas as vedações expressamente estabelecidas por lei. Continuando, manifesta que houve equívocos cometidos pela Fiscalização quanto ao conceito de insumos, em relação a glosa de produtos que participam do processo produtivo da Empresa, tendo em vista que adotando um critério mais restritivo a fiscalização tomou como base uma planilha informativa, na qual constavam dois questionamentos – quais sejam, se o produto é desgastado no processo produtivo e se tinha contato físico com o minério e sempre que a resposta à última coluna (contato físico com o produto) fosse “não”, glosava o crédito. Assim, traz que a fiscalização ignorou que nessa mesma planilha também constava expressamente a pergunta “usa no processo”. Dos produtos utilizados no processo produtivo Para a recorrente, os créditos de combustíveis já foram restabelecidos pela decisão da DRJ na fundamentação, pois seguindo o entendimento fiscal, deveriam ter sido glosados somente os lubrificantes que não participassem do processo produtivo – o que não foi feito, pois os lubrificantes que muito embora participassem do processo produtivo não entravam em contato direto com o minério, foram glosados pela fiscalização, mas mantidos pela DRJ. O que, entende a recorrente que merece ser restabelecido o crédito sobre todos os lubrificantes e graxas que atuam diretamente no processo produtivo, a fim de manter a coerência fiscal consoante entendimento administrativo sobre o assunto e, acima de tudo, em respeito a assentada decisão. Para tanto, cita alguns produtos glosados pela Fiscalização e que são diretamente utilizados no processo produtivo, tais como: Fl. 1165DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901867/201278 Resolução nº 3202000.228 S3C2T2 Fl. 1.166 22 · Soda Caustica líquida – insumo utilizado para regular o pH do minério e para gelatinizar o amido; · MONOAMINA – coletor utilizado no processo de flotação para separar as partículas minerais de seus contaminantes (sílica). Do combustível utilizado nos caminhões fora de estrada Para o pedido de consideração desses combustíveis para fins de creditamento das r. contribuições, argumenta a recorrente que este CARF acata os insumos imprescindíveis ao processo produtivo, mas a fiscalização glosou créditos de gases e combustíveis que a empresa utiliza nos fornos. Etapa primordial e nuclear de seu processo produtivo na pelotização do minério e, que, por sua vez, foi considerado como gerador de crédito pela DRJ ainda que não seja aplicado diretamente no produto, mas nos fornos que são utilizados na produção do minério. Dos serviços utilizados como insumos Quanto aos créditos sobre serviços utilizados como insumos, manifesta a recorrente que a fiscalização glosou serviços essenciais e intrinsecamente ligados à atividade produtiva da empresa, tais como: · Serviços prestados no mineroduto; · Aluguel de veículos; · Locação de dragas, locação de reboque, serviço de rebocador, serviços portuários; · Serviço de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; · Serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; · Consorcio UHE GuilmanAmorim, operação, Manutenção e Conservação UHE Muniz Freire; · Obras de Construção Civil. Contesta, portanto, os serviços glosados, trazendo defesa para cada serviço. O que passo a discorrer: Fl. 1166DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901867/201278 Resolução nº 3202000.228 S3C2T2 Fl. 1.167 23 Do Serviços prestados no mineroduto Menciona a recorrente que o processo produtivo iniciase em Germano e finaliza com a exportação das pelotas de minério de ferro em UBU, sendo: · a extração de minério e a remoção de material estéril realizadas utilizando frota de equipamentos móveis de grande porte, aliada ao uso de sistema de correias transportadoras; · a polpa de minério concentrado transportada da unidade de Germano até a unidade de UBU pelos minerodutos; · quando a polpa chega a UBU, no município de Anchieta, começa a etapa da pelotização; · Posteriormente, os produtos são exportados. Descreve a recorrente que a fiscalização entendeu que todos os insumos e serviços alocados no centro de custo do mineroduto não podem gerar o direito ao creditamento, pois os atos normativos impõem como requisito indispensável para ser considerado como insumo que o bem ou serviço seja aplicado ou consumido diretamente na produção ou fabricação de bens destinados a venda. Do aluguel de veículos equipamentos Especificamente a essa questão, ao citar o art. 3º, IV das Leis 10.637/02 e 10.833/03, a Fiscalização entende que o dispositivo não citou aluguel de veículos, o que conclui que a intenção do legislador era outorgar o direito a tal crédito. Não obstante, observa que a empresa não toma o crédito com o transporte de pessoas, mas apenas a locação de equipamentos. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade, afirmando que, muito embora a locação tenha sido de máquinas e equipamentos, e não aluguel de veículos, não restou comprovado que os equipamentos são diretamente empregados no seu processo produtivo. Quanto à locação de dragas, locação de reboque, serviço de rebocador, serviços portuários, a recorrente traz a mesma literalidade do item anterior, posto que as leis Fl. 1167DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901867/201278 Resolução nº 3202000.228 S3C2T2 Fl. 1.168 24 10.637/02 e 10.833/03, em seu art. 3º, inciso IV autorizam o creditamento dos valores de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa. Traz que não se mencionam processo produtivo, insumos, nada disso. O único critério é que os prédios, as máquinas e os equipamentos locados sejam aplicados nas atividades da empresa. Aduz que a decisão da DRJ afastase da literalidade da lei na medida em que insistente que as atividades glosadas não servem à extração/industrialização do minério, mas seriam somente de transporte. A premissa trazida pela DRJ se traduz que muito embora a atividade portuária esteja prevista no objeto social da empresa – o que caracterizaria os serviços e locações como atividade da empresa, a recorrente não demonstrou que tais atividades foram praticadas durante o período fiscalizado. Entende o fisco que somente é devido o crédito da contribuição para o PIS e da Cofins incidente sobre as despesas, caso os serviços tenham sido aplicados ou consumidos na prestação de serviços portuários. Continua: “ Essa condição, contudo, não foi comprovada, ou seja, não foram apresentados elementos capazes de afastar que as despesas incorridas foram empregadas na atividade de transporte e navegação no interior do porto ou nas atividades de escoagem do minério produzido pela própria empresa.” Quanto aos contratos de afretamento de embarcações, temse que há três espécies diferentes de contrato de afretamento: · Afretamento a casco nu: contrato de aluguel. O afretador recebe o navio e será responsável por providenciar tripulação, manutenção, abastecimento, etc. · Afretamento por viagem: o navio é contratado pelo afretador para uma única viagem, com destino e carga préestipulados. Todos os custos com tripulação, manutenção, abastecimento, correrão por conta do afretador; Fl. 1168DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901867/201278 Resolução nº 3202000.228 S3C2T2 Fl. 1.169 25 · Afretamento por tempo – nesse caso, o fretador disponibiliza do tempo. Assim como nos afretamento por viagem, os custos permanecem nas mãos do fretador; Quanto à locação de dragas, a recorrente traz que além de serem utilizadas nas atividades do porto, atividade da empresa frente ao objeto que consta de seu objeto social, também é utilizada na mineração. Quando a locação de dragas foi feita no porto, traz a contribuinte que se trata de locação de equipamentos para uma atividade da empresa – sendo essencial ao processo produtivo e sua atividade. Quanto aos serviços de limpeza, descreve a recorrente que a fiscalização apenas trouxe que não se tratam de insumos, não esclarecendo o motivo para tal entendimento. Traz também que, apesar da nomenclatura dos serviços, não se tratam especificamente de serviços de limpeza com o intuito de manter a higiene do local do serviço, mas para reaproveitamento de resíduos e rejeitos. E que tal reaproveitamento foi comprovado através de laudo técnico preparado pela área responsável, explicitando passo a passo como se dá o reaproveitamento de rejeitos no sistema produtivo. Quanto ao pedido da recorrente, caso não fosse acatado tal prova, solicita a baixa dos autos em diligência ou a produção de prova pericial para que então se esclareça o teor de cada uma destas atividades. Quanto aos serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagem, análises e químicas, aduz a contribuinte que a fiscalização entende que se tratam de etapas posteriores ou anteriores ao processo produtivo e, por isso, a lei não assegura o creditamento. Fl. 1169DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901867/201278 Resolução nº 3202000.228 S3C2T2 Fl. 1.170 26 Porém, a DRJ reconhece a imprescindibilidade dos serviços: “nenhum dos serviços aqui tratados, como ensaios químicos e análises minerológicas, (...) são empregados diretamente na produção do minério, embora não se possa negar a sua importância para o melhor desempenho dessa atividade.” A recorrente manifesta também, porém, que as análises físicas e químicas são realizadas ao longo do processo, pois sem a composição correta do produto em elaboração, o produto final estaria comprometido. Relativamente ao Tratamento de efluentes, traz que a despesa incorrida daria direito ao crédito, por conta de uma exigibilidade disposta em legislação ambiental. Quanto aos serviços e insumos utilizados na operação, manutenção e conservação das Usinas Hidrelétricas próprias, insurge que o relatório fiscal glosa parte das despesas com energia elétrica especialmente os insumos e serviços utilizados nas Usinas próprias da empresa, os custos com a transmissão e distribuição de energia. A DRJ quanto a transmissão de energia e sua distribuição entendeu pela procedência da manifestação de inconformidade, uma vez que a contratação do uso dos sistemas de transmissão e distribuição de energia é necessária para este tipo de consumidor e, nos termos da legislação setorial, obrigatória, as despesas realizadas a título de Encargo de Uso da Rede Elétrica (...) não podem ser dissociadas da energia propriamente dita, consumida na produção da empresa”. Concluiu a DRJ que “independentemente das despesas efetuadas com a transmissão de energia elétrica serem relativas à energia produzida pela contribuinte ou à energia adquirida de terceiros, são passíveis de creditamento, podendo ser descontadas da contribuição para o PIS ou da Cofins não cumulativa apurada”. Quanto aos insumos utilizados nas Usinas da empresa, entendeu a fiscalização que os serviços empregados na Usina dizem respeito à operação, manutenção, limpeza e conservação. Fl. 1170DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901867/201278 Resolução nº 3202000.228 S3C2T2 Fl. 1.171 27 Quanto às obras de construção civil, a recorrente menciona que, diferentemente do que seria de fato, a DRJ diz que a barragem não se confunde com a atividade de produção de minério, não podendo os serviços nela empregados serem considerados insumos. Quanto aos serviços glosados, tais como desassoreamento, manutenção mecânica, paradas de pátio, a recorrente traz que somente consta da manifestação de inconformidade que os serviços não estão intrinsecamente ligados ao processo produtivo da empresa. Sendo assim, em vista de todo o exposto e depreendendose da análise dos documentos acostados, em homenagem ao princípio da verdade material que permeia o processo administrativo tributário, bem como para fins de clarear o anoitecer do processo produtivo, serviços e produto que aqui transitam, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem: · Intime a Recorrente a apresentar laudo de renomada instituição que descreva detalhadamente o seu processo produtivo, apontando a utilização dos insumos, despesas, custos ora glosados na produção do referido bem destinado à exportação, ou na prestação de serviços vinculados ao processo produtivo e ao seu objeto social; Considerando também que tal laudo deverá, entre outros: o demonstrar a função de cada bem que pretende o reconhecimento como insumo e o motivo pelo qual ele é indispensável ao processo produtivo; o esclarecer o teor de cada uma das atividades exercidas pela recorrente vinculando ao processo produtivo ou ao seu objeto social. · Cientifique a fiscalização para se manifestar sobre o resultado da diligência, se houver interesse e caso entenda ser necessário; · Cientifique o contribuinte sobre o resultado da diligência, para que, se assim desejar, apresente no prazo legal de 30 (trinta) dias, manifestação, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/11; Fl. 1171DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901867/201278 Resolução nº 3202000.228 S3C2T2 Fl. 1.172 28 · Findo o prazo acima, devolva os autos ao CARF para julgamento. Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Fl. 1172DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES
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Numero do processo: 10215.720098/2007-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003, 2004, 2005
ACÓRDÃO RECORRIDO NULIDADE SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
As normas que regem o processo administrativo fiscal concedem ao contribuinte o direito de ver apreciada toda a matéria litigiosa em duas instâncias é fato caracterizador do cerceamento do direito de defesa, devendo ser declarada nula a decisão maculada com vício dessa natureza. Já que impugnada a matéria referente à omissão de rendimentos caracterizados por valores recebidos de pessoas jurídicas sem a devida consideração pela DRJ, se faz necessário declara a nulidade da decisão proferida e determinar o retorno dos autos para prolação de nova decisão.
Numero da decisão: 2202-002.667
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de primeira instância, para que outra seja proferida, na boa e devida forma.
(Assinado digitalmente)
ANTONIO LOPO MARTINEZ - Presidente.
(Assinado digitalmente)
FABIO BRUN GOLDSCHMIDT - Relator.
NOME DO REDATOR - Redator designado.
EDITADO EM: 07/06/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), RAFAEL PANDOLFO, DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada), FABIO BRUN GOLDSCHMIDT.
Nome do relator: FABIO BRUN GOLDSCHMIDT
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de primeira instância, para que outra seja proferida, na boa e devida forma. (Assinado digitalmente) ANTONIO LOPO MARTINEZ - Presidente. (Assinado digitalmente) FABIO BRUN GOLDSCHMIDT - Relator. NOME DO REDATOR - Redator designado. EDITADO EM: 07/06/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), RAFAEL PANDOLFO, DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada), FABIO BRUN GOLDSCHMIDT.
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As normas que regem o processo administrativo fiscal concedem ao contribuinte o direito de ver apreciada toda a matéria litigiosa em duas instâncias é fato caracterizador do cerceamento do direito de defesa, devendo ser declarada nula a decisão maculada com vício dessa natureza. Já que impugnada a matéria referente à omissão de rendimentos caracterizados por valores recebidos de pessoas jurídicas sem a devida consideração pela DRJ, se faz necessário declara a nulidade da decisão proferida e determinar o retorno dos autos para prolação de nova decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de primeira instância, para que outra seja proferida, na boa e devida forma. (Assinado digitalmente) ANTONIO LOPO MARTINEZ Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 5. 72 00 98 /2 00 7- 38 Fl. 1454DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 07/06/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 (Assinado digitalmente) FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Relator. NOME DO REDATOR Redator designado. EDITADO EM: 07/06/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), RAFAEL PANDOLFO, DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada), FABIO BRUN GOLDSCHMIDT. Relatório Tratase de auto de infração (fls. 1460 a 1468) constituído em razão de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada e omissão de rendimentos caracterizados por valores recebidos de pessoas jurídicas, relativamente ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos exercícios de 2003, 2004 e 2005, exigindo o crédito tributário no valor de R$ 1.533.575,90, já acrescido de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora. O detalhamento do “Auto de Infração” vem bem descrito no “Termo de Verificação de Infração” (fls. 1469 a 1505), literalmente: “2.1. Segundo Termo de Verificação de Infração (fls. 965/1001), a partir dos extratos bancários (fls. 60 a 183) apresentados pela Sra. Neuseli Maria Bergamaschi Favarato, solicitouse da mesma, por meio do Termo de Intimação Fiscal N° 152/06 (fis. 199 e 200), no prazo de 20 dias, que comprovasse mediante documentação hábil e idônea a origem dos depósitos/créditos em suas contas bancárias, os quais foram discriminados na Planilha Demonstrativo dos Depósitos/Créditos entregue em anexo. Nos documentos entregues no dia 21/06/2006 (lis. 211 a 213),a contribuinte ressalta: ‘... a Empresa CEMEX COMERCIAL MADEIRAS EXPORTAÇÃO S/A, pediu CONCORDATA em 18 de novembro de 1994, conforme documentos apensos, e os depósitos realizados em minha conta corrente conjunta com meu marido Gilson Leal Favarato, foi a forma encontrada para evitar o fechamento e encerramento de suas atividades industriais e salvaguardar a empresa de credores que por ventura pretendessem se valer de saldos bancários para requerer judicialmente o bloqueio para pagamento de seus créditos, motivando o agravamento da situação financeira, cujo resultado seria imprevisível, levando em consideração o descalabro social que adviria, visto que, encerrando suas atividades industriais, com um número em média de 346 empregos diretos em 2002, 399 em 2003 e 395 em 2004, respectivamente, além dos indiretos, fornecedores, transportadores e outros, que se mantiveram durante o período de incertezas, afora os débitos fiscais que teriam de ser pagos, cuja prioridade está inserida na legislação vigente. Posteriormente, a contribuinte elabora três planilhas (fls. 214 a 253) com lançamentos sintéticos da movimentação financeira de suas contas bancárias, uma para cada ano fiscalizado, em que em uma coluna coloca os valores de Fl. 1455DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 07/06/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10215.720098/200738 Acórdão n.º 2202002.667 S2C2T2 Fl. 11 3 depósito repetindo o histórico contidos nos extratos e em outra coluna enumera os pagamentos feitos com os valores depositados, informando brevemente, sem nenhum documento comprobatório, o nome da pessoa física ou pessoa jurídica para quem efetuou os pagamentos.’ Em 16/10/2006, solicitamos através do Termo de Intimação Fiscal N° 373/06 (fls. 260 e 261), que a contribuinte apresentasse documentação hábil e idônea que comprovasse que os valores creditados nas contascorrente mantidas em seu nome referentes aos anos de 2002 a 2004 eram originários de atos negociais praticados pela empresa CEMEX. Para isso, solicitamos a apresentação de demonstrativos de conciliação desses atos com os créditos lançados, e pedimos para a contribuinte estabelecer uma ligação entre cada crédito lançado nas suas contascorrente e os valores lançados na empresa, apresentando os competentes registros na escrita contábil e fiscal daquela pessoa jurídica. Solicitamos, ainda, a conciliação de valores e a demonstração da efetiva entrega dos recursos creditados nas contascorrente da contribuinte à empresa CEMEX; para isso, pedimos que estabelecesse um elo entre os valores saídos das contascorrente e os entregues à empresa, afim de comprovar que os recursos foram realmente empregado em atividades daquela pessoa jurídica. A contribuinte solicitou pessoalmente por duas vezes prorrogação de prazo e em 20/11/2006 nos entregou diversas notas fiscais de compra dos anoscalendário de 2002 e 2003, em nome da empresa CEMEX — COMERCIAL MADEIRAS EXPORTAÇÃO S/A. Junto com essas notas entregou planilhas de movimentação financeira mensais do mesmo formato e muito parecidas com as entregues anteriormente (fls. 265 a 290). Em 03/01/2007, a Sra. Neuseli nos entregou notas fiscais de compra em nome da empresa CEMEX, notas fiscais de saídas do ano de 2002 da mesma empresa e comprovantes de transferência para sua conta corrente dos anos calendários 2002 a 2004 (fls. 296/298). 2.2. Para justificar os depósitos abaixo, a contribuinte apresentou notas fiscais de saída da empresa CEMEX, mas a origem do depósito não foi considerada justificada (sic) pois o valor do depósito é diferente do somatório das notas fiscais e, além disso, a data de emissão da maioria de notas fiscais é posterior a data do depósito na conta corrente do contribuinte. BB 1309 13.3965 08/02/2002 R$ 20.000,00 BB 1309 13.3965 28/06/2002 R$ 60.000,00 2.3. Para justificar o depósito abaixo, a contribuinte apresentou notas fiscais de saída da empresa CEMEX. A fonte pagadora foi comprovada (MADESA), mas não foi comprovado o repasse para a empresa CEMEX. BB 1309 13.3965 18/09/2002 R$ 12.499,16 2.4. Para o depósito abaixo a fonte pagadora foi comprovada (MADESA), mas não foi comprovado o repasse para a empresa CEMEX. ITAU 1351 13.898 26/12/2002 R$5.000,00 2.5. Estão listados às fls. 974/975 vários depósitos efetuados pela empresa CEMEX e dois depósitos efetuados pelas empresas Transbrasileira de Madeiras Ltda e Fornecedora e Exportadora de Madeiras FOREX S/A, conforme documentos apresentados pela fiscalizada; 2.6. Estão listados às fls. 976/977 vários depósitos efetuados pela empresa CEMEX, conforme históricos dos extratos bancários. 2.7. Os depósitos listados à fl. 978 tiveram a origem (finalidade) confirmada, pois provieram da empresa CEMEX e destinavamse a pagamento de despesas desta empresa. Para fazer o elo de ligação dos pagamentos das despesas da CEMEX com débitos das suas contas corrente listados à fl. 978, a contribuinte enviou as planilhas Fl. 1456DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 07/06/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 de fls. 630/631 e 719/721, que vinculam cheques microfilmados nominais emitidos por ela com notas fiscais de compra da empresa CEMEX com valores e datas aproximados: 2.8. Os depósitos listados às fls. 981/990 não tiveram nem a procedência, nem a origem comprovadas e foram tributados segundo o art. 42 da Lei 9.430; 2.9. Os depósitos listados às fls. 996/1000 não tiveram a origem, comprovada. Mas provieram das empresas CEMEX, Transbrasileira de Madeiras Ltda e Fornecedora e Exportadora de Madeiras FOREX S/A, razão pela qual foram tributados como acréscimo patrimonial mensal da fiscalizada, segundo o art. 2° da Lei 7.713/88.” Procedimento de Fiscalização Foi lavrado “Termo de Início de Fiscalização nº 033/06” (fl. 469 a 470), cuja ciência se deu em 08/02/2006 (fl. 471), intimando a contribuinte para apresentar, referente aos exercícios 2003, 2004 e 2005, extratos das contas bancárias que deram origem às suas movimentações financeiras, bem como, relativo ao exercício de 2004, todos os comprovantes de pagamento de cartão de crédito indicando a forma de pagamento. A contribuinte apresentou resposta (fl.472), em 15/02/2006, entregando a documentação solicitada extratos bancários e comprovante de pagamento do cartão de crédito referente ao Banco Itaú (de sua titularidade e de seu cônjuge) 138985/1351 e extratos do Banco do Brasil (de sua titularidade e de seu cônjuge) 13.3965/01309 (fls. 473 a 596). Em continuidade à ação fiscal, foi emitido novo “Termo de Intimação Fiscal nº 134/06” (fl. 599), cuja ciência se deu em 20/04/2006 (fl. 600), notificando a contribuinte para apresentar, relativamente aos anoscalendário fiscalizados, os extratos da conta bancária no Banco do Brasil, exclusivamente de sua titularidade e não de seu cônjuge. Em 28/04/2006, a contribuinte solicitou prorrogação do prazo, acostando alguns extratos do Banco do Brasil (de titularidade da contribuinte) nos quais há informação de não movimentação financeira. Prosseguindo, o fisco lavrou “Termo de Intimação Fiscal nº 152/06”, em 04/05/2006 (fls. 613 a 614), acompanhado dos “Demonstrativos de Depósito e Crédito” (fls. 615 a 622), cuja ciência se deu em 09/05/2006, intimando a fiscalizada para comprovar a origem dos recursos lançados a crédito nas contas correntes mantidas em seu nome dos anos 2002 a 2004. Em 25/05/2006, a contribuinte solicitou 30 dias de dilação de prazo, manifestandose novamente, em 20/06/2006 (fls. 625 a 628), informando que as entradas eram originárias de atos negociais praticados pela empresa CEMEX, juntando relatório individualizado dos anos 2002, 2003, 2004 (fls. 629 a 668). Fl. 1457DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 07/06/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10215.720098/200738 Acórdão n.º 2202002.667 S2C2T2 Fl. 12 5 Em 06/10/2006, foi lavrado “Termo de Intimação Fiscal nº 373/06” (fls. 675 a 676), cuja ciência se operou em 16/10/2006 (fl. 677), intimando a contribuinte para apresentar documentação hábil e idônea que corroborasse a alegação de que os valores creditados nas contas correntes mantidas em seu nome, referente aos anos de 2002 a 2004, eram originários de atos negociais praticados pela empresa CEMEX. Atendendo à solicitação, a contribuinte manifestouse, acostando “relatório individualizado do período” às fls. 681 a 705, encaminhando conforme manifestação das fls. 711 a 713, onze pastas com vasta documentação, a fim de evidenciar a origem das entradas em suas contascorrente. Além disso, buscando afastar quaisquer dúvidas da administração tributária, a recorrente apresentou microfilmagem parcial dos cheques referente à conta Banco do Brasil número 133965, ag. 1309 e Itaú cc. 1351 / ag. 138985, conforme recebimento atestado pelo fisco na fl.748; notas fiscais; extratos bancários; extratos de transferência; relação de empregados da empresa Cemex; contracheque dos funcionários da referida empresa e guias de recolhimento de FGTS às fls. 744 a 1455. Não satisfeita com as justificativas e documentos apresentados, a autoridade fiscal lançou o crédito tributário, conforme “Auto de Infração” e “Termo de Verificação de Infração” (fls. 1460 a 1468). Impugnação Notificada do lançamento fiscal em 27/08/2007 (fl. 1505), a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 1512 a 1542. Aduziu em síntese: a) pela possibilidade de apresentar novas conciliações por amostragem, vez que o Banco Itaú somente entregou em 24/08/2007, os 248 microfilmes de cheques emitidos pela contribuinte para fazer pagamentos da empresa Cemex; b) que a Empresa CEMEX COMERCIAL MADEIRAS EXPORTAÇÃO S/A, pediu concordata em 18 de novembro de 1994, conforme documentos apensos e os depósitos realizados na sua conta corrente foram a forma encontrada para evitar o fechamento e encerramento de suas atividades industriais e salvaguardar a empresa de credores que por ventura pretendessem se valer de saldos bancários para requerer judicialmente o bloqueio para pagamento de seus créditos, motivando o agravamento da situação financeira da empresa; Fl. 1458DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 07/06/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 c) que a constatação de que nenhum documento comprobatório discrimina o nome da pessoa física ou jurídica para quem efetuou os pagamentos não é elemento suficiente para se concluir que tais valores pudessem pertencer à impugnante, pois existe, por amostragem, comprovação de que os valores questionados pela fiscalização são da Cemex; d) que as notas fiscais de saída somando R$ 21.056,30, são uma clara amostra de conciliação negocial relativa ao depósito de R$ 20.000,00, em 08/02/2002, transferido pela MADESA. No mesmo sentido são as notas fiscais de saída somando R$ 60.252,03, podendo ser consideradas uma clara amostra de conciliação negocial relativa ao depósito de R$ 60.000,00 em 28/06/2002, transferido pela RAINBOW, já que, além disso, a saída deste último valor ocorreu no mesmo dia do depósito representado por três cheques que somam R$ 60.000,00, emitidos no interesse da Cemex; e) quanto ao depósito de R$ 12.499,16 em 18/09/2002, efetuado pela MADESA, teve como destino cheque no mesmo valor transferido para o funcionário Miguel Arcanjo Fernandes Gonçalves que sacou dito valor para pagamentos diversos; f) que sendo conjuntas todas as sias a contas correntes que possui com o seu cônjuge não há necessidade de comprovação de movimentação particular; g) que não houve acréscimo patrimonial da contribuinte e de seu cônjuge, conforme atesta suas DIRPF’s anexas; h) quanto ao enquadramento legal à qual foi submetida, que os artigos 1º a 3º da Lei 7.713/88 referemse a rendimentos e ganhos de capital; nos seis parágrafos do art. 3°, igualmente, fazem referência a diversas formas de rendimentos, dentre eles, rendimento bruto de capital, trabalho, alimentos e pensões recebidos em dinheiro, proventos e ainda acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados, não estando a contribuinte enquadrada em nenhuma destas hipóteses; i) que o art. 42 da Lei 9.430/96 não pode ser aplicado à contribuinte, vez que comprovou, por amostragem, que a origem dos depósitos é a CEMEX; j) por fim, requereu prazo para apresentação de novos documentos e diligências a empresa e órgãos públicos. Decisão da DRJ A 2a Turma de Julgamento da DRJ/JFA (fls. 1819 a 1830), por unanimidade de votos, considerou parcialmente procedente o lançamento. Disse em síntese: a) que a contribuinte recebeu depósitos e eximiuse de comprovar, mediante documentação hábil e idônea a sua origem, portanto correta a autuação com base no art. 42 da Lei 9.430/1996, pois a justificativa para cada depósito deve vir acompanhada de provas a cargo do contribuinte, sendo que as afirmações de que as entradas de quantias na conta corrente do fiscalizado Fl. 1459DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 07/06/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10215.720098/200738 Acórdão n.º 2202002.667 S2C2T2 Fl. 13 7 significariam aportes de valores destinados a pagamentos de despesas da empresa Cemex, deveriam vir acompanhadas de documentos que registrassem a providencia da operação da despesa, com coincidência de datas e valores, isso porque qualquer alegação efetuada para justificar cada depósito, deve ser comprovada documentalmente e individualmente, conforme prescreve o referido disposto dispositivo legal; b) que o § 6º do art. 42 da Lei 9.430/96 prevê na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares, sendo que a fiscalização não considerou este ditame legal; c) que o acréscimo patrimonial a descoberto deve decorrer de análise por fluxo de caixa mensal, isto é, do cotejo entre todas as alterações patrimoniais (positivas e negativas) e os recursos declarados, considerados pelos seus valores mensais, sendo que da análise da base de cálculo utilizada, concluiu se que não foi efetivado este cotejo para a sua constituição. Além disso, esse critério feriu diversas disposições legais, provocando distorções que prejudicaram a determinação da matéria tributável, afetando o aspecto valorativo do lançamento, pois não se deu em conformidade com a lei; d) quanto à possibilidade de produção de provas após a impugnação, entendeu se pela sua inviabilidade, pois que é dever do autuado a colação com a peça impugnatória das provas que pretende produzir; Diante disso, foram excluídos os depósitos justificados, a autuação por acréscimo patrimonial a descoberto e divididos ao meio os depósitos em conta conjunta. Foi exonerado um total de R$ 940.708,52. Recurso Voluntário Intimada em 13/04/2009 (fl. 1883), irresignada com a decisão proferida pela DRJ, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 1834 a 1853 em 04/05/2009. Em síntese, repisou os argumentos trazidos em sede de impugnação. Em especial tratou do alegado desprezo pela busca da verdade material, em face do indeferimento de pedido de juntada posterior de documentos; impossibilidade de tributação com base exclusiva em depósitos bancários; falsa identidade entre movimentação financeira e aquisição de disponibilidade econômica e a impossibilidade de quebra de sigilo bancário sem autorização judicial. Sobrestamento Fl. 1460DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 07/06/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 Em 1º de setembro de 2011, foi determinado por meio de despacho (fl. 1862 a 1863) o sobrestamento do feito, em vista da solicitação de RMF solicitada pela autoridade fiscal lançadora, com base no art. 3º do Decreto nº 3.724/2001 (fl. 1.505). É o relatório. Voto Conselheiro Fabio Brun Goldschmidt, Relator O recurso é tempestivo e atende todos os requisitos de admissibilidade. A controvérsia do auto de infração lavrado cingese à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada e omissão de rendimentos caracterizados por valores recebidos de pessoas jurídicas. Antes mesmo de analisar o recurso, verificase que às fls. 1862 a 1863, foi determinado o sobrestamento do processo, uma vez que a fiscalização se valeu de RMF para obtenção de informações bancárias do contribuinte. Em que pese ocorrida a solicitação de documentação diretamente às instituições financeiras, notese que a contribuinte trouxe a conhecimento da fiscalização toda a documentação requerida durante a fase preparatória (extratos bancários). Portanto, entendo que devido a este fato, mesmo sem decisão judicial autorizadora, não há que se falar em quebra de sigilo bancário, já que a própria contribuinte apresentou os extratos bancários de suas contas correntes durante a fase fiscalizatória, que ensejaria, de qualquer forma, o lançamento do crédito tributário. Dito isso, passase a análise do recurso. Acréscimo Patrimonial a Descoberto Anulação do Acórdão de 1ª Instância Como já exaustivamente referido no relatório, o auto de infração foi constituído em razão de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de Fl. 1461DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 07/06/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10215.720098/200738 Acórdão n.º 2202002.667 S2C2T2 Fl. 14 9 origem não comprovada e omissão de rendimentos caracterizados por valores recebidos de pessoas jurídicas. Ao analisar a impugnação da recorrente, a DRJ manifestouse, sobre a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, e sobre acréscimo patrimonial a descoberto, conforme fls. 1827/1830 (Acórdão de 1ª Instância), matéria essa diversa daquela veiculada no auto de infração das fls. 1460/1468. Por outro lado, o Acórdão, além de tratar de matéria estranha ao lançamento, deixou de apreciar a impugnação no ponto referente à omissão de rendimentos caracterizada por valores recebidos de pessoas jurídicas, ensejando a nulidade do julgamento, eis que não houve a integral prestação jurisdicional administrativa e, tampouco, o julgamento se deu na forma adequada, inviabilizando a apreciação do recurso voluntário da recorrente. O referido vem bem elucidado na ementa que segue (fl. 1819): OMISSÃO. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Os acréscimos patrimoniais a descoberto devem decorrer de análise por fluxo de caixa mensal, ou seja, do cotejo entre as todas alterações patrimoniais (positivas e negativas) e recursos declarados, considerados pelos seus valores mensais. Em sendo assim, entendo que o simples fato da DRJ ter se manifestado sobre matéria diversa do veiculado no auto infração, seria, por si só, justificativa suficiente para a declaração da nulidade do acórdão proferido, assim como já entendeu este Conselho: Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 1998. ACÓRDÃO ANULADO A decisão recorrida deve ser anulada quando constar no referido acórdão matéria estranha ao Auto de Infração RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO (13009.001052/2002 35, Conselheiro: Rodrigo Cardozo Miranda) Mas além disso, o acórdão não tratou de omissão de rendimentos caracterizados por valores recebidos de pessoas jurídicas (matéria devidamente impugnada) sem a devida consideração pela DRJ, motivo pelo qual compreendo ser nítida a supressão de Fl. 1462DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 07/06/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 instância – fato esse caracterizador do cerceamento de defesa – acarretando a nulidade prevista no art. 59, II do Decreto 70.235/72, segundo entendimento já esposado pelo CARF. Vejase: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. TEMA NÃO ENFRENTADO PELA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO. IMPUGNAÇÃO DEDUZIDA POR CONTRIBUINTE. Toda a matéria suscitada em impugnação deve ser enfrentada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, pois a omissão a respeito de quaisquer das matérias cogitadas em tal expediente enseja a nulidade da decisão exarada ao ensejo do exame da defesa do contribuinte. Toda a extensão da defesa do contribuinte merece exame e definição, por força da previsão do artigo 31 do Decreto nº 70.235/72. A nulidade da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento implica em retorno do processo administrativo para tal órgão julgador, a fim de que novo provimento seja exarado com vistas a não ensejar supressão de instância. Inteligência do artigo 25, I e II, do Decreto nº 70.235/72. Recurso anulado, a partir da decisão de primeira instância, inclusive. (Número do Processo 10830.005027/9776; Acórdão 20309919; Conselheiro Relator César Piantavigna). Conclusão Por tais razões, voto por declarar a nulidade do acórdão recorrido, para que seja proferida nova decisão que aborde exaustivamente a questão ventilada na impugnação relativa à omissão de rendimentos decorrente de valores recebidos de pessoas jurídicas, bem como sejam desconsiderados os argumentos e decisão acerca de “acréscimo patrimonial a descoberto”, tendo em vista que tal hipótese não constou do auto de infração que deu origem ao presente processo administrativo. (Assinado digitalmente) FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Relator Fl. 1463DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 07/06/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 13/07/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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