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Numero do processo: 16327.720830/2011-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 27/11/2007
RECURSO VOLUNTÁRIO. NEGATIVA DE CONHECIMENTO DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE.
ALTERAÇÃO DA NATUREZA DO ATO QUESTIONADO. IMPOSSIBILIDADE. A autoridade julgadora não pode, no exercício de sua competência de julgamento, extrapolá-la e alterar a natureza do despacho decisório por meio de decisão administrativa que nega ao sujeito passivo a apreciação de manifestação de inconformidade regularmente interposta em razão do ato que lhe foi originalmente cientificado.
Numero da decisão: 1101-001.292
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, com retorno, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Marcos Vinícius Barros Ottoni, Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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NEGATIVA DE CONHECIMENTO DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALTERAÇÃO DA NATUREZA DO ATO QUESTIONADO. IMPOSSIBILIDADE. A autoridade julgadora não pode, no exercício de sua competência de julgamento, extrapolála e alterar a natureza do despacho decisório por meio de decisão administrativa que nega ao sujeito passivo a apreciação de manifestação de inconformidade regularmente interposta em razão do ato que lhe foi originalmente cientificado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, com retorno, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Marcos Vinícius Barros Ottoni, Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Sérgio Luiz Bezerra Presta. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 08 30 /2 01 1- 75 Fl. 547DF CARF MF Impresso em 05/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16327.720830/201175 Acórdão n.º 1101001.292 S1C1T1 Fl. 3 2 Relatório ING CORRETORA DE CÂMBIO E TÍTULOS S/A, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo I que, por unanimidade de votos, NÃO CONHECEU da manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que homologou parcialmente a compensação declarada com saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 1999. Consta do despacho decisório às fls. 29/33 (dos autos digitalizados) que, conforme decisão proferida no processo administrativo nº 11610.000119/0085, foi reconhecido à recorrente (sucessora de ING Empreendimentos e Participações Ltda) direito creditório correspondente ao saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 1999. A contribuinte pleiteara restituição de crédito no valor de R$ 4.652.882,83, do qual lhe foi reconhecida a parcela de R$ 3.925.116,79, destinada a outras compensações declaradas, mas remanescendo a parcela original de R$ 1.206.692,34 (fls. 06/17). A imputação deste crédito ao débito compensando na Declaração de Compensação DCOMP nº 06268.20462.271107.1.3.022087, tratada nestes autos, resultou em sua homologação parcial, cientificada à contribuinte em 26/08/2011, como exposto às fls. 59/65. Manifestando sua inconformidade, a interessada observou que o litígio instaurado nos autos do processo administrativo nº 11610.000119/0085 aguardava julgamento na 2ª Câmara desta 1ª Seção de Julgamento, discordou da não homologação de parte da compensação aqui tratada antes da decisão administrativa naqueles autos, afirmou a suficiência do crédito utilizado, manifestouse contra os motivos de seu parcial reconhecimento, e pediu a declaração de nulidade do despacho decisório proferido nestes autos, o sobrestamento do procedimento ou a declaração de sua improcedência. A Turma Julgadora negou conhecimento à manifestação de inconformidade por entender que a legislação veda a declaração de compensação com direito creditório já indeferido pela autoridade competente da Receita Federal, e determina a nãodeclaração da DCOMP em tais circunstâncias. No voto condutor da decisão recorrida consta que a decisão proferida em face do pleito anterior foi cientificada à contribuinte em 28/08/2006, e a DCOMP em debate foi transmitida em 27/11/2007, depois, inclusive, da manifestação de inconformidade da contribuinte contra a decisão anterior. Recordando que a legislação não admite manifestação de inconformidade contra decisão que considerou não declarada a compensação, a autoridade julgadora de 1ª instância decidiu considerar a compensação não declarada e, assim, não conheceu da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. O sujeito passivo foi INTIMADO a, no prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir da ciência deste, efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados, com os respectivos acréscimos legais, facultada a apresentação de Recurso Voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no mesmo prazo, nos termos dos § 10º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com alterações posteriores (fl. 477). Assim cientificada em 19/09/2013 (fl. 479), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 03/10/2013 (fls. 481/502). Fl. 548DF CARF MF Impresso em 05/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16327.720830/201175 Acórdão n.º 1101001.292 S1C1T1 Fl. 4 3 Argumenta que, como demonstrado em sua defesa inicial, o crédito pleiteado superaria o débito aqui compensado, e seu deferimento é aguardado no processo administrativo nº 11610.000119/0085, de modo que a autoridade julgadora de 1ª instância deveria, ao menos, ter determinado o sobrestamento do presente feito até decisão definitiva naqueles autos. Pede, então, que seja conhecida a manifestação de inconformidade e, reconhecida a higidez de seu crédito, que seja a compensação homologada, ou sobrestado o feito até definição de seu crédito. Discorre sobre a suficiência do crédito pleiteado, questionando os motivos que ensejaram seu reconhecimento parcial no processo administrativo nº 11610.000119/0085. Ao final, pede a homologação integral da compensação, e discorre, também, sobre a indevida aplicação de juros de mora sobre multa de ofício, cuja incidência ser verificará a partir da efetivação do lançamento. Subsidiariamente requer o sobrestamento do feito até julgamento final do processo administrativo nº 11610.000119/0085 Fl. 549DF CARF MF Impresso em 05/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16327.720830/201175 Acórdão n.º 1101001.292 S1C1T1 Fl. 5 4 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Consoante relatado, embora a autoridade julgadora de 1ª instância tenha negado conhecimento à manifestação de inconformidade, a autoridade local, ao cientificar o sujeito passivo desta decisão, facultoulhe a interposição de recurso voluntário a este Conselho. Observase, porém, que a Lei nº 9.430/96, na redação que lhe foi dada pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, assim dispõe: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) [...] (negrejouse e sublinhouse) Nestes termos, em primeira análise, inexistiria previsão de recurso voluntário contra decisão de 1ª instância que negue conhecimento à manifestação de inconformidade. Todavia, em circunstâncias semelhantes, o entendimento administrativo restou pacificado em favor da formação do litígio administrativo quando é negado conhecimento a impugnação em razão da apreciação da preliminar de tempestividade. De fato, em se tratando de um ato sujeito a discussão no âmbito do contencioso administrativo especializado, regido pelo Decreto nº 70.235/72, a negativa de conhecimento ao primeiro recurso interposto pode ser discutida na segunda instância administrativa de julgamento. Neste sentido é o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 15/96: Processo administrativo fiscal. Impugnação intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem é objeto de decisão. O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso de suas atribuições, e tendo em vista o disposto no art.151, inciso III do Código Tributário Nacional Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966 e nos arts. 15 e 21 do Decreto n.º 70.235, de 06 de março de 1972, com a redação do art. 1.º da Lei n.º 8.748, de 9 de Fl. 550DF CARF MF Impresso em 05/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16327.720830/201175 Acórdão n.º 1101001.292 S1C1T1 Fl. 6 5 dezembro de 1993, DECLARA, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que, expirado o prazo para impugnação da exigência, deve ser declarada a revelia e iniciada cobrança amigável, sendo que eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. Referida disposição foi incorporada ao Decreto nº 7.574/2011: Art. 56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto nº 70.235, de 1972, arts. 14 e 15). § 1º Apresentada a impugnação em unidade diversa, esta a remeterá à unidade indicada no caput. § 2º Eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. [...] Sob esta ótica, o recurso voluntário aqui interposto em razão decisão de 1ª instância, a qual teve em conta manifestação de inconformidade apresentada contra ato de homologação parcial de compensação, pode ser apreciado apenas em relação ao aspecto preliminar invocado pela autoridade julgadora de 1ª instância para não conhecimento da manifestação de inconformidade. A recorrente, por sua vez, argumenta que o crédito pleiteado superaria o débito aqui compensado, e seu deferimento é aguardado no processo administrativo nº 11610.000119/0085, de modo que a autoridade julgadora de 1ª instância deveria, ao menos, ter determinado o sobrestamento do presente feito até decisão definitiva naqueles autos. Pede, assim, que seja conhecida a manifestação de inconformidade e, reconhecida a higidez de seu crédito, que seja a compensação homologada, ou sobrestado o feito até definição de seu crédito. A preliminar de conhecimento da manifestação de inconformidade deve ser acolhida. Isto porque a autoridade competente para análise inicial da compensação implicitamente admitiu a possibilidade de sua declaração ao apreciar seu mérito e, inclusive, homologála parcialmente. Assim, ao firmar o entendimento de que a compensação deveria ter sido não declarada, a autoridade julgadora de 1ª instância claramente altera a motivação do despacho decisório, extrapolando sua competência restrita ao julgamento da manifestação de inconformidade. É certo que a autoridade julgadora de 1ª instância não está obrigada a aceitar como válidos atos administrativos nos quais vislumbre vícios de legalidade. Porém, se este for o caso, cumprelhe adotar as providências para regularização do ato. Uma alternativa seria representar à autoridade que proferiu o ato, comunicandolhe a ilegalidade que entende praticada, da qual, no presente caso, teria inclusive resultado a homologação parcial de uma compensação que, sob a ótica da autoridade julgadora, deveria ser considerada não declarada e Fl. 551DF CARF MF Impresso em 05/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16327.720830/201175 Acórdão n.º 1101001.292 S1C1T1 Fl. 7 6 assim demandaria retificação. Outra possibilidade seria interpretar que caberia a anulação do despacho decisório inicial em razão de sua ilegalidade ou da incompetência da autoridade para proferilo, conforme a interpretação que se dê ao caso. Apenas não é permitido à autoridade julgadora de 1ª instância, no exercício de sua competência de julgamento, extrapolála e alterar a natureza do despacho decisório por meio de decisão administrativa que nega ao sujeito passivo a apreciação de manifestação de inconformidade regularmente interposta em razão do ato que lhe foi originalmente cientificado. Esclareçase que, frente a tal contexto, não é possível apreciar o recurso voluntário. Isto porque, ao negar conhecimento à manifestação de inconformidade, a autoridade julgadora de 1ª instância suprimiu uma das oportunidades de defesa que a lei confere ao sujeito passivo. Assim, caso se admita que a compensação era passível de declaração e de homologação parcial, e ao final não seja dado provimento ao recurso voluntário, a interessada poderá, mais à frente, arguir o cerceamento ao seu direito de defesa e pretender a nulidade de todos os atos praticados a partir da decisão de 1ª instância. De outro lado, ainda que se dê provimento ao recurso voluntário, na medida em que a Fazenda Nacional tem legitimidade para interpor recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, aquele provimento estaria sujeito a reversão, postergando para este segundo momento a arguição de nulidade antes cogitada. Frisese, por oportuno, que o presente julgamento restringese à preliminar de conhecimento da manifestação de inconformidade, e não se presta a firmar qualquer posição acerca do ato originalmente praticado em face da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo. A presente decisão apenas desconstitui os efeitos do não conhecimento da manifestação de inconformidade e restabelece a competência de julgamento da instância a quo para as providências que entender cabíveis, desde que delas não resulte nova negativa de conhecimento da defesa pelas razões aqui afastadas. Assim, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para afastar a negativa de conhecimento da manifestação de inconformidade, com retorno ao órgão julgador de 1a instância. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 552DF CARF MF Impresso em 05/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 10735.002581/99-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 30 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1401-000.336
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTERAM o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Antônio Bezerra Neto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente Em Exercício), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Carlos Mozart Barreto Vianna (Suplente Convocado), Mauricio Pereira Faro e Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTERAM o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Antônio Bezerra Neto - Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente Em Exercício), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Carlos Mozart Barreto Vianna (Suplente Convocado), Mauricio Pereira Faro e Karem Jureidini Dias.
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTERAM o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Antônio Bezerra Neto Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente Em Exercício), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Carlos Mozart Barreto Vianna (Suplente Convocado), Mauricio Pereira Faro e Karem Jureidini Dias. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 35 .0 02 58 1/ 99 -5 1 Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 10735.002581/9951 Resolução nº 1401000.336 S1C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO Trata o presente feito de auto de infração de IRPJ, CSLL lançados por arbitramento, além de PIS lançados em desfavor da contribuinte. O processo foi original distribuído para a 7ª Câmara do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, sob a relatoria da Conselheira Albertina Silva Santos de Lima. Em sentada ocorrida em 22 de fevereiro de 2006, o feito foi baixado em diligência, retornando a este Conselho para julgamento. Tendo em vista o término de mandato da nobre Conselheira Relatora, o processo foi distribuído para minha relatoria. Naquela oportunidade, o voto de diligência veio acompanhado de relatório, que adoto e transcrevo para fins do presente julgamento: 1— DA AUTUAÇÃO O auto de infração resultou nas exigências do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Contribuição Social e Contribuições ao PIS (tributação reflexa). Consta no Termo de Verificação Fiscal que a fiscalização teve origem no despacho proferido pelo Juizo da 7a. Vara Federal do Rio de Janeiro decorrente do pedido de desistência de ação, em ação de indenização de prejuízo, onde figura como réu o DNER (proc. judicial n° 95.00407833). No citado despacho aquela autoridade determinou que a Receita Federal verificasse como os recursos, provenientes da referida indenização ingressaram na contabilidade da autora, estabelecendo a lucratividade para o imposto de renda (docs. fls. 6/9). A indenização no valor de R$ 7.284.302,45 foi paga em duas parcelas, uma de R$ 2.600.000,00 em dezembro de 1996 e a outra de R$ 4.684.302,45 em março de 1997. As infrações referemse ao anocalendário de 1996, relativas a ganho de capital lançado e não declarado e do anocalendário de 1997, em que houve arbitramento do lucro, cuja base foi composta por receita de revenda de mercadorias e de prestação de serviços, apurada a partir dos talonários de notas fiscais, e por outras receitas, referente a indenização recebida do DNER em 03/97,decorrente de avalanche, deduzida dos custos de gastos advocaticios e desobstrução e limpeza do terreno. Foi aplicada multa de 75%. A contribuinte optou pelo lucro presumido no anocalendário de 1996 e pelo SIMPLES no anocalendário de 1997. Foram requisitados os documentos e livros pertinentes ao anocalendário de 1996 e os documentos relativos ao anocalendário Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 10735.002581/9951 Resolução nº 1401000.336 S1C4T1 Fl. 4 3 de 1997. Foi arbitrado o lucro auferido no anocalendário de 1997, porque o valor recebido sob a forma de indenização, exclui a empresa dessa modalidade de tributação e a empresa notificada a apresentar os livros fiscais e comerciais de sua escrituração contábil, para apuração do Lucro Real, deixou de apresentálos, apesar de todo o tempo decorrido entre o termo de inicio e o último lavrado. No anocalendário de 1996 a empresa deixou de tributar a importância de R$ 99.228,13, a titulo de receitas não operacionais, correspondente à diferença apurada entre o valor recebido e o respectivo custo, composto da baixa do ativo imobilizado, no valor total de R$ 733.612,90, e das despesas advocaticias e de assessoria ao recebimento da indenização, as quais totalizam R$ 2.084.351,30 . Assim R$ 2.600.000,00 — (733.612,90 + 1.350.738,40 + 416.420,57): R$ 99.228,13. No anocalendário de 1997, a empresa teve seu lucro arbitrado com base na receita bruta, da qual, dentro do item Receitas não operacionais e conforme legislação de regência, foram consideradas como custo, tão somente aqueles que, através de documentos, a empresa conseguiu demonstrar. Gastos advocatícios no valor de R$ 800.000,00 e gastos com desobstrução e limpeza do terreno, no total de R$ 1 milhão, apurandose assim, como base de cálculo (fls. 16/41 e 79/80) e alíquotas do Lucro arbitrado: Ressaltase que em somente houve tributação reflexa (CSLL e PIS), em relação as exigências do anocalendário de 1997, sendo que a base de calculo da Contribuição para o PIS é composta pela receita operacional. II— DA IMPUGNAÇÃO E DA DECISÃO DA TURMA JULGADORA. A contribuinte alegou cerceamento do direito de defesa, pediu perícia contábilfiscal, discutiu o arbitramento do lucro e a tributação efetuada sobre os valores recebidos do DNER a titulo de indenização. A Turma Julgadora intimou a interessada a apresentar no prazo de 20 dias, petição inicial da ação judicial n° 95.00407833 (relacionada com o pedido de indenização em razão de avalanche), despachos concessórios de medidas liminares, sentenças e acórdãos, recursos interpostos, certidão de transito em julgado entre outros documentos. A documentação deveria ser entregue na DRJ. A Turma Julgadora rejeitou a preliminar de cerceamento de direito de defesa, considerou não formulado o pedido de perícia, não conheceu Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 10735.002581/9951 Resolução nº 1401000.336 S1C4T1 Fl. 5 4 da manifestação de inconformidade no tocante à argumentação relativa a tributação efetuada sobre os valores recebidos do DNER a título de indenização, em decorrência, de a contribuinte ter impetrado ação judicial em que discute a mesma matéria e julgou procedente o arbitramento efetuado. Quanto a cerceamento de defesa, a empresa alegou: vícios formais existentes no procedimento fiscal, tais como a existência nos autos de memorandos internos e documentos emanados do processo judicial; falta de indicação do n° das folhas mencionadas na descrição dos fatos contida no corpo do auto de infração; falta de ciência da contribuinte no Termo de Verificação Fiscal, de 04.06.99, de fls. 81 que nem mesmo é citado no auto de infração; recebimento de cópia incompleta do auto de infração que não apresentava numeração seqüencial e prazo de defesa reduzido pela necessidade de solicitar, no período de apresentação da impugnação, cópia dos autos. Considerou a Turma Julgadora que em 16.08.99, a interessada protocolizou pedido (fls. 113), para obter cópia de todas as folhas que compõem o processo, e as obteve; de posse de todas as partes do processo, a falta da indicação do n° das folhas, na descrição contida nos autos deixou de ser obstáculo para o perfeito entendimento das infrações capituladas; ao ser intimada, pela DRJ, em 18.10.2001, a apresentar documentos relativos à ação judicial n° 95.00407833, a interessada aditou novas razões de defesa, que foram consideradas no julgamento, tendo assim a dilatação do prazo para apresentação de sua defesa. Conclui que por ter, a contribuinte, tido conhecimento de todas as partes do processo e ter posteriormente apresentado novas razões de defesa, não houve cerceamento do direito de defesa. A empresa também pleiteou perícia contábilfiscal, para que se confirmasse a veracidade de suas informações. A Turma Julgadora considerou não formulado o pedido de perícia, em razão de ter sido feito de maneira genérica e imprecisa e sem atender aos requisitos exigidos no art. 16 do PAF. Também a considerou desnecessária. Argumentou que quando da definição das bases de cálculo não foram levados em conta, todos os documentos de custos/despesas disponíveis, que não foram levadas em conta, as declarações entregues, referentes ao anocalendário de 1997 e que os livros comerciais estão, como sempre estiveram, à disposição do fisco, no estabelecimento. Diz que o autuante se contradiz porque na descrição dos fatos justifica o arbitramento argumentando que a contribuinte, notificada a apresentar os livros fiscais e comerciais de sua escrituração, conforme Termo de Inicio de Fiscalização e Termos de Intimação em anexo, deixou de apresentálos, ao mesmo tempo, que acosta ao feito, as fls. 16 a 41, cópias, por ele mesmo conferidas, de folhas do livro de Registro de Apuração do ISS, e do Registro de Saídas. Considera que o autuante teve acesso aos documentos de despesas e custos, tanto que os utiliza no Termo de Verificação de fls. 81 e 82, sendo que as relações de folhas 79 e 80 confirmam que teve acesso também aos talonarios de notas fiscais. Acrescenta que a Declaração de Rendimentos do período foi entregue no prazo, sendo posteriormente, em 09.11.98 e 11.08.98 retificada, fato que evidentemente, deveria ser do conhecimento da Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 10735.002581/9951 Resolução nº 1401000.336 S1C4T1 Fl. 6 5 administração tributária. Quanto ao último termo lavrado, em 19.05.99, no estabelecimento, a empresa diz ter feito contatos telefônicos com o autuante, negandose, porém, a apresentar os documentos e livros solicitados na repartição fiscal, posto que entende ser o domicilio do contribuinte o lugar adequado para que os trabalhos serem realizados. Pretendeu com isso, que os documentos se perdessem. Afirma que em 16.07.99, enviou correspondência ao autuante em resposta à intimação de 19.05.99, reiterando que todos os documentos solicitados estavam à disposição em sala de suas dependências. Diz que a autuante compareceu na empresa apenas 2 vezes. Quanto à tributação da indenização, recebida em juízo, em razão de acordo com o DNER (avalanche que destruiu os chalés e demais dependências da interessada) entende que por ter caráter meramente reparador de ato ou omissão que prejudica terceiro, a indenização não pode ser tributada. A contribuinte atendendo à intimação da DRJ apresentou os documentos relacionados com a ação judicial, e documentos que entende que demonstram que o arbitramento contém inconsistências. Afirmou que a empresa nunca se recusou a fornecer documentos, mas, que para evitar extravios, exigiu que a documentação fosse analisada no seu estabelecimento e que com a resistência da autuante em atender a esse procedimento, enviou correspondência reiterando estarem os documentos A disposição. Alega que a autuante cometeu erros grosseiros, como o de reconhecer as despesas com advogados, mas, reduzilas a um número redondo de R$ 800mil, quando o valor correto seria de R$ 860.000,00, conforme documento que anexa. Apresentou notas fiscais referentes às despesas que a autuante teria esquecido de considerar no arbitramento (honorários advocatícios H. Barata Neto, serviços técnicos de assessoria COEPAR, limpeza do terreno, remoção dos materiais da avalanche, despesas tributáveis junto a diversos fornecedores). Afirma que no Termo de Verificação Fiscal, foi considerado contra receita de indenização o valor de R$ 4.864.302,45, apenas os honorários de advogado, mas, mesmo assim, em valor inferior ao efetivamente gasto, e apenas R$ 1 milhão de despesas de desobstrução, esquecendose das despesas comprovadas junto a seus fornecedores. Além disso, observa que as perdas decorrentes do sinistro no ativo imobilizado da empresa somaram R$ 1,4 milhão, conforme nota fiscal e orçamento de AJN Construções e Projetos Ltda, correspondente à reconstrução de parte das benfeitorias destruídas, mas que a autuante, sem qualquer justificativa, somente considerou pouco mais de R$ 730 mil. Considera que é óbvio que a perda patrimonial da empresa na avalanche foi de valor bem superior a R$ 730 mil e mesmo ao R$ 1,4 milhão, mas, esse último é o valor correspondente ao ativo que se recompôs como era, como se verifica do descritivo do orçamento e dos documentos anexos que mostram as benfeitorias destruídas do sinistro. O cálculo correto para fins de arbitramento seria: Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 10735.002581/9951 Resolução nº 1401000.336 S1C4T1 Fl. 7 6 Receitas não operacionais: R$ 4.684.302,45 Perdas com sinistro: (R$ 1.400.000,00) Conclui que ao contrário de um ganho realizouse uma perda. A Turma Julgadora considerou que entre outras intimações a empresa foi intimada a apresentar o Livro Diário relativo ao anocalendário de 1997, em 25.07.97, 03.04.98 e 10.07.98, Também foi intimada em 09.11.98, a apresentar para 40° os períodos de 96 e 97, os livros de Registro de Apuração do ISS, Diário e Razão e para o período de 97, o Lalur. Reiterando esses e outros termos, foi lavrado o Termo de 18.05.99, por meio do qual foi exigida a copia de declaração do IRPJ e respectivo recibo de entrega, do anocalendário de 1997. Entendeu que foi longo o tempo para que a interessada apresentasse a escrituração desse anocalendário. Considerou sem consistência, a alegação de que a falta de apresentação da documentação de que se trata se deu pelo fato de que tal apresentação teria que se dar na repartição fiscal, porque essa exigência somente foi feita na última intimação após meses de espera. Considerou ainda que a correspondência que a interessada enviou à autuante, como resposta 6 intimação de 18.05,99, somente foi postada em 19.07.99, quase dois meses após o término do último prazo concedido, ocasião em que os autos em foco já haviam sido protocolizados na repartição fiscal (17.06.99). Também levou em conta que, ainda que tenham sido fornecidos, pela interessada, os elementos necessários para a apuração da totalidade das receitas, representadas pelos talonários de notas fiscais e pelos livros de registro de Saídas e Registro de Apuração do ISS, tal fato não supre a necessidade da manutenção da escrituração contábil determinada pela legislação de regência, que inclui o livro Diário e o livro Razão, não restando outra forma da fiscalização apurar a base tributável senão pelo arbitramento do lucro. Também leva em conta que posterior aparecimento da escrituração, cuja falta de apresentação foi a causa do arbitramento não modifica o ato do fisco do arbitramento (acórdão n° 10707566 e acórdão n° 10707559 de 17.03.2004). Concluiu que apesar de regularmente intimada, a empresa deixou de apresentar livros fiscais e comerciais de sua escrituração, enquadrandose nas disposições do art. 47, III, da Lei n° 8.981/95, que estabelece, nessas situações, que o lucro da pessoa jurídica deve ser arbitrado. Observou que o lucro arbitrado foi apurado através de percentuais aplicados sobre as receitas brutas relativas as atividades de revenda de mercadorias e prestação de serviços e que na determinação da base de cálculo do imposto de renda pelo regime do lucro arbitrado não é permitida qualquer dedução. Também considerou que ao ser arbitrado o lucro, foi tornada sem efeito qualquer declaração de rendimentos apresentada antes ou Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 10735.002581/9951 Resolução nº 1401000.336 S1C4T1 Fl. 8 7 depois da ação fiscal, não havendo que se considerar como confissão de divida os correspondentes valores declarados, mas, que podem apenas ser abatidos do crédito tributário lançado, os valores recolhidos a titulo de IRPJ, CSLL e PIS do anocalendário de 1997. IIl — DO RECURSO VOLUNTÁRIO No recurso, a contribuinte alega que em face do ajuizamento de ação declaratória n° 2000.51.06.0027111, a matéria relativa à natureza de indenização paga pelo DNER deixou de ser objeto deste procedimento administrativo, como bem decidiu o órgão recorrido, mas que, no entanto, falhou em dois pontos. O suposto crédito tributário relativamente ao 1RPJ teve sua exigibilidade suspensa pelo acórdão da 4a. Turma do TRF da 2 a Região, que acolheu parcialmente a apelação interposta pela contribuinte. Dessa forma, deveria ter sido consignada a suspensão da exigibilidade. Discute o cerceamento do direito de defesa porque o auto de infração estava incompleto, não estava seqüencialmente numerado e a indicação dos fatos e enquadramento legal apresentava lacuna e considerou absurdo que a administração pretenda reduzir prazo legal para apresentação de defesa e que esse prazo somente se inicia quando integralmente apresentado o auto e documentos complementares e que no caso, em tela, somente se deu após requerimento especifico quando já havia transcorrido mais da metade do prazo legal. Também discorda da negativa da realização da perícia, porque para a realização da perícia não é indispensável a indicação de perito, bastando que a matéria questionada seja passível de comprovação por esse meio, e que as razões apresentadas e a indicação precisa dos diversos erros cometidos no arbitramento seriam suficientes ao deferimento do pedido, independentemente da indicação de um assistente técnico pela contribuinte ou mesmo a formulação de quesitos. Alega que o arbitramento foi realizado de modo impróprio, contra o simples fato, de a recorrente, amparada na lei, não ter aceitado sua exigência de levar documentos à repartição. Afirma que contém erros, já indicados, e que acaba por levar dúvida à contribuinte, uma vez que por um lado o auto de infração considera tributável a indenização recebida pelo DNER e assim a considera no arbitramento para ao final dar como constituído um crédito em muito superior àquele calculado sobre o lucro arbitrado. Afirma que igualmente a DRJ, se confunde e causa confusão, na medida em que declara devidos valores que discrimina em valores inferiores ao do auto de infração questionado, pois, primeiro o julgador declara constituir um crédito de IRPJ de R$ 731.161,09 e de CSLL de R$ 230.744,16 e depois, considerados os mesmos períodos de apuração, aponta devidos apenas R$ 9.339,40 de IRPJ, R$ 2.477,74 de CSLL e de R$ 846,02 de PIS. Pergunta qual o valor devido, afinal. Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 10735.002581/9951 Resolução nº 1401000.336 S1C4T1 Fl. 9 8 A ciência da decisão do primeiro grau se deu em 07.10.2004 e o recurso voluntário foi apresentado em 05.11.2004. Foram arrolados bens pela fiscalização, conforme processo n° 10735.000120/0012, juntado a este. Em julgamento a 7ª Câmara do extinto Conselho de Contribuintes entendeu por baixar o feito em diligência com os seguintes fundamentos e objetivos: No recurso, entre outras matérias em discussão, inclusive preliminares, a contribuinte faz alusão a razão do arbitramento e discute erros cometidos no arbitramento que foram apontados no aditamento a impugnação. Observase que no lançamento relativo ao fato gerador de 03/97, do valor recebido a titulo de indenização, de R$ 4.684.302,45, foram deduzidas as despesas de R$ 800 mil de gastos advocatícios e gastos com desobstrução e limpeza do terreno, no total de R$ 1 milhão, apurandose assim, receitas não operacionais de R$ 2.884.302,45. A esse valor foi aplicada a alíquota do imposto. Para cálculo do imposto relativo a receita de prestação de serviços, apurada em sua DIRPJ, foi aplicada a alíquota de 38,4% para apuração da base de calculo do arbitramento e para a receita de venda de mercadorias e serviços foi aplicada a alíquota de 9,6%. O valor total para aplicação da alíquota do imposto corresponde a R$ 2.946.565,10. Para o anocalendário de 1996, conforme o lançamento, a empresa deixou de tributar a importância de R$ 99.228,13, a titulo de receitas não operacionais, que corresponde a diferença apurada entre o valor recebido e o respectivo custo, composto da baixa do ativo imobilizado, no valor total de R$ 733.612,90, e das despesas advocatícias e de assessoria ao recebimento da indenização, as quais totalizam R$ 2.084.351,30. Assim R$ 2.600.000,00 —(733.612,90 + 1.350.738,40 + 416.420,57) corresponde a R$ 99.228,13. Verificase que na ação judicial não se discute as razões do arbitramento e nem a metodologia de seu cálculo. A recorrente apresentou notas fiscais, docs. de fls. 331/388, referentes às despesas que a autuante não teria levado em conta no arbitramento ou teria consignado valores divergentes (honorários advocatícios H. Barata Neto, serviços técnicos de assessoria COEPAR, limpeza do terreno, remoção dos materiais da avalanche, despesas tributáveis junto a diversos fornecedores). Afirma que no Termo de Verificação Fiscal, o autuante considerou, contra receita de indenização, apenas os honorários de advogado, mas, mesmo assim, em valor inferior ao efetivamente gasto, e apenas R$ 1 milhão de despesas de desobstrução, esquecendose das despesas comprovadas junto a seus fornecedores. Além disso, observa que as perdas decorrentes do sinistro no ativo imobilizado da empresa somaram R$ 1,4 milhão, conforme nota fiscal Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 10735.002581/9951 Resolução nº 1401000.336 S1C4T1 Fl. 10 9 e orçamento de AJN Construções e Projetos Ltda, correspondente à reconstrução de parte das benfeitorias destruídas, mas que a autuante, sem qualquer justificativa, somente considerou pouco mais de R$ 730 mil. Considera que é óbvio que a perda patrimonial da empresa na avalanche foi de valor bem superior a R$ 730 mil e mesmo ao R$ 1,4 milhão, mas, esse último é o valor correspondente ao ativo que se recompôs como era, como se verifica do descritivo do orçamento e dos documentos anexos que mostram as benfeitorias destruídas do sinistro. Pelo seu entendimento, ao contrário de um ganho, realizouse uma perda, pois os valores corretos que deveriam ser levados, para a apuração das receitas para fins de apuração do imposto seriam: Receitas não operacionais: R$ 4.684.302,45 Do exposto e tendo em vista que não localizei no processo os documentos comprobatórios dos valores deduzidos do valor das receitas recebidas a titulo de indenização e levando em conta os documentos trazidos aos autos com o aditamento à impugnação, 327 a.388; entendo que deve ser convertido o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal se pronuncie sobre os documentos apresentados pela recorrente, e realize as diligências que considerar imprescindíveis ao deslinde da questão. De suas conclusões deve ser dada ciência contribuinte, para que, se julgar necessário, se manifeste, dentro do prazo ,de 10 dias. Pelas razões expostas oriento meu voto para converter o julgamento em diligência nos termos acima expressos. Devidamente notificado da resolução nº 10700583 do Conselho de Contribuintes, a Recorrente apresentou a manifestação de fls. 547/553. Procedida a diligência, a Auditoria Fiscal da delegacia da Receita Federal de Nova Iguaçu proferiu o seguinte relatório 9fls. 696/698: 8. Em relatório, o Conselho de Contribuintes solicitou diligência para verificar se os comprovantes das despesas apresentadas, fls. 327 a 388, foram consideradas, ou seja, se foram deduzidas quando da apuração da base de cálculo do imposto. (fls. 481 a 494) 9. Em 17/01/2008 o contribuinte protocola copia de decisão judicial do TRF 2a RF, retirando da base de cálculo do IR indenização recebida do DNER (fls. 497 a 503). 10. Em 18/12/2007, conforme fl. 515, através de Mandado de Intimação da la Vara Federal de Petrópolis, determinouse o cumprimento da decisão proferida na ação judicial, para retirada do Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 10735.002581/9951 Resolução nº 1401000.336 S1C4T1 Fl. 11 10 valor referente da receita liquida correspondente a indenização recebida pelo DNER referente ao 1° trimestre de 1997. 11. De acordo com o Oficio SECAT n° 38/2008, tal procedimento foi efetuado, conforme decisão judicial, retirando da Base de Calculo do imposto a receita liquida de R$ 2.884.30,00, referente ao valor da indenização recebida (R$ 4.684.302,45) menos as despesas apresentadas (R$ 1.800.000,00) e portanto alterando o valor principal do imposto devido de R$ 716.276,87 para 1.802,05. (fls. 519 a 535) 12. Em 20/03/2008, foi enviada, carta de cobrança com os valores retificados conforme determinação acima. (fl. 541) 13. Em resposta, o contribuinte concorda com os valores constantes da cobrança feita, através da intimação n° 096/2008, e da decisão proferida pelo acórdão n° 10700583 da Sétima Câmara do Conselho de Contribuintes, onde foi considerado procedente o arbitramento do Lucro para a apuração do imposto e reflexos a pagar para o período de 1997, bem como a cobrança do valor atualizado do Auto de Infração constante do processo administrativo n° 10735.002581/9951 (fls. 547 a 552) 14. Solicitou ainda que o débito proveniente deste processo fosse compensado com os valores pagos nos processos administrativos 13748.000605/200106, 10735.200556/200314 e 10735.200557/2003 69. Diante do relatado acima e tendo em vista que o contribuinte já apresentou esclarecimentos e documentação suficientes para verificação do solicitado, tomouse desnecessária qualquer intimação por parte desta fiscalização, tendo sido verificado que: a. As despesas operacionais (fls. 327 a 388) de acordo com determinação judicial onde decidiu procedente o arbitramento do Lucro para o período de 1997, tornaram essas despesas inúteis, tendo em vista que não são considerados quando da utilização do Lucro Arbitrado como forma de apuração. b. A verificação dos valores pagos a título de IRPJ, CSLL e PIS nos procedimento a seguir enumerados: 13748.000605/200106 parcelamento de IRPJ e CSLL na Secretaria da Receita Federal (fls. 573) ,10735.200556/200314 parcelamento de IRPJ na Procuradoria da Fazenda período de apuração 1997 (fls. 592) e 10735.200557/200369 c. parcelamento de CSLL, período de apuração 1997 (fls. 630), além de cópias de darf's de pagamento (31/07/2001) referente ao PIS (fls. 668), não é função deste serviço e portanto não foi verificada a alocação dos mesmos. Propomos portanto o encerramento desta diligência e o retorno deste processo ao SEORT/DRFNIU para prosseguimento e verificação da compensação e restituição solicitada. Diante de todo o exposto, intimamos nesta data o contribuinte, a tomarciência do referido despacho, conforme determinado em Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 10735.002581/9951 Resolução nº 1401000.336 S1C4T1 Fl. 12 11 despacho da Sétima Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes, concedendo prazo de 10 dias para manifestação. Encaminhado o processo à SEORT, promoveuse o seguinte ajuste (fls. 722/723): DO RELATÓRIO A pessoa jurídica acima identificada, doravante tratada por contribuinte, pleiteia compensação dos débitos indicados baixo. Utilizando pagamento a maior de PIS, IRPJ e CSLL. DA FUNDAMENTACÃO O contribuinte indica como direito creditório o pagamento a maior de PIS, IRPJ e CSLL referentes ao ano de 1997. Como se pode perceber observando o acórdão 5688 de 31/08/2004 (fls 701 a 721), foi determinado que o contribuinte seria tributado em 1997 com base no lucro arbitrado, conseqüentemente, os valores declarados naquele período não seriam considerados confissão de divida e os valores efetivamente recolhidos poderiam ser abatidos do respectivo crédito tributário. Em pesquisa aos sistemas informatizados da receita federal foram confirmados os pagamentos informados ( fls 593, 631 e 669) nos valores originais abaixo discriminados: Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 10735.002581/9951 Resolução nº 1401000.336 S1C4T1 Fl. 13 12 IRPJ — código 3551 — R$ 14.269,92 CSLL código 1804 — R$ 53.901,82 PIS — código 8109 — R$ 3.790,30 Portanto, como o crédito oferecido pelo contribuinte preenche totalmente os requisitos de "certeza" e "liquidez", entendo que o mesmo se presta a promover o encontro de contas pleiteado. DA CONCLUSÃO Levando em consideração a exposição acima e tudo o mais que consta do processo, com fundamentos legais calcados no artigo 170 da Lei 5.172/66 (Código Tributário Nacional), no artigo 74 da Lei 9.430/96, e na IN 21/1997, PROPONHO que a compensação declarada pelo contribuinte, conforme demonstrativo supra, seja homologada e dada ciência imediatamente ao interessado do teor deste ato decisório . Em 16/11/2011, a SEORT da Delegacia da Receita Federal de Nova Iguaçu chamou o feito a ordem, no seguinte sentido: Chamo o feito a ordem. Trata o presente de Auto de Infração lavrado em 14.06.1999, cuja ciência foi dada ao contribuinte 30.07.1999 (fls. 111/112) para exigência de IRPJ (fls. 83/92), PIS (fls. 93/98) e CSLL (fls. 99/104), como a seguir resumido: IRPJ — sobre a base arbitrada para o ano de 1997. Receita Não Operacional — 12/1996; Receitas Operacionais (revenda de mercadorias e prestação de serviços gerais) —1 2 , 22 , 32 e 42 trimestres de 1997; Demais receitas (indenização recebida do DNER) — 1 2 trimestre de 1997. PIS Receitas Operacionais (prestação de serviços gerais) — janeiro a dezembro de 1997. CSLL Receitas Operacionais (revenda de mercadorias e prestação de serviços gerais) — 1 2 , 22 , 32 e 42 trimestres de 1997; Demais receitas (indenização recebida do DNER) — 1 2 trimestre de 1997. Regularmente impugnado, o lançamento foi julgado pela Delegacia da Receia Federal de Julgamento no RJ em 31.08.2004. Naquele julgamento, a autoridade julgadora entendeu afastada a discussão administrativa, no que toca aos valores recebidos do DNER pelo contribuinte a titulo de indenização (ac 1996 e 1997), posto Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 10735.002581/9951 Resolução nº 1401000.336 S1C4T1 Fl. 14 13 tratarse, segundo o julgado, de objeto de ação judicial declaratória de anulação do auto de infração. Implicou, com isso, o reconhecimento da definitividade dos valores lançados para o IRPJ (12/1996 — R$ 14.884,22 e 1 2 trimestre de 1997 — R$ 7 6.276,87) e CSL (1 2 trimestre de 1997— R$ 230.744,16). Julgou procedente os demais lançamentos no que toca às demais infrações. Contra referido acórdão, após intimado em 07.10.2004, intentou Recurso Voluntário ao então conselho de contribuintes.(fls. 464). Iniciado o julgamento e após minucioso relatório, decidiuse, As fls. 494, pela sua conversão em diligência para que a autoridade lançadora se pronunciasse acerca dos documentos apresentados pelo impugnante. Entendeu, ainda, que o lançamento tornara sem efeito toda e qualquer declaração apresentada antes ou após o ato administrativo, devendo ser abatido do crédito tributário lançado sobre a base arbitrada, os valores efetivamente recolhidos a titulo de IRPJ, CSL e PIS. (fls. 446) Após cientificado — em 27.03.2008 da decisão de conversão acima, o contribuinte apresentou petitório em 28.05.2008 (fls. 547/553) no qual, em apertada síntese: • Considerou expressamente procedente os lançamentos para o PIS (ac 1997), IRPJ e CSL. Quanto a estes dois últimos, excetuados os valores constituídos para o lg trimestre de 1997 (principais e originais de R$ 716.276,87 e R$ 230.744,16, respectivamente). • Requereu, fundado no acórdão da DRJ/RJO, fossem abatidos dos créditos tributários lançados os valores efetivamente recolhidos a titulo de IRPJ, CSLL e PIS do ano calendário 1997. • Requereu, ainda fundado no acórdão retro citado, a restituição dos créditos eventualmente remanescentes, após o encontro de contas. Consta às fls. 696/698 Relatório de Encerramento de Diligência, cuja ciência foi dada ao contribuinte em 25.05.2010. Consta As fls. 722/723 decisão administrativa que reconheceu o direito creditório pleiteado pelo contribuinte, fundado naquele acórdão de 1a instância administrativa, bem como homologou as compensações pretendidas, relacionadas aos débitos constituídos de oficio, à exceção do IRPJ e CSLL do 1 e 2 trimestre de 1997 (principals e originais de R$ 716.276,87 e R$ 230.744,16, respectivamente). Com vistas à conclusão deste relato, passemos à análise da ação judicial ng 2000.51.06.0027111, proposta pelo contribuinte, que serviu de parte do fundamento do acórdão da DRJRJO que não conheceu da impugnação apresentada no que toca ao valor da indenização recebida, A luz das peças trazidas aos autos do processo administrativo, bem como de pesquisas efetuadas no sítio do TRF2. Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 10735.002581/9951 Resolução nº 1401000.336 S1C4T1 Fl. 15 14 A sentença prolatada pela 1g Vara Federal e Petrópolis em 25.10.2001 julgou IMPROCEDENTE os pedidos formulados na inicial. Julgada a respectiva apelação pelo TRF2, em 09.06.2004, por declarar a inexistência de relação jurídicotributária relativa à. Incidência de imposto de renda — frisese, de imposto de renda sobre o valor de indenização recebida do DNER, a que se refere o "item 4" do auto de infração (fls. 15 dos autos fato gerador 03/97), ficando, por conseguinte, desconstituído esse crédito tributário. Naquela oportunidade, o voto do relator foi esclarecedor no sentido de delimitar a lide posta, na forma do excerto a seguir: Destarte, é bom ressalvar que outros fatos geradores objeto da autuação, relativos ao imposto de renda, não foram objeto de impugnação, como, v.g., aqueles pertinentes a: ganho de capital (cf. fls. 13 — item 1); "venda a vista no restaurante do estabelecimento" (cf fls. 13 item 2); "receita de prestação de serviços" (cf fls. 14— item 3). Hidde se frizar, outrossim, que a causa de pedir constante da exordial somente se reporta ao imposto de renda, razão por que não poderá haver pronunciamento sobre outros tributos objeto da autuação (por inexistir fundamentação jurídica a amparar qualquer outra p retensão de inexistência de relação jurídico tributária. (destacamos) Deferiuse, ainda naquela oportunidade, a antecipação dos efeitos da tutela no que toca ao valor lançado para o IR. Em 09.03.2005 foi negado provimento aos Embargos de Declarações opostos pelas partes. Em 31.01.2006 foi admitido os Resp apresentados pelas partes. Nos termos do voto do Sr. MinistroRelator. Referido acórdão transitara em julgado em 28.09.2006. A partir do relatado acima, solicito o encaminhamento dos presentes autos A ARF — PETRÓPOLIS para a adoção das seguintes providências: 1 — restabelecer o controle, nestes autos, do crédito tributário de CSL lançado para o 1 2 trimestre de 1997, no valor original e principal de R$ 230.144,16, acompanhado da competente multa de oficio; 2 — Cientificar o contribuinte da decisão proferida às fls. 722/723, do resultado do encontro de contas promovido em decorrência de tal decisão (fls.724/730), facultandolhe oportunidade para, contra ele , interposição de Manifestação de Inconformidade, no prazo de 30 (trinta) dias, : RJ. 3 — Caso haja interposição de recurso na forma acima, extrair cópia integral dos autos para encaminhamento A DRJ. Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 10735.002581/9951 Resolução nº 1401000.336 S1C4T1 Fl. 16 15 4 — Retornar os presentes autos ao agora CARF prosseguimento no julgamento convertido em diligência, notadamente quanto à CSL lançada para o 1o trimestre de 1997, no valor original e principal de R$ 230.744,16, eis que objeto de manifestação não conhecida pela DRJ, ou devolução da matéria à instância anterior, se sim o entender. É o relatório, no necessário. Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 10735.002581/9951 Resolução nº 1401000.336 S1C4T1 Fl. 17 16 VOTO O recurso é tempestivo e, atendidos os demais requisitos de lei, dele conheço. Conforme se extrai do relatório, a Delegacia da Receita Federal, em resolução da diligência determinada por este Conselho, restabeleceu o controle, nestes autos, do crédito tributário de CSL lançado para o 1º e 2º trimestre de 1997, acompanhado da competente multa de oficio. Cientificado o contribuinte o mesmo apresentou manifestação de inconformidade de fls. 771 e seguinte, ainda não apreciada pela Delegacia Regional de Julgamento. Desta feita, para não que haja supressão de instância, proponho seja o presente feito devolvido para julgamento em primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA
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Numero do processo: 10508.000118/2004-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 13/06/2000, 27/09/2000, 28/09/2000, 18/10/2000, 08/11/2000, 28/11/2000, 13/12/2000, 11/01/2001, 20/03/2001, 13/06/2001
II. IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL.
O produto denominado switch classifica-se no código 8471.80.19 da Nomenclatura Comum do Mercosul.
MULTA DE OFÍCIO. MULTA ADUANEIRA.
A insuficiência de recolhimento, decorrente de classificação errônea de mercadoria, enseja o lançamento da diferença do imposto que deixou de ser recolhida, acrescida de juros de mora e multa de 75%. Para os fatos geradores ocorridos após 27/08/2001, aplica-se ainda a multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-001.400
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Luis Eduardo Garrossino Barbieri Presidente Substituto
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Paulo Roberto Stocco Portes e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1954; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 951 1 950 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10508.000118/200412 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202001.400 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de novembro de 2014 Matéria II. IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIA Recorrente PROLAN EQUIPAMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 13/06/2000, 27/09/2000, 28/09/2000, 18/10/2000, 08/11/2000, 28/11/2000, 13/12/2000, 11/01/2001, 20/03/2001, 13/06/2001 II. IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. O produto denominado switch classificase no código 8471.80.19 da Nomenclatura Comum do Mercosul. MULTA DE OFÍCIO. MULTA ADUANEIRA. A insuficiência de recolhimento, decorrente de classificação errônea de mercadoria, enseja o lançamento da diferença do imposto que deixou de ser recolhida, acrescida de juros de mora e multa de 75%. Para os fatos geradores ocorridos após 27/08/2001, aplicase ainda a multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Luis Eduardo Garrossino Barbieri – Presidente Substituto Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 50 8. 00 01 18 /2 00 4- 12 Fl. 412DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10508.000118/200412 Acórdão n.º 3202001.400 S3C2T2 Fl. 952 2 Thiago Moura de Albuquerque Alves, Paulo Roberto Stocco Portes e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/FOR n.º 7.980, de 23 de fevereiro de 2006, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE (fls. 137/160), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração e, por conseguinte, manteve a exigência do imposto de importação, multa e juros de mora, cujo montante do crédito tributário apurado perfaz R$ 407.791,28 (quatrocentos e sete mil e setecentos e noventa e um reais e vinte e oito centavos), e imposto sobre produtos industrializados, multa e juros de mora, perfazendo um crédito tributário de R$ 53.363,22 (cinqüenta e três mil, trezentos e sessenta e três reais e vinte e dois centavos). Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do acórdão da DRJ, verbis: Trata o presente processo de exigência do Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados, acrescidos de juros de mora e multas de ofício, perfazendo, na data dos lançamentos, créditos tributários nos valores de R$ 407.791,28 e R$ 53.363,22, respectivamente, objeto dos Autos de Infração de fls. 0214 e 0852. De acordo com a descrição dos fatos constante dos Autos de Infração e do Relatório de Auditoria Fiscal, a empresa autuada submeteu mercadorias a despacho aduaneiro de importação, classificandoas no código 8471.80.14 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) referente a “distribuidor de conexões para a rede – HUB”. Todavia, a fiscalização entende que a classificação adotada pelo importador está incorreta, devendo ser utilizado o código 8471.80.19, o qual prevê alíquota maior. Segundo afirma a fiscalização, a Coordenação Geral de Administração Aduaneira – COANA emitiu a Notícia Siscomex nº 57, de 22 de dezembro de 2000, informando que se classificam no código 8471.80.14 exclusivamente os produtos conhecidos como “hub”, mas não outros produtos que executem funções semelhantes ao “hub”, como o “switch”. O autuante faz alusão, ainda, à Solução de Consulta nº 53, de 26 de julho de 2002, da Superintendência Regional da Receita Federal na 8ª Região Fiscal que versa sobre a classificação de “switch”. A citada Solução de Consulta traz informações técnicas sobre o “switch”, esclarecendo que são usados em redes locais com a função de realizar o chaveamento e o direcionamento de pacotes de dados entre computadores, estações de trabalho, servidores e outros elementos de rede. Transcrevemse a seguir trechos da mencionada Solução de Consulta reproduzidos nos autos de infração: "Uma rede pode ser definida como a interconexão física e lógica entre microcomputadores, estações de trabalho e sistemas de computação de Fl. 413DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10508.000118/200412 Acórdão n.º 3202001.400 S3C2T2 Fl. 953 3 médio e grande porte. A forma de conexão física entre estes elementos que integram uma rede local é conhecida por topologia. Existem basicamente três tipos: Barramento, Estrela e Anel (além das mistas, derivadas de composições destas). As topologias de Barramento e Anel implicam numa maior dificuldade na expansão e atualização da rede, bem como diminuem a confiabilidade, uma vez que a falha em um elo de interligação pode comprometer a comunicação entre diversos elementos. Na topologia Estrela (ou mista, quando incluir um segmento em Estrela) existe um elemento central, que é responsável pela “concentração” das conexões entre os diversos elementos. Isto evita os problemas apontados anteriormente, pois permite uma maior flexibilidade na atualização da rede e isola um eventual defeito no seu próprio segmento. Tal elemento é conhecido como “hub”, que em inglês significa centro. As características básicas de um equipamento “hub” são: Sua função é conectar fisicamente os equipamentos que compõem uma rede local; Trabalha na camada 1 (nível físico) do modelo ISO/OSI, que é um modelo padrão de interconectividade entre computadores; Simplesmente redistribui uma mensagem recebida, em uma de suas portas, para todas as demais; Permite o estabelecimento de apenas uma comunicação de cada vez; A largura de banda é compartilhada entre todos os equipamentos que estão conectados ao “hub”. O aumento da capacidade de processamento dos microcomputadores e dos diversos equipamentos integrantes de uma rede local, as necessidades provenientes da arquitetura clienteservidor e o surgimento das aplicações multimídia, criaram um segmento diferenciado de mercado, com uma necessidade de melhor desempenho e, conseqüentemente, de maior largura de banda para cada unidade, que não era suprida pelos “hubs”, que utilizam a tecnologia de compartilhamento. Para suprir esta lacuna, a estratégia dos projetistas de rede foi desenvolver um outro equipamento, o “switch”, que utiliza uma tecnologia distinta (a de chaveamento) e é utilizado nas situações onde se exige uma performance diferenciada. Assim, passaram a coexistir, no cenário das redes locais, dois tipos de equipamento, o “hub”, utilizado em áreas onde os equipamentos não necessitam de recursos intensivos de rede, e o “switch”, para os equipamentos que exijam uma velocidade e um desempenho elevados de comunicação. As características básicas de um equipamento “switch” são: Sua função principal é o chaveamento de pacotes (também “frames” ou células), baseado no endereçamento MAC (“Medium Access Control”), que é o endereço físico de cada adaptador na rede; Trabalha na camada 2 (nível de enlace) do modelo ISO/OSI; Fl. 414DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10508.000118/200412 Acórdão n.º 3202001.400 S3C2T2 Fl. 954 4 Inspeciona os primeiros “bytes” do pacote para descobrir o endereço de destino. Baseado em sua tabela de endereçamento (que é construída dinamicamente), passa a redirecionar o pacote de dados para a porta correspondente; Quando uma porta está “ocupada”, ele armazena os dados num “buffer” interno e depois os envia automaticamente; Permite o estabelecimento de várias comunicações simultâneas (desde que entre portas diferentes); A largura de banda é dedicada para cada porta. Assim, apesar do “switch” também possibilitar a conexão física de equipamentos numa rede local (da mesma forma que o “hub”), esta não é a sua função principal, que é a de realizar o chaveamento e o direcionamento de pacotes de dados entre suas portas (indo além do nível físico e atuando no nível de enlace). Estas diferenças de nível de atuação e de tecnologia entre estes dois tipos de equipamentos permitem ao “switch” uma série de vantagens sobre o “hub”, obtendo um desempenho superior e realizando várias outras funções que o último não desempenha. Como citado anteriormente, o surgimento de uma nova necessidade de desempenho, gerou o desenvolvimento de outro produto, que satisfizesse tais requisitos, utilizando uma tecnologia diferente. Este produto é o “switch” e, atualmente, tanto ele quanto o “hub” coexistem no mercado e ambos são amplamente utilizados, sendo que a escolha entre um e outro vai depender tão somente das funções e do desempenho necessários em cada aplicação (grande parte das vezes, eles são utilizados, inclusive, na mesma rede local). Devese ainda ter em mente que a classificação de mercadorias segue critérios próprios, determinados pelo regime de matéria constitutiva ou de função desempenhada. Assim, por exemplo, se tivermos um novo produto, que é proveniente ou não da evolução tecnológica de outro, mas que é constituído por matéria diferente, ou então que realize uma função diferente, isto poderia resultar numa classificação totalmente diversa entre um e outro. No caso em análise, a função principal de um “hub” e de um “switch” são inteiramente distintas. O código 8471.80.14 da NCM/TEC (pretendido pela interessada) é de uso restrito e específico para os equipamentos “hub”, que tem a função principal de distribuidor de conexões para rede. Sendo assim, fica claro que, pelas razões alegadas anteriormente, os equipamentos objeto da consulta não podem ser considerados como “Distribuidor de conexões para redes (“hub”)”, estando, portanto, excluídos da possibilidade de classificação no código 8471.80.14.” Assim, a solução de consulta conclui que: a) “switch” é um equipamento utilizado em redes locais, que proporciona a distribuição e o direcionamento de pacotes de dados entre microcomputadores, servidores e outros sistemas de processamento de dados, sendo considerado “unidade” de um sistema de processamento de dados, nos termos da nota 5B da posição 8471; Fl. 415DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10508.000118/200412 Acórdão n.º 3202001.400 S3C2T2 Fl. 955 5 b) considerandose que este equipamento também possibilita a interconexão (física e lógica) de máquinas digitais para processamento de dados, em uma rede local, ele também consiste em uma unidade de controle ou de adaptação, conforme a definição das Notas Explicativas da posição 8471; c) os produtos sob análise devem ser considerados como compreendidos na posição 8471, que engloba as máquinas automáticas para processamento de dados e suas unidades; d) No âmbito da referida posição, devem ser compreendidos, na falta de subposição mais específica, na subposição 8471.80; e) como os produtos estão compreendidos entre as unidades de controle ou de adaptação, devem ser classificados no item 8471.80.1 e, finalmente, por falta de código mais específico, devem ser classificados no código 8471.80.19. No caso concreto, o contribuinte foi intimado a responder quesitos relativos às características técnicas dos produtos importados, tendo apresentado as respostas por meio do documento de fls. 2930. Conforme as respostas fornecidas pelo importador, a fiscalização entende que é aplicável o código 8471.80.19. Os produtos foram classificados no código 8471.80.19 da TEC, com base nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado nos 1.ª e 6.ª (textos da posição 8471, da nota 5B da posição 8471 e da subposição 8471.80), c/c Regra Geral Complementar nº 1, todas da TEC, com os esclarecimentos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (Decreto n° 435/92 – alterado pela IN SRF nº 157/2002). Por fim, a fiscalização conclui que, por ter classificado erroneamente as mercadorias, o importador utilizou uma alíquota incorreta, menor do que a alíquota referente código tarifário aplicável, sendo cabível a exigência das diferenças dos impostos, que deixaram de ser recolhidas por ocasião do despacho de importação, referentes às DIs relacionadas no auto de infração. A fiscalização considerou que as mercadorias foram corretamente descritas nas Declarações de Importação, não tendo sido constatados indícios de intuito doloso ou má fé, aplicando a multa de mora, com fundamento no Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF nº 13/2002 e ADN COSIT nº 10/1997. Foram aplicados, ainda, juros de mora, conforme a legislação de regência. Cientificado dos lançamentos em 08/03/2004, conforme fls. 02 e 15, o contribuinte insurgiuse contra a exigência, apresentando a impugnação de fls. 6272, em 07/04/2004, acompanhada dos documentos de fls. 73122, por meio das quais expõe as seguintes razões de defesa: as consultas apresentadas à Receita Federal têm o condão de esclarecimento ao contribuinte, que obtém um posicionamento oficial e vinculado do órgão, evitando, assim, eventuais penalidades; considerando a constante evolução tecnológica dos equipamentos e a conseqüente dificuldade dos importadores em classificar as mercadorias, as Soluções de Consulta vem se mostrando como eficazes instrumentos de natureza infralegal para harmonização da relação fiscocontribuinte; Fl. 416DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10508.000118/200412 Acórdão n.º 3202001.400 S3C2T2 Fl. 956 6 as importações ocorreram nos anos de 2000 e 2001, ou seja, antes da data da consolidação do entendimento do Receita Federal, externado aos contribuintes na Solução de Consulta nº 53/2002; de acordo com o princípio da irretroatividade da lei conjugado com o princípio da legalidade e da segurança jurídica, a norma somente pode retroagir para beneficiar o contribuinte, jamais para impor nova obrigação sobre fatos geradores ocorridos no passado; a irretroatividade da legislação tributária está expressa no art. 105 do Código Tributário Nacional (CTN), o qual tem fundamento no art. 150, III, “a”, da Constituição Federal de 1988; nos termos do art. 100, inciso II, do CTN, as Soluções de Consultas, por se tratarem de normas complementares de lei, devem obedecer ao princípio de irretroatividade; o art. 146 do CTN prevê, mais especificamente, a irretroatividade dos efeitos advindos da modificação dos critérios utilizados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento; o art. 48, § 12, da Lei nº 9.430/1996, consagrou a irretroatividade dos efeitos das soluções de consulta, as quais não podem alcançar fatos geradores pretéritos; o argumento invocado pelo auditor fiscal foi a classificação errônea, que não obedeceu a Solução de Consulta SRRF/8ªRF nº 53/2002; as importações obedeceram à prática aduaneira e fiscal vigentes à época de suas realizações, com a adoção do código 8471.80.14, fato que pode ser atestado pela regularidade das operações, nunca tendo sido suscitados quaisquer questões pela fiscalização, na oportunidade dos desembaraços aduaneiros; a Solução de Consulta foi emitida em julho de 2002, reformando o critério de classificação adotado até então, para tais mercadorias, sendo evidente que somente pode produzir efeitos a partir dessa data, não podendo retroagir para alcançar operações pretéritas, sob pena de ofender ao princípio da irretroatividade e da segurança jurídica, tais princípios não estão limitados às leis, mas também aos atos administrativos, não devendo tratar os casos passados de modo a se desviarem da prática até então utilizada, na qual o contribuinte tenha confiado; a Súmula 227 do antigo Tribunal Federal de Recursos corrobora esse entendimento; os equipamentos importados consistiam em distribuidores de conexões para redes (hub), classificáveis no código 8471.80.14, o que encontra amparo no critério utilizado para criação das classificações da TEC, qual seja, a finalidade do produto; os equipamentos foram utilizados com a finalidade real de concentrar/distribuir as conexões de rede, exercendo a função exata de um hub (níveis 1 e 2 do modelo OSI); Fl. 417DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10508.000118/200412 Acórdão n.º 3202001.400 S3C2T2 Fl. 957 7 esses equipamentos podem ser substituídos por outros que implementem a funcionalidade do hub, bem como podem substituir qualquer outro hub de forma integral, o que indubitavelmente comprovam que se constituem funcionalmente como hubs; o termo switch referese apenas à tecnologia utilizada internamente no equipamento para implementar a funcionalidade de distribuição de conexões para redes (hubs), possibilitando eventualmente um desempenho maior na comunicação entre os equipamentos como, por exemplo, minimizando colisões; a alternativa mais correta foi a classificação no código 8471.80.14, mais adequado à funcionalidade dos equipamentos, porque o código 8471.80.19 somente se refere a “outros”; à época das importações não existia o código 8471.80.19 Ex 001 – distribuidores de conexões para redes com chaveamento (switch) – criada somente em 26/04/2002, pela Resolução CAMEX nº 07/2002; na oportunidade da Solução de Consulta, bem como quando da lavratura do auto de infração, a classificação mais apropriada já seria a 8471.80.19 Ex 001, que possui alíquotas bem reduzidas em comparação com os códigos 8471.80.14 e 8471.80.19; se as mesmas importações fosse realizadas nos dias atuais, tais equipamentos seriam classificados no código 8471.80.19 Ex 001, com alíquotas de 2%, para o Imposto de Importação, e 15%, para o IPI. Por meio da Resolução de fls. 124126, tendo em vista o disposto no Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 13/2002 e Ato Declaratório Normativo COSIT nº 10/1997, o processo retornou ao órgão de origem para que a fiscalização examinasse o cabimento de lavratura de auto de infração complementar para lançamento da multa de ofício. Em decorrência, foi lavrado auto de infração complementar, o qual consta às fls. 0105, do processo nº 10508.000122/200561, apenso ao presente processo. De acordo com o citado auto de infração, foi aplicada a multa de ofício de 75%, por se considerar que a infração não é passível de enquadramento no ADN COSIT nº 10/1997, no valor de R$ 170.821,07. Cientificado do auto de infração complementar, em 04/02/2005, o importador apresentou impugnação em 04/03/2005, na qual reitera os argumentos expendidos na impugnação anterior aduzindo, em síntese, que: é incabível o lançamento objeto do auto de infração e muito menos da multa de ofício que ora se pretende exigir; no auto de infração original já forma imputadas à empresa ora Impugnante as respectivas penalidades vinculadas ao lançamento, sendo infundada a aplicação de multa suplementar, tendo em vista a ausência de qualquer falha na conduta da impugnante; não foi feita nenhuma declaração inexata, pois a classificação fiscal adotada pela empresa correspondia à mais apropriada na época, não havendo qualquer alusão a eventual intuito de fraude; Fl. 418DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10508.000118/200412 Acórdão n.º 3202001.400 S3C2T2 Fl. 958 8 a impugnante em momento algum deixou de descrever corretamente as mercadorias nas DIs, inserindo todos os elementos necessários à respectiva identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado; na DIs estão destacados todos os elementos necessários para a identificação e classificação fiscal, dentre eles o código do fabricante, na sendo exigido qualquer outro dado que dê azo à multa; nos autos de infração originais o próprio fiscal afirmou que o importador declarou corretamente a mercadoria, incorrendo em uma das hipóteses previstas no ADI SRF nº 13/2002, não sendo passível a multa de ofício, mas a de mora. A autoridade julgadora de primeira instância julgou procedente o lançamento consubstanciado nos autos de infração de fls. 02 e seguintes, acolhendo as razões da autoridade autuante. Inconformada, a Recorrente interpôs recurso voluntário onde reitera argumentos já expendidos em impugnação. O 3° Conselho de Contribuintes, através da Resolução 3011.991, determinou o que segue: O cerne da lide reside na controvérsia acerca da classificação na Nomenclatura Comum do Mercosul baseada no Sistema Harmonizado de Codificação e Classificação de Mercadorias NCM/SH do produto denominado “switch”. A recorrente classifica o produto no código 8471.80.14, referente a “distribuidor de conexões para rede hub”, enquanto a fiscalização entende que o produto deve ser classificado sob o código 8471.80.19, vigentes à época da materialização dos fatos geradores. A descrição das posições da NCM/SH são as que seguem: 8471 MÁQUINAS AUTOMÁTICAS PARA PROCESSAMENTO DE DADOS E SUAS UNIDADES; LEITORES MAGNÉTICOS OU ÓPTICOS, MÁQUINAS PARA REGISTRAR DADOS EM SUPORTE SOB FORMA CODIFICADA, E MÁQUINAS PARA PROCESSAMENTO DESSES DADOS, NÃO ESPECIFICADAS NEM COMPREENDIDAS EM OUTRAS POSIÇÕES 8471.80 Outras unidades de máquinas automáticas para processamento de dados 8471.80.1 Unidades de controle ou de adaptação e unidades de conversão de sinais 8471.80.11 Controladora de terminais 8471.80.12 Controladora de comunicações ("frontend processor") 8471.80.13 Tradutores (conversores) de protocolos para interconexão de redes ("gateway") 8471.80.14 Distribuidor de conexões para redes ("hub") 8471.80.19 Outras As características de um equipamento do tipo concentrador e distribuidor de conexões para rede, também denominado “hub”, são as seguintes, conforme Solução de Consulta SRRF/8.ª RF n.º 53, de 26 de julho de 2002: Fl. 419DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10508.000118/200412 Acórdão n.º 3202001.400 S3C2T2 Fl. 959 9 * Sua função é conectar fisicamente os equipamentos que compõem uma rede local; * Trabalha na camada 1 (nível físico) do modelo ISO/OSI, que é um modelo padrão de interconectividade entre computadores; * Simplesmente redistribui uma mensagem recebida, em uma de suas portas, para todas as demais; * Permite o estabelecimento de apenas uma comunicação de cada vez; * A largura de banda é compartilhada entre todos os equipamentos que estão conectados ao “hub”. O equipamento denominado “hub”, cuja tradução literal é centro, é baseado na topologia estrela, com um elemento central responsável pela concentração das conexões entre os diversos elementos conectados à rede. Para o caso de conexões do tipo, uma rede é apenas uma interconexão física entre equipamentos como computadores, estações de trabalho, sistemas de computação ou outros. Esses equipamentos utilizam a tecnologia denominada de compartilhamento. Conforme a supracitada solução de consulta, os equipamentos denominados tipo “switch” baseiamse na tecnologia de chaveamento e são utilizados em situações onde se exige performance diferenciada. As características básicas desses equipamentos são as seguintes: * Sua função principal é o chaveamento de pacotes (também “frames” ou células), baseado no endereçamento MAC (“Medium Access Control”), que é o endereço físico de cada adaptador na rede; * Trabalha na camada 2 (nível de enlace) do modelo ISO/OSI; * Inspeciona os primeiros “bytes” do pacote para descobrir o endereço de destino. Baseado em sua tabela de endereçamento (que é construída dinamicamente), passa a redirecionar o pacote de dados para a porta correspondente; * Quando uma porta está “ocupada”, ele armazena os dados num “buffer” interno e depois os envia automaticamente; * Permite o estabelecimento de várias comunicações simultâneas (desde que entre portas diferentes); * A largura de banda é dedicada para cada porta. Essas definições são aceitas como incontroversas pelas partes, isto é, não foram objeto de quaisquer questionamentos. Todavia, releva considerar que os equipamentos são por demais conhecidos e de domínio público para que restem quaisquer dúvidas acercas das mencionadas características, as quais foram diligentemente enumeradas na referida solução de consulta. Vêse claramente que os concentradores e distribuidores de conexão do tipo “hub” apenas interligam fisicamente os equipamentos em rede. Já os equipamentos importados pela recorrente, conforme resposta aos quesitos formulados pela autoridade autuante, documento de fls. 30, interligam os equipamentos de forma completamente distinta. Não ocorre apenas uma conexão física, mas esses equipamentos executam o chaveamento de pacotes e endereçamento dos mesmos para as portas Fl. 420DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10508.000118/200412 Acórdão n.º 3202001.400 S3C2T2 Fl. 960 10 desejadas, de forma automática, sendo capazes inclusive de armazenar temporariamente os dados caso necessário. Não é possível considerar esses equipamentos como meros conectores ou distribuidores de conexão. Não podem ser considerados como uma evolução tecnológica dos concentradores e distribuidores de rede. Representam, sim, uma nova tecnologia que realiza a interligação em rede de diversos equipamentos ou estações de forma diferenciada. Tratamse de outros equipamentos, bem distintos dos anteriores. Dessa forma, podem ser classificados na mesma posição dos concentradores e distribuidores de conexões se esta for a sua função principal, mas não por serem uma evolução da tecnologia anterior, situação que não constitui parâmetro para a correta classificação de mercadorias. Resta claro que os equipamentos importados incorporam as funções dos distribuidores de conexões pois interligam fisicamente os equipamentos em rede.Todavia, permitem que segmentos de redes se comuniquem, ao mesmo tempo, dois a dois. Na verdade, o switch seleciona o pacote de dados, identifica o endereço de destino e o envia à porta do segmento de rede na qual o endereço está alocado. Portanto, os switch têm a função de chaveamento lógico das conexões, interligando os segmentos de rede determinados, permitindo o endereçamento dos pacotes para a porta correta, conforme programado, não passando as informações para outros endereços lógicos. A função principal não é a conexão física, que pode ser realizada em barramento, anel ou estrela (hub). A função principal há de ser o chaveamento e endereçamento dos pacotes de dados. Conforme a Solução de Consulta COANA nº 20, de 10/07/2001, cujo entendimentos embasa a posição da autoridade autuante, “um Switch é em geral composto de elementos de memória, matriz de comutação, exercendo funções de processamento de informação com leitura de cabeçalhos e determinação de portas de destino para executar a sua função principal de comutação. Um Distribuidor de Conexões (HUB) não utiliza nenhuma destas tecnologias para executar a sua função principal de distribuição, e na sua essência é somente um repetidor multiporta de quadros”. Todavia, é de se considerar que há processo cujo mérito é semelhante ao aqui tratado, tendo o julgamento sido convertido em diligência. Peço vênia para reproduzir o voto proferido pela eminente relatora Susy Gomes Hoffmann nos autos do n.º 10508.000150/200406, Recurso n.º 135.549, verbis: A discussão no presente processo consiste na verificação da correta classificação da mercadoria, se a adotada pelo contribuinte, que classificou o produto importado no código 8471.80.14, como “Distribuidor de conexões para rede – HUB”, ou a classificação da fiscalização, que com base no questionário de quesitos respondido pela empresa (fls.14), que visava esclarecer as características operacionais de cada um dos modelos de equipamentos importados, desconsiderou o enquadramento tarifário acima referido e reclassificou no código 8471.80.19, relativo a “outras unidades de máquinas automáticas para processamento de dados que não as classificadas expressamente na tabela”. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10508.000118/200412 Acórdão n.º 3202001.400 S3C2T2 Fl. 961 11 Ab initio, importante esclarecer, se a mercadoria importada (switchs) constitui um distribuidor de conexões de rede – hub melhorado, tal como alega o contribuinte. Ocorre que a desclassificação feita pela Fiscalização baseouse na interpretação da fiscalização das informações prestadas pelo contribuinte. O contribuinte, por sua vez, em sua impugnação, para demonstrar que sua classificação estava correta, juntou laudo fornecido pelo Centro de Computação da Universidade Federal de Minas Gerais. Assim, estabeleceuse, em vista do laudo apresentado, a controvérsia sobre se saber se o SWITCH é um distribuidor de conexões para rede similar ao HUB. Portanto, para bem esclarecer a questão, entendo que o julgamento deve ser convertido em diligência para que seja elaborado um novo laudo técnico, pelo Instituto Nacional de Tecnologia – INT, para que sejam respondidas as seguintes questões: * A mercadoria objeto do presente processo é denominada no mercado como “swichts” ? * Tais mercadorias também são conhecidas como “swichtshubs”? * O que é swicht? Quais suas funções principais e suas funções secundárias? * O que é hub? Quais suas funções principais e suas funções secundárias? * Quais as semelhanças entre o swicht e o hub? * Há diferenças entre swicht e o hub? Especificar. * O que significa “interconexão de equipamentos em uma rede”? * O que são pacotes de dados? * O swicht é um distribuidor de conexão de rede ou se caracteriza como um outro tipo de unidade de máquina de processamento de dados? Trazer as explicações que julgar necessárias para explicar as diferenças e semelhanças entre hub e swicht. Determino, ainda, que antes da realização de diligência, que seja dada a oportunidade para a Recorrente e para o Agente Autuante para que formulem demais quesitos para serem respondidos no laudo a ser realizado. Após a juntada do laudo ao processo, determino, também, que seja dada oportunidade para que a Recorrente se manifeste sobre o mesmo. Após tais providências, retornem os autos para julgamento. Pelo exposto, considerando a relevância e pertinência dos quesitos formulados, voto por converter o julgamento em diligência nos termos do voto acima transcrito. Segundo relatório da diligência, em 04/03/2010, o INT, por intermédio do Oficio de n° 68/INT, informou que, apesar das várias tentativas de reunião com o representante da empresa Prolan (Dr. Manoel Alberto Rodrigues Neto), nenhuma informação teria sido fornecida empresa, bem como nenhum contato teria sido feito pelo representante da mesma. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10508.000118/200412 Acórdão n.º 3202001.400 S3C2T2 Fl. 962 12 Em virtude disso, o INT não pode elaborar o laudo solicitado, além de não poder responder às questões feitas pelo relator, e propôs o arquivamento do processo administrativo INT n° 01240.000691/09. A Recorrente, ademais, apresentou os seguintes quesitos suplementares: 1. A função principal é normalmente aquela essencial para o funcionamento do dispositivo? 2. A função secundária é normalmente aquela não essencial para o funcionamento do dispositivo mas que provê melhorias à sua função principal? 3. A conexão fisica dos equipamentos ao switch é essencial para o seu funcionamento? 4. A função de chaveamento de pacotes em um switch ocorre para pacotes do tipo "broadcast" ou apenas para pacotes do tipo ”unicast"? E para pacotes do tipo "multicast"? 5. A função de chaveamento de pacotes em um switch sempre ocorre para pacotes do tipo "unicast" ou depende ainda do processo dinâmico de aprendizado para a identificação da porta de origem de cada endereço MAC? 6. É possivel desabilitar este processo dinâmico de aprendizado por comando de configuração do switch? Neste caso o switch passa a executar apenas a função de distribuidor de conexão para rede e não mais o de chaveamento de pacotes? Este desligamento da função de aprendizado é útil em casos de monitoramento para diagnóstico de problemas? 7. A função de chaveamento de pacotes em um switch é essencial para o seu funcionamento ou o switch pode funcionar apenas como um distribuidor de conexão para rede? 8. Um switch pode ser configurado para prover todas as funcionalidades de um "hub"? 9. A função de filtragem paraenvio de pacotes a apenas um subconjunto de portas é exclusiva de switches ou também já foi provido em equipamentos do tipo "intelligent hubs" , com base não no endereço MAC mas na configuração dos segmentos de rede local (VLANs), tais como os da série OnCore da Chipcom, vendidos pela Prolan e também em OEM pela IBM no Brasil? 10. Se a classificação fiscal deve seguir o principio da posição mais específica aplicável, qual seria a melhor classificação na data da importação da mercadoria em questão, "hub" ou "outros"? Por fim, destaquese que a Recorrente anexou aos autos cópias autenticadas das faturas originais que instruíram as DIs relacionadas no Termo de Intimação e cópia das respectivas DIs e “Commercial lnvoices" (anexo B), bem como os manuais técnicos dos itens objeto dos autos de infração (anexo C). É o Relatório. Voto Fl. 423DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10508.000118/200412 Acórdão n.º 3202001.400 S3C2T2 Fl. 963 13 Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator O Recurso ora analisado é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade. Desta forma, dele tomo conhecimento e passo a analisar as questões de mérito. Destaco inicialmente que o INT, por intermédio do Oficio de n° 68/INT, informou que, apesar das várias tentativas de reunião com o representante da Recorrente, nenhuma informação teria sido fornecida pela empresa, bem como nenhum contato teria sido feito pelo representante da mesma. Como dormientibus non sucurrit jus (“O direito não socorre os que dormem”), adoto a decisão recorrida como razão de decidir, nos termos do artigo 50 da Lei n° 9.784/1999, destacando alguns de seus trechos a seguir: 23. Eventual erro de fato ou de direito, no tocante à classificação da mercadoria, ocorrido durante o despacho, não impede a revisão aduaneira, procedimento que, como visto, não consiste em reexame do lançamento e sim da declaração apresentada pelo importador, distinção importante, uma vez que lançamento é ato da administração (art. 142 do CTN) e declaração é ato do contribuinte. Portanto, não se pode falar em aceitação definitiva, por parte do Fisco, da informação prestada pelo importador. (...) 33. Se a classificação errônea efetuada pelo importador passou desapercebida por ocasião do despacho, subsistindo até que viesse a ser retificada quando da revisão aduaneira, isso não ocorreu por ter sido fixado inicialmente um critério jurídico o qual posteriormente teria sido alterado. Em primeiro lugar, no curso do despacho é impossível detectar muitas irregularidades. A lei reconhece essa realidade, tanto assim que concede um prazo de cinco anos para que seja reexaminado, promovendose eventuais exigências. (...) 44. Então, o cerne da questão é examinar se essas diferenças têm importância ou não para fins de classificação desses produtos na NCM. A afirmação de que o switch e hub, possuem a mesma finalidade, por si só, não tem obrigatoriamente alguma relevância para efeito de classificação fiscal, ou seja, não significa que, por isso, devam eles se classificar em um mesmo código. 45. Por isso, ainda que se possa admitir como verdadeira a premissa de que os equipamentos se prestam à mesma finalidade, que seria distribuir conexões para redes, dela não decorre inexoravelmente a conclusão que ambos se classificam no mesmo código da NCM, isto é, uma afirmação não guarda necessariamente uma correlação com a outra. Recorrendo à analogia: seria o mesmo que pretender classificar, em um mesmo código da NCM, o aparelho de telefone convencional (conhecido por “telefone fixo”) e o aparelho de telefone celular, pelo fato desses produtos possuírem uma ftmção em comum (servir de meio de comunicação falada). Fl. 424DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10508.000118/200412 Acórdão n.º 3202001.400 S3C2T2 Fl. 964 14 46. São elucidativas as considerações feitas na Solução de Consulta n° 53, de 26 de julho de 2002, da Superintendência Regional da Receita Federal na 8ª Região Fiscal: “Devese ainda ter em mente que a classificação de mercadorias segue critérios próprios, determinados pelo regime de matéria constitutiva ou de função desempenhada. Assim, por exemplo, se tivermos um novo produto, que é proveniente ou não da evolução tecnológica de outro, mas que é constituído por matéria diferente, ou então que realize uma função diferente, isto poderia resultar numa classificação totalmente diversa entre um e outro." 47. Cabe, portanto, examinar se a NCM, ao distribuir as mercadorias em classes ou grupos, segundo métodos e critérios próprios, optou por classificar os produtos em um mesmo código ou em códigos distintos. Cumpre ressaltar que a atividade de classificação de mercadorias requer o conhecimento detalhado da estrutura taxiológica com base na qual foi elaborada a Nomenclatura do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias, bem como das Regras Gerais para sua interpretação, adotadas internacionalmente pelos países signatários da citada Convenção. Sob esse prisma, o Sistema Harmonizado, no qual se baseia a NCM, pode adotar. (...) 49. Portanto, tendo em vista as informações contidas na Solução de Consulta n° 53, de 26 de julho de 2002, da Superintendência Regional da Receita Federal na 8ª. Região Fiscal e com base nas características técnicas dos produtos, informadas pelo próprio importador por ocasião da fiscalização, concluise que os produtos consistem em switch, e não em hub como descrito na DI. Estabelecidas essas premissas, o que interessa saber é se o switch deve ser classificado no código 8471.80.14, como pretende a impugnante ou no código 8471.80.19, apontado pela fiscalização ou, porventura em outro código. (...) 68. Conforme expressamente indicado no auto de infração, os produtos foram classificados no código 8471.80.19 da NCM, com base nas RGIS 1.” e 6.3 (textos da posição 8471, da nota SB da posição 8471 e da subposição 8471.80), c/c RGC, integrantes da NCM, a ainda os esclarecimentos adicionais das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (Decreto n° 435/92 e alterações), todas vigentes na época de ocorrência dos fatos geradores em causa. 69. À obviedade, a classificação fiscal não advém da Notícia Siscomex n° 57/2000, a qual é destituída de natureza normativa. Embora referido ato seja divulgado no Siscomex, portanto, acessível a todos os intervenientes em operações de comércio exterior, apenas tem o caráter informativo, veiculando a classificação tarifária do switch, de modo a facilitar o preenchimento da DI, pelo importador. A classificação tarifária do switch é obtida exclusivamente mediante o emprego das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, indicadas pela fiscalização, sendo prescindível a citada Notícia Siscomex, do mesmo modo a classificação não tem como fundamento legal a Solução de Consulta SRRF/8”RF n° 53/2002, mesmo porque inexiste lei que lhe atribua eficácia normativa (art. 100, II, do Fl. 425DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10508.000118/200412 Acórdão n.º 3202001.400 S3C2T2 Fl. 965 15 CTN), sendo utilizada, no caso, apenas por trazer informações técnicas que diferenciam o hub e o switch. (...) 76. O desembaraço de mercadoria sem que tenha sido observada a correta classificação tarifária não se configura prática reiterada da autoridade administrativa, porque isso implicaria admitir a convalidação da ilicitude do fato em relação à norma escrita, alterando, dessa maneira, a própria obrigação tributária, do que resultaria afronta ao princípio da legalidade. A obrigação tributária e o lançamento dela consectário decorrem diretamente da lei e não da vontade da Administração ou do sujeito passivo, sendo, por isso, impertinente falar em prática reiterada contra legem. A insuficiência de recolhimento, decorrente de classificação errônea de mercadoria, enseja o lançamento da diferença do imposto que deixou de ser recolhida, acrescida de juros de mora e multa de 75%. Para os fatos geradores ocorridos após 27/08/2001, aplicase ainda a multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria. Diante disso, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 426DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI
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Numero do processo: 14090.000418/2007-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI
Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. PRODUTOS QUE NÃO SE SUBMETERAM A OPERAÇÃO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos do art. 3º, parágrafo único, da Lei nº 9.363/96, a definição de estabelecimento produtor, para efeito de aplicação do incentivo fiscal ali definido, deve ser buscada na legislação do IPI, sendo de rigor a observância das prescrições da Tabela de Incidência do imposto, que vincula de toda a Administração. Não sendo industrializado o produto exportado, descabe o direito ao benefício.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-001.116
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama e Álvaro Almeida Filho. Ausente justificadamente o Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes.
Nome do relator: Paulo Sergio Celani
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RESSARCIMENTO. PRODUTOS QUE NÃO SE SUBMETERAM A OPERAÇÃO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos do art. 3º, parágrafo único, da Lei nº 9.363/96, a definição de estabelecimento produtor, para efeito de aplicação do incentivo fiscal ali definido, deve ser buscada na legislação do IPI, sendo de rigor a observância das prescrições da Tabela de Incidência do imposto, que vincula de toda a Administração. Não sendo industrializado o produto exportado, descabe o direito ao benefício. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama e Álvaro Almeida Filho. Ausente justificadamente o Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Paulo Sergio Celani. Fl. 136DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 Relatório Para historiar os fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido: “Cingese a presente lide ao indeferimento do ressarcimento de crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363, de 13/12/1996, referente ao 3º trimestre do anocalendário de 2000, cujo pedido no montante de R$97.826,13 foi formalizado, em 02/12/2003, por intermédio de transmissão da PER/DCOMP nº 16923.87148.021203.1.1.012943. Instruída pela Informação Fiscal de fls. 15/16, de 06/12/2007, a autoridade competente da Delegacia da Receita Federal em Cuiabá, MT, exarou, às fls. 46/48, Despacho Decisório indeferindo o crédito presumido pleiteado, sob o argumento de que as exportações da contribuinte, todas realizadas por intermédio da Amaggi Importação e Exportação, referiamse à soja em grãos, produto que é não tributado (NT) pelo IPI. Regularmente notificada, a requerente apresenta a manifestação de inconformidade de fls. 51/56, para alegara que: 9. Não há na legislação qualquer restrição ao direito do crédito ser ou não ser o produto nacional industrializado e exportado, tributado no final da cadeia pelo Imposto sobre Produtos Industrializados, Aliás, todos os produtos exportados são desonerados do IPI, por previsão constitucional. 10. O benefício instituído pela Lei n° 9.363/96 é claro sim em referir que faz jus ao crédito presumido do IPI tão somente os produtores e exportadores de produtos nacionais, como preceitua o artigo 10 desse dispositivo legal, e em nenhum momento fazse qualquer alusão a restrições, vejamos: [...] 11. A Recorrente é produtora e exportadora de produtos nacionais e por essa razão faz jus ao direito supradescrito, e o fato do produto final por ela produzido não se sujeitar à incidência do IPI, não lhe tira o direito ao crédito presumido, aliás a própria legislação que o instituiu indicou como seria tratado aquele contribuinte que tivesse um produto final não tributado pelo IPI. [...] 12. Ora, a previsão do artigo 4° da Lei n° 9.363/96 só comprova que o legislador ao instituir o crédito presumido do IPI tinha como objetivo a recuperação das contribuições do PIS e da COFINS que tivessem onerado as matérias primas, produtos intermediários e ou material de embalagem adquiridos no mercado interno, para utilização no processo produtivo de produtos exportados, sem lhe interessar ser ou não ser o produtor exportador contribuinte do IPI. 13. Assim, a empresa que não possui débitos de IPI, em conseqüência da não incidência desse imposto sobre o seu produto final tem a possibilidade, conforme estabelece o artigo 4º da Lei na 9.363/96, de requerer por trimestrecalendário o seu ressarcimento em moeda corrente, por fazer jus ao credito presumido do IPI. 14. Dessa forma, temse que a Recorrente tem direito ao ressarcimento do crédito presumido do IPI, uma vez que não há qualquer vedação legal para utilização desta espécie de crédito. Esse é, inclusive o entendimento da Câmara Superior de Recursos [...]. Fl. 137DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 14090.000418/200744 Acórdão n.º 3102000.116 S3C1T2 Fl. 3.15 3 Por fim, a contribuinte requereu a procedência do pedido formulado relativamente ao crédito presumido de IPI.” A unidade julgadora de primeira instância indeferiu a solicitação contida na manifestação de inconformidade, mantendo o indeferimento do crédito presumido pleiteado, conforme decisão anterior da unidade da RFB. A ementa do acórdão recorrido está assim redigida: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. O direito ao crédito presumindo do IPI instituído pela Lei nº 9.363/96 condicionase a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, não estando, por conseguinte, alcançados pelo benefício os produtos nãotributados (NT). Solicitação indeferida” Contra esta decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário, repetindo o que contido na manifestação de inconformidade. Acrescenta pedido de correção do crédito pleiteado, vez que não o aproveitou, compensandoo com obrigação tributária, e a Administração Tributária, por sua vez, ao indeferir o pleito, teria causado postergação ilegítima no ressarcimento de valores já recolhidos aos cofres públicos. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade,e matéria é da competência da 3a. Seção de Julgamento, devendo ser conhecido. Inicialmente, esclareço que, em nenhum momento, a contribuinte questionou a classificação fiscal indicada pelo Fisco para o produto exportado, nem tampouco sua caracterização como não tributado (NT) na TIPI. A controvérsia restringese à possibilidade de serem considerados no cálculo do créditoprêmio de que trata a Lei n.º 9.363/96 as aquisições de insumos utilizados na obtenção de produtos classificados na TIPI como NT. A esse respeito, com fundamento em voto muito bem lançado pelo Conselheiro Júlio César Alves Ramos, no Acórdão 20403.428, de 04/09/2008, a 4a. Câmara do 2o.Conselho de Contribuintes, em decisão por voto de qualidade, ao julgar processo que tratava Fl. 138DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 de pedido de ressarcimento do crédito presumido de IPI previsto na Lei nº 9.363/96, formulado por uma cooperativa exportadora de café cru não descafeinado, classificado na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI – como não tributado (NT), decidiu que, não sendo industrializado o produto exportado, não caberia o direito ao benefício. Por concordar com este entendimento e considerálo aplicável no presente caso, em que o produto exportado, soja em grão, também consta na TIPI como NT, transcrevo, nas linhas que seguem, trechos daquele voto, cujas razões de decidir adoto. “Entendo não assistir razão à recorrente. É que, como ela mesma reconhece, a lei instituidora do benefício exigiu a ocorrência de produção. De fato, o seu art. 1º apenas o confere a quem seja empresa produtora e exportadora. Confirase: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Mas, diferentemente do que ela afirma, a mesma Lei estabelece sim o que seja “produção” para esses efeitos, remetendo o intérprete e aplicador do direito às disposições da “legislação” do IPI. Tratase, como se sabe, do parágrafo único do art. 3º a seguir transcrito: Art. 3o Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. Com isso, pareceme fora de qualquer discussão que o beneficiário do instituto criado em 1996 tem de ser um estabelecimento produtor na forma do que preceitua a legislação do imposto. Como o próprio contribuinte afirma, nas palavras de Ulhoa Conta, não há necessidade de interpretar esse comando: ele é, por si só, cristalino. Ora, a legislação do IPI referida na norma tem como âncora a Lei nº 4.502 que, desde 1964, define o que seja produção para efeitos do IPI em seu art. 3º. ART.3 Considerase estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto. Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, considerase industrialização qualquer operação de que resulte alteração da natureza, funcionamento, utilização, acabamento ou apresentação do produto, salvo: I o conserto de máquinas, aparelhos e objetos pertencentes a terceiros; Fl. 139DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 14090.000418/200744 Acórdão n.º 3102000.116 S3C1T2 Fl. 4.15 5 II o acondicionamento destinado apenas ao transporte do produto. III o preparo de medicamentos oficinais ou magistrais, manipulados em farmácias, para venda no varejo, diretamente e consumidor, assim como a montagem de óculos, mediante receita médica. * Inciso III acrescido pelo DecretoLei n. 1.199, de 27/12/1971. IV a mistura de tintas entre si, ou com concentrados de pigmentos, sob encomenda do consumidor ou usuário, realizada em estabelecimento varejista, efetuada por máquina automática ou manual, desde que fabricante e varejista não sejam empresas interdependentes, controladora, controlada ou coligadas. * Inciso IV acrescido pela Lei n. 9.493, de 10/09/1997 (DOU de 11/09/1997, em vigor desde a publicação). Mas nesse conceito original, cabia sim interpretar o alcance das expressões “alterar o acabamento ou a apresentação do produto”. Os diversos decretos que aprovaram regulamentos do IPI (RIPI) delimitaram o alcance das expressões contidas na lei ao definir, com precisão, cinco modalidades de industrialização. No período das exportações promovidas pela recorrente, o que vigia era ainda o RIPI baixado pelo decreto de nº 87.981, em 1982. Seu art. 4º assim regulamentava a definição de industrialização (disposição repetida em todos os regulamentos posteriores): Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único): I a que, exercida sobre matériasprimas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformação); II a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); III a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); IV a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou V a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). Parágrafo único. São irrelevantes, para caracterizar a operação como industrialização, o processo utilizado para obtenção do produto e a localização e condições das instalações ou equipamentos empregados. Como se observa, a regulamentação, embora aprofundasse o alcance das expressões originais, ainda deixava aberto o campo de interpretação quanto aos Fl. 140DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 6 limites das alterações que devem ser promovidas pelo “produtor” sobre o produto para que se configure uma industrialização. Por esse motivo, esta Câmara, por maioria, tem entendido possível ao contribuinte demonstrar o cumprimento dos requisitos previstos nesse dispositivo para enquadrarse como “produtor”, ainda que o seu produto esteja indicado na TIPI como NT. Dentre as modalidades ali definidas – ressalvese que de modo exemplificativo – duas parecem cogitáveis ao caso concreto: o beneficiamento e o acondicionamento. É também por esse motivo que se firmou o entendimento de que não cabe excluir a receita de exportação de produtos NT do total daquela receita que integra o numerador da relação utilizada para apurar a base de cálculo (receita de exportação sobre receita total). Assim, caso deferido o benefício, caberia também a revisão desse critério adotado pela fiscalização. Divirjo desse entendimento, embora deixando registrado que não concordo com o simples argumento de que basta o produto ser NT na TIPI para que o benefício se torne incogitável. Cumpre esclarecer esse meu posicionamento. É que entendo que aquela tabela, igualmente baixada por meio de decreto regulamentar expedido pela Presidência da República, vem exatamente para impedir interpretações divergentes, no âmbito administrativo, acerca do que seja industrialização para efeito do IPI.” Após tecer tais considerações e transcrever doutrina de Hely Lopes Meirelles e Celso Antônio Bandeira de Mello, extraídas de suas reconhecidas obras, respectivamente, Direito Administrativo Brasileiro e Curso de Direito Administrativo, com vistas a realçar a força normativa dos decretos e regulamentos, por conseguinte, a força normativa da TIPI, vez que veiculada por meio de decreto, o ilustre Conselheiro conclui que dúvidas sobre o que seria industrialização se resolveriam pela utilização da TIPI, não sendo permitido ao agente administrativo considerar industrializado produto que nesta tabela conste como não tributado. Prossegue o voto com as seguinte palavras: “Trocando em miúdos, sempre que uma dada operação aparentemente puder enquadrarse como industrialização é aquela norma regulamentar que dirimirá, no âmbito das obrigações atinentes ao IPI, o correto entendimento (ao menos o correto na visão do Poder Executivo, de onde provém), e de forma vinculante a todos os aplicadores do direito integrantes de sua estrutura administrativa. E é claro que esse entendimento pode ser contestado pelos contribuintes, mas então há de ser objeto de apreciação pela instância constitucionalmente capaz: o Poder Judiciário. Nessa esteira é que entendo que não podem os aplicadores do direito não integrantes do Poder Judiciário ultrapassar as definições emanadas da TIPI no que se refere ao alcance do conceito de industrialização para efeito do IPI. Mas, como disse, esse posicionamento tampouco autoriza que se remeta automática e acriticamente à TIPI para desconfigurar o direito do postulante ao crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96, apenas porque na TIPI o produto apareça como NT. E isso porque nem todos os produtos que ali aparecem com tal expressão o fazem por serem produtos não industrializados. De fato, muitos, sem dúvida a maioria, o são. Mas ao lado deles há também os casos da imunidade conferida a Fl. 141DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 14090.000418/200744 Acórdão n.º 3102000.116 S3C1T2 Fl. 5.15 7 alguns produtos. Para eles também a TIPI reserva a expressão NT, desde que aquela não incidência não dependa de qualquer condição. No que respeita apenas à aplicação do IPI não faz qualquer diferença o motivo: sendo NT, o produto está fora do campo de incidência daquele imposto e quem o produz nenhuma obrigação tem com respeito ao tributo. Mas, quando se examina a TIPI com olhos no benefício da Lei 9.363/96, isso faz sim diferença, pois ela não exigiu, e nisso a recorrente tem inteira razão, que os produtos exportados estejam no campo de incidência do IPI. O que ela exige é que eles tenham sido submetidos a uma operação de industrialização. E, como espero ter deixado claro, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Essa ressalva, porém, não afeta a situação sob exame. O produto exportado pela empresa é definido na TIPI como NT exatamente porque os processos a que se possa submeter não foram considerados pelo legislador suficientes para caracterizar uma industrialização. Vale enfatizar que nessa caracterização a existência ou não de maquinário é inteiramente irrelevante. Com efeito, tanto um estabelecimento pode ser definido como industrial mesmo sem dispor de qualquer maquinário, como outro, que o detenha, nem por isso se torna “produtor”. Por isso, não sendo o recorrente estabelecimento produtor nos termos exigidos pela legislação concessiva do favor fiscal, não tem direito a ele. Correta a decisão que o denegou, ao recurso do contribuinte deve ser negado provimento. No caso deste processo, em que o produto exportado também não foi submetido a processo de industrialização, nos termos da legislação do IPI, especialmente, porque consta na TIPI como não tributado, a recorrente não tem direito ao crédito presumido de que trata a lei n.º 9.363/96, logo, não há que se falar em atualização monetária ou acréscimos de juros. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Paulo Sergio Celani. Fl. 142DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 11030.001010/2006-25
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Aug 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/1995 a 30/09/1997
INFORMAÇÃO INVERÍDICA EM COMPENSAÇÃO - CONCATENAÇÃO DE ATOS/FATOS - CRÉDITO INEXISTENTE - FRAUDE - MULTA DE OFÍCIO ISOLADA QUALIFICADA.
A informação inverídica em compensação, decorrente de um conjunto de atos/fatos concatenados, gerando crédito inexistente para fins de extinção de débitos do contribuinte, caracteriza fraude, fazendo com que a multa de ofício isolada seja aplicada no percentual qualificado de cento e cinquenta por cento.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9303-003.274
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martínez López, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Fabíola Cassiano Keramidas, que negavam provimento.
assinado digitalmente
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
assinado digitalmente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabíola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López, e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MÓVEIS DE BASTIANI LTDA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/1995 a 30/09/1997 INFORMAÇÃO INVERÍDICA EM COMPENSAÇÃO CONCATENAÇÃO DE ATOS/FATOS CRÉDITO INEXISTENTE FRAUDE MULTA DE OFÍCIO ISOLADA QUALIFICADA. A informação inverídica em compensação, decorrente de um conjunto de atos/fatos concatenados, gerando crédito inexistente para fins de extinção de débitos do contribuinte, caracteriza fraude, fazendo com que a multa de ofício isolada seja aplicada no percentual qualificado de cento e cinquenta por cento. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martínez López, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Fabíola Cassiano Keramidas, que negavam provimento. assinado digitalmente Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente assinado digitalmente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo Cardozo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 00 10 10 /2 00 6- 25 Fl. 410DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/08/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES 2 Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabíola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López, e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Os fatos estão no relatório do acórdão recorrido, o qual transcrevo por bem descrevêlos: Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Santa Maria RS. Por economia processual e por bem descrever os fatos, transcrevo abaixo parte do relatório da decisão recorrida: "Trata o presente processo de controle, verificação e acompanhamento de Declarações de Compensação de valores relativos ao Programa de Integração SocialPIS compensações com valores devidos do próprio PIS e da COFINS referentes a períodos de apuração entre 07/2005 e 02/2006 essas amparadas em supostos pagamentos indevidos relativos aos períodos de apuração outubro de 1995 a setembro de 1997 que montam R$ 32.952,81, conforme fia. 02/04, 39/77, 107/111, 155/199 e 202/222. (...) Manifestandose acerca das Declarações de Compensação, a DRF de origem produziu o Despacho DRF/PFO/SAORT de 21/12/2006 (fls. 232/236), onde o Sr. Chefe da Saort da Delegacia da Receita Federal em Passo Fundo (RS), por delegação de competência, decidiu: a) admitir a Declaração de Compensação retificadora de n" 03849.54345.230306.1.7.045868, porquanto elaborada em conformidade com os dispositivos legais pertinentes; b) não homologar as Declarações de Compensação contidas no presente processo, dada a total inexistência dos créditos apresentados. Determinou a adoção das seguintes providências: a) efetivação dos lançamentos de oficio de que tratam o art. 90 da Medida Provisória n" 2.15835, de 28/04/2001, e o art. 18 da Lei n" 10.833, de 29/12/2003; b) ciência ao contribuinte do Despacho Decisório, juntamente com o correspondente Auto de Infração, intimandoo a efetuar, no prazo de trinta dias, o pagamento dos débitos indevidamente compensados e da muita referida no item anterior, ressalvando àquele o direito de apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação das compensações e impugnação contra o lançamento da multa isolada. A contribuinte foi cientificada em 31/05/2007, conforme ciência à fl. 237. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/08/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 11030.001010/200625 Acórdão n.º 9303003.274 CSRFT3 Fl. 135 3 A fl. 245 consta informação de que foi efetivado o lançamento de multa isolada (art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003), resultando no processo administrativo nº 11030.000679/200781. A DRF de origem despachou à fl. 246. Não conformada com a decisão administrativa, apresentou a contribuinte, através de procurador, em 27/06/2007 (cópia de envelope à f l . 269), a manifestação de inconformidade de fls. 247/268, onde, em síntese, assenta os seguintes argumentos: Dos fatos C) • no exercício de suas atividades, a empresa apurou créditos, pretendendo compensálos com seus débitos vincendos, conforme /acuitado legalmente; '(...) Sobre o direito ao crédito Sobre a inexigibilidade do PIS entre outubro de 1995 a outubro de 1998 • traça um breve apanhado da legislação concernente à matéria, citando a MP n" 1.212, de 1995, e a ADIn n" 1.4170, referindo, quanto a essa e de forma especial, à decisão do STF que suspendeu a eficácia da expressão aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de outubro de 1995 (art. 17 da referida MP). Transcreve parte da decisão do STF; ﴾...﴿ • entende que, ao contrário do que disposto na INSRF n" 006, de 2000 (vedação à constituição de crédito e determinação de cancelamento de lançamento relativamente a fatos geradores ocorridos entre 1"/10/1995 e 29/02/1996), a vedação de constituição de crédito e o cancelamento de lançamentos baseados na MP n" 1.212, de 1995, deveria ser procedida a fatos geradores ocorridos entre 0/1995 a 27/11/1998. Transcreve parte do Voto proferido na ADIn n" 1.4170; · diante dos argumentos que dispôs, resta evidente que o período compreendido entre a resolução n" 49 de 09 de outubro de 1995, que suspendeu a execução dos DecretosLei citados, e a promulgação da Lei n" 9.715 de 25 de novembro de 1998, restou configurado um período de vacado legis, ou seja, no período entre 10/1995 e 10/1998 não há que se falar em contribuição para o PIS, porquanto não existia regramento legal a incidir sobre os recolhimentos, donde houve recolhimento de tributo indevido pela empresa, em discordância com o Princípio Constitucional da Legalidade. Refere ao art. 150 da CF; · o comando inserto na IN SRF n" 006, de 2000, desrespeita a legislação tributária vigente quando no parágrafo único do art. 1" determina a aplicação da LC n" 07, de 1970, aos fatos geradores ocorridos entre 1710/1995 e 29/02/1996. Registra ter havido modificação nos critérios jurídicos adotados pela Fl. 412DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/08/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES 4 autoridade administrativa, apontando o art. 146 do CTN e registrando os dizeres da Súmula n"227 do antigo TFR; (...) Do fenômeno da repristinação · com a declaração de inconstitucionalidade da parte final do art. 18 da Lei n° 9.715, de 1998, que determinava a retroatividade da referida norma, ficou o período de 10/1995 a 10/1998 sem qualquer regramento atinente ao PIS; · as alegações de que em tal período seria aplicável a LC nº 07, de 1970, não podem ser levadas a efeito, tendo em vista que a mesma restou revogada pela MP n" 1.212, de 1995, com suas posteriores reedições, sendo que o retorno de lei já revogada não pode ser tácito como pretende o Fisco. Registra o art. 2" da LICC; (...) Da manifesta multa confiscatória aplicada • a multa aplicada é confiscatória; (...) Juros legais capitalização · registra o art. 69 da Lei n" 10.904, de 1996 (fluirão juros moratórios de 1% ao mês ou fração sobre o valor monetariamente atualizado), referindo à Súmula 121 do STF: é vedada a capitalização de juros ainda que expressamente convencionada. Transcreve pronunciamento do STJ a este respeito; · aplicandose o critério determinado, qual seja, a correção monetária pela UFIR a partir do dia em que o tributo poderia ser exigido (vencimento), acrescido de juros de l%ao mês, se observa que não há coincidência no resultado final, o que leva a crer que ou os índices estão incorretos ou está havendo prática proibida de anatocismo. Da inexigibilidade da taxa selic · a taxa SELIC é inconstitucional; (...) · tendo a empresa o levantamento de crédito perante a SRF, injusta e ilegal é a cobrança da multa que lhe está sendo imposta, tornandose necessária a aceitação e homologação dos créditos já compensados e, por derradeiro, a declaração da nulidade do lançamento de oficio dos períodos já referidos, relativos ao IRPJ, COFINS, CSLL e PIS, na forma antes relatada; · pede deferimento. Após a manifestação de inconformidade estão anexados os documentos d e f l s . 269/279. A DRF de origem despachou à f l . 280. " Apreciando as razões de defesa, a Turma Julgadora proferiu decisão escorçada na seguinte ementa: Fl. 413DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/08/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 11030.001010/200625 Acórdão n.º 9303003.274 CSRFT3 Fl. 136 5 Assunto : Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração : 01/10/1995 a 30/09/1997 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITOS. Tendo em vista a inexistência de créditos em favor da contribuinte, impõese, por decorrência, a não homologação dos débitos tidos por compensados e informados em declaração de compensação Assunto : Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/1995 a 30/09/1997 MP N° 1.212, DE 1995, E REEDIÇÕES. LEI N° 9.715, de 1998. VIGÊNCIA. TERMO INICIAL. VACATIO LEGIS. A inconstitucionalidade declarada pelo STF concernente à previsão legal que lastreia a exigência da contribuição ao PIS no período de outubro de 1995 a outubro de 1998 restringese ao início da vigência da MP n° 1.212, de 1995, convertida na Lei n° 9.718, de 1998, sendo perfeitamente aplicável a partir de março de 1996, donde não há que se falar em ocorrência de indébito no período em pauta por ausência de previsão legal para o PIS. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. LANÇAMENTO. MULTA DE OFÍCIO. MULTA ISOLADA. Mostrase cabível a aplicação de multa de ofíciomulta isolada quando caracterizado o evidente intuito de fraude. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. A exigência da taxa SELIC como juros moratórios encontra respaldo na legislação regente, não podendo a autoridade administrativa afastar a sua pretensão. Solicitação Indeferida Regularmente cientificada da decisão em 21/12/2007, a empresa apresentou em 18/01/2008 recurso voluntário a este Eg. Conselho de Contribuintes, com as seguintes razões de defesa: (1) efetuou compensação de créditos do PIS com o próprio PIS e com a Cofins, sendo os créditos relativos ao período de outubro de 1995 a setembro de 1997 e os períodos de apuração extintos por compensação relativos a julho de 2005 a fevereiro de 2006; (2) Pela Adin n 14170 foi declarada a irretroatividade do art. 18 da Lei n 9.715/1998; (3) discorre acerca do histórico legislativo, dos princípios constitucionais que considera aplicáveis e dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade, conclui pela ocorrência de um vacado legis entre a declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLeis ns 2.445/88 e 2.449/88 e a Lei n 9.715/1998, em face da regra vigente no direito brasileiro que não admite a repristinação tácita de norma revogada; (4) defende que os recolhimentos efetuados no período citado foram indevidos, sendo cabível a repetição do indébito e a compensação com o próprio PIS e a Cofins; (5) reafirma a ilegalidade da taxa Selic e afronta ao art. 192 da Constituição Federal que limitou a taxa de juros reais em 12% ao ano; (6) expende arrazoado acerca do caráter confiscatório da multa aplicada. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/08/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES 6 Alfim requer seja dado provimento para reformar a decisão recorrida e concedido o reconhecimento do direito creditório e o direito líquido e certo de compensar importância recolhida indevidamente. Julgando o feito, a Câmara recorrida deu provimento parcial ao recurso voluntário, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/1995 a 30/09/1997 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 15, IN FINE, DA MP N 1.212/95. VIGÊNCIA DA MP N2 1.212/95 A PARTIR DE MARÇO DE 1996. A declaração de inconstitucionalidade do art. 15, in fine, da MP n2 1.212/95 (art. 18 da Lei n2 9.715/1998) ensejou a observância do art. 195, § 62, da Constituição Federal, passando a produzir seus efeitos noventa dias após a sua publicação, subsistindo a exigência da contribuição para o PIS a partir de 1 de março de 1996. Inconstitucionalidade apenas do efeito retroativo imprimido à vigência da contribuição pela parte final do art. 18 da Lei n 9.715/98, o qual decorre da transmudação da MP n 1.212/95 na referida lei. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. E pacífica a jurisprudência do STJ quanto à aplicação da taxa Selic tanto na atualização da dívida fiscal como na repetição do indébito. MULTA ISOLADA. LEI N 11.051/2004. APLICAÇÃO. O art. 18 da Lei nº 10.833/2003 (com a redação do art. 25 da Lei nº 11.051/2004) restringiu a aplicação do art. 90 da MP n° 215835/2001 (caso de derrogação implícita). Assim, a multa isolada passou a ser objeto de lançamento de ofício somente nas hipóteses taxativamente elencadas no sobredito art. 18, sendo certo, ainda, que aquela sanção deve ter por base de cálculo as diferenças apuradas em virtude do encontro de contas indevido. (Parecer PGFN/CDA/CAT n2 1.449/2005). Recurso provido em parte. Inconformada, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial, onde pugna pelo restabelecimento da multa qualificada. Apresenta entendimento de que o acórdão recorrido deve ser reformado na parte que cancelou a multa porque, em resumo, a informação inverídica, com dolo, em declaração de compensação, caracterizada por um conjunto de atos/fatos concatenados que criou créditos inexistentes visando a extinção dos débitos, caracteriza evidente intuito de fraude e requer a aplicação da multa de ofício isolada no percentual qualificado de cento e cinqüenta por cento. O apelo fazendário logrou seguimento nos termos do despacho de admissibilidade. Regularmente cientificado do acórdão e do recurso fazendário, o sujeito passivo apresentou, intempestivamente, contrarrazões, na qual argumenta que não se encontra nos autos motivo para a aplicação de multa e, mormente, em um percentual tão elevado, sendo Fl. 415DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/08/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 11030.001010/200625 Acórdão n.º 9303003.274 CSRFT3 Fl. 137 7 inconstitucional a exigência no percentual de cento e cinquenta por cento, devendo se aplicar para os casos de compensação indevida o percentual da multa moratória, que é de vinte por cento. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. A teor do relatado, a matéria que se apresenta a debate aborda a aplicação da multa de oficío isolada qualificada, no percentual de cento e cinqüenta por cento, fundamentada no artigo 90 da Medida Provisória 2.15835, de 28/04/2001, e no art. 18 da Lei nº 10.833, de 29/12/2003, decorrente de compensação indevida pela inserção na declaração de compensação de informações inverídicas, que seria uma concatenação de teses jurídicas superadas com informações incorretas de datas de DARF´s e de períodos em que não aplica determinada tese jurídica, criando crédito inexistente e caracterizando o evidente intuito de fraude. O Colegiado a quo, no acórdão recorrido, entendeu que as informações sobre as teses jurídicas seriam plausíveis de discussão e os atos com informações incorretas de datas de DARF´s e de períodos em que não aplica a tese jurídica seriam erros, caracterizando informações inverídicas, mas que, por si só, não configuram evidente intuito de fraude, não se aplicando a multa isolada qualificada. De sua parte, a Fazenda Nacional, em síntese, alega que houve um conjunto de fatos, envolvendo a data dos DARF´s nas declarações de compensação, cujo valores nas datas corretas já tinham sido alocados aos débitos respectivos, e de utilização períodos em que não aplica a tese jurídica, pois seriam posteriores aos solicitados para fins de créditos, realizados de forma consciente e deliberada, resultando em créditos inexistente para a utilização da compensação, caracterizando o evidente intuito de fraude, haja vista que procurou impedir ou retardar o conhecimento pela autoridade fiscal do fato gerador e diferir seu pagamento. Tal procedimento configura fraude, nos termos do art. 72 da Lei 4.502/1964, devendo resultar na multa isolada no percentual de cento e cinqüenta por cento. As contrarrazões do contribuinte são intempestivas, pois a ciência do Despacho de Admissibilidade do Recursos Especial do Procurador foi em 17/08/2011 (fl. 385), quartafeira, e a apresentação das contrarrazões ocorreu em 05/09/2011 (fl. 388), 2ª feira, ultrapassando o prazo de 15 dias do art. 69 do RICARF, conforme Despacho de Encaminhamento contida na fl. 407. Por isso, não conheço das contrarrazões. Primordialmente, verificase que a norma legal que rege a multa de ofício isolada qualificada é o artigo 18, da Lei 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que assim dispõe: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória 2.15835/35, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da nãohomologação de Fl. 416DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/08/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES 8 compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964 Por sua vez, o art. 44 da Lei 9.430/1996, que estabelece o percentual da multa aplicada, assim determina: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (..) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. No caso em apreço, o acórdão recorrido elencou as razões do evidente intuito de fraude apontadas pela DRF de origem em seu Despacho Decisório, que são abaixo transcritas: A recorrente passa ao largo das acusações contidas no despacho decisório da autoridade administrativa, a seguir citados: a) recolhimento de apenas 10% dos débitos declarados em DCTF e quitação do restante por meio das Dcomps; b) a exigibilidade do PIS no período de março de 1996 a novembro de 1998 foi decidida pelo STF no RE n2 181.664, de 02/1997, e na Adin nº 1.1359; c) prescrição do direito de repetir o alegado indébito porque referentes a pagamentos efetuados até novembro de 1998 e compensados com débitos apurados a partir de julho de 2005; d) inserção, nas Dcomps, de informações falsas sobre a data de recolhimento do PIS que teria dado origem ao crédito utilizado na compensação; e) alegou a recorrente a exclusão da base de cálculo de receitas repassadas a terceiros, nos termos do art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei nº 9.718/98, teria gerado parte do crédito utilizado na compensação. Ocorre que, mesmo afastando o fato de esse comando normativo não ser autoaplicável, os mesmo só poderiam ser gerados no período de fevereiro de 1999 a setembro de 2000, posterior, portanto, aos períodos de apuração dos pagamentos considerados indevidos; f) os créditos informados em três Dcomps como pagamentos efetuados indevidamente não constam dos sistemas de controle da SRFB, inexistindo os Darfs arrolados nas compensações. A Decisão da DRF de origem, através do Despacho Decisório, detalha mais a situação, quando assim descreve: O alegado direito creditório, conforme declarado nas diversas DCOMPs em análise, seria referente a pagamentos indevidos Fl. 417DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/08/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 11030.001010/200625 Acórdão n.º 9303003.274 CSRFT3 Fl. 138 9 realizados no período de 19/08/2005 até 23/03/2006. Tais pagamentos, contudo, com as datas de arrecadação informadas nas declarações de compensação, não foram localizados nos sistemas de controle da Secretaria da Receita Federal. De qualquer sorte, à fl. 133 dos autos o contribuinte relacionou os pagamentos que teriam ensejado os créditos utilizados nas compensações, os quais seriam relativos aos períodos de apuração de outubro de 1995 até setembro de 1997, com recolhimentos efetuados entre 14/11/1995 e 15/10/1997. Estes pagamentos, como relacionados na fl. 133, foram identificados nos sistemas de controle da SRF (fls. 78/79) e se coadunam com os respectivos valores devidos a título de PIS informados nas DIPJs (fls. 82/106). (...) Ainda que, por argumentação, se pudesse admitir o direito ao suposto crédito de PIS recolhido no período em comento (direito esse, inclusive, já prescrito art. 168, inc. I do CTN, art. Io do Decreto n°20.910/1932 e art. 26, §10, da IN SRF n°600/2005), não seria conduta de boafé, leal, transparente, submetêlo a uma eventual análise da declaração de compensação, sujeita à sorte de tanto ser auditada como não, podendo haver, por decurso de prazo, a homologação tácita da compensação e, como resultado, o alcance de vantagem indevida. Acrescentese a isso que as informações sobre os períodos de apuração, códigos de receita e datas de vencimento dos supostos DARFs indevidos são relativas a pagamentos já alocados aos seus respectivos débitos originais, informados nas respectivas DIPJs. De outra parte, cumpre ressaltar que, em todas as DCOMPs sob análise, documentos oficialmente entregues à Receita Federal, foram inseridas informações falsas sobre a data da arrecadação do pagamento que teria ensejado o crédito utilizado na compensação (por exemplo, o DARF no valor de R$ 435,21, recolhido em 15/12/1995 segundo informações do próprio contribuinte, fl. 133 foi aproveitado como crédito na DCOMP n° 20240.94392.190805.1.3.041749 fls. 42/44 , informandose neste documento como data de arrecadação o dia 19/08/2005). A toda evidência, o "equívoco" no lançamento dessas datas teve o objetivo de fraudar os sistemas informatizados da SRF por ocasião da elaboração das declarações de compensação, os quais, de outra forma, não permitiriam a transmissão dos documentos (conforme exemplo apresentado pela cópia da mensagem do programa gerador PER/DCOMP 2.2, de fl. 230). Registrese ainda que, dado o volume de DCOMPs apresentadas pelos diversos contribuintes, poderia haver uma aposta na não análise dessas declarações e, por conseqüência, na homologação tácita das irregularidades por decurso de prazo. Assim, a manobra enganosa evitaria a cobrança dos débitos a cargo do sujeito passivo e o posterior envio dos mesmos para inscrição em Dívida Ativa, amoldandose o procedimento à conduta tipificada como fraude no art. 72 da Lei 4.502/1964: (..) Corroborando a máfé do contribuinte no presente caso, impende referir que na manifestação juntada às fls. 119/133 dos autos é alegado que os créditos utilizados nas DCOMPs sob análise decorreriam também da exclusão de receitas repassadas para outras pessoas jurídicas da base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS, benefício esse que teria sido estabelecido através do artigo 3o, § 2o, inciso III, da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998. A máfe neste ponto advém, em primeiro lugar, do fato de que, segundo juris prudência pacífica do Superior Tribunal de Justiça STJ, a Fl. 418DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/08/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES 10 aplicabilidade da referida norma esteve condicionada, até sua revogação pela Medida Provisória 199118/2000, à edição de decreto pelo Poder Executivo Federal que a regulamentasse, o que nunca ocorreu. Em segundo lugar, porque o referido benefício fiscal, ainda que tenha sido reconhecido judicialmente em favor do contribuinte, o que o mesmo não alega e muito menos comprova, diria respeito tão somente ao período de fevereiro de 1999 até setembro de 2000, posterior portanto aos períodos de apuração dos pagamentos considerados indevidos, o que evidencia a prática da conduta definida no artigo 72 da Lei n° 4.502/64, anteriormente citada. Afora isso, registrese que os créditos informados nas DCOMPs de n°s 13833.61389.230306.1.3.048541 (R$ 686,59 fls. 194/196), 37407.86063.230306.1.3.048774 (R$ 262,66 fls. 214/216) e 03849.54345.230306.1.7.045868 (R$ 961,72 fls. 220/222), além de não integrarem a relação de pagamentos indevidos apresentada pelo contribuinte à fl. 133, não constam nos sistemas de controle da SRF, denunciando a inexistência dos Documentos de Arrecadação de Receitas Federais (Darfs) arrolados nessas compensações. Como se observa na descrição dos atos/fatos que levaram a constatação do evidente intuito de fraude, não se tratam apenas de teses jurídicas que possam ser passíveis de interpretação e de erros no preenchimento de declarações de compensação com informações incorretas de datas de DARF´s e de períodos em que não aplica a tese jurídica. Em realidade, o contribuinte se utilizou de teses jurídicas superadas pela jurisprudência dos Tribunais Superiores (STF e STJ), como a existência de vacatio legis entre a Medida Provisória 1.212/1995 e a Lei 9.715/1998 ou a exclusão de receitas repassadas para outras pessoas jurídicas da base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS, benefício esse que teria sido estabelecido através do artigo 3o, § 2o, inciso III, da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, mas condicionado a regulamentação que não ocorreu, sendo que a última se aplica a períodos posteriores (fevereiro de 1999 até setembro de 2000) aos solicitados de crédito (outubro de 1995 a setembro de 1997). Concomitantemente, alterou a data dos DARF´s de pagamento no momento de preenchimento das declarações de compensação para serem aceitas pelo sistema de controle destas, sendo que nos valores e datas corretas dos DARF´s teriam havido o aproveitamento destes pagamentos como os débitos informados. Os retromencionados arts.71,72 e 73 da Lei 4.502/1996, assim dispõem: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/08/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 11030.001010/200625 Acórdão n.º 9303003.274 CSRFT3 Fl. 139 11 Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Entendo que houve dolo na conduta do contribuinte, pois ao apresentar teses jurídicas superadas pelos Tribunais Superiores, sendo que uma delas não poderia ser aplicada ao período solicitado de indébito, concomitante com a alteração nas datas dos DARF de pagamento no momento de preenchimento das declarações de compensação para serem aceitas pelo sistema de controle destas, sendo que nos valores e datas corretas dos DARF´s teriam havido o aproveitamento destes pagamentos como os débitos informados, configurou um conjunto de atos/fatos concatenados para se utilizar de um crédito inexistente e acarretar a falta de pagamento de débito, em prejuízo da Fazenda Nacional. Esta conduta dolosa, divergindo do acórdão recorrido, deve ser enquadrada como evidente intuito de fraude, nos termos do art. 72 da Lei 4.502/1996. Interpretando finalisticamente, o fato de utilizar créditos inexistentes, decorrentes de atos/fatos concatenados, para fins de compensação com os débitos, seja esta feita em DCTF ou em Dcomp, fez com que o fato gerador não pudesse alcançar seu objetivo fim, que é sua transformação em crédito tributário líquido e certo em favor do sujeito ativo, resultando em diferimento ou impedimento do recebimento do tributo devido. Destarte, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, reestabelecendo a multa de ofício isolada de cento e cinqüenta por cento. Sala das Sessões, 5 de fevereiro de 2015. Henrique Pinheiro Torres Relator Fl. 420DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/08/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES
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Numero do processo: 10680.723292/2010-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed May 13 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3401-000.882
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, em converter o julgamento do recurso em diligência nos termos desta Resolução. Vencido o Conselheiro Júlio Ramos.
Julio Cesar Alves Ramos - Presidente
Bernardo Leite de Queiroz Lima - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl, Angela Sartori, Jean Cleuter Simoes Mendonca, Eloy Eros Da Silva Nogueira e Bernardo Leite De Queiroz Lima.
Nome do relator: BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA
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Acordam os membros do colegiado, por maioria, em converter o julgamento do recurso em diligência nos termos desta Resolução. Vencido o Conselheiro Júlio Ramos. Julio Cesar Alves Ramos Presidente Bernardo Leite de Queiroz Lima Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl, Angela Sartori, Jean Cleuter Simoes Mendonca, Eloy Eros Da Silva Nogueira e Bernardo Leite De Queiroz Lima. RELATÓRIO Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMPs referentes a créditos de Cofins Não cumulativa – Exportação (Mercado Externo) do quarto trimestre de 2004, conforme detalhamento constante do despacho de fls. Vale frisar que, inicialmente, o objeto do presente processo estava no Processo Administrativo nº 10680.723279/201025, que abrangia créditos de Cofins Não cumulativa – Exportação (Mercado Externo), Cofins Não cumulativa – Mercado Interno, PIS Não cumulativo – Exportação (Mercado Externo), PIS Não cumulativo – Mercado Interno, do período de 01/04/2004 a 31/12/2005. O objeto do referido processo foi desmembrado em diversos outros PAs com base no tributo, matéria e período de apuração, permanecendo no presente somente os créditos de Cofins Não cumulativa – Exportação (Mercado Externo) do quarto trimestre de 2004. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .7 23 29 2/ 20 10 -8 4 Fl. 361DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10680.723292/201084 Resolução nº 3401000.882 S3C4T1 Fl. 362 2 Conforme Relatório Fiscal de fls. 09/25, o procedimento de auditoria fiscal realizado junto à Recorrente culminou na reconstituição dos DACON apresentados à RFB, constatando divergência entre os valores apurados pela contribuinte e pela fiscalização, quanto aos seguintes itens: 1) CRÉDITOS BÁSICOS RELACIONADOS A AQUISIÇÕES NO MERCADO INTERNO 1.1) BENS PARA REVENDA A fiscalizada comprou e aproveitou como base de cálculo de créditos, produtos para revenda tributados com alíquota zero, nos termos do art. 1º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004 (adubos ou fertilizantes classificados no Capitulo 31, exceto os produtos de uso veterinário, da TIPI; defensivos agropecuários classificados na posição 38.08 da TIPI e suas matériasprimas; sementes e mudas destinadas à semeadura e plantio, em conformidade com o disposto na Lei nº 10.711/2003, e produtos de natureza biológica utilizados em sua produção). No caso de câmaras de ar de borracha e pneus novos, o parágrafo único do art. 5º da Lei nº 10.485/2002 reduziu a zero a alíquota das contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins, relativamente à receita bruta da venda desses produtos, auferida por comerciantes atacadistas e varejistas. Segundo a fiscalização, o § 2° do art. 3° da Lei 10.833/2003 (com a redação dada pela Lei n° 10.865/2004), veda o creditamento na aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição. Destarte, foram glosados todos os créditos originados de produtos tributados à alíquota zero, destinados à revenda, conforme demonstrado na Tabela 2 “Relação de Produtos para Revenda que Possuem Alíquota Zero para PIS e COFINS”, constante dos autos. 1.2) BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS Segundo Relatório Fiscal, todos os valores dos insumos apresentados foram aceitos pela fiscalização, ao serem confirmados, por amostragem, nos arquivos de notas fiscais, na contabilidade e no Razão Auxiliar. Os rateios efetuados pela empresa foram também aceitos, após procedimentos de amostragem. Houve, porém, divergências quanto à possibilidade de aproveitamento de créditos, relativamente a alguns insumos. As razões pelas quais a fiscalização não considerou alguns insumos como base de cálculo para efeito de créditos, seguem expostas: 1.2.1) INSUMOS DIVERSOS A fiscalizada comprou e aproveitou como base de cálculo de créditos, produtos tributados à alíquota zero pelo PIS e pela Cofins, por força do disposto no art. 1º da Lei nº 10.925/2004, com efeitos a partir de 01/01/2005. Portanto, foram glosados os créditos relacionados a esses custos de aquisição, a partir de 01/01/2005. 1.2.2) LEITE IN NATURA O leite in natura é recebido principalmente dos associados da CCPRMG, mas é também comprado de pessoas físicas e jurídicas não associadas, com o fim de compor estoque. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10680.723292/201084 Resolução nº 3401000.882 S3C4T1 Fl. 363 3 Foi verificado que a contribuinte incluiu na base de cálculo dos créditos básicos o valor do leite adquirido de seus associados, quando deveria, nos termos do art. 26 da IN SRF nº 635/2006, apurar crédito presumido sobre esses valores. A cooperativa de produção agropecuária não possui direito ao crédito básico de PIS e COFINS nas operações com associados, por ter o direito de excluir da base de cálculo dessas contribuições os valores repassados a esses últimos, decorrentes da comercialização de produto por eles entregues à cooperativa, como determina o inciso I e § 1° do art. 15 da MP n°2.15835/2001. Logo, se não há cobrança de PIS e de Cofins sobre os valores repassados aos cooperados, o leite adquirido destes não dará direito ao crédito básico e seu valor deve ser excluído da base de cálculo desse tipo de crédito. Por outro lado, o leite in natura adquirido de cooperados dá direito ao crédito presumido, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Isso altera o valor dos créditos pretendidos pela empresa já que o crédito básico é calculado com 100% das alíquotas das contribuições e, no caso, o crédito presumido é calculado com 80% (para os meses 05 a 07 de 2004) ou 60% destas alíquotas (após 08/2004). 1.2.3) FRETE NA COMPRA DE LEITE IN NATURA Da análise dos lançamentos contábeis de 2004 e 2005, restou constatado que os serviços de frete primeiro e segundo percursos, na compra de leite in natura, é descontado dos fornecedores deste insumo. A autoridade fiscal fundamentou sua conclusão com base nos lançamentos contábeis da Recorrente. Assim, conclui a fiscalização que, se o ônus desse serviço foi suportado pelos fornecedores de leite e não pela CCPRMG, os créditos relacionados ao frete na compra de leite in natura devem ser glosados. 2) CRÉDITOS PRESUMIDOS RELACIONADOS A AQUISIÇÕES NO MERCADO INTERNO O crédito presumido sobre aquisições de produtos agropecuários de pessoas físicas e jurídicas foi instituído pelo art. 8° da Lei 10.925/2004. O cálculo do crédito presumido sobre o estoque de abertura foi considerado consistente pela fiscalização. 2.1) BONIFICAÇÃO FIDELIDADE Tratase de uma bonificação paga aos associados, uma única vez, ao final dos exercícios financeiros de 2004 e 2005. No entender da fiscalização, a bonificação fidelidade assemelhase a uma distribuição de sobras entre os associados. Os valores referentes a essa bonificação foram contabilizados na conta “FORNECEDORES COOP ASSOCIADOS” e foram glosados da base de cálculo do crédito presumido. 3) AQUISIÇÕES NO MERCADO EXTERNO DE INSUMOS E BENS IMOBILIZADOS A empresa importou diversos insumos e bens, que foram utilizados na produção de produtos comercializados no mercado interno ou exportados. No caso de créditos de importação vinculados a receitas de exportação, o crédito somente é admitido a partir do advento do art. 17 da Lei n° 11.033/2004, ou seja, a partir de 09/08/2004, observadas as normas e prazos de aproveitamento da Lei no 11.116/2005. A fiscalização aceitou todos os valores declarados como importações de insumos e apresentados pela empresa, como mostra a Tabela 11 — “Apuração de Créditos de Importação”. Por outro lado, em relação à base de cálculo do crédito de PIS e COFINS nas importações de bens para compor o ativo imobilizado, houve divergência entre os valores apurados pela empresa e os apurados pela fiscalização. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10680.723292/201084 Resolução nº 3401000.882 S3C4T1 Fl. 364 4 Em planilha apresentada à fiscalização (intitulada “Importação Imobilizado”), a empresa apura os créditos de PIS e COFINS no campo denominado “Base de Cálculo Martinelli”, calculado pela divisão da soma dos valores de “Pis Pago Importação” e “Cofins Pago Importação” pela soma das alíquotas destas contribuições (0,0165 + 0,076 =0,0925). Segundo a autoridade fiscal, essa forma de apuração é incorreta porque considera como base de cálculo dos créditos de PIS e COFINS a própria base de cálculo das contribuições; quando o cálculo correto deveria ser com observância do que dispõe os §§ 40 e 70 do art. 15 da Lei n° 10.865/2004. A Tabela 12 – “Relação de Bens Importados e Base de Cálculo dos Créditos” mostra a relação dos bens e os valores ajustados pela fiscalização para a base de cálculo dos créditos na importação. Foram retirados da relação apresentada pela fiscalizada produtos classificados como embalagens, os quais foram incluídos na relação de insumos importados. Portanto, foram glosadas as diferenças de valores apresentadas na base de cálculo dos créditos na importação de bens que comporão o Ativo Imobilizado. A já mencionada Tabela 11 — “Apuração de Créditos de Importação” demonstra os valores apurados pela empresa e os valores apurados pela fiscalização. A DRF/Belo Horizonte, por intermédio do Despacho Decisório nº 2.286 – DRF/BHE, com fundamento Relatório Fiscal, reconheceu parcialmente o direito creditório referente ao Cofins Não Cumulativa – Exportação (Mercado Externo), do quarto trimestre de 2004 e, via de consequência, homologou parcialmente a compensação declarada. A ora Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, a qual foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG), em acórdão cuja ementa se trancreve: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. COFINS NÃO CUMULATIVA EXPORTAÇÃO. Somente são passíveis de ressarcimento/compensação os créditos comprovadamente existentes, devendo estes gozar de liquidez e certeza na data da apresentação/transmissão do Perdcomp. APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. ÔNUS DA PROVA. Na relação processual relativa à verificação dos créditos da não cumulatividade pretendidos pelo contribuinte a título de ressarcimento ou compensação, cabe a este a demonstração da obediência aos parâmetros legais de apuração relativos à comprovação da existência e à natureza dos dispêndios. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a Recorrente interpôs o competente Recurso Voluntário, alegando, em síntese: a) Possibilidade de creditamento integral das aquisições de leite in natura de associados; Fl. 364DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10680.723292/201084 Resolução nº 3401000.882 S3C4T1 Fl. 365 5 b) Equívoco no cálculo da glosa dos créditos sobre as aquisições de leite de associados, pois o valor de aquisição de não associados seria maior do que o considerado pela fiscalização; c) Direito à integralidade do creditamento dos valores incorridos na contratação de serviços de frete sobre a aquisição de leite in natura dos associados; e d) Equívoco no Cálculo da Glosa referente aos Créditos de Frete. É o relatório. VOTO Conselheiro Bernardo Leite de Queiroz Lima O Recurso Voluntário é tempestivo e, por isso, dele conheço. Primeiramente, insta ressaltar que o acórdão da DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo a glosa no que tange aos créditos da aquisição de leite de associados, por entender que a Recorrente não logrou demonstrar com documentos acostados à manifestação de inconformidade, que a aquisição de leite de nãoassociados era superiores ao de associados: Caso não acatada a tese quanto à possibilidade de creditamento integral nas aquisições de leite in natura de seus associados, a Reclamante solicita a revisão do valor glosado, sob o argumento de que a fiscalização teria analisado somente as aquisições feitas pelos seus estabelecimentos industriais, deixando de computar as aquisições feitas pelos seus postos de coleta. (...) Compulsando a documentação acostada à manifestação de inconformidade não se encontra comprovação do alegado e essa lacuna probatória compromete o acatamento da reclamação da manifestante. No caso específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento de créditos, cabe ao contribuinte, em sua defesa, provar o teor das alegações que contrapõe aos argumentos postos pela autoridade fiscal para não acatar, ou acatar apenas parcialmente o crédito alegado. Não basta apenas alegar sem provar; não basta, simplesmente vir aos autos afirmando que entende possuir o direito ao crédito; o contribuinte deve ser capaz de comprovar cabalmente o direito ao crédito que alega, demonstrando sua conformidade com os dispositivos legais de regência. No caso em tela, o contribuinte nada traz que implique a demonstração do erro de avaliação da autoridade fiscal, pelo contrário, apenas faz juntar aos autos cópias do Relatório Fiscal e das Planilhas elaboradas pela fiscalização, as quais demonstram e corroboram as conclusões da autoridade fiscal pelo indeferimento parcial do crédito pretendido, razão pela qual não se afasta a glosa imposta. Fl. 365DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10680.723292/201084 Resolução nº 3401000.882 S3C4T1 Fl. 366 6 Da mesma forma, em relação aos créditos de frete na compra de leite in natura, por entender que não foi demonstrado que a ora Recorrente arcou com o ônus financeiros do transporte destes insumos. Ademais, o acórdão vergastado não aceitou o pedido de reanálise dos créditos de frete por entender que a Recorrente apenas levantou tal argumento em sua manifestação de conformidade, sem trazer documentos que suportem tal alegação: Subsidiariamente, caso acatado o entendimento da fiscalização – de que o desconto do custo do frete aos associados impede o creditamento pela CCPR – a Manifestante requer seja restabelecido o crédito relativo ao frete que não foi repassado aos associados, pois alega que, no período, o valor do repasse foi inferior a 20% do valor da contratação do serviço de frete. (...) Quanto ao pedido subsidiário, oportuno destacar que a Interessada limitase a alegar sem, no entanto, minimamente laborar no sentido de comprovar suas alegações. Acostadas à manifestação de inconformidade constam apenas cópias de documentos, dentre os quais, o relatório e planilhas elaboradas pela fiscalização, as quais corroboram as conclusões da autoridade fiscal. Nada a há que comprove o sustentado pela Manifestante. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente informou que os documentos necessários para a verificação dos créditos da aquisição de leite de nãoassociados e de frete já haviam sido acostados ao presente processo administrativo quando da fiscalização. Requer, portanto, a conversão em diligência para que seja refeita a apuração de tais créditos. De fato, como se verifica no Relatório Fiscal, a Recorrente apresentou documentos contábeis e notas fiscais necessários para a apuração dos créditos. Contudo, segundo alega a Recorrente, ao contrário do que verificado no Relatório Fiscal, o montante da aquisição de leite de nãoassociados foi superior ao da aquisição de associados. Isto se deu porque a autoridade fiscal, ao apurar os créditos, considerou apenas as aquisições dos estabelecimentos industriais, desconsiderando os postos de coleta. Por sua vez, ao fundamentar a glosa dos créditos de frete, a autoridade fiscal somente embasouse nos lançamentos contábeis, sem, contudo, mencionar a análise das notas fiscais apresentadas e demais documentos, o que leva a crer que a autoridade fiscal apurou o crédito somente com base nos lançamentos contábeis do livro razão. Diante do exposto acima, proponho a conversão em diligência para que sejam apurados os créditos da aquisição de insumos de associados e nãoassociados, considerando não apenas os estabelecimentos industriais da Recorrente, mas também seus postos de coleta, e os créditos de frete na compra de leite in natura, devendo tais levantamentos serem realizados com base nos documentos contábeis, notas fiscais e demais documentos apresentados pela Recorrente no decurso da fiscalização. Devem ser avaliados os seguintes quesitos: a) Aquisição de leite de nãoassociados: 1) Apurar a totalidade de leite adquirido pela Recorrente durante o quarto trimestre de 2004. Fl. 366DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10680.723292/201084 Resolução nº 3401000.882 S3C4T1 Fl. 367 7 2) Verificar as aquisições de associados e as de nãoassociados para cálculo dos créditos de Cofins. b) Frete na compra de leite in natura: 1) Verificar nas notas fiscais se o valor do frete está por conta do destinatário. 2) Confrontandose os valores das notas fiscais e livro razão, apurar se houve o reembolso do frete pelos fornecedores à Recorrente. 3) Calcular o crédito de Cofins sobre o frete na compra de leite in natura pago pela Recorrente, descontandose os valores reembolsados pelos fornecedores. 4) Alocar o montante do crédito da Cofins correspondente ao quarto trimestre de 2004 e vinculado à exportação. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por JULIO CESAR A LVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 11080.004838/91-84
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue May 04 00:00:00 UTC 1993
Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE - A simples alegação de inconstitucionalidade da lei. Ainda mais quando existem outros fundamentos de impugnação não impede o julgamento Administrativo.
Numero da decisão: 102-28.162
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DECLARAR nulidade dos atos processuais a partir de fls, 25, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Julio Cesar Gomes da Silva
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decisao_txt : ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DECLARAR nulidade dos atos processuais a partir de fls, 25, nos termos do voto do relator.
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MINISTÉRIO DA FAZENDA '4',siq.0 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ,, ,, PROCESSO N2 LK)E30/.,JCA..;:::1.--. SESSA0 DE 04 DE Maio DE 1993 ACÓRDA0 N2 102 -2G„162 , RECURSO 69.3B3 - CONTR. SOCIAL ' EX2 DE 1990, 1 RECORRENTE - OLVEBRA S/A. • i RECORRIDA - D„R„l'„ em PORTO ALEGRE q.. ( f 1 i INCONSTITUCIONALIDADE - A ..impl,,,,-, ,Ole:,....u,tçá de 1 inconstitucionalidade da lei. ainda mais i quando existem nwi-P-W.:- fUndaM2nt05 de lmpudnaçáo nao impede o julgamento 1 Adminítv..Ativo„ i i Vistos, relatados e discutldos os prt...., t,A...fnues autos 1 1 de r-ecu y,-so interpoto por . OLVEBRA S/A. it í i t ACORDAM os Membros da Scgunda Cãmara do Primeiro i 1i Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DECLARAR nulidade dOS atos processuais a partir Ie fls, 25, nos termos do 1 I voto do y.eiator. É, 1 L-:t H,'“' '. '',""*'''''.'2.;—.."'''''''., em Oq de '1.y :t_ de 1993, TRINEU SIMIAMER - FRESIDEÃE f I. c:"-------"'"\r--—,'-- i í . \(1.P.,?W-,--• VISTO EM HA:,..in LUCIA PE PAULA OLIVEIRA - PROCURADOR1111 •:".-:;t::::::SA0 DE2 FAZENDA NACIONAL I • 1 O p993 ii Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes # C: O n 5 i.,...: i. h e ,.i r li .5 z. 1.4 A 1_ DE VA t ',. 1 A E... V E:. E:3 DEE: CL.. S. '.../ EIRA, Fz' F.! A in-J t::: I ES CID DE: E' É::;1...i C A i CORREA CARNEIRO GIFFONI, KAZUKI SHIOBARA, UK3III A HANSEN, MARIA t, • i, CLÉLIA DE ANDRADE FIGUEIREDO i.::: CARLOS ROBEHtu MüNlEIRO BERTAZI. i. t t. , , it MINISTÉRIO DA FAZENDA 2 t. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N2: 11080/004.838/91-84 RECURSO Ng : 68.383 ACÓRDA0 Ne: 102-28.162 -RECORRENTE: OLVESRA S/A. t RELATÓRIO . , OLVEBRA S/A. nao se conformando com a r. decisáo , de fiS. 37/39 dela recorre a este E. Conselho, pleiteando a sua ,nuI.idade. . , , A cobrança refere-se a erro na apuracao do cálculo ., da - Contribuiçáo Social. do exercício de 1990, tendo sido expedida a Motificaçáo de Lançamento de fls. Inconformada, a .contribuinte apresentou a impugnaçáo de fls. 01/05, alegando que a fiscalizada° incluiu na base de calculo, a quantia correspondente as participações de administradores e partes beneficiárias e ademais, calculou o valor da contribuiçâo social aplicando a alíquota de 10% quando o correto é de 8%. conforme estabelecido na Lei n2 7.689/88 4 art. , 32. "caput". Insurge-se contra a aplicada° da Lei n2 7.856, de . 24/10/89, que revogou o dispositivo retromencionado. arguindo que . consoante ar 1. 195. 62 da Constítuiçâo Federal. as contribuições , soci„exl„....„...„spoder ser exioldas-apOlecorridaa-nomenta dias.da , ,data da publicacao da lei que as houver instituído ou modificado, 1 sendo, pois, inconstitucional referida cobrança. A autoridade julgadora, acolhendo o parecer da Divisa° de Tributado às fls. 25/27 4 deixou de decidir sobre o 1 pleito, sob o fundamento de que o mesmo nao versa sobre a correta ou incorreta aplicaçáo da lei, mas, sim, sobre a própria qualida- I 1 1 1 1 i i , , t MINISTÉRIO DA FAZENDA .'.te.w PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES -----â —g 00,'" 1 i PROCESSO N2 11080/001„838/91 -84 ACÔRDA0 N2 102-28.162 , ‘ de da lei e seu posicionamento no universo jur.i.dico„ t Cientificada da decisào e com ela nao se A 11 conformando,. a contribuinte interpas, dentro do prazo legal, o j recurso voluntário, alegando a preliminar de nulidade da decisào , "a Clqu", na medida em que, ao asgsumir postura decisória embasada t, em motivo negativo de decidir, a autoridade judicante feriu direito liquide e certo da recorrente, constitucionalmente reconheeendo no ”ri.af......,:u.t." do art. 37, e no art. 5 0 , incise LV, (...:',1 1 que, "de per si", atrai aolicacao de inciso II, do art. 59, do Decreto n2 70.„235/72” No mérito, esclarece que ififormou no item . 13/26 de sua c::1 77 de rendimentos, como contribuiçâo social sobre o lucre, o valor de NCRS 1.563„953,00. Nao obstante, lançou no quadro 14/11, em adiçáo ao lucro real apurado, a quantia de NCRS 303.695,00. Explica que o valor adicionado ao lucro real fj.,,,, n ,„ resultado da diferença entre o valor constante na contabilidade e ., o efetivamente devido CC, MQ contribuiçào social. .1 Alega que assim procedeu para que a correçao do '.1. , valor erroneamente informado náo influisse na determinaçâo do 111, t IRP3 a. pagar, de cuja base de calculo havia sido exclul.do o valor ...„,.......:„......„......„.„,„,.....„:„.„,,...-„,,,...„:„.„:„.-.....„..„:„......,...„,„.„....,„„:„....„. ,.............„.„,......,„:„.„.....„.„:„....„,„„:„.„,„.............,......„,-.....,....-„„.....„„,„..„......„..............„.„„„:„..........................„....„.....„:„......„...........„........„............„.„,... . :„....,„:„.,..,..„,„.....„,,,,..„.„:„..-:„....,„:„...„....:-.......„:„.„..,,,- . „..-„,..„,...„„..„„„:„.......„.„,......„,,,,..........„J : ti maior, procedendo-se à adiçâo ao lucrci real, como forma de serem d enviados os seus efeitos. 11 t Corroborando seus procedimentos, a recorrente t anexa cópia. da folha do LALUR e ratifica es argumentos expendidos . em sua peça recursal, pedindo, por fim, a nulidade da decisao recorrida. 1 i MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N2: 11080/004.232/91-84 ACÔRDA0 N2: 102-22.162 voTn Conselheiro JULIO CÉSAR GOMES DA SILVA, Relator-;,, lem razao a Contribuinte, na preliminar suscitada, uma ve7. que o despacho do 2r„ Delegado ge F..orto Alegre, afirmando que ¡deixava de decidir processo, na verdade o faz a tavor dc fisco, uma VEZ que i5U. negativa em decr, obriga a Contribuinte, como determina alias o próprio despacho, a pagar o tributo. A decisao deste Conselho, nu sentido de que nao cabe ao Tribunal Administrativo Fiscal da Uníaó, conhecer e declarar a inconstitucionalidade das leis fiscais ou deixar de aplica -ias ao5 atos e fatos due o legislador determinou que fossem aplicados, ao contrario da interpretaçao que lhe vem sendo dada, determina o julgamento. cabe a qualquer autoridade declarar a inconstituciónalloade da lci, mas deve Julgar processo administrativo, nau podendo se escudar nesta Juscativa para C eixar de faz -ê -1o, o que caracteriza cerceamento de defesa s no „ „ r) :is. o i. „ d (.;) Na hipótese, alem do mais, existem fundamentos ot t r 0 (.1.E ricccc 'f prece:: ie.uocc pela. ccu t:oe i dccc.Ccc morícecrcc. t r . ,.Rzáo «o .o nu sentido de determinar a nulidade dos atos processuais a partir das fis„ 25, inclusive, Brasília, em 04 de Maio de 1993. roLe crie001_10 CÉSAR Dn - Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 11080.727477/2012-51
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Aug 21 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2009
EXCLUSÃO DO SIMPLES. RECURSO DESPROVIDO DE MATÉRIA CONTROVERTIDA. INDEFERIMENTO.
Verificando-se que o recurso sequer traz matéria controvertida, chegando a concordar com os termos da decisão recorrida, incabível o acolhimento do recurso interposto pela contribuinte.
Numero da decisão: 1802-002.558
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano (suplente convocado) e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa - Presidente. (assinado digitalmente) Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano (suplente convocado) e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
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RECURSO DESPROVIDO DE MATÉRIA CONTROVERTIDA. INDEFERIMENTO. Verificandose que o recurso sequer traz matéria controvertida, chegando a concordar com os termos da decisão recorrida, incabível o acolhimento do recurso interposto pela contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano (suplente convocado) e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 74 77 /2 01 2- 51 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 21/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 20/08/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por LUIS RO BERTO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 11080.727477/201251 Acórdão n.º 1802002.558 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de irresignação da contribuinte contra sua exclusão do Simples Nacional, pelos motivos apurados no procedimento fiscal n.º 1010100.2011.01372. Segundo citado procedimento, o contribuinte (i) extrapolou os limites para empresa de pequeno porte, (ii) em face da sua composição administrativa e participação societária, desenvolveu atividades vedadas à opção do Simples Nacional, (iii) bem como deixou de apresentar a documentação solicitada pela autoridade fiscal, dificultando a execução do procedimento administrativo. Em razão desses fatos, ocorreu a exclusão, nos termos do Ato Declaratório Executivo DRF/POA n.º 002 de 12/06/2012. Inconformada, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, sustentado, em suma: 1) que está correta a análise efetuada pela legislação – que exclui a empresa do Simples porém salientando que tal medida deveria ser efetivada em novembro/2008 e não ter os efeitos retroagidos até 01/01/2007; e 2) que a constatação de que a atividade da empresa é de cessão de mão de obra se deu pelo fato de estar previsto em seu contrato social e mediante informações verbais com os representantes da empresa. Por conseguinte, a 1ª Turma de Julgamento decidiu por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade e manter a exclusão da empresa do Simples Nacional nos termos do respectivo ato declaratório, com efeitos a partir de 01/01/2009, sob os seguintes argumentos: 1. Que houve evidente equívoco do contribuinte ao afirmar que a exclusão teria ocorrido com efeitos retroativos a 01/07/2007, uma vez que as simples constatação no respectivo Ato Declaratório Executivo, que os efeitos da exclusão darseão a partir de 01/01/2009, e não 01/01/2007 como mencionado pela Recorrente em sua manifestação de inconformidade; 2. Que, consultando o histórico da empresa no Simples Nacional – Federativos, verificase que a Recorrente é optante por tal modalidade de arrecadação somente a partir de janeiro de 2009; 3. Que não seria possível o contribuinte ser excluído do Simples Nacional em 01/07/2007, pelo simples fato de que nesta data, sequer era optante por tal sistema. 4. Que a Recorrente admite ter dado causa à exclusão e requer que seus efeitos retroajam a partir de novembro/2008, quando o próprio Ato Declaratório que excluiu a empresa indica a que os efeitos darseão a partir de 01.01.2009, ou seja, data posterior à da sua concordância para exclusão, não existindo qualquer sentido à pretensão formulada pela interessada, uma vez que a data indicada no ato lhe é mais favorável. 5. Que o respectivo documento foi emitido regularmente, uma vez que bem demonstrado e comprovado pela autoridade todas as ocorrências que motivaram a exclusão do contribuinte, que extrapolou o limite para empresa de pequeno porte, em face de sua Fl. 141DF CARF MF Impresso em 21/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 20/08/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por LUIS RO BERTO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 11080.727477/201251 Acórdão n.º 1802002.558 S1TE02 Fl. 4 3 composição administrativa e participação societária, por desenvolver atividade vedada à opção do Simples Nacional (prestação de serviços com cessão de mãodeobra), além de deixar de apresentar a documentação solicitada em ação fiscal, dificultando sua execução. Com base em todo o exposto, negouse provimento à impugnação, nos termos acima aduzidos. RECURSO VOLUNTÁRIO Da Tempestividade A ciência do Acórdão deuse em 08/11/2013 e o Recurso Voluntário foi apresentado em 05/12/2013. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face da decisão que manteve a exclusão da empresa do regime do Simples Nacional, com efeitos a partir de 01/01/2009. Aduz a Recorrente que a DRJ manteve a exclusão do regime do Simples Nacional, por ter a empresa ultrapassado o limite da receita permitido, e que os efeitos se deram a partir de novembro/2008, além de não ter apresentado a documentação solicitada pela autoridade fiscal e desenvolver atividade vedada ao simples. Reitera os termos da manifestação de inconformidade, sem juntar documentos, alegando que não há prova documental de que a atividade econômica da Recorrente é a cessão de mãodeobra e que não há suporte jurídico para que tal fato seja constatado mediante informações verbais dos representantes da empresa. Com relação à falta de apresentação dos contratos e notas fiscais de prestação de serviços solicitados pela autoridade fiscal, aduz que o fato de a recorrente não possuir contrato de prestação de serviço escrito não autoriza a fiscalização a fazer deduções acerca de sua atividade econômica. Discorre sobre a existência de outras formas de prestação de serviço, além da cessão de mãodeobra, não vedadas ao regime do Simples Nacional, e que a natureza da prestação de serviços desenvolvida pela Recorrente é e serviços sob o regime de empreitada global. Informa que a fiscalização baseou a exclusão do regime do Simples pelo fato da empresa ter ultrapassado o limite de receita global em novembro/2008, e que o levantamento realizado pela Receita está equivocado nos meses de 03/2008, 07/2008, 11/2008 e 12/2008, de forma que computandose corretamente a receita desses meses, a empresa não ultrapassou o limite legal. Requer a procedência do Recurso Voluntário, para determinar a exclusão do Simples Nacional com efeitos retroativos a 01/2009. Este é o Relatório. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 21/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 20/08/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por LUIS RO BERTO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 11080.727477/201251 Acórdão n.º 1802002.558 S1TE02 Fl. 5 4 Voto De acordo com o que consta nos autos, verifico que o Recorrente incorreu em novo equívoco, a medida em que pleiteia a procedência do Recurso Voluntário, para determinar a exclusão do Simples Nacional com efeitos retroativos a 01/2009. Compulsando os autos, verifico que o julgamento da DRJ/POR, foi exatamente no sentido de manter a exclusão da empresa do Simples Nacional, com efeitos a partir de 01/01/2009, conforme afirmado por diversas vezes no presente feito. Esclarecido tal fato, entendo, inclusive, que o Recurso sequer traz matéria controvertida, pois até mesmo chega a concordar com as ocorrências que motivaram a exclusão. Pelo exposto, não há qualquer sentido na pretensão formulada pela interessada, uma vez que a própria DRJ/PRO, esclareceu que os efeitos da exclusão darseão a partir de 01/01/2009, nos termos do Ato Declaratório Executivo acima transcrito. Diante do exposto, voto por conhecer o Recurso Voluntário, por tempestivo, e por negarlhe provimento, no mérito, para o fim de que seja integralmente mantido o crédito fiscal. Esse o meu Voto. (assinado digitalmente) Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Fl. 143DF CARF MF Impresso em 21/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 20/08/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por LUIS RO BERTO BUELONI SANTOS FERREIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10783.902700/2008-90
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Data do fato gerador: 13/02/2004
PEDIDO DE PERÍCIA.A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde de litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probando puder ser demonstrado por meio de documentos carreados aos autos.
DESCONTOPADRÃO. AGÊNCIA PUBLICIDADE. VEÍCULO DIVULGAÇÃO. O desconto-padrão pago pelo veículo de divulgação à agência de publicidade integra a base de cálculo do PIS e da COFINS. Não se aplica o art. 19 da Lei nº 12.232/2010 nas relações entre particulares já que a lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-001.296
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Luciano Pontes de Maya Gomes.
Nome do relator: Mara Cristina Sifuentes
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Data do fato gerador: 13/02/2004 PEDIDO DE PERÍCIA.A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde de litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probando puder ser demonstrado por meio de documentos carreados aos autos. DESCONTOPADRÃO. AGÊNCIA PUBLICIDADE. VEÍCULO DIVULGAÇÃO. O desconto-padrão pago pelo veículo de divulgação à agência de publicidade integra a base de cálculo do PIS e da COFINS. Não se aplica o art. 19 da Lei nº 12.232/2010 nas relações entre particulares já que a lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública. Recurso Voluntário Negado.
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DESCONTOPADRÃO. AGÊNCIA PUBLICIDADE. VEÍCULO DIVULGAÇÃO. O descontopadrão pago pelo veículo de divulgação à agência de publicidade integra a base de cálculo do PIS e da COFINS. Não se aplica o art. 19 da Lei nº 12.232/2010 nas relações entre particulares já que a lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Luciano Pontes de Maya Gomes. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Mara Cristina Sifuentes Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Mara Cristina Sifuentes, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Luciano Pontes de Maya Gomes. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 4ª Turma da DRJ Rio de Janeiro 2 RJ, a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, nos termos do Acórdão nº 1326.619, proferido em 30 de setembro de 2009. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito: A DRFB Vitória, por meio do despacho decisório, não homologou a compensação declarada, alegando a inexistência do crédito informado, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte. Em 21/08/2008 a interessada foi cientificada do despacho e da cobrança dos débitos indevidamente compensados. Irresignada, apresentou, em 22/09/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 01 a 16, na qual alega em síntese: Que é contribuinte de uma grande variedade de tributos, dentre os quais se destacam, o PIS e a Cofins, tendo em conta a incidência das mesmas por ocasião do faturamento mensal, assim entendido “o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil", conforme dispõe o artigo 1° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Que essa redação destacada é similar a da norma que a precedeu, que, embora não revogada, foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, qual seja, o art. 30, §1°, da Lei n° 9.718/98. Tais contribuições, portanto, não podem nem devem incidir sobre receitas não auferidas pela pessoa jurídica, a exemplo do que ocorre com os valores recebidos pela cessão de seu espaço para agências de publicidade, tendo em vista que tais valores não permanecem em seu faturamento, pois são repassados às mencionadas agências. Sabendo que tais valores não deveriam ter sido incluídos na base de cálculo da COFINS e também do PIS, e, tendo em vista a existência de débitos a titulo dos mesmos tributos, a Requerente aproveitou a existência desses créditos, já que foram pagos a maior, para compensálos com tais débitos. Para que haja a incidência em comento não basta que a pessoa jurídica tenha receitas, entendida esta de acordo com a normatização contábil, mas também, é imprescindível que tais receitas sejam efetivamente auferidas, isto é, verdadeiramente percebidas. É imperioso que os valores decorrentes do faturamento tenham efetivamente ingressado nos cofres da Requerente, para composição do seu patrimônio, ou seja, tratase de um conceito jurídico de faturamento, eis que se entende como tal somente aquelas receitas auferidas pela pessoa jurídica. Assim, a interpretação literal dos dispositivos citados é suficiente para perceber que os valores recebidos pela cessão de espaço, pela Requerente, não deveriam integrar a sua base de cálculo da COFINS e também do PIS, já que estes mesmos valores não integraram efetivamente o seu faturamento, pois foram repassados às agências de publicidade, tratandose tão somente de "mero ingresso" no seu caixa. Prosseguindo, cita acórdãos do Conselho de Contribuintes e destaca a Solução de Consulta n. 17, de 30 de abril de 2007, da 4º Região Fiscal da Receita Federal do Fl. 2DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES Processo nº 10783.902700/200890 Acórdão n.º 310201.296 S3C1T2 Fl. 145 3 Brasil no sentido de que o desconto devido à agência de propaganda não integra a base de cálculo do PIS e da COFINS do veículo de divulgação, porque este valor é receita que pertence à agência. Apesar disso, por uma falha, incluiu tais valores na base de cálculo da COFINS, de forma que, não existem dúvidas de que o montante contribuído a título de COFINS foi muito maior do que o real valor devido, uma vez que os valores recebidos e repassados às agências de publicidade (que não fazem parte do seu faturamento!) foram indevidamente incluídos nesta base de cálculo. Ao perceber a existência dos créditos existentes em função do pagamento a maior da COFINS, foi apresentado, por meio de PER/DCOMP, a Declaração de Compensação, a fim de aproveitar tais créditos para quitar débitos ainda existentes de COFINS. Informa que está levantando a documentação necessária a fim de que reste comprovado, de vez por todas, que os valores pagos a maior e repassados às agências de publicidade correspondem exatamente aos débitos que foram compensados, o que será apresentado a esta d. SRF o quanto antes. Por fim, protesta pela realização de diligência destinada à produção de prova pericial, e nomeia assistente técnico no intuito de ver respondidos os seguintes quesitos: 1)queira o Sr. Perito informar se a Requerente se apropriou integralmente dos valores recebidos no período autuado; e 2) queira o Sr. Perito informar, mediante a análise dos documentos contábeis acostados, se houve repasse às agências de publicidade. Em caso afirmativo, favor informar o valor desse repasse. Em 18/11/2008 a interessada juntou ao processo a petição de folhas 75 a 77 na qual informa que a documentação que comprova o faturamento da empresa e o efetivo repasse da receita de PIS/Cofins à terceiros foi apresentada nos autos do Processo Administrativo n° 10783.902198/200817. Tendo em vista que aquele processo discute créditos da mesma natureza deste e ainda a grande quantidade de documentos (12.306 cópias em 52 volumes), afirma ser inconcebível a apresentação de toda a documentação em cada um dos processos. A DRJ traz a seguinte motivação e esclarecimento no seu voto: A interessada ampara sua pretensão na Solução de Consulta SRRF04/Disit n° 17, de 30 de abril de 2007, que entendeu que o desconto devido as agências de propaganda não integra a base de cálculo da Cofins devida por veículo de divulgação. No presente caso, da análise dos documentos anexados pela interessada ao Processo Administrativo n° 10783.902198/200817 (anexo I, volumes 1 a 52) constatase que os pagamentos foram efetuados pelos anunciantes diretamente à interessada (veículo de divulgação) pelo valor bruto da fatura. Em momento posterior o veículo de divulgação paga à agência o "desconto padrão de agência" mediante fatura emitida pela agência contra a interessada, em conformidade com o disposto no subitem 2.4.2 das NormasPadrão da Atividade Publicitária. Os valores repassados somente podem ser excluídos na apuração das bases de cálculo das epigrafadas contribuições quando houver dispositivo legal explícito nesse Fl. 3DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES 4 sentido, conforme reza o art. 150, § 6°, da Constituição Federal, incluído pela Emenda Constitucional n° 3, de 17 de março de 1993. A recorrente apresenta recurso voluntário, onde em síntese alega: que o disposto no art. 3o. § 1o. da Lei nº 9718/98 trata de receitas auferidas, e por isso os valores recebidos pela cessão de espaço não deveriam integrar a sua base de cálculo, já que estes valores não integraram efetivamente o seu faturamento, pois foram repassados às agências de publicidade, tratandose tão somente de mero ingresso no caixa; cita acórdãos do CARF, Parecer Cosit nº 8 e solução de consulta nº 17 para embasar sua argumentação; alega que a Lei 9430/96 vincula a administração tributária quanto ao entendimento exarado em processo de consulta, não podendo a mudança de orientação ter efeitos retroativos; que possui créditos de Confins por ter incluído erroneamente os valores pagos às agencias de publicidade na base de cálculo, fazendo jus portanto à compensação; por fim, pleiteia que seja efetuada diligência destinada a produção de prova pericial para responder a quesitos formulados quanto a análise de sua escrita contábil. É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora. O recurso é tempestivo, conforme disposto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Este processo foi julgado juntamente com o processo nº 1078.3902206/2008 25, adotado como paradigma. Do pedido de diligência e juntada de novos documentos. A recorrente pleiteia que seja efetuada diligência destinada a produção de prova pericial para responder a quesitos formulados quanto a análise de sua escrita contábil. Entendo ser desnecessária a perícia solicitada, para a análise do presente recurso voluntário. A perícia só se justifica para esclarecimento de fatos obscuros nos autos ou caso seja necessário conhecimento técnico especializado para esclarecimento de algum ponto discorrido nos autos. Não é o caso dos presentes autos. Os quesitos formulados pela recorrente podem ser respondidos pela análise dos documentos acostados, que no meu entendimento são mais do que suficientes para esclarecer a demanda. E conforme o Decreto nº 70.235/72 a autoridade julgadora determinará a realização de diligências ou perícias quando entender necessárias para elucidação do litígio, o que não é o caso: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas Fl. 4DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES Processo nº 10783.902700/200890 Acórdão n.º 310201.296 S3C1T2 Fl. 146 5 necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (redação dada pelo art. 10 da Lei n°8.748/93). O indeferimento do pedido de perícia também não afetará o contraditório e a ampla defesa, direitos da recorrente, já que ela demonstra conhecer a matéria discutida nos autos. Do mérito. A interessada ampara sua pretensão na Solução de Consulta SRRF04/Disit n° 17, de 30 de abril de 2007, cuja ementa reproduzo abaixo: Ementa: PROPAGANDA E PUBLICIDADE. BASE DE CÁLCULO. VEÍCULO DE DIVULGAÇÃO. DESCONTO DEVIDO A AGÊNCIA DE PROPAGANDA. COMISSÃO DE AGENCIADOR. BONIFICAÇÃO. O desconto devido à agência de propaganda, previsto no art. 11 da Lei n°4.680, de 1965, não integra a base de cálculo da Cofins devida por veículo de divulgação, visto que tal receita pertence à mencionada agência, sendo este um mero repassador do numerário devido pelo cliente anunciante. De outra sorte, por falta de previsão legal, o valor pago ao agenciador de propaganda, a título de comissão, pela intermediação de negócios, na forma do art. 2° da aludida Lei n° 4.680, de 1965, não é passível de exclusão da base de cálculo da Cofins devida por veículo de divulgação, sendo despesa deste, decorrente da relação jurídica surgida entre eles. Por sua vez, a bonificação paga à agência, quando esta repassa o valor recebido do anunciante ao veículo de divulgação, antes do vencimento previsto, por se tratar de desconto condicional, não pode ser excluída da base de cálculo da Cofins devida por veículo de divulgação, em virtude de ausência de amparo legal. Dispositivos Legais: Lei n°4.680, de 1965; Decreto n°57.690, de 1966; arts. ° e 3° da Lei n° 9.718, de 1998; art. 1° da Lei n° 10.833, de 2003. A citada Solução de Consulta fundamentouse, por sua vez, no Parecer Cosit n° 8, de 18 de junho de 2001, que em suas conclusões assim dispôs: O "desconto de agência", concedido por imposição legal, conforme valor fixado em tabela (previamente divulgada pelo veículo de publicidade) e obedecendo aos parâmetros predeterminados pelas NormasPadrão da Atividade Publicitária (expedidas pelo CENP, em 1998), não integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, como também não integra a base de cálculo da Cofins. O valor pago ao agenciador de propaganda a título de "comissão", pela intermediação de negócios, não pode ser excluído da base de cálculo das referidas contribuições. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES 6 Não há, ainda, previsão legal para a exclusão de "bonificações" concedidas por antecipação de pagamentos, as quais equivalem a descontos condicionados. Este Parecer teve sua parte conclusiva alterada pela Solução de Consulta Interna Cosit n°21, de 15 de maio de 2008, que determinou a retificação do Parecer por concluir que "os veículos de divulgação não podem excluir da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins o valor devido às agências de publicidade, a título de desconto padrão de agência, por falta de previsão legal". A Divisão de Tributação da 4a Região Fiscal publicou a Solução de Consulta n° 24, em 2 de junho de 2008, após a publicação do novo entendimento exarado pela Cosit, na qual conclui "que quaisquer valores repassados ou devidos às agências de publicidade, a título de remuneração, cuja obrigação recaia originariamente sobre o veículo de divulgação, inclusive os denominados "desconto padrão de agência", não podem ser excluídos, por falta de previsão legal, na apuração das bases de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidas pelo veículo de divulgação" e determinou a reforma integral da Solução de Consulta SRRF04/Disit n° 17, de 2007. A Lei n° 4.680, de 1965, que trata do exercício da profissão de Publicitário e de Agenciador de Propaganda assim dispõe, in verbis: Art. 3.° A Agência de Propaganda é pessoa jurídica e especializada na arte e técnica publicitárias, que, através de especialistas, estuda, concebe, executa e distribui propaganda aos Veículos de Divulgação, por ordem e conta de Clientes Anunciantes, com o objetivo de promover a venda de produtos e serviços, difundir idéias ou instituições colocadas a serviço desse mesmo público. Art. 4 São Veículos de Divulgação, para os efeitos desta lei,quaisquer meios de comunicação visual ou auditiva capazes de transmitir mensagens de propaganda ao público, desde que reconhecidos pelas entidades e órgãos da classe, assim considerados as associações civis locais e regionais de propaganda, bem como os sindicatos de publicitários. (...) Art. 11. A comissão, que constitui a remuneração dos Agenciadores de Propaganda, bem como o desconto devido às Agências de Propaganda, serão fixados pelos Veículos de Divulgação sobre os preços estabelecidos em tabela. O Decreto n° 57.690, de 1° de fevereiro de 1966, que aprovou o regulamento para a execução da Lei nº 4680/65 assim dispôs: Art. 10. Veículo de Divulgação, para os efeitos deste Regulamento, é qualquer meio de divulgação visual, auditiva ou audiovisual capaz de transmitir mensagens de propaganda ao público, desde que reconhecido pelas entidades sindicais ou associações civis representativas de classe, legalmente registradas Art. 11 O Veículo de Divulgação fixará, em Tabela, a comissão devida aos Agenciadores, bem como o desconto atribuído às Agências de Propaganda. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES Processo nº 10783.902700/200890 Acórdão n.º 310201.296 S3C1T2 Fl. 147 7 Art. 12 Ao veículo de Divulgação não será permitido descontar da remuneração dos Agenciadores de Propaganda, mesmo parcialmente, os débitos não liquidados por Anunciantes, desde que a propaganda tenha sido formal e previamente aceita por sua direção comercial. [...] Art. 14. O preço dos serviços prestados pelo Veículo de Divulgação será por este fixado em Tabela pública aplicável a todos os compradores, em igualdade de condições, incumbindo ao Veículo respeitála e fazer com que seja respeitada por seus Representantes. Art. 15 O faturamento da divulgação será feito em nome do Anunciante, devendo o Veículo de Divulgação remetêlo a Agência responsável pela propaganda. As atividades publicitárias seguem uma norma padrão, editada pelo CENP – Conselho Executivo das NormasPadrão, que assim definem alguns conceitos que interessam a este processo: 1.3 Agência de Publicidade ou Agência de Propaganda: é nos termos do art. 6º do Dec. nº 57.690/66, empresa criadora/produtora de conteúdos impressos e audiovisuais especializada nos métodos, na arte e na técnica publicitárias, através de profissionais a seu serviço que estuda, concebe, executa e distribui propaganda aos Veículos de Comunicação, por ordem e conta de Clientes Anunciantes com o objetivo de promover a venda de mercadorias, produtos, serviços e imagem, difundir idéias ou informar o público a respeito de organizações ou instituições a que servem. 1.4 Veículo de Comunicação ou, simplesmente, Veículo: é, nos termos do art. 10º do Dec. nº 57.690/66, qualquer meio de divulgação visual, auditiva ou audiovisual. 1.6 Agenciador de Propaganda: é a pessoa física registrada e remunerada pelo Veículo, sujeita à sua disciplina e hierarquia, com a função de intermediar a venda de espaço/tempo publicitário. 1.11 DescontoPadrão de Agência1 ou simplesmente Desconto Padrão: é a remuneração da Agência de Publicidade pela concepção, execução e distribuição de propaganda, por ordem e conta de clientes anunciantes, na forma de percentual estipulado pelas NormasPadrão, calculado sobre o “Valor Negociado”. 1.12 Valor Faturado: é a remuneração do Veículo de Comunicação, resultado da diferença entre o “Valor Negociado” e o “DescontoPadrão”. 1.13 “Fee”: é o valor contratualmente pago pelo Anunciante à Agência de Publicidade, nos termos estabelecidos pelas Normas Padrão, independente do volume de veiculações, por serviços prestados de forma contínua ou eventual. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES 8 A NormaPadrão da Atividade Publicitária também traz em seu escopo a definição das relações entre agências de publicidade, anunciantes e veículos de comunicação, que abaixo transcrevo no que interessa a lide1: 2.3 A relação entre Anunciante e sua Agência tem relevância para a relação entre o Anunciante e o Veículo. Na presença dessa relação, o Veículo deve comercializar seu espaço/tempo ou serviços através da Agência, nos termos do parágrafo único do artigo 11 da Lei nº 4.680/65, de tal modo que fique vedado: (a) ao Veículo oferecer ao Anunciante, diretamente, vantagem ou preço diverso do oferecido através de Agência; (b) à Agência, omitir ou deixar de apresentar ao Cliente proposta a este dirigida pelo Veículo. 2.3.1 É livre a contratação de permuta de espaço, tempo ou serviço publicitário entre Veículos e Anunciantes, diretamente ou por intermédio da Agência de Publicidade responsável pela conta publicitária. 2.3.2 Quando a contratação de que trata o item 2.3.1 envolver serviços de Agência de Publicidade, esta fará jus à remuneração, observadas as disposições estabelecidas em contrato. 2.4 O Anunciante é titular do crédito concedido pelo Veículo com a finalidade de amparar a aquisição de espaço, tempo ou serviço, diretamente ou por intermédio de Agência de Publicidade. 2.4.1 A Agência de Publicidade que intermediar a veiculação atuará sempre por ordem e conta do Anunciante, observado o disposto nos itens 2.4.1.1 a 2.4.1.3. 2.4.1.1 É dever da Agência de Publicidade cobrar, em nome do Veículo, nos prazos estipulados, os valores devidos pelo Anunciante, respondendo perante um e outro pelo repasse do “Valor Faturado” recebido ao Veículo. 2.4.1.2. A fatura do Veículo será encaminhada ao Anunciante por meio da Agência de Publicidade. 2.4.1.3 Tendo em vista que o fator confiança é fundamental no relacionamento comercial entre Veículo, Anunciante e Agência e sendo esta última depositária dos valores que lhes são encaminhados pelos Clientes/Anunciantes para pagamento dos Veículos e Fornecedores de serviços de propaganda, fica estabelecido que, na eventualidade da Agência reter indevidamente aqueles valores sem o devido repasse aos Veículos e/ou Fornecedores, terá suspenso ou cancelado seu Certificado de Qualificação Técnica concedido pelo CENP. 2.4.2 Em virtude de prévio e expresso ajuste, o Anunciante poderá repassar por meio do Veículo a importância correspondente ao “DescontoPadrão”, observado que nesta 1 Disponível no sítio http://www.cenp.com.br/PDF/Normas_padrao_port.pdf acessado em 27092011. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES Processo nº 10783.902700/200890 Acórdão n.º 310201.296 S3C1T2 Fl. 148 9 hipótese o Veículo somente poderá faturar ou contabilizar como receita própria a parcela correspondente ao “Valor Faturado”. 2.4.3 Excepcionalmente, nos termos de prévio e expresso ajuste, o Anunciante, poderá efetivar diretamente os pagamentos correspondentes ao “Valor Faturado” e ao “DescontoPadrão”, respectivamente, ao Veículo e à Agência de Publicidade. 2.5 O “DescontoPadrão de Agência” de que trata o art. 11 da Lei nº 4.680/65 e art. 11 do Decreto 57.690/66, bem como o art. 19 da Lei 12.232/10, é a remuneração destinada à Agência de Publicidade pela concepção, execução e distribuição de propaganda, por ordem e conta de clientes anunciantes. A NormaPadrão atualmente em vigor difere da NormaPadrão utilizada quando do julgamento pela DRJ, mas em síntese podemos chegar as mesmas conclusões que chegou a DRJ: 1) O veículo de comunicação detém o espaço publicitário; 2) A agência de publicidade é responsável pela venda do trabalho de publicidade ao anunciante e também pela intermediação da divulgação do trabalho no veículo de comunicação; 3) O veículo de comunicação vende seu espaço publicitário diretamente, por meio de agência de publicidade ou por meio de agenciador, pessoa física; 4) A agência de publicidade faz jus a remuneração pelos serviços prestados ao cliente, que recebe o nome de descontopadrão; 5) O veículo emite a fatura em nome do anunciante pelo valor negociado que é composto de valor faturado e descontopadrão. O valor faturado é a remuneração do veículo; 6) A fatura é entregue pelo veículo à agência, a quem cabe cobrar do anunciante o pagamento e repassar o valor faturado ao veículo; 7) Poderá haver acordo entre os três para que: a. O anunciante pague diretamente ao veículo e este repasse o descontopadrão à agência; ou b. O anunciante pague ao veículo o valor faturado e a agência o descontopadrão. Neste processo, ao analisar os documentos acostados ao Processo Administrativo n° 10783.902198/200817 (anexo I, volumes 1 a 52, que a recorrente indica como fonte da documentação para todos os processos de compensação) constatase que os pagamentos foram efetuados pelos anunciantes diretamente à interessada (veículo de divulgação) pelo valor bruto da fatura, ou, valor negociado. Não existe destaque de valores nas notas fiscais. E o veículo de divulgação posteriormente pagou à agência o "desconto padrão" mediante fatura emitida pela agência contra a recorrente. Inferese que o veículo é responsável pelo faturamento e paga a agência pelo serviço prestado, também podemos chegar a esta conclusão a partir da análise das normas legais e da NormaPadrão quando elas dispõem que o descontopadrão será tabelado, logo temos a presença de um percentual que incide sobre o valor total da venda do espaço publicitário. Foi o que ocorreu no presente caso, o veículo emitiu fatura pelo valor negociado que foi paga pelo anunciante, a agência emitiu fatura pelo descontopadrão que foi paga pelo veículo. Tudo ocorreu conforme disposto nas normas legais e na NormaPadrão da Atividade Publicitária. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES 10 Para apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, pelo regime cumulativo, seguese o disposto nos arts. 2° e 3° da Lei n°9.718, de 1998: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. E para a apuração do PIS e da Cofins apurados pela nãocumulatividade seguese o disposto no art. 1° da Lei n° 10.637, de 2002, e da Lei n° 10.833, de 2003: Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. Conforme art. 150 § 6o. da Constituição Federal qualquer subsídio ou isenção, redução da base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão só poderá se concedido mediante lei específica. Art. 150. § 6º Qualquer subsidio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.", XII, g. Existe previsão para exclusão da base de cálculo quando a agência recebe o valor negociado do anunciante e repassa o valor faturado para o veículo de divulgação, a teor Fl. 10DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES Processo nº 10783.902700/200890 Acórdão n.º 310201.296 S3C1T2 Fl. 149 11 do disposto no art. 13 da Lei n° 10.925, de 23 de julho de 2004, c/c o art. 53, parágrafo único, da Lei n° 7.450, de 23 de dezembro de 1985: Art. 13. O disposto no parágrafo único do art. 53 da Lei n° 7.450, de 23 de dezembro de 1985, aplicase na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da Confins das agências de publicidade e propaganda, sendo vedado o aproveitamento do crédito em relação às parcelas excluídas. Art 53 Sujeitamse ao desconto do imposto de renda, à alíquota de 5% (cinco por cento), como antecipação do devido na declaração de rendimentos, as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas: [...] II por serviços de propaganda e publicidade. Parágrafo único No caso do inciso II deste artigo, excluemse da base de cálculo as importâncias pagas diretamente ou repassadas a empresas de rádio, televisão, jornais e revistas, atribuída à pessoa jurídica pagadora e à beneficiária responsabilidade solidária pela comprovação da efetiva realização dos serviços. Em 2010 foi publicada a Lei nº 12.232, de 29 de abril de 2010, que dispõe sobre as normas gerais para licitação e contratação pela administração pública de serviços de publicidade prestados por intermédio de agências de propaganda e dá outras providências. Dentre estas outra providências estipula a Lei nº 12.232/2010 no seu art. 19 : Art. 19. Para fins de interpretação da legislação de regência, valores correspondentes ao descontopadrão de agência pela concepção, execução e distribuição de propaganda, por ordem e conta de clientes anunciantes, constituem receita da agência de publicidade e, em consequência, o veículo de divulgação não pode, para quaisquer fins, faturar e contabilizar tais valores como receita própria, inclusive quando o repasse do desconto padrão à agência de publicidade for efetivado por meio de veículo de divulgação. (grifos meus) Apesar da afronta ao disposto no art. 150 § 6o. da Constituição Federal a este CARF não cabe se manifestar sobre a inconstitucionalidade de lei, conforme já enunciado por Súmula deste Conselho: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Então devemos analisar a aplicação do art. 19 da Lei nº 12.232/2010 ao caso em exame. A Lei citada dispõe que o veículo de divulgação não pode faturar e contabilizar os valores relativos ao descontopadrão de agência como receita própria, e que tais valores constituem receita da agência de publicidade. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES 12 Conforme já explicado o veículo de comunicação faturou o valor negociado diretamente ao anunciante e depois repassou o valor do descontopadrão à agência de publicidade, seguindo as orientações contidas na NormaPadrão: 2.4.1.2. A fatura do Veículo será encaminhada ao Anunciante por meio da Agência de Publicidade. 2.4.2 Em virtude de prévio e expresso ajuste, o Anunciante poderá repassar por meio do Veículo a importância correspondente ao “DescontoPadrão”, observado que nesta hipótese o Veículo somente poderá faturar ou contabilizar como receita própria a parcela correspondente ao “Valor Faturado”. 2.4.3 Excepcionalmente, nos termos de prévio e expresso ajuste, o Anunciante, poderá efetivar diretamente os pagamentos correspondentes ao “Valor Faturado” e ao “DescontoPadrão”, respectivamente, ao Veículo e à Agência de Publicidade. No caso em exame, conforme já esclarecido, o veículo de divulgação recebeu o total do valor negociado, emitindo uma fatura comercial em nome do anunciante e após a agência de publicidade emitiu uma fatura comercial em nome do veículo de divulgação. São duas relações negociais que se formam. A Lei nº 12.232/2010 alterou a base de cálculo prevista para o PIS e COFINS definindo que o descontopadrão não é receita do veículo de divulgação, entretanto conforme pode ser visto nas razões de veto do parágrafo único, a exclusão somente se aplica às relações com a Administração Pública, não se aplicando às relações entre particulares. MENSAGEM Nº 203, DE 29 DE ABRIL DE 2010. Senhor Presidente do Senado Federal, Comunico a Vossa Excelência que, nos termos do § 1o do art. 66 da Constituição, decidi vetar parcialmente, por contrariedade ao interesse público, o Projeto de Lei no 197, de 2009 (no 3.305/08 na Câmara dos Deputados), que “Dispõe sobre as normas gerais para licitação e contratação pela administração pública de serviços de publicidade prestados por intermédio de agências de propaganda e dá outras providências”. Ouvido, o Ministério da Justiça manifestouse pelo veto ao dispositivo abaixo: Parágrafo único do art. 19 “Art. 19. ....................................................................... Parágrafo único. O disposto neste artigo se aplica inclusive à contratação de serviços entre particulares, observadas normas de orientação expedidas pelo Conselho Executivo das NormasPadrão CENP.” Razão do veto “O projeto de lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública, não adentrando nas relações entre os particulares que exercem atividades Fl. 12DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES Processo nº 10783.902700/200890 Acórdão n.º 310201.296 S3C1T2 Fl. 150 13 publicitárias com fundamento na Lei nº 4.680, de 18 de junho de 1965.” Essa, Senhor Presidente, a razão que me levou a vetar o dispositivo acima mencionado do projeto em causa, a qual ora submeto à elevada apreciação dos Senhores Membros do Congresso Nacional. De todo o exposto, concluo que a Lei nº 12.232/2010, art. 19, não se aplica ao presente processo por ser específica para as contratações com a Administração Pública, conforme explicado nas razões de veto do parágrafo único que previa a extensão para as relações entre os particulares. Logo, como não existe previsão legal para a exclusão da base de cálculo do PIS e Cofins do descontopadrão pago as agências de publicidade pelo veículo de comunicação, estes valores compõe a base de cálculo das contribuições citadas. Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Mara Cristina Sifuentes Fl. 13DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES
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Numero do processo: 12898.001513/2009-14
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/1998 a 31/12/1998
PREVIDENCIÁRIO. VERDADE MATERIAL.LANÇAMENTO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL.
É um princípio específico do processo administrativo.
A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade.
Se o lançamento contiver vício estiver instalado na produção, em sua dinâmica, com defeito na composição, mediante explícita presunção e ausência de provas, ônus do sujeito ativo, ensejará a nulidade dado que maculado de vício material comprometedor do crédito e da sua motivação
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2403-002.888
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Daniele Souto Rodrigues e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente.
Ivacir Júlio de Souza - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Ausentes Justificadamente Os Conselheiros Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro E Marcelo Magalhaes Peixoto
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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VERDADE MATERIAL.LANÇAMENTO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. É um princípio específico do processo administrativo. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Se o lançamento contiver vício estiver instalado na produção, em sua dinâmica, com defeito na composição, mediante explícita presunção e ausência de provas, ônus do sujeito ativo, ensejará a nulidade dado que maculado de vício material comprometedor do crédito e da sua motivação Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Daniele Souto Rodrigues e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente. Ivacir Júlio de Souza Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 15 13 /2 00 9- 14 Fl. 580DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Ausentes Justificadamente Os Conselheiros Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro E Marcelo Magalhaes Peixoto Fl. 581DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12898.001513/200914 Acórdão n.º 2403002.888 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Lido e compulsado os autos, por corroborar o Relatório do voto de primeira instância, com grifos de minha autoria, abaixo o transcrevo na íntegra : "Tratase de crédito tributário lançado pela fiscalização AI DEBCAD 37.224.3908 pertinente às contribuições devidas pela empresa relativas ao SATSeguro de Acidentes de Trabalho, tendo sido o presente lançamento lavrado em substituição àqueles feito através da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) DEBCAD n° 35.442.2251, anulada pelo Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), conforme Acórdão n° 1334/2005, prolatado pela 2 a CAJ Câmara de Julgamento, em 23/09/2005, sob a alegação de vício formal, acarretado pela omissão, no anexo relativo aos Fundamentos Legais do Débito, do dispositivo legal que autoriza o arbitramento das contribuições previdenciárias através de aferição indireta. 2. O valor do presente lançamento é de R$ 48.746,84 consolidado em 17/09/2009. 3. De acordo com o relatório fiscal, de fls. 22/27, a apuração deuse com base no instituto da responsabilidade solidária, decorrente da execução de serviços de construção civil pela empresa ASSERTE ASSESSORIA E SERVIÇOS DE TELECOMUNICAÇÃO LTDA, CNPJ 28.309.789/000186, uma vez que a contratante não comprovou o recolhimento das contribuições incidentes sobre as remunerações dos segurados, a cargos dos próprios, incluídas em notas fiscais e/ou faturas correspondentes aos serviços executados, na forma determinada pela legislação previdenciária. 4. Explica o autuante que, utilizando da prerrogativa contida nos parágrafos 3° e 6° do artigo 33 da lei n° 8.212/91, arbitrou a base de cálculo das contribuições lançadas, a partir do valor das Notas Fiscais emitidas pela prestadora, adotandose o percentual de 40% determinado pela Instrução Normativa n° 03/2005. 5. Esclarece também o Auditor Fiscal que, por se tratar de lançamento substitutivo de contribuições lançadas em procedimento fiscal anterior, foram considerados todos os documentos apresentados tanto no decorrer da ação fiscal, como no curso do procedimento administrativo de julgamento, tendo sido já consideradas as retificações anteriormente feitas durante o julgamento administrativo do processo anulado. Da impugnação Fl. 582DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 6. Notificada pessoalmente em 18/09/2009, a notificada apresentou impugnação em 20/10/2009, logo, dentro do prazo regulamentar, através do instrumento de fls. 155/167, no qual apresenta os argumentos a seguir reproduzidos, em síntese: 6.1. Uma análise cuidadosa da legislação aponta que a existência de solidariedade pressupõe a aferição da efetiva existência do débito cobrado, primeiramente, fiscalizando o devedor principal (contratado). No presente caso, a lógica está invertida. Somente após a constatação de que a contratada deixou de recolher as contribuições é que se poderia exigir da impugnante o tributo devido. A Fsicalização lançou o débito apenas com base na falta de apresentação, por parte da contratante, dos documentos que elidiriam a responsabilidade solidária, sem verificar a documentação da contratada ASSERTE. 6.2. O artigo 142 do CTN indica que a investigação do fato gerador deve ser feita sempre no contribuinte, e não na figura do responsável tributário. 6.3. O interesse comum a que se refere o art. 124 do CTN é aquele existente entre o sujeito e o fato gerador, o vínculo jurídico. Não se trata, contudo, de qualquer vínculo, mas apenas do vínculo ab origine que os une. Cita exemplos, colaciona excertos doutrinários e arestos em abono de suas teses. 6.4. A responsabilidade solidária imputada por aferição indireta somente é cabível como medida excepcional quando a fiscalização constatar que a contabilidade da empresa prestadora não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço.O Fisco nem mesmo se deu ao trabalho de procurar as folhas de pagamento junto à prestadora de serviços, tendo feito o procedimento de aferição sem supedâneo real. 6.5. Inexiste solidariedade para o caso dos autos pois os serviços prestados Q pela contratada à Impugnante são de fornecimento e montagem de máquinas na área de telefonia, e não de construção civil ou cessão de mãodeobra. Outrossim, o caso é ainda de empreitada global, não havendo solidariedade. 6.6. Afirma que a ASSERTE quitou suas obrigações para com o INSS, sendo o montante das guias juntadas inferiores aos levantamentos devido ao fato do Fisco ter se valido do arbitramento. O Fisco nunca poderia exigir o crédito de ambas as empresas simultaneamente. Acosta novamente os documentos comprobatórios da quitação das obrigações previdenciárias. 6.7. Entende que, como o Auto de Infração foi lavrado após a edição da MP n° 449/08, o caso é de aplicação da multa prevista na Lei n° 7 9.430/96, no valor de 0,33 ao dia até o limite de 20% do valor do débito. Fl. 583DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12898.001513/200914 Acórdão n.º 2403002.888 S2C4T3 Fl. 4 5 6.8. Por fim, pede a procedência da impugnação, protestando por prova pericial e juntada posterior de documentos que eventualmente se façam necessários. 7. Regularmente notificada do lançamento, na pessoa do sócio JOSIAS PEREIRA DE LIMA, conforme se verifica às fls. 59 e 88, a contratada deixou transcorrer in albis o prazo de defesa. 8. É o Relatório." DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA No Acórdão n°1237.031, às fls.316, em 04 de maio de 2011 a 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I DRJ/RJO I, manteve o débito e referindose ao valor principal decidiu conforme abaixo: "Vistos, relatados e discutidos os autos do processo em epígrafe (AI n° 37.224.3908), ACORDAM os membros da Turma, por unanimidade de votos, negar provimento à impugnação, nos termos do relatório e voto que este decisum passam a integrar, para considerar devido o crédito tributário no valor de R$ 16.856,24, acrescido de juros e multa de mora a serem calculados na data da liquidação." DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada com a decisão de primeira instância a autuada interpôs Recurso Voluntário às fls.503 . O contribuinte solidário não apresentou manifestação .` Aduz que na peça recursal interposta a autuada reiterou as alegações que fizera em sede de impugnação. É o Relatório. Fl. 584DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza DA TEMPESTIVIDADE O Recurso interposto é tempestivo. Aduz que se reveste dos pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DAS PREJUDICIAIS DE MÉRITO DOS CONTRATOS E DAS NOTAS FISCAIS Como visto alhures , tratase de crédito tributário lançado pela fiscalização AI DEBCAD Tratase de crédito tributário lançado pela fiscalização AI DEBCAD 37.224.3908 pertinente às contribuições devidas pela empresa realtivas ao SATSeguro de Acidentes de Trabalho, tendo sido o presente lançamento lavrado em substituição àqueles feito através da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) DEBCAD n° 35.442.2251, anulada pelo Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), conforme Acórdão n° 1334/2005, prolatado pela 2 a CAJ Câmara de Julgamento, em 23/09/2005, sob a alegação de vício formal, acarretado pela omissão, no anexo relativo aos Fundamentos Legais do Débito, do dispositivo legal que autoriza o arbitramento das contribuições previdenciárias através de aferição indireta. Na condução do voto, referindose aos autos da NFLD substituída de n° 35.442. 2251 que , ressaltese não constam colacionados no presente, a i. Julgadora a quo, registra que em relação às cópias das notas fiscais trazidas já teriam sido analisadas em processo anterior sendo dispensável a reanálise dos documentos: "24. Em relação aos documentos trazidos aos autos, verificase que os comprovantes de recolhimento de contribuições previdenciárias acostados pela impugnante já foram analisados em processo anterior, conforme se depreende das decisões proferidas nos autos da NFLD 35.442. 2251. Como informa o Auditor Fiscal que o presente Auto de Infração já contempla todas as retificações efetuadas em função da apresentação de documentos no julgamento do processo administrativo anulado, tornase dispensável a reanálise dos documentos." Na forma da planilha produzida e colacionada às fls.29 pela autoridade autuante e, ainda, no registro no item 6.2 do Relatório Fiscal, a remuneração da mãodeobra contida nas notas fiscais/faturas/recibos foi motivo sim de revisão no presente lançamento conforme se verifica no abaixo transcrito: 6.2 As remunerações da mãodeobra contidas nas notas fiscais/faturas/recibos foram calculadas com a aplicação, sobre o valor total das notas fiscais/faturas/recibos, dos percentuais previstos no inciso I do art. 600 da Instrução Normativa IN SRP n° 03, de 14/07/05, da Secretaria da Receita Fl. 585DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12898.001513/200914 Acórdão n.º 2403002.888 S2C4T3 Fl. 5 7 Previdenciária, abaixo transcrita, conforme demonstrado no anexo 01 a este relatório. IN SRP n° 03. de 14/07/05: Art. 600. Para fins de aferição, a remuneração da mãodeobra utilizada na prestação de serviços por empresa corresponde ao mínimo de: I quarenta por cento do valor dos serviços constantes da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços;" A instância a quo também registrou que a contratante não teria apresentado os contratos e notas fiscais, entretanto no sobredito item 6. 2 do Relatório fiscal a autoridade autuante regitra que montara a planilha ( anexo I ) com base nas notas fiscais. Aduz que na referida planilha se observa também dados dos contratos dos serviços prestados: "23. Como a contratante não apresentou à fiscalização os documentos referidos, assim como os contratos e notas fiscais correspondentes aos serviços executados, foi arbitrada a base de cálculo a partir da técnica de aferição indireta, procedimento que tem amparo no art. 33, §3° da Lei 8212/91, não havendo, portanto, qualquer violação ao princípio da verdade material." A sobredita afirmação contida no voto a quo se apresenta contraditória ao que afirmara no item 4 do relatório do referido julgamento, verbis: "4. Explica o autuante que, utilizando da prerrogativa contida nos parágrafos 3° e 6° do artigo 33 da lei n° 8.212/91, arbitrou a base de cálculo das contribuições lançadas, a partir do valor das Notas Fiscais emitidas pela prestadora, adotandose o percentual de 40% determinado pela Instrução Normativa n° 03/2005." Na busca dos documentos em que autoridade autuante construiu a planilha de fls. 29 ( anexo I) com dados das notas fiscais e dos contratos, é relevante ressaltar que esta não os colacionou para que efetivamente pudesse fazer prova da autenticidade dos registros planilhados. Nos contratos de fls.214,220 ,225, 230 e235, todos trazidos à colação pela autuada, registram pactos de empreitada global com fornecimento de material. Relevante fazer o destaque tendo em vista que ao se estabelecer as bases de cálculo das remuneração mediante aferição indireta a autoridade autuante considerou os valores totais das notas como mão de obra conforme revela no item 6.2 de seu relatório fiscal às fls. 24: 6.2 As remunerações da mãodeobra contidas nas notas fiscais/faturas/recibos foram calculadas com a aplicação, sobre o valor total das notas fiscais/faturas/recibos, dos percentuais previstos no inciso I do art. 600 da Instrução Normativa IN SRP n° 03, de 14/07/05, da Secretaria da Receita Previdenciária, abaixo transcrita, conforme demonstrado no anexo 01 a este relatório. Fl. 586DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 DAS NOTAS FISCAIS E DOS RECOLHIMENTOS DA CONTRATADA Colacionadas pela autuada, às fls. 243/296 e 302/314, registram respectivamente, as notas fiscais e as guias de recolhimento GRPS da contratada efetuadas para pagamento no período autuado. A autuada reclama de que não houve aproveitamento dos valores e que o arbitramento de crédito tributário em face da Recorrente deve ser revisto em razão da existência de recolhimento prévio pela contratada. Ressaltese que nos autos não se alcançam aproveitados os recolhimentos mediante as GRPS da contratada nem para redução do crédito e tampouco para ilidir a responsabilidade do solidário. DA ORDEM DE SERVIÇO INSS/DAF Nº 185, DE 31 DE MARÇO DE 1998 No Relatório da instância a quo, embora esta não tenha efetivamente se manifestado à respeito, se permite inferir que, no silêncio, corroborou o registro que fez no item 5.3 a autoridade autuante quando deu suporte ao lançamento pela instrução da Ordem de Serviço INSS/DAF N° 165, de 11/07/1997 que entendeu vigente à época dos fatos geradores , verbis: "5.3 O INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS, através da Ordem de Serviço INSS/DAF n 165 de 11/07/97, alterada pela Ordem de Serviço INSS/DAF n° 185, de 31/03/1998, ... " Cumpre destacar o equívoco, posto que por ocasião dos fatos geradores a OS supra havia sido alterada pela nova redação dada pela ORDEM DE SERVIÇO INSS/DAF Nº 185, DE 31 DE MARÇO DE 1998, cujo art. 21 tratava da elisão da responsabilidade solidária decorrente de serviços prestados por empresas de construção civil, podendo essa ser elidida à vista de apresentação de cópia de GRPS com recolhimento englobado no CGC da empresa, ou mediante a consulta ao contacorrente de suas contribuições no INSS, nos meses em que houver a prestação de serviço, não se aplicando o disposto no item 16 e subitens 27.1 e 27.2, na hipótese de o serviço estar incurso no rol descrito no Anexo I da OS supra, verbis: " ASSUNTO: Altera a ORDEM DE SERVIÇO INSS/DAF n °165, de 11 d julho de 1997, que estabelece critérios e rotinas para a fiscalização de obra de construção civil de responsabilidade de pessoa jurídica e construção em nome coletivo. (...) 21 A responsabilidade solidária decorrente de serviços prestados por empresas de construção civil que exerçam atividades relacionadas no Anexo I poderá ser elidida à vista de apresentação de cópia de GRPS com recolhimento englobado no CGC da empresa, ou mediante a consulta ao contacorrente de suas contribuições no INSS, nos meses em que houver a prestação de serviço, não se aplicando o disposto no item 16 e subitens 27.1 e 27.2." Fl. 587DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12898.001513/200914 Acórdão n.º 2403002.888 S2C4T3 Fl. 6 9 Como visto alhures, o período autuado constituiu créditos sobre os fatos geradores ocorridos nas competências 08 a 12/1998, na vigência pois da ORDEM DE SERVIÇO INSS/DAF Nº 185, DE 31 DE MARÇO DE 1998. Nos contratos colacionados às fls. ??????/, pactuaramse serviços para construção de rede externa duto. Relevante ressaltar que não houve aprofundamento na ação fiscal para se obter informações sobre se os serviços estariam ou não enquadrados no rol descrito no Anexo I abaixo transcrito, da OS/INSS/DAF Nº 165 alterado pela OS/INSS/DAF N 185/98. : "Anexo I da os/inss/daf nº 165, de 11/07/97, alterado pela os/inss/daf nº 185 , de 31/03/98 Atividades não sujeitas a exigibilidade de GRPS específica para isenção de responsabilidade solidária (GRPS GENÉRICA) a) instalação de estrutura metálica; b) instalação de estrutura de concreto armado (prémoldada); c) jateamento de areia; d) impermeabilização; e) obras complementares, em edificações, de: ajardinamento. recreação; terraplenagem; urbanização; f) fundações especiais (exceto lajes de fundação “radiers”); g) instalações de: antena; aquecedor; arcondicionado; bomba de recalque; calefação; elevador; equipamento de garagem; equipamentos de segurança e contraincêndio; esquadrias de alumínio; fogão; incineração; playground; sistema de aquecimento a energia solar; telefone interno; ventilação e exaustão. h) colocação de gradis; i) perfuração de poço artesiano; j) sondagem de solo; Fl. 588DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 l) controle de qualidade de materiais; m) montagem de torres; n) locação de equipamentos; o) serviços de topografia. " DA AFERIÇÃO INDIRETA A autoridade autuante revela no item 6 e 6.1 de seu Relatório Fiscal que procedeu lançamento por aferição indireta com respaldo nos § § 3° e 6° do art. 33 da Lei 8.212/91, verbis: "6 Apuração das bases de cálculo dos valores lançados: 6.1 Considerando o disposto nos subitens 5.1 a 5.4, esta fiscalização usou da prerrogativa contida no parágrafo 3° e 6° do artigo 33 da Lei Na 8.212/91, transcrito abaixo, efetuando lançamento do débito por arbitramento, sendo as bases de cálculo das contribuições devidas apuradas tendo como critério a aferição indireta: "Art. 33. § 3a Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social INSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário" Cabe ressaltar que embora a autoridade autuante tenha registrado que o lançamento por aferição indireta teve fulcro , também, no § 6° do artigo 33 da Lei n° 8.212/91, colacionou apenas o comando previsto no 3°. Aduz que na forma do preceituado no § 6º a aferição indireta é procedimento previsto para hipótese de no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento. Na leitura do Relatório Fiscal não se encontra registro desconsiderando a contabilidade ou a autenticidade de qualquer outro documento que a autoridade autuante tenha tido acesso e assim proceder com aferição indireta, verbis:" § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário " DAS INSTRUÇÕES SUPERVENIENTES Fl. 589DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12898.001513/200914 Acórdão n.º 2403002.888 S2C4T3 Fl. 7 11 Retornando ao multicitado item 6.2 do Relatório Fisca, a autoridade autuante registra que aferiu as remunerações da mãodeobra contidas nas notas fiscais/faturas/recibos com base no art. 600 da Instrução Normativa IN SRP n° 03, de 14/07/05. Assim, tendo presente que a autuação referese aos fatos geradores compreendidos no período 01 a 10 de 1998 , a instrução é claramente superveniente, verbis: "6.2 As remunerações da mãodeobra contidas nas notas fiscais/faturas/recibos foram calculadas com a aplicação, sobre o valor total das notas fiscais/faturas/recibos, dos percentuais previstos no inciso I do art. 600 da Instrução Normativa IN SRP n° 03, de 14/07/05, da Secretaria da Receita Previdenciária, abaixo transcrita, conforme demonstrado no anexo 01 a este relatório. IN SRP n° 03. de 14/07/05: "Art. 600. Para fins de aferição, a remuneração da maodeobra utilizada na prestação de serviços por empresa corresponde ao mínimo de: I quarenta por cento do valor dos serviços constantes da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços;" " A análise do processo em comento não revela que após o lançamento anulado se tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades fiscais ou outorgado ao crédito tributário maiores garantias ou privilégios que poderiam ensejar aplicação de instruções posteriores . Isto não ocorrendo, a aplicação de norma superveniente para a obtenção das bases de cálculo macula o lançamento de nulidade. DA NECESSIDADE DE AUDITORIA FISCAL NA CONTRATADA Enfrentando a questão em epígrafe, na condução do voto, a i. Julgadora exortando a Portaria MPS/SRP/DEFIS n° 02, de 05 de fevereiro de 2007, ressaltese, instrução superveniente aos fatos geradores, ela mesma sublinhou que ali se determina que o auditor deveria ter verificado as informações relativas a empresa contratada, visando à verificação da regularidade da obrigação tributária a ser exigida, de forma a evitar o lançamento de crédito já extinto. Na oportunidade a instância a quo citando a decisão que anulou a NFLD substituta afirmou que não há registro de fiscalizações com exame da contabilidade na prestadora : "19. De acordo com a Portaria MPS/SRP/DEFIS n° 02, de 05 de fevereiro de 2007 Anexo II, item 8.4.3, o auditor deverá analisar as informações disponíveis relativas a todos os devedores solidários, visando à verificação da regularidade da obrigação tributária a ser exigida, de forma a evitar o lançamento de crédito já extinto ou que já esteja sendo discutido ou cobrado judicial ou administrativamente. 20. Conforme as informações constantes da decisão anterior, não há registro de fiscalizações com exame da contabilidade na Fl. 590DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 prestadora, o que, por si só, considerando a inexistência de benefício de ordem na solidariedade, autoriza o procedimento na empresa tomadora, tendo em vista restar afastada a possibilidade de lançamento em duplicidade. 21. Assim, restou comprovado que não houve extinção do crédito pelo pagamento ou sua inexigibilidade decorrente de outro lançamento com o mesmo objeto. " A decisão a qual o i. Julgador se refere no item 20 encimado, consta colacionada às fls.30 e tratase do Acórdão 0001326 que, em 23/05/2005, anulou a NFLD substituída dando origem ao lançamento em comento. Salvo melhor exame, no sobredito acórdão não se fez registro algum de que a contratada tenha sido fiscalizada com ou sem exame da contabilidade no período anulado. Informações concretas sobre ter havido ou não a fiscalização, mesmos nos dias presentes podem ser obtidas mediante simples consulta nos sistemas para em seguida se colacionar para efeito de provas. A respeito do sobredito, o art. 37 da lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, preceitua que ocorrendo a existência de fatos e dados registrados em documentos na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício sua obtenção , verbis : "Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. " Anterior a Portaria MPS/SRP/DEFIS n° 02, de 05 de fevereiro de 2007, a que se refere o i. Julgador , com o mesmo propósito, a portaria SRP/DEFIS nº 018, de 10 de outubro de 2006, embora também superveniente, por conservadorismo, para evitar a nulidade dos lançamentos do gênero em comento, a Administração já houvera determinado que nas ações fiscais as autoridades autuantes verificassem se foram analisadas as informações disponíveis relativas ao devedor solidário, de que não houve ação fiscal com exame de contabilidade contra este e que os créditos referentes a prestação de serviço então tributada não foram objeto de lançamento anterior e ainda que tal cumprimento devesse constar do Relatório Fiscal, vide anexo IV, item 11.4.3 da referida Portaria A essência do que fora determinado na Portaria revela diligente preocupação da Administração e não traz nada de original posto que tal procedimento deveria ter sido sempre praticado. Aduz que não consta do Relatório Fiscal que tais aspectos tivessem sido observados na ação fiscal em comento. DA JURISPRUDÊNCIA Não tendo havido registro nos autos das providências supracitadas , a jurisprudência deste Conselho concorre para concluir pela nulidade do lançamento, senão vejamos : “ SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° 11330.000934/200749 Fl. 591DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12898.001513/200914 Acórdão n.º 2403002.888 S2C4T3 Fl. 8 13 Recurso n° 150.621 De Oficio Matéria RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Acórdão 20601.551 Sessão de 06 de novembro de 2008 Recorrente DRJ RIO DE JANEIRO Interessado PETROBRÁS PETRÓLEO BRASILEIRO S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/1995 a 31/05/1998 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO RECURSO DE OFICIO NOTIFICAÇÃO FISCAL E LANÇAMENTO DE DÉBITO RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA PROCEDIMENTO FISCAL NA CONTRATADA EXAME DA CONTABILIDADE LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE. A autoridade fiscal constatando que um ou mais dos devedores solidários havia sido objeto de auditoria fiscal com exame da contabilidade, o auditor deveria absterse de constituir o crédito previdenciário. ( grifos do Relator) Recurso de Oficio Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o(a) advogado(a) da recorrente Dr(a). Renato de Oliveira Silva, OAB/RJ n° 133.477. ELIAS SAMPAIO FREIREPresidente ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Rogério de Lellis Pinto, Bemadete de Oliveira Barros, Cleusa Vieira de Souza, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. ” “ Segundo Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 20601550 do Processo 11330000897200731 06/11/2008 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/1995 a 30/11/1998 PREVIDENCIÁRIO Fl. 592DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 CUSTEIO RECURSO DE OFÍCIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA PROCEDIMENTO FISCAL NA CONTRATADA EXAME DA CONTABILIDADE LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE. A autoridade fiscal constatando que um ou mais dos devedores solidários havia sido objeto de auditoria fiscal com exame da contabilidade, o auditor deveria absterse de constituir o crédito previdenciário. Recurso de Ofício Negado.” “Segundo Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 20601548 do Processo 11330000889200794 06/11/2008 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/1995 a 31/05/1998 Ementa: PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO RECURSO DE OFÃ CIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA PROCEDIMENTO FISCAL NA CONTRATADA EXAME DA CONTABILIDADE LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE. A autoridade fiscal constatando que um ou mais dos devedores solidários havia sido objeto de auditoria fiscal com exame da contabilidade, o auditor deveria absterse de constituir o crédito previdenciário. Recurso de Ofício Negado.” “Segundo Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 20601702 do Processo 11330000890200719 04/12/2008 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/1995 a 30/03/1996 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Não cabe o lançamento por solidariedade na contratante de serviços com cessão de mãodeobra quando constatada a ocorrência de ação fiscal na empresa prestadora, com exame de contabilidade por todo o período abrangido pelo lançamento. Recurso de Ofício Negado.” DO STJ Na forma já pacificada no STJ, recente decisão no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.348.395 – RJ (2012∕02105299) vem de esposar a tese reiterada neste Conselho : " AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.348.395 – RJ (2012∕02105299) Fl. 593DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12898.001513/200914 Acórdão n.º 2403002.888 S2C4T3 Fl. 9 15 RELATOR : MINISTRO HUMBERTO MARTINS AGRAVANTE : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL AGRAVADO : LIGHT SERVIÇOS DE ELETRICIDADE S∕A ADVOGADOS : CARLOS HENRIQUE DA FONSECA MAURO ROBERTO GOMES DE MATTOS NYLSON DOS SANTOS JUNIOR EMENTA TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ENTRE PRESTADOR E TOMADOR DE SERVIÇOS. ART. 31 DA LEI N. 8.212∕91 (REDAÇÃO ORIGINAL). CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. VERIFICAÇÃO PRÉVIA DO PRESTADOR DE SERVIÇO. PRECEDENTES. SÚMULA 83∕STJ. 1. A jurisprudência do STJ reconhece, nos termos do art. 31 da Lei n. 8.212∕91, com a redação vigente até 1º.2.1999, a inviabilidade de lançamento por aferição indireta, com base tão somente nas contas do tomador do serviço, pois, para a devida constituição do crédito tributário, fazse necessário observar se a empresa cedente recolheu ou não as contribuições devidas, o que, de certo modo, implica a precedência de fiscalização perante a empresa prestadora, ou, ao menos, a concomitância. Incidência da Súmula 83∕STJ. 2. O entendimento sufragado não afasta a responsabilidade solidária do tomador de serviço, até porque a solidariedade está objetivamente delineada na legislação infraconstitucional. Reprimese apenas a forma de constituição do crédito tributário perpetrada pela Administração Tributária, que arbitra indevidamente o lançamento sem que se tenha fiscalizado a contabilidade da empresa prestadora dos serviços de mão de obra. Agravo regimental improvido. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA Turma do Superior Tribunal de Justiça: “A Turma, por unanimidade, negou provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a)Relator(a), sem destaque e em bloco.” Os Srs. Ministros Herman Benjamin (Presidente), Mauro Campbell Marques, Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3a. Região) e Castro Meira votaram com o Sr. Ministro Relator. Brasília (DF), 27 de novembro de 2012(Data do Julgamento) Fl. 594DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 MINISTRO HUMBERTO MARTINS Relato DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL SUPERVENIENTE Às fls.08, no Relatório de Fundamentos Legais do Débito FLD restou consolidado no item 061 a motivação legal para aferição indireta na construção civil onde se utilizaram da Lei 10.256, de 09.07.2001, também posterior aos fatos geradores : " 061 CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS APURADAS POR AFERIÇÃO INDIRETACONSTRUCAO CIVIL 061.03 Competências : 01/1998 a 07/1998 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 33 (com redação posterior da Lei n. 10.256, de 09.07.2001), parágrafos 3., 4. e 6.; Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social ROCSS, aprovado pelo Decreto n. 2.173, de 05.03.97, artigos 50, 52, 53 e 54; " Por fim, é de realce observar que não bastasse as ocorrências encimadas, às fls. 20 , quando da emissão do Termos de Encerramento de Procedimento Fiscal TEPF, no que concerne a informação da Descrição do Procedimento Fiscal, a autoridade autuante, no campo reservados aos documentos examinados, dentre os rol pré definido, registrou que somente examinou o Livro de Registro de Empregados DA ADMINISTRAÇÃO E DA REVISÃO DOS ATOS O dever de a Administração rever seus atos, zelando pela sua legalidade, está expresso no artigo 53, da Lei 9.784/1999 e na Súmula 473 do Supremo Tribunal Federal DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL A verdade material é um princípio específico do processo administrativo, contrapondose ao princípio do dispositivo, próprio do processo civil. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fator gerador e a constituição do crédito tributário. Fl. 595DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12898.001513/200914 Acórdão n.º 2403002.888 S2C4T3 Fl. 10 17 Deve, portanto, o julgador, exaustivamente, pesquisar se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado. Dessa forma o administrador é obrigado a buscar não só a verdade posta no processo como também a verdade de todas as formas possíveis. A própria administração produz provas a favor do contribuinte, não podendo ficar restrito somente ao que consta no processo. DA NULIDADE A inteligência do § 1º, II do artigo 59 do decreto 70.235/72 permite constatar que a nulidade do ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. “ O Decreto 70.235/72 : Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. Se o lançamento apresentar vício em seu processo de formação não respeitando os dispositivos de sua formalização, é caso de anulação, por vício de forma. Se o vício estiver instalado na produção, em sua dinâmica, com defeito na composição, mediante explícita presunção e ausência de provas, ônus do sujeito ativo, ensejará a nulidade dado que o conteúdo do ato estará eivado de vício material comprometedor do crédito e da sua motivação . DO ART. 142 DO CTN Aduz que no comando do artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN , o legislador determinou cumprir com clareza a motivação do lançamento, verbis: “ Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Fl. 596DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 18 Em razão de tudo que foi exposto, não há como corroborar sustentável o lançamento posto que eivado de VÍCIOS INSANÁVEIS. Desse modo , por economia processual, sequer adentro o mérito. CONCLUSÃO Desse modo, conheço do Recurso para em PRELIMINAR determinar a nulidade por VÍCIO MATERIAL . É como voto. Ivaccir Júlio de Souza Relator Fl. 597DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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