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Numero do processo: 16327.910732/2011-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 25/10/2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.586
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 25/10/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 07 32 /2 01 1- 28 Fl. 90DF CARF MF Processo nº 16327.910732/201128 Acórdão n.º 3402004.586 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a Decisão da DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o Despacho Decisório eletrônico proferido, que, por sua vez, indeferiu o Pedido de Restituição, referente a suposto pagamento de IOF a maior no ano de 2003. Conforme o que consta do referido Despacho Decisório, o pleito foi negado tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para a quitação do débito de IOF, não restando saldo de crédito disponível para a restituição almejada. Cientificada da decisão proferida, a empresa interpôs a Manifestação de Inconformidade alegando homologação por decurso de prazo, já que ultrapassado o prazo de cinco anos entre a data de envio, tanto do Pedido de Restituição (PER) quanto da Declaração de Compensação (DCOMP) a ele atrelada, e a data de proferimento do Despacho Decisório. Com base nessas considerações requer a reforma da decisão, com a consequente homologação da compensação declarada. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme Ementa do Acórdão nº 14061.153, prolatado pela DRJ em Ribeirão Preto (SP): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 25/10/2003 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO DECLARADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integralmente alocado à débito validamente declarado em DCTF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a homologação tácita de pedido de restituição, nem previsão de perda do poder de decidir por decurso de prazo em pedidos desta natureza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão a recorrente interpôs, tempestivamente, o presente recurso voluntário, alegando as seguintes razões: (i) consta do Despacho Decisório que "foram localizados pagamentos, mas que foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do Recorrente, não restando crédito disponível para restituição". Porém, tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em dezembro/2006, operandose, portanto, a homologação da compensação em dezembro de 2011; Fl. 91DF CARF MF Processo nº 16327.910732/201128 Acórdão n.º 3402004.586 S3C4T2 Fl. 4 3 (ii) cita e transcreve como base legal, o §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), bem como, registra o Acórdão nº 3801000.530, de 29/09/2010, proferido pelo CARF nos autos do PAF nº 10830.007499/9736; (iii) conclui que, dessa forma operouse a homologação tácita em dezembro de 2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente por meio de Despacho Decisório proferido em 2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Por fim, requer que o presente Recurso Voluntário seja recebido e julgado, com a conseqüente reforma da decisão recorrida e homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.467, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.910558/201113, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.467): "1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Verificase que o Recorrente não contesta a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório. O que se discute no recurso é a alegação de homologação tácita quanto ao Pedido de Restituição (PER). 3. Análise do Pedido Como relatado, o Recorrente pede o provimento do seu recurso unicamente sob o argumento da homologação tácita do seu Pedido de Restituição (PER) nº 01445.28437.211206.1.2.046453, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Aduz que tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em 21 e 26 dezembro de 2006, respectivamente e, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, operouse a homologação tácita da compensação em 26/12/2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente, por meio de Fl. 92DF CARF MF Processo nº 16327.910732/201128 Acórdão n.º 3402004.586 S3C4T2 Fl. 5 4 Despacho Decisório proferido em 03/01/2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Fl. 93DF CARF MF Processo nº 16327.910732/201128 Acórdão n.º 3402004.586 S3C4T2 Fl. 6 5 Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. 4. Dispositivo Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 94DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.001735/2004-71
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004
COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. UTILIZAÇÃO DE
BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO.
No regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003 (art. 3º, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. Diante do modelo prescrito pelas retrocitadas leis dadas as limitações impostas ao creditamento pelo texto normativo vê-se que o legislador optou por um
regime de não-cumulatividade parcial, onde o termo “insumo”, como é e sempre foi historicamente empregado, nunca se apresentou de forma isolada, mas sempre associado à prestação de serviços ou como fator de produção na elaboração de produtos destinados à venda, e, neste caso, portanto, vinculado ao processo de industrialização, atividade que tem no IPI imposto
especialmente instituído para sua tributação.
Assim, não há nenhum disparate em conceber ao termo “insumo” o mesmo sentido tradicionalmente proclamado pela legislação do IPI e espelhado nas Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8º, § 4º), posto que estas retrataram propósito que está em sintonia com o desiderato do legislador ordinário, não sendo razoável admitir, pois, a acepção de insumo na amplitude do termo dada por seu aspecto econômico.
Concernente ao uso terminológico do termo “insumo” na atividade de prestação de serviços, referidas instruções normativas consideram como insumos “os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço” (artigo 66, § 5º, II, “b”, da
IN SRF 247/2002 e art. 8o, § 4º, II, “b”, da IN SRF 404/2004), prescrições as quais estão em sintonia com o inciso I, § 3º, artigo 3º, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003.
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE DO PIS/PASEP E DA COFINS.
CREDITAMENTO DECORRENTE DE CUSTOS E DESPESAS COM INSUMOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA APLICAÇÃO DOS INSUMOS NO PROCESSO PRODUTIVO OU NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS.
O creditamento objeto do regime da não-cumulatividade
do PIS/Pasep e da COFINS, além da necessária observação das exigências legais, requer a perfeita comprovação, por documentação idônea, dos custos e despesas decorrentes da aquisição de bens e serviços empregados como insumos na
atividade da pessoa jurídica.
Recurso a que se dá provimento em parte.
Numero da decisão: 3802-000.341
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: Francisco José Barroso Rios
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. No regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003 (art. 3º, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. Diante do modelo prescrito pelas retrocitadas leis dadas as limitações impostas ao creditamento pelo texto normativo vê-se que o legislador optou por um regime de não-cumulatividade parcial, onde o termo “insumo”, como é e sempre foi historicamente empregado, nunca se apresentou de forma isolada, mas sempre associado à prestação de serviços ou como fator de produção na elaboração de produtos destinados à venda, e, neste caso, portanto, vinculado ao processo de industrialização, atividade que tem no IPI imposto especialmente instituído para sua tributação. Assim, não há nenhum disparate em conceber ao termo “insumo” o mesmo sentido tradicionalmente proclamado pela legislação do IPI e espelhado nas Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8º, § 4º), posto que estas retrataram propósito que está em sintonia com o desiderato do legislador ordinário, não sendo razoável admitir, pois, a acepção de insumo na amplitude do termo dada por seu aspecto econômico. Concernente ao uso terminológico do termo “insumo” na atividade de prestação de serviços, referidas instruções normativas consideram como insumos “os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço” (artigo 66, § 5º, II, “b”, da IN SRF 247/2002 e art. 8o, § 4º, II, “b”, da IN SRF 404/2004), prescrições as quais estão em sintonia com o inciso I, § 3º, artigo 3º, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE DO PIS/PASEP E DA COFINS. CREDITAMENTO DECORRENTE DE CUSTOS E DESPESAS COM INSUMOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA APLICAÇÃO DOS INSUMOS NO PROCESSO PRODUTIVO OU NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. O creditamento objeto do regime da não-cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, além da necessária observação das exigências legais, requer a perfeita comprovação, por documentação idônea, dos custos e despesas decorrentes da aquisição de bens e serviços empregados como insumos na atividade da pessoa jurídica. Recurso a que se dá provimento em parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. No regime de incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003 (art. 3o, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. Diante do modelo prescrito pelas retrocitadas leis dadas as limitações impostas ao creditamento pelo texto normativo vêse que o legislador optou por um regime de nãocumulatividade parcial, onde o termo “insumo”, como é e sempre foi historicamente empregado, nunca se apresentou de forma isolada, mas sempre associado à prestação de serviços ou como fator de produção na elaboração de produtos destinados à venda, e, neste caso, portanto, vinculado ao processo de industrialização, atividade que tem no IPI imposto especialmente instituído para sua tributação. Assim, não há nenhum disparate em conceber ao termo “insumo” o mesmo sentido tradicionalmente proclamado pela legislação do IPI e espelhado nas Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8o, § 4º), posto que estas retrataram propósito que está em sintonia com o desiderato do legislador ordinário, não sendo razoável admitir, pois, a acepção de insumo na amplitude do termo dada por seu aspecto econômico. Concernente ao uso terminológico do termo “insumo” na atividade de prestação de serviços, referidas instruções normativas consideram como insumos “os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço” (artigo 66, § 5º, II, “b”, da IN SRF 247/2002 e art. 8o, § 4º, II, “b”, da IN SRF 404/2004), prescrições as Fl. 269DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 17/02/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA 2 quais estão em sintonia com o inciso I, § 3o, artigo 3o, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE DO PIS/PASEP E DA COFINS. CREDITAMENTO DECORRENTE DE CUSTOS E DESPESAS COM INSUMOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA APLICAÇÃO DOS INSUMOS NO PROCESSO PRODUTIVO OU NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. O creditamento objeto do regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, além da necessária observação das exigências legais, requer a perfeita comprovação, por documentação idônea, dos custos e despesas decorrentes da aquisição de bens e serviços empregados como insumos na atividade da pessoa jurídica. Recurso a que se dá provimento em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator EDITADO EM: 08/02/2011 Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os Conselheiros Adélcio Salvalágio, Mara Cristina Sifuentes (Substituta) e Tatiana Midori Migiyama (Substituta). Ausente o Conselheiro Alex Oliveira Rodrigues de Lima. Relatório O presente processo diz respeito a recurso voluntário interposto contra decisão da 2ª Turma da DRJ Porto Alegre (fls. 212/215), a qual, por unanimidade de votos, não acolheu os argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra indeferimento parcial de pedido de ressarcimento (PER/DCOMP), nos termos do Acórdão nº 1021.126, proferido em 18 de setembro de 2009. A autoridade julgadora a quo assim descreve os fatos atinentes à presente lide: Tratase de manifestação de inconformidade contra indeferimento parcial de pedido de ressarcimento (PER/DECOMP), relativo ao saldo credor de Cofins não cumulativa, visando a ter reconhecido direito a se ressarcir do creditamento de valores referentes à aquisições de partes, peças, combustíveis e despesas diversas, que foram glosadas em face da impossibilidade de sua caracterização como insumos dentro da sistemática Fl. 270DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 17/02/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA Processo nº 11020.001735/200471 Acórdão n.º 380200.341 S3TE02 Fl. 246 3 de apuração de créditos pela nãocumulatividade de Pis e Cofins. O contribuinte também defende a legitimidade de créditos sobre serviços que a fiscalização apontou como não utilizados no processo produtivo. Por fim, alerta que a fiscalização emitiu extrato de processo, carta de cobrança e DARF em nome de terceira empresa, PRIME TIMBER INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MADEIRAS S/A, CNPJ 03.859.845/0001 25, no entanto, conforme ressaltado pela própria fiscalização no relatório de verificação fiscal, os valores constantes no presente processo referemse a créditos da empresa JN TIMBER EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA, CNPJ 89.611.644/000120, a qual sofreu cisão total em 01/12/2005, tendo a totalidade de seus créditos sido absorvidos pela contribuinte. Este fato também estaria comprovado pela anexa alteração do contrato social, no qual consta o protocolo de justificativa de cisão e, também, pelo anexo balancete da época, ambos demonstram que os créditos foram absorvidos por ELIEL INDÚSTRIA E COMERCIO DE MADEIRAS LTDA. Dessa forma, requer que sejam cancelados os documentos emitidos em nome da terceira empresa, PRIME TIMBER INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MADEIRAS S/A. Isto posto, requer o recebimento de sua manifestação, com a reforma do despacho decisório, o reconhecimento integral dos créditos pleiteados e a extinção do débito compensado. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram acatados pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, tendo a mesma, como já dito, indeferido a solicitação apresentada àquela instância, conforme ementa do Acórdão correspondente, abaixo transcrito: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 Ementa: Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela nãocumulatividade de Pis e Cofins. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da referida decisão em 13/10/2009 (fls. 219), a interessada, em 04/11/2009 (fls. 220), apresentou o recurso voluntário de fls. 220/230, onde se insurge contra o lançamento com fundamento nos mesmos argumentos já expostos na primeira instância recursal, os quais, em maiores detalhes, abordam as questões na sequência relatadas. Primeiramente, a recorrente afirma exercer atividade dedicada ao reflorestamento, ao manejo de florestas, ao beneficiamento de madeira, à indústria, ao comércio, à importação e à exportação de madeira, e que, em tal condição, faria jus à restituição de valores relativos ao crédito de PIS e COFINS nos termos das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03. Fl. 271DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 17/02/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA 4 Referido direito de crédito, ressalta, fora criado como forma de ressarcimento dos valores incidentes sobre as aquisições de insumos empregados no processo produtivo de bens exportados, visando, justamente, estimular as exportações. Assim, como forma de dar efetiva aplicação ao regime da nãocumulatividade a que passaram a estar sujeitos o PIS e a COFINS, as Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, ao lado de garantir créditos sobre as aquisições de insumos feitas junto a pessoas jurídicas, asseguraram às empresas que produzem mercadorias de origem animal e vegetal o direito ao crédito calculado sobre as aquisições de matérias primas ou serviços partícipes do processo produtivo. Esse crédito, inclusive, poderia vir a ser objeto de compensação ou de ressarcimento em dinheiro se, ao final de cada trimestre civil, a empresa não tivesse conseguido utilizar o crédito apurado na forma do artigo 3o de ambas as retrocitadas leis. Quanto à alegada apuração indevida de créditos sobre partes, peças, combustíveis e despesas diversas, alega que o indeferimento relativo ao combustível e lubrificantes não poderia prevalecer, pois estes teriam sido efetivamente utilizados no processo produtivo (em máquinas, ferramentas e veículos – detalhes às fls. 222/224), conforme informado à fiscalização. Aduz ainda que “o combustível utilizado na Camionete Chevrolet, no ônibus e demais veículos da contribuinte representa quantia mínima quando comparado ao total do combustível utilizado em seu processo produtivo”, o que não justificaria a glosa de todo o combustível e lubrificantes utilizados pela empresa, “[...] pois é sabido e demonstrado que quase sua totalidade foi utilizada no processo produtivo”. Concernente à alegada apuração indevida de créditos sobre partes, peças e despesas diversas, assevera que os itens relativos às partes e peças para manutenção de máquinas são considerados insumos para fins de apuração do crédito de PIS/COFINS, e que as instruções normativas citadas, nas quais se embasou a decisão recorrida, seriam manifestamente ilegais, posto comportarem restrições não previstas na lei. Defende que o caso presente, por versar sobre créditos de PIS e de COFINS, não poderia estar adstrito à acepção de insumo dada pela legislação do IPI. Assim, para efeitos de PIS e COFINS, deverseia dar ampla compreensão ao termo, “[...] pois o conceito de insumos se relaciona com a totalidade das receitas auferidas (faturamento) pela contribuinte, as quais, para serem obtidas, exigem que o contribuinte incorra em custos e despesas”. Colaciona respeitável doutrina e ressalta a impossibilidade de o aplicador da norma criar restrição ao gozo do direito ao crédito não prevista originariamente na lei. Assevera que [...] As partes e peças citadas pela fiscalização (rolamentos, retentores, arroelas, parafusos, porcas, correntes, correias, arame farpado, pregos), são itens obrigatórios e essenciais, para a consecução de sua atividade e não podem ser considerados como dissociados da atividade produtiva, pois são intrínsecos e associados a sua atividade. Tece comentários sobre a finalidade da instituição do regime da não cumulatividade das contribuições em evidência. A recorrente se manifesta também contra a glosa dos créditos decorrentes dos serviços prestados à mesma sob a justificativa de sua não utilização no processo produtivo. Nesse diapasão, argumenta haver, sim, feito a devida comprovação através da apresentação de notas fiscais de serviços que trazem na sua descrição: “Prestação de serviços, roçadas no plantio de pinus elliotis, extração de toras de pinus elliotis, serviços prestados em roçadas de campo, serviços no plantio de pinus elliotis”, atividades estas em sintonia com o objeto social da reclamante. Fl. 272DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 17/02/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA Processo nº 11020.001735/200471 Acórdão n.º 380200.341 S3TE02 Fl. 247 5 Quanto à alegação de que os contratos apresentados pela recorrente não guardam pertinência com a situação fática, alega que o fisco teria usado de “excessivo formalismo”, posto haver se prendido no fato de nos mesmos “estar equivocadamente referida a lei que trata de empregados temporários para negarlhes credibilidade”. Nesse sentido, ressalta haver esclarecido “[...] que nunca contratou empregados temporários e isso de fato nunca ocorreu. O que foi contratado pela empresa foram prestadores de serviços, conforme já comprovado através das notas fiscais, comprovantes de pagamento e demais documentos”. Ressalta ainda, textualmente: Por outro lado, a fiscalização alega que as notas fiscais emitidas por Paulo Roberto Correa da Silva e Manoel Antônio Pereira e Cia Ltda não seriam documentos hábeis porque nelas não consta a inscrição "nota fiscal" e nas notas fiscais de Manoel Antônio Pereira e Cia não consta o número de sua inscrição no CNPJ. Observase, no entanto, que inclusive os impostos foram destacados nas referidas notas fiscais, os quais foram retidos e recolhidos. Resta evidente que a ausência das inscrições nas notas fiscais ocorreram por erro da gráfica, pois podese observar que os formulários de ambos os prestadores de serviços foram impressos pela mesma gráfica. Por outro lado, é sabido que, ressalvados os casos de conluio ou fraude entre emitente e destinatário, que não é o caso, a proibição de utilização do crédito fere o disposto na lei que instituiu a nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Com efeito, em respeito à nãocumulatividade, cada aquisição de mercadoria sujeita à incidência do PIS e da COFINS gera, para seu adquirente, crédito correspondente ao seu valor. Não tem influência, para o pleno exercício do direito creditório, irregularidades praticadas pelo emissor do documento fiscal. Ainda com respeito ao problema em tela, propugna pela aplicação do princípio da boafé, aduzindo não dispor a recorrente de poder de polícia para verificar o correto cumprimento das obrigações por parte da emissora dos documentos fiscais em tela. Finalmente, em relação à não apresentação dos comprovantes de entrega de recebimento dos produtos, ressalta que a conferência de tais serviços teria sido realizada na floresta. Nesse sentido, afirma o seguinte: [...] As toras eram deixadas pelos prestadores de serviços em picadas abertas na floresta e após feita a conferência as quantidades eram informadas aos contratados para emissão da nota fiscal. Efetivamente a recorrente não arquivou os documentos relativos a este ato, entretanto, isso não o torna inexistente, pois comprovado através das notas fiscais, pagamentos feitos e lançamentos contábeis. Por isso, tal decisão merece ser reformada também neste aspecto, para determinar a extinção do débito compensado pela recorrente. Diante do exposto, requer seja reformada a decisão de primeira instância e homologadas integralmente as compensações vinculadas ao processo, reconhecendo sua integralidade e determinando a extinção do débito compensado pela recorrente. É o relatório. Fl. 273DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 17/02/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA 6 Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Preliminarmente Da Admissibilidade do recurso O recurso é tempestivo. Quanto à legitimidade da signatária da peça recursal para representar a interessada, vêse que referida peça vem assinada por Thaíse de Zorzi Nesello, na condição de representante da empresa Eliel Indústria e Comércio de Madeiras Ltda., da qual referida signatária, com efeito, figura como uma das diretoras, nos termos do Capítulo VII do Contrato Social Consolidado. Nessa condição, tem a signatária poderes para representar aludida pessoa jurídica, conforme Cláusula 9a do citado Contrato Social, segundo a qual “a sociedade será representada ativa e passivamente, judicial e extrajudicialmente, por seus diretores, isoladamente, com poderes amplos de gestão [...]”. Do teor da Ata de Reunião dos Sócios / Instrumento Particular de Alteração do Contrato Social / Segunda Alteração Contratual, formalizado em 1o de dezembro de 2005, constatase, em seu Item II, que a empresa Eliel Indústria e Comércio de Madeiras Ltda. incorporou o acervo da sociedade cindida J. N. Timber Exportação e Importação Ltda., sendo, assim, beneficiária dos direitos e responsável pelas obrigações transferidas, nos termos do artigo 233 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, questão, por sinal, evidenciada na alínea “F” do Item II acima reportado. Portanto, feitas as pertinentes considerações, entendo que o recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Mérito A questão envolve discussão concernente à existência ou não de direito creditório referente ao regime de incidência nãocumulativa da COFINS de competência do mês de março de 2004. É pertinente, portanto, que, antes do exame das questões fáticas objeto da lide sejam feitas breves considerações acerca do referido regime de incidência, nas quais abordaremos, em conjunto, questões atinentes aos regimes da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, dada a similitude existente entre os mesmos. O regime de incidência nãocumulativa das contribuições para o PIS/Pasep e para a COFINS foi instituído, respectivamente, pelas leis nº 10.637, de 30/12/2002 (conversão da Medida Provisória no 66, de 2002), e 10.833, de 29/12/2003 (conversão da medida Provisória no 135, de 2003), tendo passado a produzir efeitos, em relação à nãocumulatividade dessas contribuições – na mesma ordem – a partir de 1o de dezembro de 2002 e de 1o de fevereiro de 2004. Ressalvadas as exceções legais, estão sujeitas à incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda que apuram o IRPJ com base no lucro real. Fl. 274DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 17/02/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA Processo nº 11020.001735/200471 Acórdão n.º 380200.341 S3TE02 Fl. 248 7 No regime de incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS as alíquotas das contribuições em evidência são de, respectivamente, 1,65% (artigo 2o da Lei no 10.637/2002) e 7,6% (artigo 2o da Lei no 10.833/2003). No entanto, as leis instituidoras do regime da nãocumulatividade prevêem hipóteses legais que ensejam a aplicação de alíquotas específicas, nos termos dos parágrafos objeto dos correspondentes artigos 2o de cada uma das leis em comento. A legislação pertinente ao regime autoriza, ainda, o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, nos termos dos artigos 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. O cálculo do crédito é realizado mediante a aplicação das mesmas alíquotas específicas para o PIS/Pasep e para a COFINS sobre referidos custos, despesas e encargos (vide artigo 3o, § 1o, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003). Referidas leis, em seus correspondentes artigo 3o, § 2o, fazem ressalvas ao direito de creditamento em tela. Assim, não dará direito a crédito o valor da mãodeobra paga a pessoa física (hipótese prevista originariamente nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), bem como (e agora incluídas pela Lei 10.865/2004) as quantias despendidas na aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, e aqui (isenção), quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição. Os créditos apurados deverão ser utilizados, prioritariamente, para a dedução do valor devido das correspondentes contribuições a recolher. No caso de créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados a receitas de exportação, poderão tais créditos ser utilizados para a compensação com outros débitos da própria empresa, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. As leis instituidoras da nãocumulatividade admitem, ainda, o ressarcimento em dinheiro, caso não seja possível a utilização dos créditos para a dedução das contribuições a recolher até o final de cada trimestre do ano civil. A questão posta em exame diz respeito, justamente, à existência ou não de direito ao creditamento da COFINS nãocumulativa em vista da aquisição de matériasprimas e de serviços utilizados no processo produtivo destinado à exportação. Com efeito, o inciso II do artigo 3o da Lei no 10.833/2003 (bem como do correspondente preceito da Lei no 10.637 de 2002), prevê o cálculo de créditos a serem descontados ou ressarcidos em relação a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes (a Lei nº 10.865, de 2004, excetuou o pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI). E eis, aqui, uma das questões mais controvertidas em relação à não cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS: definir o que são insumos para fins de creditamento das citadas contribuições. Ressaltese que as normais legais stricto sensu que prevêem a não cumulatividade (Leis 10.637/2002 e 10.833/2003) são omissas quanto ao alcance do termo “insumo” para fins de cálculo do crédito atinente a referidas contribuições. Tal amplitude terminológica encontrase disposta apenas em norma de natureza infralegal, qual seja, no § 5º, Fl. 275DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 17/02/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA 8 do artigo 66, da IN SRF no 247, de 21/11/2002 (dispositivo incluído pela IN SRF no 358, de 09/09/2003) – nãocumulatividade do PIS/Pasep –, bem como nos incisos I e II do § 4º, do artigo 8o, da IN SRF no 404, de 12/03/2004 – nãocumulatividade da COFINS –, segundo os quais, para fins de aquisição de bens e serviços utilizados como insumos, deverão ser assim concebidos (como insumos), aqueles: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Para a doutrina, há os que defendem a ampla consideração como insumo de todas as despesas da empresa, como Natanael Martins1. Segundo ele, pelo fato das contribuições em comento alcançarem a receita total das empresas, a única forma de assegurar sua integral nãocumulatividade seria se “os créditos apropriáveis alcançarem todas as despesas necessárias à consecução das atividades da empresa”. Marco Aurélio Greco2 discorda de tal posicionamento. Para este, os insumos para fins de PIS/Pasep e Cofins não se equiparam àqueles indicados pela legislação do Imposto de Renda, uma vez que há distinção material entre receita e renda. Patrícia Madeira, ao estudar a questão da nãocumulatividade, e explicando a lição de Greco, assevera que os pressupostos de fato para o IRPJ e a CSLL são o resultado positivo (renda/lucro), e, nesse caso, deverão ser considerados todos os custos que interferirem na sua apuração. No entanto, “nem todos os custos da atividade empresarial interferem na formação da receita, que é materialidade do PIS e da Cofins”. A ideia de insumo proclamada pela legislação do IPI também não seria aplicável para o PIS/Pasep e para a COFINS3, dado ser o IPI [...] tributo cuja nãocumulatividade se opera pelo método subtrativo, variante imposto contra imposto (que, portanto, requer tenha havido incidência na operação anterior para que o insumo seja creditável) e cuja materialidade (industrialização) remete à ideia de algo fisicamente apreensível. Como a receita decorre de uma prestação de serviços ou da produção de bens, Marco Aurélio Greco conclui que só deve ser insumo 1 MARTINS, Natanael. O conceito de insumos na sistemática nãocumulativa do PIS e da Cofins. In: PEIXOTO. Marcelo Magalhães, FISCHER, Octávio Campos (coord.). PISCofins: questões atuais e polêmicas. São Paulo: Quartier Latin, 2005. p. 204. apud MADEIRA, Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves. Nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Dissertação de Mestrado. 2009. p. 127. 2 GRECO, Marco Aurélio. Não cumulatividade no PIS e na COFINS. In: PAULSEN, Leandro (Coord.) et al. Não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins. São Paulo: IOB Thompson. Porto Alegre: Instituto de Estudos Tributários, 2004. p. 112122. apud MADEIRA, Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves. Nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Dissertação de Mestrado. 2009. p. 127. 3 O trecho acima, que sintetiza a lição de Marco Aurélio Greco (op. cit., p. 117118), foi extraído da Dissertação de Mestrado de Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves Madeira, p. 127128 – referência já citada. Fl. 276DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 17/02/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA Processo nº 11020.001735/200471 Acórdão n.º 380200.341 S3TE02 Fl. 249 9 o que for inerente àquilo que denomina de “processo formativo da receita”. Em suas palavras: relevante é determinar quais os dispêndios ligados à prestação de serviços e à fabricação/produção que digam respeito aos respectivos fatores de produção (= deles sejam insumos). Se entre o dispêndio e os fatores capital e trabalho houver uma relação de inerência, haverá – em princípio – direito à dedução. Há ainda outros pensamentos doutrinários diversos que revelam grandes disparidades concernentes aos critérios sobre o que pode ou não ser considerado como insumo para fins de creditamento do PIS/Pasep e da COFINS no regime da nãocumulatividade. A compreensão que extraímos do estudo do tema no âmbito do presente foro de discussão destinado a buscar um posicionamento justo para a lide é no sentido de que, tal heterogeneidade de posicionamentos existe, justamente, em vista da sistemática sui generis pela qual optou o legislador ao criar o regime em tela. E, nesse ponto, se a lei admite o direito de crédito decorrente de despesas incorridas pela pessoa jurídica, tais como pelo aluguel de prédios, de máquinas e de equipamentos utilizados nas atividades da empresa, bem como da energia consumida em seus estabelecimentos, dentre várias outras hipóteses, também permite que referido direito creditório decorra da aquisição de bens e de serviços utilizados como insumo, ressalvadas as exceções legais. Na verdade, dadas as limitações impostas ao creditamento pelo texto normativo, constatase que o legislador optou por um regime de nãocumulatividade parcial, muito embora parte da doutrina tente dar ao regime um sentido mais amplo e próximo dos aspectos econômicos da produção, o que, entendemos, não encontra alicerce na legislação pertinente. Especialmente sobre o alcance do termo “insumo” vejamos, primeiramente, o teor do inciso II do artigo 3o de ambas as leis 10.637/2002 e 10.833/2003 que, sobre a correspondente contribuição determinada na forma do artigo 2o de cada lei, permite o desconto de créditos calculados em relação a: II bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; (redação original da Lei 10.637/2002) II – bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; (Lei 10.637/2002 redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação original da lei nº 10.833/2003. Na Lei nº 10.637/2002 essa redação é decorrente da Lei nº 10.865, de 2004) Da leitura das redações do dispositivo que trata do creditamento em decorrência da aquisição de insumos – a atual e as historicamente concebidas para referido Fl. 277DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 17/02/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA 10 preceito – constatase que o termo “insumo”, na forma como é e sempre foi empregado, nunca se apresentou no texto normativo de forma isolada, mas continuamente associado ao seu papel de fator de produção ou na prestação de serviços, ou na fabricação de produtos destinados à venda, ou seja, ao processo de industrialização, atividade que tem no IPI imposto especialmente instituído para sua tributação. Assim, não há nenhum disparate em conceber ao termo “insumo” o mesmo sentido tradicionalmente proclamado pela legislação do IPI e retratado na IN SRF no 247/2002, que, longe de algumas críticas doutrinárias, andou bem quando assim o fez em seu texto, posto que retratou propósito o qual, penso eu, está em sintonia com o desiderato do legislador ordinário. Aliás, atribuir ao termo “insumo” a acepção dada pela legislação do IPI está em conformidade com o artigo 11 da Lei Complementar no 95, de 1998, que, dentre outras determinações e diretrizes para a elaboração dos textos legais, orienta a elaboração de disposições normativas com clareza, por meio do uso de palavras e expressões em seu sentido comum, “salvo quando a norma versar sobre assunto técnico, hipótese em que se empregará a nomenclatura própria da área em que se esteja legislando”. As leis que tratam da não cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, como já ressaltado, não abordaram nomenclatura própria de “insumo” para os propósitos para os quais foram editadas. Utilizaram, pois, em relação ao processo industrial destinado à produção para venda, o sentido terminológico corrente para a legislação do IPI, já que referido termo vem posto de forma consorciada à atividade fabril, cujos produtos são tributados pelo referido imposto, como também asseverado linhas acima. Concernente ao uso terminológico do termo “insumo” na atividade de prestação de serviços, as IN SRF nos 247/2002 e 404, de 2004, consideram como insumos “os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço” (artigo 66, § 5º, II, “b” da IN 247/2002, e artigo 8o, § 4º, II, “b” da IN 404/2004). Tal prescrição está em sintonia com o inciso I, § 3o, artigo 3o, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003). Referidas instruções normativas também concebem como insumos utilizados na prestação de serviços “os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado” (artigo 66, § 5º, II, “a”, da IN 247/2002, e artigo 8o, § 4º, II, “a” da IN 404/2004) (grifo nosso). Somente aqui me parece que referidas IN extrapolaram os ditames prescritos pelas leis 10.637/2002 e 10.833/2003, uma vez que excepcionaram de forma absoluta o creditamento das contribuições em evidência decorrente da aquisição de bens do ativo imobilizado utilizados na prestação de serviços. Com efeito, de acordo com o inciso VI do artigo 3o das retrocitadas leis 10.637/2002 e 10.833/2003, faz jus ao creditamento do PIS/Pasep e da COFINS a aquisição de “máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços” (redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005). Tal questão, no entanto, que examinei apenas superficialmente, não tem influência sobre a presente lide. Em resumo, para fins do regime de nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, penso que não se pode admitir a acepção de insumo no seu amplo sentido econômico, como defendido pela recorrente e por parte da doutrina, até porque a norma em tela diz respeito a regime de tributação, e a palavra “insumo” – além de seu emprego na atividade de prestação de serviços – vem associada ao processo fabril da empresa, atividade que, como já ressaltado, é especificamente tributada pelo IPI. Em sintonia com a tese aqui defendida o seguinte julgado: Fl. 278DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 17/02/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA Processo nº 11020.001735/200471 Acórdão n.º 380200.341 S3TE02 Fl. 250 11 MANDADO DE SEGURANÇA DIREITO TRIBUTÁRIO CONTRIBUIÇÕES COFINS E PIS PELO REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE LEIS Nº 10.637/02, 10.833/03 DEFINIÇÃO DA NÃOCUMULATIVIDADE DEPENDE DE NORMA INFRACONSTITUCIONAL DEFINIÇÃO DE INSUMOS ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO E AMORTIZAÇÃO VEDAÇÃO DE CREDITAMENTO NAS AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS OU DESONERADAS ARTIGO 31 DA 10.865/04. I O princípio da nãocumulatividade estabelecido para as contribuições sociais pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003, diverge daquela previsão constitucional originária (IPI e ICMS), dependendo de definição de seu conteúdo pela lei infraconstitucional, não se extraindo do texto constitucional a pretendida regra de obrigatoriedade de dedução de créditos relativos a todo e qualquer bem ou serviço adquirido e utilizado nas atividades da empresa, por isso mesmo também não se podendo acolher tese de ofensa ao artigo 110 do Código Tributário Nacional; II Estando as regras da nãocumulatividade das contribuições sociais afetas à definição infraconstitucional, concluise que: 1º) o conceito de "insumo" para definição dos bens e serviços que dão direito a creditamento na apuração do PIS e COFINS deve ser extraído do inciso II do artigo 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, sem vício das regras insertas nas Instruções Normativas SRF nº 247/02 (artigo 66, § 5º, I e II, inserido pela IN nº 358/03) e nº 404/04 (artigo 8º, § 4º, I e II), não havendo direito de creditamento sem qualquer limitação para abranger qualquer outro bem ou serviço que não seja diretamente utilizado na fabricação dos produtos destinados à venda ou na prestação dos serviços; 2º) nada impede que uma das verbas previstas em lei venha a ser excluída pelo legislador, desde que observado o princípio da anterioridade nonagesimal, como estabelecido no artigo 31 da Lei nº 10.865/04, ao vedar o desconto de créditos apurados na forma do inciso III do § 1º do art. 3º das Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, relativos à depreciação ou amortização de bens e direitos imobilizados adquiridos até 30.04.2004; 3º) legítima a regra do inciso III do § 1º do artigo 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, que determina que o momento do creditamento das verbas a que se refere (incisos VI e VII do mesmo artigo) deve ser quando ocorre o lançamento dos respectivos encargos de depreciação e amortização; 4º) legítima a regra do § 2º (incisos I e II) do artigo 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, que impede o creditamento na entrada de bens e serviços adquiridos de pessoas físicas ou agraciados com desoneração das contribuições na etapa anterior da cadeia produtiva. III Apelação da impetrante desprovida. (Tribunal Regional Federal da 3a Região. Terceira Turma. Apelação em Mandado de Segurança no 303.823. Processo no 2005.61.000285868. Relator: Juiz Souza Ribeiro. Data da decisão: 26/03/2009. Data da publicação: 07/04/2009) Feitas as considerações teóricas necessárias para a análise da contenda, passemos diretamente para o seu exame. Conforme relatado, a recorrente informa exercer atividade dedicada ao reflorestamento, ao manejo de florestas, ao beneficiamento de madeira, à indústria, ao comércio, à importação e à exportação de madeira, e que, em tal condição, faria jus à restituição de valores relativos ao crédito de PIS e COFINS nos termos das Leis nos 10.637/02 Fl. 279DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 17/02/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA 12 e 10.833/03, em vista de aquisições de matériasprimas ou de serviços utilizados no processo produtivo. Em seu recurso, não obstante a reclamante também haver se reportado a direito creditório concernente ao PIS/Pasep nãocumulativo – argumento que, entendemos, deve dizer respeito a outros processos da interessada atinentes à nãocumulatividade das contribuições sociais –, importa ressaltar que a presente lide se restringe apenas a reclamado direito creditório em relação à COFINS nãocumulativa de competência do mês de março de 2004. Feita essa ressalva, passemos ao exame dos argumentos apresentados pela reclamante frente os elementos e constatações presentes nos autos. Relativamente à utilização de combustíveis e lubrificantes como insumos. Sobre o entendimento oficial concernente à apuração indevida de créditos sobre combustíveis e lubrificantes, alega a interessada que estes teriam sido efetivamente utilizados no processo produtivo – em máquinas, ferramentas e veículos, e que “o combustível utilizado na Camionete Chevrolet, no ônibus e demais veículos da contribuinte representa quantia mínima quando comparado ao total do combustível utilizado em seu processo produtivo”, o que não justificaria a glosa de todo o combustível e lubrificantes utilizados pela empresa, “[...] pois é sabido e demonstrado que quase sua totalidade foi utilizada no processo produtivo”. De acordo com o Relatório de Verificação Fiscal de fls. 135/138, especialmente às fls. 140v, a empresa fora intimada “[...] a informar a segregação do uso dos combustíveis em seu processo produtivo (fls. 1920) [...]”, tendo asseverado, em resposta à indagação da fiscalização, que utilizou tais produtos (óleo diesel e gasolina) para o transporte de ferramentas no mato, compra de insumos, transporte de funcionários e deslocamento de diretores ou funcionários em serviço. Diante disso, entendeu a fiscalização no seguinte sentido: Resta claro que a utilização de combustíveis em veículos utilizados para fins diversos ao processo produtivo da empresa (deslocamentos para compra de insumo, transporte de funcionários ou deslocamento de diretores e funcionários) não pode ser considerada na base de cálculo de créditos das contribuições sociais, pois tais dispêndios não estão diretamente atrelados ao processo produtivo da empresa, tão pouco podem ser considerados insumos, não atendendo, portanto, os requisitos do inciso II do art 3° das Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003 [...]. E procedeu corretamente o fisco, já que o creditamento decorrente da não cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS relativamente à aquisição de bens e serviços exige que estes tenham sido utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, nos termos do inciso II do artigo 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, ressalvadas algumas hipóteses explicitadas nos correspondentes preceitos legais. Não se pode admitir, pois, que os combustíveis utilizados na compra de insumos, no transporte de funcionários ou no deslocamento de diretores ou de funcionários em serviço possa ser considerado como insumo aplicado diretamente na atividade produtiva desenvolvida pela reclamante, a qual, inclusive, admite tal juízo quando alega que “o combustível utilizado na Camionete Chevrolet, no ônibus e demais veículos da contribuinte representa quantia mínima quando comparado ao total do combustível utilizado em seu Fl. 280DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 17/02/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA Processo nº 11020.001735/200471 Acórdão n.º 380200.341 S3TE02 Fl. 251 13 processo produtivo”, o que não justificaria a glosa de todo o combustível e lubrificantes utilizados pela empresa, “[...] pois é sabido e demonstrado que quase sua totalidade foi utilizada no processo produtivo” (grifei). Mas quanto do combustível e dos lubrificantes teria sido utilizado como insumo do processo produtivo? A glosa do creditamento decorrente da aquisição dos insumos combustíveis e lubrificantes decorreu, exatamente, da impossibilidade de segregação do uso dos mesmos no período em questão, conforme atesta a fiscalização no Relatório de Verificação Fiscal – fls. 140v. E procedeu o fisco de forma correta, dada a constatação de que houve, sim, utilização desses produtos – ao menos em parte – em atividades não diretamente envolvidas no processo produtivo a ponto de serem consideradas como insumos das atividades características do objeto social da empresa, que, para fazer uso do creditamento decorrente da nãocumulatividade das contribuições sociais, necessitaria, obrigatoriamente, demonstrar contabilmente as despesas com os bens utilizados efetivamente como insumos de sua atividade produtora. Assim, não há como acolher os argumentos da recorrente no que diz respeito ao alegado direito de creditamento relativamente às aquisições de combustíveis e lubrificantes. Sobre o direito creditório decorrente da aquisição de partes, peças e despesas diversas. Concernente à matéria, a fiscalização, no Relatório de Verificação Fiscal – fls. 140v/142 –, assevera que o crédito apurado pelo contribuinte referente às aquisições de partes e peças para manutenção de máquinas, ferramentas e veículos só poderia ser admitido se tais partes e peças tivessem sido objeto de desgaste por ação direta sobre o produto em fabricação, adotando, pois, o conceito de insumo pavimentado na legislação do IPI e retratado nas já comentadas IN SRF no 247, de 21/11/2002 (incisos I e II do § 5º do artigo 66 – dispositivo incluído pela IN SRF no 358, de 09/09/2003) e IN SRF no 404, de 12/03/2004 (incisos I e II do § 4º do artigo 8o). Sobre a acepção do termo insumo para fins do regime da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, tal questão já foi suficientemente tratada linhas acima, onde se demonstrou a legalidade do alcance do termo segundo os moldes adotados pelas instruções normativas editadas pela Receita Federal, não havendo mais nada de relevante a acrescentar sobre a questão. Mas ainda concernente ao tema, a fiscalização ressaltou também que, mesmo em relação a alguns produtos passíveis de serem considerados como insumos, tais poderiam ter tido outras destinações, “[...] uma vez que o contribuinte utiliza veículos para fins diversos à produção e, em diversos meses, contrata serviços de construção civil ([...] e março/agosto dezembro/2004)”. Aqui constatase que a glosa decorreu da mesma razão pela qual não foram admitidos os gastos com combustíveis, ou seja, carência de comprovação da aplicação dos insumos na atividade produtiva da empresa. Correto, portanto, o entendimento adotado pelo fisco. Finalmente, em relação ao reclamado direito creditório decorrente do pagamento de serviços necessários à atividade da suplicante, convém sejam feitas as seguintes considerações. Como já ressaltado, relativamente ao uso terminológico do termo “insumo” na atividade de prestação de serviços, as IN SRF 247/2002 e 404/2004 consideram como insumos “os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço” (artigo 66, § 5º, II, “b” da IN 247/2002, e artigo 8o, § 4º, Fl. 281DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 17/02/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA 14 II, “b” da IN 404/2004), preceitos que, com efeito, guardam sintonia com o inciso II e o § 3o do artigo 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Do exame dos fatos, vêse que a glosa dos créditos decorrentes dos serviços prestados à empresa se deu sob a justificativa da não comprovação de utilização desses serviços em seu processo produtivo ou pelo não atendimento dos requisitos legais necessários para tanto. A recorrente, por seu turno, se contrapõe ao entendimento da fiscalização ressaltando haver realizado, efetivamente, a devida comprovação através da apresentação de notas fiscais de serviços que trazem na sua descrição: “Prestação de serviços, roçadas no plantio de pinus elliotis, extração de toras de pinus elliotis, serviços prestado em roçadas de campo, serviços no plantio de pinus elliotis”. De fato, o objeto social da reclamante envolve atividades relacionadas a serraria, beneficiamento de madeiras, reflorestamento e agropecuária, dentre outras. Dada a natureza dessas atividades, penso que os serviços discriminados acima guardam sintonia com o objeto social da reclamante. E, diante dos fatos, vejo que há razões legais que possibilitam admitir a inclusão de gastos com serviços reclamados para fins do creditamento pleiteado, mas somente em relação a parte deles. Dentre as razões elencadas para a glosa dos documentos correspondentes às despesas com prestação de serviços tenho como especialmente relevante o fato de as descrições contidas nos citados documentos não terem sido suficientes para permitir a identificação dos serviços e sua associação com a atividade empresarial da reclamante, bem como o fato de, em alguns casos, aludidos documentos se referirem a serviços que não poderiam ser considerados como insumo da atividade produtora. Com efeito, em certos casos ficou caracterizada a impossibilidade de segregação dos custos associados diretamente à atividade produtiva (extração de madeiras e toras) dos demais serviços incorridos na área arrendada pela interessada (manutenção da floresta e reflorestamento), o que impossibilita sejam admitidas tais despesas para fins de creditamento decorrente da nãocumulatividade das contribuições sociais, a qual requer seja demonstrada a incidência de gastos com bens e serviços utilizados efetivamente como insumos na atividade produtiva da beneficiária. Acrescentese como exemplo dos problemas acima apontados a apresentação de documento referente, simplesmente, a “serviços prestados em roçadas de campo”, “serviços prestados” e “serviços de carpintaria construção cito maravalha” (ver tabela de fls. 142). No entanto, entendo que são passíveis de creditamento os custos com serviços de extração de toras de pinus elliot, mesmo ciente de que, nos documentos correspondentes a tais despesas, não foram contemplados os quantitativos de madeira extraída e os valores unitários do serviço. Mas, considerando que nas razões para a glosa das despesas com o serviço em questão não foi feita nenhuma alusão a eventual não comprovação dessas despesas, e que referido serviço guarda relação com a atividade produtiva da recorrente, não vejo motivos para sua recusa para fins do creditamento decorrente da nãocumulatividade das contribuições sociais. Contudo, ainda em relação aos referidos serviços de extração de toras de pinus elliot, importa ressaltar que não deverão ser aceitas as despesas correspondentes aos documentos não caracterizados como “nota fiscal” (ou seja, que não apresentam a inscrição “nota fiscal”). Sobre essa questão, não vejo como acolher o argumento da recorrente de que a omissão do termo “nota fiscal” teria sido decorrente de mero erro de grafia. Os documentos nessa condição, a meu ver, não satisfazem os requisitos de admissibilidade mínimos para comprovar a transação neles consignada a ponto de dar ensejo ao reconhecimento do direito creditório pleiteado. Fl. 282DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 17/02/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA Processo nº 11020.001735/200471 Acórdão n.º 380200.341 S3TE02 Fl. 252 15 Por todo o exposto, deverá ser reconhecido o direito creditório nos termos abaixo calculados: Nota fiscal Valor 131 4.080,97 132 8.762,78 TOTAL 12.843,75 Alíquota 7,60% Valor do crédito 976,13 * A tabela com a discriminação completa das notas fiscais correspondentes aos serviços glosados encontrase disposta às fls. 142 dos autos. Releva ressaltar, finalmente, que os serviços correspondentes às notas fiscais acima discriminadas não se incluem dentre as exceções objeto do artigo 3o, § 2o, das leis 10.637/2002 e 10.833/2003 (hipóteses que não dão direito ao crédito)4, uma vez que dizem respeito à prestação de serviços, por pessoas jurídicas, sujeitos às contribuições sociais PIS/Pasep e COFINS. Da conclusão Diante de todo o exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, reconhecendo o direito creditório no montante de R$ 976,13 (novecentos e setenta e seis reais e treze centavos), a título de COFINS, conforme demonstrativo de cálculo objeto da tabela consignada nas razões do presente voto. Sala de Sessões, em 02 de fevereiro de 2011. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator 4 § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 283DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 17/02/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA
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Numero do processo: 10530.727075/2014-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. ART. 135, DO CTN.
O artigo 135 só encontra aplicação quando o ato de infração à lei societária, contrato social ou estatuto cometido pelo administrador for realizado à revelia da sociedade. Caso não o seja, a responsabilidade tributária será da pessoa jurídica. Isto porque, se o ato do administrador não contrariar as normas societárias, contrato social ou estatuto, quem está praticando o ato será a sociedade, e não o sócio, seja de direito ou de fato, devendo a pessoa jurídica responder pelo pagamento do tributo.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
CUSTOS E DESPESAS. COMPROVAÇÃO.
Os custos e despesas operacionais são dedutíveis na apuração do resultado da pessoa jurídica apenas se devidamente comprovada com documentação hábil e idônea a realização das operações que lhes deu origem.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2010
FRAUDE. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
A dedução de custos e despesas inexistentes amparada em documentos inidôneos caracteriza o dolo e justifica a imputação da multa qualificada.
INSUFICIÊNCIA NO RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA.
A partir das alterações no art. 44, da Lei nº 9.430/96, trazidas pela MP nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, em função de expressa previsão legal deve ser aplicada a multa isolada sobre os pagamentos que deixaram de ser realizados concernentes ao imposto de renda a título de estimativa, seja qual for o resultado apurado no ajuste final do período de apuração e independentemente da imputação da multa de ofício exigida em conjunto com o tributo.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2010
CSLL.PIS.COFINS. LANÇAMENTOS REFLEXOS.
Aplica-se aos lançamentos tidos como reflexo, o mesmo resultado do julgamento na autuação principal.
Numero da decisão: 1402-002.783
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir os coobrigados da relação jurídico-tributária.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Ausente o Conselheiro Marco Rogério Borges.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010 TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. ART. 135, DO CTN. O artigo 135 só encontra aplicação quando o ato de infração à lei societária, contrato social ou estatuto cometido pelo administrador for realizado à revelia da sociedade. Caso não o seja, a responsabilidade tributária será da pessoa jurídica. Isto porque, se o ato do administrador não contrariar as normas societárias, contrato social ou estatuto, quem está praticando o ato será a sociedade, e não o sócio, seja de direito ou de fato, devendo a pessoa jurídica responder pelo pagamento do tributo. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 CUSTOS E DESPESAS. COMPROVAÇÃO. Os custos e despesas operacionais são dedutíveis na apuração do resultado da pessoa jurídica apenas se devidamente comprovada com documentação hábil e idônea a realização das operações que lhes deu origem. Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2010 FRAUDE. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A dedução de custos e despesas inexistentes amparada em documentos inidôneos caracteriza o dolo e justifica a imputação da multa qualificada. INSUFICIÊNCIA NO RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. A partir das alterações no art. 44, da Lei nº 9.430/96, trazidas pela MP nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, em função de expressa previsão legal deve ser aplicada a multa isolada sobre os pagamentos que deixaram de ser realizados concernentes ao imposto de renda a título de estimativa, seja qual for o resultado apurado no ajuste final do período de apuração e independentemente da imputação da multa de ofício exigida em conjunto com o tributo. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2010 CSLL.PIS.COFINS. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Aplica-se aos lançamentos tidos como reflexo, o mesmo resultado do julgamento na autuação principal.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. ART. 135, DO CTN. O artigo 135 só encontra aplicação quando o ato de infração à lei societária, contrato social ou estatuto cometido pelo administrador for realizado à revelia da sociedade. Caso não o seja, a responsabilidade tributária será da pessoa jurídica. Isto porque, se o ato do administrador não contrariar as normas societárias, contrato social ou estatuto, quem está praticando o ato será a sociedade, e não o sócio, seja de direito ou de fato, devendo a pessoa jurídica responder pelo pagamento do tributo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 CUSTOS E DESPESAS. COMPROVAÇÃO. Os custos e despesas operacionais são dedutíveis na apuração do resultado da pessoa jurídica apenas se devidamente comprovada com documentação hábil e idônea a realização das operações que lhes deu origem. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2010 FRAUDE. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A dedução de custos e despesas inexistentes amparada em documentos inidôneos caracteriza o dolo e justifica a imputação da multa qualificada. INSUFICIÊNCIA NO RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. A partir das alterações no art. 44, da Lei nº 9.430/96, trazidas pela MP nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, em função de expressa previsão legal deve ser aplicada a multa isolada sobre os pagamentos que deixaram de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 70 75 /2 01 4- 19 Fl. 2401DF CARF MF 2 ser realizados concernentes ao imposto de renda a título de estimativa, seja qual for o resultado apurado no ajuste final do período de apuração e independentemente da imputação da multa de ofício exigida em conjunto com o tributo. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2010 CSLL.PIS.COFINS. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Aplicase aos lançamentos tidos como reflexo, o mesmo resultado do julgamento na autuação principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir os coobrigados da relação jurídicotributária. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Ausente o Conselheiro Marco Rogério Borges. Fl. 2402DF CARF MF Processo nº 10530.727075/201419 Acórdão n.º 1402002.783 S1C4T2 Fl. 2.402 3 Relatório Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Relator Trata o presente de autos de infração para cobrança do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, no montante de R$ 13.853.746,27; aí incluídos multa isolada incidente sobre IRPJ e CSLL devidos a título de estimativas, juros de mora e multa de ofício imputada nos percentuais de 75% e 150%, de acordo com a infração. De acordo com o Termo de Verificação, temse: 1) Comprovação inidônea de compras de bens para revenda: Constatouse a comprovação inidônea de compras de produtos para revenda junto às fornecedoras BARUS MINERAÇÃO LTDA ME ( atualmente CONECT INCORPORADORA) e CIMENTAR INDÚSTRIA DE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA. ME; pelo fato dessas empresas terem apresentado DIPJs como inativas desde o anocalendário de 2009, além do objeto social ser absolutamente estranho à atividade de venda de produtos petroquímicos. como seria o caso. A contribuinte foi intimada a apresentar as cópias de todas as notas fiscais e os comprovantes dos pagamentos das compras feitas junto às empresas acima relacionadas. Em atendimento a intimação foram apresentadas as cópias das notas fiscais, porém, quantos aos pagamentos foram apresentados o seguinte: (i) cópia de páginas do livro razão analítico referente à conta contábil "1.1.03.01.002 ADIANTAMENTO BARUS" onde teriam sido registrados uma grande quantidade de pagamentos à Barus e à CIMENTAR; (ii) declaração da CIMENTAR dando a quitação das notas fiscais listadas e que teria sido feita por meio dos adiantamentos realizados para a empresa Barus e (iii) – documentos eferentes aos adiantamentos mencionados (pagamentos). Todavia, em relação à comprovação de pagamentos requerida, foi verificado que nenhum dos comprovantes de pagamento enviados se referiam à BARUS, ou mesmo à CIMENTAR. Não há qualquer menção nesses comprovantes a essas empresas. Nesse sentido, apresentou comprovantes de pagamentos às empresas: (i) GEO – INDUSTRIA COMERCIO E SERVIÇOS EIRELI EPP, CNPJ 03.427.588/000152; (ii) BARIO INDUSTRIA COMERCIO E SERVIÇOS LTDA ME, CNPJ 03.288.850/000125 e (iii) R7 LOGÍSTICA LTDA ME (atualmente TRUQUE INDUSTRIA E SERVIÇOS LTDA), CNPJ 11.416.994/000148. No entendimento do Fisco, a apresentação pela empresa de cópia das notas fiscais requeridas, mas acompanhadas de comprovantes de pagamentos a outras empresas não emitentes das notas fiscais, representou comprovação inidônea de despesa, implicando na glosa dessas notas, com revisão da base de cálculo dos créditos de PIS/COFINS e na apuração do IRPJ e a CSLL. 2) Comprovação inidônea de despesas com aluguel de máquinas: Fl. 2403DF CARF MF 4 A contribuinte foi intimada a apresentar cópia das notas fiscais das despesas de aluguel de máquinas e equipamentos informadas nas planilhas enviadas, bem como dos respectivos comprovantes de pagamento e dos contratos de aluguel firmados. Em relação às notas fiscais 765 e 954 emitidas pelo CNPJ 05.741.713/0001 20, nos valores de R$ 1.252.800,85 e R$ 1.214.138,52, respectivamente, não foi apresentado contrato, comprovante de pagamento ou qualquer outro esclarecimento. Foi verificado que a empresa emissora das notas sem comprovação de pagamento não apresenta DIPJs desde o exercício 2009 (ano calendário 2008). Salientese que os valores dessas notas são imensamente maiores que os das demais notas de aluguel de máquinas e equipamentos (a maior delas no valor de R$81.815,00 e as demais não passam de R$ 6.600,00). De acordo com o Fisco, a apresentação pela empresa de cópia das notas fiscais requeridas, mas desacompanhadas de comprovantes de pagamentos e dos contratos de aluguel firmados, representou comprovação inidônea de despesa, implicando na glosa dessas notas, com revisão da base de cálculo dos créditos de PIS/COFINS e na apuração do IRPJ e a CSLL. 3) Glosa de notas fiscais canceladas pelo fornecedor: As notas fiscais 2920 e 4125 no valor de R$ 14.742,81 e R$ 14.742,81 respectivamente, emitidas pelo fornecedor BENTONIT, foram informadas pela contribuinte, mas constam como canceladas nos arquivos de notas fiscais eletrônicas do fornecedor. Intimada, a empresa apresentou, em 29/10/14, cópia das notas fiscais referidas onde consta anotado à mão o cancelamento dessas notas. Também não houve qualquer questionamento por parte da empresa em relação a esses cancelamentos. 4) Créditos não comprovados de PIS/Cofins: As irregularidades supra mencionadas implicaram na desconsideração de parte dos créditos utilizados na apuração do PIS e Cofins não cumulativos e, por consequência, recálculo dessas contribuições. 5) Multa e sujeição passiva: Para a exigência das irregularidades indicadas nos itens 1 e 2 foi imputada a multa de 150%. Foi exigida multa isolada e lavrado Termo de Sujeição Passiva contra as pessoas físicas EUDALIO REGUEIRA MOREIRA FILHO, CPF 023.945.37515; (ii) SERGIO RICARDO CUNHA MOREIRA, CPF 597.698.23520 e (iii) MARIO ALFREDO ECHEVARRIA, CPF 124.475.52572. Em impugnação, a interessada suscita a nulidade do procedimento em relação à glosa de despesas com aluguel de máquinas por ter sido adotado arbitramento sem previsão legal. Quanto à aquisição de produtos para a revenda, tece longo arrazoado para defender que não pode ser punida por irregularidades cadastrais dos fornecedores. Para comprovar que a operação de aquisição de baritina efetivamente ocorreu apresenta os seguintes documentos: cópias das notas fiscais de compra; das de venda; cópia dos Livros de Registro de Saídas e de Entradas. Sustenta que não poderia vender o que não tem e, portanto, as vendas realizadas comprovariam a aquisição anterior do produto. Esclarece que os pagamentos a Fl. 2404DF CARF MF Processo nº 10530.727075/201419 Acórdão n.º 1402002.783 S1C4T2 Fl. 2.403 5 terceiros teriam sido feitos por indicação dos próprios fornecedores que, agora, apresentaram declaração de quitação. Em relação às despesas com aluguel de máquinas e equipamentos, reclama contra o ilegal arbitramento e solicita a recomposição da base de cálculo, eis que apenas uma parcela das notas fiscais sob exame foi apropriada no anocalendário. Questiona a multa isolada pela impossibilidade de cobrança em concomitância com a multa de ofício exigida junto com o tributo e defende a inexistência de evidente intuito de fraude que justificasse a imputação da multa isolada. No que se refere à responsabilização dos sócios, sustenta que para imputação da responsabilidade tributária prevista no art. 135, III, do CTN, é necessário averiguar se determinado ato que originou o crédito tributário decorreu de ato da pessoa jurídica ou das pessoas físicas. Afinal, se um ato ilícito foi praticado pela pessoa jurídica, a responsabilidade não pode atingir diretores, gerentes e representantes legais. Aduz que apenas se o sócioadministrador pratica um ato doloso que acarrete imposição tributária, sem respeitar os limites da sua competência definida na lei, no contrato social, ou nos estatutos, ele estará realizando um ato pessoal, e por isto a responsabilidade tributária recairá sobre si. Defende que isso não ocorreu no presente caso, e, se é assim, os sócios da contribuinte são partes manifestamente ilegítimas para figurarem no pólo passivo da relação jurídica tributária em face da inaplicabilidade do art. 135, III, do Código Tributário Nacional. Por fim, reclama pela impossibilidade de incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo prolatou o Acórdão 1673.376, pelo qual acolheu parcialmente a impugnação para manter na base de cálculo da exigência referente à glosa de despesas com aluguel apenas os valores comprovadamente deduzidos no anocalendário. Devidamente cientificada, a interessada apresentou recurso voluntário ratificando em essência aa razões expedidas na peça impugnatória. É o relatório. Fl. 2405DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Relator O recurso voluntário é tempestivo e foi interposto por signatário devidamente legitimado em relação à pessoa jurídica autuada e aos coobrigados e, sendo assim, dele conheço. A arguição de nulidade do procedimento por indevido arbitramento não merece prosperar. Ressaltando que os erros de apuração já foram corrigidos pela decisão recorrida, a apuração do resultado não ocorreu pela sistemática do lucro arbitrado, o que inclusive já foi ressaltado pela decisão recorrida. Em argumentação confusa, a interessada suscita a ocorrência do que seria um "arbitramento transverso", figura essa que esse relator humildemente admite desconhecer. Ocorreu, no caso, que a dedução de alguns custos e despesas referentes a operações que restaram não comprovadas foram glosadas pela Fiscalização pelo singelo motivo que não se pode computar no resultado valores que não estejam embasados por documentação hábil e idônea. Simples assim. Em relação à irregularidade decorrente da comprovação inidônea de compras de produtos para revenda, diante das notas fiscais apresentadas o Fisco constatou que os supostos fornecedores tinham registro de atividade incompatível com as operações sob exame e entregaram DIPJ como inativa no período auditado. Além disso, não foi demonstrada a quitação de nenhuma das compras eis que o pagamentos apresentados como prova beneficiaram terceiros. Na defesa foram apresentados como prova da realização das operações de compra o Livro de Entradas e o Livro de Saídas, nesse último caso sob o argumento de que não poderia ser dada saída a produtos inexistentes no estoque. A jurisprudência desta Corte aceita a dedução do custo referente à aquisição de mercadorias ainda que seja constatada irregularidade cadastral no fornecedor, DESDE QUE SEJA EFETIVAMENTE COMPROVADA A OPERAÇÃO. A nota fiscal por si só não cumpre esse mister. A demonstração do pagamento isoladamente também não seria o bastante, ressaltandose quanto a esse ponto fato absolutamente fora da normalidade que é o pagamento efetuado a terceiros estranhos à operação sob a singela justificativa de que teria sido orientado pelo vendedor a fazêlo, mas sem apresentar justificativa negocial para tal. Assim, não há como dar valor à declaração de quitação emitida pelos supostos fornecedores. Pelo até aqui exposto, não haveria elementos que pudessem corroborar a realização das operações. Ainda assim, o principal argumento de defesa consiste na existência de volume de vendas que indicaria a aquisição prévia dos produtos vendidos ou, em termos mais simples, "só poderia sair aquilo que entrou". Para demonstrar essa tese foram trazidos aos autos os Livros de Entradas e de Saídas que registram as notas fiscais mas também não são suficientes para atestar a Fl. 2406DF CARF MF Processo nº 10530.727075/201419 Acórdão n.º 1402002.783 S1C4T2 Fl. 2.404 7 argumentação de que "só poderia sair aquilo que entrou" tendo em vista que não indicam a quantidade do produto comprada ou vendida. Por outro lado, uma comparação entre a relação de notas fiscais de compra e de venda traz resultados esclarecedores. Praticamente todas as notas fiscais de compras que não foram contestadas pela Fiscalização indicam uma quantidade adquirida variável entre 27 (vinte e sete) e 30 (trinta) toneladas de produto. Já as notas fiscais tidas como inidôneas referemse a quantidades entre 200 (duzentas) e 2500 (duas mil e quinhentas) toneladas por nota fiscal, ou seja, quantidades de produto muito maiores. Sob esse prisma, para que a alegação da interessada pudesse ser tida como razoável, as vendas deveriam guardar compatibilidade com a quantidade adquirida. De fato essa compatibilidade ocorre, mas justamente com as quantidades indicadas nas notas fiscais que não foram contestadas. O volume de saída do produtos é coerente com o ingresso registrado nos documentos fiscais idôneos, sem levar em consideração as quantidades indicadas nas notas contestadas. Se, por hipótese e apenas por hipótese, todas as compras fossem tidas como realizadas, terseia na verdade não vendas efetiva, mas um grande estoque de produtos. Sendo assim, a alegação do sujeito passivo é insubsistente. No que se refere às despesas com aluguel de equipamento, a única alegação do sujeito passivo consistiu em ter apropriado apenas uma parcela dos valores, questão essa avaliada e acatada pela decisão recorrida, tendo sido objeto de recurso de ofício. Pelo exame dos autos constatase que, de fato, o sujeito passivo apropriou os valores em questão a medida em que foram pagos, praticamente um regime de caixa. Independentemente dessa contabilização estar ou não correta, fato é que apenas os valores pagos impactaram o resultado. Por esse motivo.agiu bem a decisão recorrida em ajustar a glosa aos valores deduzidos, motivo pelo qual NEGO PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO. Já quanto aos valores referentes às compras canceladas, não foi apresentada defesa, limitandose a interessada a afirmar que se constitui em simples equívoco. sob essa égide a matéria foi tratada pela Fiscalização eis que, para essa irregularidade, não houve imputação da multa qualificada. Quanto à multa qualificada, foi imputada sobre as irregularidades onde não foi demonstrada a realização das operações que geraram custos e despesas. Sendo assim, as notas fiscais que ampararam tais valores são documen4.502/64.tos inidôneos e prova material do dolo. A dedução de custos ou despesas inexistentes e o registro contábil amparado em documentação fiscal graciosa, enquadra o sujeito passivo nas disposições dos art. 71 e 72, da Lei nº 4.502/64. Correta a imputação da multa qualificada. Em relação à multa isolada, o pagamento do imposto por estimativa foi instituído pela Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Essa Lei estabeleceu período de Fl. 2407DF CARF MF 8 apuração trimestral para o IRPJ, com a opção anual sendo que, nesse último caso, existe a obrigatoriedade de recolher o tributo mensalmente, determinado sobre uma base de cálculo estimada mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais previstos no art. 15 da Lei nº 9.249/95. Entendeu o legislador que, feita a opção pelo recolhimento por estimativa, a ausência ou insuficiência desses pagamentos constituiria em sanção passível de punição via multa de ofício calculada sobre o montante não recolhido e aplicada isoladamente, nos termos do inciso IV, do § 1º , do art. 44 da Lei nº 9.430/96, em sua redação original. A questão de fato é polêmica. Neste Colegiado, alguns entendem que não se justificaria a aplicação da multa após o encerramento do período de apuração, quando já teriam sido realizados os devidos ajustes. Nesse caso bastaria a cobrança de eventual imposto apurado no ajuste acompanhado, aí sim, da respectiva multa. Esse posicionamento praticamente nega eficácia ao dispositivo legal supra mencionado, pois limitaria sua aplicabilidade a procedimentos de fiscalização efetuados durante o período sob exame. Além do mais, ignora a literalidade do texto legal que determina a aplicação da multa ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal no ajuste, ou seja, a Lei determina claramente que a multa pode ser imputada após o encerramento do período e mesmo sem tributo apurado no ajuste A principal e respeitável linha argumentativa daqueles que defendem essa tese parte do próprio texto legal. Na redação original temse: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (....) § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: (....) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; (......) (grifo acrescido) Com base na redação do caput essa corrente defende que, mesmo na forma isolada, a multa incidiria sobre a totalidade ou diferença de tributo. Com a ressalva de que o valor pago a título de estimativa não tem a natureza de tributo, a lógica do pagamento de estimativas seria antecipar para os meses do anocalendário o recolhimento do tributo que, de outra forma, seria devido apenas ao final do exercício. Fl. 2408DF CARF MF Processo nº 10530.727075/201419 Acórdão n.º 1402002.783 S1C4T2 Fl. 2.405 9 Sob essa ótica, a tese defende que o tributo apurado no ajuste e a estimativa paga ao longo do período devem estar intrinsecamente relacionados de forma a que a provisão para pagamento do tributo deve coincidir com o montante pago de estimativa ao final do exercício. Assim, concluem que só há que se falar em multa isolada quando evidenciada a existência de tributo devido. A princípio, alinheime nessa posição e com ela votei em alguns julgados. Hoje, após cuidadosa reflexão penso que essa tese está equivocada porque, apesar de sua construção lógica ser irrefutável, mistura situações distintas. O texto original da lei estabelece que a multa isolada seria calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição. Entendeuse assim que o legislador estabeleceu uma norma de imposição tributária quando na verdade o não recolhimento das estimativas impõe a aplicação de uma regra sancionatória. Aquela avaliação não mais se justifica a partir da nova redação do dispositivo em comento, estabelecida pela MP nº MP 351, de 22/01/2007; convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, onde fica clara a distinção: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (.......) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (......) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (.....) (grifo acrescido) Inexiste assim a estreita correlação entre o tributo correspondente e a estimativa a ser paga no curso do ano. Registrese que essa nova redação não impõe nova penalidade ou faz qualquer ampliação da base de cálculo da multa, Simplesmente torna mais clara a intenção do legislador. Em voto que a meu ver bem reflete a tese aqui exposta, o ilustre Conselheiro GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES foi preciso na análise do tema (Acórdão 10323.370, Sessão de 24/01/2008): (........) Nada obstante, as regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Fl. 2409DF CARF MF 10 Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da norma punitiva, inibese o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3º: Art. 3º A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplicase ao fato praticado durante sua vigência. O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível, no caso das extraordinárias, e certo, em relação às temporárias, a cessação de sua vigência, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte. A inexistência de correlação entre o tributo e a estimativa fezme refletir também sobre a questão da concomitância, ou seja, a aplicação da multa de ofício exigida junto com o tributo e a multa sobre as estimativas. Manifesteime em outra ocasiões pela aplicação ao caso do princípio da consunção, pelo qual prevalece a penalidade mais grave quando uma pluralidade de normas é violada no desenrolar de uma ação. De forma geral, o princípio da consunção determina que em face a um ou mais ilícitos penais denominados consuntos, que funcionam apenas como fases de preparação ou de execução de um outro, mais grave que o(s) primeiro(s), chamado consuntivo, ou tão somente como condutas, anteriores ou posteriores, mas sempre intimamente interligado ou Fl. 2410DF CARF MF Processo nº 10530.727075/201419 Acórdão n.º 1402002.783 S1C4T2 Fl. 2.406 11 inerente, dependentemente, deste último, o sujeito ativo só deverá ser responsabilizado pelo ilícito mais grave.1. Vejase que a condição básica para aplicação do princípio é a íntima interligação entre os ilícitos. Pelo até aqui exposto, podese dizer que a intenção do legislador tributário foi justamente deixar clara a independência entre as irregularidades, inclusive alterando o texto da norma para ressaltar tal circunstância. No voto paradigma que decidiu casos como o presente sob a ótica do princípio da consunção, o relator cita Miguel Reale Junior que discorre sobre o crime progressivo, situação típica de aplicação do princípio em comento. Pois bem. Doutrinariamente, existe crime progressivo quando o sujeito, para alcançar um resultado normativo (ofensa ou perigo de dano a um bem jurídico), necessariamente deverá passar por uma conduta inicial que produz outro evento normativo, menos grave que o primeiro. Noutros termos: para ofender um bem jurídico qualquer, o agente, indispensavelmente, terá de inicialmente ofender outro, de menor gravidade — passagem por um minus em direção a um plus. 2 (destaques acrescidos). Estaríamos diante de uma situação de conflito aparente de normas. Aparente porque o princípio da especialidade definiria a questão, com vistas a evitar a subsunção a dispositivos penais diversos e, por conseguinte, a confusão de efeitos penais e processuais. Aplicandose essa teoria às situações que envolvem a imputação da multa de ofício, a irregularidade que gera a multa aplicada em conjunto com o tributo não necessariamente é antecedida de ausência ou insuficiência de recolhimento do tributo devido a título de estimativas, suscetível de aplicação da multa isolada. Assim, não há como enquadrar o conceito da progressividade ao presente caso, motivo pelo qual tal linha de raciocínio seria injustificável para aplicação do princípio da consunção. Ainda seguindo a analogia com o direito penal, a grosso modo poderseia dizer que a situação sob exame representaria um concurso real de normas ou, mais especificamente, um concurso material: duas condutas delituosas causam dois resultados delituosos. Abstraindose das questões conceituais envolvendo aspectos do direito penal, a Lei nº 9.430/96, ao instituir a multa isolada sobre irregularidades no recolhimento do tributo devido a título de estimativas, não estabeleceu qualquer limitação quanto à imputação dessa penalidade juntamente com a multa exigida em conjunto com o tributo. 1 RAMOS, Guilherme da Rocha. Princípio da consunção: o problema conceitual do crime progressivo e da progressão criminosa. Jus Navigandi, Teresina, ano 5, n. 44, 1 ago. 2000. Disponível em: <http://jus.uol.com.br/revista/texto/996>. Acesso em: 6 dez. 2010. 2 Idem, Idem Fl. 2411DF CARF MF 12 Sob essa ótica, a Fiscalização simplesmente aplicou a norma ao caso concreto, no exercício do poderdever legal, motivo pelo qual voto por manter a imputação da multa isolada em sua integralidade. Importa ressaltar que a Súmula CARF nº 101 NÃO SE APLICA A FATOS GERADORES POSTERIORES À MP Nº 351/2007, eis que todas as decisões que serviram de base à edição da Súmula não levaram em consideração a mudança legislativa. Quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, cabe simplesmente registrar que o acórdão apresentado pela interessada para reforçar a defesa contém entendimento superado e a jurisprudência atual desta Corte é unânime em reconhecer a incidência dos juros de mora sobre a multa, como se pode ver abaixo em julgados recentíssimos de todas as turmas da CSRF: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão 9101002.180, CSRF, 1ª Turma) JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC.A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu inadimplemento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão 9202003.821, CSRF 2ª Turma) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (Acórdão 9303003.385, CSRF, 3ª Turma). No que tange à responsabilidade dos sócios, o art. 135 estabelece hipóteses de responsabilização pela prática de atos infracionais ali descritos.Para aplicação desse dispositivo é necessário preliminarmente que seja identificado expressamente qual ato infracional gerou o enquadramento e quem o praticou. Mas não é só isso. O artigo 135 só encontra aplicação quando o ato de infração à lei societária, contrato social ou estatuto cometido pelo administrador for realizado à revelia da sociedade. Caso não o seja, a responsabilidade tributária será da pessoa jurídica. Isto porque, se o ato do administrador não contrariar as normas societárias, contrato social ou estatuto, quem está praticando o ato será a sociedade, e não o sócio, devendo a pessoa jurídica responder pelo pagamento do tributo. Importante destacar que a infração à lei capaz de gerar a responsabilidade do administrador é aquela de natureza societária. Afinal, o que objetiva este artigo é justamente responsabilizar o administrador que age à revelia dos interesses da sociedade, e a forma com a Fl. 2412DF CARF MF Processo nº 10530.727075/201419 Acórdão n.º 1402002.783 S1C4T2 Fl. 2.407 13 qual ele age de tal modo seria descumprindo as normas societárias que prescrevem que a sua atuação deve observar os interesses da empresa, dentro de determinados limites. 3 Sob essa ótica, com todo respeito à autoridade lançadora entendo que não houve a identificação da prática de atos pelos sócios administradores que justificasse a responsabilização nos termos efetuados. Afirma a autoridade fiscal: [...] A empresa contribuinte fiscalizada apresentou cópias de notas fiscais como comprovação de despesas deduzidas da base de cálculo do IRPJ/CSLL e de despesas utilizadas na base de cálculo dos créditos de PIS/COFINS. Todavia, intimada a apresentar comprovação de pagamento dessas despesas, não apresentou qualquer documento hábil. Por conta disso, tais notas fiscais foram consideradas comprovação inidônea de despesas. As pessoas a seguir, na condição de sócios administradores da empresa contribuinte, ao apresentarem tais documentos inidôneos, praticaram infração à legislação tributária, e, nos termos do artigo 135, III, do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/66), foram colocados na condição responsáveis solidários pelos créditos lançados: {...] Vêse que, no que se refere à matéria tributável a descrição das irregularidades envolve exclusivamente a omissão de receitas pela pessoa jurídica inclusive de forma a justificar a qualificação da multa, mas não trata da individualização de conduta dos sócios administradores voltada ao prejuízo da empresa, motivo pelo qual acato a exclusão dos coobrigados da relação jurídicotributária. De todo o exposto, em resumo do meu posicionamento´quanto ao mérito da exigência, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir os coobrigados da relação jurídicotributária. Essa decisão aplicase aos lançamentos de CSLL, PIS e Cofins, pela relação de causa e efeito que os une à tributação do IRPJ. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto 3 BARCELOS, Soraya Marina. A responsabilidade dos administradores prevista no art. 135, III do CTN: hipótese de responsabilidade solidária, subsidiária ou exclusiva?. Jus Navigandi, Teresina, ano 16, n. 3089, 16 dez. 2011 . Disponível em: <http://jus.com.br/artigos/20662>. Acesso em: 23 dez. 2013. Fl. 2413DF CARF MF 14 Fl. 2414DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.004910/2001-46
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Feb 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Data do fato gerador: 31/12/1990
ILL. SOCIEDADE ANÔNIMA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR N° 118/2005. DECADÊNCIA. PRAZO DECENAL. JURISPRUDÊNCIA STJ E STF.
Consoante jurisprudência vinculante firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do artigo 4° da Lei Complementar n° 118/2005, que prevê a aplicação retroativa de seus preceitos, tratando-se de pedido de restituição de tributo sujeito ao lançamento por homologação, no caso, Imposto Sobre o Lucro Líquido - ILL, formulado anteriormente à vigência do mencionado diploma legal, o prazo a ser observado é de 10 (dez) anos contados da data da ocorrência do fato gerador.
Tendo a contribuinte pleiteado devolução do ILL, em 25/05/2001, de valores referentes a fato gerador ocorrido em 31/12/1990, estava transcorrido o prazo legal para pleitear essa devolução.
SÚMULA CARF N° 91:
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
Numero da decisão: 9900-001.011
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Extraordinário e, no mérito, em dar-lhe provimento .
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Ausentes, justificadamente, as conselheiras Adriana Gomes Rego e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Data do fato gerador: 31/12/1990 ILL. SOCIEDADE ANÔNIMA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR N° 118/2005. DECADÊNCIA. PRAZO DECENAL. JURISPRUDÊNCIA STJ E STF. Consoante jurisprudência vinculante firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do artigo 4° da Lei Complementar n° 118/2005, que prevê a aplicação retroativa de seus preceitos, tratandose de pedido de restituição de tributo sujeito ao lançamento por homologação, no caso, Imposto Sobre o Lucro Líquido ILL, formulado anteriormente à vigência do mencionado diploma legal, o prazo a ser observado é de 10 (dez) anos contados da data da ocorrência do fato gerador. Tendo a contribuinte pleiteado devolução do ILL, em 25/05/2001, de valores referentes a fato gerador ocorrido em 31/12/1990, estava transcorrido o prazo legal para pleitear essa devolução. SÚMULA CARF N° 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Extraordinário e, no mérito, em darlhe provimento . AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 00 49 10 /2 00 1- 46 Fl. 662DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo Oliveira Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Ausentes, justificadamente, as conselheiras Adriana Gomes Rego e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de pedido de restituição de imposto de renda sobre o lucro líquido ILL, à efl. 250, exercício de 1991, cujos recolhimentos ocorreram em 30 de abril, 29 de maio e 28 de junho, todos do ano de 1991. O pedido se deu, em 25/05/2001, com base na declaração de inconstitucionalidade do art. 35 da Lei nº 7.713/1988, na parte em que disciplinava sua exigência do sócio acionista, suspensa pela Resolução do Senado Federal nº 82, de 18/11/1996. O pedido em litígio se refere ao ILL apurado no ano base de 1990, conforme se observa da anexação da Declaração de Rendimentos do Imposto de Renda da Pesoa Jurídica, às efls. 256 a 266. Isso se confirma nos DARF à efl. 253 e nos DARF à efl. 254 que suportam o demonstrativo de cálculo da empresa à efl. 253. O Chefe da Divisão de Tributação da DRF em São Paulo, por meio do despacho decisório de efls. 285 a 287, deixou de tomar conhecimento do pedido, em 23/07/2001, considerando a decadência do direito de restituição para pagamentos havidos em períodos anteriores a 26/05/1996. A contribuinte, em 06/09/2001, encaminhou manifestação de inconformidade a esse despacho, às efls. 290 a 293. Já a DRJ em São Paulo, indeferiu o reconhecimento do direito creditório da contribuinte por meio do acórdão nº 3686, em 07/07/2003, conforme se observa às efls. 316 a 321. Inconformada, a contribuinte encaminhou recurso voluntário ao Primeiro Conselho de Contribuintes, em 24/10/2003, no documento de efls.. 324 a 333, no qual, em apertado resumo argumentou: · seu direito à restituição se fulcra na normas vigentes e exsurge aa promulgação da Resolução do Senado nº 82; Fl. 663DF CARF MF Processo nº 10880.004910/200146 Acórdão n.º 9900001.011 CSRFPL Fl. 663 3 · essa Resolução foi publicada em 18/11/1996, sendo essa data o marco inicial para contagem do prazo decadencial para requerer a restituição; · seu pedido foi protocolado em 25/05/2001 e o prazo decadencial se encerrava apenas em 17/11/2001; e · há decisões do Primeiro Conselho de Contribuintes que prestigiam esse entendimento. O recurso voluntário foi apreciado pela Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuinte, em 06/12/2004, resultando no acórdão 10614.311, às efls. 369 a 377, que tem a seguinte ementa: ILL SOCIEDADE POR QUOTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA RESTITUIÇÃO DE VALORES PAGOS — DECADÊNCIA O marco inicial do prazo decadencial de cinco anos para os pedidos de restituição do imposto de renda retido na fonte sobre o lucro liquido, pago por sociedades por quotas de responsabilidade limitada, se dá em 25.07.1997, data de publicação da Instrução Normativa SRF nº 63. O acórdão teve o seguinte teor: ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, AFASTAR a decadência do direito de pedir da recorrente e DETERMINAR a remessa dos autos à DRF de origem para análise do pedido, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. RE da Fazenda A Procuradoria da Fazenda e interpôs recurso especial de divergência, em 15/03/2005, às efls. 380 a 389, com fundamento no art. 8°, §1°, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria n.° 55, de 12/03/1998. Alega que havendo contagem do prazo decadencial da restituição a partir data de publicação de instrução normativa da SRF, haveria divergência com interpretação do acórdão paradigma nº 10244.236 que toma como prazo inicial da contagem o a data do pagamento indevido. O recurso especial da Fazenda foi apreciado, em 27/04/2005, pelo Presidente da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, no Despacho nº 106052/2005, às e fls. 398 a 400, entendendo por negarlhe seguimento, ao não vislumbrar divergência entre os resultados dos acórdãos recorrido e paradigma. O Procurador da Fazenda interpôs agravo contra esse Despacho, às efls. 401 a 412, em 23/06/2005, o qual foi admitido, pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em 08/05/2007, no Despacho nº 066/2007, às efls. 417 a 419, resultando no encaminhamento para decisão sobre o seguimento do recurso especial da Procuradoria ao Colegiado. Fl. 664DF CARF MF 4 Contrarrazões da contribuinte Houve encaminhamento à contribuinte (efl. 422) do acórdão nº 10614.311 e do recurso especial do Procurador da Fazenda Nacional, dos quais ela teve ciência em 02/08/2007. Na mesma data, a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial de divergência da Procuradoria, às efls. 430 a 436. Preliminarmente, pleiteia a que o referido recurso especial não seja conhecido, em razão de falta de divergência entre o acórdão nº 10614.311 e o acórdão paradigma, a aplicação dos entendimentos de ambos levaria à aceitação de seu pedido de restituição. No mérito, reafirma seu direito à restituição com a contagem do prazo a partir da data de publicação da Resolução do Senado nº 82, em 19/11/1998, entendimento consagrado em decisões judicais assim como o da Câmara Superior de Recursos Fiscais Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF. Finaliza requerendo o não conhecimento do recurso especial de divergência da Fazenda e, caso conhecido, que seja ele desprovido. Acórdão da Quarta Turma da CSRF Em sessão de julgamento de 11/10/2009, foi prolatado o acórdão nº 9304 00.075 pela Quarta Turma da CSRF, que obteve a seguinte ementa: ILL. SOCIEDADE POR QUOTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. RESTITUIÇÃO DE VALORES PAGOS. DECADÊNCIA. O termo inicial do prazo decadencial de cinco anos para o pedido de restituição do imposto de renda retido na fonte sobre o lucro liquido, pago por sociedades por quotas de responsabilidade limitada, é a data de publicação da Instrução Normativa SRF no 63, de 1997 ocorrida em 25/07/1997. Tendo resultado no acórdão abaixo: ACORDAM os membros da Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de origem, para enfrentamento do mérito. Recurso Extraordinário da Fazenda Em 22/01/2010, a Procuradoria da Fazenda Interpôs recurso extraordinário contra o acórdão nº 930400.075, às efls. 449 a 460, com fundamento no art. 9º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007 c/c art. 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009. Esse artigo assegura o manejo desta espécie recursal ainda nos moldes do regimento anterior, em face de acórdãos proferidos nas sessões de julgamentos ocorridas antes da publicação da Portaria. Apresenta como paradigma do extraordinário o acórdão nº 301127.318, que mesmo diante do reconhecimento da inconstitucionalidade do FINSOCIAL e da publicação da Medida Procvisória nº 1.62135/98, que vinculou o Poder Executivo a reconhecer o indébito daquele tributo, a Terceira Turma do CSRF considerou decorrido o prazo para repetição do Fl. 665DF CARF MF Processo nº 10880.004910/200146 Acórdão n.º 9900001.011 CSRFPL Fl. 664 5 indébito tributário, contandose referido lapso temporal a partir da data de cada pagamento considerado indevido. Assim, há clara divergência para com o acórdão recorrido, proferido pela Terceira Turma desta Câmara Superior, ao considerar que o termo inicial para tal contagem, nesse caso concreto, é 25/07/1997, data de publicação da IN SRF nº 63, ato normativo que reconheceu o caráter indevido da cobrança do ILL. Argumenta que a IN simplesmente autorizou as providências a serem adotadas pelo poder executivo no sentido de amoldarse à declaração de inconstitucionalidade no tocante aos créditos ainda não definitivamente constituídos. Reforça que outro não poderia ser o entendimento com relação à decadência do direito de restituição a tributos sujeitos a lançamento por homologação que aquele decorrente dos arts. 165, inc. I, e 168, inc. I, c/c art. 156, inc. I, todos do CTN: extinção do decurso do prazo de cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário. Esse entendimento já vinha firmado desde o disposto no AD SRF nº 96/1999, norma integrante da legislação tributária. Assim, nada justifica a decisão que utilizou a IN SRF nº 63 como termo inicial da contagem, mormente em face do art. 3ª da Lei Complementar nº 118/2005, aplicável inclusive a fatos pretéritos, por ter expresso caráter interpretativo. A interpretação dada no acórdão a quo, incorreu, por via transversa, em declaração de inconstitucionalidade dessa norma, atividade vedada ao CARF. Por fim, requer que seja conhecido e provido o recurso, para reconhecer a decadência do direito à restituição do ILL contada a partir da data de cada pagamento indevido eventualmente comprovado. O recurso extraordinário da Procuradora foi apreciado, em 14/01/2011, pelo Presidente Substituto da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, no Despacho nº 9100 00.437, às efls. 496 e 497, entendendo por darlhe seguimento, ao ver caracterizado o dissídio jurisprudencial administrativo. Contrarrazões da contribuinte Intimada (efl. 498) do acórdão nº 930400.075, do recurso extraordinário da PFN e do despacho nº 910000.437, em 31/03/2008 (efl. 499), a contribuinte apresentou seu contraarrazoado em 14/04/2011. Afirma que, inconteste que o prazo decadencial para restituição é de cinco anos, a discussão gira em torno do momento em que se deva iniciar a contagem deste prazo: da data do pagamento ou daquela em que o imposto tornouse indevido. Afirma que, por se tratar de sociedade por quotas de responsabilidade limitada, viu ser reconhecido o caráter indevido da exigência do ILL apenas após a edição da IN SRF nº 63 em 24/07/1997, por isso o prazo inicial da contagem seria 25/07/1997. Como o pedido foi apresentado em 25/05/2001, seu direito não fora atingido pela decadência. Esse entendimento seria pacífico na Câmara Superior de Recursos Fiscais e no CARF, conforme demonstrariam acórdãos que colaciona. Contesta a aplicação ao caso do AD SRF nº 96/1999, pois haveria que se dar preferência ao entendimento expresso na IN SRF nº 63, sendo esta norma específica para o ILL diferentemente daquela. Fl. 666DF CARF MF 6 Já o art. 3º da LC 118/2005 teria extrapolado seu alcance e sentido adotado pelo judiciário para interpretação dos arts. 150, § 1º, e 160, inc. I, do CTN. Com isso, inovou e teve declarada inconstitucional a expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1996 Código Tributário Nacional" que constava na segunda parte do art. 4º da LC 118/2005. Arrola acórdão do STJ expondo tal entendimento. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. Pelo que consta no processo quanto à tempestividade do recurso e às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Como visto, a recorrente postulou restituição dos valores pagos a título de ILL (Imposto de renda sobre o Lucro Líquido), tendo em vista o fato de a Resolução do Senado Federal n° 82, de 18/11/1996, ter suspendido a eficácia do termo "acionista" constante do art. 35 da Lei n° 7.713/88, em consonância com decisão do Pretório Excelso proferida no RE n° 138.2848. Entretanto, tal pedido foi denegado pela DRF/Maceió (fl. 73), fundamentadose a decisão no decurso do prazo decadencial para o exercício desse direito. A respeito dessa matéria, houve pronunciamento do STF em sede de repercussão geral no RE n° 566.621 (j. 4/8/2011), e do STJ sob o rito de recurso repetitivo nos REsp n° 1.002.932/SP (j. 25/11/2009) e n° 1.269.570/MG (j. 23/5/2012), julgados os quais deve este Colegiado observar, tendo em vista o disposto no art. 62 Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015. O entendimento exarado por esses tribunais superiores é no sentido de que o prazo para o contribuinte pleitear restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, tais como o ILL, para os pedidos protocolizados antes da vigência da Lei Complementar n° 118/05, ou seja, antes de 9/6/2005, é de cinco anos, conforme o artigo 150, § 4° do CTN, somado ao prazo de cinco anos previsto no artigo 168, I desse Código. Em outros termos, os contribuintes têm nessas situações o prazo total de dez anos, a partir do fato gerador, para pleitear restituição do tributo indevidamente recolhido. Nesse rumo, diversas decisões da CSRF já se pronunciaram, como por exemplo os Acórdãos nos 9900000.382 (j. 28/8/2012), 9202003176 (j. 6/5/2014) e 9202 004.021 (j. 12/5/2016). Foi editada, inclusive, súmula nesse sentido pelo Pleno em sessão de 9/12/2013: Súmula CARF n° 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. De sua parte, a Procuradoria, em interpretação do RE n° 566.621, aprovou o Parecer PGFN/CRJ/N° 1247/2014, no qual concluiu que: Fl. 667DF CARF MF Processo nº 10880.004910/200146 Acórdão n.º 9900001.011 CSRFPL Fl. 665 7 (...) os já mencionados precedentes posteriores, bem como o atual contexto, recomendam a adoção de orientação mais flexível, entendendo, sob a ótica da ratio decidendi do julgado em repercussão geral (Tema n° 04), que, em se tratando de pleito administrativo anterior à vigência da LC n° 118/2005 ou de demanda judicial que, embora posterior, seja a este (anterior) relativa (art. 169 do CTN), deve ser observada a sistemática da "tese dos cinco mais cinco". Traçado esse sintético panorama do tema, temse no caso concreto que o contribuinte protocolizou pedido de restituição em 25/05/2001, relativamente a recolhimentos efetuados no decorrer dos anoscalendário 1991, referentes a fato gerador ocorrido em 31/12/1990. O caput do art. 35 da Lei nº 7.713/1998, aplicável ao caso em tela, dispunha que o sócio quotista, o acionista ou o tiutlar de empresa individual devia sofrer retenção na fonte do ILL ao final do período de apuração, nos termos a seguir reproduzidos: Art. 35. O sócio quotista, o acionista ou titular da empresa individual ficará sujeito ao imposto de renda na fonte, à alíquota de oito por cento, calculado com base no lucro líquido apurado pelas pessoas jurídicas na data do encerramento do período base. Como o pedido de restituição é de 2001, portanto anterior à Lei Complementar que alterou o Código Tributário Nacional, nos termos da decisão vinculante do STF, deverá ser utilizado o critério de contagem de prazo para repetição de indébito determinado pelo STJ, qual seja, dez anos contados do fato gerador. Salientese que a data do fato gerador, conforme já esclarecido acima, é a data do final do período em que os lucros foram apurados, ou seja, 31/12/1990, ainda que os recolhimentos tenham sido realizados em 1991 (a maioria deles, com juros e multa de mora). Sendo a data do fato gerador aquela do encerramento do período base, 31/12/1990, e não do pagamento, a aplicação do critério do STJ implica que o pedido realizado em 25/05/2001 já encontrase transcorrido o prazo para realização do pedido de restituição de indébito pela contribuinte. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso extraordinário da contribuinte, para darlhe provimento, considerando transcorrido o prazo fatal para realização do pedido de repetição de indébito. (Assinado digitalmente) Luis Eduardo de Oliveira Santos Fl. 668DF CARF MF 8 Fl. 669DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.910703/2011-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 15/11/2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.568
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 15/11/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 07 03 /2 01 1- 66 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 16327.910703/201166 Acórdão n.º 3402004.568 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a Decisão da DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o Despacho Decisório eletrônico proferido, que, por sua vez, indeferiu o Pedido de Restituição, referente a suposto pagamento de IOF a maior no ano de 2003. Conforme o que consta do referido Despacho Decisório, o pleito foi negado tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para a quitação do débito de IOF, não restando saldo de crédito disponível para a restituição almejada. Cientificada da decisão proferida, a empresa interpôs a Manifestação de Inconformidade alegando homologação por decurso de prazo, já que ultrapassado o prazo de cinco anos entre a data de envio, tanto do Pedido de Restituição (PER) quanto da Declaração de Compensação (DCOMP) a ele atrelada, e a data de proferimento do Despacho Decisório. Com base nessas considerações requer a reforma da decisão, com a consequente homologação da compensação declarada. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme Ementa do Acórdão nº 14061.312, prolatado pela DRJ em Ribeirão Preto (SP): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 15/11/2003 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO DECLARADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integralmente alocado à débito validamente declarado em DCTF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a homologação tácita de pedido de restituição, nem previsão de perda do poder de decidir por decurso de prazo em pedidos desta natureza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão a recorrente interpôs, tempestivamente, o presente recurso voluntário, alegando as seguintes razões: (i) consta do Despacho Decisório que "foram localizados pagamentos, mas que foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do Recorrente, não restando crédito disponível para restituição". Porém, tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em dezembro/2006, operandose, portanto, a homologação da compensação em dezembro de 2011; Fl. 89DF CARF MF Processo nº 16327.910703/201166 Acórdão n.º 3402004.568 S3C4T2 Fl. 4 3 (ii) cita e transcreve como base legal, o §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), bem como, registra o Acórdão nº 3801000.530, de 29/09/2010, proferido pelo CARF nos autos do PAF nº 10830.007499/9736; (iii) conclui que, dessa forma operouse a homologação tácita em dezembro de 2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente por meio de Despacho Decisório proferido em 2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Por fim, requer que o presente Recurso Voluntário seja recebido e julgado, com a conseqüente reforma da decisão recorrida e homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.467, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.910558/201113, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.467): "1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Verificase que o Recorrente não contesta a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório. O que se discute no recurso é a alegação de homologação tácita quanto ao Pedido de Restituição (PER). 3. Análise do Pedido Como relatado, o Recorrente pede o provimento do seu recurso unicamente sob o argumento da homologação tácita do seu Pedido de Restituição (PER) nº 01445.28437.211206.1.2.046453, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Aduz que tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em 21 e 26 dezembro de 2006, respectivamente e, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, operouse a homologação tácita da compensação em 26/12/2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente, por meio de Fl. 90DF CARF MF Processo nº 16327.910703/201166 Acórdão n.º 3402004.568 S3C4T2 Fl. 5 4 Despacho Decisório proferido em 03/01/2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Fl. 91DF CARF MF Processo nº 16327.910703/201166 Acórdão n.º 3402004.568 S3C4T2 Fl. 6 5 Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. 4. Dispositivo Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 92DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.003086/2010-96
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.826
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 30 86 /2 01 0- 96 Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10865.003086/201096 Acórdão n.º 9202005.826 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 15979.000274/200701. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10865.003086/201096 Acórdão n.º 9202005.826 CSRFT2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202005.782, de 26/09/2017, proferido no julgamento do processo 15979.000274/200701, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202005.782): Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10865.003086/201096 Acórdão n.º 9202005.826 CSRFT2 Fl. 0 4 benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262 (Sessão de23dejunhode2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10865.003086/201096 Acórdão n.º 9202005.826 CSRFT2 Fl. 0 5 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdãonº9202004.499 (Sessão de 29desetembrode2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10865.003086/201096 Acórdão n.º 9202005.826 CSRFT2 Fl. 0 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10865.003086/201096 Acórdão n.º 9202005.826 CSRFT2 Fl. 0 7 raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10865.003086/201096 Acórdão n.º 9202005.826 CSRFT2 Fl. 0 8 NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10865.003086/201096 Acórdão n.º 9202005.826 CSRFT2 Fl. 0 9 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10865.003086/201096 Acórdão n.º 9202005.826 CSRFT2 Fl. 0 10 ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10865.003086/201096 Acórdão n.º 9202005.826 CSRFT2 Fl. 0 11 Fl. 208DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13766.001952/2008-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2001 a 30/06/2006
NORMAS REGIMENTAIS. CONCOMITÂNCIA DISCUSSÃO JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. MESMO OBJETO. NÃO CONHECIMENTO DAS ALEGAÇÕES RECURSAIS. SÚMULA CARF N° 01.
De conformidade o artigo 78, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, a propositura de ação judicial com o mesmo objeto do recurso voluntário representa desistência da discussão de aludida matéria na esfera administrativa, ensejando o não conhecimento da peça recursal.
DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO ARTIGO 173, INCISO I DO CTN.
Não comprovada a ocorrência de pagamento parcial, como no presente caso, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no I, Art. 173 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733.
NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO.
Nos termos do artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária.
A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária e/ou protelatória, com arrimo no § 2º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72.
LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. DECISÃO JUDICIAL. MULTA DE MORA. DESCABIMENTO.
Suspensa a exigibilidade do crédito tributário por força de medida liminar, no caso de lançamento para prevenção da decadência, incabível a aplicação de multa de mora, posto que inexiste mora do contribuinte, nos termos do § 2º do art. 63 da Lei nº. 9.430/96.
TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF N° 4
Não há que se falar em inconstitucionalidade ou ilegalidade na utilização da taxa de juros SELIC para aplicação dos acréscimos legais ao valor originário do débito, porquanto encontra amparo legal no artigo 34 da Lei nº 8.212/91.
Com fulcro na legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, incide multa de mora sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas no vencimento, de acordo com o artigo 35 da Lei nº 8.212/91 e demais alterações.
Numero da decisão: 2401-005.132
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer parcialmente do recurso, e, na parte conhecida, rejeitar as preliminares e dar-lhe provimento parcial para afastar a multa de mora exigida.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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CONCOMITÂNCIA DISCUSSÃO JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. MESMO OBJETO. NÃO CONHECIMENTO DAS ALEGAÇÕES RECURSAIS. SÚMULA CARF N° 01. De conformidade o artigo 78, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, a propositura de ação judicial com o mesmo objeto do recurso voluntário representa desistência da discussão de aludida matéria na esfera administrativa, ensejando o não conhecimento da peça recursal. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO ARTIGO 173, INCISO I DO CTN. Não comprovada a ocorrência de pagamento parcial, como no presente caso, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no I, Art. 173 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária. A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária e/ou protelatória, com arrimo no § 2º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 76 6. 00 19 52 /2 00 8- 04 Fl. 984DF CARF MF 2 LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. DECISÃO JUDICIAL. MULTA DE MORA. DESCABIMENTO. Suspensa a exigibilidade do crédito tributário por força de medida liminar, no caso de lançamento para prevenção da decadência, incabível a aplicação de multa de mora, posto que inexiste mora do contribuinte, nos termos do § 2º do art. 63 da Lei nº. 9.430/96. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF N° 4 Não há que se falar em inconstitucionalidade ou ilegalidade na utilização da taxa de juros SELIC para aplicação dos acréscimos legais ao valor originário do débito, porquanto encontra amparo legal no artigo 34 da Lei nº 8.212/91. Com fulcro na legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, incide multa de mora sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas no vencimento, de acordo com o artigo 35 da Lei nº 8.212/91 e demais alterações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 985DF CARF MF Processo nº 13766.001952/200804 Acórdão n.º 2401005.132 S2C4T1 Fl. 3 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer parcialmente do recurso, e, na parte conhecida, rejeitar as preliminares e darlhe provimento parcial para afastar a multa de mora exigida. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 986DF CARF MF 4 Relatório UNIMED SUL CAPIXABA COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da DecisãoNotificação (DN) n° 07.401.4/526/2006 da antiga Delegacia da Receita Previdenciária de Vitória/ES, às efls. 720/730, que julgou procedente o lançamento fiscal, referente às contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores brutos das faturas de prestação de serviços prestados por cooperados por inter,édio de cooperativas de trabalho, relativas às competências 01/2001 a 06/2006, conforme Relatório Fiscal de fls. 86/91 e demais documentos que instruem o processo. Explica o relatório fiscal, no item 5.6, que quando a prestação dos serviços à Unimed Sul Capixaba é realizada por uma cooperativa médica pertencente à Outra Federação das Cooperativas Unimed's, por exemplo, Federação das Cooperativas das Unimed's do Estado do Rio de Janeiro, a cobrança dos serviços prestados à Unimed Sul Capixaba è realizada VIA FEDERAÇÃO, ou seja, a cooperativa de trabalho médico prestadora de serviços emite uma fatura cobrando os valores diretamente da Federação, que por sua vez consolida as faturas de prestação de serviços das suas cooperativas médicas associadas e emite uma nova fatura, agora com o CNPJ e Razão Social da Federação, cobrando os valores diretamente da Unimed Sul Capixaba; anexo a fatura encaminha um relatório especificando os atendimentos realizados e as cooperativas médicas prestadoras de serviços. Nesse caso, percebese claramente que as federações das cooperativas Unimed's atuam basicamente na função administrativa, na verdade elas apenas fazem a intermediação para cobrar os valores devidos entre as cooperativas Unimed's, as quais de fato são as verdadeiras tomadoras e prestadoras dos serviços. O fato das Faturas terem sido emitidas com o CNPJ e Razão Social da Federação das Unimed's do Espírito Santo, em nada descaracteriza a real situação, ou seja, a Unimed Sul Capixaba continua sendo a contratante dos serviços prestados pelos cooperados intermediados pelas outras cooperativas médicas, sendo assim, responsável pelo recolhimento das contribuições sociais previdenciárias previstas no art. 22, inciso IV, da Lei 8.212/91 (com redação dada pela Lei 9.876/99). O item 6 do relatório esclarece que apenas as faturas referentes aos serviços prestados pelas cooperativas médicas à Unimed Sul Capixaba, cuja cobrança foi feita via Unimed do Espírito Santo Federação das Cooperativas de Trabalho Médico, estão sendo objeto desta NFLD. Por fim, nas disposições finais do relatório fiscal, item 15.2, informou o Auditor Fiscal que a empresa é impetrante de uma ação ordinária n° 2001.50.02.0001216, na Vara Federal de Cachoeiro de Itapemirim, onde foi julgado procedente o pedido da Autora na qual foi declarado a inexistência da relação jurídica com o INSS sobre a contribuição previdenciária prevista no art. 22, inciso IV da Lei n° 8.212/91 na redação dada pela Lei n° 9.876/99. Como não se trata de decisão transitada em julgado, o débito objeto desta NFLD está sendo levantado para evitar a decadência. Inconformada com a Decisão recorrida a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às efls. 735/821, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Fl. 987DF CARF MF Processo nº 13766.001952/200804 Acórdão n.º 2401005.132 S2C4T1 Fl. 4 5 Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, repisa as alegações da impugnação, pugna preliminarmente pela necessidade do exame integral da defesa por tratar de matéria distinta daquela discutida na via judicial. Também de forma preliminar, aduz que a presente Autuação não pode subsistir, pois está decaído o direito da Fazenda Publica em lançar o crédito fiscal referente às competências janeiro de 2001 a outubro de 2001, eis que passados 05 (cinco) anos entre a data da ocorrência do pretenso fato gerador da contribuição e a notificação do lançamento, tal qual prevê o artigo150,§ 4° do CTN. Por estar suspensa a exigibilidade da contribuição previdenciária em questão, por força de sentença proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 2001.50.02.0001216, (art. 151, lV do CTN) não podendo ser exigidos tais valores nem mesmo a título de prevenção de decadência, mormente juros e multa. Requer a realização de diligência esclarecendo para tanto que a presente autuação engloba supostos débitos da tomadora em relação a fatos geradores cuja perfeita quantificação, na absurda hipótese de admitida, dependeria da análise de elementos exclusivos das cooperativas prestadoras. Essa é a essência da diligência, caso contrário, aquilo que serviria como facilitador do recebimento (eleição da nota fiscal de serviços como base de cálculo para contribuição) pode se transformar em elemento de confisco e “bis in idem”. Haja vista a possibilidade da base de cálculo do tributo (serviços pessoais prestados pelos cooperados) ser distinta do montante total da nota fiscal, é absolutamente necessária a realização de diligência, sob o risco do INSS estar exigindo contribuição já recolhidas (eis que tributarseá valores da nota fiscal que refiramse ao custo administrativo da cooperativa, dentre o qual encontrase a remuneração de seus empregados, cujo recolhimento previdenciário próprio já ocorreu). Ainda de forma preliminar, pugna pela nulidade do lançamento por descumprimento de ordem judicial sobre a suspensão da exigibilidade da contribuição. No mérito, afirma ter entendido equivocadamente o Fisco Previdenciário serem os cooperados prestadores de serviços (cooperados de Unimed diversa), contribuintes individuais que prestariam serviços diretamente à Unimed Sul Capixaba, em conclusão que ignora toda a sistemática do cooperativismo de trabalho médico, voltado a angariar pacientes aos médicos cooperados. A lógica do sistema cooperativista não admite o entendimento de que a cooperativa seja tomadora dos serviços prestados por seus cooperados. Estes sim é que se valem dos serviços prestados pela referida entidade que atua como mandatária. Os tomadores de serviços prestados pelos médicos cooperados são, por óbvio, os usuários dos planos de saúde operados pela Unimed Sul Capixaba. Assim, as sociedades cooperativas não estão sujeitas ao recolhimento de contribuição previdenciária (15%) sobre os pagamentos realizados aos médicos cooperados, por não tomarem os serviços por ele prestados , nem mesmo quando se tratar de atendimento por médicos associados a cooperativa diversa (intercâmbio). Em uma ou outra situação, o tomador de serviços será sempre o usuário do plano, uma vez que esse fruirá os serviços médicos prestados (naturalmente os efetivos usuários serão as pessoas físicas beneficiárias do contrato.). A ausência de expressa previsão legal atribuindo tal ônus às cooperativas de trabalho, como é o caso da Recorrente, impossibilita que lhe seja atribuída qualquer obrigação previdenciária ante a verdadeira ausência de previsão legal que caracterize o pagamento aos seus cooperados ou de outras cooperativas como fato gerador. Alega que a contribuição criada pela Lei n° 9.876/99 que acrescentou ao art. 22 da Lei n° 8.212/91, o inciso IV, como não se enquadra nas hipóteses já previstas nos incisos do art. 195 da Constituição (que elenca as fontes de custeio da Seguridade Social), haveria de Fl. 988DF CARF MF 6 ser instituída necessariamente, por Lei Complementar, em atenção ao disposto nos artigos 194, § 4° c/c art. 154, inciso I da Carta Magna. Infirmar ser incabível a cobrança de multa e/ou juros na hipótese de lançamento para prevenir a decadência. Questiona que a multa aplicada tem caráter confiscatório, eis que calculada em 30% (trinta por cento) do valor lançado, podendo chegar a 100%. A vedação ao confisco é princípio com sede constitucional (art. 150, IV da CF/88), não podendo ser jamais olvidado pelas Autoridades Fiscais. A multa aplicada fere também o princípio da capacidade contributiva, eis que o acréscimo pretendido vai muito além da tentativa de coibir infrações tributárias, importando, na verdade, em majoração de tributo para além da capacidade econômica adquirida pela pessoa jurídica, além de majorar a própria alíquota, de forma dissimulada e indireta. Quanto aos juros infirmar ser induvidoso que a espécie de juros adotada pelo Ordenamento Jurídico Tributário é a dos juros moratórios, visto que constituem uma indenização pelo retardamento no cumprimento da obrigação. Através da leitura simples e objetiva do art. 161, § 1 ° do Código Tributário Nacional, podese auferir que o legislador pátrio definiu de forma explícita e imutável o valor do percentual anual a ser cobrado a título de taxa de juros, sendo inadmissível a exigência , por qualquer outro instrumento legal, de taxas de juros superiores a doze por cento ao ano. Portanto, em obediência ao ordenamento jurídico que disciplina as taxas de juros incidentes sobre o crédito tributário não pago à época do vencimento, é ilegal a utilização de taxa que represente juros compensatórios e que exceda o limite máximo fixado pelo CTN (art. 161, § 1°) e pela CF (art. 192, § 3°) qual seja, 12% ao ano. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para preliminarmente decretar a decadência e nulidade do Lançamento, e no mérito, desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 989DF CARF MF Processo nº 13766.001952/200804 Acórdão n.º 2401005.132 S2C4T1 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE CONCOMITÂNCIA DELIMITAÇÃO DA LIDE Apesar de presente o pressuposto de admissibilidade, ser tempestivo, há nos autos questão preliminar, indispensável ao deslinde da controvérsia, que deve ser elucidada, prejudicando, assim, o conhecimento de parte do recurso, como passaremos a demonstrar. Com efeito, a Recorrente impetrou na Seção Judiciária do Estado da Bahia o Ação Ordinária nº 2001.50.02.0001216, objetivando obter perante o Poder Judiciário a que não lhe fosse exigido o recolhimento de 15% sobre o valor bruto das notas fiscais ou faturas de prestação de serviços por cooperados através de cooperativas de trabalho. Assentado que a citada medida judicial versa no tudo e no todo sobre a mesma matéria tratada no presente Processo Administrativo Fiscal, e que a decisão proferida na Instância Judicial subjuga qualquer outra exarada na esfera administrativa, adquirindo inclusive o atributo da coisa julgada formal e material, resulta que, qualquer que seja o veredictum proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, bem como por esta Corte Administrativa, acerca da matéria objeto do litígio, será tido como letra morta diante da decisão judicial transitada em julgado. Da leitura da norma esculpida no §3º do art. 126 da Lei nº 8.213/91, numa interpretação sistemática e teleológica com os princípios da eficiência e da economia processual, conduz ao entendimento de que a propositura de ação judicial que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo, importa renúncia dos beneficiários acobertados pelos resultados de tal demanda ao direito de recorrer na esfera administrativa e à desistência do eventual recurso interposto. Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) (...) 3º A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. A matéria em apreço já foi enfrentada, em situações pretéritas idênticas, por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, dando ensejo à edição da Súmula nº 1, cujo Verbete transcrevemos adiante: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade Fl. 990DF CARF MF 8 processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Diante desse quadro, pugnamos pelo não conhecimento dos temas levados à apreciação do Poder Judiciário, e reiterados no vertente Instrumento Recursal interposto perante este Colegiado, com fundamento no preceito insculpido no art. 126, §3º da Lei nº 8.213/91, em interpretação sistemática e teleológica com os princípios da eficiência e da economia processual. A renúncia ora em voga independe de ato volitivo da parte, ou mesmo da vontade psicológica do Impetrante. Ela decorre ex lege, e de forma objetiva, independentemente do motivo ou do tempo em que a demanda tenha sido ajuizada perante o poder judiciário. Tal conclusão não colide com as diretivas positivadas no art. 35 da Portaria RFB n°10.875/2007, in verbis: Portaria RFB n°10.875, de 16 de agosto de 2007. Art. 35. A propositura de ação judicial pelo sujeito passivo, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente ao lançamento, com o mesmo objeto, importa em renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto. Mesmo em se tratando de matéria já declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, no entender deste Colegiado, não há como conhecer do recurso em observância ao princípio da celeridade e economia processual, por afronta direta a todos os fundamentos acima expostos. Verificamos a existência de argumentos distintos daqueles ventilados na demanda judicial, neste aspecto, por preencher o pressuposto de admissibilidade, conheço das alegações sobre a decadência, necessidade de diligência, nulidade do lançamento e multa/juros. DA MATÉRIA CONHECIDA PRELIMINAR DA DECADÊNCIA Preliminarmente, aduz que a presente Autuação não pode subsistir, pois está decaído o direito da Fazenda Publica em lançar o crédito fiscal referente às competências janeiro de 2001 a outubro de 2001, eis que passados 05 (cinco) anos entre a data da ocorrência do pretenso fato gerador da contribuição e a notificação do lançamento, tal qual prevê o artigo 150, §4° do CTN. Por estar suspensa a exigibilidade da contribuição previdenciária em questão, por força de sentença proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 2001.50.02.0001216, (art. 151, lV do CTN) não podendo ser exigidos tais valores nem mesmo a título de prevenção de decadência, mormente juros e multa. Em que pesem as substanciosas razões ofertadas pela contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que o lançamento, corroborado pela decisão recorrida, apresentase formalmente incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar, resumidamente, as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Fl. 991DF CARF MF Processo nº 13766.001952/200804 Acórdão n.º 2401005.132 S2C4T1 Fl. 6 9 Primeiramente destacase o lançamento de ofício ou direto, previsto no artigo 149 do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Ao fim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades fazendárias. Dessa forma, estando as Contribuições Previdenciárias sujeitas ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levandose em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos submetidos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4º, do Código Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza tão somente pelo pagamento. Ao contrário, tratase, em verdade, de um procedimento complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não. Observese, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei. E, esta, em momento algum afirma que assim o é tão somente quando houver pagamento. Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não tem nada a recolher, ou mesmo quando encontrase beneficiado por isenções e/ou imunidades, onde, em que pese haver o dever de elaborar declarações pertinentes, informando os fatos geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do tributo em razão de uma benesse fiscal? Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, proceder à análise das informações prestadas pelo contribuinte homologandoas ou não, quando inexistir concordância. Neste último caso, promover o lançamento de ofício da importância que apurar devida. Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, o qual dispôs expressamente os casos em que referido prazo deslocarseá para o artigo 173, inciso I, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação específica contempla a aplicação de outro prazo decadencial, afastandose a regra do artigo 150, § 4º. Como se constata, a toda evidência, a contagem do lapso temporal em comento independe de pagamento. Ou seja, comprovandose que o contribuinte deixou efetuar o recolhimento dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizandose de instrumentos ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso Fl. 992DF CARF MF 10 I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema. Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicarseia o artigo 150, § 4º, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de antecipação de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de ofício, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso I. Ressaltase, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em “homologação”. Afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, por entender que as Contribuições Sociais Previdenciárias deve observância ao prazo decadencial do artigo 150, § 4°, do Códex Tributário, independentemente de antecipação de pagamento, salvo quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o certo é que a partir da alteração do Regimento Interno do CARF (artigo 62A), introduzida pela Portaria MF nº 586/2010, os julgadores deste Colegiado estão obrigados a “reproduzir” as decisões do STJ tomadas por recurso repetitivo, razão pela qual deixaremos de abordar aludida discussão, mantendo o entendimento que a aplicação do dispositivo legal retro depende da existência de recolhimentos do mesmo tributo no período objeto do lançamento, na forma decidida por aquele Tribunal Superior nos autos do Resp n° 973.733/SC, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos Fl. 993DF CARF MF Processo nº 13766.001952/200804 Acórdão n.º 2401005.132 S2C4T1 Fl. 7 11 ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Na esteira desse raciocínio, uma vez delimitado pelo STJ e, bem assim, pelo Regimento Interno do CARF que nos lançamentos por homologação a antecipação de pagamento é indispensável à aplicação do instituto da decadência, nos cabe tão somente nos quedar a aludida conclusão e constatar ou não a sua ocorrência. Entrementes, a controvérsia em relação a referido tema encontrase distante de remansoso desfecho, se fixando agora em determinar o que pode ser considerado como antecipação de pagamento das contribuições, sobretudo em face das diversas modalidades e/ou procedimentos adotados por ocasião do lançamento fiscal. In casu, porém, despiciendas maiores elucidações a propósito da matéria, uma vez que a simples análise dos autos nos leva a concluir pela inexistência de antecipação de pagamento relativamente as notas fiscais de prestação de serviços no período fiscalizado, inclusive por ser de fácil percepção, uma vez que existe medida judicial para o recolhimento. Na esteira dessas considerações, não vislumbrando a ocorrência de recolhimentos antecipação de pagamento, fato relevante para aplicação do instituto da decadência nos termos da decisão do STJ acima ementada, a qual estamos obrigados a Fl. 994DF CARF MF 12 observar, é de se manter a ordem legal no sentido de aplicar o prazo decadencial inscrito no artigo 173, inciso I do CTN, afastando a decadência pleiteada pelo contribuinte. PRELIMINAR DA NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA A recorrente requer a realização de diligência esclarecendo para tanto que a presente autuação engloba supostos débitos da tomadora em relação a fatos geradores cuja perfeita quantificação, na absurda hipótese de admitida, dependeria da análise de elementos exclusivos das cooperativas prestadoras. Essa é a essência da diligência, caso contrário, aquilo que serviria como facilitador do recebimento (eleição da nota fiscal de serviços como base de cálculo para contribuição) pode se transformar em elemento de confisco e “bis in idem”. Haja vista a possibilidade da base de cálculo do tributo (serviços pessoais prestados pelos cooperados) ser distinta do montante total da nota fiscal, é absolutamente necessária a realização de diligência, sob o risco do INSS estar exigindo contribuição já recolhidas (eis que tributarseá valores da nota fiscal que refiramse ao custo administrativo da cooperativa, dentre o qual encontrase a remuneração de seus empregados, cujo recolhimento previdenciário próprio já ocorreu). Quanto ao indeferimento do pedido de diligência para produção de prova, igualmente, decidiu acertadamente o ilustre julgador de primeira instância. Além de a recorrente não atender os requisitos para concessão da perícia, inscritos no artigo 16, inciso IV, do Decreto 70.235/72, a autoridade recorrida já tinha formado sua convicção no sentido de manter o lançamento fiscal com base nos demais documentos constantes dos autos, sendo despiciendo a produção de prova pericial. Com efeito, a produção de prova pericial se faz necessária quando indispensável ao deslinde da questão, não se prestando para fins protelatórios, o que impõe o seu indeferimento nos termos do artigo 38, § 2º da Lei nº 9.784/99 c/c o artigo 16, inciso IV, § 1º do Decreto 70.235/72, in verbis: Lei 9.784/99 Art. 38. [...]§ 2º Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias.” “Decreto 70.235/72 Art. 16. [...]IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito; § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. Mais a mais, tratandose de matéria de fato, caberia a contribuinte ao ofertar a sua defesa produzir a prova em contrário através de documentação hábil e idônea. Não o fazendo, é de se manter o lançamento, corroborado pela decisão de primeira instância. Registrese, por fim, que a contribuinte em seu Recurso Voluntário, a exemplo das fases anteriores do processo administrativo, não apresentou nenhuma documentação capaz de comprovar que os valores lançados não condizem com a verdade. PRELIMINAR NULIDADE DO LANÇAMENTO Fl. 995DF CARF MF Processo nº 13766.001952/200804 Acórdão n.º 2401005.132 S2C4T1 Fl. 8 13 Ainda de forma preliminar, pugna pela nulidade do lançamento por descumprimento de ordem judicial sobre a suspensão da exigibilidade da contribuição. Em que pesem as substanciosas razões ofertadas pela contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que os lançamentos, corroborados pela decisão recorrida, apresentamse formalmente incensuráveis, devendo ser mantidos em sua plenitude. Havendo a suspensão dessa exigibilidade, a doutrina e a jurisprudência têm reconhecido que a autoridade administrativa não está impedida de fiscalizar e lançar o crédito tributário, pois essa suspensão referese ao crédito e não a possibilidade de a autoridade fiscal efetuar o lançamento, estando suspensos tãosomente os atos executórios da cobrança. Reprise se que o lançamento tributário constitui atividade obrigatória e vinculada, sob pena de responsabilidade civil, criminal e administrativa, e busca garantir o direito do Fisco em face da decadência. Assim sendo, uma vez que a Lei n° 8.212/91 define que a contribuição da empresa é de quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho e, considerando que a Impugnante é impetrante de uma Ação Ordinária n° 2001.50.02.0001216, na Vara Federal de Cachoeiro de Itapemirim na qual discute a constitucional idade das contribuições objeto destes autos, ainda não transitada em julgado, suspendendo a exigibilidade da contribuição, mas não o lançamento, o procedimento fiscal encontrase correto. Resta evidenciada a legitimidade da ação fiscal que deu ensejo ao presente lançamento, cabendo ressaltar que tratase de procedimento de natureza indeclinável para o Agente Fiscalizador, dado o caráter de que se reveste a atividade administrativa do lançamento, que é vinculada e obrigatória, nos termos do art. 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional, que assim dispõe: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação de penalidade cabível. De fato, o ato administrativo deve ser fundamentado, indicando a autoridade competente, de forma explícita e clara, os fatos e dispositivos legais que lhe deram suporte, de maneira a oportunizar ao contribuinte o pleno exercício do seu consagrado direito de defesa e contraditório, sob pena de nulidade. E foi precisamente o que aconteceu com os presentes lançamentos. A simples leitura dos anexos das autuações, especialmente o “Fundamentos Legais do Débito – FLD”, Relatório Fiscal e demais informações fiscais, não deixa margem de dúvida recomendando a manutenção dos lançamentos. Consoante se positiva dos anexos encimados, a fiscalização ao promover os lançamentos demonstrou de forma clara e precisa os fatos que lhes suportaram, ou melhor, os fatos geradores do crédito tributário, não se cogitando na nulidade dos procedimentos. Mais a mais, a exemplo da defesa inaugural, a contribuinte não trouxe qualquer elemento de prova capaz de comprovar que os lançamentos encontramse maculados Fl. 996DF CARF MF 14 por vício em sua formalidade, escorando seu pleito em simples arrazoado desprovido de demonstração do sustentado. MÉRITO DA MULTA E JUROS LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA Infirmar ser incabível a cobrança de multa e/ou juros na hipótese de lançamento para prevenir a decadência. Questiona que a multa aplicada tem caráter confiscatório, eis que calculada em 30% (trinta por cento) do valor lançado, podendo chegar a 100%. A vedação ao confisco é princípio com sede constitucional (art. 150, IV da CF/88), não podendo ser jamais olvidado pelas Autoridades Fiscais. A multa aplicada fere também o princípio da capacidade contributiva, eis que o acréscimo pretendido vai muito além da tentativa de coibir infrações tributárias, importando, na verdade, em majoração de tributo para além da capacidade econômica adquirida pela pessoa jurídica, além de majorar a própria alíquota, de forma dissimulada e indireta. Primeiramente, destacase que, tratase de multa de mora e não de ofício. Assim, cabe analisar a legalidade da incidência da multa de mora no presente lançamento para fins de prevenção da decadência. O art. 63 da Lei nº. 9.430/96, dispõe claramente que a concessão de medida liminar "interrompe" a incidência de multa de mora. Vejamos: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Não há dúvidas no presente caso, de acordo com o Relatório Fiscal, que o lançamento fora realizado para fins de prevenção da decadência. Assim, inconteste que o presente lançamento ocorreu na vigência da medida liminar/setença, por isso realizado para fins de prevenção da decadência. Isto posto, entendo aplicável o disposto no artigo 63, § 2º do da Lei nº. 9.430/96: Por essas razões, por aplicação do dispositivo legal acima, entendo que deve ser dado provimento ao recurso voluntário para o fim de afastar a multa de mora aplicada ao presente lançamento para fins de prevenir a decadência. Quanto aos juros não há o que se falar em sua exclusão. Até porque o art. 63 da Lei n.º 9.430/1996 não prevê a exclusão dos mesmos na hipótese de lançamento para prevenir a decadência. E de fato, não poderia ser de outra forma, haja vista que os juros nada mais representam de que uma compensação à Fazenda pelo pagamento fora do prazo, não possuindo caráter de punição. Fl. 997DF CARF MF Processo nº 13766.001952/200804 Acórdão n.º 2401005.132 S2C4T1 Fl. 9 15 DOS JUROS TAXA SELIC Quanto aos juros infirmar ser induvidoso que a espécie de juros adotada pelo Ordenamento Jurídico Tributário é a dos juros moratórios, visto que constituem uma indenização pelo retardamento no cumprimento da obrigação. Através da leitura simples e objetiva do art. 161, § 1 ° do Código Tributário Nacional, podese auferir que o legislador pátrio definiu de forma explícita e imutável o valor do percentual anual a ser cobrado a título de taxa de juros, sendo inadmissível a exigência , por qualquer outro instrumento legal, de taxas de juros superiores a doze por cento ao ano. Portanto, em obediência ao ordenamento jurídico que disciplina as taxas de juros incidentes sobre o crédito tributário não pago à época do vencimento, é ilegal a utilização de taxa que represente juros compensatórios e que exceda o limite máximo fixado pelo CTN (art. 161, § 1°) e pela CF (art. 192, § 3°) qual seja, 12% ao ano. Destarte, as contribuições sociais arrecadadas pelo INSS estão sujeitas à taxa referencial do SELIC – Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, nos termos do artigo 34 da Lei nº 8.212/91, não prosperando a alegação da impossibilidade de utilização para a fixação de juros de mora, senão vejamos: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei) Por sua vez, de conformidade com o artigo 35, inciso I, da Lei 8.212/91, vigente à época, as contribuições previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso, senão vejamos: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: [...] Nesse sentido, devida à contribuição e não sendo recolhida até a data do vencimento, fica sujeita aos acréscimos legais na forma da legislação de regência. Portanto, correta a aplicação da taxa SELIC, com fulcro no artigo 34 da Lei nº 8.212/91 e, bem assim, da multa moratória, nos termos do artigo 35 do mesmo Diploma Legal. Além do que a aplicação da taxa SELIC é matéria pacificada no âmbito desse Conselho conforme se verifica pela Súmula CARF nº 4 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de Fl. 998DF CARF MF 16 inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Em face do exposto, improcedente é o pedido. Por todo o exposto, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER PARCIALMENTE DO RECURSO VOLUNTÁRIO, em observância a Súmula n° 1 do CARF, na parte conhecida, rejeitar as preliminares, e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para afastar a multa de mora exigida, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 999DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.905863/2009-51
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jan 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
IPI - RESSARCIMENTO - CRÉDITO PRESUMIDO - ENERGIA ELÉTRICA.
Não é possível a inclusão da Energia Elétrica na base de cálculo do crédito presumido do IPI. Aplicação direta da súmula 19
Numero da decisão: 3001-000.045
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dos votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Cássio Schappo.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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Não é possível a inclusão da Energia Elétrica na base de cálculo do crédito presumido do IPI. Aplicação direta da súmula 19 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dos votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Cássio Schappo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 58 63 /2 00 9- 51 Fl. 123DF CARF MF 2 Despacho Decisório 845332115 O despacho decisório acima referenciado, tratou de analisar a Per/Dcomp sob n. 33113.43461.270904.1.1.010257, sendo o período de apuração relativo ao 3.º Trimestre de 2003, e, o assunto tratado, referirse a Ressarcimento de IPI. O valor do crédito demonstrado é de R$ 21.675,79, tendo ocorrido o reconhecimento do Valor do Crédito de R$ 20.962,90. O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado em razão da ocorrência de glosa de crédito presumido considerado indevido. O crédito, por fim, foi considerado insuficiente para compensar a DCOMP 20191.03178.030205.1.3.010000, tendo sido declarado não haver valor a ser restituído na Dcomp 33113.43461.270904.1.1.010257. O crédito tributário exigido nestes autos atinge a ordem de, no valor principal, R$ 1.121,89, Multa de R$ 224,37 e Juros de R$ 677,84. Manifestação de Inconformidade Selic A defesa apresentou argumentou no sentido de apontar a omissão do Despacho Decisório Eletrônico acerca da incidência de correção monetária via taxa Selic, transcrevendo inúmeras decisões em prol de sua tese. Energia Elétrica No mérito, sustenta se direito à tomada de crédito apontando a origem com referência à inclusão da energia elétrica como base de cálculo do crédito presumido de IPI. Acórdão DRJ/JFA A manifestação de inconformidade foi julgada com a seguinte ementa: Acórdão 0935.280 3.º T A s s u n t o : I m p o s t o s o b r e P r o d u t o s I n d u s t r i a l i z a d o s IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. ENERGIA ELÉTRICA A base de cálculo do crédito presumido será o somatório da aquisição de insumos, correspondentes a matérias primas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo, dentre os quais não se incluem gastos com energia elétrica que. por não ser consumida em contato direto com o produto, não se enquadra nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. A s s u n t o: N o r m a s d e A d m i n i s t r a ç ã o T r i b u t á r i a Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 I Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10665.905863/200951 Acórdão n.º 3001000.045 S3C0T1 Fl. 124 3 RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. É incabível, por falta de previsão legal, a incidência de atualização monetária ou de juros Selic sobre o ressarcimento de créditos dc IPI. A s s u n t o : N o r m a s G e r a i s d e D i r e i t o T r i b u t á r i o Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO DEFERIDO EM PARTE NÃO HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. A permissão para a compensação de débitos tributários somente se dá com créditos líquidos e certos, conforme art. 170 do CTN. Uma vez deferido em parte o direito creditório indicado pela interessada para compensar os débitos objeto das DCOMPS em análise, cabe a homologação parcial das compensações sob exame, até o limite do direito creditório reconhecido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Análise da Jurisprudência apresentada Menciona as particularidades do processo fiscal administrativo brasileiro, em especial, a lei 8.112/90 estatuto do servidor público bem como o entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), mais precisamente o artigo 7.º da Portaria MF n.º 58/06: "O julgador deve observar o disposto no artigo 116, III, da Lei 8.112/90, bem assim o entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) expresso em seus atos normativos". Resta expresso no voto que, acerca dos limites dos efeitos jurídicos dos julgados trazidos, mesmo sobre as decisões do STF, explana que não alcançam terceiros, pois não participaram da lide. Referindose às decisões administrativas, menciona não devem ser aplicadas fora do âmbito dos processos nos quais foram proferidas. Glosa de Créditos decorrente da Energia Elétrica na Base de Cálculo do Crédito Presumido O Relator faz menção à atividade da empresa, qual seja, a exploração de todo o tipo de atividade mineral, especialmente pedreiras de ardósia. Reproduziu o argumento da Recorrente, na qual a energia elétrica é consumida diretamente na fabricação do produto exportado, com incidência direta nas matérias primas e indispensável à obtenção do produto final, embora não se integrando a este, classificase como produto intermediário e, como tal, pode ser incluída na base de cálculo do crédito presumido. Traz a Lei 9.363/96, a qual preve que empresa produtora exportadora fará jus ao crédito presumido de IPI, para se ressarcir do valor das contribuições para o Pis e Cofins, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem Artigo 147 RIPI/98, O dispositivo regulador define que o direito ao crédito de IPI se dá em relação a matérias primas e produtos intermediários que passam a compor o produto final, e, também, o direito de se creditar do imposto relativo a insumos que, sem Fl. 125DF CARF MF 4 compor a mercadoria final, sejam consumidos durante o processo produtivo e não se classifiquem no ativo permanente, e demais considerações do Parecer Normativo CST 65/79. Concluiu que o produto industrializado pela Recorrente, concluise que os gastos com energia elétrica não podem ser computados na base de cálculo do Crédito Presumido sob a forma de insumos utilizados no processo produtivo. Por fim, cita legislação que autorizou a pessoa jurídica exportadora de mercadorias a determinar o valor do crédito presumido do IPI utilizandose de base de cálculo do crédito presumido formada pela soma não só dos custos de aquisição de insumos, matérias primas e produtos intermediários e embalagem, mas também dos gastos com energia elétrica e com combustíveis, apenas para os contribuintes que optarem pelo regime alternativo previsto na 10.276/01. Recurso Voluntário Tratase de pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPI no valor de R$ 21.675,79, referente ao 3.º trimestre de 2003. Entendeu a Recorrente que seria possível a inclusão da energia elétrica na base de cálculo do crédito presumido mencionado. O acórdão negou o crédito relativo a energia elétrica sob o argumento de não se enquadrar no conceito de produto intermediário. Busca o conceito de produto intermediário com apoio na Instrução Normativa da Superintendência de legislação do estado de Minas SLT 01/20/1986, a qual considera que produto intermediário é também, aquele que não se integra ao produto. Pugna pela aplicação da lei 9.363/96 que instituiu o crédito presumido de IPI, além de citar jurisprudência deste CARF a favor de seu entendimento. É o Relatório. Voto Conselheiro Relator Renato Vieira de Avila A matéria em discussão, ou seja, a possibilidade de inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, os montantes relativos à energia elétrica, já se encontra pacificada neste Conselho. Inclusive, matéria apontada na súmula transcrita a seguir. Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Acórdão: 9303003.508 – 3ª Turma Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10665.905863/200951 Acórdão n.º 3001000.045 S3C0T1 Fl. 125 5 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZAD OS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 Ementa. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 9.363/96. BASE DE CÁLCULO. COMBUSTÍVEL. SÚMULA CARF Nº 19. Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez q ue não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria prima ou produto intermediário. Conclusão Ante o Exposto, conheço do Recurso, mas Negolhe Provimento. (assinado digitalmente) Relator Renato Vieira de Avila Fl. 127DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13671.720079/2011-07
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2010
DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. OBRIGATORIEDADE.
Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência.
Numero da decisão: 1001-000.131
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues (Relator), José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2010 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. OBRIGATORIEDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues (Relator), José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. OBRIGATORIEDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues (Relator), José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 67 1. 72 00 79 /2 01 1- 07 Fl. 28DF CARF MF Processo nº 13671.720079/201107 Acórdão n.º 1001000.131 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 24 a 26) interposto contra o Acórdão nº 0239.269, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG (fls. 18 a 20), que, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: " ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. OBRIGATORIEDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " Contra o sujeito passivo foi lavrada notificação de lançamento relativa a FALTA/ATRASO NA ENTREGA DA DCTF com exigência de crédito tributário no valor de R$ 500,00 e acréscimos legais. Os dispositivos legais infringidos constam na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal. Irresignado, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 02 a 04) contra o lançamento alegando que a Receita Federal, no mês de fev/2011, estava com problemas na detecção de certificados digitais emitidos pela Caixa Econômica Federal, o que impossibilitou a empresa de transmitir, dentro do prazo, a DACON/DCTF referente ao mês de 12/2010. Alega, ainda, que as multas devem ser anistiadas pelo motivo de que a emissão fora do prazo não foi por equívoco e sim por motivos alheios ao contribuinte. Uma vez que não possa haver impasse em situações insolúveis, é injustiça o contribuinte arcar com multas geradas por motivo que incompete a ele solucionar." Inconformado com a decisão de primeira instância, após regularmente cientificado da decisão, o contribuinte apresentou o presente Recurso Voluntário alegando como preliminar, novamente, que o atraso na entrega da declaração se deu por conta dos problemas do sistema da RFB na detecção de seu certificado digital. No mérito, rebateu os argumentos da decisão de primeira instância, se utilizando sempre do mesmo argumento da preliminar. É o relatório. Fl. 29DF CARF MF Processo nº 13671.720079/201107 Acórdão n.º 1001000.131 S1C0T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais, portanto, dele conheço. Primeiramente, entendo que a matéria que a Recorrente preferiu tratar em um tópico chamado de "preliminar" não se trata de preliminar alguma, e sim do próprio mérito. Notese que são esses mesmos argumentos que a parte usa para combater a decisão de primeira instância no tópico que intitulo de "mérito". Assim, da mesma forma que o fez a decisão da DRJ de origem, analisarei toda a questão como mérito do processo. Superada esta questão, prosseguimos ao mérito. Conforme já relatado, a Recorrente alega que tentou proceder à entrega da declaração tempestivamente, porém foi surpreendido por uma instabilidade nos sistemas da RFB que não reconheciam o seu certificado digital regularmente. Teria ele entrado em contato com o setor competente da administração fazendária, que teria reconhecido o problema e dito que seria corrigido. Contudo, segundo narrou, a correção veio apenas após vencido o prazo, o que teria dado causa ao atraso. Primeiramente, de forma diversa à consignada na decisão ora atacada, entendo ter a administração fazendária responsabilidade pelas falhas ocorridas em suas ferramentas eletrônicas. Em hipótese semelhante à narrada pelo contribuinte, se comprovada a falha interna no sistema eletrônico fazendário que não reconheceu certificado digital homologado e normalmente aceito pela RFB, não vejo como ser possível invocar o art. 136 do CTN para a manutenção da multa lavrada. Veja, ao estabelecer que "(...)a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato" a lei apenas retirou a necessidade de dolo específico do agente, ou de efetivo prejuízo causado, para a caracterização da infração, em momento algum este dispositivo determina que eventual culpa da Administração Pública pela infração não possa ser alegada para excluir a responsabilidade do agente. Por outro lado, após firmada esta premissa de direito, não podemos olvidar da responsabilidade do Recorrente trazer aos autos material probatórios que corrobore as suas alegações. É indispensável para que as alegações do Recorrente possam ser acolhidas para eventual exoneração de multa que este comprove tanto a falha ocorrida, quanto a preponderância desta falha nos fatos que ensejaram o atraso. Fl. 30DF CARF MF Processo nº 13671.720079/201107 Acórdão n.º 1001000.131 S1C0T1 Fl. 5 4 Voltando o foco aos documentos apresentados pela Recorrente, algumas constatações chamam a atenção. Segundo a documentação apresentada, a Recorrente enviou mensagem à Ouvidoria do Ministério da Fazenda, relatando os problemas supostamente incorridos, apenas no dia 23/02/2011. Ocorre que conforme consta dos autos, a data limite para a entrega da DCTF era 22/02/2011. Ou seja, quando foi registrada a informação, a obrigação já estava em atraso. Outrossim, não há qualquer outro registro de contato anterior a essa data apresentado, exceto seu exclusivo relato. Igualmente, a tela em que mostra o sistema acusando o não reconhecimento do certificado digital utilizado também é datada do mesmo dia 23/02/2011. Somandose a isso, esta tela tratase de tentativa de entrega em nome de empresa estranha ao presente processo, e não da própria Recorrente. Ora, não parece fazer sentido se utilizar de mensagem de erro referente a processo de terceiro para comprovar qualquer falha em seu próprio processo, ainda que ambas as empresas possuam o mesmo procurador. Assim, em última análise não se tem nos autos qualquer comprovação, ou pelo menos indício suficiente para suscitar dúvidas neste julgador, de que: (i) efetivamente houve falha na entrega da DCTF que originou o lançamento em tela; e (ii) ainda que se admita a ocorrência da falha, que esta não aconteceu quando o prazo já se encontrava vencido. Desta forma, diante de todas as considerações feitas, VOTO pela IMPROCEDÊNCIA do Recurso Voluntário, com a consequente manutenção do crédito. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 31DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.730933/2014-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011
PROVA INDICIÁRIA. VERDADE MATERIAL.
Não há que se falar em preliminar de nulidade do lançamento por utilização de prova indiciária e por falha na busca da verdade material quando a autoridade lançadora justifica e apresenta provas de todos os fatos que lastrearam o seu entendimento. A análise da suficiência das provas é questão de mérito e não de preliminar.
BASE DE CÁLCULO. ILIQUIDEZ E INCERTEZA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em preliminar de nulidade do lançamento por incerteza e iliquidez da base de cálculo, especificamente por ocorrência de arbitramento, quando a autoridade lançadora demonstra, com fundamentos em Lei e em fatos, as razões que levaram a essa forma de apuração.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa por falta de motivação quando a autoridade lançadora descreve minuciosamente o procedimento fiscal, a fundamentação legal e lógica do lançamento, e ainda por cima a Contribuinte apresenta defesa apta e específica demonstrando ter compreensão das razões do lançamento.
RELAÇÃO JURÍDICA. CLASSIFICAÇÃO. IDENTIFICAÇÃO DOS ELEMENTOS ESSENCIAIS NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE INTERMEDIAÇÃO DE VENDA DE IMÓVEIS POR CORRETOR QUE ATUA EM NOME DA IMOBILIÁRIA.
A determinação da natureza dos atos praticados e dos negócios celebrados, para fins de incidência da norma tributária, é realizada com base nos elementos essenciais das relações jurídicas estabelecidas, que se revelam com a identificação dos efetivos direitos exercidos e obrigações contraídas pelos interessados, independentemente do nome dado aos instrumentos contratuais formalizados ou dos procedimentos realizados.
O pagamento realizado diretamente pelo cliente ao corretor de imóveis não tem o condão de afastar o fato de que o corretor prestou à imobiliária o serviço de intermediação junto a terceiros. Comprovando-se a ocorrência de prestação de serviço deste para com a imobiliária, é esta que deve responder pelas correspondentes obrigações tributárias.
MULTA QUALIFICADA. REQUISITOS. ASPECTO SUBJETIVO DO INFRATOR. AUSÊNCIA DE CONDUTA DOLOSA ESPECÍFICA.
Diferentemente da multa de oficio de 75%, que é objetiva, a multa qualificada de 150% necessita da aferição do aspecto subjetivo do infrator, consistente na vontade livre e consciente, deliberada e premeditada de praticar a conduta da sonegação.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GRUPO ECONÔMICO.
A responsabilidade pelas contribuições previdenciárias tem regra especial no artigo 30, IX, da Lei nº 8.212/91, segundo o qual basta a formação do grupo econômico para que todas as empresas que dele participem respondam individual e conjuntamente sobre as contribuições devidas por qualquer uma delas, independentemente da participação ou não nos atos que constituam fatos geradores ou infração.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. SÚMULA CARF Nº 88.
A Relação de Co-Responsáveis - CORESP, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa (Súmula CARF nº 88).
Numero da decisão: 2202-004.307
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de impedimento da Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, suscitada pelo patrono da Contribuinte. Por unanimidade de votos, rejeitar as demais preliminares. No mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento aos recursos voluntários; vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Dílson Jatahy Fonseca Neto (Relator), Junia Roberta Gouveia Sampaio e Virgílio Cansino Gil, que deram provimento integral ao recurso. Quanto à multa qualificada, por maioria de votos, afastar a qualificação, reduzindo-a ao percentual de 75%; vencida a Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, que negou provimento ao recurso nessa parte. Foi designado o Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Redator designado.
(assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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VERDADE MATERIAL. Não há que se falar em preliminar de nulidade do lançamento por utilização de prova indiciária e por falha na busca da verdade material quando a autoridade lançadora justifica e apresenta provas de todos os fatos que lastrearam o seu entendimento. A análise da suficiência das provas é questão de mérito e não de preliminar. BASE DE CÁLCULO. ILIQUIDEZ E INCERTEZA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em preliminar de nulidade do lançamento por incerteza e iliquidez da base de cálculo, especificamente por ocorrência de arbitramento, quando a autoridade lançadora demonstra, com fundamentos em Lei e em fatos, as razões que levaram a essa forma de apuração. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa por falta de motivação quando a autoridade lançadora descreve minuciosamente o procedimento fiscal, a fundamentação legal e lógica do lançamento, e ainda por cima a Contribuinte apresenta defesa apta e específica demonstrando ter compreensão das razões do lançamento. RELAÇÃO JURÍDICA. CLASSIFICAÇÃO. IDENTIFICAÇÃO DOS ELEMENTOS ESSENCIAIS NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE INTERMEDIAÇÃO DE VENDA DE IMÓVEIS POR CORRETOR QUE ATUA EM NOME DA IMOBILIÁRIA. A determinação da natureza dos atos praticados e dos negócios celebrados, para fins de incidência da norma tributária, é realizada com base nos elementos essenciais das relações jurídicas estabelecidas, que se revelam com AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 73 09 33 /2 01 4- 08 Fl. 3001DF CARF MF Processo nº 10166.730933/201408 Acórdão n.º 2202004.307 S2C2T2 Fl. 3.002 2 a identificação dos efetivos direitos exercidos e obrigações contraídas pelos interessados, independentemente do nome dado aos instrumentos contratuais formalizados ou dos procedimentos realizados. O pagamento realizado diretamente pelo cliente ao corretor de imóveis não tem o condão de afastar o fato de que o corretor prestou à imobiliária o serviço de intermediação junto a terceiros. Comprovandose a ocorrência de prestação de serviço deste para com a imobiliária, é esta que deve responder pelas correspondentes obrigações tributárias. MULTA QUALIFICADA. REQUISITOS. ASPECTO SUBJETIVO DO INFRATOR. AUSÊNCIA DE CONDUTA DOLOSA ESPECÍFICA. Diferentemente da multa de oficio de 75%, que é objetiva, a multa qualificada de 150% necessita da aferição do aspecto subjetivo do infrator, consistente na vontade livre e consciente, deliberada e premeditada de praticar a conduta da sonegação. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GRUPO ECONÔMICO. A responsabilidade pelas contribuições previdenciárias tem regra especial no artigo 30, IX, da Lei nº 8.212/91, segundo o qual basta a formação do grupo econômico para que todas as empresas que dele participem respondam individual e conjuntamente sobre as contribuições devidas por qualquer uma delas, independentemente da participação ou não nos atos que constituam fatos geradores ou infração. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. SÚMULA CARF Nº 88. A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa (Súmula CARF nº 88). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de impedimento da Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, suscitada pelo patrono da Contribuinte. Por unanimidade de votos, rejeitar as demais preliminares. No mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento aos recursos voluntários; vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Dílson Jatahy Fonseca Neto (Relator), Junia Roberta Gouveia Sampaio e Virgílio Cansino Gil, que deram provimento integral ao recurso. Quanto à multa qualificada, por maioria de votos, afastar a qualificação, reduzindoa ao percentual de 75%; vencida a Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, que negou provimento ao recurso nessa parte. Foi designado o Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Redator designado. Fl. 3002DF CARF MF Processo nº 10166.730933/201408 Acórdão n.º 2202004.307 S2C2T2 Fl. 3.003 3 (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. Relatório Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor da Contribuinte para constituir crédito referente às Contribuições Previdenciárias. Foram formalizados Termos de Sujeição Passiva Solidária em relação a outras empresas por ter sido identificada a ocorrência de Grupo Econômico. Tendo a DRJ negado provimento às Impugnações, a Contribuinte e as Responsáveis Solidárias interpuseram Recursos Voluntários, ora levados a julgamento. Feito o breve resumo da lide, passo ao relatório pormenorizado dos autos. Em 16/12/2014 foram lavrados os autos de infração: · DEBCAD nº 51.070.0551 (fls. 1.601/1.612), referente à cota patronal da comissão de vendas; · DEBCAD nº 51.070.0578 (fls. 1.613/1.622), referente à cota patronal da comissão de vendas em função da desconsideração da N & Y Imóveis Ltda.; · DEBCAD nº 51.070.0560 (fls. 1.623/1.633), referente à cota do segurado da comissão de vendas; e · DEBCAD nº 51.070.0586 (fls. 1.634/1.642), referente à cota do segurado da comissão de vendas em função da desconsideração da N & Y Imóveis Ltda. Foram formalizados, ainda, os Termos de Sujeição Passiva Solidária nº 01, 02 e 03/2014 (fls. 59/64 e 1.594/1.599), em relação a FMQ PARTICIPAÇÕES S.A.; OCEAN VENTURE PARTICIPAÇÕES S.A.; e VIA ENGENHARIA S.A. Conforme o Relatório Fiscal dos Autos de Infração (fls. 15/57 e docs. anexos fls. 65/1.593), "I — DA INTRODUÇÃO (...) Fl. 3003DF CARF MF Processo nº 10166.730933/201408 Acórdão n.º 2202004.307 S2C2T2 Fl. 3.004 4 2. Na presente ação fiscal foram lavrados autos de infração distintos, conforme a natureza das obrigações tributárias. O Auto de Infração relacionado à obrigação principal referese às contribuições previdenciárias de responsabilidade da Empresa (AIOP Debcad n° 51.070.0551 e Debcad n° 51.070.0578) e dos segurados contribuintes individuais (AIOP Debcad n° 51.070.0560 e Debcad n° 51.070.0586), incidentes sobre pagamentos efetuados a corretores de imóveis autônomos — pessoas físicas — que prestaram serviços a Via Empreendimentos. 3. Além desses Autos de Infração, foram lavrados outros três pelo descumprimento de obrigação acessória, correspondentes aos fatos geradores de que tratam os CFL — Código de Fundamentação Legal — abaixo descritos: Tipo Debcad Fato Gerador AIOA 51.070.0608 CFL 30 Não preparar folha de pagamento de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Receita Federal do Brasil AIOA 51.070.0616 CFL 34 Não lançar em títulos próprios de sua contabilidade todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. AIOA 51.070.0624 CFL 59 Não arrecadar, mediante desconto das remunerações dos segurados a seu serviço, contribuições devidas a seguridade social. (...) IV — DO OBJETO DO LANÇAMENTO DO CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO 9. O objeto do presente lançamento de ofício referese às contribuições sociais devidas pela empresa e pelos segurados destinadas à Seguridade Social (Fundo de Previdência e Assistência Social — FPAS), incidentes sobre os pagamentos efetuados a corretores autônomos — pessoas físicas — pelos serviços prestados a Via Empreendimentos, no período fiscalizado, cujos pagamentos não transitaram pela folha de salários do período correspondente, não foram declarados na GFIP (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Declaração à Previdência Social) e as contribuições previdenciárias devidas não foram recolhidas à Seguridade Social, conforme determina a legislação vigente. V — DO FATO GERADOR DO CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO 10. Constitui fato gerador das contribuições sociais integrantes do presente lançamento de ofício o pagamento de comissão de Fl. 3004DF CARF MF Processo nº 10166.730933/201408 Acórdão n.º 2202004.307 S2C2T2 Fl. 3.005 5 venda efetuado a segurados contribuintes individuais — corretores autônomos — pessoas físicas — pelos serviços de intermediação imobiliária prestados a Via Empreendimentos. VI— DOS LEVANTAMENTOS REALIZADOS 11. Para o lançamento do crédito previdenciário consubstanciado nos Autos de Infração a que se refere este Relatório, a auditoria fiscal organizou os dados nos seguintes levantamentos: a) Pagamento de Comissão de Venda — corretores autônomos — Lev. CP (Patronal) e CS (Segurado). Este levantamento inclui os pagamentos de comissão de venda apurados pela fiscalização, referentes às vendas diretas efetuadas pela Via Empreendimentos, estabelecimento matriz, período de 01/01/2010 a 31/12/2011 (aferição indireta); b) Pagamento de Comissão de Venda — corretores autônomos — Lev. DP (Patronal) e DS (Segurado). Este levantamento inclui os pagamentos de comissão de venda apurados pela fiscalização, referentes às vendas diretas efetuadas pela Via Empreendimentos, estabelecimento matriz, com cobertura de NF de Serviços emitidas pela empresa N&Y Imóveis Ltda., período de 01/01/2010 a 31/12/2011. 12. Cabe observar que os levantamentos CP e DP referemse aos Autos de Infração da obrigação principal (AlOP) de responsabilidade da Empresa; e os levantamentos CS e DS, dos Segurados Contribuintes Individuais. (...) VIII— DOS PROCEDIMENTOS FISCAIS REALIZADOS 28. Consoante o disposto na legislação previdenciária, em especial na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, e respectivo regulamento aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, a Empresa é obrigada a recolher as contribuições sociais patronais incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título aos segurados que lhe prestam serviços no mês, como também a descontar das referidas remunerações as contribuições por estes devidas e recolhêlas à Seguridade Social. 29. Entretanto, da análise da documentação apresentada assim como dos esclarecimentos prestados, a auditoria fiscal constatou que a Via Empreendimentos não declarou nas GFIP do período fiscalizado os pagamentos efetuados a corretores de imóveis autônomos que lhes prestaram serviços no período fiscalizado, como também não reteve as contribuições de responsabilidade desses segurados (contribuintes individuais), conforme determina o art. 4° da Lei n° 10.666, de 08/05/2003, nem Fl. 3005DF CARF MF Processo nº 10166.730933/201408 Acórdão n.º 2202004.307 S2C2T2 Fl. 3.006 6 recolheu as contribuições devidas à Seguridade Social decorrentes desses pagamentos. (...) IX — DAS RAZÕES DA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO (...) 43. Quanto aos esclarecimentos sobre o processo de venda de imóveis, item 6 do TIF 01/2014, Informou que este "ocorre sempre por corretores autônomos, os quais podem intermedíar a venda dos imóveis da fiscalizada, tanto quanto os de outras empresas." Segundo a resposta do Contribuinte, verificase que este não esclareceu como se dá o engajamento do profissional com a empresa, quais os formulários utilizados no processo de venda, entre outras informações. No que diz respeito à definição de comissão informou que "esta é acertada exclusivamente entre o adquirente da unidade imobiliária e o referido corretor, daí o motivo da fiscalizada não ter o conhecimento do valor da comissão do corretor que alienou o referido imóvel." (Anexo 2 TIF 01 RespContribuinte, fls. 8) (...) 47. A vista da documentação apresentada pelo Contribuinte, ficou evidente o tratamento diferenciado no atendimento da intimação, pois, em se tratando de venda realizada por corretores autônomos (caso do estabelecimento matriz), os documentos disponibilizados pelo Contribuinte não foram os mais relevantes para o fisco, como proposta de compra e venda, recibo de pagamento de comissão de venda, etc. Porém, nos casos de vendas realizadas por meio de pessoas jurídicas (imobiliárias), o Contribuinte apresentou diversos documentos esclarecedores do pagamento de comissão imobiliária, ou seja, nestes casos a intimação do fisco foi atendida plenamente. 48. Cabe observar, que esse procedimento diferenciado reforça o entendimento do fisco quanto à estratégia praticada pela Fiscalizada para eximirse da responsabilidade tributária devida nas operações de vendas quando intermediadas por corretores pessoas físicas. (...) 52. Com relação a empresa N&Y, o Contribuinte alega que esta "não tem exclusividade de prestação de serviços com a fiscalizada e muito menos ainda pela intermediação de unidades do estabelecimento Matriz (DF) que não são e nunca foram intermediadas pela mesma, possuindo esta sua clientela própria, daí o motivo de não termos como afirmar que os alegados valores declarados em DIMOB pela empresa citada sejam todos originados de atividades comerciais entre a mesma e a fiscalizada". (Anexo 3, fls. 7 e 8) Fl. 3006DF CARF MF Processo nº 10166.730933/201408 Acórdão n.º 2202004.307 S2C2T2 Fl. 3.007 7 (...) 56. De acordo com o demonstrativo abaixo, produto do citado cruzamento, a Via Empreendimentos, de fato, não declarou nas respectivas DIMOB os valores de comissão imobiliária pagos às prestadoras de serviços, cuja omissão reconheceu a Fiscalizada ao informar ao fisco, em atendimento ao TIF 02/2014, que não estão contempladas nas DIMOB transmitidas à Receita Federal do Brasil "valores pagos a terceiros pela prestação de serviços de intermediação imobiliária, fato este que prejudica a presente manifestação a respeito do questionamento gravado pela fiscalização, por não ser possível a apuração das citadas diferenças". (Anexo 3, fls. 7) (...) 66. Após o exame dessa documentação, ficou evidenciado, mais uma vez, que em se tratando de vendas realizadas por corretores autônomos (caso do estabelecimento matriz) os documentos apresentados pelo Contribuinte, além de incompletos, não foram os mais relevantes requeridos pelo fisco, pois deixou de apresentar as propostas de compra e venda, recibos de pagamento de comissão de venda, etc. Porém, quando as vendas foram realizadas por meio de pessoas jurídicas (imobiliárias), caso das filiais acima, o Contribuinte apresentou, sem qualquer objeção, diversos documentos esclarecedores do pagamento de comissão imobiliária, entre os quais a proposta de compra e venda, definição da comissão de venda para todos os participantes do processo (corretor, gerente de equipe, gerente de produto, diretor de atendimento, imobiliária), recibos de pagamento da comissão, cópias de cheques etc., ou seja, para estes casos não houve objeção da parte do Contribuinte. 67. Ainda, nesse mesmo TIF a Fiscalizada foi intimada (e posteriormente reintimada — TIF 04/2014) a informar o nome completo e o número do CPF dos responsáveis pela gerência e supervisão das atividades imobiliárias no âmbito da empresa (matriz e filiais de São Paulo e Rio de Janeiro), assim como o vínculo desses profissionais com a empresa (empregado, autônomo, sócio, entre outros) e a composição da remuneração mensal (salário fixo, salário variável, gratificação, premiação, percentual sobre o volume de vendas, etc.). Determinouse que a informação/remuneração deveria ser detalhada por mês e abranger o período de apuração (01/2010 e 12/2011). 68. Quanto a essa requisição, a Via Empreendimentos informou que "possui registro no CRECI de sua região, tendo plenos poderes e direitos de realizar a venda de unidades imobiliárias de sua propriedade por meio de sua própria administração (matriz/filiais), a qual somente processa a formalização do negócio jurídico estabelecido, pelo que é importante registrar que a supervisão não é feita especificamente por uma única pessoa e sim pela empresa como um todo, em especial pela administração" (Anexo 4, fls.6). Tal informação foi reiterada no documentoresposta ao TIF 04/2014. (Anexo 5, fls. 4, item 2) Fl. 3007DF CARF MF Processo nº 10166.730933/201408 Acórdão n.º 2202004.307 S2C2T2 Fl. 3.008 8 (...) 80. Assim, ante a falta de interesse da empresa em colaborar com o fisco na busca da verdade, a auditoria fiscal, no uso de sua competência legal, se viu obrigada a diligenciar, por amostragem, promitentes compradores de imóveis negociados pela Fiscalizada, visando à apuração de documentos e informações que pudessem esclarecer os fatos. 81. Com base nas informações prestadas pelos diligenciados e documentos comprobatórios entregues ao fisco, estes revelaram uma situação bem adversa daquela grafada nas respostas apresentadas pela Via Empreendimentos, cuja síntese é a seguinte: a) os imóveis negociados pelos promitentes compradores diligenciados foram adquiridos diretamente da Via Empreendimentos, com a intermediação de corretores de imóveis, identificados no ato da negociação como representantes desta empresa; b) não houve negociação antecipada com o corretor responsável pela operação de venda sobre o pagamento da comissão de corretagem e tampouco a quem cabia a responsabilidade por esse pagamento, conforme afirma a Fiscalizada. c) o pagamento da comissão devida ao corretor deuse por meio de cheque nominativo a Fiscalizada, sendo que um dos diligenciados emitiu o cheque em nome do corretor que intermediou a venda; d) o valor da comissão do corretor via de regra não integrou o valor grafado na proposta/contrato de compra e venda, ou seja, tal pagamento fica à margem do processo de venda como forma de transferir o ônus do pagamento ao promitente comprador. 82. Diante do exposto e do exame cuidadoso dos documentos e esclarecimentos trazidos à fiscalização pelos promitentes compradores, devidamente diligenciados pela auditoria fiscal, não há como sustentar as declarações da Fiscalizada de que a comissão devida ao corretor "é acertada exclusivamente entre o adquirente da unidade imobiliária e o referido corretor..." e por este motivo alega a Fiscalizada "não ter o conhecimento do valor da comissão do corretor que alienou o referido imóvel." (..) 85. Para ilustrar a prática abusiva adotada pela Fiscalizada, objetivando a transferência do ônus do pagamento da comissão de venda para o promitente comprador do imóvel, observe o caso do adquirente do apartamento n° 207, da Quadra 311, Bloco F, Setor Noroeste, BrasíliaDF, senhor LUCIANO GOMES ALMEIDA, CPF n° (...), devidamente intimado pela auditoria fiscal para apresentar documentos do referido imóvel e Fl. 3008DF CARF MF Processo nº 10166.730933/201408 Acórdão n.º 2202004.307 S2C2T2 Fl. 3.009 9 prestar esclarecimentos de interesse do fisco, conforme Mandado de Procedimento Fiscal n° 01.1.01.002014005082 (Posteriormente, essa unidade foi permutada por outra integrante do empreendimento VIA MAXIME, Quadra 107, Bloco D, do mesmo Setor, conforme contrato apresentado). (Anexo 7, fls. 1 a 21) 86. Referido promitente comprador pagou pelo imóvel o valor total de R$ 1.280.000,00, em cujo valor está incluída a comissão de R$ 16.256,00 devida ao corretor que intermediou a venda, senhor Miguel Arcanjo dos Santos, CRECI n° (...), o qual identificouse ao adquirente como representante da Via Empreendimentos e a negociação foi realizada no estande de vendas desta empresa localizado na 716 Norte. O pagamento do sinal correspondeu a R$ 370.000,00 incluindo o valor da comissão de vendas. 87. Ressaltese que, segundo o esclarecimento prestado pelo diligenciado, no momento da assinatura da Proposta de Compra e Venda formulada pelo corretor responsável pela operação, o valor do imóvel VIA POSITANO foi grafado em R$ 1.263.744,00, cuja proposta foi recusada pelo promitente comprador tendo em vista a exclusão, sem qualquer explicação prévia, do valor de R$ 16.256,00 correspondente a comissão de corretagem. (Anexo 7, fls.10) 88. Ante a recusa do adquirente, por determinação da Fiscalizada o corretor emitiu, na mesma data, nova proposta (n° 13859) com o valor total do imóvel (R$ 1.280.000,00), conforme exigiu o promitente comprador. (Anexo 7, fls.11) 89. Observese, que o recibo do pagamento do sinal grafado ao final do formulário da proposta original também não contemplava o valor da comissão. A diferença do valor do sinal apurado entre o valor grafado no recibo da proposta aceita (R$ 370.000,00) e a original recusada pelo promitente comprador (R$ 353.744,00) corresponde exatamente ao valor da comissão devida ao corretor que intermediou a venda (R$ 16.256,00). 90. Os valores pagos pelo contribuinte a título de sinal e comissão de corretagem estão comprovados pelos cheques de sua emissão, todos do Banco do Brasil e nominativos a Via Engenharia S/A, sendo um cheque de R$ 308.744,00, três cheques de R$ 15.000,00 totalizando R$ 45.000,00, conforme consta da proposta; e um cheque de R$ 16.256,00 correspondente a comissão do corretor, cujo valor está incluído no valor do sinal de R$ 325.000,00, por exigência do promitente comprador. (Anexo 7, fls. 17 a 21) 91. Cabe observar que os cheques foram emitidos em nome da Via Engenharia S/A tendo em vista que o imóvel inicialmente adquirido pelo diligenciado (Via Positano) estava sendo comercializado por esta empresa e a unidade permutada (Via Máxime), pela Via Empreendimentos, cujas empresas pertencem ao mesmo grupo econômico. Fl. 3009DF CARF MF Processo nº 10166.730933/201408 Acórdão n.º 2202004.307 S2C2T2 Fl. 3.010 10 92. Portanto, os documentos acima citados comprovam claramente a relação de trabalho entre o corretor e a Fiscalizada, como também a transferência do ônus do pagamento da comissão ao promitente comprador de forma a dissimular que o ônus do pagamento é deste e não da Via Empreendimentos na condição de dona do empreendimento e contratante dos serviços de corretagem. (...) 123. Para a Previdência Social, segundo a previsão do art.12, inciso V, alínea g, da Lei n°8.212, de 24/07/1991, todo aquele que "presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego", é considerado contribuinte individual. Portanto, a partir dessa definição legal e à vista dos documentos e esclarecimentos apurados no curso da fiscalização, está claro que as negociações de unidades imobiliárias no âmbito da Fiscalizada foram realizadas por contribuintes individuais (corretores autônomos), cuja atuação a empresa já se manifestou de forma conclusiva, conforme explicitado anteriormente. 124. Portanto, o cerne da questão está no não reconhecimento, pela Via Empreendimentos, da relação jurídica de trabalho existente entre a empresa e os Corretores de Imóveis que lhe prestaram serviços de intermediação imobiliária, transferindo o ônus do pagamento da comissão de venda devida a esses profissionais ao promitente comprador da unidade imobiliária correspondente. Essa relação jurídica de trabalho é inequívoca no caso presente, conforme já se manifestou a auditoria nos itens precedentes deste Relatório. 125. Por outro lado, com o intuito de melhor esclarecer o entendimento dessa questão, o contrato de corretagem de forma autônoma e independente, conforme pretende a Fiscalizada, para não incorrer na responsabilidade tributária decorrente dos serviços de intermediação imobiliária prestados a empresa por corretores autônomos, a única forma hoje prevista no sistema jurídico brasileiro é o estabelecido no artigo 722 do Código Civil vigente, o qual disciplina que "pelo contrato de corretagem, uma pessoa, não ligada a outra em virtude de mandato, de prestação de serviços ou por qualquer relação de dependência, obrigase a obter para a segunda um ou mais negócios, conforme as instruções recebidas." 126. Ora, pela leitura de tal dispositivo, verificase que o contrato de corretagem, na forma do referido artigo, somente irá existir, caso o corretor contratado, ou seja, aquele quem está obrigado a obter um ou mais negócios, não tenha nenhum vínculo (mandato, prestação de serviços ou qualquer relação de dependência) com a pessoa que o contrata. Assim, nessa vertente, a efetiva prestação do serviço de corretagem vinculase a uma condição: o corretor não possuir nenhuma relação de dependência com quem o contrata. Ele, de maneira Fl. 3010DF CARF MF Processo nº 10166.730933/201408 Acórdão n.º 2202004.307 S2C2T2 Fl. 3.011 11 independente, irá adotar medidas para que duas ou mais pessoas realizem algum negócio. 127. No setor imobiliário em geral, principalmente em se tratando de imóvel novo, ou seja, que ainda esteja na "planta" (caso dos empreendimentos ora fiscalizados), os interessados em comprálo motivados por algum meio de divulgação ou por iniciativa própria, via de regra, dirigemse aos estandes de vendas instalados no próprio local do empreendimento onde os supostos corretores já estão de plantão (aguardando os compradores) atuando como vendedores, ou seja, profissionais ligados à construtora ou imobiliária responsável pela intermediação. Neste caso, o corretor não age, como intermediário ou prestador autônomo de serviço, mas como verdadeiro preposto da construtora ou imobiliária, sujeito, portanto, às normas internas, determinações, preços, conduta profissional, fluxo de trabalho e demais exigências impostas por esta. 128. Diante do exposto, verificase com clareza que esse procedimento ocorre no ambiente organizacional da Via Empreendimentos no âmbito das operações de vendas analisadas pela auditoria fiscal, cujos documentos comprobatórios fazem parte integrante deste Relatório Fiscal. 129. Entre os documentos comprobatórios apurados pela auditoria fiscal destacase a Proposta de Compra Com Recibo de Sinal, a qual inicia o processo de venda, identificando o proponente, o imóvel objeto da proposta, as condições de pagamento, o recibo de pagamento do sinal e outras condições inerentes ao contrato de promessa de compra e venda a ser firmado entre as partes, sendo que os signatários desse documento são o "proponente comprador" e o "corretor" responsável pela venda, que age em nome da Fiscalizada na operação imobiliária. 130. Vale lembrar que as operações de vendas aqui comentadas foram realizadas nos estabelecimentos da empresa vinculando o corretor autônomo às normas de funcionamento e de conduta profissional estabelecidas pela Via Empreendimentos, tais como: vestuário, uso de crachás de identificação com a logomarca da empresa, cartões de visitas, formulários e a utilização de toda a estrutura física e operacional colocada à disposição desse prestador de serviço, inclusive atuação em plantão de venda mediante escala prédefinida pela fiscalizada. Tais características contrariam o conceito de contrato de corretagem na forma estabelecida no artigo 722 do Código Civil vigente, pois retiram da forma de atuação do corretor a autonomia e independência, pressupostos básicos dessa modalidade contratual. 131. Diante de todo o exposto, concluise que o trabalho de intermediação imobiliária prestado a Via Empreendimentos por corretores de imóveis autônomos no período analisado está em conformidade com os conceitos do art.12, inciso V, alínea g da Fl. 3011DF CARF MF Processo nº 10166.730933/201408 Acórdão n.º 2202004.307 S2C2T2 Fl. 3.012 12 Lei n° 8.212, de 24/07/1991, conforme a auditoria fiscal já se referiu anteriormente. (...) 133. Ressaltese, que a prática adotada unilateralmente pela Fiscalizada interessada na operação de venda, no sentido de imputar o ônus do pagamento da comissão ao promitente comprador da unidade imobiliária, que não fez qualquer negociação neste sentido com o corretor, caracteriza procedimento contrário à lei, pois transborda abusividade consumerista, infringindo o artigo 51, inciso IV da Lei n° 8.078, de 1990 (Código de Defesa do Consumidor), cujo tema já foi analisado e relatado nos itens anteriores. 134. Referidas práticas introduzidas no fluxo de venda de unidades imobiliárias da Fiscalizada materializamse a partir do momento em que a empresa não reconhece a relação jurídica de trabalho com o corretor de imóvel prestador do serviço de intermediação imobiliária e transfere o ônus do pagamento da comissão de venda que lhe é devida para o promitente comprador. E como conseqüência desse não reconhecimento, a Empresa não inclui o corretor na folha de pagamento de prestação de serviços, não declara na GFIP do período correspondente, não contabiliza o pagamento da comissão de venda em títulos próprios da sua contabilidade, não retém a contribuição do segurado e tampouco efetua o recolhimento das contribuições previdenciárias devidas pela empresa e pelo prestador do serviço, cuja omissão caracteriza, em tese, crime de sonegação fiscal previsto no art. 337A do Código Penal (DecretoLei n° 2.848, de 07/12/1940) com a redação dada pela Lei n° 9.983, de 14/07/2000. 135. Ainda, com base nas informações apuradas pela fiscalização e nos documentos comprobatórios juntados aos autos, concluise, também, que as práticas abusivas adotadas pela Fiscalizada têm o claro objetivo de impedir ou retardar o conhecimento por parte do fisco da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, notadamente as contribuições previdenciárias de responsabilidade da empresa e do segurado contribuinte individual, relativas ao pagamento de comissão de venda a corretores autônomos que lhe prestaram serviços de intermediação imobiliária, no período fiscalizado. (...) X — DO ARBITRAMENTO DO VALOR DA COMISSÃO DE VENDA — BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA (...) 139. Com base nos exames e documentos apurados junto a promitentes compradores diligenciados no âmbito deste procedimento fiscal, a auditoria apurou que as unidades referidas no item anterior não foram íntermediadas pela Fl. 3012DF CARF MF Processo nº 10166.730933/201408 Acórdão n.º 2202004.307 S2C2T2 Fl. 3.013 13 empresa N&Y Imóveis Ltda, conforme informação prestada ao fisco, e sim diretamente pela Via Empreendimentos. As declarações prestadas pelos promitentes compradores, devidamente comprovadas por documentos entregues ao fisco (Anexo 7) não deixam dúvidas sobre tais afirmações. 140. Nesse sentido, observe os Termos de Atendimento à Intimação para apresentação de documentos e esclarecimentos de interesse da Receita Federal do Brasil firmados pelos promitentes compradores diligenciados no âmbito deste Procedimento Fiscal. (Anexo 7, fls. 7 a 9, 27 a 29 e 49 e 51) 141. Todos foram unânimes em afirmar que a aquisição das respectivas unidades imobiliárias foram adquiridas da Via Empreendimentos inclusive com a intermediação desta empresa. Os locais onde ocorreram as negociações/fechamento dos negócios, os corretores que atuaram na intermediação, as instalações físicas, os procedimentos envolvidos, entre outros aspectos, todos estavam caracterizados como Via Empreendimentos. (...) 144. Portanto, conforme se observa das declarações e documentos apresentados ao fisco pelos diligenciados não restaram dúvidas que, de forma análoga ao apurado no procedimento fiscal da Via Empreendimentos, as vendas auditadas na empresa N&Y Imóveis Ltda não foram intermediadas por esta empresa e sim pela Via Empreendimentos, cuja comercialização deuse nas dependências desta, utilizandose a sua estrutura física, administrativa e funcional. 145. Diante do exposto, a auditoria fiscal incluiu as unidades acobertadas por meio de Notas Fiscais de Serviços Emitidas pela empresa N&Y Imóveis Ltda no rol de vendas diretas da Via Empreendimentos, considerando que tais vendas foram efetivadas por esta e não por aquela empresa, conforme alegou a Fiscalizada. 146. Vale lembrar que o valor da comissão de venda devida aos corretores autônomos que atuaram na intermediação das 301 unidades comercializadas pela Via Empreendimentos não foi informado ao fisco pela Fiscalizada, sob a alegação de que a empresa não tem conhecimento do valor percebido por esses profissionais, tendo em vista que a comissão é pactuada exclusivamente entre o promitente comprador da unidade e o corretor responsável pela operação, cuja informação ficou comprovada não corresponder com a realidade dos fatos a vista dos documentos e das informações apuradas pelo fisco, as quais fazem parte integrante deste Relatório Fiscal. 147. Assim, e considerando a realidade factual apurada pela auditoria fiscal, exaustivamente descrita neste Relatório Fiscal, e diante da recusa da Fiscalizada em prestar as informações sobre os valores da comissão de venda pagos aos corretores Fl. 3013DF CARF MF Processo nº 10166.730933/201408 Acórdão n.º 2202004.307 S2C2T2 Fl. 3.014 14 autônomos que lhes prestaram serviços durante o período fiscalizado, não restou à autoridade fiscal, para apuração do crédito previdenciário que reputou devido, outra alternativa se não a do arbitramento do valor da base de cálculo do tributo, com fundamento jurídico no art. 148 do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172, de 25/10/1966) e no art. 33, §§ 3° e 6° da Lei n° 8.212, de 24/07/1991. (...) 148. Para o arbitramento do valor da base de cálculo, a auditoria fiscal utilizou o mesmo o percentual estipulado pela Via Empreendimentos nos contratos de prestação de serviços firmados com empresas do setor imobiliário sediadas em São Paulo e Rio de Janeiro para comercialização de unidades disponíveis naqueles mercados, conforme contrato apresentado ao fisco. O percentual negociado foi de 1,6% (Delforte Empreendimentos Imobiliários Ltda, Acer Consultores em Imóveis S/A, e 1,6% (Itaplan Imóveis Ltda), aplicados sobre o valor do imóvel, cujo percentual destinouse ao pagamento da comissão do corretor responsável pela intermediação das referidas vendas e dos demais participantes desse processo (supervisor de equipe, gerente de vendas e de produto, diretor da área imobiliária, etc.). 149. No que se refere às vendas das unidades de que trata o item 145 acima, incluídas no rol de vendas diretas da Via Empreendimentos, o valor da base de cálculo utilizada na apuração das contribuições previdenciárias foi o valor da comissão informado pela Fiscalizada e registrado na DIMOB da suposta prestadora dos serviços. (...) XII — DA MULTA DE OFÍCIO APLICADA SOBRE A OBRIGAÇÃO PRINCIPAL 159. Outrossim, segundo a legislação de regência, a multa a ser aplicada quando o contribuinte apresenta GFIP com incorreções ou omissões de informações (descumprimento de obrigação acessória, AIOA CFL 78) não pode ser acumulada, em relação a um mesmo fato gerador, com a multa de ofício prevista no inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996 (Parecer PGFN/CAT n° 433, de 2009, itens 28 a 35). Portanto, no caso concreto, por ter apurado contribuições previdenciárias em todos os meses de 01/2011 a 12/2012, será aplicada somente a multa de ofício prevista no inciso 1 e/ou no § 1° do art. 44 da citada lei (76% ou 150%) sobre os referidos créditos constituídos neste procedimento fiscal. (...) 161. Ressaltese que essa conduta abusiva e contrária à lei, conforme previsão legal acima, impõe a duplicação da multa de ofício de 75% sobre as contribuições previdenciárias apuradas pela Fiscalização de todas as competências do período Fl. 3014DF CARF MF Processo nº 10166.730933/201408 Acórdão n.º 2202004.307 S2C2T2 Fl. 3.015 15 fiscalizado (01/2010 a 12/2011), nos termos do parágrafo 1° do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. 162. É oportuno ressaltar que as práticas adotadas pela Fiscalizada caracterizam, em tese, a ocorrência de crime de sonegação fiscal em todo o período de apuração das contribuições previdenciárias, tendo em vista que o dolo, ou seja, a intenção de praticálo, além dos fatos narrados e comprovados por meio de documentos, também está evidenciado a partir do momento que a Fiscalizada incorreu na mesma prática abusiva apurada em procedimento fiscal anterior desenvolvido em 24/02/2010 junto a esse mesmo Contribuinte e sob a responsabilidade deste mesmo Auditor Fiscal. 163. O período fiscalizado naquela oportunidade abrangeu as competências de 01/2006 a 12/2008, e o fato gerador apurado pela auditoria fiscal se referiu ao pagamento de comissão de corretagem a segurados contribuintes individuais (corretores autônomos) pela venda de imóveis vinculados aos empreendimentos imobiliários da empresa (matriz e filiais), cujo fato gerador é o mesmo apurado neste procedimento fiscal. (...) XIII — DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA— GRUPO ECONÔMICO 170. A empresa foi intimada por meio do TIF 04/2014, de 05/12/2014, a informar se era integrante de grupo econômico e quais empresas faziam parte do grupo. Em 09/12/2014, o contribuinte informou que a Via Empreendimentos não integra grupo econômico, pois se trata de uma empresa autônoma, que não recebe comando e/ou tem controle de outra unidade empresarial. (Anexo 5, fls. 4) 171. Entretanto, durante o procedimento fiscal, constatouse a existência de um "grupo econômico de fato" entre as empresas abaixo identificadas, pois foi verificado que tais empresas têm como sócios/administradores o mesmo grupo de pessoas, conforme está demonstrado a seguir: a) Via Empreendimentos Imobiliários S/A, CNPJ n° 03.554.207/000104, tem como acionista majoritário a companhia FMQ Participações S/A, com 99,99% das ações; e o acionista senhor Fernando Márcio Queiroz, CPF (...), diretorpresidente, participa com 0,01% das ações; atividade econômica principal: construção de edifícios e obras de engenharia civil; e endereço no SIA, Trecho 03, Lote 1705/1715, Parte, BrasíliaDF. b) FMQ Participações S/A, CNPJ 33.498.569/000188, tem como acionista majoritário e diretorpresidente o senhor Fernando Márcio Queiroz, CPF (...), com 99,99% das ações; atividade econômica principal: holding de instituições não financeiras com participação no capital de outras empresas na condição de acionista, sócio ou Fl. 3015DF CARF MF Processo nº 10166.730933/201408 Acórdão n.º 2202004.307 S2C2T2 Fl. 3.016 16 quotista; e endereço no SIA, Trecho 03, Lote 1715, Parte, BrasíliaDF; c) Ocean Venture Participações S/A, CNPJ 04.089.113/000166, tem como acionista majoritário a companhia FMQ Participações S/A, com 99,99% das ações, e o acionista senhor Fernando Márcio Queiroz, diretor presidente, participa com 0,01% das ações; com atividade econômica principal: holding de instituições não financeiras com participação no capital de outras empresas na condição de acionista, sócio ou quotista e endereço na Rua Santa Rita Durão, 19, Sala 08, Bairro: Funcionários, Belo Horizonte/MG; d) Via Engenharia S/A, CNPJ 00.584.755/000180, tem como acionista majoritário a companhia Ocean Venture Participações S/A, com 99,99% das ações, e o acionista senhor Fernando Márcio Queiroz, diretorpresidente, participa com 0,01% das ações; com atividade econômica principal: construção de edifícios e obras de engenharia civil e endereço no SIA, Trecho 03, Lote 1705/1715, BrasíliaDF. 172. Observese que das quatro empresas que formam o grupo econômico três estão instaladas no mesmo endereço, qual seja, "TR SIA/SUL TRECHO 03 LOTES 1705/1715 S/N SETOR DE INDUSTRIA BRASILIA 71.200030" sendo distintos apenas os números das salas, conforme consta dos atos constitutivos e do Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica. 173. Corrobora ainda com o afirmado, que o responsável pelo preenchimento das informações constantes nas Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica das empresas do Grupo Via é a mesma pessoa: o senhor ANTONIO DE CARVALHO BECATINI, CPF (...), CRC/MG n° (...), contador do Grupo, conforme registram as DIPJ extraídas dos sistemas corporativos da Receita Federal do Brasil. Observese que o endereço eletrônico constante do referido documento para contato está grafado como: (...)@GRUPOVIA.COM.BR. (...) 183. Assim, diante dos fatos acima relatados, a Via Empreendimentos Imobiliários S/A e as empresas acima identificadas formam um grupo econômico de fato, e, portanto, as empresas que o integram são responsáveis solidárias pelas contribuições previdenciárias, nos termos do inciso IX do art. 30 da Lei n°8.212, de 24/07/1991; art. 222 do Decreto n° 3.048, de 06/05/1999; art. 152 da Instrução Normativa RFB n° 971, de 13/11/2009, abaixo transcritos: (...) 184. Em relação à solidariedade tributária, a obrigação de pagar o tributo passa a ser compartilhada pelo sujeito passivo originário (aquele diretamente relacionado com a ocorrência do Fl. 3016DF CARF MF Processo nº 10166.730933/201408 Acórdão n.º 2202004.307 S2C2T2 Fl. 3.017 17 fato gerador) com o chamado "responsável tributário". A atribuição da responsabilidade tributária por solidariedade segue os requisitos dos incisos I e II do art. 124 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional — CTN, abaixo transcritos: (...) 187. Os Autos de Infração sujeitos à solidariedade tributária aqui descrita são os integrantes do processo Comprot n° 10166 730.933/201108 (sic) (Debcads nos 51.070.0551, 51.070.0560, 51.070.0578 e 51.070.0586. (...) XV — DAS CONSIDERAÇÕES FINAIS (...) 190. Por fim, cabe ressaltar que a atitude do contribuinte em omitir fatos geradores de contribuição previdenciária na folha de pagamento ou na GFIP caracteriza, EM TESE, crime de sonegação de contribuição previdenciária previsto no art. 337A do Código Penal, com a redação dada pela Lei n° 9.983, de 2000, razão pela qual este Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, por dever de ofício, emitiu a Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP) a ser encaminhada à autoridade competente. Intimada em 26/12/2014 (fl. 14), a Contribuinte apresentou Impugnação em 23/01/2015 (fls. 1.787/1.902 e docs. anexos fls. 1.903/1.985). Também impugnaram, na mesma data, a FMQ PARTICIPAÇÕES S.A. (fls. 1.655/1.667 e docs. anexos fls. 1.668/1.700); a VIA ENGENHARIA S.A. (fls. 1.704/1.716 e docs. anexos fls. 1.717/1.738); e a OCEAN VENTURE PARTICIPAÇÕES S.A. (fls. 1.742/1.754 e docs. anexos fls. 1.755/1.783). A DRJ, analisando as defesas, proferiu o acórdão nº 1056.497, de 29/04/2016 (fls. 2.585/2.606), mantendo o crédito tributário e as sujeições passivas, e que restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GRUPO ECONÔMICO. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da lei ou regulamento previdenciários. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 PROVA INDICIÁRIA. POSSIBILIDADE. A prova indiciária apoiada no encadeamento lógico de indícios convergentes é meio idôneo para referendar uma autuação. Fl. 3017DF CARF MF Processo nº 10166.730933/201408 Acórdão n.º 2202004.307 S2C2T2 Fl. 3.018 18 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. REGRA. AUSÊNCIA DE EFEITO VINCULANTE. Os efeitos das decisões do CARF estabelecemse apenas entre as partes no processo administrativo. Somente há vinculação da Administração Tributária Federal nos casos em que o Ministro de Estado da Fazenda atribua efeito vinculante à sumula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, o que não é o caso dos autos. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. O Relatório de Vínculos tem finalidade meramente informativa, listando todas as pessoas físicas e jurídicas de interesse da administração em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente. PRODUÇÃO DE PROVAS. A produção de provas deve obedecer às disposições da legislação que rege o processo administrativo fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 AI Debcad nº 51.070.0551 e 51.070.0578 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA. AI Debcad nº 51.070.0560 e 51.070.0586 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS. CORRETORES DE IMÓVEIS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS A EMPRESA. SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. O corretor de imóveis autônomo que presta serviços remunerados de intermediação imobiliária para empresa construtora, sem relação de emprego, enquadrase, para fins previdenciários, como segurado contribuinte individual. AFERIÇÃO INDIRETA. AUSÊNCIA DE REGISTRO CONTÁBIL. Constatado, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, a utilização da aferição indireta para apuração das contribuições efetivamente devidas é válida e transfere o ônus da prova para o contribuinte. MULTA QUALIFICADA. Fl. 3018DF CARF MF Processo nº 10166.730933/201408 Acórdão n.º 2202004.307 S2C2T2 Fl. 3.019 19 Cabível a aplicação da multa qualificada quando constatado que o procedimento do sujeito passivo enquadrase na hipótese prevista no artigo 71 da Lei nº 4.502/1964. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Contribuinte foi intimada em 06/06/2016 (fl. 2.637) e, inconformada, interpôs Recurso Voluntário (fls. 2.687/2.807 e docs. anexos fls. 2.808/2.840, e repetida às fls. 2.843/2.963 e docs. fls. 2.964/2.996), juntada aos autos em 06/07/2016 (fl. 2.686), argumentando, em síntese: Preliminares · Que o lançamento violou o princípio da verdade material, vez que "criou" a acusação com base em dados não reais, mas sim em suposições; · Que o lançamento deixa de lado os negócios jurídicos firmados entre a Contribuinte outras pessoas jurídicas, bem como as notas fiscais idôneas emitidas; · Que o lançamento é ilíquido e incerto. Desenvolve seu raciocínio explicando que (1) a autoridade lançadora não apurou verdadeiro pagamento das comissões, admitindo, inclusive, no relatório fiscal que efetuou "aferição indireta"; (2) realizou cálculos irreais, alcançando um percentual médio de 1,6% de comissão, sem qualquer base legal e que não se coaduna com o próprio raciocínio matemático apresentado pela autoridade lançadora; · Que o lançamento é nulo por ter sido efetuada "aferição indireta" da base de cálculo, ou seja, lastreandose em presunção legal, quando na verdade a autoridade lançadora dispunha de todos os meios de provas necessários, fornecidos pela própria Contribuinte ainda durante a fiscalização; · Que o arbitramento é medida extrema, e só deve ser utilizado quando for impossível apurar o tributo de forma direta; in casu, a contabilidade da Contribuinte foi aceita como boa pela autoridade lançadora, de sorte que não havia razão para arbitrar a base de cálculo; · Que a autoridade lançadora desconsiderou a possibilidade da venda direta pela empresa, sem a participação de corretor de imóveis; · Que o lançamento não foi devidamente motivado; · Que a própria autoridade lançadora admite que o pagamento das comissões é feita pelos compradores dos imóveis, o que afasta da Recorrente a condição de Contribuinte; · Que não restou comprovado o pagamento a nenhum corretor, sendo que a própria autoridade lançadora admite que os pagamentos foram feitos pelos adquirentes dos imóveis; Fl. 3019DF CARF MF Processo nº 10166.730933/201408 Acórdão n.º 2202004.307 S2C2T2 Fl. 3.020 20 · Que, sendo os pagamento devidos pelos compradores dos imóveis, não há certeza de que foram efetuados, não sendo possível, nesse contexto, obrigar a Recorrente à retenção da Contribuição Previdenciária de autônomos; · Que foram contratadas diversas empresas imobiliárias para realizar a serviços vinculados à sua atividade empresarial, mas que esses negócios foram desconsiderados pela autoridade lançadora; · Que a receita federal também autua as empresas corretoras pelo mesmo fato gerador, deixando claro que a Recorrente é parte ilegítima para figurar no polo passivo; · Que o Contribuinte é a adquirente do imóvel (pessoa física), que é quem paga a comissão, e não a Recorrente; · Que a autoridade lançadora se utilizou de provas emprestadas de outro processo administrativo (nº 10166.723117/201014 e outros, que figuram a própria Recorrente como sujeito passivo, bem como nº 10166.726067/201442, de outra pessoa jurídica, não vinculada nem prestadora de serviço para a Recorrente), as quais não foram juntadas aos autos; Mérito · Que a incidência de contribuições previdenciárias pressupõe a ocorrência de pagamento com natureza salarial (retribuição pela prestação de serviço) e habitualidade; · Que, nesse contexto, as comissão não se adequam à regra, porquanto não são retribuição (as comissões não tem nenhuma relação com o desforço realizado pelos corretores) e não são habituais (ausência de habitualidade reconhecido pela própria autoridade lançadora e demonstrado por exemplos de adquirentes e corretores que fizeram um único negócio em todo o período autuado); · Que o corretor de imóveis é comerciante, e não prestador de serviço, nos termos do Código Civil e da Lei nº 6.530/1978; · Que, não pode prevalecer a posição da DRJ de que a Lei nº 13.097/2015 é posterior aos fatos geradores e, portanto, não seria aplicável, uma vez que o art. 105 e 106 do CTN afirmam o inverso; · Cita vasta doutrina, inclusive RUBENS REQUIÃO, FRANS MARTINS, MARIA HELENA DINIZ, ARNOLD WALD, PONTES DE MIRANDA, VALÉRIA BONONI GONÇALVES DE SOUZA, JONAS FIGUEIREDO ALVES, ..., para demonstrar que o contrato de corretagem não implica em prestação de serviço; · Cita os arts. 722 a 729 do Código Civil de 2002 para ratificar seu argumento de que o contrato de corretagem não implica em prestação de serviço; Fl. 3020DF CARF MF Processo nº 10166.730933/201408 Acórdão n.º 2202004.307 S2C2T2 Fl. 3.021 21 · Que é ilegal a imputação de responsabilidade solidária à Contribuinte, quando a responsabilidade de recolher as contribuições previdenciárias é do comprador; · Que a autoridade lançadora não verificou se as Contribuições Previdenciárias foram ou não recolhidas por outras pessoas; · Que, tendo a Contribuinte contratado diversas pessoas jurídicas, não pode a autoridade lançadora desconsiderálas (indiretamente), ao ignorar contratos validamente firmados, sob pena de ofender preceitos constitucionais; · Que, nesse contexto, os serviços prestados são de natureza intelectual e obedecem ao disposto no art. 129 da Lei nº 11.196/2005, sendo válida, portanto a constituição de pessoas jurídicas; · Que a autoridade lançadora não fundamentou a desconsideração indireta das pessoas jurídicas contratadas pela Contribuinte, sendo, portanto, nula por ofensa ao art. 59, II, do Decreto nº 70.235/1972; · Que não se pode falar em relação de emprego porquanto não estão presentes os requisitos, especificamente: (1) subordinação; e (2) habitualidade, pessoalidade, onerosidade e continuidade; · Que a contabilidade da empresa está bem organizada e lastreada em documentação própria, devendo ser aceita como prova em favor da Contribuinte; · Que não existe grupo econômico de fato, devendo ser afastada, portanto, a solidariedade imposta aos demais autuados; · Que a jurisprudência do CARF é por cancelar lançamentos em casos idênticos ao presente; · Que é indevida a aplicação da multa qualificada por não ter sido comprovado o evidente intuito de fraude, sonegação nem conluio; · Que é ilegal a inclusão dos sócios e diretores da recorrente no polo passivo (Relação de CoResponsáveis) sem a demonstração de conduta dolosa nem enquadramento em qualquer das hipóteses dos arts. 134 e 135 do CTN, citando, inclusive, o RE nº 562.276, do STF; e · Que os presentes autos devem ser julgados em conjunto com os de nº 10166.730937/201488 e 10166.731302/201406, intrinsecamente ligados; Intimadas, tanto a OCEAN VENTURE PARTICIPAÇÕES S.A. quanto a FMQ PARTICIPAÇÕES S.A. protocolaram Recurso Voluntário (fls. 2.664/2.678 e docs. anexos fls. 2.679/2.684 e fls. 2.641/2.655 e docs. anexos fls. 2.656/2.661, respectivamente) em 06/07/2016 (fl. 2.663 e 2.640, respectivamente), argumentando, em síntese: Fl. 3021DF CARF MF Processo nº 10166.730933/201408 Acórdão n.º 2202004.307 S2C2T2 Fl. 3.022 22 · Que não há grupo econômico de direito e não restou comprovada a existência de grupo econômico de fato; · Que o simples fato de que as mesmas pessoas são sócias/administradoras das empresas não implica na constituição de grupo econômico de fato; · Que as empresas não têm ingerência uma sobre as outras, não fazem parte do quadro societário uma das outras, desenvolvem suas atividades de maneira independente, enfim, não são vinculadas; · Que a autoridade lançadora não demonstrou como o caso concreto se enquadra na hipótese do art. 124, I, do CTN, utilizado como fundamentação para a responsabilização solidária; e · Que tampouco se configuram as hipóteses dos art. 134 e 135 do CTN, vez que a autoridade lançadora se baseou em presunção para incluir as responsáveis solidárias no Relatório de CoResponsáveis. Foram desentrenhadas as fls. 2/13 (fl. 1.600). É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Os recursos voluntários são tempestivos e preenchem os demais requisitos de admissibilidade, portanto deles conheço. PRELIMINARES 1. Prova Indiciária e do Princípio da Verdade Material: Argumenta a Contribuinte que a autuação é nula por não ter atentado para a verdade material, fundando o lançamento em especulações e teses, deixando de analisar adequadamente as provas trazidas aos autos. Exatamente por isso, pleiteia a anulação do lançamento. A utilização de provas indiciárias e a ofensa ao princípio da verdade material não são hipóteses de nulidade do auto de infração. Tratase, isso sim, de questão de mérito, onde será analisado se o auto de infração tem substância para subsistir ou não. Ao longo da fiscalização não há contraditório. À autoridade lançadora cabe colher as provas e lançar o tributo da forma que entender correta, com base nas provas que levarem ao seu convencimento. É no processo administrativo ou seja, com a impugnação que se instaura o contraditório e que cabe a análise da suficiência das provas colhidas. Fl. 3022DF CARF MF Processo nº 10166.730933/201408 Acórdão n.º 2202004.307 S2C2T2 Fl. 3.023 23 Nessa senda, é no mérito que deve ser analisada a existência ou não de provas da ocorrência do fato gerador. 2. Iliquidez e incerteza Argumenta a Contribuinte que o lançamento deve ser anulado por iliquidez e incerteza. Segundo desenvolve seu raciocínio, a autoridade lançadora apurou a base de cálculo por meios indiretos, sem fundamentação legal, e com cálculos irreais. Sem razão a Contribuinte. A verdade é que a autoridade lançadora dedicou todo um tópico do relatório fiscal para justificar e esclarecer a apuração da base de cálculo (fls. 43/47, itens 137/150). Em suma, percebese que o lançamento se lastreou no art. 148 do CTN, bem como no art. 33, §§ 3º e 6º da Lei nº 8.212/1991. Dessa forma, não há que se falar em nulidade. Em relação ao valor apurado, tratase de verdadeira questão de mérito. Tendo a autoridade lançadora se baseado em Lei para realizar o arbitramento, invertese o ônus probatório, cabendo à Contribuinte provar que a base de cálculo foi apurada equivocadamente. É lá, no mérito, que tal matéria deve ser analisada. 3. Cerceamento do direito de defesa falta de motivação Argumenta a Contribuinte que o lançamento é nulo, nos termos do art. 59, II, do Decreto nº 70.235/1972, por não ter sido devidamente motivado, inclusive quanto à desconsideração indireta das pessoas jurídicas contratadas pela Recorrente. Tampouco pode prevalecer o recurso voluntário nesse ponto. Não apenas o Relatório Fiscal foi bastante minucioso, descrevendo ao longo de mais de 40 páginas a fiscalização, a fundamentação legal e lógica, bem como a apuração da base de cálculo, como, verdadeiramente, a Recorrente foi capaz de compreender e de apresentar defesa adequada, como se constata pela existência de longo recurso contestando cada ponto do lançamento. Portanto, inocorreu cerceamento do direito de defesa. MÉRITO 1. Que não há fato gerador não há relação de prestação de serviço entre a Recorrente e os corretores: Em linhas simples, a Contribuinte argumenta, ao longo de seu Recurso, que não há incidência de Contribuições Previdenciárias sobre o contrato de corretagem, uma vez que não se configura prestação de serviço, conforme a Lei e a vasta doutrina. Esclarece que os corretores são, na verdade, comerciantes; que as "comissões" (corretagem) não têm relação com o esforço realizado pelos corretores e não são habituais, não tendo o pagamento natureza salarial de salário nem remuneração retributiva de qualquer forma. Ainda, que não há subordinação nem habitualidade na relações entre os corretores e a Recorrente. Em suma, entende que não é possível exigirlhe o pagamento das Contribuições Previdenciárias. Analisando o argumento, a DRJ concluiu que: Fl. 3023DF CARF MF Processo nº 10166.730933/201408 Acórdão n.º 2202004.307 S2C2T2 Fl. 3.024 24 "O artigo 722 do Código Civil (Lei nº 10.406/2002) exige que a obtenção do negócio deva ser feita por corretor não ligado a outra pessoa em virtude de mandato, de prestação de serviços ou por qualquer relação de dependência. A fiscalização identificou que houve a prestação de serviços nas dependências da empresa autuada por corretor que se identificava como seu representante, inclusive portando crachá. A esse respeito, diz o item 130 do Relatório Fiscal: 130. Vale lembrar que as operações de vendas aqui comentadas foram realizadas nos estabelecimentos da empresa vinculando o corretor autônomo às normas de funcionamento e de conduta profissional estabelecidas pela Via Empreendimentos, tais como: vestuário, uso de crachás de identificação com a logomarca da empresa, cartões de visitas, formulários e a utilização de toda a estrutura física e operacional colocada à disposição desse prestador de serviço, inclusive atuação em plantão de venda mediante escala prédefinida pela fiscalizada. Tais características contrariam o conceito de contrato de corretagem na forma estabelecida no artigo 722 do Código Civil vigente, pois retiram da forma de atuação do corretor a autonomia e independência, pressupostos básicos dessa modalidade contratual. No que diz respeito à Lei nº 6.530/1978, os parágrafos § 2º e 3º do artigo 6º, citados pelo contribuinte, foram incluídos pela Lei nº 13.097, de 19/01/2015, entrando em vigor em período posterior ao lançamento. Portanto, não se aplicam ao caso sob exame, não havendo o que examinar." fl. 2.597 Pois bem. Em primeiro lugar, é imperioso registrar que a fundamentação do lançamento é exatamente que o vínculo entre a Recorrente e os corretores não é verdadeiro contrato de corretagem, mas sim prestação de serviço como mandatário. In verbis: "125. Por outro lado, com o intuito de melhor esclarecer o entendimento dessa questão, o contrato de corretagem de forma autônoma e independente, conforme pretende a Fiscalizada, para não incorrer na responsabilidade tributária decorrente dos serviços de intermediação imobiliária prestados a empresa por corretores autônomos, a única forma hoje prevista no sistema jurídico brasileiro é o estabelecido no artigo 722 do Código Civil vigente, o qual disciplina que "pelo contrato de corretagem, uma pessoa, não ligada a outra em virtude de mandato, de prestação de serviços ou por qualquer relação de dependência, obrigase a obter para a segunda um ou mais negócios, conforme as instruções recebidas." 126. Ora, pela leitura de tal dispositivo, verificase que o contrato de corretagem, na forma do referido artigo, somente irá existir, caso o corretor contratado, ou seja, aquele quem está obrigado a obter um ou mais negócios, não tenha nenhum vínculo (mandato, prestação de serviços ou qualquer relação de Fl. 3024DF CARF MF Processo nº 10166.730933/201408 Acórdão n.º 2202004.307 S2C2T2 Fl. 3.025 25 dependência) com a pessoa que o contrata. Assim, nessa vertente, a efetiva prestação do serviço de corretagem vinculase a uma condição: o corretor não possuir nenhuma relação de dependência com quem o contrata. Ele, de maneira independente, irá adotar medidas para que duas ou mais pessoas realizem algum negócio. 127. No setor imobiliário em geral, principalmente em se tratando de imóvel novo, ou seja, que ainda esteja na "planta" (caso dos empreendimentos ora fiscalizados), os interessados em comprálo motivados por algum meio de divulgação ou por iniciativa própria, via de regra, dirigemse aos estandes de vendas instalados no próprio local do empreendimento onde os supostos corretores já estão de plantão (aguardando os compradores) atuando como vendedores, ou seja, profissionais ligados à construtora ou imobiliária responsável pela intermediação. NESTE CASO, O CORRETOR NÃO AGE, COMO INTERMEDIÁRIO OU PRESTADOR AUTÔNOMO DE SERVIÇO, MAS COMO VERDADEIRO PREPOSTO DA CONSTRUTORA OU IMOBILIÁRIA, SUJEITO, PORTANTO, ÀS NORMAS INTERNAS, DETERMINAÇÕES, PREÇOS, CONDUTA PROFISSIONAL, FLUXO DE TRABALHO E DEMAIS EXIGÊNCIAS IMPOSTAS POR ESTA. 128. Diante do exposto, verificase com clareza que esse procedimento ocorre no ambiente organizacional da Via Empreendimentos no âmbito das operações de vendas analisadas pela auditoria fiscal, cujos documentos comprobatórios fazem parte integrante deste Relatório Fiscal. 129. Entre os documentos comprobatórios apurados pela auditoria fiscal destacase a Proposta de Compra Com Recibo de Sinal, a qual inicia o processo de venda, identificando o proponente, o imóvel objeto da proposta, as condições de pagamento, o recibo de pagamento do sinal e outras condições inerentes ao contrato de promessa de compra e venda a ser firmado entre as partes, sendo que os signatários desse documento são o "proponente comprador" e o "corretor" responsável pela venda, que age em nome da Fiscalizada na operação imobiliária. 130. Vale lembrar que as operações de vendas aqui comentadas foram realizadas nos estabelecimentos da empresa vinculando o corretor autônomo às normas de funcionamento e de conduta profissional estabelecidas pela Via Empreendimentos, tais como: vestuário, uso de crachás de identificação com a logomarca da empresa, cartões de visitas, formulários e a utilização de toda a estrutura física e operacional colocada à disposição desse prestador de serviço, inclusive atuação em plantão de venda mediante escala prédefinida pela fiscalizada. TAIS CARACTERÍSTICAS CONTRARIAM O CONCEITO DE CONTRATO DE CORRETAGEM NA FORMA ESTABELECIDA NO ARTIGO 722 DO CÓDIGO CIVIL VIGENTE, POIS RETIRAM DA FORMA DE ATUAÇÃO DO CORRETOR A AUTONOMIA E INDEPENDÊNCIA, PRESSUPOSTOS BÁSICOS DESSA MODALIDADE CONTRATUAL. Fl. 3025DF CARF MF Processo nº 10166.730933/201408 Acórdão n.º 2202004.307 S2C2T2 Fl. 3.026 26 131. Diante de todo o exposto, concluise que o trabalho de intermediação imobiliária prestado a Via Empreendimentos por corretores de imóveis autônomos no período analisado está em conformidade com os conceitos do art.12, inciso V, alínea g da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, conforme a auditoria fiscal já se referiu anteriormente." fls. 41/42; Em outras palavras, admite a autoridade lançadora que no contrato de corretagem não haveria prestação de serviço e, consequentemente, tampouco obrigação de pagar Contribuições Previdenciárias. O lançamento se sustenta, portanto, na tese de que não houve verdadeiro vínculo de corretagem e sim de mandato, havendo subordinação e prestação de serviço. O julgamento se restringe, portanto, aos termos da fundamentação do lançamento: há, no caso concreto, desnaturação do contrato de corretagem e concomitante configuração de vínculo de prestação de serviço? Os fundamentos para a autoridade lançadora entender que houve desnaturação do contrato de corretagem foram que: · Os corretores ficavam de plantão nos stands de vendas dos imóveis, portandose como verdadeiros vendedores; · As "Propostas de Compra com Recibo de Sinal", documento que inicia o processo de venda dos imóveis, era firmado pelo proponente comprador e pelo corretor, já constando as condições do pagamento, outras condições do contrato, e o recibo do sinal; e · Os corretores estavam vinculados às normas de funcionamento e de conduta profissional estabelecidas pela Via Empreendimentos, inclusive estabelecendo vestuário, uso de crachás de identificação com logomarca da empresa, cartões de visita, formulários etc., inclusive escala pré definida de plantão de vendas. De sua parte, a Contribuinte se defende argumentando que não restou demonstrada a existência de relação e emprego vez que não demonstrou subordinação, de onerosidade, de continuidade, de habitualidade e de pessoalidade. Equivocase a Contribuinte nessa argumentação. A verdade é que a autoridade lançadora não imputa a existência de relação de emprego, mas sim de prestação de serviço por contribuinte autônomo. Portanto, bastaria demonstrar que havia prestação de serviço, como se esforçou para fazer o lançamento, e não que há relação de emprego. Ainda assim, não é possível manter o lançamento tal como efetuado. Senão vejamos. Em primeiro lugar, o simples fato de que as negociações ocorriam no âmbito físico da estrutura da Recorrente não significa que havia prestação de serviço em seu favor. Difícil imaginar que qualquer pessoa vá comprar um imóvel sem visitálo. E ali, in loco, é normal que ocorram negociações, discussões de preços, condições de pagamento etc. Portanto, Fl. 3026DF CARF MF Processo nº 10166.730933/201408 Acórdão n.º 2202004.307 S2C2T2 Fl. 3.027 27 aceitando esse argumento, todo e qualquer corretor que visitasse o imóvel estaria desconfigurando o contrato de corretagem e realizando verdadeira prestação de serviços. Em segundo lugar, não apenas é natural como verdadeiramente é aconselhável que o corretor firme, ao lado do proponente comprador, a "Proposta de Compra". É esse documento que formaliza a proposta do negócio; é o instrumento pelo qual o corretor anuncia ao incumbente que encontrou um negócio. É, enfim, a sua prova de que faz jus à corretagem. Ao assinar ao lado do proponente comprador, está vinculando a proposta ao seu nome, de sorte que não restem dúvidas sobre quem foi o corretor que obteve o negócio. Portanto, novamente, tratase de fato inerente ao contrato de corretagem. Em terceiro lugar, observase que, no próprio art. 722 citado pela autoridade lançadora, a parte final é clara: Art. 722. Pelo contrato de corretagem, uma pessoa, não ligada a outra em virtude de mandato, de prestação de serviços ou por qualquer relação de dependência, obrigase a obter para a segunda um ou mais negócios, conforme as instruções recebidas. Ainda, na Lei nº 6.530/1978, que regula profissão de Corretor de Imóveis, está estabelecido que: Art 20. Ao Corretor de Imóveis e à pessoa jurídica inscritos nos órgãos de que trata a presente lei é vedado: (...) III anunciar publicamente proposta de transação a que não esteja autorizado através de documento escrito; Percebese que a atividade do corretor depende de recepção prévia de autorização e de instruções para que possa buscar os negócios em favor do incumbente. Sem essa autorização, estará abusando de sua atividade e, sem as instruções, não tem condições de saber qual o negócio desejado. Portanto, quando a Recorrente, na condições de incumbente, exige a utilização de crachá e de escala, nada mais está fazendo do que utilizando de seu poder de autorizar os corretores pessoas físicas a procurar negócios para si. Não é qualquer corretor que tem autorização de negociar os imóveis, mas apenas aqueles que a Recorrente, enquanto incumbente, aceitou. Não pode, um corretor absolutamente estranho à empresa, anunciar ou buscar intermediar a venda do imóvel; deve, antes de reputar intermediado o negócio, obter a referida autorização. O crachÁ serve, nesse contexto, para informar aos potenciais compradores de que aquela pessoa tem autorização para intermediar o negócio. A escala de plantão nada mais serve do que para garantir que não haja uma superlotação de corretores mostrando o imóvel a potenciais compradores ao mesmo tempo o que dificultaria a própria conclusão de negócios. Enfim, a tabela de preços e de condições de pagamento nada mais é do que as instruções dadas pelo incumbente para que o corretor possa saber o negócio procurado. Imaginese o caso em que, para cada visitante, o corretor tivesse de contatar a empresa para saber o preço e as condições de venda; esse esforço pode ser simples no caso de uma única Fl. 3027DF CARF MF Processo nº 10166.730933/201408 Acórdão n.º 2202004.307 S2C2T2 Fl. 3.028 28 unidade, mas absolutamente desnecessário quando do lançamento de um empreendimento com dezenas ou mesmo centenas de imóveis. Enfim, entendo que não restou demonstrada a desnaturação do contrato de corretagem. Esse entendimento é ratificado inclusive, pela própria base de cálculo identificada pela autoridade lançadora: "V — DO FATO GERADOR DO CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO 10. Constitui fato gerador das contribuições sociais integrantes do presente lançamento de ofício o pagamento de comissão de venda efetuado a segurados contribuintes individuais — corretores autônomos — pessoas físicas — pelos serviços de intermediação imobiliária prestados a Via Empreendimentos." fl. 17 Ora, a base de cálculo utilizada para o lançamento é o valor pago a título de "comissão" (entendase, corretagem), e não uma retribuição pela suposta prestação de serviço como mandatário. Nem poderia ser diferente. A despeito de todos os argumentos suscitados pela autoridade lançadora, constatase que os valores pagos aos corretores não buscaram retribuir a "prestação de serviço", o tempo à disposição da Recorrente; pelo contrário, os valores pagos o foram exclusivamente pela conclusão de negócios. Assim, pouco importa para o auferimento do direito à corretagem quantos dias os corretores pessoas físicas ficaram no stand de vendas; tampouco é relevante quantos visitantes atenderam, quantos apartamentos mostraram, quantas ligações fizeram. Nenhuma atividade comissiva é relevante para que eles tenham direito ou não ao seu pagamento. Tudo que importa é saber se concluíram negócios. Repetese: a corretagem não era paga em função das horas à disposição, nem dos visitantes atendidos, mas somente em função dos negócios concluídos. É possível que um corretor tenha ficado no stand durante meses e nunca tenha recebido qualquer pagamento; de outro lado, que outro corretor não tenha sido escalado nos plantões e ainda assim tenha concluído diversos negócios. A autoridade lançadora não demonstrou, enfim, que o pagamento se deu em função "da prestação de serviço", da "vinculação como preposto ou mandatário". Diferente seria se tivesse demonstrado que as pessoas físicas recebiam remuneração simplesmente por estar à disposição, por atender clientes; nesse caso haveria sim prestação de serviço, porquanto a remuneração seria pela atividade (ou disponibilidade) do contribuinte autônomo, e não pela corretagem. Tratandose de contrato de corretagem não incide Contribuição Previdenciária sobre os pagamentos das corretagens, como entendeu a própria autoridade lançadora em relação ao art. 722 do CC/2002. De qualquer sorte, para que não restem dúvidas quanto à não incidência de Contribuições Previdenciárias sobre pagamento de corretagens, passo à análise desse negócio jurídico especifico. Fl. 3028DF CARF MF Processo nº 10166.730933/201408 Acórdão n.º 2202004.307 S2C2T2 Fl. 3.029 29 1.1. Da natureza jurídica do contrato de corretagem: Esse e.CARF já enfrentou o problema de definir se há ou não prestação de serviços em contrato de corretagem em inúmeras oportunidades, ora aceitando e ora negando a viabilidade dessa incidência. É o que se extrai dos seguintes julgados: A Favor: Acórdão CARF nº 2302003.573, de 20/01/2015: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA SOBRE A REMUNERAÇÃO DE CORRETORES. No caso de compra e venda de imóveis com a participação de corretores, ainda que todas as partes do negócio acabem usufruindo dos serviços de corretagem, a remuneração é devida por quem contratou o corretor, ou seja, em nome de quem atua. Nesse sentido, ensina Orlando Gomes que se “somente uma das partes haja encarregado o corretor de procurar determinado negócio, incumbelhe a obrigação de remunerálo”. E ainda, “entre nós, quem paga usualmente a comissão é quem procura os serviços do corretor” (GOMES, Orlando. Contratos. 20ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2000, p. 382). É legítimo que, após a prestação dos serviços no interesse de uma das partes, haja estipulação de cláusula de remuneração, por se tratar de direito patrimonial, disponível. No entanto, tal prerrogativa não significa dizer que não houve ainda a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias, pois o crédito jurídico do corretor decorre de sua prévia prestação de serviços, ainda que a quitação seja perpetrada, posteriormente, por terceiro (adquirente). Para fins de incidência das contribuições previdenciárias, em cada caso, é preciso verificar quem são as partes da relação jurídica, para se saber quem é o credor e o devedor da prestação de serviços e, conseqüentemente, da remuneração (crédito jurídico), pouco importando de onde sai o dinheiro, podendo nem mesmo haver transação financeira como sói ocorrer com as prestações in natura (utilidades). (...) Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário. No caso de compra e venda de imóveis com a participação de corretores, ainda que todas as partes do negócio acabem usufruindo dos serviços de corretagem, a remuneração é devida por quem contratou o corretor, ou seja, em nome de quem atua. Para fins de incidência das contribuições previdenciárias, em cada caso, devese verificar quem são as partes da relação jurídica, para se saber quem é o credor e o devedor da prestação de serviços e, conseqüentemente, da remuneração (crédito jurídico), pouco importando de onde sai o dinheiro, podendo nem mesmo haver Fl. 3029DF CARF MF Processo nº 10166.730933/201408 Acórdão n.º 2202004.307 S2C2T2 Fl. 3.030 30 transação financeira como sói ocorrer com as prestações in natura (utilidades). Contra: Acórdão CARF nº 2803003.816, de 05/11/2014: PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LANÇAMENTO POR AFERIÇÃO INDIRETA. CONSTRUÇÃO CIVIL. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS X CONTRATO DE CORRETAGEM. FATO GERADOR NÃO CARACTERIZADO. CONFLITO DE NORMAS. INOBSERVÂNCIA, PELA FISCALIZAÇÃO, DOS COMANDOS DOS ARTIGOS 109, 110 E 142 DO CTN. 1. O cerne da discussão entre as partes litigantes diz respeito a contratos de prestação de serviços (tácitos) firmados pela recorrente e corretores ou consultores imobiliários, sob a ótica da lei previdenciária (art. 22 da Lei nº 8.212/91), conforme entendimento da fiscalização / julgadores de primeira instância, e contratos de corretagem (também tácitos) firmados pelos corretores / consultores imobiliários e os adquirentes de imóveis por intermédio da recorrente, sob a ótica do art. 723 do Código Civil / Lei 6.530/79, que define a área de atuação do corretor imobiliário. 2. Não tendo a autoridade administrativa, verificado, efetivamente, a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, como impõe o art. 142 do CTN, tendo em vista que a relação existente entre o sujeito passivo e os corretores / consultores imobiliários não decorre de contrato de prestação de serviço, mas de contrato de corretagem, na forma estabelecida no art. 723 do Código Civil, bem como na Lei nº 6.530, de 1979, a constituição do crédito tributário está eivada de vício material insanável, não merecendo, desse modo, prosperar. 3. Além de a fiscalização ter inobservado a regra matriz para a constituição do crédito tributário, como prevê o art. 142 do CTN, ela também desconsiderou solenemente as previsões contidas nos artigos 109 e 110 do mesmo diploma legal. (...) Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Oseas Coimbra Junior e Helton Carlos Praia de Lima. Compareceu a sessão de julgamento o Advogado Dr. Francisco Carlos Rosas Giardina, OAB/RJ 41.765. Nesse caminho, não é inaudita a existência de discussão nesse Conselho acerca da natureza jurídica do contrato de corretagem nem sobre a possibilidade ou não de ele configurar hipótese de incidência de Contribuições Previdenciárias. Fl. 3030DF CARF MF Processo nº 10166.730933/201408 Acórdão n.º 2202004.307 S2C2T2 Fl. 3.031 31 1.2. A Lei: Acontece que, se é fática a existência de contenda, a qual inclusive é válida do ponto de vista acadêmico, pareceme que, do ponto de vista prático, não merece tamanha divergência. Com a devida vênia em relação àqueles que entendem diferente, a questão encontrase respondida claramente pela Lei nº 10.406/2002, denominada Código Civil, que estabelece: Art. 722. Pelo contrato de corretagem, uma pessoa, não ligada a outra em virtude de mandato, de prestação de serviços ou por qualquer relação de dependência, obrigase a obter para a segunda um ou mais negócios, conforme as instruções recebidas. A Lei Civil é clara: na corretagem não há prestação de serviço, assim como não há mandato nem relação de dependência. Onde a Lei é expressa, desnecessárias maiores interpretações: não há como afirmar que o contrato de corretagem é hipótese de prestação de serviços. Ora, se o Código Tributário Nacional estabelece em seu art. 110 que a Lei tributária não pode alterar a definição de institutos de direito privado, com ainda mais razão entendo que não pode haver ampliação do raio de incidência de um tributo com base em mera interpretação do aplicador do direito. Efetivamente, se a Lei tributária não poderia afirmar que o contrato de corretagem é prestação de serviço para fins de incidência da Contribuição Previdenciária posto que estaria contradizendo o próprio CTN e o CC/2002 com ainda mais razão compreendo que não pode fazêlo o intérprete. Esse motivo é, por conta própria, suficiente para determinar o cancelamento do auto de infração, vez que imputase a corretagem como hipótese de prestação de serviço, o que a Lei expressamente definiu em contrário. 1.3. Doutrina Ainda assim, apenas a título subsidiário, caso se entendesse que este e.CARF pudesse afastar aplicação da Lei o que é expressamente vedado pelo RICARF , passo ao esclarecimento de ordem doutrináriajurídicalógica. A corretagem é o contrato pelo qual uma pessoa, o corretor, é incumbido por outra, o incumbente, a encontrar um negócio. No contrato de corretagem, o corretor não atua como mandatário, não podendo representar o incumbente nem firmar contrato em nome dele. Tampouco é locador de serviço; o corretor não está obrigado a realizar determinada prestação especifica, não sendo obrigado a comissivamente buscar o negócio, anunciar o imóvel nem a contatar potenciais compradores. Se o corretor nada fizer, simplesmente aguardar que algum comprador o procure por sorte, não estará em mora. Em suma, no contrato de corretagem não se contrata para determinada atividade, determinada prestação, mas sim para que seja alcançado determinado resultado, qual seja, a conclusão de um negócio. No contrato de corretagem, só há adimplemento da obrigação do corretor se for encontrado o negócio. Ainda que o corretor tenha realizado todos os esforços possíveis, ou nenhum, não terá feito a corretagem se não tiver encontrado um negócio. Exatamente por isso é que não se pode falar em prestação de serviços pelo corretor, independente de estar dias a fio à Fl. 3031DF CARF MF Processo nº 10166.730933/201408 Acórdão n.º 2202004.307 S2C2T2 Fl. 3.032 32 disposição da incorporadora no stand, mas se pode falar em corretagem quando o corretor, sem ir uma única vez ao prédio, encontra um negócio. A verdade é que, como bem chama atenção SILVIO VENOSA, "A maior dificuldade em fixar a natureza jurídica desse contrato (de corretagem) devese ao fato de que raramente o corretor limitase à simples intermediação. Por isso, para a corretagem acorrem princípios do mandato, da locação de serviços, da comissão e da empreitada, entre outros. Quando um desses negócios desponta como atuante na corretagem, devem seus respectivos princípios de hermenêutica ser trazidos à baila. Para que seja considerada corretagem, a intermediação deve ser a atividade preponderante no contrato e na respectiva conduta contratual das partes." 1 Em outras palavras, é comum confundir o contrato de corretagem com outros negócios ou com as cláusulas acessórias que lhe podem ser acrescentadas. Como esclarecido acima, o contrato de corretagem é o negócio pelo qual o incumbido se obriga a encontrar um negócio. Podem, entretanto, as partes (corretor e incumbente) acordar que ao contrato de corretagem serão acrescentadas outras obrigações. São exemplo: podem acordar que o corretor seja obrigado a anunciar o negócio (imóvel, no caso em tela) em determinado site; seja obrigado a contatar número mínimo de clientes por semana; seja obrigado a ficar em determinado estande de vendas por certo número de horas. Nesses casos, quando são acrescentadas apenas cláusulas ou obrigações acessórias, o contrato de corretagem não se altera nem perde a sua essência. Essa é a lição de PONTES DE MIRANDA, in verbis: "O contrato de corretagem pode ser contrato unilateral (só o que outorga se faz devedor e obrigado), ou bilateral (outorgante e outorgado devem e são obrigados), ou plurilateral. Por êle, o outorgante fica vinculado a pagar ao corretor remuneração (dita comissão; melhor corretagem) pela comunicação de quando e de como pode concluir o contrato, ou de como por outorgar poder de intermediação, aí sem representação, ao corretor. O elemento de serviço ou de obra que entra no contrato de corretagem não lhe tira a característica, se criados o dever e a obrigação de desenvolver atividade e de comunicação, para se poder ter o ensejo de negociação: bilateralizase o contrato, quebrando a unilateralidade, ou ao lado dessa (C. E. RIESENFELD, Der Civilmakler. Gruchots Beiträge, 37, 277 e 847; W. REULING, Provisionsansprüche, 40, 193; E. RIEZLER, Der Werkvertrag, 91; H. SIBER, Der Rechtszwang, 48 s.). Pela bilateralidade, sempre, mesmo se não ocorre dever e obrigação por parte do corretor: C. CROME (Die partiarischen Rechtsgeschäfte, 45; System, II, 709), F. SCHOLLMEYER (Recht der Schuldverhältnisse, 113), PAUL OERTMANN (Das Recht der Schuldverhältnisse, 759 s.) e OTTO VON GIERKE (Deutsches Privatrecht, III, 709). Se o corretor não assume o dever de desenvolver atividade, a fim de poder informar o outorgante, a sua prestação de informar é que determina o direito a receber 1 VENOSA, Sílvio, Código Civil interpretado, São Paulo, Atlas, 2010, p. 682. Fl. 3032DF CARF MF Processo nº 10166.730933/201408 Acórdão n.º 2202004.307 S2C2T2 Fl. 3.033 33 remuneração. Isso não quer dizer que, sendo unilateral o contrato, não fique vinculado, não pode praticar atos contrários aos interêsses do outorgante, tem dever de discrição, não pode, de má fé, com dano para o outorgante, suspender a atividade que voluntàriamente começou, nem pode usar essa atividade para informar a outrem, com dano para o outorgante. Se o corretor assume o dever de desenvolver atividade necessária à obtenção do informe e de informar, ou a prestar o informa que já tem, bilateralizase o contrato de corretagem. A opinião que sustenta desnaturarse, com a bilateralização, o contrato, tornandose, apenas, contrato de serviço, parte de que: a) o contrato ou é de corretagem ou é de serviço; b) não se pode pensar em incidirem as regras jurídicas sôbre corretagem e, subsidiàriamente, as regras jurídicas sôbre contrato de serviços." 2 Em suma, no contrato de corretagem per si, não há locação (prestação) de serviço, mas mera autorização para o corretor procure um negócio, ficando obrigado apenas a anunciar que encontrouo, e obrigação para o incumbente, que fica obrigado a pagar a corretagem em caso de resultado útil. Podem ser acrescentados ao contrato de corretagem, é verdade, outras obrigações, inclusive a de prestar determinados serviços (como a propaganda, a panfletagem etc.), os quais, entretanto, não são presumidos porquanto não fazem parte do negócio. 2. Da ilegitimidade passiva, da ilegalidade da imputação de responsabilidade solidária e da ausência de provas nos autos, da multa qualificada etc.: Argumenta a Contribuinte, ainda, que: a. É ilegal a imputação de responsabilidade solidária à recorrente, vez que a autoridade lançadora jamais verificou que as contribuições previdenciárias foram lançadas e recolhidas pelas terceiras empresas (imobiliárias). Em suma, que só poderia ter sido autuada se houvesse prova de que as terceiras empresas não recolheram os tributos devidos; b. Não é parte legítima para figurar no polo passivo da autuação, vez que quem contratou os corretores foram os compradores, e subsidiariamente as imobiliárias (corretoras pessoas jurídicas), e não ela; e c. O lançamento não pode subsistir (I) por ausência de provas da ocorrência do fato gerador, (II) que o lançamento foi realizado por meio de presunção, (III) que a base de cálculos foi identificada apenas em função de provas meramente testemunhais, (IV) que não há comprovação de que sequer houve análise pro amostragem, que os corretores trabalhavam no stand da construtora ou mesmo que houve efetivo pagamento de corretagem, e (V), em relação à última, que a autoridade lançadora negou a possibilidade de a venda ter sido realizada diretamente pela empresa, sem a participação de corretores; 2 F. C. PONTES DE MIRANDA, Tratado de direito privado, t. 43, atual. Cláudia Lima Marques e Bruno Miragem, São Paulo, Revista dos Tribunais, 2012, p. 427. Fl. 3033DF CARF MF Processo nº 10166.730933/201408 Acórdão n.º 2202004.307 S2C2T2 Fl. 3.034 34 d. Que, tendo a Contribuinte contratado diversas pessoas jurídicas, não pode a autoridade lançadora desconsiderálas (indiretamente), ao ignorar contratos validamente firmados, sem pena de ofender preceitos constitucionais; e. Que, nesse contexto, os serviços prestados são de natureza intelectual e obedecem ao disposto no art. 129 da Lei nº 11.196/2005, sendo válida, portanto a constituição de pessoas jurídicas; f. Que é indevido o arbitramento e que os cálculos apresentados são irreais; g. Que a contabilidade da empresa está bem organizada e lastreada em documentação própria, devendo ser aceita como prova em favor da Contribuinte; h. Que não existe grupo econômico de fato, devendo ser afastada, portanto, a solidariedade imposta aos demais autuados; i. Que é ilegal a inclusão dos sócios e diretores da recorrente no polo passivo (Relação de CoResponsáveis) sem a demonstração de conduta dolosa nem enquadramento em qualquer das hipóteses dos arts. 134 e 135 do CTN, citando, inclusive, o RE nº 562.276, do STF; e j. Que é indevida a aplicação da multa qualificada por não ter sido comprovado o evidente intuito de fraude, sonegação nem conluio. Tendo em vista, entretanto, o meu posicionamento no sentido de que a autoridade lançadora não demonstrou a ocorrência do fato gerador, deixo de analisar os demais pontos suscitados. Dispositivo: Diante de tudo quanto exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Voto Vencedor Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Redator designado Em que pese o bem fundamentado voto do ilustre Relator, peço vênia para divergir do seu entendimento quanto ao mérito, pelas seguintes razões: DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PELOS CORRETORES DE IMÓVEIS A Lei nº 8.212/91 assim dispõe sobre a tributação incidente sobre o contribuinte individual: Fl. 3034DF CARF MF Processo nº 10166.730933/201408 Acórdão n.º 2202004.307 S2C2T2 Fl. 3.035 35 Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: [...] V como contribuinte individual: [...] g) quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego; h) a pessoa física que exerce, por conta própria, atividade econômica de natureza urbana, com fins lucrativos ou não; [...] Art. 21. A alíquota de contribuição dos segurados contribuinte individual e facultativo será de vinte por cento sobre o respectivo saláriodecontribuição. [...] § 2º É de 11% (onze por cento) sobre o valor correspondente ao limite mínimo mensal do saláriodecontribuição a alíquota de contribuição do segurado contribuinte individual que trabalhe por conta própria, sem relação de trabalho com empresa ou equiparado, e do segurado facultativo que optarem pela exclusão do direito ao benefício de aposentadoria por tempo de contribuição. § 3º O segurado que tenha contribuído na forma do § 2º deste artigo e pretenda contar o tempo de contribuição correspondente para fins de obtenção da aposentadoria por tempo de contribuição ou da contagem recíproca do tempo de contribuição a que se refere o art. 94 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, deverá complementar a contribuição mensal mediante o recolhimento de mais 9% (nove por cento), acrescido dos juros moratórios de que trata o § 3º do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: [...] III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; [...] Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: [...] III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por Fl. 3035DF CARF MF Processo nº 10166.730933/201408 Acórdão n.º 2202004.307 S2C2T2 Fl. 3.036 36 conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5º; [...] Embora a Contribuinte insista nas alegações de que os corretores foram contratados diretamente, de forma autônoma, pelos adquirentes das unidades imobiliárias, prestando serviço e sendo remunerados por estes, a análise das provas dos autos leva à conclusão de que, na realidade, os corretores prestavam serviços à empresa fiscalizada. Ademais, eventual pagamento realizado diretamente pelo cliente ao corretor de imóveis não tem o condão de afastar a natureza da operação realizada, qual seja, o corretor prestou à empresa imobiliária o serviço de intermediação de negócios junto a terceiros. Em se comprovando a ocorrência da prestação de serviço deste para com a imobiliária, é esta quem deve responder pelas correspondentes obrigações tributárias, conforme bem exposto pela decisão de primeira instância, da qual transcrevo o excerto abaixo, que tomo também como razões de decidir. O sujeito passivo alega que os pagamentos foram realizados ao corretor diretamente pelos adquirentes da unidade imobiliária, o que teria sido admitido no relatório fiscal. A este respeito, esclarece a fiscalização: 81. Com base nas informações prestadas pelos diligenciados e documentos comprobatórios entregues ao fisco, estes revelaram uma situação bem adversa daquela grafada nas respostas apresentadas pela Via Empreendimentos, cuja síntese é a seguinte: a) os imóveis negociados pelos promitentes compradores diligenciados foram adquiridos diretamente da Via Empreendimentos, com a intermediação de corretores de imóveis, identificados no ato da negociação como representantes desta empresa; b) não houve negociação antecipada com o corretor responsável pela operação de venda sobre o pagamento da comissão de corretagem e tampouco a quem cabia a responsabilidade por esse pagamento, conforme afirma a Fiscalizada. c) o pagamento da comissão devida ao corretor deuse por meio de cheque nominativo a Fiscalizada, sendo que um dos diligenciados emitiu o cheque em nome do corretor que intermediou a venda; d) o valor da comissão do corretor via de regra não integrou o valor grafado na proposta/contrato de compra e venda, ou seja, tal pagamento fica à margem do processo de venda como forma de transferir o ônus do pagamento ao promitente comprador. 82. Diante do exposto e do exame cuidadoso dos documentos e esclarecimentos trazidos à fiscalização pelos promitentes compradores, devidamente diligenciados pela auditoria fiscal, não há como sustentar as declarações da Fiscalizada de que a comissão devida ao corretor "é acertada exclusivamente entre o adquirente da Fl. 3036DF CARF MF Processo nº 10166.730933/201408 Acórdão n.º 2202004.307 S2C2T2 Fl. 3.037 37 unidade imobiliária e o referido corretor..." e por este motivo alega a Fiscalizada "não ter o conhecimento do valor da comissão do corretor que alienou o referido imóvel." 83. Ora, de fato, o pagamento da comissão de vendas envolvida na operação é feito diretamente ao corretor pelo adquirente da unidade, cujo valor é calculado mediante um percentual prédefinido pela empresa. Este procedimento faz parte do processo de venda e é imposto ao interessado na aquisição do imóvel. Porém, tal procedimento não significa que o pagamento está sendo feito por conta e risco do comprador, como se o corretor estivesse exclusivamente a serviço deste. No caso, o corretor está investido de autonomia outorgada pela Via Empreendimentos para intermediar o negócio como seu representante e não como um profissional autônomo sem qualquer vínculo com a empresa. E ainda, como alegar ao fisco que não tem conhecimento do valor da comissão de venda devida ao corretor que alienou o imóvel se o cheque do pagamento é emitido em nome da Fiscalizada e esta é quem repassa o valor ao corretor que intermediou a venda? 84. Portanto, a prática adotada pela Via Empreendimentos é uma regra estabelecida, unilateralmente, pela Fiscalizada com o propósito de imputar o ônus do pagamento da comissão ao comprador do imóvel, que não fez qualquer negociação neste sentido com o corretor, o que caracteriza procedimento contrário à lei, pois transborda abusividade consumerista, infringindo o artigo 51, inciso IV da Lei n° 8.078, de 1990 (Código de Defesa do Consumidor). O fato do pagamento das comissões ter sido feito aos corretores pelos adquirentes das unidades imobiliárias, pois esta era a determinação da empresa autuada, não altera a responsabilidade pelo pagamento dos tributos devidos, já que ficou comprovada que os serviços eram prestados à Via Empreendimentos S/A. Não é demais lembrar que o artigo 123 do Código Tributário Nacional – CTN estabelece que, salvo disposição de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Ou seja, ainda que exista algum contrato escrito ou verbal entre as partes envolvidas na negociação (sujeito passivo, compradores e corretores), não há como utilizá lo para que a empresa possa se eximir das suas obrigações tributárias. Todo o conjunto probatório leva ao entendimento de que os serviços de intermediação dos imóveis da Via Empreendimentos Imobiliários S/A no estabelecimento Matriz – DF, apontados pela fiscalização, efetivamente foram prestados ao sujeito Fl. 3037DF CARF MF Processo nº 10166.730933/201408 Acórdão n.º 2202004.307 S2C2T2 Fl. 3.038 38 passivo por corretores autônomos, que, neste caso, enquadram se para fins previdenciários como segurados obrigatórios contribuintes individuais, sendo devidas pelo sujeito passivo as contribuições previdenciárias incidentes sobre esta remuneração. Ao contrário do alegado na impugnação, a Via Empreendimentos Imobiliários é o verdadeiro sujeito passivo das obrigações tributárias, na qualidade de contribuinte, não havendo que se cogitar de verificar se terceiras pessoas teriam recolhido as contribuições previdenciárias. Ou seja, não se configura, pelo exposto, a ilegitimidade passiva da Via Empreendimentos Imobiliários S/A. Com relação à alegação de que o lançamento ora impugnado encontrase integralmente fundamentado em informações obtidas em procedimento administrativo diverso, é de se ressaltar que este processo administrativo fiscal nº 10166.730933/201408, que abrange os Autos de Infração Debcad nº 51.070.0551, 51.070.0560, 51.070.0578 e 51.070.0586, está devidamente instruído com os elementos obrigatórios constantes do artigo 10 do Decreto nº 70.235/1972. A fiscalização motivou o lançamento e juntou aos autos os documentos que o embasaram. Se mais não apresentou, é porque não obteve do sujeito passivo todos os documentos e esclarecimentos que solicitou, conforme anteriormente descrito. Portanto, improcedente a alegação do sujeito passivo nesta questão. A autoridade administrativa tributária não apontou relação de emprego entre as partes, sendo desnecessária a configuração dos requisitos de subordinação, onerosidade, continuidade, habitualidade e pessoalidade, como alegou o sujeito passivo. Na realidade, o contribuinte individual em tela caracterizase justamente por prestar serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego. Também não houve desconsideração da personalidade jurídica da empresa N&Y Imóveis. Ocorre que a fiscalização identificou que as vendas que o sujeito passivo afirmava terem sido intermediadas por esta empresa foram na realidade efetuadas pela própria Via Empreendimentos por meio de corretores que lhe prestaram serviços, conforme demonstram os Termos de Atendimento à Intimação para Apresentação de Documentos e Prestar Esclarecimentos de Interesse da Receita Federal do Brasil e demais documentos juntados às fls. 1.455 a 1.569 dos autos. Em seu depoimento, o comprador Paulo César Lopes Camargo afirmou que o imóvel foi adquirido diretamente da Via Empreendimentos no escritório situado na Asa Norte, que não conhecia a empresa N&Y Imóveis e que o corretor que intermediou a venda, Eduardo Maurício de Oliveira, identificou se como representante e portava o crachá da empresa Via Empreendimentos. Da mesma forma, os demais depoentes também informaram que a aquisição foi efetuada diretamente da Fl. 3038DF CARF MF Processo nº 10166.730933/201408 Acórdão n.º 2202004.307 S2C2T2 Fl. 3.039 39 empresa Via Empreendimentos Imobiliários e não apresentaram nenhum documento relacionado à empresa N&Y Imóveis. O depoente Wanderson Vieira Waldhelm afirmou que a empresa N&Y Imóveis não foi por ele identificada como parte no processo de comercialização do imóvel, e que somente teve ciência da participação da Via Empreendimentos. Os recibos de pagamento aos corretores foram apresentados pelos compradores, e não consta nenhum emitido pela empresa N&Y Imóveis Ltda. Apesar de os ter apresentado em relação a outras empresas, a Via Empreendimentos Imobiliários não apresentou o contrato de prestação de serviços com a empresa N&Y Imóveis Ltda. Assim, ficando configurada a prestação de serviços pelos corretores autônomos nas vendas diretas efetuadas pela Via Empreendimentos Imobiliários S/A, são devidas pelo sujeito passivo as contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração por eles percebida. O artigo 722 do Código Civil (Lei nº 10.406/2002) exige que a obtenção do negócio deva ser feita por corretor não ligado a outra pessoa em virtude de mandato, de prestação de serviços ou por qualquer relação de dependência. A fiscalização identificou que houve a prestação de serviços nas dependências da empresa autuada por corretor que se identificava como seu representante, inclusive portando crachá. A esse respeito, diz o item 130 do Relatório Fiscal: 130. Vale lembrar que as operações de vendas aqui comentadas foram realizadas nos estabelecimentos da empresa vinculando o corretor autônomo às normas de funcionamento e de conduta profissional estabelecidas pela Via Empreendimentos, tais como: vestuário, uso de crachás de identificação com a logomarca da empresa, cartões de visitas, formulários e a utilização de toda a estrutura física e operacional colocada à disposição desse prestador de serviço, inclusive atuação em plantão de venda mediante escala prédefinida pela fiscalizada. Tais características contrariam o conceito de contrato de corretagem na forma estabelecida no artigo 722 do Código Civil vigente, pois retiram da forma de atuação do corretor a autonomia e independência, pressupostos básicos dessa modalidade contratual. Nesse sentido temos as seguintes decisões do CARF: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 30/11/200 PAF PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial quando, ao tempo da interposição do apelo, o julgado indicado à guisa de paradigma já se encontrava reformado, tornandose inservível para tal fim. Fl. 3039DF CARF MF Processo nº 10166.730933/201408 Acórdão n.º 2202004.307 S2C2T2 Fl. 3.040 40 SERVIÇO DE INTERMEDIAÇÃO DE VENDA DE IMÓVEIS. CORRETOR QUE ATUA EM NOME DA IMOBILIÁRIA. COMPROVAÇÃO DE VÍNCULO. RESPONSABILIDADE. O pagamento de comissão efetuado diretamente pelo cliente ao corretor de imóveis não tem o condão de descaracterizar a prestação, à imobiliária, de serviços de intermediação junto a terceiros. Comprovada a ocorrência da prestação de serviços, é da imobiliária a responsabilidade pelo cumprimento das obrigações tributárias, principais e acessórias (Acórdão nº 9202005.455, Rel. Maria Helena Cotta Cardoso, data da sessão: 24/05/2017). Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA SOBRE A REMUNERAÇÃO DE CORRETORES. No caso de compra e venda de imóveis com a participação de corretores, ainda que todas as partes do negócio acabem usufruindo dos serviços de corretagem, a remuneração é devida por quem contratou o corretor, ou seja, em nome de quem atua. Nesse sentido, ensina Orlando Gomes que se “somente uma das partes haja encarregado o corretor de procurar determinado negócio, incumbelhe a obrigação de remunerálo. E ainda, entre nós, quem paga usualmente a comissão é quem procura os serviços do corretor” (GOMES, Orlando. Contratos. 20ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2000, p. 382). É legítimo que, após a prestação dos serviços no interesse de uma das partes, haja estipulação de cláusula de remuneração, por se tratar de direito patrimonial, disponível. No entanto, tal prerrogativa não significa dizer que não houve ainda a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias, pois o crédito jurídico do corretor decorre de sua prévia prestação de serviços, ainda que a quitação seja perpetrada, posteriormente, por terceiro (adquirente). Para fins de incidência das contribuições previdenciárias, em cada caso, é preciso verificar quem são as partes da relação jurídica, para se saber quem é o credor e o devedor da prestação de serviços e, conseqüentemente, da remuneração (crédito jurídico), pouco importando de onde sai o dinheiro, podendo nem mesmo haver transação financeira como sói ocorrer com as prestações in natura (utilidades). MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS MORATÓRIOS. Tendo a multa de ofício natureza jurídica penalidade tributária, ela integra o conceito de crédito tributário, nos termos do artigo 142 do CTN, sujeitandose aos juros moratórios referidos nos artigos 161 do CTN e 61 da Lei n° 9.430/96. Recurso Voluntário Negado (Acórdão nº 2302003.573, Rel. André Luís Mársico Lombardi, data da sessão: 20/01/2015). Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Fl. 3040DF CARF MF Processo nº 10166.730933/201408 Acórdão n.º 2202004.307 S2C2T2 Fl. 3.041 41 Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 RELAÇÃO JURÍDICA APARENTE DESCARACTERIZAÇÃO Pelo Princípio da Verdade Material, se restar configurado que a relação jurídica formal apresentada não se coaduna com a relação fática verificada, subsistirá a última. De acordo com o art. 118, inciso I do Código Tributário Nacional, a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS CONTRIBUIÇÃO A CARGO DO BENEFICIÁRIO DO SERVIÇO PRESTADO A contribuição incidente sobre os valores recebidos por contribuintes individuais fica a cargo do tomador destes serviços AFERIÇÃO INDIRETA PRERROGATIVA LEGAL DA AUDITORIA FISCAL INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário [...] (Acórdão nº 2402003.188, Rel. Ana Maria Bandeira, data da sessão: 20/11/2012). Transcrevo a seguir excertos do voto condutor desse último acórdão, da lavra da ilustre Relatora Ana Maria Bandeira: Observou a auditoria fiscal que para realização de seu objeto social, a recorrente tem por prática manter um número expressivo de corretores em diversos stands da empresa LPS espalhados em diversos pontos do Distrito Federal, para atendimento dos potenciais compradores dos imóveis que comercializa. Considerou a auditoria fiscal que não seria possível à recorrente efetuar as vendas dos imóveis sem a prestação de serviços desses corretores. Assim, entendeu que os corretores estavam a serviço da recorrente e diante da falta de apresentação de documentos, efetuou o lançamento por aferição indireta. [...] Segundo a recorrente, esta não faz qualquer esforço para captar clientes, apenas aguarda que interessados a procurem por intermédio de corretores de imóveis com os quais não possui vinculação. Tal alegação não se sustenta. Não se pode olvidar que a recorrente efetua venda de imóveis de terceiros, ou seja, são construtoras e incorporadoras que não colocariam seus imóveis para serem vendidos por uma empresa que permanecesse apenas aguardando potenciais compradores, Fl. 3041DF CARF MF Processo nº 10166.730933/201408 Acórdão n.º 2202004.307 S2C2T2 Fl. 3.042 42 confiando no poder de seu nome. O que ocorre é justamente o contrário, como se depreende do contrato juntado pela auditoria fiscal (fls. 183/191) firmado entre a recorrente e uma contratante de seus serviços, do qual transcrevo os seguintes trechos: [...] Resta claro que o que se espera da recorrente é que esta mantenha equipe de vendas, composta de corretores experientes para o cumprimento do acordado. Além disso, conforme bem observou a decisão recorrida, o argumento de que a recorrente funcionaria como vitrine de imóveis e, mediante os meios de comunicação, atrairia a atenção do público consumidor também não se sustenta, haja vista que no contrato já mencionado ficou estabelecido que as despesas para a realização do acordado correriam por conta da contratante e não da recorrente, conforme se observa do trecho transcrito: [...] Outra questão trazida pela recorrente para tentar desconstituir o lançamento seria o fato de que as comissões aos corretores autônomos teriam sido pagas pelos compradores dos imóveis. Relativamente a esse fato, cumpre discorrer se o fato de a recorrente não ter suportado o ônus do pagamento das comissões, tão somente, a retira da condição de sujeito passivo da obrigação tributária. O Código Tributário Nacional em seu artigo 121 define com precisão quem seria o sujeito passivo, ou seja, a pessoa obrigada a recolher o tributo. De acordo com o inciso I do § único deste artigo, considerase sujeito passivo, na condição de contribuinte, aquele que possui uma relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador. O simples fato da recorrente haver transferido o ônus do pagamento das comissões para os compradores não desqualifica sua relação pessoal e direta com o fato gerador, na condição de verdadeira tomadora dos serviços dos corretores autônomos. Alega, ainda, a Recorrente que a sua contabilidade está bem organizada e lastreada em documentação própria, devendo ser aceita como prova em seu favor. O Decreto nº 7.574/2011 assim dispõe: Art. 26. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 9o, § 1o). Parágrafo único. Cabe à autoridade fiscal a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no caput (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 2º). Fl. 3042DF CARF MF Processo nº 10166.730933/201408 Acórdão n.º 2202004.307 S2C2T2 Fl. 3.043 43 No presente caso, foi constatado pela Fiscalização que a contabilidade da empresa fiscalizada não registrava o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, visto que não havia registros contábeis relacionados aos corretores autônomos, tendo a autoridade fiscal autuado a empresa, mediante o Código de Fundamentação Legal CFL 34 , pelo fato de não ter lançado em títulos próprios, de forma discriminada, todos os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos (processo administrativo fiscal nº 10166.7309337/201488). Portanto, não poderá a escrituração contábil da fiscalizada fazer prova a seu favor. Dessa forma, entendo que devem incidir as contribuições previdenciárias sobre os valores pagos aos corretores pela Fiscalizada a título de comissão de corretagem, conforme efetuado pela autoridade fiscal. AFERIÇÃO INDIRETA A Fiscalização apurou a base de cálculo das Contribuições Previdenciárias por arbitramento, em virtude de a empresa não ter lançado em sua contabilidade o pagamento das remunerações, assim como não ter atendido à intimação para discriminar todos os segurados corretores de imóveis a seu serviço com as respectivas remunerações. Sobre a aferição indireta, cabe destacar o que dispõe o art. 33, § 6º, da Lei nº 8.212/91: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. [...] § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. No presente caso, a ausência dos lançamentos contábeis, bem como a recusa da Contribuinte de apresentar a documentação solicitada, impediram a Fiscalização de obter os valores das remunerações efetivamente pagas aos corretores de imóveis, o que justificou a utilização da aferição indireta. Nesse sentido, ressaltese que a legislação vigente determina o uso de aferição indireta quando a documentação apresentada pelo contribuinte não demonstre a realidade. Os contribuintes têm a obrigação de colaborar com a Fiscalização, devendo apresentar todos os documentos que possui sob pena de sofrer as consequências previstas em lei. Ocorre que a Contribuinte não apresentou a documentação solicitada nem se desincumbiu do ônus probatório de afastar os levantamentos utilizados pela autoridade fiscal, o que acarreta a manutenção do arbitramento da base de cálculo. Fl. 3043DF CARF MF Processo nº 10166.730933/201408 Acórdão n.º 2202004.307 S2C2T2 Fl. 3.044 44 No Relatório Fiscal, a autoridade fiscal informa que utilizou o percentual de 1,6% sobre o valor do imóvel para apuração da base de cálculo em razão deste ter sido o percentual negociado pelo sujeito passivo com as empresas Delforte Empreendimentos Imobiliários Ltda, Acer Consultores em Imóveis S/A e Itaplan Imóveis Ltda. Efetivamente, na planilha de fls. 1.243/1.249, verificase que o valor da comissão do corretor, base de cálculo das contribuições previdenciárias, corresponde a 1,6% do valor da operação. O Recorrente apresenta um quadro à fl. 2.702 (folha 16 do recurso voluntário), procurando demonstrar que o cálculo efetuado pela Fiscalização não condiz com o percentual de 1,6% apontado na acusação fiscal. No entanto, observase que esse quadro apenas reproduz as informações apresentadas pelas empresas imobiliárias e pela Via Empreendimentos Imobiliários S/A nas DIMOBs dos anoscalendário de 2010 e 2011, não representando qualquer cálculo relativo à aferição indireta, conforme já exposto na decisão da DRJ. Com relação às vendas das unidades em que a Contribuinte afirma terem sido efetuadas pela empresa N&Y Imóveis Ltda, conforme item 149 do Relatório Fiscal (fl. 47), combinado com a planilha de fls. 1.251/1.252, constatase que a base de cálculo é o valor da comissão informado pelo sujeito passivo e registrado na DIMOB da suposta prestadora de serviços. Portanto, está correta a decisão de primeira instância nesse ponto. MULTA QUALIFICADA A autoridade fiscal justificou a qualificação da multa em razão do sujeito passivo ter praticado atos abusivos e contrários à lei, incorrendo em sonegação ao omitir o conhecimento por parte do fisco da ocorrência do fato gerador dessa contribuição previdenciária, como também por ter negligenciado a sua responsabilidade tributária na condição de contribuinte ao transferir, de forma abusiva, o ônus do pagamento da comissão de venda para o comprador do imóvel, com o claro propósito de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário objeto deste lançamento de ofício. A decisão de primeira instância manteve a qualificação da multa, tendo concluído o seguinte: Realmente, no caso sob exame, restou constatado que a empresa Via Empreendimentos S/A agiu intencionalmente com o objetivo de impedir ou retardar o conhecimento por parte do Fisco da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, sua natureza ou circunstâncias materiais, e sua condição pessoal de contribuinte, e com isso evitou o pagamento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos empregados que lhe prestavam serviços, incorrendo na prática de sonegação prevista no artigo 71 da Lei nº 4.502/1964. Com o devido respeito ao entendimento da autoridade fiscal e dos julgadores da DRJ, penso que não merece prosperar a tese de que ocorreu sonegação, fraude ou simulação, de modo a justificar a qualificação da multa em 150%. Nesse caso, entendo que não restou suficientemente caracterizada a intenção dolosa de sonegação por parte da Contribuinte. Fl. 3044DF CARF MF Processo nº 10166.730933/201408 Acórdão n.º 2202004.307 S2C2T2 Fl. 3.045 45 A base da argumentação da autoridade fiscal realmente é verdadeira, ou seja, os atos praticados ensejaram a diminuição irregular do recolhimento das Contribuições Previdenciárias pela fiscalizada, mediante a ausência da remuneração dos corretores de imóveis na base de cálculo. No entanto, não entendo que este fato, por si só, enseja os elementos caracterizadores do dolo, fraude ou simulação. A norma legal que determina a aplicação da multa de ofício qualificada é o artigo 44, I, §1°, da Lei 9.430/96, abaixo transcrito: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei no 11.488, 2007) [...] § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei no 11.488, de 2007) Já os artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64 assim definem: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Como se percebe, nos casos de lançamento de ofício, a regra é aplicar a multa de 75%, estabelecida no inciso I do artigo acima transcrito. Excepciona a regra a comprovação do intuito fraudulento, a qual acarreta a aplicação da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º , do artigo 44, da Lei nº 9.430 de 1996, com a redação dada Lei nº 11.488, de 15/06/2007. Fl. 3045DF CARF MF Processo nº 10166.730933/201408 Acórdão n.º 2202004.307 S2C2T2 Fl. 3.046 46 A fraude fiscal pode se dar em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à Fazenda Pública, um propósito deliberado de se subtrair, no todo ou em parte, a uma obrigação tributária. Nesses casos, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, de lesar o Fisco, quando, se utilizando de subterfúgios, escamoteiam a ocorrência do fato gerador ou retardam o seu conhecimento por parte da autoridade fiscal. É nesse ponto que não concordo com o posicionamento adotado pela autoridade autuante, pois, embora concorde ser equivocada a leitura feita pela Contribuinte acerca da prestação de serviços pelos corretores de imóveis, não consigo identificar a intenção dolosa de ocultar, mesmo se consideramos que a intenção final fosse a diminuição das contribuições a serem pagas. O procedimento adotado pela Contribuinte deuse em virtude de uma interpretação sua a respeito da configuração dos negócios de intermediação de compra e venda de imóveis. A qualificação da multa não pode atingir aqueles casos em que o sujeito passivo age de acordo com as suas convicções, demonstrando o seu procedimento, uma vez que resta evidente a falta de intenção de iludir, em nada impedindo a Fiscalização de apurar os fatos e de firmar suas convicções. O fato de não incluir as remunerações dos corretores de imóveis em sua contabilidade revelam apenas o seu entendimento de que elas não seriam oriundas de prestação de serviços e, portanto, estariam fora da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Para essa conduta a legislação prevê como sanção a aplicação da multa de ofício de 75%. Dessa forma, entendo que deve ser desqualificada a multa de ofício, reduzindoa para o percentual de 75%. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Sustentam as Recorrentes que o simples fato de que as mesmas pessoas são sócias/administradoras das empresas não implica a constituição de grupo econômico de fato, devendo ser afastada a solidariedade imposta aos demais autuados. Afirmam que a autoridade lançadora não demonstrou como o caso concreto se enquadra na hipótese do art. 124, I, do CTN, utilizado como fundamentação para a responsabilização solidária. O Código Tributário Nacional (CTN) assim disciplina em seu art. 124: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Sobre a solidariedade passiva de grupo econômico, a Lei nº 8.212/1991 dispõe em seu art. 30, inciso IX: Fl. 3046DF CARF MF Processo nº 10166.730933/201408 Acórdão n.º 2202004.307 S2C2T2 Fl. 3.047 47 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: [...] IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; [...] No presente caso, entendo que deve ser mantida a responsabilidade solidária das pessoas jurídicas Via Engenharia S/A, Ocean Venture Participações S/A e FMQ Participações S/A, conforme decidido pela decisão da DRJ, cujo excerto do voto vencedor reproduzo abaixo, adotandoo como razões de decidir neste ponto. O inciso IX do artigo 30 da Lei nº 8.212/1991 estabelece que, quando existente grupo econômico de qualquer natureza, as empresas que o integram respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da lei ou regulamento. O artigo 494 da Instrução Normativa RFB nº 971/2009 dispõe que caracterizase grupo econômico quando 2 (duas) ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Inegavelmente, a empresa FMQ Participações S/A tem o controle direto das empresas Via Empreendimentos Imobiliários S/A e Ocean Venture Participações S/A, e o controle indireto da empresa Via Engenharia S/A, como se pode ver no quadro abaixo: [...] Também cabe reproduzir a constatação da fiscalização em relação à declaração da empresa Via Engenharia S/A, em procedimento fiscal diverso: 177. Em resposta ao requerido, o contribuinte informou ao fisco que a "Via Empreendimentos IMOBILIÁRIOS S/A, empresa coligada do Grupo Econômico Via, está registrada no CRECI, conforme certificado de inscrição n° 7877, é a responsável pelo gerenciamento das comercializações imobiliárias de todo o Grupo Via" (Grifei). Juntamente com a resposta, apresentou também um organograma no qual demonstrou a composição e organização do referido Grupo, cujas empresas integrantes são às identificadas no item 171 acima. (Anexo 9) 178. Observe que o documento resposta acima citado apresentado ao fisco naquela oportunidade foi assinado pelo Gerente Contábil Antônio de Carvalho Becatini, ou seja, essa mesma pessoa, contradizendo a sua afirmativa anterior, hoje subscreve novo documento, no qual afirma que a Via Empreendimentos não integra grupo econômico, Fl. 3047DF CARF MF Processo nº 10166.730933/201408 Acórdão n.º 2202004.307 S2C2T2 Fl. 3.048 48 pois se trata de uma empresa autônoma que não recebe comando e/ou tem controle de outra unidade empresarial. (Anexo 5, fls. 4) Os demais indícios colhidos pela fiscalização corroboram o entendimento de se tratar de um grupo econômico de fato: a) as empresas Via Empreendimentos Imobiliários S/A, FMQ Participações S/A e Via Engenharia S/A estão localizadas no mesmo endereço, que é SIA Sul, Trecho 03, Lotes 1705/1715, s/n Brasília – CEP 71.200030, sendo distintos apenas o número das salas; b) o responsável pelo preenchimento das informações constantes nas Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ das empresas do Grupo Via é a mesma pessoa, Antonio de Carvalho Becatini, CPF 105.805.81691, CRC/MG nº 23.631, contador do grupo; c) o endereço eletrônico constante das DIPJ extraídas dos sistemas corporativos da RFB é via@grupovia.com.br; d) no sítio do contribuinte na rede mundial de computadores (www.viaempreendimentos.com.br/sobreavia/grupovia/); há uma síntese sobre o histórico da criação e do sucesso empresarial da empresa no mercado imobiliário brasileiro, no qual consta, entre outra informação, que “após reestruturação societária, o Grupo Via passou a ser controlado integralmente pelo sóciofundador, o engenheiro Fernando Queiroz, e destaca se hoje como uma das maiores potências do setor em âmbito nacional”. Pelo exposto, ficou caracterizada a existência do grupo econômico de fato, sendo improcedentes os argumentos apresentados no sentido de afastar a responsabilidade solidária, aplicada em razão das disposições do artigo 30, IX da Lei nº 8.212/1991. (os grifos são da decisão da DRJ) Sobre a alegada falta de demonstração pela autoridade fiscal para a responsabilização solidária, não tem razão a Recorrente. O Relatório Fiscal (itens 170/187 fls. 52/56) trata com clareza a questão da responsabilidade solidária. A título de esclarecimento, reproduzo a seguir alguns trechos do relatório que atestam isso. XIII DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA GRUPO ECONÔMICO 170. A empresa foi intimada por meio do TIF 04/2014, de 05/12/2014, a informar se era integrante de grupo econômico e quais empresas faziam parte do grupo. Em 09/12/2014, o contribuinte informou que a Via Empreendimentos não integra grupo econômico, pois se trata de uma empresa autônoma, que não recebe comando e/ou tem controle de outra unidade empresarial. (Anexo 5, fls. 4) 171. Entretanto, durante o procedimento fiscal, constatouse a existência de um "grupo econômico de fato" entre as empresas Fl. 3048DF CARF MF Processo nº 10166.730933/201408 Acórdão n.º 2202004.307 S2C2T2 Fl. 3.049 49 abaixo identificadas, pois foi verificado que tais empresas têm como sócios/administradores o mesmo grupo de pessoas, conforme está demonstrado a seguir: [...] 182. Portanto, conforme leitura das disposições legais transcritas, além dos "grupos de sociedades", constituídos formalmente, nos termos da Lei n° 6.404 de 15/12/1976, existem também organizações com direção, controle ou administração únicos e exercidos direta ou indiretamente, porém não explicitamente formalizados constituindo os "grupos econômicos de fato". 183. Assim, diante dos fatos acima relatados, a Via Empreendimentos Imobiliários S/A e as empresas acima identificadas formam um grupo econômico de fato, e, portanto, as empresas que o integram são responsáveis solidárias pelas contribuições previdenciárias, nos termos do inciso IX do art. 30 da Lei n° 8.212, de 24/07/1991; art. 222 do Decreto n° 3.048, de 06/05/1999; art. 152 da Instrução Normativa RFB n° 971, de 13/11/2009, abaixo transcritos: [...] Em relação à solidariedade tributária, a obrigação de pagar o tributo passa a ser compartilhada pelo sujeito passivo originário (aquele diretamente relacionado com a ocorrência do fato gerador) com o chamado "responsável tributário". A atribuição da responsabilidade tributária por solidariedade segue os requisitos dos incisos I e II do art. 124 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional CTN, abaixo transcritos: Lei n° 5.172. de 25/10/1966: "Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei." 185. Dessa forma, os "grupos econômicos", justamente por constituírem um conjunto de contribuintes, sob a direção, controle ou administração de um mesmo conjunto de pessoas, têm interesses comuns no fato gerador, na medida em que o resultado de uma interessa às demais. Além disso, a lei especial previdenciária vem exatamente, de acordo com o permissivo legal do CTN, atribuir responsabilidade legal aos integrantes dos "grupos econômicos", sejam quais forem: "de direito" ou "de fato". 186. Portanto, configurada a solidariedade tributária, as empresas acima listadas serão cientificadas do lançamento dos créditos tributários constituídos na presente ação fiscal, por Fl. 3049DF CARF MF Processo nº 10166.730933/201408 Acórdão n.º 2202004.307 S2C2T2 Fl. 3.050 50 meio do Termo de Sujeição Passiva Solidária, de acordo com o art. 495 da Instrução Normativa RFB 971 de 13/11/2009, abaixo transcrito: "Art. 495. Quando do lançamento de crédito previdenciário de responsabilidade de empresa integrante de grupo econômico, as demais empresas do grupo, responsáveis solidárias entre si pelo cumprimento das obrigações previdenciárias na forma do inciso IX do art. 30 da Lei n° 8.212, de 1991, serão cientificadas da ocorrência." 187. Os Autos de Infração sujeitos à solidariedade tributária aqui descrita são os integrantes do processo Comprot n° 10166 730.933/201108 (Debcads n°s 51.070.0551, 51.070.0560, 51.070.0578 e 51.070.0586. (grifei) Portanto, deve ser mantida a decisão recorrida nesse ponto. RELAÇÃO DE CORRESPONSÁVEIS A Recorrente afirma que é ilegal a inclusão dos sócios e diretores da recorrente no polo passivo (Relação de Corresponsáveis) sem a demonstração de conduta dolosa nem enquadramento em qualquer das hipóteses dos arts. 134 e 135 do CTN, citando, inclusive, o RE nº 562.276, do STF. Não assiste razão à Recorrente, visto que tal relação não atribui responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tendo finalidade meramente informativa. É o caso de se aplicar a Súmula CARF nº 88, que assim dispõe: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no seguinte sentido: a) rejeito as preliminares; b) dou provimento parcial ao recurso, para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Redator designado Fl. 3050DF CARF MF Processo nº 10166.730933/201408 Acórdão n.º 2202004.307 S2C2T2 Fl. 3.051 51 Fl. 3051DF CARF MF
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