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Numero do processo: 19679.009024/2005-01
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2000
ARGÜIÇÕES DE ILEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE
Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendo-lhe observar a legislação em vigor - Súmula CARF nº 2.
DECADÊNCIA INOCORRÊNCIA.
A decadência recebe tratamento no Código Tributário Nacional no art. 173, inciso I, para lançamentos de ofício.
DCTF. ATRASO NA ENTREGA. MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA IMPOSSIBILIDADE.
Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração
Numero da decisão: 1003-000.152
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2000 ARGÜIÇÕES DE ILEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendolhe observar a legislação em vigor Súmula CARF nº 2. DECADÊNCIA INOCORRÊNCIA. A decadência recebe tratamento no Código Tributário Nacional no art. 173, inciso I, para lançamentos de ofício. DCTF. ATRASO NA ENTREGA. MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA IMPOSSIBILIDADE. Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 00 90 24 /2 00 5- 01 Fl. 51DF CARF MF Processo nº 19679.009024/200501 Acórdão n.º 1003000.152 S1C0T3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 1611.837, de 5 de dezembro de 2016, da 5ª Turma da DRJ/SPOI, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, mantendo o lançamento da multa por atraso na entrega da DCTF. Aos 30/08/2005, a Recorrente apresentou impugnação contra Auto de Infração nº 486969957, que autuou a mesma por atraso na entrega de DCTF relativa ao 1º/trimestre/2000, cujo prazo de entrega era 15/05/2000, mas só foi entregue em 19/01/2001. A DRJ/SPOI analisou a impugnação e julgou o pedido da Recorrente improcedente, nos moldes da ementa abaixo: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2000 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. O cumprimento da obrigação acessória apresentação de declarações (DCTF) fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Denúncia Espontânea. A prática da entrega, com atraso, da declaração, não caracteriza a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. Argüições De Ilegalidade E Inconstitucionalidade. Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendolhe observar a legislação em vigor. Lançamento Procedente Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário que, em síntese, destaca: (i) aduz quanto a supostos equívocos cometidos pelo órgão julgador de 1ª instância, o qual, segundo defende, tem o dever de conhecer e obedecer ditames constitucionais e que a Constituição Federal em seu artigo 5°, inciso II, que obrigaria o Contribuinte a realizar o DCTF não existia no momento do fato gerador da obrigação acessória objeto do presente processo; (ii) que a IN nº 73/1996 e a IN nº 126/1998, em seus artigos 4º e 62, respectivamente, possuem como marco inicial para a aplicação de multa por atraso na entrega da DCTF o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração, assim, quando da lavratura do AI em 12/07/2005 o crédito estaria prescrito; (iii) que a autoridade autuante é identificado no Auto de Infração como Auditor Fiscal da Receita Federal, contudo o mesmo exercia à época atividades administrativas Fl. 52DF CARF MF Processo nº 19679.009024/200501 Acórdão n.º 1003000.152 S1C0T3 Fl. 4 3 do órgão, pois encontrase atualmente na função de Delegado da Receita Federal de Fiscalização em São Paulo; (iv) que cumpriu espontaneamente a obrigação de entrega da DCTC, antes de qualquer iniciativa ou providência por parte do Fisco e, por conseguinte, o cumprimento espontâneo de obrigações acessórias a destempo está abrigado pelo art. 138 do CTN, o qual esclarece que a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea. (v) por fim, requereu a anulação do auto de infração contestado. É o Relatório. Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual deles tomo conhecimento e passo a apreciar. Inicialmente, serão analisadas as preliminares ventiladas pela Recorrente: PRELIMINAR DOS EQUÍVOCOS DA R. DECISÃO A Recorrente defende em seu recurso voluntário que o órgão julgador de 1ª instância, embora tivesse o dever de conhecer e obedecer ditames constitucionais, não o teria cumprido, visto que, segundo aduz, embora a Constituição Federal em seu artigo 5°, inciso II, determina que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Alega que a DCTF só passou a ser exigida por Lei em razão da MP 16/2001 e que, antes dela, não havia obrigação legal e, por conseguinte, quer que o CARF reconheça a ausência de legalidade do ato. O Decretolei nº 2.124, de 13.06.1984, autorizou o Ministro da Fazenda a instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal, bem como previu que o descumprimento dessas possíveis obrigações acessórias dariam ensejo a penalidades tributárias ex vide seu art. 5º: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. (...) § 3º Sem prejuízo das penalidades aplicáveis pela inobservância da obrigação principal, o não cumprimento da obrigação acessória na forma da legislação sujeitará o infrator à multa de que tratam os §§ 2º, 3º e 4º do art. 11 do Decretolei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982, com redação que lhe foi dada pelo Fl. 53DF CARF MF Processo nº 19679.009024/200501 Acórdão n.º 1003000.152 S1C0T3 Fl. 5 4 Decretolei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982, com a redação que lhe foi dada pelo Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983 Por sua vez, com fundamento na Portaria Ministerial nº 118, de 28 de junho de 1984, o Ministro da Fazenda delegou esta competência para o Secretário da Receita Federal que através da Instrução Normativa nº 129, de 19.11.1986 (posteriormente alterada pelas Instruções Normativas n.ºs 73/96 e 255/2002), instituiu a obrigatoriedade de entrega da DCTF: Institui a Declaração de Contribuições e Tributos Federais – DCTF, estabelece normas para seu preenchimento e apresentação e dá outras providências. O Secretário da Receita Federal, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto na portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984, Resolve: 1 – instituir modelos da Declaração de Contribuições e Tributos Federais e estabelecer normas quanto ao seu preenchimento e apresentação, conforme instruções anexas." Em razão disso, entendese haver previsão legal para a referida exigência. Outrossim, quaisquer discussão em relação à legalidade e ou constitucionalidade de normas legais não podem ser apreciados por este conselho. Esse entendimento está consolidado pela Súmula CARF nº 2, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. As Instruções Normativas são normas complementares administrativas no âmbito da Receita Federal e quaisquer ilegalidade ou inconstitucionalidade das mesmas deve ser decidido na esfera judicial. Portanto, é vedado ao CARF pronunciase sobre questões de constitucionalidade e legalidade de leis tributárias, em razão disso, deve a preliminar ser afastada. Outro argumento ventilado preliminarmente pela Recorrente em relação aos erros da decisão da DRJ trata do não reconhecimento da decadência para lançar a multa pelo atraso na entrega da DCTF. Declara que a DRJ equivocouse quando considerou o termo de início da contagem do prazo para lançamento do valor da multa relativa ao atraso na entrega da DCTF. A Recorrente defende que o prazo deveria ser aquele disposto no art. 4º da IN 73/1996 e no art. 62 da IN 126/1998. Diante disso, quando da lavratura do AI 12/05/2007 o crédito tributário estaria prescrito. Em verdade, estamos tratando de decadência, pois seria o prazo para realizar o lançamento do crédito, a partir do fato gerador. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 19679.009024/200501 Acórdão n.º 1003000.152 S1C0T3 Fl. 6 5 O art. 146, III, b, da Constituição Federal determina que cabe à Lei Complementar estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre prescrição e decadência. Dentre as modalidades de lançamentos tributários, duas são importantes para a análise na solução do presente caso: de ofício e por homologação. O lançamento de ofício é aquele no qual a autoridade administrativa, independente de existir qualquer tipo de autuação ou participação do sujeito passivo, verifica se está presente a ocorrência do fato gerador, ele mesmo determina a matéria tributável, calcula o montante do tributo, identifica o sujeito passivo e, se este for o caso, sugere a aplicação da penalidade cabível. O lançamento por homologação, por sua vez, é quando o próprio sujeito passivo informa a existência do fato gerador, calcula o tributo e efetua o pagamento, sem que a autoridade administrativa tenha praticado qualquer ato. A essa caberá verificar a correição do pagamento e efetuar o lançamento tributário. A decadência recebe tratamento no Código Tributário Nacional no art. 173. O fisco possui prazo de 5 (cinco) anos para constituir o crédito tributário, fato que ocorre com a notificação do lançamento ao sujeito passivo da obrigação tributária. A contagem do prazo de decadência dependerá do tipo de lançamento tributário, isso porque o dies a quo para a contagem do prazo decadencial pode ser verificado nos artigos 174 e 150, $4º do CTN. Os tributos sujeitos ao lançamento por homologação obedecem a regra do art. 150, $4º do CTN, enquanto os tributos com lançamento de ofício sujeitamse à regra do art. 173, I do CTN. No caso dos presentes autos, não restam dúvidas que estamos diante de lançamento de ofício, visto que o ente público se valeu unicamente das informações armazenadas nos seus sistemas, não havendo a necessidade de qualquer informação por parte do sujeito passivo. A multa pelo atraso na DCTF se configura a partir da ausência de entrega da declaração até o último dia do prazo. A partir do dia seguinte a data final para entrega já incide a multa independente de qualquer informação por parte do sujeito passivo. Segundo o art. 173, I, do CTN o prazo começa a contar no primeiro dia do exercício seguinte à prática do fato gerador, para a modalidade de lançamento de ofício (art. 149 do CTN). No caso dos presentes autos, a empresa praticou o fato gerador da aplicação da multa em 15 de maio de 2000. O prazo decadencial para a constituição do crédito começa a contar, então, a partir do dia 1º (primeiro) dia de janeiro do ano de 2001, exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. O prazo decadencial tem seu termo final em 31/12/2005. Na hipótese de lavratura de auto de infração AI, podese afirmar que o crédito tributário estará constituído somente a partir do momento em que o sujeito passivo autuado toma ciência do referido AI, isto é, com a consumação do ato de lançamento pela sua notificação regular (CTN, art. 145). No presente caso, a data da ciência do AI foi 05/05/2005, anterior, portanto, ao termo final da decadência. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 19679.009024/200501 Acórdão n.º 1003000.152 S1C0T3 Fl. 7 6 Isto posto, rejeito a preliminar de decadência. PRELIMINAR DA FALTA DE CUMPRIMENTO DE FORMALIDADE ESSENCIAL A Recorrente alega a incompetência funcional do Delegado da Receita Federal para assinatura do auto de infração, visto que, no momento em que foi lavrado o citado auto, o auditor que o assinou estava na função de Delegado. O lançamento de ofício do crédito tributário compete ao Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil ou ao chefe da Unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil, entendendose, como tal, o Delegado da Receita Federal. O Delegado da Receita Federal é um auditor fiscal, ele permanece com todos as competências do auditor, acrescidas das competências em relação à função de Delegado. O que ocorre é um acréscimo das atividades e não a exclusão, como faz crer a Recorrente. O lançamento por obrigatoriedade deve ser feito mediante notificação assinada pelo chefe do órgão, conforme o art. 11 do Decreto 70.235/72, condição obedecida no presente caso, inexistindo, por conseqüência, quaisquer das hipóteses de nulidade previstas no art. 59 do citado Decreto. As competências dos auditores fiscais estão regulamentadas no Regimento Interno da Receita Federal (Portaria MF 430, de 09 de outubro de 2017). Às Delegacias compete processar lançamentos de ofício. Concluise que o lançamento do crédito tributário pode ser realizado pelo auditor fiscal da Receita Federal ou pelo cgefe da unidade da Secretaria da Receita Federal, encarregado de formalização da exigência, que é exatamente o Delegado da Receita Federal. Dessa forma, não assiste razão a Recorrente ao reclamar a nulidade do lançamento por incompetência funcional da autoridade autuante. Em razão disso, rejeito a preliminar arguida. MÉRITO DA ALEGAÇÃO DE FALTA DE EXISTÊNCIA DE OBRIGAÇÃO POR MEIO DE ATO LEGAL Tal questão foi amplamente discutida quando tratamos da preliminar relativa aos equívocos da decisão da DRJ. Conforme exposto naquele tópico, a previsão legal foi determinada por DecretoLei vigente à época. Por esses Decretos (Decretolei nº 2.124, de 13.06.1984), vêse claramente que compete à Receita Federal do Brasil estabelecer obrigações tributárias acessórias e disciplinar a entrega de declarações. Isto posto, existe previsão legal. DA ALEGAÇÃO DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA Fl. 56DF CARF MF Processo nº 19679.009024/200501 Acórdão n.º 1003000.152 S1C0T3 Fl. 8 7 A Recorrente declara ter cumprido espontaneamente a falta de apresentação da DCTF antes de qualquer iniciativa ou providência por parte do Fisco e defende que o cumprimento espontâneo de obrigações acessórias está abrangido no art. 138 do CTN. Inicialmente, cumpre observar que a Recorrente não contestou o atraso na entrega da declaração, nem o cálculo que foi realizado no tocante ao valor da multa, limitando se, apenas, a alegar a existência de denúncia espontânea para o caso em análise. A decisão da DRJ está em sintonia com a jurisprudência do CARF. Os argumentos ventilados pela Recorrente foram devidamente analisados em primeira instância, pelo que peço vênia para transcrever abaixo os principais trechos do voto condutor do acórdão recorrido: Em relaçao à figura da denúncia espontânea, contemplada no art.138 do CTN, frisese a sua inaplicabilidade ao fato, porque, juridicamente, só é possível haver denúncia espontânea de fato desconhecido pela autoridade, o que não é o caso do atraso na entrega da declaração, que se toma ostensivo com o decurso do prazo fixado para a sua entrega tempestiva. Sobre o assunto, foi o seguinte o posicionamento do STJ em decisão unânime de sua Primeira Turma provendo o RE da Fazenda Nacional n° 246.963/PR (acórdão publicado em 05/06/2000 no Diário da Justiça da União DJUe): Tributário. Denúncia espontânea. Entrega com atraso de declaração de contribuições e tributos federais DCTF. 1. A entidade "denúncia espontânea” não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF. 2. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. 3. Recurso especial provido. Digno de transcrição o seguinte trecho do voto do relator, Min. José Delgado: A extemporaneidade na entrega de declaração do tributo é considerada como sendo o descumprimento, no prazo fixado pela norma, de uma atividade fiscal exigida do contribuinte. É regra de conduta formal que não se confunde com o não pagamento do tributo, nem com as multas decorrentes por tal procedimento. A responsabilidade de que trata o art. 138, do CTN, é de pura natureza tributária e tem sua vinculação voltada para as obrigações principais e acessórias àquelas vinculadds. .. As denominadas obrigações acessórias autônomas não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN Elas se impõem' como normas necessárias para que possa ser exercida a atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem qualquer laço com os efeitos de qualquer fato gerador do mesmo. A multa aplicada é em decorrência do poder de polícia exercido pela Fl. 57DF CARF MF Processo nº 19679.009024/200501 Acórdão n.º 1003000.152 S1C0T3 Fl. 9 8 administração pelo não cumprimento de regra de conduta imposta a uma determinada categoria de contribuinte. Citese, ainda, Acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais n° 0201.046, sessao de 18/06/01, assim ementado: › DCTF MULTA POR ATRASO NA ENTREGA ESPONTANEIDADE INFRAÇÃO DE NATUREZA F ORMAL. O principio da denúncia espontânea não inclui a prática de ato formal, não estando alcançado pelos ditames do art. 138 do Código Tributário Nacional. Recurso Negado. Não obstante os fundamentos expostos pela DRJ, o CARF também já possui posição consolidada sobre a questão, conforme se depreende da súmula 49 deste Conselho: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Em suma, a exoneração da multa pelo atraso na entrega de declaração fundada na Denúncia espontânea não se aplica aos casos de multas decorrentes de descumprimento de obrigações acessórias. Isso se explica pelo fato da natureza da obrigação acessória, que é autônoma do tributo cobrado. Assim, quando se descumpre a obrigação acessória, nasce um direito autônomo à cobrança (art. 113, § 3°, do CTN). Isto posto, voto por não acolher as preliminares e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 58DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15563.720021/2016-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/12/2011 a 29/02/2012
IPI. LANÇAMENTO DE OFÍCIO PARA CONSTITUIR AS DIFERENÇAS DO IMPOSTO LANÇADAS A MENOR NA DCTF.
Serve o auto de infração para constituir o crédito tributário em relação às diferenças de IPI. Em contraste com a documentação contábil e fiscal, detectou-se lançamento a menor do imposto nas DCTFs do período. A Recorrente não trouxe provas para ilidir as diferenças apontadas. Recurso Voluntário a que se nega provimento
Numero da decisão: 3301-005.063
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente.
SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior
Nome do relator: SALVADOR CANDIDO BRANDAO JUNIOR
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LANÇAMENTO DE OFÍCIO PARA CONSTITUIR AS DIFERENÇAS DO IMPOSTO LANÇADAS A MENOR NA DCTF. Serve o auto de infração para constituir o crédito tributário em relação às diferenças de IPI. Em contraste com a documentação contábil e fiscal, detectouse lançamento a menor do imposto nas DCTFs do período. A Recorrente não trouxe provas para ilidir as diferenças apontadas. Recurso Voluntário a que se nega provimento Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente. SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vicepresidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 72 00 21 /2 01 6- 12 Fl. 379DF CARF MF 2 Relatório Tratase de auto de infração fls. 301307 lavrado em 27/01/2016 para lançamento e constituição do crédito tributário referente ao imposto sobre produtos industrializados IPI em razão de diferenças apuradas no confronto entre o montante declarado em DCTF e os montantes devidos em razão das notas fiscais emitidas no período fiscalizado. Este auto de infração constitui os créditos tributários de IPI em relação aos fatos geradores ocorridos nos meses de dezembro de 2011, janeiro e fevereiro de 2012. Conforme exposto pela autoridade fiscal no Termo de Verificação Fiscal de fls. 103105, foi realizada uma análise da Escrituração Contábil Digital dos exercícios de 2011 e 2012 e foi baixado do Sistema Receitanet BX os arquivos das notas fiscais de saída. Com base nisso, foi elaborado um relatório (fls. 106288) contendo o demonstrativo das vendas de cigarros por cada nota fiscal, desprezandose as notas fiscais canceladas. Com base neste demonstrativo, foi elaborado um demonstrativo de apuração do IPI (fls. 289290), consolidando o valor devido de IPI conforme a legislação aplicável para os meses de 12/2011 até 02/2012 e constatouse uma diferença de IPI a lançar quando comparado com os montantes declarados a menor em DCTF no período apurado. Ressaltese, ainda, os diversos termos de intimação e reintimação para apresentação de documentos, explicações sobre pontos da escrita contábil e fiscal, validações de ECD, informações sobre existência processos judiciais (fls. 4198). Com exceção de uma única vez em que a contribuinte respondeu uma das intimações (fls 8296) para juntar comprovantes de despesas com advogados, suas respostas sempre foram com o intuito de solicitar dilação de prazo, apresentando argumentos de que foi alterada a gestora da empresa e que esta vinha encontrando muitas dificuldades para atender à fiscalização e separar os documentos solicitados (diante do imenso volume), colocando seus arquivos à disposição da fiscalização para uma análise no local. Nem mesmo o termo de intimação de fl. 97 foi atendido pela contribuinte, na qual foi requisitada pela autoridade fiscal a apresentação de cópias de petições judiciais ajuizadas pela contribuinte, bem como cópias de certidão de objeto e pé, medidas liminares, sentenças e demais decisões judiciais que pudesse ter obtido, limitandose a solicitar prorrogação de prazo. Intimada do auto de infração, a contribuinte apresentou sua Impugnação de fls. 323327, instaurando o contencioso administrativo, para argumentar, em síntese, que o auto de infração deve ser cancelado em razão da existência de um processo judicial em andamento, de nº 000758767.2006.4.02.5110, afirmando a existência de uma decisão judicial que impediria o lançamento em análise e porque não computou o ônus do tributo nos preços finais de seus tributos. Solicitou, ao final, a baixa do processo em diligência para a procuradoria da fazenda nacional para que esta elabore um parecer técnicojurídico a fim de conferir a aplicação dos efeitos suspensivos da cobrança do imposto alcançada pela medida judicial. Não há quase nenhuma informação acerca do processo judicial, nem mesmo seu objeto, apenas informando que está em sede de Recurso Especial interposto pela contribuinte, o que significa que há um acórdão em grau de Apelação proferido em sentido contrário aos interesses da contribuinte. Fl. 380DF CARF MF Processo nº 15563.720021/201612 Acórdão n.º 3301005.063 S3C3T1 Fl. 380 3 Salientese que não houve juntada de provas e decisões do processo judicial, bem como não houve nenhuma contradita, documentos e escritas contábeis e fiscais para se opor ao núcleo da autuação, qual seja, lançamento de diferenças de IPI em decorrência de declaração a menor em DCTF. Em 29 de agosto de 2016, a d. 3º Turma da DRJ/JFA proferiu o acórdão nº 0960.669 (fls. 356360) julgando improcedente a impugnação para manter o crédito tributário: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 31/12/2011, 31/01/2012, 28/02/2012 IPI. FALTA DE RECOLHIMENTO.CONFRONTO ENTRE NOTAS FISCAIS E DCTF. LEGITIMIDADE. Constatada insuficiência de recolhimento com base no confronto entre o valor do imposto lançado na nota fiscal e aquele declarado em DCTF, é de se exigir em procedimento de ofício a diferença não declarada. DILIGÊNCIA TÉCNICA. DESNECESSIDADE. LIVRE CONVICÇÃO DO JULGADOR. Desnecessária se mostra a diligência solicitada por se tratar de pesquisa quanto ao teor de processo judicial citado na insurgência com lide extinta há anos sem julgamento de mérito. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A turma julgadora ressaltou que não há nenhuma insurgência contra as diferenças de IPI apurada pela fiscalização e informa, ainda, que fez uma consulta ao processo judicial e encontrou a informação de que o processo está encerrado e que não existe nenhum recurso ao STF. Em vista disso, entendeu como desnecessária, nos termos do artigo 18 do Decreto nº 70.235/72, a diligência solicitada na impugnação para verificação da abrangência da decisão judicial já referida. Não há de ser necessária diligência técnica para avaliar litígio encerrado sem julgamento de mérito pela autoridade judiciária. Intimada da r. decisão, a contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário (fls. 364373) repisando os argumentos trazidos em sua impugnação, acrescentando, ainda, a necessidade de declaração de nulidade do julgamento de 1ª instância administrativa, em razão da recusa em baixar os autos em diligência perante a Procuradoria da Fazenda Nacional, o que resulta em preterição do direito de defesa nos termos do art. 59, II, Decreto 70.235/1972. É a síntese do necessário. Voto Fl. 381DF CARF MF 4 Conselheiro SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR O recurso é regular e tempestivo, merecendo ser conhecido. Realizado o breve relato, passo a analisar o Recurso Voluntário, fixando, de plano, a matéria da controvérsia. A Recorrente foi autuada em razão de diferenças de IPI encontradas nos documentos fiscais emitidos nas vendas de cigarros em comparação com o montante de imposto devido na DCTF. Lavrado o auto de infração, a Recorrente não impugnou a matéria do auto de infração, repetindo esta ausência também em seu recurso voluntário. Quanto ao mérito, portanto, não há controvérsia, tendo em vista que este ponto não foi contraditado pela Recorrente, trazendose fundamentos e documentos para explicar e afastar as supostas diferenças a maior encontradas quando comparadas com a DCTF. Limitou a argumentar pela insubsistência do auto de infração em razão da existência de um processo judicial que supostamente impediria o lançamento. A Recorrente não fixou os limites da demanda judicial, não apresentou cópia da petição inicial, decisões interlocutórias, sentenças, recursos e acórdãos. Absolutamente nada, nenhuma informação sobre este processo judicial consta dos autos, nem mesmo o Tribunal em que tramita referida ação foi informado pela Recorrente. Em consulta ao Tribunal Regional Federal da 2ª Região é possível encontrar este processo na busca pelo número 000758767.2006.4.02.5110. Consta a informação de que o objeto da ação é o imposto sobre produtos industrializados, mas não nenhuma informação sobre qual aspecto do imposto se está discutindo. Também consta a informação que o processo tramita sob sigilo e o último movimento do processo é o que segue: 18/04/2017 17:03 Suspensão por AGUARDA DECISÃO DE INSTÂNCIA SUPERIOR O processo é físico e por estar em sigilo não é possível analisar seu conteúdo, peças e decisões. Por haver esta informação de que aguarda decisão de instância superior, foi realizada busca pelo número do processo no site do STF, onde não consta nenhum recurso nesta corte. O mesmo foi realizado no site do STJ e o processo está em fase de Recurso Especial apresentado pela contribuinte, ora Recorrente. Assim, se a Recorrente apresentou Recurso Especial ao STJ, significa que, ao menos em grau de apelação, teve contra si uma decisão desfavorável proferida pelo TRF da 2ª Região. As informações que se extrai sobre o processo no Superior Tribunal de Justiça são as que segue: Em 06/05/2016 foi proferida decisão monocrática pelo não conhecimento do recurso especial da contribuinte por intempestividade. A contribuinte apresentou agravo interno para julgamento pelo colegiado. Este agravo interno foi julgado em 30/06/2017, mantendo a decisão pelo não conhecimento do recurso especial por intempestividade. Assim, resumese que, seja qual for o objeto desta ação, não há nenhuma decisão favorável à Recorrente. Fl. 382DF CARF MF Processo nº 15563.720021/201612 Acórdão n.º 3301005.063 S3C3T1 Fl. 381 5 Ressaltese que esta busca processual era desnecessária de ser feita por esta instância de julgamento. Caberia à Recorrente trazer aos autos todas as informações, peças e decisões favoráveis ao seu pleito para garantia de seu direito. Para tanto, a Recorrente teve duas oportunidade, impugnação e recurso voluntário. Não o fez, limitandose a pleitear diligência para que a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentasse informações sobre este processo. Nada mais impertinente. Diante da negativa de diligência pela decisão de primeira instância, por não ter encontrado informações sobre o processo, a Recorrente formula o pleito de nulidade da r. decisão, insistindo na necessidade da diligência. Isso porque, argumenta a Recorrente, o processo tramita em segredo de justiça, sendo necessária a remessa dos autos à PGFN para que esta informe os dados do processo. No entanto, independentemente de o processo tramitar em segredo de justiça, a Recorrente é parte no processo judicial, portanto, para ela, não há segredos. Muito ao contrário, há acesso total aos autos e certamente possui cópias de todas as peças e decisões deste processo. Caberia à Recorrente juntar aos autos estes documentos. Desnecessária a realização da diligência, portanto, pois bastaria a Recorrente juntar todas as informações relativas ao processo judicial que entendesse necessárias para a demonstração e garantia de seu direito. Afasto os argumentos pela nulidade da r. decisão de 1ª instância. Em vista de tudo o quanto exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR Relator Fl. 383DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10435.720924/2013-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2010
Lançamento. Enquadramento Legal. Descrição Correta dos Fatos. Cerceamento de Defesa. Nulidade.
Não há cerceamento do direito de defesa, nem nulidade do lançamento, quando haja descrição clara e precisa dos fatos imputados ao contribuinte.
Simples Nacional. Base de Cálculo. Receita Bruta.
A base de cálculo do Simples Nacional é a receita bruta mensal, não se admitindo a dedução de qualquer tipo de despesa.
Multa. Efeito de Confisco. Exame na Esfera Administrativa. Impossibilidade.
No processo administrativo tributário é vedado o exame do caráter confiscatório da multa, por implicar a realização de controle de constitucionalidade, que foge à competência do CARF, conforme entendimento consagrado na Súmula CARF nº 2.
Multa de Ofício. Redução a 20%. Falta de Previsão Legal.
Não pode ser acolhida a pretensão de reduzir a multa de ofício a 20% ante a falta de amparo legal.
Numero da decisão: 1301-003.366
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade, e no mérito negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2010 Lançamento. Enquadramento Legal. Descrição Correta dos Fatos. Cerceamento de Defesa. Nulidade. Não há cerceamento do direito de defesa, nem nulidade do lançamento, quando haja descrição clara e precisa dos fatos imputados ao contribuinte. Simples Nacional. Base de Cálculo. Receita Bruta. A base de cálculo do Simples Nacional é a receita bruta mensal, não se admitindo a dedução de qualquer tipo de despesa. Multa. Efeito de Confisco. Exame na Esfera Administrativa. Impossibilidade. No processo administrativo tributário é vedado o exame do caráter confiscatório da multa, por implicar a realização de controle de constitucionalidade, que foge à competência do CARF, conforme entendimento consagrado na Súmula CARF nº 2. Multa de Ofício. Redução a 20%. Falta de Previsão Legal. Não pode ser acolhida a pretensão de reduzir a multa de ofício a 20% ante a falta de amparo legal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade, e no mérito negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
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ENQUADRAMENTO LEGAL. DESCRIÇÃO CORRETA DOS FATOS. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. Não há cerceamento do direito de defesa, nem nulidade do lançamento, quando haja descrição clara e precisa dos fatos imputados ao contribuinte. SIMPLES NACIONAL. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. A base de cálculo do Simples Nacional é a receita bruta mensal, não se admitindo a dedução de qualquer tipo de despesa. MULTA. EFEITO DE CONFISCO. EXAME NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. No processo administrativo tributário é vedado o exame do caráter confiscatório da multa, por implicar a realização de controle de constitucionalidade, que foge à competência do CARF, conforme entendimento consagrado na Súmula CARF nº 2. MULTA DE OFÍCIO. REDUÇÃO A 20%. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não pode ser acolhida a pretensão de reduzir a multa de ofício a 20% ante a falta de amparo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade, e no mérito negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 72 09 24 /2 01 3- 01 Fl. 711DF CARF MF Processo nº 10435.720924/201301 Acórdão n.º 1301003.366 S1C3T1 Fl. 712 2 (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de recurso interposto por EMMANUEL FERNANDES DE FREITAS GÓIS ME, empresário individual já qualificado nos autos, contra o Acórdão nº 1046.773, da 6ª Turma da DRJ Porto Alegre, que negando provimento à impugnação do recorrente, mantevese contra este o lançamento que exigia crédito tributário no montante de R$ 781.322,68, relativo ao Simples Nacional. A Fiscalização constatou que o recorrente havia prestado serviços a diversos municípios no ano de 2010, mas não informou as receitas na Declaração Anual do Simples Nacional DASN, na qual não fora declarado qualquer valor. A autoridade fiscal verificou, outrossim, que a atividade econômica do recorrente era a prestação de serviço de sonorização e iluminação. A omissão de receita, no período, foi de R$ 3.814.108,80, mas não houve recolhimentos de Simples no período. Não resignado, o contribuinte impugnou o lançamento. A DRJ POA negou provimento à impugnação em acórdão assim ementado: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2010 LANÇAMENTO. NULIDADE. Descritos os fatos que fundamentam a exigência fiscal e estando juridicamente qualificados pelas normas no enquadramento legal, não há ofensa aos princípios constitucionais do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal, não se caracterizando o cerceamento do direito de defesa do contribuinte. AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITA. BASE DE CÁLCULO. LANÇAMENTOS DECORRENTES PIS COFINS CSLL IRPJ INSS. A verificação de omissão de receitas constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. A base de cálculo da tributação pelo Simples Nacional é o valor bruto da nota fiscal de prestação de serviço emitida pelo contribuinte. Dada a intima relação de causa e efeito, aplicamse aos lançamentos reflexos o decidido no principal. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. Fl. 712DF CARF MF Processo nº 10435.720924/201301 Acórdão n.º 1301003.366 S1C3T1 Fl. 713 3 A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. A multa aplicada nos estritos limites previstos em lei não viola os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade e não caracteriza confisco, sendo defeso à autoridade julgadora administrativa afastar a sua aplicação. APRESENTAÇÃO POSTERIOR DE DOCUMENTOS A apresentação de documentos deve obedecer ao disposto no artigo 16 do Decreto n° 70.235/1972. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Contra o acórdão da DRJ POA foi interposto recurso. O recorrente arguiu, em preliminar, a nulidade do lançamento, tendo em vista a deficiência na tipificação do fato. O enquadramento legal da infração consistiu em indicar uma profusão de dispositivos, dificultando o exercício do direito de defesa, já que o recorrente não sabia de que se defender, nem o dispositivo que efetivamente disciplinava o lançamento. No mérito, afirmou o recorrente que a atividade econômica por ele exercida era a intermediação de atrações musicais de âmbito nacional, e que por esse serviço recebe apenas comissões, que são as suas receitas. A Fiscalização constatou que o recorrente, em 2010, havia recebido valores de seis municípios de Pernambuco e de um da Paraíba. A autoridade fiscal, entretanto, supôs que o recorrente não os teria incluído na Declaração Anual do Simples Nacional DASN. A mesma autoridade constatou que o recorrente tinha por objeto as atividade de sonorização, iluminação, publicidade, locação de coberturas, palcos e outras estruturas para uso temporário, produção musical, artes cênicas, espetáculos e atividades complementares, além de impressão de material para uso publicitário. Porém, dentro dessa gama de atividades, a que se destaca como preponderante é o planejamento de eventos e festas, no mais das vezes, contratado por Municípios, para a realização de eventos culturais tradicionalmente inseridos no calendário municipal. O recorrente aufere apenas a receita de comissão, sendo a maior parte da quantia recebida destinada aos artistas e às empresas de produção musical, conforme se vê nas disposições contratuais. A pedido de determinado cliente, a empresa realiza a contratação junto à produtora responsável pelos artistas, em seguida recebe o valor, realiza o repasse, e fica com a parcela referente à comissão. A Fiscalização, porém, não atentando para esse fato, constituiu crédito tributário sobre a totalidade da quantia repassada pelos municípios. Frisou o recorrente que esse tipo de atividade, há muito tempo, vem sendo considerada, pela jurisprudência pátria, como passível de inserção no Simples Nacional. O lançamento, além das razões já expostas, seria incabível porque baseado em presunção, que não é aceita como meio para se apurar a base de cálculo de qualquer tributo, tendo em vista o princípio da legalidade. Diz o recorrente que, no caso, nem sequer de presunção se trata, mas apenas de indícios. Fl. 713DF CARF MF Processo nº 10435.720924/201301 Acórdão n.º 1301003.366 S1C3T1 Fl. 714 4 Outro aspecto suscitado é a impossibilidade de exigência de contribuição previdenciária das empresas enquadradas no Simples Nacional, as quais não estariam sujeitas ao desconto pela fonte pagadora de 11% do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, nos termos do art. 31 da Lei nº 8.212/1991. Alegou ainda o caráter confiscatório e a inconstitucionalidade da multa, requerendo, na hipótese de ser mantida a penalidade, a redução do percentual a 20%. Por fim, invocou a aplicação do princípio in dubio pro reo, com fulcro no art. 112 do Código Tributário Nacional CTN. Com esses fundamentos, fez os seguintes pedidos: a) a declaração de nulidade do lançamento; b) a improcedência da autuação, tendo em vista a atividade do recorrente ser a intermediação de eventos festivos, auferindo como receita apenas as comissões; c) o reconhecimento do caráter confiscatório da multa, com sua redução a 20%; e d) a interpretação mais favorável ao contribuinte no caso de dúvida, nos termos do art. 112 do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Silva Junior, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos gerais de admissibilidade. A preliminar de nulidade deve ser rejeitada. O recorrente alegou, sem razão, que, ao indicar os fundamentos legais do lançamento, a autoridade fiscal mencionou uma enorme quantidade de dispositivos, confundindo o recorrente e dificultando o exercício do direito de defesa. Não é verdadeira a assertiva de que o lançamento contém uma profusão de dispositivos legais. O que existe é a repetição sistemática dos mesmos dispositivos para cada tributo contido no Simples Nacional. Como esse regime abrange IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e Contribuição Previdenciária Patronal, a repetição dos dispositivos da Lei Complementar nº 123/2006 e das Resoluções do CGSN fez parecer que havia uma grande quantidade de dispositivos. Além disso, foram indicados também os dispositivos que dão respaldo à exigência da multa de ofício e dos juros de mora. Tudo isso gera a impressão de que havia um amontoado caótico de disposições legais e regulamentares. Essa impressão, todavia, se desfaz com uma simples leitura do auto de infração, bastando para tanto que se tenha familiaridade com a matéria tributária. No mais, é clara a descrição dos fatos imputados ao recorrente, o que, em tese, basta para garantir o exercício do direito de defesa, sabendose que o autuado se defende dos fatos. Portanto, rejeitase a preliminar de nulidade. Fl. 714DF CARF MF Processo nº 10435.720924/201301 Acórdão n.º 1301003.366 S1C3T1 Fl. 715 5 Quanto ao mérito, o recorrente afirmou que sua atividade era a intermediação de atrações musicais, serviço pelo qual recebia apenas comissões, que eram as suas receitas. A alegação não pode ser aceita. Em primeiro lugar, nos contratos, notas de emprenho e demais documentos apresentados, o recorrente figura como a parte contratada, e não como intermediário. Para ele foi transferida a totalidade dos valores dos contratos. Além disso, a legislação do Simples Nacional, a que estava submetido o recorrente no ano de 2010, não prevê a exclusão, da base de cálculo, de quantias eventualmente repassadas a pessoas ou empresas subcontratadas. A propósito da matéria, são precisas as ponderações do relator da decisão da DRJ POA. Diz ele: O contribuinte afirma que sua atividade era de sonorização, iluminação, publicidade, locação de coberturas, palcos e outras estruturas para uso temporário, produção musical, artes cênicas, espetáculos e atividades complementares, além de impressão de material para uso publicitário, sendo preponderante o planejamento de eventos e festas, utilizandose do expediente de intermediar atrações musicais. Nesse ponto, saliento que a Classificação de Atividade Econômica (CNAE Fiscal) declarada na Declaração Anual do Simples Nacional é a de n° 9001906 e compreende a atividade de sonorização e iluminação. Caso fosse realmente agenciador de atrações musicais, estaria comprometida sua permanência no Simples Nacional. Isso porque o art. 17, inciso XI, da Lei Complementar n° 123/2006 veda a opção por aquela sistemática de pagamentos às empresas que prestem qualquer tipo de intermediação de negócios. As Notas de Empenho, as Notas Fiscais de Serviços e os Termos de Contrato firmados com as Prefeituras de Prata, de Buíque, de Ibimirim, de Ingazeira, de Ouricuri, de Itaiba e de Tuparetama, anexados aos autos, confirmam que houve contratação de atrações musicais, sendo a contratada a empresa "Emmanuel Fernandes de Freitas Góis ME", pelo total da operação. Após, conforme "Instrumentos Particulares de Contrato de Locação de Serviços de Apresentação Artística", anexados aos autos pelo Impugnante, este subcontrata o show, repassando parte do que já recebeu das Prefeituras. Tendo a empresa optado pelo Simples Nacional, a apuração do lucro é substituída pela aplicação de percentual sobre a totalidade da receita bruta, sendo assim desprezados os demais custos e despesas (art 3º, parágrafo 1º da Lei Complementar n° 123/2006). Não se encontra na legislação de regência o permissivo para que o impugnante, que optou pelo Simples Nacional, não pelo Lucro Real, possa expurgar da receita bruta base de cálculo dos tributos e contribuições recolhidos por essa sistemática de pagamentos os valores pagos aos artistas e à empresa de produção musical. A condição do contribuinte é de vendedor, não de agente em relação aos serviços constantes nos empenhos, notas fiscais e contratos firmados com as Prefeituras, e o preço constante destes é a sua receita bruta em cada operação, não o diferencial entre o valor do preço cobrado dos contratantes dos serviços e o valor pago aos artistas e à empresa de produção musical. O fato de ter transferido a maior parte destes valores a terceiros não autoriza a dedução destes valores da receita bruta tributada no Simples Nacional com a consequente redução dos tributos devidos. (fl. 664) Fl. 715DF CARF MF Processo nº 10435.720924/201301 Acórdão n.º 1301003.366 S1C3T1 Fl. 716 6 O recorrente afirmou que o lançamento foi baseado em presunções. A afirmação é equivocada. O ilícito apurado foi a omissão de receitas, comprovada por prova direta, a saber: contratos, notas de empenho, recibos, e, sobretudo, por informações fornecidas pelas fontes pagadoras, as Prefeituras Municipais. Insurgiuse o recorrente também contra uma suposta retenção na fonte de contribuição previdência de 11%, na forma do art. 31 da Lei nº 8.212/1991. Não se sabe com que propósito o assunto foi trazida à baila, já que é estranho ao lançamento, que não exige contribuição previdenciária de 11%, com fulcro art. 31 da Lei nº 8.212. Aqui, o objeto da exigência tributária é outro. Seja como for, se houve retenção na fonte de contribuição previdenciária sobre receitas de empresa incluída no Simples Nacional, o procedimento adequado é o pedido de restituição, em procedimento autônomo. Este processo não é o espaço adequado para deduzir essa pretensão. No que tange à alegação de efeito confiscatório da multa de 75%, cabe frisar que a matéria não pode ser examinada na via administrativa. Tampouco se admite que, considerando esse argumento, se afaste a aplicação de lei ou ato normativo, em favor dos quais existe presunção de constitucionalidade. No mais, o art. 26A do Decreto nº 70.235/1972 proíbe que se faça controle de constitucionalidade no processo administrativo tributário: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. O mesmo entendimento está consolidado no enunciado da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Também é incabível a redução da multa a 20%, como pede o recorrente em caráter subsidiário, ante a absoluta falta de amparo legal. Por fim, quanto ao pedido para que, havendo dúvida, fosse adotada a solução mais favorável ao recorrente, cabe dizer que ele não apontou a matéria sobre a qual haveria dúvida capaz de atrair a aplicação do art. 112 do CTN. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento à pretensão do recorrente. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 716DF CARF MF
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Numero do processo: 11836.000049/2006-50
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 25/10/2006
TRANSPORTADOR. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO ATENDIMENTO. EMBARAÇO A FISCALIZAÇÃO. OCORRÊNCIA.
O transportador internacional, ou seu representante no país, está obrigado a manter em boa guarda e a apresentar à fiscalização aduaneira, quando exigidos, os documentos e registros relativos às transações que intervier dentro do prazo decadencial para a constituição do crédito tributário. Sujeitando-se a multa por embaraço a fiscalização, quando do não atendimento à intimação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.394
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO ATENDIMENTO. EMBARAÇO A FISCALIZAÇÃO. OCORRÊNCIA. O transportador internacional, ou seu representante no país, está obrigado a manter em boa guarda e a apresentar à fiscalização aduaneira, quando exigidos, os documentos e registros relativos às transações que intervier dentro do prazo decadencial para a constituição do crédito tributário. Sujeitandose a multa por embaraço a fiscalização, quando do não atendimento à intimação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 6. 00 00 49 /2 00 6- 50 Fl. 91DF CARF MF Processo nº 11836.000049/200650 Acórdão n.º 3002000.394 S3C0T2 Fl. 92 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório Adoto o relatório do Acórdão recorrido por bem retratar as vicissitudes do presente processo: "Tratase da exigência de crédito tributário no valor de R$ 5.000,00, decorrente da aplicação da penalidade prevista na alínea "c" do inciso IV do art. 107 do Decretolei n° 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Conforme relatado pela autoridade autuante, a referida multa foi aplicada pelo fato de a empresa acima qualificada não haver atendido à Intimação n° 21/2006, para prestação de esclarecimentos e apresentação de documentos sobre as cargas relacionadas, no prazo estipulado inicialmente de 10 dias e postergado por mais 30 dias. Cientificada do lançamento em 27/12/2006 (fls. 11112), a contribuinte 4111 apresentou impugnação em 26/01/2007, Es. 13/19, alegando, em síntese, que: (a) como todas as cargas mencionadas no Termo de Intimação são datadas de janeiro de 2001, a transportadora não mais coleciona documentos referentes aos ditos casos, vez ter cumprido fielmente sua obrigação contratual de transporte aéreo perante seus clientes e perante o Ministério da Fazenda; (b) não há que se equiparar a postura adotada como "embaraço", "impedimento" ou "não atendimento" às determinações da SRF, vez que a impugnante não possui qualquer obrigação legal de conhecer o paradeiro de uma carga por ela transportada há mais de seis anos; (c) logo, não pode ser vitima de multa quando cumpriu com todas as suas obrigações legais e contratuais à época do transporte daquelas mercadorias; (d) caso a SRF insista na obtenção de informações sobre as ditas cargas, requer seja determinada a intimação exclusiva dos proprietários das mesmas, vez que estes são os 010 únicos aptos a ter conhecimento de tal fato. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 11836.000049/200650 Acórdão n.º 3002000.394 S3C0T2 Fl. 93 3 O julgamento do presente processo foi convertido em diligência, conforme despacho de fl. 21, para que fosse apresentada documentação hábil a sanar os defeitos de representação processual verificados. Com a adoção da providência solicitada e saneamento dos autos (fls. 22/43), retornaram os mesmos a esta Delegacia para prosseguimento." Analisando as argumentações da contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (DRJ/SPOII) julgou improcedente a Impugnação apresentada, por Acórdão que possui a seguinte ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 20/10/2006 Ementa: MULTA REGULAMENTAR. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. Aplicase a multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não apresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal. Lançamento Procedente Em seqüência, após ser cientificada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (53/58), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, repisando fatos e argumentos já apresentados, em suma: que o prazo para a guarda de documentos seria de 5 anos e a recorrente teria sido intimada apenas 5 anos e quase 12 meses após o fato gerador; que o art. 138 do CTN se refere ao direito de a Fazenda exigir tributos e não de exigir documentos ou esclarecimentos; que a conduta da recorrente não impediu a constituição de eventual crédito tributário, porque tal crédito não poderia mais ser cobrado, devido ao transcurso do prazo decadencial previsto no art. 138 do CTN; e, por fim, que o art. 32 do DecretoLei nº 2.472/88 não se aplicaria ao caso, pois não haveria de se falar em obrigação da recorrente pagar qualquer tributo. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 11836.000049/200650 Acórdão n.º 3002000.394 S3C0T2 Fl. 94 4 O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. A questão posta em discussão se refere a pertinência e adequação da autuação fiscal imposta a ora recorrente por ter, supostamente, embaraçado ou dificultado a fiscalização e, por isso, ter ficado sujeita a penalidade prevista na alínea "c" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . Iomissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; ......................................................................................................... (grifo nosso) Quanto ao ato em si, que teria caracterizado, segunda a fiscalização, o embaraço, isto é, a falta de apresentação de resposta à intimação, a recorrente não o contesta, logo, temolo como incontroverso. Contudo, a recorrente alega , por seu turno, que não poderia ser compelida a prestar informações ou a apresentar qualquer documento no caso, pois os fatos fiscalizados teriam tido lugar há mais de 5 anos e, além disso, que a administração aduaneira não teria mais o direito de lançar qualquer eventual tributo, justamente, pelo transcurso do prazo decadencial e, mesmo que o tivesse, a recorrente não seria o sujeito passivo dessa obrigação. Tais argumentos serão analisados no bojo do desenvolvimento do raciocínio jurídico do presente voto. Assim, o primeiro ponto controvertido que necessitase esclarecer referese ao prazo que a fiscalização aduaneira teria para o lançamento de tributos e multas decorrentes da constatação de falta de mercadorias na importação. O Código Tributário Nacional estipula o prazo para a fiscalização realizar a atividade vinculada de constituição do crédito tributário no art. 150, para tributos sujeitos ao lançamento por homologação, e no art. 173, regra geral. Em se tratando de exigência tributária decorrente da constatação de falta, acréscimo ou avaria de mercadorias na importação estamos diante da aplicação do disposto na regra geral: Fl. 94DF CARF MF Processo nº 11836.000049/200650 Acórdão n.º 3002000.394 S3C0T2 Fl. 95 5 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. (grifo nosso) Dessa forma, considerandose que as cargas, referidas no termo de intimação, teriam tido entrada no território brasileiro em 05/08/2001 e 13/08/2001, ao contrário do que alegou a recorrente, em realidade, a fiscalização aduaneira teria o direito de constituir o crédito tributário até 31/12/2006, logo, no momento da intimação, tal direito ainda não havia sido fulminado pela decadência. Importante esclarecer outra impropriedade asseverada pela recorrente, isto é, a afirmação de que teria sido intimada a prestar informações em dezembro, quase 6 anos após as operações de importação sob análise. Tal fato não procede. Com efeito, em dezembro, o sujeito passivo foi cientificado do auto de embaraço. A intimação para prestar informações foi recebida pela recorrente em 13 de setembro de 2006 (fl.6/7). Assentado o entendimento sobre a possibilidade do lançamento tributário de eventual tributo e multa decorrente da falta de mercadoria manifestada, vejamos se caberia a recorrente figurar no polo passivo desse lançamento. Para tanto, transcrevese os seguintes dispositivos do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, na versão vigente a época dos fatos: Art . 32. É responsável pelo imposto: (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) I o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; II o depositário, assim considerada qualquer pessoa incumbida da custódia de mercadoria sob controle aduaneiro. Parágrafo único. É responsável solidário: (incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 95DF CARF MF Processo nº 11836.000049/200650 Acórdão n.º 3002000.394 S3C0T2 Fl. 96 6 I o adquirente ou cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou redução do imposto; II o representante, no País, do transportador estrangeiro; Art.39 A mercadoria procedente do exterior e transportada por qualquer via será registrada em manifesto ou outras declarações de efeito equivalente, para apresentação à autoridade aduaneira, como dispuser o regulamento. § 1º O manifesto será submetido a conferência final para apuração de responsabilidade por eventuais diferenças quanto a falta ou acréscimo de mercadoria. § 2º O veículo responde pelos débitos fiscais, inclusive os decorrentes de multas aplicadas aos transportadores da carga ou a seus condutores. § 3º O veículo poderá ser liberado, antes da conferência final do manifesto, mediante termo de responsabilidade firmado pelo representante do transportador, no País, quanto aos tributos, multas e demais obrigações que venham a ser apuradas. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Art.41 Para efeitos fiscais, os transportadores respondem pelo conteúdo dos volumes, quando: I ficar apurado ter havido, após o embarque, substituição de mercadoria; II houver falta de mercadoria em volume descarregado com indícios de violação; III o volume for descarregado com peso ou dimensão inferior ao manifesto ou documento de efeito equivalente, ou ainda do conhecimento de carga. Art.60 Considerarseá, para efeitos fiscais: I dano ou avaria qualquer prejuízo que sofrer a mercadoria ou seu envoltório; II – extravio toda e qualquer falta de mercadoria. Parágrafo único. O dano ou avaria e o extravio serão apurados em processo, na forma e condições que prescrever o regulamento, cabendo ao responsável, assim reconhecido pela autoridade aduaneira, indenizar a Fazenda Nacional do valor dos tributos que, em conseqüência, deixarem de ser recolhidos. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 11836.000049/200650 Acórdão n.º 3002000.394 S3C0T2 Fl. 97 7 Dos dispositivos transcritos constatase que, diferentemente do alegado, a recorrente teria legitimidade para figurar no polo passivo de eventual lançamento tributário decorrente da falta de mercadoria manifestada apurada em procedimento de fiscalização. Não é outro o entendimento jurisprudencial sobre o assunto, conforme verificase no exemplo abaixo transcrito: 050539420.2004.4.02.5101 TRF2 Ementa: EMBARGOS À EXECUÇÃO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. DECRETOLEI N. /66, E A CF/88. COMPATIBILIDADE. FATO GERADOR. FALTA DE MERCADORIA. REGULAMENTO ADUANEIRO. DECRETO Nº 91.030/85 (vigente à época dos fatos). MULTA. APLICAÇÃO DEVIDA. AUSÊNCIA DE CONFISCO. 1 A Embargante foi autuada pela autoridade aduaneira, com base no artigo do artigo 478, § 1º, VI, do Regulamento Aduaneiro, após ser constatada a falta de mercadoria importada (três volumes) durante a conferência final de manifesto de carga na alfândega do aeroporto internacional de São Paulo/Guarulhos. 2 A hipótese de incidência para o imposto de importação abrange não só a entrada em território nacional de mercadoria trazida do exterior como também a falta de mercadoria que tenha sido devidamente embarcada como parte de uma operação de importação. Compatibilidade entre o art. 19 do CTN e parágrafo único do art. 23 do Decretolei nº 37/66 com o art. 146, III da Constituição Federal. 3 O fato gerador do Imposto de Importação é a entrada de mercadoria estrangeira no território nacional, nos termos do artigo 19 do CTN e esta se aperfeiçoa com a entrega do manifesto de carga de acordo com os artigos 86 e 87 do Decreto nº 91.030/85 (Regulamento Aduaneiro). 4 No caso de extravio (falta de mercadoria) ou avaria, impõese ao transportador ou ao depositário a responsabilidade pelo pagamento dos impostos, de acordo com os artigos 86, parágrafo único, 87, II, "c" e 478, § 1º, VI do Decreto nº 91.030/85. 5 A multa de mora aplicada foi de 50% sobre o valor principal atualizado, com base no artigo 521, II do Regulamento Aduaneiro então vigente, e não há qualquer discrepância na sua aplicação ao caso concreto, diante da sua natureza de pena pecuniária aplicada em razão da inércia do contribuinte devedor, em não recolher a exação devida no prazo legal. 6 Recurso conhecido e improvido. Sentença confirmada..(TRF2, 4ª TURMA ESPECIALIZADA, Processo nº 200451015053948, Relator GERALDINE PINTO VITAL DE CASTRO, data da decisão: 08/11/2016) (grifo nosso) Assim como: Fl. 97DF CARF MF Processo nº 11836.000049/200650 Acórdão n.º 3002000.394 S3C0T2 Fl. 98 8 020140616.1996.4.03.6104 TRF3 TRIBUTÁRIO. IMPORTAÇÃO. EXTRAVIO DE MERCADORIAS. IMPOSTOS SOBRE A IMPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. ART. 41 DO DL 37/66.1. Responsabilização da transportadora PRO LINE LIMITED & CO GMBH por mercadorias extraviadas de navio quando de sua chegada ao território nacional.2. No caso, cuida se do extravio de 65 caixas de bebidas, apurado em vistoria aduaneira que se realizou em11 de janeiro de 1995 no container TPXU 702.2430.3. Por previsão do art. 41 do Decretolei 37/66, a responsabilidade pelo recolhimento do Imposto de Importação, no caso de mercadoria extraviada, é do transportador.4. O termo de vistoria realizado pela Administração Aduaneira conta com presunção de legitimidade e veracidade, de resto, não afastadas pela autora.5. Mesmo que houvesse a isenção das mercadorias, isso deve ser verificado no seu ingresso em território brasileiro (art. 12 do DL 37/66), razão pela qual esta suposta condição tributária não exime a transportadora de responsabilidade.6. Negado provimento à apelação.(TRF3, AC APELAÇÃO CÍVEL 377875/SP 020140616.1996.4.03.6104, TERCEIRA TURMA, eDJF3 Judicial 1 DATA:13/09/2010 PÁGINA: 339) (grifo nosso) E, ainda: 020708456.1989.4.03.6104 TRF3 ADUANEIRO. TRIBUTÁRIO. AVARIA. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. EXIGÊNCIA DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO DEVIDO.1. O ponto nodal da questão referese à ocorrência do fato gerador e a responsabilidade do imposto de importação, imputados à apelante, em face da avaria ocorrida em bem, sob sua guarda.2. A situação avaria era prevista expressamente pelo Regulamento aduaneiro, Decreto n 91.030/85, insertas no artigo 467, cuja ocorrência, destinavase a identificar o responsável e apurar o crédito tributário dele exigível (art. 468 do mesmo Regulamento). Atualmente a questão vem disciplinada pelo Decreto nº 4.543, de 26 de Dezembro de 2002, que define o que seja avaria, extravio e acréscimo.3. No caso de avaria ou extravio, a lei impõe ao transportador e ao depositário, enquanto a mercadoria não for despachada para consumo, a responsabilidade pelo pagamento dos impostos (art 32, incisos I e II, do Decreto n 37/66, c.c. art 478 do Decreto 91.030). Dessa forma, a falta de mercadoria ou o seu dano, não excluem tais obrigados do pagamento dos tributos, quando ingressem no território aduaneiro. Resolvendo o problema, a lei determinou o momento em que se considera realizado o fato gerador do tributo, para que o Fisco possa ser indenizado. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 11836.000049/200650 Acórdão n.º 3002000.394 S3C0T2 Fl. 99 9 Tratase, aliás, de ônus assumido pelo transportador da mercadoria, tendo a legislação delimitado o momento em que se afere tal responsabilidade.(...)(TRF3, TURMA SUPLEMENTAR DA SEGUNDA SEÇÃO, AC APELAÇÃO CÍVEL 131832/SP 020708456.1989.4.03.6104, JUÍZA CONVOCADA ELIANA MARCELO DJF3 DATA:25/06/2008) (grifo nosso) Dessarte, evidenciase que a administração aduaneira deve realizar o procedimento de conferência final de manifesto, visando apurar a eventual falta de mercadoria entrada no território nacional, podendo realizálo até o termo final do período decadencial e, por outro lado, que o transportador ou seu representante no país pode vir a ser responsabilizado pelos tributos e multas decorrentes. Assim, in casu, resta perquirir sobre a obrigação acessória de prestar esclarecimentos ao Fisco. Nesse desiderato, transcrevese os seguintes dispositivos legais: CTN: Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. ......................................................................................................... Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: I os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício; II os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras; III as empresas de administração de bens; IV os corretores, leiloeiros e despachantes oficiais; V os inventariantes; VI os síndicos, comissários e liquidatários; Fl. 99DF CARF MF Processo nº 11836.000049/200650 Acórdão n.º 3002000.394 S3C0T2 Fl. 100 10 VII quaisquer outras entidades ou pessoas que a lei designe, em razão de seu cargo, ofício, função, ministério, atividade ou profissão. Parágrafo único. A obrigação prevista neste artigo não abrange a prestação de informações quanto a fatos sobre os quais o informante esteja legalmente obrigado a observar segredo em razão de cargo, ofício, função, ministério, atividade ou profissão. (grifo nosso) DecretoLei nº 37/66: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (grifo nosso) Lei nº 10.833/03: Art. 71. O despachante aduaneiro, o transportador, o agente de carga, o depositário e os demais intervenientes em operação de comércio exterior ficam obrigados a manter em boa guarda e ordem, e a apresentar à fiscalização aduaneira, quando exigidos, os documentos e registros relativos às transações em que intervierem, ou outros definidos em ato normativo da Secretaria da Receita Federal, na forma e nos prazos por ela estabelecidos. (grifo nosso) Dessa maneira, percebese que a recorrente estava obrigada pela legislação de regência tanto a prestar informações sobre as mercadorias por ela transportadas, como a manter em boa guarda todos os documentos relacionados, até o fim do prazo que a Fazenda Pública detinha para constituir eventual crédito tributário, que, no caso concreto analisado, se encerraria em 31 de dezembro de 2006. Em decorrência do explanado, não se verifica nenhuma razão para a irresignação da recorrente e, por conseqüência, há que se reconhecer que de modo algum existe qualquer mácula ou vício no Acórdão ora combatido, devendo, portanto, ser denegado o pedido de reforma da decisão de primeira instância e, como resultante, estando comprovado nos autos o embaraço à fiscalização, deve ser mantido o auto de infração lavrado pela autoridade aduaneira da Alfândega do Aeroporto Internacional de Viracopos. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 11836.000049/200650 Acórdão n.º 3002000.394 S3C0T2 Fl. 101 11 Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário para manter o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 101DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.722394/2014-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011
GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS. MÚTUO SEM ÔNUS. DESNECESSIDADE DAS DESPESAS.
Se a empresa obteve empréstimos junto a instituições financeiras, com previsão de pagamento de juros, e repassou recursos a terceiros por meio de contratos de mútuos sem previsão de recebimento de juros, as despesas de juros contabilizadas tornam-se não dedutíveis em razão do caráter de liberalidade atribuído ao mútuo sem ônus que foi concedido por ela.
GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS. UTILIZAÇÃO DO EMPRÉSTIMO NA IMOBILIZAÇÃO EM IMÓVEIS DE TERCEIROS. DEDUTIBILIDADE.
Se a empresa obteve recursos junto a instituições financeiras e os utilizou para efetuar imobilização em imóveis de terceiros, a despesa financeira decorrente do financiamento obtido é dedutível, uma vez que não houve comprovação de abuso no modelo arquitetado.
GLOSA DE DESPESAS COM ARRENDAMENTO DE AERONAVES. COMPROVAÇÃO DA UTILIZAÇÃO NO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE. DEDUTIBILIDADE.
Se os documentos apresentados pela empresa à fiscalização - relatórios de planos de voo, de obrigatoriedade da ANAC e INFRAERO - demonstram que os deslocamentos ocorreram dos locais ou para os locais em que a empresa possui estabelecimentos, há que se aceitar as despesas com aeronaves dedutíveis para fins fiscais.
GLOSA DE DESPESAS COM EMISSÃO DE DEBÊNTURES. NÃO COMPROVAÇÃO.
Qualquer despesa que venha a ser abatida da base de cálculo do IRPJ deve ser comprovada com documentação hábil e idônea de sua ocorrência, cabendo o lançamento do imposto caso isto não ocorra.
GLOSA DE DESPESAS COM PERDA DE CRÉDITOS. TEMPORALIDADE NECESSÁRIA.
A alínea "a" do inciso II da Lei nº 9.430/1996 estabelece que as perdas no recebimento de créditos, sem garantia de valor, de até R$ 5.000,00 (cinco mil reais) poderão ser deduzidas do lucro real se vencidos há mais de 6 (seis) meses. No caso, os créditos vencidos nas datas de 01 e 03 de julho de 2010 somente poderiam ser deduzidos da base do IRPJ a partir das datas de 01 e 03 de janeiro de 2011, respectivamente. Como foram deduzidos ainda no ano-calendário de 2010, correta a glosa efetuada pela fiscalização.
GLOSA DE DESPESAS COM JUROS INCIDENTES SOBRE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS PARCELADOS NO REFIS. DEDUTIBILIDADE.
De acordo com a Solução de Consulta nº 66/2011, os débitos do sujeito passivo relativos a juros de mora referentes a tributos e contribuições lançados em auto de infração e consolidados em parcelamento já deferido são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência.
MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. ABSORÇÃO OU CONSUNÇÃO.
A multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor. Pelo princípio da absorção ou consunção, contudo, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na mesma medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo. Tratando-se de mesmo tributo, esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem.
CSLL. REFLEXO.
Por decorrerem dos mesmos elementos e pelo fato da recorrente não ter adentrado em outras questões referentes à base de cálculo da referida contribuição social, aplico à CSLL o quanto disposto em relação ao IRPJ.
Numero da decisão: 1401-002.736
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso em relação à glosa de despesas com aeronaves, à glosa de despesas financeiras de mútuos com propósito específico para a compra e construção de imóveis e à glosa de despesas com juros sobre pagamentos ao REFIS; negar provimento em relação à glosa de despesas com emissão de debêntures, glosa de perdas com recebimento de créditos e glosa de despesas financeiras de mútuos sem propósitos específicos com empresas e pessoas ligadas. Por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar as multas isoladas, nas exatas medidas das bases de cálculos das multas de ofício aplicadas. Em primeira rodada, contra a tese que pugnava pela absorção das multas isoladas, ficaram vencidos os conselheiros Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Daniel Ribeiro Silva, que cancelavam-na integralmente. Em segunda rodada, onde todos participaram, a tese de que as multas isoladas deveriam ser absorvidas na exata medida das bases de cálculo das multas de ofícios foi vencedora. Desta feita restaram vencidos os conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Cláudio de Andrade Camerano e Luiz Augusto de Souza Gonçalves, que votaram pela manutenção integral das multas isoladas. Designada a Conselheira Livia De Carli Germano para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA
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MÚTUO SEM ÔNUS. DESNECESSIDADE DAS DESPESAS. Se a empresa obteve empréstimos junto a instituições financeiras, com previsão de pagamento de juros, e repassou recursos a terceiros por meio de contratos de mútuos sem previsão de recebimento de juros, as despesas de juros contabilizadas tornamse não dedutíveis em razão do caráter de liberalidade atribuído ao mútuo sem ônus que foi concedido por ela. GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS. UTILIZAÇÃO DO EMPRÉSTIMO NA IMOBILIZAÇÃO EM IMÓVEIS DE TERCEIROS. DEDUTIBILIDADE. Se a empresa obteve recursos junto a instituições financeiras e os utilizou para efetuar imobilização em imóveis de terceiros, a despesa financeira decorrente do financiamento obtido é dedutível, uma vez que não houve comprovação de abuso no modelo arquitetado. GLOSA DE DESPESAS COM ARRENDAMENTO DE AERONAVES. COMPROVAÇÃO DA UTILIZAÇÃO NO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE. DEDUTIBILIDADE. Se os documentos apresentados pela empresa à fiscalização relatórios de planos de voo, de obrigatoriedade da ANAC e INFRAERO demonstram que os deslocamentos ocorreram dos locais ou para os locais em que a empresa possui estabelecimentos, há que se aceitar as despesas com aeronaves dedutíveis para fins fiscais. GLOSA DE DESPESAS COM EMISSÃO DE DEBÊNTURES. NÃO COMPROVAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 23 94 /2 01 4- 29 Fl. 2531DF CARF MF 2 Qualquer despesa que venha a ser abatida da base de cálculo do IRPJ deve ser comprovada com documentação hábil e idônea de sua ocorrência, cabendo o lançamento do imposto caso isto não ocorra. GLOSA DE DESPESAS COM PERDA DE CRÉDITOS. TEMPORALIDADE NECESSÁRIA. A alínea "a" do inciso II da Lei nº 9.430/1996 estabelece que as perdas no recebimento de créditos, sem garantia de valor, de até R$ 5.000,00 (cinco mil reais) poderão ser deduzidas do lucro real se vencidos há mais de 6 (seis) meses. No caso, os créditos vencidos nas datas de 01 e 03 de julho de 2010 somente poderiam ser deduzidos da base do IRPJ a partir das datas de 01 e 03 de janeiro de 2011, respectivamente. Como foram deduzidos ainda no ano calendário de 2010, correta a glosa efetuada pela fiscalização. GLOSA DE DESPESAS COM JUROS INCIDENTES SOBRE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS PARCELADOS NO REFIS. DEDUTIBILIDADE. De acordo com a Solução de Consulta nº 66/2011, os débitos do sujeito passivo relativos a juros de mora referentes a tributos e contribuições lançados em auto de infração e consolidados em parcelamento já deferido são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. ABSORÇÃO OU CONSUNÇÃO. A multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor. Pelo princípio da absorção ou consunção, contudo, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na mesma medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo. Tratandose de mesmo tributo, esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem. CSLL. REFLEXO. Por decorrerem dos mesmos elementos e pelo fato da recorrente não ter adentrado em outras questões referentes à base de cálculo da referida contribuição social, aplico à CSLL o quanto disposto em relação ao IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso em relação à glosa de despesas com aeronaves, à glosa de despesas financeiras de mútuos com propósito específico para a compra e construção de imóveis e à glosa de despesas com juros sobre pagamentos ao REFIS; negar provimento em relação à glosa de despesas com emissão de debêntures, glosa de perdas com recebimento de créditos e glosa de despesas financeiras de mútuos sem propósitos específicos com empresas e pessoas ligadas. Por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar as multas isoladas, nas exatas medidas das bases de cálculos das multas de ofício aplicadas. Em primeira rodada, contra a tese que pugnava pela absorção das multas isoladas, ficaram vencidos os conselheiros Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Daniel Ribeiro Silva, que cancelavamna integralmente. Em segunda rodada, onde todos participaram, a tese de que as multas isoladas deveriam ser absorvidas na exata medida das bases de cálculo das multas de ofícios foi vencedora. Desta feita restaram vencidos os conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Cláudio de Andrade Fl. 2532DF CARF MF Processo nº 13971.722394/201429 Acórdão n.º 1401002.736 S1C4T1 Fl. 2.532 3 Camerano e Luiz Augusto de Souza Gonçalves, que votaram pela manutenção integral das multas isoladas. Designada a Conselheira Livia De Carli Germano para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 15ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJO), que, por meio do Acórdão 1285.477, de 15 de fevereiro de 2017, julgou improcedente a impugnação apresentada pela empresa. Reproduzo por oportuno o relatório constante no acórdão da DRJ: (início da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) Trata o presente processo de Auto de Infração de IRPJ, CSLL e multas isoladas, lavrado em 12/08/2014, referente aos anos de 2010 e 2011, constituindo crédito tributário total nos seguintes montantes: IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA JURÍDICA Imposto 10.384.096,57 Juros 2.750.701,98 Multa 7.788.072,43 Multa Exigida Isoladamente 5.192.048,24 Valor do Crédito Apurado 26.114.919,22 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO Fl. 2533DF CARF MF 4 Imposto 3.738.274,76 Juros 990.252,71 Multa 2.803.706,08 Multa Exigida Isoladamente 1.869.137,47 Valor do Crédito Apurado 9.401.371,02 O Relatório Fiscal de fls. 2.207 a 2.260, parte integrante do Auto de Infração, identificou as seguintes infrações cometidas pelo contribuinte: · Dedução de despesas Financeiras desnecessárias · Juros indedutíveis incidentes no REFIS · Dedutibilidade indevida relacionada a despesas com aeronaves · Inobservância dos Requisitos Legais na Dedução de Perdas no Recebimento de Créditos · Irregularidade na dedução de despesas com emissão de debêntures · Multa isolada pelo recolhimento a menor das estimativas mensais Da Dedução de Despesas Financeiras desnecessárias: Inicialmente informa que a empresa fiscalizada contraiu diversos empréstimos, contabilizando despesas financeiras em montantes significativos, ao mesmo tempo em que concedeu empréstimos a seu sócio e empresas relacionadas, sem a cobrança de encargos. Destaca que através das DIPJs é possível verificar um endividamento vigoroso no período fiscalizado, sendo evidenciado através da contabilidade da empresa a captação de recursos no mercado financeiro, tanto no curto prazo através do grupo de contas `26010 – EMPRESTIMOS BANCARIOS`, como no longo prazo através do grupo de contas `26500 – DÉBITOS DE FINANCIAMENTOS`. Observa que tais empréstimos geram despesas financeiras na forma de juros e outros encargos, os quais foram contabilizados nas contas analíticas do grupo `31501 – Despesas Financeiras`, os quais foram deduzidos na apuração do resultado, reduzindo o valor do lucro do período, base de cálculo do imposto de renda. No entanto, ao mesmo tempo em que se abastecia de recursos no mercado financeiro, o interessado pactuou diversos contratos de mútuos financeiros, na condição de mutuante, favorecendo o seu sócio principal, diretamente, ou destinando recursos a empresas a ele pertencentes. A partir daí, o autuante classificou os mútuos em: A) empréstimos sem propósito específico; B) empréstimos vinculados a obras em imóveis da BRASHOP A) Empréstimos sem propósito específico: Neste item aborda os mútuos concedidos pela HAVAN que não tem qualquer vínculo direto com as atividades comerciais da empresa, implementados por mera liberalidade das partes. O primeiro contrato de mútuo relacionado se refere ao Sr. Luciano Hang, detentor de 98% das cotas do interessado, no valor de R$ 100 milhões, com início em 01/01/2010 e término em 31/12/2015. Fl. 2534DF CARF MF Processo nº 13971.722394/201429 Acórdão n.º 1401002.736 S1C4T1 Fl. 2.533 5 O segundo contrato tem como mutuária a empresa BRASHOP S/A, a qual também pertence, de forma indireta, ao Sr. Luciano Hang, haja vista que é o único sócio da empresa FORSERUM SERVICES, a qual detém 99,94% das cotas da BRASHOP S/A. Neste contrato, o valor mutuado e o prazo são iguais ao primeiro, isto é, de R$ 100 milhões, com início em 01/01/2010 e término em 31/12/2015. Além destes contratos, também foram apresentados à autoridade fiscal diversos contratos tendo como mutuárias várias empresas geradoras de energia, todas controladas pela BRASHOP, conforme consta no seguinte quadro demonstrativo extraído do Relatório Fiscal: Razão Social CNPJ Limite do Mútuo Conta Contábil Geradora de Energia São Ludgero S/A 08.386.304/000140 R$ 5.000.000,00 508578 GERADORA SÃO LUDGERO S/A Geradora de Energia Rio do Meio S/A 08.386.275/000117 R$ 5.000.000,00 508580 GERADORA RIO DO MEIO Geradora de Energia São José S/A 08.386.288/000196 R$ 5.000.000,00 508579 GERADORA SÃO JOSÉ S/A Geradora de Energia São Maurício S/A 06.171.739/000142 R$ 15.000.000,00 508576 GERADORA SÃO MAURÍCIO S/A Geradora de Energia Rio Fortuna S/A 06.172.042/000196 R$ 40.000.000,00 508577 GERADORA RIO FORTUNA S/A B) Empréstimos vinculados à obra em imóveis da BRASHOP: Por conter inúmeros detalhes relevantes, entendo ser necessária a transcrição na íntegra deste item, com os respectivos subitens: Convém inicialmente detalhar o vínculo comercial existente entre a HAVAN e a BRASHOP. A própria HAVAN disponibiliza em seu sítio eletrônico as demonstrações financeiras da BRASHOP, onde se pode fazer diversas constatações a respeito do relacionamento destas empresas, sendo que a relativa a 31 de dezembro de 2011 e 2010 foi anexada ao presente processo. Vejamos, a princípio, o contexto operacional relatado na primeira nota explicativa destas demonstrações financeiras: A Brashop S.A. (“Brashop” ou “Companhia”), com sede em Brusque – Estado de Santa Catarina é uma sociedade por ações constituída em 14 de abril de 1999. A Companhia tem como objeto principal de suas atividades a administração e comercialização de bens móveis e imóveis próprios, inclusive locação e arrendamento, e o de construtora e incorporadora de imóveis. Neste momento de início de operação a Companhia encontrase alavancada mediante mútuos obtidos de seu principal acionista. Estes mútuos não serão liquidados até a Companhia estar gerando caixa advindo de suas atividades operacionais. Já a nota explicativa nº 12 relaciona os mútuos integrantes do passivo da BRASHOP, sendo o maior valor relativo aos Fl. 2535DF CARF MF 6 contraídos com a HAVAN, e traz a seguinte explicação a respeito: Sobre os saldos de mútuos passivos acima descritos, não são cobrados quaisquer encargos. Também, não há data prevista entre as partes para a liquidação dos saldos. O entendimento da Administração da Empresa é que os mesmos não serão exigidos no curto prazo. Os totais mutuados relatados nas demonstrações financeiras englobam os mútuos feitos diretamente com a BRASHOP e também com as suas controladas geradoras de energia, aqui já abordados, além dos que serão tratados no presente tópico, vinculados a obras e imóveis posteriormente locados pela BRASHOP para a própria HAVAN. A este propósito, a nota explicativa nº 15 relaciona a receita operacional líquida da BRASHOP, oriunda majoritariamente de aluguéis, que, conforme análise da contabilidade da HAVAN, são referentes a locações pactuadas entre estas empresas. Assim, podese facilmente concluir que a BRASHOP foi escolhida como a empresa responsável pela aquisição de imóveis utilizados pela HAVAN, mediante locação. Todavia, os recursos para aquisição destes imóveis e para execução das obras são provenientes da própria HAVAN, sem a cobrança de qualquer acréscimo e sem data prevista para pagamento, como denotam as notas explicativas aqui transcritas. Feitas estas considerações, vejamos os valores mutuados entre as empresas vinculados aos imóveis locados. B.1) Imóveis em Barra Velha: A partir de março de 2010, a contribuinte passou contabilizar valores na conta contábil “636761 – OBRAS BARRA VELHA”. Tratase de conta pertencente ao ativo imobilizado, chegando a acumular saldo superior a R$ 20 milhões em dezembro de 2010. No último dia de 2010, estes valores foram transferidos para a conta contábil “749411 BRASHOP S/A OBRAS BARRA VELHA”, pertencente ao grupo “12312 – CRÉDITOS POR MÚTUOS”. Os lançamentos contábeis efetuados nestas contas estão em planilhas específicas do arquivo “Razão das contas de mútuo.xls”. Mesmo em 2011 os novos investimentos realizados em Barra Velha pela HAVAN continuaram a ser contabilizados na conta “636761 – OBRAS BARRA VELHA” do imobilizado, cujo saldo todo final de mês era transferido para a conta de mútuo “749411 BRASHOP S/A OBRAS BARRA VELHA”, cujo saldo chegou a superar os R$ 27 milhões em 2011, quando passou a ser amortizado com lançamentos relativos a pagamento de aluguel. Assim, verificase que ao final de 2010 houve uma reclassificação contábil deste ativo, que de imobilizado passou a ser considerado como mútuo concedido pela HAVAN. Sobre o assunto, o Termo de Intimação Fiscal 02 contemplou o seguinte quesito: Fl. 2536DF CARF MF Processo nº 13971.722394/201429 Acórdão n.º 1401002.736 S1C4T1 Fl. 2.534 7 2. Apresentar cópia digitalizada de contrato ou documento equivalente que ampare a realização de benfeitorias em imóveis de terceiros, bem como eventuais contratos de locação vinculados a este(s) imóvel(is), especificamente em relação aos direitos da contribuinte registrados nas contas contábeis ‘636761 OBRAS BARRA VELHA’ e ‘749411 BRASHOP S/A OBRAS BARRA VELHA’. Em resposta a este quesito, a HAVAN apresentou cópia de um único contrato, denominado “Contrato de Locação para Fins Comerciais”, onde consta como locadora a BRASHOP, tendo por objeto a locação de três imóveis abrangendo área de depósito, área de vendas da loja, e galpão com 3.600 m². O contrato de locação regulou ainda a construção das benfeitorias necessárias, na seguinte cláusula: CLÁUSULA QUARTA: DAS BENFEITORIAS 4.1. Todas as benfeitorias úteis, necessárias ou voluptuárias efetuadas nos imóveis locados correrão por conta da LOCATÁRIA e passarão a fazer parte integrante dos mesmos, não podendo a LOCATÁRIA requerer indenização ou retenção a qualquer título, salvo se a LOCADORA preferir receber os imóveis em seu estado original, importando a reposição em encargo exclusivo da LOCATÁRIA. 4.2. A LOCATÁRIA poderá, independentemente de autorização da LOCADORA, realizar todas as obras e reformas que entender convenientes e necessárias nos imóveis locados, inclusive a demolição de paredes e a construção de edificações, correndo por sua conta as respectivas despesas. 4.3. As despesas suportadas pela LOCATÁRIA referente a obras e reformas realizadas nos imóveis locados, nos termos da presente cláusula, serão descontadas dos aluguéis devidos à LOCADORA. Apesar desta previsão, o contrato em questão não é suficiente para justificar os vultosos investimentos realizados em Barra Velha pela HAVAN, uma vez que foi assinado em 01/11/2010, ou seja, quando boa parte dos investimentos contabilizados na conta “636761 – OBRAS BARRA VELHA” já haviam incorridos, pois seu saldo era de R$ 11.695.649,11 em 31/10/2010. Além do mais, os investimentos fogem à normalidade neste tipo de transação. De fato é normal que contratos de locação de imóveis para a instalação de estabelecimentos comerciais prevejam que as adaptações necessárias sejam feitas por conta do locatário, uma vez que, em regra, suas necessidades são específicas. Tais adaptações referemse, usualmente, a readequação da rede lógica e elétrica, layout interno e alteração de fachada, visando dotar o imóvel das características necessárias à exploração da atividade comercial e moldálo à imagem e identidade visual pretendida pela locatária. No caso presente, os investimentos realizados fugiram em muito desta característica, conforme denotam as respostas apresentadas aos seguintes quesitos do Termo de Intimação Fiscal 10, transcritos a seguir: Fl. 2537DF CARF MF 8 1. Em relação aos valores contabilizados na conta “636761 – OBRAS BARRA VELHA”: 1.1 Informar se existem outros contratos (de mútuo, locação ou de qualquer outra natureza), além do “Contrato de Locação para Fins Comerciais” pactuado em 01/11/2010 apresentado em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal 02, que dêem amparo aos gastos contabilizados na conta ‘636761’ em período anterior ao da referida locação. Caso positivo, apresentar cópia digitalizada do(s) contrato(s); A resposta apresentada indicou a existência de outro contrato, desta vez de mútuo financeiro, pactuado em 01/01/2010. A propósito, é o mesmo contrato já abordado neste termo, no título ‘A.2)’ do presente tópico, que tem um limite de crédito de R$ 100 milhões. Assim, o contrato em questão além de dar suporte ao mútuo registrado na conta contábil “508573 – BRASHOP S/A – MUTUO”, também dá legitimidade aos gastos feitos pela HAVAN nos imóveis pertencentes à BRASHOP. 1.2 Informar qual a extensão das obras contabilizadas na conta em questão, informando, inclusive, se houve a construção de novas edificações e a respectiva área construída; 1.3 Disponibilizar, na sede da empresa, os projetos relacionados às obras em questão, além de fotos, se existentes, contemplando o(s) imóvel(eis) antes e depois da execução das obras; A resposta a tais quesitos asseverou que em 2010 foram construídos 32.000 m², sendo que as fotos anexadas demonstram tratarse de construção inteiramente nova, feita sobre o terreno adquirido pela BRASHOP. 1.4 Identificar os imóveis que receberam os investimentos em questão, apresentando cópia da(s) respectiva(s) matrícula(s); 1.5 Informar a data de aquisição, pela BRASHOP, do(s) imóvel(is) identificado(s) no quesito anterior, e informar se tal aquisição foi quitada pela BRASHOP com recursos mutuados pela HAVAN. Caso positivo, informar a data e os valores mutuados pela HAVAN que foram utilizados para esta finalidade; As informações prestadas identificaram os imóveis, sendo que o de maior valor foi adquirido pela BRASHOP a prazo, com as parcelas sendo quitadas pela HAVAN, que contabiliza tais valores como mútuo concedido para a BRASHOP, especificamente na conta “508573 – BRASHOP S/A – MUTUO”. B.2) Loja em Itajaí: A HAVAN também é locatária de imóvel na cidade de Itajaí, pertencente a BRASHOP, que foi objeto dos quesitos 2.1 a 2.4 do Termo de Intimação Fiscal 10. A resposta a esta intimação revelou prática semelhante ao imóvel de Barra Velha, conforme a seguinte cronologia: Setembro de 2009: a BRASHOP adquire o imóvel em leilão, pelo valor de R$ 7.500.000,00, mas a quitação foi feita pela HAVAN, que contabilizou tal dispêndio na conta “508573 – BRASHOP S/A – MUTUO”. Fl. 2538DF CARF MF Processo nº 13971.722394/201429 Acórdão n.º 1401002.736 S1C4T1 Fl. 2.535 9 01/10/2009: é pactuado contrato de locação entre BRASHOP e HAVAN relativamente a este imóvel, cuja cópia foi anexada à resposta apresentada, prevendo aluguel de R$ 30.000,00. A cláusula quarta daquele instrumento previa que as obras e reformas necessárias seriam feitas pela locatária, cujos valores seriam descontados dos aluguéis devidos. 2010 e 2011: neste período a HAVAN esclarece que “foi construída uma loja comercial de 6.136,25 m²”, pois “existia sobre o imóvel um Shopping que foi totalmente demolido por estar em ruínas”. A resposta está acompanhada de fotos que permitem verificar a extensão das obras realizadas. Tais valores foram contabilizados na conta 623835 – OBRAS ITAJAI, sendo posteriormente transferidos para a conta 784744 BRASHOP S/A OBRAS LOJA ITAJAI (vide “Razão das contas de mútuo.xls”). Os dispêndios relativos a tais obras alcançaram mais de R$ 6 milhões. 01/11/2011: é pactuado novo contrato de locação para o mesmo imóvel, anexado ao Termo de Intimação Fiscal 10, que, apesar de não citar textualmente, substitui o pactuado em 01/10/2009. O valor da locação é expressivamente superior, iniciando por R$ 370.000,00 mensais. B.3) Loja em São José, SC: Temos aqui mais um imóvel objeto do Termo de Intimação Fiscal 10. Como nos casos anteriores, tratase de imóvel adquirido pela BRASHOP com recursos mutuados pela HAVAN, aquisição feita em 21/12/2009 no valor de R$ 3.256.689,33, registrados na conta contábil “508573 – BRASHOP S/A – MUTUO”. Também foi construída uma loja comercial, de 9.108,58 m², com fotos anexadas à resposta apresentada ao Termo de Intimação Fiscal 10, com recursos da HAVAN, sendo os dispêndios contabilizados nas contas “696330 – OBRAS LOJA SAO JOSE SC” e “784745 BRASHOP S/A OBRAS LOJA SAO JOSE SC”, superiores a R$ 5,6 milhões (vide “Razão das contas de mútuo.xls”). O contato de locação deste imóvel foi pactuado em 01/11/2010, com valor mensal de locação de R$ 110.000,00. B.4) Loja em Florianópolis, Shopping Entrelaços: Novamente temos aqui um imóvel adquirido pela BRASHOP com recursos provenientes da HAVAN, na forma de mútuo, reformado também com recursos mutuados e objeto de locação comercial, tudo conforme esclarecimentos prestados em atendimento aos quesitos 4.1 a 4.4 do Termo de Intimação Fiscal 10. Vejamos os esclarecimentos prestados: Fl. 2539DF CARF MF 10 Quanto à aquisição, a HAVAN esclareceu que “algumas salas foram adquiridas pela BRASHOP e quando necessário a HAVAN transferiu recursos via mútuo 508.573”, referência à conta contábil “508573 – BRASHOP S/A – MUTUO”. Quanto às reformas efetuadas, a resposta afirmou que “foi construída uma loja comercial de 9.108,58 metros”, sendo que as fotos anexadas ilustram o ‘antes’ e o ‘depois’ da intervenção. A contabilização destes dispêndios efetuados pela HAVAN foi feita na conta ‘653519 – OBRAS FLORIPA ENTRELACOS’, cujo saldo, a partir de janeiro de 2011, era integralmente transferido ao final de cada mês para a conta ‘749412 BRASHOP S/A OBRAS FLORIPA RIO BRANCO’. Os gastos com esta construção perduraram de maio de 2010 até maio de 2011, com valores próximos a R$ 5,5 milhões. Quanto à locação vinculada a este imóvel, está formalizada em do “Contrato de Locação para Fins Comerciais” pactuado em 11/06/2010, cuja cópia está anexada ao Termo de Intimação Fiscal 10. Apesar de pactuado em 2010, o contrato previu que os pagamentos de aluguel seriam devidos apenas após a inauguração da loja, pelo que apenas a partir de julho de 2011 passaram a ser contabilizadas amortizações na conta de mútuo ‘749412 BRASHOP S/A OBRAS FLORIPA RIO BRANCO’, referentes ao aluguel devido pela HAVAN. B.5) Terreno em Nova Górica: (grifos meus) Ainda neste grupo “570265 – CREDITOS OBRAS A RECEBER” representativo de mútuos com a BRASHOP há a conta ‘599263 BRASHOP S/A TERRENO NOVA GORICA’, que foi objeto do 5º quesito do Termo de Intimação Fiscal 10. Tal conta teve durante todo o período fiscalizado saldo constante, de R$ 2.500.000,00. Conforme esclarecimentos prestados em atendimento à intimação citada, a contribuinte esclareceu tratarse de “terreno adquirido por BRASHOP S/A, que foi cedido para a HAVAN utilizar como estacionamento em sua loja do Parolin”. Conforme matrícula apresentada (R31/4.968), a aquisição do terreno se deu em 10/06/2009, pelo exato valor de R$ 2.500.000,00, ou seja, a compra foi integralmente quitada com recursos mutuados pela HAVAN para a BRASHOP, registrados na conta contábil ‘599263 BRASHOP S/A TERRENO NOVA GORICA’ CONCLUSÃO: Assim, as obras realizadas pela HAVAN nos imóveis da BRASHOP não são meras adaptações, usuais e normais no caso de locação de imóveis comerciais, cujos valores investidos pela locatária são descontados dos aluguéis pagos. Tratase, em verdade, de efetivos instrumentos de mútuos, cujos recursos Fl. 2540DF CARF MF Processo nº 13971.722394/201429 Acórdão n.º 1401002.736 S1C4T1 Fl. 2.536 11 agregaram enorme valor ao ativo imobilizado da BRASHOP, inclusive propiciando a aquisição, construção ou ampla reforma dos imóveis posteriormente locados para a empresa fiscalizada. Diante de tais averiguações, concluiu a autoridade tributária que o fato do interessado emprestar valores significativos a seu sócio e as empresas a ele pertencentes sem encargo algum, e, ao mesmo tempo captar recursos no mercado financeiro originando despesa financeira de juros e outros encargos, demonstra a desnecessidade de tais despesas. Isto pois, caso o interessado não se obrigasse como mutuante (atividade esta que não se enquadra entre as integrantes do objeto da empresa, mesmo que de forma acessória), não teria necessidade, em grande parte, de se socorrer no mercado financeiro. A fim de elucidar sua conclusão, apresentou o seguinte demonstrativo: Tabela 2: Comparativo entre o endividamento da empresa e o volume de recursos emprestados na forma de mútuo, ao final de cada mês: Mês Total dos Mútuos Total do Endividamento Relação percentual Mútuos/Endividamento 01/2010 59.197.528,77 48.131.650,32 122,99% 02/2010 61.234.392,84 49.037.473,38 124,87% 03/2010 59.487.261,41 56.939.064,92 104,48% 04/2010 63.395.478,38 63.407.955,86 99,98% 05/2010 67.193.571,41 60.516.024,17 111,03% 06/2010 68.330.311,98 58.618.676,43 116,57% 07/2010 73.870.393,92 58.447.432,61 126,39% 08/2010 78.579.481,43 72.045.252,57 109,07% 09/2010 83.779.716,46 86.813.939,01 96,50% 10/2010 91.201.457,47 78.884.877,66 115,61% 11/2010 97.438.067,78 90.743.108,94 107,38% 12/2010 109.850.865,72 98.841.034,02 111,14% 01/2011 115.870.200,78 113.890.879,35 101,74% 02/2011 120.695.098,21 141.772.427,21 85,13% 03/2011 123.697.910,41 164.996.043,76 74,97% 04/2011 87.506.119,70 153.728.456,03 56,92% 05/2011 78.586.801,44 200.762.347,50 39,14% 06/2011 68.367.282,13 191.016.077,09 35,79% 07/2011 68.393.556,16 189.711.209,62 36,05% 08/2011 72.464.380,15 168.343.905,89 43,05% 09/2011 74.614.512,03 204.681.965,61 36,45% 10/2011 79.358.901,57 202.552.292,22 39,18% 11/2011 82.441.969,19 222.987.596,79 36,97% 12/2011 92.308.723,14 236.012.079,24 39,11% Fl. 2541DF CARF MF 12 Na tabela acima, o endividamento da empresa considera apenas as contas do passivo abordadas no item 2.1, correspondente às captações de recursos junto a instituições financeiras. Assim, os valores acima listados correspondem à somatória dos saldos, ao final de cada mês, das contas contábeis representativas dos empréstimos contraídos, conforme demonstrado no anexo 01 deste relatório. Assim, o valor de R$ 98.841.034,02 expresso em 12/2010, indica que este valor era o montante total da dívida que a empresa possuía, ao final daquele mês, junto às instituições financeiras, conforme contabilizado em seu passivo. Quanto aos valores expressos na primeira coluna da tabela, refletem o volume total, ao final de cada mês, dos recursos financeiros disponibilizados pela empresa nas operações de mútuos financeiros abordados no item 2.2 deste Termo, conforme detalhado no anexo 02 deste relatório. Por fim, a última coluna da tabela demonstra a relação percentual entre os valores mutuados e o total de recursos captados no mercado financeiro pela empresa. Valores nesta coluna superiores a 100% indicam que o total de recursos mutuados pela empresa é superior ao seu endividamento no mês correspondente. Nos meses em que tal relação é inferior a 100%, o valor indica qual o percentual do endividamento da empresa está repassado, direta ou indiretamente, na forma de mútuos. A tabela demonstra que os recursos financeiros captados pela empresa no mercado financeiro, ou parte deles, acabaram sendo destinados a outras empresas. Em outras palavras, caso a empresa não pactuasse os contratos de mútuo aqui analisados (atividade estranha ao seu objeto social e desnecessária para os seus objetivos empresariais) não precisaria captar recursos junto às instituições financeiras, ou, ao menos, o faria em montantes menores. (...) É de se frisar que o raciocínio aqui esposado não depende, necessariamente, de que o repasse de recursos financeiros se dê diretamente, ou no mesmo átimo em que a contribuinte os captava junto às instituições financeiras. Em outras palavras, não é necessário demonstrar o fluxo financeiro de cada captação de recursos, de modo a provar a sua destinação diretamente para as pessoas mutuárias, uma vez que não releva saber se primeiro a contribuinte captou os recursos para poder emprestá los ou, ao contrário, se primeiro emprestou recursos a outras empresas para só depois ir socorrerse no mercado financeiro. O que importa saber é que, em qualquer dessas hipóteses, resta cristalino o indiscutível vínculo existente entre a captação de recursos no mercado financeiro e os mútuos celebrados, evidenciando, por via de conseqüência, a clara desnecessidade de o contribuinte ter incorrido nas indigitadas despesas financeiras. Ora, diante da situação espelhada na tabela 02, tornase descabida qualquer hipótese de que a contribuinte teria, em regra, captado recursos financeiros necessários para o desempenho de suas atividades, porquanto, o que o fluxo Fl. 2542DF CARF MF Processo nº 13971.722394/201429 Acórdão n.º 1401002.736 S1C4T1 Fl. 2.537 13 financeiro mensal denuncia é, bem ao contrário, que a contribuinte já dispunha destes recursos (ou ao menos parte deles) em seu próprio patrimônio e que, portanto, nenhuma necessidade havia, a esse título, para que o contribuinte recorresse aos financiamentos bancários, fato ocorrido apenas em virtude da existência dos contratos de mútuos analisados. Desta forma, não podem ser computadas na determinação do lucro operacional as despesas financeiras vinculadas aos juros incidentes na captação de recursos, uma vez que, desnecessárias, não se revestem das imprescindíveis características das despesas operacionais, de molde a tornálas dedutíveis da base de calculo do imposto de renda. Por oportuno, cabe relembrar novamente a disposição expressa nos contratos de mútuo pactuados pela empresa, que prevê textualmente a não incidência de juros ou encargos a serem pagos pelas empresas mutuárias. Assim, a empresa não auferiu qualquer receita junto aos mutuários que pudessem ressarcir os encargos financeiros ocorridos na captação dos recursos junto ao mercado financeiro. Assim, é inequívoca a premissa de que não são dedutíveis as despesas financeiras incorridas na captação de recursos repassados a terceiros sem qualquer encargo, porque isto, de plano, já evidencia um ato de mera liberalidade, não cometido em prol, mas sim em detrimento da própria atividade da empresa e da manutenção de sua fonte produtora. Assim, tais despesas financeiras não possuem as características de necessidade, usualidade e normalidade, típicas das despesas operacionais. Porém, devese reconhecer que nem todas as despesas financeiras contabilizadas pela empresa em virtude das captações efetuadas junto às instituições financeiras no período de 2010 e 2011 devem ser consideradas indedutíveis, uma vez que em alguns períodos o total do endividamento da contribuinte demonstrado na tabela 02 é superior ao volume do saldo de recursos disponibilizados na forma de mútuo. Assim, nestes períodos, uma parte do endividamento da empresa expresso nas contas do passivo citadas no item 2.1 está legitimamente vinculada a suas atividades operacionais, uma vez que não são, direta ou indiretamente, decorrentes dos contratos de mútuo pactuados. Neste passo, nos meses expressos na tabela 02 em que o saldo dos valores captados foi superior ao saldo dos valores disponibilizados nos mútuos, a glosa das despesas financeiras se limitou à proporção dos juros correspondente à relação percentual expressa na última coluna da tabela. Assim, por exemplo, em 12/2011 o total dos recursos mutuados ao final do mês correspondia a 39,11% do total de endividamento da empresa considerado no item 2.1. Portanto, naquele mês, devem ser considerados indedutíveis 39,11% dos valores das despesas Fl. 2543DF CARF MF 14 de juros incorridas em virtude dos empréstimos contraídos pela empresa. Dos Juros Indedutíveis incidentes no REFIS A autoridade fiscal constatou que o interessado aderiu ao Programa de Recuperação Fiscal (REFIS), efetuando o parcelamento de diversos débitos, composto da seguinte forma: Dívida consolidada do REFIS no momento da opção IRPJ 69.947.186,68 CSLL 21.981.579,94 IPI 11.954.283,85 PIS 1.468.229,21 COFINS 4.470.130,00 Multas: 86,01 TOTAL TRIBUTOS FAZENDÁRIOS: 109.821.495,69 Débitos originários do INSS: 13.072.100,21 Total dos débitos parcelados no REFIS 122.893.595,90 Considerando que sobre o valor consolidado do parcelamento incide juros correspondentes à Taxa de Juros de Longo Prazo – TJLP, o contribuinte contabilizou tais juros na conta `31527 – JUROS REFIS FEDERAL, os quais foram apropriados como despesa na apuração do lucro real. No entanto, o autuante discordou deste procedimento pelas seguintes razões: Ocorre que o procedimento adotado pela contribuinte não é correto, uma vez que a dívida consolidada objeto de parcelamento contém débitos fiscais que não são dedutíveis na apuração do lucro tributável. Assim, aplicandose a máxima de que “o acessório segue o principal”, a dedutibilidade dos juros TJLP está condicionada ao tratamento tributário aplicável à sua base de cálculo, ou seja, aos débitos fiscais objeto do parcelamento REFIS. Assim, os juros incidentes no REFIS devem obedecer as mesmas condições impostas aos débitos fiscais sobre os quais incidem, ou seja, a regra de dedutibilidade dos tributos e contribuições parcelados abarca também os correspondentes encargos legais, uma vez que estes somente existem e são calculados em função daqueles. Vejamos então quais são os débitos fiscais parcelados indedutíveis na apuração do lucro real. Débitos de IRPJ: Tais débitos não podem ser reduzidos como custo ou despesa na determinação do lucro real, conforme disposto no art. 41, § 2º, da Lei nº 8.981, de 1995. Também no caso da apuração da CSLL os débitos de IRPJ não podem ser deduzidos, já que o artigo 2º da Lei nº 7.689/1988, Fl. 2544DF CARF MF Processo nº 13971.722394/201429 Acórdão n.º 1401002.736 S1C4T1 Fl. 2.538 15 dispõe expressamente que sua base de cálculo é o resultado do exercício antes da provisão de IRPJ. Assim, o total de R$ 69.947.186,68 relativo aos débitos de IRPJ incluídos no REFIS são indedutíveis na apuração do lucro real, e, por conseqüência, os encargos TJLP mensalmente incidentes sobre estes valores também o são. Débitos da CSLL: Relativamente aos débitos de CSLL, o art. 1º da Lei nº 9.316, de 1996 vedou sua dedução para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da própria contribuição. Tal restrição alcança os débitos de CSLL apurados a partir do anocalendário 1997, conforme art. 4º da mesma Lei. Assim, com apoio no demonstrativo anexado ao Termo de Intimação Fiscal 11 é possível verificar que dos R$ 21.981.579,94 relativos aos débitos de CSLL incluídos no REFIS, R$ 9.397.258,14 são relativos a períodos de apuração de 1997 ou posteriores, não passíveis, portanto, de dedução. Multas por infrações fiscais: As multas por infrações fiscais não são dedutíveis como custo ou despesas operacionais, salvo as de natureza compensatória e as impostas por infrações de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo, conforme determina o art. 41, § 5º, da Lei 8.981 de 1995. Também no caso da CSLL as multas fiscais não podem ser consideradas na apuração de sua base de cálculo. Isto porque não atendem às condições de dedutibilidade previstas no art. 47 e §§ da Lei nº 4.506, de 1964, quais sejam, serem despesas necessárias, usuais e normais. Ademais, o art. 57 da Lei nº 8.981 de 1995, determinou que se aplica à CSLL as mesmas regras de apuração estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas. Assim, apesar dos débitos tributários de PIS, COFINS, e CSLL (anteriores a 1997) serem, em regra, dedutíveis na apuração do resultado tributável, no caso dos que foram inseridos no REFIS há parcela relativa à multa de ofício, que, como se viu, não é passível de dedução na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. O mesmo se aplica no caso dos débitos de IPI. A partir dos demonstrativos anexados ao Termo de Intimação Fiscal 11 foi elaborada a tabela a seguir, que demonstra a composição destes débitos tributários: Tabela 4: Composição dos débitos fiscais de IPI, PIS, COFINS e Fl. 2545DF CARF MF 16 CSLL (anteriores a 1997), objeto de lançamento de ofício, inseridos no REFIS pela contribuinte: Tributo Principal Multa Juros IPI 5.030.207,05 4.527.186,34 2.396.890,46 PIS 557.298,50 501.568,51 409.362,20 COFINS 1.698.464,88 1.528.618,23 1.243.046,89 CSLL (Períodos anteriores a 1997) 4.632.919,61 4.169.627,59 3.781.753,43 Total 11.918.890,04 10.727.000,67 7.831.052,98 Assim, o valor de R$ 10.727.000,67 demonstrado na terceira coluna da tabela representa as multas de ofício integrantes dos débitos fiscais de IPI, PIS, COFINS e CSLL (anteriores a 1997) inseridos no parcelamento REFIS. Consolidação dos débitos parcelados no REFIS indedutíveis Com base no que foi até o momento exposto, é possível totalizar os débitos fiscais não dedutíveis que foram parcelados pela HAVAN no REFIS, conforme ilustrado a seguir: Tabela 5: Total dos débitos fiscais parcelados no REFIS não passíveis de dedução no IRPJ e na CSLL: Débitos de IRPJ 69.947.186,68 Débitos de CSLL (fatos geradores de 1997 e seguintes) 9.397.258,14 Multas de ofício (conforme tabela 04) 10.727.000,67 Total dos débitos fiscais indedutíveis 90.071.445,49 Assim, do montante de R$ 122.893.595,90 inseridos pela HAVAN no REFIS, temos que R$ 90.071.445,49 se referem a débitos fiscais indedutíveis, ou seja, o correspondente a 73,29% do total parcelado. Assim, parte das despesas financeiras calculadas pela aplicação da TJLP sobre a dívida REFIS também não é dedutível, exatamente na mesma proporção de 73,29%. Conforme já exposto, tais despesas foram contabilizadas na conta ‘31527 – JUROS REFIS FEDERAL’, sendo que a tabela a seguir relaciona os valores mensalmente debitados, bem como demonstra a parcela dos juros indedutíveis, pela aplicação da proporção de 73,29% anteriormente demonstrada. Tabela 6: Despesas apropriadas pela contribuinte relativas a juros TJLP sobre o REFIS, e demonstrativo da parcela não dedutível. Mês Despesa lançada Valor indedutível (73,29%) jan/10 532.250,71 390.086,55 fev/10 529.614,55 388.154,50 mar/10 532.017,81 389.915,85 abr/10 530.506,36 388.808,11 Fl. 2546DF CARF MF Processo nº 13971.722394/201429 Acórdão n.º 1401002.736 S1C4T1 Fl. 2.539 17 mai/10 528.998,96 387.703,34 jun/10 526.677,77 386.002,14 jul/10 524.444,39 384.365,29 ago/10 522.401,95 382.868,39 set/10 520.179,90 381.239,85 out/10 931.384,14 682.611,44 nov/10 515.952,01 378.141,23 dez/10 1.576.607,00 1.155.495,27 Total de 2010 7.771.035,55 5.695.391,95 jan/11 511.016,84 374.524,24 fev/11 506.777,63 371.417,33 mar/11 503.949,25 369.344,41 abr/11 501.638,23 367.650,66 mai/11 499.234,80 365.889,18 jun/11 496.287,46 363.729,08 jul/11 493.605,26 361.763,30 ago/11 460.504,24 337.503,56 set/11 487.435,94 357.241,80 out/11 484.642,54 355.194,52 nov/11 482.044,24 353.290,22 dez/11 508.287,07 372.523,59 Total de 2011 5.935.423,50 4.350.071,88 Dedutibilidade indevida relacionada a despesas com aeronaves A autuante verificou a contabilização de despesas vinculadas a utilização de aeronaves, objeto de arrendamento mercantil. A partir daí, emitiu inúmeras intimações solicitando documentos e esclarecimentos capazes de comprovar que tais despesas foram necessárias e intrinsecamente relacionadas à atividade comercial da contribuinte. Diante dos documentos apresentados e explicações prestadas, constatou, inicialmente, que a empresa possuía dois contratos de leasing, um referente ao helicóptero Agusta A109E Power 2009, e o outro relativo ao avião Learjet 45XR 2011. Ademais, aferiu a existência de contas contabéis que correspondiam ao arrendamento de cada uma destas aeronaves, bem como de contas contábeis atreladas às despesas a elas vinculadas, englobando combustíves, manutenção, seguro dentre outras. Observou ainda o seguinte: Temos, portanto, três fontes de informação relativas aos vôos realizados com as aeronaves da HAVAN, todas elas instruindo o presente procedimento: • Diários de bordo das aeronaves; • Relatórios denominados “Plano de vôo”, oriundos da ANAC ou INFRAERO; • Planilhas com o detalhamento das viagens, elaboradas pela contribuinte em atendimento às intimações. Fl. 2547DF CARF MF 18 Os dois primeiros documentos (Diários de bordo e planos de vôo) serviram de origem para as planilhas apresentadas pela empresa. Contudo, mesmo o conjunto de todas as fontes de informação é insuficiente para se delinear claramente todas as viagens realizadas, já que mesmo o relatório ‘Plano de Vôo’, alegadamente oriundo da ANAC ou INFRAERO, não contempla grande parte das viagens realizadas pelas aeronaves. Diante de tais inconsistências, a autoridade fiscal acusa a fragilidade de tais controles, com várias omissões e informações incompletas. A fim de exemplificar suas afirmações, confronta o teor de um dos diários de bordo com as planilhas relativas ao detalhamento de viagens do helicoptero AGUSTA, apontando que os registros de tais vôos não foram encontrados no respectivo diário de bordo. Além disso, argumenta que apesar dos diários de bordo possuírem coluna específica para indicação do nº de passageiros de cada vôo, frequentemente esta informação é omitida. Acrescenta que a própria contribuinte reconheceu que 3 viagens constantes da planilha apresentada à Fiscalização foram de cunho particular. Ademais, destacou outras 5 viagens sendo três realizadas de helicóptero e 2 de avião, nas quais o sócio Sr. Luciano Hang, detentor de 98% das cotas da HAVAN, levou a família, salientando que o próprio contribuinte reconheceu que tais viagens tiveram fins negociais da empresa, porém, também, fins particulares, visto que o Sr. Luciano Hang conciliava as viagens a trabalho com o lazer da família. Deste modo, concluiu o Auditor Fiscal que na utilização das aeronaves, havia, no mínimo, uma sobreposição de interesses, com diversos familiares compondo o grupo de viajantes. Ademais, constatou que havia outros conflitos de interesse na utilização destas aeronaves, tendo em vista que o Sr. Luciano Hang possuía, à época, diversas empresas sob o seu comando. Neste ponto, aferiu, ao menos, sete viagens para duas Geradoras de Energia administradas pelo Sr. Luciano Hang. Em resposta ao questionamento sobre estas viagens, o interessado apresentou os seguintes esclarecimentos: “Em 2007 quando resolvemos investir nas Geradoras paramos de comprar geradores pois gera muitas despesas de manutenção além do custo de aquisição e estávamos gastando muito com a demanda por isso as viagens para fiscalizar o andamento das obras era de total interesse da HAVAN pois hoje atualmente 40 lojas são abastecidas com a energia da Geradora Rio Fortuna e Geradora São Maurício, dando um grande lucro para a Havan pois não precisamos mais pagar nem manter geradores nestas lojas.” Diante de tal resposta, entendeu o Auditor Fiscal que A redação adotada demonstra o pensamento na visão do grupo de empresas pertencentes a LUCIANO HANG, e não no interesse exclusivo da fiscalizada HAVAN. Já de início o trecho “quando resolvemos investir nas Geradoras” evidencia o ato falho, pois a HAVAN não detém qualquer participação nas geradoras. Assim, as despesas com as viagens feitas a estas geradoras “para fiscalizar o andamento das obras” não podem ser justificadas como necessárias e intrinsecamente relacionadas com a atividade comercial da HAVAN, já que é Fl. 2548DF CARF MF Processo nº 13971.722394/201429 Acórdão n.º 1401002.736 S1C4T1 Fl. 2.540 19 impossível afastar o interesse preponderante destes deslocamentos, qual seja o das próprias empresas de energia e de seu administrador, LUCIANO HANG. Deste modo, ressalta que além de se analisar a necessidade de tais despesas, conforme previsto no art. 299 do Decreto nº 3.000, a sua dedutibilidade está condicionada, ainda, ao disposto na Lei nº 9.249/95, que, em seu art. 13, incisos II e III, veda expressamente a dedução das contraprestações de arrendamento mercantil e do aluguel de bens móveis ou imóveis, bem como de despesas de depreciação, amortização, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer outros gastos com bens móveis ou imóveis, exceto se tais gastos estiverem intrinsecamente relacionados com a produção e comercialização dos bens e serviços. (...) Como se vê, com base em tal disposição, a regra é que as despesas com a manutenção e o arrendamento mercantil de bens móveis (tais como aeronaves) não são dedutíveis, a não ser que esteja provado o seu estrito vínculo com a atividade comercial da contribuinte. Transcreve o art. 25 da Instrução Normativa SRF nº 11/96 que, ao regulamentar o art. 13 da Lei nº 9.249/95, apresentou um rol de veículos considerados intrinsicamente relacionados com a produção ou comercialização, e frisou que em consonância com a jurisprudência administrativa do CARF, a glosa de tais despesas não pode se pautar unicamente no fato destas aeronaves não estarem indicadas no rol da Instrução Normativa supracitada, visto que em determinadas situações é possível que o uso de aeronaves esteja intrinsicamente relacionada com as atividades de produção e comercialização da empresa. No entanto, conforme análise das operações realizadas pela empresa fiscalizada, atestouse que o interessado não comprovou que a utilização das aeronaves estava intrinsicamente relacionada com as atividades de produção ou comercialização. Além disso, enfatizou que, ainda que houvesse tal comprovação, o fato de ter sido constatada a utilização das aeronaves para fins particulares demandaria a segregação e discriminação das despesas por parte da empresa, a fim de se evitar a glosa integral das mesmas. Neste sentido, citou a seguinte ementa do CARF: Processo nº 18088.000421/200849 Recurso nº 899.444 Voluntário Acórdão nº 1401000.702 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de janeiro de 2012 Matéria Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Recorrente SUCOCÍTRICO CUTRALE LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL DESPESAS COM AERONAVES. GLOSA. Fl. 2549DF CARF MF 20 As despesas da pessoa jurídica passíveis de dedução na apuração do lucro tributável são aquelas previstas em lei como sendo essenciais para o funcionamento da empresa e o atendimento de seu objeto social. A utilização de aeronaves privadas, quando voltadas para o desenvolvimento de atividades diretamente relacionadas ao objeto da empresa, permite que os seus custos sejam deduzidos da base de formação do imposto de renda. No entanto, havendo comprovação de que as aeronaves eram utilizadas para fins privados, as despesas correspondentes são passíveis de glosa principalmente pela ausência de segregação dos custos relacionados à utilização das aeronaves em benefício da empresa daqueles relacionados à utilização para fins estranhos ao objeto social. Com isso, foram glosadas as despesas vinculadas a utilização das aeronaves, não apenas aquelas referentes ao arrendamento mercantil, bem como os gastos a título de combustíveis, manutenção, seguro, aluguel de heliponto, dentre outras. Inobservância dos Requisitos Legais na Dedução de Perdas no Recebimento de Créditos O Auditor Fiscal observou a conta de resultado ´390093 – PERDAS DE CREDITOS´ a qual foi considerada como despesa na apuração de resultado e verificou que a empresa adotou alguns critérios para considerar tais despesas, os quais não estavam de acordo com o art. 9º da Lei 9.430/1996, dispositivo legal que rege o assunto: Art. 9º As perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica poderão ser deduzidas como despesas, para determinação do lucro real, observado o disposto neste artigo. § 1º Poderão ser registrados como perda os créditos: I em relação aos quais tenha havido a declaração de insolvência do devedor, em sentença emanada do Poder Judiciário; II sem garantia, de valor: a) até R$ 5.000,00 (cinco mil reais), por operação, vencidos há mais de seis meses, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento; b) acima de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) até R$ 30.000,00 (trinta mil reais), por operação, vencidos há mais de um ano, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento, porém, mantida a cobrança administrativa; c) superior a R$ 30.000,00 (trinta mil reais), vencidos há mais de um ano, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento; III com garantia, vencidos há mais de dois anos, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento ou o arresto das garantias; Fl. 2550DF CARF MF Processo nº 13971.722394/201429 Acórdão n.º 1401002.736 S1C4T1 Fl. 2.541 21 IV contra devedor declarado falido ou pessoa jurídica declarada concordatária, relativamente à parcela que exceder o valor que esta tenha se comprometido a pagar, observado o disposto no § 5º. Por conseguinte, descreveu os critérios que estavam em desacordo com a legislação, discriminandoos da seguinte forma: A) Títulos vencidos há menos de 6 meses. Na planilha analisada na empresa, verificouse a existência de títulos vencidos a mais de 180 dias, porém sem haver completado o prazo de 6 meses citado na legislação. Apesar de a princípio aparentar a mesma coisa, 180 dias não corresponde exatamente a 6 meses. É o caso, por exemplo, dos títulos vencidos entre 01 e 03/07/2010, que apesar de estarem vencidos em 31/12/2010 há mais de 180 dias, não se encontravam vencidos há mais de 6 meses. Assim, lavrouse o Termo de Intimação Fiscal 03, sendo que os quesitos 01 e 04 solicitavam a apresentação de relatório contendo todos os títulos vencidos há menos de 6 meses, considerados no saldo em 31/12/2010 e 31/12/2011, respectivamente, da conta ‘10861 – Perdas de Contas a Receber’. A resposta apresentada apresentou a relação dos títulos, tendo a contribuinte afirmado que os mesmos foram considerados como perda dedutível “por equívoco de interpretação na contagem de dias”, reconhecendo, portanto, a falha em seus controles. Os títulos relacionados na resposta alcançaram R$ 30.682,91 em 2010 e R$ 44.513,97 em 2011. B) Títulos de valor superior a R$ 5.000,00, porém vencidos há menos de um ano. Como se viu na legislação transcrita, os títulos de valor superior a R$ 5.000,00 só podem ser considerados como perdas no recebimento de créditos se vencidos há mais de um ano. Assim, os quesitos 02 e 05 do mesmo Termo de Intimação Fiscal 03 solicitou a apresentação de relatório contendo todos os títulos considerados ao final de cada ano no saldo da conta ‘10861 – Perdas de Contas a Receber’ que eram de valor superior a R$ 5.000,00 e que, naquela data, estavam vencidos há menos de 1 ano. Na resposta apresentada a contribuinte reconhece o erro mais uma vez, afirmando que tais títulos “foram incluídos Fl. 2551DF CARF MF 22 indevidamente na planilha” originalmente utilizada para suporte de sua contabilidade. Os títulos com tais características somam R$ 191.945,49 em 2010 e R$ 292.307,97 em 2011. C) Títulos de valor superior a R$ 30.000,00, sem procedimento judicial de cobrança. O Termo de Intimação Fiscal 03 ainda aproveitou para investigar se para os títulos de valor superior a R$ 30.000,00, contabilizados como perdas, estavam em andamento os procedimentos judiciais para seu recebimento. Atendendo aos quesitos 03 e 06 daquela intimação, a contribuinte relacionou os títulos de valor superior a R$ 30.000,00, que totalizaram R$ 273.102,13 e R$ 947.423,89 ao final de 2010 e 2011, respectivamente. Ao invés de indicar, para cada um destes títulos, quais os procedimentos judiciais foram adotados para sua cobrança, conforme solicitava o quesito 07 da intimação, a contribuinte reconheceu que os títulos foram considerados indevidamente como perdas dedutíveis, mas que tais efeitos teriam sido anulados nos períodos seguintes, pela recuperação dos valores ou pela exclusão de tais títulos a partir de 2012. Assim, a autoridade fiscal demonstrou os valores computados de forma equivocada e explicou o cálculo das glosas que foram efetuadas, conforme segue: Com base nas informações prestadas foi possível recompor o saldo da conta 10861 ao final de cada ano, de modo a refletir unicamente o valor das perdas de acordo com o disposto na Lei 9.430/96. É o que espelha o quadro a seguir: Data Saldo contabilizado Títulos < 6 meses Títulos > R$ 5.000,00 e < 1 ano Títulos > R$ 30.000,00 sem cobrança judicial Total de títulos fora dos critérios Saldo ajustado conforme Art. 9º da Lei 9.430/96 31/12/10 32.524.363,33 30.682,91 191.945,49 273.102,13 495.730,53 32.028.632,80 31/12/11 39.067.870,00 44.513,97 292.307,97 947.423,89 1.284.245,83 37.783.624,17 No quadro, o valor da coluna “Saldo ajustado conforme art. 9º da Lei 9.430/96” corresponde o saldo originalmente contabilizado pela contribuinte diminuído dos valores dos títulos que não se enquadram nos critérios legais. Numa conclusão açodada, poderia se afirmar, erroneamente, que o total de títulos que não obedecem os critérios fiscais devem ser objeto de adição ao lucro real, ao final de cada ano. No nosso caso, ao final de 2011 esta adição seria de R$ 1.284.245,83. Tal interpretação está equivocada, pois deve ser descontado desta adição os valores dos títulos indevidamente considerados no ano imediatamente anterior, no valor equivalente a R$ 495.730,53. Fl. 2552DF CARF MF Processo nº 13971.722394/201429 Acórdão n.º 1401002.736 S1C4T1 Fl. 2.542 23 Explicase. Os títulos considerados indevidamente ao final de cada período podem ter duas destinações. Se forem recuperados no período posterior, a reversão do saldo representará uma receita reconhecida contabilmente, que não existiria se o critério adotado para reconhecimento dos títulos como perda fosse adotado corretamente. Assim, o reconhecimento desta receita em período posterior compensa a apropriação indevida da despesa com a perda daquele título, feita de maneira indevida no período anterior. A outra destinação seria o não recebimento do título, que permaneceria impactando o saldo da conta “10861 – PERDAS DE CONTAS A RECEBER” nos períodos subseqüentes. Nesta hipótese, a perda deste título pode passar a ser legítima, no caso do critério infringido ser o prazo de vencimento. Caso o critério infringido tenha sido a falta de cobrança judicial (títulos superiores a R$ 30.000,00), o título continuará sendo considerado, pelos critérios da auditoria, como de perda não legítima. Nesta hipótese, estaria considerado nos dois períodos. Por tais motivos, para a correta apuração do lucro real, o valor da adição em virtude da classificação indevida de títulos como perdas dedutíveis deve ser feita sempre se descontando o valor dos títulos nesta mesma situação no período de apuração imediatamente anterior. Nesta ótica, os valores de infração a serem considerados na autuação são os seguintes: Anocalendário 2010: R$ 495.730,53 Anocalendário 2011: R$ 788.515,30 Glosa de Despesas com Emissão de Debêntures Transcrevo a seguir trecho do Relatório Fiscal relativo a este item: Durante a análise das despesas contabilizadas pela contribuinte, foi identificado o seguinte lançamento contábil: Data : 05/01/2011 Conta debitada : ‘714310 DESPESAS EMISSAO DEBENTURES’; Histórico : ‘REF COMISSAO 0,70% GARANTIA FIRME DEBENTURES/00 MOV DEBITO’; Valor : R$ 387.382,40 O lançamento contábil em questão evidenciou aparente irregularidade, pois não há notícia da emissão de debêntures pela empresa fiscalizada no anocalendário em questão. Assim, a empresa foi intimada através do 3º quesito do Termo de Intimação Fiscal 02 a apresentar a respectiva documentação comprobatória, sendo que, na ocasião, a HAVAN alegou que, por equívoco, o Banco Bradesco debitou despesa em sua conta corrente referente a emissão de debêntures, sendo que tal equívoco tampouco foi percebido pela empresa. Fl. 2553DF CARF MF 24 Assim, a empresa reconhece ter assumido o ônus de uma despesa de forma equivocada, mas, de toda forma, contabilizou o valor correspondente na conta contábil indicada. Aliás, este foi o único lançamento contábil efetuado no decorrer do ano na conta contábil em questão, além do lançamento de encerramento de resultado, quando o seu saldo foi computado na apuração do lucro líquido da empresa. O quadro a seguir reproduz o razão da conta ‘714310 DESPESAS EMISSAO DEBENTURES’ referente ao anocalendário 2011: Data Histórico Crédito Débito Saldo SALDO ANTERIOR 0 05/01/2011 REF COMISSAO 0,70% GARANTIA FIRME DEBENTURES/00 MOV DEBITO 0,00 387.382,40 387.382,40 31/12/2011 ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO 387.382,40 0,00 0,00 Para não restar qualquer dúvida sobre o assunto, o 4º quesito do Termo de Intimação Fiscal 02 solicitou à empresa que informasse se a despesa em questão foi considerada na apuração do lucro real apurado pela empresa na DIPJ do período, ou se, de alguma forma, não impactou o resultado tributável, seja por adição ao lucro líquido ou outra forma de ajuste. A resposta apresentada afirmou expressamente que “tal lançamento foi considerado na apuração do lucro real como despesa”. Assim, a despesa em questão há que ser glosada, já que não se enquadra no conceito do artigo 299 do RIR/99. Multa pelo Recolhimento a Menor das Estimativas Mensais Considerando que as infrações detectadas afetaram também o cálculo dos recolhimentos mensais obrigatórios de IRPJ e CSLL por estimativa, e, tendo em vista que a empresa optou por apurar a base de cálculo destes recolhimentos pela elaboração de balanços de suspensão e redução, a autoridade fiscal refez a apuração dos resultados mensais consolidados levando em conta as infrações apuradas. Em decorrência dos recálculos realizados, foi constatado que os valores de estimativa declarados pelo contribuinte foram insuficientes, sujeitandose à aplicação da multa de 50% sobre o valor do pagamento mensal que deixou de ser efetuado, prevista no inciso II do art. 44 da Lei 9.430/1996. Cientificado do Auto de Infração em 14/08/2014, o interessado apresentou, em 15/09/2014, impugnação (fls. 2.2267 e ss), em suma, com as seguintes alegações: Das Despesas Financeiras consideradas desnecessárias: Primeiramente aponta que o Auditor Fiscal considerou os empréstimos em dois tipos: a) empréstimos sem propósito específico, e b) empréstimos com propósito específico, a partir daí, tratouos de forma discriminada, conforme segue: Fl. 2554DF CARF MF Processo nº 13971.722394/201429 Acórdão n.º 1401002.736 S1C4T1 Fl. 2.543 25 a) Mútuos sem Propósito Específico: Alega que o autuante considerou que os mútuos efetuados ao sócio administrador Luciano Hang, Brashop e Geradoras de Energia não teriam qualquer vínculo direto com as atividades da Havan. Neste ponto, defende que todas as empresas envolvidas tem um sócio em comum, o Sr. Luciano Hang, e, conforme prevê o ordenamento jurídico brasileiro, principalmente a Lei nº 6.404/76, há algumas hipóteses de acordos entre pessoas jurídicas, sob a designação de “grupos de sociedades”, nas quais pode haver relação de subordinação ou de coordenação entre as pessoas jurídicas envolvidas; as quais buscam gerar sinergias a fim de permitir o desenvolvimento de atividades empresariais independentes. Deste modo, tornase perfeitamente válido os contratos de mútuo entre interligadas mesmo que não haja encargos financeiros para a mutuária. Isto é, as operações de mútuos sem encargos entre empresas ligadas são legais, e, de igual modo, os empréstimos contraídos pela impugnante junto às instituições financeiras foram necessários à operacionalização da empresa, conseqüentemente, os juros nele incidentes são, de fato, despesas necessárias. Descreve a situação sob análise assim: Ou seja, a impugnante contraiu empréstimo junto a um banco ficando dele devedora. Os juros incorridos eram considerados despesa necessária, o que diminuía o IRPJ a pagar. No mesmo período, contratou operação mútuo com empresa coligada, na condição de credora, sem exigir da devedora o pagamento de juros. A fim de corroborar seus argumentos, cita o Acórdão nº 9101001.301 do CARF, transcrevendo a ementa: "IRPJ — DESPESAS DESNECESSÁRIAS DEDUTIBILIDADE. Para as despesas financeiras serem consideradas dedutíveis, na apuração do lucro operacional, devem ser necessárias para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (art. 242 combinado com o art. 318 do RIR194). IRPJ MÚTUO ENTRE EMPRESAS LIGADAS. Se o fisco não prova que o empréstimo fora simulado, são dedutíveis as despesas financeiras de contratos de mútuos celebrados entre empresas ligadas". (Processo n° 10768.017907/9831, Recurso Especial n° 142.202, Acórdão n° 9101001.301 Ia Turma. Sessão de 24 de abril de 2012) Conclui, na análise desta decisão, que o CARF, em situação similar, confirmou a regularidade da operação, concluindo que não havia nada que impedisse: (i) a dedução dos juros pagos, e (ii) a realização de empréstimos entre empresas do mesmo grupo. Segundo a decisão, somente seria possível impedir a dedução dos juros se tivesse sido comprovada pelo fisco simulação ou fraude, lembrando que "a prova de que houve simulação é do fisco". E no caso, a fiscalização não conseguiu fazer a prova. Fl. 2555DF CARF MF 26 (...) Restando devidamente comprovada a legalidade das operações de mútuo sem encargos para as empresas ligadas, é de asseverar que os empréstimos contraídos pela impugnante junto as instituições bancárias se fizeram necessários à operacionalização da impugnante, de modo que os juros nele incidentes são de fato despesas necessárias, e assim devem ser considerados na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Nesse sentido, tomar empréstimo para financiar as atividades da impugnante, tais como pagamento de fornecedores, manutenção das lojas, pagamentos e funcionários, etc, faz parte da sua atividade normal, usual e necessária. A despesa financeira decorrente desta atividade pode e deve ser deduzida da base de cálculo do IRPJ e CSLL, eis que se temos a mesma essência econômica e também a mesma essência jurídica, porque deveríamos chegar a uma conclusão diferente em relação ao direito de deduzir as despesas financeiras? Não há qualquer justificativa lógica ou legal para tanto. O agente fiscal não logrou êxito em provar suas alegações de que os empréstimos realizados pela impugnante eram exatamente àqueles repassados às empresas do grupo através de mútuo sem encargo, e nem poderia, pois os empréstimos foram todos devidamente escriturados, amparados em documentos idôneos e se caracterizaram como necessários à manutenção do negócio da impugnante. Portanto, entende que não procedem as glosas em tela. b) Mútuos com Proposto Específico: Assegura que os valores aplicados diretamente pelo interessado em imóveis (terrenos) de propriedade da empresa BRASHOP S/A, foram indevidamente considerados pela autoridade fiscal como se mútuos fossem, quando na verdade se tratavam de imobilização em imóveis de terceiros. Esclarece que o interessado firmou contratos de locação de propriedades (terrenos/edificações) da empresa BRASHOP, com cláusulas que permitiam ao locatário a edificação ou adaptação do imóvel para a realização de suas atividades, sendo determinado expressamente que as benfeitorias, ainda que úteis e necessárias seriam incorporadas ao imóvel sem possibilidade de indenização ao locatário. Tais benfeitorias eram contabilizadas em seu ativo imobilizado, sendo certo que estas benfeitorias, que abrangiam desde alterações nas edificações préexistentes até a edificação total da obra de construção civil em imóvel de terceiro, tinham como finalidade a adequação ao desempenho de suas atividades, destacando que os prazos dos contratos eram, via de regra, superiores a quinze anos. Enfatiza que tais locações nestes termos são corriqueiras no mercado, sendo um negócio jurídico lícito, legítimo, onde há dois bens (imóvel/terreno e imóvel/edificação), em uma mesma matrícula do registro público, isto é, o terreno e a construção averbada, ou ainda, o imóvel original e aquele resultante das melhorias e/ou acréscimos de área realizados pela locatária. Fl. 2556DF CARF MF Processo nº 13971.722394/201429 Acórdão n.º 1401002.736 S1C4T1 Fl. 2.544 27 Refrisa que estas benfeitorias foram contabilizadas no ativo permanente, e não se confundem com operações de mútuo, basicamente por que NINGUÉM empresta a si mesmo. Aponta ainda erro da autoridade tributária no item B.1) Imóveis em Barra Velha do Relatório Fiscal, ao considerar a conta contábil “749411 – BRASHOP S/A OBRAS BARRA VELHA” do grupo “570265 – CRÉDITOS OBRAS A RECEBER” como se fosse do grupo “12312 – CRÉDITOS POR MÚTUOS”. Explica que, de fato, no último dia do ano de 2010, reclassificou os valores dispendidos com “Imobilização em Imóveis de Terceiros”, de seu ativo imobilizado, para a conta “749411 – BRASHOP S/A OBRAS BARRA VELHA”, porém, esta conta não pertence ao grupo “12312 – CRÉDITOS POR MÚTUOS”, e sim ao grupo “570265 – CRÉDITOS OBRAS A RECEBER” E prossegue: Com toda a crítica que a aludida reclassificação possa merecer, ela NÃO TRATOU de reconhecer os saldos dos valores aplicados nas obras realizadas em Barra Velha, como se mútuos fossem, como pretende nos levar a acreditar a incorreta percepção da autoridade fiscal, o que aconteceu foi a transferência para uma conta do grupo "570265 Créditos Obras a Receber" por conta do contrato de locação celebrado que PREVÊ EXPRESSAMENTE que os valores dispendidos pela locatária "HAVAN" na edificação/adequação dos imóveis, seria abatido dos valores devidos a locadora "BRASHOP" a título de alugueres. 2.96. Sendo INEXORÁVEL o fato de que a autoridade lançadora visivelmente se equivocou, ao concluir que a HAVAN teria reclassificado os gastos aplicados diretamente em imóveis de terceiros, do "imobilizado" para "créditos por mútuos", o que NUNCA OCORREU, todos os valores apontados na ação fiscal a esse título estão evidentemente ERRADOS, pelo que, não há como manter sua exigência. Dos Juros Indedutíveis incidentes no REFIS Defende que embora o IRPJ e a CSLL sejam tributos indedutíveis de sua própria base de cálculo, as multas e juros desses tributos são dedutíveis por ocasião da data da consolidação do parcelamento, conforme Solução de Consulta 66/11, da Superintendência Regional da Receita Federal SRRF / 7ª RF, data da decisão de 14/07/2011 e publicado no DOU de 16/08/2011, conforme segue: "Processo de Consulta 66/11 Superintendência Regional da Receita Federal SRRF / 7a. RF (Data da Decisão: 14/07/2011 Data de Publicação: 16/08/2011) Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. Fl. 2557DF CARF MF 28 Ementa: DEDUTIBILIDADE. PARCELAMENTO DEFERIDO. TRIBUTOS, CONTRIBUIÇÕES E JUROS DE MORA CONSOLIDADOS. REGIME DE COMPETÊNCIA. Os débitos do sujeito passivo relativos a tributos e contribuições lançados cm auto de infração c consolidados cm parcelamento já deferido são dedutíveis, regra geral, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência, sendo vedada a dedução do valor da CSLL. Os débitos do sujeito passivo relativos a juros de mora referentes a tributos e contribuições lançados em auto de infração e consolidados cm parcelamento já deferido são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência, (grifouse) Portanto, totalmente equivocado se apresenta o entendimento fiscal que culminou na presente autuação. A multa e os juros, DO REFIS originado do IRPJ e CSLL, são dedutíveis para fins para o Imposto de Renda e Contribuição social sobre o lucro na data da Consolidação do parcelamento. Nesse sentido, causa espanto o posicionamento do agente fiscal, pois a Receita Federal pacificou o entendimento no sentido de que os débitos confessados para a inclusão em parcelamento e os juros correspondentes são despesas dedutíveis da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). A interpretação do Fisco foi publicada por meio da Solução de Consulta Interna da CoordenaçãoGeral da Receita n° 9. Que tem o condão de orientar todos os fiscais do País, no seguinte sentido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ, CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL O § 1º do art. 41 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, revogou de forma não expressa o art. 8º da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, pois tratou da mesma matéria (indedutibilidade de tributos e contribuições com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN) de forma diferente. Não é admissível a dedutibilidade do tributo, na hipótese de concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial (art. 151, inciso V, do CTN), pelo regime de competência, por se tratar de uma provisão. Na hipótese de parcelamento (art. 151, inciso VI, do CTN), a dedutibilidade do tributo ocorre pelo regime de competência. Os juros moratórios correspondentes à variação mensal da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP referentes ao Parcelamento Excepcional Paex, instituído pela Medida Provisória nº 303, de 29 de junho de 2006, são dedutíveis na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL pelo regime de competência. Dispositivos Legais: Medida Provisória nº 303, de 2006, art. 35; Lei nº 8.541, de 1992, arts. 72 e 82; Lei nº 8.981, de 1995, art. 41; Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), arts. 108, § lº; Fl. 2558DF CARF MF Processo nº 13971.722394/201429 Acórdão n.º 1401002.736 S1C4T1 Fl. 2.545 29 111, inciso I, e 151, Lei Complementar nº 104, de 2001; Parecer Normativo CST nº 174, de 1974, item 8; Parecer Normativo CST nº 61, de 1979, item 4.7. Ou seja, tratandose o REFIS, instituído pela Lei n° 9.964/2000, de parcelamento (confissão irretratável da dívida) devidamente aprovado e oficializado pela administração tributária, seus juros moratórios são dedutíveis na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, a título de despesas financeiras. A regra vigente desde a edição do art. 41 da Lei n° 8.981, de 1995, é a dedutibilidade pelo regime de competência. Acrescenta que os juros de mora devidos em razão de débitos recolhidos com atraso são sempre dedutíveis como despesas financeiras, conforme estabelece o Parecer Normativo nº 174/1974. Dedutibilidade indevida relacionada a despesas com aeronaves O interessado afirma que o pressuposto para a glosa de tais despesas foi a ausência de comprovação do estrito vínculo de sua utilização com a atividade comercial da empresa. Inicialmente, ressalta que a empresa tem como atividade principal a comercialização no varejo, sendo considerada a maior loja de departamento do Brasil, constituída, à época da contestação, por 84 filiais espalhadas pelo país. Neste aspecto, destaca o empreendedorismo do sócio administrador Luciano Hang, o qual gerencia in loco a operacionalização do negócio, acarretando o deslocamento constante entre a matriz e filiais em diversos estados, além de viagens com fins de prospectar locais para abertura de novas filiais, bem como visita a fornecedores e outras atividades relacionadas à operacionalização da atividade, as quais necessitam do uso das aeronaves como forma de dinamizar as operações. Ademais, informa que também se faz necessário o deslocamento de profissionais ligados às atividades da empresa, como funcionários relacionados ao setor de informática, contabilidade, vitrinistas e outros. Por estes motivos foi realizado o arrendamento das aeronaves. No entanto, Mesmo tendo apresentado todas as justificativas solicitadas pela fiscalização relativas aos vôos realizados com as aeronaves da HAVAN, contendo (i) diários de bordo das aeronaves, (ii) Relatórios de Planos de Vôos, emitidos pela ANAC e INFRAERO, e (iii) Planilhas com o detalhamento das viagens, elaborados pela contribuinte em atendimento às intimações, a fiscalização houve por bem glosar a totalidade das despesas relacionadas às duas aeronaves, sob o pressuposto de que as mesmas eram utilizadas para fins privados, tendo em vista que a impugnante não logrou êxito em comprovar que as viagens objetivavam atender a finalidade empresarial. Para justificar a glosa total das despesas, o agente fiscalizador cita apenas 5 (cinco) vôos realizados, de um total de 1.263 (hum mil, duzentos e sessenta e três) vôos. Essas 5 viagens foram utilizadas como pressupostos para "dedução" de que todos os Fl. 2559DF CARF MF 30 demais eram usados para "uso particular". Essas cinco viagens correspondem a 0,39 %, do total das viagens realizadas pelas aeronaves no período fiscalizado, e embora tenham sido realizadas com finalidade empresarial, ao contrário da suposição do agente fiscalizador, poderiam perfeitamente ter sido segregadas das demais viagens realizadas no período fiscalizado, ou seja, nos anoscalendários de 2010 e 2011, para fins de autuação. Além disso, o agente fiscalizador alega, que nos documentos apresentados pela impugnante no curso da fiscalização não constam os dados informativos relacionando acerca da identificação dos passageiros transportados pelas aeronaves nas viagens efetuadas no período fiscalizado. Contudo, todas as informações relativas a cada um dos vôos realizados estão registradas nos diários de bordo preenchidos de acordo com os padrões da ANAC e devidamente apresentados à fiscalização. (...) Relatou a impugnante, que dentre todas as viagens, três delas o sócio administrador, ao trabalhar no local, levou a sua família consigo, todavia, tal fato não tem o condão de descaracterizar a totalidade dos vôos realizados durante todo o ano calendário de 2010 e 2011, que repitase, totalizaram 1.263 vôos no período. Beira a máfé do agente fiscalizador glosar a totalidade das despesas sob o pressuposto dessas três viagens realizadas. Poderia ele ter glosados apenas as despesas relacionadas as essas viagens específicas, mas não se utilizado das raras exceções para glosar as despesas como um todo. Basta analisar a operacionalização da empresa no seu contexto, para se verificar que as viagens realizadas estão intrinsicamente ligadas a sua atividades, tendo em vista a necessidade de operacionalização e funcionamento das 84 lojas espalhadas pelo País. É possível se imaginar que o sucesso do empreendimento está ligado a otimização do tempo que o sócioadministrador tem para controlar toda a sua operação. Tivesse ele utilizado todas essas viagens para cunho particular, como sustenta o agente fiscal, certamente seu negócio estaria falido, e o que se verifica é justamente o contrário, hoje a impugnante é considerada, como já dito, a maior loja de departamento do país. Por tal razão, totalmente equivocado o procedimento fiscalizatório na glosa total das despesas com as referidas aeronaves. Aduz que a dedutibilidade da despesa exige a comprovação de sua necessidade, mas não cabe à fiscalização definir a seu critério o que é ou não despesa necessária, sendo certo que os elementos utilizados pelo Auditor Fiscal são precários e totalmente desprovido de fundamentação lógica e técnica. E prossegue, Ou seja, os custos e as despesas com o uso das aeronaves estão intrinsicamente ligados a atividade da impugnante, e os registros contábeis comprovam essa informação, não pode a fiscalização glosar a totalidade das Fl. 2560DF CARF MF Processo nº 13971.722394/201429 Acórdão n.º 1401002.736 S1C4T1 Fl. 2.546 31 despesas, sob o pressuposto de que dos 1.263 vôos realizados, apenas 5 tiveram que supostamente a conotação de uso particular. Esse único argumento não tem o condão de descaracterizar o todo, gerando a glosa total das despesas. (...) Assim, no caso concreto, deve ser aplicado o princípio da verdade material, vez que supostos equívocos no detalhamento dos vôos não podem ser utilizados para fulminar o direito do contribuinte no lançamento das respectivas despesas. (...) Em outras palavras, um processo administrativo fiscal de determinação de crédito tributário não pode sobreviver nem ser impulsionado por opiniões subjetivas dos agentes fiscais, nem por presunções que supostamente prevalecem na ausência de prova. Não é este o sistema adotado pelo Direito brasileiro. Se a fiscalização afirma existirem irregularidades com reflexos em obrigações tributárias, deve identificálas e comprovar sua existência com fatos concretos e reais, não com suposições, inferências ou opiniões pessoais. Não foi o que ocorreu no presente caso. A fiscalização pretende construir uma tese completamente dissociada da realidade dos fatos quando afirma que o contribuinte utilizou duas aeronaves para fins particulares lançando as despesas na pessoa jurídica. As conclusões a que chegou a fiscalização basearamse não em fatos concretos, mas em suposições, inferências ou opiniões pessoais do agente fiscal, decorrente de seu completo desconhecimento quanto a documentação comprobatória acerca dos vôos realizados. Diante de todo o exposto, o auto de infração, nesse particular não merece prosperar e deve ser cancelado. Da Inobservância dos Requisitos Legais na Dedução de Perdas no Recebimento de Créditos Expõe que as argumentações fiscais, embora subdivididas em 3 itens, convergem para um mesmo ponto central, qual seja, a contagem dos prazos. Apontou o ilustre agente fiscal que, teriam sido considerados como "perdas de créditos", valores de títulos "vencidos a mais de 180 dias", mas que cento e oitenta dias não corresponderia aos "seis meses" descritos na legislação. Pelo raciocínio exposto pelo fisco, títulos vencidos entre os dias 01 e 03 de julho de 2010, não estariam vencidos a mais de seis meses em 31/12/2010, partindo do pressuposto que a regra a ser aplicada seria a da contagem "por mês calendário", pelo que, os tais títulos apenas estariam vencidos a mais de seis meses entre os dias 01 e 03 de janeiro de 2011. Fl. 2561DF CARF MF 32 O objetivamente é estranho que se perca tempo com tal preciosismo e, ainda assim, para impor uma interpretação discutível do dispositivo legal que, frisese, nunca descreveu exatamente qual seria a forma pela qual a contagem dos aludidos "seis meses" deveria seguir. O contribuinte apenas seguiu um critério objetivo e dentro de padrões de razoabilidade, qual seja, o de considerar o "mês" como sendo representativo do prazo de trinta dias, que é um critério usual e reconhecido como correto pelo mercado, em especial pela sua linearidade em relação as frações dos meses. Portanto, perfeitamente passível de aceitação as despesas relacionadas a perda no recebimento dos créditos. Da Glosa de Despesas com Emissão de Debêntures Neste item a defesa apresentou os seguintes argumentos: As debêntures são, fundamentalmente, uma forma de captação de recursos para as sociedades. A disciplina legal desses títulos de crédito encontrase na Lei n° 6.404/1976, arts. 52 a 74 (com as modificações das Leis n°s 9.457/1997 e 10.303/2001). A debênture emitida pela companhia pode assegurar ao seu titular participação no lucro da companhia. E de acordo com o RIR/1999, art. 462, I, podem ser deduzidas do lucro líquido do período de apuração as participações nos lucros da pessoa jurídica asseguradas a debêntures de sua emissão. Multa pelo Recolhimento a Menor das Estimativas Mensais O impugnante assegura ser inexigível a aplicação da multa isolada após o encerramento do exercício fiscal ao qual ela está vinculada. Isto pois, com o encerramento do exercício fiscal, há apuração do efetivo lucro real sobre o qual é apurado o IRPJ. Deste modo, os recolhimentos mensais feitos a título de antecipação, por estimativa, são abatidos do IRPJ ao final do exercício. Com isso, após o encerramento do período, toda e qualquer regra sobre pagamentos realizados por estimativa perdem totalmente a sua razão de ser, visto que, findo o exercício fiscal, ocorre a apuração de IRPJ, não havendo mais o que se cogitar sobre estimativas/antecipações. Nessa ordem de idéias, a multa isolada somente pode ser exigida durante o anocalendário. Tanto é assim que a própria redação do art. 44, inc. II, "b" da Lei n. 9.430/96 dispõe expressamente que a multa de 50% incide sobre o valor do pagamento mensal que deixar de ser efetuado, "no ano calendário correspondente". A dicção legal não poderia ser mais precisa ao dispor que a multa isolada só pode ser exigida no "ano calendário correspondente", o que torna evidente que dita sanção não pode ser aplicada após o encerramento do exercício fiscal, senão estaria ofendendo a lógica ou à racionalidade do IRPJ. (...) Fl. 2562DF CARF MF Processo nº 13971.722394/201429 Acórdão n.º 1401002.736 S1C4T1 Fl. 2.547 33 Dessa forma, uma vez encerrado o anocalendário, a autoridade fiscal apenas poderá exigir o IRPJ não recolhido ou recolhido "a menor", ou ainda eventual penalidade (multa de 75% ou l50%), desde que apurados exclusivamente sobre o lucro real anual. Cita algumas decisões do antigo Conselho de Contribuintes (atualmente CARF), sentença judicial e doutrina a fim de robustecer suas alegações. Acrescenta, ainda, que a penalidade não poderia ser imposta em decorrência da denúncia espontânea, art. 138 do CTN, haja vista que a penalidade foi imposta após o recolhimento dos tributos devidos. Cita novamente decisões do antigo Conselho de Contribuintes (atualmente CARF) sobre este tema. Finda seus argumentos, alegando a ilegalidade da multa isolada em virtude de sua incompatibilidade com o art. 97 e art. 113 do CTN. Diante de todo o exposto, requer o cancelamento do Auto de Infração. É o relatório. (término da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) A DRJ, por meio do Acórdão 1285.477, de 15 de fevereiro de 2017, julgou improcedente a impugnação apresentada pela empresa, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011 GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS. MÚTUO SEM ENCARGOS FINANCEIROS. DESNECESSIDADE DAS DESPESAS. A captação de recursos junto ao mercado com pagamento de juros, concomitantemente à concessão de empréstimos via contratos de mútuos sem previsão de encargos financeiros, evidencia a liberalidade dos recursos concedidos, revelando a desnecessidade das despesas financeiras deduzidas no resultado. GLOSA DE DESPESAS COM O ARRENDAMENTO DE AERONAVES. É vedada a dedução de despesas com o arrendamento mercantil de aeronaves quando não relacionadas intrinsecamente com a produção ou comercialização de bens e serviços. GLOSA DE DESPESAS COM EMISSÃO DE DEBÊNTURES. Correta a glosa de despesa com emissão de debêntures quando não comprovada a sua efetivação. GLOSA DA DEDUÇÃO DE PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. Somente após os prazos estabelecidos em lei, os títulos de crédito não pagos, contabilizados como perda, podem ser deduzidos como despesa na apuração do lucro real. Fl. 2563DF CARF MF 34 GLOSA DE DESPESA COM JUROS INCIDENTES SOBRE O REFIS. São indedutíveis os juros incidentes sobre a parcela do REFIS composta por IRPJ e CSLL (posterior a 1997) e seus acréscimos legais, bem como por multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compensatória e as impostas por infrações de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo. ESTIMATIVAS MENSAIS. FALTA DE PAGAMENTO. MULTA ISOLADA APLICADA APÓS O ENCERRAMENTO DO ANO CALENDÁRIO. A falta de pagamento de estimativa configura descumprimento de obrigação acessória ensejando a aplicação de multa isolada. A apuração de prejuízo fiscal, ou de tributos incidentes sobre o lucro tributável, ainda que pagos, não anula o descumprimento daquela obrigação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2010, 2011 CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. As normas fiscais que disciplinam a exigência de IRPJ aplicamse à CSLL reflexa, no que cabíveis. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada eletronicamente da decisão da DRJ na data de 24/02/2017 (efl. 2.484), e não satisfeita com a decisão da delegacia de piso, apresentou recurso voluntário em 23/03/2017 (efls. 2.487 a 2.523), conforme Termo de Análise de Solicitação de Juntada de e fl. 2.486, repetindo basicamente os argumentos apresentados na impugnação. No CARF, coube a mim a relatoria do processo. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Despesas com uso de Aeronaves voto vencedor A recorrente alega que as duas aeronaves arrendadas helicóptero Agusta A109E Power 2009 e avião Learjet 45XR 2011 foram utilizadas no exercício de suas Fl. 2564DF CARF MF Processo nº 13971.722394/201429 Acórdão n.º 1401002.736 S1C4T1 Fl. 2.548 35 atividades. Apresenta documentos referentes aos voos realizados pelas aeronaves e afirma que a despesa com o arrendamento das aeronaves e demais despesas acessórias (combustíveis, manutenção, seguro e outras despesas) são dedutíveis. Por outro lado, a fiscalização e a DRJ entendem que não houve efetiva comprovação da utilização das aeronaves no desempenho das atividades da recorrente, pois o processo não está carreado com prova inequívoca da vinculação entre o evento ocorrido e o desempenho da atividade da empresa. Pois bem. O inciso II do art. 13 da Lei nº 9.249/1995 prevê regra de que as despesas com arrendamento mercantil não são dedutíveis, apenas sendo permitida a dedução em relação às despesas intrinsecamente relacionadas com a produção ou comercialização dos bens e serviços: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: (...) II das contraprestações de arrendamento mercantil e do aluguel de bens móveis ou imóveis, exceto quando relacionados intrinsecamente com a produção ou comercialização dos bens e serviços; Como já disse algumas vezes neste tribunal, a despesa deve ser comprovada por quem a aproveita, sendo imperativa, ainda, a demonstração concatenada entre os argumentos ofertados e os documentos acostados ao processo. No caso concreto, vejo que os diários de bordo apresentados pela recorrente demonstram o trajeto das aeronaves e comprovam que a maior parte dos voos tenha como origem ou destino locais onde existem filiais da empresa. A empresa autuada possui 84 (oitenta e quatro) filiais espalhadas por cidades do interior do Brasil, de acesso mais dificultoso, e por isso havia necessidade da utilização das aeronaves para o deslocamento de seu sócio e de seus colaboradores. Como amplamente defendido em sua peça recursal, é graças a esse deslocamento célere que a empresa conseguiu expandir seu negócio e se tornar uma empresa de relevante expressão no mercado nacional, o que inevitavelmente gerou empregos e aumentou demasiadamente o pagamento de tributos por parte da recorrente e de todos os envolvidos, direta ou indiretamente em seu negócios (fornecedores e colaboradores, por exemplo). Mister ressaltar, ainda, que entendo que a permissão para a dedução das despesas independe da alegação de que não houve indicação de quais/quantos passageiros foram transportados pelas aeronaves. Talvez com tal determinação ficaria mais fácil comprovar a utilização da aeronave no desempenho de suas atividades, mas isso não invalida a premissa por mim utilizada para permitir a dedução fiscal de que os voos tiveram como origem ou Fl. 2565DF CARF MF 36 destino locais onde estavam instaladas filiais (ou propensos estabelecimentos), fornecedores, etc., da recorrente, e que por isso seria muito improvável que não tivessem relação com o objeto social da recorrente. Outra questão, é que a fiscalização apontou que 5 (cinco) viagens de um total de 1.263 (um mil, duzentos e sessenta e três) voos nos períodos objetos de autuação não se desenrolaram no desenvolvimento da atividade da empresa. Desta forma, tomou como parâmetro essa pequena amostragem para glosar todas as despesas contabilizadas pela ora recorrente. Entendo que este não seria o modelo ideal para justificar a glosa da citada despesa: a meu ver, a amostragem deve servir para excluir determinado lote de fatos/eventos de um lançamento tributário, ou seja, com base em uma amostra determinada, o auditor conclui pela suficiência da documentação apresentada e que, assim, não há necessidade de lançamento fiscal. Por outro lado, para efetuar um lançamento fiscal, pode até o fisco, inicialmente, se servir de uma amostragem assim como preveem as regras de auditoria ; entretanto, se a amostra não se traduziu em comprovação efetiva de um evento, devese ampliála até que tal evento seja comprovado ou desmistificado e o fisco, com base mais concretas, possa efetuar o lançamento fiscal. Nessa trilha, no caso em julgamento, entendo que a auditoria fiscal deveria estender tal amostragem com fins de efetivamente provar que todos, ou próximo da totalidade, os/dos voos não foram efetuados no desenvolvimento das atividades da recorrente, o que percebo não ter sido comprovado pela autoridade fiscal. Outro tema proeminente é que a quantidade de voos é representativa. E isto também faz prova a favor da recorrente de que é improvável que seu sócio utilizaria as aeronaves somente para fins privados, esquivandose de sua responsabilidade pela gestão de uma empresa que deve exigir muitas horas de seu trabalho. Em uma rápida análise, constatei que os anos de 2010 e de 2011 tiveram 503 (quinhentos e três) dias úteis foram desconsiderados os finais de semana e os feriados nacionais que 'caíram' em dias de semana . Desta forma, para que todas as despesas fossem consideradas não dedutíveis, o sócio da recorrente deveria utilizar, particularmente, as aeronaves 2:30 h por dia, durante dois anos seguidos, isso sem contar o tempo em que ele permaneceria no local de destino, o que realmente torna improfícua a manutenção do lançamento. Por fim, em razão da quase insignificante proporção de voos (0,3959% do total de voos = 5/1.263), indicados pela fiscalização, que possivelmente se tratavam de voos de interesse particular, somada ao fato de que não vejo possibilidade de mensurar qual o valor exato das despesas referentes somente aos 5 (cinco) voos visto que partem e se destinam a localizações/distâncias diferentes , estendo a dedução fiscal para todas as despesas com aeronaves e demais despesas acessórias com o uso das aeronaves, pelo que proponho dar provimento ao recurso voluntário quanto a este ponto. Despesas vinculadas a emissão de Debêntures voto vencedor A recorrente apenas define que as debêntures são uma forma de captação de recursos para as sociedades e que asseguram participação nos lucros da companhia que emitiu Fl. 2566DF CARF MF Processo nº 13971.722394/201429 Acórdão n.º 1401002.736 S1C4T1 Fl. 2.549 37 o título. E, por conseguinte, de acordo com o art. 462, I, do RIR/99, a participação nos lucros decorrente da emissão de debêntures pode ser deduzida da base do IRPJ. Entretanto, o que se vê é que não houve emissão de debêntures por parte da recorrente. A própria recorrente informou ao fisco por meio do 3º quesito do Termo de Intimação Fiscal 02 , ao ser intimada a apresentar a respectiva documentação comprobatória, que, por equívoco, o Banco Bradesco debitou despesa em sua conta corrente referente a emissão de debêntures, sendo que tal equívoco tampouco foi percebido pela empresa. Além disso, não traz mais nenhum elemento no recurso voluntário para infirmar as acusações da fiscalização. Desta forma, nego provimento quanto a este ponto. Perda no recebimento de créditos voto vencedor A recorrente pede que sejam considerados como perda os créditos vencidos nas datas de 01 e 03 de julho de 2010, alegando que a interpretação para a regra de contagem do referido prazo para dedução fiscal da perda no recebimento de créditos é discutível. A fiscalização efetuou a glosa dos créditos de valor até R$ 5.000,00 (cinco mil reais), com base na falta de atendimento, por parte da recorrente, ao dispositivo legal abaixo transcrito: Art. 9º As perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica poderão ser deduzidas como despesas, para determinação do lucro real, observado o disposto neste artigo. (...) II sem garantia, de valor: a) até R$ 5.000,00 (cinco mil reais), por operação, vencidos há mais de seis meses, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento; (negritei) Como visto, o prazo mínimo para dedução fiscal é de 6 (seis) meses. Desta forma, os créditos vencidos nas datas de 01 e 03 de julho de 2010 somente poderiam ser deduzidos da base do IRPJ a partir das datas de 01 e 03 de janeiro de 2011, respectivamente. Como foram deduzidos ainda no anocalendário de 2010, correta a glosa da fiscalização. Por fim, o fato da proximidade das datas da dedução fiscal feita pela empresa e da dedução fiscal que, segundo o fisco, seria permitida não pode ser considerado como um preciosismo por parte da fiscalização, como indicou a recorrente em seu recurso voluntário. Tratase de aplicação da regra legal para dedução fiscal de um valor que supostamente não será quitado. Desta feita, proponho negar provimento quanto a este ponto, mantendo a referida glosa. Fl. 2567DF CARF MF 38 Despesas financeiras consideradas desnecessárias voto vencedor Com relação à glosa de despesas financeiras, tanto o fisco como a recorrente segregam as despesas em 2 (duas), as quais dispensarei tratamento e conclusões distintos: Mútuos sem propósito específico A fiscalização verificou que a recorrente levantou empréstimos com instituições financeiras (no mercado), cujos contratos previam pagamento de juros por parte da mutuária ora recorrente. Também verificou que a recorrente mantinha contratos de mútuo firmado com seu sócio majoritário, Luciano Hang, e com empresas ligadas empresa Brashop e empresas geradoras de energia , mesmo que efetuados (empréstimos) indiretamente por meio do sócio Luciano Hang. Nos contratos de mútuo em que a recorrente figurava como mutuante, não havia previsão de pagamento de juros pelas mutuarias. Segundo a recorrente, por se tratar de um grupo de empresas, comandadas por uma só pessoa (Luciano Hang), os contratos de mútuo não têm necessidade de prever a correção do valor mutuado por juros. Pois bem. A premissa colocada pela recorrente é correta: não há obrigatoriedade de previsão de juros em um contrato de mútuo. Entretanto, há que se buscar na regra fiscal se tal prescindibilidade pode permitir, por outro lado, que a referida despesa financeira decorrente do recurso levantado junto a terceiros seja deduzida da base fiscal da recorrente. E o artigo 299 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/99) é que trata da possibilidade da dedução fiscal de uma despesa contábil: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Inicialmente, cabe observar que, apesar de se tratar de empresas pertencentes a um mesmo grupo empresarial, as normas contábeis estabelecem a distinção entre pessoas Fl. 2568DF CARF MF Processo nº 13971.722394/201429 Acórdão n.º 1401002.736 S1C4T1 Fl. 2.550 39 físicas e jurídicas e entre pessoas jurídicas, mesmo que todas estejam relacionadas a um único sócio. Desta forma, não se trata de considerar todas as empresas como única, para que seja reconhecido o direito de deduzir as despesas financeiras que aqui se discute. A meu ver, a falta de previsão de juros nos contratos em que a Havan (recorrente) figurou como mutuante decorre de mera liberalidade de sua parte, pois a empresa socorreuse do mercado para levantar os recursos, mas posteriormente deslocou tais recursos para empresas pertencentes a seu grupo empresarial, sem, no entanto, ser remunerada por isso. E, mesmo que o recurso levantado não tenha sido aquele que foi deslocado para as empresas do grupo, isto não impede minha conclusão da liberalidade denotada pela fiscalização, confirmada pela DRJ e com a qual também concordo. Desta forma, vêse que as despesas financeiras deverão ser glosadas na mesma proporção dos empréstimos efetuados pela recorrente sem previsão de juros, conforme tabela trazida no relatório fiscal do auto de infração que aqui se discute. Diante do exposto, proponho negar provimento quanto às despesas financeiras que deram azo ao mútuos sem propósito específico, mantendo a referida glosa. Mútuos com propósito específico Quanto aos mútuos com propósito específico, há de se verificar quem tem razão em seus argumentos: (i) a fiscalização, quando alega que os recursos foram destinados às obras por meio de contratos de mútuo sem previsão de juros; ou (ii) a recorrente, que alega que os valores foram aplicados diretamente em imóveis de propriedade da Brashop, mediante compromisso/contrato de locação do imóvel desta, para a utilização nas atividades daquela, por prazo determinado. Resta a este julgador verificar se a natureza do recurso é de mútuo ou de imobilização em imóvel de terceiro para, em um segundo momento, analisar se o valor despendido ocasiona a não dedutibilidade das despesas financeiras decorrente dos contratos de mútuo em que a ora recorrente figurou como mutuaria, obtidos junto a instituições financeiras. Antes de adentrar no caso dos autos, importa traçar um intróito de que a nova realidade contábil deve ser fundada em duas premissas, quais sejam: (i) refletir a realidade fática ocorrida no mundo fenomênico; e (ii) a prevalência da essência sobre a forma. A partir da vigência da Lei nº 11.638/2007, que trouxe para o ordenamento jurídico pátrio normas internacionais de contabilidade, a primazia da essência sobre a forma tornouse relevante para a interpretação de fatos e atos consignados nos livros contábeis de uma sociedade empresarial (e civil também). A ideia é que as demonstrações contábeis representem fidedignamente a realidade dos efeitos econômicos das transações, independentemente do seu tratamento jurídico. Até aí tudo bem. Fl. 2569DF CARF MF 40 Entretanto, percebo que este princípio ganhou força de tal monta que a forma dos negócios jurídicos está sendo renegada a um plano inferior, de modo que aos poucos vai sendo ignorada por alguns. Já vi em alguns casos, por exemplo, para se livrar do recolhimento do IOF mútuo, uma empresa que firmara um contrato denominado "contrato de mútuo", assinado pelas partes interessadas, registrado em cartório, cujos valores foram contabilizados como mútuo, alegou que sua natureza era de um contrato de contacorrente, pois tal representaria a intenção das partes. Alto Lá! Nesse exemplo trazido, entendo que se deve manter o entendimento de que a forma contratual escolhida pelas partes deve ser respeitada (contrato de mútuo) e seus efeitos jurídicotributáriofiscais deverão partir de tal premissa no caso do efeito tributáriofiscal, a tributação pelo IOF . A meu ver, a essência não pode alegada pelas partes simplesmente com a justificativa de que representava sua intenção, sem ser comprovada com elementos contundentes. Sempre digo que não se pode adentrar à mente das partes contratantes para se confirmar se realmente era determinada intenção consignada nos documentos. Entretanto, é muito mais fácil justificar que a intenção das partes era aquela assinalada nos documentos jurídicos, e não o contrário de que a essência estaria diversa da forma. Desta forma, posso indagar: por que alguém formaliza algo que não representa a sua vontade? Isto é no mínimo estranho aos olhos do direito. Findada tal introdução, percebo que, no caso concreto, a intenção das partes era efetivamente estabelecer contrato de construção/benfeitoria em imóvel de terceiros, em que a recorrente como empresa locadora do terreno da Brashop construiria os imóveis e posteriormente descontaria o valor a pagar dos aluguéis à Brashop dos valores custeados para a construção. E esse é um modelo muito utilizado no mercado. A desconfiança é gerada quando o contrato é estabelecido entre empresas ligadas. Por outro lado, no caso concreto não houve por parte da fiscalização nenhuma demonstração de que o contrato firmado exorbitava o que se verifica no mercado, como condições, prazos, valores, ou demais variáveis. Desta forma, partindo da premissa de que os contratos são válidos, o que resta avaliar é se deveria haver cobrança de juros sobre os valores despendidos na construção civil, para que a despesa financeira decorrente dos empréstimos tomados pela recorrente pudesse, ou não, ser deduzida de sua base fiscal. E, também por este viés, entendo possível a dedução fiscal. Para tal conclusão, basta comparar o modelo que aqui se discute com um financiamento obtido para a construção de um imóvel. Se o imóvel for utilizado no desenvolvimento das atividades da empresa, a despesa financeira decorrente desse financiamento é dedutível para fins fiscais. O caso concreto é bem semelhante ao exemplo, somente divergindo em relação à propriedade do terreno em que o imóvel será construído. Nada obstante, não há nada Fl. 2570DF CARF MF Processo nº 13971.722394/201429 Acórdão n.º 1401002.736 S1C4T1 Fl. 2.551 41 que impeça o modelo contratado pelas partes, uma vez que a recorrente será remunerada pela dona do terreno com base nos aluguéis que esta receberá (da própria recorrente). A única diferença é que não haverá transação financeira no modelo arquitetado, mas tão somente operação contábil permutativa, o que não desnatura a operação de imobilização em terreno de terceiros. Além disso, em respeito à forma adotada para o caso, entendo correto o modelo contábil utilizado contabilização no ativo imobilizado e posterior transferência para a conta de direito "Crédito Obras a Receber", esta a qual nada se assemelha a uma conta de mútuo, como alegou a fiscalização , o que nos leva a acreditar que, no caso dos autos, a essência correspondeu à forma adotada. Diante do exposto, concluise que a despesa financeira é necessária à atividade da empresa e, sendo assim, impende considerála dedutível, pelo que proponho dar provimento ao recurso quanto às despesas decorrente dos mútuos com propósito específico. Despesas Financeiras sobre os débitos parcelados no REFIS voto vencedor A fiscalização glosou as despesas de juros decorrentes de dívidas tributárias levadas ao parcelamento por partir da premissa de que o IRPJ não é dedutível de sua base de cálculo, sendo assim os juros que são acessórios ao principal (tributo) segue a mesma regra de não dedutibilidade. Ocorre que a débito tributário consolidado no Refis representa confissão de irretratável da dívida. E como tal os juros previstos para a correção da dívida são dedutíveis da base do IRPJ, por representarem despesa financeira. Este também é o entendimento firmado pela própria RFB na Solução de Consulta nº 66, de 14 de junho de 2011, cuja ementa reproduzo abaixo: ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido EMENTA: DEDUTIBILIDADE. PARCELAMENTO DEFERIDO TRIBUTOS, CONTRIBUIÇÕES E JUROS DE MORA CONSOLIDADOS. REGIME DE COMPETÊNCIA. Os débitos do sujeito passivo relativos a tributos e contribuições lançados em auto de infração e consolidados em parcelamento já deferido são dedutíveis, regra geral, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência, sendo vedada a dedução do valor da CSLL. Os débitos do sujeito passivo relativos a juros de mora referentes a tributos e contribuições lançados em auto de infração e consolidados em parcelamento já deferido são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. DISPOSITIVOS LEGAIS: art. 151 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN); art. 1º da Lei Complementar nº 104, de 2001; arts. 187, § 1º, e 191, da Lei nº 6.404, de 1976 (Lei das S.A.); art. 41 da Lei nº 8.981, de 1995; art. 1º da Lei nº 9.316, de 1996; arts. 12 e 13 da Lei nº 10.522, de 2002; arts. 247, 248, 299, §§ 1º e 2º, e 344 do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/1999); art. 50 da Instrução Fl. 2571DF CARF MF 42 Normativa RFB nº 390, de 2004; item 8 do Parecer Normativo CST nº 174/74; Parecer Normativo CST nº 58/1977; e item 4 do Parecer Normativo CST nº 61/79. ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica EMENTA: DEDUTIBILIDADE. PARCELAMENTO DEFERIDO. TRIBUTOS, CONTRIBUIÇÕES E JUROS DE MORA CONSOLIDADOS. REGIME DE COMPETÊNCIA. Os débitos do sujeito passivo relativos a tributos e contribuições lançados em auto de infração e consolidados em parcelamento já deferido são dedutíveis, regra geral, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência, sendo vedada a dedução do imposto de renda de que for sujeito passivo como contribuinte ou responsável em substituição ao contribuinte. Os débitos do sujeito passivo relativos a juros de mora referentes a tributos e contribuições lançados em auto de infração e consolidados em parcelamento já deferido são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. DISPOSITIVOS LEGAIS: art. 151 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN); art. 1º da Lei Complementar nº 104, de 2001; arts. 187, § 1º, e 191, da Lei nº 6.404, de 1976 (Lei das S.A.); art. 41 da Lei nº 8.981, de 1995; art. 1º da Lei nº 9.316, de 1996; arts. 12 e 13 da Lei nº 10.522, de 2002; arts. 247, 248, 299, §§ 1º e 2º, e 344 do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/1999); item 8 do Parecer Normativo CST nº 174/74; Parecer Normativo CST nº 58/1977; e item 4 do Parecer Normativo CST nº 61/79. Assim sendo, voto por dar provimento quanto a este ponto. Multa Isolada sobre falta de recolhimento de estimativas voto vencido Quanto à aplicação da multa isolada concomitantemente com a multa de ofício, fui vencido pela maioria da turma. Para redigir o voto vencedor, foi designada a Conselheira Livia De Carli Germano. Eis minhas razões de voto: Concomitância Quanto à multa isolada, a recorrente pede pela inaplicabilidade da concomitância com a multa de ofício. Pois bem. Entendo que após a alteração dispositiva promovida pela Lei nº 11.488/2007, na redação do art. 44 da Lei 9.430/1996, as multas de ofício e isolada podem ser aplicadas concomitantemente, pois têm fundamentos distintos. Veja a redação legal: Fl. 2572DF CARF MF Processo nº 13971.722394/201429 Acórdão n.º 1401002.736 S1C4T1 Fl. 2.552 43 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Há que distinguir as duas infrações: uma trata da falta de cumprimento de obrigação de recolher, até o mês subsequente à apuração mensal (com base em estimativa pura ou monitorada1); e a outra trata da punição decorrente de inexatidão de base de cálculo do IRPJ e da CSLL, resultantes de procedimento de fiscalização. Outro ponto é que a falta de recolhimento de estimativa gera a aplicação de multa isolada, cabível tão somente pelo fato aqui destacado falta de recolhimento ou recolhimento a menor, e é aplicada mesmo que ao final do exercício não haja imposto a pagar. Ou seja, há uma nítida dissociação com a necessidade de verificação de tributo a recolher. Já a multa de ofício, por sua vez, necessita da verificação de declaração inexata e do tributo a recolher. Por todo o exposto, entendo cabível a aplicação de ambas as multas, pelo que proponho negar provimento ao recurso voluntário quanto a este ponto. Aplicação da Denúncia Espontânea em relação à multa isolada Alega a recorrente que, por ter recolhido o IRPJ e a CSLL ao final dos anos calendário de 2010 e 2011, não deveria sofrer a exação da multa isolada em razão do disposto no art. 138 do CTN, que trata da denúncia espontânea. Veja o dispositivo legal: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. 1 Entendese por estimativa pura o cálculo do IRPJ e da CSLL com base na receita bruta do período, ajustada pelas adições e exclusões permitidas por lei. Já a estimativa monitorada resulta do cálculo do IRPJ e da CSLL com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução do resultado fiscal. Fl. 2573DF CARF MF 44 Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Ledo equívoco da recorrente. A denúncia espontânea aplicase ao caso de tributo não pago em época própria, mas pago antes do início do procedimento fiscal. No caso concreto, a fiscalização não está exigindo o tributo eventualmente pago a menor em relação às estimativas mensais, mas sim multa exigida pela falta de recolhimento de tais estimativas. Ou seja, tratase de multa punitiva pelo fato da Fazenda deixar de receber tributo que lhe seria devido em época própria, mas que, por desídia ou máfé do sujeito passivo, deixou de ser recolhido. Desta forma, afasto o pedido de aplicação da denúncia espontânea. Ilegalidade da Multa de Ofício isolada por incompatibilidade com o art. 97 e art. 113 do CTN Em relação a este ponto, entendo que este colegiado está impedido de se manifestar sobre pedido de ilegalidade de norma legal (lei ordinária) plenamente em vigor no ordenamento jurídico, função judicante do próprio judiciário. Conclusão Diante do exposto, voto por voto por DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário: (i) voto por DAR provimento ao recurso voluntário em relação à glosa de despesas com aeronaves, à glosa de despesas financeiras de mútuos com propósito específico para a compra e construção de imóveis e à glosa de despesas com juros sobre pagamentos ao REFIS; e (ii) voto por NEGAR provimento em relação à glosa de despesas com emissão de debêntures, glosa de perdas com recebimento de créditos, glosa de despesas financeiras de mútuos sem propósito específico com empresas e pessoas ligadas e quanto à multa isolada incidente sobre a falta de recolhimento de estimativas. (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Voto Vencedor Conselheira Livia De Carli Germano Redatora Designada Fui designada para redigir o voto vencedor e respectiva ementa exclusivamente com relação à multa isolada. Fl. 2574DF CARF MF Processo nº 13971.722394/201429 Acórdão n.º 1401002.736 S1C4T1 Fl. 2.553 45 A Recorrente sustenta a impossibilidade de aplicação de multa isolada de 50% por falta de antecipação das estimativas mensais de IRPJ e CSLL. Ressalto que, sendo o caso de lançamento relativo aos anoscalendário de 2010 e 2011, entendo não aplicável a Súmula CARF n. 105, uma vez que esta trata da redação da Lei 9.430/1996 na redação anterior à Lei 11.488/2007, e a multa isolada foi lançada com base no artigo 44, II, "b", da Lei 9.430/1997, com redação dada pela Lei 11.488/2007. Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. A questão da multa em razão de falta ou insuficiência de pagamento das estimativas mensais não está pacificada neste CARF. Dos inúmeros julgados a respeito do tema extraemse, pelo menos, três correntes de entendimento. Em um extremo está a corrente que defende que, mesmo após a Lei 11.488/2007, uma vez encerrado o anocalendário não mais cabe aplicar a multa isolada por falta ou insuficiência de estimativas, pois essas ficam absorvidas pelo tributo incidente sobre o resultado anual. Por outro lado, há os que entendem que a imposição da multa independe do resultado apurado no encerramento do exercício financeiro, devendo ser aplicada sempre sobre o valor da estimativa não recolhida. Em uma posição intermediária está a corrente adotada pelo presente voto, há muito sustentada pelo Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, desta Turma. Segundo este entendimento, a multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor; não obstante, pelo princípio da absorção ou consunção, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na exata medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo, já que esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem. É a máxima do direito punitivo que, para uma mesma conduta devese aplicar uma só punição. A título ilustrativo reproduzo trecho do acórdão 120100.235, de 7 de abril de 2010, da lavra do ilustre Conselheiro: As regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Fl. 2575DF CARF MF 46 Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da norma punitiva, inibese o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3°: Art. 3o A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplicase ao fato praticado durante sua vigência. O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível a cessação da vigência de leis extraordinárias e certo, em relação às temporárias, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte. Nada obstante, também entendo que as duas sanções (a decorrente do descumprimento do dever de antecipar e a do dever de pagar em definitivo) não devam ser aplicadas conjuntamente pelas mesmas razões de me valer, por terem a mesma função, dos institutos do Direito Penal. Fl. 2576DF CARF MF Processo nº 13971.722394/201429 Acórdão n.º 1401002.736 S1C4T1 Fl. 2.554 47 Nesta seara mais desenvolvida da Dogmática Jurídica, aplicase o Princípio da Consunção. Na lição de Oscar Stevenson, "pelo princípio da consunção ou absorção, a norma definidora de um crime, cuja execução atravessa fases em si representativas desta, bem como de outras que incriminem fatos anteriores e posteriores do agente, efetuados pelo mesmo fim prático". Para Delmanto, "a norma incriminadora de fato que é meio necessário, fase normal de preparação ou execução, ou conduta anterior ou posterior de outro crime, é excluída pela norma deste". Como exemplo, os crimes de dano, absorvem os de perigo. De igual sorte, o crime de estelionato absorve o de falso. Nada obstante, se o crime de estelionato não chega a ser executado, punese o falso. É o que ocorre em relação às sanções decorrentes do descumprimento de antecipação e de pagamento definitivo. Uma omissão de receita, que enseja o descumprimento de pagar definitivamente, também acarreta a violação do dever de antecipar. Assim, punese com multa proporcional. Todavia, se há uma mera omissão do dever de antecipar, mas não do de pagar, punese a não antecipação com multa isolada. Assim, consideramos imperioso verificar se houve, em relação aos fatos que ensejaram a autuação de multas isoladas, também a imposição de multa proporcional e em que medida. O valor tributável é o mesmo (R$ 15.470.000,00). Isso, contudo, não implica necessariamente numa perfeita coincidência delitiva, pois pode ocorrer também que uma omissão de receita resulte num delito quantitativamente mais intenso. Foi o que ocorreu. Em razão de prejuízos posteriores ao mês do fato gerador, o impacto da omissão sobre a tributação anual foi menor que o sofrido na antecipação mensal. Desse modo, a absorção deve é apenas parcial. Conforme o demonstrativo de fls. 21, a omissão resultou numa base tributável anual do IR no valor de R$ 5.076.300,39, mas numa base estimada de R$ 8.902.754,18. Assim, deve ser mantida a multa isolada relativa à estimativa de imposto de renda que deixou de ser recolhida sobre R$ 3.826.453,79 (R$ 8.902.754,18 R$ 5.076.300,39), parcela essa que não foi absorvida pelo delito de não recolhimento definitivo, sobre o qual foi aplicada a multa proporcional. Faz toda a diferença considerar que estamos tratando de direito sancionatório e, nesta seara, não se pode admitir que se trate como independentes penas aplicadas sobre uma infração conteúdo (provisório) e sobre uma infração continente (e efetiva). Em outros termos: não há dúvida de que estamos tratando de multas relacionadas a um mesmo fato gerador de tributo (isto é, IRPJ/CSLL devidos em 31 de dezembro do anocalendário), de maneira que, mesmo que se queira dizer que não se trata da mesma infração (conduta), impõese considerar que o bem jurídico maior é o tributo Fl. 2577DF CARF MF 48 efetivamente devido, do que é conteúdo provisório ou iter preparatório o bem jurídico representado pelo dever de adiantar estimativas de "algo" (e não "algo efetivo"). Desse modo, se por um lado é preciso dar sentido à norma que prevê a aplicação da multa pelo não recolhimento de estimativas mesmo em caso de apuração de prejuízo fiscal ou base negativa (redação do art. 44 da Lei 9.430/1996 dada pela Lei 11.488/2007), por outro mantémse a premissa de que não se pode penalizar mais a infração conteúdo que a infraçãocontinente. Assim, no caso em questão, entendo que as multas isoladas devem ser canceladas na exata medida em que as suas bases sejam menores que as bases tributáveis anuais utilizadas para fins de aplicação das multas de ofício de IRPJ e CSLL. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 2578DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10240.720167/2007-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ITR. RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE.
Quanto às reservas legais, caso de fato existentes, há que se observar, cumulativamente, o preenchimento dos dois requisitos a seguir: sua averbação junto à matrícula do imóvel previamente ao exercício em que dela se pretenda usufruir e sua informação no ADA protocolizado no IBAMA no prazo de até seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da DITR.
ITR. VTN. NÃO COMPROVAÇÃO.
Constatada - pelo Fisco - a flagrante subavaliação do VTN utilizado pelo contribuinte, a este cabe a apresentação de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT com fundamentação e grau de precisão II, com anotação de responsabilidade técnica - ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados, com vistas a contrapor o valor obtido no SIPT.
ITR. IMÓVEL INVADIDO. PERDA DA POSSE. INOCORRÊNCIA.
Não se verificando a perda da posse em função da não cessação do poder sobre o bem, dentre eles, o direito de reavê-lo de quem quer que injustamente o possua ou detenha, presente a aptidão legal para figurar no pólo passivo da obrigação tributária atinente ao ITR.
Numero da decisão: 2402-006.564
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 ITR. RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE. Quanto às reservas legais, caso de fato existentes, há que se observar, cumulativamente, o preenchimento dos dois requisitos a seguir: sua averbação junto à matrícula do imóvel previamente ao exercício em que dela se pretenda usufruir e sua informação no ADA protocolizado no IBAMA no prazo de até seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da DITR. ITR. VTN. NÃO COMPROVAÇÃO. Constatada - pelo Fisco - a flagrante subavaliação do VTN utilizado pelo contribuinte, a este cabe a apresentação de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT com fundamentação e grau de precisão II, com anotação de responsabilidade técnica - ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados, com vistas a contrapor o valor obtido no SIPT. ITR. IMÓVEL INVADIDO. PERDA DA POSSE. INOCORRÊNCIA. Não se verificando a perda da posse em função da não cessação do poder sobre o bem, dentre eles, o direito de reavê-lo de quem quer que injustamente o possua ou detenha, presente a aptidão legal para figurar no pólo passivo da obrigação tributária atinente ao ITR.
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RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE. Quanto às reservas legais, caso de fato existentes, há que se observar, cumulativamente, o preenchimento dos dois requisitos a seguir: sua averbação junto à matrícula do imóvel previamente ao exercício em que dela se pretenda usufruir e sua informação no ADA protocolizado no IBAMA no prazo de até seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da DITR. ITR. VTN. NÃO COMPROVAÇÃO. Constatada pelo Fisco a flagrante subavaliação do VTN utilizado pelo contribuinte, a este cabe a apresentação de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT com fundamentação e grau de precisão II, com anotação de responsabilidade técnica ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados, com vistas a contrapor o valor obtido no SIPT. ITR. IMÓVEL INVADIDO. PERDA DA POSSE. INOCORRÊNCIA. 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Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que considerou improcedente a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Contra a contribuinte foi lavrada Notificação de Lançamento para constituição de ITR, exercício 2005, no valor principal de R$ 229.508,62, acrescido de multa de ofício (75%) e juros legais (Selic), relativo ao NIRF 5.316.6078 SERINGAL NOVO MUNDO. Foram apuradas as seguintes infrações: 1 Área de Reserva Legal não comprovada; e 2 VTN declarado não comprovado. Regulamente intimado do lançamento, apresentou Impugnação, que foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ fls. 135/150. Em seu Recurso Voluntário de fls. 154/166, aduz, em resumo: 1 O Imóvel objeto do Auto de Infração, é uma reserva florestal, criada pelo Estado de Rondônia, através da Lei Complementar n° 52/91, que instituiu o Zoneamento Sócio Econômico e Ecológico do Estado de Rondônia, que transformou o imóvel do contribuinte ora impugnante numa reserva florestal, onde 84,56% da área do imóvel ficou inserida dentro da reserva florestal do Estado de Rondônia, conforme se comprova com a Certidão da Secretaria de Meio Ambiente do Estado de Rondônia SEDAM, documento incluso do processo. Que o § 7º do artigo 10 da Lei 9.393/96 o dispensaria de fazer a prévia comprovação das APPs, das ARL e das áreas sob regime de servidão florestal. 2 Que não há lei que autorize a Fazenda Nacional tributar áreas exploradas com projetos de manejo florestal sustentado; 3 Que com a criação de novos municípios, o imóvel passou a pertencer aos Municipios de Cujubim e Machadinho; que o Município de Cujubim está muito distante do Município de Ariquemes, e as terras daquela localidade valem muito menos das localizadas no Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10240.720167/200704 Acórdão n.º 2402006.564 S2C4T2 Fl. 3 3 município de Ariquemes, por ser localizado fora da Br 364, local de difícil acesso. O valor do imóvel constaria da escritura pública de compra e venda anexa ao processo. 4 Que a reserva legal corresponderia a 80% da área do imóvel, por se situar na Amazônia Legal; e 5 Que a alíquota aplicada pela Fiscalização, de 12%, configuraria confisco da propriedade privada; e 6 Que o Imóvel objeto do Auto de infração sofreu invasão pelos membros do movimento social "sem terra”, no ano de 2002, e conforme liminar expedida pela justiça Estadual ainda não foi reintegrado a empresa na posse do imóvel. Diante deste fato, a empresa esta impedida de utilizar o imóvel, pois os “sem terra”, estão ocupando o imóvel e até que não seja devolvida a posse para a empresa não poderá incidir imposto sobre o imóvel pois a empresa está impedida de utilizar o imóvel. É o relatório. Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator O contribuinte tomou ciência do acórdão recorrido em 27.07.2009 e apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário em 21.08.2009. Observados os demais requisitos de admissibilidade, dele passo a conhecer. Da ilegitimidade passiva. Quanto à alegação de que não deveria incidir o imposto sobre o imóvel que se encontra invadido desde 2002, em função de não poder mais dele se utilizar, tenho que não merece prosperar. De acordo com o artigo 4° da Lei n° 9.393/96, contribuinte do ITR pode ser o proprietário do imóvel rural, o titular do seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título, sem ordem de preferência. A certidão de RGI acostada às fls. 33/37, lavrada em 26.11.2004, informa a propriedade do imóvel como sendo da Sra Eunice Picanto, de quem o autuado teria adquirido em 27.03.2000. Tanto o DIAT/DITR/2005, quanto o ADA 2003, foram apresentados em nome do recorrente. Consta às fls. 41, que o contribuinte ingressou na Justiça Estadual com ação de manutenção de posse, convertida em reintegração de posse, na qual o magistrado, em 01.10.2002, após consignar que restaram demonstradas a efetiva posse do autuado e a data do esbulho de menos de ano e dia, acabou por determinar a expedição de mandado de reintegração liminar na posse; que foi posteriormente suspensa pelo TJ do Estado de Rondônia. Fl. 200DF CARF MF 4 Conforme ainda noticia os autos, a ação encimada foi redistribuída à Justiça Federal (2005.41.00.0019906), quando então permaneceu suspensa até a conclusão da ação proposta pelo INCRA. A questão sob análise resumese a avaliar se o fato de imóvel ter sido invadido em 2002 afastaria, do recorrente, sua condição de possuidor para fins de sujeição passiva para o ITR. Inicialmente, cumpre destacar que não consta dos autos comprovação, sequer evidência, de que tal condição (invasão) tenha se estendido até a data do fato gerador em questão (01.01.2005), tampouco qual o tamanho da área suposta e efetivamente invadida. Frisese, não se identificou nada mais nos autos que demonstrassem o esbulho, sequer turbação da posse, à época do fato gerador. O Código Civil de 2002 estabelece a perda da posse quando cessar a poder sobre o bem ao qual se refere o artigo 1.196 1 do mesmo diploma. Por sua vez, aquele artigo 1.196 estabelece que o possuidor é aquele que tem de fato o exercício, pleno ou não, de algum dos poderes inerentes à propriedade. Prosseguindo, o artigo 1.228 dispõe que o proprietário tem o direito de, quanto à coisa, i) Usar, ii) Gozar, iii) Dispor; e iv) Reavêla do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha. Na mesma linha, especificamente no que se refere à posse, o art 1.210 prevê que "o possuidor tem direito a ser mantido na posse em caso de turbação, restituído no de esbulho, e segurado de violência iminente, se tiver justo receio de ser molestado." No mesmo sentido, o artigo 926 do CPC/73 estabelecia que o possuidor tem direito a ser mantido na posse em caso de turbação e reintegrado no de esbulho. Da dicção acima, notase que ainda que não esteja na imediata posse do bem, ao Possuidor de Direito é assegurada a Reintegração efetiva na posse, além do quê, o possuidor de máfé responderá por todos os frutos colhidos e percebidos, bem como pelos que, por culpa sua, deixou de perceber, desde o momento em que se constituiu de máfé. Não há, assim, a perda definitiva da posse se o possuidor, frisase, ainda na condição de possuidor, tomou as providências em tempo hábil, diligenciou, de forma a reaver a coisa de quem quer que injustamente a possua ou detenha. Ressaltase que tal circunstância foi textualmente assentada pelo juízo monocrático da Justiça do Estado de Rondônia, quando consignou que: "presente se encontra a verossimilhança do pedido, uma vez que na audiência de justificação prévia, realizada às fls 48/9, ficou demonstrada a efetiva posse dos requerentes, bem com como a data do esbulho, de mons de ano e dia". Em outras palavras: exercido a tempo o direito de reaver a posse do bem, tenho que o recorrente detém legitimidade para figurar no polo passivo da obrigação tributária do ITR, na condição de possuidor a qualquer título, consoante preceitua o artigo 4º da Lei 9.393/96. Interpretação diversa conduziria ao entendimento de que ou o imposto poderia ser 1 Art. 1.223. Perdese a posse quando cessa, embora contra a vontade do possuidor, o poder sobre o bem, ao qual se refere o art. 1.196. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10240.720167/200704 Acórdão n.º 2402006.564 S2C4T2 Fl. 4 5 cobrado dos "invasores", o que não se afigura razoável, sob o ponto de vista de sua identificação; ou terseia uma isenção não prevista em lei para o imóvel envolvido. Já no que diz respeito à ação proposta pelo INCRA, visando tomar pra si a propriedade do imóvel em tela, citada na parte final da decisão proferida naquela ação de Manutenção de Posse, reproduzo, adiante, excerto do acórdão recorrido sobre o assunto. Parte final da decisão no processo 2005.41.00.0019906 (Ação de Manutenção de Posse): Após consulta ao sítio de STF, pôdese notar o trânsito em julgado em 12.04.2016, do acórdão no Agravo Regimental interposto contra a decisão que negou seguimento ao RE 690208, interposto contra o acórdão (TRF1) a seguir ementado: PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE NULIDADE DE REGISTROS IMOBILIÁRIOS. PETIÇÃO INICIAL QUE LEVA A CONCLUIR QUE SE TRATA DE Fl. 202DF CARF MF 6 TERRA DEVOLUTA ESTADUAL. ILEGITIMIDADE ATIVA DO INCRA. EXTINÇÃO DO PROCESSO SEM RESOLUÇÃO DO MÉRITO. 1. A legitimidade ordinária para ajuizar ação visando ao cancelamento de registro imobiliário cabe àquele que, de acordo com a causa de pedir exposta na petição inicial, seria o legítimo proprietário do imóvel. 2. Segundo dados expostos pela própria parte autora, tratarseia de terra devoluta, eis que não incorporada validamente ao patrimônio particular e ainda não arrecadada por meio de ação discriminatória (inteligência do art. 225, §5º, CF/88). 3. Apenas ‘as terras devolutas indispensáveis à defesa das fronteiras, das fortificações e construções militares, das vias federais de comunicação e à preservação ambiental, definidas em lei’ pertencem à União (art. 20, II, CF/88), incluindose as demais entre os bens dos Estados (art. 26, IV, CF/88). 4. Qualquer norma legal ou constitucional anterior à Constituição de 1988 (inclusive o Decretolei 5.812/1943) que confira à União a propriedade de terras devolutas fora das hipóteses descritas no art. 20, II, da nova Lei Fundamental não foi por esta recepcionada. 5. Nos termos da Constituição Federal de 1988, impõese reconhecer que, se o imóvel litigioso ainda se qualifica como terra devoluta em face da alegada invalidade de sua matrícula e dos registros a ela vinculados, sua propriedade caberia ao Estado de Rondônia, e não à União. 6. Não se tratando de possível terra devoluta federal, o INCRA é parte ilegítima para postular a declaração de nulidade dos registros imobiliários que atribuem a propriedade do imóvel litigioso a particulares. 7. Ausente a legitimidade ativa relativamente ao pedido principal (declaração de nulidade dos registros imobiliários), resta prejudicada a apreciação dos demais pedidos dele dependentes ou a ele subordinados (reversão do imóvel ao patrimônio da União e imissão do autor em sua posse). 8. Inexistindo qualquer das condições da ação, deve o processo ser extinto sem resolução do mérito (art. 267, VI, CPC). 9. Apelação provida. 10. Ônus da sucumbência invertidos” Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10240.720167/200704 Acórdão n.º 2402006.564 S2C4T2 Fl. 5 7 Os autos do processo 2003.41.00.0042796 baixaram à origem definitivamente em 14.04.2016, quando então o INCRA não se sagrou vitorioso na demanda proposta. Aproveitamento de área não declarada na DITR, objeto do procedimento fiscal: Consoante se denota do demonstrativo de apuração do ITR devido, às fls. 57, a Fiscalização promoveu alterações na DITR do contribuinte no que toca à Área de Reserva Legal e ao VTN declarado. Não fez qualquer alteração, dentre outras, na Área de Preservação Permanente declarada pelo recorrente. Vejamos: Considerando que o contribuinte não se insurgiu, em seu recurso voluntário, contra o VTN utilizado pela Fiscalização, tenho por precluso tal ponto. É de se notar, que autuado não declarou, em sua DITR, qualquer área de interesse ecológico. No mesmo sentido, os ADA supostamente apresentados em 17.06.2004 (fls. 38) e 23.06.2000 (fls. 108) não continham tal informação, o que, por si só, inviabilizaria o aproveitamento de tais áreas para fins de dedução na apuração do imposto. Confirase: Fl. 204DF CARF MF 8 . Vale destacar, que são áreas de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, aquelas que, destacase: ampliem as restrições de uso previstas para as APP e ARL. Em outras palavras: ainda que haja ato do poder público que declare determinada área como de interesse ecológico, caso não haja a imposição de efetivas restrições de uso que ampliem aquelas previstas para as APP e ARL, ou seja, restrições além do manejo sustentável, tenho que sua dedução, da área tributável pelo ITR, não possui suporte legal. Confirase. ITR ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/ÁREA DECLARADA DE INTERESSE ECOLÓGICO NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Para que não se tribute pelo Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR a área de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declarada mediante ato Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10240.720167/200704 Acórdão n.º 2402006.564 S2C4T2 Fl. 6 9 do órgão competente, federal ou estadual, deve ser comprovada a ampliação às restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e reserva legal, ou seja, restrições além do manejo sustentável. Acórdão nº 9202003.051 – Sessão de 12 de fevereiro de 2014 ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. Para que as Áreas de Interesse Ecológico para a proteção dos ecossistemas sejam isentas do ITR, é necessário que sejam assim declaradas por ato específico do órgão competente, federal ou estadual, e que estejam sujeitas a restrições de uso superiores àquelas previstas para as áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente. O fato de o imóvel rural encontrarse inserido em zoneamento ecológico, por si só, não gera direito à isenção ora tratada. Acórdão nº 9202004.576 – Sessão de 24 de novembro de 2016 Reforçase: para efeito de exclusão do ITR, a Área de Interesse Ecológico deve ser assim declarada em caráter específico para determinada área da propriedade particular. Quer dizer com isso, que a área declarada em caráter geral não satisfaz, por si só, a condição legal para sua dedutibilidade. Portanto, se o imóvel rural estiver dentro de área declarada em caráter geral como de interesse ecológico, é necessário também o reconhecimento específico de órgão competente federal ou estadual para a área da propriedade particular. O reconhecimento dessas áreas depende de ato específico, por imóvel, expedido pelo Ibama (Ato Declaratório Ambiental – ADA). Todas as demais alegações, no sentido de que a reserva legal seria de 80% em função da localização do imóvel e que o mesmo estaria situado em uma reserva florestal criada pelo Estado de Rondônia, através da Lei Complementar n° 52/91, tornaramse despiciendas em função da inobservância dos requisitos legais para o aproveitamento de tais áreas na seara tributária. Aliás, cumpre destacar que o contribuinte informou áreas utilizadas como pastagens (1.500, ha) e com Exploração Extrativa (3.000 ha), que foram acatadas pela fiscalização. A titulo meramente de reforço, trago à colação excerto do acórdão recorrido, com o qual concordo, que concluiu pela impossibilidade da dedução da área inserida na reserva florestal criada pelo Estado de Rondônia, por entender que tal circunstância não dera ensejo à ampliação das restrições de uso que se tem nas áreas de preservação permanentes e nas áreas de reserva legal. Fl. 206DF CARF MF 10 VTN. No que toca ao VTN atribuído pela Fiscalização, o recorrente alega, en passant, que o VTN seria menor em função da então localização do imóvel, que teria se alterada em decorrência da criação de novos município. Todavia, no curso da ação fiscal, o autuado foi intimado a apresentar o "laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT com fundamentação e grau de precisão II, com anotação de responsabilidade técnica ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados.". E mais, foi feito constar na intimação que a falta de apresentação do laudo de avaliação ensejaria o arbitramento do VTN, com base nas informações do Sistema de Preços de Terra SIPT, da RFB. Não obstante, o contribuinte não atendeu a intimação fiscal com vistas a infirmar o valor eleito pela Fiscalização. Ora, O VTN médio, por hectare, utilizado pelo autuado, correspondeu a apenas e aproximadamente, 24% daquele verificado no SIPT para os imóveis no município de Ariquemes/RO, não deixando a menor dúvida quanto à sua subavaliação. A alegação de que, com a criação de novos municípios, o imóvel teria passado a pertencer a outro e a não mais ao de Ariquemes, desacompanhada do laudo de Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10240.720167/200704 Acórdão n.º 2402006.564 S2C4T2 Fl. 7 11 avaliação acima mencionado, não merece melhor sorte, na medida em que tanto no RGI, quando no CAFIR, cuja atualização é de responsabilidade do recorrente, a localização do imóvel permanece inalterada, ou seja, em Ariquemes/RO. No próprio DIAT/DITR/05 apresentada pelo recorrente constou este município como o de localização do imóvel. Impõese destacar, que por meio de consulta aos sites oficiais dos municípios de Machadinho D´ Oeste e Cujubim, pôdese verificar que os mesmos foram criados, respectivamente, em 11.05.1988 e 22.06.1994. A seu turno, a Escritura Pública de Compra e Venda de 27.03.2000, (em data bem posterior à criação do município mais novo) onde figuraram como outorgante vendedora a Sra Eunice Picinato e outorgante comprador o recorrente, qualificou os imóveis lá negociados da seguinte forma: Seringal Cabeceira: lote de terras rural denominado "Cabeceira", situado no município de Ariquemes/RO, com área total de 90.783.357 m2. NIRF 5.319.1161 Seringal Novo Mundo: lote de terras rural denominado "Seringal Novo Mundo", situado nos municípios de Ariquemes e Machadinho D´Oeste/RO, com área no município de Ariquemes de 19.938,99 ha e e área no município de Machadinho de 7.400,00 ha, perfazendo a área total de 27.338,99 ha. NIRF 5.316.6078 O fato acima, por si só, conduz ao entendimento de que não houve erro de fato no preenchimento do DIAT/DITR, tampouco na informação constante do CAFIR, que atestam o município de Ariquemes como o de localização do imóvel de NIRF 5.316.6078. O § 3º do artigo 1º da Lei 9.393/96 2 estabelece que o imóvel que pertencer a mais de um município deverá ser enquadrado no município onde fique sua sede e, se esta não existir, será enquadrado no município onde se localize sua maior parte. Nesse rumo, sem que haja a comprovação de que a sede do imóvel está localizada no município de Machadinho D´Oeste, temse que o município de enquadramento será o de Ariquemes, onde se localizado praticamente 73% do imóvel. Ademais, como esse valor médio por hectare corresponde ao valor médio apurado no universo das DITR/2005 referentes aos imóveis rurais localizados no município de Ariquemes/RO, a alegação do recorrente poderia denunciar algum prejuízo em função do VTN utilizado pela Fiscalização, apenas se demonstrado que a alteração da municipalidade tivesse se dado de fato já àquela época e que os demais contribuintes do ITR a observaram para fins de atualização do CAFIR e da apresentação das correspondentes DITR, de forma a promover significativa alteração na base sistêmica de consultas utilizada para a obtenção daquele valor médio por hectare. Não é o que se verifica nos autos. 2 Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. (...) § 3º O imóvel que pertencer a mais de um município deverá ser enquadrado no município onde fique a sede do imóvel e, se esta não existir, será enquadrado no município onde se localize a maior parte do imóvel. Fl. 208DF CARF MF 12 E lembrese: trata de valor estimado, utilizado pelo Fisco ao amparo do artigo 14 da Lei 9.393/96, ante à falta de comprovação, pelo contribuinte regularmente intimado, de um valor que melhor espelhe a realidade do imóvel. Glosa ARL. Prosseguindo na análise, o § 1º do artigo 10 da Lei 9.393/96, que deve ser aplicado em sua literalidade por força do artigo 111 do CTN3, elenca as áreas que podem ser deduzidas da área tributável para fins de apuração do ITR. Vejamos: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) as áreas sob regime de servidão florestal.(Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) 3 Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. (...) Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10240.720167/200704 Acórdão n.º 2402006.564 S2C4T2 Fl. 8 13 f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) As áreas de preservação permanente APP, consoante definidas na Lei 4.771/65, coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bemestar das populações humanas, podem ser classificadas como legais (art. 2º) e administrativas (art. 3º). Quanto às primeiras, as legais, temos as florestas e demais formas de vegetação natural situadas próximas a fontes de recursos hídricos e a relevos com importância a preservação dos eco sistemas, tais como: i) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal; ii) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; iii) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; iv) no topo de morros, montes, montanhas e serras; v) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; e vi) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues. Por sua vez, as APP administrativas, declaradas por ato do poder público, são as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. Percebese que há uma evidente diferença entre as duas espécies de APP. Enquanto que para as legais, já determinadas no diploma legal, a finalidade é intrínseca ao que se propõe a lei; para as administrativas, a finalidade a ser alcançada pelo administrador público está textualmente prevista nas alíneas daquele artigo 3º. Assim, indubitavelmente, a ação do poder público tornase imprescindível para a constituição dessas APP administrativas. Frisese que a supressão total ou parcial dessas áreas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. Fl. 210DF CARF MF 14 Por seu turno, ainda de acordo com o diploma encimado, as reservas legais são áreas localizadas no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessárias ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas, cuja vegetação não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos. Devem ser averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, após aprovada sua localização pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada (§ § 4º e 8º do artigo 16 da Lei 4.771/65). A obrigatoriedade da aprovação acima citada foi introduzida na lei de regência, por conta da MP 2.16667/2001. Veja, a obrigatoriedade de se ter aprovada a localização da ARL pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada está diretamente relacionada à vedação a que se constitua reserva legal sobre área de preservação permanente, já dedutível, observadas as exigências legais, na apuração do imposto. Com isso, tendese a evitar a utilização da mesma área, por mais de uma vez, como dedução do ITR. Assim, podese resumir: APP Pode haver a supressão, quando assim determinar o interesse público; ARL Não pode haver a supressão, mas somente sua utilização em regime de manejo florestal sustentável. Prosseguindo, a alínea "e" do inciso II, § 1º do artigo 10 da Lei 9.393/96, com a redação dada pela lei 11.428/2006, autorizou a dedução, a partir de 01.01.2007, das áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração. Notese que áreas cobertas por florestas nativas secundárias em estágio inicial de regeneração não foram contempladas pelo dispositivo.4 Malgrada a digressão acima, seja qual for a área que, ao amparo do inciso II, do § 1º do artigo 10 da Lei 9.393/96, se pretenda expurgar daquela tributável pelo ITR, o fato é que ela deve constar consignada no competente Ato Declaratório Ambiental ADA, conforme preconiza o artigo 17O da Lei 6.938/81, com a redação dada pela Lei 10.165/2000. Confirase. Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) 4 http://www.fundacaofia.com.br/gdusm/florestas_estagios.htm Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10240.720167/200704 Acórdão n.º 2402006.564 S2C4T2 Fl. 9 15 § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (...) § 5o Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do IBAMA, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. Por sua vez, o Ato Declaratório Ambiental – ADA é um instrumento legal que possibilita ao Proprietário Rural uma redução do Imposto Territorial Rural – ITR, em até 100%, sobre a área efetivamente protegida, quando declarar no Documento de Informação e Apuração DIAT/ITR, Áreas de Preservação Permanente (APPs), Reserva Legal, Reserva Particular do Patrimônio Natural, Interesse Ecológico, Servidão Florestal ou Ambiental, áreas cobertas por Floresta Nativa e áreas Alagadas para fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas. É documento de cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA e das áreas de interesse ambiental que o integram para fins de isenção do Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, sobre estas últimas. Deve ser preenchido e apresentado pelos declarantes de imóveis rurais obrigados à apresentação do ITR. O texto legal encimado evidencia uma atuação conjunta de órgãos autônomos no sentido de manter o controle em relação à desoneração tributária. Ademais, prevê a necessidade de pagamento de uma taxa de vistoria, a qual, em sendo realizada, e não se confirmando a existência das áreas excluídas de tributação, poderá ensejar o lançamento de ofício do tributo, sendo inequívoco que o ADA é obrigatório para aqueles que desejam se beneficiar da redução do tributo devido a título de ITR. É dizer: é instrumento eleito pelo legislador para controle, integração de órgãos e fonte de custeio da atividade de vistoria, questões absolutamente indispensáveis ao acompanhamento do cumprimento dos preceitos da legislação relativos à limitação da utilização de tais áreas, bem assim da correção no gozo da benesse fiscal. Nesse contexto, o legislador estabeleceu a forma que entendeu adequada para promover tal controle e fiscalização, não sendo possível a este Conselho deixar de aplicar comando legal válido e vigente apenas pela eventual convicção de que tal atividade poderia ser levada a termo de outra forma. Reprisese. Não há esforço interpretativo que, a partir da literalidade da frase "a utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória", possa ser capaz de concluir pela desnecessidade da obrigação imposta pelo legislador. É entendimento corrente neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, com o advento da lei 6.938/81, com a redação dada pela Lei nº 10.165/00, é obrigatória a apresentação do ADA protocolado junto ao IBAMA. Situação diversa da verificada em períodos anteriores ao ano de 2001, como se depreende da Súmula Carf. nº 41, segundo a qual, “a não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000”. No caso em tela, o que se vê é a utilização da função extrafiscal do tributo, mediante sua aplicação como instrumento de política ambiental, estimulando a preservação ou recuperação da fauna e da flora em contrapartida a uma redução do valor devido a título de Fl. 212DF CARF MF 16 Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Contudo, a legislação impõe requisitos para gozo de tais benefícios, os quais variam de acordo com a natureza de cada hipótese de exclusão do campo de incidência do tributo e das limitações que cada situação impõe ao direito de propriedade. Voltando às reservas legais, caso de fato existentes, há que se observar, cumulativamente, o preenchimento dos dois requisitos a seguir: sua averbação junto à matrícula do imóvel previamente ao exercício em que dela se pretenda usufruir, após aprovação do local pelo órgão ambiental e sua informação no ADA protocolizado no IBAMA, no prazo estabelecido em norma regulamentar. 5 Em suma: a existência das ARL, APP, áreas cobertas por floresta nativa ou qualquer outra especificada naquele inciso II, § 1º do artigo 10 da Lei 9.393/96, por si só não assegura ao contribuinte a não tributação das áreas s que se refere. Há de se cumprir as exigências legais. Notem por sua vez, que os prazos acima destacados não se tratam de mera formalidade ou desprovidos de propósito razoável. Vejamos: Se por um lado é indubitável que as ARL devem ser averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, por outro, o que se questiona é se tal providência pode ser efetivada a qualquer tempo. Tenho que não. Tal averbação é condição legal para que o sujeito passivo possa, a rigor, se valer de tal isenção e não ter contra si constituído o crédito tributário a ela relacionada. Logo, todas as circunstâncias constitutivas 6 e fatos devem estar perfeitamente configurados à data do fato gerador da obrigação principal. E mais, a averbação em registro próprio possibilita a determinação dos limites e localização das ARL, viabiliza o efetivo controle de sua manutenção pelo poder público, além de dar publicidade de seus contornos à eventuais adquirentes da propriedade. Seria, a grosso modo, uma via de mão dupla. Assim dispõe o § 1º do artigo 12 do Decreto 4.382/2002, de obediência obrigatória por este colegiado: Art. 12. São áreas de reserva legal aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, nas quais é vedada a supressão da cobertura vegetal, admitindose apenas sua utilização sob regime de manejo florestal; § 1º Para efeito da legislação do ITR, as áreas a que se refere o caput deste artigo devem estar averbadas na data de ocorrência do respectivo fato gerador. Já no que toca ao prazo para o protocolo do ADA, da mesma forma de evidente obrigatoriedade legal, veja que está relacionado á viabilidade do exercício do poder de polícia a cargo do IBAMA. Admitir o protocolo a qualquer tempo conduzira, por óbvio, ao inegável prejuízo no exercício da atividade estatal, já que poderia não mais dispor de tempo hábil à tomada de eventuais providências no âmbito do lançamento de oficio do ITR. Esvaziaria, assim entendido, o propósito legal. 5 Artigo 9º, § 3º, I da IN SRF 256/2002. 6 o STJ, no EREsp 1.027.051/SC, reconheceu que, para fins tributários, a averbação deve ser condicionante da isenção, tendo eficácia constitutiva. Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10240.720167/200704 Acórdão n.º 2402006.564 S2C4T2 Fl. 10 17 Na mesma linha, o inciso I do § 3º do artigo 10 daquele Decreto 4.382/2002 estabelece: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas: I de preservação permanente; II de reserva legal; III de reserva particular do patrimônio natural; IV de servidão florestal; V de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas nos incisos I e II do caput deste artigo; VI comprovadamente imprestáveis para a atividade rural, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual.. § 1º A área do imóvel rural que se enquadrar, ainda que parcialmente, em mais de uma das hipóteses previstas no caput deverá ser excluída uma única vez da área total do imóvel, para fins de apuração da área tributável. § 2º A área total do imóvel deve se referir à situação existente na data da efetiva entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural DITR. § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo; E II estar enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos I a VI em 1º de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador do ITR. § 4º O IBAMA realizará vistoria por amostragem nos imóveis rurais que tenham utilizado o ADA para os efeitos previstos no § 3º e, caso os dados constantes no Ato não coincidam com os efetivamente levantados por seus técnicos, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Fl. 214DF CARF MF 18 Receita Federal, que apurará o ITR efetivamente devido e efetuará, de ofício, o lançamento da diferença de imposto com os acréscimos legais cabíveis. Nesse diapasão, em atenção à parte final daquele inciso I do parágrafo 3º acima, a Instrução Normativa SRF nº 256/2002, que é, na forma do artigo 100 do CTN, norma complementar das leis e, portando, de observância obrigatória por todos os contribuintes, estabelece em seu artigo 9º, o prazo para a apresentação do referido ADA, para fins do seu aproveitamento em matéria tributária. Reforçase: não se trata de criar tributo ou mesmo restringir/limitar o exercício do direito do contribuinte, que se deu por força da lei 9.393/96 e artigo 17O da Lei 6.938/81, mas sim de regulamentar seu exercício. Em outras palavras: para se valer dessa isenção condicionada, seu cumprimento deve se dar de forma a efetivamente assegurar ao Estado, por meio de seu órgão ambiental, a possibilidade de se aferir o escorreito enquadramento da área a ele declarada e que pretende ver excluída da apuração do ITR. Assim, não resta dúvida que para fins de exclusão da área tributável, aquelas áreas deverão ser obrigatoriamente informadas em ADA, protocolado pelo sujeito passivo no IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo. É o que exige o Decreto 4.382/2002, de observância obrigatória por este colegiado, a teor do artigo 62 do RICARF. Conforme se extrai do excerto abaixo, que constou do voto vencedor no acórdão 9202005753, da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a jurisprudência neste Conselho consolidouse no sentido de aceitar o ADA protocolizado até o início da ação fiscal. Confirase: É certo que, no caso da Área de Preservação Permanente (APP), tratase de acidentes geográficos já existentes na natureza, porém a exclusão da tributação desta área ambiental não está condicionada à criação da área e sim da sua preservação, como a própria denominação está a indicar. Como o lançamento se reporta à data de ocorrência do fato gerador do tributo (art. 144 do CTN) e, no que tange ao ITR, este foi fixado em 1º de janeiro (art. 1º da Lei nº. 9.393, de 1996), é claro que a fruição do benefício está condicionada à preservação à época do fato gerador. Nesse passo, a Receita Federal, utilizandose da prerrogativa de regulamentar a forma e os prazos para cumprimento de obrigações acessórias, estabeleceu o prazo de seis meses após a data de entrega da DITR, para que o Contribuinte providencie o protocolo do ADA. E tratandose de declarar algo que a priori já existiria na natureza, este Colegiado consolidou a jurisprudência no sentido de aceitarse o ADA protocolado antes do início da ação fiscal, em respeito à espontaneidade do Contribuinte. Não retrata, com a devida venia, o entendimento deste relator. Não seria razoável imaginar que tal informação pudesse ser prestada em data, por exemplo, próxima a da ação fiscal, porquanto a potencial vistoria pelo órgão ambiental não observaria, decerto, o lustro legal para a constituição do imposto, fosse o caso. Da mesma Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10240.720167/200704 Acórdão n.º 2402006.564 S2C4T2 Fl. 11 19 forma, supor que a atividade de polícia, legalmente exigida e que traria certa segurança ao considerar isentas aquelas áreas, possa ser substituída pela exclusiva atuação privada (por meio de laudos técnicos), não me parece atender ao interesse público. No mesmo sentido, como bem destacado no voto acima parcialmente colacionado, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas, conforme estabelece a lei, em determinados locais do imóvel, são de PRESERVAÇÃO PERMANENTE existentes a época do fato gerador do tributo, consoante preceitua o inciso II do § 3º do artigo 10 do Decreto 4.382/2002. Vale dizer: as florestas e demais formas de vegetação natural devem estar em permanente preservação, sobretudo na data do fato gerador. Dito isso, como se aferir tal circunstância pelo órgão de controle ambiental, admitindose a apresentação do ADA em data significativamente distante da do fato gerador do tributo ? Em outras palavras, haveria como o IBAMA empreender alguma vistoria eficaz a partir de um ADA apresentado após 4 anos do exercício a que se referem as informações nele prestadas, ainda que tenha sido entregue antes de o início da ação fiscal ? Não basta que no imóvel existam rios ou qualquer outro curso d´água, lagoas ou reservatórios de d´ água naturais ou artificiais, topo de morros, montes ou serra, fazse necessário, aí sim, que nesses locais efetivamente haja floresta ou demais formas de vegetação natural permanentemente preservadas. Da mesma forma, não se pode imaginar que a dispensa à prévia comprovação, por parte do declarante, no que toca às APP e ARL declaradas para fins de isenção do ITR, consoante estabelece o § 7º do artigo 10 da L. 9.393/96, o estaria desincumbindo da obrigação legal imposta pelo § 1º do artigo 17O da Lei 6.938/81. Longe disso. Uma coisa é a desnecessidade da prévia apresentação da comprovação das áreas quando da entrega da DITR; outra, a obrigatoriedade de que tais informações sejam prestadas tempestivamente ao IBAMA, por meio do competente ADA e ao Fisco, quando intimado por autoridade competente no exercício de seu dever funcional. E veja, o parágrafo 7º encimado foi originalmente introduzido ao artigo 10 da Lei 9.393/96 por meio da Medida Provisória 1.95650/2000, de 26.05.2000, ao passo que aquele que impõe a obrigatoriedade do ADA, por meio da posterior Lei 10.165/2000 de 27.12.2000. Com isso, considerando o período em que ambos vigeram não há, a meu ver, como entender que aquele primeiro desobrigou a apresentação do ADA. Não há, no meu entender, qualquer antinomia entre os dispositivos, na medida em que tratam de circunstâncias diferentes. Voltando ao prazo para apresentação do ADA, a IN SRF 256/2002, em sua redação original, o estabelecia como sendo "de até seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da DITR". Com a entrada em vigor da obrigatoriedade de sua apresentação anual, o órgão ambiental o estabeleceu como sendo de 1º de janeiro a 30 de setembro. .7 Daí a alteração naquela IN SRF 256/2002, que passou a estabelecer, a partir da IN RFB 861, de 17 de julho de 2008, ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), observada a legislação pertinente." 7 http://www.ibama.gov.br/imovelrural/atodeclaratorioambientalada/oqueeoada Fl. 216DF CARF MF 20 Em resumo, podese dizer, no que toca à dedução das áreas elencadas nos inciso I ao VI do artigo 10 do Decreto nº 4.382/2002, que além dos requisitos de ordem formal previstos na legislação, há de se comprovar, quando intimado, sua efetiva existência, a teor do inciso II do parágrafo 3º retro citado, por meio de laudo técnico que deve, de forma clara, especificar, detalhar, dimensionar e localizar cada uma das áreas eventualmente existente à época do fato gerador. Voltando ao coso sob análise, como bem registrado no acórdão de piso, a autoridade lançadora considerou, como reserva legal, tão somente a área que se encontrava averbada junto à matrícula do imóvel e que, concomitantemente, constou no ADA aceito pela Fiscalização, qual seja, 15.000,0 há. É dizer, essa área de 15.000,0 ha é que estaria averbada à margem do registro do imóvel, consoante se denota de fls. 98. Não há reparos quanto ao procedimento e conclusão adotados. Da alíquota. Por fim, quanto à alegação de que a Fiscalização utilizouse de uma alíquota de 12% para o cálculo do imposto, em flagrante ofensa ao princípio constitucional do não confisco, cumpre tecer algumas considerações. Conforme se percebe do quadro "Cálculo do Imposto", do DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO acima colado, a autoridade autuante utilizouse da alíquota de 12%, a teor do artigo 11 da Lei 9.393/96. Nesse rumo, uma vez observadas as disposições legais, não cabe a este colegiado afastar sua aplicação (art. 62 do RICARF), tampouco pronunciarse acerca de sua constitucionalidade (art. 72 do RICARF c/c Súmula CARF nº 2). Frente ao exposto, voto por CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR LHE provimento. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 217DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.005874/2002-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: EMENTA
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 1997
Compensação.
Comprovado em diligência que o contribuinte extinguiu o valor lançado com crédito apurado na DIPJ (saldo negativo), deve ser exonerado o lançamento.
Numero da decisão: 1302-000.837
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso.
Matéria: DCTF_IRPJ - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (IRPJ)
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL EMENTA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997 Compensação. Comprovado em diligência que o contribuinte extinguiu o valor lançado com crédito apurado na DIPJ (saldo negativo), deve ser exonerado o lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso (documento assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. e relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Diniz Raposo e Silva, , Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Relatório Fl. 278DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 2 Tratase de retorno de diligência determinada pela Resolução 1302000.041 pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF. PPM EMPREENDIMENTOS LTDA, inscrita no CNPJ/MF sob o nº 15.770.324/000186 teve contra si lavrado o Auto de Infração fls 12/17 nº 0001625, referente ao IRPJ emitido eletronicamente e onde foi apurado um crédito tributário total na ordem de R$ 17.438,81. Referido Auto teve como fato gerador o terceiro trimestre de 1997 e deveuse a falta de recolhimento de tributo informado na DCTF. Tomando ciência e inconformada, a empresa apresentou impugnação (fls 1/2) em 04.07.2002, onde aduz em síntese que: Não procede a cobrança já que houve recolhimento a maior no ano de 1996. Demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, requer cancelamento do Auto. A DRJ decidiu conforme abaixo: DCTF Cabível o lançamento por recolhimento fora do prazo/falta de recolhimento, dos valores que o sujeito passivo não comprova ter efetuado corretamente. O voto DRJ prescreve: Analisando o processo verificase que o contribuinte não trouxe aos autos elementos que comprovassem sua afirmativa de que se encontra quitado por compensação/pagamento o valor declarado em DCTF, referente ao 3º trimestre de 1997, no montante de R$ 6.494,66, logo, deve ser mantida a cobrança desse valor. A recorrente tomou ciência em 19/03/2008 e apresentou recurso em 18/04/2008. Em seu recurso alega: Os FATOS A empresa na sua DIRPJ/98 apresentada em 30/04/1998 fez a compensação do tributo devido conforme ficha n° 08 e as anotações no seu Diário n° 12 e Razão n° 11. O DIREITO PRELIMINARES O devido tributo foi compensado com pagamento a maior efetuado no ano de 1996. MÉRITO A empresa apresenta Cópia da Ficha da sua D1RPJ/98, AnoCalendário 1997. A CONCLUSÃO A vista do que foi exposto, demonstra a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal. O colegiado decidiu: Fl. 279DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10283.005874/200258 Acórdão n.º 130200.837 S1C3T2 Fl. 98 3 “Embora a impugnação e o recurso sejam extremamente sintéticos, verifica se nos autos que a recorrente apresenta a fls. 01 relação de pagamentos de IRPJ durante o ano calendário de 1996 e afirma que esses pagamentos teriam sido suficientes para quitar o IRPJ do anocalendário de 1996 e haveria saldo para quitar os tributos objeto do presente lançamento. Traz cópias dos DARF´s dos citados pagamentos a fls. 19 e seguintes. Traz cópia da DIPJ entregue em 1998, onde, a fls. 75 consta que compensou o IR no valor de R$ 6390,60, referente ao 3º trimestre de 1997 (objeto deste lançamento). Traz cópia do razão a fls. 77, onde consta a conta IRPJ a recuperar com saldo de R$ 10.678,36. Traz cópia do diário a fls. 80 onde consta lançamento a crédito de transferência para pagamento IRPJ 3º trimestre no valor de R$ 6.390,60 e a débito no mesmo valor. Diante do exposto, entendo que o presente julgamento deve ser convertido em diligência para que a autoridade diligenciadora verifique a veracidade das informações prestadas e se manifeste sobre a existência do crédito alegado e da suficiência para extinção do débito objeto deste lançamento. Ao final que se dê ciência à recorrente. “ Em resposta, a autoridade diligenciadora lavrou termo de fls. 94, no qual consta: CONTEXTO Em procedimento de diligência fiscal no contribuinte, acima identificado, e, de acordo com o disposto nos arts. 904, 905, 911 e 927 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de"1999(Regulamento do Imposto de Renda 1999), encerramos, nesta data e hora, diligencia fiscal iniciada em 28/02/2011, tendo a informar que: Sao verdadeiras as informações prestadas pelo contribuinte no que diz respeito aos documentos apresentados e seus registros contábeis. No tocante ao crédito tributário, há que se excluir dos cálculos o DARF, código 3208, pago em 30/08/96 no valor de R$ 519,48,doc. fl. 01, o que não prejudica a compensação em função de seu valor. E, para constar e surtir os efeitos legais, lavramos o presente Termo, em 03 (três) vias de igual forma e teor, assinado pelo(s) Auditor(es)Fiscal(is) da Receita Federal do Brasil e pelo contribuinte/preposto, que neste ato recebe uma das vias. É o relatório. Voto Fl. 280DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 4 O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. A lide se resume à confirmação ou não de que os valores lançados eletronicamente referentes ao IRPJ (3º trimestre de 1997), confessado em DCTF, e que a recorrente afirma ter sido compensado com saldo negativo gerado pelo pagamento a maior de estimativas em 1996 e 1997. A diligência fiscal confirmou os pagamentos e o saldo negativo suficiente para a extinção do débito confessado em DCTF, que ocasionou o presente lançamento, embora tenha desconsiderado o valor de R$ 519,48 que se referem a pagamento de Irfonte de espécie não dedutível da base de cálculo do IRPJ, ressaltando que o saldo negativo resultante continua suficiente para extinção do débito. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello Fl. 281DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 11065.722348/2012-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
EXCLUSÃO DO SIMPLES. DECISÃO ADMINISTRATIVA DEFINITIVA.
Descabe a discussão afeta à exclusão do SIMPLES, no processo administrativo de constituição do crédito tributário, quando já há decisão administrativa definitiva confirmando a exclusão da empresa do sistema especial de tributação.
GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
Nos termos da legislação previdenciária, respondem solidariamente pelas obrigações as empresas que integrarem grupo econômico de qualquer natureza.
ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF N°. 02
Aplicação da Súmula CARF n°. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2201-004.682
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 EXCLUSÃO DO SIMPLES. DECISÃO ADMINISTRATIVA DEFINITIVA. Descabe a discussão afeta à exclusão do SIMPLES, no processo administrativo de constituição do crédito tributário, quando já há decisão administrativa definitiva confirmando a exclusão da empresa do sistema especial de tributação. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Nos termos da legislação previdenciária, respondem solidariamente pelas obrigações as empresas que integrarem grupo econômico de qualquer natureza. ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF N°. 02 Aplicação da Súmula CARF n°. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
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DECISÃO ADMINISTRATIVA DEFINITIVA. Descabe a discussão afeta à exclusão do SIMPLES, no processo administrativo de constituição do crédito tributário, quando já há decisão administrativa definitiva confirmando a exclusão da empresa do sistema especial de tributação. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Nos termos da legislação previdenciária, respondem solidariamente pelas obrigações as empresas que integrarem grupo econômico de qualquer natureza. ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF N°. 02 Aplicação da Súmula CARF n°. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 23 48 /2 01 2- 65 Fl. 233DF CARF MF Processo nº 11065.722348/201265 Acórdão n.º 2201004.682 S2C2T1 Fl. 234 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo contra o acórdão 0246.709 proferido pela 5ª Turma da DRJ/JFA, que julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora recorrente. O lançamento em questão decorre dos mesmos fatos geradores do processo nº 11065.722347/201211 e são contribuições destinadas a outras entidades e fundos (terceiros). A impugnação do sujeito passivo foi julgada improcedente. Cientificada da decisão de piso em 16/05/2013, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os mesmos argumentos apresentados por ocasião do protocolo da peça defensiva, qual seja: Diz que não era do seu conhecimento, até a data em que foi formalizada a presente Autuação Fiscal, a sua exclusão do Simples Nacional, bem como a Autoridade Fiscal não acostou comprovação de que a autuada tenha sido efetivamente notificada do Ato Declaratório que determinou a exclusão da mesma do SIMPLES NACIONAL. Alega não existir entre as empresas grupo econômico, haja vista que a empresa autuada no momento da realização do procedimento fiscal encontravase inativa, não ocupava qualquer espaço físico, vez que desde o mês de abril/2011 não realiza nenhuma operação. Aduz que o relatório fiscal é inconsistente e dúbio, pois ora reconhece que a Impugnante não mais possui funcionários nem meios de produção e tampouco faturamento, mais em seguida afirma que todas as empresas imputadas são coresponsáveis tributárias. Ressalta que “o fato de ter ocorrido verdadeira sucessão das empresas na utilização do espaço físico e do equipamento não pode, por si só, evidenciar a caracterização do suposto Grupo Econômico, mormente quando demonstrado já pela própria autoridade fiscal que a empresa Criativa Indústria e Comércio de Bolsas e Artefatos de Couro Ltda., constituída em Fl. 234DF CARF MF Processo nº 11065.722348/201265 Acórdão n.º 2201004.682 S2C2T1 Fl. 235 3 agosto/2002, estava já sem movimentação desde o mês de abril/2011. Havendo a disponibilidade de equipamentos e de mão de obra qualificada, natural que outra empresa, no caso Doce Pecado Comércio de Bolsas Ltda, constituída em junho/2010, tivesse interesse na aquisição dos equipamentos, e na contratação da referida mão de obra Em outro trecho diz que o fato de a Sra. Ivanir Mueller e a Sra Selanira Pereira de Vargas serem sócias, tanto na empresa Impugnante Criativa (sem movimentação desde abril/2011) e na empresa Doce Pecado, não trazem nenhum vinculo com a empresa Maicon Rafael. Também, o fato de a Sra. Lenir Muller ter sido sócia administradora da empresa ora Impugnante, entre as datas de 16/08/2002 e 18/07/2006, vindo mais tarde, passados seis meses, a tornarse funcionária da mesma empresa (02/05/2007 a 11/02/2011 um mês antes do fechamento de fato da mesma), e mais tarde, praticamente sete meses depois de seu afastamento, ser contratada para trabalhar na empresa Maicon Rafael, em nada podem indicar a existência do grupo econômico pretendido. Pelo contrário, dão forte indício de independência administrativa destas, tanto que uma pessoa que inicialmente constituiu a Impugnante, acabou por deixar a sociedade ainda no ano de 2006 para depois, em 2011 passar a ser funcionária de outra empresa Maicon Rafael. Ademais, cabe ressaltar que o simples fato de se tratar de varias pessoas de uma mesma família, explorando atividades afins, não pode significar que estas estejam atreladas ou obrigadas a trabalhar umas para as outras ou que o simples fato de pertencerem à mesma família os força a abrir mão do princípio da livre iniciativa contido no art. L, IV e art. 170, IV e Parágrafo único, da Constituição Federal. Assevera que multa de 112,5%, revelase absolutamente inconstitucional, uma vez que nitidamente revestida de caráter confiscatório. Sem atentar para os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade aos quais está a autoridade administrativa legalmente adstrita. Tal situação é desproporcional, irrazoável e, portanto, ilegal, pois leva à impossibilidade do pagamento, que é a finalidade principal da lei tributária. Por fim requer: a revisão dos atos administrativos fiscais a fim de que seja revista a Autuação Fiscal ora impugnada, e consequentemente revisto, declarado nulo e revogado o Ato Declaratório que excluiu ilicitamente a Impugnante do SIMPLES NACIONAL ante a completa falta de intimação/notificação para tal ato tolhendo a mesma o direito ao contraditório e a ampla defesa, de sorte que se reconheça como legítimos todos os recolhimentos realizados pela Impugnante desde a sua constituição até a data de julgamento da presente impugnação, pelo Regime Diferenciado de Arrecadação conhecido como SIMPLES NACIONAL, Fl. 235DF CARF MF Processo nº 11065.722348/201265 Acórdão n.º 2201004.682 S2C2T1 Fl. 236 4 destituindose o presente Auto de Infração, conforme demonstrado, declarandose a improcedência do auto de infração ora impugnado desconstituindose o mesmo na sua totalidade anulandose o DEBCAD n° 51.025.1242; seja excluída da autuação a taxa SELIC para a atualização do débito, visto a sua total inconstitucionalidade; seja excluído do eventual débito o valor advindo da aplicação da multa no percentual de 112,5%, visto sua confiscatoriedade, desproporcionalidade e irrazoabilidade, ou reduzida a um patamar aceitável frente às disposições pertinente. É o relatório. Voto Admissibilidade O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. DDaa eexxcclluussããoo ddoo SSIIMMPPLLEESS Alega a recorrente que nunca tomou ciência do Ato Declaratório de exclusão do SIMPLES. Contudo, o julgador de primeira instância, fulcrado no princípio da verdade material perquiriu acerca da sua situação em relação ao aludido regime simplificado de tributação. Restou consignado na decisão de piso que a exclusão do contribuinte se deu ainda no ano de 2008, tendo a ciência se dado por edital. A recorrente, portanto, sabia, ou deveria saber, que não mais pertencia ao SIMPLES. Eis o que restou consignado na decisão recorrida: Como preliminar os impugnantes propugnam pela nulidade do feito fundamentando o pedido na inadequação de desclassificação da sociedade empresarial autuada como optante do SIMPLES. Entretanto, no Sitio da Receita Federal do Brasil/ Simples Nacional, com acesso irrestrito, obtémse,mediante consulta do CNPJ da empresa autuada a seguinte informação: Situação Atual : Situação no Simples Nacional : NÃO optante pelo Simples Nacional Períodos Anteriores :Opções pelo Simples Nacional em Períodos Fl. 236DF CARF MF Processo nº 11065.722348/201265 Acórdão n.º 2201004.682 S2C2T1 Fl. 237 5 Anteriores Data Inicial : 01/07/2007; Data Final : 31/12/2008; Detalhamento : Excluída por Ato Administrativo praticado pela Receita Federal do Brasil. Em pesquisa realizada nos sistemas internos da Receita Federal do Brasil, que também pode ser realizada pelo sujeito passivo, mediante habilitação de acesso,, comprovase que a empresa autuada foi excluída do SIMPLES pelo ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DRF/NHO Nº 119780, 22 DE AGOSTO DE 2008 nos seguintes termos: Art. 1º Fica excluída do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) a pessoa jurídica, a seguir identificada, em virtude de possuir débitos com a Fazenda Pública Federal, com exigibilidade não suspensa,relacionados no item "Pessoa Jurídica", assunto "Simples Nacional", do Sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil na internet, no endereço eletrônico www.receita.fazenda.gov.br, conforme disposto no inciso V do art. 17 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, e na alínea "d" do inciso II do art. 3º, combinada com o inciso I do art. 5º, ambos da Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007: Art. 2º Os efeitos da exclusão darseão a partir do dia 1º de janeiro de 2009, conforme disposto no inciso IV do art. 31 da Lei Complementar nº 123, de 2006. Art. 3º Tornarseá sem efeito a exclusão, caso a totalidade dos débitos da pessoa jurídica sejam pagos ou parcelados no prazo de 30 (trinta) dias contados da data da ciência deste Ato Declaratório Executivo (ADE). Os débitos motivadores da exclusão decorreram da falta de recolhimento de contribuições previdenciárias e DARF cód Receita 6106. Segundo informação constante dos Sistemas Informatizados da RFB a ciência do Ato Declaratório foi feita por meio de Edital. Registrese, na oportunidade que as inconformidades correspondentes à exclusão deveriam ter sido opostas no prazo legal e em processo próprio, pois o presente processo administrativo de constituição de crédito tributário não é o veículo apropriado para se discutir a exclusão da empresa do sistema especial de tributação, SIMPLES. As informações postas foram apresentadas com o intuito de mostrar o acesso do sujeito passivo às informações sobre sua situação fiscal perante a Receita Federal,sendo inaceitável, portanto, alegar desconhecimento. Registrese que foi possível verificar que houve por parte do contribuinte pedido de parcelamento de débito e correção da GFIP, com retificação do código de opção do SIMPLES. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 11065.722348/201265 Acórdão n.º 2201004.682 S2C2T1 Fl. 238 6 No mérito, justificando a cobrança das contribuições destinadas ao custeio da seguridade social, é mister lembrar que as pessoas jurídicas excluídas do Simples Nacional, sujeitamse às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, imediatamente a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão: Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006 Art. 32. As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitarseão,a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Quanto à possibilidade do lançamento de ofício ser efetuado, ainda que o ato de exclusão do Simples esteja em discussão, há de se observar a Súmula CARF nº 77: A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão. Não obstante a plausibilidade e consistência da fundamentação da decisão recorrida, a recorrente não refutou uma linha sequer do acima transcrito, limitandose a reiterar em segunda instância, as mesmas alegações apresentadas quando do protocolo da peça defensiva. É cediço que a recorrente deveria recolher as contribuições previdenciárias objeto do presente lançamento regularmente, não podendo opor uma condição inexistente e cuja oportunidade de impugnação já precluiu. Destarte, entendo que a antiga condição de optante pelo SIMPLES em nada poderá alterar o presente lançamento, sendo manifestamente improcedentes as alegações recursais. DDoo GGrruuppoo EEccoonnôômmiiccoo Em relação à caracterização do grupo econômico, a autoridade fiscal apresentou o seguinte arcabouço fático para justificar a sujeição das empresas MAICON e DOCE PECADO como responsáveis solidárias pelo presente crédito tributário. Vejamos: As empresas CRIATIVA, MAICON e DOCE PECADO surgiram em agosto/2002, junho/2010 e março/2011, respectivamente. O acesso aos estabelecimentos e a recepção é comum a todas através da Rua Arlindo Frantz, 131, as 3 empresas funcionam no mesmo local, sem separação física dos ambientes. os trabalhadores da MAICON e DOCE PECADO laboram juntos na área produtiva e nas atividades meio. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 11065.722348/201265 Acórdão n.º 2201004.682 S2C2T1 Fl. 239 7 os sócios das empresas, além da existência de parentesco entre si, transitaram pelos seus quadros societários. Os segurados empregados da CRIATIVA, a partir de abril/2011, foram todos transferidos para a DOCE PECADO. Conforme pesquisa no banco de dados da Previdência Social, oriundas das GFIP apresentadas pela empresa DOCE PECADO, indicam a movimentação desses segurados pelo código “N2 — Transferência de empregado para outra empresa que tenha assumido os encargos trabalhistas, sem que tenha havido rescisão de contrato de trabalho”. os bens de produção da CRIATIVA também foram absorvidos pela DOCE PECADO, todavia as empresas não apresentaram os documentos dessa transação, tampouco há registro desses bens em suas contabilidades. A DOCE PECADO apresentou o “contrato de sublocação comercial e locação de equipamentos”, datado de 05/12/2011, no qual passou a sublocar o prédio industrial de 522m2 a MAICON, juntamente com os seus bens de produção, com vigência a partir de 10/12/2011. mesmo sem possuir nenhum bem de produção próprio ou locado no período do início de suas atividades junho/2010 até julho/2011, a empresa MAICON gerou receitas com a venda de produtos e prestação de serviços no montante de R$ 1.465.485,72, contra nenhuma receita da CRIATIVA e da DOCE PECADO. Essas empresas, inclusive, a partir do surgimento da MAICON, passaram a não apresentar registro de receita em suas contabilidades, embora contassem com os trabalhadores e os meios de produção a sua disposição. Diante dos fatos apresentados acima, a Fiscalização concluiu que as empresas, embora tenham personalidade jurídica distinta, possuem sócios em comum ou com relação de parentesco, beneficiamse do conjunto dos trabalhadores que estão a sua disposição, assim como dos bens de produção. Desse modo, com base no artigo 124, incisos I e II do CTN, Lei 5.172, de 25/10/66; artigo 30, inciso IX da Lei 8.212, de 24/07/1991; artigo 222 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06/05/1999 e artigo 17 da Lei 8.884, de 11/06/1994, restou caracterizada a sujeição passiva solidária das empresas Doce Pecado Comércio de Bolsas Ltda, CNPJ 13.361.536/0001 84, e Maicon Rafael de Vargas, CNPJ 12.130.224/000105, uma vez que a amostragem dos fatos e provas colhidos durante o procedimento fiscal evidencia a existência de grupo econômico de fato (Termo de Sujeição Passiva Solidária fls. 54/56). Não é necessário maior esforço cognitivo para se concluir que as empresas agiam de forma coordenada para a consecução de objetivos comuns. A inexistência de separação de local para o exercício de suas atividades, sócios e funcionários em comum, receitas concentradas em apenas uma das empresas, denotam à exaustão que as mesmas formavam um grupo econômica, devendo ser destacado que a situação fática se subsume, tanto à norma inserta no art. 30, IX, do art. 8.212/91, quanto ao art. 124, I, do CTN, posto que havia interesse comum entre as tres empresas integrantes do grupo econômico. Fl. 239DF CARF MF Processo nº 11065.722348/201265 Acórdão n.º 2201004.682 S2C2T1 Fl. 240 8 Desta forma, entendo que o grupo econômico restou plenamente carcaterizado, devendo a decisão recorrida ser mantida pelos seus próprios e doutos fundamentos. Isto posto, nego provimento ao recurso quanto a este aspecto do lançamento. Do agravamento da multa de ofício De acordo com a acusação fiscal, a contribuinte deixou de apresentar as informações em meio digital de sua folha de pagamento do período de 01/2009 a 11/2009, fato que ensejou, nessas competências, o agravamento da multa nos termos do § 2º do art. 44 da Lei n° 9.430/96, perfazendo o total de 112,5%. Alega a recorrente que multa de 112,5% revelase absolutamente inconstitucional, uma vez que nitidamente revestida de caráter confiscatório, sem atentar para os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade aos quais está a autoridade administrativa legalmente adstrita. Tal situação é desproporcional, irrazoável e, portanto, ilegal, pois leva à impossibilidade do pagamento, que é a finalidade principal da lei tributária. Verificase, pois, que a recorrente não se defende dos fatos, ou seja, não nega ter deixado de apresentar as informações de sua folha de pagamento em meio digital. Nem ao menos aponta o motivo de ter deixado de fazêlo; centra seu conformismo no legislador, por considerar a multa desproporcional, sem razoabilidade e com caráter confiscatória. A alegação de inconstitucionalidade será abordada no tópico seguinte. Por ora, cabenos repisar, que a situação fática que ensejou o agravamento da multa é incontroversa. Outra conduta não poderia se esperar da autoridade fiscal pelo caráter vinculado de sua atuação (art. 142, do CTN), senão aplicar ao caso concreto o art. 44, do § 2o do art. 44 da Lei n° 9.430/96, cuja redação transcrevemos abaixo: Art. 44 (...) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pela sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Isto posto, não merecem prosperar as alegações recursais. Fl. 240DF CARF MF Processo nº 11065.722348/201265 Acórdão n.º 2201004.682 S2C2T1 Fl. 241 9 DDaa mmuullttaa ccoonnffiissccaattóórriiaa A recorrente sustenta o caráter confiscatório da multa que lhe foi aplicada, com base no artigo 150 inciso IV, da Constituição Federal. Entretanto, de igual modo ao item precedente, a argumentação da recorrente não escapa de uma necessidade de aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula nº 2, in verbis: Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim sendo, deixo de conhecer as alegações afetas à constitucionalidade de normas, como a infringência ao princípios da vedação ao confisco, da razoabilidade e da proporcionalidade. DDaa aapplliiccaaççããoo ddaa TTaaxxaa SSeelliicc A insurgência da recorrente contra a aplicação da Taxa Selic como juros moratórios não pode prosperar, uma vez que se trata de matéria sumulada neste Tribunal Administrativo no sentido de sua legalidade, conforme podemos conferir a seguir: Súmula CARF nº 4 A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Acrescentese que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic. Assim sendo, improcede a argumentação da recorrente quanto à não incidência de juros de mora no presente lançamento. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 241DF CARF MF Processo nº 11065.722348/201265 Acórdão n.º 2201004.682 S2C2T1 Fl. 242 10 Fl. 242DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.004272/2009-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005, 01/12/2005 a 31/01/2006
RETENÇÃO. POSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Para que seja possível deduzir da contribuição devida o que tenha sido retido no recebimento por serviços prestados, deve ser comprovado que os valores que serviram para a retenção tenham sido incluídos na formação da base de cálculo. Comprovação devidamente realizada nos autos, conforme diligência requerida.
Numero da decisão: 3201-004.060
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005, 01/12/2005 a 31/01/2006 RETENÇÃO. POSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Para que seja possível deduzir da contribuição devida o que tenha sido retido no recebimento por serviços prestados, deve ser comprovado que os valores que serviram para a retenção tenham sido incluídos na formação da base de cálculo. Comprovação devidamente realizada nos autos, conforme diligência requerida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 42 72 /2 00 9- 53 Fl. 810DF CARF MF Processo nº 19515.004272/200953 Acórdão n.º 3201004.060 S3C2T1 Fl. 810 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 1640.986, proferido pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo II (SP), que assim relatou o feito: Tratase de auto de infração (fls. 300/305 – a numeração de referência é sempre a da versão digital do processo) lavrado contra a contribuinte em epígrafe, relativo à falta/insuficiência de recolhimento da contribuição para o PIS/Pasep, nos períodos de apuração janeiro/2005 a março/2005, dezembro/2005 e janeiro/2006, no montante total de R$ 47.068,00. A auditorafiscal, no Termo de Verificação Fiscal (fls. 292/299), de início esclarece que a fiscalização seguiu em dois sentidos, quais sejam a análise dos créditos relativos à apuração da Cofins não cumulativa referente aos períodos de apuração de 2005 e a verificação da correspondência entre os valores declarados e os valores apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração contábil e fiscal nos períodos de apuração de janeiro/2005 a dezembro/2007. O auto de infração objeto deste processo administrativo é decorrente da segunda linha de fiscalização acima referida, tendo a autuante fundamentado o lançamento de ofício nos seguintes termos: Confrontamos os valores dos tributos e contribuições registrados na escrituração do sujeito passivo com os valores dos tributos e contribuições já declarados à RFB (DCTF), espontaneamente. Constatamos divergências entre os valores registrados na escrituração do contribuinte e os valores declarados em DCTF. O contribuinte foi intimado, por meio do Termo de Intimação Fiscal Nº 4, a apresentar eventuais esclarecimentos ou elementos justificadores das diferenças entre os valores declarados e os escriturados, constantes das planilhas anexas “Cotejo das Informações ContábilFiscais 2005, 2006 e 2007”. O contribuinte atendeu parcialmente a intimação em 12/08/09 e optou por primeiramente comprovar as diferenças de 2007. Todas as diferenças apontadas na intimação foram justificadas. Em 24/08/09, o contribuinte se manifestou mais uma vez com a finalidade de justificar as diferenças encontradas no procedimento de Verificações Obrigatórias em relação a 2006. Restou somente um valor não justificado de PIS, do mercado interno. Quanto a 2005, o contribuinte atendeu à intimação em 14/09/09. No entanto, neste atendimento, o contribuinte não logrou comprovar as diferenças encontradas a menos da citação de processos de compensação de IRPJ e CSLL não declarados em DCTF. Fl. 811DF CARF MF Processo nº 19515.004272/200953 Acórdão n.º 3201004.060 S3C2T1 Fl. 811 3 Matéria Tributável Esta fiscalização elaborou uma planilha “P9 Valores a Lançar em 2005 e 2006” onde, para benefício do contribuinte em 2005, lançou somente os valores referentes às diferenças encontradas, diminuídos dos valores declarados a maior que a contabilidade, nos meses anteriores. Estes valores a lançar reduzidos pelas compensações dos meses anteriores encontramse assinalados com a Observação (1). A observação (2) referese aos processos de compensação assinalados pelo contribuinte. Cientificada do auto de infração em 16/10/2009, a contribuinte apresentou impugnação em 16/11/2009 (fls. 308/316), na qual alega que: • o auto de infração resultou de flagrante equívoco da autuante, que na sua análise comparou valores de provisões mensais com o valor do débito informado em DCTF. Como é sabido, o valor contábil a ser utilizado como parâmetro de comparação com as informações declaradas em DCTF é o valor da provisão devida diminuído das retenções correntes; • o procedimento adotado pela impugnante atendeu regularmente às normas vigentes, não havendo qualquer diferença a ser recolhida, o que se constata facilmente pela análise dos números constantes de planilha anexada aos autos, que espelham os registros contábeis e as informações prestadas na respectiva DCTF do período; • a auditora fiscal deixou de considerar a compensação de PIS/Pasep retida no período no valor de R$ 18.055,46, mas não apontou os motivos, fazendonos deduzir que decorreu da divergência detectada entre as informações contábeis e fiscais, pois validou todas as outras compensações que totalizam R$ 37.009,38; • analisando todos os elementos da questão, deduzse que a glosa se deu apenas em virtude da compensação do PIS ter sido feita com crédito de COFINS conforme aponta o respectivo registro contábil. Tal procedimento da empresa foi equivocado, porém em nada comprometeu o recolhimento/compensação da aludida contribuição, pois a empresa possuía crédito de PIS retido no período em questão suficiente para fazer frente à tal compensação. Demonstrandose, assim, a total insubsistência da exigência fiscal; • a exigência não se sustenta visto que a impugnante faz prova de todas as retenções utilizadas, no período objeto da autuação, para quitar os débitos mensais de PIS/Pasep. Juntamse cópias dos informes de rendimentos, acompanhados de planilha com a descrição das informações pertinentes; Fl. 812DF CARF MF Processo nº 19515.004272/200953 Acórdão n.º 3201004.060 S3C2T1 Fl. 812 4 • em virtude do procedimento inadequado realizado pela d. autoridade fiscal ao compor o valor objeto da autuação, apontouse como débito o valor correspondente à diferença do que não constou na DCTF, que nada mais era do que as retenções correntes de PIS utilizadas no período; • a auditora fiscal não poderia desconsiderar o crédito de retenção na fonte utilizado pelo contribuinte e informado ao Fisco; • é cristalino o direito da impugnante à compensação realizada, pois que tais valores, se não forem restituídos a ela via compensação lícita e tempestiva, consubstanciarão enriquecimento sem causa da Administração Pública, o que é vedado no ordenamento jurídico pátrio; • para a apreciação correta e justa dos fatos, ressaltase a importância da análise dos documentos juntados aos autos, pois eles comprovam que a contribuição encontrase quitada. Para tanto, invocase o princípio da verdade material, que rege os processos administrativos, consoante disposto no art. 3º, inciso III, da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Ao final, a contribuinte além de requerer que seja julgada procedente a impugnação e cancelado o auto de infração, registra que, se for necessário, apresentará as vias originais dos documentos juntados aos autos, bem como protesta pela apresentação de novos documentos. Após exame da Impugnação apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005, 01/12/2005 a 31/01/2006 RETENÇÃO. POSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Para que seja possível deduzir da contribuição devida o que tenha sido retido no recebimento por serviços prestados, deve antes ser comprovado que os valores que serviram para a retenção tenham sido incluídos na formação da base de cálculo, bem como que tal retenção não tenha sido já aproveitada para deduções em outros períodos de apuração. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados. Fl. 813DF CARF MF Processo nº 19515.004272/200953 Acórdão n.º 3201004.060 S3C2T1 Fl. 813 5 Após os autos foram remetidos a este CARF e a mim distribuídos por sorteio. Em primeiro exame do feito, esta Turma deliberou por converter o feito em diligência, conforme Resolução nº 3201001.080, de 26 de outubro de 2017, nos seguintes termos: A questão debatida nesse aspecto é essencialmente de fato, documental. Em 26/09/2017 a Recorrente trouxe aos autos petição por meio da qual aduziu que os mesmos valores que deixaram de ser reconhecidos nos presentes autos (PIS), foram acatados nos autos de autuação fiscal de CSLL decorrente dos mesmos fatos e relativos ao mesmo período (19515.004271/200917 Acórdão 0963.323 1ª Turma da DRJ/JFA). A Recorrente ainda aponta, de forma objetiva, a correspondência entre os documentos admitidos naqueles autos e nos presentes, que, segunda afirma, seriam exatamente os mesmos. Com efeito, não compete à esta Turma Julgadora o exame dos documentos apresentados, sendo tal revisão de competência da Delegacia da Receita Federal responsável pela autuação. Em que pese a intempestividade da sua apresentação aos autos, entendo que sua admissão é possível na condição de fato novo, visto que o Acórdão DRJ trazido aos autos foi proferido em 19 de maio de 2017. Ademais, há que se considerar que a Recorrente aduz a todo momento a ocorrência de erro material, portanto, passível de revisão em face de documentos hábeis. Há que se considerar, por fim, que, em que pese a independência dos julgadores, ou seja, a possibilidade de Delegacias de Julgamento efetuarem diferente valoração em face dos mesmo documentos, tenho que a hipótese dos autos indica forte indício da efetiva existência de documentos comprobatórios nos autos. Por todo o exposto, voto por CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA para que a Autoridade Preparadora se manifeste quanto à comprovação do direito alegado em face dos documentos apresentados por meio da referida petição, tendo em vista a decisão proferida no processo (19515.004271/200917 Acórdão 0963.323 1ª Turma da DRJ/JFA), verificando se a receita relativa a tais retenções foram tributadas, podendo solicitar demais documentos que entenda necessário. Após, retornem os autos para julgamento. A diligência solicitada foi realizada, tendo sido apresentado Relatório Fiscal de fls. 793 e seguintes, no qual consta a informação de que os valores foram tributados corretamente pelo PIS e que "se os rendimentos que ensejaram a retenção do PIS são os mesmos que culminaram na retenção da CSLL e do IRRF conclui que tais rendimentos foram sim oferecidos integralmente à tributação". Fl. 814DF CARF MF Processo nº 19515.004272/200953 Acórdão n.º 3201004.060 S3C2T1 Fl. 814 6 Intimado do resultado da diligência, o Recorrente reiterou a necessidade de cancelamento da exigência fiscal. Os autos retornaram para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Relatora O Recurso Voluntário é próprio e tempestivo e dele tomo conhecimento. Para melhor análise, passo ao exame de cada um dos tópicos recursais. Conforme já relatado, a questão debatida no presente feito é essencialmente de fato, documental. A autuação fiscal foi lavrada sob a alegação de insuficiência do recolhimento do PIS, decorrente de "divergências entre os valores registrados na escrituração do contribuinte e os valores declarados em DCTF". A Recorrente, contudo, afirma que os valores tidos por "registrados na escrituração do contribuinte" referemse, em verdade, aos valores declarados em DCTF acrescidos das retenções mensais, estes não informados em DCTF. Logo, o valor total da exigência fiscal corresponderia exatamente aos valores que a Recorrente teve retidos na fonte. Em face de argumentos apresentados posteriormente ao Recurso Voluntário, admitidos como fato novo, o feito foi baixado em diligência para que fosse verificado se as retenções informadas pela Recorrente foram validadas pela RFB, já que, em autuação decorrente dos mesmos fatos, mas de exigência da CSLL, tais retenções teriam sido devidamente chanceladas. Tratase do processo nº 19515.004271/200917, Acórdão 0963.323 1ª Turma da DRJ/JFA. A análise fiscal foi assim concluída: Fl. 815DF CARF MF Processo nº 19515.004272/200953 Acórdão n.º 3201004.060 S3C2T1 Fl. 815 7 Logo, é de se concluir que a Autoridade Preparadora chancelou o argumento de defesa da Recorrente no sentido de que não houve recolhimento a menor da contribuição, uma vez que tal diferença decorre de valores retidos na fonte por suas fontes pagadoras. Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto. Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 816DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.003445/2003-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001
SIMPLES DÉBITO
INSCRITO NA DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO INCLUSÃO RETROATIVA
A posterior suspensão da exigibilidade dos débitos fiscais em razão da inclusão no Refis não ampara a revogação da exclusão no sistema
simplificado, nem tampouco a inclusão retroativa relativamente aos períodos em que os débitos eram exigíveis.
Numero da decisão: 1201-000.488
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001 SIMPLES DÉBITO INSCRITO NA DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO INCLUSÃO RETROATIVA A posterior suspensão da exigibilidade dos débitos fiscais em razão da inclusão no Refis não ampara a revogação da exclusão no sistema simplificado, nem tampouco a inclusão retroativa relativamente aos períodos em que os débitos eram exigíveis.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Fl. 354DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10830.003445/200383 Acórdão n.º 120100.488 S1C2T1 Fl. 302 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Rafael Correia Fuso, Marcelo Cuba Netto, Antonio Carlos Guidoni Filho e Regis Magalhães Soares de Queiroz . Relatório DO PEDIDO INICIAL, DO INDEFERIMENTO E DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Abaixo tomo de empréstimo o relatório elaborado pela autoridade julgadora de primeiro grau acerca das referidas peças inaugurais deste feito: Trata o processo de pedido de enquadramento no Simples com efeitos retroativos a 1997, justificando o contribuinte sempre ter procedido à entrega de declarações e recolhimentos nessa sistemática (fl. 01). A Delegacia da Receita Federal em Campinas indeferiu a solicitação do contribuinte, fundamentando, em síntese, que embora tenha se identificado a intenção inequívoca em aderir ao Simples, incidiu ele em hipótese de vedação à opção pela sistemática, em razão de débitos inscritos em Dívida Ativa da União em vários períodos. Destacou que, caso houvesse sido formalizada a opção em 1997, referidos débitos teriam causado sua exclusão automática do sistema. Observa ainda que o contribuinte foi excluído do parcelamento Refis (fls. 117/118). Cientificado do indeferimento de seu pedido em 30/03/2007 (fl. 119), o interessado apresentou sua manifestação de inconformidade em 20/04/2007 (fls. 120/244), alegando, em síntese e fundamentalmente: ter optado pelo parcelamento Refis, que incluiu todos os seus débitos em cobrança na PGFN com vencimento até 29/02/2000; desde então cumpriu rigorosamente com os pagamentos das parcelas, bem como dos valores apurados do Simples; sua manifestação contra a exclusão do Refis foi deferida, já estando reintegrado ao parcelamento. Constam dos autos cópia da decisão que declarou insubsistente a exclusão do contribuinte do Refis, restabelecendo o parcelamento (fls. 124/125 e 246/247). Em análise aos extratos das inscrições que motivaram o indeferimento da DRF, (fls. 75/111), verificouse a existência de duas inscrições (n° 8060410148803 e 804040742906 — fls. 82/89), datadas de 28/12/2004, originárias do processo eletrônico n° 10830.451829/200147, consolidado no Refis, e que tinha sido enviado eletronicamente à inscrição em Dívida Ativa da União devido a rescisão do parcelamento. Em razão da decisão de fls. 124/125, esse processo foi reativado junto ao Refis. Contudo, as inscrições que dele decorreram ainda se Fl. 355DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10830.003445/200383 Acórdão n.º 120100.488 S1C2T1 Fl. 303 3 encontravam em cobrança junto à PGFN em 14/06/2007(fls. 246/250). Encaminharamse, então, os autos à DRF de origem, para manifestação acerca da procedência dessas inscrições em Dívida Ativa da União originárias do processo 10830.451829/200147. Em atendimento, aquela unidade informou que solicitara à PGFN o cancelamento das referidas inscrições em 10/04/2007, em face da decisão administrativa que reativou a conta Refis do contribuinte, conforme cópia de ofício anexa. Todavia reiterou a solicitação, pois em 09/08/2007 as inscrições ainda não haviam sido canceladas (fls. 253/263). DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão recorrida (fls. 281 e 282) deu provimento parcial à manifestação para reconhecer a adesão ao regime simplificado no período de 01/01/1997 a 31/10/1997 e a partir de 01/01/2002. A autoridade julgadora de primeiro grau não reconheceu a opção ao regime no período de 01/11/1997 a 31/12/2001, em razão da existência de débitos fiscais exigíveis no período, os quais só tiveram sua exigibilidade suspensa a partir de 01/01/2002 com a adesão do contribuinte ao REFIS. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O sujeito passivo apresentou recurso voluntário, às fls. 285 a 286, mediante o qual aduziu as seguintes razões: 1) Desde 01/01/1997 sempre apresentou declarações pelo SIMPLES; 2) No mesmo período, sempre fez seus recolhimentos pelo simples; 3) Consolidou todos os seus débitos no REFIS e está em dia com os pagamento das suas parcelas; É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Fl. 356DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10830.003445/200383 Acórdão n.º 120100.488 S1C2T1 Fl. 304 4 A decisão da Delegacia de Julgamento está amparada nos dispositivos legais abaixo transcritos. Lei nº 9.317/96: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XV que tenha débito inscrito em Dívida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (...) Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: (...) II obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9°; (...) Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: I exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2° do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; (...) Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: (...) II a partir do mês subseqüente ao em que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XVIII do art. 9º; Com base na disciplina acima, a posterior suspensão da exigibilidade dos débitos fiscais em razão da inclusão no Refis não ampara a revogação da exclusão no sistema simplificado, nem tampouco a inclusão retroativa relativamente aos períodos em que os débitos eram exigíveis. Não podemos ainda deixar de fazer referência aos dispositivos introduzidos no referido artigo 15 pela Lei nº 11.196/05: VI a partir do anocalendário subseqüente ao da ciência do ato declaratório de exclusão, nos casos dos incisos XV e XVI do Fl. 357DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10830.003445/200383 Acórdão n.º 120100.488 S1C2T1 Fl. 305 5 caput do art. 9º desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 5º Na hipótese do inciso VI do caput deste artigo, será permitida a permanência da pessoa jurídica como optante pelo Simples mediante a comprovação, na unidade da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o seu domicílio fiscal, da quitação do débito inscrito no prazo de até 30 (trinta) dias contado a partir da ciência do ato declaratório de exclusão. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Eles autorizam a regularização dos débitos com efeitos retroativos atinentes à opção pelo regime simplificado, mas apenas por meio da sua quitação, isto é, pela extinção das exigências e até 30 (trinta) dias da ciência do ato declaratório de exclusão, o qual, no caso de inclusão retroativa, é substituído pelo ato equivalente, isto é, pelo despacho decisório de indeferimento. No presente caso, contudo, houve suspensão e não quitação. É oportuno ainda asseverar que a jurisprudência deste Conselho se alinha no mesmo sentido do indeferimento. Abaixo, transcrevo acórdão exemplificativo: Número do Recurso:134187 Câmara:TERCEIRA CÂMARA Número do Processo:13807.008180/200123 Tipo do Recurso:VOLUNTÁRIO Matéria:SIMPLES EXCLUSÃO Recorrida/Interessado:DRJSAO PAULO/SP Data da Sessão:17/08/2006 09:00:00 Relator:SÍLVIO MARCOS BARCELOS FIUZA Decisão:Acórdão 30333471 Resultado:PPU DADO PROVIMENTO PARCIAL POR UNANIMIDADE Texto da Decisão:Por unanimidade de votos, deuse provimento parcial ao recurso voluntário para reincluir a contribuinte no Simples a partir do exercício de 2002. Ementa:SIMPLES. DÉBITO INSCRITO NA DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. COMPROVAÇÃO DO PARCELAMENTO JUNTO A UNIÃO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO TRIBUTO. MANTIDO O ATO DE EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE DE REINCLUSÃO NO SIMPLES. Comprovado que a recorrente parcelou no ano de 2001 o débito junto a União, suspendendo a sua exigibilidade, inclusive apresentando posteriormente Certidão Negativa Quanto a Dívida Ativa da União, gerando a possibilidade de reinclusão no Sistema Simplificado de Tributação – SIMPLES a partir do exercício de 2002. Mantida a exclusão efetivada através do Ato Declaratório N° 389.500 de 02/11/2000. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 358DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10830.003445/200383 Acórdão n.º 120100.488 S1C2T1 Fl. 306 6 Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Fl. 359DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME
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