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Numero do processo: 13896.901009/2013-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.542
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Julio Lima Souza Martins e Lizandro Rodrigues de Sousa, que negavam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Julio Lima Souza Martins (suplente convocado), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Julio Lima Souza Martins e Lizandro Rodrigues de Sousa, que negavam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Julio Lima Souza Martins (suplente convocado), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Por bem relatar o processo em comento, adoto o relatório da DRJ/SPO, a seguir transcrito: “O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 48912721 emitido eletronicamente em 04/04/13, referente ao PER/DCOMP nº 18246.79066.291008.1.3.040890. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de IRPJ, Código de Receita 2089, no valor de R$ 264.701,39, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 31/01/08, no valor de R$ 792.780,38. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 01 00 9/ 20 13 -7 7 Fl. 166DF CARF MF Processo nº 13896.901009/201377 Resolução nº 1302000.542 S1C3T2 Fl. 3 2 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF discriminado no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da insuficiência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que apurou saldo de IRPJ (lucro presumido) no valor de R$ 792.780,38, recolhido em Darf, em 31/01/2008. que equivocadamente informou a existência do crédito decorrente de IRPJ, no valor original de R$ 630.400,42 quando o valor correto era R$ 792.780,38. que transmitiu inicialmente dois PerDcomp, um homologado totalmente e o outro parcialmente, conforme extrato de sua impugnação, fl. 4. Em seguida, indaga: “se foi reconhecido por homologação o pagamento indevido/a maior da Requerente no montante de R$ 792.780,38, sendo utilizado desse crédito somente a quantia de R$ 396,63, sobrando um saldo remanescente de R$ 792.383,76, como esse não foi suficiente para o pagamento de um débito de R$ 227.624,30 disposto no Despacho Decisório aqui guerreado?”. Requer a reavaliação do Despacho Decisório”. A Manifestação de Inconformidade fora julgada improcedente por unanimidade de votos, como denota a ementa do Acórdão n º 02065.689 a seguir transcrita: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Os motivos invocados pela DRJ foram os seguintes, verbis: Fl. 167DF CARF MF Processo nº 13896.901009/201377 Resolução nº 1302000.542 S1C3T2 Fl. 4 3 Inconformada com a decisão retro, a recorrente interpôs Recurso Voluntário alegando, em síntese, o que segue: Pagamento de parte dos débitos discutidos, conforme tabela abaixo: Fl. 168DF CARF MF Processo nº 13896.901009/201377 Resolução nº 1302000.542 S1C3T2 Fl. 5 4 No anocalendário de 2007, a Recorrente adotou a apuração do Imposto de Renda com base no lucro presumido trimestral, nos termos do artigo 1º da Lei nº 9.430/1996. Assim, ao final de cada período de apuração trimestral, a Recorrente apurou o recolheu o IRPJ devido, conforme estabelece a legislação em vigor. Assim, durante o anocalendário de 2007, a Recorrente sofreu diversas retenções de IRRF em todos os meses do ano, no valor total de R$ 627.962,35, tal como se infere da planilha juntada na r. decisão ora recorrida. Contudo, a Recorrente apurou e recolheu o IRPJ devido em cada trimestre do anocalendário de 2007 sem deduzir o imposto retido sobre as receitas que integraram a base de cálculo. Ou seja, houve evidente recolhimento a maior de imposto em cada trimestre pela Recorrente pela falta de dedução do IRRF já retido. Por exemplo, no quarto trimestre de 2007, a Recorrente havia apurado e declarado na DCTF nº 100200720081830175278 o valor devido a título de IRPJ de R$ 792.780,38, sem a dedução do valor de IRRF de R$ 149.399,66 retido nos meses de outubro, novembro e dezembro de 2007. Tal montante foi recolhido pela Recorrente em DARF no dia 31/01/2008. Posteriormente, a Recorrente apresentou a DIPJ nº 0831765 declarando o valor da IRPJ devida no mesmo valor de R$ 792.780,38. Contudo, apenas em 11/07/2008, a Recorrente identificou que havia deixado de deduzir, dos valores devidos a título de IRPJ em cada trimestre de 2007, o imposto retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo. Por conta disso, a Recorrente apresentou, em 11/07/2008, a DCTF retificadora nº 100200720081810394915 declarando o valor de IRPJ devido no quarto trimestre de 2007 no montante de R$ 162.186,84 (e não mais de R$ 792.780,38). Logo em seguida, em 29/07/2008, a Recorrente também apresentou a DIPJ retificadora nº 1797536, também alterando o valor do IRPJ devido no quarto trimestre de 2007 de R$ 792.780,38 para R$ 162.186,84. A diferença do montante originalmente declarado a título de IRPJ no quarto trimestre de 2007, no valor de R$ 792.780,38, e o valor efetivamente devido a título de IRPJ após a dedução do imposto de renda pago a maior durante todo o anocalendário, de R$ 162.186,84, é justamente o crédito que ora se discute, qual seja, R$ 630.593,54. De fato, considerando que a Recorrente já havia recolhido indevidamente o valor de R$ 792.780,38 em 31/01/2008, quando retificou sua DCTF e sua DIPJ em 11/07/2008 e 29/07/2008, respectivamente, para declarar o valor correto de IRPJ a pagar naquele Fl. 169DF CARF MF Processo nº 13896.901009/201377 Resolução nº 1302000.542 S1C3T2 Fl. 6 5 período, após a dedução do imposto de renda pago a maior dos períodos de apuração anteriores, apurou um crédito de IRPJ no valor de R$ 630.593,54. Para não deixar dúvidas sobre os fatos, datas e valores acima descritos, cumpre transcrever o quadro elaborado pela própria decisão recorrida com todas as informações necessárias para o deslinde da questão: Tal crédito decorrente do recolhimento a maior de IRPJ no quarto trimestre do anocalendário de 2007, no montante de 630.593,54, foi utilizado para compensação de diversos débitos, originando, em razão disso, os 21 processos administrativos acima mencionados. Contudo, para surpresa da Recorrente, o V. Acórdão recorrido entendeu que a Recorrente não poderia ter deduzido, no 4º Trimestre de 2007, os valores indevidamente recolhidos a título de IRRF nos três primeiros trimestres daquele mesmo anocalendário (no valor total de R$ 478.562,68), razão pela qual reconheceu apenas o crédito de R$ 149.206,54, que se refere justamente ao IRRF retido no quarto trimestre de 2007. Para melhor compreensão de tal questão, foi elaborada a planilha abaixo demonstrando o IRRF retido no ano de 2007 por trimestre: Fl. 170DF CARF MF Processo nº 13896.901009/201377 Resolução nº 1302000.542 S1C3T2 Fl. 7 6 O fundamento utilizado pela r. decisão recorrida para não reconhecer o total do crédito de IRPJ apurado no quarto trimestre do anocalendário de 2007 e compensado pela Recorrente com outros débitos foi de que: "Por óbvio, do imposto devido no 4º trimestre, cabe deduzir apenas o imposto retido na fonte sobre as receitas que integram a base de cálculo do imposto devido nesse mesmo período de apuração. É de se rejeitar, portanto, o valor do imposto de renda a pagar do 4º trimestre, retificado pela interessada, através da dedução de imposto de renda retido na fonte incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro presumido nos trimestre anteriores”. Desse modo, segundo o V. Acórdão recorrido, apenas foi possível reconhecer a dedução de IRRF referente ao 4º Trimestre de 2007 (R$ 149.399,66), uma vez que não haveria previsão legislativa para que a Recorrente abatesse do imposto a pagar no 4º Trimestre de 2007 os valores que não foram deduzidos a título de IRRF nos três primeiros trimestres daquele mesmo ano fiscal (R$ 478.562,68). É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1302 000.541, de 16.03.2018, proferido no julgamento do Processo nº 13896.901005/201399. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1302000.541): Presentes os pressupostos de admissibilidade recursal, tomo conhecimento do presente Recurso Voluntário. Compulsando os autos, verifico que o objeto de análise do presente recurso diz respeito ao aproveitamento do imposto de renda retido na fonte referente aos 1, 2 e 3 trimestres, que foram aproveitados para deduzir do imposto de renda devido no 4º trimestre, gerando, por conta disso, um pagamento indevido no 4 trimestre a titulo de IRPJ, o qual foi utilizado para compensação com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil em períodos posteriores. O argumento utilizado pela decisão recorrida para reduzir o montante do direito creditório pleiteado pelo contribuinte foi o seguinte: “o contribuinte não poderia ter deduzido, no 4º Trimestre de 2007, os valores indevidamente recolhidos a título de IRRF nos três primeiros trimestres daquele mesmo anocalendário (no valor total de R$ 478.562,68), razão pela qual deve ser reconhecido apenas o crédito de R$ 149.206,54, que se refere justamente ao IRRF retido no quarto trimestre de 2007." É de se concordar, em parte, com a decisão exarada, todavia, a recorrente na sua Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário faz contundente indício de prova que contabilizou e ofereceu a tributação as receitas que geraram a retenção na fonte do Imposto de Renda referente aos 1, 2 e 3 trimestres de 2007, na conformidade das planilhas abaixo: Fl. 171DF CARF MF Processo nº 13896.901009/201377 Resolução nº 1302000.542 S1C3T2 Fl. 8 7 EXTRATO DAS FONTES PAGADORES COM A RESPECTIVA RETENÇÃO INFORMAÇÕES CONSTANTES EM DCTF E DIPJ DEMONSTRATIVO DO IRFONTE POR PERÍODO DE APURAÇÃO Fl. 172DF CARF MF Processo nº 13896.901009/201377 Resolução nº 1302000.542 S1C3T2 Fl. 9 8 Percebo que para aferir o direito de crédito pleiteado pela recorrente o processo carece de maiores esclarecimentos para a comprovação do saldo remanescente dos valores de Imposto de Renda retidos na Fonte. Assim, para dirimir o conflito, se faz necessário que o processo baixe em diligência para que a unidade preparadora realize os seguintes procedimentos: a) Juntar aos autos cópia da DIPJ 2008, anocalendário 2007; b) Juntar cópias das DCTF´s de todo o anocalendário de 2007; c) Confirmar o montante das retenções na fonte do Imposto de Renda sofridas pela recorrente no anocalendário de 2007, bem como se as receitas que geraram a retenção na fonte a título do Imposto de Renda foram oferecidos a tributação; d) Ao final, deverá ser elaborado relatório de diligência contendo as informações acima requeridas, dando ciência do resultado ao sujeito passivo e concedendolhe prazo para, querendo, manifestarse nos autos. Esgotado o prazo, independentemente de resposta, retornem os autos ao Carf para prosseguimento do julgamento. e) O teor do relatório de diligência e manifestação do contribuinte, caso ocorra, deverá ser replicado nos processos administrativos abaixo numerados: PROCESSOS 13896.901009/201377 13896.901012/201391 13896.901013/201335 13896.901015/201324 13896.901018/201368 13896.901020/201337 13896.901021/201381 13896.901022/201326 13896.901025/201360 É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento em diligência para que o processo retorne à Unidade de origem (DRF/Barueri/SP), para que a unidade preparadora realize os seguintes procedimentos: a) Juntar aos autos cópia da DIPJ 2008, anocalendário 2007; b) Juntar cópias das DCTF´s de todo o anocalendário de 2007; c) Confirmar o montante das retenções na fonte do Imposto de Renda sofridas pela recorrente no anocalendário de 2007, bem como se as receitas que geraram a retenção na fonte a título do Imposto de Renda foram oferecidos a tributação; d) Ao final, elaborar relatório de diligência, contendo as informações acima requeridas, dando ciência do resultado ao sujeito passivo e concedendolhe prazo de 30 dias para, querendo, manifestarse nos autos. Esgotado o prazo, independentemente de resposta, retornem os autos ao Carf para prosseguimento do julgamento. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 13896.901009/201377 Resolução nº 1302000.542 S1C3T2 Fl. 10 9 e) O teor do relatório de diligência e manifestação do contribuinte, caso ocorra, deverá ser replicado nos processos administrativos abaixo numerados: PROCESSOS 13896.901009/201377 13896.901012/201391 13896.901013/201335 13896.901015/201324 13896.901018/201368 13896.901020/201337 13896.901021/201381 13896.901022/201326 13896.901025/201360 (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 174DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720420/2012-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2008, 2009
DESPESAS COM ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA DE DÉBITO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DESPESAS COM PROVISÕES. COMPROVAÇÃO DA ADIÇÃO. AFASTAMENTO DO LANÇAMENTO.
Se a empresa comprovou a adição ao lucro real e à base de cálculo da CSLL (i) das deduções contábeis relativas a despesas de atualização monetária decorrentes de débito cuja exigibilidade esteja suspensa e (ii) das deduções com provisões não dedutíveis; impõe-se afastar o lançamento quanto a estas rubricas.
CUSTOS E DESPESAS NÃO COMPROVADOS. GLOSA.
Para que uma despesa seja deduzida da base do IRPJ, deve ser comprovada com documentos fiscais, comprovantes de pagamento e, principalmente, a comprovação da efetividade do serviço prestado, devendo ainda ser necessária, normal e usual ao desenvolvimento da atividade da empresa. Se a empresa não comprovou sequer a despesa para fins contábeis, correta a sua glosa, não havendo que se adentrar na discussão da adição à base do IRPJ.
PERDAS EM OPERAÇÕES EM CRÉDITOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. NÃO DEDUTIBILIDADE.
Não basta apenas a descrição da natureza das despesas deduzidas para que sejam aceitas para fins fiscais. Relatórios contendo descrição de ajuizamento contra devedores insolventes somente indicam que a empresa utilizou-se do disposto no art. 9º da Lei nº 9.430/1996; entretanto, mais relevante que tal descrição é a juntada de documentação hábil e idônea.
CSLL. REFLEXO.
A despesa não comprovada reduz indevidamente o lucro líquido do exercício. Desta forma, tanto o lucro real quanto a base de cálculo da CSLL, cuja apuração também parte do lucro líquido, são reduzidos incorretamente, cabendo o lançamento da CSLL em reflexo ao quanto apurado para o IRPJ.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 2008, 2009
ARRENDAMENTO MERCANTIL. SUPERVENIÊNCIA E/OU INSUFICIÊNCIA DE DEPRECIAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. APLICAÇÃO DE JULGADO DO CARF SOBRE O MESMO SUJEITO PASSIVO.
Os ajustes contábeis decorrentes de superveniências e insuficiências de depreciação não causam efeitos tributários tanto para o IRPJ quanto para a CSLL, pois ambos os tributos partem do lucro líquido como base de tributação e incidem sobre acréscimos patrimoniais. Assim, ajustes que não coincidem com tais premissas devem ter seus efeitos fiscais anulados no livro de apuração do lucro real ou de apuração da base de cálculo da contribuição social.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2008, 2009
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
É legítima a incidência de juros de mora sobre multas fiscais, por estas também integrarem o crédito tributário.
Numero da decisão: 1401-002.549
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as arguições de nulidade do recurso voluntário e dar parcial provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. Votou pelas conclusões o conselheiro Daniel Ribeiro Silva. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar do lançamento as exigências relativas às perdas em operações de crédito de acordo com o resultado da diligência, e receitas de superveniências de depreciação aplicáveis à CSLL. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação aos juros sobre a multa de ofício, vencida a conselheira Letícia Domingues Costa Braga. Ausente momentaneamente o conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Ângelo Abrantes Nunes (suplente convocado em substituição à ausência momentânea do Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: 02531833757 - CPF não encontrado.
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2008, 2009 DESPESAS COM ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA DE DÉBITO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DESPESAS COM PROVISÕES. COMPROVAÇÃO DA ADIÇÃO. AFASTAMENTO DO LANÇAMENTO. Se a empresa comprovou a adição ao lucro real e à base de cálculo da CSLL (i) das deduções contábeis relativas a despesas de atualização monetária decorrentes de débito cuja exigibilidade esteja suspensa e (ii) das deduções com provisões não dedutíveis; impõe-se afastar o lançamento quanto a estas rubricas. CUSTOS E DESPESAS NÃO COMPROVADOS. GLOSA. Para que uma despesa seja deduzida da base do IRPJ, deve ser comprovada com documentos fiscais, comprovantes de pagamento e, principalmente, a comprovação da efetividade do serviço prestado, devendo ainda ser necessária, normal e usual ao desenvolvimento da atividade da empresa. Se a empresa não comprovou sequer a despesa para fins contábeis, correta a sua glosa, não havendo que se adentrar na discussão da adição à base do IRPJ. PERDAS EM OPERAÇÕES EM CRÉDITOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. NÃO DEDUTIBILIDADE. Não basta apenas a descrição da natureza das despesas deduzidas para que sejam aceitas para fins fiscais. Relatórios contendo descrição de ajuizamento contra devedores insolventes somente indicam que a empresa utilizou-se do disposto no art. 9º da Lei nº 9.430/1996; entretanto, mais relevante que tal descrição é a juntada de documentação hábil e idônea. CSLL. REFLEXO. A despesa não comprovada reduz indevidamente o lucro líquido do exercício. Desta forma, tanto o lucro real quanto a base de cálculo da CSLL, cuja apuração também parte do lucro líquido, são reduzidos incorretamente, cabendo o lançamento da CSLL em reflexo ao quanto apurado para o IRPJ. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 2008, 2009 ARRENDAMENTO MERCANTIL. SUPERVENIÊNCIA E/OU INSUFICIÊNCIA DE DEPRECIAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. APLICAÇÃO DE JULGADO DO CARF SOBRE O MESMO SUJEITO PASSIVO. Os ajustes contábeis decorrentes de superveniências e insuficiências de depreciação não causam efeitos tributários tanto para o IRPJ quanto para a CSLL, pois ambos os tributos partem do lucro líquido como base de tributação e incidem sobre acréscimos patrimoniais. Assim, ajustes que não coincidem com tais premissas devem ter seus efeitos fiscais anulados no livro de apuração do lucro real ou de apuração da base de cálculo da contribuição social. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2008, 2009 JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. É legítima a incidência de juros de mora sobre multas fiscais, por estas também integrarem o crédito tributário.
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DESPESAS COM PROVISÕES. COMPROVAÇÃO DA ADIÇÃO. AFASTAMENTO DO LANÇAMENTO. Se a empresa comprovou a adição ao lucro real e à base de cálculo da CSLL (i) das deduções contábeis relativas a despesas de atualização monetária decorrentes de débito cuja exigibilidade esteja suspensa e (ii) das deduções com provisões não dedutíveis; impõese afastar o lançamento quanto a estas rubricas. CUSTOS E DESPESAS NÃO COMPROVADOS. GLOSA. Para que uma despesa seja deduzida da base do IRPJ, deve ser comprovada com documentos fiscais, comprovantes de pagamento e, principalmente, a comprovação da efetividade do serviço prestado, devendo ainda ser necessária, normal e usual ao desenvolvimento da atividade da empresa. Se a empresa não comprovou sequer a despesa para fins contábeis, correta a sua glosa, não havendo que se adentrar na discussão da adição à base do IRPJ. PERDAS EM OPERAÇÕES EM CRÉDITOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. NÃO DEDUTIBILIDADE. Não basta apenas a descrição da natureza das despesas deduzidas para que sejam aceitas para fins fiscais. Relatórios contendo descrição de ajuizamento contra devedores insolventes somente indicam que a empresa utilizouse do disposto no art. 9º da Lei nº 9.430/1996; entretanto, mais relevante que tal descrição é a juntada de documentação hábil e idônea. CSLL. REFLEXO. A despesa não comprovada reduz indevidamente o lucro líquido do exercício. Desta forma, tanto o lucro real quanto a base de cálculo da CSLL, cuja AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 04 20 /2 01 2- 13 Fl. 3769DF CARF MF 2 apuração também parte do lucro líquido, são reduzidos incorretamente, cabendo o lançamento da CSLL em reflexo ao quanto apurado para o IRPJ. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2008, 2009 ARRENDAMENTO MERCANTIL. SUPERVENIÊNCIA E/OU INSUFICIÊNCIA DE DEPRECIAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. APLICAÇÃO DE JULGADO DO CARF SOBRE O MESMO SUJEITO PASSIVO. Os ajustes contábeis decorrentes de superveniências e insuficiências de depreciação não causam efeitos tributários tanto para o IRPJ quanto para a CSLL, pois ambos os tributos partem do lucro líquido como base de tributação e incidem sobre acréscimos patrimoniais. Assim, ajustes que não coincidem com tais premissas devem ter seus efeitos fiscais anulados no livro de apuração do lucro real ou de apuração da base de cálculo da contribuição social. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2008, 2009 JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. É legítima a incidência de juros de mora sobre multas fiscais, por estas também integrarem o crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as arguições de nulidade do recurso voluntário e dar parcial provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. Votou pelas conclusões o conselheiro Daniel Ribeiro Silva. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar do lançamento as exigências relativas às perdas em operações de crédito de acordo com o resultado da diligência, e receitas de superveniências de depreciação aplicáveis à CSLL. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação aos juros sobre a multa de ofício, vencida a conselheira Letícia Domingues Costa Braga. Ausente momentaneamente o conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Ângelo Abrantes Nunes (suplente convocado em substituição à ausência momentânea do Conselheiro Abel Fl. 3770DF CARF MF Processo nº 16327.720420/201213 Acórdão n.º 1401002.549 S1C4T1 Fl. 3.770 3 Nunes de Oliveira Neto), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Tratase de Recursos de Ofício e Voluntário interpostos em face de decisão proferida pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1), que, por meio do Acórdão 1261.353, de 13 de novembro de 2013, julgou procedente em parte a impugnação apresentada pela empresa. Reproduzo, por oportuno, o teor do relatório constante no acórdão da DRJ. (início da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) O presente processo trata de ação fiscal promovida pela Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Instituições Financeiras em São Paulo – Deinf/SP junto à interessada acima identificada, referente aos fatos geradores ocorridos nos exercícios de 2008 e 2009, anoscalendário de 2007 e 2008, que resultaram na apuração de ofício de crédito tributário através dos autos de infração do imposto de renda da pessoa jurídica – IRPJ, de fls. 596/610, no valor de R$3.469.364,49 de imposto e R$2.602.023,36 de multa, e da da contribuição social sobre o lucro líquido – CSLL, de fls. 612/619, no valor de R$5.288.550,95 de contribuição e R$4.283.125,07 de multa, ambos acrescidos de juros de mora. 2. A fiscalização entendeu que a interessada, na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL incorreu nas infrações descritas nos Termos de Verificação Fiscal de fls. 524/533, 556/559, 570/572 e 587/595, partes integrantes dos lançamentos, adiante discriminadas: 2.1. Despesas indedutíveis: A interessada deduziu indevidamente em 2007 e 2008 os valores de, respectivamente, R$520.429,05 e R$1.416.621,37, contabilizados a título de encargos de atualização monetária calculados sobre as importâncias inerentes às Contribuições para o Programa de Integração Social PIS e para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, cujas exigibilidades se encontram em discussão judicial nos autos do Mandado de Segurança n° 2006.61.00.0016886. Os enquadramentos legais da infração mencionados nos autos de infração são os seguintes: IRPJ: arts. 247, 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 299 e § 1º do art. 344 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/03/1999 (RIR/99); CSLL: art. 2º e §§, e 3º da Lei nº 7.689/88, com as alterações introduzidas pelo art. 17 da Lei nº 11.727/2008; art. 1º da Lei nº 9.316/96; art. 28 da Lei nº 9.430/96; art. 37 da Lei nº 10.637/2002. 2.2. Glosa de provisões não autorizadas: Fl. 3771DF CARF MF 4 A interessada teria deduzido indevidamente do lucro tributável dos anos calendário de 2007 e 2008 valores relativos a encargos de provisões operacionais, cuja movimentação contábil (débito/crédito) está distribuída nas contas COSIF “198999030105 – Prov. P/ Desval. Outros Valores e Bens – Veículos apreendidos” (R$1.552.586,87 do a/c de 2007 e R$120.716,24 do a/c de 2008), “499351051001 – Passivos Trabalhistas” (R$64.303,34 do a/c 2007) e “499359091029 – Outros Passivos – Ações Cíveis” (R$453.717,96 do a/c 2007 e R$155.571,18 do a/c 2008), cuja dedutibilidade é vedada pela regra prevista no artigo 13 da Lei n° 9.249/95. Segundo relato da fiscalização, tais provisões lastreiamse na expectativa de possíveis perdas sobre ativos oriundos em bens arrendados e obrigações decorrentes de litígios jurídicos, em razão da aplicação dos princípios contábeis da prudência e da competência, resultante na apropriação no Resultado do exercício dos custos e despesas respectivos, sem que fossem efetuados ajustes dos respectivos valores ao Lucro Líquido dos períodos na Parte "A" do Livro de Apuração do Lucro Real "LALUR". Enquadramento legal: IRPJ: Art . 13, inciso I, da Lei nº 9.249/95, com as alterações do art . 14, da Lei n° 9.430/96; Arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 299 e 335, do RIR/99. CSLL: Art. 2° e §§, da Lei n° 7.689/88; Art. 1° da Lei n° 9.316/96 e art. 28 da Lei n° 9.430/96; Art. 37 da Lei n° 10.637/02; Art. 3° da Lei n° 7.689/88, com as alterações introduzidas pelo art. 17 da Lei n° 11.727/08. 2.3. Custos ou Despesas não comprovadas: Detectouse ausência ou insuficiência de documentação comprobatória da efetiva prestação de serviços contabilizados como custos operacionais nos anos calendário de 2007 e 2008, o que caracterizaria os dispêndios como mera liberalidade, implicando na consequente inaceitabilidade dos respectivos montantes como despesas operacionais normais, usuais e necessárias à realização das transações ou operações exigidas pela sua atividade. Como consequência, os pertinentes valores foram considerados indedutiveis para fins de determinação das bases tributáveis tanto do IRPJ quanto da CSLL e o crédito tributário correspondente está sendo exigido com a aplicação da multa agravada de 112,50%, em atendimento ao disposto no artigo 959 do citado RIR/99. São os seguintes valores objeto de glosa: 2.3.1. Conta n° 8.1.7.57.00.4.483.4 "Comissão Panamericano Adm. Cartão Crédito." No Termo de Verificação Fiscal consta o relato que a interessada foi intimada a apresentar documentação comprobatória das despesas contabilizadas nessa conta nos AC's de 2007 e 2008, tendo sido entregues Razões Contábeis, Extratos de Tesouraria, Notas Fiscais e Contrato de Prestação de Serviços com a citada empresa, bem como Aditamento ao mesmo. A partir das análises procedidas nos documentos fornecidos, restou constatado que a) os pagamentos efetuados não foram corroborados pela juntada de documentação destinada a embasar a efetividade da prestação dos serviços elencados no "Contrato de Prestação de Serviços de Correspondente Bancário e outras Avenças"; b) o mencionado contrato não atende às condições estipuladas no artigo 4°, Incisos I, II e VII, bem como no artigo 5°, da Resolução BACEN n° 3.110/03, com as alterações introduzidas pela Resolução BACEN n° 3.156/03, que alteram e consolidam as normas que dispõem sobre a contratação de Fl. 3772DF CARF MF Processo nº 16327.720420/201213 Acórdão n.º 1401002.549 S1C4T1 Fl. 3.771 5 correspondentes no País; e c) o "Aditamento ao Contrato de Prestação de Serviços firmado em 01 de setembro de 2005", assinado em 02 de janeiro de 2008, dispõe em sua cláusula 06 que a comissão pelos serviços prestados é calculada sobre o volume de operações de arrendamento mercantil realizadas no mês. Assim sendo, há de haver um relatório mensal a fim de possibilitar o cálculo da remuneração. Logo, tendo em vista que os documentos juntados se revelaram insuficientes para comprovar que os pagamentos efetuados são necessários, normais ou usuais e que guardam correlação com a fonte produtora dos rendimentos, não foram aceitas as dedutibilidades das despesas correspondentes, nos respectivos importes de R$540.000,00, no AC/2007, e R$1.688.840,00, no AC/2008. 2.3.2. Conta n° 8.1.7.57.00.4.484.2 "Comissão Panamericano Prestadora de Serviços." A fiscalização relata que a interessada foi intimada a apresentar elementos comprobatórios de despesas escrituradas na mencionada conta no AC/2008, no montante de R$2.100.000,00, ocasião em que forneceu esclarecimentos acerca da forma de contabilização da despesa, Razões Contábeis, Relatórios da Tesouraria, Notas Fiscais e Contrato de Prestação de Serviços firmado com a empresa Panamericano Prestadora de Serviços Ltda, apresentando, ainda, planilha denominada "Relatório de produção (intermediações) dos contratos de arrendamento mercantil, gerados no período solicitado, pela matriz e filiais". Entendeuse que não foi trazido à colação nenhum documento comprobatório da efetiva prestação dos serviços contratados descritos no "Contrato de Prestação de Serviços de Correspondente Bancário e outras Avenças", havendo ainda a ressalva de que a planilha apresentada não serviria para tanto, tendo em vista a incompletude das suas informações. Além disso, o Contrato de Prestação de Serviços supra mencionado não atenderia às condições estipuladas nas Resoluções BACEN nºs 3.110/03 e 3.156/03, que tratam da contratação de correspondentes no País. Desta forma, as despesas com serviços prestados pela referida empresa foram consideradas indedutiveis das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, uma vez que não foram satisfatoriamente comprovadas, pois o oferecimento de Contrato de Prestação de Serviço, Notas Fiscais, liquidações financeiras e registros contábeis, de per si, não é suficiente para justificar a aludida despesa. 2.3.3. Outros Serviços de Pessoas Jurídicas: A interessada foi intimada a apresentar Razões Contábeis das contas em que foram registrados os pagamentos contabilizados no AC/2007, efetuados às empresas Focus Consultoria Financeira Ltda, CNPJ n° 04.566.041/000109; Infocus Adm. Financeira Ltda, CNPJ n° 07.781.178/000166; Teixeira de Carvalho Bruno Advocacia, CNPJ n° 02.775.181/000153; Max Control Eventos e Promoções Ltda, CNPJ n° 07.770.487/000130; Max Control Assessoria e Investimentos Ltda, CNPJ n° 56.342.439/000157 e Boafonte Consultoria e Negócios Ltda, CNPJ n° 05.477.415/000174, acompanhados de documentação comprobatória das despesas incorridas. Como resposta, alegou que os serviços prestados consistiam em consultorias verbais, por meio de opiniões solicitadas e participações em reuniões de interesse da contratante, tendo como característica a confiança mútua entre as partes contratantes, tratandose, em suma, de "contratos tácitos firmados verbalmente". Além disso, apresentou os seguintes documentos: a) Razões Contábeis das contas COSIF n°s 8.1.7.57.00.4.4982 "Serviços Diversos Pessoas Juridicas"; Fl. 3773DF CARF MF 6 8.1.7.63.00.5.5187 "Serviços de Assessoria Técnica"; 8.1.7.63.00.5.5187 "Serviços de Consultoria Financeira" e 8.1.7.63.00.5.5314 "Honorários Institucionais", nas quais foram registrados os pagamentos efetuados às empresas retro mencionadas; e b) Cópias de documentos de tesouraria (contas a pagar, recibo de emissão de cheque, extrato posição no banco, solicitação de pagamento fatura) e Notas Fiscais de Serviços, a titulo exemplificativo um caso para cada uma das empresas sendo que quanto à Boafonte Consultoria e Negócios Ltda também foi apresentado Contrato de Prestação de Serviços. Reintimado, com o objetivo de que fosse complementada a comprovação da efetiva prestação dos serviços contratados, o contribuinte apresentou Notas Fiscais e Recibos de prestação de serviços, acompanhados dos respectivos comprovantes de liquidação financeira. Ressalta a fiscalização que os documentos foram anexados ao processo por amostragem, a título ilustrativo, tendo em vista o apreciável volume da referida documentação entregue em mídia. A fiscalização alega a documentação comprobatória é insatisfatória para a comprovação da efetividade dos serviços prestados, por não terem sido apresentados, por exemplo, os Contratos de Prestação de Serviços. Assim, não foram aceitas as dedutibilidades das despesas contabilizadas nos importes demonstrados a seguir, no valor total de R$2.529.322,08, os quais foram extraídos de informações constantes na Declaração de Imposto de Renda na Fonte DIRF, entregue pelo fiscalizado no AC/2008: Nome CNPJ VALOR (em R$) Focus Consultoria Financeira Ltda 04.566.041/000109 187.500,00 Infocus Adm. Financeira Ltda 07.781.178/000166 345.000,00 Boafonte Consultoria e Negócios Ltda 05.477.415/000174 309.114,00 Teixeira de Carvalho Bruno Advocacia 02.775.181/000153 170.122,30 Max Control Eventos e Promoções Ltda 07.770.487/000130 488.379,53 Max Control Assessoria e Investimentos Ltda 56.342.439/000157 1.029.206,25 TOTAL 2.529.322,08 2.4. Glosa de despesas relativas a Perdas em Operações de Créditos: 2.4.1. Ao apurar as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL dos anoscalendário de 2007 e 2008, a interessada teria deduzido valores a receber de clientes que foram por ela tipificados como irrecuperáveis. No anocalendário de 2007 deduziu os montantes de R$35.618.914,20 (Ficha 09B Linha 38) a título de "Perdas Dedutíveis em Operações de Crédito" e R$1.865.088,34 (Ficha 05B Linha 25) como "Despesas com Provisões para Operações de Crédito", enquanto no anocalendário de 2008 deduziu o montante de R$37.951.269,54 (Ficha 09B Linha 47) como "Perdas Dedutíveis em Operações de Crédito". 2.4.2. Intimada a fornecer arquivos em mídia contendo elementos inerentes a tais perdas, bem como a respectiva documentação suporte consistente nos contratos celebrados, de modo a se verificar o regular cumprimento das disposições tributárias contidas nos artigos 9º a 14 da Lei n° 9.430/96, consolidados nos artigos 340 a 343 do RIR/99, a interessada apresentou relatório, em mídia (CD), contendo o detalhamento dos valores concernentes às perdas deduzidas alicerçado nos seguintes elementos: (a) nome do devedor, (b) número do contrato, (c) valor da operação, (d) Fl. 3774DF CARF MF Processo nº 16327.720420/201213 Acórdão n.º 1401002.549 S1C4T1 Fl. 3.772 7 data de emissão do contrato, (e) quantidade de parcelas, (f) valores das parcelas, (g) data da primeira parcela vencida, (h) perda de crédito constituída, (i) número de dias em atraso a contar da data de vencimento da primeira parcela, (j) status jurídico e (k) existência ou não de garantia. Foi juntada, também, documentação comprobatória das operações de leasing elencadas nos anexos aos "Termos" lavrados, assim entendidas: cópias dos espelhos de contratos de arrendamento mercantil e extratos para atuação de cobrança. 2.4.3. A fiscalização entendeu que os documentos apresentados resultaram insuficientes para se chegar a uma conclusão definitiva acerca da regularidade das deduções efetuadas, razão pela qual a interessada foi instada a apresentar documentação complementar referente (i) aos procedimentos judiciais visando o recebimento dos créditos ou arresto da garantias, (ii) esclarecimentos das divergências apuradas no tocante a valores contabilizados em recuperação de créditos baixados para prejuízos, (iii) informações relativas a deduções em duplicidade de perdas com créditos e (iv) cópia dos contratos e fichas financeiras das operações de leasing. 2.4.4. Em resposta, a interessada informou que os dados constantes nos arquivos em mídia (CD) apresentados foram ". . . gerados ainda na gestão e orientação dos antigos administradores da empresa sendo que os funcionários atuais ainda não possuem conhecimento pleno sobre as informações anteriormente enviadas", acrescentando ainda às suas considerações que "...o período em fiscalização era da gestão dos exdiretores do Panamericano destituídos em 2010”. 2.4.5. Posteriormente esclareceu que do total deduzido no AC/2007, o montante de R$24.104.282,61 se referiu a créditos cedidos sem coobrigação, conforme contrato e aditamentos e cujo montante foi demonstrado em relatório apresentando em CD, além de relatório parcial contendo informações relativas aos supostos procedimentos judiciais adotados. 2.4.6. A fiscalização entende que a interessada só fez confirmar ter adotado procedimentos ao arrepio das disposições legais aplicáveis à matéria ao afirmar que as informações relativas às perdas com créditos contidas nos arquivos magnéticos enviados à fiscalização "...gerados ainda sob a gestão e orientação dos antigos administradores ... não refletem os ocorridos à época, não representando com fidelidade as perdas ocorridas ..." e que os mesmos foram "... gerados ainda na gestão e orientação dos antigos administradores da empresa sendo que os funcionários atuais ainda não possuem conhecimento pleno sobre as informações anteriormente enviadas" e que " . . . o período em fiscalização era da gestão dos ex diretores do Panamericano destituídos em 2010”. 2.4.7. A fiscalização ainda esclarece que as análises foram concentradas nas informações constantes nos relatórios apresentados, concluindo: 2.4.7.1. Com relação ao AC/2007: a) Que do valor total deduzido de R$35.618.914,20 (DIPJ/2007, Ficha 09B Linha 38), os dados constantes nos arquivos magnéticos compuseram um quantitativo de perdas com créditos da ordem de R$34.334.673,80, resultando numa diferença não comprovada de R$1.284.240,40; b) Que o registro em duplicidade de valores relacionados a perdas nos recebimentos de créditos, com idênticas indicações de devedor, valores de perdas e números de contratos, importou em uma dedução incomprovada de R$1.968.722,54; Fl. 3775DF CARF MF 8 c) Que faltou comprovar a dedução dos valores relativos às perdas informadas no arquivo magnético (i) 2007/arquivo 2 artigo 11 da Lei nº 9.430/96, no montante de R$3.266.731,62; d) Que faltou comprovar a dedução dos valores relativos às perdas informadas no arquivo magnético (ii) 2007/arquivo 3 REC, cuja diferença de R$3.110.458,88 foi apurada pelo cotejo entre o saldo contábil da conta COSIF nº 7.1.9.20.00.9.130 "Recuperação de Créd. Baixados como Prejuízos" (R$5.585.058,23) e o total dos valores informados neste arquivo (R$8.695.517,11); e) Que não houve comprovação da diferença de R$1.865.088,34, decorrente do cotejo entre a despesa de provisão para operações de crédito informada na Linha 25 Ficha 05B, da DIPJ/2007 (R$29.309.758,87) e a respectiva parcela não dedutível adicionada (R$27.444.670,53); 2.4.7.2. Com relação ao AC/2008: a) Que as deduções de perdas com créditos totalizaram R$37.951.269,54 (Linha 47 Ficha 09B, da DIPJ/2008), tendo sido verificado o seguinte: b) Que os dados constantes nos arquivos magnéticos compuseram um quantitativo de perdas com créditos da ordem de R$24.292.012,58, resultando numa diferença não comprovada de R$13.659.256,96; c) Que faltou comprovar a dedução de valores relativos a perdas informadas nos arquivos magnéticos "2008/arquivo_60 dias", no valor de R$5.822.640,01; 2.4.8. Que o procedimento perpetrado resultou na indevida redução dos lucros líquidos dos anoscalendário sob exame, consolidados da seguinte forma: DESCRIÇÃO AC/2007 R$ AC/2008 R$ Dif.de Perdas de Créditos não enviadas /comprovadas 1.284.240,40 13.659.256,96 Perdas de Créditos deduzidas em duplicidade 1.968.722,54 Parc. Não comprovadas ref. Arquivo2 e arquivo3 6.377.190,50 5.822.640,01 Falta/dif de Adição da provisão para operações de créditos 1.865.088,34 TOTAIS 11.495.241,78 19.481.896,97 3. Sobre as diferenças de imposto e contribuições apuradas relativamente ao item 2.3 do presente relatório se fez incidir a multa de ofício no percentual de 112,50%, na forma do § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007, enquanto relativamente às demais infrações se aplicou a multa de 75%, conforme determina o inciso I do art. 44 do mesmo diploma legal. 4. Inconformada com a exigência, a interessada impugnou os lançamentos através da petição de fls. 646/751, na qual alega, em síntese, o seguinte: 4.1. Quanto à glosa dos valores contabilizados a título de encargos de atualização monetária calculados sobre as importâncias inerentes à Contribuição para o PIS e para a COFINS: 4.1.1. Que constituiu uma provisão para controle desses créditos tributários (contas contábeis n° 4.9.4.50.90.3001.0 "Prov. p/ Contingência PIS" e n° 4.9.4.50.90.30029 "Prov. p/ Contingência COFINS"), cujo principal é contabilizado tendo como contrapartida uma despesa de provisão (contas contábeis n° 8.1.9.33.00.0000.0 "Despesas de contribuições ao PIS" e n° 8.1.9.30.00.3000.0 "Despesas de contribuições à COFINS"); 4.1.2. Que se tivesse sido devidamente intimada, teria demonstrado que tanto o valor principal da conta de provisão para contingência do PIS e da COFINS com exigibilidade suspensa quanto o saldo dos encargos de atualização destas provisões Fl. 3776DF CARF MF Processo nº 16327.720420/201213 Acórdão n.º 1401002.549 S1C4T1 Fl. 3.773 9 foram devidamente adicionados à base tributável do IRPJ e da CSLL, conforme fazem provas as cópias da Parte A do LALUR (fls. 832/843), dos razões contábeis das contas de provisão de despesas de contingência para o PIS (815/816 e 829/830), para a COFINS (816/817 e 830/831) e da conta de variação monetária passiva (fls. 814, 818, 824/825), bem como das Fichas 05B, 09B e 17 da DIPJ (fls. 811/813 e 821/823), documentos estes relativos aos anoscalendário de 2007 e 2008; 4.1.3. Que conforme os quadros comparativos de fl. 655, relativos aos anos calendários de 2007 e 2008, é possível se comprovar que todo o valor das provisões para tributos com exigibilidade suspensa (linhas 13 e 14 da Ficha 05B) compõe o saldo de parcelas não dedutíveis de despesas operacionais (linha 31 da Ficha 05B) que foi totalmente adicionado ao lucro real (Ficha 09B) e à base de cálculo da CSLL (Ficha 17). Com relação ao anocalendário de 2008 o mesmo procedimento foi realizado, com exceção do fato de que é possível visualizar, na Ficha 05B ("Despesas Operacionais"), na linha 30 ("Outras Despesas Operacionais") o valor da variação monetária passiva. Esse saldo de parcelas não dedutíveis da Linha 31 da Ficha 05B foi, então, integralmente adicionado às Fichas 09B ("Demonstração do Lucro Real") e 17 ("Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido"). Assim, os valores das provisões ao PIS e à COFINS, somados ao valor da variação monetária passiva, compuseram o saldo de parcelas não dedutíveis de despesas operacionais; 4.1.4. Que ainda que não tivesse oferecido à tributação os valores de R$520.429,05 e de R$1.416.621,37, o que se alega a título meramente argumentativo, os autos de infração ora combatidos deveriam ser integralmente cancelados, posto que nulos de pleno direito, já que Fiscalização não realizou um procedimento investigatório, como seria de rigor, para aferir a existência de fato gerador supostamente não tributado; 4.2. Sobre a glosa de provisões não autorizadas: 4.2.1. Que também com relação a esse ponto da autuação a fiscalização não se aprofundou na análise da documentação que lhe foi entregue, o que evidencia, mais uma vez, a fragilidade do trabalho da fiscalização, pois, caso tivessem sido conferidos os documentos apresentados, teria sido constatada a tributação dos valores relativos às provisões questionadas no presente ponto; 4.2.2. Que adicionou ao lucro real e à base de cálculo da CSLL a variação das contas patrimoniais das provisões, e tanto em 2007 quanto em 2008 o saldo das provisões para contingências trabalhistas e cíveis foram totalmente adicionados; 4.2.3. Que para confirmar o alegado basta confrontar a variação decorrente da movimentação contábil da conta patrimonial 4.9.9.35.10.51001 "Passivos Trabalhistas" (fl. 859), com o valor que foi adicionado à parte A do LALUR do ano calendário de 2007 (fls 849/851), para se confirmar a efetiva tributação do valor de R$64.303,34. Da mesma forma, os saldos das provisões para ações cíveis relativos ao anocalendário de 2007, no total de R$453.717,96, e ao anocalendário de 2008, no valor de R$155.571,18, também foram devidamente tributados. Confirase, nesse contexto, o confronto da variação decorrente da movimentação contábil da conta patrimonial 4.9.9.35.90.9.1029 "Ações Cíveis", à fl 867, com o valor que foi adicionado à parte A do LALUR dos anoscalendário de 2007 e 2008 (fls. 845/851), para se confirmar a efetiva tributação dos valores referidos; 4.2.4. Que por equívoco deixou de adicionar às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL nos anoscalendário autuados os saldos de Provisão para Desvalorização de Bens e Veículos Apreendidos, vindo a adicionálos, integralmente, no ano Fl. 3777DF CARF MF 10 calendário de 2011. Assim, no presente caso devem ser observados os efeitos da postergação, já que os valores de R$1.552.586,87 e R$120.716,24, respectivamente de 2007 e 2008, foram devidamente incluídos nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL apurados no anocalendário de 2011; 4.3. Sobre as glosas das despesas com Prestação de Serviços, nos valores de R$2.529.322,08, R$540.000,00, R$2.100.000,00 e R$1.688.840,00: 4.3.1. Que para se saber, objetivamente, se determinado gasto (ou mesmo perda) pode ser interpretado como uma despesa operacional ou não, fazse necessária a análise individualizada de cada dispêndio e a situação objetiva em que foi realizado, de modo que fique evidente a necessidade, usualidade e normalidade das despesas e provisões glosadas nos autos de infração ora combatidos, o que em nenhum momento foi feito pela Autoridade Fiscal, que se limitou a dizer, sem maiores explicações ou comprovações, que os documentos apresentados nestes autos seriam "insuficientes para comprovar que os pagamentos efetuados são necessários, normais e usuais e que guardam correlação com a fonte produtora dos rendimentos"; 4.3.2. Que tem por atividade precípua o arrendamento mercantil, o qual, nos termos do que dispõe a Lei n° 6.099/74, com alterações promovidas pela Lei n° 7.132/83, é "o negócio jurídico realizado entre pessoa jurídica, na qualidade de arrendadora, e pessoa física ou jurídica na qualidade de arrendatária, e que tenha por objeto o arrendamento de bens adquiridos pela arrendadora, segundo especificações técnicas da arrendatária e para uso próprio desta" (artigo 1o, parágrafo único); 4.3.3. Que, na prática, a empresa arrendadora adquire um bem de uma revendedora e cede seu uso para o arrendatário, que paga a esse título (cessão de uso/locação) uma contraprestação mensal. Ao final do prazo estipulado no contrato, o arrendatário opta pela devolução do bem ou por sua aquisição, mediante o pagamento do valor residual, desde que pague o valor ajustado. No caso do leasing financeiro poderá ainda haver a contratação de um valor residual garantido, o qual pode ser antecipado ou diluído nas contraprestações mensais, não caracterizando o seu pagamento como exercício da opção de compra, mas mera garantia contratual; 4.3.4. Que por não ser uma instituição financeira de varejo, a captação e o atendimento a seus clientes são exercidas por empresas intermediárias, como é o caso da Panamericano Prestador de Serviços e da Panamericano Administrador de Cartões de Crédito, para as quais paga comissões como contraprestação à prestação de serviços; 4.3.5. Que o Fisco tem a obrigação de comprovar, por meio de provas diretas e não presuntivas, que a despesa incorrida pelo contribuinte não é necessária, usual e normal às suas atividades, o que não ocorreu no presente caso, uma vez que em nenhum momento a Autoridade Fiscal se preocupou em verificar se as despesas que foram glosadas estavam relacionadas com a manutenção de sua fonte produtora, ou buscou demonstrar que os documentos não seriam hábeis, sendo esse fato suficiente, por si só, para o cancelamento das autuações; 4.3.6. Que ao se considerar o negócio por ela desenvolvido (atividade de arrendamento mercantil), não deveria causar estranheza o registro contábil de despesas com comissões pagas às empresas intermediárias, bem como com perdas em operações de créditos, decorrentes do não pagamento das mensalidades do arrendamento mercantil pelos seus clientes; 4.3.7. Que as despesas nos valores de R$540.000,00 e R$1.688.840,00 com comissão pagas à Panamericano Administradora de Cartão de Crédito estão intrinsecamente relacionadas com o seu objeto social, o que se confirma a partir das Fl. 3778DF CARF MF Processo nº 16327.720420/201213 Acórdão n.º 1401002.549 S1C4T1 Fl. 3.774 11 informações constantes do "Contrato de Prestação de Serviços" firmado com a citada empresa, que se encontra às folhas 74 a 78 do presente processo administrativo e posterior aditamento. Além disso, para comprovar a efetividade da prestação de serviço e o consequente pagamento, além do contrato de prestação de serviços e do aditamento de referido contrato, apresentou cópias de diversas Notas Fiscais e de Razões Contábeis da conta n° 8.1.7.57.00.4.4834 ("Comissão Panamericano Adm. Cartão Cred" doc. 05.), que evidenciam o efetivo pagamento e o correspondente registro contábil destas despesas. Ocorre que para chegar à precipitada e desmotivada conclusão de que eram insuficientes os documentos apresentados, a Fiscalização se ateve apenas a um único fato, qual seja, a falta de apresentação do relatório comprobatorio do cálculo da remuneração paga pela Impugnante à Panamericano Administradora de Cartão de Crédito. Assim, ainda que o relatório com o cálculo da remuneração fosse documento indispensável para justificar a efetividade da despesa incorrida, argumenta que a legislação não exige documentos específicos para comprovar a efetividade da prestação de serviços, como supôs a Fiscalização, mas exige apenas a apresentação de documentos hábeis a tanto, os quais foram, repitase, efetivamente apresentados durante todo o processo fiscalizatório para comprovar a operacionalidade das despesas em apreço; 4.3.8. Que as Despesas com comissão paga à Panamericano Prestadora de Serviços, no valor de R$2.100.000,00, tem por objetivo a prestação dos serviços de recepção e encaminhamento de pedidos de operações de arrendamento mercantil, cadastro, execução de serviços de cobrança e outros serviços de controle, inclusive processamento de dados das operações pactuadas. Tais despesas decorrem, obviamente, da atividade normal de uma instituição financeira e do risco do próprio negócio por ela engendrado, motivo pelo qual tais despesas são, evidentemente, usuais, necessárias e normais a sua atividade. Argumenta que como no caso das comissões pagas à empresa Panamericano Administradora de Cartão de Crédito, também não houve qualquer demonstração por parte da fiscalização acerca da indedutibilidade de tais valores, em vista dos requisitos trazidos pelo já citado artigo 299 do RIR, mas apenas e tão somente a mera presunção desses fatos, desprezando o que está comprovado nas demonstrações contábeis apresentadas, o que não pode legitimar a glosa das despesas em análise; 4.3.9. Que, diversamente do entendimento exposto pela Fiscalização, os contratos de prestação de serviços celebrados entre a Impugnante e a Panamericano Administradora de Cartões de Crédito e a Panamericano Prestadora de Serviços atendem às condições previstas na Resolução Bacen n° 3.110/03, com as alterações introduzidas pela Resolução BACEN n° 3.156/03, razão pela qual não merece prevalecer, também por esse motivo, a glosa das despesas ora questionada; 4.3.10. Que relativamente à glosa de despesas dispendidas com "Outros Serviços", no valor de R$2.529.322,08, a que se referem as contas contábeis nºs 8.1.7.57.00.4.4982, 8.1.7.63.00.5.5187 e 8.1.7.63.00.5.5314, também entendeu o Sr. Agente Fiscal que os documentos apresentados teriam sido insuficientes para demonstrar a necessidade, usualidade e normalidade destes dispêndios. No entanto, alega que apresentou documentos contábeis e fiscais suficientes para demonstrar a necessidade, usualidade e normalidade das despesas, assim como a efetividade dos serviços prestados e dos pagamentos realizados e que o Termo de Verificação Fiscal contém evidentes contradições, o que realça ainda mais o fato de que o próprio Fiscal não se atentou para o trabalho que vinha realizando, além, é claro, de obstáculo para sua ampla defesa, que se vê obrigada a reapresentar toda a documentação que já apresentou durante mais de um ano à Fiscalização, já que não é possível se depreender, pela análise das conclusões da Fiscalização, o motivo pelo qual os documentos foram considerados insuficientes; Fl. 3779DF CARF MF 12 4.4. Que a Fiscalização não expôs os motivos pelos quais seria aplicável a multa agravada de 112,5%, e que não é possível deduzir qual teria sido o motivo ensejador para a imposição dessa penalidade (falta de esclarecimento, não apresentação dos arquivos ou sistemas de que tratam os artigos 265 e 266 ou a documentação técnica de que trata o artigo 277), uma vez que a própria Fiscalização reconhece que foram respondidos todos os termos de intimação que lhe foram apresentados, bem como entregou a documentação solicitada, ainda que, no entender da Fiscalização, tais documentos não sejam suficientes para comprovar a necessidade, usualidade, normalidade e efetividade das despesas. Alega que jamais poderia a Fiscalização aplicar a multa agravada de 112,5% no presente caso, justamente porque a suposta insuficiência de documentos não é uma das hipóteses para a incidência dessa gravosa penalidade; que somente é possível quando restar efetivamente comprovada, dentre outras situações, que o contribuinte se recusou a atender as intimações fiscais, gerando prejuízo ao procedimento fiscal; 4.5. Que a fiscalização não adotou um critério único para consideração das diferenças do anocalendário de 2007 glosadas a título de “outros serviços de pessoas jurídicas”, no valor total de R$2.529.322,08. Tal fato teria gerado na interessada a sensação de incerteza com relação à validade dos lançamentos tributários ora combatidos, fazendo com que os créditos tributários exigidos por intermédio do presente processo administrativo não sejam considerados líquidos e certos e que ensejaria a necessária decretação da nulidade das autuações fiscais. Segundo a interessada, para apurar a base tributável da suposta despesa dedutível decorrente das operações com as empresas Focus Consult, Infocus, Teixeira de Carvalho, Max Control Assessoria e Boafonte Consultoria, a fiscalização tomou como base o valor declarado em DIRF. Porém, com relação à Max Control Eventos o valor tomado como base para a apuração da base de cálculo tributável foi o declarado na Nota Fiscal apresentada. Para melhor explicar tal questão é apresentada a planilha a seguir transcrita: Nome do beneficíário CNPJ Total de Pagamentos Total de Notas Fiscais Dirf Valor glosado Focus Consult Finan 04.566.041.000109 175.968,75 187.500,00 187.500,00 187.500,00 Infocus Adm Finan 07.791 176000166 312.802,05 345.000,00 345 000,00 345 000 00 Teixeira de Carvaiho Bruno 02.775 181.000153 93.435,00 97 13000 170 122.30 170.122,30 Max Control Eventos 07.770.467.000130 603.189,45 488.379,53 523 11232 488.379,53 Max Control Assessoria 56 342439.00015? 965.910,02 676.340,00 1.029.206,25 1.029.206,25 Boafonte Consultoria 05.477.415.000174 249.383,61 309.114,00 309.114.00 309.114,00 Total 2.400.688,88 2.103.513,53 2.569.054.87 2.529.322.08 4.6. Sobre a glosa das despesas com as perdas dedutíveis em operações de crédito dos anoscalendário de 2007 e 2008, nos valores de R$1.865.088,34, R$1.968.722,54, R$1.284.240,40, R$6.377.190,50, R$13.659.256,96 e R$5.822.640,01: 4.6.1. Que as despesas lançadas nas Fichas 05B e 09B das DIPJ relativas aos anoscalendário de 2007 e 2008 ou (i) foram efetivamente tributadas, ou (ii) são dedutíveis por serem despesas operacionais às suas atividades, e, caso assim não se entenda, (iii) são perdas que se subsumem integralmente ao disposto no artigo 9o da Lei nº 9.430/96; 4.6.2. Que relativamente ao anocalendário de 2007 apresentou um relatório em mídia CD, contendo informações relativas a créditos num total de R$7.079.536,36, o qual foi apenas mencionado no TVF. Assim, do total de R$11.495.241,78, para o qual a fiscalização alega que não teriam sido apresentados documentos comprobatórios para justificar a dedutibilidade das respectivas perdas, foi entregue relatórios contendo todas os dados e informações das ações judiciais de cobrança de perdas num total de R$7.079.536,36, que teriam obedecido plenamente o disposto no inciso III do artigo 9º da Lei nº 9.430/96 e que, por isso, em Fl. 3780DF CARF MF Processo nº 16327.720420/201213 Acórdão n.º 1401002.549 S1C4T1 Fl. 3.775 13 observância ao princípio da verdade material que rege todo o processo administrativo, devem ser exoneradas da tributação; 4.6.3. Que demonstrou à fiscalização que havia celebrado, no anocalendário de 2007, contrato de cessão de crédito, sem coobrigação, no montante de R$24.960.677,00, com a empresa Feurs Holding S/A, não ligada ao grupo, com preço de sessão ajustado em 4,8% do total dos créditos cedidos. Posteriormente à cessão, os cessionários efetuaram aditamento ao contrato relativamente ao montante dos créditos cedidos, que passou a ser de R$24.104.282,61, a um preço de R$1.157.005,56 (R$24.104.282,61 x 4,8%) que foram contabilizados na conta contábil COSIF 7.1.9.20.00.9.1307 ("Recuper. Créditos Baixados como Prejuízo") e recebidos em duas parcelas creditadas em sua conta corrente, nos valores de R$485.195,77 e R$671.809,79, conforme extrato bancário já apresentado aos autos do presente processo administrativo. Entretanto, alega que esta informação apenas citada no Termo de Verificação Fiscal, mas não analisada pela fiscalização; 4.6.4. Que atribuiu aos créditos no valor de R$24.104.282,61 o caráter de despesa efetiva, já que o contrato de cessão continha cláusula prevendo a não coobrigação, assim como que a cessão seria definitiva e irretratável. Assim, considerandose que já vinha adicionando nos anos anteriores a 2007 e 2008 o saldo de provisão para perda no recebimento de créditos, no momento em que houve a cessão definitiva dos créditos, num valor de R$24.104.282,61, reverteu referida provisão, deduzindoa do seu lucro real e da base de cálculo da CSLL apuradas nos anoscalendário de 2007 e 2008, nos termos do artigo 299 do RIR/99; 4.6.5. Que as perdas cedidas mediante contrato oneroso (tal como no presente caso) não pertencem mais à contribuinte, e são plenamente dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, já que o contrato de cessão de crédito está entre as atividades operacionais que podem ser realizadas por uma determinada pessoa jurídica. Não há que se falar, portanto, em descumprimento dos requisitos para a dedutibilidade das perdas, como prevê o artigo 9o da Lei 9.430/96, citado pela fiscalização para justificar a glosa ora contestada, mas sim de dedução de despesa efetivamente operacional; 4.6.6. Que no presente caso, parte das despesas relativas ao anobase de 2007 no valor de R$2.550 mil (e não perdas, como entendeu equivocadamente a Fiscalização) foram deduzidas em razão da celebração do compromisso de cessão de crédito e portanto, conforme se expôs, são plenamente dedutíveis do lucro real e da base de cálculo da CSLL, em razão do quanto disposto no artigo 299 do RIR/99; 4.6.7. Que a outra parte dos créditos cedidos (R$21.554 mil) foi deduzida no anocalendário de 2008, de modo que também resta comprovada a plena possibilidade de deduzir a suposta diferença apontada pela Fiscalização, num total de R$19.481.896,97; 4.6.8. Que com relação à suposta diferença apurada pela fiscalização, no valor de R$1.865.088,34, esclarece não se tratar de valor contabilizado a título de perdas em operações de crédito, mas sim a título de outras provisões, e seria, na realidade, o somatório do saldo de R$312.501,47, relativo à receita decorrente de reversão de provisão informada na Linha 44 da Ficha 06, com o saldo de R$1.552.586,87, correspondente às despesas com Provisão para Desval. de outros Bens e Veículos Apreendidos, que já é objeto das autuações ora combatidas e está sendo devidamente contestado na presente Impugnação; 4.7. Sobre a necessidade de exclusão da receita de superveniência de depreciação para apuração da base de cálculo da CSLL: Fl. 3781DF CARF MF 14 4.7.1. Que tem como objeto principal de suas atividades o arrendamento mercantil (também denominado leasing), sujeitandose, para fins de tratamento tributário, às disposições da Lei nº 6.099, de 12 de setembro de 1974. Assim, tendo em vista as características essencialmente financeiras desta atividade, a legislação determina que todas as operações de arrendamento mercantil sejam reguladas e fiscalizadas pelo Banco Central do Brasil ("BACEN"), seguindo as normas editadas pelo Conselho Monetário Nacional ("CMN"). Neste sentido, nos termos da Circular do BACEN nº 1.429, de 20 de janeiro de 1989, as empresas de arrendamento mercantil devem escriturar os bens arrendados em seu ativo imobilizado, razão pela qual os referidos bens sofrem uma depreciação, calculada na forma da legislação pertinente (Circular do BACEN nº 1.429/89 e Portaria do Ministro da Fazenda nº 140/84). Além disso, devem as empresas de arrendamento mercantil, consoante as regras expedidas pelos mencionados Órgãos, atualizar, mês a mês, o valor contábil dos contratos ao "valor presente" de todas as contraprestações dos contratos, mediante a aplicação de juros. Este ajuste contábil no valor dos bens do ativo da empresa de arrendamento mercantil é procedido para que mencionadas empresas demonstrem em seus balanços bens registrados com valores mais próximos daqueles que condizem com a realidade da empresa. No caso de empresas que exercem outras atividades que não arrendamento mercantil, os bens registrados no ativo imobilizado somente estariam sujeitos à depreciação. Contudo, em razão da peculiaridade desta atividade (operação de arrendamento mercantil), ao mesmo tempo em que o bem está sendo depreciado, e portanto tendo seu valor reduzido, gera rendimentos para a empresa, os quais são incorporados ao resto deste bem; 4.7.2. Que ao proceder ao ajuste contábil por meio dos procedimentos acima referidos, mediante o confronto entre o valor correspondente à depreciação destes bens arrendados e o montante equivalente à atualização dos valores acordados nos contratos de arrendamento mercantil, mês a mês, aufere receitas (denominadas "receitas de superveniencia ativa"), ou incorre em despesas (denominadas "despesas de insuficiência") que, por decorrerem de meros ajustes contábeis, são necessários para que o valor patrimonial dos seus ativos sejam representados por valores que a Ciência Econômica considera mais adequados; 4.7.3. Que a referida "receita de superveniência ativa" não pode ser considerada lucro efetivo da sociedade, passível de tributação pela Contribuição Social sobre o Lucro, mas tão somente um resultado decorrente do ajuste contábil realizado para melhor refletir a situação patrimonial da empresa de arrendamento mercantil, como ocorre na apuração da base de cálculo do IRPJ. Ou seja, este ajuste não compõe o lucro da sociedade, tratase de receita fictícia que deveria ser expurgada para auferir a receita tributável pela CSLL, já que as operações realizadas somente podem dar ensejo à tributação pela CSLL no final de cada contrato, e não quando dos meros ajustes contábeis procedidos, eis que somente ao final do contrato é que se apurará o lucro efetivamente auferido; 4.7.4. Que caso na apuração dos anos de 2007 e 2008 tivessem sido excluídas as receitas de superveniência de depreciação das bases de cálculo da CSLL, o valor principal da contribuição supostamente devida seria no valor de R$ 1.080.802,87. Logo, consoante demonstrado, não pode ser mantido os valores exigidos no presente auto de infração que desconsiderou a exclusão das receitas com superveniência ativa, auferidas em virtude dos ajustes obrigatórios pelo BACEN, quando da apuração da base de cálculo da CSLL; 4.8. Sobre o poder probante da contabilidade e o ônus de prova no Direito Tributário: 4.8.1. Que a contabilidade faz prova em favor do contribuinte, motivo pelo qual não se pode admitir o entendimento da Fiscalização no sentido de que não foram apresentados elementos de prova suficientes pela Impugnante, pois nos Fl. 3782DF CARF MF Processo nº 16327.720420/201213 Acórdão n.º 1401002.549 S1C4T1 Fl. 3.776 15 termos do artigo 276 do RIR/99 a escrituração mantida com observância das disposições legais, como é o caso dos autos, faz prova em favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Portanto, diante da vasta documentação contábil apresentada, caberia ao Sr. Agente Fiscal descaracterizar adequadamente a veracidade relativa de cada um dos documentos que lhes estavam à disposição, mediante provas cabais e não meras presunções, como fez no presente caso; 4.8.2. Que no processo administrativo tributário o ônus da prova cabe ao Fisco, e eventual ato administrativo tendente a desconsiderar as informações contabilizadas e declaradas pelo contribuinte, caso não esteja calçado por uma prova, mas apenas baseado em mera suposição, carecerá de motivo e será nulo de pleno direito; 4.8.3. Que mesmo que não tivesse apresentado documentos suficientes para comprovar a verdade material dos fatos e a contabilidade não fizesse prova em seu favor, o que alega ad argumentandum, as autuações ora combatidas também não poderiam prosperar em razão da ausência de prova de que as despesas não são dedutíveis ou que as exclusões realizadas são indevidas; 4.8.4. Que não poderia a Fiscalização, em hipótese alguma, utilizarse de recursos presuntivos e meros indícios para concluir, de forma equivocada, que teria ocorrido dedução de despesas e exclusões indevidas por parte da Impugnante, pois consoante o princípio da segurança jurídica, o tributo só pode ser validamente exigido quando um fato ajustase rigorosamente à hipótese de incidência tributária. Não se pode considerar ocorrido o fato imponível por mera ficção ou presunção, isto é, independentemente da efetiva verificação, no mundo fenomênico, dos fatos abstratamente descritos na hipótese de incidência tributária. Em assim sendo, tendo sido demonstrada a impossibilidade de lavratura de autos de infração com fundamento em simples presunção, devem ser reconhecidas como indevidas as glosas originárias do presente processo administrativo, por terem sido realizadas com base em presunções que não encontram respaldo na realidade fática; 4.9. Que não poderia a Fiscalização ter adicionado à base de cálculo da CSLL as despesas consideradas indedutíveis, por falta de previsão legal que autorize tal conduta, pois muito embora a CSLL seja, assim como o IRPJ, tributo incidente sobre o lucro dos contribuintes, certo é que para ela existem normas específicas que tratam das adições e exclusões ao lucro líquido para fins de determinação de sua base de cálculo, as quais nem sempre são as mesmas aplicáveis ao IRPJ. O que existe de comum entre os tributos em questão, e não é nada mais do que isso, são apenas as mesmas regras de apuração e pagamento. O legislador determinou a base de cálculo da CSLL de forma exaustiva (numerus clausus), fixando, taxativa e individualmente, cada um dos ajustes aplicáveis (artigo 2o e §§, da Lei nº 7.689/88), e não elencou, como hipótese de adição ao lucro líquido, o valor correspondente às despesas questionadas no lançamento. Os únicos ajustes admitidos, por adição, à base de cálculo da CSLL, são aqueles que decorrem de Lei. Com efeito, uma eventual despesa que tenha integrado o lucro líquido somente será considerada indedutível da base de cálculo da CSLL caso haja previsão expressa em lei para este tributo o que não ocorre para o caso específico. Portanto, não pode subsistir o lançamento da CSLL em questão, sob pena de afronta ao Princípio da Legalidade, um dos mais importantes princípios norteadores do Direito Tributário; 4.10. Que os lançamentos são nulos por falta de liquidez e certeza, pois houve evidente erro na determinação da base tributável e no cálculo do montante do IRPJ devido, uma vez que não foi considerada a compensação relativa ao saldo de Fl. 3783DF CARF MF 16 prejuízo fiscal, acumulado pela empresa, à porcentagem de 30% do lucro tributável, aplicável ao anobase de 2007; 4.11. Que caso se entenda pela manutenção das glosas impugnadas, o que admite apenas a título argumentativo, a responsabilidade pelo recolhimento dos tributos incidentes nestes lançamentos fiscais devem ser atribuídas aos diretores da Impugnante à época dos fatos, porque estaria configurada a hipótese de responsabilidade pessoal dos administradores, conforme definido no artigo 135, inciso III do Código Tributário Nacional, que trata da responsabilidade dos diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado "pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos"; 4.12. Que não se pode confundir os conceitos de tributo e de multa. Multa é penalidade pecuniária, não é tributo. É o que se verifica com clareza pela leitura da definição de "tributo", contida no artigo 3º do Código Tributário Nacional. Assim, os juros calculados com base na taxa SELIC não poderão ser exigidos sobre a multa de ofício lançada, por absoluta ausência de previsão legal, tendo em vista que o artigo 13 da Lei nº 9.065/95, que prevê a cobrança dos juros de mora com base na taxa SELIC, remete ao artigo 84 da Lei nº 8.981/95 que, por sua vez, estabelece a cobrança de tais acréscimos apenas sobre tributos. Como conclusão , temse que a cobrança de juros sobre a multa desrespeita o princípio constitucional da legalidade, expressamente previsto nos artigos 5o, II, e 37 da Constituição Federal, o que não pode ser admitido. É o relatório. (término da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) A DRJ, por meio do Acórdão 1261.353, de 13 de novembro de 2013, julgou procedente em parte a impugnação apresentada pela empresa, conforme a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2008, 2009 GLOSA DE DESPESAS INDEDUTÍVEIS JÁ OFERECIDAS À TRIBUTAÇÃO. DESCABIMENTO. Incabível o lançamento de crédito tributário fundamentado em glosa de despesas indedutíveis na apuração do lucro real, se o contribuinte comprova que as parcelas tidas por indedutíveis já haviam sido adicionadas no Lalur. DESPESAS OPERACIONAIS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO. GLOSA. Uma vez reconhecido que os serviços contratados são de natureza imaterial, cuja prova há de ser feita indiretamente, e tendo a empresa apresentado as únicas provas possíveis, quais sejam, notas fiscais de prestação de serviços, comprovantes dos pagamentos e a efetividade do registro contábil, documentos esses não contestados pela fiscalização, a escrituração faz prova em favor do contribuinte, cabendo ao fisco demonstrar sua inveracidade. PERDAS EM OPERAÇÕES DE CRÉDITOS. DEDUTIBILIDADE. CONDIÇÕES. A dedutibilidade de perdas em operações de crédito é condicionada à apresentação da prova de que os créditos atendem às condições estabelecidas na legislação para serem deduzidos. Fl. 3784DF CARF MF Processo nº 16327.720420/201213 Acórdão n.º 1401002.549 S1C4T1 Fl. 3.777 17 Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Exercício: 2008, 2009 CSLL. DECORRÊNCIA. Decorrendo a exigência da CSLL da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida para o imposto de renda. Assunto: Normas de Administração Tributária Exercício: 2008, 2009 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de ofício não paga no vencimento incidem juros de mora calculados segundo a Selic. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A DRJ recorreu de ofício da parte cancelada. Cientificada eletronicamente da decisão da DRJ na data de 11/12/2013 (efl. 1.224), e não satisfeita com a decisão da delegacia de piso, apresentou recurso voluntário em 20/12/2013 (efls. 1.226 a 1.296) conforme protocolo de efl. 1.226, em que basicamente repisa os argumentos da impugnação. Em julgamento no CARF, esta turma, em outra composição, resolveu baixar o processo em diligência para solicitar informações adicionais em relação à infração "Glosa de despesas relativas a Perdas em Operações de Créditos". Segundo o relator do processo, tanto a fiscalização quanto a DRJ não enfrentaram com profundidade as argumentações trazidas pela ora recorrente, pelo que propôs o seguinte (efls. 1.499): Nesse contexto de insegurança quanto a pertinência das provas analisada e em nome da verdade material, baixo o processo em diligência para que sejam sanadas tais dúvidas: a fiscalização deve aprofundar na investigação dessas dúvidas, intimando o contribuinte se for necessário. Se de fato as parcelas questionadas pela Recorrente compuseram mesmo a parte controversa da autuação, oportunizar ao contribuinte o complemento da prova e se pronunciar a respeito de sua adequação, aprofundandose na ocorrência desse evento de cessão de créditos Ao final, a autoridade fiscal deverá elaborar relatório conclusivo das verificações, ressalvado o fornecimento de informações adicionais e a juntada de outros documentos que entender necessários, entregar cópia do relatório à interessada e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as Fl. 3785DF CARF MF 18 suas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento. No final da diligência, a autoridade fiscal elaborou relatório, em que consignou o seguinte: CONCLUSÃO 22. Como o contribuinte não apresentou os arquivos das perdas em operações de crédito utilizadas em períodos anteriores a 2007, para fins de exame de duplicidade, não há possibilidade de se garantir que as perdas em tese passíveis de dedução nesses períodos, constantes dos arquivos de R$ 7.079.536,36 e R$ 24.104.282,61 apresentados, já não tenham sido anteriormente utilizadas e deduzidas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, ainda mais considerandose o grande número de duplicidades em registros de perdas em operações de crédito encontrado nos cruzamentos das planilhas fornecidas pela empresa. 23. Portanto, expurgadas as duplicidades e dada a não apresentação dos arquivos de perdas em operações de créditos relativas aos anoscalendário de 2006 e anteriores, com fundamento no artigo 264 do RIR/99 e no artigo 9º, § 1º, inc. Ill da Lei nº 9.430/96, o entendimento da fiscalização é o de que caiba considerar apenas as operações de crédito com data de vencimento igual ou posterior a 01/01/2005, passíveis de dedução a partir do anocalendário de 2007. 24. Prevalecem, dessa forma, como parte dos arquivos de R$ 7.079.536,36 e R$ 24.104.282,61 apresentados pela empresa, os valores da coluna 2 dos quadros constantes do item 19 do presente relatório, como potencial de dedução da base de cálculo do IRPJ e CSLL. 25. O trabalho foi efetuado dentro dos critérios de razoabilidade e amostragem usuais da DIFIS/DEINF/SPO, tendose como objetivo chegar o mais próximo possível da verdade material, face aos elementos apresentados. A recorrente apresentou manifestação sobre o teor da relatório do diligência fiscal, conforme destacado abaixo: a) Quanto aos valores de perdas em operação de créditos com data de vencimento anterior a 01/01/2005 alegou a recorrente que o art. 9º da Lei nº 9.430/1996 estabelece ao menos quatro hipóteses distintas em que os créditos, não recebidos como perdas, dependem de fatores como qualificação do devedor (insolvente, falido, em recuperação judicial) e características do crédito (vencimento, montante e existência de garantia ou não), evidenciando que não necessariamente a perda decorre de créditos com garantia vencidos a mais de 2 anos. Alega que o citado inciso III do § 1º do art. 9º da Lei nº 9.430/1996, depende de outras condições, além do prazo de 2 (dois) anos para que o crédito possa ser baixado: a existência e manutenção de procedimentos judiciais para seu recebimento. b) Com relação ao valor de R$ 24.104.282,61, afirma que a baixa de tais créditos somente ocorreu com a celebração, em 2007, e posterior aditamento em janeiro de 2008, de contrato de cessão de crédito, sem coobrigação, com empresa não ligada à recorrente. Alega que o fundamento legal para a dedução de tal despesa é o art. 299 do RIR/99, e não o art. 9º da Lei nº 9.430/1996. Que a empresa já vinha provisionando o valor de R$ 24.104.282,61 e adicionando ao lucro real e à base de cálculo da CSLL; assim, no momento da cessão dos créditos, tais despesas teriam sido realizadas. c) Em relação ao montante de R$ 7.079.536,36, pede que sejam considerados os créditos que efetivamente apenas vieram a se tornar dedutíveis a partir de 2007. Fl. 3786DF CARF MF Processo nº 16327.720420/201213 Acórdão n.º 1401002.549 S1C4T1 Fl. 3.778 19 d) Por fim, pede em conclusão (efl. 3.753 e 3.754): Nestes termos, além da parcela que foi expressamente reconhecida no Relatório de Diligência (item 24), fica claro que não poderiam ser refutados os valores apresentados pela Recorrente conforme planilhas apresentadas à Fiscalização em 12/05/2017 (conforme coluna (1) das tabelas do item 19 do Relatório), tendo em vista que, como mencionado, os créditos vencidos até 2005, não reconhecidos no Relatório, não preenchiam as condições para seu registro como perda até o início de 2007, pelo que, por óbvio, não poderiam ser (e não foram) deduzidos antes de tal data, o que afasta qualquer argumento quanto à eventual duplicidade. Desta feita, caso não seja acatada a integralidade das despesas, como defendido pela Recorrente, ao menos, devem ser reconhecidos os seguintes valores que já estão expurgados de qualquer eventual duplicidade, mesmo considerando o critério adotado pela Autoridade Fiscal (data de vencimento), quais sejam: R$ 1.022.524,01 (2007 cessão), R$ 7.406.936,17 (2008 cessão) e R$ 3.204.462,00 (2007 perda em operação de crédito). No retorno do processo ao CARF, coube a mim a relatoria do processo, tendo em vista o término do mandato do relator do processo. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. RECURSO DE OFÍCIO Conforme quadro abaixo, a DRJ exonerou do lançamento fiscal os seguintes valores, tanto da base do IRPJ quanto da CSLL: Anocalendário 2007 2008 Infrações apuradas Valores lançados Valores mantidos Valores lançados Valores mantidos Despesas não comprovadas 2.529.322,08 0,00 2.100.000,00 0,00 540.000,00 0,00 1.688.840,00 0,00 Provisões não autorizadas 2.070.608,17 1.552.586,87 276.287,42 120.716,24 Fl. 3787DF CARF MF 20 Despesas indedutíveis (corr. monet. Pis/Cofins) 520.429,05 0,00 1.416.621,37 0,00 Falta/dif de Adição da provisão para operações de créditos 1.865.088,34 0,00 0,00 0,00 Além dos valores acima, a DRJ corrigiu a apuração do IRPJ do ano de 2007, considerando o limite de 30% para compensação com prejuízos apurados em períodos anteriores. Assim, passo a tratar cada valor exonerado do lançamento fiscal. Falta/dif de Adição da provisão para operações de créditos Apesar da DRJ ter exonerado o valor de R$ 1.865.088,34 da base do IRPJ e da CSLL, na planilha demonstrativa dos valores dos créditos tributários lançados e mantidos após as considerações do voto da DRJ (efls. 1.214), a delegacia de julgamento se equivocou e considerou o valor de R$ 1.865.088,34 como se tivesse sido mantido no lançamento, o que se sabe não ter ocorrido. Desta forma, desconsidero o teor da planilha quanto a este ponto, para enfrentar a exoneração do valor de R$ 1.865.088,34 como recurso de ofício. Como concordo com os fundamentos de exoneração do valor de R$ 1.865.088,34, trazidos pela DRJ, sirvome do trecho do voto da delegacia de piso que traduz os motivos para exoneração do citado montante da base de tributação (efl. 1.207 e 1.208): 14.10. Já a glosa da diferença de R$1.865.088,34, decorrente do cotejo entre a despesa de provisão para operações de crédito informada na Linha 25 Ficha 05B, da DIPJ do anocalendário de 2007 (R$29.309.758,87) e a respectiva parcela não dedutível (R$27.444.670,53), entendo estar plenamente justificada pela interessada, ao esclarecer que não se trata de valor contabilizado a título de perdas em operações de crédito, mas sim a título de outras provisões, e seria, na realidade, o somatório do valor de R$312.501,47, correspondente a reversão de excesso de provisão, com R$1.552.586,87, correspondente às despesas com Provisão para Desval. de outros Bens e Veículos Apreendidos. 14.11. A despesa com Provisão para Desval. de outros Bens e Veículos Apreendidos é um dos itens da presente autuação, já devidamente contestado na presente Impugnação e mantido no presente voto, razão pela qual descabe falar em glosa de parcela já tributada. A outra parcela, no valor de R$312.501,47, é demonstrado no balancete de 31/12/2007 da interessada de dezembro de 2007, juntado à fl. 46, em que o saldo da conta “7.1.9.30.00.6.110.8 – Reversão de excesso de provisões” é revertido no montante de R$312.501,47. Partindo do pressuposto que quando da sua constituição tal provisão foi deduzida do lucro líquido e adicionada às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, a reversão da mesma caracteriza se como receita não tributável, sujeita a ser excluída do lançamento. 14.12. Assim, no que diz respeito ao anocalendário de 2007, .... fica exonerada da tributação a parcela glosada no montante de R$ 1.865.088,34. (sublinhei) Desta forma, nego provimento ao recurso de ofício, mantendo a exoneração do montante de R$ 1.865.088,34 (2007). Fl. 3788DF CARF MF Processo nº 16327.720420/201213 Acórdão n.º 1401002.549 S1C4T1 Fl. 3.779 21 Correção monetária Pis/Cofins A DRJ exonerou o lançamento desta infração por perceber que a empresa adicionou no lucro real e na base de cálculo da CSLL o valor deduzido no resultado contábil referente à atualização monetária do Pis e da Cofins objetos de discussão judicial. Por concordar com os fundamentos da delegacia de piso, reproduzo trecho do voto da DRJ, adotandoo como razão de decidir: (início da transcrição do voto da DRJ) 10. Da glosa de valores contabilizados a título de encargos de atualização monetária calculados sobre as importâncias inerentes às Contribuições para o Programa de Integração Social PIS e para o Financiamento da Seguridade Social COFINS: 10.1. A fiscalização entendeu que a interessada deduziu indevidamente em 2007 e 2008 os valores de, respectivamente, R$520.429,05 e R$1.416.621,37, a título de encargos de atualização monetária calculados sobre os valores devidos de Pis e Cofins, cujas exigibilidades se encontram em discussão judicial nos autos do Mandado de Segurança n° 2006.61.00.0016886. 10.2. A interessada argumenta que a glosa é indevida, uma vez que levou tais parcelas à tributação, através da adição à base tributável do IRPJ e da CSLL tanto dos valores principais das contas de provisão para contingência do PIS e da COFINS quanto o saldo dos encargos de atualização destas provisões. 10.3. Analisando a documentação juntada aos autos juntamente com a impugnação, em particular as cópias da Parte A do LALUR (fls. 832/843), dos razões contábeis das contas de provisão de despesas de contingência para o PIS (815/816 e 829/830), para a COFINS (816/817 e 830/831) e da conta de variação monetária passiva (fls. 814, 818, 824/825), bem como das Fichas 05B, 09B e 17 da DIPJ (fls. 811/813 e 821/823), todos documentos relativos aos anoscalendário de 2007 e 2008, concluo que em ambos os anoscalendário autuados os valores relacionados à contribuição para o Pis e à Cofins foram deduzidos como despesa na apuração do lucro líquido, mas posteriormente foram adicionados ao lucro real e à base de cálculo da CSLL. 10.4. De acordo com a cópia do Lalur de fls. 836/839, constatase que em 2007 a interessada adicionou ao Lucro Real e à base de cálculo da CSLL o valor de R$922.348,50, que, conforme cópia do razão da conta, às fls. 815/816, corresponde a toda a variação da conta “4.9.4.50.90.3.001.00 – Prov. P/ contingência PIS” do ano de 2007, incluídos neste montante os valores devidos da contribuição e as correspondentes atualizações monetárias. Da mesma forma procedeu a interessada relativamente à Cofins, em que foi adicionado o montante de R$5.692.343,62, conforme cópia do razão da conta nº “4.9.4.50.90.3.002.9 – Prov. P/ contingência Cofins”, juntado às fls. 816/817. 10.5. No ano de 2008 foi adotado procedimento semelhante: o Lalur de fls. 832/835 demonstra que a interessada adicionou ao Lucro Real e à base de cálculo da CSLL o valor de R$1.407.240,65 a título “Provisão para Contingências Fiscais – Pis”, que corresponde ao total da variação da conta “4.9.4.50.90.3.001.00 – Prov. P/ contingência PIS” do ano, e o valor de R$8.661.666,59 a título de “Provisão para Fl. 3789DF CARF MF 22 Contingências Fiscais – Cofins”, que corresponde ao total da variação da mencionada conta, sendo que ambos os casos estão incluídos os valores devidos da contribuição e as correspondentes atualizações monetárias, tudo conforme cópias do razão relativo às contas nºs “4.9.4.50.90.3.002.9 – Prov. P/ contingência Cofins” e “4.9.4.50.90.3.001.00 – Prov. P/ contingência PIS”, às fls. 829/831. 10.6. Assim, comprovado que os valores deduzidos do lucro líquido foram tributados quando adicionados às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, não resta alternativa além de considerar improcedente o lançamento quanto a este item. (término da transcrição do voto da DRJ) Desta forma, nego provimento ao recurso de ofício, mantendo a exoneração do montante de R$ 520.429,05 (2007) e R$ 1.416.621,37 (2008). Provisões não autorizadas A DRJ exonerou desta infração os valores deduzidos a título de passivo trabalhista e outros passivos, decorrentes de ações cíveis. Em concordância com a análise detalhada da delegacia de piso, adoto como razões de decidir o quanto disposto no voto da DRJ: (início da transcrição do voto da DRJ) 11.1. A fiscalização apurou que a interessada deduziu do lucro tributável dos anos calendário de 2007 e 2008 valores cuja dedutibilidade é vedada pela regra prevista no artigo 13 da Lei n° 9.249/95, relativos a encargos de provisões operacionais. Consequentemente promoveu a glosa de tais provisões, as quais estão distribuídas nas contas COSIF “198999030105 – Prov. P/ Desval. Outros Valores e Bens – Veículos apreendidos” (R$1.552.586,87 do a/c de 2007 e R$120.716,24 do a/c de 2008), “499351051001 – Passivos Trabalhistas” (R$64.303,34 do a/c 2007) e “499359091029 – Outros Passivos – Ações Cíveis” (R$453.717,96 do a/c 2007 e R$155.571,18 do a/c 2008). 11.2. Em sua defesa a interessada alega que tanto em 2007 quanto em 2008 adicionou ao lucro real e à base de cálculo da CSLL a variação das contas patrimoniais das provisões para contingências trabalhistas e cíveis. Entretanto, teria deixado de adicionar às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL nos anoscalendário autuados os saldos de Provisão para Desvalorização de Bens e Veículos Apreendidos, vindo a fazêlo no resultado do anocalendário de 2011, razão pela qual, neste caso específico, deveriam ser observados os efeitos da postergação. 11.3. Quanto à glosa das provisões para contingências trabalhistas e cíveis ocorreu situação semelhante ao que se passou relativamente à glosa de encargos de atualização monetária calculados sobre os valores devidos de Pis e Cofins, analisados no item anterior do presente voto, o que leva à conclusão que mais uma vez assiste razão à interessada. 11.4. Verificando a documentação juntada pela interessada juntamente com a impugnação, constato que foi adicionado à parte A do LALUR do ano calendário de 2007, tanto na apuração do lucro real quanto da base de cálculo da CSLL, o valor de R$64.303,34 a título de provisão para contingências trabalhistas e o valor de R$453.717,96 de provisão para contingências cíveis. Por Fl. 3790DF CARF MF Processo nº 16327.720420/201213 Acórdão n.º 1401002.549 S1C4T1 Fl. 3.780 23 sua vez, foi adicionado às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL do anocalendário de 2008 o valor de R$155.571,18 a título de provisão para contingências cíveis. 11.5. Portanto, entendo que os lançamentos que promoveram as glosas da provisão para contingências trabalhistas e da provisão para contingências cíveis são improcedentes, pois as parcelas glosadas já tinham sido oferecidas à tributação. (término da transcrição do voto da DRJ) Desta forma, nego provimento ao recurso de ofício, mantendo a exoneração do montante de R$ 518.021,30 (2007) e de R$ 155.571,18 (2008). Despesas não comprovadas com Multa agravada (112,5%) A DRJ exonerou a referida infração do lançamento fiscal por entender que os documentos apresentados são suficientes para comprovar as despesas deduzidas do resultado contábil e fiscal. Os documentos que, no entender da delegacia de piso, comprovam as despesas contabilizadas são: contrato de prestação de serviços, notasfiscais, comprovantes de pagamentos etc.. Como a devida venia, exceto em relação à exoneração da multa agravada, discordo do posicionamento adotado pela instância a quo. Compulsando os documentos apresentados, não percebo a comprovação da efetividade da prestação dos referidos serviços. Este, a meu ver, é o principal elemento que pode conceder o caráter dedutível a uma despesa decorrente de prestação de serviços. Entendo que a própria contabilidade não somente os registros fiscais tem como princípio registrar receitas e despesas que são efetivamente comprovadas. E não estou entrando ainda na discussão da dedutbilidade de uma despesa para fins fiscais. Cito essa rigidez nos controles contábeis, pois entendo que serve para que a contabilidade reflita a veracidade dos fatos ocorridos, para que, ao fim e ao cabo, os sócios ou acionistas de uma sociedade empresarial recuperem o capital aplicado na empresa, que é devolvido em forma de lucros e dividendos. Se a contabilidade da empresa não reflete esta realidade, seus sócios serão prejudicados, principalmente aqueles que não têm poder de decisão. Esta prejudicialidade tornase mais patente quando despesas, que reduzem o resultado contábil e, por conseguinte, a base do lucro a ser distribuído aos sócios/acionistas, não estão devidamente amparadas por documentação que represente a veracidade dos fatos. Também não entendo, como disse em outras oportunidades, que a descrição na notafiscal é elemento suficiente para permitir (ou não) a dedução fiscal de uma despesa contabilizada, como alegou a DRJ, mesmo que como um fundamento obter dictum. Uma nota fiscal que tenha a descrição à primeira vista "nebulosa" de "serviços de consultoria", mas que segue carreada por comprovação efetiva da prestação de serviços, como relatórios de execução, troca de mensagens entre prestador e tomador e outros elementos indicativos da Fl. 3791DF CARF MF 24 prestação dos serviços, tem mais força probatória do que uma notafiscal com descrição mais detalhada sobre um serviço que efetivamente não se consegue comprovar. E, no caso concreto, vejo que os serviços prestados à ora recorrente poderiam, sim, ser comprovados com mais substância pela empresa autuada, pelo que passo a enfrentar os pontos questionados em sua peça recursal: Comissão Panamericano Adm. Cartão Crédito Conta nº 8.1.7.57.00.4.483.4 Apesar de intimada e reintimada, a recorrente somente apresentou contrato de prestação de serviços, notafiscal, comprovante de pagamento e lançamentos contábeis. À primeira vista, parece que a documentação é suficiente para comprovar o serviço prestado. Ainda mais quando se percebe na descrição da cláusula 1.1 do contrato, que há descrição pormenorizada da serviço a ser prestado: 1.1 (...) a Contratada prestará à Contratante, serviços de correspondente da Contratante no País, incluindo, mas não se limitando às seguintes atividades ( 'Serviços') : (i) recepção e encaminhamento de pedidos de operações de arrendamento mercantil; (ii) cadastro; (iii) execução de serviços de cobrança; (iv) outros serviços de controle, inclusive processamento de dados das operações pactuadas Porém, em um breve leitura da cláusula 06 do aditamento ao referido contrato de prestação de serviços, assinada em 01 de setembro de 2005, vêse que a comissão a ser paga pelos serviços prestados deveria ser calculada sobre o volume de operações realizadas no mês. Desta forma, é de pressupor a existência de relatórios indicativos de tais operações para que se comprove a efetividade dos serviços. Como não foram apresentados demais elementos, dou provimento ao recurso de ofício quanto a este ponto, restabelecendo o valor de base de R$ 540.000,00, relativo ao ano de 2007, e o valor de base de R$ 1.688.840,00, relativo ao ano de 2008. Comissão Panamericano Prestadora Serviços Conta nº 8.1.7.57.00.4.484.2 Da mesma forma que a despesa supracitada, apesar de intimada e reintimada, a recorrente apresentou contrato de prestação de serviços, notafiscal, comprovante de pagamento e lançamentos contábeis. Além destes documentos, apresentou "Relatório de produção (intermediações) dos contratos de arrendamento mercantil, gerados no período solicitado, pela matriz e filiais", que se resume à seguinte planilha: SOMA DE PRODUÇÃO Total R$ SOMA DE PRODUÇÃO Total R$ CAMPO GRANDE 13.988.178,00 RIO DE JANEIRO RUA URUGUAIANA 4.879.717,00 CAXIAS DO SUL 7.617.881,00 S.M. PAULISTA 4.869.277,00 Fl. 3792DF CARF MF Processo nº 16327.720420/201213 Acórdão n.º 1401002.549 S1C4T1 Fl. 3.781 25 GIOÂNIA 51.845.421,00 SANTANA 2.948.768,00 LAPA 10.015.916,00 SANTOS 6.477.908,00 MARÍLIA 10.083.942,00 SÃO BERNARDO DO CAMPO 244.623,00 NITERÓI 17.660.319,00 TATUAPÉ 7.574.953,00 PIRACICABA 8.094.171,00 TAUBATÉ 15.855.310,00 RIO DE JANEIRO 18.542.912,00 Apesar do esforço em apresentar os documentos, não há como considerar tal despesa, pois a efetividade dos serviços não foi demonstrada. Não há sequer algum comprovante de intermediação, por parte do prestador, do negócio firmado entre o cliente e a empresa ora recorrente. Desta forma, dou provimento ao recurso de ofício quanto a este ponto, restabelecendo o valor de base de R$ 2.100.000,00 relativo ao ano de 2008. Demais Prestadores de Serviços A fiscalização glosou o valor total de R$ 2.529.322,08 referente à dedução fiscal das despesas pagas aos seguintes prestadores: Nome CNPJ Valor em R$ Focus Consultoria Financeira Ltda 04.566.041/000109 187.500,00 Infocus Adm. Financeira Ltda 07.781.178/000166 345.000,00 Boafonte Consultoria e Negócios Ltda 05.477.415/000174 309.114,00 Teixeira de Carvalho Bruno Advocacia 02.775.181/000153 170.122,30 Max Control Eventos e Promoções Ltda 07.770.487/000130 488.379,53 Max Control Assessoria e Investimentos Ltda 56.342.439/000157 1.029.206,25 TOTAL: 2.529.322,08 Intimada a apresentar os documentos de suporte das referidas despesas, foram oferecidos os lançamentos contábeis, cópias de documentos de tesouraria (contas a pagar, recibos e emissão de cheque, extratoposição no banco, solicitação de pagamentofatura) e algumas notasfiscais e contrato de prestação de serviços (este somente em relação ao prestador Boafonte Consultoria e Negócios Ltda). Quanto à efetividade da prestação de serviços, a ora recorrente respondeu à fiscalização o seguinte, conforme se depreende de trecho do Termo de Verificação Fiscal (efl. 594): (iii) a alegação de que os serviços prestados consistiam em consultorias verbais, por meio de opiniões solicitadas e participações em reuniões de interesse da contratante, tendo como característica a confiança mútua entre as partes contratantes, tratandose, em suma, de "contratos tácitos firmados verbalmente". Não entendo que os argumentos da recorrente sejam suficientes para comprovar a prestação dos serviços. Fl. 3793DF CARF MF 26 Outrossim, a empresa foi devidamente reintimada pela fiscalização para complementar a apresentação de documentos e a comprovar efetivamente a prestação dos serviços, não logrando sucesso na apresentação de tais documentos. Desta forma, dou provimento ao recurso de ofício quanto a este ponto, restabelecendo o valor de base de R$ 2.529.322,08 relativo ao ano de 2007. Multa agravada (112,5%) Quanto à redução da multa de 112,5% para 75%, entendo que andou bem a decisão de piso, pelo que reproduzo teor de seu voto, adotandoo como razões de decidir: (início da transcrição do voto da DRJ) 13.1. Caso a Turma entenda como procedentes as glosas, cabe ainda responder ao questionamento da interessada a respeito da incidência da multa agravada de 112,5% sobre as glosas de despesas a título de “8.1.7.57.00.4.483.4 Comissão Panamericano Adm. Cartão Crédito"; “8.1.7.57.00.4.484.2 Comissão Panamericano Prestadora de Serviços" e, a título de outros Serviços de Pessoas Jurídicas relativos aos pagamentos efetuados às empresas Focus Consultoria Financeira Ltda, CNPJ n° 04.566.041/000109; Infocus Adm. Financeira Ltda, CNPJ n° 07.781.178/000166; Teixeira de Carvalho Bruno Advocacia, CNPJ n° 02.775.181/000153; Max Control Eventos e Promoções Ltda, CNPJ n° 07.770.487/000130; Max Control Assessoria e Investimentos Ltda, CNPJ n° 56.342.439/000157 e Boafonte Consultoria e Negócios Ltda, CNPJ n° 05.477.415/000174. A interessada alega que não teria sido justificada pela fiscalização a aplicação da multa majorada. 13.2. A multa de 112,5% é prevista no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430/96, e decorre de majoração em 50% da multa de ofício normalmente aplicada, que no caso seria de 75%, em virtude de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos, para apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, ou para apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 da referida Lei. 13.3. Analisando os Termos de Verificação Fiscal constato que, de fato, não há esclarecimentos suficientes da fiscalização a respeito do porquê da incidência da referida multa majorada. Aliás, nos dizeres da própria fiscalização a interessada teria apresentado, em relação a tais despesas, diversos documentos contábeis e fiscais que não foram aceitos como comprovação das despesas. Assim, relativamente às despesas a título de Comissão Panamericano Adm. Cartão Crédito “... foram entregues Razões Contábeis, Notas Fiscais e Contrato de Prestação de Serviços com a citada empresa” (fl. 590); quanto às despesas de Comissão Panamericano Prestadora de Serviços, a interessada “... forneceu esclarecimentos acerca da forma de contabilização da despesa, Razões Contábeis, Relatórios da Tesouraria, Notas Fiscais e Contrato de Prestação de Serviços firmado com a empresa Panamericano Prestadora de Serviços Ltda” (fl. 591); enquanto relativamente à glosa das despesas relacionadas a Outros Serviços de Pessoas Jurídicas, teriam sido inicialmente apresentadas “razões contábeis ... cópias de documentos de tesouraria (contas a pagar, recibo de emissão de cheque, extrato posição no banco, solicitação de pagamento fatura) e Notas Fiscais de Serviços, a titulo exemplificativo, um caso para cada uma das empresas, sendo que quanto à Boafonte Consultoria e Negócios Ltda também foi apresentado Contrato de Prestação de Serviços” (fl. 593) e posteriormente “...Notas Fiscais e Recibos de prestação de serviços, acompanhados dos respectivos comprovantes de liquidação financeira, cabendo ressaltar que Fl. 3794DF CARF MF Processo nº 16327.720420/201213 Acórdão n.º 1401002.549 S1C4T1 Fl. 3.782 27 foram anexados ao processo documentos por amostragem, a título ilustrativo, tendo em vista o apreciável volume da referida documentação entregue em mídia” (fl. 594). 13.4. A Fiscalização até ressaltou que os documentos foram anexados ao processo por amostragem, a título ilustrativo, tendo em vista o apreciável volume da referida documentação entregue em mídia. Além disso, não há qualquer referência se os prazos para atendimento às intimações foram ou não cumpridos. 13.5. Pelo exposto, entendo que mesmo se mantidas as glosas de despesas em referência, a multa a ser aplicada seria a multa de ofício no percentual de 75% prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96, sem a majoração pela metade prevista no § 2º do mencionado dispositivo de lei. (término da transcrição do voto da DRJ) Diante disso, nego provimento ao recurso de ofício para manter a exoneração da multa agravada de 112,5%, reduzindoa ao patamar de 75%. Compensação de Prejuízo Fiscal Entendo por correto o procedimento da DRJ, ao ter corrigido o valor a ser compensado decorrente de prejuízo fiscal de períodos anteriores ao ano de 2007, limitados a 30% do lucro real. E não acho que a falta de compensação de prejuízo fiscal, pela fiscalização, deva ensejar qualquer nulidade do lançamento fiscal, pois não está em consonância com as condições de nulidade de um ato administrativo nos termos do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. Por outro lado, como votei por restabelecer parte do valor exonerado pela instância de piso, o prejuízo fiscal a ser compensado deve ser calculado em relação à nova base de cálculo de lançamento, mas sempre limitado a 30% do valor do lucro real e da base de cálculo da CSLL, nos termos do art. 15 e parágrafo único da Lei nº 9.065/1995 (base legal do inciso III do art. 250 do RIR/99). RECURSO VOLUNTÁRIO Antes de analisar os argumentos apresentados pela recorrente, cabe esclarecer que o julgador não precisa enfrentar todos os pontos questionados pela empresa autuada, se já formou seu convencimento por meio das questões mais essenciais trazidas no recurso, desde que (condicionado a): i) tais questões sejam fundamentais para o julgamento da lide; e ii) a falta de discussão de outros pontos não viole o direito de defesa da empresa. O Ministro do STF Francisco Galvão, em decisão monocrática proferida no Recurso Especial nº 792.497, em 10/11/2005, também convergiu seu entendimento no mesmo sentido: Como é de sabença geral, o julgador não está obrigado a discorrer sobre todos os regramentos legais ou todos os argumentos alavancados pelas partes. As proposições poderão ou não ser explicitamente dissecadas pelo magistrado, que só Fl. 3795DF CARF MF 28 estará obrigado a examinar a contenda nos limites da demanda, fundamentando o seu proceder de acordo com o livre convencimento, baseado nos aspectos pertinentes à hipótese sub judice e com a legislação que entender aplicável ao caso concreto. Nesse sentido, confiramse os seguintes julgados, verbis: (...) 1. Não ocorre violação do art. 535, do CPC, quando o acórdão recorrido não denota qualquer omissão, contradição ou obscuridade no referente à tutela prestada, uma vez que o julgador não se obriga a examinar todas e quaisquer argumentações trazidas pelos litigantes a juízo, senão aquelas necessárias e suficientes ao deslinde da controvérsia. (...)Resp nº 394.768/DF, DJ 01/07/2002, pág. 247) 1. Inexiste violação ao art. 535, I e II do CPC, se o Tribunal a quo, de forma clara e precisa, pronunciouse acerca dos fundamentos suficientes à prestação jurisdicional invocada. (...) AG Resp nº 109.122/PR, DJ 08/09/2003, p. 263.” Diante disso, passo a enfrentar as razões do recurso voluntário: PRELIMINAR Erros Formais A recorrente alega que a DRJ incorreu em erros formais que precisam ser sanados por esta turma ordinária. Inicialmente, convém observar que os erros invocados pela recorrente não representam hipóteses de nulidade do lançamento fiscal, tampouco dos atos administrativos ali colacionados, pois não se subsumem aos ditames do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. Tanto é que a recorrente não pede a nulidade dos atos administrativos constantes neste processo. Afirma a pugnante que a DRJ, em seu voto, reconhece como passível de dedução o valor de R$ 1.865.088,34, que foi autuado como perdas em operações em crédito, mas que a própria delegacia de julgamento afirma que se trata de valores registrados a título de excesso de provisão (R$ 312.501,47) e de provisão para desvalorização de outros bens e veículos apreendidos (R$ 1.552.586,87). Não obstante ter reconhecido o direito de dedução, a DRJ considerou na planilha que resume os valores lançados, mantidos e exonerados na autuação o montante de R$ 1.865.088,34 como mantido. Em análise dos fundamentos utilizados pela DRJ, percebo que tem razão a recorrente. Tratase de erro formal, o qual deve ser sanado por este voto, até porque concordo com a delegacia de piso de que o valor de R$ 1.865.088,34 deve ser exonerado do lançamento fiscal. E tal enfrentamento já foi feito no recurso de ofício, pelo que propus manter a exoneração do lançamento do valor de R$ 1.865.088,34. Com relação ao erro na compensação de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL, decorrentes da recomposição do cálculo do lucro real e da base de cálculo da CSLL em razão da falta de exclusão do valor de R$ 1.865.088,34, entendo correto o pedido da recorrente. Entretanto, esta correção tornase por ora prejudicada, pois o resultado deste Fl. 3796DF CARF MF Processo nº 16327.720420/201213 Acórdão n.º 1401002.549 S1C4T1 Fl. 3.783 29 julgamento é quem ditará o valor remanescente do lançamento e, por conseguinte, o valor do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL a serem compensados. Quanto à alteração do dispositivo da decisão recorrida, para ajustar o item "b" (efl. 1.215) do acórdão: onde se lê "b) Reduzir o prejuízo fiscal apurado no exercício de 2009, anocalendário de 2008, passando a constar o valor de R$80.681.395,46 passe a constar "b) Recompor o saldo de prejuízo fiscal apurado no exercício de 2009, anocalendário de 2008, passando a constar o valor de R$80.681.395,46", tenho a observar que a recorrente tem razão ao solicitar a indicação do termo "recomposição". Entretanto, como já disse acima, somente no resultado deste julgamento é que se poderá dizer qual é o valor exato dos saldos do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL restará para o anocalendário de 2008. MÉRITO A recorrente apresenta digressão sobre o art. 299 do RIR/99 e alega que, em nenhum momento, a fiscalização e a DRJ se preocupam em verificar se as despesas, que foram glosadas, estavam relacionadas com a manutenção da fonte produtora da recorrente. Ora, é de se indagar como a fiscalização vai adentrar nas condições de dedutibilidade de uma despesa se tampouco a despesa foi comprovada? Como saber se um serviço é necessário à recorrente se sequer comprova que o serviço foi prestado? Para verificação da necessidade de uma despesa, para fins fiscais, devese primeiramente comprovar que tal despesa ocorreu. E no caso da recorrente este é o ponto central: a despesa não se comprova com documentos extrínsecos à prestação de serviços. Deve se comprovar necessariamente a efetividade da prestação do serviço. Como a recorrente não logrou comprovála, afasto o argumento da recorrente. Também não acho que a demonstração da atividade desenvolvida pela recorrente, por si só, seja capaz de corroborar a dedução de despesas atinentes a tal objeto. Esta alegação não tem qualquer força argumentativa, pois a questão no caso concreto é meramente probatória. E, conforme lições do Direito Romano, "Quod non est in actis non est in mundo", quer dizer, o que não está nos autos não está no mundo (real). Provisões não autorizadas A recorrente reclama do afastamento do pedido de aplicação dos efeitos da postergação em relação à glosa dos saldos de Provisão para Desvalorização de Bens e Veículos Apreendidos, constantes na conta contábil "198999030105 – Prov. P/ Desval. Outros Valores e Bens Veículos apreendidos", referentes aos anoscalendário de 2007 e 2008, nos valores de R$ 1.552.586,87 e R$ 120.716,24, respectivamente. Segundo a recorrente, a tributação de ambas as despesas ocorreu em 2011, período de apuração em que a recorrente teria adicionado tais valores no Lalur e na base de cálculo da CSLL. Apresenta os lançamentos contábeis para demonstrar que o valor constante na conta contábil que registra a provisão que foi objeto de lançamento está contemplado na contabilidade do ano de 2011. Desta forma, anexa o Lalur do ano de 2011 para demonstrar que Fl. 3797DF CARF MF 30 efetivamente adicionou as bases de R$ 1.552.586,87 e R$ 120.716,24 na apuração do IRPJ e da CSLL. Não obstante a constatação de que os valores foram devidamente adicionados no Lalur, em análise da "Demonstração do Lucro Real" e da "Demonstração da Base de Cálculo CSLL" constante no Lalur do anocalendário de 2011 (efls. 1.354 e 1.355), vejo que a recorrente apurou prejuízo fiscal e base de cálculo negativa, nos montantes de R$ 77.764.799,93 e R$ 23.111.303,22, respectivamente. Para a aplicação da postergação, devese seguir o mandamento contido nos parágrafos 4º DecretoLei 1.598/1977 do art. 273 do RIR/99 (que tem base legal nos §§ 5º, 6º e 7º do art. 6º do DecretoLei 1.598/1977): DecretoLei nº 1.598/1977 § 4º Os valores que, por competirem a outro períodobase, forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados ao lucro líquido do exercício, ou dele excluídos, serão, na determinação do lucro real do período competente, excluídos do lucro líquido ou a ele adicionados, respectivamente. ________ RIR/1999 Art. 273. A inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, atualização monetária, quando for o caso, ou multa, se dela resultar (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 5º): I a postergação do pagamento do imposto para período de apuração posterior ao em que seria devido; ou II a redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração. § 1º O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao período de apuração de competência de receitas, rendimentos ou deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período de apuração a que o contribuinte tiver direito em decorrência da aplicação do disposto no § 2º do art. 247 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 6º). § 2º O disposto no parágrafo anterior e no § 2º do art. 247 não exclui a cobrança de atualização monetária, quando for o caso, multa de mora e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 7º, e DecretoLei nº 1.967, de 23 de novembro de 1982, art. 16). Primeiramente, há que definir que o artigo acima não trata especificamente da postergação, mas sim da inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração da receita, custos e despesas. Ou seja, a apuração de tributo que contraria o regime de competência. Fl. 3798DF CARF MF Processo nº 16327.720420/201213 Acórdão n.º 1401002.549 S1C4T1 Fl. 3.784 31 A partir daí é que se deve avaliar se tal inexatidão: i) não resultou em postergação ou redução indevida do lucro real; ou ii) resultou em ii.1) postergação ou ii.2) redução indevida do lucro real. Ou seja, inicialmente devese se vencer a premissa de que a inexatidão constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, atualização monetária e multa, para posteriormente verificar se houve postergação ou não. No caso, vencida a premissa primária e, em se verificando que não ocorreu a postergação, o lançamento deve ser fundamentado na redução indevida do lucro real. A postergação somente ocorre quando o tributo que deixou de ser pago no correspondente período de apuração o foi em período de apuração posterior. Se a receita (ou, no caso, a adição no resultado fiscal) foi contabilizada em período posterior, há de se verificar se em tal período houve apuração de tributo a pagar e se a base de cálculo do tributo contempla todo o valor da receita postergada. Isto é o que dita o Parecer Cosit nº 02/1996, indicado inclusive pela recorrente como base para o pedido de aplicação da postergação: 6.1 Considerase postergada a parcela de imposto ou de contribuição social relativa a determinado períodobase, quando efetiva e espontaneamente paga em períodobase posterior. 6.3 A redução indevida do lucro líquido de um períodobase, sem qualquer ajuste pelo pagamento espontâneo do imposto ou da contribuição social em períodobase posterior, nada tem a ver com postergação, cabendo a exigência do imposto e da contribuição social correspondentes, com os devidos acréscimos legais. Qualquer ajuste daí decorrente, que venha ser efetuado posteriormente pelo contribuinte não tem as características dos procedimentos espontâneos e, por conseguinte, não poderá ser pleiteado para produzir efeito no próprio lançamento. Caso isto não ocorra o efetivo pagamento em período posterior não há a postergação, mas sim redução indevida do lucro real, conforme dita o inciso II do art. 273 do RIR/99, reproduzido novamente para facilitar a compreensão: Art. 273. A inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, atualização monetária, quando for o caso, ou multa, se dela resultar (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 5º): (...) II a redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração. No caso concreto, vêse que a recorrente não pagou o tributo em período posterior, pois o resultado no anocalendário de 2011 foi negativo e bem maior que os valores lançados, não ocorrendo a citada postergação. Fl. 3799DF CARF MF 32 Afasto também os argumentos da recorrente de que o lançamento viola o art. 142 do CTN e art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, pelas razões que me fizeram concluir pela procedência do lançamento fiscal. Desta forma, mantenho o lançamento fiscal de glosa nos valores de R$ 1.552.586,87 (2007) e R$ 120.716,24 (2008). Perdas em operações de créditos Alega que o citado inciso III do § 1º do art. 9º da Lei nº 9.430/1996 depende de outras condições, além do prazo de 2 (dois) anos para que o crédito possa ser baixado: a existência e manutenção de procedimentos judiciais para seu recebimento. Não entendo ter razão a empresa recorrente. Não quer dizer que a falta de preenchimento de condições para a dedução decorrente de perda de um crédito necessariamente indica que a dedução não ocorreu. E, no caso, não há prova de falta de dedução, em períodos anteriores, dos valores mantidos pela fiscalização na diligência fiscal. E esse foi o ponto corretamente apontado pela fiscalização, no resultado de sua diligência fiscal. Que não há como aceitar os argumentos da recorrente, desacompanhados de prova de sua veracidade, se, principalmente, há despesas que foram utilizadas em duplicidade, conforme alegou a fiscalização. Por outro lado, a fiscalização reconhece como dedutíveis os valores que foram contabilizados nos anos de 2005 e 2006, por se tratar de despesa contabilizada dentro do prazo de 2 (dois) anos previsto no inciso III, do art. 9º da Lei nº 9.430/1996: III com garantia, vencidos há mais de dois anos, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento ou o arresto das garantias; Veja nos trechos do relatório da diligência fiscal: 22. Como o contribuinte não apresentou os arquivos das perdas em operações de crédito utilizadas em períodos anteriores a 2007, para fins de exame de duplicidade, não há possibilidade de se garantir que as perdas em tese passíveis de dedução nesses períodos, constantes dos arquivos de R$ 7.079.536,36 e R$24.104.282,61 apresentados, já não tenham sido anteriormente utilizadas e deduzidas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, ainda mais considerandose o grande número de duplicidades em registros de perdas em operações de crédito encontrado nos cruzamentos das planilhas fornecidas pela empresa. 23. Portanto, expurgadas as duplicidades e dada a não apresentação dos arquivos de perdas em operações de créditos relativas aos anoscalendário de 2006 e anteriores, com fundamento no artigo 264 do RIR/99 e no artigo 9o, § 1o, inc. Ill da Lei n° 9.430/96, o entendimento da fiscalização é o de que caiba considerar apenas as operações de crédito com data de vencimento igual ou posterior a 01/01/2005, passíveis de dedução a partir do anocalendário de 2007. 24. Prevalecem, dessa forma, como parte dos arquivos de R$ 7.079.536,36 e R$24.104.282,61 apresentados pela empresa, os valores da coluna 2 dos Fl. 3800DF CARF MF Processo nº 16327.720420/201213 Acórdão n.º 1401002.549 S1C4T1 Fl. 3.785 33 quadros constantes do item 19 do presente relatório, como potencial de dedução da base de cálculo do IRPJ e CSLL. (...) 19. Desses procedimentos relativos à planilha de R$ 24.104.282,61, resultaram as planilhas apresentadas pela empresa em 12/05/2017. Na coluna 1 temos os valores dos arquivos de 2007 e 2008 após o expurgo das duplicidades, conforme planilhas apresentadas pela própria empresa. A fiscalização chegou aos valores da coluna 2 (com potencial de dedução da base de cálculo do IRPJ e CSLL), após o expurgo das operações referentes a "perdas em operações de crédito passíveis de dedução em anoscalendário anteriores a 2007": Anocalendário (1) (2) 2007 1.022.524,01 8.141,56 2008 7.406.936,17 203.727,75 Aplicandose os mesmos critérios ao arquivo de R$ 7.079.536,36, chegamos ao seguinte quadro (o contribuinte apresentou a planilha da coluna 1 em 23/06/2017): Anocalendário (1) (2) 2007 3.204.462,00 167.513,31 Entendo correto o procedimento da fiscalização em considerar as despesas dentro do prazo de 2 (dois) anos, uma vez que foi este o critério utilizado para fundamentar a glosa de grande parte das despesas aqui tratadas. Outrossim, como não houve aprofundamento por parte do fisco para verificar demais condições para a dedução fiscal e entendendo que a empresa não pode ser prejudicada em razão disso, proponho dar provimento parcial quanto a este ponto, exonerando do lançamento fiscal os valores de R$ 8.141,56 (2007) e R$ 203.727,75 (2008) e R$ 167.513,31 (2007), conforme resultado da diligência fiscal. Baixa de créditos cedidos A recorrente alega que o valor de R$ 24.104.282,61 tem caráter de despesa efetiva, não se enquadrando nos termos do art. 9º da Lei nº 9.430/1996. Justifica tal afirmação no fato de ter cedido o direito ao crédito acima para a empresa Feurs Holding S/A, na data de 31/10/2007, que pagou valor de 1,8% do valor de face do crédito. Desta forma, afirma que a despesa com a cessão do referido crédito é dedutível nos termos do art. 299 do RIR/99, pois representa uma perda efetiva decorrente do contrato de cessão, mormente pela previsão de cláusula de não coobrigação, o que tornaria a cessão definitiva e irretratável. Não entendo ter razão a recorrente. Fl. 3801DF CARF MF 34 Antes dos referidos créditos terem sido cedidos, por meio do contrato de cessão de créditos, as provisões foram contabilizadas no resultado contábil da recorrente. Entretanto, assim como em relação às provisões do art. 9º da Lei nº 9.430/1996, a recorrente não comprovou que os valores não foram deduzidos em duplicidade. E como argumento adicional, mas que não é o fundamento principal para a manutenção da glosa, mesmo que as despesas não tivessem sido deduzidas em duplicidade, não entendo que a despesa seja usual e necessária. A empresa recebeu apenas o valor de 1,8% do valor de face dos créditos para cedêlos, o que me leva a crer que tal cessão teve muito mais o intuito de reduzir a base tributável do IRPJ e da CSLL (em 34%) do que o próprio interesse em negociar os títulos, sendo tal operação inoponível ao fisco. Desta forma, afasto o pedido da recorrente, mantendo o lançamento quanto a este ponto. Superveniência da Depreciação aplicação à CSLL Entendo ter razão a recorrente no pedido de exclusão, da base de cálculo da CSLL, das receitas de superveniência de depreciação. Em razão da atividade da recorrente de arrendamento mercantil, a Lei nº 6.099/1974 determina que ajustes sejam efetuados no balanço patrimonial da empresa, com contrapartida em seu resultado contábil, mas que não representam ingresso de receita ou despesa incorrida. Desta forma, há de se efetuar os ajustes fiscais destas receitas (exclusão) e despesas (adições), a meu ver, para ambos os tributos IRPJ e CSLL. Estendo meu posicionamento à CSLL, pois tal voto vai ao encontro de meu entendimento de que tanto o IRPJ quanto à CSLL têm suas bases de cálculo apuradas a partir do lucro do exercício. Logo, se tal lucro contempla receitas e despesas que não representam efetivo ingresso de riqueza como dita o art. 43 do CTN ou a saída de recursos com redução do patrimônio líquido, hão que se fazer os ajustes para ambos os tributos. Além de meu posicionamento, o caso conta com um reforço na minha tese, pois a empresa foi favorecida com o julgamento do processo nº 16327.000311/200468, que tratou de lançamento de auto de infração que comporta exatamente a mesma matéria discutida neste ponto. Na ocasião, a 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta Seção de Julgamento, por meio do acórdão nº 1102.00674, da sessão de 14 de março de 2012, entendeu que a receita de superveniência de depreciação deveria ser excluída também da base de cálculo da CSLL. Tratandose de julgado que foi decidido no CARF favoravelmente à Recorrente, curvome sobre tal decisão e aplicoa a este processo, pelo que proponho dar provimento para reconhecer o direito de exclusão, da base de cálculo da CSLL, da receita de superveniência de depreciação. Contabilidade prova a favor ou contra A recorrente alega que a escrituração mantida com observância das disposições legais, como é o caso do autos, faz prova em favor dos fatos ali registrados. Fl. 3802DF CARF MF Processo nº 16327.720420/201213 Acórdão n.º 1401002.549 S1C4T1 Fl. 3.786 35 Entretanto, esquecese a recorrente que a contabilidade deve ser amparada por documentação hábil e idônea dos valores ali descritos. E, como demonstrado amplamente aqui neste voto, a recorrente deixou de apresentar documentos e esclarecimentos necessários à dedução dos valores da base de tributação do IRPJ e da CSLL, pelo que afasto os argumentos da recorrente quanto a este ponto. Ônus da Prova Entendo que o ônus da prova de uma dedução fiscal é de quem a aproveita. No caso, a empresa deve comprovar os valores deduzidos na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, com base em documentação hábil e idônea da ocorrência dos fatos redutores dos tributos a pagar. Diante disso, afasto qualquer argumento da recorrente em relação a este ponto. CSLL Despesas não comprovadas e Perdas de operação em créditos falta de comprovação de despesas O art. 299, do RIR/99, que é a base legal do lançamento fiscal para as despesas não comprovadas, determina que para ser considerada uma despesa como operacional, para fins fiscais, deve tal despesa ser necessária à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Como a base de cálculo da CSLL, assim como do IRPJ, partem do lucro líquido para o cálculo dos tributos, a apuração da CSLL deve seguir o disposto no art. 299 do RIR/99. Fl. 3803DF CARF MF 36 Isto tornase mais patente com a redação proposta pelo art. 13 da Lei 9.249/1995, que apresentou ajustes ao lucro real e à base de cálculo da CSLL, mas fez ressalva de que o art. 47 da Lei 4.506/64, que é a base legal do art. 299 do RIR/99, continua sendo aplicado aos dois tributos aqui discutidos. Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: Na acepção gramatical, a redação acima representa uma "oração", que é um conjunto linguístico que se estrutura em torno de um verbo ou locução verbal1. Diferentemente de um "período", que é a frase constituída de uma ou mais orações, formando um todo, com sentido completo2. O período pode ser simples ou composto. Período Simples é aquele constituído por apenas uma oração, que recebe o nome de oração absoluta. Período Composto é aquele constituído por duas ou mais orações, as quais podem ser coordenadas ou subordinadas. Como se trata de apenas uma oração, ou período simples, concluise que os signos constantes na redação legal devem ser concatenados entre si para que deem ensejo ao propósito do texto legal. Diferentemente de um período composto em que uma eventual redação legal poderia ter orações que não conversariam, não teriam a obrigatoriedade de concatenar os signos de uma (oração) com os de outra (oração). Esta definição serve para que se perceba a impossibilidade de se dissociar a parte final da parte inicial do artigo acima. Ou seja, fica muito claro que o advérbio de modo "independentemente" faz uma ressalva para ambos os tributos, inseridos na oração como uma finalidade ("para") que busca a norma "Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido" . Logo, a construção de todo o dispositivo legal nos leva a deduzir que a regra contida art. 47 da Lei 4.506/64, que é a base legal do art. 299 do RIR/99, também se aplica à Contribuição Social para o Lucro Líquido. Esse também é o entendimento da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no julgamento do Acórdão nº 9101002.396, da sessão de 13 de julho de 2016, de lavra do Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, que reproduzo abaixo e adoto como razões de decidir: Com relação à exigência de CSLL, está correto o entendimento da decisão de primeira instância, como descrito pela decisão recorrida, de que: xxxvi) apesar de nem todas as restrições à dedutibilidade de dispêndios, previstas na legislação do Imposto de Renda, serem aplicáveis à CSLL, devese ter em conta que a glosa das despesas em litígio não teria sido motivada por disposições específicas na legislação do IRPJ, posto que comprometeria o resultado do exercício. É dizer: a admissão de determinados valores como despesas operacionais, ou não, afeta a apuração do lucro operacional que é o mesmo, tanto para o IRPJ quanto para a CSLL e, apenas reflexamente, as correspondentes bases de cálculo (lucro real e lucro ajustado). O resultado do exercício, apurado com observância da legislação comercial, é comum a ambos os tributos, cujas respectivas bases de cálculo começam a diferir entre si, pelos ajustes específicos previstos na legislação de cada um deles, somente a partir da apuração daquele resultado. 1 extraído do site: https://pt.wikipedia.org/wiki/Ora%C3%A7%C3%A3o_(gram%C3%A1tica), em 29/01/2018 2 extraído do site: https://www.soportugues.com.br/secoes/sint/sint4.php, em 29/01/2018 Fl. 3804DF CARF MF Processo nº 16327.720420/201213 Acórdão n.º 1401002.549 S1C4T1 Fl. 3.787 37 Assim é que o Lucro Líquido Antes do IRPJ, indicado na Linha 06A/53 da Ficha 06A Demonstração do Resultado, é transportado para a Linha 09A/01 da Ficha 09A – Demonstração do Lucro Real [onde será adicionado da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – Linha 09A/04, esclareço], e o Lucro Líquido Antes da CSLL [e do IRPJ, esclareço], apontado na Linha 06A/51 da Ficha 06A Demonstração do Resultado, é transferido para a Linha 17/01 da Ficha 17 – Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido conforme se verifica das Declarações de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) dos anos calendário de 2000 a 2003, períodos objeto da autuação em análise. Há também que se concordar com o argumento do recorrente em relação à aplicação do art. 13 da Lei nº 9.249/95, que veda diversas deduções da base de cálculo da CSLL, sem prejuízo do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506/64, ou seja, o referido dispositivo, que segue abaixo transcrito, determinou a adição das "despesas desnecessárias" à base de cálculo da CSLL: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: Veja que o art. 47 da Lei nº 4.506/1964 é o fundamento legal do art. 299 do RIR/1999. Ele dispõe exatamente sobre os requisitos da necessidade, usualidade e normalidade para a dedutibilidade das despesas. Assim, o texto legal acima transcrito evidencia claramente o vínculo entre a apuração da base cálculo da CSLL e os referidos requisitos para a dedutibilidade de despesas, do contrário não faria nenhum sentido a ressalva contida no texto. Com efeito, se o texto diz que para uma determinada situação deve se aplicar "A" independentemente de "B", é porque "B" também é aplicável àquela mesma situação. Permitome fazer uma ressalva de que não sou partidário de que toda a legislação do IRPJ, que se refere a ajustes no lucro real, se aplica à CSLL. Cito como exemplo os ajustes da depreciação acelerada incentivada que, a meu ver, somente são aplicados em relação ao IRPJ. Outro ajuste é a adição da CSLL ao lucro real, que não se aplica à base de cálculo da própria contribuição social. Por outro lado, se há previsão expressa em outro dispositivo legal de que há aplicação também à CSLL, como é o caso do art. 299 do RIR/99, a norma do IRPJ aplicase à CSLL por reflexo. Outro ponto que externo aqui neste voto, é que (não só a base de adição) a base de exclusão do IRPJ também se assemelha à base de exclusão da CSLL, com algumas exceções, é claro. O que percebo é que alguns defensores da total disparidade entre a legislação de um e de outro tributo somente querem aplicar tal conceito para as adições à base de cálculo dos tributos. Quando se fala em exclusão, querem deixar a entender que as regras atribuídas ao IRPJ se estendem à CSLL, o que, a meu ver, é totalmente desconexo com o que se apregoa, e causa, por vezes, descredibilidade em suas alegações. E este é um caso que comprova tal contrassenso, pois, como visto neste voto, a recorrente ao mesmo tempo que (i) pede que a receita de superveniência de depreciação seja excluída da base de cálculo da CSLL justamente Fl. 3805DF CARF MF 38 por justificar que a base de incidência da CSLL também parte do lucro líquido, assim com a legislação do IRPJ; (ii) pede também que a adição ao lucro real de despesas não dedutíveis não se aplique à CSLL por se tratar de tributos com fundamentos distintos. Como não entendo desta forma, e principalmente por entender que as despesas não foram comprovadas, estendo o entendimento tratado na análise da glosa das despesas não comprovadas também para a CSLL. Quanto às perdas de operação de créditos, também aplico à CSLL a obrigatoriedade de adição à sua base de cálculo, eis que tais perdas reduziram indevidamente o lucro do exercício, que é a base de fundamentação para tributação do IRPJ e da CSLL. Diante do exposto, nego provimento quanto a este ponto. Responsabilidade Tributária dos Administradores A recorrente pede que, na eventual manutenção da autuação fiscal, que seja atribuída responsabilidade pessoal de seus antigos administradores, de acordo com o que dispõe o art. 135, III do Código Tributário Nacional. Vejamos a redação do art. 135, III do CTN: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Pois bem. Pelo que vejo, a responsabilidade solidária decorrente de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos devem ser avaliadas durante o procedimento fiscal de fiscalização, a partir de provas materiais da participação do representante legal da pessoa jurídica na conduta que ensejou a mitigação do fato gerador do tributo. No caso dos autos, a fiscalização não comprovou que houve conduta fraudulenta por parte dos administradores da recorrente, por isso, a meu ver, entendeu não ser cabível a responsabilidade solidária a eles. Além disso, mesmo que se possa comprovar a conduta fraudulenta pelos administradores, este órgão não é competente para responsabilizar terceiros alheios à relação tributária original, sendo de competência privativa da fiscalização, conforme preceitua o art. 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, Fl. 3806DF CARF MF Processo nº 16327.720420/201213 Acórdão n.º 1401002.549 S1C4T1 Fl. 3.788 39 identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Assim, afasto o pedido da recorrente quanto à responsabilidade tributária dos administradores da época dos fatos geradores. Juros de Mora sobre Multa de Ofício Entendo ser incabível o argumento de ilegalidade da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. O art. 161 do CTN determina que ao crédito vencido e não pago acrescemse juros de mora: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Já a parte final da redação do supra dispositivo legal define que a incidência de juros de mora não prejudica a imposição de penalidades. O art. 142 do CTN, por sua vez, apresenta a definição de crédito tributário: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Conforme se extrai da cláusula legal, o crédito tributário é composto pelo montante do tributo devido e pela penalidade cabível. Da conjugação dos dois dispositivos acima, concluise que ao tributo e à multa de ofício (crédito tributário) incidem os juros de mora. Desta forma, aplicase o art. 30 da Lei 10.522/2002, que determina a incidência da Selic como taxa referencial para a atualização do crédito tributário. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1o de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. Desta forma, nego o pedido quanto ao afastamento da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Fl. 3807DF CARF MF 40 Compensação de Prejuízo Fiscal e Base de Cálculo Negativa de CSLL Após consolidação dos valores mantidos neste processo administrativo fiscal, entendo que a delegacia de origem deve compensar os prejuízos fiscais e as bases de cálculo negativas da CSLL, existentes nos cadastros da RFB, com as bases de cálculo de lançamento mantidas neste voto. Conclusão Diante do exposto, voto por AFASTAR as arguições de nulidade, DAR PARCIAL provimento ao recurso de ofício e DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário para afastar do lançamento as exigências relativas às perdas em operações de crédito de acordo com o resultado da diligência e as receitas de superveniência de depreciação aplicáveis à CSLL. (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Fl. 3808DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.923316/2011-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.597
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Valcir Gassen, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Valcir Gassen, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
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COFINS. Recorrente Sociedade Paranaense de Ensino e InformáticaSPEI Recorrida Fazenda Nacional Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Valcir Gassen, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. A DRF, no despacho decisório, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pelo contribuinte, não restando crédito disponível para restituição ou compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, o Pedido de Restituição foi indeferido e a compensação declarada não foi homologada, conforme o caso. Cientificada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade cuja argumentação é a seguir resumida. Sustenta que é uma instituição de educação sem fins lucrativos e, nos termos do art. 14, X da MP nº 2.15835, de 2001, estaria isenta da COFINS. Argumenta que tal RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 23 31 6/ 20 11 -0 8 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10980.923316/201108 Resolução nº 3301000.597 S3C3T1 Fl. 3 2 dispositivo estabelece que tal isenção se dá, a partir de 01/02/1999, para as receitas relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13, o qual, por sua vez, referese às “instituições de educação e de assistência social” arroladas no art. 12 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Afirma que se encaixa nos requisitos legais, uma vez que: (a) não remunera, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; (b) aplica integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; e (c) assegura a destinação de seu patrimônio à outra instituição congênere, em caso de extinção. Anexa o seu Estatuto Social para provar o alegado. Relativamente à expressão “atividade própria” (art. 14, X, da MP 2.158/35), argumenta que deve ser entendida como aquela atividade regular e relativa à natureza essencial da entidade. Sustenta que ‘própria’ é toda a atividade prevista em seu estatuto, ou na lei, já que conexa à própria existência da pessoa jurídica. Assim, assevera que “a existência de finalidade lucrativa não devia ser vinculada à gratuidade ou não dos serviços prestados ou à forma de obtenção da receita, nas, sim, à forma como ela é aplicada. Caso constitua objetivo da instituição exercer atividade educacional sem fins lucrativos, ainda que o serviço seja prestado mediante o pagamento de mensalidade ou retribuições, a receita obtida com as mensalidades constitui receita própria de sua atividade e, desta forma, estaria isenta da COFINS.” Afirma, outrossim, que os princípios da legalidade e da legalidade tributária impede o Fisco de exigir tributo que não está previsto em lei, acrescentando que a lei, nesse caso, prevê expressamente uma isenção. Portanto, em seu entendimento, não há “espaço para que atos normativos como, por exemplo, decretos, instruções normativas, atos interpretatórios ou declaratórios criem qualquer redução ou limitação à isenção de COFINS prevista nos artigos 13 e 14 da MP 2.15835/01”. No seguimento, tece comentários sobre o instituto da compensação para afirmar que “tendo a instituição recolhido o tributo de forma indevida tem direito à restituição/compensação”. Em razão do alegado, requer a homologação da compensação pleiteada. A 3ª Turma da DRJ/CTA indeferiu a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 06046.036. Em seu recurso voluntário, a empresa: § Reitera os fundamentos de sua manifestação de inconformidade; § Declara que se subsume à isenção do art. 14, X da MP n° 2.15835; § Aduz que “todos os valores que são aplicados no desenvolvimento da atividade da entidade sem fins lucrativos são receitas decorrentes de atividades próprias”. § Defende a inaplicabilidade da IN n° 247/2002; § Junta documentos que comprovariam sua condição de isenta. É o relatório. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10980.923316/201108 Resolução nº 3301000.597 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.589, de 19 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.934789/200916, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3301000.589): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Os fundamentos da negativa do pleito da Recorrente pela DRJ foram: I. Na interpretação do art. 14, X da MP, entendeu o voto condutor que seriam receitas de atividades próprias das instituições a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532/97, apenas as receitas típicas dessas entidades, como as decorrentes de contribuições, doações e subvenções por elas recebidas, bem assim mensalidades ou anuidades pagas por seus associados, destinadas à manutenção da instituição e consecução de seus objetivos sociais, sem caráter contraprestacional. A DRJ aplicou o art. 47, da Instrução Normativa n° 247/2002: Art. 47. As entidades relacionadas no art. 9º desta Instrução Normativa: I – não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e II – são isentas da Cofins em relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. § 1º Para efeito de fruição dos benefícios fiscais previstos neste artigo, as entidades de educação, assistência social e de caráter filantrópico devem possuir o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social expedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos, de acordo com o disposto no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. § 2º Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. II. Atendeu ao comando do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, aduzindo que se sujeitam à incidência da COFINS, as receitas decorrentes de atividades comuns às dos agentes econômicos, como as resultantes da venda de mercadorias e prestação de serviços, inclusive as receitas de matrículas e mensalidades dos cursos ministrados pelas entidades educacionais, ainda que exclusivamente a seus Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10980.923316/201108 Resolução nº 3301000.597 S3C3T1 Fl. 5 4 associados e em seu benefício e, receitas de aplicações financeiras. Concluiu que estão sujeitas à COFINS, por força da Lei nº 9.718/98, as receitas de caráter contraprestacional, inclusive as mensalidades cobradas por instituições de educação e as receitas financeiras auferidas. A revisão dos dois pontos será feita a seguir. Isenção do art. 14, X, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001 Prescreve o art. 14, X da MP n° 2.15835: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. Por sua vez, o art. 13 do mesmo veículo normativo dispõe: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997; Notese que o art. 13, III da MP nº 2.15835/2001 ao fazer remissão ao art. 12 da Lei n° 9.532/1997, condiciona a Instituição ao cumprimento das exigências impostas por esta Lei. O art. 12 da Lei n° 9.532/1997, com redação vigente à época, exigia: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10980.923316/201108 Resolução nº 3301000.597 S3C3T1 Fl. 6 5 d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; f) recolher os tributos retidos sobre os rendimentos por elas pagos ou creditados e a contribuição para a seguridade social relativa aos empregados, bem assim cumprir as obrigações acessórias daí decorrentes; g) assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público; h) outros requisitos, estabelecidos em lei específica, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. § 3º Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinando exercício, destine referido resultado integralmente ao incremento de seu ativo imobilizado. Ocorre que as mensalidades cobradas por instituições de educação estão ao abrigo da norma isentiva, como já pacificado pela Súmula CARF n° 107 e pelo REsp 1.353.111 RS, DJ 18/12/2015, julgado como recurso repetitivo, transitado em julgado desde 02/03/2016, verbis: Súmula CARF nº 107 A receita da atividade própria, objeto da isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP nº 2.15835, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997. REsp 1.353.111 – RS PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. COFINS. CONCEITO DE RECEITAS RELATIVAS ÀS ATIVIDADES PRÓPRIAS DAS ENTIDADES SEM FINS LUCRATIVOS PARA FINS DE GOZO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ART. 14, X, DA MP N. 2.15835/2001. ILEGALIDADE DO ART. 47, II E § 2º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N. 247/2002. SOCIEDADE CIVIL EDUCACIONAL OU DE CARÁTER CULTURAL E CIENTÍFICO. MENSALIDADES DE ALUNOS. 1. A questão central dos autos se refere ao exame da isenção da COFINS, contida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), relativa às entidades sem fins lucrativos, Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10980.923316/201108 Resolução nº 3301000.597 S3C3T1 Fl. 7 6 a fim de verificar se abrange as mensalidades pagas pelos alunos de instituição de ensino como contraprestação desses serviços educacionais. O presente recurso representativo da controvérsia não discute quaisquer outras receitas que não as mensalidades, não havendo que se falar em receitas decorrentes de aplicações financeiras ou decorrentes de mercadorias e serviços outros (vg. estacionamentos pagos, lanchonetes, aluguel ou taxa cobrada pela utilização de salões, auditórios, quadras, campos esportivos, dependências e instalações, venda de ingressos para eventos promovidos pela entidade, receitas de formaturas, excursões, etc.) prestados por essas entidades que não sejam exclusivamente os de educação. 2. O parágrafo § 2º do art. 47 da IN 247/2002 da Secretaria da Receita Federal ofende o inciso X do art. 14 da MP n° 2.15835/01 ao excluir do conceito de "receitas relativas às atividades próprias das entidades", as contraprestações pelos serviços próprios de educação, que são as mensalidades escolares recebidas de alunos. 3. Isto porque a entidade de ensino tem por finalidade precípua a prestação de serviços educacionais. Tratase da sua razão de existir, do núcleo de suas atividades, do próprio serviço para o qual foi instituída, na expressão dos artigos 12 e 15 da Lei n.º 9.532/97. Nessa toada, não há como compreender que as receitas auferidas nessa condição (mensalidades dos alunos) não sejam aquelas decorrentes de "atividades próprias da entidade", conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001). Sendo assim, é flagrante a ilicitude do art. 47, §2º, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão. 4. Precedentes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (...) 6. Tese julgada para efeito do art. 543C, do CPC: as receitas auferidas a título de mensalidades dos alunos de instituições de ensino sem fins lucrativos são decorrentes de "atividades próprias da entidade" , conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), sendo flagrante a ilicitude do art. 47, §2º, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão. 7. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Logo, deve a decisão de piso ser reformada nesse ponto. A respeito do cumprimento dos requisitos do art. 12 da lei n° 9.532/97, aponta a Instituição os artigos do seu Estatuto Social que comprovam exatamente o exigido pela Lei n° 9.532/97 (art. 1°, 3°, 30, 32, 34), junta a DIPJ alegando que sua condição sempre foi de conhecimento do fisco e prossegue: Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10980.923316/201108 Resolução nº 3301000.597 S3C3T1 Fl. 8 7 Entendo que a prova do cumprimento dos requisitos é da Recorrente, contudo não foi instada a isso quando da edição do Despacho Decisório. No recurso voluntário, acostou documentos que merecem a análise da Delegacia de Origem. Alargamento da Base de Cálculo da COFINS – RE n° 585.235/MG RG Resta pacificado no STF o entendimento sobre a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Dessa forma, considerase receita bruta ou faturamento o que decorre da venda de mercadorias, da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa. É o resultado econômico das operações empresariais típicas, que constitui a base de cálculo do PIS. O alcance do termo faturamento abarcando a atividade empresarial típica restou assente no RE nº 585.235/MG, no qual se reconheceu a repercussão geral do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, reafirmando a jurisprudência consolidada pelo STF: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou: O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais... Em decorrência, apenas o faturamento decorrente da prestação de serviços e da venda de mercadorias (não se podendo incluir outras receitas, tais como aquelas de natureza financeira) pode ser tributado pelo PIS. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10980.923316/201108 Resolução nº 3301000.597 S3C3T1 Fl. 9 8 Logo, assiste razão à Recorrente quando alega que as receitas financeiras não podem compor a base de cálculo da COFINS. Conclusão Diante da plausibilidade do pleito da Recorrente, entendo necessária a conversão em diligência deste processo para a confirmação da tributação indevida pela COFINS sobre as receitas operacionais (“próprias”), bem como sobre as receitas financeiras. Isso porque a tributação sobre as “receitas próprias”, incluídas as mensalidades pagas por alunos, são isentas, nos termos do art. 14, X da Medida Provisória. Ao passo que a exclusão das receitas financeiras se dá com base na inconstitucionalidade do alargamento a base de cálculo da COFINS pelo art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/1998. Por conseguinte, voto pela conversão do julgamento em diligência para que seja solicitado à unidade de origem que: a) Examine a documentação juntada pela Recorrente no recurso voluntário; b) Verifique, com base nessa documentação, se houve a indevida inclusão das receitas próprias e receitas financeiras na base de cálculo da COFINS, fazendo a segregação entre as receitas, se houver; c) Verifique o cumprimento pela Recorrente dos requisitos do art. 12 da Lei n° 9.532/1997. Para tanto, intime o sujeito passivo para prestar outros esclarecimentos, caso necessário; d) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; e) Cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo para manifestação; f) Após, retorne o processo ao CARF para julgamento. É como voto." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que seja solicitado à unidade de origem que: a) Examine a documentação juntada pela Recorrente no recurso voluntário; b) Verifique, com base nessa documentação, se houve a indevida inclusão das receitas próprias e receitas financeiras na base de cálculo da COFINS, fazendo a segregação entre as receitas, se houver; Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10980.923316/201108 Resolução nº 3301000.597 S3C3T1 Fl. 10 9 c) Verifique o cumprimento pela Recorrente dos requisitos do art. 12 da Lei n° 9.532/1997. Para tanto, intime o sujeito passivo para prestar outros esclarecimentos, caso necessário; d) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; e) Cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo para manifestação; f) Após, retorne o processo ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 68DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.722952/2012-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
AUTO DE INFRAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EXCLUSÃO DO SIMPLES. INCOMPETÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos do art. 3º, IV, do Anexo II do RICARF, os recursos interpostos em processos que versem sobre aplicação da legislação relativa a Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, são da competência da Segunda Seção e, não, desta Primeira.
Numero da decisão: 1301-003.079
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência à Segunda Seção de Julgamento.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EXCLUSÃO DO SIMPLES. INCOMPETÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 3º, IV, do Anexo II do RICARF, os recursos interpostos em processos que versem sobre aplicação da legislação relativa a Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, são da competência da Segunda Seção e, não, desta Primeira.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência à Segunda Seção de Julgamento. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
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EPP E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EXCLUSÃO DO SIMPLES. INCOMPETÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 3º, IV, do Anexo II do RICARF, os recursos interpostos em processos que versem sobre aplicação da legislação relativa a Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, são da competência da Segunda Seção e, não, desta Primeira. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência à Segunda Seção de Julgamento. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 29 52 /2 01 2- 94 Fl. 1005DF CARF MF Processo nº 13971.722952/201294 Acórdão n.º 1301003.079 S1C3T1 Fl. 264 2 Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratamse de Recursos Voluntários interpostos pelo contribuinte e demais interessados contra o acórdão 1260.896, proferido pela 11ª Turma da DRJ/RJ1, na sessão de 29 de outubro de 2013, que, ao apreciar a impugnação apresentada pelo contribuinte, por unanimidade de votos, julgoua improcedente. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Trata o presente processo de Auto de Infração n° 37.350.5256, lavrado em 14/11/2012, no valor de R$ 21.385,73 (vinte e um mil trezentos e oitenta e cinco reais e setenta e três centavos), que acrescido de multa e juros corresponde ao valor consolidado de R$ 48.813,55 (quarenta e oito mil oitocentos e treze reais e cinquenta e cinco centavos), referente a contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa incidente sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidente sobre a remuneração paga aos segurados empregados. 2. De acordo com o Relatório Fiscal, de fls. 39/46 do processo digital, foi realizada auditoria na autuada, COISAS DE BEBÊ CONFECÇÕES LTDA e, concomitantemente, nas empresas MESH COMÉRCIO E CONFECCÇÕES DE ROUPAS LTDA, CNPJ: 81.380.891/000150 e WRCP TÊXTIL LTDA,CNPJ: 08.869.459/000138, onde constatouse que as mesmas integram, DE FATO, um GRUPO ECONÔMICO e, portanto, solidariamente responsáveis, conforme fundamentações legais: CTN, art. 124, I e II; Lei 8.212/1991, art. 30, IX; Decreto 3.048/1999, art. 222 e Lei 8.884/1994, art. 17. 3. Diante disso, a autuada foi excluída do Simples Nacional, conforme Ato Declaratório Executivo – ADE nº 50, de 01/11/2012 (fls. 21), decorrente do processo de Representação Administrativa para Exclusão do SIMPLES, processo nº 13971.722924/201277. 4. Em função da exclusão do SIMPLES, com efeito retroativo a 01/01/2008, foram lançadas as contribuições previdenciárias patronais que deixaram de ser recolhidas. O presente lançamento compreende o período de 01/2008 a 12/2008, inclusive o décimo terceiro salário. 5. Os fatos geradores foram as contribuições omitidas nas GFIPs, devido à informação incorreta referente à opção pelo Fl. 1006DF CARF MF Processo nº 13971.722952/201294 Acórdão n.º 1301003.079 S1C3T1 Fl. 265 3 SIMPLES e não recolhidas, constantes das folhas de pagamento. Nos levantamentos E1 (segurados empregados) e I1 (contribuintes individuais), referentes ao período de 01/2008 a 11/2008, foi aplicada a multa de 75% prevista na Lei 11.941/2009, que se mostrou mais benéfica ao contribuinte, conforme demonstrado no comparativo de fls. 37/38. Nos levantamentos E2 (segurados empregados) e I2 (contribuintes individuais), que abrangem as competências 12/2008 e 13/2008, foi aplicada a multa qualificada (2 x 75%), por serem posteriores à edição da Medida Provisória nº 449, de 04/12/2008, que estipulou a nova multa, e por ter restado caracterizada a prática de sonegação e conluio previstas nos arts. 71 e 73 da Lei 4.502/64. 6. “Numa análise objetiva dos fatos relatados, constantes nos processos de Representações Administrativas para Exclusão do SIMPLES, mencionados no item 5, frente aos dispositivos legais em comento, não há como deixar de enquadrar a ação dolosa, intencional e consciente de simular a existência de empresas, formalmente distintas (MESH, COISAS DE BEBÊ e WRCP), porém formando um GRUPO ECONÔMICO DE FATO, com o evidente intuito de impedir o conhecimento do Fisco da incidência da Contribuição Previdenciária Patronal sobre as remunerações dos segurados das empresas MESH e COISAS DE BEBÊ (optantes, indevidamente, pelo SIMPLES), nas definições de sonegação e conluio, contidas nos arts. 72 e 73 da Lei 4.502/64, já transcritos.” IMPUGNAÇÃO 7. O contribuinte foi cientificado do lançamento em 26/11/2012, conforme AR de fls. 54. Caracterizada a sujeição passiva solidária, foram cientificadas do “Termo de Sujeição Passiva Solidária” as empresas Mesh Comércio e Confecções de Roupas Ltda, CNPJ nº 81.380.891/000150 (AR fls. 56) e WRCP Têxtil Ltda, CNPJ nº 08.869.459/000138 (AR fls. 57). 8. O contribuinte “Coisas de Bebê” apresentou impugnação em 26/12/2012, fls. 196/247, alegando, em síntese: 8.1 Não é possível que o lançamento seja objeto de emissão de Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP), antes mesmo do fim do processo administrativo tributário. 8.2 Fazse necessário o julgamento em conjunto dos processos nº 13971.722952/201294, 13971.722953/201239, 13971.722961/201285, 13971.722962/201220, por envolverem os mesmos fatos geradores e identidade dos elementos de prova. Preliminar: 8.3 O Auto de Infração tem como fundamento básico a exclusão da Impugnante do Simples Nacional, que se deu através do Ato Declaratório Executivo nº 50/2012, processo administrativo nº 13971.722924/201277. Fl. 1007DF CARF MF Processo nº 13971.722952/201294 Acórdão n.º 1301003.079 S1C3T1 Fl. 266 4 Porém, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade contra a sua exclusão, que por sua vez ainda não foi julgada. 8.4 Conforme art. 4º, § 3ºA da Resolução CGSN nº 15/07 e art. 75, § 3º da Resolução nº 94/2011, o termo de exclusão do Simples só se tornará efetivo após decisão irrecorrível desfavorável ao contribuinte. Dessa forma, somente após o julgamento definitivo, desfavorável à empresa, do processo de exclusão do Simples é que ela poderia ser notificada para o pagamento das contribuições em questão. Mérito Insubsistência da exclusão do Simples 8.5 Alega a insubsistência da exclusão do Simples e reproduz os mesmos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade apresentada contra a ADE que a excluiu, processo nº 13971.722924/201277, apenso ao presente. Insubsistência do Auto de Infração 8.6 Independente dos argumentos relativos à exclusão do Simples, há outros motivos que impedem a manutenção do Auto de Infração: 8.6.1 A exigência de contribuições sobre verbas não remuneratórias, que não possuem natureza de salário/remuneração. Para que possam ser consideradas como salário ou remuneração é indispensável que elas apresentem duas características: contraprestação pelo trabalho e habitualidade. 8.6.2 Dentre as rubricas indevidamente incluídas na base de cálculo das contribuições está o Salário Maternidade, que sempre se constituiu em um benefício de natureza previdenciária e de responsabilidade da Previdência Social. As empresas apenas são chamadas a adiantar os valores devidos pelo INSS a esse título, tanto é assim que tais importâncias desembolsadas são prontamente compensadas com os valores devidos pela empresa ao INSS. Cita decisão do STF e do STJ nesse sentido. 8.6.3 Outra verba que também não se constitui em salário ou remuneração é o chamado Auxíliodoença nos primeiros 15 dias de afastamento do segurado. Tal verba não é compatível com os conceitos jurídicos de salário e de remuneração, pois não representam contraprestação aos serviços prestados e nem é dotada da característica da habitualidade. Cita decisão do STJ e do TRF da 4ª Região. 8.6.4 O 1/3 de férias e respectivos reflexos também não tem natureza jurídica de salário ou remuneração, o que impede que ele seja considerado salário de contribuição. Ele se configura um abono pago ao funcionário que tira férias. Cita entendimento do STJ para respaldar o posicionamento defendido pela Impugnante. Fl. 1008DF CARF MF Processo nº 13971.722952/201294 Acórdão n.º 1301003.079 S1C3T1 Fl. 267 5 8.6.5 O mesmo se dá em relação aos valores pagos a título de férias. Tais valores não poderiam ser considerados como salário/remuneração, porque pagos enquanto os funcionários não prestam serviços para a empresa. Transcreve decisão do STJ. 8.6.6 “Há, ainda, diversas outras verbas que, muito embora sejam pagas pela Impugnante às pessoas que lhe prestem serviços, não poderiam ser incorporadas à base de cálculo das contribuições.” Podem ser citadas, entre outras, importâncias pagas a título de horasextras, gratificações e outras verbas delas decorrentes. 8.6.7 O Supremo Tribunal Federal pacificou o entendimento de que as contribuições não podem incidir sobre abonos ou demais verbas trabalhistas de natureza indenizatória. 8.6.8 “Dessa forma, caso seja mantido o Auto de Infração (o que se admite somente por hipótese), as verbas que não correspondem a salário e demais rendimentos do trabalho precisam ser excluídas da base de cálculo adotada pela fiscalização.” 8.7 A fiscalização deixou de abater do montante exigido os valores recolhidos pela empresa a título de Contribuição Previdenciária Patronal no âmbito do Simples Nacional (anexa os comprovantes de recolhimento – doc. nº 14). 8.7.1 O CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já pacificou o entendimento, através da Súmula nº 76, de que, no caso de lançamentos decorrentes da exclusão de empresas do Simples, devem ser deduzidos os valores pagos pela empresa no âmbito do Simples. 8.8 Mantido o lançamento, não poderiam prevalecer as multas aplicadas. 8.8.1 Nas competências de 01/2008 a 11/2008 foi aplicada a multa de ofício de 75%, pois conforme citado no Relatório Fiscal, essa seria mais benéfica ao contribuinte. 8.8.2 No entanto, tal comparação só pode ser feita quando do cumprimento de eventual obrigação pela Impugnante, uma vez que a multa do art. 35, II da Lei nº 8.212/91 em vigor à época dos supostos fatos geradores varia em função do momento em que o contribuinte paga o débito. Neste exato momento a multa da MP nº 449/08 sem dúvida não é a opção mais benéfica à Impugnante e sim aquela prevista no art. 35, II, isto é, a multa de 24%. 8.8.3 Também não pode ser somada à multa anterior, para a comparação de qual a multa mais benéfica, a multa do AI 68 porque, ao que parece, seria uma outra penalidade e prevista para um outro tipo de infração. Fl. 1009DF CARF MF Processo nº 13971.722952/201294 Acórdão n.º 1301003.079 S1C3T1 Fl. 268 6 8.8.4 No caso concreto, não é possível a aplicação da multa qualificada no percentual de 150% da exigência, uma vez que o intuito de fraude, consubstanciado em ação/omissão dolosa tendente a impedir o conhecimento da ocorrência de fato gerador das contribuições, tem que estar materialmente comprovado e não meramente presumido. 8.8.5 As multas são desproporcionais à falta hipoteticamente cometida pela contribuinte, contrariando os princípios da proporcionalidade, da razoabilidade e do devido processo legal material. Além de possuírem caráter confiscatório. 8.9 Requer seja julgada procedente a Impugnação para que: a) não seja formalizada qualquer representação para fins penais; b) sejam julgados em conjunto os processos citados; c) o Auto de Infração seja cancelado em virtude da ausência de julgamento da Manifestação de Inconformidade apresentada contra o ato de exclusão do Simples; d) o Auto de Infração seja cancelado diante da inexistência de qualquer valor devido; ou na pior das hipóteses, e) sejam excluídas: as parcelas relativas às verbas não remuneratórias; os valores já pagos do Simples Nacional; as multas aplicadas; a multa de ofício nas competências anteriores a 12/2008, quando ela não representar a penalidade mais benéfica, nos termos expostos e a multa qualificada de 150%, reduzindoa para, no máximo, 75%. 9. A empresa Mesh Comércio e Confecções de Roupas Ltda – EPP, responsável solidária, apresentou impugnação em 26/12/2012, fls. 755/761, alegando, em síntese: 9.1 Insurgese contra a responsabilidade solidária imputada, conforme Termo de Sujeição Passiva Solidária. A fiscalização, para concluir que haveria responsabilidade solidária entre a Impugnante e a empresa originalmente autuada, alegou que teria ocorrido a formação de grupo econômico “de fato”, o que justificaria a responsabilidade solidária, com fundamento nos arts. 124 do CTN, 30, IX, da Lei nº 8.212/91 e 222 do Decreto nº 3.048/99. 9.2 Tais normas não poderiam, no entanto, amparar a pretensão da fiscalização, uma vez que o art. 124 do CTN está inserido no capítulo IV que não trata de responsabilidade tributária, função desempenhada pelo capítulo V, que não prevê a situação em análise. O mesmo ocorre com o art. 30, IX da Lei nº 8.212/91 e o art. 222 do Decreto nº 3.048/99. 9.3 Segundo a jurisprudência pacífica dos tribunais, a responsabilidade tributária é matéria que somente pode ser regida por lei complementar e não por lei ordinária ou decreto. Fl. 1010DF CARF MF Processo nº 13971.722952/201294 Acórdão n.º 1301003.079 S1C3T1 Fl. 269 7 9.4 O argumento da fiscalização contraria a definição de “grupo de sociedades”, prevista no art. 265 da lei das S/A (Lei nº 6.404/76). 9.5 Alega que as pessoas jurídicas em questão são independentes e a inexistência de atos de gestão da Impugnante junto à empresa originalmente autuada. 9.6 Reitera os termos da impugnação apresentada pela autuada. 10. A empresa WRCP Têxtil Ltda – EPP, responsável solidária, apresentou impugnação em 26/12/2012, fls. 818/825, trazendo exatamente as mesmas argumentações da Mesh Comércio e Confecções de Roupas Ltda – EPP. 11. É o relatório. Na seqüência, foi proferido o acórdão recorrido, julgando improcedente a impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário exigido. Após intimadas todas as interessadas, elas apresentam seus respectivos Recursos, pugnando pelo provimento, onde apresentam argumentos que serão posteriormente analisados. É o Relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator Antes de qualquer outra verificação do recurso interposto, um questão preliminar requer averiguação; I. DA INCOMPETÊNCIA DESTA 1ª SEJUL Analisando os autos, verifico que ao cabo de uma única auditoria, a autoridade encarregada formalizou seis processos administrativos. No caso dos autos, tratase de lançamento, onde é exigido crédito tributário de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa incidente sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidente sobre a remuneração paga aos segurados empregados. Assim, embora o presente processo seja decorrente do Ato da exclusão do Simples da recorrente, a exigência aqui reclamada baseiase em remunerações de seus empregados e de contribuintes individuais. Sobre a competência desta Seção de Julgamento, transcrevo o inciso IV, artigo 2º do Anexo II, com a redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016: Fl. 1011DF CARF MF Processo nº 13971.722952/201294 Acórdão n.º 1301003.079 S1C3T1 Fl. 270 8 Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: (...) IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (G.N) De acordo com tal norma, no que aqui nos interessa, apenas recursos que versem sobre aplicação da legislação relativa à Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta atrairiam a competência para esta Seção de Julgamento, e só se a exigência fosse formalizada com base nos mesmos elementos de provas de eventual lançamento de IRPJ/CSLL. No caso, não se trata nem mesmo de Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta. Dispõe ainda o mesmo diploma no art. 3º, IV, que: Art. 3º À 2ª (segunda) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: (...) IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3º da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007; (G.N) A distribuição de competência entre as três Seções de Julgamento do CARF consiste em repartição jurisdicional em razão funcional, para atender o interesse público. Como tal, não é passível de modificação, devendo eventual incompetência ser conhecida de ofício Assim, tendo em vista que o presente caso trata de exigência de contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações de segurados empregados e de contribuintes individuais, resta claro que ele está fora do âmbito de competência de julgamento desta 1ª Seção, devendo ser remetido à 2ª Seção, que tem a efetiva competência para o julgamento. Conclusão Diante do exposto, voto por declinar da competência para julgamento do recurso em favor da Segunda Seção de Julgamento. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 1012DF CARF MF Processo nº 13971.722952/201294 Acórdão n.º 1301003.079 S1C3T1 Fl. 271 9 Fl. 1013DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.720695/2011-17
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 9202-000.187
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para juntada de documentos constantes do processo nº 11516.720696/2011-61, com posterior retorno ao relator, para prosseguimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo- Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Miriam Denise Xavier (suplente convocada).
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1588; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 372 1 371 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11516.720695/201117 Recurso nº Especial do Procurador Resolução nº 9202000.187 – 2ª Turma Data 22 de março de 2018 Assunto CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MAY E CARDOSO LTDA. ME Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para juntada de documentos constantes do processo nº 11516.720696/201161, com posterior retorno ao relator, para prosseguimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Miriam Denise Xavier (suplente convocada). Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2301004.167, prolatado pela 1a. Turma Ordinária da 3a. Câmara da 2a. Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, na sessão plenária de 07 de outubro de 2014 (efls. 297 a 315). Ali, por voto de qualidade, deuse parcial provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .7 20 69 5/ 20 11 -1 7 Fl. 372DF CARF MF Processo nº 11516.720695/201117 Resolução nº 9202000.187 CSRFT2 Fl. 373 2 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2006 a 31/12/2007 EXCLUSÃO DO SIMPLES. LANÇAMENTO RETROATIVO. Com a exclusão do SIMPLES a contribuinte se sujeita às normas tributárias aplicáveis às demais pessoas, sendo imperioso o lançamento tributário em honra ao princípio da legalidade, uma vez a constituição do crédito é procedimento vinculado a lei.Não tendo a contribuinte apresentado defesa oportuna no processo que a excluiu do SIMPLES NACIONAL, não é possível sua arguição para desconstituir o lançamento. GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTITUIÇÃO DO FATO GERADOR POR UMA SÓ EMPRESA. O fato de haver pessoas jurídicas que pertençam ao mesmo grupo econômico, por si só, não enseja a responsabilidade solidária, na forma prevista no art. 124 do CTN.Somente existirá a responsabilidade tributária solidária entre empresas de um mesmo grupo econômico quando todas agirem em conjunto para a configuração do fato gerador, não bastando o mero interesse econômico na consecução da referida situação. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE Não cabe ao CARF o controle de constitucionalidade, seja difuso ou concentrado, de Leis ou atos normativos, conforme inteligência da Súmula nº 2, do mesmo Conselho. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA. O Superior Tribunal de Justiça, no REsp nº. 973.733/SC, ao tratar sobre a regra decadencial aplicável às contribuições previdenciárias, pacificou o entendimento que o prazo é de cinco anos para o Fisco constituir o crédito tributário, tendo como dies a quo o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo incorre, sem a constatação de dolo ou fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito, conforme o art. 173, I do CTN. NORMAS GERAIS. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTAS. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, devese comparar as penalidades sofridas, a(s) antiga(s) em comparação com a(s) determinada(s) pela nova legislação. Fl. 373DF CARF MF Processo nº 11516.720695/201117 Resolução nº 9202000.187 CSRFT2 Fl. 374 3 Recurso Voluntário Provido em Parte. Decisão: I) Por unanimidade de votos: a) dar provimento parcial ao recurso voluntário, em relação ao grupo econômico, nos termos do voto do Relator; b) negar provimento aos demais argumentos da recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por voto de qualidade: a) negar provimento ao recurso, na questão da multa, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Natanael Vieira dos Santos e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente. Redator: Marcelo Oliveira. Enviados os autos à Fazenda Nacional em 26/11/2014 (efl. 316) para fins de ciência da decisão, insurgindose contra esta, sua Procuradoria apresentou, em 09/01/2015 (e fl. 333), Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 317 a 332). Alegase, no pleito divergência em relação ao decidido pela 2a. Turma Ordinária da 3a. Câmara da 2a. Seção deste CARF, em 16/05/2012, no âmbito do Acórdão no. 2302 01.822, bem como em relação ao decidido pela 1a. Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a. Seção deste CARF, em 22/01/2013, no âmbito do Acórdão no. 240102.814, de ementas e decisões a seguir transcritas. Acórdão 2302001.822 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 16/08/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES. Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de GFIP com omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias. JULGAMENTO CONJUNTO. MÉRITO JÁ ASSENTADO. DESNECESSIDADE. O julgamento conjunto de processos conexos só se mostra valioso nas situações em que existir relação de prejudicialidade entre o mérito discutido em ambos os processos. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.CONFISCO. INOCORRÊNCIA. Não constitui confisco a imposição de penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária acessória.Foge à competência deste Colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88. GRATIFICAÇÃO. NATUREZA REMUNERATÓRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Fl. 374DF CARF MF Processo nº 11516.720695/201117 Resolução nº 9202000.187 CSRFT2 Fl. 375 4 Integra o conceito jurídico de salário de contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, inclusive sob a forma de utilidades. O conceito jurídico de Salário de contribuição aviado no art. 28 da Lei nº 8.212/91 em momento algum vincula a natureza jurídica das parcelas integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias à habitualidade de seu recebimento. Sendo a natureza da verba auferida qualificada juridicamente como gratificação de desempenho, basta para a sua sujeição à tributação previdenciária o seu mero recebimento pelo segurado obrigatório do RGPS, mesmo que tal pagamento tenha ocorrido uma únicavez no histórico funcional do beneficiário. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. GRUPO COMPOSTO POR COORDENAÇÃO.RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estão sob a direção, o controle ou a administração de outra, compondo grupo industrial,comercial ou de qualquer outra atividade econômica.Empresas que, embora tenham situação jurídica distinta, possuam comunhão de sócios e de objetivos sociais, tenham linha de comando e representação efetuada pelo mesmo grupo de pessoas ou por pessoas diretamente a elas vinculadas e apresentem o controle de uma empresa por outra, além de atuarem na mesma unidade física, utilizandose da estrutura do grupo, formam grupo econômico denominado “grupo composto por coordenação”,sendo solidariamente responsáveis pelas contribuições previdenciárias de qualquer uma delas. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32ADA LEI Nº 8212/91.RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32A à Lei nº 8.212/91.Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN,sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. Recurso Voluntário Provido em parte. Decisão: por unanimidade de votos, em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória nº 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei nº 11.941/2009 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei nº 8.212/91. Acórdão 2401002.814 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do Fato Gerador: 11/11/2009 GESTÃO DE EMPRESAS POR INTERPOSTAS PESSOAS. INTERESSE COMUM.RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Fl. 375DF CARF MF Processo nº 11516.720695/201117 Resolução nº 9202000.187 CSRFT2 Fl. 376 5 Responde solidariamente com o contribuinte a pessoa física, que sendo titular de fato, exerce a gestão empresarial mediante a interposição de sócios fictícios, posto que possui interesse comum na situação que configura o fato gerador de contribuições sociais. COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE GRUPO ECONÔMICO DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIAS DAS EMPRESAS INTEGRANTES PELAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS NÃO ADIMPLIDAS. Caracterizado o grupo econômico de fato, dada a existência de comando único e confusão patrimonial, financeira e operacional entre as empresas integrantes, respondem estas solidariamente pelas contribuições sociais não recolhidas.Recurso Voluntário Negado Decisão: por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso para rejeitar a preliminar de exclusão dos responsáveis solidários. Após defender a existência de divergência interpretativa, caracterizada pela similitude de situações fáticas e soluções diametralmente opostas, em linhas gerais argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda que: a) O recorrido deu provimento parcial ao Recurso Voluntário para excluir as empresas relativas ao grupo econômico do pólo passivo da relação tributária, sob o argumento de que não ficou demonstrado nos autos o interesse comum a que alude o inciso I do art. 124 do CTN. Contudo, convém registrar que a Fiscalização demonstrou indubitavelmente que as empresas/pessoas físicas têm interesse direto nas atividades desenvolvidas pela recorrida, de modo que ficou evidenciada a existência de interesse comum das empresas/pessoas físicas constantes do referido grupo econômico; b) Cita trechos constantes do processo 11516.720696/201161 (fls. 840/856), com o intuito de demonstrar que as empresas a quem se atribui responsabilidade tributária solidária são administradas pelas mesmas pessoas (também responsabilizadas) e apenas existem de fato com intuito evidente de fraudar o Fisco; c) As empresas/pessoas físicas Execução Soluções Call Center Ltda. (CNPJ 05.038.033/000144), May & Cardoso Ltda (CNPJ 07.365.832/000150), Eduardo May Cabral & Cia Ltda. (CNPJ 05.675.238/000130), Marcos May Cabral & Cia Ltda (CNPJ 07.081.290/000194), Marcolino Cargnin Cabral (CPF 219.862.90034), Leoni May Cabral (CPF 910.619.97987), Beatriz May Cabral (CPF 026.383.33999), Eduardo May Cabral (CPF 007.808.01938), Marcos May Cabral (CPF 033.550.93980) e Emerson Sergio Cardoso (CPF 007.113.51970) foram autuadas por entender a fiscalização a formação de grupo econômico de fato, conforme os preceitos contidos na legislação de regência, notadamente no artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212, de 1991. É suficiente a existência desse dispositivo legal para legitimar a responsabilização solidária das empresas de um mesmo grupo econômico pelas dívidas com a Seguridade Social. Nesta esteira, verificase que o instituto grupo econômico possui definição no Direito Privado. Logo, se pode extrair o efeito tributário pretendido pelo art. 30, IX da Lei no. 8.212/1991 que é o seguinte: configurado o grupo econômico, haverá responsabilidade solidária no tocante às obrigações tributárias (pagamento contribuições previdenciárias); Fl. 376DF CARF MF Processo nº 11516.720695/201117 Resolução nº 9202000.187 CSRFT2 Fl. 377 6 d) Da leitura de seu art. 124, verificase que o CTN estabelece duas espécies de devedores solidários de tributo. A primeira é designada pela doutrina como solidariedade de fato. Significa que basta as pessoas possuírem interesse comum na situação que constitui fato gerador do tributo, sendo desnecessário previsão específica, na lei que regular determinado tributo, para apontar os devedores solidários, sendo uma norma de caráter geral, aplicandose aos tributos existentes no sistema tributário nacional. A outra espécie é aquela que a doutrina chama de solidariedade de direito, que decorre de expressa previsão legal, ou seja, previsão na lei instituidora do tributo, não exigindo a configuração de qualquer interesse comum na constituição do fato gerador. Notase que o art. 30, inciso IX da Lei nº 8.212, de 1991, que cuida da responsabilidade solidária das empresas de um grupo econômico pelas dívidas para com a Seguridade Social, referese a uma solidariedade prevista em lei, logo não depende de demonstração de qualquer interesse comum. Portanto, essa solidariedade fixada na legislação previdenciária das empresas do mesmo grupo econômico é bastante ampla. Basta um dos integrantes do grupo econômico descumprir as obrigações fiscais (não efetuar o pagamento das contribuições previdenciárias), para os outros terem que assumir a responsabilidade por via de solidariedade, sendo isso o que ocorreu in casu; e) Para configurar a existência do grupo econômico, devese definir o seu conceito, e, para isso, devese reportar as definições dadas tanto pelo Direito do Trabalho quanto pelo Direito Comercial. Cita o art. 2º, §2ª da CLT, o art. 265 da Lei no. 6.404, de 1976 e o art. 748 da IN no. 03/2005, do INSS, concluindo que: e.1) Da leitura do dispositivo da CLT, exigese, como condição elementar para existência de grupo econômico, o controle central de uma das empresas sobre as demais. Esse mesmo entendimento se extrai da IN nº 03/2005 do INSS. Frisase que não se exige o revestimento por determinada modalidade societária (holding, consórcio, pool, etc), bastando provas que evidenciem os elementos de integração interempresarial. e.2) Já na leitura do dispositivo da Lei de Sociedades Anônimas, basta a combinação de esforços entre as empresas para que aufiram objetivos comuns, ou participem do empreendimento comum. e.3) Diante disso podemos firmar o convencimento que, para caracterizar grupo econômico, é necessário haver a conjugação dos seguintes elementos: 1) composição de entidades estruturadas como empresas; 2) que, entre elas, haja um nexo relacional. No tocante a esse último requisito, uns entendem que essa relação deve ser ordem hierárquica. Mas há quem entenda que, para configuração do grupo econômico, não é mister que uma empresa seja administradora da outra ou que possua grau hierárquico ascendente, sendo suficiente uma relação de simples coordenação dos entes empresariais envolvidos, o que é o entendimento moderno. e.4) A situação sob análise atende todas essas definições dadas, como se verifica nos inúmeros fatos levantados pela fiscalização. Diante de tudo que foi relatado, verificase que essas empresas encontramse sob um único comando, ou melhor, sob gestão comum e que, entre elas, existe uma relação interempresarial, pois os negócios são conduzidos tendo em vista os interesses desse grupo, e não os de cada uma das diversas sociedades, o que torna essa separação societária de índole apenas formal. Ademais, a fiscalização concluiu, inevitavelmente, que foram perpetradas inúmeras fraudes com o intuito único e exclusivo de sonegação fiscal. Isso demonstra o abuso da personalidade jurídica; Fl. 377DF CARF MF Processo nº 11516.720695/201117 Resolução nº 9202000.187 CSRFT2 Fl. 378 7 f) Portanto, resta caracterizado a formação do grupo econômico de fato e a conseqüente responsabilização solidária de todas as empresas dele integrantes. Por todo o exposto, impõese a reforma do acórdão recorrido, restabelecendose a decisão de primeira instância de forma a manter o lançamento em sua inteireza. Requer, assim que seja conhecido e dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido, a fim de restabelecer in totum a decisão de primeira instância, de forma a manter a integralidade do lançamento. O recurso foi admitido pelo despacho de efls. 334 a 337. Cientificada a autuada e os responsáveis solidários na forma de elementos de e fls. 340 a 370, estes quedaram inertes quanto à apresentação de contrarrazões e/ou Recurso Especial de sua iniciativa. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Antes de adentrar a análise de conhecimento e mérito do recurso, verifico que, quanto à matéria litigada, assim se posicionou o Colegiado a quo, verbis : " (...) 9. Quanto à alegação de que devem ser excluídos os sócios e as demais empresas da solidariedade passiva, procede o argumento da recorrente. A relação de corresponsáveis é meramente informativa do vinculo que os dirigentes tiveram com a entidade em relação ao período dos fatos geradores. 10. Outrossim, apesar da exclusão do SIMPLES não ser objeto do presente recurso, bem como a recorrente não ter apresentado defesa oportuna, é imperioso ressaltar que a motivação que gerou a sua exclusão do referido programa é altamente controvertida no Judiciário, como resta demonstrado no julgado abaixo: (...) 11. O Superior Tribunal de Justiça, ao se pronunciar no Recurso Especial nº 1.301.231/ES, em caso muito similar ao em tela, assim se pronunciou: (...) 12. Ao trabalhar o caso, o acórdão recorrido assim dispôs: 10.1. O grupo liderado pela Execução Soluções Call Center Ltda, no qual está incluída a autuada May & Cabral & Cardoso Ltda EPP, conduziu um processo fraudulento para sonegar tributos, sendo cabível, com supedâneo no art. 124 do CTN, que integrem o polo passivo da responsabilidade tributária as empresas Execução Soluções Call Center Fl. 378DF CARF MF Processo nº 11516.720695/201117 Resolução nº 9202000.187 CSRFT2 Fl. 379 8 Ltda, May & Cardoso Cia Ltda EPP e Eduardo May Cabral & Cia Ltda EPP, bem como as pessoas físicas Marcos May Cabral, Eduardo May Cabral, Beatriz May Cabral, Marcolino Cargnin Cabral, Leoni May Cabral e Emerson Sérgio Cardoso, conforme fundamentado no Termo de Verificação Fiscal, fls.119/132 e na Representação Fiscal de Exclusão do Simples Federal ( PT nº 11516.720697/201114 anexado ao PT nº11516.720687/201171). 13. Com a devida vênia, não estou convencido da existência de simulação, conluio ou dolo no presente caso. (grifei). 14. No que se refere à aplicação da responsabilidade solidária, entendo que deve ser observado o que dispõe o artigo 124, do CTN: “Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal;” 15. Assim, verificase que no âmbito fiscal, é o interesse comum que serve de fundamento para essa forma de responsabilidade fiscal. Esse interesse deve ser considerado como decorrente do fato de que dois ou mais contribuintes sejam conjuntamente sujeitos da situação fático jurídica que deu ensejo ao surgimento da relação tributária, tendo em vista que a solidariedade não se presume, conforme dispõe o art. 265 do, CC/2002. 16. Seguindo essa linha de raciocínio, cito o entendimento do Ministro Luiz Fux no julgamento do REsp nº 884.845SC: (...) 17. Dessa forma, notase que, diferente do que ocorre no âmbito civil, para a caracterização da responsabilidade solidária que trata o art. 124, I do CTN, não basta o fato de as empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico ou que os indivíduos sejam sócios para que seja comprovada a solidariedade no pagamento do tributo devido, sendo que, para que isso ocorra é indispensável à configuração do interesse comum na situação constitutiva do fato gerador da obrigação principal. 18. E segundo o ensinamento de Carlo Jorge Sampaio Costa (Solidariedade passiva e o interesse comum no fato gerador): “(...) a solidariedade dos membros de um mesmo grupo econômico está condicionada a que fique devidamente comprovado: a) o interesse imediato e comum de seus membros nos resultados decorrentes do fato gerador; e/ou b) fraude ou conluio entre os componentes do grupo”; (grifos não presentes no original). o que não restou demonstrado no caso ora em análise. 19. Nesse mesmo sentido o Superior Tribunal de Justiça – STJ vem firmando sua jurisprudência: (...) 20. Assim, entendo que, embora o artigo 30, IX, da Lei nº 8.212/91 disponha que “as empresas que integram grupo econômico de Fl. 379DF CARF MF Processo nº 11516.720695/201117 Resolução nº 9202000.187 CSRFT2 Fl. 380 9 qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei” este dispositivo deve ser aplicado em conjunto com o que determina o artigo 124, do CTN. 21. Dessa forma, tenho como certo que a fiscalização somente pode colocar no pólo passivo da obrigação previdenciária empresas que possuem efetivamente vínculo jurídico de controle ou de administração ou que tenham participado conjuntamente da materialidade do fato gerador. 22. Neste ponto dou provimento ao recurso para excluir a responsabilidade solidária das empresas Execução Soluções Call Center Ltda., Marcos May Cabral & Cia Ltda e Eduardo May Cabral & Cia Ltda., bem como as pessoas físicas Marcolino Cargnin Cabral, Leoni May Cabral, Beatriz May Cabral, Eduardo May Cabral, Marcos May Cabral e Emerson Sergio Cardoso. (...)" Em que pese concordar, no caso de existência de fraude, com o suporte jurisprudencial apresentado pelo Colegiado a quo (em especial em sua parte por mim agora grifada), faço notar que, no caso sob análise, a acusação da fiscalização de existência de simulação/conluio/fraude se baseia na utilização de provas emprestadas constantes de outro feito, meramente referidas, mas não anexadas no presente processo, in verbis (efls. 122 e ss. do presente feito), fato não detalhadamente abordado pelo Colegiado recorrido: (...) Em síntese, a empresa declarava uma atividade em seus atos constitutivos registrados na JUCESC que poderia ser optante pelo SIMPLES FEDERAL, mas em fiscalização realizada e através de muitos documentos que comprovaram que realmente a atividade desenvolvida da empresa era de TeleMarketing que é vedado pelo SIMPLES FEDERAL e SIMPLES NACIONAL. Outra situação, foi o conluio entre as pessoas jurídicas e físicas EXECUÇÃO SOLUÇÕES CALL CENTER LTDA CNPJ 07.365.832/000150, EDUARDO MAY CABRAL & CIA LTDA CNPJ 05.675.238/000130, MARCOS MAY CABRAL & CIA LTDA CNPJ 07.081.290/000194, MARCOLINO CARGNIN CABRAL CPF 219.862.90034, LEONI MAY CABRAL CPF 910.619.97987, BEATRIZ MAY CABRAL CPF 026.383.33999, EDUARDO MAY CABRAL CPF 007.808.01938, MARCOS MAY CABRAL CPF 033.550.93980 e EMERSON SERGIO CARDOSO CPF 007.113.519 70, com o intuito de simular/ocultar o fato gerador tributário para através de o conluio sonegar tributos. Esses dois itens citados e outros detalhes pormenorizados estão descritos com maiores informações na representação fiscal/intimação fiscal presente no processo 11516.720.696/201161, fls. 840/856, que originou a exclusão do SIMPLES FEDERAL. (grifos não presentes no original) 4. Da Sujeição Passiva Solidária Depreendese pelo histórico dos fatos narrados na representação fiscal/intimação fiscal presente no processo 11516.720.696/201161, fls. 840/856, que originou a exclusão do SIMPLES FEDERAL, Fl. 380DF CARF MF Processo nº 11516.720695/201117 Resolução nº 9202000.187 CSRFT2 Fl. 381 10 constituise numa fraude com objetivo de iludir a administração tributária. (grifos não presentes no original).Conforme o CTN em seu artigo 124, descrito abaixo, cabe as pessoas jurídicas e físicas EXECUÇÃO SOLUÇÕES CALL CENTER LTDA CNPJ 05.038.033/000144, MAY & CARDOSO LTDA CNPJ 07.365.832/000150, EDUARDO MAY CABRAL & CIA LTDA CNPJ 05.675.238/000130, MARCOS MAY CABRAL & CIA LTDA CNPJ 07.081.290/000194, MARCOLINO CARGNIN CABRAL CPF 219.862.90034, LEONI MAY CABRAL CPF 910.619.97987, BEATRIZ MAY CABRAL CPF 026.383.33999, EDUARDO MAY CABRAL CPF 007.808.01938, MARCOS MAY CABRAL CPF 033.550.93980 e EMERSON SERGIO CARDOSO CPF 007.113.519 70 figurarem como pólo passivo na responsabilidade dos atos praticados. Art. 124. São solidariamente obrigadas: as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Vige, no Direito brasileiro, o princípio da autonomia patrimonial da pessoa jurídica e, de acordo com o Código Civil de 2002 (art. 1.052), nas sociedades limitadas, em regra, a responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas. Contudo, tal regra geral de limitação da responsabilidade dos sócios não é absoluta, pois o próprio Código Civil, assim como o Código Tributário Nacional, trazem exceções a esta regra. A primeira exceção que trazemos é a prevista no art. 50 do CC/2002, verbis: Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica, (grifamos) Os fatos descritos anteriormente demonstram claramente o abuso da personalidade jurídica. A confusão patrimonial foi evidenciada nas mutações societárias, que se originou com as pessoas físicas na empresa EXECUÇÃO SOLUÇÕES, fls. 845/848 do processo 11516.720.696/201161, para as transferências para as demais empresas. O desvio de finalidade fica evidente com o uso de interposta pessoa na simulação para sonegar os tributos. (grifos não presentes no original) Outra exceção que se aplica ao caso concreto é trazida pelo art. 1.016 do Código Civil, verbis: Fl. 381DF CARF MF Processo nº 11516.720695/201117 Resolução nº 9202000.187 CSRFT2 Fl. 382 11 Art. 1.016. Os administradores respondem solidariamente perante a sociedade e os terceiros prejudicados, por culpa no desempenho de suas funções. Ora, ficaram apenas o senhor Marcolino e a senhora Leoni, os genitores, na empresa EXECUÇÃO, no período fiscalizado 2006/2007, a grande beneficiada pela sonegação fiscal, pois os segurados empregados registrados nas empresas MARCOS, MAY e EDUARDO prestam serviços exatamente a atividade fim da empresa EXECUÇÃO, desta forma, a atividade fim destas últimas também é. As empresas foram abertas com os filhos e com o genro Emerson que também sairam da sociedade da empresa EXECUÇÃO. Após as empresas serem MARCOS e MAY excluídas do SIMPLES NACIONAL e com a alteração da responsabilidade técnica contábil os funcionários das três empresas foram transferidos para a empresa EXECUÇÃO, como demonstrado na representação fiscal citada. A simulação demonstrada de forma cabal, sendo assim, devem todas as pessoas responderem solidariamente com a sociedade pelos atos dolosos praticados. No que diz respeito ao Código Tributário Nacional, a responsabilidade do sócioadministrador por atos com infração à lei está determinada no art. 135, verbis: Art. 135 São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; os mandatários, prepostos e empregados; os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, (grifamos) No caso sob análise, os atos com infração à lei sobejam, conforme amplamente demonstrado. Neste sentido, é firme a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, á exemplo da ementa abaixo: (...) Diante dos fatos e dos fundamentos de direito narrados, para garantia do amplo direito de defesa e do devido processo legal, damos ciência deste termo, assim como dos autos de infração anexos, às pessoas jurídicas e físicas EXECUÇÃO SOLUÇÕES CALL CENTER LTDA CNPJ 05.038.033/000144, MAY & CARDOSO LTDA CNPJ 07.365.832/000150, EDUARDO MAY CABRAL & CIA LTDA CNPJ 05.675.238/000130, MARCOS MAY CABRAL & CIA LTDA CNPJ 07.081.290/000194, MARCOLINO CARGNIN CABRAL CPF 219.862.90034, LEONI MAY CABRAL CPF 910.619.97987, BEATRIZ MAY CABRAL CPF 026.383.33999, EDUARDO MAY CABRAL CPF 007.808.01938, MARCOS MAY CABRAL CPF 033.550.93980 e EMERSON SERGIO CARDOSO CPF 007.113.519 70, na condição de sujeitos passivos solidários pelos créditos tributários constituídos de ofício. Fl. 382DF CARF MF Processo nº 11516.720695/201117 Resolução nº 9202000.187 CSRFT2 Fl. 383 12 (...)" Assim, não obstante a Recorrente transcrever resumidamente em seu pleito as mencionadas evidências constantes do referido Processo 11516.720696/201161 (em suas fls. 840 a 856) e ainda que aceda aqui à referida utilização de provas emprestadas no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, uma vez respeitados os princípios de contraditório e ampla defesa no âmbito do processo originário (onde constam as provas utilizadas) e no feito sob julgamento (fato incontroverso no presente caso), entendo, com fulcro no acima reproduzido, que podem tais evidências probatórias, quando consultadas em seu inteiro teor, influenciar de forma decisiva a convicção deste Colegiado quanto ao estabelecimento da responsabilidade solidária, tanto das pessoas jurídicas como das pessoas físicas imputadas no lançamento em questão. Destarte, entendo que devem tais evidências estar anexadas em sua integralidade também no presente feito, de forma a que se promova a devida instrução probatória, possibilitandose uma decisão deste Colegiado a partir da análise de todos os elementos fático probatórios relevantes ao caso sob análise. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência à Secretaria de Câmara, a fim de que sejam anexadas ao presente feito as fls. 840 a 856 do Processo 11516.720696/201161, que fundamentaram a alegação de existência de conluio/fraude/simulação da autoridade fiscal e a consequente imputação de responsabilidade passiva solidária por parte daquela autoridade. Posteriormente, em plena obediência ao princípio do contraditório e ampla defesa, cientifiquese a interessada e os demais responsáveis solidários, com reabertura de prazo de 15 (quinze) dias para oferecimento de contrarrazões, com posterior retorno do feito a este relator, para prosseguimento no julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 383DF CARF MF
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Numero do processo: 13770.000663/2005-78
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005
RECURSO DE DIVERGÊNCIA. CONHECIMENTO.
Não se conhece do recurso especial de divergência quando os acórdãos paradigma e recorrido não tem similitude fática nem se refiram à mesma situação jurídica.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. PRECLUSÃO. Não é permitida a produção de provas em sede recursal quando não caracterizada a hipótese prevista no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Situação em que o sujeito passivo apresenta provas após o prazo final para interposição do recurso voluntário sem que elas levem à exaustão do litígio.
Numero da decisão: 9303-006.738
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à possibilidade de juntada extemporânea de provas. No mérito, na parte conhecida, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso especial de divergência quando os acórdãos paradigma e recorrido não tem similitude fática nem se refiram à mesma situação jurídica. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. PRECLUSÃO. Não é permitida a produção de provas em sede recursal quando não caracterizada a hipótese prevista no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Situação em que o sujeito passivo apresenta provas após o prazo final para interposição do recurso voluntário sem que elas levem à exaustão do litígio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à possibilidade de juntada extemporânea de provas. No mérito, na parte conhecida, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 77 0. 00 06 63 /2 00 5- 78 Fl. 718DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Trata o presente processo da utilização de créditos de PIS oriundos da incidência não cumulativa na exportação, para ressarcimento do montante de R$ 1.305.626,49, referente ao período de apuração de junho de 2005, e sua utilização em compensações. O despacho decisório DRF/VIT/ES, à efl. 179, com base em Parecer do SEORT de efls. 155 a 178, reconheceu a existência de crédito no montante de R$ 554.877,26, suficiente apenas para a homologação parcial das compensações originalmente pleiteadas. Basicamente, foram glosados valores relativos a bens e serviços que não se caracterizariam como insumos nos entendimentos expressos pelos órgãos da RFB, bem como valores que caracterizariam despesas e não insumos. Cientificada do despacho, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, às efls. 193 a 206, em 20/10/2009, para que fosse reformado o parecer e o despacho decisório, a fim de homologar as compensações do presente processo, ou ainda diligência para apuração dos fatos. Já a 5ª Turma da DRJ/RJ2, no acórdão nº 1330.892, prolatado em 18/08/2010, às efls. 254 a 270, considerou, por unanimidade, improcedente a manifestação de inconformidade. Intimada do acórdão da DRJ em 27/10/2010 (efl. 272), a contribuinte, interpôs recurso voluntário, em 26/11/2010, às efls. 273 a 290. Em apertado resumo, esgrime os seguintes argumentos: a) o conceito de insumos abrangeria toda e qualquer matériaprima e serviços utilizados na cadeia produtiva e que sejam essenciais à produção da celulose; b) créditos de PIS decorrentes da aquisição de insumos de fornecedores tributados pelo PIS na sistemática de cumulatividade não devem ser glosados, com inteligência extraída de julgado do STJ para fins de crédito presumido do IPI. Posteriormente, em 25/09/2014 (efl. 306), a contribuinte trouxe aos autos laudo técnico da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" USP, às efls. 306 a 497, com detalhamento de seu processo produtivo. O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em 10/12/2015, resultando no acórdão nº 3402002.808, às efls. 1735 a 1753, que tem as seguintes ementas: ÔNUS DA PROVA. GLOSAS. DIREITO CREDITÓRIO. Cabe à recorrente, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 333, II do Código de Processo Civil, comprovar a eventual existência de elemento modificativo ou extintivo da decisão que não reconheceu motivadamente o seu direito creditório. O acórdão teve o seguinte teor: Fl. 719DF CARF MF Processo nº 13770.000663/200578 Acórdão n.º 9303006.738 CSRFT3 Fl. 719 3 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negouse provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, que votou por converter o julgamento em diligência para que fosse apurado se os créditos glosados guardam pertinência com o processo produtivo. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. O cerne da discussão consistiu na falta de comprovação, no momento processual adequado, de alguns gastos que o colegiado poderia em tese ter acatado como insumos passíveis da concessão de créditos, diferentemente do entendimento esposado pela decisão de primeira instância. Houve todavia, glosas já mantidas em primeira instância por falta de provas, tendo o sujeito passivo, naquela etapa, apresentado meras alegações. Assim, ainda que conceitualmente determinados gastos com bens pudessem ser tratados como insumos para fins de créditos do PIS não cumulativo, nos termos dos fundamentos jurídicos aceitos pelo colegiado, no caso, foi utilizado como razão de decidir o fato de que a contribuinte não trouxera aos autos, até a interposição do recurso voluntário, comprovação de que os gastos em discussão eram efetivamente aplicados nas operações vinculadas ao processo produtivo. Salientese que, como a discussão acerca da comprovação da classificação dos gastos já existia desde o despacho decisório inicial, o colegiado ora recorrido entendeu não se aplicar ao caso as exceções de aceitação da produção de prova extemporânea previstas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Para ilustração dessa questão, cabe a reprodução, de excertos do despacho decisório, nos termos a seguir: Em ambos os casos o cerne do raciocínio desenvolvido foi utilização, melhor dizendo, a prestação efetiva e direta dos serviços no processo produtivo de tal sorte que, não atendidos tais requisitos, não há possibilidade de se reconhecer característica de insumo a estes. ... Nesta categoria (serviços) também foram relacionadas aquisições de combustíveis para utilização em veículos da empresa, redundando em sua glosa, não pelo equivoco da classificação proposta (insumo — bem x serviço), mas sim, por não possuir este combustível a natureza de insumo, haja vista sua não utilização direta no processo produtivo. Embargos de declaração da contribuinte Intimada do acórdão nº 3402002.808 em 17/10/2016 (efl. 516), a contribuinte apresentou embargos de declaração em 24/10/2016, às efls. 522 a 528, embasado em alegada contrariedade e omissão no acórdão que, apesar de discordar do conceito de insumo presente no acórdão da DRJ, deixou de apreciar as provas da aplicação indireta desses insumos no processo produtivo. Por essa razão, a contribuinte requereu o conhecimento e o provimento dos embargos para sanar a contradição e a omissão apontadas para que esta Turma, ao final, reformasse a decisão recorrida e desse provimento ao recurso voluntário. Fl. 720DF CARF MF 4 Os embargos foram analisados pelo então Presidente da 2ª Turma da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, às efls. 578 a 580, nos termos dos arts. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, datado de 25/04/2017, que entendeu por rejeitá lo, definitivamente, em face da inexistência de contradição ou omissão. O acórdão simplesmente continha o entendimento de que a contribuinte não se desincumbiu adequadamente de seu ônus probatório e negou de pedido de diligência sendo assim, questão valorativa do julgado, fundamentada no voto condutor. Recurso especial de divergência da contribuinte Intimada (Intimação nº 1905/2017, à ef. 584), para ciência do despacho de admissibilidade de seus embargos de declaração em 11/08/2017 (efl. 586), a contribuinte interpôs recurso especial de divergência em 28/08/2017, às efls. 591 a 624. A contribuinte levanta divergência em relação a duas matérias, no acórdão recorrido: a) impossibilidade de o CARF manter glosa de crédito valendose de fundamento não cogitado no despacho decisório da DRF que glosou créditos de PIS não cumulativo e b) possibilidade de os contribuintes juntarem provas em momento posterior à apresentação da manifestação de inconformidade. No tocante à primeira matéria, alega que o acórdão recorrido entendeu que, apesar de os insumos aplicados indiretamente no processo produtivo poderem dar direito ao crédito (diferentemente do entendimento exposto no despacho decisório que gerou o litígio), o referido direito não poderia ser reconhecido em razão da falta de comprovação pela contribuinte de que os insumos em testilha tenham participado do processo produtivo. Contudo, o acórdão paradigma de nº 3403000.994, para situação fática similar teria concluído que em sede de recurso voluntário não poderia ser revista a glosa efetuada valendose de fato não cogitado originalmente pela autoridade administrativa, mormente quando essa inovação piorava a situação do contribuinte. Já quanto à segunda matéria do recurso, ao considerar precluído o direito de apresentação de prova técnica pela contribuinte, alega que haveria divergência em relação aos acórdãos paradigmas nº 9101002.781 e nº 2201003.357, que admitiram a apresentação de provas após a manifestação de inconformidade, e sua aceitação em observância ao princípio da formalidade moderada, sem afronta ao princípio do contraditório e da ampla defesa. O Presidente da 4ª Câmara de Terceira Seção de Julgamento do CARF, apreciou o recurso especial de divergência da contribuinte em 13/06/2016, no despacho de e fls. 690 a 697, com base nos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, dandolhe seguimento com relação às duas matérias indicadas. Contrarrazões da Fazenda A Procuradoria da Fazenda Nacional foi intimada do acórdão nº 3402 002.808, e do despacho de admissibilidade de efls. 690 a 697, em 18/10/2017 (efl. 6985), e apresentou contrarrazões em 23/10/2017, às efls. 699 a 715. Em relação à divergência acerca da primeira matéria, a impossibilidade de o CARF manter glosa de crédito valendose de fundamento não cogitado no despacho decisório da DRF que glosou créditos de PIS não cumulativo, a Procuradora, em síntese, esgrime os seguintes argumentos, para que dele não se conheça: Fl. 721DF CARF MF Processo nº 13770.000663/200578 Acórdão n.º 9303006.738 CSRFT3 Fl. 720 5 a) no paradigma houve reforma do despacho da DRF piorando a situação do contribuinte, não houve alteração de fundamentos apenas, mas alteração da própria conclusão da autoridade da DRF, enquanto no presente processo, a Turma recorrida manteve as conclusões do acórdão da DRJ. b) não haveria inovação na decisão que demandasse nova produção probatória, pois se trata de pedido de compensação iniciado pela contribuinte, a quem cabe o ônus probatório para o que fora intimado para explicar e demonstrar seu processo produtivo e como os itens pleiteados nele se encaixavam , principalmente em face do conceito restritivo de insumo esgrimido já pela DRF e DRJ. Já no tocante à divergência sobre a possibilidade de os contribuintes juntarem provas em momento posterior à apresentação da manifestação de inconformidade, o acórdãos indicado para divergência trata de auto de infração e não de compensação, o que traz discrepância quanto à distribuição do ônus probatório entre ambos, cabendo à contribuinte demonstrar a similitude dos quadros fáticos mormente em questões de prova. Por isso também não se haveria de conhecêlo. Pelas razões apresentadas, a Fazenda Nacional pugna pelo não conhecimento do recurso especial de divergência interposto pela contribuinte e caso seja conhecido, que lhe seja negado provimento. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso especial da contribuinte é tempestivo Do conhecimento Com a devida vênia do então Presidente da 4ª Câmara, penso que se deva conhecer apenas em parte do recurso especial de divergência que fora integralmente admitido. Na primeira matéria contestada, tratando da impossibilidade de o CARF manter glosa de crédito valendose de fundamento não cogitado no despacho decisório da DRF que glosou créditos de PIS não cumulativo, há que se observar que a recorrente alega impossibilidade de alteração dos pressupostos de fato da decisão da DRF como no caso do paradigma acostado ( 3403000.994). De início há de se observar que o paradigma juntado trata de pedido de ressarcimento de IPI, tributo distinto daquele aqui apreciado. Em tese, esse não seria motivo suficiente para afastar o conhecimento do recurso, visto que a matéria é eminentemente referente ao direito adjetivo, que se classifica como norma geral. Contudo, mesmo que se pretenda fazer analogia com relação ao conceito de insumo para tributação pelo IPI, no acórdão recorrido, expressamente, esse conceito não foi o adotado, conforme pode se observar no seguinte trecho do voto da relatora: Fl. 722DF CARF MF 6 Este Conselho Administrativo não tem adotado, para fins de aproveitamento de créditos do PIS/Pasep e da Cofins, a interpretação restrita de insumos veiculada pelas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004, e nem tão amplo, de acordo com a legislação do Imposto de Renda, conforme bem esclarece o Acórdão nº 3403002.656, julgado em 28/11/2013, cujo Relator foi Conselheiro Rosaldo Trevisan, cuja ementa ora se transcreve: ASSUNTO:CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração:01/04/2004 a 30/06/2004 Ementa: PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N.2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. (Negritei.) Ou seja, até mesmo por se tratar de tributos distintos, com legislação distinta, as razões de decidir não são comparáveis nos dois acórdãos. Porém, a diferença fática é mais relevante, no tocante à análise da divergência: (a) no paradigma é clara a alteração dos pressupostos de fato da decisão, com reformatio in pejus e (b) no recorrido, para se chegar à conclusão de ocorrência de alteração dos pressupostos de fato da decisão são necessárias várias ilações, bem como não houve reformatio in pejus. Quanto aos fatos, o paradigma trata de ressarcimento de créditos de insumos adquiridos com alíquota zero e isentos, entre 04/1999 e 03/2003. Além disso, havia ação judicial discutindo o direito de crédito para quanto a essas aquisições, pela qual se concedera, em parte, segurança, em relação a matérias primas. a DRF reconheceu a compensação na escrita fiscal e indeferiu a compensação com débitos de outra natureza, por não ter ocorrido o trânsito em julgado. Em face da manifestação de inconformidade, a decisão de primeira instância indeferiu toda a solicitação por entender que nenhum crédito deveria ter sido Fl. 723DF CARF MF Processo nº 13770.000663/200578 Acórdão n.º 9303006.738 CSRFT3 Fl. 721 7 compensado, por conta de discussão judicial (art. 20 da IN 600/05). Na sequência, o paradigma determinou a nulidade da decisão de primeira instância, por ter extrapolado do limite do despacho decisório da DRF (reformatio in pejus). Já o acórdão recorrido no presente processo trata de questão totalmente distinta. Aqui, o despacho decisório da DRF entende que os créditos devem ser decorrentes de gastos com conexão direta ao processo produtivo. Ora, para haver conexão direta, eles devem ser necessários (compor custos) e ter conexão direta, e isso não havia sido comprovado. A decisão de primeira instância confirmou o critério do despacho decisório e a decisão de segunda instância, do CARF, em que pese ter aceitado em tese a possibilidade de aceitação de conexão indireta, entendendo aplicável o requisito da pertinência e essencialidade do gasto ao processo de produção, analisou os autos e entendeu que (a) era ônus do sujeito passivo a comprovação da necessidade do gasto para o processo de produção, (b) ele não havia se desincumbido dessa comprovação e (c) era inadmissível a aceitação de provas relativas a essa característica, após a manifestação de inconformidade. Ficou claro que não houve reformatio in pejus na decisão do acórdão recorrido e nada garante que o colegiado paradigmático decidiria de forma diversa daquela decidida pelo colegiado recorrido, em face da situação posta no recorrido. Portanto, seja pela situação jurídica (imposto distinto) diversa, seja pela situação fática (reformatio in pejus) distinta, não conheço do recurso especial de divergência do sujeito passivo com relação a essa matéria. Com relação à segunda matéria, em que pesem as alegações de não conhecimento da Procuradora em contrarrazões, conheço do recurso. Entendo estar comprovada a divergência, pois enquanto o recorrido não aceita a juntada de provas após o momento recursal normativamente determinado, os paradigmas aceitam essa juntada, em nome do princípio do formalismo moderado e da aplicação subsidiária da Lei n° 9.784/1999. Com efeito, o fato de os paradigmas tratarem de auto de infração enquanto o recorrido trata de compensação de tributos é uma diferença acidental, que não prejudica a comprovação da divergência. Do mérito Quanto à segunda matéria, há que se observar que a aceitação da apresentação de prova extemporânea é de ser considerada apenas em relação ao momento processual e nas condições que se extraem do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) Fl. 724DF CARF MF 8 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...) (Negritei.) No caso em apreço, o recurso voluntário havia sido interposto em 26/11/2010, contudo, a contribuinte trouxe seu laudo ao processo em 29/09/2014; quase quatro anos depois do prazo final para interposição do recurso. Ainda que se aceitasse a apresentação de prova em sede de recurso voluntário, obviamente, não se tratava mais de preclusão relativamente ao momento processual, mas de simples intempestividade, pois, quando da entrega do laudo, em muito se ultrapassara o prazo para interposição do próprio recurso voluntário. Quer a contribuinte ver apreciada matéria probatória que nem mesmo havia trazido aos autos tempestivamente com o recurso. Penso que o formalismo moderado que se poderia invocar está limitado às situações previstas no art. 16, contudo, com muita parcimônia, e apenas nos casos em que a prova exaurisse a discussão, o que não é o caso dos autos, para os quais o laudo abriria novas frentes de discussão. A simples inclusão de um determinado bem ou serviço em um centro de curto, como definido no laudo, não implicaria que todos os gastos naquele centro de custo tivessem sido realizados de forma imediata na produção, poderiam ser necessárias novas diligências probatórias. Portanto, entendo que não se deva dar provimento ao recurso nessa matéria. CONCLUSÃO Em face do exposto, voto por conhecer em parte do recurso especial de divergência da contribuinte, no tocante à possibilidade de os contribuintes juntarem provas extemporâneas, para negarlhe provimento quanto a esta matéria. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 725DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.904914/2011-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2006
RESSARCIMENTO. PENDÊNCIA JUDICIAL.
É vedado o ressarcimento à pessoa jurídica com processo judicial em que a decisão definitiva a ser proferida pelo Poder Judiciário possa alterar o valor do ressarcimento solicitado.
RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR.
Tendo o saldo credor de IPI do trimestre sido reduzido em decorrência de procedimento fiscal, é este (novo) saldo que deve ser usado para a compensação dos débitos apresentados em Dcomp.
Numero da decisão: 3301-004.466
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por concomitância entre as esferas administrativa e judicial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
José Henrique Mauri - Presidente Substituto.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Liziane Angelotti Meira- Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques DOliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semiramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente Substituto).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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decisao_txt : Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por concomitância entre as esferas administrativa e judicial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Henrique Mauri - Presidente Substituto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Liziane Angelotti Meira- Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques DOliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semiramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente Substituto).
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PENDÊNCIA JUDICIAL. É vedado o ressarcimento à pessoa jurídica com processo judicial em que a decisão definitiva a ser proferida pelo Poder Judiciário possa alterar o valor do ressarcimento solicitado. RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR. Tendo o saldo credor de IPI do trimestre sido reduzido em decorrência de procedimento fiscal, é este (novo) saldo que deve ser usado para a compensação dos débitos apresentados em Dcomp. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por concomitância entre as esferas administrativa e judicial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Henrique Mauri Presidente Substituto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Liziane Angelotti Meira Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 49 14 /2 01 1- 74 Fl. 372DF CARF MF Processo nº 10840.904914/201174 Acórdão n.º 3301004.466 S3C3T1 Fl. 373 2 Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D’Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semiramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente Substituto). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório elaborado pela decisão recorrida (fls. 201/207), abaixo transcrito: Tratase de manifestação de inconformidade, apresentada pela requerente, ante Despacho Decisório Eletrônico de autoridade da Delegacia da Receita Federal do Brasil que não homologou a compensação declarada, no valor de R$ 26.246,14, por ser inexistente o crédito utilizado nesta compensação, em decorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. O Fisco esclareceu que a ação fiscal, que deu origem ao auto de infração (processo administrativo nº 13603.724419/201174), teve por objeto a verificação de créditos e compensações referentes a diversos pedidos de ressarcimento de créditos de lPI apresentados pelo contribuinte. Relatou que a empresa em comento ingressou com Ação de Rito Ordinário com pedido de Antecipação de Tutela em face da União (Fazenda Nacional) distribuída perante a 6a vara da Justiça Federal de São Paulo em 16/10/2003, sob n° 2003.61.00.0295233, visando o não recolhimento do IPI incidente sobre os produtos destinados à alimentação de cães e gatos fabricados por ela e acondicionados em embalagens com capacidade superior a 10Kg, alegando flagrante ilegalidade e inconstitucionalidade do Decreto n° 4.542/02 e posteriores, que viessem em dissonância ao Decreto Lei n° 400/68. Obtida a tutela antecipada e sentença favorável, o Fisco decidiu proceder ao lançamento para evitar o transcurso do prazo decadencial, já que a empresa não fez o destaque nem escriturou o IPI devido nas saídas em comento. Os valores de IPI não destacados em cada período foram utilizados no procedimento de reconstituição da escrita fiscal do contribuinte, de modo a apurar os verdadeiros saldos devedores e/ou credores que deveriam estar escriturados nos Livros de Registro de Apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados (LAIPI) no período fiscalizado.Os valores de IPI não destacados em cada período foram utilizados no procedimento de reconstituição da escrita fiscal do contribuinte, de modo a apurar os verdadeiros saldos devedores e/ou credores que deveriam estar escriturados nos Livros de Registro de Apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados (LAIPI) no período fiscalizado. Em decorrência do auto de infração, verificouse alterações nos saldos da escrita fiscal, resultando no aparecimento de saldos devedores até então inexistentes ou na redução de saldos credores apurados pelo contribuinte, o que teve influência nos valores de ressarcimento pleiteados. Fl. 373DF CARF MF Processo nº 10840.904914/201174 Acórdão n.º 3301004.466 S3C3T1 Fl. 374 3 Regularmente cientificada da nãohomologação da compensação, a empresa apresentou manifestação de inconformidade, encaminhada pelo órgão de origem como tempestiva, na qual, em síntese, fez as seguintes considerações: 1. No que tange a saída de produtos destinados à alimentação de cães e gatos acondicionados em embalagens com capacidade superior a 10Kg, a requerente, a partir do 3o decêndio de outubro/03, buscou autorização judicial para não incidência do IPI sobre esses produtos, face a flagrante ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação que o instituiu, qual seja, Decreto n° 4.542/02. Em razão disso, a requerente acumulou saldo credor de IPI, o que lhe permite, a cada trimestre calendário, utilizálo em compensações com débitos de outros tributos federais administrados pela Receita Federal do Brasil. Portanto é legítima a compensação, nos termos autorizados pelo artigo 170 do Código Tributário Nacional, combinado com o artigo 74 da Lei n° 9.430/96, com redação conferida pela Lei n° 10.637/02 e artigo n°. 26 e seguintes da Instrução Normativa SRF n° 600/2005, vigente à época das compensações. Deveria ser, portanto, declarada homologada a compensação dos créditos de IPI que a requerente efetuou com seu débito de COFINS de junho de 2006, vez que possuía saldo credor suficiente. 2. A Delegacia da Receita Federal, em 09/12/2011, lavrou o Auto de Infração e Imposição de Multa Processo Administrativo MPF n° 0611000/00639/11, visando prevenir a decadência do crédito tributário de IPI sobre produtos destinados à alimentação de cães e gatos fabricados pela requerente, acondicionados em embalagens com capacidade superiora 10Kg, sendo assim, imperioso que o julgamento da presente Manifestação de Inconformidade aguarde o julgamento da referida Impugnação Administrativa, pois, certamente a mesma será julgada totalmente procedente, com o conseqüente cancelamento do Auto de Infração e o restabelecimento da Escrita Fiscal, o que ensejará a homologação da presente compensação em sua integralidade. 3. A Ação Ordinária n° 2003.61.00.0295233 em nada poderá alterar os valor pleiteado na presente compensação, vez que, conforme bem demonstrado anteriormente, o saldo credor utilizado pela requerente foi derivado de aquisição de matérias primas, produtos industrializados e materiais de embalagem, nos termos do artigo 11 da Lei n° 9.779/99, não tendo nenhuma pertinência com a referida Ação. É certo que se ao final a Ação Ordinária n° 2003.61.00.0295233 for julgada improcedente, a DRF terá o direito de exigir os valores de IPI não destacados nas Notas Fiscais de saída, motivo pelo qual a legislação prevê a possibilidade de se lavrar o Auto de Infração com a exigibilidade suspensa, com a finalidade de prevenir a decadência. 4. Evidente que a requerente, mediante autorização judicial a qual foi concedida em sede de antecipação de tutela, não deveria proceder ao destaque do IPI em suas Notas Fiscais de saída e por conseqüência, deveria seguir com sua Escrita Fiscal, sob pena de perder o objeto a referida Ação. Totalmente descabida a Fl. 374DF CARF MF Processo nº 10840.904914/201174 Acórdão n.º 3301004.466 S3C3T1 Fl. 375 4 pretensão da DRF no sentido de que a Requerente não poderia utilizar os saldos credores apresentados ao final dos trimestres calendários, pois se assim fosse, estaria desconsiderando a decisão judicial que lhe foi concedida. 5. Da mesma forma, resta cristalino que a DRF está descumprindo determinação judicial contida na Ação Ordinária n° 2003.61.00.0295233, qual seja, absterse de exigir da Requerente o IPI sobre alimentação de cães e gatos acondicionados em embalagens acima de dez quilos. 6. Verificase que a compensação procedida pela Requerente está em consonância com a legislação pertinente sobre a matéria, haja vista ser o crédito legítimo. Por fim, solicitou seja recebida e acolhida a Manifestação de Inconformidade apresentada a fim de reformar integralmente o Despacho Decisório proferido nos autos, uma vez que amplamente comprovado que a Requerente possuía crédito de IPI passível de ser compensado e protestou pela produção de todas as demais provas admitidas em direito, inclusive, a oral. Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), julgou improcedente, conforme Acórdão nº 1448.966 8ª Turma da DRJ/RPO (fls 201/207), com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2006 RESSARCIMENTO. PENDÊNCIA JUDICIAL. É vedado o ressarcimento à pessoa jurídica com processo judicial em que a decisão definitiva a ser proferida pelo Poder Judiciário possa alterar o valor do ressarcimento solicitado. RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR. Tendo o saldo credor de IPI do trimestre sido reduzido em decorrência de procedimento fiscal, é este (novo) saldo que deve ser usado para a compensação dos débitos apresentados em Dcomp. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Foi apresentado Recurso Voluntário às fls. 224/256, no qual se alegou, em síntese: · que a Recorrente estava amparada por decisão judicial que autorizava a não incidência do IPI sobre produtos destinados à alimentação de cães e gatos acondicionados em embalagens com capacidade superior a 10 kg; · indevida reconstituição da escrita fiscal em razão da não incidência do IPI sobre produtos destinados à alimentação de cães e gatos acondicionados em embalagens com capacidade superior a 10 kg; Fl. 375DF CARF MF Processo nº 10840.904914/201174 Acórdão n.º 3301004.466 S3C3T1 Fl. 376 5 · impossível a glosa dos créditos de IPI em razão da mencionada decisão judicial; e · não incidência de IPI sobre produtos enquadrados na posição 2309.10.00 da TIPI; · inaplicabilidade do art. 20 da IN RFB no 600/2005; · necessidade de julgamento simultâneo ao processo no 0611000/639/11 Posteriormente, a Recorrente junta aos autos a informação de que, após a interposição do Recurso Voluntário, a Ação Anulatória no 0029523662003.4.03.6100 transitou em julgado de forma favorável às suas pretensões. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Quanto ao pedido de de julgamento simultâneo do processo no 0611000/639/11 (na verdade, este é o número do Mandado de Procedimento Fiscal), cumpre anotar que os processos conexos estão sendo julgamos neste mesma sessão, a saber: 13603.724419/201174 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904913/201120 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904915/201119 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904916/201163 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904917/201116 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904918/201152 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904919/201105 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904920/201121 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904921/201176 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904922/201111 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904923/201165 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904924/201118 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904925/201154 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904926/201107 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904927/201143 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904928/201198 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904929/201132 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904930/201167 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA A Recorrente alegou que o fato de possuir tutela antecipada na Ação Ordinária n° 2003.61.00.0295233 lhe garante o não destaque do IPI nas notas fiscais, a não escrituração destes valores no livro de apuração de IPI e o conseqüente saldo credor nele Fl. 376DF CARF MF Processo nº 10840.904914/201174 Acórdão n.º 3301004.466 S3C3T1 Fl. 377 6 apurado para ressarcimento, ou seja, que tem o direito líquido e certo ao ressarcimento em discussão. Defende, nesse sentido, inaplicabilidade do art. 20 da IN RFB no 600/2005, e o seu direito de destacar o IPI em suas notas fiscais de saída, em decorrência da ação judicial. Cabe, contudo, colacionar o art. 20 da IN mencionada (que regulava a matéria na época): Art. 20. É vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial ou com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido. Parágrafo único. Ao requerer o ressarcimento, o representante legal da pessoa jurídica deverá prestar declaração, sob as penas da lei, de que a pessoa jurídica não se encontra na situação mencionada no caput. Importante também transcrever o artigo que exige, mesmo para o caso de decisão judicial definitiva, a habilitação do crédito: Art. 51. Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o Pedido Eletrônico de Restituição e o Pedido Eletrônico de Ressarcimento, gerados a partir do Programa PER/DCOMP, somente serão recepcionados pela SRF após prévia habilitação do crédito pela Delegacia da Receita Federal (DRF), Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (Derat) ou Delegacia Especial de Instituições Financeiras (Deinf) com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. § 1º A habilitação de que trata o caput será obtida mediante pedido do sujeito passivo, formalizado em processo administrativo instruído com: I o formulário Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, constante do Anexo V desta Instrução Normativa, devidamente preenchido; II a certidão de inteiro teor do processo expedida pela Justiça Federal; III a cópia do contrato social ou do estatuto da pessoa jurídica acompanhada, conforme o caso, da última alteração contratual em que houve mudança da administração ou da ata da assembléia que elegeu a diretoria; IV cópia dos atos correspondentes aos eventos de cisão, incorporação ou fusão, se for o caso; V a cópia do documento comprobatório da representação legal e do documento de identidade do representante, na hipótese de pedido de habilitação do crédito formulado por representante legal do sujeito passivo; e Fl. 377DF CARF MF Processo nº 10840.904914/201174 Acórdão n.º 3301004.466 S3C3T1 Fl. 378 7 VI a procuração conferida por instrumento público ou particular e cópia do documento de identidade do outorgado, na hipótese de pedido de habilitação formulado por mandatário do sujeito passivo. § 2º O pedido de habilitação do crédito será deferido pelo titular da DRF, Derat ou Deinf, mediante a confirmação de que: I o sujeito passivo figura no pólo ativo da ação; II a ação tem por objeto o reconhecimento de crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF; III houve reconhecimento do crédito por decisão judicial transitada em julgado; IV foi formalizado no prazo de 5 anos da data do trânsito em julgado da decisão; e V na hipótese de ação de repetição de indébito, houve a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial ou a comprovação da renúncia à sua execução, bem assim a assunção de todas as custas e os honorários advocatícios referentes ao processo de execução. § 3º Constatada irregularidade ou insuficiência de informações nos documentos a que se referem os incisos I a V do § 1º, o requerente será intimado a regularizar as pendências no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data de ciência da intimação. § 4º No prazo de 30 (trinta) dias, contado da data da protocolização do pedido ou da regularização de pendências de que trata o § 3º, será proferido despacho decisório sobre o pedido de habilitação do crédito. § 5º Será indeferido o pedido de habilitação do crédito nas seguintes hipóteses: I não forem atendidos os requisitos constantes nos incisos I a V do § 2º; ou II as pendências a que se refere o § 3º não forem regularizadas no prazo nele previsto. § 6º O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou o deferimento do pedido de restituição ou de ressarcimento. Seguimos o entendimento da decisão recorrida de não há qualquer direito ao ressarcimento deferido pela sentença judicial não definitiva. De acordo com o art. 170A do CTN, é defeso efetuar compensações de débitos mediante aproveitamento de tributo objeto de contestação judicial em trâmite, ou seja, ainda não julgado definitivamente. Ou seja, só há crédito oponível à Fazenda Pública com o desfecho em definitivo favorável ao particular da demanda judicial. Fl. 378DF CARF MF Processo nº 10840.904914/201174 Acórdão n.º 3301004.466 S3C3T1 Fl. 379 8 Conforme se destacou na decisão recorrida, o direito pretendido com a ação judicial somente será liquido e certo quando a sentença, se favorável ao contribuinte, transitar em julgado e operar seus efeitos. No entanto, este direito, não respaldava o ressarcimento, que era expressamente vedado pelo art. 20 da IN SRF nº 600, de 2005 (disposição idêntica encontrase vigente no art. 42 da IN RFB nº 1717, de 2017). Dessa forma, adotase o entendimento da decisão recorrida de que somente é permitido o ressarcimento do imposto após a utilização dos créditos de IPI escriturados pelo contribuinte na dedução, em sua escrita fiscal, dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados, além de ser vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial ou com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido. Portanto, a matéria discutida na ação judicial altera o valor do saldo de IPI apurado nos trimestres em referência e, consequentemente, correto o procedimento do Fisco que refez a escrita fiscal, incluindo os débitos discutidos judicialmente, para calcular o real saldo (devedor/credor) dos trimestres analisados. Por outro lado, mesmo que se concordasse com a Recorrente, contrariamente a determinação expressa da legislação, que ela poderia utilizar créditos com fulcro em decisão judicial não transitada em julgado, ela estaria sujeita à habilitação do seu crédito, o que não efetuou. O cumprimento dessa obrigação acessória é imprescindível para que o Fisco tenha conhecimento e controle deste crédito e é condição para o exercício do direito de creditamento. Portanto, ainda que se adotasse este entendimento, defendido pela Recorrente o qual não adotamos deveria ser mantida a glosa por falta de habilitação do crédito. Dessarte, mantémse, por seus próprios fundamentos, o entendimento constante da decisão recorrida. Quanto à informação juntada pela Recorrente de que houve trânsito em julgado em seu favor na Ação Anulatória no 0029523662003.4.03.6100, não há efeito direto sobre o presente processo administrativo. Não se pode tratar aqui do mérito levado ao Judiciário, pois, conforme a Súmula nº 1 do CARF, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Diante do exposto, proponho manter integralmente a decisão recorrida e voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Liziane Angelotti Meira Relatora Fl. 379DF CARF MF Processo nº 10840.904914/201174 Acórdão n.º 3301004.466 S3C3T1 Fl. 380 9 Fl. 380DF CARF MF
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Numero do processo: 10855.901928/2008-71
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO.
A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72.
Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1001-000.531
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. Acordam, ainda, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues que lhe deu provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. Votou pelas conclusões o conselheiro José Roberto Adelino da Silva.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. Acordam, ainda, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues que lhe deu provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. Votou pelas conclusões o conselheiro José Roberto Adelino da Silva. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 19 28 /2 00 8- 71 Fl. 92DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de Declaração de Compensação 15949.38731.310804.1.3.042820 (efl. 02/04) através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com créditos decorrentes de pagamentos indevidos de IRPJ estimativa mensal (R$ 1.762,02; competência 31/07/2004). O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório 775601060 (efl. 05), que analisou as informações e não reconheceu o direito creditório atestando que os pagamentos relacionados foram integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (efls. 10/11), em que alegou que: houve um equívoco de preenchimento da PERDCOMP: "No preenchimento do referido PER/DCOMP a Cooper Tools informou, como tipo de crédito, "pagamento indevido ou a maior", no montante atualizado de R$ 1.762,02. Ocorre que, na realidade o crédito não corresponde a pagamento "indevido ou a maior" e sim a "saldo negativo de IRPJ" do anocalendário 2003." A Delegacia de Julgamento (Acórdão 1437.301 6ª Turma da DRJ/RPO, e fl. 29/35) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que o contribuinte não trouxe aos autos as provas contábeis confirmando o direito ao crédito. Cientificada da decisão de primeira instância em 26/04/2012 (efl. 37) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 25/05/2012 (efl. 39), através da qual anexa documentos "no intuito de garantir a veracidade do crédito saldo negativo de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica". Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 74 da lei 9.430/96), fazendose necessário verificar a exatidão das informações referentes ao crédito alegado e confrontar com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o tributo devido no período de apuração e comparálo ao pagamento declarado e comprovado. Nesse sentido o pedido de restituição de crédito não foi acompanhado (quando da apresentação manifestação de inconformidade, efls. 10/11) dos atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10855.901928/200871 Acórdão n.º 1001000.531 S1C0T1 Fl. 93 3 reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Desta forma, com base no artigo art. 170 do CTN e art. 74 da lei 9.430/96 o pedido de restituição/compensação cujo crédito não foi comprovado deve ser indeferido. No mesmo sentido, assim ficou consolidado no Parecer COSIT n. 2/2015: As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário.(Destaquei) Este CARF tem consignado que em tema de restituição e compensação cabe o atendimento de quatro premissas: Ia) a constatação dos pagamentos ou das retenções; 2a) a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções; 3a) a apuração do indébito, fruto do confronto acima delineado e, 4a) a observância do eventual indébito não ter sido liquidado em autocompensações. No caso de compensações de estimativas mensais com utilização de créditos oriundos de pagamentos indevidos ou a maior, ou de saldos negativos de anos calendário anteriores, há que se comprovar a regularidade de tais procedimentos. Para tanto, imprescindível se faz a apresentação, pelo postulante, de elementos probatórios tais como: os registros contábeis de conta no ativo do Imposto de Renda a recuperar, a expressão deste direito em Balanços ou Balancetes, a Demonstração do Resultado do Exercício, a contabilização (oferecimento à tributação) das receitas que ensejaram as retenções, os Livros Diário e Razão, etc., e ainda os registros no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), de modo a dar sustentação à veracidade de eventual saldo negativo de IRPJ declarado. Conforme disposto nos artigos 16 e 17 do Decreto nº 70.235/1972, não se pode apreciar as provas que no processo administrativo o contribuinte se absteve de apresentar na impugnação/manifestação de inconformidade, pois operase o fenômeno da preclusão. O texto legal está assim redigido: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. Fl. 94DF CARF MF 4 V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Neste sentido, e em caso que se referia a restituição/compensação, assim decidiu a 3ª Turma da CSRF, no Acórdão nº 9303006.241: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10855.901928/200871 Acórdão n.º 1001000.531 S1C0T1 Fl. 94 5 salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Assim, no caso em tela, o efeito legal da omissão do Sujeito Passivo em trazer na manifestação de inconformidade e/ou antes da decisão de primeiro grau todos os argumentos contra a não homologação do pedido de compensação e juntar os documentos hábeis a comprovar a liquidez e certeza do crédito pretendido compensar, é a preclusão, impossibilidade de o fazer em outro momento. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Declaração de Voto Na sessão de julgamento do processo em epígrafe, o D. Relator rejeitou em seu voto os documentos apresentados pela Contribuinte por ocasião de seu Recurso Voluntário sob o argumento de que o direito à produção probatória estaria precluído, em estrita aplicação do art. 16, §4º e §5º, do Decreto 70.235/72. Com a devida vênia, discordo do Voto do Relator. Razão pela qual, entendi por bem declarar meu voto, especificando as razões que me levaram a divergir do posicionamento do ilustre Relator. Pois bem, conforme cediço, em nosso sistema jurídico pátrio nenhuma norma paira sozinha no universo, mas, sim, se concilia com todas as demais perfazendo um ordenamento uno, coeso e harmônico. Quer isto dizer que nenhuma norma pode ser interpretada apenas de forma isolada, devendo o hermeneuta, em seu trabalho, extrair de todas as acepções possíveis de determinado texto legal aquelas que permitam aplicação harmoniosa com as demais disposições pertinentes à mesma matéria. Em outras palavras, dentre as várias interpretações possíveis de um dispositivo legal, devese buscar aquela que não entre em conflito com outra norma igualmente válida, sob pena de subversão da ordem jurídica. Fixada essas premissas, cabe voltar a análise as normas vigentes relacionadas à questão da produção probatória. O permissivo legal que fundamentou o Voto do Relator, art. 16 do Decreto 70.235/72, possui a seguinte redação: Fl. 96DF CARF MF 6 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (grifouse) Uma analise literal e isolada deste dispositivo permitiria concluir rigidamente que haveria a preclusão do direito à produção probatória após a apresentação da Impugnação, salvo nas hipóteses taxativas do §5º. Contudo, tal interpretação não deve ocorrer desta forma, vez que há outros elementos normativos atinentes a matéria que também devem ser considerados. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10855.901928/200871 Acórdão n.º 1001000.531 S1C0T1 Fl. 95 7 A Constituição Federal, norma de maior hierarquia em nosso ordenamento, estabelece no inciso LV de ser art. 5º os princípios do contraditório e da ampla defesa, nos seguintes termos: LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Ao incluir o direito ao contraditório e a ampla defesa "com os meios e recursos a ela inerentes" no rol de direitos e garantias fundamentais, o legislador constituinte elevaos ao mais alto grau de importância dentro de nosso ordenamento, restando claro a preponderância que tais direitos devem ter. E, assim, devem ser observados e operacionalizados pelas demais normas infraconstitucionais. Não por acaso, tais princípios foram observados pela Lei 9.784/99, responsável por regular o Processo Administrativo Federal, que trouxe no bojo de seu art. 2º as seguintes disposições: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; (...) VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, e à produção de provas à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (...)(grifouse) Conforme se extrai, o legislador infraconstitucional não só incorporou expressamente os princípios constitucionais da legalidade, ampla defesa, contraditório e ouros, como elencou uma série de critérios a serem observados na regulamentação e condução dos processos administrativos. Fl. 98DF CARF MF 8 Desses critérios expressos acima, temse de forma bastante clara que as formalidades e restrições devem ser limitados ao estrito necessário para garantir a efetividade do processo em atender a finalidade pública. Ora, as regras processuais formais visam dar ordem ao processo, permitindo que este cumpra com seus objetivos de forma eficiente, isto é, dentro da moralidade e proporcionando segurança jurídica no cumprimento do interesse público. Contudo, a norma processual não pode se sobrepor ao próprio objetivo do processo, qual seja, a promoção da legalidade. Por oportuno esclarecese que não se está a sugerir que as regras formais postas sejam mitigadas, mas sim que a interpretação do texto legal seja feita de forma a considerar a finalidade maior do processo, as regras formais não devem ser interpretadas de forma rigorosa a ponto de prejudicar o cumprimento de seu escopo. Ainda, cumpre trazer a colação os termos do art. 38 da mesma Lei 9.784/99, que trata especificamente da produção probatória nos Processos Administrativos Federais: Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1o Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2o Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Notese que o texto legal diz expressamente que é permitido ao interessado apresentar ou requerer a produção de material probatório não só na fase instrutória, mas também antes da tomada da decisão. Outrossim estabelece taxativamente que a prova só poderá ser recusadas quando ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Pois bem, retornando a ideia inicialmente tratada neste Voto de que as normas jurídicas devem ser interpretadas da forma mais harmônica possível, me parece que a interpretação restritiva do art. 16 do Decreto 70.235/72, para recusar de plano toda e qualquer prova apresentada pelo contribuinte após o protocolo da Impugnação/Manifestação de Inconformidade não se coaduna com as demais normativas já expostas. Em verdade, a aplicação tão restrita assim da norma, não só implica na frontal negativa de vigência aos disposto da mais moderna Lei 9.784/99, como destoa até mesmo dos objetivos maiores do Processo Administrativo Federal que é a revisão do ato administrativo fiscal e a garantia de que este se encontra dentro da legalidade. Alias, fazse oportuno lembrar que o Processo Administrativo Fiscal também se rege pelo princípio da busca pela verdade material, ou seja, a preponderância no interesse público é a solução jurídica mais adequada ao caso, independente dos excessos de formalidade. Assim, ao meu ver, a melhor interpretação extraída da conjugação dos disposto quanto ao tema na Constituição Federal, Lei. 9.784/99 e Decreto 70.235/702 é aquela que não impõe óbice na apresentação de provas junto ao Recurso Voluntário, ou até mesmo em Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10855.901928/200871 Acórdão n.º 1001000.531 S1C0T1 Fl. 96 9 momento posterior prévio ao julgamento, desde que as provas não sejam ilícitas ou manejadas de má fé. De forma semelhante tem decidido a 1ª Câmara Superior de Recursos Fiscais, em recentes julgados, conforme se colaciona: PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO. POSSIBILIDADE. SEM INOVAÇÃO E DENTRO DO PRAZO LEGAL. Da interpretação sistêmica da legislação relativa ao contencioso administrativo tributário, art. 5º, inciso LV da Lei Maior, art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo federal, e arts. 15 e 16 do PAF, evidenciase que não há óbice para apresentação de provas em sede de recurso voluntário, desde que sejam documentos probatórios que estejam no contexto da discussão de matéria em litígio, sem trazer inovação, e dentro do prazo temporal de trinta dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. (Processo: 10880.004637/9929. Rel. ANDRE MENDES DE MOURA. Data da Sessão: 14/09/2017) PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO. POSSIBILIDADE. SEM INOVAÇÃO E DENTRO DO PRAZO LEGAL. Da interpretação sistêmica da legislação relativa ao contencioso administrativo tributário, art. 5º, inciso LV da Lei Maior, art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo federal, e arts. 15 e 16 do PAF, evidenciase que não há óbice para apresentação de provas em sede de recurso voluntário, desde que sejam documentos probatórios que estejam no contexto da discussão de matéria em litígio, sem trazer inovação, e dentro do prazo temporal de trinta dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. (Processo: 16327.001227/200542. Rel. ADRIANA GOMES REGO. Data da Sessão: 08/08/2017) RECURSO VOLUNTÁRIO. JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38. É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/1999. (Processo: 14098.000308/200974. Rel. GERSON MACEDO GUERRA. Data da Sessão: 19/06/2017 ) Fl. 100DF CARF MF 10 Para melhor ilustrar, peço vênia para transcrever a parte final da fundamentação do Voto deste último julgado colacionado, de autoria da ilustre Conselheira Cristiane Silva Costa, designada Redatora para o Voto Vencedor: "Os processos administrativos, portanto, devem atender a formalidade moderada, com a adequação entre meios e fins, assegurandose aos contribuintes a produção de provas e, principalmente, resguardandose o cumprimento à estrita legalidade, para que só sejam mantidos lançamentos tributários que efetivamente atendam à exigência legal. (...) Ao tratar do artigo 16, §4º, do Decreto nº 70.235/1972, são as pertinentes considerações de Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez López: Ao se levar às últimas consequências, as regras atualmente vigentes para o Decreto nº 70.235/72, estarseia mitigando a aplicação de um dos princípios mais caros ao processo administrativo que é o da verdade material. (...) Assim, revela destacar que a depender da situação é possível flexibilizar a norma, desde que evidentemente, a prova apresentada seja inconteste e nesse sentido independa da análise de uma instância inferior, eis que a preclusão ligase ao princípio do impulso processual. (...) Na prática, quer nos parecer que, o direito à parte à produção de provas comporta graduação a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade desejável e a segurança indispensável na realização da justiça. (Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 3ª edição, Dialética, 2010, fls. 305 e 306.) Diante de tais razões, voto por dar provimento ao recurso especial do contribuinte, determinando a baixa dos autos para que a Turma a quo aprecie os documentos apresentados pelo contribuinte." Destarte, diante de todos os argumentos expedindos, entendo que as provas apresentadas em momento posterior ao da Impugnação/Manifestação de Inconformidade, podem, e devem, ser conhecidas, desde que não acarretem qualquer prejuízo processual as partes ou ao bom trâmite processual. Ressalvase que o Julgador ao analisar o recebimento de provas que eventualmente entenda serem ilícitas, meramente protelatórias, ou que sejam manejadas com o intuito de lesar a parte adversa tem o poder e o dever de recusálas. Ou, ainda que não vislumbre qualquer má fé, mas tema por eventual supressão de instância ou direito ao contraditório, sempre pode recorrer a prerrogativa de baixar os autos em diligência para que seja oportunizada as providências necessárias para o resguardo do direito. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10855.901928/200871 Acórdão n.º 1001000.531 S1C0T1 Fl. 97 11 Nesta linha, considerando que no caso em tela as provas oferecidas pela Recorrente por ocasião do Recurso Voluntário não foram sequer analisadas pelo digno Relator, tampouco pela DRJ de origem, entendo por bem que seja os autos baixados em diligência para que a d. Autoridade Fiscal se pronuncie a respeito. Desta feita, diante de tudo o que foi exposto, peço vênia ao Ilustre Conselheiro Relator para discordar de suas e encaminhar o meu VOTO no sentido de converter o presente julgamento em DILIGÊNCIA para que a unidade de origem proceda ao exame dos argumentos e da documentação apresentada junto com o Recurso Voluntário, confrontandoa com os demais já constante dos autos e, ainda, com outros dados disponíveis. Para efetividade desse exame, a contribuinte poderá ser intimada a apresentar livros e documentos, sem prejuízo de outras providências, a juízo da autoridade diligenciante, assim como consultas a dados e sistemas disponíveis à fiscalização. Ao final, deverá ser elaborado relatório circunstanciado explicitando suas conclusões a respeito da matéria em litígio, do qual se dará ciência à contribuinte para que no prazo de trinta dias, querendo, se manifeste. Decorrido o prazo, com ou sem manifestação da contribuinte, os autos devem retornar ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues. Fl. 102DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.000609/2005-63
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-005.313
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: Relator
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 NÃOCUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da nãoincidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 06 09 /2 00 5- 63 Fl. 446DF CARF MF Processo nº 11065.000609/200563 Acórdão n.º 9303005.313 CSRFT3 Fl. 447 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência, interposto pelo contribuinte, contra o Acórdão 330100.616, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção, que traz a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 BASE DE CÁLCULO, RECEITAS DE CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DE ICMS A TERCEIROS. As receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) a terceiros integram a base de cálculo da Cofins com incidência nãocumulativa. SALDO CREDOR TRIMESTRAL. RESSARCIMENTO O saldo credor trimestral da Cofins nãocumulativa deve ser apurado levandose em conta que as receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de ICMS a terceiros integram a base de cálculo mensal dessa contribuição. O saldo credor apurado exclusivamente pela nãoinclusão de tais receitas na sua base de cálculo não constitui crédito financeiro passível de ressarcimento e/ ou de compensação. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. Inexiste previsão legal para a atualização do ressarcimento pela taxa Selic. Recurso Voluntário Negado. O contribuinte requer a reforma do acórdão no que tange à cessão à terceiros do crédito do ICMS, advindos da compra de insumos utilizados em mercadorias exportadas, ao argumento de que “...a recorrente alienou com deságio todos os valores referentes aos créditos de ICMS, não auferindo receita alguma, não podendo subsistir hipótese de incidência para a tributação dos referidos valores pela Cofins”. Alega, ainda, que “...tratase de titulo representantivo de parte patrimonial, mas que é anulada pelo encontro de contas. O que a empresa paga primeiramente, a titulo de 1CMS, tem o direito de creditarse posteriormente, em função de suas exportações. Se a empresa realiza cessão deste crédito, não há tributar a suposta capitalização, porque deixou de levar o suposto débito, quando o pagou.”. Mediante Despacho do Presidente da Câmara competente, foi dado seguimento ao recurso interposto. Fl. 447DF CARF MF Processo nº 11065.000609/200563 Acórdão n.º 9303005.313 CSRFT3 Fl. 448 3 Cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso especial. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram cumpridos e foram respeitadas as formalidades regimentalmente previstas. A matéria tratada no presente litígio restringese ao fato de se as receitas decorrentes da transferência onerosa de créditos de ICMS, acumulados em razão de exportação para o exterior, devem, ou não, ser excluídas da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins. O tema não é mais passível de discussão no CARF haja vista que o Supremo Tribunal Federal já decidiu a questão posta, com a devida declaração de repercussão geral, nos termos do artigo 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, antigo Código de Processo Civil. O Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, que trata da matéria, foi interposto pela Fazenda Nacional, contra decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que considerou inconstitucional a inclusão, na base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas, dos valores dos créditos do ICMS provenientes de exportação que fossem cedidos onerosamente a terceiros. Em julgamento realizado pelo pleno do STF, em 22/05/2013, sob a relatoria da Ministra Rosa Weber, foi julgado o mérito, na seguinte decisão: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. (...) VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. Fl. 448DF CARF MF Processo nº 11065.000609/200563 Acórdão n.º 9303005.313 CSRFT3 Fl. 449 4 VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. (...) Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. O acórdão foi publicado em 25/11/2013 e o trânsito em julgado deuse em 05/12/2013. Por força da disposição, a seguir transcrita, do § 2º do art. 62 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, a mencionada decisão do STF deve ser reproduzida por este relator: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Registrese ainda, a título de observação, que, na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, com a manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir, no que interessa a esta discussão: NOTA /PGFN/CRJ/Nº 1.486/2013 (...) Fl. 449DF CARF MF Processo nº 11065.000609/200563 Acórdão n.º 9303005.313 CSRFT3 Fl. 450 5 2. Em razão de os referidos julgados terem repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, estas CRJ examina, infra, os itens referidos no parágrafo anterior, realizando a delimitação do tema ali tratado, nos seguintes termos: (...) 98 – RE 606.107/RS (...) Resumo: não incide PIS e COFINS sobre a cessão a terceiros do crédito presumido do ICMS decorrente de exportação. Data da inclusão:13/12/2013 DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: as verbas referentes à cessão a terceiro de crédito presumido do ICMS decorrente de exportação não constituem base para incidência do PIS e da COFINS. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 450DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13976.000417/2004-29
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
COFINS NÃO-CUMULATIVA. EMBALAGENS PARA TRANSPORTE, NÃO RETORNÁVEIS, ESSENCIAIS À GARANTIA DA INTEGRIDADE DO PRODUTO. DIREITO A CRÉDITO.
As embalagens, ainda para transporte (desde que não retornáveis), essenciais à garantia da integridade de seu conteúdo - como as que acondicionam partes de móveis -, vertem sua utilidade diretamente sobre os bens em produção (requisito trazido no Subitem 14, a.3, da Solução de Divergência Cosit nº 7/2016, para que se enquadre no conceito de insumo), os quais, sem elas, não se encontram ainda prontos para venda, gerando, assim, a sua aquisição pelo industrial, direito a crédito na sistemática de apuração da contribuição, conforme inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-005.937
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento. Vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 COFINS NÃO-CUMULATIVA. EMBALAGENS PARA TRANSPORTE, NÃO RETORNÁVEIS, ESSENCIAIS À GARANTIA DA INTEGRIDADE DO PRODUTO. DIREITO A CRÉDITO. As embalagens, ainda para transporte (desde que não retornáveis), essenciais à garantia da integridade de seu conteúdo - como as que acondicionam partes de móveis -, vertem sua utilidade diretamente sobre os bens em produção (requisito trazido no Subitem 14, a.3, da Solução de Divergência Cosit nº 7/2016, para que se enquadre no conceito de insumo), os quais, sem elas, não se encontram ainda prontos para venda, gerando, assim, a sua aquisição pelo industrial, direito a crédito na sistemática de apuração da contribuição, conforme inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003. Recurso Especial do Procurador Negado.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 COFINS NÃOCUMULATIVA. EMBALAGENS PARA TRANSPORTE, NÃO RETORNÁVEIS, ESSENCIAIS À GARANTIA DA INTEGRIDADE DO PRODUTO. DIREITO A CRÉDITO. As embalagens, ainda para transporte (desde que não retornáveis), essenciais à garantia da integridade de seu conteúdo como as que acondicionam partes de móveis , vertem sua utilidade diretamente sobre os bens em produção (requisito trazido no Subitem 14, “a.3”, da Solução de Divergência Cosit nº 7/2016, para que se enquadre no conceito de insumo), os quais, sem elas, não se encontram ainda prontos para venda, gerando, assim, a sua aquisição pelo industrial, direito a crédito na sistemática de apuração da contribuição, conforme inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento. Vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 6. 00 04 17 /2 00 4- 29 Fl. 576DF CARF MF Processo nº 13976.000417/200429 Acórdão n.º 9303005.937 CSRFT3 Fl. 577 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência (fls. 211 a 227), interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, contra Acórdão 3803000.980, de 8/12/2010, proferido pela 3ª Turma Especial da 3ª Seção do CARF (fls. 201 a 206), sob a seguinte Ementa: Assunto: Contribuição Para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 COFINS NÃOCUMULATIVA. CRÉDITOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. TRANSPORTE DA MERCADORIA. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins referentes a custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica domiciliado no exterior, com pagamento em moeda conversível, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim especifico de exportação, que não puderem ser deduzidos, poderão ser objeto de ressarcimento. O material de embalagem destinado ao acondicionamento para transporte dos produtos acabados gera direito a crédito na sistemática de apuração da Cofins não cumulativa. No seu Recurso Especial, ao qual foi dado seguimento (fls. 265 e 266), em apertada síntese, diz a PGFN, dentre outros argumentos secundários, que o conceito de insumo, a que se refere o inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002 (que regula a Contribuição para o PIS nãocumulativa), quando fala em “bens ... utilizados como insumo na ... produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda”, na falta de uma determinação da forma a ser adotada para a nãocumulatividade das contribuições para a seguridade social (art. 195, § 12, da Constituição Federal), deve ser buscado na legislação que historicamente vem determinando o seu alcance, que é a do Imposto sobre Produtos Industrializados. Isto está consubstanciado na IN/SRF nº 247/2002, sendo que o conceito de insumo que dá direito ao creditamento do IPI está minuciosamente delineado no Parecer Normativo CST nº 65/79, restringindoo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, não estando contempladas nesta última “espécie” as embalagens para transporte, mas tão somente as de apresentação. O contribuinte apresentou Contrarrazões (fls. 533 a 540), alegando, basicamente, que o conceito de insumo para a apuração de créditos PIS/Cofins possui critérios que lhe são próprios, e que não devem se restringir ao da legislação do IPI, pois assim não o teria feito o legislador. Fl. 577DF CARF MF Processo nº 13976.000417/200429 Acórdão n.º 9303005.937 CSRFT3 Fl. 578 3 Em transcrição literal diz o seguinte (os grifos são originais): “... a definição do bem ou serviço como insumo para fins de creditamento do PIS e da Cofins apóiase em critério que resulta da análise do grau de relevância que o bem ou serviço apresenta em determinada cadeia econômica, ou seja, do exame da sua essencialidade ou pertinencialidade à realização/produção do bem ou do serviço disponibilizado pela pessoa jurídica. No caso dos autos, temse que a recorrida ..., para comercializar sua produção nela emprega material de embalagem, insumo essencial à venda do produto, eis que levam em seu interior os móveis desmontados, juntamente com o esquema de montagem, não se trata de mera embalagem para transporte, são embalagens feitas sob medida, com acabamento que valorizam e acompanham o produto até o consumidor final.” No que tange à matéria fática, entendo que se faz importante, para que este Colegiado possa formar a sua convicção, aqui transcrever o que diz o auditor no Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal (fl. 147), quando faz referência às embalagens desconsideradas para fins de creditamento (o grifo é original): “... constatamos que os itens relacionados como matériaprima e material intermediário fazem, realmente, parte do processo produtivo. Entretanto, os materiais de embalagem indicados prestamse a compor embalagens de transporte (tratavamse de caixas de papelão e materiais de contenção, que, embora essenciais à garantia da integridade de seu conteúdo, não continham rótulos dispensáveis ou indicações promocionais que tenham implicado em despesas mais elevadas em sua elaboração com o fim de valorizar o produto nelas acondicionado), e não de apresentação ...” É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram todos cumpridos e respeitadas a formalidades previstas no RICARF, pelo que dele conheço. Todos aqui certamente estão a par das inúmeras batalhas que se travam quase que diariamente no Contencioso (principalmente na área Administrativa, mas também na Judicial) sobre o conceito de insumos para fins de creditamento Pis/Cofins, e que tende hoje o CARF a adotar um conceito “intermediário”, entre o do IRPJ e o do IPI (que seria, este último, o defendido pela RFB, mas não é bem assim: ela defende um conceito para PIS/Cofins, conforme ainda será assentado). Fl. 578DF CARF MF Processo nº 13976.000417/200429 Acórdão n.º 9303005.937 CSRFT3 Fl. 579 4 Mesmo neste conceito “intermediário”, a questão não está pacificada: uns consideram suficiente que o bem ou serviço seja utilizado na produção; outros que é necessário que o bem seja utilizado diretamente na produção; outros, que seja indispensável. Vejamos, a título de exemplo, um caso concreto: As indústrias, em regra, fornecem vestuário a seus operários da linha de produção. Os chamados “bluecollars” vestem roupas padronizadas nas montadoras de automóveis. São utilizadas na produção? Sim. São utilizadas diretamente na produção? Não. São indispensáveis? Não (ao menos de forma padronizada). Já os trabalhadores que fazem cortes de frango nas linhas de produção de frigoríficos usam “roupas” (EPI) que são exigidas pelas autoridades sanitárias. Estas são utilizadas na produção, mas não diretamente, e são indispensáveis. Uns entendem que nenhuma das duas vestimentas dá direito a crédito, outros que ambas dão e outros que só as segundas. Então, efetivamente, não é pacífico. A discussão, neste Processo, restringese somente a se as embalagens para transporte dariam ou não direito a crédito. Invoco – conforme já implicitamente adiantado – a mais recente norma que trata do assunto no âmbito da RFB (com caráter vinculante para as Unidades de Origem e também para as DRJ), que é a Solução de Divergência Cosit nº 7/2016 (cujo inteiro teor anexo às fls. 544 a 575), trazendo alguns excertos de interesse (com grifos meus e invertendo a ordem dos itens, para melhor refletir o que pretendo deixar consignado): 46. Outro ponto que merece destaque é que se mostra equivocada a afirmação de que a adoção da interpretação restritiva acerca do conceito de insumo na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins corresponderia à utilização da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). 47. Conforme se demonstrou acima, a adoção do conceito restritivo de insumo na legislação das aludidas contribuições decorre das regras constantes desta mesma legislação e não da adaptação da legislação de qualquer outro tributo. 48. Sem embargo, o ponto comum entre a legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, acerca do conceito de insumo, e a legislação do IPI é a exigência, mutatis mutandis, de relação direta e imediata entre o bem ou serviço em relação ao qual se pretende apurar crédito e o produto ou serviço final disponibilizado ao público externo. 14. Analisandose detalhadamente as regras constantes dos atos transcritos acima e das decisões da RFB acerca da matéria, podese asseverar, em termos mais explícitos, que somente geram direito à apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a aquisição de insumos utilizados ou consumidos na produção de bens que sejam destinados à venda e de serviços prestados a terceiros, e que, para este fim, somente podem ser considerados insumo: a) bens que: Fl. 579DF CARF MF Processo nº 13976.000417/200429 Acórdão n.º 9303005.937 CSRFT3 Fl. 580 5 a.1) sejam objeto de processos produtivos que culminam diretamente na produção do bem destinado à venda (matéria prima); (...) a.3) que vertam sua utilidade diretamente sobre o bem em produção ou sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço (tais como produto intermediário, material de embalagem, material de limpeza, material de pintura, etc); ou ... Como visto, a própria Fiscalização diz que as embalagens para transporte em questão são “essenciais à garantia da integridade de seu conteúdo”, pelo que entendo que se encaixam perfeitamente na exigência trazida na SD Cosit nº 7/2016, que é a de que os insumos “vertam sua utilidade diretamente sobre o bem em produção”. O contribuinte produz móveis. Não é de se imaginar, por exemplo, que um tampo de mesa – ou o que quer que seja da espécie – seja simplesmente colocado no caminhão sem uma embalagem que o proteja. Apenas na área de exposição das lojas é que se encontram os móveis montados e, obviamente, fora de qualquer embalagem. Não estamos aqui diante de um saquinho de batatas fritas, de maçãs, ou de uma lata de leite condensado. E nem precisamos ir tanto a extremos. Um televisor, uma geladeira, um fogão, são transportados em caixas, que em seu interior (ou exterior, ou em ambos) têm isopores ou outros materiais de acondicionamento/proteção. Não há como se conceber que uma geladeira, por exemplo, seja transportada fora da caixa, como se vê na área de exposição das lojas. E o cliente, quando a recebe em sua casa, também a recebe acondicionada na mesma caixa (caso contrário, eu, por exemplo, de imediato pediria a sua devolução, ainda que pelo simples fato de não estar lacrada – o que indicaria que, provavelmente, já esteve em exposição, o que poderia comprometer, no mínimo, o seu acabamento). No caso concreto, qual é o produto destinado à venda a que se refere o inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002? Os móveis ou (em regra) suas partes, devidamente embalados – sem que necessariamente este acondicionamento “objetive valorizar o produto em razão da qualidade do material nele empregado, da perfeição do seu acabamento ou da sua utilidade adicional” (conceito, a contrario sensu, da embalagem para apresentação, trazido no art. 6º, § 1º, I, do RIPI/2002, vigente à época dos fatos geradores). Assim, nesta vasta gama de produtos aqui citados – ou cujas características se amoldam à categoria a qual aqui se pretendeu caracterizar –, com a necessária redundância, o produto efetivamente só está acabado quando acondicionado nas embalagens em que vai ser transportado, pelo que elas fazem, sim, parte do processo produtivo, havendo portanto o direito ao creditamento na sua aquisição. Ressalvese, no entanto, que embalagens retornáveis, como pallets, as quais servem unicamente ao transporte de qualquer produto que seja, não se enquadram no conceito Fl. 580DF CARF MF Processo nº 13976.000417/200429 Acórdão n.º 9303005.937 CSRFT3 Fl. 581 6 de bens utilizados como insumos, pois, sobre elas ou em seu interior, já estão perfeitamente acabados os produtos destinados à venda. À vista do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 581DF CARF MF
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