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Numero do processo: 10640.722941/2014-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2013
VALOR DE ALÇADA PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO - SÚMULA CARF 103
O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF 63, de 09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF 103).
Recurso de ofício não conhecido.
Numero da decisão: 3402-004.213
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
assinado digitalmente
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício e relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2013 VALOR DE ALÇADA PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO - SÚMULA CARF 103 O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF 63, de 09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF 103). Recurso de ofício não conhecido.
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score : 1.0
Numero do processo: 10620.000687/2008-03
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 9202-000.134
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para reunião dos autos que integram os processos 10620.000188/2001-31 e 10620.000687/2008-03 em um único processo. Após, o processo unificado deverá retornar ao CARF, para devolução à relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para reunião dos autos que integram os processos 10620.000188/200131 e 10620.000687/200803 em um único processo. Após, o processo unificado deverá retornar ao CARF, para devolução à relatora. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Em 2001 foi formalizado o processo nº 10620.000188/200131, para exigência de ITR Imposto Territorial Rural do exercício de 1997, acrescido de multa de ofício e juros de mora, relativo ao imóvel denominado "Fazenda Rio Formoso Gleba 2" (NIRF 3.104.1833), localizado no Município de Buritizeiro/MG, tendo em vista glosa da ARL Área de Reserva Legal de 530,0 hectares, por falta de averbação na matrícula do imóvel, bem como a glosa da RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 20 .0 00 68 7/ 20 08 -0 3 Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10620.000687/200803 Resolução nº 9202000.134 CSRFT2 Fl. 235 2 Área de Pastagem de 1.300,0 hectares, pela não apresentação de documentos que comprovassem a existência de rebanho de 327 animais de grande porte (fls. 09 a 13). A autuação foi mantida pela DRJ, conforme acórdão de fls. 59 a 69 do processo originário. Intimada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, julgado em sessão plenária de 1º/12/2004, proferindose o Acórdão nº 30331.738 (fls. 171 a 193 do processo originário), assim ementado: “ITR/1997. NÃO AVERBAÇÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL. O reconhecimento de isenção quanto ao ITR independe de averbação da área de reserva legal no Registro de Imóveis. A exigência como requisito para o reconhecimento de isenção do ITR não encontra base legal. Entretanto a área de reserva legal existente na propriedade segundo o laudo técnico apresentado é de 436,38 hectares. NÃO COMPROVADA A UTILIZAÇÃO DE ÁREA DE PASTAGEM. O contrato de comodato é início de prova que necessita de complemento pela comprovação de efetiva utilização das pastagens. Ausente qualquer evidencia da existência de gado para pastar no períodobase de 1996, na área especificada. Não se pode aceitar a informação quanto ao rebanho de terceiros, previsto no Contrato de Comodato, como prova de utilização da área de pastagem existente no imóvel. O referido Contrato apenas poderia servir para vincular o rebanho de terceiros à propriedade sob exame, abstratamente estabelece uma autorização para a pastagem de 450 cabeças de gado bovino, porém nada comprova quanto a uma efetiva e concreta utilização da propriedade no ano de 1996. RECURSO VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO.” A decisão foi assim registrada: "ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de incompetência da DRJ/Brasília e a preliminar de ilegitimidade passiva. No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para acatar tão somente a área de utilização limitada constante do laudo de avaliação apresentado com o recurso voluntário, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado." Assim, no acórdão recorrido acolheuse a ARL Área de Reserva Legal de 436,38 hectares. Cientificada, a Fazenda Nacional interpôs o Recurso Especial de fls. 196 a 210 do processo originário, ao qual foi negado seguimento, conforme Informação Técnica e Despacho nº 357/2005, de 09/12/2005 (efls. 212 a 215 do processo priginário). Intimada da negativa de seguimento de seu Recurso Especial, a Fazenda Nacional apresentou o Agravo de fls. 217 a 223 do processo originário, acolhido conforme o Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10620.000687/200803 Resolução nº 9202000.134 CSRFT2 Fl. 236 3 despacho de 24/12/2007 (fls. 228/229 do processo originário), dandose seguimento ao Recurso Especial. Cientificada em 22/02/2008 (AR Aviso de Recebimento de fls. 236 do processo originário), a Contribuinte opôs, em 28/02/2008, os Embargos de Declaração de fls. 239 a 273 do processo originário, bem como ofereceu as Contrarrazões de fls. 274 a 278 do processo originário. Em 27/03/2008, a ARF em Curvelo/MG formalizou o processo nº 10620.000687/200803, nele incluindo o crédito tributário que se encontrava originariamente no processo nº 10620.000188/200131 (fls. 137 do novo processo). Conforme o Ofício ARF/CLO/MG nº 364/2008, de 1º/04/2008, a ARF em Curvelo/MG informou à Contribuinte o desmembramento dos processos, esclarecendo que o de nº 10620.000687/200803 receberia o débito mantido no processo nº 10620.000188/200131, e que este seguiria para o CARF, para apreciação de seus Embargos de Declaração e do Recurso Especial da Fazenda Nacional (efls. 141/142). Assim, o processo nº 10620000.188/200131 seguiu para o CARF, os Embargos de Declaração foram rejeitados, a Contribuinte foi intimada e o Recurso Especial da Fazenda Nacional foi a julgamento, sem que se levasse em conta a possibilidade de interposição de Recurso Especial por parte da Contribuinte. O julgamento do Recurso Especial da Fazenda Nacional foi levado a cabo no processo nº 10620000.188/200131 por meio do Acórdão nº 9202003.460, de 23/10/2014, assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1997 ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS. A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente, o que não ocorreu no presente caso. Recurso especial provido." Quanto ao presente processo, de nº 10620.000687/200803, este seguiu com os débitos do processo originário, que seriam encaminhados para cobrança. Em 14/04/2008, por meio do Ofício ARF/CLO/MG nº 403/2008, a ARF em Curvelo/MG informou à Contribuinte que a cobrança a ela dirigida fora equivocada, tendo em vista a existência de Embargos de Declaração pendentes de apreciação pelo CARF. Os Embargos de Declaração foram rejeitados, conforme o despacho de efls. 158 a 161. Cientificada em 21/03/2013 (AR – Aviso de recebimento de efls. 206), a Contribuinte interpôs, em 03/04/2013 (data da postagem envelope de efls. 200), o Recurso Especial de efls. 163 a 168, com fundamento no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10620.000687/200803 Resolução nº 9202000.134 CSRFT2 Fl. 237 4 CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir a glosa da Área de Pastagem. Ao Recurso Especial da Contribuinte foi dado seguimento, por meio do Despacho s/n de 05/10/2016 (efls. 208 a 214), oportunidade em que se alertou para o fato de que o Recurso Especial da Fazenda Nacional já havia sido julgado no processo nº 10620 000.188/200131, proferindose o Acórdão nº 9202003.460, de 23/10/2014. Em seu apelo, a Contribuinte apresenta os seguintes argumentos: o acórdão recorrido rejeitou o laudo técnico elaborado por Engenheiro Agrônomo com base nas normas da ABNT e não acolheu os contratos de comodato a ele anexados. em Embargos de Declaração, a recorrente, objetivando elucidar a verdade dos fatos, apresentou (i) declarações prestadas, sob as penas da lei, por dois produtores rurais da região confirmando que, no ano de 1996, entregaram, ao todo, 453 cabeças de gado ao Sr. Elmi Chaves da Cunha (comodatário), para recria e engorda na Fazenda Rio Formoso Gleba 2, (ii) as declarações de produtor rural de ambos e (iii) as fichas de controle do criador; ela também submeteu a duras críticas feitas ao laudo e ao próprio Engenheiro Agrônomo que o elaborou, que rebateu, tecnicamente, todos os questionamentos feitos pela Câmara julgadora (doc. juntado aos autos em 29/7/2008); apesar disso, a 1ª Turma Ordinária da 2a Câmara da 2a Seção do CARF, sem maiores explicações, rejeitou os Embargos de Declaração; ocorre que, analisando caso praticamente idêntico, da própria Contribuinte ALV Participações Ltda., a Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes acatou os contratos de comodato celebrados e as conclusões do parecer técnico preparado pelo mesmo Engenheiro Agrônomo que assina o laudo utilizado nos presentes autos; consequentemente, aquele colegiado afastou a glosa da Área de Pastagem declarada; para não haver dúvida sobre a semelhança entre os dois casos ora confrontados, vale transcrever trecho do Acórdão nº 30134.583: "No tocante à glosa da área de 2.900,0 ha declarada a título de pastagem, em decorrência da glosa de 734 cabeças de animais de grande porte informado no DIAT, por não ter sido apresentado cartão de vacina do IMA ano 1996, também, esta não procede. Conforme consta da Descrição dos fatos e Enquadramento(s) Legal (Is)', à fl. 04, o contribuinte 'declarou um rebanho de 734 animais de grande porte. Intimado a apresentar a cópia do cartão de vacina do IMA do ano de 1996, para comprovar a existência desse rebanho, não a apresentou. Destarte apresenta quatro contratos de comodato. Porém não registrou nenhum deles no cartório competente.' Verifícase, assim, que a glosa decorre do fato de o contribuinte não ter comprovado a existência do rebanho declarado por meio do cartão de vacina do IMA e, tampouco ter registrado os 'Contratos de Comodato' que a contribuinte cede aos Srs. Adilson Aguiar Barbosa (fls. 22/23), Antônio José Martins Braga (fls. 25/26), Francisco Barbosa da Costa Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10620.000687/200803 Resolução nº 9202000.134 CSRFT2 Fl. 238 5 (fls. 28/29) e Antônio Lopes de Oliveira, a título gratuito a 'Fazenda Barreiro Novo' destinada a pastagem de bovinos, a partir de janeiro e fevereiro de 1996até o prazo máximo de dois anos. Nas 'Fichas de Controle do Criador, relativa ao controle das vacinas de febre aftosa e de brucelose, assinadas pelo médico veterinário chefe do escritório regional do IMA em São Francisco, consta que no ano de 1996, os comodatarios vacinaram contra a febre amarela o número de bovinos a seguir discriminado: (...) Por sua vez, no item 3 do 'Laudo de Avaliação de Imóvel para Fins Tributários' (fl. 206), elaborado por engenheiro agrônomo de acordo com a NBR 8.799 da ABNT e acompanhado da ART, consta que a destinação do imóvel se caracterizava, no anobase de 1996, pela exploração da pecuária, que naquele ano teve o empastamento médio de 673 cabeças de gado bovino, sendo que o comodatário Antônio José Martins Braga concorreu com 370 cabeças de gado bovino no primeiro semestre e com 300 no segundo; o comodatário Francisco Barbosa da Costa concorreu com 20 cabeças de gado bovino no primeiro semestre e com 12 no segundo; o comodatário Antônio Lopes de Oliveira concorreu com 256 cabeças do gado bovino no primeiro semestre e com 300 no segundo e o Adilson Aguiar Barbosa concorreu com 40 cabeças de gado bovino no primeiro semestre e com 43 no segundo. Resta, portanto, comprovado nos autos, por meio de Laudo Técnico, que no anobase de 1996 a propriedade rural teve empastamento médio de 673 cabeças de gado bovino, o qual deve ser considerado para fins de apuração da efetiva área de pastagem e, em decorrência, apurar o grau de utilização em relação à área efetivamente utilizada e a área aproveitável, para fins de cálculo do ITR devido no exercício de 1997." (grifos da recorrente) como se pode verificar, enquanto o acórdão recorrido rejeita o laudo técnico e os contratos de comodato comprobatórios da existência de gado no imóvel, o paradigma reputaos suficientes à aceitação da Área de Pastagem declarada; em outra oportunidade em que também julgou autuação lavrada contra a mesma ALV, a Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, mais uma vez, acatou o laudo técnico e os contratos de comodato que lhe foram apresentados, de modo que há séria divergência quanto à força probante dos laudos confeccionados pelo engenheiro agrônomo Ronaldo Mundim, os quais, repitase, são feitos de acordo com as normas da ABNT e com a devida Anotação de Responsabilidade Técnica; para demonstrar a oposição de entendimentos, confirase trecho do Acórdão n° 30132.481: "Quanto à área de pastagem/rebanho bovino, objeto de redução pela decisão a quo, a ora Recorrente reiterando os termos da Declaração do ITR/96, apresenta contrato de parceria agrícola (de mútuo), fls. 154/156, e contrato de comodato (fl. 158), onde de acordo com a cláusula 3a do primeiro, as partes, uma proprietária do imóvel (outorgante) e a outra (outorgada) dispondo de recursos humanos, técnicos e financeiros voltados à atividade agrícola em terras de terceiros ou arrendadas, resolvem unir interesses onde a outorgada (cláusulas 5a e 6a) assume as responsabilidades decorrentes do contrato, inclusive das pendências trabalhistas e da satisfação dos ônus tributários e; no segundo, no parágrafo único da cláusula primeira, cede ao comodatário, a Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10620.000687/200803 Resolução nº 9202000.134 CSRFT2 Fl. 239 6 título gratuito, área destinada a pastagem de 120 bovinos, por tempo indeterminado. O laudo, a partir do contrato de comodato, declara que 120 cabeças foram objeto de contrato com Elmi Chaves da Cunha, retromencionado, e as 44 restantes, da declaração do produtor rural AdiflorAgrocomercial e Industrial. (...) Os documentos que instruem o Laudo de Avaliação (fls. 100/145), apresentados pela recorrente, são, reconhecidamente, legítimos e comprovam as informações prestadas por ocasião da DITR/97. No que se refere especificamente ao rebanho bovino, o contrato de comodato faz menção expressa sobre a existência de 120 cabeças de gado, conforme parágrafo único da Cláusula Primeira (fl. 159) e confirmado pelo citado Laudo. (fl. 142). Ex positis, conheço do recurso posto que atende aos requisitos para a sua admissibilidade, para, rejeitando as preliminares suscitadas, no mérito, darlhe provimento, para retificar a área de reserva legal glosada de 687,2 ha, informada na DITR/97, para 515,7 ha, informada no demonstrativo do Laudo Técnico de Avaliação de fl. 140, e ainda, retificar a área de pastagem glosada, de 470 ha, informada também na DITR/97, para 664 ha, constante do Laudo de Técnico de Avaliação, nos termos do demonstrativo (f 1.140)retromencionado." (grifos da recorrente) notese, por fim, que, analisando outro Recurso Especial interposto pela recorrente (tratando da mesmíssima questão força probante dos laudos confeccionados pelo engenheiro agrônomo Ronaldo Mundim), a Dra. Judith do Amaral Marcondes Armando, Presidente da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes à época, reconheceu a existência de divergência jurisprudencial e admitiu o recurso (doc. anexo). Ao final, a Contribuinte pede o conhecimento e provimento do recurso, cancelandose a exigência fiscal em apreço. O processo foi encaminhado à PGFN em 06/10/2016 (Despacho de Encaminhamento de efls. 215) e, em 14/11/2016 (Despacho de Encaminhamento de efls. 223), foram oferecidas as Contrarrazões de efls. 216 a 222, contendo os seguintes argumentos: a “glosa” do rebanho informado no correspondente DIAC/DIAT (327 cabeças de animais de grande porte), implicou redução da área servida com pastagem aceita, de 1.300,0 hectares, para 0,0 hectares, em obediência ao disposto no artigo 10, par. 1º, inciso V, alínea “b”, da Lei no. 9.393/96; essa matéria foi disciplinada pelo artigo 16, inciso II, da IN/SRF no. 043, de 1997, com a redação dada pela IN/SRF no. 67, de 1997, verbis: “Artigo 16. A área utilizada será obtida pela soma das áreas mencionadas nos incisos I a VII do artigo 12,observado o seguinte: (...) II – a área servida de pastagem aceita será a menor entre a declarada pelo contribuinte e a área obtida pelo quociente entre a quantidade de Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10620.000687/200803 Resolução nº 9202000.134 CSRFT2 Fl. 240 7 cabeças do rebanho ajustado e o índice de lotação mínima, observado o seguinte." consequentemente, o grau de utilização do imóvel foi reduzido de 81,3% para 0,0% com aplicação de alíquota de cálculo máxima de 8,6%, prevista para a faixa correspondente à sua dimensão, nos termos do artigo 11, da citada Lei no. 9.393/96 e tabela anexa, para efeito de cálculo do imposto suplementar, lançado pela fiscalização pelo referido auto de infração, conforme demonstrativo de fls. 7; para comprovar a existência desse rebanho na propriedade, no respectivo ano base (1996), a contribuinte alegou que o rebanho pertencia a um fazendeiro da região (que recebeu a área em comodato), ficando de apresentar, a posteriori, o correspondente contrato de comodato; ocorre que não consta dos autos que a contribuinte tenha apresentado o referido “contrato de comodato” ou qualquer outro documento de prova que pudesse ser levado em consideração a seu favor, no que se refere à comprovação do rebanho efetivamente existente na propriedade no ano de 1996; além disso, o contrato de comodato serve apenas para vincular o rebanho de terceiros, devidamente comprovado através de prova documental hábil e idônea (Ficha de Vacinação e Movimentação de Gado, Cartão de Vacina do IMA, Declaração de Produtor Rural, Nota Fiscal de Aquisição de Vacina, etc.), ao imóvel rural do comodante, portanto ele não autoriza, por si só, a aceitação do rebanho informado pelo proprietário do imóvel no correspondente DIAC/DIAT; também é preciso ressaltar que o ônus da prova no presente caso cabe ao contribuinte, que deveria instruir adequadamente a sua defesa, nos termos do artigo 15, do Decreto no. 70.235, de 1972; além disso, o contribuinte está obrigado a manter sob sua guarda os documentos relativos ao autolançamento do ITR, pelo menos até o prazo quinquenal previsto para a sua homologação, a contar da data do respectivo fato gerador, nos termos do § 4º, do artigo 150, do CTN; portanto, não constam dos autos provas documentais hábeis e idôneas, comprovando a existência daquele rebanho na propriedade no ano de 1996; desta forma, entendese que deve ser mantida a “glosa” do rebanho informado no correspondente DIAT/1997, com a consequente redução da área de pastagem aceita para “00” (zero), para efeito de apuração do crédito tributário suplementar em questão. Ao Final, a Fazenda Nacional requer seja negado provimento ao Recurso Especial interposto pela Contribuinte. Distribuído o processo na Instância Especial, foi cometido um equívoco por parte desta Relatora, que, entendendo que a admissibilidade do Recurso Especial do Contribuinte havia sido levada a cabo pelo Despacho nº 302.341, de 04/11/2008 (efls.194 a 199), anulou o Despacho de Admissibilidade de efls. 208 a 214. Entretanto, o Despacho nº 302.341 referese à admissibilidade de Recurso Especial da mesma Contribuinte, porém Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10620.000687/200803 Resolução nº 9202000.134 CSRFT2 Fl. 241 8 interposto em outro processo (10670.001981/200243), anexado apenas como fundamento ao Recurso Especial interposto no presente processo. Voto Tratase de Recurso Especial interposto pela Contribuinte, visando rediscussão da glosa da Área de Pastagem. Preliminarmente, constatase que, por lapso processual, o processo originário, de nº 10620.000188/200131, foi desmembrado, formalizandose o presente processo, de nº 10620.000687/200803, o que acarretou o julgamento de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, sem que se percebesse que poderia haver Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, o que efetivamente ocorreu. Assim, a despeito de já existir um Acórdão de Recurso Especial no primeiro processo, tratando do apelo da Fazenda Nacional, existe Recurso Especial do Contribuinte pendente de julgamento no presente processo, de sorte que, persistindo tal situação, haveria dois Acórdãos de Recurso Especial tratando do mesmo fato gerador, objeto da mesma ação fiscal, abordando diferentes elementos relativos à composição do crédito tributário apurado. Diante do exposto, proponho a conversão do julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para reunião dos autos que integram os dois processos em um único processo. Após, o processo unificado deverá retornar ao CARF, para devolução à Conselheira Relatora. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 241DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.003909/2003-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Data do fato gerador: 22/07/2003
DESPACHO DECISÓRIO. DELEGAÇÃO DE COMPETÊNCIA. LEGALIDADE.
Se o Despacho Decisório contém o nome e cargo do servidor que o assinou, com a indicação da correspondente portaria de delegação de competência para a elaboração de decisórios desta natureza, não há que se cogitar de sua nulidade.
PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO.
Nos casos de PER/DCOMP transmitidas visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º do art. 74 da Lei n. 9.430/1996 para a homologação tácita da
declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição.
Numero da decisão: 3302-004.699
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: LENISA RODRIGUES PRADO
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DELEGAÇÃO DE COMPETÊNCIA. LEGALIDADE. Se o Despacho Decisório contém o nome e cargo do servidor que o assinou, com a indicação da correspondente portaria de delegação de competência para a elaboração de decisórios desta natureza, não há que se cogitar de sua nulidade. PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. Nos casos de PER/DCOMP transmitidas visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º do art. 74 da Lei n. 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinatura digital) Lenisa Prado - Relatora A C Ó R D Ã O G E R A D O N O P G D -C A R F PR O C E SS O 1 08 40 .0 03 90 9/ 20 03 -3 2 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária agosto de 2017 agosto de 2017 Normas de Administração Tributária Normas de Administração Tributária COINBRA-FRUTESP IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA COINBRA-FRUTESP IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL AA Fl. 434DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Dérouledè (Presidente), Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Paulo Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Prado. Relatório Por muito bem retratar os fatos pertinentes ao recurso sob julgamento, adoto o relatório apresentado na oportunidade de julgamento da manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte: "Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento, apresentado eletronicamente em 22/07/2003, por meio do PER/DCOMP n° 09235.27318.220703.1.1.013198, onde consta indicado um crédito presumido do IPI referente ao 2° trimestre de 2003, no valor de R$ 1.025.607,02. 2. A pessoa jurídica interessada apresentou também diversas Declarações de Compensação (DCOMP) para aproveitamento do direito creditório em tela: N° PROCESSO PER/DCOMP PER APURAÇÃO VALOR R$ 16349.000473/2007-91 37910.31064.071205.1.3.01-1080 2° trim/2003 5.859,99 16349.000473/2007-91 20752.63037.091205.1.3.01-2260 2° trim/2003 4.191,28 16349.000473/2007-91 09266.36469.141205.1.3.01-2262 2° trim/2003 121.740,33 16349.000473/2007-91 26301.22250.211205.1.3.01-0603 2° trim/2003 11.743,41 16349.000473/2007-91 28190.56308.231205.1.3.01-4114 2° trim/2003 2.340,85 16349.000473/2007-91 10028.29598.281205.1.3.01-0628 2° trim/2003 20.902,09 16349.000473/2007-91 17222.26285.130706.1.3.01-2569 2° trim/2003 13.589,75 16349.000473/2007-91 20715.53082.310706.1.3.01-0625 2° trim/2003 837.000,00 16349.000473/2007-91 21316.65799.261206.1.3.01-9591 2° trim/2003 8.239,32 1.025.607,02 3. A autoridade competente exarou o Despacho Decisório (fls. 88-90 ) e indeferiu o indigitado Pedido de Ressarcimento, bem como não homologou as Declarações de Compensação, ao concordar com os fundamentos contidos na auditoria realizada para aferição do apontado direito creditório. 3.1. Está escrito no mencionado Despacho Decisório que o interessado deixara de atender as intimações lavradas no curso da auditoria, não apresentando os elementos solicitados, tais como livros contábeis e fiscais; arquivos magnéticos da contabilidade (lançamentos, planos de contas e saldos mensais) de forma consolidada na matriz e dos livros fiscais (mestre de entradas e saídas, itens de entrada e saída); notas fiscais de entradas e saídas; e outros elementos indispensáveis à análise do Pedido de Ressarcimento. 4. Cientificado desta decisão em 15/12/2009 (fl. 93), o sujeito passivo apresentou em 13/01/2010 a sua manifestação de inconformidade (fls. 102-122) para alegar, em síntese que: Fl. 435DF CARF MF Processo nº 10840.003909/2003-32 Acórdão n.º 3302-004.699 S3-C3T2 Fl. 435 3 4.1.Indica que ao apresentar o Pedido de Ressarcimento no dia 22/07/2003, a sua homologação tácita teria ocorrido cinco anos após, em 21/07/2008, isto é, muito antes de ter sido cientificado da decisão que não reconheceu o seu direito creditório, ocorrida em 15/12/2009. 4.2. Assevera que o Pedido de Ressarcimento em tela encontra- se tacitamente homologado desde 21/07/2008, estando constituído definitivamente o seu direito creditório e, via de conseqüência, extinto o crédito tributário objeto da presente manifestação. 4.3. Afirma que apurou o crédito presumido do IPI referente ao 2° trimestre de 2003 de acordo com as regras trazidas pela Lei n° 10.276, de 2001, como regime alternativo ao disposto na Lei n° 9.363, de 1996, que possibilita às pessoas jurídicas, produtoras e exportadoras de mercadorias nacionais para o exterior, determinar o valor do crédito presumido do IPI, como ressarcimento relativo às contribuições do PIS e da Cofins. 4.4. Informa que o credito foi calculado tendo como base a somatória dos custos decorrentes da aquisição de matéria-prima e dos custos utilizados na produção, totalizando o valor de R$ 6.837.380,14, assegurando à recorrente o crédito no montante de RS 1.025.607,02, conforme Demonstrativo de Cálculo do Crédito Presumido de IPI, que anexa (documento 03). 4.5. Acosta também diversos outros demonstrativos para detalhar: o custo decorrente de aquisição de insumos, quais sejam: DCP do 2° trimestre de 2003 (documento 04) e Planilha Demonstrativa e Memória de Cálculo do Crédito Presumido IPI (documento 03); Planilha de Receita de Exportação e Receita Operacional (documento 05); conta contábil 5150, denominada "Total da Receita Bruta de Venda" (documento 06); relação das notas fiscais de saída (documento 07); Planilha de Compras de MP, PI, ME e Demais Insumos - por amostragem (documento 08); memorandos de exportação - por amostragem (documento 09); o custo utilizado na industrialização: DCP do 2° trimestre de 2003 (documento 04) e Planilha Demonstrativa e Memória de Cálculo do Crédito Presumido IPI (documento 03); Planilhas de Consumo de Matéria-Prima e Materiais na Produção (documento 10); Relatório Analítico de Notas Fiscais de industrialização (documento 11); Relação de Produtos exportados com os respectivos NCM - Nomenclatura Comum do Mercosul (documento 12). 4.6. Sustenta que disponibilizou toda documentação solicitada pela autoridade fiscal, conforme protocolo de entrega (documento 14), permanecendo ainda à disposição para quaisquer esclarecimentos necessários. Fl. 436DF CARF MF 4 4.7. Aduz que o Despacho Decisório proferido é extremamente vago, sendo totalmente genérico, inexistindo o motivo especifico da glosa ou quais elementos e documentos que não se convalidaram e culminaram na glosa do crédito pleiteado. 4.8. Invoca o princípio da verdade material para requerer que todos os documentos acostados aos autos devam ser apreciados e considerados para fins de reconhecimento do direito creditório em exame. 4.9. Argúi nulidade do Despacho Decisório, ao apontar a falta de motivação plausível. 4.10. Afirma que a nulidade do ato também seria justificada pela incompetência da autoridade que exarou a decisão denegatória, proferida pelo Auditor Chefe da Diort/Derat, violando a competência atribuída unicamente ao Delegado da Receita Federal do Brasil, conforme disposto no Regimento Interno da RFB (Anexo da Portaria MF no 125, de 4 de maio de 2009). 4.11. Requer (i) acolhimento de sua manifestação de inconformidade e o reconhecimento do seu direito creditório; (ii) o recebimento da documentação anexada, bem como seja deferida a apresentação posterior de documentos que se fizerem necessários à comprovação do alegado, principalmente em relação às notas fiscais de compra que ainda se encontram em posse do agente fiscalizador; e (iii) a realização das diligências e perícias, tendo em vista a vultosa quantidade de documentos existentes, que em alguns casos só puderam ser apresentados por amostragem". Apesar da extensa argumentação, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife (PE), em acórdão que resultou na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 Ementa: DESPACHO DECISÓRIO. DELEGAÇÃO DE COMPETÊNCIA. LEGALIDADE. Se o Despacho Decisório contém o nome e cargo do servidor que o assinou, com a indicação da correspondente portaria de delegação de competência para a elaboração de decisórios desta natureza, não há que se cogitar de sua nulidade. PEDIDOS DE RESSARCIMENTO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte interessado a comprovação da existência do direito creditório. Não tendo apresentado os elementos necessários à autoridade competente para a análise, não há como reconhecê-lo. DILIGÊNCIA E PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO. As diligências, passíveis de serem promovidas em sede de julgamento administrativo, não se destinam a suprir a omissão na produção da prova por parte daquele a quem tal ônus Fl. 437DF CARF MF Processo nº 10840.003909/2003-32 Acórdão n.º 3302-004.699 S3-C3T2 Fl. 436 5 incumbia, mas apenas para dirimir dúvidas pontuais acerca dos elementos de prova já trazidos aos autos. É facultado à autoridade julgadora, com fundamento no art. 18 do Decreto n° 70.235, de 1972, o poder de determinar fundamentadamente a realização de diligência ou perícia para formação de seu convencimento. Devem ser indeferidos os pedidos de diligências ou perícia não justificados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, o que ensejou a subida dos autos a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Lenisa Prado A contribuinte foi considerada intimada sobre o teor do acórdão proferido no julgamento da manifestação de inconformidade em 10/12/20131 e apresentou, tempestivamente, seu recurso voluntário em 09/01/20142. Presentes os pressupostos extrínsecos de admissibilidade do apelo, dele tomo conhecimento. A contribuinte inicia sua argumentação abordando os deveres da administração pública, adentrando ao Princípio da Eficiência da Administração Pública3, conceituando-o no patamar constitucional e infraconstitucional (art. 2º da Lei n. 9.874/1999). Informa que os pedidos de ressarcimento foram feitos nos moldes previstos pelo § 14 do art. 74 da Lei n. 9.430/1996 e que tal dispositivo, interpretado sob o prisma dos artigos 1º, 49 e 69 da Lei n. 9.784/1999 resultam na única conclusão que a Secretaria da Receita Federal deveria solucionar os processos administrativos dentro do prazo de 30 (trinta) dias4. E que, portanto, a posição adotada pelos julgadores da instância de origem que "a análise de pedido de ressarcimento não dispõe de prazo fatal afronta o Princípio da Eficiência, da segurança jurídica e da celeridade processual estampadas na Constituição Federal". 1. DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO E SUA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA 1 Informação registrada no Termo de Abertura de Documento, acostado aos autos às folhas 384 dos autos eletrônicos. 2 Conforme atesta o Termo de Solicitação de Juntada à folha 386. 3 Vinculado ao art. 37 e ao inciso LXXVIII do art. 5º da CF/88. 4 Colaciona os precedentes lavrados pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Mandado de Segurança n. 12.487/DF e no Recurso Especial n. 690.811/RS como outros fundamentos para sua pretensão. Fl. 438DF CARF MF 6 O contribuinte defende que o art. 74 da Lei n. 9.430/1996, combinado com o texto do art. 29 da Instrução Normativa SRF 600/2005 impõe ao fisco o prazo de cinco anos para homologar o pedido de ressarcimento ou de compensação, "sob pena de caducidade de seu direito de fazê-lo, em face da homologação tácita". E que este prazo é medida apta a garantir o mínimo de segurança jurídica aos contribuintes. Dessa forma, esclarece o recorrente; "sendo efetuado pedido de ressarcimento na data de 22/07/2003, a homologação do pedido se deu tacitamente após cinco anos, na data de 21/07/2008, muito antes da ciência do despacho decisório que não reconheceu o direito creditório, ocorrida em 15/12/2009". (grifos no original). 2. DO RESSARCIMENTO DO IPI A recorrente esclarece que é empresa atuante no agronegócio e tem por objeto a comercialização (exportação) de produtos (suco de laranja e derivados), realizando a aquisição de matéria-prima (laranja) para envio à industrialização por encomenda e posterior exportação. Por tal motivo, apurou o valor do crédito presumido de IPI referente ao segundo trimestre de 2003 de acordo com os ditames da Medida Provisória n. 2202-2/2001, posteriormente convertida na Lei n. 10.276/2001. Para tanto, valeu-se dos custos incorridos com a aquisição de matéria-prima e os custos da produção do produto final, totalizando o montante de R$ 6.837.380,14, o que lhe assegurou o direito a apropriar-se de crédito no valor de R$ 1.025.607,02. Informa que os custos decorrentes da aquisição de matéria-prima estão detalhados no doc. 4 da manifestação e na Planilha Demonstrativa e Memória de Cálculo do Crédito Presumido do IPI (doc. 3 da manifestação de inconformidade). Esclarece que o percentual das Receitas de Exportação forma apresentados na Planilha de Receitas de Exportação e Receita Operacional Bruta de Exportação (doc. 5 da MI), dados que resultaram no registro da Conta Contábil 5150, denominada Total da Receita Bruta de Venda (doc. 6 da MI), que diminuídas as devoluções importam exatamente no valor constante da relação de notas fiscais de saída (identificadas no doc. 7 da MI). Esses esclarecimentos, de acordo com o contribuinte, demonstram que foram prestadas as informações suficientes para que a fiscalização pudesse homologar o pedido de ressarcimento apresentado. Afirma que: "63. Não procede a alegação, tendo em vista que a totalidade de documentos solicitados foi prontamente fornecida à fiscalização para comprovação do crédito apurado, não havendo motivos para o seu não-conhecimento. 64. Não obstante a isso, o despacho decisório proferido é extremamente vago sendo totalmente genérico, já que em momento algum foi informado o motivo específico das glosas, quais elementos e documentos que não se convalidaram e culminaram na glosa do crédito pleiteado". Fl. 439DF CARF MF Processo nº 10840.003909/2003-32 Acórdão n.º 3302-004.699 S3-C3T2 Fl. 437 7 3. DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL A contribuinte afirma que a Administração Tributária, diante do dever em fiscalizar e promover a busca pela verdade material, deveria ter apreciado e considerado todos os documentos carreados aos autos, "para fins de reconhecimento do seu direito creditório, com a conseqüente homologação dos pedidos de compensação efetuados". 4. DA NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO - DA AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO E INCOMPETÊNCIA A ora recorrente alega que: "76. Como visto, optou a Autoridade Pública pro simplesmente indeferir o pedido de restituição/ressarcimento pretendido e não homologar a compensação efetuada, sem ao menos permitir ao contribuinte prestar contas sobre o motivo que a mesma alegou, sendo este efetuado de forma genérica, sem ao menos demonstrar o procedimento adotado para conferência e análise de toda documentação requerida e pelos motivos de convencimento da inexistência dos créditos pleiteados, seja pela desqualificação da contabilidade ou de outros elementos inerentes ao crédito perseguido". Contesta, ainda, o fato que a decisão que indeferiu o pedido de compensação e das declarações de compensação foi proferida pelo Auditor Chefe da DIORT/DERAT, fato que viola a competência atribuída unicamente ao Delegado da Receita Federal do Brasil, conforme dispõe o Regimento Interno da Receita Federal do Brasil (art. 285 do Anexo da Portaria MF n. 125/20095). Por esse motivo, e diante dos Princípios da Legalidade, do Contraditório e da Ampla Defesa, requer o provimento de seu recurso. VOTO (I) Sobre o Despacho Decisório - Nulidade por Ausência de Motivação e Incompetência do Subscritor da Decisão Não merece reparos a decisão recorrida quando conclui que não há nulidade no despacho decisório, seja porque este documento foi assinado por auditor fiscal competente, e porque está devidamente motivado. Por concordar in totum com a motivação apresentada no acórdão proferido no julgamento da manifestação de inconformidade, faço destes os meus fundamentos: "6.3. O Parecer Cosit n° 56, 06/09/1999, da Coordenação-Geral de Tributação, com supedâneo nos arts. 11 a 13 da Lei n° 9.784, de 29/01/1999, conclui pela possibilidade do titular da unidade 5 Art. 285. Aos Delegados da Receita Federal do Brasil das DRF e DEINF, no âmbito da respectiva jurisdição, incumbe ainda: II - decidir sobre a concessão de pedidos de parcelamento, sobre restituição, compensação, ressarcimento, reembolso, suspensão e redução de tributos, excetuando-se os relativos ao comércio exterior. Fl. 440DF CARF MF 8 administrativa delegar aos seus subordinados hierárquicos competência que originariamente lhes foi conferida para proferir decisões em processo administrativo fiscal: 'Art. 11 - A competência é irrenunciável e se exerce pelos órgãos administrativos a que foi atribuída como própria, salvo os casos de delegação e avocação legalmente admitidos. Art. 12 - Um órgão administrativo e seu titular poderão, se não houver impedimento legal, delegar parte da sua competência a outros órgãos ou titulares, ainda que estes não lhe sejam hierarquicamente subordinados, quando for conveniente, em razão de circunstâncias de índole técnica, social, econômica, jurídica ou territorial. Parágrafo único. O disposto no caput deste artigo aplica-se à delegação de competência dos órgãos colegiados aos respectivos presidentes. Art. 13 - Não podem ser objeto de delegação: I- a edição de atos de caráter normativo; II- a decisão de recursos administrativos; III- as matérias de competência exclusiva do órgão ou autoridade. Conclusão 11.Diante do exposto, conclui-se que não está vedado aos titulares das unidades administrativas da SRF delegar aos seus subordinados hierárquicos competência que originariamente lhes foi conferida para proferir decisões em processo administrativo fiscal. " (destaques incluídos).] 6.4. Aliás, esta prática é bastante usual na Administração Pública Federal, notadamente, nas unidades onde o volume expressivo de demandas justifica tal procedimento. 6.5. No caso específico, a Portaria DERAT/SP n° 54/2001 delegou ao chefe da DIORT/DERAT/SPO a atribuição de decidir acerca de ressarcimento, restituição e compensação de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal. 6.6. Note-se que, no referido despacho, os dispositivos legais para a competência delegada foram devidamente mencionados (fl. 90), inexistindo qualquer irregularidade que possa anular a decisão proferida: 'Face as considerações contidas no presente despacho, com fundamento no Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF n° 125/2009, e na competência delegada pela Portaria DERAT/SP n° 54/2001, em vigor de acordo com o artigo 48, inciso IV, da Lei n° 11.457/2007, INDEFIRO INTEGRALMENTE à LOUIS DREYFUS COMMODITIES AGROINDUSTRIAL S/A, CNPJ 00.831.373/0001- 04 (sucessora de COIMBRA FRUTESP IMP. E EXP. LTDA. CNPJ 05.263.203/0001-94,) o PEDIDO DE RESSARCIMENTO de crédito presumido do IPI referente ao 2° trimestre de 2003 e NÃO HOMOLOGO todas as Declarações de Compensação vinculadas ao presente processo, devendo ser procedida a cobrança de todos os débitos que o interessado tenha compensado com base nos créditos alegados (destaques do original) 7. No que se refere ao argumento de que Despacho Decisório é extremamente vago e genérico e que no mesmo inexiste o motivo Fl. 441DF CARF MF Processo nº 10840.003909/2003-32 Acórdão n.º 3302-004.699 S3-C3T2 Fl. 438 9 especifico da glosa, também não assiste razão ao manifestante, pois tal situação, na verdade, não se confirma. 7.1.Com efeito, o Despacho Decisório, a seguir parcialmente transcrito, indicou, de maneira bjetiva e clara, o motivo pelo qual não foi possível à Fiscalização aferir o crédito presumido de IPI: "5. No termo de Informação Fiscal (dossiê) o auditor relata o resultado dos procedimentos de verificação com relação ao pleito. A autoridade fiscal atesta que o contribuinte deixou de atender às intimações lavradas no curso da auditoria, não apresentando os elementos solicitados, tais como livros contábeis e fiscais; arquivos magnéticos da contabilidade (lançamentos, planos de contas e saldos mensais) de forma consolidada na matriz e dos livros fiscais (mestre de entradas e saídas, itens de entrada e saída); notas fiscais de entradas e saídas; e outros elementos indispensáveis à análise do Pedido de Ressarcimento. (...) 8. O artigo 65 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 30 de dezembro de 2008, afirma que a autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. (...) Considerando as informações prestadas pela auditoria, que analisou os livros contábeis e fiscais do contribuinte e concluiu pelo indeferimento total do crédito pleiteado; Considerando, afinal, tudo mais que do processo consta;" (destacou- se) 7.2. Observa-se nas informações prestadas pela Fiscalização (fls. 85-87), bem como nos demais documentos que constam no processo, que o contribuinte, verdadeiramente, não atendeu às intimações que lhe foram dirigidas, havendo diversas irregularidades que, ao longo da ação fiscal, não foram sanadas e/ou atendidas, conforme exposto a seguir. 7.3. Foram lavrados pela autoridade fiscal cinco termos, nos quais é possível identificar a solicitação das informações, como também o diagnóstico de irregularidades detectadas no curso do referida auditoria". (II) Sobre a Homologação Tácita de Pedidos de Ressarcimento A questão submetida ao crivo deste colegiado tem origem no Pedido de Ressarcimento, apresentado eletronicamente em 22/07/2003, por meio do PER/DCOMP n° 09235.27318.220703.1.1.01 - 3198 (fl. 4 dos autos eletrônicos), onde consta indicado um crédito presumido do IPI referente ao 2° trimestre de 2003, no valor de R$ 1.025.607,02. Fl. 442DF CARF MF 10 A Lei n. 10.637/2002, ao alterar o art. 74 da Lei n. 9.430/1996, teve por objetivo unificar o regime de compensação, extinguindo a compensação realizada na DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), na escrituração contábil ou condicionada ao deferimento de pedido administrativo. Todas essas modalidades foram substituídas pelo regime de autocompensação, que é aplicável aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. No regime da autocompensação, como se sabe, a extinção do crédito tributário é considerada tacitamente homologada após o decurso de prazo de cinco anos, nos termos do § 5º do artigo 74 da Lei n. 9.430/1996, o qual transcrevo: Lei n. 9.430/1996 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administradas por aquele órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo (Redação dada pela Lei n. 10.647/2002) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação (Redação dada pela Medida Provisória n. 135, de 2003, depois convertida na Lei n. 10.833/2003). Da leitura do dispositivo acima transcrito, conclui-se que o prazo de cinco anos para a homologação tácita não se refere aos pedidos de ressarcimento ou restituição, como é a hipótese dos autos. O fato destes serem transmitidos pelo mesmo instrumento da declaração de compensação (o PERD/COMP) não autoriza - nem mesmo por analogia, diante do óbice do art. 160 do CTN - a observância do prazo pela Fiscalização, como defende a contribuinte. Isso porque, nos pedidos de ressarcimento/ restituição não existe uma extinção de dívidas tributárias, mas sim o reconhecimento de um direito ao contribuinte. Importante registrar que os pedidos de ressarcimento/restituição na seara tributária dependem da comprovação da existência de direito pelo contribuinte, e não da mera homologação pela Administração Tributária. Por demandar pró-atividade do contribuinte, não Fl. 443DF CARF MF Processo nº 10840.003909/2003-32 Acórdão n.º 3302-004.699 S3-C3T2 Fl. 439 11 existe prazo legal para que o fisco reconheça (ou não) a existência de créditos a serem restituídos/ressarcidos. A propósito, segue julgado deste Conselho: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. Nos casos de PER/DCOMP transmitidas visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º do art. 74 da Lei n. 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte assevera que a autoridade fiscal deveria que obedecer o prazo previsto no § 5º do art. 24 da Lei n. 11.457/2007 para apreciar o seu pedido de ressarcimento. É o texto do indigitado artigo: Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos). Da simples leitura do dispositivo transcrito, seja por sua redação, seja por estar inserido no Capítulo II da Lei n. 11.457/2007 - que trata sobre as regras as serem observadas pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional quando esta for parte em litígios tributários-, conclui-se que o prazo reclamado pela contribuinte não é pertinente, já que o prazo previsto se aplica para os julgamentos de processos administrativos instaurados, que não se assemelha ao pedido de ressarcimento apresentado pela contribuinte. E tal conclusão parte da premissa que o legislador não economiza e também não apresenta em opulência os termos contidos na lei e, portanto, quando estipula o prazo de 360 dias, o fez a contar da apresentação de petições, defesas e recursos administrativos, e não incluiu os pedidos de ressarcimento/ restituição. Diante do exposto, não reconheço que na hipótese dos autos ocorreu a homologação tácita do pedido de ressarcimento apresentado pelo ora recorrente. (III) Sobre a Ausência de Provas - Ônus do Contribuinte Fl. 444DF CARF MF 12 À época dos fatos estava vigente a Portaria MF n. 38, de 27/02/1997, a qual dispunha sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido do IPI. Desta norma, destacam-se os seguintes dispositivos: Art. 3º. O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 5º A apuração do crédito presumido será efetuada com base em sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial da pessoa jurídica, que permita, ao final de cada mês, a determinação das quantidades e dos valores das matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, utilizados na produção durante o período. § 9º A empresa com mais de um estabelecimento produtor exportador poderá apurar crédito presumido de forma centralizada, na matriz. § 11. No caso de apuração descentralizada, o estabelecimento produtor exportador que não efetuar a compra de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem poderá calcular o crédito presumido sobre o valor desses insumos, utilizados na produção das mercadorias exportadas, que houverem sido recebidos por transferência de outro estabelecimento da mesma empresa. § 14. A empresa deverá manter em boa guarda as memórias de cálculo dos créditos presumidos e, se não mantiver sistema de custos coordenados e integrados com a escrituração comercial, as respectivas relações de quantidades e valores das matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagens em estoque no final de cada período de apuração. Art. 4º. O crédito presumido será utilizado pelo estabelecimento produtor exportador para compensação com o IPI devido nas vendas para o mercado interno, relativo a períodos de apuração subsequentes ao mês a que se referir o crédito. § 1ª Na hipótese de apuração centralizada, o crédito presumido, apurado pelo estabelecimento matriz, que não for por ele utilizado, poderá ser transferido para qualquer outro estabelecimento da empresa para efeito de compensação com o IPI devido nas operações de mercado interno. § 2º A transferência de crédito presumido de que trata o parágrafo anterior será efetuada através de nota fiscal, Fl. 445DF CARF MF Processo nº 10840.003909/2003-32 Acórdão n.º 3302-004.699 S3-C3T2 Fl. 440 13 emitida pelo estabelecimento matriz, exclusivamente para esta finalidade. § 3º No caso de impossibilidade de utilização do crédito presumido na forma do caput ou do § 1º, o contribuinte poderá solicitar, à Secretaria da Receita Federal, o seu ressarcimento em moeda corrente. § 5º. O ressarcimento em moeda corrente, na hipótese de apuração centralizada, será efetuado ao estabelecimento matriz. Art. 6º. A empresa produtora e exportadora beneficiada com o crédito presumido deverá apresentar aos órgãos da SRF de seu domicílio fiscal, até o último dia útil dos meses de abril, julho, outubro e janeiro, demonstrativo referente à fruição do benefício nos trimestres encerrados, respectivamente, nos meses de março, julho, setembro e dezembro, imediatamente anteriores, em que deverá constar: I - relação das notas fiscais relativas à exportações diretas, com indicação do destinatário e país de seu domicílio, do valor ,da data do embarque e do respectivo número do despacho de exportação, correspondentes a cada nota fiscal; II - relação das notas fiscais relativas às vendas a empresa comercial exportadora, com indicação de nome da destinatária e de seu número de inscrição no CGC-MF, do valor da nota fiscal e da data de sua emissão ; VI- relação das notas fiscais de transferências de créditos da matriz para outros estabelecimentos, com indicação da data de emissão e do valor do crédito transferido. Parágrafo único. A empresa que apurar crédito presumido de forma descentralizada deverá apresentar um demonstrativo para cada estabelecimento que houver efetuado exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Percebe-se que a metodologia para apurar a existência do crédito presumido do IPI foi regrada na transcrita Portaria MF n. 38/1997, vigente há época dos fatos. Esta norma é a que instituiu as regras para o aproveitamento dos benefícios concedidos pela Lei n. 9.363/1996. O pedido de ressarcimento de IPI requerido pela ora recorrente foi integralmente indeferido porque "os elementos apresentados foram insuficientes para analisar o montante solicitado". São trechos extraídos do Despacho Decisório combatido: Fl. 446DF CARF MF 14 "3. DOS ELEMENTOS APRESENTADOS PELO CONTRIBUINTE: O contribuinte deixou de atender as intimações lavradas no curso da presente auditoria, não apresentando os elementos solicitados, tais como: livros contábeis e fiscais, arquivos magnéticos de contabilidade (lançamentos; planos de contas e saldos mensais) de forma consolidada na matriz e dos livros fiscais (mestre de entradas e saídas; itens de entradas e saídas); notas fiscais de entradas e saídas; e outros elementos indispensáveis a análise do pedido de ressarcimento. Cabe salientar que foram apresentados os atos societários de constituição da sociedade e alterações posteriores e os arquivos magnéticos da contabilidade por filiais" . Ainda que o contribuinte tenha apresentado sua manifestação de inconformidade munida com vários demonstrativos e planilhas, tais documentos não se prestam a provar o direito creditório. Os elementos essenciais para tanto são aqueles listados nos artigos 3º, 4º, 5º e 6º da Portaria MF 38/1997, os quais não foram entregues pelo contribuinte. O acórdão recorrido apresenta uma extensa explanação sobre os Termos de Diligência/ Solicitação de Documentos encaminhados ao contribuinte e que não foram respondidos. Contra esses fatos, quedou-se silente o contribuinte em seu recurso voluntário, já que não apresentou provas que pudessem questionar o acerto da instância de origem. Por esse motivo, entendo que não merece reparos o acórdão combatido. Por todos os motivos acima apresentados, nego provimento ao recurso voluntário. (assinatura digital) Lenisa Prado - Relatora Fl. 447DF CARF MF
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Numero do processo: 13116.900002/2014-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/11/2008
PROUNI. ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE.
A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni - Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA.
O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.886
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
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ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE. A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 00 02 /2 01 4- 59 Fl. 41DF CARF MF Processo nº 13116.900002/201459 Acórdão n.º 3201002.886 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório UNIÃO BRASILIENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição para o PIS. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o Pedido de Restituição, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição pleiteada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório tinha por fundamento a isenção da contribuição para o PIS decorrente da adesão ao Programa Universidade para Todos ProUni, nos termos da Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009, em que se reafirmou o direito à isenção durante o período de vigência do Termo de Adesão (art. 5º da Medida Provisória nº 213/2004). Nos termos do Acórdão nº 14053.527, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de inexistir comprovação, por meio de documentação contábil e fiscal, do direito creditório pleiteado e por não ter havido a comprovação da adesão da instituição ao ProUni, nos termos do art. 8º da Lei nº 11.096/2005. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando a existência a seu favor de solução de consulta da Receita Federal assegurando o direito à isenção, o que, segundo ela, tornava "legalmente desnecessária" a exigência de comprovação de sua adesão ao programa. Argumenta, ainda, que, nos casos da espécie, é "faticamente impossível" a apresentação de documentos, por se tratar o pedido de restituição de procedimento eletrônico. Na sequência, sustenta a absoluta desnecessidade dos elementos de prova exigidos pela Delegacia de Julgamento, quais sejam, folhas de salário e contabilidade, por se tratar de questão aperfeiçoada e superada ante a homologação da base de cálculo da contribuição por parte da Fiscalização, tendo em vista que constou do despacho decisório que o valor declarado encontravase exato e perfeito. Supletivamente, pugna, caso o CARF entenda necessário, pela realização de diligência junto à repartição de origem, para que a autoridade administrativa oficie o Ministério da Educação com vistas a elucidar os termos no quais se manteve a sua adesão ao ProUni no período sob comento. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator Fl. 42DF CARF MF Processo nº 13116.900002/201459 Acórdão n.º 3201002.886 S3C2T1 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.885, de 28/06/2017, proferido no julgamento do processo nº 13116.900001/201412, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.885): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O dispositivo legal que trata da isenção de impostos e contribuições às instituições de ensino que aderirem ao Prouni é o art. 8º da Lei nº 11.096/2005, reproduzido no que se aplica ao caso (grifei): Art. 8o A instituição que aderir ao ProUni ficará isenta dos seguintes impostos e contribuições no período de vigência do termo de adesão: (Vide Lei nº 11.128, de 2005) (...) III Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social, instituída pela Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991; e IV Contribuição para o Programa de Integração Social, instituída pela Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970. § 1° A isenção de que trata o caput deste artigo recairá sobre o lucro nas hipóteses dos incisos I e II do caput deste artigo, e sobre a receita auferida, nas hipóteses dos incisos III e IV do caput deste artigo, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2° A Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda disciplinará o disposto neste artigo no prazo de 30 (trinta) dias. § 3° A isenção de que trata este artigo será calculada na proporção da ocupação efetiva das bolsas devidas. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). A Lei foi regulamentada pelo Decreto nº 5.493, de 18/07/2005, com os dispositivos que se aplicam ao caso transcritos (grifei): Art. 1o O Programa Universidade para Todos PROUNI, de que trata a Lei no 11.096, de 13 de janeiro de 2005, destinase à concessão de bolsas de estudo integrais e bolsas de estudo parciais de cinqüenta por cento ou de vinte e cinco por cento, para estudantes de cursos de graduação ou seqüenciais de formação específica, em instituições privadas de ensino superior, com ou sem fins lucrativos, que tenham aderido ao PROUNI nos termos da legislação aplicável e do disposto neste Decreto. Parágrafo único. O termo de adesão não poderá abranger, para fins de gozo de benefícios fiscais, cursos que exijam formação prévia em nível superior como requisito para a matrícula. Art. 2o O PROUNI será implementado por intermédio da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação. Fl. 43DF CARF MF Processo nº 13116.900002/201459 Acórdão n.º 3201002.886 S3C2T1 Fl. 5 4 § 1o A instituição de ensino superior interessada em aderir ao PROUNI firmará, em ato de sua mantenedora, termo de adesão junto ao Ministério da Educação. (...) Art. 12. Havendo indícios de descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão, será instaurado procedimento administrativo para aferir a responsabilidade da instituição de ensino superior envolvida, aplicandose, se for o caso, as penalidades previstas. (...) A Secretaria da Receita Federal em cumprimento ao disposto no § 2º do art. 8º acima, editou a Instrução Normativa SRF nº 456/2004, posteriormente revogada pela IN RFB nº 1.394/2013, que dispunha, no que se aplica ao caso (grifei): Art. 1º A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (ProUni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, das seguintes contribuições e imposto: I Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); II Contribuição para o PIS/Pasep; (...) § 1º A isenção de que trata o caput recairá sobre o lucro na hipótese dos incisos III e IV, e sobre o valor da receita auferida na hipótese dos incisos I e II, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2º Para fins do disposto nos incisos III e IV do caput a instituição de ensino deverá apurar o lucro da exploração referente às atividades sobre as quais recaia a isenção, observado o disposto no art. 2º e na legislação do imposto de renda. (...) Art. 3º Para usufruir da isenção, a instituição de ensino deverá demonstrar em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos que compõem as receitas, custos, despesas e resultados do período de apuração, referentes às atividades sobre as quais recaia a isenção segregados das demais atividades. (...) O termo de adesão foi previsto no art. 5º da Lei nº 11.096/2005, in verbis (grifei): Art. 5o A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, poderá aderir ao Prouni mediante assinatura de termo de adesão, cumprindolhe (...) § 1o O termo de adesão terá prazo de vigência de 10 (dez) anos, contado da data de sua assinatura, renovável por iguais períodos e observado o disposto nesta Lei. Fl. 44DF CARF MF Processo nº 13116.900002/201459 Acórdão n.º 3201002.886 S3C2T1 Fl. 6 5 (...) Art. 7o As obrigações a serem cumpridas pela instituição de ensino superior serão previstas no termo de adesão ao Prouni, no qual deverão constar as seguintes cláusulas necessárias: (...) Art. 9o O descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão sujeita a instituição às seguintes penalidades: (...) Art. 16. O processo de deferimento do termo de adesão pelo Ministério da Educação, nos termos do art. 5o desta Lei, será instruído com a estimativa da renúncia fiscal, no exercício de deferimento e nos 2 (dois) subseqüentes, a serusufruída pela respectiva instituição, na forma do art. 9o desta Lei, bem como o demonstrativo da compensação da referida renúncia, do crescimento da arrecadação de impostos e contribuições federais no mesmo segmento econômico ou da prévia redução de despesas de caráter continuado A recorrente alega a desnecessidade de apresentação de qualquer documento que comprove sua regular adesão ao Prouni sob o fundamento de que o documento é totalmente eletrônico e a própria Lei nº 11.096/2005 em seu art. 11, § 1º, remete a competência para tais verificações e exigências ao Ministério da Educação. Não é o que se extrai da leitura dos dispositivos acima. O termo de adesão é documento a ser firmado no qual se inserem requisitos de participação no referido Programa. Os diversos dispositivos transcritos (Lei, Decreto e Instrução Normativa) apontam para vários elementos a serem inseridos no Termo que permitiram não somente a adesão da instituição de ensino, mas o controle de sua permanência, enquanto regular e vigente, a aplicação de penalidade, e, principalmente ao que interessa ao presente litígio, a isenção de contribuições. Dessa forma, a exibição do documento "Termo de Adesão" é essencial ao gozo do benefício fiscal de isenção das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins Ao contrário do que alega a recorrente, o termo de Adesão, ainda que eletrônico, prevê o ato de sua assinatura, para que se dê a devida validade e autenticidade. Realmente é emitido no âmbito do Ministério da Educação, o que demonstra não estar nos sistemas internos (informatizados) da Secretaria da Receita Federal; e, se de fato materializado apenas em formato eletrônico em razão de sua essencialidade, é de se presumir a possibilidade de sua impressão, típica das emitidas por órgãos públicos, com chave de segurança para confirmação da autenticidade. Ademais, documento oficial, que confere benefícios tributários de outra ordem, e firmado entre partes Ministério da Educação e instituição de ensino privada há de ser mantido pela parte interessada para o gozo dos benefícios previstos no Termo. Fl. 45DF CARF MF Processo nº 13116.900002/201459 Acórdão n.º 3201002.886 S3C2T1 Fl. 7 6 Nada obstante, o que a recorrente argumenta para a não apresentação do Termo de adesão ao Prouni outros recorrentes em situação idêntica não se escusaram do cumprimento de singelo mister. Vejase exemplo de julgado proferidos neste Conselho em que se demonstrou a possibilidade fática de apresentar e comprovar a adesão e mantença no Programa (grifei): Autoridade Julgadora de 1ª Instância bem observou ainda que o contribuinte em questão comprovou nos autos (fls. 3.325) a adesão ao Programa Universidade para Todos, trecho que merece ser reproduzido por ser de extrema valia: "60. Para comprovar a adesão ao PROUNI o contribuinte anexou aos autos cópia do correio eletrônico do MEC (fls. 3.118) e cópia do Termo de Adesão (fls. 3.119 a 3.273). (Acórdão nº 3402001.704, processo nº 19515.000260/200879, relatoria do cons. João Carlos Cassuli Junior, sessão de 22/03/2012) Não se pode concluir de outra forma, senão a que a recorrente não se dignou a comprovar a existência e aposição de assinatura no Termo de Adesão e a regular fruição do Programa que aderiu. Tenho que este fundamento é suficiente para negar provimento ao recurso voluntário; contudo, há de se tecer ainda argumentos pertinentes ao ônus probatório a cargo a de quem pleiteia direito seu. Antes, porém, analisase as demais teses suscitadas no recurso voluntário que visam seu provimento Sustenta ainda a desnecessidade de apresentação das folhas de salário e respectivamente contabilidade pois entende que no despacho decisório há o reconhecimento expresso de que a base de cálculo encontrase "exata e perfeita", além de "devidamente homologada". Quanto à exigência de apresentação de documentos fiscais e contábeis, assentou o voto condutor do acórdão recorrido que deveria também ter juntado a folha de salários, a fim de demonstrar a base de cálculo do PIS, e os livros fiscais que demonstrassem os lançamentos relativos a ela. Ora, em que pese a ressaltava da DRJ, com a qual concordo, que a isenção do PIS prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 não alcança a parcela que incide sobre a folha de salários, a Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009 proferiu entendimento cuja interpretação errônea da contribuinte adiante será enfrentado lhe é favorável quanto à isenção do PISfolha de salários. Ad argumentandum tantum, justamente firmada no entendimento favorável que extraiu do ato expedido pela autoridade, a recorrente pleiteia a restituição do PISfolha de salários, código de receita "8301". Se há o entendimento de que faz jus à esta isenção deveras tem o ônus de fazer prova documental de seu pretenso direito, qual seja, a apresentação dos documentos e livros atinentes à rubrica "salários" para que se comprove qual sua dimensão (quantificação) na base de cálculo. Fl. 46DF CARF MF Processo nº 13116.900002/201459 Acórdão n.º 3201002.886 S3C2T1 Fl. 8 7 Por fim, assevera que a controvérsia quanto ao direito à isenção está superado pela conclusão da indigitada Solução de Consulta, que entende terlhe assegurado a isenção do PIS sobre folha de salários. Mais uma vez, sem razão a contribuinte. A Solução de Consulta expressamente consignou que a isenção alcança a Contribuição para o PIS, nada dispondo acerca do PIS folha de salários. Digase que na elaboração da peça a consulente, ora recorrente, apenas informou ter realizada a adesão ao Prouni, sem qualquer comprovação naquele autos de consulta, e apresenta seu entendimento de que a isenção alcançaria o PIS folha de salários, para ao final requerer a manifestação do Órgão quanto ao seu entendimento. Eis a cartaconsulta: Entendo que ao fundamentar a solução da consulta, a autoridade que a proferiu fez constar em seus fundamentos a legislação que trata da incidência do PIS sobre a folha de salários, à alíquota de 1%, deixando assente a tributação sobre esta rubrica, com a transcrição do art. 13 e incisos III e IV, da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Colacionou os dispositivos que tratam da isenção do PIS sobre a receita auferida pela instituição de educação que aderir e assim se mantém no Prouni. Transcreveu os arts. 8º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º da Lei nº 11.096/2005; arts. 1º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º, e 3º caput e parágrafo único da IN SRF nº 456/2004, para em seguida enunciar no mesmo tópico "fundamentos" que: " 5. Ante os dispositivos acima expostos, verificase que a instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória n° 213, de 2004, Fl. 47DF CARF MF Processo nº 13116.900002/201459 Acórdão n.º 3201002.886 S3C2T1 Fl. 9 8 ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS." Conclui a solução da consulta com o enunciado: Conclusão 6. Em face do exposto, concluise que a instituição privada de ensino superior com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao programa Universidade para Todos (prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Completase os fatos com a apresentação da ementa da Solução de Consulta SRRF/1ªRF/Disit nº 86, de 2 de junho de 2009: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ementa: PIS. PROUNI. INCIDÊNCIA. A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5o da Medida Provisória nº 213. de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Dispositivos Legais: art.13 da Medida Provisória n° 2.15835/2001; art.8° da Lei n° 11.096/2005; arts. 1º e 3o da Instrução Normativa nü 456/2004. Não vislumbro imprecisão no Ato que poderia dar a interpretação de que toda e qualquer incidência do PIS a que se sujeitam as entidades aderentes ao Prouni estaria isenta. A uma, os dispositivos legais da ementa da solução de consulta informam a legislação aplicada, primeiro, a que dispõe acerca do Pis folha de salários tributado à alíquota de 1% e após, a que trata do PIS alcançado pela isenção; a duas, porque nos fundamentos, a autoridade trouxe a legislação que faz distinção entre PISfolha de salário tributada à alíquota de 1%, e o PIS sobre receitas isentos nos termos e requisitos das legislação; a três, a omissão do termo "PIS sobre folha de salários" não tem o condão de fazêlo incluir na isenção pelo motivo a seguir; a quatro, nos termos do art. 111 caput e inciso II do CTN, "interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção"; a cinco, não caberia a autoridade fiscal ou administrativa contrariar preceito legal. Por fim, sacramentando o entendimento do não alcance da isenção ao PIS sobre folha de salários, o Órgão Central da Secretaria da Receita Federal editou a Solução de Divergência Cosit nº 1, de 2015, publicada no D.O.U de 24/12/2015, com a ementa: SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA Nº 1, DE 10 DE FEVEREIRO DE 2015. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EMENTA: INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR. PROUNI. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE A FOLHA Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13116.900002/201459 Acórdão n.º 3201002.886 S3C2T1 Fl. 10 9 DE SALÁRIOS. A isenção de que trata o art. 8º da Lei nº 11.096, de 2005, não se aplica à Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de pagamentos da pessoa jurídica que adere ao Prouni. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 9.532, de 1997, art. 12; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 9º e 46; Lei nº 11.096, de 2005, art. 8º; DecretoLei nº 5.172 (CTN), de 1966, art. 111,II; Instrução Normativa RFB nº 1.394, de 2013 e Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 2001. O último argumento da recorrente referese à eventual realização de diligência, oficiandose ao Ministério da Educação acerca da sua manutenção no Prouni, acaso não seja superada os fundamentos ante aduzidos que entende suficiente ao direito à restituição pleiteada decorrente do pagamento indevido da Contribuição. Primeiramente, desnecessária a providência pois como assentado neste voto os fundamentos antecedentes são suficientes para negar provimento ao recurso. Não há dúvidas intransponíveis nos autos que necessitam de serem completadas para decidir o litígio. Nos processos, como o presente, que tratam de solicitação de restituição e compensação, a comprovação do direito aos créditos incumbe ao postulante. É seu dever carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, em especial quando necessário à fruição de benefício tributário de isenção. Caso essa comprovação houvesse sido feita, e ainda restasse dúvida ao julgador quanto a permanência regular e temporal no Programa, cabível seria a diligência. Assim, incabível a solicitação de diligência dirigida ao Ministério da Educação para apresentação do Termo de Adesão, documento primário e essencial ao compromisso assumido e firmado pela instituição educacional que requer o gozo dos benefícios do Prouni e que não se dignou a apresentar aos autos. Até esse ponto, restou assente que a recorrente não apresentou o Termo de Adesão ao Prouni, folhas de salário e escrituração contábil; e não permaneceu silente quanto às exigências. Em todas as peças recursais impugnação e recurso voluntário sustentou a desnecessidade desse dever, pois entendeu que o despacho decisório e a solução de consulta reconheceram expressamente seu direito à isenção do PIS relativo ao Programa, sem colacionar qualquer documento seu aos autos. A ausência de elementos probantes viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 373, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Lei nº 13.105/2015 CPC Fl. 49DF CARF MF Processo nº 13116.900002/201459 Acórdão n.º 3201002.886 S3C2T1 Fl. 11 10 "Art. 373. 0 ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. As Declarações (DCTF, DCOMP e DACON, PER/DCOMP), os documentos fiscais e contábeis e aqueles pertinentes a benefícios tributários, celebrados com órgãos públicos, são produzidos e celebrados pelo próprio contribuinte ou com sua participação, de sorte que, havendo inconsistências ou omissões, impõe a obrigação da recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, sustentada em documentos, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional/CTN). Conclusão Por todo o exposto a recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o alegado direito líquido e certo, decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido de PIS. Assim, não encontro razão para modificar a decisão a quo e VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO e NÃO RECONHECER O DIREITO CREDITÓRIO. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 50DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.720010/2012-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008, 2009
TRIBUTO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DO DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. IMPROCEDÊNCIA.
Conforme o entendimento do STJ, em decisão proferida sob o rito do art. 543-C do Código de Processo Civil, o lançamento de ofício em que o tributo exigido encontra-se com a exigibilidade suspensa por força de depósito do seu montante integral deve ser cancelado. Decisões tais devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, a teor do § 2º do art. 62 do seu Regimento Interno.
Numero da decisão: 1401-002.054
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva. Ausente momentaneamente a Conselheira Livia De Carli Germano.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Lívia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Daniel Ribeiro Silva, José Roberto Adelino da Silva e Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009 TRIBUTO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DO DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. IMPROCEDÊNCIA. Conforme o entendimento do STJ, em decisão proferida sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil, o lançamento de ofício em que o tributo exigido encontrase com a exigibilidade suspensa por força de depósito do seu montante integral deve ser cancelado. Decisões tais devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, a teor do § 2º do art. 62 do seu Regimento Interno. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Declarouse impedido o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva. Ausente momentaneamente a Conselheira Livia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Lívia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 00 10 /2 01 2- 64 Fl. 255DF CARF MF 2 Arcangelo Zanin, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Daniel Ribeiro Silva, José Roberto Adelino da Silva e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Fl. 256DF CARF MF Processo nº 16327.720010/201264 Acórdão n.º 1401002.054 S1C4T1 Fl. 256 3 Relatório Por bem refletir os fatos constantes dos autos, adoto o Relatório da decisão recorrida, consubstanciada no Acórdão nº 1277.614 2ª Turma da DRJ/RJO (v. efls. 196/202), objeto de julgamento em sessão realizada em 10 de julho de 2015. Trata o presente processo do auto de infração de Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL de fls. 07/13, cientificado à interessada acima qualificada em 12/01/2012, conforme Aviso de RecebimentoAR de fl. 60, com exigibilidade suspensa em face do mandado de segurança nº 001430959.2008.4.03.6100 (2008.61.000143091), com vistas a prevenir a decadência do crédito tributário de R$ 2.839.806,92, acrescido de juros de mora, referente a inexatidão de confissão de dívida em DCTF nos anoscalendário de 2008 e 2009, oriunda da aplicação da alíquota de 8% na DCTF, diferente da correta alíquota de 15% aplicada na Declaração de Informações da Pessoa JurídicaDIPJ. Da impugnação: Inconformada com o lançamento, a interessada apresentou, em 09/02/2012, sua impugnação de fls. 62/86, onde descreve a autuação e o Mandado de Segurança nº 001430959.2008.4.03.6100, alegando, em síntese: Que seria nulo o lançamento, uma vez que, havendo depósito judicial, o crédito tributário estaria sendo constituído pelo contribuinte por autolançamento, sendo desnecessário, indevido e sem finalidade e motivação, portanto, lançamento de ofício por parte da Autoridade Fiscal, constituindose o mesmo em duplicidade de lançamento. Que inexistiria renúncia às instâncias administrativas, uma vez que o mandado de segurança foi impetrado antes do início do processo administrativo que originou a autuação, devendo esta DRJ, portanto, apreciar as questões de mérito que expõe em sua impugnação. Que o controle de constitucionalidade das leis seria de competência do Poder Judiciário, mas que, contudo, isto não impediria que o Poder Executivo retirasse a eficácia de aplicação de determinada lei, em virtude de confrontar com dispositivo constitucional. Que seria inaplicável a exigência de juros de mora, em face dos depósitos judiciais nos montantes integrais efetuados nos autos do mandado de segurança. Pede o sobrestamento do presente processo até decisão de mérito definitiva no Mandado de Segurança nº 001430959.2008.4.03.6100. Transcreve jurisprudências administrativa e judicial que apoiariam suas alegações. A impugnação foi julgada parcialmente procedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro. Abaixo reproduzo a ementa do Acórdão proferido pelo Colegiado a quo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 257DF CARF MF 4 Anocalendário: 2008,2009 AÇÃO JUDICIAL CONCOMITANTE COM IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA. Em face do princípio constitucional da unidade de jurisdição, a existência de ação judicial em nome da interessada, versando sobre mesma matéria do litigioso administrativo, importa em renúncia às instâncias administrativas, devendo por esta ser declarada definitiva a exigência. JUROS MORATÓRIOS. DESCABIMENTO. Descabe o lançamento de juros de mora nas competências em que existir depósito no montante integral realizado até o vencimento do prazo para recolhimento do tributo devido. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A Contribuinte foi cientificada do referido Acórdão em 17/07/2015, v. efls. 205, apresentando o seu Recurso Voluntário em 13/08/2015, v. efls. 207/231. Suas alegações no Recurso Voluntário são exatamente as mesmas proferidas quando da apresentação da impugnação, razão pela qual deixo de enunciálas, para não ser repetitivo. Afinal, vieram os autos para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 258DF CARF MF Processo nº 16327.720010/201264 Acórdão n.º 1401002.054 S1C4T1 Fl. 257 5 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e sua matéria se enquadra na competência deste Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Da impossibilidade de lançamento do crédito tributário suspenso por depósito judicial do montante integral Passo diretamente à apreciação da preliminar de nulidade do auto de infração em decorrência de pronunciamento do STJ, vazado no REsp nº 1140956/SP, da Relatoria do Ministro Luiz Fux, em que adotado o rito dos recursos repetitivos previsto no art. 543C do Código de Processo Civil. Segundo a Recorrente, os termos da referida decisão, combinado com o disposto no § 2º do art. 62 do Regimento Interno do CARF, levam à conclusão de que o Auto de Infração deve ser declarado nulo. Assim dispõe o aludido dispositivo do Regimento Interno do CARF: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Abaixo reproduzo a precitada decisão proferida pelo STJ: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. AÇÃO ANTIEXACIONAL ANTERIOR À EXECUÇÃO FISCAL. DEPÓSITO INTEGRAL DO DÉBITO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO (ART. 151, II, DO CTN). ÓBICE À PROPOSITURA DA EXECUÇÃO FISCAL, QUE, ACASO AJUIZADA, DEVERÁ SER EXTINTA. 1. O depósito do montante integral do débito, nos termos do artigo 151, inciso II, do CTN, suspende a exigibilidade do Fl. 259DF CARF MF 6 crédito tributário, impedindo o ajuizamento da execução fiscal por parte da Fazenda Pública. (...) 2. É que as causas suspensivas da exigibilidade do crédito tributário (art. 151 do CTN) impedem a realização, pelo Fisco, de atos de cobrança, os quais têm início em momento posterior ao lançamento, com a lavratura do auto de infração. 3. O processo de cobrança do crédito tributário encarta as seguintes etapas, visando ao efetivo recebimento do referido crédito: a) a cobrança administrativa, que ocorrerá mediante a lavratura do auto de infração e aplicação de multa: exigibilidade autuação; b) a inscrição em dívida ativa: exigibilidadeinscrição; c) a cobrança judicial, via execução fiscal: exigibilidade execução. 4. Os efeitos da suspensão da exigibilidade pela realização do depósito integral do crédito exequendo, quer no bojo de ação anulatória, quer no de ação declaratória de inexistência de relação jurídicotributária, ou mesmo no de mandado de segurança, desde que ajuizados anteriormente à execução fiscal, têm o condão de impedir a lavratura do auto de infração, assim como de coibir o ato de inscrição em dívida ativa e o ajuizamento da execução fiscal, a qual, acaso proposta, deverá ser extinta. 5. A improcedência da ação antiexacional (precedida do depósito do montante integral) acarreta a conversão do depósito em renda em favor da Fazenda Pública, extinguindo o crédito tributário, consoante o comando do art. 156, VI, do CTN, na esteira dos ensinamentos de abalizada doutrina, verbis: (...) 6. In casu, o Tribunal a quo, ao conceder a liminar pleiteada no bojo do presente agravo de instrumento, consignou a integralidade do depósito efetuado, às fls. 77/78: (...) 7. A ocorrência do depósito integral do montante devido restou ratificada no aresto recorrido, consoante dessumese do seguinte excerto do voto condutor, in verbis: (...) 8. In casu, o Município recorrente alegou violação do art. 151, II, do CTN, ao argumento de que o depósito efetuado não seria integral, posto não coincidir com o valor constante da CDA, por isso que inapto a garantir a execução, determinar sua suspensão ou extinção, tese insindicável pelo STJ, mercê de a questão remanescer quanto aos efeitos do depósito servirem à fixação da tese repetitiva. 9. Destarte, ante a ocorrência do depósito do montante integral do débito exequendo, no bojo de ação antiexacional proposta em momento anterior ao ajuizamento da execução, a extinção do Fl. 260DF CARF MF Processo nº 16327.720010/201264 Acórdão n.º 1401002.054 S1C4T1 Fl. 258 7 executivo fiscal é medida que se impõe, porquanto suspensa a exigibilidade do referido crédito tributário. 10. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008." (grifei) Como visto, o entendimento firmado no Tribunal, adotado em acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC, não admite a lavratura de Auto de Infração para constituição de crédito tributário quando o respectivo tributo (objeto da autuação) encontrase com a exigibilidade suspensa em face de seu depósito integral. In casu, a Recorrente efetuou o depósito integral, fato este informado pela Divisão de Controle e Acompanhamento Tributário da Delegacia Especial de Instituições Financeiras em São Paulo, no despacho de efls. 49, abaixo reproduzido: Portanto, os fatos ora em apreço se amoldam perfeitamente à decisão proferida pelo STJ, razão pela qual devese cancelar o Auto de Infração, dandose provimento ao recurso da Contribuinte. Por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, determinando o cancelamento do auto de infração na sua íntegra. É como voto. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 261DF CARF MF
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Numero do processo: 15504.726206/2015-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012
LIMINAR. LANÇAMENTO. MULTA DE MORA.
A concessão de medida liminar suspendendo a exigibilidade do crédito tributário antes do vencimento do tributo impede a incidência da multa moratória e seu lançamento em procedimento realizado sob a vigência da ordem judicial.
PLR. PAGAMENTO EM MAIS DE DUAS PARCELAS NO ANO CIVIL. PERIODICIDADE MENSAL. DESCARACTERIZAÇÃO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INCLUSÃO.
Os valores pagos a título de PLR em mais de duas parcelas no mesmo ano civil e em periodicidade mensal devem ser integralmente incluídos na base de cálculo das contribuições previdenciárias.
GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
Restando caracterizada a relação de controle societário entre as empresas, o que evidencia a existência de relação de poder, comando e direção, deve-se atribuir a responsabilidade solidária em função da existência de grupo econômico.
Numero da decisão: 2201-003.795
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. Quanto aos recursos voluntários, também por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso do devedor principal, nos termos do voto da Relatora; e, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso do devedor solidário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, que davam provimento ao recurso do solidário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
EDITADO EM: 24/08/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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LANÇAMENTO. MULTA DE MORA. A concessão de medida liminar suspendendo a exigibilidade do crédito tributário antes do vencimento do tributo impede a incidência da multa moratória e seu lançamento em procedimento realizado sob a vigência da ordem judicial. PLR. PAGAMENTO EM MAIS DE DUAS PARCELAS NO ANO CIVIL. PERIODICIDADE MENSAL. DESCARACTERIZAÇÃO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INCLUSÃO. Os valores pagos a título de PLR em mais de duas parcelas no mesmo ano civil e em periodicidade mensal devem ser integralmente incluídos na base de cálculo das contribuições previdenciárias. GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Restando caracterizada a relação de controle societário entre as empresas, o que evidencia a existência de relação de poder, comando e direção, devese atribuir a responsabilidade solidária em função da existência de grupo econômico. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. Quanto aos recursos voluntários, também por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso do devedor principal, nos termos do voto da Relatora; e, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso do devedor solidário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, que davam provimento ao recurso do solidário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 62 06 /2 01 5- 54 Fl. 929DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. EDITADO EM: 24/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de recursos voluntários (fls. 885/923) e recurso de ofício apresentados em face do Acórdão nº 0654.462, da 5ª Turma da DRJ/CTA (fls. 850/871), que deu parcial provimento à impugnação apresentada pela contribuinte (fls. 806/821) e negou provimento à impugnação apresentada pela responsável solidária (fls. 761/781). Discutese neste processo a legalidade do Auto de Infração Debcad nº 51.057.2642, lavrado para constituição do crédito previdenciário e prevenção da decadência referente às contribuições destinadas à Seguridade Social, devidas pela fiscalizada em razão da majoração das alíquotas do SAT/RAT em razão do Fator Acidentário de Prevenção FAP. A fiscalização informa (Refisc fls. 133/144) que a empresa fiscalizada se encontrava amparada por decisão judicial, pela qual foi concedida segurança para determinar que a autoridade impetrada se abstivesse de exigir da impetrante a contribuição do SAT/RAT majorada pelo índice FAP, garantindo seu direito de continuar recolhendo a exação com base no art. 22, II, da Lei nº 8.212, de 1991 (Processo Judicial 2512684.2010.4.01.3800). A base de cálculo do lançamento está suportada em dois levantamentos: o primeiro composto por valores declarados em GFIP, mas sobre o qual não foi aplicado o percentual da contribuição ao RAT ajustada pelo FAP (Anexo I); o segundo composto por valores não declarados em GFIP, correspondente ao pagamento de Participação nos Lucros e Resultados nas competências de 07/2011 a 12/2011, em desconformidade com a legislação de regência (Anexo II). O lançamento foi feito com multa de 20%. Foi também lavrado termo de sujeição passiva solidária em face da empresa A Costa Empreendimentos e Participações S/A (fls. 752/753), pelo fato desta possuir 99,8581% da participação acionária da autuada. O auto de infração em questão foi impugnado pela contribuinte (fls. 806/821) e pela responsável solidária (fls. 761/781), o que deu origem ao Acórdão nº 0654.462, da 5ª Turma da DRJ/CTA (fls. 850/871), com a seguinte ementa: Fl. 930DF CARF MF Processo nº 15504.726206/201554 Acórdão n.º 2201003.795 S2C2T1 Fl. 930 3 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 30/09/2010 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O pagamento antecipado da contribuição previdenciária, ainda que parcial, suscita a aplicação da regra contida no art. 150, § 4°, do CTN, salvo nas hipóteses de dolo, fraude e simulação, as quais atraem o disposto no inciso I do art. 173 do CTN, por força da parte final do § 4° do art. 150 do CTN. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 INCONSTITUCIONALIDADE. DECLARAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. As Turmas de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento são incompetentes para, sponte propria, declarar a inconstitucionalidade de lei. AÇÃO JUDICIAL. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. RENÚNCIA. A matéria submetida à apreciação judicial não pode ser analisada na esfera administrativa. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. NATUREZA. O art. 7º, XI, da Constituição de 1988 não estabelece hipótese de imunidade tributária, mas isenção regulada por lei, a ser interpretada restritivamente nos termos do art. 111, II, do CTN. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. A simples existência de grupo econômico, definido no art. 494 da IN RFB n° 971, de 2009, enseja a configuração da responsabilidade solidária prevista no inciso IX do art. 30, da Lei n° 8.212, de 1991, com lastro no art. 124, II, do Código Tributário Nacional. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Esta decisão deu parcial provimento à impugnação apresentada pelo sujeito passivo para reconhecer a decadência do lançamento em relação ao período de 01/2010 a 09/2010. Fl. 931DF CARF MF 4 Intimadas do resultado do julgamento em 13/05/2016 (fls. 880/883), ambas as empresas apresentaram recursos voluntários (fls. 885/923), que se presumem tempestivos pela data registrada no documento de fl. 926 (08/06/2016). As razões de recorrer da contribuinte podem ser assim resumidas: 1. Os valores exigidos nesse lançamento são totalmente indevidos, conforme decisão do Poder Judiciário em favor da recorrente; 2. A Lei nº 10.666, de 2003, em seu art. 10, é inconstitucional por violação ao princípio da legalidade; 3. No que diz respeito às incidências sobre o PLR, aduz que o art. 7º, XI da Constituição Federal estabelece uma imunidade tributária, o que torna inviável a exigência efetuada; 4. Ainda sobre o PLR, caso se admitisse sua regulamentação pela Lei nº 10.101, de 2000, afirma que a irregularidade na periodicidade do pagamento não poderia macular a totalidade do plano, mas apenas os valores excedentes; 5. Afirma ser indevida a exigência da multa de 20% por aplicação do enunciado nº 17 da Súmula do CARF e por decorrência do art. 63, da Lei nº 9.430, de 1996; 6. A multa também é indevida por erro na capitulação legal, tendo o AI mencionado o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, não mais aplicável; 7. Também é indevida a cobrança de juros pela taxa Selic, já que a ausência de recolhimento decorre de decisão judicial, bem como porque esse percentual é superior ao estabelecido no art. 61, § 1º do Código Tributário Nacional CTN; 8. Também seria improcedente a cobrança da multa de 20% pelo seu caráter confiscatório. A responsável solidária, por sua vez, aduz que: 1. Não houve motivação na atribuição de responsabilidade solidária à recorrente; 2. Não se demonstrou haver o preenchimento dos requisitos estabelecidos nos incisos I e II do art. 124 do Código Tributário Nacional; 3. Não foi demonstrado e não existe interesse comum na situação que constitui o fato gerador tributário; 4. A Lei nº 8.212, de 1991, não pode impor responsabilidade tributária, porque é lei ordinária; 5. A existência de grupo econômico não justifica, por si só, responsabilidade tributária; 6. Ainda que existisse a responsabilidade solidária, ela não se aplicaria à multa. É o relatório. Fl. 932DF CARF MF Processo nº 15504.726206/201554 Acórdão n.º 2201003.795 S2C2T1 Fl. 931 5 Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora Não conheço do recurso de ofício posto que não preenche os requisitos de admissibilidade. Com efeito, o enunciado nº 103 da Súmula de jurisprudência do CARF estabelece que, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. De acordo com a Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, o limite de alçada está fixado em R$ 2.500.000,00, valor não alcançado pelo crédito tributário exonerado pela decisão de piso, conforme evidencia a planilha elaborada pela autoridade a quo a fls. 868/869. Os recursos voluntários apresentados, por outro lado, preenchem os requisitos de admissibilidade e deles conheço. Recurso Voluntário Rio Branco Alimentos S/A FAP A recorrente inicia argumentando que os valores exigidos nesse lançamento são totalmente indevidos, o que é ratificado por decisão do Poder Judiciário proferida em seu favor, bem como que a Lei nº 10.666, de 2003, em seu art. 10 é inconstitucional por violação ao princípio da legalidade. Nenhum desses argumentos pode ser objeto de valoração nesta instância administrativa por aplicação dos seguintes enunciados da Súmula de jurisprudência do CARF: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Rejeito, portanto, os argumentos de defesa quanto à inexigibilidade da contribuição ao RAT majorado pelo FAP em razão de vícios na legislação que estabeleceu este fator. PLR No que diz respeito às incidências sobre o PLR, aduz a recorrente que o art. 7º, XI da Constituição Federal estabelece uma imunidade tributária, o que torna inviável a exigência efetuada. Fl. 933DF CARF MF 6 Afirma, ainda, que, caso se admita a regulação da PLR pela Lei nº 10.101, de 2000, a irregularidade na periodicidade do pagamento não poderia macular a totalidade do plano, mas apenas os valores excedentes. Para verificar a correção desse entendimento, adoto trecho do voto proferido pelo Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, no Acórdão nº 2201003.417, sessão de 07 de fevereiro de 2017, que estabelece as balizas para a correta análise dos fatos trazidos à colação nesse processo: Como regra geral, as contribuições previdenciárias têm por base de cálculo a remuneração percebida pela pessoa física pelo exercício do trabalho. É dizer: toda pessoa física que trabalha e recebe remuneração decorrente desse labor é segurado obrigatório da previdência social e dela contribuinte, em face do caráter contributivo e da compulsoriedade do sistema previdenciário pátrio. De tal assertiva, decorre que a base de cálculo da contribuição previdenciária é a remuneração percebida pelo segurado obrigatório em decorrência de seu trabalho. Nesse sentido caminha a doutrina. Eduardo Newman de Mattera Gomes e Karina Alessandra de Mattera Gomes (Delimitação Constitucional da base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias ‘in’ I Prêmio CARF de Monografias em Direito Tributário 2010, Brasília: Edições Valentim, 2011. p. 483.), entendem que: “...não se deve descurar que, nos estritos termos previstos no art. 22, inciso I, da Lei nº 8.212/91, apenas as verbas remuneratórias, ou seja, aquelas destinadas a retribuir o trabalho, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo disponibilizado ao empregador, é que ensejam a incidência da contribuição previdenciária em análise” (grifos originais) Academicamente (OLIVEIRA, Carlos Henrique de. Contribuições Previdenciárias e Tributação na Saúde ‘in’ HARET, Florence; MENDES, Guilherme Adolfo. Tributação da Saúde, Ribeirão Preto: Edições Altai, 2013. p. 234.), já tivemos oportunidade de nos manifestar no mesmo sentido quando analisávamos o artigo 214, inciso I do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, que trata do salário de contribuição: “O dispositivo regulamentar acima transcrito, quando bem interpretado, já delimita o salário de contribuição de maneira definitiva, ao prescrever que é composto pela totalidade dos rendimentos pagos como retribuição do trabalho. É dizer: a base de cálculo do fato gerador tributário previdenciário, ou seja, o trabalho remunerado do empregado, é o total da sua remuneração pelo seu labor” (grifos originais) O final da dessa última frase ajudanos a construir o conceito que entendemos atual de remuneração. A doutrina clássica, apoiada no texto legal, define remuneração como sendo a contraprestação pelo trabalho, apresentando o que entendemos ser o conceito aplicável à origem do direito do trabalho, quando o sinalagma da relação de trabalho era totalmente aplicável, Fl. 934DF CARF MF Processo nº 15504.726206/201554 Acórdão n.º 2201003.795 S2C2T1 Fl. 932 7 pois, nos primórdios do emprego, só havia salário se houvesse trabalho. Com a evolução dos direitos laborais, surge o dever de pagamento de salários não só como decorrência do trabalho prestado, mas também quando o empregado "está de braços cruzados à espera da matériaprima, que se atrasou, ou do próximo cliente, que tarda em chegar", como recorda Homero Batista (Homero Mateus Batista da Silva. Curso de Direito do Trabalho Aplicado, vol 5: Livro da Remuneração.Rio de Janeiro, Elsevier. 2009. pg. 7). O dever de o empregador pagar pelo tempo à disposição, ainda segundo Homero, decorre da própria assunção do risco da atividade econômica, que é inerente ao empregador. Ainda assim, cabe o recebimento de salários em outras situações. Numa terceira fase do direito do trabalho, a lei passa a impor o recebimento do trabalho em situações em que não há prestação de serviços e nem mesmo o empregado se encontra ao dispor do empregador. São as situações contempladas pelos casos de interrupção do contrato de trabalho, como, por exemplo, nas férias e nos descansos semanais. Há efetiva responsabilização do empregador, quando ao dever de remunerar, nos casos em que, sem culpa do empregado e normalmente como decorrência de necessidade de preservação da saúde física e mental do trabalhador, ou para cumprimento de obrigação civil, não existe trabalho. Assim, temos salários como contraprestação, pelo tempo à disposição e por força de dispositivos legais. Não obstante, outras situações há em que seja necessário o pagamento de salários A convenção entre as partes pode atribuir ao empregador o dever de pagar determinadas quantias, que, pela repetição ou pela expectativa criada pelo empregado em recebêlas, assumem natureza salarial. Típico é o caso de uma gratificação paga quando do cumprimento de determinado ajuste, que se repete ao longo dos anos, assim, inserese no contrato de trabalho como dever do empregador, ou determinado acréscimo salarial, pago por liberalidade, ou quando habitual. Nesse sentido, entendemos ter a verba natureza remuneratória quando presentes o caráter contraprestacional, o pagamento pelo tempo à disposição do empregador, haver interrupção do contrato de trabalho, ou dever legal ou contratual do pagamento. Assentados no entendimento sobre a base de cálculo das contribuições previdenciárias, vejamos agora qual a natureza jurídica da verba paga como participação nos lucros e resultados. O artigo 7º da Carta da República, versando sobre os direitos dos trabalhadores, estabelece: Fl. 935DF CARF MF 8 Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; De plano, é forçoso observar que os lucros e resultados decorrem do atingimento eficaz do desiderato social da empresa, ou seja, tanto o lucro como qualquer outro resultado pretendido pela empresa necessariamente só pode ser alcançado quando todos os meios e métodos reunidos em prol do objetivo social da pessoa jurídica foram empregados e geridos com competência, sendo que entre esses estão, sem sombra, os recursos humanos. Nesse sentido, encontramos de maneira cristalina que a obtenção dos resultados pretendidos e do conseqüente lucro foi objeto do esforço do trabalhador e portanto, a retribuição ofertada pelo empregador decorre dos serviços prestados por esse trabalhador, com nítida contraprestação, ou seja, com natureza remuneratória. Esse mesmo raciocínio embasa a tributação das verbas pagas a título de prêmios ou gratificações vinculadas ao desempenho do trabalhador, consoante a disposição do artigo 57, inciso I, da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, explicitada em Solução de Consulta formulada junto à 5ªRF (SC nº 28 – SRRF05/Disit), assim ementada: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias PRÊMIOS DE INCENTIVO. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Os prêmios de incentivo decorrentes do trabalho prestado e pagos aos funcionários que cumpram condições pré estabelecidas integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias e do PIS incidente sobre a folha de salários. Dispositivos Legais: Constituição Federal, de 1988, art. 195, I, a; CLT art. 457, §1º; Lei nº 8.212, de 1991, art. 28, I, III e §9º; Decreto nº 3.048, de 1999, art. 214, §10; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 2º, 9º e 50. (grifamos) Porém, não só a Carta Fundamental como também a Lei nº 10.101, de 2000, que disciplinou a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), textualmente em seu artigo 3º determinam que a verba paga a título de participação, disciplinada na forma do artigo 2º da Lei, “não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade” o que afasta peremptoriamente a natureza salarial da mencionada verba. Ora, analisemos as inferências até aqui construídas. De um lado, concluímos que as verbas pagas como obtenção de metas alcançadas tem nítido caráter remuneratório uma vez que Fl. 936DF CARF MF Processo nº 15504.726206/201554 Acórdão n.º 2201003.795 S2C2T1 Fl. 933 9 decorrem da prestação pessoal de serviços por parte dos empregados da empresa. Por outro, vimos que a Constituição e Lei que instituiu a PLR afastam – textualmente – o caráter remuneratório da mesma, no que foi seguida pela Lei de Custeio da Previdência Social, Lei nº 8.212, de 1991, que na alínea ‘j’ do inciso 9 do parágrafo 1º do artigo 28, assevera que não integra o salário de contribuição a parcela paga a título de “participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica” A legislação e a doutrina tributária bem conhecem essa situação. Para uns, verdadeira imunidade pois prevista na Norma Ápice, para outros isenção, reconhecendo ser a forma pela qual a lei de caráter tributário, como é o caso da Lei de Custeio, afasta determinada situação fática da exação. Não entendo ser o comando constitucional uma imunidade, posto que esta é definida pela doutrina como sendo um limite dirigido ao legislador competente. Tácio Lacerda Gama (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, Ed. Quartier Latin, pg. 167), explica: "As imunidades são enunciados constitucionais que integram a norma de competência tributária, restringindo a possibilidade de criar tributos" Ao recordar o comando esculpido no artigo 7º, inciso XI da Carta da República não observo um comando que limite a competência do legislador ordinário, ao reverso, vejo a criação de um direito dos trabalhadores limitado por lei. Superando a controvérsia doutrinária e assumindo o caráter isentivo em face da expressa disposição da Lei de Custeio da Previdência, mister algumas considerações. Nesse sentido, Luis Eduardo Schoueri (Direito Tributário 3ªed. São Paulo: Ed Saraiva. 2013. p.649), citando Jose Souto Maior Borges, diz que a isenção é uma hipótese de não incidência legalmente qualificada. Nesse sentido, devemos atentar para o alerta do professor titular da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, que recorda que a isenção é vista pelo Código Tributário Nacional como uma exceção, uma vez que a regra é que: da incidência, surja o dever de pagar o tributo. Tal situação, nos obriga a lembrar que as regras excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. Paulo de Barros Carvalho, coerente com sua posição sobre a influência da lógica semântica sobre o estudo do direito aliada a necessária aplicação da lógica jurídica, ensina que as normas de isenção são regras de estrutura e não regras de comportamento, ou seja, essas se dirigem diretamente à conduta das pessoas, enquanto aquelas, as de estrutura, prescrevem o relacionamento que as normas de conduta devem manter entre si, incluindo a própria expulsão dessas regras do sistema (abrogação). Por ser regra de estrutura a norma de isenção “introduz modificações no âmbito da regra matriz de incidência tributária, esta sim, norma de conduta” (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 25ª ed. São Paulo: Ed. Saraiva, Fl. 937DF CARF MF 10 2013. p. 450), modificações estas que fulminam algum aspecto da hipótese de incidência, ou seja, um dos elementos do antecedente normativo (critérios material, espacial ou temporal), ou do conseqüente (critérios pessoal ou quantitativo). Podemos entender, pelas lições de Paulo de Barros, que a norma isentiva é uma escolha da pessoa política competente para a imposição tributária que repercute na própria existência da obrigação tributária principal uma vez que ela, como dito por escolha do poder tributante competente, deixa de existir. Tal constatação pode, por outros critérios jurídicos, ser obtida ao se analisar o Código Tributário Nacional, que em seu artigo 175 trata a isenção como forma de extinção do crédito tributário. Voltando uma vez mais às lições do Professor Barros Carvalho, e observando a exata dicção da Lei de Custeio da Previdência Social, encontraremos a exigência de que a verba paga a título de participação nos lucros e resultados “quando paga ou creditada de acordo com lei específica” não integra o salário de contribuição, ou seja, a base de cálculo da exação previdenciária. Ora, por ser uma regra de estrutura, portanto condicionante da norma de conduta, para que essa norma atinja sua finalidade, ou seja impedir a exação, a exigência constante de seu antecedente lógico – que a verba seja paga em concordância com a lei que regula a PLR – deve ser totalmente cumprida. Objetivando que tal determinação seja fielmente cumprida, ao tratar das formas de interpretação da legislação tributária, o Código Tributário Nacional em seu artigo 111 preceitua que se interprete literalmente as normas de tratem de outorga de isenção, como no caso em comento. Importante ressaltar, como nos ensina André Franco Montoro, no clássico Introdução à Ciência do Direito (24ªed., Ed. Revista dos Tribunais, p. 373), que a: “interpretação literal ou filológica, é a que toma por base o significado das palavras da lei e sua função gramatical. (...). É sem dúvida o primeiro passo a dar na interpretação de um texto. Mas, por si só é insuficiente, porque não considera a unidade que constitui o ordenamento jurídico e sua adequação à realidade social. É necessário, por isso, colocar seus resultados em confronto com outras espécies de interpretação”. (grifos nossos) Nesse diapasão, nos vemos obrigados a entender que a verba paga à título de PLR não integrará a base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias se tal verba for paga com total e integral respeito à Lei nº 10.101, de 2000, que dispõe sobre o instituto de participação do trabalhador no resultado da empresa previsto na Constituição Federal. Isso porque: i) o pagamento de verba que esteja relacionada com o resultado da empresa tem inegável cunho remuneratório em face de nítida contraprestação que há entre o fruto do trabalho da pessoa física e a o motivo ensejador do pagamento, ou seja, o alcance de determinada meta; ii) para afastar essa imposição tributária a lei tributária isentiva exige o Fl. 938DF CARF MF Processo nº 15504.726206/201554 Acórdão n.º 2201003.795 S2C2T1 Fl. 934 11 cumprimento de requisitos específicos dispostos na norma que disciplina o favor constitucional. Logo, imprescindível o cumprimento dos requisitos da Lei nº 10.101 para que o valor pago a título de PLR não integre o salário de contribuição do trabalhador. Vejamos quais esses requisitos. Dispõe textualmente a Lei nº 10.101/00: Art.2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; IIconvenção ou acordo coletivo. §1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Iíndices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; IIprogramas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. §2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. ... Art. 3º ... (...) § 2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em mais de 2 (duas) vezes no mesmo ano civil e em periodicidade inferior a 1 (um) trimestre civil. (grifamos) Da transcrição legal podemos deduzir que a Lei da PLR condiciona, como condição de validade do pagamento: i) a existência de negociação prévia sobre a participação; ii) a participação do sindicato em comissão paritária escolhida pelas partes para a determinação das metas ou resultados a serem alcançados ou que isso seja determinado por convenção ou Fl. 939DF CARF MF 12 acordo coletivo; iii) o impedimento de que tais metas ou resultados se relacionem à saúde ou segurança no trabalho; iv) que dos instrumentos finais obtidos constem regras claras e objetivas, inclusive com mecanismos de aferição, sobre os resultados a serem alcançados e a fixação dos direitos dos trabalhadores; v) a vedação expressa do pagamento em mais de duas parcelas ou com intervalo entre elas menor que um trimestre civil. Entre as premissas estabelecidas por esse texto, destaco aquela que estabelece a natureza na norma em análise como isentiva. Daí decorre a obrigatoriedade de adoção do método literal de interpretação, de forma que estariam excluídos da tributação apenas os programas que atendessem integralmente ao comando obtido pelos limites impostos pela investigação sintática. Neste processo, a controvérsia ficou restrita à observância da seguinte condição: a vedação expressa do pagamento em mais de duas parcelas no mesmo ano civil ou em periodicidade inferior a seis meses. Vejamos o que dizia o texto legal, à época dos pagamentos realizados: Art.3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. (...) §2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Esse texto prevê expressamente que é "vedado" o pagamento em periodicidade inferior a um semestre civil ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Ou seja, tratandose de PLR que se pretende acobertado pelo disposto na Lei nº 10.101, de 2000, essa forma de pagamento recebe o modal deôntico "proibido". A taxatividade do texto não condiz com a interpretação conferida a ele pela recorrente. Com efeito, ao se afirmar que o pagamento de mais de duas parcelas no mesmo ano civil ensejará a desconsideração de apenas parte deles, não se está aplicando a norma, mas legislando, porque não há espaço no texto legal para essa interpretação. O entendimento aqui esposado está de acordo com a jurisprudência recente da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do que servem de exemplo os Acórdãos 9202004.543, 9202004.347, 9202004.342. Deste último, transcrevo abaixo parte da ementa: Assunto: Contribuições Sociais PrevidenciáriasPeríodo de apuração: 01/04/2007 a 30/11/2008PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. PERIODICIDADE SEMESTRAL.É vedado o pagamento de PLR em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, sendo que os dois requisitos são cumulativos. O pagamento fora dos limites temporais dá natureza de complementação salarial à totalidade da verba paga a título de participação nos lucros ou Fl. 940DF CARF MF Processo nº 15504.726206/201554 Acórdão n.º 2201003.795 S2C2T1 Fl. 935 13 resultados.No caso, restou comprovado descumprimento do critério da periodicidade para alguns dos empregados. E do voto, de lavra do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos: Reparase da leitura acima, que não estamos tratando de limite de verba não tributada, mas sim de condição para fixação de sua natureza. Ora, o pagamento em menor periodicidade do que aquela definida em lei, tem o condão de dar natureza de complementação salarial à verba pretensamente paga a título de PLR. Por esse motivo, entendo que, para cada empregado, pagamentos sem respeito à periodicidade mínimima legalmente estabelecida, desconfiguram o programa e, portanto, todas as verbas a ele pagas a título de PLR devem compor o salário de contribuição. Portanto, em relação à descaracterização dos pagamentos realizados pela empresa fiscalizada nas competências 07, 08, 09, 10, 11 e 12 de 2011, como PLR, entendo que está correta a fiscalização ao afirmar que não foram observadas as exigências estabelecidas pela lei no que diz respeito à periodicidade e ao número de parcelas. Como consequência, não tendo preenchido as exigências legais para fruição da isenção, a totalidade desses pagamentos deve ser oferecida à tributação pelas contribuições previdenciárias. Nego provimento ao recurso no que diz respeito à incidências das contribuições previdenciárias sobre as verbas pagas nas competências 07, 08, 09, 10, 11 e 12 de 2011, como PLR. Multa de 20% Argumenta a recorrente ser indevida a exigência da multa de 20% por aplicação do enunciado nº 17 da Súmula do CARF e por decorrência do art. 63, da Lei nº 9.430, de 1996. Com efeito, o dispositivo legal mencionado estabelece, in verbis: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Fl. 941DF CARF MF 14 Pela literalidade do § 2º acima transcrito, a interposição de ação judicial favorecida com medida liminar "interrompe" a incidência da multa de mora desde a sua concessão até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo. Isso quer dizer que, se já havia incidência da multa, ela deixa de ser computada, retomando seu curso normal 30 dias após a cassação da decisão concessiva da medida liminar. Assim, se a liminar é concedida em data que antecede o vencimento do tributo, ela impede que tenha início a incidência da multa moratória, contudo, se ela é concedida após o vencimento, ela apenas a "interrompe". Isso significa que durante o período de vigência da liminar não ocorre o fato gerador da multa, pois não existe mora. Portanto, entendo que, nessas hipóteses, a fiscalização só poderia lançar a multa já devida, relativa à mora transcorrida, pois em relação à multa ainda não devida, sequer ocorreu o seu fato gerador a justificar lançamento para prevenir a decadência. Esse fato gerador irá ocorrer apenas trinta dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Na hipótese em questão, é fato incontroverso que, no momento da lavratura do auto de infração, o sujeito passivo se encontrava amparado por medida liminar. Contudo, não está claro se, quando ela foi concedida, já havia ocorrido a incidência da multa. Em consulta ao sítio do Tribunal Regional Federal da 1ª Região na rede mundial de computadores, vêse que o processo nº 002512684.2010.4.013800 foi distribuído em 13/04/2010, foi proferida decisão concessiva em parte de liminar em 14/04/2010, e a sentença concedendo a segurança em parte foi juntada em 02/08/2010 (http://processual.trf1.jus.br/consultaProcessual/processo.php?proc=251268420104013800&se cao=MG). O relatório fiscal esclarece sobre o conteúdo dessas decisões ao afirmar que: 8.1. O juiz Singular deferiu a liminar, em parte, para determinar que a autoridade impetrada se abstivesse de exigir da Impetrante a contribuição do SAT/RAT majorada pelo índice FAP, garantindo seu direito de continuar recolhendo a exação com base nas alíquotas previstas no artigo 22, inciso II da Lei 8212 de 1991 e em sentença julgou procedente, em parte, o pedido e, concedeu, em parte, a segurança na ação mandamental, confirmando a liminar, para determinar que a autoridade impetrada se abstivesse de exigir da impetrante a contribuição do SAT/RAT majorada pelo índice FAP, garantindo seu direito de continuar recolhendo a exação com base nas alíquotas previstas no artigo 22, inciso II da Lei 8212 de 1991, tendo os Autos subido ao Tribunal Regional Federal da Primeira Região para o reexame necessário onde foi distribuído ao Senhor Desembargador Federal Souza Prudente e redistribuído ao Senhor Desembargador Federal Novély Vilanova da Silva Reis com parecer do Ministério Público Federal. Neste caso, como a decisão de primeira instância administrativa julgou decadentes as competências 01/2010 a 09/2010 e o recurso de ofício não foi conhecido, as competências em análise neste processo se restringem aos fatos geradores de 10/2010 a 12/2012. Tanto a liminar como a sentença que a confirmou foram proferidas em data anterior a esses fatos geradores, o que significa que não ocorreu o "fato gerador" da multa de mora. Fl. 942DF CARF MF Processo nº 15504.726206/201554 Acórdão n.º 2201003.795 S2C2T1 Fl. 936 15 Se não houve incidência da multa, por inexistência de mora, o lançamento não pode ser realizado. Não há que se falar em prevenção da decadência, pois ela não pode ocorrer em relação a um direito que sequer nasceu ainda. Registro a existência de jurisprudência deste Colegiado em sentido convergente com o que aqui se defende: Acórdão nº 3302003.256 Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2012 MULTA MORATÓRIA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. EXISTÊNCIA DE MEDIDA LIMINAR PREVIAMENTE À AUTUAÇÃO. COBRANÇA APÓS TRANSCORRIDO O PRAZO DE 30 DIAS DA DECISÃO JUDICIAL DEFINITIVA. POSSIBILIDADE. Se há medida liminar previamente ao lançamento de crédito tributário sub judice, não cabe a aplicação da multa de ofício ou moratória na autuação, porém, esta última será devida após transcorrido o prazo de 30 (trinta) dias contado da data da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição (art. 63 da Lei 9.430/1996). Acórdão nº 3302001.620 Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DÉBITO DECLARADO. AÇÃO JUDICIAL. LIMINAR FAVORÁVEL. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. PAGAMENTO SEM MULTA DE MORA. COMPROVAÇÃO. A interposição da ação judicial favorecida com medida liminar (antecipação de tutela) interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição (art. 63, §2°, Lei n° 9.430/96). Evidenciado o pagamento do imposto, no referido prazo, acrescido dos respectivos juros de mora, cabe ser cancelada a exigência da multa de mora. Recurso de ofício negado. Com base no exposto, entendo que assiste razão à recorrente, devendo ser excluídos do lançamento os valores relativos à multa de mora. Registrese que, caso a decisão judicial venha a ser revertida, a multa de mora será devida após o transcurso do prazo de 30 dias da data da publicação da decisão judicial que considerar devida a contribuição. Taxa Selic Fl. 943DF CARF MF 16 Afirma também a recorrente ser indevida a cobrança de juros pela taxa Selic, já que a ausência de recolhimento decorre de decisão judicial, bem como porque esse percentual é superior ao estabelecido no art. 61, § 1º do Código Tributário Nacional CTN. Não lhe assiste razão, entretanto. Com relação ao primeiro argumento basta lembrar que a não incidência da multa, que tem um cunho punitivo, demandou a edição de lei para que deixasse de existir, com mais razão os juros, de natureza compensatória, necessitariam de ato de igual força para que sua incidência fosse afastada. Essa regra, contudo, não existe, sendo correta a exigência fiscal quanto a esse aspecto. Ademais, seus argumentos são refutados pelos seguintes enunciados da Súmula de jurisprudência deste Colegiado: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Nego provimento ao recurso quanto à incidência do juros Selic. Recurso Voluntário A Costa Empreendimentos e Participações S/A O primeiro argumento apresentado pela empresa a que foi atribuída responsabilidade solidária é de que não houve motivação na atribuição dessa responsabilidade. Quanto a esse aspecto, do relatório fiscal, transcrevese o item VI DA IDENTIFICAÇÃO DE GRUPO ECONÔMICO: 7. A empresa A. Costa Empreendimentos e Participações S/A, CNPJ 04.669.744/000154, com sede à Avenida Raja Gabaglia, 4091 3º andar parte Santa Lúcia Belo Horizonte MG CEP 30360670 é acionista da fiscalizada, possuindo 99,8581% da participação acionária conforme informação prestada pela fiscalizada em mídia digital com o código de identificação a77c9bc23f82e93ebfad0bf7e8cdb402 e integra o grupo econômico. A fiscalização em conformidade com o disposto no artigo 124 do Código Tributário Nacional (Lei 5172, de 16/10/66) e no artigo 30, inciso IX da Lei 8212, de 1991, cientificará a contribuinte A. Costa Empreendimentos e Participações S/A, empresa que integra o grupo econômico, da exigência tributária de que trata o AI 51.057.2662, lavrado neste procedimento fiscal, cuja cópia está sendo anexada ao respectivo Termo de Sujeição Passiva Solidária. Assim, o fundamento para a atribuição da responsabilidade tributária está no fato de a empresa A. Costa Empreendimentos e Participações S/A possuir 99,8581% da participação societária da empresa autuada. Fl. 944DF CARF MF Processo nº 15504.726206/201554 Acórdão n.º 2201003.795 S2C2T1 Fl. 937 17 Por amor à clareza, transcrevo abaixo os atos normativos que conduziriam à responsabilidade de que ora se trata: Lei nº 8.212, de 1991 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; Decreto nº 3.048, de 1999 Art. 222. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, bem como os produtores rurais integrantes do consórcio simplificado de que trata o art. 200A, respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes do disposto neste Regulamento. IN RFB nº 971, de 2009 Art. 494. Caracterizase grupo econômico quando 2 (duas) ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. A Consolidação das Leis do Trabalho CLT também contém regra a respeito da formação de grupo econômico: Art. 2º (...) §2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração da outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. Tanto a empresa autuada como a responsável solidária foram constituídas sob a égide da Lei das S/A, onde devem ser buscados os fundamentos para definir a natureza da relação entre elas. Nesse sentido, destacase dessa Lei (nº 6.404, de 1976): Art. 243. § 1o São coligadas as sociedades nas quais a investidora tenha influência significativa. § 2º Considerase controlada a sociedade na qual a controladora, diretamente ou através de outras controladas, é titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores. Fl. 945DF CARF MF 18 (...) § 4º Considerase que há influência significativa quando a investidora detém ou exerce o poder de participar nas decisões das políticas financeira ou operacional da investida, sem controlála. § 5o É presumida influência significativa quando a investidora for titular de 20% (vinte por cento) ou mais do capital votante da investida, sem controlála. Daí decorre que seria possível demonstrar a existência de relação de controle entre as empresas, hipótese em que seria necessário comprovar que uma delas é " titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores". Uma outra hipótese seria a demonstração do poder de influência, seja através do exercício do "poder de participar nas decisões das políticas financeira ou operacional da investida, sem controlála" ou pela demonstração de que a investidora é "titular de 20% (vinte por cento) ou mais do capital votante da investida, sem controlála". No Estatuto Social Consolidado juntado a fls. 713/720, vêse no Capítulo II Capital e Ações, artigo quinto, que o capital social é representado exclusivamente por ações ordinárias. No artigo sexto desse mesmo capítulo, determinase que cada ação dá direito a um voto. Isto posto, o fato de a empresa A. Costa Empreendimentos e Participações S/A deter 99,8581% das ações com direito a voto inevitavelmente lhe confere a condição de controladora da empresa autuada. Sendo esta controlada, está sob a administração, comando ou direção daquela, o que é suficiente para configurar o grupo econômico. Neste caso, a responsabilidade exsurge da conjugação entre o art. 124, II, do CTN com o art. 30, IX da Lei nº 8.212, de 1991, não sendo necessário demonstrar a existência de interesse comum de que trata o art. 124, I, desse mesmo código. Nesse diapasão, a alegação de que a Lei nº 8.212, de 1991, não pode impor responsabilidade tributária por se tratar de lei ordinária, implica atribuir a esta a pecha de inconstitucionalidade, matéria que não pode ser tratada no âmbito deste colegiado, conforme estabelece o enunciado nº 2 da Súmula de Jurisprudência do CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A defesa procura ainda afastar da responsabilidade solidária as exigências relativas a multa. Esse argumento não resiste a uma leitura atenta dos artigos 121, 124 e 128 do Código Tributário Nacional, que assim prescrevem: Art. 121 Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo Único O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direita com a situação que constitua o respectivo fato gerador; Fl. 946DF CARF MF Processo nº 15504.726206/201554 Acórdão n.º 2201003.795 S2C2T1 Fl. 938 19 II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Art.124 São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo Único A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art.128 Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. Assim, a obrigação principal consiste no pagamento de tributo ou penalidade pecuniária; essa obrigação é atribuída ao sujeito passivo, que pode ser o contribuinte ou o responsável. Não há nada nos textos transcritos que sugira a limitação da responsabilidade ao tributo. Essa ideia é reforçada pela Lei nº 8.212, de 1991, cujo artigo 30 disciplina a arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social, prescrevendo que empresas integrantes de grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes dela (art. 30, IX). Portanto, a responsabilidade solidária resultante da conjugação do art. 124, II do CTN, art. 30. IX da Lei nº 8.212, de 1991, art. 222 do Decreto nº 3.048, de 1999, e art. 494 da IN RFB nº 971, de 2009, abrange também a multa aplicável. Com base no exposto, nego provimento ao recurso voluntário apresentado pela responsável solidária, A. Costa Empreendimentos e Participações S/A. Conclusão Com base no exposto, voto por: não conhecer o recurso de ofício e conhecer os recursos voluntários apresentados para negar provimento ao recurso da responsável solidária Fl. 947DF CARF MF 20 e dar parcial provimento ao recurso apresentado pela contribuinte, determinando a exclusão do crédito tributário relativo à multa de mora. (assinado digitalmente) Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 948DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10240.001101/2006-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 07/02/2002 a 10/02/2003
REMESSA POSTAL INTERNACIONAL. REGIME DE TRIBUTAÇÃO SIMPLIFICADA
Nas operações de importação de mercadorias realizadas sob o regime de tributação simplificada, originárias de remessas postais internacionais, é correta a exigência do crédito tributário, por meio de Auto de Infração, relativo ao II lançado nas Notas de Tributação Simplificada (NTS) e que deixou de ser recolhido, acrescido de multa de oficio e juros de mora, quando a Administradora Postal (ECT) não logra comprovar o recolhimento de tal tributo, nem o regular cancelamento das NTS.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-003.900
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Ausente ocasionalmente o Conselheiro André Henrique Lemos.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida (Relator), Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 07/02/2002 a 10/02/2003 REMESSA POSTAL INTERNACIONAL. REGIME DE TRIBUTAÇÃO SIMPLIFICADA Nas operações de importação de mercadorias realizadas sob o regime de tributação simplificada, originárias de remessas postais internacionais, é correta a exigência do crédito tributário, por meio de Auto de Infração, relativo ao II lançado nas Notas de Tributação Simplificada (NTS) e que deixou de ser recolhido, acrescido de multa de oficio e juros de mora, quando a Administradora Postal (ECT) não logra comprovar o recolhimento de tal tributo, nem o regular cancelamento das NTS. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Ausente ocasionalmente o Conselheiro André Henrique Lemos. ROSALDO TREVISAN - Presidente. FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida (Relator), Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2017-08-06T06:36:51Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: PDFArchitect; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; Last-Modified: 2017-08-06T06:36:51Z; dcterms:modified: 2017-08-06T06:36:51Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2017-08-06T06:36:51Z; pdf:docinfo:creator_tool: PDFArchitect; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2017-08-06T06:36:51Z; meta:save-date: 2017-08-06T06:36:51Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-08-06T06:36:51Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: ; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:subject: ; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; pdf:charsPerPage: 1712; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 461 1 460 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10240.001101/200622 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401003.900 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de junho de 2017 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO II Recorrente EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E TELÉGRAFOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 07/02/2002 a 10/02/2003 REMESSA POSTAL INTERNACIONAL. REGIME DE TRIBUTAÇÃO SIMPLIFICADA Nas operações de importação de mercadorias realizadas sob o regime de tributação simplificada, originárias de remessas postais internacionais, é correta a exigência do crédito tributário, por meio de Auto de Infração, relativo ao II lançado nas Notas de Tributação Simplificada (NTS) e que deixou de ser recolhido, acrescido de multa de oficio e juros de mora, quando a Administradora Postal (ECT) não logra comprovar o recolhimento de tal tributo, nem o regular cancelamento das NTS. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Ausente ocasionalmente o Conselheiro André Henrique Lemos. ROSALDO TREVISAN Presidente. FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida (Relator), Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 00 11 01 /2 00 6- 22 Fl. 461DF CARF MF Processo nº 10240.001101/200622 Acórdão n.º 3401003.900 S3C4T1 Fl. 462 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida (fls.1 386/390), o qual passo a transcrever: "Relatório Cuida o presente sobre exigência de crédito tributário no valor total originário de R$ 72.0585,674, formalizado contra a interessada em epígrafe, em 29/08/2006, a título de imposto de importação, acrescido de juros de mora e da multa proporcional com base na Lei n 9430/96. Relata a fiscalização que procedendo à verificação do cumprimento das obrigações tributárias da interessada foi apurada a falta de recolhimento do imposto de importação incidente sobre remessas postais relativas a NTS – Notas de Tributação Simplificada. Regularmente intimada, em 05/09/2006 (fl. 2), a autuada, por meio do Ofíco GECO/RO145/2006, de 25 de setembro de 2006, apresentou a impugnação de fls. 330/333, em 25/09/2006, alegando ter sido sempre parceira da Receita Federal, honrando com seus compromissos e responsabilidades e que sempre recolheu aos cofres públicos os valores relativos às NTS lavradas pela Receita Federal; diz que está a cobrar o recolhimento de DARF’s que comprovadamente já foram recolhidos e outros que sequer tem provas da existência de NTS’s, requerendo à Fiscalização busca dos dados necessários relativos aos 82 DARF’s questionados, argumentando injustiça ter que pagar duas vezes o mesmo tributo, ainda mais com acréscimo de multa e juros; encaminha, em anexo, cópias de DARF’s de 42 NTS’s pagas (relação à fl. 332), solicitando lhe seja informada sobre localização dos pagamentos relativos aos 84 darf s questionados. É o relatório." (grifei) A decisão de primeira instância, proferida em 29/07/2014 (fls. 386/390), foi pela procedência parcial da impugnação, em decisão cuja ementa abaixo transcrevese: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 07/02/2002 a 10/02/2003 Imposto apurado em Nota de Tributação Simplificada. Ação fiscal para cobrança por falta de Recolhimento. Comprovação de pagamento e ou devolução da mercadoria ao exterior. Exigível apenas os valores não comprovados, com os acréscimos legais. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte 1 Todos os números de folhas indicados neste documento referemse à numeração eletrônica do eprocesso. Fl. 462DF CARF MF Processo nº 10240.001101/200622 Acórdão n.º 3401003.900 S3C4T1 Fl. 463 3 Após ciência ao acórdão de primeira instância (AR às fls. 396), em 23/09/2014, apresentou o recurso voluntário de fls. 428/447, em 23/10/2014, reiterando a argumentação expressa na impugnação e aduzindo razões sobre imunidade tributária dos serviços postais. Voto Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida O recurso é tempestivo, atendendo aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomase conhecimento. Trata a autuação da exigência de tributo que deixou de ser recolhido e acréscimos legais, relativos ao Imposto de Importação II, devido nas operações realizadas sob o regime de tributação simplificada, originário de remessas postais internacionais, lançadas em diversas Notas de Tributação Simplificada NTS, nos anos de 2002 e 2003, conforme DEMONSTRATIVO DOS CÁLCULOS DOS VALORES DEVIDOS (fls. 06/08) Recorre o autuado em razão do inconformismo quanto à decisão de primeira instância, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal consubstanciado no Auto de Infração (fls. 02/05), cotejandoo com as comprovações apresentadas, seja por devolução à origem da mercadoria, seja por pagamento do tributo, concluindo pela exclusão de parte dos valores exigidos. Ou seja, discutese, essencialmente, matéria de fato, provas nos autos, ainda que o recurso voluntário inove totalmente a defesa impugnatória inicial, concentrando o recurso em argumentações de direito sobre responsabilidade e imunidade tributária. Quanto à incidência do II, no caso, destacamse o DecretoLei n.° 1.804, de 03/09/1980 (Dispõe sobre tributação simplificada das remessas postais internacionais); e o Decreto n°. 1.789, de 12/01/1996 (Dispõe sobre o Intercâmbio de Remessas Postais Internacionais, disciplina seu controle aduaneiro e dá outras providências). Vejamos, pois, a aplicação dos comandos normativos que regulamentaram a matéria por meio do Decreto n°. 1.789, de 12/01/1996: Art. I° O intercâmbio de remessas postais internacionais e seu controle aduaneiro obedecerão à disciplina estabelecida neste Decreto. Art. 2° Para fins deste Decreto, considerase: I Administração Postal ou Administração Postal Brasileira, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos ECT; Incabível, portanto, afirmações tais como aquelas manifestadas pela ECT, no sentido de pretender a requerente eximirse da responsabilidade tributária, que lhe foi atribuída, ao argumento de ilegitimidade passiva. Sua condição de responsável tributário, na qualidade de depositária das mercadorias importadas, é expressamente identificada na legislação: Art. 65. A Administração Postal, na condição de depositária, é responsável pelos tributos, multas e acréscimos legais incidentes sobre remessas, que, após o lançamento, forem extraviadas ou entregues ao destinatário sem o devido pagamento. Fl. 463DF CARF MF Processo nº 10240.001101/200622 Acórdão n.º 3401003.900 S3C4T1 Fl. 464 4 Neste ponto, há que se salientar que, diferentemente do que pretende fazer crer a recorrente, não se está a lhe imputar qualquer responsabilidade referente a imposto sobre a importação de objeto que não lhe pertence. O que se está aqui a discutir — e que fundamentou a autuação — é a falta de comprovação, por parte da ECT, seja da devolução à origem da mercadoria, seja do pagamento do tributo. Tanto necessitam de comprovação que o predito Decreto, em diversos momentos, assim estabelece. Até mesmo os casos fortuitos e de força maior, capazes de excluir a responsabilidade da Administração Postal, devem ser pela ECT comprovados: Art. 65 (...) Parágrafo único. A força maior e o caso fortuito excluem a responsabilidade da Administração Postal, cabendo a esta a necessária prova de sua ocorrência. Também deve a ECT comprovar o pagamento do imposto que devidamente recolheu: Art 25. À Administração Postal compete. (...) X a comprovação, perante a Alfândega, do pagamento do imposto incidente sobre remessas não sujeitas ao regime de importação comum; O Decreto vai mais além: determina que as devoluções, os encaminhamentos ao exterior ou qualquer outra destinação dada à remessa devem ser comprovadas, quando tal for solicitado pela autoridade aduaneira: Art. 19. A entrega ao destinatário, a devolução, o encaminhamento ao exterior ou qualquer outra destinação dada à remessa devem ser comprovados, periodicamente ou quando solicitado pelo chefe da repartição aduaneira local. Ainda, quanto a alegação de que os serviços postais gozam de imunidade constitucional, havendo ofensa ao inciso VI, alínea 'a', do artigo 150, da CF/88, resta aplicar ao caso a Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.", restando vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar o DecretoLei n.° 1.804, de 03/09/1980 e o Decreto n°. 1.789, de 12/01/1996, sob fundamento de inconstitucionalidade, também, nos termos do art. 62, do RICARF/2015 (Portaria MF nº 343, de 09/06/2015). Assim, não trazidas novas provas aos autos, ratificando a decisão recorrida, voto por negar provimento ao recurso voluntário, interposto pelo sujeito passivo, mantendo integralmente a decisão de primeira instância. Fenelon Moscoso de Almeida Relator Fl. 464DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14751.000222/2008-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2002
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
O Relatório Fiscal e os demais anexos que compõem o Auto de Infração contêm os elementos necessários à identificação dos fatos geradores do crédito lançado e a legislação pertinente, possibilitando ao sujeito passivo o pleno exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa.
Numero da decisão: 2301-005.049
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
EDITADO EM: 11/07/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Fernanda Melo Leal e Alexandre Evaristo Pinto.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto - Relator EDITADO EM: 11/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Fernanda Melo Leal e Alexandre Evaristo Pinto.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O Relatório Fiscal e os demais anexos que compõem o Auto de Infração contêm os elementos necessários à identificação dos fatos geradores do crédito lançado e a legislação pertinente, possibilitando ao sujeito passivo o pleno exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator EDITADO EM: 11/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Fernanda Melo Leal e Alexandre Evaristo Pinto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 00 02 22 /2 00 8- 18 Fl. 205DF CARF MF 2 Relatório Tratase de autuação decorrente de ação desenvolvida na Dimensional Construções Ltda, onde foram constatadas as seguintes incorreções nos Livros Diário de números 14 a 18 e dos Livros Razão de 2000 a 2003, todos relacionados à obra de construção civil matriculada no cadastro específico do INSS (CEI) sob o n.° 33.940.00865/77: a) Saldo credor na conta CAIXA em 30/11/2000, 02/12/2000, 30/04/2002 e 10/05/2002; b) Total de lançamentos a crédito diferente do total de lançamentos a débito em dezoito datas listadas no Relatório Fiscal, inclusive 10 e 20/12/2002; c) A entrega de apartamento de R$ 51.000,00 (cinqüenta e um mil reais), feita a título de entrada para a aquisição da unidade 501 do Edifício Luiz Felipe não foi contabilizada, nem consta de contrato de compra e venda; d) A nota fiscal n.° 0065, emitida em 08/06/2001 por Pereira e Vasconcelos Ltda. foi superfaturada em R$ 4.618,64. Tais condutas da empresa foram enquadradas como infração prevista no § 3.° do art. 33, da Lei n.° 8.212, de 24 de julho de 1991, o que motivou a lavratura do presente auto de infração (AI), de no. 37.118.5122 (fls. 01 a 07). No Recurso Voluntário (fls. 111 a 137), foram reiterados os argumentos apresentados na impugnação, dentre os quais: (i) nulidade do auto de infração por cerceamento do direito de defesa; (ii) improcedÊncia "in totum" do lançamento; e (iii) aplicação irregular e onerosidade excessiva da multa. O Acórdão nº 2.40300.794, da 3a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls. 154 a 159), julgado na sessão plenária de 30 de setembro de 2011, por unanimidade de votos, em sede preliminar, declarou a decadência para todas as competências lançadas (a saber, 05/2000 a 12/2002, conforme relatório de fls. 04 e 05), considerando que, uma vez tendo havido recolhimento referente à antecipação da obrigação principal, aplicável também ao presente AI o teor do art. 150, §4º, do CTN, conforme a ementa do julgado descrita abaixo: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2002 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. ART. 45 DA LEI 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE Nº 08 DO STF. O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos dos arts. 150, § 4º, havendo antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. Recurso Voluntário Provido" Fl. 206DF CARF MF Processo nº 14751.000222/200818 Acórdão n.º 2301005.049 S2C3T1 Fl. 3 3 Contra essa decisão, a Fazenda Nacional manejou recurso especial de divergência com fulcro no art. 67, inciso II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009 (fls. 186 a 215), onde propugna pela aplicação do art. 173, I do CTN para fins de contagem do prazo decadencial, uma vez que quando se tratar de descumprimento de obrigação acessória dando causa à lançamento de ofício, a regra a ser aplicada é o artigo 173, inciso I, do CTN, visto inexistir possibilidade de antecipação de pagamento nesta hipótese, de forma que ela propugna pela reforma do acórdão recorrido, de forma a que seja declarada a decadência dos débitos sob análise, aplicandose o art. 173, I do CTN, em detrimento da aplicação do art. 150, §4º, do CTN. Em 31/07/2014, a Câmara Superior de Recursos Fiscais da 2ª Seção de Julgamento do CARF decidiu por unanimidade no Acórdão nº 9202003.295 (fls. 191 a 197) que a mera aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória não seria equivalente ao pagamento antecipado para fins de aplicação da regra decadencial do artigo 150, §4º, do CTN, de forma que entendeuse que deveria ser aplicado ao caso a regra decadencial do artigo 173, I, do CTN, conforme transcrito na ementa abaixo: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2002 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DECADÊNCIA. No caso de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória não há que se falar em antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo. Assim, para fins de contagem do prazo decadencial, há que se aplicar a regra geral contida no art. 173, inciso I do CTN, ou seja, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. Recurso especial provido." Ademais, no referido acórdão além de ter sido dado provimento ao recurso da Fazenda Nacional, foi estabelecido o retorno dos autos à Câmara de origem para análise das demais questões. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fl. 207DF CARF MF 4 Com relação à preliminar e cerceamento do direito de defesa em virtude da falta de demonstração clara, evidente, precisa e expressa dos dispositivos legais e da descrição da infração que formaram a aplicação da multa cominada, esta preliminar não deve prosperar uma vez que a infração foi detalhada na NFLD com a devida citação dos dispositivos normativos que fundamentam a multa aplicada, ou seja, foram indicados os artigos 92 e 102 da Lei nº 8.212/91 e os artigos 283, II, "j", 292 e 373 do Regulamento da Previdência Social. Dessa forma, observase que, de fato, não assiste razão à recorrente, neste ponto, pois não se vislumbra a nulidade suscitada, considerando a descrição minuciosa dos fatos e fundamentos legais em consonância com o disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional. No tocante à aplicação da multa , mais uma vez vale ressaltar que além dos dispositivos normativos citados acima, a autoridade tributária também cita a Portaria MPS/MF nº 77/08, que nada mais traz do que a representação monetária para o ano de 2008 da multa prevista do artigo 283, II, do Regulamento da Previdência Social, uma vez que o artigo 8º, VI, Portaria MPS/MF nº 77/08 dispõe que "o valor da multa indicada no inciso II do artigo 283 do RPS é de R$ 12.548,77". Vale destacar, por fim, que o contribuinte que não se insurgiu contra o descumprimento da obrigação acessória que lhe foi imputada. Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Fl. 208DF CARF MF
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Numero do processo: 13710.001254/88-50
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jan 08 00:00:00 UTC 1992
Numero da decisão: 202-01.292
Decisão: RESOLVEM os membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relatora.
Nome do relator: Acacia de Lourdes Rodrigues
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Numero do processo: 10580.733840/2011-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVIDADE
Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para interposição do recurso voluntário é de 30 (trinta) dias contados da data da assinatura do aviso de recebimento da intimação do acórdão de primeira instância.
Numero da decisão: 2202-003.994
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVIDADE Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para interposição do recurso voluntário é de 30 (trinta) dias contados da data da assinatura do aviso de recebimento da intimação do acórdão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 73 38 40 /2 01 1- 93 Fl. 73DF CARF MF 2 Por bem descrever os fatos adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS): Contra o contribuinte acima identificado foi emitida a Notificação de Lançamento de f. 0407, referente ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2009, apurando IRPF Suplementar de R$ 16.063,67, com multa de ofício e juros de mora, perfazendo o montante de R$ 30.835,81, por ter sido constatada a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, no valor de R$ 85.478,54, com IRRF no valor de R$ 2.564,35. Cientificado do lançamento em 06/12/2011 (f. 27), o contribuinte apresentou impugnação em 14/12/2011 (f. 02), alegando que não se encontra em condições legais para cumprir com o débito apurado pela RFB. Juntou documentos (f. 0812 e 2931). A DRF de origem lavrou o Termo Circunstanciado (f. 3233), aprovado pelo Despacho Decisório nº PMM 0034, de 16/04/2015 (f. 34), mantendo inalterado o lançamento. O contribuinte foi cientificado do Termo Circunstanciado e do respectivo Despacho Decisório em 18/05/2015 (f. 41), e apresentou os mesmos argumentos e documentos anteriores, acrescido de um recibo assinado pelo advogado Moisés Figueiredo de Carvalho (f. 46). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS) negou provimento à Impugnação em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUÇÃO. Deve ser mantido o lançamento baseado em informações da Dirf que aponta omissão de rendimentos, quando o contribuinte não logra êxito em comprovar que parte dos rendimentos informados neste documento não faz parte da base de cálculo do imposto de renda. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. A responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da intenção do agente, ou responsável, em face de sua natureza objetiva. Cientificado (AR, fls. 62) o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 65/66, por meio do qual reitera as alegações anteriormente suscitadas e junta os mesmos documentos já juntados aos autos. É o Relatório. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10580.733840/201193 Acórdão n.º 2202003.994 S2C2T2 Fl. 74 3 Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora De acordo com o art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para interposição do recurso voluntário é de 30 (trinta) dias contados da data da assinatura do aviso de recebimento da intimação do acórdão de primeira instância. Conforme se verifica pela Notificação de Lançamento (fls. 4) o endereço do Recorrente junto a Receita Federal do Brasil é Rua Heitor Dias, nº179, Apto 01, Boca do Rio, CEP 41705010, Salvador, BA. O contribuinte foi intimado da decisão recorrida do dia 26 de outubro de 2015, conforme atesta Aviso de Recebimento (fls. 62) recebido por Elisângela Guimarães Lopes. O Recurso Voluntário de fls. 65/66 foi protocolado dia 30 de novembro de 2015, o que demonstra que transcorreram mais de 30 dias contados do Aviso de recebimento. É importante ressaltar que o contribuinte não apresentou qualquer preliminar no sentido de contestar a intempestividade do Recurso. Em face do exposto, não conheço do Recurso Voluntário em razão de sua intempestividade. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 75DF CARF MF
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